RESPONSABILIDADE CIVIL NO ERRO MÉDICO

NERI TADEU CAMARA SOUZA Telefone: 330.8620 e 9958.2009 Rua Vasco da Gama, 585/202 CEP 90420-111 PORTO ALEGRE -RS E-mail: resp@pro.via-rs.com.br Site: www.direitomedico.com.br/neri

Graduação em Medicina Residência em Clínica Médica-Gastroenterologia Especialização em Administração Hospitalar Coronel Médico RR da Brigada Militar Bacharel em Ciências Jurídicas - ADVOGADO -

Não sejas muito justo, nem sejas mais sábio do que é necessário, para que não percas a razão. (Eclesiastes 7,17)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO. .................................................................................................................04 1 RESPONSABILIDADE CIVIL NO BRASIL ...............................................................06 1.1 Introdução...............................................................................................................06 1.2 Histórico ..................................................................................................................07 1.3 Conceito ..................................................................................................................08 1.4 Considerações Gerais ..........................................................................................11 1.5 Teoria Subjetiva da Responsabilidade Civil ....................................................13 1.6 Teoria Objetiva da Responsabilidade Civil .......................................................15 1.7 Considerações Finais ...........................................................................................17 2 RESPONSABILIDADE CIVIL NO ERRO MÉDICO ................................................18 2.1 Introdução...............................................................................................................18 2.2 Histórico do Erro Médico......................................................................................19 2.3 Teoria da Culpa no Erro médico.........................................................................20 2.4 Natureza Contratual da Relação Médico-Paciente ..........................................32 2.5 Natureza Extracontratual da Relação Médico-Paciente .................................44 2.6 Responsabilidade Civil no Erro Médico por Fato de Terceiro........................47 2.7 Responsabilidade Civil no Erro Médico por Fato da Coisa............................49 2.8 Liquidação do Dano ..............................................................................................52 2.9 Considerações Finais ...........................................................................................59 CONCLUSÃO....................................................................................................................64 NOTAS...................................................................................................................66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..............................................................................71

atualmente. salvo um ou outro autor. se possível. convenientemente identificada e. Na jurisprudência. Dentro desse quadro. visto que a abordagem do assunto ocorreu. num momento inicial. vêm aumentando as demandas jurídicas impetradas por paciente contra os seus médicos. recentemente. sobre casos iguais. as discrepâncias ainda são significativas. tanto que. situando-a dentro da legislação existente. A doutrina tem se notabilizado. A legislação empregada tem sido a mesma que a utilizada para os casos de responsabilidade civil em geral e essa não tem. em nosso Código. podem-se esperar decisões judiciais diferentes. Nota-se uma mudança nítida nessa tendência. complementando com a jurisprudência que já tenha sido definida como majoritária. muito menos no que tange à responsabilidade civil no erro médico. será apresentada uma sistematização da doutrina. ou não nas instâncias superiores. reformadas. um ordenamento preciso. por ter um enfoque médico e não jurídico. mais por autores médicos do que por juristas.INTRODUÇÃO No Brasil. embora ainda insuficiente para se considerar que já exista uma doutrina tradicional sobre o tema. .

quando se caracterizar um erro médico. bem como a liquidação do dano.em termos de responsabilidade civil. . a responsabilidade civil no erro médico. será feita uma síntese sobre os conceitos gerais. A seguir. objetivando definir os conceitos com que se vai lidar . o tema do trabalho. ou seja. Na conclusão. a responsabilidade civil no erro médico se insere no ordenamento jurídico nacional. atualmente.5 Para tanto. é abordado. divide-se o presente trabalho em uma parte geral.exprimem a realidade jurídica nacional . à luz do que for explanado. sua responsabilidade civil por fato de terceiro e por fato da coisa. especificamente. a natureza contratual e extracontratual. nos aspectos peculiares da culpa desse profissional. a qual aborda a responsabilidade civil no Brasil. através dos quais.

juridicamente falando. conceitua-se a responsabilidade civil. imprescindíveis para o entendimento da responsabilização civil. . A seguir. situar a mesma dentro da realidade nacional. considerações.1 Introdução Inicia-se pelo histórico. porque ambas são indispensáveis para a compreensão do tema aqui abordado. demonstrando o que diferentes doutrinadores consideram ser a responsabilidade civil. A mesma responsabilidade civil é avaliada após. necessário para. até porque sua evolução se insere dentro do desenvolvimento do país como sociedade. por fim. Definem-se. de interesse doutrinário. em seus aspectos gerais.1 RESPONSABILIDADE CIVIL NO BRASIL 1. partindo de uma visão universal da responsabilidade civil. pois. tecendo-se. as características das responsabilidades subjetiva e objetiva.

segundo ele. que dizia “que o direito romano servisse de subsídio. em conseqüência da Lei de 3 de dezembro de 1841 ter derrogado o Código Criminal. a terceira. que não tinha. também. uma concepção do que seja ressarcimento. com o instituto da “satisfação”. tendo revogado-lhe o art. Essa foi a primeira fase do direito positivo brasileiro no que tange à responsabilidade civil. o qual não concordava que a responsabilidade civil estivesse ligada à responsabilidade criminal. sendo admitida a presunção de culpa no dano causado por coisas inanimadas. desenvolvendo-se a teoria da responsabilidade indireta. passando. a se fundamentar no conceito de culpa. 269 do Código de Processo. portanto. seriam. Isso ocorria. o início da segunda fase. Uma próxima fase. mas por serem muitas as suas disposições fundadas na boa razão”. nos casos omissos.2 Histórico Nas Ordenações do Reino. ditado pelo artigo 2° da chamada Lei da Boa Razão (Lei de 18 de agosto de 1769). o direito romano era mandado aplicar como subsidiário ao direito pátrio. para os tribunais nacionais. A seguir. atualmente.1. tem início pela genialidade de Teixeira de Freitas. na . o instituto da responsabilidade civil se consolida como independente da responsabilidade criminal. Nessa mesma época. 31 e o § 5° do art. não por autoridade própria. começando a se delinear. Desenvolve-se. houve com o Código Criminal de 1830. Ele observava. em seus escritos. Sobre isso diz José de Aguiar Dias1 que estas regras. que o ressarcimento do prejuízo ocasionado pelo delito passava a ser abordado como competência da legislação civil. “orientação segura para apreciar os casos de responsabilidade civil”.

titular do direito violado. mesmo que tenha estabelecido casos específicos de responsabilidade sem culpa. o ativo dos seus direitos. Pode haver a responsabilidade tanto no plano jurídico como no plano moral. a responsabilidade será penal. 1592.mesma época. No caso de ser a sociedade. a responsabilidade será civil. Nele. contra a vontade de alguém. usando as palavras de Pontes de Miranda3: “Quando fazemos o que não temos o direito de fazer. o ofendido. No plano jurídico. sobre isso. Pontes de Miranda4: “O que se induz da observação dos fatos é que em todas as sociedades o que se tem por ofensa não deve ficar sem satisfação. conforme o ofendido. seja a sociedade ou um indivíduo.3 Conceito O conceito de responsabilidade civil é bastante debatido na atualidade. a teoria da culpa ficou consagrada no art. pode ocorrer a responsabilidade jurídica na área penal e na área civil. sem ressarcimento”. o princípio da responsabilidade dos funcionários públicos. pois que diminuímos. ou lhe elevamos o passivo das obrigações. 1. certo é que cometemos ato lesivo. E diz mais. Dessas idéias e do Código Civil da França o Código Civil Brasileiro de 1916 não deixou de sofrer influência em sua elaboração. Mas algo pode ser afirmado com certeza. A responsabilidade jurídica vai emergir quando se der um prejuízo. caso seja um indivíduo. A reação a esse prejuízo se dá na área penal ou na área civil. o que é genericamente o mesmo”. .

pois. as u situações jurídicas é. a que incumbe restaurar. o devedor dos contratos verbais”. a responsabilidade civil. individualmente (segundo o sistema de direito até agora adotado em linhas gerais. a responsabilidade penal tende à punição”. sem o serem no direito civil. no direito penal. Em seu livro “Responsabilidade Civil dos Médicos”. fórmula pela qual se vinculava. Pode-se complementar com o ensinamento de Irineu Antônio Pedrotti 8: . A reparação penal restitui a ordem social ao estado anterior do ilícito praticado. tanto da convenção como da norma jurídica. O dever jurídico da responsabilidade pode basear-se em contrato. advindo. no direito romano. e deve servir para reintegrar o prejudicado na sua situação patrimonial anterior. mas a que falta o elemento dano para compor a figura do delito civil. Pode. pois à sua missão social deve caber a vigilância da ordem social”. A responsabilidade civil visa à reparação amparada no princípio naeminem laedere. portanto. fato ou omissão. A responsabilidade civil tende à reparação. abordando o tema. pois. definir-se como a obrigação de reparar o prejuízo causado a alguém. delitos. somente se preocupa com os danos que se realizaram. É didática a explicação de Maria Helena Diniz7 : “O vocábulo ‘responsabilidade’ é oriundo do verbo latino respondere. A lei civil. Exemplo: a tentativa de assassínio. em razão do prejuízo experimentado. Jerônimo Romanello Neto 6 diz: “A reparação civil serve.Eis. que é o do individualismo j rídico). reparar danos. a raiz latina spondeo. Tal termo contém. as contravenções de polícia. singelamente. a visão de Pontes de Miranda5: “Há fatos que são. assim. com o que efetivamente sucedeu. que constitui crime. Em geral. designando o fato de ter alguém se constituído garantidor de algo. Não assim o direito penal. a que interessa o próprio dano possível.

por alguma coisa a ela pertencente ou de simples imposição legal”. Isso exposto muito ajuda no entendimento e conceituação do que é a responsabilidade civil. e dessa violação resultar um certo dano a outrem”. sob proteção legal. encontra dificuldade a doutrina para conceituar responsabilidade civil. e de reparar os danos que forem causados”. deixar de mencionar que René Savatier11 considera-a como a obrigação que se impõe a certa pessoa de reparar o dano que porventura cause a outrem. por fato de outras . havendo um dano. Não se pode. a responsabilidade civil é o fenômeno jurídico que tem o seu nascimento sempre que houver violação de um dever jurídico preexistente. para que indenize o lesado.“Na acepção jurídica responsabilidade corresponde ao dever de responder (do latim respondere) pelos atos próprios e de terceiros. por pessoa por quem ela responde. em razão de ato por ela mesma praticado. Surge para a pessoa física e jurídica o dever de reparar os danos que causar a outrem. prejuízo. dizem: “Em estreita síntese. Bastante felizes foram Antônio Ferreira Couto Filho e Alex Pereira de Souza 10 que. por um fato próprio. por outro lado é fácil o entendimento das conseqüências práticas que a mesma faz surgir nas relações sociais. Assim. há de ser responsabilizado o causador do mesmo. se. Portanto. ao abordarem o conceito de responsabilidade civil. por um lado. em seu livro. A mesma Maria Helena Diniz9 define: “A responsabilidade civil é a aplicação de medidas que obriguem uma pessoa a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros. ao falar de responsabilidade civil.

a despeito de proteger as vítimas. sendo imposta. mas toma o lugar do dever principal violado.pessoas ou coisas que lhe sejam dependentes. dilata-se a área da responsabilidade civil. Montenegro12 em sua obra de responsabilidade civil alerta que: “No estágio atual do direito a responsabilidade civil apresenta tendências diversas de acordo com o desenvolvimento cultural e social dos povos. como sanção. em nível internacional. Portanto. Nos países do primeiro mundo. através do órgão aplicador do Direito. que o causador do dano – ofensa ou violação de direito alheio – responde com os seus bens pela reparação . ao contrário. com o conseqüente agigantamento de órgãos coletivos de reparação e dos seguros sociais e voluntários. Diz o Código Civil Brasileiro. Na sua concepção. com essa causar a outrem um dano. principalmente da pequena empresa”.4 Considerações Gerais Nos diversos ordenamentos jurídicos. o dever de ressarcir prejuízos não é uma sanção. Nos países decadentes. assim considerados aqueles de economia forte. no caso de. entrava o desenvolvimento empresarial. tem que indenizar esse prejuízo. Hans Kelsen13 ajuda a entender responsabilidade civil dizendo que o indivíduo é obrigado a não causar a outrem qualquer prejuízo com sua conduta mas. em seu artigo 1518. mercê de uma legislação demagógica e eleitoreira que. 1. o de não causar prejuízo a outrem. verifica-se o fenômeno da diminuição do campo da responsabilidade. há dois deveres: como um dever principal – não causar prejuízo e como dever subsidiário – ressarcir os prejuízos causados. não é homogênea a postura frente à responsabilidade civil. Antônio Lindbergh C. A indenização compulsória do dano surgirá quando o dever de ressarci-lo espontaneamente não for cumprido.

É também nele que vem inserta. pois o Código Civil à teoria de que a responsabilidade civil surgirá a partir da constatação de culpa. nos artigos 1. ou deixando de cumpri-la pelo modo e no tempo devidos. Admite o Código Civil a responsabilidade sem culpa apenas em questões restritas. A obrigação de indenizar surgirá no momento da ocorrência de três pressupostos: 1 – do dano – prejuízo. 3 – o nexo causal entre os dois pressupostos anteriores.518 a 1532 e 1.do prejuízo causado. raras e especialíssimas. fica obrigado a reparar o dano. ou o risco – dependendo da lei exigir ou não a culpa do agente. são reguladas pelo estatuído no Código Civil Brasileiro. violar direito.553. negligência.” Filiou-se. . em seu artigo 159. a noção de responsabilidade civil adotada em nosso ordenamento: “Aquele que. Outro artigo de relevância do Código Civil pátrio é o de número 1056 (“Não cumprindo a obrigação. bem como a verificação da culpa. atingindo a todos que de uma maneira ou outra estejam vinculados ao prejuízo – dano causado. por ação ou omissão voluntária.537 a 1. ou causar prejuízo a outrem. A avaliação da responsabilidade. 2 – o ato ilícito. ou imprudência.

O Projeto de Código Civil de 1975. culpa. o risco objetivamente considerados. na presença certa de culpa por parte do agente do ato que causou o dano. em todos os casos. pelo menos. E. O agente do prejuízo quer o resultado danoso ou assume o risco de que ele ocorra. Ocorreria.responde o devedor por perdas e danos”) no regramento dos efeitos da responsabilidade civil. Como bem nota Caio Mário da Silva Pereira14: “Numa já previsível reforma legislativa. Essa. no entanto. O fundamento principal da responsabilidade civil está na culpa. mesmo de uma maneira tênue. o Projeto do Código de Obrigações consignou duplo fundamento ao princípio da responsabilidade: a culpa. ou ainda atua com imprudência. tem se mostrado insuficiente para cobrir toda a variedade de prejuízos indenizáveis. Atualmente. ou. abrigou a solução que preconizamos”. revelar-se. . a ordem jurídica assentará os lineamentos de uma doutrina que comporte hipótese várias de responsabilidade a que é estranha a culpa do agente. é de antever entre nós que além do ressarcimento fundado no procedimento antijurídico do agente. como equivalentes. dolo e no segundo caso. no primeiro caso. aprovado pela Câmara dos Deputados em 1984. na prática. uma conduta antijurídica. na verdade. A legislação admite-os.5 Teoria Subjetiva da Responsabilidade Civil Nesta teoria a responsabilidade civil está embasada. negligência ou imperícia. os juristas estão convencidos de que a responsabilidade civil construída sobre o conceito de culpa já não satisfaz. 1. Chama-se de subjetiva em virtude de estar caracterizada na pessoa um aspecto volitivo interno. com o nome comum de culpa.

