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Blood Feud

Livro 2

ALYXANDRA HARVEY

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Sinopse
A ação e o romance continuam enquanto os Drakes enfrentam um novo vampiro com um ressentimento de 200 anos. Passaram-se vários séculos desde que Isabeau St. Croix sobreviveu à Revolução Francesa. Agora que ela está de volta entre os vivos, deve enfrentar a última prova, confrontando o malvado britânico que a deixou morrer no dia em que ela converteu-se em um vampiro. Isso se puder controlar a atração que sente por Logan Drake, um vampiro cuja mordida é tão doce quanto a vingança que procura. Os Clãs se reúnem para a coroação Real de Helena como a próxima Rainha vampiro, e novas alianças começam a se formar agora que as desavenças do reinado de Lady Natasha começaram a cicatrizar. Mas com um novo inimigo em comum, Leander Montmartre: um líder cruel que espera obrigar Solange a se casar com ele e usurpar o poder do trono. Os Clãs devem se manter unidos para conservar a paz que ele ameaça destruir. Esta segunda aventura dentro das Crônicas dos Drakes, contada pelas perspectivas de Logan e Isabeau, tem muita ação, traseiros chutado e romance que chegará a seu coração assim como o humor sarcástico que os leitores desfrutaram em “Heart at Stake”, como também, emocionantes novas revelações sobre as Dinastias dos Vampiros que mantém os leitores voltando por mais.

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O Guia de Logan da Tribo “Hound”
Por Logan Drake.
Em primeiro lugar, se você é alérgico a cachorros1, esqueça. É sério. Você não só vai ser infeliz, como também a Tribo suspeitará incrivelmente de você. Inclusive poderiam pensar que você é uma maldição.

CWM Mamau:
Cwn Mamaus significa: Os Cães de caça da Mãe no antigo Galês. Eu procurei, é de um velho conto de Fadas sobre cães fantasmas que percorrem os céus com o Rei de Annwn (Annwn é o Rei do Mundo Subterrâneo). Se eles são comandados por uma rainha, são conhecidos como os Cães de caça da Mãe. De qualquer forma, todos os demais só lhes chamam de HOUNDS. Eles têm conexão espiritual com os cachorros, quase como Totens2. Tenho ouvido Lucy falar o suficiente dos animais Totem, para saber que eles agem como um guia. Portanto, se está entre os Hounds, não chamem seus cães de animais de estimação, e não mencione as coleiras e guias. Eles pensarão que você é um bárbaro, o que é irônico já que isso é o que os outros vampiros pensam sobre eles.

Os Hounds e Montmartre:
Eles só nos toleram porque agora temos um inimigo em comum: Leander Montmartre. Montmartre continua atrás de minha irmã mais nova, Solange. Ainda continua lhe enviando presentes brilhantes, que ele provavelmente
1Lembremos 2O

que HOUND neste contexto significa: Cão de caça.

Totem pode ser a figura de um animal, de uma planta, de uma pessoa ou mesmo de um objeto.

Os poucos privilegiados usam também os apetrechos feitos das presas de uma Shamanka anterior. por toda aquelas pessoas que ele transformou durante séculos. quatro para o garanhão da Tribo. Solange agora poderia estar perdida para Montmartre e seus exércitos. Os que sobrevivem. e sim seguem à uma Shamanka (Shaman feminina). cinco para seu aprendiz. Os Hounds têm o costume de resgatar a maior quantidade possível de vítimas de Montmartre.5 considera que são encantadores. provavelmente ela teria falado com ele. Podem ser reconhecidos pelos apetrechos ósseos que usam em seus cabelos. As Tradições Tribais: Os Hounds são um povo notavelmente afastado da sociedade com muito pouco interesse na comunicação intertribal. E não há simplesmente uma explicação científica para o que alguns deles podem fazer. Sete tranças significam um número de sorte e poder para a Shamanka. O que nunca termina bem. Se ele tivesse lhe enviado uma jarra de cerâmica. Sem sua magia. O recém-convertido não usa trança até seu primeiro resgate ou matança e depois usa uma só trança. três para o guerreiro comum. deixe-me dizer: Vi muitos de seus poderes para pensar de outra maneira novamente. Os Hounds odeiam-no também. internet. Eles não são fieis à uma linhagem particular de vampiro. Ele não tem ideia do pouco que os diamantes impressionam Solange. Pensam que o . as deixando lidar com a transformação em vampiro por conta própria. às vezes são convertidos em Host. O resto de nós sim. Os demais se tornam violentamente loucos e são chamados de Hel-Blar. As tranças são parte de sua iniciação. ou dispositivos tecnológicos (que só usam para viagens e batalhas). Vivem em cavernas remotas sem celulares. E para todos aqueles que acham que seus ritos e cerimônias são apenas vagas superstições. antes que a loucura os converta em selvagens ou que ele volte por eles. Ele não esta impressionado.

há rumores de que tem 2000. Nós lhe chamaríamos de “Princesa”. Passou várias centenas de anos vivendo sozinha nas montanhas. Viaja com um enorme cachorro-lobo cinza. Os cachorros da bruxa Kala tem a fama de rastrear e encontrar os vampiros abandonados durante o processo de transformação para converter-se em Host ou Hel-Blar. O rumor é que Lady Natasha teve algo a ver com isso. Ela é ardente. o que significa que é uma aprendiza em treinamento para ser Shamanka. até que pegou o manto de Shamanka.pl/pt/chapeu-rasta-com-dreadlock-p-4633. Tem pelo menos 300 anos de idade. Tem cabelos grisalhos nas tranças e rasta3 e colocado em um manto ritual de cervo pintado. 3 http://www.html . Isabeau St. Croix: Isabeau (que se pronuncia ee-za-BOH) é a criada de Kala. Kala: Kala é sua Shamanka atual. Ao meu parecer.marijuana. mas não há nada como isso para os Hounds. quando o ultimo Rei Shaman foi assassinado. Viveu em Paris durante a Revolução Francesa antes que fosse convertida em vampiro.6 resto de nós está louco por pensar que o vampirismo é apenas sobre sangue e não também sobre magia. chamado Charlemagne.

Se Isabeau St. Nunca imaginou que um salão pudesse estar tão abarrotado e mal ventilado. mas ainda quando ela o teria mencionado a Benoit. . — Mais non4. repolho. você esta assassinando as minhas cenouras. Os vestidos de seda e as perolas. Mas ela amava o 4 Mais non: Francês que significa: Sem dúvida não ou Mas não. quando a neblina cobriria a cidade. Não faz muito tempo atrás. Muitos cavalheiros ricos tinham fugido da França durante a Revolução. ela teria comido uma terceira porção de pudim natalino. pareciam decadentes agora. Ela parecia ter melhor critério. ela teria esperado isso com expectativa. Croix soubesse que essa ia ser a sua última noite de Natal. passar um ano nas ruas de Paris a tinha mudado. — ele comentou secamente. Aproveitando-se de sua distração momentânea. — Não pense que não te vejo aí. — ele afugentou um de seus ajudantes. ela teria suplicado por aquela oportunidade. Assim como estava. Benoit queria pensar que ela preferia sua companhia a opera. Certamente podiam tentar. assim também como o se preocupar com a moda e as ridículas fofocas. 1795. ele só fez rir e lhe disse que esperasse pelo verão. Isabeau colocou-se entre as sombras da barulhenta cozinha. como se fosse filha de algum nobre. portanto cada casa em Londres agora ostentava um Chef Francês. Antes. Não importava se a maior parte desses Chefs ainda não tivesse aprendido a servir um ovo.7 Prólogo Inglaterra. Era alto e magro com um bigode elegante. Benoit estava decidido a vê-la dançar com sandálias de seda. Mas. tratou de evitar os salões.

assim como sua mulher. comer carne ou legumes era impossível. recheando o pastel. mas ele não tinha vivido na França por quase duas décadas. 9 Voilá: Aí esta. Sugou o recheio para fora e o deixou cair sobre seu prato. ela era a filha de seu nada amistoso irmão. 10 . devido a pobreza na qual França estava. Não tinha sido nada fácil roubar dinheiro suficiente para a passagem para a Inglaterra e ele poderia tê-la recusado quando ela chegou a sua porta. Ele nunca a havia visto. Era um tradicional Galette Des Rois8. Nesta noite tinha cascas de ostras. Benoit tinha vivido em Paris durante a Tomada da Bastilha. Ele a conhecia.com/photos/uncategorized/azevinho_2. que se servia em cada casa francesa durante os dias de festa. Ela lhe deu uma generosa mordida.jpg Galette: Emapanada.). um peru recheado com castanhas. Allez-y!10 Ela deslizou do banco de madeira. além de tudo. Seu irmão-nada amistoso-morto. os pesados odores de assar pão e carne. — Voilá!9— Benoit sorriu abertamente. apesar de seus protestos. Agora você é a Rainha da noite. com forma de sol e folhas de azevinho6 Benoit era a única pessoa com que ela. Seu tio era muito amável. pratos de Foie Gras 5. — Eu sabia que você tiraria o feijão. creme de amêndoa e pequenos pastéis perfeitos. — E é por isso que você deve dançar até o amanhecer. — ele arrancou o talher de sua mão. http://driller. Mas ele não ia deixá-la se esconder na cozinha durante toda a noite. O segundo pedaço revelou o escondido feijão seco. 6 7 8 Gallete dês Rois: Empanada do Rei (usualmente recheada de feijões. Seria grosseria de sua parte e ela tinha muitas razões para estar grata a seu tio. sabendo que já não poderia evitar as festividades. carne e outros vegetais. — ele deu a ela um prato e um talher. Allez-y: Vamos. Ela não tinha terminado de lamber cada grama de açúcar das pontas da prata.8 crepitar da fogueira na lareira. não importava quanto lhe implorasse. Lembremos que no tempo da Revolução Francesa. quem não havia 5 Foie Gras: Francês que significa "fígado gordo". — Uma pequena porção de Galette7. verdadeiramente podia conversar.blogs.

ela teria passado este Natal da mesma maneira que havia passado o anterior: Encolhida debaixo do toldo de um café. Não estava enganando ninguém. — Allez. mesmo com aquele vestido branco de seda que tinha sido obrigada a usar. a aterrorizava. ou Olivier St. — Insisto em que você deve encontrar um homem jovem e arrojado. Mas não. Apenas confiava em suas habilidades para roubar comida e encontrar os melhores telhados em que possa se esconder quando os distúrbios explodiam. Colocou-se de pé junto a lareira. Sua cobertura era vermelha de azevinho. 11 Torta de pão.jpg 12 . de onde podia comer uvas até que seus dedos se machucassem. A casa tinha pisos de mármore. Havia aprendido a fazer o que se deve.9 falado com ele desde antes de Isabeau nascer. Seu tio havia aproveitado a oportunidade para recriar suas recordações de sua infância. Antes de Paris. — Benoit lhe instou. http://pt. apenas contendo seu alegre perímetro. por servir tourtiere11 e campanha para seus amigos. onde os convidados tinham se reunido para a ceia de meia noite.wikipedia. durante o Réveillon com o pretexto de fazer sua sobrinha mais confortável. por si mesma. ela sentia-se fraca. Cross comoera conhecido aqui. lá em cima. esperando que algum cidadão cedesse ante o espírito natalino e lhe comprasse uma refeição. allez. Mas então seus pais tinham sido levados. Todos podiam ver o quão emocionado ele estava. a qual estava coberta de ramos de folha de perenne 12.org/wiki/Ficheiro:Lolium_perenne_Engels_raaigras. faminta. E se não fosse por seu tio Olivier. Ela não poderia imaginar que algum jovem pudesse olhá-la. e lírios brancos do jardim de inverno. para paquerar. ela havia vivido em uma grandiosa fazendo familiar no campo. O que era uma bola de Natal contra a ameaça da guilhotina? Ela encontrou seu caminho até a sala. Obrigou-se a deixar a cozinha. sofás de seda e vinhedos poeirentos. coberta de sujeira e não tinha a menor noção de como dançar. ao viver nos calçadões de Paris durante o “Grande Terror”. ela teria roubado as moedas do bolso de alguém e teria comprado algo. especialmente porque o pensamento das dezenas de convidados. Ainda assim.

O salão era mais bonito do que Isabeau podia ter imaginado. — ela tinha a intenção de se esconder atrás de um das pregas de folhas de perenne gigante. então fez uma reverência. A mulher pareceu sincera. Nós. — seu tio anunciou. a pluma de avestruz em seu cabelo flutuando com simpatia. Em Paris ela havia se apresentado como Isabeau Citoyenne. Isabeau se concentrou em sorrir. com dezenas de velas ardendo e o vento gelado de inverno que empurravam os cristais. eu tenho certeza que ele gostaria de ser seu par em um baile. ela cheirava a essência de menta. — Meu sobrinho esta por aqui. 13 Obrigada. em algum lugar. antes de aceitar aquele destino. sem dúvida. não secar suas palmas empapadas de suor em suas saias e em olhar fixamente nos olhos curiosos e compassivos que seguiam seus movimentos. — Mas isso já não importa agora. — Esses bárbaros. você esta a salvo aqui. Ela tinha ajudado a colocas as sete taças de pinhas de pinho douradas e a polvilhar as folhas de azevinho com prata e a unir as tiras ao redor dos ramos de pinho. madame. — Minha sobrinha Lady Isabeau St. — ela não sabia o que mais dizer. — uma mulher anciã disse para ela. — Oh! Querida. que ela pode ver quando pegou a mão de Isabeau. — Merci13. Mas a noite. foi mágico.10 — Ah! Aqui esta ela. . Outra frase para a qual não tinha resposta. — Que horror! Que barbaridade! — Madame. em não tropeçar com a dobra de seu vestido de noite. conhecemos a ordem natural das coisas. — ele disse. Croix. as quais estavam presas em cada janela. — continuou a senhora. Era mais seguro. os Ingleses. Suas luvas de cetim estavam enfeitadas com laços vermelhos.

como da vez em que tinha ficado presa em um incêndio provocado nas ruas. Repentinamente. mesmo que ele fosse um Conde. inclinando-se. Ela não podia lembrar. Só tinha dezoito anos de idade. eu te proíbo de franzir o cenho outra vez. mas não voltou para dentro. — quando ele beijou o dorso de sua mão. — Isabeau. Ela sabia delas. seus ombros tensos. como um jardim no inverno. Parecia estar com seus vinte anos. — Perdoe minha intromissão. Ela virou-se para a voz. como se tivesse estado de pé na neve por muito tempo. — Eu deveria voltar. Os rosais e as cercas do teto foram recobertos por um delicado brilho. Imagino que você deva ser a misteriosa Isabel St. Conde de Greyhaven. — ele disse suavemente. Ela sorriu. — ela corrigiu suavemente. — Com um sorriso como esse. foi porque era Natal. A neve fez tudo empalidecer. além de tudo e a única razão pela qual havia sido autorizada a assistir a festa. Croix. Só estava vivendo na mimosa casa por pouco tempo e já tinha perdido a vantagem da percepção. mesmo antes da Revolução. como uma perola. a suas ordens. até sangrarem juntas. quase incolores. Ela deveria ter ouvido seus passos ou pelo menos a porta sendo aberta. Ela se aproximou das portas que levavam até os jardins. A lua era um brilho tênue por trás das densas nuvens. seu toque foi frio. para manter os guardas da cidade na baia. — E minha impertinência.11 E graças ao ar abafado e azeites florais. Seus olhos eram cinza. . ela se sentiu nervosa e inexplicavelmente presa. — murmurou. como encaixes que tivessem sido lançados de todas as partes. Provavelmente era impróprio para ela estar fora sem vigilância. enchendo cada canto do cômodo. — Philip Marshall. Podia ouvir rodas das carruagens moendo a congelada via e a musica vinda do cômodo em suas costas. Sua tia havia lhe enumerado tantas regras. Ela tremeu um pouco quando a neve começou a cair suavemente. já que ainda não fomos apresentados corretamente. Ela nunca tinha conhecido um homem como ele. mas carregava uma elegância e uma confiança de alguém muito mais velho. Agora apenas sabia que sentia um estranho desejo de estar muito mais perto dele e não apenas porque tinha esquecido seu agasalho do lado de dentro.

— ele assentiu. e você teria medo. . — Mais. — Espero que. Certamente uma mudança bem vinda. como cobre ou alcaçuz. — Desculpe. Aterrissaram em seus lábios e ela os lambeu como se fossem açúcar. monsieur. Ou sangue. 14 Mas senhor. — Eu gosto de ouvi-lo. — Se esta fosse uma novela gótica. irritada com seu engano. — Não tenho medo. exceto a contradança e a limonada. O vinho a fazia se sentir quente. Era muito agradável. Os flocos de neve aterrissaram em suas pálpebras e se dissolveram instantaneamente. como uma raposa em um galinheiro. — Você é bonita. aceitou a taça. Você é uma mudança bem vinda. — ele arrastou as palavras. — ela sacudiu a cabeça. — o vinho estava quente e misturado com canela e algum outro sabor indefinível.12 Ele soltou sua mão e arqueou uma sobrancelha. — E estou tão cansado destas rosas inglesas. Benoit não a tinha empurrado para conversar e paquerar? As moças normais de sua idade estariam emocionadas por estar de pé junto a um lindo Conde. uma moça que sobreviveu às multidões francesas. Senhorita Cross. Ela franziu o cenho intimamente. atordoada. refletiu nos botões prateados de seu casaco bordado. — Merci. certo? Ela levantou seu queixo defensivamente. Seus olhos prateados brilharam como se fossem de animais. Ela deveria beber e comer violetas confeitadas e também deveria danças até que suas sandálias de seda se desgastassem? Então. Ela se soltou. A luz tremula da sala. — ele disse. — tive que me concentrar para falar inglês. — Vinho? — ele entregou uma taça que ela não havia percebido que estava segurando. a irritação ou a distração sempre a escorregam de volta ao francês. monsieur. eu não tenho medo. — Existiriam os fantasmas e os vampiros. não tenha medo de mim. Estava deixando que suas dúvidas a fizessem ver como boba. Je n’ai pas peur14. muito mansas para desfrutar de qualquer coisa.

15 Escritora Gótica da década de 1790.13 Ela pensou nos livros que tinha lido até altas horas da noite na biblioteca. Escritora Gótica. os contos sensacionalistas como os de Ann Radcliffe15 e os Mistérios de Udolpho e Lenore Burguer16. cheios de vilões e criaturas não mortas que vagavam pelas noites. — Não seja bobo. — Não acredito em vampiros. — ela se lançou a rir. 16 . com seu apetite insaciável.

— Meio pensativo. Contanto que eu nunca. Bem. empurrando-me com o ombro. na maior parte. Limpar a confusão de uma rainha vampira psicótica não foi agradável na melhor das hipóteses. — meu irmão Quinn sorriu para mim. — Como se eu fizesse isso. Ainda assim. — Não há meninas aqui para impressionar com a sua rotina de Príncipe das Trevas. você e seus irmãos de repente eram príncipes e sua irmã mais nova estava sendo perseguida por um vampiro homicida de um século de idade. Como eu disse. mesmo tia Hyacinth. . nunca tenha que saber sobre isso. logo antes de um de seus novos agentes começar a namorar minha irmã mais nova. Quero dizer. Aconteceu de eu gostar de vestir um fraque velho e camisa de pirata. cujo rosto agora estava tão assustado que não iria levantar o véu do chapéu vitoriano ou sair de seu quarto. Era muito pior quando sua mãe era quem tinha despachado a velha rainha. ele salvou a vida dela a menos de duas semanas atrás. — Quinn era quem usava toda a coisa mística de vampiro para pegar as garotas. Isso era simplesmente estranho. com certeza Kieran é um cara bom o suficiente. Basta.14 Capítulo Um Tinha sido um inferno de semana. Pelo menos todos sobrevivemos. Lord Byron. — Nenhuma palavra ainda sobre a Princesa Hound? — Quinn perguntou. um inferno de semana. por isso estamos dispostos a esquecer um pouco esse pequeno incidente. Os caçadores de vampiros Helios-Ra fizeram isso com ela. mas Solange é a minha única irmã. fato de algumas garotas gostarem foi acidental.

organizando ou apenas olhando para a minha mãe enquanto ela se sentava no final da sala olhando brava para meu pai. Política Vampirica empalidecia em comparação. Soa melodramático e medieval. Se não os tivesse começado em primeiro lugar. — Quinn murmurou apreciando enquanto uma das cortesães arrastava uma caixa do que parecia ser os restos de uma . Ela não deveria ficar conosco também. Se havia problemas. Todo mundo estava cuidando de suas costas: os velhos monarquistas fiéis à Lady Natasha. A tensão que vibrava no ar era mais difícil de limpar do que as cinzas de nossos mortos. governante de todas as diferentes Tribos. O pó de vampiros estacados foi varrido e os cacos de espelhos quebrados preencheram caixas inteiras. As cavernas reais atrás de nós haviam sido deixadas em ruínas depois da batalha que derrubou Lady Natasha. agora que mamãe era a nova Rainha dos vampiros. os leais à Casa dos Drake e à minha mãe e os que estavam em cima do muro. — papai tinha convidado a reclusa Tribo Hound à mesa de negociações. — A maioria. Lady Natasha realmente gostava de olhar para si mesma. Alguns dos corvos esculpidos em seu trono de espinheiro branco estavam lascados. alguns decapitados. ela é bonitinha.15 — Nada ainda. Entre ela e minha irmã. Mas ela estava proibida de vir para as cavernas até que o pior da política tivesse sido resolvido. Eles estavam presos em uma pequena cidade e Lucy estava presa conosco. ela sempre tomava um passo a frente. — Acha que ela é bonita? — Não são todas elas? Quinn sorriu. Lucy estaria correndo em volta com sálvia branca cantando um mantra védico para purificar nossas auras se estivesse aqui. é claro. que não parava de falar sobre os tratados de paz. o carro de seus pais era uma antiga camionhete que se quebrou na rodovia. mas a volta de seus pais para casa foi interrompida. mas isso é um vampiro para você. Todo mundo estava ocupado com uma tarefa ou outra. Os seres humanos eram frágeis na maioria das vezes e a melhor amiga de Solange tinha a auto-preservação básica de um mosquito. tivemos nossas mãos sempre ocupadas. Havia ainda pelo menos uma dúzia deles deixados pendurados na parede. — Agora. limpando.

para fora da caixa. A menina apontou e aperteu o gatilho. mas não suficientemente longe. Ele nunca chegou até ela. Ou o que teria sido precisão mortal se Quinn não estivesse perto o suficiente para agarrar sua perna e derrubá-la do escabelo. O tiro passou longe. Veneno. — falou por cima do ombro. As estacas assobiaram para fora do arco. meus lábios se levantaram do resto dos meus dentes. Ele pegou uma e dividiu-a em duas partes. a faca nas costas de uma cadeira. accionada por gatilho. — Você é um asno. ou quão cuidadoso é. enquanto ia embora para encantar uma outra garota. mal fazendo som. Todo mundo parecia estar se movendo em câmera lenta. — Só vou ajudá-la. as presas de Quinn sairam tão rápido que foram capturadas pela lamparina.16 mesa quebrada. Só tive tempo suficiente para tirar o punhal no meu cinto e jogá-lo na trajetória das estacas. Não era uma mesa quebrada afinal. Ela se endireitou de repente. Mamãe nos ensinou isso. porém mais curtos. Ela puxou um besta18. as peças fincaram um enorme armário de madeira. — Você está apenas com inveja porque sou muito mais bonito. Ela caiu para o tapete bordado à mão. Eu não tive tempo para alcançá-la ou aos meus pais. há sempre uma abertura em algum lugar. — eu disse carinhosamente. É o certo a um Principe fazer. E não importa o quanto você está preparado. lançando-se no ar com precisão mortal. que projecta dardos similares a flechas. com um arco de flechas acoplado no lado oposto da coronha. o que lhe deu uma boa visão do comprimento da sala e meus pais em particular. carregada com três estacas perversamente apontadas. se não estivessemos ativamente olhando para ela. Minhas narinas queimaram. As minhas próprias picavam minha gengiva. Guardas se 17Um escabelo é um banco pequeno que serve de apoio aos pés 18Besta (pronuncia-se bésta) ou balestra é uma arma com a aparência de uma espingarda. . subiu em um escabelo17. Nós nem a teríamos notado entretanto.

enquanto meus dois outros irmãos. parecendo inofensiva. O qual foi apenas para mostrar o quão pouco ela conhecia minha mãe. Suas roupas caíram em uma pilha. Mesmo quando minha mãe saltou no ar e caiu sobre suas cabeças. A cera de abelha se juntou ao cheiro afiado e doce do veneno. arregalando os olhos. que as cavernas reais soavam mais como um recinto do puma no zoológico. A garota assassina estava claramente preparada. Ele gritou e até mesmo o som parecia lento demais. Espadas brilhavam. Um candelabro de ferro foi derrubado. Bateu em uma tapeçaria e caiu em um cesto. derramando os tocos de velas semi-queimadas. . Uma das estacas pegou um magro e pálido cortesão no ombro quando ele não conseguiu se inclinar para trás com rapidez suficiente. mesmo enquanto lutava para se libertar do aperto sombrio de Quinn. Mamãe lutou à sua maneira para se livrar de seus ávidos guardas enquanto a menina era arrastada para longe de Quinn. Tarde demais. A terceira estaca foi infalível em seu caminho. e sabia o suficiente para não ser capturada e interrogada pelo inimigo. O interior do seu colete estava equipado com uma fina estaca escondida. distorcido. A menina sorriu uma vez. Estavam rosnando tanto.17 viraram. Meu pai virou-se para colocar-se entre ela e a estaca. — Quero ela viva! — papai estava gritando. piscando. em linha reta na direção do coração de minha mãe. entre as bordas dos tapetes colocados no chão. Seu sangue respingou sobre os azulejos. fitas de laço vibravam e botas colidindo com a parede quando o melhor deles capotou para fora do caminho das outras duas estacas. Marcus e Connor. Ela se lançou um pouco para a esquerda e esticou o braço. recusando-se a usar um escudo feito de seu marido e filhos. Houve um pequeno som de paulada e em seguida ela se desfez em cinzas. Guardas entraram. deram um salto mortal ao seu lado para formar uma grande barreira. Ela puxou um pequeno pedaço de corda costurada na cava de seu colete e sorriu. seguramente encerrado em um bracelete de couro e bateu a estaca no ar para fora da trajetoria.

A mandíbula de Quinn estava tão rígida que ele se parecia com uma estátua de mármore. sua longa trança preta balançando quando ela cruzou os braços sobre o peito. Ela fechou os olhos por alguns instantes. — Calma. — Bem? Eu reconheci Sophie quando ela se aproximou. — Obrigada. — ela sorriu brevemente. Logan. muito alto e muito criativo. — após os acontecimentos da semana passada. Parecia menos com uma antiga Fúria. — Estou muito orgulhosa de vocês. Agora. você está ferida? Ela acenou. Liam. — Eu estou bem. então virou os duros olhos para nós. Comigo. Eu sabia exatamente como ele se sentia. — Helena. Nós a seguimos em uma pequena antecâmara privada. Seu olhar poderia ter assado um bife. A adrenalina ainda estava correndo através de mim. querida. Cada um de nós deu um passo saudável para trás e ninguém se sentiu menos viril pela sábia retirada. Ela tinha uma massa de cabelos castanhos encaracolados e cicatrizes no lado do rosto de quando ela era humana. — ela se encostou em meu pai. — ele disse carinhosamente. — ela disse suavemente. — ela jogou um olhar para Marcus e Connor. rapazes. As velas tremeram. — Vocês também. Mamãe não gostava de ser salva por seus filhos. — Você também. — Mãe. de ordenar para nunca ficarem entre mim e uma arma de novo. — Eu distintamente me lembro. sobre os ombros.18 Papai amaldiçoou. pálido e frio. . sob a fileira de pequenas lanternas de vidro. pálida como o fogo e tão irritada. Nós tivemos um curto alívio quando papai pegou o rosto de mamãe e passou as mãos pelo seu pescoço. beijando o topo de sua cabeça. — eu acrescentei. — E não teremos a nossa mãe morta por qualquer um. — Dá um tempo. — Quinn. Ninguém sabia como as tinha conseguido. Ele olhou para a guarda parada na porta. Mamãe de punhos cerrados. Mas não façam isso de novo. — ela disse finalmente. quando abriu-os de novo. — Quinn gruniu. — Eu não terei meus filhos mortos por algum assassino de terceira categoria.

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Ela inclinou bruscamente. — A menina pertencia a Montmartre. Seu brasão estava costurado no interior do seu colete. — E? — E isso é tudo o que sabemos. — Isso não é o suficiente. — Helena estalou. — Eu concordo, Vossa Alteza. Helena suspirou. — Sem Vossa Alteza para mim. — Sim, Vossa Alteza. — Espere. — Quinn franziu o cenho. — Ela tinha uma tatuagem. — Você tem certeza? — mamãe perguntou. — Onde? — Sob a sua clavícula, acima do peito esquerdo. — para seu crédito, ele não corou. Exatamente. Os olhos de minha mãe se estreitaram em seu rosto. — Você estava olhando para dentro de sua camisa? Quinn engoliu. — Não senhora. — Mmm hmmm. Qual era a tatuagem? — Uma rosa vermelha, com três punhais ou estacas passando por ela. Eu não consegui uma boa olhada. Papai franziu o cenho. — Não conheço esse brasão. Eu me pergunto se é novo. Ele olhou para Sophie. — Descubra. E dobre o patrulhamento e um outro conjunto de guardas para minha esposa. Sophie inclinou-se e deixou a antecâmara logo quando mamãe começou a dizer. — Liam Drake, eu posso cuidar de mim. — Helena Drake, eu te amo, aceite a guarda extra. Encararam um ao outro. Eu sabia que meu pai iria ganhar. Mamãe era agressiva quando encurralada, mas meu pai tinha um jeito de cuidar disso, como uma cobra que hipnotiza a sua comida. Seu olhar suavizou. — Por favor, amor.

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Seus dentes alongaram com seu aborrecimento. — Não faça isso. — ela murmurou, mas nós sabíamos que papai conseguiria de seu jeito. — Só até a coroação. — ela disse finalmente, com firmeza. Papai concordou. — Fechado. — ele ia encontrar outro argumento depois da coroação. O walkie-talkie no cinto balbuciou uma frase ilegível. Ele apertou o botão. — Repita. — Você nos pediu para avisá-lo quando fosse meia-noite. Papai olhou para o relógio. — Certo. — ele disse para o resto de nós. — A delegação Hound deve estar aqui a qualquer minuto. Logan, você vai encontrá-los. Se o que sabemos sobre esta Isabeau é verdade, ela foi transformada logo após a Revolução Francesa. Você será mais familiar para ela nesse fraque. — Ok. — ignorei os sorrisos dos meus irmãos. Eles eram estritamente do tipo jeans e camiseta. Eu não podia fazer nada se não tinham estilo. — Os guardas de montanha esperam por eles, mas ninguém mais faz. — acrescentou. — Nós não queríamos drama. — Tudo o que temos é drama. — revirei os olhos, partindo para fazer o meu caminho até a entrada da caverna principal. O walkie-talkie do papai chioou novamente. Sua voz era preocupada quando ele me chamou. — Logan? — Sim? — Corra.

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Capítulo Dois

Eu não esperava a emboscada. E isso está dizendo algo. Eu não tinha me tornado uma princesa Hound no ano e meio desde que eu fui desenterrada porque eu era uma que confiava. Se a Revolução Francesa não tivesse me curado disso; ser mordida e abandonada por um dos Host de Montmartre teria. E eu podia ter sido pega de surpresa, mas não era uma idiota. Estava, no entanto, armada até os dentes. Os guardas nos superavam em número. Eu só viajava com outros dois, Magda e Finn, uma vez que era difícil encontrar um Hound que tivesse temperamento para lidar com as Cortes Reais de vampiros e com a implacável arrogância dos associados. O temperamento de Magda era praticamente estável, mas ela era bonita e justa, o que em sua maioria equilibrava todo o resto. Finn era sereno como as madeiras de cedro que ele tanto amava. E eu era apenas eu: solitária e vingativa, mas ainda tão educada como a Lady francesa a qual eu tinha sido criada para ser. Eu tinha ambos, dezoito anos e mais de 200 anos de idade. Como se isto não fosse suficientemente confuso, eu tinha sido puxada para fora da cova por uma matilha de cães bruxos. Kala preferia Shamanka à bruxa. A maioria dos Príncipes e pequenos lordes a respeitavam e desde que ela tinha sido a única a mandar-me para a reunião, ninguém tinha argumentado ou se oferecidos para tomar meu lugar. Eu era a sua aprendiz e isto era o suficiente para os outros, mesmo que eu não tivesse certeza se era suficiente para mim. Eu teria sido mais feliz sumindo no fundo, mas eu devia à Kala a minha vida, tal como era. Ela me tirou da loucura e fez com que eu não virasse uma selvagem ou uma presa de Montmartre. Ela alegou que se eu era forte o suficiente para durar 200 anos em um caixão, era forte o suficiente para não me tornar uma selvagem. Não me lembrava dos séculos no cemitério, apenas breves imagens antes de

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perder a consciência. Mas eu, definitivamente, me lembrava da dor de ser puxada para fora e revivida. E não foi a força de caráter que me fez passar por tudo, nem mesmo a magia considerável da Kala. Foi a necessidade de encontrar o Conde de Greyhaven e minha sede de vingança. Por causa dos estrangeiros, eu tinha sido rotulada como uma "Princesa" Hound, embora não tivéssemos Princesas e outros nobres. Era um título muito útil, uma vez que a nova Rainha estaria mais disposta a me ouvir, mesmo que eles estivessem, provavelmente, esperando uma menina selvagem com lama no rosto que comia bebês no jantar. Foi por isso que Kala tinha me enviado para os tribunais para a coroação de Helena Drake e seu marido, Liam Drake. Isso e o fato de que eu e os outros Hounds tínhamos mais ou menos salvo a vida de sua da filha. Infelizmente Montmartre tinha fugido então eu não considerei a missão um sucesso, mesmo que todo mundo parecesse considerar. Eu estava aqui para representar o melhor dos Hounds, e eu tinha um filhotinho wolfhound19 para apresentar como um presente. Os wolfhounds de Kala eram lendários, eu tinha um adulto como companhia: Charlemagne. E ele estava roncando baixo em sua garganta, músculos agrupados sob seu pelo rijo cinza. — Lá. — murmurei, apontando para ele ficar atrás de mim. Eu não tinha nenhum problema libertando-o para o ataque, mas só se eu soubesse que não seria ferido. E agora havia uma lança apontada para a sua garganta. — Hounds. — um dos guardas zombou. Eu conhecia aquele tom revoltado e temeroso intimamente. Nós não éramos exatamente famosos por nossos elegantes modos à mesa. Pouco importava que metade dos rumores não fosse verdadeiro. Nós os utilizávamos para a nossa vantagem. Quanto mais os outros desdenhavam de nós, mais eles nos deixavam sozinhos, o que era tudo o que eu realmente queria, em primeiro lugar. Deixe-os se preocupar com a política e com os caçadores. Nós só queríamos as cavernas e a calma. Bem, a maioria de nós.

19A

lébrel irlandês (em inglês: Irish Wolfhound), também chamada wolfhound irlandês, é uma raça canina oriunda da Irlanda. Considerada a maior raça do mundo.

tanto Magda quanto Finn entrou em ação. Charlemagne reclamou. mas os guardas recuaram. mas não tão suave. — Fomos convidados! — adicionei. mesmo em seu casaco de veludo. No momento em que toquei o punho. Tirei a longa e fina espada amarrada às minhas costas. — Parem! — alguém se meteu na confusão. equilíbrio e timing. Ele tropeçou. em minha opinião. com seus punhos de renda esvoaçantes. Não estava certa do que isso dizia sobre mim. sobre o movimento dos pés. Ele saltou entre nós. com a necessidade de saltar para a luta. E eu preferia a longa espada mortal a qualquer vestido de seda que eu já tenha usado. Tudo isto é sobre a tensão entre você e seu parceiro. mesmo que eles ainda estivessem rosnando. Alguém poderia tentar dizer isso aos guardas. Ele era bonito. com as armas levantas respeitosamente. Era difícil sentir arrependimento uma vez que ele estava a ponto de estourar seu o pescoço. Como a estaca de mogno polido voando pelo ar em direção ao meu coração. Eu não sabia quem ele era. como os meninos que eu tinha conhecido nas festas do meu tio. mas tinha preocupações maiores. gritando quando golpeei com minha bota o calcanhar do guarda. . mas Kala tinha nos avisado várias vezes que estávamos aqui para as negociações. para acertar o meu adversário na lateral da cabeça com o punho da minha espada. Eu me inclinei para trás tanto quanto podia. Suas presas estavam prolongadas. brilhando como opalas. Magda pegou um antes que eu pudesse impedi-la. perto o suficiente para que pudesse ver as veias da madeira. — Não. — Ela matou Jonas. Passou por cima de mim. — eu disse a ele bruscamente. Movi-me subitamente de novo. a qual os guardas não tinham notado ainda. exatamente o que precisávamos. Ótimo. — um deles falou. Acredita que os malditos da realeza poliam suas estacas até um alto brilho? Nós apenas amolávamos pedaços de pau.23 O cachorrinho na cesta pendurada no meu ombro latiu e eu o coloquei no chão. deixando cair sua estaca. Poderia tê-lo transformado em uma pilha de cinzas. Aprender a lutar não foi diferente do que aprender a dançar valsa.

não muito tempo atrás. estava aqui como emissária de Kala. — disse ele. Eu não estava aqui para admirar lindos rapazes. — ele deve ser um dos lendários irmãos Drake. — eu não precisava de sua proteção. Só Finn aparentava estar na casa dos trinta anos. Ele não era um Hound. — Sou Logan Drake. Alguém tentou assassiná-la a menos que dez minutos atrás. mesmo que por um instante. embora tecnicamente eu tivesse 232 anos de idade. — seu cabelo castanho caído sobre a testa. Era imperdoável me distrair. Ele parecia ter uns dezoito anos. Isto dificilmente fez os rosnados pararem. — expliquei rigidamente. O guarda rosnou. — Magda e Finn. como o musgo. — Você não os reconhece? — apontou para mim. e uma única filha que tinha acabado de mudar. — ele apressou-se a garantir-nos. Eu não gostei do jeito que ele estava me olhando. especialmente porque ele odiava Montmartre tanto quanto nós. o mesmo que Magda e eu. Kala o tinha enviado para nos manter com a cabeça no lugar. embora tivesse quase 800 anos de idade. — Isabeau. — Minha mãe é Rainha há apenas alguns dias e todos estão ainda em estado de alerta. Havia sete deles. Isto me fez desconfiar dele e sentir-me estranhamente atraída. mas está conosco há tanto tempo que nós o tratamos como se fosse um de nós. Alonguei a minha espinha. O menino se virou para ele. . — Mas você estará segura. inclinando-se para nós. — acrescentou ele. — Estamos aqui para a coroação. eu presumo? — ele demorou em cada uma das palavras. ao invés de uma túnica de couro com uma cota de malha por cima do meu coração. apenas um vampiro comum. como se eu estivesse vestindo um dos meus vestidos antigos. — Esta menina salvou a sua vida. — Minhas desculpas. falando suavemente. Seus olhos eram verdes como os meus. — Magda cuspiu de volta sem se arrepender. — Eu sei. — Só é daqui a duas semanas. o formato do seu queixo e o nariz estreito eram nitidamente aristocráticos. Ele teria ficado mais em casa entre os nobres do meu tempo do que neste lugar moderno.24 — Porque ele estava tentando me matar. — afirmou outra guarda.

— Você está planejando devolvê-las? — Magda bufou. bordados a fio de prata brilhando à luz das tochas. — ela sibilou — Cem anos atrás. . com dentes brilhando e olhos rígidos. E os vampiros por toda parte As conversas foram interrompidas abruptamente. Um deles usava um poncho. Havia inúmeros bancos e um palco com os restos de um trono branco e dezenas de espelhos quebrados. O cesto cheio com o cachorrinho se contorcendo estava sobre o meu ombro novamente. Encontrar conforto no estilo dos humanos jovens era comum a todos os vampiros. Velas queimadas em candelabros de prata e lustres de ferro20. trouxe-nos a uma caverna com estalactites pingando. — Lady Natasha roubou as cavernas. então não importa. Levaram-nos por um corredor esculpido. — Logan disse. Eles eram pálidos e perfeitos. finalmente. mas estava resmungando. antes que eu pudesse impedi-la. como se fôssemos os cogumelos venenosos crescendo de repente em um jardim bem cuidado. — ela virou-se. Isto era uma semelhança entre nós. ela disse muito. No lugar de lâmpadas. Todos se viraram para nos olhar. mas não disse mais nada. — E daí? Eles ainda roubaram as nossas casas. espartilhos e até jeans. — sua longa saia florida fluiu em torno de seus tornozelos. Agarrei o braço dela. mas quase não era suficiente para compensar os rosnados e os olhares suspeitos. sem virar para nos olhar. — eu sibilei. — Se você me seguir. — disse ele. 20Iron birdcage : são aqueles lustres antigos que eram pendurados no teto. —Calma Jen. — Essas cavernas costumavam ser nossas. — Você não tinha nascido ainda. Magda estava carrancuda. tinham pés. como Magda muitas vezes usava. Estalei os dedos e Charlemagne saltou para andar ao meu lado. Na verdade. a pedra cinza quase encostando sobre as nossas cabeças. A sala ampliou-se e.25 Logan fez um som de frustração. antes de oferecer-nos um sorriso encantador. desde couro. por isso fomos capazes de fingir não a ouvir. eram colocadas velas. Vi todo tipo de roupa. Ela se esquivou.

especialmente séculos atrás. afiadas e brancas como a concha de abalone 21. na sua maioria. O homem ao lado dela tinha ombros largos e um sorriso calmo. Ninguém queria perder a apresentação entre a Rainha e a Princesa Hound que ajudou a salvar sua filha. eles eram como formigas de fogo despejando de um formigueiro.26 Até mesmo Finn endureceu e Magda estava praticamente vibrando com a necessidade de atacar. esta é Isabeau St. — Mamãe. Só Logan saltou para frente como se estivéssemos aqui para nada mais do que chá e bolo. Coloquei meus ombros para trás e jurei a mim mesma. Ele estava tão ansioso para criar o seu próprio exército. Eu tinha certeza que ele tinha feito isso de propósito. que tinham a boca cheia de dentes pontudos como navalha e pele de cor azul. Não vi Solange em nenhum lugar. mais as suas presas cresciam. o que significava que eu tinha de aprender todo um novo conjunto de regras. que vivem preferencialmente em águas frias. Eu tinha dois conjuntos. mais uma vez. papai. Mas agora. — anunciou. Ninguém deixou de perceber a inflexão na última palavra. Croix. — Bem-vinda. Eu lancei um olhar de inveja aos punhais alinhados em sua alça de ombro. que não iria desapontar Kala. Até nós evitávamos os Hel-Blar. Quanto mais selvagens fossem os vampiros. onde costumava haver um agora havia uma centena. com uma longa trança. espessa e pegajosa como mel. mas fiquei surpresa que alguém nascido neste século soubesse dessas regras especiais de etiqueta. Você poderia viver a sua vida inteira sem nunca ver um. alegando que seus pais tinham um maior prestígio social. Ele apresentou-me a eles e não o contrário. As orelhas de Charlemagne voltaram-se quando ele sentiu a tensão. Eles eram. que 21Os abalones são moluscos. Como se não tivesse sido cansativo o suficiente na primeira vez. Pertencem ao gênero Haliotis. esta é a Rainha Helena e o Rei Liam Drake. eles eram raros. — disse Liam. quando a mudança de sangue era ainda mais um mistério do que é hoje. As conversas recomeçaram. mas em sua maioria eram murmúrios e sussurros. com sua voz suave e rica como conhaque cremoso. Eu sabia que eles estavam olhando para minhas presas. — Isabeau. Logan parou na frente de uma mulher baixa e esbelta. — Logan me apresentou com certa eloquência. da família Haliotidae. Elas não tinham sobrevivido ao longo dos séculos. . sutilmente. Antes de Montmartre. — Trouxe os nossos convidados. criados por acidente ou ignorância. eu quase me esqueci e fiz uma reverência. E o aviso. por causa de Montmartre. espécie de caracóis marinhos.

Finn inclinou-se ligeiramente. Ele queria seu exército pessoal para ser o melhor. procurando os vampiros que ele deixou enterrados e reabilitando-os antes que ele possa reclamá-los como seus. Ele começou a deixar as pessoas meio transformadas debaixo da terra para provarem ser capazes de sobreviver à mudança de sangue sozinha.27 devastou as antigas cidades de pedra da Europa durante centenas de anos. Coloquei a cesta sobre o tapete e esperava que nosso presente não fosse aliviar-se nas rosas bordadas à mão. E. e definitivamente não somos Host. Kala. Quando Charlemagne não rosnou ou ficou tenso. mas ela era o oposto por natureza. — a boca de Logan se contorceu um pouco e eu sabia que ele tinha percebido o que eu tinha feito. — Sim. especialmente esta. — Finn. Magda inclinou a cabeça duramente. — É um prazer conhecê-lo. eles são. Magda. Porém. não nos encaixamos facilmente em qualquer lugar. Até mesmo Helena sorriu. transformando os humanos em vampiros. como chamamos a nós mesmos. gostaria de apresentar Helena e Liam Drake. ficavam loucas com a fome ou eram recrutadas para fazer parte dos seus Hosts. estava totalmente fora de questão. Isto suavizou suas feições consideravelmente. sinceramente. e então saltou a seus pés. Eu não tinha certeza se ela sabia exatamente o quão lendário eles são. Eles têm sido fiéis a mim desde então. que estava estudando cuidadosamente Liam. relaxei. Observei cuidadosamente Charlemagne. não somos Hel-Blar. com uma ganância indiscriminada. eu preferia a sua . isso não era bom o suficiente para ele. em uma Corte Real. Somos um incômodo para ele. gritou. — concordei com orgulho. Seus longos cabelos castanhos e roupas leves a faziam parecer uma princesa de fadas. Aquelas que não morriam. Foram os cães gigantes de Kala que tinham me cheirado no cemitério e cavaram-me com as suas garras. O sorriso de Liam era genuíno quando ele se abaixou para ajudar o cachorro a sair da cesta. Não somos vampiros normais. E Hounds ou CWN Mamau. — Os cães bruxos de Kala são lendários. O resto era abandonado como Hel-Blar. Seus instintos eram investigadores. — eu disse educadamente. — Trago um presente da nossa Shamanka. e admitir estar nervosa ou inferior. — disse ela. assustado. fato que tanto irrita Montmartre. O cachorro virou. o mais forte e o mais cruel.

Mesmo se tivesse sido. então eu assumi que ele não tinha objeções graves. — Logan vai te levar lá para descansar. se os tratados e as negociações corressem bem. Ainda assim. Kala não era fácil com os seus louvores e senti-me um pouco acima disso. mas havia outra coisa. Eu odiava ser encarada. — os amuletos que Kala tinha me dado brilhavam à luz suave. e teríamos feito o mesmo se um grupo de membros da Realeza ou antigos tivessem sido convidados para as cavernas. — Será nossa convidada em nossa casa. eu não tinha um acompanhante em Paris. nós tínhamos assumido que íamos nos separar. Croix. ela ficou carrancuda desde que Kala mencionou pela primeira vez esta visita. — Logan sorriu agradavelmente para mim. — ignorei a carranca de Magda. Eles ainda podem. Ela diz que o seu dom em treiná-los é lendário. — Obrigada. isto era inadequado para um vampiro. seja o que for que seu marido tenha dito sobre querer tratados e reconciliação. Eu não tinha certeza do que era pior. permanecer nestas cavernas com aqueles que claramente não nos queriam aqui ou ficar na casa da Rainha. Finn cedeu uma vez e não disse nada. Outro teste. Isso me deu uma pausa. Era menos complicado. Os poucos não Hounds que eu conhecia não poderiam evitar ficar olhando fixamente. — Claro. — Eu peço o seu perdão. ela é uma Shamanka. Ela estava fazendo com que todos soubessem que nós estávamos sob sua proteção. Ele não parecia perturbado pelo meu conjunto extra de presas ou pelas cicatrizes em meus braços nus e no lado esquerdo da minha garganta. Ela não confia plenamente nos Hounds. além disto.28 companhia aos da minha própria espécie. Eu ainda não estava acostumada com a atitude cavalheiresca com as meninas desacompanhadas. Isto era um teste. mas estive vivendo nos becos fingindo não ser uma St. Seus amigos podem permanecer aqui e se familiarizar com o pátio. É verdade. — E Kala não é uma bruxa. De qualquer forma. eu tinha certeza. quando eu levantei meu queixo. — isto não era um pedido. não havia uma forma educada de evitá-lo. Tentei não corar. . — Vou te levar para a casa.

