Resumo Ciencia Politica

Resumo de Ciência Política c/ Teoria Geral do Estado Prof.

: Flávio Roberto dos Santos
CIÊNCIA POLÍTICA C/ TEORIA GERAL DO ESTADO

1º PERÍODO - Noturno I – CIÊNCIA POLÍTICA * Aristóteles: tinha por objeto os princípios e as causas. * Santo Tomás de Aquino: assimilação da mente dirigida ao conhecimento da coisa. * Wolff e Bacon: o hábito de demonstrar assertos, isto é, de inferi-los, por conseqüência legítima, de princípios certos e imutáveis. * Kant: toda série de conhecimento sistematizados ou coordenados mediante princípios. *Noção contemporânea de ciência reside no escopo próprio de sua atuação, ou seja, na busca, constante e permanente, pela verdade (ou, ainda, em outras palavras, na perene explicação evolutiva dos diversos fenômenos naturais e sociais). * A ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente[regras lógicas e procedimentos técnicos], sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma natureza[objetos pertencentes a mesma realidade]. (Ander-Egg) *Conjunto de conhecimentos e pesquisas com suficiente unidade e generalidade, capazes de levar a conclusões concordantes, que não resultem de convenções arbitrárias, nem de gostos e interesses individuais comuns, e sim de relações objetivas que se descobrem gradualmente e são configuradas por métodos definidos de verificação.(Lalande-Voc.de la Philk, 5.ª ed.)

Ciência

Política – Conceitos

* Como Substantivo ou adjetivo compreende ações, comportamentos, intuitos, manobras entendimento e desentendimento dos homens para conquistar o poder , uma parcela dele ou um lugar nele. Ex. Eleições, campanhas, etc. * Conceituação erudita: a arte de conquistar manter e exercer o poder, o governo (Nicolau Maquiavel). * Orientação ou atitude de um governo em relação a certos assuntos e problemas de interesse público. Ex. política financeira, educacional, social, do café, etc. * Conceito Atual se divide em 2 correntes: 1ª -Ciência do Estado [conhecimento de tudo o que se relaciona com a arte de governar um Estado]; 2ª Ciência do Poder [força que se dispõe e com a qual se pode obrigara outrem a ouvir e a obedecer]. (Darcy Azambuja) * Ciência dos fenômenos referentes ao Estado; Arte de bem governar os povos; princípio doutrinário que caracteriza a estrutura constitucional do Estado; Posição ideológica a respeito dos fins do Estado. (Dicionário Aurélio)

Histórico: A política, como área do pensamento, é de remota tradição, se com o termo englobarmos os filósofos da política, os pensadores políticos, outros estudiosos da área das Ciências Sociais que iniciaram um estudo sistemático do fenômeno político, a exemplo de Aristóteles, Platão, Santo Agostinho, Maquiavel, Hobbes e tantos outros. Todavia, com a específica denominação de Ciência Política, no geral, quer-se referir a uma área do conhecimento que se institucionalizou no âmbito acadêmico anglo-saxão, particularmente nos Estados Unidos, com desdobramentos nos países desenvolvidos da então Europa Ocidental, chegando, em seguida, aos países do chamado Terceiro Mundo.