Por esse motivo. pacificidade exemplar.o seu modo de agir.A conduta do agente responsável pelo dano estaria sempre viciada pela culpa. Como ensina Oscar Ivan Prux15: “A importância da culpa vem desde tempos remotos. de um ou outro modo. é na fundamentação do dever ressarcitório. a teoria da responsabilidade subjetiva erige em pressuposto da obrigação de indenizar. não considera apto a gerar o efeito ressarcitório um fato humano qualquer. fundamentalmente. A teoria subjetiva fundamenta a responsabilidade. por sua ação omissiva ou comissiva. incidindo em todos aqueles que. estejam ligados ao prejuízo causado. especialmente. a responsabilidade civil surgirá da comprovação de culpa. Sobre isso acentua Caio Mário da Silva Pereira16: “No desenvolvimento da noção genérica de responsabilidade civil. que a ordem jurídica reveste de certos requisitos ou de certas características. Assim considerando. uma vez provada. Onde surge a divergência. no art. sobressai o dever de reparar o dano causado. 159 do Código Civil Brasileiro. A essa teoria filiou-se o Código Civil pátrio. encontrando respaldo. dando lugar à teoria da culpa ou responsabilidade subjetiva. assim. dá ensejo a uma indenização. na culpa que. Assim procedendo. esse agente obrigado a ressarcir o prejuízo quando seus atos ou fatos sejam lesivos a direito ou interesse alheio. a princípio. originando as correntes que dividem os autores. Somente será gerador daquele efeito uma determinada conduta. A essência da responsabilidade subjetiva vai assentar. em todos os tempos. na pesquisa ou indagação de como o comportamento contribui para o prejuízo sofrido pela vítima. deu ensejo a ele”. ou em certos casos presumida. Está. sendo amparada na noção de que ninguém deve ser punido se não demonstrado que quis o dano (caso de dolo) ou que. pois. desde que possa ser considerado culposo – com culpa . Vige. ao propósito. ou de reparar o .

para haver a responsabilidade. Essa obrigação pela recomposição do prejuízo independerá da verificação – comprovação – de culpa na conduta do agente lesante.6 Teoria Objetiva da Responsabilidade Civil A existência fática do dano. ipso facto. O agente responsável por um ato lesivo. será atribuído proporcionalmente o ônus da recomposição. não é necessária a presença da culpa a estabelecer o nexo causal entre a conduta do agente e o prejuízo por ele causado. apenas. responsável pelo ressarcimento do lesado. sem indagar a existência de culpa. mas não prescinde da presença dos demais elementos da responsabilidade . Se houve uma parcela de culpa de cada um na ocorrência do prejuízo. causar ao lesado. Ou seja. abrangendo no seu contexto a culpa propriamente dita e o dolo do agente”. um nexo causal entre o ato do agente e o dano causado ao lesado. o comportamento culposo do agente. que colocar em risco algum bem jurídico de outrem. Em essência essa teoria está vinculada à idéia do risco – quem provoca uma lesão ao valor alheio é. ou simplesmente a sua culpa. Torna-se necessário. Portanto.dano. no agir do que ocasionou a lesão. considerado o elemento gerador de um dever de indenizar o dano que. do lesado. através desse ato. 1. É suficiente ter ocorrido o dano e sua associação à conduta que o causou. pela teoria subjetiva aplicada ao caso. pois. será. porventura. A culpa em um dado episódio danoso pode ser do lesante. A culpa é presumida pela legislação ou simplesmente é dispensada a sua comprovação. na medida exata da contribuição de cada um no resultado final danoso. ou de ambos – lesante e lesado. como acontece na teoria subjetiva. é a característica da responsabilidade objetiva. a responsabilidade objetiva se caracteriza por ser independente da presença de culpa.

a excepcionalidade da presença da teoria objetiva é evidente. a responsabilidade (objetiva) se assenta na implantação de um determinado risco da coisa ou da empresa. 1.esclarecimento do mesmo Antonio Lindbergh Montenegro19: . diz Antônio Lindbergh Montenegro18: “Na segunda hipótese. amo ou comitente. vale mencionar. Sobre a teoria objetiva da responsabilidade civil.522). por seus empregados. e que. sobre a responsabilidade objetiva. serviçais e prepostos. Tem que haver nexo causal adequado entre a atividade do que causou o dano e a lesão. que a responsabilidade objetiva coexiste com a subjetiva. em seu artigo 1521. a responsabilidade objetiva vem crescendo no seio da sociedade moderna. no exercício do trabalho que lhes competir. Como exemplo típico aparece a responsabilidade que cabe aos patrões e comitentes em caso de atos praticados por seus empregados e prepostos. sendo que no ordenamento pátrio. No Código Civil nacional. não obstante a responsabilidade com culpa subsistir como regra geral. Por isso. Essa teoria é conhecida como responsabilidade sem culpa. ou por ocasião dele (art. que está expressa no Código Civil. Sobre isso é conveniente transcrever o que dizem Antônio Ferreira Couto Filho e Alex Pereira Souza 17: “Importantíssimo que se tenha em mente. concluise com o didático – e sistemático .civil.”. o que. encontra-se prevista em várias legislações especiais”. a responsabilidade objetiva também é denominada responsabilidade pelo risco (teoria do risco). portanto. Enfim. inciso III: “São também responsáveis pela reparação civil: III – o patrão. também. em razão de um prejuízo injusto causado a outrem”. em vários países do mundo.

a doutrina passou a empregar o termo responsabilidade sem culpa para abarcar todas as hipóteses que escapassem da órbita da responsabilidade subjetiva”. que admite a responsabilização subjetiva. exigindo a averiguação da culpa dos profissionais liberais. em momentos distintos. bem individualizada. em relação aos demais fornecedores de produtos e serviços a responsabilidade objetiva nas relações de consumo.mas havendo legislações especiais com uso. A responsabilidade pelo risco teria o seu suporte em um risco específico.“Há também os que preferem estabelecer distinção entre responsabilidade objetiva. de perigo geral. indo de uma indefinição quanto a sua autonomia dentro do ordenamento jurídico nacional para uma posição isolada da responsabilidade penal. E.7 Considerações Finais O que se nota. porém. como encarada no sistema jurídico francês. produzido pela atividade do homem. . na responsabilização do agente. no Brasil. progressivamente. Para minimizar questões mais de ordem bizantina do que técnico-jurídica. bastante. de tal sorte que incidiriam a em seu campo de ação tão somente os riscos imprevisíveis ou excepcionais. sempre espelhando-se. da responsabilidade objetiva. responsabilidade pelo risco. Na responsabilidade objetiva o fundamento da indenização decorreria da existência de um evento lesivo ligado ao agente por um nexo de causalidade. Um bom exemplo é o Código de Defesa do Consumidor. definiu-se bem a distinção entre subjetiva e objetiva. No Código brasileiro responsabilidade civil regra geral. vigendo. na responsabilidade civil. ficando a responsabilidade civil. responsabilidade subjetiva – pela culpa . responsabilidade sem culpa. integralmente. a instalou-se. é que houve uma modificação gradativa. 1.

2 RESPONSABILIDADE CIVIL NO ERRO MÉDICO 2. a existência de conduta irregular do médico que faz nascer o dever de indenizar ao paciente que sofrer prejuízo. serão alvo de análise aspectos da liquidação do dano no erro médico. visando a uma sistematização no raciocínio se dará partindo do geral. porventura existentes nesta relação jurídica. no proceder do profissional médico. através da demonstração dos aspectos contratuais e extracontratuais. dentro dos conceitos jurídicos. Por fim. A necessidade da presença de culpa. Devido às peculiaridades do trabalho médico abordam-se também suas ligações com terceiros e coisas. expondo inicialmente como se caracteriza. Após. . nos aspectos de responsabilidade civil. ou seja. será objeto de avaliação. serão analisadas as características negociais da relação médicopaciente. antecedido por um breve histórico do erro médico. conceitualmente.1 Introdução A abordagem do tema erro médico. face ao ordenamento jurídico.

prisão e imposição de castigos físicos. . No Egito.) –elaborado pelo rei da Babilônia – em cujo art. mas calculada aproximadamente entre os anos 1300 e 800 a. por esclarecedor. A Lei Aquilia. como forma de vingança privada. com a proclamação do princípio geral do castigo como conseqüência imediata do dano”.no Código de Manu. entre os romanos obrigava o médico a indenizar se um escravo morria sob seus cuidados. o Código Civil Francês . pois dominava então o materialismo no Direito. a lesão e o homicídio culposo.2 Histórico do Erro Médico É lícito. os médicos tinham um livro com regras estabelecidas para seu exercício profissional. da Índia. 218 está a lei do Talião que previa penas severas como amputação das mãos. Assim.C. começaram os povos da antigüidade a elaborar legislação que regrasse a conduta profissional da atividade médica. de reação contra o prejuízo sofrido.C. No início do século XIX. O Talmude implantou a multa. Persistiram na Idade Média as pesadas sanções aos médicos. Também são os mesmos autores que dizem que.19 2. primitiva. no Cho-King dos chineses. Igualmente. no que pertine ao castigo da imprudência médica. ao lado da elevada posição que desfrutavam. nos primórdios da humanidade.) – em seu artigo 625 referia-se à responsabilidade do médico . aos cirurgiões que não tivessem sucesso nos seus procedimentos. tinham os cirurgiões punição prevista no Código de Ur-Nammu (2111 – 2084 a. também o médico que agisse com imperícia ou negligência era exilado ou deportado. em seguida . com data incerta de promulgação. entre outras. o Código de Hamurabi (1686 – 1750 a. iniciar-se pelo que dizem Delton Croce e Delton Croce Júnior20: “É assaz difícil convictamente falar que. selvagem. sendo econômica a penalização. Se não as observassem eram punidos com a morte. existiam preceitos que regulavam de modo específico o dano. na Lei de Zoroastro.C.

quase extinguindo a necessidade do médico indenizar os seus erros – salvo erro grosseiro e inescusável. é obrigação de quem. Em 1829. Mas. É atribuição do paciente (autor. que estabeleceu bem a necessidade de se submeter à apreciação judicial a possibilidade do erro médico e afirmava: “Cada profissão encerra em seu seio. em se tratando de responsabilidade civil no erro médico é indispensável uma prova inequívoca de que houve culpa no proceder do médico. ressarcir obrigatoriamente os prejuízos decorrentes do seu ato. quando causasse dano e.3 Teoria da Culpa no Erro Médico Tem-se que concordar com o que diz Hildegard Taggesell Giostri 21. Isso não durou muito e em 20 de maio de 1836. 2. a jurisprudência sobre responsabilidade médica tornou-se palpável através do aresto de André Marie Jean-Jacques Dupin. os médicos passaram a ser incriminados por sua imprudência ou negligência. a Academia de Paris proclamou a exclusiva responsabilidade moral e não econômica. vítima) fazer prova de que o profissional médico laborou com culpa. praticar uma conduta. por analogia. em seu livro Erro Médico à Luz da Jurisprudência Comentada pois.20 introduziu a regulamentação dos atos humanos prejudiciais a outrem. A obrigação de indenizar passou a ser conseqüência de qualquer ato humano. ou seja. homens dos quais ela se orgulha e outros que ela renega”. a responsabilidade no erro médico segue os mesmos ditames gerais da responsabilidade civil genérica. Procurador-Geral da Câmara Civil da Corte de Cassação de Paris. . com intenção de fazê-lo ou com simples culpa. consciente e capaz. na França. fora de dúvida. de maneira livre.

esposada pelo nosso Código Civil especialmente em seus arts. A imperícia. tudo há de ser debitado ao infortúnio. a imprudência ou a negligência. Sobre isso. caracterizam a presença de culpa. sendo portanto a intenção desnecessária. em se tratando de vida humana.que depende da presença de culpa no agir do agente causador do dano. Como diz Miguel Kfouri Neto 24: “Segundo a teoria subjetiva. estando presentes em um ato médico que cause dano a um paciente. é seu o ônus da prova. capaz de produzir um dano à vida ou à saúde de outrem. se for o caso. a culpa ainda que levíssima obriga a se indenizar”. a culpa. o médico. sem a prova desse elemento subjetivo da responsabilidade civil. em seu artigo 154522 (e art. É ao paciente. por parte do profissional. Mesmo que. ou. para obter a reparação do dano”. a seus familiares que incumbe demonstrar a inexecução da obrigação. à vítima incumbe provar o dolo ou culpa stricto sensu do agente. Daí a definição de erro médico dada por Júlio Cezar Meirelles Gomes e Genival Veloso França em sua obra “Erro Médico”23: “Erro Médico é a conduta profissional inadequada que supõe uma inobservância técnica. Siqueira Montalvão25: “Para a caracterização da culpa médica. Provada a culpa do profissional com relação aos cuidados .21 Isso porque o Código Civil Brasileiro. caracterizada por imperícia. 159 do mesmo Código). Mas essa culpa tem que ser provada pelo paciente. é conveniente acrescentar o que diz A. adotou a teoria subjetiva – teoria da culpa . não se admita culpa “pequena ou levíssima”. Nesse sentido também comenta Vera Maria Jacob de Fradera26: “A consideração da natureza da responsabilidade médica como contratual não tem como efeito tornar presumível a culpa. imprudência ou negligência”.545. no caso. 159 e 1. basta a simples voluntariedade de conduta. pois.

negligência ou imperícia. será aquele constrangido à reparação do dano causado”. indolência. 27 Essa culpa. evidencia-se a necessidade da demonstração. se caracteriza por um agir sem conhecimentos técnicos suficientes ou com má aplicação dos conhecimentos que possuir – seria uma falta de maestria na profissão – é um agir incompetente. a imperícia. no que se refere a médicos. como diz o acórdão28: “Para efeito de responsabilização por erro médico. Uma dessas formas de culpa deve estar no agir do médico. inércia. ERRO MÉDICO NÃO-CONFIGURADO. do latim neglegentia (de neglegera) tem característica omissiva – é um ato de omissão aos deveres que um caso exigir – seria uma abstenção do comportamento indicado para aquela situação – um não agir (inação. do latim imperitia (de imperitus). A negligência. em caso de erro. Recurso improvido”. do latim imprudentia. irrefletido – seria um agir sem a cautela necessária no caso. O tratamento ministrado a paciente sendo o adequado à moléstia apresentada. inábil. do qual a ementa vai abaixo transcrita. consiste num agir ou não agir consciente. voltado à busca de um resultado determinado (é um querer deliberadamente realizar certa conduta) ou quando a imprudência. DANO ESTÉTICO.22 dispensados ao doente. imperícia ou negligência estiverem presentes nos atos desses profissionais. ao ministrá-lo. Em acórdão. da culpa na conduta do profissional em casos de erro médico: “RESPONSABILIDADE CIVIL. intempestivo. submetido com as cautelas recomendadas e não havendo prova de ter o profissional da medicina se equivocado. não há como pretender a obrigação de indenizar. via de regra. a imprudência. por imprudência. é cediço que a . preguiça psíquica). porque não configurado comportamento culposo que implique responsabilidade civil. emergindo do artigo 1545 do Código Civil pátrio que abraçou a teoria da culpa. tem característica comissiva – é um ato precipitado.

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culpa, em uma de suas formas tradicionais, há que ficar devidamente comprovada”.

Ensina Miguel Kfouri Neto 29:
“Não é propriamente o erro de diagnóstico que incumbe ao juiz examinar, mas sim se o médico teve culpa no modo pelo qual procedeu ao diagnóstico, se recorreu ou não, a todos os meios a seu alcance para a investigação do mal, desde as preliminares auscultações até os exames radiológicos e laboratoriais – tão desenvolvidos em nossos dias, mas nem sempre ao alcance de todos os profissionais – bem como se à doença diagnosticada foram aplicados os remédios e tratamentos indicados pela ciência e pela prática”.

É o que acontece no erro profissional, pois sendo o erro, intrínseco

às

insuficiências da profissão médica e às características do ser humano, como paciente, o erro existe e acontecerá. Nesse caso não pode a culpa pelo mesmo ser imputada ao médico. É escusável tal erro – e invencível. Há que se diferençar entre um erro que resulte de algo imprevisível, tendo o médico, cônscio de seus deveres, atuado com as precauções devidas, dentro do razoável para as circunstâncias, que pode-se chamar de erro honesto, daquele erro que vem acompanhado da culpa – erro culposo - resultando em lesão aos direitos do paciente, que teriam sido evitados com uma atitude profissional competente, ou seja, não caracterizada pelo agir com imprudência, negligência ou imperícia.

Compete ao juiz, pois, verificar se houve culpa e, sobre isso, é conveniente lembrar o que diz, em seu livro, Suzana Lisbôa Lumertz30: “Não é preciso que a culpa do médico seja grave: basta que seja certa”. Tem que haver certeza na presença de culpa, no agir do médico como, também, assevera o acórdão31: “A atribuição de responsabilidade e condenação por erro médico exige elementos objetivos e seguros e não meras possibilidades ou conjecturas de que males que

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surgem após a intervenção médica sejam frutos dessa intervenção”.

