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COPIAO - ENSAIO nº 01

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SUMÁRIO
Segundo ato Expediente

01 - O AUXÍLIO NA PRODUÇÃO DO JORNALISMO CIENTÍFICO ATRAVÉS DOS PORTAIS DE INTERNET - Lucas Campêlo Freire 02 - O BLOG XINGU VIVO COMO UM IMPORTANTE MEIO DE COMUNICAÇÃO DIGITAL: INFORMANDO SOBRE A USINA

HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE - Ana Caroliny Pinho, Débora Quaresma e Flávio Cardoso 03 - FURO: UM CANAL ENTRE PESQUISA E SOCIEDADE A RESPEITO DO QUE ACONTECE NA AMAZÔNIA - Gabriel Nantes de Abreu e Tiago Júlio de Farias Martins 04 - ANÁLISE DO BLOG “FURO” NA COBERTURA CIENTIFICA E AMBIENTAL - Aliccia Ferreira, Flávia Coelho e Lilian Guedes 05 - JORNALISMO E CIÊNCIA: UM OLHAR SOBRE A AGÊNCIA ENVOLVERDE - Maria Carolina Silva Martins Pereira e Thaís Luciana Corrêa Braga

06 - CORO CÊNICO DA UNAMA: RELATO DE UM PROJETO DE EXTENSÃO E PESQUISA NA AMAZÔNIA – Bruna Merry Jesus Vale e Marcela Teixeira

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Universidade da Amazônia Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA) Curso de Comunicação Social ::Ensaio – Amazônia: Ciência e Meio Ambiente, nº 01::

Exercício da Disciplina: Jornalismo Científico e Ambiental Rogério Almeida – Docente

Capa – Renan Moraes – discente do 6º Período de Publicidade – 6PPN
Ana Célia Bahia Reitora

Roberto Alcântara
Diretor do CESA

Zenilda Botti Fernandes
Coordenação Pedagógica

Alda Costa
Coordenadora do Curso de Comunicação Social

Vânia Torres
Coordenadora Adjunta do Curso de Comunicação Social

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::Ensaio – Amazônia: Ciência e Meio Ambiente::
Belém – novembro - 2º semestre de 2011

#Segundo ato#
O Ensaio prossegue. Temas e protagonistas são outros. Nuvens e luzes também. A motivação da edição de número zero da Ensaio, a realização do Encontro Nacional de Jornalismo Científico em Belém deixou de existir, assim fomos informados. O evento foi cancelado. A teimosia permanece, o exercício em incentivar a produção de interpretações sobre as realidades que conformam a(s) Amazônia (s), ou mesmo de outros cantos, assuntos e produções. Ainda que o esforço soe pequeno ante a complexidade dos temas, os limites do repertório intelectual ou os estrangulamentos que a rotina proporciona. Mas, cá estamos a insistir contra a correnteza. Os limites permanecem. Os atores em cena da edição de número 01 da publicação são discentes do último período, que administram o tempo na busca de espaço no mercado de trabalho, em estágio e na produção do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), além da obrigação das atividades complementares. Trata-se de discentes de duas turmas do 8º período da habilitação em Jornalismo do Curso de Comunicação da Universidade da Amazônia (UNAMA). Uma turma do turno matutino e outra do turno vespertino. A tarefa integra o processo da primeira avaliação do semestre. A orientação do exercício é a produção de artigo que busque conhecer e interpretar dinâmicas sobre a região. A(s) Amazônia (s) do Brasil ou da Pan-Amazônia passam por agudas transformações. Alguns investigadores analisam a região como a derradeira fronteira do capital. O território e os recursos locais estão no centro dos interesses de redes econômicas, políticas e sociais locais, nacionais e internacionais. Num extremo, grandes corporações, noutro, populações locais consideradas tradicionais: indígenas,

quilombolas, caboclos e outras modalidades. Tais populações têm sido tratadas desde os primeiros colonizadores como representações do atraso. Assim contam as narrativas inaugurais de naturalistas, viajantes, religiosos, contistas e comerciantes sobre a região. O papel do Estado em arbitrar tem sido exercido conforme a pressão de lobbys. Ainda que a (s) Amazônia (s) mobilizem inúmeros interesses, e seja uma pauta constante nos principais centros do mundo, os diários locais não possuem um espaço que se dedique ao tema. E, mesmo nos estados mais ricos da nação a cobertura 11

jornalística é limitada e precária. Maioria das vezes motivada pelas tragédias: trabalho escravo, execução de militantes pela reforma agrária, defensores da floresta e dos direitos humanos ou o desmatamento. O universo agrário da região é um caos. E tal aspecto não costuma ser contextualizado nas coberturas midiáticas. Quanto à voz dos povos ancestrais, quase nunca ecoa. A lógica economicista prepondera. No horizonte de tal discurso, a floresta e as populações locais despontam como representações de um mundo que deve ser superado, destruído ou criminalizado. Já o conhecimento milenar das mesmas é secundado ou omitido. Sabe-se dos recursos estratosféricos que a maior região do país encerra: hídrico, biodiversidade, recursos minerais. Assim como é conhecida a condição de subúrbio que os processos econômicos conferiram a mesma. Tal condição tem saída? Que papel cabe ao conhecimento? E ao jornalismo, que tarefa deve ocupar o topo da pauta da agenda das coberturas? Futuros profissionais aqui apresentam algumas impressões. O conjunto da edição da Ensaio de número 01 tem seis artigos. Uma pauta da agenda política, a construção da hidrelétrica de Belo Monte foi contemplada com duas produções. A empreitada de Lucas Freire analisa as interpretações de Lúcio Flávio Pinto, considerado a principal referência do jornalismo sobre temáticas amazônicas. Isso faz uns 40 anos. Débora Quaresma, Flávio Cardoso e Ana Caroliny Pinho assinam a produção de 15 páginas. O artigo integra o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da equipe. Belo Monte não é um projeto solto no ar. Faz parte de um modelo de desenvolvimento de integração econômica Sulamericana calcado no tripé de eixos de integração: a geração de energia, infraestrutura de transporte multi-modal (rodovias, ferrovias e hidrovias) e telecomunicações que buscam a aproximação com o Pacífico. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o principal financiador a juros módicos, 4% ao ano, papel antes ocupado pelo Banco da Amazônia (Basa) e a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Na

historiografia recente da ocupação da Amazônia o estado de exceção (1964-1985) é indicado como um marco. Naqueles dias a lógica residia em polos de mineração, pecuária e madeira. A floresta foi amansada na pata do boi. O universo da web também conta com duas produções. Os discentes de turmas diferentes decidiram em lançar luzes sobre a inciativa do docente do Curso de Comunicação. Trata-se do blog (Furo) que produz materiais (artigos e reportagens) sobre a região. Além de disponibilizar livros, cartilhas e documentos. Gabriel Nantes e 12

Thiago Júlio Martins, parceiros de TCC assinam um artigo sobre o tema. O segundo tem a chancela da trinca Aliccia Ferreira, Lilian Guedes e Flávia Coelho. Maria Carolina Pereira e Thais Braga são responsáveis pela análise de um site dedicado a temas ambientais, Envolverde. A dupla indica fatores positivos e limites que o mesmo abriga. E sublinham a ausência de pautas sobre a Amazônia. A dupla Bruna Merry e Marcela Teixeira resolveram observar o rio que corre na própria aldeia. As discentes relatam a experiência do Coro Cênico da Unama. Assim, este projeto de extensão e pesquisa busca incentivar o conhecimento sobre o vasto universo cultural dos recantos amazônicos. Na caminhada que soma 15 anos o projeto contabiliza a produção de espetáculos e CD´s. A contribuição com a produção ficou a cargo do discente Renan Moraes, do Curso de Publicidade e Propaganda, 6º Período do turno noturno.

Finda o segundo ato.

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Universidade da Amazônia Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA) Curso de Comunicação Social ::Ensaio – Amazônia: Ciência e Meio Ambiente:: Exercício da Disciplina: Jornalismo Científico e Ambiental Rogério Almeida – Docente Capa – Renan Moraes – discente do 6º Período de Publicidade – 6PPN Relação dos discentes por turma e turno

::8JLM1- Diurno::
Ana Caroliny Pinho Débora Quaresma Flávio Cardoso Gabriel Nantes de Abreu Aliccia Ferreira Flávia Coelho Lilian Guedes

::8JLV1 –Vespertino::
Lucas Campêlo Freire Tiago Júlio de Farias Martins Maria Carolina Silva Martins Pereira Thaís Luciana Corrêa Braga Bruna Merry Jesus Vale Marcela Teixeira

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O AUXÍLIO NA PRODUÇÃO DO JORNALISMO CIENTÍFICO ATRAVÉS DOS PORTAIS DE INTERNET
Lucas Campêlo Freire1

RESUMO: Este artigo busca refletir sobre a produção do jornalismo científico utilizando como plataforma as colunas disponíveis em portais da internet. Para tal, serão utilizados como exemplo dois textos produzidos pelo jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, e publicados no portal Yahoo. O artigo vai analisar duas edições da coluna noticiadas neste ano, publicadas em maio e setembro.

Palavras-chave: Jornalismo Científico, internet, Usina de Belo Monte.

REVISÃO TEÓRICA SOBRE O JORNALISMO CIENTÍFICO

Existem muitas ramificações dentro da prática jornalística, como o jornalismo esportivo, cultural, político, econômico, ou, no caso desta disciplina, da especialização do jornalismo voltado para as áreas de ciências e do meio ambiente. Como toda forma de jornalismo especializado, é necessário cuidado no tratamento dado às informações na prática do jornalismo científico. Dessa forma, elas podem servir ao público leitor da melhor forma possível, sem que haja qualquer erro na divulgação. O campo de abrangência do jornalismo científico vem crescendo muito com o passar do tempo. Entre as referências sobre o assunto sublinhamos os autores do jornalismo científico no Brasil, Wilson da Costa Bueno e Anelise Rublescki. Segundo Rublescki (2008), a modalidade jornalística trata na:
prática específica da imprensa de divulgação de informações especializadas sobre novas tecnologias, descobertas científicas, pesquisas aplicadas em áreas que vão da saúde às exatas, passando pelas humanas e pelo meio ambiente. (RUBLESCKI, 2008, p.408)

Outro aspecto sobre o jornalismo científico que vale a pena analisar é o defendido por Bueno (2003). O autor aponta a existência dos chamados “lobbys”, praticados por grandes empresas com os meios de comunicação. Ele chama atenção
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Estudante de Comunicação Social- Jornalismo na Universidade da Amazônia (UNAMA). emeio:

lucas_px_@hotmail.com

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ainda para a relação entre pesquisadores, universidades e demais partes envolvidas no processo de produção do conhecimento. Sobre esta prática, o autor afirma que:
uma análise mais acurada desta presença na mídia revela que nem sempre o tom das manchetes destaca o caráter emancipador da ciência e da tecnologia. Pelo contrário, alimenta suspeitas contra empresas, universidades e mesmo cientistas, acusados de privilegiarem, na produção e na divulgação de suas pesquisas, interesse políticos, econômicos, comerciais ou pessoais, (BUENO, 2003, p. 01)

Bueno destaca, sobretudo, o papel que o jornalismo científico tem, no sentido de democratizar as informações que são frutos de suas reportagens. Falando novamente sobre a produção de conteúdo do jornalismo científico, Rublescki (2008) afirma que há uma tensão entre os dois atores do processo de produção do conhecimento científico, os jornalistas e os pesquisadores. Ela diz que essa tensão é causada pela forma singular como cada parte realiza esse processo. Enquanto o jornalismo trabalha de maneira a utilizar uma linguagem simples, visando alcançar o grande público leitor, a produção no meio acadêmico demanda tempo, utilizando de uma linguagem “hermética”, pouco conhecida pelo público “leigo”, apresentando certa restrição no repasse do conhecimento unicamente para outros pesquisadores. Autores como Rublescki (2008), apontam que a cobertura realizada pelos profissionais do jornalismo científico no Brasil tem limites. Segundo a autor uma deles é a monofonia, ou seja, ouvir “um único ponto de vista: fragmentos de um estudo, de um grupo de pesquisadores, de um profissional”. Em outras palavras, a professora chama a atenção para a monofonia nas fontes das reportagens, o que quer dizer que são poucas as fontes consultadas para a apuração das informações, o que pode ser visto como uma característica negativa, pois, em todas as matérias, as mesmas fontes, os mesmos profissionais são utilizados. Mesmo com todos esses fatores, com o tempo foi possível que o jornalismo científico se destacasse cada vez mais na imprensa, adquirindo mais espaço para tratar sobre temas envolvidos com a ciência e a tecnologia. Atualmente é comum ver revistas especializadas, jornais e outras mídias, com espaços dedicados a esse tipo de cobertura.