— A casa é através da floresta. Enfiei os dedos em sua pele com força quando Logan não estava olhando. bebericando vinho claret22 em frente à uma lareira. — Vire aqui. é claro. conduzindo-nos para baixo.. — Ou o quê? — Você consegue acompanhar? — seu sorriso era encantador. — não estava nem de perto confortável o suficiente para deixá-lo revelar a nossa localização. — eu não disse mais nada. mas calmo. — E. ele e toda sua família. pelo seu sotaque. — Mais oui. como se ele soubesse o que eu estava pensando. nós não teremos que descer a montanha. Charlemagne parou suavemente ao meu lado. — Eu acredito que. Ele teria mais perguntas em breve.29 Eu não podia evitar. desta forma. Eu estalei meus dedos. Não tinha uma maneira de saber quem mais andava na floresta conosco. mas acho que os olhos de Logan estavam sabendo. 22Diz-se de um vinho tinto pouco colorido. . O luar brilhava nos botões de prata de seu casaco. várias passagens mais e para fora em uma clareira. Achava difícil acreditar que iriam enviar o jovem filho da Rainha com uma Princesa selvagem sem algum tipo de guarda. É mais rápido. Podemos ir pelos túneis. CLARET (inglês) = CLARETE (francês) . você é francesa? — Oui. realeza ou não. Ele realmente parecia como se pertencesse a um romance de Victor Hugo. Eu tentei me lembrar de que eu era emissária de Kala e forte o suficiente para lidar com os Drake.. uma tapeçaria de uma floresta enluarada. — explicou ele. mas eu podia ver a especulação em seu olhar rápido. Nós temos tapeçarias semelhantes penduradas no castelo para manter os desenhos fora de alcance. A montanha era uma sombra negra desmedida atrás de nós. se você preferir ou. Um lobo uivou em algum lugar distante. — eu estava imediatamente em guarda. ridiculamente bonito ou não. Ele não ia se intrometer. alerta. Charlemagne jogou a cabeça para trás e abriu suas mandíbulas para uivar de volta. — Não. quando ele fez sinal para eu seguir pelo estreito corredor da caverna com uma cortina. O bordado era familiar. — Eu quero dizer.vinho tinto de Bordeaux na França. visíveis apenas quando o vento empurrava folhas e galhos para o teto da catedral. As escadas eram grossas e densas.

Brumas serpenteavam em nossos tornozelos. Apenas Charlemagne foi inteligente o suficiente para navegar direito sobre ela. Corri mais rápido. . Eu me sentia da mesma maneira. Sua voz voltou-se para mim. Meu cabelo se soltou de seus grampos e balançou por trás de mim como uma bandeira de guerra. árvores gigantescas. de barro úmido. esquivando-nos de galhos de pinheiro. quase lá. mais recentemente. Eu ri quando Charlemagne saltou sobre um rio. vigiada por apenas um quarto do seu contingente e já estava me coçando pelo isolamento das cavernas e pela companhia simples dos wolfhounds da Kala. Eu só estava na Corte Real a pouco menos de meia hora. vegetação em decomposição e cogumelos. eu poderia reconhecê-lo. Charlemagne zuniu animado. De alguma forma ele soube como me centrar e acalmar novamente. Nos trechos limpos. me lembrando de como meu coração poderia ter batido se eu fosse capaz de me mover tão rápido quando era um ser humano. Mesmo sob a densidade dos cheiros da floresta. Mademoiselle St. se não passá-lo completamente. elevando-se até soprarem um bafo fresco em minha cintura. sentindo a minhas pernas queimando. Liberei-o com um movimento com a mão e depois nós dois estávamos correndo pela floresta. saltando sobre samambaias gigantes. as cavernas dos Hounds. Logan ainda estava à frente. Eu teria rido em voz alta. reforçado com vinho. Croix. tão altas que eu não podia ver seus topos. quase a um metro de distância de mim. Nós pulamos para fora da floresta e para dentro de um campo. o ar quente de verão batia contra mim. Eu já conhecia o seu cheiro. Eu nunca tinha visto árvores como estas. Esses vampiros preocupam-se com as coisas mais estranhas. — Vamos. como o incenso que eles usavam na igreja quando eu era uma menina. — elas eram negras. como plástico ou couro gasto. Logan suspirou. — Estas calças custam uma fortuna para lavar a seco. ao mesmo tempo em uma poça de lama escondida sob um tapete de agulhas de pinheiro e folhas murchas de carvalho. Isso era quase tão bom. se não tivesse certeza que Logan sorriria se me ouvisse.30 — Ótimo. Ele era um borrão e eu estava determinada a alcançá-lo. espirrando em mim sem remorso. Minhas botas mal tocavam o chão. Abri caminho através de um grosso ramo de sempre-vivas e então podia vê-lo. As folhas flutuavam. passando por entre enormes carvalhos e bordos. Um coelho saltando para a segurança no meio dos arbustos. brilhantes. — ele piscou e depois foi embora. Estava acostumada com os jardins imponentes e antigos vinhedos da minha infância ou.

Eu encolhi os ombros. mas é a palavra mais próxima para descrever a minha posição entre o meu povo.31 A lama chupou minhas botas quando eu saí para a grama. mas ele permaneceu perto mim. — Lucy afirma que eles são bonitos. Ele me olhou de esguelha.? — agora. — Mas vocês têm Princesas? — Não realmente. Latidos saíram da casa e eu toquei a cabeça de Charlemagne. — E você? Você é casada com um Príncipe Hound? — Nós não temos príncipes. — Não há necessidade. difícil de perder. Seus músculos da perna tremeram com a necessidade de continuar correndo.. Brown? — É um terror. — Nós entendemos um ao outro. — Pug? — ecoei. Logan sacudiu a cabeça. — Eles não estavam brincando quando disseram que você tinha um jeito com cães. — Ele não tem sequer uma coleira. Ela é uma matraca. — Bem. eu estava com vergonha de ter orgulho por ter me lembrado da palavra moderna em inglês para "namorada". talvez ele possa ensinar aos nossos cães algumas maneiras. sussurrando um comando. — Por que alguém faria isso? — eu me perguntava. Ele não é meu servo.. Especialmente Sra. Brown. e isto sempre foi sua escolha. só meu companheiro. E apenas cerca de quinze libras de pug . . por que eu perguntei isso a ele? De repente. — Lucy é a melhor amiga da minha irmã e praticamente como uma segunda irmã para mim. para enfrentar o desafio. — Oh. — Cruze um cão pequeno com um porco e você tem um pug. — Sra. — Lucy é sua namorada. apesar de interessada. — Eu acho que nunca vi um.

— E os ossos já te levaram a alguém? — Não. um propósito mais pessoal. — Ei. e uma pessoa simplesmente não envia o espírito de alguém em uma viagem tão distante e perigosa sem qualquer custo adicional. eu estava aqui com outra finalidade. — deliberadamente segui em direção à fazenda. . Logan pareceu preocupado pela primeira vez desde que evitou que uma espada perfurasse as minhas costelas. acima de uma cicatriz feita pela boca de um dos cães que haviam me tirado de minha sepultura. Além disso. Eu prefiro ficar sozinha. Nenhuma outra Shamanka ou um servo de alguma Shamanka já tinha se juntado com alguém de fora da tribo. — Eu estou bem. — Os ossos? — Um ritual transmitido através dos séculos. O alpendre era grande. Ele levantou uma sobrancelha. com várias cadeiras e um balanço. Ou que ela raramente errava nestes assuntos. E nenhum Hound no mundo iria desacreditá-la. presságios ou não. sua magia era tão forte que ela tinha andado em sonhos para encontrar o meu túmulo. — Nós raramente casamos e nunca pela política.32 — Então você vai se casar pela política? Eu balancei minha cabeça. Rosas selvagens cresciam sob as janelas. projetando seu espírito através do oceano para encontrar-me com nada mais do que um presságio e o fio de um sonho. pontuado com rosnados. Ela poderia tê-los ignorado para trabalhar suas magias para algum propósito. quando Kala me disse que meu companheiro seria das Cortes Reais. Cheguei para trás. — eu não tinha absolutamente nenhuma intenção de dizer-lhe que os ossos disseram a Kala que eu iria encontrar meu companheiro nas Cortes Reais. O latido ficou mais alto. Os ossos nos levam a nossos companheiros. você está bem? — Logan estendeu a mão para tocar em meu cotovelo. ela realmente quis dizer isso. Assim. Afinal. Isto era uma coisa para nem pensar. Magia toma tanto quanto ela dá.

As lâmpadas e os candelabros ao redor estavam acesos. apenas direcionei-lhes um olhar. Percebi pelo seu tom que ele ficou impressionado. mas eu ainda morava em uma caverna com todas as comodidades parecidas com as da Idade Média. Eu apenas mantive minha posição e deixei-os cheirar-me uma vez antes de estalar os dedos e apontar para o chão. Tinha cabelo castanho de corte no queixo e olhos castanhos por trás dos óculos escuros. Logan ficou boquiaberto. ele teria mostrado a língua para eles. mas ainda não estou inteiramente certa de como funciona corretamente. — disse ele sem jeito. Subi as escadas com confiança. cheio de botas. — Whoa. — eu assegurei a ele. A primeira vez que tocou. Eu poderia ter acordado no século XXI. a qual ficou próxima a ela e tentou chutar quem se aproximava. — Cara. Recentemente permiti a Magda arranjar um celular para mim. Tentei não encarar. de fato. Três traseiros peludos bateram no chão de mármore. Era agradável. Eu ainda estava meio impressionada com a eletricidade. a quem eu tinha visto pela última vez deitada. e outro de seus muitos irmãos. — uma menina interrompeu a minha inspeção. Eu não falei com os cães. Cães não escondem os seus humores. — Não há necessidade de se preocupar. Não era para colocar um telefone celular ou gloss. Assumi que ela era Lucy. Solange. Os dois pararam. Mesmo com meu conhecimento limitado sobre ele. Tinha uma bolsa pendurada do ombro esquerdo ao quadril direito. me olhando . pálida e morta nos braços de Montmartre. — Você deu Hypnos aos cães ou algo assim? — perguntou ela. Quando eu tinha certeza que os Bouviers aceitaram que sou superior na hierarquia do bando. ele não era muito ruim. Senti-me melhor com três enormes Bouviers peludos me rodeando.33 — Os cães nunca conheceram um Hound antes. deixei Charlemagne passar por mim para que eles pudessem se conhecer. mais que seus sorrisos encantadores. não jogam jogos de costumes ou intriga. como era a única com batimentos cardíacos. Eu me lembrava vagamente dela da noite que Solange sofreu a mudança. eu sabia que. casacos e bolsas. tentei enfiar uma estaca nele. mas nunca desistiu. Se Benoit ainda estivesse vivo. Não foi inteiramente bem sucedida. Dois vampiros seguiram-na para fora da sala de estar. A mão de Logan estava na maçaneta da porta. mas sim para estacas. O hall de entrada era espaçoso. Usava uma quantidade excessiva de joias de prata e turquesa.

— ela aprovou. — Não há chances. ignorando-o e balançando as pontas penduradas nas tranças torcidas na nuca do meu cabelo. né? — Isabeau. — disse ela. — disse ela. Lucy demorou um pouco mais. Há muitos deles que às vezes é difícil de acompanhar. um pouco desamparado. com os braços abertos.34 cautelosamente. — Legal. Ela disparou para frente. nós conhecemos você. — eu corrigi rigidamente. Solange e Nicholas ainda não tinham dito uma palavra. — Eu estava indo abraçá-la por salvar a vida da minha melhor amiga. Isabel. e este é Nicholas. — Mas você usa miçangas de osso. — O que há de errado com vocês dois? Ela salvou a vida de Solange. a seu irmão. mas eu sabia muito bem que este não era o jeito das pessoas modernas da minha idade. né? — isso pareceu afetá-la mais do que o fato de que os Hounds eram acusados de ser assassinos loucos. seu idiota. Inclinou a cabeça. — a ironia de que a humana estava mais confortável perto de mim do que os outros vampiros não fazia sentido para mim. Ela olhou para eles e então para mim. — Você poderia cantar canções de alguma banda de garotos durante todo o dia que eu não me importaria. Eu tropecei para trás. — Beije-a. Logan revirou os olhos. Eu odiei quão educada e pomposa eu soei. — ela estremeceu. esperando uma estaca. — O quê? O que eu perdi? — ela parecia descontente. — Você não pode calá-la? — ele pediu suplicante. Parecia que Logan estava reprimindo uma risada. Lucy. — Você não se parece com uma Isabel de qualquer maneira. — eu murmurei. Eu sou Lucy. — Ei. — Sou uma Hound. — ela inclinou a cabeça. . — Como? — disse Nicholas. Lucy deu de ombros. vampiros ou não. dobrando os joelhos em um agachamento de luta. Eu acho que você não é do tipo que abraça. — Você é como um trem desgovernado. É como fui criada. Lucy voltou a olhar para eles. desculpe. — Ah. — Eu não acho que ela tenha visto alguma banda de garotos. — Maneiro. — Logan gemeu para ela. — Você não parece louca.

— Nicholas concordou. — Você primeiro. — disse ela calmamente. — Não foi nada. envergonhada. . — Estou em dívida com você. — murmurou Lucy. você está. Solange adiantou-se. — Sinto muito. — Solange. Ela deu-lhe uma cotovelada no estômago. — disse a ela. Eu me perguntava como ela poderia resistir à tentação dos batimentos cardíacos de Lucy enchendo a casa. — Acho que você também não parece louca. alegremente. — lambeu os lábios. A porta da frente abriu-se atrás de nós. eu a deixei. — desviei o olhar. de qualquer jeito. — disse ela. ligando seu braço com de Solange e com o meu. Ele não terminou o seu cumprimento. — Seja legal. Surpreendentemente. — Ai. — Você me pegou de surpresa... — Obrigada. para um vampiro. Ela adiantou-se. Ela me lembrou um pouco de Magda. Era um caçador de vampiros. Ela ainda parecia frágil.35 Acontece que aprecio a honestidade. — Vocês podem me ver comendo chocolate. — Vamos lá. — Não temos amor por Montmartre. por isso era impossível não gostar dela. — disse ela. Nicholas resmungou. — esfregou o esterno. quebrando o silêncio desconfortável. — Imbecil. cautelosamente. — Nós todos estamos.

Eu não poderia considerar-lhes a minha família governante particularmente. Não gosto de caçadores. O olhar de surpresa em seu rosto poderia ter sido cômico se não tivesse tentado alcançar o botão de liberação do pó Hypnos. mas não ia deixar Solange ser estacada por um caçador após todas as dificuldades que eu tinha passado para salvála. poderia ter pensado nisso. Eu era a única que se sentia assim. especialmente quando o mesmo tinha um braço quebrado. eu poderia dizer isso. Eles simplesmente olharam para o intruso e agora estavam positivamente horrorizados porque eu estava voando pelo ar. Eu nunca tinha realmente experimentado Hypnos. Um agente da Helios-Ra não deveria ser capaz de romper a segurança da casa dos Drake agora que são a família reinante. ele se espalhou como fogo selvagem através dos informantes. Agachei-me e rolei para fora do caminho. Este foi rápido. com as presas arreganhadas. Chocante. mas eu não tinha certeza de para quem ela estava gritando.36 Capítulo Três Eu não pensei. Ele colocou os clips de nariz que pendurava em seu pescoço e levou muito menos tempo para perceber que eu atacava do que os outros. Se eu tivesse um momento para perceber a reação deles. Caí na frente do caçador antes que o pó Hypnos elevasse em frente a ele. mas tinha ouvido falar bastante sobre para querer evitá-lo. Uma vez que o segredo foi revelado sobre sua nova droga. Eu sabia que estava escondido em sua manga. — Não! — Solange gritou. só um pouco. . só reagi. ou a falta dela. Havia sido criado pela Helios-Ra como mais uma arma em seu arsenal na luta contra a nossa espécie.

e isso era tudo que eu podia fazer. Logan tentou se aproximar de mim. se o vampiro fosse bastante forte. O pó era tão fino. Tentei alcançar uma de minhas estacas. — o caçador disparou. Quieta. Sou uma idiota. pelos eriçados. Não entre em pânico? Não entre em pânico? Eu estava praticamente presa dentro de meu próprio corpo. Ele ordenou que eu ficasse onde estava. Os cães dos Drake rosnaram em resposta. Eu tentei pular sobre os meus pés. Os outros feromônios não funcionavam em vampiros. movendo-se devagar e com cautela. Eu. como o delicado açúcar de confeiteiro em uma torta envenenada. Charlemagne estava em cima de mim. sem a menor ameaça de violência. não entre em pânico. nem podia mexer a boca para falar. e poderiam até fazêlos sucumbir a nós. Não tinha aprendido nada com Kala para me proteger nesta situação depois de deixar as cavernas dos Hounds. Eu apenas recebia ordens de Kala. Mesmo que cada parte de mim gritasse pela liberação. com todos os dentes e garras e a necessidade de violência. com os dedos atrapalhados. merecia . enquanto esperavam humildemente por uma presa ou uma faca. todos os músculos doíam com a pressão e minha mente tagarelava como um texugo acuado. — Isabeau. tornando-nos vulneráveis de uma maneira que nunca tínhamos sido antes. — Não se mexa. ou simplesmente mortos. Eu não tive tempo de cobrir o nariz e a boca. E agora o pó Hypnos estava começando a viajar entre as tribos de vampiros. Certamente nem todos os vampiros eram tão civilizados quanto os Drake pretendiam ser. mas claramente ainda não tinham decidido quem era o inimigo. Mas tudo que eu podia fazer era ficar ali. poderiam fazê-los esquecer o que tinham visto ou feito. sim ele funcionava. rosnando. A droga era realmente tão nefasta quanto eu tinha ouvido falar. Estava à mercê de vampiros reais e um caçador. mas não consegui. provavelmente. — Não. A Helios-Ra tinha ficado cansada das batalhas terminando com os seus caçadores vagando perplexos e sem armas. incapaz de fazer o que eu queria. mas Hypnos.37 Os feromônios de um vampiro poderiam confundir os seres humanos.

Ele usava o dedutível preto como a maioria dos caçadores. e então para mim. Eu queria dizer a ele que eu podia cuidar de mim mesma. Eu nunca poderia perdoar a qualquer um deles por me ver assim. — disse Lucy. — Isabeau. Charlemagne não se mexeu. — Ele não vai te machucar. — Ela é uma convidada. pois Charlemagne não iria deixá-lo chegar mais perto. Uma gota de sua saliva bateu no meu pescoço. — Kieran fez isso comigo há duas semanas. Ele pegou a mão dela em resposta. Olhei pra ele. — ele murmurou. — Os efeitos vão desaparecer em breve. — Sinto muito. — Logan disparou. eu rosnava como os cães. minha primeira e segunda morte. Esta família não faz sentido. Lucy agachou ao lado dele. Ele lançou à sua irmã e seu caçador um olhar breve. — Realmente. Mas isto deixaria Greyhaven livre.38 morrer aqui em uma nuvem de poeira. Mas eu não podia. Na verdade. — Vocês tinham me amarrado a uma cadeira. eu prometo. Seus olhos estavam muito verdes. como se ela estivesse preocupada com ele. A luz das lâmpadas fez sua gravata parecer neve congelada. — Você não corre nenhum perigo. e depois por cima de seu ombro incisivamente. Ele não é como os outros Helios-Ra. Não vou deixar nada acontecer a você. muito intensos. — Logan prometeu-me suavemente. — Ela é uma Hound? — perguntou ele. dando-me toda a sua atenção. Ele parecia como os outros Helios-Ra para mim. Isabeau. — Kieran não parecia particularmente lisonjeado com isso. Sua mandíbula estava apertada. — Kieran é um amigo. me escute. Atrás dele. — Eu sei que é uma merda. Solange tocou o braço do caçador. com a minha necessidade desesperada de ser livre. — Logan se agachou para olhar para mim. parecendo surpreso. totalmente impunes. Seu braço estava envolto em um molde macio. olhando simpática. — Merda. — Solange disse a Kieran. Inaceitável. — explicou. .

— Tanto faz. como se ele soubesse o que eu estava pensando. que não fazia sentido. Deve ser outro efeito do Hypnos. mesmo que eu não estivesse totalmente convencida. — ela quis dizer o que disse. eu podia sentir o cheiro da verdade nela. Estava orgulhosa por ser serva de Kala. — Vamos dar-lhe algum espaço. uma vez que acabara de conhecê-lo.39 Lucy fez um gesto como se isso não fosse uma desculpa suficiente. 23ça va (Frances) significa: tudo está bem. . mas não conseguiu. É melhor não demorar mais do que dez minutos. ainda assim. Podia lidar com mais dez minutos deitada no chão. Tentei me mexer de novo. obediente. Quando eles saíram. Por que o resto de vocês não espera na sala. e meu cão raivoso do meu lado. — eu disse duramente. Eu não era uma flor delicada. eu imaginava que me sentia um pouco como isso. houve certo tipo de conforto com a sua presença. Deve estar começando a passar. — murmurei. — Charlemagne. Embora eu não conseguisse lembrar exatamente o que era como estar em um caixão. — disse Logan em silêncio. — Você vai se sentir normal novamente em alguns minutos. minhas presas duplas. — Vão acho que ela vá ficar muito contente quando sair disso. O pensamento de Logan me vendo como uma fraca não me agradou. Eu podia falar. foi um pouco menos horrível. — Você quer que eu te leve lá para cima ao seu quarto? — perguntou ele. mas não convencido. — Não. Prometo. o que foi um alívio. mas o resto das tribos de vampiros evidentemente não nos via da mesma maneira. por ser uma Hound. Eu preferiria estar completamente sozinha. — Ça va23. — Vou ficar aqui. — acrescentou Kieran duvidosamente. Ele sentou no meu pé. Sabia o que deveria parecer em meus couros de batalha. — ela virou-se para mim. — Você tem certeza? — Solange perguntou. — Apenas vão. Logan ficou onde estava. minhas cicatrizes. Mas. Eu não podia aguentar o jeito que todos estavam olhando para mim. entretanto. — Logan quase suspirou. havia sobrevivido à Revolução e estive enterrada por mais de 200 anos.

olharam para a menina selvagem prostrada no mármore. Minha expressão deve ter sido selvagem. pois Logan amaldiçoou. frio na parte de trás do meu pescoço.40 Eu estava contente por ter superado isso. — Pensei que ela fosse mais inteligente. — Ela tem um desejo de morte? Nós não a salvamos para entregá-la aos desejos deles. Ele ergueu as sobrancelhas. Quando a porta da frente se abriu.. — Você não acredita no amor. Os quatro que entraram tinham que ser seus irmãos. Ele balançou a cabeça.. Eu tentei ignorá-lo.. para alcançar uma arma. . — Eu não posso acreditar que um caçador da Helios-Ra sinta que possa apenas entrar pela porta da frente. — . ficamos tensos. tanto Charlemagne quanto eu. Eu tinha visto isso em jovens aristocratas na casa do meu tio. Eles pararam no meio da conversa. as semelhanças físicas eram muito pronunciadas. Eu não conhecia o termo. Ele não está acostumado a nós ainda. — Não é assim que pretendíamos apresentá-la à nossa família. Bem. Logan se levantou e ficou entre mim e os recém-chegados. mas eu entendi o seu significado bem o suficiente. — ele olhou pensativo. não podia.. Lutei para sentar-me. Eu bufei quando o controle sobre a minha voz finalmente voltou. Eu suspirei. O caçador é um pouco exuberante. Flexionei meus dedos. seus cabelos despenteados caindo sobre a testa pálida. Espero que você não use isto contra nós por muito tempo. qualquer arma. de qualquer modo. — eu queria olhar para longe. — Eu não sei. ele está apaixonado. Charlemagne resmungou. próximos. mas não era capaz de fazer muito mais.Ele a ama. — Ela é muito inteligente. — Ele e Solange ficaram. ou deitada em coma durante séculos.. então? — Não. É preciso muito para fazer um vampiro suar. levantando-se novamente. Seu sorriso era decididamente dissoluto. Suor acumulou-se sob o meu cabelo.

24Um prazer em francês. para ser justo. — Isabeau. Eu tinha lido vorazmente quando eu tinha me acostumado ao meu novo corpo e seus apetites. Meu treinamento de Hound pode não ter me preparado para ser cortês. Quinn sorriu para mim. mas a minha educação aristocrática tinha. — Cara. Eu não podia ficar lá por mais nenhum segundo. Estava muito ansiosa para poder retirar as minhas presas duplas. teria hiperventilado até agora. Tentei levantar novamente. — eu reconheci o apelido. — Muito engraçado. — Logan. — Sua técnica está declinando se você precisa de cães para impedi-las de fugir. — Kieran soprou Hypnos sobre ela. Sebastian ainda está nas cavernas. Eles congelaram olhando um para o outro. — Por que diabos ele fez isso? — Bem. — Por que você está no chão? — Hypnos. — Un plaisir24. Logan olhou para mim. Se eu fosse humana. Esta dificilmente era a maneira de fomentar o respeito pela minha tribo. Quinn bufou. — um deles demorou. se refere ao Mr. meus irmãos: Quinn. — Logan murmurou. — disse eu. — Prazer em conhecê-la. — Cale a boca. Darcy de Orgulho e Preconceito de Jane Austin. sob qualquer circunstância. Darcy25. — Esta é Isabeau. Quinn. ela tentou chutá-lo na cabeça. — Connor piscou. Hypnos e cães? Eu pensei que você era a pessoa que deveria ser boa com as meninas. — Eu já gosto de você. — disse Logan. enquanto eles olhavam para mim com curiosidade. Quinn arreganhou as presas. Connor e Duncan. Marcus. amaldiçoando. Eu precisava me acostumar com as centenas de anos de história também. 25*Ele . — eu disse secamente.41 Eu apertei os dentes.

— A qualquer momento. Ele percebeu o pequeno movimento. Charlemagne estava ali. que tinha raptado Solange e tentou queimar a fazenda de seus pais.42 — Eu vou levar você lá para cima. Havia uma estreita escrivaninha e uma cadeira acolchoada perto da lareira. Isto melhorou drasticamente a minha opinião sobre as suas capacidades de hospedagem até o momento. — acrescentou ele. O segundo andar da casa cheirava ainda mais como fumaça e água. porque eu não confiava em minha voz. Ele seguiu o meu olhar. Isto só tinha sido há uma semana no máximo. carregando-me suave e facilmente. escavando-me em seus braços. — ele murmurou. — Eu sei que você disse que não quer que eu faça isso. mesmo que eu não tivesse certeza se acreditava inteiramente. — eu sussurrei. Esperança comandou uma unidade perigosa da Helios-Ra. — Esperança. — ele murmurou. e os prejuízos ainda eram visíveis. — Isso é estranho? . — Mas é melhor do que todos os meus irmãos fazendo piadas sobre sua cabeça. — Chame o seu cão. Eu fiquei envergonhada e agradecida. O fato de que eu pudesse movimentar a minha cabeça o suficiente para concordar com ele foi animador. Eu ainda era jovem o bastante para precisar me alimentar imediatamente ao acordar. As janelas tinham persianas espessas de madeira com fortes fechaduras de ferro no interior. Logan me deitou suavemente na cama. A parede em frente estava fracamente queimada. algo que todas as crianças Drake também deviam estar lidando. — prometeu. A cama de mogno era enorme e com aparência macia. Logan me levou a um corredor e chutou uma porta aberta para um quarto de hóspedes. com uma geladeira pequena e discreta no final da mesa. Engoli em seco. — Ça va. Eu sabia que seria abastecida com sangue. inclinando-se tão perto que eu podia ver as manchas verdes mais escuras em sua íris. pressionado os joelhos de Logan. — ele disse de forma sucinta. As emoções contraditórias não faziam a atual situação mais fácil de lidar. certo? Eu balancei a cabeça. — Eu sinto como se te conhecesse. — ele sussurrou. Charlemagne trotou ao nosso lado quando Logan subiu as escadas.

— Isso não está indo de acordo com os planos. Ele se curvou. Estarei esperando. — acrescentou ele ferozmente. — disse ele. Ninguém vai incomodá-la. Charlemagne pulou para deitar ao meu lado na colcha. Eu aposto que você tem um forte impulso e acontece que eu gosto do meu nariz exatamente onde ele está. quebrou o nariz de Nicholas. — eu disse a ele. — Vou te deixar sozinha. . A porta se fechou silenciosamente atrás dele. — Mademoiselle. Logan deu um passo atrás. Charlemagne inclinou a cabeça curiosamente. — Quando Lucy saiu do Hypnos.43 Eu não sabia o que dizer. — Desça quando estiver pronta. Quando eu pude ouvir seus passos descendo as escadas para a sala. quebrando o momento antes que eu pudesse encontrar uma resposta. permiti a mim mesma um suspiro muito pequeno.

Logan. — Não acredito que a diplomacia de papai seja hereditária. sentado no alto das escadas. Boudicca. sua primeira apresentação à família Real não devia ser com uma dose de Hypnos e quatro idiotas encarando-a como estúpidos. Era muito melhor passear fora da sua porta enquanto um dos nossos Bouviers26 me observava com curiosidade. E como uma solitária Princesa Hound. É um cão grande com o corpo coberto de pelos longos e abundantes. fera e completamente diferente de qualquer uma que jamais houvesse conhecido. — Isto é uma merda. Tradicionalmente usado como um cão pastor de gado e como um cão de guarda. . — Eu sei. Isabeau é mais frágil do que parece. ela era formosa. — lhe disse. Ela colocou sua mandíbula sobre suas patas. Qualquer um pode ver que por sob as cicatrizes e a atitude. onde é conhecido como Bouvier des Flandres em francês e Vlaamse Koehond em flamenco. E podia ter jurado que ela rodou seus olhos. Era realmente difícil não fitá-la como um estúpido. — Ela vai ficar bem. certo como um inferno que eles também podiam fazer. 26Bouviers: é uma raça de cão nativo da região dos Flandres. Ela inclinou sua cabeça.44 Capítulo Quatro Meus irmãos são uns idiotas. Solange veio pelo corredor de seu quarto e me encontrou nas escadas. Rondei a porta de Isabeau por outros quinze minutos até que comecei a me sentir um perseguidor. — Trocou de camisa? — Não. Se eu conseguia não fitá-la como um estúpido.

sacudindo ruidosamente o candelabro de cristal em cima de nós. . — Está tentando me fazer Rainha matando a mamãe. Ela se deteve na descida. sua expressão se voltou séria. esfregando o hematoma.45 — Trocou sim. — Ow. — Pena que ele lhe lançou drogas. — ela esmurrou a parede. — Não acredito que seja uma estúpida. Simplesmente a encontrei. Especialmente quando sua cara se voltou dura e seus olhos planos. — Montmartre? — Sim. — Merda. — Assim que parece. — Por que fez isso? — Por pensar que sou uma estúpida e evitar me dar uma resposta. Coloquei um braço em seu ombro. — Nunca tinha te visto dessa maneira. — Mas isso não vai acontecer. Simplesmente sorri. — Cala a boca. Logan. Ela fez um som de frustração na parte traseira de sua garganta. — Bem. — Terá todas as suas camisas tingidas de rosa. — odeio admiti-lo. totalmente. Uma garota tentou estacar a mamãe. — fiz uma careta zombeteira. Bufei. — Mas estacou a si mesma antes que pudéssemos obter alguma resposta. — ela sorriu. usava uma insígnia dele. — ela ameaçou. E poderia baixar a voz? Ela arqueou uma sobrancelha. Forte. Ninguém foi ferido. — eu disse. Suspirei. Ela estreitou os olhos para o termo "princesa". — Pena que sua namorada tentou matar ao meu namorado. — É certo que um assassino tentou estacar a mamãe? — Quem te disse isso? Ela empurrou meu ombro. — Então deixe de tentar me proteger. — Continuaria com bom aspecto. E ela não é minha namorada. — admiti. — Não. Sim. Princesa.

— Eu sempre tenho razão. Para dizer a verdade. ele permanecia em casa e patrulhava os perímetros. O contorno da varanda havia pegado o peso do ataque quando Hope fugiu do quarto e voltou com seus agentes loucos e desonestos da Helios-Ra. apesar do que papai disse em seu discurso de "reconstrução mais forte". Ela estava carregando um copo de chocolate quente e um montão de biscoitos. para nosso constrangimento. todos nós estávamos simplesmente contentes que Solange havia sobrevivido à troca de sangue e às várias tentativas de sequestrá-la ou matá-la. o qual era minha intenção. estava se atirando no açúcar e no fastfood. Tomando vantagem de sua estadia conosco. — Lucy respondeu. Hope tinha muito ao que responder. Frustrar seus planos não parecia ser o suficiente. Porque ao ter dezesseis anos em nossa família apenas se pensa em morder. resmungando em seu celular. — Onde estão todos? — perguntei. Um pouco de vingança poderia ter sido agradável. Assim como a cozinha. Logan. mas a sala estava vazia. — Espero que tenha razão. — Ninguém é tão vaidoso quanto Quinn. Os vampiros realmente não sentem frio. Igual a Montmartre. O trabalho manual era brutal em escapar. O fogo crepitava na lareira. desde então. — Suponho que deveríamos ajudá-los. Realmente uma merda não termos tido uma oportunidade para fazê-los pagar horrivelmente e prolongadamente. — Lucy disse do pé das escadas. O lado norte da fazenda era uma bagunça de lenha carbonizada e estropiada pela água. que havíamos começado a escutar ruídos no bosque. assim. Ela tinha mais problemas ao pensar na caçarola de tofu da sua mãe que o fato de todos aqui frequentemente beberem sangue. assim. era mais hábito do que necessidade. — Cuidado.46 Ela esfregou seus braços como se tivesse frio. Ela riu entre dentes. . Estava feliz porque já não tinha dezesseis anos. — Fixando a parede exterior. logo será tão vaidoso quanto Quinn. Bruno passou muito tempo nas lojas de departamentos. — disse relutantemente.

Joguei-a. Nicholas deu um passo para trás. surgindo do sótão com uma caixa de ferramentas extras e uma serra. Inclusive era mais difícil quando sua nova namorada ficava em sua casa enquanto lutava para acalmar sua prejudicial sede. — Deixe de se preocupar. dentro das sombras para se ocupar ele mesmo de um montão de lenha cortada. Não é seguro. Nós crescemos com ela e nunca a machucaríamos intencionalmente. Todos nós podemos. — ele disse através de seus dentes. — Hmm. — Isso não é o que queria dizer. O vento mudou e pude cheirar o sangue quente movendo-se por baixo de sua pele.47 — Demônios. sim deveria. — ela disse. lambendo o chocolate quente de seu lábio. Ela rodou seus olhos. Lucy lhe seguiu com o olhar por um longo momento antes de fechar a porta atrás dele. — Fique aqui dentro. Lucy lhe sorriu enquanto ele fechava de novo a porta aberta. — O que acontece com você? Parece como se tivesse náuseas. Ele pegou e se voltou para beber. Agora que Solange estava recém-transformada. — Estou bem. Nosso corpo nos forçava a beber o que nossos cérebros lutavam contra. É perfeitamente seguro. havia começado a sentar-se no final oposto da habitação e Lucy havia sido forçada a mudar-se a um dos quartos de hóspedes. . mas um vampiro jovem era mais animal que humano em um desses momentos de vigília depois que o sol se põe. — ele murmurou. está você e um zilhão de guardiões. com tranca dentro da porta. morreríamos. Ela franziu o cenho. Não é fácil para um vampiro jovem resistir ao sabor do sangue humano fresco. 27Os imperativos biológicos são as necessidades dos organismos de vida requerem para perpetuar sua existência: para sobreviver. O segui. voltando para o exterior. A tensão fez com que os tendões da parte traseira de seu pescoço se tencionassem. — Cinturão de ferramenta. — Nicholas gritou. pegando uma garrafa térmica de aço inoxidável cheia de sangue da geladeira. Era um tipo de classe imperativo biológico27. parecendo vagamente ferido. Do contrário.

E não desejado. — E nisso tem razão. porque ele quase tinha uma pista de como levantar uma parede. Senti o cheiro de rosas. — Mesmo assim. — adicionei. Algo quieto. frustrado. Pensei nas cicatrizes dos braços de Isabeau e o olhar encantado em seus olhos. — Ela entende mais do que ninguém jamais poderia. — Sim. Quando precisamos de gesso. No meu caminho de volta. sangue e lírios. por alguma razão que realmente não pude entender. Um ruído no bosque. — lhe disse. As lâmpadas queimavam suavemente nas janelas. — Você sabe disso. — Ela não entende. fui para a garagem encontrar algo. — disse a ele silenciosamente enquanto ele limpava sua boca com o dorso de sua mão. Nicholas passou uma mão por seu cabelo. Ele deu um meio sorriso. de repente senti arrepios. Coloquei o balde de gesso em pé e retornei para a porta principal do outro lado do caminho. Os lírios nunca eram um bom sinal. — disse. sutil. principalmente seguindo as indicações de Duncan. Connor. homem. — Não realmente. Quinn. Não podia alertar meus irmãos sem alertar a quem quer que estivesse espreitando no bosque também. A fraca luz da lua refletia no Jeep na estrada. — Quando isso tudo ficou tão complicado? — As garotas sempre são complicadas. os troncos de carvalho recém cortados. o está fazendo bem. — Algumas mais do que outras. Peguei um martelo e tentei não estar consciente de Isabeau dentro da casa. — Mesmo assim. Marcus e Duncan estavam arrancando a parte das lenhas que era irresgatável.48 — Hey. Colocamo-nos a trabalhar. . Olhei com atenção para as sombras das roseiras e cedros. me detive.

Eu estaria encantado de fazê-lo. ele aparentemente pensou que se tirasse mamãe do caminho. ele a queria fazer sua Rainha. Ele ia atrás de Solange outra vez.. Ele não conseguiria as mulheres Drake assim.. não tinha problemas em acreditar que ele havia enviado servos para fazer seu trabalho sujo.49 Montmartre cheirava a lírios. justo como ela havia dito. Ele pensava que poderia mandar no lugar dela. se ele simplesmente permanecesse imóvel por muito tempo. Solange tomaria o controle. Ele a queria fazer Rainha. Realmente desejava que o estacassem.. como a velha profecia afirmava e o mais importante. . E enquanto duvidava que ele estivesse vagando pelo bosque fora de nossa fazenda. usando-a como uma suplente sem autoridade. E depois desta noite.

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Capítulo Cinco

Quando pó de Hypnos finalmente se dissipou, foi rápido como o relâmpago de verão. Coloquei-me de pé como se tivesse sido eletrocutada. Charlemagne latiu uma vez e eu soltei uma gargalhada. A capacidade de controlar meus membros novamente era embriagadora. Sentia-me como uma debutante em seu primeiro baile. Até mesmo o celular que vibrava em meu bolso não me irritou. — Magda. — sorri para o aparelho receptor. Ninguém mais poderia estar me ligando. — Isabeau? É você? — Magda perguntou. — É claro, quem mais poderia ser? — estiquei-me para me assegurar de que podia fazê-lo. Depois fiz um salto mortal. — Você está rindo? — perguntou-me com incredulidade. — O que te fizeram? — Hypnos. Houve uma pausa e uma tosse afogada. — E isso é divertido, por quê? — Não é. — eu lhe assegurei. — Mas o efeito acaba de desaparecer. — Está com problemas? O que estão te fazendo? Não sabem que você é uma Princesa, ou o que seja? Vou buscar Finn. — Não! — a detive antes que pudesse colocar-se a caminho. — Estou bem. Foi um acidente. — Tem certeza? — pressionou-me com receio. — Eles não são como nós, Isabeau. — Eu sei. — disse. — Acredite em mim. Mesmo seus seres humanos são estranhos. — mesmo que eu não tivesse conhecido muitos seres

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humanos desde que tinha sido tirada do túmulo, mas tinha certeza de que Lucy era única. — Têm humanos aí? — Uma garota e alguns guardas. — Você provou-a? — Não acho que isso lhe agrade. — quase podia imaginar a cara de Nicholas. — O Hypnos é tão ruim quanto dizem? — Sim. — esse não era um momento para hesitação. — Pior ainda. — Bastardos. — Mantenha a voz baixa. — eu lhe disse. — Supõe-se que nós devemos estar aqui como Diplomatas. Lembra? Magda bufou. — Não sou do tipo Diplomata. Bufei, sentindo-me melhor. — Eu sei. — antes que me aceitasse como irmã, Magda estava com ciúmes por minha proximidade com sua mentora, Kala. Tentou cortar meu cabelo em um ataque de ressentimento. Depois eu quebrei seus dedos, e desde aí, tinha se tornado muito próxima a mim e imensamente leal desde então. — Como estão as coisas por aí? — perguntei. — Os Drake estão bem, até agora. — ela admitiu de má vontade. — Mas a maioria dos outros cortesões não quer que estejamos aqui. — Devo ir? — perguntei preocupada. — Por mais que eu preferisse que você estivesse aqui, estamos bem. Nós nos vemos amanhã. Vou ouvir o máximo que possa até então. — Bem. — ela era muito hábil nisso. — Farei o que puder aqui. — Cuide das suas costas. — Você também. Deslizei o celular de volta ao meu bolso e então olhei cuidadosamente o cômodo, procurando armadilhas, as frestas na persiana de madeira podiam deixar entrar a luz do sol, nada fora do comum. Inclusive cheirei o sangue na geladeira, e cheirava bem. Eu parecia uma paranoica, mas nós, os

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Hounds, estávamos acostumados a cuidar de nós mesmos. Entre Montmartre, seus Hosts e o desprezo do resto da comunidade de vampiros, não podíamos nos dar ao luxo de baixar a guarda. E eu não podia me sentar neste cômodo por muito mais tempo. Tinha trabalho a fazer. — Vamos. — disse a Charlemagne, empurrando a porta. — Em frente. Em um primeiro momento, tinha planejado descer as escadas, mas mudei de rumo quando ouvi o bater do coração humano de Lucy do lado extremo da sala, ao redor do canto. Eu a encontrei de pé junto à janela, com Solange. — Isabeau. — Solange examinou meu rosto com olhos preocupados. — Sente-se melhor? Concordei com a cabeça. — Onde está seu caçador? Ela estremeceu. — Foi para casa. Pensamos que era o mais conveniente. — seus olhos passaram de preocupação a alerta. — Está sob a proteção dos Drake. — Igual a mim, ou isso me deram a entender. — É claro que sim. — disse Lucy, com o nariz grudado na janela. — Foi um mal entendido. Não é grande coisa. Solange deu-lhe um meio sorriso. — Você poderia tentar formar frases completas, Lucy. — Não posso. Ocupada. Apesar de tudo, estava curiosa. — O que está fazendo? — Babando. — explicou Solange, com carinho. — Completamente. — Lucy admitiu sem arrependimento. — basta olhar para eles. Lucy ficou de lado para me dar espaço. Ela estava observando cinco dos sete garotos Drake consertando a parede externa do galinheiro debaixo da nossa janela. Tive que admitir que era um quadro impressionante, bonitos, pálidos e sem camisa, os músculos brilhando sob a luz da lua. Não pude evitar procurar Logan, mas ele, bem nesse momento, estava se afastando. Solange apoiou-se contra a parede, aborrecida. — Já terminou?

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— Maldição, não. — disse Lucy. Ela tinha deixado vestígios de seu nariz no vidro. Nicholas sorriu-lhe satisfeito. Ela corou. — Ooops, pega. — Eu te disse que podia ouvir as batidas de seu coração. — disse Solange. — Mesmo daqui de cima. — Não posso evitar. Mesmo todos eles sabendo que são charmosos e insuportavelmente arrogantes. — acrescentou falando mais alto. — Podem ouvir isso? — Sim. — Bem. — ela me olhou. — Gostosos, não é? — Tenho certeza que Isabeau prefere se recuperar, e não comer meus irmãos com os olhos. — disse Solange. — Lembra-se de como você ficou mal depois do Hypnos? — Por favor. — Lucy riu. — Isso foi totalmente bobo. Quando Lucy finalmente se deixou levar para longe da janela, descemos para a sala principal. Uma das janelas estava fechada com madeira e o cheiro de fumaça era espesso também. Lucy falava sem parar, o que foi uma benção. Solange parecia tão reservada quanto eu, e sem a alegre humana, eu teria me sentido desconfortável e tímida. — Suas tatuagens são magníficas. — disse. — Estou desesperada para conseguir uma, mas minha mãe está me fazendo esperar até que eu faça dezoito anos. — ela fez uma careta. — Escolhem as coisas mais estranhas para ser restritas. Quero dizer, mamãe tem três e papai uma. Não é exatamente muito justo de sua parte, não é? Meu vestido sem mangas deixava meus braços descobertos, os quais tinham tatuagens escuras. Não tinha sido fácil conseguir que fossem permanentes. Tinha tido que refazê-las em três ocasiões. O dom de cura rápida dos vampiros eliminava a tinta e o carbono vegetal. — Nunca vi um trabalho como esse. — ela continuou. — Você não foi a um estúdio de tatuagens, certo? — Não, Kala fez estas com carbono e uma agulha. — a maioria delas foi feita no ritual que me colocava a seus serviços. Na primeira delas, haviam feito antes que eu despertasse totalmente, depois que os cachorros me

— Por favor. em meus braços. Ela se mostrou surpresa pelo que eu havia dito. Deveria? Você salvou Solange. se tratasse de uma dor de dente. Perguntei-me o que estaria fazendo Magda neste momento. — Até mesmo os vampiros. como se. não com os Revolucionários em Paris e. — Não. Como se minha vida tivesse dado um giro diferente e o normal fosse estar sentada com as namoradas. Todos os Hounds tinham uma igual... — eu concordei. Estão totalmente imersos em rituais shamânicos e dançam nus sob a lua cheia. — Sem dúvida são totalmente geniais. certo? — Solange me olhou com um sorriso tímido. — Eu não te dou medo. — Lucy jogou sua queixa com bom humor. meus pais fazem isso o tempo todo. também conhecidos como Lebréis. pelo menos. Era um Galgo28 circulando meu braço esquerdo. não com os outros vampiros. — É porque você usa ossos. — Ouch. eu posso ouvi-las. — assinalei. Apostaria que estava discutindo com algum guarda. originários de um tipo de cão primitivo chamado Canis Familiaris Leineri. — Ela é única. Era tudo muito surrealista. que tinha sua estrutura anatômica similar à das atuais raças de Galgos. Pensei que era porque nunca tinha tido experiência com a aceitação incondicional. acentuados com enfeites de videiras. são cães esguios. ficam nervosos quando estão perto dos Cwn Mamau. — Lucy fez uma careta de dor ante o pensamento do lento processo da tatuagem. A maioria das outras tatuagens também era de cachorros que perseguiam uns aos outros.54 encontraram. Assim como as coisas estavam. convidando-me a desfrutar do momento. — não foi uma pergunta e sim uma declaração. — “Ela” está bem aqui. Senti a necessidade de acotovelar a estranha experiência. nunca tinha feito isto antes. Não estava certa do porque queria que ela tivesse medo de mim. bebendo chá e comendo frangos. prendendo seu rabo em sua boca e estava enfeitado com um nó celta. — Isso explica tudo. usando vestidos de seda fina. — E inclusive com embananado ouvido humano. Os Galgos. 28 . se ela estava percorrendo as cavernas ou discutindo com um guarda. faz rituais estranhos nas cavernas e tem barro em seu rosto? — ela perguntou sorrindo.

— Há alguém no bosque. — me ordenou. avaliando rapidamente todo o espaço em busca da fonte de alarme. e depois alcançou a maçaneta. — Não. — Vá para dentro. Posso cheirá-lo nele. só chutei a porta em seu rosto.55 — Posso te dar um conselho? —Lucy perguntou. dê-lhe uma patada na canela. Na escada de entrada tinha um pacote envolto em papel laminado vermelho. Charlemagne começou a rosnar. fora do alcance de minha espada. — Como um inferno. — Honestamente. O exercito pessoal de Montmartre sempre cheirava igual. — eu lhe disse. — Você tem um grande sotaque francês. Estava caminhando até a varanda quando uma sombra pálida estava de repente ao meu lado. Seu lindo rosto era sombrio. Host. — Fique aqui. Ela agachou-se para pegá-lo. o sangue. Não pude encontrar nada. as pétalas de uma rosa branca espalhados ao seu redor. — Suponho que sim. e o vinho. tentando alcançar minha espada. com a graça de um bailarino. Corremos pelo vestíbulo. Você fique aqui. — ela suspirou. — adicionei. os lírios. — me aproximei dela. Solange olhou pela vigia. — concordou Solange. Se um homem te pede que use uma roupa de serviçal francesa. mas eu segurei seu braço. — É de Montmartre. Eu conhecia o cheiro. Por pouco estive a ponto de decapitar Logan. Não esperei para ver se ela tinha escutado. Ele se inclinou para o lado. — Eu sei. Eu franzi o cenho para ele. Lucy consideravelmente mais devagar atrás de nós. — ele disse. — Isto é o que eu faço. — disse. — Outro presente. — Especialmente se for um de meus irmãos. . apenas perceptível. até que houve uma batida na porta principal. — Sou um Hound. pensei que uma vez que o pior dos feromônios se desvanecesse após a troca de sangue eles desistiriam.