Esse agir culposo do médico necessita do nexo causal, ou seja, deve ser o causador do dano ao paciente. Assim, tem-se os três pressupostos da responsabilidade civil, no caso, do médico, o ato lesivo (culposo), o dano e o nexo causal. Esses, quando ocorrem juntos, geram a obrigação de indenizar. Na falta de um deles, no caso o nexo causal, não há porque haver indenização, como bem ilustra o acórdão em sua ementa:
“APELAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL. ERRO MÉDICO. AUSÊNCIA DE NEXO CAUSAL ENTRE A AÇÃO DO MÉDICO E O RESULTADO. Ausente o nexo causal entre a ação e o resultado, resta afastada a responsabilidade civil do médico. Apelo desprovido”. 32

Também nesse sentido há o acórdão33: “Entendo, assim, não ter agido com culpa o demandado em qualquer de suas formas. O nexo causal está ausente”. A teoria da res ipsa loquitur, ou in re ipsa ou “de que a coisa fala por si mesma” é aplicada quando ocorre prejuízo, por fatos que não causariam dano, a não ser que o agente lesante tenha obrado com culpa (qualquer forma). Nesses casos o juiz – diante da evidência de erro médico (podendo até mesmo serem dispensados os peritos) – chega à ilação e admite a culpa do profissional, como uma evidência circunstancial, de que tal fato não teria acontecido sem a culpa do médico. Isso ocorre, por exemplo, em caso de morte do doente ou amputação de um membro. Há, assim, presunção de culpa contra o médico, conforme o seguinte acórdão:
“APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE MÉDICA. OFTALMOLOGISTA. CIRURGIA ELETIVA DE CORREÇÃO DE MIOPIA. SUBSEQÜENTE PERDA DA VISÃO. APLICAÇÃO DA DOUTRINA DA CULPA IN RE IPSA. DANOS MATERIAIS E

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MORAIS. Merece ser acolhida pretensão de indenização (por gastos médicos e de terapia psicológica) e de reparação (por dano moral) de quem submetendo-se a cirurgia de eleição, para correção de deficiência em um dos olhos, vem a obter, como resultado, a perda de visão. Ainda que se não flagre aí uma obrigação de resultado, inegavelmente dessa se aproxima a denominada cirurgia funcional, merecendo ser responsabilizado o médico que, por razões insuficientemente comprovadas, não só não logra êxito que não lhe era exigido - mas termina por deixar o paciente em situação extremamente pior do que se encontrava antecedentemente, pois sem visão justamente no olho operado. Merece prestígio, em casos que tais, a doutrina da culpa in re ipsa, na medida em que o sistema de responsabilidade civil do médico é o da responsabilidade subjetiva (art. 1545 do Código Civil)”. 34

Também tem por objeto a avaliação da culpa a teoria da “perda de uma chance” (perte d’une chance35). Admite-se, nessa teoria, que a culpa do médico tenha comprometido as possibilidades de viver do paciente ou a sua integridade. O juiz não precisa estar convencido de que o prejuízo – lesão – ao paciente foi causado por culpa do médico, pois, segundo essa teoria, é necessário apenas a dúvida de que isso aconteceu por culpa do médico. Há, assim, aqui também, presunção de culpa contra o médico. Os tribunais aceitam o nexo causal existente entre dano e culpa, pois ela se constitui no fato de não ter dado o médico todas as oportunidades ao paciente. O doente não teve todas as chances a que tinha direito de se recuperar. A referida teoria tem sua aplicação, em nossos Tribunais, bem demonstrada através da transcrição da ementa de acórdão que tem por relator conhecido jurista gaúcho:
“Responsabilidade civil. Falha do atendimento hospitalar. Paciente portador de pneumonia bilateral. Tratamento domiciliar ao invés de hospitalar. Perda de uma chance. É responsável pelos danos, patrimoniais e morais, derivados da morte do paciente, o hospital, por ato de médico de seu corpo clínico que, após ter diagnosticado pneumonia dupla, recomenda tratamento domiciliar ao paciente, ao invés de interná-lo, pois, deste modo, privou-o da chance (perte d’une chance) de tratamento hospitalar, que talvez o tivesse salvo. 2. Apelação provida. voto vencido”. 36

A teoria da culpa nem sempre é conveniente na abordagem do médico em

como do ponto de vista moral. 926 a 942 e Capítulo II – Da Indenização. O Senado Federal.) ela se revela além de inadequada. 946 a 956. vem de demere que significa tirar. no uso de práticas e cláusulas abusivas. nesse Projeto. Nele os artigos que tratam deste assunto são: arts. seu regramento englobado na legislação geral da responsabilidade civil. Nas obrigações “de resultado”. havendo publicidade/propaganda que seja enganosa. 943 a 953”. nas agressões aos direitos dos consumidores que são perpetradas através de condutas e práticas de mercado (na oferta. na propaganda enganosa. ao analisar o projeto. a supressão do art. tanto do ponto de vista material. 1545 do Código Civil Brasileiro vigente. etimologicamente. No Projeto atual de Código Civil Brasileiro. esquematizou o tema da seguinte maneira: “Parte Especial Livro I . arts. quem tem de provar a veracidade da mesma é o fornecedor. diminuir. apoucar. pela leitura do Projeto. quase impertinente. logo a teoria subjetiva fundada na demonstração antecipada da culpa por parte de quem acusa. que regram a obrigação de indenizar e os arts. 38). de 1997. na cobrança de dívidas. os quais tratam da indenização nos casos de responsabilidade civil. ser totalmente inadequada até impertinente”. Capítulo I – Da Obrigação de Indenizar. no parecer de n° 842. etc. classicamente. ela se revela inadequada e. Nota-se. Notase porém.38 tendo a responsabilidade civil no erro médico. O vocábulo dano. a teoria da culpa é mantida. Assim.Do Direito das Obrigações.26 sua atividade como profissional liberal. . nesse caso. uma preocupação em aumentar a amplitude do conceito de dano – prejuízo – abrangendo também o dano moral. revela-se. 929 a 945. Exemplo: por dispositivo expresso do Código de Defesa do Consumidor (art. conforme nos explana Oscar Ivan Prux37: “A teoria da culpa não é adequada para ser aplicada em todos os casos de responsabilidade civil de ordem pessoal dos profissionais liberais. arts. seria como uma diminuição do patrimônio.

Caso contrário. tem que ser feita prova da sua culpa. Há necessidade de ressarcimento de dois tipos de dano: a saber. imprudência ou negligência é a ação delituosa que a norma proíbe no caso de erro médico. contrariando assim o princípio: neminem laedere. não haverá lugar para configuração de delito. para o paciente. O Código Civil vigente refere-se às perdas e danos que nada mais são que os prejuízos decorrentes. como espécie.27 Para satisfação do dano. o dano estético39. As provas têm a função de fazer emergir esse liame. Nesses está incluído. para se configurar o delito precisa acontecer a transgressão ao dever de. Mas há necessidade de lesão. na responsabilização do profissional médico na área civil. como os danos morais (direitos da personalidade e da família). há necessidade de averiguar-se qual a repercussão econômica negativa que causaram ao paciente – vítima do erro médico. A palavra dano tem significação ampla no Código Civil Pátrio atual. por si só. abrangendo tanto os danos materiais (lesão aos direitos reais e pessoais).sendo com esse proceder violada uma norma com um conseqüente resultado lesivo.a um bem jurídico. do erro médico. pelo ato médico – nexo de causalidade . Se qualquer desses danos ocorre. Tem que haver relação de causa e efeito entre o agir do médico e o dano verificado. já é prevista como fato punível. salvo se a conduta do médico. Sendo o dano material (incluindo o dano emergente 40 e os . o patrimonial e o moral. É necessária uma conduta com culpa em sentido estrito – e a previsibilidade (evitabilidade do procedimento antijurídico) constitui o ponto nuclear da culpa . Não havendo damnum. Pelo Código Civil pátrio. O agir com imperícia. na vida de relação. somente os danos diretos e efetivos são passíveis de serem ressarcidos pelo causador do damnum. por erro médico. evitar danos a interesses e bens alheios.

É conclusivo o que diz Miguel Kfouri Neto 45: “O dano moral puro gera obrigação de reparar à luz do art. Isso pode acontecer. envolvidas no atendimento médico. o dever de indenizar. e será o valor da indenização determinado em juízo. 159.28 lucros cessantes41). Nesse caso. A responsabilidade vai ser bipartida entre o profissional médico e seu cliente. do C. desaparece. diz Jurandir Sebastião42: “Perspectivas de ganho futuro ou lucro potencial. no caso de o paciente não seguir as orientações médicas ou omitir ao médico informações importantes. envolvendo o médico. pode diminuir. a interferência de terceiros.C. Se houver culpa exclusiva do paciente a relação de responsabilidade. será indenizável pelo valor da detrimência no patrimônio do paciente. O concurso de culpas caracteriza uma concorrência de . agindo com dolo ou culpa e não estando subordinados ao médico e a conduta com culpa do paciente. não são contempladas”. por exemplo. hipotético e aleatório. abstratamente considerada”. a partir da Constituição Federal de 1988. 5°. essas situações citadas. por parte do médico. se o paciente contribuiu para a produção do evento danoso. O dano moral ficou. o dano moral é o efeito não patrimonial da lesão de direito e não a própria lesão . Ensina-nos José de Aguiar Dias44: “Ora. a relação de causalidade. Em caso de culpa concorrente – médico e paciente – não vai haver exclusão da responsabilidade. vai responder por uma parcela da culpa que lhe couber. alterando assim.. inciso X43. que não distingue entre direitos patrimoniais e não patrimoniais”. Sobre os lucros cessantes. admitido explicitamente no art. mas cada uma das partes. Excluem a responsabilidade do médico o caso fortuito e a força maior.

Por ter força jurídica. a aplicação desse princípio da indenização proporcional. que tramita no Congresso. mesmo ausente no atual direito positivo brasileiro. Por isso. Esse princípio se explica pela análise através da teoria da causalidade adequada46. ao contrário do caso fortuito. a sua indenização será fixada. a força maior se caracteriza por ser um evento externo à relação médico-paciente. Não se resiste a ele mesmo que se queira. a força maior ou o caso fortuito. Rogério Marrone de Castro Sampaio48 chama a força maior de fortuito externo. em que a característica é haver um acontecimento inerente à pessoa humana. A força maior considera-se um fato natural. explicitou o princípio em seu artigo 947: “Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso. tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano”. Ao caso fortuito ele chama de fortuito interno. tem aplicabilidade na prática judiciária. posto que vários fatores haverão de ser examinados. por lógico e justo. o médico. em caso de dano ao paciente. Não consta no atual Código Civil. ou seja. também. da responsabilidade civil. a conduta do paciente é considerada na avaliação da culpa. não sendo possível ao ser humano evitar sua ação e conseqüências. Portanto. O caso fortuito é aquele fato que decorre . superior às forças humanas. o que é levado em consideração é o grau de causalidade bilateral – cada um é responsabilizado apenas pelo parcela do damnum da qual foi o causador. apesar de identificada e previsível.29 responsabilidades que justificam uma diminuição do valor da indenização – princípio da indenização proporcional nos casos de responsabilidade concorrente. como afirma o acórdão47: “Por óbvio tudo pode ser afastado ao longo do feito. Portanto. mas o Projeto do Código Civil. Exoneram. desde a conduta dos agravados como também a cooperação positiva ou negativa da paciente para sua recuperação”.

já que o mesmo se fez na área penal. Mas. ou quem seja o seu autor. quando estas questões se acharem decididas no crime”. como na força maior. transitada em julgado. a culpa estando juridicamente determinada. . É obra do acaso – não esperado na conjuntura do que está ocorrendo em um determinado momento. suas conseqüências. Ambos. advindo daí uma condenação em termos penais. 1525 do Código Civil assim dispõe sobre essa repercussão: “A responsabilidade civil é independente da criminal. Há independência entre as responsabilidades civil e penal. caso fortuito e força maior causam a mesma ação de liberar o médico do cumprimento da obrigação contratual. ou seja. não se poderá. há efeitos na área cível. tendo como característica não poder ser previsto e evitado pelos participantes da relação médico-paciente. há dispensa da instauração de processo de conhecimento para decidir sobre a matéria. Não há. a atuação culposa do profissional médico. seus aspectos práticos são os mesmos. é o que se depreende da abordagem que faz Fabrício Zamprogna Matielo 50 das repercussões da sentença penal na área cível. como do paciente. 105849 pois. No caso de uma decisão penal condenatória. Assim. Tem o paciente. questionar mais sobre a existência do fato.30 da conduta humana. em qualquer instante. O Código Civil Brasileiro incluiu ambos em seu art. tanto em uma ação por erro médico. mesmo diferentes. O art. porém. Semelhante é a natureza jurídica da repercussão penal na área cível. quer se trate de erro médico ou ação de responsabilidade civil em geral. tanto no caso fortuito. como em qualquer outra causa de responsabilização civil por dano a outrem. Há exoneração da responsabilidade civil do médico se a lesão ao paciente é decorrente de caso fortuito ou força maior. independe a sua ocorrência tanto do médico. esta será utilizada na área cível como um título executivo.

31 com a sentença condenatória na área criminal. por parte do paciente. aberto está o caminho para a lide jurídica. Nesse sentido. A coisa julgada. por falta de prova conclusiva de que tenha acontecido o fato. e a culpa do médico em demanda no juízo cível. impede a pretensão. Desimporta. através de um processo de conhecimento. em seus incisos de I a VI52) por insuficiência de provas. Absolvição criminal. para ser ressarcido dos danos que sofreu com o erro médico. nesse caso. 584 do Código de Processo Civil. que lhe causou dano.53 Na hipótese de sentença absolutória por comprovada inexistência do fato alegado pelo paciente. Compete ao paciente provar a existência do fato. 386 do CPP (insuficiência de provas). . torna-se inviável juridicamente qualquer demanda cível. cabe a devida ação cível por parte do paciente. Caso a sentença penal for absolutória (dispõe sobre isso o art. especialmente se o foi com fundamento no inciso VI do art. Pode. 386 do Código de Processo Penal. Cabe a execução desse. que tenha sido o agente absolvido na esfera penal. 1525 do Código Civil. Danos materiais e lucros cessantes”. aos efeitos da perquirição da responsabilidade civil. Caberá ao autor da ação fazer as provas da existência do fato. conforme disposto na segunda parte do art. através do competente processo. expõe-se a ementa de acórdão: “Responsabilidade civil. em suas mãos. um título executivo judicial (art. em seu inciso II51). Na área cível caberá a demanda por ressarcimento. Se for o caso de absolvição. em termos de responsabilidade civil. Erro médico. demonstrar no juízo cível a validade da sua pretensão de ressarcimento por danos decorrentes de erro médico.

O prazo passa a ser contado da constatação do dano. pelo paciente. de exclusão do dolo na conduta do médico (há possibilidade de ressarcimento no juízo cível). pleitear ressarcimento na área cível). em face do ritmo da vida moderna. podem ter sua indenização reivindicada na área do juízo cível. Sobre isso manifesta-se José de Aguiar Dias54: “A duração do prazo prescricional da ação de reparação do dano é objeto de severas críticas por parte de muitos juristas. 2. assim mesmo. É válido citar.4 Natureza Contratual da Relação Médico-Paciente . os casos de absolvição do médico por crime impossível (em que o paciente que sofreu danos pode. de falta de previsão daquela conduta do médico no Código Penal (o paciente também terá. 177 do Código Civil pátrio. sempre. O prazo prescricional para ingressar com uma ação de indenização pelos danos sofridos por parte do paciente é regulado pelo art. o juízo cível como possibilidade para se recompor do prejuízo sofrido).32 Na eventualidade da ação penal concluir que o fato atribuído ao médico não se constitui num crime. que estabelece ser vintenária a prescrição. por ilustrativo. danos porventura atribuídos. como de autoria do médico. de presença de descriminantes putativas (também pode ser instaurada a devida ação civil de responsabilização civil) e de coação irresistível ou ordem hierárquica (o responsável pelo ressarcimento é o autor da ordem ou o responsável pela coação). critério cabível nos remotos tempos em que as comunicações se resumiam na precariedade e na lentidão das viagens a cavalo”. que censuram no legislador conservar.

