Transformadas de Laplace

Notas de aulas - material compilado no dia 6 de Maio de 2003
Computação, Engenharia Elétrica e Engenharia Civil
Prof. Ulysses Sodré
ii
Copyright c 2002 Ulysses Sodré. Todos os direitos reservados.
email: <ulysses@sercomtel.com.br>
email: <ulysses@matematica.uel.br>
Material compilado no dia 6 de Maio de 2003.
Este material pode ser usado por docentes e alunos desde que citada a fonte, mas não pode ser
vendido e nem mesmo utilizado por qualquer pessoa ou entidade para auferir lucros.
Para conhecer centenas de aplicações da Matemática, visite a Home Page:
http://pessoal.sercomtel.com.br/matematica/
Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e entesourares contigo os
meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para
inclinares o teu coração ao entendimento; sim, se clamares por discerni-
mento, e por entendimento alçares a tua voz; se o buscares como a prata
e o procurares como a tesouros escondidos; então entenderás o temor do
Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedo-
ria; da sua boca procedem o conhecimento e o entendimento; ele reserva
a verdadeira sabedoria para os retos; e escudo para os que caminham em
integridade, guardando-lhes as veredas da justiça, e preservando o ca-
minho dos seus santos. Então entenderás a retidão, a justiça, a eqüidade,
e todas as boas veredas. [PROVÉRBIOS 2:1-9, Bíblia Sagrada.]
CONTEÚDO iii
Conteúdo
1 Introdução às transformadas de Laplace 1
2 Definição de transformada de Laplace 1
3 Função de ordem (tipo) exponencial 3
4 Existência da Transformada de Laplace 4
5 Pares de Transformadas de Laplace 5
6 Propriedades lineares das Transformadas de Laplace 5
7 Tabela de algumas transformadas de Laplace 7
8 Translação na Transformada de Laplace 7
9 Escala (homotetia) na Transformada de Laplace 8
10 Transformadas de Laplace de derivadas de funções 9
11 Derivadas de Transformadas de Laplace 10
12 Resolução de EDO Linear com Transformadas de Laplace 10
13 Convolução de funções 12
14 Convolução e Transformadas de Laplace 14
15 Tabela de propriedades das Transformadas de Laplace 15
16 O Método das frações parciais através de exemplos 15
16.1 Denominador tem m fatores lineares distintos . . . . . . . . . . . . . 16
16.2 Divisão de polinômio p
n
por fator linear repetido . . . . . . . . . . . . 18
16.3 Divisão de polinômio p
n
por um fator linear e outro repetido . . . . . 19
CONTEÚDO iv
16.4 Divisão de polinômio p
n
por fatores lineares repetidos . . . . . . . . . 21
17 Completando quadrados em uma função quadrática 22
17.1 Divisão de p(s) = ds + e por fator quadrático sem raízes reais . . . . 24
17.2 Divisão de p
n
por fator quadrático sem raízes reais e outro linear . . 25
18 Refinando a decomposição em frações parciais 26
18.1 O denominador tem um fator linear não repetido (s −a) . . . . . . . 26
18.2 O denominador tem um fator linear repetido (s −a)
m
. . . . . . . . . 27
18.3 O denominador tem fator linear complexo (s −a) não repetido . . . 28
18.4 O denominador possui um fator complexo (s −a)
2
. . . . . . . . . . . 29
19 Resolução de uma equação integro-diferencial 30
20 Resolução de Sistemas de EDO lineares 31
21 Resolução de Equações com coeficientes variáveis 33
22 Transformada de Laplace de uma função periódica 35
23 A função Gama e a Transformada de Laplace 37
1 Introdução às transformadas de Laplace 1
1 Introdução às transformadas de Laplace
Oliver Heaviside, quando estudava processos simples para obter so-
luções de Equações Diferenciais, vislumbrou um método de Cálculo
Operacional que leva ao conceito matemático da Transformada de
Laplace, que é um método simples para transformar um Problema
com Valores Iniciais (PVI)
1
, em uma equação algébrica, de modo a ob-
ter uma solução deste PVI de uma forma indireta, sem o cálculo de
integrais e derivadas para obter a solução geral da Equação Diferen-
cial. Pela utilidade deste método emMatemática, na Computação, nas
Engenharias, na Física e outras ciências aplicadas, o método repre-
senta algo importante neste contexto. As transformadas de Laplace
são muito usadas em diversas situações, porém, aqui trataremos de
suas aplicações na resolução de Equações Diferenciais Ordinárias Li-
neares.
Figura 1: Solução de Equação Diferencial com Transformadas de Laplace
2 Definição de transformada de Laplace
Se f = f(t) é uma função real ou complexa, definida para todo t ≥ 0
e o parâmetro z é um número complexo da forma z = s + iv de modo
que para cada para s > 0, ocorre a convergência da integral imprópria
1
PVI: Problema com Valores Iniciais formado por uma equação diferencial e condições iniciais.
2 Definição de transformada de Laplace 2
F(z) =
_

0
f(t)e
−zt
dt = lim
M→∞
__
M
0
f(t)e
−zt
dt
_
então a função F = F(z) definida pela integral acima, recebe o nome
de transformada de Laplace da função f = f(t).
Se o parâmetro z é um número real, isto é, a parte imaginária v = 0,
usamos z = s > 0 e a definição fica simplesmente na forma
F(s) =
_

0
f(t)e
−st
dt
A transformada de Laplace depende de s, é representada por uma
letra maiúscula F = F(s), enquanto que a função original que sofreu
a transformação depende de t é representada por uma letra minúscula
f = f(t). Para representar a transformada de Laplace da função f, é
comum usar a notação
L[f(t)] = F(s)
Exemplo: Afunção degrau unitário é muito importante neste contexto
e é definida por
u(t) =
_
1 se t ≥ 0
0 se t < 0
Para a função degrau unitário e considerando s > 0, temos que
L[u(t)] =
_

0
u(t)e
−st
dt = lim
M→∞
_
M
0
e
−st
dt
= lim
M→∞
_
e
−st
−s
_
M
0
= lim
M→∞
_
e
−sM
−s

1
−s
_
=
1
s
Identidade de Euler: Para todo número complexo α, vale a relação:
e

≡ cos(α) + i sin(α)
3 Função de ordem (tipo) exponencial 3
A partir desta identidade, podemos escrever
cos(α) =
1
2
[e

+ e
−iα
] e sin(α) =
1
2i
[e

−e
−iα
]
Exercício: Demonstrar que para
1. s > 0:
L[1] =
1
s
, L[t] =
1
s
2
e L[t
2
] =
2
s
3
2. s, a ∈ R com s > a:
L[e
at
] =
1
s −a
3. z, α ∈ C com Re(z −α) > 0:
L[e
αt
] =
1
z −α
4. Re(z) > 0:
L[cos(kt)] =
z
z
2
+ k
2
, L[sin(kt)] =
k
z
2
+ k
2
Exercícios: Calcular as transformadas de Laplace das funções reais
1. f(t) = cosh(kt) =
1
2
[e
kt
+ e
−kt
]
2. f(t) = sinh(kt) =
1
2
[e
kt
−e
−kt
]
3. f(t) = t e
−at
4. f(t) = e
at
cos(bt)
3 Função de ordem (tipo) exponencial
Uma função f = f(t) é de ordem (tipo) exponencial α sobre [0, ∞), se
existem constantes M > 0 e α ∈ R, tal que para todo t > 0 se tem:
|f(t)| ≤ Me
αt
4 Existência da Transformada de Laplace 4
o que é equivalente a
lim
t→∞
|e
−αt
f(t)| = 0
Exemplos:
1. f(t) = t
2
é de ordem exponencial pois |f(t)| ≤ 2e
t
.
2. f(t) = t
2
cos(at) é de ordem exponencial pois |f(t)| ≤ 2e
(1+a)t
.
3. f(t) = exp(t
3/2
) não é de ordem exponencial.
4. f(t) = t
n
e
at
cos(bt) é de ordem exponencial
5. g(t) = t
n
e
at
sin(bt) é de ordem exponencial
4 Existência da Transformada de Laplace
Se f = f(t) é seccionalmente contínua
2
para todo intervalo finito de
[0, ∞), e além disso f = f(t) é de tipo exponencial de ordemα quando
t → ∞, então a transformada de Laplace F = F(s), definida para
s > α por:
F(s) =
_

0
f(t)e
−st
dt
existe e converge absolutamente.
Apartir deste ponto, assumiremos que todas as funções f = f(t) serão
seccionalmente contínuas em todos os intervalos finitos de [0, ∞) e
que todas serão de ordem exponencial quando t → ∞.
Para este tipo de função f = f(t) podemos obter a transformada de
Laplace F = F(s), assim, dada uma função G = G(s) poderemos
questionar se existe uma função g = g(t) tal que G(s) = L[g(t)]?
2
Contínua por pedaços = Contínua por partes.
5 Pares de Transformadas de Laplace 5
Se existir esta função, ela será a transformada inversa de Laplace de
G = G(s) e esta inversa será denotada por
L
−1
[G(s)] = g(t)
5 Pares de Transformadas de Laplace
Na realidade, duas transformadas inversas de Laplace para a mesma
função F = F(s) são iguais, a menos de uma constante, mas aqui
não levaremos isto em consideração tendo em vista que estamos pro-
curando soluções particulares para equações diferenciais ordinárias
lineares.
Assumindo que as transformadas de Laplace direta e inversa são in-
versas uma da outra, isto é: L◦L
−1
= I
d
= L
−1
◦L, usaremos a notação
com duas setas em sentidos opostos e o par de funções (f, F) na forma
f(t) F(s)
para indicar que F = F(s) é a Transformada de Laplace de f = f(t) e
que f = f(t) é a transformada inversa de Laplace de F = F(s).
Exemplos: Dois importantes pares de transformadas são
u(t)
1
s
(s > 0)
e
at

1
s −a
(s > a)
6 Propriedades lineares das Transformadas de Laplace
A Transformada de Laplace é uma transformação linear, isto é:
L[f + g] = L[f] +L[g] e L[kf] = k L[f]
6 Propriedades lineares das Transformadas de Laplace 6
Exemplo: Pode-se demonstrar que L[a+bt+ct
2
] = aL[1]+bL[t]+cL[t
2
].
Exercício: Calcular as transformadas de Laplace das funções reais:
f(t) = 1 + t + t
2
e g(t) = sin(t) + cos(t)
A Transformada inversa de Laplace é uma transformação linear, i.e.:
L
−1
[F + G] = L
−1
[F] +L
−1
[G] e L
−1
[kF] = k L
−1
[F]
Exemplo: Pode-se mostrar que
L
−1
[
8
s

16
s
2
] = 8 L
−1
[
1
s
] −16 L
−1
[
1
s
2
]
Exercícios: Calcular as transformadas inversas de Laplace de:
F(s) =
3
s −a
+
5
s −b
e G(s) =
2s + 5
s
2
−25
Embora sejam necessárias algumas propriedades para facilitar o cál-
culo da transformada inversa de Laplace, um modo prático para obter
transformadas inversas de Laplace é através de tabelas.
7 Tabela de algumas transformadas de Laplace 7
7 Tabela de algumas transformadas de Laplace
N função L[f] N função L[f] Condição
01 u(t) ≡ 1 1/s 02 t 1/s
2
s > 0
03 t
2
2/s
3
04 t
n
n!/s
n+1
s > 0
05 e
at
, a ∈ R
1
s −a
06 e
at
, a ∈ C
1
z −a
Re(z −a) > 0
07 cos(at)
s
s
2
+ a
2
08 sin(at)
a
s
2
+ a
2
s > 0
09 e
at
cos(bt)
s −a
(s −a)
2
+ b
2
10 e
at
sin(bt)
b
(s −a)
2
+ b
2
s > a
11 cosh(at)
s
s
2
−a
2
12 sinh(at)
a
s
2
−a
2
s > a
13 t cos(at)
s
2
−a
2
(s
2
+ a
2
)
2
14 t sin(at)
2as
(s
2
+ a
2
)
2
s > 0
8 Translação na Transformada de Laplace
Se a Transformada de Laplace de f = f(t) é dada por
L[f(t)] = F(s) =
_

0
f(t)e
−st
dt
então
L[e
bt
f(t)] = F(s −b)
Demonstração:
L[e
bt
f(t)] =
_

0
[e
bt
f(t)]e
−st
dt =
_

0
e
−(s−b)t
f(t)dt
Substituindo s −b = σ, seguirá que
L[e
bt
f(t)] =
_

0
e
−σt
f(t)dt = F(σ) = F(s −b)
9 Escala (homotetia) na Transformada de Laplace 8
Exercício: Seja a função f(t) = u(t) cos(t). Obter a transformada de
Laplace da translação de f deslocada b unidades para a direita.
9 Escala (homotetia) na Transformada de Laplace
Se a Transformada de Laplace de f = f(t) é dada por
L[f(t)] = F(s) =
_

