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PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO - SEMED

REFERENCIAL CURRICULAR DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO
3º ao 9º ano do Ensino Fundamental

2008

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NELSON TRAD FILHO Prefeito Municipal

MARIA CECILIA AMENDOLA DA MOTTA Secretária Municipal de Educação

ALELIS IZABEL DE OLIVEIRA GOMES Diretora - Executiva

ANGELA MARIA DE BRITO Coordenadora – Geral de Gestão de Políticas Educacionais

SORAYA REGINA DE HUNGRIA CRUZ Coordenadora – Geral de Gestão Estratégica

CÍCERO ROSA VILELA Coordenador – Geral de Gestão Administrativa e Financeira

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COORDENAÇÃO GERAL Angela Maria de Brito - SEMED Ana Olíria Ferreira Alves - SEMED Osmar Martins - SEMED CONSULTORA Olga Maria dos Reis Ferro - UEMS olgareis@uol.com.br PARTICIPAÇÃO TÉCNICA PEDAGÓGICA Ana Olíria Ferreira Alves - SEMED

FICHA TÉCNICA DOS AUTORES:
Adriana Cercarioli: Licenciatura Plena em Letras com habilitação em Língua Portuguesa, Língua Inglesa e suas respectivas literaturas; Pós-graduação – especialização: Linguagem: Leitura e Redação; SEMED – e-mail: dricercarioli@gmail.com Ana Olíria Ferreira Alves: Licenciatura em Pedagogia com habilitação em educação infantil, séries iniciais do ensino fundamental e supervisão escolar/UCDB; Pós-graduação – especialização: Organização do trabalho didático do professor alfabetizador dos anos iniciais/IESF; SEMED – e-mail: def.semed@pmcg.ms.gov.br Angela Maria de Brito: Licenciatura em Pedagogia/UCDB; Mestre em Educação/UFSCAR; Coordenadora – Geral de Gestão de Políticas Educacionais do Departamento de Educação Básica/ SEMED – e-mail: brito.semed@pmcg.ms.gov.br Adriano da Fonseca Melo: Licenciatura em Matemática; Planejamento Educacional – Universidade Salgado de Oliveira, Organização do trabalho pedagógico, em educação matemática, do professor das séries iniciais do Ensino Fundamental/UNIDERP; SEMED Mestrando em Educação Matemática/UFMS – e-mail: adriano060569@brturbo.com.br Ana Aparecida da Silva: Licenciatura em Letras (Licenciatura plena)/FUCMAT;Pós graduação – especialização: Planejamento Educacional - Universidade Salgado Filho – e-mail: def.semed@pmcg.ms.gov.br Anderson Martins Corrêa: Licenciatura em Matemática/UFMS; Pós-graduação – especialização: Educação Matemática/UNIDERP; Mestrando em Educação Matemática/UFMS; SEMED – e-mail: amc_mat@hotmail.com Analice Teresinha Talgatti Silva: Licenciatura em Geografia (licenciatura e bacharelado)/UCDB; Pós-graduação – especialização: Métodos e Técnicas de Ensino/UNIDERP; SEMED – e-mail: geografia.semed@pmcg.ms.gov.br Ana Cláudia Gonçalves de Araújo Pereira: Licenciatura em Pedagogia; Pós-graduação – especialização: Organização do trabalho didático do professor alfabetizador dos anos iniciais/IESF; Professora da REME. Ana Lúcia Serrou Castilho: Licenciatura em Artes Visuais; Pós-graduação – especialização: Didática do ensino Superior/UCDB; SEMED – e-mail: artes.semed@pmcg.ms.gov.br Carolina Monteiro Santee: Licenciatura em Letras; Mestre em Educação/UFMS; Doutoranda em Educação/UFMS; Professora no curso de Letras/UFMS Cátia Fabiane Reis Castro de Oliveira: Licenciatura em Pedagogia/UFMS; Pós-graduação – especialização: Métodos e Técnicas de Ensino/UNIDERP; SEMED – e-mail: cfabiane2004@yahoo.com.br

Pós-graduação – especialização: Dança – Educação Física/FMU/SP. SEMED – e-mail: bordimsandim@bol.com Leusa de Melo Secchi: Licenciatura em Pedagogia. em educação matemática. do professor das séries iniciais do Ensino Fundamental/UNIDERP. SEMED – e-mail: leize_d@yahoo. SEMED – email: ciencias. SEMED – e-mail: Magali Luzio: Licenciatura em História/FUCMAT.semed@pmcg. Pós . Mestranda em Educação/UTCD. Pós-graduação – especialização: Matemática para o Ensino Médio e Fundamental/UNIDERP. SEMED – e-mail: cleidepg@gmail. Pós-graduação especialização: Metodologia do ensino/FIFASUL. séries iniciais e disciplinas pedagógicas do 2º grau /UFMS. SEMED. Mestre em Educação/UFMS.com.br Eracilda Conceição Gonçalves Gama: Licenciatura em Pedagogia com habilitação na préescola.semed@pmcg.gov.br Gilce Maria Neves Biancão: Licenciatura em Pedagogia. Evanir Bordim Sandim: Licenciatura em Pedagogia.com. Pós-graduação – especialização: Metodologia do Ensino. Mestre em Desenvolvimento Local/UCDB.ms@hotmail.br Leni Castilho Ferreira de Arruda – Licenciatura em pedagogia.br Jucleides Silveira Pael Alcará: Licenciatura Plena em História. Mestre em Educação /UCDB.com. Pósgraduação – especialização: Organização do trabalho didático do professor alfabetizador dos anos iniciais/IESF.e-mail: lenicastilho@hotmail.ms.gov. Psicologia e Sociologia – e-mail: eduafirmativa. SEMED – e-mail: liligam@uol.br . Pós-graduação – especialização: Métodos de Ensino no Curso Superior. Mestre em Educação/UFMS. Mestre em Ciências da Educação/UTCD.br Luis Eduardo Moraes Sinésio: Licenciatura em Educação Física/UFMS. Gildo Ribeiro do Nascimento Maior: Licenciatura em Filosofia com habilitação em História. Organização do trabalho didático do professor de Matemática dos anos iniciais/UNIDERP. Organização do trabalho didático do professor alfabetizador dos anos iniciais/IESF.semed@pmcg. Pós-graduação – especialização: Organização do trabalho pedagógico.br Leila Mateus Potric – Licenciatura em pedagogia.com Maria Ângela Arruda Fachini: Licenciatura em Pedagogia/FUCMAT. Pós-graduação – especialização: Organização do trabalho didático do professor alfabetizador dos anos iniciais/IESF.graduação – especialização: Alfabetização . Geografia e Ciências. Leize Demétrio da Silva: Licenciatura em Educação Física – UFMS. Professora da REME.ms. Mestranda em Educação/UFMS – email: crrx. SEMED – e-mail: mesbrana@gmail. SEMED. e-mail: letluc@globo. Doutoranda em Educação/UFMS. SEMED – e-mail: eduafirmativa. Professora do Centro Universitário de Campo Grande/UNAES.com Cleide Pereira Gomes: Licenciatura em Letras (Português/ Ingles).com.gov. SEMED – e-mail: jucleides@yahoo.ms. Pósgraduanda em Práticas Pedagógicas com ênfase em História. Pós-graduação – especialização: Gestão escolar. SEMED – e-mail: angelafachini@terra. Metodologia do ensino Superior e Informática na Educação. Pós-graduação – especialização.6 Cláudia Renata Rodrigues Xavier: Licenciatura em Educação Física/UFMS.br Kely Fabricia Pereira Nogueira: Licenciatura em Matemática. SEMED – e-mail: leusamel@hotmail.com.com Clodoaldo Soares Rodrigues: Licenciatura em matemática.com.com.com Liliana Gonzaga de Azevedo Martins: Licenciatura em pedagogia.br Cristiane Miranda Magalhães Gondin: Licenciatura em Biologia (Licenciatura e Bacharelado)/UCDB.graduação – especialização: Educação Física Escolar/UFMS. Mestranda em Educação/UTCD. Pós-graduação – especialização: Formação de Ensino. Pós-graduação: Educação Matemática. Pós . Mestre em Educação/UFMS.br Marcia Vanderlei de Souza Esbrana: Licenciatura em Letras (licenciatura plena – inglês/ português/ espanhol/ literaturas)/UFMS. SEMED – e-mail: kelynogueira@pop. Mestre em Lingüística/UnB.

graduação – especialização: Música Brasileira/UFMT.com.semed@pmcg. Mestranda em Educação/UTCD. Doutoranda em Educação/UFMS.7 Maria das Dores Dias Acosta: Licenciatura Plena em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Espanhola/UFMS.uniderp.gov. Pós-graduação – especialização: História Regional/UFMS.br Maria da Graça Vinholi: Licenciatura em Pedagogia e Letras. SEMED – e-mail: sfilartiga@uol. Licenciatura em instrumento Piano. SEMED – e-mail: dalpiaz@terra. Pós-graduação – especialização: Matemática Superior – PUC/MG.gov.br . Organização do trabalho didático do professor alfabetizador dos anos iniciais/IESF. Pos .gov.br Maria de Lourdes Alencar Lima: Licenciatura em Pedagogia com habilitação em séries iniciais e Orientação educacional. Pós-graduação – especialização: Planejamento educacional – Universidade Salgado de Oliveira. SEMED – e-mail: historia.com Michelle Bittar: Licenciatura em Biologia (licenciatura e bacharelado)/UCDB. Doutoranda em Educação/UFMS.gov. Pós-graduação – especialização: Psicopedagogia.gov. Mídias na Educação/PUC/RJ. Metodologias do Ensino Superior/FEPV. SEMED – e-mail: artes.semed@pmcg. SEMED – email: eja. Pós-graduação – especialização: Organização do trabalho didático do professor alfabetizador dos anos iniciais/IESF. SEMED . SEMED – e-mail: mariade2004@hotmail.com. SEMED – e-mail: mgvinholi@yahoo. Licenciatura em Letras. Tecnologias na Educação/ UFRP.br Osmar Martins: Licenciatura em Geografia (licenciatura e bacharelado)/UCDB. em educação matemática.semed@pmcg.br Olga Maria dos Reis Ferro: Licenciatura em Pedagogia.br Sônia dos Santos Boiarenco Amorim: Licenciatura em Geografia (licenciatura e bacharelado)/UCDB.com Maria Lionete da Silva Ribeiro: Licenciatura em Ciências Plena/UNOESTE.br Olavo Costa Barrios Filho: Licenciatura em História/UCDB.ms.ms.br . SEMED – e-mail: geografia. cemte@pmcg. Pós-graduação – especialização: Educação Especial/UFMS/UERJ.br Ruth Aquino: Licenciatura em Pedagogia. Licenciatura em Educação Artística.br Nelagley Marques: Licenciatura em Letras com licenciatura Plena e Bacharelado em Tradutor Intérprete/UNIDERP.br Regina Magna Rangel Martins: Licenciatura em Pedagogia.gov. Pós-graduação – especialização: Métodos e Técnicas de Ensino/UNIDERP. Mestre em Educação/UFMS.br Sidnei Camargo: Licenciatura em Pedagogia/ Administração Escolar.com. Mestre em Educação/UFMS.ms.ms.gov. Pós-graduação – especialização: Tendências contemporâneas do Ensino na Língua Inglesa/UNIDERP.gov. Pós-graduação – especialização: Educação à Distância/ UNB.com. SEMED – e-mail: profedasdores@yahoo. SEMED – e-mail: souza. SEMED – e-mail: historia.semed@pmcg.br Rita de Cássia de Barros Galícia: Licenciatura em História. Pós-graduação – especialização: Políticas Públicas e Gestão Educacional no Contexto Intercultural/UCDB.gov. Mestre em Educação/UCDB – e-mail: ciencias.e-mail: nelagley@mail.br Rosa Maria Dalpiaz Dias: Licenciatura em Ciências com habilitação em Matemática/FUCMAT.semed@pmcg. SEMED – e-mail: artes.ms.semed@pmcg. Graduação em Pedagogia (administração)/UNOESTE. Mestre em Educação/UFSCAR.semed@pmcg.br Sônia Fenelon Filártiga: Licenciatura em Pedagogia.ms.ms.semed@pmcg. Pós-graduação – especialização: Organização do trabalho pedagógico.ms. SEMED – e-mail: def.br Vera Lúcia Penzo Fernandes: Licenciatura em Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas.com.ms. SEMED – e-mail: mlione@hotmail. do professor das séries iniciais do Ensino Fundamental/UNIDERP. Professora da UEMS – e-mail: olgareis@uol. Metodologia do Ensino Superior.ruth@ibest.com. Pós-graduação – especialização: Língua e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana/ centro Universitário Leonardo da Vinci. Pós-graduação – especialização: Educação e Meio Ambiente/UNIC.

com. Doutoranda em Educação/UFMS.Matemática/UNIDERP Professora Pós-Doutora Marilena Bittar – Matemática/UFMS Professor Pós-Doutor José Luiz Magalhães de Freitas .8 Vera Mattos: Licenciatura em Ciências Biológicas – licenciatura plena e bacharelado – USU/RJ.br PARECERISTAS Professor Especialista Ari Fernando Bittar – Educação Física/UFMS Professora Doutora Cláudia Aparecida Stefane . Professora no curso de Biologia/UEMS – e-mail: veramm_br@yahoo. Mestre em Educação/UFMS.Matemática/UFMS Professora Doutora Ângela Maria Zanon – Biologia/UFMS COLABORADORES Adriano da Fonseca Melo Alex da Costa Mendes Alexandrino Martinez Filho Cristiane Miranda Magalhães Gondin Michelle Bittar Rogério Lopes Paulino Thiago Jordão REVISÃO Itamar Soares de Arruda .SEMED Maraglai dos Santos Peres . Pós-graduação – especialização: Citologia/ USO/RJ.SEMED Maria Stela Lopes Bomfim – IESF Marcia Vanderlei de Souza Esbrana – SEMED ILUSTRAÇÃO DA CAPA “A escola que queremos” Adrielly Pereira Cavalcanti – 7 anos Escola Municipal João Evangelista Vieira de Almeida .Educação Física/UFMS Professora Mestre Izabel Cristina Silva – História/UCDB Professora Doutora Maria Augusta de Castilho – História/UCDB Professora Especialista Magda Simoni De Toni – Artes Visuais/SEMED Professora Mestre Nilcéia Protásio Campos – Música/UFMS Professora Mestre Lúcia Monte Serrat Alves Bueno – Artes Visuais/UFMS Professora Mestre Maria Celene Nessimian – Artes Visuais/UFMS Professora Mestre Carolina Monteiro Santee – Língua Estrangeira/UFMS Professora Mestre Elismar Bertolucci de Araújo Anastácio – Língua Portuguesa/UNIDERP Professor Doutor Edgar Aparecido Costa – Geografia/UFMS Professor Mestre Jarbas Antônio Guedes – Matemática/UNIDERP Professor Mestra Eugênia Aparecida dos Santos .

............MATO GROSSO DO SUL .... A FUNÇÃO MEDIADORA DA ESCOLA ......................................... LIVRO DIDÁTICO: LIMITES E POSSIBILIDADES ................................................................... 43 7............................................................ A ORGANIZAÇÃO DO CURRÍCULO DO ENSINO FUNDAMENTAL DO 1° AO 9° ANO NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE CAMPO GRANDE..................................... .58 13............................................................ CONCEPÇÃO E ORGANIZAÇÃO .... ..... CONCEPÇÃO E ORGANIZAÇÃO .............21 1.. 23 1........ A INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO ........... 36 6..19 REFERENCIAL CURRICULAR PARA O ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE CAMPO GRANDE ......................................... MS............................. ORGANIZAÇÃO.......... PERFIL DO PROFESSOR............................................. CENÁRIOS DA VIDA URBANA: HISTÓRIA.......... 26 3....... ......50 10............................. AVALIAÇÃO NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO .......62 15......... ......... POLÍTICAS AFIRMATIVAS: FUNDAMENTAÇÕES E PARÂMETROS PARA O CONTEXTO EDUCACIONAL ......................................................... CONDIÇÕES E PERSPECTIVAS ........................ GESTÃO ESCOLAR: A CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE DEMOCRACIA ..... ORGANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS ESCOLARES: A BIBLIOTECA ............ CONCEPÇÃO.......................................................... PERFIL DA EQUIPE TÉCNICA PEDAGÓGICA DA ESCOLA ..65 16......... 35 5......... CONCEPÇÃO E ORGANIZAÇÃO .............1 O papel do corpo técnico nas unidades escolares da Rede Municipal de Ensino........................................ 41 6......................................... ITINERÁRIOS CIENTÍFICOS E CULTURAIS COMO MATRIZ DE INTEGRAÇÃO HORIZONTAL E VERTICAL DA FORMAÇÃO HUMANA............................................................60 14 MOVIMENTOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO: HISTÓRICO................................... .... 25 2...... MOVIMENTOS SOCIAIS DO CAMPO E EDUCAÇÃO: HISTÓRICO.52 11.1 Por que trabalhar com eixos formadores do cidadão no currículo? ...45 8....... PERFIL DO ALUNO ..................................................9 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO . ....... .........................48 9.......69 ... .. MOVIMENTO DE MULHERES (GÊNERO) E EDUCAÇÃO: HISTÓRICO.................................... ........................... ... .......................................................... 31 4.......56 12...................

... 102 .................. 88 3................. NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA ........................................................................................................5 Concepções de texto/gêneros e tipos .................................... ABORDAGEM SOCIAL DOS CONTEÚDOS POR MEIO DE SEUS FUNDAMENTOS ....................................... 72 LÍNGUA PORTUGUESA ........................................ 83 1............ 99 6.................1 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental ............................... 87 3............ 99 6....................3........................................................... OBJETIVOS DO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA ................................. 94 6................. FUNDAMENTOS DA LÍNGUA PORTUGUESA ............................................ METODOLÓGICAS DO ENSINO DE LÍNGUA PORUGUESA PARA O 3º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL ............................................................. 98 6..... 94 6......1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental ............................................2 Texto e gramática (indissociáveis) ....................................... 95 6.........................10 17. 84 1.. 79 1.......................................................5 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental ....... 77 1......... POLÍTICAS E PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL...........................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º ano do Ensino Fundamental .................................................. 88 3............... 86 2......................................................... 82 1............................................4 Concepção de Linguagem ...............................4 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental ............. 93 6.................2 Concepções de Língua .............. RELEVÂNCIA SOCIAL DA APRENDIZAGEM ARTICULADA AOS QUATRO EIXOS DA LÍNGUA PORTUGUESA ...........................................................................................................2..... 100 6.........................................................................2 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental ...............................................1 Métodos utilizados na aprendizagem da Língua Portuguesa ........... 80 1.....3 Concepção de Semiótica ..........................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental ..........................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 3º ano do Ensino Fundamental ......................................................................... 91 4............................................. 92 5.1.........................................................3 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental ............................................................................................... 97 6.................................................. CONTEÚDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O 3º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL ................................................. 96 6.........................................6 Histórico da Lingüística ........4.............................................................................................................

.......................................... FUNDAMENTOS DO ENSINO DE LÍNGUA INGLESA E DA LÍNGUA ESPANHOLA .................................................... APRESENTAÇÃO DO REFERENCIAL CURRICULAR DE LÍNGUA ESTRANGEIRA .....3 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental .................. 139 7................................................................... 144 8....................................... 133 4............................... CONTEÚDOS DE LÍNGUA INGLESA PARA O 1º AO 5º DO ENSINO FUNDAMENTAL ........6...........1 Histórico do Ensino de Língua Estrangeira na Rede Municipal de Ensino de Campo Grande – MS (REME) ........................................... 121 2................7 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental ..................................... FUNDAMENTOS DA LÍNGUA ESTRANGEIRA PARA O 1º AO 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL ..................................................... 145 8...............................................................................7......................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental ........................... PERFIL DO PROFESSOR DE LÍNGUA ESTRANGEIRA .......................... 119 1....................................... 136 6....... 145 ................................................................... 102 6............................................................................................................... FUNDAMENTOS DA LINGÜÍSTICA APLICADA ......................... 108 7............................................................. 144 8................... 105 6.....................................5................................1.................... 107 6..................................... Relevância social da aprendizagem desses conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental . 130 3.......................................6 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental .................................................................................................................2 Conteúdos para o 2º ano do ensino fundamental ...............................2 Língua Espanhola .......................................... ITINERÁRIOS CIENTÍFICOS E CULTURAIS .............................................................................................................................. 118 1........1 Conteúdos para o 1º ano do ensino fundamental ......................4 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental ................... 104 6..........................................................11 6........... 128 3........... METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA ............................................................109 8................... 130 3......................................................... 117 ABREVIAÇÕES ... ABORDAGEM SOCIAL DOS CONTEÚDOS POR MEIO DOS SEUS FUNDAMENTOS .........................................................1º AO 5º DO ENSINO FUNDAMENTAL .......1 Língua Inglesa .................Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental ................ 145 8..................................... 143 8............................1..... 111 LÍNGUA ESTRANGEIRA ..................... AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA ............ 135 5..............

...... 147 10.......................................... 153 11..................2.....................................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental .............................. 151 10................................ 146 9........................3..........2 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental .......................................... 146 9.. 146 9....................................................................... 153 11......................................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental ..........................................................12 8......2................1 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental ............................................2 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental ...................4 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental ...........................1................. 149 10............................ 147 10.............. 146 9............................................................3....................................................5 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental ............5 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental .................................................................................... 145 9..................1 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental .... CONTEÚDOS DE LÍNGUA ESPANHOLA PARA O 6º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL ........... 150 10.......................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental ................................................................. 156 11...........................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental .. 147 10................ 158 11............................................... CONTEÚDOS DA LÍNGUA INGLESA PARA O 6º AO 9º DO ENSINO FUNDAMENTAL ... 152 10......................................................................... CONTEÚDOS DE LÍNGUA ESPANHOLA PARA O 1º AO 5º DO ENSINO FUNDAMENTAL ........................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental ..........................................................1 Conteúdos para o 1º ano do ensino fundamental .......................................................... 148 10...........3 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental ..4 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental ...........................................................................................................................4 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental ............................3 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental ................................................................ 157 11...........................................................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental .......................................... 155 1...... 154 11.1... 150 10...............................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental .....................2 Conteúdos para o 2º ano do ensino fundamental .................... 158 ............................................................. 146 9...........4.......3 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental .... 153 11.....................

.2 Artes visuais ..................................................................................................................................................... 167 1.................. 171 1............................................... 192 4...................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 3° ano do ensino fundamental .......... 165 1.......................................................... FUNDAMENTOS DO ENSINO DE ARTE .................................................Compreensão histórica e cultural das artes visuais ..................................... 191 4.................................. 178 3..... 193 4.......................3 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental ..................... 191 Eixo ........................................................................................................................................ ABORDAGEM SOCIAL DOS CONTEÚDOS POR MEIO DOS SEUS FUNDAMENTOS ......................................... 179 4......1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 4° ano do ensino fundamental ....... 193 Eixo .............. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DO ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA ...............4 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental .............................Compreensão histórica e cultural das artes visuais ..........................................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental ..13 11............................................... 191 4.......................................................................................................................... 193 Eixo ..............................Produção artística ................................................ 175 2.................. 159 12....................... OBJETIVOS DO ENSINO DE ARTE ......Compreensão histórica e cultural das artes visuais ...................................2......................................................................................................................................................................3..................................................................................................................................................4 Teatro................................... 191 Eixo ......3 Música ......................................................1...1 As Linguagens Artísticas ...................... 194 .........193 4.........................5 A arte e as novas tecnologias ...........................................................2 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental .. 191 4...............................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 5° ano do ensino fundamental ............................... 192 Eixo .Produção artística ........................ 193 Eixo ......... CONTEÚDOS DE ARTES VISUAIS PARA O 3º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL ...............................................................................................Compreensão histórica e cultural das artes visuais . 160 ARTES ....................... 173 1.........................................................174 1.....1 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental ............................. 192 4...................................................................................... 193 Eixo ........................................... 192 Eixo ........................4............Produção artística ...................................................................Produção artística ........................................... 172 1.................

. 196 5............................................................. 196 4.....................................Compreensão histórica e cultural das artes visuais ....................6 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental ..1 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental .. 196 4.... 194 Eixo ........1................ 194 4................................................... 199 5........1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 9° ano ensino fundamental ................................................Compreensão histórica e cultural das artes visuais ...................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 6° ano do ensino fundamental ...................................3..............Produção artística .................................. 198 5.......................................................................................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 7° ano do ensino fundamental .....................3 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental ......................................................................................... 196 Eixo ...........7 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental .............................................................5.......................................................7........................................5 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental ....... 197 5.................................................................................................................................................................................................Produção artística .....Produção artística .......................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 8° ano do ensino fundamental .......14 4.1...................................................................................................................................................................... 198 Eixo .................. 196 Eixo ...............1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 4° ano do ensino fundamental ............. 194 Eixo ................. 195 Eixo ............2 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental ..................................2.......................6............................... 197 Eixo ..............Compreensão histórica e cultural da Música .................................. 194 4............... 195 4.................................................................................................................Compreensão histórica e cultural da Música ................. 195 Eixo ................ CONTEÚDOS DE MÚSICA PARA O 3º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL .. 194 4.................................Produção artística ............................................................................................................ Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 5° ano do ensino fundamental.......4.................Produção artística .. 197 5.......... 199 5..1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 3° ano do ensino fundamental ................. 199 Eixo ........... 197 Eixo ............................................... 197 5.......................200 ...................... 198 Eixo ...........Compreensão histórica e cultural da Música .........Compreensão histórica e cultural das artes visuais ................... 199 Eixo ............................................................Produção artística .........................................................

............................ 205 6.......................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 6° ano do ensino fundamental................... 205 6......1 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental ........................................................15 Eixo ............................................................ 203 5............................2 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental .......Compreensão histórica e cultural do Teatro ................................7...................................... 205 Eixo ...................................................3 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental .............................................. 206 Eixo II ..............Compreensão histórica e cultural da Música ............................................................................Produção artística .................................................................................................................5 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental ....1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 7° ano do ensino fundamental .Produção musical ......................................................................4...................... 201 5......................................................... 200 5.... ....................................................................... 207 ......................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 8° ano do ensino fundamental...........................6 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental ...............Compreensão histórica e cultural da Música ...................... 203 Eixo ...............2..........Compreensão histórica e cultural do Teatro .......................... 206 6........... 205 6............................. 205 Eixo ............................................... 206 Eixo ...........................Produção artística ...Produção artística ...................................... 204 6....1.....1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 4° ano do ensino fundamental ......Produção artística ................... ...................Compreensão histórica e cultural do Teatro ....................... 202 5.................... 202 Eixo .....................................................................................................................................................................................................6................................ 201 5.............. 206 Eixo ................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de música para o 9° ano do ensino fundamental..................................Compreensão histórica e cultural da Música .... 203 5...............................5................... 201 Eixo .. 200 Eixo ........................ 206 Eixo ................................................. CONTEÚDOS DE TEATRO PARA O 3º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL .............. 203 Eixo ......... 201 Eixo ..................................................................7 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental ..... 204 5................................................................................................................................ ......................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 3° ano do ensino fundamental ................................................ 202 Eixo ................... 206 6................Compreensão histórica e cultural da Música ...........Produção artística ..................Produção artística .................................

........................................................ 253 .........Produção artística ..... 211 7.........................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 8° ano do ensino fundamental.......................................... 211 6.............................. 244 4........... .......................................................................... 209 Eixo ............................................................................... 224 9 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DO ENSINO DE ARTE ............ 207 Eixo ........... 207 Eixo .........Compreensão histórica e cultural do Teatro ............Compreensão histórica e cultural do Teatro ...................................................................................3.. 207 6.......................................................................... 209 Eixo ...Compreensão histórica e cultural do Teatro ...............................16 6........................... FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ..................................................................................Produção artística ............. 208 Eixo .......Produção artística ..... 209 6............... ITINERÁRIOS CIENTÍFICOS E CULTURAIS PARA O ENSINO DE ARTE ................... 235 1.........1 Eixo – Conhecimento sobre o corpo ..........................4 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental ...........................................................................5 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental ................. 238 1.......1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro do 6° ano ensino fundamental ............... 241 2......... 208 Eixo ....... 208 6.............................................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 7° ano do ensino fundamental...................................................... 209 6.................................................1 Tendências emergentes da Educação Física escolar ........... 210 6.................................... 211 Eixo .............6 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental .......................................................... 207 6...................5... 244 3.............................. 227 EDUCAÇÃO FÍSICA ................... ABORDAGEM SOCIAL DOS CONTEÚDOS POR MEIO DE SEUS FUNDAMENTOS ...................... 253 4................................................. 210 6....................7.....................2 A cultura corporal de movimento .........7 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental ... 233 1...... .................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 5° ano do ensino fundamental .................................................................................................. ..........................4.............................................................6.............................. 212 8................. CONTEÚDOS PARA O 3º AO 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL .........Compreensão histórica e cultural do Teatro .....1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 9° ano do ensino fundamental...................................... METODOLOGIA DO ENSINO DE ARTE ..... OBJETIVOS DO ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ........................................................................................................ 211 Eixo ................................................Produção artística .........................................

................................................................................ 257 5...............................1...........2.....1....................................................................... 261 6............................................................2 Eixo – Jogos esportivos e recreativos ..........................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º e 7º anodo ensino fundamental ............................1..................2................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 3º ao 5º ano do ensino fundamental ..........1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 3º ao 5º ano do ensino fundamental ................................................2........................................................................................2 Eixo – Jogos esportivos e recreativos .............1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º e 7º ano do ensino fundamental ............................2 DVDS ....1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 3º.............. 260 6....... PRÁTICAS CORPORAIS ALTERNATIVAS ........................................................................... 259 5.....1 Lugares ........................................................................................... METODOLOGIA DO ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ........................ 262 7.......... 260 5................ 263 8...................... 267 8...........................................................3 Eixo– Atividades rítmicas e expressivas .................. 268 ................................................................................ 262 6....................2 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º e 9º anodo ensino fundamental ..................................................................................................................................1 Biodança .....................................................2 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º e 9ºano do ensino fundamental ..........................................................1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º e 7ºano do ensino fundamental ...................... 261 6.......................................................................................................................1 Eixo –Conhecimento sobre o corpo ................................................................................... 254 4...................................................................................3 Eixo – Atividades rítmicas e expressivas ...................................3........................................ 256 5.................................... 256 5........................ 258 5............................................3... ao 5º ano do ensino fundamental . 254 4................................. 256 5.... 259 5........................................................ 266 8..........................................2 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º e 9º ano do ensino fundamental ..................................................... 260 6......................................................................3................................ ITINERÁRIOS CIENTÍFICOS CULTURAIS PARA 3º AO 9º ANO– EDUCAÇÃO FÍSICA .................... CONTEÚDOS PARA O 6º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL . 257 5................................................................ 254 4................................4 Trilhas .....2 Arvorismo ...... 255 5.........3 Corrida de Orientação .....................................................................................................17 4.... 255 4..

....... 270 ... AVALIAÇÃO DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM EM EDUCAÇÃO FÍSICA ............................................................... 269 9......................3 CDS .................................................................................................................................................18 8..

Para a elaboração. Com a promulgação da Lei n. de 6 de fevereiro de 2006. 11. Nesse sentido. e melhorar a qualidade do ensino nas escolas. cujas propostas foram analisadas e sistematizadas pelos técnicos da Coordenadoria-Geral de Gestão de Políticas Educacionais.274. e conforme o nível de compreensão. é porque nossa prática vem alcançando o sonhado salto qualitativo. elaborado coletivamente. que ora apresentamos. a construção do Referencial Curricular para o Ensino Fundamental. a necessidade de se fundamentar o referido documento nos aspectos teóricos. possa funcionar como uma nova organização do trabalho didático do professor das escolas da REME. implementa e desenvolve ações que propõem subsidiar o trabalho docente e. Assim. em consonância com a política de educação do município de Campo Grande. Quando chegamos à reflexão crítica daquilo que nós mesmos fazemos. apresentaram sugestões. estético. Para isso. é salutar que seja objeto de constante estudo e revisão. conseqüentemente.19 APRESENTAÇÃO A Prefeitura Municipal de Campo Grande tem como uma de suas metas prioritárias a qualidade da educação que oferece aos seus munícipes. visando atender aos pressupostos dessa legislação que fundamentam o Referencial Curricular. e por meio da Secretaria Municipal de Educação/SEMED. espera-se que este documento. os quais. que são a busca da totalidade social e histórica da formação do cidadão. metodológicos e organizacionais. nos encontros para estudos. contou-se com a participação dos professores da Rede Municipal de Ensino/REME. compreendida como uma educação que oportuniza aos alunos entenderem o funcionamento dos valores cultural. teve início em 2005. com vistas a dar apoio ao trabalho pedagógico e ao plano de ensino dos professores. que dispõe sobre a duração de nove anos para o Ensino Fundamental. portanto. houve. político e econômico da sociedade da qual faz parte. que procuraram garantir que permanecesse a essência do currículo pensado pelos profissionais educadores da Rede. Maria Cecilia Amendola da Motta Secretária Municipal de Educação . favorecer a melhoria do processo de ensino e de aprendizagem.

20 .

Propõe-se uma educação que valorize a potencialidade de todos os alunos. coube aos profissionais da divisão de currículo da Secretaria Municipal de Educação fundamentar e sistematizar essas propostas. também. Por isso. uma expectativa da sociedade e dos órgãos institucionais da educação sobre a capacidade de aprendizagem do professor. como esse que foi desenvolvido. Ao definir os princípios gerais do referencial curricular da REME. Por isso. Para isso. debates. que existe. optou-se por selecionar uma diversidade de obras que discutissem o pensamento humano e a educação no interior da sociedade contemporânea. da Secretaria Municipal de Educação (SEMED). Mato Grosso do Sul. expressa neste texto. por meio de reuniões. professor. com o objetivo de sistematizar a proposta curricular apresentada pelos professores atuantes nas escolas da Rede Municipal de Ensino (REME). O documento foi elaborado pela equipe da Coordenadoria Geral de Políticas Educacionais – CGPE. Após essa participação e contribuição. a síntese das propostas curriculares apresentadas pelos professores. cabe à escola ajudar crianças e jovens a sistematizar os seus conhecimentos para que a aprendizagem seja significativa e uma ferramenta somativa aos eventos de transformação da sociedade. a essência do currículo pensado e elaborado pelos profissionais das escolas da REME. Existe uma expectativa muito grande em relação à qualidade da educação brasileira e. está embutido neste discurso a esperança de que você consiga cuidar bem de sua própria . uma preocupação com a qualidade da educação do Município de Campo Grande-MS.MATO GROSSO DO SUL Caro professor. de ver na sociedade o que se passa. particularmente. aponta caminhos favoráveis para efetivação de um trabalho didático concernente às necessidades campograndenses. bem como trouxeram novas expectativas para a (re)construção e sistematização do referencial curricular norteador do trabalho didático do professor do Ensino Fundamental da REME.21 REFERENCIAL CURRICULAR PARA O ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE CAMPO GRANDE . mesmo que pelo olhar sincrético do senso comum. As respostas sobre o que as escolas desejavam para o currículo permitiram a realização de um trabalho pedagógico em grupo. num único documento. a SEMED realizou no Programa de Formação Continuada. Acredita-se que um trabalho em equipe. a capacidade que eles têm de aprender e (re)elaborar conhecimento. É importante lembrar. de modo a sintetizar. pesquisa nos quais os professores da REME puderam apresentar suas propostas para compor o currículo que queriam desenvolver nas escolas municipais de Campo Grande. Este trabalho teve início no ano de 2005.

Desse modo. elaborado coletivamente. pois a educação é palco de embate político e ideológico refletido nas práticas escolares. nas crianças e jovens do Ensino Fundamental. seja norteador do trabalho didático do professor das escolas públicas do Ensino Fundamental da REME. Quando chegamos ao ponto da reflexão crítica daquilo que nós mesmos fazemos significa que a nossa prática tem alcançado o sonhado salto qualitativo. os problemas da educação expressos na escola. Essa questão impõe aos educadores novas formas de pensar a educação por meio da formação humanística – científica que busca a construção de uma sociedade mais humana.22 aprendizagem. Frente à atual crise do sistema capitalista. administradores e professores como articuladores e executores da formação humana. como condição da própria sobrevivência do capital. de forma a ampliar a aprendizagem das crianças e dos jovens. espera-se que este documento. não decorrem somente da pouca formação e aprendizagem do professor. mas resulta de um conjunto de fatores complexos. em seu movimento de reprodução do capital produz simultaneamente. Profissionais da equipe da Divisão de Currículo da SEMED e Profª. entendida como uma educação cuja organização do trabalho didático do professor é desenvolver. numa perspectiva do salto qualitativo do conhecimento. de acordo com o nível de conhecimento que esses educandos possam alcançar no seu momento de estudo. Todavia. a compreensão de como funciona a sociedade em seus aspectos social. E é justamente por isso que o professor precisa estudar permanentemente. O pressuposto teórico é a busca da totalidade social e histórica da formação do cidadão. inerentes ao próprio movimento social. não é fácil para a escola sistematizar um Referencial Curricular que dê conta de abarcar todas as reivindicações da sociedade para com a educação. A sociedade atual traz necessidades materiais e espirituais resultantes do modo de organização de produção da sociedade. a miséria humana. político e econômico da sociedade capitalista contemporânea. político e econômico. o papel do professor é oferecer às crianças e aos jovens situações didáticas adequadas às necessidades e às possibilidades de aprendizagem conforme com a capacidade e a potencialidade que eles têm de aprender e de sistematizar o conhecimento. que. porque esta é uma condição ímpar para que seus alunos tenham sucesso na escola e na vida. é importante acentuar que a crise do capital atinge todos os setores da sociedade e nos resultados da aprendizagem das crianças e jovens. Olga Maria dos Reis Ferro/UEMS. Assim. É importante que seja tomado como objeto de constante estudo e crítica. que tenha o desejo e as condições necessárias para estudar e pesquisar permanentemente. Essa responsabilidade implica um trabalho de equipe formada por pesquisadores. cultural. MSc e consultora da escrita deste referencial curricular. Então. .

23 1. entrou em vigor a Lei n° 11. na Rede Municipal de Ensino de Campo Grande-MS terá como orientação para a sua organização pedagógica. preconizando . Neste documento. de maneira a assegurar a formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos.114 que altera a LDB . Para solução de tal necessidade social. MS. A ORGANIZAÇÃO DO CURRÍCULO DO ENSINO FUNDAMENTAL DO 1° AO 9° ANO NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE CAMPO GRANDE. de 20 de dezembro de 1996. a definição e distribuição das áreas de conhecimento. em maio de 2005. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. atende ao cumprimento do artigo 210 da Constituição Federal de 1988. Com as determinações oriundas das relações sociais. que assim determina: “Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum. políticas e econômicas da sociedade contemporânea surge a necessidade de se trabalhar em prol da melhoria da qualidade de ensino. atende ao texto do artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-LDB. por uma parte diversificada” (BRASIL.Lei de Diretrizes e Bases. compreendendo que a permanência dos alunos na escola deve ser ampliada por meio da jornada diária. Também é disposto que “o ensino fundamental é obrigatório para os alunos na idade própria e que o Estado tem o dever de oferecer atendimento às crianças de zero a seis anos”. elaborado pelos professores das escolas municipais e equipe da Divisão do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação . 1996). fixar “conteúdos” mínimos para o Ensino Fundamental. n° 9394. a ser complementada. que determina como dever do Estado para com a educação. Essa definição de um currículo dividido em base comum e partes diversificadas. Ana Olíria Ferreira Alves Olga Maria dos Reis Ferro Osmar Martins O currículo do ensino fundamental do 1° ao 9° ano. o “Plano Municipal de Educação: o futuro da educação é a gente que faz (2007-2016)” e os “Referenciais Curriculares para o Ensino Fundamental de 9 anos da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande-MS”.SEMED. nacionais e regionais”. divididas em base comum e partes diversificadas do currículo.

essa mesma Resolução prevê “que a organização do Ensino Fundamental para nove anos e Educação Infantil adotará a seguinte nomenclatura”: Etapa de ensino Educação Infantil Creche Pré Escola Ensino Fundamental Anos Iniciais Anos Finais Faixa etária prevista até 5 anos de idade até 3 anos de idade 4 e 5 anos de idade até 14 anos de 6 a 10 anos de 11 a 14 anos Duração 9 anos 5 anos 4 anos Fonte: Ministério da Educação/ Secretaria de Educação Básica. propor um currículo que leve em conta esses aspectos é pensar numa proposta coerente com as especificidades das crianças de 5 e 6 anos. O ingresso das crianças com seis anos no ensino de nove anos é abordado na Resolução de 03/08/2005. II. social e cognitivo. psicológico. com duração do tempo de ensino fundamental de 8 para 9 anos. intelectual.24 que a matrícula no Ensino Fundamental passaria a ser obrigatória aos seis anos de idade. em Mato Grosso do Sul. em seu artigo 1° e estabelece que: “a antecipação da obrigatoriedade de matrícula no Ensino Fundamental aos seis anos de idade implica na ampliação da duração do Ensino Fundamental para nove anos”. assim como os demais alunos em suas respectivas faixas etárias. Art. 2006.Maio. “A criança que irá completar 6 anos até dezembro poderá ser matriculada no 1º ano do ensino fundamental”. O currículo reelaborado é um norteador para a escola e deve ter como foco o que está previsto no artigo 8° da Deliberação CME/MS n° 559. devido ao movimento organizado de pais. Nesta perspectiva. O ensino fundamental ampliado para 9 anos deve assegurar que sejam contempladas no currículo. que estabelece: A ampliação do ensino fundamental de nove anos requer a reorganização do projeto político-pedagógico da instituição de ensino em consonância com as diretrizes . as expectativas das crianças que completarão a idade de 6 anos até o mês de dezembro do ano de sua matrícula no ensino fundamental e o desenvolvimento de seus aspectos físico. Contudo. cujos filhos completariam 6 anos até dezembro do ano de sua matrícula. em seu artigo 2°. de 19 de outubro de 2006. assim deliberou: A deliberação CME/MS nº 685 de 05-12-2007 altera os dispositivos das deliberações CME/MS nº 559/2006. que dispõem sobre a ampliação do ensino fundamental para 9 anos no Sistema Municipal.620/2007 e 627/2007. o Conselho Municipal de Educação. 2º. 596/2006.

1 Por que trabalhar com eixos formadores do cidadão no currículo? A proposta de trabalhar com eixos formadores do cidadão neste currículo tem como objetivo. Reafirma-se. da Secretaria Municipal de Educação e as normas deste Conselho.Ciências. . . como ponto de partida.SOCIEDADE.25 emanadas do Conselho Nacional de Educação.Ensino Religioso. que este documento foi estruturado de forma a estimular a intencionalidade de se materializar. portanto.Matemática.Artes. novas possibilidades de renovação do trabalho pedagógico. o propósito de melhorar a qualidade do processo ensino-aprendizagem em todos os anos do Ensino Fundamental. .DOCUMENTO INTRODUTÓRIO E ALFABETIZAÇÃO CADERNO II . ESTÉTICA. tendo.LINGUAGENS.DOCUMENTO INTRODUTÓRIO E EIXO 1 . promover a mediação entre os conteúdos das diferentes áreas do conhecimento e a vida em sociedade. coletivamente. toda organização da escola gira em torno desse currículo.CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS: .DOCUMENTO INTRODUTÓRIO E EIXO 3 . Com essa finalidade foram construídos. Portanto. CULTURA E SUAS TECNOLOGIAS: .Geografia.Educação Física. na escola pública.Língua Estrangeira.História. ECONOMIA E SUAS TECNOLOGIAS: . CADERNO IV . . os “Referenciais Curriculares para o Ensino Fundamental de 9 anos da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande-MS”. . 1.DOCUMENTO INTRODUTÓRIO E EIXO 2 .Língua Portuguesa. . Desta forma se estrutura o documento: CADERNO I . CADERNO III . POLÍTICA. Nessa perspectiva as diferentes áreas do conhecimento consistem em uma forma específica vinculada ao conteúdo científico de cada área do conhecimento e a vida e .

economia. compreender e questionar. da psicologia e. em suas relações com a sociedade e. Assim. As temáticas que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) convencionou chamar de temas transversais.26 sociedade consiste em uma formação geral. Renato Janine (org) Humanidades: um novo curso na USP. a realidade em que vivem e intervir na historicidade social de seu tempo. estética. Então. Sociedade. entre outras. uma vez que a substância deste documento são todas as temáticas sociais que precisam ser estudadas e discutidas. vale indagar: o que são os Itinerários científicos e culturais na perspectiva deste referencial curricular? Quais são os objetivos das atividades pedagógicas e temáticas sociais de relevância. no campo dessas ciências. tecnologia. estética. O termo itinerário foi desenvolvido por Renato Janine Ribeiro. mas fazer com que Linguagens. no Projeto do Curso de Graduação de Humanidades da USP. da sociologia. não co-existem de forma paralela neste currículo. natureza. Vamos à raiz dessas palavras para descobrir os seus significados. São Paulo: EDUSP. conforme as necessidades a serem sanadas pelas pessoas em espaços e tempos determinados historicamente. economia e suas tecnologias. da história. a serem estudadas e discutidas no ensino fundamental? Como o próprio nome diz. que envolve conhecimento do ser humano como um todo. ética. os Itinerários científicos e culturais não são temas transversais. 2001. política. política. destacar sociedade. trata-se de uma atividade escolar que envolve a ciência e a cultura como uma matriz de integração horizontal e vertical que visa uma formação plena do cidadão. nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN/1996). ITINERÁRIOS* CIENTÍFICOS E CULTURAIS COMO MATRIZ DE INTEGRAÇÃO HORIZONTAL E VERTICAL DA FORMAÇÃO HUMANA Olga Maria dos Reis Ferro Na perspectiva dos fundamentos deste referencial curricular. cultura e suas tecnologias. Ver RIBEIRO. não se trata de trabalhar por projetos ou interdisciplinarmente para dar conta da formação específica e geral do aluno. 2. Tratam-se. com a natureza e consigo mesmo. portanto de conhecimentos que requer do professor saberes a cerca da filosofia. Ciências da natureza e suas tecnologias e Itinerários científicos e culturais constituam-se em instrumentos que permitem as crianças e aos jovens subsidiar. * .

estas idéias. São objetivadas porque “as características quantitativas e qualitativas da mente são determinadas pela atividade prática dos homens” (PALANGANA e HOFF.] O segundo significado. Por isso. Podemos inferir que. 21). o conhecimento instrumentaliza o homem a entrar em relação com os outros e com a natureza.27 1.. como esclarece Pires (2007. o conjunto dos modos de viver e de pensar cultivados.. da democratização do acesso ao conhecimento. São produtos históricos e transitórios. A produção de uma sociedade humanizada depende. pois o homem é um ser social. comparar os fatos e julgá-los com outros fatos que servem de controle” (ABBAGNANO..] antes de mais nada. 225). No interior dessa dialética o conhecimento é entendido como a objetivação das idéias. um ser que tem existência material e que tem uma atividade vital que não se reduz à consciência. o fundamento que dá unidade a este currículo é a concepção de que a humanização do ser humano é o princípio e o fim da sociedade. 1998.] Os mesmos homens que estabelecem as relações sociais de acordo com a sua produtividade material. numa relação intrínseca entre educação e sociedade. entre outras coisas. diz ele.] As considerações (crítica) de Claude Bernard a respeito (da Ciência positiva) são muito interessantes: “A simples constatação dos fatos”. Transpondo essa .] Este termo tem dois significados. CULTURA: [.. 02): [. não é a consciência que determina as atividades práticas dos homens. também. estas categorias são tão pouco eternas quanto às relações que exprimem. civilizados. é preciso. o homem produz conhecimento à medida que tem necessidade dele como um instrumento de utilidade real para resolver as suas problemáticas da vida em sociedade. produzida historicamente. ciência e cultura formam a matriz impulsionadora da integração horizontal e vertical do currículo do ensino fundamental. p. [.. que também costumam ser indicados pelo nome de civilização (ABBAGNANO... mas são as suas necessidades materiais e espirituais que lhe determinam a consciência. Podem se multiplicar fatos e observações. modificando-a e a si mesmo. p. CIÊNCIA: [. as idéias e as categorias de acordo com suas relações sociais. indica o produto dessa formação. embora a envolva. mas isso não levará à compreensão de nada. o desenvolvimento das idéias no plano individual nada mais é do que a apropriação e a transformação do que já está posto no mundo social. produzem. na perspectiva deste referencial curricular.. p. 138) 2.. 1993. Segundo Figueira (1995). polidos. real e objetivo. os princípios.. significa a formação do homem. Assim. Assim. ou seja. p. O que significam idéias objetivadas? Significa afirmar que não são produzidas fora das relações sociais. [. 1998. raciocinar sobre o que se observou. No primeiro o mais antigo. e para Marx (1988). Assim. um ser corpóreo. Para aprender. “nunca chegará a construir uma ciência. sua melhoria e seu refinamento. necessariamente.

nada impede que essas crianças sejam capazes de. Se a função da escola é socializar e sistematizar o conhecimento e. trazem conhecimentos advindos de informações intercambiadas nos mais diversos e avançados sistemas (tecnológicos) de comunicação. o conhecimento formal necessário à produção da ciência. a partir de temáticas sociais. Assim. Contudo. ainda. o que se propõe na escola com a temática “itinerários científicos e culturais” é que os primeiros ensaios de produção de ciências realizados pelas crianças e jovens do . Não é surpresa para ninguém que as crianças ao ingressarem na escola.28 concepção para a escola a pergunta que se faz é: como os professores e os alunos podem sistematizar o conhecimento numa intrínseca relação entre teoria e prática? Sabemos que existe um pensamento acadêmico preconizado afirmando que no nível da educação básica é impossível fazer ciência nos moldes como é concebida culturalmente. de articular alguns ensaios de pensamento formalizado acerca do mundo que o cerca. comparar um fato singular com seus determinantes universais. mas em termos de ensaios científicos e culturais. é um pesquisador por natureza. não têm. Sendo assim. discutir com os professores e colegas determinados fundamentos. Nessa direção a proposta de se desenvolverem atividades de itinerários científicos e culturais no ensino fundamental rompe a crença de que nesse nível de ensino o aluno não é capaz de pensar com lógica. seja pela escola. seja pelos meios de comunicação. não na ciência de ponta. com a mediação do professor que. uma vez que acreditamos que as crianças e jovens envolvidos nesse nível de ensino. a escola precisa acreditar na relação entre conhecimento singular e universal. na medida em que se valoriza a riqueza dos conhecimentos vivenciados por crianças e jovens. partindo de temáticas sociais propostas. em suas comunidades que ao se relacionar como o universo do saber sobre o conjunto da sociedade que eles acessam. diferençar um fato do outro. estabelecer relações entre um fenômeno e outro. ela pode e deve ser uma escola criadora e desenvolver com seus alunos aprendizagens sustentadas por ensaios científicos. na sociedade contemporânea. que propiciam a integração da iniciação científica no estudo dos conteúdos do ensino básico desde o nível fundamental. a fim de fazer as crianças e jovens avançarem do conhecimento sincrético para o pensamento lógico. Segundo Alves (2003). interpretar e sistematizar dados. também ensinar a pensar e a aprender. levantar. conforme o seu nível de aprendizagem. acreditamos na possibilidade de desenvolver um trabalho didático revolucionário. ler e estudar textos diversos. Desenvolver ensaio científico é possível.

que é produzir mais capital.29 ensino fundamental não sejam desvinculados da cultura singular/universal. Sem dúvida. comportamento. A idéia do trabalho com dos itinerários científicos e culturais configura-se na necessidade de atribuir ao ensino o aspecto da formação total das crianças e dos jovens. a educação processada dentro da instituição escolar deverá estar relacionada com o estudo e discussão de temáticas sociais que atendam às necessidades das crianças e dos jovens. a idéia é de transformação da matéria orgânica retirada da natureza para uma determinada utilidade social que. com as baterias de celulares que não têm mais validade? Quais são as necessidades e os impactos sociais que causam na sua fase de produção e utilização? No que se refere à ciência contemporânea. a escola deve ser um espaço que propicie o intercâmbio científico e cultural baseado na interação e civilidade humana. essa é uma função social. está discutindo a cultura local e global. não se limitando apenas ao espaço escolar. Realizar um trabalho didático dessa natureza é primar pela formação do cidadão na sua totalidade. social e econômico da sociedade em que vivem. A fim de atender às exigências da sociedade vigente. Quando o professor aborda a questão da “reciclagem do lixo” deve perguntar a si mesmo e às pessoas que o cercam que está contido nesse trabalho pedagógico em termos de ciência e cultura? O que fazer. que. por outro lado. uma vez que não funciona mais. por exemplo. entre tantas outras. é determinado pelos ditames da produção e reprodução do capital. Para isso. Por isso. no que confere àquele assunto trabalhado. uma das funções da escola é produzir meios para que as crianças e jovens do ensino fundamental compreendam o funcionamento político. Na perspectiva da organização do trabalho didático com os itinerários científicos e culturais. a mudança de comportamento de quem o usa. como conhecimentos civilizatórios da natureza humana. que a escola pública deve desenvolver. na sociedade contemporânea. Isso pode ser feito por meio da apreensão dos conhecimentos historicamente . mas integrados e articulados ao processo de resgate histórico e valorização da cultura que lhes é pertinente. Para tanto é necessário que se repense a organização do trabalho didático. seja para o entendimento do processo de produção e circulação da mercadoria. seja para a economia de tempo e fadiga no acesso e socialização da informação e interlocução com outras pessoas. chegou ao seu fim. a organização do trabalho e do processo produtivo. precisa oportunizar condições e ambientes diferenciados de aprendizagem que ultrapassa as quatro paredes da sala de aula e o livro didático. Investigar essas questões é fazer ensaio de ciência. mas ao contexto social. quando o professor discute com seus alunos a cultura do uso do celular. tendo atingido o objetivo do sistema capitalista.

Nesse sentido. reinventar o conhecimento. mas são também meios privilegiados e indispensáveis para que o homem reconstitua a trajetória humana e descubra o caráter histórico de todas as coisas que produz. não existem concomitantemente ao currículo. já na escola elementar: o teatro. pois estreitamente ligadas às classes sociais e aos interesses que delas emanam. Uma revolução na educação pressupõe o currículo revolucionado pelos mecanismos de acesso à grande cultura. 1 . p. trabalhar componentes curriculares que envolvam a ciência e transformem a cultura do cidadão. O professor deve partir de eixos temáticos. A concepção desenvolvida por Ribeiro (2001) e reafirmada por Souza (2007) sustenta a importância dos itinerários científicos e culturais. a ciência. v. no seu amplo e fundamental sentido...30 construídos e socialmente disponibilizados e. no trabalho didático da escola. 2007). os itinerários científicos culturais. a escola fenece e a educação sucumbe (O Estado de SP. nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL. a pintura. que permaneceram no tempo e continuam sendo buscadas como fontes do conhecimento.. a escola precisa ser reinventada. a música. surgem como um princípio metodológico. 16. cujos temas sociais. Toda saída da sala de aula deve ter objetivo a prática de ensaios científicos e a ampliação da cultura das crianças e jovens. no ensino fundamental. As funções da escola pública de educação geral sob o imperialismo. de política. as contradições históricas de seu tempo. ou seja. 1999). revolucionar o seu trabalho pedagógico. para sistematizá-los conforme o seu nível de entendimento e aprendizagem. para atender às necessidades de aprendizagem da sala de aula. como afirma Gramsci (1988). Porque sem poesia. ler as obras clássicas1. seu papel é de pesquisador capaz de observar e planejar situações diferenciadas. 112. uma vez que é a substância do próprio currículo. Segundo Martins (2007). por meio da releitura crítica desses conhecimentos. valores. de filosofia. a poesia. expressam a necessidade real do grupo que busca reelaborar conceitos. a escultura. Clássicas são aquelas obras de literatura. as crianças e os jovens do ensino fundamental a sistematizar os conhecimentos apreendidos e reformulados historicamente. [. Elas são produções ideológicas. principalmente. etc. As temáticas que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) convencionou chamar de temas transversais. Revista Novos Rumos. sobretudo. que pode auxiliar os professores. a literatura. Nesse contexto. a fotografia e. E continuarão desempenhando essas funções pelo fato de terem registrado com riqueza de minúcias e muita inspiração. Gilberto Luiz. (ALVES.] outro componente revolucionário da educação: a cultura. 1996). como possibilidade de desenvolver a formação humana à sua totalidade. São Paulo. escrever os seus próprios textos de forma que possam transformar a si mesmos e a sociedade na qual estão inseridos. numa perspectiva de totalidade.

. A sociedade contemporânea impõe às práticas educacionais muitas responsabilidades que exigem dos educadores constantes reflexões sobre a compreensão e organização de seu trabalho didático. atenção. explicar-lhes que informação não é conhecimento e que este exige esforço. 26 ). pode ser constatada no trecho do Relatório da UNESCO: Pede-se muito aos professores. PERFIL DO PROFESSOR Analice Teresinha Talgatti Silva Rosa Maria Dalpiaz Dias Sônia dos Santos Boiarenco Amorin Teus ombros suportam o mundo e ele Não pesa mais que a mão de uma criança. Espera-se que remediem as falhas de outras instituições. Dessa forma. Estes poderão participar de alguns momentos do planejamento como forma de conhecer o processo desde os primeiros passos da elaboração dos eventos científicos e culturais a serem realizados. em museus. o principal deles um paradoxo de nosso tempo: a busca da harmonização entre quantidade e qualidade. em arquivos públicos. p. O texto desse relatório convoca o professor a realizar novas reflexões sobre a história das pedagogias mais difundidas. também elas com responsabilidades no campo da educação e formação de jovens. 3. seus métodos e o seu papel no interior de cada uma delas. os professores têm a sua frente jovens cada vez menos enquadrados pelas famílias ou pelos movimentos religiosos. demasiado até. até o seu ponto de chegada que é o conhecimento sistematizado e socializado. se quiserem fazer-se ouvir e compreender pelos jovens. Pede-se-lhes muito. principalmente através de novos meios de informação e de comunicação. transmitir-lhes o gosto de aprender. talvez.31 Essa ação deve ser intencionalmente organizada pelo professor. o professor estará contribuindo para desenvolver nas crianças e nos jovens do ensino fundamental um perfil social e cultural mais elaborado. (Carlos Drummond de Andrade) A educação passa por uma fase de transição em sua história e enfrenta desafios sendo. pela equipe técnicapedagógica da escola e discutida com as crianças e jovens. entre outros locais de busca do conhecimento e informação historicamente produzidos. Essa exigência. agora que o mundo exterior invade cada vez mais a escola. a importância de leitura dos clássicos da pesquisa mais elaborada na biblioteca. terão de ter em conta este novo contexto. vontade (DELORS. na Internet. De fato. 1999. rigor. que é global. mas cada vez mais informados. por isso.

adaptar os indivíduos à sociedade. A pessoa que ficasse à margem desse processo era ignorante. a educação era direito de todos e dever do Estado. 19) afirma que essa Pedagogia Nova promoveu “[. p. p. Sobre a Pedagogia Nova. por sua vez. capaz de promover a função de equalização social. a pedagogia tecnicista. no desempenho cognitivo (Saviani. A partir das experiências levadas a efeito por Maria Montessori com crianças “anormais” é que se pretendeu generalizar procedimentos pedagógicos para o conjunto do sistema escolar. Saviani (1995) afirma que esta mantinha a crença no poder da escola. transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade e sistematizados logicamente. mas também diferenças no domínio do conhecimento.. objetivos. planejamento.. ocupando professor e aluno posição secundária. Segundo esse autor. sobre essa temática são esclarecedores.. A escola tinha como objetivo difundir a instrução. que transmitia o acervo cultural aos alunos que o assimilava. 20). inclusive a aceitação do modelo de sociedade na qual eles viviam. da educação e da escola. igualado ao trabalho fabril. os textos de Saviani (1995). na Pedagogia Tradicional. quaisquer que elas sejam: não apenas diferenças de cor. incutindo neles o sentimento de aceitação dos demais e pelos demais. num momento histórico (anos 30 e 40 do século XX) em que a desigualdade social tornou-se exacerbada no Brasil – quem estivesse à margem do processo era o rejeitado. Segundo Saviani (1995. A organização do processo converte-se na garantia da eficiência. de raça. tinha como função ajustar.” Segundo o autor. imparciais. compensando e corrigindo as deficiências do professor e maximizando os efeitos de sua intervenção. toma força.] a marginalidade não pode ser explicada pelas diferenças entre os homens. na qual o processo educativo passa a ser objetivo e operacional. na participação do saber. Saviani (1995. nessa pedagogia. O conhecimento. Na primeira metade do século XX. . de credo ou de classe. relegados que são à condição de executores de um processo cuja concepção. era centrado no professor. A Pedagogia Nova tinha como preocupação “os anormais”. coordenação e controle ficam a cargo de especialistas supostamente habilitados. Para a Pedagogia escolanovista os homens são essencialmente diferentes.] o elemento principal passa a ser a organização racional dos meios.32 Para tanto.] uma espécie de biopsicologização da sociedade. p. o que já era defendido pela pedagogia tradicional. 24): [. não se repetem. neutros. na educação brasileira. cada individuo é único... a Escola Nova acredita que [.. A educação. pois este lema era defendido pela burguesia do século XIX devido à necessidade de sua consolidação no poder.

temos como concepção de ser humano. um ser histórico que constrói o seu meio e se constrói diante de um universo em constante transformação. para compreender qualquer informação em seu contexto. mas de relações humanas com pessoas capazes de iniciativa e dotadas de uma certa capacidade de resistir ou de participar da ação dos professores. Nessa perspectiva. “[. ao mesmo tempo em que tem que formar seres humanos capazes de se situarem corretamente no mundo. cujo fim é uma educação apenas consumista. Na trajetória da história da educação brasileira os professores. Tardif (2005. É educação apenas para a produção setorial. sem que se dessem conta. quem está à margem desse processo é o incompetente. ao reproduzirem essas pedagogias. pois de acordo com o mesmo autor. 31). tais como: desenvolver habilidades para contextualizar e integrar conhecimentos. que não produz a formação humanística-científica necessária para o homem enfrentar as problemáticas da sociedade contemporânea. uma heterogeneidade e uma fragmentação do trabalho didático. o improdutivo. 2005. modificando a sociedade e a si mesmos. para ser mais tolerante com colegas de trabalho. o conhecimento e sua relação com as práticas . sem extirpar as mazelas da ignorância. O exposto acima evidencia que na sociedade contemporânea existem grandes desafios a serem superados pelo professor. o professor seria menos um formador e mais um mediador entre o aluno. Diante do exposto. 35) observa o seguinte: A docência é um trabalho cujo objeto não é constituído de matéria inerte ou de símbolos. solucionando-as. além de provocar uma descontinuidade.. para expor e trabalhar os problemas. Na atualidade. precisa atender como (e para que) a economia neoliberal vem pensando a educação. para formação de mão-de-obra especializada para o trabalho. sobre seres humanos e para seres humanos” (TARDIF. a educação passa a ser concebida como mercadoria. que se tornou extremamente complexa.. Na perspectiva de uma educação humanística-científica. A educação tem como função proporcionar um efetivo treinamento para execução das múltiplas tarefas demandadas continuamente pelo sistema social.33 Na Pedagogia Tecnicista. agravaram o processo de marginalidade e aprimoraram a qualidade do ensino destinado às elites. com alunos-pares e poderem enfrentar situações complexas. p. A educação entendida como mercadoria reproduz e amplia as desigualdades. o ineficiente.] ensinar é trabalhar com seres humanos. Nesse contexto. p. as exigências impostas pela educação ao professor mudam sua função pois. faz-se necessário uma reflexão.

Malaguti (2005. p. comprometimento político.] o educador deve possuir algumas qualidades. concreto. [. Segundo Saviani (1995. 01) oferece as seguintes considerações: .. constrói e reconstrói o conhecimento junto com seu aluno e desenvolve competência humana.. técnica e política. ou o ambiente de socialização.. 115-116): [. da desmotivação para o estudo. porém.. colocando-se na perspectiva da transformação social.] Torna-se. Contudo.. para a leitura e para a discussão de temas mais complexos. Segundo Demo (1998. da iniciativa do professor. Hoje se exige dos professores o desempenho de uma ampla tarefa: a de produzir uma nova instituição educacional pública. p. Reclamam das dificuldades de aprendizagem das crianças e jovens.. favorecerão o diálogo dos alunos entre si e com o professor.] estimularão a atividade e iniciativa dos alunos sem abrir mão. [.] manter a proposta de que a base da educação escolar é a pesquisa. posicionado. p. tais como: compreensão da realidade com o qual trabalha. marcado pela pesquisa.. 8) “[. os ritmos de aprendizagem e o desenvolvimento psicológico mas sem perder de vista a sistematização lógica dos conhecimentos. O professor que trabalha a educação com base em pesquisas propõe um ensino pelo questionamento. fujam ao peso das rotinas seculares e ao corporativismo e enfrentam os problemas da escola pública contemporânea e façam avançar tanto a organização do trabalho didático quanto a incorporação das novas funções sociais da instituição. Nesse sentido. O perfil do professor começa a ser apresentado a partir de um trabalho fortemente contextualizado. mas sem deixar de valorizar o diálogo com a cultura acumulada historicamente. sua ordenação e gradação para efeitos do processo de transmissão-assimilação dos conteúdos cognitivos. ou a ambiência física. além da competência teórica. Alves (2001. os professores freqüentemente falam sobre as dificuldades que enfrentam para produzir uma nova escola. levarão em conta os interesses dos alunos. uma paixão pelo que faz.] que mantêm continuamente presente a vinculação entre educação e sociedade. [. ou o mero contato entre professor e aluno”. cujo valor está na utilidade...] O processo educativo exige envolvimento afetivo.34 dos homens em sociedade. 271) faz a seguinte abordagem: A esperança é a de que os educadores. A esse respeito.. exigindo o zelo de todos pela oferta de serviços eficazes. 79) esse docente buscará métodos que: [. p. Daí vem a ‘arte de ensinar’.. não a aula.. Para Luckesi (1994 p. competência no campo teórico do conhecimento em que atua e competência técnico-profissional.

Para Malaguti (2005). ao entrarem em contato com esse conhecimento possam reelaborá-lo e colocá-lo a serviço de suas necessidades sociais. As crianças e os jovens dessa sociedade reivindicam outras necessidades de formação.. mas organizar para se tornar um espaço que concretiza esse conhecimento. a escola. a escola. Sucumbiram. Esse é o desafio que se impõe a ele. 4. ainda. o egoísmo. Estes jovens aprenderam que o individualismo. portanto. é importante lembrar que. aos caminhos do sucesso apontados pelos “gurus do auto-conhecimento” ou do “como vencer na vida em “sete etapas”. no processo pedagógico. antes de tudo. como instituição não deve limitar suas funções sociais apenas em proporcionar as crianças e aos jovens o acesso ao conhecimento científico e à cultura singular e universal. É uma geração cujos poderes de crítica e questionamento foram enfraquecidos ou mesmo anulados. na contemporaneidade. É função primeira e específica da escola. mas preciso enxergá-lo com uma lupa que foca a sociedade como um todo. . social e. A FUNÇÃO MEDIADORA DA ESCOLA Maria de Lourdes Alencar Lima A escola contemporânea é uma instituição cujo papel consiste na socialização do saber sistematizado (SAVIANI. De forma aparentemente paradoxal. Assim.. Portanto. à cultura letrada. 2003). ao realizar as ações pedagógicas propicia aos alunos um salto qualitativo no acréscimo do conhecimento. à cultura erudita. o esforço isolado e a desconfiança em relação aos outros conduzem ao sucesso na vida profissional. como tal. pois ele é fruto dessa sociedade contemporânea que requer do educador uma nova leitura de mundo. precisa ser enxergado. a apropriação e a socialização do conhecimento historicamente acumulado pela humanidade. ao “conhecimento” fácil divulgado via internet. valorizando. Em função da crise do capital que atinge.35 [. o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos respeitando ritmo. diferentes das de outros tempos e para atender a essa demanda. Nessa perspectiva. também foram conduzidos a incorporar a “mesmice” e a aceitação passiva como ideais positivos e fatores de integração econômica. o professor não pode ver o aluno apenas com o foco na educação.] os alunos atuais foram colocados nessa situação. a fim de que as crianças e os jovens. nível de envolvimento bem como os limites de cada aluno. um pesquisador. a escola existe para disponibilizar o acesso e a permanência das novas gerações ao saber sistematizado. o modo de ser das crianças e dos jovens de hoje é um produto histórico. Todavia. o professor precisa ser.

