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Ponto Dos Concursos - SENADO - Processo Legislativo

Ponto Dos Concursos - SENADO - Processo Legislativo

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010
LUCIANO OLIVEIRA
PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010
LUCIANO OLIVEIRA

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 LUCIANO OLIVEIRA AULA 00

Olá, caros(as) concurseiros(as)! Meu nome é Luciano Oliveira . Sou natural de Santos/SP e tenho 35 anos. Morei no Rio de Janeiro por 10 anos, na época em que fui Oficial da Marinha, e estou em Brasília há 5 anos, desde que vim trabalhar no serviço público civil federal, inicialmente na Secretaria do Tesouro Nacional, depois no Tribunal de Contas da União (TCU) e atualmente no Senado Federal. Hoje sou Consultor de Orçamentos do Senado Federal. Já exerci o cargo de Auditor Federal de Controle Externo do TCU e o de Analista de Finanças e Controle da Secretaria do Tesouro Nacional. Antes disso, fui Oficial da ativa da Marinha do Brasil por sete anos. Sou professor de cursos preparatórios há mais de cinco anos, especializado em Direito Administrativo, e ministro também cursos de redação, atuando em cursos presenciais de Brasília e outras capitais. Atualmente sou o Presidente da Associação Nacional dos Concurseiros, a Andacon (www.andacon.org.br). Além disso, sou autor do livro Direito Administrativo: Questões Discursivas Comentadas, publicado pela Editora Impetus, o qual apresenta inúmeros exemplos de soluções de questões discursivas aplicadas em concursos públicos nos últimos anos. Mantenho também um pequeno blog na internet sobre Direito Administrativo (diretoriojuridico.blogspot.com), onde podem ser encontradas dicas valiosas sobre concursos públicos, inclusive sobre questões discursivas. Segue abaixo um pequeno resumo de meu currículo profissional: Atividades Profissionais: - Consultor de Orçamentos do Senado Federal; - Professor de Direito Administrativo e redação em cursos preparatórios de Brasília e outras capitais; - Professor colaborador do Ponto dos Concursos e da Editora Ferreira; - Presidente da Associação Nacional dos Concurseiros (Andacon); - ex-Auditor Federal de Controle Externo do TCU (2006-2009); - Ex-Analista de Finanças e Controle do Tesouro Nacional (2005-2006); - Capitão-Tenente da reserva da Marinha do Brasil (1999-2005); Formação Acadêmica: - Pós-graduando em Regulação de Serviços Públicos pelo TCU; - Bacharelando em Direito pela Universidade de Brasília (UnB); - Bacharel em Ciências Navais pela Escola Naval-RJ (1997); - Ensino Médio pelo Colégio Naval-RJ (1993). Aprovações em Concursos Públicos: - Consultor de Orçamentos do Senado Federal (FGV, 4º lugar, 2008); 1

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 - Auditor (Conselheiro-Substituto) do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL) (FCC, 2º lugar, 2008); - Auditor Substituto de Conselheiro do TCE-MT (FESMP-RS, 1º lugar, 2008); - Auditor (Conselheiro-Substituto) do TCE-GO (Esaf, 5º lugar, 2008); - Auditor (Ministro-Substituto) do TCU (Cespe, 3º lugar, 2007); - Analista de Controle Externo do TCU (Esaf, 3º lugar, 2006); - Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (Esaf, 2º lugar, Unidades Centrais, 2005); - Auditor Fiscal da Receita Estadual de Minas Gerais (Esaf, 6º lugar, 2005); e - Analista de Finanças e Controle do Tesouro Nacional (Esaf, 4º lugar, Área Contábil, 2005). Livros Publicados: - Direito Administrativo: Cespe/UnB, Ed. 2008; - Análise das Demonstrações Contábeis de Empresas, Ed. 2008; e - Direito Administrativo: Questões Discursivas Comentadas, Ed. Impetus, 2009. Artigos Publicados: – O Contraditório e a Ampla Defesa nos Concursos Públicos. Revista Zênite de Direito Administrativo, nº 93, abr/2009 e Jus Navigandi, 25/11/2008, http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=12006; – A Inconstitucionalidade do Cadastro de Reserva nos Concursos Públicos. Jus Navigandi, 28/05/2010, http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=14925; – O Auditor do Tribunal de Contas. Jus Navigandi, 18/06/2010, http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=15039. Agora vejamos como estão estruturadas nossas aulas: AULA 0 – Poder Legislativo: bicameralismo, Câmara dos Deputados, Senado Federal, Congresso Nacional; princípios do processo legislativo; processo Legislativo na Constituição Federal e suas fases; legislatura e sessão legislativa; quórum; reuniões preparatórias; sessões: natureza e fases; votações; presidência; Mesa do Senado Federal e do Congresso Nacional; lideranças e blocos parlamentares. AULA 1 – Comissões: tipos, competências, reuniões e deliberações. AULA 2 – Atribuições constitucionais específicas do SF; procedimentos em processo legislativo; urgência. AULA 3 – Proposições; emendas; discussão, processo de votação, destino; publicação; proposições de legislaturas anteriores. AULA 4 – Tramitação de projetos de lei ordinária e lei complementar. AULA 5 – Tramitação de projetos de decreto legislativo e resoluções. 2

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 AULA 6 – Matérias sujeitas à deliberação especial: proposta de emenda à constituição, projetos de lei de código; projetos com tramitação urgente estabelecida na Constituição; projetos referentes a atos internacionais. AULA 7 – Procedimento concentrado: tramitação de medidas provisórias; vetos; matérias orçamentárias. AULA 8 – Aspectos formais das proposições em tramitação; Lei Complementar 95/98; órgãos do Senado; Senadores: uso da palavra; Cronograma das aulas: Aula 0: 21/10/2010 Aula 1: 03/11/2010 Aula 2: 13/11/2010 Aula 3: 23/11/2010 Aula 4: 03/12/2010 Aula 5: 13/12/2010 Aula 6: 23/12/2010 Aula 7: 03/01/2011 Aula 8: 13/01/2011 Durante o curso, os exemplos e as explicações do processo legislativo serão, em princípio, sempre em relação ao Senado, pois é o objeto principal de nosso estudo. No decorrer das aulas, contudo, também vamos ver um pouco sobre o Congresso Nacional, pois é assunto de prova. Já o processo legislativo na Câmara dos Deputados não será abordado. Para facilitar, incorporarei ao curso várias tabelas e quadros que procuram resumir e sistematizar a extensa gama de informações com que estaremos lidando. Também explicarei de forma didática alguns conceitos do “jargão” do processo legislativo, que vai auxiliar muito o ganho de intimidade com a matéria. Outra coisa importante é que vocês possam, de alguma maneira, visualizar de forma mais concreta os assuntos do curso e assimilar melhor o conteúdo. Assim, na medida do possível, trarei breves exemplos práticos do processo legislativo: um despacho, uma mensagem, uma lista de votação etc.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Bom, além deste curso vocês podem (devem!) consultar o Regimento Interno do Senado Federal (RISF) e o Regimento Comum do Congresso Nacional. Todo esse conteúdo encontra-se disponível no site do Senado. Cuidado apenas para não deixar de lado as atualizações, que podem ser igualmente acessadas no site, mas ainda não foram compiladas no texto original. Aliás, cabe aqui um esclarecimento: neste curso, abordarei detalhadamente a matéria de processo legislativo, tanto a parte que consta da Constituição Federal, como a parte que está regrada no RISF e no Regimento Comum. Mas não se trata de um curso de Regimento. É um curso de processo legislativo. Neste curso, a parte de Regimentos será abordada apenas e especificamente em relação aos tópicos de processo legislativo, o que é apenas uma pequena parte dos dois Regimentos. Por outro lado, o RISF e o Regimento Comum, na íntegra, serão cobrados especificamente no edital. Para isso, vou lançar um curso específico de Regimento Interno do Senado Federal e Regimento Comum, aqui no Ponto dos Concursos. Neste curso, serão abordados os dois Regimentos, devidamente analisados em detalhes, salvo a parte de processo legislativo, que será vista lá de forma mais “en passant”, uma vez que o presente curso de processo legislativo já aprofundará essa disciplina. Vale destacar que as questões específicas de RISF e Regimento Comum, no concurso, não costumam abordar a parte de processo legislativo. Lançarei ainda o curso de discursivas para Analista de Processo Legislativo e Técnico de Processo Legislativo do Senado Federal, aqui no Ponto, em parceria com os professores Luiz Henrique Lima e Cyonil Borges, no qual serão aplicados, corrigidos e comentados simulados das matérias específicas desses cargos. Muito bem! Antes de começar, mais uma dica sobre o curso. Sempre que estivermos nos referindo a projetos de maneira geral, à ampla gama de espécies de propostas que irão se submeter ao processo legislativo, usarei os termos proposição ou matéria. Muita gente pensa que tudo que tramita se chama projeto. Mas não é bem assim. Projeto se refere a um tipo específico de proposição. Assim como o termo “proposta”. Em processo legislativo, cada um deles terá um tratamento diferenciado, por isso a importância de frisar bem essa distinção. Muito bem, preparados? Então, vamos começar! Primeiro, uma breve introdução sobre o Poder Legislativo, estabelecendo as diferenças entre a organização e a competências de cada Casa. Em seguida, vamos nos aprofundar nos aspectos concernentes ao processo e, mais à frente, ao Senado. Poder Legislativo e Bicameralismo

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 O Poder Legislativo em âmbito federal é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, configurando um sistema legislativo bicameral. Aqui vai uma pergunta para vocês: para que existe o Senado? Uma resposta bem simples a essa pergunta seria: porque o Brasil adota o sistema parlamentar bicameral, no qual duas Câmaras compõem o Poder Legislativo. Mas por que adotar o sistema bicameral? Porque o Brasil é uma Federação. E o modelo federativo pressupõe a existência de uma instância na qual esteja representada a vontade dos estados que compõem a Federação. Em estados organizados na forma federativa, o bicameralismo tem a função de minimizar a assimetria entre os estados, a qual acontece na Câmara dos Deputados. Lá, as unidades da Federação mais populosas possuem número maior de representantes. Dessa forma, se pegarmos como exemplo os estados de São Paulo, por um lado, e do Acre, por outro, este último, bem menos populoso, fica em clara desvantagem. O Senado, onde a representação é igual para todos, estabelece um equilíbrio do poder político entre as maiores e as menores unidades da Federação. Logo, São Paulo e Acre têm o mesmo número de Senadores. O bicameralismo também implica diferenças de atribuições e prerrogativas entre as duas Casas do Legislativo, sendo que nossa Constituição Federal, em seus artigos 51 e 52, estabelece essas diferenças. Um último detalhe: estados federados adotam o bicameralismo, mas estados que não são federações podem fazer o mesmo. Um exemplo é a Inglaterra, que possui duas Câmaras. O Brasil, na época do Império, é outro exemplo: mesmo não sendo ainda uma Federação, já adotava um modelo bicameral. Já o Poder Legislativo nos estados e municípios brasileiros é composto de apenas uma Câmara: nos estados, são as Assembleias Legislativas estaduais e nos municípios, as Câmaras de Vereadores. No Distrito Federal, o Poder Legislativo é exercido pela Câmara Legislativa, com características semelhantes às das Assembleias Estaduais. Câmara dos Deputados e Senado Federal

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 As duas casas que compõem o Congresso Nacional – Câmara dos Deputados (CD) e Senado Federal (SF) – guardam inúmeras diferenças entre si. As principais que precisamos guardar, no entanto, são as seguintes: natureza da representação; forma de eleição dos membros; duração dos mandatos; quantitativo de membros; e competências específicas. Dessa forma, a CD é formada por representantes do povo, eleitos na forma proporcional para um período de quatro anos. O número total de deputados bem como a representação de cada Estado e do DF, segundo reza a CF/88, é estabelecido por lei complementar, para poder sempre guardar proporcionalidade à população. A CF/88 determina, no entanto, que nenhuma unidade da Federação pode ter menos de oito ou mais de setenta Deputados. Cabe frisar que hoje o quantitativo total de deputados na CD é 513. As competências da Câmara estão elencadas no artigo 51 da CF/88. Já o SF compõe-se de representantes dos Estados e do DF, eleitos pelo princípio majoritário para um mandato de oito anos. Ao contrário da Câmara, seu número é fixo: são três senadores por unidade da Federação, totalizando 81 Senadores. As atribuições do SF estão definidas no artigo 52 da CF/88, sendo recomendável sua memorização! Agora, a questão da duração dos mandatos. Na Câmara, os deputados são eleitos para um mandato de quatro anos. Esse período de quatro anos, dentro do Congresso Nacional, é chamado de legislatura. A cada legislatura, portanto, são trocados todos os deputados (permitida a reeleição). No Senado, funciona diferente: o mandato de um Senador dura duas legislaturas – portanto, oito anos, também permitida reeleição. No entanto, a cada quatro anos é preciso votar para Senador, pois a troca se dá de forma alternada. Em uma eleição, são renovados 2/3 da casa, ou seja, dois senadores por estado. Na eleição seguinte, troca-se apenas 1/3, um senador por unidade da federação. Muito bem, e o que seria então o “Congresso Nacional”? O Congresso Nacional consiste na reunião de deputados e senadores para deliberar sobre assuntos específicos, determinados pela Constituição Federal, como orçamentos, vetos, promulgação de emendas constitucionais... Nessas ocasiões, são realizadas as chamadas “reuniões conjuntas”. Apesar de se reunir de forma mais esporádica, o Congresso Nacional possui Mesa (formada pela Mesa do SF e da CD, de modo alternado), órgãos internos e um regimento específico para ele, o chamado “Regimento Comum”. Em nosso estudo, à medida que for justificável, abordarei também os principais mecanismos de trabalho do Congresso Nacional. Processo Legislativo na Constituição Federal 6

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00

Em nossa introdução ao estudo do Processo Legislativo, é importante ter em mente que seus principais pontos estão delineados, de forma genérica, na Constituição Federal de 1988 (CF/88), em seu Título IV, “Da Organização dos Poderes”, no Capítulo I, “Do Poder Legislativo”. É de fundamental importância dominar o conteúdo constitucional referente à organização e ao processo legislativo, por meio do qual já será possível “matar” algumas questões. Vale lembrar que os Regimentos Internos (do Senado, da Câmara dos Deputados e o Regimento Comum do Congresso Nacional) possuem força normativa primária, cujo fundamento vem diretamente do texto constitucional. Outro detalhe importante: ao contrário dos Regimentos do Senado e da Câmara, o Regimento Comum é bem sucinto. Portanto, sempre que ele for omisso aplicam-se primeiro as disposições do Regimento do Senado e, se esse também for omisso, aí, sim, pode ser usado o da Câmara dos Deputados. A CF/88 determina ainda a edição de uma lei complementar, prevista no parágrafo único do art. 59, que dispõe sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação as leis. Essa lei já está em vigor (LC 95/1998) e seu conteúdo foi objeto de cobrança no último edital para o cargo de Analista Legislativo. Fases do Processo Legislativo O processo legislativo ordinário é composto introdutória, constitutiva e complementar. de três grandes fases:

A fase introdutória consiste no poder de iniciativa, ou seja, a competência de propor a edição de uma regra jurídica nova, inaugurando o processo legislativo. Na fase constitutiva, ocorre a conjugação da vontade do Legislativo e do Executivo para a formação da lei. Dentro do Congresso Nacional, essa fase compreende três etapas: emendamento, instrução e deliberação. Depois de aprovada, a proposição pode ir ou não para a sanção ou veto presidencial. Por fim, na fase complementar, temos a promulgação e a posterior publicação da lei, para que ela seja válida e possa produzir seus efeitos. Vamos detalhar um pouco o que acontece em cada uma dessas fases: Fase introdutória A CF/88 dispõe sobre os legitimados para iniciar o processo legislativo. São eles: • Qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional; 7

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 • • • • • Presidente da República; Supremo Tribunal Federal (STF) e Tribunais Superiores; Procurador-Geral da República (PGR); Assembleias Legislativas; Cidadãos.

A iniciativa, portanto, pode ser vista sobre alguns aspectos: • • • parlamentar e extraparlamentar ; individual e coletiva; geral, concorrente, privativa (reservada, restrita ou exclusiva), vinculada e popular.

As duas primeiras classificações são simples: tudo o que não for de iniciativa de parlamentar, será extraparlamentar. A iniciativa será individual ou coletiva conforme o número de pessoas exigido para a apresentação de certas matérias. Por exemplo, para apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), é preciso 1/3 do SF (27 Senadores), portanto, a iniciativa é coletiva. Mas cuidado: matérias de iniciativa de tribunais superiores, contudo, são consideradas de iniciativa individual (do órgão)! Iniciativa geral: está relacionada à apresentação de projetos de lei ordinária e complementar sobre matérias em geral, estendidas, como regra, a qualquer parlamentar ou Comissão (do Senado, Câmara ou Congresso), ao Presidente da República, Supremo Tribunal Federal, Tribunais Superiores, Procurador Geral da República e aos cidadãos. Iniciativa concorrente: refere-se a certas matérias em que há mais de um legitimado apto a inaugurar o processo legislativo. Pode ser estendida a parlamentares, Comissão (do Senado, Câmara ou Congresso), Presidente da República, Supremo Tribunal Federal, Tribunais Superiores, Procurador Geral da República e aos cidadãos, na propositura de leis ordinárias e leis complementares. Também há legitimados concorrentes para apresentar Propostas de Emenda à Constituição (PECs). TIPO DE LEI Leis complementares e ordinárias LEGITIMADO Qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional Presidente da República (CF/88, art. 61); Supremo Tribunal Federal e Tribunais 8

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Superiores (CF/88, art. 61); Procurador-Geral da República (CF/88, art. 61); Cidadãos (CF/88, art. 61); Proposta de Emenda à Constituição Mínimo 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou mínimo de 1/3 dos membros do Senado (CF/88, art. 60, I); Presidente da República (CF/88, art. 60, II); Mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros (CF/88, art. 60, III); OBS: Atentar para o projeto de lei complementar de organização do Ministério Público, bem como de normas gerais para a organização do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios, que compete concorrentemente ao Presidente da República e ao Procurador-Geral da República (CF/88, art. 61, § 1º, II, “f”, e art. 128, § 5º). Iniciativa privativa: também denominada reservada, restrita ou exclusiva, só pode ser levada a cabo por determinadas pessoas, sob pena da matéria em questão padecer de vicio formal de iniciativa, tornando a mesma inconstitucional. Pode ser privativa do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. O quadro a seguir procura sintetizar esses dados: LEGITIMADO Presidente da República PROPOSIÇÃO Fixação ou modificação dos efetivos das Forças Armadas; CF/88, art. 61, § 1º, I; Criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; CF/88, art. 61, § 1º, II “a”; Organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios; CF/88, art. 61, § 1º, II “b”; 9

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; CF/88, art. 61, § 1º, II “c”; Criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI; CF/88, art. 61, § 1º, II “e”; Militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva; CF/88, art. 61, § 1º, II “f”; Medidas Provisórias; CF/88, art. 62 STF Estatuto da Magistratura; CF/88, art. 93. STF, Tribunais Superiores Matérias de seu interesse exclusivo CF/88, art. 96, II e TJs Congresso Nacional Por decreto legislativo (sem sanção presidencial) Fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores; CF/88, art. 49, VII; Fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado; CF/88, art. 49, VIII; Resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais CF/88, art. 49, I; Autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar CF/88, art. 49, II; Autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias CF/88, art. 49, III; Aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas CF/88, art. 49, IV; Sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa CF/88, art. 49, V; Mudar temporariamente sua sede CF/88, art. 49, VI; Câmara dos Deputados Elaborar seu regimento interno, por resolução 10

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; (esta última – remuneração – por projeto de lei, com sanção presidencial) Senado Federal Elaborar seu regimento interno, por resolução Organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias (esta última – remuneração – por projeto de lei, com sanção presidencial)

Iniciativa vinculada: Os projetos de lei de natureza orçamentária (PPA, LDO e LOA) são considerados como de iniciativa vinculada, pois a Constituição obriga o Presidente da República a encaminhá-los ao Congresso Nacional (CF/88, arts. 84, XXIII, e 165). Se o Presidente descumprir esse mecanismo, estará incorrendo em crime de responsabilidade (Lei nº 1.079, de 1950). Iniciativa popular: Um das formas diretas de exercício do poder, a iniciativa popular é uma novidade estabelecida pela CF/88 e que possibilita o eleitorado dar início ao processo legislativo de lei ordinária ou complementar. Para ser apresentado ao Parlamento, o projeto precisa cumprir os seguintes requisitos: Mínimo de 1% ELEITORADO NACIONAL – mínimo de 5 ESTADOS – mínimo e 0,3% EM CADA ESTADO (art. 61, § 2º). O projeto inicia sua tramitação ordinária pela Câmara dos Deputados, podendo ser emendado, aprovado ou rejeitado. Atenção: a Constituição Federal NÃO prevê expressamente a iniciativa popular para a apresentação de Proposta de Emenda à Constituição, embora alguns doutrinadores a admitam e dezesseis estados da Federação tenham feito expressamente tal previsão em suas constituições estaduais, como São Paulo, Pará, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Também não cabe iniciativa popular, evidentemente, naquelas matérias que possuem iniciativa reservada a outros titulares.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Havendo vício de iniciativa, ou seja, se determinada proposição for apresentada por aquele que não possui legitimidade para tal, a matéria será inconstitucional. Nesse caso, nem o regular processo legislativo, nem a sanção do Executivo são capazes de validá-la. Fase constitutiva No Legislativo, os projetos são discutidos e votados conforme as regras gerais ou específicas do Processo Legislativo, em basicamente três etapas: emendamento, instrução e deliberação (que inclui discussão e votação), as quais estudaremos adiante. Como já vimos, o Poder Legislativo federal no Brasil é bicameral, com uma casa iniciadora (em geral, a Câmara dos Deputados) e uma casa revisora (em geral, o Senado). Isso porque o rol de proposições que tem tramitação iniciando pela Câmara dos Deputados é bem mais extenso, conforme o quadro a seguir: INICIA NA CD INICIA NO SF

Projetos de autoria de deputados ou Projetos de autoria de Senador ou Comissão da CD Comissão do SF PEC de autoria de deputados PEC de autoria de Senadores* das Assembleias Projetos e PEC de autoria do Presidente PEC de autoria da República Legislativas* Medidas Provisórias Projetos de autoria do STF, Tribunais Superiores e do PGR Projetos de iniciativa popular * Segundo o art. 212 do RISF, essas matérias podem ter tramitação iniciando pelo Senado. Geralmente, é o que ocorre. Uma proposição “nasce” dentro do processo legislativo no instante em que é protocolada na Mesa do Senado, já que o objeto principal do curso é o processo legislativo nessa Casa. Se os requisitos para sua apresentação foram cumpridos (forma e poder de iniciativa), a proposição recebe um número e será lida no Plenário. 12 dos

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Depois, ela é despachada pelo Presidente do Senado para uma ou mais Comissões, dependendo do assunto de que trata a proposição. Nesse mesmo despacho, o Presidente determina se a proposição terá tramitação terminativa – apreciada apenas pelas Comissões, sem passar pelo Plenário, salvo recurso – ou não terminativa (passará obrigatoriamente pelo Plenário). O artigo 91 do RISF trata desse assunto, que estudaremos com mais detalhes adiante. Começa então a etapa do emendamento. Todos os Senadores, mesmo aqueles que não fazem parte das Comissões constantes do despacho, podem apresentar emendas à proposição. As emendas são sugestões de alteração de determinada matéria e precisam seguir algumas regras, que também serão objeto do nosso estudo. O Presidente da Comissão escolhe então, dentre os membros do colegiado, um relator para a matéria. Esse relator tem a metade do tempo de que dispõe a Comissão para apresentar seu relatório. Começa aí a etapa de instrução. O Senador relator deve estudar a matéria, analisar seus prós e contras e apresentar a seus colegas na Comissão qual o destino que, a seu juízo, aquela matéria deve ter: aprovação, rejeição ou prejudicialidade. O relator também pode apresentar emendas à proposição relatada e se pronunciar a respeito da pertinência das emendas de outros Senadores. Ele acata ou não as emendas e justifica sua decisão no relatório. Concluído o relatório, a proposição entra na pauta da Comissão para ser discutida e votada – é a etapa da deliberação. Se a maioria da Comissão se manifestar de acordo com o relator, o relatório se transforma em parecer da comissão. Como dito anteriormente, algumas matérias podem ter sua apreciação no Senado finalizada nas Comissões. Se este não for o caso, a proposição ainda deverá passar pelo Plenário do Senado, onde será novamente instruída, discutida e votada. Se a proposição em tela for originária do Senado, será encaminhada à Câmara dos Deputados para que proceda à sua revisão. Na Câmara, a matéria vai percorrer o processo legislativo próprio daquela Casa. Se os deputados fizerem emendas a essa proposição, ela volta para o Senado, que vai se pronunciar apenas sobre as emendas recebidas (CF/88, art. 65, par. único). Quando a proposição aprovada for um projeto de lei, ele deve ser encaminhado ao Presidente da República para sanção ou veto. Já as Propostas de Emenda à Constituição, os Projetos de Decreto Legislativo, os Projetos de Resolução e as Medidas Provisórias, estas quando não tenham sido alteradas substancialmente durante sua tramitação no Congresso, não precisam passar pela sanção presidencial. ATENÇÃO ESPECIAL PARA ESTE TEMA, POIS É “CAMPEÃO” EM PROVAS DE CONCURSOS… 13

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 O prazo para o Presidente da República sancionar, ou seja, concordar com determinada matéria é de 15 dias úteis. Decorrido esse prazo, o silêncio do Presidente da República importará sanção – a chamada sanção tácita (CF/88, art. 66 §§ 1.° e 3.°) Durante esse mesmo prazo, o Presidente da República tem a prerrogativa de vetar o projeto de lei no todo ou em parte, por razões de inconstitucionalidade (veto jurídico) ou por considerá-lo contrário ao interesse público (veto político). Se o veto for parcial, só poderá abranger texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea (CF/88, art. 66, § 2.°). Uma vez vetado, o Presidente da República tem 48 horas para enviar ao Presidente do Senado Federal uma Mensagem Presidencial comunicando os motivos do veto (CF/88, art. 66, § 1.°). Vejam só um exemplo desse tipo de Mensagem:
MENSAGEM Nº 532, DE 1º DE SETEMBRO DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por inconstitucionalidade e contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 325, de 2009 (no 4.673/04 na Câmara dos Deputados), que “Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais LIBRAS”. Ouvidos, os Ministérios da Justiça e do Trabalho e Emprego manifestaram-se pelo veto aos seguintes dispositivos: Arts. 3o e 8o: “Art. 3o É requisito para o exercício da profissão de Tradutor e Intérprete a habilitação em curso superior de Tradução e Interpretação, com habilitação em Libras Língua Portuguesa(....) “Art. 8o Norma específica estabelecerá a criação de Conselho Federal e Conselhos Regionais que cuidarão da aplicação da regulamentação da profissão, em especial da fiscalização do exercício profissional.” Razões dos vetos “O projeto dispõe sobre o exercício da profissão do tradutor e intérprete de libras, considerando as necessidades da comunidade surda e os possíveis danos decorrentes da falta de regulamentação. Não obstante, ao impor a habilitação em curso superior específico e a criação de conselhos profissionais, os dispositivos impedem o exercício da atividade por profissionais de outras áreas, devidamente formados nos termos do art. 4o da proposta, violando o art. 5o, inciso XIII da Constituição Federal.”

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00
Essas, Senhor Presidente, as razões que me levaram a vetar os dispositivos acima mencionados do projeto em causa, as quais ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional.

Depois disso, o veto deve ser apreciado em sessão conjunta do Congresso Nacional, em 30 dias contados do seu recebimento, sob pena de paralisar as demais votações do Congresso Nacional, ou seja, não impede o funcionamento das duas casas legislativas. Para rejeitar o veto, é preciso maioria absoluta dos Deputados e a maioria absoluta dos Senadores, contados como Casas separadas, sendo a votação secreta. Veto rejeitado = a lei passa a valer da forma que era antes do veto. Veto mantido = pode ter dois destinos: se for veto parcial, o projeto é enviado ao Presidente da República para promulgação; em caso de veto total, o projeto será arquivado. Mais adiante, haverá uma seção inteira para detalhar como funciona a apreciação dos vetos no Congresso Nacional. Se, depois da apreciação dos vetos (pelo Congresso – art. 66, § 4.°), o Presidente da República não promulgar a lei em 48 horas, o Presidente do Senado a promulgará. Se este não promulgar em 48 horas, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo (CF/88, art. 66, § 7.°). Fase Complementar A fase complementar pode se dar no âmbito do Poder Executivo ou do Legislativo e compreende a promulgação e a publicação. A promulgação é o ato que valida a existência da lei e sua executoriedade. Aperfeiçoa a lei, tornando-a eficaz e apta a produzir seus efeitos. Nesse sentido, toda norma jurídica deve ser promulgada, mesmo que ela não dependa da sanção presidencial (caso das emendas constitucionais, decretos legislativos e resoluções, promulgados diretamente pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal) Já vimos que no caso dos vetos mantidos, o Chefe do Executivo dispõe de 48 horas para promulgar a lei e, se não o fizer, a competência passa a ser do Presidente do SF. No caso de sanção tácita, o Presidente também dispõe de 48 horas para promulgar a lei. Ou seja, uma vez sancionado, o projeto de lei deve ser promulgado.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Depois de promulgada, a lei deve ser publicada, determinando o momento em que seu cumprimento passará a ser exigido. Se a norma não contiver a data de sua entrada em vigor, segundo a Lei de Introdução ao Código Civil, terá vigência 45 dias depois de sua publicação. A mesma Lei de Introdução ao Código Civil dispõe que a norma passará a vigorar para os brasileiros residentes no exterior após noventa dias de sua publicação oficial. O Processo Legislativo: natureza jurídica e princípios Já vimos de maneira geral como a Constituição trata da dinâmica do processo legislativo, formando um ciclo completo. A partir de agora, vamos nos deter na atuação do Poder Legislativo para a formação da lei. O Processo Legislativo pode ser visto como uma espécie do gênero direito processual e tem por finalidade a produção de normas jurídicas pelas Casas Legislativas. Portanto, pode ser definido como uma série de atos e ações que são próprias do Parlamento, uma sequência de procedimentos para que uma ideia seja ou não convertida em norma legal. Os princípios básicos desse processo estão elencados lá no finalzinho do Regimento Interno do Senado Federal (RISF), em seu artigo 412. Vamos ver quais são eles: 1) Participação plena e igualitária dos Senadores em todas as atividades legislativas, respeitados os limites regimentais; Esse princípio garante que os preceitos democráticos sejam observados em cada tomada de decisão no Parlamento. A ideia é que todos os parlamentares estejam em “pé de igualdade” quanto ao ato de legislar. Aqueles que detêm prerrogativas mais amplas possuem legitimidade para tal, pois foram eleitos pelos seus próprios colegas. É o caso do Presidente do Senado e dos demais membros da Mesa, por exemplo. 2) O Regimento Interno só pode ser modificado por norma legislativa, cumpridos os procedimentos regimentais; O Regimento Interno do Senado é uma Resolução, retirando sua validade diretamente do texto constitucional. É matéria privativa do Senado Federal e para ser modificado é preciso que se aprove um projeto de resolução, seguindo as determinações do processo legislativo. 3) Os acordos de lideranças ou decisões do Plenário não prevalecem sobre o regimento, salvo o voto nominal da unanimidade, presentes três quintos dos membros da Casa; 16

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Uma das finalidades do Parlamento é a busca do consenso. No entanto, o Regimento encontra-se acima dos acordos políticos, abrindo exceção se a decisão for tomada por todos os Senadores presentes, e estando presentes no mínimo 3/5 dos membros da Casa – 49 Senadores. 4) A decisão que contrarie norma regimental é nula; Princípio autoexplicativo. Os procedimentos integrantes do Regimento devem ser estritamente observados, sob pena de se configurar a nulidade do ato praticado. 5) A norma especial prevalece sobre a geral; Princípio extraído do Direito Processual. Se houver uma norma geral e outra específica regulando a mesma matéria, a decisão deve se guiar pela norma específica; 6) Os casos omissos são decididos por analogia e princípios gerais de Direito; Esse princípio aproveita disposição contida no art. 4.° da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro. Portanto, quando a lei for omissa, a decisão do caso será de acordo com a analogia e os princípios gerais de direito. 7) Preservação dos direitos das minorias; Um dos princípios mais importantes para se entender a lógica do processo legislativo. De modo geral, as decisões são tomadas sempre pela maioria. No entanto, para que a formação do ato normativo se dê da forma mais legítima possível, as minorias possuem uma série de direitos garantidos pelo RISF, como veremos durante o curso. Os recursos e as Comissões Parlamentares de Inquérito são os exemplos mais notórios da aplicação desse princípio. 8) Definição normativa, a ser observada pela Mesa em questão de ordem decidida pela Presidência; A questão de ordem é um questionamento formulado por qualquer Senador, em qualquer momento dos trabalhos, que diga respeito a dúvidas sobre interpretação ou aplicação do Regimento Interno. A questão de ordem é decidida pelo Presidente e deve se balizar estritamente pela norma. Se a decisão se der em relação a um caso omisso, será considerado precedente. No entanto, o precedente não tem força obrigatória, pois isso só acontece quando a norma for incorporada ao Regimento, ou seja, por aprovação de projeto de resolução. 9) Decisão sempre colegiada, salvo competências específicas do Regimento Interno; Como regra, todas as decisões no Senado são colegiadas, com exceção das atribuições do Presidente do Senado, dos Presidentes de Comissões e de outras especificamente citadas pelo RISF. 17

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 10) Impossibilidade de tomada de decisões sem a observância do quórum regimental estabelecido; Como estudaremos mais adiante, o quórum é o número mínimo de senadores que devem votar para tornar a decisão válida. Se esse número não for observado, a decisão tomada pode ser invalidada; 11) A pauta deve ser feita com antecedência: todos os Senadores devem tomar conhecimento; Também ligado à ideia de democracia e aos direitos das minorias, todas as pautas de trabalho do Plenário e das Comissões devem ser divulgadas com antecedência a todos os Senadores, para que tomem conhecimento delas e possam preparar sua decisão. 12) Publicidade das decisões tomadas, salvo casos específicos no Regimento; Os resultados dos trabalhos do Plenário e das Comissões são comunicados ao público em geral por meio da divulgação oficial no Diário do Senado Federal, além, é claro, de outros meios. Apenas as decisões que forem justificadamente protegidas por sigilo fogem a essa regra. 13) Ampla negociação política, observando o Regimento; Como já vimos, os parlamentares possuem total liberdade de negociação para tentar atingir um consenso. No entanto, os acordos devem se dar dentro dos limites postos pelo Regimento, a menos que a situação se enquadre no terceiro princípio estudado. Legislatura e Sessão Legislativa Conforme comentamos anteriormente, a legislatura compreende um período de quatro anos, quando então temos novas eleições gerais. A legislatura, por sua vez, é dividida em quatro períodos (anuais), denominados sessões legislativas ordinárias. Cada sessão legislativa vai do dia 02 de fevereiro a 17 de julho (1.o período) e de 01 de agosto a 22 de dezembro (2.o período), uma determinação constitucional. Os períodos não compreendidos nesse intervalo de tempo configuram os recessos parlamentares. Para haver trabalhos durante o recesso parlamentar, é preciso instalar uma sessão legislativa extraordinária (mais conhecida por convocação extraordinária). Durante a convocação extraordinária, o Congresso Nacional pode deliberar apenas sobre o assunto para o qual foi convocado, além das medidas provisórias constantes da pauta, se houver (CF/88, art. 57, §§ 6.o e 7.°). 18

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 A tabela abaixo resume os casos de convocação extraordinária e quem pode convocá-la: QUEM CONVOCA Presidente do Senado SITUAÇÃO Decretação de estado intervenção federal; de defesa ou de

Pedido de autorização para decretação de estado de sítio; Tomada de compromisso e posse Presidente e Vice-Presidente da República. Presidente da República Presidentes da CD e do SF Requerida pela maioria membros das duas casas dos Caso de urgência ou interesse público relevante do

Obviamente, nos casos de estado de defesa e de sítio e de intervenção federal durante a sessão legislativa não há necessidade dessa convocação (afinal de contas o Congresso já estará funcionando normalmente). Agora, não confundam a sessão legislativa (explicada acima) com as sessões plenárias. É possível haver mais de uma sessão do Senado no mesmo dia, ou até mesmo, sessões do SF e outra, conjunta, do Congresso Nacional. Precisamos também diferenciar o conceito de sessão plenária do de reunião. A reunião não está necessariamente investida da mesma legitimidade da sessão. A denominação reunião é utilizada pelo Regimento em três casos: 1) Para dar início a uma sessão do Plenário é preciso que estejam presentes no mínimo um vigésimo da composição do Senado (4 senadores). Quando isso não acontece, isto é, não há número suficiente, a sessão não pode começar por falta de quórum (veremos isso com detalhes logo adiante). A sessão também pode não ser realizada devido a motivo de força maior. Nesses dois casos, acontece apenas uma reunião. O Presidente declara que a sessão não pode ser realizada, determina a publicação do expediente que há sobre a mesa, mesmo sem ter sido lido, e prepara-se uma ata dessa reunião. 2) O Plenário das Comissões realizam reuniões, e não sessões. Vale para as comissões do Senado e do Congresso, sejam elas permanentes ou temporárias.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 3) Antes do início da primeira e da terceira sessão legislativa ordinária da legislatura, o RISF determina que o Senado realize reuniões preparatórias para a escolha da Mesa Diretora que irá comandar a casa pelos próximos dois anos (RISF, art. 3.°). Quórum O quórum designa a quantidade de senadores presentes que é necessária para validar determinados atos do processo. Alguns quoruns estão definidos na Constituição, mas a maioria é determinada pelo RISF. O quórum de votação pode ser calculado de duas maneiras: com base em toda a composição da casa ou com base no número de senadores que se encontra presente naquele momento na sessão. Para entendermos isso melhor, precisamos definir primeiro o que seriam a maioria absoluta e a maioria simples. Maioria absoluta: votos correspondentes ao número inteiro imediatamente superior à metade dos membros do colegiado (presentes ou não), ou seja, divida o número de parlamentares por dois e “arredonde para cima”. Maioria simples: maioria dos votos dos membros presentes, devendo comparecer a maioria absoluta da composição do colegiado, que pode ser uma Comissão ou o Plenário do SF. Para melhor compreensão, vamos usar o exemplo de uma votação em Plenário. Suponha que se queira votar um projeto de lei complementar. Como já sabemos, a CF/88 determina que para aprovar esse tipo de matéria é preciso obter o voto favorável da maioria absoluta dos membros da Casa (art. 69). Portanto: Membros da Casa = 81 Senadores Metade dos Senadores = 81/2 = 40,5 41 Senadores.

Dessa forma, para que o projeto de lei complementar seja aprovado, deve obter 41 votos favoráveis. Vamos agora mudar o exemplo: queremos votar um projeto de lei ordinária. Ora, esse tipo de projeto requer maioria simples, que é a maioria existente no Plenário, estando presente a maioria absoluta. Já vimos que a maioria absoluta é de 41 Senadores. Lembre-se que, se houver menos de 41 Senadores em plenário, não é possível colocar o projeto em votação. Suponhamos então que haja 50 Senadores presentes. A maioria simples será: 50/2 = 25 Senadores + 1 = 26. Para que a matéria seja aprovada, bastam 26 votos. 20

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Quando o ato normativo se referir a outro quórum que não seja o de maioria simples ou maioria absoluta, estaremos diante de uma hipótese de quórum qualificado. Exemplo mais conhecido: aprovação de PEC (3/5 dos votos favoráveis de cada Casa). Também há quoruns específicos para abertura de sessões, para iniciar o processo de deliberação e para votação. Ocorre uma espécie de escalonamento. Para abrir uma sessão, digamos, do Plenário, é preciso um vigésimo da composição da casa (quórum de abertura), logo, 81/20 = 4 Senadores. Mas com esses quatro Senadores não podemos votar nada, certo? Para dar início ao processo de votação precisamos da maioria absoluta presente (quórum de votação) = 41 Senadores. E se a matéria exigir maioria absoluta para aprovação, ainda precisamos que todos esses 41 parlamentares votem a favor do projeto. Nas comissões a sistemática de cálculo do quórum é a mesma, para abertura de reuniões, votação e aprovação. Além da questão do quórum de abertura e de votação, vale frisar que vários atos do processo legislativo exigem números mínimos de assinaturas para que possam ter prosseguimento – é o quórum de iniciativa. É o caso de alguns requerimentos, recursos e apresentação de algumas propostas legislativas. O quadro abaixo procura resumir o quórum exigido para votação das principais matérias no Senado, ou seja, quantos votos favoráveis são necessários para a aprovação: VOTAÇÃO Proposta de Emenda à Constituição Projeto de lei complementar Projeto de lei ordinária Medida Provisória Escolha de autoridades (Ministros do STF, STJ e TST, PGR e membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público) Exoneração, de ofício, do PGR Rejeição de projeto de decreto legislativo de renovação de concessão ou permissão para serviço de radiodifusão QUÓRUM 3/5 dos Senadores (49) Maioria absoluta (41) Maioria simples dos presentes Maioria simples dos presentes Maioria absoluta (41)

Maioria absoluta (41) 2/5 dos Senadores (33)

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Condenação de Presidente e VicePresidente da República em casos de crimes de responsabilidade Perda de mandato de Senador Aprovação de estado de defesa ou estado de sítio Suspensão de imunidade de Senador durante estado de sítio Veto (em Congresso) sessão conjunta do 2/3 dos Senadores (54)

Maioria absoluta (41) Maioria absoluta (41) 2/3 dos Senadores (54 ) Maioria absoluta de Senadores (41) Maioria absoluta de Deputados (257) 2/3 dos votos (54 votos)

Fixação de alíquotas máximas nas operações internas, para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados e do Distrito Federal Estabelecimento de alíquotas aplicáveis às operações e prestações interestaduais e de exportação Estabelecimento de alíquotas mínimas nas operações internas Autorização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital, mediante créditos suplementares ou especiais específicos

Maioria absoluta (41 votos)

Maioria absoluta dos votos (41 votos) Maioria absoluta (41 votos)

Senado Federal: funcionamento e sede O Senado Federal é sediado no Palácio do Congresso Nacional, em Brasília. O parágrafo único do art. 1° do RISF permite que o Senado reúna-se em outro local fora da sede, em casos de guerra, comoção intestina, calamidade pública ou ocorrências que impossibilitem o seu funcionamento. Essa mudança ocorre por determinação da Mesa, a pedido da maioria dos Senadores. Reuniões Preparatórias 22

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Como vimos, antes do início da primeira e da terceira sessão legislativa ordinária da legislatura, o art. 3° do RISF determina que o Senado realize reuniões preparatórias para a escolha da Mesa Diretora que irá comandar a casa pelos próximos dois anos. Só que existe um descompasso entre as nomenclaturas utilizadas na Constituição Federal e no Regimento Interno do Senado sobre as reuniões preparatórias. A Constituição, em seu art. 57, § 4º, denomina essas reuniões como sessões preparatórias. Contudo, faz referência apenas à primeira sessão legislativa da legislatura: “Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente.” Segundo o RISF, as reuniões preparatórias acontecem da seguinte forma: Na primeira sessão legislativa ocorrem três reuniões preparatórias: 1a) A partir do dia 1º de fevereiro, para dar posse aos Senadores; 2a) Eleição do Presidente da Mesa; 3a) Eleição dos demais Membros da Mesa. Na terceira sessão legislativa acontecem duas reuniões preparatórias: 1a) No dia 1° de fevereiro, para eleição do Presidente; 2a) Eleição dos demais Membros da Mesa. Perceba: na primeira sessão legislativa da legislatura, quando há posse dos senadores eleitos, as reuniões preparatórias acontecem a partir de 1° de fevereiro, inclusive por determinação constitucional (CF/88, art. 57, § 4º). No entanto, a mesma Constituição diz que a sessão legislativa deve ser inaugurada no dia 02 de fevereiro, uma data fixa, mas que pode ser transferida para o primeiro dia útil subsequente quando for sábado, domingo ou feriado (CF/88, art. 57, § 1º). Assim, o importante é que a posse dos Senadores e as eleições para a Mesa Diretora ocorram antes da data marcada para a abertura da sessão legislativa.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Já na terceira sessão legislativa (quando não há posse; apenas eleições para a Mesa), o RISF dispõe que deve acontecer uma reunião preparatória no dia 1° de fevereiro, ok? O Regimento não abre exceção para sábados, domingos ou feriados, ou seja, a primeira reunião preparatória tem uma data fixa. Para fechar esse assunto: nada impede que em um dia sejam realizadas várias reuniões preparatórias; o usual é, inclusive, uma suceder a outra. Vamos ver agora algumas características das reuniões preparatórias: ⇒ O número mínimo de Senadores para dar início à reunião (quórum) é de 1/6 da composição do Senado (14 Senadores); ⇒ O horário de início é fixado pela Presidência atual; ⇒ A direção dos trabalhos compete à Mesa anterior. Detalhe importante: são excluídos os Senadores que compunham a Mesa e que terminaram o mandato. Isso vale tanto para os que não fazem mais parte do Senado como para aqueles que tenham sido reeleitos. ⇒ Se porventura não houver nenhum membro da Mesa anterior, assume a Presidência dos trabalhos o Senador mais idoso dentre os presentes. Nesse caso ele convida, para ocupar os quatro lugares de Secretários durante a reunião preparatória, os Senadores pertencentes aos partidos mais numerosos; ⇒ Nas reuniões preparatórias, os Senadores não podem usar da palavra, salvo para declaração pertinente à matéria que nela esteja sendo tratada. Sessões do Senado Federal e do Congresso Nacional As Sessões do Plenário do Senado são divididas, conforme a natureza, nos seguintes tipos: • • • Deliberativas, que podem ser ordinárias ou extraordinárias; Não deliberativas; Especiais;

Sessões Deliberativas e Não Deliberativas

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Deliberativa vem do verbo deliberar, ou seja, decidir. Se a sessão é deliberativa, significa que se destina a alguma votação. As sessões não deliberativas, por sua vez, não possuem votações programadas e destinam-se a discursos, comunicações, leitura de proposições e outros assuntos de interesse político e parlamentar. O RISF fixa dias e horários para início das sessões ordinárias: de segunda a quinta-feira, às quatorze horas, e às sextas-feiras, às nove horas. As sessões extraordinárias, naturalmente, são aquelas realizadas fora desse horário regimental e serão em regra sempre deliberativas, pois são convocadas pelo Presidente quando houver necessidade urgente de deliberação, ou seja, decisão, ouvidas as lideranças partidárias. O RISF determina ainda que, excetuados os casos especiais, não constarão matérias para votação das sessões das segundas e sextas-feiras, tornando-as, em regra, não deliberativas. Sessões Especiais As sessões especiais são realizadas para fins de comemoração ou homenagem, em horário diverso daquele que foi estipulado no regimento. Sobre essas sessões, é importante saber: A sessão especial pode ser realizada de forma avulsa ou até mesmo interromper uma sessão ordinária. Sua realização depende de: • • Decisão do Presidente; ou Decisão do Plenário, mediante requerimento assinado por pelo menos 6 Senadores, aprovado por maioria simples;

Em sessões especiais, não há necessidade de quórum mínimo para que ela seja aberta ou realizada. Podem ser admitidos convidados à Mesa e ao Plenário e o uso da palavra é restrito aos Senadores designados pelo Presidente do Senado como oradores. Fases da sessão A sessão deliberativa ordinária é dividida em três fases: 1) Período do Expediente; 2) Ordem do Dia; 25

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 3) Após a Ordem do Dia.

Período do Expediente No Período do Expediente acontece a leitura dos projetos que foram apresentados à Casa, bem como indicações, pareceres ou requerimentos não relacionados com as proposições constantes da Ordem do Dia; também são lidas as comunicações enviadas à Mesa pelos Senadores, seus pedidos de licença, ofícios, moções, mensagens, telegramas, cartas, memoriais e outros documentos recebidos. É como se fosse um pequeno “informe” das atividades legislativas da Casa – resumidamente. Quem faz essa leitura é o membro da Mesa chamado Primeiro Secretário, ou o Senador que o estiver substituindo na ocasião. Nessa fase, podem ainda acontecer votações de requerimentos que não sejam objeto de votação na Ordem do Dia, por exemplo: requerimento de pesar (em caso de falecimento de alguma personalidade), requerimento para suspensão da Sessão, etc. Além dessa leitura, é no Período do Expediente que são feitos os pronunciamentos dos Senadores, permitidos apartes. O prazo regimental para os pronunciamentos dos oradores inscritos é de dez minutos para dias de sessão deliberativa e de vinte minutos para sessões não deliberativas. Nas sessões deliberativas ordinárias, o Período do Expediente tem a duração de duas horas (120 minutos), contados a partir do momento em que a sessão é instalada (ou seja, quando há quórum para instalação – um vigésimo do SF). Nas sessões deliberativas extraordinárias, o Período do Expediente dura apenas 30 minutos e só pode ter oradores se ainda não houver número (quórum) para as deliberações constantes da pauta. O período do Expediente poderá ser prorrogado pelo Presidente, uma única vez, para que o orador na tribuna conclua seu pronunciamento, caso ainda não tenha terminado o tempo de que disponha. Depois disso, tem início a Ordem do Dia. O tempo do Período do Expediente também pode ser utilizado para realização de homenagem, sem ser em sessão especial. Para isso, também é preciso aprovação de requerimento assinado por no mínimo seis Senadores. Para fazer uso da palavra nesse caso de homenagem, os Senadores podem se inscrever. Ordem do Dia

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 A Ordem do Dia é o momento mais nobre da Sessão, quando se dá a discussão e votação dos projetos constantes na pauta para aquele dia. Quem determina a inclusão de matérias na Ordem do Dia, segundo sua antiguidade e importância, é o Presidente do Senado, ouvindo as lideranças. A Ordem do Dia é sempre anunciada no término da sessão anterior, publicada no Diário do Senado Federal e distribuída em avulsos (documentos que dão publicidade à matéria) antes de iniciar-se a sessão respectiva. Salvo casos especiais que veremos mais tarde, a proposição só pode entrar na Ordem do Dia se tiver um parecer, ou seja, tiver sido instruída por alguma Comissão.

O avulso é a publicação, a cópia da proposição que está tramitando.

Após a Ordem do Dia Depois de encerrada a Ordem do Dia, o tempo que restar até o término da sessão é destinado, de preferência, ao uso da palavra pelos líderes dos partidos e aos oradores inscritos. Eles têm até 20 minutos para seus pronunciamentos. É preciso destacar que algumas votações podem acontecer nesta fase da sessão, como: • • Requerimentos de urgência; Redações finais de matérias em rito normal de tramitação que foram deliberadas na Ordem do Dia, caso exista requerimento de dispensa de sua publicação.

Sessão não realizada O RISF admite que a sessão plenária não seja realizada nas seguintes hipóteses: 1) por falta de número (atentar que o quórum mínimo para abertura da sessão é de um vigésimo do SF, ou seja, quatro senadores); 2) por deliberação do Senado; 3) quando sua duração coincidir com a de sessão conjunta do Congresso Nacional, mesmo de forma parcial; 4) por motivo de força maior, declarado pela Presidência. Sessões Conjuntas do Congresso Nacional 27

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As sessões do Congresso Nacional acontecem quando se reúneme a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. São sempre sessões conjuntas, classificadas em: • • Solenes; e Deliberativas.

Sessões Solenes As sessões solenes destinam-se a fins homenagens e comemorações. São as seguintes: • • • • • específicos ou para render

Inauguração da sessão legislativa (tanto a ordinária quanto extraordinária); Posse e compromisso do Presidente e Vice-Presidente da República; Promulgação de emendas constitucionais; Homenagem a Chefes de Estado estrangeiro; Comemoração de datas nacionais.

a

As sessões solenes não precisam de quórum mínimo para ter início. Não há Período do Expediente e só podem discursar um Senador e um Deputado, de preferência de partidos diferentes, e previamente designados pelas respectivas Casas. Das sessões solenes, há duas que são previamente designadas pela CF/88 e pelo Regimento Comum do Congresso Nacional (RCCN): a que se destina à posse do Presidente e do Vice-Presidente da República (CF/88, art. 78, e RCCN art. 1°, II) e a sessão que abre os trabalhos da sessão legislativa ordinária – em 02 de fevereiro ou no primeiro dia útil subsequente (CF/88, art. 57, § 3º, I, e RCCN, art. 1°, I). Na sessão de posse do Presidente da República e do respectivo Vice, não são permitidos discursos de parlamentares. O Presidente eleito é levado ao Plenário por uma comissão de congressistas para prestar seu compromisso. Em seguida, o Presidente da Mesa declara empossado o Presidente da República e faz o mesmo procedimento para o Vice-Presidente. Os dois assinam o termo de posse e o Presidente da República pode, nesse momento, fazer um discurso dirigido ao Congresso e à Nação.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Já na inauguração da Sessão Legislativa, o Presidente proclama inaugurados os trabalhos do Congresso Nacional e anuncia a presença, na Casa, do enviado do Presidente da República trazendo a Mensagem Presidencial. O Presidente manda o 1º Secretário ler a Mensagem e depois encerra a sessão. Nesse caso, também não são permitidos discursos de parlamentares. Sessões deliberativas A exemplo do que ocorre no Senado, as sessões deliberativas do Congresso Nacional acontecem quando é preciso votar determinada matéria. Essas sessões não têm dias estabelecidos para acontecer. Elas são convocadas pelo Presidente do Senado ou seu substituto, com prévia audiência da Mesa da Câmara – o RCCN usa esse termo mesmo. Na verdade, significa obter concordância ou anuência da Mesa da CD. São elas: • • • • Votação dos projetos de lei orçamentária (PPA, LDO, LOA e créditos adicionais), ressalvada a Medida Provisória que abre crédito extraordinário, votada separadamente pelas duas Casas (art. 62 da CF/88); Apreciação de vetos; Delegação ao Presidente da República (Lei Delegada) por resolução do CN; Elaboração de Regimento Comum e criação de serviços comuns às duas Casas;

As sessões conjuntas são realizadas, em regra, no Plenário da Câmara dos Deputados, mas podem também ser feitas em outro local (em geral, no Plenário do SF). Para dar início à uma reunião conjunta, o quórum mínimo é de um sexto da composição de cada Casa. A sessão também é dividida em fases, que já vimos durante o estudo das sessões do SF, ou seja: • • • Período do Expediente; Ordem do Dia; e após a Ordem do Dia.

Nas sessões do Congresso Nacional, o Período do Expediente dura 30 minutos e é destinado igualmente para leitura do expediente pelo PrimeiroSecretário e aos oradores inscritos, que poderão usar da palavra pelo prazo de 5 minutos, no máximo. 29

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Havendo Ordem do Dia na sessão do Congresso, os avulsos (publicação) das matérias precisam ser disponibilizados aos parlamentares com 24 horas de antecedência. As sessões do Congresso têm duração de quatro horas, podendo ser prorrogadas por proposta do Presidente ou a requerimento de qualquer Congressista, tantas vezes quantas necessárias. A prorrogação será sempre por prazo fixo e não pode ser interrompida. Explicando melhor: se o Presidente prorrogar a sessão por, digamos, meia hora, antes de terminar essa meia hora ele não poderá encerrar a sessão. A menos que não exista mais nada para votar ou não exista mais número de parlamentares presentes o suficiente para o prosseguimento da sessão. A sessão do Congresso Nacional também poderá ser levantada (suspensa), a qualquer momento, se vier a falecer qualquer Congressista ou Chefe de um dos Poderes da República. Agora, muito cuidado: As sessões do Congresso são conjuntas. Sessão conjunta é diferente de sessão unicameral. Em nosso ordenamento constitucional, o Congresso se reuniu em sessão unicameral apenas uma vez, para deliberar sobre a Revisão Constitucional de 1994, prevista no ADCT da CF/88:
Art. 3º. A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral.

Mas qual a diferença? Na sessão conjunta, os votos dos deputados e dos senadores são computados separadamente; maioria absoluta dos deputados (257) e maioria absoluta dos senadores (41), por exemplo. A única diferença é que, em vez de cada grupo votar na sua casa, a seu tempo, a votação se dá de maneira simultânea. Já em uma sessão unicameral, o nome já diz: uma Câmara. Os votos são computados como um bloco só. Se usarmos o cômputo numérico de hoje (513 deputados + 81 senadores), teríamos 594 congressistas, sendo que para obter a maioria absoluta seriam necessários 298 votos. Mas atenção, a única hipótese de reunião unicameral já se exauriu (revisão constitucional de 1994). Hoje, todas as sessões do Congresso Nacional são, portanto, conjuntas. Quem mantém o arquivo das sessões conjuntas e seus respectivos anais é o Senado Federal. Sessões públicas e secretas

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Além da classificação conforme a natureza (em deliberativas, não deliberativas e especiais), as sessões do Plenário do Senado podem ser públicas ou secretas. A grande maioria das sessões é pública. Nelas, podem entrar no Plenário os Senadores, os Suplentes de Senadores, os Deputados Federais, os ex-Senadores, os Ministros de Estado quando convocados e os funcionários do Senado em serviço. Além deles, há assentos específicos para profissionais credenciados da imprensa e para convidados dos Senadores. Há também espaço reservado para que qualquer pessoa assista às sessões públicas, desde que ela esteja desarmada e fique em silêncio, sem poder manifestar aprovação ou reprovação ao que estiver acontecendo na sessão. Há situações em que as sessões do SF serão transformadas obrigatoriamente em secretas: a) declaração de guerra (CF/88, art. 49, II); b) acordo sobre paz (CF/88, art. 49, II); c) escolha de chefe de missão diplomática de caráter permanente (CF/88, art. 52, IV); d) decisão sobre requerimento que solicite sessão secreta do Senado. Explicando melhor o último item: vamos supor que algum Senador julgue que seja mais prudente realizar a sessão para decidir sobre determinado assunto de forma secreta. Para isso, ele precisa apresentar uma proposição legislativa chamada requerimento. Se isso acontecer, o Presidente comunica ao Plenário que existe esse requerimento, mas não diz quem é o autor dele nem a matéria a que o requerimento se refere. Ou seja, para decidir sobre esse requerimento, o Senado já funcionará em sessão secreta. Ainda sobre sessões secretas, temos um ponto interessante. Em 2007, atendendo a um anseio legítimo da sociedade, o Senado aprovou um projeto de resolução acabando com as sessões secretas para decidir a respeito de perda de mandato de Senador, alterando o art. 25 do RISF. O mesmo projeto revogou o art. 197, I, “c” do RISF, afastando também a possibilidade de sessão secreta para suspensão de imunidade de Senador durante o estado de sítio. Mas atenção: foi revogada a realização de sessões secretas para esses dois casos. O voto dos Senadores permanece secreto! Isso é matéria constitucional (CF/88, art. 55, § 2º), e só uma Proposta de Emenda à Constituição pode modificar.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Cabe destacar que as Comissões podem realizar reuniões secretas, nos casos permitidos pelo RISF – que veremos quando estudarmos esses órgãos. Já no Congresso Nacional, as sessões só podem ser secretas por sugestão do Presidente, sendo aprovada pelo Plenário. Essa decisão já é tomada em sessão secreta (art. 27 RCCN) Antes de iniciar as sessões secretas, o Presidente solicita a saída de todos que estiverem assistindo os trabalhos no Plenário, tribunas, galerias e respectivas dependências, inclusive funcionários da Casa, determinando a presença somente dos servidores necessários ao andamento dos trabalhos. Votações As votações no Senado Federal podem acontecer nas seguintes modalidades, conforme prevê o artigo 292 do RISF: Ostensivas (ou abertas): a) simbólica; b) nominal; Secretas: a) eletrônica; b) por meio de cédulas; c) por meio de esferas. Na votação aberta ou ostensiva, os votos dos senadores são identificáveis. Pode ser simbólica, quando apenas os senadores que forem contrários à proposição se manifestam levantando o braço, ou nominal, na qual cada um declara seu voto. Nas votações em Plenário, a votação nominal, em geral, se dá por meio do painel eletrônico. Os parlamentares digitam seu voto em um dispositivo eletrônico protegido por senha e, depois de encerrada a votação, o painel exibe o nome de todos, indicando como votaram: sim, não ou abstenção (nenhuma das duas posições). Quando o sistema de votação eletrônico não estiver funcionando, a votação nominal será feita pela chamada dos Senadores, que responderão sim ou não. Esse sistema também é utilizado em votações nominais nas Comissões, pois as mesmas não possuem painel eletrônico.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 As votações secretas são sempre nominais, ou seja, é preciso computar o voto de cada um dos Senadores presentes; no entanto, não é possível identificar como eles votaram. Essas votações não são a regra – só acontecem seguindo determinações constitucionais ou regimentais. São admitidas nos seguintes casos: Na Constituição • • • • • Exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República (CF/88, art. 52, XI); Perda de mandato de Senador (CF/88, art. 55, § 2º) Prisão de Senador e autorização da formação de culpa, no caso de flagrante de crime inafiançável (CF/88, art. 53, § 2º) Suspensão das imunidades de Senador durante o estado de sítio (CF/88, art. 53, § 8º); Escolha de autoridades (CF/88, art. 52, III);

No Regimento (art. 291, RISF) • • Nas eleições para Mesa e direção das comissões; Por determinação do Plenário.

A votação secreta eletrônica se dá de modo semelhante à votação nominal eletrônica. A única diferença é que os votos não são exibidos, apenas o resultado: total de votos sim, votos não e abstenções. A votação secreta por meio de cédulas é a que ocorre na eleição da Mesa Diretora do Senado, durante as reuniões preparatórias. Também é utilizado esse mecanismo se for necessário realizar uma votação secreta e o painel eletrônico estiver com problemas técnicos. A votação por meio de esferas é que a vocês vão achar mais “diferente”. É remanescente das antigas votações realizadas no Senado e utilizada, principalmente, pela Comissão de Relações Exteriores no processo de escolha de autoridades, como membros de missão diplomática permanente (embaixadores), por exemplo. Também pode ser usada em Plenário, em caso de não funcionamento do painel eletrônico. Nessa votação, são usadas “bolinhas” de duas cores: branca ou preta. Bolinhas brancas são votos “sim”, e as pretas, “não”. Basta o parlamentar escolher o voto e depositar a esfera na urna. A outra bolinha que não foi usada vai para outro compartimento. Depois é feita a contagem e igualmente divulgado apenas o resultado: aprovado ou rejeitado. 33

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Atenção: sessões e votações são coisas dissociadas. Podemos ter votações secretas em sessões públicas, bem como votações abertas ou ostensivas em sessões secretas... Ata das reuniões A ata é o registro documental das sessões do Plenário e também das reuniões das Comissões, isto é, um relatório do que aconteceu durante aquela reunião ou sessão. Geralmente, ao se abrir uma sessão, a primeira coisa a ser feita é votar a dispensa da leitura da ata (ninguém vai ficar lendo ata, mas se algum Senador quiser, pode ser lida) e a aprovação da mesma. A ata deve conter obrigatoriamente: • • • • • • dia, a hora e o local da reunião; nomes dos membros presentes e os dos ausentes; distribuição das matérias por assuntos e relatores; conclusões dos pareceres lidos; referências sucintas aos debates; pedidos de vista, adiamento, diligências e outras providências, salvo quando não se considere conveniente a divulgação da matéria.

Por fim, a ata é publicada no Diário do Senado Federal, em até 2 dias úteis após a reunião, mas pode sofrer adiamento. Se a sessão ou reunião for secreta, a ata merece tratamento especial. Ela é redigida pelo Segundo-Secretário da Mesa, assinada pelo Presidente e pelos Primeiro e Segundo-Secretários e colocada em envelope lacrado, que é rubricada pelos Secretários. Antes de a sessão voltar a ser pública, a ata é votada, sendo aprovada por qualquer número de Senadores. Atenção, ata não é a mesma coisa que notas taquigráficas. Estas são a transcrição de tudo o que foi dito na reunião (como quando você grava uma aula de curso e depois digita tudo que o professor falou). As notas, diferentemente das atas, não precisam ser aprovadas pelos Senadores. A transcrição das sessões vai formar o que se chama de Anais. Epa! Que é isso? É a publicação de todos os trabalhos do Senado e organizado em ordem cronológica, para distribuição aos Senadores, por meio do Diário do Senado Federal. Ou seja, é um grande arquivão. É possível a inserção em anais de documentos alheios ao Senado: basta que esses documentos sejam parte integrante de discurso de Senador ou aprovados pelo Presidente do Senado. 34

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Também cabe ao Senado a publicação dos anais das sessões conjuntas do Congresso Nacional. Mesa Diretora do Senado Federal A Mesa Diretora do Senado é formada pelo Presidente, por dois VicePresidentes, quatro Secretários e quatro Suplentes de Secretário, eleitos durante as reuniões preparatórias para um mandato de dois anos (duas sessões legislativas), sendo vedada a reeleição para o período imediatamente subsequente. Atenção! Entende-se por período subsequente a passagem da segunda para a terceira sessão legislativa. Se estiver havendo mudança de legislatura (período de quatro anos), é adotada a possibilidade de reeleição. Na Mesa Diretora é assegurada, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos e blocos parlamentares que participam do Senado; o cálculo de proporcionalidade é feito com base nas informações existentes na data da diplomação dos candidatos no TSE. Se houver vacância, ou seja, vaga definitiva de algum cargo na Mesa, o preenchimento será feito em até 5 dias úteis, fazendo-se a substituição pelos vicepresidentes ou os suplentes de secretário, conforme o caso, exceto se faltar menos de 120 dias para o término do mandato da Mesa. A eleição dos membros da Mesa acontece durante as reuniões preparatórias, que são públicas. Porém, a votação é secreta, exigindo-se a maioria favorável dos votos e estando presente a maioria da composição do Senado. Pelo Regimento, a eleição deve ser feita em quatro “rodadas”, na seguinte ordem: 1) abre-se a reunião preparatória e a votação para Presidente; 2) abre-se nova reunião preparatória e votam-se os nomes dos VicePresidentes, dos Secretários e dos Suplentes de Secretários. Nessa etapa, por proposta de 1/3 dos Senadores ou de líder que represente este número, a eleição para o preenchimento de todos os cargos (exceto para Presidente) pode ser feita de uma só vez. Essas votações são realizadas por meio de cédulas depositadas em urna.

Cuidado! Não confundir Mesa Diretora com Comissão Diretora. A Mesa Diretora é eleita para um período de duas sessões legislativas (Presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários e seus respectivos suplentes). A Comissão Diretora é composta por esses mesmos membros da Mesa e tem por 35 competência a decisão de matérias administrativas da Casa.

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Presidente do Senado Federal O artigo 48 do RISF elenca as competências do Presidente do Senado Federal, que, ressalte-se, acumula a função de Presidente do Congresso Nacional. A lista é longa, de forma que vamos destacar apenas as mais importantes: 1. Exercer as atribuições constitucionais: convocar sessão legislativa extraordinária do Congresso Nacional, promulgar as leis, caso o Presidente da República não o faça, e suceder o Presidente da República e o Vice-Presidente nos impedimentos previstos. Velar pelo respeito às prerrogativas do Senado e às imunidades dos Senadores; Convocar e presidir as sessões do Senado e as sessões conjuntas do Congresso Nacional; Propor a transformação de sessão pública em secreta, bem como propor a prorrogação da sessão; Designar a Ordem do Dia das sessões deliberativas; Fazer ao Plenário, em qualquer momento, comunicação de interesse do Senado e do País; Fazer observar na sessão a Constituição, as leis e o Regimento; Distribuir as matérias às comissões; Impugnar as proposições que lhe pareçam contrárias à Constituição, às leis ou ao Regimento, ressalvado ao autor recurso para o Plenário; Decidir as questões de ordem; Dar posse aos Senadores; Convocar suplente de Senador; Designar oradores para as sessões especiais do Senado e sessões solenes do Congresso Nacional; Desempatar as votações, quando ostensivas; Proclamar o resultado das votações; Assinar os autógrafos dos projetos e emendas a serem remetidos à Câmara dos Deputados, e dos projetos destinados à sanção; Promulgar as resoluções do Senado e os decretos legislativos; Assinar a correspondência dirigida pelo Senado a altas autoridades: chefes de outros Poderes, chefes de Estado estrangeiros, presidentes de tribunais superiores, governadores e autoridades judiciárias, em resposta a pedidos de informações ao Senado, no curso de feitos judiciais; Resolver, ouvido o Plenário, qualquer caso não previsto no Regimento; 36

2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18.

19.

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 20. 21. 22. Presidir as reuniões da Mesa e da Comissão Diretora, podendo discutir e votar; Exercer competências fixadas no Regulamento Administrativo do Senado Federal; Determinar a tramitação conjunta de matérias.

LEMBRETES: • O cargo de Presidente do Senado é privativo de brasileiro nato (CF/88, art. 12, § 3º, III). • O Presidente do Senado integra o Conselho da República, órgão superior de consulta do Presidente da República (CF/88, art. 89, III) e o Conselho de Defesa Nacional, órgão de consulta do Presidente da República nos assuntos relacionados com a soberania nacional e defesa do Estado democrático (CF/88, art. 91, III). O Presidente do Senado participa das votações, mas essa não é a regra geral. O RISF permite o voto do Presidente em duas hipóteses: Votação aberta: somente voto de desempate Votação secreta: pode votar se desejar Em ambas, a presença do Presidente conta para efeitos de quórum. Nas reuniões da Mesa e da Comissão Diretora, o Presidente tem direito a discussão e a voto. Da cadeira da Presidência, o Presidente comanda a sessão e só faz comunicações institucionais. Nessa condição, não pode discursar, nem fazer comentários aos discursos de outros Senadores. Se desejar fazer um pronunciamento, deve sair da cadeira presidencial e se dirigir à tribuna, como qualquer outro Senador. Competências dos demais membros da Mesa Os demais componentes da Mesa também possuem funções determinadas pelo RISF (arts. 52 a 56). Dentro dessas atribuições, cada um vai suceder seu antecessor nas ausências ou impedimentos. Faltando todos os Secretários e seus suplentes, o Presidente pode convocar qualquer Senador presente para desempenhar essa função.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Se porventura não estiverem presentes nenhum dos membros da Mesa – inclusive nenhum suplente – quem assume a direção dos trabalhos é o Senador mais idoso que esteja presente. Essa regra do idoso vale inclusive para trabalhos nas Comissões. Primeiro Vice-Presidente • • substituir o Presidente nas suas faltas ou impedimentos; promulgação de leis quando o Presidente do SF não o fizer;

Segundo Vice-Presidente • substituir o Primeiro Vice-Presidente nas suas faltas ou impedimentos. Primeiro-Secretário • • • • • • • ler em plenário a correspondência oficial recebida pelo Senado, os pareceres, proposições e outros documentos; assinar a correspondência do Senado para qualquer outra autoridade que não esteja elencada nas competências do Presidente; assinar, depois do Presidente, as atas das sessões secretas; fornecer certidões; receber a correspondência dirigida ao Senado e tomar as providências necessárias; determinar a entrega aos Senadores dos avulsos; expedir as carteiras de identidade dos Senadores;

Segundo-Secretário • elaborar e fazer a leitura das atas das sessões secretas, assinando-as depois do Primeiro-Secretário;

Terceiro-Secretário e Quarto-Secretário • • • fazer a chamada dos Senadores para votação, se necessário; contar os votos, em verificação de votação; auxiliar o Presidente na apuração das eleições;

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Cuidado: Reparem que, apesar de vir depois na “hierarquia” da Mesa, o Primeiro Secretário é, depois do Presidente, o membro com maior número de atribuições. É ele também quem zela pela organização dos serviços administrativos da Casa. Mesa do Congresso Nacional A Mesa do Congresso Nacional nada mais é que uma combinação das Mesas do Senado e da Câmara dos Deputados, de forma alternada. Como o Presidente do Senado é também o Presidente do Congresso Nacional, a sequência tem início por ele. A Mesa do Congresso é formada da seguinte forma: Presidente - Senador Primeiro Vice-Presidente - Deputado Segundo Vice-Presidente - Senador Primeiro-Secretário - Deputado Segundo-Secretário - Senador Terceiro-Secretário - Deputado Quarto-Secretário – Senador Portanto, a Mesa do Congresso Nacional é formada por quatro Senadores e três deputados (maior número de Senadores). Atenção! O parlamentar ocupa na Mesa do Congresso Nacional exatamente a mesma posição que ocupa na Mesa de sua Casa de origem. Lideranças e blocos parlamentares Dentro do Senado, convivem parlamentares de diversos partidos ou bancadas. As lideranças consistem na institucionalização dessas bancadas, sendo que cada partido escolhe, entre seus membros, aquele que será seu líder, isto é, responderá pelas decisões que o partido tomar.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 A indicação dos nomes dos líderes acontece a cada dois anos, no início da 1a e da 3a sessões legislativas. O partido comunica à Mesa por escrito quem será seu líder para aquele período, em um documento assinado pela maioria dos membros da bancada. Além do líder, o partido também tem vice-líderes, para substituir o líder titular em seus impedimentos. Os vice-líderes são escolhidos pelo líder, e existe um cálculo para determinar a quantidade de vice-líderes de cada partido: um para cada grupo de três integrantes do partido. Se o partido contar com número de membros igual a ou maior que 3 Senadores, poderá contar com vantagens administrativas. Entre as principais funções dos líderes estão: indicar os representantes de seus partidos que irão compor as Comissões e substituí-los quando necessário; participar das reuniões conjuntamente com o Presidente do Senado para definir a pauta de trabalhos da Casa; e usar da palavra em vários momentos da sessão, para comunicação de interesse partidário. Veremos essa última com mais detalhes quando estudarmos o uso da palavra pelos Senadores. Agora, uma breve explicação sobre o significado de blocos parlamentares. Pode acontecer de vários partidos pequenos quererem “juntar forças” de forma a constituir uma liderança. Para isso, eles montam o que é chamado bloco parlamentar. Esse bloco, depois de montado, deve ter no mínimo um décimo da composição do Senado – 9 Senadores – para ser reconhecido. Os partidos que se aglutinam em bloco terão um único líder, o líder do bloco, e respectivos vice-líderes. A diferença é que esses vice-líderes serão, via de regra, os líderes dos demais partidos que formam o bloco parlamentar. Importante: o bloco parlamentar não precisa, necessariamente, ser formado apenas por pequenos partidos. O tamanho da bancada é irrelevante, contanto que o bloco possua no mínimo 9 Senadores. Além das lideranças partidárias, ou seja, que representam os partidos, existem agrupamentos de acordo com a posição majoritária ou não de um partido. São as lideranças da maioria e minoria. Maioria: partido ou bloco que representa a maioria absoluta da Casa. Minoria: maior bloco ou partido que faça oposição à maioria. Essas duas lideranças também possuem líderes e vice-líderes. Se não houver nenhum partido que alcance maioria absoluta, será considerado maioria aquele que tiver o maior número de integrantes. A formação de maioria e da minoria precisa ser comunicada à Mesa pelos líderes dos blocos parlamentares ou dos partidos que as compõem.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 LEMBRETE: Assim como o Presidente do Senado, os líderes da maioria e da minoria fazem parte do Conselho da República, órgão superior de consulta do Presidente da República, nos termos do art. 89, IV, da CF/88. Atenção: O Presidente da República poderá indicar Senador para líder do Governo, que indica vice-líderes, todos membros de partidos da base de apoio ao Governo no Poder Executivo.

