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IPC – Introdução ao Pensamento Contemporâneo

A filosofia moral de Kant


Kant desenvolve a sua filosofia moral em três obras: Fundamentação da metafísica dos
costumes , Crítica da razão prática e Metafísica dos costumes.
Nesta área, Kant é provavelmente mais bem conhecido pela sua teoria sobre uma
obrigação moral única e geral, que explica todas as outras obrigações morais em que o
imperativo categórico, em termos gerais uma obrigação incondicional, ou uma obrigação que
temos independentemente da nossa vontade ou desejo, contrário ao imperativo hipotético.
As nossas obrigações morais podem ser resultantes do imperativo categórico que pode
ser formulado em três formas, que ele acreditava serem mais ou menos equivalentes, apesar
de opinião contrária de muitos comentadores.
A primeira, a fórmula da lei universal, dizendo que se deveria agir quando ao mesmo
tempo se quiser que ela venha a tornar-se uma lei universal.
A segunda, a fórmula da humanidade, que diz para agir de forma a usar a humanidade,
quer da própria pessoa como de qualquer outra, sempre como fim, nunca como meio.
A terceira, a fórmula da autonomia, que é uma síntese das duas primeiras, que refere
que devemos agir de forma a podermos pensar de nós próprios como leis universais
legislativas. Podemos pensar em nós como legisladores autónomos, apenas se seguirmos as
nossas próprias leis.
Boaventura Sousa Santos:
Analisa a evolução das ciências em duas partes, Ciências Naturais e Ciências Sociais,
feita com uma definição através de três paradigmas: Dominante (Paradigma da Ciência
Moderna), associado ao desenvolvimento das ciências Naturais;
Primeiro, a Crise do Paradigma Dominante (Período de Transição) que associa o
desenvolvimento das duas ciências (naturais e sociais) em que as sociais começam a
desenvolver-se em meados do Séc. XIX, com o Positivismo;
Depois, através do Paradigma Emergente (Pós-moderno), mais associado às Ciências
Sociais;
A ideia da ciência moderna é a do Paradigma Dominante e há consenso entre os
epistemólogos sobre as Ciências Naturais. Cai a ideia da ciência aristotélica e nasce uma nova
ideia, pretendo-se que o conceito da experiência se baseia na ideia de “progresso”.
As Características são baseadas num ideal de base científica – de acordo com quem
defendesse esses valores – oposto ao conceito da idade média, onde tudo se regia pela
teologia –, agora haviam outros meios de verificar, medir, experimentar. A ciência moderna
desenvolve-se nesta época. Sousa Santos defende que é um desenvolvimento/conhecimento
totalitário, e logo todos os valores não definidos pela ciência não são aceites. No Conceito de
Experiência (Teoria/Prática) – em que tudo o que se começa a descobrir tem uma base
experimental. Na ideia de que A Ciência Trás Progresso relacionando-a com a sociedade e o
próprio mecanicismo. Por outro lado, também pela Filosofia natural é substituída pela
importância do saber científico, não com o carácter crítico mas com aquilo que a ciência vai
descobrindo. Ou ainda, pelo facto da Ciência só cumprir os seus ideais no final do Séc. XIX,
dando-lhe assim um período estável até final do Séc. XIX.
Depois começa a ter uma nova evolução. O novo modelo de racionalidade da Ciência
Moderna, associado aos novos conhecimentos científicos é composto: pelo o sujeito
investigador, que tem a convicção de que é fisicamente limitado, mas que através do método
racional é capaz de conseguir um saber universal, ou seja, as Leis do saber universal
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feitos sem grandes preciosismos, ou, ainda, podem representar temáticas estudadas em anos diferentes dos actuais e que por isso
poderão incorrer em imprecisões normativas ou doutrinais.
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incontestáveis; pela própria Ciência, que nesta altura visa obter uma explicação dos
fenómenos, aprofundada. Aliás, é neste período que existe uma separação entre o sujeito que
observa e o objecto investigado, isto é, a observação é distanciada do objecto. Daí o abandono
do Método indutivo, que partia da ideia intuitiva sobre algo que se observa sem grande
aprofundamento, em detrimento pelo Método dedutivo, partindo-se daquilo que já é dado
como conhecido com teses, teorias, etc., depois aprofundando-se, comparando-se, etc.… – Um
método mais correcto.
Nesta época, do paradigma dominante, ainda existe estabilidade. Há uma substituição,
gradual, dos conceitos do senso-comum. Este Paradigma só entra em crise no domínio das
descobertas naturais, devido às condições teóricas, teoremas e Leis, essencialmente, devido a
Einstein e outros cientistas, que com as suas descobertas entravam em Ruptura com o
Paradigma Dominante. E, Sociais, em particular pelas próprias condições sociais que dizem
respeito à globalização da indústria, onde a ciência e a tecnologia caminharam a par – por isso,
se dá em termos sociais
Descartes
Nasceu em França. Seguiu os seus estudos licenciado-se em Direito, contudo, nunca
exerceu o direito.
Pensamento
A Cultura é inimiga da Razão
O pensamento de Descartes é revolucionário para uma sociedade feudalista em que
ele nasceu, onde a influência da Igreja ainda era muito forte e quando ainda não existia uma
tradição de "produção de conhecimento", e onde o conhecimento estava nas mãos da Igreja.
Aristóteles tinha deixado um legado intelectual que o clero se encarregava de disseminar.
Viveu numa época marcada pelas guerras religiosas entre Protestantes e Católicos na
Europa. Ele viajou muito e viu que sociedades diferentes têm crenças diferentes, mesmo
contraditórias, até o que numa região é tido por verdadeiro, é visto como ridículo,
disparatado, mentira, noutros lugares.
Viu que os "costumes", a história de um povo, sua tradição "cultural" influenciam a
forma como as pessoas pensam, aquilo em que acreditam.
Descartes, quer acabar com a influência desses "costumes" no pensamento e quer ser
o mais objectivo possível, imparcial. Fundamentando o seu pensamento em verdades claras e
cristalinas. Para isso, de acordo com o seu método, devem ser eliminadas quaisquer
influências de ideias que muitas vezes nos são "dados adquiridos" mas que são pura e
simplesmente coisas que alguém nos contou (talvez mesmo na nossa infância) sem que nunca
nos tenhamos dado conta. Só nos devemos basear em enunciados claros e evidentes.
O primeiro pensador "moderno"
Descartes, é considerado o primeiro filósofo "moderno". A sua contribuição à
epistemologia é essencial, assim como às ciências naturais, por ter estabelecido um método
que ajudou o seu desenvolvimento.
O método cartesiano consiste no Cepticismo Metodológico - duvida-se de cada ideia
que pode ser duvidada. Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos, que acreditavam
que as coisas existem simplesmente porque precisam existir, ou porque assim deve ser, etc.,
Descartes institui a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que possa ser provado. O
próprio Descartes consegue provar a existência do próprio eu (que duvida, portanto, é sujeito
de algo - cogito ergo sum, penso logo existo) e de Deus. O acto de duvidar como indubitável.

