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Apostila de Direito das Obrigações 30.10

Apostila de Direito das Obrigações 30.10

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  • 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS:
  • Relação Jurídica:
  • a) Obrigacional:
  • b) Real
  • c) Pessoal:
  • Direito Obrigacional Direito Real
  • 2. CONCEITO DE OBRIGAÇÃO
  • 3. RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL
  • 4. PRINCÍPIOS DO DIREIRO OBRIGACIONAL
  • a) Boa-fé objetiva:
  • b) Autonomia da Vontade:
  • c) Proibição de enriquecimento ilícito:
  • 5. FONTES:
  • 6. DISTINÇÃO ENTRE OBRIGAÇÃO E RESPONSABILIDADE:
  • 7. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES:
  • a) Em relação ao vínculo: Civis, Morais ou Naturais:
  • b) Quanto aos seus elementos: Obrigações Simples ou Complexa
  • c) Impessoais (fungíveis) ou Intuito personae (infungíveis)
  • d) Quanto ao conteúdo: Obrigações de Meio ou de Resultado
  • e) Reais ou Propter rem:
  • f) Específicas ou Genéricas
  • 1. OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA
  • A- Aspectos gerais
  • B- Perda da coisa:
  • C- Deterioração:
  • D- Benfeitorias:
  • E- Frutos:
  • F- Perdas e Danos:
  • 2. OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR:
  • A- Definição:
  • C- Deterioração da coisa:
  • D- Benfeitorias (arts. 1.219 e 1.220 do CC):
  • F- Acessão Imobiliária:
  • 3. OBRIGAÇÃO DE DAR DINHEIRO:
  • a) Obrigação pecuniária:
  • 4. OBRIGAÇÃO DE DAR COISA INCERTA:
  • 1- Conceito:
  • 2- Infungível e fungível:
  • 3- Impossibilidade de Prestar:
  • 4- Art. 249, do CC:
  • 5- Obrigação de praticar ato jurídico:
  • 2- Impossibilidade:
  • 1- Considerações gerais:
  • 2- Escolha:
  • 3- Perecimento:
  • 4- Retratabilidade:
  • 5- Acréscimos:
  • 1- Elementos do ato jurídico:
  • 2- Classificação das obrigações quanto aos elementos acidentais:
  • 3- Obrigação Condicional:
  • 4- Obrigação a Termo:
  • 5- Obrigação com Encargo ou Modal:
  • 1- Noções Gerais:
  • 2- Espécies de indivisibilidade:
  • 3- Da indivisibilidade em relação às várias modalidades de obrigações
  • 4- Disposições legais
  • 1- Conceito
  • 2- Obrigações in Solidum
  • 3- Características e Fundamento da Solidariedade
  • 4- Fontes da Solidariedade
  • 5- Solidariedade Ativa
  • 7- Extinção da Solidariedade
  • 1- Generalidades
  • 2- Natureza Jurídica do Pagamento:
  • 3- De Quem Deve Pagar: O Solvens
  • 4- A Quem se Deve Pagar. O Accipiens
  • 5- Do objeto do pagamento
  • 6- Da prova do pagamento
  • 7- Lugar do Pagamento. Dívidas Quérables e Portables
  • 8- Tempo do Pagamento
  • 2- Casos de consignação
  • 3- Requisitos
  • 4- Levantamento do depósito
  • 5- Outros preceitos contidos no Código Civil
  • 6- Disposições processuais
  • 2- Natureza jurídica
  • 3- Definição e espécies
  • 4- Sub-rogação legal
  • 5- Sub-rogação Convencional
  • 6- Efeitos da Sub-rogação
  • 1- Definição e elementos
  • 2- Imputação do devedor
  • 3- Imputação do credor
  • 4- Imputação legal
  • 2- Requisitos e Natureza Jurídica
  • 3- Equiparação da Datio in Solutum à Compra e Venda
  • 1- Conceito e Natureza Jurídica:
  • 2- Fontes da Confusão:
  • 3- Espécies:
  • 4- Efeitos:
  • 5- Requisitos:
  • 1- Definição:
  • 2- Espécies:
  • 3- Outras disposições
  • 1- Definição e espécies de novação:
  • a) Novação objetiva ou real:
  • b) Novação subjetiva ou pessoal:
  • 2- Requisitos
  • 3- Efeitos da novação
  • 1- Definição e pressupostos
  • 2- Espécies de compensação
  • 3- Casos de exclusão da compensação
  • 4- Outros princípios peculiares à compensação
  • 1- Definição e abrangência:
  • 2- Créditos suscetíveis de cessão
  • 3- Espécies de cessão
  • 4- Suas formas
  • 5- Notificação do devedor
  • 6- Responsabilidade do cedente
  • 7- Outras disposições
  • 1- Definição
  • 2- Formas de constituição
  • 3- Seus efeitos

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DIREITO DAS OBRIGAÇÕES

Direito das Obrigações: Em objetiva definição, trata-se do conjunto de normas e princípios jurídicos reguladores das relações patrimoniais entre um credor (sujeito ativo) e um devedor (sujeito passivo) a quem incumbe o dever de cumprir, espontânea ou coativamente, uma prestação de dar, fazer ou não fazer.

INTRODUÇÃO
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS: Relação Jurídica: Vínculo entre pessoas, em razão do qual uma pode pretender um bem a que a outra é obrigada. Só haverá relação jurídica se o vínculo entre pessoas estiver normatizado, isto é, regulado por norma jurídica, que tem por escopo protegê-lo. Elementos da relação jurídica: • Sujeito ativo: beneficiário principal • Sujeito passivo: sujeito que adota determinado comportamento a favor do sujeito ativo • Vínculo: ligação entre o sujeito ativo e o sujeito passivo – concretização da norma jurídica • Objeto: razão pela qual é instituída a relação jurídica

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De acordo com o objeto, a relação jurídica pode ser: a) Obrigacional: - objeto: prestação (dar, fazer ou não fazer alguma coisa) - sujeito passivo determinável (relação se estabelece entre duas pessoas) b) Real - objeto: bem ou coisa (direito de propriedade) - sujeito passivo indeterminável (coletividade) c) Pessoal: - objeto: modo de ser da pessoa (direitos da personalidade) - sujeito passivo indeterminável (coletividade) Direito Obrigacional Relações humanas Tem sujeito ativo e passivo Direito relativo – a prestação só pode ser exigida do devedor Cooperativo – comporta sujeito ativo (credor), sujeito passivo (devedor), e a prestação (objeto da relação). Concede direito a uma ou mais prestações efetuadas por uma pessoa. O credor, quando recorre à execução forçada, tem apenas uma garantia geral do patrimônio do devedor, não podendo escolher Direito Real Exercido e recai diretamente sobre a coisa Segundo a teoria clássica, tem apenas sujeito ativo Direito absoluto – oponível contra todos Atributivo – não comporta mais de um titular, que exerce seu poder sobre a coisa objeto de seu direito de forma direta e imediata. Concede o gozo e a fruição de bens. Direito de sequela: seu titular pode perseguir o exercício de seu poder perante quaisquer mãos nas quais se encontre a coisa.

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determinados bens para recair a satisfação de seu crédito. Caráter essencialmente transitório. Sentido de inconsumibilidade, de permanência. Extingue-se pela inércia Conserva-se até que haja uma situação contrária em proveito de outro titular Relações obrigacionais são Numerus clausus infinitas.

Obs.: Categorias jurídicas híbridas: Obrigações propter rem: - são as que recaem sobre uma pessoa por força de um determinado direito real, permitindo sua liberação pelo abandono do bem. - caracteres: . vinculação a um direito real . possibilidade de exoneração do devedor . transmissibilidade por meio de atos jurídicos, caso em que a obrigação recairá sobre o adquirente - natureza jurídica: são figuras transacionais entre o direito real e o pessoal, de fisionomia autônoma, constituindo um tertium genus, ou seja, obrigações acessórias mistas, por serem uma relação jurídica na qual a prestação está vinculada a um direito real. Ônus reais: são obrigações que limitam a fruição e a disposição da propriedade. São obrigações de realizar periodicamente uma prestação, que recaem sobre o titular de certo bem; logo, ficam vinculadas à coisa, que servirá de garantia ao seu cumprimento.

judicialmente. isto é. Note-se que na espécie surge uma limitação à liberdade do devedor.4 Obrigação com eficácia real: a obrigação terá eficácia real quando. garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio. entretanto. recursos para a satisfação de seu direito. Mas tal limitação ou adveio de sua vontade. que deve dar. RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL • Elementos: a) Sujeito ativo: credor b) Sujeito passivo: devedor O sujeito ativo tem a expectativa de obter do devedor o desempenho da obrigação. fornecendo-lhe a prestação devida. ou de seu comportamento desastrado (hipótese de ato ilícito). devida pelo primeiro ao segundo. de caráter transitório. ou derivou de imposição legal. sem perder seu caráter de direito a uma prestação. na hipótese de inadimplemento. CONCEITO DE OBRIGAÇÃO A obrigação é a relação jurídica. c) Vínculo jurídico: sujeita o devedor à realização de um ato positivo ou negativo no interesse do credor. o fornecimento da prestação. fazer ou não fazer alguma coisa em favor de outrem. enquanto ao sujeito passivo cumpre o dever de colaborar com o credor. 3. Em qualquer dos casos. está ele legalmente vinculado e. estabelecida entre devedor e credor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica. 2. no patrimônio do devedor. unindo os dois sujeitos e abrangendo o dever . positiva ou negativa. pode o credor colher. se transmite e é oponível a terceiro que adquira direito sobre determinado bem.

de aval. constituindo uma unidade. Assim. de proceder à execução do patrimônio do devedor. anticrese). visto que o mesmo fato gerador do débito produz a responsabilidade.Dualista: existe o vínculo de débito e o vínculo de responsabilidade . mas é perfeitamente possível que a responsabilidade seja de outro sujeito que não o devedor.: O elemento débito consiste no dever que incumbe ao sujeito passivo de prestar aquilo a que se comprometeu. mas da responsabilidade não se pode ele esquivar. o dever primário do sujeito passivo de satisfazer a prestação. Questão – Que se entende por “Schuld” e “Haftung”? Em alemão. na obrigação reúnem-se e se completam.Eclética: débito e responsabilidade fazem parte de um único vínculo Obs. para obter satisfação de seu crédito. débito e responsabilidade se verificam conjuntamente na mesma pessoa do devedor. investindo contra o patrimônio do devedor. Da maneira que o devedor se obriga.Monista: um único vínculo entre credor e devedor . e também “Haftpflicht”. de direitos reais de garantia (hipoteca. Normalmente. . em caso de inadimplemento (obligatio). Teorias: . por sua vez. seu patrimônio responde. que a pode descumprir. O elemento débito supõe a atividade espontânea do devedor. e o correlato direito do credor de exigir judicialmente o seu cumprimento. podem traduzir responsabilidade. No Direito Civil. “Schuld” pode significar culpa ou débito. a palavra Schuld identifica-se com o débito e Haftung com a responsabilidade. O elemento responsabilidade é representado pela prerrogativa conferida ao credor. como nos casos de fiança. penhor. “Haftung”.5 da pessoa obrigada (debitum) e sua responsabilidade. ocorrendo inadimplência.

p. fazer ou não fazer alguma coisa) . A boa-fé subjetiva consiste no estado de espírito do agente. Já como princípio informador da validade e eficácia das obrigações. hipocrisia ou duplicidade. desde que lícita. sendo caracterizada pela análise das intenções da pessoa cujo comportamento se queira qualificar. possível física e juridicamente. Ex: o objeto da obrigação de um médico para com seu cliente é prestação geradora de obrigação de fazer. deve ser observado a boa-fé objetiva. determinada ou determinável.6 d) Objeto da obrigação: prestação positiva ou negativa do devedor. . Já o objeto dessa prestação é. p qual poderá exigir judicialmente seu cumprimento. e não da obrigação.imediato: prestação (dar.. é vínculo jurídico pelo qual devedor fica adstrito a cumprir prestação de caráter patrimonial em favor de credor. que representa uma cláusula geral de lealdade e colaboração para o alcance dos fins contratuais. e suscetível de estimação econômica. veracidade ou franqueza com que a parte se relaciona. . • Conceito de relação jurídica obrigacional: Obrigação.ex. princípio integrante da concepção social do direito contratual. 4. PRINCÍPIOS DO DIREIRO OBRIGACIONAL a) Boa-fé objetiva: A boa-fé pode ser compreendida sob dois enfoques: o subjetivo e o objetivo. em sentido jurídico e enquanto objeto do Direito das Obrigações. não se utilizando de mentira. a realização de cirurgia plástica. Traduz-se na sinceridade. não se utilizando de má-fé. enfim.mediato: um bem (é a coisa devida) – É o objeto da prestação.

sem obstrução. lealdade. suas expectativas razoáveis. sem justa causa. A autonomia da vontade pauta-se na existência da faculdade de escolha entre contratar ou não contratar. c) Proibição de enriquecimento ilícito: . cooperando para atingir o bom fim das obrigações: o cumprimento do objetivo contratual e a realização dos interesses das partes. de escolha do outro contratante. uma atuação refletindo. seus direitos. respeitando seus interesses legítimos. sem causar lesão ou desvantagem excessiva. tem como alicerce a ampla liberdade contratual.7 A boa-fé objetiva consiste num dever geral de conduta. na forma que quiserem. que atribui às partes o dever de agir no sentido da recíproca cooperação.Conceito: Existe enriquecimento ilícito sempre que houver uma vantagem de cunho econômico em detrimento de outrem. pensando no outro. Assim. Cabe a lei apenas assegurar o respeito ao que foi livremente estipulado e fornecer elementos interpretativos ou supletivos da vontade das partes. agindo com lealdade. o poder dos contratantes de disciplinar os seus interesses mediante acordo de vontades. respeitando-o. suscitando efeitos tutelados pela ordem jurídica. além da escolha do conteúdo e da forma do contrato. . b) Autonomia da Vontade: O princípio da autonomia da vontade significa que a obrigação contratual tem por fonte única a vontade das partes. Boa-fé objetiva significa uma atuação “refletida”. sem abuso. que podem convencionar o que desejarem. correção e lisura. confiança. dentro dos limites de ordem pública. no parceiro contratual. a fim de se garantir a segurança e manutenção das relações jurídicas.

886. ou de um ato ilícito. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada.Subsidiariedade (art. se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido.prescrição: “Art.. isto é. se enriquecer à custa de outrem. A restituição é devida.) IV . 206. ..8 Art. será obrigado a restituir o indevidamente auferido. Não caberá a restituição por enriquecimento. 886. sem justa causa. mas também se esta deixou de existir. O caráter subsidiário da ação resulta de circunstâncias de fato. 884. não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento. a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido. quem a recebeu é obrigado a restituí-la. em conformidade com as normas jurídicas. 885. numa verdadeira condição de procedibilidade. ou simplesmente da ação de anulação ou nulidade de um negócio jurídico..a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa. A – Fonte Imediata: Lei . FONTES: Constituem fontes das obrigações os fatos jurídicos que dão origem aos vínculos obrigacionais. CC): Art. . Daí concluir-se que a inexistência de qualquer outro remédio para o agente é um fator a mais a concluir pela inexistência de um injusto enriquecimento. Prescreve: (. se a coisa não mais subsistir. Art. feita a atualização dos valores monetários. e. Aquele que.. Parágrafo único. na inexistência de qualquer outra no sistema jurídico. na impossibilidade de uma ação derivada de um contrato. pois. não há que se falar em empobrecimento. enquanto não esgota o prejudicado todos os meios normais de ressarcimento. A ação é o último meio de que se pode valer a parte.” 5.) § 3o Em três anos: (.

se recolho a correspondência de vizinhos em viagem. . Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. distinguindo-se dele. b.9 B – Fonte Mediata: a) Contrato: negócio jurídico bilateral ou plurilateral. Art.3) Pagamento indevido: ocorre quando o devedor realiza o pagamento não ao credor. Art. farei jus ao reembolso.1) Gestão de negócios: é a administração de negócios alheios sem o conhecimento do dono. Se em meio à correspondência descubro conta vincenda e a pago. 882. aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu. É importante ressaltar que existem casos em que não cabe a repetição. Dessa situação surgem duas consequências: quem paga mal para duas vezes. mas aquele que pagou dispõe de ação regressiva contra o verdadeiro devedor e seu fiador. 881. originário de acordo de vontades. Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer ou para eximir-se da obrigação de não fazer. ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. Assim.2) Promessa de recompensa b. não houve contrato. 880. como se o vizinho me houvesse pedido para pagar. Na verdade. b) Quase-contrato: assemelha-se ao contrato. repetição do indébito (pedir de volta). porque lhe falta o acordo de vontades. serei gestor de negócios. na medida do lucro obtido. com o qual mantém afinidade. sem qualquer combinação prévia. Art. modificar e extinguir direitos. mas é como se tivesse havido. Fica isento de restituir pagamento indevido aquele que. todavia. em conformidade com a lei. deixou prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias que asseguravam seu direito. capaz de criar. inutilizou o título. b. recebendo-o como parte de dívida verdadeira. mas sim a uma outra pessoa (com a qual inexiste a relação jurídica obrigacional).

a critério do juiz. 6. afirmar que a relação obrigacional tem por fim precípuo a prestação devida e. o que se deu reverterá em favor de estabelecimento local de beneficência. ou proibido por lei. a obrigação se extingue. a sujeição do patrimônio do devedor que não a satisfaz. involuntário. 883. Como exemplo do primeiro caso. secundariamente. No caso deste artigo. . Esta. nada impede que haja uma obrigação sem responsabilidade ou vice-e-versa. Quando tal fato não acontece. e deve ser cumprida espontânea e voluntariamente.5) Quase-delito (culpa): é ato ilícito culposo. a consequência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional.10 Art. A responsabilidade é.4) Delito (dolo): é ato ilícito doloso. surge a responsabilidade. como ocorre em relação às dívidas de jogo e aos débitos prescritos pagos após o decurso do prazo prescricional. não dá margem à repetição do indébito. mas na imprudência. imoral. negligência ou imperícia do agente. costuma-se citar as obrigações naturais. por intermédio da lei. portanto. Não cumprida. uma vez pagas. praticado com a intenção de causar dano a outrem. nasce a responsabilidade. b. assim. Baseia-se não no dolo. Pode-se. não chega a despontar quando se dá o que normalmente acontece: o cumprimento da prestação. mas que. que tem como garantia o patrimônio geral do devedor. Embora os dois conceitos estejam normalmente ligados. Não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito. Cumprida. que não são exigíveis judicialmente. pois. Parágrafo único. b. DISTINÇÃO ENTRE OBRIGAÇÃO E RESPONSABILIDADE: A relação jurídica obrigacional resulta da vontade humana ou da vontade do Estado.

CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES: Obrigação moral Em relação ao seu vínculo Obrigação civil Obrigação natural Relativamente à sua natureza Em atenção à sua liquidez Obrigações simples Obrigações consideradas em si mesmas Quanto ao seus elementos Obrigações compostas ou complexas Obrigação de dar Obrigação de fazer Obrigação de não fazer Obrigação positiva e negativa Obrigações líquidas Obrigações ilíquidas Quanto ao seu objeto Obrigações reciprocamente consideradas Obrigações com cláusula penal Cumulativas ou conjuntivas Alternativas Facultativas Obrigação momentânea ou instantânea Relativamente ao tempo Obrigação de execução diferida de adimplemento Obrigação de execução continuada ou periódica Obrigação pura Obrigação condicional Quanto aos elementos acidentais Obrigação modal Obrigação a termo Obrigação única Em relação à pluralidade Obrigação divisível de sujeitos ou indivisível Obrigação múltipla Obrigação solidária Obrigação de meio Quanto ao conteúdo Obrigação de resultado Obrigação de garantia Obrigação principal: subsistem por si. em que o fiador é responsável. ao contrário. sem ter dívida. São aquelas em que há a cominação de uma multa ou pena para o caso de inadimplemento ou de retardamento do cumprimento da avença. surgindo o seu dever jurídico com o inadimplemento do afiançado em relação à obrigação originária por ele assumida.11 Há. Obrigação acessória: dependem da existência da obrigação principal e lhe seguem o destino. . responsabilidade sem obrigação no caso de fiança. 7.

12 a) Em relação ao vínculo: Civis. sua execução é mera liberalidade. . tendo como garantia o patrimônio do devedor.Efeitos: . Acarreta inexigibilidade da prestação . ter-se-á a validade do pagamento . possibilitando ao credor recorrer à intervenção estatal para obter a prestação. fundada no vinvulum juris. sem obligatio. Obrigação Moral: é a que. sujeita o devedor à realização de uma prestação no interesse do credor. Morais ou Naturais: Obrigação Civil: é a que. Ausência do direito de ação do credor para exigir seu adimplemento . sendo cumprida apenas por questão de princípios. espontâneo ou voluntário. possa retê-la a título de pagamento e não de liberalidade. Produz irretratabilidade do pagamento feito em seu cumprimento . fundada no vinculum solius aequitatis. Não é obrigação moral . embora em caso de seu adimplemento.Conceito: é aquela em que o credor não pode exigir do devedor certa prestação. constitui mero dever de consciência. estabelecendo um liame entre os dois sujeitos. Se for cumprida espontaneamente por pessoa capaz. logo. abrangendo o dever da pessoa obrigada (debitum) e sua responsabilidade em caso de inadimplemento (ibligatio).Caracteres: . Seus efeitos dependem de previsão normativa . Obrigação Natural: .

mas que tem juridicidade por se ligar essencialmente a uma norma que contenha tal autorização. salvo se foi ganha por dolo. mas a nulidade resultante não pode ser oposta ao terceiro de boa-fé. Não lhe será aplicável o regime prescrito para os vícios redibitórios . Art. Denegação da repetitio indebiti ao devedor que a realizou . por não autorizar o emprego da coação como meio para conseguir a observância de seus preceitos. ou proibido por lei. 882. um sujeito passivo e um único objeto. § 3o Excetuam-se. que voluntariamente se pagou. o que se deu reverterá em favor de estabelecimento local de beneficência. Não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito. 814. ou seja. ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. Não comporta fiança . 815.13 . Art. só se excetuando os jogos e apostas legalmente permitidos. os prêmios oferecidos ou prometidos para o vencedor em competição de natureza esportiva. Não é suscetível de novação e de compensação .Obrigação natural no direito brasileiro Art. 883. ou se o perdente é menor ou interdito. desde que os interessados se submetam às prescrições legais e regulamentares. no ato de apostar ou jogar. Parágrafo único. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento. -Natureza: trata-se de norma não autônoma. § 1o Estende-se esta disposição a qualquer contrato que encubra ou envolva reconhecimento. visto que apenas estabelece negativamente o pressuposto da sanção. Art. ainda que se trate de jogo não proibido. § 2o O preceito contido neste artigo tem aplicação. novação ou fiança de dívida de jogo. . mas não se pode recobrar a quantia. Não se pode exigir reembolso do que se emprestou para jogo ou aposta. com todos os elementos no singular. igualmente. imoral. No caso deste artigo. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. b) Quanto aos seus elementos: Obrigações Simples ou Complexa Obrigações simples são as que se apresentam com um sujeito ativo. intelectual ou artística. a critério do juiz.

d) Quanto ao conteúdo: Obrigações de Meio ou de Resultado Nas obrigações de meio. seus herdeiros terão que restituí-los. porque se leva em conta as qualidades pessoais do obrigado. As obrigações compostas com multiplicidade de objetos podem ser: . por ser este imprevisível. Não é de resultado. é que caso o palestrista tenha recebido honorários adiantados. como é o caso do artista contratado para restaurar uma obra de arte. sempre que possível. conferida ao devedor. c) Impessoais (fungíveis) ou Intuito personae (infungíveis) Impessoal é a obrigação em que o importante é o objeto e não os sujeitos.cumulativas ou conjuntivas: objetos ligados pela conjunção “e”. mas sim o processo para se alcançar. a obrigação é intuito personae. neste caso. é obrigação do médico fornecer os meios para curar o doente. as obrigações impessoais. o resultado não é o seu objeto. seus herdeiros serão obrigados a concluí-lo. se compro um imóvel e o vendedor morre antes de concluído o contrato definitivo. o que não ocorre com as intuito personae. É a obrigação em que a pessoa do devedor é facilmente substituível.facultativas: com faculdade de substituição do objeto. se transmitem aos herdeiros do devedor morto. . a obrigação é composta ou complexa. tirando-os da herança que receberem. .14 Se um dos elementos estiver no plural. Assim. Tal não ocorrerá se um palestrista morrer antes de proferir a palestra que lhe fora encomendada. Desse modo. . Logo. Quando a obrigação é contraída tendo em mira exclusivamente a pessoa do devedor.alternativas: objetos ligados pela disjuntiva “ou”. O máximo que pode acontecer. e não do próprio patrimônio.

ou seja. médico (exceto cirurgião plástico)] A obrigação é de resultado quando o fim por ela colimado é algo perfeito. transportador] – responsabilidade objetiva. [ex. surge para esta a chamada obrigação propter rem. titular. de modo que a culpa não pode ser presumida. haverá dever de não molestar meu direito de propriedade. Para todos os demais. não-titulares. Também chamada de “ob rem” ou simplesmente “in rem”. Assim. 389. acompanhando-a (ex. Quando a um direito real acede uma faculdade de reclamar prestação de uma pessoa determinada. “Propter rem” quer dizer “por causa de uma coisa”.obrigação de meio: cumpro a obrigação se utilizar os meios adequados para tanto. e todas as demais pessoas da sociedade. Nas obrigações de meio. incumbindo ao credor prová-la cabalmente. a transferência da propriedade de um bem ao comprador. .15 Logo . dizendo-se que existe. presunção de culpa. São determinadas por lei. Ex. por outro lado. é resultado. se sou dono de uma coisa. Para mim. A esse dever de se abster.: obrigação de pagar taxa condominial). direito de propriedade. ou melhor. acabado. em frente ao direito que uma pessoa tem sobre uma coisa. qual seja. haverá direito sobre a coisa. CC). em verdade. a inexecução implica falta contratual. Trata-se.: dentista. Nas obrigações de resultado. a culpa é irrelevante na presença do descumprimento contratual (art. haverá elo entre mim. e que se vincula a uma coisa.: advogado. chamam obrigação real. o descumprimento deve ser examinado na conduta do devedor. em linhas gerais. e) Reais ou Propter rem: Vínculo real é elo entre titular de coisa e os não titulares. Logo – obrigação de resultado: cumpro a obrigação ao obter o resultado esperado [ex. de uma obrigação de natureza mista (real e pessoal).: obrigação contraída em compra e venda – o objetivo.