Lideranças no Congresso Nacional No Congresso, as lideranças dos partidos são reconhecidas da mesma forma que no Senado Federal. Também indicam os membros das Comissões – no caso, das Comissões Mistas – e têm maiores prerrogativas quanto ao uso da palavra. Há diferenças, contudo, quanto à liderança da minoria. No Congresso, a minoria é composta pelos líderes dos partidos que elegerem as duas maiores bancadas no Senado e na Câmara e que tenham posição diferente da maioria. Essa escolha é anual e se alterna entre Senadores e Deputados Federais. Da mesma forma, o Presidente da República pode indicar congressista (Senador ou Deputado) para exercer a função de líder do Governo. Esse líder de governo indica até 5 vice-líderes, dentre membros dos partidos que apoiem o governo. Bom, pessoal, espero que tenham gostado da aula e que possamos desenvolver juntos um curso bem legal. A partir de agora vou deixá-los com uma série de exercícios de provas anteriores, para que vocês possam fixar o conteúdo repassado, ok? Em 2011, quero vê-los na Câmara Alta da República! Abraços a todos e rumo ao Senado Federal! no Oliveira * * *

QUESTÕES COMENTADAS DE CONCURSOS Obs: lista seca com gabaritos (para treino) no final da aula

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 1) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Os deputados federais e os senadores são eleitos nos estados e no Distrito Federal. O número de deputados federais é proporcional à população de cada estado e do DF, mas o número de senadores é o mesmo em qualquer dos estados e no DF. Correta. É o que determina a CF/88, art. 45, § 1º. 2) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Nos estados com o número mínimo de cadeiras na Câmara dos Deputados, serão eleitos deputados federais em número quatro vezes superior ao de senadores a serem eleitos por essas mesmas unidades da Federação. Errada. O art. 44, § 1º, da CF/88 estabelece: “O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados”. Logo, uma unidade da federação deve eleger no mínimo oito deputados. Esse número não é quatro vezes superior ao número de Senadores que o mesmo estado vai eleger (três). 3) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Enquanto o mandato de um deputado federal corresponde a uma única legislatura, um senador é eleito para um mandato de duas legislaturas consecutivas. Correta. O mandato do Senador é de oito anos, que equivale a duas legislaturas consecutivas. Ver CF/88, art. 46, § 1º. 4) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário. Cada Estado e Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos. A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços. Correta. Ver CF/88, art. 46, § 1º e § 2º. 5) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Não constitui princípio básico do processo legislativo: (A) a nulidade de qualquer decisão que contrarie norma regimental. Correta. Ver RISF, art. 412, IV. (B) a preservação dos direitos das minorias. 42

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Correta. Ver RISF, art. 412, VII. (C) a impossibilidade de tomada de decisões sem a observância do quórum regimental estabelecido. Correta. Ver RISF, art. 412, X. (D) a análise valorativa do conteúdo das leis e do procedimento de sua elaboração. Errada. A análise valorativa do conteúdo das leis e do procedimento de sua elaboração não consta da relação de princípios constantes no RISF, art. 412. (E) a publicidade das decisões tomadas, com exceção dos casos específicos previstos no Regimento. Correta. Ver RISF, art. 412, XII. Gabarito: Letra “D” 6) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: Analise as afirmativas a seguir, no que diz respeito aos princípios do processo legislativo no Senado: I. Constitui princípio a decisão colegiada, ressalvadas as competências específicas fixadas no Regimento do Senado. Correta. É o que dispõe o RISF, art. 412, IX. II. Entre os princípios, destaca-se aquele segundo o qual a norma geral prevalece sobre a especial. Errada. Segundo o art. 412, V, ocorre a prevalência de norma especial sobre a geral; III. Deve observar-se o princípio da ampla negociação política por meio dos procedimentos regimentais previstos. Correta. RISF, art. 412, XIII; Assinale: (A) se todas as afirmativas estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (C) se apenas a afirmativa I estiver correta. (D) se apenas a afirmativa III estiver correta. (E) se apenas a afirmativa II estiver correta. Gabarito: Letra “B” 43

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 7) Cespe/Bacen/Procurador/2009: A proposta de emenda constitucional deve ser discutida e votada em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, e será considerada aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros e for promulgada após a respectiva sanção presidencial. Errada. As emendas constitucionais são promulgadas diretamente pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional (CF/88, art. 60, § 3.o). Não passam pela sanção presidencial. 8) Cespe/MPE-RN/Promotor/2009: A proposta de emenda constitucional deve ser discutida e votada em cada casa do Congresso Nacional em dois turnos, considerando-se aprovada, se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros. A casa na qual tenha sido concluída a votação deve enviar o projeto de emenda ao presidente da República, para que este, aquiescendo, o sancione. Errada. Emenda à Constituição não vai à sanção, sendo promulgada diretamente pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional (CF/88, art. 60, § 3.o). 9) Cespe/STF/Técnico/2008: O início da tramitação de proposta de emenda constitucional cabe tanto ao Senado Federal quanto à Câmara dos Deputados, pois a CF/88 confere a ambas as casas o poder de iniciativa legislativa. Correta, conforme prevê a Constituição, art. 60, I. 10) Cespe/STF/Técnico/2008: Prescinde de sanção do presidente da República emenda constitucional que tenha sido regularmente aprovada no Congresso Nacional. Correta. De novo! Emenda à Constituição não vai à sanção, sendo promulgada diretamente pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional (CF/88, art. 60, § 3.o). 11) Cespe/STF/Analista/2008: As emendas à CF/88 devem ser sancionadas pelo presidente da República em até 15 dias úteis, sob pena de concordância tácita. Errada. Emenda à Constituição não vai à sanção, sendo promulgada diretamente pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional (CF/88, art. 60, § 3.o).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 12) Cespe/MPE-RN /Promotor/2009: A CF/88 pode ser emendada por proposta de assembleia legislativa de uma ou mais unidades da Federação, manifestando-se cada uma delas pela maioria relativa de seus membros. Errada. A iniciativa de Proposta de Emenda à Constituição, nesse caso, demanda mais da metade das assembleias legislativas estaduais, manifestando-se cada uma delas pela maioria relativa de seus membros. Nessa hipótese a PEC poderá começar a tramitar pelo Senado (RISF, art. 212). 13) Cespe/MPE-RN /Promotor/2009: A iniciativa das leis delegadas cabe a qualquer membro ou comissão da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, na forma e nos casos previstos na CF/88. Errada. Conforme art. 68 da CF/88, as leis delegadas são de iniciativa do Presidente da República, que solicita a delegação ao Congresso Nacional. 14) Cespe/MPE-RN/Promotor/2009: A Constituição Federal possui um regime em que organiza a iniciativa das leis, significando que confere legitimidade concorrente ou exclusiva a pessoas, comissões ou órgãos para determinados assuntos. Nessa linha, quando o tema é atinente ao Estatuto da Magistratura, pode-se afirmar que há iniciativa concorrente entre o Presidente da República, o Presidente do STF e o Presidente do Congresso Nacional. Errada. Tal poder de iniciativa pertence apenas ao Presidente do STF. 15) ESAF/MPOG/APO/2010: A Câmara dos Deputados tem iniciativa privativa de lei para fixação da remuneração de seus servidores, mas tal ato legislativo deve necessariamente ir à sanção do Presidente da República. Correta. Conforme dispõe a Constituição, art. 51, IV. 16) ESAF/MPOG/APO/2010: O projeto de lei de iniciativa popular com assinaturas de 1% (um por cento) de eleitores distribuídos pela maioria absoluta dos estadosmembros pode veicular matéria reservada a lei complementar. Errada. Lei complementar admite iniciativa popular (lembrem da recente Lei da Ficha Limpa – Lei Complementar 135/2010), no entanto, é necessário que as assinaturas estejam distribuídas por pelo menos cinco Estados-membros, e não pela maioria absoluta deles (CF/88, art. 61, § 2o).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 17) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: O processo legislativo confere aos cidadãos poder de iniciar o processo legislativo. Trata-se da lei de iniciativa popular. Consoante o texto constitucional, tal projeto deve preencher os seguintes requisitos: subscrição de cinco por cento do eleitorado nacional, distribuído por, pelo menos, quinze estados, e cinco décimos de eleitores por estado. Errada. As assinaturas devem estar distribuídas por pelo menos 1% do eleitorado nacional, distribuído por no mínimo cinco Estados-membros, com pelo menos três décimos por cento dos eleitores em cada um deles (CF/88, art. 61, § 2.o). 18) ESAF/MPOG/EPPGG/2010: A iniciativa popular deve ser exercida pela apresentação ao Presidente da República de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. Errada. O projeto de lei de iniciativa popular é apresentado à Câmara dos Deputados, conforme dispõe a CF/88, art. 61, § 2º. 19) Cespe/Bacen/Procurador/2009: A medida provisória aprovada pelo Congresso Nacional com alterações é transformada em projeto de lei de conversão e deve ser promulgada pelo presidente do Senado, independentemente de sanção ou veto do presidente da República. Errada. A sanção presidencial em Medida Provisória só é dispensada caso ela seja aprovada pelo Legislativo sem qualquer alteração. Se foi transformada em Projeto de Lei de Conversão, é porque foi modificada durante o processo legislativo. 20) Cespe/Bacen/Procurador/2009: A CF/88 prevê a hipótese de iniciativa popular, que pode ser exercida pela apresentação, à Câmara dos Deputados, de projeto de lei subscrito por, no mínimo, 10% dos eleitores de qualquer estado da Federação. Errada. O projeto deve conter a assinatura de pelo menos 1% do eleitorado nacional (CF/88, art. 61, § 2º). 21) Cespe/Bacen/Procurador/2009: Para a participação popular no processo legislativo, quando relativa à apresentação de propostas de emenda à CF, exige-se que 3% do eleitorado subscrevam a proposta. Errada. Embora a iniciativa popular para apresentação de proposta de emenda constitucional seja aceita por parte da doutrina, não está prevista de forma expressa na CF/88. Além disso, a iniciativa popular demanda assinatura de 1% do eleitorado, e não 3%, como afirma a questão (CF/88, art. 61, § 2º). 46

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22) Cespe/Bacen/Procurador/2009: As assembleias legislativas estaduais podem propor emendas à Constituição Federal, desde que a proposta seja feita por mais da metade do total das assembleias legislativas e por maioria relativa dos membros de cada uma delas. Correta. A iniciativa de PEC nesse caso demanda mais da metade das assembleias legislativas estaduais, manifestando-se cada uma delas pela maioria relativa de seus membros. (CF/88, art. 60, III). 23) Cespe/Bacen/Procurador/2009: Compete ao Congresso Nacional fixar os subsídios dos ministros de Estado, não havendo necessidade de que a norma seja sancionada pelo presidente da República. Correta (CF/88, art. 49, VIII). A fixação dos subsídios do Presidente e do VicePresidente da República e dos Ministros de Estado é competência do Congresso Nacional, sendo fixados por meio de Decreto Legislativo, não precisando, portanto, de sanção presidencial. 24) Cespe/TRT1/Técnico/2008: A tramitação de projetos de lei de iniciativa do STF, dentro do modelo bicameral, será iniciada no Senado Federal. Errada. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados (CF/88, art. 64). 25) Cespe/TCE-AC/Analista/2007: Segundo a CF/88, emenda constitucional disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. Errada. É uma lei complementar que vai dispor sobre essa matéria, conforme parágrafo único do artigo 59 da CF/88. 26) Cespe/Bacen/Procurador/2009: As resoluções constituem atos normativos secundários que dispõem acerca da regulação de determinadas matérias do Congresso Nacional não inseridas no âmbito de incidência dos decretos legislativos e da lei. Errada. As resoluções retiram seu fundamento de validade diretamente da Constituição (CF/88, art. 59). São, portanto, atos normativos primários.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 27) Cespe/Bacen/Procurador/2009: Na sessão legislativa extraordinária, o Congresso Nacional delibera, além da matéria para a qual foi convocado e das medidas provisórias em vigor na data da convocação, a respeito dos projetos de lei complementar em regime de urgência. Errada. A exceção constitucional trata apenas das Medidas Provisórias (CF/88, art. 57, § 6º e 7.o). Não inclui projetos em regime de urgência. 28) Cespe/DPU/Analista/2009: O procurador-geral da República tem competência para propor projeto de lei ordinária ou complementar. Correta, segundo a CF/88, art. 61, caput: A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. 29) Cespe/DPU/Analista/2009: A sanção de lei pelo governador supre eventual vício de iniciativa do projeto. Errada. A sanção não convalida vício de iniciativa. 30) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: No sistema bicameral atuam ambas as Casas Legislativas no processo de formação da lei, cabendo a iniciativa a parlamentares, órgãos legislativos, cidadãos, órgãos do executivo, do Judiciário e do Ministério Público. Assim, sendo a lei de conteúdo estruturador da organização judiciária dos Territórios, tal iniciativa é conferida ao Presidente: (A) do Supremo Tribunal Federal. (B) da República. (C) do Senado Federal. (D) da Câmara dos Deputados. (E) do Congresso Nacional. Tal lei é de iniciativa do Presidente da República (CF/88, art. 61, § 1º , “b”). Gabarito: Letra “B”.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 31) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: As normas regimentais do Senado Federal, em consonância com as regras inscritas na Constituição Federal, impõem a realização de determinados atos mediante a obediência a quórum específico. Diante de tal situação, avalie as afirmativas abaixo: I. Regra geral, as deliberações são tomadas por maioria simples, presentes trinta por cento dos parlamentares da Casa. Errada. O quórum mínimo de presentes para iniciar deliberações é a maioria absoluta – 41 Senadores. (CF/88, art. 47) II. O quórum mínimo de presença para deliberação é da maioria absoluta dos parlamentares e as votações, salvo casos especiais, por maioria simples. Correta. É o que prevê a Constituição em seu artigo Art. 47: “Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros”. III. Em caso de emendas constitucionais o quórum de votação deve corresponder a três quintos dos Senadores. Correta. Ver CF/88, art. 60, § 2º. Não esquecer que essa votação se dá em dois turnos. IV. Lei complementar, lei ordinária e lei delegada devem ter quórum de maioria absoluta. Errada. Dos três casos citados, apenas a lei complementar exige quórum de maioria absoluta para votação. (CF/88, art. 69). V. Medida Provisória deve ser votada por maioria simples. Correta. Não há previsão constitucional ou regimental para seu quórum de votação. Vale a maioria simples. Estão corretas as afirmativas: (A) II, III e V. (B) I, III e IV. (C) II, IV e V. (D) I, II e V. (E) I, II e III. Gabarito: Letra “A”.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 32) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O projeto de lei que tenha sido aprovado nas duas casas legislativas será encaminhado ao Presidente da República para sanção. Se o chefe do Poder Executivo considerar o projeto inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento. Correta. É o que prevê a CF/88, art. 66, § 1º. 33) FGV/SF/Advogado/2008: A Constituição proíbe o veto parcial do projeto, em razão do risco de desvirtuamento decorrente da supressão de apenas alguns artigos da lei aprovada. Errada. O veto parcial é permitido, mas apenas em relação a trecho integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. CF/88, art. 66, § 2º. 34) FGV/SF/Advogado/2008: O veto poderá ser derrubado em sessão conjunta das casas legislativas, pelo voto secreto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. Correta. CF/88, art. 66, § 4º: “O veto será apreciado em sessão conjunta, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em escrutínio secreto”. 35) FGV/SF/Advogado/2008: Podem apresentar proposta de emenda à Constituição Federal: o Presidente da República; um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; e mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades de federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. Correta. Ver CF/88, art. 60, I, II e III. 36) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): No Senado, o projeto de resolução é a modalidade indicada para propor a criação de uma nova comissão permanente na estrutura dessa Casa legislativa. Correta. A criação de uma nova comissão permanente implica em alteração no Regimento Interno do Senado. Tal modificação deve ser proposta na forma de um projeto de resolução. 37) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de resolução do Senado é a modalidade indicada para propor que essa Casa, em todas as hipóteses, deixe de realizar sessões secretas. 50

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 Errada. Há hipóteses de realização de sessão secreta por determinação constitucional, como a apreciação de chefes de missão diplomática, por exemplo. Tal dispositivo só pode ser modificado por meio de Proposta de Emenda à Constituição. 38) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O Regimento Interno do Senado estabelece as regras de convivência entre maioria e minoria parlamentar. Sobre tal tema, complementado por regras do Regimento Comum, avalie as afirmativas a seguir: I. Cabe às representações partidárias organizar os blocos parlamentares e, caso possuindo maioria absoluta, comunicar tal situação à Mesa Diretora. Correta. Se um partido ou bloco possuir maioria absoluta da Casa, constituirá a maioria, fato que precisa ser comunicado à Mesa pelos líderes (RISF, art. 65, § 3º). II. A minoria não pode indicar líder. Errada. Como vimos, tanto a maioria quanto a minoria podem indicar líderes. (RISF, art. 65, caput). III. As duas maiores bancadas do Senado Federal que manifestarem, em relação ao Governo, posição diversa da maioria, poderão indicar líder da minoria no Congresso Nacional. Correta. A minoria no Congresso Nacional é formada pelas duas maiores bancadas no Senado e na Câmara que tiverem posição divergente da maioria (RCCN, art. 4º, § 3º). IV. Não alcançada a maioria absoluta de um bloco ou representação partidária, as figuras do Líder da maioria ou minoria serão substituídas pelos lideres partidários. Errada. Se a maioria absoluta não for alcançada por nenhum partido ou bloco, será considerado maioria aquele com maior número de representantes. (RISF, art. 65, § 5º). V. Os blocos parlamentares no Senado devem ter, pelo menos, um décimo dos Senadores. Correta. A quantidade mínima necessária para constituir um bloco parlamentar é um décimo da composição do Senado (RISF, art. 61, parágrafo único). Assinale: (A) se somente as afirmativas I, II e III estiverem corretas. (B) se somente as afirmativas II, IV e V estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas I, II e V estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas I, III e V estiverem corretas. Gabarito: Letra “E”. 51

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39) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Em relação à Mesa do Senado, é correto afirmar que: (A) cabe ao Primeiro-Secretário lavrar as atas das sessões secretas, proceder-lhes a leitura e assiná-las depois do 2º Vice-Presidente. Errada. Essa questão foi bem malandra e misturou tudo em um balaio de gatos! Quem lavra (confecciona) a ata da sessão secreta e faz a leitura é o SegundoSecretário. No entanto, ele assina a ata depois do Primeiro-Secretário, que por sua vez assina depois do Presidente. (RISF, art. 54, V, e art. 55) (B) o Presidente tem apenas voto de desempate nas votações ostensivas, mas, em escrutínio secreto, pode votar como qualquer Senador. Correta. É o que dispõe o RISF, no art. 51. (C) os seus membros serão eleitos para mandato de dois anos, vedada a reeleição para os períodos subsequentes. Errada. Cuidado! A reeleição é vedada para o período imediatamente subsequente (CF/88, art. 57, § 4º, combinado com RISF, art 59, caput) (D) a eleição de seus membros será feita em votação ostensiva, exigida maioria de votos e presente a maioria da composição do Senado. Errada. Como vimos, a eleição dos membros da Mesa é secreta. Precisa da maioria de votos, presente a maioria da composição do Senado (RISF, art. 60). (E) assume a Presidência, não se achando presentes o Presidente e seus substitutos legais, inclusive os Suplentes, o Senador que tiver obtido a segunda posição na eleição anterior. Errada. Nesse caso, quem assume a Presidência é o Senador mais idoso entre os presentes (RISF, art. 46, § 4.o). Gabarito: Letra “B” 40) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Consoante os termos do Regimento Interno do Senado Federal, as sessões podem ser: (A) deliberativas, não deliberativas e especiais. (B) ordinárias, extraordinárias e complementares. (C) legais, regulamentares e senatoriais. (D) especiais, complementares e suplementares. (E) não deliberativas, complementares e legais.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 As sessões podem ser deliberativas, não-deliberativas ou especiais, sendo que as deliberativas se classificam em ordinárias e extraordinárias (RISF, art. 154). Porém, não existem sessões “complementares”, “regulamentares”, “senatoriais”, “legais” ou “suplementares”. Gabarito: Letra “A”. 41) FGV/SF/Advogado/2008: Constitui atribuição do Presidente do Senado: (A) convocar e presidir as sessões conjuntas do Congresso Nacional. Correta (RISF, Art. 48, II). (B) encaminhar os papéis distribuídos às comissões. Errada. O encaminhamento de papéis às comissões é atribuição do PrimeiroSecretário (RISF, art. 54, IX). (C) assinar as atas das sessões secretas, uma vez aprovadas. Correta (RISF, Art. 48, IX). (D) declarar prejudicada conformidade regimental. Correta (RISF, Art. 48, XII). (E) desempatar as votações, quando ostensivas. Correta: o Presidente só vota em votação aberta em caso de desempate (RISF, art. 51). Como vocês perceberam, o comando da questão estava equivocado. Apenas uma das alternativas não consistia em atribuição do Presidente do Senado. Ela foi anulada no gabarito final. 42) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Estando ausente o presidente do Senado Federal, a sessão conjunta do Congresso Nacional será presidida pelo primeiro vicepresidente da Câmara dos Deputados e, estando ausente também este, pelo segundo vice-presidente do Senado Federal. Correta. Conforme vimos, a Mesa do Congresso Nacional é formada pelos Membros da Mesa do Senado Federal e da Câmara dos Deputados de modo alternado. Ausente o Presidente do Senado, assume, portanto, o Vice-Presidente da Câmara dos Deputados, sendo sucedido pelo 2° Vice-Presidente do Senado Federal (CF/88, art. 65, § 5º). proposição que assim deva ser considerada, na

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 43) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: A Mesa do Congresso Nacional promulga as emendas à Constituição em sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Errada. Quem promulga emenda constitucional é a Mesa da Câmara dos Deputados, juntamente com a Mesa do Senado Federal (CF/88, art. 60, § 3º). São três órgãos distintos: Mesa da Câmara dos Deputados, Mesa do Senado Federal e Mesa do Congresso Nacional. 44) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Projetos de lei a respeito de matéria orçamentária e vetos do presidente da República a projetos de lei aprovados pelo Congresso Nacional são matérias apreciadas em sessão conjunta. Correta, segundo CF/88, arts. 48, II, e 166, combinado com o RCCN, art. 1°, V. 45) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: O presidente e o vice-presidente da República eleitos tomam posse em sessão conjunta, solene, do Congresso Nacional, quando, após a prestação dos compromissos, assinarão o termo de posse, juntamente com os presidentes das duas Casas do Congresso Nacional. Errada. Os Presidentes das duas Casas do Congresso Nacional não assinam o termo de posse (RCCN, art. 65). 46) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Quando o Regimento Comum do Congresso Nacional for omisso, aplicar-se-á às sessões conjuntas, subsidiariamente, o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, em primeiro lugar, e o do Senado Federal, em seguida. Errada. Primeiro é aplicado o Regimento do Senado e, em caso de também haver omissão, aplica-se o Regimento da Câmara dos Deputados (RCCN, art. 151).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 LISTA DE QUESTÕES DESTA AULA 1) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Os deputados federais e os senadores são eleitos nos estados e no Distrito Federal. O número de deputados federais é proporcional à população de cada estado e do DF, mas o número de senadores é o mesmo em qualquer dos estados e no DF. 2) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Nos estados com o número mínimo de cadeiras na Câmara dos Deputados, serão eleitos deputados federais em número quatro vezes superior ao de senadores a serem eleitos por essas mesmas unidades da Federação. 3) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Enquanto o mandato de um deputado federal corresponde a uma única legislatura, um senador é eleito para um mandato de duas legislaturas consecutivas. 4) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário. Cada Estado e Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos. A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços. 5) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Não constitui princípio básico do processo legislativo: (A) a nulidade de qualquer decisão que contrarie norma regimental. (B) a preservação dos direitos das minorias. (C) a impossibilidade de tomada de decisões sem a observância do quórum regimental estabelecido. (D) a análise valorativa do conteúdo das leis e do procedimento de sua elaboração. (E) a publicidade das decisões tomadas, com exceção dos casos específicos previstos no Regimento. 6) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: Analise as afirmativas a seguir, no que diz respeito aos princípios do processo legislativo no Senado: I. Constitui princípio a decisão colegiada, ressalvadas as competências específicas fixadas no Regimento do Senado. 55

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 II. Entre os princípios, destaca-se aquele segundo o qual a norma geral prevalece sobre a especial. III. Deve observar-se o princípio da ampla negociação política por meio dos procedimentos regimentais previstos. Assinale: (A) se todas as afirmativas estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (C) se apenas a afirmativa I estiver correta. (D) se apenas a afirmativa III estiver correta. (E) se apenas a afirmativa II estiver correta. 7) Cespe/Bacen/Procurador/2009: A proposta de emenda constitucional deve ser discutida e votada em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, e será considerada aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros e for promulgada após a respectiva sanção presidencial. 8) Cespe/MPE-RN/Promotor/2009: A proposta de emenda constitucional deve ser discutida e votada em cada casa do Congresso Nacional em dois turnos, considerando-se aprovada, se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros. A casa na qual tenha sido concluída a votação deve enviar o projeto de emenda ao presidente da República, para que este, aquiescendo, o sancione. 9) Cespe/STF/Técnico/2008: O início da tramitação de proposta de emenda constitucional cabe tanto ao Senado Federal quanto à Câmara dos Deputados, pois a CF/88 confere a ambas as casas o poder de iniciativa legislativa. 10) Cespe/STF/Técnico/2008: Prescinde de sanção do presidente da República emenda constitucional que tenha sido regularmente aprovada no Congresso Nacional. 11) Cespe/STF/Analista/2008: As emendas à CF/88 devem ser sancionadas pelo presidente da República em até 15 dias úteis, sob pena de concordância tácita.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 12) Cespe/MPE-RN /Promotor/2009: A CF/88 pode ser emendada por proposta de assembleia legislativa de uma ou mais unidades da Federação, manifestando-se cada uma delas pela maioria relativa de seus membros. 13) Cespe/MPE-RN /Promotor/2009: A iniciativa das leis delegadas cabe a qualquer membro ou comissão da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, na forma e nos casos previstos na CF/88. 14) Cespe/MPE-RN/Promotor/2009: A Constituição Federal possui um regime em que organiza a iniciativa das leis, significando que confere legitimidade concorrente ou exclusiva a pessoas, comissões ou órgãos para determinados assuntos. Nessa linha, quando o tema é atinente ao Estatuto da Magistratura, pode-se afirmar que há iniciativa concorrente entre o Presidente da República, o Presidente do STF e o Presidente do Congresso Nacional. 15) ESAF/MPOG/APO/2010: A Câmara dos Deputados tem iniciativa privativa de lei para fixação da remuneração de seus servidores, mas tal ato legislativo deve necessariamente ir à sanção do Presidente da República. 16) ESAF/MPOG/APO/2010: O projeto de lei de iniciativa popular com assinaturas de 1% (um por cento) de eleitores distribuídos pela maioria absoluta dos estadosmembros pode veicular matéria reservada a lei complementar. 17) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: O processo legislativo confere aos cidadãos poder de iniciar o processo legislativo. Trata-se da lei de iniciativa popular. Consoante o texto constitucional, tal projeto deve preencher os seguintes requisitos: subscrição de cinco por cento do eleitorado nacional, distribuído por, pelo menos, quinze estados, e cinco décimos de eleitores por estado. 18) ESAF/MPOG/EPPGG/2010: A iniciativa popular deve ser exercida pela apresentação ao Presidente da República de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 19) Cespe/Bacen/Procurador/2009: A medida provisória aprovada pelo Congresso Nacional com alterações é transformada em projeto de lei de conversão e deve ser promulgada pelo presidente do Senado, independentemente de sanção ou veto do presidente da República. 20) Cespe/Bacen/Procurador/2009: A CF/88 prevê a hipótese de iniciativa popular, que pode ser exercida pela apresentação, à Câmara dos Deputados, de projeto de lei subscrito por, no mínimo, 10% dos eleitores de qualquer estado da Federação. 21) Cespe/Bacen/Procurador/2009: Para a participação popular no processo legislativo, quando relativa à apresentação de propostas de emenda à CF, exige-se que 3% do eleitorado subscrevam a proposta. 22) Cespe/Bacen/Procurador/2009: As assembleias legislativas estaduais podem propor emendas à Constituição Federal, desde que a proposta seja feita por mais da metade do total das assembleias legislativas e por maioria relativa dos membros de cada uma delas. 23) Cespe/Bacen/Procurador/2009: Compete ao Congresso Nacional fixar os subsídios dos ministros de Estado, não havendo necessidade de que a norma seja sancionada pelo presidente da República. 24) Cespe/TRT1/Técnico/2008: A tramitação de projetos de lei de iniciativa do STF, dentro do modelo bicameral, será iniciada no Senado Federal. 25) Cespe/TCE-AC/Analista/2007: Segundo a CF/88, emenda constitucional disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. 26) Cespe/Bacen/Procurador/2009: As resoluções constituem atos normativos secundários que dispõem acerca da regulação de determinadas matérias do Congresso Nacional não inseridas no âmbito de incidência dos decretos legislativos e da lei.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 00 27) Cespe/Bacen/Procurador/2009: Na sessão legislativa extraordinária, o Congresso Nacional delibera, além da matéria para a qual foi convocado e das medidas provisórias em vigor na data da convocação, a respeito dos projetos de lei complementar em regime de urgência. 28) Cespe/DPU/Analista/2009: O procurador-geral da República tem competência para propor projeto de lei ordinária ou complementar. 29) Cespe/DPU/Analista/2009: A sanção de lei pelo governador supre eventual vício de iniciativa do projeto. 30) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: No sistema bicameral atuam ambas as Casas Legislativas no processo de formação da lei, cabendo a iniciativa a parlamentares, órgãos legislativos, cidadãos, órgãos do executivo, do Judiciário e do Ministério Público. Assim, sendo a lei de conteúdo estruturador da organização judiciária dos Territórios, tal iniciativa é conferida ao Presidente: (A) do Supremo Tribunal Federal. (B) da República. (C) do Senado Federal. (D) da Câmara dos Deputados. (E) do Congresso Nacional. 31) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: As normas regimentais do Senado Federal, em consonância com as regras inscritas na Constituição Federal, impõem a realização de determinados atos mediante a obediência a quórum específico. Diante de tal situação, avalie as afirmativas abaixo: I. Regra geral, as deliberações são tomadas por maioria simples, presentes trinta por cento dos parlamentares da Casa. II. O quórum mínimo de presença para deliberação é da maioria absoluta dos parlamentares e as votações, salvo casos especiais, por maioria simples. III. Em caso de emendas constitucionais o quórum de votação deve corresponder a três quintos dos Senadores. IV. Lei complementar, lei ordinária e lei delegada devem ter quórum de maioria absoluta. V. Medida Provisória deve ser votada por maioria simples. 59

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Estão corretas as afirmativas: (A) II, III e V. (B) I, III e IV. (C) II, IV e V. (D) I, II e V. (E) I, II e III. 32) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O projeto de lei que tenha sido aprovado nas duas casas legislativas será encaminhado ao Presidente da República para sanção. Se o chefe do Poder Executivo considerar o projeto inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento. 33) FGV/SF/Advogado/2008: A Constituição proíbe o veto parcial do projeto, em razão do risco de desvirtuamento decorrente da supressão de apenas alguns artigos da lei aprovada. 34) FGV/SF/Advogado/2008: O veto poderá ser derrubado em sessão conjunta das casas legislativas, pelo voto secreto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. 35) FGV/SF/Advogado/2008: Podem apresentar proposta de emenda à Constituição Federal: o Presidente da República; um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; e mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades de federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. 36) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): No Senado, o projeto de resolução é a modalidade indicada para propor a criação de uma nova comissão permanente na estrutura dessa Casa legislativa. 37) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de resolução do Senado é a modalidade indicada para propor que essa Casa, em todas as hipóteses, deixe de realizar sessões secretas. 60

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38) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O Regimento Interno do Senado estabelece as regras de convivência entre maioria e minoria parlamentar. Sobre tal tema, complementado por regras do Regimento Comum, avalie as afirmativas a seguir: I. Cabe às representações partidárias organizar os blocos parlamentares e, caso possuindo maioria absoluta, comunicar tal situação à Mesa Diretora. II. A minoria não pode indicar líder. III. As duas maiores bancadas do Senado Federal que manifestarem, em relação ao Governo, posição diversa da maioria, poderão indicar líder da minoria no Congresso Nacional. IV. Não alcançada a maioria absoluta de um bloco ou representação partidária, as figuras do Líder da maioria ou minoria serão substituídas pelos lideres partidários. V. Os blocos parlamentares no Senado devem ter, pelo menos, um décimo dos Senadores. Assinale: (A) se somente as afirmativas I, II e III estiverem corretas. (B) se somente as afirmativas II, IV e V estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas I, II e V estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas I, III e V estiverem corretas. 39) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Em relação à Mesa do Senado, é correto afirmar que: (A) cabe ao Primeiro-Secretário lavrar as atas das sessões secretas, proceder-lhes a leitura e assiná-las depois do 2º Vice-Presidente. (B) o Presidente tem apenas voto de desempate nas votações ostensivas, mas, em escrutínio secreto, pode votar como qualquer Senador. (C) os seus membros serão eleitos para mandato de dois anos, vedada a reeleição para os períodos subsequentes. (D) a eleição de seus membros será feita em votação ostensiva, exigida maioria de votos e presente a maioria da composição do Senado. (E) assume a Presidência, não se achando presentes o Presidente e seus substitutos legais, inclusive os Suplentes, o Senador que tiver obtido a segunda posição na eleição anterior. 61

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40) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Consoante os termos do Regimento Interno do Senado Federal, as sessões podem ser: (A) deliberativas, não deliberativas e especiais. (B) ordinárias, extraordinárias e complementares. (C) legais, regulamentares e senatoriais. (D) especiais, complementares e suplementares. (E) não deliberativas, complementares e legais. 41) FGV/SF/Advogado/2008: Constitui atribuição do Presidente do Senado: (A) convocar e presidir as sessões conjuntas do Congresso Nacional. (B) encaminhar os papéis distribuídos às comissões. (C) assinar as atas das sessões secretas, uma vez aprovadas. (D) declarar prejudicada conformidade regimental. proposição que assim deva ser considerada, na

(E) desempatar as votações, quando ostensivas. 42) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Estando ausente o presidente do Senado Federal, a sessão conjunta do Congresso Nacional será presidida pelo primeiro vicepresidente da Câmara dos Deputados e, estando ausente também este, pelo segundo vice-presidente do Senado Federal. 43) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: A Mesa do Congresso Nacional promulga as emendas à Constituição em sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. 44) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Projetos de lei a respeito de matéria orçamentária e vetos do presidente da República a projetos de lei aprovados pelo Congresso Nacional são matérias apreciadas em sessão conjunta. 45) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: O presidente e o vice-presidente da República eleitos tomam posse em sessão conjunta, solene, do Congresso Nacional, quando, após a prestação dos compromissos, assinarão o termo de posse, juntamente com os presidentes das duas Casas do Congresso Nacional. 62

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46) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Quando o Regimento Comum do Congresso Nacional for omisso, aplicar-se-á às sessões conjuntas, subsidiariamente, o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, em primeiro lugar, e o do Senado Federal, em seguida. Gabarito: 1C 14E 27E 40A 2E 15C 28C 41X 3C 16E 29E 42C 4C 17E 30B 43E 5D 18E 31A 44C 6B 19E 32C 45E 7E 20E 33E 46E 8E 21E 34C 9C 22C 35C 10C 23C 36C 11E 24E 37E 12E 25E 38E 13E 26E 39B

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 LUCIANO OLIVEIRA AULA 01 Olá, concurseiros e concurseiras! Vamos à nossa segunda aula de Processo Legislativo para o Senado Federal! Comissões As Comissões são órgãos destinados à apreciação e à votação de matérias que tramitam pelo Poder Legislativo, na forma e com as atribuições previstas nos Regimentos Internos ou no ato de que resultar sua criação (CF/88, art. 58). Os membros titulares e suplentes das Comissões são indicados pelos líderes dos partidos e podem ser substituídos, desde que a decisão seja comunicada à Mesa. Portanto, a cadeira na Comissão “pertence” ao partido, não ao parlamentar (RISF, art. 81). Porém, os partidos não indicam a mesma quantidade de parlamentares. Esse quantitativo varia, na medida em que partidos maiores têm direito a indicar maior número de membros. Isso porque na constituição de cada Comissão, deve ser assegurada, sempre que possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares da Casa (CF/88, art. 58, §1°). Um Senador poderá integrar até três Comissões como titular e três como suplente (RISF, art. 77, § 2°). A cada duas sessões legislativas (dois anos), são realizadas eleições, no âmbito da Comissão, para definir seus Presidente e VicePresidente, em eleição secreta (RISF, art. 88). As Comissões no Senado podem ser permanentes ou temporárias, dividindo-se as últimas em internas, externas e Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Também existem comissões permanentes e temporárias do Congresso Nacional, chamadas de comissões mistas, compostas por Deputados e Senadores. Atribuições das Comissões Atribuições Constitucionais 1. Discutir e votar projeto de lei de tramitação terminativa, que dispensa competência do plenário, SALVO recurso de 1/10 da Casa (CF/88, art. 58, § 2º, I); 2. Realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil (CF/88, art. 58, § 2º, II); 3. Convocar Ministros de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições (CF/88, art. 58, § 2º, III);

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 4. Receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas (CF/88, art. 58, § 2º, IV); 5. Solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão (CF/88, art. 58, § 2º, V); 6. Apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer (CF/88, art. 58, § 2º, VI); 7. Propor a sustação dos atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar; 8. Apresentar projeto de lei ordinária ou complementar (CF/88, art. 61); 9. Solicitar informações ao Tribunal de Contas da União sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas (CF/88, art. 71, VII); Atribuições Regimentais 1. 2. 3. 4. 5. 6. Acompanhar junto ao Governo a elaboração da proposta orçamentária, bem como sua execução (RISF, art. 90, VIII); Acompanhar, fiscalizar e controlar as políticas governamentais pertinentes às áreas de sua competência (RISF, art. 90, IX); Estudar qualquer assunto compreendido nas atribuições do Senado, propondo as medidas legislativas cabíveis (RISF, art. 90, XI); Opinar sobre o mérito das proposições submetidas ao seu exame, emitindo o respectivo parecer (RISF, art. 90, XII); Realizar diligências (RISF, art. 90, XIII); Apresentar proposições de sua autoria, que devem ser assinadas pelo seu Presidente e membros, totalizando, pelo menos, a maioria da sua composição (RISF, art. 245, par. único).

Agora vamos nos debruçar sobre o poder terminativo das Comissões, disposto na CF/88, art. 58, § 2º, I e no RISF, art. 91. Terminativo significa que a tramitação da matéria, irá, em tese, TERMINAR na Comissão. As Comissões podem discutir e votar, DISPENSADA a competência do Plenário: 1) Projetos de lei ordinária de autoria de Senador, EXCETO projeto de Código (RISF, art. 91, I); 2) Projetos de resolução que versem sobre a suspensão da execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (CF/88, art. 52, X). A comissão que faz isso é a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (RISF, art. 91, II);

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Essas duas competências terminativas são taxativas. O RISF, no entanto, elenca outras hipóteses de tramitação terminativa, a juízo do Presidente, ouvidas as lideranças. São as seguintes: 1) Tratados ou acordos internacionais (RISF, art. 91, §1°, I); 2) Autorização para a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais em terras indígenas (RISF, art. 91, §1°, II); 3) Alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares (RISF, art. 91, §1°, III); 4) Projetos de lei da Câmara de iniciativa parlamentar que tiverem sido aprovados, em decisão terminativa, por Comissão daquela Casa (É O CASO MAIS COMUM). Não vale para projetos cuja iniciativa for extra-parlamentar (RISF, art. 91, §1°, IV); 5) Indicações e proposições diversas (RISF, art. 91, §1°, V);. Toda vez que a comissão for decidir sobre uma proposição terminativa a votação deve ser NOMINAL, ou seja, os Senadores, um a um, devem declarar seu voto. Para que seja aprovada, a matéria deve obter a maioria de votos, estando presente a maioria dos membros da Comissão (RISF, art. 109).

O QUE NÃO PODE SER TERMINATIVO: • • Projetos de Resolução que alterem o Regimento Interno (RISF, art. 91, § 1°, V, “a”). Projetos de Resolução a respeito de: autorização para operação de crédito externa, limites para operação de crédito interna e externa, limites da dívida consolidada e mobiliária, limites e condições para concessão de garantias; e fixação de alíquotas máximas para imposto de transmissão causa mortis e doação e alíquotas do ICMS (RISF, art. 91, § 1°, V, “b”). PECs (RISF, art. 91, § 1°, V, “c”).

Depois que a Comissão decidir sobre o projeto em tramitação terminativa, a decisão é comunicada ao Presidente do Senado para ciência do Plenário e publicação no Diário do Senado Federal, a menos que exista recurso de 1/10 dos Senadores, para que a matéria seja discutida no Plenário (RISF, art. 91, §§ 3° e 4°). Vamos repisar sempre isso, pois é muito importante.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 É admitido RECURSO de 1/10 dos membros do Senado para que a matéria terminativa vá para o Plenário. Esse recurso é dirigido ao Presidente da Casa, no prazo de 5 dias ÚTEIS, contado a partir da publicação da comunicação, na Ordem do Dia da sessão seguinte. Se nesse prazo de 5 dias úteis não houver recurso, o projeto será, conforme o caso, encaminhado à sanção, promulgado, remetido à Câmara ou arquivado.

Quem define a distribuição das matérias para as Comissões, ou seja, por quais colegiados a matéria vai precisar passar, é o Presidente do Senado (RISF, art. 48, X). O Presidente pode ainda determinar que o seu estudo seja feito em reunião conjunta das Comissões (RISF, art. 49, II). A apreciação conjunta também pode acontecer por iniciativa de qualquer das Comissões por onde estiver tramitando o projeto. Portanto, vamos esclarecer: são institutos diferentes. Um projeto pode passar por várias Comissões, sendo discutido e votado sucessivamente, assim: Comissão de Assuntos Sociais Comissão de Assuntos Econômicos Comissão de Educação, Cultura e Esporte. OU As três Comissões podem funcionar como um colegiado, quando apreciarem aquela determinada matéria subordinada à apreciação conjunta, simultaneamente. Neste caso, quem preside as reuniões é o membro mais idoso das três Comissões. O estudo de proposições de forma conjunta obedece a algumas regras regimentais: 1) cada Comissão deve estar com a maioria absoluta dos membros presente (RISF, art. 113, par. único, I); 2) o estudo da matéria é em conjunto, mas a votação é separada (RISF, art. 113, par. único, II); 3) cada Comissão pode ter um relator ou pode haver um relator único (RISF, art. 113, par. único, III); 4) o parecer das Comissões pode ser em conjunto, mas deve constar nele a manifestação de cada uma das Comissões, mencionando sempre os votos vencidos, os em separado, os pelas conclusões e os com restrições (RISF, art. 113, par. único, IV).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Por fim, não vamos confundir apreciação de proposição em reunião conjunta de Comissões (art. 113 do RISF) com a tramitação conjunta de matérias (RISF, art. 258). Tramitação conjunta ocorre quando existem em curso no Senado duas ou mais proposições regulando a mesma matéria, hipótese em que passarão pelo processo legislativo de forma concomitante. Quando isso acontece, dizemos que as proposições estão apensadas, recebendo um único relatório (RISF, art. 260, §3°). Terão precedência os projetos da Câmara sobre os do Senado e, se forem da mesma Casa de origem, os mais antigos sobre os mais recentes (RISF, art. 260, II, “a” e “b”). A tramitação conjunta pode ser solicitada por meio de requerimento de Comissão ou de Senador, mediante deliberação da Mesa (RISF, art. 258). O Presidente do Senado, após a leitura da proposição, pode determinar a tramitação conjunta de matérias, conforme reza o RISF, art. 49, § 1º. Comissões permanentes do Senado No Senado, atualmente, existem onze comissões permanentes, cujas atribuições, quantitativo de membros e reuniões estão definidas no RISF. Pessoal, esse quadro abaixo procura resumir algumas informações sobre as Comissões permanentes do SF. Vocês não precisam ficar preocupados com aquela história de dias e horários de reuniões. Mas é bom ter uma ideia do número de membros delas. Aqui elas estão agrupadas em ordem decrescente, para facilitar sua divisão em grupos – das maiores para as menores, OK? COMISSÃO Comissão de Assuntos Econômicos – CAE; Comissão de Educação, Cultura e Esporte – CE; Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – CCJ; Comissão de Serviços de Infra-Estrutura – CI; Comissão de Assuntos Sociais – CAS; Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa – CDH; Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional – CRE; Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo – CDR; Comissão de Agricultura e Reforma Agrária – CRA; de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comissão Comunicação e Informática – CCT; Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle – CMA; 5 NÚMERO DE MEMBROS 27 27 23 23 21 19 19 17 17 17 17

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Atribuições específicas Os artigos 97 a 105 do RISF tratam da competência específica atribuída a cada uma das Comissões permanentes da Casa. Pessoal, ninguém merece ficar decorando isso! Guardem o que for mais importante e fiquem mais atentos apenas a algumas pegadinhas que podem induzi-los a achar que o assunto é de uma Comissão, quando, na verdade, pertence a outra. Comissão Comissão de Assuntos Econômicos – CAE RISF, art. 99 Palavras-chave Economia, tributos, empréstimos, limites de dívida, finanças, seguros, tarifas; Dicas Aprova os indicados para compor o TCU e para Presidência e diretoria do Banco Central. Também faz audiências públicas regulares com o Presidente do Banco Central; Trata da formação e aperfeiçoamento de recursos humanos (não é a CAS!) Desde a criação da Comissão de Ciência e Tecnologia, a CE deixou de apreciar matéria sobre comunicações, imprensa, radiodifusão e tecnologias; Aprova indicados para ANS e ANVISA.

Comissão de Educação, Cultura e Esporte – CE RISF, art. 102

Educação, cultura, ensino, desportos, diretrizes e bases da educação nacional, diversão, espetáculos públicos, artes, datas comemorativas e homenagens cívicas;

Comissão de Assuntos Sociais – CAS RISF, art. 100

Comissão de Serviços de Infra-Estrutura – CI RISF, art. 104

Trabalho, emprego, seguridade social, previdência e assistência social, índios, saúde, transplantes, hemoderivados, medicamentos, saneamento, vigilância sanitária, SUS... Transportes, obras Aprova indicados para públicas em geral, minas ANEEL, ANP, ANATEL, etc. e energia, telecomunicações, parcerias público-privadas 6

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 e agências reguladoras pertinentes; Sugestões legislativas da sociedade civil; direitos humanos, da mulher, das pessoas portadoras de deficiências, infância, juventude, idosos; inclui direitos dos estrangeiros. Relações internacionais, comércio exterior, organismos internacionais, autorização para o Presidente da República ou Vice se ausentarem do País, Forças Armadas, questões de fronteiras, espaço aéreo e marítimo;

Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa – CDH RISF, art. 102-E

As “sugestões legislativas” não podem ser apresentadas por partidos políticos que tenham representação no Congresso Nacional; Pronuncia-se a respeito dos votos de censura, de aplauso ou semelhante, quando se refiram a acontecimentos ou atos públicos internacionais. Os demais requerimentos do tipo vão para a CCJ; Aprova os indicados para chefe de missão diplomática de caráter permanente (reunião e voto secretos); Toda vez que o Senado mandar uma comissão para o exterior tratando de assuntos de política externa precisa incluir nela um membro da CRE. A palavra aqui é “rural”. A CRA tem competência sobre assuntos que de cara pertenceriam a outras comissões, mas se referem ao campo, como: direito agrário, ensino rural, desenvolvimento tecnológico, emprego, previdência, empréstimos rurais, etc.

Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional – CRE RISF, art. 103

Comissão de Agricultura e Reforma Agrária – CRA RISF, art. 104-B

Política agrícola e fundiária, agricultura, pecuária e abastecimento, agricultura familiar, irrigação, colonização e reforma agrária, etc.

Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo –

Políticas regionais, desigualdades regionais, integração e turismo. 7

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 CDR RISF, art. 104-A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática – CCT RISF, art. 104-C Desenvolvimento científico, tecnologia, imprensa, propriedade intelectual, radiodifusão, questões éticas em pesquisa científica, informática, etc. A CCT é a comissão mais recente do Senado. Criada apenas em 2007, ela desafogou a pauta da CE, que acumulava a função de se pronunciar sobre matérias afetas à ciência e tecnologia. Além disso, a CCT aprecia os pedidos de renovação de concessão de rádio e TV.

Deixamos a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) para o final, pois suas atribuições são um pouco mais complexas: Comissão de Constituição e Justiça A CCJ possui dois grandes grupos de atribuições: Constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade das matérias (RISF, art. 101, I): podem lhes ser submetidas por deliberação do Plenário, por despacho da Presidência, por consulta de qualquer Comissão, ou quando, devido a dúvidas de constitucionalidade, houver recurso de decisão terminativa de Comissão para o Plenário (aquele recurso, já tão batido, de 1/10 dos membros do Senado, lembram?). Só que, diferentemente do que ocorre na Câmara dos Deputados, no Senado nem todas as matérias precisam passar pela CCJ. Ela vai se pronunciar quanto à constitucionalidade se necessário. Dentro desse papel um pouco “consultivo” da CCJ, estão ainda as atribuições de opinar sobre recursos interpostos às decisões da Presidência (RISF, art. 101, VI) e sobre os requerimentos de voto de censura, aplauso ou semelhante, EXCETO assunto sobre relações exteriores do País, que pertencem à CRE (RISF, art. 101, VII). A CCJ é consultada ainda no caso de ser apresentada uma emenda que altere apenas a redação de um projeto – a Comissão avalia se a emenda altera realmente só o texto ou interfere no conteúdo da proposição (RISF, art. 101, IV).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Também é a CCJ que propõe, por projeto de Resolução, a suspensão, no todo ou em parte, de leis declaradas inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (RISF, art. 101, III, e CF/88, art. 52, X). Matérias específicas (RISF, art. 101, II): além de funcionar como uma espécie de órgão consultivo sobre a constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade, a CCJ também é uma Comissão com assuntos específicos que são de sua alçada, como: criação de Estado/Territórios, anistia, segurança pública, bombeiros, polícias, direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, aeronáutico, espacial, marítimo e penitenciário, símbolos nacionais, estrangeiros, extradição, imigração, transferência temporária da sede do Governo Federal, registros públicos, Ministério Público, Defensoria Pública, limites dos Estados, bens do domínio da União, desapropriação, juizados de pequenas causas, serviços forenses etc. Além disso, a CCJ aprova as indicações para Ministro do Supremo Tribunal Federal, dos Tribunais Superiores, do Governador de Território e do ProcuradorGeral da República (RISF, art. 101, II, “i”). DICA: É a CCJ que cuida de: • • CMA A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) é pouco conhecida, mas, por incrível que pareça, é a que mais acumula funções, segundo o RISF. Isso porque, além dos temas relativos à Defesa do Consumidor e ao Meio Ambiente, que só foram incluídos recentemente, ela é a Comissão que desenvolve por excelência uma das funções típicas do Poder Legislativo, que é a fiscalização e o controle externo. Podemos dividir seu trabalho em três frentes: Fiscalização e controle dos atos do administração indireta (RISF, art. 102-A, I) Poder Executivo e da Estado de defesa, estado de sítio e intervenção federal (RISF, art. 101, II, “b”) e o pedido de licença de incorporação de Senador às Forças Armadas (RISF, art. 101, II, “h”); Normas gerais de licitação e contratação (RISF, art. 101, II, “g”).

Avaliar a eficácia, eficiência e economicidade dos projetos e programas; apreciar a compatibilidade da execução orçamentária com os planos e programas governamentais; solicitar ao Tribunal de Contas da União que realize inspeções ou auditorias; promover a interação do Senado Federal com os órgãos do Poder 9

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Executivo, Judiciário e do Ministério Público para gerar dados úteis para a fiscalização e controle; Defesa do meio ambiente (RISF, art. 102-A, II) Poluição, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais e genéticos, florestas, caça, pesca, fauna, flora e recursos hídricos, manejo de florestas, biodiversidade, desenvolvimento sustentável, direito ambiental e agências reguladoras na área de meio ambiente, inclusive a Agência Nacional de Águas – ANA; Defesa do consumidor (RISF, art. 102-A, III) Aperfeiçoamento de medidas voltadas à melhoria das relações fornecedores/ consumidores, direitos autorais, patentes, defesa da concorrência e repressão a monopólios, abuso do poder econômico, qualidade de produtos, publicidade enganosa etc. A Comissão exerce suas funções de fiscalização por meio de uma proposta legislativa chamada Proposta de Fiscalização e Controle (RISF, art. 102-B). Ela pode ser apresentada por qualquer membro ou Senador à Comissão, com específica indicação do ato e fundamentação da providência objetivada. A proposta é relatada previamente na CMA, quanto à oportunidade e à conveniência, definindo-se ainda o plano de execução e a metodologia de avaliação. O relator pode, então, requerer recursos e assessoramento necessários ao bom desempenho da Comissão. Poderá ainda solicitar ao TCU providências ou informações (RISF, art. 102-B, II, e par. único). Concluído o trabalho, a CMA apresenta um relatório com suas conclusões, que é publicado e enviado (RISF, art. 102-C): 1) à Mesa ou ao Plenário, oferecendo, conforme o caso, um projeto de lei, de decreto legislativo, de resolução ou indicação; 2) à Comissão permanente que tenha maior pertinência com a matéria; 3) ao Ministério Público ou à AGU, com cópia da documentação, para que promova a responsabilidade civil ou criminal por infrações apuradas;* 4) ao Poder Executivo, para adotar as providências saneadoras de caráter disciplinar e administrativo;* 5) à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO);* 6) ao Tribunal de Contas da União;* * Nos itens 3, 4, 5 e 6, relacionados a destinatários externos, o relatório é enviado pelo Presidente do Senado. 10

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Comissão Diretora A Comissão Diretora é uma comissão permanente sui generis, pois suas reuniões não tem data ou horário marcado pelo Regimento. A Comissão Diretora é composta pelos membros da Mesa Diretora do Senado e tem por competência a decisão de matérias administrativas da Casa (RISF, art. 98). Diferentemente das demais Comissões permanentes, a Comissão Diretora não possui senadores suplentes em número igual ao de titulares e também não pode criar subcomissões permanentes ou temporárias. Devido a uma alteração recente no Regimento, os membros da Comissão Diretora agora podem integrar outras Comissões permanentes, o que antes não era permitido (RISF, art. 77, § 1°). No entanto, essa vedação ainda vale para o Presidente do Senado. Nas reuniões da Comissão Diretora, o Presidente do SF tem direito a discussão e voto, se desejar (RISF, art. 48, XXXIV). Subcomissões As comissões permanentes do Senado podem criar subcomissões, que, por sua vez, podem ser permanentes ou temporárias (RISF, art. 73). Geralmente, as subcomissões servem para estudar mais a fundo algum assunto específico, funcionando como uma espécie de grupo de estudos. As subcomissões são criadas por meio de requerimento de qualquer Senador, que deve ser aprovado pela respectiva Comissão permanente. Seus membros não são indicados pelas lideranças partidárias, mas sim designados pelo Presidente da Comissão principal. Em geral, ele indica os parlamentares que possuem mais afinidade com o assunto em questão. Cada Comissão permanente pode manter até quatro subcomissões (incluindo permanentes e temporárias). O Regimento, porém, veda a criação de subcomissões pela Comissão Diretora (RISF, art. 73). Dêem uma olhadinha no esquema abaixo, para entender como podem ser criadas as subcomissões:

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Atenção, subcomissões temporárias são criadas no âmbito das comissões permanentes. Elas não são comissões temporárias. Estas últimas serão assunto do próximo tópico. As subcomissões entregam suas conclusões para a Comissão permanente à qual pertencem, que dará o andamento que julgar necessário ao tema (RISF, art. 73, § 2°). Comissões temporárias As Comissões temporárias do Senado se dividem em internas, externas ou parlamentares de inquérito (art. 74 do RISF): 1) internas – previstas no Regimento para finalidade específica; por exemplo, para reforma do Regimento, análise de projeto de Código etc. (RISF, art. 74, I). 2) externas – representam o Senado em congressos, solenidades e outros atos públicos; criadas por deliberação do Plenário, a requerimento de qualquer Senador ou Comissão, ou por proposta do Presidente. Deve ser indicado o objetivo da Comissão e o número de membros. Concluída a tarefa, a Comissão deve comunicar ao Senado um relatório do desempenho de sua missão (RISF, art. 74, II). 3) Parlamentares de inquérito (CPIs) – (CF/88, art. 58, § 3º e RISF, art. 74, III); Prazos para Comissões temporárias As Comissões temporárias encerram seus trabalhos em 3 casos:

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 • • • Quando concluem sua tarefa (RISF, art. 76, I); Quando termina o prazo estabelecido para elas – prorrogável por mais um ano (RISF, art. 76, caput, II e art. 76, § 1°, I); Quando termina a sessão legislativa ordinária – prorrogável até o término da sessão legislativa seguinte (RISF, art. 76, caput, III, e art. 76, § 1°, II);

Os prazos são contados a partir da publicação dos atos que criarem as Comissões, e não correm durante o período de recesso do Congresso Nacional (RISF, art. 76, § 3°). Vale lembrar que, no caso das CPIs, que estudaremos a seguir, o prazo e suas prorrogações não podem ultrapassar o período da legislatura em que foram criadas. Comissões Parlamentares de Inquérito O tema das Comissões Parlamentares de Inquérito merece atenção especial dos concurseiros. É um assunto bastante explorado em prova, aliás, um prato cheio para uma discursiva! Há vários dispositivos legais que tratam das CPIs: a Constituição Federal de 88, o Regimento Interno do Senado, o Regimento Comum do Congresso Nacional, a Lei 1.579/52 e a Lei 10.001/00. Ufa! E ainda tem mais uma coleção de decisões do Supremo Tribunal Federal a respeito das competências das CPIs. De maneira mais ampla, devemos situar as CPIs no contexto do controle. Seu papel se enquadra na segunda função típica do Poder Legislativo: exercer o controle político, por meio da investigação de fatos de interesse da sociedade, consistindo em um forte instrumento para a manutenção do sistema de “freios e contrapesos” dos três Poderes que compõem o Estado. O primeiro passo para a criação desse tipo de elaborar um requerimento assinado por 1/3 dos Senadores). No caso das CPIs mistas (as que reúnem SF), é preciso 1/3 das assinaturas dos membros das Nacional (CF/88, at. 58, § 3°). Comissão, no Senado, é membros da Casa (27 parlamentares da CD e do duas Casas do Congresso

O requerimento de criação deve adiantar ainda qual o fato a ser apurado, o número de membros, o prazo de duração dos trabalhos da Comissão e o limite das despesas a serem realizadas (RISF, art. 145, § 1°). Interessante notar que, no caso das Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito, o número de membros, também fixado no ato da sua criação, deve proporcionar igual participação de Deputados e Senadores, além de obedecer ao princípio da proporcionalidade partidária. 13

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 O Presidente do SF recebe o requerimento de criação de uma CPI e ordena sua numeração e publicação. Os líderes dos partidos indicam os membros da Comissão e, se não o fizerem, o Presidente do Senado deve designá-los de ofício. Conforme decisões do Supremo Tribunal Federal (MS 24.831 e MS 26.441), a instalação de uma CPI é entendida como direito subjetivo da minoria à instauração do inquérito parlamentar. A lógica é simples: se a CPI for proposta por um partido minoritário e os partidos maiores retirarem seus representantes da Comissão, esses últimos podem inviabilizar a Comissão Parlamentar de Inquérito. A CPI tem uma diferença em relação às outras Comissões: ela terá suplentes, só que correspondentes à metade do número dos titulares mais um (RISF, art. 145, § 4º). Por exemplo: uma CPI com 20 titulares terá 11 suplentes. No Senado, cada Senador só pode fazer parte ao mesmo tempo duas CPIs – uma como titular, outra como suplente (RISF, art. 145, § 3º). O art. 58, § 3º, da CF/88 dispõe que as CPIs se prestam à apuração de fato determinado e por prazo certo. Além disso, o RISF não permite que se instale CPI sobre matérias que sejam pertinentes à Câmara dos Deputados, às atribuições do Poder Judiciário (atividade jurisdicional) e aos Estados, respeitando o princípio federativo (RISF, art. 146, I, II e III). Instalada a Comissão, são eleitos um Presidente e um Vice. O Presidente, por seu turno, é quem escolhe o relator da CPI. Se o relator estiver ausente em qualquer ato do inquérito, o Presidente poderá designar um substituto para a ocasião, contanto que seja alguém do mesmo partido ou bloco do relator original (RISF, art. 147). O prazo da Comissão Parlamentar de Inquérito poderá ser prorrogado automaticamente (ou seja, pelo mesmo período de tempo do prazo original). Mas para que isso aconteça, é preciso um novo requerimento, igualmente assinado por 1/3 dos Senadores, comunicado por escrito à Mesa, lido em Plenário e publicado no Diário do Senado Federal (RISF, art. 152). Não há limite para essas prorrogações, contanto que a CPI não ultrapasse o período da legislatura em que foi criada (RISF, art. 76, § 4°). No exercício das suas atribuições, a CPI tem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, facultada a realização de diligências que julgar necessárias, podendo convocar Ministros de Estado, tomar o depoimento de qualquer autoridade, inquirir testemunhas, sob compromisso, ouvir indiciados, requisitar de órgão público informações ou documentos de qualquer natureza, bem como requerer ao Tribunal de Contas da União a realização de inspeções e auditorias que entender necessárias (RISF, art. 148). No entanto, ter poderes de investigação próprios das autoridades judiciais não 14

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 significa que a Comissão possa praticar atos propriamente jurisidicionais, privativos de magistrados. O princípio da reserva de jurisdição impede que a CPI adentre determinados assuntos de competência exclusiva dos membros do Poder Judiciário. Quanto ao sigilo telefônico, é permitido à CPI apenas o acesso ao levantamento das ligações efetuadas (conta telefônica) pelas pessoas investigadas, mas não pode autorizar a escuta telefônica – medida que só pode ser determinada pela autoridade judicial. Nessa mesma linha, a CPI não pode fazer busca e apreensão de documentos em residência, declarar indisponibilidade de bens, nem prender qualquer pessoa, salvo na hipótese de flagrante delito. A CPI pode determinar a condução coercitiva de testemunha para depor na Comissão. Porém, a inquirição de testemunhas ou indiciados por CPI também possui alguns limites. O STF entende como legítima a decisão de indiciados e testemunhas de permanecerem calados diante da CPI, sempre que forem feitos questionamentos que possam levar à sua incriminação. O STF entende ainda que o depoente não é obrigado a responder a perguntas que não tenham relação com o objeto do inquérito. A CPI também não pode impedir, nas sessões, a presença de advogados dos depoentes. Os indiciados e testemunhas ouvidos pelas CPIs serão intimados de acordo com a legislação processual penal. O RISF determina que, nos atos processuais da CPI, serão aplicadas subsidiariamente as disposições do Código de Processo Penal (RISF, art. 153). As decisões da CPI são passíveis de controle judicial? Sim. As CPIs no Congresso Nacional constituem manifestação do Poder Legislativo em sua função fiscalizadora, sujeitando-se ao controle judicial de seus atos, na forma de mandado de segurança e habeas corpus julgados pelo STF, no exercício de sua competência originária. Resumindo tudo isso, vai aqui uma tabelinha do “pode e não pode” da CPI! PODE Colher depoimentos de investigados e testemunhas, respeitando o direito ao silêncio. Determinar a condução coercitiva de testemunha que se recuse a comparecer. Convocar Ministro de Estado para depor (qualquer Comissão pode). 15 NÃO PODE Não pode dar ordem de prisão (salvo em flagrante delito). Não pode decretar prisão preventiva. Não pode quebrar sigilo das comunicações telefônicas (escuta

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 telefônica, “grampo”). Prender em flagrante delito. Não pode impedir que pessoa deixe o País. Quebrar sigilo fiscal, bancário e de dados Não pode determinar o afastamento telefônicos (histórico das chamadas). de cargo ou função pública durante a investigação. Não pode decretar busca e apreensão domiciliar de documentos. Não pode determinar medidas processuais de garantia, tais como sequestro ou indisponibilidade de bens. Ao término de seus trabalhos, a Comissão Parlamentar de Inquérito enviará à Mesa, para conhecimento do Plenário, seu relatório e conclusões (RISF, art. 150). Pode também apresentar projeto de Resolução propondo, por exemplo, alguma medida normativa que venha a impedir irregularidades como as que foram constatadas na investigação (RISF, art. 150, § 1°). As CPIs não podem impôr penalidades ou condenações. Seu relatório final e a Resolução que o aprovar são encaminhados, se for o caso, ao Ministério Público ou às autoridades administrativas ou judiciais com poder de decisão, para que promovam a responsabilidade civil ou criminal dos infratores (RISF, art. 151). A Lei 10.001/00, em seu art. 3°, determina que as conclusões das CPIs devem receber tratamento prioritário nos procedimentos a serem adotados por esses órgãos, com exceção de pedidos de habeas corpus, habeas data e mandado de segurança. Além disso, a autoridade a quem for encaminhada a Resolução deve informar ao remetente, no prazo de 30 dias, as providências adotadas ou justificar sua omissão e informar semestralmente o andamento do processo, até sua conclusão (Lei 10.001/00, art. 2°, caput e par. único). Reuniões das Comissões Já vimos que as reuniões ordinárias das Comissões permanentes têm seus horários definidos pelo RISF. No entanto, se a reunião for extraordinária, será convocada especialmente no dia, horário e para o fim indicado. NÃO ESQUECER: Reunião de Comissão permanente ou temporária NÃO PODE COINCIDIR com o período da Ordem do Dia das sessões deliberativas ordinárias. Se estiver ocorrendo reunião de Comissão e a Ordem do Dia começar, o trabalho da Comissão deve ser suspenso imediatamente (RISF, art. 107, par. 16

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 único). As CPIs, por sua vez, devem se reunir em horário diferente daquele previsto para o funcionamento das Comissões permanentes (RISF, art. 107, III). O quórum mínimo para a abertura de reunião de Comissão é a maioria de seus membros (RISF, art. 108), isto é, o número inteiro imediatamente superior à metade dos membros daquele colegiado. Uma reunião da Comissão de Educação, por exemplo, que tem 27 membros, só pode ter início quando estiverem presentes 14 Senadores. A pauta dos trabalhos das Comissões deve ser distribuída no mínimo com 2 dias úteis de antecedência, aos titulares e suplentes. Isso só não se aplica em casos de urgência (RISF, art. 108, par. único). As reuniões das Comissões serão públicas, salvo casos expressos no RISF ou quando a Comissão decidir assim (RISF, art. 110). Sendo pública, qualquer Senador pode assistir à reunião, discutir o assunto em debate e enviar por escrito informações ou esclarecimentos. Dessa forma, o RISF determina que são secretas as reuniões para tratar de: 1. declaração de guerra ou celebração de paz (RISF, art. 116, I); 2. trânsito ou permanência temporária de forças estrangeiras no território nacional (RISF, art. 116, II); 3. escolha de chefe de missão diplomática (RISF, art. 116, III); Nesse tipo de reunião, é lido o relatório, que não será conclusivo, ou seja, ele não diz se é pela aprovação ou rejeição como o de um relatório comum (RISF, art. 116, § 1°). A Comissão decide com base no voto secreto e é proclamado o resultado da votação, sem dizer quem votou a favor, contra ou se absteve (não votou). Também não é permitido aos Senadores declararem o voto. Além dos membros da Comissão, só será admitida a presença de Senadores e das pessoas a serem ouvidas sobre a matéria em debate. A ata da reunião secreta deve ser aprovada ao fim da reunião, assinada por todos os membros presentes, lacrada, datada e rubricada pelo Presidente e pelo Secretário e recolhida ao Arquivo do Senado (RISF, art. 116, § 3°). Importante: Deputados Federais poderão assistir às reuniões secretas, contanto que a reunião não trate de matéria da competência privativa do Senado Federal (RISF, art. 117, par. único). Exemplo: arguição de indicados para chefes de Missão Diplomática não pode ser feita na presença de Deputados. 17

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Audiências públicas No Senado é muito comum que as Comissões realizem audiências públicas para debater assuntos polêmicos ou relevantes. Nessas ocasiões, costumam ser chamadas autoridades no assunto, membros da sociedade civil e do governo, com posições a favor ou contrárias sobre o que está sendo analisado. O artigo 93 do RISF trata de duas hipóteses para realizar audiências públicas: 1) instruir matéria em apreciação na Comissão; 2) tratar de assunto de interesse público relevante; A audiência pública pode ser realizada por solicitação de entidade da sociedade civil ou a requerimento de Senador. Durante a audiência pública, os senadores membros da Comissão podem fazer perguntas ou comentários ao orador, exclusivamente sobre a exposição feita. O prazo máximo para isso é de três minutos. O orador tem o mesmo tempo para responder a cada Senador. Mas ele não pode interpelar os membros da Comissão, ou seja, deve se limitar a fazer sua exposição e responder às perguntas. O Regimento afirma ainda que os depoimentos serão prestados por escrito e de forma conclusiva (RISF, art. 94). Prazos em comissões Para dar seus pareceres a determinada matéria, as Comissões dispõem de alguns prazos estabelecidos no RISF: CCJ: 20 dias úteis (RISF, art. 118, I); Demais Comissões: 15 dias úteis (RISF, art. 118, II); Emendas: 15 dias úteis (RISF, art. 118, § 1°); Dentro desse prazo, o relator possui a metade do tempo para apresentar o relatório (RISF, art. 120). Se a Comissão precisar de mais tempo, seu Presidente precisará enviar à Mesa, antes que o prazo se esgote, uma comunicação escrita, que será lida na Hora do Expediente e publicada no Diário do Senado Federal. Outra prorrogação de prazo dependerá de deliberação do Senado e só poderá ser concedida por prazo determinado (RISF, art. 118, § 2°). Os prazos ficam suspensos em algumas ocasiões: 1) Durante o recesso parlamentar entre uma sessão legislativa e outra (ou seja, só o recesso de final de ano), mas continua a correr na sessão 18

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 imediata. Se, no entanto, estiver começando uma nova legislatura ou for designado um novo relator para a proposição, o prazo será renovado (RISF, art. 118, 3°). 2) Durante o período necessário ao cumprimento de: • • • • audiências públicas com entidades da sociedade civil (RISF, art. 90, II); convocação de Ministros de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem informacões (RISF, art. 90, III); Recolhimento de depoimento de qualquer autoridade ou cidadão (RISF, art. 90, V); e Realização de diligências (RISF, art. 90, XIII).

A suspensão de prazo não vale para: • • • projetos de lei de iniciativa do Presidente da República em regime de urgência constitucional; apreciação de atos de outorga ou renovação de concessão, permissão ou autorização para serviço de radiodifusão; projetos sujeitos a prazos de tramitação;

Apreciação das materias nas Comissões Retomando um pouco o que já estudamos sobre processo legislativo, vamos aprender como se dá, de maneira geral, a tramitação de proposições nas Comissões permanentes do Senado. O trabalho começa depois que o Presidente do Senado faz o despacho inicial, determinando quais são as Comissões competentes para a apreciação da proposição em questão. Na Comissão, quem determina a distribuição das matérias (ou seja, quem será o relator do projeto) é seu Presidente, que, em regra, tem dois dias úteis para enviar a proposição ao relator (RISF, art. 126). A regra básica para distribuição de matérias é que o autor da proposição, naturalmente, não pode ser seu relator (RISF, art. 127). A princípio, os relatores devem ser membros titulares da Comissão. Mas, se o volume de trabalho exigir, o Presidente da Comissão pode designar um membro suplente para isso (RISF, art. 84, § 2°, I, II e III). O Presidente da Comissão pode, inclusive, nomear a si mesmo para relatar alguma proposição, isto é, avocar a relatoria (RISF, art. 129). 19

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Se algum Senador que estiver relatando a matéria sair da Comissão ou concluir o mandato, o projeto que estava em seu poder volta para o Presidente da Comissão, para que seja redistribuído a outro parlamentar. O Senador escolhido como relator deve estudar a matéria, analisar seus prós e contras e apresentar a seus colegas na Comissão qual o destino que, ao juízo dele, aquela matéria deva ter. O relatório é conclusivo, isto é, adota uma posição clara em relação à materia, que pode ser: pela aprovação, total ou parcial; pela rejeição; pelo arquivamento; pelo destaque para proposição em separado, de parte da proposição principal; e pela apresentação de projeto, requerimento, emenda, subemenda ou orientação a seguir (RISF, art. 133, I a V). A peça do relatório é composta de três partes: Relatório – um breve resumo da matéria e sua tramitação – por quais Comissões passou, quais foram as opiniões etc. Análise – É o corpo do relatório. Nele o relator esmiuça os detalhes sobre o projeto e fundamenta sua decisão. Voto – Parte final, na qual o relator anuncia sua posição. O relator também vai se pronunciar a respeito da pertinência das emendas apresentadas à matérias. O prazo para a apresentação de emendas começa quando a proposição é encaminhada para a primeira ou única Comissão a apreciar a matéria, e dura 5 dias úteis. O relator, então, acata ou não as emendas apresentadas e justifica sua decisão no relatório. Vamos supor que o Senador relator tenha feito seu relatório e devolvido o processo à Comissão, que incluiu a matéria em sua pauta. Chega o dia da votação e o relator então lê seu relatório, propondo, por exemplo, a aprovação do “Projeto A”. Logo depois de apresentado o relatório, ainda antes da discussão, qualquer Senador ou todos os Senadores da Comissão podem pedir vista do processo (RISF, art. 132, § 1°). Pedido de vista é uma dilatação do prazo para que os Senadores possam estudar melhor o relatório que foi lido. O prazo máximo para vista é, regra geral, de até 5 dias (RISF, art. 132, § 1°). Vale tanto para pedido de vista individual quanto o de vista coletiva. Mas pode ser também que outro Senador, interessado na matéria, não concorde com a posição do relator. Além disso, não se contenta em simplesmente votar contra o relatório produzido pelo relator original, quando chegar o momento da Comissão emitir seu parecer. Então, esse Senador “inconformado”, vamos assim dizer, elabora um “relatório paralelo”. Esse segundo relatório (ou terceiro, quarto…) é chamado voto em separado (RISF, art. 132, § 6°). 20

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Se não houver pedido de vistas, após a leitura passa-se à discussão e à votação. Se a maioria da Comissão se manifestar de acordo com o relator, o relatório se transforma em parecer da Comissão (RISF, art. 132, caput). Importante! O autor da proposição não tem direito a voto, mas sua presença conta para efeito de quórum (RISF, art. 132, § 8°). Mas, e se o relatório for rejeitado? Nesse caso, o relator foi vencido. O Presidente da Comissão, então, designa um dos membros que tenha votado com a maioria para substituir o relator, redigindo parecer com a posição que predominou na Comissão (RISF, art. 128). Esse novo relator chama-se relator do vencido. É o relatório que fica valendo, pois venceu a votação. E aquele texto do ex-relator, coitado? O que acontece com ele? Esse, agora, é o voto vencido em separado, que deixa de valer. Parecer da comissão Depois de analisado e votado o relatório, a Comissão já tem seu parecer sobre o nosso “Projeto A”, ou seja, sua opinião fundamentada sobre uma proposição e suas emendas. O parecer, em regra, é apresentado por escrito, mas pode ser feito oralmente em Plenário, como estudaremos à frente (RISF, art. 140, I, II e III). Dois detalhes importantes em relação ao parecer: 1) Relator não faz parecer, faz relatório. O relatório precede o parecer, prepara o terreno para a Comissão tomar sua decisão. O relatório depois de aprovado ou rejeitado constitui o parecer da Comissão. 2) E para ficar mais emocionante… o termo “parecer” tem dois sentidos. O primeiro já aprendemos: é a instrução, pela Comissão, de determinada matéria. O segundo uso do termo diz respeito a um tipo de proposição legislativa que se refere a votos de aplauso, censura, consultas ou manifestação sobre indicação de autoridade. É menos comum e, quando acontece, é deliberada pelo Plenário.

De posse do seu parecer aprovado, a matéria pode tomar vários caminhos: ser enviada para outra Comissão (que repetirá os passos explicados acima); ser enviada ao Plenário; ou ir diretamente para sanção/promulgação ou votação na Casa revisora (matéria terminativa). No entanto, existe a hipótese de que, depois da proposição aprovada, ela seja submetida a novo turno de discussão e votação. 21

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Turno é um conceito meio intuitivo. É como se fosse uma rodada de apreciação da matéria, uma nova chance para ela ser emendada, discutida e votada. Na maior parte dos casos, o turno é único, mas pode haver primeiro e segundo turno, no caso de Propostas de Emenda à Constituição. Existe ainda o turno suplementar, no caso de haver substitutivo integral, aprovado pelo Plenário no turno único (RISF, art. 270). Veja: o turno suplementar acontece sempre que for aprovado substitutivo integral a projeto de lei, projeto de decreto legislativo ou projeto de resolução. No substitutivo, o relator propõe uma alteração substancial no projeto que estava relatando, modificando-o por meio de uma emenda substitutiva. No turno suplementar, podem ser apresentadas emendas, mas é vedada a apresentação de novo substitutivo integral (RISF, art. 282, § 2º). Se não houver emendas no turno suplementar, o substitutivo será adotado sem a necessidade de nova votação (RISF, art. 284). Os pareceres das Comissões serão lidos no Período do Expediente e distribuídos em avulsos. Depois, é aberto um novo prazo de 5 dias úteis para apresentação de emendas perante à Mesa. Note que, se o “Projeto A” não for terminativo, ou seja, tiver que ser votado também em Plenário, ocorrerá uma nova fase de emendamento. A partir daí pode haver dois caminhos: Se a matéria não receber emendas: já poderá entrar na Ordem do Dia, obedecendo ao interstício regimental de 3 dias úteis (RISF, art. 277, par. único). Se a matéria receber alguma emenda: voltará às Comissões para exame (RISF, art. 277, caput). Nessa ocasião, mantém-se o mesmo Relator, que pode recusar a tarefa (RISF, art. 126, § 1°). Caso esse relator seja também autor de alguma emenda de Plenário, será preciso escolher um outro Senador para fazer o relatório sobre a emenda do relator original (RISF, art. 126, § 2°). Depois os pareceres sobre as emendas serão lidos, publicados no Diário do Senado Federal e distribuídos em avulsos. A matéria, então, terá condições de entrar na Ordem do Dia, obedecido igualmente ao interstício regimental. Peraí? Interstício? Que palavra bonita! Interstício é o intervalo de tempo necessário entre os atos que compõem o processo legislativo. No RISF, os interstícios são sempre contados em dias úteis. Há interstícios previstos em várias etapas do processo, como entre a distribuição de avulsos e os pareceres das Comissões ou entre o início da discussão ou votação de projetos, por exemplo. Na tabela abaixo estão listados os interstícios do RISF e respectivos prazos: 22

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 INTERSTÍCIOS Entre a distribuição de avulsos dos 3 dias úteis (RISF, art. 280) pareceres das Comissões e o início da discussão ou votação correspondente Entre o primeiro e o segundo turno Mínimo 5 dias úteis (RISF, art. 362) das PECs Matérias em regime de urgência DISPENSADO (RISF, art. 337) Além de matérias em regime de urgência, o interstício pode ser dispensado por deliberação do Plenário, a requerimento de qualquer Senador, desde que a proposição esteja tramitando há mais de 5 dias no Senado (RISF, art. 281). Comissões Mistas do Congresso Nacional As Comissões Mistas são formadas por membros do Senado e da Câmara, com titulares e suplentes. Elas podem, como no Senado, ser classificadas em permanentes ou temporárias. De maneira geral, os trabalhos nas Comissões Mistas obedecem a algumas regras. Seus membros são indicados pelos respectivos líderes das duas Casas e designados pelo Presidente do Senado (RCCN, art. 9°). Se os líderes não fizerem a indicação, a escolha igualmente caberá ao Presidente do SF (RCCN, art. 9°, § 1°). As Comissões Mistas, em regra, são compostas por 12 Senadores e 12 Deputados, obedecido o critério da proporcionalidade partidária, incluindo-se sempre um representante da Minoria (RCCN, art. 10). No caso de Comissões mistas especiais, assim denominadas as que estão previstas no texto da Constituição, o número de suplentes deve ser, no máximo, metade do número de titulares na Comissão (RCCN, art. 10-B). Atenção: Se vocês olharem o art. 10 do RCCN, observarão que ele diz: “As Comissões Mistas, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 21, no art. 90 e no § 2º do art. 104, compor-se-ão de 11 (onze) Senadores e 11 (onze) Deputados, obedecido o critério da proporcionalidade partidária, incluindo-se sempre um representante da Minoria, se a proporcionalidade não lhe der representação”. No entanto, o art. 10-A, incluído posteriormente, determinou que o número de membros das Comissões Mistas fosse acrescido de mais uma vaga na composição destinada a cada uma das Casas do Congresso Nacional. Essa vaga adicional deve ser preenchida em rodízio, exclusivamente por aqueles partidos pequenos que não 23

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 alcancem, no cálculo da proporcionalidade partidária, número suficiente para participarem de Comissões Mistas. Portanto, a regra geral hoje são 12 Senadores e 12 Deputados. Depois de constituídas, as Comissões Mistas devem se reunir em até 48 horas, tendo como Presidente o mais idoso dos membros, para eleger um Presidente e um Vice-Presidente (RCCN, art. 10, § 2°). É o Presidente quem vai designar o relator da matéria sob exame da Comissão (RCCN, art. 10, § 3°). As emendas à proposição podem ser apresentadas em um prazo de 8 dias. Contudo, quem diz se a emenda é pertinente ou não é o Presidente da Comissão (RCCN, art. 11). Se o Presidente resolver não acatar alguma emenda, o autor desta poderá, desde que apoiado por no mínimo seis membros da Comissão, recorrer da decisão (RCCN, art. 11, § 2°). O quórum de abertura das Comissões Mistas é de no mínimo 1/3 de sua composição (RCCN, art. 12) e as decisões devem ser tomadas por maioria de votos, presente a maioria de seus membros (RCCN, art. 14, caput). A votação é feita separadamente – membros do Senado Federal e da Câmara dos Deputados – sempre que não haja paridade númerica na composição (RCCN, art. 14, par. único). O Presidente só vota se houver empate (RCCN, art. 14, caput). O parecer do Relator será conclusivo e conterá obrigatoriamente sua fundamentação. Já o parecer da Comissão poderá concluir pela aprovação total, parcial ou pela rejeição da matéria, bem como pela apresentação de substitutivo, emendas e subemendas (RCCN, art. 16). Importante: a Comissão deverá sempre se pronunciar sobre o mérito da proposição principal e das emendas, mesmo quando decidir que a matéria principal é inconstitucional (RCCN, art. 17). Se o prazo estabelecido para os trabalhos da Comissão estiver esgotado e não houver parecer pronto, este deve ser feito oralmente em Plenário, na ocasião da discussão da matéria (RCCN, art. 20). Vamos ver temporárias: Permanentes Atualmente existem duas Comissões Mistas permanentes: • Comissão prevista no art. 166 § 1º, da CF/88 (Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização – CMO), regulada pela Resolução 01/2006-CN. • Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas, instituída em 2009. 24 um pouco mais sobre Comissões Mistas permanentes e

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 A CMO é uma particularidades: Comissão Mista permanente que possui algumas

Suas atribuições estão previstas na Constituição Federal e suas finalidades são, entre outras: emitir parecer e deliberar sobre os projetos de lei relativos ao plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual e créditos adicionais, assim como sobre as contas do Presidente da República (CF/88, art. 166, § 1º, I); emitir parecer sobre planos e programas nacionais, regionais e setoriais (CF/88, art. 166, § 1º, II); além de analisar documentos pertinentes ao acompanhamento e à fiscalização da execução orçamentária e financeira e da gestão fiscal (CF/88, art. 72). Sua composição não é paritária, ou seja, o número de deputados e de senadores que a compõe não é igual – são 40 membros titulares, sendo 30 Deputados e 10 Senadores, mais suplentes em igual número (Resolução 01/2006CN, art. 5°). Sua direção compete a um Presidente e 3 Vice-Presidentes, eleitos por seus pares, com mandato anual, vedada a reeleição (Resolução 01/2006-CN, art. 12). As funções de Presidente e Vice-Presidente são exercidas, a cada ano, por representantes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, alternadamente (Resolução 01/2006-CN, art. 13). Sua relatoria não é, como geralmente ocorre nas Comissões, escolhida pelo Presidente. Em vez disso, são as lideranças partidárias que indicam o RelatorGeral do projeto de lei orçamentária anual (PLOA), o Relator do projeto de lei de diretrizes orçamentárias (PLDO) e o Relator do projeto de lei do plano plurianual. Os relatores do PLOA e do PLDO devem ser, a cada ano, alternados entre representantes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Também não podem ser do mesmo partido ou bloco do Presidente (Resolução 01/2006-CN, art. 16, I, II e III). Há várias outras regras nesse sentido quanto à escolha das diversas relatorias na CMO, elencadas no art. 16 da Resolução 01/2006-CN, que regula os trabalhos da Comissão. O que é preciso ter em mente é que vale a regra do rodízio; se determinado parlamentar foi relator em um ano, não poderá ser no outro. Voltaremos ao tema “orçamento” quando estudarmos o processo legislativo orçamentário. Temporárias 25

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 As Comissões Mistas temporárias são instaladas para: • • • • Examinar medidas provisórias (Resolução nº 1/2002-CN) Emitir relatório sobre veto presidencial; Emitir parecer sobre delegação legislativa; Comissões especiais, para analisar algum assunto específico;

Em linhas gerais, essas Comissões Mistas funcionam da seguinte forma: Para examinar Medidas Provisórias: ⇒ A cada MP que chega no Congresso é criada uma Comissão Mista temporária para emitir um parecer (Resolução nº 1/2002-CN, art. 2°); ⇒ Os membros são indicados pelos respectivos líderes e designados pelo Presidente do Senado (Resolução nº 1/2002-CN, art. 2°, § 4° e § 5°); ⇒ São comissões paritárias, ou seja, possuem igual número de Senadores e Deputados, sendo 12 parlamentares de cada Casa e respectivos suplentes (Resolução nº 1/2002-CN, art. 2°, § 2°); ⇒ Possuem Presidente e Vice-Presidente, sendo que o Presidente indica o Relator para a materia (Resolução nº 1/2002-CN, art. 3°, § 1°). Para emitir relatório sobre veto presidencial: ⇒ Comissão paritária, formada por 3 Senadores e 3 Deputados (RCCN, art. 104, § 2°); ⇒ Membros indicados pelos Presidentes do Senado e da Câmara e designados pelo Presidente da Mesa do Congresso (RCCN, art. 104, § 2°); ⇒ Entre esses membros, devem fazer parte, de preferência, quem foi relator da matéria que foi vetada (RCCN, art. 104, § 2°). Para emitir parecer sobre delegação legislativa: ⇒ Comissão paritária: 12 Senadores e 12 Deputados (RCCN, art. 10); ⇒ Faz seu parecer pela apresentação de projeto de Resolução especificando o conteúdo da delegação (RCCN, art. 119, § 2°). ⇒ Também examina se o projeto de lei delegada permanece termos da delegação (RCCN, art. 124). Não esquecer: CPI mista também é um tipo de Comissão temporária.

