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O TERRORISMO É GLOBAL
Ester Alice da Rocha Santos Prof. Emanuela Carneiro Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – Campus Barreiras-BA Edificações (131) – Língua Portuguesa 29/10/2009

RESUMO A globalização está reestruturando radicalmente o modo como se vive em sociedade. No entanto, enquanto uma pequena parcela do mundo incorporou o modelo de vida baseado nas novas relações horizontais de produção e exploração capitalista, bilhões de pessoas se encontram no patamar de miséria, o que tem provocado guerras étnicas, políticas de extermínio, e especialmente práticas terroristas. Neste sentido, o presente estudo tem por objetivo analisar de que forma a globalização tem impulsionado a difusão do terrorismo. Numa complexa combinação de desenvolvimento, tudo se globalizou, até mesmo o terrorismo. O terrorismo da contemporaneidade não é um terrorismo individual, é um terrorismo em rede que não tem um foco em especial. Conclui-se que esse “novo terrorismo”, altera a percepção de globalização da sociedade moderna, pois transforma gradualmente a violência local em uma ameaça global, transnacional e descentralizada. Isso tem provocado insegurança e desconforto, levando as superpotências a fazerem guerra em nome da paz. No auge da globalização, a humanidade está retrocedendo enquanto caminha para a autodestruição.

Palavras-chave: Globalização; terrorismo; crise contemporânea.

1 INTRODUÇÃO O novo contexto político, associado às novas tecnologias da informação redefiniu as relações de espaço e tempo, ampliando simultaneamente as incertezas do mundo contemporâneo. É inegável que o fenômeno da globalização está reestruturando radicalmente o modo como se vive em sociedade. No entanto, se por um lado é possível dizer que a sociedade da era digital avançou na defesa e promoção de novos valores tidos como universais, diminuindo a distância entre os povos, por outro, observa-se a regressão desse mesmo sistema, ao passo que esse desenvolvimento tecnológico

políticas de extermínio. ela também representa um aprofundamento e uma especificação das tensões entre o local e o global”.de telecomunicação. 2008. Nessa perspectiva. p. Nesse sentido. traduz a crescente interligação e interdependência entre os países em resultado da liberalização dos fluxos internacionais de comércio.funcionam como unidades em tempo real no conjunto do planeta. 2 O LADO PERVERSO DA GLOBALIZAÇÃO A globalização. 12). ou mundialização como alguns preferem. interatividade. porque só na última década se constituiu um sistema tecnológico . a tecnologia. do fracasso das políticas de integração e do ressurgimento do terrorismo. De acordo com Castell (apud SUGARAHA. pois envolve a segurança da sociedade global. p. envolve muito mais que avanço tecnológico e científico como se costuma rotular. de capitais. ou seja.33) “a modernidade não é apenas a globalização dos meios de produção e a revolução dos meios de comunicação. Por globalização entende-se o processo segundo o qual as atividades decisivas em um âmbito de ação determinado . de compromisso com valores universais compartilhados e de solidariedade entre os habitantes de todo o planeta pode ser aproveitado para .a economia. a globalização pôs em andamento um processo de mudança de grande abrangência que induz uma interação social e política entre organizações e pessoas do mundo todo em tempo real. o presente estudo tem por objetivo analisar de que forma a globalização tem impulsionado a difusão do terrorismo. de crises financeiras que derrubaram economias emergentes. Trata-se de um processo historicamente novo. transporte e alta velocidade em um âmbito mundial para pessoas e mercados – suficientemente articulado e potente para viabilizar um sistema global (CASTELLS apud SUGAHARA. sem dúvida. a humanidade tem vivido sob tensão. Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos. a gestão do meio ambiente e o crime organizado. um dos grandes desafios do mundo atual.2 e científico é marcado pela ocorrência de guerras étnicas. O terrorismo é. os meios de comunicação. de tecnologias e de informação e do aumento da mobilidade das pessoas depois da 2ª guerra mundial. Esse nascente senso de interdependência. por exemplo . 2008. distinto da internacionalização e da existência de uma economia mundial.

