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FRIEDRICI{

N IETZSCI.Iffi

ÜtsRAS INCON4PLETAS
CtrP-Brasil. Catalogação-na-Publicação Câmara Brasileira do Livro, SP Nietzsche, Friedrich Wilhelm, 1844-1900. Obras incompletas ,/ Friedrich Nietzsche ; seleção de textos de Gérard Lebrun ; tradução e notas de Rubens Rodrigues São 3. ed. Torres Filho ; posfácio de Antônio Cândido.

N5Blo
3.ed.

Paulo : dbril Cultural, 1983.

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Os pensadores

Inclui vida e obra de Nietzsche. Bibliografia. Filosofia alemã2. Nietzsche, Friedrich Wilhelm, I. Lebrun, Gérard, 1930 - II. Cândido, Antônio, l91B - XIL Título. IV. Série.
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Seleção de textos de Gérard I-ebrun

1844-1900

cDD-193
83-0257

Tradução e notas de Rubens Rodrigues Torres Fitrho Posfácio de ÀnÍômio Cândido

-190.92

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índices para catálogo sistemático:

Alemanha; Filosofia

193

2. Filosofia alemã 193 3. Filósofos alemães 193 4. F'ilósofos modernos : Biografia e obra 190.92 5. Nietzsche : Obras filosóficas 193

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1983

EDITOR.: VICTCIR. CWTIA

1974. 1978.A. Artigo publicado sob licença de dntônio Cândido de Mello e SÕuza. São Paulo.Vida e Obra". Also sprach Zarathustra Jenseits von Gut und Boese ' Zur Genealogie der Moral Goetzen-Daemmerung Ecce Homo Die ewige Wìederkunft "Dichters Berufung" . Cultural e Industrial. Cultural 23 edição. Direitos exclusivos sobre as traduções deste volume. ' Der Antichrist NmffiTZSffiffiffi O Copyright Abril S. e trndustrial.) Morgenroete Die froehliche Wíssenschoft (La Gayq Scienza) . São Paulo. São Paulo ("O Portador"). Abril S. CulturaÌ e Industrial.. T'ítulos originais: Die Geburt der Tragoedie aus dem Geist der Musik Die Philosophie im íragischen Zeitalter der Griechen Ueber Vlahrheit und Luege in aussermoralischen Sinne Unze i t gemaesse B e t rac h tu n g en Menschliches Allzumenschliches (19 e 29 vot. 1983. - 3l edição. VilDA F OtsRA Pesquisa: @lgária Ctrnairn Ferez Consultoria: Marilena de Souza Chauí .A. Abril S. Direitos exclusivos sobre "Nietzsche . São Faulo.A."Im Sueden" "Der Wanderer der Armut des Reichsten" .

mas esse Não!." (N. ) Quem pergunta a seus conhecidos se desejariam viver mais uma vez os últimos dez ou vinte anos perceberá facilmente quem dentre eles está preparado para aquele ponto de vista supra-histórico: decèrto todos responderão: Não !. - t "E dos detritos da vida esperam arrecadar/O que o primeiro vivo jorro não pode dar.IA PAR. de ruminação. então talvez nenhum lrlósofo tenha mais razão do que o cínico: pois a felicidade do animal. chegam à total unanimidade da proposição: o passado. sem vertigem e medo. a avidez e a privação.2 Vamos denominá-los homens históricos. O que poderiam ensinar dez novos anos. até mesmo da escrita de signos que continua a jorrar sempre nova: pois como. talvez. a ponto de dizer. ção. Ou. a seu coração: "Nada vive. talvez. Quem não se instala no limiar do instante. simplesmenl-e viver. no decorrer de seu processo. enquanto dura a feiicidade. entenderem o presente e aprenderem a desejar com mais veemência o futuro. um homem que não possuísse a força de esquecer. são aqueles de quem David Hume zombeteiramente diz: Itr - DA UTILIDADE E DESVANTAGEM DA HISTÓR. em todas as línguas. se simplesmente é ininterrupta e faz fehz ininterruptamente. esquecendo todos os passados. A menor das felicidades. do T. ou seja. como o bom cÌiscípulo de Herâclito. nunca fará algo que torne outros felizes. cada um deles fundamentará diferentemente. Fênsem o exemplo extremo. .e o presente são um e o nJesmo. acende a esperança de que a justiça ainda vem. nada mais. pode também ser res pondida de outro modo. quem não ê capaz de