Comissão Representativa 26

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 A Comissão Representativa do Congresso Nacional é formada por parlamentares eleitos pelas respectivas Casas, na última sessão ordinária de cada período legislativo (CF/88, art. 58, § 4°). Seu mandato coincide com os períodos de recesso do Congresso Nacional, mesmo que haja convocação extraordinária. O funcionamento da Comissão Representativa é regulado pela Resolução nº 3, de 1990-CN. A distribuição de parlamentares na Comissão Representativa não é paritária: são 7 Senadores com suplentes e 16 Deputados com suplentes (Resolução nº 3/1990-CN, art. 2°), devendo ser observada a proporcionalidade partidária. Exerce a Presidência um membro da Mesa do Senado Federal e a VicePresidência, um membro da Mesa da Câmara dos Deputados (Resolução nº 3/1990-CN, art. 6°). A Comissão se reúne com a presença mínima do terço de sua composição em cada Casa do Congresso Nacional e suas deliberações são tomadas por maioria simples, presente a maioria absoluta dos Senadores e Deputados que integram a Comissão (Resolução nº 3/1990-CN, arts. 9° e 10). Os votos são computados separadamente, iniciando-se a votação pelos Deputados (Resolução nº 3/1990-CN, art. 10, § 1°). O papel da Comissão é deliberar sobre assuntos que possam surgir durante o período do recesso e que não justifiquem a convocação de uma sessão legislativa extraordinária. Basicamente, suas competências são as seguintes: (Resolução nº 3/1990-CN, art. 7°): • • • • zelar pelas prerrogativas do Congresso Nacional; deliberar sobre projetos de lei relativos a créditos adicionais, desde que os mesmos tenham parecer da CMO; deliberar sobre tratados, convênios ou acordos internacionais, quando o término do prazo no qual o Brasil deva se manifestar ocorrer durante o período de recesso ou nos dez dias úteis subsequentes ao seu término; deliberar sobre projetos de lei que tenham por fim prorrogar prazo de lei, se o término de sua vigência ocorrer durante o período de recesso ou nos dez dias úteis subsequentes ao seu termino.

Muito bem, concurseiros e concurseiras! Vista a nossa teoria, vamos agora aos exercícios comentados! Obs.: lista seca ao final da aula

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Exercícios 1) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Como regra geral, as comissões mistas são compostas por onze deputados e onze senadores. Errada. Apesar da questão citar o que diz o art. 10 do RCCN, o art. 10-A do mesmo Regimento dispõe que: “O número de membros das comissões mistas estabelecido neste Regimento, nas resoluções que o integram e no respectivo ato de criação é acrescido de mais uma vaga na composição destinada a cada uma das Casas do Congresso Nacional, que será preenchida em rodízio, exclusivamente, pelas bancadas minoritárias que não alcancem, no cálculo da proporcionalidade partidária, número suficiente para participarem das referidas comissões”. Portanto, o número é de 12 Senadores e 12 Deputados. 2) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado pode aprovar requerimento solicitando ao Tribunal de Contas da União (TCU) a realização de auditoria em sociedade instituída e mantida pelo poder público. Correta. Entre as competências dessa Comissão, temos o art. 102-A, I, “e”, do RISF, que dispõe sobre a solicitação ao Tribunal de Contas da União para que realize inspeções ou auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial nas unidades administrativas da União e demais entidades. 3) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Em reunião secreta da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, um Senador questionou a respeito da presença de um deputado. O presidente da Comissão, entretanto, garantiu que a presença do deputado estava regimentalmente amparada. Nessa situação, procede o esclarecimento do presidente da Comissão. Correta, conforme dispõe o art. 117 do RISF. Em reuniões secretas, além dos membros da Comissão, só será admitida a presença de Senadores e das pessoas a serem ouvidas sobre a matéria em debate. Deputados Federais podem assistir às reuniões secretas, desde que não se trate de matéria da competência privativa do Senado Federal. Como a questão não detalhou sobre qual matéria a Comissão estava discutindo, a assertiva cai na regra geral; portanto, correta. 4) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Certo Senador, 4º secretário da Mesa, foi indicado pela liderança de seu partido para integrar, como suplente, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. No entanto, o Presidente do Senado recusou-se a designar o referido Senador para a Comissão. Nessa situação, foi correta a atitude do presidente do Senado. Errada. Conforme o RISF, art. 77, § 1º, “os membros da Comissão Diretora, exceto o Presidente da Casa, poderão integrar outras comissões permanentes”. 5) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Assinale a afirmativa incorreta. 28

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 (A) Extinguem-se as comissões temporárias pela conclusão de sua tarefa, pelo advento do respectivo termo final ou ao término da sessão legislativa ordinária. Correta. As comissões temporárias se extinguem pela conclusão da sua tarefa, ou ao término do respectivo prazo, e ao término da sessão legislativa ordinária (RISF, art. 76, I, II e III). (B) As comissões internas são as previstas no Regimento para finalidades específicas, ao passo que as comissões externas se destinam a representar o Senado em congressos, solenidades e outros atos públicos. Correta. É o que dispõe o RISF, art. 74, I e II. (C) Cada Senador só pode integrar, no máximo, três comissões como titular e três como suplente; o membro da Comissão Diretora, contudo, não pode integrar outra comissão permanente. Errada. Realmente, cada Senador só poderá integrar até três comissões como titular e três como suplente (RISF, art. 77, § 2º). No entanto, os membros da Comissão Diretora, com exceção do Presidente da Casa, poderão integrar outras comissões permanentes (RISF, art. 77, § 1º). (D) A criação de comissões externas decorre de deliberação do Plenário, a requerimento de qualquer Senador ou comissão, ou de proposta do Presidente. Correta. RISF, art. 75: “As comissões externas serão criadas por deliberação do Plenário, a requerimento de qualquer Senador ou comissão, ou por proposta do Presidente”. (E) Todas as comissões permanentes podem, no âmbito de suas competências, criar subcomissões permanentes ou temporárias, até o máximo de quatro, desde que por proposta de qualquer de seus integrantes. Errada. O limite para criação de subcomissões é de quatro para cada comissão permanente. No entanto, não são todas as comissões que possuem essa prerrogativa, pois a Comissão Diretora não pode criar subcomissões (RISF, art. 73). Gabarito final: Anulada. O comando da questão pedia a alternativa incorreta; no entanto, existem dois itens errados. 6) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O Senado Federal atua, além do plenário, em inúmeras comissões, algumas permanentes e outras temporárias. A Comissão de Assuntos Econômicos é uma das Comissões Permanentes. Dentre suas atribuições específicas encontra-se: (A) opinar sobre a constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade das matérias que lhe forem submetidas pelo Plenário. Errada. Questões relativas à constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade são competências específicas da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (RISF, art. 101, I). (B) opinar sobre a escolha dos Ministros do Tribunal de Contas da União. Correta. A CAE é a comissão competente para opinar sobre a escolha dos indicados para Ministro do Tribunal de Contas da União (RISF, art. 99, V). 29

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 (C) não poder emendar projetos considerados parcialmente inconstitucionais. Errada. Não há nada no RISF que disponha sobre o papel da CAE nesse sentido. O que ocorre é que a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) pode oferecer emenda corrigindo o vício de proposições que contenham inconstitucionalidade parcial (RISF, art. 101, § 2°). (D) não opinar, mesmo com despacho da Presidência, sobre emendas de redação. Errada. Não há vedação para que comissões opinem sobre emendas de redação. (E) opinar sobre requerimentos de voto de censura, inclusive quando o tema interessar às relações exteriores do País. Errada. Tal competência pertence à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (RISF, art. 103, IV). Gabarito: Letra “B” 7) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: O Senado Federal atua, além do plenário, em inúmeras comissões, algumas permanentes e outras temporárias. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) é uma das Comissões Permanentes. Entre suas atribuições específicas encontra-se: a) opinar sobre a constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade das matérias que lhe forem submetidas pelo Plenário. Correta, segundo dispõe o RISF, art. 101, I. b) emitir resoluções para suspender leis declaradas inconstitucionais, que serão encaminhadas para publicação imediata. Errada. Essa resolução compete à CCJ (RISF, art. 101, III). Contudo, a matéria se encaixa nas hipóteses de tramitação terminativa, ou seja, esgota-se na comissão, sem ir a Plenário (RISF, art. 91, II). Sendo terminativa, é obrigatório abrir prazo para possíveis recursos (RISF, art. 91, II, § 3°). Dessa maneira, não pode ir para publicação imediata. c) não poder emendar projetos considerados parcialmente inconstitucionais. Errada. A CCJ pode apresentar emendas corrigindo o vício de proposições parcialmente inconstitucionais (RISF, art. 101, VII, § 2°). d) não opinar, mesmo com despacho da Presidência, sobre emendas de redação. Errada. Não há vedação para comissões opinarem sobre emendas de redação. e) opinar sobre requerimentos de voto de censura, inclusive quando o tema interessar às relações exteriores do País. Errada. Quando o tema do requerimento interessar às relações exteriores do País, a competencia é da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (RISF, art. 103, IV). Gabarito: Letra “A” 8) FGV/SF/Advogado/2008: A respeito das comissões temporárias, analise as afirmativas a seguir: I. As comissões temporárias do Senado podem ser internas, externas e parlamentares de inquérito. Correta (RISF, art. 74, I, II e III). 30

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 II. Uma das causas da extinção das comissões temporárias consiste no término da sessão legislativa ordinária. Correta (RISF, art. 76, III). III. Nos períodos de recesso do Congresso Nacional, suspende-se o prazo das comissões temporárias. Correta (RISF, art. 76, § 3º). Assinale: (A) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (C) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas. (D) se todas as afirmativas estiverem corretas. (E) se apenas a afirmativa I estiver correta. Gabarito: Letra “D”. 9) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O Senado Federal funciona, internamente, por Comissões Permanentes e Temporárias; cada Comissão elege o seu Presidente e o Vice-Presidente. Dentre as atribuições do Presidente figuram: I. assinatura do expediente; Correta. É o presidente da comissão quem assina o expediente e desempata votações (RISF, art. 89, XIII). II. desempatar as votações; Correta (RISF, art. 89, XI) III. convocar reuniões extraordinárias somente a requerimento dos seus integrantes; Errada. O presidente tem a prerrogativa regimental de convocar reuniões extraordinárias. Essa convocação pode se dar não apenas a requerimento dos membros da comissão, como afirma a questão, mas também de ofício (RISF, art. 89, VII). IV. coordenar a votação para escolha de relatores para as matérias que devem ser analisadas; Errada. Nas comissões os relatores são designados pelo Presidente e acabou. Não há votação para escolher relator. RISF, art. 89, III. V. promover a publicação das atas das reuniões no Diário do Senado Federal. Correta (RISF, art. 89, VIII) Estão corretos apenas os itens: (A) I, II e V. (B) III, IV e V. (C) II, III e IV. (D) I, III e V. (E) I, II e III. Gabarito: Letra “A” 10) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Diante da necessidade de se instituir 31

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Comissão Mista no Congresso Nacional, tal designação deve: (A) ser originada do Presidente do Senado Federal, mediante indicação das lideranças. Correta. Os membros de uma comissão mista são designados pelo Presidente do Senado Federal, mediante indicação das lideranças de cada Casa Legislativa (RCCN, art. 9°). Atente para o enunciado da questão e não confunda indicação com designação. Primeiro os membros são indicados pelos líderes. Depois, de posse dos nomes dos indicados, o Presidente do Senado designa os congressistas que irão fazer parte da comissão mista. (B) ocorrer pela Presidência de cada Casa Legislativa, por meio do Colégio de Líderes. Errada. Os membros são designados pelo Presidente do Senado Federal, mediante indicação das lideranças de cada Casa Legislativa (RCCN, art. 9°). (C) surgir do consenso entre os líderes e indicado pelo Presidente da Câmara dos Deputados. Errada. A decisão não é por consenso, e quem indica são os líderes, não o Presidente da Câmara (RCCN, art. 9°). (D) resultar da votação, em dois turnos, por maioria simples, no plenário das duas Casas Legislativas. Errada. Não é por votação, tampouco em dois turnos. Vale a regra do RCCN, art. 9°. (E) ocorrer por ato privativo do Presidente do Congresso Nacional. Errada. Ver RCCN, art. 9°. Gabarito: Letra “A”. 11) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias é examinado por comissão especial, denominada de Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMPOF). Em relação à referida Comissão, avalie as afirmativas a seguir: I. Trata-se de comissão temporária composta de trinta Deputados e dez Senadores. Errada. A CMOPF é comissão mista permanente (CF/88, art. 166, § 3°). II. É comissão permanente, com dez Senadores titulares e dez suplentes, bem como representação da Câmara dos Deputados. Correta, conforme Resolução 1/2006-CN, art. 5°. Além dos dez Senadores e respectivos suplentes, integram a comissão 30 deputados mais suplentes. III. Cabe à Comissão eleger um Presidente e três Vice-Presidentes dentre os seus membros. Correta. É o que prevê o art. 12 da Resolução 1/2006-CN. IV. O Presidente da Comissão sempre será um representante do Senado Federal. Errada. A presidência da comissão será exercida, a cada ano, de forma alternada entre Senadores e Deputados (Res 1/2006-CN, art. 13). V. O Relator do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Relator-Geral do projeto de Lei Orçamentária Anual pertencerão ao Senado Federal. 32

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Errada. Segundo a Res 1/2006-CN, art. 16, IV, “as funções de Relator-Geral do projeto de lei orçamentária anual e Relator do projeto de lei de diretrizes orçamentárias serão exercidas, a cada ano, alternadamente, por representantes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados”. Assinale: (A) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. (B) se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas III e V estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas IV e V estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. Gabarito: Letra “E” 12) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: O RISF não admite a criação de subcomissões. Errada. A criação de subcomissões está prevista expressamente no art. 73 do RISF: “Ressalvada a Comissão Diretora, cabe às comissões permanentes, no âmbito das respectivas competências, criar subcomissões permanentes ou temporárias, até o máximo de quatro, mediante proposta de qualquer de seus integrantes”. 13) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: É possível a criação de subcomissões, desde que permanentes. Errada. Vale aqui o mesmo artigo citado na questão anterior: “Ressalvada a Comissão Diretora, cabe às comissões permanentes, no âmbito das respectivas competências, criar subcomissões permanentes ou temporárias, até o máximo de quatro, mediante proposta de qualquer de seus integrantes”. 14) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: Às comissões compete escolher os respectivos presidente e vice-presidente, mediante eleição. Correta. É o que reza o RISF em seu art. 88: “No início da legislatura, nos cinco dias úteis que se seguirem à designação de seus membros, e na terceira sessão legislativa, nos cinco dias úteis que se seguirem à indicação dos líderes, cada comissão reunir-se-á para instalar seus trabalhos e eleger, em escrutínio secreto, o seu Presidente e o Vice-Presidente”. 15) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: As comissões podem, na investigação do tema, realizar audiências públicas, solicitar o depoimento de qualquer cidadão ou autoridade, inclusive de Ministros de Estado, e realizar diligências externas. Errada. Realmente às comissões compete realizar audiências públicas (CF/88, art. 58, § 2º, II), realizar diligências externas (RISF, art. 90, XIII) e solicitar o depoimento de qualquer cidadão ou autoridade (CF/88, art. 58, § 2º, V). Contudo, a CF/88 e o RISF dão tratamento diferenciado aos depoimentos de quaisquer dos 33

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Ministros de Estado ou titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República. Esses são convocados para prestarem informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições (CF/88, art. 58, § 2º, III e RISF, art. 90, III). 16) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: As Comissões devem receber e processar petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer cidadão, contra ato ou omissão de entidade ou autoridade pública em assunto de sua competência. Correta. É o que dispõe a CF/88, art. 58, IV: “receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas”. 17) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) pode fiscalizar e controlar atos do Poder Judiciário e do Ministério Público. Errada. A fiscalização dessa comissão se dá em relação ao Poder Executivo. O RISF, em seu art. 102-A, I, elenca suas competências: “exercer a fiscalização e o controle dos atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta”. 18) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: À Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) incumbe promover a interação dos orgãos do Poder Judiciário e do Ministério Público, devendo remeter a este cópia da documentação em que constatar a existência de irregularidades. Errada. A interação que a comissão promove é do Senado Federal com os órgãos do Poder Judiciário e do Ministério Público, conforme dispõe o RISF, art. 102-A, I, “h”. 19) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) pode tomar contas relativamente a dinheiros, bens e valores do patrimonio público federal. Errada. Tomada de contas é um procedimento do controle interno de cada Poder. A CMA não realiza tomada de contas, apenas avalia as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos (RISF, art. 102-A, I, “d”). 20) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: A proposta de fiscalização e controle pode ser indeferida em consideração a razões de oportunidade e conveniência. Correta. Segundo o RISF, art. 102-B, II, “a proposta será relatada previamente, quanto à oportunidade e conveniência da medida e ao alcance jurídico, administrativo, político, econômico, social ou orçamentário do ato impugnado, definindo-se o plano de execução e a metodologia de avaliação”. 21) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Em relação às Comissões Parlamentares de 34

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Inquérito, é correto afirmar que: (A) o impedimento, mediante violência ou ameaça, do seu regular funcionamento não constitui ilícito penal, mas configura ilícito administrativo. Errada. A Lei 1.579/52, que dispõe sobre as Comissões Parlamentares de Inquérito, determina, em seu art. 4º, I, que constitui crime “impedir, ou tentar impedir, mediante violência, ameaça ou assuadas, o regular funcionamento de Comissão Parlamentar de Inquérito, ou o livre exercício das atribuições de qualquer dos seus membros”. Portanto, tal conduta configura ilícito penal. (B) são dispensadas de apresentar relatório de seus trabalhos à respectiva Câmara, desde que concluam pela elaboração de projeto de resolução. Errada. O RISF em seu art. 150 determina que, ao término dos trabalhos, a CPI deve enviar à Mesa, para conhecimento do Plenário, seu relatório e conclusões, quaisquer que sejam eles. Se a comissão concluir o relatório pela apresentação de um projeto de resolução deve adotar o mesmo procedimento. (C) se lhes assegura o poder de decretar medidas assecuratórias de busca e apreensão domiciliar e de indisponibilidade de bens, atuando como órgão dotado de função jurisdicional. Errada. Como vimos na aula, as CPIs possuem poderes investigatórios instrutórios. A adoção de medidas como busca e apreensão domiciliar e indisponibilidade de bens é privativa das autoridades judiciárias. (D) são dotadas de competência para decretar a prisão provisória de indivíduos que tenham cometido ato de improbidade administrativa. Errada. CPI não tem competência para decretar prisão, salvo na hipótese de flagrante delito. (E) têm competência para quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico, desde seja fundamentada a decisão e comprovada a necessidade objetiva dessa providência. Correta, conforme jurisprudência do STF. Gabarito: Letra “E”. 22) FGV/SF/Advogado/2008: A respeito das comissões parlamentares de inquérito, assinale a afirmativa correta. (A) As comissões parlamentares de inquérito dispõem de competência constitucional para ordenar a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico das pessoas sob investigação do Poder Legislativo, mas devem fundamentar adequadamente a decisão de quebra. Correta. As CPIs têm competência para quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico dos investigados (CF/88, art. 58, § 3°). Contudo, as decisões que envolvam quebra de sigilo devem ser motivadas e fundamentadas. (B) As comissões parlamentares de inquérito podem decretar monitoramento telefônico, desde que presentes os requisitos da lei 9.296/96. A decisão será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a forma de execução da diligência, que não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual tempo, uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova. Errada. Para responder essa questão nem era preciso conhecer a Lei 9.296/96. 35

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 Isso porque, segundo entendimento do STF, as CPIs não têm a prerrogativa de poder decretar monitoramento telefônico (escuta). (C) As comissões parlamentares de inquérito podem decretar a indisponibilidade de ativos financeiros das pessoas investigadas, por voto da maioria absoluta de seus membros. Errada. CPI não pode decretar indisponibilidade de bens. Tal medida é privativa das autoridades judiciais. (D) O direito de não se auto-incriminar não se aplica às comissões parlamentares de inquérito. Todas as pessoas convocadas devem prestar compromisso de dizer a verdade aos membros da comissão, antes do início do depoimento. Errada. As pessoas convocadas prestam compromisso frente à CPI, mas, segundo entendimento do STF, não são privadas do direito de não auto-incriminação. Isso vale para investigados e testemunhas. (E) As decisões tomadas por maioria absoluta dos membros das comissões parlamentares de inquérito não estão sujeitas a controle judicial, em razão do princípio constitucional da independência dos poderes. Errada. As decisões de uma CPI estão sujeitas ao controle judicial. Elas devem obedecer aos requisitos formais e materiais estabelecidos em lei. É o STF que detem competência originária para julgar mandados de segurança e habeas corpus contra atos emanados das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, conforme a CF/88, art. 102, I, “d”, incluindo atos de Comissões Parlamentares de Inquérito mantidas no âmbito do Congresso Nacional. 23) Cespe/SF/Advogado/1995: As Comissões Parlamentares de Inquérito poderão ser criadas para o estudo e debate de qualquer assunto, sendo a elas garantido o acesso a informações e a documentos sigilosos, independentemente de autorização judicial. Errada. As CPIs só podem ser criadas para apuração de fato determinado (CF/88, art. 58, § 3º), não sendo a elas permitido tratar de matérias pertinentes à Câmara dos Deputados, às atribuições do Poder Judiciário e aos Estados (RISF, art. 146, I, II e III). O restante da alternativa está correto. O RISF, em seu art. 148, dispõe que a CPI pode requisitar de órgão público informações ou documentos de qualquer natureza. Porém, existem limitações à atuação das CPIs quanto às medidas que são privativas das autoridades judiciárias (como busca e apreensão de documentos em domicílio e autorização para escuta telefônica). 24) Cespe/SF/Advogado/1995: As CPIs devem encaminhar suas conclusões ao Ministério Público, quando for o caso de promover-se a responsabilização civil ou criminal de infratores. Elas podem ainda determinar ao Ministério Público a realização de diligências. Errada. Embora a primeira parte da assertiva esteja correta “As CPIs devem encaminhar suas conclusões ao Ministério Público, quando for o caso de promoverse a responsabilização civil ou criminal de infratores” (CF/88, art. 58, § 3º e RISF, art. 151), é a própria CPI quem realiza diligências, caso necessário (RISF, art. 36

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 148). As CPIs não têm poderes para determinar que o Ministério Público faça isso. 25) Cespe/SF/Advogado/1995: As CPIs poderão determinar a prisão do indiciado que se negar a prestar informações, nos termos do Código Penal. Errada. As CPIs não têm poderes para determinar prisões, salvo a hipótese de flagrante delito. Além disso, deve respeitar o direito ao silêncio de indiciados, investigados ou testemunhas quando da realização de oitivas. 26) Cespe/SF/Analista Legislativo Comunicação/1997: O Presidente do Senado, ouvidas as lideranças, poderá atribuir às comissões da Casa competência para apreciar, em caráter terminativo, determinadas matérias previstas no Regimento Interno. Correta. Prerrogativa estabelecida no RISF, art. 91, § 1º. 27) Cespe/SF/Analista Legislativo Comunicação/1997: A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania tem competência para opinar sobre constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade das matérias que lhe forem submetidas, o que pode ocorrer por deliberação do plenário, por despacho da presidência ou por consulta de qualquer comissão. Correta. Reproduz o disposto no RISF, art. 101, I: “À Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania compete opinar sobre a constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade das matérias que lhe forem submetidas por deliberação do Plenário, por despacho da Presidência, por consulta de qualquer comissão, ou quando em virtude desses aspectos houver recurso de decisão terminativa de comissão para o Plenário” 28) Cespe/SF/Analista Legislativo Comunicação/1997: As reuniões das comissões do Senado serão, como regra geral, secretas. Errada. As reuniões das comissões são, via de regra, públicas, salvo os casos expressos no Regimento ou quando o deliberar a comissão (RISF, art. 110). 29) Cespe/SF/Analista Legislativo Comunicação/1997: Conforme dispõe o Regimento Comum do Congresso Nacional, a indicação dos representantes de cada partido nas comissões compete aos seus respectivos líderes. Correta. Os membros das Comissões Mistas do Congresso Nacional serão indicados pelos líderes e designados pelo Presidente do Senado (RCCN, art. 9º). 30) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998: Nas comissões mistas do Congresso Nacional, qualquer congressista, a partir da instalação da comissão, poderá apresentar emendas, as quais, não sendo aceitas por despacho da Presidência, ensejam ao autor a interposição de recurso ao colegiado, desde que com o apoiamento de outros seis membros da comissão. Correta. É o que dispõe o RCCN, art. 11: “Perante a Comissão, no prazo de 8 (oito) dias a partir de sua instalação, o Congressista poderá apresentar emendas que 37

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 deverão, em seguida, ser despachadas pelo Presidente.” O § 2º do mesmo art. 11 diz ainda: “Nas 24 (vinte e quatro) horas seguintes a partir do despacho do Presidente, o autor de emenda não aceita poderá, com apoiamento de 6 (seis) membros da Comissão, no mínimo, recorrer da decisão da Presidência para a Comissão”. 31) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998: As deliberações das comissões mistas do Congresso Nacional serão adotadas por maioria de votos, presente a maioria dos membros representantes de cada Casa, computando-se separadamente os votos dos Senadores e dos Deputados. Correta. RCCN, art. 14, caput e art. 14, parágrafo único. 32) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998: O prazo destinado aos trabalhos de uma comissão mista expira com a apresentação do seu parecer escrito ou oral na sessão conjunta. Errada. Na verdade o raciocínio é o inverso: se o prazo da comissão estiver esgotado, o parecer deve ser proferido oralmente em plenário. É o esgotamento do prazo que provoca o parecer oral, e não o contrário, como afirma a questão (RCCN, art. 20). 33) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998: O parecer da comissão mista que concluir pela inconstitucionalidade da proposição, dotado de efeito terminativo, prescinde da análise do mérito da matéria. Errada. A comissão mista deve sempre se pronunciar sobre o mérito da proposição principal e das emendas, mesmo quando decidir pela inconstitucionalidade da primeira (RCCN, art. 17). 34) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998: Na constituição das Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito deve-se obedecer aos princípios da proporcionalidade partidária e numérica de Deputados e Senadores. Correta. A composição das CPMIs segue a regra de proporcionalidade partidária das demais comissões e devem ter igual número de Senadores e Deputados, conforme dispõe o RCCN, art. 21, parágrafo único: “As Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito terão o número de membros fixado no ato da sua criação, devendo ser igual a participação de Deputados e Senadores, obedecido o princípio da proporcionalidade partidária”.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 LISTA DE QUESTÕES DESTA AULA 1) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Como regra geral, as comissões mistas são compostas por onze deputados e onze senadores. 2) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado pode aprovar requerimento solicitando ao Tribunal de Contas da União (TCU) a realização de auditoria em sociedade instituída e mantida pelo poder público. 3) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Em reunião secreta da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, um Senador questionou a respeito da presença de um deputado. O presidente da Comissão, entretanto, garantiu que a presença do deputado estava regimentalmente amparada. Nessa situação, procede o esclarecimento do presidente da Comissão. 4) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Certo Senador, 4º secretário da Mesa, foi indicado pela liderança de seu partido para integrar, como suplente, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. No entanto, o Presidente do Senado recusou-se a designar o referido Senador para a Comissão. Nessa situação, foi correta a atitude do presidente do Senado. 5) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Assinale a afirmativa incorreta. (A) Extinguem-se as comissões temporárias pela conclusão de sua tarefa, pelo advento do respectivo termo final ou ao término da sessão legislativa ordinária. (B) As comissões internas são as previstas no Regimento para finalidades específicas, ao passo que as comissões externas se destinam a representar o Senado em congressos, solenidades e outros atos públicos. (C) Cada Senador só pode integrar, no máximo, três comissões como titular e três como suplente; o membro da Comissão Diretora, contudo, não pode integrar outra comissão permanente. (D) A criação de comissões externas decorre de deliberação do Plenário, a requerimento de qualquer Senador ou comissão, ou de proposta do Presidente. (E) Todas as comissões permanentes podem, no âmbito de suas competências, criar subcomissões permanentes ou temporárias, até o máximo de quatro, desde que por proposta de qualquer de seus integrantes. 6) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O Senado Federal atua, além do plenário, em inúmeras comissões, algumas permanentes e outras temporárias. A Comissão de Assuntos Econômicos é uma das Comissões Permanentes. Dentre suas atribuições específicas encontra-se: (A) opinar sobre a constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade das matérias que lhe forem submetidas pelo Plenário. (B) opinar sobre a escolha dos Ministros do Tribunal de Contas da União. 39

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 (C) não poder emendar projetos considerados parcialmente inconstitucionais. (D) não opinar, mesmo com despacho da Presidência, sobre emendas de redação. (E) opinar sobre requerimentos de voto de censura, inclusive quando o tema interessar às relações exteriores do País. 7) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: O Senado Federal atua, além do plenário, em inúmeras comissões, algumas permanentes e outras temporárias. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) é uma das Comissões Permanentes. Entre suas atribuições específicas encontra-se: a) opinar sobre a constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade das matérias que lhe forem submetidas pelo Plenário. b) emitir resoluções para suspender leis declaradas inconstitucionais, que serão encaminhadas para publicação imediata. c) não poder emendar projetos considerados parcialmente inconstitucionais. d) não opinar, mesmo com despacho da Presidência, sobre emendas de redação. e) opinar sobre requerimentos de voto de censura, inclusive quando o tema interessar às relações exteriores do País. 8) FGV/SF/Advogado/2008: A respeito das comissões temporárias, analise as afirmativas a seguir: I. As comissões temporárias do Senado podem ser internas, externas e parlamentares de inquérito. II. Uma das causas da extinção das comissões temporárias consiste no término da sessão legislativa ordinária. III. Nos períodos de recesso do Congresso Nacional, suspende-se o prazo das comissões temporárias. Assinale: (A) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (C) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas. (D) se todas as afirmativas estiverem corretas. (E) se apenas a afirmativa I estiver correta. 9) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O Senado Federal funciona, internamente, por Comissões Permanentes e Temporárias; cada Comissão elege o seu Presidente e o Vice-Presidente. Dentre as atribuições do Presidente figuram: I. assinatura do expediente; II. desempatar as votações; III. convocar reuniões extraordinárias somente a requerimento dos seus integrantes; IV. coordenar a votação para escolha de relatores para as matérias que devem ser analisadas; V. promover a publicação das atas das reuniões no Diário do Senado Federal. Estão corretos apenas os itens: 40

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 (A) I, II e V. (B) III, IV e V. (C) II, III e IV. (D) I, III e V. (E) I, II e III. 10) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Diante da necessidade de se instituir Comissão Mista no Congresso Nacional, tal designação deve: (A) ser originada do Presidente do Senado Federal, mediante indicação das lideranças. (B) ocorrer pela Presidência de cada Casa Legislativa, por meio do Colégio de Líderes. (C) surgir do consenso entre os líderes e indicado pelo Presidente da Câmara dos Deputados. (D) resultar da votação, em dois turnos, por maioria simples, no plenário das duas Casas Legislativas. (E) ocorrer por ato privativo do Presidente do Congresso Nacional. 11) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias é examinado por comissão especial, denominada de Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMPOF). Em relação à referida Comissão, avalie as afirmativas a seguir: I. Trata-se de comissão temporária composta de trinta Deputados e dez Senadores. II. É comissão permanente, com dez Senadores titulares e dez suplentes, bem como representação da Câmara dos Deputados. III. Cabe à Comissão eleger um Presidente e três Vice-Presidentes dentre os seus membros. IV. O Presidente da Comissão sempre será um representante do Senado Federal. V. O Relator do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Relator-Geral do projeto de Lei Orçamentária Anual pertencerão ao Senado Federal. Assinale: (A) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. (B) se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas III e V estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas IV e V estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. 12) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: O RISF não admite a criação de subcomissões. 13) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: subcomissões, desde que permanentes. 41 É possível a criação de

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 14) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/ 1996: Às comissões compete escolher os respectivos presidente e vice-presidente, mediante eleição. 15) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: As comissões podem, na investigação do tema, realizar audiências públicas, solicitar o depoimento de qualquer cidadão ou autoridade, inclusive de Ministros de Estado, e realizar diligências externas. 16) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: As Comissões devem receber e processar petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer cidadão, contra ato ou omissão de entidade ou autoridade pública em assunto de sua competência. 17) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) pode fiscalizar e controlar atos do Poder Judiciário e do Ministério Público. 18) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: À Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) incumbe promover a interação dos orgãos do Poder Judiciário e do Ministério Público, devendo remeter a este cópia da documentação em que constatar a existência de irregularidades. 19) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) pode tomar contas relativamente a dinheiros, bens e valores do patrimonio publico federal. 20) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: A proposta de fiscalização e controle pode ser indeferida em consideração a razões de oportunidade e conveniência. 21) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Em relação às Comissões Parlamentares de Inquérito, é correto afirmar que: (A) o impedimento, mediante violência ou ameaça, do seu regular funcionamento não constitui ilícito penal, mas configura ilícito administrativo. (B) são dispensadas de apresentar relatório de seus trabalhos à respectiva Câmara, desde que concluam pela elaboração de projeto de resolução. (C) se lhes assegura o poder de decretar medidas assecuratórias de busca e apreensão domiciliar e de indisponibilidade de bens, atuando como órgão dotado de função jurisdicional. (D) são dotadas de competência para decretar a prisão provisória de indivíduos que tenham cometido ato de improbidade administrativa. (E) têm competência para quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico, desde seja fundamentada a decisão e comprovada a necessidade objetiva dessa providência. 42

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 22) FGV/SF/Advogado/2008: A respeito das comissões parlamentares de inquérito, assinale a afirmativa correta. (A) As comissões parlamentares de inquérito dispõem de competência constitucional para ordenar a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico das pessoas sob investigação do Poder Legislativo, mas devem fundamentar adequadamente a decisão de quebra. (B) As comissões parlamentares de inquérito podem decretar monitoramento telefônico, desde que presentes os requisitos da lei 9296/96. A decisão será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a forma de execução da diligência, que não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual tempo, uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova. (C) As comissões parlamentares de inquérito podem decretar a indisponibilidade de ativos financeiros das pessoas investigadas, por voto da maioria absoluta de seus membros. (D) O direito de não se auto-incriminar não se aplica às comissões parlamentares de inquérito. Todas as pessoas convocadas devem prestar compromisso de dizer a verdade aos membros da comissão, antes do início do depoimento. (E) As decisões tomadas por maioria absoluta dos membros das comissões parlamentares de inquérito não estão sujeitas a controle judicial, em razão do princípio constitucional da independência dos poderes. 23) Cespe/SF/Advogado/1995: As Comissões Parlamentares de Inquérito poderão ser criadas para o estudo e debate de qualquer assunto, sendo a elas garantido o acesso a informações e a documentos sigilosos, independentemente de autorização judicial. 24) Cespe/SF/Advogado/1995: As CPIs devem encaminhar suas conclusões ao Ministério Público, quando for o caso de promover-se a responsabilização civil ou criminal de infratores. Elas podem ainda determinar ao Ministério Público a realização de diligências. 25) Cespe/SF/Advogado/1995: As CPIs poderão determinar a prisão do indiciado que se negar a prestar informações, nos termos do Código Penal. 26) Cespe/SF/Analista Legislativo Comunicação/1997: O Presidente do Senado, ouvidas as lideranças, poderá atribuir às comissões da Casa competência para apreciar, em caráter terminativo, determinadas matérias previstas no Regimento Interno. 27) Cespe/SF/Analista Legislativo Comunicação/1997: A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania tem competência para opinar sobre constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade das matérias que lhe forem submetidas, o que pode ocorrer por deliberação do plenário, por despacho da presidência ou por consulta de qualquer comissão. 43

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 01 28) Cespe/SF/Analista Legislativo Comunicação/1997: As reuniões das comissões do Senado serão, como regra geral, secretas. 29) Cespe/SF/Analista Legislativo Comunicação/1997: Conforme dispõe o Regimento Comum do Congresso Nacional, a indicação dos representantes de cada partido nas comissões compete aos seus respectivos líderes. 30) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998: Nas comissões mistas do Congresso Nacional, qualquer congressista, a partir da instalação da comissão, poderá apresentar emendas, as quais, não sendo aceitas por despacho da Presidência, ensejam ao autor a interposição de recurso ao colegiado, desde que com o apoiamento de outros seis membros da comissão. 31) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998: As deliberações das comissões mistas do Congresso Nacional serão adotadas por maioria de votos, presente a maioria dos membros representantes de cada Casa, computando-se separadamente os votos dos Senadores e dos Deputados. 32) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998: O prazo destinado aos trabalhos de uma comissão mista expira com a apresentação do seu parecer escrito ou oral na sessão conjunta. 33) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998: O parecer da comissão mista que concluir pela inconstitucionalidade da proposição, dotado de efeito terminativo, prescinde da análise do mérito da matéria. 34) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998: Na constituição das Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito deve-se obedecer aos princípios da proporcionalidade partidária e numérica de Deputados e Senadores.

Gabarito 1E 2C 3C 4E 5X 6B 7A 8D 9A 10A 11E 12E 13E 14C 15E 16C 17E 18E 19E 20C 21E 22A 23E 24E 25E 26C 27C 28E 29C 30C 31C 32E 33E 34C

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 LUCIANO OLIVEIRA AULA 02 Olá, concurseiros e concurseiras! Vamos à nossa segunda aula de Processo Legislativo para o Senado Federal! Hoje trataremos das atribuições constitucionais específicas do Senado Federal, dos procedimentos em processo legislativo e da urgência. Vamos começar a aula com as competências constitucionais específicas da nossa Câmara Alta (Senado). Quem já estudou ou estuda Direito Constitucional certamente já teve a oportunidade de conhecer as competências elencadas no art. 52 da CF/88, bem como algumas outras espalhadas pelo texto da Constituição. Vamos agora procurar aprofundar esse conhecimento, conjugando o que está na CF com os dispositivos do RISF. Primeira coisa importante a saber sobre atribuições constitucionais específicas do Senado (art. 52 da CF/88): em geral, elas precisam se materializar por meio de Projetos de Resolução do Senado (PRS). Portanto, não passam pela apreciação da Câmara dos Deputados. Segunda coisa: as competências constitucionais do Senado não se esgotam no art. 52. Há várias atribuições do Senado esparsas pelo texto constitucional, como as relativas ao Sistema Tributário. Em nossa aula, portanto, as competências não coincidem com os incisos do art. 52, mas procuram agrupar temas correlatos e que tenham encaminhamento semelhante, OK? Vamos lá! Competência 1: Processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles (CF/88, art. 52, I);

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União (CF/88, art. 52, II); Esses dispositivos da Constituição tratam, dentre outros casos, da hipótese de processo de impeachment presidencial. O Brasil foi o primeiro país do mundo a concluir um processo como esse. Nessa situação, o Senado Federal funciona como um Tribunal de julgamento político, a partir de um direito exclusivo assegurado pela Constituição, e não de um julgamento criminal comum, realizado pelos óergãos do Judiciário, com análise de aspectos totalmente diferentes. As hipóteses de cometimento de crimes de responsabilidade do Presidente da República estão elencadas na CF/88, art. 85, incisos I a VII. São as seguintes: Atentar contra: 1. A existência da União; 2. O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos poderes constitucionais das unidades da federação; 3. O exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; 4. A segurança interna do País; 5. A Lei Orçamentária; 6. O cumprimento das leis e das decisões judiciais; O mesmo artigo da CF/88 também dispõe que lei especial definirá tais crimes e estabelecerá as normas de processo e julgamento. A Lei 1.079/50 (Lei dos Crimes de Responsabilidade), em seu art. 4º, enumera os mesmos crimes, acrescentando a probidade na administração, a guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 A prestação de contas anual do Presidente da República ao Congresso Nacional, prevista pela Constituição Federal (art. 51, II), é também uma conduta que revela a probidade na administração e seu não cumprimento pode ser considerado crime de responsabilidade. No processo de julgamento desses crimes, a Câmara dos Deputados é o órgão responsável pelo recebimento e aceitação da denúncia. No art. 86, a CF/88 dispõe que o quórum para abertura desse processo é o voto favorável de 2/3 dos membros da Câmara dos Deputados. Admitida a denúncia pela Câmara, a matéria é remetida ao Senado. O trâmite processual para o julgamento, ou seja, o funcionamento do Senado como órgão judiciário, encontra-se detalhado no RISF, Capítulo X, que trata das atribuições privativas do Senado. Chegando à Mesa do Senado, a matéria é lida no Período do Expediente da sessão seguinte. Nessa mesma sessão, é eleita uma comissão especial para cuidar da instrução do caso. Essa comissão deve ser formada por ¼ dos membros do Senado. Encerrado o trabalho da comissão, é entregue o “libelo acusatório”, que vai anexado ao processo, ao Presidente do Senado. Este, por sua vez, envia todo o processo e a respectiva acusação ao Presidente do STF, comunicando ainda a data prevista para julgamento. Em relação ao acusado, o Primeiro-Secretário deve enviar-lhe uma cópia autenticada de todas as peças do processo, juntamente com a intimação para julgamento no SF. Depois de instaurado o processo, o Presidente da República fica suspenso de suas funções (CF/88, art. 86, § 1º, II), por 180 dias. Se, depois desse prazo, o julgamento não estiver terminado, cessa o afastamento e o Presidente pode retornar às suas funções. No entanto, o processo tem seguimento (CF/88, art. 86, § 2º).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 O artigo 378 do RISF assegura que, em qualquer hipótese, a sentença condenatória só poderá ser proferida pelo voto de 2/3 dos membros do Senado Federal. A sessão de julgamento realizada no Senado é presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, presentes o acusado, seus advogados e a comissão acusadora. É lido o processo e a defesa oferecida, podendo ser inquiridas as testemunhas necessárias. Vamos esquematizar os principais passos desse processo:

Ao final do julgamento, é produzida uma resolução com as determinações geradas pelo Senado. De acordo com a Lei 1.079/50 (art. 35), essa resolução deve constar da sentença que será lavrada pelo Presidente do STF e assinada pelos senadores que participaram do julgamento. Depois, a sentença é publicada no Diário Oficial e no Diário do Congresso Nacional. Para exemplificar, vejam a Resolução do Senado que resultou do processo de impeachment do ex-Presidente da República Fernando Collor de Mello:
RESOLUÇÃO Nº 101, DE 1992

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02
Dispõe sobre sanções no Processo de "Impeachment" contra o Presidente da República, Fernando Affonso Collor de Mello, e dá outras providências.

ATENÇÃO: Quando o Senado, na condição de julgador, condena uma autoridade, a penalidade é apenas política: perda do cargo, com inabilitação por oito anos para o exercício de função pública, sem prejuízo das sanções judiciais cabíveis. O Judiciário não pode reexaminar o mérito dessa decisão, mas pode apreciar aspectos formais, pela via própria, a exemplo de um mandado de segurança apresentado pelo Presidente da República, alegando que houve irregularidade procedimental.

O SENADO FEDERAL resolve: Art. 1º É considerado prejudicado o pedido de aplicação da sanção de perda do cargo de Presidente da República, em virtude da renúncia ao mandato apresentada pelo Senhor Fernando Affonso Collor de Mello e formalizada perante o Congresso Nacional, ficando o processo extinto nessa parte. Art. 2º É julgada procedente a denúncia por crimes de responsabilidade, previstos nos arts. 85, incisos IV e V, da Constituição Federal, e arts. 8º, item 7, e 9º, item 7, da Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950. Art. 3º Em consequência do disposto no artigo anterior, é imposta ao Senhor Fernando Affonso Collor de Mello, nos termos do art. 52, parágrafo único, da Constituição Federal, a sanção de inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis. Art. 4º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, 30 de dezembro de 1992.

Competência 2: Determinar perda do mandato de Senador (CF/88, art. 55); Suspender a imunidade parlamentar dos Senadores em estado de sítio (CF/88, art. 53, § 8º).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Essas competências estão relacionadas ao Título VI, Capítulo I, Seção V da Constituição – a parte do texto constitucional que veicula o Estatuto dos Congressistas. É um conjunto de prerrogativas, direitos e deveres concedidos aos parlamentares para o adequado desempenho de seus mandatos. A atuação das Casas Legislativas nas competências mencionadas se dá em função do parlamentar que motiva a decisão. Aqui, é “cada um no seu quadrado”: Câmara decide se for deputado e o Senado, se for Senador, ambos por meio de um projeto de resolução. Determinar perda do mandato de Senador A perda de mandato é a penalidade máxima aplicável a um deputado ou senador, decidida pela Câmara ou pelo Senado, sendo insuscetível de revisão pelo Poder Judiciário – exceto em relação à aplicação das formalidades processuais, como a inobservância do direito de defesa, por exemplo. A Constituição, nos arts. 54 e 55, determina as infrações que ensejam a perda do mandato, divididas em dois grupos: Valendo desde a expedição do diploma: ⇒ firmar ou manter contrato com a administração pública, seus órgãos e entidades e concessionárias de serviços públicos; ⇒ aceitar ou exercer cargo, função ou emprego, nessas entidades, inclusive aqueles dos quais sejam demissíveis ad nutum; Valendo a partir da posse: ⇒ ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público ou nela exercer função remunerada; ⇒ ocupar cargo ou função, nas entidades citadas acima, da qual seja demissível ad nutum; ⇒ patrocinar causa em que seja interessada qualquer daquelas entidades; 6

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 ⇒ ser titular de mais de um cargo ou mandato público eletivo; ⇒ apresentar comportamento incompatível com o decoro parlamentar; ⇒ falta de comparecimento, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão autorizada; ⇒ perda ou suspensão dos direitos políticos, declarada pelo órgão judiciário competente; ⇒ perda de mandato, decretada pela Justiça Eleitoral; ⇒ condenação criminal em sentença transitada em julgado; e ⇒ abuso das prerrogativas constitucionais ou percepção de vantagens indevidas. Nessas hipóteses, a perda de mandato poderá ocorrer de duas formas: 1) mediante declaração da Mesa, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, também assegurada ampla defesa (CF/88, art. 55, § 3º); ou 2) mediante provocação da Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa, por voto secreto e maioria absoluta (CF/88, art. 55, § 2º). Aí vocês vão perguntar: qual a diferença entre essas duas formas? Na primeira, a Mesa declara a necessidade de perda de mandato pelo reconhecimento de um fato consumado. São três casos em que isso ocorre: ⇒ falta de comparecimento, em cada sessão legislativa, a 1/3 das sessões ordinárias;

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 ⇒ perda ou suspensão de direitos políticos (decidida pela Justiça); ⇒ perda de mandato (decidida pela Justiça Eleitoral). Percebam que, nesses casos, o Legislativo apenas dá cumprimento a uma decisão originada de um órgão externo. É importante ter em mente que, mesmo assim, é plenamente assegurado ao Senador acusado o direito de contraditório e ampla defesa. Já na segunda forma, o processo tem início mediante uma provocação: pode ser da Mesa ou de algum partido político. No Senado, essa provocação se dá pela apresentação de uma representação, denunciando o que houve de errado. A representação é encaminhada para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que vai proferir um parecer sobre a representação. Então, é o Plenário se manifesta sobre esse parecer da CCJ. Se a representação for aceita, o Presidente designa comissão específica para instrução da matéria. Começa a fase de contraditório e ampla defesa do acusado, diligências e outras providências necessárias. A comissão de instrução elabora e aprova um projeto de resolução, no sentido da perda do mandato ou do arquivamento definitivo do processo. Esse projeto de resolução segue para o Plenário, onde é submetido a votação secreta (RISF, art. 291, I, “b”), em sessão aberta, necessitando da aprovação da maioria absoluta da composição do Senado (RISF, art. 288, III, “c”). Esquematizando:

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Suspender a imunidade parlamentar dos Senadores em estado de sítio As imunidades conferidas a Deputados e Senadores servem para garantir o funcionamento do Legislativo como instituição, buscando assegurar a independência das decisões tomadas por esse Poder. Lembrem do período correspondente aos governos militares, por exemplo, no qual vários mandatos parlamentares foram cassados por razões políticas. Com esse fim, a Constituição Federal definiu dois tipos de imunidades parlamentares: as formais ou processuais e as materiais. As imunidades materiais dizem respeito à emissão de opiniões, palavras e votos no exercício do mandato. Ou seja, durante um discurso na tribuna do Senado, por exemplo, um Senador pode afirmar o que quiser, sem configurar atitude delituosa. Já as imunidades formais relacionam-se aos ritos processuais. Assim, desde a expedição do diploma (antes da posse, portanto) os parlamentares não podem ser presos, salvo flagrante de crime inafiançável (CF/88, art. 53, § 3º). Mesmo neste caso, a Casa a que pertencer o parlamentar tem vinte e quatro horas para resolver sobre a prisão, pelo voto da maioria dos seus membros (CF/88, art. 53, § 2º). Além disso, os deputados e senadores possuem prerrogativa de foro: desde a expedição do diploma, são submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal (CF/88, art. 53, § 1º). Muito bem, a Constituição determinou que essas imunidades permanecem valendo mesmo durante o estado de sítio. A suspensão somente é aplicável nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida (do estado de sítio). O trâmite da suspensão segue basicamente os passos observados para a declaração de perda de mandato de Senador: Mesa CCJ Plenário comissão específica Plenário. A principal diferença reside no quórum. Para suspensão de imunidade durante estado de sítio, é preciso aprovação de 2/3 dos membros do Senado (RISF, art. 288, I “c”), por meio de voto secreto (RISF, art. 291, I, “d”), em sessão aberta. Competência 3:

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios (CF/88, art. 52, V); Na autorização para empréstimos financeiros externos, o processo começa com o recebimento da documentação e de um parecer técnico encaminhado pelo Banco Central. Essa documentação deve permitir que os Senadores conheçam a operação, os recursos para honrar os compromissos e a sua finalidade (RISF, art. 389, I e III). Também é preciso encaminhar a publicação oficial com a autorização do Poder Legislativo competente, por exemplo, uma Assembleia Estadual (RISF, art. 389, II). Chegando ao Senado, esse material é denominado de “Ofício S”. Ofício porque se trata de uma comunicação externa que chega à Casa. “S” porque o destinatário é o Senado – para diferenciá-lo do Ofício “CN”, do Congresso Nacional. Bem, esse Ofício “S” vai à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), para que ela se pronuncie a respeito do documento. A Comissão, por sua vez, conclui seu parecer pela apresentação de um Projeto de Resolução, autorizando ou negando a operação pleiteada (RISF, art. 390, I). O Projeto de Resolução é lido em Plenário, numerado, publicado e aberto prazo de cinco dias úteis para emendas. Depois, segue para a Ordem do Dia. A resolução promulgada é enviada na íntegra à entidade interessada e ao Banco Central, devendo constar do instrumento da operação (RISF, art. 390, II). Também deve ser enviada ao Presidente da República, aos Governadores, às Assembléias Legislativas, à Câmara Legislativa do Distrito Federal e aos Prefeitos e Câmaras de Vereadores dos Municípios interessados, com a indicação da sua publicação no Diário do Senado Federal e no Diário Oficial da União (RISF, art. 396).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Durante a tramitação da matéria, qualquer Senador pode encaminhar à Mesa documento destinado a complementar a instrução ou o esclarecimento da matéria (RISF, art. 389, par. único). As mesmas regras se aplicam em casos de aval da União, Estado, Distrito Federal ou Município para a contratação de empréstimo externo por entidade autárquica subordinada a eles. Competência 4: Fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (CF/88, art. 52, VI); Essa matéria tem início quando o Senado recebe a Mensagem do Presidente da República encaminhando a proposta de fixação de limites (RISF, art. 393, par. único, II). Da mesma forma que a competência anterior, a matéria vai à CAE, que conclui seu parecer pela apresentação de um Projeto de Resolução. Este é lido em Plenário e publicado. Após isso, é aberto prazo para emendas e, a seguir, o projeto é votado. A Resolução aprovada deve ser enviada ao Presidente da República, aos Governadores, às Assembléias Legislativas, à Câmara Legislativa do Distrito Federal e aos Prefeitos e Câmaras de Vereadores dos Municípios interessados, com a indicação da sua publicação no Diário do Senado Federal e no Diário Oficial da União (RISF, art. 396). Competência 5: Dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal (CF/88, art. 52, VII); Dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno (CF/88, art. 52, VIII);

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (CF/88, art. 52, IX); Esses temas são igualmente propostos por meio de Projetos de Resolução da Comissão de Assuntos Econômicos. Nessa condição, os projetos são lidos em Plenário, numerados, publicados e, após isso, é aberto prazo de cinco dias úteis para emendas. A seguir, os projetos estão prontos para entrarem na Ordem do Dia e serem votados. A Resolução aprovada deve ser enviada ao Presidente da República, aos Governadores, às Assembléias Legislativas, à Câmara Legislativa do Distrito Federal e aos Prefeitos e Câmaras de Vereadores dos Municípios interessados, com a indicação da sua publicação no Diário do Senado Federal e no Diário Oficial da União (RISF, art. 396). Competência 6: Falaremos aqui das atribuições relativas à competência tributária dos Estados e do Distrito Federal. Estão dispostas no art. 155 da CF/88 e também se materializam no processo legislativo por meio de Projeto de Resolução do Senado (PRS), com trâmite semelhante aos casos das competências anteriores. Há diferenças quanto à iniciativa e ao quórum necessário para aprovação de algumas delas: Fixar alíquotas máximas do imposto sobre transmissão “causa mortis” e doação (ITCD) de quaisquer bens ou direitos (CF/88, art. 155, § 1º, IV); Iniciativa: Comissão de Assuntos Econômicos. Aprovação: maioria simples. Estabelecer as alíquotas de ICMS aplicáveis às operações e prestações interestaduais e de exportação (CF/88, art. 155, § 2º, IV); Iniciativa: Presidente da República ou 1/3 dos membros do Senado Federal. Aprovação: maioria absoluta de votos. Obs.: ICMS é a sigla do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Estabelecer alíquotas mínimas do ICMS nas operações internas (CF/88, art. 155, § 2º, V, a); Iniciativa: 1/3 dos membros do Senado Federal. Aprovação: maioria absoluta de votos. Fixar alíquotas máximas do ICMS nas operações internas para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados e do Distrito Federal (CF/88, art. 155, § 2º, V, b). Iniciativa: maioria absoluta dos membros do Senado Federal. Aprovação: 2/3 da composição da Casa. As Resoluções aprovadas devem ser enviadas ao Presidente da República, aos Governadores, às Assembléias Legislativas, à Câmara Legislativa do Distrito Federal e aos Prefeitos e Câmaras de Vereadores dos Municípios interessados, com a indicação da sua publicação no Diário do Senado Federal e no Diário Oficial da União (RISF, art. 396). E aí, muita informação? Vamos usar nossas tabelas! Revisando as competências 3, 4, 5 e 6: INICIATIVA CAE APROVAÇÃO Maioria simples

Autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios (CF/88, art. 52, V); Fixar limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (CF/88, art. 52, VI) Dispor sobre limites globais e condições para as operações de

Presidente da República

Maioria simples

CAE

Maioria simples

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal (CF/88, art. 52, VII); Dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno (CF/88, art. 52, VIII); Estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (CF/88, art. 52, IX); Fixar alíquotas máximas do ITCD (CF/88, art. 155, § 1º, IV); Estabelecer as alíquotas do ICMS aplicáveis às operações e prestações interestaduais e de exportação (CF/88, art. 155, § 2º, IV); Estabelecer alíquotas mínimas do ICMS nas operações internas (CF/88, art. 155, § 2º, V, a); Fixar alíquotas máximas do ICMS nas operações internas para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados e do Distrito

CAE

Maioria simples

CAE

Maioria simples

CAE Presidente da República ou 1/3 dos Senadores

Maioria simples Maioria absoluta

1/3 dos Senadores

Maioria absoluta

Maioria absoluta dos Senadores

2/3 da composição do Senado

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Federal (CF/88, art. 155, § 2º, V, “b”); Em todos os casos, as Resoluções aprovadas devem ser enviadas ao Presidente da República, aos Governadores, às Assembléias Legislativas, à Câmara Legislativa do Distrito Federal e aos Prefeitos e Câmaras de Vereadores dos Municípios interessados, com a indicação da sua publicação no Diário do Senado Federal e no Diário Oficial da União (RISF, art. 396). Competência 7: Suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (CF/88, art. 52, X); Quando o STF realiza o controle difuso de constitucionalidade, mediante recurso extraordinário previsto na CF/88, art. 102, III, ele deve remeter a decisão, após o trânsito em julgado, para o Senado Federal. Recebida o acórdão do Supremo pela Câmara Alta, a decisão dos Senadores será pela suspensão ou não da execução, no todo ou em parte, da lei declarada inconstitucional. Ao decidir pela suspensão da execução, o Senado está dizendo que aquela decisão do STF, antes restrita às partes do processo (inter partes), passa a ter eficácia erga omnes, ou seja, para todos. Cabe destacar que a suspensão da execução vale para todas as partes da lei que forem consideradas inconstitucionais pelo STF, daí a expressão “no todo ou em parte”. O Senado não pode, portanto, extrapolar o entendimento do Supremo e suspender trechos que não foram considerados inconstitucionais pelo Tribunal. Tampouco pode suspender apenas algumas partes, dentre as que foram consideradas inconstitucionais. Deve suspender ou não exatamente o conjunto de dispositivos legais considerados, pelo Supremo, incompatíveis com a Carta Magna. Por outro lado, o Senado pode decidir por não estender a todos os efeitos da decisão. Assim, a Casa não está obrigada, a partir da comunicação do STF, a obrigatoriamente suspender a execução da lei ou das partes da lei impugnadas.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 O RISF, em seus artigos 386 a 388, determina o procedimento a ser tomado nesses casos. Além da comunicação pelo STF (RISF, art. 386, I), o Senado pode tomar ciência da decisão por meio de representação do Procurador-Geral da República (RISF, art. 386, II). Nas duas hipóteses, comunicada a decisão do STF ao Senado, ela será constituída em um processo denominado Ofício “S”, lida em plenário e despachada para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Na CCJ será designado um relator e, a partir do parecer que for aprovado pela Comissão, a CCJ deve elaborar um projeto de resolução (RISF, art. 386, III), para suspender a execução da lei. O processo enviado ao Senado pelo Supremo Tribunal Federal deve estar instruído com o texto do dispositivo legal examinado, a cópia do acórdão do STF e da versão do registro taquigráfico do julgamento, conforme exigência do RISF, art. 387. A suspensão vale a partir da publicação da resolução aprovada na Imprensa Oficial, tendo efeitos ex nunc (não retroativos). Não vamos esquecer que esse projeto de resolução terá no Senado tramitação terminativa, nos termos do RISF, art. 91, II. Significa que ele não precisa, necessariamente, ser apreciadospelo Plenário da Casa, a menos que haja, dentro de cinco dias úteis, recurso de 1/10 da composição do Senado. Nessa situação, o projeto perde a condição de terminativo e vai a discussão e votação no Plenário. Por fim, vocês já sabem, mas é sempre bom lembrar: competência privativa se materializa por projeto de resolução. Não precisa, portanto, ir à Câmara dos Deputados, sendo promulgada diretamente pelo Presidente do Senado. Vamos visualizar na prática uma resolução do Senado para suspensão de lei considerada inconstitucional pela CCJ:
Faço saber que o Senado Federal aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente, nos termos do art. 48, inciso XXVIII e 91, inciso II, do Regimento Interno, promulgo a seguinte RESOLUÇÃO Nº 16, DE 2006 Suspende a execução da expressão "manter ou não o sigilo quanto ao objeto e à autoria da denúncia", constante do § 1º do art. 55 da Lei Federal nº 8.443, de 16 de julho de 1992, e do contido no disposto no Regimento Interno do Tribunal de Contas da União, que, quanto à autoria da denúncia, estabelece a manutenção do sigilo.

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O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da expressão "manter ou não o sigilo quanto ao objeto e à autoria da denúncia" constante do § 1º do art. 55 da Lei Federal nº 8.443, de 16 de julho de 1992 e do contido no disposto no Regimento Interno do Tribunal de Contas da União, quanto à manutenção do sigilo em relação à autoria de denúncia, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Mandado de Segurança nº 24.405-4 - Distrito Federal. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, em 14 de março de 2006 Senador RENAN CALHEIROS Presidente do Senado Federal

Competência 8: Elaborar seu regimento interno (CF/88, art. 52, XII); A elaboração de seus próprios regramentos internos é competência atribuída aos diversos órgãos autônomos instituídos e organizados pela Constituição Federal. No que tange ao Poder Legislativo, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal detêm a prerrogativa de disciplinar o funcionamento de suas atividades. Além disso, o Congresso Nacional pode da mesma forma elaborar seu regimento interno. Os regimentos e suas alterações posteriores são materializados no processo legislativo por meio de projetos de resolução. Com isso, concluímos que essa matéria se esgota no âmbito de cada Casa; não precisa ir à revisão, nem ao Poder Executivo, sendo promulgada diretamente pelo Presidente do Senado, da Câmara ou do Congresso Nacional. No Senado, os projetos de resolução que alterem o Regimento Interno não podem ser terminativos, devendo ir à Plenário para discussão e votação (RISF, art. 91, § 1°, V). Um projeto de alteração do Regimento Interno pode ser de iniciativa de qualquer Senador, da Comissão Diretora ou de comissão temporária para esse fim criada, em virtude de deliberação do Senado. Isso ocorreu recentemente quando da criação da comissão para fazer um estudo das alterações propostas para o RISF. Competência 9:

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias (CF/88, art. 52, XIII); Da mesma forma que em relação aos Regimentos Internos, é garantida a cada uma das Casas que compõem o Poder Legislativo a prerrogativa de organizar seus serviços internos, incluindo aí a criação, transformação e extinção de cargos. Para disciplinar sua atividade administrativa, o Senado dispõe de um Regulamento Administrativo, aprovado pela Resolução 58/72, com suas posteriores alterações. Ele trata da estrutura e das competências dos órgãos que compõem a Casa, bem como das atribuições de cada cargo. Observe que, quanto à primeira parte desse inciso da Constituição, o Senado legisla por meio de resolução. Já a segunda parte, “fixação da respectiva remuneração”, deve ser feita por meio de uma lei ordinária, que tramita pela Casa revisora e vai à sanção do Poder Executivo. Vejam, por exemplo, a Lei 12.300/2010, que alterou o Plano de Carreira dos Servidores do Senado Federal. Competência 10: Avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios (CF/88, art. 52, XV); Essa competência foi incluída pela EC 42/2003 e, na verdade, “choveu no molhado”. Isso porque a fiscalização e controle da administração pública cabe ao Poder Legislativo, levando ao raciocínio de que o Senado estaria autorizado a proceder tal avaliação. Com a Emenda Constitucional, passa a existir previsão expressa da competência do Senado para avaliar o desempenho das administrações tributárias dos estados, municípios e DF.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 No ano de 2007, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) instituiu uma Subcomissão Temporária da Reforma Tributária, destinada, segundo o requerimento que a criou, a “avaliar a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional e o desempenho das administrações tributárias e analisar a Reforma Tributária”. Em 2009, essa subcomissão concluiu um relatório final, que aguarda apreciação da CAE. Para finalizar esse assunto, vamos resumir os casos onde o Senado exerce sua competência constitucional privativa por meio de projetos de resolução: RESOLUÇÃO Julgamento do Presidente e do VicePresidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles (CF/88, art. 52, I); Julgamento dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, dos membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, do Procurador-Geral da República e do Advogado-Geral da União (CF/88, art. 52, II) Suspensão da imunidade parlamentar dos Senadores em estado de sítio (CF/88, art. 53, § 7º) Perda do mandato de Senador (CF/88, art. 55,§ 2º) QUÓRUM DE APROVAÇÃO 2/3 da composição do Senado (RISF, art. 288, I, “a”).

2/3 da composição do Senado (RISF, art. 288, I, “a”)

2/3 da composição do Senado, voto secreto (RISF, arts. 288, I, “c” e 291, I, “d”) Maioria absoluta da composição do Senado, voto secreto (RISF, arts. 288, III, “c”, e 291, I, “b”) Autorização para operações externas de Maioria simples natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios (CF/88, art. 52, V) Fixação de limites globais para o montante Maioria simples da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (CF/88, art. 52, VI) Llimites globais e condições para as Maioria simples 19

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal (CF/88, art. 52, VII) Limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno (CF/88, art. 52, VIII) Limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (CF/88, art. 52, IX) Fixação de alíquotas máximas do ITCD (CF/88, art. 155, § 1º, IV); Estabelecimento de alíquotas de ICMS aplicáveis às operações e prestações interestaduais e de exportações (CF/88, art. 155, § 2º, IV) Estabelecimento de alíquotas mínimas do ICMS nas operações internas (CF/88, art. 155, § 2º, V, a) Fixação de alíquotas máximas do ICMS nas operações internas, para resolver conflitos específicos que envolvam interesse de Estados e do Distrito Federal (CF/88, art. 155, § 2º, V, “b”) Suspensão da execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (CF/88, art. 52, X) Alteraração ou reforma do Regimento Interno do Senado (CF/88, art. 52, XII) Organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços (CF/88, art. 52, XIII) Avaliação periódica da funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios (CF/88, art. 52, XV) Competência 11: 20

Maioria simples Maioria simples Maioria simples Maioria absoluta da composição do Senado (RISF, art. 288, III, “g”) Maioria absoluta da composição do Senado (RISF, art. 288, III, “g”) 2/3 da composição do Senado (RISF, art. 288, I, “b”)

Maioria simples. Apreciação terminativa pela CCJ (RISF, art. 91, II) Maioria simples Maioria simples

Maioria simples

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02

Aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de autoridades (CF/88, art. 52, III); Aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente (CF/88, art. 52, IV); Vocês devem estar se perguntando por que essas competências, que vem logo nos primeiros incisos do art. 52 da CF/88 só foram mencionadas agora. É que em relação à escolha de autoridades, há um detalhe que pode passar despercebido. Diferentemente da maioria das atribuições específicas do Senado Federal, a escolha de autoridades se materializa por meio de uma espécie de proposição legislativa chamada parecer. Não é aquele parecer acessório, que consiste em instrução de determinada matéria. O parecer aqui é o nome mesmo da proposição, que tem vida própria. Mas fiquem tranquilos, pois nas próximas aulas estudaremos isso com mais detalhes. Por enquanto, guardem essa informação: escolha de autoridade se dá por parecer, não por projeto de resolução. Na escolha de autoridades, o voto sempre será nominal (cada cabeça, um voto), e secreto. A “arguição pública” é a oportunidade onde o indicado a ocupar um desses cargos comparece ao Senado (geralmente na comissão permanente que trata dos assuntos relativos ao órgão para o qual vale a indicação) e é questionado pelos Senadores. Essa arguição é também chamada de sabatina. A CF/88, contudo, não traz expressamente todos os casos em que deve haver aprovação prévia do Senado. O art. 52, III, “f”, afirma que também precisam ser aprovados os nomes de “titulares de outros cargos que a lei determinar”.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Já no caso da escolha de chefes de missão diplomática de caráter permanente (embaixadores), não apenas o voto é secreto, mas a própria arguição também se dá em sessão secreta. Lembrem do que já falamos em aulas anteriores: em sessão secreta para escolha de autoridade diplomática, não é admitida presença de deputado federal. Depois de aprovadas nas comissões, os nomes das autoridades ainda precisam ser votados pelo Plenário. Para relaxar, aí vai uma tabelinha com as principais autoridades que precisam ser sabatinadas e aprovadas pelo Senado. Atenção, pois nem todas precisam alcançar maioria absoluta para serem aprovadas. AUTORIDADE Magistrados: Ministros do STF, STJ, TST, Procurador-Geral da República e Advogado Geral da União Membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República* Chefes de missão Diplomática Governador de Território Ministros do STM Presidente e diretores do banco central; Diretores de Agências Reguladoras ONDE SABATINA CCJ CCJ CCJ QUÓRUM Maioria absoluta Maioria absoluta Maioria absoluta

CAE

Maioria absoluta

CRE CCJ CCJ CAE Depende do tema da agência reguladora

Maioria absoluta Maioria absoluta Maioria simples Maioria simples Maioria simples

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 * A CF/88 determina apenas que os Ministros do TCU indicados pelo Presidente da República serão sabatinados. Contudo, o Decreto Legislativo 06/93 prevê que mesmo os indicados pelo Congresso Nacional submetam-se à arguição pública. O único detalhe é que se a Câmara dos Deputados estiver indicando novo membro para o TCU, esse será sabatinado pela Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados (não passa pelo Senado). Se, em vez disso, a indicação for do Senado ou do Presidente da República, passará apenas pela Comissão de Assuntos Econômicos e pelo Plenário do Senado. Competência 12: Aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato (CF/88, art. 52, XI); Assim como aprova por maioria absoluta e votação secreta o nome indicado pelo Presidente da República para chefe do Ministério Público da União, o Senado deve aprovar a exoneração do ocupante do cargo, quando se dá antes do término do mandato, de oficio, por iniciativa do Presidente da República. Essa autorização também acontece por voto secreto da maioria absoluta da Casa (RISF, art. 291, I, “a” e art. 288, III, “b”). A mensagem do Presidente da República solicitando autorização para destituir o Procurador-Geral da República deve ser lida em plenário e distribuída à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania para apresentação de parecer. Na tramitação da mensagem, aplica-se, no que couber, o disposto para escolha de autoridades (RISF, art. 385, caput e par. único). Agora, cuidado: o Senado também autoriza, pelo voto da maioria absoluta, a destituição, antes do final do mandato, do Procurador Geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios. A CF/88 dispõe que os chefes do Ministério Público dos Estados e do DF e Territórios serão destituídos pelo próprio Legislativo, na forma de lei complementar (CF/88, art. 128, § 4°). No caso dos estados, essa atribuição é das Assembleias Legislativas.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 A lei complementar a que se refere a Constituição é a 75/93 – Lei Orgânica do Ministério Público da União. Nela, está disposta a organização, os atributos e o estatuto do MPDFT. E o artigo 156 dessa lei determina que o chefe do MPDFT é nomeado pelo Presidente da República, e não pelo Governador do DF. Além disso, essa mesma lei dispõe que Procurador-Geral do MPDFT poderá ser destituído, antes do término do mandato, por deliberação da maioria absoluta do Senado Federal, mediante representação do Presidente da República (LC 75/93, art. 156, § 2°). Essa vinculação do MPDFT vem da Constituição, quando atribui competência à União para organizar e manter o MPDFT (CF/88, arts. 21, XIII e 22, XVII). Competência 13: Eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII (CF/88, art. 52, XIV); Outra competência privativa do Senado que não é exercida por meio de projeto de resolução é a eleição dos membros indicados pela Casa para compor o Conselho da República. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, regulado em lei (CF/88, art. 90, § 2°) que se pronuncia nos casos de intervenção federal, estado de defesa, estado de sítio e de questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas. Fazem parte desse conselho o Vice-Presidente da República, os Presidentes e líderes da maioria e da minoria da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e o Ministro da Justiça. Além deles, participam do Conselho seis cidadãos brasileiros natos, com mais de 35 anos de idade, para um mandato de três anos, vedada a recondução (CF/88, art. 89, VII). Desses seis, dois são nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados. Perceba que o Poder Legislativo tem participação consistente nesse Conselho.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 No Senado, a eleição dos membros do Conselho da República é feita com base em uma lista sêxtupla elaborada pela Mesa, ouvidas as lideranças. Será eleito o indicado que obtiver a maioria de votos, presente a maioria absoluta dos membros do Senado (RISF, art. 384, § 1°). Depois, passa-se a eleição do segundo, dentre os cinco indicados restantes, seguindo o mesmo critério (RISF, art. 384, § 2°). Se nenhum dos indicados alcançar maioria de votos, repete-se a votação. Persistindo o problema, a eleição fica adiada para outra sessão, a ser convocada pela Presidência (RISF, art. 384, § 3°). Procedimentos em Processo Legislativo Já vimos que o processo legislativo é composto de várias fases no que diz respeito à formação da lei (introdutória, constitutiva e complementar). Agora, estudaremos as diferentes formas pelas quais a tramitação de uma proposição acontece dentro do Parlamento, os chamados procedimentos ou ritos: normal, abreviado, especial, concentrado, sumário e sumaríssimo. Procedimento Normal Adotado para projetos de lei em geral, decretos legislativos e resoluções. Consiste basicamente no processo que relatamos anteriormente. A matéria é lida em plenário, despachada para as comissões pertinentes, onde recebe emendas e pareceres. Depois, segue para o plenário, onde é novamente discutida e votada. Procedimento Abreviado

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 O procedimento abreviado consiste no poder terminativo das comissões, garantido pela CF/88 e pelo RISF, que já estudamos quando vimos as Comissões. Lembremos apenas que, nesse caso, a tramitação da matéria será concluída nas comissões, com dispensa da competência do Plenário, podendo a matéria seguir à Casa revisora, à sanção ou à promulgação. Não esquecer: é possível a interposição de recurso, assinado por 1/10 do Senado (9 Senadores) para que a proposição vá ao Plenário. Procedimentos especiais São utilizados para: Propostas de Emenda à Constituição, Projetos de Lei de Código (RISF, art. 354 a 374) e Medidas Provisórias (Res. nº 1/2002-CN). Procedimento concentrado É o que ocorre nas sessões conjuntas do Congresso, aplicado aos projetos de leis orçamentárias, vetos, alteração do regimento comum e delegação legislativa. Procedimentos sumário e sumaríssimo Para entender melhor esses dois procedimentos, precisamos aprender o conceito de urgência. Intuitivamente, já podemos dizer que a urgência faz com que a matéria passe a ter uma tramitação muito mais rápida do que teria se estivesse submetida ao rito normal. Ela elimina prazos e algumas outras formalidades que compõem o processo legislativo, mas três coisas não podem faltar: parecer, publicação e quórum necessário para aprovação (RISF, art. 337).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 O regime de urgência pode derivar de determinação constitucional ou regimental. A urgência constitucional é aquela solicitada pelo Presidente da República para projetos de lei de sua iniciativa (CF/88, art. 64, § 1°). Cada uma das Casas do Congresso Nacional dispõe de 45 dias para apreciar a matéria. Do contrário, ficará trancada a pauta de deliberações legislativas da Casa onde se encontrar (CF/88, art. 64, § 2°). Esses prazos ficam suspensos durante os períodos de recesso do Congresso Nacional, como manda a CF/88, art. 64, § 4º. Outro caso de regime de urgência previsto na Constituição é a apreciação de atos de outorga ou renovação de concessão, permissão ou autorização para serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens. Os projetos de decreto legislativo relativos a essa materia também possuem prazo de tramitação de quarenta e cinco dias em cada Casa, consecutivamente (CF/88, art. 223, § 1°). O projeto no regime de urgência constitucional, além de ter prazo certo para ser aprovado, tem sua apreciação pelas comissões temáticas feita de forma simultânea. As emendas são apresentadas apenas na primeira comissão constante do despacho. Se houver pedido de vista, esta só poderá ser concedida antes dos últimos dez dias de tramitação do projeto e pelo prazo de 24 horas (RISF, art. 132, § 3º). Já a urgência regimental no Senado é solicitada por meio de uma proposição legislativa chamada requerimento. Diferentemente dos demais tipos de procedimentos que estudamos, nos quais a natureza da matéria define o procedimento que será utilizado, nos rito sumário e sumaríssimo é preciso haver uma provocação para que passem a ser consideradas urgentes. Apenas algumas matérias tramitam em regime de urgência dispensando apresentação de requerimento, como a autorização para o Presidente da República declarar guerra e celebrar paz.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 A urgência regimental se divide em três casos, do “mais” para o “menos” urgente. Cada caso de urgência possui regras específicas, que resumimos na tabela mais abaixo. Dediquem atenção à ela, pois, de agora em diante, sempre que nos referirmos a regime de urgência regimental no Senado, usaremos a terminologia: urgência caso 1, 2 ou 3. As proposições submetidas aos casos de urgência 2 e 3 tramitam em rito sumário. Já as matérias do caso 1 configuram o rito sumaríssimo, também chamado de “urgência urgentíssima” (que pleonasmo, hein?). No caso 1, sendo matéria que envolva perigo para a segurança nacional ou providência para atender a calamidade pública, já pode ser apresentado requerimento em plenário para que a matéria passe a tramitar em regime de urgência urgentíssima. O requerimento pode ser assinado pela Mesa, pela maioria dos membros do Senado (41 Senadores) ou por líderes que representem esse número, sendo apresentado em qualquer momento da sessão. Aprovado o requerimento, passa-se à votação da matéria. O parecer é oferecido imediatamente, sendo que o relator pode pedir duas horas de prazo. O tempo para pedido de vista também é reduzido (meia hora). Podem ser apresentadas emendas, também devendo o parecer sobre elas ser imediato. Nessa urgência do caso 1, a publicação da matéria pode ser dar após a aprovação da mesma pelo Plenário. No caso 2, dizemos que é uma urgência menos urgente porque aprovase um requerimento para que o projeto seja apreciado na segunda sessão deliberativa ordinária seguinte. É preciso requerimento assinado por Comissão, por 2/3 da composição da Casa (54 Senadores) ou por líderes que representem esse número. Se o requerimento for aprovado, a matéria para a qual se deseja regime de urgência entra, então, na Ordem do Dia da segunda sessão deliberativa ordinária subsequente. O prazo para emendas vai só até o encerramento da discussão. Havendo emendas, o relator deve oferecer parecer sobre elas durante a mesma sessão, podendo pedir prazo de 24 horas.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Por fim, a urgência do caso 3 também exige que seja apresentado um requerimento, assinado por Comissão, por 1/4 da composição do Senado (21 Senadores) ou líderes que representem esse número. Se o requerimento for aprovado, a matéria de que ele trata entra na Ordem do Dia da 4ª sessão deliberativa ordinária subsequente. O caso 3 é utilizado principalmente para a votação daquelas matérias que estejam sem parecer. Entrando em regime de urgência, a matéria precisa ganhar um parecer até a véspera da data em que for entrar na Ordem do Dia. Se forem apresentadas emendas, a matéria vai sair da Ordem do Dia e, novamente, voltar na 4ª sessão deliberativa ordinária subsequente.

ATENÇÃO: As Propostas de Emenda à Constituição e os Projetos de Lei de Código não podem tramitar em regime de urgência, pois, como vimos, essas proposições possuem rito especial. Também não podem entrar em regime de urgência os projetos de lei ordinária de autoria de Senador e os projetos de resolução que versem sobre a suspensão da execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional pelo STF (RISF, art. 336, par. único), salvo se houver recurso para que essas matérias sejam encaminhadas ao Plenário.