Pensa assim. Isso ocorreu porque o legislador inseriu o erro médico entre os atos que ensejariam indenização tendo em vista a sua ilicitude. impõe-se situar a responsabilidade civil do médico.33 A respeito da natureza contratual da relação médico-paciente. Pontes de Miranda60: “A responsabilidade dos médicos e cirurgiões é contratual”. sobre a responsabilidade do profissional da medicina seria contratual ou extracontratual. Do conteúdo desse contrato. também. como do tipo de responsabilidade contratual. com reflexos na jurisprudência dos tribunais. depende a responsabilidade de um frente ao outro. e não como derivação da simples inobservância ou descumprimento de obrigação previamente assumida”. E os tribunais e cortes de apelação são também unânimes em confirmá-lo”57. Como também afirma Miguel Kfouri Neto 58: “Apesar de o Código Civil Brasileiro colocar a responsabilidade médica entre os atos ilícitos. não mais acende controvérsias caracterizar-se a responsabilidade médica como ex contractu”. como nos ensina Rene Savatier56. Já em 1991. dizia o mesmo Reynaldo Andrade da Silveira59: “Primeiramente. Muito já se discutiu na doutrina. . a Corte de cassação reconheceu esse princípio. em tradução do autor: “Entre o médico e o paciente estabelece-se um contrato. diz Fabrício Zamprogna Matielo 55 em sua obra Responsabilidade Civil do Médico: “Durante longo período houve intensa discussão em torno da natureza jurídica da relação médico/paciente. Hoje já não mais paira dúvidas a respeito dessa responsabilidade”. Após muito tempo decidindo o contrário. se apresenta portanto como uma responsabilidade contratual. Discussão que não mais existe.

obriga ambas as partes. já que as mais destacadas tendências . É o mesmo Miguel Kfouri Neto 65 quem afirma não haver doutrinariamente consenso quanto ao tipo de contrato que se estabelece entre médico e paciente. 102564 do Código Civil.34 De grande aplicação no sistema jurídico brasileiro. ficando desde logo concluído. fazendo-se concessões mútuas. há um contrato implícito com outras pessoas. ante as obrigações recíprocas decorrentes do contrato de prestação de serviços médicos”. o que diz Carlos Ferreira de Almeida61: “As chamadas ‘marcações’ de consultas e de análises. Resta saber que tipo de contrato. O médico que não compareça no dia e hora marcados (com oscilações aceitáveis de harmonia com os ditames da boa-fé) ou que ‘adie’ a consulta incumpre esse contrato. pelo doente ou por seu representante perante empregado do médico ou da clínica. feitas pessoalmente ou pelo telefone. nos precisos termos do art. No momento em que o médico assumiu o mister de fazer a cirurgia. e que poderia terminar em conflito judicial. Isso é bem complementado pelo que se transcreve de acórdão62: “Desinteressa saber se o paciente teve contato ou não com o médico. as partes envolvidas na relação jurídica médicopaciente resolveram transacionar e resolver a questão que estava a surgir. que aceita transação entre as partes. ele assumiu o dever de empregar todo o seu conhecimento e o mínimo de cuidados que um cirurgião que se preza deve ter”. objetivando evitar o surgimento de litígio. é importante observar no direito português. O doente que não compareça ao exame ou consulta marcados coloca-se igualmente em situação de incumprimento”. mediante recíprocas concessões. Tanto contrato é. realizaram um ato jurídico. no que tange à atividade do médico. como diz o acórdão63: “Ou seja. Ou seja. envolvem portanto celebração de um contrato que.

Evidencia-se como um contrato principal. tecnicamente falando. é que é englobado na relação jurídica . sendo. classificou-as em duas categorias: obrigação de meios e obrigação de resultado. A forma. Para vigorar não necessita de forma especial. reporta à classificação das obrigações proposta nos anos vinte. comutativo. Hildegard Taggeselli Giostri 67. aleatório e de caráter civil. a aplicação zelosa de todos os meios que se fizerem necessários e estiverem razoavelmente disponíveis”. nem de definição exata quanto ao objeto em suas minúcias. oneroso ou gratuito.35 preconizam ser similar esse contrato a um mandato. inominada. contrato de empreitada. de locação de serviços. Por objeto do contrato não se deve entender uma cirurgia. isto é. pelo jurista francês René Demogue que. sendo suficiente que se prove a existência do liame das partes entre si. então. considerando o objeto e o conteúdo dessas obrigações. é absolutamente livre. comportou-se de maneira . o que gerará os direitos e as obrigações pertinentes. bilateral. mas nem por isso com menor tutela jurídica. contrato inominado ou um contrato multiforme. nesse contrato. o agir propriamente dito. o contratado se obriga a utilizar os meios adequados para alcançar um resultado – o comportamento do profissional. A reflexão de Fabrício Zamprogna Matielo 66 traz significativa contribuição ao entendimento dessa relação contratual: “Essa espécie de contratação não encontra espaço particular na legislação nacional ou como previsão consagrada pela autonomia. figura atípica. em seu livro “Erro Médico – À Luz da Jurisprudência Comentada”. tampouco preço e condições de pagamento. características como: ser intuitu personae. mas a atividade médica globalmente considerada. como visto. Encontram-se. Na primeira. tendo na sua constituição contratos acessórios. ou a ministração deste ou daquele medicamento. na relação profissional que se processou. Para melhor entendimento.cumprindo com a obrigação aquele que se obrigou se.

não se confunde com a sua finalidade. Se for obrigação de meios. que é a prestação de serviços médicos. envidar todos os esforços para alcançar a cura. O fim é a obtenção de um resultado correto. na busca do diagnóstico utilizou-se corretamente de todos os meios que o estado da técnica e as condições de trabalho lhe proporcionam. O objeto da obrigação. Mas se o profissional. compatível com o que foi contratado. podendo esse resultado ser uma coisa ou não. o ônus pertence ao paciente. dentro da relação jurídica. É a sua própria atuação o objeto do contrato. A não-obtenção do resultado esperado não se confunde com a violação da obrigação”. vai ocorrer a inversão do ônus da prova. Nessa relação. O médico no referido contrato. o médico não se obriga a curar. não há que se falar em culpa profissional. ou seja. como no acórdão cuja ementa vem citada a seguir: “RESPONSABILIDADE CIVIL. Não restando provada a relação de causa-efeito entre o uso do antibiótico quemicetina e o . A classificação de Demogue permite determinar quem tem o ônus da prova. Deve. mesmo que não a consiga. sendo esse devido pelo obrigado ao que o contratou. se encontra o resultado. cabendo o mesmo ao médico. Na segunda. MORTE POR ANEMIA APLÁSTICA SEVERA POR USO DE ANTIBIÓTICO. Uma prova de erro diagnóstico não pressupõe culpa no agir do médico ao atender o paciente. Caso seja obrigação de resultado. assume uma obrigação de meios e não obrigação de resultado. por conseguinte. ERRO MÉDICO. mas a atuar em conformidade com as regras e os métodos da profissão. como bem descreve Marco Fridolin Sommer Santos68: “A não-obtenção do diagnóstico correto apenas demonstra que o resultado esperado não foi alcançado. INOCORRÊNCIA. o compromisso é de realizar um determinado ato médico para obter um resultado preciso. Nesse sentido também se manifesta a jurisprudência. NEXO CAUSAL.36 adequada.

salvo de circunstâncias excepcionais. na fórmula da Corte Suprema de França”. causa do óbito da paciente. há juristas com argumentos para se considerar que os médicos especializados nestas . A obrigação do médico é de meios e não de resultado e. de acordo com as aquisições da ciência. obrando diligentemente. Em geral. a obrigação contratual do médico não é de resultado comunga José de Aguiar Dias70: “O que se torna preciso observar é que o objeto do contrato médico não é a cura. o que importa é o resultado de sua atuação. há uma série de especialidades cujo objetivo definido é serem usadas para auxiliarem a alcançar a cura direta do enfermo. aí. Por conseguinte. no caso. sua responsabilidade restringe-se à execução do ato médico. Com a afirmação que. Cardiologia. nas especialidades que tenham por finalidade a cura direta do paciente. o especialista compromete-se com uma obrigação de meios. Gastroenterologia. 69 Já na obrigação de resultado. como. Prova pericial e testemunhal a corroborar as alegações do requerido. em geral. mas a prestação de cuidados conscienciosos. além de outras. pois não o alcançando não terá adimplido a sua obrigação. e. respeitando a Lex Artis. não há como reconhecer a culpa do médico no evento. em Medicina Intensiva. Por outro lado. sempre dentro do estado atual de desenvolvimento da Ciência Médica. a doença fatal poderia ter sido ocasionada por diversas outras causas. o profissional médico fica obrigado a alcançar o objetivo certo – fim específico – a que se propôs e. Geriatria. Cirurgia Geral. não havendo relação direta com o uso de medicamento. altamente utilizado no combate à infecção apresentada pela paciente e de baixo custo se comparado a outras drogas da mesma espécie.37 surgimento de anemia aplástica. obrigação de resultado. No momento. atentos. Apelo provido parcialmente para julgar improcedente a ação indenizatória no tocante ao reconhecimento do erro médico”.

OBRIGAÇÃO DE RESULTADO. presumir-se a culpa do médico. Todavia. da ação. 71 Indiscutivelmente. contado o prazo a partir da data do último serviço prestado. exemplificando. por ter sido excluído o pedido de dote. Predomina. Prescreve em um ano a ação para a cobrança de honorários médicos. PRESCRIÇÃO. verifica-se uma aceitação generalizada de. está assumindo uma obrigação de resultado. PROCEDÊNCIA. Demonstrado o inadimplemento. no que se refere à atividade do médico cirurgião plástico. sendo a obrigação . Já. se comprometem com uma obrigação de resultado. CIRURGIA PLÁSTICA. cabendo ao médico a obrigação de demonstrar que não houve culpa ou que ocorreu caso fortuito ou força maior. a obrigação é de resultado. ERRO MÉDICO. na doutrina e jurisprudência. Análises Clínicas e Radiologia. o entendimento de que esse ao executar cirurgias plásticas estéticas . também. Como ilustra a ementa abaixo transcrita: “RESPONSABILIDADE CIVIL. Procedência. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. em princípio de meio e não de resultado. em se tratando de cirurgia plástica. Por si próprio o exame por eles realizado não leva à cura. MÉDICO.embelezadoras. Tendo isso ocorrido em maio de 1993 e a reconvenção protocolada em outubro de 1994. A responsabilidade civil do médico. é predominante. DA AÇÃO E IMPROCEDÊNCIA DA RECONVENÇÃO. EM PARTE. como.38 áreas. é contratual. Bioquímica. como sabido. em parte. é pacífico o entendimento de que a obrigação seja de meios. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAL E MORAL. caracterizada está a prescrição. na cirurgia plástica estética (e não na cirurgia plástica reparadora). na qual. COBRANÇA DO SALDO DOS HONORÁRIOS. Sentença mantida. inverte-se o ônus da prova. na doutrina e na jurisprudência. o entendimento de que . É diferente da cirurgia geral. Indenização pelos danos de ordem material e moral. assumindo o cirurgião a obrigação de indenizar pelo não cumprimento da mesma obrigação. pela não-efetivação do resultado. Apelação não provida”.

Em particular. o paciente fazer a prova. como expressa o . (. trata-se de uma conduta bem caracterizada de falha na prestação de serviços médicos. Para comprovação do erro médico. bem definido. gerando uma obrigação de indenizar o lesado (aquele paciente que teve o seu direito violado). pois. isso corresponderá juridicamente a uma inexecução total da obrigação de fazer. há que se provar. de fato..39 em caso de execução defeituosa numa cirurgia estética (frustração do resultado). não simples afirmações. Deve. E. até. mas talvez aquele primeiro atendimento tenha sido também inadequado: também talvez o segundo atendimento tenha sido inadequado. Contratualmente falando. mas o processo permite apenas dúvida a respeito do que aconteceu. da prova pericial que pode. pela complexidade e controvérsias do agir médico. deve o paciente fazer prova e. conforme o acórdão73: “Tratando-se de responsabilidade civil de profissional liberal. do contrato. ressaltando-se a importância. usam-se todos os meios probatórios em direito aceitos. porém. enquadrando-se na abrangência do campo da responsabilidade contratual quando acompanhada de culpa (presente no agir do médico). Mas. o erro médico um inadimplemento. Dele. pois. não se desimcumbiu. não trazendo aquela certeza que é indispensável para que se dê procedência à pretensão da autora”. para que fique estabelecida a culpa do médico. o ônus probatório era do autor.) À falta de uma prova segura da culpa do réu. os prontuários e fichas de anotações médicas. no caso da atividade médica. improcede a demanda”. tornar-se indispensável. médico. É. por parte do cirurgião plástico.. sem o que se tem que concordar com o que afirma o acórdão72 : “Assim é que pode até ser que o tratamento tenha sido inadequado.

A relação contratual. cumprindo ao médico fazer essa prova. com exceção da peculiaridade imposta pelo § 4°. § 4º.40 acórdão74: “Devida vênia a examinara no dia anterior. no restante. art. do art. Trata-se de responsabilidade subjetiva a que vem expressa no art. 14. nem mesmo frente ao Código do Consumidor. com a inversão do ônus da prova. . em face de uma avaliação de erro médico. que não o seu ato médico. em seu exercício profissional. Isso fica patente à luz do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. podendo ser elidida a culpa com a comprovação de uma causa diversa para o resultado. ainda se trata de responsabilidade subjetiva mas.078/90.14. um não sobrepuja ao outro. Medicamentos que não teriam sido ingeridos – aqui a palavra do médico contra a da sua então paciente. como explicitado no art. ministrando-lhe medicamentos adequados para ataque à infecção. eis que ‘a responsabilidade dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa’. a responsabilização do profissional médico acontece pela presunção de culpa. na relação de consumo do serviço médico fornecido pelo profissional liberal. § 4° da Lei n° 8. ou seja. 14 da Lei 8. o que pode ocorrer. se estabelece por obrigação de meios ou de resultado. inciso VIII da lei acima referida. No caso de se tratar de uma obrigação de resultado. o disposto no Código de Proteção e . Tal responsabilidade é observada quando se tratar de uma obrigação de meios. 6°. cabe ao paciente a comprovação da culpa do profissional médico. informação de seu companheiro”.pela autora.078/90 (que mantém o sistema tradicional de apuração da responsabilidade baseado na culpa para o médico). Na hipótese de haver uma obrigação de resultado há presunção de culpa do profissional. Em caso de obrigação de meios o paciente necessita e deve fazer a prova de que o médico não agiu com a devida diligência. em tudo se aplica ao médico. já que.

no rol daquelas que se prestam à incidência da Lei nº 8078/90. por seu art. em tese.078/9076 . aceita como relação contratual com obrigação de resultado. hipossuficiente. o paciente não teria a tarefa de provar a culpa do médico. Mas. afirma Fabríco Zamprogna Matielo 75: “A prática da Medicina é incluída. isso não impede que sejam argüidas defesas. a facilitação do consumidor na defesa de seus direitos. O art. invertese o ônus da prova. 6º. porque os profissionais liberais em geral são realmente prestadores de serviços. 14. nada se excepciona no texto legal. A respeito disso também trata o acórdão78: . consumidor. afirma: ‘Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo. inclusive com a inversão do ônus da prova quando a critério do juiz for verossímil a alegação ou quando for ele.)’. sendo exigível. em cirurgia plástica. segundo as regras ordinárias de experiência.. modernamente. mediante remuneração (. Novamente.41 Defesa do Consumidor. igualmente inequívoca a condição de consumidor assumida pelo paciente a partir do advento da normatização ora em estudo”.Código de Proteção e Defesa do Consumidor. definitiva”. § 3° da Lei 8. a comprovação de culpa. pelo médico. Já no art. De outra parte. VIII. independentemente da área de atuação escolhida. Nesse sentido. A culpa já seria presumida. pois. Sobre a inversão do ônus da prova diz Miguel Kfouri Neto 77: “Estipula o Código de Defesa do Consumidor. 3º. Exemplificando. Caberia a ele paciente provar somente a omissão ou ação do médico e o dano. como as previstas no art. no que autorizado. Assim. sendo sua decisão baseada nas regras ordinárias da experiência. Ora. despiciendo arvorar-se em maiores elocubrações para concluir pelo enquadramento da atividade objeto do contrato médico como prestação de serviços sujeita. aos ditames contidos no estatuto protetivo. 2º da mencionada Lei tem-se a seguinte definição: ‘Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final’.. § 2º. Sendo a culpa presumida. fica novamente ao prudente arbítrio do magistrado a definição e o momento da inversão do ônus da prova. mesmo se tratando de um profissional liberal.

segundo as regras ordinárias de experiência. e o ato médico. 14. pois evidentemente o autor encontra-se em um patamar de inferioridade em relação ao médico e ao hospital para discutir a qualidade do atendimento prestado”. vejo a possibilidade da presença da inversão do ônus da prova. deve ser ressaltado que o momento adequado para o juiz declarar a inversão do ônus da prova é. deste entendimento. É válido acrescentar.. na sua relação com o . uma atividade mediante remuneração a pessoas físicas ou jurídicas sem vínculo empregatício”. provocando um prejulgamento da causa. direito e provas pretendidas que irão ser produzidas no desenrolar do processo”. se assim não fosse. nos termos do inciso VIII do artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8. A partir desta premissa. juntamente com o despacho que determinar a citação do réu. Sobre isso. para que a inversão não torne a prova impossível. em termos de Código de Defesa do Consumidor: “Na linguagem deste Código. na análise do aspecto contratual da relação médicopaciente. (. com certeza hipossuficiente. em nosso entendimento. e. a responsabilidade objetiva. em seu exercício profissional. o que Genival Veloso de França80 pensa. às demais normas do referido Código. § 4° do Código de Defesa do Consumidor.. cuidando.42 “Desde logo deixo consignado que vejo a controvérsia agitada nestes autos como uma relação de consumo. com a contestação deverá trazer o réu todos os fatos. também.) Neste ponto. pois evidente ser o autor usuário do serviço médico e os réus prestadores de tal serviço. porquanto pelo princípio da eventualidade. a atividade do médico. Mas. diz Ada Pelegrini 81 não ser aplicável aos médicos. Ainda sobre a aplicação do Código de Defesa do Consumidor na responsabilidade civil do erro médico.078/90). o paciente é o consumidor para quem se presta um serviço. em atenção ao disposto no art. diz mais Miguel Kfouri Neto 79: “O que deve nortear o juiz é a verificação de quem pode mais facilmente fazer a prova. o fornecedor que desenvolve atividade de prestação de serviços. já que verossímil a alegação do autor. é submetida. o médico.