A INTERNET E O JORNALISMO CIENTÍFICO Um dos muitos tipos de ferramentas utilizadas para falar sobre o jornalismo científico na sociedade atual é a internet. São inúmeros e variados os sites que apresentam algum tipo de conteúdo relativo à ciência e à tecnologia na rede mundial de

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computadores. Alguns desses, mesmo que não disponibilizem grandes espaços para a publicação de textos com a abordagem do jornalismo científico, o fazem por meio da disponibilidade das colunas, em que os autores publiquem os textos. Um dos sites que utilizam essa estratégia é o portal Yahoo2, que disponibiliza uma seção para textos sobre meio ambiente e tecnologia. Um dos que utilizam a plataforma da internet para a publicação de textos é o jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto3, que assina uma coluna no portal destinada a debater sobre a realidade amazônica contemporânea. Serão analisados dois dos textos publicados na coluna para a realização deste artigo. Os textos escolhidos se dedicam a falar sobre questões recentes, tendo como foco principal a questão da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Ambos foram publicados em 2011. O primeiro texto é “Hidrelétrica Maldita”4, publicado no dia 18 de maio. O segundo é “Frankenstein na Amazônia”5, edição do dia 08 de setembro. O primeiro texto aborda sobre aspectos referentes à produtividade energética da usina de Belo Monte. Ele compara a produtividade da usina com outras já construídas. Segundo dados do texto, o “fator de carga”, medida de energia que a usina pode oferecer durante o período de um ano, da usina, equivalente a 40% de energia, fica atrás de outras já construídas, como a usina de Tucuruí, com 49%, e a de Itaipú, no Paraná, considerada a maior do mundo, com 61%. Com esses dados, o autor levanta o seguinte

questionamento: por que o governo decide levar adiante um projeto cuja produção de energia é baixa? Além disso, ele levanta hipóteses para alavancar a produção de energia, o que poderia baratear a construção da usina. Entretanto, o texto do jornalista também se preocupa em analisar as consequências dos impactos ambientais e sociais do projeto para a população que vive na área da usina, principalmente se referindo ao alagamento que o projeto causaria. Esse efeito, segundo Lúcio Flávio “é o calcanhar de Aquiles do projeto”. O segundo texto analisa os entraves que impossibilitam a construção da usina. O jornalista afirma que até hoje “nenhuma pá de areia foi lançada (...) para fazer surgir aquela que deveria ser a terceira maior hidrelétrica do planeta”. Ele reforça os altos
(www.yahoo.com.br/colunistas) Considerado a maior autoridade jornalística sobre a temática da região da Amazônia. Trabalhou em vários veículos de mídia, como O Estado de S. Paulo, durante 17 anos. Atualmente edita o Jornal pessoal, criado por ele em 1987, que já foi eleito a melhor publicação do Norte e Nordeste por conta da abordagem política e investigativa que faz sobre a Amazônia. 4 (http://colunistas.yahoo.net/posts/10977.html)
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(http://colunistas.yahoo.net/posts/13402.html)

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investimentos já feitos e as várias etapas e documentos necessários para a construção da usina. Lúcio Flávio se preocupa também em mostrar o outro lado da situação. Além da representação das elites nacionais e locais favoráveis á construção da usina, o texto de Lúcio Flávio apresenta também o lado da população nativa, que se manifesta de forma contrária à construção da usina. Nesse texto, o jornalista novamente reforça os impactos financeiros da construção. Segundo o texto, a usina deixaria de faturar por conta do não armazenamento de água pela usina no período do inverno para uso no verão, quando as vazões do rio Xingu chegam a diminuir 30 vezes, o que prejudica a produção de energia. Segundo o texto, a perda de faturamento será de 300 milhões de reais ao ano, o que representa 50% a mais do que o valor a ser pago aos municípios afetados pela construção da obra. Lúcio Flávio Pinto, nos textos analisados, demonstra uma postura claramente contrária à construção da usina. Ele, entretanto, não deixa de lado a postura de informar ao público dados que fundamentem sua postura, e que possam ajudar o público a desenvolver uma opinião crítica sobre o assunto debatido nos textos. Sobre os textos analisados é válido notar que o jornalista apresenta não apenas um, mas os dois lados da situação. Ou seja, ele fala sobre a situação dos empresários que querem a construção da usina, como também a situação daqueles que não desejam a construção da usina, através de dados sobre os impactos socioambientais da construção e a resistência dos povos nativos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Como se vê, mesmo com todas as dificuldades inerentes às especializações dispostas ao ofício jornalístico, principalmente ao jornalismo científico e ambiental, é evidente que essa especialização conquista cada vez mais espaço nas variadas plataformas e veículos oferecidos pela imprensa. É o caso da internet, que se torna cada vez mais uma ferramenta que ajuda no processo de divulgação de pautas e notícias de cunho científico para a sociedade. Devese sempre afirmar que a responsabilidade do jornalismo científico é tão grande quanto a de qualquer outra especialidade, principalmente para clarear essa área do conhecimento para os integrantes da sociedade, que não possuem tanto conhecimento sobre ela. 18

Uma das ferramentas para a divulgação desse tipo de notícia é representada pelas colunas nos blogs e portais de notícias, como analisado no caso da coluna de Lúcio Flávio Pinto. Esse tipo de ferramenta, além de ser inserida no contexto da globalização e das novas mídias de comunicação, também é eficaz por conta da maior interação entre o autor dos textos e o público, que se comunica diretamente com o autor através dos comentários das páginas.

Bibiografia: BUENO, W. Jornalismo Científico, lobby e poder. In: DUARTE, J e BARROS, T. Comunicação para a ciência, ciência para a comunicação. Embrapa, Brasília, 2003. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/a-monofonia-das-fontes. RUBLESCKI, Anelise. Acesso em 25/09/2011 http://colunistas.yahoo.net/posts/13402.html. PINTO, 25/09/2011. http://colunistas.yahoo.net/posts/10977.html. PINTO, 24/09/2011 Lúcio Flávio. Acesso em Lúcio Flávio. Acesso em

O BLOG XINGU VIVO COMO UM IMPORTANTE MEIO DE COMUNICAÇÃO DIGITAL: INFORMANDO SOBRE A USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE
Ana Caroliny Pinho6 Débora Quaresma7 Flávio Cardoso8

RESUMO: Este artigo é a síntese de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) baseado na análise do blog Xingu Vivo. O veículo se opõe à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu, no Pará. Este trabalho, portanto busca entender de que forma o blog desempenha um papel importante na informação à
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Estudante de Comunicação anacarolimypinho@gmail.com 7 Estudante de Comunicação deboraqm8@gmail.com 8 Estudante de Comunicação f.andrade20@gmail.com

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Jornalismo Jornalismo Jornalismo

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sociedade, além de seu provável potencial enquanto veículo web jornalístico na internet.

Palavras-chave: Jornalismo Científico e Ambiental, Belo Monte, Blog Xingu Vivo

INTRODUÇÃO O fazer jornalístico e seus correlatos há tempos entram em pauta pelos estudiosos que analisam o campo da comunicação. Devido à grande amplitude de suas ações, o local de produção das notícias, a redação é dividida em editorias, que são ramificações de assuntos/temas que pautam a sociedade, tais como: esporte, meio ambiente, política e cultura apenas para citar algumas. Deste modo, o jornalista para não ficar preso a superficialidade rotineira, deve dominar as técnicas para a produção de uma “boa” notícia – tais como a apuração, a pirâmide invertida e o tão polêmico uso da subjetividade – além de se especializar sobre o assunto que está tratando para não colocar o seu principal capital em risco: a credibilidade. Duas destas segmentações que estão ganhando espaço nos meios de comunicação, mesmo que de forma tímida, é o jornalismo científico e ambiental. A cobertura sobre estes assuntos específicos desenvolveram-se recentemente, a partir das décadas de 1970 e 1980. Mesmo período em que ocorreram mudanças significativas na grande imprensa dos Estados Unidos, do Canadá e de países europeus após a queda na vendagem do jornal impresso destes países. Este dado influencia também o fazer jornalístico em países subdesenvolvidos, entre eles o Brasil. Para superar a crise, estes jornais passaram por transformações estruturais que “adotaram posturas de integração redação-marketing-publicidade, além de imporem um jornalismo menos denso, como forma de recuperar os leitores perdidos para o fragmentado, ágil e superficial discurso televisivo” (RUBLESCKI, 2009: p. 3). No Brasil, este modelo foi adotado a partir da década de 1990. As décadas anteriores foram decisivas para a estruturação da ciência e da tecnologia, o que tornou a cobertura dos fatos deste segmento complexa e de grande alcance. Destarte, o jornalismo científico contempla áreas que abarcam as Ciências Exatas, Biológicas e Humanas, ou seja, o jornalismo científico agrega a complexidade do conhecimento humano. Assim, segundo Rublescki, esta temática do Jornalismo Científico9, “tem sido utilizada para definir uma prática específica da imprensa para

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Tradução do Scientific Journalism comum na literatura americana e inglesa

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divulgação de informações especializadas sobre toda a amplitude da Ciência e Tecnologia (C&T)” (RUBLESCKI, 2009, p. 3). Contudo, ainda há um grande conflito entre Ciência e Jornalismo enquanto campos distintos. Reforça-se então o papel do jornalista com o compromisso da veracidade da informação e aplicabilidade desta perante o interesse público. Afinal, são essas notícias que pautarão o dia-a-dia de uma sociedade e que interferirão diretamente no cotidiano daquelas pessoas, o que coloca em evidência o preparo do jornalista para determinada pauta, e o interesse dos meios de comunicação para tratar sobre este assunto. Nesta perspectiva é decisivo o interesse do Jornalismo Científico em contribuir com o que chamamos de cidadania e de democracia. Para Bueno, este segmento do Jornalismo é mais uma prática que permeia a vida em qualquer sociedade, seja nos países mais avançados ou não. Como contribuição do jornalismo científico para amplificar a prática da democracia tem-se como exemplo a divulgação de pesquisas que conseguem derrubar ações de indústrias poderosas como a farmacêutica e a tabagista. Assim como a divulgação do uso dos alimentos transgênicos entre outros. Deste modo, Bueno (2003: p. 1) assinala que:
Este novo cenário evidencia, claramente, que a produção de ciência e tecnologia deixou, há muito, de ser preocupação exclusiva dos cientistas e que a sua divulgação deve estar respaldada em pressupostos e atributos que extrapolam a comunicação científica, e em particular o jornalismo científico, tradicionais. As relações entre ciência/tecnologia e sociedade, permeadas por uma rede complexa de interesses e compromissos, exigem uma nova postura do jornalismo científico, agora, mais do que nunca, comprometido com uma perspectiva crítica do processo de produção e divulgação em ciência e tecnologia.