Charlemagne corria suavemente ao meu lado. Havia dois deles que tinham ido. até os campos que bordeavam do bosque. Para alguém que usava punhos de renda quando não estava com o torso nu. Eram rápidos. Apenas o rio cantava em voz baixa. Rastrear o Host era comum para mim. corujas e falcões adormecidos. — Como um inferno. ele virou com um pé para mim com um olhar lascivo. eu fiquei à direita. Logan sabia como rastrear. Isto. — repetiu. Mantive minha espada muito baixa para que a luz da lua não emitisse reflexo algum na lâmina e delatasse nossa posição. as samambaias tocavam nossas pernas e nosso caminho. mas em silêncio. pisoteada no lodo. Estava quase o desejando. mas não o suficientemente rápidos. Uma pétala de rosa branca. — Um cachorro Hound. muito mais fácil que uma cortês conversa de política real. espesso como o incenso. Não terminou sua pergunta. nos dividindo com um acordo tácito. Segui seu olhar e assenti para lhe dizer que vi o que ele viu. Um deles sibilou. embora cheirasse como se tivesse tido mais. — Um pouco longe de casa. eu lhe ataquei com minha espada que brilhava sob a lua. As árvores se levantavam sobre nós com seus vestidos de musgo.56 — Então fique fora do meu caminho. galhos coroados com folhas. O vento mudou e queimou meu nariz. de um só salto.. O solo era mole sob nossos pés.. Nós o seguimos. — cuspiu. Em vez disso. Logan parou. O cheiro dos lírios com sangue era mais forte agora. sacudiu sua cabeça para a direita. era algo com que eu me sentia confortável. . Mesmo os insetos ficaram em silêncio. Logan se adiantou para bloqueá-los enquanto eu rastejava atrás deles. Logan foi para a esquerda. Nós nos movemos como a fumaça entre os cedros e as árvores que cobriam o caminho. Não perdeu tempo olhando de lado para trás. — Você os ouve. ansioso. pelo menos. no bosque de carvalhos. nem um só grilo ou gafanhoto revelou sua posição. à distância. não acha? — Não mais do que você. Isto aderiu em minha pele. com força.

seguindo o rastro dos pingos de sangue. não para lutar. Tomei vantagem de sua posição e me balancei. o remendo costurado. — É melhor dar-lhe um pouco de dianteira. enquanto me concentrava em mexer meus pés. as cinzas voaram para as samambaias mais distantes. — Você é tão boa como dizem que é. estavam vestidos para caçar e se infiltrar. — Surpreende-me que não o tenha transformado em pó. mais cruéis. Com seu rosto manchado de raiva. Tentei dar-lhe um golpe fatal. levantando uma sobrancelha em sua direção. Não tinham arsenais. — me safei dele. por alguns minutos. negando com sua cabeça. Nossos movimentos ficaram mais rápidos. Eu o peguei de surpresa e ele cambaleou para trás. Logan atacou seu companheiro antes que pudessem unir forças. Ele me bloqueou. Apontei para sua cabeça. ele rugiu. até que. agachando-se enquanto evitava uma adaga. O sangue saiu descendo por sua perna. A raiva lhe deixou desajeitado e fácil de evitar. Essa era uma das armas favoritas dos Hosts. correndo pelo bosque. Percebi estes detalhes indiferentes. Esquivei-me de uma punhalada em meu coração. espirrando no mato. mas ele já havia ido embora. como manchas de tintas em um lenço unido. nem sequer uma arma carregada com balas de água benta. me movendo com uma lentidão deliberada e enganosa. Logan despachou seu oponente. confiante em sua força. — grunhiu. — deixe de brincar com ele e o destrua. — Estar aos serviços de Montmartre te deixou gordo e pesado. que as tinham copiado dos Hélios Ra. No entanto. Eu me movi rapidamente ao seu redor como um colibri. de malha elástica. atacando de novo. Agachou-se para pegar algo da roupa que ficou para trás. fazendo um corte em sua perna. O Host que estava fazendo todo o possível para me quebrar. Charlemagne estava ao meu lado. — Qual era o ponto? — Logan limpou o sangue de sua ferida no braço. xingando. só uma secessão de cor. Dancei para trás. — disse. se lançando para trás instintivamente. . Provavelmente poderia persegui-lo.57 Virou com um punho pronto. parecíamos como um borrão no ar. provavelmente. esperando um comando. curvada e quase tão longa quanto uma espada. em meu casaco caía debilmente sobre meu peito. tinha uma adaga similar.

A delicada 29O vidoeiro ou bétula é uma árvore até 25 m de altura. devido a sua velocidade melhorada. . — Mmm-Hmmm. Folhas ovadas a triangulares. exatamente. algo que nos escapa. depois dirigiu seu olhar para o mata verde. — falou secamente no celular e depois afastou o cabelo dos olhos. o Host movia-se rápido o suficiente para não deixar traços. Ainda que devagar. Estava gravado com uma rosa e três adagas. — pegou o celular de seu bolso. — Sou muito capaz. Ele está ferido e já vai voltar para seu esconderijo. — Nunca vi antes. — Montmartre. — Definitivamente estou impressionado. — lhe assegurei. Fugimos velozmente. pálido como a neve brilhante. mas sem dúvida flutuava. — eu disse. A surpresa chegou em forma de pedaço de pano. — A assassina que tentou fazer pó da minha mãe esta noite. o que era difícil de rastrear. — Permita-me fazer uma ligação e depois seguiremos o bastardo. antigo. com ritodoma branco. cravado em uma árvore de vidoeiro29 estreito. A seda era de cor anil. Era um trabalho sem complicações. mas não com tanta rapidez para nos delatar ao que fugia. — Filho da puta. — Eu posso fazer isto sozinha. — disse categoricamente.58 — Por quê? Sua mãe não te ensinou que é grosseiro brincar com a comida? — Eu não beberia dele nem se estivesse morrendo de fome. Não voava. Se tivermos sorte. tinha uma tatuagem como esta. antes que tivesse tido a oportunidade de nos levar a nenhum lugar interessante. — Deixavam um presente para sua irmã na porta principal. Isto é um símbolo dos Host? — mostrou-me o pequeno disco de madeira que tinha arrancado das cinzas de seu atacante. — Há algo mais acontecendo aqui. — murmurou sem se comprometer. Logan ficou me olhando. Muito mais difícil foi seguir o rastro de seu sangue. principalmente em um denso bosque com diversos cheiros e as marca de vampiros e animais. desbotado pelos anos e com bordados de prata. o corte não curará até que nos leve até lá. destacando-se em anéis. — Vamos. Que diabo queriam desta vez? Solange já se transformou.

59 costura mostrava uma flor de lis e em uma ponta havia uma desgastada e rasgada fita. eu o conhecia intimamente. Estremeci. . buscando minha espada novamente. Conhecia aquele pedaço de seda.

60 Capítulo Seis O closet de sua mãe era o lugar favorito de Isabeau em todo o chateau30. algumas delas tão altas que ela tinha de se inclinar para passar pelas portas. Ela poderia ver todos os finos trajes de noite. Croix era famoso em todo lugar. para assistir a ela. . se livrar da atenção de sua babá. dentro de um armário pintado com o olho de fechadura quebrado. Isabeau não imaginava a rainha sendo mais bela que sua mãe. assim como a águia napoleônica. flor de lis (pré-AO 1990: flor-de-lis) é uma figura heráldica muito associada à monarquia francesa. Isabeau havia escutado algumas histórias sobre a beleza de Maria Antonieta e do visual incrementado de suas perucas. como um céu de verão ao entardecer. aristocratas viajavam de longe. mas finalmente era suficientemente grande para. Ela amava esse lugar. inclusive de fora de Paris. Amandine. os broches de diamante e os 30Castelo 31A em francês. O traje de noite que ela havia escolhido para o baile dessa noite era da cor anil. Em seus dez anos. O baile anual da Sra. A roupa de baixo de Amandine estava cheia de tela branca e seda enfeitada com pequeninos laços de cetim. Ela já havia encontrado um lugar perfeito. por exemplo. nessa noite. Isabeau era muito jovem para se integrar ao grupo. sentada sobre um banquinho azul de seda enquanto as criadas de sua mãe revoavam entrando e saindo com os cosméticos e os diversos trajes de noite. inclusive muito mais que aos cachorros e os estábulos. uma flor de lis31 rodeava o decote. Os botões eram feitos de pérolas e os bordados de prata. Ela permanece extra-oficialmente um símbolo da França. assim que tratou. particularmente ligada com o rei da França. Seu cabelo estava recolhido debaixo de uma elaborada peruca branca da qual caiam cachos em espiral e enfeites feitos de miçangas e plumas reais. Não a deixavam entrar em nenhum outro lugar. de ficar quieta e discreta. com todas as suas forças. ao menos. aplicando pó compacto em suas bochechas. mais até que a dispensa onde o cozinheiro escondia os preciosos pedaços de chocolate e os frascos de violetas confeitadas. Sua mãe. estava sentada em frente à sua penteadeira.

— Você é a mulher mais bela! Quando fosse adulta. 32Coruja em francês. O vestido deslizou por sua cabeça. — Verdade que pensas assim. — Obrigada. Isabeau. — Precisaremos de mais alfinetes. — Francine. — Está muito bonita mamãe. — Mas é só um cachorro. — Com exceção de Sabot. Ela tomou um gole de vinho tinto. — Acho que você é mais bonita que a rainha e que nossa casa é melhor que Versalles. — Isabeau assegurou-lhe com orgulho. mamãe. — sussurrou Isabeau. assim ela não se prenderia na borda da mesa. Sua peruca inclinou precariamente para um lado. mamãe! Nós nunca urinaríamos no piso. O pintarroxo comum vive na Europa e no norte da Ásia. Deu pequenos saltos. Amandine virou para se admirar no grande espelho móvel de corpo inteiro. secando seus lábios delicadamente com um guardanapo. pérolas e uma safira do tamanho de um ovo de um pintarroxo33. chouette32. Quando a peruca foi presa novamente. Isabeau se reclinou rapidamente para alçar a barra. — Amandine sorriu para ela pelo espelho. — Tem toda razão. então. Via de regra. ia colocar cor em seus lábios e um pouco de cor em suas bochechas assim como sua mãe. — Amandine parecia divertida. — disse. — ela disse. — Amandine riu. logo ela a corrigiu com uma mão muito cuidadosa. devido sua agitação. 33Pequeno pássaro da família do tentilhão.61 cachorros com coleiras de ouro. abotoando um colar com três fileiras de diamantes. é castanho. com listras escuras no dorso. Era surpreendentemente pesada e ela se perguntou como sua mãe podia suportar e se manter reta debaixo de tanto peso. — Oh. chouette? — Todo mundo diz isso. ficar quieta em um instante. — Sim Madame. A olhada que sua mão lhe dirigiu a fez. — Dizem que os nobres fazem xixi atrás das escadas. Madame Amandine se pôs de pé para que outra de suas criadas lhe colocasse e abotoasse o corpete. — ela se sentiu obrigada a admitir. A criada principal de Amandine tirou o traje de noite do cabide. .

Ela correu para o salão de baile assim que pôde. escondendo-se atrás de uma árvore que estava em um vaso. — cumprimentou Amandine. nas quais havia todo tipo de delicias: morango. já que era melhor ver por ali do que pelo olho da fechadura. desde sua peruca enrolada até as fivelas de ouro que sustentavam seu sapato de salto. galinhos de lavanda. Isabeau manteve-se perto das criadas. — Merci. pequenina. esperava ao pé da escada. o qual grunhia ao ver tantos pratos. Mas esqueceu de sua fome no justo momento que os convidados começaram a entrar através da porta. Seguiu sua mãe por seu quarto até que ela começou a descer a escada de mogno. acendendo as últimas velas e lamparinas. Ela havia perdido seu jantar. — ela passou o tecido em sua bochecha respeitosamente. esquivando-se de todos os lacaios que carregavam jarras de vinho e espumante e dos serventes que levavam canastras e vasilhas douradas de frutas açucaradas. Isabeau esfregou o estômago. no qual usualmente se armazenavam os mantimentos excedentes. As mulheres riam por trás de seus leques de renda pintada. aves de maçarão. de modo que o armário estava vazio. Os candelabros de cristal brilhavam intensamente sobre as mesas. ficando assim atrás das criadas. Isabeau o pegou surpresa. — Espetacular como sempre. Jean Paul St. — Aqui. mas ampliou seu sorriso. Não passou muito tempo para que os primeiros convidados chegassem. — Lembro-me de ter visto a sua avó se preparando para os bailes. escondendo-se de sua babá. Cada unidade havia sido necessária para a mesa de Buffet no fundo da sala e o salão de jantar que ficava na sala principal. ganso assado. os homens se inclinavam em uma reverência com precisão bem definida. Os lacaios atravessaram em toda velocidade o salão de baile. já que havia puxado seus joelhos contra o peito. ostras. quando a abandonaram para cuidar de outros afazeres. Deixou a porta aberta. Pode guardá-lo. doces e chocolate com glacê. só um pouquinho. Ela só podia imaginar os bonitos coches subindo o caminho de pedra calcário. — ela tratou de alcançar um pedaço de tecido da cor do seu vestido. cascas de laranja açucaradas.62 Amandine sorriu. — Ma Chere. Ela entrou sigilosamente no armário. Croix. Ela podia sentir o passar dos perfumes se misturando com o que estava sendo servido em . Seu pai. Não vou precisar disso depois de tudo. puxados por magníficos cavalos com penachos em suas crinas. Ela encaixava perfeitamente em seu interior. O duque estava perfeitamente arrumado.

Nem ela nem seu companheiro a notaram. Isabeau sentiu que seu estômago faminto voltava a reclamar avidamente e se perguntou se seria capaz de fugir do seguro esconderijo. iguais à essa. ela era da largura de três pessoas. A maior parte dos convidados ria alto demais. bebendo champanhe adornado com morangos e pedindo dinheiro com grandes gritos nas mesas de jogo. sons e odores. Ela rolou debaixo da primeira mesa que pode alcançar. Seus alforjes eram notáveis a cada lado dela. Desse ângulo. até o espaço escuro no armário. Isabeau fez uma cara de nojo. Fizeram uma pausa. todo piano. O cachorro poodle de alguém grunhiu para o cantor. Acalmou-se um pouco e se alegrou com a relativa segurança das mesas do Buffet. entrelaçado. Se fosse apanhada não só seria mandada direto para a cama. harpa e a voz que pairava no ar. Ninguém a notou. uma tentação. Ele deveria comer algo no jantar já que estava tão faminto. Saiu imperceptível. Ela disse para si mesma que a música dos anjos deveria soar daquela maneira. Seus pais se uniram à multidão assim que as mesas de jogos começaram a encher. Sentiu-se como se estivesse dentro de um caleidoscópio. dirigindo-se para as grossas cortinas. Ela deslizou sua mão até a parte superior da mesa que estava quase contra a parede. e pegou um . Um casal passou perto. Parecia que estavam com dificuldade para respirar. Não podia esperar para ser anfitriã de suas próprias festas. Isabeau os deixou. esperando para ver se havia sido descoberta. saltando de uma janela para a outra. Abriu a porta alguns centímetros. O homem parecia como se estivesse tratando de comer a cara da mulher. o que era muito mortificante. como se tivessem corrido uma maratona ao redor do jardim.63 bandejas de prata. como também nunca mais poderia usar o armário como esconderijo de novo. caminhando depressa para se esconder atrás do vestido da mulher. bem escondida atrás dos enfeites flutuantes brancos. O champanhe fluiu como rios de primavera. Ela mordeu seu lábio inferior. com redemoinhos de cores. Finalmente o cheiro de toda a comida chegou a ser forte demais. Ela nunca tinha visto tantas sapatilhas de seda e fivelas de prata em sua vida. A orquestra começou a tocar e a música encheu todos os cantos. se beijaram apaixonadamente. uma voz etérea como a do cantor de ópera. pensando. Não era uma visão confortável. o efeito do espumante se mostrou nas marcas de arraste dos pés com sapatos finos e também nas gotas de cera das velas que caiam no chão. As cartas pintadas e as moedas mudavam de mãos.

Assustaria esse tonto e ela se vingaria da brincadeira que ele havia pregado nela mês passado com esse balde de água fria. As pontas dos seus dedos estavam tingidas de vermelho. Pode ser confeitado. como o sangue. muitas vezes cozido em uma forma de papel pequena e fina ou num copo de alumínio. Tinha que se lembrar desse truque da próxima vez que brincasse com Joseph. Comeu até ficar cheia. Havia esperado poder "colher" um cupcake34 ou uma massa folheada recheada de creme. A ostra era grudenta e viscosa. um dos jovens moços da quadra. Um dos cachorros a cheirou e se recostou junto a ela. Sorrindo. O segundo punhado foi muito mais valioso que o risco de ser descoberta. Pensou que seus dentes deveriam estar tingidos também e os deixou descobertos como um animal sorrindo abertamente. Talvez pudesse mantê-la em seu quarto e exibíla como um de seus tesouros: uma pedra com um buraco perfeito no centro. ela ficou ali dormindo debaixo de sua manta canina. 34É um bolo pequeno projetado para servir uma pessoa. arrastando-se de baixo da mesa com seus colares de diamantes para lamber sua cara e se acomodar entre os outros para dormir junto à ela. Encolheu-se em uma pequena bola e encostou suas bochechas em suas mãos.64 punhado sem ver. abraçando o pedaço do vestido de sua mãe. . Um a um os pequenos cães a encontraram. seu cachorro. apesar de sua concha ser muito bonita. um talho de lavanda seca e Sabot. lambendo o que restava da cobertura de framboesa em seus dedos. como se fossem almofadas. Os bolos eram leves e estavam untados com creme de framboesa. sonolenta e com dor de estômago devido a todos os doces.

Jones. Tentei não me lembrar de como minha mãe tinha amado tortas de amora mais que tudo. campos de lavanda tornaram-se uma floresta escura. a cadela. Rasgou a minha maldita camisa. — O presente de Montmartre foi entregue? . — um deles cuspiu. música de piano tornou-se o silêncio dos grilos sensoreando predadores nas proximidades. como se tivesse sido coberto de pérolas esmagadas. O mármore brilhando e arabescos dourados do palácio de minha juventude desapareceram lentamente. — Eles têm Nigel. Os espinhos iriam rasgar e arranhar. mas só muito vagamente. esperando. — o terceiro Host encolheu os ombros de forma pragmática. todo o resto eram samambaias plumosas e delicadas. Atei-me firmemente ao presente. — aquele que tinha rastreado murmurou. Desde quando as cortes têm filhotes Hound como suporte? — Tudo está mudando.65 Capítulo Sete O Host conduziu-nos através da floresta em um ritmo confortável. mas oferecia a melhor proteção. Estava pálido o suficiente para brilhar na luz do luar. eu tentei não sentir os resíduos desgastados da seda queimando em meu bolso. o Host em pé na grama alta. Empoeiradas uvas tornaram-se amoras maduras. franzindo a testa. Rangi os dentes tão alto que Logan me cutucou. Estava tropeçando o suficiente para deixar um rastro de galhos quebrados e sangue. ainda havia cheiro de sangue. Logan assentiu com a cabeça a um emaranhado de arbustos de amora-preta. as flores brancas brilhando na beira do campo. com foco na lama sob nossos pés. — Têm-me também. logo mais dois se juntaram a ele na direção das fazendas dos Drake. O Host não ficou sozinho por muito tempo. — Isabeau me apunhalou. Nós ficamos agachados em silêncio. Recuperou-se rapidamente e pelo tempo em que parou em uma clareira na sombra. o emaranhado de folhas.

minha vingança mais perto do que nunca tinha estado antes. poderiam levar-me a ele. Eu nunca saí da minha posição. Jones estava completamente curado e agora fazendo um buraco no chão. indisciplinados. Eu sabia que eles ainda estavam falando. Se tivesse uma batida de coração. esperando o momento certo. Eles sabiam onde estava Greyhaven. acelerar. . teria sido tão alta quanto um martelo de ferreiro na sua bigorna. Greyhaven. Os lábios de Logan se separaram. Meu crânio parecia um sino de igreja. — Ele quer que tudo seja perfeito neste momento. Eu tinha assumido que os irmãos Drake eram muito selvagens. — Nós esperamos por muito tempo. não para nós de qualquer maneira. Uma névoa vermelha cobriu meus olhos. como se eu olhasse através de uma névoa de sangue. Assobiei. mas não fez nenhum barulho. não é? — Jones resmungou. sendo da família real e tudo. — Bem. e depois parar completamente. Todos eles comportaram-se com certo charme e confiança. tocando o mesmo som repetidamente. Tudo o que eu ouvia era uma palavra. mas suas palavras eram mal registradas. Fiquei impressionada com seu controle. então fiquei imóvel como um leão faminto espiando uma gazela. — Jones confirmou. — Alguma palavra de Greyhaven? O nome me bateu com tanta força que estremeci como se tivesse sido atingida. suas presas salientes. O tempo parecia andar para trás. Greyhaven. com a intenção de pular para fora dos arbustos. — Como solicitado. Teria sido fácil esquecer-se de sua fina educação por terem sido exilados da corte real desde que Solange nasceu e fortemente desencorajados a participar há pelo menos um século antes. O primeiro sorriu. assim poderia matá-lo por me assassinar. — Ele está com Montmartre. Os Drake ficarão muito surpresos. Sem surpresas.66 — Na porta.

Sua mão apertou minha boca. mas dentro do meu peito. seu rosto ficou a poucos centímetros do meu. Seu corpo prendendo o meu no chão. uma montanha desabando. com todos eles. Ele ficou onde estava. Forcei meu corpo para suavizar infinitesimalmente. moldando-me no mato. E eu não me importei. quando estava furiosa além da lógica. Mesmo Charlemagne era inteligente o suficiente para ficar quieto. Ele estava perto o suficiente para que eu pudesse tê-lo mordido. Somente a percepção de que estava prestes a nos entregar me fez parar.67 Logan estava sobre mim. Teria jogado tudo isso fora por uma chance com Greyhaven. — Alguma notícia da velha guarda? . Eu sabia que cheirava a vinho escaldado e açúcar para ele. mas eu era mais rápida e poderia tê-lo jogado em uma árvore mais próxima. rápido como uma vespa. Seu cheiro era forte: vinho. apesar de ele tremer com a necessidade de me proteger. mas era certamente mais do que nós tínhamos tido no início da noite. A fúria fervendo na minha pele não o perturbou. Não era muito. Logan estava muito ocupado ouvindo os outros se acovardarem. dando voltas como um abutre. A maioria dos vampiros se encolhia à alguma distância de uma serva Shamanka. anis. Kala me disse que eu cheirava sempre assim. Mesmo com essa pequena rendição. Eu queria brigar com Jones. Ele era mais forte do que eu tinha considerado. quando ela estava nesse estado. um leve rastro de hortelã. mesmo que isso significasse perder a nossa única vantagem tática: a mera sugestão do plano sussurrado por um grupo de Hosts na floresta. E Logan sabia. esticado como se estivesse me protegendo de uma chuva de flechas de fogo. Logan não se mexeu. os olhos queimando um aviso em cima de mim. se não tivesse meus maxilares travados juntos. Mas o perigo não estava em qualquer lugar. um perigo invisível. Suas presas não se retraíram. Levou toda a força que consegui reunir para não arremessá-lo de cima de mim.

seus olhos eram da cor limão com açúcar. Vão se juntar a nós quando for a hora. Greyhaven. mas alguns ficaram para trás para um ataque mais sutil. Logan ficou onde estava e nos olhamos por um momento. Logan se levantou. Nas sombras. O vestido da minha mãe. ofegante. se não fosse por Charlemagne. presas a mostra. — O que aconteceu? Você conhece esse cara. Era quase demais. — Ótimo. quase enjoada do redemoinho de emoções inundando meu estômago: a antecipação. Os Hosts se foram entre as árvores. a maioria dos fiéis à memória de Lady Natasha fugiu quando a mulher Drake assassinou-a. Ambos abaixamos. músculos tensos para o ataque. raiva. Logan bateu no tronco de uma bétula e girou no ar para a terra sobre a ponta de seu pé direito diante de mim. — Eu sinto muito. Quando os nossos inimigos estavam longe o suficiente. Vamos dar o fora daqui. — Quem é ele? O que ele fez para você? . arrependimento. muito estranho. Meu corpo podia não precisar de ar. Os meninos Drake provavelmente ainda estão à nossa procura. como uma mulher velha. que choramingou uma vez. Seus olhos se estreitaram em meu rosto. especialmente em momentos de estresse. Eu ainda estava ofegante. Charlemagne pressionou seu nariz frio na palma da minha mão para maior conforto e eu não tinha certeza se precisávamos de mais conforto. Era como se uma chama fosse apagada. Levantei-me em uma curva. — Você está bem? — Logan perguntou baixinho. Greyhaven? — Oui. confuso. Encantador e perturbador. mesmo sem camisa. Eu parei devagar. Poderíamos ter ficado lá pelo resto da noite. eu soltei-o de mim com um safanão violento. toda a graça selvagem e um sorriso irônico. Ele parecia mais confortável e bonito como um convidado em um dos bailes dos meus pais. Concordei com a cabeça irregularmente. — eu estava acostumada a ser elogiada por meu foco e controle. mas a respiração continuou sendo um hábito. humilhação. em direção à montanha.68 — Sim. mas não tão perturbadores para mim.

Enquanto as missões diplomáticas iam. Estávamos sozinhos. — ele suspirou. — Isabeau. — Você quase se perdeu lá atrás. Devemos voltar. — Isso não vai acontecer novamente. recusando a ser merecedora de pena. a minha já era um desastre. Você poderia me dizer o que ele fez para você. Por alguma razão indiscernível.69 — O que faz você pensar que ele fez alguma coisa? — saí da moita de amora. Eu teria que encontrar uma maneira de ficar longe dele. afinal? Por favor? Eu levantei meu queixo. Era como se eu estivesse fria agora. . A expressão de Logan era sombria. Os irmãos de Logan estavam todos vestidos e sentados em círculo ao redor de um pacote embrulhado na sala. farejando o ar por qualquer vestígio de Host. — Da próxima vez. Eu ataquei um amigo da família. Ele claramente não era bom para mim. senti sua ausência. eu vi o olhar no seu rosto. Nós mal tínhamos andado por meia hora. você poderia colocar em perigo a minha irmã com o seu temperamento. Enrijeci. Eu não sabia o que era isso com Logan. — Mas não me perdi. Dei de ombros. Não se fazia mais agradável que ele estivesse certo. e eu nunca tenho frio. — Ele é quem me transformou e me deixou em um caixão debaixo do solo por dois séculos. — Estou bem agora. Virei-me para voltar por entre as árvores. Não falamos novamente no nosso caminho de volta para a fazenda. tinha sido dopada com Hypnos e quase enlouqueci com fúria— tudo em uma noite. Não me admira que esteja tão exausta. mas ele segurou meu braço. — Eu sei. deixando cair a sua mão. Engoli uma réplica quente. — Posso ver que não está em sua natureza se entregar assim. que me afobava assim. mas tudo isso parecia dias.

enquanto eles fazem todo o trabalho. mesmo que ela estivesse fazendo tique-taque para você. — Quinn continuou a fervilhar. — Solange piscou virando seu olhar para longe com esforço visível. caindo para sentar em uma cadeira. Piscou com olhos turvos para ele. — eu disse. Eu não estava inteiramente certa com o que ele quis dizer. — Pare de olhar para ele tão arduamente. Esses caras só querem que eu brinque de Branca de Neve cantando em sua pequena casa. — Não posso acreditar que o bastardo passou por nossas defesas. Eu ainda estava me acostumando com a língua moderna do país.70 Solange estava franzindo as sobrancelhas para ele. graças a Isabeau — Logan respondeu cansado. — Exatamente. sua agitação acordando Lucy. Bruno scaneou e tudo. olhou para Solange. a cabeça apoiada sobre a perna de Nicholas. tocando os dedos sobre os joelhos. mas Solange assentiu fervorosamente para mim. — Você está de volta. — O que você acha? — Eu sempre prefiro saber com o que estou lidando. mas ainda assim. — Sim. — E? — E temos informações mínimas e nada que já não tivéssemos adivinhado: traidores e ataques. Ele tinha um cobertor de lã estendido sobre ela que parecia pequena e indefesa em um quarto de predadores que não podiam evitar em escutar a tentação dos seus batimentos cardíacos. Lucy estava dormindo no sofá. — Você teria aberto a bomba o tempo todo. Pôs-se de pé e rondava a sala. — Você encontrou algum deles? — Quinn rosnou. então para Logan e para mim. — É seguro abri-lo? Quero dizer. Logan gemeu. surpresa. seguimos um. Ela adormeceu absolutamente confiante. — ela bocejou. e inglesa. vai conseguir uma enxaqueca. . voltando-se para mim. por isso sabemos que não é uma bomba ou antraz ou qualquer outra coisa.

parando brevemente. Nicholas estendeu para tomá-la e ela deu um tapa em sua mão sem nem mesmo olhar para ele. 35 Brinquedo infantil. você é um idiota. — Só isso? — Solange perguntou. — Vocês estão me assustando. — eu disse categoricamente.71 Lucy bufou. Lucy estremeceu. o tipo de transporte para bolos. Ela mordeu o lábio. como só vampiros poderiam. — Vou abrir. pegando o pacote. Você poderia dar a Disney uma ideia para fazer dinheiro. ligeiramente inclinada para trás. Gostaria de saber o que o fez tão sensível aos meus humores. Cada um de seus irmãos começou a falar ao mesmo tempo. — Eu não sou um anão cantor! — Não. finalmente quebrando o suspense. Será que essas coisas ainda funcionam? — Às vezes. Ela levantou a tampa. Não estava prestando atenção? — ela sorriu e beijou-o rapidamente. — Solange anunciou de repente. — Eca. Tinha um cheiro forte de água de rosas e canela. — É um feitiço de amor. Nicholas cutucou minhas costelas. — O quê? — Solange recuou. — Isabeau? — Logan se virou para olhar para mim. — Branca de Neve e os Sete Anões. . A caixa de baixo era de papelão branco simples. Os irmãos fizeram o oposto e todos se inclinaram mais perto. como um malvado jack-dentro-da-caixa35. — O que é isso? — ela perguntou. Parem com isso. preparados para qualquer coisa exceto para o que estava realmente na caixa. preparados para o ataque. No centro da caixa estava uma almofada de veludo vermelho exibindo um pequeno caroço envolvido em linha vermelha. Eu sabia exatamente o que era. como se esperasse algo pular para fora dela. Deus. expressando a mesma variação de base em dois temas: — Deixe-me! E — Não! E ela ignorou e rasgou o papel em seu lugar. Uma caixa de dar corda de onde um palhaço salta. Depois ficaram imóveis. Meu nariz coçava.

— Lucy disse suavemente. — Um.72 Seus olhos se arregalaram. está todo perfurado. Todos olharam para mim. farejando o encanto. até resolvermos isso. — Por que ele não me deixa? Eu pensei que isso iria finalmente parar depois do meu aniversário. que não quero ser Rainha e com certeza não quero me casar com ele? — Não. ou eu realmente me sinto engraçada? — É possível. O encanto estava preso ao travesseiro do coração. — A não ser que você diga a ele com a ajuda de uma estaca no coração. — Não entre em pânico. E isso é um coração de beija-flor. que eu peguei no ar. — Ele tem a paciência de uma cobra e é isso que o torna tão perigoso. mais do que sua crueldade. — O fogo é paixão. Essas são duas sementes de maçã envolvidas na linha vermelha e uma mecha de seu cabelo. um pouco mais distante e ela estaria saindo através da janela e no jardim. pegando a caixa e jogando em direção ao fogo o diminuto coração. nunca. Ele deve ter conseguido isso naquela noite em que o detivemos nas cavernas. — E o que há com vocês e os corações nojentos? — Lucy. — levantei-me. eu não odeio ele neste momento! Não como eu deveria! — Eu vou odiá-lo o suficiente por nós duas. — O que nós fazemos? — o branco dos olhos dela estava aparecendo agora. é a minha imaginação. — Ele não parará. . — eu disse. A caixa desembarcou na brasa e pegou fogo quase que instantaneamente. saltando para pegá-lo antes que ele caísse. Luz queimava a sala. — Vamos queimá-lo. Ela estava pressionando as costas contra a parede mais distante. — O fogo só o fará mais forte. Como uma Hound. — Quinn disse. — É muito forte. — Sério? — levantou-se para pôr mais distância entre ela e a caixa. eu conhecia Montmartre e seus Host melhor do que ninguém. — Não! — gritei.sua força ou seu egoísmo. como um cavalo selvagem. — Ele nunca vai entender isso. — respondi com sinceridade. — ela prometeu severamente. — eu expliquei.

A mecha de cabelo de Solange era longa. por ter tanto conhecimento e tão pouco instinto. . Eu o ignorei. mesmo um comprado por Montmartre. — Certamente. — E agora? — Logan perguntou. — Somos mágicas tanto quanto somos aberrações e mutação genética. água também não. fazer mais algumas pesquisas? Eu poderia procurar online. você percebeu o quanto? — Eu. — Minha mãe sempre molhava as coisas na água para purificar. — eu disse friamente.. E não havia dúvidas de que ele tinha comprado de uma bruxa. acho. limpar ou algo assim. — eu disse. Eu me senti mal por eles. ninguém mais seria capaz de fazer estes pedaços de corda e cortar uma maçã desta forma. — Duas sacolas térmicas. e linha branca. Logan desapareceu e voltou dentro de momentos com o meu material. Isto é o que significa ser uma serva CWN Mamau. grata pelos vampiros não corarem facilmente. Magda tinha me dito vezes suficientes que a magia e a oração não são invocadas no presente século. envolvida e amarrada na linha vermelha. considerando36. Logan inclinou a cabeça. Qualquer um que já tenha visto o trabalho de Kala e sua magia nunca pensaria de outra forma. Parecia um desperdício de ferramentas para mim. puxando 36Logan estava imaginando Isabeau dançando nua no bosque para purificar o feitiço.73 — E sobre a água? — Lucy perguntou.. — Talvez devêssemos perguntar. — Pensei que isso era sobre chutar o traseiro dos Host. Ela canta nua no bosque também. — Tem certeza que você sabe o que fazer? — Connor perguntou em dúvida. Eu trabalhei para tirar isso fora com cuidado. gelo. mas sabia que poderia lidar com um encanto. — Isso também.. — Eu sei o que fazer. — joguei sal em ambas as bolsas térmicas. — Isso alimentará a emoção amarrada no feitiço: amor. Eu não tinha nem perto sua experiência. Solange engoliu em seco. — Não. — eu meio que sorri. — Podemos fazer algo rápido? Por favor? — Preciso de sal.

— Rápido. seu tom duro. — Eu vou fazer isso. que não admitia discussão. Solange foi mais rápida. — Obrigada. tão implacável como o inverno. pacientemente desembrulhando. — eu a aconselhei quando ela voltou. — Isso irá protegê-la. o fio da trama vermelha e coração do beija-flor com sal na segunda bolsa e acrescentei uma camada de cubos de gelo até o topo. Forte. — O branco representa proteção e purificação. Libertei o cabelo e o coloquei entre dois cubos de gelo. Use o carretel todo. — Posso cuspir nele? — Por todos os meios. — Tudo bem. concentrando-me em sentir a magia. — Em três dias coloque-o em uma jarra de vinho azedo e sal e enterre-o em uma encruzilhada. Amarrei-os no lugar com o fio branco. Esta é a segunda vez que esteve entre mim e esse traseiro de cavalo. — De rien37. — murmurei a Solange. Enterrei as sementes da maçã. Várias mãos esticaram em minha direção. Ela saiu e a podíamos ouvir resmungar e a bater a porta da geladeira. Logan o cutucou para dar um passo para trás. embora pálida e tensa em volta da boca. Deixei os cubos de gelo em uma das bolsas e selei. Fechei essa também. — bocejei. — ela disse. Imaginei o segmento tão impenetrável como um escudo. — E não deixe ninguém ver você fazer isso. mesmo quando Quinn chegou a ficar atrás de mim carrancudo.74 delicadamente. — Eles precisam ser congelados. tão forte e afiado como uma espada. Isabeau. . você poderia? Quinn rosnou. 37 De nada em francês. como tinha sido ensinada. Solange assentiu.

agora estava além da fadiga. me amassando para deitar no tapete. Charlemagne se enrolou na minha cabeça para proteger o meu sono.75 Não tinha notado o amanhecer na nossa concentração. Estava consciente somente o tempo suficiente para ouvir Lucy resmungar. claro que são a vida da festa. . — Vampiros. Os outros não estavam se saindo melhor. Nicholas estava encostado no sofá. Eu me senti fraca como a água. jovens o suficiente para não ser capazes de lutar contra a letargia que vinha com o nascer do sol. Estava exausta antes do trabalho com o encanto. Connor caiu desconfortavelmente em uma cadeira próxima. mas não tinha ideia se ele tinha chegado a seu quarto. Vi Logan bocejar também e esticar-se no tapete ao meu lado. embora ainda satisfeita por ter me resgatado do meu erro mais cedo na floresta. Só Marcus conseguiu se arrastar para cima.

chuva e a escuridão que deveria ser completa. mas não o colar que ele havia feito a partir da faixa do vestido de minha mãe. mas podia perceber a estranha raiz. ainda que estivesse bastante certa de que Kala suspeitasse. mas não podia encontrar o caminho para fora. até mesmo antes que o crepúsculo o fizesse. 38 Raíz que se usa como hortaliça. Ainda que não me recordasse todo aquele tempo presa sob a terra. inclusive nos becos de Paris. de seda. Ela me encontrou uma vez metida no laço do medo. mas o meu sempre vinha nesse nebuloso lugar entre o sonho morto e a súbita vigília. Nem sequer sabia se jazia em um cemitério Londrino ou se estava na França. Nunca havia dito a ninguém. Estava dentro do caixão forrado em cetim branco. parecia menos do que deveria. Agora eu era forte o suficiente para me arrancar do sonho. Não podia cheirar nada exceto barro. Vestia o traje de noite. com o tecido sujo e com insetos rastejando. Isso era tão preocupante quando ser sepultada viva. Não podia ver claramente. o sonho era sempre o mesmo. Era o mesmo sonho todo o tempo. Havia passado uma semana inteira desde a última vez que o havia tido. . que havia vestido na festa de Natal do meu tio. A terra desmoronava através das frestas da madeira e as raízes pendiam como cabelo. usava esse pedacinho de flor de lis de cor anil comigo por todas as partes. o mais longo período passado. Vasculhei o caixão e chutei com meus pés até meus calcanhares estarem machucados. claro.76 Capítulo Oito Eu não sabia se outros vampiros tinham pesadelos. com olhos muito abertos e lamuriosos. um talo branco de cherovia38 e o voo de besouros de cor azul. uma multidão de cachorros me lambendo no rosto e tentando conseguir me mover.

o mínimo sabor de sangue enlameando meus lábios. os vermes rodeavam meus pulsos como braceletes. no entanto. E não tive fome. ou teria se houvesse tido a força. queimando todo o caminho até abaixo. ainda era meu primeiro pensamento quando acordava deste pesadelo. raspava através de minha garganta. Odiava esse som. era enlouquecedora. . todas as vezes. as formigas caminhavam por meu cabelo. Greyhaven. mesmo sabendo que havia tomado bastante de meu sangue para me corromper muito além do que qualquer morte humana normal. Minhas veias estavam secas em meus braços. Greyhaven. Neste momento de lucidez. Os cachorros eram suficientemente reais. o qual me fez silenciar. A sede. dentro de minha barriga. E os cachorros uivando. Estava para lá de fraca. Aí é quando eu acordo. E o saboreei como o vinho que Greyhaven havia me dado. Greyhaven. E então.77 Gritei até que saboreei o sangue no fundo de minha garganta e mesmo assim. Não forte o suficiente para arranhar até sair da terra. A terra enchia minha boca. odiava que ele esperasse até que estivesse suficientemente consciente para controlá-lo. arfando. algo tirado de uma história gótica. Arranhava em mim como uma besta desesperada e em chamas. senti a ferida de dentes afiados em meu pescoço. para lá de morta. E o nome de Greyhaven foi meu primeiro pensamento. para lá de viva. senti uma boca sugando ali até que estivesse branca como uma boneca de trapo. O nariz de Charlemagne levantou meu rosto quando deixei de choramingar. ninguém me ouviu. tinham sido os que haviam me encontrado e me tirado. Ele os deixou me enterrar. mesmo antes que Kala tivesse encontrado o túmulo certo no Cemitério Highgate. Tudo parecia como algum acidente horrível. nem sequer havia notado que era o que significada que eu devia fazer. cavando com suas garras. nem sequer uma vez.

Quando tinha bebido sangue suficiente para tê-lo gotejando em minha barriga. recarregada com raios UV. Saí da cama e me arrastei até a geladeira. Eu havia esquecido que os vidros na casa estavam especialmente tratados. A fome não era facilmente dominada em nossas primeiras noites. Havia ouvido Connor e Quinn falando dela. Solange e seus irmãos ainda dormiriam uma hora mais. ao me preocupar pela segurança de Charlemagne. tão aguda que havia treinado Charlemagne para se defender de mim se eu dissesse uma determinada palavra. A água benta que usavam. O rosado da luz do sol caía no quarto. mas eu havia me detido energicamente. A silhueta de uma mulher estava de pé contra uma alta janela levantada na biblioteca que dava para o jardim. Ainda me fazia engolir o sangue avidamente. puxando a porta aberta. da forma em que uma criança comeria um bolo. Ela era sua tia e tinha sido ferida por um caçador Helios-Ra. alguém deve ter colocado todos para fora da sala de estar.78 Estava em uma cama. Esta seria a mesma razão que Lucy havia resmungado mais cedo sobre ser movida para um quarto de hospedes com um ferrolho de segurança dupla por dentro e um botão de alarme conectado a Bruno. Certamente eu não teria confiado em uma janela de vidro e cortinas de encaixe. Não tinha sarado ainda e ninguém estava certo se o faria. A mulher virou seu rosto escurecido atrás de um véu negro fixado no chapéu de veludo pousado sobre sua cabeça. — Você é Hyacinth Drake? — perguntei cordialmente imobilizada em meu lugar. A luz feriu meus olhos e tateei às cegas por uma garrafa de vidro cheia de sangue. o chefe de detalhes de segurança dos Drake. As cicatrizes eram raras em um vampiro. a sede era mais aguda durante a noite. as persianas de madeira nos dormitórios deviam ser para agregar mais segurança e comodidade aos hospedes vampiros. mas certamente eram possíveis. Meus braços nus eram prova suficiente disso. tinha queimado seu rosto. alisei a túnica do meu vestido e deixei a relativa segurança de meu quarto. Parei ante a voz desconhecida. As persianas de madeira estavam aparafusadas firmemente através das janelas. — Isabeau. . fiz meu caminho escadas abaixo para deixar Charlemagne ir para fora e eu vigiar o cachorro. Os vampiros recém-transformados tinham pouco controle sobre eles mesmos ao acordar. Ela vestia um antiquado vestido sobre um espartilho e luvas sem dedos. assim.

então me olhou pateticamente. — Tuas cicatrizes não te incomodam. — ela deu uma olhada nas cicatrizes sobre meus braços. — Minha gente mede a beleza em como você pode caçar em silêncio. Os cachorros corriam ao redor dela como um carrossel. sermos dignos e nenhuma delas tem algo a ver com a cor de nosso cabelo ou o formato de nosso nariz. . Temos provas para testarmos a nós mesmos. — expliquei. — murmurei. — seu tom mudou. Quando ela vinha para casa. — Mas eu amo tanto minhas comodidades de criatura. — A pena não é de você.79 — Sim. Não era uma pergunta. Eu sou. eu deveria fugir para viver nas cavernas depois de tudo. que estava latindo com histérico regozijo. Encolhi os ombros. Kala tinha tatuado esse lado de meu pescoço com uma flor de lis. Foi aí que percebi que ela tinha estado observando Lucy correndo pelo jardim com o cachorro. Charlemagne deixou ansiosos traços de nariz sobre a porta de vidro. Enchantee39. como madrepérola. — ela murmurou. antes de desaparecer nas profundidades da casa. era mais uma plena declaração. Hyacinth retrocedeu imediatamente. — Não realmente. — as meia luas e círculos desconexos deixados por dentes afiados. Lucy estava arquejando no pátio. O cachorro deu voltas no ar por sua excitação. a ironia mostrava a dor. — Ainda é bonita. — Vá. — eu disse francamente. Isabeau. — Acho isso muito reconfortante. depois se virou de volta para a janela. — toquei as cicatrizes perfuradas sobre minha garganta. deixando-o sair para unir-se ao alvoroço. tinham clareado pela brilhante pele pálida. limpando o suor de seu rosto. — Foi um prazer te conhecer. — já que queimá-las não ajudaria. — Eu fui bonita há muito tempo. — ela disse e podia ouvir o baixo sorriso em sua voz. — E por quão bem treina um cão ou com que rapidez você corre. 39Encantada em francês. — Então quem sabe. Lucy riu mais alto. — ela disse. — ela me disse. — Estas eu gostaria de queimar se pudesse. — Carrego estas orgulhosamente. O sorriso de Lucy era quase tão ruidoso.

equiparada com a de presidentes e reis. Seu coração estava praticamente atingido com exasperação. — Quero falar com você. — ela disse quietamente. — Não acho que haja algo com que se preocupar. — Nem sequer está completamente escuro ainda. sobressaltada. E entendi sua desconcertante frustração. você dá medo quando faz isso com seu rosto. — Bruno é o chefe de segurança. — Lucy explicou. Lucy inclinou-se para trás.. mas as vezes é considerado como um termo ofensivo. Como Hyacinth.80 — Isabeau. Iguala a briga. Isto é ridiculamente sangrento.. . esperando ser estacados. — ele encontrou meus olhos. — Deduzo que levaria a mal se sua gente morresse. — Lucy exclamou. — Mas você é.. os Franceses e os Escoceses geralmente tinham sido aliados. Cerrei meus dentes. — Os outros cachorros não estão latindo. não podia tolerar a pena. seu sotaque Escocês me tranquilizou. Charlemagne me bloqueou repentinamente ao som da porta principal se abrindo e fechando. — ela continuou descuidadamente. Ela trouxe os aromas da chuva de verão. folhas e sangue fresco bombeando sob a pele. Senti sua postura suavizar-se imediatamente. — mesmo que discordando com sua expressão. — disse-lhe. acordo cedo. significa menina ou senhorita. uma facção de vampiros e uma unidade de canalhas Helios-Ra. uma prova de lealdade. quero saber porque em uma semana sangrenta. Os cachorros acomodaram-se a seus pés. — Temos a melhor segurança. Os caçadores gostam do dia com a maioria dos vampiros dormindo ao redor. humano. 40No original Lassie é um termo originário da Escócia. sua mandíbula fixada sombriamente. Não tinha intenção de compartilhar minhas debilidades e a violência de meus pesadelos. — Às vezes. É considerada uma honra. — Coloque-se atrás de mim. — um homem calvo e tatuado em uma jaqueta de couro entrou com passo firme no cômodo. ambos tem dado um grande passo. — Wow. já está acordada. — A Montmartre não importa se seus Hosts morram. Retesei-me. — eu disse. — Bruno. A porta do jardim se fechou atrás dela. — Lassie40. — Sim.

— Eles teriam se movido de uma copa de árvore à outra. — ele desenrolou desenhos azuis da fazenda e do composto de mil acres dos Drake com outros edifícios sortidos. — Lucy disse. Eu assenti. É mais lento. Ele suspirou. não algum presente ijit 41. Lassie. Alo? Não é exatamente um ponto ao seu favor. — ele insistiu. não sei se poderiam pegar você de surpresa. — Aí você tem razão. Se atacassem de imediato. combinando-os com o que eu sabia da topografia circundante. — Você está pronta? — Logan me perguntou. mas mais sigiloso. — ele sacudiu a cabeça. — Eles vieram de cima. não é desculpa. Bruno estava preso em si mesmo quando Solange e seus irmãos começaram a se mover e se arrastar escadas abaixo. — Mamãe e papai pensam que você deve permanecer fora da Corte até depois da coroação. Lucy fez careta para Nicholas. — Você acredita que seu pai vai te deixar pilotar pelo bosque para ficar com um monte de vampiros em uma caverna? 41Termo escocês que significa idiota. — Mostre-me o ponto fraco. E ontem à noite enviaram quatro com a finalidade de que somente um deles atravessasse a porta principal. Estava esperando uma grande quantidade de violência. — Não é como se não tenha estado ali. poderia? Passei os olhos pelos desenhos. Nicholas sorriu zombeteiramente. — ele exalou. — Wow.81 — Sim. — Isso é tão injusto. . — Montmartre apenas faz mais Host. vou obrigar meu pai a me ensinar a montar sua motocicleta e então já não precisarei de carona em sua bicicleta fedorenta. Ele levantou suas mãos defensivamente. — Quando meus pais voltarem para casa na próxima semana. você estava sequestrada por uma malvada Rainha vampiro. — Ainda assim. — Não é minha culpa.

mesmo que não apagasse completamente os curiosos ou furiosos olhares suspeitos e desgostosos. — ele respondeu. — Você está tão linda também. ele era muito bem educado para isso. — Porque eu não sou a má influência nesta relação. desnecessário. Então Era consideravelmente mais fácil ter acesso às Cortes Reais desta vez. Ela enfiou seu braço no meu. Era de alguma forma doce. mas notei que Logan estava olhando com fúria para cada vampiro solteiro que se atrevia. Ela pareceu suavizar-se um pouco pela palavra. — Isabeau! — Magda saiu rapidamente de trás de um grupo de árvores nuas de bétulas em vasos de ouro. A presença de cinco dos irmãos Drake suavizava o caminho. Ele estava perto o suficiente para que seu braço roçasse no meu. Logan não devolveu o silvo. Connor tossiu. Estava vestindo umas anáguas rosa sob uma antiquada saia cor creme. Magda não sabia dividir. imediatamente endireitou sua coluna vertebral. até mesmo a pestanejar em meu caminho. mas. “relação”. Nicholas se afastou. Ele se encostou a ela e a beijou até que ela estivesse quase estrábica.82 — Ele me deixa ficar com você. — Cara. sorrindo. vai para um quarto. — Lucy resmungou para ele. imperturbável. Não me incomodavam. dando uma cotovelada em Logan para longe de mim com um silvo. — Você deveria tê-los visto antes que decidissem se gostavam um do outro. me olhou como se o estivesse considerando. — São sempre dessa maneira? — eu perguntei a Logan quanto deixávamos a fazenda. — Está tudo bem? — . — Ainda estou irritada.