a qualificação adequada parece ser a de contrato socialmente típico inserido na categoria ampla dos contratos de prestação de serviço (art. análises). Em alguns casos porém (colocação de próteses. O art. já que é profissional liberal. O resultado não é uma obra. é conveniente citar o que diz o professor português Carlos Ferreira de Almeida83: “No direito português actual. A obra que pode ser objeto deste contrato consiste na ‘produção ou transformação de uma coisa’. 1.43 paciente. o resultado do trabalho intelectual é o tratamento e não a cura. em seu § 4º. Em termos de direito comparado e totalmente aceitável em nosso ordenamento jurídico. Significa isto que. nem excluí-lo da vigência de nosso Código. enquanto a ‘obra’ que o médico eventualmente realiza consiste numa alteração produzida no corpo humano. como é característico do contrato de empreitada. No caso. E pelo fato de ser o cliente quem escolhe o profissional liberal de quem irá contratar serviços.15484). operações estéticas. A referência a ‘certo resultado’ não é impeditiva desta qualificação. tal verificação é assim justificada por Viviane Coêlho de Séllos82: “Importa aclarar que tal excepcionalidade não vem para introduzir em nosso sistema a irresponsabilidade do profissional liberal . 14 do Código de Defesa do Consumidor. É o que nos explica a doutrina. onde se incluem prestações de ‘trabalho intelectual’. em termos de responsabilidade civil. A diversidade de tratamento para os profissionais liberais pelo CDC se justifica em razão da natureza intuitu personae dos serviços prestados por profissionais liberais. exige a verificação da culpa do médico. se faz com base na confiabilidade e prestígio dispensados pelo consumidor contratante ao profissional contratado. a prestação de serviço . só se responsabilizarão por danos os profissionais liberais a partir da apuração de sua culpa”. antes a confirma. Em caso de dano ao paciente em sua atividade profissional. Isso só ocorre em face da natureza intuitu personae dos seus serviços ou da livre escolha do consumidor pelo profissional em que tenha maior ou menor confiança. contratar ou constituir serviços de profissional liberal.

é um contrato civil (nunca é um acto de comércio). .é a violação de um dever jurídico expresso em lei.gerado fora de um contrato . também designados intelectuais. todavia.44 médico consiste em (ou inclui) resultados que são próximos dos que caracterizam o contrato de empreitada. Dispõe o art. além de outras relações jurídicas. a maneira como o Direito Italiano trata do assunto. 2230. com mais de 450 artigos. ainda. poderá vir a justificar-se a sua tipificação legal. 2. Prestação de obra intelectual. regula o trabalho subordinado e o trabalho autônomo. de um contrato de obra normal. Trata-se de um ‘contrato de obra intelectual’. Relevantes para o seu regime jurídico são ainda as seguintes qualificações: . porque como tal referido na prática e pressuposto em algumas disposições legais. para concluir a avaliação dos aspectos contratuais da atividade do médico. sendo este último objeto do ‘contrato de obra’. é um tipo social e nominado. Por isso e pela particularidade das questões que envolve. O trabalho prestado pelos profissionais liberais insere-se no contexto do ‘contrato de obra’. O contrato que tem por objeto uma prestação de obra intelectual é regulado pelas normas seguintes e enquanto compatíveis com este e com a natureza da relação”. conforme transmite Marco Fridolin Sommer Santos85: “O moderno Código Civil italiano de 1942 dedica o seu Livro Quinto. Não se trata. o contrato de prestação de serviços médicos demarca-se como tipo bem definido que. E. No âmbito destes. É um trabalho prestado pelos profissionais liberais.é um contrato de consumo e portanto merecedor da aplicação das adequadas regras de proteção dos consumidores”. .5 Natureza Extracontratual da Relação Médico-Paciente O ilícito 86 extracontratual . ao contrário do ilícito contratual que se constitui em uma transgressão de um dever jurídico convencionado pelas partes num negócio . enriquecendo o entendimento através do direito comparado. não sendo um tipo legal (porque não tem regulação legal própria). menciona-se. Dentro da categoria ampla e inespecífica dos contratos de prestação de serviço. à disciplina das atividades profissionais.é um contrato celebrado intuitu personae.

que existe a possibilidade de haver responsabilidade médica sem origem no contrato. A obrigação de reparar o dano. A responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana é regulada. por via de conseqüência. Ou. vale dizer. Antonio Ferreira Couto Filho e Alex Pereira Souza 88: “Não se pode olvidar. Evidentemente que este paciente não teve qualquer ato volitivo no sentido de ser atendido e tratado por este ou aquele médico e. É o caso..518 a 1533 do Código Civil. ou mesmo em outro lugar. in casu. seja produzida dentro do contrato ou fora dele”. conforme salientado por Vera Maria Jacob de Fradera89: “Em certas circunstâncias.g. entretanto. imposta a todos os componentes da sociedade. ainda. pois. como assevera Miguel Kfouri Neto 87: “É claro que poderá existir responsabilidade médica que não tenha origem no contrato: o médico que atende alguém desmaiado na rua. a responsabilidade extracontratual. por exemplo.45 jurídico – contrato. todavia. pode haver casos de responsabilidade civil no erro médico com origem extracontratual ou aquiliana. a natureza da responsabilidade médica poderá ser de natureza extracontratual ou aquiliana. delitual ou aquiliana da transgressão de norma jurídica. e. é contratual”. não há de se falar. Não obstante esta possibilidade. a natureza jurídica da relação médico/paciente. contudo. ou o recuse à pessoa em situação de perigo iminente ou. nos artigos 159. sempre existirá. v. em se tratando de menor. Além disso. aja o médico com negligência ou imperícia. de não prejudicar alguém. tendo em vista algumas especialidades. Decorre. sem vínculo preexistente. em seu livro. em nosso ordenamento jurídico. via de regra. quando na ausência de contrato. escrito ou verbal. Corroboram essa afirmação. em contrato. 160 e 1. responsáveis não se tenham manifestado a . do médico que socorre alguém que esteja inconsciente na rua. no tratamento.

até. desligam aparelhos para apressar a morte do paciente.Julgo procedente”. ou a pé. experiências médicas arriscadas. tratamento desnecessário. Resta. Uma vasta área para responsabilidade extracontratual. e vê caído na estrada. estando o paciente inconsciente. casos. o pode salvar. de ilícito penal perpetrado por médicos que realizam aborto fora dos casos permitidos em lei. ou no mato. no qual se lê: “Normalmente. etc. como por exemplo. etc”. mas existem situações nas quais vai se dar no terreno extracontratual. cirurgia sabidamente indevida. . a relação jurídica entre médico e paciente é de natureza contratual. em 8 de novembro de 1996. o seguinte atendimento médico descrito por Pontes de Miranda90: “Mas o médico que passa de automóvel. nos casos de atendimento de emergência. tem o dever de assistência”. o que se depreende é que. regra geral. que alarga o entendimento da natureza extracontratual no erro médico. ou menor. receita tóxicos ou substâncias entorpecentes indevidamente. alguma pessoa – maior. originada de um dever. ou quando o médico se recusa a atender nesse estado emergencial. homem ou mulher – e verifica que somente com a prática de atos seus. o paciente procura um médico. Há ainda. escolhe o profissional de sua confiança. pode-se enquadrar na extracontratualidade.46 respeito do tratamento ou dado consentimento para determinado ato cirúrgico”. a advogada Célia Destri 91 transcreve sentença da 13 ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro. constituindo com ele vínculo contratual. Todavia. proferida pelo Juiz de Direito Célio Geraldo de Magalhães Ribeiro. profissionais. Em sua obra “Erro Médico . Para exemplificar. Dado o exposto.

face a uma determinada obrigação. arcará. 1521. o dever de suportar. No caso de possíveis danos que venham a ocorrer ao paciente no exercício de um ato pelo preposto. Há ocasiões em que se origina uma responsabilidade contratual do médico preponente – responsável contratual – quando esse. inciso III do Código Civil Brasileiro92. aquele que realiza algo por conta de outra pessoa. pela concepção de que existe. porque é responsabilidade derivada da obrigação do próprio responsável. o médico preponente. Quando executa suas atividades o médico tem necessidade de auxiliares. o responsável será o médico preponente. Ratifica-se essa afirmação pela ementa transcrita a seguir: . Eis o que pensa José de Aguiar Dias93: “A responsabilidade por fato de outrem não contradiz esse entendimento. gera para essa a responsabilidade civil pelos prejuízos que causar ao executar tal atividade. com a responsabilidade civil pela culpa de seus prepostos – auxiliares no serviço prestado ao paciente. no exercício das mesmas. uma vez concretizada a hipótese. Se. sozinho ou em conjunto com o agente as conseqüências desse fato”. ou seja. o médico utilizar auxiliares do próprio hospital onde está exercendo sua profissão e a tarefa desses auxiliares estiver incluída naquilo que contratou executar no paciente. Isso ocorre por força de dispositivo geral que regula a responsabilidade civil por fato de terceiro– art.47 2.6 Responsabilidade Civil no Erro Médico por Fato de Terceiro No caso de erro médico pode ocorrer a responsabilidade civil pelo fato de outrem. subordina terceiro – preposto – para executar total ou parcialmente o ato contratado. a cargo dele.

1521 do Código Civil. neste ponto. talvez um grupo permanente. em seu art. Sabe-se quem o integra. . amo ou comitente. A orientação do procedimento por incidentes pós-operatórios é. Cabe. 968. havendo como exemplo clássico a equipe cirúrgica. a Súmula 341 do STF sobre esse assunto diz: “É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto”. Dano Moral existente e quantificado com moderação. há responsabilidade de parte do profissional da medicina que deixa de tomar medidas que poderiam reverter o quadro evolutivo. cria uma responsabilidade objetiva para o preponente. um comentário sobre responsabilidade civil nos casos de trabalho médico em equipe. em seu art. em tese. que se mantém grupalmente no campo das intervenções cirúrgicas. o Projeto. com isso evitando a morte do paciente. os pais. Provimento parcial do recurso dos autores”. Mas. o art. I e III do artigo antecedente. responderão pelos atos dos filhos. e. da responsabilidade do médico que encaminhou o paciente à Unidade. serviçais e prepostos”. isto é. ainda que não haja culpa de sua parte. determina que as pessoas mencionadas nos n. nestes casos. 94 Inclusive. o patrão. a menos que demonstre que do seu modo de atuar e do seu agir não resultou o dano”. repete. Recurso do réu desprovido. qualquer dos membros do grupo responde solidariamente. 939. mas se ignora onde está a autoria em um caso concreto. que tramita no Congresso Nacional. na qual se destacam o cirurgião e o anestesista. literalmente. Onde há relação entre o dano e a causalidade? Nossos tribunais há mais tempo vêm resolvendo que. persiste a responsabilidade do cirurgião. sobre isso. empregados.48 “Erro Médico – Comprovada a relação de causa e efeito. mesmo quando o paciente é levado à Unidade Intensiva. O Projeto n° 634-B/75 do novo Código Civil Brasileiro. é bastante esclarecedor o que diz Miguel Kfouri Neto 96: “É um grupo homogêneo. o que é bastante freqüente nos diais atuais. como diz Sílvio Rodrigues95: “De fato. em especial quando os responsáveis pela Unidade seguem orientação do agente do ato cirúrgico.

no caso. o médico. Em tais circunstâncias. sem estar vinculada ao comitente ocasional por vínculo permanente.confunde-se com a tarefa . que livremente optou pelo uso dos mesmos. Com relação aos cuidados devidos pelo médico a seu paciente existe a possibilidade de substituição por outro médico. Segundo a qual pode ser considerada como preposto a pessoa que.7 Responsabilidade Civil no Erro Médico por Fato da Coisa O médico utiliza-se de equipamentos e aparelhos no exercício de sua profissão. capaz de atos médicos. não haverá responsabilidade o médico que se faz substituir. face à inexistência de relação entre os dois profissionais. aplica-se a teoria do ‘comitente’ ocasional. subordine a atuação do substituto à sua direção. Ela diz mais 98: “A doutrina francesa. de um médico que o substitui”. caso o substituto incidir em culpa ao tratar do paciente”. com o fito de ‘suavizar’ o impacto causado pela admissão de uma relação de subordinação entre médicos. 2. a. é bastante esclarecedora a contribuição de Vera Maria Jacob de Fradera97: “No que respeita à substituição entre médicos. decorrente do uso desses equipamentos.2. como ele. arcará com a responsabilidade civil.49 Em casos de substituição de um médico por outro no atendimento a um paciente. habitual e constante de subordinação.1. atuando de forma independente. ela pode ocorrer de duas formas: a. diretamente vinculado ao doente. Diversa será a situação se o médico valer-se de um colega de profissão. entende que nestes casos. encontra-se colocada em uma situação tal que recebe ordens e instruções. A utilização do objeto – coisa . Se ocorrer um dano ao paciente. o que resultará em responsabilidade por fato de terceiro.

A utilização inadequada. Como presumir que aceite estes riscos? O caso. incide no âmbito da regra fundamental concernente ao exercício da profissão. para nós. para uso no paciente. Caso um incidente ocorra. Sendo o médico condenado a indenizar prejuízo ao doente. caberá a ele impetrar uma ação de regresso contra o importador do equipamento ou seu fabricante. como se opera determinado aparelho para usá-lo em um paciente. decorrente desse tipo de defeito ou vício. a escolha errônea de um equipamento. Diz Jerônimo Romanello Neto 100. pois. também. pelos danos causados ao paciente.50 executada pelo médico no seu exercício profissional. para ser ressarcido das despesas que teve por ser responsabilizado. ou. considerando que o cliente. que se o instrumento tiver . dispondo corretamente dos aparelhos com que lida em suas tarefas junto ao paciente. até. É. Observa. em juízo. de ordinário. É dever do médico conhecer. em sua obra “Responsabilidade Civil dos Médicos”. responsável por tomar todas as precauções ao optar por um instrumento. Sobre isso transcreve-se o que pensa José de Aguiar Dias99: “Temos dúvida em aceitar integralmente o ensinamento. de uma aparelhagem. além disso. a responsabilidade última será do fabricante ou do importador do aparelho. respondendo pelas conseqüências danosas. adequadamente. é dever do médico advertir deles o cliente. que o médico tem por obrigação ser diligente e prudente em sua atividade. ignora os riscos de instrumentos médicos. fará com que o mesmo seja responsabilizado pelos prejuízos causados a esse. tendo sido provocado por instrumento defeituoso ou com vício de fabricação. bem como conservar em perfeito estado de funcionamento a aparelhagem da qual se utiliza. Se a aplicação do instrumento oferece riscos. se não o faz”.

podemos exemplificar da seguinte maneira: o médico que em tratamento de obesidade. rejeição. se este se descurou da diligência prévia de ajustamento ou pronta mudança. fogese do campo da responsabilidade do médico e adentra-se no âmbito da responsabilidade do fabricante. Quer se trate de marca-passo. respeitando as características de seu princípio ativo. afirma Jurandir Sebastião101 que o mesmo deverá utilizar adequadamente um medicamento. Percorrido esse caminho satisfatoriamente. se eventual prejuízo surgir ao paciente. Refere ainda. eventual resultado danoso ao paciente deverá ser debitado apenas ao fabricante. E diz mais: “A regra é a mesma em relação aos produtos farmacêuticos. pino de platina. interrompendo a medicação. no caso de resultado inverso e inesperado no paciente”. . tanto o médico como o dentista devem observar a recomendação do fabricante e ajustá-la ao paciente (precaução de alergia. transportando para o campo prático. Uma visão boa das implicações que isso traz para ele. Sobre produtos utilizados pelo médico. também atuam como autênticos comerciantes (e até como fabricantes ou importadores). sob a ótica do Código de Defesa do Consumidor. expansor de pele da mama. Caso contrário a responsabilidade será de ambos ou tão só do médico. vendendo ao consumidor produtos ligados ao serviço prestado. se necessário. Assim agindo. a par de fornecerem seus serviços. será do laboratório a responsabilidade única pelo dano ocorrido. prótese dentária. a atividade do profissional conjuga-se com a de fornecedor de produtos. ou deficiência que esse não podia prever. Assim. traz Oscar Ivan Prux102: “Não se pode ignorar a freqüência com que muitos profissionais liberais. ou seja.51 defeito que o médico desconhece. etc. nos termos do artigo 12 do Código de Defesa do Consumidor. etc). precavendo-se de que não tenha contraindicações. observando as doses preconizadas cientificamente. que a responsabilidade do fabricante passa a ser objetiva. corrigindo dosagens ou. Muitas vezes. vigiando o aparecimento de paraefeitos.