Notadamente, o jornalismo ganha uma nova aliada para o processo de informação, a internet, momento em que emerge grande número de portais, blogs, sites e afins com um único objetivo: divulgar informação. Nesta nova proposta midiática enquadra-se o blog Xingu Vivo, objeto de estudo do presente artigo. O blog insere-se na nova cultura midiática do fazer jornalístico que se utiliza da blogsfera para disseminar informações para determinado público, neste caso parte da sociedade interessada sobre o andamento das obras da hidrelétrica de Belo Monte. Esta ferramenta originou-se a partir de ano de 2009, momento em que as discussões sobre o projeto de construção da hidrelétrica volta à baila. Esta ferramenta comunicacional foi elaborada com a finalidade de chamar a atenção da opinião pública sobre os passivos sociais e ambientais que a construção da usina de Belo Monte poderá provocar sobre as populações locais e o ecossistema. O 21

blog Xingu Vivo foge dos parâmetros dos veículos “comuns” da mídia, ou seja, a indústria da comunicação brasileira, ao se focar em um determinado assunto que mobiliza apenas um segmento da população. Deste modo, Bueno (2004) ressalta sobre o quão difícil é o processo de democratização nas mídias brasileiras. Mesmo com o acesso a avalanche de informações oriundas da internet, a sociedade brasileira ainda está presa às amarras impostas pelo monopólio da indústria de comunicação no Brasil, pois “a democratização da informação é, essencialmente, uma utopia, porque o controle dos meios obrigatoriamente define interesses e compromissos, sejam eles políticos, ideológicos, econômicos, comerciais ou religiosos” (BUENO, 2004, p. 4). No período de globalização – a última etapa do sistema capitalista ou também denominada de capitalismo tardio (JAMESON, 2007) – o processo cultural é manipulado e conduzido pelos grandes conglomerados da mídia, que tem como capital maior a informação, a ciência e a tecnologia. Estes grupos mais que nunca estão focados em interesses mais poderosos e globalizados, pois como aponta Bueno (2004, p. 1), “elas se constituem em mercadorias valiosas e não estão disponíveis a qualquer um e a qualquer tempo”. Assim, o blog Xingu Vivo se configura na contemporaneidade como integrante de uma “cultura de margem”, que mesmo sem o estímulo das mídias tradicionais, como a televisão, conseguiu (e consegue) atrair e ganhar visibilidade perante a opinião pública, para debater sobre a questão em evidência, a construção da usina de Belo Monte. Nessa linha, este artigo pretende fazer um relato sobre o Xingu Vivo enquanto um importante veículo de comunicação difusor de um tema de interesse público, sobretudo, num âmbito local. ASPECTOS DO RIO XINGU Considerado um dos símbolos da biodiversidade brasileira, o Rio Xingu representa uma importante fonte de sobrevivência para boa parte da população que vive às suas margens. Essas pessoas são, em geral, moradores urbanos, rurais, ribeirinhos, índios e seus descendentes (SWITKES; SEVÁ, 2005: p. 07) que vivem da grande oferta em água doce e variedade de peixes que garantem a alimentação. Com aproximadamente 1.800 mil quilômetros de extensão, segundo os dados da Atualização do Inventário Hidrelétrico da Bacia do Rio Xingu (2006: p.1) concluído em outubro de 2006, o rio corta dois estados brasileiros: ele nasce no nordeste de Mato

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Grosso e percorre o Pará até um pouco além do município de Porto de Moz, próximo de onde deságua o Rio Amazonas. O Rio Xingu é formado pelos rios Culuene e Sete de Setembro10, tendo como principais afluentes os rios Iriri e Bacajá. Sua área de influência é chamada de Bacia Hidrográfica do Rio Xingu, que ocupa um espaço total de 509.000 km2 (AAI, Avaliação Ambiental Integrada – Aproveitamentos Hidrelétricos da Bacia Hidrográfica do Xingu, 2009: p. 22). Dados populacionais de 2005 fornecidos pela Avaliação Ambiental Integrada – Aproveitamentos Hidrelétricos da Bacia Hidrográfica do Xingu apontam que em toda a bacia são 916.488 habitantes, distribuídos em 48 municípios incluídos nessa área, segundo o Instituto Socioambiental11 (ISA). Há divergências quanto ao número de povos e terras indígenas distribuídas pelas terras do Xingu. Conforme o ISA são 24 povos ocupando 21 Terras Indigenas, em contraposição às “(...) 27 etnias distribuídas por 26 terras indígenas, que correspondem a 38,5% da área da bacia”, segundo o livro Povos Indígenas do Brasil citado por Sevá (2005: p. 36) na obra Tenotã-Mõ. Considerando que a área de influência da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu também abriga diferentes tipos de ecossistemas, há de se destacar a existência de trechos ainda preservados de Floresta Amazônica – bioma predominante –, Cerrado e áreas de transição (AAI, Avaliação Ambiental Integrada – Aproveitamentos Hidrelétricos da Bacia Hidrográfica do Xingu, 2009: p. 22). Percebe-se, portanto que a natureza tem um papel fundamental na vida dos povos do Xingu, já que a biodiversidade local – a partir dos dados do EIA – Estudos de Impactos Ambientais chama atenção pelas 174 espécies de peixes, 387 de répteis, 440 de aves e 259 de mamíferos, sendo que muitas delas correm sério perigo de desaparecerem.

Atualização do Inventário Hidrelétrico da Bacia do Rio Xingu, 2006: p. 1. Fundado em 22 de abril de 1994, o Instituto Socioambiental (ISA) é uma associação sem fins lucrativos. Seu objetivo principal é defender bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos, sobretudo, indígenas e valorizar a diversidade socioambiental. (ISA, online).

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Os riscos da extinção de espécies aquáticas e terrestres ao longo das áreas de influência do Rio Xingu estão associados, sobretudo, ao seu reconhecido potencial hidrelétrico no Brasil, que há muito tempo já havia despertado grande interesse em empresas do ramo de energia, como a Eletrobrás – por meio da Eletronorte – e setores do governo federal. UM BREVE HISTÓRICO DOS PROJETOS HIDRELÉTRICOS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO XINGU Os primeiros estudos de inventário do Rio Xingu começaram em 1975 (RIMA, 2009: p. 19). Pretendia-se pesquisar sobre as formas de aproveitamentos hidrelétricos da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu. Na época, a recém-criada Eletronorte – Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A, a responsável pelos estudos contratou a empresa de consultoria CNEC (Consórcio Nacional de Engenheiros Consultores), pertencente ao grupo Camargo Corrêa para identificar áreas de rios favoráveis ao represamento. (KRÄUTLER, 2005: p. 10) Os chamados Estudos de Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu avançaram até 1980, quando o CNEC os terminou. Segundo a empresa, as “melhores áreas” para o aproveitamento do potencial hidrelétrico da Bacia do Xingu estavam:
(...) entre a altitude próxima dos 281 metros, no norte de Mato Grosso, próximo da rodovia BR 080, provavelmente localizada na Terra Indígena Kapoto-Jarina e/ou na faixa Norte do Parque Indígena do Xingu – e - a altitude próxima dos 6 metros, num ponto rio abaixo da vila de Belo Monte do Pontal e, pela margem esquerda, perto da foz do igarapé Santo Antonio, rio acima de Vitória do Xingu, no Pará. (SWITKES; SEVÁ, 2005: p. 14)

Além disso, a empresa dizia ser viável a construção de mais seis usinas hidrelétricas na região, cinco delas no Rio Xingu e apenas uma no Rio Iriri. Todas foram batizadas com nomes indígenas, a exemplo de Babaquara (posterior “Altamira”) que fora projetada com uma capacidade inicial de 6.300 Megawatts12 (MW) de potência que foi alterada para 6.588 MW. As outras eram as usinas de Ipixuna (com capacidade inicial de 2.300 MW e depois 1.904 MW), Iriri (com capacidade inicial de 900 MW e depois 770 MW), Jarina (com capacidade inicial de 600 MW e depois 620 MW), Kokraimoro (com capacidade inicial de 1.900 MW e depois 1.490 MW) e finalmente Kararaô (com capacidade inicial
MW ou Megawatt é uma unidade de medida de potência elétrica que correspondente 1 milhão de watts (W), que por sua vez, é uma unidade de potência pertencente ao Sistema Internacional de Unidades (SI);
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de 8.400 MW e depois alterada para 11.000 MW, 11.181 MW até chegar aos 5.681 MW) (SWITKES; SEVÁ, 2005: p. 13 - 14). As represas destas seis usinas hipotéticas alagariam ilhas e terras florestadas, muitas ainda virgens, conforme aquele estudo de inventário mencionado, somariam quase 20 mil km quadrados, o equivalente a quase metade das áreas já inundadas por represas de todos os tipos no país, até hoje. A ideia era aproveitar o potencial máximo do Rio Xingu (SEVÁ, 2005: p. 42). Ainda em 1980, a Eletronorte – pelas orientações do relatório final – começou os estudos de viabilidade técnica e econômica do Complexo Hidrelétrico de Altamira, que incluía apenas os projetos das duas maiores usinas: a de Babaquara, com 6.588 mil MW e a de Kararaô com mais de 11 mil MW (ISA, online). Após seis anos, porém somente a usina de Kararaô (futuro e atual projeto de Belo Monte) foi apontada como a melhor alternativa para que fosse possível juntar as futuras barragens do Rio Xingu ao Sistema Interligado Brasileiro (ISA, online). Segundo Switkes (2005), a primeira proposta de barrar o Rio Xingu causou grande revolta entre os povos indígenas da região e entre ambientalistas e movimentos sociais. É lembrado o episódio em que o então diretor da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes fora ameaçado com um facão pela índia Tuíra, na ocasião do 1° Encontro dos Povos Indígenas do Xingu. O gesto simbolizava uma advertência da tribo Kayapó – e em nome de outras etnias indignadas – diante do projeto Kararaô (KRÄUTLER, 2005: p. 11). Conforme Kräutler (2005: p. 11), só no final da década de 90 o “projeto Kararaô” ressurgiu com outro nome: Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte. Em 2002, a Eletronorte lançou uma versão atualizada e reformulada do relatório de viabilidade do projeto hidrelétrico, avaliando um aproveitamento total de 11.181,3 MW, e um médio de 11.000 MW (JÚNIOR; REID, 2005: p. 4). Já em 2006, a Eletrobrás pediu ao Ibama iniciasse o processo de licenciamento ambiental prévio. A partir daí, foram realizados os Estudos de Impacto Ambiental, quando o Ibama faz as primeiras vistorias técnicas na área do projeto. Um ano depois, o órgão também fez as mesmas inspeções e organizou reuniões públicas nos municípios

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de Altamira e Vitória do Xingu para tratar do Termo de Referência13 (TR) para o EIA. No final de 2007, o Ibama emitiu o Termo de Referência para os Estudos de Impactos Ambientais e em 2008, o Conselho Nacional de Política Energética definiu que o único potencial hidrelétrico a ser explorado no rio Xingu seria o de Belo Monte. A ANEEL havia aprovado a Atualização do Inventário com apenas o projeto Belo Monte na Bacia Hidrográfica do Rio Xingu e o Ibama realizou uma nova inspeção técnica na área (ISA, online). Finalmente em 2009, a Eletrobrás pediu a Licença Prévia para construção da Usina e o EIA e o Rima (Relatório de Impacto Ambiental) foram entregues no Ibama. No ano passado, o Ministério do Meio Ambiente liberou a construção da UHE Belo Monte sem ter conhecimento dos impactos que a obra pode causar à natureza. A licença ambiental para construção da hidrelétrica foi publicada no dia 1º de fevereiro de 2010. O documento mostrou que as questões essenciais para a avaliação do impacto de Belo Monte ainda não ficaram claras. A POLÊMICA DA CONSTRUÇÃO DA USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE A tradição brasileira baseada na geração de energia a partir do represamento de rios teve início no século XIX, porém só no decorrer do século XX é que o país começou a investir de fato na construção de barragens e – após a Segunda Guerra Mundial – aprimorou esses tipos de obras seguindo o ritmo da industrialização mundial (COSTA, 2009). Atualmente no Brasil, cerca de 80% da energia consumida em indústrias, comércios e residências provém de usinas hidrelétricas (ELETROBRÁS, 2011), já que são consideradas opções mais baratas e com retorno financeiro maior em curto prazo. Considerado o terceiro maior do mundo em potencial hidrelétrico, o Brasil tem 900 usinas de diferentes tamanhos e capacidades de potência, segundo os números da Eletrobrás (2011). Das 10 maiores do país, seis – entre barragens já construídas, em construção, autorizadas e ainda projetadas – estão na região amazônica. São elas a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, localizada no Rio Tocantins, as UHE’s
13