Para conhecê-los. PERFIL DO ALUNO Ana Olíria Ferreira Alves Maria de Lourdes Alencar Lima A formação das crianças e dos jovens é a preocupação da escola na sociedade contemporânea. em todos os aspectos que ele necessita para crescer com saúde.36 em particular. em sua estrutura. As novas funções sociais da escola emergiram com força torrencial e contribuíram. provenientes tanto do Estado como da família. as demandas sociais para a escola contemporânea se multiplicaram. também. idades. . o desemprego e a necessidade dos pais trabalharem horas a fio fora de casa tem exigido da escola de ensino fundamental educar e cuidar do ser humano. é mister aprender que todos que a freqüentam são diferentes em gêneros. classe social.] O autor chama a atenção sobre a necessidade da escola olhar para além de seu interior e analisar as contradições inerentes ao movimento de produção da vida na sociedade capitalista da qual fazem parte seus alunos. espaços adequados e formas de organização do trabalho didático que permitem concretizar a educação com a participação de todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. mas possuem uma mesma especificidade no sentido de que estão ali para aprender. As escolas da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande. Conhecer quem freqüenta essa instituição nos impõe a fazer algumas indagações relevantes. 5. O olhar para a diversidade contida na escola faz com que tracemos o perfil das crianças e dos jovens que queremos formar. para relegar a finalidade maior da instituição a um segundo plano. as camadas médias e pobres da sociedade. portanto é pertinente que se conheça quem freqüenta as escolas. A exacerbação da pobreza.. etnias. 213) [. foi assaltada pelas mais díspares motivações. até então. lhe eram estranhas. Mato Grosso do Sul. como afirma Alves (2001.] a escola pública. com educação e com condições de civilizar-se. O trabalho didático está a serviço das crianças e dos jovens.. tais como: quem é o aluno da REME? Que cidadão pretende formar? Qual será a atuação desse cidadão no mercado de trabalho? Como aproveitam o tempo para ampliar o conhecimento sistematizado pela escola? Cada vez mais precisamos refletir sobre essas questões.. pois permeiam todo o trabalho didático. [. p. possuem. ao ser chamada a atender demandas da sociedade capitalista que..

. pois ouvi-los é uma forma de valorizá-los. adolescência e juventude do que confrontá-lo com seu próprio olhar. possuem características diferentes daqueles em que só ouviam passivamente sobre o que lhes era transmitido na escola. Temos no interior das escolas da REME crianças e jovens com histórias próprias e reais. de suas trajetórias humanas e escolares. Se olharmos a educação pelo prisma da passividade. não podemos separar as trajetórias escolares das trajetórias humanas. (ARROYO. uma pesquisa por amostragem com aproximadamente 400 alunos. Apresentam e ideais que precisam ser levados em consideração. A Divisão de Coordenação de Ações Educacionais. e a adolescência pois. Dando voz àqueles que por tempo foram silenciados. ela poderá ser um instrumento da construção da autonomia do ser humano. Suas falas podem ser menos preconceituosas do que tantos discursos da mídia. mas se a olharmos como forma de construção ativa.81). da política e até da pedagogia. Nada melhor para rever nosso olhar sobre a infância. Refletir sobre as características dessas crianças e jovens é imprescindível para a construção da formação humana. o que se aprende na escola precisa fazer relação com a vida. Segundo Arroyo: [. Estamos caminhando para o real sentido em relação à aprendizagem. suas auto-imagens podem destruir tantas imagens estereotipadas que pesam sobre eles. p. reivindicado pela sociedade contemporânea. por não ver nela a relação com sua trajetória de vida. cada tempo histórico produz determinadas necessidades à formação humana. que se mostram às vezes desestimulados para freqüentar a escola. pois dependendo da forma como são tratados também será a maneira pela qual entendemos a educação. A educação é um direito de todos. por isso a importância de fazer da escola um lugar que oportunize a eles construir uma experiência digna da formação humana.37 Nesse olhar poderemos descobrir a bagagem que traz a infância. 2004. do 6º ao 9º ano do . Nesse sentido. pois. que na sua trajetória de vida trazem marcas que precisam ser consideradas. mas não pode estar desarticulada da realidade social. então. A partir dessa aproximação podemos perceber as necessidades reais das crianças e dos jovens no contexto atual. Talvez seja nesse sentido que enfrentamos os maiores problemas em relação à aprendizagem das crianças e dos jovens..] Há muitas formas dos alunos(as) falarem de suas vidas. As crianças e os jovens que freqüentam a escola hoje. A trajetória de vida das crianças e dos jovens podem ser cheias de luzes e sombras. será a de transmissão do conhecimento. realizou no mês de julho de 2007.

a escola deveria ser mais alegre. segundo eles próprios sugerem. todavia a escola pública precisa melhorar as suas condições de atendimento às reais necessidades dos alunos. dos professores. gosta muito das aulas de educação física e das atividades comemorativas. Mato Grosso do Sul. aponta o seguinte perfil dos alunos que freqüentam as escolas municipais: os alunos da REME. gosta do lanche e da hora do recreio. Outro item abordado com muita freqüência diz respeito ao comportamento dos alunos. que precisam ser mais educados e disciplinados. Segundo eles. O nosso aluno vem de toda parte do Brasil. em sua maioria. é mais que uma extensão da própria família. cidades vizinhas e de países vizinhos como Paraguai. no entanto somente nela é que sistematizam conhecimentos que não são vistos no cotidiano. Estar na escola é privilégio de poucos. Conforme a pesquisa apontou. 30% dos alunos fazem aula no projeto que funciona nos Centros Comunitários dos bairros. o nosso alunado gosta da escola. moram próximo da escola. Estar atento a indagações sobre qual escola querem as crianças e jovens é o ponto de partida para a democratização da escola. quanto à formação docente. Muitas crianças e jovens gostam e acreditam nela. tia). Bolívia e até do Japão. cerca de 90% das famílias possuem uma religião.38 Ensino Fundamental. Os dados acima permitem concluir que a escola é fundamental na vida do aluno. Na opinião da maioria. Nas redações a seguir é possível fazer uma análise sobre esse perfil e a escola que eles esperam. Explicitamos que o perfil das crianças e dos jovens nos tempos atuais requer uma escola com características diferenciadas. mas precisa melhorar sempre. com o objetivo de conhecer a realidade da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande. moram com os pais. tanto ao que se refere ao espaço físico. Elucidativo deste apelo dos alunos é o conteúdo das duas redações que se seguem: Apresentamos uma visão ampla dos que freqüentam as escolas. . Apenas apresentar a eles uma escola com espaços agradáveis de aprendizagem não se caracteriza como motivadora do sucesso. o restante fica em casa para cuidar dos irmãos e dos afazeres domésticos. as escolas deveriam construir mais quadras e espaços para o lazer. com cores e pinturas artísticas. A maioria dos alunos disse que a escola está boa. porém isso não é generalizado. embora muitos moram com outros (avó.

39 Redação 1 Escola Municipal Nerone Maiolino Aluno: Wanderlan da Silva Moreira Júnior 7º ano D vespertino Novembro de 2007 Concurso de redação: “A escola que queremos” “A ESCOLA QUE QUEREMOS” .

40 Escola Municipal Professora Ione Catarina Gianotti Igydio Aluna: Letícia Barbosa Lopes 6º ano C vespertino Professora: Lúcia Maria Oliveira Novembro de 2007 Concurso de redação: “A escola que queremos” .

propicia a produção do conhecimento. caracterizando a reprodução do sistema social dentro do contexto escolar. Nesse sentido. como local privilegiado de acesso à educação. uma articulação entre as áreas específicas. Essa intencionalidade chega. eficiência e eficácia. ao espaço escolar. Paulo Freire (1993. supervisionar e orientar. pois dela resulta a compreensão do trabalho pedagógico em sua totalidade. Primeiramente configurou-se como uma ação de “controle”. as habilitações para Administração Escolar. também. da REME. prevalecendo as questões administrativas sobre os aspectos pedagógicos.41 6. PERFIL DA EQUIPE TÉCNICA PEDAGÓGICA DA ESCOLA Evanir Bordim Sandim “Precisamos conhecer o que fomos. sistematizadas no controle dos que administram sobre os que executam. cujo objetivo é a produtividade. deve haver também. conforme os interesses do sistema. A escola. como curso de graduação responsável pela formação dos profissionais. As ações pertinentes a administrar. de acordo com as Teorias da Administração Empresarial. Houve a reformulação dos cursos de Pedagogia no Brasil. Começaremos com uma retomada histórica. contudo. O processo de construção dos Referenciais Curriculares para o Ensino Fundamental de 9 anos. numa perspectiva de um trabalho coletivo na organização escolar. impõe-nos a necessidade de refletir sobre a atuação do Corpo Técnico da Escola (Diretor. Saviani (1997. que era controlar para reproduzir o capital. permeada por uma visão de fiscalização das práticas pedagógicas. 33). a interação social e a construção histórica do sujeito. Nesse sentido. Supervisão Escolar e Orientação Educacional para as unidades e sistemas escolares. A especificidade do trabalho de cada um deve existir. sempre existiram por uma necessidade da humanidade. mas com a consolidação do capitalismo urbano-industrial. p. 104) esclarece-nos que: . conforme o Parecer do Conselho Federal de Educação (CFE) n°252/69 que normatiza. Orientador Educacional) dentro do ambiente escolar. a administração educacional tinha os mesmos princípios da administração empresarial. para o entendimento de alguns entraves que se colocam no exercício da função dos técnicos (Diretor. p. Supervisor Escolar. tornou-se premente suas intencionalidades. Supervisor Escolar. para compreender o que somos e decidir sobre o que seremos”. Orientador Educacional e Apoio Pedagógico).

formação geral.42 Nessa reformulação do curso de Pedagogia. Sabemos que os estudos dos professores não se restringem aos momentos de formação por meio de cursos. Nessa proposta. com a mediação da equipe técnica pedagógica que propicia sessões de estudo. Com o intuito de cientificizar a prática pedagógica dentro de uma visão empresarial. promoção e execução dos eventos de formação continuada. entre a centralização do poder e o reforço do trabalho coletivo nas unidades escolares. uma fragmentação dos conhecimentos a serem transmitidos. como conseqüência. garantida por meio do investimento no Programa de Formação Continuada da Rede Municipal de Ensino (REME). por parte de todos os envolvidos no processo de ensino e de aprendizagem. mas prosseguem em outros momentos na escola. de projetos e programas envolve a definição de um aporte teórico. houve uma divisão na organização do trabalho dentro das unidades escolares e. nas . palestras e oficinas pedagógicas. da seleção bibliográfica e de materiais pedagógicos. acreditamos numa articulação entre os profissionais. Como proposta de reflexão sobre a prática pedagógica nas unidades escolares. a fim de superar a fragmentação entre o pensar e o agir. e a prática coube aos professores. dentre outros que implicam uma atividade investigativa que precisa ser valorizada. Supervisor Escolar e Orientador Educacional. que era a marca anterior do curso de Pedagogia. O curso é organizado mais tarde a base de formação de técnicos e de habilitações profissionais e reflete aquela formação básica. 30) recomenda a superação da dicotomia entre teoria e prática no trabalho da equipe técnica pedagógica da escola: A prática pedagógica possui uma dimensão investigativa e constitui uma forma de construção e de reconstrução do conhecimento. um repensar do professor sobre sua prática docente. superar a cultura da fragmentação do processo de ensino e de aprendizagem disseminada historicamente. a equipe técnica pedagógica da escola é vista como a grande responsável pela organização. mesmo que na função de Diretor. pautada num repensar coletivo sobre a lógica da construção do conhecimento e sua aplicação no contexto social. pois os profissionais da educação devem. Como premissa da reflexão surge a necessidade de muito estudo. p. no trabalho dos profissionais da educação na escola. uma separação entre teoria e prática. A Política de Educação da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande (2006. A teoria ficou sob a responsabilidade dos especialistas (equipe técnica) os quais “pensavam” a educação. a influência tecnicista já estava bem presente. a partir de uma reflexão teórica. com acesso à fundamentação teórica e a aplicabilidade na prática pedagógica. que a executavam. A participação na elaboração de uma proposta pedagógica institucional. pesquisa e formação permanente em serviço.

juntamente com os professores. objetivando a melhoria da qualidade de ensino. É responsabilidade do Corpo Técnico das unidades escolares a mobilização de toda a comunidade educativa.43 próprias unidades escolares. que contemple a realização da mediação entre o conhecimento da prática social e o conhecimento formal. oportunizando momentos do ensino para aprendizagem e do ensino com pesquisa. Para isso. Cabe à gestão promover discussões sobre as políticas educacionais junto à comunidade escolar. abordaremos sobre os papéis dessa equipe técnica dentro das unidades escolares. da desigualdade e da pobreza. e outros. como um todo. vinculados à realidade social em que a escola está inserida. meio ambiente natural e social.1 O papel do corpo técnico nas unidades escolares da Rede Municipal de Ensino Com a concepção de que o objeto de trabalho do corpo técnico deve estar voltado para o processo de produção do conhecimento. procurando criar momentos de conscientização dessa comunidade sobre os problemas cotidianos. questões que. pluralidade cultural. de forma que junto as crianças . A equipe técnica pedagógica é responsável pelo cultivo da prática da leitura e da pesquisa dos professores. Ao mesmo tempo. também. pode fazer “por um mundo melhor”: expressão e esperança que se mantêm no senso e sentimento comum O ambiente escolar apresenta. Uma vez fortalecida pelo estudo e pesquisa. para atualização de conhecimentos. nas atividades da escola. Sendo assim. p. para a construção do Projeto Político-Pedagógico. cabe à equipe técnica pedagógica da escola. o papel de envolver a comunidade escolar. O corpo técnico em sincronia com os professores auxilia a tomar consciência das dimensões envolvidas em sua prática e desenvolver projetos que trabalhem temas como: ética. possibilitando formas de acesso ao conhecimento científico. sistematizado. Rangel apud Placo (1994. vão além dos conteúdos específicos do currículo que requerem um trabalho inter e transdisciplinar de formação/ação educativa. pesquisadora. 147) afirma que: Sem perder de vista o princípio de que a escola não pode dar conta dos problemas sociais. a gestão deverá envolver os professores nesse trabalho. especialmente num tempo em que esses problemas se potencializam com os reflexos e implicações da globalização. É papel da Direção da escola ter uma visão específica e geral do trabalho escolar. 6. podemse ampliar os debates sobre o que a formação educativa no âmbito de suas possibilidades e como área em que se (re)constroem saberes e atitudes. essa equipe também precisa ser estudiosa.

da solidez dos conteúdos. mais duradoura possível (SAVIANI. com o respaldo da fundamentação teórica e uma visão do ato de ensinar e de aprender como algo articulado. p.44 e jovens contribua para a transformação desse contexto social. comprometida com o trabalho coletivo. cria momentos de reflexão teórico-prática e. faz-se necessária uma articulação entre currículo-sociedade. suprindo a carência dos cursos de formação acadêmica. 21) a Supervisão Escolar. num movimento em que ambos se formam e se transformam. Quando enfatizo a função política. evocados por um ou por outro. Dessa forma. o supervisor escolar e os professores tornam-se parceiros na mediação e no aperfeiçoamento do trabalho pedagógico na escola. procurando ir além dos aspectos individuais das crianças e dos jovens. Segundo Pinzan e Maccarini (2003. Nessa perspectiva. É preciso ter em vista uma formação de alunos capazes de adquirir e desenvolver novas competências. Essa prática levará ao compromisso de mudança e à mobilização para a construção do Projeto Político-Pedagógico da unidade escolar. 1997. homem-natureza. por esse profissional que auxilia na promoção de uma interação entre crianças e jovens durante o processo de ensino e de aprendizagem. a medida que suas práticas se confrontam com questionamentos e fundamentos teórico-práticos. 234). O papel da Educação no mundo atual coloca para a escola um horizonte mais amplo e diversificado. auxiliando na elaboração e tentando garantir que os alunos os assimilem da forma mais consistente. permanente da sociedade e do mundo. cuidar dos conteúdos. Portanto. torna-se essencial a mediação realizada. para cuidar do essencial. mas no sentido de oferecer-lhes assessoramento teórico-metodológico diante dos problemas educacionais cotidianos. em função de novos saberes que se produzem e que demandam um novo tipo de profissional preparado para poder lidar com novas tecnologias e linguagens. estou com isso querendo dizer que ele provavelmente desempenhará sua função de modo mais eficaz mudando a ênfase da sua atuação como orientador e deixando de se perder nas “parafernálias” principalmente burocráticas. não concebemos a orientação educacional distanciada da prática pedagógica. Nessa concepção de atuação da orientação educacional. O trabalho da Orientação Educacional tem uma função política que se solidifica quando faz uma leitura crítica. para envolvê-los nos aspectos políticos e sociais do cidadão. p. homem-sociedade. capazes de responder a novos ritmos e processos reivindicados pela atual . coordena tais discussões. escola-trabalho e escola-vida. ou ao repasse de técnicas aos professores. contribui na formação do professor a medida que: Não se limita ao controle.

mas vislumbra a possibilidade de participação efetiva de toda a comunidade escolar. tendo em vista o processo de educação contínua e permanente frente aos desafios. Ela não irá resolver todos os problemas da educação. as discussões sobre a gestão democrática. devido às transformações vivenciadas pelo mundo do trabalho. vale ressaltar o papel e função social da educação e da escolarização. garantir condições para que o Corpo Técnico se instrumentalize. Com relação à democratização da gestão.45 sociedade. bem como o da gestão da educação e os limites a ela impostos. serem ouvidos. p. indo desde posturas de participação restrita e funcional atreladas às novas formas de controle social (qualidade total) até perspectivas de busca de participação efetiva. 7. respeitados havendo consenso nas decisões a partir dos objetivos traçados para a unidade escolar. De acordo com Dourado (1998). implica resgatar os vínculos e compromissos que norteiam a presente reflexão. no bojo dessas. de participação cidadã. A gestão democrática é entendida como um processo de aprendizado e de luta política que não se limita à prática educativa. sendo necessário. resultantes das políticas de racionalização de produção. Segundo Dourado (1998. 79): Situar as políticas de educação no Brasil e. torna-se um indicador para as políticas educacionais no país e. É nesse processo democrático que se faz necessário repensar as relações de poder. conseqüentemente. mas sua . para a discussão das políticas de democratização da escola e sua gestão. uma dinâmica de relacionamento de grupos pautada nos princípios democráticos em que todos possam expor suas idéias. É preciso pois. pois convivemos com um leque amplo de interpretações e formulações reveladoras de distintas concepções acerca da natureza política e social da gestão democrática e dos processos de racionalização e participação. Acreditamos na construção de uma gestão democrática-participativa que atenda as essas mudanças. GESTÃO ESCOLAR: A CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE DEMOCRACIA Maria Ângela de Arruda Fachini Liliana Gonzaga de Azevedo Martins Regina Magna Rangel Martins O debate sobre o aspecto democrático da educação vincula-se à idéia de participação social e ampliação da consciência política. as políticas educacionais no Brasil vêm sendo pontuadas por mudanças de cunho legal/institucional. conseqüentemente. A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB/1996. portanto.

Essa questão deixa clara a importância do enfoque pedagógico na condução de uma gestão democrática preocupada com a apropriação do conhecimento pelo aluno. Discutir a questão da gestão escolar implica repensar as necessidades sociais de nossa época referentes ao atendimento de nossa clientela escolar. Uma gestão democrática traz inúmeras contribuições à escola. hoje. não basta apenas garantir a participação direta ou indireta nas tomadas de decisão. mas o entendimento. como nos alerta Libâneo (1993). o atendimento de sua produção de conhecimento e de suas necessidades emergentes de cidadão. de quem participa. será necessário promover coletivamente uma gestão que esteja diretamente voltada à construção de ações pedagógicas que proporcionem. a gestão escolar tem papel fundamental quanto à promoção de participação qualificada da comunidade. sobre as alternativas e condições postas. tendo como foco uma gestão em sintonia com a realidade. além da participação dos diferentes atores da educação. sendo necessárias práticas sistematizadas e alto grau de organização por parte do docente. refletir criticamente sobre o . na busca pela qualidade da educação. no entendimento político do ato pedagógico. ainda. o processo pedagógico deve ultrapassar a sala de aula. que deve estar ligado intimamente às demais práticas sociais. adquirindo conhecimentos científicos e desenvolvendo a capacidade de pensar criticamente os problemas e desafios estabelecidos pela realidade social. implicando mudanças em suas ações cotidianas. Assim. A educação escolar possibilita que se democratizem os conhecimentos e é na escola que os trabalhadores continuam tendo a oportunidade de prover escolarização formal aos seus filhos. uma exigência. Esse aspecto permite a implantação e a implementação de um projeto político alinhado com os anseios da comunidade interna e externa da escola pois. para uma tomada de decisão consciente. Nessa perspectiva.46 implementação é. As ações desenvolvidas pela gestão escolar devem se pautar numa prática mediadora. contribuindo na administração de cada unidade escolar. Cabe à direção escolar o desafio de promover um trabalho no âmbito do espaço escolar. Porém. as crianças e jovens. no trabalho coletivo e numa avaliação reflexiva e contínua. a educação escolar constitui-se num sistema de instrução e ensino com propósitos claros e intencionais. sendo um dos caminhos para a democratização do poder na escola e na própria sociedade. Para tanto. Essa maneira democrática de administrar permite a valorização de cada membro participante do processo escolar e.

278) concebia e inaugurava as primeiras unidades escolares com essas características: É contra essa tendência à simplificação destrutiva que se levanta este Centro Popular de Educação. forme hábitos. em atividades ligadas a empregos ou subempregos. em 1950. . forme atitudes. Essa escola em período integral já faz parte de uma tendência contemporânea. o espaço escolar para a permanência e convivência em período integral. 174-175): “Merenda escolar. isolando nossas crianças em seus lares como ambientes de reclusão. aritmética e escrita e mais ciências físicas e sociais. dança e educação física. tal como prevê Alves (1998. E desejamos dar-lhe seu programa completo de leitura. além disso. de novo à escola primária. o seu dia letivo completo. Essa tendência não é recente. música. essa “unidade escolar” é. visto que. atendendo. ficando. O que dá força a essa tendência é a urbanização acelerada: medo e temor nas ruas. o único lugar de convivência na sociedade. desenho. incorporando recursos tecnológicos contemporâneos. práticas desportivas e de lazer vêm se incorporando ao cotidiano da escola contribuindo para a instauração da jornada escolar integral”. numa perspectiva histórica. visto não ser possível educá-la no grau de desnutrição e abandono em que vive. 2001. assim. Teixeira (1971 apud ALVES. implicando as diferentes disciplinas do currículo escolar.47 que a escola ignorou e deixou de incorporar ao seu dia-a-dia. p. a simplificação do trabalho didático e o uso de novas metodologias. E. desejamos que a escola eduque. Em uma perspectiva futurista. p. vislumbramos a gestão e organização da escola com a implementação de uma jornada escolar integral. tratamento médico-odontológico. Desejamos dar-lhe os seus seis anos de cursos. as necessidades da clientela escolar e como a gestão e a organização da escola estão inter-relacionadas a esses fatores. desejamos que a escola dê saúde e alimente a criança. e mais artes industriais. violência no trânsito. Além disso. muitas vezes. Para a concretização de um trabalho assim. às necessidades da clientela escolar. exige-se a superação de práticas pedagógicas que não respondem às necessidades contemporâneas. a especialização do saber. que já não é a mesma de décadas anteriores. dividindo as cidades em zonas de influência e de controle. tendo como instrumento os meios de comunicação de massa e a informática. reestruturando a organização didática da escola. como alternativa à educação de seus filhos. além da reintrodução das obras clássicas no trabalho didático do professor. Desejamos dar. prepare realmente a criança para a sua civilização – esta civilização tão difícil por ser uma civilização técnica e industrial e ainda mais difícil e complexa por estar em mutação permanente. presença de gangues. visto que seus pais estão distantes o dia inteiro. cultive aspirações.

Eis o que diz Alves (2005. memorização e reproduziam com precisão os conteúdos impressos.. o ‘ponto central’ de uma ‘questão’ que. ainda.. é pertinente observar que antes da invenção da imprensa a utilização dos livros era restrita. possibilitou a queda dos custos da instrução pública. mas sim um generalista. pelos mestres. atendeu a um pré-requisito necessário à universalização do ensino.48 8. predominava a oralidade. Egito. Tornou-se esse instrumento.] a solução preconizada por Comenius deveria perseguir a queda dos custos da escola pública. formatando-os numa regra ou num princípio geral concernente às suas necessidade e a sua cultura. o livro didático passou a ser um recurso constante na prática docente. em última instância.. por isso o ensino era baseado na oralidade. e para isso o conhecimento da própria escrita era um bem que poucos possuíam. visto que todas as civilizações antigas que construíram sua própria escrita (Mesopotâmia. . p. A escrita dos textos reproduzida nos livros era feita de forma manual pelos escribas.75-80): [. em suas mentes. não era exigido dele que fosse especialista nos conteúdos que ensinava. LIVRO DIDÁTICO: LIMITES E POSSIBILIDADES Catia Fabiane Reis Castro Maria Lionete da Silva Ribeiro Ao traçar um histórico do livro didático. o que demandava muito tempo. [. [. os poucos pergaminhos que existiam eram apenas para garantir o registro das idéias daquela sociedade. Segundo Alves (2005). entre outras) acabaram padronizando seus conhecimentos.]. o livro didático... Os discípulos aprendiam por repetição. Diante desse novo fato histórico. tocava a ‘remuneração conveniente’ dos mestres e os ‘subsídios’ necessários à formação dos ‘filhos dos mais pobres’ (grifo do autor). foi e é uma condição necessária para o barateamento do ensino na escola pública. na transformação do instrumental do trabalho do professor. e essa demora impedia inovações na prática dos mestres e/ou preceptores. A partir dessa premissa. e o papel do mestre era transmitir aos seus discípulos os textos fielmente e. condição sine qua non de sua universalização. prioritariamente. então. O ensino era pautado na oralidade. Nessa época a escrita dava ao seu produtor it status e poder. criado por João Amós Comênio. Nesse período. a ninguém pode causar estranheza o fato de o ‘remédio para as dificuldades’ ser buscado. A incorporação dos tipos móveis de escrita criados por Gutemberg acelerou o processo de impressão de um número cada vez maior de livros. prática que perdurou desde a Grécia Clássica e por um longo período da Idade Média.] o manual didático. Com isso..

por isso o escriba que reproduzia o livro. muitas pesquisas foram realizadas tomando o livro didático como objeto de estudo. Essa ação serviu para alavancar discussões da qualidade e eficácia do material no trabalho didático do professor em sala de aula. a tal ponto que os educadores. adotam o livro didático. por parte do professor juntamente com as crianças. o Ministério da Educação e Cultura (MEC) editou o Guia do Livro Didático com vistas a discutir os aspectos que devem ser avaliados na escolha desse material. portanto. Antes dos tipos móveis de impressão. Nesse sentido o livro didático expressa as relações sociais de produção estabelecidas no bojo da sociedade capitalista. é um instrumento que propicia a reprodução da conformação do trabalho na sociedade capitalista. sem resistência.49 Conforme Penteado (2001). em que cada operário executava somente uma etapa do processo de produção. Também é possível afirmar que o uso alternativo do livro didático. seja no nível da reprodução ou do questionamento do social”. Pesquisas isoladas datam de 1950. porém foi a partir da década de 80 do século XX que se tornaram mais sistemáticas. Nessa ocasião. tinha o domínio de todas as etapas desse trabalho. uma vez que esse material. no interior das escolas públicas. via de regra. e isso faz com que a criança não perceba o real funcionamento da sociedade na qual ela vive. Nesse sentido. a preocupação era com a qualidade das inúmeras obras disponíveis no mercado editorial. que veicula conhecimentos voltados para situações de ensino escolar. uma mercadoria impregnada e objetivada pelas relações sociais de como foi produzido e também pela maneira de como será utilizado. tais como: Qual é a realidade apresentada nesse livro? Como é a nossa realidade? . Penteado (2001. sempre foi uma prática estimulada pelo Estado. Posteriormente os livros didáticos passaram a ser fabricados em escala industrial. Isso pode ser o disparador para uma série de questionamentos. que é uma forma social fundamentada pela especialização do saber e pela divisão do trabalho. os livros eram produzidos artesanalmente. 57) afirma que o livro didático é como: “mercadoria componente de cultura de massa. p. Logo a realização de um ou de outro aspecto (divisão do trabalho e especialização do saber) está imbricado na prática pedagógica efetivada pelo professor no contexto da sala de aula. geralmente nos monastérios. Em 1997. um a um. o professor precisa refletir sobre o uso do livro didático. conforme a especialização do saber e a divisão do trabalho do modo de produção da sociedade capitalista. por conta do barateamento da educação. É. Nesse caso. apresenta um conteúdo que não contempla a realidade social.

9. é apenas uma ferramenta a mais. Mesmo assim. oferecida pelo Estado para facilitar a vida do professor. ORGANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS ESCOLARES: A BIBLIOTECA Maria da Graça Vinholi Com o desenvolvimento e acesso às tecnologias da comunicação e informação o mundo. passa por profundas transformações e de forma cada vez mais rápida. favorece tanto o aprendizado do sistema de escrita quanto o desenvolvimento do uso da língua escrita na leitura e na produção de textos. não deve ser o foco da alfabetização. articulação com as demais áreas do conhecimento. o texto concorre para o letramento e é a base para se discutir todo o conteúdo acerca do sistema convencional da escrita. temas de interesse infantil. hoje. É necessário que sejam supridas as deficiências do livro didático ampliando a rede de informações disponíveis às crianças. Portanto. mobiliza os conhecimentos prévios acerca dos assuntos a serem trabalhados: atividades lúdicas. . seja utilizando a Internet e/ou outros portadores de texto que possam subsidiar tanto o fazer pedagógico do profissional quanto nortear o acesso ao conhecimento para a criança. a leitura.50 Existem outras realidades? Quais? Por que a nossa realidade é diferente da apresentada no livro? Em que consiste essa diferença? Na alfabetização. tem papel fundamental. sob diversas formas. O livro didático não é uma tecnologia primordial no processo de alfabetização das crianças. Por isso. desafiadoras e significativas. seja utilizando a biblioteca. precisa conferir se este apresenta: uma discussão sobre o trabalho didático com os quatro eixos da Língua Portuguesa e seu uso nas modalidades oral e escrita. Para isso. vivencia-se uma época em que a falta de leitura é uma constante. ao optar pelo livro didático. as imagens são adequadas ao texto e ao contexto. a seleção dos diferentes gêneros textuais. Para interagir com as mudanças que vêm acontecendo no mundo é necessário um conhecimento claro do que elas significam e quais suas conseqüências. o livro didático. o professor. dentre outros.

a criança e o jovem precisam. entre outras) e a utilização metódica para obtenção de material bibliográfico são fatores que influenciam o aprendizado nos diversos momentos da vida. acarreta prejuízos para todos os interessados: o professor. As atividades que estimulam o hábito da leitura. órgão que coordena as bibliotecas da REME por meio da biblioteca/SEMED – Secretaria Municipal de Educação. É relevante a necessidade de parcerias entre professores e assistentes de bibliotecas para que se realize um trabalho de cooperação e participação. o assistente de biblioteca. inserida num contexto social que tem uma dinâmica de mudanças veloz. visando à melhoria do processo ensino-aprendizagem. mas interpretar e analisar o que lê despertar senso crítico. dicionários. . revistas. Os professores e bibliotecários devem reconhecer a importância das atividades a serem desenvolvidas e o quanto a biblioteca pode oferecer à clientela a que se destina. Nesse contexto.51 A escola. o CEMTE . que perde um grande aliado em termos de apoio técnico-pedagógico. a biblioteca escolar exerce um papel importante. a sensibilidade. que deixam de ter um grande instrumento de auxílio nas tarefas escolares e enriquecimento cultural na ampliação de seus horizontes e na formação de uma visão crítica. principalmente as crianças e os jovens. Para exercer plenamente sua cidadania.Centro Municipal de Tecnologia Educacional. mas que se promovam atrativos que despertem curiosidade. interesse e hábitos a partir das reflexões sobre leitura de um mundo que se organiza diferentemente dos esquemas tradicionais. pois pode disponibilizar livros e recursos que permitam à aprendizagem para que os membros da comunidade escolar. A biblioteca não pode ficar alheia aos acontecimentos do processo educativo. que vê seus esforços se perderem no vácuo das “impossibilidades” e. continua ainda com práticas administrativas e pedagógicas que resistem às exigências dos novos cenários. que estabelecem relacionamentos entre atividades que antes não se comunicavam. a fim de que possa interagir e tornar-se um agente de transformação. Nessa linha de pensamento. estimula o funcionamento das bibliotecas escolares de modo menos formal e mais flexível. tanto na área educacional como cultural. o conhecimento dos diferentes tipos de fontes informacionais (livros. tornem-se pensadores críticos e utilizadores efetivos da informação em todos os suportes e meios de comunicação. assim procedendo. não apenas ler. a emoção. a fim de que não apenas se emprestem os livros.

a sua radical transformação. apresenta novas funções sociais à escola pública e. a crise endêmica em todos os setores da sociedade e. que se conservou. como forma de produção de conhecimentos que possam instrumentalizar nossas crianças e preparálas para suas tomadas de decisão e. a educação pela informática. impõem à escola de origem manufatureira. por exemplo. de Campo Grande – MS. em que se convencionou a reestruturação produtiva orientada pela economia política contemporânea. impõe a sua “demolição” para ser criada em seu lugar uma outra instituição. além de dotá-los de conhecimentos técnicos para o exercício de toda profissão. a adoção de diversas tecnologias no contexto educacional adquire um significado singular: contribuir para o desenvolvimento das estruturas cognitivas dos alunos/usuários e para ampliar as suas possibilidades de análise da realidade. incorporando. A proposta pedagógica do CEMTE incorpora como eixo das ações didático-metodológicas. de forma cidadã. O ponto de partida para a criação de uma nova escola é a mudança radical da organização de seu trabalho didático. em pleno início do século XXI. é uma instituição que tem por princípio a apropriação das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) e sua conseqüente inserção no processo educacional da Rede Municipal de Ensino-REME. interferir. as novas tecnologias. novas formas de resolvê-las. em decorrência. órgão vinculado à Secretaria Municipal de Educação-SEMED. . por conseguinte. A INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO A história da sociedade. por conseguinte. por entender que a educação exige mais do que simplesmente preparar os alunos para o exercício de uma profissão de nível médio. na construção da história humana. Também nessa perspectiva. O Centro Municipal de Tecnologia Educacional-CEMTE. Segundo Alves (2005). com os propósitos de: disseminar uma “cultura” de utilização dos diversos recursos tecnológicos postos à disposição dos profissionais da educação. as ações do CEMTE enfocam a capacitação dos professores da REME.52 10. No interior da atual fase do capital financeiro. os desdobramentos cada vez mais sofisticados da divisão do trabalho. a demanda real por escola e o elevado custo dos sistemas educacionais públicos. Assim sendo. o desenvolvimento da automatização e da informática.

53 prover a Rede Municipal de Ensino dos instrumentos teóricos e práticos produzidos pelas pesquisas em tecnologia educacional. inclusive na área rural. e esse valor não está intrínseco à tecnologia. Hipermídia. e a utilização adequada e planejada desse diferencial contribui qualitativamente no processo ensinoaprendizagem. e para isso muito ainda precisa ser feito. a saber: aprendizagem significativa (o que eu aprendo e para que eu aprendo). caracterizando-se como o eixo da abordagem e aplicabilidade pedagógicas. capacita. hiper-realizar o mundo. As tecnologias podem trazer vantagens à educação se houver mudanças no fazer pedagógico no laço aluno-professor. biblioteca e TV Escola.estética textual).oral e escrita . É responsável pelo desenvolvimento dessas tecnologias na Rede Municipal de Ensino e atendimento a todas as unidades escolares. na perspectiva de contribuir para a modernização didático-metodológica do processo educacional empreendido pela REME. na busca da qualificação do processo ensino-aprendizagem. e tornar disponível aos alunos os recursos da informática educativa. tecnologias. Tais categorias configurarão a totalidade das ações empreendidas pela instituição. mas muito mais na proposta pedagógica que sustenta um projeto dessa natureza. o retro projetor e outros instrumentos. acompanha e controla as atividades relativas ao processo e desenvolvimento tecnológico de apoio à educação na Rede Municipal de Ensino. o processo educacional a ser realizado pelo Núcleo de Tecnologia Educacional/NTE enfatizará algumas categorias fundamentais para o incremento da sua atuação pedagógica na escola. Certamente que os equipamentos tecnológicos são ferramentas poderosas de apoio ao processo de aprendizagem. . conhecimento. tendo este interativa que possibilita ao aluno recriar. hiper-texto (um texto curto que comporta a entrada de muitos outros textos). Tem a finalidade de implantar e implementar as salas de informática e biblioteca escolar em todas as escolas da REME. a exemplo o computador atuam como mediador cultural. mapa conceitual (das idéias principais do texto). multimídia (constituída por várias linguagens . O CEMTE é o órgão que coordena. Assim como a televisão. Nesse sentido.

guias de programas e os cadernos de apoio às séries apresentadas por disciplina).54 O programa de integração das tecnologias na educação objetiva contribuir no fortalecimento de ambientes de aprendizagem. de acordo com o horário de aulas da escola. O funcionamento das salas de informática segue o horário da escola. ou agendadas pelo professor regente. pesquisas. e devem ser previamente planejadas. . o auxiliar de biblioteca e equipes técnico-pedagógicas da escola. entrevistas. para isso utiliza as novas tecnologias e privilegia a construção do conhecimento de forma coletiva e cooperativa. e segue a filosofia do PROINFO/Programa Nacional de Informatização das Escolas Públicas: Os profissionais envolvidos no Programa de integração das tecnologias são o professor titular da série ou de componente curricular. o professor-instrutor. Os conteúdos são trabalhados através de projetos de aprendizagem ou atividades direcionadas uso dos aplicativos disponíveis e outros recursos. É orientado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais/PCN do Ensino Fundamental e pelas Diretrizes Curriculares da Rede Municipal de Ensino. utilização de recursos da internet (sites educacionais. como. A utilização de blogs no processo educacional da REME é uma experiência pedagógica que tem como objetivo geral desenvolver e disseminar uma metodologia de utilização de blogs no âmbito do processo educacional da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande-MS. para analisar o impacto da introdução da tecnologia dos Blogs no processo educacional. trocas de correspondências) e softwares educacionais e outros. produzir conhecimentos teórico-práticos sobre eventuais alterações cognitivas ocorridas com os alunos participantes do ambiente. As atividades nas salas de informática desenvolvem-se sob a coordenação do professor titular da série ou do componente curricular. da SEMED e do CEMTE. As aulas podem ser pré estabelecidas pela direção ou professor instrutor. e contam com a participação do professor-instrutor no tocante à utilização dos recursos disponíveis ou quanto aos nos equipamentos da sala de informática. Tem como objetivos específicos: planejar. executar e avaliar uma experiência-piloto em escolas da REME. os programas da TV Escola (revistas. em todos os seus níveis. sob a coordenação da equipe técnica pedagógica (supervisão escolar e/ou diretor-adjunto). desenvolver massa-crítica na área para a disseminação da experiência às demais escolas da Rede.

13-16). sob a orientação do conhecimento universal que se encontra sistematizado nas obras clássicas de outros e deste tempo. Efetivamente. acionar as informações e o conhecimento diretamente na Internet. O que necessitamos hoje é saber processá-las criticamente. a proposição que poderia marcar a diferença no sentido de opor-se à escola existente. criada por Comênio. estará preservando ou até acentuando a mesma estrutura de organização do trabalho didático da escola originária do século XVII. que estão cada vez mais disponíveis. o manual didático não tem fôlego para mediar essa relação social de trabalho educativo. 1999. Segundo Alves (2001 p. é a que contribui. Na perspectiva dessa provocação. Essa seria. que o auxilia na tomada de decisões. p. o trabalho didático da instituição escolar a ser construída deve possibilitar. para a identidade e a consciência terrena” (MORIN. por exemplo.64). então. nos jornais e revistas de valor científico. pela participação dos sujeitos escolares na prática pedagógica a partir da dimensão sociocultural. Devem ser incorporado por superação. A educação que prepara o ser para as incertezas da vida. não somente com a coleção e armazenamento das informações. qualquer programa ou política educacional que os governos ou a própria escola criarem e executarem. para aquele tempo histórico. na atividade laboral do homem ou em outros veículos de informação e espaços físicos diferentes. ao educando. se “não questionarem sequer a organização manufatureira do trabalho didático e mantiverem os seculares instrumentos de trabalho do professor”.55 Todas essas atividades partem do princípio de que a educação é um processo comunicacional e democrático. ”Educar para este pensamento é a finalidade da educação do futuro. e sob a mediação do educador. . a sala de aula seria apenas um espaço particular. Na visão de Alves (2005). que deve trabalhar na era planetária. em que educandos e educadores encontrar-se-iam para promover a conseqüente sistematização dos assuntos pesquisados em outros tempos e espaços de veiculação da informação e do conhecimento.

Na perspectiva de uma escola diferente. dos valores. para dimensionar a ação educativa. a avaliação procura apreender a realidade escolar em sua totalidade. que não pode ser considerado como mero elemento isolado da sociedade. como conseqüência mais imediata. à função socializadora e cultural. para diagnosticar os entraves da proposta pedagógica em suas múltiplas dimensões. pautados em teorias abrangentes da educação e da sociedade. pois sequer questiona os dados estatísticos obtidos a fim de estudá-los. Avalia-se. A participação do professor na organização do trabalho escolar decorre do grau de comprometimento dele. à proposta pedagógica da escola. fragmentados e sem significado para os alunos. rompendo com análises superficiais porque essas ocultam a especificidade da escola e a problemática do sujeito. A diretriz do trabalho escolar deve estar focada na construção de um objetivo comum. A avaliação deve ser abrangente para que possa contemplar tanto as questões ligadas estritamente ao processo de ensino e aprendizagem. A avaliação é um processo formativo e contínuo das ações educativas desenvolvidas na e pela escola. Nesse sentido. visa superar o ato de medir quantitativamente resultados. enfim. à formação das identidades. A inexistência de uma diretriz teórica ou de um objetivo comum. . não mais procede pensar que o único avaliado é o aluno em seu desempenho cognitivo. por um currículo organizado em torno dos conteúdos dispersos. implicando a capacidade de integração das dimensões políticoideológica e tecnológica. o que acaba sempre por confundir o mais importante com o mais mensurável. uma prática escolar marcada pela desarticulação. intervir e transformá-los.56 11. Nesse sentido. Parafraseando Hadji (2001) a qualidade da educação é específica a cada contexto. nas escolas da REME. a forma tradicional de se pensar avaliação é superficial. que possibilite a coordenação do esforço coletivo tem. como único recurso de avaliar a aprendizagem. de qualidade e comprometida com a transformação social. Daí a necessidade de novas formas e esquemas interpretativos. Assim. por sua vez. como as que se referem à organização do trabalho escolar. pelo trabalho solitário. em que fiquem definidos os fins que se pretende alcançar com o processo educativo escolar e os meios necessários para sejam realmente atingidos. o que. reflete na qualidade do ensino em sala de aula. também. mas como parte integrante da dinâmica social. aprovar e reprovar. a avaliação ultrapassa o caráter classificatório que leva a excluir ou sentenciar. AVALIAÇÃO NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO Angela Maria de Brito A avaliação.

somente o homem. alguns sinais que manifestam como a prática educativa tem mudado: maior proximidade professor-aluno. mas do conteúdo da prática. mas de substância de conteúdo. em que os professores e equipe técnica possam analisar conjuntamente seu fazer pedagógico. no sentido de avaliar tanto os aspectos formais. para reflexão sobre práticas pedagógicas gera uma visão parcial. faz-se necessário implementar. mudança nas estratégias de sala de aula. cabe trazer alguns indicadores de mudança.57 Para que a avaliação cumpra seu papel. Além dos dados parciais. uma sistemática de encontros para estudo. pode ser criativo e produzir qualidade. como não há prática que se garanta por si (uma vez que se pode ter uma prática nova com postura velha). Todavia. A falta de comunicação entre os educadores. adequação política do material didático (até que ponto esse material é capaz de ajudar o aluno a construir o sentido de sujeito de seu próprio desenvolvimento e do coletivo?). mensuráveis quantitativamente. Podemos afirmar que. A qualidade não é dos meios. é necessário ter em mente que a educação. mas dos fins. É fundamental a análise do conteúdo. que interferem na formação integral do aluno. não do conteúdo de um discurso. diminuição das queixas em relação aos alunos (os problemas passam a ser tratados como desafios e não como álibi para não ensinar). porque esse é apenas formal. A avaliação qualitativa deve levar em consideração o seguinte: condições para que o aluno desenvolva a consciência crítica em direção à construção da cidadania. convivência criativa entre escola e comunidade (que a escola seja espaço privilegiado de descrição formação e de produção do conhecimento). deve abranger os aspectos qualitativos. Com base nessas orientações gerais. convivência participativa dos alunos (até que ponto eles são meros objetos ou atores sociais?). por meio do replanejamento. Não é de forma. razão de ser de seu fazer. numa escola que se preocupa verdadeiramente com a real aprendizagem de crianças e jovens. quanto os informais. truncada do processo de trabalho educativo e perde-se a possibilidade sobre o processo de ensino e aprendizagem. nas escolas. . capacidade político-pedagógica do professor (refere-se à prática de sua própria cidadania) e. a avaliação é tarefa e responsabilidades do professor e da escola como um todo.

relação de maior proximidade com a comunidade. Para Pinsky (1994. maior tolerância com as diferenças. reflexão sobre a prática. A história revela essa verdade. Nesse sentido. CENÁRIOS DA VIDA URBANA: HISTÓRIA. adentrarmos em um tempo longínquo e num espaço geográfico distante nos permitem conhecer os cenários urbanos contemporâneos. criavam as bases de futuras cidades pelo interior do Brasil. CONCEPÇÃO. buscando a origem da vida urbana. a qual bandeirantes avant la lettre que. lançando o alicerce urbano para terras longínquas e desconhecidas. descobertas etc. menos medo de errar.58 aumento do registro por parte do professor (episódios de sala de aula. decidindo-se a fundar uma cidade.). pontos a serem observados. por parte do professor (e dos alunos). no Egito. mais liberdade em sala. ORGANIZAÇÃO. CONDIÇÕES E PERSPECTIVAS Analice Talgatti Magali Luzio Nos diferentes espaços e cenários geográficos é necessário compreender as relações entre as condições de realização histórica e a nova revolução científica. maior cooperação entre colegas. Não há consciência individual ou de grupo que tenha levado pessoas a plantar os alicerces de agrupamentos urbanos no Egito ou na Mesopotâmia. autolocalização do aluno no processo de aprendizagem. as margens do rio Nilo e. . se retomarmos o passado. 43): Não há como idealizar os homens conscientemente. entre os rios Tigre e Eufrates. a água foi e continua sendo recurso fundamental para impulsionar o desenvolvimento humano. As bases dos núcleos urbanos foram formadas às margens dos rios. ausência de tensão nos momentos mais específicos de avaliação. clima de maior verdade entre professor e alunos (diminuição dos comportamentos estereotipados ou dissimulados). 12. por parte do professor. menor competição entre alunos. a partir de modelos e de acordo com os objetivos bem determinados. p. dúvidas. maior oportunidade de expressão dos alunos. pois como se sabe. aumento da pesquisa. com as primeiras civilizações que proliferaram. clima de envolvimento com o projeto pedagógico da escola. na Mesopotâmia.

No contexto da urbanidade defende-se o princípio de que a escola existe para servir a sociedade. reúne os moradores de uma cidade e propicia o relacionamento deles. significou apenas civilidade. É um espaço em que evidenciam as concepções e relações de trabalho de seus transeuntes.59 O movimento de organização urbana guarda suas peculiaridades e depende da história de cada lugar. Neste sentido. cidade significa civilidade. pois o homem é um agente histórico. A urbanidade é o que se espera encontrar nas relações dos moradores da cidade. em meados do século XVIII e. ultrapassar ou transpassar. Essa palavra foi cunhada. p. E o nome diz tudo.. A casa é outro espaço de convivência. Podendo perceber a presença das classes sociais – dominantes e dominadas – em seus afazeres diários. instrumento que na Roma Antiga. Trabalho que no nosso sistema é concebido como castigo.. pela primeira vez.) a rua é espaço que permite a mediação pelo trabalho – o famoso “batente” nome já indicativo de um obstáculo que temos que cruzar. e tem sido assim desde o surgimento das primeiras civilizações. 31): (. consistindo numa espécie de canga usada para suplicar escravos. inicialmente. Assim. . De acordo com Tuan (1997). A criação urbana é uma ação humana. pois a palavra deriva do latim. mais restrito. é importante que os educadores estejam preparados para formar crianças e jovens capazes de conviver em sociedade civilizadamente. o que sempre aconteceu desde a formação das primeiras civilizações. Do movimento social das famílias e dos grupos organizados em determinado espaço geográfico nascem as cidades. apreender o movimento dinâmico e participa da construção do espaço urbano de forma consciente e cidadã. Segundo Da Matta (1984. por meio das redes de relacionamentos que permeiam esse espaço. onde se abrigam e vivem as pessoas que povoam as cidades em busca de cidadania e trabalho. era um objeto de tortura.

Segundo Martins (1989. lutas contra a opressão e pela organização de um modo de vida específico no campo. assim como identificar as raízes sócio-históricas das relações contraditórias entre movimento social e Estado. A trajetória histórica do país é definida pelas lutas dos indígenas. cuja força e poder estão . ampliação e visibilidade dos movimentos sociais do campo. Percebe–se no percurso dos movimentos sociais a busca pela liberdade. dentre elas. uma série de conhecimentos vem sendo disseminada por diversos pesquisadores. aspectos revolucionários e reacionários. patrimonialista e as políticas populistas. CONCEPÇÃO E ORGANIZAÇÃO Adriana Cercarioli. Os movimentos sociais do campo. a relação patrão e empregado/escravo. Nesse contexto. total ou predominantemente”. Florestan Fernandes. É preciso destacar aspectos contraditórios da sociedade brasileira presentes no contexto das relações sociais capitalistas no campo. possuem características muito peculiares. Há um conjunto de características e contradições que possibilitam a compreensão das relações de poder envolvendo a dominação e subserviência. caracterizam a estrutura da sociedade brasileira. Grzybowski e Martins destacam-se na discussão da expropriação dos trabalhadores no espaço rural. Autores como Medeiros. Vasculhando as raízes da organização da sociedade brasileira é possível encontrar os fatores determinantes dos movimentos sociais. Caio Prado Júnior e Raymundo Faoro. Gildo Ribeiro do Nascimento Maior Jucleides Silveira Pael Alcará Na tentativa de caracterizar os movimentos sociais do campo. o desenvolvimento do paipatrão visto desde o Estado clientelista. 17) “todas as grandes revoluções foram camponesas. Procuram manter de forma sistemática a formação política de sua militância. assim como os outros movimentos sociais. sendo possível visualizar a organização de processos de resistência social e política. MOVIMENTOS SOCIAIS DO CAMPO E EDUCAÇÃO: HISTÓRICO. p. povos da floresta e camponeses.60 13. dentre outros. dentando delimitar os elementos que provocaram eclosão. a saber: a concentração da propriedade. Em termos de história do Brasil. denominados messiânicos. a dependência em relação ao capital externo e às relações econômico-financeiras internacionais. a exploração de mão-de-obra. os sujeitos do campo evidenciam-se pela dinamicidade das ações advinda dos movimentos pioneiros.

a luta assumia caráter religioso. No final dos anos 1990. voltada aos interesses e ao desenvolvimento sociocultural e econômico dos povos que habitam e trabalham no campo. entre eles. organizações comunitárias do campo. o governo João Goulart regulamentou o Sindicalismo Rural. as ações educativas do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). da Comissão Pastoral da Terra (CPT). a CONTAG (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura). No período denominado militar ocorreu a polarização dos movimentos camponeses. O objetivo era o estabelecimento de um sistema público de ensino para o campo. juntos. Nesse ambiente político. Os líderes mais conhecidos foram Antônio Conselheiro. da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) e do Movimento Eclesial de Base (MEB). baseado no paradigma pedagógico da educação como elemento de pertencimento cultural. sindicatos e associações de profissionais da educação. na Guerra do Contestado. entre outras. surgindo. nesse momento. no qual foram organizados movimentos de caráter ideológico e de alcance nacional. em Canudos e José Maria.61 presentes no Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e o Movimento Nacional dos Produtores (MNP). as Ligas Camponesas e a MASTER (Movimento dos Agricultores sem Terra). sindicatos de trabalhos rurais. educadores ligados à resistência à ditadura militar. O movimento messiânico vai do período de 1889 a 1934. com o propósito de “conceber uma educação básica do campo. O segundo momento (1930 a 1954) é marcado pelos movimentos radicais espontâneos que realizaram em todo o território ações voltadas para pressionar o governo de Getúlio Vargas. que se posicionava contrário ao processo de reforma agrária. a ULTAB (União dos Lavradores e Trabalhadores Rurais do Brasil). O terceiro momento compreende o período de 1950 a 1964. assim. partidos políticos de esquerda. Percebem-se. atendendo às suas diferenças . a proposta educativa construída passa a ser discutida no contexto das reflexões sobre Educação do Campo. O Messianismo adotou líderes que agiam como intermediadores da comunicação entre Deus e o povo. Com a redemocratização do país surge no cenário brasileiro o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST). aliando mobilização e experimentação pedagógica. Em1962. destacando-se. sendo a UDR (União dos Dirigentes Ruralistas) representada pelos grandes proprietários de terra e a CPT (Comissão Pastoril da Terra) direcionada em defesa dos trabalhadores rurais e pequenos agricultores. setores da Igreja Católica identificados com a teologia da libertação e as organizações ligadas à reforma agrária. passam a atuar.

em face das formas de poder. MOVIMENTOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO: HISTÓRICO. As formas de resistência desses povos eram determinadas tanto pela especificidade da frente de expansão. que vem contribuindo com a sistematização de suas experiências na elaboração de uma fundamentação teórica que sustente esta proposta. Deve ficar claro que a proposta pedagógica para a Educação Básica ainda não está concluída. 27). A recriação do campo está vinculada à educação. aprovadas em dezembro de 2001. p. os povos indígenas. Ela aguça a recriação da identidade dos sujeitos na luta pelo direito social. impunha a integração dos povos indígenas devido ao avanço do agronegócio e ampliação do mercado. 14. A partir dessa compreensão impõem-se novas relações baseadas na horizontalidade e solidariedade entre campo e cidade. ao longo de todo processo histórico do Brasil.000 habitantes. . Educação é um direito social e não uma questão de mercado. quanto pela lógica cultural do povo que lutava pela sobrevivência. 2004. têm seu registro marcado pela resistência contra a violação e a conquista de seus TEKOHÁS (territórios tradicionais).62 históricas e culturais” (ARROYO. de gestão das políticas de produção econômica e do conhecimento. MOLINA. Uma política de educação do campo precisa compreender que a cidade não é superior ao campo. A educação. Essa dinâmica propiciou a elaboração das Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. e que os protagonistas desse ensaio são os educadores do campo. Por meio dela se renovam valores. porque possibilita a reflexão na práxis da vida e da organização social do campo. CONCEPÇÃO E ORGANIZAÇÃO Jucleides Silveira Pael Alcará Gildo Ribeiro do Nascimento Maior Com uma população de aproximadamente 600. CALDART. buscando saídas e alternativas ao modelo de desenvolvimento rural vigente. como organizadora e produtora da cultura – a cultura do campo – não pode permanecer seguindo a lógica da exclusão do direito à educação de qualidade para todos. conhecimentos e práticas pertencentes aos habitantes do campo. Essas ações foram motivadas pela expansão do sistema capistalista (início do século XX) que. atitudes.

assembléias e plenárias pelo movimento indígena garantem a esses povos a possibilidade de buscar o fortalecimento das entidades. o Conselho Indígena de Roraima (CIR). o SPI (Serviço de Proteção ao Índio) sob a presidência do Marechal Cândido Rondon. Terena. Povos como os Kamba. Em 1992 foi criado o Conselho de Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (CAPOIB). Kinikinau e os Atikum. constituiu em sua estrutura o CIMI. o SPI por determinação do governo.63 Por acreditar que seria possível fazer a integração desses povos e para que isso ocorresse com mais rapidez criou-se. p.). Forçado a rever suas ações. Kadwéu.000 índios organizados em nove etnias: Guató. Kaiowá. quando fez sua opção pelos pobres. a Associação das Comunidades Indígenas do Rio Içana (ACIRI). a Igreja Católica. como a Associação Xavante. Contrapondo-se a visão dos órgãos governamentais com relação aos povos indígenas. o que indica cada vez mais a necessidade de conquista da autonomia do movimento e dos povos indígenas. Benzi Grupioni (1995. não obteve bons resultados: A organização de fóruns. na perspectiva de assegurar o papel de protagonistas no seu fazer-se. sendo extinto em 1967 e substituído pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) que mantinha a princípio o mesmo objetivo. O problema é que esse processo não respeitava as diversidades dos povos indígenas cujo início foi marcado por violação de direitos.Comissão Indigenista Missionária.32): Na sua maioria são organizações de caráter étnico de base local (por aldeia ou comunidade. Guarani. no menor tempo possível. a transformação dos índios em cidadãos do século XX. passou a enfrentar algumas dificuldades na articulação com os povos indígenas. como principal função. Ofaié.. com o intuito de responder nacionalmente às necessidades dos povos indígenas. Kamba. O SPI adotava. A UNI. favorecendo o surgimento de organizações regionais como a UNI/AC e a Aty Guasu (Grande Assembléia). (. Atualmente o Estado de Mato Grosso do Sul tem uma população indígena de aproximadamente 95. passou a trabalhar como órgão protetor dos índios. a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. criou-se. devido à extensão territorial do Brasil. criada sob a ótica dos antropólogos e indigenistas em 1968. motivada pela Conferência Episcopal realizada em Medelim – Colômbia. Justamente por constituir a segunda . a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (CIAB).. porém. em 1910. Kinikinau e os Atikum ainda não obtiveram reconhecimento oficial. conforme é apresentado por Lopes. Essa comissão desenvolveu um trabalho voltado para a organização e articulação dos povos indígenas em conjunto com a UNI (União dos Povos Indígenas).

. no texto da lei.64 maior população indígena do Brasil. a partir da década de 70. Assim. “enfim um paradigma pautado em mecanismos preconceituosos. Nesse contexto. p. a integração foi efetivamente vinculada ao modelo de escola que lhes era imposto. Nas aldeias e nas áreas indígenas. a perspectiva histórica-integracionista. apesar do processo educacional. Essa tendência ainda não atingiu diversas localidades. presenciaram-se tentativas pioneiras de construção de uma educação escolar que contemplasse os interesses. O Estado assume atitude de responsabilidade perante as expectativas dos povos indígenas para a educação. existente desde a colonização do Brasil até os dias atuais. como a aprendizagem que se dá na família. reconhecendo a pluralidade cultural. A escola indígena. Os encontros anuais representam momentos decisivos na educação indígena pois. antes pela FUNAI e missões. os índios a “ressiginificam”. encontra-se norteada pela perspectiva integracionista. os direitos e as especificidades dos povos e culturas indígenas. as articulações políticas tornam-se possíveis e as trocas de experiências proporcionam o surgimento de uma nova concepção de educação escolar indígena. É importante ressaltar que esse novo olhar direcionado para educação indígena atentar-se para o entendimento histórico de formas próprias e pedagogias que respeitem valores fundamentais. 2004. o conceito de educação está intimamente ligado à cultura que orientará os trabalhos escolares e a elaboração de uma nova política educacional. reconhecendo a identidade étnica. que supera. discriminatórios e silenciadores das culturas e seus conflitos” (NASCIMENTO. fato comprovado pela divulgação da Constituição de 1988. A essência dessa escola sempre foi integracionista. possibilitando uma instrumentalização para o confinamento e desintegração de diversas etnias no território brasileiro. ao aceitar a escola. na comunidade e no povo indígena. fortalecido pelos encontros e associações de professores índios. conferindolhe um novo valor: a possibilidade de decifrar o mundo “de fora”. fazendo prevalecer o direito à diferença e às especificidades étnico-culturais. cabendo à União protegê-los. hoje pelas redes públicas de ensino. civilizatória. colonialista e destrutiva. Segundo Price (1975). o estado tem implementado uma política escolar indígena capaz de atender à demanda dos diferentes povos. os próprios povos indígenas discutem e procuram realizar seus modelos e ideais de escola segundo seus interesses. suas necessidades imediatas e futuras. “dos brancos”. as tradições e os costumes de cada povo. que respeita os conhecimentos. isso implica transformar a “educação escolar para o índio” em “em educação escolar do índio”. No campo da educação formal. mostrar-se consistente.132).

sempre que houver o uso de imagens de pessoas. POLÍTICAS AFIRMATIVAS: FUNDAMENTAÇÕES E PARÂMETROS PARA O CONTEXTO EDUCACIONAL Jucleides Silveira Alcará Pael Considerando a inclusão social “meio” para a construção histórica de uma nova sociedade que seja despida de preconceitos. outras são: incentivos fiscais para quem emprega negros. em oposição ao individualismo tenha um movimento que assegure o “viver bem” a todos os seres humanos. Para tanto é preciso investir na construção de um mundo novo. divulgou no dia 25 de fevereiro de 2003 o ofício circular que traz a seguinte solicitação.” O termo Ação Afirmativa chega ao Brasil carregado de uma diversidade de sentidos. organizados numa humanidade justa e solidária. Os casos excepcionais deverão ser justificados. No universo das Políticas Públicas destacamos as Políticas de Ações Afirmativas cujo objetivo é corrigir os efeitos presentes da discriminação praticada no passado.65 É pertinente reconhecer a escola como aliada imprescindível na construção e afirmação das identidades. sem impedimento das múltiplas diferenças que os distinguem. por exemplo. as Políticas Afirmativas não devem esquivar-se do contexto da educação. discriminações e desigualdades. o Governo Federal. Ações Afirmativas são um conjunto de Políticas Públicas de caráter compulsório. mas outros seguimentos da sociedade são contemplados com políticas que visam à correção de distorções para. por meio da Secretaria de Comunicação de Governo da Presidência da República. promover a igualdade em todas as áreas: educação. com base em critérios técnicos. “Toda a publicidade do Executivo Federal deverá contemplar a diversidade racial brasileira. 15. Observa-se que não só a população negra. cuja educação veiculada nas escolas. saúde. Com o propósito de conferir visibilidade à população negra. o que em grande parte reflete os debates e experiências históricas dos países em que foram . facultativo ou voluntário concebidas com vistas à promoção de populações historicamente discriminadas e ao combate à discriminação. a partir daí. Cotas são só uma delas. concretizando o ideal de efetiva igualdade de acesso a bens fundamentais como educação e emprego. economia e etc.

de caráter obrigatório. cuja bandeira central era a extensão da igualdade de oportunidades a todos. unidos numa ampla defesa de direitos. com o propósito de assegurar direito a poder. religião língua ou sexo. É nesse contexto que se desenvolve a idéia de uma Ação Afirmativa. Barbara Bergmann entende. com lideranças de projeção nacional. prestígio. ocorrido em agosto de 1982. A expressão tem origem nos Estados Unidos. no Centro de estudos e Conferências de Bellagio.. Essas definições introduzem a idéia da necessidade de promover a representação de grupos inferiorizados na sociedade e conferir-lhes uma preferência a fim de garantir seu . os norte-americanos viviam um momento de reivindicações democráticas internas. 7) Segundo os anais do documento “Perspectivas internacionais em Ação Afirmativa”. ou pode ser atividade de um empresário que consultou sua consciência e decidiu fazer as coisas de uma maneira diferente. Seu público-alvo variou de acordo com as situações existentes e abrangeu grupos como minorias étnicas e mulheres. apoiado por liberais e progressistas brancos. leis e orientações a partir de decisões jurídicas ou agências de fomento e regulação. exigindo que o Estado. começam a ser eliminadas as leis segregacionistas vigentes no país. No período. As principais áreas contempladas foram o mercado de trabalho com a contratação. ou uma estratégia mista. Nos anos 60. e o movimento negro surge como uma das principais forças atuantes. p. qualificação e promoção de funcionários. Sant’Ana. e a representação política. na Itália. Assumindo formas como: ações voluntárias. p. resultado de um encontro de pesquisadores. o sistema educacional. 1996. a Ação Afirmativa pode ser uma preferência especial em relação a membros de um grupo definido por etnia. programas governamentais ou privados. viesse também a assumir uma postura ativa para a melhoria das condições da população negra.]. 209). podemos tratar das definições propriamente ditas do que seria a Ação Afirmativa. É uma “companhia de seguros” tomando decisões para romper com sua tradição de promover a posições executivas unicamente homens brancos. local que ainda hoje se constitui como importante referência no assunto. É a comissão de admissão da universidade da Califórnia em Berkeley buscando elevar o número de negros nas classes iniciais [. riqueza (Contins. para além de garantir leis anti-segregacionistas. um plano envolvendo múltiplas partes e com funcionários dele encarregados.66 desenvolvidas. (1996. Ações Afirmativas podem ser um programa formal e escrito. expressas principalmente no movimento pelos direitos civis. que: Ação Afirmativa é planejar e atuar no sentido de promover a representação de certos tipos de pessoas – aquelas pertencentes a grupos que tem sido subordinados ou excluídos – em determinados empregos ou escolas. de maneira ampla. Estabelecidos esses pontos iniciais.. especialmente o ensino superior.

(1997. étnicas ou sexuais. neste contexto. sejam elas formuladas por políticos de esquerda ou direita (Munanga. 1996). e adoção de medidas específicas para sua solução. total ou parcialmente”. por isso. dentro de um âmbito e escopo restrito (1997. principalmente – a minorias étnicas.. gênero.67 acesso a determinados bens. devendo. Mas. significa moral. Com a redemocratização do país. Na explicitação deste objetivo.25). expressa uma crítica ao formalismo legal e também tem fundamentado Políticas de Ação Afirmativa. bem como compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização. raciais ou sexuais que. p. como as Ações Afirmativas. por que deveríamos agir dessa forma. somente amplia a desigualdade inicial entre elas. que teriam no mérito individual e na igualdade de oportunidades seus principais valores. “. qual seja. p. encontramos essa distinção. estariam deles excluídas. em que a Ação Afirmativa é definida como uma medida que tem como objetivo. o que justifica essa política? Antonio Sergio Guimarães (1997) apresenta uma definição da Ação Afirmativa baseada em seu fundamento jurídico e normativo. A Ação Afirmativa estaria ligada. justificandose a desigualdade de tratamento no acesso aos bens e aos meios apenas como forma de restituir tal igualdade.. a idéia de restituição de uma igualdade que foi rompida ou que nunca existiu. decorrentes de motivos raciais. de gênero e outros” (Santos. Historicamente. também diferencia-se de práticas discriminatórias raciais.eliminar desigualdades historicamente acumuladas. surge “como aprimoramento jurídico de uma sociedade cujas normas e mores2 pautam-se pelo princípio da igualdade de oportunidades na competição entre indivíduos livres”. as Políticas Públicas brasileiras têm-se caracterizado por adotar uma perspectiva social. garantindo a igualdade de oportunidades e tratamento. de que trata pessoas de fato desiguais como iguais. 223). 2 Mores – a palavra mores. Desse modo. tal ação ter caráter temporário.233). . etnia. que têm como fim estabelecer uma situação de desigualdade entre os grupos. de outro modo. 1999. baseadas em concepções de igualdade. Estas consistiriam em “promover privilégios de acesso a meios fundamentais – educação e emprego. A convicção que se estabelece na Filosofia do Direito. também a sociedades democráticas. p. étnicos. religiosos. Essa definição sintetiza o que há de semelhante nas várias experiências de ação afirmativa. No material desenvolvido pelo Grupo de Trabalho Interministerial para a Valorização da População Negra no Brasil. com medidas redistributivas ou assistenciais contra a pobreza. alguns movimentos sociais começaram a exigir uma postura mais ativa do Poder Público diante das questões como raça. econômicos ou não.