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Também consiste o método na realização de quatro tarefas básicas: verificar se


existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenómeno ou coisa estudada; analisar, ou
seja, dividir ao máximo as coisas, nas suas unidades de composição, fundamentais, e estudar
essas coisas mais simples que aparecem; sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades
estudadas num todo verdadeiro; e enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim
de manter a ordem do pensamento.
Em relação a Ciência, Descartes desenvolveu uma filosofia que influenciou muitos, até
ser passada pela metodologia de Newton. Ele dividia a realidade em consciência/mente e
matéria. Acreditava também que Deus criou o universo como um perfeito mecanismo de
moção vertical e que funcionava deterministicamente sem intervenção desde então.
Matemáticos consideram Descartes muito importante pela sua descoberta da
geometria analítica. Até Descartes, a geometria e a álgebra apareciam como ramos
completamente separados da Matemática. Descartes, mostrou como traduzir problemas de
geometria para a álgebra, abordando esses problemas através de um sistema de coordenadas.
A Teoria de Descartes providenciou a base para o Cálculo de Newton e Leibnitz, e
então, para muito da matemática moderna. Isso parece ainda mais incrível tendo em mente
que esse trabalho foi intencionado apenas como um exemplo no seu Discurso Sobre o Método.
Descartes foi o primeiro a falar em dói métodos científicos:
Indutivo – Parte de pressuposição particular para o geral. É a ideia de que aquilo que
vimos uma vez é aquilo que existe como género único.
Ex.: Ao vermos uma águia julgamos todas as aves como sendo águias;
Dedutivo – Método lógico com regras de raciocínio que através do
Conhecimento/Teorias de outras preposições, Teorias/Regras. Do geral para o particular;
Dialéctica de Marx
Diz ter invertido a teoria dialéctica de Hegel. Hegel defendia a crença no absoluto
(estado, ideias), Marx veio a inverter essa ordem. Coloca a produção material de uma época
histórica como a base da sociedade e, também, a criadora da subjectividade dessa época. Não
é o conhecimento espiritual que muda a produção da existência e, consequentemente, a vida
social, mas exactamente o contrário: com a actividade prática, a revolução, o corpo social
transforma também a sua subjectividade.
A relação da produção da vida prática e material para com as ideias não é, porém,
determinística e reducionista. Existe uma relação dialéctica entre essas duas entidades. Marx
tinha um pensamento prático e político que muitos entenderam erroneamente como sendo
um método a determinar a realidade, chamando-o de materialismo histórico e dialéctico, que
mais tarde veio a ser denominado de marxismo. Os estruturalistas, que passaram, também
erroneamente, a ver nos escritos de Marx um dito estruturalismo, com os homens sendo
apenas apêndices das estruturas económicas, e não criadores directos destas. No ano de 1920,
a metodologia marxista vê na ciência social uma totalidade, onde se a Economia constitui a
organização básica da vida social. A Política e a Cultura, por sua vez, contribuem para
estabelecer as formas históricas de gestão económica, e, portanto, agem decisivamente sobre
a organização material da Sociedade.
Algumas críticas a Marx confundem-se e às vezes são as mesmas críticas que se fazem
ao marxismo, comunismo e socialismo. Uma questão chave que é disputada entre os
defensores e os críticos de Marx é: até que ponto o pensador pode ser responsabilizado pelo
aparecimento de regimes ditatoriais e autoritários, que alegam inspirar-se nas suas ideias?

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Empirismo
É a escola de Epistemologia (na filosofia ou psicologia) que avança que todo o
conhecimento é o resultado das nossas experiências. O empirismo é um aliado próximo do
materialismo (filosófico) e do positivismo, sendo oposto ao racionalismo europeu continental.
O empirismo é geralmente observado como sendo o fundamento do método científico
moderno. Defende que as nossas teorias devem ser baseadas nas nossas observações do
mundo, em vez da intuição ou fé. Defende a investigação empírica e o raciocínio indutivo.
Nomes associados ao empirismo incluem Aristóteles, Francis Bacon, John Locke.
Nesta mesma linha, mas mais recentemente, encontra-se Karl Popper.
Epistemologia;
É a filosofia da Ciência – é um ramo da investigação filosófica que procura reflectir sobre tudo
o que diz respeito à ciência. A sua evolução ao longo dos tempos, o que é uma teoria? O que é
uma hipótese? Etc.
Trata-se de uma disciplina recente. É considerada, a Epistemologia, interdisciplinar porque se
remete a várias áreas para a sua reflexão científica, quer seja sociológica ou qualquer outra
disciplina científica.
Epiteme – Ciência + Lógia (Logos) – Estudo, Saber;
Falseabilidade (ou refutabilidade)
É um conceito importante na filosofia da ciência (epistemologia). Para uma afirmação
ser refutável ou falseável, em princípio será possível fazer uma observação ou fazer uma
experiência física que tente mostrar que essa afirmação é falsa.
Por exemplo, a afirmação "todos os corvos são pretos" poderia ser falsificada pela
observação de um corvo vermelho. A escola de pensamento que coloca a ênfase na
importância da Falseabilidade como um princípio filosófico é conhecida como a Falseabilidade.
A falseabilidade foi desenvolvida inicialmente por Karl Popper que reparou que dois
tipos de enunciados são de particular valor para os cientistas. O primeiro é o enunciado de
observação. Na teoria da lógica chamados de enunciados existenciais singulares, uma vez que
afirmam a existência de uma coisa em particular. Eles podem ser analisados na forma: existe
um x que é cisne e é branco.
O segundo tipo de enunciado de interesse para os cientistas categoriza todas as
instâncias de alguma coisa, por exemplo "todos os cisnes são brancos". Na teoria da lógica
chamados de enunciados universais. Eles são normalmente analisados na forma para todos os
x, se x é um cisne então x é branco.
A metodologia indutivista supunha que se pode passar de uma série de enunciados
singulares para um enunciado universal. Ou seja, que se pode passar de um "este é um cisne
branco", "ali está outro cisne branco", e por aí em diante, para um enunciado universal como
"todos os cisnes são brancos". Este método é claramente inválido em lógica, uma vez que será
sempre possível que exista um cisne não-branco que por algum motivo não tenha sido
observado.
Este era o Problema da indução cuja resolução é proposta por Popper, que defendeu
que a ciência não poderia ser baseada em tal ilação. Ele propôs a falseabilidade como a
solução do problema da indução. Popper viu que apesar de um enunciado existencial singular
não poder ser usado para afirmar um enunciado universal, ele pode ser usado para mostrar
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que um determinado enunciado universal é falso: a observação existencial singular de um


cisne negro serve para mostrar que o enunciado universal "todos os cisnes são brancos" é
falso.
Filosofia de Kant em geral
Apesar de ter adoptado a ideia de uma filosofia crítica, cujo objectivo primário era
"criticar" as limitações das nossas capacidades intelectuais, Kant foi um dos grandes
construtores de sistemas, levando a cabo a ideia de crítica nos seus estudos da metafísica,
ética e estética.
Isaac Newton tinha desenvolvido a teoria da física sob a qual Kant queria edificar a sua
filosofia. Esta teoria envolvia a promoção de forças naturais de que os homens não se
apercebem, mas que são usadas para explicar o movimento de corpos físicos.
O seu interesse na ciência também o levou a propor em que o sistema solar fora criado
a partir de uma nuvem de gás na qual os objectos se condensaram devido à gravidade. Esta
hipótese é amplamente reconhecida como a primeira teoria moderna da formação do sistema
solar e é precursora das actuais teorias da formação estelar.
Fernando Santos Neves
Razão-Finalidade – Epistemático-Paradigmático;
As várias visões do Mundo implicam uma mudança de paradigma (conceito com uma
existência autónoma, serve para se referir as diferentes visões). Diversos conceitos
relacionados: concepções, universos, visões do mundo, correntes, epistemas, horizontes
inultrapassáveis e teorias.
Hoje falamos mais em ciências. Existem diferenças de funções. Todavia, há
pressupostos: Rigor – Exactidão – Demonstração – Procura de Certeza
Daí que a ciência se distinga do senso-comum, do conhecimento prático, vulgar. A
ciência ultrapassa esse tipo de conhecimento e acrescenta algumas características.
Fernando Santos Neves
Razão-Finalidade – Cientifico-Epistemológica;
Thomas Khun, introduziu contemporaneamente a noção de paradigma e a noção de
revolução científica, refere que a Revolução Cientifica não está estritamente associada às
ciências exactas. a Revolução Cientifica está nas áreas extra-cientificas (Filosofia, Moral – a
visão do Mundo). A ciência está relacionada com a sociedade, com o contexto, com a época.
A Revolução Cientifica é encarada como um todo, não só na área da ciência mas
também da epistemologia.
Segundo o professor Santos Neves, a Ruptura Epistemológica Primordial prende-se
com a ideia de Ruptura porque tem a ver com a nova classificação das ciências! As ciências
sociais e humanas surgiram mais tarde. Propõe a ideia de uma ciência sem teologia ou
metafísica, baseada apenas no mundo físico/material e formula uma teoria que procura
estudar os fenómenos da sociedade e do homem, tal como se estudam os fenómenos da
natureza.
O Positivismo é também apelidado de física social, que se demarca das explicações
filosóficas. Daí que, o Positivismo também seja apelidado de Filosofia Positiva, com base
experimental e observacional.