DJe 24/08/2009). 1. No próximo julgado. pode vir ele a ser penhorado. Quarta Turma.são acessórias de direito real.2007 p.16 Nesse sentido. ou seja. . . porque decorrentes da conservação da coisa. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro Aldir Passarinho Junior.” (REsp 846. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.2007. se o direito real que a origina é transmitido. Rel. por refugir à sua competência. 3. RECURSO NÃO CONHECIDO. ANÁLISE IMPOSSÍVEL NA VIA RECURSAL ELEITA.04. O crédito condominial tem preferência sobre o crédito hipotecário por constituir obrigação propter rem. PREFERÊNCIA AO CRÉDITO HIPOTECÁRIO. observa-se que a obrigação de pagar taxa de condomínio (propter rem) tem preferência.187/SP. III. obrigações reais. Agravo regimental improvido. Recurso especial não conhecido. Rel. DJ 09. O dissídio jurisprudencial não restou demonstrado. 2. Ministro Hélio Quaglia Barbosa. na sede recursal eleita. não geram direitos reais para o credor. ALEGAÇÃO DE OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. ainda que gravado como bem de família.” (AgRg no REsp 1039117/SP. PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. IMPROVIMENTO.: o Fisco não tem direito real sobre o imóvel sobre o qual recai o IPTU. COTAS DE CONDOMÍNIO. situam-se como obrigações propter rem. Inviável ao STJ.03. São características das obrigações propter rem: . ante a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados. que passam a pesar sobre quem é o titular da coisa. OBRIGAÇÃO PROPTER REM. do qual decorrem. As cotas condominiais. OBRIGAÇÃO PROPTER REM.apesar de acessórias dos direitos reais. II. sobre a obrigação de pagar credor com garantia de hipoteca sobre o imóvel: “CIVIL E PROCESSUAL. julgado em 23/06/2009. Precedentes do STJ. CRÉDITO CONDOMINIAL. 4. LEGITIMIDADE PASSIVA. as obrigações o seguem. tem-se o seguinte julgado do STJ: “AÇÃO DE COBRANÇA. a apreciação de suposta ofensa a normas constitucionais. 255). constituído em função da utilização do próprio imóvel ou para evitar-lhe o perecimento. Em virtude das despesas condominiais incidentes sobre o imóvel. PROPRIETÁRIO DO IMÓVEL. inclusive. Quarta Turma. I. Ex. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PROMISSÁRIO COMPRADOR OU POSSUIDOR. de modo que nada obsta que se volte a ação de cobrança dos encargos condominiais contra os proprietários. julgado em 13.

como a espécie. não podem ser criadas por convenção.são típicas. ou seja. Trata-se de uma obrigação com eficácia real. ano Z. Uma obrigação poderá ser líquida e genérica. enumeradas em lei. simplesmente.) ou não (uma tonelada de minérios). É o caso da anotação da obrigação locatícia (contrato de locação) levada ao Registro de Imóveis (art. que traduz. Se A se obriga a entregar a B uma saca de café no valor de R$100. se é individuado (um carro X. mesmo com a alienação do imóvel a obrigação em face do locatário deverá ser respeitada por qualquer eventual adquirente. Em outras palavras. . exatamente por estarem ligadas aos direitos reais. Não se confundem obrigações genéricas e específicas com ilíquidas e líquidas. uma obrigação com oponibilidade erga omnes. etc. da marca Y. f) Específicas ou Genéricas Distinguem-se as genéricas das específicas pelo objeto da prestação. Nas específicas.00. determina-se não só o gênero. oponível a qualquer pessoa.17 . 8º da Lei do Inquilinato): neste caso. o objeto da prestação é determinado apenas em seu gênero e qualidade. Nas genéricas. teremos obrigação líquida e genérica. Não confunda a “obrigação propter rem” com a “obrigação com eficácia real”.

que não aumentam o uso habitual do bem. Art. OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA A. como casa. • As obrigações de dar coisa certa abrangem seus acessórios. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. 313. 95. aquele cuja existência supõe a do principal. Art. se destinam. 93. não constituindo partes integrantes. • Os contratos devem ser cumpridos tal qual foram ajustados (pacta sunt servanda).18 OBRIGAÇÃO DE DAR 1. 94. São pertenças os bens que. Art. úteis ou necessárias. Art. ao serviço ou ao aformoseamento de outro. • O que foi objeto da obrigação. da manifestação de vontade. os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico. soma em dinheiro. é que servirá para o adimplemento da obrigação. § 2o São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem. abstrata ou concretamente. ainda que mais valiosa. As benfeitorias podem ser voluptuárias. de modo duradouro. § 3o São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. § 1o São voluptuárias as de mero deleite ou recreio. 92. ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor. salvo disposição contrária. 96. Art. acessório. Principal é o bem que existe sobre si. • Obrigação específica. ou das circunstâncias do caso. ao uso. Apesar de ainda não separados do bem principal. salvo se o contrário resultar da lei. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças. . carro. Art. a coisa certa.Aspectos gerais • Há obrigação de dar coisa certa quando seu objeto é corpo certo e determinado.

ou pendente a condição suspensiva.Deterioração: . Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário.Perda da coisa: • Em sentido jurídico. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados. responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. C. • A tradição (entrega. • Se A vender seu carro a B. a não ser que A e B expressamente combinem o contrário. sem culpa do devedor. é o desaparecimento completo da coisa para fins jurídicos. • Perda por culpa do devedor: o devedor responde pelo equivalente. no caso do artigo antecedente. rádio. etc. do bem comprado ao credor) é que transfere a propriedade do bem móvel. Assim. pelo devedor. se a perda resultar de culpa do devedor. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. possuidor ou detentor. • O proprietário do bem é quem sofre os prejuízos e os ganhos relacionados ao bem (princípio res perito domino). rodas de liga leve. todos os acessórios se presumem vendidos juntos. 97. 233. B. • Perda sem culpa do devedor: resolve-se a obrigação. Se. seguirão com o carro.19 Art. a coisa se perder.. • A transferência do bem imóvel se dá mediante a Inscrição no Registro de Imóveis. 234. Art. mais perdas e danos. antes da tradição. Art.

236. abatendo-se em seu preço o valor da depreciação. poderá o credor exigir o equivalente. de sua substância ou capacidade de utilização. ou aceitar a coisa. O valor da indenização será apurado.aceitar a coisa. com direito a reclamar. Art. Até a tradição pertence ao devedor a coisa. se já tiver pago.20 • Quando a coisa sofre danos. abatido de seu preço o valor que perdeu. por intermédio de perícia. as benfeitorias. poderá o credor resolver a obrigação. indenização das perdas e danos. há diminuição do valor da coisa. mas sempre com direito de haver perdas e danos. .Benfeitorias: Art. • Deterioração com culpa do devedor: o credor terá a alternativa de receber ou enjeitar a coisa. ou aceitar a coisa no estado em que se acha. geralmente.resolver a obrigação. tendo em vista perda de parte de suas faculdades. se o credor não anuir. sem que desapareça. pertencem ao devedor. com os seus melhoramentos e acrescidos. 237. D. no estado em que ficou. 235. poderá o devedor resolver a obrigação. pelos quais poderá exigir aumento no preço. perda parcial. . • Deterioração sem culpa do devedor: duas alternativas ao credor: . Art. recebendo a restituição do preço. se o credor não aceitar o aumento. Até a tradição da coisa. não sendo o devedor culpado. os melhoramentos acrescidos. em um ou em outro caso. isto é. que pode pedir aumento no preço ou a resolução da obrigação. Sendo culpado o devedor. Deteriorada a coisa.

Perdas e Danos: Sempre que houver culpa. considera-se fruto percebido. Se o bezerro já for nascido. Art. F. 402. . As perdas e danos são avaliados pelo efetivo prejuízo causado pelo descumprimento. 237. Frutos pendentes são aqueles ainda não colhidos. cabendo ao credor os pendentes. 403. antes da entrega. pertencendo ao vendedor. comprador. o que razoavelmente deixou de lucrar. Se A compra vaca prenhe. as perdas e danos devidas ao credor abrangem. Os frutos percebidos são do devedor. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor. vem a consertar-lhe certo amassado. haverá direito a indenização por perdas e danos.Frutos: Art. E.21 Assim. além do que ele efetivamente perdeu. desde que B haja fechado o negócio sabendo do amassado. Art. pertencendo a ele. no caso. sem prejuízo do disposto na lei processual. Parágrafo único. se A vende seu carro a B e. poderá pedir aumento proporcional no preço. Salvo as exceções expressamente previstas em lei. devedor da vaca. as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato. o bezerro nascituro reputa-se fruto pendente.

ressalvados os seus direitos até o dia da perda. no comodato (empréstimo de coisas infungíveis). em devolução. os direitos do credor até o dia da perda. por desídia ou dolo. deve repor o equivalente. p. Ressalva a lei. a coisa já pertencia ao credor.22 2. que tem a coisa alheia sob sua guarda. • Por culpa do devedor: o devedor. a coisa se perca. sofrerá o credor a perda. C. 238. Art. e a obrigação se resolverá. que a recebe de volta. responderá este pelo equivalente. Resolve-se a obrigação porque desapareceu seu objeto. se perder antes da tradição. 239. deve zelar por ela. mais perdas e danos. Caso.Perda da coisa: • Sem culpa do devedor: o credor sofrerá a perda (princípio res perito dominio). e esta. sem direito a indenização. por qualquer título. com perdas e danos. como ocorre. por parte do devedor.. . B.Definição: A obrigação de restituir é aquela que tem por objeto uma devolução de coisa certa. Se a obrigação for de restituir coisa certa.Deterioração da coisa: • Sem culpa do devedor: o credor deverá receber a coisa. coisa essa que. tais como aluguéis. tal qual se ache. Art. ex. OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR: A. na locação e no depósito. seguro etc. Se a coisa se perder por culpa do devedor. encontrase em poder do devedor. sem culpa do devedor. Na obrigação de restituir. contudo.

Se o devedor for possuidor de boa-fé. • Benfeitorias úteis: . Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor. desde que não prejudique a coisa. sem direito a indenização. 236. não tendo direito de retenção. .Benfeitorias (arts. 240 remete-se ao art. poderá levantá-las. por outro . com direito a reclamar. indenização das perdas e danos. 240.23 • Por culpa do devedor: o credor pode exigir o equivalente ou aceitar a devolução da coisa tal como se encontra. não podendo reter a coisa até o reembolso. possui o direito à indenização.220 do CC): (Obs. Obs. só tem direito à indenização. além do direito de retenção até seu pagamento. o correto seria referir-se ao art. além do direito de retenção até seu pagamento.Se o devedor for possuidor de boa-fé. D. observar-se-á o disposto no art.Se o devedor for possuidor de má-fé.Se o devedor for possuidor de boa-fé. em qualquer das duas hipóteses. poderá o credor exigir o equivalente. 1. . tal qual se ache. recebê-la-á o credor.: o art. in verbis: “Sendo culpado o devedor. com direito a reclamar. em um ou em outro caso. que dispõe. possui o direito à indenização. indenização das perdas e danos”. Art. possui o direito de levantar a benfeitoria.Se o devedor for possuidor de má-fé.: algumas regras referentes às benfeitorias adiante expostas não são aplicáveis aos casos de locação de imóveis) • Benfeitorias necessárias: . • Benfeitorias voluptuárias: . se por culpa do devedor. 239. contudo. O credor poderá. ou aceitar a coisa no estado em que se acha.219 e 1. receberá sempre pelas autorizadas. 239. desde que não traga prejuízo ao bem. Se não autorizadas.

não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas. bem como. logo que são separados. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. serão indenizáveis e permitem o exercício do direito de retenção. as benfeitorias necessárias introduzidas pelo locatário. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos. devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação. tendo. ainda que não autorizadas pelo locador. quanto às voluptuárias. As benfeitorias voluptuárias não serão indenizáveis. aos frutos percebidos.Frutos: Art.219.24 lado. Parágrafo único. se não lhe forem pagas. Art. desde que autorizadas. . Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. os civis reputam-se percebidos dia por dia. enquanto ela durar. Art. E. Art.Se o devedor for possuidor de má-fé. quando o puder sem detrimento da coisa. podendo ser levantadas pelo locatário. indenizar o devedor pelas benfeitorias voluptuárias. 36. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. 1. nem mesmo o de levantá-las. depois de deduzidas as despesas da produção e custeio. 1. 1. 1. o direito de não permitir seu levantamento.214. Obs. . não terá qualquer direito. 35. O possuidor de boa-fé tem direito. a levantá-las. assim. bem como as úteis. desde que sua retirada não afete a estrutura e a substância do imóvel.215. Salvo expressa disposição contratual em contrário.: Lei 8.220. nem o de levantar as voluptuárias.245/91 (Lei de Locações): Art. Art. finda a locação.

mediante pagamento da indenização fixada judicialmente. O disposto no artigo antecedente aplica-se ao caso de não pertencerem as sementes. de boa-fé. ou lavoura. quando não puder havê-la do plantador ou construtor. desde o momento em que se constituiu de má-fé.Acessão Imobiliária: Acessões imobiliárias são plantações e edificações. Aquele que semeia. plantas ou materiais a quem de boa-fé os empregou em solo alheio. adquire a propriedade destes. se não houver acordo. O proprietário das sementes. 1. Art. bem como pelos que. adquirirá a propriedade do solo. 1. plantas ou materiais alheios. F. plantou ou edificou. aquele que. além de responder por perdas e danos. plantas e construções. Art. Parágrafo único. Parágrafo único. Presume-se má-fé no proprietário. quando o trabalho de construção. adquirirá o proprietário as sementes. Aquele que semeia. se procedeu de boa-fé. Parágrafo único. 1. plantas e construções. até prova em contrário. Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno. 1253. Se de ambas as partes houve má-fé. em proveito do proprietário. Segundo o art. planta ou edifica em terreno alheio perde. 1.256. deixou de perceber. planta ou edifica em terreno próprio com sementes. 1.25 Art. as sementes.257. se fez em sua presença e sem impugnação sua. Art. se agiu de má-fé. mas fica obrigado a pagar-lhes o valor. terá direito a indenização.216. toda plantação ou construção existente em terreno se presume feita pelo proprietário ou as suas custas. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos.254. por culpa sua. plantas ou materiais poderá cobrar do proprietário do solo a indenização devida.255. . tem direito às despesas da produção e custeio. devendo ressarcir o valor das acessões. Art.

. pretendendo desindexar a economia. mesmo que a referida quantidade não seja suficiente para a compra dos mesmos bens que podiam ser adquiridos. De acordo com o princípio. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento. convertida na Lei nº 10. e em curso no lugar do pagamento. de solver dívida em dinheiro. que. espécie particular de obrigação de dar. até a edição da MP nº 1. no ato da emissão ou cunhagem. 2º. §1º).192/01. em moeda corrente e pelo valor nominal.106/95. ainda que desvalorizada pela inflação. ou seja.26 3. 315. declarou “nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano” (art. o devedor de uma quantia em dinheiro libera-se entregando a quantidade de moeda mencionada no contrato ou título da dívida. os diversos índices de correção monetária. • Uma das formas de combater os efeitos maléficos decorrentes da desvalorização monetária é a adoção da cláusula de escala móvel. OBRIGAÇÃO DE DAR DINHEIRO: a) Obrigação pecuniária: • É a obrigação de entregar dinheiro. pelo qual se considera como valor da moeda o valor nominal que lhe atribui o Estado. Art. Tem por objeto uma prestação em dinheiro e não uma coisa. que podiam ser aplicados sem limite temporal. • O CC adotou o princípio nominalista. quando contraída a obrigação. É. portanto. salvo o disposto nos artigos subseqüentes. Foi por essa razão que surgiram. ou seja. no Brasil. pela qual o valor da prestação deve variar segundo os índices de custo de vida.

318. ouro. b) Dívida de valor: • O dinheiro não constitui objeto da prestação. mas apenas representa seu valor. o objeto da prestação. constitui dívida de valor.27 Art. excetuados os casos previstos na legislação especial. Não se visa diretamente o dinheiro. mediante pagamento de quantia proporcional ao seu valor e ao tempo de sua utilização. de quantia proporcional ao seu valor e ao tempo de sua utilização. por exemplo. decorrente da prática de um ato ilícito. Pressupõe. bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional. sendo a obrigação convertida em moeda nacional. mas sim o meio de medi-lo ou de valorá-lo. São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira. sendo passíveis de nulidade os contratos de direito interno que estipulem o pagamento em moeda estrangeira. ou que restrinjam seu curso. A prestação de juros é uma dívida desse tipo. porque seu montante deve corresponder ao do bem lesado. Art. • Os juros constituem. só é defeituosa a cláusula. com efeito. por seu valor nominal. c) Dívida remuneratória: • Consiste numa remuneração pelo uso de capital alheio. remuneração pelo uso de capital alheio. É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. ao dono do capital. . • A moeda nacional tem curso forçado. que se expressa pelo pagamento. Na verdade. que não é. 316. • A obrigação de indenizar.

Ex. ou conforme estabelece a lei (trata-se do que a lei denomina concentração do débito). pois a coisa deverá ser identificada ao menos pelo gênero e quantidade. A regra geral atribui a escolha ao devedor. 4. por acordo pode-se dispor que a escolha caiba ao credor. nem será obrigado a prestar a melhor. 244): Na obrigação de dar coisa incerta há um momento precedente à entrega da coisa que é o ato de escolher o que vai ser entregue.: dar um carro – quantidade: um. • Perecimento (art. de acordo com o contratado. Art. gênero: carro. mas não poderá dar a coisa pior. • . consistente em dinheiro ou outra coisa fungível. Uma vez feita a escolha.28 portanto. 246): A obrigação de dar coisa incerta é uma obrigação genérica. Daí a sua natureza acessória. 244. OBRIGAÇÃO DE DAR COISA INCERTA: • Conceito: Tem por objeto a entrega de uma quantidade de certo gênero e não uma coisa especificada. Mas a norma é dispositiva. Mas essa indeterminação não é absoluta. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade. prepondera a indeterminação específica do objeto da prestação. a obrigação passa a ser regida pelos princípios da obrigação de dar coisa certa. a existência de uma dívida de capital. Escolha (art. Assim. a escolha pertence ao devedor. se o contrário não resultar do título da obrigação. ou seja.

000. o gênero. neste caso. acarretará a extinção da obrigação. Antes da escolha. a obrigação transforma-se em obrigação de dar coisa certa. examinável em cada caso concreto. aplicando-se. isto é. 246. Ressalte-se que o Código Civil não disciplina a coisa incerta limitada. É o caso. na faixa de R$ 30. Logo. da marca X.. até que faça essa opção. a inviabilidade do atendimento da obrigação. portanto. pois. Assim. Após a determinação.00. ainda que por força maior ou caso fortuito. p. a obrigação se transforma em obrigação de dar coisa certa. ou cuja produção é controlada. • Coisa incerta limitada: É quando o gênero pode ser limitado. cabendo a mim a escolha da marca e modelo. antes da escolha o devedor não poderá alegar perda ou deterioração da coisa. da obrigação de entregar garrafas de vinho de determinada marca que não mais é produzido e que vai rareando com o passar do tempo. Art. ex.. não poderei alegar que o carro se perdeu ou se deteriorou. p. se devo a João um carro novo. No entanto. se o gênero é limitado. Ou o caso da obrigação de entregar certo material químico que não existe em grandes quantidades. . como o gênero não perece. ainda que por força maior ou caso fortuito. porque se desvencilha do vínculo com a entrega de uma das coisas ou de um conjunto de coisas compreendidas no gênero indicado.29 A posição do devedor na obrigação ora tratada é mais favorável do que na de dar coisa certa. uma vez feita a escolha do carro Y. No entanto. as regras da obrigação de dar coisa certa. aplicando-se suas regras. não existe com abundância suficiente. ex. pode perecer. sua responsabilidade pelos riscos será maior. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. Nesses casos.

do qual será mero corolário o de dar. levantar muro. o empreiteiro contrai a obrigação de fornecer a mão-deobra (fazer) e de entregar os materiais necessários (dar). não tendo. Ademais. se o devedor tem de dar ou entregar alguma coisa. etc. todavia. o ponto crucial da diferenciação entre a obrigação de dar e de fazer está em verificar: se o dar ou entregar é ou não consequência do fazer. o que não ocorre na obrigação de fazer. tem ele de confeccionar a coisa para depois entregá-la. que são as obrigações de não fazer. como uma atividade intelectual. porém. etc. O conteúdo da obrigação de fazer é uma “atividade” do devedor. etc. Assim. na obrigação de dar a tradição é imprescindível. ex. se. de fazê-la previamente. o vendedor contrai a obrigação de entregar a coisa (dar). Ambas as espécies constituem-se nas obrigações positivas. como a obrigação de locar ou emprestar imóvel. tendo de realizar algum ato.). na grande maioria das obrigações .Conceito: É prestação de fato.). de realizar outro contrato. a obrigação é de dar. Além disso. no sentido mais amplo: tanto pode ser a prestação de uma atividade física ou material (pintar casa. Na compra e venda. Diante disso. Nem sempre existe distinção entre as obrigações de dar e de fazer. o conteúdo da atividade do devedor na obrigação de fazer pode constituir-se numa atividade que pouco aparece externamente. em contraposição às obrigações negativas. p. realizar experiência científica. tecnicamente a obrigação é de fazer. primeiramente.. mas cujo conteúdo é essencialmente jurídico.30 OBRIGAÇÃO DE FAZER 1. artística ou científica (escrever obra literária. Ademais. Na empreitada. bem como de responder pela evicção e vícios redibitórios (fazer).

isto é.: se contrato pedreiro para levantar muro. se houver sido descumprida por culpa do devedor. por culpa dela.: contrato em que editora encomenda obra a certo autor famoso. por não permitirem a intervenção direta na esfera de atuação da pessoa do devedor.Impossibilidade de Prestar: 3.Sem culpa do devedor: resolve-se a obrigação. Por último. e este não o faz. 2.2. Ex. Ex. Terá natureza fungível quando qualquer um puder executar a obrigação. Não sendo adimplida. o credor pode escolher entre mandar fazer à custa do devedor ou exigir perdas e danos. as obrigações de dar autorizam. 3. Ex. Aqui vigora o princípio de que o credor não pode ser obrigado a aceitar que outro cumpra a obrigação.Infungível e fungível: Terá natureza infungível nos contratos intuitu personae.Com culpa do devedor: o Prestação não é mais útil: recebe o equivalente mais perdas e danos.31 de fazer.1. de nada adianta essa orquestra comprometer- . bem como nas qualidades específicas do devedor. o que não ocorre nas obrigações de dar. naqueles celebrados com base na confiança recíproca entre as partes. a execução coativa. em geral. 3.: contratada uma orquestra para um evento e não se apresentando na data designada. caso em que esta se resolverá em perdas e danos. posso escolher uma das duas opções. é costume enfatizar que a pessoa do devedor é preponderante no cumprimento da obrigação. As obrigações de fazer possuem apenas meios indiretos de execução coativa.

impor multa diária ao réu. Art. independentemente de pedido do autor. ou só por ele exequível. Observação: Sempre que houver dúvida acerca da recusa por parte do devedor e ainda houver possibilidade de a prestação ser útil para o credor. pois o dano é irreversível. 247. em decisão fundamentada. § 1o A obrigação somente se converterá em perdas e danos se o autor o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente. se procedente o pedido. Art. tais como a imposição de multa por tempo de atraso. citado o réu. o Prestação ainda útil: existe a multa cominatória. a qual é um meio de coerção para que o devedor cumpra a obrigação. remoção de pessoas e coisas. 461 do CPC. se necessário com requisição de força policial. poderá o juiz. se por culpa dele. 287). determinar as medidas necessárias.32 se a comparecer em outra data. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta. responderá por perdas e danos. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. 248. . de ofício ou a requerimento. 461. A medida liminar poderá ser revogada ou modificada. Art. § 4o O juiz poderá. determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento do preceito. se for suficiente ou compatível com a obrigação. a qualquer tempo. o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou. desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva. deve ser aplicado o princípio da execução específica do art. é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou mediante justificação prévia. § 5o Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente. busca e apreensão. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. resolver-se-á a obrigação. § 3o Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final. na hipótese do parágrafo anterior ou na sentença. § 2o A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa (art.

sob pena de transformar-se em obrigação perpétua. mas caberá sempre ao juiz colocá-la em seus devidos parâmetros. caso verifique que se tornou insuficiente ou excessiva. Parágrafo único. havendo recusa ou mora deste. independentemente de autorização judicial. É interessante notar que. pode o credor. Segundo o §4º desse artigo.Art. cujo valor reverterá sempre para o autor. devendo a situação resolver-se em perdas e danos para se colocar um fim à demanda. essa constrição perderá seu sentido. . ainda que liminar. em seu parágrafo único. embora a lei não o diga. modificar o valor ou a periodicidade da multa. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. do CC: Art.33 § 6o O juiz poderá. Imagine-se a hipótese da contratação de empresa para fazer a laje de concreto de um prédio. 4. Se o fato puder ser executado por terceiro. há a possibilidade de procedimento de justiça de mão própria. Essa estipulação de multa deverá ter limite temporal. A multa deve ser de montante tal que constranja o devedor a cumprir a obrigação. o juiz pode impor multa cominatória diária. 249. Nada impede que as partes. executar ou mandar executar o fato. a hipótese de aguardar uma decisão judicial. bem como a urgência. Decorrido o prazo máximo de imposição diária. sem prejuízo da indenização cabível. de ofício. por dia de atraso no cumprimento da obrigação. já estipulem a multa e seu valor. de índole pecuniária. Em caso de urgência. 249. Caracterizada a recusa e a mora. sendo depois ressarcido. poderá causar prejuízo de difícil reparação. no caso concreto. contratualmente. procedimento que requer tempo e época precisos.

no caso o comprador. no entanto. apesar de já ter sido celebrado contrato de promessa de compra e venda (irretratável).34 Poderá.Obrigação de praticar ato jurídico: A ação de obrigação de prestar declaração de vontade ocorre quando existe um contrato preliminar e o devedor compromete-se a outorgar contrato definitivo. que. o credor contratar terceiro para a tarefa. seja obtida a autorização judicial. Essa solução. porém. constatação do fato por testemunhas. considerado nesse caso titular de direito real. a sentença. poderá registrar o imóvel em seu nome. compromissado à venda em instrumento que não contenha cláusula de arrependimento e registrado no Cartório de Registro de Imóveis. não a transfere. a devida indenização. não poderá ocorrer quando se tratar de obrigação infungível. então. sob pena de frustrar-se o posterior pedido de indenização. requerei . nada impede. requerendo posteriormente. se houver tempo razoável. Por outros termos. com a sentença judicial. se negar a assinar a escritura de compra e venda. etc. por si só. Nesse caso. poderá o credor. Assim. tratando-se de bem imóvel. que. sem qualquer ingerência judicial. em certos contratos. 5. Lembre-se. também. fotos. Para a caracterização da recusa ou mora do devedor. tais como notificações. se o devedor. Assim. é evidente. o credor poderá obter do juiz sentença que produza o mesmo efeito do contrato. nessas premissas. existe uma obrigação de fazer que possui como conteúdo uma declaração de vontade. no caso o vendedor. deverá o credor resguardar-se com a documentação necessária possível. consequentemente. antes se aconselha. como no sistema pátrio o contrato simplesmente não tem o condão de transferir a propriedade. como a compra e venda de imóveis. o credor.

a outorga da escritura definitiva de compra e venda. como é o caso do artista que se compromete a exibir-se só para determinada empresa. como dispõem os arts. titular de direito real. do CC). A obrigação de não fazer ora se apresenta como pura e simples abstenção. e registrada no Cartório de Registro de Imóveis. adquire o promitente comprador direito real à aquisição do imóvel. OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER 1. Art. se houver recusa do alienante em outorgar a escritura definitiva.418. ou de terceiros. se houver recusa. . Também a obrigação de não fazer pode surgir como simples dever de tolerância. A imposição de uma obrigação negativa determina ao devedor uma abstenção que pode ou não ser ilimitada no tempo. pode exigir do promitente vendedor. a quem os direitos deste forem cedidos. como no caso do alienante de estabelecimento comercial que se compromete a não se estabelecer num mesmo ramo de negócios.Conceito: As obrigações de não fazer são obrigações negativas. O promitente comprador.35 ao juiz a sua adjudicação compulsória. 1417 e 1418 do CC. Mediante promessa de compra e venda. Art. 1. 1. conforme o disposto no instrumento preliminar. como é o caso do locador que se compromete a não obstar o uso pleno da coisa locada.417. ora como um dever de abstenção ligado a uma obrigação positiva. requerer ao juiz a adjudicação do imóvel. 1147. e. ou seja. não realizar atos que possam obstar ou perturbar o direito de uma das partes ou de terceiros. em determinada zona de influência (art. nas quais o devedor compromete-se a uma abstenção. em que se não pactuou arrependimento. celebrada por instrumento público ou particular.

. Art. o devedor compromete-se a não realizar algo que normalmente. para. independentemente de autorização judicial. sob pena de se desfazer à sua custa. estando ausente a proibição. às vezes a abstenção prometida pelo devedor torna-se impossível ou extremamente gravosa. Obs. O exemplo clássico é do devedor que se compromete a não levantar muro. o credor desfará o que houver sido feito. 251. nessa espécie de obrigação. 251. A imposição da municipalidade tem o condão de fazer desaparecer a obrigação de não fazer. e vem a ser intimado pelo Poder Público a fazê-lo. Embora possa parecer estranho à primeira vista. (art. pois será lícita sempre que não envolva restrição sensível à liberdade individual. que se obrigou a não praticar. se lhe torne impossível abster-se do ato.Impossibilidade: o Sem culpa do devedor: resolve-se a obrigação.36 Na realidade.: Havendo urgência. 642 e 643. a cuja abstenção se obrigara. sem culpa do devedor. Na dicção do Código. arts. do CC. depois. Extingue-se a obrigação de não fazer. poderia fazer. mais perdas e danos. o credor pode exigir dele que o desfaça. Na obrigação de não fazer. 2. negócio jurídico que é. 250. pedir o devido ressarcimento. Praticado pelo devedor o ato. ressarcindo o culpado perdas e danos. Por culpa do devedor: o credor pode exigir que seja desfeito o o ato pelo devedor ou às suas custas (a escolha é realizada por meio da análise da utilidade). do CPC). desde que. para não tolher a visão do vizinho. Art. tal licitude reveste-se de um especial aspecto. extingue-se a obrigação. Toda obrigação deve revestir-se de objeto lícito.