0
f(t)e
−st
dt
e λ > 0, então
L[f(λt)] =
1
λ
F(
s
λ
)
Demonstração:
L[f(λt)] =
_

0
[f(λt)]e
−st
dt
Substituindo λt = u e depois substituindo σ =
s
λ
poderemos escrever
L[f(λt)] =
1
λ
_

0
f(u)e

su
λ
du (1)
=
1
λ
_

0
f(u)e
−σu
du (2)
= F(σ) (3)
=
1
λ
F(
s
λ
) (4)
Exercício: Obter a transformada de Laplace da função f(t) = cos(12t)
e determinar a conexão entre a transformada obtida e a transformada
de Laplace de f(t) = cos(t).
10 Transformadas de Laplace de derivadas de funções 9
10 Transformadas de Laplace de derivadas de funções
Uma propriedade muito útil na resolução de um PVI é
L[y

] = s L[y] −y(0)
Demonstração:
L[y

] =
_

0
y

(t)e
−st
dt = lim
M→∞
_
M
0
y

(t)e
−st
dt
Usando o método de integração por partes comu = e
−st
e dv = y

(t)dt,
poderemos escrever
L[y

] = L[y

] = lim
M→∞
_
y(t)e
−st
¸
M
0

_
M
0
y(t)(−s)e
−st
dt
= lim
M→∞
_
y(M)e
−sM
−y(0)
¸
+ s
_
M
0
y(t)e
−st
dt
= lim
M→∞
_
y(M)e
−sM
¸
−y(0) + s
_

0
y(t)e
−st
dt
= 0 −y(0) + s
_

0
y(t)e
−st
dt
= s Y (s) −y(0)
sendo que lim
M→∞
[y(M)e
−sM
] = 0 pois a função y = y(t) é de ordem
exponencial quando t → ∞, assim
L[y

] = s Y (s) −y(0)
Exercício: Se Y (s) = L[y(t)], demonstrar que
L[y

] = s
2
Y (s) −s y(0) −y

(0)
e que em geral
11 Derivadas de Transformadas de Laplace 10
L[y
(n)
] = s
n
Y (s) −s
n−1
y(0) −s
n−2
y

(0) −s
n−3
y

(0) −... −y
(n−1)
(0)
11 Derivadas de Transformadas de Laplace
Se tomarmos a Transformada de Laplace:
F(s) =
_

0
f(t)e
−st
dt
e derivarmos ambos os membros desta igualdade em relação à variá-
vel s, obteremos:
dF
ds
=
_

0
(−t)f(t)e
−st
dt
que também pode ser escrito como
dF
ds
= L[(−t).f(t)]
Tomando as derivadas sucessivas de F = F(s), teremos a regra geral
L[t
n
f(t)] = (−1)
n
d
n
ds
n
F(s)
12 Resolução de EDOLinear comTransformadas de Laplace
Exemplo: Para obter a solução do PVI
y

+ y = e
−t
, y(0) = 5
aplicamos a Transformada de Laplace a esta EDO Linear para obter:
12 Resolução de EDO Linear com Transformadas de Laplace 11
L[y

+ y] = L[e
−t
]
Pela fórmula 05 da tabela da seção 7 e pela linearidade da transfor-
mada de Laplace, segue que
L[y

] +L[y] =
1
s + 1
Usando a fórmula da transformada da derivada, obtemos
sY (s) −y(0) + Y (s) =
1
s + 1
que podemos reescrever como
sY (s) −5 + Y (s) =
1
s + 1
Extraindo o valor de Y (s), obtemos
Y (s) =
1
(s + 1)
2
+ 5
1
s + 1
Aplicando a transformada inversa de Laplace a esta equação e obser-
vando na tabela que
L[t e
−t
] =
1
(s + 1)
2
e L[e
−t
] =
1
s + 1
obtemos a solução do PVI
y(t) = te
−t
+ 5e
−t
= (t + 5)e
−t
Exemplo: Para obter a solução do PVI
y

−2y

−3y = 6e
t
, y(0) = 1, y

(0) = 3
13 Convolução de funções 12
aplicamos a Transformada de Laplace a esta equação, para obter
L[y

−2y

−3y] = L[6e
t
]
Pela linearidade, temos
L[y

] −2L[y

] −3L[y] = L[6e
t
]
que pode ser escrito como
[s
2
Y (s) −s −3] −2[sY (s) −1] −3Y (s) =
6
s −1
Extraindo o valor Y (s), obtemos
Y (s) =
6
(s −1)(s + 1)(s −3)
+
1
(s + 1)(s −3)
Como esta última função pode ser escrita na forma:
Y (s) = −
3
2
1
s −1
+
3
4
1
s + 1
+
7
4
1
s −3
então, aplicando as transformadas inversas de Laplace através do uso
das tabelas, obtemos a solução do PVI:
y(t) = −
3
2
e
t
+
3
4
e
−t
+
7
4
e
3t
13 Convolução de funções
Sejam f = f(t) e g = g(t) funções integráveis para as quais o produto
destas funções também é uma função integrável. Definimos a convo-
lução (ou produto de convolução) de f e g, denotada por f ∗ g, como
a função
13 Convolução de funções 13
(f ∗ g)(t) =
_
t
0
f(t −u)g(u)du
Com a mudança de variáveis v = t − u, teremos que 0 ≤ v ≤ t e a
integral acima poderá ser escrita como
(f ∗ g)(t) =
_
t
0
g(t −v)f(v)dv = (g ∗ f)(t)
significando que a convolução é comutativa:
f ∗ g = g ∗ f
Em cursos mais avançados, podemos estudar outras propriedades da
convolução de funções. Por exemplo, quando temos uma função f
com uma propriedade fraca relacionada com a suavidade e outra fun-
ção g com propriedade forte relacionada com a suavidade, então a
convolução f ∗ g é uma outra função com propriedades melhores que
as propriedades de f e g.
Para a convolução de funções valem as seguintes propriedades:
1. Comutatividade: f ∗ g = g ∗ f
2. Associatividade: f ∗ (g ∗ h) = (f ∗ g) ∗ h
3. Distributividade: f ∗ (g + h) = f ∗ g + f ∗ h
4. Nulidade: f ∗ 0 = 0
5. Identidade: f ∗ δ = f onde δ é a distribuição delta de Dirac.
Exercício: Calcular cada convolução indicada
1. u
2
(t) = (u ∗ u)(t) onde u = u(t) é a função degrau unitário.
2. u
n
(t) = (u ∗ u ∗ ... ∗ u)(t) (n vezes).
3. f ∗ g sendo f(t) = e
at
e g(t) = e
bt
.
4. f ∗ g sendo f(t) = e
at
e u = u(t).
14 Convolução e Transformadas de Laplace 14
14 Convolução e Transformadas de Laplace
O produto das transformadas de Laplace não é igual à transformada
de Laplace do produto de funções, mas se tomarmos F(s) = L[f(t)] e
G(s) = L[g(t)], então poderemos escrever
L[f ∗ g] = F(s) G(s)
Em particular, se g(t) = u(t), então G(s) = 1/s para s > 0, teremos
L[f ∗ u] =
F(s)
s
Como u(w) = 1 para w > 0, segue que
L[f∗u] = L
__
t
0
f(t −w)u(w)dw
_
= L
__
t
0
f(t −w)dw
_
= L
__
t
0
f(w)dw
_
então
L
__
t
0
f(w)dw
_
=
F(s)
s
Tomando as transformadas de f = f(t), g(t) = h(t) = u(t), respectiva-
mente dadas por F = F(s) e G(s) = H(s) = 1/s (s > 0), teremos
F(s)
s
2
= L
__
t
0
__
w
0
f(v)dv
_
dw
_
Exercício: Usando o Princípio da Indução Finita (PIF), mostre que
L
_
t
n
n!
_
=
1
s
n+1
, L
_
e
at
t
n
n!
_
=
1
(s −a)
n+1
, L
−1
_
1
(s −a)
n+1
_
= e
at
t
n
n!
15 Tabela de propriedades das Transformadas de Laplace 15
15 Tabela de propriedades das Transformadas de Laplace
Tn Propriedades da Transformada In Propriedades da Inversa
T1 L[f + g] = L[f] +L[g] I1 L
−1
[F + G] = L
−1
[F] +L
−1
[G]
T2 L[kf] = kL[f] I2 L
−1
[kF] = kL
−1
[F]
T3 L[e
−at
f(t)] = F(s + a) I3 L
−1
[F(s + a)] = e
−at
f(t)
T4 L[f ∗ g] = F(s).G(s) I4 L
−1
[F(s).G(s)] = f ∗ g
T5 L[(−t)f(t)] = F

(s) I5 L
−1
[F

(s)] = (−t)f(t)
T6 L[(−t)
n
f(t)] = F
(n)
(s) I6 L
−1
[F
(n)
(s)] = (−t)
n
f(t)
T7 L
__
t
0
f(w)dw
_
=
F(s)
s
I7 L
−1
_
F(s)
s
_
=
_
t
0
f(w)dw
16 O Método das frações parciais através de exemplos
O Método das frações parciais é utilizado para decompor uma função
racional
f(s) =
p(s)
q(s)
que é a divisão de dois polinômios p = p(s) e q = q(s), ambos na
variável s, para obter frações mais simples, com o objetivo de faci-
litar processos de integração ou obter as transformadas inversas de
Laplace.
Para realizar tal tarefa, necessitamos de três hipóteses essenciais sobre
os polinômios p = p(s) e q = q(s):
1. p = p(s) e q = q(s) só possuem coeficientes reais;
2. p = p(s) e q = q(s) não possuem fatores em comum;
3. O grau de p = p(s) é sempre menor que o grau de q = q(s).
Apresentaremos alguns exemplos e o mínimo necessário de teoria re-
lacionado com cada método. Um polinômio de grau n na variável s
16.1 Denominador tem m fatores lineares distintos 16
será representado por p
n
= p
n
(s), enquanto p = p(s) será um polinô-
mio conhecido, sendo o seu grau indicado por gr(p). Dentre os casos
importantes, quatro serão analisados:
16.1 Denominador tem m fatores lineares distintos
Aqui n = gr(p
n
) e cada um dos m fatores “lineares” possuirá a forma
(s −a
k
) (k = 1, 2, ..., m), sendo m > n.
Exemplo: Para decompor a função racional
f(s) =
2s
2
−s + 1
(s −1)(s −2)(s −3)
em frações parciais, devemos escrever
2s
2
−s + 1
(s −1)(s −2)(s −3)

C
1
s −1
+
C
2
s −2
+
C
3
s −3
multiplicar todos os termos desta identidade por (s −1)(s −2)(s −3)
para obter uma outra identidade sem frações:
2s
2
−s + 1 ≡ C
1
(s −2)(s −3) + C
2
(s −1)(s −3) + C
3
(s −1)(s −2)
Substituir nesta última identidade, respectivamente, os valores s = 1,
s = 2 e s = 3, para obter:
2 = C
1
(1 −2)(1 −3)
7 = C
2
(2 −1)(2 −3)
16 = C
3
(3 −1)(3 −2)
Assim C
1
= 1, C
2
= −7 e C
3
= 8, logo
2s
2
−s + 1
(s −1)(s −2)(s −3)
=
1
s −1

7
s −2
+
8
s −3
16.1 Denominador tem m fatores lineares distintos 17
Método geral: Para decompor a função racional
f(s) =
p
n
(s)
(s −a
1
)(s −a
2
)...(s −a
m
)
em m fatores lineares da forma (s − a
1
), (s − a
2
), ..., (s − a
m
), sendo
m > n, escreveremos a identidade
p
n
(s)
(s −a
1
)(s −a
2
)...(s −a
m
)

C
1
s −a
1
+
C
2
s −a
2
+ ... +
C
m
s −a
m
Multiplicamos agora todos os termos desta identidade pelo produto
de todos os m fatores lineares:
m

j=1
(s −a
j
) = (s −a
1
)(s −a
2
)...(s −a
m
)
para obter uma outra identidade sem frações:
p
n
(s) ≡ C
1
(s −a
2
)(s −a
3
)...(s −a
m
)
+ C
2
(s −a
1
)(s −a
3
)...(s −a
m
)
+ C
3
(s −a
1
)(s −a
2
)(s −a
4
)...(s −a
m
)
+ ...
+ C
k
(s −a
1
)(s −a
2
)...(s −a
k−1
)(s −a
k
)(s −a
k+1
)...(s −a
m
)
+ ...
+ C
n
(s −a
1
)(s −a
2
)...(s −a
m−1
)
Para obter cada constante C
k
, basta substituir s = a
k
nesta última iden-
tidade, para obter a igualdade:
p
n
(a
k
) = C
k
m

j=1,(j=k)
(a
k
−a
j
)
16.2 Divisão de polinômio p
n
por fator linear repetido 18
Observamos que a expressão da direita contém o produto de todos os
fatores da forma (a
k
− a
j
) com j = 1, 2, ..., m exceto o que tem índice
j = k. Dessa forma, para cada k = 1, 2, ..., m temos que
C
k
=
p
n
(a
k
)

m
j=1,(j=k)
(a
k
−a
j
)
16.2 Divisão de polinômio p
n
por fator linear repetido
Consideremos uma situação emque mé o número de vezes que ocorre
a repetição de um fator linear (s −a) sendo m > n.
Exemplo: Para decompor a função racional
f(s) =
2s
2
−s + 1
(s −2)
3
em frações parciais, escreveremos
2s
2
−s + 1
(s −2)
3