Desse modo. mas não é tão simples como parece. 01). 2009) ressalta que é a própria globalização que gera as condições propícias para o desenvolvimento das novas formas de super terrorismo. Se o terrorismo um dia foi um micro-componente inerente à Guerra Fria.40). No entanto.”. ou seja.3 cimentar uma governança global aberta e democrática que beneficie a todos. etc. Ele se transfigura em diversas outras modalidades. “o terrorismo surge como um dos fenômenos políticos que exerce maior impacto sobre a percepção em termos de segurança no sistema internacional. o terrorismo é sem dúvida nenhuma o lado mais perverso do processo. embora se saiba que a globalização tem gerado o agravamento das crises econômicas e financeiras do sistema. o que de fato é verdade. O que se pode perceber é que o impacto da globalização é sentido de forma diferente em cada parte do planeta. . pois transforma gradualmente a violência local em uma ameaça global e substitui o que se imaginava ser a “ameaça do comunismo” por uma nova ameaça . Conforme Suarez (2007. p. De fato. O terrorismo é também uma conseqüência direta da extrema injustiça social. assim. essa possibilidade de interconexão entre as pessoas do mundo todo está favorecendo a constatação de que todos pertencem a uma mesma comunidade global. o terrorismo altera a percepção de globalização da sociedade moderna. após os atentados de 11/09 o terror se transforma na principal justificativa para a doutrina da guerra preventiva promovida pelos neoconservadores nos EUA (SUGAHARA. como no plano internacional. 2008. multiplicando. da corrupção e da miséria. p. químico. ao analisar o terrorismo sob a ótica da globalização pode-se dizer que o terrorismo é uma doença social que cresce no solo fértil da ignorância. terrorismo nuclear. 3 TERRORISMO X GLOBALIZAÇÃO. quer no âmbito interno. biológico. e se fortalece com o auxílio do fanatismo religioso.denominada genericamente de terrorismo internacional. simbólico. o efeito perverso da sua eficácia em termos de escala continental. de cada Estado. Lara (apud FONSECA JUNIOR. O autor enfatiza argumentando que os meios de comunicação alimentam a avidez por notícias dos atentados. e algumas das suas conseqüências podem ser drásticas. o fenômeno atinge uma proporção psicológica e social de dimensões muito maiores à escala da sociedade global.

54). Por outro lado tem-se o também “terror” gerado em nome da segurança. destroem nações. podemos encarar o terrorismo como instrumento de libertação em nações dominadas. que agora é chamado de “novo terrorismo”. baseado nas novas relações horizontais de produção e exploração capitalista. que em defesa da paz lideram guerras. Então. A perda de significado dos dogmas para algumas culturas e a expansão do capital transnacional criou um limbo de identidade nas sociedades de estrutura tradicional. sufocadas pelo sistema desigual de globalização. O autor enfatiza que alguns se referem a um novo tipo de guerra instaurada pelo novo terrorismo. . Isso gera um circulo vicioso difícil de contornar. p. sob estado de sítio permanente. De acordo com Carrion (2009).33). p. bilhões de pessoas se encontram no patamar de miséria sobrevivendo com menos de um dólar por dia. deixando um rastro de temor. causando tumultos na política internacional. sempre possíveis. Enquanto uma pequena parcela do mundo incorporou o modelo de vida cosmopolita.. biológico ou nuclear.. sobretudo em face da apreensão dos terrorismos químico. “O uso da violência organizada contra símbolos da modernidade é outra característica do novo terrorismo a partir do 11/09. onde a fragilidade das instituições alimenta a violência e a intolerância étnica (ibid. A globalização colocou em xeque as bases históricas de legitimação do poder local baseado na força da tradição secular. a globalização do terrorismo tem instabilizado as relações internacionais. 34). A ação terrorista direciona a violência organizada contra símbolos da segurança criada em torno do Estado Moderno” (ibid. uma guerra agora fluida. ela também representa um aprofundamento e uma especificação das tensões entre o local e o global” (SUGAHARA. insegurança e instabilidade em todo mundo.4 “A modernidade não é apenas a globalização dos meios de produção e a revolução dos meios de comunicação. até mesmo o terrorismo. p. bem-estar e manutenção dos grandes impérios. 5 TERRORISMO GLOBAL Numa complexa combinação de desenvolvimento tudo se globalizou. que sob a falsa idéia de diminuir as distâncias acaba por aumentar as disparidades sociais. Esse terrorismo globalizado pode deixar a sociedade civil mundial sob constante ameaça. 2008.