Importante notar que as urgências dos casos 2 e 3 podem ser extintas, mas, no caso 1, isso não é possível. Na urgência caso 2, o requerimento de extinção deve estar assinado pela comissão requerente da urgência, pela maioria da composição do Senado (41 Senadores) ou por líderes que representem esse número. Na urgência caso 3, o requerimento deve estar assinado pela comissão requerente, por 1/4 da composição do Senado (21 Senadores) ou por líderes que representem esse número. Outro detalhe é que o adiamento de discussão, uma faculdade regimental estendida às proposições em geral, não pode ser solicitado para matérias submetidas a regime de urgência, segundo determina o RISF, art. 279.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Já o Regimento Comum do Congresso Nacional não prevê regime de urgência para as matérias que ali tramitam. Quando esse rito se faz necessário naquelas sessões, utiliza-se o Regimento do Senado para os casos de calamidade pública e perigo de segurança nacional (art. 336, I), e o Regimento da Câmara para as demais matérias. Os pedidos de autorização para realizar determinadas operações de crédito só podem ser apreciados em regime de urgência se for solicitado pela Comissão de Assuntos Econômicos, nos termos do RISF, art. 338, V. As operações são as seguintes: crédito externo; operações decorrentes de convênios para aquisição de bens e serviços no exterior; emissão de títulos da dívida pública; e a emissão de debêntures ou assunção de obrigações por entidades controladas pelos Estados, DF ou Municípios que não exerçam atividade produtiva ou não possuam receitas próprias. Essas operações estão previstas nos arts. 28 e 33 da Resolução 43/2001-SF. URGÊNCIAS REGIMENTAIS (ART. 336)
RITO SUMARÍSSIMO CASO 1: “URGÊNCIA URGENTÍSSIMA” Matéria que envolva perigo para a segurança nacional ou calamidade pública; Mesa Maioria do SF Líderes equivalentes (RISF, art. 338, I) imediatamente, em qualquer fase da sessão. Pode interromper discurso, discussão ou votação (RISF, art. 339, I); Imediatamente RITO SUMÁRIO CASO 2 Votar matéria na 2a sessão delib. ord. subsequente à aprovação do req.; 2/3 do SF Líderes equivalentes Comissão (RISF, art. 338, II) Período do Expediente (RISF, art. 339, II) CASO 3

TIPO

Incluir em pauta matéria pendente de parecer; 1/4 do SF Líderes equivalentes Comissão (RISF, art. 338, III) Período do Expediente (RISF, art. 339, II)

QUEM PEDE

QUANDO LÊ O PEDIDO

QUANDO VOTA O PEDIDO

Após a Ordem do Dia; Máximo de dois requerimentos por sessão;

PARECER

Oferecido de imediato; Parecer oral (RISF, art. 346, § 2º);

Quando a matéria for anunciada na Ordem do Dia (RISF, art. 346, II);

Sessão deliberativa seguinte, incluído em Ordem do Dia; Máximo de dois requerimentos por sessão; Entre a concessão da urgência e a véspera da Ordem do Dia em

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Relator pode pedir prazo de até 2 horas, mas Ordem do Dia prossegue (RISF, art. 346, I); PEDIDO DE VISTAS DELIBERA A MATÉRIA MEIA HORA (RISF, art. 132, § 2º, I); Imediatamente após a concessão da urgência (RISF, art. 345, I); Proferido imediatamente, por relator designado pelo Presidente, podendo pedir 2 horas de prazo (RISF, art. 348, I); Não depende de publicação; submetida à deliberação do SF imediatamente após a apresentação, ainda que com interrupção de discussão ou votação (RISF, art. 351, I); NÃO EXTINGUE; Pode ser oral, por motivo justificado (RISF, art. 346, § 2º); que a matéria deva figurar (RISF, art. 346, III); Pode ser oral, por motivo justificado (RISF, art. 346, § 2º); 24 HORAS (RISF, art. 132, § 2º, I); 4a sessão deliberativa ordinária que se seguir à urgência (RISF, art. 345, III); Proferido até a véspera da 4a sessão deliberativa ordinária subsequente (RISF, art. 348, III); Não depende de publicação; submetida à deliberação do SF a juízo da Presidência, em qualquer fase da sessão (RISF, art. 351, II); até ser iniciada a votação da matéria, mediante decisão do Plenário (RISF, art. 352, II);

PARECER SOBRE EMENDAS

REDAÇÃO FINAL

24 HORAS (RISF, art. 132, § 2º, II); 2a sessão deliberativa ordinária que se seguir à urgência, incluída a matéria na Ordem do Dia (RISF, art. 345, II); Pode ser proferido imediatamente, ou, se matéria complexa, em 24 horas. Nesse caso, a matéria entra na sessão deliberativa ordinária subsequente (RISF, art. 348, II); Não depende de publicação; submetida à deliberação do SF a juízo da Presidência, em qualquer fase da sessão (RISF, art. 351, II);

EXTINÇÃO DA URGÊNCIA URGÊNCIA SEM REQ.

até ser iniciada a votação da matéria, mediante deliberação do Plenário (RISF, art. 352, II); Autorização para o Presidente e o VicePresidente da República se ausentarem do País (RISF, art. 353, II); Proposições sujeitas a prazo, quando faltarem 10 dias para seu término (RISF, art. 353, par. único);

Autorização para PR declarar guerra/paz, trânsito ou permanência temporária de forças estrangeiras (RISF, art. 353, I, “a”); estado de defesa ou sítio, intervenção federal ou suspensão dessas medidas (RISF, art. 353, I, “b”);

OBS.

SÓ AQUI se permite diligência. Prazo máximo 4 sessões (RISF, art. 349);

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Muito bem! Vamos agora aos nossos exercícios. Exercícios 1) Cespe/Bacen/2009: As matérias de competência privativa do Senado Federal não dependem de sanção presidencial e se materializam por meio de decreto legislativo. Errada. As decisões de competência privativa do Senado Federal são materializadas por meio de resolução. O decreto legislativo é utilizado para decisões de competência privativa do Congresso Nacional. 2) FGV/SF/Advogado/2008: A respeito da composição e legislativa do Senado Federal, analise as afirmativas a seguir: competência

I. Compete privativamente ao Senado Federal processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles. Presidirá a sessão de julgamento o Presidente do Supremo Tribunal Federal e a condenação à perda do cargo com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, somente será proferida por dois terços dos votos dessa casa legislativa. Correta. É o que dispõe a CF/88, art. 52, I. II. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário. Cada Estado e Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos. A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços. Correta. CF/88, art. 46, § 1° e § 2°.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 III. Compete privativamente ao Senado Federal aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de Magistrados, nos casos estabelecidos na Constituição, Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República, Governador de Território, Presidente e diretores do Banco Central, Procurador Geral da República e titulares de outros cargos que a lei determinar. Correta. CF/88, art. 52, II. Atentar para o fato de que se trata de arguição pública e voto secreto. IV. Compete privativamente ao Senado Federal autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios. Correta. CF/88, art. 52, V. Assinale: (A) se somente a afirmativa I estiver correta. (B) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. (E) se todas as afirmativas estiverem corretas. Gabarito: E 3) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: Ao Senado Federal compete julgar, como órgão judiciário, o Presidente e o Vice-Presidente da República, os Ministros do STF, o PGR e o AGU nos crimes de responsabilidade. Julgue os itens seguintes relativos a esses casos: a) A eventual condenação limitar-se-á à perda do cargo com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo, porém, de outras sanções judicialmente imponíveis. Correta, conforme dispõe a CF/88, art. 52, par. único. 33

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b) Quando acusado, o Presidente da República será suspenso de suas funções, logo que instaurado o processo, até o máximo de cento e oitenta dias. Uma vez implementado esse prazo e não encerrado o julgamento, cessará a suspensão, sem embargo dea continuar o processo. Correto. Ver CF/88, art. 86: § 1º “O Presidente ficará suspenso de suas funções: (...) II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal. § 2º: “Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo”. c) A instrução do processo e o oferecimento de libelo acusatório competirão à comissão formada com esse fim específico. Correta. É o que determina o RISF, art. 380, II e III: II - na mesma sessão em que se fizer a leitura, será eleita comissão, constituída por um quarto da composição do Senado, obedecida a proporcionalidade das representações partidárias ou dos blocos parlamentares, e que ficará responsável pelo processo. III – a comissão encerrará seu trabalho com o fornecimento do libelo acusatório, que será anexado ao processo e entregue ao Presidente do Senado Federal, para remessa, em original, ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, com a comunicação do dia designado para o julgamento. d) Presidirá a sessão de julgamento o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Errada. Quem preside a sessão de julgamento é o Presidente do Supremo Tribunal Federal, nos termos da CF/88, art. 52, par. único. e) O SF julgará também os crimes de responsabilidade perpetrados por Ministros de Estado, quando conexos com crimes de responsabilidade de autoria do Presidente ou do Vice-Presidente da República. 34

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Correta. CF/88, art. 52, I. 4) Cespe/SF/Advocacia/1995: Em relação à responsabilidade do Presidente da República, julgue: a) Os crimes são definidos em lei complementar, que estabelece as normas de processo e de julgamento. Errada. Nos termos do parágrafo único do art. 85 da CF/88, os crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento. Não é uma lei complementar. b) Considera-se crime atentar contra a lei orçamentária. Correta. Está na CF/88, art. 85, VI. c) O julgamento dá-se perante o Congresso Nacional. Errada. O julgamento do Presidente da República em caso de crime de responsabilidade compete ao Senado Federal (CF/88, art. 52, I). d) A acusação deve ser admitida por dois terços da Câmara dos Deputados. Correta. CF/88, art. 51, I. e) O presidente fica suspenso de suas funções, após a admissão da acusação pela Câmara dos Deputados. Errada. O Presidente da República é afastado de suas funções após a instauração do processo pelo Senado Federal (CF/88, art. 86, § 1º, II). 5) Cespe/TRE-MA/Analista Judiciário/2009: O STF tem competência constitucional para rever e alterar a decisão do Senado Federal exarada em processo de apuração de crime de responsabilidade do presidente da República. 35

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Errada. O controle judicial no processo de apuração de crime de responsabilidade do Presidente da República é admitido desde que se alegue lesão ou ameaça a direito. O Legislativo realiza julgamento de natureza política, não sendo dada ao STF a competência de rever ou alterar a decisão tomada pelo Senado Federal nesse caso, o que feriria o princípio da separação de Poderes. 6) Cespe/TRT 1ª/Analista/2008: A escolha de chefes de missão diplomática é aprovada pela Câmara dos Deputados, por maioria de votos, em escrutínio secreto. Errada. Essa competência é privativa do Senado Federal (CF/88, art. 52, IV) 7) Cespe/MPT/Procurador/2008: A exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República, por iniciativa do Presidente da República, deverá ser precedida de autorização da maioria simples do Senado Federal, em votação aberta. Errada. A exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República deve ser aprovada pelo Senado Federal por maioria absoluta e por voto secreto (CF/88, art. 52, XI). 8) Esaf/CGU/AFC/2008: O Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público dos Estados e o do Distrito Federal e Territórios pode ser destituído por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo, na forma da lei complementar respectiva. Correta. Está reproduzindo o que diz a CF/88, art. 128, § 4º. Lembrem-se de que essa destituição, no caso do Ministério Público do DF e Territórios, é deliberada pelo Senado Federal. 9) Cespe/TRT 1ª/Analista/2008: Compete ao Congresso Nacional a aprovação, com o quorum mínimo da maioria absoluta, do Procurador-Geral do Trabalho, pelo voto secreto, após arguição pública.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Errada. A aprovação de autoridades indicadas pelo Presidente da República compete precipuamente ao Senado Federal. O Procurador-Geral do Trabalho é escolhido por meio de eleição dentre membros da carreira, sendo nomeado pelo Procurador-Geral da República (Lei Complementar 75/93, art. 88). 10) Cespe/TJRR/Auxiliar Administrativo/2006: Compete privativamente ao Senado Federal aprovar, por voto aberto, sem arguição pública, a escolha de Procurador-Geral da República, do presidente e dos diretores do Banco Central e de governador de território. Errada. São dois erros: essa aprovação se dá por meio de voto secreto e é precedida de arguição pública (CF/88, art. 52, III). 11) Cespe/SF/Advocacia/1995: O Senado Federal: a) compõem-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o sistema proporcional. Errada. Como vimos na Aula 0, o Senado é composto por representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário (CF/88, art. 46). b) Resolve definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais, que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimonio nacional. Errada. Essa competência é do Congresso Nacional. As duas Casas Legislativas precisam se manifestar (CF/88, art. 49, I). c) Aprova a escolha do Procurador-Geral da República. Correta. Está na CF/88, art. 52, III, “e”. d) Aprecia os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e de televisão.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Correta. A apreciação dos atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e de televisão não é uma competência exclusiva do Senado Federal. No entanto, por ser de competência do Congresso Nacional – segundo a CF/88, art. 49, XII –, a apreciação da matéria precisa passar pelas duas Casas Legislativas. e) Delibera por maioria de votos, estando presentes a maioria absoluta dos seus membros, salvo disposição constitucional em contrário. Correta. Essa disposição constitucional (CF/88, art. 47) vale para o Senado Federal, Câmara dos Deputados, Congresso Nacional e suas respectivas comissões. 12) Cespe/Bacen/2009: Não colide materialmente com a CF a determinação de que sejam previamente aprovadas, pelo Poder Legislativo, as indicações dos presidentes das entidades da administração pública indireta. Errada. Analisando a Constituição, podemos observar que o Presidente da República tem competência para nomear os dirigentes das autarquias federais, com base no art. 84, XXV. O mesmo artigo, em seu inciso XIV, estabelece que a aprovação prévia pelo Senado Federal pode se estender a outros servidores nomeados pelo Presidente da República, quando determinado em lei. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI-MC 2.225/SC, estendeu o mesmo entendimento também às fundações públicas. No entanto, no julgamento da ADI 1.642/MG, o STF afirmou ser inconstitucional a exigência de aprovação prévia do Poder Legislativo para a nomeação dos dirigentes das empresas públicas e sociedades de economia mista. O Supremo considerou que tal determinação estaria violando o art. 173 da CF/88. Logo, temos que: a exigência de aprovação prévia pelo Senado Federal de nomeados para a administração indireta não colide materialmente com a CF no caso das autarquias e fundações públicas. Mas, tratando-se de empresa pública e sociedade de economia mista, tal exigência afronta o art. 173 da CF. 13) Cespe/TRT 1a/Analista/2008: O Senado Federal poderá conceder eficácia erga omnes à decisão do STF em sede de ação direta de inconstitucionalidade.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 Errada. O Senado só suspende a execução de lei considerada inconstitucional pelo STF, estendendo erga omnes os efeitos da decisão, quando o Tribunal declara a inconstitucionalidade em sede de controle difuso, não em ação direta de inconstitucionalidade (controle concentrado). Nesse último caso, o STF já concede eficácia erga omnes. 14) Cespe/TRT 10ª Região/Analista Judiciário/2004: Tendo o STF expedido o ofício ao Senado Federal informando-o da declaração de inconstitucionalidade de determinada lei, deve o Senado suspender-lhe a eficácia, uma vez que se trata de ato vinculado do Legislativo. Errada. A suspensão da execução, pelo Senado, de lei considerada inconstitucional pelo STF não consiste em ato vinculado. Cabe aos Senadores decidir se farão isso ou não. Caso optem pela suspensão, esta só pode se dar nos estritos termos propostos pelo Supremo (o Senado não pode estender ou restringir os efeitos da decisão em relação a algumas partes, por exemplo). 15) Cespe/STJ/Analista Judiciário/2004: O conselho da República é órgão deliberativo cujos membros são o vice-presidente da República, o presidente da Câmara dos Deputados, o presidente do Senado Federal, os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados, os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal, o ministro da Justiça e seis cidadãos brasileiros natos. Correta. Ver CF/88, art. 89. 16) Cespe/STJ/Analista Judiciário/2004: A Constituição Federal estabelece rigorosamente as hipóteses em que o Senado declara inconstitucionalidade e suspende os efeitos de atos normativos declarados inconstitucionais. Errada. O Senado não declara a inconstitucionalidade, apenas pode suspender a execução, no todo ou em parte, dos atos normativos que forem declarados inconstitucionais pelo STF, concedendo eficácia erga omnes a essa decisão (CF/88, art. 52, X).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 17) Cespe/TJDFT/Serviços Notariais/2001: É dispensável a intervenção do Senado Federal para a suspensão da execução de lei declarada inconstitucional pelo STF em ação direta de inconstitucionalidade. Correta. O Senado só vai intervir, suspendendo a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, em casos de controle de constitucionalidade difuso, e não de controle concentrado. Assim, o Senado não atua se a decisão do STF se deu em sede de ação direta de inconstitucionalidade (controle concentrado). 18) Cespe/AGU/2004: Apesar da forma federativa do Estado brasileiro, o Senado Federal tem competência para avaliar o desempenho das administrações tributárias das unidades da Federação. Correta. É o que prevê o art. 52, XV, da CF/88. 19) Esaf/ISS-RJ/2010: Sobre o ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços –, Resolução do Senado Federal estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações interestaduais e de exportação. Correta. A questão reproduz o que dispõe a CF/88, art. 155, § 2º. 20) Esaf/ISS-RJ/2010: Sobre os tributos de competência dos estados e do Distrito Federal, é incorreto afirmar que relativamente ao imposto sobre propriedade de veículos automotores, suas alíquotas mínimas nacionais, que poderão ser diferenciadas em função do tipo e utilização do veículo, serão fixadas pelo Senado Federal. Errada. A questão afirma estar incorreto dispositivo previsto na Constituição. A Lei Maior prevê exatamente isso. O imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA) (CF/88, art. 155, III) terá alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal (CF/88, art. 155, § 6º, I) e poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo e utilização (CF/88, art. 155, § 6º, II). 21) Cespe/SF/Consultor Legislativo/2002 (adaptada): Para que o estado de Tocantins possa contrair empréstimo frente a um banco privado suíço, é necessário aprovação do Senado Federal. 40

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Correta. Compete ao Senado autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, nos termos da CF/88, art. 52, V. 22) Cespe/SF/Consultor Legislativo/2002 (adaptada): O Senado Federal pode estabelecer, mediante resolução aprovada pela maioria absoluta de seus membros, alíquotas mínimas para o imposto sobre as operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS) incidente sobre operações internas. Correta. É o que prevê a Constituição em seu artigo 155, § 2º, V, “a”. 23) Cespe/Juiz/TRF 1ª/2009: De acordo com a CF, pelo procedimento legislativo abreviado, as comissões, em razão da matéria de sua competência, podem discutir e votar projeto de lei que dispense, na forma regimental, a competência do plenário. Correto. O processo legislativo abreviado corresponde à tramitação terminativa de proposições, na qual a apreciação se esgota nas comissões, dispensada a competência do plenário, salvo recurso (CF/88, art. 58, § 2º, I). 24) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética. Os líderes dos partidos A e B, cujos liderados perfazem um terço da composição do Senado, apresentaram requerimento de urgência, com vistas a que o projeto a que se referia o requerimento fosse incluído na Ordem do Dia da mesma sessão. Nessa situação, o presidente do Senado deverá dar seguimento à tramitação do requerimento de urgência. Errada. Para que matéria seja incluída na Ordem do Dia da mesma sessão é preciso versar sobre assunto de calamidade pública, informação que não foi trazida pela questão. Mesmo assim, seria preciso o requerimento da maioria absoluta dos membros do Senado ou de líderes equivalentes a esse número, e não apenas de um terço dos Senadores.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 25) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética. O presidente da Comissão Permanente X concedeu, pelo prazo máximo de duas sessões, vista coletiva aos membros daquele órgão, considerando que o projeto de lei de origem do presidente da República tramitava em regime de urgência. Nessa situação, o presidente da Comissão agiu corretamente. Errada. Projeto de lei de iniciativa do presidente da República tramitando em regime de urgência é caso de projeto com prazo determinado, encaixando-se na regra prevista no RISF, art. 132, § 3º: “Quando se tratar de proposição com prazo determinado, a vista, desde que não ultrapasse os últimos dez dias de sua tramitação, poderá ser concedida por vinte e quatro horas”. 26) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética. Ao ser lido requerimento de autoria do líder do Partido Z, cuja bancada representa um terço da composição do Senado, em que solicitava adiamento da votação, por duas sessões, de um projeto de lei, um Senador levantou questão de ordem, alegando que, como a matéria tramitava em regime de urgência, não cabia adiamento da votação. O presidente da Casa, que presidia a sessão, não acatou a questão de ordem. Nessa situação, agiu corretamente o presidente do Senado. Errada. Em matérias submetidas a regime de urgência, não é possível haver adiamento da discussão (RISF, art. 279). Estava com a razão, portanto, o Senador que levantou questão de ordem. 27) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Durante sessão legislativa extraordinária do Congresso Nacional, continua-se a contar prazo de projeto de lei de origem do presidente da República para o qual solicitou urgência, mesmo que ele não conste da pauta da convocação. Errada. A CF/88, art. 64, § 4º, determina que esse prazo não corre nos períodos de recesso do Congresso Nacional.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 LISTA DE QUESTÕES DESTA AULA 1) Cespe/Bacen/2009: As matérias de competência privativa do Senado Federal não dependem de sanção presidencial e se materializam por meio de decreto legislativo. 2) FGV/SF/Advogado/2008: A respeito da composição e competência legislativa do Senado Federal, analise as afirmativas a seguir: I. Compete privativamente ao Senado Federal processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles. Presidirá a sessão de julgamento o Presidente do Supremo Tribunal Federal e a condenação à perda do cargo com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, somente será proferida por dois terços dos votos dessa casa legislativa. II. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário. Cada Estado e Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos. A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços. III. Compete privativamente ao Senado Federal aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de Magistrados, nos casos estabelecidos na Constituição, Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República, Governador de Território, Presidente e diretores do Banco Central, Procurador Geral da República e titulares de outros cargos que a lei determinar. IV. Compete privativamente ao Senado Federal autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios. Assinale: (A) se somente a afirmativa I estiver correta. (B) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. 43

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 (E) se todas as afirmativas estiverem corretas. 3) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: Ao Senado Federal compete julgar, como órgão judiciário, o Presidente e o Vice-Presidente da República, os Ministros do STF, o PGR e o AGU nos crimes de responsabilidade. Julgue os itens seguintes relativos a esses casos: a) A eventual condenação limitar-se-á à perda do cargo com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo, porém, de outras sanções judicialmente cabíveis. b) Quando acusado, o Presidente da República será suspenso de suas funções, logo que instaurado o processo, até o máximo de cento e oitenta dias. Uma vez implementado esse prazo e não encerrado o julgamento, cessará a suspensão, sem embargo da continuação do processo. c) A instrução do processo e o oferecimento de libelo acusatório compete à comissão formada para este fim específico. d) Presidirá a sessão de julgamento o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral. e) O SF julgará também os crimes de responsabilidade perpetrados por Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, quando conexos com crimes de responsabilidade de autoria do Presidente ou do Vice-Presidente da República. 4) Cespe/SF/Advocacia/1995: Em relação à responsabilidade do Presidente da República, julgue: a) Os crimes são definidos em lei complementar, que estabelece as normas de processo e de julgamento. b) Considera-se crime atentar contra a lei orçamentária. c) O julgamento dá-se perante o Congresso Nacional. d) A acusação deve ser admitida por dois terços da Câmara dos Deputados. e) O presidente fica suspenso de suas funções, após a admissão da acusação pela Câmara dos Deputados. 5) TRE/MA/Cespe/Analista Judiciário/2009: O STF tem competência constitucional para rever e alterar a decisão do Senado Federal exarada em processo de apuração de crime de responsabilidade do presidente da República.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 6) Cespe/TRT 1ª/Analista/2008: A escolha de chefes de missão diplomática é aprovada pela Câmara dos Deputados, por maioria de votos, em escrutínio secreto. 7) Cespe/MPT/Procurador/2008: A exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República, por iniciativa do Presidente da República, deverá ser precedida de autorização da maioria simples do Senado Federal, em votação aberta. 8) Esaf/CGU/AFC/2008: O Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público dos Estados e o do Distrito Federal e Territórios pode ser destituído por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo, na forma da lei complementar respectiva. 9) Cespe/TRT 1ª/Analista/2008: Compete ao Congresso Nacional a aprovação, com o quorum mínimo da maioria absoluta, do Procurador-Geral do Trabalho, pelo voto secreto, após arguição pública. 10) Cespe/TJRR/Auxiliar Administrativo/2006: Compete privativamente ao Senado Federal aprovar, por voto aberto, sem arguição pública, a escolha de Procurador-Geral da República, do presidente e dos diretores do Banco Central e de governador de território. 11) Cespe/SF/ Advocacia/1995: O Senado Federal: a) compõem-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o sistema proporcional. b) Resolve definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais, que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimonio nacional. c) Aprova a escolha do Procurador-Geral da República. d) Aprecia os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e de televisão. e) Delibera por maioria de votos, estando presentes a maioria absoluta dos seus membros, salvo disposição constitucional em contrário. 12) Cespe/Bacen/2009: Não colide materialmente com a CF a determinação de que sejam previamente aprovadas, pelo Poder Legislativo, as indicações dos presidentes das entidades da administração pública indireta. 45

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13) Cespe/TRT 1ª/Analista/2008: O Senado Federal poderá conceder eficácia erga omnes à decisão do STF em sede de ação direta de inconstitucionalidade. 14) Cespe/TRT 10ª Região/Analista Judiciário/2004: Tendo o STF expedido o ofício ao Senado Federal informando-o da declaração de inconstitucionalidade de determinada lei, deve o Senado suspender-lhe a eficácia, uma vez que se trata de ato vinculado do Legislativo. 15) Cespe/STJ/Analista Judiciário/2004: O conselho da República é órgão deliberativo cujos membros são o vice-presidente da República, o presidente da Câmara dos Deputados, o presidente do Senado Federal, os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados, os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal, o ministro da Justiça e seis cidadãos brasileiros natos. 16) Cespe/STJ/Analista Judiciário/2004: A Constituição Federal estabelece rigorosamente as hipóteses em que o Senado declara inconstitucionalidade e suspende os efeitos de atos normativos declarados inconstitucionais. 17) Cespe/TJDFT/Serviços Notariais/2001: É dispensável a intervenção do Senado Federal para a suspensão da execução de lei declarada inconstitucional pelo STF em ação direta de inconstitucionalidade. 18) Cespe/AGU/2004: Apesar da forma federativa do Estado brasileiro, o Senado Federal tem competência para avaliar o desempenho das administrações tributárias das unidades da Federação. 19) Esaf/ISS-RJ/2010: Sobre o ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços –, Resolução do Senado Federal estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações interestaduais e de exportação.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 20) Esaf/ISS-RJ/2010: Sobre os tributos de competência dos estados e do Distrito Federal, é incorreto afirmar que relativamente ao imposto sobre propriedade de veículos automotores, suas alíquotas mínimas nacionais, que poderão ser diferenciadas em função do tipo e utilização do veículo, serão fixadas pelo Senado Federal. 21) Cespe/SF/Consultor Legislativo/2002 (adaptada): Para que o estado de Tocantins possa contrair empréstimo frente a um banco privado suíço, é necessário aprovação do Senado Federal. 22) Cespe/SF/Consultor Legislativo/2002 (adaptada): O Senado Federal pode estabelecer, mediante resolução aprovada pela maioria absoluta de seus membros, alíquotas mínimas para o imposto sobre as operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS) incidente sobre operações internas. 23) Cespe/Juiz/TRF 1ª/2009: De acordo com a CF, pelo procedimento legislativo abreviado, as comissões, em razão da matéria de sua competência, podem discutir e votar projeto de lei que dispense, na forma regimental, a competência do plenário. 24) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética. Os líderes dos partidos A e B, cujos liderados perfazem um terço da composição do Senado, apresentaram requerimento de urgência, com vistas a que o projeto a que se referia o requerimento fosse incluído na Ordem do Dia da mesma sessão. Nessa situação, o presidente do Senado deverá dar seguimento à tramitação do requerimento de urgência. 25) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética. O presidente da Comissão Permanente X concedeu, pelo prazo máximo de duas sessões, vista coletiva aos membros daquele órgão, considerando que o projeto de lei de origem do presidente da República tramitava em regime de urgência. Nessa situação, o presidente da Comissão agiu corretamente.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 02 26) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética. Ao ser lido requerimento de autoria do líder do Partido Z, cuja bancada representa um terço da composição do Senado, em que solicitava adiamento da votação, por duas sessões, de um projeto de lei, um Senador levantou questão de ordem, alegando que, como a matéria tramitava em regime de urgência, não cabia adiamento da votação. O presidente da Casa, que presidia a sessão, não acatou a questão de ordem. Nessa situação, agiu corretamente o presidente do Senado. 27) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Durante sessão legislativa extraordinária do Congresso Nacional, continua-se a contar prazo de projeto de lei de origem do presidente da República para o qual solicitou urgência, mesmo que ele não conste da pauta da convocação.

Gabarito 1E 8C 15 C 22 C 2E 9E 16 E 23 C 3CCEC 10 E 17 C 24 E 4ECECE 11 E E C C C 18 C 25 E 5E 12 E 19 C 26 E 6E 13 E 20 E 27 E 7E 14 E 21 C

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Olá, concurseiros e concurseiras! Vamos à nossa terceira aula de Processo Legislativo para o Senado Federal! Hoje trataremos de proposições, emendamento, discussão, votação e destino, bem como de proposições de legislaturas anteriores. Proposições Legislativas Vamos aprofundar um pouco mais no processo legislativo falando agora das espécies de proposições legislativas. A Constituição Federal (art. 59) elenca sete tipos de espécies normativas que compõem o processo legislativo. Notem que a Constituição está se referindo aos produtos, ao que sai do processo legislativo, e não aos insumos, ou seja, o que entra no processo para ser estudado, debatido e votado. São as seguintes as espécies legislativas: ⇒ ⇒ ⇒ ⇒ ⇒ ⇒ ⇒ Emendas à Constituição; Leis complementares; Leis ordinárias; Leis delegadas; Medidas provisórias; Decretos legislativos; Resoluções.

Já o RISF elenca, em seu artigo 211, quais são as espécies de proposições legislativas que são submetidas à tramitação: ⇒ Propostas de emenda à Constituição; ⇒ Projetos: de lei ordinária, de lei complementar, de decreto legislativo, de resolução, de consolidação, de código, de conversão; ⇒ Requerimentos; ⇒ Indicações; ⇒ Pareceres; ⇒ Emendas; E então? Sentiram falta de alguma coisa? Talvez da Medida Provisória? Ou quem sabe da lei delegada? O RISF só menciona a Medida Provisória uma única vez, quando determina a ordem de prioridade em que as matérias constantes da pauta

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 de votação devem ser apreciadas (RISF, art. 163, I). As Medidas Provisórias com prazo de tramitação esgotado possuem prioridade absoluta, com base no que diz a Constituição (art. 62, § 6º). Quanto à lei delegada, o Regimento Interno do Senado não toca no assunto. Apenas o Regimento Comum do Congresso Nacional (RCCN) faz menção a ela, em seu artigo 123. Adiante veremos como se dá a tramitação dessas duas espécies. O que é anteprojeto? O anteprojeto de lei é um conceito que não se encontra no RISF e formalmente não faz parte do processo legislativo. Porém, como esse assunto foi abordado no último edital para Analista Legislativo, convém explicar do que se trata. O anteprojeto consiste em um estudo preliminar, uma espécie de esboço que se faz para a elaboração do projeto. Antes de apresentar uma proposição, é prudente que se estudem as normas a serem formuladas, recolhendo o maior número de informações possíveis, ouvindo especialistas no assunto e procurando estimar os impactos de determinada ação na sociedade, entre outros itens. O anteprojeto pode ser elaborado por um assessor ou um consultor legislativo. Também é chamado de anteprojeto a proposta de projeto apresentada em comissão, para que, mais à frente, seja elaborado um projeto de autoria da comissão. Portanto, o anteprojeto não é ainda o projeto, embora possa ter a forma deste (rascunho ou minuta) e não inicia o processo legislativo. Para que isso aconteça, é preciso que o projeto seja apresentado por alguém que tenha competência para tal (como vimos na parte de iniciativa). Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Já vimos muita coisa sobre PECs quando falamos do Processo Legislativo na Constituição Federal. Para refrescar nossa memória, vamos rever quem são os legitimados para apresentação desse tipo de proposta: ⇒ Presidente da República; ⇒ Mínimo de 1/3 dos Deputados Federais; ⇒ Mínimo de 1/3 dos Senadores (27);

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 ⇒ Mais da metade das Assembléias Legislativas dos Estados, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. Nos dois últimos casos, a tramitação da PEC pode iniciar pelo Senado. Nos outros, começa sempre pela Câmara dos Deputados. O primeiro autor da PEC (o dono da ideia) é chamado de Primeiro Signatário. Antes de dar entrada na Mesa, ele precisa conseguir a assinatura na PEC de mais, pelo menos, 26 Senadores, totalizando o mínimo necessário de 1/3. Depois, a PEC passa a tramitar pelo procedimento especial. O RISF abre a possibilidade de que um signatário retire sua assinatura de determinada proposição – vamos supor que ele tenha “mudado de ideia”. Contudo, ele só vai poder retirar essa assinatura antes da proposta ser publicada (RISF, art. 244, caput). Muito bem, mas e se algum Senador resolve retirar sua assinatura e, com isso, a PEC, que antes tinha 27 assinaturas, passa a ter só 26? O que acontece? Nesse caso, como o número mínimo de subscritores deixou de ser alcançado, o Presidente devolve a proposta ao primeiro signatário, que pode tentar “correr atrás do prejuízo” e arrumar mais assinaturas para sua PEC (art. 244, par. único). Essa sistemática vale também para outras proposições que exijam número mínimo de subscritores para serem apresentadas. Para ser aprovada, a PEC precisa obter, no mínimo, 3/5 dos votos favoráveis, em dois turnos, em cada Casa. Mais à frente, veremos de forma pormenorizada como se dá sua tramitação. Se aprovada, a Emenda Constitucional será promulgada conforme seu número de ordem pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Projetos O projeto é a proposição legislativa mais genérica. Pode se classificar em vários tipos, conforme a finalidade que deseja alcançar. Os Projetos de

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 lei ordinária podem ter autoria no Senado, na Câmara ou em comissão dessas duas casas. O mesmo vale para projetos de lei complementar. Os projetos de autoria extraparlamentar – Presidente da República, Supremo Tribunal Federal, Tribunais Superiores e Procurador-Geral da República, além da iniciativa popular – iniciam sua tramitação pela Câmara dos Deputados. Ao chegarem ao Senado, recebem a nomenclatura de projetos de lei da Câmara, ordinários ou complementares, independentemente da iniciativa. Projeto de Decreto Legislativo Os Projetos de Decreto Legislativo dizem respeito às atribuições exclusivas do Congresso Nacional, elencadas no art. 49 da CF/88. Podem ter origem no Senado ou na Câmara dos Deputados, e tramitam pelas duas Casas. Por ser matéria exclusiva, não precisa de sanção presidencial. Enquadram-se nessa categoria a ratificação de tratados internacionais, acordos internacionais, a renovação da concessão de empresas de radiodifusão, entre outros. Projeto de Resolução São relacionados a matérias de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, que já estudamos na aula 2. Diferentemente dos Projetos de Decreto Legislativo, não passam pela revisão da outra casa, muito menos pela sanção Presidencial. São exemplos projetos de resolução que alteram o Regimento Interno e projetos que regulam outras matérias internas da Casa. No Congresso Nacional há duas hipóteses de resolução: o Projeto de Resolução de Lei Delegada e o Projeto de Resolução para alterar normas do Regimento Comum. Projeto de Lei de Consolidação O Projeto de Lei de Consolidação procura “aglutinar” normas constantes em várias proposições legislativas que guardam pertinência temática entre si, formando um único projeto. É um dispositivo relativamente novo no Regimento e possui tramitação diferenciada. Não são a mesma coisa que projetos de tramitação conjunta. Na tramitação conjunta (art. 258 do RISF), duas ou mais proposições regulando a mesma matéria podem ser instruídas, discutidas e votadas

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 conjuntamente. Para isso, é preciso que qualquer Senador ou Comissão requeira a tramitação conjunta. Os dois projetos caminham juntos, mas continuam sendo proposições separadas. Projeto de Lei de Código O projeto de Lei de Código disciplina matéria com alto grau de complexidade. Exemplos: Código Civil, Código Processual Civil etc. A tramitação desse tipo de projeto percorre um caminho diferente do de um projeto de lei ordinária ou complementar, por demandar tempo maior de estudo. Seus prazos são maiores e é formada uma comissão especial para sua tramitação, que também estudaremos com mais detalhes adiante. Projeto de Lei de Conversão O Projeto de Lei de Conversão nada mais é que a Medida Provisória enviada pelo Executivo e que tenha sofrido alteração substancial durante sua tramitação em qualquer uma das duas casas. Após ser aprovado, o Projeto de Lei de Conversão precisa passar pela sanção presidencial, o que não ocorre com a Medida Provisória aprovada pelo Legislativo sem modificação. Requerimentos Os requerimentos constituem o tipo de proposição mais genérica estabelecida pelo RISF. Trata-se, em sua essência, de um pedido formalizado no qual o autor irá requerer algum procedimento. Os requerimentos formulados por Senadores nascem e morrem no Senado; não passam pela Câmara dos Deputados. Já nas sessões conjuntas do Congresso Nacional, a maior parte dos requerimentos deve ser apresentada pelas lideranças. No Senado, existem vários tipos de requerimentos, servindo para uma série de situações. Diante disso, para facilitar nosso aprendizado, vamos ter em mente alguns pontos principais sobre os requerimentos, esquematizando as informações constantes no RISF (arts. 214 a 223). Autoria: existem requerimentos individuais (apenas um Senador) ou coletivos (precisam ser subscritos, ou seja, apoiados, por mais de um Senador).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Vinculação: há requerimentos cuja existência está vinculada a determinada proposição em trâmite (exemplo: adiamento de discussão de proposição). Outros independem de qualquer proposição para existirem. São os chamados requerimentos autônomos (exemplo: requerimento de voto de pesar). Formalização: podem ser orais ou escritos. Decisão: por regra geral ou regras especiais. Regra geral: Votados pelo Plenário, por maioria simples, presente a maioria do Senado – 41 Senadores (RISF, art. 215, caput). Requerimentos relativos ao processso de discussão e votação das matérias obedecerão sempre à regra geral. Regras Especiais, em que são deliberados: • • • Pela Mesa (RISF, art. 215, I); Pelo Presidente do Senado (RISF, art. 215, II); Pelo Plenário, presente no mínimo um décimo do Senado – 9 Senadores (RISF, art. 215, III).

A tabela abaixo tem o objetivo de servir como consulta para o estudo sobre requerimentos. Ela compila os requerimentos previstos em todo o texto do RISF, relacionando-os com as regras do artigo 215.
Formas de deliberação Oral, despachado na hora pelo Presidente Escrito, despachado pelo Presidente Escrito, despachado pela Mesa REGRAS ESPECIAIS Leitura de qualquer matéria sujeita a conhecimento do Plenário; Inclusão em Ordem do Dia de matéria em condições de nela figurar; Retificação de ata; Permissão para Senador falar sentado; Retirada de proposição em curso no Senado; Retirada de indicação ou requerimento; Reconstituição de proposição; Transcrição de documentos do Diário do Senado Federal; Publicação de informações oficiais no Diário do Senado Federal; Esclarecimento sobre atos da administração da Casa; Tramitação conjunta de proposições; Informações a serem prestadas por Ministros de Estado ou titulares de órgãos diretamente vinculados à Presidência da República; Licenças: - para exercer missão no País ou no exterior;

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- para tratar de interesses particulares; - para desempenhar missão política ou cultural de interesse parlamentar; - para se ausentar dos trabalhos, a serviço do Senado; Prorrogação do tempo regimental da sessão; Homenagens de pesar;

Escrito, votado pelo Plenário (Mínimo de 9 Senadores presentes) Escrito, votado pela maioria simples, presente a maioria da composição da Casa

REGRA GERAL Remessa a determinada comissão de matéria despachada a outra; Prorrogação de prazo para apresentação de parecer; Sobrestamento de estudo de proposição; Dispensa de interstício e avulsos para inclusão da matéria em Ordem do Dia; Dispensa de publicação da redação final para a imediata apreciação pelo Plenário; Inclusão em Ordem do Dia de matéria sem parecer; Urgência; Extinção de urgência; Inversão da sequência dos trabalhos da Ordem do Dia; Adiamento da discussão; Dispensa de discussão; Encerramento da discussão; Adiamento da votação; Destaque para aprovação de emenda; Destaque para rejeição de dispositivo do projeto; Destaque para rejeição de emenda; Destaque para votação em separado Preferências diversas; Verificação de votação; Votação em globo ou por grupos das emendas da Câmara a projeto do Senado; Votação nominal; Comparecimento de Ministro de Estado; Constituição de comissão temporária; Voto de aplauso, censura ou semelhante. Realização de sessão especial; Realização de sessão secreta; Não realização de sessão em determinado dia; Outros requerimentos não previstos expressamente no RISF.

Entre todos esses requerimentos, o RISF trata com mais detalhes dos seguintes: Requerimentos de Informações, de Homenagem de Pesar e de Voto de Aplauso ou Semelhante e Voto de Censura. Vejamos. Requerimentos de Informação (RISF, art. 216) Os requerimentos escritos de informação podem ser formulados solicitando esclarecimentos de Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República. A recusa ou o não atendimento da solicitação importará em crime de responsabilidade da autoridade a quem foi dirigido o pedido de informações (CF/88, art. 50, § 2º).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 O pedido de informações pode solicitar esclarecimentos sobre qualquer assunto que esteja sendo discutido pelo Senado ou que esteja relacionado com sua competência fiscalizadora. Mas o pedido é exclusivamente de informação. Não pode pedir providência, consulta, sugestão, conselhos etc. Esses requerimentos são lidos no Período do Expediente, despachados à Mesa, que vai decidir sobre eles (RISF, art. 215, I, “a”) e, se deferidos, são encaminhados para a autoridade competente. Se o pedido for indeferido pela Mesa, é arquivado (RISF, art. 216, IV). O prazo para que a autoridade encaminhe a resposta ao pedido de informações é de 30 dias (RISF, art. 216,§ 1º). Se esse prazo não for cumprido ou as informações prestadas forem falsas, a autoridade incorre em crime de responsabilidade (CF/88, art. 50, § 2º). Requerimentos de Homenagem de Pesar (RISF, art. 218) Os Requerimentos de Homenagem de Pesar permitem a inserção, em ata, de um voto de pesar no qual o Senado se solidariza com o falecimento de certas personalidades. Admite-se o requerimento de Homenagem de Pesar por motivo de luto nacional decretado pelo Poder Executivo, ou por falecimento de autoridades públicas ou ainda personalidade de relevo na vida político-administrativa internacional. São votados pelo Plenário, com a presença de, no mínimo, 9 Senadores (RISF, art. 215, III, “c”). Ainda por motivo de pesar, é possível solicitar o levantamento da sessão, ou seja, a interrupção dos trabalhos por motivo de luto. Porém, essa suspensão só é possível se o falecimento for do Presidente da República, do Vice-Presidente da República ou de membro do Congresso Nacional, ou seja, não vale ex-parlamentar (RISF, art. 220). Além disso, o Senado pode encaminhar condolências à família do falecido, ao Estado do seu nascimento, ao partido político e a altas entidades culturais a que haja pertencido e enviar Senadores para representar a Casa nos funerais (RISF, art. 221, I e II). Requerimentos de Voto de Aplauso ou Semelhante (RISF, art. 222) e Voto de Censura (RISF, art. 223) Os requerimentos de voto de aplauso ou voto de censura só podem ser admitidos em relação a ato público ou acontecimento de alto significado nacional ou internacional. A diferença desses dois requerimentos para os

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 demais é que, após serem lidos no Período do Expediente, serão enviados à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania ou à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, conforme o caso (RISF, art. 222, § 1º). Nas comissões, esses requerimentos são instruídos e votados; depois vão à Plenário. Não confunda: esses requerimentos são apresentados em Plenário, mas, para serem deliberados, precisam passar pelas comissões. Outra coisa, distinta, são os requerimentos apresentados diretamente nas comissões e decididos nelas mesmas. Outro requerimento que precisa passar pelas comissões é o de sobrestamento do estudo de proposição, mas quando for apresentado por Senador. Sendo o requerimento de autoria de comissão, pode ser votado pelo Plenário de imediato. Previsto no art. 335 do RISF, o sobrestamento suspende temporariamente o estudo de alguma proposição para aguardar: a decisão do Senado ou o estudo de comissão sobre outra proposição com ela conexa; o resultado de diligência; ou o recebimento de outra proposição sobre a mesma matéria.

Quando apresentar requerimentos? O momento pertinente para apresentar um requerimento baseia-se no princípio da tempestividade, na oportunidade em que faz algum sentido sua apresentação. Se quero alterar o procedimento de votação de uma matéria, por exemplo, logicamente preciso apresentar o requerimento para esse fim antes que a matéria seja votada. Quando o requerimento não se encaixa em nenhum dos casos, é votado no Período do Expediente. Vamos ver em resumo:
Momento Período do Expediente Ordem do Dia Na hora da votação Requerimento Requerimento cujo momento de apresentação não esteja determinado no RISF; Alteração da ordem das matérias da Ordem do Dia ou a proposição dela constante; Adiamento de discussão ou votação; Encerramento de discussão;e Dispensa de discussão; Votação por determinado processo; Votação em globo ou parcelada;

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Destaque de dispositivo ou emenda para aprovação, rejeição, votação em separado ou constituição de proposição autônoma; Retirada de proposição constante da Ordem do Dia; Inclusão, em Ordem do Dia, de matéria em condições de nela figurar; Dispensa de publicação de redação final para imediata deliberação do Plenário; Requerimento de prorrogação da sessão; Leitura de qualquer matéria sujeita ao conhecimento do Senado; Permissão para Senador falar sentado;

Após a Ordem do Dia Antes do fim da sessão A qualquer momento

Indicações A indicação é uma proposição legislativa pouco comum. Consiste na sugestão de Senador ou comissão para que determinado assunto seja objeto de providência ou estudo pelo órgão competente da Casa (RISF, art. 224), podendo gerar a formulação de proposição legislativa. O RISF, em seu art. 225, estabelece algumas restrições às indicações. Assim, elas não podem conter consulta a qualquer comissão sobre interpretação, aplicação de lei ou ato de outro Poder, nem sugestão ou conselho a qualquer Poder. A indicação não é discutida nem votada pelo Senado; o que vale é a conclusão do parecer da comissão. Devido a essa série de limitações, a indicação é um instrumento pouco utilizado pelos parlamentares. Pareceres Os pareceres que já estudamos em nosso curso consistem na ferramenta para realizar a instrução de outra matéria. Não é o mesmo caso dos pareceres do art. 211, V, do RISF. Os pareceres de que trata esse inciso são proposições legislativas, que precisam ser discutidas e votadas. Os melhores exemplos são os pareceres para escolha de autoridades (RISF, art. 383, VII). Emendas As emendas também constituem um tipo de proposição. Sua principal característica é ser acessória, pois complementa uma outra proposição, que é a principal. No entanto, as emendas desempenham um papel significativo no processo legislativo, pois expressam o aperfeiçoamento das proposições legislativas – o chamado emendamento.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Toda emenda precisa ser justificada pelo seu autor, oralmente ou por escrito (RISF, art. 233). Como regra geral, as emendas devem ser apresentadas dentro de um prazo de 5 dias úteis perante Comissões, Mesa ou Plenário: Em comissão – A emenda é matéria está sendo estudada. O publicação da matéria no Diário I). Exceção: Emendas à projetos prazo. apresentada na comissão onde a prazo é de 5 dias úteis contados da do Senado Federal (RISF, art. 235, de Código, que têm 20 dias úteis de

Na Mesa – O prazo também é de 5 dias úteis contados da publicação da matéria no Diário do Senado Federal. Junto à Mesa são apresentadas emendas relativas a (RISF, art. 235, II): ⇒ projeto de alteração ou reforma do Regimento Interno; ⇒ projeto de decreto legislativo referente a prestação de contas do Presidente da República; ⇒ projetos apreciados pelas comissões com poder terminativo, quando houver interposição de recurso; ⇒ projeto, em turno único, que obtiver parecer favorável, quanto ao mérito, das comissões; ⇒ projeto, em turno único, que obtiver parecer contrário, quanto ao mérito, das comissões, desde que admitido recurso para sua tramitação; ⇒ projetos de autoria de comissão; Em Plenário – as emendas podem ser apresentadas nos seguintes momentos: a) no Período do Expediente: emenda a matéria a ser votada nessa fase da sessão (RISF, art. 235, III, “a”, 1); b) na Ordem do Dia: emenda a projeto em turno suplementar, ao anunciar-se sua discussão (RISF, art. 235, III, “b”, 2); Quanto à tipologia, as emendas podem ser supressivas, substitutivas, modificativas, aditivas e substitutivas (RISF, art. 246, II):
Supressivas Modificativas Aditivas Destinam-se a retirar certos dispositivos da proposição a ser emendada. Altera dispositivos ou expressões da proposição. O nome já diz. Adiciona conteúdo a

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Substitutivas determinada matéria. As emendas substitutivas alteram profundamente o texto de determinada proposições. Ela praticamente refaz toda a proposição original. Nesse caso, o relatório que acata as emendas é chamado de “substitutivo”.

Na Câmara dos Deputados, além desses quatro tipos de emenda, existe a chamada emenda aglutinativa, resultante da fusão de várias emendas, ou delas com a proposição principal. No Regimento do Senado em vigor, não há previsão de emenda aglutinativa.

Além da classificação acima, as emendas podem ser de mérito ou de redação. A emenda de mérito atinge o conteúdo da matéria, alterando seu sentido. Já as emendas de redação tratam apenas do texto da proposição. Se houver dúvida a respeito da emenda (é de redação ou de mérito?), a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania decide o assunto (RISF, art. 234, par. único). Essa divisão é muito importante para o processo legislativo. O Senado pode apresentar emendas a projetos que tenham vindo da Câmara dos Deputados. Porém, se as emendas aprovadas pelo SF forem apenas emendas de redação, o projeto não precisa voltar à Câmara. Se, ao contrário, as emendas aprovadas pelo Senado forem de mérito, o projeto volta para a apreciação da Câmara. Esta, porém, deve se manifestar apenas em relação às emendas que vieram do Senado. No entanto, toda emenda, seja de redação ou de mérito, deve ter pertinência temática com a proposição a ser emendada (RISF, art. 230, I). Não pode ir em sentido contrário à proposição quando esta for PEC, projeto de lei ou de resolução (RISF, art. 230, II); também não pode acarretar aumento de despesa nos Projetos de iniciativa do Presidente da República e nos projetos sobre organização dos serviços administrativos do próprio Senado, dos Tribunais Federais e do Ministério Público (RISF, art. 230, IV, “a” e “b”).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 O Art. 231 do RISF permite que as emendas também possam ser emendadas. São as chamadas subemendas, que precisam guardar pertinência temática com a emenda principal. Porém, há uma exceção em relação às subemendas: quando a Câmara dos Deputados aprovar emendas de mérito a projetos do Senado e este se manifestar sobre elas, não podem ser apresentadas subemendas (RISF, art. 285). Votação em globo e destaques Aproveitando que o assunto é emendas, vamos trazer dois novos conceitos: votação em globo e destaque. Em regra, as votações são realizadas em globo, ou seja, toda a proposição e suas emendas são votadas de uma vez só. Se aprovada a matéria, também estarão aprovadas as emendas. O destaque é solicitado por meio de requerimento de qualquer Senador, deliberado pelo Plenário, para que a proposição seja votada em partes (RISF, art. 312). Quando o Plenário concorda em destacar determinada parte de uma matéria, essa parte será votada sozinha. Dessa maneira é possível, por exemplo, votar separadamente a proposição principal, depois somente as emendas, ou ainda destacar cada uma das emendas para que sejam votadas separadamente. Também é possível destacar um dispositivo determinado do texto principal da proposição, desde que não tenha sido emendado. Basicamente, há três finalidades para o destaque: 1) constituir projeto autônomo, separado do original, não podendo ser feito em projeto originário da Câmara (RISF, art. 312, I); 2) realizar a votação de determinado separadamente (RISF, art. 312, II); dispositivo ou emenda

3) votar em grupos separados os dispositivos ou emendas cujo parecer seja pela aprovação ou pela rejeição. Isso faz sentido quando a matéria recebe um monte de emendas e o parecer aponta a rejeição de algumas e a aprovação de outras. O destaque serviria para racionalizar o processo de votação (RISF, art. 312, III);

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Proposições: Retirada Apresentação, Leitura, Instrução, Publicação e

Já vimos de forma bem abrangente quem tem poder de iniciativa, ou seja, quem pode apresentar uma proposição para que ela entre no processo legislativo. A partir de agora, vamos estudar as regras gerais de tramitação no Senado Federal. De posse de uma proposição legislativa elaborada, o primeiro passo é apresentá-la para que oficialmente comece a tramitar. Essa apresentação pode se dar em vários locais e momentos. Já tivemos a oportunidade de ver um pouco como se dá essa dinâmica em relação aos requerimentos e às emendas. Em geral, as PECs, os projetos de lei ordinária e complementar, projetos de resolução, requerimentos e demais proposições são apresentadas junto à Secretaria Geral da Mesa, em original – com a assinatura do(s) parlamentar(es) – e mais três cópias. Também é encaminhado para a Mesa por meio do Sistema de Envio de Documentos Legislativos – SEDOL, que processa as matérias de forma eletrônica. Leitura Depois, a proposição é lida no Período do Expediente da sessão. O art. 242 do RISF traz um detalhe: se o projeto ou requerimento for de autoria de apenas um Senador, só pode ser lido quando esse Senador autor estiver presente. Exceção: Requerimento que diga respeito a licença ou autorização para o desempenho de missão parlamentar. Publicação Um fator importantíssimo no processo legislativo e que faz parte dos princípios que já estudamos em nossa aula 0 diz respeito à publicação. Toda proposição apresentada ao Senado será publicada no Diário do Senado Federal, na íntegra, acompanhada, quando for o caso, da justificativa e da legislação citada (RISF, art. 249). Também serão publicados avulsos, para distribuição aos Senadores e comissões. Depois que a matéria passa pelas comissões, são publicados o texto das emendas recebidas, os votos em separado, as informações prestadas sobre a matéria por outros órgãos, os relatórios e pareceres

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 (RISF, art. 250). Nada está dispensado de publicação, exceto, é claro, as matérias de cunho sigiloso (RISF, art. 202, par. único). Além dos vários instrumentos de publicação – publicação no Diário do Senado Federal, atas, anais, avulsos, notas taquigráficas – no começo de cada sessão legislativa a Presidência do Senado manda confeccionar a sinopse (RISF, art. 269, I), isto é, um resumo de todas as proposições em curso ou resolvidas pelo Senado na sessão anterior; Mensalmente, o Senado elabora ainda uma resenha (RISF, art. 269, II) das matérias que foram rejeitadas e as que foram enviadas, no mês anterior, à sanção, à promulgação e à Câmara dos Deputados. Parecer Quando determinada proposição começa a tramitar no Senado, ela é despachada para uma ou mais comissões. Essas comissões irão instruir a proposição, votando o relatório de um relator. O relatório, depois de votado, consiste em um parecer. Atenção! Este parecer do qual estamos falando agora refere-se à instrução de determinada matéria. NÃO É proposição legislativa, ao contrário do parecer do art. 211, V, do RISF, já estudado anteriormente. Todo parecer deve ser conclusivo, isto é, apontar para algum posicionamento, para o destino que a matéria deve ter (RISF, art. 133): 1) pela aprovação, total ou parcial; 2) pela rejeição; 3) pelo arquivamento; 4) pelo destaque, para proposição em separado, de parte da proposição principal ou de emenda; 5) pela apresentação de: projeto, requerimento, emenda, subemenda ou orientação a seguir em relação à matéria. O parecer pela rejeição e pelo arquivamento são análogos (RISF, art. 133, § 1º). Contudo, o parecer pela rejeição das emendas não significa rejeição à matéria principal. Podem ser rejeitadas apenas as emendas. O que não dá é para rejeitar o projeto principal e aprovar as emendas! Afinal, as emendas só existem em função da proposição original. Rejeitada a proposição, também estão as emendas (RISF, art. 301).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Se uma emenda for rejeitada em comissão, nada impede que seja aprovada pelo Plenário, a menos que tenha sido rejeitada na comissão por unanimidade. Esse fato precisa constar expressamente do parecer (RISF, art. 133, § 7º). Entre as orientações a respeito da matéria que o parecer pode sugerir, está a de que determinado assunto seja apreciado pelo Senado em sessão secreta. Nesse caso, o respectivo processo será entregue ao Presidente da Mesa com o devido sigilo (RISF, art. 135). O parecer pode concluir ainda por um pedido de providência. Sendo solicitação de audiência de outra comissão, reunião conjunta com outra comissão ou diligência interna de qualquer natureza, o parecer será despachado pelo Presidente da Comissão (RISF, art. 138, I). Em todos os demais casos, é encaminhado à Mesa para despacho da Presidência ou deliberação do Plenário (RISF, art. 138, II). Se o parecer recomendar a convocação de Ministro de Estado, será feita uma comunicação ao Presidente do Senado, que dela dará conhecimento ao Plenário (RISF, art. 138, § 1º). Ainda sobre recomendações, o parecer pode sugerir que a matéria em análise seja prejudicada (parecer pela prejudicialidade). E o que é isso? Prejudicialidade é um conceito diferente de rejeição. Nela, a matéria é posta de lado por se tratar de conteúdo que não foi votado no momento oportuno ou que já foi decidido pelo Plenário em outra ocasião (RISF, art. 334, I e II). A prejudicialidade pode ser declarada de ofício, pelo Presidente, ou mediante consulta de qualquer Senador. Se a prejudicialidade se referir a emenda, a CCJ na hora emite um parecer sobre prejudicá-la ou não (RISF, art. 334,§ 3°). Cabe recurso em caso de prejudicialidade, deliberado pelo Plenário, também ouvindo a CCJ. Depois de prejudicada, a proposição é arquivada. Para ficar mais claro, vamos ver um exemplo de parecer pela prejudicialidade de determinada matéria:
PARECER Nº , DE 2010 RELATÓRIO O Projeto de Lei do Senado nº X, de 2009, do Senador Fulano de Tal, acrescenta § 3º ao art. 217 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, para

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autorizar a prorrogação do pagamento de pensão por morte recebida por dependente de servidor público até os 24 anos de idade, se estiver cursando o ensino superior ou o ensino médio profissionalizante. ANÁLISE O Projeto é meritório, pois intenta proteger os jovens que tiveram o infortúnio de perder os pais num período de vida em que ainda se preparam para a futura formação profissional. Entretanto, temos a informar que se encontra em fase adiantada de tramitação o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº Y, de 2008, que trata de matéria idêntica, mediante alteração do mesmo dispositivo da Lei 8.112, de 1990. O PLS nº Y, de 2008, já foi aprovado no Senado e enviado à Câmara dos Deputados, o que torna prejudicada a proposição em apreço, em razão do disposto no art. 334, inciso II, do Regimento Interno do Senado Federal, segundo o qual o Presidente, de ofício ou mediante consulta de qualquer Senador, declarará prejudicada matéria pendente de deliberação do Senado em virtude de seu prejulgamento pelo Plenário em outra deliberação. VOTO Ante o exposto, resta-nos opinar pela declaração de prejudicialidade do Projeto de Lei do Senado nº X, de 2009.

OK! Vamos em frente! O parecer, em regra, sempre será por escrito. Porém, admite-se que seja proferido oralmente, em plenário, nos seguintes casos: 1) nas matérias em regime de urgência (RISF, art. 140, I); 2) nas matérias incluídas em Ordem do Dia, sem parecer, nos termos do RISF, art. 172 (RISF, art. 140, II); 3) nas demais matérias em que o Regimento expressamente o permita (RISF, art. 140, III). Lendo o item 2, vocês podem ter se perguntado: como assim, matéria sem parecer? Na verdade, é possível que uma matéria sem parecer, mesmo em rito normal (sem ser urgência), seja incluída em Ordem do Dia. É o que prevê o RISF, no art. 172, para os seguintes casos: Por deliberação do Plenário (RISF, art. 172, I): ⇒ Se a única ou a última comissão a que estiver distribuída não proferir o seu parecer no prazo regimental; 17

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Por ato do Presidente (RISF, art. 172, II): ⇒ Projeto de lei anual ou que prorrogue prazo de lei, se faltarem 10 dias ou menos para o término de sua vigência ou da sessão legislativa, quando o fato deva ocorrer em período de recesso do Congresso, ou nos 10 dias que se seguirem à instalação da sessão legislativa subsequente; ⇒ Projeto de decreto legislativo referente a tratado, convênio ou acordo internacional, faltando 10 dias ou menos do fim do prazo para o Brasil se manifestar; ⇒ Projetos com prazo, se faltarem 20 dias para o seu término. Quando a proposição está sem parecer e o Presidente designa um relator para analisar a matéria em Plenário, esse Senador vai oferecer um parecer. Nesse caso, não há comissão onde ele possa oferecer o relatório. Assim, a proposta de encaminhamento na forma de parecer que vai ser discutida no plenário é aquela trazida pelo relator, singularmente. O parecer é enviado à Mesa, juntamente com as emendas relatadas, declarações de votos e votos em separado. É lido em plenário, publicado no Diário do Senado Federal e distribuído em avulsos. Dessa maneira, está pronto para ser colocado na Ordem do Dia e enfrentar mais duas etapas: a discussão e a votação. Discussão A discussão consiste na fase inicial da etapa de deliberação. Nela, os Senadores presentes colocam seu posicionamento a respeito da matéria. Depois de iniciada, a discussão só poderá ser interrompida nos seguintes casos (RISF, art. 274): 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. Questão de ordem; Aprovação de requerimento para adiar discussão; Urgência caso 1 – “urgência urgentíssima”; comunicação importante ao Senado; recepção de visitante; votação de requerimento de prorrogação da sessão; se a sessão for suspensa em caso de tumulto no recinto ou ocorrência grave; 8. para retomar votação de matéria que foi suspensa por falta de número para deliberar (RISF, art. 305).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 A discussão nem sempre será obrigatória. Pode ser dispensada em casos específicos, encerrada antes de seu término ou adiada. Há diferenças entre os três mecanismos: Na dispensa (RISF, art. 276), a discussão sequer é iniciada. A solicitação de dispensa precisa ser solicitada ao ser anunciada a matéria, mediante requerimento de líder e deliberado pelo plenário. Só se aplica em um único caso: proposições com pareceres favoráveis. Já o encerramento (RISF, art. 275) ocorre depois que todos os oradores inscritos para a discussão manifestarem seu posicionamento. A discussão também pode ser encerrada por provocação, a requerimento de qualquer Senador e deliberado pelo Plenário. Porém, essa solicitação só pode ser atendida depois que já tiverem falado, no mínimo, três Senadores a favor e três contra a matéria. O adiamento (RISF, art. 279) da discussão exige o cumprimento de alguns requisitos. Pode ser solicitado por requerimento de qualquer Senador ou comissão para atender as seguintes finalidades:
Finalidade Audiência de comissão que não se tenha manifestado sobre a matéria (RISF, art. 279, I) Reexame por uma ou mais comissões, por motivo justificado (RISF, art. 279, II) Requisitos Comissão precisa ter competência regimental ou legal para se manifestar sobre a matéria (RISF, art. 279, § 2º). Superveniência de fato novo que possa justificar a alteração do parecer proferido (RISF, art. 279, § 3º, I); Omissão ou engano manifesto no parecer (RISF, art. 279, § 3º, II); Quando a própria comissão, pela maioria de seus membros, julgar necessário o reexame (RISF, art. 279, § 3º, III). Máx. de 30 dias úteis, prorrogável por igual período, SEM ULTRAPASSAR o período da sessão Quando o requerimento é votado ao se anunciar a matéria (RISF, art. 279, § 4º);

ao se anunciar a matéria (RISF, art. 279, § 4º);

Adiamento para realização em dia determinado (RISF, art. 279, III)

ao se anunciar a matéria (RISF, art. 279, § 4º);

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legislativa (RISF, art. 279, § 1º). diligência considerada imprescindível ao seu esclarecimento (RISF, art. 279, V). preenchimento de formalidade essencial (RISF, art. 279, IV); qualquer fase da discussão (RISF, art. 279, § 4º); qualquer fase da discussão (RISF, art. 279, § 4º);

ATENÇÃO: Não cabe adiamento de discussão nos projetos em regime de urgência dos casos 1 e 2, que vimos na aula passada (RISF, art. 179). Terminada a discussão e antes de iniciar a votação, ocorre o encaminhamento da votação (RISF, art. 308). Pelo prazo de cinco minutes, cada um, os Senadores podem declarar seu voto e defender ou justificar sua posição. O encaminhamento da votação não faz parte do processo de votação!! (RISF, art. 309) Ele acontece antes da votação, porque depois que esta tem início, não pode ser interrompida. Algumas matérias não podem ser encaminhadas, como os pedidos de informações oficiais a outros órgãos, prorrogação de prazos da sessão, remessa de uma matéria para outra comissão e o pedido de destaque de disposição ou emenda, entre outras hipóteses (RISF, art. 310). Votação Já estudamos as modalidades de votação previstas no RISF – ostensiva ou secreta, simbólica ou nominal. A partir de agora, vamos entender como se dá o processo de votação no Senado. A votação ocorre, como vimos na aula 0, na fase da sessão denominada Ordem do Dia. Nela, as matérias são incluídas segundo sua ordem de antiguidade e importância, observando a seguinte sequência (RISF, art. 163, I a VII): 1) Medida Provisória, a partir do 46º dia de sua vigência (CF/88, art. 62, § 6º); 2) Matéria urgente de iniciativa do Presidente da República com prazo de tramitação esgotado (CF/88, art. 64, § 2º); 3) Matéria em regime de urgência, caso 1 (RISF, art. 336, I); 4) Matéria preferencial constante do RISF, art. 172, II (sem parecer); 20

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 5) Matéria em regime de urgência, caso 2 (RISF, art. 336, II); 6) Matéria em regime de urgência, caso 3 (RISF, art. 336, III); 7) Matéria em tramitação normal. Dentro de cada um desses grupos, terão precedência (RISF, art. 163, § 1º, 2º, 3º e 4º): • • • • • • as matérias em votação sobre as em discussão; as matérias da Câmara dos Deputados sobre as do Senado; as redações finais sobre as matérias em deliberação do mérito; as matérias em turno suplementar em turno único em segundo turno em primeiro turno; os projetos: projetos de lei projetos de decreto legislativo projetos de resolução pareceres requerimentos; as matérias da pauta anterior que não foram deliberadas;

Por fim, dentro dessa ordem, as matérias serão organizadas por ordem de antiguidade (RISF, art. 163, § 5º).

Os projetos de código serão incluídos com exclusividade na Ordem do Dia. Já os pareceres sobre escolha de autoridade serão colocados ao final dela.

As emendas são votadas após a proposição subemendas, depois das emendas (RISF, art. 300, VII). A ordem básica, portanto, é: proposição principal emendas

principal

e

as

subemendas.

Porém, há algumas ressalvas, nas quais essa ordem será invertida (RISF, art. 300, VII, “a”, “b” e “c”): Subemendas com preferência: • • • subemenda supressiva; subemenda substitutiva de todo o texto da emenda; subemenda substitutiva de artigo da emenda, se a votação desta se fizer por artigo.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 É importante lembrar que, se for aprovada emenda substitutiva integral, o texto original da proposição é prejudicado e vai ao arquivo. O substitutivo aprovado deve ser submetido a turno suplementar. Se for matéria em regime de urgência, o turno suplementar acontece imediatamente após a primeira votação (RISF, art. 270). Alteração da sequência dos trabalhos A sequência de votação das matérias constante na Ordem do Dia pode ser alterada nos casos previstos no art. 175 do RISF: 1) posse de Senador; 2) leitura de mensagem, ofício ou documento sobre matéria urgente; 3) pedido de urgência, caso 1; 4) retirada de qualquer matéria visando cumprimento de despacho, correção de erro ou omissão nos avulsos e para sanar falhas de instrução; 5) constituição de série, em caso de votação secreta; 6) falta de número para as deliberações (RISF, art. 304); 7) deliberação do Senado, no sentido de adiamento ou inversão da Ordem do Dia, por meio de requerimento assinado por qualquer Senador - “requerimento de inversão de pauta”, sendo apresentado e votado antes de se iniciar a Ordem do Dia. Se a Ordem do Dia já tiver começado, a sequência ainda pode ser modificada por requerimento de preferência de um item sobre outro, igualmente assinado por qualquer Senador e aprovado pelo Plenário (RISF, art. 311). Além disso, o art. 167 do RISF permite que, ao ser designada a Ordem do Dia, qualquer Senador poderá sugerir ao Presidente a inclusão de matérias em condições de nela entrar. Muito bem, finalizado o procedimento de votação, é hora de o Presidente proclamar o resultado e o destino da matéria que acabou de ser apreciada. Contudo, se a votação tiver sido simbólica, é possível que algum Senador não concorde ou tenha dúvidas sobre o resultado. Quando isso acontecer, o Senador pode pedir, desde que outros três Senadores o apoiem, a verificação da votação (RISF, art. 293, III e IV).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Na verificação, é realizado um novo procedimento de votação, só que, desta vez, na modalidade nominal, utilizando o painel eletrônico. Assim, é possível obter certeza quanto ao resultado alcançado. Feita uma verificação, não é permitido fazer outra antes de decorrida uma hora (RISF, art. 293, V). Também não é admitido requerimento de verificação se a Presidência já tiver anunciado a matéria seguinte (RISF, art. 293, VI). Também é possível, antes de iniciar a votação da matéria em questão, apresentar um requerimento solicitando que a votação seja nominal, e não simbólica (RISF, art. 294). Concluída a votação, qualquer Senador pode encaminhar à Mesa uma declaração de voto, para publicação (RISF, art. 316). Não confunda encaminhamento de votação com declaração de voto: Encaminhamento da votação: ANTES de votar. Justifica porque defende determinada posição (RISF, arts. 308 e 309). Declaração de voto: DEPOIS de votar. Justifica como votou. Só pode ser feita se a votação foi aberta ou ostensiva. Em matéria que não cabe encaminhamento de votação, também não cabe declaração de voto (RISF, art. 316, par. único). Redação final Votada a proposição, é hora de elaborar sua redação final, que consiste no texto do projeto de lei pronto e acabado, ou seja, a versão definitiva daquilo que foi discutido na Casa. Todos os projetos, praticamente, têm redação final, com exceção dos projetos de lei que vieram da Câmara e que, no Senado, não sofreram nenhuma alteração. Mas so se for nenhuma mesmo: não pode ter mudado sequer o texto (emenda de redação). Para nosso estudo ficar ainda mais animado, a redação final pode ser elaborada em diversos órgãos, a depender da matéria em questão: Projetos em Geral: a Secretaria Geral da Mesa prepara a redação final e a submete à Comissão Diretora (RISF, art. 98, V); PECs: Comissão de Constituição e Justiça (nos dois turnos); Projetos de código e reforma do RISF: comissões especiais criadas para tratar da matéria (RISF, art. 318, I e III).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 A redação final é lida no Período do Expediente da sessão plenária, mas pode, por proposta do Presidente, ser lida após o final da Ordem do Dia (RISF, art. 320, par. único). Publicada e distribuída em avulsos, ela fica aguardando sua inclusão em Ordem do Dia. A discussão e a votação da redação final também poderão ser feitas imediatamente após a leitura, desde que assim o delibere o Senado (RISF, art. 321). Não há quorum específico para sua deliberação. Basta que nenhum Senador discorde (RISF, art. 288, § 1°). Se a matéria estiver em regime de urgência, a redação final não precisa ser publicada, sendo submetida à deliberação imediatamente após a apresentação (urgência do caso 1), ou em qualquer fase da sessão, a juízo da Presidência, nos demais casos de urgência (RISF, art. 351, I e II). Autógrafos Aprovada a redação final, ela é “autografada” pelo Presidente da Casa e se transforma no documento oficial que reproduz a matéria que foi aprovada, encaminhando o texto para a promulgação, para a Câmara dos Deputados ou para a sanção do Presidente da República (RISF, art. 328). Esse é o conceito de autógrafo. Contudo, o RISF traz algumas regrinhas adicionais (senão perderia a graça, não é mesmo?): ⇒ Os autógrafos fazem parte da instrução de cada processo (RISF, art. 261, II, “a”, 2); ⇒ Se a redação definitiva for com erro para a sanção do Presidente da República, o Presidente do SF encaminha novos autógrafos (RISF, art. 325, II); ⇒ Quando o autógrafo vier da Câmara, houver erro no projeto e ele ainda não tiver sido aprovado pelo SF, será sustada a sua apreciação para consulta à Casa de origem (RISF, art. 326); ⇒ Quando o SF emendar um projeto que veio da Câmara, remete à Casa de origem, juntamente com os autógrafos da aprovação da emenda, uma cópia autenticada do autógrafo procedente daquela Casa. Ou seja, autógrafo não se devolve, a menos que existam duas vias (RISF, art. 331). Retirada de Proposições Se tantos legitimados podem apresentar uma proposição legislativa, dá para desistir? Como se faz?