A função do Termo de Referência - TR é definir as ações que permitam um nível de controle de possíveis exposições de pessoas, bens e meio ambiente à radiação, buscando mantê-la em níveis baixos e considerando os aspectos sócio-econômicos (Serviço Público Federal, 2001: p. 2)

26

de São Luiz do Tapajós e a de Jatobá, ainda projetadas para entrar em funcionamento no Rio Tapajós, as usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio em construção no Rio Madeira (RO), e atualmente a mais polêmica, que já fora autorizada: a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. O projeto de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte se apresenta como uma obra audaciosa, pois deverá ser a terceira maior hidrelétrica do mundo. Dados oficiais divulgados por alguns veículos de comunicação e pelo governo federal demonstram que a usina, se construída, deverá gerar 11 mil Megawatts de potência, e o orçamento previsto para a construção da barragem é de aproximadamente 30 bilhões de reais. Entretanto alguns dados, que nem sempre chegam ao domínio público, contradizem estas informações. De acordo com dados divulgados no blog Xingu Vivo, a energia firme, ou seja, a média anual de energia produzida pela usina chegaria apenas a 4,5 mil MW. Isso aconteceria graças à sazonalidade do Rio Xingu, que só produziria 11 mil MW de potência durante quatro meses. No restante do ano, como em setembro, por exemplo, período do auge da seca, a potência da usina seria de apenas 1,8 mil MW. Por determinação do governo federal, do total da energia produzida, 80% devem abastecer consumidores em geral em todo o país. Os outros 20% devem ser distribuídos entre os sócios do Consórcio Norte Energia. Para a realização da usina o projeto prevê a barragem do Rio Xingu e com isso a construção de dois canais capazes de desviar o leito original do rio. A obra teria uma área de alagamento de aproximadamente 516 km2. Mas de acordo com a o edital da Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, a área de alagamento chegaria a 640 km2. O BLOG XINGU VIVO Criado em outubro de 2009, o blog Xingu Vivo é um meio de comunicação digital criado pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre. O veículo foi o primeiro a ser utilizado na internet e antes disso, a comunicação entre o grupo e a sociedade era mediada por uma rádio comunitária de Altamira (PA), local de origem do MXVPS. A criação do blog trouxe – além da informação – a possibilidade de expandir o discurso e a posição declaradamente contrários do movimento à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada no Rio Xingu. 27

O objetivo do blog em geral é simples e bastante direto: informar a sociedade sobre os fatos e protestos que envolvem a construção da usina, discutir de que forma a obra pode prejudicar a sociedade e o meio ambiente, além de ainda ser fonte de informação para o público no que se refere a tal temática. Por isso, os blogueiros Marquinho Mota, Dion Monteiro e Maurício Matos, componentes do Comitê Metropolitano Xingu Vivo Para Sempre, situado em Belém, levam ao público as principais notícias que cercam o projeto, além de disponibilizar reproduções de cartas, manifestos, convites para passeatas e links para outros blogs que também trabalham com o mesmo assunto. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO DIGITAIS: PORTAIS VERSUS BLOGS Os veículos da blogosfera em geral fazem contraponto aos portais de notícia, que segundo Ferrari (2003, p. 30) tem estrutura e dinâmica diferenciadas, afinal por serem considerados veículos de massa precisam estar de acordo com os padrões exigidos para serem classificados como portais. Ainda de acordo com a autora os portais, podem ser comparados, claro com ressalva as características peculiares do meio digital, aos jornais impressos, já que ambos estão sob gerência de famílias poderosas de todo o Brasil, que concentram em um pequeno grupo a informação e os veículos de comunicação. O surgimento dos blogs trouxe profundas modificações para a maneira como as notícias eram produzidas. Do começo dos anos 2000 até a atualidade, a notícia tornouse cada vez mais dinâmica e imediata e de acordo com Borges (2007: p. 42) foram os blogs que proporcionaram essas mudanças no cenário da comunicação mundial. Da literatura, passando pelo cinema, chegando ao jornalismo os blogs simplesmente inundaram a rede mundial de computadores, realidade que acabou trazendo uma nova face para os veículos de comunicação, um sinal claro de que são e continuarão a ser agentes fundamentais da transformação midiática dos próximos anos. Um dos principais contrapontos então entre portais e blogs é que qualquer pessoa pode ter e fazer a manutenção de um blog. Esse veículo permite que o moderador, ou seja, o escritor responsável pelo blog, selecione, apure, escreva e publique a informação. Funções que em outro momento eram exercidas exclusivamente por jornalistas em uma redação. Os blogs trazem para o meio digital linguagem mais 28

acessível, e permitem que o público tenha acesso a diversos posicionamentos e fontes, o que é benéfico para a construção do senso analítico e crítico da esfera pública. O blog Xingu Vivo consegue exercer bem sua função web jornalística, afinal mesmo que sem intenção, ele obedece aos critérios básicos do jornalismo digital, se mostra como uma das principais ferramentas que lutam contra a construção da UHE Belo Monte e ainda cumpre o papel básico de informar o público. Mas será que por falar sobre os impactos causados pelo projeto da região do Rio Xingu, o veículo consegue ser um instrumento eficiente na defesa da causa ambiental? BLOG XINGU VIVO E A ABORDAGEM AMBIENTAL Para responder a essa pergunta é preciso primeiramente levar em consideração que os moderadores, ao longo das postagens feitas dividem o foco das publicações entre os impactos que serão causados no âmbito político, cultural, social e ambiental; logo o blog Xingu se preocupa em levar ao público notícias sobre todas estas abordagens. Com a construção da usina de Belo Monte a fauna e a flora da região devem ser atingidas e a população que mora na região deve ser prejudicada pelo projeto, já que será deslocada para áreas ainda não divulgadas. É de extrema importância que essas informações sejam levadas a conhecimento público, já que além modificar a dinâmica do ecossistema local, também desrespeita direitos básicos, assegurados em lei, das populações ribeirinhas que moram na região. Tais questões são abordadas pelo blog. O principal argumento utilizado pelos blogueiros para demonstrar que o projeto não tem fundamento, e que deve ser abandonado a questão ambiental. Ao longo das mais 400 postagens, os moderadores levam ao público as consequências da construção da UHE Belo Monte. Neste sentido, o blog cumpre um papel essencial no aprofundamento da democracia e na busca da cidadania num rincão amazônico.

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FURO: UM CANAL ENTRE PESQUISA E SOCIEDADE A RESPEITO DO QUE ACONTECE NA AMAZÔNIA
Gabriel Nantes de Abreu 14 Tiago Júlio de Farias Martins15

RESUMO: O presente artigo visa realizar uma pequena revisão teórica a respeito do jornalismo científico e ambiental, e mostrar soluções alternativas para a produção do mesmo. Escolhemos tratar do blog Furo (rogeiroalmeidafuro.blogspot.com) do professor e pesquisador Rogério Almeida em virtude do mesmo ser um canal direto entre a produção científica e a população através de um veículo não tradicional. Palavras chave: Jornalismo Científico, Meio Ambiente, Amazônia e blog.

INTRODUÇÃO O termo jornalismo científico, ou scientific journalism, surgiu primeiro nos países de primeiro mundo e é uma editoria ainda recente no Brasil. As primeiras abordagens do assunto se concentram no eixo Sul-Sudeste e os primeiros trabalhos acadêmicos a respeito do tema só foram realizados na década de 1980. Destacam-se aí os pesquisadores Vera Lúcia Salles e Wilson da Costa Bueno, referência maior no assunto. De acordo com Rublescki (2009), o papel do jornalismo científico é ser o elo entre as pesquisas científicas e a comunidade, obedecendo às técnicas e pressupostos do trabalho jornalístico. O desafio, portanto, é aproximar o conhecimento científico da sociedade, de forma correta, levando em consideração a objetividade, concisão, imparcialidade e demais aspectos do bom jornalismo. A partir desta premissa, uma série de dificuldades se impõe diante do jornalista quando o mesmo escreve sobre ciência.
14

Estudante

de

Comunicação

Social-

Jornalismo

na

Universidade

da

Amazônia

(UNAMA).

Email:

nantesdeabreu@gmail.com
15

Estudante de Comunicação Social- Jornalismo na Universidade da Amazônia (UNAMA). Email:

tiagojulio.martins@gmail.com

32

Podemos resumir os aspectos mais delicados em relação à cobertura de ciência e tecnologia levantados por Rublescki (2009) através das seguintes perguntas: Como aliar a objetividade jornalística e a falta de espaço físico com a profundidade necessária para tratar de assuntos complexos relacionados ao conhecimento científicos? Como traduzir de forma clara, sem prejudicar a informação, a linguagem e os dados dos cientistas? Como tornar interessante e agradável um assunto sem claro apelo social? Como se relacionar com fontes tão peculiares? As questões são complexas, passam por interesses econômicos, pessoais, e muitas vezes vão além da vontade do jornalista de escrever boas matérias. Segundo Marcelo Leite, em “O Atraso e a Necessidade: Jornalismo Científico no Brasil”, no país há poucas vagas para jornalistas especializados na cobertura da editoria de ciência. O autor também diz que a maioria das publicações voltadas para o assunto não se esforçam para tornar interessante o que é importante, e sim, levianamente, tornar importante o que é apenas interessante. Como afirma Wilson Bueno (2003), em “Jornalismo científico, lobby e poder”, a prática jornalística, incluindo aí a do jornalismo científico, está situada num contexto que não deve e não pode ser ignorado. A ciência é um negócio bilionário mantido por corporações, muitas vezes, mais poderosas que as que controlam os grandes grupos midiáticos. Bueno chama atenção para lobbys de megacorporações pautando cadernos especializados na cobertura de ciência de acordo com interesses próprios, ignorando a prioridade de assuntos que seriam de maior utilidade pública. Na Amazônia, um bioma gigantesco com imenso potencial para pesquisas, a floresta com a maior biodiversidade do mundo, é de se espantar que os periódicos diários não reservem ao menos um caderno editorial nos finais de semana para tratar de meio ambiente, ciência e tecnologia. Não há publicações específicas para essa temática na região e as matérias são extremamente pontuais. Canais paralelos à mídia tradicional, como o “Jornal Pessoal”, de Lúcio Flávio Pinto, ainda são raros na região. A questão ambiental e científica, principalmente no Pará, está diretamente relacionada com temas delicados como políticas públicas, conflitos agrários, interesses partidários e a veiculação das matérias leva em conta a rentabilidade do produto jornalístico. Infelizmente, o que vemos são reportagens superficiais que não dão conta de esclarecer a profundidade da situação, como se o fato não tivesse ligação com nada mais. Conforme sinaliza Bueno, as informações são “muitas vezes descontextualizadas, quase sempre isoladas, como se o fato científico surgisse como um cometa, de tempos 33

em

tempos,

sem

qualquer

vinculação

com

um

processo

sistemático

de

invenção/descoberta/produção” (BUENO, 2003: p. 18). Diante dos empecilhos que encontram os jornalistas nas redações de grandes jornais, reféns de interesses econômicos e políticas editorais, nos parece sensato afirmar que os potenciais de mídias alternativas, facilmente utilizadas através da web, merecem ser explorados. Segundo Levy (1996), o espaço virtual se apresenta como um terreno democrático onde todos têm o direito a voz e a oportunidade de serem ouvidos. A web é um meio menos impositivo e maleável onde problemas como a pressão de editores, os limites de caracteres, a impossibilidade de se pautar com a certeza de ser publicado e a censura velada que proíbe menção a determinadas questões são superadas. É possível, portanto, utilizar este canal para realizar uma cobertura jornalística a respeito de ciência de meio ambiente de maneira profunda, analítica e contextualizada. Conforme coloca Bueno:
As relações entre ciência/tecnologia e sociedade, permeadas por uma rede complexa de interesses e compromissos, exigem uma nova postura do jornalismo científico, agora, mais do que nunca, comprometido com uma perspectiva crítica do processo de produção e divulgação em ciência e tecnologia. (BUENO, 2003: p. 1).