465/08 é um marco importante para ampliar as discussões sobre o tema do negro. Dentro dessa esfera de ensino-aprendizagem. 1971. De acordo com a lei. é preciso fazer com que estas medidas saiam do papel e efetivem-se de fato nas escolas. Assim. oferecendo um currículo que contemple os anseios da sociedade brasileira. religiosos. assegurando a cada membro desta nação o pleno exercício de sua cidadania sem restrições de etnia. em que deverão ser contemplados o estudo da África. as áreas do conhecimento. algo que sem dúvida não se esgota aqui. [. o negro e o mulato se viram compelidos a se identificar com o branqueamento psicossocial e moral. Portanto. 11.. .68 Observar o modo como políticas que respondam a essas demandas vão sendo constituídas e as implicações que trazem para a sociedade exige uma compreensão dos seus antecedentes sociais e históricos e do desenvolvimento das conjunturas políticas e das ações coletivas que as tornaram possíveis (GUIMARÃES. tratandoos embora sua notada importância.] O negro permaneceu sempre condenado a um mundo que não se organizou para tratá-lo como ser humano e como ‘igual’. assim como o dos africanos e a luta dos negros no Brasil”. para participar desse mundo. substituída pela Lei nº. p. os educadores não devem-se esquecer de contemplar os demais grupos marginalizados decorrentes de motivos. étnicos. mas não basta ditar novas regras para o jogo.639 de 09 de janeiro de 2003. A partir dessas iniciativas a cultura do negro e do índio deixa de ser ícone figurativos do folclore.] Ao contrário... podemos formar novas concepções de inclusão social. ideologia política ou religiosa. Todavia.15) A lei nº 10. é merecido conceder atenção especial em nossos currículos ao ensino da cultura afro-brasileira “conforme o novo dispositivo legal. como uma cultura a parte...] (FLORESTAN. [. dado a complexidade do assunto. Para tanto. Florestan afirma que: [. devem incorporar a contribuição dos negros indígenas à cultura brasileira.. torna-se a educação fator determinante quando se pensa em implementar mudanças como estas apresentadas. discutindo efetivamente questões relacionadas aos excluídos. 1999). simulando a condição humana-padrão do ‘mundo dos brancos’. passando a integrar a vida de cada cidadão brasileiro que a partir do conhecimento de sua história será capaz de destituir a farsa que está por trás dos padrões de beleza hegemonicamente construídos que não comportam a beleza do negro e índio. de gêneros e outros que permeiam em nossa sociedade. Tiveram que sair de sua pele.

embora a obrigatoriedade do voto fosse um dever masculino. após a intensa campanha nacional pelos direitos das mulheres ao voto (BRASIL. Outro marco histórico importante a ressaltar foi o do dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher. as mulheres brasileiras se organizaram nos movimentos feministas. a inclusão da perspectiva de gênero é bem recente e menos institucionalizada. Acontecimentos como esses exemplificam o quanto é longa e árdua a trajetória percorrida nas lutas pelos direitos à cidadania entre os inúmeros segmentos oprimidos por uma sociedade. MOVIMENTO DE MULHERES (GÊNERO) E EDUCAÇÃO: HISTÓRICO. Foi aprovada parcialmente pois permitia que somente as mulheres casadas e solteiras com renda própria tivessem esse direito básico para o pleno exercício da cidadania. . 2007). Em 24 de fevereiro de 1932. mas sua obrigatoriedade se efetivou em 1946.69 16. A Constituição Federal de 1988 ofereceu a base para as Políticas Públicas ao ressaltar a defesa ampla dos direitos “sem preconceitos de origem. deuse o direito de voto às mulheres. 2007). por meio de decreto do presidente Getúlio Vargas. em Nova Iorque. em que um dos objetivos era torná-las visível para a sociedade. fato que originou a cor do movimento pelos direitos das mulheres em todo mundo (BRASIL. culturais e políticas. Naquele momento. Essa conquista foi o fruto de uma longa luta iniciada antes mesmo da Proclamação da República. raça. Em termos de Políticas Públicas de educação. um dos fatores importantes na luta de igualdade de gênero e cidadania foi a conquista do voto feminino. que surgiu para homenagear 129 mulheres queimadas vivas. No Brasil. estava sendo confeccionado um tecido de cor lilás. Nas décadas de 1970 e 1980. pelo código eleitoral provisório (Decreto 21076). XX e vista sob a perspectiva das mudanças sociais. Em 1934 essas restrições ao voto feminino foram eliminadas no código eleitoral. por reivindicarem um salário justo e a redução da jornada de trabalho. CONCEPÇÃO E ORGANIZAÇÃO Cláudia Renata Xavier Rodrigues Ruth Aquino Souza A mobilização das mulheres na sociedade aconteceu gradativamente por meio da participação política deflagrada no séc. plena e não apenas como mãe amorosa e esposa dedicada. através da participação política. no ano de 1857.A implementação de políticas públicas para mulheres torna-se fundamental a partir das evidências de desigualdades e discriminações sofridas por elas. em 24 de fevereiro de 1932. A própria polícia trancara as portas da fábrica e ateara fogo. resultando da morte dessas mulheres.

o Brasil foi um dos 155 países a assinar a “Declaração de Jontien”. exames. material escolar e pessoal. Essas metas são necessárias para melhorar as condições de vida das mulheres com o apoio das Organizações das Nações Unidas . cor. O Relatório Nacional Brasileiro (2002). Nele consta. ressalta que na Constituição de Políticas Igualitárias de Gênero existe ainda uma lacuna a ser preenchida pelo governo..409). com sua entrada no mercado de trabalho e incorporação à vida pública. Atualmente.. a da construção da igualdade na educação.79) retrata a seguinte idéia: Durante 322 anos . naquele país. propondo que os estados lhe assegurem as mesmas condições oferecidas aos homens: carreira e capacitação profissional. Lopes (2002. acesso ao material informativo específico que contribua para assegurar a saúde e o bem-estar da família. para que haja um significativo avanço no nível de escolaridade . p. Segundo Vianna. ampliou-se seu acesso Educação. o marido e os filhos. consideravam a mulher um ser inferior. A paridade de gênero nem sempre se traduz em maior igualdade e. bolsas de estudo. mesmo a mulher atingindo o nível acadêmico superior.. A perspectiva de gênero apresenta-se insuficiente à noção geral dos direitos e valores. também.ONU. refletindo pouca visibilidade de mudanças concretas nos currículos de formação e na prática docente. Unbehaum (2006) está o “acesso universal à educação primária até o ano de 2015 (meta 2) e a promoção à igualdade entre os gêneros e emponderamento das mulheres (meta 3)” (p. Instrução reservada aos filhos dos homens indígenas e dos colonos. docentes capacitados. Em seu décimo artigo recomenda eliminar a discriminação contra a mulher na esfera da educação. É necessário que as Políticas Públicas Educacionais estejam associadas a outras políticas. durante 800 anos. idade e quaisquer outras formas de discriminação” (BRASIL. instalações.] sem acesso à Arte de Ler e escrever.] As influências a cultura árabe. [. Dentre as oito metas do Projeto Milênio. [. No ano de 2000. elaborada na Conferência Mundial de Educação para Todos realizada em Dakar (Senegal). ratificado pelo Congresso Nacional e entregue ao Comitê da Convenção para Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Brasil.. 2002).70 sexo. Art.de 1500 a 1822 – período em que o Brasil foi Colônia de Portugal a Educação Feminina ficou restrita aos cuidados com a casa. ainda não se encontra em igualdade econômica e política com o homem. bem como a eliminação do conceito estereotipado dos papéis masculino e feminino em todos os níveis e em todas as formas de ensino (BRASIL. participação ativa em esportes e na educação física. 2002). 2001. 31).

“gênero” foi se popularizando dentro do mundo acadêmico e fora dele.] era preciso encontrar conceitos que permitissem diferenciar aquilo que as mulheres tinham de natural. a fim de lhes conferir melhores oportunidades de igualdade no mercado de trabalho e nas demais esferas sociais. ver pluralidade de homens e mulheres dentro de um contexto social. Assim. permanente. estruturado e conjugado a uma visão de igualdade política e social que compreenda não só o sexo. possibilitando que o gênero seja definido. Ao levar-se em conta a pluralidade. considerando o contexto em que o indivíduo está inserido segundo suas crenças.4-5). também homossexuais. Algumas pesquisadoras resistiram em utilizar o termo “gênero” por entenderem que “[.. 1994). e igual em todas as épocas e culturas” (2000 p. etnias. mas o credo. levando em consideração vários fatores que influenciam na formação da personalidade do sujeito (Costa. levando tanto homens como mulheres a exercerem vários papéis e enfrentarem diferentes situações e pressões das mais diversas maneiras. Gradativamente o termo “mulher” foi substituído por “gênero”. nos anos 80” (p. Para Scott (1990. por uma palavra bonita e pouca ameaçadora. a divisão de papéis e permitindo uma concepção dinâmica de masculinidade e feminilidade. 75).. a classe e a raça. [. além de homens e mulheres. bissexuais e transexuais. de acordo com a situação social em questão. 2000. visando um futuro melhor.75).] “o termo ‘gênero’ constitui um dos aspectos daquilo que se poderia chamar de busca de legitimidade acadêmica para estudos feministas. 4). A história que vivenciamos caminha para o desenvolvimento de perspectivas que levem à reflexão sobre as estratégias políticas. p. O gênero também pode ser visto a partir do sistema social de relacionamento entre os indivíduos. moldando as escolhas que fazem. através dos chamados estudos sobre as mulheres.] o termo despolitizou a ação do movimento feminista. a palavra gênero” (SIMÃO.71 das mulheres brasileiras.. 2000): “[.. abandonando a visão binária. a mulher. enfrentando a oposição de alguns segmentos e recebendo apoio de outros.. no momento em que as pesquisadoras feministas buscavam. termo que surgiu no mundo acadêmico. trocando um sujeito político construído as duras penas. p. . entende-se dentro da categoria de gênero.. desnaturalizar a condição da mulher na sociedade (Simião. Permite ainda. relações de poder que formam sua identidade.

NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Sônia Fenelon Filártiga O movimento mundial pela inclusão. Ao firmarmos a Educação Especial. tratada a partir de sua projeção na configuração do currículo. matrícula na rede pública. é preciso reinventa-los para proporcionar aos alunos especiais uma vida satisfatória e uma aprendizagem efetiva. POLÍTICAS E PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. definindose como Educação Inclusiva. devemos tê-la na proposição central de uma educação para a diversidade. por uma Educação que deve ser pensada em uma concepção de direitos humanos. número de municípios e de escolas com matrícula de alunos com deficiências. também. com os indicativos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. como forma de acompanhar o processo de inclusão por meio dos indicadores: acesso à educação básica. educacional. referendada por dados da Organização Mundial de Saúde e pelo Censo Escolar/MEC. Entender o processo educativo sob essa perspectiva não será. Ressaltamos que no Brasil a educação inclusiva tem assumido espaço central em estudos e debates.. cultural e social tem origem na afirmativa do Direito de Educação para Todos. realizado anualmente em todas as escolas de educação básica. apenas. oferta do atendimento educacional especializado.72 17. Perpassa. na organização educacional e na análise de novas diretrizes de formação para profissionais da educação. 9394. como ação política. desencadeando a defesa do direito de todas as crianças e todos os jovens participarem do convívio de uma mesma escola. A educação escolar inclusiva está se firmando no contexto da educação brasileira. atendam às suas especificidades e promovam a melhoria da qualidade da educação. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades. A educação inclusiva tem sido analisada no âmbito da justiça social e da pedagogia. como Educação Inclusiva. que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis. de 1996. como formadora do profissional da educação. que orienta sua prática em uma abordagem . à luz de novos referenciais para a construção de sistemas educacionais que recebam todos os alunos. Lei nº. inclusão nas classes comuns. O ponto de referência legal é a Constituição Federal de 1988. assegurando o acesso à escola e a permanência nela dos alunos com deficiência. criar espaços especializados para o aluno. acessibilidade nos prédios escolares. que define como responsabilidade do poder público: a efetivação da matrícula na rede regular de ensino e a oferta de serviços por meio do Atendimento Educacional Especializado.

transtornos globais de desenvolvimento e/ou altas habilidades. a possibilidade de transformação da escola em um espaço significativo de aprendizagem com práticas pedagógicas que busquem o desenvolvimento emocional. tendo em vista a diversidade das crianças e dos jovens e as peculiaridades locais. em seus pressupostos. . flexível e colaborativa. A escola. sem discriminações de qualquer natureza (BRASIL. aos saberes da comunidade (BRASIL. às situações vividas no cotidiano escolar e familiar. é oferecer para o aluno com deficiência. Pensar a escola a partir desse movimento de Educação Especial. 2007). O movimento atual de Educação Inclusiva traz. A Política Nacional de Educação Especial reconhece e garante o direito de todos os alunos de compartilhar um mesmo espaço escolar. compreendendo que as pessoas se modificam transformando o contexto no qual estão inseridas.73 diversificada. 2007). o Atendimento Educacional Especializado. articulando os conceitos da construção do conhecimento. Educar é transformar e o processo de inclusão escolar vem para esse fim. ao construir a Proposta Político Pedagógica deve inspirar-se em um currículo que favoreça o delineamento do processo escolar. intelectual e social de todos os alunos. como Educação Inclusiva.

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77 LÍNGUA PORTUGUESA .

78 .

os infinitos gêneros textuais. analisar. Fenômeno . também. promulgada no dia 5 de outubro de 1988 regula que: “A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil”. saibam extrair as características dos gêneros nos textos. os estudos/pesquisas têm comprovado que os fenômenos estão ocorrendo.79 1. do ambiente da vizinhança. captando-lhe a espontaneidade. da família. utiliza-se do discurso para interagir e resolver os seus problemas sociais. Isso porque o aluno traz o discurso informal. Portanto. Na parte gramatical. bem como compará-los para melhor compreendê-los. mais precisamente a preposição ‘a’ que em alguns casos flutua e em outros está elidida. muitas vezes por elipse ou flutuação. fazer com que os alunos leiam. Dessa forma. da educação formal. Sacconi (1998. Logo. mas é preciso considerar. por intermédio da escola. por exemplo. Observa-se que a tarefa da escola. muitos lingüistas deixam em relevância a função social da linguagem. oriunda do latim. é de suma importância que a estudem e utilizem segundo as exigências da situação de comunicação social. e precisa ampliar seu horizonte. No artigo 13 da Constituição Brasileira. afirma: “A língua é um código de que se serve o homem para elaborar mensagens. a visão dos estudiosos da língua. para viver. FUNDAMENTOS DA LÍNGUA PORTUGUESA Marcia Vanderlei de Souza Esbrana A Língua Portuguesa. urge conhecer a língua popular. no que se refere ao desenvolvimento de suas habilidades. pesquisas e obras publicadas que favorecem o entendimento da diversidade dos gêneros textuais. como é o caso das preposições. p. interpretar e produzir textos verbais e não-verbais.8). a expressividade e enorme criatividade. Itália. embora o funcionamento da sua estrutura seja complexo. e acrescenta: “Não basta conhecer apenas uma modalidade de língua. Acima. encontramos estudos. é ensinar a utilizar as formas lingüísticas. urge conhecer a língua culta para conviver”. precisa comunicar-se. vimos o conceito de Língua Portuguesa oficializado por Lei. O homem para interagir precisa compreender. faz-se necessário trabalhar identificando as características distintas de alguns gêneros textuais. de acordo com a situação discursiva. O homem usa a língua porque vive em comunidade. interpretem o que lêem. mais precisamente da região do Lácio. Contemporaneamente. para se comunicar”. ação sobre o mundo dotada de intencionalidade. permite fácil comunicação entre os seus falantes. assim. logo.

PB e no Mato Grosso do Sul . mediar os alunos na aprendizagem da língua. Para a autora Koch (2006. pronto. Na tentativa de ampliar. transformar. conforme as de gramática: 1. mas trabalhá-la concomitantemente aos textos. produzir e compreender textos orais e escritos. de outro lado porque o produto histórico – resultado do trabalho discursivo do . a Língua Portuguesa sempre teve o seu trono como uma conquista indeterminada. Percebe-se que a importância da Língua Portuguesa não é e nunca foi de responsabilidade do professor do componente curricular Língua Portuguesa e sim de todos que labutam no campo educacional. privilegia-se o fato de “formar” cidadão para viver em comunidade mais igualitária. Nesse sentido. 7). afirma que: A língua. a língua é o principal instrumento. Assim. É o conjunto de variedades lingüísticas.MS. não há prazo de validade para o seu uso. língua é lugar de interação. 1. sentimentos. usado pelo homem para expressar idéias. língua é o código. de um lado porque sua “apreensão” demanda apreender no seu interior as marcas de sua exterioridade construtiva (e por isso o externo se internaliza). Desse modo.conjunto de regras que devem ser usadas). e como tal necessita ser sistematizada e socializada.2 Concepções de Língua Cleide Pereira Gomes A concepção de língua está diretamente relacionada à concepção de gramática. enquanto produto desta história e enquanto condição de produção da história presente. língua é o que representa o pensamento e o conhecimento (gramática normativa . o que importa é a comunicação. portanto é construção histórica dos sujeitos. p.conjunto de regras que são seguidas) e 3. 2. A língua tem caráter dinâmico e varia de acordo com a evolução da sociedade. há três concepções de língua. fechado em si mesmo. A língua é um sistema vivo e dinâmico. repassar. na Paraíba . conforme Esbrana (2005). daí a importância de seu ensino e aprendizagem na escola. Assim. Nesse sentido.RJ. o autor Geraldi (1996. 28). p. orientar. verbais e não-verbais. dialógica (gramática interna – conjunto de regras que o falante domina). vem marcada pelos seus usos e pelos espaços sociais destes usos. instrumento que os interlocutores usam para comunicar determinadas mensagens (gramática descritiva .80 encontrado no Rio de Janeiro . cabe ao professor não abandonar a gramática. a língua nunca pode ser estudada ou ensinada como um produto acabado. de comunicação e de interação. e como tal não se pode usar sem recorrer à gramática.

que todos os falantes da língua devem seguir. mesmo existindo uma Língua Portuguesa padrão. Eles podem apresentar-se tanto na forma oral quanto na escrita da língua. passando a discussão para o campo do adequado/inadequado. ou de cada locutor. Contudo é preciso evidenciar que existe. os modos pelos quais as pessoas entendem e interpretam a realidade e a si mesmas. Assim. mas apreender pragmaticamente seus significados culturais e.. Aprendêla é aprender não somente palavras e saber combiná-las em expressões complexas. A Língua Portuguesa padrão apresenta certas regularidades. em que se realizam as interações humanas. Dialetos é cada variante que marca o uso que determinado grupo faz da língua. também se fazendo história. segundo o contexto. Dessa maneira. 99). segundo o distanciamento requerido pela situação social e comunicativa. de gênero e de profissão. aparecem as variantes da língua. Registros são as variantes do uso de cada sujeito. para a autora Matêncio (1994. as incontáveis possibilidades de uso que a língua oferece à comunidade que a usa é a melhor prova de ser um sistema aberto e em construção. que todo falante dela deve seguir. “no trabalho com os conteúdos de linguagem. uma diversidade cultural rica que determina várias maneiras de as pessoas se comunicarem. sempre inacabado. sob pena de criar um enunciado irreconhecível e. . na situação concreta de interação. participa da construção deste mesmo produto. que podem referir-se ao uso de um grupo. que refletem as ações com e sobre a linguagem representando um certo conhecimento de mundo”. Nessa perspectiva. As variações da língua são de duas ordens: dialetos e registros. Os registros põem por terra a distinção do certo/errado. São basicamente dois: o formal e o informal. p. se de um lado há regras sistemáticas. o ensino de língua encontra-se. não ser compreendido. que possibilita a homens e mulheres significar o mundo e a sociedade. por outro lado.. num país como o Brasil. por isso mesmo. sociocultural. Os principais dialetos são definidos do ponto de vista geográfico. no momento específico da interação social. sempre em construção. 20). a [. com eles.81 passado _ é hoje condição de produção do presente que. Todavia a Língua Portuguesa é um sistema aberto que oferece infinitas possibilidades de variação e inovação de usos criados no contexto histórico. p. etário. histórico e social.] língua é um sistema de signos específico. Para Brasil (1998.

imagens. realmente determina. Assim. É importante que essa visão imagética seja trabalhada pedagogicamente dentro do ambiente escolar. para a autora: “A Semiótica é a ciência que tem por objetivo de investigação todas as linguagens possíveis. que é o efeito concreto que o Signo. muitas vezes não percebemos que durante nossas comunicações. os rituais de tribos “primitivas”. Assim. a semiótica é a ciência dos signos da linguagem. danças. números e outras formas. a ciência da lingüística. cheiro e tato. setas. mais precisamente da raiz semeion. cerimoniais e outros. O Signo. O Interpretante Imediato. movimentos. A semiótica permite um resgate da linguagem não-verbal a novos olhares e novas perspectivas de aprendizagem e comunicação humana. possui um objeto e um Interpretante. ou seja. portanto. materna ou pátria que utilizamos para nos comunicar. há duas ciências novas da linguagem. sendo este produzido na Quase-Mente. que tem por objetivo o exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenômeno como fenômeno de produção de significação e de sentido” (1988. que é o Intérprete. que apresentam um conjunto ilimitado de signos que representa a linguagem. familiar e de sua . pois tudo teve início desde os desenhos nas grutas de Lascaux. O objeto como o Signo. deixamos de lado as interpretações e/ou leituras de formas. Assim. Para a autora Santaella (1988). entre outros. músicas. seres sociais que somos. além da língua nativa. sons musicais. quer dizer signo. que é a realidade que realiza a atribuição do Signo à sua Representação. que estuda a linguagem verbal. por sua vez. para não ser confundida com outros tipos de signos existentes no mundo. por comunicarem alguma informação são dinâmicos. Na sociedade. ou seja. Um exemplo é o computador e a Internet. devem ser preservados. p. expressões. e o Interpretante Dinâmico.15). que investiga toda e qualquer linguagem. gestos. como símbolos do zodíaco. Peirce (1977) afirma que um signo é aquilo que representa algo para alguém. Para esse autor há dois objetos e dois interpretantes. e a ciência da semiótica. pois o aluno traz de casa um conhecimento próprio. esse algo deve representar o que se chama de seu objeto. Os rituais citados acima são ricos de informações culturais e.82 1. que é revelado pela própria interpretação do Signo.3 Concepção de Semiótica Marcia Vanderlei de Souza Esbrana Vinda do grego. chamado de significado do Signo. enquanto Signo.

b. desenvolvendo um trabalho “com. ensinando-lhes algo a mais do que já trazem do seu próprio lar. “linguagem é criação de sentido. Para o autor Geraldi (1999. Trabalho sobre a linguagem possibilita ao aluno que ele reflita sobre os processos de funcionamento da linguagem. em função do lugar que ocupam nessa interação. fornece ao professor o objeto de estudo (dificuldades) a ser trabalhado na sala de aula. um influindo sobre o outro. Convém lembrar que a linguagem verbal não criou apenas a codificação alfabética. que podem ser sistematizadas em três principais: a. de acordo com Aurélio (2001. a linguagem deve ser entendida como forma de interação. ela dá origem à comunicação”. assim a escola precisa ampliar esses conhecimentos para favorecer um aprendizado de qualidade aos nossos alunos. 7).”. “é o uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre pessoas. como instrumento (“ferramenta”) de comunicação e c. formas que se limitam com o desenho. p. 427). e cabe à escola ampliar seus conhecimentos.4 Concepção de Linguagem Cleide Pereira Gomes A linguagem. como tal. A forma de expressão pela linguagem própria de um indivíduo. p. 1. 99-100). no curso da História de maneiras bastante diversas. por meio de produção de textos (oral e/ou escrito). grupo. como forma (“lugar”) de ação e interação. Sendo assim.23). o aluno. sobre e através da linguagem” como propõe a autora Matêncio (1994. na qual os sujeitos envolvidos realizam uma ação de mão dupla. Portanto a semiótica não pode ser deixada de lado dentro das escolas. A linguagem humana tem sido percebida. fica evidente que ambas as linguagens verbais e não-verbais possuem uma gama intrincada de formas sociais de comunicação e de significação que se difundem em nosso mundo. encarnação de significação e. Na perspectiva em que se vê o aluno como sujeito de sua aprendizagem. enquanto faz emergir um certo conhecimento . e sim os hieróglifos. dos que estão a sua volta. classe etc. p. pictogramas e ideogramas. pois os alunos trazem o conhecimento da família. Dessa maneira.83 vizinhança. p. a seguir: Trabalho com linguagem proporciona ao aluno o acesso às diferentes modalidades lingüísticas e aos usos que se faz delas. Para a autora Koch (2006. da vizinhança. como representação (“espelho”) do mundo e do pensamento.

compõem os eixos a serem trabalhados na área de Língua Portuguesa. adquirindo no uso efetivo que ele faz da língua e amparado em seus referenciais de socialização. o telefonema. a notícia. Trabalho através da linguagem é aquele realizado tanto pelo professor como por seus alunos na tentativa de construir o processo de ensino e aprendizagem. conforme Brasil (1998). independente da extensão e de sua forma de apresentação: oral ou escrito. Nesse sentido. produção de textos e análise e reflexão sobre a língua. o calendário. A autora Koch. 1. visto que o homem se comunica por meio de textos e que existem diversos fenômenos lingüísticos que só podem ser explicados no interior do texto. a entrevista etc. 1991. uma ação entre interlocutores que aparece nas mais variadas linguagens e classifica-se em: verbais e não-verbais. justifica o porquê disso.5 Concepções de texto/gêneros e tipos A partir do pressuposto de que toda comunicação e interação ocorrem por meio de texto. literário ou não literário. pois. considerado a unidade básica de manifestação da linguagem. formal ou informal. é preciso deixar claro que texto é toda e qualquer unidade de informação ou de sentido. porque partimos da perspectiva de que todas as interações entre os homens processam-se mediadas por textos. ele é o responsável pela interação. Nesse sentido. A situação de produção de um texto é que determina em que gênero ele é realizado. Primeiro. convém que o professor proponha atividades de linguagens baseadas em quatro práticas interligadas: oralidade. assim. Os textos são organizados e definidos de acordo com a situação social e comunicativa em que . o conto. (KOCH. ao afirmar que: A Lingüística Textual toma. a aula. o poema. Logo.84 lingüístico do aluno. Todo texto realiza-se em um gênero. para o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa. Para esclarecer o que é gênero textual é preciso também se referir a tipo textual. 14). leitura. os gêneros ocorrem em número ilimitado. Essas práticas. Desse modo. mas o texto. o editorial. a crônica. por exemplo a carta. que alguns estudiosos denominam de lingüística textual. o texto é a realização da língua e da linguagem. no contexto de interação humana. gênero é uma unidade social e comunicativa e relaciona-se à finalidade de cada texto. por exemplo. p. como objeto particular de investigação não mais a palavra ou a frase isolada. este deve ser tomado como objeto de ensino e de aprendizagem. O texto que representa a interação entre as pessoas possui uma estrutura.

eles ocorrem simultaneamente nos textos. e não as classes de palavras fora do contexto social e comunicativo. descritivo.). poema. Não há um tipo puro num texto. mas há uma classificação fechada. livro coletivo). É importante observar que há uma inter-relação entre gêneros e tipos textuais: utiliza-se do tipo para fazer o gênero. o tipo textual define-se pela predominância das categorias gramaticais existentes nele. a idéia que se quer passar. linguagem (adequada às situações sociais e comunicativas formais ou informais) e suporte (onde o texto irá circular. o assunto. verbos no passado). Envolve tema (sobre o quê escrever). . para fazer uma crítica?. para se deleitar?. gênero (carta. para dar nota?. utiliza-se da trama narrativa. o remetente. a despedida. deve trabalhar o texto de forma integral. o texto em si. dissertativo (expositivo e argumentativo). os elementos constitutivos são a data. por exemplo na carta. essencialmente (personagem. também se faz uso da trama descritiva ao caracterizar ou contextualizar o lugar. muda de um gênero para outro de acordo com a finalidade. lugar.). as personagens. e a partir dele trabalhar os quatro eixos da Língua Portuguesa já apresentados: práticas da oralidade. finalidade (para refletir?. definidas na situação de produção. saudação. da leitura. A sistematização no aprendizado e no ensino de gêneros leva em conta diversas características. objetivo (por que escrever. para expor em mural? etc. que é o planejamento para a elaboração de um determinado texto. em um conto. enredo. tempo. da produção textual e da análise e reflexão sobre a língua.). por exemplo. injuntivo ou instrucional e preditivo. para publicar?. Segundo. Cada gênero possui seus elementos constitutivos. quem escreve. a unidade básica do ensino é o texto. para vender algum produto? etc. interlocutores (quem e para quem se escreve). está relacionado à interlocução. jornal-mural. A forma de organização das idéias e das seqüências de enunciados podem ser elencados nos seguintes tipos: narrativo. para quem se escreve.Desse modo. propaganda etc. Por exemplo. Pensando-se na totalidade do trabalho didático com a Língua Portuguesa. artefato cultural que vai sendo construído ao longo do tempo (é construído e vai mudando de acordo com a cultura).85 ocorre.

que vem contribuir para a formação desse sistema lingüístico a ser organizado para que todos se compreendam. cataloga as coisas. o . 22). mas no estudo dos sistemas da linguagem. 1973. (1977..6 Histórico da Lingüística Marcia Vanderlei de Souza Esbrana A “Lingüística é a ciência da língua em geral” (Carroll. conforme Mattoso Câmara Jr. Para Carroll (1973). a Lingüística é o “empreendimento científico que investiga as línguas e dialetos que são usados.22): Língua é um sistema estruturado de sons vocais e seqüências de sons arbitrários que é usado. Por exemplo. (1977. portanto. É muito mais que isso. o indivíduo não cria a sua própria linguagem. a história propriamente dita da lingüística é muito recente. por várias comunidades lingüísticas em todas as partes do mundo”. Conforme a vertente americana. afirma existir uma dicotomia: língua versus fala. apenas é capaz de reproduzir aquilo que a sociedade lhe ensinou. conforme Chomsky et al (1973). Já.24). porém é uma ciência fundamentada na observação do que existe e não se interessa pela consideração da faculdade abstrata do homem em si. em que a língua é um sistema (estrutura) de elementos vocais comum a todos os membros de uma dada sociedade e que a todos se impõe como uma pauta ou norma definida. Dessa forma. p. eventos e processos no ambiente humano Semiótica é qualquer sistema de signos que se possa usar como função comunicativa. p. recente.86 1. p. Dessa forma. ou a linguagem do xadrez. emoções e volições. que: [. o que é língua. primeiramente. Ferdinand Saussurre (2002). 1973. embora todos estejam ligados estreitamente à língua. na comunicação interpessoal por um agregado de seres humanos e que. é possível compreender. ou foram usados. a língua é um tipo de sistema semiótico.. depois do abandono do pragmatismo. significado versus significante.19). da vertente francesa. é necessário definir.] a linguagem está indissoluvelmente associada com a atividade mental humana. Conforme Mattoso Câmara Jr. ou pode ser usado. A filosofia moderna é unânime em reconhecer que não se trata apenas de um recurso para expressar pensamentos. e passa a encarar a língua como um mecanismo dinâmico inato à mente do homem. visa ao estudo da linguagem. p. assim. Esta ciência. de maneira bastante exaustiva. a qual só em virtude dela se pôde firmar a desenvolver. Para o autor Carroll (Apud CARROLL. o gesto e a escrita constituem um sistema semiótico diferente notação matemática.

a percepção e o aprendizado. devemos partir de dois fatores na aquisição do conhecimento. na escola. Dessa forma. a aprendizagem lingüística possui princípios intrínsecos às estruturas invariantes que são pré-requisitos da experiência lingüística. . seus pensamentos de forma ordenada e expresse. utilizando-se dos mecanismos da Língua Portuguesa em suas análises e reflexões lingüísticas. que já vimos enclausurados num espaço vital de mera ação e eficiência.28). da escrita. Sem isso. da análise e reflexão sobre a língua em seu processo de interação. uma vez que esses eixos devem estar interligados. idéias. por meio da oralidade. por uma questão didática. No eixo prática de leitura. por exemplo. Vejamos o objetivo dentro dos quatro eixos organizadores da Língua Portuguesa. Para Noam Chomsky (1973. Assim. No eixo prática de análise e reflexão sobre a língua. permitir a expressão do aluno dentro e fora da sala de aula para que vá (re)construindo. 2. concomitantemente. tanto as suas como qualquer outra produção de texto quantas vezes foram necessárias para aperfeiçoar sua capacidade de organização das idéias. pode ocorrer ao interpretar um estímulo. embora apresentados. como o dos brutos. é proporcionar ao aluno conhecimentos lingüísticos que o capacite para comunicar-se nas diversas situações sociocomunicativas dentro da sociedade. p. OBJETIVOS DO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA Cleide Pereira Gomes Marcia Vanderlei de Souza Esbrana O objetivo do estudo da língua materna. A percepção. neste documento. em todos os textos que circulam socialmente. opiniões e sentimentos em diversas situações de interação humana. ensinar as estratégias de leitura para que o aluno interprete diferentes textos de gêneros que circulam socialmente. por sua vez. apresentamos os objetivos específicos da Língua Portuguesa divididos em quatro eixos apenas como forma de organização. No eixo prática de oralidade. levar os alunos a reescrever. da prática da leitura. Para esse autor. de forma dissociada. adequadamente. levar o aluno a refletir sobre a sociedade da qual faz parte. eles seriam difusos e inconsistentes.87 meio essencial para se chegar a esses estados mentais. No eixo prática de produção de textos.

o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa precisam estar alicerçados nas múltiplas linguagens e estéticas. Dessa forma. é fundamental de propor atividades que favoreçam a produção de idéias. tendo em vista que o “como” acontece a aula é fundamental nos processos de construção e reconstrução dos saberes. favorecendo.88 3. de diferentes registros e estilos. A atual sociedade requer um professor pesquisador. Para isso.1 Métodos utilizados na aprendizagem da Língua Portuguesa Cleide Pereira Gomes Cabe à escola a função de trabalhar (estudar com os alunos) os conhecimentos que atendam às demandas sociais. desarticulada. os conteúdos não podem ser trabalhados de forma fragmentada. o letramento. analisando-as. sistematizando as constatações dentro de uma perspectiva que leve escola a cumprir seu papel. além de pesquisar. alunos e professores devem ser pesquisadores e sistematizadores de conhecimento. nos clássicos argumentos e conhecimentos que venham ao encontro das reais necessidades e possibilidades. como o contexto social de forma a atender às necessidades sociais de um determinado tempo e de uma definida circunstância histórica. Nessa perspectiva. os alunos possuem experiências significativas por meio de diversos gêneros textuais. assim. a prática pedagógica do professor faz toda a diferença. e busque soluções para as dificuldades encontradas nos meios educacional e social. Para isso é importante garantir a humanização das relações sociais e favorecer a continuidade da produção de conhecimentos socialmente existentes. numa interação significativa. superficial. recorrendo às suas tecnologias como ferramenta pedagógica que melhor atenda aos propósitos tanto dos professores quanto dos alunos. Convêm que os temas abordados na escola fomentem discussões e reflexões que . é importante que o professor valha-se de todos os recursos didáticos existentes dentro e fora da escola. no que se refere aos textos. Assim. Na escola. METODOLOGIAS DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O 3º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 3. que é a formação integral do ser humano para que seja capaz de transformar o meio no qual está inserido em prol de todos. apreendendo o conhecimento na sua concretude histórica. Sendo assim. Nesse sentido. sempre refletindo sobre suas ações.

o aluno recorre aos saberes internalizados ao ler o texto e a partir daí infere sentidos. a fim de que os alunos possam ter acesso a textos de qualidade para ampliar seus conhecimentos. capazes de transformar o meio social no qual estão inseridos. . Assim. durante a leitura. entre outros. o professor estará desenvolvendo as estratégias de leitura que são: seleção .ao propor atividades de leitura. o professor poderá formular outras perguntas para o aluno. Assim. o que sabe sobre determinada palavra. relatos de fatos conhecidos. a aprendizagem dar-se-á com. pode-se. frase. inferência . Logo.o aluno confirma. texto. verificação ou checagem . para aprender como o autor produziu determinado texto e para ter condições de produzir textos. no espaço de sala de aula. realização de pesquisas. fazer com que os alunos dêem opiniões sobre o tema (conhecimentos prévios) e até criem um certo suspense para lhes despertar interesse para a leitura da obra inteira. fruição). A linguagem oral como conteúdo requer um planejamento da prática pedagógica que garanta. ouvir e refletir sobre a língua.o aluno utiliza seus próprios conhecimentos e experiências quando lê o texto. por exemplo. exposição oral sobre temas estudados. Eis alguns exemplos de como desenvolver essa atividade em sala de aula: o professor poderá partir de um texto (oral ou escrito) e questionar o aluno sobre o que lembra. Prática de leitura .o aluno escolhe o que interessa do conteúdo do texto. o desenvolvimento organizado de situações vivenciadas de falar. sobre e por meio da linguagem. Prática da oralidade . para ter prazer (deleite. antecipação . oferecer informações sobre o assunto antes da leitura do texto. descrição de imagens e avaliação coletiva. É preciso fazer leitura de textos de gêneros diversificados e de qualquer extensão.consiste em exploração dos conhecimentos prévios do aluno em relação ao título e ao tema de textos relacionados à vivência na sociedade e trabalhados na forma de conteúdo escolar. É fundamental que as atividades propostas possibilitem as proficiências em oralidade. Quanto aos objetivos da leitura.89 contribuam para a formação de cidadãos críticos. A prática da oralidade pode ser desenvolvida por meio de atividades em grupo. leitura e escrita. é fundamental que os alunos percebam que lemos para conhecer mais sobre o assunto. o que facilita a interpretação. propõe-se que o professor trabalhe com os quatro eixos da Língua Portuguesa. as informações que antecipou e as suposições que fez. para buscar uma resposta de alguma pergunta. Conforme a situação didática.

definir a situação de produção: o tema (assunto) – o que vai escrever. A releitura é reescrita do texto. uma vez que isso permite.escrita propriamente dita e releitura para revisão. observando o assunto. . cartaz e outros gêneros textuais). Assim. a continuidade de sentidos. a linguagem adequada – (formal/informal) e o suporte (onde o texto irá circular). receita.motivo de escrever. momento de conferir o que foi escrito para verificar se o texto está de acordo com seu planejamento inicial. É interessante escrever textos ditados pela classe.90 Para desenvolver a proficiência em leitura são importantes atividades de exploração de diferentes textos para compreensão. utilizando-se de diferentes estratégias (MATÊNCIO. empregando os elementos coesivos e seus referentes. frases e parágrafos. a escrita deixa de ser mecânica e passa a ser desafiadora. o objetivo . bilhete. Ao escrever para aprender. os recursos coesivos. refletir sobre a possibilidade de transformar o texto oral em escrito e sobre seus recursos específicos.1994). carta. o interlocutor –(autor/leitor) quem escreve e para quem. hora de revisar e refletir sobre o texto produzido. ao aluno. a coerência de idéias e a adequação do título ao conteúdo do texto. A escrita propriamente dita o momento da redação que exige tomada de decisões quanto à organização das idéias de acordo com as exigências do gênero escolhido e seus elementos constitutivos. a pontuação e a paragrafação. produzir e reproduzir os mais diferentes textos para as mais diversas situações de uso da língua. A produção e reprodução de textos é um processo que passa por três fases: planejamento. editorial. a correção ortográfica. o aluno mobiliza todos os conhecimentos prévios que possui sobre a escrita e é obrigado a fazer escolhas e decidir sobre a forma mais adequada de expressar aquilo que pretende. Prática de produção e reprodução de textos . construção e reconstrução de sentidos numa situação de interlocução leitor/autor/texto a partir de objetivos determinados. notícia. utilização adequada dos sinais de pontuação e das convenções gramaticais e disposição dos elementos textuais na página. seleção e articulação de palavras a serem utilizadas. a finalidade – para que escrever.cabe ao professor criar situações didáticas para que o aluno possa desenvolver a capacidade de compreender. O planejamento consiste em oportunizar condição para mobilizar os conhecimentos prévios dos alunos. a modalidade – texto adequado à situação de comunicação (definição do gênero textual: poema.

com o mesmo sentido semântico. é fundamental considerar o seu uso social. que se observem as regularidades (língua padrão) e possibilidades de variação de uso (dialetos). pois é a partir desse texto que é possível identificar o que o aluno sabe e o que precisa aprender. é o texto produzido pelo aluno que definirá o conteúdo a ser abordado em cada ano do Ensino Fundamental. é fundamental que aconteçam em todos os momentos da sala de aula reflexões e análises de textos com os alunos sobre o uso da língua em diferentes situações. anteriormente referida e explorar a diversidade de gêneros textuais que circulam socialmente. por exemplo. a fim de desenvolver a criticidade do aluno. “no entanto”. porém trazem a mesma informação. A análise e reflexão sobre a língua. em seu planejamento. É de extrema necessidade observar quais são os elementos constitutivos do texto em estudo. faz-se necessário um olhar mais minucioso para as questões específicas de gramática. a aprendizagem da língua padrão consiste no domínio da escrita e da leitura por meio da diversidade textual e que a gramática precisa serministrada com base no . por serem diferentes. e considerar as possibilidades do uso de outras palavras. Na seqüência de textos utilizados não se pode dissociar as especificidades lingüísticas das situações sociais e comunicativas. criadas por meio das interações humanas.2 Texto e gramática (indissociáveis) Cleide Pereira Gomes No ensino da Língua Portuguesa. fomentar a reflexão e a análise sobre os aspectos gramaticais e os discursivos. É essencial ao aluno ter contato com o maior número possível de variantes para aumentar as possibilidades de uso efetivo da língua. “entretanto” etc. em uma produção do aluno há a frase: “Quero ler. Dessa forma. tais como “mas”. apenas o que se propõe é um trabalho didático em que jamais dissocie a gramática do texto. os quais precisam ser trabalhados dentro dos contextos sociais e comunicativo. tanto os aspectos gramaticais quanto os discursivos. 3. levar em conta a situação de produção. É profícuo levar o aluno a refletir sobre a função da conjunção “porém” com a idéia de oposição. “todavia”.. Nesse sentido os conteúdos lingüísticos provenientes do texto como unidade de sentido são práticas contínuas. Assim. Cabe ressaltar que é fundamental ao professor contemplar.91 Para desenvolver a proficiência em escrita. que nunca fora abolida de nenhuma língua. porém. além da possibilidade de reescrever o texto quantas vezes forem necessárias. o professor não deixa”. “contudo”.

Possenti (1996. ressalta que “não se aprende por exercícios. . pois a aprendizagem acontece de forma espiral. deve ser tomado como objeto de ensino e de aprendizagem. È preciso que o aluno alcance vários saberes. p.. O domínio de uma língua. interlocutores. ABORDAGEM SOCIAL DOS CONTEÚDOS POR MEIO DE SEUS FUNDAMENTOS Para a seleção e organização dos conteúdos de Língua Portuguesa. texto é toda e qualquer unidade de informação ou de sentido capaz de mediar interação entre os homens. é essencial que o professor trabalhe didaticamente os conteúdos oriundos do texto como unidade de sentido. quantas vezes forem necessárias. contextualizadas”. 47). ações entre interlocutores que aparece nas mais variadas linguagens e classificam-se em verbais e não-verbais. Os textos podem ser oral ou escrito. significativas. conforme as condições. Isso significa que quanto maior o número de gêneros textuais com os quais o aluno entra em contato. maiores serão as possibilidades de comunicação. e não em função do domínio de regras e nomenclaturas. literário ou não literário. O texto. porque todas as interações sociais se processam por meio dele. que são de trabalho permanente em todos os anos do Ensino Fundamental.92 uso efetivo da língua no contexto da interação. Seguindo esse raciocínio. [. mas por práticas significativas. 4. criadas. Nesse sentido o texto é a realização da língua e da linguagem. intrinsecamente relacionadas. numa totalidade e que as informações sejam articuladas. valendo-se do conhecimento historicamente construído e socialmente existente. saber utilizar as inovações tecnológicas e relacionar esses conhecimentos com o trabalho e que aluno adquira formação integral que contemple todas as áreas do conhecimento. uma vez que o domínio e/ou a ampliação de um determinado assunto ocorre por meio de níveis de complexidade e/ou aprofundamento processual.]. é resultado de práticas efetivas.. com práticas significativas. independente de sua extensão. responsável pelas interações sociais. repito. oral ou escrito. imateriais e materiais. Desse modo. a fim de formar um sujeito capaz de viver e conviver. como reconhecer os problemas sociais nas expressões textuais e a forma de interferir neles. Isso significa que o conteúdo precisa ser retomado continuamente.

da família. usando tanto a linguagem formal como a informal. RELEVÂNCIA SOCIAL DA APRENDIZAGEM ARTICULADA AOS QUATRO EIXOS DA LÍNGUA PORTUGUESA A relevância social da aprendizagem dos quatro eixos da Língua Portuguesa pressupõe uma aprendizagem de qualidade. embora foram apresentados. No eixo prática de oralidade é essencial que sejam respeitadas as formas de expressão e comunicação que o aluno traz do meio social no qual está inserido e que o professor ensine-o a usar a linguagem a partir de um tema específico para comunicar-se com determinados interlocutores. e. Cabe a escola a função de abarcar e ampliar esses conhecimentos para que o aluno possa viver em uma sociedade mais igualitária. utilize-se de estratégias de leitura.93 5. por meio de uma didática seletiva que abranja os conteúdos mais significativos para ampliar para que possam ampliar os conhecimentos trazidos de casa. planeje e defina a situação de produção. bem como participe de debates que envolvam interpretações e indagações sobre diversos temas da atualidade e incentivem os nossos alunos a criarem. Vejamos a essência de cada eixo dentro do currículo de Língua Portuguesa. para iniciar a escrita do texto. ao ler. dependendo da situação na qual se encontra. Assim. lendo e relendo seu texto. o gênero textual e seus elementos constitutivos. É importante que nesse eixo o professor trabalhe com a troca de experiências de leituras dentro e fora da sala de aula. corrigindo-o caso seja necessário. da vizinhança. os quatro eixos devem ser entendidos e trabalhados concomitantemente em todos os textos que circulam socialmente. e do meio em que vive. Nesse eixo. neste documento. or uma questão didática. o objetivo. No eixo prática de produção de textos é preciso que o aluno ao escrever. “criando” sugestões de como melhorar ou banir tais problemas sociais. que consiste em especificar o tema. No eixo prática de leitura é fundamental que o aluno leia com compreensão total os infinitos gêneros textuais que circulam socialmente. É importante que o aluno faça a reescrita do texto quantas vezes forem necessárias e realize ensaios de produção. a linguagem adequada e o suporte textual. No eixo prática de análise e reflexão sobre a língua é necessário que o aluno faça análises e reflexões orais e escritas. o que favorecerá o incentivo e a propaganda para novas leituras e novos conhecimentos. . a finalidade. para atender a diferentes objetivos. amenizar alguns dos problemas encontrados na nossa sociedade. de forma dissociada. ou pelo menos solucionar. os interlocutores.

contos clássicos. tanto da diversidade textual quanto dos aspectos lingüísticos. por exemplo.letra . pois esse é o momento de socializar e filtrar as melhores idéias para juntos construir uma sociedade mais justa e sem desigualdades. as quais não foram colocadas por acaso. de forma aprofunda e com um paralelo aos anos anteriores. considerando sempre os elementos constitutivos do texto em estudo: textos narrativos: livros infantis. leitura. os professores encontrarão nesse documento muitas repetições. produção de textos. dentro dos quatro eixos da Língua Portuguesa. textos poéticos: poema. parlenda e cantiga. porém com o intuito de que a cada ano sirvam como aperfeiçoamento do crescimento do aluno. lendas e fábulas. nos 6º e 7º anos devem ser trabalhadas de forma superficiais. quadrinha. práticas de: oralidade. em relação ao conteúdo a classes de palavras. textos epistolares: bilhete e convite. CONTEÚDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O 3º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 6. todavia este mesmo conteúdo deverá ser retomado nos 8º e 9º anos. necessidades e possibilidades: . na maioria das vezes. outros textos de diferentes gêneros de acordo com as necessidades e possibilidades. histórias em quadrinhos. análise e reflexão sobre a língua. textos instrucionais: receita culinária e regras de jogos. Nesse sentido. apresentando aos alunos o porquê de repetir tais conteúdos. 6. gramática em contexto semântico/interativo de acordo com as dificuldades. textos jornalísticos: notícia.94 é importante a intervenção do professor para que os alunos ampliem seus conhecimentos. que realmente seja aprofundado o item repetitivo de acordo com os tempos cronológico e biológico da maioria dos alunos por ano. textos científicos.1 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental Os conteúdos para o 3° ano do ensino fundamental. partindo de reflexões e críticas com sugestões.

numeral.figuras de linguagem: onomatopéia e personificação.ordem alfabética . localizar informações explícitas no texto.ortografia . atribuir sentido) textos verbais e nãoverbais.concordâncias nominal e verbal .pontuação . 6. entre outros). sintetizar. reconhecer e usar palavras ou expressões que retomam por substituição .discurso direto e indireto . artigo. com a finalidade de compreender o texto de maneira global e não fragmentada. Assim. identificar o sentido de uma palavra ou expressão no texto. verbo. pronome. interjeição .emprego de letras maiúscula e minúscula .período simples . antecipar.oração .denotação e conotação .acentuação gráfica .segmentação de palavra. adjetivo. é importante que o aluno seja capaz de expressar idéias.1.fonema .paragrafação .classes gramaticais – noções e funções: substantivo.divisão silábica .95 . ler (interpretar. preposição. opiniões e sentimentos. capazes de desencadear a aprendizagem dos alunos na trajetória do ano escolar. frase e texto . conjunção. associar diferentes estratégias de leitura (decodificar.significado e sentido de palavras e expressões . advérbio.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 3º ano do Ensino Fundamental Os conteúdos relacionados para o 3º ano do Ensino Fundamental estão pautados em textos como unidade de sentido social e comunicativo. inferir. selecionar. A relevância social dessa aprendizagem só ocorre se a escola oferecer ao aluno as ferramentas que possibilitem a leitura e a escrita com produção de sentido.frases .sílaba . oralmente e por escrito.

linguagem e diferentes portadores de texto. cartaz e propaganda. objetivo.ordem alfabética .letra . textos poéticos: poemas. usar a lingüística e suas categorias (ortografia. morfologia e sintaxe: coesão. textos jornalísticos: classificados. lendas e história em quadrinhos. textos publicitários: anúncio. tabela e gráfico.emprego de letras maiúscula e minúscula . gênero e seus elementos constitutivos. produzir e reproduzir gêneros textuais estudados. tanto na diversidade textual quanto nos aspectos lingüísticos. concordâncias verbal e nominal. carta e convite. contos. análise e reflexão sobre a língua. como tema. interlocutores. charge e notícias. textos instrucionais: manual de instruções.ortografia .fonema . quadrinhas e músicas. contemplando sempre os elementos constitutivos do texto em estudo: textos narrativos: livros infantis. outros textos de diferentes gêneros de acordo com as necessidades e possibilidades. 6. textos científicos. fábulas. cenários e objetos. textos epistolares: bilhete. necessidades e possibilidades: . pontuação e outras notações léxicas. textos informativos: resumo. narrar fatos considerando a temporalidade e a causalidade. relatar acontecimentos vivenciados de forma clara e ordenada em diferentes situações sócio-comunicativas. produção de textos. coerência. lista telefônica. práticas de oralidade.96 ou repetição outros segmentos do texto. considerando a situação de produção.sílaba .2 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental Os conteúdos para o 4° ano do ensino fundamental. finalidade. gramática em contexto semântico/interativo de acordo com as dificuldades. receita culinária e regras de jogos. figuras de linguagem). descrever características físicas de personagens. dentro dos quatro eixos da Língua Portuguesa. leitura. acentuação.

localizar informações explícitas em textos mais complexos. construir e reconstruir saberes nas diferentes áreas do conhecimento.acentuação gráfica . entre outros). adjetivo. produzir e reproduzir textos. 6.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental A aprendizagem dos conteúdos relacionados para o 4° ano do ensino fundamental será relevante uma vez que estes são ferramentas que possibilitam aos alunos ler (interpretar texto com auxílio de material gráfico diverso. Os saberes que o aluno deve desenvolver a partir do estudo dos conteúdos do 4° ano são os mesmos do 3° ano do ensino fundamental. verbo.97 . tabela. verbais e não-verbais. oralmente e por escrito.período simples .2. é fundamental que o aluno saiba relatar fatos e experiências pessoais ou coletivas. metáfora e ironia.concordâncias nominal e verbal . porém cabe ao professor ampliá-los e aprofundá-los.denotação e conotação .discurso direto e indireto . preposição. foto. mapa. estabelecer relação . realizar inferências no texto. personificação. como quadrinhos.pontuação . gráfico.divisão silábica . atribuir sentido. Assim. identificar informações relevantes para a compreensão de textos. utilizar informações oferecidas por gramática e por verbete de dicionário. numeral.paragrafação . advérbio.figuras de linguagem: onomatopéia. artigo. realizar a intertextualidade de diferentes temas em diversos gêneros de textos. frase e texto . interjeição . figura. conforme o nível de aprendizagens.frases . disposição e cor de fonte. identificar efeito de humor e ironia em textos variados. tamanho.oração .segmentação de palavra. antítese. adequando a linguagem às diversas situações sociais e comunicativas. pronome. conjunção. observar a coerência e a seqüência lógica da narração.significado e sentido de palavras e expressões .classes gramaticais – noções e funções: substantivo.

outros textos de diferentes gêneros de acordo com as necessidades e possibilidades. textos jornalísticos: classificados. tanto na diversidade textual quanto nos aspectos lingüísticos. entre outras). cartazes. fábulas. análise e reflexão sobre a língua. inferência e verificação ou checagem.3 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental Os conteúdos para o 5° ano do ensino fundamental. demonstrar compreensão de texto de maneira global e não fragmentada. textos informativos: resumo. contos. identificar e manter.98 causa/conseqüência.utilizar a linguagem oral e escrita de forma clara e ordenada. 6. lista telefônica e manuais de instruções. como repetição de palavras.fonema . gramática em contexto semântico/interativo de acordo com as dificuldades. instrucionais. classificados e propagandas.sílaba . textos instrucionais: receitas culinárias. inversão. entre outros). usar adequadamente as estratégias de leitura (antecipação.ortografia . textos publicitários: anúncios. a unidade temática. textos epistolares: bilhetes. publicitários. seleção. aplicar as categorias lingüísticas na produção e reprodução de textos orais e escritos.ordem alfabética . necessidades e possibilidades: . em textos. identificar os elementos constitutivos dos diversos gêneros textuais em estudo. rima. reconhecer os efeitos de sentido obtidos com o emprego de recursos expressivos.letra . tabela. produção de textos. avisos. anedotas. ler com autonomia diferentes gêneros textuais (literários em prosa e versos. dentro dos quatro eixos da Língua Portuguesa. empregar nos discursos orais e escritos os gêneros adequados em conformidade com seus objetivos e função social. epistolares. gráfico. cartões e diários. científicos. paródias e músicas. assonância e aliteração. textos científicos. charge e notícias. e trabalhar sempre os elementos constitutivos do texto em estudo: textos narrativos: livros infantis e infanto-juvenis. lendas. textos poéticos: poemas. Práticas de oralidade. textos dramáticos e histórias em quadrinhos. verbetes e textos didáticos. cartas. leitura. jornalísticos.

discurso direto e indireto . verbo. leitura.pontuação .período simples .emprego de letras maiúscula e minúscula .segmentação de palavra.frases . progressivamente. por meio da leitura e da escrita.significado e sentido de palavras e expressões . 6.acentuação gráfica .99 . Espera-se que. artigo.concordâncias nominal e verbal .classes gramaticais – noções e funções: substantivo. metáfora. adjetivo. 6. ironia e pleonasmo ou redundância. interjeição . conjunção. antítese.4 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental Os conteúdos para o 6° ano do ensino fundamental.figuras de linguagem: onomatopéia.denotação e conotação . pronome. produzir e reproduzir diferentes gêneros textuais orais e escritos. dentro dos quatro eixos da Língua Portuguesa.paragrafação . análise e reflexão sobre a língua: . advérbio. seus conhecimentos nas diferentes áreas. porém. práticas de oralidade. o aluno amplie.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental A relevância social da aprendizagem dos conteúdos referentes ao ano de ensino supracitado ocorre nas práticas sociais dos alunos. cabe ao professor ampliá-los e aprofundá-los conforme o nível de aprendizagens.3. como ler. preposição. utilizar as categorias lingüísticas para auxiliar e melhorar a comunicação. numeral. Os conhecimentos que o aluno deve desenvolver a partir do estudo dos conteúdos do 5° ano são os mesmos do 4° ano. produção de textos. verbais e não-verbais.oração . tanto na diversidade textual quanto nos aspectos lingüísticos.divisão silábica . personificação. frase e texto .coesão e coerência .

canção e paródia. lista telefônica e outros. em que nem todos usufruem dos bens materiais e espirituais produzidos . guia.conotação e denotação . a começar por sua sala de aula. conto. metodologia científica na elaboração de trabalhos gramática em contexto semântico/interativo: .ortografia . norma. É importante que os alunos do 6º ano do ensino fundamental compreendam e saibam respeitar as características étnicas. dentro do eixo linguagem oral. regulamento.crônica. deverá emitir opiniões. textos científicos. história em quadrinho – humorísticos e irônicos . por meio de argumentos verbais e não-verbais que justifiquem a diversidade textual que circula na sociedade da qual faz parte. tabela e gráfico. conhecimentos. bem como dramatizar e recitar textos que auxiliem na construção do conhecimento significativo para sua vida. adequando a fala às inúmeras e variadas situações comunicativas.classes gramaticais . textos instrucionais: receita. textos epistolares: cartão-postal e carta familiar.variação lingüística .100 textos informativos: resumo. manual. outros textos: diferentes gêneros. descritivo e cinético). bem como analisar criticamente as desigualdades socioeconômicas e culturais dos diferentes grupos existentes no mundo. textos poéticos: poema (lírico.4.acentuação . entrevista e comunicado. com clareza e objetividade.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º ano do Ensino Fundamental O aluno do 6º ano.frase e oração. narrativo. 6. textos jornalísticos: notícia. cartaz e propaganda. relatório. fábula.coesão e coerência . charge.pontuação . idéias. textos publicitários: anúncio. textos narrativos: livros infanto-juvenis.concordâncias e regências . resumo e ficção. classificado.

observando a progressão temática e o sentido geral do texto. Utilizando-se da semiótica. Nesse sentido. a denotativa e conotativa. é importante trabalhar com os adjetivos (características) desses alunos e mostrar que há muitas diferenças (modo de falar. espera-se que o aluno do 6º ano do ensino fundamental seja capaz de produzir e reproduzir textos. Aprofundar a leitura da Lei do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). oposição. por meio de estratégias de leituras. Que apresente. No eixo prática de leitura. utilizando a semiótica e o que aprendeu dos textos trabalhados no ambiente escolar e fora dele. em que localiza informações e identifica as marcas lingüísticas. gostos. Observar as diferenças entre as linguagens irônica e humorística. em seus textos. pois alguns têm mais acesso à cultura e aos bens criados socialmente. pelo menos os que estiverem no percurso de sua casa até a escola em que freqüentam.101 socialmente. Nessa fase precisa distinguir diversidade cultural de desigualdade social e utilizar-se da semiótica (lingüística que estuda o Signo) para interpretar textos não-verbais. narrativas e dissertativas. sobre diferentes gêneros. para construir e organizar seus pensamentos mais coesos e coerentes. O aluno deverá identificar e compreender. de coesão. No eixo prática de análise e reflexão sobre a língua. na própria sociedade da qual fazem parte. até que fique coerente e claro para que qualquer pessoa possa ler. e expressar-se. de coerência. o aluno do 6º ano do ensino fundamental encontra-se na fase de ler e compreender o sentido geral do texto. o aluno do 6º ano deverá analisar e refletir sobre os diversos gêneros textuais que circulam socialmente. comparação. altura. . conseqüência. vestir. e planejar e escrever textos voltados para o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente. as formas adequadas básicas de ortografia. causalidade. de regências e de concordâncias. O eixo prática de produção de texto. os alunos deverão interpretar a linguagem não-verbal dos sinais de trânsito. Que o aluno saiba ater-se ao tema e consiga desenvolvê-lo. bem como atribuir aos textos títulos coerentes com o assunto/tema. ou os sinais que mais aparecem na sociedade da qual fazem parte. debater oralmente. tamanhos e outros). anterioridade. após planejamento da situação de produção. nos textos. em que se espera que o aluno do reconheça algumas tramas descritivas. posterioridade e identificar o elemento que o explicita. Espera-se que o aluno tenha consciência de que um bom texto dependerá de várias reescritas e releituras com as adequações necessárias. acentuação. enquanto outros se encontram à margem desse processo. ou seja. as relações de temporalidade.

termos essenciais e integrantes da oração . conto. textos instrucionais: receita. crônica. norma. relatório. resumo e ficção. o aluno do 7º ano do ensino fundamental. canção e paródia. textos epistolares: cartão-postal e carta familiar. lista telefônica e outros.estrutura e formação de palavras. por meio de argumentos . cartaz e propaganda. textos jornalísticos: notícia.práticas de oralidade.ortografia .pontuação . conhecimentos. textos científicos. deverá emitir opiniões.frase. fábula história em quadrinho. manual.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental Nesse período.variação lingüística . narrativo. guia. descritivo. entrevista e comunicado.concordâncias e regências . entre outros. gráfico. dentro dos quatro eixos da Língua Portuguesa .102 6.classes gramaticais . leitura. narrativas ficcionais: livros infanto-juvenis.5 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental Os conteúdos para o 7° ano do ensino fundamental.acentuação . tabela. análise e reflexão sobre a língua: textos informativos: resumo. oração e período . 6. entre outros. reflexivo e cinético). folder. gramática em contexto semântico/interativo: . metodologia científica na elaboração e formatação de trabalhos. catálogos. tanto na diversidade textual quanto nos aspectos lingüísticos. classificado. produção de textos. dentro do eixo da linguagem oral.5. textos poéticos: poema (lírico. regulamento.conotação e denotação . textos publicitários: anúncio. outros textos: diferentes gêneros.coesão e coerência . idéias.

compreender e aplicar a linguagem conotativa e denotativa. narrativas e dissertativas para comparar gêneros textuais. período e parágrafo. que o aluno saiba atribuir aos textos títulos coerentes com o assunto/tema e empregar formas ortográficas. bem como dramatizar e recitar textos que auxiliem na construção do conhecimento significativo para sua vida. o aluno do 7º ano do ensino fundamental encontra-se na fase de ler e compreender o sentido geral do texto.103 verbal e não-verbal da diversidade dos gêneros que circulam na sociedade da qual faz parte. ou os sinais que mais aparecem na sociedade da qual fazem parte. No eixo prática de produção de texto. Também utilizar-se da semiótica (lingüística que estuda o Signo) para interpretar textos não-verbais (foto. mecanismos básicos de acentuação. com as adequações necessárias até que fique coerente e claro para que qualquer pessoa possa lê-lo. fazem-se necessárias a utilização e observação da pontuação nos discursos e segmentação correta da palavra. após planejamento da situação de produção de texto (mobilizar conhecimentos prévios e definir a modalidade. por exemplo. figura. oposição. charge. a linguagem não-verbal dos sinais e dos guardas de trânsito. conseqüência. coerência e coesão. . a finalidade. causalidade. interpretar e localizar as ambigüidades presentes em textos publicitários. em que deve localizar informações explícitas e identificar informações implícitas. os interlocutores. textos jornalísticos para rádio e televisão). Assim. por meio de estratégias de leituras. Também o uso de palavras que estabeleçam relações de temporalidade. No eixo prática de leitura. que seja compreendido no momento da exposição. desenho. paráfrases. a linguagem. o tema. notícias a partir de fatos atuais do cotidiano. Identificar as marcas lingüísticas e o tema central do texto trabalhado. com clareza e objetividade. poemas. frase. deverão ser interpretados e estudados por meio da semiótica. gráfico. oração. manchetes. Que o aluno tenha consciência de que um bom texto dependerá de várias reescritas e releituras. observando a progressão temática e o sentido. o objetivo e o suporte) solicitado pelos diferentes gêneros textuais. ou quando um texto oral. tabela. paródias de músicas. símbolos e outros). de regências e de concordâncias verbal e nominal. espera-se que o aluno do 7º ano do ensino fundamental seja capaz de produzir e reproduzir textos (pequenos versos. pontuação. reconhecer a função das notações léxicas e tramas descritivas. pelo menos os que estiverem no percurso de sua casa até a escola em que freqüentam. reconhecer e atribuir sentido às notações léxicas. adequando à fala as inúmeras e variadas situações comunicativas. e compreender a finalidade do texto.

cartaz. textos científicos. narrativo. produção de textos. reflexivo. a denotativa e a conotativa. sintático-semântico e gráfico-espacial em textos poéticos e utilizar tramas descritivas. concordâncias e regências. guia. . identificando o elemento que o explicita. textos epistolares: cartão-postal. expositivo. estilos e vícios de linguagem. Espera-se que saiba reestruturar textos usando os recursos lingüísticos. relatório. figuras. tanto na diversidade textual quanto nos aspectos lingüísticos. textos poéticos: poema (lírico. anterioridade. gráfico. análise e reflexão sobre a língua: textos informativos: resumo. folder. épico e cinético). ortografia. e história em quadrinhos. requerimento. entre outros. manual. Ao aluno de 7º ano do ensino fundamental é imprescindível compreender e usar as diferentes linguagens irônicas e humorísticas. sinais de pontuação. classes de palavras: noções. argumentativo.práticas de oralidade. canção e paródia. denotação. discursivos e estilísticos.104 comparação. carta ao leitor e comunicado. descritivo. termos essenciais e acessórios da oração. regulamento. narrativas ficcionais: livros infanto-juvenis. marcas de acentuação. lista telefônica e outros. textos dissertativos: argumentativo e expositivo. norma. leitura. contos tiras. Empregar os níveis fônico. debater oralmente e expressar-se. No eixo prática de análise e reflexão sobre a língua. entre outros. artigo. textos instrucionais: receita. narrativas e dissertativas. entrevista. textos publicitários: anúncio. propaganda. cartas familiar e comercial.6 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental Os conteúdos para o 8° ano do ensino fundamental. tais como conotação. posterioridade dentre outros. dentro dos quatro eixos da Língua Portuguesa . abaixo-assinados. tabela. funções e classificações. utilizando a semiótica e o que aprendeu dos textos trabalhados no ambiente escolar e fora dele para construir e organizar seus pensamentos mais coesos e coerentes. o aluno do 7º ano do ensino fundamental deverá analisar e refletir sobre os diversos gêneros textuais que circulam socialmente. estrutura e formação de palavras. textos jornalísticos: notícia. 6.

por meio de argumentos verbais e não-verbais. identificando o foco narrativo por intermédio de marcas lingüísticas.coerência e coesão . identificando. dramatizar e recitar diversos gêneros textuais. no texto. dentro do eixo da linguagem oral. No eixo da prática de leitura. localizando informações explícitas e inferindo informações implícitas no texto trabalhado.6.ortografia . Espera-se que seja capaz de expressar-se com clareza e objetividade nos locais em que estiver. as intenções do enunciador. o aluno do 8º ano. espera-se que o aluno leia e compreenda o sentido geral do texto.concordâncias e regências .conotação e denotação .estrutura e formação de palavras . acessórios e integrantes da oração . Ainda. narrativas e dissertativas.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental Nesse período.período composto por coordenação.acentuação . identificando e compreendendo. gramática (em contexto semântico/interativo): . oposição. idéias. reconhecer e atribuir sentido à pontuação do discurso. reconhecer e atribuir sentido às notações léxicas. utilizando-se de estratégias de leituras em textos verbais e não-verbais que facilitarão a interpretação do texto. deverá emitir opiniões. neles. metodologia científica: na elaboração e formatação de trabalhos. Deve observar os recursos estilísticos quanto à intenção do autor e utilizar a semiótica para interpretar os textos não-verbais e compreender a linguagem irônica e humorística. conseqüência. . as relações de temporalidade. utilizar as tramas descritivas. causalidade.pontuação . Reconhecer a função expressiva por meio das notações léxicas.termos essenciais. compreender e aplicar as linguagens conotativa e denotativa. 6.105 outros textos: diferentes gêneros.variação lingüística . conhecimentos. Identificar marcas lingüísticas e tema central da diversidade dos gêneros textuais.

regências e concordâncias). Nessa fase. para corrigi-las. a necessidade de ler e o prazer de ler. precisa ater-se ao tema e desenvolvê-lo. antes da produção propriamente dita. no próprio planejamento. preditivo. No eixo prática de produção de texto. Atribuir. narrativas. títulos coerentes com o assunto/tema proposto na escrita. Assim. anterioridade. ortografia. conseqüência. injuntivo. espera-se que o aluno faça constantemente uma reflexão e análise dos textos produzidos oralmente e/ou por escrito. regências e de concordâncias verbais e nominais e a pontuação do discurso. Dessa forma. o período e o parágrafo para obter melhores textos escritos. a oração. narrativas. marcas de acentuação e crase. comparação. estilos e vícios de linguagem. dissertativas. narração. o aluno do 8º ano do ensino fundamental deverá planejar a situação de produção de diferentes gêneros textuais. o aluno será capaz de identificar e reconhecer as tipologias descritivas. Faz-se necessário o uso de palavras que estabeleçam relações de temporalidade. injunção. anterioridade e posterioridade. o aluno deverá reestruturar o texto usando os recursos lingüísticos. estrutura e formação de palavras. bem como compreender a leitura em suas diferentes dimensões – o dever de ler. integrantes e acessórios da oração. seja capaz de reconhecer desvio padrão e algumas incoerências no texto oral e escrito. classes de palavras: noções. No eixo prática de análise e reflexão sobre a língua. posterioridade identificando o elemento que o explicita. dissertativas. . na hora da dramatização e aplicar os níveis e as funções de linguagem. aos textos produzidos. oposição. empregando formas ortográficas. coesão.106 comparação. sinais de pontuação. descrição. Utilizar diferentes linguagens conotativa e denotativa e diversos tipos textuais como dissertação. Integrar e sintetizar informações. discursivos e estilísticos aos gêneros textuais produzidos (conotação e denotação. coerência. termos essenciais. causalidade. funções e classificações. figuras. preditivo e que revise seu próprio texto produzido em função dos objetivos estabelecidos pelo professor. mecanismos básicos de acentuação. a frase. identificando e compreendendo a intertextualidade. Que o aluno do 8º ano ensino fundamental reflita sobre as tipologias textuais descritivas. injuntivas e preditivas. como segmentar a palavra.

narrativo. textos dissertativos: argumentativo e expositivo. argumentativo.figuras de linguagem . cartaz e propaganda.Práticas da oralidade. leitura. dentro dos quatro eixos da Língua Portuguesa . análise e reflexão sobre a língua.concordâncias e regências . crônica. descritivo.conotação e denotação . textos instrucionais: receita. lista telefônica e outros.pontuação . tabela e gráfico. norma. guia. resumo. reflexivo. regulamento. manual.acentuação .7 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental Os conteúdos para o 9° ano do ensino fundamental.período composto por coordenação e subordinação . textos publicitários: anúncio. textos jornalísticos: notícia. textos informativos: resumo. resenha. entrevista. produção de textos.107 6. cartas familiar e comercial. metodologia científica: na elaboração e formatação de trabalhos.ortografia . abaixoassinados. gramática (em contexto semântico/interativo): . canção e paródia. relatório. textos científicos. textos poéticos: poema (lírico. épico e cinético). tanto na diversidade textual quanto nos aspectos lingüísticos. artigo. tiras (história em quadrinhos). textos narrativos: contos clássicos da literatura brasileira. textos epistolares: Curriculum vitae.coerência e coesão . expositivo. cartão-postal. outros textos: diferentes gêneros. requerimento. carta ao leitor e comunicado. paráfrase e ficção livros infantojuvenis.variação lingüística .

posterioridade identificando o elemento que o explicita. Espera-se que o próprio aluno analise e revise seu texto consultando dicionário e gramática. . comparação. deverá emitir opiniões. Trabalhar com a linguagem persuasiva (propaganda) e fazer trocas de experiência com os colegas sobre os textos lidos.7. dissertação. segmentando: palavra. ater-se ao tema e desenvolvê-lo. dissertativa. bem como identificar. injunção e preditivo). Empregar os recursos gráficos diversos e utilizar a função das notações léxicas em seus textos. Deverá dramatizar e recitar textos que envolvam os temas atuais. é necessário que o aluno do 9º ano ensino fundamental leia. bem como a mediação do professor constantemente nas aulas. conseqüência. No eixo da Produção de texto deverá planejar a situação de produção de diferentes gêneros textuais. idéias. identificar também. Utilizar as tipologias textuais como descrição. Usar as palavras que estabeleçam relações de temporalidade. injunção e preditivo. No eixo da prática de leitura. oposição. compreender e utilizar a intertextualidade. por meio de argumentos verbais e não-verbais. coesão. bem como reconhecer e atribuir sentido às notações léxicas. e os elementos constitutivos dos textos e utilizar a semiótica para interpretar os recursos figurativos. identificar as marcas lingüísticas e o tema central do texto que esteja lendo. anterioridade. Espera-se que o aluno seja capaz de compreender e aplicar diferentes linguagens. assim. frase.1 Relevância social da aprendizagem desses conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental O aluno do 9º ano do ensino fundamental. comparação. coerência. o aluno é capaz de reconhecer a tipologia textual (descritiva. anterioridade. dentro do eixo da linguagem oral. posterioridade e atribuir títulos coerentes ao seu texto. compreender e utilizar a intertextualidade. narração. conseqüência. conhecimentos. reconhecendo a função das notações léxicas. localizando informações no próprio texto e fora dele (intertextualidade).108 6. Utilizar a tipologia textual (descrição. causalidade. causalidade. oposição. compreenderá a leitura em suas diferentes dimensões. Ele precisa utilizar estratégias de leituras e informações contidas nas diferentes linguagens. Nessa fase. narrativa. regências e concordâncias verbais e nominais. reconhecer as intenções do enunciador e trocar informações dentro e fora da sala de aula com quem leu os mesmos textos solicitados pelo professor e identificar. narração. as relações de temporalidade. oração. mecanismos básicos de acentuação. preditivo e dissertação). compreenda o sentido geral do texto. período e parágrafo. injunção. empregar formas ortográficas.

integrantes e acessórios da oração. deve compreender que essa troca não se realiza somente entre as quatro paredes. de textos de diferentes gêneros. principalmente. Utilizar a semiótica para interpretar os textos não-verbais. identificando o elemento que o explicita. clareza e concisão. classes de palavras: noções. o que fará a diferença como sendo negativa ou positiva é a forma de encaminhamento das situações didáticas. observações. estrutura e formação de palavras. reestruturando o texto usando recursos lingüísticos. posterioridade. a qual permite à escola organizar e planejar seus espaços de aprendizagem. termos essenciais. . bem como refletir sobre as tipologias textuais: descritiva. é necessário que a escola participe de mudanças que favoreçam a sociedade. figuras. observando o gênero contemplado. discursivos e estilísticos conotação e denotação. a organização dos espaços de aprendizagem da instituição escolar reflete a concepção pedagógica adotada pela escola. injuntiva e preditiva. Cabe ao professor fomentar a construção e reconstrução do conhecimento por meio de pesquisas. coesão. marcas de acentuação e crase. Assim. oposição. causalidade.109 No eixo da análise e reflexão sobre a língua. produção e reprodução de textos adequados às situações sociocomunicativas. narrativa. anterioridade. no que se refere à construção do saber. pois por ser um local de troca de conhecimento. funções e classificações. dissertativa. Em princípio. o acesso às novas tecnologias da informação e à resolução dos problemas sociais. estilos e vícios de linguagem. Que o aluno possa analisar e refletir sobre a própria produção de texto reconhecendo as variações lingüísticas. comparação. discussões. 7. ITINERÁRIOS CIENTÍFICOS E CULTURAIS Cleide Pereira Gomes Tendo em vista o processo acelerado de globalização. Estabelecer relações de temporalidade. ortografia e regências e concordâncias. quase todos os espaços existentes dentro e fora da instituição educacional podem ser usados como ambiente favorável à aprendizagem. sinais de pontuação. conseqüência. espera-se que o aluno do 9º ano possa empregar os elementos que resultam numa construção com coerência.

revistas. que além de motivar. Trata-se de um meio possível de construção de um saber coletivo a partir da interação. uma vez que possibilita a utilização de ferramentas tecnológicas de informação que contribuem para o processo de ensino e de aprendizagem. juvenis.. conhecimentos. planejar e organizar momentos para a leitura em que ele também leia. favorece a cooperação. aquele que melhor se ajuste aos propósitos educacionais que sustenta a contribuição para o fortalecimento de ambientes de aprendizagem. textos e livros referentes às distintas áreas do conhecimento. mais.110 Desse modo. A biblioteca. livros infantis. dialogar. o importante é aumentar. por exemplo. por exemplo. quer sejam professores. por si só. jogar. gibis etc. pois a leitura é ferramenta indispensável para a construção e reconstrução do conhecimento. motiva novas descobertas. dentre os espaços disponíveis. é um espaço de aprendizagem importante. Entretanto é um desafio diário. almanaques. em todas as áreas do conhecimento. ainda. também. Por meio do computador é possível pesquisar. as possibilidades de aprendizagens significativas. corresponder-se. já é uma atividade que fomenta e leva à aprendizagem. para quem. O ensino mediado pelo computador cada vez mais se torna uma prática eficaz. nos contextos de ensino e de . de maneira a fomentar e favorecer o interesse do aluno na busca da construção e reconstrução do conhecimento. gramáticas. trocar informações sobre culturas. entre outras inúmeras atividades. O aluno deve escolher a leitura que deseja fazer de acordo com seus interesses e necessidades. além de criar oportunidades para trocar experiências. A utilização do blog (diário pessoal disponibilizado em rede). É fundamental que o professor consiga mediar as atividades. por ser um desafio propor atividades potencializadoras da aprendizagem. fortalecem a inter-relação professor x aluno e aluno x aluno. dicionários. o uso de computadores como ferramenta. Assim. surge perfeitamente contextualizada naquilo que hoje em dia é utilizado como forma de expressão. Formar leitores autônomos requer condições favoráveis. infanto-juvenis. material de apoio pedagógico. impressões sobre a leitura feita. ler. não tem domínio sobre a máquina. sugestões. A sala de informática. portanto é fundamental que se coloque à disposição dos alunos diferentes textos de diversos gêneros literários. O grande desafio do professor é escolher. pode ser um grande passo para a melhoria da qualidade do processo do ensino e da aprendizagem. os quais privilegiem a construção do conhecimento de forma coletiva. Cabe ao professor. quer sejam alunos. cooperativa e significativa. dentro e fora da escola. enciclopédias.