: entregar carro ou seu equivalente em dinheiro). respondendo o devedor por perdas e danos. nas obrigações alternativas existem dois ou mais objetos (obrigação complexa). Se o devedor praticou o ato.Escolha: De acordo com o art. a escolha cabe ao devedor.Considerações gerais: As obrigações alternativas são aquelas que têm por objeto duas ou mais prestações.37 Art. 252. as partes podem convencionar que a escolha (tecnicamente denominada concentração do débito) caiba ao credor ou mesmo a um terceiro. Art. o credor não terá qualquer direito sobre os objetos. 2. 643. o credor requererá ao juiz que Ihe assine prazo para desfazê-lo. a obrigação resolvese em perdas e danos. OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA 1. o devedor apenas está obrigado a entregar uma das coisas objeto da obrigação. No entanto. Assim. Não sendo possível desfazer-se o ato. Havendo recusa ou mora do devedor. se outra coisa não se estipulou. Essas obrigações se caracterizam pela presença da conjunção “ou” (ex. no sentido de que não poderá exigir a entrega desta ou . Nesse caso. Parágrafo único. o credor requererá ao juiz que mande desfazer o ato à sua custa. Enquanto não for efetivada a concentração. sendo que o devedor exonera-se cumprindo apenas uma delas. 642. a cuja abstenção estava obrigado pela lei ou pelo contrato.

ou seja. . subsistirá o débito quanto à outra (art. converter uma obrigação alternativa em obrigação de coisa certa. a concentração é irrevogável. 253). sobre um dos objetos. há a concentração dos deveres do devedor sobre esse objeto. Por serem os objetos da prestação independentes entre si. 252. o que é consequência natural da conversão da obrigação alternativa em obrigação de coisa certa. passam a ser de uma obrigação simples. o Código defere a solução ao juiz. Somente quando é feita a escolha. Uma vez operada. se uma das prestações tornar-se inexequível (ou for impossível). §1º). a escolha cabe ao devedor. Ainda. a partir daí. Quando a obrigação for de prestações periódicas. 252. 252. Pode haver uma pluralidade de credores ou devedores. §3º). As consequências jurídicas. Também. há necessidade de que os vários credores ou devedores se acertem sobre a escolha (decisão unânime). haverá direito de o devedor exercer em cada período sua opção (art. se a escolha cabe ao credor. este não poderá pedir o pagamento parte de um e parte de outro dos objetos. a obrigação concentra-se na prestação eleita.38 daquela coisa. tem-se o fato de que o devedor não pode obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra (art. Da mesma forma. devem se valer de uma decisão judicial. os demais objetos que compunham a prestação possível deixam de estar sujeitos às pretensões do credor. Esse é o efeito fundamental da concentração. Nesse caso. é que o credor pode exigir o pagamento. 252. se outra coisa não se estipulou. Se os credores não chegarem a um acordo. a concentração. Art. Não havendo acordo unânime entre os interessados. Feita a escolha. §2º). após este ter concedido um prazo para deliberação (art. Nas obrigações alternativas.

perecendo somente um dos objetos. Se ambos os objetos perecerem. § 2o Quando a obrigação for de prestações periódicas. o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. ocorre a concentração do débito no restante. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível. e este não quiser. ocorre a concentração do débito no que restar. § 4o Se o título deferir a opção a terceiro. por . não competindo ao credor a escolha.39 § 1o Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra. caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes. 253. • Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor. Art. § 3o No caso de pluralidade de optantes. 254. decidirá o juiz. subsistirá o débito quanto à outra. não havendo acordo unânime entre eles. Art.Perecimento: • Sem culpa do devedor: se houver o perecimento de um dos objetos. mais as perdas e danos que o caso determinar. 3. por culpa do devedor. com perdas e danos. resolve-se a obrigação. não se puder cumprir nenhuma das prestações. 256. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor. ou não puder exercê-la. findo o prazo por este assinado para a deliberação. • Por culpa do devedor: se a escolha couber ao devedor. o devedor é obrigado a pagar o equivalente do último que perecer mais perdas e danos. Se ocorrer o perecimento de todos os objetos. Se. Art. se. a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período. ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. extinguir-se-á a obrigação.

poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas. 4.40 culpa do devedor. ou. (art. Porém. deverá ele contentar-se com a escolha da que não sofreu melhoramentos. portanto. efetua o pagamento. a repetição só pode ser admitida se a obrigação for cumprida com erro do declarante. ambas as prestações se tornarem inexequíveis.Acréscimos: Podem ser admitidos os seguintes aspectos para os acréscimos na obrigação alternativa: a) Se todas as coisas sofreram acréscimo. o credor deve pagar o maior volume daquela que ele ou o devedor escolher. se escolher a coisa de maior valor.Retratabilidade: O devedor pode se retratar para exercer posteriormente o direito de escolha. b) Se alguma das coisas aumentou de valor e a escolha couber ao devedor. além da indenização por perdas e danos. quando. se não se chegar a esta solução. pagar a diferença. 5. ignorando que a obrigação era alternativa e que. poderá ele cumprir a obrigação entregando a de menor valor. o devedor pode dar como extinta a obrigação. então. havia direito de escolha. . 255). supondo-se obrigado a uma única prestação. porque a regra geral é a irretratabilidade da escolha e não poderia ser de outro modo. se a escolha couber ao credor.

41 OBRIGAÇÃO FACULTATIVA • • Não está disciplinada no Código Civil. • Ao contrário das obrigações alternativas. mas o exercício de uma opção. Assim. e uma acessória ou subsidiária. • É a prestação principal que determina a natureza do contrato. Ao demandar a obrigação facultativa. A obrigação dita facultativa é aquela que. o credor só pode exigir a obrigação principal. com caráter subsidiário. fica sem efeito a obrigação acessória. pois esta é que dá a . confere ao devedor a possibilidade de liberar-se mediante o pagamento de outra prestação prevista na avença. • Nessa obrigação apenas um objeto é devido. há uma prestação principal. Essa segunda prestação constitui um meio de liberação que o contrato reconhece ao devedor. E o devedor pode optar pela prestação subsidiária até o efetivo cumprimento. • Nessas obrigações. A faculdade de escolha é exclusiva do devedor. que constitui o verdadeiro objeto da obrigação.: o vendedor compromete-se a entregar 100 sacas de café. não pode haver retratação se o devedor cumpre a obrigação principal. podendo ser substituído por outro in facultate solutionis. mas o contrato admite a possibilidade de liberar-se dessa obrigação entregando a cotação do café em ouro. • Na obrigação facultativa não existe propriamente uma concentração (escolha) da obrigação. tendo por objeto apenas uma obrigação principal. mas a nulidade da prestação acessória não tem qualquer influência sobre a principal. • Ex. Trata-se de aplicação do princípio de que o acessório segue o principal. no caso de erro. são obrigações com faculdade de substituição de objeto. Se a obrigação principal é nula.

A perda ou deterioração do objeto da prestação acessória. sem culpa do devedor. que se mantém . com ou sem culpa do devedor. • Obs. (O credor não tem direito ao objeto acessório. A nulidade da obrigação principal extingue também a acessória. CC).: não confundir a obrigação facultativa com a dação em pagamento. Também pode o credor receber o outro objeto. na dação em pagamento a substituição do objeto do pagamento ocorre posteriormente ao nascimento da obrigação. Nesta é imprescindível a concordância do credor (art. 356. poderá repetir. extingue a obrigação. Fica a cargo do devedor aceitar em cumprir a obrigação com a entrega do objeto acessório). pela mesma razão pela qual pode repetir nas obrigações alternativas. enquanto da facultativa a possibilidade de substituição participa da raiz do contrato. Já se o devedor cumpre. por erro. Ademais. • • incólume. o credor pode pedir o preço da coisa que pereceu (o equivalente) mais perdas e danos. em nada influencia a obrigação principal. a subsidiária. • Se a perda ou impossibilidade ocorreu por culpa do devedor. • A perda da coisa principal.42 natureza a obrigação. enquanto na obrigação facultativa a faculdade é do próprio devedor e só dele.

• As partes adquirem e cumprem seus direitos e obrigações no mesmo momento do contrato. porém a ser realizado em data futura e não no mesmo instante em que é contraída. • Ocorre quando as relações das partes desenvolvem-se por um período mais ou menos longo. • Desse modo. • Obs. o uso e gozo de um bem infungível. de trato sucessivo ou periódica é a que se protrai no tempo.: nesse tipo de obrigação a resolução por inexecução deve recolocar as partes no estado anterior. caracterizando-se pela prática ou abstenção de atos reiterados. o preço da coisa adquirida. tanto pode ser diferida a obrigação assumida pelo comprador. OBRIGAÇÃO DE EXECUÇÃO CONTINUADA OU PERIÓDICA • É a obrigação que se cumpre periodicamente. Ex. e a obrigação do locatário de pagar o aluguel convencionado. por certo tempo. OBRIGAÇÃO DE EXECUÇÃO DIFERIDA • É a que também se exaure em um só ato. que se compromete a entregá-la no mesmo prazo. duradoura. como a do vendedor. no prazo de 30 dias. contínua. quando o pagamento se contrapõe a tradição da coisa. devido à própria natureza da relação (ex. Por exemplo: a obrigação do locador de ceder ao inquilino.: compra e venda à vista. solvendo-se num espaço mais ou menos longo de tempo.: contrato de .43 OBRIGAÇÃO DE EXECUÇÃO MOMENTÂNEA • É aquela que se realiza em um só ato. • A obrigação de execução continuada. de pagar.

“APELAÇÃO CÍVEL. Em se tratando de obrigações de trato sucessivo.(a) Luciano Pinto. pois. • A prescrição se aplica as prestações isoladas da obrigação e não a obrigação toda. DJ: 15/02/2011) • Nesta modalidade de obrigação situa-se o campo de aplicação da Teoria da Imprevisão (teoria da onerosidade excessiva): Art. Processo nº 1. tão-só em relação à pretensão do reajustamento anterior aos cinco anos que antecederam o ajuizamento da demanda. Rel. sobreleva o fato de que sua resolução será irretroativa. de trabalho.213/91.: compra e venda com pagamento a prazo). .. Des.. APOSENTADORIA. cujo vencimento se lhes seguir. o valor real da prestação. (TJMG. 317. AÇÃO DE COBRANÇA.101899-2/001(1).0317. Logo. PREVISÃO LEGAL. poderá o juiz corrigi-lo. SUPLEMENTAÇÃO.09. da Lei nº 8. seguro etc. por motivos imprevisíveis.(. renovando-se o prazo prescricional em cada prestação periódica não cumprida. • Nesta espécie de obrigação há maior probabilidade de conflitos espaçotemporais. a violação do direito acontece de forma contínua. OBRIGAÇÃO SUCESSIVA. já extintas pelo seu cumprimento. nos termos do art. • Os efeitos do inadimplemento da obrigação de execução continuada se dirigem ao cumprimento das prestações futuras e não ao das pretéritas. DP: 27/01/2011.)”. IMPOSSIBILIDADE. de modo que assegure. quanto possível. 103. REAJUSTE. AUMENTO REAL. a pedido da parte. impõe-se reconhecer a prescrição.) ou devido à própria vontade das partes (ex.44 locação. uma vez que seu adimplemento possui força extintiva. relativamente ao seu inadimplemento. pois as prestações seriadas e autônomas e independentes já cumpridas não serão atingidas pelo descumprimento das demais prestações. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. Quando. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução.

327. c) Elementos acidentais: consistem em estipulações acessórias. isto é. 447.: pode o doador ou testador dizer que doa ou deixa determinado bem para certa pessoa. logo que contraídas. por exemplo. CC). 441. termo e encargo ou modo. b) Elementos naturais: são as consequências ou efeitos que decorrem da própria natureza do negócio. de forma pura e simples. que as partes podem facultativamente adicionar ao negócio. a coisa. como sucede normalmente nos negócios inter vivos e pode ocorrer também nos negócios causa mortis. indispensáveis à existência do ato e que lhe formam a substância: a declaração de vontade nos negócios em geral.: responsabilidade do alienante pelos vícios redibitórios (art. CC) e pelos riscos da evicção (art. para modificar alguma de suas consequências naturais. o lugar do pagamento quando não convencionada (art. P. 2. que podem ser afastadas por estipulação contrária. São eles: condição. CC). OBRIGAÇÃO A TERMO E OBRIGAÇÃO COM ENCARGO OU MODAL 1. .45 OBRIGAÇÃO CONDICIONAL. o preço e o consentimento na compra e venda. Normas supletivas já determinam essas consequências jurídicas. Ex.Classificação das obrigações quanto aos elementos acidentais: a) Obrigação pura e simples: são as que produzem efeitos imediatos. sem subordinar os efeitos da liberalidade a qualquer condição ou termo e sem impor nenhum encargo ao beneficiário. sem necessidade de expressa menção. ex.Elementos do ato jurídico: a) Elementos essenciais: são os estruturais.

abandona a coisa. o credor possui um direito eventual. Não existe a obrigação. b) Suspensiva: Condição suspensiva é aquela que subordina os efeitos do ato jurídico a seu implemento.46 b) Obrigação condicional c) Obrigação a termo d) Obrigação com encargo ou modal 3. Destarte. que poderá ou não ocorrer. não tendo ocorrido o evento e tendo o devedor cumprido a obrigação. pendente esta. por outro lado. 130. se alguém promete entregar coisa sob condição suspensiva e. Antes do implemento da obrigação que está sob condição suspensiva. a obrigação deixa de existir. não podendo o credor exigir seu cumprimento. Aqui reside a maior distinção com as obrigações a termo. 876). porque se trata de pagamento indevido (art. enquanto não ocorre o evento. assiste-lhe o direito de repetição. do CC). sujeitando-se à . enquanto não ocorrer o implemento. O direito eventual tem como característica principal o fato de seu titular poder exercer os meios assecuratórios para conservá-lo (art. pois nestas o direito existe desde logo. Assim.Obrigação Condicional: a) Conceito: São condicionais as obrigações cujos efeitos estiverem subordinados ao implemento de condição. Frustrada a condição. só produzirá efeitos dependendo de evento futuro e incerto.

Art. com perdas e danos caso tenha havido culpa por parte deste último. se o adquirente já houvera pago em parte o preço. o alienante direito de exigir o cumprimento da obrigação da outra parte. como o direito se adquire de plano. a condição se tem por cumprida e se torna exigível a obrigação (art. em nada modifica a situação jurídica criada pelo negócio condicional. porque o cumprimento se torna impossível. perece para ele. já que não há objeto. p. se a coisa perece. não tendo. No tocante às condições resolutivas. A morte do credor ou do devedor. Por conseguinte. A coisa continua consigo por sua conta e risco. c) Resolutiva: Condição resolutiva é aquela que extingue os efeitos da obrigação com o implemento da condição. Da mesma forma. Não se esqueça. Ocorrendo o implemento da condição. pedir caução ou pleitear para si o depósito da coisa. Como . a menos que se trate de fato personalíssimo da parte falecida. o mesmo artigo considera não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita seu implemento. O alienante da coisa fixada sob condição suspensiva conserva a propriedade e gozo da coisa enquanto não ocorrer o implemento. com o perecimento da coisa pode pedir a devolução ao alienante. que sempre que a parte impede que o faro se realize.47 deterioração.. 332. pois. Cabe ao credor provar que o devedor teve ciência do evento. porém. pode o credor. ex. 332). imediatamente é exigível a obrigação (art. 129). cabendo ao credor a prova de que deste teve ciência o devedor. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. antes de ocorrido o evento suspensivo. tal aquisição não se diferencia das obrigações puras e simples.

4. • O termo. .48 consequência. Se a coisa perece. tendo isso ocorrido. que depende do tempo. deverão ser indenizadas pelo possuidor apenas se agiu com culpa. é inexorável. se diverso não resultar do negócio. mas diferido. nada podendo exigir da outra parte na relação obrigacional. deve o possuidor entregar a coisa com seus acessórios naturais. precisados no • tempo. o possuidor suporta a perda. e não sendo possível ir buscar a coisa com quem se encontre. quando da entrega. que adquirem uma propriedade resolúvel. deve a resolução constar de registro. tem ele o poder de disposição e o gozo. rege-se por seus princípios legais. No termo. só resta a resolução em perdas e danos. O implemento da condição resolutiva. já que não impede a aquisição do direito. quando se frustra o implemento. na condição resolutiva. o direito é futuro e certo. Com o implemento da condição resolutiva. a obrigação que já era tratada como pura e simples assim permanecerá. na realidade. tendo o adquirente a posse da coisa objeto da obrigação.Obrigação a Termo: São obrigações cujo início ou fim vêm determinados. Na condição resolutiva.). invalida o vínculo. As diminuições ocorridas com a coisa. cuja eficácia fica apenas em suspenso. se não constar da avença. A questão das benfeitorias. reconhecimento de filiação etc. o vínculo alcança terceiros. A condição resolutória não proíbe a disposição da coisa para terceiro e. Quando se trata de imóveis. para que os terceiros não possam alegar ignorância. salvo exceções principalmente sediadas no direito de família (casamento. Quase todos os negócios jurídicos admitem a fixação de um lapso temporal para o cumprimento. Na verdade.

ou no imediato. nos contratos. e incluído o do vencimento. § 1o Se o dia do vencimento cair em feriado. Salvo disposição legal ou convencional em contrário. ou de ambos os contratantes. O art. uma vez aposto à obrigação. salvo. Art. são exeqüíveis desde logo. 135 determina que. • Pelo termo protela-se a aquisição dos direitos (termo suspensivo). computam-se os prazos. • estão. § 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. nas extremidades dos prazos. 133. se faltar exata correspondência. pendente o termo. o art. resultar que se estabeleceu a benefício do credor. Art. ao termo final. § 4o Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. quanto a esses. dada a semelhança. b) termo final (dies ad quem): indica o momento que deve cessar o exercício do direito. Os termos ou limitam-se seu exercício a determinado prazo (termo resolutivo). 134. Segundo o art. § 2o Meado considera-se. aplique-se o disposto à condição suspensiva. presume-se o prazo em favor do herdeiro. em proveito do devedor. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. 135 determina que. e. pode o beneficiário usar de todos os meios acautelatórios para a preservação de seus direitos. . sem prazo. considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. aplique-se o disposto à condição resolutiva. ao termo inicial. Além disso. ou das circunstâncias. 132. o seu décimo quinto dia. 131. indica o momento em que sua exigibilidade se inicia ou se extingue: a) termo inicial (dies a quo): indica o momento do início.49 • O termo. em qualquer mês. pois. Art. Os negócios jurídicos entre vivos. excluído o dia do começo. Nos testamentos. se do teor do instrumento. Prazo é o intervalo entre o termo inicial e o termo final.

perde a utilidade para o credor. sem necessidade de qualquer providência do credor. • Termo essencial: o negócio é “absolutamente fixo”.Obrigação com Encargo ou Modal: Obrigação modal é a que se encontra onerada por cláusula acessória. como uma data exata ou prontamente fixável no calendário. a falta de prestação no momento devido é um caso de impossibilidade. se a obrigação não for cumprida pelo devedor no momento determinado. • Termo final certo: se o devedor descumpre o termo. Constitui o devedor em mora. a mora do devedor (ex re). neste caso. Logo. O prazo é que pode ser certo ou incerto. Inadimplemento: a) Relativo: a obrigação ainda é útil para o credor. b) Absoluto: a obrigação não é mais útil para o credor (termo essencial). tendo sido fixada data para o pagamento. transformando o termo incerto em certo. para só assim constituí-lo em mora. ele constitui em mora (inadimplemento culposo). segundo a qual. Evidentemente que esse ônus será menor do que . O termo é certo. Ocorre quando o benefício conferido a uma pessoa vier acompanhado de ônus. que impõe um ônus ao beneficiário de determinada relação jurídica. O ordenamento jurídico pátrio acolheu a regra romana dies interpellat pro homine. e somente será incerto quando não se souber a data em que se cumprirá a obrigação. 5. é necessário que o devedor seja notificado pelo credor sobre o fim do prazo. • Termo final incerto: neste caso. ou seja. o seu descumprimento acarreta automaticamente.50 • O termo é sempre inexorável. se não cumprir o prazo conferido. de um encargo.

podendo os herdeiros apenas prosseguir na ação por ele intentada. ficando ele obrigado a construir escola”) a herança irá para o Fulano de qualquer jeito. ficando ele obrigado a construir escola. como na compra e venda. apesar de ser exigível. O instituidor também pode reclamar o cumprimento do encargo. caso venha a falecer depois do ajuizamento. Caso. será forçado a tanto por qualquer interessado ou pelo Ministério Público.51 o benefício. mas não está legitimado a propor ação revocatória. se ele construir uma escola”. a herança não será deferida ao Fulano. Se não for construída tal escola. Daí que o encargo não pode ser confundido com contraprestação. seria contraprestação. Se recebo uma herança com a obrigação de constituir uma escola. Se for igual. . O Ministério Público só poderá fazê-lo depois da morte do instituidor. não encargo. não será proporcional ao benefício. seguramente renunciarei a meus direitos hereditários. Se. do contrário. o preço da obra deverá ser bem inferior à herança. se este não o tiver feito e se o encargo foi imposto no interesse geral. não construir. O encargo se diferencia da condição. expressamente. e aquele não. de qualquer forma. Cabe ressaltar que terceiro beneficiário pode exigir o cumprimento do encargo. Já o encargo. Na verdade. Por exemplo. Neste caso. o determinasse: “Deixo meus bens a Fulano. pois esta subordina a validade do ato a seu implemento. mas terá a obrigação de realizar contraprestação equivalente em dinheiro a favor do vendedor. característica dos atos jurídicos onerosos. característico dos atos jurídicos gratuitos. Só perderia os bens deixados se o testamento. estaríamos diante de verdadeira condição. têm-se a condição: “Deixo meus bens ao Fulano. o encargo visa limitar a vantagem percebida pelo beneficiário. Esta é privativa do instituidor. Já no encargo (“Deixo meus bens a Fulano. O comprador recebe uma coisa. Caso não construa. não construa a escola. por exemplo. perderá os bens em favor de Beltrano”. ser-lhe-ão tomados tantos bens quantos forem necessários para custear as obras. porém.

Observe-se ainda que tal multiplicidade. porém. não deve também subdividir sua pretensão). seja qual for seu lado. Obrigações Indivisíveis são aquelas cujas prestações somente por inteiro podem ser cumpridas. (Assim como o credor não é obrigado a receber pagamento fracionado. Aqui. podem ser divididas. e ao devedor compete solvê-la por inteiro. em tal hipótese. Por sua vez. porém. se de devedores a pluralidade. antes de tudo. entretanto. Por seu turno. independentemente dos demais sujeitos. a obrigação. multiplicidade de credores. jurídico. Indivisível. diz-se passiva. liberando-se assim com o respectivo pagamento. de uma só vez.52 OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS 1. a indivisibilidade é ativa. salvo estipulação em contrário. como no caso de herança.Noções Gerais: Obrigações Divisíveis são aquelas cujas prestações possibilitam cumprimento parcial. não importa que a prestação seja divisível ou indivisível. quando nasce com a própria obrigação. cada devedor responde exclusivamente pela sua quota. pode ser originária. em princípio. ou de devedores. cada credor só tem direito a uma parte. eminentemente. a execução se processa como se indivisível fora. estamos a considerar a divisibilidade e indivisibilidade no prisma. Sendo vários os credores numa só relação. cada credor pode exigir o cumprimento integral. Havendo. adquire grande relevo tal modalidade. É de atentar-se. podendo reclamá-la. . como cada devedor responde pela totalidade. O interesse prático dessa divisão é escasso quando o vínculo obrigacional se estabelece entre um só credor e um só devedor. ou derivada. que todas as coisas. Se a obrigação é divisível.

sem que com isso se altere sua substância. e. da obrigação. da coisa ou fato. a indivisibilidade da prestação. a indivisibilidade resultar. podendo. art. 68.404. VI). 88. Mas também pode ser assim por motivo de ordem econômica. podem-se distinguir três espécies de indivisibilidade: física. com os fundos de reserva das cooperativas. embora em tese seja materialmente . É o que acontece. ainda. não da própria natureza do objeto. portanto. provém da vontade das partes.764. 28) e com os direitos reais de garantia (Cód. exemplificativamente. economicamente só teria valor mantendo-se na dimensão original. que constitui objeto da mesma obrigação. de 16-12-1971. pois. 1. formando cada qual um todo perfeito. da obrigação. art. Na segunda. mas da determinação da lei ou da convenção das partes. como ocorreria com um terreno que só pudesse ser edificado se mantivesse íntegra a área original. § 2). Civil. É a própria natureza da obrigação que a torna indivisível. a obrigação de exibir um documento e a obrigação do inquilino de restituir o prédio locado. ainda no caso de dissolução da sociedade (Lei n. resulta da indivisibilidade física. 2. material. posto seja ela naturalmente divisível. finalmente. a indivisibilidade da prestação. art.53 Assim. tem-se que as coisas são divisíveis quando podem e indivisíveis quando não podem se partir em porções reais e distintas. Embora o bem comportasse divisão física. e. legal e contratual. a indivisibilidade da prestação. do CC. findo o contrato de locação. não distribuídos entre os associados. Ex: a obrigação de entregar um cavalo. e. de 15-12-1976. pois.420. decorre da lei. Na terceira. 5. com as ações de sociedades anônimas em relação à pessoa jurídica (Lei n.Espécies de indivisibilidade: À luz do art. da obrigação. 6. Na primeira.

A primeira categoria. as obrigações de dar são quase todas divisíveis. Em regra.54 divisível. em que os créditos escriturados se fundem num todo indissolúvel e de que não podem ser separados. a coisa prometida. ou submúltiplo desse número. corresponde à da indivisibilidade verdadeira e própria. salvo os casos em que o objeto da prestação é corpo certo e determinado. tem sido reconhecida e proclamada pelos tribunais. como sucede com a obrigação de indenizar nos acidentes do trabalho e a de responder pela revisão da mesma indenização. A tais espécies de indivisibilidade pode-se acrescentar a denominada judicial. b) quando se trata de obrigação de dar coisa fungível. 3. ou outro direito real. no entanto. de objeto indivisível por mera ficção. seja móvel (automóvel. É o caso ainda de dois devedores que se obrigam a entregar. As obrigações de restituir são geralmente indivisíveis: o comodatário. como se a obrigação é de dar dez semoventes a duas ou a cinco pessoas.Da indivisibilidade em relação às várias modalidades de obrigações As obrigações de dar. obrigado a devolver a coisa emprestada. há de fazê-lo integralmente. as duas últimas configuram a chamada indivisibilidade imprópria ou imperfeita. acima referida. d) quando tenha por objeto a transferência da propriedade. igual ao dos co-credores. pois é sempre possível a divisão em partes ideais. não . quando convencional. c) quando compreende ela número certo de objetos da mesma espécie. pois seu fracionamento modificará a substância e o valor do objeto. por inteiro. não incluída nas categorias anteriores e que. Como se vê. Trata-se. ou dos co-devedores. são divisíveis: a) quando se trata de obrigação pecuniária. em regra. nesses casos. Sirva de exemplo o contrato de conta corrente. a indivisibilidade vem estabelecida no interesse do credor. animal) ou imóvel (apartamento).

Numa retomada para uso próprio. a obrigação de não demandar. ficando assim em suspenso o caráter divisível ou indivisível da obrigação. salvo permissão do comodante. contudo. nem o devedor a pagar. Até a concentração. nos contratos de mútuo e de depósito. o non facere é também indivisível. Por outras palavras. o non facere é divisível. Divisíveis serão. Veja-se. se assim não . considera-se violada a obrigação ainda que o devedor só parcialmente realize o ato cuja abstenção garantira. como a feitura de uma estátua. não se sabe exatamente qual a prestação devida de fato. dotado de individualidade própria. Da mesma forma.Disposições legais Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. No tocante às obrigações de não fazer. intrinsecamente divisível. o levantamento de uma construção ou a obrigação de proceder a inventário. todas as obrigações em cujo facere ínsita esteja uma idéia de duração do trabalho. o inquilino vencido não pode reter a parte comercial do prédio locado. se diz respeito a uma obrigação indivisível. em tal caso.55 podendo reter uma parte. serão divisíveis aquelas em que o ato cuja abstenção se promete pode ser satisfeito por partes. estão elas incluídas entre as obrigações indivisíveis. se a eventual demanda concerne a uma obrigação pecuniária. só restituindo a residencial. plantar dez mil eucaliptos. por exemplo. são divisíveis as obrigações de fazer cujo objeto se constitua de atos fungíveis. não pode o credor ser obrigado a receber. por partes. Quanto às obrigações de fazer. com relação às obrigações alternativas e às obrigações genéricas. ou de quantidade (por exemplo. ou então aquelas que se relacionam com as divisões do tempo. ou prestar contas de um período de três anos). Por último. 4. e indivisíveis na hipótese contrária. cumpre distinguir: serão indivisíveis quando tiverem por objeto um trabalho completo.

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se ajustou (art. 314). O texto só se refere às obrigações em que haja um só credor e um só devedor; se houver pluralidade de credores, ou de devedores, prevalecerão as regras dos artigos seguintes. Obrigação que tenha por objeto prestação pecuniária é de natureza divisível, comportando, pois, em tese, execução parcelada. Todavia, o credor não pode ser compelido a recebê-la por partes, se assim não se ajustou, salvo a hipótese do art. 22 do Decreto n. 2.044/08 (Dispõe que o portador da letra de câmbio é obrigado a receber o pagamento parcial, ao tempo do vencimento. Ressalte-se que o pagamento parcial de uma letra de câmbio não significa adimplemento da obrigação, porque o portador continua com o direito de levála a protesto por falta de pagamento do remanescente). Por igual, o devedor não pode ser coagido a solver por partes se não existe pacto expresso a respeito. Na hipótese do art. 314, é a prestação que, pelo seu objeto, imprime cunho de divisibilidade ou indivisibilidade à obrigação. Inexistindo cláusula em contrário, a obrigação é de uma só prestação, embora divisível seu objeto. Tenha-se presente que a execução parcial pelo solvens de obrigação anulável, com ciência do vício que a inquina, importa ratificação (art. 174), com renúncia de todas as ações, ou exceções, de que dispunha contra o ato (art. 175). Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta se presume dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores, ou devedores (art. 257). A dívida pode ter realmente numerosos sujeitos ativos ou passivos, quer originariamente, quer de modo derivado (por cessão ou herança). Em tal hipótese, resultarão as seguintes e importantes consequências jurídicas: a) cada um dos credores só tem direito de exigir sua fração no crédito; b) de modo idêntico, cada um dos devedores só tem de pagar a própria quota no débito (exemplo: art 1.380, do CC);

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c) se o devedor solver integralmente a dívida a um só dos vários credores, não se desobrigará com relação aos demais concredores; d) o credor que recusar o recebimento de sua quota, por pretender solução integral, pode ser constituído em mora; e) a insolvência de um dos co-devedores não aumentará a quota dos demais; f) a suspensão da prescrição, especial a um dos devedores, não aproveita aos demais (art. 201); g) a interrupção da prescrição por um dos credores não beneficia os outros; operada contra um dos devedores, não prejudica os demais (art. 204). Indivisível a obrigação, advirão estas consequências havendo pluralidade de partes: a) cada um dos credores pode exigir a dívida por inteiro; b) cada um dos devedores responde integralmente pela dívida; c) o devedor que paga integralmente o débito a um dos vários credores desonerar-se-á em relação aos demais; d) o credor não pode recusar o pagamento por inteiro, sob pena de ser constituído em mora; e) sendo indivisível a obrigação, a prescrição aproveita a todos os devedores, desde que em favor de um venha a ser reconhecida; f) sua suspensão ou interrupção aproveita ou prejudica todos; g) a nulidade quanto a um dos interessados se estende a todos. A obrigação ainda é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico (art. 258).