Através da análise do blog “Furo” do professor Rogério Almeida, é possível entender a importância da internet para a divulgação de conteúdo cientifico em regiões que não possuem meios de comunicação voltados para a área. O blog “Furo” segue as características propostas por Axel Burns, que seria a um formato no qual a página da web, baseada em porções de conteúdos dispostos em ordem cronológica inversa, geralmente criados a partir de uma ferramenta especifica, o blog “Furo” apresenta também, acessórios citados por Burns que enriquecem os blogs, como blogroll, espaço localizado no canto da página onde o autor coloca links de outros blogs similares. A atuação desse tipo de Blog na região amazônica é de grande importância para a difusão do conhecimento cientifico, que é feita inclusive com o auxilio de uma revista eletrônica disponibilizada gratuitamente na própria página, e atualizações constantes que acompanham o desenrolar de conflitos de ordem econômica e social na Amazônia de maneira geral. Obviamente que o Blog “Furo” apresenta conteúdo voltado para um público mais especifico. Sobre a atuação de páginas em conteúdos voltados para pequenos nichos de atuação tem-se a teoria da cauda longa, proposta por Chris Anderson. Sobre a teoria da “cauda longa”, Anderson explica que o fenômeno ocorre após a 34

atuação de três forças. A primeira seria a democratização das ferramentas de produção, como vimos no inicio deste capitulo a popularização da internet que permitiu a um numero muito maior de pessoas produzir conteúdo por conta própria e difundi-lo mesmo com poucos recursos, essa manifestação obviamente se intensifica no contexto da web 2.0, através das facilidades que ferramentas como os blogs trouxeram, além da evolução nas telecomunicações que permitiram o acesso à internet através de telefones móveis, (BOWMAN E WILLIS, 2003). A segunda força que gera a cauda longa advém dos agregadores de noticias, que são conceituados como “empresa ou serviço que coleta ampla variedade de bens e os torna disponíveis, e fáceis de achar, quase sempre num único lugar.” (ANDERSON, 2006,P86) nesse caso, seria o que Anderson chamaria de democratização das ferramentas de produção. A terceira força, conhecida como “ligação entre a oferta e a demanda” seria representada pela difusão das ofertas através da interação entre os nichos e o público interessado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O grande trunfo da internet foi permitir à sociedade espaços de discussão e difusão de conteúdos livres, independentes dos grandes meios de comunicação. Para entender o funcionamento da difusão de conteúdo na internet desde sua origem até o momento atual, ou seja, da web 2.0. Segundo Castells, a internet se tornou grande difusora de conteúdo desde o final do século passado, tendo como um dos principais valores a horizontalidade, ou seja, a representação do valor da comunicação livre. O boom da internet coincidiu com o avanço e a fixação hegemônica dos grandes conglomerados de comunicação nos países ocidentais. O Blog “Furo” que além de apresentar e divulgar conteúdo cientifico, também fala sobre a situação política e econômica da região Norte, em especial o Pará, se apresenta como um veículo de comunicação on-line, que foge aos clichês e vícios dos grandes meios de comunicação da região que relegam a segundo plano o jornalismo cientifico.

BIBLIOGRAFIA

35

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ANÁLISE DO BLOG “FURO” NA COBERTURA CIENTIFICA E AMBIENTAL
Aliccia Ferreira16 Flávia Coelho17 Lilian Guedes18

RESUMO: O presente artigo faz uma análise do blog “FURO” sob a perspectiva do jornalismo cientifico a partir das reflexões de Wilson da Costa Bueno Fabíola de Oliveira e Rubleski. O blog realiza uma cobertura jornalística ambiental onde está inserido a cobertura cientifica e também ressalta a problemática que envolve a Região Amazônica.

Palavras-Chave: Jornalismo Científico e Ambiental, Amazônia

16 17

Estudante de Comunicação Social- Jornalismo na Universidade da Amazônia (UNAMA). Estudante de Comunicação Social- Jornalismo na Universidade da Amazônia (UNAMA). 18 Estudante de Comunicação Social- Jornalismo na Universidade da Amazônia (UNAMA).

36

INTRODUÇÃO A realidade atual do jornalismo possibilita a difusão de conhecimento e de informações numa escala antes inimaginável. Hoje as possibilidades de publicações jornalísticas variam a cada ciclo e a cada meio de comunicação. Há décadas o jornalismo não se limita somente a acontecimentos factuais, e sim a buscar variados assuntos que remetem ao interesse público, e também a educação de forma mais ampla. Nesse sentido, buscaram-se ampliar o jornalismo para área científica, ambiental, tecnológica e até mesmo em outras áreas onde a ciência está inserida.

Ao centro o debate de conteúdos complexos, dados laboratoriais e toda a decodificação de estudos que influenciam a sociedade. Para Wilson Bueno a produção de ciência e tecnologia deixou, a muito, de ser preocupação exclusiva dos cientistas e que a sua divulgação deve estar respaldada em pressupostos e atributos que extrapolam a comunicação científica, e em particular o jornalismo científico. Então, toda produção científica está diretamente ligada a uma rede de interesses e compromissos, que lógico permeia o desejo de cada um. No caso do jornalismo, segundo Bueno, hoje é exigido uma nova postura do jornalismo cientifico, agora, mais do que nunca, comprometido com uma perspectiva crítica do processo de produção e divulgação. Em outras palavras (Rublescki, 2009, p 408) diz que:

O Jornalismo Científico atua como um dos elementos de ligação entre a comunidade cientifica ou tecnológica e a sociedade em geral, fazendo de domínio público, em seu sentido mais amplo, os avanços desses campos. Ao profissional que nele atua cabe conciliar o papel informativo/disseminador de Informação Científica e Tecnológica com as regras, princípios e rotinas produtivas da imprensa.

Porém alguns aspectos dessa ligação entre ciência, tecnologia e mídia afligem os cientistas, pesquisadores e intelectuais, uma delas é a postura do jornalista enquanto produtor de notícia científica. O discurso reflete a partir da cobertura que em alguns momentos são distorcidas e mal produzidas, ocasionando debates que instigam a formação do jornalista.

Sobre isso Wilson questiona “que algumas justificativas para esta displicência, equívocas ou omissão podem ser apontadas, como a falta de capacitação do profissional que cobre ciência e a tecnologia, a relação desequilibrada entre o repórter e a fonte e a 37

aceleração do processo de produção jornalística, que atropela a coleta e a “checagem” das informações”. Nesse aspecto, hoje se faz necessário à especialização, ou seja, o jornalista que for trabalhar com áreas mais complexas como; ambiental e científica é indescritível a qualificação no que diz respeito a publicações de dados e também conhecimento acerca do assunto proposto. Embora, em alguns momentos como foi citado por Bueno o jornalista escreverá para um público leigo. Caracterizado como obstáculo a ser vencido. Sobre esse aspecto Rublesck (2009, pag. 413-414) aborda o melhoramento na ampliação de cursos de aperfeiçoamento profissional:
Especificamente no Jornalismo Científico, uma nova conquista quanto ao preparo dos profissionais da imprensa é o crescimento dos cursos especializados na área, que se multiplicam por todo o País, em nível de especialização, mestrados ou doutorados. A especialização no Jornalismo Científico poderá delinear um quadro diferente nas redações dos jornais diários, com profissionais mais conscientes das particularidades da área em que atuam e mais preparados para lidar com a vasta abrangência temática que hoje o caracteriza.

Sobre a posição do jornalista que em muitas situações se encontra perdido por falta dessa especialização. Rublesck (2009, pag. 413) alerta que com um não

especialista, ele se vê sempre ás voltas com temas e teorias que lhes são estranhos, escritos em uma linguagem especializada, permeada de termos técnicos, alguns incompreensíveis. Sua tarefa de intermediário entre o cientista e o público em geral torna-se árdua, especialmente em casos em que as fontes de informação – documentos ou entrevistados – mostram-se inacessíveis.

Mas independentemente de especialização na cobertura, não importando o que será produzido, o jornalista sempre tem que estar de olhos e ouvidos bem abertos, justo para não cometer deslizes, ainda mais, quando se trata de fontes comprometidas. Sobre a questão Wilson da Costa Bueno adverte que “É preciso, enxergar sempre além da notícia e da fonte, buscando fugir da armadilha de tornar-se refém de um especialista, que tem outros compromissos além da ciência e da tecnologia. Embora possa não ser fácil identificar os vínculos das fontes, há que se imaginar que eles existem e que é socialmente, politicamente relevante manter a vigília”.

38

O fato é que para reduzir as dificuldades enfrentadas é necessário o interesse de ambas as partes, tanto do jornalista quanto do cientista. Não se podem fechar os olhos e imaginar o jornalista como simples intermediário no processo de divulgação da ciência. O importante é observar de forma mais crítica e vê que por trás dessas funções existe o interesse econômico e profissional. Portanto, para se construir um canal de comunicação que possa abrandar as controversas dentro da cobertura jornalística, se faz necessário um pacto entre ambos os profissionais como é enfatizado por Wilson Bueno:

Temos a convicção de que esse papel não deve e não será desempenhado apenas pelos jornalistas científicos, mas por todos aqueles, especialmente os cientistas, que se preocupam com o sigilo e o controle da informação e dos resultados de pesquisa

Um aspecto muito recorrente nas matérias de jornalismo científico e tecnológico e até mesmo ambiental, no Brasil é abordagem e divulgação de pesquisas internacionais, principalmente de países desenvolvidos. Para os leitores desse campo a impressão que se tem é de que as descobertas científicas só são realizadas nas super potências em especial os Estados Unidos. Mas isso se deve a falta de interesse da comunidade científica Brasileira, e até mesmo de países latino americanos, que produzem tecnologia e desenvolvem pesquisas, em comunicação e divulgação das pesquisas realizadas.

“... São várias as razões do distanciamento entre produção científica e sua divulgação em jornais, revistas, televisão, rádio e internet. A falta de interesse dos pesquisadores que se destacam no meio acadêmico em popularizar o seu saber é uma delas.” (FALCÃO, 2005, p. 102).

JORNALISMO CIENTÍFICO POR FABÍOLA DE OLIVEIRA

O livro Jornalismo Científico da autora Fabíola de Oliveira trata de um assunto super interessante, que é o “novo” jornalista. A autora tem como objetivo estabelecer e tratar pré-conceitos e fazer a diferenciação do jornalista para os pesquisadores científicos, fazendo um panorama de como funciona o jornalismo cientifico no Brasil. Um questionamento importante abordado logo no inicio do texto, é: “porque o jornalismo científico e por que divulgar a ciência?” Ora, com o avanço tecnológico e o 39

desenvolvimento do país a ciência se torna um assunto imprescindível para o nosso diaa-dia. Mas se de um lado temos o senso comum, usado pela maioria da população, que pensa a partir de conhecimento cultivado de experiências vividas, por outro temos o saber cientifico, este tem valor exato e comprovado cientificamente, com experiências laboratoriais, ou seja, resposta concreta e objetiva. Vamos ao principio e mostrar como o jornalismo e/ou jornalista cientifico surgiu aqui no Brasil. A discussão sobre ciência há bastante tempo deixou de ser uma preocupação apenas por pesquisadores, e não se restringe apenas ao espaço

laboratorial. Segundo estudos e pesquisas feitas por Fabíola, indícios mostram que a divulgação da ciência teve seu inicio no século XV, quando a imprensa de tipos móveis deslanchou. Os relatos de livros sobre a história da ciência mostram que a difusão da impressão na Europa acelerou a criação de comunidades de cientistas, e que a partir daí se tornou disponível para a maioria das pessoas, o que causou influências e mudanças no campo da religião, filosofia e no pensamento social, moral e político. Uma vez que as descobertas feitas por cientistas sobre novas ideias e descobertas eram expandidas em intensa circulação. A revolução científica como assim foi chamada essa expansão e divulgação de descobertas, teve seu apogeu na Inglaterra. Se na Inglaterra a literatura cientifica é farta e sua expansão na Europa é constante, as duas Guerras Mundiais contribuíram para o avanço do jornalismo cientifico para o mundo, que além de informação reuniu conhecimentos para interpretar as tecnologias bélicas da época. Então todo esse conhecimento científico e tecnológico foi fundamental para a expansão territorial e fortalecimento da economia da parte norte do mundo. Neste momento, o jornalismo científico encontra seu campo fértil. Já em terras brasileiras, o jornalismo cientifico chegou no período em que o país sofria com a censura à imprensa. Com isso, as leituras eram privilégios da elite da corte portuguesa. Apenas em meados dos anos 40 que a ciência brasileira conseguiu entrar na agenda do governo e da sociedade já com a criação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

De um ponto de vista jornalístico é visível a diferença de linguagem entre jornalista e cientista. Enquanto o cientista produz trabalhos para um grupo especifico e especializado, o jornalista tem como objetivo atingir a maioria do público. Com uma 40

linguagem mais padronizada o texto científico é desprovido de atrativos, ao contrário do jornalismo que deve apresentar uma estrutura atraente, coloquial objetivo e simples. Dificilmente encontramos jornais com espaços para a publicação de um trabalho cientifico. Aí então que surge a ligação entre jornalismo e ciência.