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Bem, o RISF dedica um capítulo especialmente para esta situação. É permitida a retirada de proposições no Senado, sim, mas é preciso observar algumas regras: A proposição é de autoria de um ou mais Senadores? É preciso um requerimento assinado pelo autor – se for único – ou do primeiro signatário (RISF, art. 256, I). A proposição é Proposta de Emenda à Constituição? Nesse caso, não basta requerimento assinado pelo primeiro signatário. É preciso a assinatura de 27 Senadores para a retirada de PEC, o mesmo número exigido para sua apresentação. A proposição é de autoria de comissão? Precisa de um requerimento de seu Presidente ou do Relator da matéria, declarando expressamente que a Comissão o autorizou a fazer isso (RISF, art. 256, II). A proposição está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ)? Se o relator considerar a proposição inconstitucional e ainda não tiver parecer definitivo pronto, precisa fazer um requerimento ao Presidente da Comissão pedindo a retirada. Se for deferido, a matéria vai à Mesa para que seja arquivada (RISF, art. 257). A decisão quanto a esses requerimentos pode se dar de duas formas: Presidente do SF: se for proposição sem parecer de comissão ou que não conste da Ordem do Dia (RISF, art. 256, § 2°, I); Plenário: se a matéria constar da Ordem do Dia (RISF, art. 256, § 2°, II); Para retirada de proposição, é preciso ainda observar alguns prazos. Se a proposição a ser “deletada” já está na Ordem do Dia, o requerimento tem que ser apresentado antes de iniciada a votação. Se o que está se retirando for uma emenda, o prazo é até a votação da proposição principal (RISF, art. 256, § 1°). Proposições de Legislaturas Anteriores Ao final de uma legislatura, todas as proposições em tramitação no Senado são arquivadas. Mas (adivinha!) existem exceções! Não irão para o arquivo (RISF, art. 332):

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 ⇒ Matérias originárias da Câmara, ou por ela revisadas; ⇒ Matérias de autoria de Senadores que permaneçam no exercício de mandato ou que tenham sido reeleitos; ⇒ Matérias apresentadas por Senadores no último ano de mandato; ⇒ Matérias com parecer favorável das comissões; ⇒ Matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional (CF/88, art. 49); ⇒ Matérias de competência privativa do Senado Federal (CF/88, art. 52); ⇒ Pedido de sustação de processo contra Senador em andamento no STF (CF/88, art. 53, §§ 3º e 4º). Essas proposições podem ultrapassar uma legislatura, mas não tramitam para sempre. Se elas estiverem no Senado há duas legislaturas, serão arquivadas (RISF, art. 332, § 1º). E então, não tem mais jeito? Tem sim! A matéria pode ser desarquivada. Nesse caso, é preciso que 1/3 dos Senadores (27), em até 60 dias após o início da primeira sessão legislativa da legislatura seguinte ao arquivamento, solicite que a proposição volte a tramitar. O desarquivamento deve ser votado pelo Plenário do Senado (RISF, art. 332, § 1º). Se a matéria “ressuscitar” dessa maneira e, mesmo assim, o Senado não concluir sua tramitação, ela será arquivada em definitivo ao final da legislatura em que se encontrar (RISF, art. 332, § 2º). Dura de matar, hein? Ainda em relação à continuidade das proposições, cabe destacar que a Constituição (art. 60, § 5º) e o Regimento do Senado (art. 373) determinam que matéria constante de proposta de emenda constitucional que seja rejeitada ou prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. Percebam: proposta de emenda constitucional rejeitada não pode ser novamente apresentada na mesma sessão legislativa. Essa proibição não vale para projeto de lei rejeitado, que pode ser reapresentado, desde que assinado pela maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional (CF/88, art. 67, e RISF, art. 240). Correção de erro Pode acontecer de uma proposição ser aprovada e, no entanto, haver erro em texto aprovado e com redação definitiva. Nesse caso, o RISF

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 estabelece alguns mecanismos para proceder à correção desse erro. São os seguintes: ERRO: contradição, incoerência, prejudicialidade ou equívoco que altere sentido do projeto (RISF, art. 325, I): a) ainda não remetido à sanção ou à Câmara dos Deputados: SOLUÇÃO: Presidente encaminha matéria para a comissão competente corrigir o erro. Essa proposta vai para a Comissão de Constituição e Justiça e, em seguida, para o Plenário (RISF, art. 325, I); b) já remetido à sanção ou Câmara dos Deputados: SOLUÇÃO: Presidente, após manifestação do Plenário, comunica o fato ao Presidente da República ou à Câmara dos Deputados. Então, manda novos autógrafos ou solicita retificação do texto por meio da republicação da lei (RISF, art. 325, II); ERRO: inexatidão matérial, devida a lapso manifesto ou erro gráfico, que não altera o sentido da matéria: SOLUÇÃO: Presidente comunica o fato ao Presidente da República ou à Câmara dos Deputados por ofício. Encaminha novos autógrafos ou solicita retificação do texto por republicação da lei. Depois dá ciência disso tudo ao Plenário (RISF, art. 325, III); ERRO: autógrafo veio da Câmara dos Deputados com erro, e o projeto ainda não foi aprovado pelo Senado: SOLUÇÃO: Sustação da apreciação e consulta à casa de origem – no caso, a Câmara deve esclarecer o fato ao Senado antes da votação da matéria. Se o erro detectado alterar o sentido do texto, a matéria deve ser reexaminada pelas comissões (RISF, art. 326). Muito bem! Vamos agora aos nossos exercícios. Exercícios 1) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: No âmbito do Senado Federal, excepcionadas as votações pertinentes às emendas constitucionais, as

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 proposições em curso devem ser apreciadas em único turno de discussão e votação. Nessa linha, analise as afirmativas a seguir: I. A fase de discussão somente poderá ser interrompida pela apresentação de questão de ordem. Errada. O art. 274 do RISF traz outras seis hipóteses que permitem a interrupção da discussão: aprovação de requerimento para adiar discussão; urgência caso 1 – “urgência urgentíssima”; comunicação importante ao Senado; recepção de visitante; votação de requerimento de prorrogação da sessão; tumulto no recinto ou ocorrência grave; e para retomar votação de matéria que foi suspensa por falta de número para deliberar. II. Após o anúncio da matéria a ser decidida, será dada a palavra aos oradores para a discussão. Correta. RISF, art. 273. III. A discussão, inclusive nos projetos em regime de urgência, poderá ser adiada em caso de não manifestação de Comissão Parlamentar, que deveria ter se pronunciado sobre o tema. Errada. A discussão dos projetos em regime de urgência não pode ser adiada (RISF, art. 279). O restante da assertiva está correto. IV. É de três dias úteis o interstício entre a distribuição de avulsos dos pareceres das comissões e o início da discussão ou votação correspondente. Correta, conforme o art. 280 do RISF. V. Sempre que for aprovado substitutivo integral a projeto de lei, ele será submetido a turno suplementar. Correta, conforme o que dispõe o art. 282 do RISF. Estão corretas apenas as afirmativas: (A) I, III e V. (B) III, IV e V. (C) II, III e IV. (D) II, III e V. (E) II, IV e V.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Gabarito: Letra “E” 2) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: Consoante os termos do art. 59 da Constituição brasileira, as seguintes normas estão compreendidas no regular processo legislativo: (A) resoluções e decretos. (B) medidas provisórias e estatutos. (C) leis programáticas e leis delegadas. (D) decretos legislativos e resoluções. (E) leis complementares e leis suplementares. Nos termos do art. 59 da CF/88, o processo legislativo compreende a elaboração de emendas à Constituição; leis complementares; leis ordinárias; leis delegadas; medidas provisórias; decretos legislativos; e resoluções. A única alternativa que traz duas espécies citadas nesse artigo é a letra D – decretos legislativos e resoluções. Gabarito: Letra “D”. 3) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: O Regimento Interno do Senado Federal dispõe que o parecer dever ser conclusivo em relação à matéria a que se referir. Quanto ao parecer é correto afirmar que: (A) deve sempre concluir pela aprovação total do projeto. Errada. Segundo o art. 133 do RISF, a conclusão do parecer pode ser pela aprovação total ou parcial da matéria, além de outras hipóteses (rejeição, arquivamento, destaque, orientação etc) (B) deve indicar a rejeição em bloco de emendas, sem conclusões individuais. Errada. Quando o parecer se referir a emendas ou subemendas, deverá oferecer conclusão relativamente a cada uma (RISF, art. 133, § 5º). (C) não necessita de publicação.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Errada. “Os pareceres serão lidos em plenário, publicados no Diário do Senado Federal e distribuídos em avulsos, após manifestação das comissões a que tenha sido despachada a matéria” (RISF, art. 137). (D) deve ser lido em plenário. Correta. “Os pareceres serão lidos em plenário, publicados no Diário do Senado Federal e distribuídos em avulsos, após manifestação das comissões a que tenha sido despachada a matéria” (RISF, art. 137). (E) não deve ser publicado pois é considerado sigiloso. Errada. “Os pareceres serão lidos em plenário, publicados no Diário do Senado Federal e distribuídos em avulsos, após manifestação das comissões a que tenha sido despachada a matéria” (RISF, art. 137). Gabarito: Letra “D” 4) FGV/SF/Advogado/2008: Assinale a afirmativa correta. (A) Ofícios, telegramas, cartas, memoriais e a apresentação de projeto ou indicação constituem matéria do Período de Expediente do Senado. Correta. O RISF prevê que constitui matéria do Período do Expediente ofícios, moções, mensagens, telegramas, cartas, memoriais e outros documentos recebidos (RISF, art. 156, § 1º, IV) e apresentação de projeto, indicação, parecer ou requerimento não relacionado com as proposições constantes da Ordem do Dia (RISF, art. 156, § 1º, I) (B) No Período de Expediente podem ser objeto de deliberação requerimentos pertinentes a proposições constantes da Ordem do Dia. Errada. Podem constar do Período do Expediente a apresentação de projeto, indicação, parecer ou requerimento, desde que não estejam relacionados com as proposições constantes da Ordem do Dia (RISF, art. 156, § 1º, I) (C) O início do horário da Ordem do Dia é impreterível e não admite prorrogação.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Errada. A Ordem do Dia terá início, impreterivelmente, às dezesseis horas, salvo prorrogação motivada pela prorrogação do tempo destinado ao Período do Expediente (RISF, art. 162). (D) No período da Ordem do Dia não podem ser examinadas matérias urgentes. Errada. Matérias urgentes possuem inclusive prioridade para serem votadas (RISF, art. 163, II e III). (E) A designação da Ordem do Dia para a primeira sessão de cada sessão legislativa é efetuada na última sessão da sessão legislativa anterior. Errada. Para a primeira sessão de cada sessão legislativa não será designada Ordem do Dia (RISF, art. 170, § 1º). Gabarito: Letra “A” 5) Cespe/Procurador/Bacen/2009: O decreto legislativo é espécie normativa destinada a dispor acerca de matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional e deve ser, obrigatoriamente, instruído, discutido e votado em ambas as casas legislativas, no sistema bicameral. Correto. O Projeto de Decreto Legislativo é o instrumento adequado para veicular as competências exclusivas do Congresso Nacional (art. 49 da CF/88) sendo necessário que tramite pelas duas casas legislativas. Isso não ocorre com o Projeto de Resolução, que trata de competências privativas da Câmara ou do Senado. 6) Esaf/APO/MPOG/2010: As emendas parlamentares apresentadas a projeto de lei enviado pelo Presidente da República, em tema de sua privativa iniciativa, não precisam ter pertinência temática com o que constava do texto originalmente encaminhado ao Legislativo. Errada. As emendas precisam ter relação temática com a matéria que pretendem alterar (RISF, art. 230, I). No caso dos projetos de iniciativa privativa do Presidente da República, também não podem importar em aumento de despesa, com exceção das leis orçamentárias. (CF/88, art. 63, I e RISF, art. 230, IV, “a”).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 7) Cespe/Analista TJDFT/2008: A cláusula constitucional que atribui exclusividade ao Tribunal de Justiça para instaurar o processo legislativo em matéria de organização e divisão judiciárias do estado não impede os parlamentares de propor emendas ao respectivo projeto de lei. Nesse sentido, o referido projeto pode sofrer emendas parlamentares que acarretem, inclusive, aumento da despesa prevista. Correta. A lei de organização judiciária do Estado é de iniciativa privativa do respectivo Tribunal de Justiça (CF/88, art. 125, § 1º), porém, o Supremo Tribunal Federal decidiu que só cabe a vedação de emenda parlamentar com aumento de despesa nos projetos apresentados pelos tribunais sobre organização dos serviços administrativos. Assim, a vedação ao aumento de despesa não alcança o projeto da lei de organização judiciária do Estado. Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de lei do Senado que assegura às mulheres o acesso às ações de controle do câncer de mama no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) seguiu da Comissão de Assuntos Sociais do Senado para a Câmara dos Deputados, tendo em vista que o recurso apresentado para sua apreciação pelo Plenário foi arquivado pela Mesa Diretora. Dos 15 Senadores que haviam assinado o recurso, 8 retiraram suas assinaturas do documento. Amplamente debatido na Comissão de Assuntos Sociais, o projeto recebeu várias emendas. O relator foi favorável a várias delas, tendo concluído seu parecer por um substitutivo, que foi aprovado pela Comissão. Com relação ao projeto mencionado no texto, julgue os itens abaixo. 8) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Quando da leitura da proposição, o presidente do Senado deve ter anunciado que o projeto de decreto legislativo em questão seria apreciado terminativamente pela Comissão de Assuntos Sociais. Correto. Se a matéria se tratava de projeto de lei com origem no Senado e foi apresentado recurso para que fosse encaminhada para o Plenário, conclui-se que se tratava de proposição em caráter terminativo (RISF, art. 91, I). 9) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Para o recurso apresentado, assinaturas de líderes partidários ou de bloco parlamentar não representam as dos liderados. Correta. O recurso deve conter a assinatura de pelo menos nove Senadores

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 (RISF, art. 91, § 4º), sendo que não podem ser substituídos pelos seus respectivos líderes nesse caso. 10) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Encaminhar o projeto à Câmara dos Deputados foi uma atitude correta da Comissão. Errada. Depois de encerrada a apreciação terminativa, a decisão da comissão deve ser comunicada ao Presidente do Senado, para ciência do Plenário e publicação no Diário do Senado Federal (RISF, art. 91, § 2º). Ainda considerando o texto, julgue os itens subsequentes. 11) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): É correto afirmar que o projeto foi substancial ou formalmente alterado em seu conjunto. Correta. De acordo com o texto que orienta a questão, o relator apresentou um substitutivo ao projeto original. 12) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto pode ter recebido emendas de todos os Senadores. Correta. Em projetos que tramitam em caráter terminativo, todos os senadores podem apresentar emendas, e não apenas os senadores que compõe a comissão que está analisando a matéria (RISF, art. 122, II, “c”). Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Um senador recémempossado pretende apresentar proposições – todas de sua autoria – que contêm algumas idéias defendidas na campanha eleitoral ou sugestões de seus eleitores. Para viabilizar seu propósito, solicitou o auxílio de um consultor legislativo da Casa, cuja missão era analisar – quanto à constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade – a viabilidade de transformar em proposições essas sugestões, devendo ainda, nos casos positivos, indicar a modalidade de proposição adequada a cada idéia apresentada. Efetuados os estudos, o consultor apresentou ao senador um roteiro com recomendações técnicas. Considerando que o senador referido no texto deverá ser o autor das proposições, julgue os itens que se seguem. 13) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de resolução do Senado é a modalidade indicada para propor a criação de uma

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 nova comissão permanente na estrutura dessa Casa legislativa. Correta. A criação de uma nova comissão permanente exige uma alteração regimental, o que é feito por meio de projeto de resolução. 14) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de resolução do Congresso Nacional é a modalidade indicada para propor a sustação de decreto do presidente da República que tenha exorbitado do poder regulamentar. Errada. Segundo a Constituição, é competência exclusiva do Congresso Nacional sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa (CF/88, art. 49, V). Dessa maneira, o assunto em questão deve ser proposto por meio de projeto de decreto legislativo. 15) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Para a convocação de um plebiscito a respeito da obrigatoriedade do voto nas eleições gerais no Brasil, a modalidade indicada é o projeto de decreto legislativo. Correta. Convocação de plebiscito ou autorização para referendo é competência exclusiva do Congresso Nacional, prevista no art. 49, XV, da CF/88. Demanda um projeto de decreto legislativo, portanto. 16) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de lei ordinária, que, se aprovado pelas duas Casas do Congresso, será enviado à sanção do presidente da República, é a modalidade indicada para propor a criação de cem novos cargos de agente de vigilância sanitária na estrutura administrativa do Ministério da Saúde. Correta. Atentar apenas que projetos de lei que criem cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumentem sua remuneração são de iniciativa privativa do Presidente da República (CF/88, art. 61, § 1º, II, “a”): 17) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de lei complementar é a modalidade indicada para propor a regulação daquelas matérias para as quais a Constituição exige, expressamente, lei complementar, cujo quorum de aprovação é o mesmo necessário para a instauração de processo de impeachment contra o presidente da República.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Errada. O quórum para aprovação de lei complementar é a maioria absoluta da composição de cada Casa legislativa (CF/88, art. 69). O quórum necessário para autorizar a instauração de processo de impeachment contra o Presidente da República é de 2/3 dos deputados (CF/88, art. 51, I). Ainda considerando que o mesmo senador mencionado no texto XI deverá ser o autor das proposições, julgue os itens subsequentes. 18) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de lei ordinária é a modalidade indicada para propor a renovação da concessão de uma rádio FM do município de Itabaiana – SE. Errada. Renovação da concessão de empresas de radiodifusão é tema que deve ser disciplinado por meio de projeto de decreto legislativo, pois encontra-se no rol das competências exclusivas do Congresso Nacional (CF/88, art. 49, XII). 19) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de resolução do Senado é a modalidade indicada para propor que essa Casa, em todas as hipóteses, deixe de realizar sessões secretas. Errada. Algumas hipóteses de sessão secreta estão previstas constitucionalmente, as quais só podem ser modificadas por meio de emenda constitucional. Exemplo: a aprovação prévia da escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente pelo Senado deve se dar por voto secreto, após argüição em sessão secreta (CF/88, art. 52, IV). 20) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): A indicação é a modalidade adequada para sugerir ao Poder Executivo da União a construção de uma nova estrada federal, ligando os municípios de Aracaju – SE e Petrolina – PE. Errada. A indicação não pode conter sugestão ou conselho a qualquer Poder (RISF, art. 225, II). 21) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O requerimento de inserção de documento nos Anais do Senado, que é despachado pelo presidente dessa Casa legislativa, ouvida a Mesa, é apenas uma das formas que um senador dispõe para, nos Anais do Senado, fazer o registro de um documento que lhe tenha sido enviado pelos sindicatos de pescadores do estado de Sergipe.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Errada. De fato, há mais de uma forma para que o Senador faça o registro, nos Anais do Senado, de algum documento que lhe tenha sido enviado: por meio de requerimento ou quando o documento em questão for parte integrante do discurso do parlamentar (RISF, art. 219, I e II). Contudo, o requerimento é despachado pelo Presidente do Senado, sem a necessidade de ouvir a Mesa. 22) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O requerimento de prorrogação de prazo para a apresentação de parecer por qualquer comissão permanente depende de aprovação da Mesa do Senado. Errada. Esse tipo de requerimento precisa ser aprovado pela maioria simples, presente a maioria da composição da Casa. Só dependem de decisão da Mesa os requerimentos elencados no art. 215, I, do RISF. 23) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): As emendas poderão ser destacadas para que venham a constituir grupos diferentes daqueles a que pertençam. Errada. O requerimento de destaque não pode separar emendas para serem votadas em grupos diferentes daqueles a qual pertençam (RISF, art. 314, VI, “b”). 24) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Emendas que tenham recebido pareceres divergentes somente serão votadas se houver recurso apresentado por um décimo dos Senadores. Errada. As emendas que tenham pareceres divergentes serão votadas, porém, precisam ser apreciadas individualmente. É o que preceitua o RISF, art. 300, III, quando prevê que “a votação das emendas que tenham pareceres concordantes de todas as comissões será feita em grupos, segundo o sentido dos pareceres, ressalvados os destaques; as demais e as destacadas serão votadas uma a uma, classificadas segundo a ordem estabelecida no art. 246, II”. 25) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Emendas que receberem parecer no sentido de constituírem projeto em separado serão sempre votadas destacadamente.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 Correta. O art. 300, IX, do RISF, determina que devem ser votadas destacadamente as emendas com parecer no sentido de constituírem projeto em separado. 26) Inédita: Formada pelos membros da Mesa, cabe à Comissão Diretora, entre outras atribuições, fazer a redação final dos projetos de iniciativa da Casa e das emendas e projetos da Câmara aprovados pelo Plenário. Correta. A Comissão Diretora é o órgão responsável por elaborar a redação final dos projetos de iniciativa do Senado e das emendas e projetos da Câmara aprovados pelo Plenário (RISF, art. 98, V). 27) Inédita: Indicação é a proposição por meio da qual o Senador poderá sugerir a manifestação de uma ou mais Comissões acerca de determinado assunto, visando à elaboração de projeto sobre matéria de iniciativa do Senado. Correta. A indicação corresponde a sugestão de Senador ou comissão para que o assunto tratado seja objeto de providência ou estudo, com a finalidade do seu esclarecimento ou formulação de proposição legislativa (RISF, art. 224). 28) Inédita: Na inclusão de projetos de lei do Senado para votação na Ordem do Dia, os projetos de resolução tem precedência sobre projetos de decreto legislativo. Errada. Na ordem de votação, os projetos de decreto legislativo tem precedência sobre projetos de resolução (RISF, art. 163, § 4º, II).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 LISTA DE QUESTÕES DESTA AULA 1) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: No âmbito do Senado Federal, excepcionadas as votações pertinentes às emendas constitucionais, as proposições em curso devem ser apreciadas em único turno de discussão e votação. Nessa linha, analise as afirmativas a seguir: I. A fase de discussão somente poderá ser interrompida pela apresentação de questão de ordem. II. Após o anúncio da matéria a ser decidida, será dada a palavra aos oradores para a discussão. III. A discussão, inclusive nos projetos em regime de urgência, poderá ser adiada em caso de não manifestação de Comissão Parlamentar, que deveria ter se pronunciado sobre o tema. IV. É de três dias úteis o interstício entre a distribuição de avulsos dos pareceres das comissões e o início da discussão ou votação correspondente. V. Sempre que for aprovado substitutivo integral a projeto de lei, ele será submetido a turno suplementar. Estão corretas apenas as afirmativas: (A) I, III e V. (B) III, IV e V. (C) II, III e IV. (D) II, III e V. (E) II, IV e V. 2) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: Consoante os termos do art. 59 da Constituição brasileira, as seguintes normas estão compreendidas no regular processo legislativo: (A) resoluções e decretos. (B) medidas provisórias e estatutos. (C) leis programáticas e leis delegadas. (D) decretos legislativos e resoluções. (E) leis complementares e leis suplementares. 3) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: O Regimento Interno do Senado Federal dispõe que o parecer dever ser conclusivo em relação à matéria a que se referir. Quanto ao parecer é correto afirmar que: (A) deve sempre concluir pela aprovação total do projeto. (B) deve indicar a rejeição em bloco de emendas, sem conclusões

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 individuais. (C) não necessita de publicação. (D) deve ser lido em plenário. (E) não deve ser publicado pois é considerado sigiloso. 4) FGV/SF/Advogado/2008: Assinale a afirmativa correta. (A) Ofícios, telegramas, cartas, memoriais e a apresentação de projeto ou indicação constituem matéria do Período de Expediente do Senado. (B) No Período de Expediente podem ser objeto de deliberação requerimentos pertinentes a proposições constantes da Ordem do Dia. (C) O início do horário da Ordem do Dia é impreterível e não admite prorrogação. (D) No período da Ordem do Dia não podem ser examinadas matérias urgentes. (E) A designação da Ordem do Dia para a primeira sessão de cada sessão legislativa é efetuada na última sessão da sessão legislativa anterior. 5) Cespe/Procurador/Bacen/2009: O decreto legislativo é espécie normativa destinada a dispor acerca de matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional e deve ser, obrigatoriamente, instruído, discutido e votado em ambas as casas legislativas, no sistema bicameral. 6) Esaf/APO/MPOG/2010: As emendas parlamentares apresentadas a projeto de lei enviado pelo Presidente da República, em tema de sua privativa iniciativa, não precisam ter pertinência temática com o que constava do texto originalmente encaminhado ao Legislativo. 7) Cespe/Analista TJDFT/2008: A cláusula constitucional que atribui exclusividade ao Tribunal de Justiça para instaurar o processo legislativo em matéria de organização e divisão judiciárias do estado não impede os parlamentares de propor emendas ao respectivo projeto de lei. Nesse sentido, o referido projeto pode sofrer emendas parlamentares que acarretem, inclusive, aumento da despesa prevista. Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de lei do Senado que assegura às mulheres o acesso às ações de controle do câncer de mama no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) seguiu da Comissão de Assuntos Sociais do Senado para a Câmara dos Deputados, tendo em vista que o recurso apresentado para sua apreciação pelo Plenário foi arquivado pela Mesa Diretora. Dos 15 Senadores que haviam assinado o recurso, 8 retiraram suas assinaturas do documento. Amplamente debatido

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 na Comissão de Assuntos Sociais, o projeto recebeu várias emendas. O relator foi favorável a várias delas, tendo concluído seu parecer por um substitutivo, que foi aprovado pela Comissão. Com relação ao projeto mencionado no texto, julgue os itens abaixo. 8) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Quando da leitura da proposição, o presidente do Senado deve ter anunciado que o projeto de decreto legislativo em questão seria apreciado terminativamente pela Comissão de Assuntos Sociais. 9) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Para o recurso apresentado, assinaturas de líderes partidários ou de bloco parlamentar não representam as dos liderados. 10) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Encaminhar o projeto à Câmara dos Deputados foi uma atitude correta da Comissão. Ainda considerando o texto, julgue os itens subsequentes. 11) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): É correto afirmar que o projeto foi substancial ou formalmente alterado em seu conjunto. 12) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto pode ter recebido emendas de todos os Senadores. Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Um senador recémempossado pretende apresentar proposições — todas de sua autoria — que contêm algumas idéias defendidas na campanha eleitoral ou sugestões de seus eleitores. Para viabilizar seu propósito, solicitou o auxílio de um consultor legislativo da Casa, cuja missão era analisar — quanto à constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade — a viabilidade de transformar em proposições essas sugestões, devendo ainda, nos casos positivos, indicar a modalidade de proposição adequada a cada idéia apresentada. Efetuados os estudos, o consultor apresentou ao senador um roteiro com recomendações técnicas. Considerando que o senador referido no texto deverá ser o autor das proposições, julgue os itens que se seguem. 13) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de resolução do Senado é a modalidade indicada para propor a criação de uma

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 nova comissão permanente na estrutura dessa Casa legislativa. 14) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de resolução do Congresso Nacional é a modalidade indicada para propor a sustação de decreto do presidente da República que tenha exorbitado do poder regulamentar. 15) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Para a convocação de um plebiscito a respeito da obrigatoriedade do voto nas eleições gerais no Brasil, a modalidade indicada é o projeto de decreto legislativo. 16) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de lei ordinária, que, se aprovado pelas duas Casas do Congresso, será enviado à sanção do presidente da República, é a modalidade indicada para propor a criação de cem novos cargos de agente de vigilância sanitária na estrutura administrativa do Ministério da Saúde. 17) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de lei complementar é a modalidade indicada para propor a regulação daquelas matérias para as quais a Constituição exige, expressamente, lei complementar, cujo quorum de aprovação é o mesmo necessário para a instauração de processo de impeachment contra o presidente da República. Ainda considerando que o mesmo senador mencionado no texto XI deverá ser o autor das proposições, julgue os itens subsequentes. 18) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de lei ordinária é a modalidade indicada para propor a renovação da concessão de uma rádio FM do município de Itabaiana – SE. 19) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O projeto de resolução do Senado é a modalidade indicada para propor que essa Casa, em todas as hipóteses, deixe de realizar sessões secretas. 20) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): A indicação é a modalidade adequada para sugerir ao Poder Executivo da União a construção de uma nova estrada federal, ligando os municípios de Aracaju – SE e Petrolina – PE. 21) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O requerimento de inserção de documento nos Anais do Senado, que é despachado pelo

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 03 presidente dessa Casa legislativa, ouvida a Mesa, é apenas uma das formas que um senador dispõe para, nos Anais do Senado, fazer o registro de um documento que lhe tenha sido enviado pelos sindicatos de pescadores do estado de Sergipe. 22) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O requerimento de prorrogação de prazo para a apresentação de parecer por qualquer comissão permanente depende de aprovação da Mesa do Senado. 23) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): As emendas poderão ser destacadas para que venham a constituir grupos diferentes daqueles a que pertençam. 24) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Emendas que tenham recebido pareceres divergentes somente serão votadas se houver recurso apresentado por um décimo dos Senadores. 25) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Emendas que receberem parecer no sentido de constituírem projeto em separado serão sempre votadas destacadamente. 26) Inédita: Formada pelos membros da Mesa, cabe à Comissão Diretora, entre outras atribuições, fazer a redação final dos projetos de iniciativa da Casa e das emendas e projetos da Câmara aprovados pelo Plenário. 27) Inédita: Indicação é a proposição por meio da qual o Senador poderá sugerir a manifestação de uma ou mais Comissões acerca de determinado assunto, visando à elaboração de projeto sobre matéria de iniciativa do Senador. 28) Inédita: Na inclusão de projetos de lei do Senado para votação na Ordem do Dia, os projetos de resolução tem precedência sobre projetos de decreto legislativo.

GABARITO 1 E 2 D 3 D 4 A 5 C 6 E 7 C 8 C 9 C 10 E 11 C 12 C 13 C 14 E 15 C 16 C 17 E 18 E 19 E 20 E 21 E 22 E 23 E 24 E 25 C 26 C 27 C 28 E

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Olá, concurseiros e concurseiras! Vamos à nossa quarta aula de Processo Legislativo para o Senado Federal! Hoje trataremos da tramitação dos projetos de lei ordinária e lei complementar. Lembrem-se de que agora a preparação para o concurso do Senado virou uma corrida de fundo: vencerá quem tiver mais fôlego. Muitos desistirão pelo caminho, mas não vocês! A partir de agora, vamos começar uma nova etapa em nosso curso. Trataremos especificamente do processo legislativo envolvendo os diversos tipos de proposições. Durante as explicações, se necessário, faremos a distinção de alguns conceitos importantes, à medida em que forem aparecendo. Serão objeto desta aula os projetos de lei ordinária e os projetos de lei complementar, com suas respectivas variações. Esses dois tipos abrangem grande parte das matérias que tramitam no Congresso Nacional. Os projetos de lei tramitam separadamente nas duas casas legislativas. A diferença material entre projeto de lei ordinária e projeto de lei complementar é que estes últimos disciplinam matérias que a Constituição Federal determina que sejam veiculadas por meio de lei complementar. A principal diferença formal é que, conforme dispõe a CF/88, os projetos de lei complementares precisam ser aprovados por maioria absoluta dos parlamentares da Casa onde se encontrarem (CF/88, art. 69). Os projetos de lei, ordinária ou complementar, podem ter origem no Senado (PLS) ou na Câmara (PLC). Mas atenção! Ser originário do Senado ou da Câmara não significa dizer que são de autoria de Senador ou de Deputado. Vamos puxar da memória tudo o que vimos na aula 0 a respeito da iniciativa legislativa, pois isso vai ajudar a sistematizar o que vem agora: Se um projeto tem origem no Senado, pode ter como autores: - Senador - Comissão do Senado Se um projeto tem origem na Câmara, pode ter como autores: - Deputado Federal - Comissão da Câmara

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Presidente da República Supremo Tribunal Federal Tribunais Superiores Tribunal de Contas da União Procurador-Geral da República Cidadãos

E porque a lista da Câmara é mais extensa? Lembrem-se de que os projetos de lei de autoria extraparlamentar, ou seja, de fora do Poder Legislativo, iniciam sua tramitação pela Câmara. Depois, eles são encaminhados ao Senado para revisão. Por falar em revisão, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal podem atuar, no processo legislativo bicameral, como casas iniciadoras ou casas revisoras. Se determinado projeto tem inicio em uma Casa e for aprovado, será revisado pela outra. Aprovado na casa revisora sem emendas que alterem o mérito do projeto, vai à sanção. Aprovado com emendas de mérito, volta à casa iniciadora para que esta se pronuncie apenas sobre as emendas. Se o projeto for rejeitado, irá ao arquivo. Essa dinâmica, que é a base do processo legislativo, pode ser esquematizada da seguinte forma:

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 e ainda:

Assim, um projeto de lei com origem no Senado pode ter dois destinos: ir ao arquivo, se rejeitado, ou ir à Câmara dos Deputados para revisão, se aprovado. Na Câmara, o projeto pode ser rejeitado e arquivado, aprovado e enviado à sanção presidencial, ou emendado, situação em que volta ao Senado (casa iniciadora). Vamos revisão”: ver agora, brevemente, o chamado “mecanismo de

MECANISMO DE REVISÃO – SENADO CASA REVISORA Senado rejeita o projeto: vai ao arquivo. Senado aprova o projeto sem emendas ou apenas com emendas de redação: o Presidente do Senado assina os autógrafos e o projeto vai à sanção do Presidente da República. Senado aprova projeto com emendas de mérito: emendas vão à Câmara para serem apreciadas. Depois, vão à sanção do Presidente da República. Ao analisar as emendas que o projeto recebeu no Senado, a Câmara pode aprovar ou rejeitar algumas emendas ou todas elas. No entanto, os deputados não podem apresentar emendas à essas emendas (subemendas). 3

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04

MECANISMO DE REVISÃO – CÂMARA COMO REVISORA 1) Câmara rejeita projeto do Senado: vai ao Arquivo. 2) Câmara aprova o projeto sem emendas ou apenas com emendas de redação: vai à sanção do Presidente da República; 3) Câmara aprova emendas de mérito, ou seja, que alteram o conteúdo do projeto: devolve-o para o Senado, que vai se pronunciar apenas sobre as alterações propostas. 4) Senado aprova as emendas da Câmara: projeto vai à sanção; 5) Senado rejeita as emendas da Câmara: projeto vai à sanção sem as emendas.

Com essas informações em mente, vamos ver a tramitação dos vários tipos de projetos de lei. Projeto de Lei Ordinária do Senado (PLS) Autoria: Senador O primeiro passo para que uma ideia se transforme em lei é elaborar o texto do projeto, explicitando o que se deseja instituir ou qual lei se pretende modificar. O projeto deve obedecer aos requisitos formais de apresentação: identificar seu autor, conter ementa (resumo do projeto), conteúdo e uma justificação (por que razão aprovar o projeto?). Caso necessário, deve ser anexada a legislação citada na proposição. Feito isso, o parlamentar autor da matéria assina o original e o projeto é protocolado na Secretaria-Geral da Mesa. Lá, será conferido se o projeto está dentro dos padrões formais em relação à autoria, forma, assinatura e anexos. Em seguida, o projeto vai para o Plenário para ser lido no Período do Expediente da sessão. Essa leitura serve para informar os demais Senadores de que foi apresentado um projeto.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Depois de lido, o Presidente do Senado vai distribuir esse projeto para as comissões técnicas permanentes, dependendo do assunto sobre o qual versar a material, podendo ser uma ou mais comissões. Para cada comissão constante do despacho, haverá um parecer. Vamos lembrar aqui de um detalhe: se for projeto de lei ordinária de autoria de Senador, terá em regra tramitação terminativa nas comissões (RISF, art. 91, I), não será apreciado pelo Plenário, salvo recurso de 1/10 da composição da Casa. Assim que o projeto chegar à primeira comissão para o qual foi distribuído, será aberto um prazo para emendas (5 dias úteis). Qualquer Senador, sendo ou não membro da Comissão, pode apresentar emendas (RISF, art. 122, II, “c”). O Presidente da Comissão designará um Relator, que vai estudar a matéria e propor um relatório. Esse texto, como vimos, é composto de relatório, análise e voto. O Relator também deve se manifestar a respeito das emendas apresentadas ao projeto. Ele tem, em regra, metade do prazo concedido à comissão para desenvolver seu trabalho. Lembrando: a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) tem 20 dias úteis; outras comissões, 15 dias úteis, cada uma. Concluído o relatório, o Relator devolve a matéria para a Comissão. Esse relatório pode concluir pela aprovação, pela rejeição, pelo arquivamento, pelo destaque para proposição em separado, pela apresentação de projeto, requerimento, emenda ou subemenda ou, ainda, pela apresentação de orientação a seguir em relação à matéria (RISF, art. 133). No caso de apresentação de emenda, o Relator pode optar por fazer uma emenda substitutiva (substitutivo), alterando substancialmente o texto original do projeto. Devolvido à Comissão, o projeto é colocado na pauta de trabalhos. Na sessão marcada para votação, o Relator lê o texto do Relatório. Nesse momento, um ou mais Senadores podem pedir vista do processo, ou seja, um prazo maior para que analisem a matéria. O prazo para vista é de até 5 dias (RISF, art. 132, § 1°). Esse prazo corre simultaneamente para todos os Senadores, se o pedido de vista for coletivo. Os Senadores da Comissão podem apresentar manifestação diversa da do relator sobre o projeto. Essa manifestação se chama voto em separado. Na hora da votação, primeiro os Senadores apreciam o texto do

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Relator do projeto. Depois, os votos em separado. Se o Relator concluir seu relatório pela apresentação de um substitutivo e este for aprovado pelo demais Senadores da Comissão, o Presidente deve comunicar a decisão ao Presidente do Senado. Então, será aberto um novo prazo, até a reunião seguinte da Comissão (RISF, art. 283, par. único), para apresentação de emendas ao texto por todos os Senadores da Casa. Em seguida, o projeto passa por um novo turno de votação, o turno suplementar. Se o relatório apresentado for aprovado, passa a constituir o parecer da Comissão. Se no despacho inicial constar mais de uma comissão, esse mecanismo é repetido em todas elas, até chegar à última comissão, a que possui a palavra final quanto ao projeto. O Presidente dessa última comissão comunica ao Presidente do Senado a decisão tomada. O Presidente do Senado, por sua vez, faz uma comunicação, no Período do Expediente da sessão plenária, dando ciência do que aconteceu com o projeto. O parecer é publicado no Diário do Senado Federal (DSF) e em avulsos. Então, é aberto prazo de 5 dias ÚTEIS para apresentação de recurso. Projeto terminativo tem prazo para recurso no plenário, não para emendas. Só é aberto prazo para emendas se for interposto recurso, quando o projeto perde a condição de terminativo e passa a tramitar em rito normal. Se o projeto não receber recurso, há dois caminhos: - Aprovado pela Comissão: vai à Câmara dos Deputados para revisão; - Rejeitado na Comissão: vai ao Arquivo. Se o projeto receber recurso: Abre-se o prazo de 5 dias úteis para emendas, perante a Mesa. Se não receber emenda, está pronto para entrar na pauta da Ordem do Dia de uma sessão do plenário do Senado. Se tiver recebido emenda, volta para as comissões que analisaram o projeto, para que emitam parecer exclusivamente sobre as emendas. Os relatores das emendas nas comissões devem, de preferência, ser os mesmos que relataram o projeto original. Ao elaborarem o relatório sobre as emendas, podem concluir pela aprovação, rejeição, pela apresentação de subemendas ou aglutinar o texto original com as emendas

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 e fazer os respectivos ajustes. Aprovado o parecer sobre as emendas nas comissões, ele é enviado à Mesa, lido em Plenário, publicado no Diário do Senado Federal e distribuído em avulsos para ser agendado na Ordem do Dia (RISF, art. 277, par. único). Não esquecer! Depois da distribuição do avulso do parecer da comissão, a inclusão de qualquer proposição em rito normal na Ordem do Dia só pode ser feita depois de cumprido o interstício regimental – em regra, 3 dias úteis.

Na Ordem do Dia, o projeto e as emendas são discutidos e votados em turno único. Analogamente ao que ocorre nas comissões, se os Senadores aprovarem um substitutivo ao projeto, deve ser realizado um turno suplementar. Ao final desta aula, abordaremos alguns aspectos relativos à votação de emendas pelo Plenário. Aprovado o projeto, é elaborada e votada sua redação final e são preparados os autógrafos. O projeto é então remetido à Câmara dos Deputados para revisão, conforme o quadro “Mecanismo de Revisão”. Rejeitado o projeto, ele é encaminhado ao Arquivo.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Projeto de Lei Complementar do Senado (PLS Complementar) Autoria: Senador A primeira etapa de tramitação do Projeto de Lei Complementar com origem no Senado é semelhante a de um Projeto de Lei Ordinária: É lido no Período do Expediente e despachado pelo Presidente da Casa a uma ou mais de uma comissão. Lá, é designado um relator para a matéria, que igualmente dispõe de metade do prazo concedido à comissão para elaborar seu relatório. É aberto o prazo de 5 dias úteis para emendas. Aqui há uma diferença. No projeto de lei complementar, apenas os membros da comissão onde estiver o projeto é que podem apresentar emendas. E por quê? Porque no projeto de lei complementar não cabe o rito abreviado, ou seja, não pode haver tramitação terminativa. Ele precisa passar pelo Plenário, onde, aí sim, todos os Senadores terão a oportunidade de emendá-lo. Na comissão, o projeto também percorre caminho semelhante ao que já estudamos no projeto de lei ordinária. De posse do parecer aprovado na comissão, o Presidente desse órgão envia o processo para a Mesa. O parecer é lido no Período do Expediente da sessão e publicado no Diário do Senado Federal e em avulsos. Depois da leitura do parecer, abre-se prazo de 5 dias úteis, agora para apresentação de emendas perante a Mesa. E a lógica se repete: se não houve emendas, o projeto está pronto para entrar na pauta da Ordem do Dia. Se houve emendas: O projeto retorna para as comissões, para receber parecer sobre as emendas. O relator, preferencialmente o mesmo que relatou o projeto original, decide se acata ou não as emendas. Aqui, o prazo é de 15 dias úteis, contado de forma simultânea para todas as comissões por onde as emendas precisarem passar. A Comissão então vota e o Presidente da comissão devolve o processado para a Mesa. O parecer sobre as emendas é lido em plenário no Período do Expediente e publicado. Pronto para ser incluído em Ordem do Dia, o projeto é discutido e

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 votado em turno único, devendo obter o voto favorável da maioria absoluta da composição do Senado (41 Senadores). - Projeto aprovado: vai à Câmara dos Deputados para revisão; - Projeto rejeitado: vai ao Arquivo.

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Projeto de Lei do Senado (PLS) e Projeto de Lei do Senado – Complementar (PLS – COMPL) Autoria: Comissão Vamos ver agora como ocorre a tramitação de projetos, de lei ordinária ou complementar, com origem no Senado, de autoria de Comissão, permanente ou temporária. O projeto de lei de autoria de comissão, tem, na verdade, raiz em proposta de algum senador membro. Ele apresenta um anteprojeto e o Presidente da comissão designa um relator para fazer um relatório dessa proposta. Se a comissão decidir por aprovar esse anteprojeto, de acordo com o que foi proposto pelo Relator, e obtiver maioria absoluta de votos favoráveis, ele se transforma em projeto de autoria da comissão, não apenas de um senador. Em seguida, o Presidente da Comissão encaminha o projeto ao Presidente do Senado. Esse projeto de autoria da comissão é montado e inclui, além da legislação citada, o texto original do anteprojeto e o relatório apresentado e aprovado pela Comissão. O projeto então é protocolado na Mesa e lido no Período do Expediente da sessão plenária do Senado. Uma diferença: ao contrário das outras matérias, que são despachadas às comissões e lá recebem emendas, os projetos de autoria de comissão podem não precisar passar pelas comissões, sendo o prazo de emendas aberto diretamente na Mesa. Perceba que se trata de uma possibilidade. Se uma comissão apresentar projeto sobre um assunto que estiver fora de sua competência, o projeto vai precisar passar por uma comissão de mérito. A maioria dos projetos de autoria de comissão, contudo, são de assuntos relacionados à competência da própria comissão que o apresentou. Tomando isso como pressuposto, o projeto é lido e fica aberto o prazo de 5 dias úteis para apresentação de emendas perante a Mesa. - Se não houver emenda: o projeto está pronto para Ordem do Dia;

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 - Se houver emendas: o projeto volta à comissão autora da matéria, para receber parecer às emendas. Quando o parecer sobre as emendas estiver concluído, a matéria segue para leitura no Período do Expediente e publicação no Diário do Senado Federal e em avulsos, estando dessa forma pronto para inclusão em Ordem do Dia. A apreciação das matérias de autoria de comissão é semelhante a de um projeto de lei de autoria individual. O que vai mudar, obviamente, é o quórum necessário para sua aprovação: maioria simples, se projeto de lei ordinária; e maioria absoluta, por voto nominal, se projeto de lei complementar. - Projeto rejeitado: vai ao Arquivo; - Projeto aprovado: vai à Câmara dos Deputados para revisão.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Projeto de lei Ordinária da Câmara – PLC Autoria: Câmara dos Deputados Primeira coisa que vocês devem ter observado: por que os projetos de lei da Câmara possuem como autora a Câmara dos Deputados e não um deputado específico? Porque estamos estudando o processo legislativo no Senado. Se o projeto veio da Câmara, significa que já passou pelo devido processo na casa de origem, constituindo portanto uma proposição de autoria da Câmara dos Deputados. A matéria não deixa de ter o autor original, mas, ao chegar no Senado, terá o mesmo tratamento – o de PLC, independentemente de quem o tenha apresentado. E quem pode ter apresentado esse projeto? Já vimos em outra oportunidade: pode ser um deputado ou comissão da Câmara, ou, ainda, um órgão ou agente externo: Presidente da República, Supremo Tribunal Federal, Tribunais Superiores, TCU, Procurador-Geral da República ou cidadãos, estes últimos coletivamente. O trâmite do projeto começa no Senado quando este recebe da Câmara os autógrafos originais, exemplares dos avulsos e todas as informações necessárias para o conhecimento da matéria. Em seguida, o projeto é lido no Período do Expediente da sessão plenária e o Presidente do Senado faz o despacho inicial, encaminhando o projeto para uma ou mais comissões. A regra geral é: projetos que venham da Câmara como casa de origem não podem ter apreciação terminativa, devendo receber parecer das comissões e serem discutidos e votados pelo Plenário do Senado. Contudo, o Presidente do Senado, ouvidas as lideranças partidárias, pode conferir caráter terminativo a um projeto de lei nessas condições, se ele tiver sido apreciado na Câmara também de forma terminativa. Sendo assim, o projeto terá tramitação semelhante àquela do projeto de lei ordinária de autoria de Senador. Chegando à comissão, o Presidente do colegiado designa um relator para o projeto. Na primeira etapa de emendamento, que ocorre nos 5 primeiros dias úteis, somente os Senadores integrantes da Comissão podem apresentar emendas a um projeto desse tipo. Lembrem-se de que, se o projeto não tramitar de forma terminativa, terá que passar pelo plenário. E é lá onde todos os Senadores da Casa terão a chance de

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 apresentar emendas ao projeto. O relator prepara o relatório e a comissão oi examina. Se for aprovado, transforma-se em parecer da Comissão. Depois de passar por todas as comissões constantes do despacho inicial, os pareceres são lidos no plenário e publicados no Diário do Senado Federal e em avulsos. Aplica-se então a regra geral dentro do rito normal de tramitação: abre-se prazo de 5 dias úteis, perante a Mesa, para apresentação de emendas por todos os Senadores (RISF, art. 235, II). - Se não receber emendas: projeto pronto para constar da Ordem do Dia; - Se receber emendas: retorna às comissões para receber parecer sobre as emendas apresentadas. Vale lembrar que o prazo para parecer das emendas é de 15 dias úteis, concomitantemente para todas as comissões. O Relator, como já sabemos, tem metade desse prazo para apresentar seu relatório. As comissões votam os pareceres sobre as emendas e os remetem para o plenário. Lá, são lidos e publicados no Diário do Senado Federal e em avulsos. O projeto está pronto para entrar na Ordem do Dia. Nos projetos que têm como origem a Câmara dos Deputados, o Senado atua como Casa revisora. Aplica-se então o “mecanismo de revisão”, que vimos no começo desta aula. Projeto de Lei Complementar – PLC – Complementar Autoria: Câmara dos Deputados Ao chegar no Senado, o projeto é lido no Período do Expediente de uma sessão plenária e vai a exame das comissões constantes no despacho do Presidente do Senado. Nas comissões, é aberto o prazo para emendas. O projeto é então relatado e votado. O Plenário recebe o parecer, que será lido e publicado; depois é aberto o prazo para emendas perante a Mesa. Havendo emendas, a matéria volta às comissões para receber parecer sobre as emendas. Em seguida, volta ao Plenário, onde o projeto será discutido e votado. No caso de projeto de lei complementar, a aprovação se dará se ele

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 obtiver a maioria absoluta dos votos dos membros da Casa, por votação ostensiva nominal. A partir daí, o projeto segue o “Mecanismo de revisão – Senado casa revisora”: - Projeto rejeitado: vai ao Arquivo; - Projeto aprovado sem emendas ou com emendas de redação: Vai à sanção do Presidente da República; - Projeto aprovado com emendas de mérito: volta à Câmara, para que os deputados analisem as alterações. Depois, vai à sanção do Presidente da República.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Projetos de Lei Ordinária ou Complementar tramitando em regime de urgência regimental Autoria: Senado Federal/Câmara dos Deputados A urgência regimental, como vimos na Aula 02, compreende alguns mecanismos que agilizam a tramitação de proposições. Em regra, a urgência regimental precisa ser provocada via requerimento, salvo certos casos previstos no RISF, onde a concessão de urgência é automática.

Atenção! O RISF traz exigências quanto ao quórum necessário para a apresentação dos requerimentos de urgência – nos três casos. Para a aprovação do requerimento, basta maioria simples. Como vocês devem estar lembrados, a urgência regimental se divide em três tipos, previstos no art. 336 do RISF: caso 1 (urgência urgentíssima), caso 2 (urgência) e caso 3 (urgência “mais lenta”). Os casos de urgência, apesar de diferentes entre si, guardam algumas características comuns: em qualquer um deles, os projetos precisam ser lidos; as emendas apresentadas em Plenário são analisadas diretamente pelo Relator, sem a necessidade de irem às Comissões para exame; havendo turno suplementar (que ocorre quando é apresentado um substitutivo para a matéria), deve ser realizado imediatamente após a aprovação do substitutivo (RISF, art. 350); e, por fim, nada muda em relação ao quórum necessário para aprovação do projeto: se for de lei complementar, precisa obter o voto favorável da maioria absoluta da Casa. O regime de urgência pode ser aplicado a qualquer tipo de proposição, exceto Propostas de Emenda à Constituição e Projetos de Código. Vamos ver então como tramitam os projetos submetidos a cada um desses casos: Urgência Caso 1 – “Urgência Urgentíssima” Assim que o projeto chega ao Senado, estando ele incluído nas hipóteses previstas no RISF, art. 336, I (matéria que envolva perigo para a segurança nacional ou providência para atender a calamidade pública),

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 pode ser apresentado requerimento em plenário para que ele passe a tramitar em regime de urgência urgentíssima. Dizemos “pode”, pois, se a matéria for relativa a alguns dos casos estabelecidos no art. 353 do RISF, o requerimento é dispensável. São elas: autorização para o Presidente da República declarar a guerra ou celebrar a paz; permissão para que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente; aprovação de estado de defesa e de intervenção federal; e autorização de estado de sítio ou suspensão de qualquer dessas medidas. Para valer, o requerimento precisa ser assinado pela Mesa, pela maioria dos membros do Senado (41 Senadores) ou por líderes que representem esse número. O requerimento é apresentado em qualquer momento da sessão, interrompendo-a para deliberação sobre o assunto. Assim que o requerimento é aprovado, já começa a apreciação da materia. O parecer sobre o projeto é dado na hora, oralmente, sendo que o relator, designado pelo Presidente, pode pedir prazo de até 2 horas para emitir seu relatório. Depois de apresentado, os demais Senadores podem pedir vista, por no máximo meia hora. É possível haver emendas; nesse caso, o parecer sobre as emendas deve ser proferido imediatamente, dispondo o relator de igualmente 2 horas de prazo. Nos projetos em regime de urgência urgentíssima, a redação final possui algumas características: não precisa de publicação e é colocada em votação imediatamente depois de pronta, mesmo que seja preciso interromper outra discussão ou votação.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Urgência – Caso 2 Os projetos para os quais se deseja apreciação na segunda sessão deliberativa ordinária seguinte à aprovação do requerimento enquadram-se no caso de urgência previsto no RISF, art. 336, II. Esse é o tipo de urgência regimental mais comum, pois o RISF não define, ao contrário do caso 1, qual o conteúdo de que as matérias devem tratar, conferindo maior grau de liberdade aos Senadores. Para que determinado projeto siga em regime de urgência, é necessário um requerimento assinado por Comissão, por 2/3 da composição da Casa (54 Senadores) ou por líderes que representem esse número. Esse requerimento deve ser lido no Período do Expediente de uma sessão – o RISF não determina prazo – e votado após a Ordem do Dia dessa mesma sessão. Se o requerimento for aprovado, a matéria para a qual se deseja regime de urgência entra na Ordem do Dia da segunda sessão deliberativa ordinária subsequente. Essa urgência pode ser solicitada inclusive para projeto que esteja sem parecer. Nesse caso, ele é oferecido no plenário, por relator designado pelo Presidente do Senado. O parecer deve ser apresentado pelo relator quando a matéria for anunciada na Ordem do Dia (RISF, art. 346, III). Se houver pedido de vista, esta só pode ser concedida por no máximo 24 horas (RISF, art. 132, § 2º, II). O prazo para emendas vai só até o encerramento da discussão. Havendo emendas, o relator deve oferecer parecer sobre elas durante a mesma sessão, podendo pedir prazo de 24 horas. Vale lembrar que nesse tipo de urgência os Senadores podem “voltar atrás”, isto é, desistir do pedido, extinguindo a urgência. Nesse caso, é preciso um requerimento de extinção de urgência assinado pela comissão requerente da urgência, pela maioria da composição do Senado (41 Senadores) ou por líderes que representem esse número. Reparem que os legitimados são os mesmos, mas o quórum do requerimento de extinção de urgência não é igual ao do requerimento de pedido de urgência. Outro detalhe é que o RISF também dispõe sobre algumas matérias que entram no regime de urgência do caso 2 automaticamente, ou seja, sem precisar de requerimento. Isso acontece com a autorização para o Presidente e o Vice-Presidente da República se ausentarem do País e as proposições sujeitas a prazo, quando faltarem dez dias para seu término (RISF, art. 353, II e par. único).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Urgência caso 3 A urgência do caso 3 é a “menos urgente”. Seu mecanismo é bastante parecido com a urgência caso 2, só que os atos do processo legislativo acontecem mais devagar. Para que o projeto entre nesse regime de urgência, deve ser apresentado um requerimento assinado por Comissão, por 1/4 da composição do Senado (21) ou líderes que representem esse número. O requerimento é lido no Período do Expediente de uma sessão e votado na Ordem do Dia da sessão deliberativa seguinte. Se o requerimento for aprovado, a matéria de que ele trata entra na Ordem do Dia da 4ª sessão deliberativa ordinária subsequente. Outra diferença em relação à urgencia do caso 2: o caso 3 se destina precipuamente às matérias que estejam sem parecer. Depois que o projeto entrou em regime de urgência, esse parecer precisa ser oferecido até a véspera do dia em que a matéria entrar na Ordem do Dia. O prazo para emendas vai até o encerramento da discussão. Havendo emendas, a matéria sai da Ordem do Dia e só volta na 4ª sessão deliberativa ordinária subsequente. O parecer sobre essas emendas deve ser apresentado até a véspera da data da votação do projeto (RISF, art. 346, III). A urgência do caso 3 também pode ser extinta, por requerimento assinado pela comissão requerente, por 1/4 da composição do Senado (21 Senadores) ou por líderes que representem esse número. Aqui, o quórum da extinção já se assemelha com o de pedido.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Emendas da Câmara a Projeto do Senado Quando um projeto de lei com origem no Senado vai à Câmara, ele está suscetível de receber emendas naquela casa revisora. Se as emendas aprovadas pela Câmara forem apenas de redação, ou seja, aquelas que não alteram o conteúdo do projeto, a matéria é remetida diretamente para sanção. Porém, se a Câmara aprovar emendas de mérito ao projeto, este precisará retornar ao Senado para que os Senadores se pronunciem sobre as emendas. Para facilitar o estudo sobre a apreciação das emendas da Câmara a projetos do Senado, vamos ver como funciona a apreciação das emendas apresentadas dentro do próprio Senado (que chamaremos de regra geral). Inicialmente, as emendas são separadas em grupos: as que receberam pareceres favoráveis e as com pareceres contrários. As emendas serão votadas individualmente se for aprovado requerimento de destaque (RISF, art. 300, II) ou se as emendas possuírem subemendas (RISF, art. 300, VI). Apresentar subemendas significa “emendar a emenda”, sendo a regra votar primeiro a emenda e só depois a subemenda. Porém, o Regimento Interno estabelece algumas hipóteses nas quais a votação começa pelas subemendas, a saber (RISF, art. 300, VII): a) se a subemenda for supressiva; b) se a subemenda for substitutiva de todo o texto da emenda; c) se a subemenda for substitutiva de artigo da emenda e a votação desta se fizer por artigo; Mais uma coisa importante: se a emenda for substitutiva integral, deverá ser votada em globo pelo Plenário, a menos que exista deliberação em contrário (RISF, art. 300, XV). Agora que vimos brevemente como são apreciadas as emendas, vamos estudar as emendas da Câmara aos projetos do Senado. Essas emendas chegam ao Senado e são protocoladas sob a sigla ECD. Depois, serão lidas e despachadas para as comissões pertinentes, onde serão designados relatores e aprovados os pareceres a respeito dessas emendas, indo posteriormente ao plenário. Se as emendas forem aprovadas, o Senado envia o projeto modificado para a sanção do Presidente da República (se for projeto de lei). Se as emendas forem rejeitadas, elas vão para o arquivo e o projeto original vai à sanção.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Durante a tramitação, essas emendas da Câmara não podem ser modificadas no Senado por meio de subemendas (RISF, art. 285). Na hora de votar essas emendas da Câmara, o plenário do Senado deve fazê-lo em globo, ou seja, por meio de uma votação que serve para todas as emendas, a menos que haja um requerimento de destaque, para votar separadamente alguma emenda (RISF, art. 286, II) ou se as comissões tiverem se manifestado contra algumas emendas e a favor de outras. Nesse caso, separam-se as emendas em grupos – as com parecer favorável e as com parecer contrário – e procede-se à votação (RISF, art. 286, I). Agora, se a emenda da Câmara for um substitutivo, a regra é votá-lo todo em separado, por artigos, parágrafos, incisos, alíneas e itens. Há exceção a essa regra se for aprovado requerimento para votação em globo desses dispositivos (RISF, art. 287). Por fim, as emendas da Câmara a projetos do Senado também são passíveis de tramitação em regime de urgência regimental, observando o que preceitua o art. 336 do RISF. Muito bem! Agora vamos aos nossos exercícios. Exercícios Acerca de regime de urgência, julgue os itens a seguir. 1) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética: os líderes dos partidos A e B, cujos liderados perfazem um terço da composição do Senado, apresentaram requerimento de urgência, com vistas a que o projeto a que se referia o requerimento fosse incluído na Ordem do Dia da mesma sessão. Nessa situação, o presidente do Senado deverá dar seguimento à tramitação do requerimento de urgência. Errada. Para que um projeto possa ser incluído na Ordem do Dia da mesma sessão, é preciso que se enquadre na hipótese da urgência caso 1. Assim, seriam necessárias assinaturas da maioria do Senado ou de líderes que representassem esse número (RISF, art. 338, I). 2) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética: o presidente da Comissão Permanente X concedeu, pelo prazo máximo de duas sessões, vista coletiva aos membros

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 daquele órgão, considerando que um projeto de lei tramitava em regime de urgência. Nessa situação, o presidente da Comissão agiu corretamente. Errada. O prazo para vista nos projetos em regime de urgência é de no máximo meia hora, na urgência do caso 1, ou 24 horas, na urgência dos casos 2 e 3 (RISF, art. 132, § 2º, I e II). 3) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética. Ao ser lido requerimento de autoria do líder do Partido Z, cuja bancada representa um terço da composição do Senado, em que solicitava adiamento da discussão, por duas sessões, de um projeto de lei, um Senador levantou questão de ordem alegando que, como a matéria tramitava em regime de urgência, não cabia adiamento de discussão. O presidente da Casa, que presidia a sessão, não acatou a questão de ordem. Nessa situação, agiu corretamente o presidente do Senado. Errada. Nos projetos tramitando em regime de urgência, não cabe adiamento da discussão (RISF, art.279). Ao não acatar a questão de ordem, o Presidente do Senado não teria agido corretamente. 4) Inédita: No Senado, a urgência só poderá ser extinta por deliberação do Plenário. Errada. Nos termos do RISF, art. 352, I, a urgência também se extingue pelo pelo término da sessão legislativa. 5) Cespe/SF/Advocacia/1995: A lei ordinária tem seu quorum de aprovação definido regimentalmente. Errada. O quorum de aprovação das leis é definido pela Constituição Federal. Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros (CF/88, art. 47). Ou seja, a regra é da maioria simples. Somente a Constituição poderá exigir maioria absoluta ou quórum qualificado. 6) Cespe/SF/Advocacia/1995: A lei ordinária cujo projeto tenha sido de iniciativa do STF tem início no Senado Federal. Errada. Leis de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores têm tramitação iniciada pela Câmara dos Deputados (CF/88, art. 64).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 7) Cespe/SF/Advocacia/1995: A lei ordinária é hierarquicamente superior à Medida Provisória. Errada. Não existe hierarquia entre as espécies normativas elencadas na Constituição. 8)Cespe/SF/Advocacia/1995: A lei ordinária pode ser parcialmente vetada em trecho de artigo, parágrafo, inciso ou alínea.E Errada. Não só em relação à lei ordinária como também à lei complementar, o veto parcial do Presidente da República somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea (CF/88, art. 66, § 2º). 9) Cespe/SF/Advocacia/1995: A lei ordinária que fixa o efetivo das Forças Armadas é de iniciativa privativa do Presidente da República. Correta. É o que prevê a Constituição (art. 61, § 1º, I). Considerando que o Poder Executivo tenha enviado projeto de lei ordinária ao Congresso Nacional, estabelecendo normas gerais relativas a exploração de jazidas e minas, julgue os itens seguintes: 10) Cespe/MPOG/Analista de infraestrutura III/2010: Por se tratar de matéria privativa da União, de iniciativa do presidente da Republica, esse processo legislativo deveria ser iniciado no Senado Federal. Errada. Leis de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores têm tramitação iniciada pela Câmara dos Deputados (CF/88, art. 64). 11) Cespe/MPOG/Analista de infraestrutura III/2010: A votação do projeto pelo Senado Federal dependerá da presença da maioria absoluta dos membros dessa casa legislativa, mas, para sua aprovação, bastará a maioria de votos. Correta. Sendo projeto de lei ordinária, o quórum requerido é a maioria de votos, presente a maioria absoluta dos membros da Casa (CF/88, art. 47). 12) Cespe/MPOG/Analista de Infraestrutura III/2010: Tendo sido apresentada emenda ao projeto original por uma das casas legislativas e

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 aprovada pela outra, com veto do presidente da República rejeitado pelo Congresso Nacional, a promulgação caberá ao vice-presidente do Senado Federal. Errada. A matéria que tiver sido objeto de veto do Presidente da República posteriormente rejeitado pelo Congresso Nacional é enviada para promulgação do Presidente da República. Apenas se o Chefe do Executivo não o fizer em 48 horas, caberá ao Presidente do Senado fazê-lo. Se este não o fizer em igual prazo, aí sim caberá ao Vice-Presidente do Senado promulgar (CF/88, art. 66, § 7º). 13) Cespe/PGE-RR/Procurador/2004: Nos termos da Constituição da República, os projetos de lei deverão ser aprovados, necessariamente, pelo plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Errada. Nos termos da Constituição, às comissões da Câmara dos Deputados e do Senado Federal compete discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa (CF/88, art. 58, § 2º, I). Portanto, não necessariamente um projeto de lei deve ser aprovado pelo Plenário. 14) Cespe/TJDFT/Analista processual/2000: Considerando que um projeto de lei fosse aprovado pela Câmara dos Deputados e, remetido ao Senado Federal, viesse a ser rejeitado por essa casa revisora, então o projeto haveria de ser restituído à Câmara para novo turno de votação e discussão, sendo enviado à sanção presidencial na hipótese de aprovação nessa nova votação. Errada. Se o Senado rejeitar o projeto que veio da Câmara, este irá ao arquivo. O projeto só seria restituído à Câmara caso o Senado aprovasse emendas que alterassem o mérito do projeto, para que os deputados se pronunciassem sobre as emendas. 15)Cespe/TJDFT/Titular de serviços notariais e de registro/2001: A alteração meramente redacional que não modifique substancialmente nenhuma das disposições de projeto de lei realizada por uma das Casas do Congresso Nacional não impõe o retorno do referido projeto à outra Casa. Correta. Se as emendas apresentadas pela Casa revisora forem unicamente de redação, sem atingir o mérito da matéria, o projeto pode ir à sanção sem precisar retornar à casa de origem.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 16) Cespe/TST/Analista Judiciário – Área Administrativa/2007: Considere que, em uma sessão do Senado Federal, que é composto por 81 membros, estivessem presentes 71 senadores e tenha havido exatos 36 votos pela aprovação de determinado projeto de lei complementar. Nessa situação, é correto concluir que o referido projeto foi rejeitado. Correta. Para ser aprovado, um projeto de lei complementar precisa obter, no mínimo, os votos favoráveis da maioria absoluta da Casa (CF/88, art. 69). Como o projeto em questão obteve apenas 36 votos, não atingiu o quórum mínimo para aprovação, estando, portanto, rejeitado. 17) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: No sistema bicameral brasileiro, tendo iniciado projeto de lei ordinária no Senado Federal, remetido à Câmara dos Deputados e sofrido emendas, retornando à Casa iniciadora poderá o projeto: (A) sofrer rejeição total das emendas e ser remetido para sanção presidencial. Correta. As emendas oferecidas pela casa revisora serão apreciadas pela casa iniciadora, que poderá rejeitá-las total ou parcialmente e encaminhar o projeto diretamente à sanção. (B) passar por novas emendas e ser devolvido à Câmara dos Deputados. Errada. As emendas oferecidas pela Câmara ao projeto do Senado, ao serem examinadas pelos Senadores não poderão ser emendadas por meio de subemendas. (C) ser emendado, aprovado e remetido à sanção presidencial. Errada. Se o projeto já foi encaminhado à Câmara dos Deputados e lá sofreu emendas, ao retornar para o Senado não poderá ser emendado. (D) não sofrer emendas porque a Câmara dos Deputados é soberana em tema de lei ordinária. Errada. O projeto não sofrerá novas emendas por disposição regimental. Entre as casas legislativas não há hierarquia. (E) tramitar por procedimento sumário, sem ir a plenário.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 Errada. As emendas da Câmara dos Deputados aos projetos de lei oriundos do Senado não estão elencadas no art. 91 do RISF entre as matérias passíveis de serem apreciadas dispensando a competência do plenário. Outro erro é que a matéria que dispensa a competência do plenário não tramita em procedimento sumário como diz a questão, mas sim em procedimento abreviado. Gabarito: Letra “A” 18) FCC/TRF 4ª REGIÃO/Analista Judiciário – Taquigrafia/2010: A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República terão início na (A) primeira assembleia extraordinária do Senado Federal. (B) Câmara dos Deputados. (C) primeira assembleia ordinária do Senado Federal. (D) segunda assembleia extraordinária do Senado Federal. (E) segunda assembleia ordinária do Senado Federal. As leis de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores têm tramitação iniciada pela Câmara dos Deputados (CF/88, art. 64). Gabarito: Letra “B” 19) Inédita: Suponha que o Senado tenha aprovado requerimento de urgência para que determinado projeto seja apreciado na segunda sessão deliberativa ordinária seguinte à aprovação do citado requerimento. Nesse caso, se os Senadores desejarem retirar tal projeto do regime de urgência, é necessário apresentar um requerimento assinado pela maioria da composição do Senado ou por líderes que representem esse número, mesmo quórum requerido quando da apresentação do requerimento de urgência. Errada. Se a urgência aprovada foi para que o projeto seja apreciado na segunda sessão ordinária seguinte à aprovação da urgência, trata-se da urgência caso 2 (RISF, art. 336, II). O quórum mínimo que deve subscrever o requerimento de urgência é de dois terços da composição do Senado ou líderes que representem esse número (RISF, art. 338, II). Já o requerimento de extinção da urgência nesse caso, deve ser formulado pela

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 maioria dos membros do Senado ou líderes que representem esse número (RISF, art. 352, pár.único, I) 20) As emendas da Câmara aos projetos de origem no Senado, ao retornarem para a apreciação dos Senadores, não são passíveis de receberem subemendas. Após a aprovação ou rejeição das emendas, cabe ao Senado enviar o projeto à sanção. Correta. As emendas da Câmara a projetos do Senado não são suscetíveis de modificação por meio de subemenda (RISF, art. 285). Depois de apreciadas as emendas pelo Senado, esta casa remeterá o projeto para a sanção.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 LISTA DE QUESTÕES DESTA AULA Acerca de regime de urgência, julgue os itens a seguir. 1) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética: os líderes dos partidos A e B, cujos liderados perfazem um terço da composição do Senado, apresentaram requerimento de urgência, com vistas a que o projeto a que se referia o requerimento fosse incluído na Ordem do Dia da mesma sessão. Nessa situação, o presidente do Senado deverá dar seguimento à tramitação do requerimento de urgência. 2) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética: o presidente da Comissão Permanente X concedeu, pelo prazo máximo de duas sessões, vista coletiva aos membros daquele órgão, considerando que um projeto de lei tramitava em regime de urgência. Nessa situação, o presidente da Comissão agiu corretamente. 3) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética. Ao ser lido requerimento de autoria do líder do Partido Z, cuja bancada representa um terço da composição do Senado, em que solicitava adiamento da discussão, por duas sessões, de um projeto de lei, um Senador levantou questão de ordem alegando que, como a matéria tramitava em regime de urgência, não cabia adiamento de discussão. O presidente da Casa, que presidia a sessão, não acatou a questão de ordem. Nessa situação, agiu corretamente o presidente do Senado. 4) Inédita: No Senado, a urgência só poderá ser extinta por deliberação do Plenário. 5) Cespe/SF/Advocacia/1995: A lei ordinária tem seu quorum de aprovação definido regimentalmente. 6) Cespe/SF/Advocacia/1995: A lei ordinária cujo projeto tenha sido de iniciativa do STF tem início no Senado Federal. 7) Cespe/SF/Advocacia/1995: A lei ordinária é hierarquicamente superior à Medida Provisória. 8) Cespe/SF/Advocacia/1995: A lei ordinária pode ser parcialmente vetada em trecho de artigo, parágrafo, inciso ou alínea.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 9) Cespe/SF/Advocacia/1995: A lei ordinária que fixa o efetivo das Forças Armadas é de iniciativa privativa do Presidente da República. Considerando que o Poder Executivo tenha enviado projeto de lei ordinária ao Congresso Nacional, estabelecendo normas gerais relativas a exploração de jazidas e minas, julgue os itens seguintes: 10) Cespe/MPOG/Analista de infraestrutura III/2010: Por se tratar de matéria privativa da União, de iniciativa do presidente da Republica, esse processo legislativo deveria ser iniciado no Senado Federal. 11) Cespe/MPOG/Analista de infraestrutura III/2010: A votação do projeto pelo Senado Federal dependerá da presença da maioria absoluta dos membros dessa casa legislativa, mas, para sua aprovação, bastará a maioria de votos. 12) Cespe/MPOG/Analista de Infraestrutura III/2010: Tendo sido apresentada emenda ao projeto original por uma das casas legislativas e aprovada pela outra, com veto do presidente da República rejeitado pelo Congresso Nacional, a promulgação caberá ao vice-presidente do Senado Federal. 13) Cespe/PGE-RR/Procurador/2004: Nos termos da Constituição da República, os projetos de lei deverão ser aprovados, necessariamente, pelo plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. 14) Cespe/TJDFT/Analista processual/2000: Considerando que um projeto de lei fosse aprovado pela Câmara dos Deputados e, remetido ao Senado Federal, viesse a ser rejeitado por essa casa revisora, então o projeto haveria de ser restituído à Câmara para novo turno de votação e discussão, sendo enviado à sanção presidencial na hipótese de aprovação nessa nova votação. 15) Cespe/TJDFT/Titular de serviços notariais e de registro/2001: A alteração meramente redacional que não modifique substancialmente nenhuma das disposições de projeto de lei realizada por uma das Casas do Congresso Nacional não impõe o retorno do referido projeto à outra Casa. 16) Cespe/TST/Analista Judiciário – Área Administrativa/2007: Considere que, em uma sessão do Senado Federal, que é composto por 81 membros, estivessem presentes 71 senadores e tenha havido exatos 36

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 votos pela aprovação de determinado projeto de lei complementar. Nessa situação, é correto concluir que o referido projeto foi rejeitado. 17) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: No sistema bicameral brasileiro, tendo iniciado projeto de lei ordinária no Senado Federal, remetido à Câmara dos Deputados e sofrido emendas, retornando à Casa iniciadora poderá o projeto: (A) sofrer rejeição total das emendas e ser remetido para sanção presidencial. (B) passar por novas emendas e ser devolvido à Câmara dos Deputados. (C) ser emendado, aprovado e remetido à sanção presidencial. (D) não sofrer emendas porque a Câmara dos Deputados é soberana em tema de lei ordinária. (E) tramitar por procedimento sumário, sem ir a plenário. 18) FCC/TRF 4ª REGIÃO/Analista Judiciário – Taquigrafia/2010: A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República terão início na (A) primeira assembleia extraordinária do Senado Federal. (B) Câmara dos Deputados. (C) primeira assembleia ordinária do Senado Federal. (D) segunda assembleia extraordinária do Senado Federal. (E) segunda assembleia ordinária do Senado Federal. 19) Inédita: Suponha que o Senado tenha aprovado requerimento de urgência para que determinado projeto seja apreciado na segunda sessão deliberativa ordinária seguinte à aprovação do citado requerimento. Nesse caso, se os Senadores desejarem retirar tal projeto do regime de urgência, é necessário apresentar um requerimento assinado pela maioria da composição do Senado ou por líderes que representem esse número, mesmo quórum requerido quando da apresentação do requerimento de urgência. 20) As emendas da Câmara aos projetos de origem no Senado, ao retornarem para a apreciação dos Senadores, não são passíveis de receberem subemendas. Após a aprovação ou rejeição das emendas, cabe ao Senado enviar o projeto à sanção.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 04 GABARITO 1E 2E 3E 4E 5E 6E 7E 8C 9C 10E 11C 12E 13E 14E 15C 16C 17A 18B 19E 20C

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Olá, concurseiros e concurseiras! Vamos à nossa quinta aula de Processo Legislativo para o Senado Federal! Nesta aula, estudaremos de forma pormenorizada como se dá a tramitação de projetos de decreto legislativo e resolução no Senado. Relembrando o que vimos em outras aulas, o decreto legislativo é a proposição que veicula matérias que são de competência privativa do Congresso Nacional, constantes do art. 49 da CF/88. São as seguintes: 1) resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional (possuem algumas regras diferenciadas na tramitação, que veremos mais adiante); 2) autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar; 3) autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias; 4) Aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas; 5) Sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; 6) Mudar temporariamente sua sede; 7) Fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores; 8) Fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado; 9) Julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo; 10) Fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 11) Zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes; 12) Apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão; 13) Escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União; 14) Aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares; 15) Autorizar referendo e convocar plebiscito; 16) Autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais; 17) Aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares. Um detalhe importante para concursos e que muitas vezes gera confusão: as matérias veiculadas por meio de projetos de decreto legislativo são de competência exclusiva do Congresso Nacional, mas não vão ser discutidas ou votadas em sessão conjunta do Congresso. Devem sim, obrigatoriamente, passar separadamente pelo exame das duas Casas. Os projetos de decreto legislativo possuem tramitação bem semelhante aos projetos de lei ordinária, como veremos a seguir. PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO DO SENADO Autoria: Senador Como todas as matérias, o projeto é lido em plenário no Período do Expediente de uma sessão. Depois, é despachado pelo Presidente da Casa a uma ou a mais de uma comissão. É aberto prazo de 5 dias úteis para emendas de comissão, no qual apenas os membros do colegiado podem apresentar emendas, se o projeto não estiver tramitando em caráter terminativo. O Presidente da Comissão, por sua vez, designa um relator que vai elaborar seu relatório.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Aprovado o relatório, o Presidente da comissão envia o parecer à Mesa. O parecer é lido no Período do Expediente da sessão e publicado no Diário do Senado e em avulsos. Após a leitura, abre-se o prazo de 5 dias úteis para apresentação de emendas perante a Mesa. Se houver emendas: o projeto volta para as comissões, para receber o parecer sobre as emendas. O relator, preferencialmente o mesmo que já deu parecer sobre o projeto, se manifesta a respeito das emendas. Reparem que, no caso do parecer sobre as emendas, o prazo (15 dias úteis) corre simultaneamente para todas as comissões que precisam se pronunciar sobre elas. Aprovado, o parecer das emendas volta à Mesa para ser lido no Plenário e publicado. Para esse segundo parecer da comissão, sobre as emendas, não é aberto prazo para apresentação de novas emendas. Se não houver emendas: o projeto está pronto para ser agendado para constar da Ordem do Dia. Após entrar na Ordem do Dia, o projeto será discutido e votado em turno único. O quórum para aprovação é a maioria simples. Se o projeto for rejeitado, vai ao Arquivo. Se aprovado, vai à Câmara dos Deputados para revisão. Daí em diante segue o “Mecanismo de Revisão – Câmara como revisora”. Contudo, há uma diferença: se a Câmara aprovar o projeto de decreto legislativo da forma como o Senado aprovou ou apenas com emendas de redação, ela o encaminha ao Presidente do Senado para que faça sua promulgação. Isso porque os projetos de decreto legislativo, por tratarem de competências privativas do Congresso Nacional, não precisam da sanção do Presidente da República, sendo promulgados diretamente pelo Legislativo. Se, por outro lado, a Câmara aprovar emendas de mérito ao projeto de decreto legislativo, o projeto será devolvido ao Senado Federal, para os Senadores analisarem as emendas propostas. Se o Senado aprovar as alterações da Câmara, o Presidente do Senado promulga o decreto legislative, incorporando também as alterações aprovadas. Agora, se o Senado rejeitar as alterações da Câmara, o projeto de decreto legislativo será promulgado somente com o texto do Senado (excluindo as emendas). Caso o projeto de decreto legislativo esteja em regime de tramitação terminativa, seguirá praticamente os mesmos passos de um projeto de lei ordinária terminativo, que já estudamos na aula passada. Contudo, devemos lembrar que, depois de aprovados, os decretos legislativos são promulgados pelo Presidente do Senado.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Os Projetos de Decreto Legislativo que podem ter tramitação terminativa, nos termos do RISF, art. 91, § 1º, são: ⇒ tratados ou acordos internacionais (CF/88, art. 49, I); ⇒ autorização para a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais em terras indígenas (CF/88, art. 49, XVI); e ⇒ alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares (CF/88, art. 49, XVII).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO DO SENADO Autoria: Comissão Esse tipo de projeto segue a tramitação do projeto de decreto legislativo de autoria de Senador. A diferença é na origem: sendo de autoria de comissão, significa que foi elaborado um anteprojeto e que a maioria absoluta dos membros do colegiado concordou com a apresentação de um projeto de decreto legislativo. O Presidente da Comissão encaminha o projeto ao Presidente do Senado. A matéria é lida e publicada. Abre-se prazo de 5 dias úteis para emendas, diretamente na Mesa, pois o projeto já veio de uma comissão. Porém, se determinada comissão tiver apresentado projeto de decreto legislativo cujo tema esteja relacionado a outra comissão, o texto deverá passar pelo exame de mérito no colegiado apropriado. Não havendo qualquer emenda, o projeto já está pronto para ser agendado na Ordem do Dia, discutido e votado em turno único. Havendo emendas, o projeto volta à comissão onde teve origem para que a mesma elabore parecer sobre as emendas. O parecer vai para leitura no Período do Expediente da sessão plenária, publicado em avulsos e no Diário do Senado Federal, estando pronto para entrar na Ordem do Dia, obedecido o interstício regimental. O quórum exigido para aprovação é de maioria simples, e a votação, em regra, é simbólica. Se o projeto for aprovado: vai à Câmara dos Deputados para revisão. Se o projeto for rejeitado: vai ao Arquivo. Na Câmara, se o projeto for aprovado sem emendas ou somente com emendas de redação, o projeto de decreto legislativo é encaminhado ao Presidente do Senado para promulgação. Mas, se a Câmara incorporar emendas de mérito ao texto que veio do Senado, as emendas voltam à Casa de origem para receber parecer. Aprovadas as alterações propostas pela Câmara, o Presidente do Senado promulga o decreto legislativo.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Projeto de Decreto Legislativo referente a concessão, permissão ou autorização de rádio e TV A Constituição Federal determina ser de competência do Congresso Nacional apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão (CF/88, art. 49, XII). A tramitação desse tipo de matéria começa com o envio da mensagem presidencial à Câmara dos Deputados, submetendo-a ao Legislativo. Depois de tramitar na Câmara, a proposição é remetida ao Senado. O projeto então é lido no Período do Expediente de uma sessão plenária e o Presidente da Casa despacha a matéria para a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). O Presidente da Comissão designa um relator para o projeto e abre-se o prazo de cinco dias úteis para que todos os Senadores apresentem emendas, sendo ou não membros da comissão. Os projetos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e TV são apreciados de forma terminativa. Essa regra, porém, não está explicitada no art. 91 do Regimento Interno do Senado, que trata das matérias terminativas. No entanto, os Senadores aprovaram em Plenário o Parecer nº 34/2003, da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, que determina que os projetos de decreto legislativo sobre concessão, permissão ou autorização de rádio e tv serão apreciados terminativamente pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática. Só que precisamos estar atentos a esse tipo de projeto, pois a Constituição estabelece prazo determinado para sua apreciação pelo Legislativo (CF/88, art. 223, § 1º). Esse prazo é semelhante ao de projetos de lei de iniciativa do Presidente da República para o qual se tenha solicitado urgência constitucional. Assim, a Câmara deve se pronunciar a respeito da matéria em 45 dias corridos, e o Senado, também em 45 dias. Esgotado esse prazo sem deliberação, a matéria passa a “trancar a pauta” de votações da Casa onde estiver. Na CCT, depois de apresentado o relatório e discutido, a Comissão está pronta para deliberar sobre o projeto. Sendo matéria urgente, a comissão deve estar com seu parecer pronto até o 25º dia do recebimento do projeto pelo Senado (RISF, art. 375, III). Caso contrário, o projeto entra na pauta da comissão mesmo sem parecer.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 A votação deve ser feita pelo processo nominal, pois o projeto tramita em caráter terminativo. Se o relatório for aprovado, ele se transforma em parecer da Comissão de Ciência e Tecnologia. O parecer é lido e publicado no Diário do Senado Federal. Abre-se então o prazo de cinco dias úteis para a apresentação de recurso, caso algum Senador deseje que o projeto passe pelo Plenário do Senado. Relembre-se que, para ser aceito, esse recurso precisa estar assinado por, no mínimo, 1/10 dos Senadores. Se, passado esse prazo, não houver recurso, o Decreto Legislativo será promulgado pelo Presidente do Senado Federal. Também deve ser publicado no Diário do Senado Federal e no Diário Oficial da União. Havendo recurso, é aberto o prazo de cinco dias úteis para a apresentação de emendas perante a Mesa. Sem emendas, a matéria está pronta para ser agendada para a Ordem do Dia, discutida e votada. Mas se tiver recebido emendas, voltará para a CCT, a fim de que a comissão emita parecer sobre essas emendas. Quem faz o relatório das emendas é, de preferência, o mesmo Senador que relatou o projeto anteriormente. A Comissão vota o relatório sobre as emendas que, aprovado, transforma-se no parecer. O parecer sobre as emendas será lido no Período do Expediente da sessão e publicado no Diário do Senado Federal. Depois, é agendado para a Ordem do Dia, discutido e votado, considerado aprovado se obtiver a maioria dos votos. Não podemos esquecer ainda que, havendo emendas, o projeto de decreto legislativo precisa retornar à Câmara dos Deputados para que esta se pronuncie sobre as emendas. Depois de aprovado, o decreto legislativo está pronto para ser promulgado. Agora, mais um toque: cuidado para não confundir a votação do projeto de decreto legislativo, por maioria simples, com o disposto na CF/88, art. 223, § 2º: “A não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal”. Observe que o quórum qualificado de 2/5 do Congresso Nacional se aplica nos casos de não renovação de concessão ou permissão. Apenas para negar a renovação é que se faz necessário o voto de 2/5 dos membros do Congresso.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Projeto de Decreto Legislativo sobre a prestação de contas do Presidente da República A Constituição Federal determina em seu artigo 49, IX, que compete ao Congresso Nacional julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo. O julgamento da prestação de contas acontece da maneira a seguir. O Presidente da República envia suas contas, por meio de Mensagem, ao Presidente do Congresso. O prazo para envio é de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, conforme reza a CF/88, art. 84, XXIV. O texto constitucional prevê ainda que se o prazo de 60 dias não for cumprido, caberá à Câmara dos Deputados proceder à tomada de contas do Presidente da República (CF/88, art. 51, II). Ao receber as contas, o Presidente do Congresso Nacional encaminha esse material ao Tribunal de Contas da União (TCU), que tem 60 dias para elaborar e aprovar um parecer prévio a respeito dessas contas. O TCU devolve as contas, instruídas com o parecer prévio, para o Congresso. O recebimento do parecer do TCU deve ser comunicado em Plenário pelo Presidente do Congresso. A matéria é então despachada para a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMPOPF ou, simplesmente, CMO), para que ela emita um parecer concluindo pela apresentação de um projeto de decreto legislativo. No início dos trabalhos do segundo período de cada sessão legislativa, a Comissão realizará audiência pública com o Ministro Relator do TCU, que fará exposição acerca do seu parecer prévio sobre as contas apresentadas, com vistas a subsidiar a apreciação dessa prestação de contas. Na CMO, a regra será semelhante para a apresentação de um projeto por uma comissão permanente do Senado: a maioria absoluta de sua composição deve se manifestar favoravelmente ao parecer para que o projeto de decreto legislativo passe a tramitar. Pelo fato de ter origem em uma comissão mista, a tramitação desse projeto apresenta uma peculiaridade: ela tem início alternadamente na Câmara dos Deputados e no Senado Federal (RCCN, art. 142).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Quando o projeto chega ao Senado (se estiver iniciando no Senado ou se tiver vindo da Câmara), será lido no Período do Expediente e é aberto o prazo de 5 dias úteis para apresentação de emendas perante a Mesa. Se tiver emendas, vai para a CMO, para receber parecer. Na comissão, o relator da matéria principal será o mesmo das emendas. Ele apresenta seu relatório que, se aprovado, se transforma no parecer. Depois, é publicado e agendado para a Ordem do Dia. Para ser aprovado em plenário, o Projeto de Decreto Legislativo que julga a prestação de contas do Presidente da República precisa obter maioria simples de votos. Em seguida, se aprovado, vai à promulgação.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Projetos de Resolução Os projetos de resolução, em geral, regulam assuntos de interesse próprio da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Sua principal característica é que esses projetos não precisam ser enviados à Casa revisora. Eles nascem, tramitam e são promulgados dentro da mesma Casa. Os exemplos mais notórios são os projetos de resolução destinados a promover alteração ou reforma dos regimentos internos e dos regulamentos administrativos, bem como os projetos de resolução que veiculam a maioria das competências específicas definidas pela Constituição Federal (no art. 50, para a Câmara dos Deputados, e no art. 51, para o Senado Federal). Já o Congresso Nacional pode editar resoluções para dois assuntos: para reforma do Regimento Comum (RCCN, art. 128) e para delegar poderes de elaboração legislativa ao Presidente da República, a lei delegada (CF/88, art. 68, § 2º, e RCCN, art. 116, § 2º). Projeto de Resolução do Senado que altera o Regimento do Interno do Senado Os projetos de resolução destinados a fazer alguma alteração no Regimento Interno ou reformá-lo podem ter como autores qualquer Senador, a Comissão Diretora ou ainda, uma comissão temporária criada especialmente para esse fim, da qual deverá fazer parte um membro da Comissão Diretora (RISF, art. 401). Entende-se por alteração uma modificação pontual feita ao Regimento. Exemplo: a Resolução 01/2007-SF, que criou a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). Já na reforma, todo o regimento passará por uma revisão sistêmica, na medida em que uma alteração em uma regra processual pode repercutir em vários outros artigos regimentais. Exemplo de reforma é a que está em andamento em relação ao atual Regimento do Senado, ainda sem data prevista para terminar. Nesse caso, foi criada uma comissão temporária que ficou responsável por estudar minuciosamente o regimento no sentido de modernizá-lo, propondo a reforma que ainda precisa ser aprovada pelos Senadores.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Depois de publicado e distribuído em avulsos, o projeto de resolução pode receber emendas perante a Mesa durante 5 dias úteis. Em seguida, será remetido às comissões para exame. Nesse momento, o projeto seguirá caminhos diferentes conforme sua autoria: Autoria individual de Senador: Comissão de Constituição e Justiça e Comissão Diretora (RISF, art. 401, § 2º, I e III), havendo ou não emendas; Autoria da Comissão Diretora: Comissão de Constituição e Justiça (RISF, art. 401, § 2º, I). Havendo emendas, quem dará parecer sobre elas será a própria Comissão Diretora e a CCJ; Autoria de comissão temporária especial: Comissão de Constituição e Justiça (RISF, art. 401, § 2º, I). Nesse último caso, havendo emendas, quem vai se pronunciar sobre o mérito delas é a comissão temporária que elaborou o projeto (RISF, art. 401, § 2º, II). O prazo para que as comissões elaborem seus pareceres é um pouco diferente das demais proposições. São dez dias úteis para projetos de modificação do regimento e vinte dias úteis quando se tratar de reforma (RISF, art. 401, § 3º). Quando os pareceres estiverem prontos, serão lidos no Período do Expediente e publicados. Após o interstício regimental, o projeto pode ser agendado para a Ordem do Dia para ser discutido e votado, sendo o quórum para aprovação o de maioria simples. Na hora de elaborar a redação final, devemos nos lembrar de um detalhe: se quem elaborou o projeto foi uma comissão específica, será ela a responsável pela redação final. No caso de projetos de autoria individual de Senador, a redação final cabe à Comissão Diretora (RISF, art. 401, § 5º). Após isso, a resolução está pronta para ser promulgada, sem precisar ir à Câmara dos Deputados. Ao final de cada legislatura, a Mesa fará a consolidação das modificações feitas no Regimento, podendo para isso alterar a ordenação das matérias e fazer as correções de redação que se tornarem necessárias, sem, no entanto, fazer qualquer alteração de mérito (RISF, art. 402, caput e par. único). Atenção! Projeto que altera o Regimento Interno do Senado não é passível de tramitar em regime abreviado (terminativo), conforme determinação do RISF, art. 91, § 1º, V, “a”. 14