Logan fez uma careta. Quinn sorriu de forma satisfeita para ela. . se afastaram para suas próprias tarefas.83 Magda perguntou. portanto. — ele disse. tinha sido tirado. — Os gostos de Lady Natasha não eram exatamente sutis. Desde a noite anterior. Não obstante. — ela franziu o cenho para um jovem vampiro que ficou olhando e não saiu do seu caminho rápido o suficiente. Você pode acreditar nisso? E ele me perguntou se não pintávamos a nós mesmas. Havia menos espelhos também. eu não estava em posição de criticar. com barro. Os cortesões se moviam para fora de nosso caminho enquanto atravessávamos o vestíbulo principal. é lógico que não. — Isso se chama paquerar. mesmo sendo de má educação ignorar aos filhos de seu anfitrião quando estava em uma visita diplomática. Finn está em sua glória. me perguntei outra vez. o trono quebrado de couro. Eles são uma linhagem de antigos Reis. assim não parecia como se a multidão fosse duas vezes mais do que seu tamanho real. Quinn riu baixo atrás de nós. olhando furiosamente para cada um dos irmãos. porque Kala havia me enviado. que pertenceu a última Rainha. — Eles não te injetaram Hypnos outra vez. certo? — Não. Um estava decorado em seda vermelha e veludo com douradas pinturas emolduradas na parede. Passamos por vários quartos. Todos. cada um mais decadente que o último. De fato ele disse três orações completas seguidas. Tive que sorrir com isso. — Bem. onde eles haviam trabalhado duro. eu acho. — Isso é praticamente um monólogo. — Como foi por aqui? — perguntei-lhe baixinho. Ela franziu o cenho mais ferozmente. Eu já me sentia melhor. com exceção de Logan e Magda. — Mas conservamos as pinturas e começamos a juntar novas. Rainhas e o que seja. — Eu sei. Alguns garotos pediram para ver minhas presas. — Sinto como se fossemos algum tipo de show de circo. Os longos silêncios de Finn eram legendários. Era de pior educação atacar o namorado de sua filha. Ela o ignorou.

Dei um passo para mais perto. Não sabia o que pensar disso. desejando não explodir. exceto desse rosto. senti um grunhido ecoar em meu peito. preocupado. para não ser superada. Conde de Greyhaven. que alguma coisa estava acontecendo. Fechei minhas mãos em punhos. empurrando Logan ferozmente para fora do caminho. — O que é? Magda se insinuou entre nós. mas suave como a água. emoldurados e sem molduras. — Magda acrescentou orgulhosamente. A pintura ainda estava úmida em um canto. mas alguns eram de aquarela e desenhos em tinta. — Logan apontou para uma pequena pintura de uma mulher que parecia muito digna em um vestido medieval e uma touca. No principio pensei que fosse Charlemagne. mesmo sem o quente formigamento dos amuletos em torno de minha garganta. Era como estar em um museu. Mas eu já não estava ouvindo. Levei um momento para perceber que o doloroso som vinha de mim. a família Joiik. — murmurei.84 Havia dezenas de retratos. como se estivesse sob a água. Reconhecia algumas das casas pelas lendas e historias que Kala nos havia contado: A família Amrita. — Estou bem. mesmo que sentisse os olhos pintados de Greyhaven perfurando atrás de meu pescoço. o sorriso presunçoso. Era óbvio para mim. — Finn está desenhando um de Kala. Sebastian Cowan. a maioria era a óleo. estava uma pintura a óleo sem moldura. — Isabeau? — Logan deu um passo para mais perto. Philip Marshall. Este retrato tinha sido feito recentemente. nossa matriarca. de um rosto familiar. No final da fileira abaixo. sentindo-me distante de todos. brilhando umidamente. Estava rouca. quem havia amado um caçador no século dezenove. — Eu me ocuparei dela. pendurado antes que estivesse completamente seco. Eu conhecia o curto cabelo preto. Havia umas quantas fotografias próximas do final da linha. colocando uma mão reconfortante sobre meu ombro. mal reconhecendo minha própria voz. os pálidos olhos cinza. . Eu precisava de tempo para pensar. — Essa é Veronique DuBois. Senti meus lábios levantar minhas presas esticadas. — disse-lhe sombriamente. Forcei-me a dar as costas ao muro de retratos.

recusando me encontrar com qualquer que um de seus olhares.85 — Vamos. . — eu disse.

Não gostei do ritmo dos batimentos de seu coração. era suficiente me ocupar da imagem de Solange trocando caricias com Kieran em um canto escuro da sala. ou a direção em que seu sangue fluía. Portanto. por um segundo. Eu poderia matá-la. Entre Solange e seu caçador e Nicholas beijando Lucy. Acho que ela nem sequer sabia que o estava fazendo. Só está com ciúmes porque não tem ninguém para beijar.. O que parecia muito bom para mim. Estava se vingando por meu comentário de “Princesa”.86 Capítulo Nove Conduzi Isabeau para a antecâmara que meus pais tinham reservado para as reuniões particulares. Olá Isabeau. Ela parecia pálida.. — ele disse. — Tenho que esperar Hunter. — Esta é .. — Oh. como se estivesse procurando algum conforto. ela não me responderia. Por hora. O fato de que tinha um de seus braços machucado por Solange era a única razão pela qual ele atualmente não estava se jogando diretamente sobre ela. Algo na galeria de retratos a tinha assustado. apenas esperaria pelo momento oportuno. mas acho que a ela não interessava.. amigo. — murmurei enquanto a mão de Kieran passava por debaixo da bainha da blusa de Solange. Essa é minha irmã. — Vá Logan. Solange apareceu por sobre o ombro de Kieran. seus dedos pressionavam os pelos cinza de seu cachorro. limpando-se e se arrumando um pouco com discrição. O gesso branco em seu braço era notavelmente forte contra suas roupas pretas. na noite anterior. que eu queria sentir seus lábios sob os meus. Mas eu sabia que mesmo que perguntasse muitas vezes. E Isabeau se assustaria mais fácil do que uma fêmea de cervo na temporada de caça se pensasse. Isabeau ia pensar que não fazíamos nada além de acariciar e paquerar. Mas eu sim havia percebido. — Você não deveria estar na reunião? Kieran se afastou. Entrecerrei meus olhos como aviso para Solange. —. onde pensaram que ninguém poderia vê-los.

— Estamos sendo aguardados imediatamente? Olhei para o relógio de bolso pendurado em minha calça jeans preta. — respondi-lhe secamente. — Pedi um gato para mamãe e papai. Teria sido excelente. Ela e Kieran deram-se um grande abraço. — murmurei em suas costas. e eu estava praticamente babando. — Magda negou com a cabeça. — estendi meu braço. simplesmente para me irritar e depois foi para a antecâmara. — disse. Soltou Charlemagne. — Eu gosto dela. — Temos uma boa meia hora.. — Você quer um tour pelas cavernas? — perguntei para nos distrair. Papai é bom com os tratados. — Oui. — Os Helios-Ra realmente estão permitidos nas cavernas Reais. — Eu desde já. ao me ouvir perfeitamente. como eu havia previsto. da mesma forma que fazem nos filmes de época. — Posso ter um momento? — disse suavemente.87 a sua primeira vez em território vampiro e eu prometi que não entraria sem ela. — E sua mãe? — Isabeau perguntou. só se Magda . — Ah! — ela e Magda trocaram um olhar feminino que eu não tinha a menor intenção de decifrar. Ela me lançou um sorriso sobre seu ombro. — Eles estão noivos? Eu quase engasgo. — De forma alguma. Devolvi-lhe o sorriso. Se não for muito trabalho. Decidi fingir que não tinha visto. — É uma loucura. — Meus pais querem fazer as coisas de forma diferente. O sorriso de Isabeau foi breve e torto.. Encolhi um ombro. não acredito. Conhecem-se há apenas algumas semanas.. Só mencionei a reunião para manter Kieran longe do rosto da minha irmã. — Isabeau murmurou enquanto caminhávamos atrás de Solange. Solange lhe beijou mais uma vez. — Ela é boa fazendo os homens adultos chorarem. Ela suavizou.

mas eu a ignorei. Teria que me conformar com o consolo de ter vislumbrado um pouco da suave Isabeau. como se na verdade tivesse querido segurar meu braço. Aparentemente prestou mais atenção à política vampiro e nas profecias em comparação a todo mundo — Este túnel muda de direção e passa pela maior parte dos cômodos. — Voltemos até o salão principal. com a marca Real de um rubi incrustado em uma coroa por toda a base. Foi bordada a mão e tem pelo menos meio século. — C’est bon42. Veronique o havia feito ela mesma. — Isabeau aprovou. cachos em seus cabelos e diamantes em sua garganta. A sala fervilhava de atividades e havia guardas em cada corredor. — O fornecimento de sangue está ali. Magda olhou com desconfiança. — Eu também vou. a empurrões. Foi a primeira solicitação que minha mãe fez. Virei para a esquerda atrás de uma tapeçaria com o brasão da família Drake. enquanto nos enfiávamos no estreito corredor de pedra. Madame Veronique nos enviou-a na noite depois que mamãe matou Lady Natasha. mas o piso era simples e as paredes estavam úmidas. — indiquei-lhes. muito antes que Solange tivesse nascido. embora agora mesmo parecesse confusa. — expliquei. — No caso de um ataque e que fiquemos presos. — apontei com a cabeça para uma grade de ferro fechada sobre uma porta grossa com pesadas dobradiças. Foi repentinamente muito fácil imaginá-la em uma roupa de noite com anáguas. . — Todas estas portas que estamos passando conduzem às câmaras dos convidados. — levei-lhes de volta. para começar de lá. Também me foi fácil imaginar Magda com chifres e um tridente. evitando a galeria de retratos. — Temos algo parecido em nossas cavernas.88 não tivesse franzido o cenho para depois colocar-se no meio de nós. 42 Isto é bom em francês. colocadas em cristais vermelhos em forma de globos que pendiam do teto. — Há muitas salas do conselho por este caminho e um armazém de armas que atualmente está em fase de inventário. Estava iluminado com velas.

— Tecnicamente eu sou duzentos anos. Se eu tentasse. — E uma dor na bunda. — disse Isabeau educadamente. — Mas onde estão suas histórias sagradas.89 — É lindo. Merda. Além de minha irmã mais nova. — Nenhum Cwm Mamau a quer. Isabeau inclinou sua cabeça. — Sim. como se não pudesse evitar. — Mais ou menos. graças à minha força de vontade. Agora mesmo ele é muito poderoso. — Sem mencionar que é um pervertido que rouba crianças. mais ou menos. — ela concordou. mais velha que você. Relaxei minha mandíbula forçosamente. forte o suficiente para que o ruído assustasse Charlemagne. talvez pudesse enfiar meu pé com um empurrão em minha enorme boca. — Em absoluto. quatrocentos anos mais velho que Solange? Isabeau afastou o olhar. — Acho que todos nós estamos em acordo de que você não é como Montmartre. você está admitindo que todos estão em dívida conosco? — Magda. Muita estupidez. certamente vocês sabem. — Não quero a coroa. Tinha ficado tão distraído pelo perfume de Isabeau. cale-se. Depois percebi que havia nos levado à uma câmara sem saída. o som . — Todos nós queremos deter Montmartre. mas não tinha a menor ideia do que ela se referia. — disse. Magda sorriu de orelha a orelha. bem a tempo. um brilho de humor em seus olhos verdes. certo? — Temos tapeçarias. suas pinturas? O sangue tem magia. — concordei desagradavelmente. — eu disse orgulhoso. — É verdade que sua mãe venceu Lady Natasha sem ajuda de ninguém? — Magda interrompeu. — Portanto. Esta ideia me fez pressionar os dentes. Ele é o que. — disse rapidamente. Nada disso teria acontecido se Isabeau não tivesse chegado. — disse Isabeau. Eu não tinha ideia de como recuperar esse território perdido. Montmartre queria. — Não é a mesma coisa. E a coroa era tudo o que.

— ela explicou. — Shhh. como crianças. — Essa mão impressa é a marca de uma Shamanka antiga. E aqui. representam as treze luas cheias em um ano. — Isto é porque os membros da família Real nos roubaram as cavernas. o cheiro dos ramos de cedro sob nossos pés. ver a dança de luz das antigas tochas.90 de sua voz e a maneira em que seu cabelo negro engolia a luz oscilante das velas. — Oh. — ela sinalizou o desenho de tal forma que eu pude ver claramente. um verdadeiro sorriso surpreso. estas linhas. pude somente distinguir a impressão de uma mão. — Isabeau acrescentou suavemente. Difícil de acreditar. — Hey. — É uma historia Cwn Mamau sagrada. Devo ter feito algum tipo de som enquanto olhava os arredores. Aparentemente. Logan. A cor era tão fraca que eu nunca a teria notado. Ela deu meia volta e notei que ela sorria. como se estivéssemos discutindo por bobagens. a umidade pegajosa e o mofo. — É mais antiga do que qualquer coisa que jamais tenha visto. como se não estivesse acostumada a ele. mas aparentemente Isabeau tinha gostado de todo o assunto de meu desastroso flerte. o peso de pedra pressionando em todo nosso redor. não é? 43 Isto é magnífico em francês. — Magda sentiu a necessidade de somar. . ver as fracas linhas se solidificando. — senti a necessidade de me defender. Então eu percebi que as pontas de seus dedos estavam tremulando sobre a pintura de um ocre vermelho desbotado. porque ela sorriu com um sorriso torto outra vez. — Você os vê agora. Não podem sentir? Senti a qualidade do silêncio. — O que é isso? — perguntei. c’est magnifique43. E se me concentrasse. deixando-me tenso. Uma onda leve de vertigem me pegou. — Este é um lugar sagrado. os vestígios muito fracos de uma espécie de incenso. Portanto. que praticamente iam conosco pela parede. ela gostava das paredes da caverna. eu só sou parte da Realeza há uma semana.

que levantou os cabelos na parte de trás do meu pescoço. — explicou Isabeau em um sussurro reverente. Tudo aconteceu tão rápido. Tirava a tintura de ocre vermelho de uma taça de argila e a imprimiu nas paredes. cristais e garras de cachorros. . — Eu só tenho que encontrar o fio da história desta Shamanka. feita com manchas vermelhas. tão simples e primitiva como era. e um que parecia um lobo. Havia vampiros com sangue em seus queixos e uma lua vermelha no alto. mas eu não pude ver ninguém mais do que meia dúzia de cachorros peludos gigantes aos seus pés. Parecia da mesma idade de Solange. O cachorro ocre pintado de baixo grunhia. — Sim. A fumaça do incenso se elevava de um monte de pedras brancas. mas com várias e longas tranças loiras. Tinha cachorros que pareciam como se respirassem e se moviam ligeiramente. uma jarra de sangue. — Olhem. — Vocês fazem isso? — perguntei atordoado. símbolos em seu rosto e braços com uma espécie de tinta azul. a energia que ela deixou presa nesta pintura. Também havia um coração humano.91 Concordei. — Isabeau respondeu. exceto por uma marca irregular de luz vermelha na borda do teto baixo. Enquanto Magda bufava. — Os Hound da Mãe Havia uma percepção religiosa na obra de arte. Usava um colar que era feito com ossos. grávida de filhotinhos que se contorciam. — ela sinalizou o contorno da mão impressa. — Esta é sua marca. Os cachorros pintados levantaram suas gargantas ao mesmo tempo e deixaram sair um lamentoso uivo. no canto traseiro. voltando a desfrutar das pinturas rochosas e a historia que contavam. — Então eu não estou louco? — Não. como se o vento agitasse seus pelos. Uma mulher. — Isabeau nos incitou. que assumi ser a Shamanka. — ela respondeu. Cantava enquanto o fazia. — Mas como? — É muito simples para uma serviçal. — Cwn Mamau. até que as pinturas terminaram abruptamente. E depois tudo ficou escuro. brilhou fracamente à nossa vista. uma mulher com uma barriga enorme.

para a luz vermelha. Era pulsante. sem deixar de olhar para cima. Ela roçou a luz com aponta de sua espada. — Um aviso. uma abertura estreita na parede. mesmo não tendo ideia alguma de onde estava o perigo. — disse distraidamente. — Eu não disse que não acredito nisso. Tentei dar um passo diante de Isabeau para protegê-la. — É um feitiço pronto. — Isso não soa bem. O sentimento santo dentro da caverna se fez em pedaços em um instante. — É que eu simplesmente não esperava tantas malditas provas. — Você pode comprá-lo de qualquer bruxa ou feiticeira. O que é que estava oculto? — Uma pergunta muito boa. como se não quisesse tocar. Ela negou com a cabeça. tenha cuidado. — eu nem sequer gostava da percepção da luz em meu rosto. — respondi. pegando uma vela e colocando-a . — murmurei. — Que diabo é isso? — perguntei. — ela disse encolhendo os ombros.92 Isabeau desembainhou sua espada. Retrocedi um passo. — Feitiço oculto? — repeti. — Eu nunca os compreenderei. — ela respondeu. Tinha algo de ameaçador nela. Tratei de alcançar minha adaga. — Quando me conectei com a energia deste lugar rompi algum tipo de feitiço oculto. Fiquei ao seu lado. — Eu te atravessarei com minha espada. Não antes de fazer brilhar. — Magda disse enquanto Isabeau se aproximava. Charlemagne grunhiu uma vez. baixando sua espada lentamente. como uma tocha em uma tempestade de vento. Uma grande rocha do tamanho de uma melancia caiu no chão de uma tacada de pó. — Filho da puta. como um dente quebrado. — Então. — disse. — Bruxas ou feiticeiras. Houve um som de gemido e uma pedra solta. — Vampiros que não acreditam na magia. Ela chutou meu tendão de Aquiles e eu xinguei. então outro e depois outro. A estranha luz vermelha saiu. intermitentemente. — murmurei. apesar dela assobiar para mim. — Esqueço que acordei em algum tipo de conto de Fadas. — Isabeau.

— Alguém está planejando uma visita não anunciada. — Isabeau concordou. — Parece que tem muitos planos. — Bom ponto. — cuspi. O túnel atrás da abertura era longo. até que tenhamos decidido o que fazer a respeito. soando relutantemente impressionada. — Não quero que saibam que encontramos sua passagem secreta. — Oh! — Magda disse. Os coletes não são baratos e eu já havia arruinado um ao correr pelo bosque. bloqueando o túnel novamente. — O que fazer? — Magda perguntou. — Ele está muito determinado. Não quis dar as costas para aquele túnel. no aniversário de Solange. mesmo sabendo que estava vazio. — Montmartre. — Temos que voltar. para que passassem através dela. . — disse Isabeau com seriedade. — disse.93 no interior da abertura. esperando na entrada regular. — A excursão terminou oficialmente. enquanto éramos perseguidos pelos caçadores de recompensas e desertores Hélios Ra. Levantei a enorme e redonda rocha e a empurrei em seu lugar. — respondi limpando as mãos para me desfazer do pó. escuro e recémfeito entre a pedra calcaria.

não esperava que ele funcionasse tão bem com um vampiro tão inexperiente como Logan. a minha voz cuidadosamente vaga. Empurrou os livros à distância. — Liam. Este trabalho é importante. Finn acenou para mim uma vez. Sinceramente. Uma lâmpada de óleo queimava sobre uma mesa. — Peço desculpas pelo evento infeliz com o Hypnos. — Como eu. obrigada. Sem mencionar a tentativa de decifrar o inesperado sonho com as pinturas rupestres. — Agradeço por livrar as nossas florestas dos Host e quebrar o feitiço contra a nossa filha. — ele adicionou sobriamente. Liam. — Devemos-lhe por isso. Guardas acenaram para nós quando passamos pela da entrada. e outros dois que eu não conhecia estavam à nossa espera na antecâmara de uma caverna cheia de estantes com portas de vidro para proteção contra a umidade inevitável. — cumprimentei. Helena levantou a cabeça das pilhas de papéis e livros à sua frente. — Agora podemos dispensar esta cortesia e começar? . Estava tentando manter minha compostura. Eu mal notei. — disse calorosamente. Finn. — Eu acredito que você dormiu bem? — Sim.94 Capítulo Dez Helena. Mesmo que o pesadelo de mais cedo estivesse circulando no meu cérebro de novo como corvos sobre um cadáver fresco. — Disponha. para ser a serva forte e confiável que Kala tinha me treinado para ser. Liam levantou-se quando entramos. mesmo que não me sentisse adequada para ele. — Isabeau. — Helena concordou.

incluindo Magda. Entendi que ela era muito direta para se preocupar com os jogos políticos. atrás das cavernas vazias do outro lado da sala de armas. — acrescentou. Liam. fiquei um pouco aliviada ao ouvi-la falar aquilo. protocolos e guardas hiperativos. — Amor. Logan sorriu. — Desculpe? — Teria gostado de ter perseguido um Host na noite passada. sua longa trança negra caindo atrás dela. — assegurei. — ela sacudiu a cabeça. — Espero que você não esteja ofendida. — ela se sentou em sua cadeira. Ela atirou-lhe um olhar arrependido. — Desculpe. — virou para mim. Ao invés disso estou cercada por tratados. Estávamos cansadas de jogos e política. — Mais um? Ele piscou para ela. teria assumido que pensava que Hounds não eram dignos do protocolo habitual. — Mãe. Estava começando a me perguntar se isso era parte da razão pela qual eu fora escolhida: não necessariamente por causa de quem eu era. Minha própria tinha sido mais interessada em rendas e dançar até o amanhecer. mãe. então você vai ter que fazer todo mundo simplesmente lidar com isso. mas por causa de quem era Helena Drake. — Estou com um pouco de inveja de você. — Logan disse a ela seriamente. Pisquei. nós encontramos um túnel secreto. Ela não parecia como qualquer mãe que eu já conheci. será aprimoramento da aliança. Seus olhos se estreitaram perigosamente. Qualquer outra pessoa. é verdade. — Muito novo. — Então não vai ser uma caçada. — Não há necessidade de insultar. Isabeau. — Vou sair esta noite para caçar. — Não acho que as Rainhas devam caçar.95 Liam olhou para ela com tristeza. — Há mais deles? . — Não. Fez-me de repente esperançosa sobre a aliança entre nossas tribos. — Nós ainda vamos fazer de você uma política. — disse Liam. — ela direcionou um sorriso seco em minha direção. Na verdade. — Então eu vou levar Isabeau comigo.

Eu e a menina loira fomos as únicas que observaram isso como se não achássemos que fosse totalmente normal. Bem. O resto dos irmãos Drake acompanharam. Kieran pigarreou. — Sente-se. — Nós podemos fazer um bom trabalho. Hart já concordou em trabalhar conosco. fora as velhas famílias do Conselho. Hunter concordou com a cabeça rígida. — respondeu ela. é claro. é claro. Hart era bonito. Procurei pelo frasco de pó Hypnos que eles prendiam dentro de suas mangas. — Ainda bem que você conseguiu vir. que tenhamos encontrado até agora. Tinha uma cicatriz em sua garganta. — ele disse secamente. Ela usava uma calça cargo preta e camisa que praticamente qualquer outro agente usava quando estava em missão. roubando a última gota de ar e do espaço deixado no quarto. Chamamos o Conselho. — Os Wild têm sido parte da Liga desde o século XI. vestido com uma simples camisa de abotoar cinza e jeans no lugar das camuflagens. Seus ombros eram pequenos. — Hart. Meus olhos saltariam da minha cabeça também se eu os deixasse. passeava com Kieran e uma menina com longos cabelos loiros. — Esta é Hunter Wild. Entretanto. a caçadora de vampiros era quem eu mais poderia me identificar nesse momento. Hunter olhou para eles fixamente. o segundo conjunto de presas ligeiramente salientes. e simplesmente desistir de matar vampiros? — Magda perguntou. Eles estarão aqui em dois dias. Ela foi para mais perto de mim. — Liam disse calmamente. De todos na sala. — Prefiro não ter o complexo inteiro caindo sobre nossas cabeças. e Magda. — O que. — Você conhece Kieran.96 — Dois. Este tipo de grupo se reunindo pacificamente era sem precedentes. mas não consegui encontrá-lo. — Se nos permitíssemos. — Vou cuidar disso. De repente. o líder da Helios-Ra. — Liam cumprimentou o outro homem com um amável aperto de mão. — apontou para a loira. a mão pairando sobre uma estaca no cinto. — Como vai você? — Liam murmurou calmamente. Hart. os olhos arregalados. — E você acredita nele? . o quarto parecia demasiado pequeno e restritivo. — disse ele. empurrando-a em uma cadeira ao lado dele. — falou em seu telefone celular em um discreto sussurro e logo um dos guardas abriu a porta. — Seu pai não vai deixa-me enchê-los com dinamite.

os Hounds se aliariam a nós? 44Os Hel-Blar são pessoas de pele azul. afinal. eu faria. Algo os tem posto em corajosa execução. — Querida. — Nós quase fizemos na semana passada. — Não acho que ele poderia controlá-los. — Podemos parar Montmartre. Acho que estamos de acordo que eles precisam ser caçados. — Mas me diga a verdade. Magda assobiou. Temos um inimigo comum. — Hel-Blar ou não. — Helena respondeu sombriamente. Não tinha pensado que Helios-Ra estavam particularmente interessados na política dos vampiros. precisamos cuidar disso. . — Concordo. Não é essa a verdadeira razão para sua existência? — Não sabemos. — Eu realmente gostaria de alimentá-lo com seu próprio. — Só que um pouco mais mortais. Isabeau.. — Montmartre? — eu perguntei. Era muito fácil para os Hounds lembrar que poderiam ter sido como eles.. — Estamos recebendo relatos preocupantes durante toda a noite também. — Bem. — Estamos todos aprendendo que um pouco de discrição é tudo. Magda concordou com relutância. mas por um pouco de sorte e um pouco de fortaleza interior escondida.. Daí as pessoas acharem que pintaram suas peles. — Helena me disse.. — Não. Ele não é invulnerável. — Essa é a melhor coisa que alguém disse para mim a noite toda. Ela não tinha amor pelo Hel-Blar.97 Hart meio que sorriu. — eu disse-lhes com confiança. — Liam a parou suavemente. Ele balançou a cabeça. — insistiu ela. — Finn concordou. o Hel-Blar. nenhum de nós tinha. — Montmartre está por trás disso? — Hunter perguntou. — Os Hel-Blar estão de repente por toda parte. — Helena disse. — Eles são como baratas. Nós nunca interceptamos tantas chamadas para a polícia sobre pessoas estranhas usando tinta azul44.

— Finn murmurou. — Você acha que nossas Tribos seriam capazes de formar uma aliança? — Liam perguntou. — Ela nunca viu Hounds. Acho que você entende isso. dada a sua história. — Alguns Hounds nunca concordarão em trabalhar com vocês. Olhei para ele. Kieran ficou vermelho. — disse. isso é tranquilizador. Eu não preciso de mais. — disse eu delicadamente. — Há muitas superstições e rituais que são especiais ao nosso povo. — Na verdade. Acreditava que eles eram de confiança. — Pelo menos ela não me cumprimentou com um rosto cheio de pó Hypnos. Helena levantou uma sobrancelha. você está sendo rude.98 — Todos nós queremos parar os Hel-Blar. — Você pode tentar salientar esse ponto tão frequentemente quanto você queira quando se trata dos Hounds. — apesar da minha desconfiança natural em relação aos Tribunais Reais e aos não Hounds em geral. — Magda concordou fervorosamente. porque vocês não foram iniciados. Hunter estava olhando para Magda e para mim tão atentamente que Kieran a reprendeu. — Desculpe. . — disse nos Kieran. — Eu acho que sim. — Não cederemos à Montmartre ou qualquer outra pessoa. eu realmente gostei do Drake. — Eu posso falar por mim mesma. — ela murmurou. mesmo que eu não tivesse nenhuma prova real dela. — Bem. — Hunter disse a ele. mas eles não vão contra Kala também. a não ser a nossa Shamanka como a nossa líder legítima. — Tenho bastantes vampiros. — lhe assegurei. — Uma que reconheça a autonomia de todos. Era algo que sentia. Eles estão bastante empenhados no direito de governar a si mesmos. — E depois que ele for parado? — Os Hounds não reconheceram ninguém. — Nunca faremos parte dos tribunais. — E Montmartre.

— ele lhe disse antes de seguir Sebastian. certo? — Hunter apontou. — Quinn falou para Hunter. Logan e Magda me seguiram. — Podemos comparar anotações e continuar daqui. Estávamos caminhando para fora quando fiz uma pausa. — Liam sugeriu para o resto de nós. — Finn se levantou. Era estranho não ir com ele. mas eu sabia que era mais necessária aqui. — Vamos lá. Sebastian saiu pela porta sem dizer uma palavra. está no limite da cidade. — Ela lhe pegou nessa. Liam acenou para Sebastian.99 Quinn sorriu abertamente. temos um certo conhecimento neste assunto que ninguém mais tem. — eu sussurrei. — Mas você não é um Hound. Ele olhou para o display. Liam amaldiçoou. Estava acostumada a cavernas escuras e isolada. . — Crianças. Eles estavam quentes e vibrando ligeiramente. — Algo está errado. Além disso. Aproveitei a oportunidade para deixar a pequena sala. descansando em sua cadeira. Toquei com meus dedos o amontoado de amuletos na minha garganta. — Vamos voltar a nos reunir em meia hora. — Não. como se eu tivesse um plano. tenho que atender isso. mas eu vivo com eles há quase 400 anos. Buffy. franzindo a testa. — sua mandíbula se contraiu. Hart falando. metade acentuadamente. — Quando? — ele olhou para Liam. — Você não tem tatuagens ou qualquer coisa. honestamente confusa. — Devemos começar a trabalhar juntos imediatamente. metade com carinho. — Desculpe-me. como se eles sentissem um tremor de terra que ninguém mais sentia. mas as nossas não eram cheias até a borda com pessoas. — garantiu-lhe Hart. — Vou te dar um tour. — Eu vou também. — Leve um guarda e veja se você consegue ajudar. O telefone celular de Hart vibrou discretamente. — Temos implantado uma unidade. — disse Helena. — Outro HelBlar a vista. por muito que pudesse preferir correr e bater em alguns Hel-Blar.

— eu disse. Olhei para cima para ver a expressão selvagem de Magda. — Kala está machucada. O dente wolfhound coberto com prata e pintado com um corante azul feito da planta woad45 quebrou ao meio. — ele falou para um dos guardas na entrada. Pensei que vocês gostassem de cães. Gelei. Sua Shamanka foi ferida. Mesmo que não precisasse dele. Os cortesões sussurraram um ao outro quando corríamos por eles para o outro lado do salão decorado. — Tenho que ir.100 Eu e Magda estendemos a mão para os nossos telefones. Eu e Magda já estávamos na descida da encosta. Não tinha tempo para discutir com ele e estava estranhamente consolada pelo fato de que ele viesse comigo. . Não me incomodei em atender o meu. — disse a Logan. Algo caiu do bolso de Logan quando nos alcançou. — eu continuei quando ele apenas olhou para mim. Ele pegou perplexo. as unhas enroladas dentro. — ela confirmou. — Um raro feitiço CWN Mamau. pegando os amuletos e enfiando-os em meus bolsos. — Isso é um encanto de morte. — Diga a meus pais que estamos indo para os Hounds. deixando-a cair no chão. Senti-me estranhamente entorpecida. Foi muito usada na época medieval para tintura de roupas. Se ela fosse um gato. que tocaram exatamente no mesmo momento. E não discuti. A corrente de meu amuleto quebrou e espalhou os pingentes pelos tapetes. — Isso é nojento. — Vou com vocês. Logan pegou o casaco pendurado em um cabideiro. Woad eventualmente foi substituído pelo anil mais forte e então por anil sintéticos. — Estaremos de volta para a Coroação. Foi envolto em fio preto e espinhos de rosa sem flores. — É a pata de um cão. — O que é esta coisa? Ele estava segurando a pata de um cão cinzento. — ela silvou. Também usada pelos Pictus para colorirem a pele. sua pele teria levantada em linha reta para o ar. 45Planta que possui um pigmento azul. — Os Host atacaram nossas cavernas. Charlemagne estava ao meu lado antes de eu falar o comando. — ele disse muito claramente.

101 — Ele não foi morto por causa de seu pé. continua sendo nojento. — Sim. — Quando os nossos cães morrem de causas naturais. — Essa é a minha marca pessoal. os usamos no emprego de feitiços. — E vê isso? — eu apontei um disco de osso liso pintado com um wolfhound e uma flor-de-lis azul. . após os ritos de sepultamento. — eu expliquei — Ou em um ataque. — disse a ele. Alguém está tentando me culpar. — murmurou ele.

Ela nunca o havia visto assim antes. Até seu cabelo estava preso para trás em um complicado redemoinho sem um só enfeite de pérolas ou algum grampo de diamantes. seu rosto estava sem empoar. nem Versalles. Ela o havia visto lutar em um duelo uma vez. eu não entendo. com um gorro de pano. quando se supunha que ela deveria estar dormindo em sua cama. Ela estremeceu novamente. — Porque tenho que usar este vestido horroroso? Ele me pinica. Sua mãe estava sentada chorando no canto. Isabeau nunca a tinha visto tão simples e comum antes. certo? — sussurrou. — disse em voz baixa. nem os lobos uivando no bosque. Ele lançou-lhe um olhar. — Chouette. — o vestido em questão era de lã cinza sem um pingo de enfeite. Seu cabelo estava perdendo seus cachos. já não é seguro. — O que você sabe. com a coluna reta. — Trata-se do Rei.102 Capítulo Onze Paris. chouette? — Que o povo tomou a Bastilha e que Paris já não é segura. Não tinha parado de chorar por dias. empurrando outra rodela de queijo no saco de couro que tinha diante dele. agrupados junto ao fogo da lareira. — respondeu Jean Paul. Nada o assustava. estava na porta. — Isabeau suplicou. Agora ele parecia desfigurado e cansado e quase cinza de tristeza. Usava um vestido de lã marrom e seu cabelo estava penteado para trás. Sua velha babá Martine. . nem sequer as enormes aranhas que entraram no Castelo justo no inverno. 1793 — Papai. — Não se trata apenas de Paris. Ela podia ser confundida com uma empregada ou uma garota do povo. Eles estavam na cozinha. Isabeau estremeceu.

— Mas você não fala com ele há anos. Criarão a guilhotina como uma forca permanente. Não há tempo.103 — Eles ganharam força e número. — ela entendia perfeitamente. — Mataram o Rei? — Você sabe o que isso significa Isabeau? Ela negou com a cabeça. Sua mãe jogou-se no chão. . — Inglaterra? — repetiu. Ela o olhou surpresa. — mais sons de vidros quebrados e alguma coisa dura tinha sido jogada. — Remova-a e enfie-se dentro. — Isabeau. Fechou o cinto com força. — Merde46. — seus olhos estavam decididos. — Oui. eu preciso que você se esconda. Vá com Martine. pelos campos de lavanda. Faz frio agora. — Aonde nós vamos? — Vamos para a casa de meu irmão em Londres. E o Rei foi executado ontem. Virou-se para o som. seu coração batendo tão rápido que revirou seu estômago. leve sua mãe. Ela foi interrompida pelo som de vidros quebrados vindo da parte frontal do Castelo. contra a porta fechada. suas mãos cruzadas sobre a boca trêmula. — Isso significa que nenhum de nós está a salvo. Tinha dezesseis anos e estava mais bem preparada para proteger sua frágil mãe. Ao bosque. A França já não tem realeza agora. Sua mãe chorou mais fortemente. Seu pai ficou rígido. profundos quando encontraram os dela. — Aqui. Ouviam gritos. — envolveu um grosso manto sobre os ombros dela. em silêncio. A passagem às levará para fora. mantenha isto. Lembra-se da pedra quebrada que eu te mostrei? Isabeau assentiu. afogandose em soluços. — Entendeu Isabeau? Obrigou-se a olhá-lo. com voz fraca. papai. — Então vá! Vá agora! 46Merde: Francês que significa Merda.

— Je vous en prie48. por favor! — rogou a sua esposa. — Amandine gritou. non! Todos nós sairemos! — Isabeau lutava para convencêlo. — O Duque! — uma mulher de cabelo cinza gritou. mas sua esposa estava louca de medo e não se moveria. — Martine puxou sua mão com força. A geada de Janeiro cobriu os campos e as hortas. uivou com a fome e a frustração. — Vem. antes que ela pudesse resistir. — Por favor. A porta estilhaçouse com um forte e agudo rangido. mesmo quando sua mãe caiu completamente inerte em seus braços. — Pegue Isabeau. As chamas de uma tocha pularam em uma toalha de mesa que o aceitou de forma instantânea. Ela estava tão magra. em busca de alimento. amassando os arbustos secos enquanto rolavam para as sombras da parede de pedra decorada. 47Cherie: Querida. Os candelabros de ouro no corredor poderiam ter comprado alimentos por um inverno para uma família inteira. derrubou os quadros da parede. Alguém gritou. — Temos que ir. — Papai.104 — Não. O rosto de Martine parecia assustado enquanto agarrava o ombro de Isabeau. Mas não importava se tinham dinheiro suficiente para comprar ou não. Jean Paul tentou sair do agarre de Amandine. Os irritados aldeões entraram como furações na cozinha. deixando alguns outros para quebrar e saquear o que pudessem. — Cherie47. — o ruído de passos ia se aproximando deles. você tem que ir. devido ao mal tempo e a agitação política. A multidão gritou. Ele não a deixaria salvá-lo e ele não podia arriscar sua filha. Nem todos poderiam escapar. Não havia tempo. O cheiro de tecido queimado misturou-se com óleo de pinheiro em chamas. Caíram no manjericão. Lançou um olhar desesperado a Martine. que ecoou por todo o Castelo. não havia mais opções. Martine empurrou Isabeau para trás e se encaminhou para o escuro jardim da cozinha antes do amanhecer. mais como animal do que humano. as colheitas do Verão tinham sido mais fracas do que o habitual. seriam perseguidos pelo campo até serem encontrados. suas costelas eram visíveis por debaixo do vestido rasgado. empurrá-la aos cuidados de Isabeau. agarrando seu braço com tanta força que o tecido de sua camisa rasgou sob suas frenéticas unhas. A multidão estava quase sobre eles. .

mas era melhor do que estarem expostas em uma noite de Janeiro. Isabeau. A multidão os arrastou até um caminhão de fazenda e os prendeu pelos lados. sabia que ele podia senti-la ali na árvore. 48 Je vous en prie: Por favor. o rasgar das mãos através dos barris de carne salgada e cestas de maçãs frescas. Isabeau não podia suportar a ideia de deixá-la para trás. e os xingamentos de seu pai. — disse Isabeau através das lágrimas que obstruíam sua garganta. até que ouviu Martine roncar novamente. Isabeau esperou até que Martine estivesse adormecida antes de escapar. negando-se a procurar por sua filha para não delatá-la. Luzes de tochas brilhavam da janela da cozinha. suficiente apenas para esquentar seus pés em suas botas caseiras. era uma armadilha mortal. — Non. da copa alta de uma árvore de carvalho. Isabeau sabia que ela tinha razão. Martine segurou-se no tronco ao seu lado. com urgência. como um gato aterrorizado. O pai de Isabeau olhou para frente. — Temos que ajudá-los. Martine se aproveitou dessa pausa para arrastá-la até a beira do bosque. Ela estava tremendo. — Vou para Paris. — mas ela podia ouvir os gritos. assim como mais tecidos queimavam pelo fogo. com o rosto banhado em lágrimas silenciosas. Ela podia ouvir os estranhos gemidos de sua mãe. Isabeau levou os joelhos até o peito e deixou cair um grosso casaco ao seu redor como uma tenda. — Martine disse em voz baixa. . Viu seus pais.105 — Meus pais. — Isabeau jurou. as linhas ao redor dos olhos mais profundas. de alguma forma. enquanto lutava para protegê-la. — E vou encontrar uma maneira de salvá-los. — É tarde demais para eles. Fechou os olhos e fingiu estar à margem. e a cinza em seu cabelo parecia mais aparente. as tábuas de madeira estavam separadas sob o vento e não havia neve nos cantos. ligeiramente. Haviam encontrado um refúgio em uma fazenda abandonada. prendendo sua boca com uma das mãos para não gritar. — Seu pai nunca nos perdoaria se você não ficar em segurança. A fumaça saía pela porta aberta. Fizeram uma pequena fogueira. mas também não podia deixar que sua babá fosse com ela para Paris.

Satisfeita de que sua babá não havia acordado. ou se hospedar com um aldeão. O matrimonio era o mais distante na mente de alguém. A noite estava especialmente escura. Seus olhos estavam ásperos e inchados. Ela caminhou tão rápido quanto seus pés frios permitiram. seu estômago estava em chamas pelo nervoso. pela estrada. e estava convencida de que . Era gordinha. mas no fundo sabia que estava fazendo a coisa certa.106 Mas não havia modo possível de que ela pudesse ir para outro lugar. O Rei estava morto. agitando a resto da fogueira. antes que lhe fosse ainda mais difícil. o melhor seria que ela se fosse agora mesmo. Talvez alguém se casasse com ela. E tinha certeza que Martine tentaria detê-la. Caminhou a noite toda e não parou até o amanhecer filtrar-se através das nuvens. Seus pais tinham sido presos e arrastados. Isabeau fechou a porta rapidamente e esperou. ou melhor. Isabeau deslizou para fora da cabana. condenados por crimes monárquicos e logo seriam executados. tropeçando nos galhos. Deveria ter sido trabalho de Isabeau encontrar uma nova colocação para sua babá. Martine gemeu e se moveu desconfortável. Neste momento. uma nova família para morar. Poderia ir para a Inglaterra ou Espanha. Tinha que defendê-los. Maria Antonieta está presa e a maior parte da aristocracia tinha sido assassinada ou havia fugido para fazer molhos cremosos e pastéis para os ingleses. bonita e dedicada. engenhosa e faria tudo o que tinha que fazer. Isabeau tinha dezesseis anos e ela era inteligente. Martine precisava mais do que ela. estavam na rua. ouvindo o som da voz de Martine. fazendo uma careta ante o vento frio que entrava no interior. em qualquer lugar. Ela abriu a porta. Nada disso era provável agora. Deixou a maioria das moedas que seu pai havia costurado em seu casaco para Martine. mantendo-se a beira do bosque. ficando apenas com o suficiente para ir para a cidade. pedir a seus pais que a mantivessem com ela até que se casasse e tivesse seus próprios filhos. Estava sozinha no silêncio gelado com apenas uma capa de neve como companhia. e merecia ser amada e protegida da mesma forma em que havia cuidado de Isabeau durante toda a vida. pressionando-se contra o outro lado. sem lua para iluminar seu caminho. Portanto. Seus pés e suas panturrilhas doíam. Encontraria seus pais e depois encontraria um barco para levá-los a alguma parte.

Apenas os radicais. . onde tudo era de pedra com tetos cinza sob a luz do sol de inverno. Hoje só existem os jardins. torres altas e de pedra cor manteiga. as Tuileries49. Colocou o capuz sobre seu cabelo e baixou os olhos. enquanto as mulheres com flores cobriam seus gorros nas esquinas conversando. tendo cuidado de não chamar atenção de ninguém. e que só podiam fazer dela um objetivo. Pequenas casas aglomeradas deram espaço aos edifícios. cuja construção começou em 1564 sob o impulso de Catarina de Médicis. muito forte ou muito suave. tudo era muito brilhante ou muito opaco. O rio Sena ondulava através da cidade. Sua cabeça nadava e sentia-se como se estivesse com febre. mantendo-se entre as árvores. A água agitava-se sob uma grossa camada de gelo quebrado. muito obviamente aristocrático. com um propósito. para depois passar à periferia da cidade. mais a frente. Parou o tempo suficiente para comprar comida e um copo de café forte. Os homens acotovelando-se em grupos consumiam café e distribuíam panfletos. pois o palácio foi demolido após um incêndio. onde uma vez o Rei havia vivido. Quanto mais próxima estava de Paris. 49O Palácio das Tulherias (em francês Palais des Tuileries) foi um palácio parisiense. Esfregou as mãos para esquentá-las. especialmente com as pessoas que fugiam para o campo. para assim se fortalecer. num local ocupado anteriormente por uma fábrica de telhas (tuiles). Continuou caminhando com a dor. reduziram-se a irregulares arbustos e logo em campos. mas sabia que seu sotaque era muito culto.107 nunca recuperaria a sensibilidade na ponta do nariz. Encolheu-se em seu casaco. antes que cortassem sua cabeça. Isabeau podia cheirar a fumaça persistente e viu montes de lixo queimados nos distúrbios e nas lutas que se apoderaram das ruas durante a noite. Seus rostos estavam sérios. Tinha caminhado durante três dias com muito pouco sono e apenas água do córrego congelado. mais obstruído o caminho se tornava. Ela tinha ouvido seu pai falar de mais e mais. especialmente no outono passado. Escondeuse entre os arbustos quando ouviu o som das rodas de um coche. Com o tempo. Obrigou-se a ficar em pé e seguiu o rio. pelo vento frio e com seu estômago vazio e roncando. tentando não olhar para todos e tudo. não confiaria em ninguém para pedir um lugar na parte de trás de um coche. os aventureiros e os loucos se dirigiam para a cidade nestes dias. Ela podia se misturar com seu casaco de lã e vestido cinza. quando muitos haviam sido massacrados. que ela derretia e bebia.

sombriamente. — Se você for depressa. Lembrou-se que passou pela casa de opera em sua carruagem e também da neve que caia nas ruas. cidadã. Uma delas cuspiu na sarjeta. Ela podia andar em círculos e nunca encontrar o caminho. 51Robespierre: Foi um político Francês (apelidado de “O Incorruptível” por sua dedicação a Revolução e por sua resistência aos subornos. 52N. — Perdão.) e um dos mais importantes lideres da Revolução Francesa. senhora? Uma das mulheres virou a cabeça para olhar-lhe raivosamente. Seus pais não tinham ido à casa de Paris desde o Natal. não é? Isabeau deu um passo para trás. embaixo de um poste apagado. de uma forma pouco amável. Poderia me dizer como se encontra A Praça da Concórdia? A mulher concordou com a cabeça. — está visitando Louisette50. — corrigiu ela.108 Ela tinha ouvido falar que a guilhotina havia sido estabelecida em uma das praças da cidade. quando tinha onze anos. eu sou. Finalmente percebeu que a multidão parecia ir para a mesma direção.T: É uma expressão. — Você não é daqui. A mulher negou com a cabeça. Isabeau se corrigiu. como quando dizem: Prenderam um peixe gordo. certo? — Oh! Hm. — Perdão. Prestando atenção nas duas senhoras que se aproximavam lentamente. 50Louisette: Rua próxima a Praça da Concórdia. Só tem que seguir a multidão e o barulho. — Cidadã. — Obrigada. pegará a última execução. — Sim. Robespierre51 prendeu um Duque e uma Duquesa muito gordos52. faz referência ao fato de que eram pessoas muito importantes. — Por esta rua. sim. perguntando-se se devia colocar-se rapidamente em segurança no labirinto de vielas. — sua companheira assentiu presunçosamente. mas não sabia onde estava. Parou atrás de um grupo de mulheres com as mãos apertadas. vire à direita. .

moleques. Levantouse. e nem sequer tentou deter o choque de sua cabeça contra o pavimento frio. trombadinhas e prostitutas com bochechas vermelhas. a madeira do estrado estava manchada com o mesmo. a distância perfeita e exata. No justo momento em que a lamina caiu pela segunda vez. parando boca a boca com a cabeça de sua mãe. Os gritos de Isabeau foram afogados pelos expectadores entusiasmados. Na parte da frente. fazendo pouco caso dos pés que pisava e nos xingamentos que jogavam em seu caminho. Todos os edifícios pareciam iguais. dirigindo-se para o cercado no centro da praça. Em seguida correu novamente. havia mulheres tecendo. Tinha guardas com baionetas. Ela chegou ao momento em que a guilhotina caiu. bebês. sentadas em frente a uma grande cesta. estava a guilhotina. Gritou até ficar rouca e sentiu a queda. . olhando freneticamente ao redor. Lançou-se a correr. A cabeça de seu pai rolou até a grande cesta. as mesmas pedras e grandes janelas colunas e calçadas. a lâmina brilhante sob o sol. Nunca tinha visto tanta gente em sua vida. com tantos corpos e tochas acesas em fogareiros. para onde rodavam as cabeças. A pressão do barulho fez-lhe ter náuseas. desta vez mais forte. fixada alta e estranha. escorregou e caiu contra o pilar de um grande edifício. Era quente. O burburinho ecoou. Sentavam-se muito próximas. Isabeau podia ouvir suas agulhas batendo enquanto tentava se empurrar no meio delas. Ouviu um clamor de varias ruas mais. Lutou contra a parede de pessoas. A terra parecia tremer com todo o barulho dos pés batendo no chão.109 O estomago de Isabeau caiu como uma pedra. Seus longos cabelos presos juntos. mesmo com os batimentos de seu pulso em seus ouvidos. Haviam descoberto há muito tempo. Respirou lenta e profundamente. Isabeau abriu caminho entre a multidão. Os paralelepípedos estavam escorregadios com o gelo. O sangue filtrava através do vime. centenas de cidadãos e cidadãs. Houve uma pausa silenciosa e então mais gritos. o sangue as salpicava. se esquivando de mesas de café e latidos de cães e carros rodando lentamente pela rua.

Nunca tinha conhecido ninguém mais autossuficiente do que ela. Ainda me sentia estranho ao pensar em mim mesmo como alguém da Realeza. Sabia que ela nunca admitiria. Seu escudo havia se rompido e não podia esquecer o que havia conseguido descobrir sobre ela. Magda me deu um olhar assassino. irrompendo em território Hound. e não apenas porque eu era um Drake e da Realeza. o gancho direito de Quinn.110 Capítulo Doze Não ia deixar que Isabeau fosse sem mim. fique aqui. A última coisa que precisava era alguém nervoso como ela. o qual eu ignorei. com um rosto bonito e uma boca inteligente. Algo em mim. Alguém se materializou ao meu lado. . — eu lhe disse. Não me destacava particularmente. sua espada presa em suas costas. — E me matar. nem mesmo me importava que ela fosse voltar à Tribo que amava. — lembrei-lhe secamente. Mas eu não era estúpido. Ela parecia distante e fria. Não me importava desde quando ela conhecia Magda. não tinha habilidade com os computadores como Connor. alguma coisa reconheceu algo nela. — disse Isabeau. Eu era um dos muitos garotos Drake. deixando a garra de cachorro para trás. — Não fiz esse encanto. ou o dom de Marcus para os negócios. mas eu podia ver a tensão de preocupação sob seu delicado rosto. — Jen. estacas lotando a cinta de couro que se ajustava apertada entre seus peitos e havia adagas em seu cinturão. Ela estava armada até os dentes. correndo junto ao seu cachorro. E não havia dito uma frase barata quando lhe disse que sentia como se já nos conhecêssemos. tentando sujar meu nome. — Mas quero saber quem está desgraçadamente. — Posso assumir que você não está tentando me matar? — pergunteilhe enquanto corríamos. Sou apenas o que se veste melhor.

