Máquinas de mobilização do solo e suas regulações

Charrua de aivecas
Trabalho elementar
Lavoura (reviramento do solo).
Seccionamento vertical

Acção da aiveca no corte e reviramento da terra Rego Reviramento da terra Parede do rego Faixa trabalhada

Compactação provocada no fundo do rego (solo semi-plástico)

Fundo do rego

Residuos vegetais enterrados

Figura 1– Trabalho efectuado pela charrua de aivecas. Fonte: Barthelemy et al. (1987).
Pequenos torrões e terra fina à superfície

Grandes agregados em profundidade

Figura 2 – Perfil de solo obtido com o trabalho da charrua de aivecas. Fonte: Barthelemy et al. (1987).

Principais efeitos da realização da operação sobre o solo
menor gasto de energia (menor esforço de tracção); afofamento e arejamento do solo (aumento da capacidade de armazenamento de água e expansão das raízes);

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enterramento de materiais orgânicos (incluindo plantas e resíduos de culturas), adubos e correctivos, etc; pode conduzir à diminuição de fertilidade da camada arável (p.ex. sais ou texturas desfavoráveis trazidos à superfície); pode conduzir ao aumento da erosão hídrica, devendo a orientação dos regos ser sempre paralela às curvas de nível; pode dar origem à formação do calo de lavoura, dificultando o desenvolvimento das raízes em profundidade e a infiltração de água (solo plástico); a operação tem um custo elevado e exige tractores com elevada potência.

Factores a considerar para um trabalho eficiente
1. Velocidade de trabalho A velocidade de trabalho utilizada varia entre 4,5 e 7 km/h, dependendo esta do tipo de solo e potência do tractor utilizado. 2. Regulações da máquina Profundidade de trabalho. A profundidade de trabalho varia geralmente entre os 35 e 60 cm. Deve manter-se sempre constante, pois a homogeneidade da profundidade de trabalho é muito importante para a posterior germinação das sementes e desenvolvimento das plantas. A sua regulação é feita no controlo de posição ou no controlo de esforço ou de tracção do sistema de levantamento hidráulico ou, quando as charruas são semi-montadas ou rebocadas, na roda guia (que funciona como roda de tancharia). Quando se utiliza o controlo de esforço ou de tracção (terrenos irregulares), o sistema hidráulico altera a profundidade de trabalho de forma a manter uniforme o esforço de tracção exigido ao tractor. Quando se utiliza o controlo de posição (solos homogéneos) a profundidade de trabalho é constante mas o esforço de tracção é variável. Esta opção não deve, no entanto, ser seleccionada quando se trabalha com máquinas como as charruas, que exigem elevados esforços de tracção. Horizontalidade longitudinal. O eixo longitudinal da charrua deve situar-se paralelamente à superfície do solo, de forma a que todos os ferros trabalhem à mesma profundidade ou, no caso de uma charrua de um único ferro, de forma a que a parte dianteira da charrua não trabalhe a profundidade superior à parte traseira (lavoura picada). A regulação é feita encurtando ou alongando o comprimento do braço superior do hidráulico, de forma a que fique visível uma marca muito ligeira deixada pelo calcanhar. Horizontalidade transversal. O eixo transversal da charrua deve encontrar-se paralelo à superfície do solo. A charrua encontra-se regulada quando a parede do rego estiver vertical e o fundo do rego paralelo à superfície do solo. A regulação é feita no pendural direito do sistema de levantamento hidráulico, através de uma manivela que regula o seu comprimento. Ângulo de ataque da relha. Regulação que visa alinhar os corpos da charrua relativamente ao seu eixo longitudinal. Deve ser feita de forma a evitar esforços de torção sobre a direcção do tractor (que obrigam o operador a encostar a roda esquerda da frente à parede do rego para manter a direcção de avanço). Para regular o ângulo de ataque da relha desapertam-se os parafusos de fixação do teiró e a porca do parafuso afinador, corrigindo-se o ângulo, para cada um dos corpos da charrua, de forma independente. Verticalidade dos teirós. A inclinação dos teirós deve ser corrigida para que fiquem perpendiculares à superfície do solo, de forma a compensar a inclinação do tractor (que trabalha com uma das rodas no

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fundo do rego aberto anteriormente). Esta regulação deve ser feita de acordo com a profundidade da lavoura. A verticalidade dos teirós corrige-se nas castanholas do cabeçote, situadas no sistema de reversão.