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Devido a estes factores, houve um grande desenvolvimento das ciências exactas e um


atraso nas ciências humanas. O que deu origem a que hoje, quando se fala numas e noutras, as
ciências exactas são importantes e as ciências humanas são relativamente importantes.
Santos Neves propõe que se acabe com essa distinção e lança o desafio de uma nova
sistematização das ciências. Propondo uma nova Revolução Cientifica e lança a ideia de
Ruptura Epistemológica Primordial. Segundo ele, isto quer dizer, uma passagem de uma
concepção Monoparadigmática para uma concepção Pluriparadigmática das Ciências.
Em termos contemporâneos é impensável pensar-se através de um único paradigma.
Há várias formas de pensar. A visão deve ser mais ampla, mais democrática, mais aberta,
pondo em causa dogmatismos. Para a ciência e para o pensamento não há verdades
absolutas. O que é mais enriquecedor.
Mas, também nos leva a pensar nas balizas, nos limites, porque podemos cair numa
abrangência muito grande de teorias. Mas não caímos em cepticismos.
Que reflexos vai ter na ciência, no pensamento e na vida do homem, o facto de tudo
ser possível (concepção Pluriparadigmática). Quais os valores subjacentes?
O importante é a fundamentação. Há uma grande riqueza, mas também, há uma
grande dispersão.
Esta Ruptura Epistemológica Primordial abrange a ideia de visão única do Mundo.
Apela-se ao nivelamento entre ciências exactas e humanas. Não há uma única visão do
Mundo. A democracia também levou a esta abertura.
Fernando Santos Neves
Razão-Finalidade – Humanisto-Cultural;
É a primeira razão de existência desta cadeira. Devemos encarar esta razão no sentido
de educação e conhecimento próprio do homem culto de cada época e sem os quais, qualquer
especialização cientifica, ou, não é de todo possível, ou, se torna contraproducente, e até
ridícula.
Tem a ver com a necessidade dos alunos/homens modernos/contemporâneos,
independentemente da área disciplinar, obterem um mínimo de cultura. No âmbito cultural-
humanista. Esse mínimo de cultura deve ser de um homem de cada época. É importante saber
quem foram os pensadores, artistas, cientistas, etc. (Kant, Einstein, Lutero, Marx, entre
outros). Quem foi Einstein? – Um cientista.
Existe uma dialéctica entre a ciência e a epistemologia. O mínimo conhecimento é
indispensável para conhecer as questões do nosso tempo. É importante a velha questão: É o
Mundo que impulsiona as ideias ou são as ideias que impulsionam o Mundo?
Fernando Santos Neves
Razão-Finalidade – Luso-Lusófona;
Por um lado o aspecto Luso (português) e por outro o Lusófono. Não deve pensar-se
isoladamente dos casos luso-lusófonos, embora primeiro se trate o Luso, onde uma das razões
para se estudar diz respeito a um certo “provincianismo de isolamento e atraso” (durante
algumas décadas da nossa história, por diferentes razões: politicas, sociais, económicas,
culturas, etc. – fechámo-nos ao exterior. Por exemplo no Estado Novo houve uma notória
relutância aos avanços, portanto estagnou-se o desenvolvimento a todos os níveis).
No século XIX Eça de Queiroz e Antero de Quental, chamados de estrangeirados, por
terem saído do pais e voltado posteriormente com novas ideias e ideais para o nosso país.
Antero de Quental promoveu inclusive no Casino Lisbonense as celebres “Conferências
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Democráticas”, em 1871, onde chamava à atenção para a realidade do nosso pais onde era
notório o aceitamento do fechamento ao exterior, ao espírito moderno da época. Neste tema
o autor, (F.S. Neves), incita a trabalhar as ideias por ele expostas na parte luso.
No lado dedicado à Lusófonia a referência às teses da CPLP, onde são defendidas
ideias próprias que assentam nalgumas teses onde defende o recurso à crítica da razão
lusófona.
Mas, também no espaço onde nos inserimos, Europa, devemos ser críticos. Ainda
refere que a CPLP deveria incluir Timor-leste.
O objectivo da crítica (criticar) tem como sentido o desenvolvimento, abandonar o
provincianismo, o tal isolamento que gera o atraso a todos os níveis da sociedade.
Hegel
Filósofo da Totalidade, do Saber absoluto, do Fim da história, da Dedução de toda
realidade a partir do Conceito. Filosofia da Identidade, que não concebe espaço para o
contingente, para a diferença.
Hegel introduziu um sistema para compreender a história da filosofia e do mundo,
chamado de dialéctica: uma progressão na qual cada movimento sucessivo surge como
solução das contradições inerentes ao movimento anterior. Por exemplo, a Revolução
Francesa constitui, para Hegel, a introdução da verdadeira liberdade às sociedades ocidentais.
No entanto, é também absolutamente radical: por um lado, o aumento abrupto da violência
que fez falta para realizar a revolução, e, por outro, já consumiu seu oponente. A revolução já
não pode voltar-se para nada além do seu resultado: a liberdade conquistada com tantas
misérias é consumida por um brutal Reinado do Terror. A história progride aprendendo com os
erros: só depois desta experiência, e precisamente por causa dela, pode postular-se a
existência de um Estado constitucional de cidadãos livres, que consagra tanto o poder
organizador favorável do governo racional e os ideais revolucionários da liberdade e da
igualdade.
A dialéctica é uma das partes do sistema hegeliano objecto de má compreensão ao
longo do tempo. Uma das razões para tal compreensão deve-se ao facto de que para Hegel é
preciso abandonar a ideia de que a contradição produz um objecto vazio de conteúdo. Ou seja,
Hegel dá dignidade ontológica para a contradição, bem como para o negativo. Por outro lado,
Hegel não queria com isso dizer que absurdos como por exemplo pensar um quadrado
redondo fosse possível.
Nas explicações contemporâneas do hegelianismo – para os estudantes universitários
– a dialéctica de Hegel aparece fragmentada em três momentos chamados: tese (a revolução),
antítese (o terror subsequente) e a síntese (o estado constitucional de cidadãos livres). Essa
classificação foi criada por Fichte. Os estudiosos sérios de Hegel não reconhecem, em geral, a
validade desta classificação, ainda que possivelmente tenha algum valor pedagógico.
A obra hegeliana é fonte de inúmeras controversas, mas a filosofia não deixa de se
referir a Hegel, na medida em que se constitui como anti-hegeliana.
Após a morte de Hegel, os seus seguidores dividiram-se em dois campos principais e
contrários. Os hegelianos de direita e os de esquerda. Entre os hegelianos de esquerda
encontra-se, o mais famoso, Karl Marx.

