UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

RUTHIANY SILVA CAROLINA CORRÊA

SUBISÍDIOS AMBIENTAIS
ISENÇÃO DE ITR PARA ÁREAS PROTEGIDAS

RIO DE JANEIRO

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2011 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

RUTHIANY COSTA DA SILVA 2008.2.04218-11 CAROLINA CORRÊA PEREIRA 2008.2.00298-14

SUBISÍDIOS AMBIENTAIS

Trabalho em grupo apresentado a professora Gabriela Fernandes Sanchez, na disciplina de Tópicos em Economia Ambiental – código FCE 03-06970, para obtenção de nota parcial na média desta disciplina.

RIO DE JANEIRO

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2011 RESUMO
As leis, valores culturais, outras regras de cunho social, não se demonstraram suficientes para que o homem desenvolvesse seu crescimento econômico, sem que fosse destruindo a natureza. O Estado, no Brasil e em diversas nações, se viu obrigado a intervir pelos instrumentos econômicos. Jacobs (1995, p. 258) expõe que “os subsídios são uma forma de incentivo financeiro: barateiam atividades ambientalmente positivas de empresas e consumidores”. Segundo Fields (1997. P.288) teríamos “os mesmos efeitos de incentivos se ao invés de se aplicar um imposto, se estabelecesse um subsídio para as reduções de emissões”. A isenção do ITR em áreas preservadas tem amparo constitucional. A Constituição Federal de 1988 consagra a proteção ao meio ambiente como um dos fundamentos de ordem econômica. Neste sentido o IE atua na intenção de minimizar os danos causados ao meio. Segundo ALMEIDA (1997), não há dúvida de que a teoria econômica que oferece um suporte imediato para a discussão de instrumentos de política ambiental é a microeconomia neoclássica, especificamente seu conceito de externalidades. Enquanto alguns tipos de subsídios podem ser uma forma de incentivo ao combate dos problemas ambientais, outros se tornam promotores de práticas economicamente ineficientes e prejudiciais ao ambiente. Assim, se o subsídio não é um instrumento de política ambiental eficiente, apenas possui eficácia relativa, não é equitativo, e não se pode garantir que permaneça benéfico no longo prazo, pois precisaria atender aos principais critérios de avaliação política e econômica.