Utilização segundo o tipo de solo
Consistência do solo Tipo de comportamento Duro Possível com trabalho prévio de fragmentação Possível com trabalho prévio de fragmentação Possível com trabalho prévio de fragmentação Friável Aconselhado Semi-plástico Possível

Arenoso

Franco

Aconselhado

Aconselhado Possível utilização de aivecas adaptadas

Argiloso

Aconselhado

Fonte:Barthelemy et al., 1987.

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Charrua de discos
Trabalho elementar
Lavoura (reviramento do solo).
Raspadeira (acção de reviramento) Reviramento e fragmentação da parte inferior da faixa Deslocação da parte inferior da faixa (baixa fragmentação) Fundo do rego ondulado

Seccionamento provocado pelo bordo cortante do disco

Fendilhamento

Figura 3 – Trabalho efectuado pela charrua de discos. Fonte: Barthelemy et al. (1987).
Solo com consistência semi-plástica Residuos vegetais à superfície Pouca formação de agregados de pequena dimensão e terra fina Residuos vegetais Solo com consistência friável Fragmentação muito Importante à superfície

Fundo do rego ondulado

Menor fragmentação em profundidade

Figura 4 – Perfil de solo obtido com o trabalho da charrua de discos. Fonte: Barthelemy et al. (1987).

Diferenças relativamente à charrua de aivecas
menor gasto de energia (menor esforço de tracção); menores custos de manutenção;

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melhor adaptada a determinados tipos de solo (abrasivos, pedregosos); menor penetração e reviramento do solo.

Factores a considerar para um trabalho eficiente
1. Velocidade de trabalho A velocidade de trabalho utilizada varia entre 5 e 8 km/h, dependendo esta do tipo de solo e potência do tractor utilizado. 2. Regulações da máquina Horizontalidade transversal e longitudinal. Idênticas às descritas anteriormente. Profundidade de trabalho. A profundidade de trabalho deve variar entre limites estreitos, para que o trabalho se efectue correctamente. Varia, assim, entre 15 e 30 cm na maior parte dos casos. A profundidade máxima está limitada pelo tamanho do disco, correspondendo, aproximadamente, a um terço do diâmetro. A regulação da profundidade é feita no controlo de esforço ou de tracção do sistema de levantamento hidráulico ou, quando as charruas são semi-montadas ou rebocadas, na roda guia (que funciona como roda de tancharia). A profundidade depende, no entanto, do ângulo de inclinação e de ataque dos discos e da velocidade de avanço do tractor, variando na razão inversa do ângulo de inclinação e da velocidade de avanço e na razão directa do ângulo de ataque.
Ângulo de ataque Ângulo de inclinação

Linha de avanço

Linha de avanço

Figura 5 - Ângulo de ataque (vista de cima) e ângulo de inclinação (vista em plano). Fonte: Barthelemy et al. (1987). Largura de trabalho. Depende do número de discos da charrua (que podem ser removíveis), do seu diâmetro e do ângulo de ataque. A largura de trabalho que corresponde a cada disco varia normalmente entre 7 e 12 polegadas (18 e 30 cm). Nas charruas rebocadas a largura de trabalho depende também do ponto de engate que, quando é modificado, altera o ângulo de ataque dos discos. Roda guia. Regulável quanto à sua inclinação e altura. A inclinação deve ser directamente proporcional ao ângulo de ataque dos discos (de forma a equilibrar as forças de tracção a que a máquina está sujeita) e é regulável através de um conjunto tirante/leme. A altura regula-se numa manivela ou com diferentes posições de uma forqueta que permitem alterar a profundidade de trabalho. Ângulo de ataque. No caso mais comum, regula-se através de um batente que pode ser colocado no
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interior ou no exterior do quadro, correspondendo a dois valores diferentes para o ângulo de ataque. No caso das charruas rebocadas, o ângulo de ataque depende do ponto de engate. Quanto maior o ângulo de ataque, maior a largura de trabalho, maior o reviramento e maior a capacidade de penetração no solo. Ângulo de inclinação. É uma regulação contínua e individual dos discos, que depende da inclinação do suporte do disco em relação ao braço do teiró. Para regular os discos levanta-se a charrua, alivia-se o parafuso de articulação e o parafuso guia, que ligam o teiró ao disco, e actua-se no parafuso de regulação de forma a obter a inclinação desejada. Com menor a inclinação dos discos obtém-se: menor reviramento e maior pulverização do solo (aumento da velocidade de rotação dos discos), melhor corte dos resíduos vegetais e maior profundidade de trabalho.