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Humanismo e Renascimento
Humanismo
Os últimos séculos medievais foram marcados por crises em todos os aspectos da vida
social. Forma-se uma nova concepção de mundo, um novo sentimento de ser humano. O
Feudalismo entra em decadência, esgotado por guerras constantes que, aliadas às epidemias,
fazem escassear a mão-de-obra rural e a produção agrícola. O poder político concentra-se mais
nas mãos dos reis. Fortalecidas, as monarquias afirmavam a sua independência em relação à
Igreja e já não aceitavam tanto a sua intromissão nos assuntos de Estado. Por outro lado, já a
actividade mercantil se reactivara e, em torno dela, a cidade, a vida urbana e um novo grupo
social: artesãos e burgueses se ocupavam mais com os lucros da vida terrena do que com a
recompensa da vida eterna. Nesta nova classe intermediária haviam sectores hierarquizados: o
patrão e o obreiro, os mestres e os aprendizes. Os mais ricos almejam o prestígio da nobreza,
os mais pobres lutam pelos seus salários. Emerge como novo indicativo de riqueza e poder, ao
lado da terra, o dinheiro.
O conhecimento circulava mais agilmente pela cidade; a invenção da Imprensa, vem
dinamizar definitivamente este processo, tirando da Igreja a posse do acervo cultural: as obras
podiam ser reproduzidas em menor tempo e maior quantidade, propiciando a formação de
bibliotecas fora dos mosteiros. Embora o padrão cultural e intelectual ainda seja aquele
sinalizado pela nobreza e pelos sectores eclesiásticos, é a classe média quem financia a cultura
e a vida urbana que fornece seus temas. Assim, a conformação psicológica do burguês, mais
centrada na observação e no raciocínio, assume um papel importante na produção cultural. O
"conhecer pela observação" substitui gradualmente o "conhecer pela fé". Deus lentamente
desloca-se do centro da atenção do homem, que começa a prestar atenção em si mesmo. É o
movimento humanista que prepara uma definitiva transformação na concepção do mundo: o
antropocentrismo que se concretizará nos séculos seguintes.
Esses novos valores, assumidos pelo homem a partir do século XIV, deixarão a sua marca
na produção artística: na pintura, a figura humana ganha forma, expressão e proporção; a
música torna-se polifónica, a arquitectura gótica agoniza.
O Renascimento
Movimento de grande renovação cultural que dominou a Europa, sobretudo nos séculos
XV e XVI, sendo a colocação do Humanismo no plano concreto. Teve como berço os prósperos
centros comerciais de Veneza e Florença, sendo um reflexo das transformações económicas,
sociais e políticas desse período (crescimento das cidades, surgimento da burguesia,
fortalecimento do poder real, entre outras).
Uma das principais causas para o desenvolvimento cultural dessa época foi a divulgação
dos conhecimentos da Antiguidade Clássica. Diversos intelectuais e artistas bizantinos
emigraram para a Itália, levando valiosos manuscritos de poetas e filósofos gregos. O
surgimento dos mecenas também foi de grande importância, estes eram burgueses, príncipes,
reis e papas, que protegiam os artistas e os intelectuais, sendo assim chamados porque, no
reinado de Augusto, na Roma antiga, o cavaleiro Caio Mecenas protegia os artistas.
Actualmente o termo Renascimento é bastante contestado, pois leva as pessoas a
acreditarem que na Europa medieval não houve produção cultural.
O Renascimento foi dividido em três fases: "Trecento" (século XIV), "Quatrocento" (século
XV) e "Cinquecento" (século XVI).

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Karl Marx
Nasceu numa família de classe média. Ingressou na Universidade de Bona para estudar
Direito, mas, no ano seguinte transferiu-se para a Universidade de Berlim, onde a influência de
Hegel ainda era bastante sentida, mesmo após a morte (em 1831) do célebre professor e reitor
daquela universidade. Ali, os interesses de Marx voltam-se para a filosofia, tendo participado
activamente do movimento dos Jovens Hegelianos. Doutorou-se em com uma tese sobre as
Diferenças da filosofia da natureza. concebeu a ideia de um sistema que combinasse o
materialismo com a dialéctica de Hegel.
Impedido de seguir uma carreira académica, tornou-se redactor-chefe de um jornal.
Com o seu encerramento do jornal emigra para a França, onde se casou e desse casamento
teve cinco filhos. Durante a maior parte de sua vida adulta, sustentou-se com artigos que
publicava ocasionalmente em jornais alemães e americanos e por diversos auxílios financeiros
vindos dos seus amigos. Tentava arranjar rendimentos publicando livros que analisassem
factos da História recente, mas obteve pouco retorno com estas tarefas.
Marx teve um filho, nascido da relação extraconjugal com a empregada da sua casa.
Não podendo perfilhá-lo, arranjou para que fosse reconhecido como filho por Engels.
Engels declama estas palavras quando da morte de Marx, quinze meses após a perda
da esposa:
Marx era, antes de mais, um revolucionário. A sua verdadeira missão na vida era
contribuir, de um modo ou de outro, para derrubar a sociedade capitalista e as instituições
estatais por estas suscitadas, contribuir para a libertação do proletariado moderno, que ele foi
o primeiro a tornar consciente da sua posição e das suas necessidades, consciente das
condições de sua emancipação. A luta era o seu elemento. E ele lutou com uma tenacidade e
um sucesso com quem poucos puderam rivalizar.
(...)
Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado de seu tempo. Governos, tanto
absolutos como republicanos, deportaram-no dos seus territórios. Burgueses, quer
conservadores ou ultra democráticos, porfiavam entre si ao lançar difamações contra ele.
Tudo isto, ele, punha de lado, como se fossem teias de aranha, não tomando conhecimento, só
respondendo quando necessidade extrema o compelia a tal. E morreu amado, reverenciado e
lastimado por milhões de colegas trabalhadores revolucionários – das minas da Sibéria até a
Califórnia, de todas as partes da Europa e da América – e atrevo-me a dizer que, embora,
muito embora, possa ter tido muitos adversários, não teve nenhum inimigo pessoal.
Karl Popper
Filósofo da ciência, considerado por muitos como o filósofo mais influente do século
XX a tematizar a ciência. Foi também um filósofo social e político, um grande defensor da
democracia liberal e um oponente implacável do totalitarismo. Ele é talvez melhor conhecido
pela sua defesa da falseabilidade como um critério da demarcação entre a ciência e a não-
ciência, e pela sua defesa da sociedade aberta.
Introduz no Séc. XX vários ideias inovadoras do pensamento/acção.
O reflexo deste autor é o reflexo, não só, da prática da sociedade mas também das
questões científicas em termos teóricos. A teoria de Popper é o do racionalismo crítico: A
crítica.
O poder de criticar que hoje possuímos está na base da ideia criada por Popper.