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pois não há produção científica sem teoria. eram elementos que contribuíam para aumentar a demanda de especialistas na área da Política. Objeto: O objeto da ciência política são os fatos ou fenômenos políticos. Quanto ao estudioso. permitindo-se se saber se é possível. a ser recepcionado pela Teoria do Estado. e de que modo. justiça e direitos civis. que são conceituados como: fato. o objetivo mor da Ciência Política é a procura da verdade. Nesse período. em todos os níveis. a ciência política reserva uma valiosa gama de referenciais teóricos. nos organismos internacionais. Os cientistas políticos podem estudar instituições como corporações(ou empresas. racional. que é a de ajudar os cidadãos a adquirir melhor compreensão dos fenômenos políticos e. assim. Porém. igrejas. 2 . ocorrendo em todas as organizações. fornece ferramentas importantes para entender e explicar o complexo mundo social. dos sistemas políticos.Resumo de Ciência Política c/ Teoria Geral do Estado Prof. no âmbito das Nações Unidas. Disciplina que dedica-se ao estudo dos fenômenos políticos.: Flávio Roberto dos Santos O estímulo ao desenvolvimento da Ciência Política dar-se-ia já à época da Primeira Guerra Mundial e. o que fez proliferar cursos da disciplina de Ciência Política em universidades norte-americanas. ou qualquer sistema equivalente de organização humana que tente assegurar segurança. no Brasil). ao final da Segunda Guerra Mundial. Para Darcy Azambuja. objetivo e metódico de uma realidade política. igrejas. uniões (ou sindicatos. sejam elas empresas. estrutura e atividade do poder do Estado. é no contexto do aparato estatal que a política se torna mais visível. a atividade política é geral. De fato. (Darcy Azambuja) Conceito: Ciência Política é o estudo da política. o Estado deve atuar em mundo globalizado como uma estrutura real e histórica. etc. no Brasil). Objetivo: A Ciência Política preenche uma função essencial. Avançando sobre esta definição básica. sindicatos. ato ou situação concernente à formação. em complexidade e interconexão. As missões de manutenção da paz e a preservação ou construção da democracia. das organizações políticas e dos processos políticos. Para Mário Lúcio Quintão Soares a Ciência Política é concebida como conhecimento ordenado. Envolve o estudo da estrutura (e das mudanças de estrutura) e dos processos de governo. ou outras organizações cujas estruturas e processos de ação se aproximem de um governo. passaram a irradiar sua influencia. suas instituições e atores (políticos). principalmente. podemos associar a ciência política ao campo de estudos sobre governo. exercerão maior influência sobre sua comunidade e sobre a sociedade como um todo. em nome da qual o país participara da guerra. e o pensamento político clássico e contemporâneo. os EUA assumiram a posição de nova potência hegemônica mundial e.

referido ao passado. com as mesmas palavras valendo para os investigadores do mesmo tema. jurídicos.Resumo de Ciência Política c/ Teoria Geral do Estado Prof. coisas inteiramente distintas. como são ou devem ser (compreensão do presente) e como serão ou deverão ser (horizontes do futuro). quer pela definição do instrumento capaz de apreender a realidade. 3 . sociológicos e filosóficos. quer pela busca da realidade. devido as incertezas e objeções. por decorrência de razões que a crítica de abalizados publicistas tem apontado à reflexão dos investigadores. A Ciência Política inserida neste contexto apresenta-se. não somente óbices quase invencíveis ao estudioso. nação. em sentido lato. Quais são essas razões? * Caráter movediço e oscilante do vocabulário político. por exemplo. sobre governo. neste ou naquele Estado. no sentido de apreendê-la na sua totalidade. quanto à determinação exata do significado de que se reveste. como. tendo por objeto o estudo dos acontecimentos. para daí retirar conclusões válidas. tanto em sentido teórico (doutrina) como em sentido prático (arte). * Apresentar um conceito simples e inteligível. claro. objetivas. * Realidades apresentadas em épocas distintas O material de que se serve o cientista social cria pela extrema mutabilidade de sua natureza. Prisma filosófico: Tem-se a filosofia como o estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade. ontem e hoje. liberdade democracia. ao presente e às possibilidades futuras. * As variações semânticas dos termos de que se serve o cientista social de país para país. * Dificuldade do observador neutralizar-se perante o fenômeno que estuda. ou de juízos préformados na mente do observador. levando alguns a duvidar se se trata aqui realmente de ciência. a que se emprestam variadíssimas acepções. até mesmo na prática de um mesmo regime político. só a consideração despretensiosa dos aspectos históricos. que não sejam frutos de inclinações emocionais. a palavra democracia. apresentadas por diversos estudiosos da área. * A expressão Estado. ou de um a outro século de uma ou outra geração. das instituições e das idéias políticas. etc. dará à problemática política da sociedade o aproximado teor de certeza. Aristóteles conclui na Grécia um ciclo de estudos políticos conscientemente especulativos. Tanto os fatos como as instituições e as idéias.: Flávio Roberto dos Santos Ciência Política e as dificuldades terminológicas: A ciência política é indiscutivelmente aquela onde as incertezas mais afligem o estudioso. tomando em conta a medida contingente das verdades que se extraem do comportamento dos grupos e da dinâmica das relações sociais. onde entram atos e sentimentos humanos. podem ser tomados como foram ou deveriam ter sido (consideração do passado). imparciais. * Variações de um país para o outro. matérias desse conhecimento. lícitas. Portanto. como torna penosíssimo senão impossível o reconhecimento da Ciência Política.