UMA PEQUENA APRECIAÇÃO DA COBERTURA JORNALÍSTICA DO BLOG FURO A Região Amazônica é palco para muitos discursos no que diz respeito acontecimentos de interesse político, econômico e social. O jornalismo perpetua os grandes processos de produção, informação e conhecimento referente ao assunto proposto. Que muitas das vezes perpassam pesquisas relevantes, dados e conceitos que caracterizam a realidade e o futuro do país. Para condensar o estudo, observou-se o desempenho da cobertura jornalística feita a partir do Blog “FURO” (http://rogerioalmeidafuro.blogspot.com/). A iniciativa é do jornalista, professor, escritor e mestre Rogério Almeida, que busca através da internet informar sobre as notícias, eventos, congressos e debates que interessam para a sociedade paraense e para as pessoas influentes na área. O blog foi desenvolvido no ano de 2008, com o desejo de torna-se um canal de comunicação entre as quebras da Amazônia e o resto do mundo, ou seja, de emancipar todos os fatos que envolvem a região Amazônica para país beneficiários da região. Observou-se que o blog consegue assumir sua responsabilidade e todos os dias são feitas atualizações e publicações de novos conteúdos. Apresenta também um leque de trabalhos desenvolvidos pelo autor e por convidados, como livros, revistas e artigos relacionados ao jornalismo científico e principalmente ambiental.

Entende-se que as questões ambientais são mais pautadas em Belém do Pará, e consequentemente no blog, devido à região Norte ser campo de maiores debates sobre desmatamentos, questões agrárias, hidrelétricas, fauna, flora, biodiversidade e sustentabilidade que posteriormente será discutida em outras vertentes influenciadas pelo problema.

Nesse contexto, não se pode desqualificar o jornalismo científico, pois está 41

inserido diretamente nas pesquisas ambientais feitas na Região Amazônica, quando institutos, pesquisadores e indivíduos assumem o papel social do cientista, como é o caso do Imazon19, que é um instituto de pesquisa que promove o desenvolvimento sustentável na Amazônia por meio de pesquisas e projetos. Vale salientar que o Imazon desenvolve seus projetos sem fins lucrativos e também fornece dados relevantes para a imprensa local e nacional no que diz respeito à Amazônia, em particular sobre desmatamento. Ainda questionando sobre cobertura jornalística Bueno explica que fontes científicas, sentindo-se lesadas por uma matéria inadequada, chegam a fechar, definitivamente, as portas à imprensa, o que pode significar um entrave à circulação de informações especializadas, visto que, para alguns assuntos, as fontes no Brasil não são tão pródigas. Assim sendo, a experiência do blog é importante para desmistificar os paradigmas que refletem as atividades de jornalismo ambiental e científico, embora ainda existam barreiras sobre a cobertura jornalística, nota-se todo o desempenho do jornalista e do pesquisador em tornar a notícia cada vez mais lúcida e concisa para que todos os níveis de leitores consigam entender o que foi proposto.

A COBERTURA JORNALÍSTICA DO BLOG FURO

Por ser um meio midiático de onde as informações são muito efêmeras e de demandas gigantescas, a internet exige atualização frequente. Os blogs são canais onde os jornalistas podem contextualizar as matérias, porém não podem esquecer a dinâmica da periodicidade da internet. Em termos de postagem o blog apresenta frequente atualização, durante o período de análise, as postagens foram diárias. Ficam dispostos no corpo do blog os leads das matérias que quando linkadas levam a outros portais de notícias. O blog funciona como um filtro das noticias sobre meio ambiente e a Amazônia.

Além do agrupamento das noticias divulgadas em portais e em outros meios

O Instituto foi fundado em 1990, e sua sede fica em Belém, Pará. Em 20 anos de existência, o Imazon publicou mais de 370 trabalhos técnicos, dos quais 160 foram veiculados como artigos em revistas científicas internacionais ou como capítulos de livros. Além disso, o Instituto publicou 87 artigos técnicos, 48 livros , 18 livretos , 20 números da Série Amazônia e 17 números da série O Estado da Amazônia. Fonte: http://www.imazon.org.br/institucional

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midiáticos, o blog também apresenta projetos e oficinas que norteiam o tema do meio ambiente na Amazônia. Apresenta livros e artigos, indica outros endereços para o aprofundamento nas áreas de interesse, como o link do Ministério Publica, da ONG Amazônia, do Jornal Pessoal do jornalista Lucio Flávio Pinto de onde saem alguns conteúdos de noticias do blog, Portal Eco debate, e do Portal Belo Monte.

A REVISTA ENSAIO A revista Ensaio, por exemplo, é um espaço para a publicação de artigos sobre jornalismo cientifico tecnológico e ambiental. Os textos são produzidos por alunos do curso de Comunicação Social da universidade da Amazônia e tem como propósito dividir com o público tema discutido na academia, e assim ampliar o conhecimento da população sobre o desenvolvimento da Amazônia. Como alunos de Comunicação Social podem buscar o aprofundamento com pesquisadores e especialistas, o conteúdo apresentado tende a ser mais consistente o que foge da chamada monofonia da fonte citado por Rubleski no artigo Jornalismo científico: Problemas recorrentes e novas perspectivas, publicado em 2009.

A multiplicidade das fontes embasa e garante ao leitor mais de uma ideia sobre o mesmo assunto, teoricamente essa busca deve ser feita em todos os setores do jornalismo, e mais ainda nos jornalismo científico e tecnológico. Na revista o autor do blog também divulga pesquisas e trabalhos acadêmicos, produzidos por ele, com uma visão e linguagem jornalística.

Os canais que se propões especializados em jornalismo cientifico, tecnológico e ambiental, apresentam uma tendência ao aprofundamento na pesquisa e no agrupamento de conteúdo voltado para o tema proposto essa lógica se dá principalmente, para a ocorrência de rupturas com o jornalismo diário, que muitas vezes por falta de tempo não consegue aprofundar sobre as pesquisas, descoberta científicas tecnológicas e nas ocorrências ambientais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O artigo acadêmico analisou de forma jornalística, como a ciência e os pesquisadores foram conquistando o espaço e levando para a sociedade a democratização dos conhecimentos, o que mudou um pouco a forma de pensar da 43

sociedade, que antes era privada deste.

REFERÊNCIAS BUENO, Wilson. O Jornalismo Científico e o compromisso das fontes. Acessado em 02 de outubro de 2011. BUENO, Wilson. Jornalismo Científico, lobby e poder. Acessado em 30 de outubro de 2011 BUENO, Wilson. Jornalismo Científico, ciência e cidadania. Acessado 04 de outubro de 2011 FALÃO, W.Dulpa Helice. In: Vilas Boas, S (org.). Formação e Informação Científica: Jornalismo para iniciado e leigo. São Paulo: Summus, 2005.p.89-104 RUBLESCKI, A. prerrogativas. 2009. OLIVEIRA, Fabíola. Jornalismo Científico. 2007 Jornalismo Científico: Problemas recorrentes e novas

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JORNALISMO E CIÊNCIA: UM OLHAR SOBRE A AGÊNCIA ENVOLVERDE Maria Carolina Silva Martins Pereira20 Thaís Luciana Corrêa Braga21 RESUMO Jornalismo não é ciência, embora a especialização jornalismo científico sirva como ponte entre as duas formas de conhecimento. A diferença entre ambas vão desde a linguagem aos objetivos. O presente artigo propõe-se a analisar os principais problemas e tendências da cobertura jornalística acerca de ciência e tecnologia (C&T), com base no site da Agência Envolverde. Serão exploradas questões como compromisso com a fonte, procedência da informação e lobby. Pretende-se, com isso, contribuir para a discussão sobre o jornalismo científico no Brasil. Palavras-chave: Jornalismo Científico, Webjornalismo, Ciência e Tecnologia. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Jornalismo científico é definido por Rublescki (2009, p. 408) como a divulgação de informações, de caráter jornalístico, sobre Ciência e Tecnologia (C&T). Descobertas científicas, novas tecnologias, pesquisas teóricas e aplicadas em áreas como biomedicina, ciências humanas e exatas, bem como meio ambiente, fazem parte dessa especialização. Segundo a autora, o jornalista representa o elo entre a comunidade científica ou tecnológica e a sociedade em geral. “Ao profissional que nele atua cabe conciliar o papel informativo/disseminador de informação científica e tecnológica com as regras, princípios e rotinas produtivas da imprensa” (RUBLESCKI, 2009, p. 408). As origens do jornalismo científico estão relacionadas à própria história do jornalismo no Brasil. Marques de Melo (2002, p. 124) afirma que Hipólito José da Costa iniciou o registro sistemático de acontecimentos relacionados ao mundo da tecnologia logo na primeira edição do Correio Braziliense, em 1808 – primeiro periódico brasileiro, porém editado em Londres, na Inglaterra. De acordo com o autor, o objetivo de Hipólito era divulgar inovações científicas europeias para que as elites brasileiras assimilassem as informações. Do século XIX até os dias de hoje, o jornalismo científico fortaleceu-se como
Estudante de Comunicação Social- Jornalismo na Universidade da Amazônia (UNAMA). Estudante de Comunicação Social- Jornalismo na Universidade da Amazônia (UNAMA). Emeio bragathais@globo.com
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atividade regular na imprensa e também como tema constante na agenda pedagógica das principais escolas de jornalismo do país, a exemplo das universidades paulistas USP, UMESP e UNICAMP. Marques de Melo (2002, p. 125) aponta que a década de 1960 foi o período em que o país criou uma consciência pública em torno da divulgação científica. “Determinado, em grande parte, por acontecimentos científicos de grande repercussão como a corrida espacial EUA-URSS e os transplantes de coração realizados simultaneamente na África do Sul (...) e no Brasil (...)” (MARQUES DE MELO, 2002, p. 125). Não se deve, porém, confundir jornalismo científico com ciência. “É, antes de tudo, jornalismo, estando, portanto, sujeito às mesmas rotinas produtivas, práticas profissionais e normas empresariais de qualquer outro jornalismo, geral ou especializado” (RUBLESCKI, 2009, p. 408). A autora atenta, ainda, que a credibilidade é o capital essencial da mediação jornalística entre os diversos campos do conhecimento e o leitor. Por isso, os desafios e perspectivas da cobertura em jornalismo especializado serão discutidos a seguir. Será analisado o enfoque adotado pela Agência Envolverde – Jornalismo & Sustentabilidade.

ENVOLVERDE, QUEM É?

Uma editora que produz conteúdos exclusivos sobre sustentabilidade. Assim se define a Agência Envolverde

(www.envolverde.com.br), que já ganhou o 6º Prêmio Ethos22 de Jornalismo na categoria mídia digital, em 2006; o Prêmio Ethos de Jornalismo, em 2008; e o Prêmio Pontos de Mídia Livre do Ministério da Cultura, em 2009. O site entrou no ar em janeiro de 2008 com matérias sobre sustentabilidade,

O Instituo Ethos agrupa grandes corporações do mercado nacional em torno do tema sustentabilidade.