que nessa atividade. não existe diferença a justificar ao médico responder de forma privilegiada em comparação com o fabricante e o comerciante. 603. Quanto a essas últimas. são os requisitos legalmente indispensáveis a um título executivo para ser instalado o processo de execução. sua responsabilização deverá acontecer tal qual a de qualquer comerciante.52 depois de prescrever o tratamento. 2. juntamente com os lucros cessantes – é relativamente fácil a . ou seja. em pecúnia. também vender ao consumidor o remédio por ele receitado. se quanto à responsabilização referente a seu serviço está amparado pela exceção do § 4º. No tocante à fabricação e venda do remédio. Na definição de Miguel Kfouri Neto 104: “Liquidar o dano consiste em determinar o quantum. Quanto aos danos emergentes – cuja liquidação está prevista no art. têm em comum com ele. necessária conforme disposto no art. 14 do Código de Defesa do Consumidor. Se não houver adimplemento expontâneo da obrigação assim tornada certa. há que se ter um rigor ainda maior. caput103 do Código de Processo Civil. pois ao receitar e vender remédio de sua fabricação. o mesmo intuito de ganho. que incumbirá ao causador despender em prol do lesado. ou mesmo apenas vendedor. E se o remédio for de sua fabricação ou importação. recorrer-se-á à execução”. sendo que. deixando o consumidor praticamente à sua mercê”. 1. nesse aspecto.8 Liquidação do Dano Caso o quantum debeatur não tenha sido determinado na sentença judicial. Essa confere a liquidez que. proceder-se-á a sua liquidação. quanto pela qualidade do produto que vendeu. aplicando-se a regra geral da responsabilidade objetiva. junto com a certeza e a exigibilidade.538 do Código Civil. do art. também responderá na condição própria de fabricante ou importador. Muito ao contrário. Assim. deverá responder tanto pela qualidade de seu serviço. ele responderá tal qual os demais fornecedores. o profissional aproveita-se no fornecimento. o mesmo não acontece quanto à sua genuína atuação como fabricante ou importador. de todo o peso de sua autoridade de especialista no assunto.

para que se inabilitou. 1539 do Código Civil Brasileiro: “Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão. além das despesas do tratamento e lucros cessantes até o fim da convalescença. viagens. para um cálculo correto do quantum debeatur neste tópico da liquidação. . aparelhos ortopédicos etc. desde que comprovados. Até aquilo que foi gasto na contratação temporária de alguém para substituir o incapacitado em seu trabalho deve ser ressarcido pelo causador do dano. permitindo a correta recomposição dos prejuízos causados. inteiramente recuperado. Como preconiza Humberto Theodoro Júnior105: “O autor da ação indenizatória tem o ônus de provar qual foi efetivamente o dano que o erro médico culposo lhe acarretou. Deve haver uma comprovação pelo lesado dos rendimentos que auferia à época do evento danoso.. permitem seu cálculo de maneira adequada. Quanto aos lucros cessantes (lucrum cessans) – aquilo que razoavelmente se deixou de lucrar. Diz o art. A indenização pelos lucros cessantes deve abranger o período que transcorreu entre o fato lesivo e a volta do paciente às suas atividades habituais. ou da depreciação que ele sofreu”. a lesão patrimonial no que se refere aos danos emergentes é de simples avaliação. incluirá uma pensão correspondente à importância do trabalho. aquilo que não foi acrescentado ao patrimônio em virtude da lesão experimentada com o erro médico. apresenta dificuldades. Demais gastos decorrentes da lesão experimentada pelo paciente – medicamentos. já que a comprovação matemática dos prejuízos diretos com a compilação dos comprovantes das despesas médicohospitalares é de evidente valor na sua averiguação. Portanto. ou lhe diminua o valor do trabalho. quando da liquidação da sentença.53 composição dos danos experimentados. sob pena de decair de sua pretensão”. a indenização.

mas também dos lucros cessantes. 1553 do Código Civil pátrio: “ os casos não N previstos neste Capítulo. Na sentença. servindo de base para futuros aumentos. prevista pela lei. Como bem diz Fabrício Zamprogna Matielo 106: “Se a lei concede reparação abrangente de danos emergentes e lucros cessantes para os casos de lesão corporal. de um chefe de família que. não só dos danos emergentes. quanto à limitação temporal da vigência estabelecida no voto de Vossa Excelência. delito de gravidade ímpar”. é evidente que mais ainda serão devidos quando da prática de homicídio. até os 65 anos de idade. Quanto à duração do pensionamento cabe. fugindo-se com isso de problemas de atualização dessas pensões. dividido em 12 parcelas somando-se o duodécimo à remuneração mensal. na data da morte. por exemplo. portanto. nos casos de morte – previsto no art. utilize um terço com as próprias despesas. transcrever o que diz. A pensão mensal. quando forem assalariados as vítimas. Computa-se o 13º salário. dos rendimentos auferidos. quando necessário. por didático e abrangente. se fixará por arbitramento a indenização”. . a pensão estará explicitada em número certo de salários mínimos. o Desembargador Clarindo Favretto em discussão de acórdão107: “No caso do provimento parcial pela concessão de meio salário mínimo à vítima. será de dois terços da sua renda comprovada. Como prevê o art. que será atribuída aos seus dependentes. abordando o tema. Admite-se.54 O mais adequado é a entrega do cálculo dos lucros cessantes às mãos de especialistas. Não há razão para afastar a possibilidade de nos casos de morte – homicídio haver indenização. para fins de cálculo em pensionamento. 1537 do Código Civil .

porém de que a autora limitou seu pedido até completar 70 anos de idade. sim. sempre presente quando há ação culposa do médico. no senso comum. mas quando o próprio lesado é o beneficiário. que permita ao lesado obter prazeres e distrações que. Sobre a indenização do dano moral no erro médico. isto é. na eqüidade. o pensionamento deva ser vitalício. principalmente considerando que o dano moral tem por objeto a dor física e emocional. a compensação ou benefício de ordem material.55 parece-me – já se decidiu assim nesta Câmara – que em caso de lesão à vítima. de algum modo. No caso da responsabilidade civil do médico a possibilidade destes danos é maior. Não há o que se chama de pecunia doloris ou pretium doloris. . Sobre a liquidação do dano moral diz Miguel Kfouri Neto 110: “Grassa funda controvérsia sobre a liquidação do dano moral. atenuem sua dor”. e não em caso de morte. Nesse sentido. portanto. para o que fica no lugar do que morreu. Juristas de tendência dogmática posicionam-se contrariamente à fixação do valor desse dano pelo juiz com esteio. então seria vitalícia esta pensão. que levaria o proveito ao dependente até uma duração presumida de vida. em seu prudente arbítrio. Havendo dano provocado por conduta culpável. Mas tal seria o caso para o pensionado. observa Gerson Luiz Carlos Branco108: “Apesar disto. tão-só. mesmo que de ordem moral”. não há equivalente da dor em dinheiro. deve ser indenizado. afirma Teresa Ancona Lopes109: “Na verdade. este é o limite da lide e neste limite é meu voto”. e. porque a limitação no tempo seria para o pensionado que ficasse no lugar do morto pela presunção de duração de vida até os 65 anos de idade. pugnando pela adoção de balizas legais. que agora as estatísticas provaram ser até 72 anos de idade. que vedem a submissão da matéria apenas à moderação do julgador”. entendemos que não existe motivo jurídico para não indenizar o dano moral decorrente de mera conduta culposa. Alertado.

levando-se em conta a natureza e caráter complexo das operações que se realizarão para efetivar-se a liquidação da sentença. contra essa argumentação. para que se possa determinar o quantum do ressarcimento determinado pela decisão judicial. os que tenham influência – que sejam aproveitados na liquidação – na determinação do quantum debeatur devido pelo que vai indenizar. utilizar-se-á o arbitramento (art. Todavia. e provados. sim.56 Ao que se antepõe Teresa Ancona Lopez111: “Contra esse amplo poder discricionário conferido ao juiz há muitas correntes de doutrina e esta é uma das mais fortes razões pelas quais a teoria da reparação dos danos morais não encontra a acolhida que deveria. um indivíduo perito no tema – um técnico – um especialista no assunto objetivo do arbitramento. A verificação do quantum debeatur. um fato novo. Não serão. e provar. a atuação de um arbitrador. prevista no Código de Processo Civil. mas. nos casos em que houver necessidade. Acham-se nos autos. pode ser disciplinada pelo que consta no art. Sobre esse assunto também. como diz o próprio nome. a liquidação por arbitramento. caso seja necessário alegar. por elucidativo. os dados – elementos – nos quais os peritos encarregados da arbitragem – técnicos – basear-se-ão para determinar o quantum debeatur. na liquidação por artigos. Será feita uma liquidação por artigos. 608 do Código de Processo Civil). Ou seja. trazidos quaisquer fatos. 606 do Código de Processo Civil) ou a liquidação por artigos (art. Exige. vai transcrito o que diz Arnaldo Marmitt113: . lembramos que mesmo no caso de danos patrimoniais há o uso do poder discricionário do juiz”. é necessário provar-se que existem fatos que na lide não foram ainda provados. Ficar-se-á frente àqueles casos em que. 1553112 do Código Civil Brasileiro.

Sendo um dano moral objetivo. do Superior Tribunal de Justiça. Nada impede que os danos material e moral coexistam com o dano estético”. O dano à imagem social de uma pessoa é o dano moral. já que lesam dois bens jurídicos diferentes. cumuláveis também se afiguram o dano moral e o dano estético”. O sofrer com esses dois tipos de dano é duplo. acompanhada pela modificação da aparência física que anteriormente possuía para uma aparência pior. sendo avaliável autonomamente. o direito à incolumidade física. Assim. impõe-se uma indenização dupla: do ponto de vista estético e do ponto de vista moral. já que estabelece dificuldades no relacionamento em sociedade. Sendo dois tipos diversos de danos morais que podem ocorrer a um indivíduo. Quando houver dano estético haverá uma destruição da integridade do corpo. o dano moral e o dano patrimonial são cumuláveis. cumular-se dano estético com dano moral. pois a coisa fala por si mesma. nem no dano moral puro. É o damnum in re ipsa – independe de comprovação. E diz também: “O dano estético não se subsume no dano patrimonial. é viável e adequado aos anseios de justiça. emergindo o complexo de inferioridade ao relacionar-se com seus semelhantes. o dano estético – dano físico .agride um dos direitos da personalidade. o dano moral e o dano estético podem ter liquidação autônoma. pois é espécie de dano moral. desde que o caso em pauta o comporte. Nesse tipo de dano se integram a dor e o sofrimento. .57 “Consoante Súmula n° 37. Como decorrências autônomas do ato ilícito. sem sombra de dúvida. por isso. na liquidação de sentença de erro médico.

do que o dano estético. . o mais tarde possível. influiria preponderantemente no arbitramento do quantum reparador a maior ou menor beleza física que. apresentasse anteriormente uma mulher que fosse lesada na sua aparência por um erro médico. No caso de dano estético por lesões deformantes. Se esta pessoa propuser ação de indenização imediatamente. podemos pedir danos morais pelos padecimentos que passou durante esse período. porventura. deveria ser condenado também nesta parte.. Caso já tenha recebido a indenização. tendo ainda o juiz que considerar as possibilidades de mudanças futuras. em caso de dano estético. poderá cometer uma injustiça com o autor do prejuízo. se na época do julgamento a vítima tivesse feito. o que pode ocorrer. sendo o estético sua espécie. já que dano moral é gênero. Haverá cumulatividade com dicotomia – liquidação de dano estético separado do dano moral – se houver dano moral concomitantemente.. eis o que ensina Teresa Ancona Lopez114: “No caso do dano estético. caso houvesse restado alguma lesão permanente. pensamos que a solução mais eqüitativa seria a sua apreciação. De outro lado. é importante citar. em uma cirurgia plástica estética. de preferência no momento do julgamento. Sobre o quantum debeatur. (. não deixando sinais. alegando não só danos materiais. por exemplo. deveria o réu ser somente condenado a ressarcir os gastos com a cura e. terá tido um enriquecimento sem causa. Quanto ao momento adequado para avaliação de um dano estético. mas também estéticos. por sua conta.58 Se o dano for apenas estético não haverá cumulatividade. em conseqüência de um tratamento de pele. ou mesmo eliminado a lesão que havia sofrido. quando da liquidação. tratamento ou cirurgia que lhe tivessem melhorado a aparência. Suponhamos que determinada pessoa sofreu uma série de ferimentos no rosto. pois tais feridas podem cicatrizarse perfeitamente.) Pensamos que. além de eventual dano moral”. principalmente se o dano moral for quantificado em um valor bem maior.

em seu livro “O Dano Estético”.” Não parece necessário aceitar-se integralmente tal afirmação. culposos ou não. como foi posto em prática em priscas eras. ao diminuir a intervenção dos profissionais nos doentes pelo receio das punições advindas da evolução desfavorável dos mesmos em sua doença. mas o excessivo rigorismo da lei. sobremaneira.59 novamente. estagnou a Medicina. importante é a manifestação que se extrai de acórdão117: “Preocupa-me. na qual a parte se disponha a comprovar a erronia profissional. o ritual a que estão submetidos os médicos. pode ter entravado o desenvolvimento da Medicina. finalizando a análise da liquidação do dano.9 Considerações Finais Diz José Breda116 em seu livro: “Hamurabi. uma reparação satisfatória do dano”. a atividade médica restaria inviabilizada”. Nesse sentido. Também afirma Léo Meyer Coutinho 118: . Teresa Ancona Lopez115: “Para completar o estudo do montante do dano estético temos que mostrar que. Estagnou? Não! Provocou retrocesso. neste caso. 2. pois se a cada procedimento sobrevier uma ação. pagando o médico com sua integridade física – e seu patrimônio – os seus insucessos. sim. o grande legislador. não é a equivalência que se procura e. mas a ele atribuídos. o que diz. por fatores naturais imprevisíveis e independentes de qualquer atuação médica.

o excessivo corporativismo. A partir do Século XVIII é que se passou a reconhecer a necessidade de tolerância para com as falhas oriundas da própria imprecisão da ciência médica. Por outro lado. do seu próprio desenvolvimento”. o profissional médico isentar-se-á da responsabilidade civil. a despeito de louváveis e inúmeros exemplos humanitários. portanto. esteja ausente. invencível à mediana cultura médica. esse relacionamento dos médicos com os pacientes tem suas regras. afigura-se como extremamente adequada ao tema a visão de José Carlos Maldonado de Carvalho 120: “Conclui-se. A sua responsabilidade é contratual. também comportamentos mesquinhos. não obstante figurar no direito brasileiro como atos ilícitos. verificam-se. a não ser como instrumento para proporcionar ganho fácil”. independentemente dos efeitos psicossociais – iatrogenia – provocados no paciente”. no interesse. inclusive. patente em determinadas épocas. como se a vida não valesse quase nada ou nada mesmo. Assim. Como se encontra expresso no livro “Responsabilidade Civil: (Atividade Médico-Hospitalar)”119: “Entretanto. pode ter ajudado a impedir a averiguação de erros grosseiros ocasionados na sua atividade profissional.60 “Muitas vezes. Por todos esses extremismos. porém o que se considerava culpa dos médicos era apenas o resultado da insuficiência dos conhecimentos da arte de curar. que toda ação médica em que a previsibilidade de dano ao paciente. Sobre isso escreve Walter Bloise121: “Há realmente entre o médico e o cliente um contrato de prestação de serviços. em caso de responsabilidade .