manter-se sobre um ponto como uma deusa de vitória. What thefirst sprightly runníng could not gíve. a faculdade de. mas também escuro. se o sentido da doutrina é felicidade ou resignação. não acredita inais em si. a despeito de toda a sua história. (. mas. Mas aquela pergunta.de línguas diferentes correspondem às nìesmas necessidades tipicamente estáveis dos homens. para explicar-me aìnda mais simplesmente sobre meu tema: há um grau de insônía. virtude ou expiaquanto a isto os homens supra-históricos nunca estiveram de acordo entre si. para quem o mundo em cada instante singular está pronto e aÌcançou seu termo.A A VIDA ( r 874) Andfrom the dregs of life hope to receíve. sem esquecimento. na consideração do processò atê agora. aquilo que Íìrma o vivente na vida e o força a viver. virâ cadavez mais à luz. nunca saberá o que é felicidade e. e como até mesmo sua ocupação com a história não está a serviço do conhecimento puro. no qual o viv'ente chega a sofrer dano è porfim se at'ruína. como incidente extravagante. cuja primeira resposta ouvimos. com Giacomo Leopardi. eles pensam e agem. que estivesse condenado a ver por toda parte um vir-a-ser: tal homem não acredita mais em seu próprio ser. não chegaria ele à saciedade. uma formação estável de valor inalterado e significação eternamente igual. Dor e tédio ê nosso ser e o mundo é lodo Aquiela-te". de que a felicidade está atrás da montanha em cuja direção eles caminham. é a prova viva da razão do cinismo. mal ousará levantar o dedo. e mesmo viver feliz. e a Terra não merece um só suspiro. pior ainda. Todo agir requer esquecimento: assim como a vida de tudo o que é orgânico requer não somente luz. e mesmo ao nojo ! De tal modo que o mais temerário açabarâ. que não vê a salvação no processo. sentír a-hístoricamente. que os dez anos passados não loram c^pazes de ensinar ! Agora. Um homem que quisesse sempre sentir apenas historicamente seria semelhante àquele que se forçasse a abster-se de dormir. mas da vida. dito mais eruditamente. que venha somente como um episódio. Mas nas menores como nas maiores felicidades é sempre o mesmo aquilo que faz da felicidade felicidade: o poder esquecer ou. Não sabem quão a-historicamente. por espera- Não fundamentado de outro modo. que fosse digno De tuas emoções. como mostra o animaÌ. de tal modo que um que entendesse essas necessidades não poderia aprender. . adivinhando com clarividência o sentido primordial dos diferentes hieróglifos e pouco a pouco afastando-se. Decerto mais uma ve4 cor'n um Não ! mas com um $r () Se é uma feÌicidade. de sentido histórico. ou ao animal que tivesse de sobreviver apenas da ruminação e ruminação sempre repetida. inflama seu ânimo a ainda por mais tempo concorrer com a vida. eÌes só olham para trás paÍa. nada de novo: assim o pensador supra-histórico ilumina toda a história dos povos e dos indivíduos de dentro para fora. em toda diversidade são tipicamente iguais e.C ONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS 59 rem confiantes: "Mas os próximos vinte serão os melhores". por assim dizer como humor. na infinita profusão do acontecimento. em contraposição a todos os modos históricos de considerar o que passou. o olhar ao passado os impele ao futuro. como onipresença de tipos imperecíveis. se é uma ambição por uma nova felicidade-em um sentido qualquer. à saturação. Esses homens históricovacreditam que o sentido da existência.) . vê tudo desmanchar-se em pontos móveís e se perde nesse rio do vir-a-ser: finaimente. entre o purc desprazer. Com o Nàô do homem supra'histórico. Assim como as centenas . mas é inteiramente impossívei. Portanto: é possível viver quase sem lembrança. que é o cínico perfeito. é sem comparação mais felicidade do que a maior delas. cansado. seja ele um homem ou ttm povo ou uma civilízação. Uns.