Na instituição educacional. dentro e fora da sala de aula os quais. Programas sobre Trabalho e Consumo. Programas sobre Inclusão Social e Diversidade Cultural. os espaços de aprendizagem precisam ser flexíveis. entre outros. Código e Educação sobre o Comportamento no Trânsito. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA A avaliação está diretamente associada ao fazer pedagógico. em outras é a única possibilidade de interagir com ambientes diferentes de seu convívio social. em algumas circunstâncias. Os alunos devem ter disponíveis documentos como Constituição Federal. palestras que promovam a aprendizagem significativa. como apresentações musicais. incide sobre o objeto do processo de ensino e de aprendizagem a fim de constatar o que já foi apreendido e o que precisa ser retomado e/ou aprofundado. Pode ser feita e mensurada em forma de notas. Política da Mulher. 8. podem e devem ser usados para o desenvolvimento de diversas atividades. entre eles o pátio. pois está presente nas interações. centralizando o fazer pedagógico em ações de construção e reconstrução do conhecimento. de maneira contextualizada. entorno da escola. é preciso planejar atividades que. Estatuto do Idoso. dança. cuidar da aprendizagem. Há outros espaços. Nesse sentido. Não há como desvinculá-la do dia-a-dia. Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA. Ir também a eventos culturais. cinema. clube. analise e sistematize suas constatações em relação ao o objeto de ensino e de aprendizagem. exposição de artes e artesanato. pontos turísticos e museus.111 aprendizagem tem conduzido os alunos a buscar maneiras de usar a tecnologia em prol de uma aprendizagem significativa. . Programas sobre a Saúde Pública. Esses locais e situações. Em suma. reflita. posteriormente. praça. aproximam-se da realidade dos alunos. a fim de evitar a monotonia para que os alunos apreendam. É fundamental conceber a avaliação como instrumento para verificar o que se sabe e. parque. Programas sobre o Meio Ambiente. construam e reconstruam os conhecimentos por meio de atividades diferenciadas e interessantes. visto que nunca tiveram acesso a eles. teatro. profissional como pessoal. possam fazer com que o aluno pense. seminários. tanto educacional.

nessas circunstâncias. “Cuidado com sua nota”. ninguém aprende sozinho. uma vez que passa a ser o centro de controle e um instrumento de poder. É importante que essa prática seja revista e modificada. com pontuação dos avanços. sem privilegiar alguns em detrimento de outros. as pessoas se avaliam em conjunto. “Olha lá. e não em função da aprendizagem. comum de alguns professores em algumas escolas. Hoffmann ressalta que: A avaliação é de tamanha complexidade que requer educadores com bom senso e responsabilidade frente a situações inesperadas. para controlar a disciplina ou indisciplina. visando à aprendizagem do aluno autônomo por meio de um professor mediador que o acompanhe. Em alguns casos a “culpa” da não aprendizagem recai sobre o aluno. pois não existem responsabilidades individuais de sucesso ou de fracasso. ainda hoje. Há de se levar em conta uma análise global da situação. “Vou tirar ponto”. você pode reprovar”. Os alunos fazem ou não as atividades em função de notas. p. 2005. Os pais querem saber como os filhos se saíram nas provas. as tarefas e tudo ou quase tudo que acontece em relação à prática pedagógica. ninguém se avalia sozinho. Infelizmente. sobretudo. atenção às diferenças que interferem nos juízos avaliativos.. das dificuldades e com as devidas intervenções (DEMO. às vezes.112 ou de registros descritivos. A avaliação deve mobilizar tanto os alunos quanto os professores para motivar a revisão e percepção do patamar de proficiência da aprendizagem. há inversão de valores e fundamentos sobre a avaliação da aprendizagem. na interpretação das novidades que surgem e. “Vou fazer um prova relâmpago”. diagnosticando para possíveis intervenções a fim de atender aos propósitos do processo de ensino e de aprendizagem no contexto educacional. a avaliação é tida como único fim. não têm apoio em casa ou não se concentraram na aula. Lembrando-se de que a . usam a avaliação como coerção. Os professores.. Parafraseando Paulo Freire ninguém ensina ninguém. 2004). ninguém avalia ninguém. tudo gira em torno da avaliação. e não como está o processo de ensino e de aprendizagem. Percebe-se que. há um discurso. Como reflexão. as pessoas aprendem no coletivo. Nesse sentido. registre os avanços e proponha práticas pedagógicas que solucionem os problemas existentes que prejudicam a formação de um aluno crítico. 54). Desse modo. tendo em vista que certos professores afirmam que eles saíram mal porque não estudaram. observando as condições sociais. na invenção de estratégias inovadoras para enfrentar situações inéditas (HOFFMANN. tais como: “Prestem atenção porque isso cairá na avaliação”. muitas vezes.

reprova ou aprova. o que e como o aluno será avaliado. para tirar nota melhor. numa relação de poder. que é visto como sujeito ativo de sua aprendizagem. há sim a punição. Desse modo. Sem uma reflexão séria e valores éticos se perde os rumos do cominho. A autoridade recai sobre o professor. uma ação ampla que abrange o cotidiano do fazer pedagógico e cuja energia faz pulsar o planejamento. Não existem possibilidades de intervenções. Nesse sentido é fundamental que o aluno atinja níveis cada vez mais complexos de raciocínio. para ser alguém na vida. visto que essa avaliação classifica. a avaliação. observando o que se efetivou como conhecimento. Ou. Hoffmann (2005. Cabe ao aluno receber passivamente e reproduzir nas provas o que aprendeu. de outra forma. Sendo assim. professor e instituição educacional. . em aprender sempre para alguma coisa: aprender para ir para a primeira série. sem que haja reflexão sobre os procedimentos que possam identificar se houve ou não a aprendizagem. a energia. o vigor dos passos em termos da melhoria do processo. uma vez que nessa concepção é o detentor do saber. a proposta pedagógica e a relação entre todos os elementos da ação educativa. p. 17) enuncia que: A avaliação é. decorrente das práticas classificatórias. para passar de ano. como forma de um sobressair-se sobre os demais. pais e professores transformam o aprender em competição: aprender para ser melhor que o outro. obrigatória. há basicamente três tipos de avaliação: classificatória ou somativa.113 questão central não pode ser. p. tanto do professor quanto do aluno. maior grau de autonomia. formativa ou processual e diagnóstica ou sondagem. A avaliação classificatória ou somativa atende a uma prática mecanicista de educação. Hoffmann (2005. para tirar uma nota. para ter uma profissão. exclusivamente. porém o fazer pedagógico. a fim de perceber como estão aluno. Basta pensar que avaliar é agir com base na compreensão do outro. Portanto a avaliação deve servir como subsídio para a tomada de decisões e ações em relação à prática pedagógica. para fazer vestibular. A avaliação classificatória leva a competição. portanto. de maneira que haja coerência entre papel e concepção de ensino e de aprendizagem. 35-36) critica essa forma de avaliar ao afirmar que: O equívoco da escola. possibilitando que se auto-avalie num processo contínuo. valorização do erro. está em transformar a aprendizagem em necessária. e que essa avaliação seja considerada pelo professor ao registrar o nível de proficiência. o professor é mediador do processo. para se entender que ela nutre de forma vigorosa todo o trabalho educativo. Na instituição educacional. para fazer a prova. é ele quem decide.

incentivando-o a minimizar suas dificuldades. cada ação pedagógica é avaliada constantemente. visando à promoção. Aos alunos são oferecidas atividades produtivas. Nessa perspectiva. desafiadoras. tanto pelos alunos quanto pelos professores e o que importa são os avanços. O erro é indicador de que precisa ser retomado. possibilitando. para ser o ponto de partida com possíveis intervenções. assim. o aluno se auto-avalia. a construção e reconstrução do conhecimento. e atende a uma prática que prima pelo aluno como sujeito agente de sua aprendizagem. pois tem consciência de sua própria aprendizagem. . favorecendo a inter-relação com o saber historicamente construído e socialmente existente. com problemas a resolver. As dificuldades receberão intervenções didáticas para serem minimizadas. seja individual.114 A avaliação formativa ou processual é feita a todo instante. colocando em jogo todos os conhecimentos prévios numa interação tanto com o objeto de ensino e de aprendizagem quanto com os colegas. O professor é visto como mediador do processo de ensino e de aprendizagem. A avaliação diagnóstica ou sondagem é um instrumento que objetiva identificar o que o aluno já sabe e o que ainda não domina. tendo em vista que a construção e reconstrução do conhecimento é um processo. com mediação do professor e também dos próprios colegas. com a finalidade de transformar o ponto de chegada. com a mediação do professor. Ela é essencial para o prosseguimento e revisão do fazer pedagógico do professor e situar o aluno em relação ao seu progresso. em grupo.

Miniaurélio século XXI escolar: O minidicionário da língua portuguesa. CARROLL. Rio de Janeiro: Editora Padrão Livraria. FREIRE. 1973. M. 3 ed. de L. Ver. 2002. HOFFMAN. Sírio. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. 1998. Complementos preposicionados no português do Brasil. 4. . SACCONI. et al. Campinas: Mercado de Letras – Editora Autores Associados. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. FERREIRA. 5. São Paulo: Contexto. A. J. São Paulo: Editora Perspectiva. SANTAELLA. P. Rev. POSSENTI. O estudo da linguagem. A coesão textual. Nossa gramática teoria e prática. L. _____. Linguagem e ensino: Exercícios de militância e divulgação. 10 ed. São Paulo: Ática. 2004. (Coleção Leituras no Brasil). M. S. 1996. de H. M. Editora Paz e Terra. Campinas: Mercado das letras. 1973. J. 1977. P. Ser professor é cuidar que o aluno aprenda. ed. 1998. 16. 2005. Vozes.. CAMARA JR. produção de textos e a escola: reflexões sobre o processo de letramento. I. DEMO. PEIRCE. Dissertação de mestrado pela Universidade de Brasília/UnB. 2000. ed. A Inter-Ação pela Linguagem. ESBRANA. MATÊNCIO. 1988. Campinas:ALB: Mercado de Letras. V. São Paulo: Editora Cultrix. 2006.115 REFERÊNCIAS BRASIL. Margarida et al. Novas perspectivas Lingüísticas. ed. Princípios de Lingüística Geral. J. Porto Alegre: Mediação. ed. SAUSSURE. L. Petrópolis. S. V. B. São Paulo: Editora Brasiliense. O jogo do contrário em avaliação. ed. Margarida dos Anjos. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. GERALDI. G.ed. 2005. Ampliada. de S. CHOMSKY.A. O que é semiótica. M. O Texto na sala de Aula. Brasília: MEC/SEF. São Paulo: Contexto. A. _____. Marina Baird Ferreira. W. Semiótica. 1996. São Paulo: Atual Editora. 1977. 1994. J. Rio de Janeiro: Editora Vozes Limitada. Por que (não) ensinar gramática na escola. N. lexicografia. Coordenação de edição. 6. Leitura. F. 1999. Porto Alegre: Editora Mediação. Tradução de Vicente Pereira de Sousa. Curso de lingüística geral. B. C. 24. 1991. KOCH. e Aum. 4.

116 .

117 LÍNGUA ESTRANGEIRA .

118 ABREVIAÇÕES AILA – Associação Internacional de Lingüística Aplicada ALAB – Associação de Lingüística Aplicada do Brasil APEEMS – Associação de Professores de Espanhol do Estado de Mato Grosso do Sul APLIEMS – Associação dos Professores de Língua Inglesa do Estado de Mato Grosso do Sul CECAP – Centro de Capacitação de Recursos Humanos FAE – Fundação de Assistência ao Estudante LA – Lingüística Aplicada LAL – Língua Alvo LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação LE – Língua Estrangeira LEM – Língua Estrangeira Moderna LÊs – Línguas Estrangeiras LI – Língua Inglesa LM – Língua Materna .

Para tanto. conquanto respeitadas suas diferenças socioeconômicas e culturais. a comunicação real. O ensino de L E. Apresentamos alguns conceitos sobre as atuais práticas de ensino de LE. certos de que o professor de LE fará o acréscimo de saberes que julgar necessário para conduzir seu trabalho. os fundamentos da LE. neste documento. avaliação e bibliografia. Esse aprendizado deverá. conteúdos. Este documento está estruturado com os seguintes tópicos: abreviações. seus objetivos e sua legislação. APRESENTAÇÃO DO REFERENCIAL CURRICULAR DE LÍNGUA ESTRANGEIRA Nelagley Marques O valor de transitarmos por outros idiomas não precisa de muita defesa e já não se discute mais a ampliação de espaço de cultura e identidades em nós. constitui-se numa parte indissociável do conjunto de conhecimentos essenciais que permite ao aluno aproximar-se de várias culturas e. compreendida como um processo de construção de significados em que o sujeito interage socialmente. conseqüentemente. (Barão Geraldo). O Referencial Curricular de Língua Estrangeira (LE) lança as bases para uma teoria da docência compreendida como trabalho interativo. metodologia do ensino da LE. competência que o faça produzir enunciados lingüísticos de acordo com a intenção e situação de comunicação. como base. propicia sua integração num mundo globalizado e no mundo do trabalho . despertar e estimular a curiosidade. A aprendizagem de LE oportuniza o acesso à informação e à comunicação internacional. referentemente à aquisição do idioma.119 1. necessária para a plena atuação do indivíduo na sociedade. o perfil do professor de LE. bem como. quando outra(s) língua(s) também nos constrói(em). Trata-se de uma orientação para se ensinar o aluno a se comunicar em LE e a adquirir uma competência comunicativa gradual. por meio da reflexão sobre os processos de ensino e aprendizagem de LE e suas complexidades. os fundamentos da LA. o raciocínio e o interesse do aluno. o diagnóstico sensato do que o aluno sabe ou não deverá ser o princípio das ações pedagógicas. A elaboração deste trabalho tem por objetivo centralizar o ensino de Língua Estrangeira para o desenvolvimento da comunicação. no Ensino Fundamental. orientações para essa ação. estabelecendo-se. o histórico da LE na REME. trabalho sobre o outro e com o outro.

uma vez que a língua é. qual é a diferença entre preparar para a vida e preparar para passar de ano? Dewey (1989). 1992. p.120 no qual estará inserido. harmoniosa e eficazmente. transmite sua cultura. afirma que não há separação entre vida e educação. é preciso pensar que o ensino e a aprendizagem da Língua Estrangeira deve desenvolver competências abrangentes e não estáticas. mas. por excelência. É preciso. contribuindo constantemente para o desenvolvimento do aluno. ao mesmo tempo em que o leve a comunicar-se de maneira adequada em diferentes situações da vida cotidiana. elas estão perfeitamente interligadas e inter-relacionadas. às disciplinas de Língua Estrangeira. em atividades. 91). pois. Desta maneira. sendo preparados para a vida e. Ao contrário. vivendo. propicie. num dado momento. não mais adequar o aluno às características da escola. indiscutivelmente. por meio dela. Outro ponto a ser considerado diz respeito à maneira pela qual as diferentes disciplinas da grade curricular podem e devem interligar-se. enriquecendo a sua formação. os alunos passam a refletir muito mais sobre a sua própria cultura e ampliam a sua capacidade de analisar o seu entorno social com maior profundidade. em outro. Torna-se. agora. o veículo de comunicação de um povo que. os alunos não estão. além de capacitar o aluno a compreender e a produzir enunciados adequados num segundo idioma. uma vez que esta prepara para aquela. suas tradições e seus valores. a ele. além de. Em suma. Então. Essa será uma maneira de deixar mais evidente que nenhuma área do conhecimento prescinde de outras. fundamental conferir ao ensino escolar de Língua Estrangeira um caráter que. . a possibilidade de atingir um nível de competência comunicativa capaz de permitir-lhe acesso a informações de vários tipos. Ao conhecer outra cultura. sim. contribuir para a formação geral desse aluno/indivíduo. tornando a aprendizagem uma fonte de ampliação de horizontes culturais. a escola às necessidades do aluno (SHÖN.

reconstruir. Destacamos o que.1 Histórico do Ensino de Língua Estrangeira na Rede Municipal de Ensino de Campo Grande – MS (REME) Carolina Monteiro Santee Maria das Dores Dias Acosta Nelagley Marques Lembrar não é reviver. No 2º semestre de . por ocasião da inauguração do prédio do Grupo Escolar “Enzo Ciantelli”. Martins (1992. o acesso a muitas informações só foi possível graças à memória de algumas antigas professoras. com imagens de hoje.17). bem como nos motivou a dar continuidade a essa história. poderá fortalecer-se e construir sua própria história apoiada nos fatos e reflexões vivenciados. 1983. 2001) observa: Ser humano é estar em contínua situação de escolha. influenciado por esta leitura. as experiências do passado (Ecléia Bosi. além de ter conhecimento deste histórico do componente curricular de LE. conforme Santee. com o pedido de criação do primeiro Ginásio Municipal Noturno. então.42 apud SANTEE. Acreditamos que o professor da REME. com esmero. ministrada pela professora Jurema Silveira do Carmo. de correr riscos nessa escolha. escassos os registros. pelo. cujos registros referentes à educação servem apenas de pano de fundo para explicar o desenvolvimento econômico. a chegada do progresso. de assumir compromissos e de sofrer as conseqüências das escolhas feitas. no 1º semestre da 1ª série e na 2ª série ginasial. mas refazer. Destarte. do Estado de Mato Grosso do Sul e. O início do ensino de uma língua estrangeira. o crescimento da população. Prefeito Antônio Mendes Canale. A língua estrangeira oferecida em 1964 foi o Francês. em biografias de pessoas ilustres. demandou uma busca documental em dissertações e bibliografias que contam a história da cidade de Campo Grande. p. na Rede Municipal de Ensino de Campo Grande. possibilitou-nos a apropriação de tão rico conhecimento. atualmente aposentadas. p. A construção desta história. por meio de seus relatos.121 1. data de 1964. O presente histórico sobre o ensino de Língua Estrangeira (LE) na Rede Municipal de Ensino (REME) só foi possível ser apresentado por mérito da Profª Carolina Monteiro Santee que. por meio de sua dissertação de mestrado “O sentido de ensinar e de aprender língua estrangeira moderna: inglês para professores da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande – MS”. repensar. até mesmo. Sem riscos não há opções significativas para o ser e sem elas não há liberdade.

pois a maioria queria aprender inglês para entender música. Nenhuma função pedagógica seria desempenhada. autorizando a criação do primeiro Ginásio Municipal Noturno. publicada no DO de MT em 18/11/63. marcada pela implantação da Orientação Pedagógica. em 1964. O grupo elaborou a primeira lista de conteúdos. de janeiro de 1964 a 1975. na 3ª e 4ª séries. O contexto político-pedagógico iniciado com a Lei nº 851. A professora . entrevistas realizadas com dois professores lotados na SEMED. passou a ser distribuído a todos os professores. bem como o relato da atual responsável por este trabalho. era difícil. a dissertação de mestrado da Profª Carolina Monteiro Santee. foi trabalhada com irregularidade em razão de ter acompanhado e sofrido com as mudanças das Políticas e Programas ocorridas no período de 19643 a 20074. como fonte. de 25/10/1963. 2001).que sistematizou e elaborou a primeira lista de conteúdos de Língua Inglesa sob a forma de tópicos gramaticais foi a primeira coordenadora da Área de Comunicação e Expressão. uma tentativa frustrada que só foi retomada em 1975 com o surgimento do serviço de Supervisão. 3 .hoje aposentada . organizada sob forma de tópicos gramaticais que. a Língua Francesa foi ministrada pela professora Elisa Cesco. A Língua Inglesa começou ser oferecida no ano de 1965. foram ministradas pelo professor Preckler. implantada na REME em 1975 e vigorou até 1996. pelos alunos. e em 1966. hoje desempenhando outras funções. nova nomenclatura da Lei nº 5692/71. surge a REME. 4 O histórico da LE dos anos de 2003 a 2007 tem. Língua Inglesa. mas a aquisição deles. surgisse a Secretaria de Educação e Cultura cuja “única competência era a de coordenar a Rede Escolar através da lotação de funcionários e dar assistência material às escolas” (CAMPO GRANDE.Livro de Portarias. somente questões administrativas. 1992 apud SANTEE. na 1ª série e na 2ª série ginasial. O histórico da LE dos anos de 1963 a 2002 tem. constante na Estrutura Curricular da REME. Não havia um foco direcionado de ensino. que foram responsáveis pelo currículo. como fonte. na 3ª série. naquele momento. a partir de então. O ensino em Campo Grande foi marcado pelo pensamento pedagógico liberaltradicional de 1934 a 1969. As disciplinas Língua Portuguesa. Já havia livros disponíveis. na época. razão por que “passava-se muita coisa no quadro”. cujo nome completo não consta no Tombo 2 . A disciplina de Língua Inglesa. já numa tendência tecnicista.122 1964 e no ano de 1965. favoreceu para que. Na década de 70.

responsável por Língua Portuguesa e Língua Inglesa. já não foram localizados. No retorno do período de férias. Canabrava. essa mesma professora. Bertolin & A. Passado o primeiro impacto. somente em 1990. com o objetivo de elaborar as Alternativas Curriculares da REME. Entretanto. mais atenção. Na equipe de apoio não havia supervisor para orientar o professor de Língua Inglesa. foi anunciada. em 09/02/1987. “gossip” e algumas “quadrinhas”. “vocabulary race”. com base na concepção histórico-dialética de mundo. Laporta. recaindo. como responsável. Os registros deixados por este primeiro grupo de Orientação Pedagógica. Com a instalação da TV Educativa na cidade. conforme Informação nº. O único material enviado pela REME no período de 1978 a 1982. com o passar do tempo tudo foi se acomodando. Siqueira e alguns volumes do Practical English Course de E. Nesse ano foi criado o Laboratório de Currículo. alguns ainda em uso ou como referência para alguns professores. com uma aula semanal para cada série. entre 1989-1990. os professores passaram a receber letras de música do programa “I love you”. distribuídas para as escolas da REME via Secretaria Municipal de Educação (SEMED). tendo. A tarefa era desempenhada por uma única pessoa. Em 1979 foram distribuídos os livros didáticos da Fundação de Assistência ao Estudante (FAE). sobre a primeira. “category bingo”. no período de elaboração das Alternativas Curriculares da REME. Essa mudança foi apresentada pela REME e aprovada pelo Conselho Estadual de Educação. mas apenas na 7ª e na 8ª séries. Os objetivos do grupo e os resultados dos trabalhos só existem na memória dos que vivenciaram esse momento. em decorrência de ser uma disciplina de maior número de professores e de carga horária. muitos questionamentos surgiram e as respostas apontavam para uma necessidade de modificação na Estrutura Curricular. 005/87 NSDERF/AEE.123 Educação Física e Educação Artística faziam parte da mesma área. na 7ª e 8ª séries. Foi um momento de grande angústia. na segunda remessa New Dynamic English de R. A volta a duas aulas semanais da disciplina. foram três folhas mimeografadas contendo algumas atividades: “some games”: “buzz number games”. quando procurados. inclusive o de Língua Inglesa: primeira remessa o livro English Today de C. anunciou-se uma mudança na Estrutura Curricular das escolas da REME: a disciplina Língua Inglesa não seria mais oferecida na 5ª e 6ª séries. pela REME. ainda hoje. em 1987. “playing with prepositions”. encontramos esses livros nas bibliotecas das escolas. É interessante notar que. . além dos livros didáticos.

vespertino ou noturno para participarem dos seguintes temas: Apresentação de metodologia de leitura e interpretação de textos em Língua Inglesa. 11 apud SANTEE.124 (CAMPO GRANDE. mas. Estratégias cognitivas . 2001). “Encontro de Ação Pedagógica”. em agosto de 1992. todos efetivos da REME: Sandra . O projeto foi elaborado e executado na gestão do prefeito Lúdio Martins Coelho. Metodologia do ensino da língua estrangeira. Os professores podiam optar por um dos turnos . a professora responsável pela disciplina Língua Inglesa no Laboratório de Currículo elaborou o projeto de implantação do “Centro de Estudos de Inglês Intensivo”. pela primeira vez. Encontros de professores foram organizados e o primeiro curso/encontro para os professores de Língua Inglesa e de outras disciplinas.professora convidada por estar freqüentando o curso de Inglês Instrumental oferecido pelo Departamento de Letras . Em conseqüência disso. p. dos Santos/ Coordenadora de Língua Inglesa do Laboratório de Currículo. Cada aluno passou por um teste e foi matriculado no nível compatível com sua proficiência. à frente da Secretaria de Educação Municipal. foi divulgado nas emissoras de rádio e por meio de duas reportagens com fotos no Jornal Correio do Estado. a Professora Edelmira Toledo Cândido. período que teve. inclusive. Reciclagem de algum ponto de Língua Inglesa. mas no Centro Municipal de Língua Inglesa. Os alunos escolhiam o horário de suas aulas. o Laboratório de Currículo teve uma professora para assessorar os professores de Língua Inglesa. Desenvolvimento em fragmentos da gramática (música. a disciplina não foi mais oferecida nas escolas. nº 57 e atendia todos os alunos das escolas de 1º e 2º graus da REME localizadas nas proximidades do prédio. Pela primeira vez os professores de Língua Inglesa se sentiram privilegiados. Significado de Língua Inglesa no currículo. Santee/ UFMS e por Marlene P. No final do semestre. realizou-se nas dependências da Escola “Oswaldo Cruz”. O prédio que abrigava o Centro de Estudos de Inglês Intensivo localizava-se na Vila Carvalho. tendo. A disciplina de Língua Inglesa não foi beneficiada nesse projeto.situações concretas. diálogo) e Troca de experiência. O projeto iniciou em agosto de 1992. 1992. as notas foram repassadas às escolas de origem de cada aluno. região central da cidade. em 1992. a opção de freqüentar aulas aos sábados. O Centro foi coordenado pela professora Marlene Pereira dos Santos e as aulas eram ministradas por quatro professores. à Rua Joaquim Manoel de Carvalho. por Daniel D. Os cursos foram ministrados no mês de julho de 1992. implementado e implantado pela SEMED. Com o aval da Secretaria de Educação e Cultura (SEMED) e orientada pela coordenadora geral do Laboratório de Currículo. Papel formativo.

.. o projeto estava finalizado”.. O documento escrito do Projeto apresenta uma crítica ao modelo de ensino realizado nas escolas: “[. duas professoras concursadas de Língua Inglesa. em que as normas gramaticais. atuantes em escolas da Rede. iniciado em meados de 1992.. e não o uso efetivo da língua. são privilegiadas” e oferece outros rumos: “[. Havia uma estrutura física adequada. Durante o ano de 1996 as políticas administrativas da REME passaram por algumas mudanças. ou mesmo a ser totalmente destruída nas transições de governo”. Em 1993.] atenção às atividades na dimensão sócio cultural da comunicação [. inclusive os componentes de Língua Inglesa. então eleito.. com outros olhares e posturas.. “Ele foi irredutível”.. Destarte. aos professores..] tende a ser relegada ao esquecimento. disse ela. disse haver. o que se sabe é que não foi oferecida. teve curtíssima duração.125 da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul aos professores das escolas da REME e os outros professores das escolas escolhidas para participarem do projeto: Astrid (EM João Nepomuceno). p. O projeto. monótono. em conversa com a pesquisadora da dissertação já referida.] o seu ensino deve enfatizar os aspectos da interdisciplinaridade [. pois foi desativado no início de 1993. 2001) afirma sobre a produção dos órgãos gestores das Secretarias “[. foram convidadas para compor a Equipe de Currículo da REME.] privilegiar a leitura [. literalmente. recursos didáticos disponibilizados.] sem atrativo.. uma capacitação ou momentos de reflexão sobre suas práticas na escola e depois no projeto.]”.. Ana Cláudia (EM Alcides Pimentel) e Hugo (EM Geraldo Castelo). 02 apud SANTEE.. vários componentes das equipes preferiram deixar a Equipe de Currículo e voltar para a sala de aula. que passou a ser chamada de Divisão de Programação Curricular. logo após a desativação do “Centro de Inglês Intensivo”. Acontecimentos como o fechamento inegociável do Centro reforçam o que Barretto (2000. professores e pessoal administrativo disponíveis no local.Algumas afirmações contidas no projeto de implantação do “Centro de Estudos de Inglês Intensivo” da REME refletem o momento vivido e a fragilidade da concepção teórica que fundamentava as propostas de ensino de línguas fora da escola. chorado quando o prefeito negou-se a aceitar uma negociação para que o projeto prosseguisse. A Secretária de Educação do período... com a posse do prefeito.

É por isso que entrar numa sala e “dar uma aula” é mais que simplesmente penetrar num espaço neutro. Projetos inovadores não subsistem sem a participação efetiva dos professores e outros atores do processo educativo. a proposta do currículo se baseava em ministrar cursos de Formação Continuada de LE. indicam que os saberes que lhes são oferecidos não são tomados como fontes de verdades e. promoveu oficinas de trocas de idéias com os professores de LE da REME e foi feita a elaboração da Diretriz Curricular de LE: Inglês de 5ª a 8ª séries e Espanhol de 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental. Santee (2001. dandolhe sentido para si e para os alunos. p. como sugestões. apropriar-se dela. As escolas optaram pela disciplina conforme disponibilidade de professores habilitados na área. a possibilidade de adquirir obras para bibliotecas escolares e seus cantinhos de leitura. na época. O currículo de LE. no Pavilhão Albano Franco. No período que se sucedeu.17) afirma que: O sentido de ensinar e o sentido de aprender revelado pelos professores. oferecida nas 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental. O livro didático de LE permaneceu sob autonomia da escola e do professor. Parâmetros Curriculares. realizar o acompanhamento pedagógico do professor de LE quando solicitado pela direção da escola.126 Em 1998 foi implantada a disciplina de Língua Espanhola 5 na REME. para os professores da REME. relativamente adotá-lo ou não. Seqüências Didáticas. bem como. houve um grande evento realizado pela Secretaria Municipal de Educação – a I Bienal Cultural da REME. 5 . no Centro de Capacitação de Recursos Humanos (CECAP). nos dias 16 e 17 de setembro. e que a adaptação e a execução dependem deles e das condições que a disciplina. responsável pelo currículo de LE. no ano de 2004. a qual se deu com a participação de alguns professores em serviço da rede. Nesta época. cujo objetivo foi oportunizar às escolas municipais e parceiros. A história do ensino da disciplina Língua Inglesa. sim. é fazer e refazer pessoalmente essa experiência. nesse período. uma vez ao mês. enquanto componente da Estrutura Curricular oferecem. no período de 1965 a 2002. revela que Projetos Pedagógicos.culturais realizados por alunos e professores de forma a socializar o conhecimento científico e as diversas manifestações A implantação da disciplina foi feita por iniciativa da Profª Ceila Pires Mendes. Capacitações. bem como apresentar os melhores trabalhos científico.

9 Parceiros: Profª MSc. 8 Livros adotados: Get Together. participar efetivamente de palestras e formação continuada para formadores da REME. Maria Clara Prete de Moraes e Neuza Bilia Sansanovicz. Carolina Monteiro Santee e Prof. há muito solicitado pelos professores e alunos. Vivências do cotidiano na aula de LE. houve parcerias com alguns profissionais da área9de outras instituições que. a primeira delas. cujo um dos objetivos segundo consta em ata é difundir a cultura e a Língua Espanhola no Estado de Mato Grosso do Sul. O material foi distribuído nas escolas no ano letivo de 2007. Palestra: Os paradidáticos nas aulas de Inglês. Profª MSc. palestras. contribuíram para o desenvolvimento dos trabalhos do referido núcleo. houve muitas mudanças no currículo de LE. É importante ressaltar que. Humberto César Paulista. MSc. A importância do vocabulário no ensino da LI.127 culturais com a comunidade sul mato-grossense. Em 2005 foi firmado um acordo de cooperação mútua entre a Associação de Professores de Espanhol do Estado de Mato Grosso do Sul 7 (APEEMS). 7 APPEMS foi fundada em 19 de maio de 1990. cujo objetivo foi de ministrar cursos de Formação Reflexiva para os 125 professores de LE – Inglês e Espanhol da REME e. Mediador: Prof. composto por quatro técnicos. elaborar o referencial curricular de LE. Margareth Aparecida Martinez Benassi Toni e Sílvia Aparecida Ferrari de Arruda. Com efeito. Maria Lúcia Mercante Naddeo. palestante – Ana Rita Corrêa. Vanessa Assis Araújo. ocasiões em que os professores de LE tiveram a oportunidade de participar de palestras 6 que abordaram temas de interesse da área. independentemente de solicitação da escola. fazer o acompanhamento pedagógico sistemático desses docentes. influenciados por esses trabalhos. a Consejería de Educación de la Embajada de Espana. fazer tutoria de algumas escolas distribuídas entre os diversos técnicos. elaborar conteúdo de LE para fins de concurso público. palestrante – Tereza Sekiya. palestrante – Profª MSc. alguns professores da rede. por efeito da nova gestão. emitir parecer dos materiais didáticos de LE enviados a essa secretaria. também. das autoras – Eliana Aun. das autoras – Fátima Aparecida Tevês Cabral Bruno. em muito. Ainda no mesmo ano. foi a criação do Núcleo de LE. a Secretaria de Estado de Educação de MS (SED) e a Secretaria Municipal de Educação (SEMED). No ano de 2006 adotou-se o livro didático 8de LE – Inglês e Espanhol – por essa secretaria. lançamento de livros e exposições de trabalhos. iniciaram a pós-graduação em LI. para professores das séries iniciais do Ensino Fundamental. Ruberval Franco Maciel. por meio da feira do livro. 6 . nesse período. iEntérate!. apresentações culturais. bem como. Tais instituições oferecem cursos de atualização para os profissionais de Língua Espanhola.

imprevisíveis. às vezes. se relaciona com o presente”. a REME publicou no ano de 2000. 26 apud SANTEE. suas preferências e valores. Para tanto. direta ou indiretamente. no ano de 2003. das suas experiências anteriores. ao contrário.. que afirma que isso “[. .. assumir contradições. 2. acreditamos que ser docente é. bem como de muitas contradições. outras vezes. como sua compreensão do componente curricular. p. contrários às intenções iniciais. A nova estrutura passou a funcionar com um técnico responsável para cada área. para explicar os processos de construção da história da disciplina. as Diretrizes Curriculares com a inclusão de habilidades e competências. Tal disciplina disseminou-se por meio dos programas de pós-graduação e por associações como a Associação de Lingüística Aplicada do Brasil (ALAB) e a Associação Internacional de Lingüística Aplicada (AILA).] requer uma compreensão do passado que. necessariamente. a Lingüística Aplicada (LA) tem uma história recente. 2001). houve uma reformulação nas atividades dessa secretaria e o núcleo de LE deixou de existir. no ano de 2006. o que propiciou a que muitos se associassem e participassem ativamente dos eventos. a Seqüência Didática. foi elaborada uma minuta das Diretrizes Curriculares. FUNDAMENTOS DA LINGÜÍSTICA APLICADA Nelagley Marques No Brasil.128 Com a criação da Associação dos Professores de Língua Inglesa do Estado de Mato Grosso do Sul (APLIEMS). o desempenho dos alunos. 10 Anteriormente a data. cujo objetivo maior é o de elaborar o Referencial Curricular10 de LE da REME. é fazer escolhas cotidianas que geram conseqüências e custos. os recursos disponíveis. para os professores em serviço da REME. os professores não aplicam nem seguem os programas escolares mecanicamente. tensões e dilemas sem solução lógica. no ano de 2006. ou seja. com início nas décadas de 70 e 80. Dessa maneira. Finalmente. sua interpretação das necessidades dos alunos. apropriam-se deles e os transformam em função das necessidades situacionais que encontram. pudemos oportunizar diversas atividades. Em 2007. recorremos a Thompson (1992. nessa área. um de Inglês e outro de Espanhol.

o professor que não seja. sociologia. Conforme Almeida Filho (2005). trata-se de uma pesquisa de natureza interdisciplinar e mediadora. focaliza a linguagem do ponto de vista processual. dentro ou fora do contexto escolar. formação de docentes (em formação. são exemplos desse tipo de investigação os trabalhos de Almeida Filho (1984). é um tipo de pesquisa que envolve formulação teórica. antropologia entre outras. uma vez que também formula seus modelos teóricos próprios. O foco. usuário dos resultados das pesquisas. apresentando variáveis de diversos tipos: as intrínsecas ao ser humano. Portanto. línguas estrangeiras. visto que adquiriu autonomia. de pesquisa que utiliza métodos de investigação de base positivista e interpretativista.129 Paiva (1996) considera que essa disciplina não pode mais ser identificada como ramificação da Lingüística. relação entre linguagem e trabalho. entre elas: alfabetização. contribuindo para várias áreas do conhecimento na política educacional brasileira. podendo colaborar com o avanço do conhecimento. Celani (2000 apud NEWMAN. ou seja. a LA é uma área de investigação de domínio próprio. as físicas (ligadas . no percurso de uma investigação. deve dar conta dos tipos de competências e procedimentos de interpretação e produção lingüística que definem o ato de interação lingüística. 2005). No Brasil. psicologia. Meurer (1985) e Kleiman (1989). primordialmente. é o processo de uso da linguagem. apenas. na resolução de problemas de uso da linguagem enfrentados pelos participantes do discurso no contexto social. educação bilíngüe. 2001) afirma que a LA se tornou mais abrangente. trata-se. esse professor pode buscar encaminhamentos e soluções para questões que levanta na prática. pós-graduação). como as afetivas (ligadas a aspectos de personalidade. no cenário atual. Moita Lopes (1996) elucida alguns aspectos importantes da LA. num cenário de aprendizagem real a LA tem-se mostrado complexa. mas que teorize com base em questões identificadas na sua prática escolar. buscando subsídios teóricos em áreas de investigação relevantes da lingüística. como também em outras áreas de pesquisa. letramento. não somente dentro de seu campo de ação. como: trata-se de pesquisa aplicada no sentido de que se centra. valoriza-se. ainda. pois tem como uma das suas tarefas. atitude e motivação). gerando suas próprias teorias. que tem como objetivo identificar e analisar questões de linguagem na prática. mediar entre o conhecimento teórico advindo de várias disciplinas e o problema de uso da linguagem que pretende investigar. Segundo Cavalcanti (1986 apud ALMEIDA FILHO. em práticas pedagógicas. uma competência profissional necessária para sua atuação. desenvolvendo assim. nesse tipo de pesquisa. em serviço.

Santos (1984 apud NEWMAN. a interação com outros profissionais. 3. seu vocabulário inclui uma alta proporção de palavras românicas. técnicas e recurso do método. bem como. FUNDAMENTOS DO ENSINO DE LÍNGUA INGLESA E DA LÍNGUA ESPANHOLA Nelagley Marques Maria das Dores Dias Acosta 3. cansaço. O inglês é a língua mais difundida em todo mundo. as extrínsecas. com sua origem no grupo germânico de idiomas. em relação às demais. numa relação produtiva e ética com seus alunos. lendo muito. a exemplo de muitos outros países desenvolvidos no mundo global. que são derivadas do latim e relacionadas a idiomas modernos.130 a condições de saúde. a saber: o número de falantes. como material didático. O inglês está intimamente associado ao desenvolvimento tecnológico e econômico. seu peso . o alemão e o holandês. condições de exposição às amostras de língua. mesmo depois da graduação. os estudos sobre a LA são fundamentais durante a formação e durante a atuação do professor de Língua Estrangeira Esse profissional deve impregnar-se de autonomia e disposição para avançar na qualidade do seu trabalho. o que oportuniza a ele que saia do isolamento e promova a socialização do conhecimento. também. para formar cidadãos preparados para a vida é necessário aprender pelo menos uma outra língua estrangeira. Ao professor contemporâneo cabe pensar no que faz e na responsabilidade expressa por meio de uma prática estável e de qualidade. participar freqüentemente de eventos que discutam sobre essa área do conhecimento e pertencer a uma associação de professores de LE. precisa dar continuidade a sua formação. do qual descendem. 2001) enumera quatro objetivos que estabelecem a importância de uma Língua Estrangeira (LE). a extensão da área geográfica sobre a qual difundiu-se o emprego da língua. idade) e as sócio-cognitivas (ligadas a estratégias conscientes e inconscientes de organizar a experiência do contato lingüístico com outros em interação na língua alvo). tempo disponível para o estudo. sendo a principal língua de intercâmbio internacional dos meios de comunicação e da mídia.1 Língua Inglesa A Língua Inglesa (LI) é fruto de uma história complexa e enraizada num passado distante. Em verdade. consciente de que. como o francês e o italiano. Todavia.

torna o ensino de LE obrigatório a partir da 5ª série do Ensino Fundamental. artigo 1º. Em busca dessa qualidade. retirava a obrigatoriedade do ensino da LE no ensino médio e secundário e deixava a cargo dos estados a opção pela inclusão dela nos currículos. de 1961. conquistou o espaço no qual predominava. pois ainda não contempla a LEM no 1º grau. foi estabelecida a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1º e 2º graus. Em 1996. Paradoxalmente. a LE se consolida e se estabelece como área do conhecimento. Essa resolução resgata parcialmente a valorização do ensino de línguas nas escolas públicas. a influência econômica e política daqueles que a falam como língua materna. deveriam estudar latim. . aos poucos. as políticas educacionais não asseguraram uma inserção de qualidade em nossas escolas. com o parecer que contemplava a Língua Estrangeira Moderna (LEM) apenas como recomendação e não com o caráter obrigatório. no qual as condições o indiquem e permitam”. Então. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas têm o inglês como Língua Materna (LM) e cerca de 1 bilhão o utilizam como segunda ou terceira língua. com obrigatoriedade para o 2º grau. soberana. Enfim. a publicação da Lei de Diretrizes e Bases nº 9. A Reforma Capanema de 1942 determinou que todos os alunos. após a Segunda Guerra Mundial. a língua inglesa. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). as classes menos favorecidas continuaram à margem desse conhecimento. no Brasil.131 veicular. recomendando-se a sua inclusão nos currículos de 1º grau. Em 11 de agosto de 1971. a falta de obrigatoriedade do ensino de LE nas escolas foi um retrocesso para o desenvolvimento dessa modalidade de disciplina escolar. relegando seu ensino aos interesses do poder público. Sem dúvida. intensificou sua dependência econômica e cultural em relação aos Estados Unidos e a necessidade ou o desejo de aprender inglês é cada vez maior. as classes privilegiadas sempre procuraram garantir a aprendizagem de línguas por meio das escolas de idiomas ou com professores particulares. inglês ou espanhol. Apesar de todos os setores da sociedade reconhecerem a importância do ensino de línguas. a língua francesa. ao avaliar a importância da LI segundo esses critérios. O Brasil. é fácil observar que ela assume grande evidência diante das demais. Com a abundante produção cultural americana.394. Conforme a resolução 58/76. desde o ginásio até o científico ou clássico. “o estatuto de Língua Estrangeira Moderna passa a fazer parte do núcleo comum.

aponta para um ensino de línguas comprometido com o social em que o grande desafio é ajudar os professores a compreenderem a qualidade do seu ensino. entre acumular conhecimento e desenvolver habilidade. Mas aquele que explora a habilidade do instrutor em criar situações de comunicação autêntica. naturalmente voltadas aos interesses e necessidades de cada grupo e de cada aluno. que se apóia no planejamento simétrico ou estratégico e busca equipamentos e tecnologias. nem da tecnicista. a partir daí. . não necessariamente dentro de sala de aula. no currículo escolar. Esse tipo de abordagem é calcado na idéia de que o aspecto fundamental da língua é sua escrita e esta é determinada por regras gramaticais. por meio da reflexão sobre suas ações. O conceito de Filtro Afetivo define o professor de língua eficiente como aquele que pode fornecer insumo (input) e contribuir para que este seja perceptível numa situação de baixo nível de ansiedade. os rumos do ensino de línguas. apesar de sua implementação tardia. em classe. com a finalidade de se estudar sua literatura e traduzir textos. Diante do exposto. O autor enfatiza o intercâmbio entre pessoas de diferentes culturas e dissocia as atividades de ensino e aprendizado do plano técnico-didático. Outro conceito importante a ser evidenciado é o do “Filtro Afetivo”. Krashen define os conceitos de language learning e language acquisition e conclui que o ensino de línguas eficaz não é aquele que depende de uma didática oriunda da pedagogia tradicional.baixo nível de ansiedade parece favorecer a aquisição de uma segunda língua. ansiedade . autoconfiança .aprendentes com alta motivação. O objetivo principal é acumular conhecimentos a respeito da estruturação gramatical da língua e de seu vocabulário. de maneira geral. permaneceu fundamentado no método de tradução e gramática do início do século.132 O ensino de inglês no Brasil. Em 1985. colocando-as num plano pessoal-psicológico. que estabelece como os fatores afetivos se relacionam com o processo de aquisição de uma segunda língua. tanto pessoal como coletivamente. as teorias de Chomsky. na rede de escolas. Piaget e Vygotsky e estabelece uma clara distinção entre estudo formal e assimilação natural de idiomas. cujo centro do conhecimento é o professor. é importante esclarecer que o ensino de LE no Brasil. Em seu livro “Principles and Practice in Second Language Acquisition”. geralmente. redefinindo. resenhadas em Krashen (1981) e classificadas em três categorias: motivação . ao ensino de línguas. o norte-americano Stephen Krashen traz. saem-se melhor na aquisição de uma segunda língua.aprendentes com auto-confiança e auto-imagem positiva tendem a obter melhores resultados na aquisição de uma segunda língua.

o francês. realizou-se vasta pesquisa nos materiais dos autores: Palácios (2004) e Romanos (2002) que fortalecem o ensino dessa área do conhecimento. com exceção do idioma Vasco.133 3. a partir da saída dos mouros da Espanha. a língua coloquial do povo que. A lei também faculta a inclusão do ensino deste idioma nos currículos plenos de 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental. O Espanhol ou Castelhano . aportamos algumas idéias da língua espanhola no Instituto espanhola. Atribui-se aos Conselhos Estaduais de Educação a responsabilidade pelas normas que possibilitem a sua execução. Conforme essa mesma lei. aos alunos. obra mestre da literatura universal. que incorporou muitos termos latinos. documento norteador do ensino e aprendizagem da língua . por Cristóvão Colombo. Nos séculos XIV e XV. Nesse período houve a publicação da primeira gramática castelhana. à Língua Portuguesa. Do latim surgem novas línguas denominadas línguas românicas: o português. sendo facultado. a partir de 1602. o italiano. em 1492. escrita por Cervantes. Os romanos falavam duas variantes do latim: o culto. Nessa região habitavam vários povos aborígines com suas línguas próprias. o castelhano foi se consolidando. com início no ano de 2005 até 2010. o castelhano. é uma língua derivada do latim e foi introduzida na Península Ibérica pelos Romanos. a qual institui o componente curricular em nível secundário das escolas públicas brasileiras. deu origem à língua espanhola. A conquista romana causou profundas mudanças no modo de vida das pessoas que ali habitavam. de acordo com as condições e peculiaridades de cada região. a implantação desse componente curricular deve se dar de forma gradual. impondo sua cultura. ano do descobrimento da América. A obrigatoriedade do ensino da Língua Espanhola se deu por meio da Lei nº 1161. Plano Curricular do Cervantes de 1994. bem como.como também pode ser chamado – designam a língua em que foi escrito o Dom Quixote. no século III antes de Cristo. matricular-se ou não na disciplina. mais tarde. o catalão. reafirmando a importância do contato com as diversas culturas. o galego e o romeno. A força do latim – idioma dos conquistadores.2 Língua Espanhola Para o embasamento teórico da língua espanhola. eleita a melhor obra de ficção de todos os tempos. tais acontecimentos oportunizaram a expansão do referido idioma por todo o novo território conquistado. fez com que desaparecessem as línguas nativasdessa região. Além desses autores. ensinado nas escolas. próprio da literatura e da língua escrita e o vulgar. dividida em duas partes: a primeira parte publicada em 1605 e a segunda em 1615. de 8 de agosto de 2005. do autor Elio Antonio de Nebrija.

Para ensiná-lo. firmado em 26 de março de 1991. o Brasil é o único país latino-americano que tem como idioma oficial a língua portuguesa. capital da República do Paraguai. A importância do ensino da língua espanhola nas escolas brasileiras vai além da inclusão lingüística dos cidadãos. Argentina. outro fator favorável ao estudo da língua espanhola. embora alguns brasileiros considerem. independentemente da importância econômica do país a que se refere e. Com efeito. O espanhol favorece o contato com diversas culturas. Em razão de seu processo de colonização. com outros modos de pensar e viver. além da formação de bloco econômico (MERCOSUL). diferentemente dos países hispânicos que fazem fronteira com o mesmo: Uruguai. o professor deve ter conhecimento sobre a riqueza lingüística e cultural do idioma. particularmente. por essa razão.134 O Espanhol é o idioma oficial de mais de 20 países e apresenta variantes lingüísticas que se referem. à entonação e ao uso de algumas formas pronominais. MERCOSUL – Mercado Comum do Sul – é um processo de integração regional que envolve 5 países: Argentina. Brasil. profissional e cultural. Com a consolidação do MERCOSUL11– Mercado Comum do Sul – o estudo do espanhol no Brasil tornou-se mais necessário para a integração cultural e expansão comercial entre os países latinos. na cidade de Assunção. Apesar dessa diversidade. desnecessário o estudo do espanhol. O estudo desse idioma. principalmente. Uruguai e Venezuela. ampliando seus horizontes frente à globalização do planeta. oportunizando ao aluno compreender essa heterogeneidade. ao vocabulário. o que não procede. Paraguai. no Brasil. e cujo objetivo é conseguir um mercado comum. Atualmente. contribui na formação do aluno como cidadão e como profissional. possibilitando o respeito as suas variadas manifestações culturais. dada a origem comum das duas línguas. Colômbia e Venezuela. é a proximidade desse idioma com o português. a língua literária dos latino-americanos é perfeitamente compreensível pelos espanhóis e vice-versa. visto se tratar de um idioma estrangeiro de relevante abrangência. o espanhol é um dos idiomas mais importantes no meio turístico. é fundamental para o reconhecimento da nossa identidade latino-americana. Paraguai. comercial. Nasce com o tratado de Assunção. à pronúncia. com mais de 350 milhões de falantes. 11 . Peru. da importância da comunicação mundial e da localização. Bolívia. ainda.

Por outro lado.deve ser enfatizada a leitura por prazer. fomentar. Com efeito. Por isso. acrescentar uma letra no final de uma palavra. a escrita deve ser promovida a partir do 4º ano. por meio de atividades como traçar palavras. pois o ritmo e a entonação são importantes. A repetição e a revisão desempenham papel fundamental. os alunos não devem ler ou escrever em Língua Estrangeira. o filtro afetivo deve permanecer baixo. Em razão da faixa etária dos alunos desse nível escolar. circular as palavras corretas. em relação ao ensino e aprendizagem da Língua Estrangeira (LE). assim como a paulatina ampliação do conhecimento já existente. os aspectos afetivos do ensino da Língua Estrangeira têm considerável importância para os alunos. aspectos importantes. a não ser em nível muito simples. a expressão oral – pode-se trabalhar em coro e não individualmente. havendo a necessidade de promover atividades que envolvem coordenação motora. FUNDAMENTOS DA LÍNGUA ESTRANGEIRA PARA O 1º AO 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL Nelagley Marques O professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental deve. a demonstração de atitudes desinibidas. como. sentimento de confiança e motivação para esse aprendizado. . as atividades devem ser planejadas de maneira a permitir que todos os alunos as efetuem com êxito. dramatizações e histórias. a facilidade em motivar-se. o reconhecimento de palavras. no aluno. Assim. o aprendizado não analítico. a aprendizagem intuitiva. que destacamos nesse documento. diálogos. Como os alunos desse nível escolar estão começando a aprender a ler e a escrever em português.deve ser oportunizada por meio de músicas. por meio do uso adequado de algumas estratégias de leitura. por exemplo. pontuamos alguns aspectos para reflexão e instrumentalização das mesmas: a compreensão oral . a fim de evitar a interferência entre os idiomas. devem ser considerados a fim de se otimizar a aprendizagem desses alunos: a falta de autonomia. a leitura . a imaturidade para compreender que o erro faz parte do aprendizado. a receptividade ao mundo da imaginação. faz-se necessário compreender alguns aspectos que favorecem a aprendizagem dos alunos. No que se refere às quatro habilidades a serem desenvolvidas em Língua Estrangeira. movimento físico e lúdico. nos anos iniciais. entre outros. a facilidade em relacionar-se. entre outras.135 4. como: a curiosidade.

a perspectiva metodológica precisa vir assentada em novos pressupostos que indiquem forte tendência para uma abordagem de ensino progressista. 2000). a aprendizagem ganhará uma feição de descobertas individuais. do porquê fazer. devem-se promover muitas atividades em grupos que permitam aos alunos conhecerem os colegas de classe. segundo o autor. discussões críticas e reflexivas aliadas à pesquisa. De acordo com Canale e Swain (1980). de solução de problemas. p. esse processo envolve o domínio não só da competência lingüística (se atém ao código lingüístico. de acordo com o ritmo de cada um. que ressalta a idéia de que noções fundamentais estudadas na escola fora de qualquer contexto permanecem letras mortas. na prática. de tentativas diversas. bem como. METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA No referencial de LE. às estruturas e regras de pronúncia cujo objetivo é o da acuidade na expressão e compreensão). disposto a empreender novas atitudes. principalmente.136 Por fim. de outras: a sociolingüística (considera o papel dos falantes no contexto da situação e a sua escolha de registro e estilo). de autonomia e de responsabilidade pela própria aprendizagem. Esse procedimento exigirá um professor com uma nova visão do ato de ensinar. também. com relações dialógicas. do saber fazer. que aprende ao mesmo tempo em que ensina e. aprenderem a interagir com os outros para que desenvolvam suas habilidades sociais e interpessoais. mas. Dentre os defensores de que as competências sejam desenvolvidas a partir da escola. a discursiva (considera a questão da coesão e da coerência relevantes no . um dos problemas das pedagogias tradicionais de simples transmissão dos saberes cuja expectativa seria a de que o acúmulo desses saberes garantiria a sua conseqüente operacionalização. encontramos Perrenoud (1999. por meio de oportunidades de interação. Um professor-pesquisador. do para que fazer e do refazer. de cooperação e de negociação. Com essa prática de reflexão constante.17 apud SCHÖN. em tempos modernos. além de se estimular uma atitude positiva em relação ao novo idioma. além de visar à investigação para a produção do conhecimento. aquele que busca promover ambientes de aprendizagem e planejar ações que desafiam o aluno a construir conhecimentos com os outros. fomentar-se a noção de cooperação. Aí reside. 5. trabalho coletivo e cooperativo. aspectos facilitadores da aprendizagem. sociólogo e antropólogo do círculo de Genebra.

pressupostos. produtores de instrumentos de avaliação. aquilo que o aluno aprende tem aplicabilidade. teórica. por último. O conceito de abordagem. conscientemente. 12 . Cavalcanti e Moita Lopes (1991) advogam a necessidade de reflexão.91) formulou essa idéia com clareza e precisão ao dizer: Primeiro ensinam-se os princípios científicos relevantes. e. Assim. A complexa operação de ensinar a LE vai se firmando no contínuo processo da observação. senso de plausibilidade é “o sentido (ou teoria.17). tutores etc (ALMEIDA FILHO. como meio de aperfeiçoamento do que se passa nesse ambiente. teoricamente informada. crenças. depois a aplicação desses princípios e. p. Abordagem: Força que orienta. ou seja. em alguma abordagem de ensino que venha ao encontro do que acreditamos ser. num estado mais latente. e portanto caracteriza em essência. pais. sendo necessário. 1997. O método. tem-se um practicum cujo objectivo é aplicar à prática quotidiana os princípios da ciência aplicada. é um conjunto coerente de idéias. ideário que vai guiar uma operação global de ensino. que se faça uso de estratégias de comunicação verbais ou não-verbais para se compensarem as quebras na comunicação). Segundo Prabhu (1990:172 apud Blayta 1999:64). de como o ensino a causa ou mantém”.137 determinado contexto) e a estratégica (considera que não há falantes e ouvintes ideais. a ausência de reflexão sobre a tarefa de ensinar e a falta de hábito de se pensar nos porquês de determinadas práticas pedagógicas desencadeia a desarticulação entre teoria e prática. uma intuição pedagógica) de como a aprendizagem acontece. p. a procura do melhor caminho para um ensino e aprendizado de língua estrangeira. sendo crucial na descrição do como e na compreensão e explicação do porquê um professor ensina e como ensina. da investigação. Por outro lado. ou. planejadores de cursos. Essa força advém das competências implícitas (básica). é um termo mais abrangente e seria um conjunto de procedimentos de ensino que definem um caminho. portanto. o senso de plausibilidade12 do ensinar do professor levará o aluno a um aprender mais significativo. como professores contemporâneos de línguas. segundo Almeida Filho (1997). aplicada e (meta) profissional do professor ou de quaisquer outros agentes ativos de ensino tais como autores de LDs. todo um processo de ensino de língua. de acordo com o autor supracitado. sobre a prática de sala de aula. da reflexão-na-ação. ou melhor. das competências de reconhecermo-nos. Schön (1992.

como a sociolingüística. no caso em questão. levando-o a identificar-se melhor com um ou outro método ou abordagem. a discursiva e a estratégica. mas também de outras. Esse processo envolve o domínio não só da competência lingüística. por sua vez. o papel da visão de mundo que o professor detém. são insuficientes. Portanto. dentre diferentes estruturas. seu significado e funções. também. isto é. o professor. muitas vezes. a que melhor se aplica às circunstâncias da interação entre ele e o interlocutor ou entre o escritor e leitor. É possível. O aluno. ajudando-os na construção de novos conhecimentos significativos. Segundo essa visão. influenciado pela sua experiência anterior como aluno de língua estrangeira e. Inicialmente. então. Nessa perspectiva. o que implica dizer que a aprendizagem lingüística é vista como um processo de comunicação no qual o simples conhecimento das formas da língua-alvo. a aprendizagem inclui relações entre pessoas. por outro lado. O aluno tem de saber escolher. A abordagem comunicativa (Communicative Approach) estabelece. faz usos de teorias e competências aplicadas implicitamente. todas as proposições dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacional. que ele demonstre um discurso mais tradicional ou. . é preciso que o professor oportunize e estabeleça uma relação de diálogo com seus alunos e crie situações de comunicação em que possam expressar aquilo que já sabem. É preciso ser capaz de usar a língua apropriadamente dentro de um contexto social e autêntico de comunicação. sala de aula de língua estrangeira. O importante é estar disposto a refletir sobre a complexidade da sala de aula. de certa maneira. como meta a ser alcançada. É necessário que se acrescente. mais aberto a mudanças e a interações com o(s) outro(s). o que o leva a identificar-se mais com um método ou abordagem do que com outro. o que o possibilita viabilizar mudanças necessárias em sua prática diária. os métodos e abordagens de ensino e aprendizagem podem ser vistos como orientações para que o professor comece a refletir sobre os processos envolvidos na aquisição da LE.138 Atualmente. também é influenciado por pressupostos do que seja ensinar/aprender e isto interfere no seu processo de aprendizagem. 2001) se embasam numa concepção sócio-interacionista de ensino e aprendizagem. a construção do conhecimento é uma tarefa conjunta a ser realizada por aluno e professor. tornar os alunos “comunicativamente” competentes. os colegas e o próprio aluno são mediadores do desenvolvimento através da solução independente de problemas e de objetivos a serem alcançados. O professor é.

conscientes de que as abordagens de ensino e aprendizagem não resolvem tudo.139 Nesse contexto. na busca de solução de problemas do uso da linguagem. reflita. . a cooperação e a construção do próprio conhecimento. a negociação. escolher ou fazer materiais didáticos. a interação. o senso de plausibilidade na prática de ensino do professor levará o aluno a um aprendizado mais significativo. oferece visões coerentes e boas oportunidades de ensino e aprendizagem real da língua estrangeira. mediador. É preciso que se diga que o processo de ensino e aprendizagem de LE é um processo complexo que envolve inúmeras variáveis. Contrariamente. 6. PERFIL DO PROFESSOR DE LÍNGUA ESTRANGEIRA As exigências do mundo contemporâneo impulsionam a necessidade de um redimensionamento da ação docente para atender às reivindicações da sociedade. a abordagem comunicativa está no nível da implementação e. todas elas permeadas. Outro aspecto importante a ser ressaltado é que as teorias de nada valem se não houver o envolvimento dos professores que nelas se reconhecem e nelas pautam sua prática pedagógica. avaliar o desenvolvimento do processo de aprendizagem dos alunos e o processo de ensino do próprio professor. questione-se e se reveja. por essa razão. Em verdade. concomitantemente. há divergências e inúmeras propostas de diversos autores. é válido lembrar que todas essas abordagens estão inseridas em práticas sociais e. fazer experiências com a língua-alvo e. o professor atua como facilitador. não são receitas prontas a seguir e não constituem verdades absolutas e incontestáveis. Desta maneira. acomodado e rotineiro estará transferindo para outros a responsabilidade pela inovação no seu trabalho. tais como a comunicação. O importante disso tudo é que o professor olhe para si mesmo. por fim. tornando possível a (re) construção de sua prática de ensino. neste século XXI. O aluno desempenha seu papel como sujeito dessa construção de significados e é participante e co-autor de sua própria aprendizagem. como abordagem. portanto. espelham necessidades sociais. Acreditamos que. De acordo com Almeida Filho (1999). o professor que atua sem esse senso. Entretanto. todo professor de LE constrói um ensino com pelo menos quatro dimensões: planejar as aulas. por uma dada abordagem de ensino. orientador e observador participante das atividades.

porque nascem de nossa experiência e problemas. então. sobre os princípios básicos da aprendizagem e o que se deve aprender atualmente. Prabhu (1991. baseada nessas mesmas crenças que vão se firmando em hábito ou predisposições para ensinar de determinada maneira. teoricamente implícita e informal. é de que não se trata apenas de um conceito cognitivo. Nesse sentido. O alerta para a necessidade de construir uma formação referendada na reflexão sobre e na ação docente tem conquistado espaço entre os professores de todos os níveis. entre suas competências. tendo como pilares. a crença sobre como a língua alvo (LAL) deve ser aprendida por seus alunos. com base em outros autores. p. é imprescindível e desejável que tenham conhecimento e desenvolvam todas as suas competências concomitantemente com a sua ação docente.140 Sendo assim o objetivo máximo da docência é a aprendizagem dos alunos. 1996). 1992. sem o senso de plausibilidade necessário às suas ações. a saber. o que significa estar em constante processo de formação. sobre as teorias que discutem a aprendizagem e sob quais pressupostos. p. de nossa interação com o contexto e da nossa capacidade de refletir e pensar sobre o que nos cerca. Esse processo reflexivo aponta caminhos para ultrapassar o “fazer pelo fazer” e aponta para o “saber por que fazer”. p. corroborando o triplo movimento proposto por Schön (1990 apud NÓVOA. Professores que não refletem sobre suas crenças terão uma prática de ensino largamente intuitiva. o professor tende a agir em sala de aula e a cobrar atitudes de seus alunos. de modo que a aprendizagem se faça com maior eficácia e melhor aplicação. 26): Conhecimento na ação. daí. orientado por uma competência implícita constituída de intuições. reflexão na ação e reflexão sobre a ação e sobre a reflexão na ação ganha uma pertinência acrescida no quadro do . a compreensão subjetiva do professor acerca do seu próprio ensino”. Dessa maneira. a importância de o professor ter clareza sobre o que significa ensinar e aprender. Os professores trazem consigo. O conceito de crenças para Conceição (1995 apud PAIVA. sobre como aprender de forma significativa. 15) nos oferece a seguinte contribuição: “há um fator mais básico do que a escolha de métodos. mas também social. as mudanças e intervenções necessárias e desejadas no processo de ensino e aprendizagem da LE. a tomada de consciência de suas crenças. Por isso. a constante reflexão na ação de sua prática de ensino e o pleno desenvolvimento de todas as suas competências para que viabilize. 72 apud ALMEIDA FILHO 1997. nesse processo. crenças e experiências pessoais de como lhe foi ensinado ou de como aprendeu a língua estrangeira (LE).