Estes, bem como muitos dos apontamentos disponibilizados no blog Direito Lusófono, são de autoria desconhecida, ou foram
feitos sem grandes preciosismos, ou, ainda, podem representar temáticas estudadas em anos diferentes dos actuais e que por isso
poderão incorrer em imprecisões normativas ou doutrinais.
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IPC – Introdução ao Pensamento Contemporâneo

O que é uma teoria cientifica hoje? Quais são os métodos mais importantes para este
autor?
Os tópicos da teoria de Karl Popper são o Racionalismo Crítico, reflexo, não só, da
prática da sociedade mas também das questões científicas em termos teóricos. A crítica. O
Progresso Cientifico, onde qualquer ideia deve confrontar-se com a experiência severamente
criticada. A única forma de fazer progredir a ciência é através da crítica confrontada com a
experiência. Ainda, o Método de “Refutação”, através de uma teoria constantemente posta à
prova (teoria cientifica). Se for rejeitada deixa de ser teoria, se resistir é porque é uma boa
teoria: - Sólida. Devem ser feitas (as provas) constantemente. Em todos os ramos das ciências
(exactas e humanas). Devem ser postas à prova da experiência. Tendo a Falseabilidade como
critério que advém do método das teorias cientificas e que se baseia mais na ideia do falso do
que do verdadeiro. Trata-se de uma importante evolução de refutação. Como se testa a
falseabilidade? Através dos enunciados científicos onde Popper estabelece uma regra de tipo
superior que sirva de norma, e que exige que nenhum dos enunciados científicos sejam
excluídos do texto da falseabilidade. Também com a Concepção positiva do erro, tentando
perceber que com o Método de “Refutação” e com a Falseabilidade aprendemos, não só a
criticar, como identificamos o erro. É positivo neste sentido, porque se aprende com os erros.
Encontrar no erro a aprendizagem ganha, por isso se diz positiva. Aprendemos com o erro e
temos a capacidade de criticar. As teorias têm um carácter conjectural, onde para Popper
uma teoria permanece sempre como hipótese. Tem carácter conjectural porque não são
definitivamente certas susceptíveis de refutação. Popper considera que as teorias não são
verdades absolutas ou dogmas, porque estão sempre sujeitas à crítica. A ciência é dinâmica,
tem capacidade de fazer crescer o conhecimento, não é verdade absoluta, mas uma constante
busca dela. Popper considera o método indutivo (aproximação aos fenómenos científicos pelos
sentidos, daí que seja anti-indutivista, por estes serem feitos na base da observação pelos
sentidos);
Consta que sofreu influência dos autores do Circulo de Viena, chamados os fundadores
da teoria crítica (os problemas metafísicos deveriam ser verificados empiricamente).
A filosofia crítica tem um maior valor científico porque as teorias passam a poder ser
fundamentadas com base na experiência.
Dois progressos do conhecimento defendidos por Popper, que se inserem na sua
teoria do Racionalismo Crítico – Falseabilidade. Primeiro em termos Continuísta, isto é, a
acumulação do conhecimento – Teorias que se vão sucedendo umas às outras e geram um
progresso em direcção à verdade. Depois de forma Descontinuísta, com revelações e cortes –
As teorias são confrontadas com novas teorias que corrigem as que para ele tinham erros e
por isso as considera falsas. Método da Falseabilidade.
Os convencionalistas criticam a teoria da falseabilidade. Para estes, que se baseiam na
matemática (na lógica), as teorias são escolhidas com base na verdade. A ciência para Popper
não é a posse da verdade mas a sua constante busca. Tem assim, um carácter dinâmico.
Conhecimentos prévios - Expectativas – Problema – Conjecturas - Refutação
Popper defende o método dedutivo, ele é anti-indutivista. O método indutivo não
permite distinguir a ciência das teorias.
Karl Popper
Métodos de Análise:
- Raciocínio crítico: Popper defende o Racionalismo Crítico.

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- Teoria da probabilidade: Forma de se testar enunciados científicos, primeiro pelo método


indutivo (intuitivo). Se as preposições tiverem baixa probabilidade, ou < a 1 (os testes que se
analisam), ficam como hipótese ou conjecturas, não confirmadas. Mas, se realmente forem
tendencialmente para 1, incorporam-se como Leis cientificas. Esta teoria sofre também
objecções, na medida em que até ao momento não houve nenhuma Lei científica que fosse
justificada por este método. Carece ainda de fundamentação mais sólida.
- Justificacionismo: Procura a verdade de uma teoria através de um ponto arquimédico que
consiste numa paragem em determinado ponto, procurando os enunciados científicos ou
preposições que são privilegiados como formas de prova;
- Convencionalismo: O convencionalismo era uma consequência natural se, se pensasse que a
verdadeira ciência deveria ser justificada mediante demonstrações estritas, e que a
experiência não permite formular provas desse género. Aliás, uma vez sabido que a física
Newtoniana só era uma ciência parcial e que o seu valor não era definitivo, não parecia existir
nenhum obstáculo para sustentar as ideias convencionalistas.
- Cepticismo: Não é possível justificar uma teoria, nem uma ciência racional, nem uma ciência
racional e objectiva;
Karl Popper, “Em busca de um Mundo Melhor”;
O livro: representa uma tese e pensamentos objectivos (porque as ideias não são
subjectivas). A sua tese pretende acabar com o psicologismo já que, segundo a qual as teorias
cientificas não pressupõem, nem motivações, nem juízos de valor de quem escreve.
Os livros resistem quase eternamente e representam uma importância cultural
notável. As ideias dos três Mundos de Popper para distinguir vivências independentes que,
contudo, se interligam são: O Mundo Físico, das ciências exactas (Culturais, O Mundo das
emoções, da vivência (Social) e O Mundo do espírito humano, através da inteligência
(intelectualidade humana), onde a linguagem humana é que tornou possível a objectivação do
livro.
No Choque de Culturas procura responder a um questionamento seu, de tentar traçar
(pelo choque cultural) a singularidade da civilização europeia e a sua origem. Segundo Popper,
a nossa civilização vem da civilização grega que por sua vez também resultou de um choque de
culturas. A nossa cultura é a mais livre, mais justa, mais humana e mais aberta ao
aperfeiçoamento.
A herança grega é positiva. Viena de Áustria (cidade de músicos) é também o resultado
de um choque de culturas e Popper entende que este choque, embora tendo a fase do
confronto por vezes até com violência, tem também a fase da criatividade.
Aculturação é a receptividade da cultura do outro que é diferente. A aculturação é um
fenómeno.
Relativamente a Kant considera que foi um filósofo prussiano, geralmente considerado
como o último grande filósofo dos princípios da era moderna, um representante do
Iluminismo, indiscutivelmente um dos seus pensadores mais influentes).
Popper considera Kant um filósofo por excelência. Posiciona-se criticamente contra
todos os que classificam Kant um idealista e neste texto ele tenta explicar que Kant realmente
é um racionalista. Segundo Popper, Kant foi mal compreendido, quando se referia a uma
relação – experiência.
Quanto à Auto-libertação pelo Saber: Popper defendia esta tese.