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Assim, a indivisibilidade não decorre apenas da natureza da prestação ou da lei, mas também por motivo de ordem econômica. Efetivamente, por força do disposto no art. 259, "se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda". Uma vez que a obrigação é indivisível, cada um dos devedores responde pela totalidade, como acontece na solidariedade. Aliás, os credores de prestação indivisível deverão considerar-se credores solidários, enquanto subsistir a indivisibilidade. Dispõe ainda o parágrafo único do art. 259 que "o devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados". Aí está uma das aplicações do art. 346, n. III: a sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor do interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte. O devedor, demandado por obrigação indivisível, não pode exigir que o credor acione conjuntamente todos os codevedores; qualquer deles, à escolha do autor, pode ser demandado isoladamente pela dívida inteira. Nessa faculdade reside, precisamente, a função prática da indivisibilidade, que constitui a salvaguarda da unidade do objeto, ou da prestação, no que concerne ao implemento da obrigação. Ressalva-se apenas ao devedor que solve sozinho o débito por inteiro sub-rogação dos direitos creditórios, a fim de reaver dos consortes, liberados quanto ao primitivo credor, as quotas respectivas. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira. Mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: I - a todos conjuntamente; II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores (art. 260). Sendo vários os credores, pode qualquer deles reclamar a dívida inteira. O devedor só se desobrigará pagando a todos conjuntamente, ou a um deles apenas, desde que autorizado pelos demais. Faltando essa autorização, só

Se um dos credores remitir a dívida. a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total (art. na indivisibilidade ativa e na indivisibilidade passiva. quanto a esta. faz extinguir entre ambos a relação obrigacional. 261). Em tal hipótese. como se verá. Acrescenta o parágrafo único do art. pagamento feito a um dos credores libera o devedor. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro. Se tal reembolso não puder ser efetuado in natura. Se um dos credores. Essa parte deve. a obrigação não ficará extinta para com os outros. Eis aí.59 deverá pagar se aquele que demanda o pagamento der caução de ratificação dos outros credores. mediante concessões recíprocas. 262). 262 que "o mesmo critério se observará no caso de transação. Transação é contrato pelo qual. sem dúvida. Exemplo: o objeto da obrigação é dar um cavalo. outro traço distintivo com referência à solidariedade. quer a lei que o credor beneficiado pelo recebimento total reembolse os demais pelo valor de suas quotas. far-se-á em dinheiro. ausente a disposição. independentemente da prestação de caução. mas estes só a poderão exigir descontada a quota do credor remitente (art. compensação ou confusão". Mas os credores se locupletariam com o alheio se não indenizassem o devedor da parte correspondente ao credor que perdoou a dívida. que só de um modo poderá ser feito: entregando o devedor o cavalo devido. ser oportunamente descontada. em virtude da natureza da prestação. em obrigação indivisível. Mas. Os outros dois exigem pagamento. presumem-se iguais as quotas dos credores e dos devedores. pois. portanto. Dos três credores. novação. transige com o devedor. . um remite a dívida. se previne ou termina uma lide. por estimação. Na falta de estipulação em contrário. Aplicável será esse dispositivo sempre que entre os co-credores inexista estipulação particular disciplinadora de suas mútuas relações internas.

ou a cada credor. responderão todos por partes iguais". Caracterizar-se-á. Em se tratando de obrigação divisível. destarte. Novação. obviamente. mutatis mutandis. No primeiro caso. se ele der caução de ratificação dos demais. todas as considerações feitas com relação aos outros modos indiretos de extinção das obrigações. para efeito do disposto neste artigo. segue-se que os demais credores inibidos não ficam de cobrar do devedor comum. não pelo total. é a conversão de uma dívida em outra.que "se. assim. Como se vê. tomando esta o lugar daquela. 263 que "perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos". isoladamente. sem que o atraso de um induza culpa de outro. a que se aplicam. em tempo oportuno. ficarão exonerados os outros. portanto. Por último. Acrescenta o § 1. a mora será forçosamente individual. a qualquer tempo. a quota que pertenceria ao credor transigente. A obrigação que se resolve em perdas e danos vem a ser representada por somas em dinheiro. que. Sofrem todos. mas pela sua quota. extingue-se a dívida deste. O mesmo acontece ainda com a compensação e a confusão. "se for de um só a culpa. respondendo só esse pelas perdas e danos". naturalmente. ou a um deles apenas. podendo. ainda que diga respeito a coisa indivisível. se um deles se recusa a receber. de-duzindo-se. por conseguinte. houver culpa de todos os devedores. preceitua o art. as conseqüências da mora coletiva. Celebrada. são divisíveis. tratase de hipótese muito simples e que não comporta qualquer problema. Já no tocante à obrigação indivisível. o pagamento deve ser oferecido a todos conjuntamente. que fica extinta.60 como o ato não aproveita nem prejudica senão aos que nele tomaram parte. por sua natureza. Remata o § 2-. reclamar as parcelas a que têm direito. claro é que sua . com relação a cada devedor. estabelecendo que. por seu turno. entre um dos credores e o devedor comum. os demais credores.

a todos conjuntamente. 257. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro. iguais e distintas. ficarão exonerados os outros. 260. O devedor. II . Art. pagando: I . dando este caução de ratificação dos outros credores. para efeito do disposto neste artigo. O mesmo critério se observará no caso de transação. respondendo só esse pelas perdas e danos. Art. Art. cada um será obrigado pela dívida toda. compensação ou confusão. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível. novação. mas o devedor ou devedores se desobrigarão. a obrigação não ficará extinta para com os outros. poderá cada um destes exigir a dívida inteira. 258. havendo dois ou mais devedores. por sua natureza. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos. Parágrafo único. que paga a dívida. . Art.a um. Art. responderão todos por partes iguais. Se. Art. por motivo de ordem econômica. a prestação não for divisível. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. § 1o Se. 263. quantos os credores ou devedores. mas estes só a poderão exigir. § 2o Se for de um só a culpa. Parágrafo único. Art. Se um dos credores remitir a dívida. descontada a quota do credor remitente. Só o culpado responderá pelas perdas e danos. a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total. esta presume-se dividida em tantas obrigações. ou dada a razão determinante do negócio jurídico. houver culpa de todos os devedores. Se a pluralidade for dos credores. 259. 261.61 negativa não induz mora dos demais. 262.

resultando da lei ou da vontade das partes (art. com a particularidade de que o pagamento feito por um devedor a um credor extingue a obrigação quanto aos outros coobrigados.Obrigações in Solidum De acordo com nosso ordenamento. facilitando o cumprimento ou a solução da dívida. pode cada credor demandar e cada devedor é obrigado a satisfazer a totalidade. embora possa ser divisível.Conceito A solidariedade na obrigação é um artifício técnico para reforçar o vínculo. a solidariedade não se presume.265). Assim. pode ocorrer a solidariedade de credores (ativa) e a solidariedade de devedores (passiva). e. a solidariedade é modalidade especial de obrigação que possui dois ou mais sujeitos. . De fato. 264). que é a mais útil e mais comum. mas nesse caso a possibilidade de reclamar a totalidade não deriva da natureza da prestação. A obrigação é solidária quando a totalidade de seu objeto pode ser reclamada por qualquer dos credores ou qualquer dos devedores. 2. cada um com direito. ou obrigado à dívida toda" (art. ou mais de um devedor. "Há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor.62 OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS 1. mas da vontade das partes ou da lei. ativos ou passivos. O efeito fundamental é o mesmo das obrigações indivisíveis. a solidariedade uma só. Destarte.

independentemente da perquirição de culpa. temos as obrigações in solidum. como o autor do incêndio. 186 do Código Civil: o ato ilícito. indistintamente. não existe solidariedade entre os devedores porque não existe uma causa comum. a prescrição referente aos devedores é independente. como conseqüência.63 No entanto. 2. a seguradora no limite do contrato. a responsabilidade do dono do automóvel resulta exatamente de sua condição de proprietário. No caso do acidente de veículo. surge dupla responsabilidade: a do condutor do veículo e a de seu proprietário. Assim sendo. que responde por culpa indireta. No evento. nas quais os liames que unem os devedores ao credor são totalmente independentes.Um motorista particular atropela e fere um pedestre. pela totalidade. enquanto a responsabilidade do incendiário decorre dos princípios do art.Suponhamos um caso de incêndio de uma propriedade segurada. e o pagamento efetuado por um libera o outro devedor. Exemplos: 1. O credor tem o direito de acionar qualquer obrigado indistintamente. Contudo. a interpelação feita a um dos devedores não constitui . causada por culpa de um terceiro. Desse modo. a responsabilidade da companhia seguradora tem como fonte um contrato. Ambos estarão obrigados pela totalidade da indenização. é inafastável o fato de existirem situações em que vários agentes aparecem devendo a totalidade. No caso do incêndio. embora ligados pelo mesmo fato. uma origem comum na obrigação. agindo com culpa. a responsabilidade do motorista funda-se em sua culpa. sem serem solidários. Tanto a seguradora. A vítima pode reclamar a indenização de qualquer um deles. e o agente. devem à vítima a indenização pelo prejuízo.

Sobre esse último aspecto. do credor contra cada um dos devedores solidários (ou com maior razão. por exemplo. todos. enfatize-se. No caso da companhia seguradora. assim. o valor segurado pode ser inferior aos danos. que encerra uma pluralidade de créditos. compreensiva do credor e de todos os devedores solidários. 3. enquanto a dívida solidária é suportada por igual por todos os devedores. ressaltam-se. o débito é sempre único) e a pluralidade e independência do vínculo. pelo mesmo valor. incluindo-se. pode ocorrer nas obrigações in solidum que os devedores não sejam responsáveis. duas importantes características: a unidade da prestação (qualquer que seja o número de credores ou devedores. mais uma vez. de plano. Portanto. a remissão da dívida feita em favor de um dos credores não beneficia os outros. Todavia deve ser lembrado que.64 em mora os outros. todas essas relações obrigatórias permanecem unidas entre si por meio da unidade finalística da prestação. Tal independência no vínculo dá margem a algumas consequências: . Cada uma das relações entre o lado ativo e o lado passivo pode desenvolver-se até certo grau. quando a solidariedade for ativa). No entanto. todas as relações obrigatórias singulares. cuja realização alcança sua finalidade de conformidade com a avença. mas a seguradora responde até o limite fixado no contrato.Características e Fundamento da Solidariedade A obrigação solidária é relação obrigatória unitária. que a unidade de prestação não impede que o vínculo que une credores e devedores seja distinto e independente. O incendiário será responsável pelo valor integral do dano. com certa independência com as demais.

65 a) a obrigação pode ser pura e simples para algum dos devedores e pode estar sujeita à condição. por exemplo. em razão de um negócio de sociedade. . 266). O que deve ficar bem claro. desde o princípio. conserva sua validade quanto aos demais. sob o aspecto externo. o que recebe deve entregar aos demais credores o que cada um tem direito. porque tinha direitos para com o credor etc. e nunca solidariedade. Como consequência dessas características. caso em que haveria somente uma obrigação composta ou mancomunada. elementarmente. portanto. Do lado da solidariedade ativa. que a obrigação solidária tem uma unidade de causa. também. não devemos ver uma independência total de vínculos. Fala-se. mormente na solidariedade passiva. encontrar-se-ia perante uma obrigação in solidum e não perante uma obrigação solidária. pois caso contrário. Portanto. b) se uma obrigação é nula porque um dos credores é incapaz. c) um dos devedores pode ser exonerado de sua parte da dívida. Todas essas relações são irrelevantes para o credor. todos os devedores e todos os credores solidários estão em pé de igualdade. da mesma forma. Contudo. ao prazo ou ao encargo para outros (art. Após um dos devedores ter solvido a dívida é que ele vai entender-se com os demais companheiros do lado passivo. Todavia. o que solve a dívida pode reaver dos demais a quota-parte de cada um na obrigação. as obrigações solidárias têm uma pluralidade de credores ou de devedores e uma co-responsabilidade entre os interessados. o recebimento por parte de um dos credores extingue o direito dos demais. Assim é que um dos devedores solidários pode ter se obrigado por mera liberalidade. permanecendo a obrigação para com os demais. por conseguinte. Como consequência dessa última característica. é que as relações internas do vínculo entre os vários devedores é absolutamente irrelevante para o credor.

uma vez fixada a solidariedade. ou cada credor tendo direito a apenas uma parte. pelo simples fato de poder exigir de qualquer devedor o cumprimento de toda a obrigação. não se ampliam as obrigações. não faz senão . Ainda. não pode decorrer da sentença. A solidariedade. não havendo expressa menção no título constitutivo e não havendo previsão legal. Há um poder recíproco que facilita o recebimento. isto é. 265: "A solidariedade não se presume. 4. como à primeira vista em alguns casos pode parecer. Na dúvida. resulta da lei ou da vontade das partes. portanto.66 Logo. O juiz. Do lado da solidariedade ativa. os credores têm a vantagem de que qualquer um deles pode atuar no recebimento do crédito." A obrigação solidária possui um verdadeiro caráter de exceção dentro do sistema. O credor passa a uma situação de maior garantia. que no caso de inadimplemento não fica obrigado a mover uma ação contra todos os devedores (o que não poderia ocorrer se a obrigação fosse simplesmente mancomunada). interpreta-se a favor dos devedores. na verdade. Não estando presente o instituto. embora sua utilização seja restrita. reforçar o vínculo. não se admitindo responsabilidade solidária fora da lei ou do contrato. pela inexistência de solidariedade. percebe-se claramente que a finalidade da solidariedade passiva (que é a mais comum) tem em mira assegurar a solvência. facilita a cobrança por parte do credor. No entanto. demandando o pagamento integral. a obrigação divide-se. cada devedor sendo obrigado apenas a uma quota-parte. Assim sendo.Fontes da Solidariedade Dispõe o art. prevalece a presunção contrária à solidariedade.

Nossa lei não contém exemplos de solidariedade ativa. 401 do CPC e art. Sua importância prática é escassa. não é sem frequência que surge. efeito que se pode obter com o mandato típico. na sentença. pois não tem outra utilidade a não ser servir como mandato para recebimento de um crédito comum. Há necessidade. bastando que fique clara a vontade de se obrigar solidariamente. 267 a 274. todos podendo cobrar a dívida por inteiro. que a solidariedade seja expressa. os exemplos de solidariedade ativa devem decorrer da manifestação de vontade. No anterior exemplo do incêndio. surgirá essa forma de condenação. 227 do CC). Não precisa. . uma obrigação in solidum. A matéria vem regulada no Código Civil em seus arts. Não há dúvida.67 por declarar o direito das partes e não pode condenar solidariamente os réus se a solidariedade já não preexiste num contrato ou na lei.Solidariedade Ativa A solidariedade ativa é a que contém mais de um credor. 5. A vantagem dessa modalidade é a de que qualquer credor pode exigir a totalidade de dívida. não há necessidade de prova. se o autor move a ação contra a companhia seguradora e contra o autor do dano. Meras presunções e indícios podem reforçar a prova da solidariedade. mas não a induzem. Provindo da lei. Contudo. quando o valor do contrato o permitir (ver art. Logo. do contrato ou testamento. contudo. então. Como não existe presunção de solidariedade. quem a alega tem que provar. de que a solidariedade pode ser provada por testemunhas. de palavras sacramentais. no entanto. sem depender da aquiescência dos demais credores (art.

o devedor pretender pagar parcialmente. § 1°). 267).1. diz o art. a compensação. 204. 2. A constituição em mora feita por um dos co-credores favorece a todos os demais. O grande inconveniente da solidariedade ativa. este só poderá pagar àquele em juízo ou em razão dele. 4. o direito livre de pagar dos devedores sofre uma limitação de ordem processual: se um dos credores já acionou o devedor. sob a alegação de que há outros credores.68 267) e cada devedor (ou o devedor. exonera o devedor. perdoá-la. pode o credor remitir. Cada credor pode reclamar de qualquer dos devedores (ou do devedor) a dívida por inteiro (art. isto é. O pagamento feito a um dos credores. abrir mão da cobrança da dívida. não podendo. 269. a novação e a remissão da dívida feita por um dos credores a qualquer dos devedores extingue também a obrigação (art. 3. é o fato de que qualquer credor.Efeitos da solidariedade ativa 1. 5. o que certamente é causa de seu desuso. A interrupção da prescrição por um dos credores beneficia os demais (art. tendo então os demais credores que se entenderem com o credor que deu quitação." Assim. Já a suspensão da prescrição em favor de um dos credores . mas não poderá. com essa atitude. se for um só) poderá se liberar da obrigação pagando a prestação a qualquer um dos credores (art. prejudicar os demais credores. recebendo a dívida toda. devendo pagar-lhes a parte devida. 272: "O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba. No entanto. parágrafo único. 269). assim. 269). Complementando o art.

Os demais credores continuarão solidários. 6. É claro que. 270: "Se falecer um dos credores solidários. correndo em proveito de todos os credores os juros de mora (art. 11. desaparece a solidariedade para os herdeiros. 9. cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário. Qualquer credor poderá propor ação para a cobrança de crédito. a natureza do débito e a quota de cada credor no débito é irrelevante para o devedor (trata-se de relação interna entre os credores). 271). A incapacidade de um dos credores não obsta que a obrigação mantenha seu caráter solidário a respeito dos demais. pela oferta de pagamento feita pelo devedor comum. pela parte que lhes caiba (art.69 solidários só aproveitará aos outros se o objeto da obrigação for indivisível (art. e o credor que receber deve prestar contas aos demais. 54 do CPC). 268). o devedor pode pagar a qualquer um dos credores (art. Enquanto não for cobrada a dívida por algum credor. de acordo com o título de cada um. nessa hipótese. salvo se a obrigação for indivisível. que passarão a responder. 7. Outro credor poderá ingressar na ação na condição de assistente (art. todos. A renúncia da prescrição em face de um dos credores aproveitará aos demais. 201). prejudicará a todos os demais. 10. 5. Os demais credores terão ação regressiva contra os accipiens. se a solidariedade . A relação interna. Na forma do art. A conversão da prestação em perdas e danos não faz desaparecer a solidariedade." Assim. deixando herdeiros. A constituição em mora do credor solidário. pelos juros. Havendo demanda haverá prevenção judicial e o devedor só poderá pagar em juízo. 8. riscos e deteriorações da coisa. 272).

facilitando o adimplemento. extinguindo-se a primeira (arts.2.Solidariedade Passiva Solidariedade passiva é aquela que obriga todos os devedores ao pagamento total da dívida. 272. uma vez que pode acionar qualquer um deles pela dívida toda. 334 a 345) também libera o devedor. 368 a 380) e remissão (em última análise. de reforço do vínculo. Pode ocorrer por novação (conversão de uma dívida em outra. e a transação que se caracteriza pela extinção do débito mediante concessões recíprocas (arts. O pagamento por consignação (arts. por aplicação do princípio do art. devendo receber suas quotas-partes. 840 a 850) extinguem os débitos. arts. a confusão que se configura por ocorrer na mesma pessoa as qualidades de credor e devedor (arts. mesmo quando efetuado a apenas um dos credores. Quando há confusão. 381 a 384).70 ativa foi estabelecida apenas para outorgar um poder a outros para receber. . compensação (que é um encontro de dívidas.Extinção da solidariedade ativa A solidariedade ativa não termina apenas pelo pagamento a qualquer dos credores. 385 a 388). os credores que dela participam não podem prejudicar os credores estranhos a essa forma de extinção. 5. 360 a 367). uma extinção recíproca de obrigações (arts. Para que o credor fique insatisfeito é necessário que todos os devedores fiquem insolventes. que terá direito à totalidade do crédito. o perdão da dívida. 6. assim como na transação. É muito grande sua importância na vida negocial por se tratar de meio muito eficiente de garantia. Igualmente. haverá um único interessado no negócio.

uma das regras fundamentais da solidariedade: "Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores. 277: "O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores. ter unicamente a responsabilidade. concomitantemente. o Código aponta. Cada credor (se for mais de um) tem direito de reclamar de qualquer dos devedores a totalidade da dívida (art.1. Sua aplicação. portanto. sem que haja débito. assim como a remissão. Deverão. Nesse mesmo diapasão. Não é aconselhável. até mesmo. no parágrafo único do art. Internamente. senão até à concorrência da quantia paga. mas todos reunidos . é infinitamente maior do que a solidariedade ativa. fica facilitada a conduta do credor. portanto. Segundo o art. Direito individual de persecução. 6. 275).Principais efeitos da obrigação solidária 1. Externamente todos os devedores são coobrigados na solidariedade passiva.71 Desde que presente a solidariedade. ser reunidas as ações para um julgamento conjunto. 276: "Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros. que o credor demande a mais de um devedor em processos diversos. 275. como é o caso da fiança com equiparação solidária. cada devedor poderá ser responsável por valores desiguais na obrigação ou. ou relevada. Poderão ocorrer decisões contraditórias e não é isso que busca o sistema. no entanto. salvo se a obrigação for indivisível. Dispõe o art. A morte de um dos devedores solidários não extingue a solidariedade. pois processualmente é inconveniente. nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário." 2." O pagamento parcial também pode ser efetuado.

Os atos descritos nesse artigo alteram a relação obrigacional. 278: "Qualquer cláusula. desde que não ultrapassem as forças de herança (princípio do benefício do inventário). 399). que diz respeito à solidariedade ativa." O princípio geral é que ninguém pode ser obrigado a mais do que desejou. a não ser que concorde expressamente. Art. não poderá agravar a posição dos outros. ou obrigação adicional. Cada herdeiro fica responsável por sua quota na parte do falecido." Portanto. a “apenação” de perdas e danos só será carreada ao culpado. o princípio geral já estudado é que extinguirá a dívida para todos. De acordo com o art. A tal propósito acrescenta o art. Culpa.72 serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores. mas pelas perdas e danos só responde o culpado. condição. 3. 280: "Todos os devedores respondem pelos juros de mora ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um. Porém. sem aquiescência dos demais." . Existe uma relação íntima do art. Se a obrigação se extinguir sem culpa dos devedores. Este responderá pelos riscos. prejudicando os devedores solidários. Poderão apenas obrigar o devedor que estipulou tais cláusulas. 270. Igual solução ocorrerá se a impossibilidade da prestação se deu quando o devedor já estava em mora. a menos que a obrigação seja indivisível. estipulada entre um dos devedores solidários e o credor. caso em que se mantém a solidariedade por impossibilidade material. mesmo que tenha havido caso fortuito ou força maior (ver art. mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida. subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente. 279: "Tornando-se inexeqüível a prestação por culpa de um dos devedores solidários.276 com o art. pode ocorrer que haja culpa de algum dos devedores." Tal se deve pelo fato de que os herdeiros respondem pelos débitos do de cujus. 4. sem consentimento destes.

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5. Exceções pessoais e exceções gerais. Art. 281: "O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos; não lhe aproveitando, porém, as pessoais a outro co-devedor." O terno exceção significa forma e meio de defesa. Na obrigação solidária, embora haja uma única prestação devida, há multiplicidade de vínculos motivada pela existência de mais de uma pessoa no pólo passivo ou no pólo ativo. De acordo com o dispositivo estudado, tudo que disser, respeito à própria obrigação pode ser alegado por qualquer devedor demandado. Situações tais como inexistência da obrigação, quitação, ilicitude da obrigação, ausência de forma prescrita, prescrição, extinção da obrigação, tudo isso fere diretamente a obrigação, ficando qualquer devedor intitulado para sua alegação, pois esses fenômenos colhem a obrigação em si, e não os diversos vínculos. Essas exceções, por isso, são denominadas comuns ou reais, e que nós preferimos denominar gerais, porque possibilitam a qualquer coobrigado alegálas. Porém, como essa obrigação é subjetivamente complexa, podem existir meios de defesa, exceções, particulares e próprias só a um (ou alguns) dos devedores. Aí, então, só o devedor exclusivamente atingido por tal exceção é que poderá alegá-la. São as exceções pessoais, que não atingem nem contaminam o vínculo dos demais devedores. Assim, um devedor que se tenha obrigado por erro, só poderá alegar este vício de vontade em sua defesa. Os outros devedores, que se obrigaram sem qualquer vício, não podem alegar em sua defesa a anulabilidade da obrigação, porque o outro coobrigado laborou em erro. Destarte, cada devedor pode opor em sua defesa, nas obrigações solidárias, as exceções gerais (todos coobrigados podem fazê-lo), bem como as exceções que lhe são próprias, as pessoais. Assim, não pode o coobrigado, que se

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comprometeu livre e espontaneamente, tentar invalidar a obrigação porque outro devedor entrou na solidariedade sob coação. Em apertada síntese, pode-se dizer que as exceções pessoais são meios de defesa que podem ser opostos por um ou vários dos co-devedores; exceções gerais são os meios de defesa que podem ser opostos por todos os co-devedores da obrigação solidária. Como se vê da dicção do art. 278, um devedor solidário, individualmente, pode obter até mesmo a remissão da dívida, podendo, pois, atingir benefícios próprios e, na forma do artigo, qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional, não poderá agravar a situação dos demais, sem seu consentimento. 6.2- Aspectos processuais da solidariedade. A coisa julgada Pelo fato de o credor poder acionar quer um, quer alguns, quer todos os devedores, nos termos do art. 275, parágrafo único, há reflexos no processo que merecem ser vistos. Quando um devedor solidário é acionado, os demais podem intervir no processo como assistentes, na figura de assistente qualificado (art. 54 do CPC). Note-se, porém, que, se a defesa do acionado é por exceção pessoal, a assistência será simples. Em relação à eficácia da coisa julgada, quando da ação não participam todos os devedores solidários, a questão deve ser vista pelo prisma processual. Muito discutiu a doutrina sobre o problema, mas o fato é que para existirem os efeitos da coisa julgada deve haver a tríplice identidade (de objeto, de causa de pedir e de pessoas). Assim sendo, a moderna doutrina inclina-se em ver efeitos da coisa julgada apenas para os partícipes da ação. O julgado restringe-se às partes e só elas são atingidas por ele.

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No entanto, é evidente que o Poder Judiciário, como poder estatal, é uno. Devem os julgados, sempre que possível, evitar decisões contraditórias, ou conflitantes, que confundem os que dele se valem, causam instabilidade social e prejudicam a figura do magistrado. Desse modo, embora não haja comunicação de coisa julgada, os tribunais devem procurar sempre proferir decisões homogêneas. Tomando conhecimento de uma decisão, ou de um processo, em que se discute a mesma obrigação, como é o caso da solidariedade, o julgador deve buscar uma decisão única, reunindo-se os processos, para decisão conjunta, sempre que for viável. Quando já existe uma decisão, deve procurar o julgador decisão que seja homogênea àquela, sem violentar seu convencimento. 6.3- Pagamento parcial Diz o art. 277: "O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga, ou relevada." Entenda-se a razão da regra. Se o credor já recebeu parcialmente a dívida, não poderá exigir dos demais co-devedores a totalidade, mas apenas abater o que já recebeu. O credor pode exigir parcialmente a dívida apenas se desejar, porque a obrigação não é essa. No entanto, se já foi paga parcialmente, por iniciativa de um dos devedores e com a concordância do credor, os demais devedores podem pagar o saldo, não sendo mais obrigados pela dívida toda. Da mesma forma opera-se com a remissão parcial. Ocorre o contrário do que sucede na solidariedade ativa (art. 269). Quando o credor perdoa a dívida em relação a um dos devedores solidários, isso não faz com que a dívida desapareça com relação aos demais devedores, que permanecem vinculados à

embora não desapareça. a remissão ocorrer totalmente e sem ressalvas. 7. no entanto. 270 do Código Civil: "Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros. pode exigir também a dívida toda do devedor. quer passiva. O devedor só deverá pagar a quota respectiva a cada credor. deixando de existir. convencionalmente: a partir de então. da mesma forma que a criaram. contudo. em conjunto. com abatimento daquela parte que foi dispensada pelo credor.76 solução da dívida. a solidariedade só desaparece para os herdeiros do falecido credor. atinge toda a dívida e todos os devedores. que é a de o credor exigir a dívida por inteiro de qualquer coobrigado ou de qualquer credor. É a hipótese do art. Tal decorre da . na solidariedade ativa. no caso de obrigação indivisível. portanto. exigir a dívida toda. Na solidariedade ativa. Note-se. Se. Há uma hipótese legal. isto é. em conjunto. quer ativa. cada credor só poderá exigir sua quota-parte no crédito. a faculdade ínsita a essa modalidade de obrigação. os credores poderão abrir mão da solidariedade. persistindo essa espécie de vínculo para os credores solidários sobrevivos. são tratados como o credor falecido. qualquer um deles. Como diz a lei. cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário. pode desaparecer. que os herdeiros em questão. contudo.Extinção da Solidariedade A solidariedade. salvo se a obrigação for indivisível. podem todos eles. fica irregular." Nesse caso. na qual o vínculo da solidariedade. os herdeiros do credor falecido podem. exigir a dívida por inteiro.