O terrorismo de hoje em dia não é um terrorismo individual. não há espaço para negociações. Essa parece ser justamente a intenção dessas facções terroristas: simular uma “briga de gato e rato”. irracional e difícil de detectar. de uma nova formatação da atuação terrorista. como os observados nos ataques no World Trade Center e no Pentágono. agora mais radical. é um terrorismo global que é quase impossível de deter.5 Para Huntington (apud SUGAHARA. transnacional e descentralizada. sem preocupações e de repente perdem a vida sem ter nada a ver com o assunto. Trata-se. como no desenho animado “Tom e Jerry”. Enquanto isso. 2008. valores ou religião. sem vencedores ou perdedores. Isso tem provocado insegurança e desconforto global. A diferença é que por traz da aparente brincadeira. “o ocidente conquistou o mundo não pela superioridade de suas idéias. Afinal de contas. Conclui-se que esse “novo terrorismo” altera a percepção de globalização da sociedade moderna. E nesse jogo. nunca se sabe se a pessoa que está ao nosso lado no autocarro não é um terrorista que através de um simples telefonema consegue explodir uma bomba e matar muitas pessoas inocentes. a humanidade está retrocedendo enquanto caminha para a autodestruição. 6 CONCLUSÃO A percepção do terrorismo no âmbito global. basta apenas um clique. 54). levando as superpotências a fazerem guerra em nome da paz. Esse terrorismo tem uma base religiosa que motiva a nossa impotência perante o fenômeno. mas sim por sua superioridade em aplicar a violência organizada” O novo terrorismo internacional é uma forma de contraponto ao modelo de violência organizada do Ocidente. p. Pessoas inocentes como nós que vão a passear. portanto. pois transforma gradualmente a violência local em uma ameaça global. já não um terrorismo individual fácil de controlar. . que se apóia na violência como espécie de procedimento contemporâneo de reivindicação se constitui um dos maiores problemas da política internacional contemporânea em sua busca pela almejada paz universal. a mídia se encarrega de levar ao mundo o espetáculo produzido pela globalização. O moderno terrorismo está mundializado. é um terrorismo em rede que não tem um foco em especial. tornando-se impossível prever o que pode acontecer. Os grupos terroristas provavelmente têm acesso a armas de destruição em massa e usam métodos extremos.

Acesso em .webartigos.com. O Combate ao Terrorismo e sua Crise Contemporânea. L. 2009.com/articles/25085/1/o-combate-aoterrorismo-e-sua-crise-contemporanea/pagina1. Disponível em: http://www. Acesso em 21 out. 2007.br/br/simp/artigos/suarez. Artigo Científico (Simpósio em Relações Internacionais) Pós Graduação em Relações Internacionais PUC-SP. 105 f. SUGAHARA.santiagodantassp.santiagodantassp.pdf. Do (s) Terrorismo (s) no Século XXI: sobre a formação de um discurso de poder. Thiago Y. Acesso em 21 out.locaweb. Garcia. Disponível em: www. Disponível em: http://www. Marcial A. 2009. Dissertação de Mestrado (Programa San Tiago Dantas de Pós-Graduação em Relações 22 out.htm. 2009.html.br/br/arquivos/defesas/thiagosugahara.oas. 2008. Internacionais) Universidade Estadual Paulista. São Paulo.org/ezine/ezine6/art7. FONSECA JUNIOR. 2009.locaweb. Acesso em 21 out. Disponível em: http://www. São Paulo.6 7 REFERÊNCIAS CARRION. Terrorismo Globalizado. 16 f.pdf. José de Ribamar Lima da. Terrorismo e Insegurança no Mundo Pós 11 de Setembro.com. Eduardo K. M. SUAREZ.