C
1
s −2
+
C
2
(s −2)
2
+
C
3
(s −2)
3
Multiplicamos os termos da identidade por (s −2)
3
para obter
2s
2
−s + 1 ≡ C
1
(s −2)
2
+ C
2
(s −2) + C
3
Como necessitamos de três identidades, ainda faltam duas, as quais
podem ser obtidas através das duas primeiras derivadas desta última:
4s −1 ≡ 2C
1
(s −2) + C
2
4 = 2C
1
Da última relação, obtemos C
1
= 2. Na penúltima, tomamos s = 2
para obter C
2
= 7 e na primeira, obtemos C
3
= 7. Concluímos que
16.3 Divisão de polinômio p
n
por um fator linear e outro repetido 19
2s
2
−s + 1
(s −2)
3

2
s −2
+
7
(s −2)
2
+
7
(s −2)
3
Método: Para decompor a função racional
f(s) =
p
n
(s)
(s −a)
m
em m frações parciais, sendo m > n, escreveremos
p
n
(s)
(s −a)
m

C
1
s −a
+
C
2
(s −a)
2
+ ... +
C
m
(s −a)
m
Multiplicamos todos os termos da identidade por (s −a)
m
para obter
p
n
(s) ≡ C
1
(s −a)
m−1
+ C
2
(s −a)
m
−2 + ... + C
m
Como necessitamos de mequações, devemos calcular as m−1 primei-
ras derivadas sucessivas desta identidade e depois substituir s = a
em todas as m identidades para obter os coeficientes C
k
para cada
k = 1, 2, ..., m.
16.3 Divisão de polinômio p
n
por um fator linear e outro repetido
Seja mé o número de vezes que ocorre a repetição do fator linear (s−a)
com m > n e vamos considerar que ocorre apenas um fator linear
(s −b) no denominador da expressão racional.
Exemplo: Para decompor a função racional
f(s) =
2s
2
−s + 1
(s −2)
3
(s −1)
em frações parciais, escreveremos
2s
2
−s + 1
(s −2)
3
(s −1)

C
1
s −2
+
C
2
(s −2)
2
+
C
3
(s −2)
3
+
C
4
s −1
16.3 Divisão de polinômio p
n
por um fator linear e outro repetido 20
Multiplicando os termos da identidade por (s −2)
3
(s −1), obteremos
2s
2
−s +1 ≡ C
1
(s −1)(s −2)
2
+C
2
(s −1)(s −2) +C
3
(s −1) +C
4
(s −2)
3
Como o fator linear (s−1) aparece somente uma vez, basta tomar s = 1
nesta identidade para obter C
4
= −2. Para s = 2 obtemos C
3
= 7, mas
ainda necessitamos de duas outras identidades. Basta realizar as duas
primeiras derivadas da identidade acima em relação à variável s para
obter:
4s−1 ≡ C
1
[2(s−1)(s−2)+(s−2)
2
]+C
2
[(s−1)+(s−2)]+C
3
+C
4
(s−2)
2
e
4 ≡ C
1
[2(s −1) + 4(s −2)] + 2C
2
+ 6C
4
(s −2)
e depois substituir s = 2 em ambas. Não fizemos qualquer esforço
para reunir os termos semelhantes pois esta forma é altamente simpli-
ficadora, pois para s = 2, segue que C
2
= 0 e C
1
= 2, logo
2s
2
−s + 1
(s −2)
3
(s −1)

2
s −2
+
7
(s −2)
3

2
s −1
Método geral: Para decompor a função racional
f(s) =
p
n
(s)
(s −a)
m
(s −b)
em frações parciais, escreveremos
p
n
(s)
(s −a)
m
(s −b)

C
1
s −a
+
C
2
(s −a)
2
+ ... +
C
m
(s −a)
m
+
C
0
s −b
Multiplicando os termos da identidade por (s −a)
m
(s −b), obteremos
p
n
(s) ≡ (s −b)[C
1
(s −a)
m−1
+ C
2
(s −a)
m−2
+ ... + C
m
] + C
0
(s −a)
m
16.4 Divisão de polinômio p
n
por fatores lineares repetidos 21
Como o fator linear (s − b) aparece somente uma vez, basta tomar
s = b nesta identidade para obter C
0
. Para s = a obtemos C
m
, mas
ainda necessitamos de m−1 outras identidades. Basta realizar as m−
1 primeiras derivadas sucessivas da identidade acima em relação à
variável s para obter as outras constantes.
16.4 Divisão de polinômio p
n
por fatores lineares repetidos
Seja q o número de vezes que ocorre a repetição do fator linear (s −a)
e r o número de vezes que ocorre a repetição do fator linear (s − b),
sendo q + r > n.
Exemplo: Para decompor a função racional
f(s) =
2s
2
−s + 1
(s −2)
3
(s −1)
2
em frações parciais, escreveremos
2s
2
−s + 1
(s −2)
3
(s −1)
2

C
1
s −2
+
C
2
(s −2)
2
+
C
3
(s −2)
3
+
C
4
s −1
+
C
5
(s −1)
2
Multiplicando os termos da identidade por (s −2)
3
(s −1)
2
, obteremos
2s
2
−s + 1 ≡ (s −1)
2
[C
1
(s −2)
2
+ C
2
(s −2) + C
3
]
+(s −2)
3
[C
4
(s −1) + C
5
]
Como o fator linear (s−1) aparece duas vezes, devemos ter duas iden-
tidades relacionadas com ele, assim devemos derivar esta identidade
mais uma vez para obter a segunda identidade. Como o fator linear
(s − 2) aparece três vezes, devemos ter três identidades relacionadas
com este fator, assim, devemos realizar ainda as duas primeiras de-
rivadas desta identidade para que tenhamos três identidades relaci-
onadas com este outro fator. Substituindo s = 2 e s = 1 nas cinco
identidades, obtemos as constantes.
17 Completando quadrados em uma função quadrática 22
Método geral: Podemos decompor a função racional
f(s) =
p
n
(s)
(s −a)
q
(s −b)
r
em frações parciais, para escrever
p
n
(s)
(s −a)
q
(s −b)
r

C
1
s −a
+
C
2
(s −a)
2
+ ... +
C
q
(s −a)
q
+
D
1
s −b
+
D
2
(s −b)
2
+ ... +
D
r
(s −b)
r
Multiplicando os termos da identidade por (s −a)
q
(s −b)
r
, obteremos
uma identidade sem frações:
p
n
(s) ≡ (s −b)
r
[C
1
(s −a)
q−1
+ C
2
(s −a)
q−2
+ ... + C
q
]
+(s −a)
q
[D
1
(s −b)
r−1
+ D
2
(s −b)
r−2
+ ... + D
r
]
Como o fator linear s −a aparece q vezes na função racional, devemos
ainda realizar as primeiras q−1 derivadas sucessivas desta identidade
para ter ao final q identidades associadas ao fator s −a.
Como o fator linear s −b aparece r vezes na função racional, devemos
ainda realizar as primeiras r−1 derivadas sucessivas desta identidade
para ter ao final r identidades associadas ao fator s −b.
Substituindo s = a e s = b nas q+r identidades, obtemos as constantes
C
j
com j = 1, 2, ..., q e D
k
com k = 1, 2, ..., r.
17 Completando quadrados em uma função quadrática
Se uma função quadrática q(s) = as
2
+bs +c não possui zeros (raízes)
reais, e este fato ocorre quando o discriminante ∆ = b
2
− 4ac < 0, é
vantajoso reescrever esta função como uma soma de quadrados. Para
17 Completando quadrados em uma função quadrática 23
realizar isto, devemos por em evidência o valor a, que é o coeficiente
do termo dominante:
q(s) = a[s
2
+
b
a
s +
c
a
]
Somamos e subtraímos o valor (
b
2a
)
2
dentro das chaves, que corres-
ponde ao quadrado da metade do coeficiente do termo em s:
q(s) = a[s
2
+
b
a
s + (
b
2a
)
2
−(
b
2a
)
2
+
c
a
]
para escrever
q(s) = a[(s +
b
a
)
2
+
4ac −b
2
4a
2
]
que representa a soma de dois quadrados, pois 4ac −b
2
> 0.
Exemplo: Seja q(s) = 2s
2
−s + 1. Como ∆ = −7, pomos em evidência
a constante 2 para obter
q(s) = 2[s
2

1
2
s +
1
2
]
A metade do coeficiente do termo ems é −
1
4
que elevado ao quadrado
fornece
1
16
. Somando e subtraindo
1
16
, segue que
q(s) = 2[s
2

1
2
s +
1
16

1
16
+
1
2
]
ou seja
q(s) = 2[(s −
1
2
)
2
+
7
16
]
que é uma soma de quadrados multiplicada por uma constante
17.1 Divisão de p(s) = ds + e por fator quadrático sem raízes reais 24
q(s) = 2
_
(s −
1
2
)
2
+ (

7
4
)
2
_
17.1 Divisão de p(s) = ds + e por fator quadrático sem raízes reais
Seja a função p(s) = ds+e dividida por um fator quadrático as
2
+bs+c
que não tem zeros reais, isto é
f(s) =
ds + e
as
2
+ bs + c
Uma forma útil de decompor esta função racional é usar o fato que o
denominador pode ser escrito como uma soma de quadrados multi-
plicada por uma constante:
f(s) =
ds + e
a[(s +
b
a
)
2
+
4ac−b
2
4a
2
]
Com a mudança de variável v = s +
b
a
, a função racional fica na forma
f(v) =
d(v −
b
a
) + e
a[v
2
+
4ac−b
2
4a
2
]
f(v) =
d
a
_
v
v
2
+
4ac−b
2
4a
2
_
+
ae −db
a
2
_
1
v
2
+
4ac−b
2
4a
2
_
Voltando a usar a variável s, podemos escrever:
f(s) =
d
a
_
s +
b
a
(s +
b
a
)
2
+
4ac−b
2
4a
2
_
+
ae −db
a
2
_
1
(s +
b
a
)
2
+
4ac−b
2
4a
2
_
Exemplo: Seja a função racional
f(s) =
s
s
2
−4s + 13
17.2 Divisão de p
n
por fator quadrático sem raízes reais e outro linear 25
Assim
f(s) =
s
s
2
−4s + 4 + 9
=
s −2 + 2
(s −2)
2
+ 3
2
que também pode ser escrito na conveniente forma
f(s) =
s −2
(s −2)
2
+ 3
2
+
2
3
3
(s −2)
2
+ 3
2
17.2 Divisão de p
n
por fator quadrático sem raízes reais e outro li-
near
Exemplo: Seja a função racional
f(s) =
2s + 5
(s
2
−4s + 13)(s −3)
Esta função pode ser reescrita na forma
f(s) =
2(s −2 + 2) + 5
[(s −2)
2
+ 3
2
](s −3)
=
2(s −2) + 9
[(s −2)
2
+ 3
2
](s −3)
que pode ser decomposta como
2s + 5
(s
2
−4s + 13)(s −3)

A(s −2)
(s −2)
2
+ 3
2
+
B
(s −2)
2
+ 3
2
+
C
s −3
Multiplicando os termos da identidade por (s
2
−4s +13)(s −3), obte-
remos
2s + 5 ≡ A(s −2)(s −3) + B(s −3) + C[(s −2)
2
+ 3
2
]
Com s = 3 na identidade acima, obtemos C =
11
10
e com s = 2 na
mesma identidade, obtemos B =
9
10
.
18 Refinando a decomposição em frações parciais 26
Ainda falta obter a constante A. Derivaremos então a identidade acima
em relação à variável s para obter
2 ≡ A[(s −2) + (s −3)] + B + 2C(s −2)
Com s = 2 nesta identidade adicional, obtemos A = −20.
18 Refinando a decomposição em frações parciais
18.1 O denominador tem um fator linear não repetido (s −a)
Neste caso, temos que q(a) = 0 e a decomposição fica na forma
p(s)
q(s)

A
s −a
+ r(s)
Multiplicando os termos da identidade acima por (s −a), obtemos:
(s −a)p(s)
q(s)
≡ A + (s −a) r(s)
Sabemos que q(a) = 0, assim, se definirmos
ϕ
1
(s) =
(s −a)p(s)
q(s)
=
p(s)
q(s) −q(a)
s −a
escreveremos
ϕ
1
(s) ≡ A + (s −a) r(s)
Tomando agora o limite emambos os membros desta identidade, quando
s → a, obtemos
18.2 O denominador tem um fator linear repetido (s −a)
m
27
A = lim
s→a
ϕ
1
(s) =
lim
s→a
p(s)
lim
s→a
q(s) −q(a)
s −a
=
p(a)
q