Utilização segundo o tipo de solo
Consistência do solo Tipo de comportamento Duro Friável Semi-plástico

Arenoso

Desaconselhado Desaconselhado Desaconselhado risco de fragmentação risco de fragmentação formação de grandes agregados lisos excessivo excessivo Aconselhado Aconselhado Possível formação de grandes agregados lisos Aconselhado

Franco

Argiloso

Aconselhado

Aconselhado

Fonte: Barthelemy et al., 1987.

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Grade de discos
Trabalho elementar
Corte, fragmentação e mistura.
O disco em rotação e em contacto com o solo provoca a mistura dos residuos vegetais com a terra

Seccionamento provocado pelo bordo cortante do disco Compactação em profundidade provocado pelo peso do disco Deslocação dos torrões por acção da pressão (em solo friável provoca a Formação de terra fina)

Figura 6 – Trabalho realizado pela grade de discos. Fonte: Barthelemy et al. (1987).
cm 0 5 Terra fina localizada à superficie

10 Ondulação provocada pelos Compactação e discos no fundo do rego alisamento (solos Semi-plásticos)

Mistura homogénea de Residuos vegetais

Figura 7 – Perfil de solo obtido com o trabalho da grade de discos. Fonte: Barthelemy et al. (1987).

Principais efeitos da realização da operação sobre o solo
seccionamento da leiva a seguir à lavoura; destorroamento e enterramento do restolho e infestantes;

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distribuição dos detritos vegetais de forma homogénea a diferentes profundidades; preparação da cama para a semente; em solos semi-plásticos ou plásticos, podem provocar alguma compactação.

Factores a considerar para um trabalho eficiente
1. Velocidade de trabalho A velocidade de trabalho utilizada varia entre 5 e 8 km/h, dependendo esta do tipo de grade, solo e potência do tractor utilizado. 2. Regulações da máquina Horizontalidade transversal e longitudinal. Idênticas às descritas anteriormente. Profundidade de trabalho. A profundidade de trabalho varia entre 10 e 30 cm, sendo possível trabalhar a profundidades superiores se forem utilizadas máquinas mais pesadas e discos de maior diâmetro. A regulação depende do tipo de ligação ao tractor: numa grade montada regula-se no sistema de levantamento hidráulico, enquanto que numa grade rebocada se actua nas rodas de tancharia. As grades rebocadas de maiores dimensões possuem geralmente um conjunto de rodas cuja altura é regulável através de um macaco hidráulico de duplo efeito, permitindo controlar a profundidade de trabalho. A capacidade de penetração depende essencialmente do peso e da forma do bordo dos discos, sendo maior com discos pesados e de bordo recortado. Aumentando o ângulo de ataque consegue-se também aumentar a profundidade de trabalho. Esmiuçamento. O esmiuçamento aumenta com o ângulo de ataque dos discos, com a velocidade de avanço do tractor e quando se utilizam discos de forma tronco-cónica (conseguindo-se igualmente nestas condições maior enterramento e mistura dos detritos vegetais).
Tronco-cónica calota esférica

Figura 8 – Forma dos discos de uma grade de discos. Fonte: Briosa (1984). Abertura da grade off-set. O ângulo formado entre os dois corpos determina o ângulo de ataque dos discos, podendo ser regulado mecânica ou hidraulicamente. No sistema mecânico existe uma corrente anelada ou um braço articulado através de parafusos, podendo ser fixos em diversas posições. O sistema hidráulico funciona através de um macaco hidráulico de duplo efeito ligado ao tractor. Quando em transporte anula-se o ângulo entre os corpos (fecha-se a grade), aproximando o centro de gravidade da máquina ao tractor.

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Utilização segundo o tipo de solo
Consistência do solo Tipo de comportamento Duro Possível evitar fragmentação excessiva Possível 2 passagens Desaconselhado penetração difícil Friável Semi-plástico

Arenoso

Possível Possível evitar fragmentação risco de compactação excessiva Aconselhado Possível risco de compactação Possível risco de compactação

Franco

Argiloso

Aconselhado

Fonte: Barthelemy et al., 1987.

De seguida fala-se das máquinas de dentes que, têm cada vez maior importância em sistemas de agricultura de mobilização minima, utilização em operações combinadas e como peças activas em máquinas mais complexas como os semeadores.