Deu-lhe a consistência do tratamento autônomo. à justificação e aos fins do Estado. em âmbito espacial e âmbito pessoal de validade do ordenamento jurídico. Já na Europa medieva a filosofia se enlaça com a teologia ao ocupar-se de temas políticos. Aqui a Ciência Política revela-se predominantemente social. respectivamente. que no caso seria naturalmente o Estado. sua organização. Tendência de cunho exclusivamente jurídico vem representada por Kelsen. segundo Kelsen. antecipações que deixam de ser puramente filosóficas. no estudo da principal instituição geradora de fenômenos políticos. como das demais instituições sociais geradoras do fenômeno do poder.: Flávio Roberto dos Santos Platão. se esvazia de toda a substantividade. na típica e revolucionária linguagem do antigo professor vienense. fenômeno político por excelência. da norma jurídica. do qual ele é apenas nome ou sinônimo. O Estado. indaga-se da administração pública. a simples corpo de normas. segundo o binômio Direito e Sociedade. 4 . com considerações de índole sociológica. sua liderança. do sollen.Resumo de Ciência Política c/ Teoria Geral do Estado Prof. Prisma sociológico Outra dimensão importantíssima que toma a Ciência Política é a de cunho sociológico. na sociologia política de Max Weber. visto que nem todos aceitam circunscrevê-lo apenas à célula mater. seu predecessor. embriogênica. interrogam-se as formas legítimas de autoridade. ou seja. à legitimação das bases sociais em que o poder repousa: inquire-se ali da influência e da natureza do aparelho burocrático. se explica pela unidade das normas de direito de determinado sistema. constitui um dos pontos altos e culminantes da obra de Max Weber O profundo sociólogo fez com o Estado aquilo que Ehrlich fizera já com a sociologia jurídica. para Kelsen. etc. como autoridade legal. que constrói uma Teoria Geral do Estado. os grupos econômicos. evoluiu passando do Estado ideal e hipotético ao Estado real e histórico. sua técnica de combate e proselitismo. O estudo do Estado. os sindicatos. investiga-se o regime político. como nela influem os atos legislativos. empresta à democracia algumas de suas peculiaridades mais flagrantes. a igreja. à essência. O Estado. sob a égide de grupos sócio-econômicos poderosíssimos. Os elementos materiais que o compõem – território e população – se convertem. Prisma jurídico Tem sido também a Ciência Política objeto de estudo que a reduz ao Direito Político. organização de poder. A força coercitiva deste nada mais significa que o grau de eficácia da regra de direito. a essência dos partidos. onde leva às últimas conseqüências. tradicional e carismática. abre-se o capítulo de fecundos estudos pertinentes à política científica. Com efeito. ou como a força dos parlamentos. as associações internacionais. acrescentandolhe os partidos. pertencendo ao mundo do dever ser. seus programas. Quem elucidar o direito como norma elucidará o Estado. à racionalização do poder. A Filosofia conduz para os livros de Ciência Política a discussão de proposições respeitantes à origem.