(a)
Obtemos assim a constante A, e a transformada inversa de Laplace
aplicada à identidade, nos dará:
L
−1
[
p(s)
q(s)
] = Ae
at
+L
−1
[r(s)]
Exercício: Usando as transformadads de Laplace, mostrar que se
F(s) =
7s −1
(s −3)(s + 2)(s −1)
então f(t) = 2e
3t
−e
−2t
−e
t
.
18.2 O denominador tem um fator linear repetido (s −a)
m
Neste caso:
p(s)
q(s)

A
m
(s −a)
m
+
A
m−1
(s −a)
m−1
+ ... +
A
1
s −a
+ r(s)
Multiplicando a identidade acima por (s −a)
m
, obtemos
(s −a)
m
p(s)
q(s)
≡ A
m
+ A
m−1
(s −a)
1
+ ... + A
1
(s −a)
m−1
+ r(s)
É interessante definir
ϕ
m
(s) =
(s −a)
m
p(s)
q(s)
O coeficiente A
m
é dado por
18.3 O denominador tem fator linear complexo (s −a) não repetido 28
A
m
= lim
s→a
ϕ
m
(s)
e os coeficiente A
m−1
, A
m−2
, ..., são obtidos, respectivamente pelas rela-
ções obtidas pelos limites das derivadas sucessivas de ϕ multiplicadas
por algumas constantes, isto é:
A
m−1
=
1
1!
lim
s→a

m
(s)
ds
, A
m−2
=
1
2!
lim
s→a
d
2
ϕ
m
(s)
ds
2
, ...
Em geral, cada A
k
(k = 1, 2, ..., m), pode ser obtido por
A
k
=
1
(m−k)!
lim
s→a
d
m−k
ϕ
m
(s)
ds
m−k
e a transformada inversa de Laplace nos dará:
L
−1
[
p(s)
q(s)
] = e
at
_
A
m
t
m−1
(m−1)!
+
A
m−1
t
m−2
(m−2)!
+ ... + A
1
_
+L
−1
[r(s)]
Exercício: Obter a função f = f(t) cuja transformada de Laplace é
F(s) =
1
(s −4).(s −3)
3
Resposta: f(t) = e
3t
(−
1
2
t
2
−t −1) + e
4t
.
Em momento algum nos preocupamos se o número a deveria ser real
ou complexo. Se a é complexo, isto é, a = c + di, então podemos
decompor a função racional em frações parciais de uma forma um
pouco diferente, pois sabemos da Álgebra que se a = c +di é um zero
de q = q(s), então o conjugado de a, dado por a = c −di também é um
zero de q = q(s), uma vez que os coeficientes do polinômio q = q(s)
são números reais. Temos assim, o terceiro caso.
18.3 Odenominador temfator linear complexo (s−a) não repetido
Neste caso:
18.4 O denominador possui um fator complexo (s −a)
2
29
p(s)
q(s)

A
s −a
+ r(s)
Aqui usaremos a = c+di e multiplicaremos tanto o numerador como o
denominador da fração do segundo membro da identidade pelo con-
jugado de (s −a) = s −a, para obter
p(s)
q(s)
≡ A
s −a
(s −a)s −a
+ r(s)
e esta última identidade pode ser escrita como
p(s)
q(s)
=
A(s −c) + B
(s −c)
2
+ d
2
+ r(s)
onde agora A e B são números reais, ou ainda na forma
p(s)
q(s)
= A
s −c
(s −c)
2
+ d
2
+ D
d
(s −c)
2
+ d
2
+ r(s)
A transformada inversa de Laplace nos dá então
L
−1
[
p(s)
q(s)
] = Ae
ct
cos(dt) + De
ct
sin(dt) +L
−1
[r(s)]
18.4 O denominador possui um fator complexo (s −a)
2
Aqui, usaremos a = c + di e escreveremos
p(s)
q(s)

A
(s −a)
2
+ r(s)
Multiplicaremos tanto o numerador como o denominador da fração
do segundo membro da identidade pelo conjugado de (s −a)
2
, para
obter uma identidade da forma
19 Resolução de uma equação integro-diferencial 30
p(s)
q(s)

As + B
[(s −c)
2
+ d
2
]
2
+
Cs + D
(s −c)
2
+ d
2
+ r(s)
onde agora A, B, C e D são números reais.
O restante segue de forma similar aos casos anteriores.
Exercício: Obter a função f = f(t) tal que
F(s) =
s
2
+ 2
(s
2
+ 2s + 5)
2
Resposta:
f(t) = 2e
−t
_
t
16
cos(2t) + (−
t
4
+
7
32
) sin(2t)
_
19 Resolução de uma equação integro-diferencial
Uma equação integro-diferencial é uma equação diferencial em que a
função incógnita está sob o sinal de integração. Consideremos o PVI
dado pela equação integro-diferencial
y

+ 2y −3
_
t
0
y(u)du = 5(1 + t), y(0) = 2
Aplicando a Transformada de Laplace a ambos os membros da igual-
dade desta equação, obtemos:
L[y

] + 2L[y] −3L
__
t
0
y(u)du
_
= 5L[1 + t]
assim
s Y (s) −2 + 2Y (s) −3
Y (s)
s
=
5
s
+
5
s
2
20 Resolução de Sistemas de EDO lineares 31
Isolando o valor de Y (s), obtemos
Y (s) =
2 +
5
s
+
5
s
2
s
2
+ 2s −3
=
2s
2
+ 5s + 5
s
2
(s −1)(s + 3)
Usando frações parciais, podemos escrever
Y (s) =
A
s
+
B
s
2
+
C
s −1
+
D
s + 3
Após obter as constantes A, B, C e D, podemos usar as transformadas
inversas de Laplace para escrever
y(t) = −
5
3
+ 3e
t
+
2
3
e
−3t
Exercícios: Resolver as Equações integro-diferenciais:
1. y

+
_
t
0
y(u)du = 1, y(0) = 2
2. y

−y −6
_
t
0
y(u)du = 12e
3t
, y(0) = −3
3. y +
_
t
0
y(u)du = sin(2t)
20 Resolução de Sistemas de EDO lineares
Para resolver sistemas com duas equações diferenciais nas funções in-
cógnitas x = x(t) e y = y(t), podemos aplicar a Transformada de
Laplace a cada EDO de forma que L[x] = X(s) e L[y] = Y (s) e fazer
com que o sistema recaia num sistema algébrico com duas equações
nas duas incógnitas X(s) e Y (s). Veremos como isto funciona com
um exemplo relativamente simples mas suficientemente amplo para
mostrar a funcionalidade do método.
20 Resolução de Sistemas de EDO lineares 32
Exemplo: Para determinar a solução do PVI
x

(t) + x(t) + y

(t) −y(t) = 2
x

(t) + x

(t) −y

(t) = cos(t)
sujeito às condições: x(0) = 0, x

(0) = 2 e y(0) = 1, devemos usar as
fórmulas que envolvem as transformadas de Laplace das derivadas
de primeira e segunda ordem.
Como
L[x

(t)] = s
2
X(s) −s x(0) −x

(0) = s
2
X(s) −x

(0)
L[x

(t)] = sX(s) −x(0) = sX(s)
L[y

(t)] = sY (s) −y(0) = sY (s) −1
L[2] =
2
s
L[cos(t)] =
s
s
2
+ 1
podemos aplicar a transformada de Laplace às equações
L[x

(t) + x(t) + y

(t) −y(t)] = L[2]
L[x

(t) + x

(t) −y

(t)] = L[cos(t)]
para obter
(s + 1) X(s) + (s −1) Y (s) = 1 +
2
s
(s
2
+ s) X(s) −s Y (s) = 1 +
s
s
2
+ 1
Este sistema de equações algébricas pode ser posto na forma matricial
21 Resolução de Equações com coeficientes variáveis 33
_
s + 1 s −1
s + 1 −1
__
X(s)
Y (s)
_
=
_
_
_
s + 2
s
1
s
+
1
s
2
+ 1
_
_
_
Resolvendo este sistema pela regra de Cramer, obtemos
X(s) =
1
s
2
+
1
s
2
+ 1
Y (s) =
1
s
2
+
s
s
2
+ 1
Com as transformadas inversas de Laplace destas funções, obtemos
x(t) = t + sin(t)
y(t) = t + cos(t)
21 Resolução de Equações com coeficientes variáveis
Já mostramos antes que
d
ds
L[f(t)] = F

(s) = L[(−t) f(t)]
e que em geral:
F
(n)
(s) = L[(−t)
n
f(t)]
o que significa que a n-ésima derivada da transformada de Laplace de
f em relação à variável s, é igual à transformada de Laplace da função
(−t)
n
f(t), isto é:
d
n
ds
n
L[f(t)] = L[(−t)
n
f(t)]
21 Resolução de Equações com coeficientes variáveis 34
Se, em particular, tomarmos f(t) = y

(t), teremos:
d
ds
L[y

(t)] = L[−t y

(t)]
que pode ser escrito na forma:
L[t y

(t)] = −
d
ds
L[y

]
e como L[y

] = sY (s) −y(0), então
L[t y

(t)] = −
d
ds
[sY (s) −y(0)] = −sY

(s) −Y (s)
Resumindo, temos para a primeira derivada:
L[t y

(t)] = −s Y

(s) −Y (s)
Repetindo o processo para a função f(t) = y

(t), temos:
L[t y

(t)] = −s
2
Y

(s) −2s Y (s) + y(0)
Exemplo: Para resolver o Problema com Valor Inicial com uma EDO
linear com coeficientes variáveis:
y

+ ty

−2y = 7, y

(0) = 0, y(0) = 0
aplicaremos a transformada de Laplace a ambos os membros da igual-
dade para obter
L[y

+ ty

−2y] = L[4]
Como
L[y

(t)] = s
2
Y (s) −s y(0) −y

(0) = s
2
Y (s)
22 Transformada de Laplace de uma função periódica 35
L[t y

] = −s Y

(s) −Y (s)
L[4] =
4
s
então
Y

(s) +
3 −s
2
s
Y (s) = −
4
s
2
e resolvendo esta Equação Diferencial Ordinária Linear, teremos:
Y (s) =
4
s
3
+ C
1
s
3
exp(
s
2
2
)
e obtendo a transformada inversa de Laplace desta função com C = 0,
temos a solução:
y(t) = 2t
2
22 Transformada de Laplace de uma função periódica
Consideremos uma função periódica de período p > 0, isto é, uma
função tal que f(t + p) = f(t) para todo t > 0. Como a transformada
de Laplace de f é dada por:
L[f(t)] =
_

0
f(t)e
−st
dt
então, decompondo esta integral em infinitas integrais realizadas so-
bre os sub-intervalos de comprimento p, obteremos
F(s) = (
_
p
0
+
_
2p
p
+
_
3p
2p
+
_
4p
3p
+...)f(t)e
−st
dt
que pode ser escrito em uma forma sintética
22 Transformada de Laplace de uma função periódica 36
F(s) =

k=0
_
(k+1)p
kp
f(t)e
−st
dt
Em cada integral dada acima, temos que kp ≤ t ≤ (k+1)p. Realizando
uma mudança de variável t = v + kp, teremos que dt = dv e dessa
forma a variável v estará no domínio 0 ≤ v ≤ p.
F(s) =

k=0
_
p
0
f(v + kp) e
−s(v+kp)
dv
Como f é p-periódica, f(v) = f(v + kp) para todo v ≥ 0 e assim
F(s) =

k=0
_
p
0
f(v) e
−sv
e
−skp
dv
que também pode ser posto na forma
F(s) =
_

k=0
e
−skp
_
_
p
0
f(v)e
−sv
dv
e como a expressão dentro dos colchetes é uma série geométrica de
razão e
−skp
< 1, segue que:
F(s) =
1
1 −e
−sp
_
p
0
f(v)e
−sv
dv
Exemplo: Seja f(t) = sin(t) para t ∈ [0, 2π]. Então
L[u(t)f(t)] =
1
1 −e
−2πs
_

0
sin(v)e
−sv
dv
Exemplo: Seja f(t) = t para 0 < t < 6 e f(t +6) = f(t) para todo t ≥ 0.
Assim
23 A função Gama e a Transformada de Laplace 37
L[u(t)f(t)] =
1
1 −e
−6s
_
6
0
ve
−sv
dv
23 A função Gama e a Transformada de Laplace
A função gama, denotada por Γ = Γ(z), é definida por:
Γ(z) =
_

0
e
−t
t
z−1
dt
Se na integral acima tomarmos t = sv, poderemos escrever
Γ(z) =
_

0
e
−sv
(sv)
z−1
sdv = s
z
_

0
v
z−1
e
−sv
dv
Tomando em particular, z = n, observamos que esta última integral é
a transformada de Laplace de f(v) = v
n−1
e segue que
Γ(n) = s
n
L[v
n−1
]
Acontece que para cada n natural, temos que
L[v
n−1
] =
(n −1)!
s
n
logo
Γ(n) = s
n
(n −1)!
s
n
Assim, para todo n natural, podemos tomar a função gama como
Γ(n) = (n −1)!
23 A função Gama e a Transformada de Laplace 38
A função Γ = Γ(z) é usada como extensão da função fatorial válida
para todo número natural e tal extensão vale para todo número real
onde esta integral converge.
Uma situação muito difícil de ser demonstrada no âmbito do Ensino
Básico é que 0! = 1, mas pela identificação da função Γ com a função
fatorial, podemos mostrar que
0! = Γ(1) =
_