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Subsolador ou ripper
Trabalho elementar
Corte e fragmentação.
Fendilhamento lateral provocado pelo avanço do dente (solo friável) Levantamento do solo

Seccionamento e fragmentação provocada pelo dente (ligeira compactação em solo semi-plástico)

Compactação Fendilhamento (solo semi-plástico) (solo friável)

Figura 8 – Trabalho realizado pelo subsolador. Fonte: Barthelemy et al. (1987).
cm 0 10 20 25 Compactação Zona não mobilizada mas muito fissurada (solo friável) Zona não mobilizada Superfície do solo muito pouco mobilizada

Figura 9 – Perfil de solo obtido com o trabalho do subsolador. Fonte: Barthelemy et al. (1987).

Principais efeitos da realização da operação sobre o solo
destruição de camadas compactadas (menor acumulação de água; maior crescimento das raizes); alteração da estrutura do solo, aumentando a capacidade de armazenamento para a água e melhorando o arejamento;

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abertura de fendas profundas, aproveitando o fendilhamento natural do solo; aumento da espessura efectiva do solo (explorado pelas raízes); manutenção da posição relativa das diferentes camadas de solo (não ocorre reviramento).

Factores a considerar para um trabalho eficiente
1. Velocidade de trabalho A velocidade de trabalho utilizada varia entre 4 e 5 km/h, dependendo esta do tipo de solo e potência do tractor utilizado. 2. Regulações da máquina Horizontalidade transversal e longitudinal. Idênticas às descritas anteriormente. Largura de trabalho. A largura de trabalho pode ser aumentada por extensão do quadro, quando a constituição da máquina o permitir. A diminuição da largura de trabalho consegue-se retirando os ferros das extremidades. Note-se que a simetria da máquina deve ser mantida, ou seja, a máquina deve estar sempre centrada relativamente à linha de avanço do tractor (igual número e posição dos dentes de cada lado). Profundidade de trabalho. A profundidade de trabalho varia entre os 60 e 100 cm. Sendo uma máquina montada, esta regulação é normalmente feita através do controlo de esforço ou de tracção do sistema de levantamento hidráulico do tractor. No entanto, a profundidade de trabalho é sempre limitada pelo desafogo (altura do quadro ao solo) e dependente do peso da máquina por dente.

Utilização segundo o tipo de solo
Consistência do solo Tipo de comportamento Duro Possível 2 passagens*; utilizar rolo de fragmentação Possível 2 passagens*; utilizar rolo de fragmentação Friável Possível atenção ao excesso de terra fina Aconselhado Semi-plástico

Arenoso

Desaconselhado

Franco

Desaconselhado

Argiloso

Possível se a fissuração natural Desaconselhado do solo for suficiente

Desaconselhado

Fonte: Barthelemy et al., 1987. * Custo elevado

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Chísel, escarificador e vibrocultor
Trabalho elementar
Corte, fragmentação e segregação.
Fragmentação dos torrões emistura da terra com os residuos vegetais, provocado pela acção do dente A intensa vibração do dente e o efeito de choque com os torrões provoca a formação de terra fina e torrões de menor dimensão (solo friável)

Fendilhamento segundo as linhas de fractura naturais do solo (solo friável ou duro)

Figura 10 – Trabalho realizado pelo chísel, escarificador e vibrocultor. Fonte: Barthelemy et al. (1987).
Solo friável
cm 0 5 10 15 Fragmentação provocada pelos dentes Fundo do rego Compactação Zona fragmentada Zona não mobilizada (terra fina e alguns torrões) Dente Dente

Solo semi-plástico

Figura 11 – Perfil de solo obtido com o trabalho do chísel, escarificador e vibrocultor. Fonte: Barthelemy et al. (1987).

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São essencialmente utilizadas
na mobilização do terreno, sem reviramento, a profundidades geralmente inferiores a 40 cm (à excepção do chisel); no controlo de infestantes, especialmente no caso de plantas vivazes rizomatosas; na colocação à superfície de materiais grosseiros (pequenas pedras); na realização de mobilizações superficiais, nas entrelinhas de culturas em linhas; em trabalhos complementares de mobilização do solo, iniciado por uma lavoura ou gradagem.

Vantagens da utilização destas máquinas
elevada capacidade de trabalho (largura e velocidade de trabalho); utilização racional dos tractores de elevada potência; não formam calo de lavoura (podendo mesmo contribuir para a sua destruição); enterramento de resíduos vegetais na camada superficial, onde a sua decomposição é mais rápida.