Também de grande valia é o que diz Marilise Kostelnaki Baú124: “A culpa supõe algum defeito na conduta do devedor. Nesse sentido.61 médica”. 425123). em relação à atividade médica. através de um contrato atípico. Em termos de obrigações contratuais. E diz mais. devido à lesão ao paciente. reduz a majestade do contrato. M. ‘observadas as normas gerais’ fixadas no Código (art. transcrito do mesmo “Parecer Final ao Projeto de Código Civil”: “Cautelosamente. pela regra justa – rebus sic stantibus”. que tem por Relator Geral o Senador Josaphat Marinho e que se encontra transcrito na obra organizada por J. também diz Ana Cláudia de Carvalho Pagano 125: “Não há como exigir-se do médico infalibilidade de diagnóstico. dos códigos individualistas . Leoni Lopes de Oliveira122: “Admite os contratos atípicos. traduzido pela falta de previsão dos danos que sua ação ou omissão pode ocasionar”. Dessa forma. há uma obrigação do profissional. pode-se utilizar o que ensina o “Parecer Final ao Projeto de Código Civil”. assim evitando abusos contrários ao Direito”. pois. se obrar com erro grosseiro. substituindo a velha cláusula pacta sunt servanda. mas uma obrigação de meios. Por conseguinte. mas deve atuar com toda a cautela necessária. estará sujeito a ser . Isso contribui para o entendimento ao se analisar a situação de haver necessidade de reparação de danos por parte do médico.

acentuando-se que as exceções da cirurgia plástica estética. em sua obra “Responsabilidade Civil do Médico”. por qualquer modalidade de responsabilidade objetiva. O Código de Defesa do Consumidor – Lei nº 8078/90 – não revogou completamente o que vem expresso no Código Civil Brasileiro no que se refere aos aspectos contratuais da atividade dos médicos. prestador de serviços – profissional liberal – sua regulamentação básica no relacionamento com o consumidor. tem o exercício profissional do médico. neste ponto. E correto está o jurista. feita por Miguel Kfouri Neto 126. que há necessidade de ser provada a presença de culpa no agir do médico. dos outros pressupostos. a par. teorias chamadas objetivistas. Entretanto. contrariando a responsabilidade civil em outras áreas. quando da prestação jurisdicional de cada caso concreto. Logo. ressalte-se. dispõe o § 4º. a culpa aparece como soberana na caracterização da responsabilidade civil no erro médico. inversão do ônus da prova. do art.62 responsabilizado”. por oportuna: “Repiso. contida no Código de Defesa do Consumidor. da res ipsa loquitur e perte d’une chance. . entre nós. desse mesmo Código. apenas constatam a flexibilização necessária na análise. é claro. ainda é prematura”. é adequada. em termos de lege ferenda. o entendimento detalhado noutros trechos. de que a substituição do conceito de culpa. em tema de responsabilidade médica. Porém. aqui. A observação. que vêm apresentando cada vez mais características de objetividade. 14. como.

Caso o juiz não estabeleça na sentença o quantum debeatur . pois.63 Cabe ressaltar o caráter privatista do artigo 159 do Código Civil e da responsabilidade civil no erro médico.a liquidez necessária ao título executivo para ser executado judicialmente . Fica bem nítido o enquadramento no âmbito da responsabilidade contratual. sem o caráter de ordem pública. juros moratórios e juros compensatórios. . via de regra. Nisso inclui-se. Há necessidade de um título executivo para execução da indenização pelo paciente. Sendo conduta típica de uma infração contratual. deixa contudo ao arbítrio do lesado postular o ressarcimento ou deixar de fazê-lo. como bem diz Caio Mário da Silva Pereira127: “Estatuindo que está sujeito a reparar o dano todo aquele que por ação ou omissão voluntária violar direito ou causar prejuízo a outrem fica obrigado a reparar o dano. bem como realizar composição com o ofensor. tendo como fundamento a culpa. o que é dado pela sentença ao determinar o valor da condenação.a liquidação da sentença se fará por arbitramento ou por artigos. tornando assim exeqüível. Isso inclui o dano moral (conjuntamente ou separadamente do dano estético) e o material (lucrum cessans e dano emergente). para o paciente. O erro médico caracteriza-se. o erro gera para o médico uma obrigação de ressarcir perdas e danos. A conceituação da responsabilidade civil. como uma quebra do contrato de serviço. o processo de execução. predomina em a dogmática brasileira e reflete-se positivamente na jurisprudência”. além de correção da quantia devida a contar da data da lesão ao direito do paciente. na pendência da lide que instaurar.

em nível mundial. Essa responsabilidade caracteriza-se.CONCLUSÃO A responsabilidade civil. também regrado pelas disposições do Código Civil pátrio sobre isso. tanto de direito material. a presença. Nisso os artigos 159 e 1545 do Código Civil Brasileiro são bem objetivos em imputar-lhe essa característica. de qualquer espécie. como processual. ou seja. entidade presente no direito dos diversos sistemas jurídicos. de culpa na conduta do agente causador do dano. o inadimplemento. ou não. A par disso. Verifica-se. a doutrina e a jurisprudência emprestam-lhe características típicas de uma relação contratual. que as regras gerais de responsabilidade. pela presença de culpa no agir do profissional. ainda. aplicam-se regularmente aos casos de responsabilização civil por erro médico. apesar de sua atipicidade como contrato. Também não prescinde da presença dos seus três elementos essenciais: ato lesivo. ficando. no caso do médico. assim. em relação a negócios jurídicos. ao . dano e nexo causal. continua tendo como imprescindíveis na sua abordagem jurídica os conceitos de responsabilidade subjetiva e objetiva. No terreno da liquidação da sentença. necessariamente.

como conseqüência. na ótica da responsabilidade civil. a critério do juiz. mantém a teoria da culpa e engloba. Isso quando não estabelecido discricionariamente pelo juiz na sentença o quantum debeatur. em tramitação no Congresso Nacional. se transmude em obrigação de resultado. fugindo à regra geral. a partir de 1990. Haverá. do Código de Defesa do Consumidor.65 ser determinado o valor da indenização. mais se identifica o tratamento dado ao erro médico. se obriga a um determinado resultado. cabendo este ao médico. mais ainda. Nesses casos. como lhe define a doutrina e jurisprudência à unanimidade. por exemplo. Haverá casos em que a atividade médica de obrigação de meios. há uma liquidação convencional. em todo o restante se aplica na avaliação do erro médico. quando cabível. com o regramento encontrado no ordenamento pátrio que determina a conduta jurídica em casos de responsabilidade civil em geral. como ocorre. apesar desse exigir culpa na conduta do médico. já que é profissional liberal. Destaca bem esse Código a inversão do ônus da prova. Em função disso. pode-se afirmar. na cirurgia plástica estética ou naqueles casos em que ele espontaneamente. . Como característica marcante. pois. a atividade médica em casos de responsabilização por erro dentro das regras gerais da responsabilidade civil. desde que caracterizada a verossimilhança do fato imputado ao médico ou a hipossuficiência do consumidor do serviço médico. a responsabilidade que rege o vínculo jurídico entre o médico e o paciente caracteriza-se pela presunção de que a culpa esteja presente no ato médico. apesar dos aspectos especializados do problema. ressalta a presença. inversão do ônus da prova. O atual Projeto de Código Civil.

. 10. SOUZA. 4.1 p. Responsabilidade Civil. ou causar prejuízo a outrem. Jerônimo. em atos profissionais. DINIZ. Belo Horizonte: Del Rey. Irineu Antônio. 1998. 10. 22. p. p. GIOSTRI. 1995. inabilitação de servir. PEDROTTI. Fontes das Obrigações.ed. v. Alex Pereira.29. PONTES DE MIRANDA.363.28. Art. 1998.8. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Jurídica Brasileira. violar direito.14. p.III. 15. Rio de Janeiro: Forense.138. p.30.4. cit. Responsabilidade Civil do Profissional Liberal no Código de Defesa do Consumidor. Op. 10. p. 2. 17. Responsabilidade Civil. 2. PRUX. p.7. Caio Mário da Silva. São Paulo: Martins Fontes. Antonio Lindbergh. Maria Helena.1. COUTO FILHO. Responsabilidade Civil. 12. Maria Helena. 1998. 19. 159 do Código Civil Brasileiro: “Aquele que. 1997. Tratado de Direito Privado. 3. DINIZ. 10. 1999. cit. 1545 do Código Civil Brasileiro: “ s médicos. ed. T.. I. 2.ed. Hildegard Taggesell. p.13. A Improcedência no Suposto Erro Médico. Rio de Janeiro: Borsoi. COUTO FILHO. Antônio Lindbergh C. negligência ou imprudência. Antonio Lindbergh. René. 9. farmacêuticos. José de Aguiar. 16. cit. p. Rio de Janeiro: Lumen Juris.180. Paris. KELSEN.11.13. MONTENEGRO. p. 1999. p. p.ed. p. 1951.22. fica obrigado a reparar o dano”. 7. PONTES DE MIRANDA. 9.30. 1999. CROCE. v. 1999.NOTAS 1. p. Curitiba: Juruá. São Paulo: Universitária de Direito.. Op. Responsabilidade Civil. ROMANELLO NETO. v.38. Rio de Janeiro: Lumen Juris. São Paulo: Oliveira Mendes. 5. PEREIRA. Alex Pereira. Antonio Ferreira. 21. Antônio Ferreira.33. 1966. DIAS. p. Tomo LIII. . Curso de Direito Civil Brasileiro.ed. Op. MONTENEGRO. ou imperícia.16. cirurgiões. cit. SAVATIER. 1995. Hans. sempre que da imprudência. ou ferimento”. por ação ou omissão voluntária. Traité de la responsabilité civile en droit français. p.. MONTENEGRO. 11. Rio de Janeiro: Forense. A Improcedência no Suposto Erro Médico.ed. 6. Rio de Janeiro: Lumen Juris. PEREIRA. Da Responsabilidade Civil. Op. p. 8. 20.29-30. CROCE JÚNIOR.ed. Teoria Pura do Direito. Delton. 2. Art. p. 13.. Rio de Janeiro: Forense. SOUZA.ed. Caio Mário da Silva. 18. 6. Instituições de Direito Civil.3-4. Responsabilidade Civil dos Médicos. Erro Médico à Luz da Jurisprudência Comentada. PONTES DE MIRANDA. resultar morte.ed. Delton. negligência. Oscar Ivan. parteiras e O dentistas são obrigados a satisfazer o dano. 1996. p. 1998. Erro Médico e o Direito. p. Op. 14. 1996. 2. cit.

5º. 37. v. 41. ou impedir”. Aquilo que. Responsabilidade Civil do Médico. Op. Rogério Marrone de Castro. João Pedro Freire .. 42. 49. Criminal e Ética . nº 596045534 – 6ª Câmara Cível – Rel. se para ocasionar o dano for totalmente indiferente a presença desta condição. Legislação e Jurisprudência. Genival Veloso. No Código C pátrio. v. Osvaldo Stefanello – 04/06/96. Maria Berenice Dias – 13/08/99. p.. Parágrafo único. a maior ou menor beleza física .”. 38. 85 Art. Montes Claros (MG): Unimontes. LUMERTZ. poder atribuir ao agente o dever obrigacional de ressarcir o lesado. Op. SEBASTIÃO. 43. nos arts. a teoria da causalidade adequada procura qual a mais provável e compatível causa circunstancial do fato danoso.07/04/99.532. TJRS – Processo nº 598438307 – 4º Grupo de Câmaras Cíveis – Rel. 25. nos arts. FRADERA. TJRS – Processo n° 598068245 – 6ª Câmara Cível – Rel. ª TJRS – Processo n° 598014397 – 6 Câmara Cível – Rel. PRUX. p. 39. 33.553. Art.49.123. vai influir significativamente no arbitramento do valor da indenização por dano moral (dano estético). TJRS – Processo n° 598548873 – 6ª Câmara Cível – Rel. 35.533 a 1.737. Antônio Jandyr Dall’Agnol Júnior – 11/11/98.058 do Código Civil Brasileiro: “O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito.956 e 957. que se compõe de “Disposições Gerais” e “Da liquidação das Obrigações Resultantes de Atos Ilícitos”.I.Legislação Positiva Aplicável. 1999. Campinas/SP: Julex. realmente. Jurandir. TJRS – Processo n° 596070979 – 5ª Câmara Cível – Rel. se o a efetuado pelo agente que lesou foi significativo para ocasionar o dano. 3. 27. 26. 32.55. Criada pela jurisprudência francesa a partir de 1965. O caso fortuito. Paulo Roberto Rukatti Lumertz. TJRS – Proc. DIAS. o paciente. FRANÇA. João Pedro Freire – 25/08/99. ou força maior.. 1998. Vera Maria Jacob de.25. Direito Civil . uma determinada condição é a adequada para desencadear o fato. Dentro da ótica do direito. KFOURI NETO. KFOURI NETO. vítima de erro médico.518 a 1.553: “Das Obrigações por atos ilícitos”. 44.19. 31. GOMES. Araken de Assis – 15/08/96.Responsabilidade Civil. 2000. 45. Op. p. Suzana Lisbôa. Porto Alegre. 1998. p. verifica-se no fato necessário. Belo Horizonte: Del Rey. MONTALVÃO.36. LUMERTZ. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. LUMERTZ. p. José de Aguiar. p. Levando-se em conta o que ocorre habitualmente. Miguel. Op. 47. são abordados os temas da responsabilidade civil. nos artigos 1. 24. . p. 30. tendo este dano ocorrido por motivos fora do normal e extraordinários que ocorreram num determinado caso. “Da Liquidação das Obrigações”. inciso X da CF: “ são invioláveis a intimidade. Julio Cezar Meirelles. São Paulo: Atlas. p. Porto Alegre: Renascença.76-77. 29. se expressamente não se houver por eles responsabilizado.23. cit. Jorge Alcibíades Perrone de Oliveira – 06/08/96.518 a 1.184. v. 1997. cujos efeitos não era possível evitar. No caso. Miguel. TJRS – Processo nº 595064916 – 6ª Câmara Cível – Rel. Responsabilidade Médica Civil.. Siqueira. assim.ed. Oscar Ivan. cit. e. cit. 1998. a vida privada.38. inclusive cronologicamente. Miguel. ou de força maior. 1. Ao to contrário será a não adequada e sem significação. deixou de auferir no exercício de seu trabalho em decorrência direta da lesão sofrida. em vigência. p. 1. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. 28. Marcelo Lisbôa. 34. Milton Carlos Löff – 31/10/95.188.2. A Responsabilidade Civil dos Médicos. a honra e a imagem das pessoas. 40. TJRS – Processo nº 595184680 – 6ª Câmara Cível – Rel. por exemplo. O que efetivamente perdeu a vítima de erro médico. Erro Médico – Um Enfoque Sobre Sua Origem e Conseqüências. de uma mulher ser a lesada. SAMPAIO. cit. em ivil geral. p. 46. Responsabilidade Jurídica do Médico. 48. Ajuris: Revista da Associação dos Juizes do Rio Grande do Sul. 1. 955. anterior. O que deixou de ganhar. KFOURI NETO. Erro Médico – Teoria. A. exceto nos casos dos arts. 36.

