AMÁLGAMA ODONTOLÓGICO Introdução O amálgama tem sido o material restaurador odontológico de maior uso nas últimas décadas.

A suas principais características são seu baixo custo, grande durabilidade, assim como a facilidade técnica na sua confecção. Por outro lado, a falta de adesão à estrutura dentária, a possibilidade de corrosão e fraturas, assim como a possibilidade de reações de hipersensibilidade aos seus componentes são fatores que podem prejudicar o sucesso de restaurações de amálgama. Considerações gerais sobre o amálgama: histórico, composição e propriedades O amálgama dental tem sido o material restaurador mais utilizado na Odontologia desde o século dezenove, devido às suas propriedades de manipulaçäo, performance clínica favorável, baixo custo e biocompatibilidade com os tecidos bucais. O amálgama dental é uma mistura principalmente de liga prata-estanho e mercúrio. Foi o material mais freqüentemente usado nos últimos 150 anos . O amálgama é um material altamente resistente, insolúvel aos fluidos bucais, de baixo custo e de fácil manipulação, porém a sua desvantagem é a falta de adesão à estrutura dentária, associada à microinfiltração marginal. Amalgama adesivo ou retido por pinos As formas indiretas de retenção do amálgama à estrutura dental envolvem o emprego de pinos e/ou adesivos resinosos. As formas diretas envolvem a execução de múltiplas caixas retentivas ou canaletas parciais ou circunferenciais na dentina. Os diferentes tipos de retenção parecem se eqüivaler, porém os sistemas de retenção indireta que empregam os pinos devem, preferencialmente, ser utilizados quando uma forma de retenção/resistência satisfatória não puderem ser estabelecidas através dos sistemas de retenção direta. O uso de amálgamas adesivos tem como vantagens a execução de preparos mais conservadores, menor infiltração marginal, dispensa bases forradoras, reforço da estrutura dental, menor sensibilidade pós-operatória, menor incidência de fraturas marginais e cárie secundária. Entretanto temos como desvantagens o aumento do tempo de execução das restaurações, maior custo, necessidade de adaptação do profissional à nova técnica e longevidade desconhecida. Autores afirmam que amálgamas adesivos apresentaram resultados semelhantes aos amálgamas extensos retidos mecanicamente com relação ao controle da dor à mastigação em molares fraturados. Com relação à redução da dor ao frio, foi mais eficiente o amálgama adesivo.

com o decorrer do tempo. A hipersensibilidade ao amálgama são incomuns. Isto pode ser causado por efeitos térmicos da liga. Após exame de pacientes que relatavam queixas relacionadas a restaurações de amálgama. A corrosão que ocorre na interface dente / restauração é. tumores. dentre eles o mercúrio. elementos tóxicos. como dor de cabeça. em aproximadamente 60 % o índice de cáries ao redor das restaurações de amálgama. dor dos dentes. liberando íons para a saliva. benéfica.Hipersensibilidade O mercúrio pode entrar na saliva como vapor. porém lesões liquenóides envolvendo uma reação de hipersensiblidade mediada por células podem ocorrer. cansaço. depressão. devido à corrosão. fraturas marginais e descoloração das estruturas do dente. a corrosão do amálgama se expressa clinicamente através da textura superficial. dor facial. foi encontrado que a quantidade de mercúrio e prata na saliva é relacionada com a quantidade de amálgama presente na cavidade bucal. podendo. E que sintomas locais e gerais. xerostomia. cegueira. PHILLIPS (1998) afirma que o amálgama dental é constituído por uma série de elementos metálicos. de certa forma. assim. alergia e outros podem ser associados com a presença de restaurações de amálgama. produz o vedamento marginal. esse tipo de material restaurador plástico é passível de corrosão. Sensibilidade pós-operatória e tratamento da cavidade Pacientes comumente têm dor nas primeiras 24 horas depois do tratamento restaurador com amálgama. exceto aquelas que a polpa se encontra exposta. impedindo a infiltração marginal e suas conseqüências. dores na ATM. Segundo BARATIERI (2000) todas as cavidades para amálgama. pois. leve inflamação pulpar pode ser encontrada subjacente a restaurações de amálgama profundas e não forradas. Raramente uma resposta mais aguda e generalizada pode ocorrer envolvendo a mucosa oral e pele. Corrosão Segundo BUSATO (1996). Dentistas poderiam considerar a recomendação do uso de analgésicos pelos pacientes como prevenção de desconforto. . íons e partículas de amálgama. insônia. explicar o desconforto sofrido pelos pacientes após terapia de amálgama. Em contato com o meio oral. Essa aplicação de flúor reduz. como primeiro agente de proteção do complexo dentina-polpa. microinfiltração e bactérias na interface dente/restauração. toxicidade ao mercúrio ou reações alérgicas para com elementos do amálgama. deverão receber uma aplicação de fluoreto de sódio à 2% durante quatro minutos.