Inconvenientes da utilização destas máquinas
deficiente destruição de infestantes; enterramento a pouca profundidade dos resíduos de colheita podendo promover o desenvolvimento de certas doenças (p. ex. fungos nos cereais); deficiente trabalho em solos de textura ligeira ou solos argilosos húmidos.

Na tabela seguinte comparam-se as características do trabalho realizado pela charrua de aivecas, pela charrua de discos e pelo chisel:
Solo Humidade de trabalho aconselhada Enterramento de restolho Eliminação de infestantes Adaptação a terrenos pedregosos Formação de calo * LP - limite de plasticidade Aivecas superior ao LP* 90-95 % boa fraca sim Discos inferior ao LP* 70 -75 % razoável razoável sim Chisel cerca do LP* 30 -35 % fraca boa não

Factores a considerar para um trabalho eficiente
1. Velocidade de trabalho
A velocidade de trabalho utilizada varia entre 5 e 8 km/h, dependendo esta do tipo de máquina, solo e potência do tractor utilizado.

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2. Regulações da máquina Horizontalidade transversal e longitudinal. Idênticas às descritas anteriormente. Profundidade de trabalho. É regulada pelo sistema de elevação hidráulico do tractor e/ou pelo posicionamento das rodas reguladoras de profundidade (máquinas semi-montadas). Depende também da capacidade de penetração da máquina, que é função do peso por dente, da forma dos dentes, do ângulo de penetração e do solo. A profundidade máxima é obtida nas seguintes condições: elevado peso por dente, dentes e bicos estreitos e elevado ângulo de penetração. Esmiuçamento. Aumenta com a velocidade de trabalho e com a vibração longitudinal e lateral dos dentes. Depende da distância e tipo de dentes e bicos utilizados. Maior quando a consistência do solo é friável. Largura de trabalho. A largura máxima é determinada pela largura do quadro, podendo esta ser aumentada pela articulação de quadros laterais. A largura pode sempre ser diminuída pela supressão dos dentes exteriores, tendo em atenção a simetria da máquina.
Na tabela seguinte comparam-se as características que permitem diferenciar o chisel, o escarificador e vibrocultor.
Profundidade máxima de trabalho 8-10 cm 25-30 cm 40-45 cm Dentes por metro linear 7-10 4-7 4-5

Tipo de dente Vibrocultor Escarificador Chísel Dente em S Vários Vários

Utilização segundo o tipo de solo
Consistência do solo Tipo de comportamento Escarificador Arenoso Aconselhado 2 passagens Aconselhado 2 passagens Aconselhado 2 passagens Duro Chísel Possível fragmentação difícil Possível fragmentação difícil Possível fragmentação difícil Friável Aconselhado Semi-plástico Possível fragmentação difícil Possível fragmentação difícil Possível fragmentação difícil

Franco

Aconselhado

Argiloso

Aconselhado

Fonte: Barthelemy et al., 1987.

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Fresa
Trabalho elementar
Esmiuçamento e fragmentação intensos.
Efeito do choque contra o capote (formação de terra fina) Mistura provocada pelas lâminas Efeito contra o capote e avental (formação de terra fina) Nivelamento provocado pela base do avental

Efeito do choque entre torrões

Compactação e alisamento (solo semi-plástico)

Corte e arranque provocado pelas lâminas

Figura 12 – Trabalho de solo realizado pela fresa de eixo transversal. Fonte: Barthelemy et al. (1987).
Avental levantado (residuos vegetais e torrões à superficie) Avental baixado (terra fina à superficie)

Figura 13 – Perfil de solo obtido com o trabalho da fresa de eixo transversal. Fonte: Barthelemy et al. (1987).

São essencialmente utilizadas
na mobilização superficial do solo; na preparação da cama para a semente; na destruição do restolho;

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-

no combate a infestantes.

Principais efeitos da realização da operação sobre o solo
bom arejamento do solo com uma única passagem; mistura intensa dos elementos e uma fragmentação adequada; pode estar accionada a um semeador, realizando a sementeira directa.

Inconvenientes da sua utilização
acelera a mineralização da matéria orgânica do solo, devido ao arejamento provocado; pode dar origem à formação de uma camada compactada (calo de fresagem); pode dar origem à formação de uma crosta, quando pulveriza muito o solo; pode destruir a estrutura em solos arenosos; ineficaz no controlo de infestantes rizomatozas.

Factores a considerar para um trabalho eficiente
1. Velocidade de trabalho
A velocidade de trabalho utilizada varia entre 2 e 4 km/h, dependendo esta do tipo solo e potência do tractor utilizado.