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Ao criticar posições diferentes para o sentido da história, Popper, defende uma auto-
libertação pelo saber, uma emancipação espiritual, o erro. Só aprendemos com os erros que
cometemos. A crítica e a autocrítica estão sempre presentes em Popper e têm uma função
libertadora em que nos dias de hoje aceitemos os nossos erros e os dos outros.
No livro faz uma reflexão sobre o Direito. Pergunta quais os aspectos que conseguimos
melhorar desde que se inventaram as democracias orientais? Melhorámos alguma coisa com
essas democracias? (o combate à pobreza, embora não definitivo porque existem zonas em
miséria, pobreza, fome, etc. no mundo).
As democracias ocidentais tentam arranjar formas de combater estas deficiências, tal como o
combate aos sofrimentos evitáveis (doenças, pestes, pandomias, etc.).
Popper considera que estas democracias foram também conquistas, com destaque para os
direitos humanos, justiça (Ex.: Direito Penal – veio trazer uma moderação nos crimes, na
medida em que, moderando as penas, poderia provocar uma moderação nos crimes. Relação
Causa/Efeito). Crítica – Diálogo – Liberdade crítica muito acentuada.
Marxismo
O marxismo influenciou os mais diversos sectores da actividade humana ao longo do
século XX, desde a política e a prática sindical até a análise e interpretação de factos sociais,
morais, artísticos, históricos e económicos, e que se tornou doutrina oficial dos países de
regime comunista.
É o conjunto das ideias filosóficas, económicas, políticas e sociais que Marx e Engels
elaboraram e que mais tarde foram desenvolvidas por seguidores. Interpreta a vida social
conforme a dinâmica da luta de classes e prevê a transformação das sociedades de acordo
com as leis do desenvolvimento histórico de seu sistema produtivo.
Ultrapassou as ideias de Marx e Engels, tornando-se uma corrente política-teórica que
abrange uma ampla gama de pensadores e militantes, nem sempre coincidentes. Assim, é
necessário observar as diversas definições de marxismo e suas diversas tendências,
especialmente a social-democracia, o bolchevismo e o esquerdismo.
Os pontos de partida são a dialéctica de Hegel, a filosofia materialista dos socialistas
utópicos franceses e as teorias económicas dos ingleses. Mais do que uma filosofia, o
marxismo é a crítica radical da filosofia, principalmente do sistema filosófico idealista de Hegel.
O núcleo do pensamento de Marx é sua interpretação do homem, que começa com a
necessidade humana. A história inicia com o próprio homem que, na busca da satisfação de
necessidades, trabalha sobre a natureza. À medida que realiza este trabalho, o homem
descobre-se como ser produtivo e passa a ter consciência de si e do mundo. Percebe então
que "a história é o processo de criação do homem pelo trabalho humano".
Segundo alguns, os dois elementos principais do marxismo são o materialismo
dialéctico, para o qual a natureza, a vida e a consciência se constituem de matéria em
movimento e evolução permanente, e o materialismo histórico, para o qual o modo de
produção é base determinante dos fenómenos históricos e sociais, inclusive as instituições
jurídicas e políticas, a moralidade, a religião e as artes. Para outros, não existe o materialismo
dialéctico esboçado por Engels e desenvolvido por Lenine e Estaline, mas é uma expressão
inexistente em Marx, que falava em dialéctica e método dialéctico e não em "materialismo
dialéctico".
A teoria marxista desenvolve-se em quatro níveis de análise – filosófico, económico,
político e sociológico – em torno da ideia central de mudança.

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Praticamente todas as artes receberam influência do Marxismo através de teóricos


que buscaram importar as ideias da luta de classes e da importância do engajamento dos
intelectuais em tais discussões. Na literatura, por exemplo, a chamada “crítica marxista” prega
que a análise de textos literários deve desconsiderar o estudo biográfico do autor e se fixar na
análise dos acontecimentos ficcionais a partir da visão da luta de classes.
Metafísica e epistemologia de Kant
O livro mais lido e mais influente de Kant é a "Crítica da Razão Pura" que resulta de
uma experiência de pensamento notavelmente simples onde ele diz “tente imaginar alguma
coisa que existe fora do tempo e que não tem extensão no espaço”. A mente humana não
pode produzir tal ideia. Tempo e espaço são formas fundamentais de percepção que existem
como estruturas inatas da mente. Nada pode ser apercebido excepto através destas formas, e
os limites da física são os limites da estrutura fundamental da mente. Na perspectiva de Kant,
há, por isso, qualquer coisa como ideias inatas – conhecimento "à priori" de algumas coisas
(espaço e tempo), uma vez que a mente tem de possuir estas categorias por forma a poder
compreender a massa sussurrante de experiência crua, não interpretada que se apresenta às
nossas consciências. Em segundo lugar, ela remove o mundo real (a que Kant chamou o
mundo numeral ou número) da arena da percepção humana – uma vez que tudo o que
percepcionamos é filtrado através das formas de espaço e tempo, nós não podemos
"conhecer" verdadeiramente o mundo real. Kant denominou a sua filosofia crítica de
"idealismo transcendental". Apesar da interpretação exacta desta frase ser contenciosa, uma
maneira de a compreender é através da comparação de Kant no segundo prefácio à "Crítica da
Razão Pura" da sua filosofia crítica com a revolução de Copérnico na astronomia. Kant escreve:
“Até aqui, foi assumido que todo o nosso conhecimento deve conformar-se aos objectos”. Mas
todas as nossas tentativas de estender o nosso conhecimento de objectos pelo estabelecer de
qualquer coisa "à priori" a seu respeito, por meios de conceitos, acabaram, nesta suposição,
por falhar. Temos pois, por tentativas, que ver se temos ou não mais sucesso nas tarefas da
metafísica, se supusermos que os objectos devem corresponder ao nosso conhecimento". Tal
como Copérnico revolucionou a astronomia ao mudar o ponto de vista, a filosofia crítica de
Kant pergunta quais as condições "à priori" para que o nosso conhecimento do mundo se
possa concretizar. O idealismo transcendental descreve este método de procurar as condições
da possibilidade do nosso conhecimento do mundo. O "idealismo transcendente" de Kant
deverá ser distinguido de sistemas idealistas. Enquanto Kant acha que os fenómenos
dependem das condições da sensibilidade, espaço e tempo, esta tese não é equivalente à
dependência mental no sentido do idealismo.
O Iluminismo
Francês
Os principais filósofos do Iluminismo foram: John Locke, ele acreditava que o homem
adquiria conhecimento com o passar do tempo através do empirismo; Voltaire, ele defendia a
liberdade de pensamento e não poupava crítica a intolerância religiosa; Jean-Jacques
Rousseau, ele defendia a ideia de um estado democrático que garanta igualdade para todos;
Montesquieu, ele defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; e
outros que juntos organizaram uma enciclopédia que reunia conhecimentos e pensamentos
filosóficos da época.
Iluminismo, o pensamento no Século das Luzes, critica ao absolutismo, pensadores
iluministas, Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Locke, Diderot e D'Alembert, ideias dos
principais filósofos, filosofia e política nos séculos XVII e XVIII.
Este movimento surgiu na França do século XVII e defendia o domínio da razão sobre a
visão teocêntrica que dominava a Europa desde a Idade Média. Segundo os filósofos
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iluministas, esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar as trevas em que se