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Projeto de Resolução do Senado de natureza financeira Autoria: Comissão de Assuntos Econômicos 1/3 ou maioria absoluta dos Senadores Já vimos um pouco desse assunto durante nossa aula 2. As competências privativas do Senado quanto a matérias de natureza financeira, previstas nos arts. 52 e 155 da Constituição Federal, são veiculadas por meio de projetos de resolução, sem precisar passar pela Câmara dos Deputados. Para refrescar nossa memória, são aqueles pedidos de autorização para operações de crédito externo, fixação de limites para dívidas, limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno, concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno e fixação de alíquotas de impostos. Porém, os legitimados para iniciativa desses projetos variam, bem como o quórum necessário para sua aprovação: MATÉRIA Autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios (CF/88, art. 52, V); Dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal (CF/88, art. 52, VII); Dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno (CF/88, art. 52, VIII); Estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos INICIATIVA CAE APROVAÇÃO Maioria simples

CAE

Maioria simples

CAE

Maioria simples

CAE

Maioria simples

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (CF/88, art. 52, IX); Fixar alíquotas máximas do imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos (CF/88, art. 155, § 1º, IV); Fixar limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (CF/88, art. 52, VI) Estabelecer as alíquotas aplicáveis às operações e prestações interestaduais e de exportação (CF/88, art. 155, § 2º, IV); Estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas (CF/88, art. 155, § 2º, V, “a”); Fixar alíquotas máximas nas operações internas para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados e do Distrito Federal (CF/88, art. 155, § 2º, V, “b”);

CAE

Maioria simples

Presidente da República

Maioria simples

Presidente da República ou 1/3 dos Senadores 1/3 dos Senadores Maioria absoluta dos Senadores

Maioria absoluta

Maioria absoluta 2/3 da composição do Senado

Nos casos em que a proposta parte do Presidente da República, ela é encaminhada para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que, como conclusão de seu parecer, oferece um projeto de resolução. De fato, a comissão fica sendo a autora do projeto. Esses projetos de resolução de natureza financeira seguem caminhos parecidos. Após serem lidos no Período do Expediente, são publicados e é aberto o prazo de 5 dias úteis para apresentação de emendas. Havendo emendas, elas vão à CAE para receber parecer sobre elas. Se não houver emendas, o Projeto de Resolução é incluído em Ordem do Dia. O quórum de aprovação varia conforme o conteúdo da matéria, como podemos ver na tabela acima.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Depois de aprovado o projeto, a resolução é promulgada pelo Presidente do Senado e publicada no Diário do Senado Federal e no Diário Oficial da União. Notem apenas que o Presidente da Casa, embora tenha poderes para promulgar a resolução, deve comunicar a aprovação da matéria ao Presidente da República e à autoridade diretamente interessada no assunto (RISF, art. 396).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Projetos de Resolução do Congresso Nacional Projeto de Resolução que altera o Regimento Comum Diferentemente do Regimento Interno do Senado, o Regimento Comum do Congresso Nacional trata de forma indistinta as possibilidades de reforma e de alteração. Nesse sentido, os projetos de resolução que modificam o Regimento Comum podem ter como autores (RCCN, art. 128): a) as Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados; e b) no mínimo, 100 parlamentares, divididos em 20 Senadores e 80 Deputados. A apresentação desse tipo de projeto deve ocorrer em sessão conjunta. Se for de autoria das Mesas, o Presidente do Congresso convoca outra sessão conjunta, dentro de 5 dias, para discussão (RCCN, art. 128, § 2º). Se o projeto é de autoria de parlamentares, ele vai ao exame das Mesas, que vão oferecer seus pareceres dentro de 15 dias (RCCN, art. 128, § 3º). Podem ser apresentados dois pareceres (um pela Câmara, outro pelo Senado), ou um parecer único (RCCN, art. 130). Esgotado o prazo de 15 dias, existindo ou não parecer, será realizada sessão conjunta para discussão do projeto (RCCN, art. 128, § 4º). Nas duas hipóteses, se, depois de discutido o projeto, forem apresentadas emendas, a matéria volta às Mesas do Senado e da Câmara para que se pronunciem sobre as emendas no prazo de 10 dias. Terminado o prazo, com ou sem parecer, é convocada sessão conjunta para votação da matéria (RCCN, art. 129). O parecer das Mesas sobre as emendas também pode, a exemplo do que ocorre com o parecer sobre o projeto, ser único. A votação acontece em turno único, sendo necessário para a aprovação o quorum de maioria simples. São computados os votos separadamente, começando pela Câmara dos Deputados, depois o Senado Federal (RCCN, art. 43, caput e § 2º). Se o projeto for aprovado nas duas Casas, então a Resolução do Congresso Nacional está pronta para ser promulgada pelo Presidente do Senado.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Projeto de Resolução que trata da Delegação Legislativa A delegação legislativa – ou lei delegada – é um instrumento previsto constitucionalmente, pelo qual o Congresso Nacional autoriza o Poder Executivo a legislar sobre determinado assunto. Contudo, o instituto da Medida Provisória, ao permitir que o Presidente da República disponha sobre uma ampla gama de assuntos com eficácia imediata, fez com que a lei delegada perdesse um pouco de sua importância. A Constituição estabeleceu limites à edição de leis delegadas, as quais não poderão tratar de alguns assuntos específicos (CF/88, art. 68, § 1º e RCCN, art. 117): ⇒ atos da competência exclusiva do Congresso Nacional; ⇒ atos da competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; ⇒ organização dos juízos e tribunais e as garantias da magistratura; ⇒ nacionalidade, cidadania, direitos públicos e direito eleitoral; ⇒ sistema monetário. Na delegação, a proposta é apresentada ao Presidente do Senado Federal, que deve convocar uma sessão conjunta em até 72 horas, para que o Congresso Nacional dela tome conhecimento (RCCN, art. 119). Essa sessão se destina a constituir a Comissão Mista paritária que vai emitir um parecer sobre a proposta de delegação. O parecer da Comissão deverá concluir pela apresentação de projeto de resolução, especificando o conteúdo da delegação e os termos para o seu exercício (CF/88, art. 68, § 2º). Além disso, a resolução deve fixar prazo máximo de 45 dias para promulgação, publicação ou remessa do projeto elaborado para apreciação pelo Congresso Nacional (RCCN, art. 119, § 2º). Se dentro desse prazo de 45 dias o Presidente da República não fizer nada a respeito da delegação, esta se tornará insubsistente (RCCN, art. 127). Depois que a comissão mista estiver com seu parecer pronto, ele será publicado e distribuído em avulsos, devendo ser convocada sessão conjunta do Congresso Nacional dentro de 5 dias para discutir a matéria. Encerrada a discussão, se não houver emendas, será convocada sessão conjunta para votação da matéria.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Havendo emendas, a matéria voltará à Comissão Mista, que terá o prazo de 8 dias para emitir o parecer sobre as emendas, após o que será publicado o parecer sobre as emendas e convocada sessão conjunta para votação da matéria (RCCN, art. 121). Depois de aprovada, a resolução da delegação legislativa deve ser promulgada dentro de 24 horas e comunicada ao Presidente da República que, depois de elaborar a lei delegada, deve promulgá-la. A remessa da lei delegada ao Congresso não é obrigatória, mas se os congressistas fizerem essa opção, a votação deve ser feita em globo, de forma única, vedada a apresentação de qualquer emenda, conforme reza a Constituição em seu art. 68, § 3º. Se este for o caso, a Presidência do Senado deve remeter em 48 horas a lei delegada à Comissão Mista que examinou a solicitação para que, dentro de 5 dias, emita seu parecer sobre a conformidade ou não do projeto com o conteúdo da delegação (RCCN, art. 124).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05

Muito bem! Depois da teoria, vamos agora aos nossos exercícios de concursos anteriores.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Exercícios 1) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O processo legislativo prevê uma variedade de atos normativos que devem ser elaborados segundo os seus ditames, dentre os quais figura o Decreto Legislativo. Sobre o referido instrumento normativo, avalie as afirmativas abaixo: I. A iniciativa é exclusiva do Senado Federal. Errada. A iniciativa do projeto de decreto legislativo pode partir tanto do Senado quanto da Câmara dos Deputados. II. O projeto deve ser votado nas duas Casas Parlamentares e apresentado à sanção do Presidente da República. Errada. Projeto de Decreto Legislativo, depois de aprovado, não vai à sanção presidencial, sendo promulgado pelo Presidente do Senado. III. Cabe ao Presidente do Senado Federal a promulgação e a publicação. Correta. No caso do Decreto Legislativo, a promulgação é feita diretamente pelo Presidente do Senado. IV. O quorum de votação para aprovar o Decreto Legislativo é de maioria simples. Correta. O quorum é de maioria simples. V. Inexistem limites de matéria para inclusão no corpo do Decreto Legislativo. Errada. O decreto legislativo dispõe sobre matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional, nos termos do art. 49 da CF/88. Estão corretas apenas as afirmativas: (A) III e IV (B) I e IV (C) II e V (D) II e IV (E) I e III Gabarito: Letra “A”.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 2) Cespe/TRT 1ª/Analista/2008: Os hierarquicamente inferiores às leis ordinárias. decretos legislativos são

Errada. Não existe hierarquia entre as espécies normativas previstas na Constituição. O que as diferencia é a matéria de que cada uma trata. 3) Cespe/MTE/Agente Administrativo/2008: Se o presidente da República, ao regulamentar uma lei para a sua fiel execução, exorbite dos limites legais impostos, então, nesse caso, é possível a edição de decreto legislativo por parte do Senado Federal para sustar o dispositivo do decreto presidencial que ultrapassou os limites legais. Errada. A sustação de ato do Executivo que exorbite do poder regulamentar é competência do Congresso Nacional, segundo a CF/88, art. 49, V. Logo, a edição do decreto legislativo cabe ao Congresso Nacional, precisando passar pelas duas casas que compõem o Poder Legislativo. 4) Cespe/TRF 2ª Região/Juiz/2009 (adaptada): Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do presidente da República, autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais. Errada. A autorização, em terras indígenas, para a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais, compete ao Congresso Nacional, por meio de decreto legislativo, prescindindo, portanto, da sanção do Presidente da República (CF/88, art. 49, XVI). 5) Cespe/Polícia Federal/Agente Federal/2004 (adaptada): O Congresso Nacional pode, por meio de decreto legislativo, sustar dispositivo de Decreto do Poder Executivo que esteja exorbitando do poder regulamentar. Correta. Tal atribuição exclusiva do Congresso Nacional é veiculada por meio de decreto legislativo (CF/88, art. 49, V). 6) FCC/Sefaz-PB/Auditor Fiscal de Tributos Estaduais/2006: As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, sendo a referida delegação dada: a) pelo Senado Federal, por meio de Resolução.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Errada. Segundo dispõe a CF/88, art. 68, § 2º, a delegação se dá por meio de resolução do Congresso Nacional. b) pelo Congresso Nacional, por meio de Decreto Legislativo. Errada. Segundo dispõe a CF/88, art. 68, § 2º, a delegação se dá por meio de resolução do Congresso Nacional. c) pelo Senado Federal, por meio de Portaria. Errada. Segundo dispõe a CF/88, art. 68, § 2º, a delegação se dá por meio de resolução do Congresso Nacional. d) pelo Congresso Nacional, por meio de Resolução. Correta. É o que dispõe a CF/88, art. 68, § 2º. e) pela Câmara dos Deputados, por meio de Resolução. Errada. Segundo dispõe a CF/88, art. 68, § 2º, a delegação se dá por meio de resolução do Congresso Nacional. Gabarito: Letra “D” 7) FCC/TRT 3ª Região/Analista Judiciário/2009: Considere:

I. Atos do Congresso Nacional destinados ao tratamento de matérias de sua competência exclusiva, para as quais a Constituição dispensa a sanção presidencial, disciplinando, de regra, matéria externa aos órgãos do Poder Legislativo. II. Espécie normativa que disciplina matéria especialmente reservada pelo texto constitucional e exige maioria absoluta para a sua aprovação. Esses atos normativos, dizem respeito, respectivamente, a) à resolução e à emenda constitucional. Errada. A Resolução não trata, em regra, de matéria externa ao Legislativo. Já a emenda constitucional requer quórum de 3/5, em dois turnos, em cada Casa, para ser aprovada.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 b) à resolução e à lei ordinária. Errada. Os conceitos não se referem à resolução nem à lei ordinária, que exige para sua aprovação maioria simples. c) à lei delegada e ao decreto legislativo. Errada. Os conceitos não se referem à lei delegada. Já o decreto legislativo corresponde ao primeiro item da questão, e não ao segundo. d) ao decreto legislativo e à emenda constitucional. Errada. O conceito trazido se encaixa com o de decreto legislativo, Contudo, a emenda constitucional requer quórum de 3/5, em dois turnos, em cada Casa, para ser aprovada. e) ao decreto legislativo e à lei complementar. Correta. O decreto legislativo trata de matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional. A lei complementar disciplina matéria especialmente reservada pela Constituição e precisa alcançar maioria absoluta para ser aprovada. Gabarito: Letra “E” 8) FCC/TRT 3ª Região/Técnico Judiciário/2009: A promulgação da lei, de regra, é competência do Chefe do Executivo; entretanto, caberá ao Poder Legislativo promulgar, dentre outras espécies normativas, a a) resolução, a lei delegada e a lei complementar. Errada. O Legislativo não promulga a lei delegada nem a lei complementar. b) lei delegada, a emenda constitucional e a medida provisória. Errada. O Legislativo não promulga a lei delegada. c) medida provisória, a resolução e o decreto legislativo. Correta. Resolução e decreto legislativo são promulgados pelo Poder Legislativo. A medida provisória pode ser promulgada pelo Legislativo se durante sua tramitação não for aprovada alteração de mérito.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 d) lei complementar, o decreto legislativo e a lei delegada. Errada. O Legislativo não promulga a lei delegada nem a lei complementar. e) emenda constitucional, o decreto legislativo e a resolução. Correta. Essas três espécies normativas são promulgadas diretamente pelo Poder Legislativo. Gabarito: A questão foi anulada, pois duas alternativas poderiam ser consideradas corretas. 9) Inédita: A delegação ao Presidente da República para elaboração legislativa se faz por meio de resolução do Congresso Nacional, sendo considerados indelegáveis, entre outros assuntos, os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, as leis sobre organização do Poder Judiciário e do Ministério Público e as matérias reservadas à lei complementar. Correta. Ver CF/88, art. 68, § 1º, I, e § 2º. 10) Inédita: O Regimento Interno do Senado Federal pode ser alterado ou reformado como um todo. Se for constituída uma comissão temporária especial de Senadores a fim de elaborar um projeto de resolução visando a reforma do Regimento, esse projeto deve ser encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça, encarregada de oferecer um parecer. Tendo o projeto de resolução recebido emendas na CCJ, essas emendas serão apreciadas no âmbito da mesma CCJ. Errada. Sendo o projeto de resolução de autoria da comissão específica, as emendas apresentadas devem ser remetidas para análise da comissão autora (RISF, art. 401, § 2º, II). 11) Inédita: Entre os projetos expressamente previstos pelo Regimento Interno do Senado Federal para tramitar de forma terminativa estão os projetos de decreto legislativo de concessão e de renovação de concesssão de emissoras de rádio e TV.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Errada. Os projetos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e TV são apreciados de forma terminativa graças à aprovação de um parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Não é uma regra expressa do Regimento. 12) Inédita: Entre os projetos expressamente previstos pelo Regimento Interno do Senado Federal para tramitar de forma terminativa estão os Projetos de Resolução do Senado que alteram dispositivos do próprio regimento. Errada. O Regimento Interno veda expressamente que projetos que visem a sua alteração sejam submetidos a procedimento terminativo (RISF, art. 91, § 1º, V, “a”). 13) Inédita: Os projetos de resolução que modificam o Regimento Comum do Congresso Nacional podem ser propostos pelas Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados e por, no mínimo, 100 parlamentares, divididos em 80 Senadores e 20 Deputados. Errada. Esses projetos podem ser apresentados pelas Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados ou por, no mínimo, 100 parlamentares, que devem estar divididos em 20 Senadores e 80 deputados (RCCN, art. 128). 14) Inédita: Projeto de resolução visando modificar algum dispositivo do Regimento Interno do Senado pode ser apresentado por Senador, individualmente, pela Comissão Diretora ou por Comissão temporária instituída especialmente para esse fim. Em todos os casos, a Comissão de Constituição e Justiça é a única responsável por elaborar pareceres a esses projetos. Errada. No caso de projeto de autoria individual de Senador, a Comissão Diretora também precisa se manifestar (RISF, art. 401, § 2º, III). 15) Inédita: Cabe ao Congresso Nacional elaborar o decreto legislativo que aprova a prestação de contas anuais do Presidente da República. O prazo para que o Chefe do Executivo envie as contas ao Congresso é de sessenta dias após o início da legislatura. A Constituição Federal prevê que, se esse prazo não for cumprido, caberá à Câmara dos Deputados proceder à tomada de contas do Presidente da República.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Errada. O prazo para que o Presidente da República apresente suas contas ao Congresso Nacional é de 60 dias após o início de cada sessão legislativa, e não após o início de uma legislatura. 16) Inédita: O prazo para que as comissões elaborem seus pareceres no caso de projetos de resolução que modifiquem o Regimento Interno do Senado Federal é de dez dias úteis para projetos de modificação do regimento e vinte dias úteis quando se tratar de reforma. Correta. É o que prevê o RISF, art. 401, § 3º. 17) Inédita: Ao final de cada legislatura, a Mesa fará a consolidação das modificações feitas no Regimento, podendo para isso alterar a ordenação das matérias sem, contudo, fazer correções de redação em seu texto. Errada. A Mesa poderá fazer alterações de redação que forem necessárias. O que o Regimento veda, na consolidação feita pela Mesa, são as alterações de mérito (RISF, art. 402, caput e par. único). 18) Inédita: A aprovação dos projetos de decreto legislativo em análise na CCT que tratam da concessão ou da renovação da concessão de emissoras de Rádio e TV se dá por meio de votação simbólica. Errada. Por receber tratamento de matéria terminativa, os projetos que tratam da concessão ou da renovação da concessão de emissoras de Rádio e TV devem ser votados por meio de processo nominal (RISF, art. 109). 19) Inédita: O parecer da Comissão mista responsável pela delegação legislativa deverá concluir pela apresentação de projeto de resolução, especificando o conteúdo da delegação e os termos para o seu exercício, fixando ainda prazo máximo de 45 dias para promulgação, publicação ou remessa, pelo Presidente da República, do projeto elaborado para apreciação pelo Congresso Nacional. Correta, de acordo com o art. 68, § 2º, da CF/88, combinado com o art. 119, § 2º, do RCCN. 20) Inédita: Projeto de resolução do Senado destinado a fixar alíquotas máximas nas operações internas para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados e do Distrito Federal exigirá, para sua apresentação, a assinatura de 1/3 dos Senadores, sendo aprovado se obtiver os votos da maioria absoluta da composição da Casa.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 Errada. Projeto de resolução que trate sobre essa matéria deverá ser proposto pela maioria absoluta dos Senadores. O quórum de aprovação é de 2/3 do Senado (CF/88, art. 155, § 2º, V, “b”). A questão trocou a informação com as exigências para apresentação e aprovação de projeto de resolução que estabeleça alíquotas mínimas nas operações internas (CF/88, art. 155, § 2º, V, “a”);

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 LISTA DE QUESTÕES DESTA AULA 1) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O processo legislativo prevê uma variedade de atos normativos que devem ser elaborados segundo os seus ditames, dentre os quais figura o Decreto Legislativo. Sobre o referido instrumento normativo, avalie as afirmativas abaixo: I. A iniciativa é exclusiva do Senado Federal. II. O projeto deve ser votado nas duas Casas Parlamentares e apresentado à sanção do Presidente da República. III. Cabe ao Presidente do Senado Federal a promulgação e a publicação. IV. O quorum de votação para aprovar o Decreto Legislativo é de maioria simples. V. Inexistem limites de matéria para inclusão no corpo do Decreto Legislativo. Estão corretas apenas as afirmativas: (A) III e IV (B) I e IV (C) II e V (D) II e IV (E) I e III 2) Cespe/TRT 1ª/Analista/2008: Os hierarquicamente inferiores às leis ordinárias. decretos legislativos são

3) Cespe/MTE/Agente Administrativo/2008: Se o presidente da República, ao regulamentar uma lei para a sua fiel execução, exorbite dos limites legais impostos, então, nesse caso, é possível a edição de decreto legislativo por parte do Senado Federal para sustar o dispositivo do decreto presidencial que ultrapassou os limites legais. 4) Cespe/TRF 2ª Região/Juiz/2009 (adaptada): Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do presidente da República, autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais. 5) Cespe/Polícia Federal/Agente Federal/2004 (adaptada): O Congresso Nacional pode, por meio de decreto legislativo, sustar dispositivo de Decreto do Poder Executivo que esteja exorbitando do poder regulamentar.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 6) FCC/Sefaz-PB/Auditor Fiscal de Tributos Estaduais/2006: As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, sendo a referida delegação dada: a) pelo Senado Federal, por meio de Resolução. b) pelo Congresso Nacional, por meio de Decreto Legislativo. c) pelo Senado Federal, por meio de Portaria. d) pelo Congresso Nacional, por meio de Resolução. e) pela Câmara dos Deputados, por meio de Resolução. 7) FCC/TRT 3ª Região/Analista Judiciário/2009: Considere:

I. Atos do Congresso Nacional destinados ao tratamento de matérias de sua competência exclusiva, para as quais a Constituição dispensa a sanção presidencial, disciplinando, de regra, matéria externa aos órgãos do Poder Legislativo. II. Espécie normativa que disciplina matéria especialmente reservada pelo texto constitucional e exige maioria absoluta para a sua aprovação. Esses atos normativos, dizem respeito, respectivamente, a) à resolução e à emenda constitucional. b) à resolução e à lei ordinária. c) à lei delegada e ao decreto legislativo. d) ao decreto legislativo e à emenda constitucional. e) ao decreto legislativo e à lei complementar. 8) FCC/TRT 3ª Região/Técnico Judiciário/2009: A promulgação da lei, de regra, é competência do Chefe do Executivo; entretanto, caberá ao Poder Legislativo promulgar, dentre outras espécies normativas, a a) resolução, a lei delegada e a lei complementar. b) lei delegada, a emenda constitucional e a medida provisória. c) medida provisória, a resolução e o decreto legislativo. d) lei complementar, o decreto legislativo e a lei delegada. e) emenda constitucional, o decreto legislativo e a resolução. 9) Inédita: A delegação ao Presidente da República para elaboração legislativa se faz por meio de resolução do Congresso Nacional, sendo considerados indelegáveis, entre outros assuntos, os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, as leis sobre organização do Poder Judiciário e do Ministério Público e as matérias reservadas à lei complementar.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 10) Inédita: O Regimento Interno do Senado Federal pode ser alterado ou reformado como um todo. Se for constituída uma comissão temporária especial de Senadores a fim de elaborar um projeto de resolução visando a reforma do Regimento, esse projeto deve ser encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça, encarregada de oferecer um parecer. Tendo o projeto de resolução recebido emendas na CCJ, essas emendas serão apreciadas no âmbito da mesma CCJ. 11) Inédita: Entre os projetos expressamente previstos pelo Regimento Interno do Senado Federal para tramitar de forma terminativa estão os projetos de decreto legislativo de concessão e de renovação de concesssão de emissoras de rádio e TV. 12) Inédita: Entre os projetos expressamente previstos pelo Regimento Interno do Senado Federal para tramitar de forma terminativa estão os Projetos de Resolução do Senado que alteram dispositivos do próprio regimento. 13) Inédita: Os projetos de resolução que modificam o Regimento Comum do Congresso Nacional podem ser propostos pelas Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados e por, no mínimo, 100 parlamentares, divididos em 80 Senadores e 20 Deputados. 14) Inédita: Projeto de resolução visando modificar algum dispositivo do Regimento Interno do Senado pode ser apresentado por Senador, individualmente, pela Comissão Diretora ou por Comissão temporária instituída especialmente para esse fim. Em todos os casos, a Comissão de Constituição e Justiça é a única responsável por elaborar pareceres a esses projetos. 15) Inédita: Cabe ao Congresso Nacional elaborar o decreto legislativo que aprova a prestação de contas anuais do Presidente da República. O prazo para que o Chefe do Executivo envie as contas ao Congresso é de sessenta dias após o início da legislatura. A Constituição Federal prevê que, se esse prazo não for cumprido, caberá à Câmara dos Deputados proceder à tomada de contas do Presidente da República. 16) Inédita: O prazo para que as comissões elaborem seus pareceres no caso de projetos de resolução que modifiquem o Regimento Interno do Senado Federal é de dez dias úteis para projetos de modificação do regimento e vinte dias úteis quando se tratar de reforma

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 05 17) Inédita: Ao final de cada legislatura, a Mesa fará a consolidação das modificações feitas no Regimento, podendo para isso alterar a ordenação das matérias sem, contudo, fazer correções de redação em seu texto. 18) Inédita: A aprovação dos projetos de decreto legislativo em análise na CCT que tratam da concessão ou da renovação da concessão de emissoras de Rádio e TV se dá por meio de votação simbólica. 19) Inédita: O parecer da Comissão mista responsável pela delegação legislativa deverá concluir pela apresentação de projeto de resolução, especificando o conteúdo da delegação e os termos para o seu exercício, fixando ainda prazo máximo de 45 dias para promulgação, publicação ou remessa, pelo Presidente da República, do projeto elaborado para apreciação pelo Congresso Nacional. 20) Inédita: Projeto de resolução do Senado destinado a fixar alíquotas máximas nas operações internas para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados e do Distrito Federal exigirá, para sua apresentação, a assinatura de 1/3 dos Senadores, sendo aprovado se obtiver os votos da maioria absoluta da composição da Casa.

Gabarito: 1A 2E 3E 4E 5C 6D 7E 8X 9C 10E 11E 12E 13E 14E 15E 16C 17E 18E 19C 20E

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 LUCIANO OLIVEIRA AULA 06 Olá, concurseiros e concurseiras! Vamos à nossa sexta aula de Processo Legislativo para o Senado Federal! Nesta aula, estudaremos as matérias sujeitas à deliberação especial: Proposta de Emenda à Constituição; Projetos de Lei de Código; Projetos com tramitação urgente estabelecida na Constituição; Projetos referentes a Atos Internacionais. Vamos lá! Hoje, 23/12/2010, é o primeiro dia do recesso do Senado Federal, que encerrou seus trabalhos após a aprovação do orçamento para 2011, juntamente com a Câmara dos Deputados, em sessão conjunta. A aprovação se deu às 22h30 de ontem, 22/12/2010. É interessante acompanhar essas notícias, para vermos na prática como se dá o processo legislativo. Vale lembrar que a tramitação de matéria orçamentária será objeto da nossa próxima aula. PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Iniciativa: • Mínimo de um terço de Deputados ou de Senadores; • Presidente da República; • Mais da metade das Assembléias Legislativas das Unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela sua maioria relativa; A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), proposição legislativa que visa alterar dispositivos da Carta Magna, é a principal das matérias sujeitas à deliberação especial, havendo uma subseção da Constituição Federal e uma seção do RISF inteiramente dedicadas à PEC. Em Direito Constitucional, quando estudamos as classificações das constituições quanto à estabilidade (ou alterabilidade), aprendemos que elas podem ser consideradas rígidas, semirrígidas e flexíveis. Neste ponto, a Constituição brasileira é classificada como rígida. E o que isso tem a ver com o processo legislativo? O fato de a CF/88 ser classificada como rígida implica a necessidade de um processo legislativo diferenciado, mais dificultoso, para a aprovação de emendas constitucionais do que para o processo de alteração de normas não constitucionais. Outro ponto importante no estudo da tramitação das emendas constitucionais diz respeito às limitações impostas ao poder constituinte derivado ao oferecer esse tipo de proposição. As limitações, segundo a doutrina, podem ser classificadas em: formais ou procedimentais; materiais; circunstanciais; e temporais. 1

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 As limitações formais ou procedimentais são as que têm ligação mais estreita com o conteúdo do nosso curso. Implicam a observância dos requisitos determinados pela própria Constituição para sua alteração, como os legitimados para iniciativa de PEC, o quórum exigido para sua aprovação, a forma de promulgação e a vedação à reapresentação, na mesma sessão legislativa, de matérias constantes de PECs rejeitadas ou prejudicadas. As limitações circunstanciais também são trazidas pela Constituição, que determina que o texto magno não poderá ser emendado na vigência de intervenção federal, estado de sítio e estado de defesa (CF/88, art. 60, §1º). Para a maior parte da doutrina, a CF/88 não estabelece limitação expressa temporal para sua reforma. A limitação temporal trata-se de previsão de prazo durante o qual ficariam vedadas alterações a Constituição. Por fim, as limitações materiais são as conhecidas cláusulas pétreas constantes do artigo 60, § 4º, da CF/88, que veda a deliberação de proposta de emenda constitucional tendente a abolir: • • • • a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; os direitos e garantias individuais.

Além dessas limitações materiais explícitas, que estão expressas no texto constitucional, existem ainda as chamadas limitações implícitas. A principal limitação nesse sentido seria a impossibilidade de haver dupla revisão, teoria segundo a qual em um primeiro momento se revogaria uma cláusula pétrea, para, em seguida, modificar aquilo que ela protegia. Logicamente, não se poderia eliminar as cláusulas pétreas por meio de emenda, de modo que as mesmas deixassem de ser pétreas! Outras limitações implícitas apontadas pelos doutrinadores são a impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte originário e a titularidade do poder constituinte derivado reformador. Bem, vamos então passar aos principais pontos da tramitação da PEC no Senado. Primeiramente, relembremos quem são os legitimados a apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (CF/88, art. 60, I, II e III): • Mínimo de um terço de Deputados, na Câmara; 2

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 • Mínimo de um terço de Senadores, no Senado (27 Senadores); • Presidente da República; • Mais da metade das Assembléias Legislativas das Unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela sua maioria relativa; No Senado, são necessárias, no mínimo, vinte e sete assinaturas de Senadores para dar início à tramitação de uma PEC. Todos os Senadores que assinaram a proposição passam a ser considerados autores dessa PEC, sendo que o autor da primeira assinatura (o dono da ideia) é chamado de primeiro signatário. Agora, um parêntese. Vimos as principais limitações às emendas constitucionais, entre as quais a impossibilidade de alteração de matérias protegidas por cláusulas pétreas. Vocês podem perguntar: e se algum “desavisado”, mesmo assim, resolve apresentar uma emenda nesse sentido? O que acontece? Bom, supondo que o parlamentar conseguisse mais 26 assinaturas para sua PEC, ela poderia até ser apresentada. Contudo, sua tramitação não teria continuidade. Isso porque o RISF, art. 48, XI, estabelece que o Presidente do Senado possui competência para impugnar as proposições que lhe pareçam contrárias à Constituição, às leis, ou ao próprio Regimento. Nesse caso, o autor da proposição tem garantido direito a recurso para o Plenário, que decidirá o assunto após audiência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Dito isso, vamos prosseguir. Depois que a PEC dá entrada na Mesa do Senado, é lida no Período do Expediente e encaminhada para a CCJ, que tem prazo de até trinta dias, contado da data do despacho da Presidência, para emitir seu parecer (RISF, arts. 355 e 356). Na CCJ é aberto o prazo para emendas de seus membros, que é o mesmo para as demais proposições: cinco dias úteis (RISF, art. 122, § 1º). O Presidente da Comissão vai designar um Relator, que tem a metade do tempo de que dispõe a Comissão, para emitir seu parecer. Como no caso da PEC a CCJ tem até 30 dias para dar parecer, o prazo do relator será de até 15 dias. Depois do relatório pronto, a Comissão irá votá-lo, concluindo seu parecer. Se nesse processo a CCJ aprovar alguma emenda à PEC, essa emenda vai precisar ter, também, 27 assinaturas, no mínimo, para ser considerada válida (RISF, art. 356, par. único). Lembrem que o processo é dificultoso! O parecer aprovado na CCJ vai ao Plenário, é lido no Período do Expediente e publicado no Diário do Senado Federal. Após a publicação, é

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 preciso aguardar um interstício de 5 dias, quando só então a PEC está pronta para ser agendada na Ordem do Dia (RISF, art. 357). E a dificuldade continua. Com a PEC incluída na Ordem do Dia, correrão 5 sessões deliberativas ordinárias consecutivas de discussão em primeiro turno (RISF, art. 358). De novo: são sessões (e não dias) deliberativas ordinárias (logo, não contam as não deliberativas e as extraordinárias). Durante esse período, podem ser oferecidas emendas em plenário, que também precisam estar assinadas por, no mínimo, vinte e sete Senadores. Se ao final da discussão não tiver sido apresentada nenhuma emenda, a PEC pode ser votada em primeiro turno. Se houver emendas, o procedimento é parecido com o da tramitação das demais proposições: a PEC volta à CCJ para receber parecer sobre as emendas. Para isso, a Comissão dispõe de prazo de trinta dias (RISF, art. 359). Importante lembrar que, se a CCJ não emitir parecer no prazo nem requerer sua prorrogação, o Presidente do Senado pode incluir a matéria na Ordem do Dia para que o relator designado pelo Presidente profira oralmente o parecer (RISF, art. 361). Continuando: se a PEC for aprovada em primeiro turno, ela pode ir ao segundo turno. Mas não sem antes aguardar um novo interstício, que é de, no mínimo, 5 dias úteis (RISF, art. 362). Para ser aprovada, a PEC precisa do voto favorável de 3/5 dos Senadores. A votação de PEC e de suas emendas é nominal (RISF, art. 361, § 3º), portanto aberta, e é possível visualizar como cada Senador votou, por meio do painel eletrônico instalado no Plenário. O segundo turno da PEC consiste em três sessões deliberativas ordinárias de discussão (RISF, art. 363). Reparem que aqui não há exigência de que sejam sessões consecutivas, como acontece no primeiro turno. Outra diferença é que no segundo turno somente são admitidas emendas de redação (RISF, art. 363). A emenda de redação também precisa ser assinada por 1/3 dos Senadores, no mínimo. Se forem apresentadas emendas de redação, recai-se na mesma regra: a emenda volta à CCJ para receber parecer. Contudo, agora o prazo da CCJ é bem mais apertado: são apenas cinco dias improrrogáveis (RISF, art. 364). Para a votação no segundo turno, repete-se o procedimento. Votação nominal (RISF, art. 361, § 3º), sendo necessário o quorum de 3/5 dos senadores para que ela seja aprovada. Vale lembrar ainda que o mesmo quórum é exigido quando da votação pela Câmara dos Deputados, nos dois turnos (CF/88, art. 60, § 2º). Se a PEC for aprovada no Senado sem emendas, será remetida à Câmara dos Deputados. Mas, se for emendada, deve ser encaminhada à 4

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania para elaborar a redação final, no prazo de três dias (RISF, art. 365). A redação final será votada com qualquer número, independentemente de publicação (RISF, art. 366). Supondo que a PEC tenha origem no Senado, quando ela for encaminhada à Câmara dos Deputados e lá sofrer alterações de mérito, deverá retornar para o Senado, certo? Porém, aqui há mais uma diferença em relação às demais proposições. Quando a PEC volta para o Senado, este não vai se manifestar apenas sobre as emendas, mas sim em relação à toda a PEC, como uma nova proposta (RISF, art. 367). Se, nesse retorno, o Senado mudar mais alguma coisa, a PEC vai para a Câmara novamente, no estilo “pingue-pongue”. Afinal, o processo é mais dificultoso… Quando a tramitação estiver concluída, a Proposta de Emenda à Constituição se transformará em Emenda Constitucional, sendo numerada e promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em sessão solene (CF/88, art. 60, § 3º). Por fim, a matéria constante de Proposta de Emenda à Constituição rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (CF/88, art. 60, § 5º, e RISF, art. 373). Não confundir com a reapresentação de projetos de lei rejeitados, que é permitida na mesma sessão legislativa desde que apoiada pela maioria absoluta de qualquer das Casas do Congresso Nacional (CF/88, art. 67).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 PROJETO DE LEI DE CÓDIGO Iniciativa: Os mesmos legitimados para lei ordinária Os projetos de lei de código são considerados projetos de lei ordinária, contudo, a complexidade dos assuntos que eles se propõem a regular é grande, dada sua abrangência. Para se ter uma ideia, são matérias do porte do Código Civil, Código Penal, Código de Processo Penal, o Código de Processo Civil, Código de Defesa do Consumidor, Código de Trânsito… e por aí vai. Mas, apesar de serem projetos de lei ordinária, os projetos de código também podem estar submetidos ao procedimento legislativo especial. Dizemos que podem, pois o Regimento Interno do Senado determina que as disposições especiais nele contidas para a tramitação dos projetos de código se aplicam exclusivamente aos projetos de código elaborados por juristas, comissão de juristas, comissão ou subcomissão especialmente criada com essa finalidade, e que tenham sido antes amplamente divulgados (RISF, art. 374, par. único). Isso aconteceu recentemente no Senado, com o texto do novo Código de Processo Penal, proveniente de um anteprojeto formulado por uma comissão especial de juristas. Os demais projetos de código recebem tratamento de projeto de lei ordinária.

Detalhe importante: o Regimento veda a tramitação simultânea de projetos de código (RISF, art. 374, XV).

Na tramitação especial, o projeto de código é lido no Período do Expediente de uma sessão e publicado no Diário do Senado Federal e em avulsos. Na mesma sessão de leitura, a Presidência do Senado designa uma comissão temporária composta de 11 membros para estudar essa matéria (RISF, art. 374). Também será fixado o calendário de tramitação do projeto. Composta a comissão, ela deve se reunir até o dia útil seguinte, para eleger seu Presidente e Vice-Presidente. O Presidente eleito, por sua vez, vai designar um relator-geral e tantos relatores parciais quantos necessários (RISF, art. 374, I). Já que o assunto de um projeto de código é bem abrangente, o Regimento Interno do Senado determina que as outras proposições que tenham relação com esse tema e que estejam tramitando no Senado serão apensadas a ele, ou seja, passarão a tramitar juntamente com o projeto de código (RISF, art. 374, II). 7

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 Nesses projetos de código, todos os senadores poderão apresentar emendas perante a comissão (RISF, art. 122, II, “a”). Esse prazo é diferente daquele previsto para o emendamento das demais proposições: são 20 dias úteis, contando da publicação do projeto no DSF (RISF, art. 374, III). É bom lembrar que, por disposição regimental, projetos de código não poderão tramitar em caráter terminativo (RISF, art. 91, I). Terminado o prazo de emendas, os relatores parciais devem encaminhar ao relator-geral as conclusões de seus trabalhos dentro de 10 dias úteis (RISF, art. 374, IV). Para apresentar o seu relatório, além do estudo dos relatores parciais e as emendas, o relator-geral tem 5 dias úteis (RISF, art. 374, V). A comissão tem 5 dias úteis para encaminhar à Mesa o parecer final sobre o projeto e as emendas (RISF, art. 374, VI). A requerimento da comissão, todos os prazos poderão ser aumentados até o quádruplo, sendo o requerimento submetido à deliberação do Plenário (RISF, art. 374, XVI). Concluído o parecer da comissão, ele será lido no Período do Expediente da sessão e publicado, estando pronto para ser incluído em Ordem do Dia, depois de obedecer ao interstício regimental de 3 dias úteis (RISF, art. 280). Detalhe importante: o projeto de lei de código será o único item da pauta (RISF, art. 163, 6º). A discussão e votação no Plenário será feita em turno único, sendo que o relator-geral poderá usar da palavra sempre que necessário ou delegá-la a um relator parcial (RISF, art. 374, X). A discussão pode ser encerrada antes de seu término mediante autorização do Plenário, a requerimento de líder, contanto que a matéria tenha sido discutida em três sessões deliberativas consecutivas (RISF, art. 374, XI). Já os destaques na votação de projeto de lei de código somente são admitidos se requeridos por líder, pelo relator-geral ou por vinte Senadores (RISF, art. 374, XII). Encerrada a discussão, passa-se à votação. Como o projeto de código é de uma lei ordinária, pode ser feita pelo processo simbólico, com quorum de maioria simples. Aprovado com ou sem emendas, o projeto volta à comissão para que esta elabore a redação final, dentro de 5 dias úteis. Atenção para a redação final de projeto de código: é publicada e distribuída em avulsos, cumpre o interstício regimental de 3 dias úteis, é incluída em Ordem do Dia, discutida e votada (RISF, art. 374, XIII e XIV). Se o projeto de lei de código for aprovado pelo Senado, vai à Câmara dos Deputados ou à sanção, conforme o caso. Se rejeitado, vai ao Arquivo.

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Projeto de Lei Ordinária/Complementar em regime de urgência constitucional (CF/88, art. 64, § 1°) Iniciativa: Presidente da República Vamos entrar agora na tramitação de projetos de lei que estejam submetidos a regime de urgência constitucional. É um assunto muito importante e vocês devem dedicar atenção especial a este tópico. Além de ser um mecanismo bem corriqueiro no processo legislativo, a urgência foi objeto de várias questões na última prova da FGV para Analista Legislativo, sendo que a prova discursiva para este cargo também abordou o tema do regime de urgência. Nos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, cuja tramitação no Congresso Nacional tem inicio pela Câmara dos Deputados, é constitucionalmente previsto regime de urgência (CF/88, art. 64, § 1°). Nesse caso, o processo legislativo é deflagrado por meio de uma Mensagem do Presidente da República à Câmara dos Deputados. Essa mensagem encaminha o projeto de lei e solicita que ele tramite em regime de urgência constitucional. Dessa forma, o projeto segue uma tramitação que difere em alguns pontos da tramitação de um projeto em procedimento normal. Diferença 1: o projeto passa a ter prazo certo para tramitação. São 45 dias corridos na Câmara e outros 45 dias no Senado (CF/88, art. 64, § 2°). Se transcorrer um período de 45 dias e a Câmara não tiver apreciado a matéria, o projeto passa a trancar a pauta de trabalhos, ou seja, não se vota nada até que esse projeto seja votado – com exceção das Medidas Provisórias, que possuem prioridade. Se o projeto for rejeitado ainda na Câmara, vai ao arquivo. Aprovado na Câmara e enviado ao Senado, o projeto começa a tramitar. É feita sua leitura no plenário e despachado pelo Presidente para uma ou mais comissões. Diferença 2: nos projetos em regime de urgência, o prazo das comissões para produzir o parecer corre em conjunto (RISF, art. 375, II). No caso dos outros projetos, conta-se um prazo para cada comissão, sempre a partir do recebimento do projeto naquele colegiado. Já nos projetos em regime de urgência, não. Eles vão a exame de todas as comissões ao mesmo tempo. O prazo também é único: 25 dias para emissão dos pareceres, mantida a regra de que o relator possui a metade do prazo para apresentar seu relatório (RISF, art. 375, III). 10

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 Diferença 3: projeto de lei em regime de urgência só pode receber emendas na primeira comissão de despacho, nos 5 primeiros dias úteis (RISF, art. 375, I). Não há emendas perante a Mesa; apenas na primeira comissão. As emendas eventualmente apresentadas são repassadas às outras comissões constantes do despacho inicial do Presidente, afinal, o prazo delas é concomitante. As emendas não sofrem discussão ou votação no plenário. Aprovados os relatórios, os pareceres das comissões são enviados para o plenário, onde são lidos e preparados para entrar na Ordem do Dia. Como já visto, se o Senado não apreciar o projeto até o 45º dia, no 46º ele passa a sobrestar (trancar) a pauta de votações, em mecanismo semelhante ao que ocorre na Câmara dos Deputados (RISF, art. 375, VIII). Não se vota nada, com exceção das Medidas Provisórias com prazo de tramitação esgotado. Esse prazo, cujo descumprimento provoca o trancamento da pauta, não corre nos períodos de recesso do Congresso Nacional (CF/88, art. 64, § 4º) e não vale para projetos de código. Diferença 4: Se as comissões não emitirem parecer sobre o projeto no prazo previsto (até o 25º dia), o projeto é devolvido sem parecer. A partir do 35º dia ele passa a constar da Ordem do Dia (RISF, art. 375, V), e deve receber parecer em plenário, por relator designado pelo Presidente da Casa, que tem prazo de 24 horas para emitir seu parecer. Depois de votado no Plenário, o projeto segue as normas do “Mecanismo de revisão – Senado casa revisora”, que já vimos em aulas passadas: Rejeitado o projeto: vai ao Arquivo; Aprovado sem emendas ou somente com emendas de redação: vai à sanção do Presidente da República. Aprovado com emendas de mérito: retorna à Câmara para apreciação das emendas. Nesse caso, a Câmara tem dez dias para apreciar as emendas do Senado (CF/88, art. 64, § 3º). Não esquecer que, se for projeto de lei complementar, é preciso ser aprovado em votação ostensiva nominal, obtendo o voto favorável da maioria absoluta da Casa.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 Projetos referentes a Atos Internacionais Iniciativa: Poder Executivo As matérias referentes a atos internacionais (como acordos e tratados) são veiculadas por meio de projetos de decreto legislativo e, como tais, devem passar pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, por se tratar de competência do Congresso Nacional, nos termos da CF/88, art. 49, I. Mas antes de entrarmos no processo legislativo propriamente dito, vamos ver um pouco como se dá, em linhas gerais, a incorporação dos tratados internacionais no ordenamento jurídico brasileiro. Como regra, deve haver o cumprimento de quatro etapas: 1) Celebração do tratado, pelo Presidente da República, em nome da República Federativa do Brasil (CF/88, art. 84, VIII); 2) Aprovação definitiva pelo Congresso Nacional (referendo à decisão do Executivo), por decreto legislativo (CF/88, art. 49, I); 3) Troca ou depósito dos instrumentos de ratificação ou adesão pelo Poder Executivo, em âmbito internacional; 3) Promulgação do texto do tratado pelo Presidente da República, por decreto (CF/88, art. 84, IV), momento a partir do qual o tratado internacional adquire eficácia internamente. A incorporação dos tratados ao direito pátrio se dá com o status de lei ordinária. Contudo, a EC 45/2004 estabeleceu a possibilidade de que os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos sejam incorporados no ordenamento brasileiro com o status de norma constitucional. Para isso, devem cumprir os requisitos constitucionais relativos ao processo legislativo de Propostas de Emenda a Constituição, ou seja: ser aprovados, em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos de votação, por três quintos dos votos dos respectivos membros. Visto isso, vamos nos deter agora no que acontece com a matéria quando chega ao Senado: primeiramente, o projeto referente a atos internacionais só iniciará a tramitação se estiver acompanhado de cópia autenticada do seu texto em português, bem como da mensagem de encaminhamento do Presidente da República e da exposição de motivos (RISF, art. 376, I). Estando tudo certo, o projeto é lido no Período do Expediente da sessão e despachado a uma ou mais Comissões. Como vimos em outras oportunidades, os tratados e acordos internacionais podem, regimentalmente, ter tramitação terminativa no âmbito das comissões, a juízo do Presidente do Senado, após ter ouvido as lideranças partidárias (RISF, art. 91, § 1º, I). 13

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 O projeto, acompanhado dos textos em português e da Mensagem Presidencial, é despachado à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional – CRE (RISF, art. 376, II). O prazo para apresentação de emendas por todos os Senadores perante a Comissão é de cinco dias úteis, tendo a CRE quinze dias úteis, prorrogáveis por igual período, para opinar sobre o projeto e as emendas (RISF, art. 376, III). Publicados o parecer e as emendas e decorrido o interstício regimental de três dias úteis, a matéria é incluída na Ordem do Dia. Depois é encaminhada à Câmara dos Deputados ou promulgada pelo Presidente do Senado, conforme o caso. Se a CRE não emitir parecer e estiverem faltando dez dias ou menos para o término do prazo no qual o Brasil deva se manifestar sobre o ato em questão, o projeto é incluído na Ordem do Dia, sem parecer, para que o mesmo seja proferido em plenário por relator designado pelo Presidente da Casa (RISF, art. 376, V).

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Muito bem. Vista a teoria, vamos agora aos exercícios!

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 EXERCÍCIOS 1) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Senador da República apresenta projeto de emenda constitucional, aduzindo ser necessário restringir a utilização do habeas corpus tendo em vista a necessidade de combater o crime organizado, notadamente aquele do colarinho branco, bem como os grupos armados que, pelo tráfico de drogas, aguçam a violência urbana. À luz das regras constitucionais em vigor, pode-se afirmar que: (A) o sistema constitucional proíbe a apresentação da emenda por ferir direitos individuais. Correta. A supressão de direitos individuais representa afronta à Constituição no tocante às cláusulas pétreas (CF/88, art. 60, § 4º). Aqui cabe uma observação: embora esse item tenha sido considerado pela banca como correto, o que é vedada é a deliberação de emenda tendente a abolir as cláusulas pétreas. A simples apresentação da PEC seria possível, porém, nesse caso, cabe ao Presidente do Senado impugnar a proposição, flagrantemente contrária à Constituição, nos termos do RISF, art. 48, XI. (B) situações de calamidade pública, aí incluída a social, permitem limitar quaisquer direitos, sendo completamente livre o constituinte derivado. Errada. O constituinte derivado não é completamente livre, mesmo em situações de calamidade pública, haja vista a existência de cláusulas pétreas na Constituição (CF/88, art. 60, § 4º). (C) desde que a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, no exercício de suas atribuições regimentais, aprove o projeto, estará sanado qualquer eventual vício de inconstitucionalidade. Errada. Decisão da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania não possui o condão de transformar matéria inconstitucional em constitucional. O que a comissão pode fazer é apresentar emenda para corrigir a inconstitucionalidade, quando esta for parcial (RISF, art. 101, § 2º). (D) a emenda colide com a perspectiva republicana. Errada. A emenda em questão está colidindo com as cláusulas pétreas no que tange aos direitos e garantias individuais. Ademais, a forma republicana de governo não representa cláusula pétrea. (E) somente o plenário do Senado poderá aferir a constitucionalidade e 16

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 oportunidade da medida, referendo popular. que será submetida, necessariamente, a

Errada. A constitucionalidade e oportunidade da medida poderá ser auferida pelo Presidente do Senado (na medida em poderá impugnar as proposições que lhe pareçam contrárias à Constituição, ressalvado ao autor recurso para o Plenário), pela CCJ e pelo Plenário. Além disso, não há necessidade de submeter a matéria a referendo popular. Gabarito: Letra “A”. 2) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: Determinado parlamentar apresenta projeto de emenda constitucional, aduzindo ser necessário abolir o habeas corpus tendo em vista o esgarçamento social provocado pela violência urbana. Como técnico legislativo, ocorre a solicitação para apresentar breve estudo sobre a questão. Em termos constitucionais, podese afirmar sobre o tema em foco que: (A) não pode ser apresentada a emenda, por ferir direitos individuais. Correta. A emenda em hipótese contraria a Constituição, nos termos do art. 60,§ 4º, IV. Percebam que essa questão é praticamente uma cópia da questão anterior, aplicada na prova de Analista, só que com outras palavras. (B) diante da violência urbana, existe possibilidade de limitação de quaisquer direitos. Errada. Violência urbana não é razão para limitação de direitos por meio de emenda constitucional, afrontando a CF/88, art. 60, § 4º, IV. (C) a emenda poderá ser apresentada em termos, desde que seja limitada a criminosos considerados extremamente perigosos. Errada. Mesmo assim, a emenda estará suprimindo direitos e garantias individuais. (D) não poderá ser apresentada a emenda, por ferir a democracia. Errada. A emenda fere, como vimos, os direitos e garantias individuais, e não o princípio democrático. (E) poderá ser apresentada a emenda, por não ferir qualquer restrição 17

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 constitucional quanto ao tema. Errada. A emenda fere uma das cláusulas pétreas, sendo vedada emenda constitucional tendente a abolir os direitos e garantias individuais (CF/88 art. 60,§ 4º, IV). Gabarito: Letra “A” 3) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: Um membro do SF apresenta PEC, instituindo a pena de prisão perpétua para crimes hediondos, mediante instrução e julgamento sumários, em instância única e sem interrogatório do réu. A matéria é incluída na ordem do dia, recebendo emenda com o escopo de extinguir a estabilidade dos servidores públicos. A luz do RISF e em face da situação apresentada, julgue os itens: 3.1) A proposta não pode ser objeto de deliberação. Correta. A Constituição, quando dispõe sobre os direitos e garantias individuais, proíbe o estabelecimento de penas de caráter perpétuo (CF/88, art. 5º, XLVII, “b”). A CF veda também emenda tendente a abolir os direitos e garantias individuais (CF/88 art. 60,§ 4º, IV). 3.2) A emenda deve ser submetida à comissão criada para emitir parecer sobre a matéria, a fim de ser votada juntamente com a matéria principal. Errada. Nem mesmo a matéria principal poderia ser objeto de deliberação, por contrariar o disposto na CF/88, art. 60, § 4º, IV. 3.3) Se a matéria da proposta for rejeitada ou havida por prejudicada, só na legislatura subsequente pode gerar nova proposta. Errada. A matéria veiculada na proposta não é sequer passível de deliberação. 3.4) A PEC será considerada aprovada após discussão e votação em dois turnos, se obtiver, em cada Casa do Congresso Nacional e em ambos os turnos, maioria absoluta dos respectivos membros. Errada. No caso da PEC em tela, a deliberação é vedada pela Constituição. Tratando-se de uma PEC que não apresente qualquer problema, o quórum exigido para sua aprovação é de 3/5 dos membros de cada Casa no Congresso Nacional, em dois turnos. 18

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 3.5) A Constituição não pode ser emendada durante intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio. Correta. Essas são limitações circunstanciais às emendas constitucionais (CF/88, art. 60, § 1º). 4) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Senador da República, preocupado com a defasagem das regras processuais civis, submetido o Código em vigor a sucessivas reformas, que no seu sentir, descaracterizaram o sistema científico ali adotado, incentiva grupo de juristas especializados no assunto a apresentar projeto para instituir novo Código de Processo Civil. Consoante as regras regimentais aplicáveis ao Senado, avalie as afirmativas a seguir: I. Cabe às comissões permanentes o exame a matéria, sendo desnecessária a instituição de comissão temporária. Errada. É preciso instituir uma comissão temporária para exame do projeto (RISF, art. 374, caput). II. Após lido o projeto de código em sessão, será designada comissão temporária, composta de onze membros para seu exame. Correta (RISF, art. 374, caput). III. A Presidência do Senado Federal fixará o calendário das reuniões da comissão temporária. Errada. A presidência fixará o calendário da tramitação da matéria, e não das reuniões da Comissão (RISF, art. 374, caput). IV. Após publicado o projeto no Diário do apresentadas emendas no prazo de vinte dias. Senado, poderão ser

O item foi dado como correto. No entanto, o prazo previsto no Regimento para apresentação de emendas é de vinte dias úteis (RISF, art. 374, III). V. Podem tramitar simultaneamente diversos projetos de Código. Errada. É vedada a tramitação simultânea de projetos de código (RISF, art. 374, XV).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 Assinale: (A) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. (B) se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas I, II e V estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas IV e V estiverem corretas. Gabarito: Letra “B”. A questão não foi anulada pela banca. 5) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Analise as afirmativas a seguir: I. A iniciativa popular em matéria de lei federal está condicionada à manifestação de pelo menos um por cento do eleitorado nacional, que deverá estar distribuído em no mínimo cinco Estados, exigida em cada um deles a manifestação de três décimos por cento de seus eleitores. Correta. É o que prevê a CF/88, art. 61, § 2º. II. Os Tribunais detêm competência privativa para propor a criação de novas varas judiciárias. Compete privativamente ao Supremo Tribunal Federal e aos Tribunais Superiores propor a criação ou extinção dos tribunais inferiores, bem como a alteração do número de membros destes, a criação e a extinção de cargos e a fixação de vencimentos de seus membros, dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, dos serviços auxiliares dos juízos que lhes forem vinculados, e a alteração da organização e da divisão judiciária. Correta, segundo a CF/88, arts. 96, I, “d”, e 96, II e alíneas. III. A disciplina sobre a discussão e instrução do projeto de lei é confiada, fundamentalmente, aos Regimentos das Casas Legislativas. O projeto de lei aprovado por uma casa será revisto pela outra em um só turno de discussão e votação. Não há tempo prefixado para deliberação das Câmaras, salvo quando o projeto for de iniciativa do Presidente e este formular pedido de apreciação sob regime de urgência. Correta. Projetos de lei com prazo fixado para tramitação são aqueles de iniciativa do Presidente da República para os quais ele tenha solicitado urgência constitucional (CF/88, art. 64, § 1º). Assinale:

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 (A) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (C) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas. (D) se todas as afirmativas estiverem corretas. (E) se nenhuma afirmativa estiver correta. Gabarito: Letra “D”. 6) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O Presidente da República remete projeto de lei, em regime de urgência, para regular fatos relacionados à Segurança Pública. Após o trâmite normal na Câmara dos Deputados, o projeto ingressa no Senado Federal. Consoante as normas regimentais aplicáveis, avalie as afirmativas abaixo: I. Após leitura e distribuição às Comissões competentes, somente poderá receber emendas na primeira comissão constante do despacho, em cinco dias. Correta (RISF, art. 375, I). II. O projeto será apreciado, sucessivamente, pelas comissões. Errada. A apreciação pelas comissões se dará de forma simultânea, e não sucessiva (RISF, art. 375, II). III. As Comissões deverão apresentar pareceres até o vigésimo quinto dia contado do recebimento do projeto no Senado. Correta (RISF, art. 375, III). IV. Após a votação da matéria, a redação final das emendas deverá ser apresentada em, no máximo, cinco dias, ao plenário do Senado. Errada. A redação final das emendas deverá ser apresentada ao plenário do Senado em, no máximo, 48 horas (RISF, art. 375, VII). V. Não concluída a votação no prazo de até quarenta e cinco dias do recebimento do projeto, ele será incluído na Ordem do Dia e sobrestará a deliberação sobre as demais matérias, até ultimada a sua votação. Correta (CF/88, art. 64, § 2º e RISF, art. 375, VIII). Assinale: 21

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 (A) se somente as afirmativas I, III e V estiverem corretas. (B) se somente as afirmativas III, IV e V estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas I, IV e V estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas I, II e III estiverem corretas. Gabarito: Letra “A”. 7) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: A Constituição Federal estabelece que a União representará o Brasil nas relações internacionais. Por outro lado, também confere competência exclusiva ao Congresso Nacional para resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais. Nessa linha, no âmbito do Senado, quanto à tramitação, avalie as afirmativas a seguir: I. O ato internacional deverá ser acompanhado de cópia autenticada do texto em português e inglês, não sendo necessária mensagem de encaminhamento. Errada. A cópia autenticada se refere ao texto em português. Também são obrigatórias a mensagem de encaminhamento e a exposição de motivos (RISF, art. 376, I). II. O projeto será lido, publicado, distribuído em avulsos e remetido à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Correta (RISF, art. 376, II). III. A Comissão receberá emendas no prazo de cinco dias a contar da distribuição dos avulsos. O item foi dado como correto. No entanto, o RISF prevê que as emendas serão apresentadas perante a Comissão nos cinco dias úteis subsequentes à distribuição de avulsos (RISF, art. 376, III). IV. Após a apresentação das emendas, deve a Comissão opinar sobre o projeto no prazo improrrogável de quinze dias. Errada. A Comissão terá para opinar sobre o projeto e as emendas, prazo de quinze dias úteis, prorrogável por igual período (RISF, art. 376, III). V. Publicado o parecer e as emendas e distribuídos os avulsos, decorrido o 22

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 interstício regimental, a matéria será incluída na ordem do dia. Correta (RISF, art. 376, IV). Assinale: (A) se somente as afirmativas I, II e IV estiverem corretas. (B) se somente as afirmativas III, IV e V estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas II, III e V estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas I, II e III estiverem corretas. Gabarito: Letra “D”. A questão não foi anulada. 8) Esaf/STN/Analista de Finanças e Controle/2005 (adaptada): Tendo o Presidente da República enviado ao Congresso Nacional um projeto de lei que cria o Código de Direito Administrativo Federal e já tendo a proposição sido aprovada na Câmara dos Deputados, poderá o presidente pedir urgência constitucional para esse projeto de lei, o qual deverá ser votado pelo Senado Federal no prazo máximo de quarenta e cinco dias contado do recebimento do pedido, sob pena de sobrestarem-se todas as demais deliberações legislativas dessa Casa Legislativa. Errada. O prazo de 45 dias previsto para trancamento de pauta não se aplica aos projetos de código (CF/88, art. 64, § 4º). 9) Cespe/Abin/Agente de Inteligência/2008: A celebração dos tratados internacionais e a incorporação deles à ordem jurídica interna decorrem, no sistema adotado pelo Brasil, de ato subjetivamente complexo, resultante da conjugação de duas vontades homogêneas: a do Congresso Nacional, que resolve, definitivamente, mediante decreto legislativo, questões sobre tratados, acordos ou atos internacionais, e a do Presidente da República, que, além de poder celebrar esses atos de direito internacional, tem a competência para promulgá-los mediante decreto. Correta. Para a incorporação de tratados internacionais no ordenamento jurídico brasileiro ocorre a conjugação de vontades do Poder Executivo, que celebra os tratados, e do Poder Legislativo, que referenda a decisão do Executivo. 10) FCC/DPE-MA/Defensor Público/2009: Considerando-se que todas as normas de direito do trabalho têm natureza de tutela de direitos 23

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 humanos, as Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), adotadas pelo Brasil, sob a vigente Constituição da República, com a redação que lhe deu a Emenda Constitucional nº 45/2004: a) assumirão natureza de emenda constitucional, se aprovadas, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros. Correta (CF/88, art. 5º, § 3º). b) submeter-se-ão à confirmação, pelo Congresso Nacional, por meio de publicação de Lei Complementar. Errada. Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais (CF/88, art. 5º, § 3º). c) só terão validade se confirmada por lei ordinária, posterior ao Decreto de promulgação da Convenção. Errada. Serão equivalentes a emendas constitucionais, se aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais (CF/88, art. 5º, § 3º). d) assumirão natureza de lei ordinária federal, situando-se, hierarquicamente, abaixo das Leis Complementares e da Constituição da República. Errada. Serão equivalentes às emendas constitucionais (CF/88, art. 5º, § 3º). e) terão natureza de emenda constitucional, se assim decidir o Presidente da República, o que deverá ser previsto na mensagem que encaminhar ao Congresso Nacional a ratificação da norma pelos representantes do País na Convenção da OIT. Errada. A natureza de emenda constitucional decorre da aprovação, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros (CF/88, art. 5º, § 3º).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 Gabarito: Letra “A”. 11) FCC/TCE-AP/Procurador/2010: Em 26 de maio de 2010, foi realizada audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal com vistas a debater a elaboração de Proposta de Emenda à Constituição, tendo por objeto a inserção do direito à busca da felicidade dentre os direitos sociais elencados na Constituição da República. A eventual apresentação de Proposta de Emenda à Constituição com esse teor ao Senado Federal: a) atenta contra o princípio constitucional da vedação do retrocesso em matéria de direitos e garantias fundamentais. Errada. A PEC atentaria contra esse princípio se estivesse pretendendo abolir algum direito. Dessa forma, não afronta a CF/88, art. 60, § 4º, IV. b) viola a Constituição, que exclui matéria relativa a direitos e garantias fundamentais da esfera de atuação do poder de reforma da Constituição. Errada. Matéria relativa a direitos e garantias fundamentais não está excluída da esfera de atuação do poder de reforma. O que não pode é haver retrocesso nesses direitos. c) é incompatível com a Constituição, por se tratar de matéria de iniciativa privativa do Presidente da República, devendo iniciar seu trâmite pela Câmara dos Deputados. Errada. A matéria de que trata a citada PEC não é reservada à iniciativa privativa do Presidente da República. d) deve ser precedida de plebiscito, por se tratar de matéria reservada à atuação do povo, titular do poder constituinte originário. Errada. Não se trata de matéria reservada à atuação do povo. e) é compatível com a Constituição, desde que resulte da iniciativa conjunta de, no mínimo, 27 (vinte e sete) Senadores. Correta. Para ser apresentada, a PEC precisa da assinatura de, no mínimo, 1/3 da composição do Senado – 27 Senadores (CF/88, art. 60, I). Gabarito: Letra “E”.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 12) Cespe/DPE-PI/Defensor Público/2009 (adaptada): Sendo um poder instituído, o poder de reforma constitucional sofre limitações de conteúdo, mas não de forma. Assim, uma proposta de emenda à CF que seja rejeitada poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa. Errada. Matéria constante de PEC rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (CF/88, art. 60, § 5º). 13) Cespe/DPE-PI/Defensor Público/2009 (adaptada): Consideramse limitações temporais as situações que impedem que a CF seja emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. Errada. Tais limitações são consideradas circunstanciais, não temporais. 14) FCC/PGE-RJ/Técnico Assistente/2009: Em relação às emendas constitucionais, é correto afirmar que a) a proposta de emenda constitucional, após ter sido discutida e aprovada no Congresso Nacional, será enviada ao Presidente da República para sanção ou veto. Errada. Emenda Constitucional não depende de sanção presidencial, sendo promulgada diretamente pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (CF/88, art. 60, § 3º). b) na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio, a Constituição Federal deverá ser emendada. Errada. Nessas circunstâncias, a Constituição não poderá ser emendada (CF/88, art. 60, § 1º). c) a Constituição poderá ser emendada mediante proposta do Supremo Tribunal Federal. Errada. Nos termos da CF/88, art. 60, I, II e III, os legitimados para apresentar Proposta de Emenda Constitucional são: um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; Presidente da República; mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. 26

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 d) não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir a forma federativa de Estado. Correta. É o que determina a CF/88, art. 60, § 4º, I. e) matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada poderá ser objeto de nova proposta, na mesma sessão legislativa, pela solicitação da maioria absoluta da Câmara ou do Senado Federal. Errada. Matéria de PEC rejeitada ou prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (CF/88, art. 60, § 5º). Gabarito: Letra “D”. 15) Cespe/TRF 5ª Região/Juiz/2009 (adaptada): Uma proposta de emenda constitucional que tenha sido rejeitada ou prejudicada somente pode ser reapresentada na mesma sessão legislativa mediante a propositura da maioria absoluta dos membros de cada casa do Congresso Nacional. Errada. Matéria de PEC rejeitada ou prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (CF/88, art. 60, § 5º). A regra trazida pela questão se refere a projetos de lei (CF/88, art. 67). 16) FCC/TJ-GO/Juiz/2009: No que se refere à reforma da Constituição, é correto afirmar que a) a revisão constitucional foi realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão conjunta das Casas. Errada. A revisão constitucional à CF/88 foi realizada após cinco anos, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. Porém, a sessão foi unicameral, e não conjunta (CF/88, ADCT, art. 3º). b) a proposta de emenda constitucional é discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros relativamente ao mesmo texto.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 Correta (CF/88, art. 60, § 2º). c) a Constituição pode ser emendada na vigência de estado de defesa. Errada. A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio (CF/88, art. 60, § 1º). d) a matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma legislatura. Errada. Matéria de PEC rejeitada ou prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (CF/88, art. 60, § 5º). Não confundir sessão legislativa (período anual) com legislatura (quatro anos). e) a Constituição pode ser emendada mediante proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando- se, cada uma delas, pela maioria de todos os seus membros. Errada. A Constituição pode ser emendada por proposta de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros (CF/88, art.60, III). Gabarito: Letra “B”. 17) FCC/PGE-SE/Procurador de Estado/2005: Proposta de Emenda à Constituição de iniciativa do Presidente da República com vistas a transferir da União para os Estados a competência privativa para legislar sobre propaganda comercial é aprovada na Câmara dos Deputados, sendo, contudo, rejeitada no Senado Federal. Nova proposta de Emenda à Constituição que tivesse por objeto a mesma matéria: a) poderia ser apresentada ao Congresso Nacional, desde que mediante requerimento da maioria absoluta dos membros de qualquer de suas Casas. Errada. Matéria constante de Proposta de Emenda à Constituição rejeitada ou prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (CF/88, art. 60, § 5º). b) dependeria de iniciativa de mais da metade das Assembléias Legislativas dos Estados da federação, por se tratar de matéria afeita a seus interesses. 28

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 Errada. A iniciativa dos legitimados para apresentar PEC não tem relação com o conteúdo da proposta. c) somente poderia ser apresentada na sessão legislativa seguinte àquela em que foi rejeitada a proposta inicial. Correta. Se a matéria constante de Proposta de Emenda à Constituição rejeitada ou prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (CF/88, art. 60, § 5º), sua reapresentação só seria permitida a partir da sessão legislativa seguinte. d) deveria ser apresentada diretamente ao Senado Federal e, se este a aprovasse, ser promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado. Errada. Proposta de Emenda à Constituição de iniciativa do Presidente da República tem tramitação iniciada pela Câmara dos Deputados (CF/88, art. 64). e) não poderia ser objeto de deliberação, por ser tendente a abolir a forma federativa de Estado e a separação de poderes. Errada. Transferência da competência legislativa da União para os Estados, como pretende a PEC em questão, não afronta o art. 60 da CF/88, que trata das cláusulas pétreas. Gabarito: Letra “C”. 18) FCC/TCM-CE/Analista de Controle Externo/2010: Proposta de emenda à Constituição visando acrescer o direito à alimentação ao rol dos direitos fundamentais é apresentada pelo Presidente da República ao Congresso Nacional. Iniciada a votação pela Câmara dos Deputados, a proposta obtém a aprovação de 365 e 290 membros, em primeiro e segundo turnos, respectivamente. Nessa hipótese, a) a proposta deverá ser submetida à apreciação do Senado Federal, para votação em dois turnos. Errada. Proposta de Emenda à Constituição, para ser considerada aprovada, precisa obter voto favorável de no mínimo 3/5 da composição da respectiva Casa, em dois turnos de votação (CF/88, art. 60, § 2º). No caso da Câmara, são necessários, no mínimo, 308 votos “sim”. Dessa forma, a 29

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 proposta foi aprovada pelos deputados no primeiro turno, mas não no segundo. Não vai ao Senado, portanto. b) a proposta é considerada rejeitada, não podendo a matéria ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. Correta (CF/88, art. 60, § 5º). c) a proposta sequer poderia ter sido submetida a deliberação, por versar sobre direito fundamental. Errada. PEC pode versar sobre direitos e garantias fundamentais. O que não pode é a proposta tender a abolir os direitos e garantias individuais (CF/88, art. 60, § 4º, IV). d) a votação deveria ter começado no Senado Federal, por se tratar de proposta de iniciativa do Presidente da República. Errada. Proposta de Emenda à Constituição de iniciativa do Presidente da República tem tramitação iniciada pela Câmara dos Deputados. e) o Presidente da República não possui iniciativa para apresentar a proposta, por versar sobre matéria de competência exclusiva do Congresso Nacional. Errada. A matéria em questão não é de competência exclusiva do Congresso Nacional. Gabarito: Letra “B”. 19) FCC/Sefaz-PB/Auditor Fiscal de Tributos Estaduais/2006: Proposta de Emenda à Constituição apresentada por Deputado Federal com vistas à abolição da obrigatoriedade de alistamento eleitoral e voto para os maiores de dezoito e menores de setenta anos, transformando-os em facultativos, é aprovada, inicialmente, por três quintos dos membros da Câmara dos Deputados, em dois turnos de votação, e, na sequência, por dois terços dos membros do Senado Federal, igualmente em dois turnos de votação. Uma vez aprovada, é promulgada a Emenda à Constituição pelas Mesas das duas Casas do Congresso. Referida Emenda é inconstitucional, em decorrência de a) vício de iniciativa. 30

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06

Correta. A PEC não poderia ser apresentada por um único Deputado Federal. São necessárias as assinaturas de, no mínimo, 1/3 da Câmara dos Deputados (CF/88, art. 60, I). b) afronta a cláusula pétrea constitucional. Errada. Transformar o voto de obrigatório em facultativo não afronta cláusula pétrea. A vedação é quanto ao voto direto, secreto, universal e periódico (CF/88, art. 60, § 4º, II). c) insuficiência de quorum de aprovação na Câmara dos Deputados. Errada. Segundo a questão, a PEC foi aprovada na Câmara por 3/5 dos deputados, mesmo quórum exigido pela Constituição (CF/88, art. 60, § 2º). d) insuficiência de quorum de aprovação no Senado Federal. Errada. Se a PEC foi aprovada por 2/3 do Senado, significa que votaram a favor 54 Senadores. O quórum mínimo exigido para aprovação de PEC é de 3/5 (49 Senadores). Logo, a PEC foi aprovada no Senado. e) promulgação efetuada por órgãos incompetentes. Errada. A promulgação foi realizada da forma adequada, obedecendo ao disposto na CF/88, art. 60, § 3º. Gabarito: Letra “A”. 20) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O Plenário é a instância de deliberação de um projeto de código, não podendo este ser aprovado, em caráter terminativo, por comissão permanente. Correta. Projetos de lei de código não podem tramitar em caráter terminativo (RISF, art. 91, I). 21) Cespe/SF/Consultor Legislativo/2002: Uma proposta de emenda constitucional destinada a tornar facultativo o voto para todos os brasileiros seria inconstitucional, por violar cláusula pétrea, e, portanto, o presidente da República poderia impugná-la perante o Supremo Tribunal Federal (STF). 31

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 Errada. Tornar o voto facultativo não afronta cláusula pétrea. A vedação é quanto ao caráter direto, secreto, universal e periódico do voto (CF/88, art. 60, § 4º, II). 22) Cespe/SF/Consultor Legislativo/2002: Para que o número de suplentes de cada senador da República fosse aumentado para três, seria necessário emenda constitucional de iniciativa exclusiva do Senado Federal. Errada. Seria preciso uma emenda constitucional para fazer a referida alteração, contudo, a iniciativa não é exclusiva do Senado. 23) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): A emenda de mérito a uma proposta de emenda à Constituição deverá ser subscrita por, no mínimo, um terço dos membros do Senado Federal ou por líderes partidários que representem esse número. Errada. Emendas à PEC devem ser subscritas por, no mínimo, 1/3 dos membros do Senado (RISF, art. 358, § 2º). Líderes partidários não substituem esse número.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 LISTA DE QUESTÕES DESTA AULA 1) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Senador da República apresenta projeto de emenda constitucional, aduzindo ser necessário restringir a utilização do habeas corpus tendo em vista a necessidade de combater o crime organizado, notadamente aquele do colarinho branco, bem como os grupos armados que, pelo tráfico de drogas, aguçam a violência urbana. À luz das regras constitucionais em vigor, pode-se afirmar que: (A) o sistema constitucional proíbe a apresentação da emenda por ferir direitos individuais. (B) situações de calamidade pública, aí incluída a social, permitem limitar quaisquer direitos, sendo completamente livre o constituinte derivado. (C) desde que a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, no exercício de suas atribuições regimentais, aprove o projeto, estará sanado qualquer eventual vício de inconstitucionalidade. (D) a emenda colide com a perspectiva republicana. (E) somente o plenário do Senado poderá aferir a constitucionalidade e oportunidade da medida, que será submetida, necessariamente, a referendo popular. 2) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: Determinado parlamentar apresenta projeto de emenda constitucional, aduzindo ser necessário abolir o habeas corpus tendo em vista o esgarçamento social provocado pela violência urbana. Como técnico legislativo, ocorre a solicitação para apresentar breve estudo sobre a questão. Em termos constitucionais, podese afirmar sobre o tema em foco que: (A) não pode ser apresentada a emenda, por ferir direitos individuais. (B) diante da violência urbana, existe possibilidade de limitação de quaisquer direitos. (C) a emenda poderá ser apresentada em termos, desde que seja limitada a criminosos considerados extremamente perigosos. (D) não poderá ser apresentada a emenda, por ferir a democracia. (E) poderá ser apresentada a emenda, por não ferir qualquer restrição constitucional quanto ao tema. 3) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996: Um membro do SF apresenta PEC, instituindo a pena de prisão perpétua para crimes hediondos, mediante instrução e julgamento sumários, em instância única e sem interrogatório do réu. A matéria é incluída na ordem do dia, recebendo emenda com o escopo de extinguir a estabilidade dos servidores públicos. A luz do RISF e em face da situação apresentada, julgue os itens: 33

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 3.1) A proposta não pode ser objeto de deliberação. 3.2) A emenda deve ser submetida à comissão criada para emitir parecer sobre a matéria, a fim de ser votada juntamente com a matéria principal. 3.3) Se a matéria da proposta for rejeitada ou havida por prejudicada, só na legislatura subsequente pode gerar nova proposta. 3.4) A PEC será considerada aprovada após discussão e votação em dois turnos, se obtiver, em cada Casa do Congresso Nacional e em ambos os turnos, maioria absoluta dos respectivos membros. 3.5) A Constituição não pode ser emendada durante intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio. 4) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Senador da República, preocupado com a defasagem das regras processuais civis, submetido o Código em vigor a sucessivas reformas, que no seu sentir, descaracterizaram o sistema cientifico ali adotado, incentiva grupo de juristas especializados no assunto a apresentar projeto para instituir novo Código de Processo Civil. Consoante as regras regimentais aplicáveis ao Senado, avalie as afirmativas a seguir: I. Cabe às comissões permanentes o exame a matéria, sendo desnecessária a instituição de comissão temporária. II. Após lido o projeto de código em sessão, será designada comissão temporária, composta de onze membros para seu exame. III. A Presidência do Senado Federal fixará o calendário das reuniões da comissão temporária. IV. Após publicado o projeto no Diário do Senado, poderão ser apresentadas emendas no prazo de vinte dias. V. Podem tramitar simultaneamente diversos projetos de Código. Assinale: (A) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. (B) se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas I, II e V estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas IV e V estiverem corretas. 5) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Analise as afirmativas a seguir: I. A iniciativa popular em matéria de lei federal está condicionada à manifestação de pelo menos um por cento do eleitorado nacional, que deverá estar distribuído em no mínimo cinco Estados, exigida em cada um 34

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 deles a manifestação de três décimos por cento de seus eleitores. II. Os Tribunais detêm competência privativa para propor a criação de novas varas judiciárias. Compete privativamente ao Supremo Tribunal Federal e aos Tribunais Superiores propor a criação ou extinção dos tribunais inferiores, bem como a alteração do número de membros destes, a criação e a extinção de cargos e a fixação de vencimentos de seus membros, dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, dos serviços auxiliares dos juízos que lhes forem vinculados, e a alteração da organização e da divisão judiciária. III. A disciplina sobre a discussão e instrução do projeto de lei é confiada, fundamentalmente, aos Regimentos das Casas Legislativas. O projeto de lei aprovado por uma casa será revisto pela outra em um só turno de discussão e votação. Não há tempo prefixado para deliberação das Câmaras, salvo quando o projeto for de iniciativa do Presidente e este formular pedido de apreciação sob regime de urgência. Assinale: (A) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (C) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas. (D) se todas as afirmativas estiverem corretas. (E) se nenhuma afirmativa estiver correta. 6) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O Presidente da República remete projeto de lei, em regime de urgência, para regular fatos relacionados à Segurança Pública. Após o trâmite normal na Câmara dos Deputados, o projeto ingressa no Senado Federal. Consoante as normas regimentais aplicáveis, avalie as afirmativas abaixo: I. Após leitura e distribuição às Comissões competentes, somente poderá receber emendas na primeira comissão constante do despacho, em cinco dias. II. O projeto será apreciado, sucessivamente, pelas comissões. III. As Comissões deverão apresentar pareceres até o vigésimo quinto dia contado do recebimento do projeto no Senado. IV. Após a votação da matéria, a redação final das emendas deverá ser apresentada em, no máximo, cinco dias, ao plenário do Senado. V. Não concluída a votação no prazo de até quarenta e cinco dias do recebimento do projeto, ele será incluído na Ordem do Dia e sobrestará a deliberação sobre as demais matérias, até ultimada a sua votação. Assinale: (A) se somente as afirmativas I, III e V estiverem corretas. (B) se somente as afirmativas III, IV e V estiverem corretas. 35