. também. 35). cujo saber é fundado sobre a reflexão antes. durante e após a ação pedagógica. p. p. percebendo que o mesmo não é só produto. mas. Tardif (2005. educador cujas idéias se coadunam com a da formação de professores reflexivos. Essa capacidade de refletir sobre a prática de ensino é essencial para o contínuo desenvolvimento profissional. em que possam discutir. esse desafio o impulsiona a discutir com outros profissionais sobre a ação docente. podemos nos remeter a Nóvoa (1992. Para tanto. oportunizando o trabalho coletivo e compartilhado abrindo caminhos de emancipação profissional. Schön (2000. refletir e produzir os seus saberes e os seus valores. o perfil de docente desejado é aquele ativo. 11). mas algo em constante movimento e transformação. é importante acreditar que a presença do objeto humano modifica profundamente a própria natureza do trabalho docente. cada tarefa. elucida que: A docência é um trabalho cujo objeto não é constituído de matéria inerte ou de símbolos. tal qual sugerido por Nóvoa (1992. E mais. A perspectiva de buscar o profissional reflexivo de sua ação docente precisa ser analisada. 20) enfatiza que os educadores profissionais têm deixado cada vez mais claras suas preocupações com a distância entre a concepção de conhecimento profissional dominante nas escolas e as atuais competências exigidas dos profissionais no campo de aplicação. não como uma função que intervém à margem dos projetos profissionais e organizacionais. o que já foi apontado há muito tempo por Schön (1987). cada proposta para a vida de seu aluno. 29): A formação deve ser encarada como um processo permanente. ensinar é trabalhar com seres humanos. p. Compreender o conhecimento como uma realização humana. A título de exemplo. A proposição de formação permanente num processo participativo leva o professor a sair do seu isolamento em sala de aula e. sobre seres humanos e para seres humanos. Tenha sempre presente que o conhecimento não é algo pronto e acabado. Com efeito. Diante do exposto. mas de relações humanas com pessoas capazes de iniciativa e dotadas de uma certa capacidade de resistir ou de participar da ação dos professores. integrado no dia-a-dia dos professores e das escolas e.141 desenvolvimento pessoal dos professores e remete a consolidação no terreno profissional de espaços de (auto) formação participada. p. É preciso que o professor se pergunte como tornar importante e única cada atividade. processo. as práticas na formação permanente do professor devem criar espaços para contemplar uma dimensão coletiva.

ainda. seja por meio da formação permanente. há significativamente menos esperanças de sucesso duradouro na sua ação. Afinal. como.nosso reconhecimento do valor de ser professor de língua. nossa responsabilidade pelo avanço profissional próprio e dos outros através da reflexão e das ações. seja em serviço de sua profissão. também. a disposição em esforçar-se por ir ao encontro do aluno e compreender o seu processo de construção do conhecimento. O professor precisa estar preparado para decidir na incerteza e agir com urgência em tempos de muita informação disponível nas diversas mídias. com seus alunos. ser um professor reflexivo que permita ser surpreendido pelo que o aluno faz. . é necessário que o professor compreenda a sua própria necessidade de aprendizado constante. agindo como um facilitador. a competência lingüístico-comunicativa . além do desenvolvimento de uma atitude crítico-reflexiva sobre o seu próprio processo de aprender a ensinar e sua prática educacional. Outro aspecto diz respeito às competências do profissional esperado pelo mercado de trabalho. entretanto. Os professores de línguas precisam produzir seu ensino apoiado na reflexão na ação. não estão em jogo apenas as condições sob as quais o professor trabalha. mas. p. envolve cinco aspectos: a competência implícita . então. Finalmente. primeiramente. a competência teórica . segundo Almeida Filho (2005. É dever. Essa relação implica. principalmente. uma aprendizagem sobre diversos campos de conhecimento que possam auxiliá-lo nessa tarefa.o ensino que podemos realizar orientado e explicado pela competência teórica que temos. claramente. inevitavelmente. Será necessária.que se desenvolve em nós a partir das experiências de aprender línguas com as quais convivemos. uma autonomia que esteja vinculada. a competência aplicada . que.a língua que se sabe e se pode usar e a competência profissional . Sem isso.a gama de conhecimentos que podemos enunciar. observar o grau de compreensão e de dificuldade de cada aluno e. que o ensino crítico precisa de uma base de autonomia responsável.142 Com efeito podemos observar. no convívio com outros profissionais da área e. para que os alunos produzam conhecimentos na ação. à preocupação com as desigualdades que se ampliam pelas mesmas forças que estão transformando o trabalho do professor. para que e por que serem ensinados aos alunos. ajudando-o a articular o seu conhecimento-na-ação com o saber escolar.94).

143 7. destacamos os conteúdos e sua relevância social. ênfase nos tópicos . no qual.). p. Dada a relevância social dos conteúdos por meio da abordagem social. uma experiência de vida. privilegia-se uma proposta de trabalho pedagógico que envolva os alunos e crie situações concretas de interlocução. é possibilitar a construção de um canal comunicativo para que a criança seja capaz de assimilar e transmitir o conhecimento da sociedade e do mundo em que vive. a qual relaciona formas lingüísticas aos seus usos possíveis. é sim. pois amplia as possibilidades de se agir discursivamente no mundo” (BRASIL.1º AO 5º DO ENSINO FUNDAMENTAL Nelagley Marques Maria das Dores Dias Acosta Ensinar uma Língua Estrangeira (LE) nos anos iniciais do Ensino Fundamental. por meio do trabalho e do esforço. as competências e habilidades que desenvolve ao longo de sua vida escolar – essenciais para a formação plena do cidadão. acima de tudo. o professor de Língua Estrangeira não deve insistir em cobrar e nem em ensinar enfoques gramaticais dessa língua. nos anos iniciais. ABORDAGEM SOCIAL DOS CONTEÚDOS POR MEIO DOS SEUS FUNDAMENTOS . por meio de uma concepção de aprendizagem que considera o processo social de construção conjunta do conhecimento. Nesse sentido. a interação constante de significados entre professor e alunos têm função essencial. é possível transformar o meio no qual eles vivem. na qual tenham voz e atuem como co-construtores do conhecimento e agentes de seu processo de aprendizagem. bem como uma concepção de linguagem. pois nesse nível da vida escolar a apresentação do idioma deve ser dada de maneira alegre e prazerosa.. Desta maneira. devem-se oportunizar reflexões que os façam perceber que. 1998. É válido lembrar que. aos alunos dos anos iniciais. tais como: o estímulo à elaboração de discurso a respeito dos contextos nos quais os alunos estão inseridos. para que a criança sinta-se motivada e segura. Com efeito.. O ensino da Língua Estrangeira evidencia que a aprendizagem dessa língua “não é só um exercício intelectual de aprendizagem de formas estruturais (. Aprender uma LE nos anos iniciais não é mais uma questão de necessidade. enfatizamos aspectos importantes a serem considerados nesse processo. mas de direito que não pode ser negado a nenhum pois quando se ensina uma LE nos anos iniciais do Ensino Fundamental valorizam-se. 38).

com ênfase no processo de aprendizagem cooperativa. ativação de conhecimento e experiência prévia dos alunos. verificação do dever de casa. estímulo à realização de tarefas interdisciplinares. Portanto. meio ambiente. Fruit.144 com os quais estejam familiarizados e em personagens com os quais possam se identificar. saúde. os conteúdos seguintes: 8. My family. My body. Todos os aspectos supracitados devem ser considerados no planejamento e na execução do trabalho pedagógico do professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental . trabalho e consumo. envolvimento na confecção de atividades didáticas para serem compartilhadas com os demais colegas. oportunidade de acesso aos aspectos culturais dos países de línguas estrangeiras. como trabalhos em grupos e em pares e. a fim de que o aluno faça uma reflexão crítica de interesse social sobre o meio em que vive. cabe ao professor. auto-avaliação e programa negociado. . orientação sexual.1º ao 5º ano – considerando a série e o nível de aprendizagem do público-alvo. Colors. conforme o nível de aprendizagem do mesmo e a adequação do tema à idade. pluralidade cultural. No que se refere às questões sobre ética. ênfase no desenvolvimento de atividades que propiciam a criação de um contexto relevante para o uso do conteúdo e do vocabulário focalizados.1 Conteúdos para o 1º ano do ensino fundamental Greetings. a tarefa de mediar a construção do conhecimento em LE. tendo. Asking and answering about age (cardinal numbers). incentivo ao espírito de solidariedade e colaboração em diversos momentos. discussões. como referência. estímulo ao reconhecimento da diversidade cultural. participação na construção dos significados com os quais trabalham. envolvimento em atividades de interação. CONTEÚDOS DE LÍNGUA INGLESA PARA O 1º AO 5º DO ENSINO FUNDAMENTAL 8.

My clothes.4 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental Greetings.145 8. Places. Asking and answering about phone number (cardinal numbers). Days of the week. Food. School things. Colors. Means of transport. . Drinks.2 Conteúdos para o 2º ano do ensino fundamental Greetings. 8. 8. hours. Fruit and vegetables. In the park. Asking and answering about age. Months of the year. My house. My party. phone number. 8. My toys. address (cardinal numbers). Feelings. Happy birthday. Asking and answering about address (cardinal numbers). Sports. Seasons of the year. Asking and answering about hours (cardinal numbers).3 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental Greetings. The alphabet.5 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental Greetings. Animals (pets).

Los colores. Cumpleaños feliz. Las comidas. El cuerpo humano.1 Conteúdos para o 1º ano do ensino fundamental Los saludos. Los días de la semana. Los meses del año. Las horas (enteras).146 9. Los colores. Mi casa. Los animales domésticos. 9. Mi fiesta. Mi familia. Los numerales cardinales (0-20).2 Conteúdos para o 2º ano do ensino fundamental Los saludos. CONTEÚDOS DE LÍNGUA ESPANHOLA PARA O 1º AO 5º DO ENSINO FUNDAMENTAL 9. Las bebidas. . En el parque.3 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental Los saludos. Los numerales cardinales (0-30). Mi escuela. Los numerales cardinales (0-10). Las frutas y verduras. Las frutas. El vestuario. 9.4 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental Los saludos. Las estaciones del año. Mis juguetes. 9.

hours). interrogative words. vegetables. Consulta a listas classificatórias e ordenativas (dicionários e glossários). El alfabeto. cardinal/ordinal numbers. Conscientização das possibilidades de uso da Língua Inglesa em diversas situações de comunicação autêntica verbal e não-verbal. Los deportes. convites. CONTEÚDOS DA LÍNGUA INGLESA PARA O 6º AO 9º DO ENSINO FUNDAMENTAL Nelagley Marques 10. explicitando as diferentes estruturas contidas em cada modalidade de texto.5 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental Los saludos. animals. Los sitios. verb to be. colours. Los sentimientos. Produção de bilhetes. Los numerales cardinales (0-50). Leitura e compreensão de textos autênticos relacionados à realidade do aprendiz nas categorias: Reading for Pleasure and Reading for Learning. clothes and accessories. seasons. cartões comemorativos e tiras.147 Los numerales cardinales (0-40). Aquisição de diversos tipos de vocabulário (Fruit.1 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental Apresentação da proposta metodológica do professor para o processo de ensino e de aprendizagem de Língua Inglesa. months of the year. Greetings. 9. 10. por meio da seleção e aplicação de estratégias de leitura adequadas (General Comprehension). possessive pronouns and nouns owners. Los medios de transporte. Aspectos temporais do uso diário (Days of the week. parts of the body). . personal pronouns. alphabet. Percepção das possibilidades de ampliação e manutenção do canal comunicativo.

por meio de comparações com a Língua Inglesa em vários níveis lingüísticos. perceber que o aprendizado de uma ou mais línguas. os princípios. da elaboração de hipóteses e da mediação do professor. internet entre outros. produtos de consumo. deverá mostrar-se capaz de: identificar. ao que se refere às questões sobre ética. em diversos contextos autênticos. meio ambiente. por meio da produção de alguns materiais didáticos de uso contínuo. trabalho e consumo. bem como. cabe ao professor especificar o funcionamento dessa língua. 10. possibilita o acesso a informações internacionais e a bens culturais da humanidade. pluralidade cultural. caça-palavras. nos quais sejam contemplados aspectos sociais relevantes do cotidiano. saúde. jornais. os aspectos temporais do uso diário em língua inglesa. com o intuito de levar o aluno a refletir sobre a importância de ter clareza sobre o processo de aprendizagem no qual está inserido como sujeito ativo e co-autor de sua própria aprendizagem.1. vivenciar determinada situação de comunicação humana autêntica pelo uso da língua Inglesa. palavras cruzadas e outros. as regras do funcionamento da língua por meio da reflexão. orientação sexual. demonstrar conhecimento de organização textual. tais como dicionário ilustrado. revistas. por meio de músicas. Quanto ao aluno. no universo que o cerca. . outdoors. As atividades gramaticais propostas devem sugerir que o aluno descubra. Ampliar o conhecimento de mundo por meio da reflexão sobre textos verbais e nãoverbais. Demonstrar. as premissas. a contribuição da Língua Inglesa para os sistemas de comunicação.148 Acesso aos aspectos culturais dos países de Língua Inglesa. filmes. confeccionar materiais de uso contínuo sob orientação do professor. para incentivar a criatividade e a autonomia do aluno. flash cards. por si. de produção da informação e dos elementos estruturais essenciais a um texto. as técnicas. bem como desenvolver a habilidade de produzir textos significativos. bingos. construídos em outros países do mundo. percebendo-a como parte integrante de um mundo plurilíngüe. bem como. a relação professor/aluno e os critérios de avaliação. jogos de memória. Ampliar o conhecimento de linguagem construído em sua língua materna. dominós. ambos conscientes de que a gramática deve estar a serviço da comunicação autêntica.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental Dada a complexidade do processo de aprendizagem de Língua Inglesa.

bem como. por meio da seleção e aplicação de estratégias de leituras adequadas (General Comprehension. lendas. fazendo releituras e adaptações das obras. relativos ao meio social. Percepção das possibilidades de ampliação e manutenção do canal comunicativo. para identificar níveis de formalidade da fala e suas adequações a contextos específicos. mensagens e outros. classroom objects. saúde. orientação sexual. ao longo da construção da interlíngua do aluno. Skimming and Scanning). Transmissão de instruções verbais como recados. objetos e lugares conhecidos. por meio de textos autênticos. bem como. fatos reais do cotidiano entre outros. Leitura e compreensão de textos autênticos relacionados à realidade do aluno nas categorias: Reading for pleasure and Reading for learning. naturalmente. peças teatrais. parts of the house. para que o aluno faça uma reflexão crítica de interesse social sobre o meio em que vive. pluralidade cultural. Produção de cartões-postais e anúncios. com ênfase no tempo presente (Simple Present). explicitando as diferentes estruturas contidas em cada modalidade de texto. 10. . por meio de referenciais presentes no cotidiano do aprendiz (Places. Acesso aos aspectos culturais dos países de Língua Inglesa. Introdução aos gêneros textuais na língua-alvo como contos.149 Discorrer em Língua Inglesa e não apenas prender-se a aspectos de correção gramatical. fábulas. conforme o nível de aprendizagem e adequação do tema à idade. uma vez que esta se fará. Produção de pequenos diálogos que apresentem situações do cotidiano. culminando com a dramatização destas. Observação dos tempos verbais adequados a cada modalidade de texto. meio ambiente. means of transport). por meio da seleção de obras literárias de acordo com os interesses e nível de aprendizagem dos alunos. trabalho e consumo. Descrição de pessoas. avisos. ao que se refere às questões sobre ética.2 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental Apresentação da proposta metodológica do professor para o processo de ensino e de aprendizagem de Língua Inglesa.

3 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental Apresentação da proposta metodológica do professor para o processo de ensino e de aprendizagem de Língua Inglesa. jogo de memória. Skimming. Percepção das possibilidades de ampliação e manutenção do canal comunicativo. Observação e aplicação dos elementos lingüísticos que constituem o texto e facilitam a compreensão do mesmo. Reading for learning and Reading for survival. com o intuito de levar o aluno a refletir sobre a importância de ter clareza sobre o processo de aprendizagem no qual está inserido como sujeito ativo e co-autor de sua própria aprendizagem. Leitura e compreensão de textos autênticos relacionados à realidade do aprendiz nas categorias: Reading for pleasure. dessa maneira. produzir e confeccionar materiais de uso contínuo sob orientação do professor. as técnicas. participar de interações de naturezas diversas (diálogos. bingos. valorizar a leitura como fonte de informação e prazer. dominós. evidenciando a seqüência lógica necessária para uma boa compreensão. emitir e receber opiniões e o relato de acontecimentos e experiências vividas. Observação dos tempos adequados a cada modalidade de textos. Scanning and Prediction). Quanto ao aluno. maquetes. por meio da seleção e aplicação de estratégias de leitura adequadas (General Comprehension. por meio de obras literárias e. . as premissas. perguntar e responder. com ênfase no tempo passado (Simple Past). flash cards.150 10. participar sem sair do assunto tratado. para incentivar à criatividade e autonomia do aluno. 10. como fantoches. dramatizações entre outros). deverá ele mostrar-se capaz de refletir sobre quanto a Língua Inglesa possibilita o acesso aos bens culturais da humanidade. perceber marcadores de coerência e coesão como facilitadores da linguagem escrita. a relação professor/aluno e os critérios de avaliação. os princípios.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental Dada a complexidade do processo de aprendizagem de Língua Inglesa.2. apresentações orais. cartazes e outros. cabe ao professor especificar o funcionamento dessa língua. estabelecendo relações com textos no tempo presente. Participação em situações de interação que requeiram: ouvir com atenção. por meio da produção de materiais didáticos de uso contínuo. dicionário ilustrado.

Flexão de Número (Singular e Plural). cabe ao professor especificar o funcionamento dessa língua.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental Dada a complexidade do processo de aprendizagem de Língua Inglesa. demonstração de conhecimento de que escritores e falantes têm em mente leitores e ouvintes posicionados de modo específico na sociedade e. ao que se refere às questões como ética. as atividades gramaticais propostas devem sugerir que o aluno descubra por si as regras do funcionamento da língua. os princípios.151 Morfossintaxe da Língua Inglesa: Concordância Verbal (sujeito e predicado). Demonstrar adequação na produção verbal. pluralidade cultural. as características e os elementos que estruturam os diferentes tipos de textos como e-mails e textos instrucionais (receitas. demonstração de conhecimento dos padrões interacionais e de tipos de textos orais e escritos. orientação sexual. manter e finalizar a fala. a finalidade. manuais. aos aspectos que afetam o significado do léxico e da fonologia. com o intuito de levar o aluno a refletir sobre a importância de ter clareza sobre o processo de aprendizagem no qual está inserido como sujeito ativo e co-autor de sua própria aprendizagem. bem como. por meio do reconhecimento de como a informação é apresentada no texto. Concordância nominal (artigo e substantivo. ainda. no que diz respeito. demonstrar conhecimento da organização textual. bulas). as premissas. Acesso aos aspectos culturais dos países de Língua Inglesa. pertinentes a contextos específicos de uso da Língua Inglesa. dos conectores articuladores do discurso e de sua função enquanto tais. 10.Aplicar o conhecimento sistêmico sobre a organização textual e sobre como e quando utilizar a linguagem escrita nas situações de comunicação real. saúde. a relação professor/aluno e os critérios de avaliação. . deverá mostrar-se capaz de interagir com os colegas e o professor em situação intermediária de comunicação. Flexão de gênero (masculino e feminino). bem como. ambos conscientes de que a gramática deve estar a serviço da comunicação autêntica. meio ambiente. demonstrar consciência lingüística e crítica dos usos que o aluno faz da Língua Inglesa que está aprendendo. as técnicas. da elaboração de hipóteses e da mediação do professor. observar e aplicar procedimentos de iniciar.3. substantivo e adjetivo). Quanto ao aluno. bem como. particularmente. trabalho e consumo. Produção de textos coesos e coerentes considerando o destinatário. por meio da reflexão. mapas.

da pós-correção e de técnicas de correção como peer editing. por meio da observação e aplicação gradativa de elementos textuais como: a coerência e coesão textual. desenvolvimento e conclusão das idéias que referenciam o texto. saúde. da autocorreção feita pelo aluno. estabelecendo relações com textos nos tempos presente e passado. meio ambiente. organização frasal. utilização de letra maiúscula. Desenvolvimento da metacognição da leitura com autonomia e compreensão global de textos autênticos relacionados à realidade do aluno nas categorias: Reading for pleasure and Reading for learning and Reading for survival. por meio das linguagens verbal e não-verbal. trabalho e consumo.4 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental Apresentação da proposta metodológica do professor para o processo de ensino e de aprendizagem de Língua Inglesa. paragrafação. Flexão de gênero (masculino e feminino). bem como. Revisão para reescrever os próprios textos e/ou de outrem. Desenvolvimento das práticas de aquisição da escrita. ao que se refere às questões sobre ética. . orientação sexual. sinais de pontuação.152 10. Concordância nominal (artigo e substantivo. ortografia e grafia. correção colaborativa e outros. concordância verbal. as características e os elementos que estruturam os diferentes tipos de textos. Acesso aos aspectos culturais dos países de Língua Inglesa. Percepção das possibilidades de ampliação e manutenção do canal comunicativo. panfletos explicativos e informativos. pluralidade cultural. por meio da pré-correção feita pelo professor. Prediction. considerando o destinatário. com ênfase no tempo futuro (Simple Future). Scanning and Text Organization). substantivo e adjetivo). Morfossintaxe da Língua Inglesa: Concordância Verbal (sujeito e predicado). a finalidade. fazendo modificações necessárias até considerá-los suficientemente melhores. introdução. Flexão de Número (Singular e Plural). Skimming. Observação dos tempos adequados a cada modalidade de textos. Produção de textos coesos e coerentes como os epistolares. por meio da seleção e aplicação de estratégias de aprendizagem e de leitura adequadas (General Comprehension.

demonstrar consciência crítica em relação aos objetivos do texto e ao modo como escritores e leitores estão posicionados no mundo social e. cabe ao professor especificar o funcionamento dessa língua. bem como. as técnicas. fazendo uso de elementos que estruturam os diversos tipos de textos. as premissas. e na compreensão de que a tarefa de produção escrita requer aprimoramento do texto produzido em razão da necessidade de se perseguir a clareza.1 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental Apresentação da proposta metodológica do professor no processo de ensino e de aprendizagem de Língua Espanhola. CONTEÚDOS DE LÍNGUA ESPANHOLA PARA O 6º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL Maria das Dores Dias Acosta 11. . ainda.4. revisar os próprios textos. com o intuito de levar o aluno a refletir sobre a importância de ter clareza sobre o processo de aprendizagem no qual está inserido como sujeito ativo e co-autor de sua própria aprendizagem. deverá mostrar-se capaz de compreender e produzir textos orais com marcas entonacionais e pronúncia que permitam a compreensão do que está sendo dito. produzir textos coesos e coerentes.bem como. demonstrar consciência de que a leitura não é um processo linear que exige o entendimento de cada palavra. como instrumento importante na construção do texto escrito. e por meio de estratégias de desenvolvimento da habilidade de escrita. 11.153 10. Aplicar a metacognição no processo da escrita que evidencia a relação entre o que se está aprendendo. perceber que o conhecimento é uma construção social viabilizada na própria tarefa de produzir um texto em conjunto. aplicar os metaconhecimentos adquiridos ao longo da seriação escolar. Quanto ao aluno. os princípios. a relação professor/aluno e os critérios de avaliação.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental Dada a complexidade do processo de aprendizagem de Língua Inglesa. demonstrar conhecimento sistêmico necessário para o nível de conhecimento fixado no texto. como e qual o propósito da aprendizagem. e de se antever as dificuldades que o leitor possa ter.

Percepção das possibilidades de ampliação e manutenção do canal comunicativo. a contribuição da língua espanhola para os sistemas de comunicação. Aspectos temporais do uso diário (Los días de la semana. saludos y despedidas. meio ambiente. los numerales. com o intuito de levar o aluno a refletir sobre a importância de ter clareza sobre o processo de aprendizagem no qual está inserido como sujeito ativo e co-autor de sua própria aprendizagem. produtos de consumo. saúde. Produção de bilhetes. verbal e não-verbal. ropas y accesorios. Consulta a listas classificatórias e ordenativas (dicionários e glossários). los meses del año. 11. revistas. las horas y otros). as técnicas. perceber que o . Aquisição de diversos tipos de vocabulário (Las frutas y verduras. Presentaciones. convites. Acesso aos aspectos culturais dos países de Língua Espanhola. Lectura para Aprendizaje y Lectura para Supervivencia. explicitando as diferentes estruturas contidas em cada modalidade de texto. a relação professor/aluno e os critérios de avaliação. verbos regulares e irregulares del presente de indicativo (primera. internet entre outros. jornais. Leitura e compreensão de textos autênticos relacionados à realidade do aprendiz. deverá ele mostrar-se capaz de Identificar. bem como. no universo que o cerca. partes del cuerpo humano. ao que se refere às questões sobre ética. las estaciones del año. trabalho e consumo. outdoors.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o fundamental 6º ano do ensino Dada a complexidade do processo de aprendizagem de Língua Espanhola. los objetos del aula. cabe ao professor especificar o funcionamento dessa língua. percebendo-a como parte integrante de um mundo plurilíngüe. cartões comemorativos e tiras. por meio da seleção e aplicação de estratégias de leituras adequadas (Compreensão Geral). los animales. partes de la casa y otros ). as premissas.1. os princípios.154 Conscientização das possibilidades de uso da Língua Espanhola em diversas situações de comunicação autêntica. pluralidade cultural. el alfabeto. orientação sexual. medios de transporte. filmes. segunda y tercera conjugación). nas categorias: Lectura por Placer. colores. pronombres personales. por meio de músicas. Quanto ao aluno. vivenciar determinada situação de comunicação humana autêntica pelo uso da língua espanhola. bem como.

nas categorias: Lectura por Placer. Skimming and Scanning). palavras cruzadas e outros. para incentivar a criatividade e a autonomia do aluno. Descrição de pessoas. tais como dicionário ilustrado. nos quais sejam contemplados aspectos sociais relevantes do cotidiano. em vários níveis lingüísticos. As atividades gramaticais propostas devem sugerir que o aluno descubra. ao longo da construção da interlíngua do aluno. os aspectos temporais do uso diário em Língua Espanhola. com ênfase no tempo presente. objetos e lugares conhecidos. naturalmente. caça-palavras. Percepção das possibilidades de ampliação e manutenção do canal comunicativo. em diversos contextos autênticos. construídos em outros países do mundo. as regras do funcionamento da língua por meio da reflexão. Observação dos tempos verbais adequados a cada modalidade de texto. por meio da seleção e aplicação de estratégias de leituras adequadas (Compreensão Geral. demonstrar conhecimento de organização textual. dominós. . Leitura e compreensão de textos autênticos. da elaboração de hipóteses e da mediação do professor. 11.155 aprendizado de uma ou mais línguas possibilita o acesso a informações internacionais e a bens culturais da humanidade.2 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental Apresentação da proposta metodológica do professor para o processo de ensino e de aprendizagem de Língua Espanhola. de produção da informação e dos elementos estruturais essenciais a um texto. Lectura para Aprendizaje y Lectura para Supervivencia. por meio de textos autênticos. Produzir materiais de uso contínuo. por si. bingos. por meio de referenciais presentes no cotidiano do aprendiz. flash cards. jogos de memória. Ampliar o conhecimento prévio de mundo por meio da reflexão sobre textos verbais e não-verbais. por meio da produção de alguns materiais didáticos de uso contínuo. sob orientação do professor. O aprendiz deverá ser capaz de discorrer em Língua Espanhola e não apenas prender-se a aspectos de correção gramatical. ambos conscientes de que a gramática deve estar a serviço da comunicação autêntica. relacionados à realidade do aluno. Ampliar o conhecimento da linguagem construída em sua língua materna por meio de comparações com a Língua Espanhola. demonstrar. bem como desenvolver a habilidade de produzir textos significativos. uma vez que esta se fará.

como fantoches. fatos reais do cotidiano entre outros. conforme o nível de aprendizagem e adequação do tema à idade. jogo de memória. Produzir e confeccionar materiais de uso contínuo. maquetes. trabalho e consumo. mensagens e outros. as técnicas. flash cards. cartazes e outros. as premissas. Produção de pequenos diálogos que apresentem situações do cotidiano. Acesso aos aspectos culturais dos países de língua espanhola. Refletir sobre quanto a Língua Espanhola possibilita o acesso aos bens culturais da humanidade. . dominós. Produção de cartões-postais e anúncios. por meio da produção de materiais didáticos de uso contínuo. bingos.156 Introdução aos gêneros textuais na língua-alvo como contos. por meio da seleção de obras literárias de acordo com os interesses e nível de aprendizagem dos alunos. orientação sexual. cabe ao professor especificar o funcionamento dessa língua. pluralidade cultural. fazendo releituras e adaptações das obras. bem como. dessa maneira. dicionário ilustrado. valorizar a leitura como fonte de informação e prazer. sob orientação do professor. avisos. Transmissão de instruções verbais como recados. bem como. peças teatrais. lendas. explicitando as diferentes estruturas contidas em cada modalidade de texto. com o intuito de levar o aluno a refletir sobre a importância de ter clareza sobre o processo de aprendizagem no qual está inserido como sujeito ativo e co-autor de sua própria aprendizagem. fábulas. meio ambiente. a relação professor/aluno e os critérios de avaliação. por meio de obras literárias e. para identificar níveis de formalidade da fala e suas adequações a contextos específicos. 11. ao que se refere às questões sobre ética. os princípios. para incentivar à criatividade e autonomia do aluno. culminando com a dramatização destas. saúde.2. para que o aluno faça uma reflexão crítica de interesse social sobre o meio em que vive. relativos ao meio social.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental Dada a complexidade do processo de aprendizagem de Língua Espanhola.

Scanning e predição). orientação sexual. Percepção das possibilidades de ampliação e manutenção do canal comunicativo. substantivo e adjetivo). a finalidade.3 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental Apresentação da proposta metodológica que o professor faz uso no processo de ensino e de aprendizagem de Língua Espanhola. lectura para aprendizaje y lectura para supervivencia. Acesso aos aspectos culturais dos países de língua espanhola. emitir e receber opiniões e o relato de acontecimentos e experiências vividas. Observação e aplicação dos elementos lingüísticos que constituem o texto e facilitam a compreensão do mesmo. Flexão de gênero (masculino e feminino). Morfossintaxe da Língua Espanhola: Concordância Verbal (sujeito e predicado). participar sem sair do assunto tratado. Produção de textos coesos e coerentes considerando o destinatário. conforme o nível de aprendizagem e adequação do tema à idade. Leitura e compreensão de textos autênticos relacionados à realidade do aprendiz nas categorias: Lectura por placer. ao que se refere às questões sobre ética. para que o aluno faça uma reflexão crítica de interesse social sobre o meio em que vive. Observação dos tempos adequados a cada modalidade de textos. meio ambiente. estabelecendo relações com textos no tempo presente. Skimming. Flexão de Número (Singular e Plural). perguntar e responder. dramatizações entre outros) e perceber marcadores de coerência e coesão como facilitadores da linguagem escrita. mapas. bem como. saúde. apresentações orais. pluralidade cultural. manuais.157 Participar de interações de naturezas diversas (diálogos. Concordância nominal (artigo e substantivo. com ênfase no tempo passado. trabalho e consumo. . 11. Participação em situações de interação que requeiram: ouvir com atenção. evidenciando a seqüência lógica necessária para uma boa compreensão. por meio da seleção e aplicação de estratégias de leitura adequadas (compreensão geral. as características e os elementos que estruturam os diferentes tipos de textos como e-mails e textos instrucionais (receitas. bulas).

Percepção das possibilidades de ampliação e manutenção do canal comunicativo. os princípios.3. bem como. 11. cabe ao professor especificar o funcionamento dessa língua. As atividades gramaticais propostas devem sugerir que o aluno descubra por si as regras do funcionamento da língua.4 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental Apresentação da proposta metodológica do professor para o processo de ensino e de aprendizagem de Língua Espanhola. por meio da reflexão. particularmente. manter e finalizar a fala. as premissas.Demonstrar adequação na produção verbal. dos conectores articuladores do discurso e de sua função enquanto tais. demonstrar conhecimento de que escritores e falantes têm em mente leitores e ouvintes posicionados de modo específico na sociedade. por meio da seleção e aplicação de estratégias de aprendizagem e de leitura .1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental Dada a complexidade do processo de aprendizagem de Língua Espanhola. Demonstrar conhecimento sobre organização textual. deverá ele mostrar-se capaz de interagir com os colegas e o professor em situação intermediária de comunicação.158 11. no que diz respeito. Quanto ao aluno. Lectura para Aprendizaje y Lectura para Supervivencia. Desenvolvimento da metacognição da leitura com autonomia e compreensão global de textos autênticos relacionados à realidade do aluno nas categorias: Lectura por Placer. aos aspectos que afetam o significado do léxico e da fonologia. as técnicas. Demonstrar consciência lingüística e crítica dos usos que faz da Língua Espanhola que está aprendendo. demonstrar conhecimento dos padrões interacionais e de tipos de textos orais e escritos. pertinentes a contextos específicos de uso da Língua Espanhola. ambos conscientes de que a gramática deve estar a serviço da comunicação autêntica. observar e aplicar procedimentos de iniciar. bem como. com o intuito de levar o aluno a refletir sobre a importância de ter clareza sobre o processo de aprendizagem no qual está inserido como sujeito ativo e co-autor de sua própria aprendizagem. aplicar o conhecimento sistêmico sobre a organização textual e sobre como e quando utilizar a linguagem escrita nas situações de comunicação real. e ainda. a relação professor/aluno e os critérios de avaliação. da elaboração de hipóteses e da mediação do professor. por meio do reconhecimento de como a informação é apresentada.

organização frasal. os princípios. Quanto ao aluno. 11. fazendo modificações necessárias até considerá-los suficientemente melhores por meio da pré-correção feita pelo professor. da autocorreção feita pelo aluno. Observação dos tempos adequados a cada modalidade de textos. ao que se refere às questões sobre ética. . concordância verbal.4. a finalidade. panfletos explicativos e informativos. Flexão de gênero (masculino e feminino). considerando o destinatário. Flexão de Número (Singular e Plural). com ênfase no tempo futuro. saúde. da pós-correção e de técnicas de correção em pares. trabalho e consumo. estabelecendo relações com textos nos tempos presente e passado. sinais de pontuação. substantivo e adjetivo). as características e os elementos que estruturam os diferentes tipos de textos. cabe ao professor especificar o funcionamento dessa língua. Scanning e Organização Textual). orientação sexual. Produção de textos coesos e coerentes como os epistolares. Desenvolvimento das práticas de aquisição da escrita. por meio da observação e aplicação gradativa de elementos textuais como: a coerência e coesão textual. as técnicas. a relação professor/aluno e os critérios de avaliação. Predição.159 adequadas (Compreensão Geral. paragrafação. introdução. e pronúncia que permitam a compreensão do que está sendo dito. bem como. pluralidade cultural. utilização de letra maiúscula. meio ambiente.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental Dada a complexidade do processo de aprendizagem de Língua Espanhola. Oportunidade de acesso aos aspectos culturais dos países de Língua Espanhola. com o intuito de levar o aluno a refletir sobre a importância de ter clareza sobre o processo de aprendizagem no qual está inserido como sujeito ativo e co-autor de sua própria aprendizagem. Revisão para reescrever os próprios textos e/ou de outrem. desenvolvimento e conclusão das idéias que referenciam o texto. por meio das linguagens verbal e não-verbal. Morfossintaxe da Língua Espanhola: Concordância Verbal (sujeito e predicado). Skimming. ortografia e grafia. Concordância nominal (artigo e substantivo. as premissas. deverá ser capaz de compreender e produzir textos orais com marcas entonacionais. correção colaborativa e outros.

estabelecendo. e de se antever as dificuldades que o leitor possa ter. se pensarmos na avaliação como “um ato diagnóstico. em lugar de considerá-lo um aspecto negativo dentro do processo. 1996. bem como. Produzir textos coesos e coerentes. 12. como e qual o propósito da aprendizagem. e ainda. Com efeito. como instrumento importante na construção do texto escrito. aplicar a metacognição no processo da escrita que evidencia a relação entre o que se está aprendendo. p. ser coerente em relação à maneira como promove o insumo em aula e à elaboração das avaliações que propõe. bem como.173). bem como. deve esse professor ter clareza sobre o que quer que o aluno aprenda. auxiliando nos alunos. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DO ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA Nelagley Marques Maria das Dores Dias Acosta Para que o professor possa pensar sobre sua prática avaliativa. perceber que o conhecimento é uma construção social viabilizada na própria tarefa de produzir um texto em conjunto. e na compreensão de que a tarefa de produção escrita requer aprimoramento do texto produzido em razão da necessidade de se perseguir a clareza. aplicar os metaconhecimentos adquiridos ao longo da seriação escolar. fazendo uso de elementos que estruturam os diversos tipos de textos e por meio de estratégias de desenvolvimento da habilidade de escrita. a compreenderem e aceitarem o erro como fator necessário à realização do objetivo almejado. independentemente da habilidade que enfocamos em nossas aulas. Além disso. demonstrar consciência crítica em relação aos objetivos do texto e ao modo como escritores e leitores estão posicionados no mundo social. que tem por objetivo a inclusão e não a exclusão” (LUCKESI. Revisar os próprios textos. precisa refletir sobre o impacto de suas ações na aprendizagem dos alunos.160 Demonstrar consciência de que a leitura não é um processo linear que exige o entendimento de cada palavra. como pilar desse processo. no processo de ensino e aprendizagem de língua estrangeira. estaremos. a abordagem social dos conteúdos e sua aplicabilidade. demonstrar conhecimento sistêmico necessário para o nível de conhecimento fixado no texto. .

democrático. Diante dessas considerações. conhecer as características de cada aluno. Nesse sentido. O aluno. a nota é uma conseqüência da avaliação. Destarte. avaliar por habilidades não implica que elas devam ser examinadas separadamente. A avaliação só tem sentido com a finalidade de diagnosticar o nível de desenvolvimento e os fatores que estão impossibilitando o sucesso da aprendizagem.161 A avaliação deve funcionar de forma holística. pelo fato de. pelo aluno e. levando a que se desconsiderem os dados e registros representativos dessas dificuldades anteriores e superadas. promover mudanças no planejamento das aulas. ao professor. para que o conceito de avaliação autoritário seja substituído por um conceito dialógico. O professor tem. não a razão de sua existência. visando a contribuir para o êxito do processo. 1996) elucida que a avaliação não pode considerar apenas os objetivos propostos. retroalimentar a prática. as intervenções necessárias com vistas às melhorias do insumo promovido. A avaliação permite. bem como. uma importante missão: propiciar avaliações de maneira a verificar como o aluno se movimenta frente às novas aprendizagens. seu ritmo de aprendizagem. o professor precisa estar convencido de que o aluno pode ser um coparticipante nesse processo e se disponha a ceder parte do seu poder a esse aluno. que considera o aluno nas decisões. Santos Guerra (1992 apud LUCKESI. Destarte. Em se tratando de avaliação qualitativa e formativa é recomendado e mais coerente planejar avaliações em que apareçam habilidades integradas. tanto no que se relacione à aquisição dos conhecimentos. deve ser um processo de reflexão sobre a prática docente. em outro momento. agir sobre tais fatores nas etapas seguintes do processo por meio de intervenções. em cada etapa do processo. mas a formação integral do aluno. não deve voltar-se exclusivamente para o aluno. dentro desse processo. não fragmentada. não deve usar os resultados da prova contra o aluno. seu desenvolvimento. A priori. mas oportunizar a identificação das dificuldades apresentadas. objetivando compreendê-la e melhorá-la. o aluno vir a evidenciar uma superação das dificuldades. no qual todos os elementos envolvidos avaliam e são avaliados. deve ser um processo contextualizado. os resultados das avaliações devem ter caráter provisório. bem como. mas para o contexto como um todo. Por conseguinte. é necessário que professor e alunos estejam convencidos da necessidade de mudança e. como nas atitudes e habilidades. Portanto. posteriormente. principalmente. . preparados para ela.

portanto. é preciso que o professor reflita sobre mudanças no método de ensino e de avaliação. lentamente. uma oportunidade de reversão. Assim. Somente dessa maneira a prática será capaz de gerar. é pertinente ao trabalho do professor. redimensão de ações e direção. estar convencido e disposto a assumir sua condição de sujeito. mudanças de atitudes em relação àqueles envolvidos. pressupostos e crenças acerca do processo avaliativo para que. implementação de mudanças necessárias. colaborar com o desenvolvimento de atitudes de respeito mútuo. . tendo em vista tomar decisões suficientes e satisfatórias para que possa avançar no seu processo de aprendizagem. bem como. mas diagnóstica. p.162 por sua vez. enfim. reconsideração. Avaliar dessa maneira implica coletar informações sobre a prática para a prática e. relativamente à avaliação em Língua Estrangeira. elaborar atividades que promovam a proximidade entre culturas. Com efeito. precisa. de agente em seu processo de aprendizagem. um mecanismo propulsor da formação ativa e crítica do aluno. também. a avaliação não terá mais uma função meramente classificatória. sobre conceitos. a cultura de aprender do aluno seja alterada. p. ou seja. a avaliação deve ser um meio de ampliação da participação do aluno no seu próprio processo de aprendizagem de Língua Estrangeira. um momento educativo por excelência. o trabalho se dá num processo dinâmico. aos poucos. sobre suas abordagens. contínuo para tomada de consciência.122): A avaliação deverá ser assumida como um instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem em que se encontra o aluno.81 apud Scaramucci 1998. como salienta Luckesi (1996. Por fim.

1997. Formação de professores e profissão docente. A. 2005. Campo Grande: UCDB. Departamento de Letras Anglo Germânicas – UFMG. Portugal: Dom Quixote. 1999. A. L. Monografia de conclusão do Curso de Especialização Lato Sensu em Tendências Contemporâneas do Ensino da Língua Inglesa. Lingüística Aplicada: ensino de línguas e comunicação. 1991. C. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira/Secretaria de Educação Fundamental. 2005. Reflexões e experiências. . Campo Grande: UNIDERP. In: _____. MARQUES. O professor de língua estrangeira em formação. SP: Pontes. London: Prentice – Hall International (UK) Ltd. PAIVA. MOITA LOPES. V. José Carlos Paes. LUCKESI. Cadernos de cultura. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 1981. BRASIL. L. Universidade para o desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal. São Paulo: Mercado das letras. (coord). de (org). Trabalhos em lingüística aplicada. A Formação Continuada para promover a reflexão-na-ação do professor de Língua Inglesa: um estudo de caso. SP: Pontes e Arte Língua. 1992. Secretaria de Educação Fundamental. N. Oficina de lingüística aplicada. Minas Gerais: Pontes. ______. 1996. B. P. 1996. English Language Teaching Series. Implementação de pesquisa na sala de aula de línguas no contexto brasileiro. O.163 REFERÊNCIAS ALMEIDA FILHO. C. Campinas. P. D. nº 4. M. KRASHEN.. São Paulo: Cortez.C. J. Brasília: MEC/SEF. M. NÓVOA. L. A abordagem orientada da ação do professor. Lisboa. NEWMAN. Considerações a respeito do ensino-aprendizagem da língua inglesa no Brasil. ______. C. In: ALMEIDA FILHO. Campinas. S. P. Principles and Practice in the Second language Acquisition. SP: Pontes. Os professores e a sua formação. Campinas. 2001. Ensino de língua inglesa. In:______. O guardador de inutensílios. Parâmetros atuais para o ensino de português língua estrangeira. (org). CAVALCANTI. 2001. MOITA LOPES. 1996.

João Batista. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. A. M. O sentido de ensinar e de aprender língua estrangeira moderna – Inglês para professores da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande – MS. Trad. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. TARDIF. Tradução: KREUCH. LESSARD. ______. SCARAMUCCI. Preparando os Profissionais para as Demandas da Prática.. 3ª ed. RS: 2000. Donald. M. Os professores e a sua formação. (coord. In: NÓVOA. Avaliação: mecanismo propulsor de mudanças no ensino/aprendizagem de Língua Estrangeira. Petrópolis: Vozes. In: SCHÖN. V. Associação dos Professores de Língua Inglesa do Estado de São Paulo (APLIESP). 1992.n. de Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre. Formar professores como profissionais reflexivos. 2007. SCHÖN. 1998/1999. In:_____. Lisboa. C.). D. São José do Rio Preto: APLIESP. 2001. . C.]. Contexturas: ensino crítico de Língua Inglesa.164 SANTEE. António. A. Campo Grande. R. MS: UFMS [s. Portugal: Dom Quixote. M.

165 ARTES .

166 .

A arte não é uma produção fragmentada ou fruto de modelos aleatórios ou separados do contexto social nem é mera contemplação. de buscar soluções. As expressões artísticas e estéticas refletem as condições sociais do momento em que estão inseridas e é por meio de sua apropriação que o homem pode elevar-se de um estado de fragmentação a um estado de ser integral. apossando-se de experiências. estéticas. 4). . no sentido de fortalecer a coletividade humana. a arte não é destinada à auto-revelação. conseqüentemente. culturais. O que é Arte? Arte é linguagem. em seu bojo. ela é um fenômeno que se modifica historicamente. Como conteúdo. tem-se a idéia de que a arte comunica. pois ela o capacita para compreender a realidade e. porém. a arte. a partir de variados pontos de vista. 1991. dentro da sua especificidade. a realidade. o imaginário. ela própria. Arte é qualidade e exercita nossa habilidade de julgar e de formular significados que excedem nossa capacidade de dizer em palavras. E o limite da nossa consciência excede o limite das palavras (BARBOSA. torna social sua individualidade. nem se preocupa exclusivamente com as emoções e pormenores particulares da vida do artista. p. a religião. políticas e econômicas. e é conteúdo. é uma realidade social”. a política e a economia. propicia novas maneiras de ver o mundo. É por meio da arte que o artista. é trabalho. de mostrar e de refletir sobre a sociedade a que pertencemos. Arte é cognição. 57) considera que “a arte. é tão importante e necessária quanto a ciência. transformá-la. De maneira geral. expressa idéias e sentimentos. p.167 1. Ernest Fischer (1973. é uma área de conhecimento que integra diferentes instâncias intelectuais. pois os sujeitos que a produzem são históricos. arte representa o melhor trabalho do ser humano. A arte instrumentaliza o homem para compreender e transformar a realidade e tornála mais humana. é produção sensível. FUNDAMENTOS DO ENSINO DE ARTE Ana Lúcia Serrou Castilho Sidnei Camargo do Nascimento Vera Lúcia Penzo Fernandes A arte. na formação do homem. é uma forma diferente da palavra para interpretar o mundo.

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Ao assistir a um espetáculo teatral, por exemplo, o homem vive e revive emoções, identifica sentimentos, percebe realidades sociais, políticas, econômicas e culturais que podem levá-lo a superar aspectos cristalizados e estagnados de sua existência. Isso pode ficar evidente, também, nas artes visuais, como por exemplo, na fotografia de Sebastião Salgado, na série “Outras Américas” realizada em 1986, uma das fotografias registra crianças brincando com ossos. A imagem traz em si uma forte carga emocional que pode ser sentida e percebida pelo espectador em qualquer época; evidencia, também, a necessidade da reflexão sobre as relações de produção da vida humana, na sociedade capitalista, em âmbito social, cultural, político e econômico. A obra revela as contradições sociais, ou seja, expressa o aumento exacerbado da falta de acesso, apropriação e produção dos bens materiais e imateriais, por parte de determinadas parcelas da sociedade. Ao ver a obra o espectador não vê apenas uma realidade, mas vê a representação da exclusão social, da fragilidade e da possibilidade de criação. Segundo Vigotski (2001b), a obra de arte é um sistema organizado de impressões externas ou interferências sensoriais que, pela sua organização e construção, estimulam reações específicas distintas das que habitualmente ocorrem no cotidiano do indivíduo. Essa reação estética configura-se em uma atividade construtiva sumamente complexa que reúne e sintetiza os elementos da totalidade artística. Se uma melodia nos diz algo é porque nós mesmos sabemos arranjar os sons que nos chegam de fora; mas esta reação estética não visa repetir alguma reação real, mas superá-la e vencê-la.

O que é conhecimento artístico e estético? O conhecimento artístico é uma manifestação estética da consciência humana, evidencia o conhecimento sensível e criador do homem, compreendido como produção da cultura e do conhecimento histórico.

A arte é uma área de conhecimento, vez que, conforme Souza (2005), todo conhecimento nasce da relação estética com o mundo, ou seja, para conhecer o mundo é preciso senti-lo. Essa relação estética refere-se ao conhecimento sensível e criativo específica dos seres humanos, onde seus traços são construídos, mantidos e questionados, segundo suas bases históricas e culturais. Num sentido mais amplo, a arte possibilita o contato com situações, com objetos e acontecimentos comuns a toda humanidade que, de outra maneira, uma pessoa não poderia sentir, ver ou ouvir. Por exemplo, as tragédias gregas evidenciam emoções que mesmo

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passados séculos ainda são atuais. Isto pode ficar evidente, também, ao fazermos a leitura das obras de Willian Shakespeare,13 as fábulas de Esopo, são criações que inspiram pintores, músicos, poetas e outros. O conhecimento artístico e estético é necessário para o desenvolvimento humano e pode ocorrer no processo de ensino e aprendizagem, por meio da escolha de formas de expressão artística, como o desenho, pintura, cinema, multimídia, música, dramatizações, performances, entre outros; da multiplicidade de experimentações estéticas, tendo em vista os elementos das diferentes linguagens artísticas; da compreensão histórico-cultural, por meio da leitura de imagens e do aprofundamento do conteúdo estudado, levando a romper paradigmas e ampliar o alfabeto corporal, visual e sonoro. Nesse sentido é importantíssimo se pensar na educação estética. A educação estética, segundo Leontiev (2000), é o contato com a arte que, adequadamente vivido e assimilado, se insere no processo mais íntimo do desenvolvimento pessoal; promove a auto-realização e ajuda o aluno a desenvolver melhor as suas potencialidades. O objetivo da educação estética é ensinar a capacidade de perceber e entender arte e a qualidade do sensível.

O que é estética? A estética estuda a natureza do belo e os fundamentos da arte. Etimologicamente a palavra vem do grego aisthesis, cujo significado é faculdade de sentir, compreensão dos sentidos, percepção totalizante.

A educação estética oportuniza uma experiência que não é uma simples manifestação da sensibilidade desconectada da sociedade, mas que sintetiza um conjunto de relações significativas e universais; propicia a oportunidade de interpretar os elementos das linguagens artísticas e preparar a aluno para interpretar a sua vida cotidiana para além do senso comum. Vigotski (2001a, p. 238) afirma:
[...] quando se fala de educação estética dentro do sistema de formação geral, sempre se deve levar em conta, sobretudo, essa incorporação da criança à experiência estética da humanidade. A tarefa e o objetivo fundamentais são aproximar a criança da arte e, através dela, incorporar a psique da criança ao trabalho mundial que a humanidade realizou no decorrer de milênios [...].

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William Shakespeare, (1564/1616) dramatrugo e poeta Inglês. Suas obras foram amplamente publicadas e traduzidas para todas as principais línguas do mundo

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Ao aluno deve ser disponibilizado todo um processo ensino e aprendizagem em que seja possível revelar, construir e apontar novos significados e sentidos ao olhar, à audição, aos movimentos e à nossa compreensão de sociedade. Assim, é fundamental para sua formação, a interação com a vasta gama de textos e imagens, sons e movimentos, tanto no espaço da escola como fora dela, de maneira a possibilitar a apreensão e compreensão da cultura na sua totalidade e a socialização do saber em arte. O professor precisa propiciar ao aluno um diálogo íntimo e profundo com produções culturais, para que estas ampliem horizontes particulares. Quanto maior for o contato com os bens culturais, à medida que esse aluno compreende e dialoga com a cultura que o cerca, como estão configurados os elementos construtivos e qual é o contexto estético, social e histórico, maior será o desenvolvimento e o seu aprendizado. A experiência estética é uma vivência individual e coletiva, pois a obra de arte não é percebida somente pelos órgãos dos sentidos, mas é uma atividade interior que entra em contato com a vivência do outro indivíduo. Segundo Fischer (1973, p. 13), “a arte é o meio indispensável para essa união do indivíduo como o todo; reflete a infinita capacidade humana para a associação, para a circulação de experiências e idéias”. Dentro dessa perspectiva, Vigotski (2006, p. 18) considera que, quanto mais o aluno “olha, escuta e experimenta, quanto mais aprende e assimila; quantos mais elementos reais disponham em sua experiência, tanto mais considerável e produtiva será, como em outras circunstâncias, a atividade de sua imaginação”. Isso pode ocorrer por meio do oferecimento de diferentes possibilidades de leitura de imagens, por meio do contato com fotografias (publicadas em jornais, revistas), literatura, pinturas, quadrinhos, desenhos, esculturas, peças de teatro,música, dança, computador, televisão, filmes, imagens publicitárias (cartazes, outdoors, anúncios, charges), entre outros. Na música os sistemas simbólicos, principalmente a linguagem, tornam possíveis o entendimento do trabalho melódico e seu sentido dentro da cultura, onde o aluno se defronta, se acha. O acesso às produções artísticas e a diversidade de referenciais culturais são determinantes para o desenvolvimento da criatividade do aluno. É importante compreender que o próprio processo de criação possibilita inúmeras aprendizagens sobre a arte; segundo Vigotski (2001a, p. 352):
[...] a chave para a tarefa mais importante para a educação estética: introduzir a educação estética na própria vida. A arte transfigura a realidade não só nas construções da fantasia mas também na elaboração real dos

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objetos e situações. A casa, o vestiário, a conversa e a leitura, e a maneira de andar, tudo isso pode servir igualmente como o mais nobre material para a elaboração estética.

Convém ressaltar que atualmente há uma forte apelação a padrões de beleza idealizados pelos veículos de comunicação; quanto a isto Vigotski (2001a, p. 352), adverte:
Nesse caso, é indispensável, levar em conta o mais sério perigo que vem do artificialismo introduzido na vida, e na criança se transforma facilmente em afetação e denguice. Não há nada de mais insípido do que a “falsa beleza” introduzida na brincadeira, no andar de uma pessoa, etc. O que deve servir regra não é o adornamento da vida, mas a elaboração criadora da realidade, dos objetos e seus próprios movimentos, que aclara e promove as vivências cotidianas ao nível de vivências criadoras.

A escola e os professores são os mediadores que devem oferecer perspectivas teóricas e práticas, discussões e experiências com atividades que promovam o entendimento das tradicionais e das novas formas de expressão artística, onde o processo de criação possa ser compreendido e desenvolvido.

1.1 As Linguagens Artísticas A arte é uma linguagem “quando interage com codificações e propõe significações” (SOUZA, 2005, p. 30). As linguagens artísticas – música, teatro, dança artes visuais, audiovisual – são traduzidas pelas formas de expressão ou pela reunião de sinais associados a outros acontecimentos reais ou imaginários, materiais ou imateriais. A linguagem, segundo Dondis (2003) “é um modo de comunicação que conta com uma estrutura relativamente bem organizada”, sendo assim as linguagens artísiticas se constituem por meio de codificações, que são associações estabelecidas em uma relação. Um código precisa de uma associação com um conjunto de formas de expressão unidas às imagens e conceitos aos quais passa a dar significado. Uma obra de arte, por exemplo, adquire significado ou expressa alguma coisa quando está circunscrita no universo sócio-cultural do sujeito, ou seja, quando os elementos representados adquirem significado tendo em vista a compreensão dos signos sociais interiorizados. Os signos ou instrumentos simbólicos são estímulos artificiais ou naturais dotados de significados, que constituem atividades mediadas. Para Vigotski (1996), o signo é chamado “instrumento psicológico”, cuja função é auxiliar o homem nas suas atividades psíquicas. São os instrumentos psicológicos que têm por função afetar o comportamento humano e não modificar o objeto da operação psicológica, devido ao que, tornam-se mediadores da atividade interna dirigida para o controle do próprio indivíduo.

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Os signos podem ajudar o homem a controlar sua atividade psicológica e ampliar sua capacidade de atenção, memorização etc. O desenvolvimento das funções intelectuais é mediado socialmente pelos signos e pelo outro. Quando um aluno internaliza as experiências fornecidas pela cultura, reconstrói as ações realizadas externamente e individualmente, aprende e consegue organizar os próprios processos mentais. No teatro os signos são revelados por meio do som, do figurino/roupas, na expressão corporal, nos gestos, nas palavras, maquiagem, acessórios, penteados, no próprio ambiente, como um cenário ou uma iluminação. Esses elementos possuem significados que contribuem para contar uma história, desenvolver uma nova cena, ajudam a formar um ambiente histórico e são estímulos que levam aos alunos a entrar e viver uma história e fantasia. A Música se serve de um sistema de signos sonoros que se combinam e se transformam em linguagem. A obra de arte só poderá ser compreendida e apreendida por um ouvinte com sensibilidade artística e musical, que depende de fatores tais como a inteligência, o ambiente sócio-cultural, a língua, a tradição, cultura, educação e outros fatores. Em artes visuais os signos estão presentes tanto nos elementos compositivos da imagem, quanto na utilização de imagens como representantes de um determinado significado aceito socialmente. Sendo assim, o signo adquire uma dimensão simbólica que permite que o espectador compreenda elementos de uma dada cultura, ou ainda, que possa por meio da compreensão desses símbolos compreender alguns aspectos de sua própria cultura. As linguagens artísticas devem ser entendidas como um conjunto de saberes a serem trabalhados pelo professor, a fim de que os alunos possam ressignificá-los e atribuindo-lhes sentido no processo de ensino e de aprendizagem. As linguagens artísticas podem levar à educação estética, ou seja, ao aprimoramento do conhecimento sobre arte, valorizando a percepção e a sensibilidade, por meio do fomento da criatividade e a autonomia na produção e na fruição da arte.