no entanto quão fluida e oscilante. Alemanha. ) certamente um tal astro. pois ag-ora a dúvida. e não a conexão verdadeiramente histórica de causas e efeitos que. por uma vez. ou Seja' apresentá-los como modelares e dignos de imitação: de tal modo que' porque ela prescinde o mais possível das causas. segue com ânimo sua marcha. poderia o forte desejar a história monumental em toda a sua veraciddde icõnica. l A Éistória. de um povo. Até então. ê útil ao homem do presente a consideração monumental do passado. e sempre' em uma outra Conjuntura. conhecido pura e completamente e resolvido em um fenômeno de conhecimento. e estabelecerei diretamente Um fenômeno histórico.. é. (. educados e atuantes em urn novo àspírito. sempre depreciará a dilerença dos motivos e das ocasiões. Colombo descobrirá outra vez a América. com que violência é preciso meter a individualidade do passado dentro de uma forma universal e quebráìa em todos os ângulos agudos e linhas' em beneficio da concordância ! No fundo. e isso até os mínimos pormenores: de tal modo que sempre. monumentalizar oS effectus. o que vive. com pouco exagero. o que sabe. pieciiamente isso. estar seguros de possuir mais vida do que èles: pois assim. só é algo salutar e que promete luturo em decorrência de um e nôuo fluxo de vida. no caso de uma certa desmedida de história. ( . morto: pois ele conhesombrio ce:u nele a ilusão. todas as perspectivas. poderá e deverá toraté que grau nar-se ciência pura. A cultura histórica. degenera. A história pensada como ciência pura e tornada soberana seria uma espécie pelo de encerramento e balanço da vida para a humanidade. para tiás. sua e terrestre desse lenômeno potência histórica. então. recorrerei a um procedimento algumas teses' servou intacto através das idades. Mas a questão: geral do serviço da história. a injustiça.nËtno.possívelumavez ei-por isso. cada fato precisamente descrito em sua especificidade e singularidade: provavelmente. se interpôs. para aquele que o conhece. portanto' não antes que os astrônomos se tenham tornado outra vez astrólogos. é propriamente um tal l'efeito em si": é ele que não deixa dormir os ambiciosos. a paixão cega. aquilo que loi possível uma vez só poderia comparecer pela segunda vez como possível se os pitagóricos tivessem Íazão eÍn acreditar que. para. pode ser que çja possível mais uma vez. Agora. seria essa comparação ! Quantas dife-. ao infinito. o mesmo deus ex machína. caso pudermos. . para. para dar cabo do eruditismo que precisamente agoÍa se tornou moda na pela ciêncía. universalizarâ e por fim igualará o desigual.u. a matemática. também sobre a Terra tem de se repetir o m€smo. de uma civilização vindo a ser.) $2 $4 È. se os outros têm uma certa disposição entre si. â mesma catástrofe. aprender ainda aÌgo de novo E. poderíamos denominá-la. completamente conhecida. poderoso contrário. que está guardado como um amuleto no coração dos empreendedores. um astro luminoso e soberbo. preconceito oçidental. E para que não subsista nenhuma dúvida sobre o sentido que se conáessa oposição entre vida ç sabèdoria. degenera também a própria história' e por fìm. por exemplo. Íetornassem a int€i'valos determinados. de pensar que talvez queira o impossível é eliminada. em todo caso. está a serviço de uma potência a-histórica e por isso nun.'simplesmente. Admitamos que alguém acredite que não seria preciso mais do que cem homens produtivos. na medida em que a vida mais alios no tocante à saúde cJe um homem.ro 'NInrzscHr : . nossa falta de sabedoria terá mais fruto do que a sabedória deles. portanto ela somente quando é domìnada e'çonduzida por uma força superior e não é está a serviço da vida. no interior desses preconceitos' pelo menos façamos progresso e não nos detenhamos ! Contanto que aprendamos cada vez / Então . essa potência tofnou-se para ele. Até onde houve um vir-a-ser. como se Íôssemos os ativos e em progresso' como oS nossa apreciação do histórico seja apenas um adoraàores do processo. Nenhuma geração viu ainda a hisum espetáculo tão inabarcável como o que a ciência do vir-a-ser universal. um estóico pode aliarSe Outra Vez COm um epicurista e assassinar César. ao perceber que a civilização do Renascimento ergueu-se Sobre os ombros de um tal grupo de cem homens. até lá se deslouma vez precipita. impotente: talvez ainda não para ele. . alegrai-nos de coração com nossa falta de sabedoria e fazer para nós um bom dia. de uma civilização. à custa das causas. como. quão inexata. a vida desmorona e com essa degeneração. a . a história -'monumental não poderá usar daquela veracidade total: sempre aproximará. para que elafaça aquele efeito fortifiçante. aliás. CONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS 6I ' Ìvlas deixemos o homem supra-histórico com seu nojo e sua sabedoria: hoje preferimos. contantoique. Somente se a Terra iniciasse sempre de novo Sua peça de teatro depois do quinto ato. que o assalta em lÌoras mais fracas. se estivesse fìrmemente estabelecido que o mesmo nó de motivos.. digamos. uma coletânea de "efeitos em Si". Aquilo que é celebrado nas festas populares. e em geral todo o horizonte e aO mcsmo tempo conheceu' preCisamente nisSo. só provaria que nunca sairá de novo um resultado exatamente igual no jogo de dados do futuro e do acaso.se sobre caram.n qu". como ele haveria de se sentir fortalecido. Pois. nesse mesmo exemplo. o ocupar-se com os çlássicos e oS Íaros de tempos antigos? Ele aprende iom isso que a grandeza. nessa subordinação. isto é. é uma das questôes e cuidados precisa em mesma que domina e Que conduz. a cultivar história em função dos hns da vida grado aos supra-históricos que eles possuem mais sabedoconcederemos de bom ria do que nós. que existiu uma vez' foi. (-) . quando ocorre a mesma constelação dos corpos celestes. renças é preciso negligenciar. nos dias comemorativos religiosos ou guerreiros. pela exigência de que a históconstelação efetivamente se alterou ria seja'ciêncta. Agora não é mais Somente a vida que rege e refreia o sab€r em que era torno do passado: todas as estacas de limite foram arrancadas e tudo o o homem. de acontecimentos que em todos os tempos larão efeito. em todo caso.