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 (C) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas I, IV e V estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas I, II e III estiverem corretas. 7) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: A Constituição Federal estabelece que a União representará o Brasil nas relações internacionais. Por outro lado, também confere competência exclusiva ao Congresso Nacional para resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais. Nessa linha, no âmbito do Senado, quanto à tramitação, avalie as afirmativas a seguir: I. O ato internacional deverá ser acompanhado de cópia autenticada do texto em português e inglês, não sendo necessária mensagem de encaminhamento. II. O projeto será lido, publicado, distribuído em avulsos e remetido à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. III. A Comissão receberá emendas no prazo de cinco dias a contar da distribuição dos avulsos. IV. Após a apresentação das emendas, deve a Comissão opinar sobre o projeto no prazo improrrogável de quinze dias. V. Publicado o parecer e as emendas e distribuídos os avulsos, decorrido o interstício regimental, a matéria será incluída na ordem do dia. Assinale: (A) se somente as afirmativas I, II e IV estiverem corretas. (B) se somente as afirmativas III, IV e V estiverem corretas. (C) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas. (D) se somente as afirmativas II, III e V estiverem corretas. (E) se somente as afirmativas I, II e III estiverem corretas. 8) Esaf/STN/Analista de Finanças e Controle/2005 (adaptada): Tendo o Presidente da República enviado ao Congresso Nacional um projeto de lei que cria o Código de Direito Administrativo Federal e já tendo a proposição sido aprovada na Câmara dos Deputados, poderá o presidente pedir urgência constitucional para esse projeto de lei, o qual deverá ser votado pelo Senado Federal no prazo máximo de quarenta e cinco dias contado do recebimento do pedido, sob pena de sobrestarem-se todas as demais deliberações legislativas dessa Casa Legislativa. 9) Cespe/Abin/Agente de Inteligência/2008: A celebração dos tratados internacionais e a incorporação deles à ordem jurídica interna 36

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 decorrem, no sistema adotado pelo Brasil, de ato subjetivamente complexo, resultante da conjugação de duas vontades homogêneas: a do Congresso Nacional, que resolve, definitivamente, mediante decreto legislativo, questões sobre tratados, acordos ou atos internacionais, e a do Presidente da República, que, além de poder celebrar esses atos de direito internacional, tem a competência para promulgá-los mediante decreto. 10) FCC/DPE-MA/Defensor Público/2009: Considerando-se que todas as normas de direito do trabalho têm natureza de tutela de direitos humanos, as Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), adotadas pelo Brasil, sob a vigente Constituição da República, com a redação que lhe deu a Emenda Constitucional nº 45/2004: a) assumirão natureza de emenda constitucional, se aprovadas, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros. b) submeter-se-ão à confirmação, pelo Congresso Nacional, por meio de publicação de Lei Complementar. c) só terão validade se confirmada por lei ordinária, posterior ao Decreto de promulgação da Convenção. d) assumirão natureza de lei ordinária federal, situando-se, hierarquicamente, abaixo das Leis Complementares e da Constituição da República. e) terão natureza de emenda constitucional, se assim decidir o Presidente da República, o que deverá ser previsto na mensagem que encaminhar ao Congresso Nacional a ratificação da norma pelos representantes do País na Convenção da OIT. 11) FCC/TCE-AP/Procurador/2010: Em 26 de maio de 2010, foi realizada audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal com vistas a debater a elaboração de Proposta de Emenda à Constituição, tendo por objeto a inserção do direito à busca da felicidade dentre os direitos sociais elencados na Constituição da República. A eventual apresentação de Proposta de Emenda à Constituição com esse teor ao Senado Federal: a) atenta contra o princípio constitucional da vedação do retrocesso em matéria de direitos e garantias fundamentais. b) viola a Constituição, que exclui matéria relativa a direitos e garantias fundamentais da esfera de atuação do poder de reforma da Constituição. c) é incompatível com a Constituição, por se tratar de matéria de iniciativa privativa do Presidente da República, devendo iniciar seu trâmite pela Câmara dos Deputados. 37

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 d) deve ser precedida de plebiscito, por se tratar de matéria reservada à atuação do povo, titular do poder constituinte originário. e) é compatível com a Constituição, desde que resulte da iniciativa conjunta de, no mínimo, 27 (vinte e sete) Senadores. 12) Cespe/DPE-PI/Defensor Público/2009 (adaptada): Sendo um poder instituído, o poder de reforma constitucional sofre limitações de conteúdo, mas não de forma. Assim, uma proposta de emenda à CF que seja rejeitada poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa. 13) Cespe/DPE-PI/Defensor Público/2009 (adaptada): Consideramse limitações temporais as situações que impedem que a CF seja emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. 14) FCC/PGE-RJ/Técnico Assistente/2009: Em relação às emendas constitucionais, é correto afirmar que a) a proposta de emenda constitucional, após ter sido discutida e aprovada no Congresso Nacional, será enviada ao Presidente da República para sanção ou veto. b) na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio, a Constituição Federal deverá ser emendada. c) a Constituição poderá ser emendada mediante proposta do Supremo Tribunal Federal. d) não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir a forma federativa de Estado. e) matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada poderá ser objeto de nova proposta, na mesma sessão legislativa, pela solicitação da maioria absoluta da Câmara ou do Senado Federal. 15) Cespe/TRF 5ª Região/Juiz/2009 (adaptada): Uma proposta de emenda constitucional que tenha sido rejeitada ou prejudicada somente pode ser reapresentada na mesma sessão legislativa mediante a propositura da maioria absoluta dos membros de cada casa do Congresso Nacional. 16) FCC/TJ-GO/Juiz/2009: No que se refere à reforma da Constituição, é correto afirmar que

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 a) a revisão constitucional foi realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão conjunta das Casas. b) a proposta de emenda constitucional é discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros relativamente ao mesmo texto. c) a Constituição pode ser emendada na vigência de estado de defesa. d) a matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma legislatura. e) a Constituição pode ser emendada mediante proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando- se, cada uma delas, pela maioria de todos os seus membros. 17) FCC/PGE-SE/Procurador de Estado/2005: Proposta de Emenda à Constituição de iniciativa do Presidente da República com vistas a transferir da União para os Estados a competência privativa para legislar sobre propaganda comercial é aprovada na Câmara dos Deputados, sendo, contudo, rejeitada no Senado Federal. Nova proposta de Emenda à Constituição que tivesse por objeto a mesma matéria: a) poderia ser apresentada ao Congresso Nacional, desde que mediante requerimento da maioria absoluta dos membros de qualquer de suas Casas. b) dependeria de iniciativa de mais da metade das Assembléias Legislativas dos Estados da federação, por se tratar de matéria afeita a seus interesses. c) somente poderia ser apresentada na sessão legislativa seguinte àquela em que foi rejeitada a proposta inicial. d) deveria ser apresentada diretamente ao Senado Federal e, se este a aprovasse, ser promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado. e) não poderia ser objeto de deliberação, por ser tendente a abolir a forma federativa de Estado e a separação de poderes. 18) FCC/TCM-CE/Analista de Controle Externo/2010: Proposta de emenda à Constituição visando acrescer o direito à alimentação ao rol dos direitos fundamentais é apresentada pelo Presidente da República ao Congresso Nacional. Iniciada a votação pela Câmara dos Deputados, a proposta obtém a aprovação de 365 308 e 290 membros, em primeiro e segundo turnos, respectivamente. Nessa hipótese, a) a proposta deverá ser submetida à apreciação do Senado Federal, para votação em dois turnos. b) a proposta é considerada rejeitada, não podendo a matéria ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. 39

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06 c) a proposta sequer poderia ter sido submetida a deliberação, por versar sobre direito fundamental. d) a votação deveria ter começado no Senado Federal, por se tratar de proposta de iniciativa do Presidente da República. e) o Presidente da República não possui iniciativa para apresentar a proposta, por versar sobre matéria de competência exclusiva do Congresso Nacional. 19) FCC/Sefaz-PB/Auditor Fiscal de Tributos Estaduais/2006: Proposta de Emenda à Constituição apresentada por Deputado Federal com vistas à abolição da obrigatoriedade de alistamento eleitoral e voto para os maiores de dezoito e menores de setenta anos, transformando-os em facultativos, é aprovada, inicialmente, por três quintos dos membros da Câmara dos Deputados, em dois turnos de votação, e, na sequência, por dois terços dos membros do Senado Federal, igualmente em dois turnos de votação. Uma vez aprovada, é promulgada a Emenda à Constituição pelas Mesas das duas Casas do Congresso. Referida Emenda é inconstitucional, em decorrência de a) vício de iniciativa. b) afronta a cláusula pétrea constitucional. c) insuficiência de quorum de aprovação na Câmara dos Deputados. d) insuficiência de quorum de aprovação no Senado Federal. e) promulgação efetuada por órgãos incompetentes. 20) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O Plenário é a instância de deliberação de um projeto de código, não podendo este ser aprovado, em caráter terminativo, por comissão permanente. 21) Cespe/SF/Consultor Legislativo/2002: Uma proposta de emenda constitucional destinada a tornar facultativo o voto para todos os brasileiros seria inconstitucional, por violar cláusula pétrea, e, portanto, o presidente da República poderia impugná-la perante o Supremo Tribunal Federal (STF). 22) Cespe/SF/Consultor Legislativo/2002: Para que o número de suplentes de cada senador da República fosse aumentado para três, seria necessário emenda constitucional de iniciativa exclusiva do Senado Federal. 23) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): A emenda de mérito a uma proposta de emenda à Constituição deverá ser subscrita por, no mínimo, um terço dos membros do Senado Federal ou por líderes partidários que representem esse número. 40

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2010 NO OLIVEIRA AULA 06

GABARITO 1A 2A 3.1 C 3.2 E 3.3 E 3.4 E 3.5 C 4B 5D 6A 7D 8E 9C 10 A 11 E 12 E 13 E 14 D 15 E 16 B 17 C 18 B 19 A 20 C 21 E 22 E 23 E

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Olá, concurseiros e concurseiras! Vamos à nossa sétima aula de Processo Legislativo para o Senado Federal! Hoje, 03/01/2011, é a nossa primeira aula do ano em que vocês se tornarão servidores do Senado. É um momento muito especial! Lembrem-se disso durante os estudos. Nesta aula, estudaremos a tramitação provisórias e matérias orçamentárias. Vamos lá! VETOS No processo legislativo, a sanção e o veto presidencial integram a etapa deliberativa no Poder Executivo. Consistem em formas de contrabalançar a competência legislativa do Congresso Nacional por parte do Chefe do Poder Executivo, dentro do sistema de freios e contrapesos entre os três Poderes. Depois que um projeto de lei é aprovado no Poder Legislativo, ele vai à sanção do Presidente da República. Na sanção, como vimos brevemente no começo do curso, o Presidente manifesta sua concordância com o que foi aprovado pelo Congresso, podendo isso se dar de forma expressa ou tácita, pois, decorrido prazo de quinze dias úteis, o silêncio do Presidente da República importará sanção (CF/88, art. 66, § 3º). Na hipótese de sanção tácita, o Presidente da República ainda dispõe de 48 horas para promulgar a lei. Se ele não o fizer, devolverá os autógrafos ao Presidente do Senado, que, em 48 horas, deverá promulgar a lei. E se este não o fizer, o Vice-Presidente do Senado o fará. Só para lembrar! Sanção e veto cabem em projeto de lei – ordinária, complementar ou projeto de lei de conversão oriundo de Medida Provisória alterada no Congresso. Outras proposições não se submetem a sanção ou veto, como PECs, projetos de decreto legislativo e resoluções. Agora, se nesse prazo de quinze dias úteis, o Presidente decidir vetar o projeto, poderá fazê-lo, sempre de forma expressa (não existe veto tácito), total ou parcialmente. No veto parcial, ainda há uma ressalva: a Constituição permite a supressão apenas do texto integral de artigo, parágrafo, inciso ou alínea (CF/88, art. 66, § 2º). O uso do veto, porém, não pode ser feito de forma indiscriminada. 1 www.pontodosconcursos.com.br de vetos, medidas

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 A própria Constituição Federal coloca de forma expressa a fundamentação do veto, justificável quando o projeto de lei se mostra inconstitucional ou contrário ao interesse público (CF/88, art. 66, § 1º). Na primeira hipótese, a da inconstitucionalidade, o Presidente da República veta o projeto por entender que o mesmo está em desacordo com a Constituição, utilizando-se de um critério estritamente jurídico – é o chamado veto jurídico. Na segunda hipótese, a do interesse público, as razões são fundamentalmente políticas, envolvendo uma análise de custo/benefício. É o veto político. A próxima etapa é submeter o veto ao Poder Legislativo. Como o veto apenas suspende a conversão do projeto em lei (total ou parcialmente) até à deliberação definitiva do Congresso Nacional, diz-se que é relativo ou superável. Outra característica do veto é sua irretratabilidade, ou seja, depois de manifestado, não pode o Presidente da República retirá-lo ou retratar-se para sancionar o projeto vetado. A tramitação do veto no Poder Legislativo começa quando o Chefe do Poder Executivo, no prazo de 48 horas, comunica ao Presidente do Senado os motivos do veto (CF/88, art. 66, § 1º). Recebida a comunicação do veto, o Presidente do Senado deve convocar uma sessão conjunta, dentro de 72 horas, para dar conhecimento da matéria ao Congresso Nacional e designar a Comissão Mista responsável por relatar o veto. O Presidente também estabelece o calendário de tramitação (RCCN, art. 104). Essa comissão mista será composta de três Senadores e três Deputados, indicados pelos Presidentes das respectivas Casas, e devem fazer parte dela, se possível, os parlamentares que foram relatores da matéria na fase de elaboração do projeto (RCCN, art. 104, § 2º). O prazo para que a comissão mista apresente seu relatório é de 20 dias, contados a partir da constituição da comissão (RCCN, art. 105). O texto do projeto, mais as partes que foram vetadas e sancionadas, os pareceres das Comissões que apreciaram a matéria e o relatório da comissão mista sobre o veto são publicados em avulsos e é marcada uma sessão conjunta para deliberar sobre o veto.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 A Constituição determina que a votação sobre os vetos se dê na modalidade secreta, sendo rejeitados pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores (CF/88, art. 66, § 4º). O processo de votação de vetos presidenciais pelo Congresso Nacional é manual, por meio de uma cédula de votação. Os parlamentares marcam o voto e depositam a cédula em uma urna, assinando a lista de presença na votação. As urnas com as cédulas são levadas ao Prodasen, órgão de informática do Senado Federal, pela Secretaria-Geral da Mesa (SGM) para a contagem e contabilização dos votos. A apuração é coordenada pela SGM e segue procedimentos para garantir a confiabilidade do processo, que é acompanhado por uma comissão de parlamentares indicados pelos líderes partidários. Mais um detalhe: quando o Prodasen vai fazer a apuração, ele inicia pelos votos da Câmara. E os votos do Senado só serão apurados se a Câmara tiver rejeitado o veto. Mas há uma exceção: se o projeto de lei vetado tiver o Senado como casa de origem, a contagem começa pelos votos dos senadores, e somente se for rejeitada é verificada então na Câmara (RCCN, art. 43, § 2º). Essa metodologia é possível porque o veto deve ser rejeitado pelas duas Casas. Vamos ver então como funciona o voto, para não confundirmos! O que vai ser posto em votação é o veto. Quem vota “não”, vota pela rejeição ao veto. Quem vota “sim”, pela manutenção do mesmo. Se não for alcançada a maioria absoluta de votos “não”, o veto ficará mantido. O projeto de lei (no caso de veto total) ou as partes vetadas do projeto deverão ser arquivados. Logo, a rejeição do veto implica a manifestação da maioria absoluta em cada uma das casas pelo voto “não”. Se o veto for rejeitado, a consequência é a transformação do projeto de lei em lei, a qual deverá ser promulgada (CF/88, art. 66, § 5º). O prazo constitucional para que o Chefe do Poder Executivo efetue essa promulgação é de 48 horas (CF/88, art. 66, § 7º). Na hipótese do Presidente da República não promulgar a lei, quem deverá fazê-lo é o Presidente do Senado; e se este também não o fizer em 48 horas, a tarefa caberá ao Vice-Presidente do Senado (CF/88, art. 66, § 7º). Quando o veto é derrubado e as partes, antes vetadas, são promulgadas, a vigência dessas partes passa a valer a partir da 3 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 publicação. Os efeitos não retroagem à data da publicação da lei inicial, que continha os vetos. Agora, será que o Congresso Nacional pode, na hipótese de veto total, rejeitar apenas partes do veto? O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a admissibilidade de rejeição parcial de veto total, sendo possível que o Congresso ratifique alguns itens e rejeite outros (STF, Representação nº 1385/SP, Relator Min. Moreira Alves). É como se o veto total fosse, na verdade, um conjunto de vários vetos parciais. Quanto aos prazos para tramitação do veto, cabem duas ressalvas. O prazo constitucional para que o Congresso aprecie o veto é de trinta dias, contados a partir do seu recebimento, sob pena de sobrestamento das demais proposições (CF/88, art. 66, § 6º). Primeiramente, o sobrestamento de proposições se refere às matérias que porventura estejam na Ordem do Dia da sessão do Congresso Nacional. Veto pendente de deliberação não tranca a pauta nem da Câmara, nem do Senado. A outra ressalva diz respeito à não apreciação dos vetos por parte do Congresso, o que tem se mostrado um problema. Levantamento realizado em outubro de 2010 revela que existem pelo menos 714 vetos presidenciais pendentes de deliberação. Mas, então, como as sessões do Congresso continuam acontecendo, se há tantos vetos que, pela lógica constitucional, deveriam estar trancando a pauta? Acontece que o Regimento Comum, quando dispõe sobre a apreciação dos vetos, afirma que o prazo de trinta dias a que se refere a Constituição, no art. 66, § 4º, começa a ser contado a partir da sessão convocada para conhecimento da matéria (RCCN, art. 104, § 1º). Dessa forma, os vetos podem continuar chegando ao Poder Legislativo; contudo, seu prazo de tramitação só tem início quando o Presidente do Senado convocar a sessão de conhecimento (que, pelo mesmo Regimento, deveria acontecer 72 horas após a comunicação feita pelo Presidente da República).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 MEDIDAS PROVISÓRIAS As Medidas Provisórias são editadas pelo Chefe do Poder Executivo, em caso de relevância e urgência, com eficácia imediata e força de lei. Assim que é publicada no Diário Oficial da União, ela já passa a produzir seus efeitos, devendo ser submetida de imediato ao Congresso Nacional. O prazo de vigência das Medidas Provisórias é de 60 dias contados da publicação da MP, prorrogáveis por igual period, se ela ainda não tiver sido convertida em lei (CF/88, art. 62, § 3º). A prorrogação do prazo de vigência é automática e será comunicada em Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional, publicado no Diário Oficial da União (Resolução 01/2002-CN, art. 10, § 1º). Esses prazos não são contados durante o recesso parlamentar. As Medidas Provisórias se prestam a regular um amplo espectro de matérias. Contudo, a Constituição, a partir da EC 32/2001, passou a trazer as seguintes vedações materiais para edição dessas Medidas: • • • • Matéria relativa a nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral (CF/88, art. 62, § 1º, I, “a”); Matéria relativa a direito penal, processual penal e processual civil (CF/88, art. 62, § 1º, I, “b”); Matéria relativa a organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros (CF/88, art. 62, § 1º, I, “c”); Matéria relativa a planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, (CF/88, art. 62, § 1º, I, “d”), com exceção dos créditos adicionais extraordinários, que são veiculados por MP; Matéria que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro (CF/88, art. 62, § 1º, II); Matéria reservada a lei complementar (CF/88, art. 62, § 1º, III); Matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República (CF/88, art. 62, § 1º, IV); Instituição ou elevação de impostos por MP, em regra, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte, respeitando o princípio da anterioridade tributária (art. 62, § 2º). 6 www.pontodosconcursos.com.br

• • • •

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Cuidado na prova para não misturar as limitações à edição de Medidas Provisórias (CF/88, art. 62, § 1º) com as limitações impostas para o conteúdo de Lei Delegada (CF/88, art. 68, § 1º).

A Constituição estabelece ainda uma vedação procedimental à edição de Medidas Provisórias, que é a proibição de reedição, na mesma sessão legislativa, de MP que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo (CF/88, art. 62, § 10). O Presidente da República também não pode retirar da apreciação do Congresso Nacional uma MP que já tenha sido encaminhada ao Legislativo. Contudo, o Supremo Tribunal Federal assentou entendimento de que é possível o Presidente da República ab-rogar, ou seja, revogar totalmente Medida Provisória em tramitação por meio da edição de uma outra Medida Provisória (ADI 1.315-MC/DF, Rel. Min. Ilmar Galvão). Nosso estudo sobre a tramitação de Medidas Provisórias está baseado nos procedimentos previstos pela Constituição e pela Resolução 01/2002, do Congresso Nacional, que regulam o tema. Assim que sai a publicação da Medida Provisória no Diário Oficial, o Presidente da República envia a MP, acompanhada da respectiva Mensagem e a motivação do ato ao Presidente da Mesa do Congresso, que é o Presidente do Senado Federal, para ser lida e publicada em avulsos. Então, é designada uma comissão mista temporária, no prazo de 48 horas contadas da publicação (Resolução 01/2002-CN, art. 2º). A exceção é a Medida Provisória que abre crédito adicional extraordinário, cujo parecer será emitido pela Comissão Mista de Orçamento (Resolução 01/2002-CN, art. 2º, § 6º). Nesse caso, não há comissão mista temporária constituída especialmente para análise da MP, como acontece para as que versam sobre outros assuntos. Voltando às demais MPs, a Comissão Mista temporária fica responsável por emitir o parecer sobre a MP, sendo os membros da comissão indicados pelas lideranças partidárias. Não havendo indicação, cabe ao Presidente do Congresso fazê-lo em 48 horas, incluindo o nome dos líderes e vice-líderes na Comissão (Resolução 01/2002-CN, art. 2º, § 5º). A constituição da Comissão Mista e a fixação do calendário de tramitação da MP podem ser comunicadas em sessão do Senado Federal ou em sessão conjunta do Congresso Nacional. Se for em sessão do Senado, é dado conhecimento à Câmara dos Deputados, por intermédio de ofício dirigido ao seu Presidente (Resolução 01/2002-CN, art. 2º, § 7 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 7º). A Comissão Mista é integrada por 12 Senadores e 12 Deputados, com igual número de suplentes, acrescida de mais uma vaga destinada a cada uma das Casas, a serem preenchidas em rodízio, pelas bancadas minoritárias que não alcancem número para participar da Comissão (Resolução 01/2002-CN, art. 2º, § 3º). Após ser designada, a Comissão tem prazo de 24 horas para sua instalação, quando são eleitos seu Presidente e Vice-Presidente e designados os Relatores para a matéria. A cada comissão formada, devese alternar a Presidência: uma vez o Senado, outra vez a Câmara. O Presidente e o Vice devem ser de Casas diferentes e o Relator, de casa diversa da do Presidente (Resolução 01/2002-CN, art. 3º, §§ 1º e 2º). Na apreciação de Medidas Provisórias, a relatoria é um pouco diferente das demais proposições. Além do Relator, o Presidente vai designar um Relator Revisor, pertencente a Casa diferente e, de preferência, do mesmo partido que o primeiro (Resolução 01/2002-CN, art. 3º, § 3º). Ora, e por que isso? É que a Medida Provisória, apesar de receber parecer da Comissão Mista, é votada separadamente na Câmara dos Deputados e no Senado. Assim, quando a matéria chegar em cada uma das Casas, deverá ser relatada nela. E não dá para ter uma matéria tramitando no Senado, por exemplo, tendo um Deputado como relator. Daí esse instituto de dois relatores na Comissão Mista, o Relator e o Relator Revisor. Para entender melhor como funcionaria esse mecanismo, vamos dar um exemplo. Suponha que a Presidência de uma Comissão Mista Temporária para analisar MP coubesse a um Senador. Ficaria assim: PRESIDENTE – Senador VICE-PRESIDENTE – Deputado RELATOR – Deputado RELATOR REVISOR – Senador Vamos passar agora à fase de emendamento. Emendas à Medida Provisória são oferecidas por deputados e senadores no âmbito da Comissão Mista, protocoladas na Secretaria-Geral da Mesa do Senado, até o sexto dia contado da publicação da MP no DOU (Resolução 01/2002-CN, art. 4º, caput e § 1º). As emendas não podem tratar de matéria estranha ao assunto da 8 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Medida Provisória. Agora, um detalhe: cabe ao Presidente da Comissão indeferir a emenda, se entender que a mesma está em desacordo com a regra (Resolução 01/2002-CN, art. 4º, § 4º). Da decisão do Presidente cabe recurso para o plenário da comissão do autor da emenda, desde que apoiado por três membros desse colegiado (Resolução 01/2002-CN, art. 4º, § 5º). O prazo para que a Comissão dê seu parecer sobre a MP é de 14 dias contados da publicação. Esse parecer é único e deve abordar, em itens separados, os seguintes pontos (Resolução 01/2002-CN, art. 5º): • • • • Aspectos formais (o parecer diz se o texto da MP, a Mensagem e a Exposição de Motivos foram encaminhados); Aspectos constitucionais (atendimento aos pressupostos de relevância e urgência); Mérito da MP; Adequação financeira e orçamentária (repercussão sobre a receita ou a despesa pública da União e atendimento das normas orçamentárias e financeiras vigentes). Para essa análise, o órgão de consultoria orçamentária da Casa a que pertencer o Relator (atualmente a Consultoria de Orçamentos da Câmara ou a do Senado) encaminha à Comissão nota técnica com subsídios necessários, no prazo de 5 dias da publicação da MP (Resolução 01/2002-CN, art. 19);

Importante: a Comissão sempre deve se manifestar a respeito do mérito da MP, mesmo que ela não atenda aos pressupostos de relevância e urgência ou seja inadequada do ponto de vista financeiro ou orçamentário (Resolução 01/2002-CN, art. 5º, § 2º) E como pode se dar a apreciação de mérito? A Comissão pode decidir de várias formas (Resolução 01/2002-CN, art. 5º, § 4º): Aprovação total Aprovação parcial Alteração da Medida Provisória Rejeição Em caso de rejeição, o parecer da Comissão deve concluir pela apresentação de um projeto de decreto legislativo (PDL) que irá disciplinar as relações jurídicas decorrentes da vigência dos textos suprimidos ou alterados, nos termos da CF/88, art. 62, § 3º. Esse PDL 9 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 começa a tramitar pela Câmara dos Deputados. Mas, se a Medida Provisória tiver sido alterada pelo Legislativo por meio de emenda, o parecer concluirá pela apresentação de um Projeto de Lei de Conversão (PLV), segundo a Resolução 01/2002-CN, art. 5º, § 4º, I. Se for alteração parcial, converte-se a Medida em PLV. Aquelas partes que constavam originalmente na MP e que não foram aproveitadas no PLV devem ser disciplinadas por meio de decreto legislativo. Aprovado o parecer na comissão, ele será encaminhado à Câmara dos Deputados, acompanhado do projeto de lei de conversão e do projeto de decreto legislativo, se for o caso (Resolução 01/2002-CN, art. 5º, § 5º). Se o prazo da Comissão estiver esgotado e ela não tiver elaborado o parecer, no 15º dia de vigência da MP o processo é encaminhado à Câmara dos Deputados (Resolução 01/2002-CN, art. 6º, § 1º). Chegando à Câmara, o parecer é publicado em avulsos e no Diário da Câmara dos Deputados; a MP é incluída na Ordem do Dia da Casa, sem precisar cumprir interstício (Resolução 01/2002-CN, art. 6º, caput). Na hipótese de não haver parecer da comissão, quem fará isso no Plenário da Câmara é o mesmo Relator ou Relator Revisor designado na Comissão. Se não tiver sido designado relator da Comissão, será o Presidente da Câmara quem escolherá um relator para a medida. O prazo dele será até a sessão ordinária seguinte. Se o parecer desse relator for pela apresentação de um Projeto de Lei de Conversão, poderá ser concedido prazo até a sessão ordinária seguinte para a votação da matéria (Resolução 01/2002-CN, art. 6º, §§ 2º e 3º). O prazo da Câmara para votar a MP é até o 28º dia de vigência da Medida, contado da publicação no DOU (Resolução 01/2002-CN, art. 6º). Logo, são 14 dias de que o Plenário da Câmara dispõe para apreciar a matéria. Na hora de votar, serão analisadas duas coisas: primeiro, os pressupostos constitucionais de urgência e relevância. Depois, o mérito da MP. Se a Medida for rejeitada na Câmara, nem mesmo vai ao Senado. O Presidente da Câmara comunica esse fato ao Senado e a matéria vai para o Arquivo.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07

Importante! Esgotado o prazo de 14 dias sem que a Câmara delibere sobre a MP, o Senado pode iniciar a discussão da matéria, mas a votação no SF só pode acontecer após finalizada a deliberação na Câmara (Resolução 01/2002-CN, art. 7º, § 2º).

Mas se aprovada na Câmara, a MP ou o PLV decorrente dela serão encaminhados ao Senado, que terá até o 42º dia de vigência da Medida Provisória, contado da sua publicação no DOU, para apreciá-la (Resolução 01/2002-CN, art. 7º). Se houver partes rejeitadas na MP (sem ser rejeição total), elas também irão ao Senado, que poderá fazer a reinclusão delas na MP ou no PLV. Assim, o plenário do Senado tem outros 14 dias para apreciar a MP ou o PLV decorrente de sua alteração, seguindo o mesmo procedimento da Câmara. Naquela mesma hipótese, de não haver parecer da comissão mista e não houver sequer relator designado, o Presidente do Senado designa o Relator. No Plenário, ocorre a apreciação preliminar do atendimento ou não dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência e de sua adequação financeira ou orçamentária, antes do exame de mérito (Resolução 01/2002-CN, art. 8º). Se o Plenário da Câmara ou o do Senado decidir no sentido do não atendimento dos pressupostos constitucionais ou pela inadequação financeira ou orçamentária da MP, esta será arquivada (Resolução 01/2002-CN, art. 8º, par. único). Em regra, a votação da MP acontece por votação simbólica, exigido quórum de maioria simples para sua aprovação. Se os Senadores fizerem alguma alteração de mérito, o texto precisa retornar à Câmara, que vai ter apenas 3 dias para analisar essas alterações (Resolução 01/2002-CN, art. 7º, § 4º). Não podemos esquecer que na Constituição está previsto que, se em 45 dias a MP não tiver sido deliberada, no 46º dia ela vai entrar em regime de urgência e sobrestar (trancar) a pauta de votação da Casa onde se encontrar – pode ser na Câmara ou no Senado (CF/88, art. 62, § 7º). Nenhuma deliberação pode ser realizada sem que antes os parlamentares resolvam sobre essa MP em regime de urgência. Vale lembrar, contudo, o recente entendimento do então Presidente da 11 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Câmara dos Deputados Michel Temer (desde o ultimo sábado, nosso novo Vice-Presidente da República), sufragado pelo STF, de que as matérias trancadas são apenas aquelas que podem ser reguladas por medida provisória. A tramitação de um projeto de lei complementar, por exemplo, não ficaria trancada pela MP. Contra essa decisão, tramita no STF o Mandado de Segurança 27.931, de autoria de parlamentares, cuja liminar foi negada pela Corte Máxima. Pelo andar da carruagem, tudo indica que o Supremo confirmará o entendimento do Presidente da Câmara. Até hoje (03/01/2011), o processo estava ainda pendente de decisão. Sugiro que fiquem atenados a esse assunto. Maiores informações no Informativo 572 do STF. Muito bem! Encerrada a etapa de deliberação no Legislativo, são vários os caminhos que pode seguir uma MP, conforme o resultado final obtido: Aprovação da medida provisória, nos mesmos termos em que veio do Poder Executivo: é promulgada como lei pelo Presidente da Mesa do Congresso, que a envia para publicação. Aprovação de um Projeto de Lei de Conversão (PLV): vai à sanção do Presidente da República como qualquer outro projeto de lei, podendo ser sancionado ou vetado. No segundo caso, o veto ainda deverá ser apreciado pelo Congresso Nacional (CF/88, art. 62, §§ 12, 3º e 11, e Resolução 01/2002-CN, art. 11, caput e § 1º). Rejeição total da Medida Provisória: o Presidente da Casa que assim se pronunciar comunicará o fato imediatamente ao Presidente da República, fazendo publicar o ato declaratório de rejeição de Medida Provisória (Resolução 01/2002-CN, art. 14). A Comissão Mista deve elaborar um projeto de decreto legislativo regulando as relações jurídicas decorrentes no período de sua vigência. Se o decreto legislativo não for editado em até 60 dias, as relações jurídicas decorrentes continuarão sendo reguladas pela Medida Provisória (CF/88, art. 62, §§ 3º e 11, e Resolução 01/2002-CN, art. 13). Prazo de vigência, inclusive com a prorrogação, esgotado sem apreciação: Medida Provisória perde a eficácia, devendo o Presidente da Mesa do Congresso comunicar o fato ao Presidente da República. O Congresso deve elaborar um projeto de decreto legislativo regulando as relações jurídicas decorrentes no período de sua vigência. Se o decreto legislativo não for editado em até 60 dias, as relações jurídicas 12 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 decorrentes continuarão sendo reguladas pela Medida Provisória (CF/88, art. 62, §§ 3º e 11 e Resolução 01/2002-CN, art. 11, caput e § 1º). Agora, um breve comentário: na prática, o trâmite de Medidas Provisórias tem se afastado do que está previsto nas normas. Isso porque as comissões mistas destinadas ao exame das MPs não vêm sendo instaladas (acredite!), fazendo com que os presidentes das duas Casas designem os relatores em plenário, geralmente quando a pauta já está trancada, após 45 dias de edição da MP. Ou seja, uma exceção prevista na Resolução acaba se tornando regra. Mas, como já tivemos a oportunidade de dizer em nossa primeira aula, o que cai na prova é a teoria! Finalizando nosso estudo sobre este assunto, é importante lembrar que as medidas provisórias editadas antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 32/2001, que alterou substancialmente as regras sobre a tramitação de MPs, continuam em vigor até sua deliberação definitiva pelo Congresso Nacional, ou até que outra medida provisória as revogue explicitamente (art. 2.º da EC 32/2001). Vale lembrar que a deliberação sobre essas MPs que ganharam “vida eterna” ainda é o anterior à modificação promovida pela EC 32, isto é, por meio de sessão conjunta do Congresso Nacional.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 MATÉRIA ORÇAMENTÁRIA Vamos ver agora em linhas gerais como funciona a tramitação dos projetos de lei referentes à matéria orçamentária: o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento Anual, além das proposições referents a créditos adicionais (suplementares, especiais e extraordinários). Plano Plurianual (PPA): editado a cada quatro anos com vigência até o final do primeiro exercício financeiro do mandato presidencial subsequente (ADCT, art. 35, § 2º, I). Estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada (CF/88, art. 165, § 1º). Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a sua inclusão, sob pena de crime de responsabilidade. Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO): elaborada e aprovada anualmente e com validade para um exercício. Compreende as metas e prioridades da Administração Pública Federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orienta a elaboração da lei orçamentária anual, dispõe sobre as alterações da legislação tributária e estabelece a política de aplicação das agências financeiras de fomento. Determina, assim, de forma antecipada, as diretrizes, as prioridades de gastos, e as normas e os parâmetros que devem orientar a elaboração do projeto de lei orçamentária para o exercício seguinte (CF/88, art. 165, § 2º). Lei Orçamentária Anual (LOA): editada para cada exercício financeiro, que coincide com o ano civil. Compreende três partes: o Orçamento Fiscal, referente aos Poderes da União, fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público; o Orçamento da Seguridade Social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta e indireta bem como os fundos e fundações instituídas e mantidas pelo poder público, destinados a segurar os direitos relativos à Saúde, Previdência e Assistência Social; e o Orçamento de Investimento das Estatais, empresas em que a União direta ou indiretamente detenha a maioria do capital social com direito a voto (CF/88, art. 165, §5º, I, II e III).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Créditos adicionais: são classificados em créditos suplementares, utilizados quando há previsão no orçamento para uma determinada despesa, mas a dotação orçamentária foi insuficiente; créditos especiais, aqueles não previstos no Orçamento da União; e créditos extraordinários, para atender situações imprevisíveis e urgentes (CF/88, art. 167, § 3º). Esses créditos, por possuírem os requisitos constitucionais de imprevisibilidade e urgência, são enviados ao Congresso Nacional em forma de medida provisória, sendo o único caso de uso de MP para matéria orçamentária. Nas duas primeiras espécies de créditos adicionais, a autorização é feita por meio de projeto de lei (CF/88, art. 167, V). Como já estudamos, os projetos de lei de matéria orçamentária são de iniciativa vinculada do Presidente da República, sendo que a Constituição Federal estabelece prazos (ADCT, art. 35, § 2º, I, II e III) para que ocorra o envio desses projetos de lei ao Congresso e a consequente devolução da matéria, pelo Legislativo, para sanção, conforme a tabela abaixo:
PROPOSIÇÃO VIGÊNCIA Quatro anos PRAZO DE ENVIO Até 4 meses antes do encerramento do 1º exercício financeiro do mandato do Presidente da República (31/08) Até 8 meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro (15/04) Até 4 meses antes do encerramento do exercício financeiro (31/08) PRAZO DE DEVOLUÇÃO Até o encerramento da sessão legislativa ordinária correspondente (22/12) Até o encerramento do 1º período da sessão legislativa ordinária (17/07) Até o encerramento da sessão legislativa ordinária (22/12)

PPA

LDO

Anual

LOA

Anual

Quanto ao projeto de lei de LDO, cabe uma ressalva importante: se o Congresso Nacional não deliberar sobre ele até a data limite (até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa ordinária, ou seja, até 17 de julho), a sessão legislativa não poderá ser interrompida. Assim, não haverá o recesso parlamentar até que essa deliberação esteja concluída (CF/88, art. 57, § 2º). Todas essas matérias são encaminhadas ao Congresso Nacional por meio de projeto de lei, já que é vedada sua disciplina por meio de 16 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Medida Provisória. extraordinários. Com uma exceção: os créditos adicionais

O trâmite dos projetos de lei que versam sobre matéria orçamentária tem início quando o Presidente da República encaminha a Mensagem ao Presidente do Senado. A Mensagem deve ser lida em sessão conjunta, especialmente convocada para esse fim, dentro de 48 horas de sua entrega (RCCN, art. 89). A partir do recebimento do projeto, haverá cinco dias úteis para a publicação da matéria e a confecção dos avulsos. A mensagem é então encaminhada à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, chamada também de Comissão Mista de Orçamentos (CMO). Essa comissão tem previsão constitucional (CF/88, art. 166, § 1º), e compete a ela, além da análise sobre matéria orçamentária, examinar e emitir parecer sobre as contas apresentadas anualmente pelo Presidente da República (CF/88, art. 166, § 1º, I) e sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição, além de exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária (CF/88, art. 166, § 1º, II). No tema de sua competência, a CMO deve verificar o atendimento das normas constitucionais e legais aplicáveis (Resolução 01/2006-CN, art. 70, I, “a”). A CMO é composta por 40 titulares, sendo 30 Deputados e 10 Senadores, com igual número de suplentes (Resolução 01/2006-CN, art. 5º). A Comissão possui um presidente e três vice-presidentes, sendo o mandato anual. O Presidente e Vice-Presidente devem pertencer a Casas distintas, alternando as funções a cada ano (Resolução 01/2006-CN, arts. 12 e 13). Para emitir o parecer, serão nomeados na Comissão Mista os relatores do projeto de lei. São as lideranças partidárias que indicam o RelatorGeral e o Relator da Receita do projeto de lei orçamentária anual, o Relator do projeto de lei de diretrizes orçamentárias e o Relator do projeto de lei do plano plurianual (RCCN, art. 16, I). Essas relatorias são escolhidas alternadamente, recaindo a cada ano em um representante do Senado e da Câmara, não podendo pertencer ao mesmo partido ou bloco parlamentar do Presidente (RCCN, art. 16, II). No caso do projeto de LOA, são escolhidos um Relator-Geral, um Relator da Receita e os Relatores Setoriais. O Relator da Receita não pode pertencer à mesma Casa ou mesmo partido Relator-Geral (RCCN, art. 16, V). O Relator-Geral e os Relatores Setoriais vão cuidar, principalmente, da parte da despesa (alocação de recursos no projeto de LOA). Outro critério importante quanto às relatorias é o de que cada 17 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 parlamentar poderá, na mesma legislatura, exercer somente uma vez uma das funções de relator, valendo para PPA, LDO, LOA e relatorias setoriais (RCCN, art. 16, X). As relatorias setoriais consistem na divisão do projeto de lei orçamentária por grupos temáticos, de maneira a facilitar o estudo sobre a matéria. Nos termos da Resolução 01/2006-CN, art. 26, são as seguintes as áreas temáticas: 1. Infra-Estrutura; 2. Saúde; 3. Integração Nacional e Meio Ambiente; 4. Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Esporte; 5. Planejamento e Desenvolvimento Urbano; 6. Fazenda, Desenvolvimento e Turismo; 7. Justiça e Defesa; 8. Poderes do Estado e Representação; 9. Agricultura e Desenvolvimento Agrário; 10. Trabalho, Previdência e Assistência Social. Nomeados os relatores, começa a fase de emendamento. Antes de mais nada, é preciso ter em mente que o Presidente da República, autor da mensagem, poderá enviar ao Congresso proposta de modificação ao projeto inicial. Contudo, essas modificações só serão apreciadas se recebidas até enquanto não iniciada a votação, na Comissão mista, da parte cuja alteração é proposta (CF/88, art. 166, § 5º). Segundo a Resolução 01/2006-CN (art. 28), esse momento refere-se ao início da votação do Relatório Preliminar na CMO. O Relatório Preliminar, após votado pela CMO, transforma-se no Parecer Preliminar da Comissão, documento que orienta a fase de emendamento do projeto de lei. A CMO realizará ainda audiências públicas para o debate e o aprimoramento do projeto, com Ministros ou representantes dos órgãos de Planejamento, Orçamento e Fazenda do Poder Executivo e representantes dos órgãos e entidades integrantes das áreas temáticas (Resolução 01/2006-CN, art. 29). A Comissão tem prazo de até 30 dias para a realização dessas audiências públicas, a partir da publicação da matéria. Na apreciação das matérias orçamentárias, é permitido que as Comissões Permanentes também participem desse processo junto com a Comissão Mista. Para isso, as Comissões Permanentes interessadas deverão solicitar ao Presidente da CMO que lhes seja remetido o texto do 18 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 projeto de lei orçamentária (RCCN, art. 90, § 3º, “a”). As Comissões permanentes que solicitarem participação no processo vão tratar somente de assuntos que dizem respeito à matéria de sua competência específica (RCCN, art. 90, § 3º, “b”) e poderão realizar reuniões conjuntas podendo concluir pela apresentação de parecer único (RCCN, art. 90, § 3º, “f”). Os pareceres dessas comissões serão encaminhados ao relator na Comissão Mista, para que sirva como subsídio ao estudo da matéria, sendo que o parecer do relator na CMO deverá fazer referência expressa ao ponto de vista da Comissão Permanente (RCCN, art. 90, § 3º, “e”). Quanto às emendas, o projeto de lei orçamentária admite dois grandes grupos: emendas à receita e emendas à despesa. Emendas à receita são aquelas que alteram a estimativa da receita, ou seja, quanto o Poder Executivo pretende arrecadar para fazer face às despesas. Já as emendas à despesa são subdivididas em três espécies: de remanejamento, de apropriação e de cancelamento. A emenda de remanejamento é aquela que propõe um acréscimo de despesa usando como recurso a anulação de outra, constante do projeto, com exceção da Reserva de Contingência (Resolução 01/2006-CN, art. 38). A emenda de apropriação igualmente propõe acréscimo ou inclusão de dotação orçamentária, mas usa como fonte de crédito a anulação de recursos constantes na Reserva de Contingência (Resolução 01/2006-CN, art. 39). Por fim, a emenda de cancelamento é mais simples: propõe somente a redução de despesas constantes do projeto (Resolução 01/2006-CN, art. 40). E quem pode apresentar emendas aos projetos de lei orçamentária? Vejamos:

• Comissões Permanentes (da Câmara e do Senado) com relação • Mesas Diretoras (Resolução 01/2006-CN, art. 44, § 2º). • Bancadas Estaduais (Resolução 01/2006-CN, art. 46). • Parlamentares, individualmente (Resolução 01/2006-CN, art.
49).

às matérias que lhes sejam afetas (Resolução 01/2006-CN, art. 43).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 É importante destacarmos algumas regras constitucionais sobre a aprovação de emendas ao Orçamento, constantes do art. 166, § 3º, da CF/88: • • As emendas devem ser compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias; As emendas devem indicar os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, sendo que não podem ser anuladas despesas com: dotações para pessoal e seus encargos, serviço da dívida e transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; As emendas podem estar relacionadas também com a correção de erros ou omissões (geralmente utiliza-se essa regra para emendar o valor da previsão da receita) ou com os dispositivos do texto do projeto de lei (a redação dos artigos da lei).

O trabalho da comissão começa pela aprovação do Relatório da Receita, incluída uma etapa de emendamento específica para essa fase. Em seguida, é votado um Relatório Preliminar, contendo os parâmetros e critérios que deverão ser obedecidos na apresentação de emendas e na elaboração do relatório do projeto pelo Relator-Geral e pelos Relatores Setoriais (Resolução 01/2006-CN, art. 51). Concluída a votação do Relatório Preliminar (que passa a ser então o Parecer Preliminar), são dez dias de prazo para a apresentação de emendas de despesa ao projeto da LOA. São votados os relatórios setoriais, que devem ser apreciados separadamente (Resolução 01/2006-CN, art. 75). Por fim, a comissão vota o Relatório do Relator-Geral, cuja apreciação só pode começar depois de aprovado o projeto de lei do Plano Plurianual ou de projeto de lei que o revise (Resolução 01/2006-CN, art. 76), pois a Lei Orçamentária Anual precisa estar compatível com o que está previsto no PPA. Depois de aprovado, o Relatório do Relator-Geral torna-se o Parecer da CMO (Resolução 01/2006-CN, art. 133), que deve ser encaminhado dentro de cinco dias para a Mesa do Congresso Nacional (Resolução 01/2006-CN, art. 82, XIV). O Parecer da CMO está previsto no art. 166, § 1º, I, da CF/88. O parecer que vem da CMO é conclusivo, inclusive em relação às emendas que foram apresentadas. As emendas podem ser apreciadas pelo Plenário do Congresso separadamente, mas para isso é preciso um requerimento assinado por no mínimo 1/10 de congressistas (60 20 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 assinaturas), apresentado à Mesa do Congresso até a véspera da discussão da matéria em plenário. E se a Comissão Mista não apresentar o seu parecer final no prazo fixado? Nesse caso, o Regimento Comum determina que se proceda como em outras matérias nessa situação: o Presidente do Senado convocará sessão conjunta para a apreciação da matéria e designará Relator, que proferirá parecer oral (RCCN, art. 100). A votação final de matéria orçamentária ocorre no plenário do Congresso Nacional, reunido em sessão conjunta. Relembremos que a sessão conjunta é aquela onde os votos são computados de forma separada, primeiro na Câmara, depois no Senado. A matéria precisa ser considerada aprovada nas duas Casas. A votação acontece na modalidade aberta, simbólica, por maioria simples de votos em cada Casa. Quem teve a oportunidade de acompanhar a votação do PLOA 2001 pôde verificar esse procedimento. A sessão conjunta do CN foi transmitida ao vivo pela TV Câmara. O orçamento para 2001 foi aprovado no ultimo dia 22/12, às 22h30. O Regimento Comum do Congresso Nacional determina ainda que são aplicáveis subsidiariamente à tramitação do projeto de lei orçamentária anual as disposições regimentais relativas aos projetos de lei em geral. Depois de aprovado, o projeto de lei orçamentária anual segue para sanção do Presidente da República. Mas, se há prazo para que o Congresso Nacional delibere sobre matéria orçamentária (no caso da LOA, até 22 de dezembro), o que acontece se ela não for aprovada? Ou se não for sequer votada? A não aprovação do projeto de orçamento anual enseja as seguintes situações: Se o Legislativo rejeitar todo o projeto da LOA: O Poder Executivo executa o orçamento usando créditos especiais e extraordinários (CF/88, art. 166, § 8º): “Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e específica autorização legislativa”. Se o exercício financeiro seguinte começar sem a aprovação do projeto de LOA: o Poder Executivo executa provisoriamente o que está no projeto de LOA. Essa situação vem sendo regulamentada pelas Leis de Diretrizes Orçamentárias, que estipulam que certas despesas podem ser

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 executadas sem que a LOA esteja aprovada. Tomando como exemplo a LDO para 2011, temos:
Art. 68. Se o Projeto de Lei Orçamentária de 2011 não for sancionado pelo Presidente da República até 31 de dezembro de 2010, a programação dele constante poderá ser executada para o atendimento de: I - despesas com obrigações constitucionais ou legais da União, relacionadas na Seção I do Anexo IV desta Lei; II - bolsas de estudo no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, bolsas de residência médica e do Programa de Educação Tutorial – PET, bem como Bolsa Atleta e bolsistas do Programa Segundo Tempo; III - pagamento de estagiários e de contratações temporárias por excepcional interesse público na forma da Lei no 8.745, de 1993; IV - ações de prevenção a desastres classificadas na subfunção Defesa Civil; V - formação de estoques públicos vinculados ao programa de garantia dos preços mínimos; VI - realização de eleições pela Justiça Eleitoral; VII - outras despesas correntes de caráter inadiável; e VIII - importação de bens destinados à pesquisa científica e tecnológica, no valor da cota fixada no exercício financeiro anterior pelo Ministério da Fazenda.

A mesma LDO determina que a forma de liberação dos recursos acontece por meio da execução de um duodécimo (1/12 ou um doze avo) do valor de cada dotação prevista no projeto de lei orçamentária, a cada mês, até que ocorra a sanção da LOA. Por fim, se o Poder Executivo sequer enviar o projeto de LOA para apreciação do Congresso Nacional no prazo fixado, o Poder Legislativo considerará como proposta a Lei de Orçamento vigente, ajustado aos limites determinados pela LDO (Lei 4.320/1964, art. 32). Vale ressaltar que, com essa conduta, o Presidente da República estará incorrendo em crime de responsabilidade (CF/88, art. 85, VI). A tramitação dos demais projetos atinentes à matéria orçamentária – LDO, PPA e créditos adicionais – segue, em linhas gerais, no que couber, as mesmas disposições aplicadas à LOA. Diferem em questões relativas à prazos, limites para emendas e quantidade de relatórios. Todos esses pontos estão disciplinados na mesma Resolução 01/2006CN, que trata da competência da CMO e da apreciação de matéria orçamentária.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Exercícios 1) FGV/SF/Advogado/2008: Assinale a afirmativa incorreta. (A) No caso de veto, a Comissão Mista tem o prazo de 20 (vinte) dias, contado da data de sua constituição, para apresentar seu relatório. Correta (RCCN, art. 105). (B) Após comunicado o veto ao Presidente do Senado, este designa a Comissão Mista, e a esta incumbe relatá-lo e fixar o calendário de sua tramitação. Errada. É o Presidente que designa a Comissão Mista para relatar o veto e é ele também que estabelece o calendário de tramitação (RCCN, art.104). (C) O veto do Presidente da República é apreciado em sessão conjunta das Casas do Congresso Nacional. Correta (CF/88, art. 66, § 4º). (D) A Comissão Mista compõe-se de 3 (três) Senadores e 3 (três) Deputados, indicados pelos Presidentes das respectivas Câmaras. Correta (RCCN, art. 104, § 2º). (E) O prazo de 30 (trinta) dias para apreciação do veto é contado a partir da sessão convocada para conhecimento da matéria. Correta (RCCN, art. 104, § 1º). Gabarito: Letra “B”. 2) FGV/SF/Advogado/2008: A respeito do processo legislativo, analise as afirmativas a seguir: I. Podem apresentar proposta de emenda à Constituição Federal: o Presidente da República; um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; e mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades de federação, manifestando-se, cada uma 24 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 delas, pela maioria relativa de seus membros. A proposta de emenda à Constituição será submetida à discussão e votação em cada casa legislativa, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver três quintos de votos favoráveis dos membros de cada casa. Correta (CF/88, art. 60, I, II e III e § 2º). II. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. As medidas provisórias perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de trinta dias. O Presidente da República poderá reeditar medida provisória que não tenha sido apreciada pelo Congresso Nacional, desde que ainda estejam presentes os requisitos da relevância e urgência. Após a quinta reedição, a medida provisória não apreciada será havida como rejeitada, cabendo ao Presidente da República, por decreto, regular as relações jurídicas dela decorrentes. Errada. São 3 erros: 1) as medidas provisórias perderão eficácia se não forem convertidas em lei no prazo de 60 dias, prorrogável uma vez por igual período (CF/88, art. 62, § 3º), e não 30 como afirma a questão; 2) é vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo (CF/88, art. 62, § 10); e 3) se a medida provisória não for convertida em lei, cabe ao Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes (CF/88, art. 62, § 3º), e não ao Presidente da República. III. Os projetos de lei de iniciativa do Presidente da República com pedido de urgência na tramitação devem ser apreciados, inicialmente pela Câmara dos Deputados, e depois pelo Senado Federal, no prazo sucessivo de quarenta e cinco dias. Ultrapassado tal prazo, ficam sobrestadas as demais deliberações legislativas da respectiva casa, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação. Os prazos de quarenta e cinco dias não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional. Correta (CF/88, art. 64, §§ 2º e 4º). IV. O projeto de lei que tenha sido aprovado nas duas casas legislativas será encaminhado ao Presidente da República para sanção. Se o chefe do Poder Executivo considerar o projeto inconstitucional ou contrário ao 25 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 interesse público, vetá-lo-á, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento. A Constituição proíbe o veto parcial do projeto, em razão do risco de desvirtuamento decorrente da supressão de apenas alguns artigos da lei aprovada. O veto poderá ser derrubado em sessão conjunta das casas legislativas, pelo voto secreto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. Errada. A Constituição admite o veto parcial, contanto que seja em relação a texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea (CF/88, art. 66, § 2º). Assinale: (A) se apenas as afirmativas I, II e III estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas I, II e IV estiverem corretas. (C) se apenas as afirmativas II, III e IV estiverem corretas. (D) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (E) se apenas a afirmativa I estiver correta. Gabarito: Letra “D”. 3) Inédita: Considere a seguinte situação hipotética. Na apuração dos votos relativos à apreciação de veto do presidente da República a um projeto de lei de iniciativa do Senado, os trabalhos foram iniciados pela contagem dos votos recebidos no Senado. Nessa situação, apesar dos votos, nas sessões conjuntas, serem apurados primeiro pela Câmara dos Deputados, foi correta a medida adotada. Correta. Em caso de veto a projeto de lei de iniciativa do Senado, a apuração terá início pelo Senado (RCCN, art. 43, § 2º). 4) Vunesp/TJSP/Juiz/2008: Se o Presidente da República vetar projeto de lei cuja votação foi concluída na Câmara dos Deputados, o veto a) será apreciado pela Casa em que a votação do projeto teve início, no prazo de quinze dias contados do seu recebimento. Errada (CF/88, art. 66, § 4º). b) será apreciado em sessão da Casa onde a votação foi concluída, no 26 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 prazo de quinze dias contados do seu recebimento. Errada (CF/88, art. 66, § 4º). c) será apreciado pelo Senado Federal, no prazo de trinta dias contados do seu recebimento. Errada (CF/88, art. 66, § 4º). d) será apreciado em sessão conjunta das duas Casas do Congresso Nacional, no prazo de trinta dias contados do seu recebimento. Correta (CF/88, art. 66, § 4º): O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento. Gabarito: Letra “D” 5) JUIZ/TRF 1ªR/2009: Quando o veto presidencial abarcar todo o projeto de lei, o Congresso Nacional não poderá promover a rejeição parcial desse veto. Errada. O veto total, no entendimento do STF, consiste em uma serie de vetos parciais, sendo possível ao Congresso Nacional manter alguns vetos e derrubar outros, em um projeto de lei totalmente vetado. 6) FCC/AL-SP/Agente Técnico Legislativo Especializado/2010 (adaptada): Estabelecem as regras constitucionais sobre o processo legislativo ordinário que veto presidencial interposto por motivos de inconstitucionalidade só poderá ser derrubado pelo voto da maioria absoluta dos membros da Comissão de Constituição e Justiça do Congresso Nacional. Errada. O veto presidencial só pode ser derrubado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em sessão conjunta do Congresso Nacional (CF/88, art. 66, § 4º). 7) FCC/DPE-MA/Defensor Público/2009: É mecanismo inerente à sistemática da separação de poderes como albergada pela Constituição da República: a) o veto do Presidente da República a projetos de lei aprovados pelas Casas do Congresso Nacional, por motivo de contrariedade ao interesse 27 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 público. Correta, nos termos da CF/88, art. 66, § 1º. b) o processamento e julgamento do Presidente da República, nos crimes de responsabilidade, pela Câmara dos Deputados. Errada. O julgamento do Presidente da República nos crimes de responsabilidade compete ao Senado Federal (CF/88, art. 52, I). A Câmara dos Deputados somente autoriza a instauração de processo (CF/88, art. 51, I). c) a suspensão, no todo ou em parte, pelo Congresso Nacional, da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Errada. Suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF é competência privativa do Senado Federal (CF/88, art. 52, X). d) a sustação de atos normativos do Poder Executivo pelo Senado Federal, nos casos em que se extrapolarem os limites de delegação legislativa. Errada. Sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa é competência do Congresso Nacional (CF/88, art. 49, V). e) a criação pelas Casas do Congresso Nacional, mediante requerimento de, no mínimo, dois terços de seus membros, de comissão parlamentar de inquérito, para apuração de fato determinado e por prazo certo. Errada. Comissão Parlamentar de Inquérito é criada mediante requerimento de, no mínimo, um terço da composição da Casa (CF/88, art. 58, § 3º). Gabarito: Letra “A”. 8) FCC/MPU/Analista-Controle Interno/2007: É certo que o veto do Presidente da República a projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional pode ser 28 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 a) parcial, com exclusão de parte de texto de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. Errada. O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea (CF/88, art. 66, § 2º). b) rejeitado por qualquer das Casas do Congresso. Errada. O veto pode ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, logo, pelas duas Casas Legislativas (CF/88, art. 66, § 4º). c) oposto, se o projeto de lei for contrário ao interesse público. Correta. Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, poderá vetálo (CF/88, art. 66, § 1º). d) rejeitado pelo voto da maioria simples dos Deputados e Senadores, em escrutínio secreto. Errada. Para ser rejeitado o veto precisa do voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores (CF/88, art. 66, § 4º). e) deverá ser oposto no prazo máximo de dez dias úteis, contados do recebimento do projeto. Errada. O prazo para o Presidente da República vetar o projeto é de 15 dias úteis (CF/88, art. 66, § 1º). Gabarito: Letra “C”. 9) FCC/TJPI/Assessor Jurídico/2010 (adaptada): No processo de elaboração de leis e atos normativos, o Presidente da República exerce o poder de veto sobre projetos de lei ordinária e complementar, o qual poderá ser derrubado por maioria de três quintos dos membros do Congresso Nacional em sessão unicameral. Errada. O veto poderá ser derrubado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, reunidos em sessão conjunta (CF/88, art. 66, § 4º). 29 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 10) Cespe/AGU/Procurador/2010: Pelo voto da maioria absoluta dos deputados e senadores, o veto presidencial a projeto de lei poderá ser rejeitado. Em tal hipótese não haverá mais a participação do presidente da República no processo legislativo, já que a subsequente promulgação ficará a cargo do presidente do Senado Federal. Errada. Se o veto for rejeitado, é preciso que as partes antes vetadas sejam promulgadas pelo Presidente da República. Se a lei não for promulgada dentro de 48 horas, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo (CF/88, art. 66, § 7º). 11) Cespe/AGU/Advogado/2009: Não há veto ou sanção presidencial na emenda à Constituição, em decretos legislativos e em resoluções, nas leis delegadas, na lei resultante da conversão, sem alterações, de medida provisória. Correta. A sanção e o veto cabem em projetos de lei (ordinária ou complementar) e nos projetos de lei de conversão oriundos de Medida Provisória que tenha sofrido alterações. 12) FCC/TRT 21ª R/Analista Judiciário/2003: O Presidente da República vetou integralmente, por contrário ao interesse público, um projeto aprovado pelo Congresso Nacional. Este, examinando as razões do veto, rejeitou-o, devolvendo o projeto para a promulgação do Presidente da República. Decorrido o prazo, sem qualquer providência do Chefe do Poder Executivo, a lei será promulgada pelo a) Presidente da Câmara dos Deputados. Errada (CF/88, art. 66, § 7º). b) Presidente do Senado Federal. Correta. Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, o Presidente do Senado a promulgará (CF/88, art. 66, § 7º). c) Presidente do Supremo Tribunal Federal. Errada (CF/88, art. 66, § 7º). 30 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07

d) Vice-Presidente da República. Errada (CF/88, art. 66, § 7º). e) Procurador Geral da República. Errada (CF/88, art. 66, § 7º). Gabarito: Letra “B”. 13) FCC/TRF 3ª R/Técnico Judiciário/2007: Considere as seguintes assertivas sobre o processo legislativo: I. Nos casos em que o veto do Presidente da República não for mantido pelos Deputados e Senadores, se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, após receber novamente o projeto, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Presidente da Câmara dos Deputados fazê-lo. Errada. Se o Presidente do Senado não promulgar a lei, cabe ao VicePresidente do Senado fazer isso (CF/88, art. 66, § 7º). II. Se o Presidente da República considerar o projeto de lei, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. Correta (CF/88, art. 66, § 1º). III. O veto do Presidente da República a projeto de lei será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria simples dos Deputados e Senadores, em escrutínio secreto. Errada. O veto só pode ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores (CF/88, art. 66, § 4º). IV. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante 31 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. Correta (CF/88, art. 67). De acordo com a Constituição Federal de 1988, está correto o que se afirma APENAS em a) II, III e IV. b) I, III e IV. c) I, II e IV. d) I, II e III. e) II e IV. Gabarito: Letra “E”. 14) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O Presidente da República, no uso de suas atribuições constitucionais, aduzindo relevância e urgência, remeteu ao Congresso Nacional Medida Provisória para reajustar vencimentos de servidores públicos, diante da ameaça de greve, com prejuízos à continuidade da prestação do serviço público. Nos termos da Constituição, existe prazo para o Congresso realizar a votação da Medida Provisória, convertendo-a em lei. Após determinado período ocorre o denominado trancamento da pauta de votações. Nesse sentido, analise as afirmativas a seguir: I. Após a publicação, a Medida Provisória deve ser apreciada em até quarenta e cindo dias. Correta. Em 45 dias, se não houve deliberação, a MP entra em regime de urgência, sobrestando as demais votações (CF/88, art. 62, § 6º). II. Nenhuma das Casas pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. Errada. As Casas devem avaliar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência (CF/88, art. 62, § 5º). III. Não sendo votada em sessenta dias, perderá a eficácia, incabível a prorrogação do prazo. Errada. Cabe prorrogação de prazo por igual período (CF/88, art. 62, § 32 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 3º). IV. Câmara e Senado indicarão membros para compor comissão mista, responsável por examinar e dar parecer sobre Medidas Provisórias. Correta (CF/88, art. 62, § 9º). V. A votação ocorrerá em sessão conjunta do Congresso Nacional. Errada. A votação se dá pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional, em sessão separada (CF/88, art. 62, § 9º). Assinale: (A) se apenas as afirmativas I e IV estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas. (C) se apenas as afirmativas II, III e IV estiverem corretas. (D) se apenas as afirmativas I, III e IV estiverem corretas. (E) se apenas as afirmativas II, III e V estiverem corretas. Gabarito: Letra “A”. 15) Esaf/MPOG/EPPGG/2009 (adaptada): As medidas provisórias perderão a eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de trinta dias a contar de sua publicação, devendo o Congresso Nacional disciplinar as relações jurídicas dela decorrentes. Errada. O prazo para conversão em lei é de sessenta dias, prorrogáveis por igual período (CF/88, art. 62, § 3º). 16) Esaf/MPOG/EPPGG/2009 (adaptada): A reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo será permitida apenas uma vez, por igual período. Errada. A partir da EC 32/2001, ficou vedada a reedição de medida provisória rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia na mesma sessão legislativa (CF/88, art. 62, § 10). 17) Cespe/TRT 1ª R/Analista/2008: As medidas provisórias não podem ser objeto de deliberação em convocação extraordinária do Congresso Nacional proposta pelo presidente da República. 33 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07

Errada. Havendo medidas provisórias em vigor na data de convocação extraordinária do Congresso Nacional, serão elas automaticamente incluídas na pauta da convocação (CF/88, art. 57, § 8º). 18) Cespe/ TRT 5ª R/Analista/2008: Medida provisória não constitui instrumento adequado a ser editado em janeiro de 2008 para criar tributo que só será cobrado em 2009. Errada. É possível a instituição ou majoração de tributos por Medida Provisória, que somente produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada (CF/88, art. 62, § 2º). Portanto, no caso em questão, a MP seria instrumento adequado. 19) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O prazo total de vigência de uma MP, inclusive computando-se o período de sua prorrogação, não poderá ultrapassar 120 dias. Errada. De acordo com a CF/88, art. 62, § 3º, as medidas provisórias perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, por igual período. Porém, a Constituição faz a ressalva de que, se for aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manterse-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto (CF/88, art. 62, § 12). Além disso, segundo a Carta Magna, o prazo máximo de tramitação da MP é suspenso durante os períodos de recesso do Congresso Nacional (art. 62, § 4º). 20) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Após o Presidente da República vetar integralmente um projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, não poderá ser editada MP a respeito da matéria disciplinada nesse projeto de lei, antes que o Congresso delibere, definitivamente, sobre o veto. Errada. O que a Constituição veda é edição sobre matéria de projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e que esteja pendente de sanção ou veto do Presidente da República (CF/88, art. 62, § 1º, IV). Como a questão afirma que o Presidente já vetou o projeto, não haveria impedimento. 21) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Quando a matéria de que 34 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 trata uma MP for reservada a lei complementar, essa medida provisória deverá ser aprovada pela maioria absoluta dos membros de cada uma das Casas do Congresso Nacional. Errada. Matéria reservada à lei complementar não pode ser disciplinada por Medida Provisória (CF/88, art. 62, § 1º, III). 22) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Se uma MP não for apreciada em até 45 dias, contados de sua publicação, ficarão sobrestadas, até que se conclua a votação da MP, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando. Correta (CF/88, art. 62, § 6º). 23) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Embora uma MP deva ser votada, separadamente, primeiro na Câmara dos Deputados e, depois, no Senado Federal, a fase preliminar de sua apreciação pelo Congresso compete a uma comissão mista de deputados e senadores. Correta (CF/88, art. 62, § 9º). 24) Cespe/SF/Advocacia/1995 (adaptada): Na apreciação de MPs, os congressistas poderão apresentar emendas versando sobre qualquer assunto. Errada. Segundo a Resolução 01/2002-CN, art. 4º, § 4º, “é vedada a apresentação de emendas que versem sobre matéria estranha àquela tratada na Medida Provisória”. 25) Cespe/SF/Advocacia/1995 (adaptada): A medida poderá ser inadmitida e declarada insubsistente, por faltarem os pressupostos constitucionais de urgência e relevância. Correta, nos termos da Constituição e da Resolução do Congresso Nacional que regula o tema. Pela CF/88, art. 62, § 5º: “A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais”. Pela Resolução 01/2002-CN, art. 8º, par. único: “Se o Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal decidir no sentido do não atendimento dos pressupostos constitucionais ou da inadequação financeira ou orçamentária da Medida Provisória, esta 35 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 será arquivada”. 26) Cespe/Instituto Rio Branco/2009: Os ativos financeiros, como, por exemplo, poupanças privadas, podem ser objeto de medida provisória que determine detenção temporária ou sequestro de bens. Errada. É vedada a edição de MP sobre esses assuntos (CF/88, art. 62, § 1º, II). 27) FCC/MPE-PE/Promotor de Justiça/2008: Lei ordinária assegura aos servidores públicos a percepção do Abono de Natal correspondente a 1 (um) mês de remuneração. Ocorre que medida provisória ampliou esse benefício para conceder mais 50% (cinquenta) por cento por ocasião do aniversário do servidor. Entretanto a medida provisória foi rejeitada pelo Congresso Nacional. Nesse caso, para a solução dos que já receberam o benefício entre o período da edição dessa espécie normativa e sua rejeição, a) o Judiciário, por meio de provimento, pelo respectivo plenário deliberará, dentro do prazo de 6 (seis) meses sobre as relações jurídicas e administrativas ocorridas no período de vigência da medida provisória. Errada. Para resolver a situação, o Congresso Nacional deve editar um decreto legislativo, no prazo de sessenta dias após a rejeição da MP (CF/88, art. 62, § 3º). b) a Câmara dos Deputados regulamentará mediante resolução, no prazo legalmente estabelecido, todas as situações havidas no período de vigência da medida provisória rejeitada. Errada (CF/88, art. 62, § 3º). c) o Senado Federal editará lei delegada, dentro do prazo de 90 (noventa) dias, disciplinando as situações ocorridas no período de vigência da medida provisória que sofreu a rejeição. Errada (CF/88, art. 62, § 3º). d) o Congresso Nacional deverá disciplinar por meio de decreto legislativo, no prazo constitucionalmente estabelecido, as relações jurídicas consolidadas durante a vigência da medida provisória.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Correta (CF/88, art. 62, § 3º). e) o Presidente da República deverá editar nova medida provisória para regulamentar as situações ocorridas dentro do prazo de vigência da medida provisória rejeitada. Errada (CF/88, art. 62, § 3º). Gabarito: Letra “D”. 28) Cespe/TRE-PA/Analista Judiciário/2007: medidas provisórias (MPs), assinale a opção correta. Em relação às

a) A aprovação com quorum de maioria absoluta permite o trato de assuntos de lei complementar. Errada. É vedado à Medida Provisória dispor sobre assuntos reservados à lei complementar (CF/88, art. 62, § 1º, III). b) Não se admite a utilização de MP em matéria de direito eleitoral. Correta. É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria relativa a nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral (CF/88, art. 62, § 1º, I, “a”). c) O período do recesso forense no âmbito da justiça eleitoral pode ser definido por MP. Errada. É vedada edição de MP sobre matéria relativa à organização do Judiciário (CF/88, art. 62, § 1º, I, “c”). d) As MPs serão votadas em sessão conjunta do Congresso Nacional. Errada. A votação das MPs ocorre em sessões separadas, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional (CF/88, art. 62, § 9º). e) Não se admite MP em matéria relativa a orçamento e créditos adicionais. Errada. É vedada a edição de Medida Provisória relativa à matéria orçamentária, incluindo os planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares (CF/88, art. 62, § 1º, I, 37 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 “d”). Contudo, a Constituição faz uma ressalva quanto aos créditos adicionais extraordinários (CF/88, art. 167, § 3º), veiculados por meio de MP. Gabarito: Letra “B”. 29) FCC/TRT 24ª R/Analista Judiciário/2006: A inobservância, pelo Congresso Nacional, do prazo constitucional de 60 dias, para conversão de medida provisória em lei, cuja vigência já tenha sido prorrogada uma vez, a) ocasionará a perda da eficácia, salvo se a mesma medida provisória for reeditada na mesma sessão legislativa. Errada. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo (CF/88, art. 62, § 10). b) ocasiona perda ex nunc da eficácia da medida provisória. Errada. As medidas provisórias que não forem convertidas em lei perderão eficácia desde a edição (CF/88, art. 62, § 3º). c) não ocasiona perda da eficácia da medida provisória, salvo se houver explícita rejeição do projeto de conversão. Errada. As medidas provisórias perderão eficácia desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias prorrogável por igual período. Isso pode se dar por rejeição ou pela perda de eficácia da matéria (CF/88, art. 62, §§ 3º e 11). d) ocasiona perda da eficácia da medida provisória, a não ser que outra medida provisória tenha sido editada após o prazo de 60 dias para o Congresso se manifestar. Errada. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo (CF/88, art. 62, § 10). e) ocasiona perda ex tunc da eficácia da medida provisória. Correta. As medidas provisórias que não forem convertidas em lei 38 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 perderão eficácia desde a edição (CF/88, art. 62, § 3º). Gabarito: Letra “E”. 30) FCC/TRT 24ª provisória editada R/Analista Judiciário/2006: Uma medida

a) poderá ter sua vigência prorrogada uma vez pelo prazo máximo de 60 dias. Correta (CF/88, art. 62, § 3º): As medidas provisórias perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual período. b) passará por uma comissão de Senadores que emitirá parecer sobre ela antes de ser apreciada pelo Congresso Nacional. Errada. O parecer cabe a uma comissão mista de Deputados e Senadores (CF/88, art. 62, § 9º). c) não poderá ser reeditada em nenhuma hipótese se for expressamente rejeitada pelo Congresso Nacional. Errada. A MP não pode ser reeditada na mesma sessão legislativa. Vale para Medida Provisória rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo (CF/88, art. 62, § 10). d) poderá ser reeditada na mesma sessão legislativa, ainda que rejeitada pelo Congresso Nacional. Errada. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo (CF/88, art. 62, § 10). e) terá sua votação iniciada no Senado Federal. Errada. Votação de MP tem início na Câmara dos Deputados (CF/88, art. 62, § 8º). Gabarito: Letra “A”. 31) TJSC/Juiz/2009: Assinale a alternativa INCORRETA no tocante ao 39 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 instituto da medida provisória: a) Dentre outras hipóteses, é defeso editá-la sobre disciplinada em projeto de lei pendente de sanção ou veto. Correta (CF/88, art.62, § 1º, IV). b) Cumpre ao Poder Legislativo disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas decorrentes de sua não conversão em lei. Correta (CF/88, art. 62, § 3º). c) É vedada sua reedição, na mesma legislatura, se rejeitada ou tornada ineficaz por decurso de prazo. Errada. É vedada a reedição de MP na mesma sessão legislativa, se rejeitada ou tornada ineficaz (CF/88, art. 62, § 10). d) Urgência e relevância são pressupostos para sua adoção. Correta (CF/88, art. 62, § 5º). e) Perderá sua eficácia se não convertida em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, uma vez, por igual período. Correta (CF/88, art. 62, § 3º). Gabarito: Letra “C”. 32) FGV/TJPA/Juiz/2009: A respeito do regramento constitucional das medidas provisórias, assinale a afirmativa incorreta. a) É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. Correta (CF/88, art.62, § 1º, IV). b) A edição de medida provisória para instituição de tributos só será admitida para atender despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública. 40 www.pontodosconcursos.com.br matéria já

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Errada. O item misturou a instituição de tributos, finalidade para a qual a MP é instrumento viável, com o conceito de crédito extraordinário, também veiculado por meio de MP (CF/88, art. 62, § 1º, I, “d”, e § 2º). c) Apenas excepcionalmente o Poder Judiciário poderá, no controle de constitucionalidade da medida provisória, examinar a adequação dos requisitos de relevância e urgência, por força da regra de separação de poderes. Correta. Em regra, a análise da relevância e urgência de uma MP cabe ao Chefe do Poder Executivo, havendo discricionariedade. Porém, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, passou a admitir a possibilidade do controle judicial dos pressupostos constitucionais da medida provisória quando houver manifesto abuso do poder de legislar (ADI-MC 2.213, Rel. Min. Celso de Mello). d) A medida provisória não apreciada pelo Congresso Nacional podia, até a Emenda Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição. Correta. Antes da EC 32/01, o prazo de vigência da MP era de 30 dias e, segundo a jurisprudência do STF, poderia ser reeditada. Segundo a súmula 651: “A medida provisória não apreciada pelo Congresso Nacional podia, até a EC 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição. Hoje, é vedada a reedição de Medida Provisória na mesma sessão legislativa (CF/88, art. 62, § 10). e) É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. Correta (CF/88, art. 62, § 10). Gabarito: Letra “B”. 33) Cesgranrio/Bacen/Analista/2010: Suponha que o Congresso Nacional tenha aprovado projeto de lei que aumenta a alíquota do IR, e o projeto foi encaminhado ao Presidente da República para sanção. O chefe do Poder Executivo, no entanto, insatisfeito com alguns dispositivos do projeto, decidiu editar medida provisória dispondo sobre a mesma matéria, reproduzindo alguns dos dispositivos do projeto de lei e 41 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 alterando outros. Nesse caso hipotético, a medida provisória editada pelo Presidente da República é a) constitucional e produzirá efeitos a partir da data de sua edição. Errada. É vedada a edição de medida provisória sobre matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República (CF/88, art. 62, § 1º, IV). b) constitucional, mas só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte, se tiver sido convertida em lei até o último dia do exercício em que foi editada. Errada (CF/88, art. 62, § 1º, IV). c) inconstitucional, porque a Constituição veda a edição de medida provisória sobre direito tributário. Errada. Medida provisória pode dispor sobre direito tributário, mas só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada (CF/88, art. 62, § 2º). d) inconstitucional, porque a Constituição veda a edição de medida provisória sobre matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. Correta (CF/88, art. 62, § 1º, IV). e) inconstitucional, porque a Constituição veda a edição de medida provisória que implique majoração de imposto. Errada. Medida provisória pode implicar instituição ou majoração de impostos (CF/88, art. 62, § 2º). Gabarito: Letra “D”. 34) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Após o Presidente República remeter ao Congresso o projeto de lei orçamentária: da

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 I. cabe às comissões permanentes o exame da matéria, desnecessária a instituição de comissão temporária; sendo

Errada. O projeto de lei orçamentária será apreciado por uma Comissão Mista que contará com a colaboração das Comissões Permanentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (RCCN, art. 90, caput). II. será lido o projeto em sessão conjunta, especialmente convocada, até quarenta e oito horas após a entrega; Correta (RCCN, art. 89). III. o projeto será apreciado por Comissão mista e pelas comissões permanentes; Correta (RCCN, art. 90, caput). IV. o parecer do relator da Comissão Mista deverá fazer referência expressa ao ponto de vista expendido pela Comissão Permanente; Correta (RCCN, art. 90, § 3º, “e”). V. poderão ser realizadas sessões conjuntas entre comissões permanentes do Senado e da Câmara, para discutir o orçamento. Correta (RCCN, art. 90, § 3º, “f”). Analise os itens acima e assinale: (A) se somente os itens I e II estiverem corretos. (B) se somente os itens II, III, IV e V estiverem corretos. (C) se somente os itens I, III e IV estiverem corretos. (D) se somente os itens II, IV e V estiverem corretos. (E) se somente os itens IV e V estiverem corretos. Gabarito: Letra “B” 35) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): O processo legislativo do projeto de lei orçamentária inicia-se com a mensagem do Presidente da República encaminhando o projeto. Correta (RCCN, art. 89). 43 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07

36) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): Aplicam-se subsidiariamente à tramitação do projeto de lei orçamentária anual às disposições regimentais relativas aos projetos de lei em geral. Correta (RCCN, art. 102). 37) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): Podem apresentar emendas ao projeto de lei orçamentária anual os parlamentares, individualmente, e as comissões permanentes do Senado e da Câmara dos Deputados, coletivamente, com relação às matérias que lhes sejam afetas pelo regimento. Correta (Resolução 01/2006-CN, arts. 43 e 49). 38) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): Podem apresentar emendas ao projeto de lei orçamentária anual as bancadas estaduais no CN, coletivamente, e os blocos partidários, também coletivamente. Errada. Embora as bancadas estaduais possam apresentar emendas (Resolução 01/2006-CN, art. 46), não há previsão regimental de emenda apresentada por bloco partidário. 39) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): A Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização realizará audiências públicas com autoridades dos outros poderes e com entidades representativas da sociedade que possam contribuir para o debate e aprimoramento dos projetos de competência dela. Correta (Resolução 01/2006-CN, art. 29). 40) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias devem ser compatíveis com o Plano Plurianual. Correta. CF/88, art. 166, § 3º, I: “As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias”. 41) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998 (adaptada): As 44 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 emendas ao projeto de lei orçamentária poderão ser aprovadas pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), se compatíveis com a Lei de Diretrizes Orçamentárias e indicarem os recursos necessários de qualquer ordem, como os provenientes das transferências tributárias constitucionais. Errada. Os recursos para emendas não podem vir de qualquer dotação. A Constituição proíbe a anulação de despesa relativa às transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal (CF/88, art. 166, § 3º, II, “c”) 42) Cespe/TRT 10ª R/Analista Judiciário Administrativa/2004: No Congresso Nacional, a constitucionalidade das matérias de natureza orçamentária, tais como o projeto de lei de plano plurianual e o projeto de LOA, é deliberada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Errada. A Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização aprecia a adequação legal e constitucional das matérias a ela submetidas (Resolução 01/2006-CN, art. 70, I “a”) 43) Cespe/Anatel/Analista Administrativo/2006: O presidente da República pode propor modificação no projeto de lei do orçamento anual enquanto não for iniciada a votação na comissão mista do Congresso Nacional da parte cuja alteração é proposta. Correta (CF/88, art. 166, § 5º). 44) FCC/TRT 23ª R/Analista Judiciário-Área Administrativa/2007: Dentre outras, é peculiaridade constitucional do processo legislativo orçamentário a) a aprovação do projeto orçamentário pelo Senado Federal e a obrigatoriedade de sua sanção pelo Poder Executivo. Errada. O projeto de lei orçamentária deve ser aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República, nos termos da CF/88, art. 48, II. b) o não cabimento da apresentação de qualquer emenda na Comissão Mista. 45 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07