1.2 Artes visuais
“A arte não reproduz o que vemos. Ela nos faz ver”. Paul Klee

As artes visuais envolvem todas as formas de expressão que utilizam a produção de imagens visuais bidimensionais ou tridimensionais, com o uso de tecnologias diversificadas, como pincel, lápis, mouse, tinta, computador, argila, carvão, cola, papel, madeira etc. Envolvem as formas de expressão como escultura, pintura, gravura, infogravura, cinema,

à articulação. 1996). para utilizá-los criativamente. pela criação de letras para melodias e vice-versa. assim. bem como pelo conhecimento das suas propriedades (altura. desenho. intensidade e timbre). fotografia. abrangendo. que possibilitam a improvisação. aqui. instalação. Há que se primar pela escuta consciente dos sons percebidos. Conforme nos mostra Meira (2006). a visualidade e a capacidade em representar as formas de olhar. os materiais e de utilizá-los criativamente. intervir e transformar a natureza. As artes visuais enfocam. ao registro e à produção dos sons de modo a criar ou reconhecer uma estrutura musical auditivamente. duração. 1992). como um grupo de conhecimentos ligados à organização. basicamente. As atividades de composição musical também exploram as diferentes formas de criação musical. performance. assemblage e outros. Essas formas de expressão representam a organização das diferentes concepções estéticas e artísticas que foram e são produzidas nas relações e práticas sociais e denotam o processo criador que emana dessas práticas. o ensino de artes visuais requer uma educação estética. tanto na apreciação como na produção artística. As formas de expressão musical são produzidas historicamente e todas as obras musicais estão inclusas num determinado tempo e espaço cultural (FREIRE.3 Música “A música é a revelação superior a toda sabedoria e filosofia”. um cultivo da própria sensibilidade e leituras necessárias para a formação sobre e para o exercício crítico e sensível do fazer artístico. história em quadrinhos. da intervenção e da transformação da natureza e dos materiais sonoros. de fragmentos ou trechos rítmicos entre outros). colagem. 1. na escola. Seu ensino não pode estar restrito aos elementos da linguagem visual. interferência.173 vídeo. a simples percepção e memorização da escuta e descoberta dos sons presentes no cotidiano não se caracterizam como conhecimento (SOUZA. variações e a intencionalidade desses sons numa estrutura musical. A música enfoca a musicalidade por meio da vivência. grafite. Essa escuta proporcionará a identificação da organização desses elementos nos repertórios pessoais e culturais. . A linguagem musical é percebida. Beethoven Na linguagem musical. interpretação (de uma canção.

um exercício de convivência democrática. oferecida obrigatoriamente por força da Lei 5692/71. eu luto" (SLADE. visando contribuir para o desenvolvimento humano e para a compreensão de mundo. Hoje. mais especificamente na década de 70. o ensino do teatro aponta uma nova forma de saber. Objetiva. . p. alargar sua audição. A dramatização é inerente ao ser humano. podendo chegar à organização de partituras individuais e coletivas contemporâneas ou não. através de shows. concerto. por meio de uma contínua pesquisa. do contato com os compositores. fazendo-os sair do etnocentrismo musical. uma vez que estas músicas questionam os modos de produção e percepção estética.1978. A ligação entre o que significa ser humano e a prática teatral é tão profunda que a própria palavra pessoa vem de “persona”. A palavra drama. as propostas educacionais devem compreender a o teatro como uma combinação de atividades para o desenvolvimento global do indivíduo. investigação e experimentação. da abordagem ativa das obras.174 atividades vocais e instrumentais. desinibe. 1. um processo de socialização consciente e crítico. fortalece a idéia de cidadania participativa e colaboradora. Na música é necessário iniciar os alunos nas novas linguagens da música contemporânea. Constantin Stanilawsky A palavra teatro tem sua origem no vocábulo grego theatron que significa "local de onde se vê" (platéia). só que melhor”. com este encaminhamento. é somente a partir de meados do século XX.18). cujo significado é a máscara grega usada pelo ator (ROSENBERG. O teatro na educação escolar básica nacional foi formalmente implantado no âmbito dos conteúdos abrangidos pela matéria Educação Artística. 2001). quer dizer "eu faço. ampliar as possibilidades de percepção do aluno.4 Teatro “O teatro para crianças é como o teatro para adultos. que se ampliam os estudos e investigações a respeito das inter-relações entre Teatro e Educação. produtores e intérpretes. O ensino do Teatro passou a fazer parte na educação escolar brasileira pelos jesuítas no século XVI. com a implementação de uma pedagogia que valoriza a arte como instrumento de catequização. Assim. também oriunda da língua grega. está presente desde os primórdios da humanidade e contribui para o desenvolvimento global do indivíduo. A escola é o espaço que pode propiciar o contato sistematizado com o teatro e seu ensino deve estar centrado nos saberes específicos da linguagem teatral. Mas.

originadas pelo meio familiar. a holografia16. Segundo Reverbel (2007). lanterna.175 É. são exemplos de tecnologia: computador. o vídeo. lâmpada incandescente. A sociedade é notadamente caracterizada por mudanças e o uso das novas tecnologias está promovendo transformações no modo de adquirir conhecimentos tecnológicos. avião. por exemplo. foram substituídas por escolas de informática. também. O processo de desenvolvimento das capacidades de expressão é mais importante do que o produto final.5 A arte e as novas tecnologias Cada inovação tecnológica bem sucedida modifica os padrões de lidar com a realidade anterior. 16 Holografia é uma técnica para registrar em filme a informação relativa a um objeto ou cena. por meio de conteúdos que buscam a prática teatral como forma de ação cultural e como instrumento de transformação social. principalmente no caso dos computadores. pode contribuir de maneira ímpar para que os alunos utilizem e compreendam o uso das tecnologias como instrumentos de acesso ao conhecimento. a televisão. O ensino de Arte. máquina de radiografia. celular. pela câmera digital (fotografia). automóveis. Nessa perspectiva. importante para construção do conhecimento e para o desenvolvimento da percepção criativa.1977) foi diretor inglês e considerado o mais famoso ator dos primeiros momentos do cinema hollywoodiano. máquinas digitais etc. o cinema. através da prática de atividades dramáticas. pois envolve amplamente a comunicação em seu processo verbal e nãoverbal. para explorar as possibilidades de movimentos e gestualidades traduzidas em expressões corporais. personagem criado pelo cineasta e artista Charlie Chaplin14 . lápis. ao acompanhar os processos de mudanças. sendo assim pode mediar uma incorporação crítica 14 Charles Spencer Chaplin (1889 . pela produção em videoarte. as escolas de datilografia. . movimentos. As tecnologias no ensino de Arte podem ser representadas pelos sistemas digitais. os elementos culturais são importantes na construção de conhecimento e no desenvolvimento do teatro. estéreo. escolar e social. televisão. 15 Eletrografia (fotocópia) A imagem produzida com esse processo fotográfico seco. telescópio. infogravura. A tecnologia atende novas necessidades e novas formas de se relacionar com o mundo. posições que na realidade normalmente não se combinam. Cada uma dessas novas e diferentes formas de visualidade e sonoridade revelam-se como formas artísticas que podem ser exploradas nas aulas de Arte. eletrografia15. muda o patamar de exigências do uso. pelos softwares educacionais. 1. os alunos vencem as suas dificuldades. Um exemplo disso é Carlitos. que é também uma composição fictícia de elementos: gestos. pela internet.

numérica. pois as poucas pinturas e desenhos expostos quase desaparecem em detrimento das produções multimídia. estimulando a compreensão imagética de diferentes naturezas no aluno. luminosidade. não destitui a 17 Obra de arte bidimensional com edição limitada. O uso das tecnologias no ensino de Arte envolve a construção do conhecimento. isoladamente e em movimento. Por exemplo. 20 Biena Internacional de Arte de São Paulo é uma exposição de arte que ocorre a cada dois anos na cidade de São Paulo. 19 O pixel . acrescenta à dimensão do fazer. cujo constituinte básico é o pixel19. Ao planejar o professor pode incluir a arte digital. um exemplo é a Bienal de 2007. motiva o aluno a conhecer e estudar arte. a animação ou tratamento visual. O uso do computador. no entanto. as gravuras ou digigravuras17 de Humberto Espíndola18. a própria morte da pintura. porém. mostra que o professor tem um importante instrumento no processo de desenvolvimento intelectual do aluno. da instalação e outras formas contemporâneas de arte. como por exemplo. Através da criação sintética. 18 Humberto Augusto Miranda Espíndola nasceu em 04/04/43. além de muita criatividade. depende tanto das informações recebidas quanto do acesso ao conhecimento sobre arte e estética. impressa a partir de matriz digital e resultante da manipulação de imagem de sua própria autoria através de softwares gráficos. As últimas bienais de São Paulo20. forma. È o segundo maior evento de artes visuais do mundo. . a cooperação. para alguns. Dentro desta perspectiva. numerada e assinada pelo artista. A utilização dos meios tecnológicos. a imagem do vídeo vem determinar uma mudança fundamental na nossa forma de percepção. o vídeo digital é uma tecnologia muito recente.176 das novas linguagens impostas pelo atual desenvolvimento tecnológico. que já é uma realidade na escola.picture element. A profusão da videoarte. já vem se mostrando uma linguagem promissora no campo das artes visuais. tamanho. possibilitando maior liberdade de criação para o trabalho com a imagem. criando ambientes de aprendizagem que desenvolvam a autonomia. a criticidade. a experimentação e a possibilidade de dinamizar o acesso ao patrimônio cultural da humanidade. com o som e com o próprio corpo. Essas novas formas imagéticas e de tratamento da imagem configuram. conhecer e entender as novas formas de relação com a imagem. permite a manipulação estrutural de imagens de vídeo em seus valores de cor. da infogravura. bem como atualiza os métodos e os conteúdos curriculares. a elaboração e a cognição. por gerarem novas formas de acesso às informações e por produzir conhecimento. Já no tratamento de imagens filmadas e digitalizadas pelo computador o referente da imagem deixa de ser a realidade e passa a se constituir na própria materialidade do meio. em Mato Grosso do Sul. criador e difusor do tema Bovinocultura. representam essa realidade.

fotos e vídeos. formando os chamados estúdios digitais. Entretanto. ou dígitos binários. cuíca. da imagem. Foi inventado por John Shore. é o carnaval brasileiro. O seu uso teve ampla influência na música. eram acompanhadas por instrumentos de percussão vindos da África e alguns instrumentos eram improvisados de utensílios domésticos como o prato. No campo da educação musical é necessário empregar os recursos tecnológicos para os alunos utilizando-os em relação a um produzir musical significativo. agogôs. As escolas de samba. mas provoca reflexões sobre o que vem a modificar os conceitos sobre arte. que serve para afinar instrumentos e vozes através da vibração de um som musical de determinada altura. são ligadas a um navegador portátil GPS22.177 pintura de ser uma arte. distribuição. um exemplo. A gravação digital é o processo de conversão ou armazenamento de uma informação ou sinal analógico em uma seqüência binária de dados. o equilíbrio entre graves e agudos. que transformam o som em bits. dos programas e dos textos. Nas composições atuais. as mudanças causadas por avanços tecnológicos devem-se às recentes possibilidades de digitalização da informação. Tal processo pode ser aplicado a textos. em suas origens. ao destacar as mudanças que estas tecnologias causaram nas técnicas de criação do som. afirmou que “a prática musical foi profundamente transformada pelo trio: seqüenciador. na sua relação com seus alunos e no processo de Instrumento metálico em forma de forquilha. para lhe dar novos formatos. as gravações digitais. ou mesmo em seus estilos e tendências. frigideira e faca. um instrumento que pode auxiliar no trabalho do professor. ganzá. cavaquinho. A gravação sonora e o surgimento de alguns recursos tecnológicos baseados na digitalização da informação também teve grande importância nas formas de lidar com a música. Estes equipamentos permitem que o músico atue sozinho na reprodução de uma orquestra inteira. Atualmente as escolas usam a tecnologia para não deixar o samba sair do ritmo. p. atabaques. sintetizador” (1993. sampler. tudo dirigido e regido unicamente pelo ouvido e o diapasão21. visto que a tecnologia é uma ferramenta. como a internet. 21 . seja nos seus mecanismos de produção. 104). que permite informações precisas e seguras sobre a harmonia do samba. não se pode considerar que o uso das tecnologias será a solução para os problemas do ensino de Arte. 22 O GPS (Global Positioning System) é um sistema de monitoramento via satélite. a harmonia rítmica. Diante disso. Lévy. Uma informação digital é muito útil porque permite manipulações computacionais bem como uma fácil transmissão por uma rede interligada. reco-reco.

existente no cotidiano do aluno. de maneira que o aluno possa conhecer. Proporcionar uma aprendizagem lúdica dos elementos das linguagens artísticas. por meio da educação estética.178 aprendizagem dos mesmos. necessitando para isso de uma proposta bem fundamentada e direcionada. o conhecimento e apropriação das políticas sociais e de inclusão. na cidade. promovendo reflexões sobre a relação entre arte e sociedade. Explorar os elementos das linguagens artísticas por meio de atividades com materiais e tecnologias diversificadas. na comunidade escolar. como significativas pelo caráter identitário e pela riqueza dessa diversidade na cultura brasileira e regional. local e regional. bem como a sistematização do acesso aos bens culturais: materiais e imateriais existentes na família. Favorecer o acesso aos espaços de divulgação e fomento de arte e cultura. contextualização e reflexão do conhecimento estético. para preservar e compreender a identidade cultural e estimular os alunos a conhecer a cultura popular. Difundir o respeito. historicamente produzido pela humanidade. Resgatar e valorizar a diversidade das manifestações culturais. africana e oriental. identificar e criar suas próprias produções artísticas. favorecendo o conhecimento estético visual da arte indígena. Valorizar a diversidade da manifestação cultural. no bairro. 2. articulando teorias com práticas que envolvam brincadeiras. respeitando as suas especificidades. OBJETIVOS DO ENSINO DE ARTE Os objetivos do ensino de Arte sintetizam as finalidades do processo de ensino e aprendizagem de arte na escola. jogos e atividades diversas de movimento e expressão corporal. por meio da articulação entre teoria e prática artística. Possibilitar a vivência estética para aprimorar a percepção sensível do mundo. O ensino de Arte deve: Contribuir para a apropriação. européia. ou seja. . promovendo a integração e a interlocução das diferentes linguagens artísticas.

estimular o desejo de enriquecer seu conhecimento no campo da arte. A questão envolve compreender que a sociedade capitalista agrega valores ao capital e as instituições públicas e privadas são organizadas e administradas pela lógica do mercado. ABORDAGEM SOCIAL DOS CONTEÚDOS POR MEIO DOS SEUS FUNDAMENTOS A abordagem social dos conteúdos de Arte envolve uma discussão sobre a relação arte. bem como propiciar que o aluno faça uso das tecnologias em suas próprias produções. que inicialmente possa explicar a necessidade dos conteúdos no contexto escolar. 3. Segundo Fischer (1987. . sobre outras culturas. isto faz com que incorpore valores que não são particularizados. exposições. Desenvolver atitudes éticas frente às produções artísticas produzidas pelos próprios alunos e por artistas. instrumentalizando-o para a fruição e para a criação artística. por meio de apreciações. Por exemplo. no aluno. a arte também se tornou uma mercadoria e o artista foi transformado em um produtor de mercadorias”. Incentivar o acesso às produções artísticas que enfoquem a arte e a tecnologia. 59) “em tal mundo. na qual os conhecimentos estéticos e artísticos foram destinados a uma pequena parcela da sociedade que conseguia ter acesso a seus códigos. música e teatro).179 Investigar que benefícios o suporte dos sistemas computacionais existentes nas unidades escolares pode proporcionar ao ensino da Arte (artes visuais. sociedade e educação. Despertar. a curiosidade e o prazer para buscar informações. a arte brasileira no século XIX incorporou o conceito de uma estética ocidental e a imposição de uma produção artística elitizada. trocar experiências. p. sociedade e educação é complexa e contraditória. A relação entre arte. fotografias e filmagens das produções artísticas dos alunos. Propiciar condições para que o aluno perceba e desenvolva seu processo de criação e adquira gradativa autonomia na produção artística nas diversas linguagens artísticas.

passando o currículo a ser apresentado como “lista de conteúdo” a ser rigorosamente seguido pelo professor. proporciona uma visão que envolve a totalidade dos conteúdos de Arte. principalmente pela massificação do gosto estético. a abordagem histórica do ensino de Arte. na adulteração do “eu”. .180 Para Benjamim (1980). que provocaram o esvaziamento do currículo para o ensino de Arte. Referentemente a essa questão. por meio de uma organização e seleção de conteúdos fragmentados e sem unidade teórico-metodológica. a valorização de modelos padronizados de beleza e consumo. Favorece tanto o acesso. que não podem ser vistos descolados de práticas sociais. com ênfase em fazeres puramente técnicos ou em atividades de livre expressão. articula valores culturais e estéticos produzidos historicamente com a produção artística. Tal esvaziamento desencadeou a escolhas de conteúdos dicotomizados de suas origens e fundamentos. o currículo vazio de teoria. de determinações sociais e culturais que produziram tendências pedagógicas. pois é afetada pelo capitalismo global. apresentada neste documento. tendo em vista a formação de alunos conhecedores e fruidores de arte. Por outro lado. Assim. A cultura de massa difunde a supervalorização do novo. Fischer (1987. quanto a apropriação e objetivação desses conhecimentos como expressões individuais da coletividade. Essas questões têm sido incorporadas pela educação. a procura do prazer sem esforço. às vezes assume o caráter de crítica social brutalmente áspera. Tal desumanização pressupõe o distanciamento do homem com a cultura que o constitui. 107) afirma: A desumanização da arte pode se manifestar não só na diminuição ou deformação do homem. de opiniões e gostos superficializados e da fragmentação do saber. como o escolanovismo e o tecnicismo. o capitalismo pode comprar a força de trabalho e o produto desse trabalho. Para romper com essa realidade. atualmente a arte reflete a fragmentação da ideologia crítica da criação estética e da reprodução em massa visando ao consumo. e conseqüentemente pelo ensino de Arte. transforma-se em um instrumento de controle e de alienação. Pode-se afirmar que essas práticas são fruto de políticas educacionais. Esses fatores levam a uma realidade social que pouco valoriza o conhecimento artístico e estético. não pode encarcerar a arte dentro de um mercado desumanizante. p. porém. como na atitude antihumanista que. desprovido de sentido e significados sociais. o imediatismo.

intelectual e espiritual dos homens de um determinado período da história. econômicas. Os conhecimentos científicos necessitam. políticas. mas como uma apreensão complexa da vida material. históricas. 287). a percepção da arte como riqueza humana. a dúvida. neutro. Vigotsky (2001b) compreende a arte como um elemento significativo na constituição do sujeito. dentro das novas condições de produção da vida humana. respondendo quer de forma teórica. despojando os conteúdos de sua forma naturalizada. ideológicas. enfocamos a relação entre a teoria e a prática artística e estética. mas representam um conjunto de relações significativas e universais. cria um campo de possibilidades em que a realidade pode ser transformada pela percepção singular. Os conteúdos não seriam mais apropriados como um produto fragmentado. um sentimento que se transforma em elaboração sensível. a-histórico. . entre a cognição e a sensibilidade. na construção e produção da humanidade. 2002. ser reconstruídos em sua plurideterminação. que se valorize a diversidade e a divergência. o questionamento. p. hoje. e devem ser explicitados e apreendidos no processo de ensino e aprendizagem. científicas. o impacto daquela sobre a formação da consciência de si e do outro. Para Pérez Gómes (2001. gera uma forte mobilização. objetividade e subjetividade. estéticas. que se integrem as certezas e as incertezas. Os conteúdos de Arte não são uma simples manifestação fragmentada da sensibilidade. Outra questão é que os conteúdos de Arte promovem a interação entre razão e emoção. quer de forma prática aos novos desafios propostos (GASPARIN. em Arte “os conteúdos dos currículos deverão ser selecionados tendo em vista a função artística. entre o fazer e o conhecer. Os conteúdos são sempre uma produção histórica de como os homens conduzem sua vida nas relações sociais de trabalho nos diferentes momentos históricos da sociedade e de como reúnem dimensões conceituais. culturais. conseqüentemente. 2). A percepção estética tanto da beleza como da fealdade. que contém a humanidade. Apropriar-se dele significa compreender que os sujeitos se constituem. p. sua capacidade para transmitir as criações históricas da humanidade e para transmitir e desenvolver o interesse e a amplitude da criação”. educacionais. ao longo de suas vidas. Essa forma de trabalho pedagógico exige que se privilegiem as contradições. revelando.181 Nesse sentido. tão criadora e importante quanto a ciência. no momento em que ela atua sobre o plano emocional e social. pronta e imutável. a partir de sua atuação em um mundo material e cultural. A abordagem social dos conteúdos implica na compreensão de que o conhecimento teórico-prático tem origem nas necessidades sociais. e.

pobreza. o impressionismo foi o primeiro movimento moderno a questionar as relações entre pintura e representação. em parte para destruir e construir. em parte para mudar ou re-utilizar velhas formas. isto é. sem essência. pela totalidade de sua eficácia como sons. tinha como objetivo de despertar sentimentos. utilização de novas tecnologias. como arte. imagens. Desse modo. discriminação social etc. o fator sentimento assumiria uma dupla utilidade. “a forma é a experiência social solidificada” (FISCHER. pela mídia que incorpora a ideologia dominante. Uma obra de arte não pode ser apreciada unicamente pela sua forma. Na Música. Para dar surgimento a novas formas é indispensável um novo conteúdo social. O movimento impressionista foi um movimento essencialmente pictórico. ou seja. A técnica precisa ser compreendida no âmbito do conteúdo. que surge na França quando Paris era o centro da vida artística e cultural ocidental. degradação do meio ambiente. conflitos étnicos de grupos religiosos. 176). a forma foi modificada pela matéria e pelo conteúdo. cada vez mais. Portanto. imprevista é um produto da atividade humana. o conteúdo e a forma de uma determinada obra de arte estão em consonância com uma conjuntura social determinada. a questão da forma e conteúdo pode ser analisada do seguinte prisma: por muito tempo acreditou-se na idéia de que os sentimentos são conteúdos da Música e que sua função. sem particularização. mediando a compreensão destes com o seu contexto. influenciados pela ação da mídia e pela cultura de massa. Um exemplo é a pintura impressionista. sem corporalidade e. 1973. p. bem como contribuir para o desenvolvimento afetivo-emocional. 210). p. mas que podem servir como pontos de partida para promover discussões sobre estética e arte. pois seria. A fotografia que surgiu em 1840 questionou e colocou em cheque a forma representativa da arte de pintar. forma é domínio da técnica. Tais questões são tratadas de maneira superficial e naturalizadas. por meio da qual entram em contato com questões complexas como: violência.182 Os alunos são. conteúdo e . adequa-se a um período histórico. Segundo Fischer (1973. significou um importante momento no diálogo entre arte e ciência e técnica. Nessa perspectiva os conteúdos de Arte devem ser organizados de maneira a terem sentido e significado a fim de despertar os alunos para as questões sociais. por mais vasto que seja um conteúdo. não pode ser fixado em si mesmo. na música. com um olhar crítico e sensível. A forma não é casual. Essas discussões sobre como abordar um conteúdo podem ser compreendida no âmbito da relação conteúdo e forma. ao mesmo tempo. O conteúdo é pessoal e social. levando os artistas da época a buscarem novos sentidos e significados para a expressão pictórica.

Desta forma. do papel do teatro na formação do aluno. Está intrinsecamente ligado ao processo de democratização. na . atribuindo-lhes novas funções. os professores de Arte são mobilizados a refletirem sobre música ao tempo em que adaptam a sua forma de trabalho. O sentimento não poderia representar o conteúdo da música. O desenvolvimento contemporâneo da obra musical deve ser marcado pela categoria em que ela manifesta ou deva manifestar uma postura. a forma e o conteúdo se acham integrados. a relação entre forma e conteúdo não é simples. também. um novo conteúdo pode lançar mão de velhas formas musicais. pois temos pouquíssimos profissionais habilitados em teatro. sem serem fragmentados. com mudanças de funções. nasce a partir de técnica que se transforma a partir dos textos em novas formas de compreensão das manifestações corporais. eles são os efeitos da forma e do conteúdo da música sobre quem a contempla.183 função. muitas vezes transforma-se num dos únicos meios de contato do aluno com o teatro. Na música deve-se analisar com atenção cada obra. pois este é o resultado da contemplação estética desta. O teatro reflete a realidade em que está inserido. da dimensão estética do ensino do teatro nas escolas e. isso não significa que a maneira de como o trabalho é desenvolvido seja plenamente satisfatório. A própria palavra teatro significa “local de se ver”. A escola. de diferentes modos concretos e relacioná-la minuciosamente com o desenvolvimento histórico da sociedade. bem como a evolução do espetáculo e da dramaturgia sem perder de vista o desenvolvimento dos processos sócio-afetivo-cognitivo dos alunos. um novo sentido de vida. modifica. todas essas questões podem propiciar a compreensão dos signos e as convenções teatrais. Dentro desta perspectiva encontra-se o de trabalho de Spolin (1992) que contribuiu para uma reavaliação. Nos conteúdos do Teatro. Especificamente. O conteúdo se cria na forma. na busca da educação musical dos alunos. A música também utiliza o meio físico e sonoro para transmitir sua mensagem. O conteúdo social da música pode ser mostrado exclusivamente na sua estrutura social e. os conceitos de tempo/espaço/ação cênicos. O conteúdo da música pode ser como uma mensagem subjetiva existente no contexto total da obra e está sempre se transformando em forma e a forma em conteúdo. como um todo e com as modificações das formas individualmente examinadas. Desse modo. ultrapassa obstáculos e limites com criatividade e serve como instrumento transformador. numa visão de totalidade. é um espaço público no qual se pode revelar e discutir as questões essenciais da vida e preparar a pessoa para desenvolver reflexões necessárias para exercer seus direitos e deveres de cidadão. por sua vez. Além disso.

Essa mesma relação. Sendo assim. Para representar as imagens utilizamse símbolos e signos que são internalizados e o indivíduo deixa de operar com signos externos. as imagens visuais. poderá pesquisar. O professor. pode ser dimensionada na relação teoria e prática. juntamente com o aluno. a mediação entre o sujeito que aprende e o conhecimento. grupos. os conceitos. ao passo que o sentido é subjetivo dependente das referências individuais e culturais. e vários sentidos. passando a usar as representações mentais. as palavras realizando atividades mais complexas. Outra consideração a ser feita refere-se ao processo de sentido e significado no ensino de Arte. ou ainda. tribos. situações. nem conhecimento sobre como ensaiar adequadamente uma classe de alunos ou como utilizar o teatro para ensinar conteúdos curriculares. um traço sobre o papel que assume formas orgânicas. analisar e fazer outras leituras dessa expressão artística. forma e conteúdo são aspectos imprescindíveis no ensino de Arte. articular atividade com perspectivas de ampliar as atividades de expressão do aluno com a possibilidade de comparar. ser uma extensão de vários pontos em apenas uma dimensão. No ensino de Arte é importante estudar e compreender diversos signos culturais manifestados em espaços geográficos e temporais (regiões. O ensino de teatro pode.184 maioria das vezes não há material apropriado para os professores atenderem ao parâmetro curricular. Segundo Vigotski (1996) quando não existe o significado deixa de existir. suas ações através de recursos internalizados. nas quais é capaz de controlar. ver. Os conteúdos devem desenvolver estudos que contemplem a atividade do aluno como um espectador e produtor diante de uma . então. personalidades. deliberadamente. conforme as referências de um grupo ou de um indivíduo: linha é uma abstração. então. Quem não tem compreensão da teoria não pode dimensionar sua prática. servindo para a representação de objetos da natureza. Por exemplo. sentir e escolher formas artísticas que lhe agrade e levar esse aluno a construir conhecimentos significativos com uma visão crítica e reflexiva. rituais) e produzidos em diferentes culturas. a linha pode ter um significado. O significado refere-se ao conceito historicamente produzido e socialmente sedimentado. religiões. quem desenvolve apenas práticas a partir de receitas e modelos prontos não consegue compreender as dimensões teóricas inerentes a estas práticas. nem teoria sem vinculação com práticas sociais. conhecer. compreendendo-se que não existe prática sem uma sustentação teórica. Será importante desmistificar a visão ou mitos difundidos de que o teatro é reservado a um determinado grupo social e que apenas aqueles que possuem talento podem ser artistas e terem acesso a conhecimentos sobre arte. é preciso compreender que teoria e prática. conteúdo e forma.

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determinada imagem, ou concerto musical, ou espetáculo teatral, para transformar este momento em experiência estética e em conhecimento. Partindo do princípio de que o bom aprendizado adianta o desenvolvimento (VIGOTSKI, 2001c), quanto mais intervenções, mais referenciais estéticos forem oferecidas aos alunos, mais aprenderão, então no ensino de Arte os conhecimentos desenvolvidos na escola devem concorrer para uma formação humana mais plena, contemplando as linguagens das Artes Visuais, da Música e do Teatro, cujos conteúdos devem estar articulados entre si e o professor atuando conforme sua formação acadêmica. Na busca da unidade e da totalidade do conhecimento no ensino de Arte, os conteúdos foram organizados, por uma questão didática, em dois eixos: - Eixo - Compreensão histórica e cultural da arte - Eixo - Produção artística Dentro dos eixos aparecem as subdivisões que se repetem ao longo do Ensino Fundamental, por meio de temáticas específicas para cada ano. Essas temáticas são apresentadas seguindo uma cronologia histórica, porém, isso não representa nosso entendimento sobre a história, que não é evolutiva nem linear, trata-se apenas de uma organização metodológica e didática do ensino de Arte. Cada temática ou conteúdo deve ser entendido a partir da sua historicidade dialética e pelas formas de expressão estéticas também na contemporaneidade. Desse modo, a arte campo-grandense pode ser estudada pelas suas particularidades numa relação intrínseca com as influências universais que a constituem. Por outro lado, os conteúdos e as formas artísticas podem ser redimensionados de acordo com as necessidades dos alunos, sob a orientação do professor. O eixo Compreensão histórica e cultural da arte evidencia a necessidade social de se abordar as questões teóricas dos conteúdos em suas dimensões política, histórica, econômica, cultural, estética, social e em processo de desenvolvimento em um determinado tempo e espaço, da singularidade à universalidade. Esta compreensão histórica e cultural, articulada à produção artística, propicia o entendimento de como a arte se instaura dentro da sociedade, de como as formas de expressão estética exercem influência e são influenciadas pelo meio sócio-cultural em que o aluno está inserido. Esse eixo engloba as manifestações artísticas que abordam valores estéticos historicamente construídos, presentes desde a realidade familiar individual até a arte contemporânea, como produção coletiva, numa seqüência cronológica distribuída ao longo de todos os anos do Ensino Fundamental. Isso não quer dizer que o conteúdo a ser ensinado deva

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estar restrito ao contexto ou ao fato histórico, mas deve-se estabelecer relações entre passado e presente que evidenciem a relação histórica constituída e constituinte da realidade concreta. O Ensino de Arte deve levar o conhecimento da História da Arte ao aluno, para que ele possa compreender e saber identificá-la como fato histórico, contextualizando-a nas diversas culturas. O conceito de História da Arte reflete a visão do historiador que a construiu, ou seja, refletem as idéias de época de quem a escreveu, assim como hoje também reflete idéias e aspectos sociológicos e culturais atuais. Porém, este olhar para o passado deve ser realizado sem comprometer a origem dos fatos, ou seja, é preciso ter clareza de que olhamos o passado com os olhos do presente, mas tendo clareza que os valores, a ética, a estética e os símbolos são redimensionados em cada época. Segundo Chanda (2005), nas abordagens da História da Arte, que outrora era centrada por idéias tradicionais e permeada por conceitos explicativos, atualmente o ensino de Arte busca uma “Nova História da Arte” cuja questão central está no interesse de um estudo de contemporaneidade a partir de sua historicidade. Um exemplo são as obras do artista Vik Muniz23, que re-visita obras de autores consagrados, para isso utiliza-se de materiais e recortes que redimensionam a obra do artista, fazendo reflexões sobre a secularização de valores estéticos humanos. No estudo da História da Arte, segundo Smith (2005), já não compete mais ficar preso às biografias dos artistas, como se pode observar em algumas práticas atuais e tradicionais, mas deve-se possibilitar ou potencializar variações de leituras e significados através de signos e contextos. O professor pode, por exemplo, usar obras de arte do passado para provocar reflexões sobre algum tipo de manifestação artística que pertence ao universo de práticas sociais que o aluno tem contato. Este conhecimento permite compreender quais as questões estéticas estão em pauta, ou seja, quais são as determinações históricas que constituem o processo de construção deste conhecimento estético. Esse processo contribuirá para que o aluno, ao desenvolver suas produções artísticas, possa revelar o seu entendimento sobre os conteúdos da arte e da crítica de arte. O processo de construção social do conhecimento estético e artístico é marcado pela fragmentação e pela falta de compreensão da dimensão cultural do ser humano sob a influência do fator econômico, social, estético e político. Diante disso é preciso entender que o homem se constitui nas relações sociais, na relação entre o universal e o particular de cada
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Vik Muniz, nascido 1961 – Artista brasileiro em São Paulo SP - Publicitário de formação, atua como fotógrafo, desenhista, pintor e gravador.

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manifestação cultural, ou seja, o que é individual é social. Nesse sentido Lukács (1978, p. 189) afirma a particularidade como categoria central da estética, uma vez que a particularidade “por um lado, determina uma universalização da pura singularidade imediata aos fenômenos da vida, mas por outro supera em si toda a universalidade”. O universal é a produção humana que resiste, evidencia e supera as transformações históricas. Os artistas, por meio de suas obras, conseguem romper as barreiras da singularidade e se tornam universais pelo aspecto de sua particularidade, como o poeta Manoel de Barros24. É dessa relação entre o universal e singular que ocorre o processo de construção da identidade cultural. Segundo Menegazzo (2006), definir identidade cultural não se refere a forjá-la, mas entender que é construída pelas práticas que são compostas pelo modo de pensar, agir e perceber o mundo dos indivíduos e dos grupos sociais, ou seja, são as práticas sociais que constroem a identidade, seja nacional, regional ou local. Um exemplo é o artista plástico Henrique Spengler25, que fez um estudo estético de identidade cultural e escolheu o geometrismo abstrato da simbologia das nações indígenas como ícone representativo da região sul-mato-grossense. Criou uma visão contemporânea de expressão universal ao reinventar imagens baseadas em abstrações das cerâmicas, couros e tatuagens da tribo Kadiweo-Mbayá, originária do Sudoeste de Mato Grosso do Sul. A arte é uma parte relevante da cultura (SOUZA, 2005, p. 29), sendo que cultura é toda a produção humana materializada em usos, costumes, obras artísticas, objetos utilitários, etc. A cultura é o dia a dia que vai tecendo histórias, cantando cantigas, rimas, expressões faciais, gestos, posturas corporais, ritmo, e outros. Outra questão, dentro deste eixo, envolve os elementos compositivos e constitutivos das linguagens artísticas. Esses elementos já foram os grandes norteadores dos conteúdos de Arte, mas, dentro da abordagem social esses elementos são estudados em consonância com suas origens históricas, como, por exemplo, a existência da linha desde as primeiras representações gráficas da pré-história até em expressões contemporâneas, como na obra de Fernando Diniz26, ou em desenhos de Albert Dürer27, ou no surrealismo de Miró28 ou, ainda, no grafismo kadiwéu29.

Manoel Wenceslau Leite de Barros é poeta, nascido em 1916, em Cuiabá/MT. Henrique Spengler (1958 - 2003), nasceu em Campo Grande, MS. Suas produções artísticas baseiam-se na Iconografia nativa Mbaya Kadiweo Guaicuru. 26 Fernando Diniz, nasceu na Bahia -Brasil (1918/1999) para informações pode-se consultar o acervo da DVDteca do Instituto Arte na Escola, o DVD Estrela de Oito Pontas. 27 Albrecht Dürer, nasceu na Alemanha (1471 e 1528) a figura central da renascença alemã, foi intor, gravador e ilustrador.
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Um outro exemplo é o estudo da perspectiva, que pode ser mais bem compreendida quando estudada no contexto da produção artística renascentista, como na obra de Da Vinci30 e redimensionada na obra de Van Gogh31 e de M. C. Escher32. Ou seja, os elementos compositivos serão estudados ou aprofundados conforme se manifestam ao longo da história da arte, cabendo ao professor definir um processo de ensino que privilegie a cada ano um gradativo aprofundamento sobre esses elementos, que também, serão dimensionados em conformidade com a utilização de formas expressivas da contemporaneidade. Nesse eixo, a apreciação estética (artes visuais, música e teatro) configura-se como essencial no processo de aprendizagem, a fim de propiciar uma reflexão crítica do contexto social por meio de leitura de imagens, de sons e movimentos existentes em filmes, desenhos animados, comerciais; obras em galerias de artes e museus, folders, cartazes, obras de arte, reproduções de obras de arte; fotografias entre outros. Nesse sentido, Vigotski (2001a, p. 352) afirma:
Uma vez que interpretação de uma obra de arte é um procedimento irrealizável de interpretação lógica ela exige um aprendizado especial, a elaboração de habilidades específicas, de recriação de obras de arte e, neste sentido, as aulas de observação de quadros e “leitura lenta”, introduzidas em algumas escolas européias, são um modelo de educação estética.

A apreciação estética não está baseada em suposições, nem em uma leitura objetivista e mecânica da realidade, mas deve possibilitar que o aluno interaja e reflita sobre arte, deve ser estimuladora de produções artísticas que não sejam meras cópias, mas que representem a possibilidade de evidenciar a criatividade do aluno, bem como da ação transformadora da arte. Todas as imagens contêm um texto, mensagens a serem lidas e decodificadas pelo observador. Não importa quais órgãos sensoriais serão acionados durante o exercício de decodificação, uma vez que há códigos construídos por signos de várias naturezas: visuais, auditivos, gustativos, olfativos, táteis e os sinestésicos. Desse modo, algumas aulas podem ser

Joan Miró i Ferra, nasceu em Barcelona- Espanha (1893 -1983), foi um importante escultor e pintor surrealista catalão. 29 Kadiwéu, conhecidos como "índios cavaleiros", integrantes da única "horda" sobrevivente dos Mbayá, um ramo dos guaicurus. Os desenhos corporais constituem-se em uma forma da expressão de sua arte. 30 Leonardo da Vinci, artista florentino- Itália, (1452-1519), um dos grandes mestres do Renascimento, pintor, escultor, arquiteto, engenheiro e cientista. 31 Vincent Willem Van Gogh, nasceu na Holanda, (1853 -1890) foi um pintor pós-impressionista. 32 Mauritus Cornelis Escher, nasceu na Holanda (1898-1970) artista gráfico. Suas obras apresentam imagens com efeitos de ilusões de óptica, com regras geométricas do desenho e da perspectiva.

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feitas a partir de imagens impressas em folder ou cartazes, outras, com base em obras ou reproduções; sons, imagens e movimentos em filmes, computação gráfica, desenhos animados, peças de teatros, espetáculos musicais, histórias em quadrinhos, literaturas, contos, histórias infantis, histórias do bairro etc., todos esses podem ser recursos válidos e viáveis ao estudo da arte. O eixo produção artística é uma necessidade social que envolve o aspecto do fazer, da prática artística, do experenciar materiais e tecnologias de acordo com as diferentes formas de expressão artística, porém deve ser articulada ao eixo compreensão histórica e cultural da arte, ou seja, ao conhecimento das manifestações históricas da arte e dos elementos compositivos das linguagens artísticas A produção estética e artística permite ao aluno compreender como os elementos das linguagens artísticas se materializam em obras de arte, além de propiciar condições para romper as fronteiras da sua vida cotidiana e incorporar o exercício da reflexão sobre a Arte à sua atividade de produção artística. O processo de produção artística é, em si, um processo de conhecimento, visto que o processo de criação é resultado de pesquisas de materiais, de instrumentos, de formas, de cores, de sons, de objetos, de movimentos. Dentro desse eixo destacam-se as formas de expressão artística, pois se entende a arte como expressão em matéria sensível. A expressão conduz a atenção para fora, para um determinado objeto ao qual indica intencionalidade, quando passa uma mensagem ao sujeito que a observa; isso é expressão, ou seja, toda forma tem expressão e pode ser materializada em obras e produções artísticas. O termo expressão indica capacidade de percepção, permeada pelos elementos subjetivos de sentidos, ou seja, pela subjetividade imanente aos sentimentos e pensamentos, em que o artista ao olhar para uma forma, interpreta-a e atribui-lhe sentidos. A forma é um aspecto adquirido pelos objetos, resultado da distribuição de suas partes no espaço. Mesmo os sons, que, embora invisíveis, tornam-se perceptíveis, uma vez que, pela sua ocupação no espaço assumem alguma forma; nesse sentido, são observadas na escultura, na especialidade da pintura, na apresentação teatral, nos gestos de uma dança, no roteiro de um filme. Nessa perspectiva, as formas de expressão representam a materialização e a organização das diferentes concepções estéticas e artísticas que foram e são produzidas nas relações e práticas sociais e denotam o processo criador que emana dessas práticas. São elementos concretos quando ligados a idéias ou sentidos; são, em grande parte, gestos, sons, movimentos corporais, conceitos, manchas, grafismos, formas, objetos e outros.

também. O mosaico é um conteúdo a ser explorado com maior profundidade no 7° ano do ensino fundamental. numa abordagem que transforma de maneira radical e poeticamente as funções dos objetos do dia-a-dia. Em uma situação de aula. sobre as possibilidades expressivas de objetos. com o 5º ano do ensino fundamental. o mosaico.190 Essas formas de expressão se repetem nos diversos anos do ensino fundamental. Outro exemplo é a instalação. mas que não precisa ser aprendida apenas no último ano do Ensino Fundamental. As criações desse artista contêm um toque de leveza e muito humor. A apresentação dos eixos representa uma organização didática que serve para orientar o professor a perceber a amplitude e complexidade do processo de ensino e aprendizagem de Arte que. na prática. É importante acrescentar que os dois eixos – compreensão histórica e cultural da arte e produção artística – não representam uma ordem a ser seguida. nasceu em São Paulo em 1948. que hoje é utilizado em artesanatos e decorações. conhecido como Guto Lacaz. cenógrafo e editor de arte de revistas. nasceu em Barcelona. sempre buscando relações com as origens históricas da forma de expressão estudada. Ela é uma forma de expressão própria da contemporaneidade. que cria máquinas e as transforma em instalações. tanto trabalha a expressividade dos objetos quanto a instalação e a relação com a realidade social. porque é neste ano que se estuda a arte bizantina. mas pode ser abordado. . o professor atendendo às necessidades do aluno. mas sintetizam os principais fundamentos teóricos e práticos que embasam o ensino de Arte. desenvolve um estudo. pois pode ser explorada em qualquer conteúdo de qualquer ano de escolarização. Ao utilizar a obra de Lacaz o professor. mas isso não significa que todas devam ser estudadas em todas os anos. é desenhista. mas sim que sejam estudadas de acordo com as necessidades de aprendizagem dos alunos e da intencionalidade do professor. 34 Carlos Augusto Martins Lacaz. designer. 33 Antoni Placid Gaudí i Cornet. é característico da arte bizantina e pode ser visto nas obras de Gaudi33 . em outros anos. desde que exista uma clara intencionalidade e uma orientação estética para o seu estudo. podem ser utilizadas para mostrar as possibilidades expressivas de objetos já descartados pela sociedade industrializada. (1852/1926) foi um arquiteto com novas concepções plásticas ligado ao modernismo catalão. uma vez é utilizado como uma forma de expressão. para isso utiliza-se da obra de Guto Lacaz34 . ilustrador. Por exemplo. são indissociáveis: a produção artística depende da compreensão histórica e cultural e vice-versa. evidenciadas pelas problemáticas cotidianas do homem urbano que convive com o ambiente de uma sociedade industrial.

Compreensão histórica e cultural das artes visuais Manifestações das artes visuais na família e no bairro: influências africanas. escultura.Produção artística Formas de expressão artística: experimentação. cartazes. obras de arte. artistas e obras. . fotografias. A ênfase pode recair sobre a exploração de materiais expressivos e noções básicas sobre os elementos da linguagem visual.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 3° ano do ensino fundamental A aprendizagem desses conteúdos permite que o aluno conheça e compreenda as manifestações artísticas existentes na família e no bairro. recorte e colagem. CONTEÚDOS DE ARTES VISUAIS PARA O 3º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 4. fotografia. folders. entre outros). 4.191 Uma leitura estética já pressupõe a compreensão do momento histórico por meio do estilo ou da técnica a ser utilizada em uma produção artística. estéticas. e experimentações criativas. orientais. Elementos da linguagem visual: estudo dos elementos da linguagem visual por meio da apreciação de produções imagéticas (filmes e desenhos animados. Essa mesma atividade permite que o aluno compreenda as relações históricas.1. pesquisa e criação artística por meio do desenho. bem como realize estudos das representações imagéticas da família em obras de arte. pintura. gravura. sociais. comerciais. 4.1 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental Eixo . econômicas que estão contidas na obra e relacionado-a com a sua própria produção artística. infogravura e outros. Eixo . latino-americanas e norte-americanas e sua apropriação pelas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. européias. reproduções de obras de arte. indígenas.

associado às produções artísticas e às formas de expressão. recorte e colagem. artes gráficas. obras de arte. artistas e obras. além de possibilitar o acesso às formas de expressão que caracterizam a arte e a estética na contemporaneidade. comerciais. fotografias. A ênfase pode recair sobre a exploração de materiais expressivos e noções básicas sobre os elementos da linguagem visual. reproduções de obras de artes.Produção artística Formas de expressão artística . Elementos da linguagem visual: estudo dos elementos da linguagem visual por meio da apreciação de produções imagéticas (filmes e desenhos animados. Esse estudo. associado às produções artísticas e às formas de expressão. européias.2 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental Eixo . fotografia.Compreensão histórica e cultural das artes visuais Manifestações das artes visuais em Campo Grande: influências africanas. folders. pesquisa e criação artística por meio do desenho. contribui para que o aluno conheça e identifique a influência de diferentes culturas na constituição de sua identidade cultural. gravura. modelagem. e outros. cartazes.experimentação.192 Esse estudo. escultura. 4. O estudo contínuo da utilização de materiais e dos elementos da linguagem visual evidencia questões técnicas e expressivas se apropriem das manifestações culturais populares. 4. pintura. latino-americanas e norte-americanas e sua apropriação pelas formas de expressões estéticas na contemporaneidade.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 4° ano do ensino fundamental A aprendizagem desses conteúdos permite que o aluno conheça e compreenda as manifestações artísticas existentes na cidade onde reside. orientais. indígenas. entre outros). .2. possibilitando que o aluno vivencie experiências criativas e realize suas próprias produções artísticas. Eixo . contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição de sua identidade cultural.

3. cartazes. artistas e obras. pesquisa e criação artística por meio do desenho. fotografias. O estudo contínuo da utilização de materiais evidencia questões técnicas e expressivas que podem redimensionar as próprias possibilidades das manifestações culturais populares e cotidianas. além de possibilitar o acesso às formas de expressão que caracterizam a arte e a estética na contemporaneidade. européias.Compreensão histórica e cultural das artes visuais Manifestações das artes visuais em Mato Grosso do Sul: influências africanas. e outros. 4. pintura. 4.Produção artística Formas de expressão artística: experimentação. Eixo . Arte Grega e Romana. recorte e colagem. associado às produções artísticas e às formas de expressão. principais características.193 4. vivencie experiências criativas e realize suas próprias produções artísticas. gravura. escultura.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 5° ano do ensino fundamental A aprendizagem desses conteúdos deve ocorrer de tal forma que o aluno aprenda a conhecer e a compreender as manifestações artísticas existentes no seu Estado. infogravura. entre outros). reproduções de obras de artes.4 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental Eixo . Esse estudo.Compreensão histórica e cultural das artes visuais Manifestações das artes visuais na história da Arte: Pré-História.3 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental Eixo . Arte Egípcia. latino-americanas e norte-americanas e sua apropriação pelas expressões estéticas na contemporaneidade. Elementos da linguagem visual: estudo dos elementos da linguagem visual por meio da apreciação de produções imagéticas (filmes e desenhos animados. instalação. . artistas e obras. contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição de sua identidade cultural. folders. indígenas. orientais. comerciais. obras de arte. influências na cultura brasileira e sua apropriação pelas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. Pré-História do Brasil. fotografia.

1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 6° ano do ensino fundamental A aprendizagem desses conteúdos possibilita o conhecimento e a compreensão das origens históricas da arte. audiovisual. cartazes. 4. reproduções de obras de artes. influências na cultura brasileira e sua apropriação pelas formas de expressões estéticas na contemporaneidade.194 Elementos da linguagem visual: estudo dos elementos da linguagem visual por meio da apreciação de produções imagéticas (filmes e desenhos animados. cartazes. obras de arte. Barroca. recorte e colagem.Compreensão histórica e cultural das artes visuais Manifestações das artes visuais na história da Arte: arte Bizantina e Gótica. modelagem. fotografias. trabalhos tridimensionais (escultura. . pesquisa e criação artística por meio do desenho. pintura. assemblage). folders. Esse estudo. vivencie experiências criativas e realize suas próprias produções artísticas. comerciais. entre outros). obras de arte. fotografia e outros.4. regional e local. O estudo contínuo da utilização de materiais evidencia questões técnicas e expressivas que podem redimensionar as próprias possibilidades das manifestações culturais populares e cotidianas. gravura. É importante destacar que esses conteúdos contribuem para que o aluno tenha acesso às formas de expressão que caracterizam a estética na contemporaneidade e seja capaz de produção própria com autonomia e criatividade. artistas e obras. infogravura.5 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental Eixo . associado às discussões estéticas e às formas de expressão contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição da cultura e da arte brasileira. comerciais. Elementos da linguagem visual: estudo dos elementos da linguagem visual por meio da apreciação de produções imagéticas (filmes e desenhos animados. entre outros). Eixo . Renascimento. principais características.Produção artística Formas de expressão artística: experimentação. 4. folders. fotografias. reproduções de obras de artes.

infogravura. cartazes. modelagem.5. assemblage). infogravura. entre outros). Esse estudo associado às discussões estéticas e às formas de expressão contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição da cultura e da arte brasileira. obras de arte. principais características. comerciais. artes gráficas. O estudo contínuo de utilização de materiais evidencia questões técnicas e expressivas que podem redimensionar as próprias possibilidades das manifestações culturais populares e cotidianas. Elementos da linguagem visual: estudo dos elementos da linguagem visual por meio da apreciação de produções imagéticas (filmes e desenhos animados. Romantismo. instalação. Eixo . modelagem. fotografia. artistas e obras. vivencie experiências criativas e realize suas próprias produções artísticas. trabalhos tridimensionais (escultura.Produção artística Formas de expressão artística: experimentação. 4. folders. É importante destacar que esses conteúdos contribuem para que o aluno tenha acesso às formas de expressão que caracterizam a estética na contemporaneidade. influências na cultura brasileira e sua apropriação pelas formas de expressões estéticas na contemporaneidade.Compreensão histórica e cultural das artes visuais Manifestações das artes visuais na história da Arte: Neoclassicismo. gravura. Realismo e Impressionismo. recorte e colagem. pesquisa e criação artística por meio do desenho. regional e local. reproduções de obras de artes. assemblage). trabalhos tridimensionais (escultura. recorte e colagem. 4. pesquisa e criação artística por meio do desenho. pintura. modelagem.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 7° ano do ensino fundamental A aprendizagem desses conteúdos permite que o aluno conheça e compreenda a arte no período medieval e no renascimento. instalação.6 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental Eixo . fotografias. audiovisual. pintura. audiovisual. gravura. e outros.195 Eixo .Produção artística Formas de expressão artística: experimentação. escultura. e outros. movimentos estéticos do século XX. artes gráficas. fotografia. .

trabalhos tridimensionais (escultura. Eixo . modelagem. folders. associado às formas de expressão e às produções artísticas. assemblage).Compreensão histórica e cultural das artes visuais Manifestações das artes visuais na história da Arte: Arte no final do século XX. Elementos da linguagem visual: estudo dos elementos da linguagem visual por meio da apreciação de produções imagéticas (filmes e desenhos animados. vivencie experiências criativas e realize suas próprias produções artísticas. principais características. body art. Modernismo no Brasil. artistas e obras. entre outros).Produção artística Formas de expressão artística: experimentação.. fotografias. gravura. escultura. Esse estudo.7 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental Eixo . O estudo contínuo de utilização de materiais evidencia questões técnicas e expressivas que podem redimensionar as próprias possibilidades das manifestações culturais populares e cotidianas. influências na cultura brasileira e sua apropriação pelas formas de expressões estéticas. infogravura. 4. reproduções de obras de artes. cartazes. fotografia. Arte Contemporânea.7. 4. para que. regional e local. obras de arte. então. contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes concepções estéticos na constituição da cultura e da arte brasileira.196 4.6. modelagem. e outros. audiovisual.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 9° ano ensino fundamental A aprendizagem desses conteúdos permite compreensão e aprofundamento sobre as principais características estéticas dos movimentos artísticos do século XX e da arte .1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de artes visuais para o 8° ano do ensino fundamental A aprendizagem desses conteúdos permite a compreensão e aprofundamento sobre as principais características estéticas dos movimentos artísticos. comerciais. instalação. do barroco ao início do século XX. artes gráficas. É importante destacar que esses conteúdos contribuem para que o aluno tenha acesso às formas de expressão que caracterizam a estética na contemporaneidade. recorte e colagem. pintura. pesquisa e criação artística por meio do desenho.

eruditas. músicas no computador. É importante destacar que esses conteúdos contribuem para que o aluno tenha acesso às formas de expressão que caracterizam a estética na contemporaneidade. walkman. associado às produções . TV. então possa produzir com autonomia e criatividade. shows. contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição da cultura e da arte brasileira. 5. Esse estudo. radio. indígenas.1 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental Eixo . MP4. obras musicais. européias. Esse estudo. obras de arte que retratam a música por meio de imagem. instrumentos vocais e instrumentais). jingles. concertos.Produção artística Formas de expressão artística: experimentação. Elementos da linguagem musical: estudos dos elementos da linguagem musical em diferentes produções (a música nos filmes e desenhos animados. latino-americanas e norte-americanas e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. celular.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 3° ano do ensino fundamental A aprendizagem desses conteúdos permite o conhecimento e a compreensão das manifestações musicais existentes na família e no bairro. estúdio de gravação.Compreensão histórica e cultural da Música Manifestações da Música na família e no bairro: influências africanas. CONTEÚDOS DE MÚSICA PARA O 3º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 5. teatros. regional e local. O estudo contínuo de utilização de materiais evidencia questões técnicas e expressivas que podem redimensionar as próprias possibilidades das manifestações culturais populares e cotidianas. folclóricas. nas músicas infantis populares. para que. modernas e contemporâneas. Eixo . comerciais. CDs.197 contemporânea.1. 5. músicos e obras. orientais. pesquisa e criação a partir das manifestações musicais: vocais e instrumentais. associado às formas de expressão e a produção artística. praças.

5. músicos e obras. CDs. seguir para qualquer época desde que haja um fio condutor. latino-americanas e norte-americanas e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. estúdio de gravação. podendo. Elementos da linguagem musical: estudos dos elementos da linguagem musical em diferentes produções musicais (a música nos filmes e desenhos animados. instrumentos vocais e instrumentais).Produção artística Formas de expressão artística: experimentação. questões técnicas e expressivas que podem redimensionar as próprias possibilidades de manifestações culturais. européias. contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição de sua identidade cultural. elementos expressivos e recursos expressivos. É necessário compreender os músicos e as produções musicais que a família e o bairro ouvem.2 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental Eixo . o aluno deve entender historicamente e musicalmente cada situação. Durante o processo de aprendizagem. pesquisa e criação a partir das manifestações musicais: vocais e instrumentais. O contínuo estudo de materiais e equipamentos evidencia. Eixo .Compreensão histórica e cultural da Música Manifestações da música em Campo Grande: influências africanas. folders. . shows. É importante também. radio. eruditas.198 artísticas. obras de arte que retratam a música por meio de imagem. obras musicais. indígenas. nas músicas infantis populares. procurar fazer o elo de ligação dos traços musicais e estéticos na música. modernas e contemporâneas. praças. TV. MP4. folclóricas. à música como expressão. celular. walkman. jingles concertos. revistas. livros. também. teatros. músicas no computador. comerciais. orientais. também.

O contínuo estudo de materiais e equipamentos evidencia também questões técnicas e expressivas que podem redimensionar as próprias possibilidades de manifestações culturais.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 4° ano do ensino fundamental A aprendizagem desses conteúdos permite o conhecimento e a compreensão das manifestações musicais existentes na cidade onde reside. Músicas: infantis. obras de arte que retratam a música por meio de imagem. . européias. MP3. Elementos da linguagem musical: estudos dos elementos da linguagem musical em diferentes produções musicais da atualidade (a música nos filmes e desenhos animados. CDs.Compreensão histórica e cultural da Música Manifestações da Música em Mato Grosso do Sul: influências africanas. contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição de sua identidade cultural. comerciais. instrumentos vocais e instrumentais). estúdio de gravação. o aluno deve entender historicamente e musicalmente cada situação. shows.3 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental Eixo . jogos musicais. Esse estudo.2. improvisação sonora com instrumentos e corporal – voz. celular. associado às produções artísticas. orientais. 5. indígenas. instrumentais e corporais. modernas e contemporâneas (organização dos sons vocais. populares. podendo.199 5. obras musicais. radio. folders. revistas. seguir para qualquer época desde que haja um fio condutor. jingles concertos. elementos expressivos e recursos expressivos. teatros. também. construção de instrumentos musicais e sonoros). músicos e obras. walkman. latino-americanas e norte-americanas e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. TV. Eixo . praças. folclóricas. livros. É necessário compreender os músicos e as produções musicais existentes na cidade. canto.Produção artística Formas de expressão artística: experimentação. Durante o processo de aprendizagem. à música como expressão. É importante destacar que esses conteúdos contribuem para que o aluno tenha acesso às formas de expressão musical que caracterizam a estética na contemporaneidade. eruditas. pesquisa e criação a partir das manifestações musicais: vocais e instrumentais e outras. músicas no computador.

4 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental Eixo . Durante o processo de aprendizagem. o aluno deve entender historicamente e musicalmente cada situação. instrumentos vocais e instrumentais). influências na cultura brasileira e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. improvisação sonora . shows. Elementos da linguagem musical: estudos dos elementos da linguagem musical em diferentes produções musicais (a música nos filmes e desenhos animados. celular. associado às produções artísticas. à música como expressão. Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 5° ano do ensino fundamental. obras de arte que retratam a música por meio de imagem. possa vivenciar experiências criativas e realizar suas próprias produções artísticas. elementos expressivos e recursos expressivos.Compreensão histórica e cultural da Música Manifestações da Música: Música na Pré-História. também. Músicas: infantis. músicas no computador.3. TV. Principais características: manifestações. teatros. instrumentais e corporais. modernas e contemporâneas (organização dos sons vocais.200 5. Música Grega e Romana.Produção artística Formas de expressão: experimentação. obras musicais. comerciais. jingles concertos. pesquisa e criação a partir das manifestações musicais: vocais e instrumentais e outras. folders. walkman. Pré-História no Brasil. folclóricas. É importante destacar que esses conteúdos contribuem para que o aluno tenha acesso às formas de expressão musical que caracterizam a estética na contemporaneidade. eruditas. MP4. populares. para que. contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição de sua identidade cultural. praças. estúdio de gravação. músicos e obras. O estudo. seguir para qualquer época desde que haja um fio condutor. Eixo .1. radio. podendo. É necessário conhecer os músicos e as produções musicais de Mato Grosso do Sul. CDs. Música Egípcia. então. livros. A aprendizagem desses conteúdos permite o conhecimento e a compreensão das manifestações musicais existentes em Mato Grosso do Sul. O contínuo estudo de materiais e equipamentos evidência também questões técnicas e expressivas que podem redimensionar as próprias possibilidades de manifestações culturais. 5. revistas.

eruditas. para que. celular. instrumentais e corporais. voz. TV. O contínuo estudo de materiais e equipamentos evidencia questões técnicas e expressivas que podem redimensionar as próprias possibilidades das manifestações culturais. livros. shows. Eixo .201 com instrumentos e corporal – gestos. comerciais. de suas origens históricas até a contemporaneidade.Compreensão histórica e cultural da Música Manifestações da Música: Música Bizantina. Esse estudo. pesquisa e criação a partir das manifestações musicais: vocais e instrumentais e outras. canto. 5. MP4. manifestações e influências na cultura brasileira e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 6° ano do ensino fundamental. Gótica. folders. Músicas: infantis. instrumentos vocais e instrumentais). radio. regional e local. então possa vivenciar experiências criativas e realizar suas próprias produções artísticas. A aprendizagem desses conteúdos permite o conhecimento e compreensão das funções sociais da música. construção de instrumentos musicais e sonoros). É importante destacar que esses conteúdos contribuem para que o aluno tenha acesso às formas de expressão musical que caracterizam a estética na contemporaneidade. músicos e obras. praças.Produção musical Formas de expressão: experimentação. jogos musicais. Música Barroca. modernas e contemporâneas (organização dos sons vocais. teatros. improvisação sonora . obras musicais. folclóricas. estúdio de gravação. músicas no computador. populares. revistas. Principais características. Pré-renascentista.4. Elementos da linguagem musical: estudos dos elementos da linguagem musical em diferentes produções musicais da atualidade (a música nos filmes e desenhos animados. jingles concertos. obras de arte que retratam a música por meio de imagem. Renascentista. associado às produções artísticas e às formas de expressão musical contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição das culturas e das músicas brasileira. CDs.5 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental Eixo . walkman. 5.

manifestações e influências na cultura brasileira e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. revistas.6 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental Eixo . movimentos estéticos do século XX. É importante destacar que esses conteúdos contribuem para que o aluno tenha acesso às formas de expressão musical que caracterizam a estética na contemporaneidade. livros. CDs.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 7° ano do ensino fundamental É necessário dotar o conhecimento do aluno sobre a essência cultural da música bizantina.5. Realismo e Impressionismo. folders.202 com instrumentos e corporal – gestos. jingles concertos. jogos musicais. 5. TV. shows. possibilitando vivenciar experiências criativas e realizar suas próprias produções artísticas. celular. músicas no computador. construção de instrumentos musicais e sonoros). Elementos na linguagem musical: estudos dos elementos da linguagem musical em diferentes produções musicais da atualidade (a música nos filmes e desenhos animados. associado às produções artísticas e às formas de expressão musical contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição da cultura e da música brasileira. A música no Renascimento e na época das revoluções burguesas dos séculos XVII e XVIII como luta da burguesia contra os valores arcaicos do mundo feudal. canto. teatros. Esse estudo. instrumentos vocais e instrumentais). . O contínuo estudo de materiais e equipamentos evidencia questões técnicas e expressivas que podem redimensionar as próprias possibilidades das manifestações culturais. MP4. Influência da música trovada. forma poética musical do período. praças. músicos e obras. 5. Há mudanças nas temáticas que determinam uma nova hierarquia de valores. Principais características. obras de arte que retratam a música por meio de imagem.Compreensão histórica e cultural da Música Manifestações da Música: Neoclassismo. estúdio de gravação. obras musicais. regional e local. A importância da música na fase gótica e suam influência na Catedral de Notre Dame. voz. walkman. Romantismo. comerciais. radio.

é essencial. cultural. músicos e obras.6. Muito mais que apenas apresentar os estilos de música. manifestações e suas influências na cultura brasileira e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. praças. teatros. comerciais. Principais características. modernas e contemporâneas (organização dos sons vocais. regional e local. O aluno. Não é suficiente apenas ouvir músicas. livros. TV. deve entender a capacidade que o músico e sua obra têm para transformar um ato perceptivo. improvisação sonora com instrumentos e corporal – gestos. A música promove relações sociais do homem com seu espaço e tempo projetando sua postura perante o mundo. comparações entre as produções culturais de distintas épocas. . Instigar as características. celular. construção de instrumentos musicais e sonoros).1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de Música para o 8° ano do ensino fundamental. músicos e obras. social. canto.203 Eixo . mediado pelo professor. jogos musicais. política em que as produções musicais ocorreram. na música brasileira. Elementos da linguagem musical e suas relações na composição – estudos dos elementos da linguagem musical em diferentes produções musicais da atualidade (a música nos filmes e desenhos animados. pesquisa e criação a partir das manifestações musicais: vocais e instrumentais e outras. CDs. populares. Músicas: infantis. folclóricas. possa vivenciar experiências criativas e realizar suas próprias produções artísticas. voz. locais.7 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental Eixo . mas é preciso que o aluno compreenda a dimensão histórica. A música no século XX. músicas no computador. econômica. influências.Produção artística Formas de expressão: experimentação. o porquê das formas e intenções musicais declaradas. É importante destacar que esses conteúdos contribuem para que o aluno tenha acesso às formas de expressão musical que caracterizam a estética na contemporaneidade. walkman. para que. eruditas. shows. então.Compreensão histórica e cultural da Música Manifestações da Música na História da Arte: Música no final do século XX. radio. expressas na produção musical. 5. 5. instrumentais e corporais. jingles concertos. Modernismo no Brasil: Música Contemporânea. é necessário que o aluno seja orientado a pesquisar o porquê de cada modo vir representado por diferentes significados.

para que o aluno tenha acesso às formas de expressão musical que caracterizam a estética na contemporaneidade e seja capaz de produzir com autonomia. modernas e contemporâneas (organização dos sons vocais. da música brasileira. instrumentos vocais e instrumentais). obras musicais. Esses conteúdos propiciam que o aluno tenha acesso à multimídia. É importante destacar que esses conteúdos contribuem. às formas de expressão e à produção artística. voz. pesquisa e criação a partir das manifestações musicais: vocais e instrumentais e outras.7. aos alunos. Eixo . . obras de arte que retratam a música por meio de imagem. folders. improvisação sonora com instrumentos e corporal – gestos. Esse estudo associado. que trabalha o som. Músicas: infantis. originalidade e criatividade. também. regional e local. instrumentais e corporais. folclóricas. construção de instrumentos musicais e sonoros). contribui para que o aluno conheça a influência de diversas culturas na constituição de culturas.Produção artística Formas de expressão: experimentação. populares. a imagem e movimento tornando-se uma das atividades expressivas em vários campos da ação. eruditas. Essa aprendizagem também permite a compreensão e o aprofundamento do conceito sobre as principais características estéticas dos movimentos musicais do século XX e XXI.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de música para o 9° ano do ensino fundamental. além de propiciar. estratificados e multidirecionais. revistas. jogos musicais. canto. 5.204 MP4. perceberem auditivamente os espaços musicais multifacetados. estúdio de gravação.

compreensão histórica e cultural e a produção artística do teatro. Eixo . jogos dramáticos. elementos e linguagens teatrais. de vara. exploradas por meio da ocupação dos espaços diversificados. CONTEÚDOS DE TEATRO PARA O 3º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 6. pesquisa e criação a partir das manifestações teatrais (sombra. A organização desse conteúdo poderá contribuir para experimentação. Por meio de leitores e contadores de história e fantoches o aluno poderá conhecer e se expressar significativamente. análise das práticas teatrais visando à ampliação do repertório do aluno e. por meio desses conteúdos. e aos espetáculos realizados no bairro e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. È importante que o aluno re-elabore seu vínculo com o estudo e o conhecimento a partir da reorganização do tempo e do espaço e da expressão teatral. bonecos. figurino.Produção artística Formas de expressão: experimentação. personagens. Pretende-se que.1. apontam para uma prática em sala de aula que tem como ponto de partida a vivência do aluno e sua participação crítica no universo cultural da sua família e bairro.205 6. expressão corporal: expressão facial e corporal. adereços. etc. jogos dramáticos e brincadeiras).Compreensão histórica e cultural do Teatro Manifestações do teatro na família e no bairro: pesquisa dos diferentes tipos de expressões humanas e manifestação popular. . o aluno desperte o interesse para apreciação do teatro. construção de roteiros/cenas: arte cênica. acesso às noções básicas sobre as práticas. de dedo e outros.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 3° ano do ensino fundamental Esses eixos. ao mesmo tempo.1 Conteúdos para o 3º ano do ensino fundamental Eixo . 6. cenário. de palco. para refletir sobre as questões contemporâneas que envolvem o ensino de teatro-educação. Elementos constitutivos do teatro: improvisação.

de palco. elementos e linguagens teatrais. da expressão teatral visando à ampliação do seu repertório. cenografia. Eixo II . bonecos. Elementos constitutivos do teatro: improvisação. sonoplastia. maquiagem etc. Por meio desse conteúdo esperase que o aluno re-elabore seu vínculo com o estudo e o conhecimento.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 4° ano do ensino fundamental Esses eixos apontam para uma prática em sala de aula que tem como ponto de partida a vivência do aluno e sua participação crítica no universo cultural. construção de roteiros/cenas: arte cênica.Compreensão histórica e cultural do Teatro Manifestações teatrais na história do Mato Grosso do Sul: origens culturais. o teatro como atividade que favorece a identificação com outras realidades sócioculturais e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade.3 Conteúdos para o 5º ano do ensino fundamental Eixo . jogos dramáticos e brincadeiras.Produção artística Tipos de teatro: sombra.2 Conteúdos para o 4º ano do ensino fundamental Eixo . bem como a reflexão e o resgate das histórias.206 6.Compreensão histórica e cultural do Teatro Manifestações teatrais em Campo Grande: concepções históricas e o teatro local e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. a partir da reorganização do tempo e do espaço. acesso às noções básicas sobre as práticas. pesquisa e criação: com elementos e recursos da linguagem teatral. de vara.2. de dedo e outros. jogos dramáticos. explorados por meio da ocupação dos espaços diversificados. . 6. A organização desse conteúdo permitirá que o aluno desperte o interesse para apreciação do teatro. A aprendizagem desses conteúdos permite a pesquisa. figurino. adereços. cenário. Experimentação. experimentação de diferentes possibilidades de expressão corporal: expressão facial e corporal. textos e contos locais. Permite conhecer as influências regionais dos aspectos estéticos e grupos que contribuíram para a formação teatral. a compreensão das produções teatrais em Campo Grande. 6. além de poder expressar-se significativamente no plano sensório corporal.

expressão facial. relativos ao espaço cênico (objeto de cena.207 Elementos constitutivos do teatro: relativos ao ator (gesto. imaginação. teatro grego e romano. maquiagem.sombra. Principais características. a vivência do aluno e sua participação crítica no universo cultural. de vara. . iluminação. Experimentação. jogos dramáticos. manifestações e suas influências na cultura brasileira e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. préhistória do Brasil. música e texto).Compreensão histórica e cultural do Teatro Manifestações teatrais na história da humanidade: a história do teatro a partir dos da origem.Produção artística Tipos de teatro . às produções artísticas e às formas de expressão. bonecos. de dedo e outros. deslocamento espacial. figurino. espera-se que o aluno reconheça e identifique a sua interdependência para se expressar. Eixo . Permite a pesquisa e o reconhecimento das influências regionais dos aspectos estéticos e grupos que contribuíram para a formação teatral. Por meio da organização desse conteúdo.3. desenvolvendo sua espontaneidade.4 Conteúdos para o 6º ano do ensino fundamental Eixo . dramaturgia. de palco. bem como a reflexão e resgate das histórias. 6. pesquisa e criação – com elementos e recursos da linguagem teatral. 6. textos e contos locais. experimentação de diferentes possibilidades de expressão corporal: expressão facial e corporal. voz e entonação). gêneros e das formas de representação na pré-história. Esse estudo associado. adereço. contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição de sua identidade e reflita sobre as questões contemporâneas que envolvem o ensino de teatro-educação. aponta para uma prática em sala de aula que tem como ponto de partida. observação e o relacionamento social. obras.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 5° ano do ensino fundamental A abordagem desses dois eixos – a compreensão histórica e cultural e as produções teatrais – permite a sistematização e compreensão das produções artísticas existentes no estado de Mato Grosso do Sul e.

voz e entonação). pesquisa e criação: com elementos e recursos da linguagem teatral. expressão facial. Essa aprendizagem também permitirá desenvolver a produção e construção de elementos da linguagem teatral. para que o aluno possa contextualizar analisar. refletir. . associada às discussões estéticas e formas de expressão. experimentação de diferentes possibilidades de expressão corporal: expressão facial e corporal. Esses conteúdos buscam desenvolver formas pessoais de registros das experiências teatrais por meio da pesquisa. deslocamento espacial. Experimentação. 6. figurino. iluminação.4. renascimento e barroco. bonecos. de palco. nacional e internacional. interagindo com o patrimônio local. dos gêneros e das formas de representação do teatro bizantino e gótico. música e texto).Produção artística Tipos de teatro: construção e articulação. por meio do teatro de sombra. respeitar e preservar as diversas manifestações teatrais em seus vários aspectos utilizados por diferentes grupos sociais e étnicos. 6. Esses conteúdos deverão contribuir. desenvolvendo a fruição estética e crítica. Eixo . contribui para que o aluno conheça a influência de diferentes culturas na constituição de sua identidade. dramaturgia. Principais características.208 Elementos constitutivos do teatro: relativos ao ator (gesto. manifestações e suas influências na cultura brasileira e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade. apreciação da produção teatral. Sua organização. de dedo e outros. ainda. adereço.Compreensão histórica e cultural do Teatro Manifestações teatrais na história da humanidade: a história do teatro a partir dos dramaturgos e suas obras.5 Conteúdos para o 7º ano do ensino fundamental Eixo . dos diferentes processos inventivos em múltiplas linguagens artísticas. de vara. jogos dramáticos.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro do 6° ano ensino fundamental A aprendizagem desses conteúdos permite a sistematização e compreensão das origens históricas do teatro. maquiagem. relativos ao espaço cênico (objeto de cena.

comentando. adereço.5. deslocamento espacial. manifestações e . maquiagem. Ao abordar os dois eixos. máscara. também. em fontes diversas. Por meio desses conteúdos será importante utilizar as funções expressivas de cada elemento. gestos. execução dirigida ou produção de um texto de acordo com a concepção proposta e adquirir conhecimentos relevantes sobre diversos signos. bonecos. Esses conhecimentos possibilitarão. Principais características. iluminação. 6.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 7° ano do ensino fundamental. relacionando-os e comparando-os por meio de suas diferenças e semelhanças dos elementos dramáticos contidos em outras linguagens. 6. compreensão histórica e cultural e a produção artística. maquiagem. figurino. voz e entonação).209 Elementos constitutivos do teatro: relativos ao ator (gesto. construção e articulação fantoches. de dedo e outros. experimentação de diferentes possibilidades de expressão corporal: expressão facial e corporal. cenário. de vara. no renascimento e no barroco. expressão facial e corporal. Experimentação. para compreender como se relacionam na construção de ações dramáticas e promover a análise estética e histórica desses elementos.6 Conteúdos para o 8º ano do ensino fundamental Eixo . pesquisa e criação: com elementos e recursos da linguagem teatral. produções teatrais e seu contexto sócio-cultural. Esse estudo permitirá que o aluno desenvolva a pesquisa. dos gêneros e das formas de representação: teatro no século XIX (neoclassicismo. aos alunos se posicionarem exercitando. música e texto).Compreensão histórica e cultural do Teatro Manifestações do teatro na história da humanidade: a história do teatro a partir dos dramaturgos e suas obras. de sombra. relativos ao espaço cênico (objeto de cena. realismo e impressionismo). Utilizar a improvisação. figurino. jogos dramáticos. de palco.Produção artística Tipos de teatro: cenografia. adereços. Eixo . expressão facial. romantismo. apreciando obras teatrais. O conteúdo contribuirá para a reflexão sobre as questões contemporâneas que envolvem o ensino de teatro-educação. movimentos estéticos do século XX. permitir-se-á a sistematização e compreensão do teatro na idade média.