tratando-se portanto da mesma matéria. como fato social e como fenômeno jurídico. Não há um consenso dos escritores políticos quanto ao âmbito de atuação da Ciência Política e a Teoria Geral do Estado. abrangendo por conseguinte a consideração jurídica. a Sociologia e o Direito com predominância ou exclusividade vem cedendo lugar ao emprego da análise tridimensional. a despeito da origem. criando o Estado como puro conceito. sem levar em conta os elementos jurídicos. Tal enfoque é de evidente utilidade para complementar os estudos de Teoria do Estado. o professor Dalmo de Abreu Dallari que há uma distinção existente entre as matérias. Fez o publicista alemão Hans Nawiasky. seria a mesma matéria. Tanto que. que abrange a teoria social jurídica e a teoria filosófica dos fatos. através da leitura e influência de autores americanos e ingleses ganha todavia larguíssimo terreno.O nome desta. obviamente. para alguns.Resumo de Ciência Política c/ Teoria Geral do Estado Prof. apenas com nomes distintos. se aprofundaram com mais força que as da Ciência Política. ao estudar o Estado como idéia. Juristas da envergadura de Duverger. entretanto. soprado ultimamente com intensidade. agigantando-lhe o aspecto formal. inclusive o jurídico. Tendências contemporâneas para o tridimensionalismo A orientação que toma na Ciência Política a Filosofia. ética. recai naturalmente sobre a Teoria Geral do Estado.”(Dallari) 5 . para os que raciocinam dessa forma. histórica. Enquanto a Ciência Política faz o estudo da organização política e dos comportamentos políticos sem levar em conta os elementos jurídicos.: Flávio Roberto dos Santos A doutrina de Kelsen tem sua originalidade em banir do Estado todas as implicações de ordem moral. sociológica e filosófica. dando à sua Teoria Geral do Estado tratamento tridimensional. Observa-se. o esforço mais competente e idôneo que se conhece por ultrapassar o unilateralismo e bilateralismo dos cientistas políticos que o antecederam. das instituições e das idéias. da Baviera. é insuficiente para a compreensão dos direitos. A simpatia na escolha. por haver equivalência de áreas e de objeto. “A Ciência Política faz o estudo da organização política e dos comportamentos políticos. sociológica. das obrigações e das implicações jurídicas que se contêm no fato político ou decorrem dele. escurecendo a realidade estatal com seus elementos constitutivos. Diferenciação entre Ciência Política e Teoria Geral do Estado Devido as diversas posições adotadas pelos escritores políticos quanto âmbito de atuação da Teoria Geral do Estado e da Ciência Política podemos perceber que. a Teoria Geral do Estado volta-se ao estudo do Estado sob todos os aspectos. tratando dessa temática à luz da Teoria Política. expostas em ordem enciclopédica. de modo a dar inteira e unificada visão daquilo que é objeto desta disciplina. restritamente jurídico. mas. conforme vimos. uns tendem a adotá-las como disciplinas idênticas uma vez há equivalência de áreas e de objeto. Marcel de La Bigne de Villeneuve acompanham a tendência de adotar o estudo da Ciência Política sob o aspecto tridimensional. cujas raízes. materiais. Vedel.