0
e
−t
t
1−1
dt =
_

0
e
−t
dt = 1
Para a função f(t) = t
n−1
, a transformada de Laplace é dada por
L[t
n−1
] =
(n −1)!
s
n
=
Γ(n)
s
n
logo
L[t
n
] =
n!
s
n+1
=
Γ(n + 1)
s
n+1
A propriedade L[tf(t)] = −F

(s) aplicada à função f(t) = t
n−1
fornece
L[t
n
] = L[t t
n−1
] = −
d
ds
L[t
n−1
] = −
d
ds
Γ(n)
s
n
=
nΓ(n)
s
n+1
assim, a função Γ = Γ(n) pode ser definida recursivamente para cada
n natural, pelas duas relações
Γ(n + 1) = n Γ(n), Γ(1) = 1
Na verdade, em estudos mais avançados, a função Γ = Γ(x) pode ser
definida para todo x ∈ R, exceto para os x que são números inteiros
não positivos, isto é, x / ∈ {0, −1, −2, −3, ...}.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 39
Referências bibliográficas
[1] Ditkine,V e Proudnikov,A., Transformations Intégrales et Calcul
Opérationnel, Éditions MIR, (1978), Moscou
[2] Hille, Einar, Analysis, vol.1 e 2. Blaisdell Publ. Co., (1966),
Waltham, Mass., USA.
[3] Kaplan, Wilfred, Cálculo Avançado, vol.1 e 2. Edgard Blücher Edi-
tora e EDUSP, (1972), São Paulo, Brasil.
[4] Quevedo, Carlos P., Circuitos Elétricos, LTC Editora, (1988), Rio de
Janeiro, Brasil.
[5] Moore, Douglas, Heaviside Operational Calculus, American Else-
vier Publ. Co., (1971), New York.
[6] Spiegel, Murray, Análise de Fourier, Coleção Schaum, McGraw-
Hill do Brasil, (1976), São Paulo, Brasil.

ii

Copyright c 2002 Ulysses Sodré. Todos os direitos reservados. email: <ulysses@sercomtel.com.br> email: <ulysses@matematica.uel.br> Material compilado no dia 6 de Maio de 2003.

Este material pode ser usado por docentes e alunos desde que citada a fonte, mas não pode ser vendido e nem mesmo utilizado por qualquer pessoa ou entidade para auferir lucros.

Para conhecer centenas de aplicações da Matemática, visite a Home Page:

http://pessoal.sercomtel.com.br/matematica/

Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e entesourares contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu coração ao entendimento; sim, se clamares por discernimento, e por entendimento alçares a tua voz; se o buscares como a prata e o procurares como a tesouros escondidos; então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca procedem o conhecimento e o entendimento; ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos; e escudo para os que caminham em integridade, guardando-lhes as veredas da justiça, e preservando o caminho dos seus santos. Então entenderás a retidão, a justiça, a eqüidade, e todas as boas veredas. [PROVÉRBIOS 2:1-9, Bíblia Sagrada.]

CONTEÚDO

iii

Conteúdo
1 Introdução às transformadas de Laplace 2 Definição de transformada de Laplace 3 Função de ordem (tipo) exponencial 4 Existência da Transformada de Laplace 5 Pares de Transformadas de Laplace 6 Propriedades lineares das Transformadas de Laplace 7 Tabela de algumas transformadas de Laplace 8 Translação na Transformada de Laplace 9 Escala (homotetia) na Transformada de Laplace 10 Transformadas de Laplace de derivadas de funções 11 Derivadas de Transformadas de Laplace 12 Resolução de EDO Linear com Transformadas de Laplace 13 Convolução de funções 14 Convolução e Transformadas de Laplace 15 Tabela de propriedades das Transformadas de Laplace 16 O Método das frações parciais através de exemplos 16.1 Denominador tem m fatores lineares distintos . . . . . . . . . . . . . 16.2 Divisão de polinômio pn por fator linear repetido . . . . . . . . . . . . 16.3 Divisão de polinômio pn por um fator linear e outro repetido . . . . . 1 1 3 4 5 5 7 7 8 9 10 10 12 14 15 15 16 18 19

CONTEÚDO

iv

16.4 Divisão de polinômio pn por fatores lineares repetidos . . . . . . . . . 17 Completando quadrados em uma função quadrática 17.1 Divisão de p(s) = ds + e por fator quadrático sem raízes reais . . . . 17.2 Divisão de pn por fator quadrático sem raízes reais e outro linear . . 18 Refinando a decomposição em frações parciais 18.1 O denominador tem um fator linear não repetido (s − a) . . . . . . . 18.2 O denominador tem um fator linear repetido (s − a)m . . . . . . . . . 18.3 O denominador tem fator linear complexo (s − a) não repetido . . . 18.4 O denominador possui um fator complexo (s − a)2 . . . . . . . . . . . 19 Resolução de uma equação integro-diferencial 20 Resolução de Sistemas de EDO lineares 21 Resolução de Equações com coeficientes variáveis 22 Transformada de Laplace de uma função periódica 23 A função Gama e a Transformada de Laplace

21 22 24 25 26 26 27 28 29 30 31 33 35 37

Pela utilidade deste método em Matemática. Figura 1: Solução de Equação Diferencial com Transformadas de Laplace 2 Definição de transformada de Laplace Se f = f (t) é uma função real ou complexa. porém. ocorre a convergência da integral imprópria 1 PVI: Problema com Valores Iniciais formado por uma equação diferencial e condições iniciais. nas Engenharias. aqui trataremos de suas aplicações na resolução de Equações Diferenciais Ordinárias Lineares.1 Introdução às transformadas de Laplace 1 1 Introdução às transformadas de Laplace Oliver Heaviside. As transformadas de Laplace são muito usadas em diversas situações. sem o cálculo de integrais e derivadas para obter a solução geral da Equação Diferencial. na Física e outras ciências aplicadas. . o método representa algo importante neste contexto. quando estudava processos simples para obter soluções de Equações Diferenciais. que é um método simples para transformar um Problema com Valores Iniciais (PVI)1 . em uma equação algébrica. vislumbrou um método de Cálculo Operacional que leva ao conceito matemático da Transformada de Laplace. de modo a obter uma solução deste PVI de uma forma indireta. na Computação. definida para todo t ≥ 0 e o parâmetro z é um número complexo da forma z = s + iv de modo que para cada para s > 0.

é representada por uma letra maiúscula F = F (s). recebe o nome de transformada de Laplace da função f = f (t). enquanto que a função original que sofreu a transformação depende de t é representada por uma letra minúscula f = f (t). isto é. Para representar a transformada de Laplace da função f . usamos z = s > 0 e a definição fica simplesmente na forma ∞ F (s) = 0 f (t)e−st dt A transformada de Laplace depende de s. vale a relação: eiα ≡ cos(α) + i sin(α) . a parte imaginária v = 0. temos que ∞ M L[u(t)] = 0 u(t)e lim −st dt = lim = lim M →∞ e−st dt 0 = M →∞ e −s −st M 0 M →∞ e−sM 1 1 − = −s −s s Identidade de Euler: Para todo número complexo α. é comum usar a notação L[f (t)] = F (s) Exemplo: A função degrau unitário é muito importante neste contexto e é definida por u(t) = 1 se t ≥ 0 0 se t < 0 Para a função degrau unitário e considerando s > 0. Se o parâmetro z é um número real.2 Definição de transformada de Laplace 2 ∞ M F (z) = 0 f (t)e −zt dt = lim M →∞ f (t)e−zt dt 0 então a função F = F (z) definida pela integral acima.

se existem constantes M > 0 e α ∈ R. tal que para todo t > 0 se tem: |f (t)| ≤ M eαt . f (t) = sinh(kt) = 2 [ekt − e−kt ] 3. f (t) = cosh(kt) = 2 [ekt + e−kt ] 1 2. z 2 + k2 1 s−a 1 z−α L[sin(kt)] = k z 2 + k2 Exercícios: Calcular as transformadas de Laplace das funções reais 1 1. f (t) = eat cos(bt) 3 Função de ordem (tipo) exponencial Uma função f = f (t) é de ordem (tipo) exponencial α sobre [0. ∞). a ∈ R com s > a: L[eat ] = 3. f (t) = t e−at 4. z.3 Função de ordem (tipo) exponencial 3 A partir desta identidade. podemos escrever 1 cos(α) = [eiα + e−iα ] 2 Exercício: Demonstrar que para 1. s. Re(z) > 0: L[cos(kt)] = z . α ∈ C com Re(z − α) > 0: L[eαt ] = 4. s 1 s2 2 s3 e sin(α) = 1 iα [e − e−iα ] 2i L[t] = e L[t2 ] = 2. s > 0: 1 L[1] = .

f (t) = tn eat cos(bt) é de ordem exponencial 5. assim. 4. f (t) = t2 cos(at) é de ordem exponencial pois |f (t)| ≤ 2e(1+a)t . assumiremos que todas as funções f = f (t) serão seccionalmente contínuas em todos os intervalos finitos de [0. g(t) = tn eat sin(bt) é de ordem exponencial 4 Existência da Transformada de Laplace Se f = f (t) é seccionalmente contínua2 para todo intervalo finito de [0. Para este tipo de função f = f (t) podemos obter a transformada de Laplace F = F (s). e além disso f = f (t) é de tipo exponencial de ordem α quando t → ∞. dada uma função G = G(s) poderemos questionar se existe uma função g = g(t) tal que G(s) = L[g(t)]? 2 Contínua por pedaços = Contínua por partes. f (t) = t2 é de ordem exponencial pois |f (t)| ≤ 2et . ∞). . f (t) = exp(t3/2 ) não é de ordem exponencial. A partir deste ponto. 2. definida para s > α por: ∞ F (s) = 0 f (t)e−st dt existe e converge absolutamente. 3.4 Existência da Transformada de Laplace 4 o que é equivalente a lim |e−αt f (t)| = 0 t→∞ Exemplos: 1. ∞) e que todas serão de ordem exponencial quando t → ∞. então a transformada de Laplace F = F (s).

F ) na forma f (t) F (s) para indicar que F = F (s) é a Transformada de Laplace de f = f (t) e que f = f (t) é a transformada inversa de Laplace de F = F (s). isto é: L[f + g] = L[f ] + L[g] e L[kf ] = k L[f ] .5 Pares de Transformadas de Laplace 5 Se existir esta função. a menos de uma constante. Exemplos: Dois importantes pares de transformadas são 1 s 1 s−a u(t) eat (s > 0) (s > a) 6 Propriedades lineares das Transformadas de Laplace A Transformada de Laplace é uma transformação linear. isto é: L◦L−1 = Id = L−1 ◦L. Assumindo que as transformadas de Laplace direta e inversa são inversas uma da outra. mas aqui não levaremos isto em consideração tendo em vista que estamos procurando soluções particulares para equações diferenciais ordinárias lineares. ela será a transformada inversa de Laplace de G = G(s) e esta inversa será denotada por L−1 [G(s)] = g(t) 5 Pares de Transformadas de Laplace Na realidade. usaremos a notação com duas setas em sentidos opostos e o par de funções (f. duas transformadas inversas de Laplace para a mesma função F = F (s) são iguais.