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suas influências na cultura brasileira e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade; dramaturgia. Elementos constitutivos do teatro: relativos ao ator (gesto, expressão facial, deslocamento espacial, voz e entonação); relativos ao espaço cênico (objeto de cena, adereço, maquiagem, figurino, iluminação, música e texto).

Eixo - Produção artística Formas de teatro: construção e articulação, por meio do teatro de sombra, bonecos, de vara, de palco, de dedo e outros. Experimentação, pesquisa e criação: com elementos e recursos da linguagem teatral; experimentação de diferentes possibilidades de expressão corporal: expressão facial e corporal. Desenvolvimento de leituras de textos performáticos e oralização de poemas, contos e crônicas para reproduzir, interpretar e selecionar peças teatrais de cunho social. Roteiros e cenas, jogos teatrais, texto dramático, criando e adaptando histórias orais e escritas, a partir de idéias e temas propostos e desenvolver as diversas modalidades teatrais a construção e articulação.

6.6.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 8° ano do ensino fundamental. Ao abordar os dois eixos – a compreensão histórica e cultural e a produção artística – permitir-se-á a sistematização e compreensão do teatro no século XIX e XX. A organização desse conteúdo contribuirá, também, para a utilização das funções de cada elemento constitutivo do teatro e para que o aluno possa compreender como se relaciona a construção de ações dramáticas e seja capaz de analisar estética e historicamente esses elementos. Essa aprendizagem desenvolve a observação, análise e utilização dos elementos da linguagem teatral articulados com a produção artística dos colegas, de artistas e profissionais de teatro, além de desenvolver a capacidade de comparar os signos presentes no teatro, relacionar e comparar por meio das diferenças e semelhanças dos elementos dramáticos contidos em outras linguagens. Esse estudo contribui para que o aluno possa ler e analisar o texto dramático, pesquisar, selecionar, construir, adaptar e contextualizar a literatura dramática infanto-juvenil, literatura popular, literatura brasileira e universal, além de proporcionar interação e transposição das linguagens teatrais com: linguagem musical e artes visuais, artes visuais, literatura, cinema.

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6.7 Conteúdos para o 9º ano do ensino fundamental Eixo - Compreensão histórica e cultural do Teatro Manifestações teatrais na história da humanidade: a história do teatro a partir dos dramaturgos e suas obras, dos gêneros e das formas de representação no final do século XIX e a arte do século XX; modernismo no Brasil; teatro contemporâneo. Principais características, manifestações e suas influências na cultura brasileira e suas formas de expressões estéticas na contemporaneidade; dramaturgia. Elementos constitutivos do teatro: relativos ao ator (gesto, expressão facial, deslocamento espacial, voz e entonação); relativos ao espaço cênico (objeto de cena, adereço, maquiagem, figurino, iluminação, música e texto).

Eixo - Produção artística Tipos de teatro: construção e articulação, por meio do teatro de sombra, bonecos, de vara, de palco, de dedo e outros. Experimentação, pesquisa e criação: com elementos e recursos da linguagem teatral; experimentação de diferentes possibilidades de expressão corporal: expressão facial e corporal. Desenvolvimento de leituras de textos performáticos e oralização de poemas, contos e crônicas para reproduzir, interpretar e selecionar peças teatrais de cunho social. Roteiros e cenas, jogos teatrais, texto dramático, criando e adaptando histórias orais e escritas, a partir de idéias e temas propostos e desenvolver as diversas modalidades teatrais a construção e articulação.

6.7.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos de teatro para o 9° ano do ensino fundamental Ao abordar os dois eixos – a compreensão histórica e cultural e a produção artística no teatro – esses conteúdos permitem a sistematização e compreensão do teatro moderno e contemporâneo, além de permitir que o aluno possa apreciar, descrever, analisar e distinguir produções teatrais; utilizar leitura de textos em uma montagem completa, cujo texto é sempre escolhido a partir do repertório incluído no conteúdo programático das disciplinas História do Teatro e História do Espetáculo, É importante a utilização das funções de todos os elementos constitutivos do teatro para que o aluno adapte textos que tenham preocupação com a realidade social. A aprendizagem dos conteúdos permitirá o desenvolvimento da capacidade critica por meio da

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observação, espontânea de roteiros com perguntas estruturadas utilizando como recursos: filmes, vídeos, manifestações folclóricas, registros fotográficos, televisão, CDs, DVs, Internet, para desenvolver projetos de cenografia, figurino, caracterização cênica e iluminação. Esse aprendizado contribuirá, também, para que o aluno possa compreender como relacionar a construção de ações dramáticas e analisar estética e historicamente esses elementos, além de integrá-lo com colegas na elaboração de cenas e improvisação, estudar e comparar os signos relacionando-os e comparando-os por meio de suas diferenças e semelhanças dos elementos dramáticos contidos em outras linguagens. Proporcionar interação e transposição das linguagens teatrais com: linguagem musical e artes visuais, artes visuais, literatura, cinema.

7. METODOLOGIA DO ENSINO DE ARTE
O ensino de Arte em geral é caracterizado por um universo muito particular de conhecimento no qual o ser humano produz a partir das perguntas que faz em relação a tudo que o rodeia. Atualmente, percebe-se na educação brasileira, a influência persistente das tendências pedagógicas tradicionais e escolanovistas permeando a ação dos professores no processo de ensino e aprendizagem. Décadas se passaram e elas permanecem fortes em muitos estabelecimentos de ensino, norteando a prática de grande parte dos professores. É a partir desses conhecimentos que podemos propor mudanças que propiciem o desenvolvimento e o acesso à compreensão histórica e cultural da arte e a produção artística. Diante disso, este documento faz um resgate das teorias e tendências pedagógicas para que o professor possa problematizar as questões do cotidiano, pensar sua prática e buscar um ensino de Arte comprometido com a formação de um novo cidadão, mais crítico, mais criativo e atuante na sociedade. É necessário compreender como o ensino de Arte se consolidou no Brasil e como as tendências que influenciaram o ensino e a aprendizagem sobre arte ao longo da história, para poder entender a situação do ensino de Arte no contexto atual e refletir sobre sua atuação pedagógica.

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Segundo Ana Mae Barbosa (2002) o ensino de Arte no Brasil, desde a descoberta até 1759, dependia dos padrões estabelecidos por classes dominantes e refletia a influência de uma educação jesuítica que valorizava excessivamente os estudos retóricos e literários. Até 1808, ocorreu o desenvolvimento de um modelo artístico nacional baseado no barroco jesuítico vindo de Portugal, sem qualquer preocupação com a cultura local. Foi um período caracterizado pelo ensino em oficinas de artesões e as atividades manuais como uma das formas de expressão que se popularizava no meio social da colônia brasileira. Com a transferência de D. João VI para o Brasil, algumas importantes transformações importantes aconteceram entre 1808 a 1870. Com instalação da Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro em 1816, pela Missão Francesa, iniciou-se oficialmente o ensino de arte no Brasil. O ensino de arte passou por mudanças de conteúdo e de objetivos. Assim, o desenho e a pintura, foram incluídos no currículo. O desenho era obrigatório e considerado a base para todas as artes e seguia os padrões Europeus, cujo objetivo era desenvolver as habilidades técnicas e o domínio da racionalidade. Entretanto, aos poucos o barroco foi substituído pelo neoclassicismo e o ensino de arte emerge seguindo um modelo de expressão do humanismo Europeu, alicerçado numa concepção burguesa influenciado pela Revolução Francesa e absorvendo o ideal do positivismo francês. Nesse período, a arte era essencialmente uma atividade manual, que chegou a ser aceita como símbolo de refinamento pela sociedade e praticada para preencher as horas de lazer da classe mais abastada, um passatempo de ociosos, um requinte de distinção reservado ao cultivo das classes sociais ou à vocação especial. Nas escolas secundárias dominavam o retrato e a cópia de estampas, método introduzido pelo neoclassicismo. A atividade artística não era incluída nas escolas elementares públicas e a persistência dos arcaicos métodos de ensino e de uma linguagem sofisticada desencadeou um afastamento do povo em relação à arte. Em 1856, com o objetivo de fermentar a educação popular pela aplicação da arte às indústrias no Brasil, funda-se o Liceu de Artes e Ofícios de Bethencourt da Silva, fato que desencadeou um grande número de matrícula demonstrando um acentuado grau de aceitação das classes menos favorecidas. No período de 1870-1901, o Brasil passava por algumas mudanças sociais, a industrialização, o avanço das ciências e uma intensa propaganda sobre a importância do ensino do desenho na educação popular, permearam o desenvolvimento da arte. Assim, o trabalho manual passa a ser aplicado à indústria, o ensino de arte a passa a ser valorizado como meio de redenção econômica do país e da classe obreira.

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Neste período, foi promulgada a lei Industrial Drawing Act35 , que passou a exigir o ensino do desenho nas escolas primárias e secundárias, conforme o modelo de ensino de arte norte-americano. Na realidade essa lei contribuiu para a separação entre arte e tecnologia, assim o desenho com fins industriais e não artístico, passa a ter um lugar de destaque no currículo secundário e especialmente primário, enquanto a arte continuou a ser considerada mero ornamento. Com a Exposição Internacional, a Centenial Exhibition of Philadélfia36 , os Estados Unidos da América apresentam um grande progresso industrial, devido aos relevantes investimentos no ensino de arte aplicado a indústria. Assim, o ensino de arte assume um novo papel, o de preparar futuros profissionais na área do desenho para ajudar a vencer a concorrência comercial. O desenho geométrico e a cópia continuaram a ser introduzido em nível secundário, exigindo exatidão e exaustivas conceituações geométricas. Entre o final do século XIX e o início do século XX, a criatividade passa a ser considerada de extrema importância para o desenvolvimento tecnológico de equipamentos necessários à industria e o aperfeiçoamento do design dos produtos industrializados. Paralelamente a estes acontecimentos o ensino em nível primário começava a receber influência dos novos modos de entender a psicologia, em virtude dos resultados obtidos com a afirmação da psicologia como ciência. Em meados de 1914, a Escola Normal de São Paulo começava, ainda de forma muito rudimentar, a desenvolver pesquisas sobre a psicologia experimental aplicada à educação. Pela primeira vez apontava-se como principal finalidade da arte na educação o desenvolvimento do impulso criativo. Considerada como importante aspecto da inteligência humana, a criatividade passou a ser estimulada no âmbito da educação escolar. A partir da segunda metade do século XX, essas mudanças implicaram no surgimento de duas tendências artísticas: o conservadorismo acadêmico e os que desejavam inovar. Surgem, então, discussões entre correntes positivistas e liberais para o ensino de arte e tais condicionantes sócio-políticos exercem forte interferência sobre as tendências pedagógicas.

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A Industrial Drawing Act foi a inclusão técnica do desenho nos currículos escolares, cria-se uma cultura que passa a valorizar o lado técnico do desenho. 36 A exposição da Filadélfia, foi a primeira feira internacional dos Estados Unidos, após a Guerra Civil (18611865). Foi organizada por uma empresa particular e subvencionada pelo governo americano. Inaugurou a era das grandes exposições americanas, as maiores do mundo.

revelação de emoções. O aprendizado ocorre por meio da pesquisa individual. onde o ensino é um processo de pesquisa individual. o professor é o detentor do saber que transmite um acervo de informações aos seus alunos. A necessidade de democratizar a sociedade e a busca de reformas educacionais foram os motivos que levaram o movimento da Escola Nova acontecer paralelamente e em oposição à pedagogia tradicional. os métodos baseiam-se tanto na exposição verbal como na demonstração dos conteúdos. e apresenta dicotomias: ora saber construir. Certamente existem outras correntes vinculadas a uma ou outra tendência. Essa pedagogia é baseada na crença de que a relação entre as pessoas pode ser mais justa e sem divisão em classes sociais cujo centro é o aluno. num fazer técnico e científico com conteúdos reprodutivistas. a partir fé 1900. um ser criativo e que necessita do desenvolvimento da sua capacidade criadora. para ela os alunos precisam aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes. As atividades artísticas eram baseadas nas mimeses. Este período foi amplamente marcado pelas concepções Herbert Read sobre a educação pela arte. definem duas principais linhas na educação brasileira: a liberal e a progressista. na cópia de modelos externos. A pedagogia liberal tecnicista surgiu no final da década de 60. Os conteúdos baseavam-se nos princípios científicos. busca o rompimento com os modelos e cópias enfatizando a livre-expressão. Na pedagogia liberal tradicional. Mistura as pedagogias tradicional e renovada. Os conteúdos são verdades absolutas. mantém a divisão social existente. de acordo com as aptidões individuais. no qual se valoriza os estados psicológicos. Os conhecimentos já obtidos pela ciência e acumulados pela humanidade não precisariam das teorias e práticas estéticas. não possuía embasamento teórico consistente. o aluno como produtor de trabalhos artísticos: expressão. manuais e módulos de auto-instrução. A Tendência Liberal busca o preparo do aluno para o desempenho de papéis sociais. pois seu foco principal é o desenvolvimento da criatividade. são expostos de forma linear e numa progressão lógica. de insight. ora saber . dissociadas da vivência dos alunos e de sua realidade social. a função educativa era feita por meio das experiências. cuja atividade é direcionada para aspectos técnicos construtivos necessárias à indústria. de desejos. Consolidou-se na disciplina Educação Artística. mas essas são as mais conhecidas. sem levar em consideração as características próprias dos alunos. o papel da escola é buscar o preparo intelectual.215 Esse processo histórico e pesquisas dedicadas a história do ensino de arte no Brasil. A pedagogia liberal Renovada ou Escola Nova surgiu na Europa e Estados Unidos sob a influência de John Dewey.

mas não são exigidos. preocupadas com o processo de ensino e aprendizagem. iniciou-se nos anos 1960. reflete sobre ela e dá respostas aos desafios que encontra.216 exprimir por meio das atividades artísticas. e incluiu-se a Disciplina Educação Artística no currículo escolar. A Pedagogia Libertadora apresenta uma análise crítica das realidades sociais. centrado no desenvolvimento do indivíduo. O homem cria a cultura na medida em que. para aprimorar a compreensão dos significados e sentidos estéticos da arte e para melhor compreender e fundamentar esse ensino na sua totalidade. prepara o aluno para participação ativa na sociedade. A Pedagogia Histórico-Crítica surge no fim dos anos 1970. culturais e históricas. As novas metodologias do ensino de Arte contribuem com a valorização dos conteúdos e a preocupação com a democratização do conhecimento sobre arte. no contexto cultural e na educação estética. trabalhos manuais. artes aplicadas. na contextualização e no fazer artístico. Em 1997/98. ao lado de outras práticas sociais. A teoria é desenvolvida por Paulo Freire e repercutiu politicamente no Brasil. Esses aspetos teórico-metodológicos são consolidados nas legislações educacionais. era parte da análise crítica das realidades sociais que sustentam as finalidades sócio-políticos da educação. Enfatiza as relações inter-pessoais. como: desenho. sustentando as finalidades sócio-políticas da educação. Os conteúdos são culturais. Na década de 1980 surgem novas concepções teóricas e práticas para o ensino de Arte. para a educação estética. Em 1971. A Tendência Progressista constitui num instrumento de luta dos professores. O ensino de arte nesta pedagogia utiliza a metodologia centrada na livre-expressão. universais. o lançamento dos Parâmetros Curriculares Nacionais contribuiu para divulgar uma proposta contemporânea de ensino de Arte. Surgem propostas metodológicas desencadeadoras de reflexões e interesses. em contraposição à escola que reproduz o sistema e as desigualdades sociais. ocorreu a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O ensino de arte é baseado no conhecer arte. Surge nesse . Os conteúdos são resultantes das necessidades do grupo e oferecidos para o aluno. em seus processos de construção e organização pessoal da realidade e em sua capacidade de atuar na sociedade. canto-coral. valoriza as práticas sociais e a diversidade cultural dos alunos. e reavaliados frente à realidade social. voltadas para questões sociais. música. integram-se as condições de seu contexto de vida. O ponto de partida é a prática social e o ponto de chegada é a própria prática social agora modificada e transformada pelos conhecimentos ensinados. Os aspectos sociais são considerados. houve uma valorização excessiva da espontaneidade e da improvisação. Nesse período.

cópias de obras de artes ou na confecção de artesanatos. entre outras. em poucas palavras. No ensino de Arte existe uma prática eclética. as idéias e as ações educativas possibilitam a contribuição efetiva na construção de práticas e teorias de educação escolar em Arte que atendam às implicações individuais e sociais dos alunos. a Estética. as produções do homem. por exemplo: o professor utiliza a leitura de imagens para fundamentar o dom ou talento do aluno em copiar. a bibliografia do artista. as idéias. às suas necessidades e interesses. a Psicologia. idéias.217 cenário a arte-educadora Ana Mae Barbosa. valores e verdades inquestionáveis. com história e questões metodológicas próprias. Tal ensino deve propiciar o desenvolvimento de um olhar mais crítico do aluno. O ensino de Arte é um componente curricular. 1993. em que o processo criativo do aluno se alie ao processo de socialização do saber e dos bens estéticos e artísticos. Esse momento histórico consolida: A consciência histórica e a reflexão crítica sobres os conceitos. Esse documento aponta alguns encaminhamentos de como trabalhar dentro de uma proposta pedagógica que valorize a prática social. ao mesmo tempo. As fundamentações desta proposta teórico-metodológica propõem um trabalho pedagógico que integra de três facetas do conhecimento em arte: o fazer artístico. sem fazer qualquer tipo de intervenção metodológica sobre o desenho. apresenta obras de arte sem fazer uma contextualização. a análise de obras artísticas e a história da arte. com a proposta de ensino de arte denominada “Proposta Triangular”. era a influência das tendências tradicionais. a passividade e estimular a autonomia e os processos criativos. e. o professor lança um tema para que as crianças desenhem. p. tanto no ensino como na aprendizagem. limitando a falar. possibilitar uma leitura de mundo por meio da consciência histórica e da reflexão estética sobre os momentos. na educação. com a finalidade de evitar a fragmentação. fato que acabava por dificultar o desenvolvimento do conhecimento estético e o ensino de Arte rotulado como supérfluo e desnecessário. FERRAZ. a Comunicação Visual. se articula com outras áreas como a Filosofia. Até recentemente o que se verificava. O papel do professor era de repassar conteúdos e os alunos eram os expectadores ou contempladores passivos. . a Pedagogia. escolanovista e tecnicista A permanência de fatos. a educação estética e o desenvolvimento cultural. 36). cujas teorias são alicerçadas ou no discurso do professor ou apenas na sua própria prática. Partindo destas primícias. a História. esta proposta articula a prática e a teoria e se alicerça na pedagogia histórico-crítica. proporcionem o domínio de conhecimentos básicos da Arte (FUSARI. O ensino de Arte acabava por resumir em atividades de ilustração das datas comemorativas.

a sua prática-teoria artística e estética a consistentes propostas pedagógicas”. a instrumentalização.218 Assim. de sons e da expressividade corporal. valorizando o acesso aos bens estéticos e artísticos historicamente produzidos. e estimulam a atividade. conhecimento que foi adquirido no seu convívio social. ao chegar à escola. os métodos de ensino se situam para além dos métodos tradicionais e escolanovistas. se caracteriza por ser uma preparação e uma mobilização do aluno para a construção do conhecimento. p. livros etc. também. seus métodos de ensino de Arte para que sirvam aos seus propósitos. segundo Fusari e Ferraz (1993. familiar e por meio dos veículos de comunicação como a televisão. pois ele tem que entrelaçar. na elaboração de Conceito teorizado por Aristóteles. e sempre respeitar as possibilidades de desenvolvimento e limites expressivos do aluno. Segundo Fischer (1973). é. A prática social. a iniciativa e o diálogo dos alunos entre si e com o professor. já traz uma certa compreensão de leitura de imagens. Para que isso aconteça. os desenhos animados. pois. de “um estado de inspiração embriagante” e não tem o objetivo de “distrair nossos sentimentos”. leva em conta os interesses dos alunos. cabe elaborar e sistematizar a apropriação de conceitos científicos. Todo esse processo de ensino e aprendizagem deve acontecer de maneira lúdica. sua ordenação e gradação para efeitos do processo de transmissãoassimilação dos conteúdos. baseada na leitura da realidade. “o professor tem um compromisso muito importante a cumprir com o aluno. pressupõe que a sistematização e escolha dos conhecimentos a serem ensinados. para atribuir sentido e significado ao conteúdo estudado. ela é uma atividade inerente ao ser humano. são pautados na necessidade social. jogos eletrônicos. É o primeiro contato com o tema a ser estudado. O método de ensino é dialético e sua sistematização está organizada em cinco momentos: a prática social. mas sem perder de vista a sistematização lógica dos conhecimentos. a catarse37 e a prática social. É preciso trabalhar com a prática social. conforme pressupõe Saviani (2003). sem se preocupar em seguir receitas ou modelos. os ritmos da aprendizagem e o desenvolvimento psicológico. a criação artística não surge do nada. não possui um olhar ingênuo. Ao professor. alegre. revistas. um processo racional e gradativo. mas sem deixar de valorizar o diálogo com a cultura acumulada historicamente. É certo que o aluno. O professor deve proporcionar momentos de criação e de expressão. a problematização. a Catarse é a purificação das almas por meio da descarga emocional provocada por um drama. ponto de partida do processo de ensino e aprendizagem. 37 . adequar à organização de suas aulas. 36). fazer interferências e oferecer materiais e referenciais artísticos.

cabe ao professor fazer a mediação desses conhecimentos com o conhecimento estético e artístico. deve saber que encaminhamento didático utilizará para atingir o objetivo proposto. pensar. Essas questões orientam todo o trabalho a ser desenvolvido pelo professor e pelos alunos. dando um novo significado e sentido a partir de vivências sócio-culturais. Dessa forma. emocionais. que envolvem tanto componentes sensoriais. como fora dela. pois busca levantar pontos que necessitam ser solucionados no campo da prática social. 2006). o professor deve ter claro o que pretende com ela. mas consiste em apropriar-se da obra e estabelecer relações entre a proposta do artista com as experiências e conhecimentos do espectador. Com esse entendimento o professor deverá provocar o aluno para o estudo do tema central a ser desenvolvido e propor questionamentos para posteriormente encontrar respostas e conclusões. produzir. e qual o conhecimento que cada um já detém sobre o tema. não é uma cópia mecânica. Assim. de maneira a possibilitar a apreensão e compreensão da cultura na sua totalidade e a socialização do saber em arte.219 novas narrativas e representações sobre como percebem e compreendem a si mesmos e aos outros. que tipo de conhecimento será abordado e quais as relações que se pode estabelecer com o momento histórico atual. A problematização estabelece um elo entre a prática social e a instrumentalização e tem como finalidade selecionar questões evidenciadas na prática social a respeito de determinado conteúdo. por meio de perguntas: Como uma obra de arte pode ajudar a ensinar e a aprender? Como foi feita essa imagem? Quais as questões estéticas estão presentes na . é necessário desenvolver ações que possibilitam levantar problematizações sobre o conteúdo a ser estudado de maneira a provocar a necessidade em pesquisar. para posteriormente saber qual é o conhecimento que se deseja alcançar. transformação e interpretação. tanto no espaço da escola. sem criação. A imagem de uma obra de arte é um valioso recurso para levar o observador a conseguir uma série de informações e significados para enriquecer seus conhecimentos. Cada aluno assimila de acordo com seu repertório e seu modo de vida e interpreta uma imagem diferente do outro. intelectuais quanto culturais e econômicas (KEHRWALD. A releitura pressupõe uma interpretação pessoal a partir de uma leitura estética. A leitura é um processo de codificação e compreensão de expressões formais e simbólicas. É importante a interação com a vasta gama de textos e imagens. Essas informações constituem a prática social que deve ser compreendida pelo professor para que possa definir os seus encaminhamentos didáticos. sons e movimentos. Por outro lado não se pode confundir leitura com releitura e ambas com cópias de obras artísticas. Ao apresentar uma obra artística.

para uso dos sujeitos. ou seja. ilustrador e caricaturista. permite a futura organização de atividades. Almeida Júnior42 . levantar hipóteses. 2005). Um exemplo ao utilizar artista brasileiro como: Di Cavalcanti38 . Uma obra de arte torna-se uma expressão quando o expectador lhe atribui algum significado. Assim.nasceu em Goiás em 1947. impregnados de significados. Vigotski (2001a) afirma que o sistema de atividades do aluno é determinado tanto pelo seu desenvolvimento orgânico quanto pelo grau de domínio no uso de instrumentos. Este é um momento ideal para elaborar operações mentais de analisar. comentar. foi um pintor. deduzir. Para Saviani (2007. julgar. O espaço adequado é fundamental para desenvolver pesquisas e atividades de criação. social e histórica. Quanto à instrumentalização. 39 Siron Franco.220 imagem? Por que é importante estudar essa imagem e não outra? A imagem é conhecida? Quando foi produzida? Desse modo. mas também oferecer condições para que busquem práticas de experienciar e compreender a si e a sua relação com o mundo. conceituar. a instrumentalização consiste na apreensão "dos instrumentos teóricos e práticos necessários ao equacionamento dos problemas detectados na prática social”. desenhista e escultor . Não adianta dizer para uma criança: pinte! É necessário explicar como pintar. a fatos. O professor deve tanto oferecer instrumentos de investigação para que os alunos desenvolvam a capacidade não só de aprender sobre o passado e o futuro e sobre a cultura que herdaram. explicar. A noção de instrumentos é usada para se referir aos objetos de intervenção e são ferramentas mediadoras da cultura.103). . imagens e formas. dessa forma. o ensino de Arte precisa de um ambiente rico em significados para que aumente as oportunidades de interação do aluno com a realidade. um exemplo é uma criança ao aprender controlar o próprio comportamento ao controlar também o seu ambiente por meio do uso de instrumentos. criticar. p. é preciso que o professor seja o mediador no processo de ensino de aprendizagem. classificar. ou seja. Siron Franco39 . 38 Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo (1897-1976) nasceu no Rio de Janeiro. oferecer referências para que possam iniciar seu processo expressivo e criativo (FERNANDES. etc. após a problematização começa-se a organizar e buscar os instrumentos que possibilitam a compreensão do conhecimento nas dimensões científica. Ivan Serpa40 Cândido Portinari41 . discutir. é Pintor. a sala de aula deve ser equipada tanto quanto um atelier do artista quanto um laboratório de ciências. como utilizar adequadamente o pincel. comparar. Oferecer condições para que aprenda.

que estejam de acordo com conteúdos e objetivos. Assim. ele compreende a influência de diferentes culturas na sua própria constituição de sua identidade cultural e o respeito a essas diferenças. Mas experimentarem e conhecerem diversos materiais e procedimentos artísticos. retomam-se os conteúdos e em cada momento. nesse sentido contribui para a interação e a inclusão social de alunos especiais. não somente como um mero exercício mental. para propiciar a interação entre o conhecimento artístico e estético e cotidiano. de maneira a possibilitar ao aluno relacione arte e as raízes culturais como expressão de sua realidade. 43 Milton Nascimento. descobrindo a beleza e o poder das letras das músicas. mas como uma necessidade social. Ao utilizar o próprio repertório cultural que o aluno traz para a escola. compreender atitudes e ações. Descobrir os sons de Milton Nascimento43 ou Villa-Lobos44 significa trabalhar com as raízes sociais da música erudita ou música contemporânea no Brasil. para que este tenha conhecimento da diversidade de códigos em função das etnias. Candido Torquato Portinari. No ensino de Arte os conteúdos podem ser usados como instrumentos imprescindíveis na construção de poéticas universais. textos teatrais ou imagens precisa de critérios claros. da sua família. Esse trabalho de curadoria implica em fazer escolhas ante uma grande diversidade de possibilidades. bairro cidade. O ensino de Arte deve estar em consonância com a contemporaneidade. nasceu no Rio de Janeiro (1887/1959) foi um compositor conhecido por unir música com sons naturais. conhecer a história da arte brasileira nos leva a resgatar momentos históricos significativos. nasceu no Rio de Janeiro. . apontam-se o procedimento e os recursos que serão utilizados para que sejam aprendidos. que compreenda não só as predileções das crianças e dos professores. assim também devem evidenciar os 40 41 Ivan Serpa. entender o contexto atual em que vivemos. a importância da arte reside no fato de que uma prática educativa não esteja embasada no talento ou no dom. mas informações artísticas de obras clássicas. das cores e formas da arte brasileira. nas diferentes linguagens da Arte. conhecido principalmente por retratar o caipira brasileiro. A escolha de um repertório musical. gênero e classe social. para nossa própria história é preciso conhecer a realidade social. Por exemplo. é pintor de grande destaque no cenário nacional. nasceu no Rio de Janeiro (1923-1973) é pintor e desenhista. 42 José Ferraz de Almeida Júnior nascido em Piracicaba (1850-1899) foi um importante pintor século XIX. ou seja. (1903-1962. nasceu no Rio de Janeiro 1942 é cantor e compositor 44 Heitor Villa-Lobos. país. A metodologia do ensino de Arte deve estar comprometida em dar acesso a toda ordem de informações artísticas e culturais dos alunos.221 estabelecer relações com a história da arte.

o artista contemporâneo compromete-se com criações que transcendam o simples ato expressivo. Além disso. em 01/10/1985. a existência de muitas manifestações sonoras praticadas pelo homem com os mais distintos objetivos até em expressões musicais contemporâneas como a produção musical de Carlinhos Brown. Por exemplo. questionando conceitos e provocando estranhamentos ante o objeto que produz. 45 46 Evandro Batista Prado é artista plástico. porém. Por meio das produções artísticas. Outro exemplo clássico de provocação é o urinol de Duchamp46 . a discussão sobre a arte contemporânea. Essa manifestação artística permite que a pessoa interaja criticamente com a obra. ou ainda a música renascentista (ouvir trecho do Kyrie de Palestrina) ou na música Terena. Um exemplo está na obra do artista plástico Evandro Prado45 . provoca discussões sobre a ruptura com a tradição que reconhecia na técnica e no dom a expressão da arte e passa a provocar a necessidade da interpretação. isso não significa que a forma do urinol não seja expressiva ou que. não se possa desenvolver um estudo sobre ready mead. O aluno precisa aprender a pesquisar. na pintura “Nossa Senhora Coca Cola II”. p. Na Música.222 elementos comuns da vida cotidiana. A importância do uso das tecnologias para o ensino de Arte revela um rompimento com os suportes tradicionais. em suas obras. foi um pintor e escultor franco-americano. com base nela. a utilizar as diferentes formas de acesso às informações. ferramenta para a criação. rock nacional (Titãs). como a folha de papel e a tela. que faz reflexões sobre símbolos sagrados. . tornando-se símbolo da estética atual. dificilmente um urinol comprado em um comércio comum seria exposto na escola. além de ser um instrumento que possibilita a busca e a visualização imagética da obra de arte. quando estes são dotados de conceitos que dialogam coerentemente com discursos estéticos produzidos pelo artista. como o lápis e o pincel. isto pode ser percebido na série Habemus Cocam. Hans Joachim Hoellreutter (compositor erudito musical). de reunir e organizar as informações mais relevantes. com o que o artista chamou a atenção no momento em que o enviou para uma exposição de arte. Marcel Duchamp. por exemplo. nascido em Campo Grande – MS. a desenvolver a capacidade crítica de avaliar. Segundo Gullar (1993. ocupando-se. pois o computador pode ser a base para o desenho. com questões e provocações estéticas. 55). nascido em Blainville-Crevon no dia 28 de julho de 1887 e falecido em Neuilly-sur-Seine no dia 2 de outubro de 1968. consumo e sociedade capitalista. por meio do qual o professor investigue junto com seus alunos a questão sobre arte como representação do real ou como questionadora da própria realidade. evidencia que objetos do cotidiano podem ser utilizados em produções artísticas.

As obras artísticas suscitam alegria. terror ou piedade no espectador. 2007). representa o alívio sentido quando se vivencia alguma reação diante de uma obra de arte. p. ou seja. é importante compartilhar coletivamente a produção artística do aluno. o verdadeiro sentimento causado pela obra de arte é a catarse. como uma espécie de curto circuito. estabelecendo relações com músicos. E não é a mesma. Colocar-se acima do riso. que se materializa em relação catártica. superação de tais sentimentos.da fábula à tragédia a lei da relação estética é uma só: encerra em si a emoção que se desenvolve em dois sentidos opostos e encontra sua destruição no ponto culminante. Por fim.223 Formas diferenciadas de leitura da obra de arte são mediadas pelo computador e pelo professor. símbolos e regras das linguagens artísticas historicamente produzidas. p. O autor acrescenta. o pressuposto e o alvo. A prática social que é o ponto de partida do processo pedagógico na perspectiva histórico-crítica representa. por meio da mediação da análise e da passagem da síncrese à síntese (SAVIANI. para assim promover a apreciação dos trabalhos produzidos na sala ou em exposições . embora não o seja. Para Vigotski (2001b. vivenciar a tragédia. também o ponto de chegada. 270). é a mesma enquanto se constitui "o suporte e o contexto.. “. se considerarmos que o modo de nos situarmos em seu interior se alterou qualitativamente pela mediação da ação pedagógica”. está vinculada a percepções sensíveis a apropriação do conhecimento. propiciando a purificação. ainda. contribui para o aprendizado do aluno. Conforme Saviani (2007. para poder superá-la. todo o processo de ensino e aprendizagem deve resultar em novas práticas sociais. A diversidade de visualidades nas aulas de Arte deve assumir a responsabilidade primordial de oferecer oportunidades de acesso ao aluno aos códigos.82) as práticas sociais inicial e final são as mesmas. Todo esse processo de instrumentalização. Ressalta-se.. no ato de expulsar para fora de si sentimentos que inquietam. Diante disso. formas de expressão. possibilitando ao aluno entender e decifrar os significados presentes nas obras. vivas e dinâmicas. caracterizados em autorias ativas. o fundamento e a finalidade da prática pedagógica. uma peça teatral. para a apropriação do conhecimento. que envolve tanto conteúdos. espaços e materiais. artistas visuais e atores. uma música ou um filme. Na arte o termo tem origem na purgação. pois é torna possível perceber que o aluno aprendeu. A catarse é o ponto culminante da metodologia educativa. que a articulação do espectador com a obra artística deve situar-se num tempo e espaço especificamente organizados para esse fim. por meio da qual é que se encontra uma verdadeira fonte de prazer provocada pela obra.

escolas de artes. teatro de bonecos. danceterias. museus. estúdio de gravação. pelo movimento e pela voz. performance e outros. na apropriação e na construção do conhecimento sistematizado. Nesse sentido. ao outro e ao mundo que o rodeia. A presente proposta metodológica tem como pressuposto a articulação entre o ensino de arte e a sociedade. para valorizar a diversidade de manifestações culturais. escola de samba. 8. pois as vivências estéticas cotidianas devem ser contempladas no currículo. a prática social final é o momento da ação consciente do educando na realidade em que vive e o que ele fará na vida prática. seus pensamentos. a experiência do . Existem diferentes formas de expressão teatral: teatro de sombras. situando-o de maneira histórico-concreta na totalidade. cujo objetivo é desenvolver uma nova maneira de compreender o conteúdo estudado. na linguagem teatral também poderão ser exploradas as possibilidades de improvisação. boates. a escola pode contribuir no desenvolvimento da observação e percepção do mundo imaginário do aluno. pois. ruas entre outros. igrejas. em seu cotidiano. Ele é aceito espontaneamente. musicais ou práticos que oferecem ao aluno um meio de exteriorizar. tanto individualmente como coletivamente. academias de dança. por meio de novos olhares. teatro clássico. sentimentos e observações. bem como contribuir para ampliar o conhecimento dos alunos. A arte produzida nesses diversos espaços sociais deve ser considerada como conteúdo no ensino de Arte. de maneira a possibilitar a compreensão dessas formas de expressão. teatros. escutas e de expressão corporal.224 artísticas na escola e na comunidade. estádios. Para Reverbel (1989). de maneira a promover um ensino de Arte centrado no acesso. família. ITINERÁRIOS CIENTÍFICOS E CULTURAIS PARA O ENSINO DE ARTE A escola não é o único espaço no qual se tem acesso aos saberes artísticos. teatro de rua. As atividades de expressão são jogos dramáticos. Não se pode desconsiderar a contribuição e a produção estética que emana de outras instituições como galerias. pois é uma atividade intrinsecamente lúdica em que pode imitar a realidade brincando. O professor deve propiciar o desenvolvimento das capacidades de expressão por meio das atividades teatrais com as quais o aluno é estimulado a perceber a si próprio.

os valores culturais. 1998) de locais que propiciem o aprendizado e o desenvolvimento do aluno. além da visualização de imagens de obras de diversos artistas nacionais e internacionais. “[. Nesse sentido. A questão é possibilitar a democratização da cultura. vínculo social.org).. rompendo com mecanismos históricos que reservam as primeiras para o usufruto das elites. é o espetáculo ostentoso de recursos audiovisuais hiper-reais.. podendo integrar as diversas linguagens artísticas de acordo com conteúdos afins ou enfocando apenas uma linguagem. mas precisa de objetivos claros. os itinerários culturais representam caminhos a serem seguidos por meio dos eixos de aprendizagem. Os Itinerários devem promover as permutas e a interações não estereotipadas. p. O Itinerário Cultural não deve se transformar numa simples soma de informações ou mera acumulação de fatos. e a popularidade de identidades de uma área.ciste. do lúdico. copiadas.] é na escola que oferecemos a oportunidade para que crianças e jovens possam efetivamente vivenciar e entender o processo artístico e sua história em curso especialmente destinado para esses estudos” (FUSARI. 19). na qual as formas de arte ditas “eruditas” e “populares” devem ser compreendidas num sentido mais amplo. uma identidade arquitetônica. A escola é o espaço que. entre os locais e os visitantes. O Itinerário Científico Cultural é um elemento do currículo que procura integrar escola e sociedade de forma mais efetiva. são espaços fechados nos quais se objetiva atrair visitantes por meio da fantasia. vínculo etnográfico. 1993. respeitando o meio ambiente. entre eles: “vínculo histórico. Professores e alunos devem distinguir as características dos parques de atrações convencionais (AUGÉ. visando ampliar o conhecimento do aluno. Na realização dos itinerários científicos e culturais devem ser considerados. Os parques de atrações convencionais. também. uma corrente artística. produções artísticas e estéticas entre outras” (www. enfoca a sistematização do processo de ensino e aprendizagem de Arte. em alguns casos. FERRAZ. técnicas e métodos de criação com atividades práticas para a criação de poemas visuais. o patrimônio cultural. Uma abordagem histórica deve privilegiar. da cultura popular transnacional (CANCLINI. Trata-se de uma atividade que pode ser realizada a partir de conhecimentos temáticos de diferentes valores culturais. por meio de um currículo amplo e de metodologias específicas. tais como: . a memória histórica. uma identidade geográfica.225 teatro na escola deve buscar o contato direto com o momento de concretização do fazer teatral. 1989).

Para as estratégias de implantação e implementação de Itinerários Científicos e Culturais são necessários realizar protocolos (contatos e parcerias) entre Universidades.226 Refletir sobre a cidade em que reside por meio de perguntas: Que cidade temos ou queremos e como podemos representar essa cidade?. . então. A interligação das linguagens também pode abordar temáticas da sensação visual com as sensações táteis. a experiência estética pela combinação da educação do olhar. o registro gráfico da música ou o figurino da dança. teatros e música. Num Itinerário Cultural. seus rituais e roteiros ao local de destino. O local a ser visitado junto o professor. estabelecer relações das artes visuais com as outras linguagens artísticas. esclarecendo ao aluno com rigor histórico. além de comentar. o conteúdo e a duração aproximada da visita. museus. refletir sobre o que vamos visitar e a quem visitar. portanto. entre outras. deve: Planejar detalhadamente o itinerário científico cultural. materializá-la. que arte se quer e como utilizá-la. Essa prática pedagógica promove uma forma de percepção mais completa e aprofundada no que se refere à educação estética. A máscara e a maquiagem no teatro. no local visitado. entre eles destacam-se: Planejar os itinerários com antecedência. como acessar folders com orientações de roteiros culturais temáticos existentes nas regiões. conhecer suas expectativas e interesses. esse profissional mediador deve interagir com os alunos. discutir o objeto de arte a ser visitado. Autarquias Fundações Culturais. seus interesses. conteúdo que pode variar desde o percurso de vida de um artista até um circuito de rede de galerias de arte. o artista ou o mediador que têm a função de apresentar a arte como produto humano e devem. o professor da classe. produzi-la. seus perfis sócio-culturais. as expectativas dos alunos. Independentemente de quem estará recepcionando-os. ter conhecimento do assunto. O professor propiciará. pensar sobre o “fio condutor” do tema. No contato inicial. refletir sobre que arte se tem. devemos levar em conta. Alguns direcionamentos podem ser adotados para a realização dos itinerários científicos e culturais. se necessário. cultural e científico. o roteiro de acordo com um argumento. tema.

memoriais. A avaliação. a patrimônio artístico é um dos meios através dos quais se pode difundir um itinerário cultural. especificados no projeto político-pedagógico. deve ser usada tanto no sentido de um acompanhamento do desenvolvimento e aprendizagem do aluno. Nesse sentido. regional. na proposta curricular e em suas convicções acerca do papel social que a arte desempenha a educação escolar. participação em vernissage. a flexibilização da atividade. para conhecimento da identidade cultural da cidade. não possui uma finalidade em si. nacional e universal. relatórios. apreciação estética e leitura de obras de artes: gravuras. questionários etc. A avaliação. A ação sistemática de avaliação pretende criar o hábito de estudo e pesquisa no aluno. As possibilidades de desenvolvimento dos Itinerários Científicos e Culturais são variadas. O professor precisa estabelecer e respeitar princípios e critérios definidos coletivamente. no plano de trabalho. 9 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DO ENSINO DE ARTE A avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com uma proposta pedagógica e com um projeto de ensino.visitas á espaços de cultura popular para identificação e pesquisa de materiais artísticos autodidatas. esculturas. entre outras.227 prever. pinturas. tanto geral quanto no caso específico da aprendizagem. entre outros. regionais e nacionais. nos casos de imprevistos. na definição de seus conteúdos e métodos. para que o cumprimento das tarefas escolares e a construção do conhecimento se tornem rotinas normais e prioritárias na vida escolar. musicais. portanto. performances. Os instrumentos de avaliação bem planejados e construídos (trabalhos. como no sentido de uma apreciação final sobre o que este aluno pôde obter em um determinado período. a avaliação é uma das atividades que ocorre dentro de um processo pedagógico. provas. visitas a centros de artesanato e produtos locais. testes. ela subsidia um ação que visa construir um resultado previamente definido. sempre com vistas a replanejar ações educativas.visitas a Museus.) têm fundamental importância para o . eis alguns exemplos: excursão pela cidade.leitura e análise de obras literárias – classificadas e da cultura popular: local. Este processo inclui outras ações que implicam na própria formulação dos objetivos da ação educativa. portfólios. sendo parte de um processo maior.

Essa discussão nos leva a considerar uma nova forma de compreender a avaliação no ensino de Arte. que difundia a idéia da livre expressão e do desenvolvimento da criatividade. cujo objetivo final é a obtenção de notas. as questões de gênero envolvidas nas produções artísticas. a arte das minorias culturais. Tem origem numa concepção tradicional de ensino e ocorre por meio de provas escritas de valor somatório e classificatório. que não se preocupa em apreciar o resultado deste. a avaliação é um meio e não um fim em si mesma. Diante disso. tendo em vista uma “avaliação autêntica”. Dentro dessa perspectiva.228 processo de aprendizagem. mas não devem ser usados apenas para a atribuição de notas na perspectiva de aprovação ou reprovação dos alunos. resumindo-se a elogios aos trabalhos. o controle da ordem em sala de aula e do comportamento do aluno. sem desconsiderar a expressividade e a criatividade do aluno. arte não se ensina. As questões subjetivas no processo avaliativo em Arte surgem sob a influência do escolanovismo. torna-se impossível avaliar a criatividade e estabelecer critérios sobre a produção estética e expressiva dos alunos. o contexto social da arte. articulando aspectos objetivos e subjetivos. expressa-se. é uma avaliação processual. p. É preciso desconsiderar testes e provas em favor de procedimentos que permitam o comprometimento do aluno em . ao longo do processo de ensino e aprendizagem. Uma prática avaliativa entendida e realizada durante o processo deve ser planejada. o processo avaliativo deve estar desvinculado de notas. a um fazer artístico desvinculado da teoria e à expressão do gosto individual. a arte produzida com as novas tecnologias. a arte popular. é preciso que o professor estabeleça um posicionamento pedagógico com critérios claros e explícitos sobre o processo avaliativo que irá adotar. “o ato avaliativo do ensino e aprendizagem de arte não pode ser uma simples mensuração de produtos finalizados”. Quando a avaliação acontece. 121). com o objetivo de reorientá-lo. essas questões merecem ser consideradas na avaliação do aprendizado do aluno. definindo instrumentos e critérios relevantes para a aprendizagem. conforme afirmam Fusari e Ferraz (1993. As aulas de Arte estão pautadas em questões como: a originalidade na produção artística. prevendo interações que vão se somando no interior da sala de aula e com as possibilidades de entendimentos dos conteúdos que estão sendo trabalhados. A avaliação em Arte envolve a discussão sobre aspectos objetivos e subjetivos da apropriação e produção do conhecimento. Por isso. Conforme Boughton (2005). As questões objetivas estão associadas a um processo de avaliação que prioriza a mensuração de produções ou atividades finalizadas sem critérios previamente explicados e evidentes.

Outros instrumentos de avaliação podem ser: registro em planilhas de notas. que reflitam sobre situações da vida real e que sejam de longo prazo. também. Permite. como poderia ser melhorado. anotações diárias das aulas. p. trabalhos em andamento. registro de diálogos entre professor e aluno. nas quais possa acompanhar tanto o desenvolvimento prático dos alunos. Um exemplo são os professores que costumam registrar. fotografias e outros registros de fontes (BOUGHTON. O professor não deve isentar de sua responsabilidade de avaliar as aprendizagens dos alunos. sendo que as atividades avaliativas podem ocorrer por meio de informações coletadas em pastas ou cadernos de produção artística. trabalhos completados. É fundamental considerar que a avaliação das ações de ensino está diretamente relacionada à avaliação das aprendizagens. Essas evidências de aprendizagem podem ser somadas a outras. diálogos entre o professor e os alunos. O processo avaliativo pode ser organizado pelo professor em fichas criadas por ele. há uma infinidade de possibilidades de registro da prática e do crescimento dos alunos. registros do aluno. tais processos. para avaliação. em consonância com a realidade social. por meio dos quais os alunos reensinam a outros alunos conceitos recém adquiridos. quanto do professor. métodos multiplicadores. ensaios sobre o trabalho. quanto o seu nível de elaboração teórica e estética. no qual ele anota o que fez. o professor poderá considerar mais amplamente o processo de aprendizagem. produção de textos. é importante estimular à autoavaliação. Esses relatórios podem considerações a respeito do processo de desenvolvimento e aprendizagem de cada aluno. tanto do grupo. desafiadoras. Ao avaliar seu processo de ensino. enfim. comentários e avaliações dele. Os alunos podem coletar na pasta. de professor e de colegas. do coletivo (dos alunos como um todo) e do seu próprio trabalho. 383). relatórios do desempenho dos estudantes. . entre outras definidas de acordo com a realidade da turma e da escola. 2005. reflexões gravadas ou escritas. fazer continuamente reflexões sobre o processo de ensino e aprendizagem. o que foi produtivo. perceber como o aluno aprende os conteúdos artísticos e estéticos. Esses pressupostos demandam um processo avaliativo permanente que possibilita. Essas questões precisam ser consideradas tanto para as turmas dos anos iniciais como para os finais. sob forma de relatórios. rascunhos e anotações de idéias relacionadas ao trabalho. perfil de comportamento e postura acadêmica. como: exposições e apresentações orais.229 atividades avaliativas complexas. atividades escritas avaliativas. ao aluno e ao professor.

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233 EDUCAÇÃO FÍSICA .

234 .

o Egito Antigo. bem como conquistar novos territórios por meio das guerras. sendo analisado e percebido em um processo de cultuação e veneração do mesmo. a partir das grandes civilizações da história da humanidade. 1989). Roma e Grécia dois grandes berços da civilização ocidental. pois se acreditava que esse corpo podia manter uma relação de ressuscitação. a busca pelo alimento o forçava a sair de uma situação anatômica quadrúpede para uma situação mais confortável a bípede. políticas e ideológicas. Os exercícios ginásticos privilegiavam a elite da sociedade Pólis/Estado. Enfatiza-se que nesse momento de organização social. procurou-se neste primeiro momento trazer algumas análises do surgimento da concepção do corpo em diferentes contextos da historicidade da área. da luta para a consolidação da Pólis/Estado por meio da guerra que visava conquistar a expansão dos territórios. pois somente os filhos dos nobres é que tinham acesso à ginástica e a natação. sendo a ginástica um instrumento de formação educacional dos Gregos (GRIFFI. bem como os marcos teóricos que se evidenciaram nesse processo. Na comunidade primitiva. Verificamos então. cultuava-se o corpo de forma a atender as necessidades sociais. no Egito Antigo esse corpo foi identificado de outra maneira. pois serviria de mecanismo de sobrevivência. que deveria defender o seu território. o que o tornou mais eficaz em sua estruturação orgânica e funcional. daí a importância da valorização e fortalecimento do corpo. as práticas corporais possuíam um caráter elitizado. A educação do . pois através do mesmo ele se desenvolveu e se humanizou. as civilizações Romanas e Grécia Antiga. Identificamos o surgimento das práticas corporais a partir do surgimento do próprio homem e a sua relação com a natureza. Entretanto. O exercício físico surge como um processo de organização social e cultural. isto é. a história da Educação Física traz algumas questões extremamente importantes para verificarmos que o surgimento da concepção do corpo emerge juntamente com a história do próprio homem. Para tanto.235 1. o homem manteve uma relação do corpo de forma utilitária. FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA Cláudia Renata Rodrigues Xavier Luís Eduardo Moraes Sinésio Leize Demétrio da Silva Com o objetivo de melhor explicitar as questões do conhecimento a ser desenvolvido na área da Educação Física. Remetemo-nos as análises do surgimento da concepção do corpo. pois na Grécia Antiga.

p. Entretanto. No mundo Grego nasce as Olimpíadas (776 A.56) enfatiza a seguinte idéia: [. p. Observamos então que desde os primórdios da origem das práticas corporais. ou seja. há uma forte relação entre as teorias filosóficas e as concepções de Educação Física. o que marcou efetivamente um processo de organização social política dessas cidades. A formação desta personalidade diz respeito não só ao corpo.] Platão destacou os três tipos de ginásticas: militar. Griffi (1989. Aristóteles enfatiza que o homem deveria ser educado envolvendo a dualidade entre o corpo e a mente. de exercícios leves. mas também a alma... o aspecto do trabalho corporal através da ginástica.] da ginástica em termos práticos. identificado na educação dos romanos. considerados importantes na formação humana. Platão e Aristóteles. 50) ao discutir a concepção de corpo e educação: “[. Conhecidos como pensadores clássicos. p. de fato. as energias dos jovens dedicados ao estudo. torna-se necessário a expansão desses exercícios físicos de forma que os mesmos fossem designados a formação de um corpo forte e robusto para a manutenção da pátria. lhe impedia o desenvolvimento normal. enfatizando o trabalho das mesmas juntamente com a música” (GRIFFI. Enfatizamos a idéia de Platão (apud GRIFFI. Para Aristóteles a concepção de homem era predominantemente a educação intelectual. Platão tentou conciliar o aspecto físico e intelectual. das coisas mais profundas da alma.236 corpo era vista como uma forma de controle social. esgrima e ginástica constituíam-se em uma forma de educação. 1989. a ginástica devia ter simplesmente um caráter formativo no período da educação. atlética-profissional e médica. fato este também. considerando nocivo desfrutar através de exercícios atléticos. levando em consideração a importância que esta tem no desenvolvimento e na formação da personalidade humana”. pois esportes como atletismo. foi extremante importante. De acordo com Griffi (1989). C). lutas.50). de uma concepção corpórea atrelada . que esforçando o corpo. Nesse momento a prática corporal desportiva. Em função de uma nova ordem social. o corpo foi identificado como um mecanismo de controle social. esta como prática educativa foi perdendo seu significado enquanto crescia a importância do conhecimento filosófico e geral. 1989. configurando-se em um equilíbrio para sua formação. desvalorizando. “[..] Aristóteles recomenda a execução por parte dos jovens. trouxeram a tona a cultura do espírito.. Criticava. Destacamos os pensamentos dos filósofos mais representativos da antiguidade: Sócrates. cujo enfoque era de normalização dessas práticas. a ginástica atlética... neste momento nasce à concepção militarista da Educação Física.

de uma educação física subordinada aos códigos\sentido da instituição esportiva. principalmente no período pós-guerra em que se desenvolve e se dissemina por todos os países a influência da cultura européia. Sendo assim. Pensando então. neste período a Educação Física escolar era entendida como uma atividade exclusivamente prática. os Romanos também enfatizaram em seu processo de educação. Decreto-lei nº 1212. 2004). de 17 de Abril de 1939 apud SOARES. disciplinador e moral baseado na abordagem positivista da ciência e a moral burguesa. os exercícios físicos deveriam ter um caráter utilitarista e finalidades práticas. p. Soares (1992) explica que neste discurso os médicos delinearam um novo modelo de sociedade brasileira que contribuiu para formação de uma nova ordem. racionalização de meios e técnicas”. em detrimento da atividade corporal. a necessidade de buscar uma performance corporal. pois os sofistas acreditavam que era necessária uma educação pautada nos aspectos intelectivos. delinearam seu espaço e delimitaram seu campo de conhecimento. 54) “princípios de rendimento atlético\desportivo. A influência das Instituições Militares pode ser observada nas primeiras décadas do século XX. Cria-se em 1939 a primeira escola civil de formação de professores de Educação Física (Brasil. sucesso no esporte como sinônimo de vitória. . houve a ascensão do cristianismo e a conseqüente crise da educação física. no sentido de aprimoramento de suas técnicas para consolidação do Império Romano. 2004). o que não a diferenciava da instrução física militar. O Método da Educação Física Desportiva Generalizada traz para o Brasil a influência muito forte do esporte. A educação física no Brasil no período de 1850-1930 em seu percurso histórico sofreu influências das instituições médicas e militares que em alguns momentos definiram seu caminho. isto é. momento em que ocorre a crise da educação do físico. Este pensamento higienista construiu um discurso normativo. em uma sistematização da educação física na escola surgem os métodos de ginástica: Método Natural Austríaco de Gaulhofer e Streicher e o Método da Educação Física Desportiva Generalizada de Auguste Listello (SOARES. O discurso higienista das instituições médicas teve a influência das teorias do mundo europeu no século XIX. regulação rígida. econômica política e social. Os primeiros professores de educação física eram formados por estas instituições. Em Roma. em que primava pela ordem e eficiência. 1992. que resumem segundo (SOARES. Com a queda de Romana. como também a construção de um novo homem. na educação dada aos jovens romanos.237 às questões de ordem política e principalmente ideológica de desenvolvimento e consolidação da Polis/Estado Grego. um corpo político. competição comparação de rendimento e recordes.

dirigia-se ao processo de aprendizagem dos esportes na escola no momento em que questionava a precocidade do ensino de modalidades esportivas para crianças de anos iniciais e com as discussões da implantação da obrigatoriedade da Educação Física. Posteriormente. as afirmações de Marx sobre a necessidade de formação integral do sujeito incluindo a ginástica do séc. No que se refere à obrigatoriedade. Logo. 26 da Lei nº. 1. torna-se obrigatória e não incluída no núcleo comum da escola. “[.328. quando se afirma que a força de trabalho tem a sua existência assegurada basicamente pela reprodução biológica. art. Para Alves isto é um equívoco. dispensa formação profissionalizante.] primava por princípios da racionalidade técnica em busca da eficiência”. especialmente com a classe trabalhadora em relação ao poder econômico da sociedade vigente (KUNZ. Essa critica. O próximo tópico discorre sobre as novas tendências que emergem no país após pesquisas no âmbito da educação física escolar. demandado pela operação de máquinas na fábrica. Uma das críticas era fundamentada nas teorias de tendência marxista47. os primeiros elementos de uma crítica a função sócio-política conservadora no âmbito da escola. houve a introdução da palavra “obrigatório” após a expressão “curricular” constante do § 3º do Art. pois. 9. facultativa nos cursos noturnos. não há nem haverá a menor razão de se conjugar o trabalho produtivo com o ensino e a ginástica no plano dos conteúdos didáticos da escola (2001.1 Tendências emergentes da Educação Física escolar O ano de 1980 aponta como referência à história recente da Educação Física brasileira. a Educação Física é incluída como prática pedagógica no núcleo comum da escola.238 Em 1970 a Educação Física passa a ser legalizada no processo educacional por profissionais da área que por meio da Lei 5. que segundo Soares (1992. A resistência à concepção biologicista da Educação Física. está sendo dito que o trabalho simples. A resistência supracitada foi influenciada por várias pesquisas no campo pedagógico e científico. e levou a crítica aos conteúdos desportivos. de Dezembro de 2001. Na área de Educação Física estas críticas foram formuladas pelos autores: Valter Segundo Alves. a área foi expressa no contexto legal antes de ser incluída no núcleo comum da escola tornandose quase incompressível sua posição dentro da nova estrutura curricular.. 54). p. A Lei de Diretrizes e Bases de 1996 (LDB) em seu artigo 26 § 3º considera a Educação Física como uma disciplina integrada a proposta pedagógica da escola e como componente curricular da Educação Básica.394.692/71.165) 47 . de 20 de dezembro de 1996.. que estabelece as diretrizes de bases da educação nacional Por meio da Lei 10. 2003). XIX decorria de uma questão conjuntural daquele tempo histórico. cuja promoção do esporte apresentava uma seqüência mais rigorosa. 7° a Educação Física.p.

a Educação Física passou a ser valorizada como área de conhecimento auxiliar na apropriação dos conhecimentos específicos dos anos iniciais do Ensino Fundamental. E nos trabalhos de Piaget que entende a interação como estágios universais de suporte mais biológico. valorizando o processo de aprendizagem. de Oliveira (1995). De acordo com Bracht (1999) nessa perspectiva o movimento é mero instrumento.23) “a psicomotricidade advoga por uma ação educativa que deve ocorrer a partir dos movimentos espontâneos da criança e das atitudes corporais. Vitor Marinho M.. 164). Jean Lê Bouch por meio. que ampliam os campos de ação e reflexão nessa área. focava os elementos psicomotores para favorecer o processo do desenvolvimento cognitivo do aluno. ou seja. Celi Tafarel (1985). as tendências pedagógicas críticas da Educação Física.] estudar ambos os componentes e leis que governam o entrelaçamento em cada estágio do desenvolvimento da criança”. consideradas um saber a ser transmitido pela escola. núcleo central da personalidade”. .239 Bracht (1999). que combateram as vertentes tecnicistas e esportivistas.. p. porque as mesmas criaram encaminhamentos pedagógicos diversos. favorecendo a gênese da imagem do corpo. da dança. Para o mesmo autor (1998. pautados na Educação Física como uma área responsável pela formação de alunos atletas. Segundo Le Bouch (1986 p. não sendo formas culturais do movimentar-se humano. então. Nesse sentido. Com essa abordagem pedagógica foi deixado de lado o específico da área de Educação Física. 8). [. no final do ano de 1970 e início do ano de 1980. como os conhecimentos do esporte. Essa tendência levou o professor de Educação Física a se responsabilizar mais com o pedagógico. A tendência Psicomotricista surgiu no final dos anos de 1970. p. “ao estudar o desenvolvimento na criança. Na tendência construtivista-interacionista o conhecimento é construído através da interação do sujeito com o mundo. Essas tendências são de fundamentos humanistas. a construção do conhecimento se dá a partir de uma base biológica e a interação com o meio. Esse conceito de interação esta pautado nos estudoss de Vygotsky (1998) que a explica por meio da construção social do ser humano em uma dimensão sócio-histórica do funcionamento psicológico. Em oposição às tendências tecnicistas e esportivistas surgem. 2005. devemos começar com a compreensão da unidade dialética das duas linhas principais e distintas (a biológica e a cultural). da ginástica e do jogo (DARIDO. influenciou o pensamento psicomotricista no Brasil. de suas publicações.

padrões de comportamento. e o esporte de alto nível”. do desenvolvimento fisiológico. proposta por Gallahue (1992) e aplicada por Manoel (1994): os movimentos fetais. rudimentares. de forma a desenvolver nos alunos a capacidade de analisar e agir criticamente nessa esfera.240 De acordo com Darido (2005. uma efetiva aplicação do movimento. 3º ampliação da sistematização do conhecimento. p 11) o construtivismo na área da Educação Física “considera o conhecimento que o aluno já possui. também vincula-se as tendências críticas da educação e aponta para a tematização dos elementos da cultura de movimento. o jogo. A tendência Desenvolvimentista teve suas primeiras influências nos anos de 1990 que de acordo com Darido. em função dessas características ajusta os conteúdos ao longo das faixas etárias. movimentos culturalmente determinados. estão sistematizados em ciclos: 1º . A emancipação. 4º do aprofundamento da sistematização do conhecimento e devem tratados de forma histórica. Segundo Tani (1998) é uma tentava de caracterizar a progressão normal do crescimento físico. contribuindo para um melhor controle. é uma proposta que nasce contra as propostas mecanicistas busca “desempenho máximo. 33) é o processo de: “libertar o jovem das condições que limitam o uso da razão crítica e com isso todo o seu agir social. a dança. resgatando sua cultura de jogos de regras. (2003. Segundo Oliveira (1997). Trabalha também com situações de conflito cognitivo oportunizando a novas aprendizagens. motor e afetivo-social na aprendizagem motora e. 2º da iniciação da sistematização do conhecimento. Nessa proposta o objeto de conhecimento da Educação Física é a cultura corporal com seus elementos: o esporte. (2005) o desenvolvimento e a aprendizagem motora são os principais objetos de estudo da tendência desenvolvimentista. A Tendência Crítico-Emancipatória. elaborando uma taxonomia para o desenvolvimento motor. cultural e esportivo que se . p. Nessa perspectiva o trabalho pedagógico oportuniza vivenciar o máximo de movimento ampliando seu acervo corporal. A Tendência Crítico-Superadora surgiu por volta de 1992. as lutas e as brincadeiras. segundo Kunz. desenvolvida por Dermeval Saviani e colaboradores. brincadeiras de rua. Segundo Darido (2005) o conhecimento é fruto da mediação entre o aluno e a sua forma de aprender a realidade complexa do meio em que vive. combinações de movimentos fundamentais. Esses conhecimentos. de maneira a ser aprendido em seus movimentos contraditórios. fundamentais. segundo Soares (1992). influenciada pela concepção histórica-crítica.da organização da identidade dos dados da realidade. rodas cantadas entre outras”. que é fundamentada no marxismo e no neo-marxismo. espontâneos e reflexivos.

Sigrist (2000) concebe cultura como a expressão da forma de ser e viver em sociedade. de uma visão apenas biológica. cognitivas e socioculturais dos alunos” (BRASIL 1998. Nesse sentido o ensino do esporte ou outras manifestações da cultura do movimento humano possui objetivações e subjetivações com valor educacional que deve ser trabalhado na escola no sentido de uma transformação didático-pedagógica e são consideradas as condições e situações do se-movimentar do aluno e do contexto escolar em que ele está inserido.] que procura democratizar. a cultura se torna o elemento identificador dessa sociedade. 1. Assim.26). onde.. utilizando estratégia denominada pelo autor de transcendência de limites. p. para que o esporte seja desenvolvido e praticado na escola é necessário analisar quais os interesses. pois. os falsos interesses e desejos”. política. Kunz (2003.. p.241 desenvolve pela educação”. a dança. é pelo questionamento crítico que se chega a compreender a estrutura autoritária dos processos institucionalizados na sociedade que formam falsas convicções. produzidas a partir da .. desejos e necessidades que formam a instituição. O conhecimento historicamente construído ao longo do tempo pela humanidade tornou-se incorporados pela Educação Física em seus conteúdos: o jogo.PCN a fim de nortear o direcionamento da educação no país. para um trabalho que incorpore dimensões afetivas. 1998). corporais.2 A cultura corporal de movimento Ao abordarmos a Cultura Corporal de Movimento.122) defende o ensino critico “[. 1998. social e afetiva onde o corpo pode movimentar-se interagindo socialmente como “cidadão”. Os PCN de Educação Física trazem uma proposta para área “[. 15). p. antecedendo-os e transcendendo-os” (BRASIL. esporte e a ginástica que são ministrados nos espaços escolares (BRASIL. Considerando a cultura corporal como dimensões. Assim. O MEC em 1997 lança os Parâmetros Curriculares Nacionais . buscando simplificar. Considera que o esporte é realizado de forma normatizada e padronizada e visa atender o rendimento cobrado pelas sociedades industriais. De acordo com os PCN “cultura é o produto da sociedade e processo dinâmico que vai se constituindo e transformando a coletividade a qual os indivíduos pertencem. Sugere-se que os conteúdos sejam desenvolvidos em forma de cursos e apresenta em plano de desenvolvimento de aula. traz na concepção da Educação Física a Cultura Corporal de Movimento. humanizar e diversificar a prática pedagógica da área. torna-se necessário antes de tudo analisarmos a concepção de Cultura.].. que cultura constitui-se em todas as manifestações estéticas. artísticas. Entendemos então.

políticas e econômicas do homem e adquire características da sociedade que representa em um determinado tempo histórico. essas manifestações são únicas. de povoamento e de ludicidade. o jogo. 1992). pescasse. afirma que: O movimento corporal humano no interior da Educação Física possui elementos de reprodução e elementos de superação. A cultura emerge das relações sociais. pertencem à categoria imaterial. Para Ghiraldelli (1990) é necessário entender que na lógica capitalista. p. de reprodução. Ghiraldelli (1990. Hoje esses conhecimentos corporais constituem-se na Cultura Corporal de Movimento e são reproduzidos por todos os seres humanos. Não necessariamente com a mesma significação. Considerando que essas manifestações corporais são em princípio sociais. na nossa sociedade são influenciadas pelo modo de produção capitalista que determina a forma de pensar e agir sobre o corpo. Não há como fazer uma produção em série de . Por exemplo. nem na sua forma primitiva. enquanto ser social. pela característica contraditória própria do movimento enquanto atividade social-humana. o movimento corporal humano da Educação Física. O caráter dinâmico e contraditório torna-se seu traço definidor. a dança. Sendo assim. com necessidades e ansiedades próprias. caçasse. pois sofreram transformações ao longo do tempo (DARIDO. elas estão sujeitas aos condicionamentos histórico-sociais. na pré-história o instinto humano de sobrevivência. para vivenciar essa contradição que acontece no interior do movimento em si é preciso uma reflexão teórico-crítico. 196). arremessasse pedras.242 relação do homem. Algumas dessas manifestações foram incorporadas pela Educação Física constituindo-se em seus conteúdos: o jogo. a dança. e construísse instrumentos de trabalho para garantir sua sobrevivência (SOARES. o esporte e a ginástica. pois se realizam ao mesmo tempo em que vão sendo consumidas por seus praticantes e assistentes. não é neutro. que são consumidos essencialmente no ato de sua produção. No entanto. enquanto técnica. nem unidirecional. 2005). fez o homem andasse sobre dois apoios. As danças religiosas e comemorativas das colheitas são exemplos disso. ou seja. com a natureza e com o modo pelo qual ele produz a vida. pois cada sociedade se situa num determinado tempo e espaços específicos. Outras manifestações corporais e culturais se realizavam em celebrações dos frutos do trabalho. Assim. identificando quais os elementos reprodutores e os transformadores daquele determinado momento histórico. a ginástica e a luta.