Suspirei irritado. — Muito bem. eu também não. — Mais ação. beirando os enormes carvalhos. Uma coruja piou em uma árvore. O bosque ficou em silêncio por causa da nossa aproximação. Ela não tinha ideia de quão linda estava. Cinco vampiros movendo-se rapidamente podiam silenciar até mesmo as cigarras. mas não impossível. — Isabeau nos disse novamente. logo as folhas mudariam de cor e cairiam. como um cometa. pelo amor de Deus! — Você é da Realeza. — disse teimosamente. . mas não voou. — rebati. sua pele pálida brilhava ligeiramente quando a luz da lua abria caminho através das grossas árvores.111 — Alguém tem que vigiar suas costas. — insisti irritado. — Eu vou ficar bem. sem ser convidado. Eu não sabia o que esperar nas cavernas dos Hounds. Podia cuidar de mim mesmo. ou um menininho. Ela estava correndo como um relâmpago pelo bosque. Eu tinha ouvido histórias sobre os selvagens Hounds desde que era pequeno. mesmo quando eles estavam em cavernas reservas e não na residência principal. — Mas vamos ser os convidados dos Hounds. que agora pensando bem. Eu não tinha certeza qual parte era mais estranha. mesmo sinistra e mortal como estava neste momento. — Contanto que eles não comecem nada. absolutamente. portanto não procure uma briga. — disse me seguindo pelo bosque escuro. Finn também. E provavelmente não deveria ver sua bunda tão detalhadamente. Isto tornava mais difícil permanecer sem ser detectado no bosque. — Eu juro. Agosto quase havia terminado. — Eu sou uma Guarda Real. inclusive aqui. Tenho dezoito anos. — Preciso que você jure. Não tinha tempo para encantá-la ou tirá-la de cima de mim. mas não podia me impedir. Seus olhos azuis brilharam. O vento era quente. já era tecnicamente um Hound. Ficamos perto da montanha. Isabeau tinha sido uma surpresa para todos nós. Ninguém tinha colocado os pés lá em quase um século. Ele tinha optado por aliar-se a eles e eles o haviam permitido. — Menos conversa. Não era como se eu fosse Solange com algum vampiro louco de amor vindo atrás de mim.

mas eu sabia por experiência própria. Deslizamos em torno de uma alameda de pequenos carvalhos em um reduzido espaço. meu cérebro. Eu não acho que esteja acostumada a elogios. Minhas narinas queimaram. E eu ainda não tinha intenção de dizê-lo. — Sangue. — Alguém ouviu isso? Isabeau assentiu gravemente. como se eu estivesse tentando estacar Isabeau quando ela não estivesse olhando. Era o mesmo de onde tínhamos observado ao Host ferido. que era o que eu realmente queria. Isso não podia ser uma coincidência. apesar de Magda tentar me bloquear. considerado um dos escritores mais versáteis e importantes do Romantismo. Apesar da situação.112 — Vocês cheiram algo? — Magda perguntou repentinamente. meu estômago queimou. Não sei o que dizia isso sobre que tipo de classe de pessoa eu havia me transformado que ela provavelmente poderia chutar meu traseiro se quisesse. Era uma habilidade básica de sobrevivência. mas eu podia muito bem começar a conseguir que ela se sentisse confortável com isso. Definitivamente sangue. Ter uma tia que havia dormido com Byron53 e insistido em que lêssemos todos os poetas românticos. dando na cara sobre coisas como esta. Minhas presas estenderam-se instintivamente. teria apodrecido. ouvindo um som como gelo em um copo. Tão logo ela deixasse de me olhar como se estivesse tentando descobrir alguma coisa. Movi-me para mais perto dela. Ela cheirou o ar como um gato desconfiado. Meus irmãos não me deixariam viver se soubessem que eu havia me apaixonado por uma princesa Hound depois de apenas uma noite. — acrescentei. sem sequer beijá-la. obviamente. Ela agia como se eu fosse uma ameaça. Que era ela. — E mais alguma coisa. que era dura como as lanças de ferro. Muito dele. 53Lord Byron: Foi um poeta inglês. Vi o brilho de reconhecimento no rosto de Isabeau. Ela podia parecer uma boneca de porcelana. porque eu tinha planejado elogiá-la e muito. Apenas ela. Você não sobreviveria a cinco irmãos mais velhos e uma mais nova. Sua expressão estava em branco. . Teria que encontrar uma forma mais agradável de lhe dizer isso. parando e franzindo o cenho. depois que Solange recebera o presente de Montmartre. Quase me queixei em voz alta. Como se eu pudesse e como se Isabeau não pudesse me deter.

Não havia corpos. — É uma armadilha. Isabeau virou-se fazendo um circulo lento sobre seu calcanhar. — Igual a uma jarra de água com açúcar para atrair as abelhas para longe da cozinha. O som que eu havia escutado era o tilintar do vidro tocando vidro quando a brisa agitava o macabro vento campestre. desde as garrafas de vinho verde até frascos de geleias. nenhum ser humano ou animal drenado. Cada uma delas. Apenas garrafas abertas por toda parte. engolindo um bocado. me forçando a retroceder. que de fato. A mão de Jen bateu em meu braço. pontilhada de flores silvestres. — Não está? — repeti. Havia dezenas delas. Eu nunca tinha visto nada igual. — disse por último. — disse. A lua a deixava tudo prateado. A grama alta era uniforme. Todos os nossos dentes estavam para fora agora. — disse. — ela alcançou sua espada justo quando Charlemagne rosnou com a parte de trás de sua garganta. Daria tudo para prová-lo. Franzi o cenho. — Uma armadilha para quem? Nós? — Oui. nenhum de nós sabia o que dizer. Todos nós congelamos. em espécie de espanto horrorizado em sua voz francesa. penduradas em cordas e arames nos galhos. sem sinais de luta. Fresco. — Cheira familiar. Estavam por toda parte. Hel-Blar. No inicio. — Poderia estar envenenado. — O que diabo é isto? — Jen murmurou. O cheiro de sangue era tão forte.113 Mas não tivemos tempo de falar dele. inclusive os antigos opalas afiados de Finn. Ela estava certa. Ela negou com a cabeça. sangue quente. como se estivesse molhado. mas não está envenenado. Eu dei um passo para perto de uma garrafa de suco. os dois de Isabeau. Nós teríamos que tê-los ouvido se não tivesse sido pelo ar saturado de sangue ao nosso redor. tive que tampar meu nariz até que me acostumasse a ele. Tinham um cheiro muito . estava cheio até a borda de sangue. Os músculos da parte de trás do meu pescoço estavam tensos.

Maldição. A primeira onda bateu forte. Isto foi apenas por . Sua pele azulada os fazia parecer machucados. A lua brilhava sobre sua espada e sobre o ferro na malha costurada no couro de sua túnica sobre seu coração. O sangue escorria por seus queixos. cuspindo como animais raivosos. Isto fez a minha mandíbula se apertar. — tratei de pegar uma de minhas adagas. Eu mostrei minhas presas. Ela bufou. mofo e fungos. E vinham até nós através das árvores como os rios de primavera correndo no mesmo lago. como besouros azuis mortais na fruta caída. pendendo nas flores. Podíamos ouvir os grunhidos e assobios. como se este cortasse ao redor deles. Eles as esvaziaram. Manter-se perto é sua única opção. Não havia parado para pegar uma espada. Não tinha sentido correr. — Alguém queria que eles nos atacassem. — Merda. Tinha pensado que uma adaga e um molho de estacas seriam suficientes. — Isabeau concordou. me fez compreender as velhas superstições sobre vampiros transformando-se em morcegos. afiada até a ponta como a ponta de uma agulha. — eu lhe disse. se tivesse que fazê-lo. E sua mordida era contagiosa. caindo atrás para proteger suas costas antes que os Hel-Blar chegassem até nós.114 característico: putrefação. O sangue não apenas estava nos tentando do modo em que estava. mas pelo menos a metade deles estava distraída com as garrafas balançando-se sobre nossas cabeças. Ela lançou-me um olhar. O desconcertante som que o ar fazia. — Eu tenho uma espada e você uma faca de manteiga. o que foi estupidez. Tinha toda intenção de arrancá-los do mesmo céu. — Fique perto. E então realmente não havia mais tempo para piadas geniosas. — disse aos demais. estava nos deixando loucos. meio surpresa e meio agradecida. Cada dente em sua boca era uma presa. Eu saltei próximo a ela. com uma voz como inverno nas planícies. se eles acreditavam que eu ia ser um pedaço de maça madura esperando para ser devorado. — Host. — Alguém sabia que viríamos por este caminho. — Quem atacou Kala deve ter planejado isso. engolindo freneticamente como se fossem garotos em uma festa de uma fraternidade. Realmente estupidez. já que não havia caminho claro na pradaria.

não seja um mártir.. como sal. mas éramos superados em número. Este ainda agarrava uma estaca longa encharcada em veneno. — Obrigado! — peguei-a sorrindo. Franchement54. — acrescentou em Francês. Matei um antes que ele pudesse se aproximar demais. Eu podia cheirá-lo. navegou pelo ar e aterrissou com um ruído seco. . — Jen gritou para mim por entre dentes. — Merda. Ela me jogou uma de suas espadas. O braço dele.. Uma garrafa vazia estalava sob suas botas. Depois. deixando uma queimadura em carne viva em seu trajeto. — Ameixas reais prontas para ser colhidas. mas perdi minha estaca na grama alta. Afastei-o com um chute. 54Franchement: Francamente. Ela ficou rígida e bloqueou o ataque de um guinchante Hel-Blar. Estava muito longe para que pudesse recuperar minha arma sem deixar Isabeau sem vigilância. Percebi pelo tom que isso não significava “amante carinhoso”. E os Hel-Blar tinham o frenesi da batalha como arte. Nós tínhamos a habilidade do nosso lado. ferro e óxido. — Presta atenção. foram apenas atraídos e manipulados sem saberem.115 um momento muito rápido e então todos eles queriam matar e não ser dissuadidos por garrafas de sangue de vaca. A luta foi rápida e selvagem. — disse um deles com desprezo. — Porra Logan!! — Isabeau gritou. Já me sentia melhor. Uma estaca roçou meu ombro esquerdo.. mesmo sendo um espadachim enferrujado. Então me joguei na luta. Mas eu tinha mais duas estacas. Isso era algo a se pensar. agora solto. — É esta a forma que vocês têm para decorar os arredores para suas festas luxuosas? Então eles não tinham sido enviados apesar de tudo. Ainda tinha um na mão e outra na cintura.. .

Mal tive tempo de me virar e o Hel-Blar que estava lutando com ela. Eu nem sequer podia parar para chorar por ela ou me odiar por ser a razão pela qual ela estava aqui em primeiro lugar. Eu poderia usar Levita e recitar poesia melhor do que as estatísticas esportivas. Mas Jen estava reduzida a cinzas. Uma Hel-Blar empurrou sua adaga para mim. usando a espada emprestada de Jen para arrancar sua cabeça para fora de seus ombros. empurrando através de sua caixa torácica. Magda estava mancando. Isabeau estava cansando. Jen estava perto. Neste momento o ensinamento de minha mãe era muito forte. 55Fada maligna que anuncia a morte da mitologia escocesa. segurando a si mesma sobre a espada roubada. A Hel-Blar mostrou as presas que brilhavam como agulhas. Poeira levantou-se diante dela e ela virou-se para o próximo. A adaga caiu. mas infinitesimalmente mais lento. Nós dois caímos no chão. E os Hel-Blar não faziam prisioneiros. Não íamos nos manter neste ritmo por muito mais tempo. . pegou suas pernas por debaixo e enterrou a ponta afiada de uma estaca em seu peito. Mais tarde. Eu lhe chutei.116 Jen havia despachado dois deles e Magda estava gritando com um como uma psicótica banshee55. Ela podia parecer como uma Fada das flores. me sentiria mal por tê-la matado. mais forte até do que as atenções cavalheirescas que o resto de minha família havia me incutido. Jen era a prova disso. quebrando seu pulso. ela gritou e então saltou por sobre minha cabeça. Uma garrafa soltou-se de sua corda e caiu sobre minha cabeça. em top de pétalas primaveris e roupa estampada com o brasão Drake. ainda mortal. com o cabelo sujo de sangue. eu podia ver o arco em seu braço da espada. Então apunhalei seu coração. Lutei fortemente até que me estabilizei o suficiente para conseguir liberar minha perna para me livrar dela. Saltei sobre meus pés. mas também tinha uma boa pontaria. mas sabia as regras: lute e sobreviva. Eu encaixei meu cotovelo debaixo de seu queixo e ela quase mordeu sua própria língua. esfaqueando com arrogância letal em cada golpe. O sangue escorreu para o chão. — Filho da puta! — gritei. A saliva caiu em meu pescoço.

Não eram exatamente estúpidos. Apenas alguns poucos ficaram para lutar contra os outros. — disse a Isabeau. até que o bosque tornou-se embaçado. — sussurrei-lhe de volta. Assegurei-me de que meu sangue pingasse por toda parte. apenas imbecis quando se tratava de se alimentar. pegando a espada de Jen debaixo de sua roupa vazia e derrubando sorrateiramente uma garrafa de sangue em minha camisa. — Então. Levantei meu braço. — O que você está fazendo? — Salvando seu lindo traseiro. — Sabiam que o sangue Real é mais doce? — levei a lâmina até o interior do meu antebraço. Pulando nas árvores talvez. Empurrei minhas pernas tão rápido quanto pude. — gritei para eles antes de me lançar dentro das sombras entre as árvores. — saí do circulo de segurança que eu. e eu sabia que esse era o final de um plano meio arquitetado. Portanto.117 — Temos que sair daqui. — Agora. famintos. Os Hel-Blar se moviam tão rápido que mal podia ouvir seus passos. O fedor de putrefação caía pesado no ar quente. impulsionados pela sede de sangue. Um maldito desperdício de sangue também. — Venham e me peguem. Quando estava certo . Ela deitaria no chão e seria estacada antes disso. longe de Isabeau e as cavernas da montanha. — Charlemagne não pode voar. — disse ela. me senti seguro de que eles podiam lidar. com manchas de cor verdes e pretas em ambos os lados. eu ia ter que me mover rápido. virando-se para me olhar. cuspindo um palavrão. Isabeau nunca deixaria seu cachorro. todos em Francês e todos vindos a plenos pulmões. — Muito bem — disse. Para que isso fosse uma missão de resgate e não uma missão suicida. Ouvi sua ladainha de xingamentos. Nos filmes ninguém mencionava quanto tinha que se cortar para abrir uma maldita ferida. com o que. Então sorri com meu sorriso mais arrogante para os Hel-Blar. Eu os ouvia deslizando como os insetos. Eram realmente bons na perseguição. o sangue pingando por meu cotovelo e respingando sobre o chão. A maioria dos HelBlar parou. A maioria dos Hel-Blar me seguiu. deixando um rastro que até um cachorro cego e sem olfato pudesse seguir. Isabeau e Magda havíamos formado. eu só teria que ser melhor em escapar. Isabeau sussurrou para mim. faremos de outra maneira.

o que significava que estava sarando. Olhei para baixo. no interesse da precisão. parando sob minha árvore. — Ele está aqui. cheirou o ar de uma forma surpreendentemente delicada. inclinei meu braço e apertei o interior contra meu bíceps para parar o fluxo de sangue. em busca de pele tingida de azul e dentes pontudos. seu rosto era ilegível. Um deles parou. ele chilreou e se transformou em cinzas. já era hora parar por aqui. Seu companheiro se virou e caiu também. Joguei a garrafa para um lado. Em troca. Provavelmente poderia saltar para baixo e cair sobre sua cabeça se calculasse corretamente. Eles não estavam tentando ser silenciosos desta vez. Movi-me até a árvore seguinte e seguinte e a seguinte. Uma estaca caiu na grama onde ele estava de pé. Seus dentes brilhando. Isabeau abriu passagem pelos arbustos. Depois fui em direção oposta. Desacelerei ligeiramente. — Não volte a fazer isso. dentro do verde escuro. Ela me olhou. . antes de encontrar um galho grande o suficiente para ter certa confiança. Pinhos e galhos rangiam sob seus pés.118 de que estavam distraídos pelo voo. Não queria deixar um rastro sem fim. Coloquei minhas mãos em minha espada e me movi ligeiramente. Ziguezagueando um pouco até que estive certo de que estava fora de vista de qualquer um de meus perseguidores e então subi em uma árvore de carvalho. derramando seu conteúdo sangrento. me assegurando que esta rolasse pela ribanceira. Havia pelo menos três Hel-Blar movendo-se através das altas samambaias. O corte já estava formigando bastante.

asseguro. Sua testa estava marcada pela preocupação. a principal estava guardada por dois Hound com rottweilers. como se vivessem em buracos e tocas na terra. Toda a sociedade vampírica havia murmurado sobre os Hound. o silêncio. — Kala!! — gritou. Foi bonito. como texugos. — explicou Isabeau. CWM Mamau. com tom cortante. uma cachoeira caindo em uma piscina de água azul leitosa. Embora não soubesse o que esperar. . Pegamos as escadas irregulares. o tipo que você encontra nas cavernas da Europa antiga. Isabeau praticamente saltou os últimos degraus.119 Capítulo Treze Nunca havia visto tantos cães em toda a minha vida. Dentro havia uma ampla abertura que conduzia à parte traseira e para várias portas esculpidas na rocha em ambos os lados. Os rottweilers pareciam mais felizes de me ver que os Hound. que foram esculpidas por um caminho sinuoso. não estava nos meus planos. que levantavam a cabeça quando passávamos. correndo para uma mulher que estava deitada sobre um leito de peles na piscina subterrânea. Eles riram de mim. — Lares particulares. À nossa direita. desceu algumas escadas e logo saltou por uma estranha pedra de borda. As pinturas de ocre vermelho de cães e pessoas com chifres sobressaiam sob as luzes das tochas. Mas esse tipo de caverna parecia saída do set do filme Senhor dos Anéis e encaixava com o apelido que eles mesmos haviam se colocado. mas em frente à Isabeau se inclinaram com respeito. As tochas e fogueiras mantinham a umidade longe e pegavam o brilho das ametistas e quartzo incrustados nas paredes como vaga-lumes piscando em um frasco. Alguns destes foram resguardados com portões de ferro negro. Havia entradas na caverna. Havia pelo menos duas dezenas de cães. Correu pelo corredor principal.

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Kala era a infame shamanka Hound que, conforme os rumores, tinha cães bruxos e poderes mágicos. Também era a coisa mais próxima que Isabeau tinha de uma Rainha, ou uma mãe. Possivelmente ambas as coisas. A anciã tinha um cabelo comprido branco preso em tranças e rastas; dele pendiam contas de ossos talhados de rosas e caveiras. Tinha tatuagens azuis com padrões espirais fortes que iam desde sua fronte esquerda através de seu braço e clavícula. Seus olhos eram tão pálidos que eram quase incolores. Havia sangue em seus dentes quando sorriu. — Isabeau. Os Hound saíram das grutas e rincões como mariposas que se convergem para uma chama, para nós. Mantive minha mão sobre minha espada pronta, mas não a desembalei. Tratei de dar um dos meus mais encantadores sorrisos. Nada. Troquei de posição para não empurrar Isabeau se tivesse que lutar. — Este é seu homem? — Kala sussurrou com voz rouca. Isabeau me lançou um olhar. — Este é Logan Drake. — disse. — Logan, ela é Kala. — Encantado em te conhecer. — meu treinamento era tal que poderia me inclinar para fazer uma reverência enquanto, ao mesmo tempo, manteria o controle sobre minha arma. Kala riu. Não havia outra palavra para descrevê-lo. — Eu te disse que os ossos não mentem nunca. — disse. Teria jurado que Isabeau ruborizou. Magda a olhou bruscamente e depois para mim. — O que? — perguntei. — Este não é o momento. — murmurou Isabeau. — E não é assim. Não sabia do que estava falando mas ante a dúvida, eu estaria de acordo com ela. Isabeau retirou uma mecha do rosto de Kala. — Onde você está ferida? O que aconteceu? Kala lhe afagou o braço. — Vou ficar bem. É apenas um pouco de sangue e meu tornozelo já está se restabelecendo. Não tinha que voltar.

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— Sim, tinha. — contestou Isabeau com firmeza. — Quem te fez isso? Host? Ela suspirou. — Sim. Fui colher cogumelos sagrados para o chá e eles me emboscaram. Se ela precisava de cogumelos, quase disse, ela bem que poderia ter conseguido o que queria enquanto vagava pelas ruas de Violet Hill à noite. Violet Hill não era nada se não um povoado hippie progressista. — Foi sozinha? — Isabeau franziu o cenho. — Devia ter levado alguém com você, Kala, você não é boa em uma luta. Surpreendeu-me ouvir isso. Já que presumi que a líder de uma feroz tribo seria mortal com todas as armas inimagináveis. — Apenas porque sou uma vampira não quer dizer que sou uma guerreira. — disse Kala para mim. Estava claro que tinha outros talentos, como ler a mente. — Reconheceu alguns deles? — perguntou Magda. Kala se endireitou, reacomodando-se contra a parte superior de um enorme cachorro negro de raça indeterminada. — Não, havia muitos deles. Suas auras eram estranhas e me distraíram. Os cães os afugentaram antes que pudesse conseguir uma boa olhada. Oh! Olá, garoto. — adicionou quando Charlemagne lambeu um lado de seu rosto. — Poderiam ter me estaqueado. Eles decidiram não fazê-lo. Isabeau sentou-se sobre os calcanhares. — Merda. — olhou meus olhos com preocupação. Tive que segurar o impulso de colocar minha mão sobre seu ombro para confortá-la. Provavelmente ela quebraria meu braço se o tentasse. Porra, e isso me fazia gostar dela ainda mais. Estava fodido por completo. — Se não queriam matar a Kala, então sua intenção foi criar uma distração. — Para nos tirar das cavernas reais e colocar-nos sobre a armadilha dos Hel-Blar. — Não gosto de ser uma marionete. — Isabeau disse sombriamente. — Não pensei gostasse. — lhe disse secamente. Ela se colocou de pé. — Está certa de que está bem? — perguntou Isabeau a Kala.

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Kala assentiu. — Vou ficar bem. — Então tenho que ir e pensar. — disse mais para si mesma, antes de partir, Charlemagne permaneceu a seu lado, como sempre. Magda ia segui-la, mas Kala a deteve. — Deixe-a. — disse ela, mas seu olhar se dirigia para mim. — Fedem a vaca. — murmurou Kala para nós. — Que diabos têm feito? — Caímos em uma armadilha. — disse Magda com amargura. Choramingando, virou-se para mim. — Por sua gente. Todos os Hound se voltaram para mim, mostrando os dentes. Eu estava dolorosamente ciente do meu único par de presas. Cerrei os olhos para Magda. Havia sido educado por ser amável com as garotas, mas ainda assim, tinha vontade de estapeá-la. Estava certo de que Byron ou Shelley56 o teria desejado também. — Não colocamos a maldita armadilha. — falei. — Porque dançaria uma valsa no meio de uma armadilha mortal se sabia que estava ali? — Não foi feita para você estar ali. — disse. — Sua família pode tê-la posto sem que você soubesse. — Os Drake não enviaram os Hel-Blar atrás de vocês. — enfureci-me, meu temperamento queimava. — Temos tratado-a com muita cortesia. E sou eu que estou marcado por algum tipo de feitiço assustador de Hounds. Era curioso como aquele agudo silêncio poderia ser descrito, como uma agulha raspando sua pele. Kala se levantou para se sentar em frente à uma grande pedra pintada com espirais triplos. — Qual feitiço garoto? — A pata do cão. — lhe disse. Estava começando a sentir verdadeira preocupação. Não tive muito tempo para pensar nele com o ataque dos HelBlar e no começo pensei que era apenas uma forma de me assustar. Mas estava esquecendo que essas coisas mágicas realmente poderiam funcionar. Não é nada agradável, na realidade. — O tem com você? — perguntou Kala. Seus olhos brilhavam
56Percy

Shelley: Foi um escritor, ensaísta e poeta romântico. Shelley é famoso por obras tais como Ozymandias, Ode to the West Wind, To a Skylark, e The Masque of Anarchy, que estão entre os poemas ingleses mais populares e aclamados pela crítica.

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intensamente, como o gelo se derretendo em uma lagoa na primavera. — Não. — Isso o fará mais difícil de quebrar, mas não impossível. Está certo de que estava dirigido para você? — Isabeau disse que sua marca estava nele. — Está acusando Isabeau? — Magda perguntou indignada. — Veja o que a lealdade significa para alguém da sua Família Real. — ela espetou. — Nunca acusei Isabeau. — gritei. — Eu nem sequer sabia que era sua marca até que ela me disse. Mas ela já estava balançando um punho sobre mim que quase colidiu contra mim. Aborrecido por ter sido pego de surpresa com meus reflexos lentos. Seu punho roçou meu ouvido, enquanto eu me virava tentando não lhe dar as costas. Não retribui seus socos, não podia, era uma garota embora uma louca descabelada. Mas a fiz tropeçar e me senti muito bem por isso. — Porra. Qual é seu problema agora? — lhe gritei. — Isabeau é muito boa para você! — ela gritou. — E você a levará para viver em sua Casa Real estúpida. Eu estava muito aturdido para me esquivar do próximo golpe. Mas apenas o senti. — Levar Isabeau para casa? — repeti. — Ela esqueceu-se de me dizer essa parte. — Como esqueceu que os ossos disseram que ia encontrar seu consorte dentro da Família Real. — tentou me quebrar a rótula com o pé, mas eu me afastei. — Está louca! — lhe disse. Não podia negar que estava intrigado, é claro, não podia negar que gostava da ideia de Isabeau prometendo-se a mim e eu a ela. Embora soubesse que ela era muito espinhosa e independente para me amar apenas porque sua shamanka o havia dito. Mas ainda assim. — Quer ler os ossos para mim? — perguntei para Kala, esquivando de uma vasilha que Magda lançou em minha cabeça. Quebrou em pedaços contra a parede. Um dos cães perseguiu aos fragmentos, com a esperança de conseguir um bocado.

— me alfinetou Magda. Ela as entregou para mim. Houve murmúrios. — Sacuda entre suas mãos em conchas e depois os jogue no solo entre estes dois cristais. — Deixe-a em paz agora. — ela colocou os dois cristais. Para Kala ao que parece estes ossos contavam uma história. por muito que odiasse admitir. Kala apenas fez gestos com as mãos para se calar. menino. Este é o garoto. recolhendo as pedras de Kala e me dando as costas para me bloquear. Não pude decifrar tudo. — protestou Magda. — me mandou. Porque todas as senhoras de idade que eu conhecia tinham uma voz assustadora? Os ossos caíram e se esparramaram no solo poeirento. Parecia um cruzamento entre runas e espirais. — eu não vi nada absolutamente. — Kala. . — Vem aqui. Ela tinha um ponto. como se isso fosse de grande ajuda. — Jogue-os! — gritou ela para mim. o chicote agudo de sua voz me sobressaltou. você não está bem. Alguns dos outros Hound se aproximaram.124 Kala bufou uma risada. Os joguei mais por reflexo. — Este estorvo Real pode esperar. — pegou um punhado de ossos pintados de uma bolsa em seu cinturão. esticando a cabeça para ver melhor. — Vá correr com os cães. Kala assentiu com ar de arrogância. Logo tossiu e cuspiu saliva com sangue entre os lábios. Magda franziu o cenho como se houvesse chutado um cachorro. um grito de assombro. — O vê agora? Todos vocês veem.

— Isabeau. Fez uma pausa e deslizou o tecido em sua manga. Ele estava desfiando nas barras. 58 Ox-Eye: tradução literal: ‘Margarida’. Seu nome é Ox-Eye58 Ox-Eye levantou a cabeça. — ela respondeu de forma casual. Tinha visto cavalos muito menores. 59Très . Ela esfregava um pedaço de seda desbotada entre seu polegar e indicador. porque ele se parece com um boi? — perguntei.125 Capítulo Catorze Encontrei Isabeau sentada sobre uma pedra sob as estrelas e um pinheiro atrofiado. Seu antepassados devem ser buscados entre os mastins assírios. afastando seixos com minhas botas. isso é um alce. Subi em direção a ela. Faz referencia a uma flor. Ela meio que sorriu. — Que diabo é isso? — perguntei. — Não. Très sympathique59. — disse duvidando. 57Ou mastiff inglês ou simplesmente mastiff (em inglês: English Mastiff) é considerado uma raça de cães tradicionalmente inglesa. é porque ele é como a margarida. agachando ao seu lado. Havia alguém muito grande sentado à sua esquerda. — Claro que é. — É um cachorro. Sympathique: Muito simpático. isso não é um cachorro. — Sim. — Você chamou esta besta com o nome de uma flor? Ela acariciou-lhe a orelha carinhosamente. — Ele é muito educado. descendentes por sua vez do mastim do Tibete. todo pelos e imensidão. Pensei que tinha perdido há muito tempo. acho que sim. — É um Mastim Inglês57. — Ox-Eye. — Seu amuleto de sorte? — perguntei em voz baixa.

eu te entendo. — Por isso você perdeu o controle quando eles disseram seu nome ontem à noite no bosque. — disse soando triste. — Oui. — Nós não somos como os outros vampiros. como você chama. — ela respondeu. Franzi o cenho. No dia em que me transformaram e me deixaram morrer. você é quase uma recém-nascida. no dia em que morri. Será que pensava que eu era um idiota? . posso matá-lo. — disse novamente. — Eu usava este amuleto de sorte. finalmente parecendo uma garota de dezoito anos. — eu realmente queria arrancar a cabeça desse cara. com seriedade. amargurada e muito frágil. Eu o usava na noite que ele me matou. de uma maneira que eu nunca pude imaginar. Ou isso eu creio. — Você ainda não é forte o suficiente. — Não o via desde essa noite. Fez-me querer encontrar o bastardo e arrancar sua cabeça diretamente de seus ombros. — Por quem? — Greyhaven. — Ele está de volta. — Sim.126 — O que aconteceu Isabeau? — perguntei. finalmente. por maior que tenha sido o tempo que foi deixada nesse túmulo. — eu não tinha certeza de como sabia. — insistiu calmamente. — arqueei a sobrancelha em sua direção. Ela mordeu o lábio inferior. — Isabeau. — Merda. — Oui. eu diria. mas tinha certeza de que tinha algo mais em jogo. — Quando rastreávamos o Host. fora dos limites de sua casa. — O que você quer dizer? — Isabeau. — Onde o encontrou? — No bosque. Logan. E agora. ele tem o que. Remexi-me em meu assento. trezentos ou quatrocentos anos? — E? — Portanto. Foi deixado para mim. Acredite em mim.

Sempre se matinha distante dos assuntos de Montmartre. Isso é o que eu faço. E praticamente conheci Lucy durante sua vida inteira. — No campo onde enfrentamos os Hel-Blar e tinha sangue por toda parte? É ali onde você vai deitar e entrar em transe? — Oui. — Wow. — Eu sei. — Sou a serviçal de uma Shamanka. — Há rituais. Posso rastreá-lo. — Como? Sei que você é boa Isabeau. Parecido ao que vimos nas pinturas rochosas. — Dreamwalk? — É algo assim como um transe. — Aposto que há. Minha boca se abriu. — ela admitiu. Essa é a pior ideia que já ouvi. Até eu tenho ouvido falar de seu nome. Bufei. — Eu entendo completamente. — Agora tenho isto. — E onde. Posso cheirá-lo nele. — Mas agora eu sei. Ela encolheu os ombros. Passei a mão com força pelo meu cabelo. O que eu posso fazer é voltar para onde encontrei a seda e fazer funcionar o Dreamwalk. — .127 — Antes eu não podia localizar Greyhaven. — Você não entende. — ela voltou a pegar a seda de cor anil. — No campo onde colocaram a armadilha. nem sequer sabia se ele estava no mesmo continente. Não podia me aproximar dele. mas ele é um dos principais Tenentes de Montmartre. — Você já notou que só diz isso quando está prestes a fazer algo imprudente? — a suave luz da lua brilhou sobre suas inúmeras cicatrizes. exatamente. — Mas para que? Simplesmente para ele zombar de você? Há algo acontecendo aqui. Você está louca. você fará isso? Ela fez uma careta. — Mas não saberei se apenas me sentar aqui e esperar que ele faça seu próximo movimento.

— Teus próprios cachorros te atacaram? — Não. — Então os cachorros me encontraram e me desenterraram. Eu podia imaginar: Névoas no meio da noite em um antigo e luxuoso cemitério no inicio do século. Greyhaven apenas me deu sangue suficiente para me transformar. ou este bosque. Finn me disse que no momento em que ele me encontrou no cemitério de Highgate. Para todos nós. com três de seus cachorros de maior confiança. Aí foi quando eu percebi que. suavizando as apertadas linhas de seu rosto. ela nunca deixa as montanhas. Eu a olhei fixamente. — Na França? — Não. os cachorros o fizeram. Ela era feita totalmente para mim. Lucy falava de totens e auras e rituais de lua cheia. o som dos cavalos e carruagens por cima dos muros. na .128 Ele te fez isso? — surpreendeu-me que minha voz soara mais como um grunhido. O ar finalmente era real e podia respirá-lo. no terreno particular de meu tio. É seu centro de poder e os cachorros são seus Totens. tinha quase uma centena de cachorros de rua lá também. Ela usando uma espécie de traje de noite com cintura acentuada. — E Kala foi atrás de você? — Não. não o suficiente para me reviver. — ela sorriu pela primeira vez. — Eles me resgataram. Londres sob a luz das tochas. por assim dizer. era por Lucy e seus pais. Os cachorros de Kala me tiraram da terra. Fiquei inconsciente por séculos nesse caixão. eu fui enterrada em Londres. pérolas em sua garganta e suas luvas até o cotovelo. da mesma maneira em que as outras pessoas falavam de aulas de balé e churrascos de verão. — Non. Eu nunca seria capaz de fazê-lo por mim mesma. Eles têm uma forma de chamar a outros cachorros para que se unam. A única razão pela qual eu podia entender o que ela estava me dizendo. Lembrome do som de suas garras e seus dentes mordendo meus braços. Ox-Eye levantou a cabeça com curiosidade. — Então quem te encontrou? — Ela enviou Finn através do oceano.

Nem sequer para tio Geoffrey. — ela tremeu. E nos transformávamos em vampiros. — Isabeau continuou. Ele teve que me forçar a bebê-lo e eu finalmente acabei vomitando em suas botas. Eram duzentos anos mais tarde e nada tinha sentido. e tudo voltava a ficar bem. — E com isso eu quero dizer.. mas normalmente tínhamos sangue perto e melhorávamos rapidamente. — Então.129 realidade. muito melhor do que quando não éramos não mortos. — Essa é justamente a palavra. Estendi minha mão e passei um dedo sobre uma de suas cicatrizes em forma de meia lua que estava por cima de seu pescoço. para que fosse a primeira coisa que veria quando acordasse.. Você devia tê-la visto antes do ataque. Era . Ela parece. Eu tinha pensado que nossa transformação era ruim. eu não respirava e que não estava despertando de algum pesadelo na casa de meu tio em 1795. — Finn me deu sangue para beber. Logo que vi Kala sabia que finalmente estava em casa. — Sua tia acha que minhas cicatrizes são horríveis. Mas ela continuava ali. Assobiei. e alguns de nós. Ela mal sai de seu quarto desde que os bastardos desertores dos Hélios Ra lhe queimaram com água benta e a deixaram quase morta. Esperei o momento em que ela afastasse meu braço. ficava a ponto de morrer. mas sabíamos que ia acontecer e nossa família tinha tido muitos séculos para adaptar-se e preparar-se. a única preocupação de Connor tinha sido se ele teria que começar a se vestir como eu. seus olhos estavam distantes. — Você falou com minha tia Hyacinth? — fiquei boquiaberto.. ou ao menos que se afastasse de mim. não é apenas uma história que nos contam para assustar? — ela negou com a cabeça. De fato. eu estava tão sedenta que teria bebido um barril de sangue. Ele me trouxe aqui tão logo fiquei bem o suficiente para viajar em um barco com um dormitório sem janelas e com um Capitão que não fez perguntas. Ela não fala com qualquer um de nós e absolutamente nunca mais levantou seu véu. quem é praticamente um médico. Depois de uma hora. Ficávamos doentes e fracos. — Pensei que ele estava doido. também. angustiada. às vezes. Eu o havia presenteado com um casaco longo negro de veludo para seu aniversário neste mesmo ano e ele o tinha pendurado na parte traseira de sua porta. a tia Hyacinth realmente falou com alguém? — Sim. E não é que fossem boas.

— Não sei dizer. Desejei tanto quanto desejei Christina Ricci depois de ver Sleepy Hollow60. Percebi isso de imediato. — Isabeau insistiu. — Você é diferente de seus irmãos. — Portanto. como se estivesse surpresa por sua confissão. mas você me parece simpático.130 incontrolável. Mas eu não ia perguntar. eu suponho que era inevitável que isso se aderisse em um de nós. não teria percebido que não estava mais no século dezoito. — Se você tivesse me desenterrado em vez de Finn. eu teria tomado isso como um grande elogio. só queria beijá-la. — Não. eu iria lhe perguntar quem ela achava que era o mais bonito. era como a cascata nas cavernas que 60Sleepy Hollow: Filme conhecido na Espanha e América Latina como “A Lenda do cavaleiro sem cabeça”. eu não estava seguro totalmente. é dali que veio. perguntando-me se isso lhe agradava ou não. . Repentinamente me deu vontade de bater em meu irmão. — Entre nossa Matriarca Madame Veronique e as lições medievais de tia Hyacinth. — Notou isso nas poucas horas em que os viu? — e de nenhuma forma. — encolhi os ombros. mas com ela. No geral. O cabelo longo. Eu não estava muito satisfeito com a palavra “garoto”. — Você é como os garotos que conheci na França. mas sentia saudade disso. a forma em que se inclina em uma reverência. ele sabia lidar com elas. — ela continuou. Quinn sempre teve êxito com as garotas. — O que? — Sua forma de se vestir. não se assustava com ninguém e era cheia de cortesia e modos adequados. como se estivesse no século dezoito. Eu nunca antes tinha desejado tanto alguma coisa como naquele momento. — Eles não se comportam como você. Eu gostava das garotas com espartilho. preto e grosso de Isabeau. — Acho que sim. — ela murmurou e repentinamente o rosto de Quinn estava a salvo do meu punho.

Sua boca se abriu e sua língua tocou a minha. pouco a pouco foi se fechando. mas sabia que ela ainda não estava pronta para isso. Era quente. tinha uma cosquinha atrás da minha cabeça. indomada. Ela era. correto. intacta e tão sem correntes. — Está amanhecendo. mais selvagem. — Deveríamos entrar. O bosque estava ligeiramente menos escuro do que havia estado. — concordei. um de nós fez um pequeno som. Era mais cinza do que negro. Ela cheirava a chuva. Eu me afastei a contragosto. seus dois dentes sobressaiam ligeiramente. — Está amanhecendo. Sem pressa. mas honestamente. E isso era sexy como o inferno. — Você tem algum lugar seguro para que possa dormir? — perguntei. Até o último pedaço. como um falcão no céu. . — ela sussurrou Alisei seu lábio inferior inchado com meu polegar. como se tivéssemos todo o tempo do mundo. eu não soube quem de nós foi. E eu não queria que isso mudasse. uma onda de calor ardente sobre meu corpo inteiro. Queria enterrar minhas mãos em seu cabelo e trazê-la até mim. teria bebido cada gota. — ela disse. O beijo ficou mais profundo. Se a tivessem servido em um copo. seus braços cheios de cicatrizes e sua cruel espada. com hesitação e doçura. Decidi tomar minha vida em minhas mãos e me inclinei lentamente. Agora estava tão perto e ela ainda não havia se afastado. Ela entrelaçou seus dedos nos meus. terra e vinho. a distância entre nós. Sua boca estava curvada com um de seus raros sorrisos. — Sim.131 estavam debaixo de nós. Tive que pressionar meus punhos para não tocá-la. como um animal selvagem. Coloquei meus lábios sobre os seus e pareceu muito bom. dei-lhe tempo suficiente para que se afastasse. Beijei-a profunda e lentamente. seus olhos verdes. E de repente. um pouco. até a última. mas implacavelmente.

Mas ainda assim está aqui. Realmente não era um encontro como qualquer outro! — Tudo vai ficar bem. Era uma bela noite. Deveríamos estar nos beijando. e de todo modo ela não entenderia. — Só se trata de transe. — seu longo e negro cabelo balançava em suas costas. Flores brancas brilhavam no pasto. nem mesmo a Magda? — Não quero que se preocupem.132 Capítulo Quinze — Tenho que voltar a mencionar que essa é a pior ideia? Pela centésima vez Isabeau girou os olhos. . — Se te dissesse mil e uma vezes te convenceria? — Não. — Eu sei. — retruquei. cheia de estrelas e com o canto dos grilos e das rãs. — Estou tentando te deter. Ao invés disso. — É por isso que estamos escapando sem dizer a ninguém o que estamos fazendo. Era uma noite de poesia. Muito. nada com que deva se preocupar. estamos saindo às escondidas das cavernas até uma clareira empapada de sangue onde fomos emboscados. me ajudando. eu garanto. E não está tentando me impedir. — Você me trata pior que a minha velha babá. Charlemagne olhou como se estivesse considerando também. — Eu não entendo. — se escondeu de baixo de um ramo que se curvava baixo. só que parece que nenhuma merda adianta. — Tenho um pouco de compaixão por sua velha babá — sussurrei. quente. — Sério? — perguntei sarcasticamente. Neguei com a cabeça. a apenas vinte e quatro horas atrás.

— Montmartre. Tudo sobre ela era diferente. — murmurou. toda guerreira e correta. — E agora o que? . E definitivamente ela havia me arruinado com as meninas normais.133 Quando acordei junto á Isabeau em sua cova. Charlemagne cheirou o caminho a seu redor e logo se sentou. Fiz um olhar mais atento. Mas essa era sua casa e estava suficientemente cômoda para perder algumas quantas capas de seu duro exterior. quase escasso. provavelmente. Inclusive agora. hipervigilante seguindo o fedor dos Hel-Blar ou sendo cuidadosa para se houvesse um ataque de Host. depois de tudo. Seu quarto era simples. tinha pensado que essa noite seria muito diferente. Bom. Devia ter previsto algo como isso. há muitas e estão frescas. — Charlemagne? — Não. Que desperdício de uma noite de luar! Segui seu olhar até um arbusto pisoteado. — Eu sei. Era evidente que estávamos sozinhos. um flash que estou certo nem se quer ela saber possuir Ela era a criada da shamanka. outro para suas armas e uma caixa cheia de joias e amuletos de contas de osso. — Estamos perto. grossas almofadas e uma pequena pintura de um vinhedo francês. — Prefere que lutemos uns contra os outros. — estava de acordo. compreendendo. o forte odor de sangue seco. — É para que acreditem que os Hounds fizeram o ataque. — Alguém veio aqui depois de nós só para adicionar pegadas de cachorro? — e me detive seco. Não havia pôsteres de shows ou um armário com vestidos de noite. isso não era exatamente verdade. — Ele não quer que tenhamos um tratado. sua língua pendurada no canto da boca. só um baú com roupas. Eu havia visto um flash da sua vulnerabilidade. enquanto espreitava através do bosque. Isabeau não era suave nem mesmo nos sonhos. havia marcas de patas. Ela assentiu mecanicamente. da mesma forma que o fizeram com o feitiço de morte. Um puff coberto por uma manta e várias camas de cachorros nos cantos. — suspirei. sua mão em meu peito. Cristais vermelhos que brilhavam na vegetação rasteira. Podia sentir a coceira no nariz.

— O que acontece se algo sair mal? Não é como se eu pudesse agitar uma varinha mágica sobre você. Essas eram suaves. Logan. E nem sequer sabia que a magia era real até antes de seu truque como feitiço do amor. — Agora o ritual. — Nunca vou entender como os vampiros podem desconhecer a magia que está em suas próprias veias. em seus próprios corpos. Uma estava envolta em um fio de cobre e pérolas. . — Tudo o que tem que fazer para me acordar é dizer meu nome três vezes. Poderia cheirar a menta. o que a sua família te ensina? Ela tirou ervas secas de uma bolsa presa em seu cinto e as jogou no meio do prado. o cravo. polidas e pintadas com mais símbolos. — Acho que não devia ter perguntado. Tinha símbolos gravados nas pontas. 61No original Garnet Beads. — Eu posso fazer isso. cheirando com o nariz suavemente. As contas de osso em seu cabelo ressonaram juntas. Tinha colocado um novo amuleto ao redor de seu pescoço: esse era banhado de prata e estava enfeitado com sininhos e pérolas vermelhas61 como gotas de sangue congeladas. enterre minhas mãos na terra. Encolhi os ombros. com a cabeça inclinada. São pedrinhas arredondas vermelha com as quais fazem joias. — Isso me trará de volta ao meu corpo. — disse. incomodado. a pimenta e algo desconhecido. Se isso não funcionar.134 Ela caminhou pelo perímetro como fez Charlemagne. — Quem? — Não importa. Não sou o Harry Potter. perplexa. Franzi o cenho. — Está certa disso? Montmartre pode estar em qualquer lugar. Depois sacou o que pareciam ser tíbias de sua mochila e as enterrou na terra. Honestamente. — disse com confiança — Kala me treinou para isto. Ela negou com a cabeça.

parecendo muito mais cômoda enquanto murmurava algo em voz muito baixa para que pudesse se escutar. Seus braços estavam desnudos como de costume. o outro em seus pés. — E lobo. — Cachorro — respondeu. Ela não parecia preocupada. Estava só e segura. minha espada balançando sobre ela de forma protetora. me senti como se estivesse coberto por eletricidade estática. na verdade sorria. fazendo-a brilhar. Ela brilhava muito mais que antes.135 — São de humanos? — franzi o cenho. Virei-me para Isabeau. . cada uma das minhas terminações nervosas estremeceu e os pelos dos meus braços se arrepiaram. Quando algo me bateu. retrocedi rapidamente. Ela mudou de posição. Mas não estava muito seguro do que fazer para lutar com um inimigo invisível. com se fosse empurrada por um vento forte. Era algo espetacular. Uma garrafa caiu de seus ramos e derramou sangue na grama. as cicatrizes eram exibidas com orgulho. Endireitei-me. em silêncio e misteriosamente quieta. — Oh. — Os vampiros não deixavam osso. Só pude imaginar o que mamãe diria a respeito disso. Mas podia jurar que um resplendor de prata saía de sua pele. Isabeau se colocou de pé. Permaneceu ali por muito tempo. parecendo uma Bela Adormecida selvagem. As árvores que nos rodeavam brilhavam com garrafas quebradas. Recostou-se sobre os ossos. — não sabia o que mais dizer em relação a isso. só cinzas. chocando-me contra a árvore. amaldiçoando. um pedaço de malha cobria o coração. escutando atentamente os barulhos de outra possível emboscada. Repentinamente. Era evidente que havia deficiências na famosa educação Drake. Admito que isso me aliviou. Saquei minha espada e caminhei lentamente ao seu redor. um estava em sua cabeça. Justo quando estava começando a pensar que não havia nada mágico em sua cesta. os cantos de seus lábios estavam elevados ligeiramente. Então a grama ao seu redor se planificou em um circulo. Ela fechou os olhos. fazendo com que o suor fizesse meu cabelo baixar.

genial. — De acordo. Tudo brilhava nas bordas. o céu parecia muito mais perto do que devia. te acontecerá em seu corpo real. As armas são inúteis quando só um pensamente caprichoso pode matálo. — Creio que é melhor não saber a que se refere. o que te acontecer aqui. Por último. — Uh? Estava apenas prestando atenção nela. isso é perfeitamente natural. — Guarda isso. As árvores tinham um esplendor verde. Ela piscou na minha direção. — Shiiiu. isso é simplesmente genial. isso é o contrário de um consolo. — Está comigo no caminhante do sonho. Não era nada bom. merda. Logan. — Oh. Comecei a notar que tudo em minha volta parecia não substancial. Tratei de pressionar meus dedos ao redor da espada. Ela parecia confusa. Logan. — Sim. É melhor que não confie nas aparências. como uma batida de um coração. — Bom. — Colocou algo desse chá de cogumelo no sangue que bebi quando acordei? — Não. como nesses filmes sobre a natureza abaixo da superfície do mar. — Não te servirá de nada de todo jeito. pulsando lentamente. — Aqui pode ver o verdadeiro rosto de uma pessoa. — Na verdade funcionou bem demais. — podia ver através da minha mão. isso é o que não quero saber. E que eu parecia um pouco vermelho também. — Isabeau me disse. — contestei com um ar duvidoso. — me assegurou. como se o céu tivesse tocado em tudo.136 — Suponho que não funcionou. No todo. tudo parecia ter uma espécie de aura brilhante de cor caramelo. descolorido. — disse. — A melhor arma é um espelho. . — Isso nunca aconteceu antes.