Exercício: Calcular as transformadas de Laplace das funções reais: f (t) = 1 + t + t2 e g(t) = sin(t) + cos(t) A Transformada inversa de Laplace é uma transformação linear.e. um modo prático para obter transformadas inversas de Laplace é através de tabelas.: L−1 [F + G] = L−1 [F ] + L−1 [G] Exemplo: Pode-se mostrar que 1 1 8 16 L−1 [ − 2 ] = 8 L−1 [ ] − 16 L−1 [ 2 ] s s s s Exercícios: Calcular as transformadas inversas de Laplace de: F (s) = 3 5 + s−a s−b e G(s) = 2s + 5 s2 − 25 e L−1 [kF ] = k L−1 [F ] Embora sejam necessárias algumas propriedades para facilitar o cálculo da transformada inversa de Laplace. . i.6 Propriedades lineares das Transformadas de Laplace 6 Exemplo: Pode-se demonstrar que L[a+bt+ct2 ] = aL[1]+bL[t]+cL[t2 ].

a ∈ C Re(z − a) > 0 z−a a 08 sin(at) s>0 s 2 + a2 b 10 eat sin(bt) s>a (s − a)2 + b2 a 12 sinh(at) s>a s 2 − a2 2as 14 t sin(at) s>0 (s2 + a2 )2 L[f ] 1/s 2/s3 1 05 eat .7 Tabela de algumas transformadas de Laplace 7 7 Tabela de algumas transformadas de Laplace N função 02 t 04 tn L[f ] Condição 2 1/s s>0 n+1 n!/s s>0 1 06 eat . seguirá que ∞ L[e f (t)] = 0 bt e−σt f (t)dt = F (σ) = F (s − b) . a ∈ R s−a s 07 cos(at) s 2 + a2 s−a 09 eat cos(bt) (s − a)2 + b2 s 11 cosh(at) s 2 − a2 s 2 − a2 13 t cos(at) (s2 + a2 )2 N função 01 u(t) ≡ 1 03 t2 8 Translação na Transformada de Laplace Se a Transformada de Laplace de f = f (t) é dada por ∞ L[f (t)] = F (s) = 0 f (t)e−st dt então L[ebt f (t)] = F (s − b) Demonstração: ∞ ∞ L[e f (t)] = 0 bt [e f (t)]e bt −st dt = 0 e−(s−b)t f (t)dt Substituindo s − b = σ.

então L[f (λt)] = Demonstração: ∞ 1 s F( ) λ λ L[f (λt)] = 0 [f (λt)]e−st dt s poderemos escrever λ Substituindo λt = u e depois substituindo σ = L[f (λt)] = = = = su 1 ∞ f (u)e− λ du λ 0 1 ∞ f (u)e−σu du λ 0 F (σ) 1 s F( ) λ λ (1) (2) (3) (4) Exercício: Obter a transformada de Laplace da função f (t) = cos(12t) e determinar a conexão entre a transformada obtida e a transformada de Laplace de f (t) = cos(t).9 Escala (homotetia) na Transformada de Laplace 8 Exercício: Seja a função f (t) = u(t) cos(t). Obter a transformada de Laplace da translação de f deslocada b unidades para a direita. . 9 Escala (homotetia) na Transformada de Laplace Se a Transformada de Laplace de f = f (t) é dada por ∞ L[f (t)] = F (s) = 0 f (t)e−st dt e λ > 0.

10 Transformadas de Laplace de derivadas de funções 9 10 Transformadas de Laplace de derivadas de funções Uma propriedade muito útil na resolução de um PVI é L[y ] = s L[y] − y(0) Demonstração: ∞ M L[y ] = 0 y (t)e −st dt = lim M →∞ y (t)e−st dt 0 Usando o método de integração por partes com u = e−st e dv = y (t)dt. demonstrar que L[y ] = s2 Y (s) − s y(0) − y (0) e que em geral . poderemos escrever M L[y ] = L[y ] = = = M lim y(t)e−st 0 M →∞ −sM − 0 y(t)(−s)e−st dt M M →∞ lim y(M )e − y(0) + s 0 ∞ y(t)e−st dt y(t)e−st dt 0 M →∞ lim y(M )e −sM ∞ − y(0) + s y(t)e−st dt = 0 − y(0) + s 0 = s Y (s) − y(0) sendo que lim [y(M )e−sM ] = 0 pois a função y = y(t) é de ordem M →∞ exponencial quando t → ∞. assim L[y ] = s Y (s) − y(0) Exercício: Se Y (s) = L[y(t)].

y(0) = 5 aplicamos a Transformada de Laplace a esta EDO Linear para obter: .f (t)] ds Tomando as derivadas sucessivas de F = F (s).11 Derivadas de Transformadas de Laplace 10 L[y (n) ] = sn Y (s) − sn−1 y(0) − sn−2 y (0) − sn−3 y (0) − .. obteremos: dF = ds ∞ (−t)f (t)e−st dt 0 que também pode ser escrito como dF = L[(−t).. − y (n−1) (0) 11 Derivadas de Transformadas de Laplace Se tomarmos a Transformada de Laplace: ∞ F (s) = 0 f (t)e−st dt e derivarmos ambos os membros desta igualdade em relação à variável s. teremos a regra geral dn L[t f (t)] = (−1) F (s) dsn n n 12 Resolução de EDO Linear com Transformadas de Laplace Exemplo: Para obter a solução do PVI y + y = e−t .

obtemos Y (s) = 1 1 +5 (s + 1)2 s+1 1 s+1 1 s+1 Aplicando a transformada inversa de Laplace a esta equação e observando na tabela que L[t e−t ] = 1 (s + 1)2 e L[e−t ] = 1 s+1 obtemos a solução do PVI y(t) = te−t + 5e−t = (t + 5)e−t Exemplo: Para obter a solução do PVI y − 2y − 3y = 6et . obtemos sY (s) − y(0) + Y (s) = que podemos reescrever como sY (s) − 5 + Y (s) = Extraindo o valor de Y (s). y(0) = 1. y (0) = 3 . segue que L[y ] + L[y] = 1 s+1 Usando a fórmula da transformada da derivada.12 Resolução de EDO Linear com Transformadas de Laplace 11 L[y + y] = L[e−t ] Pela fórmula 05 da tabela da seção 7 e pela linearidade da transformada de Laplace.

13 Convolução de funções 12 aplicamos a Transformada de Laplace a esta equação. denotada por f ∗ g. temos L[y ] − 2L[y ] − 3L[y] = L[6et ] que pode ser escrito como [s2 Y (s) − s − 3] − 2[sY (s) − 1] − 3Y (s) = Extraindo o valor Y (s). obtemos a solução do PVI: 3 7 3 y(t) = − et + e−t + e3t 2 4 4 13 Convolução de funções Sejam f = f (t) e g = g(t) funções integráveis para as quais o produto destas funções também é uma função integrável. para obter L[y − 2y − 3y] = L[6et ] Pela linearidade. obtemos Y (s) = 6 1 + (s − 1)(s + 1)(s − 3) (s + 1)(s − 3) 6 s−1 Como esta última função pode ser escrita na forma: Y (s) = − 3 1 3 1 7 1 + + 2s − 1 4s + 1 4s − 3 então. como a função . aplicando as transformadas inversas de Laplace através do uso das tabelas. Definimos a convolução (ou produto de convolução) de f e g.

f ∗ g sendo f (t) = eat e u = u(t). Exercício: Calcular cada convolução indicada 1. Identidade: f ∗ δ = f onde δ é a distribuição delta de Dirac. 2. Distributividade: f ∗ (g + h) = f ∗ g + f ∗ h 4. ∗ u)(t) (n vezes).. então a convolução f ∗ g é uma outra função com propriedades melhores que as propriedades de f e g. f ∗ g sendo f (t) = eat e g(t) = ebt . Por exemplo. teremos que 0 ≤ v ≤ t e a integral acima poderá ser escrita como t (f ∗ g)(t) = 0 g(t − v)f (v)dv = (g ∗ f )(t) significando que a convolução é comutativa: f ∗g =g∗f Em cursos mais avançados..13 Convolução de funções 13 t (f ∗ g)(t) = 0 f (t − u)g(u)du Com a mudança de variáveis v = t − u. Comutatividade: f ∗ g = g ∗ f 2. Nulidade: f ∗ 0 = 0 5. 3. . u2 (t) = (u ∗ u)(t) onde u = u(t) é a função degrau unitário. Associatividade: f ∗ (g ∗ h) = (f ∗ g) ∗ h 3. 4. un (t) = (u ∗ u ∗ . podemos estudar outras propriedades da convolução de funções. Para a convolução de funções valem as seguintes propriedades: 1. quando temos uma função f com uma propriedade fraca relacionada com a suavidade e outra função g com propriedade forte relacionada com a suavidade.

então G(s) = 1/s para s > 0. então poderemos escrever L[f ∗ g] = F (s) G(s) Em particular.14 Convolução e Transformadas de Laplace 14 14 Convolução e Transformadas de Laplace O produto das transformadas de Laplace não é igual à transformada de Laplace do produto de funções. mas se tomarmos F (s) = L[f (t)] e G(s) = L[g(t)]. mostre que tn 1 L = n+1 . se g(t) = u(t). teremos L[f ∗ u] = F (s) s Como u(w) = 1 para w > 0. teremos F (s) =L s2 t 0 0 w f (v)dv dw Exercício: Usando o Princípio da Indução Finita (PIF). n! (s − a)n+1 n at t L −1 n 1 at t =e (s − a)n+1 n! . respectivamente dadas por F = F (s) e G(s) = H(s) = 1/s (s > 0). n! s 1 L e = . g(t) = h(t) = u(t). segue que t t t L[f ∗u] = L 0 f (t − w)u(w)dw = L 0 f (t − w)dw = L 0 f (w)dw então t L 0 f (w)dw = F (s) s Tomando as transformadas de f = f (t).

15 Tabela de propriedades das Transformadas de Laplace 15 15 Tabela de propriedades das Transformadas de Laplace Tn T1 T2 T3 T4 T5 T6 Propriedades da Transformada L[f + g] = L[f ] + L[g] L[kf ] = kL[f ] L[e−at f (t)] = F (s + a) L[f ∗ g] = F (s). 2. Para realizar tal tarefa. para obter frações mais simples. ambos na variável s. necessitamos de três hipóteses essenciais sobre os polinômios p = p(s) e q = q(s): 1. com o objetivo de facilitar processos de integração ou obter as transformadas inversas de Laplace. p = p(s) e q = q(s) não possuem fatores em comum.G(s)] = f ∗ g L−1 [F (s)] = (−t)f (t) L−1 [F (n) (s)] = (−t)n f (t) t −1 F (s) I7 L = f (w)dw s 0 16 O Método das frações parciais através de exemplos O Método das frações parciais é utilizado para decompor uma função racional f (s) = p(s) q(s) que é a divisão de dois polinômios p = p(s) e q = q(s). Apresentaremos alguns exemplos e o mínimo necessário de teoria relacionado com cada método. O grau de p = p(s) é sempre menor que o grau de q = q(s). p = p(s) e q = q(s) só possuem coeficientes reais.G(s) L[(−t)f (t)] = F (s) L[(−t)n f (t)] = F (n) (s) t F (s) T7 L f (w)dw = s 0 In I1 I2 I3 I4 I5 I6 Propriedades da Inversa L−1 [F + G] = L−1 [F ] + L−1 [G] L−1 [kF ] = kL−1 [F ] L−1 [F (s + a)] = e−at f (t) L−1 [F (s). Um polinômio de grau n na variável s . 3.

.16. devemos escrever 2s2 − s + 1 C1 C2 C3 ≡ + + (s − 1)(s − 2)(s − 3) s − 1 s − 2 s − 3 multiplicar todos os termos desta identidade por (s − 1)(s − 2)(s − 3) para obter uma outra identidade sem frações: 2s2 − s + 1 ≡ C1 (s − 2)(s − 3) + C2 (s − 1)(s − 3) + C3 (s − 1)(s − 2) Substituir nesta última identidade. quatro serão analisados: 16.. sendo o seu grau indicado por gr(p). enquanto p = p(s) será um polinômio conhecido. s = 2 e s = 3. respectivamente. Dentre os casos importantes. m). Exemplo: Para decompor a função racional 2s2 − s + 1 f (s) = (s − 1)(s − 2)(s − 3) em frações parciais. C2 = −7 e C3 = 8. logo 1 7 8 2s2 − s + 1 = − + (s − 1)(s − 2)(s − 3) s − 1 s − 2 s − 3 . os valores s = 1.. sendo m > n.. para obter: 2 = C1 (1 − 2)(1 − 3) 7 = C2 (2 − 1)(2 − 3) 16 = C3 (3 − 1)(3 − 2) Assim C1 = 1. 2.1 Denominador tem m fatores lineares distintos Aqui n = gr(pn ) e cada um dos m fatores “lineares” possuirá a forma (s − ak ) (k = 1.1 Denominador tem m fatores lineares distintos 16 será representado por pn = pn (s).

(s − a2 )...(s − am ) C3 (s − a1 )(s − a2 )(s − a4 )..(s − am−1 ) Para obter cada constante Ck ... ..(j=k) . (s − am )..(s − am ) ... + (s − a1 )(s − a2 ).16. Ck (s − a1 )(s − a2 ).. escreveremos a identidade pn (s) C1 C2 Cm ≡ + + ..(s − ak−1 )(s − ak )(s − ak+1 ).(s − am ) s − a1 s − a2 s − am Multiplicamos agora todos os termos desta identidade pelo produto de todos os m fatores lineares: m (s − aj ) = (s − a1 )(s − a2 ).1 Denominador tem m fatores lineares distintos 17 Método geral: Para decompor a função racional f (s) = pn (s) (s − a1 )(s − a2 )...(s − am ) C2 (s − a1 )(s − a3 )..... basta substituir s = ak nesta última identidade.. Cn (s − a1 )(s − a2 )..(s − am ) em m fatores lineares da forma (s − a1 )...(s − am ) . para obter a igualdade: m pn (ak ) = Ck (ak − aj ) j=1.(s − am ) j=1 para obter uma outra identidade sem frações: pn (s) ≡ + + + + + + C1 (s − a2 )(s − a3 )...... sendo m > n..