Em conjunto. quando o credor declara que não deseja mais receber o crédito. as situações de extinção são mais frequentes. portanto. Enquanto não houver partilha. "nenhum destes não será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário. Pode ser tácita. abre mão da solidariedade. Os herdeiros. para reembolso do devedor que solveu a obrigação. Renunciar é abrir mão de direitos. mesmo aqueles que tiveram a dívida remitida (art. quando na falta de declaração expressa a atitude ." Entretanto. serão responsáveis apenas por sua quota na dívida. tal não interfere no relacionamento entre os vários devedores. no caso. o credor só poderá pedir a quota de cada herdeiro na dívida. Pode ser expressa. de alguns ou de todos os devedores. Deve a renúncia ser cabal. 276). subsistirá a dos demais. Após a partilha. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores. ou que. todos contribuirão. Na hipótese de morte de um dos devedores solidários. se é dado ao credor abrir mão de seu direito. Nos termos do art. Parágrafo único. Isso porque. também a renúncia pode extinguir a solidariedade: "O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um. o crédito pode ser exigido do monte-mor. No caso de solidariedade passiva. mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores" (art. Todos aqueles plenamente capazes podem fazê-lo. são considerados um único devedor. Existe impossibilidade do cumprimento parcelado da obrigação. 282. não podendo os co-herdeiros ser compelidos a saldar a dívida toda. 284). salvo se a obrigação for indivisível.77 natureza material da prestação e não do vínculo jurídico. deixando herdeiros. se houver rateio entre os co-devedores. porque nesse caso específico haveria agravamento da situação dos devedores em benefício de um (ou mais de um) deles.

responde por inteiro. o credor pode exigir de qualquer devedor solidário pagamento integral da prestação. Por outras palavras. Aí o credor demonstra desinteresse em receber a integridade da dívida. sendo indivisível. não comporta execução fracionada. Mas. permanecem os interessados em pé de igualdade: aquele que paga tem direito de regresso contra os demais. na obrigação solidária os devedores respondem totaliter e nas obrigações indivisíveis. Assim. Na indivisibilidade. não porque o demandado seja devedor do total exigido (ele só deve parte).78 do credor é incompatível com a continuidade da solidariedade. COMPARATIVO ENTRE INDIVISIBILIDADE E SOLIDARIEDADE: Ambas têm realmente estreitas afinidades e analogias. sem qualquer reserva. de qualquer co-devedor. Numa e noutra. ou recebe. ainda que não descritos em lei. ou cada credor. pagamentos parciais. O mesmo ocorre quando o credor demanda judicialmente apenas parte do crédito a um devedor. não são idênticas. aquele que recebe responde pelas quotas dos consortes. mas porque a prestação. o credor pode reclamar igualmente. reiteradamente. Na prática. cada devedor. se parecidas. de o credor receber parcialmente de um devedor e dar-lhe quitação. in totum. Numa e noutra. ou pode exigir a prestação integral. tanto na indivisibilidade como na solidariedade. satisfação integral. porque qualquer deles é devedor do total. são muitos os casos em que pode ocorrer extinção da solidariedade. Na solidariedade. existe entre as partes identidade de efeitos nas suas relações externas. por exemplo. . É o caso.

263). pois. se pagam em dinheiro. sem embargo de sua transmissão hereditária. antes. ao revés. nesta obrigação. Caracteriza-se a indivisibilidade pela sua índole objetiva. 264 e 265). Insista-se: obrigação solidária. Por outras palavras. solidária indivisível. o respectivo objeto não se divide entre os sucessores. Naquela. portanto. ela reside nas próprias pessoas e advém da lei. e resulta. convertendo-se em perdas e danos. Mas não é só: a obrigação solidária. A solidariedade extingue-se com a morte.79 Prima a solidariedade. pela feição subjetiva. com a mesma transformação. da natureza desta. já que por lei. em regra. por si só. no que tange à quota do falecido (art. a obrigação solidária. Nada impede. simultaneamente. só por si. se reúnam na mesma obrigação as duas qualidades. e. não é solidária. ela repousa na própria coisa que constitui objeto da prestação. conserva os atributos inerentes à solidariedade (art. ex necessitate. e assim a obrigação. viceversa. mantém-se íntegro. 270). ao inverso. vê-se privada da indivisibilidade primitiva (art. uma vez ocorrida a transmissão hereditária. tornando-se assim. divisível. Ademais. a obrigação indivisível. Na obrigação indivisível. subsiste o predicado da indivisibilidade. se converte num dare. por natureza ou por convenção ele é indivisível. uma vez liquidados. inicialmente indivisível. todavia. Tais prejuízos. fraciona-se o objeto entre os diversos titulares. de natureza pecuniária. transmitindo-se aos herdeiros. . não é obrigação indivisível. 271). obrigação indivisível. ou do título constitutivo da obrigação (arts. despese dessa característica.

O pagamento refere-se à execução voluntária da obrigação ou a entrega da prestação devida (praestatio vera rei debitae). extingue-se ela pelo pagamento. a palavra pagamento aplica-se mais particularmente à prestação em dinheiro. Os requisitos essenciais para a validade do pagamento são: a) existência do vínculo obrigacional. na linguagem técnica.Natureza Jurídica do Pagamento: Quanto à questão relativa à natureza jurídica do pagamento.Generalidades Quando nada existe de anormal. é o implemento da prestação. pois. o escopo para o qual tende esta. verifica-se ser bastante controvertida na doutrina. b) intenção de solvê-lo. Para uns. não importando a natureza da prestação. Aliás. o meio normal de extinção das obrigações. Na linguagem comum. tem o vocábulo maior amplitude. de patológico. o efeito natural da obrigação. c) cumprimento da prestação. Mas. é contrato (ponto de vista . O pagamento é. Emprega-se igualmente a palavra solução (do latim solutio).80 DO PAGAMENTO 1. no cumprimento da obrigação. significando a execução voluntária da obrigação. d) pessoa que efetua o pagamento (solvens). 2. e) pessoa que o recebe (accipiens). para traduzir o cumprimento da obrigação.

o coobrigado. finalmente. cumpre a prestação a que se obrigara. que. Seu interesse não é jurídico. se o devedor se torna impontual ou inadimplente. 304. O direito do terceiro interessado em solver a dívida acha-se previsto no art. salvo oposição deste (art. nem mesmo . Contudo. Cite-se. usando. Igual direito cabe ao terceiro não interessado. ex. Entre os interessados. e. se o credor se opuser. Qualquer deles tem legítimo interesse no cumprimento da obrigação. dos meios conducentes à exoneração do devedor". ato não livre. sub-rogando-se então em todos os direitos creditórios (art. o caso de um pai que paga a dívida de um filho. pois. nada tendo a temer com o nãopagamento da obrigação. paga em nome e por conta do filho devedor. fato jurídico. Faz o pagamento com interesse altruístico. Não há representação. para outros. ato devido. em tal hipótese. moral. Venosa afirma que. o direito de efetuar o pagamento. para outros ainda. se o fizer em nome e por conta do devedor. parágrafo único). outro credor do devedor e o adquirente do imóvel hipotecado. 3. de pagamento verdadeiro e próprio. Quando o Código fala em terceiro não interessado quer aludir àquele que não tem ligação alguma com o contrato. em primeiro lugar. 304. o pagamento será sempre um fato jurídico. p. 346). segundo o qual "qualquer interessado na extinção da dívida pode pagála. Trata-se. que é gênero do ato e do negócio jurídico. encontra-se naturalmente o próprio devedor. Mas há ainda outros interessados: o fiador. assiste-lhe. pagando. o herdeiro.81 dominante). em sentido lato sensu..De Quem Deve Pagar: O Solvens Essa pessoa pode ser qualquer interessado. segundo alguns.

Contudo. ou por mero espírito de filantropia. tem a mesma legitimidade de consignar. a ação de reembolso é singela e não de sub-rogação. sub-roga-se em todos os direitos do crédito (art. Já. no caso do terceiro não interessado que paga em seu próprio nome. E o solvens. porque tal pagamento pode ter sido efetuado com intuito especulativo. como gestor de negócios. terá então ação contra o devedor para reembolsar-se do que pagou. porém. contudo. aqui. O pagamento. A situação poderá até mesmo se deslocar para a esfera criminal. A ação de enriquecimento sem causa é uma aplicação de regra de equidade. o solvens alardeia que Fulano não consegue nem mesmo pagar suas dívidas e mostra à sociedade a prova do pagamento efetuado. se o faz. A questão de saber se o pagamento ocorreu por mera filantropia ou não se desloca para as circunstâncias do caso. Se o terceiro não interessado pagar em seu próprio nome. mas não se sub-roga nos direitos do credor. Entende-se que sempre haverá possibilidade de ação de enriquecimento sem causa. 346). a lei não defere a esse terceiro a sub-rogação. por outro lado. . tem direito a reembolsar-se do que pagar. se houver resistência. como o caso do pai que paga dívida do filho. ou até mesmo para colocá-lo numa posição moralmente vexatória. o faz por simples liberalidade. no caso de pagamento desinteressado. Há direito a uma ação de cobrança singela do que foi pago. Desse modo.82 autorização ou mesmo ciência do devedor. deve ser aceito. e inclusive agravar a situação do devedor. nada pode reaver. a não ser que o terceiro expressamente abra mão desse último remédio. se é o terceiro não interessado que paga em nome do devedor. Imagine-se o exemplo de um devedor conhecido na comunidade que tem sua dívida paga pelo inimigo. Quando é o interessado que paga. Após o fato.

Questão importante pode ocorrer no caso de o terceiro pagar sem que o devedor tome conhecimento. só terá direito ao reembolso no vencimento" (art. só poderá reembolsar-se até o total que aproveitou ao devedor. Se o terceiro pagou mal. Pagará. assumindo um risco. por exemplo. sob pena de ocorrer injusto enriquecimento. Pode ocorrer. nesse caso. parágrafo único). antes de pagar. Da mesma forma na hipótese de desconhecimento por parte do devedor: impõe-se que o solvens informe o devedor que vai pagar. se o devedor tinha meios para ilidir a ação. não obriga a reembolsar aquele que pagou. 305. Questão não erigida na lei é aquela em que tanto o devedor como o credor se opõem ao pagamento por terceiro. pois não lhe foi útil. que o devedor tenha justo motivo para não pagar a dívida e se surpreende ao ver que terceiro se adiantou no pagamento. no caso concreto. no tocante a pagamento antecipado da dívida: "se pagar antes de vencida a dívida. Suponha-se a hipótese em que há dúvida . 306: “O pagamento feito por terceiro. sob pena de pagar mal. de estar no todo ou em parte prescrita. no entanto. recebeu mais do que lhe competia. de a dívida não ser exigível por inteiro. de promanar de negócio anulável. O terceiro solvens deve ter conhecimento da oposição pelo devedor. em tese. Em qualquer situação. Para tal situação estatui o art. o montante do pagamento que foi útil para o devedor deve ser reembolsado. e este tinha motivo justo para não fazê-lo. se o devedor tinha meios para se opor ao pagamento.83 O mesmo se diga quanto à intenção da lei. com desconhecimento ou oposição do devedor. O que pagou mal deverá repetir do credor que. esse pagamento feito contra sua vontade ou sem o seu conhecimento não o obriga a reembolsar.” O motivo da oposição deve ser justo. de existir a possibilidade de exceptio non adimpleti contractus (exceção de contrato não cumprido) etc. A óptica se transplanta. É o caso. Ou seja. para o âmbito da prova.

por quem não seja o dono da coisa. Para a transmissão do domínio deverão estar presentes todos os requisitos do negócio jurídico. Não havendo mais a coisa a ser reivindicada. já consumida. 4. Do credor. A questão resolver-se-á entre o terceiro que pagou e o devedor. de boa-fé. Se. O art. a situação é do substitutivo indenizatório.84 de se a obrigação é personalíssima ou não. ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la. não se pode mais reclamar a coisa deste. Um pagamento nessa situação abre à vítima a possibilidade de indenização. 307 trata de pagamento que importe em transmissão de domínio: Art. Aí não se pode negar a impossibilidade do pagamento. 307. Para a exceção do parágrafo tratado. se tratar de coisa fungível (parágrafo único). O Accipiens O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente. . de boa-fé. Vale o princípio de que ninguém pode transferir mais direitos do que tem. O devedor informa ao terceiro que não deve pagar. Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade. a recebeu e consumiu. A alienação a non domino.A Quem se Deve Pagar. Enquanto não consumida. pois o terceiro passa a ser absolutamente inconveniente numa relação jurídica a que não pertence. Se se der em pagamento coisa fungível. quando feito por quem possa alienar o objeto em que ele consistiu. que tenha havido boa-fé por parte do accipiens e que tenha sido consumida a coisa. O credor diz que não aceita a solutio por terceiro. não se poderá mais reclamar do credor que. há necessidade de três condições: que o pagamento seja de coisa fungível. haverá direito à repetição. sob pena de só valer depois de por ele ratificado. é ineficaz. não se pode reclamar. ou tanto quanto reverter em seu proveito (art. pelo credor. contudo. Parágrafo único. da coisa. 308). no todo ou em parte. porém.

expresso ou tácito. Todavia. como o pai. o representante legal. qualquer dos co-credores pode recebê-la. o cessionário e o sub-rogado nos direitos creditórios. que excedem os poderes de administração ordinária. Expresso. n. não se exige qualquer autorização. O representante do credor pode ser legal. 260 e seguintes e 267 e seguintes. cabe ao credor pignoratício receber a respectiva importância (art. Também o são: o herdeiro. Para recebimento de juros. nos termos dos arts. o síndico e o depositário. Não bastam os poderes impressos. depende de autorização judicial. 1. em se tratando de capital. pupilos e curatelados. Empenhado o título de crédito. quando vai proceder a penhora nos bens do devedor. IV. Também o oficial de justiça. que habitualmente constam da procuração.85 Credor não é somente aquele em cujo favor se constitui originariamente o crédito. Se ao portador. o legatário. uma vez que o ato excede os poderes da simples administração. como o inventariante. . Legal é aquele a quem a própria lei outorga mandato para administrar bens e interesses alheios. Judicial é o representante nomeado pelo juiz. revestido das formalidades legais. o tutor e o curador. caso este não pague a dívida. na proporção de sua quota hereditária. por sua vez. quem apresentar o título será o credor. Convencional. entretanto.459. como o proveniente de dívida hipotecária. se acha investido de poderes para recebê-la. do CC). assistindo-lhe o direito de receber o pagamento. Se solidária ou indivisível a obrigação. confere poderes especiais para recebimento da dívida. quando o instrumento da procuração. judicial e convencional. Mas o inventariante depende igualmente de licença judicial para receber certos pagamentos. é o representante com mandato. em relação aos filhos menores. todos do Código Civil. para recebê-lo.

merece referência especial a pessoa nominalmente designada no próprio título para receber a prestação. É tácito o mandato quando o mandatário se apresenta perante o devedor com o título. e válido se tornará o pagamento a ele efetuado.309). e não de procurador comum. designam para efeito de receber o pagamento.Credor Putativo Pode ocorrer o pagamento a pessoa que tenha a aparência de credor ou de pessoa autorizada. Não se trata apenas de situações em que o credor se apresenta falsamente com o título ou com a situação. Trata-se de verdadeiro cessionário. Entre os representantes convencionais expressamente constituídos.1. ou a situação de um administrador de negócio que não tenha poderes para receber. Presume-se que o respectivo portador se acha autorizado pelo credor a receber a dívida. nem se extingue com a morte do credor. mas aparece aos olhos de todos como um efetivo gerente. 4. Basta que o débito fique perfeitamente individuado. paga a um assaltante.86 exigem-se especiais. Essa pessoa denomina-se adjectus solutionis causa ou adjectus solutionis gratia. que lhe deve ser entregue como quitação. mas de todas aquelas situações em que se reputa o accipiens como credor. . desde o início constituído. ainda provando-se depois que não era credor” (art. embora se torne desnecessária a menção do quantum devido. já que não se lhe pode revogar ou alterar aquela designação. que naquele momento se instalou no guichê de recebimentos. ao chegar a um estabelecimento comercial. Suponha-se o caso de alguém que. Dispõe o Código: “o pagamento feito de boa fé ao credor putativo é válido. de comum acordo. E o caso do credor putativo. Assim se chama a pessoa que devedor e credor.

Pago ao filho de credor e este posteriormente confirma o recebimento. só até esse montante valerá o pagamento. 3. pagou-se o total à mulher do credor. em três situações: 1. aquela. 4. provase que o pagamento reverteu em seu benefício. 310). 308). pelo credor. Restará ao verdadeiro credor haver o pagamento do falso accipiens. Por exemplo. só entregou 500 a ele. a incapacidade inibe o agente para os atos da vida civil. embora figurem na posição de credoras.3.Pagamento Feito ao Inibido de Receber Certas pessoas. porém. 2.2. também dependerá das circunstâncias. no caso em que o pagamento reverte em benefício do credor (art. Lembre-se. são inibidas de receber. no caso de ratificação. no entanto. Tal ratificação equivale a um mandato. por incapacidade. Tudo.000. 4. por exemplo. aqui. e quem paga a elas arrisca-se a pagar mal. a prova será ônus do solvens. 310 refere-se ao pagamento efetuado ao incapaz de quitar. 308).87 A lei condiciona a validade do pagamento ao fato de o accipiens ter a aparência de credor e estar o solvens de boa-fé. O art. de que o pagamento só valerá até o montante do benefício: a dívida é de 1. ocorreria locupletamento indevido. O devedor deve provar que o pagamento reverteu em benefício do incapaz (art. há uma aplicação especial dessa incapacidade quanto ao pagamento. o último caso refere-se ao credor putativo descrito no tópico anterior.Quando o Pagamento Feito a Terceiro Desqualificado Será Válido O devedor pode se exonerar mesmo pagando a terceiro não intitulado. O mesmo se diga a respeito do pagamento feito ao inibido de receber. No entanto. Ora. paga-se à mulher do credor. Dispõe o artigo: . do pagamento recebido (art. doutro modo.

312: “se o devedor pagar ao credor. por exemplo. entretanto. salvo o regresso contra o credor”. que reforça essa ideia. quanto a ciência por notificação ou interpelação feita por terceiro. se tiver dúvidas quanto à validade do pagamento que efetuaria a terceiro. porém. apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito. são situações em que o solvens tem pleno conhecimento da incapacidade do accipiens. porém. Lembre-se do art. Cabe ao solvens provar que o resultado do pagamento reverteu no benefício do incapaz. ou nos autos em que foi efetivada a penhora. cabe depositar em juízo. se o devedor não provar que em beneficio dele efetivamente reverteu”. o caso de pagamento efetuado a um pródigo. É a situação do menor. impedindo ou retardando o recebimento do crédito pelo credor. No caso desse terceiro ter agido de forma abusiva. Imagine-se. ou da impugnação a ele oposta por terceiros.88 “não vale. Essa situação também é de ineficácia do pagamento e não propriamente de validade. Valerá o pagamento. isto é. assumirá o risco. nesse caso. ou consignar em pagamento. Se pagar ao credor. A lei também não distingue a incapacidade relativa ou absoluta. tanto a ciência da penhora. Outra situação que inibe o credor de receber é a do art. É requisito. . Trata-se de modalidade de aplicação das garantias dos direitos de crédito. todavia. que dolosamente oculta sua condição em um negócio jurídico. Ao terceiro. A lei equipara. o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar. 180. se o que paga não tinha conhecimento dessa incapacidade. para os efeitos. Observe-se que a lei usa do termo cientemente. relativamente incapaz. Nem sempre será prova fácil. ficando-lhe. o pagamento não valerá contra estes. que o solvens tenha tomado ciência da penhora ou da oposição de terceiro. O representante legal do credor terá legitimidade para impugnar o pagamento. responderá pelo abuso ou má-fé. que poderão constranger o devedor a pagar de novo.

poderá o juiz corrigi-lo. permitindo que o valor da prestação seja corrigido por decisão judicial sempre que houver desproporção entre o que foi ajustado durante a celebração do contrato e o valor da prestação na época da execução. que é recebido pro solvendo e não pro soluto. ao pagamento em dinheiro. quanto possível. sem determinação da espécie. O mesmo sucederá no tocante ao pagamento mediante cheque. de 14-2-2001. se não houver provisão. 317: "Quando. a pedido da parte. . particularmente. mediante a qual o valor da prestação será automaticamente reajustado. A Lei n. O pagamento só poderá efetuar-se em apólices federais.89 5. refere-se o Código Civil.192. far-se-á em moeda corrente no lugar do cumprimento da obrigação (art. O pagamento em dinheiro. O art. Preceitua o art. Para tanto. após determinado lapso de tempo. ou tiver sido estipulado no contrato. de modo que assegure. o pagamento é ineficaz. declara nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção de periodicidade inferior a um ano. é imprescindível que a causa da desproporção tenha sido realmente imprevisível e que tenha havido pedido expresso de uma das partes. porquanto as demais são suscetíveis de nela transformar-se. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução. segundo índice escolhido pelas partes. É o que a doutrina convencionou chamar de cláusula de escala móvel. do Título III. Antes da vigência do Código Civil de 2002. que oferece maior interesse jurídico. do Capítulo II. estaduais ou municipais se nisso convier o credor. 315). De todas as prestações. a pecuniária vem a ser a mais importante.Do objeto do pagamento Na Seção III. 10. Esse dispositivo adota a teoria da imprevisão. 316 diz que: "É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas". sendo vedado ao juiz determinar a correção de ofício. o valor real da prestação". por motivos imprevisíveis.

e do Decreto-lei n. 857. No caso de pagamento. Por seu turno. Repete as regras constantes no Decreto n. que lhes atribui existência e visibilidade. constitui garantia do devedor e tem assento na boa razão. porque pagamentos se comprovam apenas através de quitações regulares e não se demonstram por testemunhas. de 14-2-2001. Quitação é a prova do pagamento. de 11-9-1969. 320). a ela tem direito o devedor. até que a forneça o credor. o art.Da prova do pagamento O devedor que paga tem direito a quitação regular (art. 319). excetuados os casos previstos na legislação especial". a forma é a quitação. para tais hipóteses. de 27-11-1933. 10. Esse direito de reter o pagamento. 318 consigna que: "São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira. se excedem à taxa legal. 6. que pode retardar a solução. Para firmeza das relações jurídicas e tranquilidade social.90 esse princípio já era adotado pela jurisprudência. . não poderá mais tarde invocar essa circunstância. devem os atos jurídicos revestir a forma legal.501. e pode reter o pagamento enquanto lhe não for dada (art. ao ser cobrado de novo. Não se acolhe tal alegação em juízo. enquanto se não passa o recibo. Se o fizer em confiança. bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional. Quem paga deve munir-se da necessária quitação passada pelo credor. Nesse sentido é também a Lei n. salvo previsão em legislação específica. 23. que consagrou.192. que já declaravam nulas quaisquer estipulações de pagamento em ouro ou em outra espécie de moeda que não fosse a nacional. a aplicação da cláusula rebus sic stantibus (enquanto as coisas estão assim).

mas deverá passar declaração ao devedor. se o credor alega o respectivo extravio. No art. o nome do devedor. com a assinatura do credor ou do seu representante. a cargo do credor. que sempre poderá ser dada por instrumento particular. Contudo. n.91 Regular se diz a quitação na hipótese do art. se a dívida se acha inteiramente paga. o devedor tem direito à restituição do título. é obrigatório o recibo do aluguel. cujas obrigações ainda não se extinguiram. O parágrafo único do art. Em ambos os casos pode o credor negar a restituição. perdido este. art. 320: a quitação. e ficará quitado pela sentença que condenar o credor. se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida". 22. até que lhe seja passado tal documento. No tocante às locações. VI). pode o devedor reter o pagamento. 321. com especificada menção da dívida quitada. retendo o pagamento. Em tais condições. como no caso de quitação. Trata-se de obrigação de fazer. o tempo e o lugar do pagamento. 320). de 18-10-1991. poderá o devedor exigir. pode o devedor citá-lo para esse fim. ou não a dando na devida forma (art. casos existem em que o credor tem razões para reter o título. declaração do credor que inutilize o título desaparecido". positiva. Se a ela se nega o credor. . se neste figuram co-devedores. cuja quitação consista na devolução do título. valor e espécie. Por outras palavras. ou quem por este pagou.245. comprobatória do pagamento por este efetuado. edita o Código Civil que "nos débitos. 8. Por exemplo. a quitação deve ser expressa. tem aquele direito de exigir declaração que invalide o título. 320 estatui que: "Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação. Ou então se o título lhe serve para a prova de outros direitos. e sua recusa importa contravenção penal (Lei n. designará o valor e a espécie da dívida quitada. Recusando o credor à quitação. cujo cumprimento pode ser realizado pelo juiz.

Presumem-se a cargo do devedor as despesas com o pagamento e quitação. todavia. A lei processual não estatui processo algum para prova do fato a que se refere o art. estelionato. suportará este a despesa acrescida (art. é apenas juris tantum. do Código Civil. Pode acontecer. dispõe o Código Civil: "Quando o pagamento for em quotas periódicas.92 A posse do título pelo credor constitui presunção de que não foi pago. ao credor assiste o direito de comprovar. b) a entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento (art. porque natural não é que o credor consinta em receber aquela. o não-pagamento (parágrafo único). faz presumir pagamento das precedentes. sem solução. o pagamento pode ser provado por qualquer meio admitido em direito. cedendo frente prova em contrário. porém. estes presumem-se pagos. que não entregou voluntariamente o título e que. 322. 325). a quitação da última estabelece. Mas essa presunção. Trata-se de uma das aplicações da exceção non numeratae pecuniae. até prova em contrário. processada de acordo com os arts. apropriação indébita. a presunção de estarem solvidas as anteriores". mas essa presunção pode ser destruída por prova em contrário. parágrafo único. como furto. . Pagamento da última prestação. 324). 861 e seguintes do Código de Processo Civil. no prazo legal. Ficará. dentro de sessenta dias. Tem-se admitido por isso simples justificação avulsa. que o título tenha ido parar nas mãos do devedor por meios clandestinos ou ilícitos. Se ocorrer aumento por fato do credor. sem efeito a quitação assim operada se o credor provar. por isso. sem qualquer ressalva. no art. Outras presunções estabelecem ainda o legislador em matéria de pagamento: a) sendo a quitação do capital sem reserva dos juros. 324. como a decorrente da posse do título pelo credor. Nesse caso. Aliás. extinta não se acha a obrigação. Em seguida. ficando estas para trás.

78. É a regra geral do art. A lei também pode fixar o lugar do pagamento. ou peso. Tudo isso está no art. o mais lógico é que o credor opte por manter o mesmo local originalmente fixado. portanto. para que este possa efetuar o pagamento. tais como taxas de remessa bancária. e sendo a lei omissa. por força de circunstâncias ou de sua natureza.Lugar do Pagamento. entender-se-á. devem ser executadas ora no domicílio do credor. a dívida é quérable. Cabe ao credor procurar o devedor para a cobrança. A matéria é dispositiva. arcará este com as despesas acarretadas ao credor. Há obrigações que. viagens etc. no novo domicilio do devedor. no entanto. ora no domicílio do devedor. Em geral. 327 acresce que. caberá ao credor a escolha. que aceitaram os do lugar da execução (art. o pagamento será efetuado no domicílio do devedor. 7. . no silêncio das partes. Suas regras são supletivas da vontade das partes. manifestar sua escolha ao devedor. 326). de acordo com o art. O parágrafo único do art. se forem designados dois ou mais lugares. 327. 237. mormente de costumes. Dívidas Quérables e Portables No silêncio da avença. O credor não pode ficar preso ao capricho do devedor. Em caso de disposição contratual em contrário. Embora haja divergência na doutrina. Se isso não for possível e o pagamento tiver que ser necessariamente feito em outro local. quando o devedor deve procurar o credor em seu domicílio. em tempo hábil. Problema surge quando o devedor muda de domicílio. O credor deve.93 Se o pagamento se houver de fazer por medida. Sempre será o acordo das partes que prevalecerá. ou no local por ele indicado. a dívida é portable.

ditas na lei. Imagine-se que o local do pagamento esteja isolado ou em estado de calamidade pública: o devedor poderá efetuar o pagamento em outro local. salvo se as partes fizerem ressalva que a inversão do que consta no contrato é mera liberalidade. No entanto. há animus de mudança de local de pagamento. 328 trata de pagamento consistente na tradição de um imóvel. Ou vice-versa. se continuamente o devedor procura o credor para pagar. como regra. poderá o credor fazê-lo em outro. na grande maioria das vezes. retificações de curso de córregos. Por sua vez. sem prejuízo para o credor. O art. mas são referentes a serviços só realizáveis no local do imóvel. A expressão "sem prejuízo para o credor" deverá ser entendida com reservas. não significam aluguéis. A habitualidade há de ser vista como intenção de mudar o lugar de pagamento. sempre que a natureza da obrigação o permitir. Quem paga em lugar errado. mudança de servidão etc. dizendo que se fará no lugar onde este se acha. O simples fato de o pagamento efetuar-se em outro local já acena com o descumprimento de uma obrigação. como reparações de cerca. o caso fortuito e a força maior não autorizam indenização. As prestações relativas a imóveis. o mais cômodo possível para o credor. Se o credor deve ou não ser ressarcido dos incômodos de receber em local diverso do combinado é matéria para ser examinada no caso concreto. as partes poderão dispor diferentemente. A grande importância na exata fixação do lugar do pagamento reside na ocorrência da mora.94 Embora o contrato possa fixar a dívida como quérable. paga mal. Lembre-se que. 329: "Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado." A regra ratifica o brocardo pelo qual nada se pode fazer perante uma impossibilidade. dispõe o art. .

por sua própria natureza. o juiz deve examinar a conduta dos contratantes sob o prisma da boa-fé objetiva e dos costumes do local. o comprador de uma mercadoria . nada impede que cumpra antecipadamente a obrigação. "não tendo sido ajustada época para o pagamento. a obrigação só pode ser exigida pelo credor com o advento do termo desse prazo." Essa presunção é relativa. Sendo um favor seu. Suponha-se. é cumprível pelo devedor desde sua constituição. Tal assertiva deve ser vista com a reserva necessária. a prestação pode ser exigida a qualquer momento: são as obrigações puras.95 Outra regra importante é trazida pelo o art. como em qualquer situação contratual. sem prejuízo de o credor exigi-lo no local apontado. Há obrigações que. o credor pode exigi-lo imediatamente". nesses moldes. por exemplo. do depósito. da locação. no art. que. Quando existe um prazo.Tempo do Pagamento Diz o Código. pois pode o contrato ter assinalado que o recebimento do pagamento em local diverso do indicado. mas a obrigação. Não é muito comum. 330: "O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato. 331. 133). 8. Quando as partes ou a lei não estipulam um prazo para o pagamento. é feito por mera liberalidade. Não se deve esquecer que neste caso. As obrigações com prazo fixado são as obrigações a termo. Nesse caso. ainda que reiterado. O prazo presume-se estipulado em benefício do devedor (art. O credor não pode exigir seu cumprimento. não podem ser exigidas de plano. como no caso do empréstimo. mas a obrigação pode ter um prazo fixado em benefício do credor. não pode ser o credor obrigado a receber antecipadamente.