— Posso ver por que. — sugeriu. Brilhava como a prata derretida e isso fez com que tudo mais . — Não olhes a ti mesmo por muito tempo. voltando ao foco — Agora temos que rastrear ondas psíquicas. Um segundo depois começou a rir em voz alta. — Te dará náuseas. — Excelente. se corrigiu. tentei formular uma resposta. Fiquei assombrado devido o horror de suas palavras.137 — Bom. No entanto. Ela sorriu. devemos nos apressar. isso é simplesmente lúgubre. deliberadamente. não é bom ficar muito tempo em sua primeira viagem. destemida. como se estivesse olhando através de um negativo fotográfico. que estava disparando faíscas. agora você ri como uma criança. nunca antes havia estado com mais alguém em Dreamwalk. não exatamente normal. Não me movia e meus olhos estavam abertos fixando no nada. — Sinto-se totalmente estranho. claro. qualquer coisa que não brilhe ou tenha um cheiro estranho. — disse a ela. Tem um humor bem sádico. Tudo brilhava como nas cenas que as pessoas que haviam tido uma experiência de quase morte relatavam em programas psíquicos. Só que eu já estava tecnicamente morto. — E agora? — ajeitei-me. — Não é o primeiro a me dizer isso. Virei e me vi apoiado em uma árvore. qualquer coisa que pareça fora do lugar. os punhos das minhas mangas desarrumados. a ponta da minha espada descansando sobre um grupo de violetas. olhando meu corpo. — Logo se acostumará. — Sim. — Por quê? — Pode se tornar um sapo. Levou um par de segundos para me dar conta que ela estava brincando. mas não pude nem sequer foram às palavras. O sangue das garrafas que havia servido para a emboscada tinha uma coloração diferente.

Podia sentir a cheiro de barro. — murmurou. — Bem. a maneira com que as estrelas pareciam filtrar a luz. Isabeau estava agachada. Prestei mais atenção ao nosso redor. das agulhas de pinho e o zumbido da pele de Isabeau. mais transparente. Ela tinha uma expressão estranha no rosto. escaravelhos e mariposas que se moviam ao nosso redor. arrancando pedaços de vidros soltos como se fossem pétalas de uma flor. — Nada. como se a brilhante luz houvesse se impregnado de poeira. como se tivesse estado contendo-a mesmo quando não precisava respirar. limpando as mãos. Tentei não me distrair pela forma em que seus olhos havia se tornado verde. — Oh. — O que é? — detevese. do rio. Ela apressou-se. — O que houve? . — Isabeau. como as folhas de menta. Exceto. bom. — Só há essa poeira? Ela assentiu. E além do fato de que tudo parecia estar coberto por uma pintura fosforescente. uma morte violenta pode deixar ondas psíquicas que podem levar anos para desaparecer. O lugar onde Jen havia se desintegrado estava tênue. As marcas de nossa batalha estavam em seu devido lugar. tudo era bastante normal. — Mas ela não está presa aqui. — disse frustrada. Soltei minha respiração. suas fossas nasais se dilataram. — disse em voz baixa. — Isabeau? — Não me dei conta antes.138 tivesse um aspecto mais escuro. — Se os vampiros pudessem se tornar verdes por causa de náuseas ela o teria feito. patas na terra. Marcas de passos. Ela se colocou de pé. aos cheiros. Fiz uma pausa. nem tampouco pelas centenas de aranhas. não é? — perguntei bruscamente. surpreendida pelo meu tom. vasculhando o mato com os dedos. pegadas. Senti-me doente do estomago.

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— Não há somente sangue de vacas nas garrafas. — disse. — Há sangue de Montmarte também ali. O suficiente para fazer com que um HelBlar siga seu aroma. Franzi o cenho. — Sabe, isso parece não ter sentido. Só por uma vez gostaria de ter as respostas, sem mais perguntas. Sabemos que Montmartre está atrás de Solange e se ele conseguir fazer com que o resto de nós não negocie um tratado. Posso assumir que Greyhaven está fazendo o trabalho sujo aqui, mas isso ainda não explica o porquê de ele está atrás de você. — Eu realmente gostaria de matá-lo. — disse Isabeau como se estivesse pedindo um segundo pastel em um café local. Seus amuletos faziam barulhos. — Hmmm, você parece muito entusiasmada. Baixou a vista para seu amuleto e tremeu. O amuleto era como um dente que cai de nós quando somos pequenos, graças a esse ela havia sabido do ataque a Kala. Era brilhante e recoberto de prata, com pequenos cristais que brilhavam como os fogos de artifício de julho. — OK. — disse tirando o colar e envolvendo-o ao redor de seu punho para que o dente de cachorro ficasse em cima de seu polegar. Ela esticou o braço e o girou em círculos, como os ponteiros de um relógio e depois em sentido contrário. Tinha visto Lucy utilizar o pêndulo da mesma forma só que ela estava tratando de averiguar onde sua mãe tinha escondido seus presentes de aniversário. — Há algo aqui. — disse. — Uma conexão que me falta. — ela espreitou pelo perímetro com esse propósito, muito concentrada, franzindo a testa em direção às ervas, árvores e gastando um tempo extra sobre o que sobrou das garrafas quebradas. Ela se deteve, amaldiçoando com fervor e fluência. Tudo era em francês, mas não havia dúvida devido o seu tom. Extraiu um pedaço de cristal verde de uma raiz de carvalho que estava exposta. — O que é? — perguntei, agarrando minha espada apesar dela ter me assegurado ser inútil. — Conheço isso. — ela disse, descascando a etiqueta pintada de amarelo com a unha do seu polegar. Seus olhos estavam perigosamente aquosos, quase se tornando fulminantes. — Isto é a vinha da minha família.

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Dei um passo em sua direção. — Definitivamente é pessoal. — disse sombriamente. — Oui. — Não deixe, Isabeau. — segurei seus ombros pressionando-os fortemente até que ela tirou os olhos do fragmento de garrafa de vinho e piscou para mim. — Não deixe que esse filho da puta ganhe. Houve um breve momento em que me perguntei o que ela ia fazer então. Ela era totalmente imprevisível. — Tem razão. Ele está fazendo isso por um motivo. — ela levantou a cabeça e novamente era a Isabeau que havia conhecido desde a primeira vez: feroz, forte e um pouco assustadora. — Tenho que averiguar qual é o motivo. — Temos que averiguá-lo. — corrigi com um tom grave. — Você não está sozinha. — Mas é claro que estou. — ela sorriu com nostalgia, mas afrouxou seus dedos em torno do fragmento. O sangue brotou em sua pele, mas era prateado. Havia assumido que não podíamos ser machucados fisicamente quando estávamos no meio de uma viagem astral ou que diabos fosse o que estávamos fazendo. Parecia justo. Ela franziu o cenho para o sangue prateado. — Não. — gritou. Deixou cair o fragmento e freneticamente começou a limpar suas mãos, limpou os dedos em suas calças até que ficassem em carne viva. — Merda. Mas depois seus olhos ficaram brancos e caiu.

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Capítulo Dezesseis

Paris, 1793. Depois que os distúrbios alimentares acabaram Isabeau foi para os telhados de Paris. Ela se moveu ate o telhado de uma robusta fromagerie62 para fugir da multidão de parisienses famintos e dos moradores locais que como eles invadiram as calçadas das ruas com baionetas, tridentes (pitchforks) e tochas. Sua patisserie63 favorita, uma que os revolucionários nunca se preocuparam e que o dono normalmente lhe dava croissants velhos, queimava ate o chão em questão de minutos. Uma fumaça preta enchia o ar; tosse e xingamentos enchiam os becos. O fogo deslocou perto da porta do extrator de dente e rastejou muito perto do café popular. Baldes de água eram pegos e passados de mão em mão. Isabeau voltou para o chão para ajudar, colocando sua gola no rosto. Ela usava uma calça de operários revolucionários e um cocar tricolor no seu chapéu. Ela prendeu os cabelos e tentou abafar sua voz quando falava; o que era raramente. Ela aprendeu a olhar como um menino e gritar “Fraternite” sempre quando alguém a fazia uma pergunta direta, era o caminho mais seguro para permanecer despercebida e desinteressante. Uma garota com sotaque aristocrático, mãos suaves e um cabelo longo nunca sobreviveria. E seu pai tinha morrido para que ela sobrevivesse.

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Tipo de queijo. A pâtisserie é um tipo de padaria francesa especializada em bolos e doces.

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Então ela iria sobreviver. Por mais que ela quisesse o contrário. Era no final de fevereiro e as ruas estavam escorregadias com a chuva e o frio, a fumaça entranhando pelas portas. O fogo ardia assim como a fome dos desordeiros. Isabeau penetrou para mais perto, fechando seus olhos ao sentir o calor no seu rosto. Ela não se moveu ate que a viga quebrou e pairou sobre o beco, caindo queimando a haste e madeira. Suas mãos sentiram calor pela primeira vez no mês. Mesmo com a queimadura no dedo valeu à pena. Ela foi para o lado. Mais água arqueou dentro das chamas que crepitaram indignamente. Não demorou muito antes que a patisserie estivesse uma pilha de brasas fumegantes, o proprietário de cabelo escuro gritando obscenidades do outro lado da rua. Quando os gendarmes64 chegaram, Isabeau fugiu. Não tinha levado muito tempo para aprender a evitar qualquer pessoa com poder: policiais, magistrados e até mesmo o guarda noturno que estava sentado na rua bebendo vinho ate que caiu no sono, roncos dentro do peito. Os moleques gostavam de colocar aranhas no seu peito e fugir rindo. Ela transportou-se novamente para cima de um telhado próximo e se agachou, ficando fora de vista. Enfiou os dedos nos punhos desgastados de sua camisa. Estava segura aqui, quieta. Havia apenas que lidar com pombos e um velho e magro gato. Ela poderia andar ao longo de um telhado de um ponto extremo da cidade a outro, desde que ela tomasse cuidado e evitasse as camadas mais pobres onde o telhado cederia completamente. Podia escutar os revolucionários gritar amavelmente um com outro no café e as batidas dos tambores da La Place de La Concorde quando outro prisioneiro era arrastado para a guilhotina. Ela não poderia ficar olhando as execuções, apenas ouvindo a multidão gritando e aqueles tambores fazendo-a mal. Algumas horas mais tarde quando seu estomago roncou mais alto que os desordeiros inválidos, ela deslizou para baixo e caiu agilmente em um
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Soldado de uma corporação especial encarregado de manter a ordem.

— Isabeau disse com a voz mais grossa que podia. as prostitutas do salão estavam em um canto. um menino de rua sem rosto que afastava os clientes. Coruja. piscando para homens. Um dos garçons olhou para ela com raiva e estalou os dedos. Isabeau virou a sua cabeça ligeiramente. Ela tinha uma hora ainda antes que ficasse escuro para que ela pudesse encontrar um telhado. seus cascos clicando nas pedras. Um dos seus dentes estava faltando e suas bochechas estavam vermelhas parecendo maçãs. 65 . Uma vez que o sol se foi. — a prostituta aprovou. Isabeau congelou. — E eu não sei o que você quer dizer. chouette65. — Você nunca vai passar por um menino se você continuar a andar assim. Parecia como se fosse anos atrás quando ela estava escolhendo um vestido novo e perguntando quando ela iria ter um noivo. — Mas você precisa dar passadas maiores. Cavalos faziam meio giro. Ela diminuiu o seu passo. Alguém tinha colocado fogo no caldeirão de ferro dentro do café. lançando um olhar oculto nos pratos abandonados com alimentos não consumidos. — Melhor. A prostituta sorriu. — Um rosto de menina tão bonito. quem seria e se ele seria gentil e ainda teria todos seus próprios dentes. Ela encurvou os ombros e manteve os olhos para o chão quando voltou para a calçada lotada. como se estivesse pronta para lutar com qualquer um que entrasse no seu caminho. Ela cuspiu no chão em uma boa distância e mal evitando o seu próprio pé. andando. Ela fez careta.143 beco que tinha cheiro de urina e água de rosas. Ela estava suja. Agora ela fedia e cheirava como telhas mofadas. então encurvou mais os ombros.

Ela nem mesmo teria notado Cerise com suas mãos frias rachadas e seu cabelo crespo. Ela sorriu. — Meu nome é Cerise. talvez ache algum antes de escolherem os limpos. — ela respondeu cautelosamente. A velha Isabeau teria inalado um lenço de rendas encharcado com óleo de lavanda para disfarçar o cheiro do lugar se ela passasse com a carruagem da família. — Oh. — É melhor que congelar até a morte. Isabeau estremeceu com o vento frio vindo da esquina. mostrando meias com vários furos robustos. . Isabeau acenou e puxou sua gola para cobrir a parte de trás do pescoço. — Se você for agora. — Você precisa de um casaco. — Cerise disse secamente. e um par delicado de botas. Sua longa saia estava dobrada ate o seu quadril. — seu peito estava perigosamente perto de escapulir do corpete manchado. alarmada. — Eu não sei se isso faz sentido. — Você não terá se todo mundo achar que você quer. Isabeau engoliu seco. Ela encolheu os ombros. — a mulher se autoapresentou. é onde eles despejam os corpos depois das execuções. — Sentido não tem muito haver com ser um homem. mas ela foi ensinada para ser educada. Isabeau não estava muito convencida. — ela protestou. — Eu estou bem. — ela apertou os dentes juntos para não conversar mais. — Obrigada. — Se você seguir a carroça ate o rio. A contradição fez Isabeau piscar. Cerise afagou seu ombro.144 — Eu não quero brigar. — Mmm hmmm. — ela não poderia acreditar que estivesse cuspindo e falando com uma prostituta.

Sangue escorreu para a . Ela era delicada. mais como pelotas de gelo do que a chuva suave da primavera. ela não tinha um único centavo no seu nome e nada valioso além de um pedaço de seda do vestido favorito da sua mãe. A carroça sacudiu sobre a calçada quebrada e o braço escorregou para o lado. — ela disse novamente. cozidos quentes e vinho quente a qualquer hora do dia ou da noite. Existia uma roda exatamente como aquela perto da casa dos seus pais no seu país.145 — E Cherie? — Cerise chamou atrás dela. como dois homens começaram a atirar a cabeças decepadas no rio. sua casa. nas vilas. Ela se encontrou andando para o rio. Crianças e cachorros a perseguiam cantando músicas que Isabeau nunca tinha ouvido antes. Ela estremeceu violentamente. Ela sabia que as rodas moinho estariam rangendo mais lentamente. Aqui o rio estava lamacento e emendado com uma parede de pedra quebrada. A chuva começou a cair intermitentemente. Mas dessa vez com mais cordialmente. — Obrigada. Ela viu a carroça no final da rua. mas de algum modo continuou andando. O rio movia-se lentamente. — Fique longe do café no fim da rua. mesmo que com o pensamento de roubar de um corpo decapitado fizesse sua bile subir pela garganta. A verdade era. ela só tinha que se acostumar com o frio. muito acustumada a lareira. mas com palavras obscenas. Isabeau não era a única passando nos becos como uma carroça parada no banco. Isso soava como canção de ninar. Isso provavelmente não era suficiente para comprar uma refeição e mesmo se fosse ela se recusava a vender. A maioria dos comerciantes nem mesmo se incomodaram em tirar os olhos do deu trabalho. ela viu. Em vez disso. Ela tentou dizer a si mesma para dar a volta e encontrar um telhado escondido para que ela pudesse aquecer suas mãos com a fumaça saindo da chaminé. congelada. tentando dizer a si mesma que a sua blusa era grossa o suficiente para a manter aquecida. Ainda estavam no inverno. sua vida real. Isabeau estremeceu. Não é seguro para jovens garotas ou jovens garotos. Isso era tudo que sobrou de sua família. como se fosse muito frio para ele fazer seu trabalho bem. as rodas rangendo quando bateu em direção ao rio de Seine.

Ela viu a si mesma abordando um cadáver decapitado preso no banco e virálo. lágrimas congelando nos seus cílios. graças a Cerise. já tinha perdido alguns botões. Só tinha um pequeno rasgo em seu ombro e estava relativamente livre de sangue. Tinha parado de ver os corpos no rio toda vez que fechava os olhos e estava agradecida com o calor do casaco quando as chuvas começaram. girando ao fazer caretas para ela com o olhar grotesco. andando devagar. Esse homem tinha sido delgado o suficiente para o casaco caber nela. Isabeau tinha aprendido as leis das ruas. Encontrou um frasco de azeitonas embalado e folhas de espinafre sobrando no mercado. A cabeça balançava na água gelada. Só poderia continuar seguindo. O lenço que ele usava tinha absorvido a maior parte. Ela tinha que ser rápida. .146 sujeira para debaixo da carroça. Isabeau pulou a parede e arrastou-se ao longo das pedras quebradas como dentes podres. Sentiu-se tonta. mesmo a luz do dia. Então o homem levantou-se para a carroça e bateu no cavalo para começar a andar. Arrancou e puxou até o casaco estar livre. Ele era cinza escuro e de lã. agachada no telhado de uma livraria. Na primavera os botões afloram com a proposta de verde em todas as copas de árvores. sangrando a luz vermelha e roxa sobre a cidade. Corpos estavam rolando para a água cinzenta. parando apenas para vomitar em um beco escuro e transportar-se para um telhado. Ela comeu com os dedos. Os outros corpos tinham sido escolhidos por uma gangue de meninos e uma menina que não deveria ter mais de cinco anos que continuava pedindo algo brilhante. Ela caiu e em seguida correu de volta para as vielas. Ela colocou a mão na boca para não gritar. O sol morreu lentamente. quais bairros evitar completamente. como se não estivesse no seu corpo. como marionete. Eles só estavam um pouco pisoteados e lembraram–na o molho de espinafre com alho que o cozinheiro fazia em ocasiões especiais. Havia meia dúzia deles. consciente apenas do vento frio e que suas unhas estavam ficando azul de frio. Ela não poderia pensar nisso.

— O que você trouxe para mim agora? — Cerise perguntou ansiosamente. — Você sempre pega todos os bonitos. 66 Quer me seguir. Isabeau ficou vermelha até a ponta dos seus dedos. — Fancy a go. — Ele está aqui por mim. cidadão? . — Aqui. indo para longe. batendo na armação de madeira em volta da janela. — Francine fez beicinho. As colegas de quarto roncavam alto na escuridão do cômodo atrás delas. — Eu esqueço o quão nova você é.147 Deixou algumas azeitonas e colocou o pacote no bolso. Isabeau fez uma careta para ela e usou a depressão do balcão para impulsionar-se ate a varanda de Cerise. Era mais uma saliência de madeira do lado de uma janela quebrada que uma varanda realmente. mas serviu com um truque. Cerise riu alto. — Nem pense Francine. Ela parecia cansada. — ela disse. Isabeau algumas vezes esquecia que ela era alguns anos. Se tivesse tido carnaval por ai. ela gostaria de pensar que poderia ter sido uma acrobata ou uma equilibrista. Isabeau deu um passo para trás. — Cerise falou baixo. Deixou um amplo espaço para o café conhecido por disputas políticas e abaixou-se para debaixo do cimo rangendo da farmácia. pulando no chão. citoyen66? — uma mulher magra com hematomas nos braços sorriu para ela. as linhas em volta dos olhos estavam mais escuras. mais nova que sua mãe era quando ela nasceu. A cadeira tinha arrebentado na última noite com a tempestade e o sino estava balançando embriagado. Ela achou Cerise inclinada para fora da janela com outras cinco prostitutas. Amandine tinha uma espécie de inocência que Cerise havia superado pelo tempo que ela perdeu seu último dente de leite. — Isabeau entregou as azeitonas.

— Aposto que ele poderia pensar em algumas maneiras de trabalhar com as suas mãos delicadas.. Ela tinha roubado do jardim de uma casa chique da rua da casa de seus pais antigamente. entregando o pacote nos dedos trêmulos de Cerise. — o sol estava no alto. — Isabeau assegurou. Isabeau virou seu rosto para ele. — ela declarou em uma voz suave. embrulhado em um velho papel de embrulho. . — Marc falou para eu te falar que eles estão dando um grande comício no La Place de La Concorde hoje. — Mal posso esperar pelo verão.? Isabeau confirmou. Algumas sementes presas entre seus dentes. — Celestial. — Eu sabia que você iria gostar deles. alto pela primeira vez desde o outono. Eu nunca vi alguém com dedos tão hábeis quanto os seus. Isabeau a olhou. Cerise os colocou na boca antes que as colegas de quarto pudessem se mexer e perguntar sobre o cheiro adocicado. — Eu não como azeitonas há semanas. esperançosa. — Isso é.148 Cerise as agarrou. — Coma-os rápido antes que você tenha que dividir. — ela balançou as sobrancelhas. — Quão grande? — Ele disse que você poderia trabalhar com seus olhos fechados. — Eu trouxe algo melhor. Cerise arregalou os olhos quando Isabeau puxou o papel de cima. — Morangos. — Eu nunca comi morangos antes. Seus olhos se fecharam como se ela estivesse comendo mousse de chocolate pela primeira vez. pescando outro tesouro do seu bolso..

. — ela parou confusa. — Como você sobreviveu tanto tempo? — Por sua causa. . Isabeau mordeu seu lábio. Cerise enxugou os olhos com mais vigor. — Sinto muito. — O que aconteceu com ela? — Ela teve febre em um inverno quando ainda era um bebê. Ele definitivamente pensa que você é um menino. — ela enxugou os olhos. certo? — Não. Cerise riu tão alto que engasgou. Eu não podia pagar um médico. — Isabeau respondeu séria. — É por isso que eu uso eles. mas não quis assustar o único amigo que tinha. — Não se preocupe. não é? — tinha se tornado moda usar brincos e joias com pedras ou vidro da Bastille.. chouette. — Cerise respondeu. Quando quebrei a janela de uma farmácia para pegar alguns medicamentos. — Ela teria mais ou menos sua idade agora. — Então porque ele estaria interessado em. — Eu já tive uma filha uma vez. para comemorar o assalto a prisão quatro anos antes. sua voz tão suave que era quase abafada por pombos bicando o mato do lado do edifício.149 — Cerise! — Isabeau abaixou sua voz. — Você está me fazendo chorar. vou te dizer mais tarde. Não se faz perguntas atrás de becos. Ela morreu antes deles me deixaram sair. — Por que está me ajudando. Cerise? — Isabeau sempre quis perguntar. tocou os minúsculos brincos de vidro que ela nunca tira. — Isso é vidro da Bastille. Cerise assentiu. — Você não falou para ele que eu sou uma menina. os gendarmes a tiraram de mim e a levaram para a Bastille.

— Cerise sugeriu. Estava tentando convencer a . — Foi o suficiente disso agora. eu nunca estive tão feliz no dia em que destruíram aquela prisão em pedaços. a praça estava lotada de pessoas. Todo mundo queria evitar atenção indesejada. — Sim. A chuva tinha lavado a calçada e as ruas e o vento levou o fedor de tantos corpos mortos e lixos nos becos. Foi à única maneira de sobreviver à guerra da Guarda Nacional e os gendarmes e aos revolucionários. Isabeau transportou-se para cima do telhado. daí o nome “sans-culottes. Ele estava gritando apaixonadamente sobre Fraternite e Liberte e ensinando ao publico de crianças. cachorros e vendedores esperando vender. Estava aqui para roubar moedas dos bolsos de anônimos. Tinha se tornado um jogo. Em breve. para encontrar a casa do seu tio. — É melhor você ir para a praça agora. forçando uma nota de alegria na sua voz. sorrindo de novo. Isabeau não prestou muita atenção no que ele estava falando. Como prometido. como Isabeau fez. Não estava aqui para se unir à causa ou mesmo lutar contra isso. virando sua cabeça para trás.”. Cerise? — perguntou. — olhou de soslaio para a direção do Sol. seguindo o barulho do comício. como se fosse secretamente monarquistas. Isabeau correu ao longo dos telhados. não se vive do passado.150 Ela assentiu com a cabeça fortemente. se o verão fosse gentil com ela. poderia ter dinheiro suficiente para comprar uma passagem para a Inglaterra. Quase todo mundo em Paris usava um. poderia andar desde a costa ate Londres. para ver que pequena bugiganga Isabeau poderia pegar para ela. uma vez que ela tinha acabado trabalhando em amontoando mercadorias caras. — engoliu duramente. — O que vai querer hoje. sacudiu a cabeça. Havia um homem no palco vestido com calças favorecidas pelos revolucionários em vez de calças aristocráticas. Se ela fosse antes do verão. — Uma fita para o meu corpete. crianças. Ela tinha um pequeno esconderijo debaixo de um telhado de uma loja de fitas que viu poucos consumidores esses dias. Ele tinha um cocar tricolor preso no chapéu.

Ela deslizou a corrente de cobre como agradecimento. Ganância levaria a morte. O homem deu os ombros. assustando um gato e nitidamente evitando uma poça com um liquido não identificado. como estava quando tocou pela primeira vez uma música no piano sem parar ou errar. Ela passeou casualmente na direção da parte principal da praça. Eles estavam tão completamente gratificados que a esqueceram. Ele piscou para ela quando passava. deixando cair à moeda de prata do seu casaco. Se ela continuasse por mais tempo as chances de ser descoberta eram maiores. Roubar bolsos era a habilidade mais difícil de aprender e eminentemente a mais útil. Ela se deixou ser empurrada. seu rosto sujo meio escondido pelo chapéu. Ela viu Marc encostado no pilar. onde estavam aglomerados e onde pudesse descer. Alguém lhe entregou um panfleto.151 Cerise de ir com ela. O homem do seu lado não pensou em checar os seus bolsos e ela escondeu o sorriso. pegou um amontoado de uma cesta de rabanete e desapareceu sobre o labirinto de telhas e chaminés quebradas sobre a cidade. Ela pendurou um casaco em uma chaminé e praticou por vários dias até que ela pudesse escolher um bolso sem nem mesmo perturbar os pombos em cima de si. olhando para todo mundo como se estivesse prestando atenção no discurso. checando seus bolsos. um saco de nozes e uma pena do gorro de uma mulher. uma corrente de cobre com o fecho quebrado. Mais orgulhosa até mesmo. instantaneamente. mas não fez nenhum sinal de que a conhecia. pulou no beco. Ela teria que encontrar uma fita vermelha mais tarde. Ela estava tão orgulhosa de si mesmo. Isabeau usou a vantagem da visão de cima para descobrir a movimentação da multidão. Qualquer um podia dançar. pisando em pés e pedindo desculpa. Uma vez que ela tinha marcado o melhor ponto de entrada. quando ganhou elogios do seu professor de dança. . No fim da praça ela conseguiu outra moeda de prata. mas a mulher se recusava absolutamente a deixar a França e cuspiu com a menção da Inglaterra.

Ambos brilhávamos como fantasmas sobre a erva. — murmurou. abandonada. inteligente e autossuficiente. — disse desgostosa. Ela piscou de novo. órfã e em cima dos telhados. para encontrar cabeças decapitadas e fazer máscaras. — Isso nunca me ocorreu antes. — Então. nossos corpos estavam jogados a vários metros de distância. Li que ela escavou entre os cadáveres das vitimas da guilhotina. .152 Capítulo Dezessete — Que diabos é isso? — engasguei quando fomos jogados de volta na clareira. Suponho que foi chamado assim por causa da Madame Tussaud. — Este século é estranho. exceto talvez a sugestão de que não gostava do que ela pensava. — O que tem a ver isto com os museus de cera? — Refiro-me a Madame Tussaud que fez máscaras mortuárias. afastando-se um pouco como se estivesse muito envergonhada para me olhar. Não pude imaginar a imagem de Isabeau. — Sobreviveu.. de personagens famosos. — Logan. — Sabe.. Como agora. — Isabeau murmurou surpresa e envergonhada. Isso definitivamente era algo novo. — Não fui melhor que Madame Tussaud. já conhece o que fui. — não havia um pingo de censura em minha voz. não estava prestando atenção? Eu roubei dos cadáveres e também roubei carteiras. Pisquei. Tragou saliva. continua dizendo isso. De quem você está falando? — Uma atração turística. mas não estávamos em nossos corpos. que eu pudesse pensar menos dela. Fazem réplicas de cera. Já não estávamos em Paris em 1793. — Engenhosa.

Dois guardas estavam a postos na usual porta principal dos Hosts. — ela ajoelhou-se e passou a mão sobre o sangue prateado. — como se a atração por meu corpo estivesse brigando com a necessidade de flutuar para longe. Ela praticamente vibrava com raiva. — ela grunhiu desaparecendo. entre as sobrancelhas. — Cale-se. — Sinto-me um pouco estranho. — Olha. — ela murmurou. para depois sentir um golpe doloroso na cabeça. Vacilou como se estivesse olhando através do calor. E tudo o que sabia era que estávamos ali. de repente senti uma sacudida de vertigem. Estava a ponto de desaparecer de novo e desta vez. de repente negras. em sua cabeça. maldição! Estávamos em tempo real. Embaixo de nós havia uma luxuosa sala com um bar que tinha uma bancada de mármore verde e garrafas de sangue em fila como se fosse vinho Vintage. isto estava nos levando a um lugar diferente e não tinha a menor ideia de onde era. agachada em uma bola. — Não temos tempo a perder. com o sangue metálico. Foi então que notei que a luz que emanava dos nossos corpos estava mais brilhante. — Estamos azuis. sua voz era quase um eco de dor. Enquanto eu tentava não vomitar. — A qual eu apenas posso conseguir fazendo isto. — suas mãos estavam manchadas de uma capa grossa de sangue prateado. pressionados contra o teto de uma casa. Poderia os espíritos incorpóreos vomitar? Era melhor não pensar nisso. — ela disse. enquanto se untava na testa. recoberta com couro e outros dois estavam na porta traseira que conduzia a um pátio de . — Ai. temos que retornar aos nossos corpos antes que nossos espíritos esqueçam o caminho. Tudo era uma mancha de cores turvas. — É perigoso. Tinha os dentes apertados. eu não estava tocando-a. o sangue manchava seus pulsos e a dobra interior de seus cotovelos. como se a gravidade tivesse se invertido. Uma mulher humana chorava no canto. Isto não era como quando havíamos ido para uma de suas lembranças. o inferno que eu ia ficar para trás e flutuar. Peguei sua mão e o sangue prateado correu sobre minha pele. como se fosse uma pintura a óleo. ligeiramente azul ao redor das extremidades nebulosas.153 — Isso vindo de uma garota que sobreviveu à Revolução Francesa. — Está bem? Ainda tenho que conseguir uma conexão com Montmartre. — grunhi em resposta.

— Apenas uma bruxa ou um Shamanka poderia ouvir-nos e nesse momento não alguém assim ali embaixo. — Se continuar a ranger os dentes fará que suas presas quebrem imediatamente.154 telhas. burro! Espero que fique careca. e havia muitas camadas de cor. no exterior. Ela não sorriu. 68Caramelo americano coberto por muitas camadas de caramelos coloridos. Montmartre estava reclinado em uma poltrona de couro. — Asno. tornando impossível uma cabra ter escorbuto. — Apesar disso. É uma aberração. — Pode nos escutar? — perguntei Ela negou com a cabeça. 67No original scurvy goat. ele tentava sequestrar minha irmã que estava inconsciente. — É mais fácil se ver quando está nesse estado e essa matiz de vermelha é única nele. — Finalmente. pois o leite de cabra é rico em vitamina C. — Isso não faz sentido. — ela estava certa. mas ao menos já não parecia alguém que estava tentando quebrar o crânio.wisc. Tente-o. — Isabeau murmurou. No centro do quarto.jpg . e seus olhos estavam estranhamente pálidos. — Isso os marca como parte da tribo de Montmartre. Rato filho da puta! — sussurrei para Montmartre. — Genial.chem. parecendo como um príncipe escuro de algum filme. Via-se como um nebuloso caramelo Jawbreaker68. enquanto tentava manter minha voz suave. Vê os guardas ali? Suas auras são únicas também. Como um arco-íris: http://chemed. faz-se se sentir bem. Dei um olhar de soslaio a Isabeau. — Isabeau explicou.edu/~tsts/McMahon/McMahonImages/McMahon9thru12/jawbreaker. um pouco de sorte. mas tem um matiz de vermelho. — franzi o cenho. — Chorão! Fezes de macaco raivoso cheio de pulgas! — Claramente nota-se que tem talento. Seu cabelo negro estava recolhido para trás. A última vez que o vi. — Cachorro sarnento filho de uma cabra com escorbuto67. — Porque ele parece tão vermelho? — Está vendo a sua aura. Ela entrecerrou seus olhos na parte superior do perfeito cabelo de Montmartre.

— De que cor são a dos Drake? — Azul Cinzento. Aproximei-me mais de Isabeau. Os Hel-Blar tem uma ausência de cor. Montmartre não parecia particularmente impressionado. o tipo de estilo descuidado pelo qual tem que trabalhar muito para conseguir. O som de sua voz fez Isabeau dar um passo atrás. — disse. como a superfície de um lago quando uma tormenta está próxima. muito rosa. — Colocamos o pacote por pura sorte. Queria abraçá-la. Outro homem entrou no quarto. mas minha mãe não havia criado a um idiota. era muito suave e aristocrático para parecer ameaçador. fica? Os guardas saudaram alguém e se colocaram de lado antes que ela pudesse responder. — disse. Não era muito alto. Então todos nós temos isso? — não podia deixar de notar que a aura de Isabeau e a minha tinham o mesmo e tênue tom azul opala que rodeava nossos corpos que estavam muito próximos. Não reconheci ao novo vampiro. . quase cinza. Precisamos do elemento surpresa e não podemos fazê-lo. vestido com um traje desenhado sobmedida ridiculamente caro. se não fosse pelo sinistro poder que emanava dos seus poros. Ela assentiu com a cabeça uma vez. hesitante. flutuando suavemente por cima dos predadores que já haviam tentado matá-la mais de uma vez. Isso era bom. — Greyhaven? — sussurrei. Tinha o cabelo castanho escuro e ingenuamente estilizado. como algodão doce. inclusive mais do que queria voltar ao meu corpo. E senti a repentina necessidade de protegêla. o que faz com que minha cabeça doa. Greyhaven misturou algum sangue em seu copo de brandy e jogou o conteúdo para trás antes de começar a falar. Lucy é muito. — Isto realmente não fica menos estranho. Parecia esgotado na verdade. Falavam de Solange. Já que não soltam a maldita garota. como se ele tivesse tentado estacá-la. devido à fadiga que o rodeava. — Não temos tempo ou homens para atacar a fazendo dos Drake. — Sim. não agora. como se tivesse um colar de madeira no pescoço.155 — Espera. — Os Hel-Blar estão causando uma agradável distração. Nem era uma opção imediata.

E também a Coroa. — Tenha seus homens prontos. E já que aqueles planos implicavam em matar a minha família. estava entre tenso. Não gostava das mudanças de plano. — Montmartre não viu o estranho olhar no rosto de Greyhaven. — Pensa em seu corpo. — Ela estará na coroação. — Mas. com sarcasmo. já que funcionou tão bem da última vez. — Temos que adverti-los. — Se preocupa muito. — Greyhaven assegurou-lhe tranquilamente. — Eles não estarão nos esperando na Coroação. — Vamos ter que agir mais rápido que isso. — Sim. — Montmartre disse colocando-se de pé. Era muito para uma só expressão. — Merde. — Você poderá tomá-la ali. E de repente foi banhada por uma fina camada de pânico.. esperançoso. feroz. Vamos enviar os guardas humanos antes do entardecer de amanhã e os seguiremos. queria sentir o solo embaixo das minhas botas. Então de repente uma rajada de névoa pairava sobre nós. casarse com minha irmã caçula contra sua vontade. Era evidente que Greyhaven não era do tipo espontâneo. sua boca tão próxima ao meu ouvido que pude sentir um roçar em meu lóbulo. Seus dedos cravaram em meu braço. um grunhido que não me dei conta que vinha da minha própria garganta até que quase me engasgo devido ele. desprezível. Eu estava muito furioso e tenso e já me incomodava continuar flutuando. — ele sorriu e isso enviou um calafrio através de mim. também uma boa pegada sobre uma estaca.. Greyhaven franziu o cenho ligeiramente e olhou com receio para os escuros cantos do quarto.156 Ouviu-se um ruído estranho. — Isabeau chegou a mim antes que pudesse alcançá-la. esta era muito incômoda. uma expressão muito utilizada nos Estados Unidos para ameaçar ou desafiar alguém a tentar algo contra você ou terceiros. — disse secamente. Posso raptar a garota uma vez que ela tenha a Coroa. — sussurrou. ciumento. amargo. Queria sentir o aperto de uma boa espada em minha mão. ele até poderia tentar69. — disse a Isabeau. . mas eu podia ver claramente. Agora mesmo. A 69He could bite me ou morda-me. E eu não tinha ideia de como interpretá-lo.

Fui jogado pelo ar no que parecia ser anos e logo aterrissei próximo ao meu corpo. como uma lâmpada a ponto de explodir. — Isabeau. Não tinha a menor ideia se ele havia nos visto. — havia me dito que deveria chamar três vezes por seu nome para que pudesse retornar ao seu corpo. Senti-me cansado e desorientado. Estava certo de que não havia imaginado. e não apenas porque Madame Veronique exigia um entendimento básico. Ela permaneceu etérea e ainda parecia como se houvesse engolido a lua. Estava muito mais tranquilo do que na realidade parecia. nem respondeu ao seu nome. — disse suavemente. Nop. — sorri lentamente. — Isabeau. — Isabeau? — Oui? — O que é exatamente que devo fazer. Está me assustando. Minha aura parecia avariada. desvanecida. Bom. Nem tinha ideia de onde estávamos. — me queixei. — Agora mesmo. Eu não sabia se isso ia funcionar nela. sentindo-me embriagado. — Boa ideia. — disse com urgência. — Isabeau. Sua aura piscou. — Merda. nem me olhou. — Logan. me colocando de pé. como se estivesse sentado em uma cadeira. — Hey. Ela me sorriu. . — ela não recuou. agora podia usálo para encantar Isabeau em sua língua nativa. Se não porque. — Deve retornar ao seu corpo. mas então voltei a sentir um ataque de vertigem. as aulas de francês haviam me servido de algo. Não funcionou. — Isabeau. quase certo. ma belle 70? — depois de tudo. e muito menos em mim. como se seus membros astrais fossem pesados como pedras. 70Ma belle: Minha bela.157 cabeça de Greyhaven balançou. — Apenas deite em seu corpo. droga! Ela virou a cabeça lentamente para mim. Isabeau parecia totalmente exausta.

158 — Está bem. orelhas erguidas. Ruídos de passos. Piscou aturdida. como se a eletricidade me atravessasse. está na parte inferior da minha lista de prioridades neste momento. cão. — Magda? O que está acontecendo? Magda ajeitou seus longos cachos sobre os ombros. para trás aterrissando em meu corpo. fazendo uma careta. — Ele foi convocado para os ritos. — Isto não é um pedido. não estava de volta ao seu corpo ainda. podia ouvi-los. Isabeau se sacudiu uma vez e logo sentou bruscamente. Sentei-me. — Não! . Logan. Eu não o fiz. — toquei sua bochecha. Agora sim. deixando uma mancha úmida e fria em meu pescoço. com uma estaca em sua mão. venha conosco. Isabeau ainda estava deitada. e aterrissou de cócoras no espaço livre. Tem que pegar uma maldita senha. com o rosto ilegível. Charlemagne me cheirou. Meus braços e pernas tremeram. — O que? — Isabeau saltou sobre seus pés. brilhando. — Olha. Grunhi. Então relaxou quando viu que os que nos rodeavam eram guerreiros Hound. que me mostravam os dentes. — ela me empurrou e caí. e tinha que me assegurar de que Solange estivesse a salvo. — Não sorri o suficiente. corpos de vampiros se movendo entre as árvores rapidamente. Isabeau ainda não se movia e eu tinha que advertir aos meus pais. — Ela pode esperar também. Magda. — Foi convocado por Kala. — Flerte comigo mais tarde. Nossas auras se tocaram. depois senti um estranho formigamento em todas as partes. — disse. Magda deu um passo à frente. — Uma merda. ou o tentei. e eu congelei. Em nossa direção. — Logan Drake. e esteve quase a ponto de bater na minha cara. Charlemagne permaneceu próximo à cabeça de Isabeau. — havia cães aos seus pés. Senti-me pesado e estranho. Algo saltou no ar. — Esse não era o beijo que eu esperava. Deu-me uma lambida novamente.

— disse um deles. — disse. não depois de toda a magia que temos feito. — Kala voltou a ler os ossos. — Deixe-me pelo menos telefonar para meus pais para adverti-los. ou pode ser usado como um casamento legal. É por isso que os telefones não funcionam bem nas cavernas. — Nunca me disse nada disto. Moveu nervosamente seus pés. Isabeau parecia cabisbaixa. Tentei alcançar suas mãos. renovável "enquanto o amor durar" e para os outros o compromisso de estar juntos durante todo este tempo da vida. — É uma das nossas tradições. — Os telefones não funcionam aqui. — Kala já deu uma ordem. Com um Drake. — Ele tem que ser iniciado para ser seu Consorte. a fadiga havia formado escuras bolsas debaixo dos seus olhos verdes. — Isabeau disse suplicando aos guerreiros. — insistiu outro guerreiro. — disse em voz baixa. . E de todas as formas. — Então envie alguém para que faça esse trabalho. — Consorte? — repeti. Minhas presas estavam para fora. — E eu pensei que você não gosta de mim. — Consorte? É sério? É isso que você queria dizer? Ela corou levemente. e lembrei a magra menina que havia roubado moedas e havia comido pedaços de pão rançoso. Olhando-a fixamente. — Ele tem que demonstrar que é digno de você. — Não é assim. — Do que ela está falando? — Não é ele.159 Levantei-me lentamente. pode ser usado tanto no sentido informal noivado. soando ferida. Tem que ser o suficientemente forte para ser um de nós. — ela afastou o cabelo do seu rosto. — Não podem estar em Handfasted71 sem os ritos. ou através de muitas vidas. Dura um ano e um dia. Isabeau estremeceu. Nas tradições celtas. Mas isso não significa que seja ele. — rapidamente disse. — Magda adicionou. Esta era a mesma 71Vem de handfasting. dos Hounds. — Temos que advertir aos demais. completos com licença de casamento. não temos tempo para isto. — Kala predisse que ia me comprometer com um vampiro da Corte Real. meus punhos cerrados. — Eu sei.

mas. — Sim. Cortei-a. — perguntei com a voz rouca.160 mulher que beijei essa manhã quando o sol havia nascido como uma vela colocada muito próxima de uma cortina. .. — Me coloco a prova por você? Ela assentiu com timidez. me virando para o bando de guerreiros armados. — Vamos. — Se fizer isto..

Era fácil assumir que um tipo que se sentia confortável usando punhos de renda não podia distinguir uma espada de um palito de dentes. seus amuletos e contas de osso batiam juntas enquanto ela se movia. por Madame Veronique.161 Capítulo Dezoito A marcha de volta às cavernas foi formal e irritante. Mesmo que este fosse o pior momento possível. A terra estava limpa de pedras e pedaços quebrados de estalactites. Alguém riu. A maioria das tochas tinha sido apagada no interior das cavernas e apenas algumas velas ficaram ardendo ao longo da borda do lago leitoso. Só podia ver o brilho de seus olhos. Possivelmente estava subestimando esta prova. — murmurei. Kala parecia melhor. E sabia como usá-lo a meu favor. sua voz ecoava de uma maneira que não era de todo consequência das cavernas. mas o homem junto a ela colocou a mão sobre sua boca. mas estava salpicada do que parecia ser sal e erva seca. dobrando-as em um canto. Tirei a jaqueta e a camisa. — Logan Drake. mas ainda assim era muito intimidante. Eu provavelmente deveria ter me preocupado mais por meu bem estar. Abriu sua boca com uma advertência. — Estas coisas não são baratas. Eu estava acostumado a isso. mas estava um pouco feliz de ter a oportunidade de provar a mim mesmo com ela. Isabeau estava desconcertada e envergonhada. sentada sobre uma pedra gasta. Isabeau engoliu em seco e me enviou um olhar que não pude decifrar. Eu franzi o cenho. . Pelo menos Magda não estava mais com um sorriso de satisfação para mim. quem preferia o bordado à guerra. Os guerreiros se alinhavam nas paredes juntos a seus cachorros. você veio aos ritos com boas intenções? — Kala me perguntou. Eu já tinha sido testado antes. Só pude imaginar o que estavam pensando de mim ao me ver em minha jaqueta estilo pirata e botas com ponta de aço.

Levantei o queixo com arrogância. o gotejar constante da água no lago. de pé com os joelhos frouxos. do que eu. — não podia acreditar que o estivesse permitindo. quando se tratava de Isabeau. — Kala rosnou.. mas não se moveu para longe dela. o movimento dos cachorros. — Vou estar bem. . Isto era desconcertante.. ou a ponto de ser destroçado por um navio viking com uma armação de metal. O qual pelo menos eu tinha uma vaga ideia de como lidar.162 — Você conhece as regras. O inquebrantável momento de tranquilidade era quase pior que um ataque de entrada e saída. Levantei uma sobrancelha para o Hound que ainda a mantinha em silêncio. Mas estava destinado a ser. Se eu tivesse fechado os olhos.. A canção terminou. Pronto para enfrentar o que seja que eles jogassem para mim. pronto para saltar. Fiquei tenso. — Kala disse bruscamente. Ele sorriu e deixou a mão cair. Outros seis Hounds levantaram seus próprios chocalhos e se uniram a oração. Kala estava cantando em um idioma que soava como o sânscrito. gritando. — sussurrei para ela. E então. O som era como a chuva sobre o telhado de zinco. eu ouvi. — Agora. — Solte-a. quase esperando que os vampiros corressem para mim. Charlemagne não parecia como se sentisse a necessidade de morder e arrancar a cara do homem. — Os ossos e os sonhos não devem ser ignorados. os chocalhos silenciaram. — Comecem. Kala sacudiu um chocalho de sementes. Era provável que não seria bom que um cachorro tivesse melhor autocontrole. que pendia com um dente de cachorro. E um inferno se eu ia deixar-lhes me ver contorcendo e suando. O rugido foi baixo o suficiente que quase pareceu retumbar no solo sob meus pés. Estas tradições deviam ser mais profundas do que havia pensado. Não aconteceu nada. bem poderia me imaginar em um lindo templo em meio do deserto. então deduzi que eu também não deveria fazê-lo. Estava apenas o frio silêncio das cavernas. acentuado com sons guturais do tipo viking.

Eu tinha ouvido que eles costumavam usar cachorros como este nos rings de gladiadores na antiga Roma e para caçar javalis na Idade Média. esperando. Os outros cachorros reunidos ao redor. E ele estava treinado para lutar e matar. E eu não tinha retrocedido nem corrido como uma gazela assustada. Todos os demais retrocederam. nem um grama de dobrinhas macias de cachorro em algum lugar. Muito possivelmente esta era a noite em que meu complexo de cavalheiro branco. a cabeça baixa ameaçadoramente. A luz brilhava fora dos botões de prata de minha jaqueta no canto. E não tinha a mão um pedaço de carne com sonífero. A baba caia até o solo enquanto seus lábios se despregavam mostrando os dentes que teriam feito um Hel-Blar sentir-se orgulhoso. em qualquer caso. Mais até que Ox-Eye era uma generosa mistura entre Dobermann e Rottweiler. conseguiria que me matassem. Para não mencionar que isto era para me casar com uma garota que vinha de uma tribo de lunáticos sedentos de sangue. rosnaram em resposta. poderia ser capaz de dar a volta e aterrissar no monte de pedras estreitas e me afastar dele. Teste ou trapaça? Muito tarde para lamentar minha decisão precipitada agora. a reveladora forma na qual pressionava suas . Isso dificilmente podia lhe demonstrar o meu valor a Isabeau. com um colar de couro com pontas armadas para protegê-lo de sua presa. estava rodeado por guerreiros e seus cachorros. no entanto. Alguém teria que escrever um poema sobre isto. Sabia que não podia me afastar ou fazer contato visual. E se o ferisse mesmo para salvar minha própria pele. a expressão de Isabeau estava cuidadosamente em branco. Mantive meu objetivo na mira. Era simplesmente justo. com o que distraí-lo. como Solange havia dito. Apenas meu próprio e lamentável ser. Era todo músculo. Deveria ter sabido que eles iam usar os cães. provavelmente iam me matar por isso de qualquer modo. Sabendo que eu tinha apenas uma vantagem sobre ele. só senti uma injeção de adrenalina nas veias.163 O cachorro era muito grande. Olhei novamente para o baboso cão guerreiro e dobrei ainda mais os meus joelhos. Não tinha nenhum lugar para onde eu podia escapar. Toda esta negociação tribal realmente fedia. me perseguindo. O cão moveu-se para mim. Se eu tivesse muita sorte.