Errada. Podem ser apresentadas emendas à Comissão Mista (CF/88, art. 166, § 2º). c) a atuação da Comissão Mista caracterizada pela sua temporariedade e representação por integrantes de partidos políticos. Errada. A Constituição prevê que tal comissão será permanente (CF/88, art. 166, § 1º). d) a competência privativa da Câmara dos Deputados para emitir parecer sobre o projeto orçamentário. Errada. A competência emitir parecer sobre o projeto orçamentário é da comissão mista permanente prevista na CF/88, art. 166, § 1º. e) a aplicação subsidiária das normas referentes ao processo legislativo comum. Correta (CF/88, art. 166, § 7º). Gabarito: Letra “E”. 45) Cespe/Inca/Analista C&T/2009: A Constituição Federal impõe restrições à capacidade de o Poder Legislativo alterar a proposta orçamentária encaminhada pelo Poder Executivo, sendo admitidos acréscimos na programação de despesas apenas se houver cancelamento de valor equivalente. Correta. As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa (CF/88, art. 166, § 3º, II). 46) Cespe/Abin/Agente Técnico de Inteligência/2010: Quando o projeto da LOA é encaminhado ao plenário do Congresso Nacional após ter recebido parecer da Comissão Mista Permanente de Orçamento, não podem mais ser admitidas emendas com propostas de modificação ao projeto apresentadas por deputados e senadores ou pelo presidente da República.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Correta. As emendas de parlamentares são admitidas apenas perante a Comissão Mista (CF/88, art. 166, § 2º). Já o Presidente da República poderá enviar mensagem ao Congresso Nacional para propor modificação nos projetos a que se refere este artigo enquanto não iniciada a votação, na Comissão mista, da parte cuja alteração é proposta (CF/88, art. 166, § 5º).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 LISTA DE QUESTÕES DESTA AULA 1) FGV/SF/Advogado/2008: Assinale a afirmativa incorreta. (A) No caso de veto, a Comissão Mista tem o prazo de 20 (vinte) dias, contado da data de sua constituição, para apresentar seu relatório. (B) Após comunicado o veto ao Presidente do Senado, este designa a Comissão Mista, e a esta incumbe relatá-lo e fixar o calendário de sua tramitação. (C) O veto do Presidente da República é apreciado em sessão conjunta das Casas do Congresso Nacional. (D) A Comissão Mista compõe-se de 3 (três) Senadores e 3 (três) Deputados, indicados pelos Presidentes das respectivas Câmaras. (E) O prazo de 30 (trinta) dias para apreciação do veto é contado a partir da sessão convocada para conhecimento da matéria. 2) FGV/SF/Advogado/2008: A respeito do processo legislativo, analise as afirmativas a seguir: I. Podem apresentar proposta de emenda à Constituição Federal: o Presidente da República; um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; e mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades de federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. A proposta de emenda à Constituição será submetida à discussão e votação em cada casa legislativa, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver três quintos de votos favoráveis dos membros de cada casa. II. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. As medidas provisórias perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de trinta dias. O Presidente da República poderá reeditar medida provisória que não tenha sido apreciada pelo Congresso Nacional, desde que ainda estejam presentes os requisitos da relevância e urgência. Após a quinta reedição, a medida provisória não apreciada será havida como rejeitada, cabendo ao Presidente da República, por decreto, regular as relações jurídicas dela decorrentes. III. Os projetos de lei de iniciativa do Presidente da República com pedido de urgência na tramitação devem ser apreciados, inicialmente pela Câmara dos Deputados, e depois pelo Senado Federal, no prazo 48 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 sucessivo de quarenta e cinco dias. Ultrapassado tal prazo, ficam sobrestadas as demais deliberações legislativas da respectiva casa, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação. Os prazos de quarenta e cinco dias não correm nos períodos de recesso do Congresso nacional. IV. O projeto de lei que tenha sido aprovado nas duas casas legislativas será encaminhado ao Presidente da República para sanção. Se o chefe do Poder Executivo considerar o projeto inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento. A Constituição proíbe o veto parcial do projeto, em razão do risco de desvirtuamento decorrente da supressão de apenas alguns artigos da lei aprovada. O veto poderá ser derrubado em sessão conjunta das casas legislativas, pelo voto secreto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. Assinale: (A) se apenas as afirmativas I, II e III estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas I, II e IV estiverem corretas. (C) se apenas as afirmativas II, III e IV estiverem corretas. (D) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (E) se apenas a afirmativa I estiver correta. 3) Inédita: Considere a seguinte situação hipotética. Na apuração dos votos relativos à apreciação de veto do presidente da República a um projeto de lei de iniciativa do Senado, os trabalhos foram iniciados pela contagem dos votos recebidos no Senado. Nessa situação, apesar dos votos, nas sessões conjuntas, serem apurados primeiro pela Câmara dos Deputados, foi correta a medida adotada. 4) Vunesp/TJSP/Juiz/2008: Se o Presidente da República vetar projeto de lei cuja votação foi concluída na Câmara dos Deputados, o veto a) será apreciado pela Casa em que a votação do projeto teve início, no prazo de quinze dias contados do seu recebimento. b) será apreciado em sessão da Casa onde a votação foi concluída, no prazo de quinze dias contados do seu recebimento. c) será apreciado pelo Senado Federal, no prazo de trinta dias contados do seu recebimento. d) será apreciado em sessão conjunta das duas Casas do Congresso 49 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 Nacional, no prazo de trinta dias contados do seu recebimento. 5) JUIZ/TRF 1ª R/2009: Quando o veto presidencial abarcar todo o projeto de lei, o Congresso Nacional não poderá promover a rejeição parcial desse veto. 6) FCC/AL-SP/Agente Técnico Legislativo Especializado/2010 (adaptada): Estabelecem as regras constitucionais sobre o processo legislativo ordinário que veto presidencial interposto por motivos de inconstitucionalidade só poderá ser derrubado pelo voto da maioria absoluta dos membros da Comissão de Constituição e Justiça do Congresso Nacional. 7) FCC/DPE-MA/Defensor Público/2009: É mecanismo inerente à sistemática da separação de poderes como albergada pela Constituição da República: a) o veto do Presidente da República a projetos de lei aprovados pelas Casas do Congresso Nacional, por motivo de contrariedade ao interesse público. b) o processamento e julgamento do Presidente da República, nos crimes de responsabilidade, pela Câmara dos Deputados. c) a suspensão, no todo ou em parte, pelo Congresso Nacional, da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. d) a sustação de atos normativos do Poder Executivo pelo Senado Federal, nos casos em que se extrapolarem os limites de delegação legislativa. e) a criação pelas Casas do Congresso Nacional, mediante requerimento de, no mínimo, dois terços de seus membros, de comissão parlamentar de inquérito, para apuração de fato determinado e por prazo certo. 8) FCC/MPU/Analista-Controle Interno/2007: É certo que o veto do Presidente da República a projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional pode ser a) parcial, com exclusão de parte de texto de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. b) rejeitado por qualquer das Casas do Congresso. c) oposto, se o projeto de lei for contrário ao interesse público. d) rejeitado pelo voto da maioria simples dos Deputados e Senadores, em escrutínio secreto. 50 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 e) deverá ser oposto no prazo máximo de dez dias úteis, contados do recebimento do projeto. 9) FCC/TJPI/Assessor Jurídico/2010 (adaptada): No processo de elaboração de leis e atos normativos, o Presidente da República exerce o poder de veto sobre projetos de lei ordinária e complementar, o qual poderá ser derrubado por maioria de três quintos dos membros do Congresso Nacional em sessão unicameral. 10) Cespe/AGU/Procurador/2010: Pelo voto da maioria absoluta dos deputados e senadores, o veto presidencial a projeto de lei poderá ser rejeitado. Em tal hipótese não haverá mais a participação do presidente da República no processo legislativo, já que a subsequente promulgação ficará a cargo do presidente do Senado Federal. 11) Cespe/AGU/Advogado/2009: Não há veto ou sanção presidencial na emenda à Constituição, em decretos legislativos e em resoluções, nas leis delegadas, na lei resultante da conversão, sem alterações, de medida provisória. 12) FCC/TRT 21ª R/Analista Judiciário/2003: O Presidente da República vetou integralmente, por contrário ao interesse público, um projeto aprovado pelo Congresso Nacional. Este, examinando as razões do veto, rejeitou-o, devolvendo o projeto para a promulgação do Presidente da República. Decorrido o prazo, sem qualquer providência do Chefe do Poder Executivo, a lei será promulgada pelo a) Presidente da Câmara dos Deputados. b) Presidente do Senado Federal. c) Presidente do Supremo Tribunal Federal. d) Vice-Presidente da República. e) Procurador Geral da República. 13) FCC/TRF 3ª R/Técnico Judiciário/2007: Considere as seguintes assertivas sobre o processo legislativo: I. Nos casos em que o veto do Presidente da República não for mantido pelos Deputados e Senadores, se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, após receber novamente o projeto, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Presidente da Câmara dos Deputados fazê-lo. 51 www.pontodosconcursos.com.br

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II. Se o Presidente da República considerar o projeto de lei, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. III. O veto do Presidente da República a projeto de lei será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria simples dos Deputados e Senadores, em escrutínio secreto. IV. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. De acordo com a Constituição Federal de 1988, está correto o que se afirma APENAS em a) II, III e IV. b) I, III e IV. c) I, II e IV. d) I, II e III. e) II e IV. 14) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: O Presidente da República, no uso de suas atribuições constitucionais, aduzindo relevância e urgência, remeteu ao Congresso Nacional Medida Provisória para reajustar vencimentos de servidores públicos, diante da ameaça de greve, com prejuízos à continuidade da prestação do serviço público. Nos termos da Constituição, existe prazo para o Congresso realizar a votação da Medida Provisória, convertendo-a em lei. Após determinado período ocorre o denominado trancamento da pauta de votações. Nesse sentido, analise as afirmativas a seguir: I. Após a publicação, a Medida Provisória deve ser apreciada em até quarenta e cindo dias. II. Nenhuma das Casas pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. 52 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 III. Não sendo votada em sessenta dias, perderá a eficácia, incabível a prorrogação do prazo. IV. Câmara e Senado indicarão membros para compor comissão mista, responsável por examinar e dar parecer sobre Medidas Provisórias. V. A votação ocorrerá em sessão conjunta do Congresso Nacional. Assinale: (A) se apenas as afirmativas I e IV estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas. (C) se apenas as afirmativas II, III e IV estiverem corretas. (D) se apenas as afirmativas I, III e IV estiverem corretas. (E) se apenas as afirmativas II, III e V estiverem corretas. 15) Esaf/MPOG/EPPGG/2009 (adaptada): As medidas provisórias perderão a eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de trinta dias a contar de sua publicação, devendo o Congresso Nacional disciplinar as relações jurídicas dela decorrentes. 16) Esaf/MPOG/EPPGG/2009 (adaptada): A reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo será permitida apenas uma vez, por igual período. 17) Cespe/TRT 1ª R/Analista/2008: As medidas provisórias não podem ser objeto de deliberação em convocação extraordinária do Congresso Nacional proposta pelo presidente da República. 18) Cespe/ TRT 5ª R/Analista/2008: Medida provisória não constitui instrumento adequado a ser editado em janeiro de 2008 para criar tributo que só será cobrado em 2009. 19) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): O prazo total de vigência de uma MP, inclusive computando-se o período de sua prorrogação, não poderá ultrapassar 120 dias. 20) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Após o Presidente da República vetar integralmente um projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, não poderá ser editada MP a respeito da matéria disciplinada nesse projeto de lei, antes que o Congresso delibere, 53 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 definitivamente, sobre o veto. 21) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Quando a matéria de que trata uma MP for reservada a lei complementar, essa medida provisória deverá ser aprovada pela maioria absoluta dos membros de cada uma das Casas do Congresso Nacional. 22) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Se uma MP não for apreciada em até 45 dias, contados de sua publicação, ficarão sobrestadas, até que se conclua a votação da MP, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando. 23) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002: Embora uma MP deva ser votada, separadamente, primeiro na Câmara dos Deputados e, depois, no Senado Federal, a fase preliminar de sua apreciação pelo Congresso compete a uma comissão mista de deputados e senadores. 24) Cespe/SF/Advocacia/1995 (adaptada): Na apreciação de MPs, os congressistas poderão apresentar emendas versando sobre qualquer assunto. 25) Cespe/SF/Advocacia/1995 (adaptada): A medida poderá ser inadmitida e declarada insubsistente, por faltarem os pressupostos constitucionais de urgência e relevância. 26) Cespe/Instituto Rio Branco/2009: Os ativos financeiros, como, por exemplo, poupanças privadas, podem ser objeto de medida provisória que determine detenção temporária ou sequestro de bens. 27) FCC/MPE-PE/Promotor de Justiça/2008: Lei ordinária assegura aos servidores públicos a percepção do Abono de Natal correspondente a 1 (um) mês de remuneração. Ocorre que medida provisória ampliou esse benefício para conceder mais 50% (cinquenta) por cento por ocasião do aniversário do servidor. Entretanto a medida provisória foi rejeitada pelo Congresso Nacional. Nesse caso, para a solução dos que já receberam o benefício entre o período da edição dessa espécie normativa e sua rejeição, a) o Judiciário, por meio de provimento, pelo respectivo plenário deliberará, dentro do prazo de 6 (seis) meses sobre as relações jurídicas e administrativas ocorridas no período de vigência da medida provisória. b) a Câmara dos Deputados regulamentará mediante resolução, no prazo 54 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 legalmente estabelecido, todas as situações havidas no período de vigência da medida provisória rejeitada. c) o Senado Federal editará lei delegada, dentro do prazo de 90 (noventa) dias, disciplinando as situações ocorridas no período de vigência da medida provisória que sofreu a rejeição. d) o Congresso Nacional deverá disciplinar por meio de decreto legislativo, no prazo constitucionalmente estabelecido, as relações jurídicas consolidadas durante a vigência da medida provisória. e) o Presidente da República deverá editar nova medida provisória para regulamentar as situações ocorridas dentro do prazo de vigência da medida provisória rejeitada. 28) Cespe/TRE-PA/Analista Judiciário/2007: medidas provisórias (MPs), assinale a opção correta. Em relação às

a) A aprovação com quorum de maioria absoluta permite o trato de assuntos de lei complementar. b) Não se admite a utilização de MP em matéria de direito eleitoral. c) O período do recesso forense no âmbito da justiça eleitoral pode ser definido por MP. d) As MPs serão votadas em sessão conjunta do Congresso Nacional. e) Não se admite MP em matéria relativa a orçamento e créditos adicionais. 29) FCC/TRT 24ª R/Analista Judiciário/2006: A inobservância, pelo Congresso Nacional, do prazo constitucional de 60 dias, para conversão de medida provisória em lei, cuja vigência já tenha sido prorrogada uma vez, a) ocasionará a perda da eficácia, salvo se a mesma medida provisória for reeditada na mesma sessão legislativa. b) ocasiona perda ex nunc da eficácia da medida provisória. c) não ocasiona perda da eficácia da medida provisória, salvo se houver explícita rejeição do projeto de conversão. d) ocasiona perda da eficácia da medida provisória, a não ser que outra medida provisória tenha sido editada após o prazo de 60 dias para o Congresso se manifestar. e) ocasiona perda ex tunc da eficácia da medida provisória. 30) FCC/TRT 24ª provisória editada R/Analista Judiciário/2006: Uma medida

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 a) poderá ter sua vigência prorrogada uma vez pelo prazo máximo de 60 dias. b) passará por uma comissão de Senadores que emitirá parecer sobre ela antes de ser apreciada pelo Congresso Nacional. c) não poderá ser reeditada em nenhuma hipótese se for expressamente rejeitada pelo Congresso Nacional. d) poderá ser reeditada na mesma sessão legislativa, ainda que rejeitada pelo Congresso Nacional. e) terá sua votação iniciada no Senado Federal. 31) TJSC/Juiz/2009: Assinale a alternativa INCORRETA no tocante ao instituto da medida provisória: a) Dentre outras hipóteses, é defeso editá-la sobre matéria já disciplinada em projeto de lei pendente de sanção ou veto. b) Cumpre ao Poder Legislativo disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas decorrentes de sua não conversão em lei. c) É vedada sua reedição, na mesma legislatura, se rejeitada ou tornada ineficaz por decurso de prazo. d) Urgência e relevância são pressupostos para sua adoção. e) Perderá sua eficácia se não convertida em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, uma vez, por igual período. 32) FGV/TJPA/Juiz/2009: A respeito do regramento constitucional das medidas provisórias, assinale a afirmativa incorreta. a) É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. b) A edição de medida provisória para instituição de tributos só será admitida para atender despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública. c) Apenas excepcionalmente o Poder Judiciário poderá, no controle de constitucionalidade da medida provisória, examinar a adequação dos requisitos de relevância e urgência, por força da regra de separação de poderes. d) A medida provisória não apreciada pelo Congresso Nacional podia, até a Emenda Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição. e) É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. 56 www.pontodosconcursos.com.br

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33) Cesgranrio/Bacen/Analista/2010: Suponha que o Congresso Nacional tenha aprovado projeto de lei que aumenta a alíquota do IR, e o projeto foi encaminhado ao Presidente da República para sanção. O chefe do Poder Executivo, no entanto, insatisfeito com alguns dispositivos do projeto, decidiu editar medida provisória dispondo sobre a mesma matéria, reproduzindo alguns dos dispositivos do projeto de lei e alterando outros. Nesse caso hipotético, a medida provisória editada pelo Presidente da República é a) constitucional e produzirá efeitos a partir da data de sua edição. b) constitucional, mas só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte, se tiver sido convertida em lei até o último dia do exercício em que foi editada. c) inconstitucional, porque a Constituição veda a edição de medida provisória sobre direito tributário. d) inconstitucional, porque a Constituição veda a edição de medida provisória sobre matéria já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. e) inconstitucional, porque a Constituição veda a edição de medida provisória que implique majoração de imposto. 34) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Após o Presidente República remeter ao Congresso o projeto de lei orçamentária: da

I. cabe às comissões permanentes o exame da matéria, sendo desnecessária a instituição de comissão temporária; II. será lido o projeto em sessão conjunta, especialmente convocada, até quarenta e oito horas após a entrega; III. o projeto será apreciado por Comissão mista e pelas comissões permanentes; IV. o parecer do relator da Comissão Mista deverá fazer referência expressa ao ponto de vista expendido pela Comissão Permanente; V. poderão ser realizadas sessões conjuntas entre comissões permanentes do Senado e da Câmara, para discutir o orçamento. Analise os itens acima e assinale: (A) se somente os itens I e II estiverem corretos. (B) se somente os itens II, III, IV e V estiverem corretos. (C) se somente os itens I, III e IV estiverem corretos. 57 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 (D) se somente os itens II, IV e V estiverem corretos. (E) se somente os itens IV e V estiverem corretos. 35) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): O processo legislativo do projeto de lei orçamentária inicia-se com a mensagem do Presidente da República encaminhando o projeto. 36) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): Aplicam-se subsidiariamente à tramitação do projeto de lei orçamentária anual às disposições regimentais relativas aos projetos de lei em geral. 37) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): Podem apresentar emendas ao projeto de lei orçamentária anual os parlamentares, individualmente, e as comissões permanentes do Senado e da Câmara dos Deputados, coletivamente, com relação às matérias que lhes sejam afetas pelo regimento. 38) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): Podem apresentar emendas ao projeto de lei orçamentária anual as bancadas estaduais no CN, coletivamente, e os blocos partidários, também coletivamente. 39) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): A Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização realizará audiências públicas com autoridades dos outros poderes e com entidades representativas da sociedade que possam contribuir para o debate e aprimoramento dos projetos de competência dela. 40) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias devem ser compatveis com o Plano Plurianual. 41) Cespe/CD/Assessor de Orçamento/1998 (adaptada): As emendas ao projeto de lei orçamentária poderão ser aprovadas pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMPOF), se compatíveis com a Lei de Diretrizes Orçamentárias e indicarem os recursos necessários de qualquer ordem, como os provenientes das transferências tributárias constitucionais. 42) Cespe/TRT 10ª R/Analista Judiciário Administrativa/2004: No Congresso Nacional, a constitucionalidade das matérias de natureza orçamentária, tais como o projeto de lei de plano plurianual e o projeto 58 www.pontodosconcursos.com.br

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 de LOA, é deliberada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. 43) Cespe/Anatel/Analista Administrativo/2006: O presidente da República pode propor modificação no projeto de lei do orçamento anual enquanto não for iniciada a votação na comissão mista do Congresso Nacional da parte cuja alteração é proposta. 44) FCC/TRT 23ª R/Analista Judiciário-Área Administrativa/2007: Dentre outras, é peculiaridade constitucional do processo legislativo orçamentário a) a aprovação do projeto orçamentário pelo Senado Federal e a obrigatoriedade de sua sanção pelo Poder Executivo. b) o não cabimento da apresentação de qualquer emenda na Comissão Mista. c) a atuação da Comissão Mista caracterizada pela sua temporariedade e representação por integrantes de partidos políticos. d) a competência privativa da Câmara dos Deputados para emitir parecer sobre o projeto orçamentário. e) a aplicação subsidiária das normas referentes ao processo legislativo comum. 45) Cespe/Inca/Analista C&T/2009: A Constituição Federal impõe restrições à capacidade de o Poder Legislativo alterar a proposta orçamentária encaminhada pelo Poder Executivo, sendo admitidos acréscimos na programação de despesas apenas se houver cancelamento de valor equivalente. 46) Cespe/Abin/Agente Técnico de Inteligência/2010: Quando o projeto da LOA é encaminhado ao plenário do Congresso Nacional após ter recebido parecer da Comissão Mista Permanente de Orçamento, não podem mais ser admitidas emendas com propostas de modificação ao projeto apresentadas por deputados e senadores ou pelo presidente da República.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 07 GABARITO: 1B 2D 3C 4D 5E 6E 7A 8C 9E 10 E 11 C 12 B 13 E 14 A 15 E 16 E 17 E 18 E 19 E 20 E 21 E 22 C 23 C 24 E 25 C 26 E 27 D 28 B 29 E 30 A 31 C 32 B 33 D 34 B 35 C 36 C 37 C 38 E 39 C 40 C 41 E 42 E 43 C 44 E 45 C 46 C

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Olá, concurseiros e concurseiras! Vamos à nossa oitava e última aula de Processo Legislativo para o Senado Federal! Nesta aula, estudaremos aspectos formais das proposições em tramitação; a Lei Complementar 95/98; os órgãos do Senado; e os Senadores, quanto ao uso da palavra. Vamos lá! As proposições em tramitação no Senado, além de precisarem guardar adequação com o conteúdo veiculado – para cada tipo de matéria, há uma proposta legislativa indicada – devem observar alguns requisitos formais. Nesta aula, veremos os principais aspectos envolvidos na apresentação de proposições e também as determinações legais para a redação, elaboração e consolidação das leis. Local de apresentação Primeiramente, existe um local adequado para a apresentação das proposições. Elas podem ser apresentadas perante uma comissão, perante a Mesa, ou ainda, no Plenário. Nas comissões (RISF, art. 235, I): apresentação de emendas Na Mesa, são apresentadas as seguintes proposições (RISF, art. 235, II): a. projeto de alteração ou reforma do Regimento Interno; b. projeto de decreto legislativo referente a prestação de contas do Presidente da República; c. projetos apreciados pelas comissões com poder terminativo, quando houver interposição de recurso; d. projeto, em turno único, que obtiver parecer favorável, quanto ao mérito, das comissões; e. projeto, em turno único, que obtiver parecer contrário, quanto ao mérito, das comissões, desde que admitido recurso para sua tramitação; f. projetos de autoria de comissão; As proposições apresentadas em plenário devem observar o momento adequado da sessão. Dessa forma, são apresentados no Período do Expediente (RISF, art. 235, III, “a”): emenda a matéria a ser votada nesta fase da sessão; indicação; www.pontodoscursos.com.br 1

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 projeto; requerimento que, regimentalmente, não deva ser apresentado em outra fase da sessão; (residual) Durante a Ordem do Dia, são apresentados requerimentos que digam respeito a ordenação das matérias da Ordem do Dia ou a proposição dela constante e as emendas a projeto em turno suplementar, ao anunciar-se sua discussão (RISF, art. 235, III, “b”). Após a Ordem do Dia, podem ser apresentados requerimentos de inclusão, em Ordem do Dia, de matéria em condições de nela figurar (para as próximas Ordens do Dia) e de dispensa de publicação de redação final para imediata deliberação do Plenário (RISF, art. 235, III, “c”). Por fim, são reservados para a fase da sessão em que a matéria respectiva foi anunciada os seguintes requerimentos (RISF, art. 235, III, “d”): 1) 2) 3) 4) 5) 6) adiamento de discussão ou votação; encerramento de discussão; dispensa de discussão; votação por determinado processo; votação em globo ou parcelada; destaque de dispositivo ou emenda para aprovação, rejeição, votação em separado ou constituição de proposição autônoma; 7) retirada de proposição constante da Ordem do Dia;

Em qualquer fase da sessão, pode ser apresentado requerimento para leitura de matéria sujeita ao conhecimento do Senado e de permissão para falar sentado (RISF, art. 235, III, “e”). E, é claro, o requerimento para prorrogação do tempo da sessão deve ser apresentado antes do seu término (RISF, art. 235, III, “f”). Formato da proposição Quando um parlamentar ou comissão apresenta um projeto, deve redigi-lo seguindo os princípios da melhor técnica legislativa. O RISF também determina que proposições devem ser escritas em termos concisos e claros e divididas, sempre que possível, em artigos, parágrafos, incisos e alíneas (RISF, art. 236).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Todo projeto, parecer e indicação deve vir acompanhado de ementa (RISF, art. 237). A ementa é um pequeno resumo do que se trata a matéria. Outra regra do RISF é a de que toda proposição deve ser acompanhada de justificação (ou justificativa) oral ou escrita (RISF, art. 238). A única exceção são os requerimentos, que dispensam essa formalidade. Outra coisa importante é que a proposição deve estar acompanhada de toda a legislação citada em seu texto (RISF, art. 239). Vamos ver um exemplo para visualizar melhor todas essas regras:

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Numeração 4

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Durante nosso curso, aprendemos que é parte fundamental do processo legislativo a leitura de uma proposição. Pois bem, assim que uma proposta legislativa é lida, dando início a seu trâmite no Senado, ela vai receber um número, que servirá para identificá-la durante as várias etapas do processo. Essa numeração, contudo, não é aleatória, seguindo algumas determinações regimentais. Para cada espécie de proposição, há uma série específica. As proposições são divididas da seguinte forma (RISF, art. 246, I): a) b) c) d) e) f) g) h) as propostas de emenda à Constituição; os projetos de lei da Câmara; os projetos de lei do Senado; os projetos de decreto legislativo, com especificação da Casa de origem; os projetos de resolução; os requerimentos; as indicações; os pareceres;

Atenção! A numeração que um projeto recebe no Senado não é equivalente àquela recebida na Câmara dos Deputados, e vice-versa. Em respeito à autonomia de cada uma das Casas, a proposição recebe números diferentes. Um exemplo:

As emendas recebidas pelos projetos seguem metodologia própria de numeração. Primeiro, são separadas por turnos (se for o caso; não esquecer que há projetos que tramitam em turno único). Em seguida, são numeradas de acordo com a ordem que os artigos a serem modificados seguem na proposição original. Por fim, são listadas na seguinte ordem: supressivas, substitutivas, modificativas e aditivas (RISF, art. 246, II). www.pontodoscursos.com.br 5

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Se for emenda substitutiva integral, deve constar no número do projeto a indicação “substitutivo” entre parênteses (RISF, art. 246, § 4º). As emendas também são “carimbadas” com as iniciais da comissão em que foram incorporadas (RISF, art. 246, § 3º). Assim:

Na hora de numerar as subemendas, elas serão agrupadas de acordo com a comissão a que se referem e com a emenda que pretendem alterar (RISF, art. 246, III). Processos As proposições, ao entrarem no processo legislativo, são organizadas em um volume chamado de “processado”. Consiste em uma pasta onde será anexado tudo aquilo que for acontecendo com a matéria, bem como uma ficha contendo as movimentações ocorridas com a proposta. Apenas as emendas não recebem processado próprio, afinal, são acessórias da proposição principal, integrando o processo desta última (RISF, art. 261, caput). Quem monta e organiza esses processos é um setor chamado Serviço de Protocolo Legislativo (RISF, art. 261, III). É lá que as matérias são numeradas e enviadas à Secretaria-Geral da Mesa, que por sua vez encaminha a matéria para ser lida no plenário. Na capa da pasta de cada processo devem estar as seguintes informações (RISF, art. 261, I): a) b) c) d) e) f) a a o o a o natureza da proposição; Casa de origem; número; ano de apresentação; ementa completa; autor, quando do Senado; 6

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Essas informações são condensadas em um formato padrão. Assim: PLC - PROJETO DE LEI DA CÂMARA, Nº 190 de 2010 Regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo; cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil - CAU/BR e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados do Distrito Federal - CAUs; e dá outras providências. Logo no começo do processo, são colocadas folhas impressas com campos a serem preenchidos relativos à sua movimentação. Para cada etapa, é preenchido um Boletim de Ação Legislativa (BAL), que corresponde justamente a essas movimentações (RISF, art. 261, II). Assim, o BAL informa quando a proposição foi despachada pela Mesa, para qual comissão foi enviada, a qual relator foi destinada, e assim por diante. Esses dados também são inseridos em um sistema informatizado, que vai gerar as informações a respeito da tramitação das matérias. É esse sistema que alimenta, por exemplo, as consultas às matérias que podem ser realizadas pelo site do Senado. Os dados vão sendo preenchidos à medida que a proposição avança, incluindo sua transformação em lei e até mesmo a ocorrência de vetos. Em seguida a essas folhas, vem o projeto propriamente dito. Tudo impresso, contendo a assinatura do(s) autor(es), a justificação e a legislação citada (RISF, art. 261, II, “b”). Se a matéria tiver vindo da Câmara, naturalmente haverá mais documentos: o ofício de encaminhamento (da CD para o SF); os autógrafos, o resumo da tramitação na Casa de origem e cópias dos avulsos (pareceres das comissões, atas etc.). As informações que forem encaminhadas ao Senado por autoridades externas a respeito da matéria em questão também serão anexadas ao processo, como, por exemplo, a manifestação do Ministério em relação a determinado assunto (RISF, art. 261, § 3º). No caminho dentro do Senado, o processo vai para lá e para cá. No entanto, não é qualquer órgão que pode anexar documentos à pasta da proposição. O Regimento determina quem detém competência para isso (RISF, art. 261, § 2º): Serviço de Protocolo Legislativo; Secretaria de Comissões; Secretaria-Geral da Mesa; www.pontodoscursos.com.br 7

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 O RISF determina ainda o procedimento a ser adotado em caso de extravio de algum processo. Nessa hipótese, a Presidência determinará sua reconstituição, de ofício ou mediante requerimento de qualquer Senador ou comissão, independentemente de deliberação do Plenário (RISF, art. 267, caput). Se o projeto for da Câmara, será necessário solicitar à Casa de origem as cópias autenticadas dos respectivos autógrafos e documentos que o acompanhavam (RISF, art. 267, § 1º). Lei Complementar 95/98 Um instrumento importantíssimo para aqueles que estão envolvidos com a atividade legislativa é a Lei Complementar 95, de 1998. Essa norma foi editada em cumprimento ao disposto na Constituição Federal, art. 59, par. único, que prevê uma lei complementar para tratar da elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. Dessa forma, na hora de confeccionar os autógrafos, que consistem no texto da lei como foi aprovada para ser remetida à sanção ou promulgação, é preciso observar os ditames da LC 95/98. Vamos ver então algumas das regras de maior destaque trazidas por essa lei. Inicialmente, é bom saber que as disposições da LC 95/98 se aplicam a todas as espécies normativas elencadas no art. 59 da CF/88. Vamos relembrá-las: emendas à Constituição; leis complementares; leis ordinárias; leis delegadas; medidas provisórias; decretos legislativos e resoluções. Também se aplica, no que couber, aos decretos e aos demais atos de regulamentação expedidos por órgãos do Poder Executivo (LC 95/98, art. 1º, par. único). Portanto, não é apenas o Poder Legislativo que deve seguir suas determinações! Quanto aos atos normativos do Executivo, inclusive, há o Decreto 4.176/2002, que leva em conta o disposto na LC 95/98 e é aplicável àquele Poder. Segundo a LC 95/98, a lei deve ser redigida em três partes: 1) Parte preliminar - inclui a epígrafe, a ementa, o preâmbulo, o enunciado do objeto e a indicação do âmbito de aplicação das disposições normativas; 2) Parte normativa - texto das normas de conteúdo substantivo;

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 3) Parte final - medidas necessárias à implementação das normas de conteúdo substantivo, disposições transitórias, cláusula de vigência e cláusula de revogação. Vamos aplicar esses conhecimentos a um caso prático:

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 O primeiro artigo do texto da lei deve indicar seu objeto e o respectivo âmbito de aplicação (LC 95/98, art. 7º). Essa indicação, no entanto, não vale para as leis editadas na forma de código, que, como já vimos, possuem abrangência muito vasta. Também não é permitido que a lei contenha matéria estranha ou não vinculada a seu objeto, devendo seu âmbito de aplicação ser o mais específico possível. Além disso, não é admitido que um mesmo assunto seja disciplinado por mais de uma lei, exceto quando as leis subsequentes estiverem complementando uma lei anterior, considerada básica. A remissão da lei derivada à lei de origem deve ser expressa (LC 95/98, art. 7º, IV). A vigência da lei deve ser indicada de forma expressa e observar, quando necessário, a existência de um período prévio, de razoável duração, para que todos tenham amplo conhecimento da legislação que foi editada, antes de a norma entrar em vigor. É o chamado prazo de vacância ou vacatio legis. A LC 95/98 determina que a cláusula “esta lei entra em vigor na data de sua publicação” deve ser utilizada apenas para leis de pequena repercussão (LC 95/98, art. 8º). Na hora de contar o prazo para entrada em vigor da lei que preveja a existência de vacatio legis, deve-se incluir a data da publicação e incluir o último dia do prazo. A entrada em vigor se dá no dia seguinte ao final do prazo (LC 95/98, art. 8º, § 1º). Outra coisa importante é que o período de vacatio legis deve ser expresso na lei em número de dias. Não vale em meses! Se houver cláusula de revogação, devem ser enumeradas expressamente quais dispositivos e leis que estão sendo revogados (LC 95/98, art. 9º). Certamente vocês já tiveram algum contato com a aplicação prática dessas determinações. Basta verificar o texto de algumas das leis que utilizamos para estudar para concurso, por exemplo. Os artigos 10 e 11 da LC 95/98 dizem respeito aos aspectos mais formais da elaboração das leis, como a importância de se utilizar linguagem clara, que evite interpretações dúbias sobre o texto legal, construir as orações na ordem direta e evidenciar com clareza o conteúdo e o alcance que o legislador pretende dar à norma. São regras de senso comum sobre a elaboração de um texto de qualidade. Um ponto importante a ser observado é que o conteúdo de cada artigo da lei deve estar restrito a um único assunto ou princípio (LC 95/98, art. 11, III, “b”).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Quanto à articulação do texto legal, a LC 95/98 determina que os artigos devem ser desdobrados em parágrafos ou em incisos; os parágrafos em incisos, os incisos em alíneas e as alíneas em itens, sendo os incisos representados por algarismos romanos, as alíneas por letras minúsculas e os itens por algarismos arábicos (LC 95/98, art. 11, IV). Já a alteração de uma lei por lei posterior pode se dar de três formas (LC 95/98, art. 12): 1) reprodução integral em novo texto, quando se tratar de alteração considerável (caso de revogação total); 2) revogação parcial; 3) substituição do dispositivo alterado ou acréscimo de dispositivo novo. Em caso de lei que vise a alterar outra, é vedado fazer qualquer renumeração de artigos, devendo ser utilizado o mesmo número do artigo ou unidade imediatamente anterior, seguido de letras maiúsculas, em ordem alfabética, tantas quantas forem suficientes para identificar os acréscimos. Por exemplo, se quisermos inserir algum outro artigo dentro de uma lei após o artigo 22, teremos que criar o artigo 22-A, 22-B e assim por diante (LC 95/98, art. 12, III, “b”). Se, em relação à lei que se pretende modificar, houver algum dispositivo que tiver sido revogado, vetado, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal ou de execução suspensa pelo Senado em face de decisão do STF, a lei alterada deve manter essa indicação, seguida da expressão “revogado”, “vetado”, “declarado inconstitucional, em controle concentrado, pelo Supremo Tribunal Federal”, ou “execução suspensa pelo Senado Federal, na forma do art. 52, X, da Constituição Federal” (LC 95/98, art. 12, III, “c”). A lei complementar veda o reaproveitamento desses artigos. Por sua vez, a LC 95/98 permite que se reordenem as unidades internas do artigo (inciso, parágrafo, alínea, item), contanto que o artigo seja indicado com as letras “NR”.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Finalmente, há previsão da chamada Consolidação da Legislação Federal. Trata-se da integração de todas as leis pertinentes a determinada matéria num único diploma legal, revogando formalmente as leis incorporadas à consolidação, mas sem modificar o alcance nem interromper a força normativa dos dispositivos que foram consolidados e sendo vedada a inclusão, na consolidação, de Medida Provisória que ainda não tenha sido convertida em lei (LC 95/98, art. 14, § 1º). Podem apresentar proposta de consolidação o Poder Executivo ou o Poder Legislativo, sempre indicando especificamente os diplomas legais que farão parte da consolidação (LC 95/98, art. 14, I). A apreciação dos projetos de lei de consolidação pelo Poder Legislativo será feita em procedimento simplificado, na forma do Regimento Interno de cada uma das Casas (LC 95/98, art. 14, II). No Regimento Interno do Senado, esse assunto está disciplinado no artigo 213-A, que prevê a apresentação de projeto de lei de consolidação por qualquer Senador ou comissão. O projeto é lido, numerado, publicado e distribuído à comissão que guardar maior pertinência quanto à matéria. A comissão deve se pronunciar sobre o atendimento ao princípio de preservação do conteúdo original das normas consolidadas. No caso desses projetos, só poderão ser oferecidas sugestões de redação (é vedada alteração de mérito) e de incorporação ou retirada de normas objeto de consolidação, no prazo de 30 dias, perante a Mesa, por qualquer Senador ou comissão (RISF, art. 213-B, § 1º). Na Comissão, o projeto segue trâmite semelhante ao das demais matérias. É designado um relator, aprovado um relatório e encaminhado o parecer da comissão para o Plenário, onde podem ser oferecidas emendas destinadas à correção de redação que afronte o mérito da matéria, durante cinco dias úteis (RISF, art. 213-C, § 1º). Se houver emendas nesse sentido, elas serão submetidas à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Aprovado o projeto, é remetido à Câmara dos Deputados ou à sanção, conforme o caso.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Outros pontos importantes: na primeira sessão legislativa de cada legislatura, a Mesa do Congresso Nacional promoverá a atualização da Consolidação das Leis Federais Brasileiras, incorporando as emendas constitucionais, leis, decretos legislativos e resoluções promulgadas durante a legislatura imediatamente anterior (LC 95/98, art. 15). Já o Poder Executivo tem prazo de até 180 dias do início do primeiro ano do mandato presidencial para promover a atualização das coletâneas dos decretos de conteúdo normativo e geral e demais atos normativos inferiores em vigor editados nos últimos quatro anos (LC 95/98, art. 17). Senadores: Uso da Palavra No desenrolar do processo legislativo, são vários os momentos em que ocorrem as manifestações dos Senadores. A prerrogativa do uso da palavra é concedida da maneira mais ampla possível. Porém, ela sofre algumas restrições em favor do bom andamento dos trabalhos. Afinal, se todos os parlamentares falassem o tempo todo, quando quisessem, ficaria difícil finalizar as votações. O núcleo das regras aplicáveis ao uso da palavra pelos Senadores encontra-se nos artigos 14 a 21 do RISF, mas há outras determinações nesse sentido esparsas pelo Regimento. Dessa forma, nosso estudo sobre o tema será de forma esquematizada, para facilitar o aprendizado e a assimilação. Podemos dividir as manifestações dos Senadores em dois grandes grupos: em relação às matérias que estão sendo apreciadas e em relação à atividade parlamentar em geral. ATIVIDADE PARLAMENTAR EM GERAL 1) Nos 120 minutos que antecedem a Ordem do Dia, para as considerações que entender (RISF, art. 14, I): Vamos relembrar um assunto que vimos em nossas primeiras aulas - as fases da sessão: Período do Expediente, Ordem do Dia e após a Ordem do Dia. No Período do Expediente é feita a leitura das matérias que chegam ao Senado e outros avisos. Após essa leitura, é aberta a tribuna para os pronunciamentos dos parlamentares. Esses pronunciamentos obedecem a uma ordem de inscrição.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 O Senador interessado em discursar na sessão do dia seguinte deve assinar um livro que organiza as inscrições. Esse livro fica no plenário, sobre a mesa, e são aceitas inscrições com antecedência máxima de duas sessões, deliberativas ordinárias ou não deliberativas. A ordem dos pronunciamentos vai obedecer a sequência constante desse livro, sendo divulgada na capa da Ordem do Dia. É possível haver permuta entre os Senadores inscritos. Se um parlamentar for chamado e não estiver presente no Plenário, passa-se a vez para o próximo. Durante esses pronunciamentos, o Senador pode se manifestar sobre qualquer assunto. O tempo disponível é de 10 minutos, em dia de sessão deliberativa (com votações agendadas) e 20 minutos em sessões não deliberativas. Pelo regimento, é admitida prorrogação desse prazo pelo Presidente, por um ou dois minutos, para permitir o encerramento do pronunciamento. Depois disso, o som do orador será cortado (RISF, art. 15). Os discursos podem ser intercalados com as comunicações inadiáveis, com o uso da palavra pelas lideranças ou com as delegações delas (RISF, art. 158). As inscrições que não puderem ser atendidas em virtude do levantamento ou da não realização da sessão, de comemoração especial, ou ainda se houver na Ordem do Dia matéria urgente do caso 1 “urgência urgentíssima”, serão transferidas para a sessão do dia seguinte (RISF, art. 158, § 4º). 2) Para comunicação inadiável, manifestação de aplauso ou semelhante, homenagem de pesar (RISF, art. 14, IX): O prazo para esse tipo de comunicação é de cinco minutos. Não está expresso no Regimento, mas para fazer a comunicação inadiável o Senador se inscreve, oralmente, assim que a sessão é aberta. Somente poderão usar da palavra, nesses termos, três Senadores durante o Período do Expediente (RISF, art. 158, § 3º). 3) Após a Ordem do Dia, para as considerações que entender (RISF, art. 14, XI): Encerrada a Ordem do Dia, o Presidente concede a palavra aos líderes partidários que desejem se manifestar. Depois disso, retoma a lista de oradores inscritos, concedendo a palavra pelo prazo de vinte minutos a cada um, até o horário de encerramento da sessão. 4) Para explicação pessoal (RISF, art. 14, VIII): www.pontodoscursos.com.br 14

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 O uso da palavra para explicação pessoal pode ser concedido em qualquer fase da sessão, por cinco minutos. Esse tipo de manifestação serve para que o Senador esclareça ato ou fato que lhe tenha sido atribuído em discurso ou aparte, devendo ter sido nominalmente citado na ocasião. É fácil citar um exemplo: imagine que o Senador Fulano, em discurso no Plenário, tenha dito que o Senador Beltrano é corrupto. Invariavelmente, o Senador Beltrano vai pedir a palavra para se defender, invocando o artigo 14, VIII. O regimento veda que a palavra seja dada, com essa finalidade, a mais de dois oradores na mesma sessão. 5) Pela ordem (RISF, art. 14, X, “a”): O uso da palavra “pela ordem” se destina a fazer indagação sobre andamento dos trabalhos e reclamação quanto à observância do Regimento ou ainda indicação de falha ou equívoco em relação à matéria da Ordem do Dia. O uso da palavra pela ordem pode ser solicitado em qualquer fase da sessão, por cinco minutos, sendo vedado abordar assunto já resolvido pela Presidência. 6) Para suscitar ou contraditar questão de ordem (RISF, art. 14, X, “b” e “c”): Em qualquer fase da sessão, também por cinco minutos, limitada a palavra a um só Senador. A diferença da questão de ordem para o pedido de palavra pela ordem é muito sutil, pois se refere à dúvida sobre interpretação ou aplicação do Regimento (RISF, art. 403). A palavra “pela ordem” é usada mais no sentido de reclamação ou observação sobre o andamento dos trabalhos. A questão de ordem deve ser objetiva e indicar o dispositivo regimental em que se baseia, referindo-se a caso concreto relacionado com a matéria tratada na ocasião (RISF, art. 404). A questão de ordem é decidida pelo Presidente, com recurso para o Plenário, de ofício ou mediante requerimento, que só será aceito se formulado ou apoiado por líder (RISF, art. 405). Se houver recurso para o Plenário sobre a decisão da Presidência, o Presidente pode solicitar a manifestação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania sobre a matéria, quando se tratar de interpretação de texto constitucional (RISF, art. 408).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Importante: a decisão sobre questão de ordem é considerada simples precedente. Só vai adquirir força obrigatória se a decisão for incorporada ao Regimento Interno (por meio da proposição de um projeto de resolução, como já estudamos). 7) Para fazer aparte (RISF, art. 14, XII): O aparte consiste em uma interrupção do orador que se encontra com a palavra por outro Senador, para fazer alguma observação. O tempo permitido para aparte é de dois minutos, e depende de permissão do orador (RISF, art. 14, XII, “a”). Se o orador negar um aparte, nada feito. Se recusar o aparte a um Senador, estarão recusados todos os demais apartes (RISF, art. 14, XII, “c”). E se o aparteante “forçar a barra”, seu aparte não será publicado (RISF, art. 14, XII, “d”). Há algumas situações em que não são permitidos apartes (RISF, art. 14, XII, “b”): ao Presidente; a parecer oral; a encaminhamento de votação, salvo nos casos de requerimento de homenagem de pesar ou de voto de aplauso ou semelhante; a explicação pessoal; a questão de ordem; a contradita a questão de ordem; a uso da palavra por cinco minutos (inclui comunicação inadiável); 8) Para interpelar Ministro de Estado (RISF, art. 14, XIII): Nos termos da Constituição Federal (art. 50, caput e § 1º) e do Regimento Interno (RISF, art. 397), é possível o comparecimento de Ministro de Estado perante o Senado, quando convocado, para prestar informações sobre assunto previamente determinado ou quando o próprio Ministro solicitar, mediante entendimento com a Mesa, para expor assunto de relevância de sua pasta. Nessas situações, terminada a exposição do Ministro de Estado, a sessão é aberta às perguntas e observações dos Senadores inscritos, intercalando-se oradores de cada partido, que dispõem de cinco minutos.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 O ministro terá prazo igual, de cinco minutos, para resposta. Em seguida, o Senador que fez a pergunta tem até dois minutos para formular réplica, e o Ministro de Estado, o mesmo tempo para a tréplica (RISF, art. 398, X). 9) Uso da palavra pelos líderes partidários (RISF, art. 14, II): Os líderes partidários possuem algumas prerrogativas quanto ao uso da palavra. Eles poderão fazer pronunciamentos, em qualquer fase da sessão, para comunicação urgente de interesse partidário, durante cinco minutos. Porém, essa regra não vale para o período da Ordem do Dia (RISF, art. 14, II, “a”). Os líderes também podem usar da palavra após a Ordem do Dia, desta vez por vinte minutos, tendo preferência sobre os oradores inscritos (RISF, art. 14, II, “b”). Agora, se o líder estiver ausente ou impedido, cabe aos vice-líderes exercerem a prerrogativa do uso da palavra pelas lideranças (RISF, art. 14, § 4º). Em vez de fazer o discurso, o líder pode delegar a palavra a outro Senador de seu partido. A comunicação, nesse caso, também dura cinco minutos, podendo se dar em qualquer fase da sessão, exceto na Ordem do Dia (RISF, art. 14, XIV). Mas o regimento faz uma ressalva: só pode ocorrer uma delegação para uso da palavra por sessão, e não pode ser exercido na mesma fase da sessão utilizada pelo líder para falar (RISF, art. 14, § 5º). Então, em uma mesma sessão, o líder pode usar da palavra e pode também delegá-la a outro membro de seu partido. Pelo regimento, o Senador que acumula a liderança de partido e de bloco parlamentar (reunião de dois ou mais partidos), poderá usar da palavra, na condição de líder, uma única vez na mesma sessão. Significa dizer que, nesse período, ele não pode falar como líder pelo partido X e falar como líder pelo bloco parlamentar Y (RISF, art. 14, § 3º). Não confundir com a limitação para uso da palavra pelo líder e pelo delegado, que não pode acontecer na mesma fase da sessão. Finalmente, aos membros daqueles partidos com menos de um décimo da composição do Senado é assegurado o uso da palavra, tanto na condição normal de Senador, como de liderança (RISF, art. 14, § 8º). EM RELAÇÃO ÀS MATÉRIAS: 1) Para discutir qualquer proposição (RISF, art. 14, III):

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Todos os Senadores podem discutir qualquer matéria, sendo a discussão uma fase importante dentro do processo legislativo. Para cada matéria, é permitido o uso da palavra uma vez para cada Senador, por dez minutos. Lembrar que, nos termos do regimento, cabe adiamento, dispensa e encerramento da discussão por meio de requerimento. 2) Para discutir proposição em regime de urgência (RISF, art. 14, IV): Na discussão de projetos em regime de urgência (vale para urgência regimental casos 2 e 3), cada Senador pode usar da palavra por uma só vez, por dez minutos. Como a matéria é urgente, a palavra é limitada a cinco Senadores a favor e cinco contra. 3) Para discutir redação final (RISF, art. 14, V): Na discussão de redação final, podem usar da palavra o relator da matéria e um Senador de cada partido, uma só vez, por cinco minutos. 4) Para encaminhar votação (RISF, art. 14, VI): Depois de anunciada a votação de qualquer matéria, os Senadores podem usar da palavra, uma só vez, por cinco minutos, para encaminhála. Se a matéria a ser votada for requerimento, o encaminhamento é limitado ao autor dele e a um representante de cada partido ou bloco parlamentar. Essa limitação não vale para requerimentos de homenagem de pesar. 5) Para encaminhar votação de requerimento solicitando urgência (RISF, art. 343): Poderão usar da palavra, por cinco minutos, um dos autores e um representante de cada partido ou de bloco parlamentar. Se o requerimento for de autoria de comissão, podem falar o seu Presidente e o relator da matéria para a qual a urgência foi requerida. 6) Para encaminhar votação de proposição em regime de urgência (RISF, art. 14, VII): Se o encaminhamento for relativo à matéria em regime de urgência, somente poderão usar da palavra com esse fim o relator da comissão de mérito e os líderes de partido ou bloco parlamentar ou Senadores por eles designados, uma só vez, por cinco minutos. 7) Para discutir e encaminhar votação das proposições em regime de urgência urgentíssima (RISF, art. 347): www.pontodoscursos.com.br 18

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Só poderão usar da palavra por cinco minutos o autor da proposição, os relatores e um orador de cada partido. Observações Gerais: Ao fazer uso da palavra, o Senador deve ficar de pé, seja na tribuna ou no plenário. Exceção: licença para se conservar sentado, por motivo de saúde (RISF, art. 21). O Senador deve sempre se dirigir ao Presidente, ou a este e aos Senadores (RISF, art. 21). No caso dos pronunciamentos feitos antes e após a Ordem do Dia, comunicações inadiáveis e uso da palavra por delegação da liderança partidária, o Senador só poderá usar da palavra mais de duas vezes por semana se não houver outro orador inscrito que pretenda ocupar a tribuna (RISF, art. 17, § 1º). O Senador que estiver no uso da palavra pode ser interrompido pelo Presidente ou por outro Senador, nos seguintes casos: Pelo Presidente (RISF, art. 18, I): • • • • • • • • para leitura e votação de requerimento de urgência caso 1 e deliberação da matéria correspondente; para votação que não foi realizada no momento oportuno, por falta de quórum; para comunicação importante; para recepção de visitante; para votação de requerimento de prorrogação da sessão; para suspender a sessão, em caso de tumulto no recinto ou ocorrência grave no edifício do Senado; para advertir o orador quanto à observância do Regimento; para prestar esclarecimentos que interessem à boa ordem dos trabalhos;

Por outro Senador (RISF, art. 18, II): • para receber aparte, com consentimento do orador. Somente nessa hipótese o tempo de interrupção não é compensado (RISF, art. 18, par. único); para formular à Presidência reclamação quanto à observância do Regimento, independentemente de consentimento. www.pontodoscursos.com.br 19

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08

Para fechar este assunto, vamos ver de forma sistemática quais são as vedações constantes no Regimento quanto ao uso da palavra: É vedado ficar de costas para a Mesa (RISF, art. 21). Simples, não é? Durante os pronunciamentos, os Senadores não podem dar as costas à Mesa. É vedado ao Senador usar de expressões descorteses ou insultuosas em suas manifestações (RISF, art. 19, I). Caso o parlamentar cometa essa infração, o Presidente irá advertilo, segundo o procedimento descrito no RISF, art. 22. A desobediência do orador a uma advertência implica a adoção da providência seguinte: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Adverte o orador, usando a expressão “Atenção!”; Adverte o orador com a expressão “Senador Fulano, atenção!”; Retira a palavra do orador; Determina a saída do orador do recinto; Suspende a sessão até que sua ordem seja obedecida; A reincidência do orador em desobedecer ao item “4” constitui desacato ao Senado (RISF, art. 23, I). É vedado ao orador falar sobre resultado de deliberação definitiva do Plenário, salvo em explicação pessoal (RISF, art. 19, II). Este item por vezes gera alguma dúvida. É claro que o Senador pode falar sobre os resultados das votações (afinal, não há censura!). O que ele não pode é ficar falando sobre matéria vencida. Vamos supor, por exemplo, que o plenário tenha decidido alguma questão e que um Senador, inconformado com o resultado, insista em ficar discutindo o tema. Nesse caso, o Presidente o adverte, afinal, a decisão do plenário é soberana e a matéria já foi submetida a voto. A única exceção diz respeito à explicação pessoal. Isso acontece, por exemplo, quando o Senador erra o voto e retifica o erro, ou declara seu voto quando não chegou a tempo de votar.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 O Senador não pode ler da tribuna ou incluir em discurso, aparte, declaração de voto ou em qualquer outra manifestação pública, documento que seja de natureza sigilosa (RISF, art. 20). Item autoexplicativo. Se o assunto é sigiloso, não é dado seu conhecimento em manifestação pública. Não é lícito o uso da palavra nas reuniões preparatórias, salvo para declaração pertinente à matéria que nelas deva ser tratada (RISF, art. 3º, VII). Sessão preparatória é para eleição da Mesa. Não há espaço para pronunciamentos de parlamentares nos termos de uma sessão ordinária. Os Secretários não poderão usar da palavra, ao integrarem a Mesa (RISF, art. 58). Os Secretários, quando estiverem ocupando seus lugares na Mesa durante a sessão, devem permanecer dentro de suas atribuições, como fazer a chamada dos Senadores ou a leitura de documentos, ordenada pelo Presidente. O Presidente não pode dialogar com os Senadores da cadeira presidencial nem os apartear (RISF, art. 50): Mesma lógica da regra em relação aos Secretários. O Presidente não pode fazer pronunciamentos ou apartes da cadeira da Presidência. Poderá apenas interromper os oradores nos casos previstos regimentalmente e ainda, fazer ao Plenário, em qualquer momento, comunicação de interesse do Senado e do País (RISF, art. 48, VII). Se o Presidente desejar fazer pronunciamento na condição de Senador, deverá deixar a cadeira presidencial, quando poderá participar ativamente dos trabalhos da sessão (RISF, art. 50, par. único). Conselhos e Órgãos O Senado possui alguns Conselhos e Órgãos incumbidos de competências específicas. Esses órgãos não se confundem com setores administrativos da Casa, tais como Secretarias, Consultorias, Gráfica, etc. Os institutos abaixo são diferentes, pois são formados por parlamentares.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 1. Conselho de Ética e Decoro Parlamentar (Resolução 20/1993SF); O Conselho de Ética é formado por 15 membros, que, diferentemente das comissões permanentes não são indicados por líderes, mas sim eleitos para um mandato de dois anos. O Corregedor do Senado é membro nato do Conselho, com direito a voz e voto. O Conselho zela pela observância do Código de Ética Parlamentar e do Regimento Interno e em casos específicos pode aplicar medidas disciplinares que vão da advertência à censura, verbal ou escrita. Também é o Conselho de Ética que apura e emite relatório sobre denúncia ou representação apresentada contra Senador – conhecida como “quebra de decoro”. 2. Corregedoria Parlamentar (Resolução 17/1993-SF); A Corregedoria Parlamentar é formada por quatro membros, sendo um Corregedor e três Corregedores Substitutos. Todos são eleitos pelo Plenário e tem como atribuição manter a ordem e a disciplina no Senado e fazer observar as determinações sobre segurança interna e externa da Casa. 3. Procuradoria Parlamentar (Resolução 40/1995-SF); A Procuradoria Parlamentar é formada por cinco Senadores, designados pelo Presidente do Senado para um mandato de dois anos, permitida uma recondução. É um órgão de apoio à Mesa e promove a defesa do Senado, de seus órgãos e integrantes, quando atingidos em sua honra ou imagem, desde que em virtude do exercício do mandato. 4. Conselho do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz (Resolução 02/2001-SF) O diploma Bertha Lutz é destinado a homenagear anualmente cinco mulheres que tenham contribuição relevante à defesa dos direitos da mulher. A entrega acontece durante sessão especial do Senado Federal. Do conselho Mulher-Cidadã Bertha Lutz, que escolhe as agraciadas, fazem parte um representante de cada partido político com assento no Senado. 5. Conselho do Diploma 35/2009-SF); Ermírio de Moraes (Resolução

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 O diploma Ermírio de Moraes é destinado a agraciar personalidades de destaque no setor industrial. Anualmente, são agraciados três empresas ou empresários, em sessão especial convocada para esse fim. A escolha dos agraciados compete ao Conselho do Diploma, formado por um representante de cada partido político com assento no Senado. 6. Conselho da Comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara (Resolução 14/2010-SF); A Comenda é destinada a agraciar personalidades que tenham oferecido contribuição relevante à defesa dos direitos humanos no Brasil. Será conferida a cinco personalidades, anualmente, durante sessão do Senado Federal especialmente convocada para esse fim. O conselho é formado por um representante de cada partido político com assento no Senado. Assim como no Senado, o Congresso Nacional também possui alguns órgãos e conselhos, tais como: o Conselho de Comunicação Social (13 membros titulares e 13 membros suplentes de diversas categorias do setor e sociedade civil); o Órgão de Controle Externo da Atividade de Inteligência (integrado pelos líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, assim como os Presidentes das Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e do Senado Federal); o Conselho da Ordem do Congresso Nacional (destinada a homenagear pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiros); o Conselho Diploma do Mérito Educativo Darcy Ribeiro (Diploma que visa agraciar anualmente pessoa física ou jurídica que tenha oferecido contribuição relevante para a educação brasileira); e por fim, a Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, assunto que merece alguns comentários: Esse instituto teve início em 1996, quando a Resolução nº 1-CN tratou da Representação Brasileira na Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. Na época, essa representação era integrada por 16 membros titulares e 16 suplentes, distribuídos de forma paritária entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, com mandato de dois anos. A função dessa comissão era a de se pronunciar, apresentando relatório, sobre todas as matérias de interesse do Mercosul que viessem a tramitar no Congresso Nacional.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Em 2005, em Montevidéu, no Uruguai, foi aprovado o Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul, que veio substituir a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. O Parlamento do Mercosul realiza Sessões Plenárias mensais em sua sede, desde maio de 2007 e conta com Regimento Interno próprio. Lá, já foram aprovadas algumas medidas, principalmente no campo de Declarações Políticas e Recomendações de Normas, além de diversas audiências públicas sobre temas de integração. Atualmente possuem representação nesse Parlamento, além do Brasil, a Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. O Congresso Nacional aprovou o texto do referido Protocolo e editou uma resolução (Resolução 01/2007-CN) criando a Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul. Esse é o grupo brasileiro de parlamentares que integra o Parlamento do Mercosul, composto atualmente de dezoito membros titulares, sendo nove Senadores e nove Deputados Federais, com igual número de suplentes (Resolução 01/2007CN, art. 6º). O Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul previa inicialmente que em 2010 os Representantes Brasileiros no Parlamento do Mercosul deveriam ser escolhidos nas eleições gerais, entre cidadãos que não sejam candidatos ao Congresso Nacional. Desta forma, a Representação deixaria de ser um órgão interno do Congresso. Contudo, ainda não foi aprovado o projeto de lei que regulamenta vários pontos das eleições diretas para o Parlamento do Mercosul. Esse projeto tramita na Câmara dos Deputados e o parecer do relator prevê a realização de eleições em 2012, juntamente com o pleito municipal. Mas existe ainda a possibilidade de que as eleições sejam realizadas somente em 2014, juntamente com as eleições para a renovação da Câmara e do Senado. A decisão caberá ao Congresso Nacional.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Muito bem, caros concurseiros, terminamos por aqui! Espero que nosso curso de Processo Legislativo seja um instrumento importante para que vocês trilhem seu caminho rumo ao Senado Federal. Durante a preparação, além das aulas e da resolução exaustiva de questões, sugiro que acessem frequentemente o site do Senado, onde poderão obter valiosas informações a respeito do processo legislativo. Procurem visualizar a tramitação das propostas, na área de pesquisa sobre projetos e matérias, e alguns documentos, como pareceres, autógrafos, a Ordem do Dia, resultados de votações e vários outros, como forma de consolidar seus conhecimentos. Também vale a pena ficar ligado em algumas sessões plenárias, exibidas pela TV Senado e igualmente disponíveis na internet. Tenho certeza de que, muito em breve, seremos colegas de trabalho em um dos melhores locais do serviço público brasileiro. Aguardo vocês! A seguir, nossos exercícios. Um forte abraço!

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Exercícios 1) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: Lei complementar, nos termos da Constituição, dispõe sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação as leis. Nessa linha, pode-se afirmar que a lei em vigor é a: (A) LC 105/1999. (B) LC 33/1988. (C) LC 205/2008. (D) LC 95/1998. (E) LC 120/2000. Como vimos em aula, é a LC 95/1998 que trata da elaboração, redação, alteração e consolidação as leis. Gabarito: Letra D. 2) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Analise as afirmativas a seguir: I. As leis são estruturadas em quatro partes: a preliminar, a normativa, a complementar e a final. Errada. A lei está estruturada em três partes: preliminar, normativa e final (LC 95/98, art. 3º, I, II e III). II. A nova lei deve enumerar, de forma clara e expressa, as leis ou disposições legais revogadas. Correta (LC 95/98, art. 9º). III. A lei não deverá conter matéria estranha a seu objeto ou a este não vinculada por afinidade, pertinência ou conexão. Correta (LC 95/98, art. 7º, II). Assinale: (A) se todas as afirmativas estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (C) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas. (D) se apenas a afirmativa I estiver correta. 26

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Gabarito: Letra “C”. 3) FGV/SF/Advogado/2008 (adaptada): Em relação à convocação e comparecimento de Ministro de Estado, é correto afirmar que após a exposição do Ministro, abre-se a fase de interpelação, pelos senadores inscritos, dentro do assunto tratado. Correta. (RISF, art. 398, X). 4) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética. Um Senador, líder do partido X, interpôs recurso para o Plenário contra decisão do presidente da Mesa do Senado sobre questão de ordem levantada por outro Senador, relacionada à constituição de uma comissão parlamentar mista de inquérito. Nessa situação, antes de submeter o recurso a votos, o presidente deve ter encaminhado o assunto à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, tendo em vista que a questão foi levantada por Senador. Errada. O encaminhamento, pelo Presidente, à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania é lícito quando o assunto versar sobre interpretação constitucional, e não porque a questão de ordem foi levantada por Senador, como afirma a questão (RISF, art. 408). 5) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): O parlamentar poderá suscitar questão de ordem mediante intervenção autorizada pelo presidente da sessão, dispondo, para isso, de até quinze minutos. Errada. O prazo para formular questão de ordem é de cinco minutos (RISF, art. 403). 6) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): Admitese que um congressista apresente contradita à questão de ordem, no mesmo prazo previsto para a suscitação dela. Correta (RISF, art. 403, par. único).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 7) Cespe/SF/Analista Legislativo-Comunicação/1997 (adaptada): Segundo o RISF, se um Senador utilizar-se de expressões descorteses ou insultuosas, o presidente da sessão, conforme a necessidade, adverti-loá, sucessivamente, com as expressões “Atenção!” e “Senador Fulano, atenção!” e, se não lograr êxito, poderá ainda, retirar-lhe a palavra, convidá-lo a se retirar imediatamente do recinto e, em caso de recusa, suspender a sessão até que seja obedecido. Correta (RISF, art. 22, I a V). 8) AOCP/Câmara Legislativa de Maringá/Assessor Legislativo/2010: A respeito das técnicas de elaboração, redação e alteração das leis, assinale a alternativa correta. (A) A lei será estruturada em duas partes básicas: a parte preliminar e a parte normativa. Errada. Segundo a LC 95/98, a lei se estrutura em três partes básicas: a preliminar, a normativa e a final (LC 95/98, art. 3º, I, II e III). (B) O primeiro artigo do texto não necessitará indicar o objeto da lei e o respectivo âmbito de aplicação. Errada. O primeiro artigo do texto indicará o objeto da lei e o respectivo âmbito de aplicação (LC 95/98, art. 7º). (C) A lei poderá conter matéria estranha a seu objeto ou a este não vinculada por afinidade, pertinência ou conexão. Errada. A lei não conterá matéria estranha a seu objeto ou a este não vinculada por afinidade, pertinência ou conexão (LC 95/98, art. 7º, II). (D) O preâmbulo não necessitará indicar o órgão ou instituição competente para a prática do ato e sua base legal. Errada. O preâmbulo deve indicar o órgão ou instituição competente para a prática do ato e sua base legal (LC 95/98, art. 6º). (E) A vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena repercussão. 28

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Correta (LC 95/98, art. 8º). Gabarito: Letra “E”. QUESTÃO 24 9) AOCP/Câmara Legislativa de Maringá/Assessor Legislativo/2010: Analise as assertivas e assinale a alternativa correta. De acordo com as técnicas de elaboração, redação e alteração das leis, os textos legais serão articulados com observância dos seguintes princípios: I - a unidade básica de articulação será o artigo, indicado pela abreviatura "Art.", seguida de numeração ordinal até o nono e cardinal a partir deste. Correta (LC 95/98, art. 10, I). II - os artigos desdobrar-se-ão em parágrafos ou em incisos; os parágrafos em incisos, os incisos em alíneas e as alíneas em itens. Correta (LC 95/98, art. 10, II). III - os incisos serão representados por algarismos romanos, as alíneas por letras minúsculas e os itens por algarismos arábicos. Correta (LC 95/98, art. 10, IV). IV - os Capítulos, Títulos, Livros e Partes serão grafados em letras minúsculas e identificados por algarismos romanos, podendo estas últimas desdobrar-se em Parte Geral e Parte Especial ou ser subdivididas em partes expressas em numeral ordinal, por extenso. Correta (LC 95/98, art. 10, VI). (A) Apenas I, II e III. (B) Apenas I e III. (C) Apenas I, II e IV. (D) Apenas I e IV. (E) I, II, III e IV. Gabarito: Letra “E”.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 10) AOCP/Câmara Legislativa de Maringá/Assessor Legislativo/2010: De acordo com a Lei Complementar n° 95/98 para o fim de redigir as disposições normativas com clareza será necessário atentar para o seguinte aspecto (A) articular a linguagem, técnica ou comum, de modo a ensejar perfeita compreensão do objetivo da lei e a permitir que seu texto evidencie com clareza o conteúdo e o alcance que o legislador pretende dar à norma. Errada. Esse aspecto refere-se aos cuidados para obter precisão no texto da lei (LC 95/98, art. 11, II, “a”). (B) expressar a idéia, quando repetida no texto, por meio das mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com propósito meramente estilístico. Errada. Esse aspecto também refere-se à precisão, não à clareza, como pede o enunciado (LC 95/98, art. 11, II, “b”). (C) evitar o emprego de expressão ou palavra que confira duplo sentido ao texto. Errada. Refere-se à precisão (LC 95/98, art. 11, II, “c”). (D) escolher termos que tenham o mesmo sentido e significado na maior parte do território nacional, evitando o uso de expressões locais ou regionais. Errada. Refere-se à precisão (LC 95/98, art. 11, II, “d”). (E) construir as orações na ordem neologismo e adjetivações dispensáveis direta, evitando preciosismo,

Correta. Esse é o único item que traz um aspecto definido pela lei como necessário para obter clareza nos textos legais (LC 95/98, art. 11, I, “c”). Gabarito: Letra “E”. Para a próxima questão, leia o texto abaixo: Lei n.º X, de 14 de junho de 2006 (…) 30

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Art. 1.º Fica proibido, a partir da vigência desta lei, o gozo de férias simultâneo por mais de um terço dos servidores de cada um dos setores operacionais da autarquia federal Y.(…) Art. 3.º Esta lei entra em vigor no prazo de um mês após a sua publicação. Art. 4.º Revogam-se as disposições em contrário. 11) Cespe/TCU/Auditor/2006 (adaptada): O art. 3.º da Lei n.º X/2006 está em conflito com disposição expressa de lei complementar federal que, publicada anteriormente à edição dessa lei, estabelece, de forma precisa, como deve ser indicada a vacatio legis nas leis brasileiras. Correta. Sobre esse tema, a LC 95/98 dispõe: “As leis que estabeleçam período de vacância deverão utilizar a cláusula ‘esta lei entra em vigor após decorridos (o número de) dias de sua publicação oficial”. Logo, a contagem não pode ser feita em meses, como na lei hipotética mencionada pela questão (LC 95/98, art. 8º, § 2º). 12) FGV/SF/Analista Legislativo/2008 (adaptada): No que concerne à Procuradoria Parlamentar, é correto afirmar que se compõe de cinco Senadores, designados pelo Presidente do Senado, para mandato de dois anos, admitida uma renovação. Correta (Resolução 40/1995-SF, art. 1º, § 1º). 13) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): A questão de ordem pode ter como objeto impugnações e propostas de emenda ao mérito de qualquer projeto em tramitação. Errada. A questão de ordem se refere a qualquer dúvida sobre interpretação ou aplicação do Regimento Interno do Senado (RISF, art. 403). 14) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): Da decisão do presidente da sessão relativa à questão de ordem, é possível a interposição de recurso, por parte de qualquer Senador, salvo se envolver matéria constitucional. Errada. O recurso, na questão de ordem, só é admissível se formulado ou apoiado por líder (RISF, art. 405).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 15) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): A questão de ordem pode ter como objeto a polêmica doutrinária, se relevante para a deliberação a respeito do projeto de lei em tramitação. Errada. A questão de ordem deve ser objetiva, indicar o dispositivo regimental em que se baseia, referir-se a caso concreto relacionado com a matéria tratada na ocasião, não podendo versar sobre tese de natureza doutrinária ou especulativa (RISF, art. 404). 16) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): O presidente da sessão tem a prerrogativa de livremente apartear os Senadores. Errada. Não é lícito ao Presidente, da cadeira presidencial, dialogar com os Senadores nem os apartear (RISF, art. 50, caput). 17) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): O presidente da sessão, por não perder sua condição de Senador, pode participar dos trabalhos como qualquer um de seus pares. Errada. Para participar ativamente dos trabalhos da sessão na condição de Senador, o presidente deverá deixar a cadeira presidencial (RISF, art. 50, par. único). 18) Cespe/SF/Advocacia/1995 (adaptada): Quanto ao processo legislativo, é correto afirmar que a CF/88 dispõe sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. Errada. A Constituição dispõe que uma lei complementar vai regular esses assuntos, no caso, a Lei Complementar 95/98 (CF/88, art. 59, par. único). 19) Inédita: Há algumas situações no Senado para as quais o Regimento Interno veda a concessão de apartes. Estão aí incluídos os encaminhamentos de votação, os quais em nenhuma hipótese poderão sofrer apartes. Errada. O encaminhamento de votação, de modo geral, não permite apartes. Porém, existem exceções: são os casos de requerimento de homenagem de pesar ou de voto de aplauso ou semelhante (RISF, art. 14, XII, “b”, 3).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 20) Inédita: No uso da palavra, o Senador poderá ser interrompido pelo Presidente, nos casos previstos no Regimento ou por outro Senador, com ou sem o consentimento do orador. Correta (RISF, art. 18, I e II). 21) Inédita: Toda proposição, antes de ser distribuída para as comissões que acerca dela devam se manifestar, precisa ser apresentada no Plenário. Errada. As proposições podem ser apresentadas nas comissões, perante a Mesa e no plenário (RISF, art. 235, I, II e III). Em geral, os projetos são protocolados junto à Mesa. Mas não podemos esquecer que entre as proposições estão incluídos requerimentos e emendas, que podem ser apresentados nas comissões e até mesmo em plenário. 22) Inédita: Não se admite solicitação de aparte a orador que estiver suscitando questão de ordem. Correta (RISF, art. 14, XII, “b”, 5).

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 LISTA DE QUESTÕES DESTA AULA 1) FGV/SF/Técnico Legislativo/2008: Lei complementar, nos termos da Constituição, dispõe sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação as leis. Nessa linha, pode-se afirmar que a lei em vigor é a: (A) LC 105/1999. (B) LC 33/1988. (C) LC 205/2008. (D) LC 95/1998. (E) LC 120/2000. 2) FGV/SF/Analista Legislativo/2008: Analise as afirmativas a seguir: I. As leis são estruturadas em quatro partes: a preliminar, a normativa, a complementar e a final. II. A nova lei deve enumerar, de forma clara e expressa, as leis ou disposições legais revogadas. III. A lei não deverá conter matéria estranha a seu objeto ou a este não vinculada por afinidade, pertinência ou conexão. Assinale: (A) se todas as afirmativas estiverem corretas. (B) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas. (C) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas. (D) se apenas a afirmativa I estiver correta. 3) FGV/SF/Advogado/2008 (adaptada): Em relação à convocação e comparecimento de Ministro de Estado, é correto afirmar que após a exposição do Ministro, abre-se a fase de interpelação, pelos senadores inscritos, dentro do assunto tratado. 4) Cespe/CD/Analista Legislativo/2002 (adaptada): Considere a seguinte situação hipotética. Um Senador, líder do partido X, interpôs recurso para o Plenário contra decisão do presidente da Mesa do Senado sobre questão de ordem levantada por outro Senador, relacionada à constituição de uma comissão parlamentar mista de inquérito. Nessa situação, antes de submeter o recurso a votos, o presidente deve ter encaminhado o assunto à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, tendo em vista que a questão foi levantada por Senador. 34

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 5) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): O parlamentar poderá suscitar questão de ordem mediante intervenção autorizada pelo presidente da sessão, dispondo, para isso, de até quinze minutos. 6) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): Admitese que um congressista apresente contradita à questão de ordem, no mesmo prazo previsto para a suscitação dela. 7) Cespe/SF/Analista Legislativo-Comunicação/1997 (adaptada): Segundo o RISF, se um Senador utilizar-se de expressões descorteses ou insultuosas, o presidente da sessão, conforme a necessidade, adverti-loá, sucessivamente, com as expressões “Atenção!” e “Senador Fulano, atenção!” e, se não lograr êxito, poderá ainda, retirar-lhe a palavra, convidá-lo a se retirar imediatamente do recinto e, em caso de recusa, suspender a sessão até que seja obedecido. 8) AOCP/Câmara Legislativa de Maringá/Assessor Legislativo/2010: A respeito das técnicas de elaboração, redação e alteração das leis, assinale a alternativa correta. (A) A lei será estruturada em duas partes básicas: a parte preliminar e a parte normativa. (B) O primeiro artigo do texto não necessitará indicar o objeto da lei e o respectivo âmbito de aplicação. (C) A lei poderá conter matéria estranha a seu objeto ou a este não vinculada por afinidade, pertinência ou conexão. (D) O preâmbulo não necessitará indicar o órgão ou instituição competente para a prática do ato e sua base legal. (E) A vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena repercussão. QUESTÃO 24 9) AOCP/Câmara Legislativa de Maringá/Assessor Legislativo/2010: Analise as assertivas e assinale a alternativa correta. De acordo com as técnicas de elaboração, redação e alteração das leis, os textos legais serão articulados com observância dos seguintes princípios: I - a unidade básica de articulação será o artigo, indicado pela abreviatura "Art.", seguida de numeração ordinal até o nono e cardinal a partir deste. 35

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 II - os artigos desdobrar-se-ão em parágrafos ou em incisos; os parágrafos em incisos, os incisos em alíneas e as alíneas em itens. III - os incisos serão representados por algarismos romanos, as alíneas por letras minúsculas e os itens por algarismos arábicos. IV - os Capítulos, Títulos, Livros e Partes serão grafados em letras minúsculas e identificados por algarismos romanos, podendo estas últimas desdobrar-se em Parte Geral e Parte Especial ou ser subdivididas em partes expressas em numeral ordinal, por extenso. (A) Apenas I, II e III. (B) Apenas I e III. (C) Apenas I, II e IV. (D) Apenas I e IV. (E) I, II, III e IV. 10) AOCP/Câmara Legislativa de Maringá/Assessor Legislativo/2010: De acordo com a Lei Complementar n° 95/98 para o fim de redigir as disposições normativas com clareza será necessário atentar para o seguinte aspecto (A) articular a linguagem, técnica ou comum, de modo a ensejar perfeita compreensão do objetivo da lei e a permitir que seu texto evidencie com clareza o conteúdo e o alcance que o legislador pretende dar à norma. (B) expressar a idéia, quando repetida no texto, por meio das mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com propósito meramente estilístico. (C) evitar o emprego de expressão ou palavra que confira duplo sentido ao texto. (D) escolher termos que tenham o mesmo sentido e significado na maior parte do território nacional, evitando o uso de expressões locais ou regionais. (E) construir as orações na ordem direta, evitando preciosismo, neologismo e adjetivações dispensáveis Para a próxima questão, leia o texto abaixo: Lei n.º X, de 14 de junho de 2006 (…) Art. 1.º Fica proibido, a partir da vigência desta lei, o gozo de férias simultâneo por mais de um terço dos servidores de cada um dos setores operacionais da autarquia federal Y.(…) Art. 3.º Esta lei entra em vigor no prazo de um mês após a sua publicação. www.pontodoscursos.com.br 36

PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 Art. 4.º Revogam-se as disposições em contrário. 11) Cespe/TCU/Auditor/2006 (adaptada): O art. 3.º da Lei n.º X/2006 está em conflito com disposição expressa de lei complementar federal que, publicada anteriormente à edição dessa lei, estabelece, de forma precisa, como deve ser indicada a vacatio legis nas leis brasileiras. 12) FGV/SF/Analista Legislativo/2008 (adaptada): No que concerne à Procuradoria Parlamentar, é correto afirmar que se compõe de cinco Senadores, designados pelo Presidente do Senado, para mandato de dois anos, admitida uma renovação. 13) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): A questão de ordem pode ter como objeto impugnações e propostas de emenda ao mérito de qualquer projeto em tramitação. 14) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): Da decisão do presidente da sessão relativa à questão de ordem, é possível a interposição de recurso, por parte de qualquer Senador, salvo se envolver matéria constitucional. 15) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): A questão de ordem pode ter como objeto a polêmica doutrinária, se relevante para a deliberação a respeito do projeto de lei em tramitação. 16) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): O presidente da sessão tem a prerrogativa de livremente apartear os Senadores. 17) Cespe/SF/Consultor de Orçamentos/1996 (adaptada): O presidente da sessão, por não perder sua condição de Senador, pode participar dos trabalhos como qualquer um de seus pares. 18) Cespe/SF/Advocacia/1995 (adaptada): Quanto ao processo legislativo, é correto afirmar que a CF/88 dispõe sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. 19) Inédita: Há algumas situações no Senado para as quais o Regimento Interno veda a concessão de apartes. Estão aí incluídos os encaminhamentos de votação, os quais em nenhuma hipótese poderão sofrer apartes.

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PROCESSO LEGISLATIVO – SENADO FEDERAL 2011 LUCIANO OLIVEIRA AULA 08 20) Inédita: No uso da palavra, o Senador poderá ser interrompido pelo Presidente, nos casos previstos no Regimento ou por outro Senador, com ou sem o consentimento do orador. 21) Inédita: Toda proposição, antes de ser distribuída para as comissões que acerca dela devam se manifestar, precisa ser apresentada no Plenário. 22) Inédita: Não se admite solicitação de aparte a orador que estiver suscitando questão de ordem. GABARITO: 1D 13E 2C 14E 3C 15E 4E 16E 5E 17E 6C 18E 7C 19E 8E 20C 9E 21E 10E 22C 11C 12C

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