: Flávio Roberto dos Santos Outro fato importante a ser observado é que os objetos das disciplinas são distintos. incluindo a origem. e da política econômica para uma ação política. a luta de classes.(Burdeau) O mesmo Burdeau nos ensina que a conexidade entre os dois ramos (Ciência Política e Economia) em nada se alterou. com o propósito de promover por exemplo fins desenvolvimentistas. tida como aquela que resulta da atenuação da luta de classes e da distribuição mais eqüitativa do poder econômico numa sociedade. Observa-se ademais que nos países subdesenvolvidos. a violação contumaz do Direito Constitucional. a organização. traçadas de antemão. Objetivando sempre a paz social. mormente no Direito Constitucional. ou combater o atraso de estruturas sociais e econômicas. para criar instrumentos novos e direitos de aço. 6 . II – A CIÊNCIA POLÍTICA E AS DEMAIS CIÊNCIAS A Ciência Política e o Direito Constitucional: São apertadíssimos os laços que prendem a Ciência Política ao Direito Constitucional. a Ciência Política. Entre os publicistas célebres da França. podendo-se. este ainda é o ramo da Ciência Jurídica cujo influxo mais pesa sobre a Ciência Política. no século XX. pois sua “promoção se faz concomitantemente ao declínio do Direito Constitucional. A despeito do cisma operado. mediante a prática da justiça social. vinculando-os a um programa de governo ou a uma política econômica específica. autores há que se preocuparam menos com o aspecto jurídico da Ciência Política do que propriamente com suas raízes na filosofia e nos estudos sociais. racionalmente apoiada num programa de sustentação e metas econômicas. Naquele país. senão que os emprega cada vez mais. É então nessas circunstâncias que o Direito Constitucional pode ser tomado ou interpretado como “um conjunto formal de regras das quais a vida se ausentou”. esteve quase toda contida no Direito. passar da análise econômica a uma política econômica. compreendendo-se no seu âmbito tudo o que se considere existindo no Estado e influindo sobre ele. conforme disse Burdeau. e a Ciência Política aparece “como disciplina apta a prestar contas da realidade”. Tem-se portanto que o Direito Constitucional representa apenas uma faceta da Ciência Política. compõem um quadro onde o processo político e a realidade do poder escapam não raro aos limites modestos da autoridade institucionalizada.Resumo de Ciência Política c/ Teoria Geral do Estado Prof. em verdade. enquanto a Ciência Política cuida dos fenômenos políticos (já estudados). Ciência Política e Economia: O fato econômico representa o fato fundamental de polarização da sociedade. o funcionamento e as finalidades. reconhecidamente arcaicas. a Teoria Geral do Estado cuida do estudo do Estado sob todos os aspectos. Portanto o conhecimento econômico se faz mais interessado e o Estado não o emprega unicamente para explicar ou conhecer o modo porque se satisfazem as necessidades materiais de uma sociedade. antes de chegar à maioridade como disciplina autônoma. o fermento revolucionário oriundo da insatisfação social. os golpes de Estado. brutalmente exacerbada pelo privilégio ou por violentas discrepâncias econômicas.

que intentam impor suas técnicas de investigação e operar uma redução sistemática da Ciência Política à disciplina da qual procedem e pela qual sempre se orientaram. uma nova ameaça à Ciência Política? (Visão de Paulo Bonavides) Desde que se constituiu ciência autônoma. Sendo ademais a Ciência Política co-artífice ou coconstitutiva da realidade mesma que investiga.12 Se erro existe entre os que adotam essa posição. a Sociologia passou a representar um obstáculo ao desenvolvimento da Ciência Política. essa esfera pertence agora a psicólogos políticos. fácil se torna perceber a importância de seu estudo para a Ciência Política. Com o incremento das investigações sociológicas e com o maior espaço concedido a certas ciências do comportamento. fazendo mais fecunda a investigação sociológica. jurídica e econômica – padeceria esta também o deplorável vício da unilateralidade. segundo afirma Xifra Heras. de forma lapidar. portanto a história representa fonte importantíssima para a explicação dos fenômenos políticos.: Flávio Roberto dos Santos Ciência Política e a História: Tomando a história como acumulação crítica de fatos experiências vividas. faz-se válida a afirmativa de Burdeau. como a Psicologia Social e a Antropologia. a história das idéias. Com efeito. não raro observado em atividades de governos ou relações de Estados. fortalece por igual a convicção dos psicólogos sociais de que fora das motivações psicológicas não é possível lograr uma compreensão plenamente satisfatória do processo político. Como as demais concepções já examinadas – filosófica. tão em voga nos Estados Unidos. volveram de preferência suas vistas menos para o unitarismo da sociedade do que para o seu pluralismo. “esfriou” o interesse por uma Ciência Política fundamentada unicamente na História. segundo a qual “as idéias sobre os fatos são mais importantes que os fatos mesmos”. O irracionalismo. o que inevitavelmente resultaria num encurtamento intolerável do seu campo. A Sociologia Política. obsessão que em Augusto Comte desembocara no conceito de humanidade. “a Ciência Política opera com material humano e os fundamentos do poder e da obediência são de natureza psicológica”. razão por que cumpre ter sempre presente às indagações da Ciência Política. Basta atentar-se para o fato de que suas indagações se concentravam na unicidade do social (exclusão conseqüente da autonomia do político) e na investigação da sociedade como totalidade. Aí estão os “behavioristas” para atestá-lo. pais da Sociologia. decorre isso em larga parte do empenho de alguns em quererem reduzir a Ciência Política a simples capítulo da Psicologia Social. formando já escola e fundando a chamada nova Ciência Política. A Ciência Política e a Psicologia: Se há esfera de modernidade ou atualidade no problema de relações da Ciência Política com outras ciências sociais. É importante destacar que determinadas proposições da Ciência Política nada mais são do que generalizações da experiência histórica. menos para a 7 . para fazê-las de todo fecundas e compreensíveis.Resumo de Ciência Política c/ Teoria Geral do Estado Prof. Numa segunda fase porém os positivistas.