encontrava a sociedade.
Entre os grandes sistemas do século XVII, como os de Spinoza, Leibnitz, e os do século XIX
– doutrinas de Hegel ou de Augusto Comte – a filosofia do século XVIII ocupa um lugar original;
ela ignora as grandes sínteses, as grandes "visões do mundo", possantes e originais, e marca o
triunfo da inteligência crítica.
Montesquieu (1689-1755)
A política de Montesquieu, exposta no Espírito das Leis, surge como essencialmente
racionalista. Ela se caracteriza pela busca de um justo equilíbrio entre a autoridade do
poder e a liberdade do cidadão. Para que ninguém possa abusar da autoridade, "é preciso que,
pela disposição das coisas, o poder detenha o poder". Daí a separação entre poder legislativo,
poder executivo e poder judiciário.
Montesquieu, porém, possui sobretudo concepção racionalista das leis que não
resultam dos caprichos arbitrários do soberano, mas são "relações necessárias que derivam da
natureza das coisas".
Voltaire (1694-1778)
As ideias filosóficas de Voltaire, tirada de Locke e de Newton, não são originais. O
próprio espírito voltairiano teve seus precursores. Voltaire, Criticou Leibnitz e o seu "melhor
dos mundos possíveis" que, após o terramoto de Lisboa, permanece optimista; contra Pascal,
ele acha que o homem, reduzido apenas aos seus recursos, pode estabelecer uma certa justiça
sobre a terra e alcançar uma certa felicidade. Apesar de negar o pecado original, Voltaire, no
entanto, mantém o princípio de um Deus justiceiro. É certo que esse Deus policial é sobretudo
requisitado para manter a ordem social e as vantagens económicas aproveitadas por Voltaire e
os outros grandes burgueses. O célebre verso de Voltaire "Se Deus não existisse precisaria ser
inventado" deve, para ser bem compreendido, ser citado com o seu comentário: "e teu novo
arrendatário / Por não crer em Deus, pagar-te-á melhor?" É certo, no entanto, que Voltaire crê
na ordem do mundo, numa finalidade providencial. Para ele, a estrutura geográfica da terra, as
espécies vivas são fixas; em nome desse finalismo estático, ele rejeita as ideias evolucionistas
que começam a se difundir. Recusa-se a crer nos fósseis de animais marinhos descobertos nas
montanhas por aquela época. Admitir que as montanhas outrora estiveram submersas, seria
negar a estabilidade e a finalidade da ordem actual do mundo. (Ele também teme que esses
fósseis marinhos nas montanhas só sirvam para os cristãos provarem a história do dilúvio!).
O Método Científico
Conjunto de regras básicas para um cientista desenvolver uma experiência controlada
para o bem da ciência.
No método científico, a hipótese é o caminho que deve levar à formulação de uma
teoria. O cientista, na sua hipótese, tem dois objectivos: explicar um facto e prever outros
acontecimentos dele decorrentes. A hipótese deverá ser testada em experiências laboratoriais
controladas e, se os resultados obtidos pelos pesquisadores comprovarem perfeitamente a
hipótese, então ela será aceita como uma teoria.
O método científico consiste das fases de Observação de um facto, de Formulação de um
problema, da Proposta de uma hipótese, da Realização de uma experiência controlada, para
testar a validade da hipótese, da Análise dos resultados e, claro, da Conclusão.
Para maior segurança nas conclusões, toda experiência deve ser controlada.
Experiência Controlada é aquela realizada com técnicas que permitem descartar as
variáveis que podem mascarar o resultado.

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Nesse tipo de experiência, utiliza-se: Um grupo de teste (o grupo que será


efectivamente testado) e Um grupo de controlo (um grupo que não é testado, e serve apenas
para comprovar que o teste é válido).
O Positivismo
Uma corrente filosófica cujo iniciador principal foi Augusto Comte. Surgiu como
desenvolvimento filosófico do Iluminismo, a que se associou a afirmação social das ciências
experimentais. Propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando
radicalmente teologia ou metafísica. Assim, o Positivismo - em sua versão comtiana, pelo
menos - associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma
ética humana, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte.
O antropólogo estrutural Leach descreveu o positivismo como "Positivismo é visão de
que o inquérito científico sério não deveria procurar causas últimas que derivem de alguma
fonte externa mas sim confinar-se ao estudo de relações existentes entre factos que são
directamente acessíveis pela observação."
Todavia, é importante notar que a palavra "Positivismo" não é unívoca, pois inúmeras
correntes de outras disciplinas assumem o nome de "positivistas" sem guardarem nenhuma
relação com a obra de Comte. Exemplo paradigmático disso é o Positivismo Jurídico, do
austríaco Kelsen.
O Positivismo fez grande sucesso na segunda metade do século XIX, mas, a partir da
acção de grupos contrários (marxistas, comunistas, fascistas, reaccionários, católicos,
místicos), perdeu influência no século XX. Todavia, desde fins do século XX ele tem sido
redescoberto e revalorizado como uma forma de perceber o homem e o mundo, a ciência e as
relações sociais.
O SURTO DA CIÊNCIA
Quase tudo que distingue o mundo moderno nos séculos anteriores se deve á ciência
que teve no século XVII os triunfos mais espectaculares.
As novas concepções científicas influenciaram profundamente a filosofia. Descartes,
em certo sentido fundador da filosofia moderna, foi também um dos criadores da ciência
seiscentista. Algo deve dizer-se de métodos e resultados da astronomia e da física antes da
atmosfera mental do tempo em que começou a compreender-se a filosofia moderna. Quatro
grandes homens - Copérnico, Kepler, Galileu e Newton - são preeminentes na criação da
ciência. Copérnico pertence aO século XVI, mas pouca influência teve no seu tempo.
Copérnico (1473-1543), eclesiástico polaco, ortodoxo, onde foi cónego. Todo o seu
tempo livre era dado à astronomia. Convenceu-se de que o Sol é o centro do universo e de que
a Terra tem movimento duplo, de rotação diurna e revolução anual, em volta do Sol. O receio
da censura eclesiástica fê-lo dilatar a publicação de estes resultados, embora os desse a
conhecer. A sua obra principal, De Revolutionibus Orbium Coelestium, publicou-se no ano da
sua morte, com prefácio do seu amigo Osiander, que dizia ser a teoria heliocêntrica
apresentada apenas como hipótese.
Kepler (1571-1630) é dos mais notáveis exemplos do que pode a paciência sem grande
auxílio do génio. Foi o primeiro astrónomo importante depois de Copérnico a adoptar a teoria
heliocêntrica mas os dados de Tycho Brahe mostraram-lhe que não podia ser na forma dada
por Copérnico. Foi influenciado pelo pitagorismo e mais ou menos inclinado ao culto solar,
apesar de bom protestante. Esses motivos sem dúvida dispuseram-no a favor da hipótese
heliocêntrica. O seu pitagorismo também o dispôs a seguir Platão no Timeu, atribuindo
significado cósmico aos cinco sólidos regulares. Serviram-lhe como hipótese; por fim e
felizmente um deles deu resultado.
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A grande obra de Kepler é as três leis do movimento planetário. na primeira: os


planetas descrevem órbitas elípticas de que o Sol ocupa um foco. Na segunda: a linha que liga
um planeta ao Sol descreve áreas iguais em tempos iguais. A terceira: o quadrado de um
período de revolução planetária é proporcional ao cubo da sua distância média ao Sol.
Galileu (1564-1642) é o maior fundador da ciência moderna, com a possível excepção
de Newton. Nasceu no dia da morte de Miguel Angelo e morreu no ano do nascimento de
Newton. A sua importância como fundador da dinâmica é talvez maior do que a de astrónomo.
Galileu descobriu a importância da aceleração em dinâmica. "Aceleração" quer dizer
mudança de velocidade em grandeza ou em direcção.
Galileu adoptou abertamente o sistema heliocêntrico; correspondeu-se com Kepler e
aceitou as suas descobertas. Sabendo que um holandês inventara um telescópio, construiu
também um e em breve fez descobertas importantes. Viu que a Via Láctea consiste numa
multidão de estrelas. Observou as fases de Vénus, que Copérnico sabia estar implícitas na sua
teoria, mas que eram inobserváveis a olho nu. Descobriu os satélites de Júpiter, que em honra
do seu patrono chamou 'sidera medicea'. Verificou que obedeciam às leis de Kepler. Mas havia
uma dificuldade. Sempre houvera sete corpos celestes: cinco planetas, Sol e Lua; ora sete é um
número sagrado. Para os ortodoxos sábado é o sétimo dia. Havia os candelabros septilumineos
e as sete igrejas da Ásia. Portanto, que podia haver mais adequado do que existirem sete
corpos celestes? Mas com as quatro luas de Júpiter eram onze, número sem propriedades
místicas. Por isso os tradicionalistas recusaram olhar pelo telescópio, teimando que ele só
revelava ilusões. Galileu escreveu a Kepler, para rirem os dois à vontade desta que chamaram
estupidez.
Galileu foi condenado pela Inquisição, primeiro privadamente, depois publicamente,
tendo então de prometer que não mais afirmaria que a Terra gira. A Inquisição conseguiu
acabar na Itália com a ciência que só veio a renascer ali séculos depois; mas não conseguiu que
homens de ciência pusessem de parte a teoria heliocêntrica e prejudicou consideravelmente a
Igreja com a sua estupidez.
Newton (1642-1727) pôs remate ao triunfo preparado por Copérnico, Kepler e Galileu.
Partindo das três leis do movimento - as duas primeiras devem-se a Galileu - provou que as
três leis de Kepler correspondiam à proposição de que cada planeta em cada momento tem
uma aceleração para o Sol variável inversamente ao quadrado da distância. Mostrou que as
acelerações para a Terra e Sol, usando a mesma fórmula, explicam o movimento da Lua e que
a aceleração dos graves na Terra está como a da Lua na relação da lei do quadrado inverso. De-
finiu "força" como causa da mudança de movimento, isto é, de aceleração.
Paradigma – conceito clássico
O significado clássico de paradigma de Platão, por exemplo, é a ideia de modelo.
Para Kuhn, o conceito de paradigma, associa-se à actividade de busca visando a
transformação e a ampliação do conhecimento. Com isso, aproxima-se bastante da ideia do
mapa do conhecimento dominado por um dado grupo. À ideia deste mapa do conhecimento
está associada a ideia da existência de um patamar básico de conhecimentos que existiriam
como necessários para dar suporte à concepção e à recepção das questões científicas. Tal
circunstância, conforme Kuhn, vai ser demonstrada pela investigação histórica da comunidade
académica.
Paradoxo
Em sentido amplo, «paradoxo» significa o que é «contrário à opinião recebida e comum», ou
à opinião admitida como válida.