Galvanismo O galvanismo pode ser caracterizado mediante sintomas subjetivos e objetivos. por exemplo. Entre os sintomas objetivos destacam-se lesões eritematosas. O polimento inicial pode ser executado com borrachas ou pastas . em termos de corrosão. portanto. através de sua textura superficial. redução da microinfiltração pelo preenchimento dos espaços vazios na interface dente/restauração pelos produtos da corrosão. raramente incluído gosto metálico. pois tais fendas são encontradas com freqüência como resultado de condensação inadequada. úlceras e língua geográfica/estomatite Valamento e descoloração marginal O amálgama freqüentemente se degradam pela fenômeno de "formação de vala" na interface dente-restauração. proporciona o aparecimento de espaços vazios (porosidades) no amálgama. Isso acontece. deixando uma fenda entre a restauração de amálgama e a margem da cavidade. Os efeitos clínicos da corrosão de amálgama são resistência reduzida. quando o paciente morde um pedaço de papel metálico. de sua manipulação durante a trituração e inserção e da higiene oral do paciente. alterações dimensionais. os quais concorrem para o enfraquecimento mecânico da restauração. Uma dedução lógica é que o desaparecimento da fase gama2 por corrosão. A descoloração marginal é um sinal de infiltração. são superiores. e efeitos galvânicos.Segundo MJÖR (1999). a corrosão do amálgama é evidenciada. porosidades internas e aspereza superficial aumentadas. a corrosão do amálgama depende do tipo de liga. Acabamento e polimento O acabamento visa ajustar as margens da restauração. com movimentos suaves e sempre no sentido da estrutura dental para o amálgama. degradação marginal. Entre os subjetivos destaca-se o "choque galvânico" ou descarga eletrostática entre duas superfícies de metais diferentes. remoção de excessos e/ou degraus e o refinamento da estrutura. ou por apresentarem-na menos do que aquelas ligas convencionais. por não apresentarem gama2. contra uma restauração de ouro ou amálgama. Pequenas áreas de amálgama sofrem fratura e se perdem. Tal formação de vala é resultado de forças mastigatórias agindo sobre as margens da restauração que podem ter ficado enfraquecidas por corrosão. sendo a fase de cristalização gama2 a que mais sofre com este processo. descoloração. clinicamente. A presença de fendas na restauração não é indicativo de cárie secundária. fraturas marginais e descoloração das estruturas dentais. Ele poderá ser executado em velocidade convencional ou em alta velocidade. De acordo com BARATIERI (2000). preferencialmente com brocas multilaminadas. Os amálgamas de ligas enriquecidas com cobre.