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SUMÁRIO “STJ CONFIRMA ISENÇÃO DE ITR SOBRE RESERVA LEGAL VOLUNTÁRIA...................................................................17 “COMISSÃO APROVA ISENÇÃO DE ITR PARA QUILOMBOLAS..............................................................................17 A COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS APROVOU NA QUARTA-FEIRA (16) O PROJETO DE LEI 2853 /08, DO DEPUTADO DOMINGOS DUTRA (PT-MA), QUE CONCEDE ISENÇÃO DO IMPOSTO TERRITORIAL RURAL (ITR) AOS IMÓVEIS RURAIS DE PROPRIEDADE DE REMANESCENTES DE QUILOMBOS. A PROPOSTA, QUE ALTERA A LEI 9.393 /96, RECEBEU PARECER FAVORÁVEL DO RELATOR, DEPUTADO VELOSO (PMDB-BA).” AGENCIA CÂMARA (2011)...........................................................17
DIREITO PÚBLICO. STJ CONFIRMA ISENÇÃO DE ITR SOBRE RESERVA LEGAL VOLUNTÁRIA. DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.DIREITOPUBLICO.COM.BR/>. ACESSO EM: 20 NOV. 2011...............................................................................23 CÂMARA DOS DEPUTADOS. AGRICULTURA APROVA ISENÇÃO DE ITR PARA IMÓVEL EM MUNICÍPIO POBRE. DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW2.CAMARA.GOV.BR/>. ACESSO EM: 22 NOV. 2011.................................................................................23 ALMEIDA, LUCIANA T. DE. POLÍTICA AMBIENTAL – UMA ANÁLISE ECONÔMICA. - CAMPINAS/SP: ED. PAPIRUS / FUND. ED. UNESP, 1998, 192P. ............................................................................................................................................23 BELLIA, VÍTOR. INTRODUÇÃO À ECONOMIA DO MEIO AMBIENTE.–BRASÍLIA, DF. ..........................................................23 CAIRNCROSS, FRANCES. MEIO AMBIENTE: CUSTOS E BENEFÍCIOS. – SÃO PAULO: NOBEL, 192, 269 P. .........................23 FIELD, BARRY C. ECONOMÍA AMBIENTAL: UNA INTRODUCCIÓN. – SANTA FÉ DE BOGOTÁ/COLÔMBIA: MCGRAW-HILL, 1997, 587P. ............................................................................................................................................................23 JACOBS, MICHAEL. ECONOMÍA VERDE – MEDIO AMBIENTE Y DESARROLLO SOSTENIBLE – BOGOTÁ/COLÔMBIA: EDICIONES UNIANDES, 1ª ED. EN ESPAÑOL: 1995 (1ª ED. INGLESA,1991), 494P. .........................................................................23 ROMEIRO, A.R., REYDON B.P. E LEONARDI, M. L. A. ECONOMIA DO MEIO AMBIENTE: TEORIA, POLÍTICAS E GESTÃO DE ESPAÇOS REGIONAIS. CAMPINAS, SP: ED. UNICAMP, 1997, PP. 241-262. .................................................23 PARETO, VILFREDO. MANUAL DE ECONOMIA POLÍTICA. – SÃO PAULO: ED. NOVA CULTURAL, 1996, COLEÇÃO OS ECONOMISTAS, 333 P. .................................................................................................................................................23 PEARCE, DAVID W. AND TURNER, R. KERRY. ECONOMICS OF NATURAL RESOURCES AND THE ENVIRONMENT. – BALTIMORE: THE JOHNS HOPKINS UNIVERSITY PRESS, 1990, 378 P. CAP.S 4 E 5, PP 61-83 ..............................................24 PEREIRA, ROMILSON RODRIGUES. A ANÁLISE CUSTO EFETIVIDADE NA GESTÃO ECONÔMICA DO MEIO AMBIENTE. DISSERTAÇÃO DE MESTRADO, DE PARTº ECONOMIA UNB/NEPAMA, 1999,119 PP. ......................................................24 PINDYCK, ROBERT S. AND RUBINFELD, DANIEL L. MICROECONOMIA – SÃO PAULO: MAKRON BOOKS, 1994, 968 P. .................................................................................................................................................................................24 SERÔA DA MOTTA, R. E MENDES, FRANCISCO E. INSTRUMENTOS ECONÔMICOS NA GESTÃO AMBIENTAL: ASPECTOS TEÓRICOS E DE IMPLEMENTAÇÃO. ..................................................................................................................................24

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INTRODUÇÃO A utilização de um instrumento econômico, neste caso o subsídio, se faz na tentativa de atenuar uma externalidade. A isenção de um imposto está englobada entre os diversos tipos de subsídios que o Estado pode oferecer. Em se tratando deste trabalho a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR), ocorre com o fim de atenuar a poluição, de forma indireta. Ou seja, o governo isenta de tributos as áreas que tenham como uma das prioridades a preservação ambiental, ou seja, de interesse ecológico. Estimulando a preservação do meio ambiente e até criação de novas áreas preservadas, não apenas as estipuladas pelo governo.