ALMEIDA. p. TJRS – Processo nº 597185610 – 6ª Câmara Cível . São Paulo: Saraiva. Ivan Leomar Bruxel – 24/09/96. CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO – CAPÍTULO IX . Responsabilidade Civil do Médico. KFOURI NETO. Op. cit. 81. Genival Veloso de.. Osvaldo Stefanello – 08/04/98. 57. p. Op.19. p.. Marco Aurélio dos Santos Caminha – 27/05/99. Fabrício Zamprogna. cit. 68. II – não haver prova da existência do fato. GIOSTRI. 584. intervient un contrat. SÉLLOS.674.51. Décio Antônio Erpen – 1º/04/98. 72.. 66. p. Responsabilidade do Profissional Liberal Pelo Fato do serviço no Código de Proteção e Defesa do Consumidor. 55. jan/mar. p.10.” TJRS – Processo nº 595143801 – 4ª Câmara Cível – Rel.79-81. Revista de Direito do Consumidor.Art..159-161. Op. A AIDS Sob a Perspectiva da Responsabilidade Civil. 61.. TJRS – Processo nº 595 192 113 . p. SAVATIER. 73. la Cour de cassation a reconnu ce principe.83. 70. 51.96. TJRS – Processo n° 598427292 – 5ª Câmara Cível – Rel. p. v. p. Jorge Alcebíades Perrone de Oliveira – 06/08/96. KFOURI NETO.DA TRANSAÇÃO . p.375-376. Carlos Ferreira de..05. 13. 58. II – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro”. Porto Alegre: Sagra Luzzato. Marco Fridolin Sommer. 63. Op. Revista dos Tribunais. Tael João Selistre – 05/03/98. p. Responsabilidade Civil do Médico. PELEGRINI. 77. Op. São Paulo. p. 14. cit. cit. 62. p. Miguel. Parágrafo 3º.46. MATIELO.50. 64. p. il s'agit donc d'une responsabilité contractuelle. Fabrício Zamprogna.77. 1994. 16. 71. Op. DIAS. cit.. MATIELO. Art. 78. v. . do artigo 14 do CDC: “ – O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I – que. DIAS. Miguel. Op. TJRS – Proc. Décio Antonio Erpen – 30/09/98. mencionando a causa na parte dispositiva. São Paulo. Viviane Coêlho de. p. cit. cit. É lícito aos interessados prevenirem. § 1º. PONTES DE MIRANDA. 54. 67. cit.255. MATIELO.. Op.Rel. do Código Penal). 1998.18.. FRANÇA.22 e 24..439. São Paulo. Hildegard Taggesell.”. 83.. SANTOS. cit. 79. IV – não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal. SILVEIRA. Op. Et les tribunaux et cours d’appel sont maintenant unanimes à l’affirmer” KFOURI NETO. 42.60. José de Aguiar. 1998. Op. São Paulo. Carlos Ferreira de. 1991.56-57. Revista de Direito do Consumidor. 65. O Código do Consumidor e o Exercício da Medicina. dépend la responsabilité de l'un envers l'autre. Op. Miguel. José de Aguiar. Reynaldo Andrade da. Après avoir paru longtemps décider le contraire. 1999. Fabrício Zamprogna.710. VI – não existir p rova suficiente para a condenação. “Entre le médecin et le malade.. V – existir circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena (arts. 1025. TJRS – Processo n° 597183383 – 3ª Câmara Cível – Rel.147. tendo prestado o serviço. Du contenu de ce contrat. René. v. MATIELO. cit. TJRS – Processo nº 597141803 – 6ª Câmara Cível – Rel. v. out/dez. p. p. 386 do CPP: “O juiz absolverá o réu. ou terminarem o litígio mediante concessões mútuas. Revista de Direito do Consumidor. Os Contratos de Prestação de Serviço Médico no Direito Civil Português. nº 595157199 – 6ª Câmara Cível . Fabríco Zamprogna. Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. cit. 76. Art.59.Rel.9. TJRS – Processo nº 595846 80 – 6ª Câmara Cível – Rel. 53. o defeito inexiste. 52. 69. III – não constituir o fato infração penal. dez. Miguel.. Op.179-194. Op. 5. Ramon Georg Von Berg – 15. ALMEIDA. KFOURI NETO. inciso II do CPC: “São títulos executivos extrajudiciais: II – sentença penal condenatória transitada em julgado. 80.56.5ª Câmara Cível – Rel. 59. 56. cit. 1995.58. Rio de Janeiro: Forense Universitária. abr/jun. TJRS – Processo nº 597116052 – 6ª Câmara Cível – Rel. 74. Ada et al. p. cit. Luiz Gonzaga Pilla Hofmeister – 03/04/96. 75. 60. p. desde que reconheça: I – estar provada existência do fato. p.. 1995. Tomo II. p. 82. 17.ed.

Responsabilidade Civil. 1521 do CCB: “São também responsáveis pela reparação civil: III . Decio Antonio Erpen – 28/10/98. 88. fev. 93. Código Civil Brasileiro: ” os casos não previstos neste Capítulo. Op. ou simplesmente ilícito contratual. 159 do Código Civil. p. José de. 1995. 101. Gerson Luiz Carlos. TJRS – Processo n° 597211234 – 6ª Câmara Cível – Rel. cit. 1999. Fabrício Zamprogna. Sempre que. ou absoluto. Configura a espécie definida no art. p. PONTES DE MIRANDA. Revista dos Tribunais. 104. KFOURI NETO. 1999. Aspectos Processuais da ação de Responsabilidade por Erro Médico. se fixará por N arbitramento a indenização”.. 107. ed. 1522). 2. 99. A essa espécie costuma denominar-se ato ilícito contratual. Op. cit. Vera Maria Jacob de. v. José de Aguiar. Miguel. Teresa Ancona.154 do Código Civil Português. v.103-104. Op.. PRUX. p. Teoria do Fato Jurídico .96. Considerando as características próprias de cada uma. 96.733.126.106. 1995.. Op. por seus empregados. cit.. 102. TJRS – Processo nº 597200633 – 5ª Câmara Cível . Arnaldo. p.ed. p. 90. 1999. São Paulo: Saraiva. Rio de Janeiro: Aide. Art.) Ato ilícito caducificante é aquele que tem por efeito a perda (caducidade) de um direito.28.. cit. 86. p.) Ato ilícito relativo Diferentemente do ato ilícito stricto sensu. 112. Aspectos da Responsabilidade Civil e do Dano Médico. 106. DESTRI. p. KFOURI NETO. incorretamente. nascidas de negócio jurídico ou ato jurídico stricto sensu. Alex Pereira. . por ação ou omissão voluntária. São Paulo: RT. 103.108. Op. Trata-se do art. Op.760. Art. Ato ilícito “stricto sensu” (ou absoluto) Ato ilícito stricto sensu e delito são expressão sinônimas.. 1. 109. serviçais e prepostos. 110. São Paulo: RT. cit. Miguel. 7. Dano Moral. SANTOS.. Célia. 113. Op. ou por ocasião dele (art. Silvio. Porto Alegre: Sagra-DC Luzzatto. RODRIGUES. COUTO FILHO.)”. p.103.1.ed.. Art. cit. (. 1996.104.1.190. Teresa Ancona.120.. 100.46. 603. 91. cit. comete um ato ilícito stricto sensu .208-212.436. 1999. b) ato ilícito relativo. p.68. p. Jurandir.133. p. 3.. cit. São Paulo.. Oscar Ivan. KFOURI NETO. Jerônimo. amo ou comitente. KFOURI NETO. LOPEZ. Miguel. SOUZA. BRANCO. v. LOPEZ. p.227-228. p. Marco Fridolin Sommer. Op. (. cit.67-68. se considerarmos que não somente as relações contratuais a ele se referem. cit. p.. 15. 98. Responsabilidade Civil do Médico.. p. Miguel. 108. p. não há uma só espécie de ato ilícito. 95. FRADERA. MARMITT. 94. 87. São Paulo: Saraiva. Op. 1553.263. Op. Dano Material e Reparação... MATIELO.ed. MELLO. o ato ilícito relativo se configura pela violação de deveres resultantes de relações jurídicas de direito relativo. Direito Civil . cit.. 1998. Op. 111. 2. alguém imputável viola direito ou causa prejuízo a terceiro. ou ato ilícito absoluto. cit. 1997. Marcos Bernardes de. 1. Op. 85. p. cit.120-121. SEBASTIÃO. 105.Rel. “Como podemos ver. p..58. 97. Revista dos Tribunais. Op. p. FRADERA. FRADERA. (. porém.134. quando a sentença não determinar o valor ou não individuar o objeto da liquidação”.” DIAS..) Ato ilícito invalidante Todo ato de violação de direito. caput do Código de Processo Civil: “Procede-se à liquidação. c) ato ilícito caducificante.. Op. Op. p. v. p. por negligência ou imprudência.65-66. 92.ed. Vera Maria Jacob de. São Paulo. THEODORO JÚNIOR. Antônio Ferreira . O Dano Estético – Responsabilidade Civil.. p. v. e d) ato ilícito nulificante. Vera Maria Jacob de. cit. Rio de Janeiro: Revista Forense.82. é possível classificá-los em: a) ato ilícito stricto sensu (ou absoluto).4. cuja conseqüência seja a sua invalidade constitui um ato ilícito invalidante. Dano Moral. cit. (. Carlos Alberto Bencke 1º/10/98. no exercício do trabalho que lhes competir. Humberto. Erro Médico – Julgo procedente. p.60. ROMANELLO NETO. nov. 89.84.Plano da Existência.o patrão. p. DIAS.

PAGANO. Op.). 1999. Jurisprudência. cit. 126. 124. cit.). p. LEAL. cit. p.. p.380.19. J.ed. 1998. BLOISE. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Leoni Lopes de (org. p. 117. OLIVEIRA. observadas as normas gerais fixadas neste Código”. COUTINHO. 1999. Carlos (org. BREDA. Op. Responsabilidade Civil: (Atividade Médico-Hospitalar). Miguel.ed.ed. Rio de Janeiro: Revista Forense. Ana Cláudia da Silveira. Rio de Janeiro: Mauad. Teresa Ancona. José. Responsabilidade Civil do Médico.. Rio de Janeiro: Forense. 125.114. Op. 3.35. p. 1997. p. 120.113. 122. 116. São Paulo: Brasbiblos.. 115. 119. José Carlos Maldonado de. SAMPAIO. O Contrato de Assistência Médica e a Responsabilidade Civil. 2. TJRS – Processo nº 596175265 – 6ª Câmara Cível . p. M. Projeto do Código Civil. LOPEZ. Responsabilidade Ética – Penal e Civil do Médico. Marilise Kostelnaki. Brasília: Brasília Jurídica.54. 425 do Projeto do Código Civil Brasileiro: “É lícito às partes estipular contratos atípicos. PEREIRA.11..207. Seguros e o Dano Médico.88. 1998. LOPEZ. p. 1997. A Saúde Pública em Face do Código de Defesa do Consumidor.105. Art. p. A Responsabilidade Civil e o Dano Médico – Legislação. Responsabilidade Civil Médica: (Acórdãos na íntegra de Tribunais Superiores). KFOURI NETO. p. 2. CARVALHO. p. Leo Meyer. Caio Mário da Silva. BAÚ.Rel. 121. Ana Cláudia de Carvalho. Walter.12. 1997.7. 1998. Op. p.7. 127. Décio Antônio Erpen – 17/12/96. Rio de Janeiro: Esplanada. Teresa Ancona. Rio de Janeiro: Destaque. 118. cit. 123. .

Rio de Janeiro: Forense. 5 BREDA. Responsabilidade Civil do Médico. 2.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 ALMEIDA.Legislação. São Paulo: Brasbiblos. 1997. São Paulo. 8 COUTO FILHO. São Paulo. 2 BAÚ. 1995. Brasília: Brasília Jurídica. A Responsabilidade Civil e o Dano Médico . v.53-75. 16. 1966. Responsabilidade Ética – Penal e Civil do Médico. Seguros e o Dano Médico. 5-21. Rio de Janeiro: Forense. Revista dos Tribunais. Os Contratos de Prestação de Serviço Médico no Direito Civil Português. Walter.ed. Médica e a 3 BLOISE. 1998. Jurisprudência. SOUZA. Revista de Direito do Consumidor.ed. Alex Pereira. 1997. p. A Improcedência no Suposto Erro Médico. n. p. 6 CARVALHO. 4 BRANCO. José Carlos Maldonado de. 1999. out/dez. nov. José.733. 7 COUTINHO. Leo Meyer. Marilise Kostelnaki. Responsabilidade Civil Médica Acórdãos na íntegra de Tribunais Superiores. Gerson Luiz. 1999. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Aspectos da Responsabilidade Civil e do Dano Médico. 1997. Carlos Ferreira de. Rio de Janeiro: Destaque. . 2. Antônio Ferreira. O Contrato de Assistência Responsabilidade Civil.

Código Brasileiro de Defesa do Consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. Responsabilidade Civil: (Atividade Médico-Hospitalar).ed. 1997. v.ed.À Luz da Jurisprudência Comentada. Julio Cezar Meirelles. Rio de Janeiro: Forense Universitária.Responsabilidade Civil. 10. 3. 1995 16 GIOSTRI.Julgo Procedente. São Paulo: Saraiva. Delton. 18 KELSEN. 13 FRADERA. Vera Maria Jacob de. Revista de Direito do Consumidor. Rio de Janeiro: Forense. Erro Médico – Um Enfoque Sobre Sua Origem E Suas Conseqüências. Hans. Da Responsabilidade Civil. SAMPAIO. 17 GRINOVER. Delton. 3. Rio de Janeiro: Esplanada. jan/mar. Teoria Pura do Direito. 1999. Miguel. São Paulo. 5. 1998. Responsabilidade Civil do Médico. 1998. Erro Médico . 19 KFOURI NETO. 10 DESTRI.I.ed. 13. 1996. FRANÇA. v. A Responsabilidade Civil dos Médicos. .55.ed. São Paulo: RT. p. 1998. Curitiba: Juruá. São Paulo: Oliveira Mendes. 20 LEAL. 15 FRANÇA. Genival Veloso de. Rio de Janeiro: Forense. 1992. 10. p. Hildegard Taggesell. 1999. Porto Alegre.ed. v. 6.).72 9 CROCE. AJURIS: Revista da Associação dos Juizes do Rio Grande Do Sul. Genival Veloso de.1995. Montes Claros (MG): Unimontes. 1998. 14 GOMES. José de Aguiar. São Paulo: Martins Fontes.116-139. 11 DIAS. 12 DINIZ. Curso de Direito Civil Brasileiro . v. O Código de Defesa do Consumidor e o Exercício da Medicina. Ana Cláudia da Silveira. Erro Médico . CROCE JÙNIOR. Célia. Ada Pellegrini et al. Maria Helena. Carlos (org.ed. Erro Médico e o Direito. 5660.7.

Fabrício Zamprogna. 21 LOPEZ. 2. 1995. São Paulo: Universitária de Direito. Paulo Roberto Rukatti. 24 MATIELO. Dano Material e Reparações.2.ed. 1998. 31 PEREIRA. Instituições de Direito Civil. Tereza Ancona. 9. Marcos Bernardes de. LUMERTZ. Reparação do Dano Material. 26 MELLO. 7. 1997. Porto Alegre: Sagra-Luzzatto. 10. Porto Alegre: Sagra-Luzzatto. Rio de Janeiro: Forense. Teoria. 28 MONTENEGRO. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 1995. 1998. Dano Moral. 23 MARMITT. 1995. 22 LUMERTZ. 2. 1999. 30 PEDROTTI.ed. Responsabilidade Civil. Responsabilidade Civil do Médico. 27 MONTALVÃO.ed.ed. Siqueira. Rio de Janeiro: Forense.73 1999.III.ed. São Paulo: RT. Campinas: Julex. Teoria do Fato Jurídico (Plano da Existência). São Paulo: Saraiva. Dano Moral. Suzana Lisbôa. Erro Médico. A Saúde Pública em Face do Código de Defesa do Consumidor.ed. Legislação e Jurisprudência. 2. 32 _______________. Irineu Antônio. v. Rio de Janeiro: Mauad. 1996. Antônio Lindbergh C.ed. v. Marcelo Lisbôa. 25 _____________. 1999. 1998. Ana Cláudia de Carvalho. 1999. Responsabilidade Civil. Rio de Janeiro: Aide. 29 PAGANO. Caio Mário da Silva. Arnaldo. Porto Alegre: Renascença. Responsabilidade Jurídica do Médico. A. 1998. 2. LUMERTZ. Responsabilidade Civil. Estético e Moral. O Dano Estético – Responsabilidade Civil. .

Oscar Ivan. 35 RODRIGUES. Responsabilidade Médica Civil. 41 SÉLLOS. São Paulo: Jurídica Brasileira. 1998. Responsabilidade do Profissional Liberal pelo Fato do Serviço no Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Rio de Janeiro: Borsoi. 15. 55-62. v. 2. Viviane Coêlho de. Direito Civil – Responsabilidade Civil. 1999. Criminal e Ética Legislação Positiva Aplicável. Jerônimo.ed. 38 SANTOS. São Paulo. Belo Horizonte: Del Rey. 36 ROMANELLO NETO. Responsabilidade Civil do Profissional Liberal no Código de Defesa do Consumidor.Responsabilidade Civil. p. A AIDS Sob a Perspectiva da Responsabilidade Civil. Belo Horizonte: Del Rey. São Paulo: Saraiva. 1991. 40 SEBASTIÃO. abr/jun. São Paulo.ed. Direito Civil .74 33 PONTES DE MIRANDA. 1999. Revista dos Tribunais. 144-162.ed. 39 SAVATIER. 43 THEODORO JÚNIOR. 34 PRUX.4. Tomo I.674. . Paris: Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence. Humberto. Jurandir. 1951. 1966. Sílvio. Responsabilidade Civil do Médico. 40-48. fev. p. n. São Paulo. Aspectos Processuais da Ação de Responsabilidade por Erro Médico. 1997. 10. 42 SILVEIRA. Tomo LIII. René. 37 SAMPAIO. São Paulo: Atlas. 1998. 2000. 760. Traité de la Responsabilité Civile en Droit Français. 1998. Reynaldo Andrade da. v. Rogério Marrone de Castro. 1994. dez. Revista de Direito do Consumidor. 2. Marco Fridolin Sommer. n. Revista dos Tribunais. p. São Paulo: Saraiva. Tratado de Direito Privado. Responsabilidade Civil do Médico.

RESPONSABILIDADE CIVIL NO ERRO MÉDICO NERI TADEU CAMARA SOUZA Telefone: 330.com.br .via-rs.RS E-mail: resp@pro.8620 Celular: 9958.2009 Rua Vasco da Gama 585/202 CEP 90420-111 PORTO ALEGRE .

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