O credor não pode exigir o pagamento antes do vencimento. salvo os casos examinados. Aí não se admite. e a pagar as custas em dobro (art.96 que fixa um prazo de 90 dias para recebê-la. o faz por sua conta e risco. não pode pedir dilação de prazo ao juiz. A jurisprudência tem entendido que essa pena do final do artigo só é impingida nos casos de dolo do agente. porque nesse período estará construindo um armazém para guardá-la. Se. mas já com os encargos de mora. não pode repetir a prestação. porque o recebimento antecipado lhe seria sumamente gravoso. . quanto do devedor. cada pagamento deve ser examinado de per si. a não ser que convencionado. O devedor que se antecipa e paga antes do termo. A obrigação. que poderá ser fixado pelo juiz. não pode ser cumprida além do prazo marcado. em benefício tanto do credor. Destarte. Se a obrigação consistir de obrigações periódicas. a descontar os juros correspondentes. o devedor pode antecipar o cumprimento. Isto é. O prazo foi instituído a seu favor. se ainda for útil para o credor. se por um lado pode ser cumprida antecipadamente. embora estipulados. o credor pode interpelar o devedor para que cumpra a obrigação num prazo razoável. sob pena de ficar obrigado a esperar o tempo que faltava para o vencimento. tais como redução de juros ou de taxas. a obrigação em retardo pode ser cumprida. Cada prestação periódica deve ser estudada isoladamente. inclusive com medida judicial. também. 939). não lhe trazendo qualquer vantagem a solução antes do tempo. antecipação do cumprimento. O tempo na obrigação pode ser estipulado concomitantemente. Quando a obrigação não tem termo certo. de um lado. ressalvadas as situações de caso fortuito ou de força maior.

horário bancário ou forense. 333 faculta ao credor cobrar a dívida antes de vencido o prazo. portanto. As obrigações condicionais são tratadas pela regra do art. ou de concurso de credores. II . há que se entender que ele pode ser feito até a expiração das 24 horas do dia. III .” . O credor deve provar a ciência desse implemento pelo devedor. Nos casos deste artigo.se cessarem. Terminado o expediente. conforme já visto. No entanto. forem penhorados em execução por outro credor. hipotecados ou empenhados. as garantias do débito. cujo horário é fixado por norma administrativa. o art. se negar a reforçá-las. e o devedor. ou reais. termo final. O credor. Parágrafo único. 939. dependem do implemento da condição. sob as penas do art. em três situações: “I .97 No dia do pagamento. Não é assim. se houver. no débito. intimado. 332. no entanto. fidejussórias.se os bens. ou se se tornarem insuficientes. Para seu cumprimento. não se reputará vencido quanto aos outros devedores solventes. frustra-se a possibilidade de se efetuar o pagamento naquela data. solidariedade passiva. quando se trata de pagamento que dependa de horário de atividade do comércio. não pode exigir o pagamento antes do vencimento.no caso de falência do devedor.

sujeitar-se-á aos ônus da mora. o devedor tem o meio coativo de extinguir sua obrigação: a consignação em pagamento. ou de não fazer. Trata-se de pagamento compulsório. mas a forma constitui matéria de direito processual. ou pretende receber de forma diversa do contratado. ela tem cabimento. 890 a 900. realizada pelo devedor. só excepcionalmente admitido. Ainda. o devedor é responsável pela guarda. Dele se ocupam o Código Civil nos arts. Conquanto sejam esses. A substância e os seus efeitos são de direito privado.Generalidades O devedor. Não se imagine que a consignação só cabe quando se cuide de dívida em dinheiro. . os casos mais frequentes. representa meio especial concedido ao devedor para liberar-se da obrigação. realmente. Se o credor não toma a iniciativa de receber. Não pagando o devedor no tempo. 334 a 345 e o Código de Processo Civil nos arts. como exemplos. se sua obrigação consistir na entrega de coisa. descabe a consignação. nas hipóteses em que a prestação consista em coisas móveis ou mesmo imóveis. a consignação só é compatível com a prestação de coisas. respondendo por sua perda ou deterioração. com causa legal. ou quando não é conhecido o paradeiro do credor. A consignação é simultaneamente instituto de direito civil e de processo. também tem interesse no sentido de que a obrigação seja extinta. por igual. local e forma devidos. Define-se a consignação em pagamento como o depósito judicial ou extrajudicial da coisa devida. ou melhor. e não apenas o credor. Numa palavra. enquanto não houver a tradição.98 DO PAGAMENTO POR CONSIGNAÇÃO 1. Só nas obrigações de fazer. pela sua natureza.

308. ocorrem fatos ou circunstâncias que impedem o pagamento direto ao credor. Dentre as hipóteses referidas pelo Código Civil. ou. De fato. I). e extingue a obrigação.se o credor não puder.Casos de consignação O pagamento deve ser feito. De qualquer modo. 334 do Código Civil: "Considera-se pagamento. a oferta pelo devedor há de ser concreta. IV. A lei faculta então o recurso à consignação em pagamento. ou dar quitação na devida forma. se nega a receber ou a dar quitação na devida forma (n. no lugar (art. porém. II.se pender litígio sobre o objeto do pagamento. CC). sem justa causa. que. 335): I. sem justa causa. o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida. 331) e pelo modo convencionados. 327). em regra. no tempo (art. nem mandar receber a coisa no lugar. pois essa justa causa para recusa só pode influir no julgamento da ação consignatória e não sobre o direito de fazer a consignação. ou de acesso perigoso ou difícil. . ao próprio credor. ou a quem de direito o represente (art.99 2. estatui o art. nos casos e forma legais".se o credor não for. for desconhecido. Há o entendimento de se reputar supérflua a locução sem justa causa. III. recusar receber o pagamento. A consignação tem lugar (art. V. Muitas vezes. a mais frequente é a de recusa do credor.se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento.se o credor for incapaz de receber. estiver declarado ausente ou residir em lugar incerto. tempo e condições devidos. como pode suceder ainda que venha este a recusar a prestação oferecida pelo devedor.

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De acordo com o n. II, constituirá também motivo para o depósito se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condições devidos. Esse dispositivo aplica-se às dívidas em que o pagamento se efetua fora do domicílio do credor. Ante a inércia deste, o devedor não é obrigado a suportar indefinidamente as consequências da mora creditoris. Faculta-lhe, destarte, o direito de liberar-se, consignando judicialmente a coisa devida. Ressalte-se que a hipótese do inc. I se trata de dívida portáble, enquanto que a hipótese do inc. II se trata de dívida quérable. Consoante o n. III tem também lugar a consignação se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, estiver declarado ausente ou residir em lugar incerto ou de acesso difícil ou perigoso. Evidentemente, em princípio, não se admite existência de obrigação contraída com pessoa originariamente desconhecida. Mas, contraída com pessoa conhecida e certa, pode posteriormente tornar-se desconhecido o credor, em virtude de sucessão do credor originário. Em tal hipótese, cabível vem a ser a consignação. Igualmente, justifica-se o depósito judicial se o credor se ausenta do seu domicílio e retirase para lugar ignorado; ou, então, quando se afasta para ponto de difícil ou perigoso acesso, e ainda, finalmente, quando se torna ignorado o seu paradeiro. Outro caso de consignação é aquele em que paire dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento (n. IV). Dois ou mais credores apresentam-se; não pode o devedor, nesse caso, dar preferência a qualquer dos pretendentes. Cabe-lhe, sim, indeclinavelmente, obrigação de consignar em juízo o quantum de seu débito, a ser levantado oportunamente por quem de direito. Cabe ainda a consignação se pende litígio sobre o objeto do pagamento. O litígio a que se refere o n. V é o que se trava entre credor e terceiro, não entre devedor e credor. Ante a contenda, age com culpa o devedor que se antecipa ao

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pronunciamento judicial e paga a um dos litigantes. Seu dever, em face do pleito, é consignar a coisa, levantada a final por quem obtiver ganho de causa. A consignação é restrita aos casos de pagamento. Exclui-se, assim, de seu âmbito qualquer matéria de outra natureza. Ela não comporta, pois, discussão sobre infração contratual ou legal, nem controvérsias sobre a substância da obrigação ou o mérito desta. 3- Requisitos Para que a consignação tenha força de pagamento, é necessário que concorram, em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento (art. 336). Não é possível, por conseguinte, por meio da ação consignatória, questionar-se sobre o quantum devido; o meio é impróprio sempre que se trate de débito ilíquido e incerto. O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando, tanto que se efetue, para o depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente (art. 337). 4- Levantamento do depósito Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação para todas as consequências de direito (art. 338). Julgando procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora o credor consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores (art. 339). O credor que, depois de contestar a lide ou aceitar o depósito, aquiescer no levantamento perderá a preferência e garantia que lhe competiam com

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respeito à coisa consignada, ficando para logo desobrigados os co-devedores e fiadores que não anuíram (art. 340). 5- Outros preceitos contidos no Código Civil Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no mesmo lugar onde está, poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser depositada (art. 341). Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor, será ele citado para esse fim, sob cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher. Feita a escolha pelo devedor, proceder-se-á como no artigo antecedente (art. 342). As despesas com o depósito, quando julgado procedente, correrão à conta do credor, e, no caso contrário, à conta do devedor (art. 343). Duas correntes comportam a exegese desse dispositivo legal: para a primeira, o artigo refere-se a despesas com o depósito (guarda e conservação), e não compreende honorários de advogado. Para a segunda, porém, o texto é amplo e abrange todos os dispêndios, inclusive a honorária. Sem dúvida, esta é a inteligência que se impõe, ante a literalidade da lei e os objetivos por ela visados. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas, se pagar a qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do pagamento (art. 344). Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem mutuamente excluir, poderá qualquer deles requerer a consignação (art. 345).

instruindo a inicial com a prova do depósito e da recusa (§3º). o devedor ou terceiro poderá propor. Ocorrendo recusa. §lº). os juros e os riscos. a ação de consignação. poderá o devedor requerer a consignação no foro em que ela se encontra (CPC.Disposições processuais Nos casos previstos em lei. 890. se outro . será este citado para exercer o direito dentro de cinco dias. podendo levantá-lo o depositante (§4º). Na petição inicial. dentro de trinta dias. Não proposta a ação no prazo estipulado. a ser efetivado no prazo de cinco dias do deferimento. ficará sem efeito o depósito. com efeito de pagamento. §3º. Requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento. Decorrido esse prazo. parágrafo único). cessando para o devedor. 893. assinado o prazo de dez dias para a manifestação da recusa (art. poderá o devedor ou terceiro requerer. o autor requererá o depósito da quantia ou da coisa devida. ficando à disposição do credor a quantia depositada (§2°). art. a consignação da quantia ou da coisa devida (CPC. cientificando-se o credor por carta com aviso de recepção. situado no lugar do pagamento. I e II). reputar-se-á liberado da obrigação o devedor. salvo se for julgada improcedente (CPC. tanto que se efetue o depósito. Tratando-se de obrigação em dinheiro. poderá o devedor ou terceiro optar pelo depósito da quantia devida. 890). 890. manifestada por escrito ao estabelecimento bancário. em conta com correção monetária. ressalvada a hipótese do art. não havendo recusa. 891. em estabelecimento bancário oficial. onde houver. art. 891). art.103 6. Quando a coisa devida for corpo que deva ser entregue no lugar em que está. Se o objeto da prestação for coisa indeterminada e a escolha couber ao credor. bem como a citação do réu para levantar o depósito ou oferecer resposta (art.

Livre. art. fixar lugar. comparecendo mais de um. dia e hora em que se fará a entrega. converter-se-á o depósito em arrecadação de bens de ausente. III. o autor requererá o depósito e a citação dos que o disputam para provarem o seu direito (CPC. Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o pagamento. caso em que se observará o procedimento ordinário (art.foi justa a recusa. ou ressalvas. ou para aceitar que o devedor o faça. e ocorrentes os efeitos da revelia. Cumpre ajuntar ainda que a consignação deve ser livre. art. sob pena de depósito (CPC. comparecendo apenas um. salvo se corresponder a prestação cujo inadimplemento acarrete a rescisão do contrato (art. que venham restringir injustamente o direito do credor. Não sendo oferecida contestação. porque há de compreender integralmente a coisa devida. 899). devendo o juiz. o juiz decidirá de plano. frutos e despesas. não comparecendo nenhum pretendente. o juiz declarará efetuado o depósito e extinta a obrigação. dentro em dez dias.o depósito não é integral (CPC. . completa e real. Na contestação poderá o réu alegar que: I.o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento. declarará extinta a obrigação e condenará o réu no pagamento das custas e honorários advocatícios (art. inclusive juros. é lícito ao autor completá-lo.não houve recusa ou mora em receber a quantia ou coisa devida. Quando na contestação o réu alegar que o depósito não é integral. 895). o juiz julgará procedente o pedido. 894). Completa. continuando o processo a correr unicamente entre os credores. art. 897). no sentido de que não pode ser submetida a condições. 896).104 prazo não constar de lei ou do contrato. 898). II. Proceder-se-á do mesmo modo se o credor receber e der quitação (parágrafo único). ao despachar a petição inicial. Quando a consignação se fundar em dúvida sobre quem deva legitimamente receber. IV.

fique com o direito de reclamar do verdadeiro devedor o que foi pago e que esse crédito goze das mesmas garantias originárias. muitas vezes. quando alguém paga o débito de outrem. §2º). quando uma coisa de um patrimônio é substituída por outra. de forma mais acessível e com melhores condições de pagamento.848. Esse terceiro substitui o devedor originário da obrigação. Não há prejuízo algum para o devedor. 1. Ressalta evidente que. concreta. vale dizer. O fato é que a dívida conserva-se não se extingue. . No pagamento com sub-rogação. que em vez de pagar o que deve a um. É o que ocorre quando se substituem os vínculos de inalienabilidade. um devedor pressionado por credor poderoso tenha sua dívida paga por outrem. impenhorabilidade e incomunicabilidade de um imóvel a outro (art. É um instrumento jurídico muito utilizado na prática. um terceiro.Generalidades O termo sub-rogação significa substituição. que passa a ser seu credor. efetiva. de forma que passa a dispor de todos os direitos. ações e garantias que tinha o primeiro. e não o primitivo devedor.105 Real. O instituto contemplado nos arts. SUBDO PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO 1. mediante positiva exibição da coisa ou do dinheiro que constitui objeto da prestação. Permite que. O termo pode também ser empregado para a sub-rogação real. 346 ss do Código faz substituir o sujeito da obrigação. A sub-rogação não extingue propriamente a obrigação. deve pagar o devido a outro. efetua o pagamento.

ou emprestou o necessário para solvê-la. cujo preço seria representado pela quantia paga pelo terceiro. todavia. essa teoria. . pois o crédito extinto e o novo são diferentes pela diversidade de sujeitos. Mas. A verdadeira concepção é aquela que a considera como instituto autônomo. através do qual o cumprimento pelo terceiro atua sobre o direito do credor. não obstante seus pontos de contacto. Nos casos comuns.106 2. Para a segunda corrente. em que o próprio devedor efetua o pagamento. e da segunda. Como essa transferência de direitos se opera por disposição de lei ou por convenção.Definição e espécies Sub-rogação é a transferência dos direitos do credor para aquele que solveu a obrigação. 3. a sub-rogação é uma das faces da sucessão singular ope legis. no exato instante em que o credor recebe a prestação devida. aquele se libera e a obrigação se extingue. porquanto todos os direitos creditórios se transferem para aquele que satisfez a prestação. Não pode ser aceita. segue-se que a sub-rogação pode ser legal e convencional. Da primeira se ocupa o Código Civil no art. diversificam profundamente os dois institutos. mas deixa sobreviver a respectiva obrigação. mediante substituição do credor. como será visto. 346.Natureza jurídica Diversas correntes procuram explicar-lhe a natureza jurídica. A primeira vê na sub-rogação uma cessão de crédito. 347. entretanto. embora satisfeito o credor. No pagamento com sub-rogação. no art. não se verifica a liberação do devedor nem a extinção da obrigação.

a sua e a dívida trabalhista que pagou e nela se sub-rogou. Alguém é credor quirografário juntamente com um credor trabalhista." A situação pressupõe a existência de mais de um credor do mesmo devedor. alguém poderia ser levado a adquirir o bem hipotecado.do credor que paga a dívida do devedor comum. preferência. a priori. . levar bem penhorado à praça e se ressarcir de toda a dívida. é muito raro que a hipótese ocorra. "II . pode aguardar com maior calma o momento oportuno de. que paga a credor hipotecário. porém. Afastando o débito trabalhista. O adquirente tem o maior interesse em extinguir a hipoteca.do adquirente do imóvel hipotecado. por exemplo. bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre o imóvel. aguardando momento mais oportuno para cobrar a dívida.107 4. Geralmente. Pode ocorrer que esse credor tenha interesse em afastar o outro que tenha prioridade no crédito. em favor: "I ." Imóvel. portanto. que tem. Em determinadas situações fatícas. pode ser alienado. A hipótese vale. O adquirente pode ter maior interesse em livrar-se ao menos da primeira hipoteca. também. Não ocorre a hipótese da lei se é o próprio vendedor quem recebe o dinheiro do adquirente e paga a hipoteca. mesmo hipotecado. quando incide mais de uma hipoteca sobre o bem. 346 traz três situações em que a sub-rogação opera de pleno direito. Na prática.Sub-rogação legal O art. o adquirente deseja que o bem lhe alcance as mãos já livre e desembaraçado excluindo-se a hipoteca. preferindo ficar sozinho na posição de credor.

para evitar-se o enriquecimento sem causa. A hipótese se aplica. ao promissário adquirente de imóvel que paga dívida sobre o imóvel contraída e não paga pelo transmitente do direito. a obrigação continua a existir para o devedor. A situação trazida é de justiça. não haverá sub-rogação. 305). é parcial ou total da dívida. Sua sub-rogação. O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome não se sub-roga nos direitos do credor (art. A finalidade primordial do inciso é colocar o devedor que paga a cobro de uma situação difícil e embaraçosa. . quando for expressa. Da mesma forma. para que não se veja privado dos direitos sobre o bem. não comportando aplicação analógica.do terceiro interessado. "III . O fiador paga a dívida do afiançado e sub-roga-se nos direitos do credor. que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado. o máximo interesse em não ver o afiançado acionado. Se for terceiro não interessado. mas houve mudança de credor. O fiador pode ter. Note-se que a lei fala em terceiro interessado que paga." É a questão mais comum e útil na prática. mas o fenômeno só existirá se a lei autorizar. de acordo com a forma pela qual foi contraída a solidariedade. Em todos esses casos. como já visto. no todo ou em parte. por exemplo. Só terá direito ao reembolso. por uma questão de equidade.108 E dispositivo também declara a sub-rogação de pleno direito para o terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel. por exemplo. um dos devedores solidários paga toda a dívida. A lei pode trazer outros casos de sub-rogação.

. há iniciativa do devedor. a quem lhe emprestou. quiçá em situação mais favorável. o devedor consegue talvez se livrar de um credor poderoso.quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos. depois. com todos os direitos originários. o fenômeno pode ocorrer com ou sem seu conhecimento. há iniciativa do credor. fornecendo financiamentos em condições mais favoráveis. Difere da cessão de crédito. No segundo caso. II . Ambas as figuras são úteis. O devedor não necessita aquiescer. sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida. numa situação de adimplemento duvidoso. 290). As Caixas Econômicas costumam liquidar os débitos de devedores com instituições privadas.109 5. No segundo caso. pois nesta há necessidade de ciência do devedor (art. Ambos os casos favorecem o adimplemento da dívida. que recebe a importância de terceiro. 347 admite duas formas de sub-rogação convencional: I . o credor vê-se satisfeito. ao mutuante. mais insistente. que consegue alguém que lhe empreste o numerário para pagar a dívida e passa a dever. e poderá pagar. O segundo caso ocorre com muita frequência nos financiamentos dos bancos ditos sociais. No primeiro caso. No primeiro caso.Sub-rogação Convencional O art.

350). ações. terá preferência ao sub-rogado. o que não ocorre na sub-rogação legal: "Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor. Esse artigo descreve a essência do instituto. Nada impede.Efeitos da Sub-rogação No pagamento com sub-rogação. se a obrigação for nula ou não existir. pelo princípio do enriquecimento sem causa. Não pode haver finalidade especulativa na sub-rogação. que tiver desembolsado para desobrigar o devedor" (art. só em parte reembolsado. O devedor fica então a dever 500 ao credor . 350.000. tem plena aplicação o disposto no art. o que pagou tem direito ao reembolso. No entanto. 351 fala de pagamento parcial ao credor originário: "O credor originário. Da mesma forma. Portanto. na cobrança da dívida restante. em relação à dívida. Mas. O art. contra o devedor principal e os fiadores" (art. Um terceiro paga 500 e sub-rogase nos direitos dessa importância." Suponha-se que a dívida seja de 1. a obrigação persiste: "a sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. fica satisfeito o primitivo credor. quanto à sub-rogação convencional. na sub-rogação convencional as partes podem dispor diferentemente. o sub-rogado não tem ação contra o sub-rogante no caso de o devedor ser insolvente. 349). O sub-rogado não recebe mais do que receberia o credor originário. senão até à soma. porém. privilégios e garantias do primitivo. se os bens do devedor não chegarem para saldar inteiramente o que a um e outro dever. que as partes expressem sua vontade no sentido de alterar os valores da sub-rogação. Tais princípios aplicam-se tanto à sub-rogação legal. se não houver pacto expresso. Agora.110 6.

no que tiver. que se define como operação por via da qual. 352: a pessoa obrigada. antes do sub-rogado. recebendo. por dois ou mais débitos da mesma natureza. que suportariam igualmente a insolvência do devedor. No entanto. se todos forem líquidos e vencidos. Quando da cobrança de seus 500. Surge então a dificuldade de saber a qual ou a quais dessas dívidas se deve aplicar o pagamento oferecido.111 originário e 500 ao sub-rogado. c) os débitos devem ser da mesma natureza. b) identidade de credor e de devedor. De acordo com esse dispositivo. Alguns vêem injustiça na solução. acreditando melhor na solução italiana que manda fazer um rateio entre sub-rogante e sub-rogado. Terá ele preferência. dentre vários débitos do mesmo devedor para com o mesmo credor. DA IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO 1. quem se subroga na forma atualmente prescrita assume o risco da insolvência do devedor. A essa aplicação se denomina imputação do pagamento. se determina em qual deles se deve aplicar o pagamento. tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento. que ficará irressarcido. art. a imputação pressupõe cinco elementos: a) dualidade ou multiplicidade de débitos. . o credor originário não encontra bens suficientes para seu crédito de 500. Disso já tem ciência pelos termos expressos no artigo mencionado. a um só credor. Dela se ocupa o Código Civil.Definição e elementos Pode acontecer que o pagamento se mostre insuficiente para saldar todas as dívidas do mesmo devedor ao mesmo credor.

Citado art. Uma pessoa que devesse a outra R$ 10. o débito é havido como vencido. antes do implemento da condição. e. no capital. 354. as dívidas devem ser líquidas e vencidas. é a exigível. tenham por objeto coisas fungíveis de idêntica espécie e qualidade. a imputação supõe a existência de dois ou mais débitos.00 e um automóvel. para efeito de imputação do pagamento e extinção da obrigação. A segunda condição diz respeito à identidade de credor e devedor. Não é impossível imputação em dívida condicional. imputação do pagamento quando os débitos não compartilham da mesma natureza. se esta vence juros. . Não é possível. Vencida. por ter ocorrido o termo prefixado para o vencimento. Sem dualidade ou multiplicidade de dívidas. em terceiro lugar. da mesma natureza. caso em que. Considera-se líquida a obrigação certa quanto à sua existência e determinada quanto ao seu objeto. assim. tendo todos a mesma natureza. 352 alude a dois ou mais débitos a um só credor. que as dívidas sejam da mesma natureza. Claro.000. Em tal caso. Em primeiro lugar. Em quarto lugar. em se tratando de obrigação solidária ativa. Essa a regra geral. porém. o credor é sempre um só. que. e) o pagamento deve cobrir qualquer desses débitos. o devedor pode indicar em qual deles pretende se faça imputação do pagamento oferecido. admite-se esta no caso de uma única dívida. Seriam. vale dizer. no entanto. não poderia imputar essa quantia no débito referente ao veículo. débitos provenientes de aluguéis.000.112 d) devem estes ser ainda líquidos e vencidos. salvo se estipulado o prazo em favor do devedor (art. não se justifica a imputação do pagamento. O mesmo acontece no tocante à dívida ainda não vencida. A imputação requer.00. imputa-se o pagamento primeiro nos juros vencidos. proporcionando destarte a imputação. Como exceção. empréstimos em dinheiro e fornecimento de mercadorias. segundo o art. Nessa hipótese. depois. que lhe vendera anteriormente. para efeito de imputação. por sua vez. 133 do CC). pagando ao credor R$ 5.

b) não pode o devedor imputar aquilo que paga numa dívida cujo montante seja maior. ou se o credor concorda com a aplicação no capital. não pode o credor recusá-lo. Existem. a regra fundamental é a de que o devedor que paga tem direito de declarar qual o débito que almeja resgatar. Ressalva-se. Nessas condições. para imputação numa das dívidas. ao que evidentemente se não acha obrigado (art. líquidas e vencidas. na qual pretenda o devedor imputá-lo. 354). três espécies de imputação: do devedor. e ainda em virtude de lei. ou do credor. salvo estipulação em contrário. Mas não é livre a imputação. Amortização. e o devedor terá direito de requerer consignação. se o fizer. o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos. pagando certa quantia ao credor. assim. ou pagamento parcelado do débito. o último requisito exigido é o de que o pagamento se mostre suficiente para extinguir pelo menos uma dívida ou outra. incorrerá em mora accipiendi. . do credor e legal. Se o pagamento não basta para extinguir ao menos uma das dívidas. o credor seria obrigado a receber por partes.113 Finalmente. porquanto. Do contrário. descabe a imputação. pretender que ela seja imputada no capital. 2. 314). Na primeira. todavia. quando se acha a dever juros deste. e naturalmente comporta exceções: a) havendo capital e juros. só se permite quando convencionada entre as partes. pacto em contrário. não pode o devedor. Oferecido pagamento pelo devedor.Imputação do devedor A imputação realizar-se-á por indicação do devedor. se constrangeria o credor a receber pagamento parcial. do contrário. ou se o credor passar a quitação por conta do capital (art. a fim de que o pagamento se impute na dívida designada. e depois no capital.