levanta a polêmica sobre a indicação do seu uso ou não. empregamos uma pasta de pedra pomes e água com escova de Robinson. A existência de lesões locais e sistêmicas possivelmente associados com componentes do amálgama dental. além de fraturas do dente. A relativa facilidade na sua execução. O processo de polimento aumenta a resistência das restaurações de amálgama no que se refere ao manchamento e corrosão. sulcos e canaletas. torna-se um fator motivante do seu uso pelos profissionais. principalmente o mercúrio. E o acabamento de restaurações de amálgama é que ele permite o ajuste das margens da restauração. é primariamente um resultado de propriedades físicas inadequadas dos tecidos duros remanescentes. Amálgamas retidos a pinos. O diagnóstico clínico de cárie secundária ou recorrente é a principal razão para substituição de restaurações de amálgama. porém pode ser verificado que amálgamas adesivos fornecem melhores resultados com relação à redução da infiltração marginal. A necessidade de restaurações extensas com amálgama leva à necessidade de escolha da forma de retenção da restauração ao dente. fatores como a má adaptação marginal. Troca de restaurações de amálgama O procedimento de reparo está contra-indicado quando há fratura do corpo da restauração. Outra razões para substituição de restaurações de amálgama em dentes permanentes incluem fraturas de corpo. Nesses casos é mais recomendável a substituição da restauração antiga.abrasivas. fraturas de istmo. é fundamental a execução de radiografias interproximais para verificação de possíveis excessos. Esmalte solapado. diversas falhas numa mesma restauração. fratura do dente e descoloração são razões específicas para a substituição de restaurações. ou esmalte não suportado pela dentina. Para o polimento inicial das superfícies oclusais. A fratura de um dente ou de parte dele. além de cáries recidivantes. mal formato anatômico. em velocidade convencional. além dos associados a sistemas adesivos. como uma razão para substituição de restauração de amálgama. exposição do material de base. com evidência de infiltração. Conclusão Amálgama dental é o material restaurador mais utilizado em Odontologia durante muitas décadas. não exigindo grandes aparatos ou artifícios técnicos. degradação marginal ou "valas" oclusais na interface dente / restauração. mostraram índices de sucesso semelhantes. áreas de elevada concentração de tensões. Porém é importante que os clínicos respeitem as suas propriedades para que o resultado obtido seja favorável. O polimento final é conseguido com uma pasta de óxido de zinco e álcool. fratura do istmo. fratura-se facilmente. A ocorrência de sensibilidade pós-operatória . Após o acabamento e polimento.

Além disso. G. A decisão de substituição de antigas restaurações de amálgama deve ser criteriosa pelo clínico. W. deve ser considerada como o principal fator para troca de restaurações de amálgama. P.pode ser reduzida pelo emprego de diferentes formas de tratamento cavitário. Materiais dentários de Skinner. W. Vernizes e forradores cavitários. São Paulo: Artes Médicas.124-130. L. O alto índice de escoamento em alguns tipos de ligas para amálgama tende a favorecer o processo de degradação marginal. A ocorrência de cáries secundárias ou de situações clínicas que favoreçam esta situação. 311 p. 412 p. J. 3. 509 p.BARATIERI. N. como vernizes e bases forradoras. Rio de Janeiro : Interamericana. A principal limitação ainda existente para o amálgama é estética.. Dentísica: restaurações em dentes posteriores. seu baixo custo propicia um maior alcance social. A. respeitando possibilidades mais conservativas. et al. S. Rio de Janeiro : Interamericana. como grandes fraturas e degradação marginal. 10. Materiais dentários. 5. visando a conservação de restaurações e prevenção de cáries. 1998. 1981. 2000.11. I. HORSTED-BINDSLEV. São Paulo : Santos. L.SUÁREZ. 2.MJÖR. Dentística: procedimentos preventivos e restauradores. De forma semelhante.BUSATO.. C. p. 1996. 2. RYGE. devido às suas propriedades relativamente satisfatórias e boa durabilidade. et al. 1999. Dentística Operatória Moderna. R. a ocorrência de fraturas na restauração devem ser avaliadas conforme sua extensão. os melhores resultados têm sido relacionados com o uso de cimentos de ionômero de vidro e adesivos dentinários como material de forramento. A. 3ª ed. In: O’Brien.PHILLIPS.302. associadas a um programa preventivo para os pacientes. p. Cap. 4. . porém seu uso ainda é bastante indicado para dentes posteriores. Este estudo demonstra que o amálgama odontológico continua sendo uma opção restauradora bastante atrativa para os profissionais em Odontologia. Referências Bibliográfica 1.ed. para determinar a necessidade de substituição ou reparo da restauração.ed. São Paulo: Santos. L.