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CronicasDesabafos_RP_II

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Caros ouvintes, terminei a crónica anterior dizendo que falar de
Manuel Alegre e Cavaco Silva, é discutir o futuro de Portugal ou do
Cavaquistão. Os portugueses voltaram a apostar no político com
mais anos de actividade em exercício, como tal, um político com
muitas responsabilidades. Sócrates continua a ter um Presidente da
República que abre alas à política do desastre dirigida pela União
Europeia, a política iniciada pelo cavaquismo.

É desolador assistir, eleição após eleição, aos números da
abstenção. Muitos prescindem de fazer escolhas com o argumento
de reprovar a classe política, ingenuamente, permitindo que essa
mesma classe faça as escolhas por eles. Quero aqui deixar uma
palavra de desagrado para mais uma eleição em que os eleitores se
vêm impedidos de votar porque a burocracia não é tão Simplex
como Sócrates apregoa.

Os eleitores defendem-se com a falta de credibilidade da política e
eu até os entendo. Cavaco Silva também percebe, por isso enganou
os portugueses, fazendo passar a imagem que não é político –
imagine-se só… Não bastava o discurso de vitimização, fugindo à
responsabilidade de explicar a sua ligação à SLN-BPN, vem depois
dizer-nos que uma segunda volta teria custos acrescidos. Não se
preocupou com os custos exagerados do seu mandato e da sua
campanha que ultrapassou todos os outros, mas para ele os custos

da democracia são dispensáveis… Não satisfeito, alegou que uma

segunda volta podia provocar uma subida das taxas de juro. Deduz-

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se então que os mercados, sempre nervosos, também ficariam
agitados sem a eleição de Cavaco à primeira volta. Não precisamos
de explicações, para perceber que esses mercados lidam mal com a
democracia. Não ignoro, que estas atitudes são tiques de uma
família política neoliberal agora num processo de mutação, após a
sua derrota ideológica. São atitudes como essas, que levaram
Manuela Ferreira Leite um dia, a confessar que era necessário
suspender a democracia. Cavaco e os mercados não o dizem mas

que o desejam, desejam…

Este é o paradigma da representação popular que me leva muitas
vezes a pensar porque razão, presta um povo vassalagem a quem
os engana e explora. Da mesma forma, como podem aceitar um
Presidente da República que obedecendo a Angela Merkel, vai abrir
as portas ao FMI, promovendo a destruição de emprego e dos
serviços públicos. Para os mais distraídos, em 2008 o FMI estava
numa situação difícil, tal como a banca. Agora, estas entidades
esticam as garras e devoram as suas presas sem piedade.

Agora é tempo de tratar dos problemas, está à vista o colapso
social. Fiquei por isso sensibilizada pela criação do Observatório
Económico e Social do Distrito do Alto Alentejo, mas é preciso que não
fique por aqui. As outras forças vivas, devem contribuir e fazer uso
deste importante instrumento promovido pelo Governo Civil. Nesta

altura já estamos a falar numa “operação de salvamento”, dada a

situação catastrófica em que nos encontramos, apesar de muitos
ainda não reconheceram ou quererem esconder, dadas as suas
responsabilidades.

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