Escorreguei e cai no chão. Raspou seus dentes. e nem aderência suficiente para me manter confortavelmente em posição vertical. Ele não desperdiçou um só minuto em latidos e rosnados. meu sorriso se foi. Pisquei o suor para fora de meus olhos. — E. quase sorrindo. a luz bruxuleante. A língua de Charlemagne pendia alegremente fora de sua boca. Suas pernas se encolheram para então se jogar sobre mim. — explicou. no entanto. Houve um arranhar de dentes no ar e outro grunhido. já que um de nossos próprios cães te reclamou como seu. — disse. o estrondo da cachoeira. baixou as orelhas e rapidamente se sentou. — disse ela. Apontou as centenas de santuários de pedra que tinham sido . Estive a ponto de perder um dente ao bater um lado do meu rosto.164 mãos juntas. arrancando rios espessos de sangue. Na aterrissagem. A ponta de aço de minha bota prendeu na parede. O cão guerreiro parou. Ninguém estava olhando para mim de qualquer modo. Ele aterrissou com mais poder e graça do que eu havia mostrado. Limpei o sangue e a sujeira das minhas mãos. — Muito bem. Saltei com graça pelo ar. Com muito cuidado fiz contato visual e mostrei os dentes. — Pó de ossos de alguns de nossos cachorros mais sagrados. Não havia espaço suficiente para o meu pé. Éramos apenas eu. A pedra desmoronou sob meu calcanhar enquanto escorregava xingando. Minha boca se abriu. A rocha irregular arranhou meus braços. — Que demônios aconteceu? — Você passou na primeira prova. Charlemagne saiu de sua posição aos pés de Isabeau e aterrissou entre eu e o cão guerreiro. como se este tipo de coisas fossem perfeitamente normais. gemendo. O que não costuma acontecer. Eu tinha uma chance. o cão e a pedra irregular. Kala inclinou a cabeça. como se eu fosse lerdo. Kala pulverizou um punhado de ervas secas e o que parecia giz em um ardente fogo pequeno no banco de pedra calcaria junto ao lago branco. todo dentes e olhos desorbitados. muito mais inesperado. rosnando.

o qual estava fazendo agora mesmo. Os Hounds pareciam se desvanecer a um segundo plano e Isabeau parecia brilhar novamente. seu longo cabelo brilhante. — Isabeau. se inclinasse para frente. Isabeau nunca suspirava. Estava ainda mais linda que de costume. inclusive. enquanto sua tribo inteira estava nos olhando. Ela parou quando esteve perto o suficiente para me beijar. seus olhos verdes brilhando com diversão e o calor enquanto se aproximava. Poderíamos estar completamente sozinhos nas cavernas. Não Isabeau. mostrando uma perna praticamente até o quadril. apenas essas destemidas cicatrizes. Cada um deles sustentava uma vela ou algumas urnas de argila. entre nós e os demais. A fumaça do fogo encheu meu nariz e deixei de me preocupar pela semântica e os ossos no pó. Sua perna delgada surgiu enquanto ela dava um passo em frente. Sabia ser doce. junto com as cinzas de nossas mães. Brilhava como as perolas. Ela usava um justo vestido de cetim com um profundo decote. nem tampouco se aferrava desta maneira. enviando cortinas de fumaça perfumada que subiam ao ar. no mundo inteiro. Ela me mordeu brincalhona para depois se tornar suave e flexível entre meus braços. Sua língua tocou a minha e eu pressionei-a para mais perto contra meu peito. as estrelas e a lua. não havia mais espaço entre nós. O fogo crepitava junto a nós. Minha boca secou. aferrando-se a mim e suspirando meu nome. nunca teria enfiado sua mão debaixo de minha camisa. O que ela fez. Senti-me quase tão suave como o havia sido desde então. E sorria para mim. — Temos que manter todos muito perto. Isto me deu um momento para pensar coerentemente e me golpear. Beijou-me tão profundamente que o cão de guerra poderia ter se colado atrás de mim e mordido minha perna e eu não teria percebido. — eu disse. Supõe-se que “Mãe” era outro termo para “Shamanka”. como vinho quente com especiarias e condimentos. . — Logan. Minha voz se quebrou da forma que não o havia feito desde que tinha treze anos. quase coquete. Ela não usava nenhuma joia. — disse em voz baixa. sua postura elegante. nem sequer para a fumaça subindo.165 cravados na rocha.

Ela acariciou meu ouvido até que um calafrio desceu por minhas costas. Ela mordiscou o lóbulo de minha orelha e eu sabia que estava em problemas. — Logan. Ela estava apenas a algumas polegadas de mim. homem acorda. — Deixe os Hounds e os Drakes com seus assuntos de política. E tão logo quando o sangue voltasse ao meu cérebro. eu disse a mim mesmo. Ela umedeceu o lábio inferior. Logan. nesta mesma tarde. O autocontrole em torno do sangue fresco não era precisamente fácil para um vampiro muito jovem. Sabia que se não tivesse bebido até me encher. eu ia lembrar o que era. Pude ver os rios azuis de suas veias. Poderíamos ser apenas você e eu. — Beba Logan. Elevou seu pulso. Ela sorriu. nossos narizes quase se tocavam. Mas mal tinha êxito. Era fisicamente doloroso me separar dela. vamos sair deste lugar. Quero que o faça. Isabeau e o sangue eram simplesmente muito para eu resistir quando se colocavam juntos. Merda. — Eu estou me oferecendo. eu teria estado totalmente perdido. até o chão. Logan. . Provavelmente tinha uma boa razão pela qual eu não deveria estar de acordo com ela e deixá-la me levar para fora das cavernas. — murmurou. me oferecendo-o. E eu voltei a perder a linha de meus pensamentos. Vampiros megalomaníacos e guerras civis não tinham nada haver com esta garota. — Vem comigo. lambeu uma gota de sangue de seu dedo. Grunhi quando minhas presas ganharam a batalha com as gengivas e minha mandíbula pressionada. Sozinhos. Mas agora não. tentando deter minhas presas para que parassem de sobressair. A fumaça parecia mais grossa. Enquanto tive que manter meus molares retraídos. sérios problemas. Agarrei seu cotovelo e a arrastei para o lago. Ela percorreu com uma pujante agulha de prata a delicada pele de seu pulso.166 E isso exigiu de mim uma vontade extrema de poder me afastar. Drake. grudava em meu cabelo e cravava em minha garganta. O sangue quente perfumado se agrupou sobre sua pele fresca invernal e começou a gotejar de seu braço.

todas com barulhentas contas de ossos. elegante. a empurrando para trás. — murmurou. Poderia estar mais preocupado se não estivesse defendendo a mim mesmo de meus seis irmãos toda a minha vida. Eu a soltei com uma maldição afogada. O trio de velas de cera piscou a minha esquerda enviando luz suficiente. — eu disse sem surpresa. quando estávamos em forma de espírito. que eu tinha uma mãe que pensava que era uma ninja. que caia a seus pés descalços. Ela parecia apenas com dezesseis anos. Ela era delicada. pequena como uma bailarina. para assim poder ver seu reflexo. — Morgan.167 Ela riu. que deslizou sobre a superfície perolada do lago. — O que é exatamente? — perguntei com receio. Eles já não estavam de pé nas sombras. tentadoramente. tão rápido que a teria feito girar frente a seus pés se tivesse sido real. usava um vestido de pelo cinza. Estive a ponto de suspirar. Juntem a isso. E de repente havia apenas fumaça em seu lugar. Não me deixei enganar. Era a primeira vez que tinha chegado tão perto do velho mito de que os vampiros não tinham reflexo. mas estava perto o suficiente. alguns pintados de azul. — Kala indicou a uma mulher da multidão. — O julgamento pelo combate. mas parecia sutilmente satisfeita. Tentei aproximá-la um pouco mais. — O que você está fazendo? — questionei nervosamente. A fumaça nos seguiu. Seu sangue deixava faixas rosadas na água leitosa. Vi a fumaça na vaga forma de uma mulher. Kala não sorria. — Claro que é. Definitivamente não era a verdadeira Isabeau. — Última prova. . e outros eram dourados. O lago não podia ser um espelho real. E ela se moveu. Mas eu já tinha lembrado o que ela havia me dito antes. e eu virei para olhar os Hounds. Seu cabelo chegava até os joelhos em três grossas tranças. descobrindo sua perna.

foi inexistente. Fiquei imóvel e tentei não engolir. Era tão irritante e lúgubre. As narinas de Morgan se abriram. libertando-a. braço. pingando por meu braço. de alguma maneira. tentando dar alguns golpes. Eu a acertei no plexo solar. embainhando sua espada e então se afastou. colocando-me em posição. rodando sob meus pés antes que ela aterrissasse. As chamas das velas junto à minha cabeça tremeram. Ela adiantou-se e saltou rápido suficiente para evitar o golpe completo do meu calcanhar. já manchada com meu sangue. tanto quanto pude. Quando me virei. Agarrou minha bota enquanto esta a ultrapassava e empurrou fortemente para longe dela. Este era o ritual dos Hounds. Tive que saltar para trás para que a ponta de sua espada não arrancasse meu nariz de imediato. Desde que gostaria de manter meu rosto onde estava. Fui abaixei. músculo. peito. sua bota pressionava minhas costelas. O sangue manchava as rochas atrás de mim. mas nada era definitivamente o suficiente para ganhar a luta. machucando o cotovelo e o ombro na rocha irregular. Isto me deu uma pausa suficiente para me afastar. Cheguei aos pés de Isabeau. As pulseiras em seus pulsos soaram lindamente. apenas cantaram e sacudiram o ocasional chocalho. Conjuntos de presas duplas e triplas se estendiam ao meu redor. Ela se lançou para mim como uma vespa. virei inclinando-me e a chutei. Pareceu uma eternidade antes que Morgan desse um passo para trás. Quando ela veio para mim de novo. Eu não ia ser capaz de dançar a minha maneira para sair dessa. se apoiou em meu pomo de Adão. Lutei contra ela. ela já estava girando para mim. até mesmo o som revelador de sua espada raspando a bainha enquanto ela desembainhava. sem sequer um grito de batalha como advertência. estava voando pelo ar. mas não havia lhe dado com a força suficiente para lhe causar dano real. E então não houve forma alguma de escapar de seu ataque. não gritavam ou aplaudiam. Tenho que testar a mim mesmo com ela. sua espada extraindo sangue de meu pulso. Tirei o cabelo de meus olhos. E então. Ela cambaleou. A ponta da espada de Morgan. . mas não caiu. Cai para trás. tirei a perna e tentei derrubá-la.168 Especialmente quando ela saltou para mim.

Isabeau se agachou. — Eu não entendo. Os tambores fizeram eco e um fogo se acendeu no centro da caverna. saindo de minha posição desleixada. Nós agora te consideramos um irmão. — Sim. — Kala baixou a voz. devemos ir.169 Engoli saliva compulsivamente. . Isabeau virou-se para mim. Kala aproximou-se de nós. certo? Assenti com a cabeça. Logan Drake. Ela entregou-me minha camisa. Os hematomas ao redor de meu olho direito começaram a latejar. — Logan? — Sim? — estava vestindo minhas roupas novamente apesar de que o tecido grudava em minhas feridas. — Morgan sempre ganha. Isso quase fez com que minha humilhação fosse totalmente suportável. — Este foi um dos dentes de leite de Charlemagne. — Mas entendo que você tenha assuntos a atender. enquanto os chocalhos dos Hounds foram substituídos por tambores. Tudo o que eu tinha feito para tentar mantê-la limpa. — Não se trata de ganhar. — Você perdeu a parte em que ela chutou minha bunda? Ela encolheu um ombro. meio sorrindo — Isso foi genial. Isto marca você como um de nós e foi magicamente trabalhado. — Obrigado. Apenas dois Hounds conseguiram golpeá-la nos últimos cento e cinquenta anos. — Bom feito. — Normalmente nós celebramos e dançamos até o amanhecer. Coloquei-me de pé. — Desculpe. — Quer saber? Não importa. Franzi o cenho. — ela deu-me um rápido olhar enquanto subíamos os toscos degraus para fora. Deslizou-o por cima de minha cabeça. — Então de que diabo se trata? — levantei minha mão. Não acho que a resposta me importe. minha jaqueta e uma tira de couro com o dente de um cachorro envolto em arame de cobre. Ela é nossa campeã. — Sim? Genial.

.170 — Como você soube que não era realmente eu? — Você está brincando? Seus olhos podem estar em chamas e você não bate seus cílios para mim dessa maneira.

Os cabelos do meu braço se arrepiaram. — Ataque. — Um aviso para a batalha e. cortante como vidro quebrado. mas alguém tinha que salvar Isabeau de si mesma. principalmente para meu benefício. Os Hounds entraram em alerta alto imediatamente. eu teria que calar a boca de qualquer maneira.. os outros cachorros se juntaram ao coro. Isabeau inclinou a cabeça. Inferno. rosnando. — E para se esconder. . Depois que chegou à caverna principal. No início parecia que estava vindo de longe. latindo. Eu ouvi uma batida leve. — disse Isabeau. Odiava pensar no que poderia fazer o grupo inteiro dos Hounds no seu próprio território e com os seus cães de guerra amarelar. tão estridente que eu pensei que a água do lago poderia ter ondulado ligeiramente. — ela parou claramente chocada ao ouvir mais dois curtos sons. como se tal coisa nunca tivesse ocorrido a nenhum deles antes. uma curta. como se algo estivesse batendo na tubulação. Eu teria que calar a boca também se eu fosse um cachorro. Tudo que eu queria era sair e avisar à minha família sobre o ataque de Montmartre. Discrição era definitivamente a melhor parte da coragem algumas vezes. alcançando armas. três longas.171 Capítulo Dezenove Chegamos à borda quando o latido começou. Kala bateu palmas e falou uma palavra de comando. — ela acrescentou. finalmente. Não estava ansioso para sair e descobrir. uivando. Esforcei-me para ouvir além do canto frenético dos cães. ecoando das passagens de pedra. E veio para nós.. Eu acreditava que todos ali soubessem exatamente o que as séries de sons queriam dizer.

— eu disse enquanto eu e Isabeau olhávamos um para o outro com os olhos arregalados. — Greyhaven pode ter percebido que eu estava em Montmartre. As mãos dela se enrolaram em punhos. Morgan estava mantendo guarda perto de Kala. Isabeau ergueu a espada apreensivamente. Eu quase o matei. Gelei completamente. pendurado com teias de aranha. Isabeau estalou os dedos e apontou para Charlemagne se juntar a eles. Eles mudaram o ataque e assim ele vai manter os Hound fora do caminho. Eu ouvi a briga. Ela assentiu com a cabeça. apesar do perigo. Não ficaria totalmente surpreendido se gelo tivesse se formado em minha boca. — eu disse. — Tem que ser. — É Montmartre. Tenho que chegar até minha família. levando a Shamanka em direção à uma fenda estreita em um dos muros agora. Um grito ecoou em nossa direção. O fato de ele ter caído aos meus pés salvou sua vida e o futuro da aliança entre as nossas tribos. — Hel-Blar. Ele sabe a minha assinatura de espírito. — O que você quer dizer? — ela perguntou enquanto os Hounds se mexiam para esperar do outro lado do túnel. que ela ia saltar para a briga. — eu disse. de fato. — Merda. Alguns dos mais ferozes ficaram com os Hound. Eu saquei um dos meus punhais. Alguém arrastou seu compatriota ferido do caminho para que ele não fosse pisoteado quando o combate começasse. sufocando. se isso era possível. Ele quer desacreditar nossas tribos uma da outra para garantir que nenhum de vocês venha para nos ajudar. — Agora. — Eu sei. — Ele está indo para as Cortes Reais hoje à noite. e então um Hound sangrando por um ferimento na cabeça tropeçou na borda. . A maioria dos cães foi com elas. — Mostre-me a passagem mais próxima. Eles reagiram em consequência. — Dúzias deles. — É um truque. — Eu tenho que sair. o grunhido. Fiquei francamente surpreendido que ela ainda não tivesse se matado por isso. — fiquei com mais frio. — ele borbulhava.172 Eu sabia. A forma eficiente que pisaram na formação da batalha teria trazido lágrimas de alegria aos olhos de minha mãe.

— levou-me para o outro lado da água e deslizou por uma corda. — Algumas partes são tão escuras que nem mesmo nós podemos ver. muito lentamente para os nossos gostos. Ela usava a sua própria. — Espero fazer melhor indo com você do que aqui. como uma tiara. Ela virou a cabeça ligeiramente. Nós nos arrastávamos lentamente. — murmurei enquanto eu raspava outra camada de pele do lado de fora do meu pescoço e as costas da minha mão. Olhei para ela por alguns instantes.173 — Por aqui. o que significa que ela quer que eu salve a aliança. — ela disse. mas não havia nada que pudéssemos fazer sobre isso. balançando para trás da outra borda da cortina de água branca. Não havia maneira de nos movermos mais rápido. ao invés de ampliar para o céu. Ela virou-se para enfrentar o corredor. O confronto das espadas pairava abaixo. vislumbres de sua pele pálida. alcançando até a desligar a luz. — Obrigado. Kala não me pediu para acompanhá-la. entregando-me outra lanterna com uma alça para se encaixar na minha cabeça. — murmurei enquanto entrávamos no túnel úmido. emitindo o feixe saltando de um túnel que não era realmente mais do que uma rachadura na rocha. Virei-me de lado. Quando a corda grossa balançou de volta. Todas pareciam iguais do lado de fora. balançando a luz. A luz me cegou ao ver sua expressão. Mal havia espaço para passar. — ela explicou. não teria imaginado por um momento único que ela deixaria os Hounds para me ajudar. Por qual outra razão ela teria insistido na sua iniciação logo após ter te conhecido? Eu realmente não tinha tempo falar com ela sobre isso. quase inaudível. Isabeau alcançou uma lanterna e ligou. — Você não deve ir sozinho. . Realmente não gostava da ideia de ficar preso e morrendo de fome dentro de uma montanha. — Você vem comigo? — não tinha esperado por isso. A lanterna iluminando as costas de Isabeau. pois o túnel parecia estar ainda mais estreito. — Espero que você saiba o que está fazendo. A saliência estava escorregadia e os estrondos da cachoeira abalavam através de meus ossos. a queda de seu cabelo escuro. Dificilmente uma forma eficaz de parar Montmartre. Eu realmente esperava que a fenda nos levasse na direção certa. pedras raspando nos meus ombros. eu a agarrei e a segui.

Peguei meu celular. . tenta o meu. e quando ela falou de novo a sua voz rangia. de Sebastian. — Logan? — Sim. — Olá? — Sol? O que está acontecendo? Porque não há ninguém respondendo aos seus telefones? Houve uma longa pausa. Podia sentir o cheiro de uma mudança no ar também. mas acredito totalmente em maldições agora. Desliguei a minha também. — Isso não é bom. Tropeçamos para fora de uma caverna muito pequena que se abriu para o brilho das estrelas e com a mudança de ramos de uma árvore atrofiada perto da abertura. Após um momento piscando afastando a mudança brusca de luz. — Devo ter caído sobre ele quando Morgan estava chutando minha bunda. teríamos que escalar nosso caminho para baixo. uma vez que tocou e tocou. não demorou muito para que eu pudesse ouvir o vento. — Obrigado. Coloquei-o de volta no bolso. Alguém sempre respondia. Isabeau deu-me seu telefone. — Deveria telefonar para os meus pais. — eu disse. Se as mantivermos acesas vamos mostrar nossa posição à distância. — liguei rapidamente. — meio como eu estava começando a ser. A saliência rochosa relativamente estreita. E ainda estava frio e úmido. É inútil. — Aqui. podia diferenciar todos os tons de preto e cinza. Ninguém respondeu. Solange respondeu ao segundo toque. Eu tentei o número da minha mãe. O painel do meu telefone estava quebrado e não ligaria totalmente. — Só faltava essa. mas pelo menos não deveria ser bloqueado pela magia tão longe da caverna principal. Se eu ainda fosse humano. irritado. Consigo sinal aqui? Isabeau assentiu. teria sido um breu total.174 — Estamos quase lá. — Você deveria ser capaz. ouvindo com crescente agitação. — eu disse frustrado. Não é confiável. quem mais? — respondi irritado. mas de vez em quando um sopro quente de folhas e lama parecia no caminho para dentro. Não estava ajudando em nada para o meu humor. do meu pai. ligando para a fazenda. Não tinha certeza se acreditava na mágica antes. Isso era virtualmente desconhecido a menos que eles estivessem caçando ou lutando.

— Vou ligar para ele agora. —Ei. — Estou nas cavernas com Isabeau. — É claro que estou. com isso não podemos lutar contra ele. — Nicholas! É Logan. Eu disse para um dos guardas para que vocês soubessem. — Ela não sobreviveu.. E rápido.. você é uma dor no meu. Papai estava tentando parar mamãe de atacar os Hounds.. eu realmente não posso falar. Mais ou menos como estamos sendo agora. Solange ganhou. por isso não posso exatamente bater papo. O guarda nunca nos disse qualquer coisa.. — Logan. — Por que você está gritando? — Isabeau olhou para mim interrogativamente e eu encolhi os ombros.175 — Logan!! — ela gritou tão alto que quase deixei o telefone cair. Sol. — sua própria voz vacilou um pouco. — Você está vivo! Oh meu Deus. É desorientador.. — Ok. Não poderia explicar a minha família na maior parte do tempo.. pare com isso! Eles estavam claramente lutando pelo telefone. hei. exceto que ele encontrou um feitiço da morte com seu perfume sobre ele e a marca de Isabeau. — Merda. — O que aconteceu? — Nós fomos atacados por Hel-Blar. como se ela estivesse chorando... Logan.. Eu não se.. eu estou tão feliz de ouvir a sua voz. — Estou bem. Montmartre tem mandado Hel-Blar sobre todos nós. Jen veio comigo. — Onde diabos você esteve? Eu tive que colocar o telefone longe do meu ouvido novamente quando ela ficou estridente. Ele está bem. — eu parei. — eu disse. Eu estou bem. Eu podia ouvir os gritos de Nicholas: — Você me chutou! — Oh. — ela fungou uma vez. . todo mundo acha que você está morto. Não chore. Escute. Ele provavelmente está nos tribunais agora. Finn foi acalmando-a. Ele quer que a gente lute entre nós. Você pode se comunicar com Kieran? Se nem a mamãe ou o papai está respondendo seus telefones vamos precisar de ajuda.

— Estou feliz por você estar vivo. Absolutamente não. O cheiro de podridão foi subitamente insuportável. argh! Ela desligou na minha cara. amaldiçoou em francês. Eu falo sério. mas era tarde demais. Olhei para Isabeau pensativo. Tchau. Protegê-la. Sol. Sua pele era de um tom estranho de azul na escuridão. Criança. — Por favor? — Non. — Você é muito transparente. — Espere. Mas se as desorientações têm funcionado tão bem para ele... — Talvez você possa ir sentar-se com ela. — Montmartre quer você. Eu teria argumentado muito mais. se algo pesado não tivesse atingido o lado da minha cabeça. os seus dentes como ossos. Absolument pas72.. Eu tropecei para trás. mas tente Logan. Hel-Blar desceu do penhasco acima de nós e outros subiram por baixo. Diga a ele que eu vou encontrá-lo lá. Isabeau sufocando. . Solange. me enviando à beira da borda do penhasco. Logan. 72 Não. Logan. Dor passou através do meu crânio. — Você não pode esperar que ela se sente em casa enquanto sua família está sendo ameaçada. — Fique em casa. Eu falo sério. você não pode... o sangue escorrendo em meus olhos. Não depois do que aconteceu no seu aniversário.176 — Ótimo. — Vejo vocês em breve. Isabeau virou-se com a espada em mãos para o outro lado. Ela bufou. Ele quase teve você. Se não fosse por Isabeau e os Hounds. podemos fazer a mesma coisa também. — Duh. — Você vai encontrar nós todos lá. — Eu não estou usando minha irmãzinha como isca.

Corra. Isto definitivamente se qualifica como apuros. cortou um braço azul. Minha cabeça parecia uma abóbora podre. Infelizmente. uma mão azul. mas sua morte só serviu para enfurecer seus companheiros já instáveis. Eu não sabia por quando tempo fiquei inconsciente. A fuga só aconteceria se nos lançássemos do penhasco e nós tínhamos de passar por três Hel-Blar. tonto. Conseguimos matar um dos Hel-Blar que virou cinza. outra pedra veio na minha cabeça. Eu só estou lhe atrasando. — E eu estou ferido. já que a minha cabeça ainda latejava. — Olhe ao redor. eu assobiei. Logan. Agora. O ferimento na cabeça me fez tropeçar. — Cala a boca e luta. caramba. Praticamente não pensamos. Houve uma explosão de fogo e estrelas e depois nada. Eu não estava me movendo tão rapidamente como deveria. mas pelo menos não parecia ainda estar rasgada. Não poderia ter sido um dia inteiro.177 Nós lutamos como gatos mergulhados em água fria. Isabeau. Os arranhões e . era o instinto e uma necessidade selvagem de sobreviver. Isabeau provavelmente não poderia ter corrido mesmo se ela concordasse com isso. Ela era tão teimosa. Eu tropecei. mas com raiva suficiente para catapultar a Hel-Blar fora do lado da montanha. corra. — Nós estamos em desvantagem. Toda garota que eu conhecia era totalmente insana. — balbuciei. girando e não inteiramente funcionando. — Você não é um cavaleiro branco e eu não sou uma donzela em apuros. Eu joguei uma estaca com mira ruim. Isabeau pressionou as costas na minha. fazendo meus braços parecerem descoordenados e pesados. e quando caí sobre um joelho.

. mas não pude muito de onde eu estava amarrado à cadeira. Nós estávamos em uma pequena sala com correntes na parede e várias cadeiras de madeira pesadas. Isabeau antes que eu perdesse — Eu só estou dizendo que Montmartre tem melhor controle deles. Sua voz tinha aliviado meu sistema como champanhe. Puxei. que nós tínhamos pensado. Eu testei as correntes novamente. nervoso. eu desmaiaria e deixaria que eles me matassem sem uma única tentativa de luta. Então franzi o cenho. — Você está me dizendo que um deles te mordeu? — adrenalina correu por mim. Tentei mesmo. Na janela estava pendurada uma espessa cortina. — disse ela. — assegurou-me completamente a calma. — Atrás de você. Raiva e dor substituíram o alívio e cada um dos meus músculos estavam tensos até que minha mandíbula ameaçou saltar. — Isabeau. mas eu não tinha dúvida de que era de vidro comum. mas não se moveram. — Graças a Deus. — Não adianta. — Isabeau! — Estou aqui. nos faz tão loucos e cruéis quanto eles. — Desde quando Hel-Blar têm tapetes persas? Ou deixam as suas vítimas sem mordê-las? — Eles não o fazem. — Eu tentei. Eu chutei o chão com minha bota. O beijo de um Hel-Blar pode transformar até mesmo um vampiro antigo. Eu era jovem suficiente para que se eles me deixassem no sol por algumas horas. Logan. Se eu virasse um pouco poderia ver o lado do seu rosto e o pescoço em um pesado espelho pendurado na parede ao nosso lado. Você está ferida? — eu tentei virar. Eu olhei seu reflexo com horror. principalmente porque eles foram presos no local com correntes. — eu assobiei. — ela disse suavemente.178 hematomas tinham desaparecido. Havia hematomas em sua garganta e sobre sua face. não o suficiente para impedir a luz solar de enfraquecer-nos. Eu poderia ter ficado bêbado com o sentimento. — Não. Seu sangue infectando o nosso. Minhas mãos e pés formigavam.

Eu deveria ter sido capaz de protegê-la. Que só podia significar uma coisa. — Nobres palavras. Desta vez para sempre. — Eu não vou deixar que eles te levem. rapidamente coberto por uma sede ardente de vingança. Nós vamos pará-lo novamente. Ela estremeceu. Eu não o reconheci. Ele nos teme e diz a si mesmo que o medo é o ódio. entre 16. mas vi todo o sangue do rosto de Isabeau desaparecer. caramba.179 — Hypnos. — Aposto qualquer coisa que a causa disso é aquela maldita droga. — Nós o impedimos antes. — grandes palavras de um cara coberto com seu próprio sangue seco. — eu murmurei. perseguiu e assassinou seus adversários. vi dor quase animal mexer as suas feições. — uma voz divertida nos interrompeu da porta. afinal. Não foi Montmartre. que ele não pode controlar tudo. foi um período compreendido entre 31 de maio de 1793 (queda dos girondinos) e 27 de julho de 1794. Foi Greyhaven.000 e 40.000 pessoas foram guilhotinadas. ou simplesmente O Terror. — de jeito algum eu ia deixá-lo por aí ameaçando as pessoas que eu amo pelos próximos 100 anos. um número indeterminado. Eu devo ter parecido ridículo para ela. Eu falhei com ela. Esse medo foi breve. o Reino do Terror. — Montmartre nunca deixa um cão sem marcação. Por um momento ela pareceu a moça que eu vi lutando para sobreviver nas ruas do Grande Terror 73. O partido jacobino. Na Revolução Francesa. 73 . Nós somos a prova que ele não é infalível.

Pensou que embora tenha mantido seu disfarce de garoto. A realidade era um pouco decepcionante. roubar e esconder dinheiro o suficiente para comprar uma passagem para a Inglaterra. a tinha elevado como uma lanterna para ver através das noites escuras. não sabia o que faria quando colocasse os pés em Londres. era algo muito distante das familiares ruas de Paris. era a ilusão que contava. Mas agora que ela estava na doca. Vozes. cascos de cavalos e um 74Rio do sul da Inglaterra que banha Oxford e Londres e deságua no mar do Norte. sendo empurrada por mercadores hostis e marinheiros ambiciosos pela cantina e a prostituta mais próxima. embora dificilmente esperasse que um ancião com os dentes podres a protegesse. e os centavos que deixaram em seu nome. seria prudente não parecer como se estivesse viajando sozinha. Era cinza. que seu pai afirmava ser egoísta e arrogante. — tagarelou o senhor que tinha estado quase toda viagem sentado próximo a ela. Ela tinha estado esperando tanto tempo por esse momento. garoto. E os portos de Londres não eram como nada que houvesse visto antes. — Se acostumará logo. Algumas vezes. se sentiu mais constrangida do que pensava. Mesmo assim. 1794 Levou quase um ano para Isabeau poupar. Londres não era como nada que houvesse visto antes.180 Capítulo Vinte Londres. Tinha o nome do seu tio. empurrando seu cotovelo ossudo em suas costelas. azul e negro manchado de fuligem e assentado por uma neblina de cor indeterminada que a fez tossir. As carroças que rodavam com crianças com roupas sujas e gastas se enfiavam no barro do Tamisa74 para que as mercadorias abandonadas pudessem ter um bom preço na rua. . Cerise havia se recusado a acompanhá-la pelo motivo que a Inglaterra estava cheia de ingleses.

Parou o suficiente para colocar seus olhos em uma verdureira gorda com seu avental sujo. qualquer coisa que alguém houvesse pensado em comprar. Ela caminhou com facilidade e confiança. — Eu fui jovem uma vez. Todos tinham que ver apenas um garoto com o passo rápido e olhar inteligente que poderia cuidar de si mesmo. Ele aproximouse para comprovar o seu valor e o deslizou dentro do seu bolso com uns dedos tão ágeis que ela teve que lhe dar crédito por isso. meu garoto. livros. pães e batatas assadas e lojas com torres de doces decorados com açúcar em cascatas. garoto. mas ainda assim rápidos. Não havia pedras queimadas nem janelas quebradas por distúrbios. Era . — ele acenou para o extremo oeste da cidade. melados de limão. Se parecesse com uma presa.181 incontável número de chaminés se amontoavam em uma mistura de sons e cheiros que a faziam tapar o nariz. — Mayfair é aonde a sociedade educada reside e lhe desejo a melhor sorte. Havia garotas com cestas de violetas e laranjas para vender. — Você sabe aonde vive as pessoas da sociedade? — perguntou ao seu companheiro de idade avançada. dando um passo para o oeste como se soubesse exatamente para onde se dirigia como se vivesse ali toda sua vida. — Eu não estava. tentando contar os cruzamentos à direita e à esquerda para não ficar desesperadamente perdida. — ela ofereceu-lhe um de seus centavos. — Preste atenção nos guardas. — disse se despedindo antes de sair mancando.. rosas e verdes. Caminhou por algumas horas. Ninguém tinha que saber que seu coração estava batendo tão rápido que a fazia se sentir mal e os músculos atrás do seu pescoço estavam tão tensos que teria uma terrível dor de cabeça ao anoitecer.. Ele limpou sua garganta. estava disponível. o mundo lhe trataria como tal. Eram nodosos e dobrados. Ela sorriu e voltou a gritar sobre os peixes e as enguias. verdade? Eles não são amáveis com os meninos de rua e batedores de carteira. garoto. — Obrigada. Não tem necessidade de se preocupar pelo que te dão. — Procurando por luxo. não cheirava a fogo ou gritos radicais em cada esquina. fitas com várias tonalidades. Isabeau ajeitou-se em sua jaqueta e levantou seu queixo com determinação. chapéus com plumas amarelas.

182 totalmente estranha. ocasionalmente. Ainda era de madrugada. nas árvores de carvalho e flores por toda a parte. — Quer dizer St. Ela parou um homem em farrapos. As árvores estavam agrupadas em jardins. As casas se elevavam mais alto. — A casa St. O pensamento deu-lhe mais forças. Croix? — perguntou em um inglês carregado. Ela não tinha percebido tudo o que tinha perdido até agora. As casas pareciam como palácios. Ela não pensava que a aristocracia inglesa fosse tão distinta da francesa. Quando passou pelo enorme parque parou bruscamente. se alguma vez o fizesse. decadente e suave. Uma grande quantidade deles se dirigia para a mesma direção e ela levou como um bom sinal. Ela o ajudou a manobrá-la sobre uma pedra que sobressaía. Cross? A casa está no final da rua com uma porta . carroças de pescados. e vendedores de pão faziam seu caminho para as portas traseiras. não iriam aos bailes. Havia se perdido na grama. — sussurrou um cavaleiro. Escondeu seu rosto nas sombras debaixo da aba do seu gorro e foi para um lado para deixá-lo passar. — St. Os garotos entregadores. e descansos dos excessos da noite anterior. correspondência. Mas não podia se dar o luxo de deixar sua guarda baixa ainda. vasos gigantes derramando-se com todo tipo de flores. Croix? — ela repetiu. festa ou comprar um novo vestido de noite. — Aqui agora. quase caminhando em cima da figura imóvel de Isabeau. Pelo menos já sabia onde poderia dormir esta noite se não encontrasse seu tio. Mas alguns dos poucos ocupantes das carruagens provavelmente estavam a caminho de sua casa já que não haviam ido para cama ainda. as ruas estavam mais limpas com garotos com vassouras limpando o caminho de excrementos de cavalos por uma moeda. o cheiro era menos picante. Ela desviou seu olhar longe. as manhãs eram para longos cafés da manhã. parando rapidamente enquanto parava a carroça que puxava. — Você é francesinho? Pode falar alto? — ele tapou o ouvido com sua mão. com maçanetas de metal brilhante. As criadas caminhando com pequenos cachorros treinados em suas coleiras e algum gato. para os cavalos e seus muito bem vestidos cocheiros fazendo seu caminho dentro do parque e seguidos por suas bem arrumadas carruagens que passavam rodando. Ela fechou sua mandíbula. Começou a notar o estado das carruagens melhorando. veja o que está fazendo.

Carruagens passavam atrás dela. . mas esperava que tivesse um semblante familiar. com vários andares altos. Isabeau percorreu com seus dedos a marca. senhor. Forçou si mesma a acalmar-se para tomar uma respiração. seu uniforme imaculado. síl te plait75! — caindo seu gorro em sua agitação. garoto. — ele ia fechar a porta. Um caminho conduzia para a parte traseira da casa. estábulos e entrada dos empregados. — Tio Oliver? — perguntou cautelosamente.183 azul. onde estavam localizadas as hortas. E depois segue seu caminho. Subiu as escadas. com uma porta frescamente pintada de azul e cortinas de pedras em cada janela. Parte dela queria correr para lá. antes de bater com os nódulos dos dedos na porta. Cross não recebe garotos cheios de lama que cheiram como você. — O senhor St. Segurou as lágrimas de 75Espere. rosas floresciam em urnas de cobre. — No! Monsieur76! — Vá para a porta traseira que a cozinheira lhe alimentará. As nozes de uma árvore caíram na rua. A maçaneta tinha o desenho de um leão com uma cruz na boca. — lhe informou. outra parte considerava correr na direção oposta. Seu casaco negro estava perfeitamente ajustado. — Passa daqui. Nunca deveria deixar que essa parte ganhasse. — fechou a porta com um empurrão. Ela sabia que devia ter uma aparência meio selvagem com seu balbucio em outro idioma e sua imploração. Ela agarrou bruscamente a maçaneta. Ela o impediu com seu pé. por favor. — Attend. mas estava fechada. deixando seu cabelo se esparramar para fora. Seu coração começou a disparar novamente. as quais estavam varridas e limpas de qualquer pétala. 76Não. ou os famosos olhos verdes St. Croix. Ela não havia se encontrado com ele antes. A casa elevava-se à sua frente. — ele apontou nessa direção e continuou seu caminho sem olhar para trás. as características de seu pai talvez. Este homem era mais alto que qualquer um dos seus parentes e inalou pelo nariz de forma desdenhosa. Esta se abriu e um homem de cabelo cinzento a viu com seu nariz levantado para ela. olhos chorosos.

nenhum gato saiu à luz debaixo da mesa. desenhos dourados. Ali era onde seu pai passava a maior parte do seu tempo quando não estava a cavalo ou escoltando a sua mãe em alguma festa. mas isso dificilmente ia levá-la para o que ela queria. cobrindo toda a calçada. Uma suave garoa começou a cair. Seu instinto era correr e se esconder. Nenhum cachorro veio saudá-la. Seu coração voltou a sua tranquilidade regular. Ela saiu para o corredor. A casa estava notavelmente tranquila para ser um lugar tão grande. as cortinas ondulando com o vento. . enchendo seu nariz com o perfume baixo da cálida chuva. Inclusive a sala era bonita. recolhendo o barro com suas botas. Chorar não ia ajudar. candelabros dourados e abajures. Perguntou-se se teria algum primo que houvesse sido enviado a uma creche no sótão. Cheirava cera de limão e mais rosas. mesas com superfície de mármore e recipientes de flores. Virou em um canto e caminhou diretamente para o mordomo. abraçando o peitoril enquanto se retorcia em seu caminho para dentro. Arrepiou-se. A sala tinha muitas cadeiras com almofadas bordadas e um piano grande em um canto. Como se supõe que uma pessoa pudesse relaxar com bebês gordos flutuando acima da sua cabeça durante todo o dia? Entre anjos. Uma das janelas estava parcialmente aberta. o quarto estava excessiva e terrivelmente decorado. com pinturas emolduradas. Mas pelo menos estava vazio. Pétalas caíram sobre ela. Ela empurrou a janela aberta um pouco mais e logo deslizou sua perna através da abertura. Se já havia se levantado certamente estaria em seu escritório. Ele deu gritos agudos e era muito mais rápido do que ela esperava.184 frustração. levantando-a dos seus pés pela manga do seu casaco antes que ela pudesse fugir do seu alcance. Ela olhou ao redor para se assegurar que ninguém a observava antes de se enfiar nas roseiras para ter uma melhor vista. Teve que lutar com a necessidade de guardar em seu bolso uma pequena tabaqueira de prata. O mordomo havia apontado para o caminho ao longo da casa. Os espinhos rasgavam a parte traseira de suas mãos e lhe puxavam o cabelo. pensando aonde poderia estar seu tio. O teto estava pintado com querubins. O mordomo a sacudiu. Ela passou por ele. Apenas tinha que encontrar outra forma de entrar. Rosas estúpidas.

Seu cabelo cinza faltava sobre o alto da sua testa. O homem vestia um casaco de seda cinza esticado suavemente sobre sua barriga. . Seu tio a olhou por um longo tempo antes de bater ruidosamente suas mãos ao uni-las. pare. O silêncio os cobriu. Croix. sua senhoria. Sua sobrinha. Lacaios vieram correndo até eles. — Capturei um intruso. tio! Meu tio! . arrete. pelo colarinho. — Imploro seu perdão. Cross disse. Ela usava um gorro de corda e traje de manhã ajustado com flores de seda. — o mordomo respirou com dificuldade. — Que diabos esta acontecendo aqui? — a voz tinha alguns fracos sotaques de Frances. . Não me importa se é uma garota! Isabeau fez a única coisa em que pôde pensar.185 — Vou chamar o magistrado. grosso como fumaça. Não nos portamos com bondade com os intrusos na Inglaterra. Abriu sua boca e gritou o máximo que seus pulmões permitiram. — ela disse. — Solte-a.78 — Isabeau lutava para sair do agarre. Uma mulher que ela presumia que seria sua tia fez um ruído estrangulado na outra porta. — Minha sobrinha? — ele repetiu em inglês. — Deixe-me dar uma olhada. Ela soprou seu cabelo para tirá-lo do seu rosto. — Sou eu. — Isabeau St. — Sua senhoria? — o mordomo já não estava certo se estava segurando um criminoso ou transportando a sobrinha de um Conde. — o senhor St. — Mon oncle! Mon oncle77! O mordomo foi para trás por seu impressionante volume. batendo contra a parede. — Mais non. Uma porta abriu de um golpe. Os lacaios pestanejaram para todos eles.em francês. O mordomo pestanejou para seu tio.em francês. O candelabro acima balançava. Seu tio pestanejou para ela. 77Meu 78Não. Isabeau endireitou seu amassado e sujo casaco.

— Nunca a conheceu. Não podia perder sua compostura agora. A boca de Oliver tremeu de emoção. guiando-a para a sala. para ser uma garota forte que havia sobrevivido. O fogo queimava alegremente. — Não o fiz. Traga biscoitos extras. — Nosso cozinheiro é francês. — Vou lhe levar ao banho após o chá. onde ele está? Isabeau tragou. Mandaremos que lhe tragam chá. Sua esposa abanou-se furiosamente. olhe-a. — ela engoliu fortemente. se pôs pálido como a manteiga. mas reconheceria esses olhos em qualquer lugar. magra como a penugem de um dente de leão. com seus dedos passando por sua garganta. suas pálpebras pesadas. — Non. ligeiramente confusa. — Está fraca e ossuda. — Também. São como os de Jean-Paul. Ele agitou sua cabeça. Isabeau a seguiu. — Oh minha querida menina. — Senhor meu. Sua esposa abaixou suas mãos trêmulas que tampavam sua boca. é ela! — Tem certeza? — sua esposa perguntou. . — ele balançou a cabeça. O calor deixou suas bochechas vermelhas. Esperava mais uma luta. — Como? — Guilhotina. — chamou sua esposa bondosamente. — disse ao lacaio mais próximo. — escorregou no francês. — Está morto. — Notável. está terrivelmente magra. A quente palma de seu tio pousou sobre seu ombro. Lutou duramente. Sentiu-se fora de lugar. — Pobre Jean-Paul. Faremo-lo fazer seu prato favorito para o jantar. Estava muito distante do calor dos reservatórios metálicos nas esquinas. — E sua mãe? — perguntou suavemente.186 — Por Deus. — Venha se aproximar do fogo. — Acredito que ela ainda está em choque. — sua tia murmurou. pelo bem de seu pai. ou as chamas das pilhas de madeira quebrada usadas como barricadas. minha garota. Foi acompanhada para uma profunda cadeira perto da lareira.

nós cuidaremos de você. — Papai estava planejando nos trazer para cá. Cross estava distraída com a chegada do carrinho de chá. — A senhora St. e um mestre de baile. seriamente.187 — Oh! Esses franceses horríveis. Isabeau beliscou sua perna para evitar dormir. amor. — seus olhos brilharam com entusiasmo. — Não se preocupe. Virou para Isabeau. claro. Isabeau não estava certa se deveria estar nervosa. Cross e eu não fomos capazes de ter nossa própria família. inclusive pequenos. Precisaremos de trajes de noite. uma criada para lhe arrumar o cabelo. — seu tio disse alegremente quando a senhora St. mas ela apenas lhe sorriu. — brincou. explicitamente. — Oliver. Ele soltou uma risada afogada. Ele apalpou seu joelho. — Não se preocupe querida. — exclamou a senhora St. . imagino que não. seu braço era grande o suficiente para derrubá-la. — ele suspirou. Você mal tem sotaque. sobreviverá a ser uma debutante. — Sobreviveu ao terror. desconcertada. Nós nunca vimos um ao outro. querida. corando. — Você não é em tudo como ele disse. Apenas um carinho especial por esse patê horrível. — Não seja ridículo. — Cuidado. Antes que fossemos capturados. — O que quero dizer é que será agradável ter uma jovenzinha em casa. — a senhora St. — ela murmurou. Cross. — Levaremos você a todos os bailes. Casou-se com um. — Não. — Oh sim. Cross murmurou. — Que coisas você diz.

rebeldes. — Um dos príncipes Drake. Lutei contra as minhas restrições. sem me importar com os cortes em carne viva. — Há rumores que nossa menina aqui o assassinou. Logan zombou. Eu era capaz de me concentrar de novo. Eu não tinha experiência com um homem como ele. Pensei que tivesse visto todos os monstros aos meus dezoito anos: prisioneiros. Era como se minha cabeça estivesse mergulhada embaixo da água. de confiança na felicidade que senti desde que a multidão tinha invadido o castelo da minha família. Logan estava dizendo alguma coisa. As cicatrizes nos meus pulsos doíam. Eu queria matá-lo de novo. fome. meu sangue manchando as algemas de ferro. Minhas presas picavam minha gengiva. Poças de sangue em minhas mãos. guardas com cruel poder. mas eu não podia entendê-lo sobre o barulho nos meus ouvidos. — Você está aqui para corrigir esse engano? — ele não soava assustado. . cafetões e Condes com muito dinheiro. A última vez que eu o vi foi no baile de natal. cedendo à magia da noite e muitas taças de champanhe. — ele disse agradavelmente para Logan. seu sorriso encantador. Eu estava cavando a minha pele. apenas levemente entediado. seu imaculado sobrecasaca.188 Capítulo Vinte e Um Greyhaven. Mas como defender se contra um monstro que você nunca imaginaria que pudesse existir? Ele tinha contaminado meus primeiros mementos reais de conforto. Logan não respondeu. Greyhaven soou tão culto e suave quanto a duzentos anos atrás. muito extensas.

Se movimentasse mais fortemente. Greyhaven cruzou os braços. Eu não o tinha visto desde aquela noite no jardim do meu tio. — O que Montmartre quer comigo? — perguntei. — Você tem dezoito anos de idade Logan. — Logan. iria deslocar seu ombro. — Eu preciso saber se você se lembra de mim. mesmo sabendo a resposta. — ele disse — Você provavelmente já me causou problemas de mais. Você vale muito mais como um refém. — Isso não é sobre Montmartre.189 — Certamente não. Eu não tinha ideia do que ele quis dizer. Logan sacudiu na cadeira. e dificilmente é um milionário. — eu disse. você entende. — Ele está. Eu levantei meu queixo desafiadoramente. mesmo se eu estivesse inclinado a soltá-la. Minha voz estava seca. não me afastar. E ele nunca iria ter nenhum momento de prazer de mim. Se eu reagisse agora isso só lhe traria prazer. é sobre você. como se não tivesse falado em anos. inclinando-se negligentemente contra o papel de parede. Mesmo que ele me matasse – de novo – eu não estaria triste por isso. O mesmo que eu queria com Greyhaven: Vingança. não. — O que? Ele não está atacando o Tribunal? — Logan perguntou. E provavelmente se perguntando onde eu estou. Mas eu tinha que parar para ver você. E era uma Hound. Croix. — Ah! — Greyhaven virou-se na minha direção. — Sim. Eu tinha frustrado seus planos de sequestrar Solange Drake e matei seus Hosts. Greyhaven riu. — Eu pago o dobro do que você receber por mim se deixar a Isabeau ir agora. Essas pequenas revoluções não são fáceis de financiar. — Greyhaven sorriu. . como se estivéssemos naquele baile. ou expor minhas presas. algo que era uma afronta para o seu senso de poder e direito. — Isabeau St. — ele aproximou-se lentamente. Você não tem recursos para pagar. Eu tentei não me mover.

mas ele não tirou os olhos de mim. — eu cuspi. — ele enfatizou. — adicionei lentamente. — Patético. — A fita do vestido da minha mãe. certamente. lamentavelmente. — Então porque não usar você para meus próprios propósitos? — Você está perseguindo ela. Se eu tivesse alguma ideia o quão forte você era. É por isso? — De fato. Agora está tudo uma bagunça e eu não posso suportar uma bagunça. Greyhaven era perverso o bastante para matá-lo só para me fazer sofrer. Eu rosnei. Eu nunca poderia. — ele lançou um olhar de desprezo para a minha túnica e minhas botas altas. Ele queria deixar Greyhaven com raiva para tirar o foco de mim. Eu sabia o que ele estava tentando fazer. como o usual. — Seria tão melhor se você não tivesse se lembrado de mim. a garrafa de vinho. eu não iria implorar pela vida de Logan. . enojado. Ele tinha mais controle que Logan tinha dado crédito. — Você fez tudo isso só para testar a minha memória? — eu perguntei perplexa. — Por que me trouxe aqui? Só para se divertir? Greyhaven balançou sua cabeça tristemente. — Sim. na verdade.190 — Difícil esquecer um assassino. — Acho que se vestia muito melhor em 1795. coração murcho e não participando de conversas irritantes. Ele não gosta de você. Eu estava confusa. você não acha? Especialmente para um Host. Melhor que Logan fosse valioso para sua ganância. — A pintura nos tribunais. seu idiota? — Logan bufou. — Você me deixou no mesmo caixão por duzentos anos. Mas eu fiz o trabalho. Seus lábios se ergueram no seu rosto. Não era especialmente positivo. De alguma forma. eu teria feito mais esforço para recuperá-la. — Não por Montmartre? — Ele ordenou as armadilhas. Todos os meus sonhos caçando Greyhaven envolviam uma estaca atravessada em suas cinzas.

Eu senti isso na primeira noite na casa do meu tio. — Há quanto tempo você tenta fazer isso? — Logan perguntou. os cobertores grossos. Uma névoa vermelha encheu os meus olhos. sabe. — Eu admito que tentei. organizado. as correntes chacoalhavam freneticamente. Eu merecia meu próprio exército. — ele disse conversando. planejado e sido paciente por quase um século agora. — Você não é ele. — Deu-me a morte. Raiva me inundava como uma monção. — Semântica. mas ainda não. perto o suficiente para chutá-lo. Mas Hel-Blar são restos fracos e erros. Choque emocional. Como se ele pudesse me parar para sempre. Agora eu tenho uma escolha melhor. — Eu tinha um pai. Quando eu me uni pela primeira vez. Eu me senti deslocada. . — Eu tenho feito um grande esforço. comendo demais no jantar. — assobiei entre os dentes. — Você está fazendo Hel-Blar. — Eu por ela! Eu por ela. Sou inteligente o suficiente para não repetir os erros de Montmartre. podia ver desapaixonadamente quando ele aproximou. Mas eu ainda podia ouvi-lo. — Você foi a minha primeira. E ainda assim Montmartre negava-me meus próprios aprendizes. o Host era forte.191 — Aquilo não foi fácil para mim. — Fique longe dela! — Logan gritou. — Eu te dei a vida eterna. tocando seus livros. paguei minhas dívidas. — ele continuou. deslizando uma estaca preta laqueada para fora do bolso interno do paletó risca de giz. Ele acenou para o nada. Subi de posto. mas nada fizesse sentido. maldição! Senti-me quase hipnotizada pela versão de Greyhaven na nossa história. Como se tudo estivesse finalmente certo. Considero-me seu pai. — Eu não posso ter você andando por aí. horrorizado. cada palavra como um punhal arremessado. quando ele entendeu o que Greyhaven estava realmente dizendo. quase se desculpando. O gosto de sangue na minha boca onde eu mordi minha língua. meu próprio Host. como se ele estivesse falando com outra pessoa. poderoso.