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I.1 - INSTRUMENTOS ECONÔMICOS As leis, valores culturais, o bom senso e outras regras legais ou de cunho social, não se demonstraram suficientes para que o homem, desenvolvesse seu crescimento econômico, sem que fosse explorando predatoriamente e consequentemente destruindo a natureza, e seus ecossistemas. Considerando a triste realidade em que a natureza se encontra hoje, e sem haver uma expectativa de mudança de comportamento per se da sociedade como um todo em prol de uma maior sustentabilidade em suas atitudes. O Estado, em diversas nações, se viu obrigado a tentar intervir, direta ou indiretamente, na atitude de pessoas, empresas etc. Essa interferência se da pelos instrumentos econômicos (Tarqüínio, 1994). Estes tem por finalidade corrigir (na verdade atenuar) as externalidades. Externalidade é quando são gerados custos ou benefícios por um indivíduo, que afeta positiva ou negativamente um outro indivíduo, sem que esse custo ou benefício seja contabilizado economicamente. Geralmente, em se tratando de políticas econômicas, consideram-se as externalidades negativas, como a poluição, por exemplo. Diversos autores fazem análises comparativas entre o uso de instrumentos econômicos e os de controle direto, observando sua relevância ambiental. Dado que as externalidades foram identificadas e o Estado decidiu por internalizá-las, faz-se necessário então o uso dos Instrumentos Econômicos (IEs) como uma ação estratégica. E, para garantir sua eficiência econômica deve-se escolher a que gere um menor custo .

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Serôa da Motta (1996, p.09) assim os defende: “Os IE’s são amplamente considerados como sendo uma alternativa economicamente eficiente e ambientalmente eficaz para complementar as estritas abordagens de C&C. Teoricamente ao fornecerem incentivos ao controle da poluição ou de outros danos ambientais, os IE’s permitem que o custo social de controle ambiental seja menor e podem ainda fornecer aos cofres do governo local a receita de que tanto necessitam. No entanto, os custo administrativos associados aos IE’s podem ser mais elevados. As exigências de monitoramento e outras atividades de fiscalização continuam, como no caso do C&C, podendo haver necessidade de esforços adicionais de administração, a fim de fazer face às mudanças institucionais e de projeto que surgem da aplicação dos IE’s” Segundo Almeida (1998, pp. 47-49) que também empreendeu amplos estudos a respeito dos IE’s , observando a OCDE (1998, pp. 47-49) concluiu que dependendo da corrente econômica (neoclássica, marxista, por exemplo) a ideia de IE’s pode sofrer consideráveis alterações. “por incentivos (instrumentos) econômicos entendesse todo mecanismo de mercado que orienta os agentes econômicos a valorizarem os bens e serviços ambientais de acordo com sua escassez e seu custo de oportunidade social” Os instrumentos econômicos subdividem-se em: a) Taxas e tarifas; b) Subsídios; c) Devolução de depósitos reembolsáveis; d) Criação de mercado (licenças negociáveis)

I.1.1 SUBSÍDIOS

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Segundo Almeida (1998, p. 55) a denominação de subsídio nada mais é do que um enunciado genérico pertinente a diferentes formas de assistência financeira, cuja intenção seria promover incentivos aos poluidores para que eles deixassem de poluir ou poluíssem menos. De acordo com os critérios expostos pela OCDE (1989, p. 15), são apresentados os seguintes tipos de subsídios: • Empréstimos subsidiados: com taxas de juros reduzidas (diante das existentes no mercado) para os indivíduos que tomassem medidas “antipoluidoras” ou de diminuição da poluição; • Subvenção: forma de assistência não retornável aos cofres públicos, feitas a indivíduos poluidores que reduzissem seus níveis de poluição; • Incentivos fiscais: Isenção ou abatimento de impostos, ou depreciação acelerada para os praticantes de ações antipoluentes.

Jacobs (1995, p. 258) expõe que “os subsídios são uma forma de incentivo financeiro: barateiam atividades ambientalmente positivas de empresas e consumidores”. Ele esclarece que a distinção entre esses gastos se dá pela propriedade, se é privada ou pública. De qualquer forma todos os subsídios violam o princípio do poluidor pagador, sendo o custo da proteção do meio ambiente posto sobre a sociedade como um todo. Os subsídios podem estimular um uso mais eficiente da terra pelos proprietários, estimulando a preservação de suas porções de terra mais sensíveis. Seria como uma recompensa do governo local aos que reduzissem suas

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emissões. O poluidor abre mão de certa produção, reduzindo sua emissão de poluentes, mas recebe uma compensação do Estado. Segundo Fields (1997. P.288) teríamos “os mesmos efeitos de incentivos se ao invés de se aplicar um imposto, se estabelecesse um subsídio para as reduções de emissões”.