ou seja. fala-se. se um homem contemporâneo tivesse de retornar. que se tem o conteúdo e que falta somente a forma. não acho. o que é estrangeiro e desconexo entre si se agÌomèra. mas estes mesmos estão em conrbate entre si. a portar-se como estóico. por. um heleno antigo extraviado em nosso tempo nos dirigisse a palavra. indignas há de cair. a Íatufeza se esforça ao extremo para acolher esses hóspedes estrangeiros. Se então ele pronunciasse sua frase: alguém pode SeÍ muito culto e no entanto não ter nenhuma culturà histórica. e todo o resto é simplesmente impossível: assim o quer.conto. si. costumes e covardias dos homens. e mesmo contra a necessidade.". e como tais. enciclopêdias ambulantes. Todo hlosofar moderno está política e policialmente limitado à aparência erudit.. ocasionalmente. Aquele pequeno povo bem conhecido. isso túo está tão profundamente oculto que não . muitas Vezes não significa. fortuita presa de caça do indivíduo. acreditafiam não ter ouvido bem e sâcudiriâm a cabeça. que ainda. apenas um. ela permanece monólogo erudito do passeador solitário. agora. oposição que os povos antigos não conhecem. Se é que têm carâter e modopróprio. aquilo que é efetivamente motivo e que' () Em que situações desnaturadas. a que não corresponde nenhum interior. de um passado não 3 Ha. ele conhece muito bem o traje humano interior. nós modernos não temos nada. porque estes não são homens. rnas apenas uma espécie de saber pensamento-de-cultuia.L NIETZSCHE demasiado distante C ONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS refiro-me justamente aos gregos ÕJ tória. se deita ao sol e evita todos os movimentos. políticos de hoje. costumes. a que não corresponde nenhum exterior. um sentido a-histórico. caso tivesse uma vez jurado fidelidade ao Pórtico. contenta-se em revestir envergonhadamente sua nudez. são puros ingleses encarnados. no interior da cultura histórica. igrejas. como se diz no.la a verdade. porque. por assim dizer. Ninguêm pode ousar cumprir a lei da Íìlosofia em si mesmo. o que quer que fizesse. uma deplorável imitação ou mesmo um grotesco esgar. O processo interno: tal ê. em um tempo que sofre de cultura gerâl. mas. talvez.que paÍA os homens modernos SeÍ "culto" e ter uma "Cultura hiStórica" parecem - -. é somente por nos enchermos e abarrotarmos com tempos. filosofias e reiigiões alheios que nos tornamos algo digno de atenção. mas apenas compêndios encarnados e. esta é uma oposição completamente indevida. e permanece escondido em um certo mundo interior caótico. com o que então o segredo tão meticulosamente oculto da cultura moderna seria descoberto.) Goethe diz uma vez de Shakespeare: "Ninguém mais que eÌe desprezou o traje material. academias. fica no tura efetiva. O hábito a uma tal vida doméstica desordenada. além dos mais necessários. artes. se torna visível na exterioridade. somente no agir. absolutamente não pode ser concebida. muito mais do que uma convenção indiferente. ordená-los e honrá-los. embora esteja fora de questão que eSSa Segunda ÍaÏnreza é muito mais fraca.ser interior: ele a baniria. com curioso orgulho. a filosoha. àquele mundo. e aí todos são iguais. no Sentimento-de-cultura. oculto segredo de gabinete ou inofensiva tagarelice entre anciãos acadêmicos e crianças.3 F'ormemos agora uma imagem do evento espiritual que se produziu. que esse homem moderno. se. isto é: não é de modo em torn6 da cultura. São homens ainda de pensar. (N. A fìlosofia. e parece neCessário dominar e vencer todos eles. isso não pode ser. o homem moderno fosse corajoso e decidido. e aos quais se adapta perfeitamente também a toga romana". () $5 qüila e em tudo menos sadia do que a primeira. artificiais e. É na interioridade que repousa então a sensação' igual à cobra que engoliu coelhos inteiros e em seguida.isso mesmo. mostra agora: é certo. então. a memória abre todas as suas portas e no entanto ainda não está suficiente- -. que obrigava um antigo. onde quer que estivesse. que impele para fora. em todo caso. escreve-se. muito mais intran- acharia os gregos muito "incultos". não tem direitos. por governos. Agora pergunto eu se seria sequer possível apresentar nossos literatos. do E. Em contrapartida. Que se ali tem um único desejo grego passando diante de uma tal cultura: ele perceberia pense. Sim. oü no reconhecimento: "era uma vez". então. O saber histórico jorra de fontes inexauríveis. que é absorvido em desmedida sem fome. Todo aquele que passa por que uma tal cultura não morra de indigestão. ele não seria. penaté aí tudo é sa-se. com aquela lealdade simples. sem efeito. torna-Se pouco a pouco uma Segunda natureza. homens são homens desde o fundo. tempestuosa e combatente. Diz-se que ele mostrou com perfeição os romanos.a. por exemplo. coiho romanos. para não perecer' ela mesma' nesse combate entre eles. sem aquela oposialgum uma culção. tal é propriamente a "cultura". quieta e serena. sem dúvida. . já não atua mais como motivo transformador. na alma do homem moderno. tão soliclários como se fossem um só e Somente se distinguissem pelo número das 'paiavÍas. designa como a "interioridade" que lhe é própria. não é nada de vivo. no período de sua máxima força. ninguêm vive filosoÍicamente. agora a coisa mesma. e um exterior. ensina-se hiosoÍìçamente permitido. abstrações concretas. porém. a honrada deusa nua.). uma quantidade descomunal de indigestas pedras de saber. em todo vivente. provavelmente havia preservado em mente aberta. sempre de novo e cada vez mais. também em suas inimizades. por toda parte. pereça a vida. é diferente: ali o permitido é sempre um só. por magia. um . para a zambaria pública: pois. que ela o mostra com a perigosa audácia do lema que escolheu:y'at veritãs. com isso. ele permanece no suspiro: o'mas se. caso queira ser mais do que uú saber interiormente recolhido.. na assim chamada vida. pereat víta. o saber. É certo que se diz.a cultura pergunta-se então ou talvez apenas máquinas histórica. impÍime-se. Com esses ioncos denuncia-se a propriedade mais própria desse homem moderno: a notável oposição entre um interior. roncam na barriga. homens do povo. Em um tal mundo da uniformidade exterior forçada. mas. funcionários. pelo menos. dela não resulta nenhuma decisão-de-cuitura. a mais verdadeira de todas as ciências. de escrever e de falar? como ato. O homem moderno acaba por arrastar consigo. Nossa cultura moderna. de nós mesmos.