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Figura 1: Página da internet da Agência Envolverde.

relacionada a questões de ambiente, economia, educação, sociedade e saúde. Além da produção própria, Agência Envolverde distribui diariamente serviços de reportagens e colunistas da Agência Internacional Inter Press Service (IPS), publica semanalmente uma página do Terramérica – importante veículo de informação ambiental da América Latina. A assinatura do clipping diário é gratuita e enviada diretamente para o e-mail de usuário cadastrado.

SOBRE O JORNALISMO CIENTÍFICO DA AGÊNCIA ENVOLVERDE

A Agência Evolverde destaca-se por produzir conteúdo sobre ciência com técnicas jornalísticas de produção textual, a exemplo do lead e da pirâmide invertida. A diferença entre os dois discursos, conforme Oliveira (2002, p. 43 apud RUBLESCKI, 2009, p. 410), é que o trabalho científico segue normas rígidas de padronização e normatização universais, por isso é uma linguagem prolixa, árida e desprovida de atrativos; enquanto que o texto jornalístico é simples, objetivo enxuto, sintético e aproxima-se do coloquial. Rublescki (2009, p. 411) alerta que o perigo da fusão entre os dois discursos é o tratamento superficial dos resultados científicos em função do curto espaço para a veiculação da informação. O site da Envolverde, por estar inserido numa plataforma digital, poderia evitar a superficialidade dos assuntos tratados por meio de hipertextos – também chamados de “pirâmide deitada”, em referência à pirâmide invertida. Segundo Canavilhas (2001, p. 3) trata-se de “um conjunto de pequenos textos hiperligados entre si. Um primeiro texto introduz o essencial da notícia estando os restantes blocos de informação disponíveis por hiperligação”. Contudo, nota-se que as matérias veiculadas não exploram todo o potencial do webjornalismo. O site não só carece de infográficos – na definição de Rublescki (2009, p. 423), a utilização de imagens para guiar o leitor pelos labirintos da ciência –, como também pouco explora os recursos destacados por Canavilhas (2001) para uma boa cobertura do jornalismo praticado na internet, a exemplo de vídeo, áudio, flash e 3D e personalização. Embora o site indique, no canto superior direito da página, sua presença nas principais redes sociais (Twitter, Facebook, Orkut, Youtube e blog), não implica dizer que a Agência Envolverde utiliza as ferramentas da web com eficiência. O ponto a favor da Agência Envolverde é a interdisciplinaridade das matérias veiculadas. Sustentabilidade é a garantia de satisfação das necessidades, sem 47

comprometimento do capital natural e sem lesar o direito das gerações futuras de verem atendidas também as suas necessidades e de poderem herdar um planeta sadio com seus ecossistemas preservados.23 O conceito tem a ver com melhoria da qualidade de vida humana e o respeito à capacidade de assimilação dos ecossistemas. Ao relacionar a sustentabilidade não só com questões ambientais, mas também com economia, educação, sociedade e saúde, o jornalismo científico praticado pela Agência Envolverde busca “potencializar a aproximação com o leitor e manter o quesito ‘interesse’ em alta” (RUBLESCKI, 2009, p. 417), não apenas ao público que se interessa por questões eminentemente ambientais. Informações sobre a Amazônia, todavia, ainda são minoria na Agência Envolverde. O fato atesta as considerações da pesquisadora Ruth Rendeiro.

Não são só os cientistas e pesquisadores de outras regiões e de outros países que falam com tanta desenvoltura sobre temas que parecem tão familiares ao povo da região (...). Os jornalistas (de outras regiões do país e estrangeiros) também deixam claro o quanto sabem sobre nós, sobre o que acontece dentro de nossa casa.24

O site peca, da mesma forma, pela monofonia das fontes, principalmente os definidores primários – o termo designa os especialistas que são sempre chamados para dar entrevistas. “Jornalistas entrevistam expoentes de cada especialidade, uma vez que é em torno do seu renome que a notícia ganha ‘peso’ e credibilidade” (RUBLESCKI, 2009, p. 421). A autora enfatiza que, apesar desses profissionais estarem acostumados à rotina de entrevistas e, por isso, passarem com segurança a informação, às vezes não tem a paciência necessária para explicar determinados dados ao jornalista, ajudando-o a traçar um panorama mais geral para o leitor. A monofonia das fontes:

permeia a grande imprensa de modo geral, apesar dos famosos manuais de redação, nos quais “ouvir os dois ou mais lados” é o mínimo que se espera antes de redigir uma matéria. Ponto e contraponto, estratégia que ajuda os veículos na construção da credibilidade e é requisito saudável para práticas mediadoras (RUBLESCKI, 2009, p. 421).

Bueno (2005, p. 1) enfatiza que o jornalista também deve combater a suposta neutralidade da fonte. O fato de o pesquisador estar vinculado a um instituto de pesquisa não implica que suas falas e intenções devem manter-se isentas. A C&T, no mundo
23 24

Definição apresentada em http://www.ecolnews.com.br/dicionarioambiental/. Acesso em 02/10/2011. Disponível em: http://www.amazonia.org.br/opiniao/artigo_detail.cfm?id=18524. Acesso em 02/10/1986.

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moderno, “constituem-se em mercadorias, produzidas e apropriadas pelos grandes interesses, e as fontes, sejam elas pesquisadores, cientistas ou técnicos, podem estar absolutamente contaminadas por vínculos de toda ordem” (BUENO, 2005, p. 2). O autor recomenda que o jornalista se mantenha em vigília para não se tornar refém dos especialistas, bem como para não mesclar a cobertura jornalística com mensagens publicitárias. À primeira vista, não identificamos “‘o abastardamento do jornalismo’ pelo ‘concubinato de conveniência entre marketing e jornalismo’, configurado no ‘uso do já racionado espaço editorial – aquele destinado a notícias e reportagens, não a anúncios – para a promoção dessas iniciativas estranhas (...) às redações”.25 Entretanto, não se deve descuidar do fato. A Agência Envolverde mistura a veiculação de notícias nacionais e estrangeiras à produção própria e reprodução de conteúdos de entidades parceiras. Rublescki (2009, p. 418) critica a internacionalização do conteúdo, pois a leitura das notícias fica condicionada a uma leitura prévia de realidade. “Algo é retirado de um determinado contexto, moldado e transferido para um outro, no qual ganha novos sentidos e relevâncias que lhe são amputados desde uma teia imperceptível de interesses” (COSTA, 2002, p. 2 apud RUBLESCKI, 2009, p. 419). A responsabilidade, nesse caso, pode ser dividida com os centros de pesquisa brasileiros e latino-americanos, que não têm o hábito de divulgar o resultado de suas pesquisas, aponta a autora. A parceria da Agência Envolverde com o portal Terramérica é um ponto positivo a ser destacado na cobertura do site.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É patente que o jornalismo científico precisa priorizar envolvimento do leitor com questões públicas, em detrimento de interesses comerciais. Para isso, o profissional deve se valer da ética e, às vezes, sacrificar o jornalismo leve e fragmente por um mais militante, nas palavras do pesquisador Wilson Bueno. Iniciativas como a da Agência Envolverde devem ser comtempladas, porém sempre com o olhar desconfiado que caracteriza a práxis jornalística. Problemas como a internacionalização das notícias, a associação com o marketing e a aparente neutralidade das fontes devem ser combatidos por essa especialização jornalista que só tende a crescer.
25

Citação de Wilson da Costa Bueno no texto “Jornalismo Científico, lobby e poder”. Disponível em: http://www.metodista.br/poscom/cientifico/publicacoes/docentes/artigos/artigo-0048. Acesso 02/10/2011.

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A credibilidade do site e dos profissionais que nele trabalham mantém-se não pelos prêmios que conquistou ao longo do tempo, mas sim pelo conteúdo jornalístico veiculado. As falhas detectadas podem e devem ser reparadas a fim de aprimorar o fluxo de informações sobre ciência e tecnologia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BUENO, Wilson da Costa. Jornalismo cienífico, lobby e poder. Disponível em http://www.metodista.br/poscom/cientifico/publicacoes/docentes/artigos/artigo-0048. Acesso em 02/10/10986. ______. O jornalismo científico e o compromisso das fontes. Disponível em http://www2.metodista.br/unesco/GCSB/reproducoes_jorn_cient.pdf. Acesso em 02/10/2011. CANAVILHAS, João Messias. Webjornalismo: considerações gerais sobre jornalismo na web. In: Comunicação apresentada no I Congresso Ibérico de Comunicação, Málaga, 2001. DICIONÁRIO ambiental. Disponível http://www.ecolnews.com.br/dicionarioambiental/. Acesso em 02/10/2011. em:

MARQUES DE MELO, José. Trajetória acadêmica do jornalismo científico no Brasil: iniciativas paradigmáticas do século XX. In: Anuário internacional de comunicação lusófona 2003. RENDEIRO, Ruth. Os jornalistas e a pesquisa na Amazônia. Disponível em http://www.amazonia.org.br/opiniao/artigo_detail.cfm?id=18524. Acesso em 02/10/2011. RUBLESCKI, Anelise. Jornalismo científico: problemas recorrentes e novas perspectivas. In: ______. PontodeAcesso, Salvador, v. 3, n 3, p. 407-427, dez. 2009. Disponível em: <www.pontodeacesso.ici.ufba.br>.

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CORO CÊNICO DA UNAMA: RELATO DE UM PROJETO DE EXTENSÃO E PESQUISA NA AMAZÔNIA
Bruna Merry Jesus Valle 26 Marcela Teixeira27

RESUMO: O presente artigo é divido em duas seções. A primeira faz uma revisão sobre Jornalismo Científico, já a segunda faz um relato do Coro Cênico da Universidade da Amazônia (UNAMA), uma experiência no campo da cultura de extensão e pesquisa. O projeto privilegia temas nacionais e regionais no campo da cultura, em particular da música. Realiza espetáculos, incentiva a pesquisa sobre temáticas, produção de artigos e já chegou a lançar registros em áudio.

Palavras chave: Jornalismo, Ciência, Cultura e Amazônia

Anelise Rublescki e Wilson Bueno possuem pontos convergentes quando analisam as especificidades e limites do processo de produção do jornalismo a partir da editoria de ciência. Os autores comungam sobre as características que marcam cada campo do conhecimento: linguagem, tempo para produção, público, elementos de reconhecimento público, os constrangimentos econômicos que o mercado realiza para a visibilidade de parte do interesse do capital, em detrimento do interesse público. Em uma sociedade que caminha cada vez mais de mãos dadas com as tecnologias e descobertas científicas, fica um tanto difícil filtrar o que é ou não relevante no dia-a-dia. O fato é que devemos, sempre, selecionar o que têm boa procedência. Afinal será que todas as notícias de ciência e tecnologia relacionadas com os mais diversos âmbitos da vida social têm o intuito de prestar um serviço público? Será que os jornalistas que atuam nesta área seguem os princípios básicos do jornalismo? De atuar como um disseminador de informações de acordo com os princípios produtivos inerentes a imprensa e ao jornalismo de qualquer segmento? Bom alguns estudiosos já tomaram suas posições sobre o assunto.
Estudante de Comunicação Social- Jornalismo na Universidade da Amazônia (UNAMA). bruna_merry@hotmail.com 27 Estudante de Comunicação Social- Jornalismo na Universidade da Amazônia (UNAMA). emeio:
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emeio:

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Para Anelise Rublescki um dos fatores que permeia este processo é a própria produção de cada discurso, quer dizer, o texto jornalístico obedece a regras que a produção científica ignora, ou não se interessa. Isso acontece principalmente, mas, não unicamente, através da linguagem. O texto jornalístico deve ser objetivo, acessível, prático, simples e atraente. Já a escrita no âmbito científico deve seguir normas mais rígidas de padronização da linguagem. Os textos científicos são direcionados para um público especializado\iniciado; já as narrativas do jornalismo possuem um público heterogêneo em classes sociais e níveis de formação variados. Por isso tem que se adequar a infinidade de atores sociais que podem vir a ler os textos. Os valores da notícia devem orientar a definição das pautas nos meios de comunicação, mas, às vezes pela busca de audiência\leitores as empresas de comunicação recorrem ao sensacionalismo. Rubleski (2009) ao analisar algumas coberturas sinaliza para este fato. A necessidade de ganhar da concorrência e atrair a atenção do leitor acaba deixando em segundo plano a essência da informação e um aprofundamento na contextualização dos fatos. Contudo, essa relação conturbada entre jornalismo e ciência, se dá, também, em função de um despreparo dos profissionais em abordar assuntos relacionados à temática científica. Ainda conforme a autora a academia não prepara o futuro jornalista para lidar com esse universo distinto. A ausência de tempo e recurso do profissional da comunicação também colabora para a má qualidade da produção do jornalismo científico. O avanço das tecnologias e das ciências nas derradeiras décadas acabou impulsionando um crescimento considerável na produção jornalística em ciência. O assunto deixou de aparecer, apenas, em pequenos espaços nos jornais e ganhou mais relevância em revistas especializadas e na editoria dedicada ao tema nos próprios jornais e no ciberespaço.