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I.2 - O ITR “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano.” (PORTAL TRIBUTÁRIO, 2011) A criação de um imposto para áreas territoriais rurais baseia-se em políticas de preservação ambiental. Estas postuladas no art. 225, §1º, III da CF/88: “Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preserválo para as presentes e futuras gerações. § 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção”

I.2.1 - Classificação das unidades de conservação Entende-se por Unidade de Conservação, “o espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de

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conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção” (Art.2º,I). As unidades de conservação foram divididas em:
a) Unidades de Proteção Integral (uso indireto): são aquelas onde é

expressamente proibido o consumo, a coleta, dano ou destruição dos recursos naturais, assim como qualquer alteração do ecossistema dentro dessas unidades.
b) Unidades de Uso Sustentável (uso direto): São aquelas destinadas a

utilização racional dos recursos naturais, sendo admitida a coleta e uso, comercial ou não, dos recursos naturais, mas de forma planejada e regulamentada. Estabelecer claramente a diferença entre as classificações territoriais é fundamental para que se possa distinguir qual o fim na utilização ou posse de cada uma destas propriedades. E então estabelecer políticas justas a fim de atenuar as externalidades.

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I.3 - ISENÇÃO/IMUNIDADE DO ITR Imunidade

O ITR não incide sobre pequenas glebas rurais (pequenas porções de terra, próprias para cultivo), quando o proprietário as explorar, só ou com sua família, e este não possua outro imóvel.

A isenção do ITR A Lei de Política Agrícola, Lei nº 8.171/91, art. 104, parágrafo único “Art. 104. São isentas de tributação e do pagamento do Imposto Territorial Rural as áreas dos imóveis rurais consideradas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 1965, com nova redação dada pela Lei 7.803, de 1989. Parágrafo único – A isenção do Imposto Territorial Rural-ITR estende-se às áreas da propriedade rural de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarados por ato do órgão competente federal ou estadual, e que ampliam as restrições de uso previstas no caput deste artigo.” Para se alcançar a fruição da isenção do ITR é necessário que o imóvel esteva cumprindo com sua função sócio-ambiental. A isenção do ITR se aplica as seguintes áreas/propriedades: I - o imóvel rural compreendido em programa oficial de reforma agrária, caracterizado pelas autoridades competentes como assentamento, que, cumulativamente, atenda aos seguintes requisitos: a) seja explorado por associação ou cooperativa de produção;

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b) a fração ideal por família assentada não ultrapasse os limites estabelecidos; c) o assentado não possua outro imóvel. II - o conjunto de imóveis rurais de um mesmo proprietário, cuja área total observe os limites fixados no parágrafo único do artigo anterior, desde que, cumulativamente, o proprietário: a) o explore só ou com sua família, admitida ajuda eventual de terceiros; b) não possua imóvel urbano. III - de preservação permanente (APP) e de reserva florestal legal (RFL); IV - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na lei; V - comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. VI - as áreas sob regime de servidão florestal.

A isenção do ITR em áreas preservadas tem amparo constitucional. A Constituição Federal de 1988 consagra a proteção ao meio ambiente como um dos fundamentos de ordem econômica. Neste sentido o IE atua na intenção de minimizar os danos causados ao meio, e sustentar ambientalmente o crescimento econômico do país. A proteção destas áreas visa a diminuição de emissão de poluentes ao meio ambiente, e é um dos principais objetivos do beneficio fiscal em questão.