Perdida a ocasião. caso em que pode este renunciá-lo. passa a atuar a imputação legal. geralmente. 4. ao credor compete efetuar a imputação. 352. porém. Muda o caso de figura. porém. 353 que. cujo prazo se renuncia. por vencida a dívida. Nessa hipótese. "não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas quer imputar o pagamento. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo. 319). É o que se chama imputação do credor. em outra oportunidade. se esse prazo se convenciona em proveito exclusivo do credor. Dispõe a respeito o art. A imputação do devedor não pode ser prejudicial ao credor. admissível se torna a imputação no débito.114 quando assim não se ajustara. se o accipiens aceita o pagamento parcelado. e a quitação for omissa quanto à imputação. a imputação far-se-á na mais onerosa (art. logo que passa quitação (art. se aceitar a quitação de uma delas. tendo-se. não terá direito a reclamar contra a imputação feita pelo credor. se convencionado o prazo respectivo em proveito do credor. com violação do art. 314. . assim. o prazo é estabelecido em favor do devedor. c) o devedor não pode imputar pagamento numa dívida ainda não vencida. Não pode fazê-lo posteriormente. Cabe então a este. exercer seu direito.Imputação legal Se o devedor não fizer a indicação do art. 355). 3. Nas obrigações. esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. salvo provando haver ele cometido violência ou dolo". Não lhe será lícito fazê-lo.Imputação do credor Quando o devedor não declara qual das dívidas quer pagar.

em concorrência com aquela por ele solidariamente devida. . h) a já ajuizada. c) sendo todas líquidas. A expressão dívida mais onerosa comporta diversos esclarecimentos: a) é mais onerosa a que produz juros. ou outro direito real. e) a garantida por cláusula penal. Por fim.115 É a chamada imputação legal. c) a que for garantida por hipoteca. b) preferência da dívida líquida em concorrência com a ilíquida. as regras estabelecidas quanto à imputação de pagamento. d) em igualdade de ônus. e) preferência dos juros vencidos em concorrência com o capital. em relação à que apenas enseja ação ordinária. em relação à que não contém esse ônus. f) preferência da dívida existente no próprio nome do devedor. na mais antiga. cujas regras. edita o art. na mais onerosa. no compensá-las. 379 que. serão observadas. f) a garantida por fiança em relação à não assegurada. em relação à que não encerra essa pena. em relação à não caucionada. isoladamente. relativamente à que não produz. em relação àquela que não o foi. b) a que produz juros mais elevados em relação à que os produz mais módicos. i) a caucionada. sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis. preconizadas pela doutrina são as seguintes: a) preferência da dívida vencida em face de não vencida. d) a que justificar ação executiva. g) aquela em que o solvens é devedor principal e não mero coobrigado.

o objeto da prestação.Conceito Se o credor consentir. Assim. decantada pelo art.116 DA DAÇÃO EM PAGAMENTO 1. que não estava originalmente na obrigação. Pode consistir na substituição de dinheiro por coisa (rem pro pecuni). não se restringe à substituição de dinheiro por coisa. 356 fala da substituição da prestação: "o credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida". com aquiescência do credor. Quando existe entrega de uma coisa. mormente quando há falta de numerário por parte do devedor ou escassez de mercadoria originalmente . Basta que se substitua. quando se substitui. Só pode ocorrer com o consentimento do credor. O art. É um acordo liberatório que só pode ocorrer após o nascimento da obrigação. em substituição. e sim uma prestação totalmente estranha ao pacto original. daí por que sua analogia com a compra e venda. ou mesmo facultativa. como se nota. A dação em pagamento. Sua utilidade é grande no comércio jurídico. quando do cumprimento da obrigação. pois ele não está obrigado a receber nem mesmo coisa mais valiosa (art. 313). É de se notar que se a obrigação for alternativa. Esse é o sentido da datio in solutum. 357. como também de uma coisa por outra (rem pro re). a obrigação pode ser resolvida substituindo-se seu objeto. o objeto original dela. Dá-se algo em pagamento. há alienação. ocorre a dação. só haverá a datio in solutum se nenhuma das prestações originalmente avençadas for cumprida. assim como a substituição de uma coisa por uma obrigação de fazer.

dá parte em dinheiro e parte em espécie. pois. um acordo posterior. Pode a dação ser parcial. segue todas as regras aplicadas às alienações de imóveis: necessidade de escritura pública se superior ao valor legal. há necessidade de uma obrigação inicialmente criada.Requisitos e Natureza Jurídica Para que ocorra a dação. há necessidade de se explicitar o valor que fica em aberto. Aí. Trata-se. em que o credor concorda em aceitar coisa diversa e. Não há nem mesmo necessidade de que as partes expressem um valor. 2. Sua finalidade é extinguir a dívida. Parte do conteúdo da obrigação é substituído. A aceitação da dação em pagamento depende de plena capacidade do credor. outorga conjugal etc. aí. a entrega da coisa diversa com a finalidade de extinguir a obrigação. Na dação em pagamento não há necessidade de equivalência de valor na substituição. Pode também o credor concordar em receber parcialmente in solutum remanescendo parte da dívida na obrigação originária. É mais conveniente para o credor receber coisa diversa do que nada receber ou receber com atraso. oneroso e real. de negócio jurídico bilateral.117 prometida. O devedor. Se o credor for incapaz. Não existe dação no pagamento com títulos de crédito. . Se a coisa entregue foi imóvel. porque. pois implica a entrega de uma coisa (a não ser que a prestação substituída seja de fazer ou não fazer. haverá cessão de crédito (art. 358). O pagamento com cheque é pagamento e não dação. Tão só que manifestem sua intenção de extinguir a dívida com a entrega. pura e simples). por exemplo. Se houver substituição de título de crédito. o problema transfere-se para o instituto da novação. não tendo dinheiro suficiente. por fim. assim também o pagamento feito por cartão de crédito. sem autorização judicial não poderá fazê-lo.

O representante necessita de poderes especiais para dar esse tipo de quitação. A contrario sensu. A questão tem importância na dação de imóvel porque deve constar um valor. O art. O que é equiparado não é igual. no caso concreto. repristina-se a obrigação originária. 357: "determinado o preço da coisa dada em pagamento. Trata-se de efeito semelhante à condição resolutiva. O art. restabelecer-se-á a obrigação primitiva. Os terceiros. 357 incide tanto se o bem objeto da dação for móvel quanto se for imóvel. Lembre-se de que equiparação não é identidade. Essa é a opção do legislador: "se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento. Tratando-se de negócio jurídico oneroso.118 pois possibilitará acarretar prejuízo. não serão aplicados os dispositivos da compra e venda. O mandatário com poderes gerais não poderá aceitá-la. ficando sem efeito a quitação dada". Daí por que a equiparação ora tratada tem maior aplicação quando da entrega de imóvel. 359 acrescenta. com frequência. as relações entre as partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda". não podem ser prejudicados pela ineficácia da dação em . haja vista que. aplicam-se todas as regras atinentes ao negócio. ao final: "ressalvados os direitos de terceiros". se não foi determinado o preço da coisa que substitui a obrigação. quando as partes estipulam valor no negócio. portanto. ao menos para fins fiscais. 3. suas questões de nulidade e anulabilidade. porém. No caso de perda da coisa pela evicção.Equiparação da Datio in Solutum à Compra e Venda Dispõe o art. pode ocorrer fraude contra credores e simulação na dação em pagamento. que foge ao exato cumprimento da obrigação.

aceitar amigavelmente do devedor objeto diverso do que este era obrigado a lhe dar. 533) e não com a compra e venda. a analogia é com a troca (art. permanecem. em benefício da aparência no Direito. Se a evicção ocorre quando já estava liberado o imóvel no registro de imóveis. não podem ser prejudicados os terceiros de boa-fé. . como é expresso o estatuto civil. ainda que depois venha a perdê-lo por evicção" (art. Vigoram aí os princípios dos vícios redibitórios. total ou parcial. O terceiro protegido. que a fiança não se restabelece por disposição expressa de lei: o fiador ficará desobrigado. adquirentes. O legislador a ele não se referiu. "se o credor. é o de boa-fé. Já no caso de perda pela evicção. a situação é como se não tivesse havido quitação. no caso. 838. O mesmo não deve ocorrer no tocante a vício redibitório na coisa entregue. III). Contudo. Note-se. a obrigação mantém-se tal como contraída originalmente. Se o objeto não for pecuniário e houver substituição por outra coisa. por exemplo. devem ser protegidos os terceiros de boa-fé. contudo. sob pena de instabilidade nas relações negociais. de imóvel que já se liberara da hipoteca pela dação em pagamento da dívida. em pagamento da dívida. As garantias reais.119 pagamento. no entanto.

modernamente. porque uma vez cessado o estado de confusão. Ninguém pode ser credor ou devedor de si mesmo. A possibilidade de a obrigação restabelecer-se não inibe o efeito extintivo. seu herdeiro. com todos os seus acessórios (art. 381: “Extingue-se a obrigação. desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor”. mas numa incompatibilidade lógica de persistência do vínculo. pois o mesmo fenômeno já ocorre na dação em pagamento (art. há confusão na acepção do direito obrigacional ora em estudo. Não há. passa a possuir as qualidades de credor e devedor ao mesmo tempo e o débito se extingue. Quando. restabelece-se a obrigação. por fatores externos à vontade das partes. 359). há impossibilidade lógica de sobrevivência da obrigação. Ex. quando se reúnem na mesma pessoa a qualidade de credor e devedor. é essencial a existência de dois pólos. Já se discutiu se este é realmente um meio de extinção de dívidas ou uma paralisação do direito creditório. filho de João. um credor do lado ativo e um devedor do lado passivo. Portanto. 384). Antônio.: Antônio.120 DA CONFUSÃO 1. Os códigos modernos tratam do fenômeno como extinção da obrigação. como se sustentar que a dívida não se extinga.Conceito e Natureza Jurídica: Na obrigação. se confundem na mesma pessoa. . é credor deste último. O princípio que governa a extinção da obrigação não reside num pagamento. Art. as características de credor e devedor se fundem. Com a morte de João.

Se no fato causa mortis o herdeiro é apenas credor de uma parte de dívida divisível do de cujus. Assim. No caso de dívida indivisível. todo o patrimônio da última. 3. não se confundem confusão e compensação. por qualquer razão (um decreto governamental. de alguém ter uma dívida com outrem que lhe faz legado de crédito. não deixando de existir. vem a receber. por exemplo). Também pode derivar de cessão de crédito. porém. b) Pode ocorrer por ato entre vivos quando. por ato gratuito ou oneroso. Na confusão. tem-se a confusão total ou parcial. o que é mais comum. Não obstante. uma empresa. por exemplo.121 2.Espécies: A confusão pode extinguir toda a dívida ou apenas parte dela. com relação a um único débito. há identidade de pessoas. a confusão parcial. a confusão é parcial. inter vivos. a questão resolve-se pelos princípios já vistos da indivisibilidade das obrigações. . por exemplo. no caso. de sub-rogação. credora de outra. na compensação. O herdeiro passa a ter ambas as qualidades de credor e devedor com o desaparecimento do autor da herança. credor e devedor. já que o legado importa numa transmissão a título singular e não universal.Fontes da Confusão: A confusão pode originar-se de uma transmissão universal de patrimônio: a) Esse fenômeno pode ocorrer causa mortis. há existência de dois créditos que se eliminam. Pode ocorrer. Pode o fenômeno derivar de um título singular. Os débitos confundem-se até onde se compensarem. e a dívida se confunde.

cujo art. 4. a confusão será meramente transitória. não se opera a confusão. contudo. 1. a restauração da garantia . mesmo no regime do CC/02. Por exemplo: alguém é devedor de um estabelecimento e vem a adquiri-lo. A questão que se destaca é a colocada no art. O art. ou na dívida.. Revigora-se a fiança e a hipoteca que garantiam a dívida. 383 trata da confusão na solidariedade: “A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito. Posteriormente. Operou-se a confusão. 384: o restabelecimento da obrigação. O dispositivo é peremptório no sentido de que também revivem todos os acessórios da obrigação. Nos títulos ao portador. Ou seja. ressalvar que. Se. enquanto não houver partilha. Não se comunica aos demais credores ou devedores solidários. ex. como eles são circuláveis por natureza.792).122 No caso de herança. por exemplo. isto é. uma vez cessada a confusão. É preciso. Restabelece-se a obrigação primitiva. tem-se que enquanto houver separação de patrimônios entre credor e devedor. subsistindo quanto ao mais a solidariedade”. p. 384 tem a amplitude acima acusada. mesmo no caso de solidariedade os efeitos da confusão são limitados à parcela do crédito ou débito que se confundiram em uma única pessoa. as garantias reais e os direitos de terceiros têm de ser respeitados. aliena o mesmo estabelecimento. pois a qualquer momento o portador pode transferi-los.Efeitos: O efeito primordial é extintivo da obrigação. quando constituídas aquelas ou adquiridos estes na pendência do efeito extintivo da confusão. existindo sempre o benefício de inventário (art.

123 hipotecária defronta uma nova inscrição. que é acessória. A remissão da dívida. aceita pelo devedor.Requisitos: a) uma só pessoa reúna as qualidades de credor e devedor. não ocorrendo a confusão. a recíproca não ocorre. como pessoa física. mas não a obrigação principal. 385). Se existe confusão na pessoa do credor e do fiador. 5. O mesmo ocorre na herança ainda não atribuída). (Se o diretor de uma empresa. espontaneamente. realizada após aquela extinção. c) há necessidade de que não haja separação de patrimônios.Definição: Remissão é a liberação graciosa de uma dívida. Se a confusão extingue as obrigações acessórias. ou a renúncia efetuada pelo credor. que. há distinção de patrimônios. colocando-se na impossibilidade de exigir-lhes o respectivo cumprimento. não terá sobre ela prioridade. abre mão de seus direitos creditórios. DA REMISSÃO 1. pois que perde o grau que anteriormente gozava. extingue a obrigação. extingue-se a fiança. A questão também é de impossibilidade lógica. . b) deve ocorrer essa reunião de qualidades em relação a uma mesma obrigação. mas sem prejuízo de terceiro (art. é credor da pessoa jurídica.

para a sua eficácia. mais ampla. a qual requer.124 A aceitação do devedor. de forma contratual ou não. exige-se. pode perdoá-la parcialmente. dispensável se tornava expressa referência do legislador. expressa ou tácita. No tocante ao primeiro – remitente – . nada poderá impedi-lo de realizar o pagamento. Para que se mostre eficaz. A renúncia. O devedor opondo-se à remissão. Pode ser também expressa ou tácita. na ordem civil. que. É sempre um ato de disposição do credor. plena capacidade do agente. essa idoneidade jurídica. porém. Se ele não é obrigado a receber parcialmente a dívida. 2. Assim se expressa o art. no caso de recusa. Persistirá o débito no montante não remitido. Não . Em relação ao segundo – remitido –. em face da regra geral de que todo ente é capaz de direitos e obrigações. preciso se torna que o remitente seja capaz de alienar. pode socorrer-se da ação de consignação em pagamento. é pressuposto indispensável a que a remissão possa extinguir a obrigação. porquanto depende de aceitação do remitido. De modo geral. pode incidir sobre determinados direitos pessoais de natureza não patrimonial. quando firmada por escrito. in fine. e o remitido capaz de adquirir.Espécies: A remissão pode ser total ou parcial. ao revés. Cumpre não confundir remissão e renúncia. do Código Civil. entretanto. declarando o credor que não deseja receber a dívida. público ou particular. mesmo porque remissão vale alienação. 386. elas se equivalem quanto aos seus efeitos. Mas a remissão reveste-se de caráter convencional. de que aquela é a espécie. Em verdade. A remissão. esta é o gênero. Será expressa. imprescindivelmente. é peculiar aos direitos creditórios.

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há necessidade da palavra remissão, mas a intenção deve ser clara. Por se tratar de ato de disposição, não é de admitir interpretação ampliativa. A interpretação do negócio deve ser restritiva. A remissão expressa pode decorrer também de ato causa mortis, de um testamento. A remissão de dívida por testamento é típico ato de última vontade e segue as formalidades do negócio testamentário. Não será válida, se inválido for o testamento. Os arts. 386 e 387 trazem situações de remissão tácita. Art. 386. A devolução voluntária do título da obrigação, quando por escrito particular, prova desoneração do devedor e seus co-obrigados, se o credor for capaz de alienar, e o devedor capaz de adquirir. Art. 387. A restituição voluntária do objeto empenhado prova a renúncia do credor à garantia real, não a extinção da dívida. Há, em ambos, uma presunção de perdão da dívida. O primeiro dos dispositivos fala da entrega voluntária do título da obrigação, quando por escrito particular. Diz a lei que tal tradição do título “prova a desoneração do devedor e seus coobrigados, se o credor for capaz de alienar, e o devedor, capaz de adquirir". Destarte, incumbe que a entrega do título (particular, não pode ser de escritura pública) seja espontânea, com a intenção de perdoar a dívida. A presunção, de qualquer modo, não é absoluta, pois o ato pode emanar de erro, por exemplo. De qualquer modo, feita a entrega do título, é o credor que deve provar que sua intenção não foi de remitir. Quando o título for representado por escritura pública, a contrario sensu, é imprescindível a remissão expressa. A situação do art. 387 diz respeito à entrega da coisa empenhada. Tal entrega implica renúncia à garantia pignoratícia, que se perfaz com a tradição. Prova a renúncia à garantia, mas não a remissão da dívida. O que a tradição

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prova é o desaparecimento da garantia real. A garantia pignoratícia é acessória. Pode desaparecer o acessório, sem desaparecer o principal. Do mesmo modo, pode o credor abrir mão da fiança ou da hipoteca, sem abrir mão de seu crédito. Por fim, destaca-se que apenas as obrigações de índole privada podem ser objeto de remissão. O perdão da dívida pública depende de autorização legislativa. 3- Outras disposições • A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente; de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida (art. 388). O credor só pode exigir dos demais co-devedores o restante do crédito, deduzida a quota do remitido. Os consortes não beneficiados pelo perdão só poderão ser demandados, não pela totalidade, mas com abatimento da quota relativa ao devedor relevado. • Em se tratando de obrigação indivisível, se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só a poderão exigir descontada a quota do credor remitente (art. 262). • Segundo o art. 334, a entrega do título ao devedor firma a presunção de pagamento. De acordo, porém, com o estatuído no art. 386, a devolução do título prova a desoneração do devedor. Pergunta: a entrega do título prova o pagamento ou apenas a desoneração do devedor?

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Resposta: se o devedor alega que pagou, a posse em que se acha do escrito da dívida faz presumir o pagamento e que o título lhe foi entregue pelo credor; mas, se alega que o credor lhe remitiu a dívida, já não será suficiente a posse do título: deve provar ainda que foi o próprio credor quem espontaneamente lho entregou. • A Lei n. 5.172, de 25-10-1966, que dispõe sobre o Código Tributário Nacional, prevê, em seu art. 172: "A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: I — à situação econômica do sujeito passivo; II — ao erro ou ignorância, escusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; III — a diminuta importância do crédito tributário; IV — a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso; V — a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante".

DA NOVAÇÃO
1- Definição e espécies de novação: A novação corresponde a meio liberatório singular, sendo modo especial de extinguir-se a obrigação. Chega-se a compará-la a um pagamento fictício. Define-se como "a conversão de uma dívida em outra para extinguir a primeira". É a substituição de uma dívida por outra, eliminando-se a precedente. Desaparece a primeira, e, em seu lugar, surge nova.

II . e.quando novo devedor sucede ao antigo. pois.pela mudança do credor. duplo: um extintivo. No n. outro credor é substituído ao antigo.pela mudança do devedor. aliás. outro gerador. existe novação objetiva ou real no seguinte exemplo: um indivíduo deve a outro a soma de R$ 100. A segunda. tão-somente. o fenômeno é mais complexo.quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior (novação pela mudança de objeto). relativo à obrigação nova. ativo ou passivo. nos n. Divide-se a novação em objetiva ou real e subjetiva ou pessoal. Consiste a primeira na mutação do objeto devido entre as mesmas partes. O Código Civil ocupa-se de cada um desses modos no art.pela mudança de objeto da prestação. referente à obrigação antiga.00. uma transformação. abrangendo a criação de nova obrigação. . os modos por que se opera a novação: . em virtude de obrigação nova. no respectivo vencimento convencionam ambos que a importância devida se converta em renda vitalícia ou perpétua. por seu turno.quando. Outro exemplo: no vencimento daquela mesma . Não existe. I.000. ficando o devedor quite com este (novação pela mudança do credor).128 Esse o seu conteúdo essencial. segundo o qual se dá a novação: I . 360. I cuida o Código da novação objetiva ou real. que se substitui à antiga. da novação subjetiva ou pessoal. ficando este quite com o credor (novação pela mudança do devedor). III . II e III. Três são. implica mudança de um ou de ambos os sujeitos da obrigação. portanto. a) Novação objetiva ou real: De acordo com o n. e .

uma obrigação genérica substituída por outra específica. a primeira modalidade de novação subjetiva decorre da mudança de devedor (mutatio debitoris). ou vice-versa. propondo-lhe que o indivíduo “C” fique como seu devedor. Mas existe novação objetiva não só quando se muda a causa debendi (exemplo do mútuo transformado em depósito). porque nova obrigação surge entre as partes. extinguindo-se a primeira. em vez de solvê-la. Essa mudança efetua-se de dois modos: pela delegação e pela expromissão. porém: a delegação só importa novação se houver extinção da primitiva obrigação. A segunda espécie de novação subjetiva resulta da expromissão. Num e noutro caso ocorre novação objetiva. extinguindo-se a dívida de “A”. Na primeira – delegação – a substituição do devedor opera-se com o consentimento deste.000. sempre que haja transformação contratual. fique com ela como depositário. inexistirá novação. o credor pede ao devedor que. entre as mesmas partes anteriormente vinculadas.129 obrigação. O novo devedor. perfaz-se a delegação. Ocorre esta se a substituição do devedor se efetua sem o seu consentimento (ignorante ou invito debitore). verifica-se novação objetiva. contrai com o credor . O primeiro entende-se com o segundo. e assim por diante. como também quando se modifica a natureza da prestação: uma obrigação de dar substituída por outra de fazer. Insista-se. b) Novação subjetiva ou pessoal: Por sua vez. se não houver liberação do primeiro devedor. Em suma. o indivíduo “A” deve a “B” a quantia de R$ 100. Aceita a proposta.00. de uma obrigação em outra. Por exemplo. espontaneamente. ou vice-versa. O primeiro devedor encarrega o segundo de pagar ao credor em seu lugar.

ficando o devedor quite com este. a dívida de “A” para comigo desaparece. Prescinde-se nela do consentimento do devedor. Por exemplo: “A” deve-me R$ 100.000. o art. 2. que se extingue (aliquid novi). Não podem ser objeto de novação obrigações nulas ou juridicamente inexistentes. ficando “C” como devedor.00. que é amigo de “A” e sabe da existência do débito. não podem ser objeto de novação obrigações nulas ou extintas". que se extingue com a constituição de nova. porém. 367: "Salvo as obrigações simplesmente anuláveis.000. a liberá-lo da obrigação. de “A” para com “B”. num ajuste exclusivo entre o credor e o terceiro. Por sua vez.00. Dispõe. e em seu lugar nova dívida surge. com o objetivo de extinguir-se o débito do primitivo devedor: “A” deve a “B” R$ 100. . O primeiro requisito consiste na existência de obrigação anterior. “C”. c) intenção de novar (animus novandi). outro credor se substitui ao antigo. 362 que "a novação por substituição do devedor pode ser efetuada independentemente do consentimento deste". em substituição à anterior. b) criação dessa nova obrigação. que a substitui (obligatio novanda). que assume a dívida. Configura-se assim a expromissão. em virtude de obrigação nova. portanto. caso ele concorde em contrair com “B” débito de igual quantia.Requisitos Para que ocorra a novação exigem-se os seguintes requisitos: a) existência de obrigação anterior. Verifica-se ela quando. tem-se a novação subjetiva pela mudança do credor (mutatio creditoris). Não se pode novar o que não existe. proponho-me. efetivamente. A proposta é aceita.130 nova dívida. Assim dispõe o art. pede ao credor libere “A”. que se resume.

ou sujeita a termo ou condição. a que se subordina a obrigação. por sua vez. Quanto à obrigação condicional. haverá mera remissão. a validade da novação dependerá do implemento da condição (resolutiva ou suspensiva). isto é. porém. exclui-se a ideia de novação. No tocante às obrigações naturais. pode ser confirmada pela novação. como se frisou. tem-se que elas não comportam novação. devendo cogitar-se. Deve este ser investigado em cada caso. A nova dívida. pode-se afirmar que o animus novandi. poderá ser. tendo em vista suas peculiaridades. O segundo requisito da novação diz respeito à criação de nova obrigação. da constituição de nova obrigação. Em caso de perplexidade. Urge. em lugar da anterior. subsistindo a antiga. liberação graciosa por parte do credor. induvidoso. inexistirá igualmente novação. porque insuscetíveis de pagamento compulsório. que se extingue. Torna-se necessário que a nova tome o lugar da antiga. pode ser pura e simples. tornando-se impossível a coexistência de ambas. De modo geral. que o animus resulte de modo claro. . Se nula a nova obrigação. que se contrair em substituição à primeira. de obrigação simplesmente anulável. Tudo depende da convenção das partes. por sua vez. Para que se exteriorize esse elemento interno não se reclama o uso de palavras sacramentais ou fórmulas predeterminadas. quando não consignado em termos expressos.131 Quando se tratar. existirá sempre que venha a ocorrer incompatibilidade entre a antiga e a nova obrigação. pura e simples ou também condicional. Se assim não acontece. todavia. sem possibilidade de impugnações. porém. Neste último caso. é ela passível de novação. A doutrina não ministra critério seguro e certo para identificação do animus novandi. O terceiro requisito prende-se à intenção de novar. de preferência. se apenas ocorre eliminação da dívida antiga. Mas essa nova obrigação.

Simples emissão de cambial. 364. nos acessórios se compreendem as garantias. preferível a opinião daqueles que sustentam inexistir novação. Em tal conjuntura. como os privilégios. devendo a outrem certa quantia. Nisso se resume. em última análise. quando se lhe defere abatimento de preço. Deve ser expressa ou tacitamente declarada pelas partes ou resultar. salvo circunstâncias especiais. .132 Nessas condições. 361). substituída por nova. proveniente da compra de objeto. da natureza das obrigações. A palavra garantias se tornava desnecessária. sempre que não houver estipulação em contrário (art. lhe passa uma cambial. sem outra declaração de vontade. a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira (art. não há novação quando à obrigação apenas se adicionam novas garantias. A novação extingue os acessórios e garantias da dívida. Abrangem estas tanto as reais como as pessoais. Não havendo ânimo de novar. a facilitar a cobrança do débito. tanto as que resultam da convenção como as que nascem da lei.Efeitos da novação O mais importante efeito da novação é a extinção da dívida antiga. Não há falar em novação quando a dívida continua a mesma e modificação alguma se verifica nas pessoas dos contratantes. que lhe toma o lugar. Discutiu-se se existe novação quando alguém. inconciliáveis entre si. quando se concede moratória ao devedor. expressa ou tácita. maiores facilidades de pagamento ou reforma do título. de modo inequívoco. ou por outra razão. destinando-se o título emitido. 3. primeira parte). esse singular fenômeno jurídico. não constitui novação. Em resumo: intenção de novar não se presume.

b) dupla confusão. Os outros devedores solidários ficam. C) modo particular de extinção das duas obrigações e que decorre da especial posição em que estas se encontram. exonerados (art. por esse fato. Controverte-se sobre a sua natureza jurídica: a) pagamento fictício. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal (art. salvo se este obteve por má-fé a substituição" (art. que o aceitou. "se o novo devedor for insolvente. somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsiste as preferências e garantias do crédito novado. na novação subjetiva. DA COMPENSAÇÃO 1. a segunda parte do art. ação regressiva contra o primeiro. 363). Finalmente. Se a obrigação novada for à fiança. contudo. a hipoteca ou a anticrese. todavia. 365). cujos credores são ao mesmo tempo devedores um do outro. se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação".Definição e pressupostos Define-se a compensação como a extinção de duas obrigações. não tem o credor. inalterada se conservará a obrigação principal. Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários. 364 que "não aproveitará. então. ao credor ressalvar o penhor. 366).133 Adverte. Ou. é o desconto que reciprocamente se faz no que duas pessoas devem uma à outra. .

salvo oposição deste (art. parágrafo único). Trata-se de mera aplicação de um princípio científico: duas forças iguais e opostas anulam-se. 368 que. contra o credor. as duas obrigações extinguem-se. Urge que a um débito do devedor corresponda crédito deste contra o credor. e determinada. Será total. Dispõe. vencidas e de coisas fungíveis". Por dívida líquida se entende a obrigação certa. a extinção se processa até a concorrência dos respectivos valores. quanto à existência. à reciprocidade das dívidas. Por outro lado. 369 que "a compensação efetua-se entre dívidas líquidas. b) que elas sejam líquidas. O primeiro requisito diz respeito. até onde se compensarem". Dispõe o art. seus pressupostos são em número de quatro: a) reciprocidade das dívidas. se o fizer em nome e por conta do devedor. efetivamente. no caso em que. O segundo requisito é concernente à liquidez das dívidas. mas não tem direito de compensar. se de valores iguais as duas obrigações. o art. d) que sejam homogêneas. Só dívidas líquidas são compensáveis. torna-se incompensável débito do sócio com o crédito da sociedade. "se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra.134 Para o Código Civil Brasileiro de 2002. c) que sejam vencidas. O terceiro não interessado pode pagar. Será parcial. porém. compensação é modo indireto de extinção das obrigações. não há cogitar de compensação. sendo de valores desiguais. . quanto ao objeto. por conseguinte. 304. Logo. Se o credor nada deve ao seu devedor. de que faça parte.