2.. m exceto o que tem índice j = k. as quais podem ser obtidas através das duas primeiras derivadas desta última: 4s − 1 ≡ 2C1 (s − 2) + C2 4 = 2C1 Da última relação. 2.2 Divisão de polinômio pn por fator linear repetido Consideremos uma situação em que m é o número de vezes que ocorre a repetição de um fator linear (s − a) sendo m > n. Dessa forma. Concluímos que .. tomamos s = 2 para obter C2 = 7 e na primeira.. Exemplo: Para decompor a função racional 2s2 − s + 1 f (s) = (s − 2)3 em frações parciais. para cada k = 1. ainda faltam duas..(j=k) (ak − aj ) 16. Na penúltima. obtemos C3 = 7. obtemos C1 = 2.. m temos que Ck = pn (ak ) m j=1.. .2 Divisão de polinômio pn por fator linear repetido 18 Observamos que a expressão da direita contém o produto de todos os fatores da forma (ak − aj ) com j = 1. escreveremos 2s2 − s + 1 C1 C2 C3 ≡ + + 3 2 (s − 2) s − 2 (s − 2) (s − 2)3 Multiplicamos os termos da identidade por (s − 2)3 para obter 2s2 − s + 1 ≡ C1 (s − 2)2 + C2 (s − 2) + C3 Como necessitamos de três identidades.16. .

+ Cm Como necessitamos de m equações. sendo m > n.. devemos calcular as m−1 primeiras derivadas sucessivas desta identidade e depois substituir s = a em todas as m identidades para obter os coeficientes Ck para cada k = 1.. escreveremos 2s2 − s + 1 C1 C2 C3 C4 ≡ + + + (s − 2)3 (s − 1) s − 2 (s − 2)2 (s − 2)3 s − 1 . 16..16. .3 Divisão de polinômio pn por um fator linear e outro repetido Seja m é o número de vezes que ocorre a repetição do fator linear (s−a) com m > n e vamos considerar que ocorre apenas um fator linear (s − b) no denominador da expressão racional.. m. + m 2 (s − a) s − a (s − a) (s − a)m Multiplicamos todos os termos da identidade por (s − a)m para obter pn (s) ≡ C1 (s − a)m−1 + C2 (s − a)m − 2 + . 2. Exemplo: Para decompor a função racional 2s2 − s + 1 f (s) = (s − 2)3 (s − 1) em frações parciais. escreveremos pn (s) C1 C2 Cm ≡ + + ....3 Divisão de polinômio pn por um fator linear e outro repetido 19 2s2 − s + 1 2 7 7 ≡ + + (s − 2)3 s − 2 (s − 2)2 (s − 2)3 Método: Para decompor a função racional f (s) = pn (s) (s − a)m em m frações parciais.

+ Cm ] + C0 (s − a)m . obteremos 2s2 − s + 1 ≡ C1 (s − 1)(s − 2)2 + C2 (s − 1)(s − 2) + C3 (s − 1) + C4 (s − 2)3 Como o fator linear (s−1) aparece somente uma vez.3 Divisão de polinômio pn por um fator linear e outro repetido 20 Multiplicando os termos da identidade por (s − 2)3 (s − 1). escreveremos C1 C2 Cm C0 pn (s) ≡ + + . logo 2s2 − s + 1 2 7 2 ≡ + − (s − 2)3 (s − 1) s − 2 (s − 2)3 s − 1 Método geral: Para decompor a função racional f (s) = pn (s) (s − a)m (s − b) em frações parciais. Não fizemos qualquer esforço para reunir os termos semelhantes pois esta forma é altamente simplificadora. pois para s = 2. basta tomar s = 1 nesta identidade para obter C4 = −2.. obteremos pn (s) ≡ (s − b)[C1 (s − a)m−1 + C2 (s − a)m−2 + . segue que C2 = 0 e C1 = 2... + + m (s − b) 2 m (s − a) s − a (s − a) (s − a) s−b Multiplicando os termos da identidade por (s − a)m (s − b). Basta realizar as duas primeiras derivadas da identidade acima em relação à variável s para obter: 4s−1 ≡ C1 [2(s−1)(s−2)+(s−2)2 ]+C2 [(s−1)+(s−2)]+C3 +C4 (s−2)2 e 4 ≡ C1 [2(s − 1) + 4(s − 2)] + 2C2 + 6C4 (s − 2) e depois substituir s = 2 em ambas.16. mas ainda necessitamos de duas outras identidades.. Para s = 2 obtemos C3 = 7.

basta tomar s = b nesta identidade para obter C0 . devemos realizar ainda as duas primeiras derivadas desta identidade para que tenhamos três identidades relacionadas com este outro fator. assim devemos derivar esta identidade mais uma vez para obter a segunda identidade. devemos ter duas identidades relacionadas com ele. escreveremos 2s2 − s + 1 C1 C2 C3 C4 C5 ≡ + + + + (s − 2)3 (s − 1)2 s − 2 (s − 2)2 (s − 2)3 s − 1 (s − 1)2 Multiplicando os termos da identidade por (s − 2)3 (s − 1)2 . 16.4 Divisão de polinômio pn por fatores lineares repetidos Seja q o número de vezes que ocorre a repetição do fator linear (s − a) e r o número de vezes que ocorre a repetição do fator linear (s − b). Exemplo: Para decompor a função racional 2s2 − s + 1 f (s) = (s − 2)3 (s − 1)2 em frações parciais. . obtemos as constantes.4 Divisão de polinômio pn por fatores lineares repetidos 21 Como o fator linear (s − b) aparece somente uma vez. Substituindo s = 2 e s = 1 nas cinco identidades.16. obteremos 2s2 − s + 1 ≡ (s − 1)2 [C1 (s − 2)2 + C2 (s − 2) + C3 ] +(s − 2)3 [C4 (s − 1) + C5 ] Como o fator linear (s−1) aparece duas vezes. Basta realizar as m − 1 primeiras derivadas sucessivas da identidade acima em relação à variável s para obter as outras constantes. mas ainda necessitamos de m − 1 outras identidades. Para s = a obtemos Cm . sendo q + r > n. Como o fator linear (s − 2) aparece três vezes. devemos ter três identidades relacionadas com este fator. assim.

. 17 Completando quadrados em uma função quadrática Se uma função quadrática q(s) = as2 + bs + c não possui zeros (raízes) reais. 2. Para .. ... obtemos as constantes Cj com j = 1... para escrever C1 C2 Cq pn (s) ≡ + + . 2.17 Completando quadrados em uma função quadrática 22 Método geral: Podemos decompor a função racional f (s) = pn (s) (s − a)q (s − b)r em frações parciais... e este fato ocorre quando o discriminante ∆ = b2 − 4ac < 0.. Substituindo s = a e s = b nas q +r identidades. devemos ainda realizar as primeiras r −1 derivadas sucessivas desta identidade para ter ao final r identidades associadas ao fator s − b. é vantajoso reescrever esta função como uma soma de quadrados. + Dr ] Como o fator linear s − a aparece q vezes na função racional. obteremos uma identidade sem frações: pn (s) ≡ (s − b)r [C1 (s − a)q−1 + C2 (s − a)q−2 + .... + Cq ] +(s − a)q [D1 (s − b)r−1 + D2 (s − b)r−2 + .. + (s − a)q (s − b)r s − a (s − a)2 (s − a)q D1 D2 Dr + + + . + 2 s − b (s − b) (s − b)r Multiplicando os termos da identidade por (s − a)q (s − b)r ... devemos ainda realizar as primeiras q −1 derivadas sucessivas desta identidade para ter ao final q identidades associadas ao fator s − a. Como o fator linear s − b aparece r vezes na função racional. r. q e Dk com k = 1.

Exemplo: Seja q(s) = 2s2 − s + 1. que corres2a ponde ao quadrado da metade do coeficiente do termo em s: b b b c q(s) = a[s2 + s + ( )2 − ( )2 + ] a 2a 2a a para escrever b 2 4ac − b2 q(s) = a[(s + ) + ] a 4a2 que representa a soma de dois quadrados. pois 4ac − b2 > 0. Como ∆ = −7. que é o coeficiente do termo dominante: c b q(s) = a[s2 + s + ] a a b Somamos e subtraímos o valor ( )2 dentro das chaves. pomos em evidência a constante 2 para obter 1 1 q(s) = 2[s2 − s + ] 2 2 A metade do coeficiente do termo em s é − 1 que elevado ao quadrado 4 1 1 fornece 16 . devemos por em evidência o valor a.17 Completando quadrados em uma função quadrática 23 realizar isto. Somando e subtraindo . segue que 16 1 1 1 1 q(s) = 2[s2 − s + − + ] 2 16 16 2 ou seja 7 1 q(s) = 2[(s − )2 + ] 2 16 que é uma soma de quadrados multiplicada por uma constante .

1 Divisão de p(s) = ds + e por fator quadrático sem raízes reais Seja a função p(s) = ds+e dividida por um fator quadrático as2 +bs+c que não tem zeros reais. a função racional fica na forma b d(v − a ) + e f (v) = a[v 2 + + 4ac−b2 4a2 ] f (v) = d v a v 2 + 4ac−b2 4a2 ae − db 1 2 a2 v 2 + 4ac−b 4a2 Voltando a usar a variável s. isto é f (s) = as2 ds + e + bs + c Uma forma útil de decompor esta função racional é usar o fato que o denominador pode ser escrito como uma soma de quadrados multiplicada por uma constante: f (s) = ds + e 2 b a[(s + a )2 + 4ac−b ] 4a2 b Com a mudança de variável v = s + a . podemos escrever: b s+ a d f (s) = b a (s + a )2 + 4ac−b2 4a2 + 1 ae − db 2 b 2 a (s + a ) + 4ac−b2 4a2 Exemplo: Seja a função racional f (s) = s s2 − 4s + 13 .1 Divisão de p(s) = ds + e por fator quadrático sem raízes reais 24 √ 1 2 7 q(s) = 2 (s − ) + ( )2 2 4 17.17.

2 Divisão de pn por fator quadrático sem raízes reais e outro linear Exemplo: Seja a função racional f (s) = 2s + 5 − 4s + 13)(s − 3) (s2 Esta função pode ser reescrita na forma f (s) = 2(s − 2 + 2) + 5 2(s − 2) + 9 = 2 + 32 ](s − 3) [(s − 2) [(s − 2)2 + 32 ](s − 3) que pode ser decomposta como 2s + 5 A(s − 2) B C ≡ + + (s2 − 4s + 13)(s − 3) (s − 2)2 + 32 (s − 2)2 + 32 s − 3 Multiplicando os termos da identidade por (s2 − 4s + 13)(s − 3).2 Divisão de pn por fator quadrático sem raízes reais e outro linear 25 Assim f (s) = s s−2+2 = s2 − 4s + 4 + 9 (s − 2)2 + 32 que também pode ser escrito na conveniente forma f (s) = s−2 2 3 + 2 + 32 (s − 2) 3 (s − 2)2 + 32 17. obtemos B = 10 . 11 10 e com s = 2 na . obteremos 2s + 5 ≡ A(s − 2)(s − 3) + B(s − 3) + C[(s − 2)2 + 32 ] Com s = 3 na identidade acima. obtemos C = 9 mesma identidade.17.

18 Refinando a decomposição em frações parciais 26 Ainda falta obter a constante A. 18 Refinando a decomposição em frações parciais 18. obtemos A = −20. obtemos: (s − a)p(s) ≡ A + (s − a) r(s) q(s) Sabemos que q(a) = 0. assim. quando s → a. temos que q(a) = 0 e a decomposição fica na forma p(s) A ≡ + r(s) q(s) s−a Multiplicando os termos da identidade acima por (s − a). se definirmos ϕ1 (s) = p(s) (s − a)p(s) = q(s) − q(a) q(s) s−a escreveremos ϕ1 (s) ≡ A + (s − a) r(s) Tomando agora o limite em ambos os membros desta identidade. Derivaremos então a identidade acima em relação à variável s para obter 2 ≡ A[(s − 2) + (s − 3)] + B + 2C(s − 2) Com s = 2 nesta identidade adicional.1 O denominador tem um fator linear não repetido (s − a) Neste caso. obtemos .