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I 4 - PRINCÍPIOS MICROECONÔMICOS Antes de expor como o princípio econômico interfere na criação do instrumento econômico é necessário entender como eles atuam nas externalidades e em sua internalização. PIGOU (1920), após estudar os conceitos de economia e deseconomia de MARSHALL (1890), fez seu teorema das externalidades. Nele Pigou define o que é a externalidade: É quando um indivíduo em sua produção gera custos, ou benefícios, a um outro sem que estes sejam contabilizados corretamente. Graficamente temos:

Fonte: http://vsites.unb.br/face/eco/inteco/textosnet/1parte/externalidades.pdf O gráfico demonstra uma externalidade negativa. Sendo PM, P*: preço de mercado e o preço que deveria ser cobrado incluindo o custo gerado pelo produtor a outro(s) indivíduo(s), QM, Q*: quantidade produzida e a quantidade

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que deveria ser produzida na internalização da externalidade, EM, E*: Equilíbrio de mercado e equilíbrio após serem internalizadas as externalidades. A distância entre C e E representa a externalidade negativa em questão. Considerando-se a compreensão da externalidade resta encontrar uma forma de internalizá-lo. Por esta razão, em vários países surgiu a necessidade de complementar o enfoque normativo com o emprego de instrumentos econômicos. Em 1972, a OCDE, (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), adotou o princípio poluidor pagador como base para o estabelecimento de políticas ambientais nos países membros. Este princípio é a base para o enfoque econômico da política ambiental (BURSZTYN e OLIVEIRA, 1982). Segundo ALMEIDA (1997), não há dúvida de que a teoria econômica que oferece um suporte imediato para a discussão de instrumentos de política ambiental é a microeconomia neoclássica, especificamente seu conceito de externalidades. Os instrumentos econômicos usam o princípio do poluidor pagador, que através do direito de propriedade, define quem irá arcar com os custos gerados pela externalidade. Uma forma de se referir ao instrumento econômico é tratar-se de um mecanismo atrelado a um componente monetário, que age via preço (pelo uso ou abuso do meio ambiente) e não via quantidade. Dessa maneira, seriam excluídas as licenças de emissão negociáveis, pois são cotas (físicas) que os poluidores podem negociar entre si. Usa-se o critério de otimização de Pareto para verificar quais são as situações ótimas de equilíbrio. O gráfico a seguir demonstra a utilização de um IE para minimização de custos sociais:

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No caso da isenção do ITR, ocorre um tipo de subsídio, onde o direito de propriedade está nas mãos do poluidor, portando, quem deve arcar com os custos da diminuição da poluição, é a sociedade. Para a aplicação de subsídios ser eficiente (em termos econômicos) deve seguir alguns critérios: • Buscar a Eficiência de Pareto em termos de bem-estar da sociedade; • Interferência Mínima nas decisões privadas – decisões privadas podem levar ao uso ineficiente de recursos naturais.
• • •

Eficácia econômica – garantir vantagens para ambos os lados Aceitação política Permanência – são igualmente eficientes ao longo do tempo de sua vigência;

II.1 – APLICAÇÃO AO BRASIL E SITUAÇÃO ATUAL

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Primeiramente vale introduzir novas áreas e propriedades que foram beneficiadas com a isenção do ITR recentemente: Jurisprudência a respeito de aumento da área preservada voluntariamente: “STJ confirma isenção de ITR sobre reserva legal voluntária A União argumentou que o ITR é um tributo utilizado com fins extrafiscais e se destina justamente a incentivar o uso racional da propriedade imobiliária rural. O ITR busca evitar a concentração de grandes propriedades improdutivas, descumprindo a função social e viabilizando o desenvolvimento econômico e social da comunidade. A Constituição estabelece que a função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, aos seguintes requisitos: - aproveitamento racional e adequado; - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; e - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.” OBSERVATÓRIO ECO (2011) Isenção de ITR para quilombolas: “Comissão aprova isenção de ITR para quilombolas A Comissão de Direitos Humanos e Minorias aprovou na quarta-feira (16) o Projeto de Lei 2853 /08, do deputado Domingos Dutra (PT-MA), que concede isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) aos imóveis rurais de propriedade de remanescentes de quilombos. A proposta, que altera a Lei 9.393 /96, recebeu