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Em Filosofia, paradoxo designa o que é aparentemente contraditório, mas que apesar de


tudo tem sentido.
Em Matemática, fala-se muitas vezes de paradoxo matemático ou paradoxo lógico, ou seja,
de uma contradição deduzida no seio dos sistemas lógicos e das teorias matemáticas.
No entanto, as fronteiras do conceito de paradoxo não estão muito bem definidas. As ideias
de conflito ou de dificuldade insuperável parecem acompanhar de forma estável a ideia de
paradoxo. Mas, demasiado gerais, elas podem servir também para caracterizar «antinomia»
(que originariamente significava conflito entre duas leis) ou «aporia» («caminho sem saída»).
Um paradoxo lógico consiste em duas proposições contrárias ou contraditórias derivadas
conjuntamente a partir de argumentos que não se revelaram incorrectos fora do contexto
particular que gera o paradoxo. Ou seja, partindo de premissas geralmente aceites e utilizadas,
é (pelo menos aparentemente) possível, em certas condições específicas, inferir duas
proposições que ou afirmam exactamente o inverso uma da outra ou não podem ser ambas
verdadeiras.
Os paradoxos são conhecidos e discutidos desde a antiguidade e o seu aparecimento tem
impulsionado, em vários casos, um estudo mais rigoroso e profundo dos fundamentos da
matemática.
REFORMA E CONTRA-REFORMA
Reforma e Contra-Reforma representam a rebelião de nações menos civilizadas contra
o domínio intelectual de Itália. Na Reforma, a revolta era também política e teológica:
rejeitava-se a autoridade do papa e cessava ó tributo que ele obtivera pelo poder das chaves.
Na Contra-Reforma a revolta era apenas contra a liberdade intelectual e moral do
Renascimento italiano; o poder do papa não diminuiu, aumentou, e ao mesmo tempo via-se
que a sua autoridade era incompatível com o relaxamento dos Bórgias e Médicis. Na
generalidade, a Reforma era alemã, a Contra-Reforma espanhola. As guerras de religiões eram
também entre a Espanha e os seus inimigos, e coincidiam na data com o período do maior
poderio espanhol.
Os três grandes homens da Reforma e Contra-Reforma são Lutero, Calvino e Loyola.
Todos eram intelectualmente medievais em filosofia, comparados com os italianos que os
precederam ou com homens como Erasmus e Moore. Filosoficamente, o século ulterior ao
começo da Reforma é estéril. Lutero e Calvino reverteram a Santo Agostinho, mas só à
doutrina da relação da alma com Deus e não no que respeita à Igreja, cujo poder era diminuído
pela sua teologia. Aboliam o purgatório de onde as almas podem ser libertadas por missas.
Rejeitavam a doutrina das indulgências, de que dependia grande parte da renda papal. Pela
predestinação, o destino das almas era independente da acção dos padres. Estas inovações,
úteis na luta contra o papa, impediam as igrejas protestantes de ser tão poderosas nos países
protestantes como a católica em países católicos. Os teólogos protestantes (pelo menos a
principio) eram tão fanáticos como os católicos, mas tiveram menos poder e por isso não
puderam fazer tanto mal.
Os resultados da Reforma e da Contra-Reforma, na esfera intelectual, foram a princípio
inteiramente maus, mas por fim benéficos. A Guerra dos Trinta Anos persuadiu todos,
protestantes e católicos, da impossibilidade da vitória completa: foi necessário pôr de parte a
esperança medieval da unidade doutrinária, o que aumentou a liberdade do pensamento
individual, até em pontos fundamentais. A diferença de credos em países diversos permitiu o
refúgio no exterior. O aborrecimento da luta teológica fez voltarem se os homens de valor
para os estudos seculares, especialmente matemática e ciências. Eis uma das razões por que
sendo o século XVI, depois de Lutero, filosoficamente estéril, o XVII contém grandes nomes e

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feitos sem grandes preciosismos, ou, ainda, podem representar temáticas estudadas em anos diferentes dos actuais e que por isso
poderão incorrer em imprecisões normativas ou doutrinais.
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IPC – Introdução ao Pensamento Contemporâneo

realizou o mais notável progresso desde os tempos gregos. Esse progresso começou na ciência
e de ele vou falar agora.
Thomas Kuhn
Físico americano, faleceu em 1996, fez uma noção filosófica sobre a ciência que nós
hoje consideramos importante no contexto contemporâneo. Introduziu a noção de Revolução
Cientifica. Uma Revolução que não tem a ver com as ciências exactas. Alargou-as em todos os
domínios da ciência: sociológica, filosófica do próprio autor.
Passa da Monoparadigmática para a Pluriparadigmática. O novo paradigma é a Ciência
Revolucionária, que é passagem da ciência normal para os paradigmas (Passa de Mono a
Pluriparadigmática com o surgimento deste 2º paradigma (a passagem da Ciência Normal para
a Ciência Revolucionária).
Khun é um autor inovador e chama a atenção para as mudanças revolucionárias.
Concepção Monoparadigmática: Concepção que considera apenas uma ideia (paradigma) para
a soluça/resolução de um problema cientifico.
Concepção Pluriparadigmática: Ao considerar-se várias visões/paradigmas para
resolução/explicação de um determinado problema cientifico.
Segundo Kuhn o Paradigma define-se em sentido Lato porque diz respeito à forma de
fazer ciência que é partilhada por uma comunidade científica ou em sentido Particular que diz
respeito ao conjunto de soluções e problemas concretos que a ciência fornece através dos
instrumentos conceptuais e dos seus métodos;
Há vários paradigmas que podem ser aceites para a resolução dos problemas, daí o
pluriparadigmático. Para resolver o mesmo problema pode utilizar-se vários paradigmas. Não
há uma só forma na sociedade de ver os problemas.

Estes, bem como muitos dos apontamentos disponibilizados no blog Direito Lusófono, são de autoria desconhecida, ou foram
feitos sem grandes preciosismos, ou, ainda, podem representar temáticas estudadas em anos diferentes dos actuais e que por isso
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