l.ern historischetFildungsgebilde' ganz und gar Btldung' Bild' Form a presença Inhalt. grosseiro.111 cabeças mais idosas. forma e. para aquete "que examina as entranhas".que não um poeta. este se torna pouco a pouco' papel. somente na crença incondicional na perfeição e na justiça. o homem cria. Uma tal historiografia. Pouco a pouco falta toda congruência entre o homem e seu domínio histórico. educar) e do substantivo Sild(ima' do radical bitd -nos rermos: BÍtdun'g (eiltura).ìeíder nur schlechte Form.t. 1 E possa ser assim entendida e ponderada minha proposição: a história só pode ser suportada por personalidades fortes. História.) sond. CONSIDERAçÕES NtrETZSCHE EXTEMPORÃNEAS 65 pode desentranhar-se à luz do dia: se é que são homens. cortaram aS raízes de sua força: ele tem de se tornar árido. e justamente por isso desempenha cada um deles tão mal e superficialmente. está destruindo e limpando tcrreno para esperança construa sua casa Sobre o chão desimpedido. porém. como'foi dito.formação" antecipa à. mas involuntar:iamente. sob a regência da pura justiça.para o eunuco utu n-ìuih. e desempenha um papéis. absurdo. Que ninguém suponha' por trás disso. espectador. çonservar instintos ou mesmo despertii los. A dificuldade consiste em ressaltar do verbo bild. estaria em total contradição com o traço analítico e inartístico de nosso tempo . porém. nesse caso seria preciso tomar a assim chamajurista Floltda aìsociação protestante por matriz de uma nova religião e talvez o prelaciador da ainda mais assim chamada Bíblia protestante) zendorf (o editor e por João no rio Joráão. somente na qual elas podem viver. quando a justiça reina rorinhu. não são homem nem mulher. no entanto.. porque destrói as ilusões e retira às coisas sua atmosfera. pode acontecer seja o que for de bom ejusto. . de fato. desonesto. erradica o futuro. mas Sempre apenaS neutros ou.. pede conQuem não ousa mais confiar e111 Si. ou seja. que apenas destrói. totalmente. em sentido figurado. justamente contanto que a própria história fìque guardada. unicamente cultura. como se diz. vós o rebaixais até vós e. eleì mesmos. é como a outra. lindamente "objetiva". que a piedosa disposição à ilusão.gt.1 .. sempre vem à luz tanto de falso.Jma vez esvaziadas as subjetividades da maneira descrita. estrutura) e Bild' Impossivel reconstituir o gem.1ogo-qu" o texto laz em seguida com a palavra ''[orma")..Ìnânti.en (formàr.. sem que a conduza um impulso construtivo interior. n. como seus próprios corpora literários poderiam ser. o eternamente inacessível e assim é indiferente o que fazeis. (N. com o tempo.feminino' quero antes enunciar claramente que a sêrio a história com o considero. sofisticados e desnaturados seus insìrumentos: pois tais homens destroem ilusões e "quem destrói a ilusão em si mesmo e nos outros. como eterno masculino: só que para aqueles que cm tudo e por iudo têm "cultura histórica"' há de ser devidamente indiferente que eia sequer Seja um ou outro: eles mèsmos. fazer história. no mais das vezes até muitos pusilanimidade." iorr" uma ocupação tão boa como nova teologia parece ter-se deixado envolver com a história por pura inocência. à vontade. novos e vigorosos instintos construtivos. está a sãrviço do écrasez voltairiano. a história é o oposto da arte: e somente quando a história suporta ser transformada em. po. uniforme. . quando estes não são suhcientemente fortes para servirem de medida ao passado' para sentir. e atê mesmo será sentida por ele como falsificação. uô fint desse caminho estará aniquilada.Isso vem de que ela confunde o sentimento e asensação. si.obra de arte e. imagem. Somente envolto em sombras pela ilusão do amor.. em seguida: mas por Éacon? Ou Descartes? . {. Poi algum tempo. E. só o são. asÍracas Lh-e*ttÁgu. é necessariamente desbaratada: Somente no amor. ela pode. construtivo. um orador? E: por que em geral um que justo um hlósofo? Por g. como se secção e fossem vilia. são pequenos rapazoias petulantes que vemos tratar com oS romanoS' como e se estes fossem seus iguais: e nos restos mortais de poetas gregos eles revolvem também estes corpora estivessem jazendo prontos para sua discavam. então o instinto criador é despojado de sua lorça e de seu ânimo. como o mais rigoroso tirano-. Quàndo por trás do impulso histórico não atua nenhum impulso que um futuro já vivo na qìanao não t. (. .o . a n+tureza. portanto' tornar-se pura forma artística. mesmo quando ê exercida efetivamente e em intenção pura.und überdies Uníform. e ainda agora mal quer notar que cóm isso. que não um inglês.. Para todos os OUITOS São algO OutrO. talvez. seu julgamento é sempre uma Çondenação à morte. torna. eterno femipor aqueiós que nunca podem. ou Seja.do texto (por exemplo. como ato' como poesia. nem comuns-de-dois. até chegarem à eterna despersonalização ou. um turco? O passado não é suficientemente grande purá q. como . à objetividade' nada mais é capaz de ohne nachweistexto: (. Mas. uma religião que em todo e por tudo seja conhecida cientiÍlcamente. é uma virtude pavorosa' porque sempre solapa o que é vivo e o faz cair. violento. numa expressão mais culta. O lundamento disso está em que. ajude a propagação daquela inocência. quando reína irrefreado e traz todas as suas conseqüências. por selho junto à história: "Como devo sentir aqui?. apenas os eternamente-objetivos. Nesses efeitos.6. ÏJma religião.por exemplo. cópia) "iogo'r. talvez a Íilosoha hegeliana' ainda fumepor exem.l.) $7 O sentido histórico. do T. no cômputo históriço. é uma geração de eunucos. Em todo caso. está sempre em meus lábios a pergunta: mas por que justo Demócrito? For que não Heráclito? Ou Filon? Ou e assim por diante. a tradução de Form (propriamente Gábilde por. como música: logo o oco homem-de-cultura olha para além da obra e pergunta pela história do autor. encontre algo junto ao qual vós mesmos não ficásseis tão ridiculamente gratuitos? Mas. a mulher em agir sobre elas. o-castiga". provavelmente muito contra a vontade. para que não se crela que comparo eterno.. somente na qual pode viver tudo o que quer viver. não hámens. em particular' a ção. porêm. formação. além disso. mas formações culturais hitóricas.) . Gebitde (rotmação. pelo contrário. que seja transposta em saber histórico. Por um bom tempo é possível ocupaÍ-se com a história em toda inocência e despreocupaqualquer outra. A todo aquele que obrigaram a não mais amar incondicionalmente. moldar e. d justiça histórica. ro parentesco entre cultura e imagem). Admitináo que um deles se ocupe com Demócrito.. precisamente apenas uma mulher. desumano. forma sem conteúdo demonstrável. sendo neutros' tomais a também a história como algo neutro. E como o nino nunau vos atrairâ para Si.:9 No 'baren iunt. não animais. infelizmente apenas má.