É preciso levar em consideração também a mudança de abordagem desses assuntos na grande mídia. É recorrente na produção de notícias de todos os segmentos, inclusive o de ciência, a aproximação dos temas com a vida dos leitores. Ou seja, adapta ao interesse do público as descobertas, inovações, e pesquisas científicas. Na interpretação de Rubleski (2009) existem pontos de estrangulamento a serem superados, tais como a procedência das matérias e a monofonia das fontes utilizadas. A 52

autora chama a atenção para repetição intensa de traduções de fontes internacionais e o vínculo com grandes empresas que possuem staff especializado para a produção de releases. O problema disso é justamente a questão da contextualização do ambiente em que foram feitas as pesquisas e o público que as consome. Nem sempre as temáticas internacionais estão adequadas às preocupações locais, onde são traduzidas e difundidas. E ainda, essas fontes, devido a sua procedência distante, acabam se isentando de possíveis erros nas informações. Mas o mais grave disso tudo é que não se sabe se o leitor se interessa em saber de onde vêm essas notícias. E mesmo, as vezes, estando erradas, as pessoas, o senso comum tem a ciência como algo irrefutável. Sem deixar de citar que, esses mesmo cientistas, fontes de informação, têm sua ideologia e seu compromisso com o capital. Por isso é preciso levar em consideração a questão da monofonia das fontes. Mas de que se trata isso...Bom, sendo o relacionamento entre cientistas e jornalistas um tanto conturbado, até mesmo pelo tratamento superficial que a mídia dá aos assuntos científicos, obviamente não são muitos os candidatos a explicar e repassar informações especializadas. Por isso, os jornalistas, geralmente recorrem às mesmas fontes que carregam consigo seu próprio ponto de vista e interesses. O que resulta em matérias que retratam apenas uma perspectiva. Não dando espaço a outros aspectos, a outras vozes, que deveria ser uma das missões do jornalista. Dando uma visão parcial, e possivelmente interessada que não pode e nem será isenta ou neutra. É exatamente o que destaca Wilson Bueno em seu texto “Jornalismo Científico, lobby e poder”, onde sublinha vários exemplos de iniciativas empresariais que ficaram a frente de alguns discursos científicos de seus próprios interesses. Ou seja, não só os cientistas utilizam os meios para a promoção de seus interesses extra-científicos, mas os próprios jornalistas na produção de notícias. Para Wilson isso é totalmente prejudicial para o serviço que o jornalismo deveria prestar que é, sobretudo, seu caráter pedagógico-crítico. Para evitar que seu trabalho esteja a serviço de interesses que contrariem a ampliação da cidadania e da informação democrática. Para ele, o papel do jornalista de multiplicador de opinião é essencial na cobertura de assuntos científicos. O fato é que o jornalista precisa estar atento a interesses e informações dúbias e suspeitas, para não servir de porta-voz de empresas e iniciativas políticas. Para o 53

jornalista, é preciso que se faça um maior desenvolvimento teórico e tomada de consciência para sua responsabilidade como tal. E claro, o de fomentador de discussões a cerca dos mais diversos temas ligados a questões de interesse público, mais do que a simples satisfação do leitor.

CORO CÊNICO DA UNAMA - PROJETO INCENTIVA A RECUPERAÇÃO DA CULTURA PARAENSE

O Coro Cênico da Unama integra o Núcleo Cultural da universidade. E tem como missão fomentar a prática do canto coral na instituição para promover o conhecimento, a preservação, a divulgação e a valorização da música brasileira, com ênfase na produção na Amazônia. Além de ter como objetivo o desenvolvimento global do aluno através desta atividade alicerçada na pesquisa, ensino e extensão. No decorrer de quinze anos de trabalho e pesquisa, o Coro Cênico já realizou inúmeras apresentações de performances, shows, recitais, espetáculos que valorizam a cultura paraense. Entre os resultados podemos sublinhar: oito textos de pastoris e mais de duzentas partituras resgatadas através do projeto Revitalização das Pastorinhas. A jornada de aprendizado se materializou com a confecção de quatro CDs. Um da série Trilhas D’Água. O projeto conta ainda com a publicação de seu repertório inédito através do livro de partituras Songbook Trilhas D’Água. Esses produtos são distribuídos gratuitamente às universidades, bibliotecas e centros culturais, e ajuda na disseminação e divulgação do que de melhor figura no cenário musical amazônico e nacional. Como transformar em realidade todos esses processos de busca e revitalização da cultura? Todos os anos, no início dos semestres letivos é feita uma seleção de alunos da instituição. Além de discentes o projeto abriga grupos de voluntários da sociedade em geral. Ou seja, o grupo é aberto a alunos, funcionários e comunidade externa. E é claro, como todo projeto, precisa de um plano de trabalho, um roteiro de atividades a serem desenvolvidas pelo grupo já selecionado. O Coro Cênico atua em parceria com outros eventos e projetos da universidade. É claro, para que possa participar dessas iniciativas secundárias de forma satisfatória, precisa de um cronograma de ensaios e dinâmicas relacionadas às atividades a serem desenvolvidas. Dentre essas atividades estão: ●Preparação e capacitação, visto que o projeto é constituído de oficinas para a 54

preparação técnica de novos integrantes do Coro Cênico. Os alunos participam de oficinas temporárias de técnica vocal, expressão corporal, oficina de prática vocal em conjunto, prática da encenação e outras oficinas que asseguram um melhor desenvolvimento dos integrantes e garante a qualidade do grupo; ● Ensaios para a montagem de repertório musical eclético; ● Participação em apresentações; ● Leitura, estudo e fichamento de assuntos referentes ao projeto como biografias de compositores como Caetano Veloso, Tom Zé, Gilberto Gil, Os Mutantes; ● Estudo e seleção de material bibliográfico e audiovisual de assuntos sobre música, teatro, moda, antropologia, folclore e afins relacionado ao projeto; ● Elaboração, criação e exposição do trabalho realizado pelo grupo; ● Conhecimento de todo produto publicado pelo Núcleo Cultural e colaboração no envio deste a outros centros culturais; ● Participação nas oficinas acima citadas; ● Atualização do blog do setor de Artes Cênicas e Musicais, quanto às informações relacionadas ao grupo; ● Audição de obras de compositores nacionais enfatizando o período que está entre final da década de 60 até meados da década de 70 – a época da Tropicália. ● Escrita de relatório mensal e relatório final conforme orientações da Extensão; ● Organização de memorial do grupo através de documentos, jornais, programas, cartazes, fotos etc. ● Demais atividades que serão integradas conforme necessidades do projeto.

Todas essas atividades, que foram retiradas diretamente do plano de trabalho do projeto, são as rotinas de produção de conhecimento que os estudantes, préselecionados, devem se inserir ao participar da iniciativa. Assim como as atividades e as práticas que vão prepará-los para responder as expectativas do projeto de extensão.

Essas atividades estão dividas nesse cronograma semestral nos respectivos dias em que cada evento deve ser cumprido:

MODELO DE CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO Atividades Mês Dia da Semana 55

Oficina Vocal Expressão Corporal Prática Vocal em Conjunto Prática de montagem de repertório para recitais, shows e performances literomusicais e outras apresentações. Leituras, fichamentos, entrevistas e outras atividades.

Abril Maio Maio Março, Abril Maio, Junho Março,Abril, Maio, Junho Maio/ Junho Março, Abril Abril Junho

Segunda Quarta Segundas e Quartas Segunda; Quarta e Quinta. Terças Sextas Terças e Sextas Segunda Terça Segunda

Exercícios Práticos de encenação de acordo com a temática proposta Audição de CDs, Depoimentos em vídeo e DVD Oficina de Musicalização

A avaliação dos alunos participantes é feita em equivalência com a participação e envolvimento em todas as etapas do projeto. É preciso destacar também que, dentre as regras de participação no projeto, os alunos devem obedecer rigorosamente aos horários e compromissos de capacitação, apresentações e entrega de material solicitado pela coordenadora do projeto. Tendo em vista que um dos objetivos principais da inciativa é fazer uma recuperação da cultura local, a coordenação do projeto de extensão programa as etapas para produção de cada novo trabalho sobre qualquer manifestação cultural. Dentre elas estão a leitura sobre biografia do compositor, para melhor entender como reproduzir, no sentido cênico, um pouco da personalidade do artista retratado. Os alunos devem também promover a audição de obras do compositor, obviamente para promover a familiarização com o que se deseja reproduzir em cada iniciativa. Deve ter ciência e participar, mesmo que indiretamente, com a seleção do repertório a ser reproduzido pelo grupo através de arranjos vocais próprios, criados especialmente para o projeto. Ele não deverá faltar aos ensaios vocais, afinal isso pode comprometer a excelência do trabalho produzido por todo o grupo. Além de não perder de vista os ensaios instrumentais, os participantes irão se familiarizar com a questão rítmica e estética de cada composição. O que resulta em ensaios da parte vocal casada com a 56

parte instrumental, e a preparação para possíveis demonstrações e divulgações dos conteúdos produzidos nos canais de comunicação, como Rádio, TV e impresso. Principalmente os que fazem a comunicação na instituição. Com a carga horária de 20 horas semanais que poderão ser creditadas para fins acadêmicos de atividade complementar, o projeto exige ainda a produção de relatório mensal de atuação no projeto e avaliação de participação. Bem como relatório semestral de tudo que foi produzido e realizado pelo grupo em eventos e outras atividades. CONSIDERAÇÕES DERRADEIRAS SOBRE O JORNALISMO CIENTÍFICO

Mesmo com o crescimento e ampliação de cobertura do jornalismo a essa área, a cientifica e tecnológica, é preciso recordar alguns preceitos básicos de conduta na produção jornalística. Como já citado anteriormente, o discurso deve ser mais democrático e abrir espaço para outros enfoques e opiniões diferentes das que já estão sendo enunciadas. Sem perder de vista a tão essencial especialização e aprofundamento na área de atuação, ainda mais se tratando de assuntos tão densos quanto os que falam sobre C&T. Esse aprimoramento de conhecimento é importante para melhor trabalhar em prol de um serviço de interesse público. É preciso fomentar discussões acerca dessa temática e não endeusar os próprios cientistas que só estão fazendo seus devidos papéis dentro da sociedade. E é claro, isso só começará a ser feito quando os jornalistas começarem a ser mais curiosos e céticos em relação a certas pesquisas e notícias alardeadas pelos institutos de pesquisa. E até mesmo por empresas que muito se interessam pela divulgação de notícias e pontos de vista relacionados à suas marcas e ou produtos.

Bibliografia

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BUENO,W. Jornalismo Científico, lobby e poder. In DUARTE, J & BARROS, T. (ORG) COMUNICAÇÃO PARA CIÊNCIA, CIÊNCIA PARA COMUNICAÇÃO. Embrapa, Brasília-DF, 2003. Relatórios do Coro Cênico da Unama RUBLESCKI, Anelise. Jornalismo científico: Problemas recorrentes e novas perspectivas. Ponto de Acesso, Salvador, 2009.

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