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parecer favorável do relator, deputado Veloso (PMDB-BA).” AGENCIA CÂMARA (2011) Da possibilidade de fiscalização sobre as áreas isentas: “CONVÊNIOS ENTRE UNIÃO E ENTES FEDERATIVOS A União, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, poderá celebrar convênios com o Distrito Federal e os Municípios que assim optarem, visando a delegar as atribuições de fiscalização, inclusive a de lançamento dos créditos tributários, e de cobrança do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, de que trata o inciso VI do art. 153 da Constituição Federal, sem prejuízo da competência supletiva da Secretaria da Receita Federal.” PORTAL TRIBUTÁRIO (2011)

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II.2 – EFEITOS DA ISENÇÃO DO ITR SOBRE O MEIO AMBIENTE Infelizmente, têm-se verificado a não eficiência dos subsídios no âmbito ambiental. Estudos da World Resources Institute (WRI), sobre a influência nos recursos água, energia, e ações como silvicultura, e agricultura vem apontando nessa direção. Cairncross (1992) diz: “se retirassem os subsídios não-verdes, os governos economizariam o dinheiro de seus contribuintes e impediriam o dano ambiental” Estatisticamente, segundo dados do Ipea, em 2010, a receita arrecadada com o Imposto Territorial Rural (ITR) foi R$ 536 milhões, 0,07% do total arrecadado. Estes dados nos mostram que a receita obtida com o imposto não pode ser considerada como fundamental nas contas do governo. Logo, assumindo que o Estado deixa de receber o ITR apenas das áreas que se enquadrem nos critérios legais já mencionados, certamente o valor que o governo deixa de receber com o subsídio não criaria uma diferença substancial e relevante em termos macroeconômicos. Sendo assim a política de isenção do ITR não tem grande impacto nos cofres públicos e, nesse aspecto se mostra eficiente, pois ainda que deficiente, estimula a preservação ambiental.

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III.1 PRINCIPAIS PROBLEMAS E POSSÍVEIS SOLUÇÕES Em se tratando de subsídio, seja de que tipo for, sempre algum indivíduo pagará menos do que deveria, priorizando uns em detrimento de outros, não atendendo o ótimo de Pareto, logo não se aproximando suficientemente da eficiência de mercado. Para Jacobs (1995, 259), existem dois tipos de subsídios: • Os que o governo oferece para que os poluidores reduzam suas emissões, na forma de subvenções, empréstimos de baixo custo, e descontos fiscais por exemplo. • E os oferecidos a empresas que reduzam suas emissões abaixo da meta estabelecida ou desenvolvam pesquisas/investimentos em tecnologia específica na redução da poluição. A partir desta classificação, esse autor identifica o primeiro tipo como deficiente, entendendo que as empresas se sintam estimuladas a maximizar seus dejetos antes de serem introduzidas no programa de subsídio. Enquanto o segundo, se aplicado junto a outros IE’s poderiam ser mais eficazes, verdadeiramente estimulando as empresas a não só manterem sua meta de emissões, mas principalmente reduzindo suas taxas de poluição e auxiliando a humanidade como um todo descobrindo novas formas eficientes de se diminuir a poluição e otimização no uso dos recursos. Assim sendo, a redução de subsídios governamentais também pode ser um instrumento econômico da política ambiental, como forma de corrigir casos específicos de má utilização da política ambiental. A isenção do ITR como Instrumento Econômico apresenta falhas por não convergir para alguns princípios:

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Falha quanto o critério de Pareto, pois uns saem beneficiados em

detrimento de outros; • Falha porque há grande interferência de jogos políticos, interesse e

existe espaço para a corrupção; • • Não garante a perfeita competitividade; Não se demonstra igualmente eficaz ao longo de sua vigência