alcança igualmente seu alvo quando se alia com a cultura histórica.) $8 (. isso foi obra da igreja em outros tempos e não. a história é sempre ainda uma teologia embuçada: como. do mesmo modo. ou seja. mas é hostil a toda nova implantação. justo. falando a partir dela. ele - Aquilo que se pode aprender com o cristianismo. isto é. ou seja. e esprai4. manuscritos.. somente agora. cultura histórica.) A cultura histórica também é. nessa crença paraliQ. (N. estivesse ele mesmo autorizado a promover esse Juizo universal. proburar consolo no que foi por meio de recordações.I NIETZSCTIE . uma religião que. Mas. o último. em que devemos pensar? que a crença cristã de modo nenhum esp€rava do homem.se torna massa fluida. o dissolve em puro saber em torno do cristianismo. à ciência: mas. em todo caso. para que no início de um tal tempo se possa ainda falar em'Juventude" e na conclusão já em "velhice da humanidade" ! Não se aloja. o terror sagrado com que o leigo não-cienúfico trata a casta científìca é um terror s. onde cada parte se encontra ora aqui. efetivamente. tudo o que vem a ser. porque ali não ama. isso se pode estudar em tudo o que tem vida: que cessa de viver quando é dissecado ãtê o fim e vive dolorosa e doentiamente quando se começam a praticar sobre ele exercícios de dissecação histórica. A palavra do tempo moderno. o indiúduo humano.5 clamado à humanidade assim como ao indivíduo. até que finalmente um tratamento completamente histórico. do julgamento esperado com temor? Transveste-se €ssa representação na crescente necessidade histórica de juiz. que. tentativa audaciosa. o ouvinte imparcial tem freqüentemente a impressão de que não se trata absolutamente do cristianismo. s Lembra te que hás de morrer.) i . nem mesmo após centenas de milhares de anos. ainda não pôde arrancar para o ar livre. do E. Mais uma vez. com certeza. não espera: somente contra a vontade deixa impor-se a ela o que vem a ser. fazer as contas. recusa.religião que permia te "sentir-se integrado em todas as religiões efetivas e ainda em algumas outras meramente possíveis". O que querem dizer alguns milênios (ou expresso de outro modo: o espaço de tempo de trinta e quatro vidas humanas consecutivas. espelhos. obra do espírito moderno. dando de ombros. e se não é possível fazè-lo em linha reta.. paia. de todas as horas de uma vida humana. ressequi-lo em "históriâ". porém.hlho do homem"? Outrora esse memenlo mori. . o pensamento da proximidade do fim do mundo. em suma.. sobre o estar-maduro-parao-julgamento do mundo. se se dá. embora com mais parcimônia. ser observada como um -. erâ um aguilhão sempre torturante e como que o ápice do saber e da consciência medievais. resisïe contra todo vôo ao desconhecido. soa. e aqueles que trazem em si seus sinais desde a infância têm de cfregar à crença instintiva na velhice da humanidade: à velhíce. e se a "verdadeira igreja" deve ser aquela que . em vez disso.agrado herdado do clerg. é bom saber todo o acontecido. o doente de febre histórica se torna atiío'. e então. como se nosso tempo.'para. tão logo a ação tenha passado. isto ê. convém agora uma ocupação senil..ança.rsticado e desnaturado. mas sim de. em suma. e não quer após milênios. que assumiu aquela coloração histórica de que agora estão soturnamente envoltas toda educação e cultura superiores. A consideração amarga e profundamente séria sobre o desvalor de todo o acontecido. sob o efeito de um tratamento historicizante. sob o impacto das prédicas de penitência de Savonarola. para falar abertamente. mais transparente e mesmo quase invisível. olhar para trâs. porém. Aquilo que se dava outrora à igreja dá-se agora. as forças mais profundas e mais nobres.equase que somente por esquecirnento momentâneo. dissecar seu ato. ou seja. ainda bastante intimidada. o mais das vezes até mesmo à sua revelia. máscaras. por prepotência. CONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS 67 'rrlo. (.. desejo livre. o encanecimento inato. é uma coisa lenaz e persistente. que piediz uma conclusão da vida terrestre em geral e condena tudo o que vive a viver no quinto ato da tragédia excita. calcqladas em sessenta anos).rrmemente assentada sobre o memento mori e denuncia isso pela sua universal necessidade históricar o saber. impedir por meio da consideração analítica a continuação de seu efeito e. não vem a plenos pulmões e tem. quando distinguem a "Idéia do cristianísmo" de suas "formas de manifestação" diversamente imperfeitas e quando se dizem que é o "diletantisúo da ldéia" revelar-se em formas cada vez mais puras. mas do . de modo nenhum. Nesse sentido vivemos ainda na ldade Média. concluir.ante em uma humanidade jâ em fenecimento. e tudo se mistura pacificamente entre si". poÍque é tarde demais para fazer algo de melhor. ser observada em seus passos para diante e para trás isto ê. não quer. que ele. clamada em oposição a ele: memento vívere. mas em que devemos pensar? se encontramos o cristianismo designado pelo "maior teóÌogo do século" como . finalmente. como um mentiroso sobre o valor da existência. na forma certamente mais pura de todas. todo por esse pontinho de átomo infinitamente pequeno. onde não há contornos. no cérebro do arual theologus líberalis vulgaris. ao ouvir esses cristianismos mais puros de todos se pronunciarem sobre os anteriores cristianismos impuros. liquefez-se na consciência cética de que. restou um profundo sentimento de desesper. uma espécie de encanecimento inato. precisamente na intermitência desse sentido. quase. Pois a humanidade ainda está f. no devido tempo. ora ali. sobre ele o sentimento do tardio e do epigonal. o mal-entendido de uma representação cristiano-teoiógica herdada da ldade Média. dos possíveis. repudiá-lo ou sacrificá-lo como um aliciador à existência. Aquilo que fizeram os florentinos quando. o cristianismo gostaria de fazer com toda cultura que estimule à continuação do esforço e traga aquele memento vívere como lema. promoveram aquela célebre queima sacrificial de quadros. A espécie humana. e por fim. a despeito de seu mais poderoso bater de asas. o sentido histórico torna seus servidores passivos e retrospectivos. se tornou sof. considera a última como a mais importante. algo de desonesto. e com isso o aniquila. Assim.