É importante que o professor reconheça como o modo de produção capitalista influencia as formas de pensar e agir sobre o corpo. ou seja. utiliza-se da mídia na mercadorização do movimento corporal humano. Aqui não se considerou o contexto em que acontecia essa manifestação. Cada manifestação é singular na sua especificidade. Portanto. políticos e econômicos. mai agravante do horário de verão. Para isso. Um exemplo de mercadorização é a corrida de São Silvestre que teve seu horário alterado para satisfazer economicamente o sistema. A partir daí deve-se transcender o senso comum e desmitificar formas arraigadas e equivocadas em relação às diversas práticas e manifestações corporais. conceber o trabalho (ato humano. Para as quais a prova é por volta das 14h. e. devido o horário que acontece a maratona. como elemento principal da relação homem-natureza e da constituição da materialidade corporal humana é imprescindível para entender e desenvolver propostas pedagógicas de forma desalienada com a Cultura Corporal de Movimento. vivenciada e situada historicamente. 1990). com subjetividades e relações objetivas que jamais poderão se repetir. 48 A palavra estranha refere-se à alienação do homem ao produto que ele produz. a temperatura tonase muito elevada para o esforço físico e prova exigida. Nesse sentido os objetivos do ensino da educação física na escola devem favorecer ao aluno a compreensão da cultura corporal de movimento e todos os seus condicionantes sociais. pois. A seguir irá se apresentar os objetivos do ensino e aprendizagem da educação física do 3º ao 9º ano do Ensino fundamental. horário de verão. No entanto. principalmente para as mulheres (14h. pois confere a ele outras características e finalidades estranhas48 a subjetividade do sujeito que pratica o movimento (GHIRALDELLI. sendo o Brasil um país tropical. país tropical). histórico e social). altera profundamente esse movimento nas suas qualidades essenciais.243 um jogo. muito menos o dano físico que poderá causar aos maratonistas. seus condicionantes históricos e sociais. de uma dança. o sistema capitalista busca formas de materializar essas situações transformando-as em produtos consumíveis. Quando faz isso. é a objetivação da própria subjetividade do homem. pois esses efeitos são sentidos diretamente na escola. .

244 2. 3. ABORDAGEM SOCIAL DOS CONTEÚDOS POR MEIO DE SEUS FUNDAMENTOS Os conteúdos a serem desenvolvidos na Educação Física. O currículo e os conteúdos da Educação Física na contemporaneidade devem possibilitar e oferecer aos alunos os conhecimentos construídos historicamente. Vivenciar as práticas corporais e nessa ação demonstrar respeito ao próximo. compreender e analisar criticamente alguns padrões de estética corporal imposta pela mídia no contexto sociocultural. brincadeiras e utilizar esses conhecimentos na construção de novas estruturas cognitivas. bem como no seu processo civilizatório. as produções corporais humanas apresentam-se sistematizadas na escola por meio dos elementos da cultura corporal. pela . No tópico seguinte será discorrida a importância da abordagem social dos conteúdos da educação física por meio de seus fundamentos. ginásticas. para o qual o homem por meio do seu corpo organizou-se e construiu novas relações sociais apropriando-se de conhecimentos necessários a sua formação humana. Apropriar dos conhecimentos teóricos e práticos da cultura corporal de movimento: jogos. Esporte-Lazer e Esporte de Desempenho (Esporte de Rendimento e Esporte de Alto Rendimento). OBJETIVOS DO ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA Os objetivos do processo de ensino e aprendizagem da escola para os alunos de 3º ao 9º ano são: Participar da vida social. esportes. cultural e esportiva. danças. Nesse processo. Identificar as diferentes manifestações de esporte: Esporte-Educação (Esporte Educacional e Esporte Escolar). Reconhecer. da reflexão crítica. sendo capaz de conhecer. possuem a sua base epistemológica nas origens do próprio homem. solidariedade e justiça na resolução das situações de conflito. tornando-se seus conteúdos. reconhecer e problematizar sentidos e significados da sociedade por meio.

de acordo com a sua condição de classes social. jogo. p. buscar através do mundo. como também o avanço da ciência. ginásticas e outras experiências corporais decorrentes da estrutura de um sujeito singular e social que expressa de diversas maneiras a sua posição diante de si. refletir sobre o movimento objetivando o autoconhecimento e o agir autônomo e crítico. p. 23) “[. Diante das vivências é importante. como explica Saviani (1991. Observamos então. Eixo .Jogos esportivos e recreativos.] o clássico não se confunde com o tradicional e também não se opõe. É importante lembrar que os três eixos se relacionam internamente e só eventualmente serão abordados de forma isolada. entre outros. para o 3° ao 9º ano do Ensino Fundamental estão organizados em três eixos: Eixo . Assim os conteúdos propostos neste documento devem propiciar aos alunos a leitura da realidade e a intenção de compreendam a relação desses conteúdos com os problemas sociopolíticos atuais. que segundo Geuss (apud KUNZ. Os conteúdos evidenciam o que os alunos devem aprender e vivenciar sobre as formas expressivas da dança. propiciando a atualização dos fatos e acontecimentos nacionais e internacionais. esportes. 28) “são aqueles em que os indivíduos em condições normais têm a partir de um “conhecimento perfeito” desse interesse”. Esses conteúdos geralmente expressam intencionalidades e significações dadas pela sociedade. 2003. é aquilo que se firmou como fundamental essencial”. do outro. as instalações e materiais disponível para o desenvolvimento do conteúdo. as possibilidades sócio cognitivas dos alunos. o conteúdo da Educação Física na contemporaneidade encontra seus fundamentos nos clássicos. Os conteúdos da cultura corporal de movimento (dança. que nem sempre coincidem com as expectativas dos alunos e seus interesses reais.Atividades rítmicas e expressivas. que os conteúdos de ensino de Educação Física se constituem conforme a reivindicação da contemporaneidade. Para tanto deve-se considerar a relevância de desenvolvê-los com os alunos (O por que de se trabalhar determinou conteúdo com grupo) a condição física da escola. necessariamente ao moderno e muito menos ao atual. Assim. esportes..Conhecimento sobre o corpo. . ginástica) remetem à escola a necessidade de organização e sistematização de como serão explicitados no currículo e como serão construídos pelos alunos. Sendo assim..245 sociedade. os conteúdos. Eixo . e disso.

subestimada. Constituemse elementos psicomotores: a consciência corporal. e são determinados pelos componentes em que predominam os processos de condução do sistema nervoso na realização dos movimentos. a racionalidade enclausurou o homem e “ser racional e ter uso da razão constituíram-se nos únicos pressupostos para assegurar os plenos direitos de pertencer à humanidade”. culturalmente cristalizada. especialmente. que sente prazer. a lateralidade. principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Segundo Santin (1994. o equilíbrio e a coordenação motora geral. No entanto. que vibra. enfim o sujeito que sente. que se alegra. recuperar essa corporeidade negligenciada. da superioridade da esfera mental ou intelectual – a razão como identificadora da dimensão essencial e definidora do ser humano. que se emociona. um diálogo do ser humano com o mundo.246 Eixo . evitando desta forma. Percebe-se nos conteúdos deste eixo uma predominância dos elementos da psicomotricidade e da aprendizagem motora. isto é. mas. afirma que historicamente na tradição ocidental: a educação “corporal” vai pautar-se pela idéia. Percebe-se que dessa dimensão humana foi excluído o sujeito que ama. considerar que o movimentar-se do homem é uma forma de linguagem. e que na sua interação como o meio físico e cultural pode transformar o meio e ser transformado por ele. abordar somente o aspecto mecânico do movimento. O aluno deverá superar as dicotomias existentes na percepção do corpo que ao longo da história. pois é necessário um olhar mais cuidadoso no processo de desenvolvimento desses elementos. Portanto. Bracht (2007). . Os elementos psicomotores ou capacidades coordenativas é a qualidade de um movimento. 13). todas as ações motoras são organizadas a partir do Sistema Nervoso Central (CARVALHO et al. que brinca. que cria. para prevenir e/ou identificar alguma anormalidade no movimentar-se dos alunos. vem sendo relegado a um papel inferior em relação à alma (teocentrismo) ou mente (positivismo). por meio das mais variadas atividades que o levem a descobrir. desenvolver. usufruir e transformar as possibilidades do seu próprio corpo. p.1993). se entristece. ao longo da história é uma tarefa de todos os setores da educação principalmente da educação física que tem como objeto de estudo o movimento corporal humano. Os conteúdos propostos para esse eixo irá possibilitar ao aluno conhecimento do corpo. é preciso que o professor tenha clareza que o conteúdo das aulas de Educação Física é o movimento humano.Conhecimento sobre o corpo O desenvolvimento desse eixo deve favorecer ao aluno a compreensão de que seu corpo seu corpo é um organismo integrado.

. No processo de desenvolvimento dos alunos do 3° ao 9° do ensino fundamental é recomendado o desenvolvimento das habilidades motoras básicas (andar. plástica e econômica. Por exemplo. que por sua vez. O equilíbrio divide-se em equilíbrio dinâmico: que são ações corporais de ordem dinâmica. realizada com deslocamentos e equilíbrio estático: que é a posição corporal estática (TISI. A lateralidade.1993) como quantidades de movimentos em que e determinadas . Grespan (2002 p.. c-Coordenação visomotora: habilidade de coordenar a visão com o movimento do corpo e diversos segmentos corporais (TISI. p.. 2004). mesmo em condições difíceis. unidades motoras dos músculos e articulações. trepar.. correr. Essa prevalência é a dominância hemisférica do cérebro. 2004). p. Capacidade física é uma condição física específica de cada ser humano. o hemisfério esquerdo do cérebro é dominante para as funções simbólicas na pessoa destra.247 A consciência corporal da criança se desenvolve por meio da percepção do esquema corporal que é um elemento básico para a formação da sua personalidade. É chamada por (CARVALHO et al. Coordenação motora é a capacidade de coordenar movimentos decorrentes da integração entre o comando do sistema nervoso central (cérebro). b-Coordenação motora estática: coordenação em que se realiza sem deslocamento corporal. de possibilidades e do agir transformando o mundo em sua volta (TISI. correr e arremessar. saltar. andar e quicar a bola. segundo Le Boulch (1982. o aluno compreende os esquemas de desenvolvimento das ações corporais. correr e saltar. entre outros).90). O equilíbrio auxiliará na apropriação de gestos motores mais complexos e sinalizará aspectos de formação cognitiva. A coordenação motora geral divide-se: a-Coordenação motora dinâmica: realizada por meio dos deslocamentos corporais. Por meio da conscientização do próprio corpo.] é antes de tudo assimetria funcional que incide na prevalência motora de um lado do corpo”. constituí-se em um processo de internalização cognitiva.50) nos esclarece que equilíbrio “[. com a aquisição de códigos de motricidade fina (escrita e orientação espacial). 2004. rolar) considerando a faixa etária a combinação dessas habilidades já são possíveis de serem trabalhadas (andar e transportar. ou recuperá-la rapidamente”. 132) “[. resultando em uma ação global mais eficiente. Coordenação motora geral é a capacidade de usar de forma mais eficiente os músculos esqueléticos. correr e chutar.] é a faculdade de manter uma posição.

se estimula desde idades menores (5 a 7 anos) atingindo seu ponto alto entre (8 e 11 anos). constituindo-se em: velocidade. As Escolas de Ginástica alemãs disseminou a ginástica para outros países da Europa e da América. d . Para Gomes (1991) a resistência encontra rápidos progressos: a criança do 1º e 2º ano de ensino fundamental apresenta boa capacidade com predomínio para a resistência geral ou de longa e média duração. que por sua vez.. Basedow (1723-1790). Ling.Força: Grespan (2002. considerando-a como educação física e incluindo no ensino formal de todos os países sistemas nacionais de ensino e escola. Amoros . que tem autores como P. Rousseau (1712-1778) e Pestalozzi (1746-1827) que contribui para essa inclusão o surgimento na Alemanha.62) “[. LANGLADE apud SOARES.” A força pode ser classificada como “geral”: é a contração muscular essencial para a execução de habilidades motoras.Flexibilidade: Carvalho et al (1993). (LANGLADE. flexibilidade e força. de saúde entre outros. Essa ginástica-educação física não era destinada aos escolares.248 pelos componentes que predominam os processos metabólicos de obtenção e transformação da energia. na unidade de tempo.B. Carvalho et al (1993) b .] deve ser compreendida como a contração muscular capaz de movimentar ou manter o corpo ou parte dele na execução de uma habilidade. Desde o século XVIII há uma preocupação na inclusão dos exercícios físicos nos currículos escolares por Guths Muths (1712-1838). Considera-se importante trabalhar a ginástica neste eixo. sem qualquer ajuda (flexibilidade passiva) ou com ajuda (flexibilidade ativa) . Depende da coordenação intra e intermuscular. define flexibilidade como a capacidade de executar movimentos amplos. desta forma surgem às primeiras sistematizações sobre o exercício físico conhecidos como Métodos Ginásticos. resistência. “específica”: é a contração muscular necessária para a execução de uma habilidade motora em particular.Resistência: Galardo (1998) define resistência como a capacidade de contração muscular a ser mantida ou repetida por meio do movimento por um longo período de tempo. 1992. 52). a mesma em todo o seu contexto histórico pedagógicamente está diretamente ligada a questões corporais. p.(sueco). p.. a . J. J. das Escolas de Ginástica (Turvereine) no século XIX. J. com ou sem a manipulação de objetos.Velocidade: é a capacidade de reagir rapidamente a um estímulo ou sinal (velocidade de reação) e de executar ações motoras (velocidade máxima cíclica). com maior velocidade possível. de forma de associações livres. c . H. pois.

52). a ginástica artística ou olímpica. o desenvolvimento das habilidades e capacidades físicas que poderão acontecer por meio de jogos. saltar. (movimentos naturais do repertório humano)”. enriquecendo a cultura . carregar e esticar). Demeny. Eixo – Jogos esportivos e recreativos Para o aluno quase toda atividade é jogo. 2-3). p. (SOARES. acrobáticas e atividades laborais e fisiculturismo). Tissié e professores de musica como J. p.75). como nos casos de aprendizagem de conceitos específicos da Fisiologia. caminhar e arremessar). Spiess (alemão). esportes. E. A ginástica engloba atividades como corridas.249 (francês) A. p. equilibrar na trave olímpica). Bioquímica. . “os métodos foram formulados com princípios da cultura da Grécia antiga. habilitação. Os conteúdos deste eixo poderão ser abordados isoladamente. contribuições de filósofos e de fisiologistas como G. Nas escolas brasileiras podemos encontrar as manifestações que incluem formas básicas do atletismo (correr. Marey. esportivas. 1961) afirma que pelo jogo abandonamos o mundo de nossas necessidades e técnicas para criar mundos de utopia. a força. arcos. e lutas) (SOARES et al. levantar. 77). Anatomia. A ginástica com ou sem a utilização de aparelhos no âmbito escolar deve possibilitar ao aluno atividades variadas de exploração corporal. a influência do esportivismo e a calistenia. hidroginástica. “as ginástica de competição dividem-se em Formativas (saúde. exercícios de reabilitação) ou Localizada e Natural. que enaltecia a saúde. saltos lançamentos e lutas que evoluíram para as formas esportivas influenciadas pelas diferentes culturas. Segundo Bregolato. Construída ou Calistênica (Aeróbica. danças e ginásticas. Nos programas brasileiros é evidenciada hoje. exercícios com aparelhos manuais (saltar com cordas. em que poderá confrontar a novas formas de exercitação com as tradicionais. Dalcroze. exercícios em aparelhos (balançar na barra fixa. integrado com outro eixo como. e é por meio do mesmo que ele se exercita para o mundo adulto (CHATEAU. 1992. Biomecânica. Esses autores contribuíram no desenvolvimento da educação física no âmbito escolar garantindo respeito e consideração de outras áreas. formas básicas de ginástica (empurrar. por exemplo. 1992. e a beleza tendo as atividades da Educação Física denominadas ginástica” (BREGOLATO. No eixo que segue irá ser discutida a importância dos jogos esportivos e recreativos como forma de manifestação cultural e social. médicos como P. De acordo com Galardo (1997. ou então. p. favorecendo os alunos a uma compreensão de sentido próprio às suas exercitações de ginásticas. 2006.

segundo regras livremente consentidas. p.250 Para Huizinga (2000) o jogo é uma atividade ou ocupação voluntária. record. pelo esforço. pelos desafios do treinamento e pela vitória (prazer somente da equipe vencedora). 33) inserem o esporte e a brincadeira quando afirma que: “o jogo é uma categoria maior. tanto no jogo como no esporte. que se manifesta. mas absolutamente obrigatórias dotadas de um fim em si mesmo. a irrelevância dos resultados e a contextualização no tempo e no espaço. Em seu desenvolvimento. do jogo Freire e Scaglia (2003. Sendo o jogo uma atividade voluntária. consentido e acordado entre os participantes. o que existe de relevante é apenas o prazer de brincar. no esporte apresentam-se restritivas e imperiosas. percebe-se a manifestação do elemento lúdico no jogo. racionalização e cientificização do treinamento. a possibilidade de alteração das regras de acordo com a necessidade do grupo. a reflexão crítica dos valores que formam e informam a cultura esportiva em nosso país e no mundo. (c) as regras. pois. . Assim. que se concretiza quando as pessoas fazem esporte. exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço. XVIII e se expandiu. ele é um importante instrumento de educação. a liberdade dos alunos na escolha dos esportes que desejarem aprender. Alguns desses elementos característicos do jogo também se manifestam no esporte diferenciando-se numa ou noutra atividade. liberdade. Para Bracht (1989) o esporte é uma atividade corporal de movimento com caráter competitivo que surgiu no âmbito da cultura européia por volta do séc. no caso do jogo. assumiu as seguintes características: competição. Nesse sentido ao se desenvolver o jogo na escola deve-se considerar alguns elementos. cooperação e solidariedade. no esporte é motivado pelo confronto com o perigo. quando fazem ginástica ou quando as crianças brincam”. uma metáfora da vida. acompanhado de um sentido de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida quotidiana”. ao desenvolver o esporte na escola temos que nos preocupar em resgatar o lúdico do esporte. Não existe no jogo nenhum caráter de produtividade. como: a liberdade de ação do jogador ou caráter voluntário da ação lúdica. quando lutam. Nesse sentido. pelo gosto. a existência de regras (implícitas e explícitas). (b) o prazer que no jogo é motivado simplesmente pela ação lúdica. resolução de problemas e criatividade. oportuniza situações de convivência em grupo. rendimento físico-técnico. Por exemplo: (a) a incerteza do resultado. Nesse universo. uma simulação lúdica da realidade. a vivência dos esportes de aventura numa proposta de regate de valores como auto-realização. pois não se sabe o resultado final. o prazer.

habilidade humanas tais como: “criatividade.mútua. 1994.251 Outra possibilidade de conteúdo nesse eixo são os jogos cooperativos. propomos os jogos cooperativos como uma alternativa de desenvolver no aluno a solidariedade. enfatizando a importância do ritmo e da expressão no espaço escolar. a ajudar uns aos outros. O ritmo também. se associa as atividades motoras. p.. espírito de grupo.35).] características vibrantes. tensão. ao invés de uns contra os outros” (BROTO 2001. sugere ainda que devemos procurar desenvolver nas crianças. acentuação. favorecendo a permanência e a perpetuação dos brinquedos cantados enquanto conteúdos” A escola pode oferecer outras formas de práticas de expressão corporal. com as nossas gerações futuras [.. forma. 113). Eixo . acredita ainda que somos educados e/ ou condicionados para cooperar ou competir. pazciência.Atividades rítmicas e expressivas O desenvolvimento dos conteúdos deste eixo deverá ter a expressão corporal como forma de linguagem. p. p. O autor. bom humor. confiança . São atividades que colaboram para as combinações entre aprendizado rítmico e o musical. dramatizações. compartilhar sucessos e fracassos e aprender a jogar uns com os outros. p.] o ritmo ordena também as formas básicas de locomoção. como brincadeiras de rodas. através da freqüência. 2001.. onde.. a cooperação e o interesse pelo bem estar comum. p. auto-estima. espaço. através dos batimentos cardíacos. familiariza ao ambiente infantil.. Rangel (2002. relaxamento.] devemos nos afastar da competição cruel e começarmos a enfatizar a cooperação e a preocupação com os outros.17). a . descontraídas e alegres. Broto (2001. respeito e aceitação. satisfação e socialização que acontece de forma espontânea.30) afirma que: Se nossa qualidade de vida futura e talvez nossa sobrevivência. depender da cooperação. através do prazer. todos pereceremos se não estivermos aptos a cooperar. enfatiza as “[. movimento” (CAMARGO.. Portanto. da respiração e do ato de falar. Orlick (apud BROTO. do homem em toda sua existência. 27) define cooperação como “um processo onde os objetivos são comum. agradáveis. O instinto rítmico se manifesta até mesmo antes do nascimento. as ações são compartilhadas e os resultados são benéficos para todos”. valorizar os movimentos corporais dos alunos e favorecer o conhecimento do seu próprio corpo. Em seguida irá se discorrer sobre importância do trabalho das atividades rítmicas e expressivas no âmbito escolar. e que podem ser desenvolvidas na escola. Segundo Camargo “[.

2006).. de rua. dos costumes. a dança da chuva: para saciar a sede. jazz. mas trabalhar também. pois.252 mímica como também a dança contribuindo para o desenvolvimento da expressão comunicativa dos alunos. A dança como fator educacional na escola deve ampliar a caça) e dança do Acasalamento . folclóricas. danças educacionais: danças . Existem várias possibilidades expressivas de movimentos que se traduzem em habilidades corporais que vão ser adquiridas pelo treinamento. da saúde etc. danças acadêmicas (balé.] o desenvolvimento da técnica formal deve ocorrer paralelo ao desenvolvimento do pensamento abstrato. e que pode interferir na expressividade. contemporâneo entre outras). na comunhão mística do homem com a natureza. dança da Puberdade (dar força a juventude e maturidade ao guerreiro). p. nas manifestações. a dança do Sol (o brilho do sol dava maior margem para a colheita). uma linguagem social em que a transmissão de sentimentos e emoções é vivida através do movimento no contexto da religiosidade. Essa compreensão fica clara quando consideramos a técnica não separada de ideologias. motivações psicológicas e sociais do executante e a simbologia que a mesma produz como também as possibilidades corporais. sem deixar de lado outras manifestações de expressões. A dança como treinamento ganha espaço e se apresenta de forma competitiva. por exemplo: dança de salão (escolha dos melhores dançarinos). Nesse entendimento a dança como arte não pode ser vista como transposição da vida e sim como representação simbólica e estilizada da mesma. A evolução da dança ao longo dos anos vem se fragmentando cada vez mais em tipos diversificados que recebem auxílio dos meios de comunicação e da indústria cultural. jazz. Por esses motivos e os demais que seguem é que enfatizaremos o trabalho com a dança. danças acadêmicas: clássico. dos hábitos. popular ou social. Nasceu na expressão das emoções primitivas. Por exemplo. A dança é uma das formas de expressão que representa diversos aspectos da vida do homem. regionais. do trabalho.83)enfatiza a idéia que “[. A ênfase da dança na escola não se deve primar exclusivamente pelo ensino de gestos e movimentos técnicos. a dança da lua (influência sobre as mulheres grávidas).. No ensino da dança deve-se considerar o aspecto expressivo que vai de encontro com a formalidade da técnica no aprendizado de sua execução. de salão entre outras. da guerra. espontânea dos movimentos. dança Imitativa passos dos animais (para atraí-los (multiplicar as espécie) (BREGOLATO. este permite a compreensão clara do significado da dança e da exigência expressiva nela”.criativas. Soares et al (1992. a expressão natural dos movimentos. Entre as manifestações conhecidas da dança encontramos.

lateralidade/direcionalidade. colocar primeiro. qualidades físicas ou capacidades condicionais: velocidade. sempre que se experiência a dança em diferentes tempos e espaços”. isto é. nutrição. hábitos de vida saudável. habilidade motora. p. O professor poderá seqüenciar os conteúdos adequando aos interesses da turma. flexibilidade. Para o ensino de algumas formas de dança como as Folclóricas e as Regionais que exijam o conhecimento próprio da cultura que a pertencem e que enfatiza os componentes lúdicos historicamente situados deve levar em conta a fidedignidade na sua execução. CONTEÚDOS PARA O 3º AO 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 4.253 as possibilidades de expressão do aluno. Não há uma ordem rígida para a organização dos conteúdos. utilizando desde as formas mais espontâneas até chegar na construção de danças formalizadas (coreográficas). Ossona (1988). o jogo etc. Barreto (2004. como forma de expressão humana. Verificamos a questão da expressividade da dança em autores como: Nani (1985). Funx (1983). negros. Marques e Kunz (2003).. saúde: higiene. 1992). equilíbrio. Rangel (2002) e Barreto (2004). É necessário resgatar a cultura brasileira no universo da dança por meio de temas de origem culturais. aproveitar o que ele consegue fazer em termos de movimentos.] o significado de dançar. os passos básicos e forma no qual foram criadas .124) nos esclarece que “[.. respeitando as vestimentas. coordenação motora geral. resistência. . brancos índios buscando despertar a consciência social do aluno na construção da cidadania (SOARES et al. Ginástica. isto é. a dança.1 Eixo – Conhecimento sobre o corpo Elementos psicomotores e qualidades físicas secundárias: consciência corporal. 4. A seguir irá ser abordado neste eixo os conteúdos para o 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental. precisa ser construído dançantemente. simultaneamente tratando-os. força.

muretas.). Construção de brinquedos (pipa. como também construções individuais e coletivas para possível exibição na escola e na comunidade. explorando situações de desafios aproveitando o ambiente natural da escola (buracos. aprofundar as possibilidades de exploração e identificação dos movimentos corporais em relação a si e aos outros. rolemã ). velocidade.. como também perceber e agir utilizando o corpo como elemento de aprendizagem.. aprender técnicas de vários tipos de ginásticas (localizada. desenvolver hábitos de higiene no cotidiano... equilíbrio etc…) bem como suas sensações a partir das relações que estabelece (alegria. medo etc.1. Jogos de salão. resistência. expressar em diferentes contextos do cotidiano. identificar. 4. construir seqüências de ginásticas simples. percebendo alterações fisiológicas. outras. A seguir irá ser abordado neste eixo os conteúdos para o 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 3º ao 5º ano do ensino fundamental Os alunos devem por meio da aprendizagem desses conteúdos ser capazes de apropriar dos comportamentos psicomotores. aeróbica artística etc.entre outras. Executar as habilidades motoras básicas em diferentes situações. entre. conhecer seu próprio corpo identificando seus segmentos. dor. coração acelerado). executar as habilidades motoras básicas em diferentes situações. Jogos pré-desportivos e Jogos cooperativos. reconhecendo o meio ambiente. possibilitar a aprendizagem de diversas formas de saltar. Gincana Caça ao tesouro outros . conhecer suas possibilidades e limites (força.2 Eixo – Jogos esportivos e recreativos Jogo: Jogos da cultura popular. vivenciar movimentos ginásticos individual e coletivamente. respeitando os objetivos e interesses dos próprios. equilibrar. árvores etc. girar. adoletá ).). identificando essas alterações e refletindo sobre a razão delas acontecerem (ex: respiração ofegante. ioiô. combinado-as de forma coordenadas. balançar etc. combinando-os de forma coordenada. reconhecer e explorar as possibilidades de expressão do próprio corpo.254 4. fui ä China-lá. Brincadeiras de mão (nós quatro.

nos conteúdos de dança. iniciativa pessoal e grupal e reconhecimento dos jogos da cultura popular percebendo-se como agente transformador dessa cultura. por exemplo. vivenciar movimentos das danças explorando a manifestação da cultura regional. a expressão e a comunicação por meio de gestos.255 4. sons. .2. A seguir irá ser abordado neste eixo os conteúdos para o 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental. e musicas. ao 5º ano do ensino fundamental O eixo de Atividades Rítmicas e Expressivas tem como relevância social na aprendizagem dos alunos do 3º ao 5º ano do ensino Fundamental as manifestações da cultura corporal. cooperação. 4.3. estimulando a aprendizagem de pequenas construções de movimentos. porém. cabe ao professor aprofundar e aumentar a complexidade dos trabalhos a partir do 4º ano como. elaboração.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 3º ao 5º ano do ensino fundamental A vivência dos conteúdos deste eixo deverá contribuir na formação de atitudes sociais como: respeito mútuo. como também. ritmos. A princípio os conteúdos desse eixo para os alunos de 3º ao 5º ano são os mesmos. reelaboração e obediência a regras. ampliando as possibilidades rítmicas do próprio corpo por meio da utilização de materiais variados.3 Eixo– Atividades rítmicas e expressivas Ritmo Brinquedos Cantados Danças Educacionais Expressão Corporal 4. Os conteúdos desse eixo são diversificados de acordo com a realidade local da cada escola.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 3º.

resistência flexibilidade. Identificar.256 5. 5.1 Eixo –Conhecimento sobre o corpo Elementos psicomotores e qualidades físicas secundárias: consciência corporal. reconhecer o meio ambiente. localizada.) Conhecer suas possibilidades e limites (força. nutrição. aplicar os conhecimentos sobre a higiene corporal. aparelho locomotor. aeróbica. qualidades físicas ou capacidades condicionais: velocidade. velocidade. sentar entre outras. saúde: higiene. coordenação motora geral. força. habilidade motora. idade biológica e cronológica. a adoção de uma postura física adequada (modo de andar. resistência. apropriar-se dos comportamentos psicomotores. 5. ginástica: artística. biomecânicos e psicológicos: freqüência cardíaca e sua alteração após o exercício.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º e 7º anodo ensino fundamental O desenvolvimento dos conteúdos deste eixo deverá proporcionar aos alunos. as transformações da adolescência. entre outros.1. natural. medo entre outros. equilíbrio. hábitos de vida saudável.) Compreender que diferentes atividades físicas requerem necessidades alimentares também diferentes. equilíbrio. bem como. reconhecer e valorizar os espaços de lazer. o maior consumo de proteínas em atividades aeróbias prolongadas. Cabe ao professor tenha o cuidado de observar o desenvolvimento do aluno e a partir daí intervir.) bem como suas sensação a partir das relações que estabelece (alegria. vivenciar e identificar as formas técnicas de diversas ginásticas . reconhecer e explorar as possibilidades de expressão do próprio corpo e seu deslocamento no espaço. considerando o grau de complexidade dos conteúdos. o nível de desenvolvimento dos alunos e as experiências que possuem relativas ao conhecimento sistematizado. lazer. bioquímicos. aspectos anatômicos. auto imagem. como por exemplo. dor. rítmica. lateralidade/ direcionalidade. CONTEÚDOS PARA O 6º AO 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL Os conteúdos nesta etapa de escolaridade se repetem com relação aos anos anteriores. fisiológicos. fontes de energia para a realização do movimento.

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(artística, olímpica, rítmica desportiva, ginásticas suaves, ginásticas aeróbicas, localizada, entre outras.); compreender e analisar as práticas corporais, tendo como enfoque a qualidade de vida; obter conhecimento sobre primeiros socorros; valorizar a atividade física enquanto hábito saudável; identificar espaços de lazer no bairro e na cidade e na sua ausência buscar meios para reivindicá-los.

5.1.2 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º e 9º anodo ensino fundamental O desenvolvimento dos conteúdos deste eixo deverá proporcionar aos alunos do 8º e 9º ano: aprofundar os conhecimentos já vivenciados no 6º e 7º ano sobre a conscientização corporal em relação a si e aos outros, respeitando as diferenças, percebendo-se como ser único integrado ao ambiente; Executar as habilidades motoras básicas sem dificuldades; aplicar noções de higiene e primeiros socorros; ampliar possibilidades motoras; relacionar dieta adequada ao nível da atividade física, considerando a reposição hídrica; identificar as

alterações corporais oriundas das manifestações de ordem física (aumento da freqüência cardíaca e respiratória e a sudorese entre outras.); identificar os grupos musculares e as capacidades físicas mais envolvidos nos esportes específicos: atletismo, handebol, natação, entre outros; estabelecer uma dieta saudável para um determinado período de atividade física específica (atividade aeróbica e anaeróbica).; construir, vivenciar e socializar individual e coletivamente práticas de ginástica no âmbito escolar e comunidade; ter autonomia para formar grupos ginásticos, que pratiquem e se exibam dentro e fora da escola envolvendo a comunidade local; elaborar; identificar os meios de obtenção de energia para a prática da atividade física e como ocorre sua transformação no corpo humano; elaborar um programa de atividades físicas, discuti-lo e vivenciá-lo.

5.2 Eixo – Jogos esportivos e recreativos Conceito de folclore e as manifestações folclóricas (jogos, brincadeiras e brinquedos) Jogos cooperativos Esportes Coletivos voleibol: Contextualização histórica, manejo do corpo, manejo da bola, ataque e defesa, regras específicas e adaptadas do voleibol, jogos preliminares e pré-desportivos, organização de eventos esportivos e jogos propriamente dito.

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handebol: Contextualização histórica e operacionalização da dinâmica do jogo, manejo do corpo, manejo de bola, regras específicas e adaptadas do handebol, formação: estratégicas de ataque e defesa (organização técnica e tática), jogo propriamente dito e organização de eventos esportivos. basquetebol: contextualização histórica, manejo do corpo, manejo de bola, jogos preliminares e pré-desportivos, jogos de ataque e defesa, regras específicas e adaptadas, estratégia de ataque e defesa (organização técnica e tática), organização de eventos esportivos e jogo propriamente dito. futsal: contextualização histórica, manejo do corpo e manejo de bola, jogos preliminares e pré-desportivos, jogos de ataque e defesa, regras específicas e adaptadas, estratégicas de ataque e defesa (organização técnica e tática), noções de posicionamento tático, organização de eventos esportivos e jogo propriamente dito. atletismo: contextualização histórica e a sua evolução, corridas de resistência, de velocidade, de revezamento, salto horizontal: extensão e triplo, salto vertical: altura e com vara, arremesso de peso e lançamento de dardo e disco, regras e organização de eventos esportivos damas: contextualização histórica, regras do jogo e movimentação, noções de abertura, meio-jogo e fim de jogo, jogos em duplas, rodízio de tabuleiro, exercício de finalização de jogo, forma de disputas para torneios, organização de torneios. xadrez: contextualização histórica, regras do jogo e movimentos especiais; jogos em dupla, rodízio de tabuleiros, xeque e xeque-mate, noções e aprofundamento de abertura, meio de jogo e fim de jogo, forma de jogo: exercícios de finalização de jogo, conselhos práticos e éticos, jogos recreativos, anotação da partida, golpes táticos e jogadas especiais, formas de disputas para pequenos torneios, organização de torneios. tênis de mesa: histórico e evolução, posicionamento do corpo, adaptação ao material (raquete, bola, mesa), regras básicas: pontuação, jogo simples, individuais e duplas, empunhadura, recepção e saque.

5.2.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º e 7ºano do ensino fundamental A aprendizagem dos conteúdos deste eixo para os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental possibilitará: observar, constatar, apreender e demonstrar os condicionantes históricos-sociais que determinam a prática dos esportes no Brasil; identificar os aspectos positivos e negativos do esporte; participar dos jogos esportivos identificando as dificuldades

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surgidas no e para o desenvolvimento do jogo; propor soluções (criar estratégias); participar dos jogos esportivos com desenvoltura em relação ao manuseio e condução da bola, à movimentação corporal específica de cada esporte e ao objetivo do jogo (como se marca pontos); questionar sobre suas aprendizagens; demonstrar atitudes de respeito sem discriminar os colegas por características físicas, sexuais, sociais ou de desempenho; compreender os jogos e os esportes como uma construção humana que deve ser vivenciado, jogado e até transformado a partir das relações dos grupos de acordo com os interesses do mesmo.

5.2.2 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º e 9ºano do ensino fundamental O desenvolvimento dos conteúdos deste eixo deverá proporcionar aos alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental aprofundar os conhecimentos vivenciados no 6º e 7º ano do Ensino Fundamental, de forma que sejam capazes de: aprender o sentido e observar, constatar, explicar e demonstrar os condicionantes históricos-sociais que determinam a prática dos esportes no Brasil; identificar os aspectos positivos e negativos do esporte; participar dos jogos esportivos identificando as dificuldades surgidas no para o desenvolvimento do jogo; propor soluções (criar estratégias); participar dos jogos esportivos com desenvoltura em relação ao manuseio e condução da bola, à movimentação corporal específica de cada esporte e ao objetivo do jogo (como se marca pontos), aos sistemas de ataque e defesa, e a movimentação tática específica de cada esporte; questionar sobre suas aprendizagens; demonstrar atitudes de respeito sem discriminar os colegas por características físicas, sexuais, sociais ou de desempenho; compreender os jogos e os esportes como uma construção humana que deve ser vivenciado, jogado e até transformado, de acordo com os interesses do grupo; organizar jogos e campeonatos vivenciando os diferentes papéis: técnico, jogador, público, árbitro, organizador do evento entre outros.

5.3 Eixo – Atividades rítmicas e expressivas Movimentação corporal, estimulação musical, criação de movimentos em grupos explorando direções, planos frontal, níveis, dança educacional: criativa, popular, salão, folclóricas e regionais e apresentação das danças na escola e comunidade etc.

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5.3.1 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 6º e 7º ano do ensino fundamental Nesta fase de aprendizagem serão desenvolvidos os conteúdos de iniciação à sistematização do conhecimento da dança, assim o aluno deverá ser capaz de: interpretar as técnicas de representações de temas da cultura nacional e internacional; ampliar possibilidades de movimentos por meio dos elementos da dança, explorando temas sociais; elaborar criativamente a construção de seqüência de movimentos e explorar a dança conhecendo diversas culturas. Já no 7º ano do Ensino Fundamental os alunos deverão ser capazes de: ampliar a sistematização do conhecimento, por exemplo, danças técnicas e expressivas aprimoradas, que atendam o interesse dos alunos, criadas por eles; criar movimentos expressivos a partir da percepção do próprio ritmo; desenvolver estruturas coreográficas, regionais e atividades expressivas do movimento.

5.3.2 Relevância social da aprendizagem dos conteúdos para o 8º e 9º ano do ensino fundamental O desenvolvimento dos conteúdos deste eixo deverá proporcionar aos alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental a capacidade de ampliar seus conhecimentos vivenciados no 6º e 7º ano, de forma a: criar movimentos expressivos a partir da percepção do próprio ritmo; desenvolver estruturas coreográficas, regionais e atividades expressivas do movimento. No 9º ano aprofundar a sistematização do conhecimento, por exemplo, danças que impliquem o conhecimento aprofundado científico/técnico/artístico da dança e da expressão corporal em geral; desenvolver estruturas coreográficas aprofundando a elaboração dos movimentos individuais e em grupos chegando a compreensão do movimento técnico tornando o mais natural possível, como também, utilizando-os como meio de comunicação/informação dos interesses sócio-político-culturais da comunidade; formar grupos de dança da escola para participar em eventos; apreciar espetáculos de dança.

6. PRÁTICAS CORPORAIS ALTERNATIVAS
Nas últimas décadas surgiram novas práticas corporais a partir de uma nova forma de ver e perceber o mundo. As pessoas buscam através de práticas diversificadas entenderem seu próprio corpo, suas emoções; encontrar-se com o outro; desafiar seus limites; descobrir,

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conhecer e desfrutar da natureza. Essas práticas corporais constituem-se em conhecimentos de diversas culturas e resgatam valores como: inclusão respeito às diversidades, solidariedade, interdependência, tolerância, ética e autoconhecimento. São atividades que possuem o componente lúdico e cooperativo evidenciado, Almeida (2007), afirma que é na ação lúdica que se desenvolvem aspectos intangíveis, mas que são valorizados em qualquer cultura, contexto e espaço. O autor refere-se a atitudes como cooperação, motivação, perseverança, concentração, reflexão e autonomia. Podemos reconhecer algumas dessas práticas fora da escola, mas que com planejamento adequados podem ser sistematizadas e desenvolvidas na escola ou em parques públicos sugeridos nos itinerários culturais. Podemos citar: trilha, escalada, yoga, biodança, acampamento, acantonamento, corrida de orientação, entre outros. Algumas dessas práticas serão explicitadas a seguir:

6.1 Biodança A Biodança representa uma nova pedagogia para a vida, para o amor, para a alegria, para o prazer (Talema, 2004, p.11). A Biodança é uma proposta terapêutica que busca através de vivências integrativas em grupo, revelar e reforçar o lado saudável e positivo do ser humano. As atividades são induzidas pela música, dança e pelos exercícios de comunicação de grupo. Sua ênfase está na linha da afetividade, no amor indiscriminado, desenvolvendo a auto-estima. As sessões de Biodança constituem-se de momentos de comunicação verbal e práticas vivenciais. Os momentos de comunicação verbal são desenvolvidos através de trabalhos em duplas, pequenos e grandes grupos. Nesses momentos os participantes podem compartilhar suas emoções positivas e negativas, buscando aliviar os sofrimentos oriundos dos desafios do dia-a-dia. As práticas são desenvolvidas sem verbalização, solicitando aos alunos que

respeitem os princípios da técnica que são: auto-regulação: cada um se auto-regula, nada é obrigatório; progressividade: respeitar o tempo de cada um; feedback: agir com auto-respeito e respeito ao outro; silêncio: é necessário para se poder sentir as emoções. Usa-se músicas integrativas, deflagradoras de emoções positivas, de acordo com o objetivo do encontro. As vivências são subjetivas, depende da história de vida de cada um.

6.2 Arvorismo Arvorismo é a travessia entre plataformas montadas no alto das copas das árvores, onde os praticantes percorrem percursos suspensos, ultrapassando diferentes tipos de

6. gerando deste modo. os aventureiros estimular a capacidade individual. cabo de segurança. principalmente pelos benefícios que promove (capacidade de planejar. mantendo a mente do praticante ocupada em toda a sua execução e contribuindo para a educação ambiental. Na própria escola. Nele o praticante escolhe o caminho a ser seguido em meio à natureza.3 Corrida de Orientação Orientação é uma modalidade esportiva que usa a própria natureza como campo de jogo. no qual o praticante tem que passar por pontos de controle marcados no terreno no menor tempo possível. desenvolvendo o equilíbrio interior e aliviando o stress diário através da adrenalina. Será uma vivência de equilíbrio para os alunos. um componente mental e lúdico capaz de atrair praticantes de todas as idades e ter uma aceitação grande pelo público feminino. prezando pela qualidade da experiência e respeito à natureza e todas as espécies. tendo como base duas árvores. para alcançar os pontos de controle. com o propósito de realizar-se uma atividade física ao ar livre. A Orientação é uma proposta que pode ser desenvolvida na escola. postes também podem servir de bases para a prática do esporte. incentivaram a sua exploração de uma forma não predatória. preparo físico e rapidez de raciocínio) mas. é possível montar uma Falsa Baiana (ponte com uma corda de base em baixo e uma de apoio em cima). mosquetão. Surgiu nos países nórdicos há mais de cem anos. fazendo um reconhecimento dos espaços naturais da cidade e sua utilização. Para praticar o Arvorismo. O Arvorismo também é conhecido como ARBORISMO e VERTICÁLIA. As trilhas podem ser . Uma proposta de Arvorismo para a escola pode ser desenvolvida abordando anteriormente questões ambientais. para impedir o desmatamento de uma pequena floresta na Inglaterra. quando ativistas ecológicos. precisa apenas muita disposição e coragem para superar os desafios.262 obstáculos como escaladas pontes suspensas. 6. exercitando o corpo e a mente. O passeio entre as copas das árvores foi criado em 1997. Logo depois passou a ser considerado um esporte na Nova Zelândia.4 Trilhas É a forma mais pura de contato do homem com a mata nativa. principalmente pelo prazer que proporciona ao aluno. tirolesas e outras atividades que podem ser criadas. a uma altura de 50 cm. com o auxilio de um mapa e de uma bússola. polia e capacete). Além de árvores. não é necessário ser atleta. Com a supervisão de monitores treinados e o kit Arvorismo (cadeirinha.

2003. METODOLOGIA DO ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA A escola precisa trabalhar de maneira que os alunos apreendam a realidade social e para tanto. subjetivo e objetivo. na formulação de interesses e preferências. em que tipo de sociedade está inserido. sempre acompanhadas de guias monitores. É necessário conceber o movimento como já dissemos anteriormente. ARPPN (Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural). Parques.. preparados para enriquecer essa experiência com informações e cuidar da segurança de todos. . em que o professor deverá promover o “agir comunicativo” entre suas crianças. que saber é constituído. é importante compreender a concepção de corpo que a sociedade tem produzido historicamente. Campo Grande possui grandes parques que podem ser utilizados para essa prática (ver sugestão nos itinerários culturais). Kunz nos orienta para uma concepção de ensino crítico-emancipatório. desenvolver e apropriar-se de cultura (KUNZ. entre outros. portanto carregada de intencionalidade.] possibilitado pelo uso da linguagem para expressar entendimentos do mundo social. em uma construção humana e.263 realizadas em grupos pequenos. por sua vez. é o maior país a apresentar inúmeros recursos naturais e áreas como APAs (Área de Proteção Ambiental). [. visando à consciência corporal. dialogando com o passado. pois o homem se movimenta para algo. da interação para que todos possam participar em todas as instâncias de decisão. O Brasil. situando os alunos na contemporaneidade. conhecedores da região. saltam e brincam. configurando para ele num significado próprio. e agir de acordo com as situações e as condições do grupo em que está inserido e do trabalho no esforço de conhecer. oferecendo condições de análise e reflexão para a reelaboração do seu saber da consciência e da cultura corporal. Compreender esse processo é imprescindível para o trabalho com a Educação Física escolar. Tamboer (apud KUNZ. p. 2001) nos afirma a respeito do movimento humano: não são corpos que correm. que apresentam potenciais para o desenvolvimento e implantação da atividade de aventura. 7. único. Deve-se levar em consideração também. Essa significação pode não coincidir com o significado dado pelo professor. Nesse sentido.122). mas sim seres humanos que se movimentam Percebe-se que o movimentar humano não pode ser visto de forma isolada. ao mesmo movimento.. com alguma intenção.

Assim. 39) “afirma que essas três categorias: linguagem. cooperativo e participativo. principalmente dos esportes. O trabalho em dupla pode fornecer a observação do erro do colega e registro para posteriormente em grupo e através do diálogo chegarem a melhores situações. 2003. ou de outra atividade. p. 2003.42). p. mas ao mesmo tempo. De acordo como Kunz “o saber se comunicar e entender a comunicação dos outros é um processo reflexivo e desencadeia a iniciativa do pensamento crítico” (KUNZ.145) Nesse sentido. 2003. A categoria da interação constitui-se na formação do aluno para o agir solidário. instigar-lhes a falar como aprenderam aquilo. Geralmente a comunicação que ocorre nas aulas de Educação Física pelo movimento. o mundo também se transforma a partir da intervenção do próprio homem. 41). 2003. sucessos e frustrações. Nas aulas de Educação Física tradicional em que existe o privilégio da prática. fazê-lo descrever situações e problemas expressando e encenando movimentos de forma comunicativa e criativa (KUNZ. quanto pelo movimento. p. perguntarlhes sobre suas experiências de jogo. A categoria da linguagem oportuniza entendimento do mundo social referido pelo autor. Essa idéia justifica o ensino envolvendo essas três categorias. a comunicação verbal nas aulas ocorre pelo grito. Devem ocorrer por meio do desenvolvimento de proposta em pequenos grupos que oportunize momentos em que seja necessário o auxílio mútuo para a . p.264 Para melhor entendimento Mayer (apud KUNZ. movimentos e jogos de acordo com suas possibilidades e necessidades. a linguagem permitirá que o aluno melhor organize a sua realidade de esporte. mas é imprescindível para o desenvolvimento do pensar crítico do aluno. Nesse sentido Kunz afirma que: “a realidade do esporte deve constantemente ser problematizada para tornar transparente o que ela é e saber decidir sobre o que ela poderia ser” (KUNZ. sem o esclarecimento. pela agitação e a mensagem é sempre a de submissão e da obediência. formam a mediação de conteúdos entre os alunos enquanto sujeitos em desenvolvimento e a realidade do mundo”. Kunz afirma que conseguir isso é numa aula muito mais difícil que ensinar movimentos novos. interação e trabalho. principalmente o mundo dos esportes. Ensina a falar sobre suas experiências. quais os conhecimentos que já possuíam que lhes permitiram superar as dificuldades. como se poderia chegar a outras soluções. a prioridade é a vitória ou sobrepujar adversários. tanto pode ser pela linguagem verbal. evidenciam problemas socioculturais que precisam ser entendidos e solucionados. a proposta deve ser o de desafiar seus alunos ao dialogo. Para este autor o sujeito aprende e se desenvolve.

a insegurança ou falta de habilidade para alguma atividade sugerida. Aqui o conteúdo é apresentado e vivenciado a partir da observação da realidade e manuseio de objetos concernentes à atividade física a ser desenvolvida (pelo simples explorar e experimentar suas formas e possibilidades). Assim. levando o aluno a compreender os diferentes papéis sociais existentes no esporte e fazê-los sentir-se preparados para assumir esses diferentes papéis e entender e compreender ou outros nos mesmos papéis ou outros. Num exemplo prático. destrezas motoras. 2001). a partir de graus de dificuldades. se desvele e supere os principais problemas de uma socialização específicos para os sexos. denominando-as de “transcendência de limites”. seria o momento em que os alunos descobririam ao desenvolver uma determinada temática os meios para uma participação bem sucedida. Na primeira forma. o treinamento se faz necessário visando uma melhor execução dos movimentos. não pensada nem conduzida (TAMBOER apud KUNZ. Considerando a categoria interação. a transcendência de limites pela experimentação. A categoria trabalho apresenta-se no processo de ensino-aprendizagem da Educação Física quando existe a necessidade de aprendizagem de alguns gestos. o momento em que o aluno é confrontado com a realidade de ensino e seu conteúdo em especial. 2001.265 superação de barreiras como o medo. Kunz (1991) amplia essa concepção das formas. conhecimentos e informações para a qualificação do seu agir bem sucedido. Nesse momento desenvolvem-se atividades relativas à apreensão do conhecimento nas quais o professor fará suas intervenções metodológicas pautadas nos fundamentos daquele conteúdo que será trabalhado. Para isso os alunos buscam as melhores formas de organização na execução das atividades. na base de uma intencionalidade que se forma pela idéia ou imagem do movimento. considerando a participação crítica e reflexiva do aluno. acontece na base de uma intencionalidade espontânea. ou seja. no seu contexto social. pois estará internalizando seu . Kunz (2003) sugere que as aulas sejam coeducativas onde. a forma aprendida e a forma criativa/inventiva. A segunda forma surge a partir de uma transcendência de limites pela aprendizagem. pois à medida que o aluno entende o jogo e descobre a necessidade de melhorar as suas habilidades. é adquirida de três diferentes formas: a forma direta. o desenvolvimento da técnica será recompensada para ele. de acordo com Tamboer (apud KUNZ. Nessa concepção a apropriação dos conhecimentos da cultura de movimentos.

A Cultura varia segundo as condições histórico-sociais que a envolve dentro de uma sociedade.. p. sendo responsável na formação de cidadãos com possibilidades de participação política e social. ressignificando suas intencionalidades e formas de expressão que hoje fazem parte da Cultura Corporal de Movimento. mesmo que não saiba ler. os Itinerários Científicos e Culturais devem privilegiar a discussão e efetivação de práticas que contemplem as necessidades sociais.266 conhecimento. Portanto. ITINERÁRIOS CIENTÍFICOS CULTURAIS PARA 3º AO 9º ANO – EDUCAÇÃO FÍSICA O ser humano sempre produziu e reproduziu cultura ao longo de sua história. criar/inventar movimentos e jogos com sentido para aquela situação. Na terceira forma.. “[.83). 8.. oportunizando momentos e ambientes onde a aprendizagem seja efetivada de forma contínua e humanizadora. o autor esclarece que a aprendizagem acontece por meio a uma transcendência de limites de maneira inventiva. afirma Kunz (2003. conceitos etc. sobre sua aprendizagem e criar a melhor maneira de executá-los.).] a educação é uma atividade mediadora no seio da pátria social global”.” (BRASIL. reivindicadas contemporaneamente. De acordo com Saviani (1995 p..] todo e qualquer indivíduo nasce no contexto de uma cultura... não existe homem sem cultura. A educação dentro da instituição escolar relaciona-se com as pessoas que compõem a sociedade na produção dos saberes (idéias. escrever etc. de uma intencionalidade criativa/inventiva. “o aprendizado acontece de forma reflexiva ou por imitação de alguns padrões ou destrezas motoras”. A Educação Física possui muitos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento que se transformaram ao longo do tempo. Aqui o aluno a partir de conhecimentos desenvolvidos anteriormente se torna capaz de definir uma situação. O desenvolvimento dessa metodologia pra o ensino dos conteúdos da Educação física. Assim.176). Essa educação mediadora acontece na escola por meio do conhecimento cultural e cientifico . No sentido antropológico do termo “[. motivará o aluno a pensar sobre eles. ou seja. A escola deve ser um espaço que propicie o intercâmbio científico e cultural baseado na interação humana. 1997).

recomenda-se que toda atividade seja desenvolvida por meio de projeto didático que tenha bem definido: a temática. È imprescindível o professor de Educação Física. Sugerimos alguns roteiros científicos culturais onde. Nesse sentido. da cultura corporal de movimentos: jogos. deverá privilegiar a coleta de dados sobre a realidade a ser estudada e a ampliação da cultura dos alunos. transformando a si e a sociedade na qual está inserido. os professores de Educação Físicos juntamente com os alunos poderão trabalhar as práticas. os recursos. de forma que. Reserva Florestal do Parque dos Poderes. 8. (BRASIL. A saída da sala de aula para outros espaços da unidade escolar ou fora dela. entre outras. culturais. dos professores afins. partindo da necessidade do grupo na busca de apreender novos conceitos. o resultado esperado. Campus-UFMS/UCDB/UNIDERP Parque Belmar Fidalgo . análise e sistematização de dados) e Culturais podem ser vistos como possibilidades metodológicas para auxiliar os alunos na sistematização de conhecimentos apreendidos propiciando uma aprendizagem mais significativa. Portanto.267 possibilitando aos alunos a compreensão do seu meio. 1998). acumulados e socialmente existentes. os objetivos. esportes. do corpo técnicopedagógico e dos parceiros que poderão ser envolvidos na execução da atividade a serem desenvolvida. os conteúdos. brincadeiras. lutas e ginástica. científicos. neste contexto. pois a Educação Física não pode reproduzir a miséria da falta de opções e perspectivas culturais e nem ser cúmplice de um processo de empobrecimento e descaracterização cultural. a forma de socialização dos resultados e a avaliação. Horto Florestal. Os Itinerários Científicos e Culturais (coleta. ocorram discussões sobre a temática em estudo com os alunos. é necessário que haja colaboração de todos os atores da escola para que aconteça a participação dos alunos em eventos sociais. usufruindo os saberes historicamente construídos. dançam. observar o anseio de cada turma e planejar situações didáticas que atendam as necessidades criadas pelo grupo. a metodologia.1 Lugares Os lugares sugeridos possibilitam à criança apropriação do conhecimento através da relação com àquele meio social. Toda atividade desenvolvida nos itinerários científicos e culturais devem ser previamente planejada conforme as necessidades sociais e o envolvimento dos alunos.

de Lutas (marciais etc. Eixo .268 Parque Airton Senna Parque Sóter Academia de Ginástica. entre outros. fazendas. as suas contradições. Estádio de Futebol Pedro Pedrossian (morenão) Chácaras.Jogos recreativos e Esportivos Carruagem de fogo (olimpíada) O campeão (pugilismo) . Swick) Cidade de Deus (Fernando Meireles) O Tigre e o dragão (Anglee) Trezentos Alexandre o Grande Entre outros. Eixo – Conhecimento sobre o corpo Gladiadores Transformes O último samurai (Edward. Eixo – Atividades Rítmicas e Expressivas Vem dançar comigo Ela dança eu danço No Balanço do amor .(Franco Zefireli) Fuga para Vitória (futebol) Glória de um campeão (vida de Jesse Owess) O melhor das Copas (fita da Revista Caras) Série esporte por esporte da TV Educativa (história dos esportes) Entre outros.). identificando os modelos de práticas corporais existentes bem como. 8.2 DVDS São recursos audiovisuais (filmes) que irão auxiliar o aluno na construção e apropriação do conhecimento. de dança.

Darci – Brincando de Roda – Email – darciorso@sinos. Oriande Music. Fone (51) 598 2359 FABI. Tio & CIA FIRULIM – Recreação.com. 8.br para .net.3 CDS São recursos em áudios que poderão se utilizados pelos professores desenvolver a ritmicidade. WWW. 2001.crrx. ORSO. Expressão e Dramatização.269 Billy Eliot (Stephen Daldry) Perfume de Mulher (tango) Dançando na chuva Lagoa do Cisnei (ballet) Entre outros. LIO. Grupo – Canta-dores do Pantanal RG Editora Ltada – Campo GrandeMS (067) 3351 5410.br.com. FERRARI. Edinho. 2001. Muziar estúdio – Campo Grande – MS. Zito – Sarandi pantaneiro .ms@hotmail. Música: Porrada. Ed. Azullmusic.br.com.CD I e EE – Email – fapi@editorafapi. PARAGUASSU.com. Cláudia Renata Rodrigues – Brincando com os Ritmos (fins didáticos) Email . Clássica – som Livre – Ariola discos LTDA – São Paulo. ACABA. ANTUNES. XAVIER. a expressividade e o gosto musical. Sérgio (titãs) SIGRIST. Azulmusic. Editora – Aprendendo e Brincando com musicas e Jogos. Marlei – Danças Folclóricas de Mato grosso do sul (fins didáticos – oficinas) – (Departamento de Artes/UFMS – Campo Grande-MS). Arnaldo/ BRITO. UFMS.Brincando – Email – zecapacotinho@osite.

considerando a faixa etária em que ele se encontra Estes questionamentos nos remetem aos critérios que consideramos relevantes na avaliação. sendo o primeiro referente a postura do avaliador em acreditar que tudo está em processo e nesse sentido reconhecer a realidade como ela é (ter uma percepção sócio-política da realidade e se posicionar diante dela). classificatória e não diagnóstica como deveria ser constituída. Luckesi ainda nos esclarece que a tomada de decisão refere-se a: Reorientação imediata da aprendizagem. 1992. A avaliação sempre foi entendida através de números. que esteja sendo ensinado e aprendido efetivamente seja essencial para a formação do educando.] Encaminhamento do educando para passos subseqüentes da aprendizagem.25). embora o sistema oficial utilize a classificação da aprendizagem em áreas específicas. nem nas mesmas condições.. Isto é... [. ou seja. habilidades e atitudes nas atividades escolares. Não implica em classificação. 2000. p. p. Luckesi (2000) afirma que nessa concepção o ato de avaliar tem dois pilares.. caso sua qualidade se mostre insatisfatória e caso o conteúdo e habilidade ou hábito.34) “[. em que nem todo mundo apreende a mesma coisa ao mesmo tempo.270 9. compreende e expressa uma realidade empírica que tem múltiplas determinações”. notas. p. atingiram um nível satisfatório ao que estava sendo trabalhado (LUCKESI. levam em conta.] o julgamento de valor sobre o objeto avaliado passa a ter a função estática de classificar um objeto ou ser humano histórico num padrão determinado”.] como uma categoria explicativa que ordena. O autor faz um questionamento para saber a partir de onde nós qualificamos e se Sabe o que é essencial para o aluno. A visão do conceito precisa ser ampliada como diz Soares (et al. O segundo pilar se divide em três categorias: 1 – Constatar a realidade (conhecer os alunos em todas as dimensões possíveis). Essa deve ser integrada na ação educativa..108) “[. 3 – Tomada de decisão (a intervenção).. Entende-se que o conhecimento constitui-se por meio de um processo contínuo da mesma forma que se concebe a avaliação. caso considere que gradativamente. De acordo com Luckesi (2001. AVALIAÇÃO DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM EM EDUCAÇÃO FÍSICA A avaliação que se propõe baseia-se na perspectiva histórica que considera o homem como um ser social que se constitui por meio de um processo de relações de produções da vida humana na sua totalidade. cujos resultados são utilizados para implantar políticas de . 2 – Qualificação da realidade (o que foi constatado é satisfatório?). nas análises os inúmeros determinantes que asseguram o conhecimento.

ampliado e aprofundado conforme fundamentado anteriormente. o próprio contexto social mais amplo em que essa prática se realiza. habilidades motoras e atitudes mínimas necessárias apreendidas pelos alunos. o conhecimento deverá ser sistematizado. espera-se do aluno. O professor intervém no processo de aprendizagem dos alunos. Assim. As práticas corporais são realizadas por meio do movimento humano que é o objeto de estudo da Educação Física. Kunz (1991. auxiliando com mais freqüência àqueles que têm maiores dificuldades. demonstração. Nesse sentido.... para saber se sofreram modificações e para justificar as possíveis intervenções posteriores. essa perspectiva não exclui um trabalho individualizado. o primeiro diz a respeito [.] o grau de apropriação por ele obtido . que segundo Castelani Filho (1998. é importante considerar a relação das dimensões “qualitativa e quantitativa” do conhecimento na avaliação do processo ensino-aprendizagem em educação física.149) afirma que: [. parte da cultura de homens e mulheres brasileiros... é importante que sejam observados e descritos qualitativamente os conhecimentos..] “ à observância do grau de acervo corporal do aluno “[. No entanto.. Pensar na avaliação em Educação Física nesta perspectiva significa antes concebê-la como área de conhecimento.. No ensino da Educação Física do 3º ao 5º anos do Ensino Fundamental não se usa notas ou conceitos. uma intervenção autônoma.149): [.271 gestão e financiamento na educação.] pelo ensino de movimento. p. ampliando as fontes de informação e níveis de análise.] é responsável pela apreensão (no sentido de constatação. Por exemplo.. Qualitativa: por exemplo: superação consciente do medo de realizar uma atividade complexa – saltar sobre um obstáculo. quantitativa: tentativas para aprender uma destreza motora complexa – lançar a bola com a mão direita e pegar com a mão esquerda. p. na qual a criança está inserida e que denominamos Cultura Corporal de Movimento. A partir dessa compreensão.63): [. de modo a transformá-las qualitativamente.. jogos e esporte o aluno também apreende e decifra além da realidade esportiva. Isso não impede a escola de realizar uma avaliação diferenciada e comprometida com a formação de uma sociedade mais justa e igualitária.] acontece em dois níveis. no entanto. A avaliação em Educação Física de acordo com Castellani Filho (1998. crítica e criativa na realidade. compreensão e explicação) de uma dimensão de conhecimento da realidade. p.

É fundamental a participação do aluno nesse processo para que coletivamente compreendam. 79) “no estudo do movimento humano deve ser observado sempre a seguinte base referencial: sujeito que se movimenta a situação ou contexto em que o movimento humano é realizado e o significado ou o sentido realizado ao .. o professor ao avaliar o fundamento: arremesso observou que o aluno “A” ao iniciar esse trabalho já tinha esse gesto motor apreendido. p. Embora o estudo do movimento humano seja objeto da educação física.63). em conjunto e sob a medição do professor. não recomendamos teste motores como forma de avaliação escolar. Eis o exemplo de alguns instrumentos de avaliação: ficha de observação.” “[. Desta forma. pois ele já chegou à escola com esse desempenho. auto avaliação. bem como o diagnóstico do mesmo. num jogo de basquete. p.. 2003.] saber o quanto o acervo corporal do aluno sofreu modificações”. que é a observância e sistematização da qualidade e da quantidade de conhecimento do gesto de arremesso que cada aluno possui. entre outros.272 das diferentes formas de se movimentar através das atividades corporais. Assim o professor trabalhou com duas categorias da avaliação: o grau de desenvolvimento (conhecimento construído num contínuo em processo) e o grau de desempenho (o produto do conhecimento acumulado num determinado momento da ação). enquanto que o aluno “B” ainda estava na fase inicial de aprendizagem desse gesto. por parte dos alunos (CASTELLANI FILHO. Já o aluno “B” que não possuía tal desempenho teve acrescentado em sua aprendizagem um determinado grau de desenvolvimento que deve ser considerado pelo professor. O importante nesse nível observar quão qualitativos e quantitativos foi os avanços obtidos a partir da avaliação diagnóstica. relatórios de eventos de aprendizagem. O segundo nível de avaliação que Castellani Filho nos apresenta diz respeito “[. Para a realização da avaliação o professor poderá utilizar os instrumentos mais adequados ao desenvolvimento e desempenho do conhecimento que se quer avaliar. análise de seminários.. Nesse processo de avaliação o professor não deve esquecer que ao aluno “A” pouco foi acrescentado em termos de aprendizagem do gesto. Nele buscamos avaliar sua compreensão acerca dos valores éticos-políticos que formam e informam nossa cultura”. prova oral ou escrita. pois estes são padronizados e de acordo com Bytendijk (apud KUNZ. 1998. interpretem a situação de ensino e aprendizagem e busquem a superação dos conflitos por meio do esforço crítico e criativo.] ao grau de apreensão do significado histórico-social dos elementos da cultura corporal. análise de filmes.. a metodologia deve proporcionar momentos de aprendizagem desses conteúdos e as manifestações dessas aprendizagens. Por exemplo.

A realização de testes motores. .273 movimento”. somente se justifica se forem usados como diagnóstico para alguma intervenção posterior e não como critério de aprovação ou reprovação.

19 n. 2005. 1998. FARIA JUNIOR. R. DARIDO. CASTELLANI. 10. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. C. M. 48 Campinas.274 REFERÊNCIAS ALVES. G. 2003. n. B. A. B. v. Física. São Paulo: Sacra-Luzato. FREIRE. Campinas: Revista brasileira de Ciências do Esporte. GALAHUE. Rio de Janeiro: UFRJ/UERJ/CBCE/UM. BREGOLATO. p 67-73. 2002. M. CAMARGO. R. 1989. 1989. SCAGLIA A. et al. e RANGEL. J. 1998 (coleção polêmicas do nosso tempo). I. GRESPAN. J. 1997. Apostila do desenvolvimento. 1994. Publicação Programa de Apoio à educação Física no 1º ciclo Ensino Fundamental. Campo Grande. 1989. Desenvolvimento motor das capacidades físicas da criança.s de. G. L. 1999. Campinas: Autores Associados. São Paulo: Scipione. São Paulo: Summus. 1993. A constituição das teorias pedagógicas da educação física. et al. UFMS. J. FREIRE. jan. 1987. G. CHATEAU.2. (pensamento e Ação no Magistério). . Série Formação de Professores. ______. 1997. 2º grau. Morgada – Dance aprendendo-aprenda dançando. Produção científica em educação física: dissertações de mestrado (1973/1988). São Paulo: Scipione. A Produção da Escola Pública Contemporânea em Campo Grande-MS. . BRASIL. Esporte-estado-sociedade. Cultura Corporal da dança. Cadernos CEDES vol. F.Luzzatto. Belo Horizonte: Vila Rica. S. CUNHA. aspectos técnicos e pedagogias na Ed. L. GRIF. São Paulo:Ícone. 2006 (Coleção Educação Física escolar: no princípio da totalidade e na concepção histórica-crítico-social. Campinas: Papirus. 2001. A. C. L. M. D. Educação física escolar: implicações para a prática pedagógica. V. Educação Física no ensino fundamental: primeiro ciclo. DC. CARVALHO. A. 1992. De corpo inteiro. Brasília: EC/SEF. Maringá: UEM. J. Música / movimento: um universo em duas dimensões. BRACH.Porto. História da educação física e do esporte. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ed Física.Política Educacional e Educação Física. Educação como prática corporal. O Jogo e a criança.

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