Quando se tratar de obrigação condicional. Se o suposto crédito do devedor contra o respectivo credor depende ainda de prévio reconhecimento judicial. qualidade e quantidade. Assim. 332 e 333. ela não subordina a compensação à exigibilidade da obrigação. Se a obrigação depende de prévia apuração. liquidação ou verificação pelos meios regulares de direito. Dívidas em dinheiro só se compensam com dívidas em dinheiro. embora consagrados pelo uso geral. se torne temporariamente inexigível. a dívida é incompensável. Sendo vincenda. por exemplo. outorgados a um dos devedores. não cabe a compensação se uma das dívidas se acha prescrita e o magistrado acolhe a prescrição alegada pelo devedor. 331. não poderá valer-se o titular da compensação. só permitida depois do implemento da condição. por ter ocorrido o respectivo vencimento. em virtude dos favores da moratória. a compensação é possível. do CC). já vencida. o último requisito concerne à homogeneidade das prestações. Identicamente. não basta que as dívidas sejam líquidas. normal ou antecipado (arts. exige-se ainda já estejam vencidas. e que se expressa por meio de número certo ou de uma cifra. cuja compensação se pretenda. Em terceiro lugar. ou do vencimento do termo. ou a termo. deixará de ser líquida e não autorizará a compensação. posto que uma das dívidas. Torna-se preciso que elas sejam fungíveis entre si. Por fim. Tenha-se presente que a lei só se refere a dívidas vencidas. dívidas de . não obstam a compensação (art. ilíquido será para os fins do citado art.135 Considera-se líquida a dívida que se determina pela natureza. 369. Mas os prazos de favor. ou a reconhece de ofício. 372).

se uma se originar de comodato. “embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis. Finalmente. 2. O mesmo ocorre com produtos manufaturados. Assim. 3. 373 que a diferença de causa nas dívidas não impede a compensação. quando especificadas no contrato” (art. verificando-se que diferem na qualidade. quando realizada em Juízo pela autoridade judiciária. É legal. inviável se tornará a compensação. É convencional. Esta última espécie inclui-se na compensação legal. é judicial. furto ou roubo. as quais podem transigir. cumpre ao interessado alegá-la na fase própria do processo. depósito ou alimentos. A convencional produz seus efeitos no instante em que se estabelece o acordo de vontades. . dívidas de café pertencentes a determinado tipo só se compensam com produto de igual qualidade. no sentido de dispensar algum de seus requisitos. não se compensarão. exceto: I. Todavia.Casos de exclusão da compensação Dispõe o art. nos casos legais. Não é possível compensar dívida em dinheiro com dívida em café. convencional ou judicial.Espécies de compensação A compensação é legal. ela independe da vontade das partes e opera ainda que uma das partes se oponha. A compensação legal não pode ser declarada ex officio. II.se provier de esbulho.136 café só se compensam com dívidas de café. quando resulta de acordo das partes. objeto das duas prestações. 370). se diversos os tipos. quando advém da lei.

se uma for de coisa não suscetível de penhora. que se baseiam. como estabelece o art. ou opondo compensação. exceto se noutro depósito se fundar.00. ainda que mais valiosa (art. in fine. apodera-se da soma devida. No n. 313). alegando não pertencer a coisa ao depositante. Só se abre uma exceção. sobretudo. É claro que o credor. 633 e 634. Movo então ao credor ação tendente a obter a devolução do numerário. não comportará compensação. 638. 638. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. pela sua índole. não poderá o depositário furtar-se à restituição do depósito. Nessas condições. não poderá arguir compensação pelo crédito que tem contra mim. réu nesse feito. um dos traços mais característicos desses atos jurídicos.: devo R$ 100. na mútua confiança reinante entre os interessados. a referente às dívidas provenientes de outro depósito. não comportam compensação. de que me vi desapossado. Ex. Ainda que as duas dívidas sejam concomitantemente de origem ilícita ou criminosa. possível não seria compensá-la por outra prestação. Esbulho. o credor. Art. do Código Civil. Se a dívida tiver uma dessas origens. além de importar quebra de confiança. que desnaturaria a peculiar feição desses contratos. I tem-se em mira a aplicação da máxima spoliatus ante omnia restituendus. que não tem recursos . o pagamento só se efetua mediante restituição da própria coisa emprestada ou depositada. As dívidas alimentares.137 III. inadmissível se tornará a compensação. furto e roubo constituem atos ilícitos. não logrando obter o respectivo pagamento.000. Destinam-se os alimentos à subsistência do alimentado. por sua própria autoridade. Salvo os casos previstos nos arts. Também em relação ao comodato e ao depósito.

de que contra o próprio credor disporia (art. condenando-o assim a inevitável perecimento. Finalmente. A compensação supõe dívidas judicialmente exigíveis. Como modo abreviado de efetuar pagamento. não se opera a compensação se uma das dívidas se relaciona a coisa suscetível de penhora.138 para viver. não pode opor seu crédito. do CC). c) igualmente. Com esse dispositivo. a compensação se desvela impraticável. não pode opor ao exequente a compensação. primeira parte. filiou-se o Código à opinião geralmente seguida de que a compensação comporta renúncia antecipada. A lei prevê ainda outros casos em que não cabe a compensação: a) não pode esta realizar-se. se uma delas não se acha nessas condições. 375. não haverá compensação quando credor e devedor por mútuo acordo a excluírem (art. . nem pode prover às suas necessidades pelo trabalho. 380 do CC). enumera os casos de impenhorabilidade. O Código de Processo Civil. in fine. b) não se admite compensação em prejuízo do direito de terceiro. Por conseguinte. do CC). se o devedor de pensão alimentícia se torna credor da pessoa alimentada. Permitir compensação seria privar o alimentado dos recursos indispensáveis à própria mantença. havendo renúncia prévia de um dos devedores (art. 649. quando exigida a pensão. O devedor que se torne credor do seu credor. a compensação não pode prejudicar terceiros estranhos à operação. depois de penhorado o crédito deste. 375. Mas essa proteção ao direito de terceiros há de ser por estes reclamada e não pelo próprio devedor. no art.

mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado (art. No caso de crédito garantido por fiança. não pode opor ao cessionário a compensação. 371). 376. Assim deve ser entendido o citado art. a obrigação do mandante para com terceiro não se compensa com a do mandatário em relação a esse terceiro. que antes da cessão teria podido opor ao cedente. Dignos de nota os efeitos jurídicos no caso de cessão. para evitar discrepância com o art. Em regra. em compensação. Dispõe o art. Obrigando-se por terceiro uma pessoa.139 4. Se. A única exceção que se abre a essa regra diz respeito ao fiador. o devedor principal não pode compensar seu débito com o débito do credor para com o fiador. 377: "O devedor que. notificado. 376). porém. poderá opor ao cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente". 371. . não pode compensar essa dívida com a que o credor dele lhe dever (art. só cabe a compensação entre pessoas que entre si sejam reciprocamente credor e devedor. a cessão lhe não tiver sido notificada. mas este pode opor ao credor. Quem se obriga em favor de terceiro não se exime de sua obrigação. o que o mesmo deva ao devedor principal. Assim. pretendendo compensar-se com o que lhe deve o credor. a do tutor para com terceiro não se compensa com a dívida deste em relação ao tutelado. na forma anteriormente acentuada.Outros princípios peculiares à compensação O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever. nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros dos seus direitos.

. Se omitir a indicação. senão quando a este notificada. assistir-lhe-á o direito de invocar contra o cessionário a compensação exercitável contra o cedente. ao intentar a compensação. não pode argüir contra o cessionário o meio extintivo. venha a ser credor do cedente. Mas a cessão feita sem notificação não se ressente de nulidade. por sua vez. sem essa notificação. no caso em que o devedor. no compensá-las. a cessão de crédito não vale em relação ao devedor. Quais os efeitos da cessão no tocante à compensação? Se. 355. Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis. de que dispunha contra o cedente. 377. Não se admite a compensação em prejuízo de direito de terceiro. indicará o devedor à dívida que pretende seja compensada. 379). as regras estabelecidas quanto à imputação de pagamento (art. 378). averiguar a extensão da cessão. Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar. notificado. Silente o devedor e omissa a quitação. O devedor que se torne credor do seu credor. depois de penhorado o crédito deste. a cessão apenas se considera res inter alios relativamente ao devedor. Tais as soluções expressamente consagradas pelo citado art. 380).140 Segundo o disposto no art. perde o direito de compensar. pois. 290. serão observadas. Não notificado. não pode opor ao exeqüente a compensação de que contra o próprio credor disporia (art. não se podem compensar sem dedução das despesas necessárias à operação (art. nessa hipótese. Quer dizer. o devedor nada opõe. que consignará na quitação a dívida pela qual optou. far-se-á a imputação com observância do disposto no art. porém. Interessante. a escolha far-se-á pelo credor.

pois. n. n. e pagamento vem a ser a arguição de defesa. toma o nome de cessão. Contudo. quando o fato extintivo só vem a ocorrer após a prolação da sentença exequenda. cumpre salientar ainda a maneira pela qual se opõe a compensação. a alienação tem por fim bens imateriais. alegável em contestação (Cód. como há quem julgue necessária a reconvenção. aconselhável se torna assim se proceda. CESSÃO DE CRÉDITO 1. ou seu acolhimento demanda formulação de pedido reconvencional? A nosso ver. . do estatuto processual. só é cabível se existe execução aparelhada (executio parata). perfeitamente evitável. mencionada pela lei adjetiva e apta a determinar a suspensão do curso da execução.Definição e abrangência: O crédito constitui entidade patrimonial suscetível de transferência. Quando. art. a fim de pôr-se o interessado a salvo de eventual malogro judicial. VI. Basta seja invocada na contestação. no direito. como faculta o art. tornando-se. Compensar é pagar. 333. Civil. ela constitui matéria a arguir-se em contestação. 741. A compensação a que alude o texto é a superveniente. Proc. dispensável oferecimento de reconvenção.141 Finalmente. Ressalte-se ainda que a compensação. Sentença condenatória que careça de prévia liquidação não constitui título executório. II). A compensação pode ser deduzida igualmente em execução de sentença.

de bens. Identicamente. Nesse negócio. art. para oportunamente solver-lhe a prestação. § l. Se o crédito envolver direito real de garantia. Para ele.142 Define-se a cessão de crédito como a transferência que o credor faz a outrem de seus direitos. 1. aquele que os adquire. depende o mandatário de poderes especiais e expressos (art. tal como contraído. com relação a crédito pertencente ao filho menor.691. salvo se o regime do casamento for o da separação de bens. o crédito é transferido intacto. mas sua anuência ou intervenção é dispensável. mantém-se o mesmo objeto da obrigação. direitos e ações. CC). sem prévia autorização do juiz (art. investindo-se na titularidade respectiva. e por isso exige plena capacidade por parte do cedente (CC. 1.749 do CC). indiferente se torna ter este ou aquele como credor. O tutor não pode constituir-se cessionário de crédito contra o pupilo (art. A cessão induz alienação. para efetuar cessão. Tratando-se de ato que ultrapassa os limites da simples administração. CC). A cessão de crédito é. O primeiro é aquele que aliena ou transfere seus direitos e o segundo. a palavra cessão indica a transferência. não pode ser realizado pelo pai. Há apenas uma modificação do sujeito ativo. O negócio jurídico tem feição nitidamente contratual. porém. no tocante aos . 661. Num sentido amplo. proibição que igualmente se estende ao curador. um negócio jurídico em que o credor transfere a um terceiro seu direito. a quem propriamente se costuma denominar cedido. Interessa-lhe apenas saber qual o legítimo detentor do crédito. O devedor. subordinar-se-á naturalmente à existência de outorga uxória. Na cessão necessariamente figuram o cedente e o cessionário. pois. Só para esse fim se lhe comunica a cessão. a título gratuito ou oneroso. como a hipoteca. 104). não intervém no ato jurídico.

520). Por lei. b) a preempção (art. com aquele dispositivo legal. Contudo. créditos existem que não podem ser cedidos. se a isso não se opuser a natureza da obrigação. todos os créditos podem ser objeto de cessão. 2. exceto na hipótese prevista no art. A essa enumeração acrescente-se ainda o direito de remir.Créditos suscetíveis de cessão O credor pode ceder o seu crédito. f) o usufruto. A interdição decorre da natureza do crédito. art. 560). 247 do CC). 1. d) a do locador de serviços (art.143 débitos de seu curatelado (art. 682. a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé se não constar do instrumento da obrigação (CC. Pela sua natureza.774). 1. 286). art. De acordo. a lei ou a convenção com o devedor. salvo existindo poder de substabelecimento (art. não comportam cessão os seguintes direitos e obrigações: a) a obrigação de fazer. de 5-2-1950. Em regra. c) a obrigação originada da ingratidão do donatário (art. 11). de disposição da lei e de convenção das partes. g) o benefício da justiça gratuita (Lei n. 1. como as de direito de família.060. e) a do mandato. 10). porém.393 do Código Civil. . desde que haja boa-fé. n. a negociabilidade é a regra em matéria de direitos patrimoniais. Mas o advogado pode tornar-se cessionário do crédito de cuja cobrança fora encarregado. 607). nome civil e alimentos. não podem ser cedidas relações jurídicas estritamente pessoais. quando infungível a prestação (art. inerentes à própria pessoa do titular.

346 do Código Civil. d) as indenizações que não tenham caráter alimentar. legal ou judicial. São casos de cessão legal: a) os de sub-rogação legal. 497 do Código Civil. Por fim. pois implica benemerência ou liberalidade. em consequência da cessão da dívida principal (art. especificados no art. Merece destaque a cessão legal mencionada na letra b: salvo disposição em contrário. a cessão assemelha-se à doação. a segunda promana da lei. 1.144 São cessíveis. com a diferença de que tem esta por objeto a transmissão de uma coisa. na cessão de um crédito se abrangem todos os seus acessórios. no entanto: a) o exercício do usufruto (art. relativa à venda (art. a incessibilidade pode resultar de convenção das partes. e a terceira resulta de sentença. b) o direito de haver reparação do dano causado pelo delito. como despesas de tratamento médico e hospitalar. c) os aluguéis vincendos de um prédio.393 do CC). sem dúvida a mais comum. b) os de cessão dos acessórios. . No primeiro caso. ao passo que aquela objetiva créditos ou direitos de natureza econômica. 498). cuja percepção constitui direito de fundo econômico. pois o sub-rogado adquire os direitos do credor primitivo. Pouco se tem a dizer da cessão convencional. Efetua-se a título oneroso ou gratuito. Se a título gratuito. constitui espécie de venda. Mas à cessão aplica-se a regra do art. 3. 287).Espécies de cessão A cessão de crédito pode ser convencional. A primeira decorre da declaração de vontade entre cedente e cessionário.

que no Registro de Títulos e Documentos. independentemente de expressa menção. cedido determinado crédito. cláusula penal. Em suma: salvo disposição em contrário. mas para ter eficácia contra terceiros depende de redução a escrito.Suas formas A cessão convencional não exige. nas obrigações genéricas e alternativas. público ou particular. 4. ou instrumento particular revestido das solenidades do §1º do art. . Por sua vez. n. o crédito cedido passa ao cessionário no estado em que se encontra antes da cessão. art. Mas os interessados podem convencionar o contrário. constituem casos de cessão judicial: o de adjudicação no juízo divisório. em relação a terceiros. acrescenta a Lei n. Dispõe. efetivamente. tem-se que. implícita se tornará também a transferência dos direitos correspondentes à sua cobrança judicial. 654". o de sentença condenatória que venha suprir declaração de cessão por parte de quem era obrigado a fazê-la e o de assinação ao credor de crédito do devedor. bem assim. a transmissão de um crédito. Finalmente. como a fiança e a hipoteca. será feito o registro dos instrumentos de cessão de direitos e de créditos. excluindo um. Por fim. reais ou pessoais. em regra. se não celebrar-se mediante instrumento público. igualmente se transferem ao cessionário. para surtir efeitos em relação a terceiros. desde que se opere uma cessão. 129. alguns ou todos os acessórios. 9. 6.145 Nessas condições. juros e garantias.015/73. forma especial para valer entre as próprias partes. de sub-rogação e de dação em pagamento. 288 do CC que "é ineficaz. o direito de escolha. o art. qualquer modificação depende de cláusula expressa. seguido de transcrição no registro competente.

senão quando a este notificada". em seu art. de acordo com o art. desconhecendo a transmissão. por si só. ser completada por outros elementos de convicção. só por escritura pública se admite o ato. primeira parte. em que apenas intervém cedente e cessionário. não lhe aproveita a falta de notificação. da inobservância dessa formalidade não resulta a nulidade da cessão. 289. sem dependência de registro. . pois. desnecessárias. Torna-se necessária essa notificação para que o devedor não fique prejudicado. Mas a notificação não é imprescindível. "o cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel". a cessão convencional não exige forma especial. que poderá. Todavia. em relação ao devedor cedido. a cessão efetuar-se-á também por escritura pública. reporta-se a lei às solenidades do art. ela visa a impedir que o cedido validamente pague ao cedente. Na cessão por instrumento particular. Em regra. Logo. nos contratos em que a escritura pública seja da substância do ato. todavia. Efetuadas. deixará de fazer prova completa. as cessões operadas por instrumento público. que "a cessão do crédito tem eficácia em relação ao devedor. por instrumento particular. no entanto. pode efetuar o pagamento ao credor primitivo. dependem dessa formalidade para valer contra terceiros.Notificação do devedor O devedor é estranho à cessão. Prescreve o CC. constituindo prova plena. produzem todos os efeitos jurídicos. 5. Observe-se ainda que. Portanto. 290. O instrumento. porém. 221 (subscrição do ato por duas testemunhas). porém. se o cessionário exige pagamento e se o devedor não prova haver pago ao cedente. Entretanto.146 Com efeito. na cessão de crédito hipotecário ou de direitos hereditários.

6. 290. segunda parte. no caso de mais de uma cessão notificada. mediante o termo a que se refere o art. que se transferem por simples tradição manual. Se incapaz o devedor. Para esse efeito. válido se tornará o pagamento que venha a efetuar ao cedente. "ocorrendo várias cessões do mesmo crédito. A notificação pode ser judicial ou extrajudicial.404. de 15-12-1976. porquanto sua transferência obedece à forma especial. no art. Créditos existem cuja transferência dispensa a notificação. em escrito público ou particular. Tais são os títulos ao portador. que lhe apresenta. prevalece a que se completar com a tradição do título do crédito cedido". no mesmo art. 31. antes de ter conhecimento da cessão. e os títulos à ordem. . Não tendo sido notificado. § lº. notificados devem ser todos os co-devedores. transferíveis por endosso. dispôs o Código Civil. tem qualidade para efetuá-la. se declarou ciente da cessão feita. Saliente-se que a citação inicial para a ação de cobrança equivale à notificação da cessão. cessionário ou cedente. o da obrigação cedida (art. as ações nominativas das sociedades anônimas. 291. depois de cientificado da cessão. que se transmitem pela inscrição nos livros de emissão. da Lei n. 292 do CC). que por notificado se tem o devedor que. assim. que. Identicamente. com o título da cessão. Se notificado de várias cessões. deve ser feita ao respectivo representante legal.147 Dispõe. ou que. em atenção à sua boa-fé. a cessão é inexistente para o devedor. Fica desobrigado o devedor que. e. paga ao credor primitivo. Mas não se desobrigará se a este pagar. Qualquer dos intervenientes. produzindo os mesmos efeitos desta. o devedor comerciante considera-se notificado com a simples habilitação do crédito cedido em sua falência. paga ao cessionário. se solidária a obrigação. deve pagar ao cessionário que se apresente com o título comprobatório da obrigação.

opor defesa fundada em pagamento. ao cessionário são oponíveis todas as alegações cabíveis contra o cedente. 294. de incerta existência. O devedor que. IV). pode o devedor argui-los não só contra o cedente como também contra o cessionário. CC). por sua natureza. porém. ainda que se não responsabilize. 295. que antes da cessão teria podido opor ao cedente. o cedente. fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lho cedeu.Responsabilidade do cedente Na cessão por título oneroso. . 335. 6. poderá opor ao cessionário compensação de crédito que antes tinha contra o cedente (art. Se. Pode ele. notificado. a lei lhe impõe a obrigação de responder pela positiva existência do crédito cedido. 377. O devedor pode opor tanto ao cessionário como ao cedente as exceções que lhe competirem no momento em que tiver conhecimento da cessão (art. Em regra. embora não tenha feito qualquer protesto ou reclamação no ato de ser notificado. dolo ou relativa incapacidade do agente.148 Se nenhum dos cessionários se apresentar com o título da dívida. se tiver procedido de má-fé (art. do CC). O cedente enriquecer-se-ia ilicitamente se recebesse pagamento por crédito irreal. outrossim. aderem ao ato. vícios que. Por essa razão. a cessão lhe não tiver sido notificada. nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros dos seus direitos não pode opor ao cessionário a compensação. se anulável a obrigação por erro. pois excluídas naturalmente as exceções pessoais entre credor primitivo e devedor. cumpre ao devedor recorrer à ação consignatória para obter sua liberação (art. A mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito. CC). Nessas condições.

Como ele realiza uma liberalidade. Em qualquer caso. penhor e hipoteca. Enquanto o cedente responde sempre pela “existência e legitimidade do crédito cedido”. c) o crédito tem existência positiva. responsável ao cessionário pela solvência do devedor. só ressarcirá o dano quando comprovar dolo. embora não responda pela sua eficácia. responde o cedente. ou dos acessórios. mas tem de ressarcir-lhes as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança (art. quer no momento em que se vencer a obrigação. poderá voltar-se contra o cedente. como a de dolo. Assegura o cedente a existência dessas garantias. Só desaparece a garantia legal quando o cessionário tem conhecimento dos riscos e perigos do crédito. mas não em favor do cedente. Em qualquer dessas hipóteses. o cedente só responde na hipótese de má-fé. . ou compensação. como fiança.149 Em três hipóteses diferentes subsiste a responsabilidade do cedente: a) transfere esse crédito inexistente. 297. com os respectivos juros. O cedente. b) contra o crédito cedido existe exceção. A responsabilidade abrange o crédito e seus acessórios. Salvo estipulação em contrário. preciso se torna que o cessionário aja judicialmente contra o devedor. quer no instante da cessão. CC). 296. Só depois de vencido quanto à existência do crédito. poderá assumir tal responsabilidade. o cedente não responde pela solvência do devedor (art. mediante convenção. Todavia. CC). não responde por mais do que daquele recebeu. que o inutiliza. ainda que omisso o título da cessão. que assim aliena bem alheio. Quando se tratar de cessão a título gratuito. o mesmo não acontece quanto à “solvência do devedor”. respondendo então pela idoneidade financeira do cedido.

não tendo notificação dela. ou nela prosseguir (CPC. poderá o adquirente ou o cessionário prosseguir na causa. não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora.: cessão de financiamento na aquisição de um veículo. torna-se o crédito indisponível. sua transferência implicará fraude de execução. subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro (art. . Notificado daquele ato judicial. Falecendo o alienante ou o cedente. CC).150 7.Definição A assunção de débito está prevista no Código Civil nos artigos 299 a 303. porém. deixando de ser devedor e repassando o débito para o novo sujeito passivo. II). uma vez penhorado. Ex. mas o devedor que o pagar. 298. não notificado. ASSUNÇÃO DE DÉBITO 1. Ao cessionário cabe o direito de promover a execução. 1. art. ressalvado ao exequente o direito de agir contra o accipiens. 567. válido se tornará o pagamento. juntando aos autos o respectivo título e provando a sua identidade (CPC. Essa operação consiste em negócio jurídico por meio do qual o devedor transfere para outra pessoa a sua posição na relação jurídica. n. o devedor não mais pode pagar ao credor. Com a penhora. art. fica exonerado.Outras disposições O crédito.061).

Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida.145. aí incluídos os deveres secundários do devedor. interpretando-se o seu silêncio como recusa. Assim. que basta a notificação do devedor. 299 do Código Civil diz que: Art. 1. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo. a exemplo da atualização monetária e dos juros de mora. quanto aos créditos vencidos. desde que regularmente contabilizados. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência.151 Na assunção de débito exige-se a anuência do credor. Para se efetivar a operação é necessário que o credor aceite o novo devedor como o sujeito passivo na relação obrigacional. ficando exonerado o devedor primitivo. 299. ao tempo da assunção. a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores.146. 1. não basta outra pessoa desejar assumir a dívida de outrem. em trinta dias a partir de sua notificação. A assunção de dívida ocorre de duas formas distintas: . a partir. 2. Parágrafo único. da publicação. o que não ocorre na cessão de crédito. Art. de modo expresso ou tácito. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor.145 e 1. quanto aos outros. ou do consentimento destes. A assunção pode ser de todas as dívidas. salvo se aquele. da data do vencimento. 1. o Código Civil disciplina a assunção do passivo nos arts.Formas de constituição O art. Art. era insolvente e o credor o ignorava. Nos casos de transferência de estabelecimento comercial.146. continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano. e. com o consentimento expresso do credor. presentes e futuras.

que assume a posição de novo devedor. As duas formas de ocorrência podem. a aceitação tácita. no seu art. 299 do Código Civil não dispôs sobre as modalidades de assunção de dívida. não admitindo. A lei civil. O art. além de se abster completamente de tratar da assunção cumulativa. caracterizada pelo contrato entre credor e um terceiro.152 a) pela expromissão. uma vez que é o próprio credor quem celebra o negócio com o terceiro que vai assumir a posição do primitivo devedor. E que é cumulativa quando se dá o ingresso do terceiro no pólo passivo da obrigação. Diz-se que a assunção de dívida é liberatória quando a liberação ocorre por parte do primitivo devedor. em que o fiador responde por dívida alheia. adesão ou adjunção à dívida. enquanto o assuntor cumulativo é titular do débito. exige. ainda. em nome próprio. e b) pela delegação. com liame de solidariedade com o novo. na qual o consentimento expresso do credor constitui requisito de eficácia do ato. ainda. A assunção de débito não se confunde com a fiança. sem necessidade de comparecimento do antigo devedor. em regra. possuir efeitos liberatórios ou cumulativos. parecendo referir-se apenas à segunda (forma delegatória). sem que ocorra a liberação do antigo devedor. Na forma expromissória não haveria falar em consentimento do credor. O citado dispositivo legal também se omitiu quanto aos efeitos da assunção delegatória antes do assentimento do credor. caracterizada pelo acordo entre o devedor originário e o terceiro que vai assumir a dívida. que a aceitação do credor seja expressa. É também chamada co-assunção. cuja validade depende da aquiescência do credor. que permanece na relação. 299. que ocorre quando o .

de nada vale sua interpelação para que manifeste a sua anuência. não será a interpelação que mudará seus propósitos". 303. liberando-o por vários outros motivos. exonerarem o primitivo devedor mesmo se o novo for insolvente à época da celebração do contrato. 300. 3. aceitando correr o risco. recebe parte da dívida ou consente a prática de outro ato que faça supor ter o terceiro a qualidade de devedor. não impugnar em trinta dias a transferência do débito. O Código Civil admite em um único caso a aceitação tácita. 299. O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido. não sendo ressalvada a hipótese de as partes. na hipótese de inação do credor de que trata o art. não resulta exonerado o antigo devedor. sem reserva de espécie alguma. 299.Seus efeitos O art. Assim. as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor. Art. Com relação ao parágrafo único do art. . 303. 300 do Código Civil diz que: Art. fica sem efeito a exoneração do art. na fase dos entendimentos. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo. se o credor. ou se o devedor não a obteve. Mas pode o credor preferir correr o risco. de comum acordo. consideram-se extintas. 299. Na hipótese de insolvência do novo devedor. Caio Mário da Silva Pereira considera-o desnecessário. a partir da assunção da dívida. notificado. "pois se a assunção de dívida não for concertada. com o credor. na forma prevista no art.153 credor. entender-se-á dado o assentimento. não existe alternativa: se o novo devedor já era insolvente à época da assunção e o credor o ignorava. Se ele não a deu.

154 As garantias especiais dadas pelo devedor primitivo ao credor – em suma. aquele que assume a posição do devedor na relação obrigacional só pode alegar contra o credor as defesas decorrentes do vínculo anterior existente entre credor e primitivo devedor. O art. em prejuízo do terceiro. de simples aplicação do princípio da boa fé (art. 301). e o primitivo devedor. por exemplo. Isso porque várias das garantias prestadas por terceiros só poderão subsistir com a ressalva destes. também do terceiro que houver prestado a garantia. Ocorrendo a anulação do contrato de assunção. Art. 302. salvo as que tiverem sido prestadas por terceiro. salvo se este tinha conhecimento do defeito jurídico que viria pôr fim à assunção. com todos os seus privilégios e garantias. diz o art. 301. o novo devedor. não lhe cabendo invocar as defesas pessoais que derivem das relações existentes entre ele. em alguns casos. aqui. aquelas garantias que não são da essência da dívida e que foram prestadas em atenção à pessoa do devedor. renasce a obrigação para o devedor originário. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo. não podem ser restauradas. Finalmente. Assim. restaura-se o débito. com todas as suas garantias. salvo as garantias prestadas por terceiros. e que haviam sido exoneradas pela assunção. hipoteca de terceiro) – só subsistirão se houver concordância expressa do devedor primitivo e. aval. por exemplo. Trata-se. De fato. ou entre este e o credor. o direito de compensação que possuía o primitivo devedor em face do credor. as garantias dadas por terceiros (fiança. as garantias especiais. Não pode alegar. exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação. Se a substituição do devedor vier a ser anulada. 302 do Código Civil preceitua que: Art. prestadas por terceiros. 303 do Código Civil que: .

não impugnar em trinta dias a transferência do débito. . se o credor.155 Art. permanece a garantia real. A segurança do credor reside muito mais na garantia em si do que na pessoa do devedor. Cuida o dispositivo de uma exceção à regra geral de que o consentimento do credor há de ser expresso. devendo "a lei permitir a cessão por mero acordo entre devedor e cessionário. sobretudo nessas hipóteses em que a garantia é superior ao débito. 303. notificado. visto que seu interesse não sofre ameaça. Daí a mitigação da exigência de que o consentimento do credor seja expresso. sobretudo se o valor da hipoteca for superior ao débito. O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido. notificado da assunção. por força da excelência da garantia". não a impugna no prazo de trinta dias. O Prof. admitindo a hipótese de concordância tácita do credor hipotecário que. SILVIO RODRIGUES entende que deveria ser até mesmo dispensada a anuência do credor. Se. com a assunção do débito pelo terceiro adquirente do imóvel. pois a oposição do credor não encontra outro esteio que não seu capricho. entender-se-á dado o assentimento. pouca ou nenhuma diferença fará quem será o credor.

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