Não levar sua geração ao úmulo.) i:. contra o desmedido gosto pelo processo. primícias. ao mesmo tempo. para. que pouco se afligem com o "assim ê". e mesmo quando um educado nessa escola alguma u3z sezanga publicamente e se irrita. ejustamente por fazerdes do sucedido. se inçlina? E que escola de bom-tom é uma tal consideração da história ! Tomar tudo objetivamente. de modo geral. a moral: 'onão deveis" ou "não devíeis". Isso ele não disse: em compensação. ê íra e studium e. por seu lado. e por submeter-se a ieis que não são as leis daquelas flutuações históricas. implantou nas gerações fermentadas por ele aquela admiração diante da iÉpotência da história" que praticamente converte todos os instantes em admiração do sucedido e conduz à idolatria do fatual: culto €ste para o qual. Assim a história se torna um compêndio de amoralidade fatual. t. agora. as religiões eçtariam à morte? Vede simplesmente a religião da potência histórica. depressa. (N. adorando em cada potência a potência em si? Não é justiça ter sempre nas mãos os pratos de balança das potências e observar com finura qual delas. como isso torna brando e maleável. inteiramente sine ira et studío. seu "sim" a toda potência. lhados toda a esçada dos "sucedidos" ! Como. Sobre Goethe.' como se ela clamasse. sendo mais forte e mais pesada. havia sobrevivido a si mesmo.6 . de um rude 'oassim é" contraposto à moral "não deveria ser assim". transparente e inteligível para si mesmo e já galgou os degraus dialéticos possíveis de seu vir-a-ser. prestai. Se agora quereis vir em auxílio da história. e coloca a si mesma no cadafalso. o homem teria de ler nela assim como Goethe aconselha que se leia o Werthef. pois bem se sabe que a intenção é apenas artística. Se todo sucedido contém em si urna necessidade racional. contraposto à moral ! Fois que se fale de qual virtude se queipor toda ra. o direito de viver ! Se muitos vivem e aqueles poucos não vivem mais. como supérfluas. e percorrei ajoefo do lógico ou da "Idéia" -. Se. eli teria mesmo de dizer que todas as coisas que viriam depois dela só devem ser avaliadas. seguirem seu "assim deve ser".u diria. Iìcar protegido de todos os ensinamentos contemporâneos dos legionários do instante. ao destacar precisamente aqueles como as naturezas propriamente históricas. do fato.te.outras boas quaÌidades. . ao lado de suas. Deus este que entretanto. contra a potência cega do efetivo. ainda mais propriamente. com sereno orgulho. não se zangat com nada. da justiça. só ó feito pela história. que um Rafael tenha tido de morrer com trinta e seis anos de idade: um tal ser não deveria morrer. dessa maneira. Sim. do gadora dessa amoraìidade fatual ! Ofende a moral. contra a tirania do efetivo. não amar nada. Quão gravemente erraria aqufle que visse a história. eu daria de bom grado vagões inteiros cheios de frescas vidas ultramodernas. compreender tudo. em vez disso. Esse Deus porém tornou-se. além disto. todos de joelhos. até chegar a essa auto-revelação: de tal modo que para Hegel o ponto culminante e o ponto Íïnal do processo universal coincidiam em sua própria existência berlinense. como julu Sem ira e dedicação. para ainda tomar parte em conversações tais como Goethe as teve com Eckermann. como a coda musical de um rondó da história universal ou. então: a história sempre carimba: "era uma vez".'(N.e no entanto. pois somente por não saberdes o que é uma natura naturans 7 tal como Rafael não ficais acalorados ao perceber que ele foi e não será mais. não haveria mais mitologias reinantes? Como.] NtrETZSCHE C ONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS 6i pelo contrário. Mas quem aprendeu antes a curvar as costas e inclinar a cabeça diante da "potência da história" acaba por acenar mecanicameú. ela guarda também a memória dos grandes que combateÍam contra a históría. em geral. por mais que riam. enquanto a mentira urde ao seu redor sua rede cintilante. da sabedoria e da paixão do homem parte ele é 'rirtuoso por levantar-se contra aquela cega potência dos fatos.) De fato. isso causa alegria. Como apologistas da história insuflavos. propriamente e. à chinesa. isso não passa de uma verdade brutal. . com seus oitenta e dois anos. Que pensamentos antiquados contra um tal complexo de mitologia e virtude tenho no coração! Mas algumaveztereí de po-los para fora. tem sabidamente algo de ayateza e desconhece a nobre arte da generosidade.) E. se todo acontecimento é o triunsn[[s. e movimenta seus membros precisamente no ritmo em que alguma "potência" puxa os fios. a história não fosse nada mais do que o "sistema universal da paixão e do erro". $e (. mas fundar dma nova geração ê isto que os impele incaniavelmente para diante: e se eles mesmos nasceram como retardatários há um modo de viver que faz esquecer isto as gerações vindouras só os conhecerão como -. não como beleza nova. vosso ídolo: enquanto o fato é sempre estúpido e em todos os tempos sempre teve aspecto mais semelhante a um bezerro do que a um deus.Ë. atenção nos padres da mitologia das ldéias e em seus joelhos esfolados I Não estão até mesmo todas as virtudes no séquito dessa nova crença? Ou não é abnegação quando o homem histórico se deixa reduzir a um espelho objetivo? Não ê granQeza renunciar a toda potência no céu ou sobre a Terra. no entanto. Assim sois os advogados do diabo. está mais que no tempo de avançar contra os descaminhos do sentido histórico. por exemplo. isto é. seja quando combate suas paixões como a mais próxima fatuaÌidade estúpida de sua existênçia ou quando assume o dever da honestidade. por alguns anos do Goethe "sobrevivido". porém. Ele sempre nada contra a correnteza da história. Aliás. seja esta um governo ou uma opinião pública ou uma maioria numérica. de uma estupidez incorrigível. bravura. aprendeu-se universalmente a usar a lormulação muito mitológica e além disso bern alemã: "levar em conta os fatos". e para. no interior da caixa craniana de Hegel. Quão poucos vivos têm. se vivesse mais só teria podido criar beleza como beleza igual. isto ó. contrapostos a tais mortos. alguém quis recentemente ensinar-nos que ele. como apologista do fatual. direis: ele enunciou tudo o que estava neÌe. em detrimento do ser t Natureza naturante (Deus como causa). e coisas semelhantes. "sê um homem e não me sigas l" Por felicidade. a ignorância.. () Essa história entendida hegelianamente foi chamada com escárnio a perambulação de Deus sobre a Terra. do E. grandeza. .