IV - CONCLUSÃO

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O ITR, é o imposto que incide sobre a propriedade rural, é de caráter extrafiscal, pela qual se busca evitar a concentração de grandes propriedades improdutivas e também promover e incentivar o uso racional e sustentável dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. O subsídio não é um instrumento de política ambiental eficiente, apenas possui eficácia relativa, não se pode compreender por que ainda é tão utilizado e difundido. Não parece justo para a sociedade em geral que ela arque com os custos da poluição no lugar do poluidor. Os estudos apresentados ao longo do trabalho nos permite concluir que a isenção de impostos sobre áreas protegidas, seria mais eficiente se ancorada e vinculada a outros instrumentos econômicos. E vale ressaltar que os indivíduos/empresas/proprietários beneficiados com a isenção, não são estimulados a diminuir progressivamente suas emissões nem a participar na elaboração de pesquisas que permitam a descoberta de novas ações eficientes ecologicamente. Portanto, apesar de não representar um peso alto aos cofres públicos, no caso brasileiro pelo menos, a isenção do ITR não pode ser considerado efetivamente eficiente do ponto de vista econômico e ambiental

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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AGÊNCIA CÂMARA. Comissão aprova isenção de ITR para quilombolas Gilberto Nascimento. Disponível em: <http://www2.camara.gov.br/agencia/>. Acesso em: 20 nov. 2011. DIREITO PÚBLICO. STJ confirma isenção de ITR sobre reserva legal voluntária. Disponível em: <http://www.direitopublico.com.br/>. Acesso em: 20 nov. 2011. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Agricultura aprova isenção de ITR para imóvel em município pobre. Disponível em: <http://www2.camara.gov.br/>. Acesso em: 22 nov. 2011. ALMEIDA, Luciana T. de. Política Ambiental – uma análise econômica. Campinas/SP: Ed. Papirus / Fund. Ed. UNESP, 1998, 192p. BELLIA, Vítor. Introdução à Economia do Meio Ambiente.–Brasília, DF. CAIRNCROSS, Frances. Meio Ambiente: Custos e Benefícios. – São Paulo: Nobel, 192, 269 p. FIELD, Barry C. Economía Ambiental: Una Introducción. – Santa Fé de Bogotá/Colômbia: McGraw-Hill, 1997, 587p. JACOBS, Michael. Economía Verde – Medio Ambiente y Desarrollo Sostenible – Bogotá/Colômbia: Ediciones Uniandes, 1ª Ed. en español: 1995 (1ª Ed. inglesa,1991), 494p. ROMEIRO, A.R., REYDON B.P. e LEONARDI, M. L. A. Economia do Meio Ambiente: Teoria, Políticas e Gestão de Espaços Regionais. Campinas, SP: Ed. UNICAMP, 1997, pp. 241-262. PARETO, Vilfredo. Manual de Economia Política. – São Paulo: Ed. Nova Cultural, 1996, Coleção Os Economistas, 333 p.

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PEARCE, David W. and TURNER, R. Kerry. Economics of Natural Resources and the Environment. – Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1990, 378 p. Cap.s 4 e 5, pp 61-83 PEREIRA, Romilson Rodrigues. A Análise Custo Efetividade na Gestão Econômica do Meio Ambiente. Dissertação de Mestrado, De partº Economia UnB/NEPAMA, 1999,119 pp. PINDYCK, Robert S. and RUBINFELD, Daniel L. Microeconomia – São Paulo: Makron Books, 1994, 968 p. SERÔA DA MOTTA, R. e MENDES, Francisco E. Instrumentos Econômicos na Gestão Ambiental: Aspectos Teóricos e de Implementação. BRASIL, Código Tributário Nacional e Constituição Federal, 16ª edição. Saraiva. São Paulo, 2010. COELHO, Sasha Calmon Navarro. Comentários à Constituição de 1988Sistema Tributário. 10 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2006. ANDRADE, Agostini de. A Tutela ao Meio Ambiente e a Constituição, Revista AJURIS, 45, março de 1989. FIORILLO, Celso Antonio Pacheco; RODRIGUES, Marcelo Abelha. Manual de Direito Ambiental e Legislação Aplicável, Max Limonad, 1997. SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Ambiental Constitucional, Malheiros Editores, 1997. MACHADO, Paulo Afonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro, Malheiros Editores, 7ª edição.

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