Não é a Ciência Política que está dentro da Sociologia Política. Mauro Lúcio quintão. que este provenha unicamente da experiência. conforme já redundou em Duverger. 2004. somente após vencer certas relutâncias foi que a Sociologia se volveu para a sociedade política do nosso tempo. Elemento de Teoria Geral do Estado. menos para o conhecimento do todo do que das partes (os agregados sociais). 2003 SOARES. ser uma ciência dos valores. São Paulo: Celso Bastos. e que admitidos. do “sollen”. na inteira identidade entre ambas as ciências. deixando de lado o exclusivismo com que se consagrara ao exame do fenômeno do poder nas sociedades primitivas. tomando rumos que a sociologia ignora. BIBLIOGRAFIA • • • • • AZAMBUJA. ali o gênero. São Paulo: Malheiros. seria falso. ed. ed. aqui. existentes embora. 5. O influxo que o fator político pode exercer sobre o social e vice-versa forma o núcleo de uma Sociologia Política. O ponto de vista em que se colocam poderá redundar. Por isso. através de suas tendências mais recentes. Aron e Bertrand de Juvenel fazem a Sociologia Política coincidir com a Ciência Política ou empregam critérios rigorosamente sociológicos para análise de todos os fenômenos que se prendem à realidade política. levar ao conhecimento da verdade. Catlin. Celso Ribeiro. Ciência Política. seja negando que tais princípios. 2003. Todo sociólogo do poder ou do comportamento político é. vindo em dano da Ciência Política. falar de identidade ou coincidência das duas disciplinas. Afigura-se-nos porém inaceitável essa redução. atual. 1 Empirismo: doutrina ou atitude que admite. Darcy. BASTOS. A Ciência política vai além. o normativo e o subjetivo. ed. Belo Horizonte: Del Rey. BONAVIDES. a Sociologia Política é que constitui parte da Ciência Política. Fora dessa compreensão. verdade é que se não confundem as duas disciplinas. ed. autores do prestigio de Duverger. ganhando aquela amplitude que a Ciência Política tem ostentado. entrar na esfera do “dever ser”. mas acontece que nem todo cientista político é tão-somente sociólogo. Dalmo de Abreu. mas a Sociologia Política que fica no interior da Ciência Política. quanto à origem do conhecimento. independentemente da experiência. São Paulo: Globo. ed. Uma Sociologia Política não poderia. A Ciência Política é o todo. [Opõe-se a racionalismo.Resumo de Ciência Política c/ Teoria Geral do Estado Prof. A Ciência Política possui âmbito mais largo que a Sociologia Política. com a resultante absorção da Ciência Política pela Sociologia Política. possam. seja negando a existência de princípios puramente racionais. rev. 2.] (Dicionário Aurélio) 8 . sem descrédito. Em rigor. Introdução à Ciência Política. Paulo. Teoria do Estado: introdução. não o inverso. 2003. 24.: Flávio Roberto dos Santos investigação da sociedade do que das sociedades. a espécie. 10. São Paulo: Saraiva. com sua contribuição. segundo três sentidos que a valoração comporta: o empírico1. Posto que conservem inumeráveis pontos de contato ou partilhem ambas um terreno comum e vasto. Em verdade. 2002. a Sociologia Política a parte. DALLARI. favorecem o traçado de fronteiras: a direção normativa. 15. cientista político. Curso Teoria do Estado e Ciência Política.

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