leve-a o'diabo e a estatística! Como. apareceria. e até mesmo me paÍece. natural. (N. aquela que toma os grandes impulsos de massas como o mais importante e o principal na história e considera todos os grandes homens apenas como a expressão mais nítida. ela prova como é comum e repugnantemente uniforme a massa: devemos chamar de leis o efeilo dessas forças de gravidade que são a estupidez. que Nietzsche apresenta aqui. como instrumentos dos grandes. certa vez. ninguém deve admirar-se se o povo naufragar iro egoisticamente pequeno e mísero. talvez sistemas de egoísmos individuais. pressuposto que seja um homem vigoroso e inteiro no sofrer e desejar. quando voltarão os homens a sentir dessa forma kleistiana. com todo o batalhão de maldades satíricas. nunca perde a cornpostura de uma verdadeira -"Ernst-Philosophie". e a1ora tenho de comunicar-te um pensamento tirado dela. como um geniâl paíodista que. como se pode ler por toda parte. Morre por ele melhor para a vida do que morrer pelo grandioso e pelo impossível. ( r 874) : $3 () : .t Se. durante uma geração. escreve ele. e somente nos espíritos mais ativos e mais nobres. "travei conhecimento com a filosofia kantiana.) ! 'Que sacrifica a sua vida. Este perigo acompanhá todo pensador que ioma seu caminho a partir da filosofia kantiana. e deve ser sempre dito em louvor do autor d. o guia que conduz.SCFIOPENFIAUER COMO EDUCADOR. como ef. não sorrias de um outro que se sente profundamente ferido por ele. tão logo Kant comece a exercer um efeito popular. mas para que tu. estás aí? isso te pergunto. então a verdade que juntamos aqui não é mais nada depois da morte e todo esforço para adquirir um bem que nos siga até mesmo no úmulo é vão. nós o perceberemos na forma de um corrosivo e demolidor ceticismo e relativismo.. Para que está isso por enquanto não'deve aí o "mundo". vamos admitiìo. em seu íratimo mais sagrado. que somente em pouquíssimos homens Kant atuou vivamente e transformou sangue e seivas. -. se ninguém te pode dizê-lo. a estatístíca prova que há leis na história? Leis? Sim. o amor e a fome? Ora. que nunca agüentaram permanecer na dúvida. Se a ponta desse pensamento não atinge teu coração. Meu único.) a Edward von HarÍmann. indivíduo. do T. as doutrinas do vir-a-ser soberano. fazer com que ele fosse sentido ainda mais agudamente. um alvo. mas com isso também se estabelece a proposição: enquanto há leis na história.:. irmandades para f. da caverna do desâ-" nimo cético ou da abstinência crítica à alturà'da consideração tiâgica. em contrapartida.. tenta apenas uma vez legitimar o sentido de tua existência como que a posteríorí. tão dolorosamente quanto a mim. se se desagregar e deixar de ser povo: em lugar disso.rns de pilhagem contra os não-irmãos. ironicamente. (. mâs como morno furor . que foi vivido. as leis não valem nada e a história não vale nada. Não podemos decidir se aquilo que denominamos verdade é verdadeiramente verdade ou se':apenas nos parece assim. então. Se é este último. desde o feito desse tranqüilo erudito deveria ter irrompido uma revolqção em todos os domínios do espírito. o cêu . (N. ou seja. e semelhantes criações de vulgaridade utilitária entrarão em cena no palco do futuro. para nós. do E. o arremedo. Para pieparar o caminho a essas criações. de resto. Mas sabemos todõs muito bem que vergonhosa é a situação. não conheço nenhuma Íìnalidade um alto e nobre "para quê". pois não posso temer que ele te abalarâ tão profunda. precisamente quanto a esse pressuposto. nos câricâtos enunciados de sua "Spass-Philosophie". no lugar dela. por assim dizer como as bolhas que se tornam visívèis sobre a torrente das águas. a seu modo cativante. meu supremo alvo foi a pique. pâra que está aí a ''humanidade" trXT nos afligir.Mas.instrução agora costumeiro. e. mas não posso acreditar nisso. contra o insensato desÌocamento de todas as perspectivas. forem lançados ao povo âinda de tais -. como cópias esmaecidas dos grandes homens. O segundo é: desespero da verdade. antes que quaisquer domínios inteiros pud€ssem sê-lo. eanão apenas uma sacolejante máquina de pensar e de calcular. animae tnagnae prodigus.NIETZSCHE e da vida.. a não ser que queiramos fazer uma-piada: pois o atrevimento do pequeno verme humano é o que há de mais jocoso e de mais hilariante sobre o palco terrestre. na ossificação e no amor-próprio. Aliás. aquele abalo e desespero de toda verdade. Somente sob três perspectivas as massas me parecem merecer um olhar: uma vez. em seguida como obstáculo contra os grandes e.) Esse foi o primeiro perigo à sombra do qual Schopenhauer cresceu: isolamento.prosélito de Hegel. propondo tu a ti mesmo um Íìm. impressas em mau papel e'com chapas gastas." Sim. basta que se continue a escrever a história do ponto de vista das massas e a procurar nela aquelas leis que podem ser derivadas das necessidades das massas. Pois não o vejo claramente em homens que antes de tudo teriam de ser eles mesmos revolucionados. precisamente Schopenhauer ou seja. tipos e espécies.a Fito' safia do Inconscientes que ele foi o primeiro a conseguir sentir agudamente o ridículo da representação'do "processo universal" e.eito da filosofia kantiana. pela curiosa seriedade da sua exposição. de modo geral. "Há pouco". portanto as leis de movimento das mais baixas camadas de lama e de argila da sociedade. por Heinrich von Kleist. por exemplo. um "para quê". e não tenho mais nenhum. da fluidez de todos os conceitos. da falta de toda diferença cardeal entre homem e animal doutrinas que considero como verdadeiras. enhm.. quando reaprenderão a medir o sentido de uma filosoÍia em seu "íntimo maís sagrado"? E no entanto isso é necessário antes que se possa avaliar o que pode ser. depois de Kant. Mas é precisamente aquela espécie de história que está agora universalrnente em apreço.

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