2. Regulações da máquina Horizontalidade transversal e longitudinal. Idênticas às descritas anteriormente. Profundidade de trabalho. Variável entre 10 e 25 cm, sendo frequentes profundidades de cerca de 15 cm. Regula-se no sistema de levantamento hidráulico ou nas rodas (ou patins) de tancharia. Os patins são utilizados em terrenos ligeiros, não sendo aconselháveis em solos com grande quantidade de detritos vegetais ou de consistência plástica. Grau de esmiuçamento. Varia com a velocidade de avanço do tractor, com a posição do avental e a altura do capote e com o número e tipo de peças activas. Algumas fresas possuem caixa de velocidades que permitem variar a velocidade de rotação do veio, através de diferentes combinações entre carretos. Para se obter um bom esmiuçamento é necessário ter uma relação elevada entre a velocidade de rotação das facas e a velocidade de avanço da máquina o que equivale geralmente a uma velocidade de avanço reduzida, uma vez que a velocidade de rotação das facas está condicionada pela potência do tractor.

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Utilização segundo o tipo de solo
Consistência do solo Tipo de comportamento Duro Desaconselhado Friável Desaconselhado Semi-plástico Desaconselhado Possível em trabalho superficial Possível em trabalho superficial

Arenoso

Franco

Aconselhado

Aconselhado

Argiloso

Aconselhado

Aconselhado

Fonte: Barthelemy et al., 1987.

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Rolos
Trabalho elementar
Compactação, nivelamento e destorroamento à superfície do solo.

Fragmentação dos agregados originando a terra fina Zona compactada

Figura 14 – Trabalho realizado pelo rolo liso. Fonte: Barthelemy et al. (1987).
cm 0 Terra fina

Zona compactada 5

Figura 15 – Perfil de solo obtido com o trabalho do rolo liso. Fonte: Barthelemy et al. (1987).

Projecção de pequenos agregados à superfície Fragmentação dos agregados Terra fina Zona compactada

Figura 16 – Trabalho de solo realizado pelo rolo crosskill. Fonte: Barthelemy et al. (1987).

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cm 0

Mistura de pequenos agregados e terra fina

Zona compactada 5

Figura 17 – Perfil de solo obtido com o trabalho do rolo crosskill. Fonte: Barthelemy et al. (1987).

Principais efeitos da realização da operação sobre o solo
Redução da porosidade do solo, nomeadamente da macroporosidade; destruição do micro-relevo deixado por outras alfaias (nivelamento); esmiuçamento dos torrões (desagregação); preparação da cama para a semente, de forma a melhorar o contacto solo-semente (nomeadamente em sementes mais pequenas).

Inconvenientes da sua utilização
perigo de formação de uma crosta (rolos lisos; advem de condições de chuva seguidas de calor intenso quando se deixa a superfície do solo muito esmiuçada).

Na tabela seguinte comparam-se os diferentes tipos de rolos quanto ao grau com que efectuam os diferentes trabalhos elementares:

Tipo de rolo
Liso Ondulado Canelado Cultipacker Crosskill Esquelético Espiralado

Compactação
+++ ++ + -

Nivelamento
++ + + -

Destorroamento
-++ +++ + +

Factores a considerar para um trabalho eficiente
1. Velocidade de trabalho
A velocidade de trabalho utilizada varia entre 5 e 7 km/h, dependendo esta do tipo de rolo, solo e potência do tractor utilizado.

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2. Regulações da máquina Compactação. Para aumentar o efeito de compactação pode aumentar-se o peso do rolo, colocando taras adicionais em locais apropriados sobre o quadro. O aumento da velocidade de avanço reduz o efeito de compactação. Destorroamento. Para aumentar o efeito de destorroamento pode aumentar-se o peso do rolo, colocando igualmente taras adicionais em locais apropriados sobre o quadro. O aumento da velocidade de avanço aumenta o efeito de choque (maior diferença entre a velocidade angular de dois elementos contíguos) e, consequentemente, a desagregação dos torrões.

Utilização segundo o tipo de solo
Consistência do solo Tipo de comportamento Duro Desaconselhado Friável Desaconselhado Semi-plástico Desaconselhado Possível em trabalho superficial Possível em trabalho superficial

Arenoso

Franco

Aconselhado

Aconselhado

Argiloso

Aconselhado

Aconselhado

Fonte: Barthelemy et al., 1987.

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