O ar deveria ter empolado. — Eu estava para te oferecer uma morte rápida e honrosa. E você não vai acabar com a minha paciência. Mas se você não parar com essa birra infantil. — estava com a estaca na sua mão de novo. apontando para mim. a porta foi arrancada pelas . — Bem.192 — Inteligente? É disso que estamos te chamando agora? — Você está me irritando. Você nunca esquece a sua primeira vez. mas antes de cumprir sua promessa. Não quando eu estou tão próximo. Se Montmartre descobrir antes de eu estar completamente preparado… — ele parou com um tremor delicado. Ele soava como uma criança abrindo seus presentes de Natal. A batalha será nos meus termos e os Hosts sobre o meu comando. — Agora. — Eu só não posso deixar você andando por aí. Eu o chutei de novo. — Mas agora vocês irão sofrer. Quando ele estava perto o bastante para eu sentir o cheiro da sua colônia cara e ver o grão na madeira envernizada da sua estaca. Você sempre foi a minha favorita. — ele pegou outra estaca. — ele disse. fúria formando no seu rosto ossudo e pálido. — ele jogou a estaca em Logan e atravessou um pouco a manga do seu ombro. Eu teria tremido se não estivesse flutuando dentro da minha cabeça. se quiser. Logan conseguiu enganchar seu pé em volta do banco de madeira do seu lado. Ele tropeçou. Logan deu um grito de alegria. garotinho. Perdoa-me? Isso afastou meu atordoamento. Balançou o pé com um estalo e o banco bateu sobre a sua cabeça. o prendendo na cadeira. Isso travou Greyhaven na parte de trás do joelho. nem por um momento. onde nos estávamos? — Greyhaven ainda não tinha parado de olhar para mim. Um exatamente como nós tínhamos encontrado na noite em que Solange recebeu o feitiço do amor. Ele tinha que estar brincando. Eu o chutei o mais forte que eu pude. prefiro que as coisas sejam limpas e arrumadas. Ele realmente tinha seus próprios homens. Minha resposta foi um monte de palavrões que aprendi com Cerise. eu vou amordaçá-lo. como eu disse. Ele não tinha mentido. Meu único objetivo era fazer as coisas mais difíceis possíveis para Greyhaven. Um pequeno disco gravado com uma rosa e três adagas caíram do seu bolso. desnorteada com memórias e ódio. — Você pode fazer suas orações. — Desculpe-me se eu ainda não cheguei a você Isabeau.

Ele puxou. — Talvez eu possa abrir uma dessas. Nós podemos usar. — Logan murmurou. eu asseguro. — Montmartre não pode. — ele repetiu. pare de brincar com seu novo animal de estimação. lâmpadas. Eu estava realmente começando a gostar dele mais do que deveria. . Lars? — Isso pode esperar. Isso não parece bom. — Essa foi malditamente perto. — Você pode tirar? — Eu acho que sim. não dava para ele levantar muito seus braços. então balançou com o peso do seu corpo inteiro. — Lars garantiu. — Greyhaven. uma pilha de revistas. sua voz fria e calma. Mas como isso vai ajudar? — O arame que vem por dentro. As correntes estavam penduradas no teto. — ele levantou-se. parecia como se pudesse rachar. — eu ia começar a usar presilhas de cabelos de novo o mais rápido possível. — O que? — Um sutiã. — Mas preciso de algum pino ou algo assim. batendo a porta atrás dele e de Lars. — Você está usando? — Sim. — Essa será a nossa única chance. — Você está usando sutiã? — Logan perguntou de repente. A guerra começou e seu tenente está treinando garotinhas. Greyhaven virou–se inclinado para o recém-chegado com um olhar fervoroso. Eu estava bem. Parece que a maioria dos Hosts está no tribunal. — Apenas um alivio momentâneo. Você é necessário. — Vigiem as portas. Então ele sorriu para mim. — eu disse. Nada.193 dobradiças. — ele falou sombriamente. almofadas. assim que eu desse o fora daqui. — Não vê que estou ocupado. Greyhaven enrijeceu sua mandíbula. — ele disse aos guardas antes de sair. inspecionando as fechaduras das correntes. Eu olhei para ele. Nós procuramos pela sala: utensílios de lareira. Nada útil. Você vai por tudo a perder porque não pode adiar por uma pequena satisfação.

jurando. Eu assenti silenciosamente e não me virei. — ele se esticou. e o sutiã deslizou para baixo. Eu era uma não morta. Suba na cadeira. — ele disse como se estivesse concentrando-se mais do que se concentrou em toda sua vida. mas isso cheirava bem. Eu não poderia olhar para ele agora. embora a ideia tenha mérito. — Continue assim. — eu disse secamente. — Você é realmente bom nisso. Ele deu um passo para trás brutalmente. Meus joelhos estavam moles quando desci do banco. Deixe-me tentar. Ele pressionou um beijo quente ali. Eu me senti quente de repente. E por alguma razão o ter depois que Logan o viu. — ele rolou os olhos para a minha expressão. Ele empurrou minha túnica para baixo para puxar as alças. Seus dedos eram gelados e gentis na minha pele. Ele trabalhou rápido com o laço da parte de trás da minha túnica. tentando não me sentir ridícula. E então sua boca estava na parte de trás do meu pescoço. oscilando na minha mão. Seus feromônios de vampiro de repente estavam fortes. me fez corar ainda mais. não uma desossada. estendeu a mão para o meu fecho. Eu subi na cadeira. suas . meus dedos tremendo. claro. Eu sabia que meu rosto estava vermelho. Meus músculos gritaram depois de alguns minutos. expondo minha pele nua. — Eu não estou tentando ter uma sensação antes de morrer. inundando o quarto com cheiro de erva-doce e incenso. Eu o ouvi engolir. Logan estava me observando atentamente. formigando. — Não consigo alcançar também. Eu usei minhas presas para morder um furo no tecido e então tirar o arame fino de um dos bojos. Um tímido barulho.194 Eu tentei mover minhas mãos para as costas. — Vire-se. Queimando dentro de mim. — Não consigo alcançar. acorrentados e sobre sermos mortos. um presente de Magda. Isso não estava me afetando. abrindo em segundos. Era de renda branca. Tinha que me lembrar de que nós estávamos presos. — Disse finalmente. Alcancei a abertura da minha túnica sem mangas e puxei a alça do sutiã para baixo e fiz a mesma coisa com o outro lado. — Você consegue alcançar agora? — ele perguntou com a voz rouca. Suas mãos tocaram minhas costas.

para expressar emoção tanto quanto ele precisava de oxigênio.195 bochechas vermelhas. Ele sugou sua respiração. — Você tem que me ensinar esse truque. — Você vem? — Logan pegou a estaca que Greyhaven tinha descartado fora no tapete e olhou por cima dos ombros quando não me movi. — Eu não estou preocupado comigo. E eu sentia isso. Os guardas ainda estavam quietos no outro lado da sala. eu tinha minha chance. Outra virada e as algemas estavam abertas. — Ele não vai atrás de você. Quando falou. Eu estava muito perto agora. não tem nada com que se preocupar sobre isso. sua voz estava um pouco rouca. Eu corri e destranquei as fechaduras para libertá-lo também. mas nós não demoraríamos muito tempo. — ele murmurou. — Legal. Quando ouvi um delicado. Eu precisava ser forte. quase inaudível ruído. De alguma forma isso me fez sentir melhor. Esperei um longo tempo pela minha chance. Eu não era a única a corar sobre um pedaço de renda. — ele disse. Eu não sabia o que fazer com essa preocupação. — respondi calmamente. . o jeito que ele me olhava. Logan. — Você está bem? — Eu estou bem. — Bem. Desci a minha mão e repeti o mesmo processo na outra fechadura. focada e fria. virando a minha cabeça para ouvir melhor o som de metal com metal. Eu não poderia me dar ao luxo de colocá-lo no meio do caminho. — Nós temos que dar o fora daqui. E não poderia me arrepender de não ter uma oportunidade de explorar a conexão que eu sentia por Logan. E quando Greyhaven voltasse para me matar adequadamente. como se eu fosse importante. sorri fracamente. Coloquei o final do arame na fechadura da algema no pulso direito e me sacudi delicadamente. eu não estou.

. E convencido Eu sabia que se dissesse uma única palavra de como ele me fazia sentir. — E se você não vier comigo. charmoso e amável. Sem mencionar desdenhosos e temidos por outros vampiros. primitivos. agora que estava ao meu alcance? — Eu tenho que ficar. mas não existia como negar que eu era de uma raça de vampiros diferentes: selvagens. Isabeau. Ele era romântico. . — Então. Como eu poderia desistir disso. tinha sido iniciado como um Hound.. — ele argumentou. eu não poderia saber ainda se ele realmente entendeu o que isso significava. Ele vai te matar. — eu finalmente disse sem emoção. — eu disse de forma entrecortada. Eu era orgulhosa de ser uma Hound. supersticiosos. — Eu tenho que matar Greyhaven. Sua família era civilizada. Eu preciso. Você conhece Montmartre e sabe como andar furtivamente dentro das cavernas do tribunal. ele tinha quebrado algumas das minhas defesas. — Se você ficar irá morrer. droga. meus pais. tinha me feito coisas que eu achava que eram impossíveis. Mas seu tipo de vida simplesmente não tinha lugar para alguém como eu. Logan. não importa o que o oráculo de ossos de Kala tivesse dito. — Provavelmente. Assim como ele não poderia saber que fazer Greyhaven pagar tinha sido a única coisa que me me fez atravessar meus primeiros dias como vampira. — Não seja estúpida. Eu não vou sem você. ele não levaria nem um minuto me convencendo que nós tínhamos uma chance. — Eu não posso. o que? Eu supostamente devo te deixar cometer suicídio? — Isso não tem nada haver com você. Ele estava me pedindo muito.. Eu preciso de você. minha família inteira pode morrer. E pensei que Logan tinha passado no seu teste.196 Em poucas noites. — Você deveria ir embora.

O seu predador.197 — Covarde. estou dando o fora daqui e espero que você escolha lutar em vez de desistir. — ele disse finalmente. Ele estava certo. — sussurrei de novo. Agora. mas certo. Não quando sua tribo está lutando lá fora. Isabeau. — Você é uma sobrevivente. o charme jovem desaparecendo. Em vez de ficar com medo. — Você não entende. — Você tem. — seus olhos queimaram com verde fogo. — Eu entendo isso. — ele se enfureceu comigo. Sobreviva. Por favor. se libertou. — A Isabeau que eu conheço nunca desistiria. E é estúpido. Insuportável. — Sua escolha. . voltando para trás. me inclinei para ele inconscientemente. — ele disse com veemência. — Eu não posso. normalmente disfarçado em rendas e roupas antiquadas. Eu vi o que você viveu. Não agora. então você pode muito bem viver com isso também.

— Je viens79. 79Eu vou. E esta era a única parte de toda essa bagunça. Do contrário. Greyhaven pensava dessa forma. . Porque parte de mim realmente queria ficar.198 Capítulo Vinte e Dois Minha opção era ficar e obter minha vingança. Mas este era um tipo diferente de batalha. e possivelmente morrer. E essa parte era sobre mim. mesmo sem perceber. nova identidade. Não a Greyhaven. — E está me pedindo que te escolha. Havia sobrevivido a ele uma vez. — Conheço você há apenas três dias. mas levava isso e deixava que me machucasse uma e outra vez. Simplesmente peço que escolha a você. mais limpo e doía menos. Eu não. quem eu seria? Havia construído minha nova vida. Mais fácil. Quando me olhou fixamente. — disse com firmeza. uma que não poderia ganhar com uma espada ou um feitiço. eu estava malditamente disposta a controlá-la. que poderia controlar. Ou lutar e apenas eventualmente morrer. Perfurou-me com seu olhar. — disse. Logan faz isso soar tão simples. Era mais fácil. ele continuaria ganhando. Mas se eu não fosse a garota que derrotaria Greyhaven... Assim. Não era tão forte como pensava que era. — Não estou pedindo que sinta por mim o que sinto por você. essa era a única meta. das emoções e necessidades borbulhando dentro da caldeira do meu peito.

— disse enquanto ele se afastava. Podia apenas alcançá-la. era como se eu pudesse respirar novamente. estendendo-se para me pegar. Nós ficamos lado a lado por um tempo. — Eu vou. — disse com voz rouca.. — estava muito consciente da bainha vazia presa as minhas costas e dos laços nus em meu cinturão. — Vamos nos apressar. Logan me afastou para o lado e colocou sua cabeça para fora. Ironicamente. Logo subimos nela. Arrastamos silenciosamente uma cadeira para a porta e muito cuidadosamente a inclinamos para ficar prensada entre a maçaneta e o chão. apenas escutando. — Soa como se a maioria dos Hosts estivessem ocupados com Montmartre. — Estamos tratando de um resgate sem armas. — articulou antes de se arrastar para fora. Movemo-nos com cuidado estudado já que os guardas nos ouviriam tão bem como nós a eles. Levantei o olhar. — Podemos passá-los? — Talvez. — algo quebrou dentro de mim e houve dor e tristeza e em seguida. A noite era inofensiva. observando as estrelas. grilos. pegando minha nuca. Não poderíamos pedir uma melhor oportunidade. . — Eu sei. olhando para a direita e logo para a esquerda. um bom incentivo. — Terão guardas posicionados apenas entre as árvores. — ele murmurou.199 repeti a expressão em inglês. — Assim poderei te beijar por uma hora ou duas. Manteve-se abaixado no gramado. — A janela. E nua. pegamos uma mesa e colocamos debaixo da janela. o colar suspenso entre seus dedos. mas me olhou com uma espécie de chama ardente que me senti queimada por todas as partes. Logan se aproximou de mim e deslizou suas mãos pelo meu cabelo. — Estamos ao leste dos tribunais. — Nos deixaram nus. Não me beijou. — Limpo. Foi surpreendentemente. Quando ninguém deu o alarme. Eles tinham tomado até a adaga escondida em minha bota. — disse.. surpreendente leveza. sapos e uma coruja em algum lugar no bosque.

e isso apenas parecia ser um passatempo relaxante. a água da piscina de ondas azuis. mudando a posição de cócoras. mas estava escura. em direção à borda do bosque em seu extremo direito enquanto ele estava momentaneamente distraído. A luz da lua brilhou no zíper de metal da jaqueta de um vampiro Host. assustando um pássaro adormecido o suficiente para perceber quando um predador que se move. aonde a piscina fazia flutuar vapores de cloro até nossos narizes. pesada em sua mão. mas era melhor que minhas mãos nuas. mas longe o suficiente para cair entre os arbustos na esquerda do guarda. Havia uma cocheira atrás do edifício principal. Conseguimos nos arrastar até a árvore de Lilás antes que notássemos alguém. as janelas lançando quadrados amarelos de luz sobre o gramado. apontou com a cabeça para o pátio traseiro. A casa estava silenciosa. Um grito veio da casa. aguardando o vento mudar as folhas. Estávamos pressionados sobre o barro. seguindo um caminho lajeado que virava para longe de nós. Viraram para a direita. . movendo-se na cerca. Tinha frustração suficiente acumulada e tinha que extravasar com os guardas Host. aborrecido. Logan pegou meu pulso. O guarda saltou em ação. As folhas zumbiram. Nós nos lançamos em uma corrida. Não era exatamente uma arma sofisticada. Ele não era o problema. a casca da Bétula. Assenti. Quase tão bom quanto um banho de espuma. indo em direção ao som. Logan pegou uma pedra grande. Esperamos um pouco mais antes de descer da cobertura entre nós e o bosque. — Pronta? — murmurou em meu ouvido tão baixo que foi mais uma cócega que um som real. Tive que pressionar a língua contra o céu da boca para evitar um espirro. Dois guardas mais vieram em nossa direção de trás do galpão da piscina. seguido de um raio brilhante de luz que repentinamente passou sobre o gramado. Estava inclinado contra uma árvore. O guarda bocejou.200 — Está pronta? Assenti sorrindo sombriamente. Ficamos imóveis. brilhante como um raio de sol. Estiquei-me pegando um ramo da árvore. Cada folha de grama crescendo em relevo acentuado. Jogou a pedra para baixo. dobrados contra as raízes.

obscurecendo ainda mais nosso rastro. Logan continuou me empurrando até que tive que correr ou tropeçar sobre meus próprios pés. — Está sorrindo? — perguntou incrédulo. Lançamo-nos ao redor das árvores. Pode cortar alguém em pedaços muito em breve. nele floresciam fungos e musgo. — Diabos. Logan caiu na terra. A julgar pelas vozes. Fiquei ainda mais animada quando ouvi um uivo lastimoso de um cão. bagunçando meu cabelo.201 Nós. A mudança abrupta de uma corrida máxima para uma parada morta me fez sentir tontura brevemente. — Bem. ziguezagueando para fazer mais difícil seguir nosso rastro. — Preferia lutar. Ramos batia contra nós. bom. Parei. A salvo. Eu estava perversamente decepcionada. eu entendo. Sustentei minha mão . — empurrou-me. Um coelho se precipitou em nosso caminho e logo estávamos verdadeiramente no escuro secreto do bosque. — Ali! — alguém gritou. se voltou sobre seus passos. Parei. correndo através dos jardins para o bosque e para os campos atrás da cocheira. — Correremos assim mesmo. — Apenas um pouco. Mas certamente o suficiente para nos assassinar. poderia correr e sorrir ao mesmo tempo? — os guardas saíram em demandada da casa. separando-nos em um momento e nos reencontrando do outro lado. — Corre! Meus pés apenas tocavam o chão. — Eu os vejo. Logan me deu um sorriso de cumplicidade. dando a volta. jogando ramos para o alto. pegando minha mão. obrigando-me a tropeçar para trás. não havia tantos Hosts atrás de nós como havia pensado. As folhas caíam sobre nós. Quando Logan se deu conta que não estava mantendo o ritmo. Pulamos um tronco caído. — Animo. — Logan murmurou. — balançou a cabeça quando me iluminei. Corremos. — Sim. encorajada.

impressionado. sua língua suspensa em felicidade. Obrigado por isso. Um uivo diferente desde a ladeira da montanha. cambaleei sob seu peso. Sorrindo e com os olhos mareados ao mesmo tempo. O uivo se repetiu. Atravessou o bosque. o suficientemente estridente para deixar uma careta de dor em Logan. e de cada lado. responderam. — Finalmente. — Provavelmente o quer. Não passou muito tempo antes que Charlemagne viesse correndo para mim de entre as árvores. em seguida. Passou-a sobre minha bochecha. — Temos armas novamente. Logan lhe deu uma palmadinha em forma de saudação e. Uma série de lamentações. correndo atrás de nós. assoviando novamente. — cocei suas orelhas. arrastando-se para o final. . — Deixamos os Hosts a milhas atrás. estalando meus dedos para chamar a atenção dos cachorros. Senti-me mais parecida comigo do que fazia a muito tempo. inclinou-se alegremente contra mim. — Bom menino. Pulou em mim. em busca de feridas. Havia seis ao lado de Charlemagne. Mais cães vieram a nós de todas as direções até que estávamos rodeados. três deles eram cães Rottweiler enormes. Logan levantou suas sobrancelhas. — E tanto que fizemos para nos ocultar. E logo. Ele estava sem marcas. treinados para a guerra. logo passei uma mão sobre seu pelo. escutando com mais atenção. Logan levou o pacote onde ele marcou o encontro com seus irmãos e irmã. latido do outro lado do rio. — Meus ouvidos estão sangrando.202 no alto antes que pudesse dizer algo. Exceto por esse que parece querer mastigar minha perna. — Logan comentou. balançando seu rabo furiosamente. Os cães farejadores à nossa frente. — disse alegremente. — disse. Conhecia esse uivo. coloquei meu polegar e dedo indicador na boca e assoviei. — lhe assegurei.

me libertei depois de puxar-lhe carinhosamente o cabelo. Quinn estava agachado entre as samambaias. Ouvimos sem pretensão de fingir não o fazer. — Eu te disse que os rapazes Drake são mais duros de matar do que isso. — Eu sei. educadamente. Observaram Isabeau. Ele se levantou quando nos viu e Solange veio correndo até mim. — Desculpe. Enviamos alguns dos cães soltos para te encontrar. — Quinn sorriu zombeteiramente e me socou ruidosamente no ombro. — Eu entendo. — Ela não me assassinou. — Kala está bem. Connor andava de um lado para o outro. Solange se mostrava um pouco envergonhada.203 Capítulo Vinte e Três Solange. — Isabeau! — exclamou Solange. Nicholas e Connor fizeram o mesmo. — Eu estou bem. — falei entre dentes. cautelosamente. Nicholas. — Alguém poderia me emprestar um celular? Solange lhe deu o seu e Isabeau discou rapidamente. Connor e Quinn nos esperavam. Encontramos um ao outro. tropeçando em um dos ansiosos cachorros. Eu a golpeei com meu ombro. — Magda? Estão todos bem? Kala? Pude ouvir a resposta de Magda. — Isabeau respondeu quietamente. Os cachorros se giravam ao redor de nossos pés. pequeno diabinho. Livraram-se dos Hel-Blar? — Isabeau perguntou. portanto relaxe. . Oof. como você pode ver. — Logan! — ela me abraçou tão apertado que grunhi.

portanto devem ter ficado presos no meio. — Escuta.204 — Sim. Montmartre fará sua jogada nesta noite. Falta pouco para a saída do sol. — Como você conseguiu mantê-la lá? — Ela está em um armário. — ela se queixou. — Nicholas respondeu com sombria satisfação. — Nicholas replicou. — respondeu Magda. — Na fazenda. — E não tivemos oportunidade de voltar para as cavernas e nos certificar que nenhum deles esteja escondido perto. — olhei para Solange. — Solange colocou os olhos em branco. para o caso de você não ter percebido. — Você trancou sua namorada em um armário? Sem problemas. mas só agora. Isabeau me lançou um olhar. — Sim. — Quinn acrescentou alegremente. — O que aconteceu os outros? Mamãe e papai se encontram na Corte? Connor negou com a cabeça. — Eu te manterei informada. estremecendo. Tem que estar. Ainda devem estar vivos. bem. — Você ligou para Kieran? — Sim. — Isabeau devolveu o tiro. — E isso é todo o cuidado que terei neste momento. — Não podem ter sido emboscados há muito tempo. contra os Drake. — Por quê? — Magda perguntou bruscamente. é porque nós somos os próximos. Temos que detê-lo. — Acredite em mim. mas os Helios-Ra não podem nos ajudar. — Isabeau terminou a ligação. — Não e não voltaram para casa. — Onde está Lucy? — perguntei aos demais. eu notei. . Sebastian e Marcus estão com eles. — Ela vai estripar ele. pelo menos estará viva para fazê-lo. — E se você quer saber por que. Cravei os olhos em Nicholas. — Maravilha. neste momento. — O que pode me importar o que acontece nas Cortes Reais? Já temos muitos problemas nós mesmos esta noite. Revisei meu relógio de bolso.

— Portanto. — Tenho algo que pertencia a Montmartre. meio que sorrindo. cravejada de diamantes e rubis. — Quinn explicou. mas sua expressão estava cuidadosamente em branco. — Os Hel-Blar estão muito perto do povoado para causar verdadeiros problemas. Era enorme. — O que tem ele a ver com isso? — Ele tem criado vampiros às escondidas. — Ele é um bastardo.205 — Porque diabos não? Qual é a vantagem em namorar um caçador se não pode utilizá-lo? — Eles têm as mãos ocupadas. como estão mamãe e papai neste momento. — respondi. agora o problema é. — Ele não aposta em metáforas sutis. — Não temos nada conosco e não há tempo para ir a casa e pegar. Os encontramos quando vínhamos para cá. — Greyhaven. pegando-a bruscamente nas mãos. — ela extraiu uma fina e delicada coroa de prata. — Connor explicou. certo? — Ele te deu esta tiara? — fiz uma careta. mais alto que Charlemagne com um porte real. — Você não tem ideia. enquanto os demais são utilizados como distração. — Solange abriu um pacote. Franziu o rosto. — Quinn exclamou. Foi deixado esquecido nos limites da propriedade perto do bosque. — chamou um dos cães de caça. — Mas preciso de alguma coisa deles. — Garanto que a maioria se tornou selvagem. — Isabeau disse confiante. — Eu sei. — Posso ajudar com isso. — Que brega. Solange e meus irmãos olharam um ao outro e agitaram suas cabeças. — Cachorros. — Merda. — Gwynn. — respondi enojado. — Um momento. ok? — É perfeito! — Isabeau exclamou. Ele se apoiou suavemente contra ela e ela . — Oh! Concordo. Um pedaço de roupa seria o ideal. — Magia? Ela negou com a cabeça. estão lhe ajudando a planejar um golpe para tirar Montmartre do poder. Os que não. — olhei para Isabeau.

— Esperem. Nós não podemos. — replicou Solange insistentemente. retirando uma das estacas guardadas na faixa de couro que atravessava seu peito. — Você se esquece de quanta aversão temos por ele. — Isabeau concordou. — me respondeu com um sorriso sombrio. resgatamos nossos pais. Vamos chutar alguns traseiros. Agora. — Isabeau exclamou intempestivamente enquanto corríamos atrás dos cachorros. — Você não pode apenas correr para dentro e esperar que Montmartre tropece com sua própria estaca. matamos os bastardos. — ela disse enquanto aumentávamos nossa velocidade. está fazendo isso há séculos e nós. O cachorro latiu uma vez e pregou o nariz no chão.. Arrastamo-nos atrás dos cães e não demorou muito antes que Gwynn levantasse uma pata e logo voltou a farejar. encontre Montmartre.. — Já é alguma coisa. — Mas não é suficiente. — Muito bem. dê-me uma dessas. Obedientemente ele farejou o adorno cuidadosamente enfeitado. não.206 lhe estendeu a coroa. — Quinn explicou sucintamente. — Cheire-a. os rubis do tamanho de um ovo e as perolas. — peguei uma de Connor também e a dei para Isabeau. — Quinn disse. — Isabeau respondeu. dando-lhes uma boa dose do cheiro da tiara. — Isabeau mandou. mais ferozmente desta vez. — Precisamos unicamente distraí-lo. — Bom menino. — Os encontramos. Há unicamente seis de nós e a maioria de nós é recém-nascido. — Ele tem um rastro. — Ele é realmente bom neste tipo de coisa. — Encontrem Montmartre! — ela repetiu. — Isabeau murmurou. — Precisamos de um plano. Isabeau certificou-se que os demais cachorros recebessem as mesmas instruções. farejando através da folhagem. — Seus cachorros “procurarão Montmartre” a seu mando? — perguntei. Temos os cachorros. papai e os demais uma possibilidade de contra atacar. — Sim. — Dar a mamãe. . Ela tinha jogado fora o ramo de Lilás quebrado mais cedo. Uma vez que o sol nasça ele pode continuar lutando.. — Hey.

em um galho próximo de um carvalho e saltando até outro olmo. rodeando a clareira até ficar do outro lado. Como está o equilíbrio de vocês? Nós a olhamos como se ela tivesse perdido o juízo. — Isabeau deu-lhe o número. Dois breves assobios suaves fizeram os cachorros moverem-se mais silenciosamente. Um circulo externo de guardas Host com . — Envie também para Magda. — Estou enviando as coordenadas a todos os que conhecemos neste momento. — Quinn replicou secamente. caindo embaixo. — Apenas ouçam. — ela sugeriu. — Acho que eu gosto de você. — disse Connor. As presas se estenderam por todas as partes. teremos uma vantagem e o elemento surpresa. Se pudermos nos mover de árvore em árvores. eu aprendo muito rapidamente. — Não tenho me balançado em um trapézio ultimamente. Quinn e Nicholas se afastaram. Usamos uma cortina de folhas para nos esconder enquanto avaliávamos a situação abaixo. — Mas foda-se.207 — Enviarei os cães de caça em diferentes direções uma vez que saibamos onde estão e poderão nos alcançar a tempo. com as orelhas erguidas. Avançou ligeiramente por um galho alto. o bosque estava encharcado em feromônios e sede de sangue. assustando um esquilo no oco de um tronco. Isabeau. olhando no GPS de seu celular. Ela balançou encima de um olmo. — Subamos. — Connor franziu o cenho. — Acho que se dirigem à clareira entre os pântanos. Você é ardilosa e cruel. — Eu sei. — insistiu. — Quinn discutiu. mas ele sorria abertamente. — Não podemos esperá-los. — Mas talvez possamos usar um de seus truques contra ele. A de Isabeau não havia se contraído desde que tínhamos sido emboscados. Só que nós não podemos irromper no que seja que esteja acontecendo. Enviamos os cachorros para dentro e neste momento ingressamos. — Quase lá. mas do alto. — Nosso equilíbrio? Não nos unimos ao circo aqui. Podia cheira os Host e suas vitimas agora. — acrescentou.

com as maldições abafadas que vinham das copas das árvores enquanto Nicholas. Desejei ter minha própria besta. — Vamos fazer um trato. a ponta de uma espada raspava sua jugular. uma flecha apontava o peito de mamãe. — Solange gritou. rosnando. Quinn e Connor lutavam para não se revelar. em francês. a fraca luz da lua brilhava com a luz tênue nos diamantes. Tinha mais no interior da clareira e um grupo deles no centro onde Montmartre estava de pé. — Você não é o único Drake com um complexo de mártir. — Isabeau disse bruscamente. Só a mão de Isabeau em meu braço me impediu de afastar da árvore. No original crossbows. Solange atravessou o prado. O sangue gotejava de um corte em sua têmpora. girando a coroa na ponta do dedo. 80A arma. muito quietos. — Merde81. Greyhaven esperava atrás dele. 81Merda . Montmartre sorria agradavelmente. Sebastian e Marcus estavam de pé.208 casacos marrons patrulhava com bestas80. Papai estava de joelhos. impacientemente. — Montmartre. Mas isso teria que esperar. Havíamos conseguido evitá-los até agora.

— disse. é claro. — Mantenha-se desgraçadamente longe da minha filha. finalmente se balançando para dentro da clareira. Estaquei uma guarda ao aterrissar e ela se transformou em pó. seu cabelo longo caindo atrás de suas costas. longe da proteção das árvores. — Logan soltou. Mal tive tempo de assobiar para os cachorros para que atacassem. Seus irmãos seguiram seu exemplo. Os Hel-Blar seguiram sua essência até nós. Montmartre sacudiu sua mão com desdém. . Fariam as coisas pior. Cravei o fragmento de garrafa manchada com o sangue de Montmartre no chão. mas atacariam a Montmartre e aos Hosts. não. — Logan gritou. — Liam adicionou. tínhamos armas suficientes entre nós e um traidor abaixo. Solange deu outro passo para frente. — Solange querida. — O inferno que você fará isso. quase morre. — Pequena idiota. Helena fechou os olhos brevemente.209 Capítulo Vinte e Quatro Montmartre levantou os olhos. pelo menos tanto quanto atacariam a nós. Não tínhamos ideia se os Hounds estavam próximos o suficiente para nos ajudar. — Eu sabia que voltaria a seu juízo. seu sorriso se alargou. — Solange. como macacos loucos. — Se você deixar minha família ir ilesa. — Eu ficarei com você. enfurecido. Peguei sua espada antes que caísse no chão com suas roupas vazias. Cada um dos irmãos Drake era louco. Eu me alegro em ver que se recuperou. para esconder o tremor de seus dedos. — Montmartre disse amavelmente. — Da última vez que se entregou por nós. enrolando suas mãos. O que uma senhorita faria? Pulei para a briga. não havia dúvida sobre isso.

E então. Charlemagne se manteve perto. — chamei. me agarrou e nos jogou no chão. mas podia ler seus lábios. Encolhi meus ombros. Helena também não hesitou. Chamá-los tinha parecido uma boa ideia naquele momento. não precisamente uma boa ideia. Sebastian e Marcus viraram para lutar com seus captores. Havia muitos sons de luta para ouvi-lo corretamente. Pulei sobre ele. E um minuto depois. agarrando sua perna. fazendo com que mais sangue corresse por meu antebraço. estacando a outro Host. Ele estava chamando seus homens para o golpe. Os cachorros rosnaram e abriram seu caminho através dos Hosts a mordidas. Esquivou-se de uma estaca. Nicholas e Connor estavam lutando de costas a costas e Quinn estava abrindo caminho para o lado de Solange. quando uma flecha roçou nossas cabeças. Lutei meu caminho até Logan. Mas não era suficiente. simplesmente a única que tínhamos.210 Os Hosts não hesitaram. — O que? Agora? . Seus olhos se estreitaram ante meu ferimento. usando a espada e a estaca. — Logan. havia muitos deles. repentinamente essa era a última de nossas preocupações. o qual estava muito perto. e consegui que me apunhalasse no braço esquerdo. — Está ferida. para meu desgosto. Eu o vi abrir seu celular e gritar uma ordem nele. nem sequer esperaram pelas ordens. estavam em todas as partes. maldição. ela chutou a besta de sua mão. com flores absurdamente ao redor de seus joelhos. como besouros azuis comendo tudo em seu caminho. Greyhaven estava no meio disso tudo. O cheiro de fungos nos golpeou primeiro. Bem. Liam pulou aos seus pés. e um dos cachorros deixou sair um grunhido que nos avisou dos Hel-Blar. — Preciso fazer o Dreamwalk. No mesmo instante em que Montmartre olhou para sua filha. Ficou embaixo. Já é hora. atacando o joelho de um Host. — eu lhe disse. Não poderia fazer muito mais do que isso. Nem perto.

Cantei as antigas palavras. Connor tentou bloqueá-lo e foi jogado contra Nicholas.211 — Não podemos ganhar. Solange Rose. e ele com certeza como o inferno. — Ali. — apontou um nicho de samambaias. quase deixando sem sentido a Marcus no processo. de olhos selvagens. o qual era um ato de vontade em si mesmo. — Rápido. — grunhiu. — Você pode parar toda essa batalha. mas era o melhor que. Dei três profundas respirações. estacando um Hel-Blar que estendeu sua mandíbula. Logan estava aos meus pés. O sangue prateado empapava a grama. Ambos aterrissaram fortemente. — ele disse. Não estava completamente escondida. jogou sua última estaca. não vai cumprir sua palavra. Charlemagne colocou-se sobre minha cabeça. — Não se atreva. cinzas estavam presas nas pétalas de flores e as raízes expostas das nodosas árvores de carvalho. — ele disse. Foi longe e somente bateu no pescoço de Montmartre. sua pálida pele e cabelo. — Pela última vez. Os Drakes somente tinham trazido três guardas com eles quando deixaram as cavernas de sua casa e dois deles já estavam transformados em cinzas. praticamente brilhando. deixando meu corpo para trás. contei-as lentamente. — Se vier comigo agora. Solange. — Helena gritou. então me sentei. focada intensamente na sensação do ar em meus pulmões. O terceiro estava gritando. eu não quero a maldita Coroa. era a única coisa que lhe restava. Fechei meus olhos. era a coisa mais difícil que eu havia feito. Jogou a Coroa de sua cabeça. razoavelmente. não deste modo. era o ritual isso que importava. . permanecer quieta e vulnerável como estava enquanto uma batalha rugia ao meu redor. Montmartre espreitava Solange. podíamos esperar. quase tão difícil quanto abandonar minha vingança. — gritou. — Diabos. mas eu sabia que estava concordando comigo. que não precisavam. jazendo com cicatrizes e estranhamente quieta nas samambaias. — Ele não pode controlar os Hel-Blar.

— Não pode tê-la na semana passada e não poderá tê-la agora. ele ainda podia ver os outros. Nós estávamos ficando sem tempo. diminuía e eu sabia que. Eu a enviei contra nossos inimigos. Estava usando minha própria energia.212 — E já não passamos por isto antes? — Quinn grunhiu. empurrando e empurrando. Eu não tinha intenção de deixar que isso acontecesse. Juntei um pouco mais de névoa e estava dizendo a mim mesma que acreditasse um pouco mais. tinha que fazer com que rodeasse também os Hosts. tão forte que até meu corpo astral gotejava suor. mas também pelos Hel-Blar enlouquecidos por sua essência. e rápido. Não havia solução para isso. até que fiquei fraca pelo cansaço e a névoa tremulou sobre a clareira. Flutuei sobre a campina e forcei a energia de meu espírito resplandecente no ar. mas sim. devido a dor que atravessava meus dois corpos. — O que diabo é isto? — Greyhaven bateu na névoa a medida que caia sobre ele. nós a eles. Visualizei tudo isso. Logan estava esgotado. Pelo menos o avanço de Montmartre sobre Solange tinha sido retardado. Mas primeiro tinha que criar um pouquinho mais de névoa. para que assim eles não pudessem nos ver. . Não era espessa o suficiente ainda. Tinha que voltar ao meu corpo. mas se negava a render-se. Para que isto funcionasse adequadamente. Eram Hounds. eu a visualizei asfixiando Greyhaven com um brilho de luz. muito esgotante. unindo meu espírito a mim mesma. visualizei minha própria energia transformando-se em névoa. O cabo de luz. Nunca tinha sido capaz de sustentar a névoa por longos períodos de tempo antes. apertando meus dentes astrais. batendo seu punho contra o globo ocular de um Host. Não eram vagalumes. não só pela estranha névoa. Sabia que me protegeria até que virasse pó. visualizei-a se agarrando a um Host e um Hel-Blar. mais me arriscava a ficar assim para sempre. era muito avançado. quando notei o brilho de vagalumes entre os galhos e ao nosso redor. quanto mais ficasse incorpórea e usando esta quantidade de energia mágica.

Charlemagne rosnou.213 Para a visão de meu espírito. O golpe inesperado os sacudiu. que estava procurando uma estaca com seus dedos úmidos. presa em músculos e ossos. eles chegavam através das árvores como faíscas de luz. podia ver as faíscas manchadas de vermelho que eram as auras dos homens de Greyhaven aproximando-se também. mas estava tão cansada. Era vantagem suficiente para nosso lado. O sangue escorria através de seus dedos. Eu me lancei até meu corpo. Porque da outra direção. — O que? Agora mesmo? Os Hosts ainda leais a Montmartre estavam paralisados pela surpresa. — E quem diabos são aqueles tipos? — Greyhaven está tentando derrubar Montmartre. brilhavam e faiscavam. Lançou uma estaca para Logan e acertou-lhe bem do lado de seu coração. vendo alguns de seus irmãos se voltarem e ajudar aos recém-chegados contra eles. Ficaria louco pelo estrago em sua roupa mais tarde. a dor contorcia seu lindo rosto. Logan tremeu. talvez nem todos nós morrêssemos horrivelmente depois de tudo. Mais lhe valia sobreviver. — Hounds! — Liam gritou com seriedade. Vi o momento exato quando Greyhaven notou Logan. como fogos de artifício explodindo. Greyhaven tinha chegado a Logan. Não podia separar a visão mágica da visão simples neste estado. já que ele tinha me forçado a fazê-lo. Não percebi que estava gritando até que Magda levantou os olhos. . Mas era muito cedo para comemorar. como aquarelas sobre um desenho em carbono. e quando viu meu braço caído inerte nas samambaias. A que estava em seu peito ainda continuava ali. Ele foi mais rápido que eu. seus lábios trêmulos. — Logan gritou. As auras mudavam. Se sobrevivesse a noite. era como me mover através do mel. manchando sua camisa.

Eu só podia flutuar inutilmente. eu encontraria um modo de matá-lo duas vezes. muito devagar para impedir Greyhaven de me assassinar novamente. — Vá para o inferno. — Ela é minha. expondo-me completamente. mas estava muito fraca. Charlemagne saltou. Os Hounds desceram ao mesmo tempo e com algum sinal de Finn. caíram em formação. E então conduziu sua espada através do coração de Greyhaven. todos tropeçando cegamente na névoa.214 Greyhaven mostrou seus próprios dentes e estendeu sua mão. E a Logan. — Isto é uma ordem! . Mas era muito tarde. Um de seus homens berrou. rápido como uma vespa. gemendo e tentou se arrastar entre Greyhaven e meu corpo indefeso. Logan sacudiu a cabeça. Greyhaven teve tempo de parecer surpreso e então rompeu em cinzas. — Greyhaven cuspiu. Tentei afastar um pouco da névoa para os Hounds e os Drakes. Os olhos dela encontraram os meus enquanto voava sobre eles. Logan gritou. Ele a empurrou mais fundo. e aos homens de Greyhaven. sua espada bloqueou a de Greyhaven bem quando cortou uma samambaia. Greyhaven o golpeou forte o suficiente para fazê-lo cair. — Retirada! — Liam gritou para a sua família. A espada de Greyhaven brilhou quando chutou as samambaias para o lado. mas Greyhaven era um borrão de traje grife e espada. para empurrar a estaca que já perfurava Logan. Se ele machucasse meu cachorro. tirando a estaca da carne com uma selvagem maldição. despachando os Host e Hel-Blar. Os Hosts tinham a dificuldade adicionada a lutar com seus próprios irmãos renegados. Magda foi mais rápida do que todos nós. Logan se arrastou ao meu lado. girou-a e retorceu. roçando a malha sobre meu coração. Este pensamento foi o suficiente para me impulsionar à ação.

Pássaros começaram sua canção matinal. bem quando ela estava jogando seu braço para trás para estacar um Hel-Blar. bem sobre o coração. Helena o girou e terminou o trabalho. . muito devagar. em busca de refúgio. Ela foi surpreendida em um ângulo estranho. As veias sob minha pele pareciam muito saltadas. mas seus Hosts estavam muito afastados para ajudá-lo. E eu ainda não estava dentro do meu corpo. Todos estavam muito ocupados. Eu estava desorientada. Os Hosts. minhas presas muito afiadas. muito feridos. Quinn deu uma gargalhada triunfante e Magda virou como uma fada louca. seus dentes saltados. Solange enfiou os pedaços quebrados em suas costas. enviando flechas de luz entre as árvores. jogando as estacas de sua mão. Os Hosts se dispersaram. vendo seu líder derrotado. Logan me recolheu. Sebastian estava levando Solange. correndo através das samambaias. Minhas cicatrizes eram como sabão. Não era forte o suficiente para controlar a magia. confusa. A névoa estava desaparecendo. Ele virou-se rosnando. observando meu corpo ser levado para longe do meu alcance. a batalha estava terminando e eu pendurada sobre mim mesma. O céu ficou da cor da opala. coberta de cinzas. tropeçaram em busca de fuga. Ele gemeu e se desintegrou. Tropeçou em Helena. Ela estava controlando a mim. empurrando uma estaca através de seu peito. Ela acotovelou Montmartre na orelha. Ele prendeu sua mão e jogou seu outro braço ao redor de sua garganta. como se um painel de vidro proibisse minha volta. Exceto Solange. já havia desmaiado. ou muito longe para ajudá-la. O sol saiu. forte o suficiente para arremessar sua cabeça para um lado.215 Montmartre deu ordens. Eu tinha ficado fora dele muito tempo. quem sendo a mais jovem. Não era suficiente para perfurar seu coração inteiramente. deixando mãe e filha olhando uma para a outra com as botas cheias de cinzas. Mas ela já estava pegando a Coroa descartada na grama. meio oculta pela névoa. meramente por acaso. Meu espírito seguiu atrás deles. Os Hel-Blar uivaram. Liam abriu-se diante de sua família enquanto Helena abria uma porta de madeira escondida sob um arbusto.

— soava frenético. .216 Os Drakes caíram dentro do túnel. furioso. — Isabeau. Logan me entregou a um de seus irmãos enquanto o sangue continuava escapando de sua ferida. Eu o teria beijado. — Isabeau. — disse novamente. um por um. Senti sua boca roçar meu ouvido. meus olhos rodando atrás da minha cabeça. — Isabeau! Ele havia lembrado o que eu havia dito sobre repetir um nome para retornar seu espírito a seu corpo. Aterrissei tão repentinamente e com tal violência que tremi sem controle. se pudesse.

Não estava muito certa de poder manejar esse feitiço. um pouco rasgado na barra. Teria ficado presa na minha forma de espírito se não fosse por você. 82Ça va: estou bem. entrelaçando meus dedos com os dela. Ainda usava seu vestido. — ela respondeu. — bufei. — Ficará para a Coroação? — Oui. . — tentei alcançar sua mão. — Há tantas coisas que ainda não sabemos sobre nossa magia. tão formalmente que um momento depois se sentiu desconfortável pelo feito. como se não soubesse como estar próxima a mim. esses eram os efeitos secundários de quase ter se consumido na magia. — Como se sente? — perguntei-lhe. Ela pensou e finalmente negou com a cabeça lentamente. mas limpo da lama. — Ça va82. observando as estrelas que sobressaiam por cima do bosque. Ela assentiu. — adicionou. — Os cães e a magia com a névoa são um inferno de estratégia de batalha. Sentei ao seu lado. uma vez que já havia começado. certo? — Eu não diria isso. Sorri um pouco. — Você se arrepende de não ter chegado a matar Greyhaven você mesma? — perguntei calmamente. Não pude deixar de me lembrar da visão que havia tido dela percorrendo os tetos de Paris com seu casaco roubado.217 Epílogo Na noite seguinte encontrei Isabeau sentada no teto da fazenda. — Obrigada. seus olhos vermelhos. Ia tomar aquilo como um bom sinal. — Esse foi um bom truque com a névoa. — Não. sobre as telhas que ainda conservavam o calor do sol. Suas veias estavam anormalmente azuis. Então não pude simplesmente deixar de usá-lo. Ela não me olhava. Suponho que isso não me faz uma guerreira melhor.

— Oh. — sabia que ela estava se lembrando das imagens nos telhados também. Isabeau. mas bonita. uma que apenas pude observar. Piscou para mim. como se de certa forma eu fosse bonita. por favor. — insisti. — Eu te amo. — Ah! Sorri. suponho. Um pouco de 'eu te amo' te assusta. — Não me assusto. nem sequer Kala. Levantei nossas mãos 83Je t´aime: Eu te amo. — ela definitivamente ia corar agora mesmo. — E ainda assim. Nunca havia conhecido esse tipo de satisfação que chegava profundamente até os ossos. Eu a observei pacientemente. como nesse momento. Você viu o meu passado. Apenas ela as tinha. Nenhuma espada. — Teimosa. os ossos disseram que éramos feitos um para o outro.218 Eu a olhei. — ela engoliu novamente. Ela já não me odeia tanto quanto fazia. Ela parecia ter uma luta interna. — Como faz isso? — Fazer o que? — Ninguém jamais no mundo me olhou da maneira que você me olha. estaca ou besta pode conseguir que fique tão pálida e dura.. muito reservada e excessivamente independente. — Tem um bom ponto. Como era anteriormente. — Vamos. — Je t´aime83. que também é capaz de enfrentar aos seus medos e derrotá-lo? — ela engoliu. .. — ela insistiu indignada. — Je. — E o que é um guerreiro se não alguém. — ela apertou nossas mãos. — Não se assuste Isabeau. continua me olhando como se eu importasse. — Oh! Pensei que pudesse corar. — É bonita. Não tinha as armas para ajudá-la. — eu a lembrei. — Quem te disse isso? — Magda. Ela suspirou um pouco.

Juntos. sorrindo. — Claro. Seus olhos estavam tão verdes que quase brilhavam. e beijei seus dedos. — Além do mais. — Me visitará nas cavernas? — ela sussurrou finalmente. — Depois que as cerimônias e as reuniões do conselho terminarem. Ela se encostou a mim. seu cabelo tremulante sobre meu braço. não é? — perguntei roucamente. — Pensa nisso como se fossem negociações de nossas tribos. — Mesmo que todo mundo desaprove? Apoiei-me sobre meu cotovelo. Ela tocou meu queixo. nem uma criada. cheirando a frutas. — Não me importa o que os demais pensam. — fechei a última polegada entre nós e a beijei.. já não éramos nem um príncipe. rapidamente.. E quando ela devolveu o beijo. nossas laterais se tocando. é meu dever promover uma boa relação entre os Cwn Mamau e a Família Real. — Suponho que não. Fim . Nós ficamos encostados sob as estrelas por muito tempo. minha boca cobrindo a dela. suavemente. nem sequer um Drake e um Hound. — abaixei minha cabeça. nós éramos apenas Logan e Isabeau. — Exatamente. Ela sorriu. — Como criada. — Não foi tão difícil.219 unidas para minha boca. — sorri lentamente.

Hunter suspeita que eles estejam sendo atacados do interior.220 A série continua em: Out For Blood Hunter Will é a mais jovem de uma longa linhagem de caçadores de vampiros de elite. Quando os estudantes da academia são vitimas de uma misteriosa doença. Graças a sua amizade com Kieran Black. ela vê a diferença que há entre os vampiros — que devem ser caçados — e os vampiros que podem chegar a ser amigos — ou inclusive mais. onde ela se sobressaía em quase tudo. um legado que é uma benção. um vampiro-morto maravilhoso. Ajuda que surpreendentemente vem na forma de Quinn Drake. Quem disse que o último ano ia ser muito mais fácil? . Hunter recebe um convite especial para assistir a coroação de Helena Drake. e pela primeira vez.. assim como também uma maldição na secreta Academia dos Helios-Ra.. Ela precisará de alguém em quem confiar para que a ajude a salvar o futuro dos Helios-Ra.

221 Sobre a autora .

222 .

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