. obtemos (s − a)m p(s) ≡ Am + Am−1 (s − a)1 + .2 O denominador tem um fator linear repetido (s − a)m 7s − 1 (s − 3)(s + 2)(s − 1) Neste caso: Am Am−1 A1 p(s) ≡ + + .18. nos dará: L−1 [ p(s) ] = Aeat + L−1 [r(s)] q(s) Exercício: Usando as transformadads de Laplace. mostrar que se F (s) = então f (t) = 2e3t − e−2t − et . + + r(s) q(s) (s − a)m (s − a)m−1 s−a Multiplicando a identidade acima por (s − a)m .. + A1 (s − a)m−1 + r(s) q(s) É interessante definir ϕm (s) = O coeficiente Am é dado por (s − a)m p(s) q(s) ..2 O denominador tem um fator linear repetido (s − a)m 27 A = lim ϕ1 (s) = s→a s→a lim p(s) = q(s) − q(a) s→a s−a lim p(a) q (a) Obtemos assim a constante A. 18.. e a transformada inversa de Laplace aplicada à identidade.

pois sabemos da Álgebra que se a = c + di é um zero de q = q(s). pode ser obtido por dm−k ϕm (s) 1 Ak = lim (m − k)! s→a dsm−k e a transformada inversa de Laplace nos dará: L−1 [ Am tm−1 Am−1 tm−2 p(s) ] = eat + + . Am−2 . Temos assim. . 1! s→a ds Am−2 = 1 d2 ϕm (s) lim . uma vez que os coeficientes do polinômio q = q(s) são números reais.. então o conjugado de a. m).(s − 3)3 1 Resposta: f (t) = e3t (− 2 t2 − t − 1) + e4t . respectivamente pelas relações obtidas pelos limites das derivadas sucessivas de ϕ multiplicadas por algumas constantes. 18. cada Ak (k = 1. 2.. Se a é complexo.. isto é. . Em momento algum nos preocupamos se o número a deveria ser real ou complexo.18.... isto é: Am−1 = 1 dϕm (s) lim .... o terceiro caso. 2! s→a ds2 . a = c + di.. Em geral.3 O denominador tem fator linear complexo (s − a) não repetido 28 Am = lim ϕm (s) s→a e os coeficiente Am−1 . então podemos decompor a função racional em frações parciais de uma forma um pouco diferente.3 O denominador tem fator linear complexo (s−a) não repetido Neste caso: . + A1 + L−1 [r(s)] q(s) (m − 1)! (m − 2)! Exercício: Obter a função f = f (t) cuja transformada de Laplace é F (s) = 1 (s − 4). dado por a = c − di também é um zero de q = q(s). são obtidos.

ou ainda na forma p(s) s−c d =A +D + r(s) q(s) (s − c)2 + d2 (s − c)2 + d2 A transformada inversa de Laplace nos dá então L−1 [ p(s) ] = Aect cos(dt) + Dect sin(dt) + L−1 [r(s)] q(s) 18. usaremos a = c + di e escreveremos A p(s) ≡ + r(s) q(s) (s − a)2 Multiplicaremos tanto o numerador como o denominador da fração do segundo membro da identidade pelo conjugado de (s − a)2 .18. para obter uma identidade da forma .4 O denominador possui um fator complexo (s − a)2 29 p(s) A ≡ + r(s) q(s) s−a Aqui usaremos a = c+di e multiplicaremos tanto o numerador como o denominador da fração do segundo membro da identidade pelo conjugado de (s − a) = s − a.4 O denominador possui um fator complexo (s − a)2 Aqui. para obter p(s) s−a ≡A + r(s) q(s) (s − a)s − a e esta última identidade pode ser escrita como p(s) A(s − c) + B = + r(s) q(s) (s − c)2 + d2 onde agora A e B são números reais.

y(0) = 2 Aplicando a Transformada de Laplace a ambos os membros da igualdade desta equação. obtemos: t L[y ] + 2L[y] − 3L 0 y(u)du = 5L[1 + t] assim s Y (s) − 2 + 2Y (s) − 3 Y (s) 5 5 = + 2 s s s .19 Resolução de uma equação integro-diferencial 30 p(s) As + B Cs + D ≡ + + r(s) q(s) [(s − c)2 + d2 ]2 (s − c)2 + d2 onde agora A. O restante segue de forma similar aos casos anteriores. Exercício: Obter a função f = f (t) tal que s2 + 2 F (s) = 2 (s + 2s + 5)2 Resposta: f (t) = 2e−t t t 7 cos(2t) + (− + ) sin(2t) 16 4 32 19 Resolução de uma equação integro-diferencial Uma equação integro-diferencial é uma equação diferencial em que a função incógnita está sob o sinal de integração. B. Consideremos o PVI dado pela equação integro-diferencial t y + 2y − 3 0 y(u)du = 5(1 + t). C e D são números reais.

obtemos 5 5 + 2 2s2 + 5s + 5 Y (s) = 2 s s = 2 s + 2s − 3 s (s − 1)(s + 3) 2+ Usando frações parciais. podemos escrever Y (s) = A B C D + 2+ + s s s−1 s+3 Após obter as constantes A. y − y − 6 0 t y(u)du = 12e3t . B. 3. . y + 0 y(u)du = 1. y + 0 y(u)du = sin(2t) 20 Resolução de Sistemas de EDO lineares Para resolver sistemas com duas equações diferenciais nas funções incógnitas x = x(t) e y = y(t). C e D. podemos aplicar a Transformada de Laplace a cada EDO de forma que L[x] = X(s) e L[y] = Y (s) e fazer com que o sistema recaia num sistema algébrico com duas equações nas duas incógnitas X(s) e Y (s). Veremos como isto funciona com um exemplo relativamente simples mas suficientemente amplo para mostrar a funcionalidade do método. t y(0) = 2 y(0) = −3 2. podemos usar as transformadas inversas de Laplace para escrever 5 2 y(t) = − + 3et + e−3t 3 3 Exercícios: Resolver as Equações integro-diferenciais: t 1.20 Resolução de Sistemas de EDO lineares 31 Isolando o valor de Y (s).

x (0) = 2 e y(0) = 1. Como L[x (t)] = s2 X(s) − s x(0) − x (0) = s2 X(s) − x (0) L[x (t)] = sX(s) − x(0) = sX(s) L[y (t)] = sY (s) − y(0) = sY (s) − 1 2 L[2] = s s L[cos(t)] = 2 s +1 podemos aplicar a transformada de Laplace às equações L[x (t) + x(t) + y (t) − y(t)] = L[2] L[x (t) + x (t) − y (t)] = L[cos(t)] para obter 2 s (s + 1) X(s) + (s − 1) Y (s) = 1 + (s2 + s) X(s) − s Y (s) = 1 + s s2 + 1 Este sistema de equações algébricas pode ser posto na forma matricial . devemos usar as fórmulas que envolvem as transformadas de Laplace das derivadas de primeira e segunda ordem.20 Resolução de Sistemas de EDO lineares 32 Exemplo: Para determinar a solução do PVI x (t) + x(t) + y (t) − y(t) = 2 x (t) + x (t) − y (t) = cos(t) sujeito às condições: x(0) = 0.

é igual à transformada de Laplace da função (−t)n f (t). obtemos x(t) = t + sin(t) y(t) = t + cos(t) 21 Resolução de Equações com coeficientes variáveis Já mostramos antes que d L[f (t)] = F (s) = L[(−t) f (t)] ds e que em geral: F (n) (s) = L[(−t)n f (t)] o que significa que a n-ésima derivada da transformada de Laplace de f em relação à variável s. obtemos 1 1 + 2 s2 s + 1 1 s Y (s) = 2 + 2 s s +1 X(s) = Com as transformadas inversas de Laplace destas funções.21 Resolução de Equações com coeficientes variáveis 33  s+1 s−1 s + 1 −1 X(s) Y (s)  = 1 s  s+2  s 1  + 2 s +1 Resolvendo este sistema pela regra de Cramer. isto é: dn L[f (t)] = L[(−t)n f (t)] n ds .

21 Resolução de Equações com coeficientes variáveis 34 Se. temos: L[t y (t)] = −s2 Y (s) − 2s Y (s) + y(0) Exemplo: Para resolver o Problema com Valor Inicial com uma EDO linear com coeficientes variáveis: y + ty − 2y = 7. y(0) = 0 aplicaremos a transformada de Laplace a ambos os membros da igualdade para obter L[y + ty − 2y] = L[4] Como L[y (t)] = s2 Y (s) − s y(0) − y (0) = s2 Y (s) . teremos: d L[y (t)] = L[−t y (t)] ds que pode ser escrito na forma: L[t y (t)] = − e como L[y ] = sY (s) − y(0). em particular. y (0) = 0. então L[t y (t)] = − d [sY (s) − y(0)] = −sY (s) − Y (s) ds d L[y ] ds Resumindo. temos para a primeira derivada: L[t y (t)] = −s Y (s) − Y (s) Repetindo o processo para a função f (t) = y (t). tomarmos f (t) = y (t).

. temos a solução: y(t) = 2t2 22 Transformada de Laplace de uma função periódica Consideremos uma função periódica de período p > 0. isto é. uma função tal que f (t + p) = f (t) para todo t > 0.22 Transformada de Laplace de uma função periódica 35 L[t y ] = −s Y (s) − Y (s) 4 L[4] = s então Y (s) + 3 − s2 4 Y (s) = − 2 s s e resolvendo esta Equação Diferencial Ordinária Linear. decompondo esta integral em infinitas integrais realizadas sobre os sub-intervalos de comprimento p. teremos: 4 1 s2 Y (s) = 3 + C 3 exp( ) s s 2 e obtendo a transformada inversa de Laplace desta função com C = 0. obteremos p 2p 3p 4p F (s) = ( 0 + p + 2p + 3p +.)f (t)e−st dt que pode ser escrito em uma forma sintética . Como a transformada de Laplace de f é dada por: ∞ L[f (t)] = 0 f (t)e−st dt então..

temos que kp ≤ t ≤ (k +1)p. Realizando uma mudança de variável t = v + kp. segue que: 1 F (s) = 1 − e−sp p f (v)e−sv dv 0 Exemplo: Seja f (t) = sin(t) para t ∈ [0. Então 1 L[u(t)f (t)] = 1 − e−2πs 2π sin(v)e−sv dv 0 Exemplo: Seja f (t) = t para 0 < t < 6 e f (t + 6) = f (t) para todo t ≥ 0.22 Transformada de Laplace de uma função periódica 36 ∞ (k+1)p F (s) = k=0 kp f (t)e−st dt Em cada integral dada acima. Assim . ∞ p F (s) = k=0 0 f (v + kp) e−s(v+kp) dv Como f é p-periódica. 2π]. teremos que dt = dv e dessa forma a variável v estará no domínio 0 ≤ v ≤ p. f (v) = f (v + kp) para todo v ≥ 0 e assim ∞ p F (s) = k=0 0 f (v) e−sv e−skp dv que também pode ser posto na forma ∞ p −skp 0 F (s) = k=0 e f (v)e−sv dv e como a expressão dentro dos colchetes é uma série geométrica de razão e−skp < 1.

podemos tomar a função gama como Γ(n) = (n − 1)! . z = n.23 A função Gama e a Transformada de Laplace 37 1 L[u(t)f (t)] = 1 − e−6s 6 ve−sv dv 0 23 A função Gama e a Transformada de Laplace A função gama. para todo n natural. é definida por: ∞ Γ(z) = 0 e−t tz−1 dt Se na integral acima tomarmos t = sv. poderemos escrever ∞ ∞ Γ(z) = 0 e −sv (sv) z−1 sdv = s z 0 v z−1 e−sv dv Tomando em particular. temos que L[v n−1 ] = logo Γ(n) = sn (n − 1)! sn (n − 1)! sn Assim. observamos que esta última integral é a transformada de Laplace de f (v) = v n−1 e segue que Γ(n) = sn L[v n−1 ] Acontece que para cada n natural. denotada por Γ = Γ(z).

−3.23 A função Gama e a Transformada de Laplace 38 A função Γ = Γ(z) é usada como extensão da função fatorial válida para todo número natural e tal extensão vale para todo número real onde esta integral converge. . podemos mostrar que ∞ ∞ 0! = Γ(1) = 0 e −t 1−1 t dt = 0 e−t dt = 1 Para a função f (t) = tn−1 .. a função Γ = Γ(n) pode ser definida recursivamente para cada n natural. em estudos mais avançados. Uma situação muito difícil de ser demonstrada no âmbito do Ensino Básico é que 0! = 1. −1. pelas duas relações Γ(n + 1) = n Γ(n). x ∈ {0. exceto para os x que são números inteiros não positivos. Γ(1) = 1 Na verdade. / . −2. isto é.. a função Γ = Γ(x) pode ser definida para todo x ∈ R. mas pela identificação da função Γ com a função fatorial.}. a transformada de Laplace é dada por L[tn−1 ] = logo L[tn ] = n! sn+1 = Γ(n + 1) sn+1 (n − 1)! Γ(n) = n sn s A propriedade L[tf (t)] = −F (s) aplicada à função f (t) = tn−1 fornece L[tn ] = L[t tn−1 ] = − d Γ(n) nΓ(n) d L[tn−1 ] = − = n+1 ds ds sn s assim.

Coleção Schaum. Wilfred. [3] Kaplan. Transformations Intégrales et Calcul Opérationnel. Blaisdell Publ. (1978).1 e 2. McGrawHill do Brasil. (1966). Circuitos Elétricos. Analysis. (1988). .1 e 2. São Paulo. vol. (1972). Heaviside Operational Calculus.. Einar. American Elsevier Publ. [6] Spiegel. Co.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 39 Referências bibliográficas [1] Ditkine. Brasil. [4] Quevedo. São Paulo. Cálculo Avançado. vol.. (1971). Moscou [2] Hille.. Carlos P. Co. Análise de Fourier.. [5] Moore. Edgard Blücher Editora e EDUSP.V e Proudnikov. LTC Editora. (1976). Murray. Brasil. Éditions MIR. Douglas. New York. Waltham. Brasil.. Rio de Janeiro. USA. Mass.A.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful