DIREITO E LEGISLAÇÃO - I

Apostila Direito e Legislação - I TURMA
1º Semestre/2011

ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. João Bosco

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DIREITO E LEGISLAÇÃO - I

Apresentação
Apresentações individuais; explicação pelo professor da forma que serão desenvolvidas as atividades no semestre; organização dos grupos de trabalho; revisão dos assuntos.

“Como ficam as plantas se durante certo período não recebem água? As folhas amolecem, e em vez de se levantarem, buscando a direção da luz, permanecem viradas para baixo, como as orelhas dum cachorro medroso. Para mudar tal quadro basta regá-la”
( MEDEIROS, José Rafael de. Renovando o Trabalho. p 179. Vozes. Petrópolis, 1999)

Estamos iniciando um novo semestre letivo. Uma nova perspectiva começa a ser desenhada e todos estaremos imbuídos num único propósito: construir e edificar o saber. Assim, queremos que as palavras acima descritas sejam a força motivadora para as nossas ações vindouras. Na expectativa de que atravessaremos juntos esta etapa importante em nossas vidas, coube-me a missão de realizar, através da disciplina Direito e Legislação I, a troca de experiências para que o saber jurídico possa aflorar e permitir formarmos excelentes profissionais para nossa sociedade. Para a realização deste mister estaremos, durante as aulas repassando vários informes. Entregamos no transcorrer do semestre, exercícios, para que possam ser arquivados tais informes e os exercícios inerentes à disciplina. Conserve-a e terá um material futuro de consulta.

Em nome da Escola de Serviço Social da Universidade Católica do Salvador, boas vindas, iremos juntos regar o grande jardim do conhecimento para que as condições necessárias para se tornar um bom profissional sejam praticadas e vivenciadas. Pedimos a Deus que nos ilumine para alcançarmos todos os nossos objetivos.

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DIREITO E LEGISLAÇÃO - I Acepções da Palavra - Etimologia 07/02/2011

A respeito nos ensina o professor Sérgio Pinto Matrins, em seu “Instituições de Direito Público e Privado, 7ª Ed. Editora Atlas S/A, 2007. “Direito vem do latim directu (m), acusativo singular da forma participial adjetiva directus, a, um. Tem o significado da qualidade do que é conforme a regra”. A palavra Directum, por sua vez, era o particípio passado do verbo dirigere que significa "dirigir", ”endireitar”, ”ordenar” ou "alinhar". Para outros autores, a palavra faz referência à deusa romana da justiça, Justitia, que segurava em suas mãos uma balança com fiel. Dizia-se que havia justiça quando o fiel estava absolutamente perpendicular em relação ao solo: de rectum. Em todas as línguas ocidentais, usam o mesmo radical para "aquilo que é certo" ou "correcto" e para o direito, a palavra que designa o direito tem conexão com uma dessas duas etimologias: right, em inglês, Recht, em alemão, diritto, em italiano, derecho, em espanhol e droit, em francês, e em russo, pravo. A situação em inglês é ligeiramente diferente, usando-se law, de origem germânica nórdica, quer para significar "lei", quer para "direito". No caso inglês, right, este sim equivalente a "correto", corresponderia a "direito subjetivo" (como em "eu tenho direito à saúde"). Na colocação de Ruy Rabello Pinto e Amauri Mascaro Nascimento, em seu “Instituições de Direito Público e Privado, 24ª Edição Revista e Atualizada, Editora Atlas S/A, 2006. Verificamos:  “Apalavra direito não tem um significado apenas: é empregado em vários sentidos e acepções”.  Os autores costumam distinguir dois sentidos fundamentais:
o direito norma, lei ou regra de ação o dirieto faculdade, poder de ação prerrogativa norma agendi facultas agendi

 O termo direito é empregado em sentido nitidamente diverso nas seguintes expressões:
o Direito brasileiro proíbe duelo O Estado tem o direito de cobrar impostos. o salário é direito do trabalhador o Direito é um setor da realidade social o estudo do Direito requer método próprio Lei ou norma jurídica (direito norma) faculdade ou poder de agir (direito faculdade) devido por justiça (direito justo) considerado como fenômeno social (direito fato social) referido como disciplina científica (direito ciência)

Rubens Rodrigues Nogueira, em seu “Curso de Introdução ao Estudo do Direito, José Bushatsky, Editor, São Paulo, 1979, diz que:  “Ao iniciar-se no aprendizado do Direito, o estudante se depara com uma ciência que dispõe de instrumentos verbais próprios, de significação
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que dele faz o seu objeto formal. fala-se em Direito para indicar a própria ciên cia que dele se ocupa.. quando o certo seria dizer importação de mercadorias vindas de outro pais (importação). isto é. O termo "direito" foi introduzido com o sentido actual já na Idade Média. particípio passado do verbo iubere. falamos de direito civil. ofício. de direito romano. uma determinação Prescrição quer dizer a perda de uma ação ou de um direito. para eles. o termo "direito" significa a facultas agendi. jugo. O radical. salvo raras exceções”. tem dois sentidos: Significa. que quer dizer mandar. ius estaria ligado a iustum. em virtude do simples decurso do tempo associado à inércia do titular Linguagem Jurídica  “possui ainda a terminologia ju rídica as suas expressões peculiares. etc. conferi da pela lei aos magistrados e tribunais Prescrição um preceito. a palavra das leis. de decidir litígios. porém.  “. Esta discussão entre iustum e iussum.DIREITO E LEGISLAÇÃO .”(grifos nossos). a norma agendi. tendo seu radical no védico Yos. os seus dotes culturais ou o seu preparo técnico Ocupação é meio de adquirir a propriedade Competência é o poder legal que o agente ou órgão administrativo tem de praticar determinados atos. os filólogos não se entendem. Para alguns ius relacionar-se-ia com iussum. como quando se diz de alguém ser "doutor em Direito". de sentido unívoco. A palavra "direito". para indicar certos tributos (é o caso dos chamados direitos al fandegários ou aduaneiros. uma ordem formal. que passam a ter uma acepção nova. etc). que é o poder de exigir um comportamento ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. A linguística histórica moderna é mais consensual quanto à origem da palavra. palavras do idioma comum trazidas para o campo da ciência jurídica” Linguagem Comum Ocupação quer dizer trabalho. como cônjuge. A palavra usada pelos romanos era ius. como um conjunto complexo de normas. ordenar. seria o protoindoeuropeu. Também é o vocábulo usado mesmo incorretamente.. primeiramente..I unívoca. aquilo que é justo. significando aquilo que é bom. a quantidade de poder de julgar. Direito Real de Gozo Direito Real de Garantia Direito das Sucessões Título de Crédito Aquisição pela posse Enfiteuse Hipoteca Fideicomisso Warrant Usucapião   Às vezes. Para outros. João Bosco 4 . e outros por ela tomados de empréstimo à linguagem comum. a regra jurídica. aproximadamente no século IV. de natureza jurídica . Dessa forma. emprego ou ato de ocupar alguma coisa Competência capacidade intelectual. Quanto a esta. Por outro lado. tecnicamente. que significa vínculo (tal conteúdo semântico está presente em várias palavras da língua portuguesa. yu. é muito mais ideológica do que verdadeiramente etimológica.

2. com o Direito derivado das doutrinas dos jurisconsultos dos dois séculos que antecederam o nascimento de Cristo e dos que vieram nos dois séculos imediatamente seguintes a esse acontecimento. Conceito  Objeto apreendido e concebido pelo pensamento Conceito Científico  Implica captação e concepção da essência de algo. Muitos que rem que a Ciência do Direito tenha começado com a Jurisprudência romana. Definir um fenômeno consiste na atividade intelectual de apreender e desvendar seus elementos componentes e o nexo lógico que os mantém integrados . econômica e completa do conceito quanto à essencialidade de determinado sujeito (definido). Foi com os jurisprudentes que por primeiro as teorias jurídicas se ela boraram e também se aperfeiçoaram os métodos pelos quais se resolviam as dificuldades em matéria de Direito. "à saúde". II. O Diges to (I. no tempo e no espaço. pois surgiu muito depois de já ser este conhecido como realidade da vida em sociedade. 35) consigna. sem nada de mais nem de menos. em fragmento de Pomponio: "A ciência do Direito civil professaram-na muitas pessoas impor ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. Definição  é a delimitação.I alheio equilibrado com o próprio comportamento. do direito subjetivo. etc. definir ainda é mais difícil do que conceituar. DEFINIÇÃO DE DIREITO Direito é uma ciência social aplicada que estuda o conjunto das normas coercitivas que regulamentam as relações sociais. João Bosco 5 . Assim é que entendemos quando falamos em "direito à vida". Por ser a definição um conceito sintetizado. Na primeira hipótese trata-se do direito objetivo e na segunda.DIREITO E LEGISLAÇÃO . A Ciência do Direito não é contemporânea do apareci mento do Direito como disciplina social. As opiniões dos doutos a tal respeito variam. no qual possui de verdadeiro. a saber.

como ensina MARITAIN. por obra de Savigny. para que se veja quem e quão qualificados foram os autores deste Direito que hoje temos". não um fato natural . para tanto autorizados por uma norma jurídica anterior.DIREITO E LEGISLAÇÃO . Preocupa-se ela com a interpretação. e vól. 75. Do Direito como ciência fala Santo Tomás de Aquino na Suma Teológica . o objeto da ciência jurídica compreende o conhecimento e a elaboração racional dos dados que o direito positivo proporciona . diz ele. não porque emane do Estado. A mais simples forma do jurídico. verificadas certas condições. Savigny viria a "expor fundamentalmente as doutri nas gerais do direito romano". na prática.I tantes. A Ciência do Direito tem seu próprio campo de pesqui sas. Outra corrente de doutrinadores entende que a Escola Histórica é que deu nascimento ao Direito como ciência. a integração e a sistematização de um ordenamento jurídico determinado. no seu "Sistema do Direito Romano Atual". Suas respostas dizem respeito ao que um determinado siste ma estabeleceu como Direito Para KELSEN. como opinam outros. a norma surge. Depois. objeto formal e método exclusivos. em que se manifesta através de leis. conforme observação de Enneccerus (ob. ou. É uma ciência de normas enunciadoras. porquanto a norma está despojada de todo ingre diente metajurídico. no momento em que. Ainda conforme a Teoria Pura do Direito. se odontologizou o Direito positivo. um bem espiritual. segundo o cria dor da Teoria Pura do Direito. escrita pelo fundador daquela Escola. nota 4).. a Ciência do Direito. Se o objeto próprio. consiste naquilo que necessaria mente e em primeiro lugar é considerado pela ciência e em virtude do que ela atinge tudo o mais. o seu objeto é "o conhecimento do conjunto de normas que constituem o direito vigente ou positivo" (ANGEL LATORRE). de enunciados de variada forma. A ciência do Direito é. assumida. mas por ser criada por homens determinados. nem com o dever moral ou político. pág. é mais exatamente a história da ciência do direito roma no. devem ser-lhe penhorados e vendidos os bens para satisfazer o credor). Para COSSIO. na qual reside a nota diferen cial do jurídico. O dever ser não se confunde com o que é ou será. assim se traduz: se A é deve ser B (se o devedor não cumpre a obrigação. porém agora se tem de fazer menção daquelas que gozaram da máxima reputação no seio do povo romano. FREDERICH KARL VON SAVIG NY. constituiu-se no século pas sado. 'formando as normas jurídi cas uma pirâmide ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. mas do que deve ser. O dever ser da norma jurídica é uma categoria lógica independente. todo o Direito é um sistema de normas reguladoras do comporta mento humano. como é ou como será. pois a norma é um juízo hipotético. que hoje conhecemos. A "História do Direito Romano na Idade Média". sentenças judiciais e atos jurídicos dos indivíduos. cit. João Bosco 6 . para a sua justa apli cação (ABELARDO TORRE). não do que é. considerado o renovador das idéias ju rídicas de nosso tempo e apontado por COSSIO como o jurista por antonomásia da época contemporânea.

inclusive a dis tinção entre direito objetivo e direito subjetivo. sem os quais seria impensável qualquer ordem jurídica. objeto. o juiz pro fere a sentença. da ciência jurídica são os elementos do Direito (sujeito. isto é. coação. que o jurista terá de estudar.) e os problemas ligados a cada um deles. na medida em que está autorizado pelas normas gerais (Código Civil.DIREITO E LEGISLAÇÃO . coação. sem se desligar do Di reito positivo.I apoiada no seu vértice. examinaremos as mais significativas. sanção. aplicável portanto a todos os ordenamentos. costume. norma hipotética. de seus ingredien tes comuns e permanentes. João Bosco 7 . é de validez universal. por sua vez. num sistema jurídi co em particular. Essa norma final não é jurídica. A mesma coisa ocorre com outros conceitos necessários. chave de todo o sistema jurídico. e por isto pertencente à Filosofia do Direito. para. na medida em que estava au torizado a fazê-lo pela Constituição. etc. Assim. doutrina) e a técni ca jurídica. relação jurídica. quando diz quem é que. data ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. extrair deste estudo noções gerais que lhe permitam elaborar teorias. vértice da pirâmide. A ciência jurídica investiga todo o ordenamento jurídi co. foram feitas pelo poder competente. e ela diz respeito tanto à elaboração quanto à aplicação das normas jurídicas. pressuposto lógico de validade do sistema. tais como os de Direi to subjetivo. As normas do Código Civil e do Código de Processo. que é norma jurídica individualizada por ele criada. porque se o fosse teria de apoiar-se noutra para ter valida de jurídica.. Essa norma final ou norma fundamental é uma hipótese. as fontes do direito (lei. o objeto formal da ciência do Direito é a explicação ordenada e coerente dos preceitos ju rídicos que se acham em vigor numa época e num país de terminados. como ob serva ZORRAQUIN BECU. por exemplo) e processuais. etc. A ciência jurídica não vai além das normas jurídicas que estiveram ou estejam vigorando nos diferentes lugares. sanção. As normas jurídicas da Constituição hão de apoiar-se numa norma final. pode ser sujeito de Direito. V. assim. pois todo ordenamento jurídico tem sua técnica. O Conceito de sujeito de direito. jurisprudência. relação jurídica. a saber: Autor Definição Fonte. Os temas fundamentais.g. que diz como se criarão as normas gerais. Para GARCIA MAYNEZ. bem como o estudo dos problemas relativos à sua interpretação e aplicação. Mas a Ciência do Direito trata dele. São inumeras as definições. conceitos e construções jurídicas . a fim de compor sistematicamente uma teoria compreen siva de seus elementos universais.

corrompe-a") Immanuel Kant "o direito é o conjunto das condições segundo as quais o arbítrio de cada um pode coexistir com o — filósofo alemão. Santo Agostinho "Afastada a justiça. 533 d. o que são os reinos senão grandes bandos de ladrões? E os bandos de ladrões o que são. XIII proporção real e pessoal de um homem em relação a outro. finais do séc. no seu amplo sentido.I "Ius est ars boni et aequi" (tradução: "O direito é a Celso arte do bom e do justo". Pompónio "Ius civile sine scripto in sola prudentium interpretatione consistit" (tradução: "O ius civile é composto apenas pela interpretação dos jurisprudentes. também se poderia traduzir aequus por équo. João Bosco Hugo Grócio — jurisconsulto holandês do séc.C. 533 d. "O direito é o conjunto de normas ditadas pela razão e sugeridas pelo appetitus societatis". "Das normas ou regras estabelecidas por uns para outros homens. XVII Rudolf von Ihering — jurista alemão do séc. XIX John Austin — 1861 8 . arbítrio dos outros.DIREITO E LEGISLAÇÃO . Em vez de justo. se observada. mas esta palavra não possui equivalente no português atual. se corrompida.C. assegurada pelo Estado através da coação". quae servata societatem servat. de acordo com uma lei geral XVIII de liberdade".. Cf. IV d. corruipta corrumipit". algumas são estabelecidas por superiores políticos [. Dante Alighieri "ius est realis ac personalis hominis ad hominem proiportio.. séc. equidade). "direito é a soma das condições de existência social. no Digesto.C. (Tradução livre: "O direito é a — séc. senão pequenos reinos?" em A cidade de Deus. que. citado por Ulpiano no Digesto.] em nações independentes ou sociedades políticas ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. não está escrito"). mantém a sociedade em ordem.

e nada mais pretensioso .I independentes. de acordo com 1960 essa constituição.. de um grupo de pessoas disso especialmente incumbido.DIREITO E LEGISLAÇÃO . eficaz." R." "Um ordenamento chama-se [. em termos gerais. Radbruch Idem H." "O Direito é vontade de justiça... bem como as normas que.." "O Direito é o conjunto das normas gerais e positivas que regulam a vida social" (1878-1949) — citado por Washington de Barros Monteiro Max Weber G. Ao agregado de regras assim estabelecido [. Dworkin ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. através das instituições comuns dos tribunais e da polícia. Kelsen (o direito é uma) "ordem normativa de coerção". Teoria pura do direito.] direito quando é exteriormente garantido pela possibilidade de coerção (física ou psíquica).] é exclusivamente aplicável o termo direito. eficazes. em termos gerais." É também uma "técnica específica de organização social". "a que deve corresponder uma constituição efetivamente estabelecida e. 1977 princípio.é o que eu 1897 entendo por direito." Oliver Wendell Holmes "As profecias do que os tribunais efectivamente em The path of the law. pelo menos em seriously. farão. (o direito são) "os padrões que determinam os direitos e deveres que um governo tem o dever em Taking rights de reconhecer e fazer respeitar. foram efetivamente estabelecidas e são. através de um — 1921 comportamento. João Bosco 9 . dirigido a forçar a observância ou a punir a violação. (reportada a uma) "norma fundamental".

bem como da totalidade das normas que são estabelecidas em conformidade com esta Begriff und Geltung des constituição. Alexy . de amplitude variável. apoiado ou não pela força organizada. Luhmann António Castanheira Neves "o direito é o acto histórico do autónomo dever. considerados justiciáveis num dado grupo.em Questão de facto ser do homem convivente" questão de direito." ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. e para a resolução destes através de um discurso 1979 argumentativo. apresentam um mínimo de eficácia Rechts. 1987 N. (2) compõe-se da totalidade das normas que pertencem a uma constituição socialmente eficaz. em Curso de Introdução ao estudo do direito. que Boaventura Ensaio sobre a sociologia contribuem para a criação e prevenção de litígios Sousa Santos da retórica jurídica. e não são extremamente injustas. em O discurso e o poder." em Rechtssoziologie. Fikentscher "O Direito é justiça pensada" Methoden des Rechts. e (3) ao qual pertencem os princípios e os restantes argumentos normativos em que se apoia e/ou deve apoiar o processo de aplicação do direito para cumprir a pretensão de justeza.I (o direito é) "a estrutura de um sistema social respeitante à generalização congruente de expectativas normativas de comportamento. em termos gerais.DIREITO E LEGISLAÇÃO . João Bosco 10 R. 1967 Idem "O direito é imediatamente para o jurista a totalidade das suas soluções jurídicas positivadas". 1976 W." "O direito é um sistema de normas que (1) ergue uma pretensão de justeza. 1992 ou possibilidade de eficácia social e não são extremamente injustas. 1977 (o direito é) "o conjunto de processos regularizados e de princípios normativos.

Seguem abaixo cinco dessas correntes: • • • • • Escola de Viena: diz que o Estado é a personificação da Ordem Jurídica. frente a todos. Para Kant. e ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof.DIREITO E LEGISLAÇÃO . Escola Alemã: supremacia do Estado sobre o Direito. serão apresentadas algumas das correntes que buscaram uma explicação para esse conceito. A respeito do Direito. conjunto de condições ou obrigações jurídicas (aqui Kant revisita Ulpiano) implica ser honesto. 12/02/2011 DIREITO OBJETIVO Do latim. em suas múltiplas manifestações e de todas as atividades das instituições políticas. João Bosco 11 . não causar lesão/dano a ninguém e aderir a um Estado em que se assegure. anteparo. há três palavras-chave nesta asserção: conjunto de condições. segundo uma lei geral de liberdade. inefáveis. liberdade é a posse de um arbítrio próprio independente do de outrem. Teoria do Direito Divino: segundo a qual. por se tratar de um conceito filosófico. Tríade Fato. colocado adiante. reguladora de todas as ações do homem. Tanto o direito quanto a moral coincide em que ambos destinam-se a regular a conduta humana." Como se percebe. arbítrio e liberdade. Escola Histórica de Savigny: apresenta uma visão histórica do Direito. ou públicas. É a regra social obrigatória imposta a todos. aquilo que cada um possua. Diz-se que a moral respeita a vida interior do indivíduo e o direito a vida exterior. ob jectum. objetos aos quais as pessoas se sujeitam.I Miguel Reale " Direito é uma integração normativa de fatos segundo valores". o "Direito é o conjunto de condições pelas quais o arbítrio de um pode conciliar-se com o arbítrio do outro. algo inato e universal. que deva ser obedecido é a "Norma agendi". e diz que o Direito é natural do ser humano. É o conjunto de normas que regem o comportamento humano. é o exercício externo desse arbítrio: arbítrio é o querer consciente de que uma acção pode produzir algo. as leis humanas são de inspiração divina. em Teoria Tridimensional do Direito — Segundo Kant. prescrevendo uma sanção em caso de sua violação. quer venha sob a forma de lei ou mesmo sob a forma de um costume. Valor e Norma. Escola do Direito Natural: surgiu entre os séculos XVII e XVIII.

do brasileiro. vale dizer. a portaria e ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. Consiste a Tutela na formulação de Regras gerais e abstratas. é espécie. em tempo e espaço. entretanto. segundo Montesquieu. embora jurídicas. São normas de Direito Objetivo: a Constituição. por exemplo. o valor e a norma. embora fundado nele. a linha de pensamento que se desenvolve e. revela se o poder e faculdade outorgados às pessoas e às instituições. de qualquer ordem. p. o decreto.DIREITO E LEGISLAÇÃO .. E de tal forma. teve o grande civilista brasileiro a sua consideração de que "Leis são princípios". O Direito Quântico. Direito (conjunto de normas jurídicas. São normas de direito objetivo: a Constituição. é o conjunto dos preceitos impostos a todos os homens pelas necessidades da manutenção da ordem social. a lei. Assim. em suas Instituições de Direito Civil. permite-nos que desenvolvamos as nossas considerações. em caso de conflito. a lei. antecipando-lhes qual delas será protegida pelo Estado. aí. da conduta das pessoas em face destes. Goffredo. a considerarmos o estudioso francês. que se impõe). imediatamente. Montesquieu..regras e princípios). legou-nos ensinamento de que as leis são relações necessárias e que têm diversas naturezas que as produzem. diz que "Leis são princípios de adequação do homem à vida social". Telles Jr. jus positum: imposto. considerou ele o fato. E assim. antecipando-lhes qual delas será protegida pelo Estado. Assim. quando definiu que Leis são relações necessárias que derivam da natureza das coisas. quando Caio Mário da Silva Pereira. "a base da unidade do sistema jurídico nacional". assim denominado porque é o que provém diretamente do Estado (do lat. demonstrou que a norma (lei) tinha conteúdo inseparável. Miguel Reale. Max Limonad Ltda. as cláusulas de um contrato de locação. como oportunamente acentua Goffredo Telles Jr. 1980. O direito positivo. a circular. 6ª ed. todo direito positivo é direito objetivo. da conduta das pessoas em face destes. vem a ser também. Enfim. a portaria e outros tantos atos administrativos. abrangendo de determinada(as) categoria(s)de interesses. como sendo o fato e o valor (Filosofia do Direito-Miguel Reale). que afetem a seu patrimônio ou a sua própria existência. 385. do Estado. É o gênero pelo qual o Direito Positivo ou as normas jurídicas emanadas do Estado. para que possam defender as relações jurídicas..I particulares opõe-se ao "Direito Subjetivo" que. mas nem todo direito objetivo é direito positivo. A Filosofia do Direito lega-nos ensinamentos que nos conduzem a compreender. indagar-se-íamos se leis são princípios ou se derivam da natureza que são os seus princípios. pois não emanam.. abrangendo de determinada ou determinadas categorias de interesses. É gênero do qual o direito positivo. a circular. quando ameaçados de turbação ou turbados. as normas jurídicas emanadas do Estado. mas sim da vontade dos particulares contratantes. Jusfilósofo. Consiste a Tutela na formulação de regras gerais e abstratas. quando vemos a Teoria da Tridimensionalidade do Direito. em caso de conflito. João Bosco 12 . o decreto. não são normas de direito positivo. São Paulo.

não se aplica a ninguém em particular. Suum Cuique Tribuere. o ato será nulo. a inobservância do preceito legal gera. o impúbere não tem capacidade para vender. A norma de Direito Objetivo tem como uma de suas características ser genérica. São Paulo: Max Limonad). Regulae Ulpiani.I outros tantos atos administrativos. Tal pode conferir pelo Direito para a realização de interesses humanos é o que constitui o Direito Subjetivo como descrito no livro "Introdução ao Direito 6ª edição". 1. a fim de que haja ordem e segurança nas relações sociais. O direito. como oportunamente acentua Goffredo Telles Jr. mas apenas àqueles que. "a base da unidade do sistema jurídico nacional". O outro tipo de sanção é a punitiva. ineficaz. D. Para esse fim. no sentido de direito objetivo. Podemos catalogar dois tipos de sanção: de nulidade ou de penalidade. especificamente na página 143. As cláusulas de um contrato são normas de Direito Privado. pois visa ao restabelecimento da situação anterior à transgressão. A máxima romana. todo Direito Positivo é Direito Objetivo. tida como mandamentos do direito: Viver honestamente. assim denominado porque é o que provém diretamente do Estado (do latin jus positum: imposto que se impõe). isto é. uma outra disposição: a de estabelecer as conseqüências para o caso de transgressão da norma. Essa outra disposição da regra jurídica se chama sanção (sanctio). Enfim. tal sanção se denomina restitutiva. Goffredo. sendo pois normas individuais. Por exemplo. Os que obedecem a essas normas e desenvolvem suas atividades dentro das características culturais por elas traçadas ficam sob a proteção do seu direito. pois não derivam diretamente do Estado.10) não faz referência à característica coercitiva do "direito" (do direito objetivo). Normalmente a norma jurídica estabelece a sanção de nulidade: a tal espécie de norma as fontes romanas chamavam lei perfeita (lex perfecta. sem eficácia jurídica. a regra jurídica contém. que prevê uma pena para o transgressor. mas nem todo Direito Objetivo é Direito Positivo (Telles Jr.DIREITO E LEGISLAÇÃO . Vendendo nessas condições sua casa. sozinho. O Direito Objetivo traça as normas de conduta que todos devem observar..1). seus bens. cuja finalidade é regulamentar o comportamento humano na sociedade e sua característica essencial é a força coercitiva atribuída pela própria sociedade. O Direito Quântico. encontram nela guarida à sua pretensão. o Estado. que será. Alterum Non Laedere. O Direito Positivo. socorrendo-se do preceito que encerra. dar a cada um o que é seu e não lesar o próximo (Juris Praecepta Sunt haec: Honeste Vivere. A lex Acha ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. Por isso mesmo. além do mandamento regulamentador da conduta humana (norma agendi). como conseqüência. A força coercitiva atribuída à norma jurídica significa que a organização social. 1.. isto é. João Bosco 13 . mas sim da vontade dos particulares. interfere para que o preceito seja obedecido. Pela primeira. a invalidade do ato. vem a ser também. assim. é um preceito hipotético e abstrato. normalmente.1.

portanto que a regra de direito pode prever sanção de nulidade e. contudo. UIp. o ius gentium era um direito universal. mas os cônjuges sofriam certas restrições no campo do direito (D. partim communi omnium hominum iure utitur (Gai.C. Gai. punição. criava novas regras e modificava substancialmente as ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. A distinção baseava-se na diversidade de origem das respectivas regras. fazendo justiça com as próprias mãos. Para os juristas romanos da época clássica. exclusivamente.2) era. cf. como também aos estrangeiros em Roma. quasi ius proprium civitatis Gai. nem qualquer penalidade. declarava nulas as alforrias feitas contrariamente às suas disposições (Gai. Populus itaque Romanus partim suo proprio. de um lado.1). O antigo ius civile. também. de 17 a.. do ano 4 d. enquadram essa modalidade entre as leis perfeitas.. destinava-se. aos cidadãos romanos (Quirites): quod quisque populus ipse sibi ius constituit. comuns a todos os seres vivos.1). Por outro lado. constituíam o ius gentium: id quod apud omnes populos peraeque custoditur. que não cominava nem a nulidade do ato infringente. a distinção baseia-se na diversidade dos destinatários das respectivas regras. e ius honorarium. Este seria constituído de regras da natureza. Assim eram as disposições da lei Julia de vi privata. também denominado nas fontes como ius Quiritium. id ipsius proprium est vocaturque ius civile. O ius honorarium era o direito elaborado e introduzidopelo pretor que. declarava nulo o ato e. Por outro lado. 1. mas cominava uma punição. o direito pode ser classificado do ponto de vista histórico e sistemático. Por outro lado. Historicamente. proibiu a doação além de certo valor sem estipular sanção alguma para os transgressores. quasi quo iure omnes gentes utuntur. perdia o crédito e tinha que devolver o objeto também. proibindo o uso da força.1). também Inst. por exemplo.DIREITO E LEGISLAÇÃO . Outros. de outro. que. 1. 1. 1. Na verdade. consideradas como comuns a todos os povos e por isso aplicáveis não só aos cidadãos romanos (Quirites).2.2). aplicava penalidade: um credor que. como as relativas ao matrimônio. procriação e educação dos filhos. encontramos na codificação justinianéia outra distinção que contrapõe o ius gentium ao ius naturale (Inst. vocaturque ius gentium. mesmo no exercício de um direito. temos que distinguir o ius civile do ius gentium. em pagamento de seu crédito. introduzia novidades. baseado na razão natural (naturalis ratio.C. Também havia distinção entre o ius civile. No sentido objetivo.. além disso. concomitantemente. João Bosco 14 . em 204 a. a falta de sanção caracterizava a lei imperfeita (lex imperfecta). com base no seu imperium (poder de mando). as normas consuetudinárias romanas. 3. a lei Cincia. um objeto pertencente ao seu devedor. 1.C.. o casamento seria válido. Entende-se. 1. A lei menos que perfeita (lex minus quam perfecta. tornasse pela força.2.1. conforme as mesmas fontes romanas. a regra cuja sanção não previa a anulação dos efeitos do ato transgressor.37 e 47).1). Era o que se dava no caso do casamento de viúva antes de decorridos 10 meses da morte do marido. Por exemplo.2. que. À lei desse tipo dá-se hoje a denominação de lei mais que perfeita.I Sentia. Rcg.

D. pode-se falar de ius extraordinarium. as normas relativas ao usucapião das coisas furtadas (já conhecidas pelas XII Tábuas e reafirmadas pela lei Atinia do século II a. que era o direito elaborado na época imperial. as partes podiam excluir essa responsabilidade do vendedor. o vendedor respondia pelos defeitos da coisa vendida.. Tem que ser obedecida fielmente. Assim.I antigas do ius civile. bem como a situações específicas. o mais novo jus gentium. as partes não podem exclui-la. portanto. A distinção entre ius commune e ius singulare referia-se. nem modificá-la. João Bosco 15 . como. As partes não podiam alterar essa regra. eram as do ius honorarium. as regras que valiam somente com relação a determinadas pessoas ou grupos de pessoas. precisava-se do acordo das partes sobre a mercadoria e preço.4 . dos plebiscitos e. Assim. 1. mediante a atividade jurisdicional (quase legisferante) do imperador e de seus funcionários. do direito pretoriano.DIREITO E LEGISLAÇÃO . pois. examinando as classificações sistemáticas. Essa era uma regra dispositiva. eram do ius singulare.14. privatum quod ad singulorum utilitatem pertinet (Inst. contidas no edito. que então tinham substituído o pretor nesse mister. as regras do ius civile provinham do costume. Saraiva. na compra e venda.38): o direito público não pode ser alterado por acordo entre particulares. também. de um lado. 1992) ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. o termo ius civile abrangia não só o antigo direito quiritário. para que houvesse compra e venda. Neste sentido os romanos diziam: ius publicum privatorum pactis mutari non potest (D. mais tarde. (Marky.1. encontramos a distinção entre direito público e direito privado. por acordo expresso. Por exemplo. ed. O primeiro regula a atividade do Estado e suas relações com particulares e outros Estados.1. às regras que visavam a uma regulamentação generalizada. Assim. Ainda a respeito da divisão de regras. Por outro lado. quanto à sua origem.2). Cogente é a regra que é absoluta e cuja aplicação não pode depender da vontade das partes interessadas. exceções às regras gerais e comuns.1. Estas últimas constituíam.C. O direito privado. Outra classificação do direito objetivo se baseava na sua forma de criação. Essas regras. admitia uma autonomia de vontade dos particulares: suas regras podiam ser postas de lado ou modificadas pela vontade das partes. Curso Elementar de Direito Romano. 6ª ed. por exemplo. O direito dispositivo. Em contraposição. 1. Thomas. também dos senatus-cunsultos e constituições imperiais. Relacionada ainda com esta distinção é aquela de ius cogens e de jus dispositivum (direito cogente e direito dispositivo). nesse contexto.) eram regras do jus singulare. por sua vez. É aquela feita de acordo com as fontes do direito. aplicável a todas as pessoas e a todas as situações nela previstas (ius commune). celebrando compra e venda sem estipular o preço. por sua vez. 2. Por outro lado. trata das relações entre particulares: Publicum jus est quod ad statum rei Romanae spectat. das leis.

Assim.DIREITO E LEGISLAÇÃO .I DIREITO SUBJETIVO 15/02/2011 Direito. que é um poder de exigir determinado comportamento de outrem. a regra que responsabiliza o vendedor pelos vícios ocultos da ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. Por exemplo. cujo lado passivo é a obrigação. no sentido subjetivo. significa a facultas agendi. João Bosco 16 . o direito subjetivo é o lado ativo de uma relação jurídica. poder esse conferido pela norma jurídica.

fazemos a divisão da matéria do direito privado romano em conformidade com os conceitos da dogmática moderna. ed. 1992). Em relação ao primeiro. Já quanto ao direito potestativo. Sua característica essencial é valerem erga omnes: "contra todos". independentemente da vontade deste. contudo. Os primeiros incluem os relativos ao casamento. por sua vez. mas não tem direito nenhum contra outros. Naturalmente. para o exercer plenamente.DIREITO E LEGISLAÇÃO . produzir determinados efeitos que inevitavelmente afectam a esfera jurídica alheia. Todos devem respeitá-lo.. numa relação jurídica. na realidade. Thomas. no lado passivo. Curso Elementar de Direito Romano. Nesta definição encontramos as noções de direito subjectivo propriamente dito (stricto sensu) e a de direito potestativo. expondo-se. Os direitos reais são direitos que conferem um poder absoluto sobre as coisas do mundo externo. E. podem ser classificados. 6ª ed. ao pátrio poder e à tutela e curatela. João Bosco 17 . Os direitos obrigacionais. Por exemplo. por sua vez. positivo (acção) ou negativo (omissão). temos que. existem tão-somente entre pessoas determinadas e vinculam uma (o devedor) à outra (o credor). terá que afectar a esfera jurídica do sujeito passivo da relação. (Marky. Este dever jurídico dá a liberdade ao seu titular de não o cumprir. Os direitos subjetivos (e obrigações) patrimoniais dividem-se em dois grupos: os direitos reais e as obrigações. o sujeito activo tem um direito ao qual corresponde. Saraiva. decorrentes de relações familiares ou patrimoniais. É o poder de exigir ou pretender de outrém determinado comportamento. entre os quais pode estar o verdadeiro proprietário também. são tratadas pelo direito das sucessões. o locatário de um prédio só tem direito obrigacional contra a pessoa que o alugou a ele. Por outro lado. As relações e modificações patrimoniais decorrentes do falecimento de uma pessoa. há direitos patrimoniais relacionados com os de família ou deles decorrentes. às respectivas sanções. intimamente ligadas também ao direito de família. Os direitos subjetivos. Conforme o tipo do poder que representam e. O comportamento alheio que o titular do direito subjetivo pode exigir é o de todos. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. com essa classificação. por outro lado. não têm todos as mesmas características. o seu titular.I coisa vendida é um direito no sentido objetivo. ou de. Pode exigir dele que o deixe morar no prédio. O direito de pedir rescisão da venda pelo vicio descoberto na coisa recém-comprada é um direito subjetivo do comprador. um dever jurídico. o proprietário tem um direito real sobre o prédio em que mora. de per si ou integrado por uma autoridade pública (sentença judicial). por um acto livre de vontade. de acordo com a obrigação que geram. Em grandes linhas. que são obrigados a respeitar o exercício de seu direito (poder) absoluto sobre a coisa. os direitos subjetivos (e obrigações) são de dois tipos.

DIREITO E LEGISLAÇÃO . De qualquer modo. para as correntes não normativistas puristas (Kelsen é o exemplo supremo de normativista purista) uma referência necessariamente ao valor supremo justiça. desde a Antiguidade greco-latina. Assim. Para alguns autores (não normativistas puristas). João Bosco 18 . pelo menos. para outros. 19/03/2011 NORMA DE CONDUTA ESPÉCIE E CARACTERES A palavra norma ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. a Justiça é um elemento interno do direito (porventura conjugado com outros como a «ordem» e a «segurança» ou «certeza jurídica»). a justiça é apenas a finalidade ou uma das finalidades do direito.I Direito e justiça A definição do direito na perspectiva interna ainda inclui. pelo menos esta aproximação e/ou contraposição entre direito e justiça é feita nos mais variados contextos e. O normativismo purista recusa que haja uma relação necessariamente entre direito e justiça. pode pelo menos afirmar-se como consensual a necessidade de existência de uma estreita relação entre direito e justiça.

e aquilo que era normal num dado momento. no mundo ético. ocorre. Anormal é a qualidade daquilo que se mostra contrário às concepções admitidas num dado momento histórico. e refere-se. as diferenças entre o enunciado físico e a lei ética? Eduardo Garcia Maynez aponta várias: a) A finalidade da "lei natural" é a explicação natural de relações constantes entre fenômenos. também as verdades científicas são corroboradas ou inadmitidas com o passar do tempo. Os valores sociais não são eternos. necessariamente invariável. necessariamente. enfim. Por isso. e portanto normal. no campo da conduta humana. e a lei de Newton sua expressão científica. régua) Revela. Quais. sendo apenas fórmulas que explicam os fatos. Antes de mais nada.DIREITO E LEGISLAÇÃO . como descrito num enunciado físico. Será que o enunciado "a matéria atrai a matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias" determina que a matéria deve atrair a matéria. a tudo que. o homem não cria nada. substitua-se a expressão "lei" física pela expressão enunciado físico. então. Adverte Garcia Maynez que as "leis" da natureza não devem ser confundidas com as relações que expressam. porque de acordo com as convicções vigentes. passa a ter aceitação normaL. descrições do que neste sucede. sendo substituída por uma nova descoberta. num dado momento histórico. haverá um efeito! Já se começa a perceber. ao passo que a lei ética estabelece o que deve ser. no mundo físico. e que ocorreria mesmo que a Humanidade não existisse! No mundo físico impera o princípio dacausalidade: havendo uma causa. enquanto que a finalidade da lei ética é provocar um comportamento. portanto. a diretriz de um comportamento socialmente estabelecido. os enunciados físicos não causam nenhum fenômeno no mundo da natureza. portanto. mais apropriada. toda norma ética implica a liberdade dos sujeitos de cumpriESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. os juízos normativos têm um fim prático. João Bosco 19 . pode ruir com o passar do tempo. ocorre. Por exemplo: a gravitação universal é uma realidade. simplesmente constituem relatos. a qual. que o enunciado da natureza refere-se a tudo aquilo que necessariamente é.I base ou  significa aquilo que se adota como medida para a realização ou avaliação de algo  princípio. constata um fato que se repete e que ele não pode alterar. apenas descreve. relata. ao observar o mundo da natureza. regra. b) Os enunciados físicos subentendem a existência de relações necessárias entre os fenômenos. Os princípios científicos têm um fim teórico. anormal. o homem altera suas convicções. buscando a perfeição. por sua vez. Imprescindível notar que entre a "lei" física e a lei ética existem sensíveis diferenças. padrão  vem do latim norma (esquadro. conforme exposto? É claro que não. Por outro lado. Assim. referido enunciado apenas descreve um fato que. no mundo físico. o adjetivo normal refere-se a tudo que seja permitido ou proibido no mundo humano. que terão reflexos em nosso estudo. No mundo da natureza. necessariamente. mudam no tempo e no espaço. modelo. se faz ultrapassado. Uma convicção tida como verdadeira. no mundo da natureza. mesmo porque. também.

os juízos normativos perderiam toda significação se as pessoas cuja conduta norteiam não pudessem deixar de obedecêlos. exceções à sua validade. A norma que estabelece um dever vale por si só. Por outro lado. um contrato de compra e venda. a validez de uma norma de conduta não implica. as normas não se cumprem necessariamente. Os homens jamais poderiam formular mandamentos para os fenômenos da natureza. sem embargo de que a violação permanente. que age por intermédio de seus órgãos competentes. Para que uma "lei" física seja válida é preciso que os fatos que ela descreve se confirmem. Quanto às normas de aperfeiçoamento são aquelas que buscam. quando as relações a que seu enunciado se refere ocorram realmente. Por isso. subversiva. Apenas as normas do mundo ético são mandamentos. necessariamente. pois elas se mostram contrárias às normas de Direito positivo. Goffredo Telles Júnior. o mundo das normas jurídicas. As "leis" físicas. mas da índole das pessoas às quais se destinam. João Bosco 20 . Entretanto. c) Uma "lei" física somente é válida quando é verdadeira. portanto. há que fazer uma distinção importante: nem todas as normas de conduta têm a mesma natureza. que a natureza da norma jurídica é a de uma norma de garantia e. agora. As "normas" que regem uma quadrilha de assaltantes ou uma organização guerrilheira. Feitas estas colocações.DIREITO E LEGISLAÇÃO . Goffredo Telles Júnior divide as normas em normas de garantia e normas de aperfeiçoamento. dirigem. Eis por que assim deve ser definida a norma jurídica: preceito obrigatório imposto ou reconhecido como tal pelo Estado. reconhecida pelo Estado. são normas tão-somente no âmbito interno de tais organizações. As normas de garantia seriam aquelas destinadas a conferir ao grupo social a forma condizente com sua razão de ser. As normas indicam o comportamento considerado normal dentro de um sistema de referência. sancionada. As exceções à positividade da norma não são. Nenhum grupo social deixará de existir apenas pelo fato de tais normas não serem cumpridas. Na verdade. Exemplos de normas de aperfeiçoamento: "Praticarás a caridade!". indefinida. ao passo que o mundo ético é o mundo do dever ser. não serão válidas se a experiência não as confirmar. ou o fruto da vontade pactual dos ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. isto é. A norma jurídica é um ato de poder do Estado. pois estes independem da vontade humana para a sua realização. Partindo desta colocação do Prof. desde logo. a sua efetividade. pode levar à desagregação social. consagrada. "Amarás teu próximo como a ti mesmo!". tão-somente. é mero mandamento. de tais normas. portanto. percebe-se. Pois bem. Seriam as normas garantidoras da ordem necessária à realização dos objetivos sociais. o estatuto de uma sociedade. adentremos. esquadro. Toda norma de conduta é um mandamento. indicam um caminho a seguir. É evidente que a obediência às normas de aperfeiçoamento não é imprescindível à conservação da sociedade.I la ou não. a prescrição anormal de uma conduta não é norma. mas nem todo mandamento é norma. Exemplos de normas de garantia: o Código Civil. até mesmo quanto ao procedimento que a infringir. é muito significativa a etimologia da palavra norma: régua. O Prof. grupo este já ordenado pelas normas de garantia. entretanto. Diferentemente das "leis" naturais (enunciados físicos). aperfeiçoar a comunhão humana de um grupo social. O mundo da natureza é o mundo daquilo que é. Tal característica não deriva das próprias normas.

vale dizer. fica obrigado a reparar o dano". é imperativa. Perdido numa ilha. A vontade do Estado prevalece.I particulares. 2) Generalidade: A generalidade implica dizer que a norma jurídica é abstrata. O Direito convém ao homem enquanto ser social. jurista romano do século III da Era Cristã. todos da CF. a heteronomia é a característica da norma jurídica que esclarece ser esta imponível à vontade do destinatário. a liberdade de contratar. uma série infinita de casos enquadráveis num tipo abstrato. negligência ou imprudência. A norma jurídica coloca frente a frente pelo menos dois sujeitos. genericamente. Certas normas.Pessoas Naturais . quando este age por intermédio de seus órgãos. 30. o náufrago não tem direitos nem deveres. entretanto. por si só. a fim de se evitar que o juiz tenha que analisar.DIREITO E LEGISLAÇÃO . e isto. nas sociedades evoluídas a norma jurídica é abstrata. devidamente reconhecido pelo Estado. somente ela possui. aplicando-se a todas as pessoas que se possam achar na mesma situação. surgir da vontade dos particulares. as características da norma jurídica? Apontam-se. um estatuto social reconhecido pelo Estado. nos casos dos arts. o Legislativo fixou uma média entre aqueles que alcançam plena capacidade natural antes mesmo dos 21 anos de idade. 22.. 3) Bilateralidade ou alteridade: As normas jurídicas são bilaterais. 48. portanto. cujo cumprimento não é obrigatório. Esta característica vem a ser a possibilidade de a norma ter seu cumprimento exigido obrigatoriamente. a todo momento. Exemplos: a norma jurídica pode resultar da vontade do próprio Estado. valendo. que implica a possibilidade do emprego da coerção. 5º. se preciso com o emprego da força. A norma jurídica é. a torna diversa de outras normas de conduta. I. Daí a expressão alteridade. João Bosco 21 . É evidente o que foi dito se compararmos estas duas normas: "Devemos praticar a caridade!" e "Aquele que. a capacidade das pessoas. definia a lei como "um preceito genérico": lex est generale praeceptum. Quais seriam. sendo uma questão de foro íntimo de cada pessoa. Já se percebe que a norma jurídica é dotada de uma característica que lhe é essencial. caso por caso e de acordo com seu arbítrio. do latim alter. contudo. causar prejuízo a outrem. Personalidade e Capacidade . no âmbito da legalidade. pois regulam a conduta de um ou mais sujeitos em relação à conduta de outro ou de outros sujeitos. que prevê e agrupa vários casos. cada tipo abstrato. sobre a vontade ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. um regulamento de condomínio. chama-se coercibilidade. Tomemos como exemplo o Art. 4) Heteronomia: Do grego heteros (diverso) + nomos (regra). § 3º. p. ex. e aqueles cuja capacidade natural possa ser deficiente mesmo depois de alcançados seus 21 anos. por ação ou omissão voluntária. As normas jurídicas imperam mais do que as normas puramente éticas ou morais. O estabelecimento de tal média é necessário. hipoteticamente. contudo. 25. imperam mais do que as outras. as principais: 1) Imperatividade: Toda norma de conduta é um mandamento e. um preceito obrigatório. 60. 5º. Papiniano. Tal característica. portanto. um contrato de locação elaborado com estrita observância da lei do inquilinato etc. indistintamente. para todas as relações da mesma espécie.Código Civil – CC/2002. Com isto. XLIII. sem fixar. outro. entre tantas. 61 e 62. Enquanto nas sociedades pouco evoluídas impera uma regulamentação meramente casuística.Pessoas . porque isolado da sociedade. Pode. ela prevê e regula.

imposta por um ordenamento jurídico. a coerção. a chancela do Estado.245-1991 (Lei do Inquilinato). no segundo. na condução forçada reside a coerção. ou seja. o emprego da violência autorizado pelo próprio Estado. reconhecida pelo Estado. reconhecido pela ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. no período ". 65. é o Art. enfim.. o que implica dizer que seu cumprimento pode ser efetivado até mesmo com o emprego da violência! O descumprimento de uma norma jurídica de conduta pode ensejar a coerção contra o infrator. empregando a força.. contida nos dizeres de uma norma. a obrigatoriedade. temos. seria imoral. a coação ou pressão psicológica. À pressão psicológica (vis compulsiva). é imposta à sociedade (daí a expressão direito positivo!). se necessário com o emprego de força. posso dizer que tenho uma prerrogativa legal chamada direito subjetivo. Na intimação reside a coação (pressão psicológica). praticado à força. Enquanto a norma moral dirige-se de dentro para fora. Enquanto a norma moral é autônoma (do grego autos.210. será ilícito. necessariamente.Direito das Coisas . Será lícito se a norma jurídica autorizar o exercício dessa faculdade. se necessário. João Bosco 22 . Ela desfruta. evidentemente. cuja característica é a coercitividade.Posse . então. 412. O ato moral só é válido quando praticado por livre e espontânea vontade." temos. ao tratar do processo de execução. Eu posso exercer coerção contra uma pessoa se. Eu posso. Acontece que o exercício dessa faculdade poderá ser ou não ser lícito. perfeitamente autorizada pela lei.. Um exemplo do CPP..I individual. No período ". ela exige liberdade de assentimento para a realização de seu imperativo. quando esta se harmoniza com a lei. Quando a norma jurídica reconhece minha pretensão. a coerção (Art. a legítima defesa. regra). Como dispõe o Art.. de coercibilidade." temos a coerção ou emprego de força. Ela é impositiva. por si só + nomos. 1. 579 do CPC..DIREITO E LEGISLAÇÃO . pelo contrário. o homem se auto-impõe um procedimento sem que sua vontade seja dirigida. trata-se de um comando irresistível a ser cumprido à força. caput da Lei nº8. Como esclarece magistralmente o Prof. no caso desta ser esbulhada.. como algo inerente à própria potencialidade do ser humano. O que é um direito subjetivo? É uma prerrogativa de agir na defesa de um interesse. Cremos não ser mais necessário nenhum exemplo para demonstrar o real significado de coação e coerção. toda pessoa tem a faculdade de exercer coação ou coerção sobre outra pessoa. Na defesa de meu interesse. se segue a imposição da força (vis corporalis ou materialis). isto é. É a autorização dada pela norma jurídica para a defesa de um interesse. for agredido. recuperar ou manter minha posse. segundo o Prof. § 1º. 218. o seu cumprimento é obrigatório. Goffredo Telles Júnior. A norma jurídica não leva em conta a convicção ou assentimento de seus destinatários. a norma jurídica é heterônoma. Tal faculdade independe da norma jurídica. E ainda o CPC dispõe no Art. Efeitos da Posse . No primeiro caso temos a coação. a norma jurídica é heterônoma. 5) Coercibilidade: A norma jurídica tem. seu cumprimento é livre pelo destinatário.Código Civil – CC/2002). por esta.. ela existe por si só. no caso. isto é. findo o prazo assinado para a desocupação. também. Como exemplos temos o Art. se não autorizar. Goffredo Telles Júnior. isto é. A norma moral não se opõe à vontade individual.

DIREITO E LEGISLAÇÃO - I norma jurídica, eu posso, portanto, chegar a invocar o próprio Estado, e junto a este,o próprio emprego da coerção. A todo o direito corresponde uma ação que o assegura, diz o Art. 75 do CC/1919. Que direito é este? É o próprio direito subjetivo. Adverte Clóvis Beviláqua que: "A declaração do Código Civil tem a utilidade prática de tornar certo que todo aquele, a quem a lei reconhece um direito, pelo mesmo fato, lhe reconhece a faculdade de reclamar a intervenção do Poder Judiciário para defender o direito ameaçado ou restaurar o violado. Não há direito sem ação". Não se disse nada, ainda, a respeito de sanção. Toda norma jurídica pressupõe uma conseqüência, um efeito, pelo seu cumprimento ou descumprimento. Quando alguém cumpre a norma, recebe um efeito favorável, qual seja, a desobrigação de um compromisso. Por vezes, a norma até estabelece um prêmio, uma compensação vantajosa, pelo seu cumprimento. É o caso da sanção premial, que pode ser demonstrada no seguinte exemplo: "Aqueles que recolherem o imposto X, dentro do prazo Y, terão direito a um abatimento Z". Sanção não é apenas castigo, pena, represália e, portanto, deve ser definida: "Sanção é a conseqüência, favorável ou desfavorável, proveniente do cumprimento ou da transgressão de uma norma". O termo sanção vem do latim sanctione, isto é, santificar, respeitar a lei (sanctio legis). A sanção, enfim, é a consagração de uma norma pela coletividade. Podem as sanções ser de várias espécies, resumidas a quatro: a) sanções místicas, b) sanções éticas, c) sanções satíricas, d) sanções jurídicas. As sanções místicas são os castigos oriundos da desobediência nos imperativos relacionados com a religião, acarretando a necessidade da expiação dos pecados pelo infrator. As sanções éticas referem-se a infrações dos hábitos sociais, sujeitando o agente a sofrer o remorso, o arrependimento ou a reprovação da opinião pública. As sanções satíricas constituem a conseqüência, a reprovação social de certos procedimentos que acarretam o ridículo para o agente, por exemplo, a vaia, o riso, a pilhéria. As sanções jurídicas são aquelas realmente disciplinadas pelo Direito e, portanto, pelo próprio Estado. Desnecessário insistir que suas conseqüências são muito mais graves. Norma Jurídica Atípica Norma jurídica elaborada sem a participação dos órgãos públicos dotados de competência legislativa. Dividem-se em normas jurídicas atípicas primárias e normas jurídicas atípicas secundárias. São exemplos das primeiras os contratos coletivos de trabalho e as sentenças normativas dos tribunais trabalhistas; das segundas, são exemplos os contratos individuais e as sentenças individuais. São as normas concretas, a que se refere Hans Kelsen, estabelecidas "para regular a conduta recíproca, estatuindo um certo comportamento mútuo". Norma Jurídica Coercitiva Também denominada jus cogens ou norma imperativa, a norma jurídica coercitiva é aquela que estabelece uma ação ou omissão indisponível, de cumprimento obrigatório
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DIREITO E LEGISLAÇÃO - I conforme o dispositivo legal de forma que as partes envolvidas na relação jurídica não na podem alterar. A norma jurídica coercitiva limita, portanto, a autonomia da vontade individual, sendo taxativa. A norma coercitiva divide-se em várias espécies: proibitivas, preceptivas, taxativas e ab-rogatórias Norma Jurídica Dispositiva A norma dispositiva, também chamada facultativa, é aquela que se limita a declarar direitos, autorizar condutas ou atuar em casos duvidosos ou omissos. É a norma que Paulino Jacques denomina paracoercitiva ou jus dispositivum, cuja invocação é optativa. Enquanto as normas coercitivas dividem-se em proibitivas, preceptivas, taxativas e abrogativas, as normas dispositivas são, simplesmente, declarativas, permissivas, interpretativas e supletivas Norma Jurídica Imperfeita Norma que não invalida o ato viciado nem comina sanção desfavorável ao seu transgressor, por razões de natureza social. O Art. 1.551, Invalidade do Casamento Casamento - Direito Pessoal - Direito de Família - Código Civil - CC – Lei nº. 10.406/2002 ilustra bem tal conceito. Embora o contraente assuma o matrimônio em idade legalmente imprópria para o casamento, este não será invalidado, nem será cominada sanção, se resulta gravidez da união. A razão é óbvia: proteger o nascituro. Norma Jurídica Menos do Que Perfeita Norma que não invalida o ato viciado, mas impõe uma sanção ao agente transgressor. Embora este seja punido, a sanção é relativamente branda, porque a eficácia do ato permanece. Exemplo: Art. 225 do CC-Antigo. Como se observa, o casamento é preservado, mas o contraente perde o direito referido no artigo. Norma Jurídica Perfeita Norma cuja sanção é rigorosamente proporcional ao seu cumprimento (sanção premial) ou descumprimento. Se um ato jurídico transgride as formalidades e requisitos intrínsecos exigidos pela lei, a norma denominada perfeita impede que ele produza efeitos. Norma Penal em Branco Norma cujo preceito é complementado por outra norma. Embora a sanção que ela impõe seja precisa, esta somente será aplicada quando transgredida a norma complementadora. A pena é cominada à transgressão de uma norma ter vigência no futuro Coercibilidade da Norma Jurídica Do latim coercitio, coerção.
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DIREITO E LEGISLAÇÃO - I Ao contrário da norma moral stricto sensu, a norma jurídica autoriza o exercício de uma pretensão. Referida autorização compreende não só a coação, dirigindo-se à vontade, exercendo constrangimento sobre a consciência daquele que infringiu a norma, e então, falamos da vis compulsiva, como também a coerção, isto é, o emprego da força física pelo próprio Estado, caso em que surge a vis corporalis. A norma apresenta uma sanção, que é um de seus elementos estruturais; esta sanção será aplicada mediante coação ou mediante coerção. A norma jurídica é a célula do ordenamento jurídico (corpo sistematizado de regras de conduta, caracterizadas pela coercitividade e imperatividade). É um imperativo de conduta, que coage os sujeitos a se comportarem da forma por ela esperada e desejada. A norma jurídica apresenta-se dividida em duas partes: Suporte fático ou conduta: que é o conjunto de elementos de fato previstos abstratamente na norma, cuja ocorrência é imprescindível à incidência da regra jurídica no caso concreto; Conseqüência jurídica ou sanção: que estabelece a vantagem (direito subjetivo) a ser conferida a um dos sujeitos da relação, e a desvantagem correlata (dever jurídico) a ser suportada pelo outro, ou outros, sujeitos dessa mesma relação.

Não é toda norma - jurídica ou não - que implica em uma conduta e uma sanção. Há normas que têm como função orientar ou dificultar certos atos, sem sentido estritamente normativo. Como faz o Código Civil ao definir a classificação das coisas.

No entanto, o tipo de sanção é diverso. E o que distingue as normas jurídicas das demais normas (morais, religiosas e de controle social - este último grupo é motivo de controvérsia na doutrina) é a sua cogência, isto é, a sua obrigatoriedade. O cumprimento da norma jurídica é imposta pelo Estado. As demais normas produzem sanções difusas, isto é, pela própria sociedade. Exemplo: o descumprimento de uma lei pode resultar em prisão ou multa impostas pelo Estado. O descumprimento de uma norma moral, como a solidariedade, pode resultar em má reputação, na comunidade, do agente que o causa por ação ou omissão, mas o Estado não impõe sua observância.

Estruturalmente: Se A + B + C, então Cj:, onde A, B e C são os elementos de fato, A + B + C é o suporte fático (conjunto dos elementos de fato) e, Cj, a conseqüência jurídica. Ou graficamente:
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Nj . Va = Valor agregado: É o valor que agente agrega as coisas.Norma jurídica: São condutas estabelecidas para todos. 21/02/2011 RAMOS DO DIREITO 1. A importância das coisas para a sociedade. você é sancionado. Fruto da convivência humana.DIREITO E LEGISLAÇÃO . ou de pessoa para pessoa.C . Ft = Fato temporal: São fatos sociais reproduzidos no tempo. João Bosco 26 . Introdução ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. P / Fs + Va => Nj -> Ft = D -\ Ñp .I Aparecimento do fenômeno jurídico demonstrado através do Diagrama da Norma Jurídica. Tudo que ocorre na sociedade. D = Direito: Orienta condutas. P = Prestação: A aceitação da norma. C = Coerção: É o uso da força pelo direito.S Fs = Fato social: Tudo que o homem faz e extereoriza. Transgredir. Se você não cumpre a conduta. S = Sanção: É a punição. O apoio. Ñp = Não prestação A não aceitação da norma.

(O direito público é o que respeita à organização do Estado romano. há que se dizer que existem correntes na atualidade que chegam mesmo a questionar a validade da bipartição.): Todavia.DIREITO E LEGISLAÇÃO . do jurisconsulto Ulpiano (Inst.1. Os ramos do direito são normalmente agrupados ou no direito público ou no direito privado.I A ordem jurídica é unitária. pode traçar-se a seguinte divisão: 2.4 . Publicum ius est quod ad statum rei Romanae spectat. e Critério da posição dos sujeitos: ius imperii (poder de império) e paridade entre os sujeitos da relação jurídica. 1. o privado é o que concerne à utilidade dos particulares. privatum quod ad singulorum utilitatem pertinet.D.1. mas para estudá-la são demarcados ramos.2. Os três mais difundidos são: • • • Critério do interesse: predominância do interesse público ou do interesse privado. Quadro Geral Público Internacional Privado 27 ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. A distinção entre público e privado vem de Roma.1. João Bosco . que se valia de uma análise do conteúdo do interesse tutelado (interesse privado ou público) para categorizar um ramo como público ou privado. 1.) Há diversos critérios para diferenciar regras de direito público e de direito privado. Ainda que nem todas as regras de determinada categoria sejam classificáveis como de direito público ou privado. Critério da qualidade dos sujeitos: intervenção do Estado ou de outros entes públicos na relação jurídica.

DIREITO E LEGISLAÇÃO . "não lesar a outrem". oficializadas pela inteligência governante de conformidade com o sistema ético de referência da ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. é um direito espontâneo. Direito Natural é aquele que se compõe de princípios inerentes à própria essência humanas. "as leis da natureza". não por um conjunto de preceitos paralelos ao Direito positivo. pois. etc. "respeitar a personalidade do próximo". por tratar do interesse de particulares mas sob a intervenção do Estado. é um conjunto de normas jurídicas promulgadas. não é criado pela sociedade. É constituído pelos princípios que servem de fundamento ao Direito Positivo é constituído. revela ao legislador os princípios fundamentais de proteção ao homem. que forçosamente deverão ser consagrados pela legislação. João Bosco 28 . seu caráter é universal. comuns a todos os homens o direito natural não pode ser afetado por qualquer lei. mas pelos princípios fundamentais do Direito Positivo os princípios que constituem o Direito Natural são entre outros: "o bem deve ser feito".. ou que regem as relações do homem na sociedade civil. e não de regras. o Direito do Trabalho é um direito “misto”.I D I R E I T O 1. eterno e imutável e pertencem a todos os tempos... isto é. independe de ato de vontade por refletir exigências sociais de natureza humana. por determinado povo. 3. a fim de que se tenha um ordenamento jurídico substancialmente justo o Direito Natural não é escrito. não são elaborados pelos homens e emanam de uma vontade superior porque pertencem à própria natureza humana. POSITIVO Constitucional Administrativo Penal Financeiro Processual Trabalhista (*) Civil Comercial 2. nem é formulado pelo Estado como o adjetivo natural indica. "dar a cada um o que é seu". NATURAL Público Nacional Privado (*) Para alguns doutrinadores. DIREITO POSITIVO E DIREITO NATURAL O Direito Positivo é o conjunto de normas reconhecidas e efetivamente observadas na época. que se origina da própria natureza social do homem que é revelado pela conjugação da experiência e razão é constituído por um conjunto de princípios. "o direito de reproduzir" "o direito de constituir família" "direito à vida e à liberdade".

os direitos adquiridos. competindo ao Estado tão-somente tutelar tais prerrogativas naturais. separaram-se Direito e Teologia. Tal doutrina foi combatida por Dante Alighieri (teoria dos dois Sóis) e por Marsílio de Pádua (independência do Estado perante a Igreja). portanto. sendo natural. qual seja. à igualdade e à propriedade. todos os homens possuem. criada pelo homem conforme os preceitos da lei natural. Thomas Hobbes e Samuel Pufendorf. normas postas. Já entre os gregos antigos a idéia de um direito natural. a lex naturalis. colocado acima da lei positiva. e. Enquanto o direito positivo integra a lei humana. quod natura omnia animalia docuit" (Inst. 1. et gent. Rousseau acredita que o homem surge num estado de liberdade absoluta. no qual. elaboraria a moderna concepção de Estado de Direito liberal-burguês. sugere a hipótese da passagem de um estado de natureza. por natureza. em O Contrato Social. tomados isoladamente. detidamente. a felicidade seria absoluta. 1 § 3 D. Montesquieu. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. O adjetivo natural. chamado estado de natureza. bem como o direito natural do direito positivo. 2. Montesquieu examinou. no seio do povo. ao segundo. aplicado a um conjunto de normas. o de preceitos de convivência criados pela própria Natureza e que. que. Em sua obra portentosa O Espírito das Leis. 1. Em face desta estreita dependência entre a lei positiva e a lei divina. esta manda quando quer. Na Idade Média. justificando-as à luz das circunstâncias sociais e até ambientais que as teriam originado. as leis e as instituições dos povos. cristalizada na "teocracia" de Bonifácio VIII. mas em toda parte está aprisionado!" Vejamos: como Locke. No século XVII firma-se a escola do direito natural fundada num racionalismo eminentemente abstrato. ambos de grande significado para a Revolução Francesa. quando em liberdade absoluta. o homem perde tal liberdade e se corrompe. a natureza impôs aos homens. ". surgiu a supremacia da Igreja sobre o Estado. que tem raízes. No séc. identificando ao primeiro os direitos inatos ao homem e. 1. Ao surgir a vida em sociedade.. basta a todos e as supera". já evidencia o sentido da expressão. enquanto Rousseau. Diz ele: "O homem nasce livre.I coletividade em que vigora o Direito Natural é o direito legítimo. a divina. para um estágio societário. transparece na incisiva síntese de Heráclito de Éfeso: "Todas as leis humanas se alimentam de uma. que brota da própria vida. os direitos inerentes à liberdade. et iure). simplesmente. o direito natural seria. também.. Já Pufendorf distingue o Direito da Teologia. et civ. a existência de um poder férreo que minimize esta tendência deletéria. a lex humana. e para novas concepções sobre o direito natural. impostas pelo Estado (jus positum). que nasce. inserida por Deus no coração do homem e feita sob medida para a natureza deste. Segundo John Locke. precederiam a lei escrita ou direito positivo. que governa o mundo. partindo dos fundamentos do Direito. João Bosco 29 .DIREITO E LEGISLAÇÃO . e Jean-Jacques Rousseau. Para Hobbes.. Com o Renascimento e a Reforma. de liberdade natural. de jure nat. Santo Tomás de Aquino distinguia três espécies de leis: a lex aeterna ou razão divina. na cristalina proposição de Ulpiano. XVIII destacam-se Charles Secondat (Barão de Montesquieu) ou. I. Nesta linha de pensamento destacam-se John Locke. finalmente. portanto. e nisto fundamentou-se Hugo Grócio para construir uma doutrina de direito natural fundada na razão humana. de iust. um estado de natureza em que a agressividade seria a tônica: homo homini lupus (o homem é lobo do próprio homem). qual seja.

DIREITO E LEGISLAÇÃO . imposto pela força bruta. Grande. é um bom selvagem. sua natureza é sadia. 26/02/2011 4. negando a existência do direito natural. diz ele. Perdida a liberdade natural. porque legítimo. para a qual o direito positivo deve estar a salvo de qualquer juízo de valor. ideal maior do Estado. a influência de Rousseau na formulação da "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão". O individualismo rousseauniano reduz. diz ele. mas a sociedade o corrompe. Curiosa e muito bem posta é a colocação do Prof. acatado espontaneamente. Goffredo Telles Jr.I Tais idéias de Rousseau encontram-se bem expostas em seus livros O Contrato Social. fruto da vontade e não de uma inclinação natural. como qualquer outro. O Estado só é legítimo. mas natural. resta evidente que não é um direito artificial. A própria família somente se mantém unida em razão de laços contratuais. Passa a liberdade. portanto. e a própria sociedade nada mais é do que o objeto de um contrato. a restauração do caráter do homem se faz com a liberdade civil. então. em especial a liberdade. Direito natural. a respeito do direito natural. tendo à frente o neopositivista Hans Kelsen. é a liberdade dos bons tempos que o faz bondoso. criador da célebre doutrina pura do direito. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO E PRIVADO Direito Internacional Público ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. Discurso sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens e Nova Heloísa. continua a doutrina de Rousseau. Daí. Modernamente. pode ser rescindido ou resilido pelas partes. então. surge a Escola de Viena. quando protege os direitos naturais do homem. a ser um fim em si mesma. Se o direito positivo corresponde àquilo que a comunidade deseja. João Bosco 30 . a sociedade política conveniente é aquela que garante a mais ampla autonomia individual. conjunto de bens soberanos de uma determinada sociedade. o casamento a um contrato que. o divórcio. portanto. é o direito positivo consentâneo com a moral social. Ora. O homem.

limitação de direito e deveres dos Estados. após os Tratados de Westphalia (1). João Bosco 31 . os representantes diplomáticos negociadores etc. b) Soberania Limitada . todas essa idéias de ralações entre os povos foram incorporadas às estruturas do Direito e. As exceções eram as relações de comércio. formulou a idéia de liberdade positiva. surgiu em meados do séculos XVII.DIREITO E LEGISLAÇÃO . Estes foram pautados pelas reflexões de Hugo Grossius: a) Os Estados são responsáveis pelos acordos que assinam. mais tarde. Esses princípios irão fundar o próprio Direito Internacional e permanecem até hoje. difundidas. Em Roma. c) Positivação das Normas do Direito Internacional.I 1. respeitando a soberania de cada um. São Tomás de Aquino. especialmente as que existiam entre os povos babilônicos. c) Soluções pacíficas de controvérsias internacionais através de laudos arbitrais. Realidade Internacional . d) Proliferação das Organizações Internacionais . O estoicismo guardava claros princípios de cosmopolitismo. na fase áurea do Império. defendendo a possibilidade filosófica da coexistência pacífica entre os povos de nacionalidades diferentes. Definição ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. desconhecido na Antigüidade. As relações entre os Estados somente irão surgir após a criação das cidades-estado gregas. Este diferia da liberdade negativa proposta pelo Estoicismo grego. d) Convivência pacífica entre os Estados. A clara noção de Estado. através do Cristianismo.1. Essa difusão. 2. O conceito tomista de escolha pressupunha o de responsabilidade. 1. É na Antigüidade grega que surgem os primeiros institutos do Direito Internacional: o asilo. b) Cada Estado pode agir de qualquer forma desde que não lese outro.decorrente da vontade soberana dos Estados. Histórico Na Antigüidade Pré-Clássica as relações entre os povos eram ligadas aos conflitos oriundos da guerra e da paz. com seu conceito de escolha. e) Respeito à religião e às casas dinásticas de cada Estado. A maior contribuição gregas ao direito Internacional foi no campo filosófico. semelhante à que temos hoje. associada aos princípios do Direito Natural.Séculos XIX e XX Os dois séculos guardam grandes diferenças do ponto de vista do Direito Internacional: a) Multiplicidade de Estados. marcou toda a Idade Média.

é mais aberto e mais amplo. d) Critério da Validade Espacial .por oposição ao direito processual internacional. De acordo com as áreas pode ser classificado: a) Direito Internacional Administrativo .aceitação pela razão.projeção extraterritorial das normas penais nacionais. Organizações internacionais e seus funcionários (Tribunal de Genebra). c) Critério do Conteúdo . Tribunal Penal Internacional: seu estatuto estabelece os crimes contra a humanidade. Assim. c) Direito Substantivo Internacional . seria o direito dos Estados. 3. destruição do patrimônio histórico. Direito Internacional Penal: convenções e tratados que tipificam crimes entre todos os Estados que convencionaram. pirataria aérea.ao alcance das normas. b) Critério Técnico-Processual . Assim seria “aquele que nasce dos Estados” (Hans Kelsen). as relações internacionais não são tão complexas assim.I A definição de Direito Internacional Público pode se dar a partir de vários critérios: a) Critério Pessoal . b) Direito Penal Internacional . Coíbe: escravidão e tráfico de mulheres.1. as organizações internacionais. Direito da Guerra X Direito da Paz ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. Tribunal administrativo das Nações Unidas. Direito substantivo: consolidação dos princípios utilizados. João Bosco 32 . Direito de Asilo e extradições. Assim. elaboram e aplicam o direito. 3. por exemplo.diz respeito à elaboração das normas de Direito Internacional. Classificação Teórico x Positivo ou Prático Natural . Prático .DIREITO E LEGISLAÇÃO . seriam matéria da Direito Internacional aqueles temas que dizem respeito a mais de um Estado.normas que proliferam na natureza. Contudo.crescimento e especialização do Direito Internacional. o silêncio pode gerar efeitos nas esfera internacional.costumes internacionais que independem da positivação. Seria o conjunto de normas jurídicas materiais cujo âmbito de validade ultrapasse o território de um Estado. nessa definição. Teórico Racional . (Direito Processual . não dependendo somente da vontade.normas procedimentais). Contudo. ficam fora. Positivo . Segundo a professora Elizabeth de Almeida Meireles esse último seria o critério mais aceito e válido.em função dos sujeitos que atuam.escrito com normas definidas.

I O Direito da Paz é a normalidade das relações entre os Estados. da vida dos Estados.um Estado se compromete a tomar determinadas atitudes em função de certos acontecimentos.DIREITO E LEGISLAÇÃO . sendo assim tratados como um tipo de fonte do Direito Internacional. Não geram grande conseqüência internacionais. e c) que não criem obrigações para terceiros. pois é a forma como se exteriorizam. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. É um conjunto de regras que regem os estados em épocas de normalidade de relações.Promessas . É um fato. Estes atos geram conseqüências internacionais. 4. nascidos da vontade de apenas um Estado. b) manifestação autônoma.2. 4. Podemos chamá-los a grosso modo de notificações. não ligada a qualquer outro Estado.3. O Direito da Guerra pode ser: a) Restabelecimento da situação anterior que tenha sido perturbada. João Bosco 33 . que ai sim podem gerar alguma conseqüência. 3. contidos em um documento. Atos Jurídicos Internacionais Fatos jurídicos internacionais vão ocorrer no mundo fático da comunidade internacional se que qualquer Estado tenha praticado um ato jurídico. II . I . A guerra não é um ato jurídico ou anti-jurídico. Direito Internacional Geral X Direito do Desenvolvimento Desenvolvimento: não se pode tratar de forma igual os desiguais. São atos que surgem independentemente dos sujeitos internacionais (rios que fazem fronteiras. Os Atos Jurídicos Internacionais classificam-se em: a) Formais . Atos Jurídicos Unilaterais Os atos podem ser Atos Jurídicos Unilaterais.são atos escritos. Os Atos Jurídicos Internacionais possuem três elementos: a) Manifestação de vontade de um único sujeito internacional. que não podem ser objeto de questionamento. Direito Internacional Geral X Regional Normas comunitárias na União Européia (disciplina autônoma) 3. obrigando apenas aquele Estado que o pratica Têm repercussões e estão incluídos como fontes pelo Artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça.podem ser originados por vários atos ou causas. satélites artificiais que caem no território de outro etc). ajurídico. ou Externos. b) Amenização dos efeitos cruéis da guerra sobre os combatentes e sobre as populações civis. Eles podem ser de dois tipos: Internos. elementos geográficos.1.Protestos .

Não é cogente. regido por normas de Direito Internacional. d) Acordos . plurilaterais ou multilaterais (classificação discutida. de caráter ético. c) Pacto . apenas direitos para terceiros. João Bosco 34 . 4. os bilaterais não o exigem. Tratam de questões específicas e complementares. i) Concordata . apenas fixa princípios.cria obrigações para aquele que de veria se manifestar e não o fez. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. mas sem muita função prática). f) Troca de Notas .ajustes entre pessoas internacionais. Tratado e Convenção não têm diferenças técnicas ou jurídicas.os atos podem ser bilaterais. ou plurilaterais exigem “depósito” na ONU. IV .instrumentos que resumem conferências internacionais. visando divulgar suas conclusões.DIREITO E LEGISLAÇÃO .é o acordo internacional celebrado por escrito.I III .podem adotar princípios de Declarações. podendo ser bilaterais ou multilaterais.Renúncia . É uma presunção jurídica típica do Direito Internacional. Também pode ser uma declaração de princípios celebrada entre dois ou mais estados. Esses atos podem ser lícitos ou ilícitos. Tem um nome próprio. Objetiva. entre estados.a doutrina americana aceita que tenha apenas efeito declaratório.3. geralmente levando o nome do local onde foi celebrado. não obrigatório. estão excluídos os tratados celebrados com organizações internacionais. Os tratados multilaterais.instrumentos secundários e adicionais.tratados e convenções como outros quaisquer. o Estado responde por eles. h) Cartas .o Estado abre mão de certos direitos. b) Silêncio .Atos de Reconhecimento . Os atos jurídicos internacionais podem tanto constituir costumes quanto alterá-los. Tipos de Atos Internacionais Os Atos Internacionais podem ser: a) Tratado . b) Declaração . Classificação dos Atos Internacionais Os atos internacionais podem ser classificados de diversas formas: a) Quanto ao número de partes . não gera obrigações.entre agentes diplomáticos com capacidade específica. e) Protocolos . por exemplo. g) Atos Gerais . Podem ser revistos (Protocolo Dinâmico) e alterados sem necessidade de alterar o próprio tratado do qual o protocolo faz parte. No segundo caso.ato unilateral de um Estado que cria direitos para terceiros e obrigações para si. estabelecer datas uniformes para a contagem de prazos para negociações.2. Seus efeitos são mais práticos.qualquer acordo celebrado com a Santa Sé 4.

não sofre conseqüências jurídicas.a Convenção de Viena (Artigo 2) deixa claro que somente os Estados podem ser parte em um tratado.redação. Entre os estados não existe subordinação. tendem a tornar-se obrigatório sem âmbito interno. Esse processo é composto. Caso não queira ratificar. que têm natureza especial.1. Os tratados têm três partes principais: 1) Preâmbulo .I b) Quanto à Substância . 3) Profissão de Fé . de duas fases.suas razões 2) Dispositivos . Os Estados Federais também têm essa capacidade. datas para entrada em vigor. subdivididas em outras tantas: a) Anterior ao Consentimento . Regulam as atuações do Estado a seus interesses soberanos. João Bosco 35 . I . é necessário o consentimento dos estados para o processo de aprovação de um tratado. Elaboração dos Tratados Internacionais O processo de elaboração dos tratados internacionais é semelhante ao das leis internas do país. refere-se a questões de fronteira ou de litispendências imediatas entre dois países. o contrário deve ser comunicado ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. b) Quanto à Substância . assim. 5.declaração de boa-vontade por parte dos Estados para o cumprimento do tratado Os estados não têm prazo para a ratificação dos tratados. podendo ser prorrogadas por mais 12 meses.podem ser Tratado-Contrato ou Tratado-Lei. com prazo de 12 meses para ser ratificadas. Essa igualdade faz com que o processo de gênese seja complexo e demorado.menor importância. Condições de Validade dos Tratados Internacionais As condições de validade dos tratados internacionais são: a) Capacidade das Partes Contratantes .negociação. mas sim uma relação de coordenação. em geral. é o início da discussão. podendo existir conseqüências políticas.2.Tratado-Lei . basicamente. Tratados Internacionais 5. com um objeto preponderante. Minutas. objetivos etc.DIREITO E LEGISLAÇÃO . c) Quanto à Possibilidade de Adesão .podem ser Tratado-Contrato ou Tratado-Lei.podem ser Fechados ou Abertos.Tratado-Contrato . fase muito mais fácil devido à existência das minutas. b) Posterior ao Consentimento . Os estados são juridicamente iguais entre si. 5.tem maior importância. Um exceção quanto ao prazo é quanto as Convenções da OIT.norma de o conteúdo. Surgimento das Resoluções (não obrigatórias). II . fase que acompanha uma série de conferências.

DIREITO E LEGISLAÇÃO . Revisão dos Tratados Internacionais Geralmente a revisão de um tratado dá-se via notificação. também há algumas exceções. como um todo. antigamente presumia-se que se este não praticava um ato contrário. f) Não Têm Efeito Retroativo. d) “Ius Cogens” . Extinção dos Tratados Internacionais Denúncia é o ato pelo qual um Estado se retira de um tratado.I internacionalmente. 5. coação exercida sobre o representante). Quando houver conflito entre as normas internacionais ratificadas pelo governo federal com as normas locais. Os tratados somente vinculam aqueles que o aceitam. Mercosul por exemplo. os tratados obrigam cada uma das partes de um Estado. havendo algumas exceções. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. João Bosco 36 .3. mas não obrigações. Hoje. 5. geram nulidade do tratado (dolo. Quanto ao Tempo. os tratados não retraem. ele aceitava o tratado. Nada impede que uma regra adotada em um tratado torne-se uma regra do costume internacional. corrupção do representante. para terceiros. entende-se que o tratado pode criar direitos.harmonia entre os tratados e uma norma imperativa do Direito Internacional geral. o tratamento é o mesmo dado pelo Direito Internacional Privado: resolução pelos tribunais locais. A Convenção de Viena não admite as organizações internacionais. erro. que torna-se obrigatória pela vinculação pelo costume. Quanto ao terceiro. sendo que a revisão deve ser aceita pela sua maioria absoluta. e) Objeto Lícito e Possível .a possibilidade no Direito Internacional é mais restrita que no Direito Interno.5. como para de um tratado internacional.não se admitem vícios.4. Quanto ao Espaço. onde as partes ficam obrigadas por aquilo que queriam quando estipularam o tratado. Nos tratados multilaterais deve-se mandar notificar a todos os estados membros. b) Capacidade do Representante c) Consentimento Mútuo . 5. desde que isso seja comunicado. como se envolvesse particulares. Efeitos dos Tratados Internacionais Não há discussão de que o tratado tenha efeito sobre os estados parte. Há um efeito associativo. É necessário que esta saída seja permitida e que os outros estados aceitem a denúncia.

b) Externa . que não chegou a ser adotado: o da Responsabilidade Irrestrita dos Estados por atos de qualquer cidadão. mediação. Assim. bastando uma tênue conexão entre o agente e o Estado. o nexo causal mostra-se insuficiente. chegou-se a um conceito que prevalece hoje: além da responsabilidade por atos ilícitos. com o passar do tempo. Visa criar mecanismos para tentar.DIREITO E LEGISLAÇÃO . tornando-se cada vez mais difícil de ser provado. Uma idéia plausível para o fim dos conflitos entre os Estados foi elaborado após o final da Segunda Guerra Mundial.). este critério mostrou-se insuficiente. tentativa de esgotar todas as possibilidades de soluções pacíficas (negociação. quanto por atos de um Estado por atos contra cidadãos de outro Estado. 6. Contudo. isto tanto por atos de um Estado contra outro Estado. ao máximo. Hoje. João Bosco 37 .I Reserva é uma declaração unilateral feita por um Estado. Os Sujeitos para o Direito Internacional são: a) Estados b) Organizações Internacionais ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. é impossível coibir totalmente a guerra. Assim. Contudo. Nesta proposta.autonomia. da vida dos Estados. impedir a realização da guerra: a) Guerra tolerada apenas em caso de legítima defesa. conciliação. dada a complexidade das relações internacionais. sendo que é adotado até hoje pela Organização das Nações unidas (ONU). ajurídico. seja a serviço do Estado ou não. passou-se a considerar a Responsabilidade Objetiva (uma vez verificado um dano e um nexo causal pode-se responsabilizar um Estado). Inicialmente a responsabilidade era admissível penas nos atos ilícitos.Solução Pacífica de Controvérsias A guerra não é um ato jurídico ou anti-jurídico. 7. É um fato. continua sendo o único critério. 8. há uma tendência no sentido de impedir as reservas. Responsabilidade dos Estados A responsabilidade clássica dos Estados resolvia-se pela reparação pecuniária. devendo ser aceita por todos os países participantes. Sujeitos do Direito Internacional A soberania pode ser: a) Interna . não havia a necessidade do nexo causal.Independência. Compromissos internacionais . Hoje.fontes de obrigações jurídicas entre os Estados. Nos anos 80 surgiu um novo conceito. arbitragem etc. b) Antes do conflito armado.

a base do direito é um consenso geral (expresso ou tácito). Em essência é sujeito do Direito Internacional aquele indivíduo que tem capacidade jurídica para tal. sempre em virtude de um direito consuetudinário. Esses fundamentos são baseados em sistemas: 1) Jusnaturalista a) Teológicos .DIREITO E LEGISLAÇÃO .valor absoluto da Justiça. c) Racionalista . e) Panteísta .o direito é válido pela simples expressão da lei. culturais etc. O direito é imposto pelo Estado no âmbito interno. liberdade. mas paira no ar. propriedade etc. o consenso geral autoriza o Parlamento a legislar. Contudo.é a vontade dos Estados que faz o Direito Internacional.(humanidade) direito à vida. Fundamentos do Direito Internacional Os Fundamentos do Direito Internacional são as razões que levam os Estados a respeitar e a se submeter ao direito internacional. 3) Normativista . havendo uma ordem hierárquica: norma costumeira . históricos paz. 9. A lei não emana. O Direito Intencional tem uma força obrigatória e a guerra nega essa forçam. Pressuposição de interesses comuns de todas as nações do mundo. Há a proteção e tutela de bens jurídicos destinados às gerações futuras: bens ambientais. Cumprimento da regra segundo a consciência das Nações. lingüísticas. uma só para todos os povos. Aqui há a prevalência da ordem jurídica interna dos Estados sobre a ordem internacional.não é imposto ou descoberto. vários sistemas de Direito. sociais etc) obrigam os Estados a terem relações. que possuem peculiaridades étnicas.os mais fortes impõem-se sobre os mais fracos. João Bosco 38 . culturais. Necessidades (biológicas.I c) Santa Sé (2) d) Indivíduos . ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. É transcendental e não precisa de demonstração. Esse sistema tem duas teorias: auto-limitação e vontade comum. mas sim justifica porque vai contra ela. b) Axiológicos . Segue o princípio Kelseniano de que o Direito tem que ser positivado. dela derivam. mas criado pelo homem. d) Biológico .direito pautado pela razão universal e não humana. etc.direito prático . Os fundamentos são fontes em sentido remoto. o Direito Internacional não tem elementos para um constrangimento efetivo para exigir seu comprimento.direito é oriundo de Deus e transcende o homem. 2)Voluntarista . 4) Ecléticos . Respeito aos Grupos Autóctones. Não pode haver discriminação contra as minorias. constituído a partir de uma norma fundamental. A norma fundamental do Direito Internacional é a norma costumeira. A capacidade jurídica nasce a partir do estatuto de criação junto a uma organização internacional.tribunais internacionais.

o desenvolvimento.concessão de asilo político. Com ele é feito um novo desenho do mapa político da Europa.independência nacional. fundada na harmonia social e comprometida. IX . X . V . VI . c) Costumes d) Jurisprudência . (2) A independência da Santa Sé é reconhecida pelo Tratado de Latrão. João Bosco 39 . e) Doutrina . II . 10. Art.I 10. III .legislação e jurisprudência dos estados.fonte acessória. IV .igualdade entre os Estados.defesa da paz. b) Fontes Formais . destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. representantes do povo brasileiro.tratados. a segurança. textos acadêmicos. (1) Tratado de Westphalia (1648) . reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático. acordos etc. VII . Nesse momento é reconhecida a soberania dos territórios e dos governos constituídos. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. sob a proteção de Deus. Artigos da CF/88 que dispõem sobre as relações internacionais no Brasil PREÂMBULO: Nós. promulgamos. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I . VIII .solução pacífica dos conflitos.autodeterminação dos povos. pluralista e sem preconceitos.Tratado que põe fim à Guerra dos Trinta Anos. com a solução pacífica das controvérsias. há um certo consenso sobre: a) Fontes Materiais . Contudo. É também nesse momento que passa a haver uma maior tolerância entre as diversas correntes religiosas da época. a liberdade. Fontes do Direito Internacional Há muita controvérsia sobre quais seriam as fontes do Direito Internacional. a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.não-intervenção. o bem-estar. do final dos anos 20.pareceres opiniões.repúdio ao terrorismo e ao racismo.prevalência dos direitos humanos. na ordem interna e internacional.DIREITO E LEGISLAÇÃO .

acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 105. VIII . Art.julgar. nos casos previstos em lei complementar. § 3º .” Art. 84.” § 4º . de um lado.. § 2º . diretamente ou mediante autorização. sujeitos a referendo do Congresso Nacional.“.manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais.. XII . Compete ao Supremo Tribunal Federal. h) a homologação das sentenças estrangeiras e a concessão do "exequatur" às cartas rogatórias. o Distrito Federal ou o Território.julgar.. 102... que podem ser conferidas pelo regimento interno a seu Presidente.permitir.. precipuamente.celebrar tratados.. Município ou pessoa residente ou domiciliada no País. as causas decididas em única ou última instância. IV . 5º.. g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro. do outro. 49. e.declarar a guerra e celebrar a paz. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica.DIREITO E LEGISLAÇÃO . . Compete ao Superior Tribunal de Justiça: II . quando a decisão recorrida: b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. III .resolver definitivamente sobre tratados. Art. social e cultural dos povos da América Latina. visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. política. que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente. convenções e atos internacionais.explorar. originariamente: e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União.I Parágrafo único. Art. João Bosco 40 . o Estado.assegurar a defesa nacional. Compete privativamente ao Presidente da República: VII . concessão ou permissão: e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros. mediante recurso extraordinário. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. a guarda da Constituição. 21. em recurso ordinário: c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional.processar e julgar.Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. Compete à União: I .. II . Art. cabendo-lhe: I . III .manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos. Art.“. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I .

178.I III . O Brasil propugnará pela formação de um tribunal internacional dos direitos humanos. à garantia dos poderes constitucionais e. Aos juízes federais compete processar e julgar: II . quanto à ordenação do transporte internacional.as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País. o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro. a remuneração. os direitos. 142. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo. as prerrogativas e outras situações especiais dos militares. 192.os crimes previstos em tratado ou convenção internacional. as causas decididas. organizadas com base na hierarquia e na disciplina. atendido o princípio da reciprocidade.a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas. O sistema financeiro nacional. além das que vierem a ser fixadas em lei. que disporá. observar os acordos firmados pela União. João Bosco 41 . por iniciativa de qualquer destes. ou reciprocamente. Art." "Art. aplicando-se-lhes.as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional. da lei e da ordem. quando. V . são instituições nacionais permanentes e regulares. do Distrito Federal e Territórios. consideradas as peculiaridades de suas atividades. As Forças Armadas. Art. inclusive aquelas cumpridas por força de compromissos internacionais e de guerra. III. ou negar-lhes vigência. os limites de idade. III . Até que sejam fixadas as condições a que se refere o art. devendo. os deveres. as seguintes disposições: X . será regulado em lei complementar. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof.as condições para a participação do capital estrangeiro nas instituições a que se referem os incisos anteriores. especialmente: b) os acordos internacionais. pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados. sobre: III . aquático e terrestre. "§ 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares. Art. iniciada a execução no País. sob a autoridade suprema do Presidente da República. pelo Exército e pela Aeronáutica. quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal. estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade. inclusive.DIREITO E LEGISLAÇÃO . ADCT: Art. em recurso especial. Art. 52. 192. A vedação a que se refere este artigo não se aplica às autorizações resultantes de acordos internacionais. 109. 7º. são vedados: Parágrafo único. constituídas pela Marinha. tendo em vista. a estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade. de reciprocidade. em única ou última instância. ou de interesse do Governo brasileiro. e destinam-se à defesa da Pátria.julgar.

DIREITO E LEGISLAÇÃO . o Direito divide-se em: ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof.I Direito Internacional Privado 1. João Bosco 42 .Noção e Fundamento Segundo Ulpiano. Direito Internacional Privado .

O Direito Internacional estuda exclusivamente questões ligadas ao Direito Civil. pode não ser no outro). as soluções e suas descrições. c) Direito Internacional I . é ele que diferencia o Direito Internacional Privado do Direito Privado Comum. gerando efeitos apenas dentro de um país. II . As ordens jurídicas são independentes.interessa ao todo internacional. por normas inspiradas no método indireto. os casos e soluções. Há casos. Foco “(. versam sobre uma matéria de forma contraditória. Método “(. as Organizações Internacionais e a Santa Sé. um elemento estrangeiro (casamento. analítico e sintético judicial. coletivo.uma relação cujo objeto interessa a alguém em particular.estuda o mesmo objeto do Direito Privado Comum. Os fatos deste tipo geram os conflitos de leis no espaço.. nacionalidade. local dos bens etc). à coletividade de Estados.1. com elementos estrangeiros.) casos jusprivatistas com elementos estrangeiros (. os quais se decidem internamente com a lei de outro Ordenamento (quando este indicar).aquele cujo interesse é de todos. João Bosco 43 . É resolvido através da disciplina Direito Intertemporal.1.I a) Direito Privado . gerando efeitos em mais de um país.1. Essa definição pode ser dividida em três partes. 2. e baseadas. exclusivas (desenvolvem-se de acordo com a vontade do país em que valem) e relativas (porque o que é Direito em um país.)”. devido a isso o Estado não está presente.) método indireto (.)”... ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof.quando duas normas. estudado pelos “ius specialis”. local da morte. 2. O Estado está em um pólo e os indivíduos em outro.. “contaminadas” por..DIREITO E LEGISLAÇÃO .1. b) Fatos Multinacionais ou Mistos . 2. b) Direito Público . Ordens Jurídicas Independentes Um fato que envolva elementos estrangeiros.. Conflito de Leis no Tempo .fatos ligados a apenas uma ordem jurídica. Conceito Segundo o professor Werner Goldshimidt: “O Direito Internacional é o conjunto dos casos jusprivatistas com elementos estrangeiros e suas soluções. estudado pelos “ius comuns”.. Esse elemento estrangeiro é fundamental. do mesmo ordenamento. pelo menos. no respeito ao elemento estrangeiro”. gera efeitos em cada um deles (conflito de leis no espaço).Privado .2. 1.1.fatos ligados a mais de uma ordem jurídica.Público . descritos. do qual o Direito Internacional faz parte.. Conceito de Direito Internacional Privado 2. Seus sujeitos são: os Estados. a) Fatos Comuns ou Nacionais . incorporando elementos estrangeiros. em dois países.

I As normas do Direito Internacional privado são norma indiretas (1): exclusivas para resolver o conflito de leis. ter-se-á em vista a disposição desta. sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei”. Alem disso. o objeto do Direito Privado Internacional é entendido de forma diferente: a) Escola Francesa . a previsão legal está no Artigo 9 da Lei de Introdução. Objeto do Direito Internacional Privado São temas do Direito Internacional Privado: nacionalidade. Nunca haverá a remissão para uma norma de Direito Internacional de outro país. Essa remissão é proibida pela Lei de Introdução ao Código Civil. Esse Artigo tem. basicamente. direitos adquiridos em outras ordens jurídicas. sempre remetem para o Direito Material de um país. As normas indiretas. No Direito Comparado..657 de 04/09/1942). as normas instrumentais sempre serão as do país onde for proposta a ação (“Lex Fori”). Lá estão as regras básicas para a aplicação das leis estrangeiras.Para qualificar e reger as obrigações aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem .DIREITO E LEGISLAÇÃO .destina-se às contratações entre ausentes. 3. alguns temas..objeto tríplice: conflito de leis no espaço. estudados por outras disciplinas. 4. conflitos de jurisdição (2) (eficácia internacional) etc. João Bosco 44 . b) §2 .A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente .) se houver de aplicar a lei estrangeira. uma aparente contradição: a) Caput . também interessam ao Direito Internacional Privado. Artigo 16: “Quando (. ou normas de Direito Internacional. entre o caput e o §2. Estatuto do Estrangeiro. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. eliminando o conflito de leis no espaço: Tipos de Normas Lei Latim Direito de Família Domicílio da pessoa “Lex Domicili” Direitos da Domicílio da pessoa “Lex Domicili” Personalidade Direitos Reais Onde a coisa está situada “Lex Rei Sitae” Direitos Obrigacionais Onde a obrigação foi“Locus Regit Actum” constituída “Locus Regit Contractum” Direito de Sucessões Último domicílio do“Lex Domicili” falecido / desaparecido Direitos da Pessoa Lei do país onde se“Locus Regit Actum” Física constituíram Quanto aos Direitos Obrigacionais. nacionalidade e condição jurídica do estrangeiro. As normas indiretas estão.destina-se às contratações entre presentes. na Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto-Lei nº. O Objeto do Direito Internacional Privado estuda o conflito de leis no espaço.Quanto às leis processuais. de forma relacional.

conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil (3). II . Além disso. assim como no Brasil.Estatuto do Estrangeiro (Lei nº. Conflito de Jurisdição O Conflito de Jurisdição está explícito na Lei de Introdução ao Código Civil.I b) Escola Anglo-Saxã . com exclusão de qualquer outra: I .A autoridade judiciária brasileira cumprirá. ao mesmo tempo. III . somente é possível decidir se a lei aplicável é a nacional ou a estrangeira.815/80. O mesmo está expresso nos Artigos 88 e 89 do CPC. concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida pela lei brasileira. quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação.compete à autoridade judiciária brasileira.1. estiver domiciliado no Brasil. observando a lei desta. trata da litispendência estrangeira. no Artigo 12: “É competente a autoridade judiciária brasileira.2. as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente. O Artigo 90 do CPC determina que: “a ação intentada perante tribunal estrangeiro não induz litispendência.a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil. também se estuda o conflito de leis entre os estados federados. se a ação vai ser intentada no Brasil ou no exterior. A solução dos conflitos de jurisdição no Direito Internacional Privado antecede o Conflito de Leis no Espaço. dada a federação de Estados nos Estados Unidos. nem obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas”. b) Competência Exclusiva (Artigo 89) . Isto é. anteriormente.Só a autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no Brasil. em parte. depois de ter decidido. João Bosco 45 . § 2 .Constituição Federal (Artigo 12) b) Estrangeiro . Isso vai contra o princípio da não-simultaneidade do Direito Internacional.DIREITO E LEGISLAÇÃO . situados no Brasil.competente a autoridade judiciária brasileira quando: I . O Artigo 22 do Decreto Legislativo 2067/96 (Protocolo de las Leñas) corrigiu. segundo o qual não se pode propor a mesma ação. ainda que o autor da herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional. Objetos Correlatos São objetos satélites ao Direito Internacional Privado: a) Nacionalidade . 3. determinando: a) Competência Concorrente (Artigo 88) . c) Escola Germânica .proceder a inventário e partilha de bens. qualquer que seja a sua nacionalidade. Artigo 95 e seguintes).objeto duplo: conflito de leis no espaço e conflito de jurisdição. Nas relações internacionais entre o Brasil e os países ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. em dois países. 3. II . quanto ao objeto das diligências”.objeto único: conflito de leis no espaço.o réu. ao Artigo 90 do CPC. 6. § 1 .no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação.

podem ser gozados em outros países.Contemporaneidade . c) Características .é aquela que impede a aplicação do Direito Estrangeiro quando a norma de Direito Internacional Público brasileira manda ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. Eficácia Internacional dos Direitos Adquiridos A personalidade jurídica das pessoas tem continuidade. na Moral e na Economia de um país.Ordem Pública Interna . a ordem pública e os bons costumes”. em determinada época.3.aquele que estuda a lei não deve interpretá-la a luz dos preceitos da época quando ela foi feita e sim da época atual. Logo. A Ordem Pública compreende os problemas políticos. jurídicos. pode vir a ser aplicado o Artigo 90 do CPC.a saber: I . de juízo de valor etc.Segunda Posição .3. em 1834 (defendida pelos anglosaxãos). Os direitos de alguns países passam por um filtro para poderem adentrar em outros. A Ordem Pública Sobre a Ordem Pública pode-se falar: a) Conceito .quem teria introduzido pela primeira vez o tema da importância da Ordem Pública no Direito Internacional Público: I . quando ofenderem a soberania nacional. O filtro da Ordem Pública pode vir a barrar alguns desses diretos já adquiridos em outros países. João Bosco 46 . uma mesma situação pode ser avaliada de forma diferente. mesmo dentro de um país.teria sido Savigny.Ordem Pública Internacional . em regiões diferentes de um mesmo país. 3. II .suas característica são: I . b) Histórico .é a que pode neutralizar a vontade das partes. bem como quaisquer declarações de vontade. II . todos os direitos que se têm reconhecido em um país.como o conceito de Ordem Pública não é homogêneo. 3.Primeira Posição . Direito Comparado: em nenhum diploma legal encontramos o que vem a ser básico na Filosofia. II .I do Mercosul (Litispendência Regional) aplica-se o Artigo 22. d) Ordem Pública Interna e Ordem Pública Internacional . atos e sentenças de outro país.teria sido Joseph Story. não terão eficácia no Brasil. na Política. pelas diferenças de moral. O aplicador da lei não dispõe de uma bússola para distinguir dentro do Sistema Jurídico de seu país o que venha a ser fundamental e de Ordem Pública Esta é auferida pela mentalidade e pela sensibilidade de determinada sociedade.Relatividade (ou Instabilidade) . que representa a moral básica (moral média) de uma Nação e que atende as necessidades econômicas do Estado. morais e econômicos de todo Estado constituído.DIREITO E LEGISLAÇÃO .o princípio da Ordem Pública pode ser considerado como o reflexo da Filosofia sócio-político-jurídica de toda a Legislação. Nas relações internacionais com os outros países. O Artigo 17 da Lei de Introdução ao Código Civil determina: “As leis. deve-se considerar essa influência da variação na avaliação das situações jurídicas. em 1849.1. em princípio. Esse filtro é o da Ordem Pública. em Berlim (defendida pelos europeus). quando esta vontade é contra as leis cogentes.

Legislação válida para o Mercosul (Quadro Regional) Regimento Interno do STF. II . 2. O processo de homologação e execução de sentenças estrangeiras também é chamado de Processo de Delibação: o STF não examina os aspectos do mérito do processo. Para entender a legislação referente a essa aplicação. Execução e Homologação de Sentenças Estrangeiras Uma vez transitado em julgado uma sentença estrangeira.Homologação .avaliada pelo juiz de acordo com sua convicção de Ordem Pública. inciso I.067/96: O Artigo 18 determina as matérias (Civil. João Bosco 47 . Código do Processo Civil. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. e) O Juiz e o Tribunal . Artigo 15. tomemos o quadro: Legislação válida para todos os Países (Quadro Internacional) Constituição Federal. o Supremo Tribunal Federal (STF).I aplicar o Direito Estrangeiro. Não há a reabertura do caso. Artigo 482 e seguintes. a declaração de vontade . nem juízo de valor.sentença estrangeira proferida em cima de direito. A Ordem Pública”). Regimento Interno do STF. Hipóteses de Não Homologação de Sentenças Estrangeiras São três as hipóteses de não homologação de uma sentença estrangeira: quando há a) Violação da Ordem Pública . alínea “l”. também chamado de “agravinho”. não é homologação nestes casos.Aplicação do Direito Estrangeiro . Artigo 215 a 224. examina apenas os aspectos formais. que segundo o intérprete brasileiro.idem. Estes são aqueles previstos no Artigo 15 da Lei de Introdução ao Código Civil. III . b) “Fraudem Legis” . também impede o reconhecimento (homologação e conseqüente execução da sentença estrangeira) de ato.1. fato ou qualquer declaração de vontade validamente constituída em qualquer outro país. utilizando seu foro íntimo. deverá ocorrer a homologação da mais alta corte do país.avaliada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O Artigo 19 determina que o pedido de reconhecimento será encaminhado através de carta rogatória. É uma fraude contra a lei que seria mais competente para julgar. Observação: o recurso contra uma decisão do presidente do STF é chamado de agravo regimental (Artigo 220 do Regimento Interno). quando couber execução no Brasil.são três momentos diferentes: I . Decreto 2067/96 Decreto 1216/98 Sobre o Decreto nº.(como visto no item “3. Trabalhista e Administrativa igualmente aplicável à reparação de danos e a restituição de bens da esfera penal) passíveis de reconhecimento pelo STF.4.5. Artigo 225 e seguintes. Lei de Introdução ao Código Civil. 3. 3.DIREITO E LEGISLAÇÃO . via autoridade central do país no Mercosul. Artigo 102. Comercial. não era direito competente para resolver a questão.3. fato. que é semelhante ao Artigo 217 do Regimento Interno do STF.Reconhecimento de ato.

4. 4. contratos). Artigo 102: “Compete ao Supremo Tribunal Federal. Antes da Lei 9307/96 havia a dupla homologação: o laudo arbitral tinha que. por Decreto Legislativo. É interno porque tem fontes de direito interno (Lei de Introdução ao Código Civil). cabendo-lhe (. Algumas foram incorporadas ao Direito Brasileiro. Em ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. João Bosco 48 . ser homologado e depois ser novamente homologado pelo STF. Segundo a Constituição Federal. a Lei 9307/96 acrescentou. precipuamente.. essas são fontes imediatas. não alterou. mas de conteúdo privado. no país de origem. uma vez que uma lei ordinária não pode alterar uma competência atribuída pela Constituição. Hoje. prevalecem as segundas. Código de Direito Internacional Privado para as Américas. A Lei 9. pelo Artigo 35. No texto constitucional não há referência a laudo. O Direito Internacional Privado é de natureza pública. Deixou-se o Código de Bustamante e. Já para outros. entendendo-se que esta tanto pode ser uma sentença judicial quanto uma sentença arbitral (antigamente esta era chamada de laudo arbitral). a guarda da Constituição.)”. O Código de Bustamante foi revogado somente naquilo que as CIDIPs dispunham em contrário. o laudo está sujeito unicamente à homologação pelo STF (Artigo 35 da lei). por exemplo.307/96 vale somente para o plano interno. Quando se fala de homologação de sentença no âmbito internacional.I c) Aplicação de Instituto Desconhecido no Direito Brasileiro . As CIDIPs começaram a ser feitas na década de 70. contudo. Também é internacional porque tem fontes internacionais. esta pode ser tanto a sentença judicial quanto o laudo arbitral. originado na Convenção de Havana de 1928. o Decreto 2067/96 validou esse princípio. essa nova atribuição ao STF. A Lei nº. em caso contrário prevalece o primeiro.) a homologação das sentenças estrangeiras e a concessão do 'exequatur' às cartas rogatórias.1.DIREITO E LEGISLAÇÃO .não é simplesmente um instituto desconhecido. também é um instituto que vai contra a Ordem Pública Brasileira. que prevalecem sobre o Código de Bustamante por serem mais atuais. uma vez que apesar disso poderia haver homologação. Quando houver conflito entre o Código de Bustamante e as CEDIPs. paulatinamente começou-se a fazer um código novo.871/40.. Natureza das Normas de Direito Internacional Privado A natureza das relações jurídicas em questão é privada (direito de família. é o conjunto que está na norma jusprivatista.. O Brasil incorporou-o pelo Decreto 18..307 de 11/09/1996 (Lei de Arbitragem) fala em sentença. Ainda outro exemplo são as Convenções Interamericanas de Direito Internacional Privado (CIDIPs). Como exemplo de fontes externas/internas temos o Código de Bustamante. Taxinomia A taxinomia é a classificação pelo nome. As CIDIPs estão divididas por matéria. 9. que podem ser conferidas pelo regimento interno a seu Presidente (. Para alguns doutrinadores.

local da celebração do contrato. o procedimento será o mesmo que existe para todas as outras normas internas: lei posterior revoga a anterior. A professora acredita que uma lei nova não pode revogar um tratado ratificado. simultaneamente. Neste caso. cabe recurso de apelação. opinião legal de um advogado em exercício no país de cuja legislação quer-se aplicar. 5.2. elas podem vir a ser usadas como fontes materiais mediatas. No direito brasileiro. revoga este no plano interno. O elemento de conexão está sempre dentro do mundo fático (domicílio. Pelo decreto o tratado não entra em vigor. mas nem todo elemento estrangeiro é um elemento de conexão. b) Norma de Direito Internacional Privado .o representante do Brasil recebe uma carta credencial para representar o chefe de Estado brasileiro. Caso a nova lei seja posterior ao tratado. Aplicação da Norma Externa A aplicação de uma norma externa no Brasil tem que seguir as seguintes etapas: a) Qualificação do problema pela “Lex Fori” . A conexão está dentro da norma de Direito Internacional Privado. mas é um passo importante para sua eficácia no plano interno. o teor e a vigência do direito estrangeiro. se contrariar uma lei. A parte. Há que se provar o texto. mesmo que as CIDIPs não tenham sido incorporadas. a nacionalidade não é um elemento de conexão. na petição inicial. Como se faz a prova do direito estrangeiro no Brasil: segundo o Decreto 8. devendo entregá-la ao país destino. A partir dai. com reservas.I uma visão ampliativa. Promulgação e Publicação .Lei de Introdução? Código de Bustamante? c) Aplicação do Direito Estrangeiro. Todo elemento de conexão é um elemento estrangeiro.se aprovar em todo ou em parte. local da sede da pessoa jurídica etc). Toerias: ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. embora seja elemento estrangeiro. Quando o juiz aplica mal o direito estrangeiro.é a partir dai que a norma passa a ter vigência. São fases de um tratado: a) Assinatura ou Firmas . segundo o Código de Bustamante.771.vai buscar a prova via mala diplomática envida pelo Itamarati. Quando se aplica o direito estrangeiro: a) o juiz de ofício procura o direito estrangeiro (é raro) . 4. Artigos 409 a 412. ou quando há divergência de sua decisão. ou. poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência”). espontaneamente.DIREITO E LEGISLAÇÃO . c) Ratificação. o tratado é incorporado e passa a ser uma lei interna. já o contrário é possível. b) Aprovação . o documento transforma-se em um Decreto Legislativo. João Bosco 49 .é direito das obrigações? De família? etc. já pode fazer a prova. b) o juiz lança mão do Artigo 14 da Lei de Introdução ao Código Civil (“Não conhecendo a lei estrangeira. situação da coisa. no plano interno e externo.

a título de reciprocidade. é um dever moral. mas sim um método de análise de questões do Direito Internacional Privado. o Direito Internacional Privado confundia-se com Política Internacional. João Bosco 50 .3. nessa concepção. Werner Goldsmith Teorias Estatutárias As modernas teorias de Direito Internacional Privado derivam do Direito Estatutário. Os estatutos eram apriorísticos: a solução do problema era dada.Direito das Coisas. não permitia a aplicação do direito estrangeiro. permitia o julgamento por lei estrangeira. nem extraterritorial: cada Estado tem o dever internacional de admitir o direito estrangeiro com fonte do nacional. 5. Story era territorialista e dava extrema importância à distinção entre bens móveis e bens imóveis. surgindo a possibilidade de positivação das regras que deveriam ser utilizadas pelo juiz no momento da aplicação do direito estrangeiro. com a criação dos Estados Nacionais.DIREITO E LEGISLAÇÃO . a isso se chamou de Teoria da Sede do Fato.2. Sua teoria não era essencialmente territorial. a fim que a Justiça fosse feita em retribuição. de origem romanística. As leis estrangeiras jamais poderiam ter qualquer poder originário sobre outro território. Essa postura assume a prevalência da Equidade e da Justiça. deve-se buscar em qual ordem jurídicas o fato provocou maiores efeitos. direito que surge no início do Renascimento. sendo ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. A aceitação da lei estrangeira por um Estado não é cortesia ou benevolência. Reconhecia uma espécie de “necessidade moral” de o Estado fazer Justiça. Estas aplicavam o Direito Comum. Story A evolução dos processos políticos. b) Fazer justiça com o estrangeiro é uma forma de cortesia internacional. O arbítrio do juiz acabou criando um fenômeno de insegurança jurídica.abrangiam e incorporavam os outros dois. 5. que conviviam com leis específicas locais. Estas normas específicas eram a) Estatutos Pessoais . sua aplicação era apenas uma cortesia internacional. pela própria matéria em questão. após o desenvolvimento das Cidades-Estado. logo a princípio. Segundo Savigny. A teoria de Story tinha duas premissas: a) O juiz aplica o direito estrangeiro como bem entende. Savigny Não elaborou um conjunto de soluções positivas.I 5. Afirmava que o direito mais adequado ao fato é aquele da jurisdição onde ele esteja situado. mas sim obrigação. aumentou a importância da noção de território na aplicação de um direito específico sobre uma área específica.1. Determinava uma espécie de soberania sobre o território de sua abrangência. Segundo seus críticos. c) Estatutos Mistos . b) Estatutos Reais .Direito Pessoal.

Elaborou regras que buscavam dar segurança às relações jurídicas. O estado deveria sempre procurar conservar o máximo de sua autonomia. f) Imóveis . do lugar onde estão. “Lex Domicili”. mas o fato em si.do lugar de celebração ou de onde ele devesse ser cumprido. Mancini aceitava apenas duas exceções à aplicação extraterritorial do direito nacional: a) o direito a ser aplicado ofende a Ordem Pública. Partia da premissa que o Direito sempre se referia às pessoas e não às coisas.do lugar de celebração. 5. O elemento de conexão adotado por ele sempre era o elemento territorial. a questão era definir o tamanho menor ou maior desse sacrifício. b) Capacidade de Contratar . “Locus Regit Contractum”). adotando a idéia do Elemento de Conexão (“Lex Fuori”. o ponto de partida não é a regra do direito (como era quanto aos estatutos). se imóveis. tem sua sede específica. sempre presente. b) a autonomia da vontade afasta o Direito Pátrio. de a norma internacional vir ser utilizada para resolver uma questão. Assim. Segundo ele. O Direito Internacional Privado deveria ser apenas um ramo do “Direito das Gentes”. c) Casamento . Mancini Defendeu a nacionalidade como base do direito internacional e não o Estado. assim. deveria respeitar o direito que é próprio a esse estrangeiro.lei do domicílio da pessoa. para procurar o direito mais adequado.DIREITO E LEGISLAÇÃO . Afirmava que as leis internacionais precisam ser aplicadas como um dever internacional. cada fato.4. do local do domicílio. por sua vez.se móveis. diferente do seu. a Teoria da Sede do Fato somente não se aplicava em duas situações: a) o direito a ser aplicado ofende a Ordem Pública. “Locus Regit Actum”. A Lei de Introdução ao Código Civil avançou frente à Teoria do Pêndulo. 5. “como o sangue que circula em suas veias”. Essas regras seriam: a) Capacidade e Estado das Pessoas . e é pelo direito desta que deve ser apreciado.I esse Direito a ser aplicado. d) Regime de Bens . este deveria acompanhar as pessoas. b) inexistência da instituição no fórum específico.5. Essa aplicação sempre irá provocar um sacrifício na soberania do Estado.lei da situação da coisa. Cada relação social. Mais tarde elaborou Teoria do Pêndulo. e) Contrato . Pillet Sua doutrina tem sido denominada como do Fim Social ou do Menor Sacrifício. O que iria determinar essa aplicação era o fim ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof.lei do lugar do contrato. mas aceitando a possibilidade. Esse Estado. João Bosco 51 . para desenvolver suas relações jurídicas. “Lex Rei Sitae”. na solução das questões. que buscava determinar onde deveria ser o centro de gravidade da relação jurídica: no país ou no exterior. Justificava que o estrangeiro adotava livremente um outro Estado.

Não há previsão do fato. Afirma que foi a evolução deles que acabou gerando o Método Apriori: a prática jurisprudencial acabou por criar uma série de princípios.quando dois ou mais sistemas de Direito Material atuam sobre o mesmo tema. de uma lei estrangeira. Durante o século XIX. Ao invés disso. propõe o Método Analítico. Defendia o retorno às práticas dos estatutários. Esse Direito será sempre uma norma do Direito Material. mas sim da matéria jurídica (Direito das Sucessões. João Bosco 52 . Não visa responder a questão material. (2) Conflito de Leis no Espaço . estes vieram a se tornar os elementos de conexão que conhecemos hoje. A lei nacional sempre poderia perder sua Generalidade em favor da Continuidade. O único que resolve efetivamente as demandas é o Direito Material. ou Permanência. ou Normas de Conflito . Direito de Família etc) e a indicação do Direito que deve ser aplicado como solução. que é a determinação de qual é o foro competente parara uma questão envolvendo dois ordenamentos distintos. Assim. b) Normas Instrumentais ou Normas Processuais c) Normas Indiretas.I social da lei. dizendolhe qual o Direito a ser aplicado. pautados no respeito internacional. ou Normas Materiais . Suas principais criticas: a) não levava em conta as diferenças históricas e culturais entre os povos. que seria a solução do problema. Difere do Conflito de Jurisdição. (1) As normas opõem-se: a) Normas Diretas. estes se tornaram relações entre Estados. surgidos da cooperação internacional. lei apriorística sem a atenção ao fato. caminhando do particular para o geral. c) permite soluções arbitrárias de cada um dos juizes. Armijon Autor da crítica ao que chamou Método Apriori. afastando o direito estrangeiro mesmo quando ele deveria ser aplicado. a “alma da lei”: uma lei de proteção individual ou de proteção social. Criticava a aplicação indistinta de um direito positivo no Direito Internacional Privado. b) a noção e Ordem Pública se sobrepõem ao indivíduo. segundo o qual o juiz deve aprofundar seu conhecimento sobre a realidade específica. com a formulação de novos princípios. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. esses princípios foram sendo incorporados e cristalizados nos Códigos. Propõe um certo retorno aos Estatutos medievais. dando subsídios para o juiz.DIREITO E LEGISLAÇÃO .são aquelas dotadas de uma parte inicial (Previsão do Fato) e uma parte complementar (determina uma conseqüência jurídica). Destinam-se à solução do conflito. esquecendo o indivíduo. não respeitando as diferenças individuais dos outros povos ou etnias.nascem a partir da análise de questões típicas da vida material. 5.6.

com exclusão de qualquer outra: I . João Bosco 53 . Faz parte da Jurisprudência Internacional o entendimento que as ações cujo objeto sejam imóveis somente podem ser propostas no país onde estiverem. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof.O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa. Esse texto é limitado pelo Artigo 89. aplicar-se-á a lei do país em que estiverem situados.DIREITO E LEGISLAÇÃO . quanto aos bens móveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares. em cuja posse se encontre a coisa apenhada”. inciso I do Código Civil: “compete à autoridade judiciária brasileira.conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil”.I (3) O Artigo 8 da Lei de Introdução ao Código Civil estabelece que: “para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes. § 1 .Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário. § 2 .

qualidade e quantidade. O Direito Público disciplina os interesses gerais da coletividade. por se tratar de uma norma de ordem pública. O Direito Privado compreende: ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. O patrão terá que pagar de qualquer forma o salário mínimo. Exemplo: a) Empregado e patrão celebram um contrato de trabalho.  Direito Processual Civil e Penal – tratam da distribuição da Justiça. assim como o Direito Internacional. È válido o acordo? Claro que não.  Direito Administrativo – estabelece os preceitos relativos à administração da coisa pública  Direito Penal – define as condutas criminosas. 244 do CC diz que sou obrigado a restituir coisa do mesmo gênero. se desdobra em dois grandes ramos: o Direito Público e o Direito Privado. e se caracteriza pela imperatividade de suas normas. No entanto. quem me emprestou aceita que eu faça a devolução com sacas de feijão.I DIREITO NACIONAL PÚBLICO 28/02/2011 Verificamos que o Direito Nacional. João Bosco 54 .DIREITO E LEGISLAÇÃO . 04/03/2011 DIREITO NACIONAL PÚBLICO Já o Direito Privado trata das relações dos indivíduos entre si. ABRANGÊNCIA Pertence ao Direito Público:  Direito Constitucional – tem por objeto fixar a estrutura do Estado e estabelecer os direitos fundamentais da pessoa humana. porque no campo do Direito Privado o particular pode exigir o cumprimento ou não da lei. de proteção ao trabalhador. 3. È válido o acordo ? Sim. em razão de não ter mulher e filhos.  Direito Financeiro – cuida da organização das finanças do Estado. que não podem nunca ser afastadas por convenções particulares. relegando o pensamento das ações perante o Poder Judiciário. visando preveni-las e reprimi-las.  Direito Trabalhista – tem por objeto reger as relações de trabalho subordinado. acertando que o primeiro ganhará 2/3 do salário mínimo. O art. b) Peço emprestado 20 sacas de café. e vigora apenas enquanto a vontade dos interessados não disponha de modo diferente do previsto pelo legislador.

feita em 1867. os bens e às suas relações. que lhe consumira oito anos de trabalho. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. a questão pouco evoluiu até o momento. Unificação do Direito Privado Princípio que objetiva a fusão do Direito Civil e do Direito Comercial no plano do Direito Positivo.I  Direito Civil – regula os direitos e obrigações de ordem privada concernentes às pessoas. com brilhantismo. encontrando tenaz e brilhante opositor em Alfredo Rocco. Mais tarde. em 1892. Cesare Vivante iniciou a luta pela unificação do Direito Privado. mas. como observa Darcy Arruda Miranda Júnior. na Itália. Entre nós. Na verdade.  Direito Comercial – regula os empresários e as atividades empresárias. foi o grande Augusto Teixeira de Freitas (1817-1883) que se destacou. a qual chegou a prejudicar a conclusão de seu célebre Esboço do Código Civil. na luta pela unificação do Direito Privado.DIREITO E LEGISLAÇÃO . João Bosco 55 . em que pese a unificação parcial do Direito Privado italiano. foi definitivamente rejeitada em 1872. o que se obteve de prático foi "uma codificação única. mas não um direito único". Sua proposta de reunificação. com o Código Civil de 1942.

A própria pena imposta ao faltoso tinha caráter de expiação. o respeito ao próximo. Já como exemplo de fatores morais na elaboração do Direito. a grande luta travada pela Igreja. Manuelinas e Filipinas. O Espírito das Leis. continuam a influir nas legislações do presente. sobre a influência das condições mesológicas sobre os povos e suas leis. Exemplo: os fenícios foram os maiores navegadores comerciantes da Antigüidade. podemos citar a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929. na Babilônia. mas também sacrilégio. ao originarem movimentos políticos de fato. influenciando. com efeitos jurídicos sensíveis. o Direito Canônico. Assim. haja vista a Antigüidade Oriental e a Clássica. informou. que deveriam ser àquelas apropriadas. a força desta. a legislação da Itália fascista sobre o trabalho. políticos. mercê de sua sabedoria. a jurisprudência e a doutrina. pois o crime. a geografia. Como exemplo. os fatos sociais seriam tão-somente causa material do Direito. aquele que atentava contra lei do faraó cometia não apenas crime. As fontes materiais não são ainda o Direito pronto. as formas pelas quais o Direito se manifesta. nascente. sendo aquele a única fonte deste. a constituição anatômica dos povos. nos dias atuais. nas quais encontramos Direito e religião confundidos. As forças sociais. São fontes históricas do Direito brasileiro. em Roma. poderiam ser citados: a Lei das Doze Tábuas.I FONTES DO DIREITO 06/03/2011 A expressão fonte vem do latim fons. ao costume e à jurisprudência. 3) Fontes formais: seriam a lei. em sua obra máxima. citemos o clima. desde logo.DIREITO E LEGISLAÇÃO . a famosa compilação de Justiniano etc. o célebre Código de Hamurabi. basicamente. o Código de Napoleão. durante muito tempo. antes de ser um ilícito. a raça. com muita graça e clareza. principalmente porque a aridez do solo em que viviam a isto os impeliu. religiosos. citem-se as virtudes morais como o decoro. Apresentam. no antigo Egito. morais. que acarretou uma depressão econômica profunda. pois são os valores sociais que informam o conteúdo das normas jurídicas. 2) Fontes históricas: são os documentos jurídicos e coleções coletivas do passado que. contra o divórcio. com sua autoridade. as Ordenações Afonsinas. Constituem a matéria-prima da elaboração deste. Veja-se. mas para a formação deste concorrem sob a forma de fatos sociais econômicos. que produz algo. Fatos sociais de natureza política encontraremos no papel inegável das ideologias políticas. o solo. Na religião encontra-se uma fonte destacada do Direito. era um pecado. perfeito. o Direito Romano. a ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. razão pela qual. com sua pena de talião. as próprias forças sociais criadoras do Direito. a expressão fontes do Direito indica. como as revoluções e as quarteladas. três espécies: 1) Fontes materiais: são os fatos sociais. O Estado cria a lei e dá. João Bosco 56 . por exemplo. a decisão dos parlamentares a respeito. nos países católicos. a fidelidade. os costumes. a decência. E como fatores naturais. fontis. significando tudo aquilo que origina. a população. Como exemplo de fato econômico inspirador do Direito. O positivismo jurídico defende a idéia de que fora do Estado não há Direito. Já Montesquieu.

enquanto conjunto das decisões dos tribunais. a doutrina. surgem o costume (direito consuetudinário). João Bosco 57 . a saber. Na enumeração tradicional das fontes do direito. é a Constituição Federal. mas geralmente refere-se apenas a uma das fontes do direito. ou seja. muitas vezes conhecidos como Códigos. As fontes formais vêm a ser as artérias por onde correm e se manifestam as fontes materiais. ao lado da lei. sendo que. F O N T E S D O D I R E I T O De Produção Estado Imediata Lei Costumes De Conhecimento Doutrina Jurisprudência Mediata É imperioso não confundir direito com lei. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. a palavra «lei» é usada para designar o direito. sua disposição em compêndios. não em tamanho. mas em magnitude. a produção literária dos juristas em matérias jurídicas. e a analogia.DIREITO E LEGISLAÇÃO . como causa eficiente. ou seja. a Lei seria apenas a positivação do direito. Assim. A lei seria causa formal do Direito.I matéria-prima de sua elaboração. a jurisprudência. os actos de regulação emitidos por entidades como Legislativo e Executivo. a forma de manifestação deste. ficando esta sempre a cargo do próprio Estado. o maior deles. Por vezes. fonte maior do Direito.

ou seja. Aristóteles as definiam como causa material e causa formal. obedecendo a uma ordem hierárquica. A Questão das fontes Diversos são os significados dados por autores para as fontes do Direito. vários podem ser os entendimentos sobre fontes do Direito. para que se possa entender como e porque este (empregado como ordem. que nasce dos fatos sociais (representados por diversos fatores. considerando que a norma jurídica não é fonte do Direito. Fonte do Direito. ou Fonte Jurídica. Como se vê. por exemplo. de leis. se é afirmado que norma jurídica é o conjunto de regras de uma sociedade e que o que a compõe são as fontes formais. denominadas pelos autores como fontes materiais. Alguns entendem que as fontes referem-se às leis antigas. suas raízes históricas. as regras que regem um grupo social. Entende-se por fonte tudo aquilo que dá origem. Então. norma) surgiu e é aplicado. seja através do legislador. por sua vez.I É muito importante saber sobre as fontes do Direito. a criadora da norma jurídica. Deve-se fazer uma distinção entre norma jurídica e fonte formal: fonte formal é o instrumento para o exercício do Direito. nada mais é do que a origem do Direito. assim. o qual faz as leis e as impõem. como foi visto a pouco) e dos atos do Estado. as chamadas fontes formais do Direito. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. outros dizem que as fontes do Direito estão diretamente ligadas ao Estado. aos documentos jurídicos do passado. uma lei ordinária tem por sua fonte uma norma constitucional ao mesmo tempo em que serve de fonte para um decreto. João Bosco 58 . produzido pelas fontes formais. de onde se cria (fonte material) e como se aplica (fonte formal). o processo de produção das normas. como autoridade criadora do Direito. o início de tudo. de onde nasce. que elabora uma lei. e esta norma jurídica. defendem também que as fontes do Direito são as próprias leis. conclui-se que fontes formais são as leis. seja através do Judiciário. que executa esta lei.DIREITO E LEGISLAÇÃO . e as que consideram como fonte do Direito as formas como ele se manifesta. mas as duas acepções mais aceitas são as que explicam as fontes do Direito como as forças contidas na vida em sociedade. é o conjunto de regras. mas o próprio Direito.

DIREITO E LEGISLAÇÃO . A lei. Ou. Em sentido amplo. "lei" é toda regra jurídica emanada do Poder Legislativo. em sentido próprio toda norma feita pelos órgãos políticos da soberania. A lei. João Bosco 59 . De acordo com a sua etimologia. vigora até que outra lei a revogue. Alguns autores distinguem a "lei" em sentido "formal" e em sentido "material".. na maioria dos or denamentos positivos vigentes. abrangendo. Nesse sentido é que se denomina "lei" o ato legislativo que. tenha ou não matéria própria de lei ("normatividade"). como dizem os doutores. todos quantos se encontrem na situação por ela descrita ou regulada (assim. "geral" é a lei disciplinadora das relações "ex-locato". uma vez publicada. é a "lei" a fonte imediata do direito. Além. segundo um processo previamente estabe lecido. é um texto escrito para ser lido. "lei" é uma regra abstrata e geral. A palavra "lei" é empregada para designar o preceito normativo emanado dos órgãos que recebem da Constituição o poder de legislar. Ela é que regula a conduta das pessoas e as sanções aplicáveis. elaborada. abran ge todo o direito positivo ou equivale à norma jurídica genericamente encarada. A "generalidade" é um dos atributos ou propriedades da lei em sentido "material". como o decreto e o regulamento. é a expressão racional do Direito. pelo Poder constitucionalmente qualificado e que se impõe à obediência de todos. no caso de inob servância do dever-ser que encerra. compreendendo também outras dis posições normativas.I Lei 11/03/2011 A lei é a principal fonte do Direito. A lei é dotada de certeza e segurança. ou o que concede uma isenção de imposto. No nosso sistema jurídico de tradição romanista. Num sentido lato. Definiu-a SANTO TOMÁS: Preceito racional orientado para o bem comum e promulgado por quem tem a seu cargo o cuidado da comunidade. tendo em vista um número indefinido de destinatários. porque não considera casos particulares nem situações pessoais ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. através da qual se exprime a vontade do órgão legislativo. por oposição às chamadas leis individualizadas. A lei é resultado reflexivo e técnico da vontade do órgão estatal qualificado. de "coativa". Em sentido "material". lei é toda norma coativamente imposta pelos órgãos do Estado e elaborada de conformidade com um processo preestabelecido. o Congresso Nacional) e obedecer. e começa a obrigar a partir de um dado momento. na sua "normatividade". "Abstrata" também é a "lei". a "lei" propriamente dita é "geral e abstrata". pois. Esta é feita. a um processo anteriormente previsto. na sua formação. anualmente orça a receita e fixa a despesa do Estado. Formalmente considerada. aos quais a Constituição confere a faculdade de ditar o Direito. norma geral e abstrata. por exemplo. A lei tem execução imediata e geral. pois submete ao seu império todas as pessoas que estejam na situação de inquilino e locador pre dial). visto emanar de um órgão de terminado (p. dispensando a prova de sua existência.ex. seja ou não de caráter geral.

importando. a um terço dos membros do Senado Federal. cada uma delas. 13/03/2011 FORMAÇÃO DA LEI O Estado tem o monopólio das leis. desquite ou anulação. o Poder Executivo. Segundo a sua eficácia. aplicáveis na ausência de uma declaração em contrário e que se subdividem em "subsi diárias" ou "integrantes" e "hipotéticas" ou "autorizantes". e "permissivas". porém. porque se presumem concebidos na constância do casamento os filhos nascidos dentro dos tre zentos dias subseqüentes à dissolução da sociedade conjugal por morte. Melhor será aguardar o vencimento desse prazo. e "imperfeitas" ("IMPER FECTAE"). em ambas as sessões. com a proibição do se gundo casamento de viúva ou de mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado. por exemplo. considerando-se aprovada. em dois turnos. como a que hoje permite o reconhecimento de filhos adul terinos) . ou aquelas cuja violação não acarreta nulidade nem pena. As "subsidiárias" aplicam-se no silêncio do interessado. "menos-queperfeitas" ("MINUS QUAM PERFECTAE"). sob pena de perder o direito ao usufruto dos bens dos filhos e ter de realizar o segundo casamento pelo regime da separação de bens). e as "hipotéticas" são aplicáveis. Conforme a intensidade da sanção. têm-na o Poder Legislativo apenas. como as que im põem o dever recíproco de alimentos entre parentes e as que vedam o casamento entre irmãos). João Bosco 60 . são "constitucionais. A iniciativa da lei é o ato que dá o primeiro impulso ao. e o povo. a deliberação parla mentar (discussão e votação) e a sanção. que cominam a nulidade do ato praticado contra a sua disposição (assim é nulo de pleno di reito um negócio jurídico realizado por menor impúbere. se obtiver. conforme expressa dis posição constitucional. são "perfeitas" ("LEGES PERFECTAE"). 61 da CF/88). enquanto não fizer o inventário do casal e der partilha aos herdeiros. quando a vontade do indivíduo se manifesta com o propósito de aceitar a autorização legal. e de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação. a proposta está sujeita a discus são e votação em cada Casa do Congresso Nacional.I específicas. Quanto à iniciativa de emendas constitucionais. complementares e ordinárias". ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos (art. A iniciativa das leis. aos Tribunais Superiores. pela maioria relativa de seus membros. três quintos dos votos dos ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. ou ambos. classificam-se como "coativas" (subdivididas em imperativas e proibitivas). mas estabelecem um cas tigo para o infrator (o Código Civil.ou do Congresso Nacional. pode caber a um terço dos membros da Câmara dos Deputados. manifestado-se. Conforme o regime político. ao Presidente da República. numa "exortação ou recomen dação no sentido de determinada conduta" como se dá. De acordo com a sua hierarquia. seu processo formativo. as fases primordiais são a iniciativa. proíbe o casamento de viúvo ou viúva com filho do casamento ante rior. Assim. como as reguladoras do testamento. que não ordenam nem proibem (suprimem uma anterior proibição. antes de passados dez meses do falecimento do marido. ao Presi dente da República e ao Supremo Tribunal Federal. que se interpreta como conformidade com o preceito legal. Na elaboração des tas. cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal.DIREITO E LEGISLAÇÃO . As leis são ainda "supletivas". as quais não invalidam o ato prati cado ao arrepio do que prescrevem.

presente a maioria de seus membros. No mesmo prazo. Pelo voto da maioria absoluta das duas Casas do Con gresso Nacional serão aprovadas as leis complementares (art. na mesma sessão legislativa. sobre qualquer matéria. Em seguida. além da iniciativa que cabe ao Presidente da República. Procede-a o exame do projeto pelas Comissões técnicas a começar pela de Cons tituição e Justiça. 65 da CF). que faz a triagem da juridicidade e consti tucionalidade de todas as proposições.I respectivos membros. em um só turno de discussão e votação. O conceito cor rente de maioria absoluta é o de metade mais um. o Presidente da República veta-lo-á. É sancionando ou vetando os projetos aprovados pelo Congresso Nacional que o Presidente da Re pública participa do processo elaborativo das leis. elas serão apreciadas dentro de quarenta e cinco dias. po derá solicitar que a sua apreciação (discussão e votação) seja feita em sessão conjunta do Congresso Nacional. se este o solicitar. opondo-se ao projeto. 69 CF/88). Nos projetos da competência exclu siva do Presidente da República. não pode haver emenda que aumente a despesa prevista (Art. 66. neste prazo. que uma vez aprovado sobe à sanção do Chefe do Poder Executivo. confor me decisão do mais alto órgão do Poder Judiciário no Brasil. É a sanção que converte em lei o que as Câmaras decretaram. A discussão é o estudo do projeto oferecido. Se o projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra. "atos legisla tivos típicos". 67 da CF) Uma vez aprovado o projeto. da maioria absoluta de seus membros. 66. aos Tribunais Superiores. o projeto estará sancionado . Sendo o projeto emendado. como visto. Salvo disposição constitucional em contrário. se rejeitado. Da mesma forma o Senado Federal. Mais ainda: se o Presidente da República julgar urgente o projeto. funções ou empregos públicos ou aumentem vencimen tos ou a despesa pública. dentro de 48 horas. momento integrativo da feitura das leis. se a Casa revisora o aprovar. silencia. num turno único de discussão e vo tação (Art.sanção tácita (Art. § 2º). comunicando. ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos com jurisdição em todo o território nacional. Embora a iniciativa das leis caiba também. não pode a Câmara dos Deputados votar matéria alguma. fundindo as vontades do Poder Legislativo e do Poder Executivo. Esse quorum é necessário também para aprovação da matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto. Sem a presença. ou arquivado.DIREITO E LEGISLAÇÃO . será revisto pela outra. Segue-se a promulgação pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A sanção diz-se expressa. De referência às leis propriamente ditas. com o respectivo número de ordem (art. tem ele iniciativa exclu siva ou reservada das leis sobre um variado elenco de assun tos. a contar do seu recebimento. Essa defini ção. 60 da CF/88). cada uma das casas do Congresso Nacional delibera por maioria de vo tos. § 3º da CF/88). Peculiaridade também das pro postas de lei emanadas do Chefe do Poder Executivo é que. na Casa onde teve início. na Câmara dos Deputados. por considerá-lo inconstitucional ou contrário ao interesse público. 63 da CF/88). se. votará à Casa iniciadora. como as que disponham sobre matéria financeira. e de igual prazo no Senado Federal(Art. criem cargos. mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional (art. porém serve apenas quando o total é número par. § 1º ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. João Bosco 61 . ao Presidente da República e ao Supremo Tribunal Federal. portanto. no prazo de quinze dias úteis. vem a votação do projeto. no todo ou em parte. quando o Presidente da República dá a sua aquiescência formal ao projeto enviado. a discussão e a vo tação pertencem exclusivamente ao Poder Legislativo. ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto (Art. 64. e enviado à sanção ou promulgação.

(Art.DIREITO E LEGISLAÇÃO . HIERARQUIA DAS LEIS Em nosso sistema jurídico. medidas provisórias. gradualmente. o Presidente do Senado a promulgará e. em escrutínio secreto. Os ordenamentos jurídicos costumam fixar um prazo en tre a publicação da lei e o começo de sua vigência. no prazo esta belecido. quantos os atos legislativos aí indicados. leis ordinárias. em todo o país. e 3) norma legais comuns. abaixo da qual se encontram as leis secundárias. decretoslegislativos e resoluções (Art. Entre elas haveria. levando em conta as distân cias e as dificuldades de comunicações. por oferecer o inconveniente de. em todo o país. quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. um prazo dentro do qual. O veto a projetos de leis para o Distrito Federal. abrangendo estas as leis ordinárias. existe uma lei fundamental ou primária que o comanda. leis complemen tares à Constituição. embora a lei esteja publicada. se este não o fizer em igual prazo. fa-lo-á o VicePresidente do Senado Federal (Art. Se o Congresso não deliberar. não promulgar a lei a que negou sanção ou cujo veto foi rejeítado. o processo legislativo compreende a elaboração das seguintes normas jurídicas: emendas à Constituição. po rém. mediante votação pública. Os autores. É o chamado prazo de vacância da lei vacatio legis. que dá a estrutura do Estado e delimita a competência e as atri buições dos "Poderes harmônicos e independentes entre si".I da CF/88). 66. Pelo sistema uniforme ou simultâneo. o veto será considerado mantido. há um prazo comum de vacância. regen do situações idênticas. O Presidente do Senado também promulga os projetos aprovados. formalidade necessária para a eficácia da lei. que será enviado ao Presidente da República. reali zada dentro de 30 dias. ain da não se aplica. dentro de 48 horas. 1º da Lei de Introdução ao Código Civil). de modo que a lei entra em vigência. Há dois sistemas de vacância legal: o gradual e o simul tâneo. e as normas regulamentares. Pelo primeiro sistema. que para isso é convocado pelo Presidente do Senado. a lei começa a vigorar. num mesmo país. 59 da CF/88). Dá-se a apreciação parlamentar do veto. Se o Presidente da República. Sancionada e promulgada a lei. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. elaboradas pelo Congresso Nacional. o rejeitam. no mesmo dia. Segue-se a apreciação deste pelo Congresso Nacional. Entre nós. da competência exclusiva do Congres so Nacional. a lei vai-se tornando obriga tória por etapas. leis delegadas. a saber. pois é ela que estabelece a data a partir da qual se reputará a lei de todos conhecida. encimada pela Constituição. segue-se a sua publica ção no órgão oficial. Nessa pirâmide jurídica. com observância dos atos necessários à elaboração das leis (processo legislativo). decretos legislativos e reso luções. em sessão con junta das duas Câmaras. § 7º da CF/88 ). Se o projeto for aprovado pelo voto Da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. as medidas provisórias. apenas três degraus hierárquicos e não tantos. permitir que vigorem ao mesmo tempo diferentes leis. salvo disposição contrária. João Bosco 62 . em geral. as leis delegadas. 2) normas legais complementares. para que o promulgue. serão submetidos apenas ao Senado Federal. Os escalões seriam: 1) nor mas constitucionais.

políticos e eleitorais. 68 da CF/88). e os restantes atos legislativos. desta distinguindo-se. que deverá solicitar delegação ao Congresso Nacional.DIREITO E LEGISLAÇÃO . de 2 de Setembro de 1961) que introduziu. a que está subordi nada. II) a nacionalidade. João Bosco 63 . devendo submetê-las de imediato ao Congresso (Art. que. 4. formalmente. sobre os quais tem ascendência. e desde que não haja aumento de despesa. a legislação complementar e a legislação delegada (art. o Presidente da República poderá adotar Medidas Provisórias. dentro de sessenta dias. a carrreira e a garantia de seus membros. sem poder emendá -lo. limítrofes da Constituição. ato legislativo típico. no sistema jurídico brasilei ro. criação de cargos públicos e fixação de vencimentos) e o exercício da competência constitucional de editá-lo só poderá ocorrer em casos de urgência ou de interesse público rele vante. é a lei delegada. Foi a Emenda Parlamentarista ou Ato Adicional (Emenda nº. É o Congresso Nacional que. no regime jurídico nacional. Em caso de relevância e urgência. no entanto. especificando o seu conteúdo e os termos do seu exercício. inclusive normas tributárias. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. As Constituições anteriores a 1946 proi biam expressamente a delegação de poderes. que comple mentou a organização do sistema parlamentar de Governo. finanças públicas. tem a mesma natureza de uma lei ordinária. As leis complementares são leis "para-constitu cionais. diretrizes orçamentárias e orçamento (Art. As leis delegadas atualmente só não podem versar sobre atos da competência exclusiva do Congresso Nacional e da competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Se nado Federal ou sobre as seguintes matérias: I) a organi zação do Poder Judiciário e do Ministério Público. A matéria da Medida Provisória é restrita (abrange segurança nacional. nem por decreto legislativo. 62 da CF/88) Uma vez aprovado. que não ostentam a rigi dez dos preceitos constitucionais.I A lei complementar representa hoje um terceiro gênero das leis. porque. embora com vigência imediata. Outro ato normativo. faz a delegação ao Presidente da República. o aprovará ou rejeitará. Sua elaboração cabe ao Presidente da República. cabe provê-la mediante resolução. Não sendo a hipótese regida por lei. os direitos individuais. 22 e Parágrafo único do Ato Adicional). depois de publicado o respectivo texto. a cidadania. e assim toda a legislação ordinária emanava diretamente do Poder Legisla tivo. A Medida Provisória revoga a lei ordinária com ele conflitante? O decreto legislativo e a resolução diferem da lei ordiná ria. de 17 de Julho de 1962. nem tampouco devem com portar a revogação (perda da vigência) por força de qualquer lei ordinária superveniente". porque desprovidos do caráter de normas gerais e abstratas. O decreto legislativo dita normas sobre as maté rias da competência exclusiva do Congresso Nacional. Coloca-se entre a Constituição. Um e outro independem de san ção e veto. esta última regulada na Lei Complemen tar ao Ato Adicional. com força de lei. III) plano plurianuais. deverá ser submetido à aprovação do Congresso Nacional. mediante resolução.

dá-se um ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. está na necessidade da segurança jurídica. E nos §§ 1º e 3. 5º. modificando aquilo que se fez sob o regime jurí dico então vigente. assim. João Bosco 64 . Enquanto outra não lhe tirar a força obrigatória. ela é elaborada sem termo prefixo de validez. em regra ela se dá para o futuro. Toda a vez que uma relação jurídica. Reputa-se ato jurídico perfeito o já consu mado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. quer tenha sido feito valer quer não. o que comanda o assunto em tela é o art. A justificação disso. não obstante. como aqueles cujo começo de exercício tenha termo pré-fixo. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada". não se aplica a efeitos jurídicos resultantes de fatos ocorridos sob a vigência da lei anterior. é a necessidade da confiança na estabilidade do di reito. Se se admite que tais efeitos ficam submetidos à disciplina da da lei nova. § 3. Dificílimo fixar o conceito de direito adquirido . Chama-se coisa julgada ou caso jul gado a decisão judicial de que já não caiba recurso". Existe interesse social na imediata aplicação da lei a todos os casos. total ou parcialmente.°. A Lei de Introdução ao Código Civil também o define. a qual regerá os que se produzirem de sua data em diante. esta tem efeito retroativo. A lei nova. que a aplicação retroativa é licita nos casos em que a ninguém prejudica. isto é. No sistema jurídico brasileiro. sem interferir nas relações jurídicas consumadas sob o império da lei anterior. não priva a ninguém das vantagens licitamente obtidas ao tempo da lei antiga. tem o que se denomina efeito retroativo. não são alcançados pela lei nova.° do citado artigo. Em regra. ainda que se lhe alegue o desuso.até que outra a revo gue. Como princípio fundamental.°.escreve CARLOS MAXIMILIANO que.DIREITO E LEGISLAÇÃO . Quando os efeitos das relações jurídicas cons tituídas na vigência da lei anterior continuam a produzir-se sob a lei nova. antes de advir norma posterior em contrário". tem vigência . assim o define: "Chama-se adquirido” ao direito que se constituiu regular e definitivamente e a cujo respeito se completaram os requisitos legais e de fato para se integrar no patrimônio do respectivo titular. ou alguém por ele. da Constituição. assim define ato jurídico perfeito e a coisa julgada: "§ 1º. produz efeitos sob o império de lei posterior. Os atos e fatos já consumados. todos lhe devem obediência. isto é. que a revoga.I DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS A lei dura. Quanto à validez da lei. XXXVI .°: "Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular. Do princípio geral de que a lei não se deve aplicar retroativamente em prejuízo de pessoa alguma. Quando a lei nova dispõe que se aplicará a fatos já con sumados. que deriva imediatamente da essên cia do mandamento próprio do direito. mas também há interesse social de proteger as situações jurídicas definitivamente constituídas. que diz: "A lei não prejudicará o direito adquirido. § 2. pela abrogação (revogação do inteiro texto legal sancionado) ou a derrogação (revogação parcial da lei). possa exercer. 6. de maneira a causar prejuízo a alguém. ou condição pré-estabele cida inalterável a arbítrio de outrem". formada na vigência de uma lei. no art. cujos efeitos se perpe tuam. A lei nova disciplina todas as situações que prevê. é que surge o problema da retroatividade.

o ato jurídico perfeito e as situações jurídicas definitivamente cons tituídas. a retroatividade que atinge a coisa julgada. cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória". em termos absolutos. João Bosco 65 . A parte do Direito que regula as relações jurídicas surgidas ou vigoran tes no tempo que medeia entre o domínio de uma lei e o da subseqüente chama-se Direito Intertemporal. 5º.I conflito de leis no tempo. 6. 2) leis de aplicação ime diata e 3) leis de aplicação" diferida. o direito adquirido e a coisa julgada (Lei de Introdução ao Código Civil. já consuma· dos). o que importa em admitir a retroatividade que a ninguém cause dano injusto. art. 2. e coerente com essa concepção da irretroatividade relativa. Entre nós não se pode sustentar. deixando que os efeitos das relações jurídicas anteriores sejam regulados pela lei anterior" No Direito moderno. embora derivados de uma relação jurí dica anteriormente constituída. sem contudo impedir que a lei nova retroaja para beneficiar. XL da CF/88). (Código Penal. ou lei que atua sobre fatos e circunstâncias anteriores. nenhuma lei incide sobre crimes passados (proibição da lex ex post jacto. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof.°).° ). que desde sem pre o nosso regime constitucional adotou. o efeito imediato é o que prevalece. Por outro lado. e "ninguém pode ser punido por fato que a lei posterior deixa de considerar crime. De acordo com a lição de PAUL ROUBIER. As propriamente retroativas são as que se voltam sobre os efeitos já consumados sob o império da lei anterior (ter mos em que o regime constitucional brasileiro as proíbe). Em virtude do princípio da legalidade. as leis devem ser divididas em: 1) leis retroativas. No Brasil está ele consagrado. O que a norma fundamental do sistema jurídico brasileiro proíbe é a retroatividade mal fazeja. E as de aplicação diferida regem as relações jurídicas constituídas depois de sua san ção. art. com a expressa ressalva de respeitar o ato jurídico perfeito. o Direito brasileiro acolheu a re troatividade da lei penal benigna (Art. o princípio da irretroatividade. De aplicação imediata são as que regem os efeitos produzidos depois de sua sanção.DIREITO E LEGISLAÇÃO .

Ante um texto obscuro ou duvidoso. visto como as palavras podem ter sido usadas no sentido habitual ou no etimológico. O intér prete terá. O primeiro baseia-se na explicação do sentido das pa lavras. 2) o sentido da norma. a palavra era empregada como queria o intérprete que a interpretassem na lei". estão o gramatical ou filológico. nunca a um resultado que seja o único correto" (HANS KELSEN. Pode servir-se de um ou de todos. ed. tornar patente o sentido de alguma coisa. é a descoberta do sentido que esta encerra. Dentre os métodos de interpretação das normas. Em verdade. com base nas palavras (interpretação lógica. "Todos os métodos de interpretação até o presente elaborados" . etc.escreve KELSEN . do sentido provável em que terão sido empregadas. na lição de HANS NAWIASKY. "Teoria Pura do Direito". os autores concordam em que todos os mé todos interpretativos servem. ratio legis. resolve o problema da descoberta do sentido da norma. ou o aplicador do direito. na dúvida. recorria-se aos chamados textos paralelos. nem o explica em si e por si. 3 segue-se a ) interpreta ção sistemática.I INTERPRETAÇÃO DO DIREITO: ESPÉCIES E MÉTODOS Relevante é o papel do intérprete do Direito. Tudo que tem um sentido é suscetível de interpretação. o exegético ou histórico e o dogmá tico. na procura do sentido e alcance da norma. isoladamente considerado. II. O método exegético ou histórico indaga a vontade e intenção do legislador que editou a lei. etc. A interpretação da norma jurídica. isto é. mas nem por isso desprezível. de averiguar todo o processo legislativo da norma interpretanda (projeto. intentio legis e occasio legis). Além desta técnica. Esta não isola o preceito jurídico. É o procedimento de pesquisa do sentido da norma de conduta.. O intérprete não fica subordinado a métodos. segundo quem a interpretação determi na: 1) a significação das palavras de que se serve a norma (o que muito importa. para fazer ver que nesses textos de grande autoridade no mundo da cultura. quanto mais distante vai ficando o tempo dessa elaboração. utilizava-se em grande escala a etimologia. voI. isoladamente.DIREITO E LEGISLAÇÃO . Esta é a intenção do seu autor. pág. em primeiro lugar a Bíblia.. Também se recorria a exemplos fraseológicos. Criticável pela razão acima dada. cumpre primordial mente clarificar qual tenha sido a intenção do legislador que elaborou a lei . como o da Suíça). portanto. pareceres técnicos. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. em regra o intérprete. port. 290). por último."conduzem sempre a um resultado apenas possível. de maneira que. Interpretar significa averiguar. utilizadas pelo legislador. tendo-o usado largamente os glosadores. recorria-se à interpretação por meio da origem idiomá tica da palavra.) bem como a atmosfera política e social e as concepções dominantes à época. João Bosco 66 . em primeiro lugar faz cuidadosa análise de suas palavras. etc. debates parlamentares. e nenhum deles. operação que consistia em tomar frases de livros célebres. com prejuízo da unidade global do Direito. a fim de tentar apoderar-se do pensamento que terá inspirado o legislador. para isso. É o mais antigo dos métodos. e. para demonstrar a persistência da significação na pluralidade dos casos. no vulgar ou no técnico jurídico. mas indaga o sentido da norma jurí dica dentro do corpo total do Direito. Seu defeito capital é considerar os elementos gramaticais da norma.tarefa tanto mais difícil de realizar. para de imediato formar um juízo do texto. ou haver ordenamentos jurídicos escritos em várias línguas. frases..

de encontrar no texto mesmo dela a solução procurada. pelo conjunto. no vasto mundo da ciência jurídica. quando a aplicam ao caso concreto. a saber. independente daquele que a fez. ao lado da regra do stare decises et quieta non movere Em regra. tratadistas e comenta dores. pre cisam de compreender e. Não obstante. portanto. Apesar de ser a única obrigatória. PROCESSOS DE INTEGRAÇÃO DO DIREITO Interpretar não se confunde com integrar a norma. De modo particular. procede do labor constante dos cien tistas do Direito. a interpretação por eles dada a institutos. estes os únicos intérpretes da norma de conduta. nos sistemas de tradição romanista. onde prevalece a força do precedente. João Bosco . pode compreender uma de suas partes. Na feliz reflexão de KELSEN. para ver se. Inte grar o Direito é 67 ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. Essa é a sua função específica. assim. Os juristas. observando ou praticando a conduta que evita a sanção. normas jurídicas etc. fazer o seu enquadramento sis temático no direito positivo.DIREITO E LEGISLAÇÃO . quando necessário. analisar os distintos aspectos da norma para descobrir-lhe o sentido e. como fundamento de suas decisões.. a interpre tação judicial segue a sorte da própria jurisprudência. tanto que termina sua elaboração e passa a ter vida própria. Sua utilidade dispensa maiores demonstrações. doutrinária e judicial. é também de natureza não obrigatória. interpretar a norma é o que sempre fazem os órgãos jurisdicionais. mediante um procedimento lógico. que se segue em importância à dos juízes e tribunais. A interpretação doutrinária. os comenta dores de códigos e leis consagram-se a esse mister. A interpretação judicial ou jurisprudencial não dispõe de obrigatoriedade geral. casos. por motivos óbvios. a não ser no regime jurídico anglo -americano. Esta última é a que ralizam os juízes e tribunais.I O método lógico sistemático ajuda o intérprete ou apli cador da norma a descobrir-lhe o sentido dentro do sistema total do direito vigente De acordo com o método lógico-sistemático a lei despren de-se do órgão que a ditou. e. estão permanentemente procurando tudo interpretar. não de aplicar. Os tribunais freqüentem ente estão a invocar a opinião dos jurisconsultos. mas de observar o Direito. uma vez que ao Poder Judiciário foi deixada precisa mente a função de interpretar as leis. ESPÉCIES DE INTERPRETAÇÃO Segundo a fonte de onde emana. elaborando soluções. de determinar o sentido das normas jurídicas que por eles hão de ser observadas. que se impõe apenas pela persuasão e pela autoridade do tribunal julgador. que se dedicam ao estudo teórico do Direito. torna-se supérflua a atividade legislativa nesse mesmo sentido. em sua atividade normal de aplicadores do Direito. A interpretação autêntica das normas é dada por aqueles mesmos que as elaboraram. quando de sua aplica ção aos casos pendentes de julgamento. O intérprete terá. conceitos e normas. Mas não são. como a anterior. trata-se de uma interpretação hoje muito rara. a interpretação é autêntica. os próprios indi víduos que têm. Se temos juízes com o poder de' interpretar conclusivamente as normas jurídicas. em geral. de mani festa utilidade geral. a norma interpretativa. através de uma outra norma.

E como chegar à integração? Quais os meios de suprir o silêncio das normas? Atuará o juiz de acordo com suas convicções pessoais? Subroga-se na função do legislador. os costumes e os princípios gerais do direito". citada). Como então proceder? O juiz deve preencher o espaço vazio. para esse fim. integração do Direito toda a vez que o órgão jurisdicional (juiz singular ou tribunal) prolata uma sentença. em qualquer delas. Fora daí o julgamento é feito com o recurso a outras fontes reveladoras do Direito positivo. João Bosco 68 . realiza um julga mento num caso que a legislação em vigor não previu. que antes se mostrara incompleta. o juiz defronta uma hipótese não enquadrável em nenhuma norma existente.e não outra fonte formal do Direito . "verdadeiramente o di ploma de aplicação. Obrigado é o juiz a aplicar a lei. absolutamente. elaborando livremente a norma que este faria. A ordem jurídica. isto é. depois da integração feita pelo juiz tornou-se uma plenitude hermética. através da ela boração de preceito novo para o caso. completando a zona vazia de normatividade. lei. nesse dispositivo.aos princípios gerais do direito". que se funda menta "no ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. no ordenamento jurídico por essa omis são. isto é. portanto. Por sua vez. elaborando o pre ceito normativo para o caso omisso.°. independentemente da ordem em que se acham ali. Esgotados. mas se esta for lacu nosa ou omissa. Embora contenha o art. a integração na esfera desses dois ramos do Direito público. de todas as leis brasileiras" (EDUARDO ESPÍNOLA E EDUARDO ESPÍNOLA FILHO). no tempo e no espaço. cumpre observar que se não estabeleceu. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. Uma vez que so mente a lei . portanto. No julgamento da lide caber -lhe-á aplicar as normas legais. não as havendo. sem encontrar. servindo-se de uma qualquer das fontes supletivas indi cadas pela Lei de Introdução. se nela o juiz não encontrar solução para o caso que tem de decidir.pode definir crimes ou cominar penas e criar obrigação tributária. 4. aos costumes e . Na integração. é inaplicável em matéria penal e tributária. Quando a lei for omissa. Há. então ele poderá preencher o espaço vazio deixado. en quadramento. 4. para o caso particular submetido à sua apreciação. pois não há crime nem pena sem assim como também inexiste tributo que não seja instituído legalmente.° da Lei de Introdução. O juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. sabido que a lacuna da lei resulta da impossibilidade reconhecida à mente humana de prever e disciplinar a infinita variedade dos casos futuros. pois para isso foi instituído como órgão da jurisdição. 4. Assim é que a Lei de Introdução ao Código Civil prescreve: "Art. todos os recursos hermenêuticos de investigação do sentido das normas. Uma delas é a analogia. uma ordem impreterível de fontes subsidiá rias. e não apenas as de direito privado.° da Lei de Introdução uma regra dita de aplicação de todas as normas do direito interno. o juiz parte para integrar o ordenamento. em geral. o nosso indica as fontes supletivas do direito objetivo. se tivesse previsto o caso? Não. em obediência à norma geral reguladora da aplicação de todas as normas jurídicas (art. segue-se não caber nunca.uma lacuna na legislação. através dos meios apontados pela própria ordem jurídica. no momento de sentenciar ele se vê diante de uma espécie não prevista pelas leis em vigor . A exemplo do que acontece nos sistemas jurídicos.I suprir o silêncio ou a ausência da norma. o Código de Processo Civil dispõe: "Art. 126. seja no seu espírito ou na sua expressão literal.DIREITO E LEGISLAÇÃO . recorrerá à analogia. Antes do mais. E contudo ele tem que sentenciar.

nem sequer implicitamente.I entendimento de que duma norma legal ou do con junto delas podem extrair-se princípios que são aplicáveis a casos que não estão previstos na lei. na sua energia funcional.DIREITO E LEGISLAÇÃO . aprecia a lei ou o sistema jurídico. Em face de uma hipótese não contemplada na previsão da norma jurídica. João Bosco 25/03/2011 69 . As outras fontes subsidiárias são os costumes e os prin cípios gerais de Direito. com a analogia remonta mais alto. na interpretação propriamente dita o juiz aplica e desenvolve qualidades de argúcia. Costumes ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. devem ter as mesmas soluções" (ANGEL LATORRE). o magistrado faz a integração aplicando ao caso não previsto a norma jurídica reguladora de caso semelhante. na sua teologia. vai ele construir a norma para o caso. apesar de todo o seu esforço interpretativo. através da livre investigação nos domí nios das demais fontes jurídicas. por apresentarem uma semelhança substancial com os contemplados nos textos legais. "se. perspicácia e reflexão. Segundo o pensamento de CLÓVIS BEVILAQUA. resposta para o caso concreto. Uma vez que nem a letra nem o espírito da lei forneçam ao juiz. e dessa vista de conjunto extrai o princípio jurídico aplicável". mas que. em seus fundamentos racionais. a esse respeito.

pois que aquele é a própria exteriorização do espírito nacional (Volksgeist). convencionou-se chamar direito costumeiro.I Os costumes. a publicação intitulada "Assentamentos de Usos e Costumes da Praça de São Paulo". João Bosco 70 . os costumes da repartição podem influir de alguma forma nas ações estatais. hábito. situando-o logo após a analogia. para suprir as lacunas da lei (art.. Por outro lado. a convicção de que ele é obrigatório. opera erga omnes. visto que. a seguir. inclusive ajudando a produção de novas normas. exceção feita ao costume internacional. uso. O costume é a mais antiga e autêntica fonte de direito.DIREITO E LEGISLAÇÃO . 4º da Lei de Introdução ao Código Civil menciona o costume como elemento integrativo da lei lacunosa. O termo costume deriva do latim consuetudine. que exige obediência dos administradores aos comando legais. o juiz invoca os costumes e. especialmente Inglaterra e Estados Unidos. o costume é invocado. também denominado direito não-escrito. No Brasil. 4º da LICC). Para que o uso social seja considerado obrigatório socialmente e. com o consentimento tácito de todas as pessoas que admitiram a sua força como norma a seguir na prática de determinados atos. elaborada pela Junta Comercial e publicada no Diário Oficial do Estado. está a se ver. p. O costume não se confunde. Primeiro.ex:. mas também nos Estados de Direito legislado ou escrito o costume se destaca.. Os Estados integrantes da Common Law. que origina uma norma social correspondente a uma necessidade jurídica. valorizam bastante o costume como expressão da vontade geral. não sendo satisfatórios os efeitos desta. de consuetumine. Embora alguns autores não façam distinção entre costume e uso. e é no direito comercial que vamos encontrar a grande força disciplinadora do costume. e a célebre Escola Histórica do Direito. surgida no século XIX. Deve existir. Ao conjunto das normas costumeiras em vigor num Estado. ressaltou a importância do costume para o direito. então. outros advertem que o costume se distingue dos usos sociais em geral porque a comunidade o considera obrigatório para todos (opinio necessitatis). O art. ao passo que a lei pressupõe várias formalidades legais para vigorar. como. ex. de tal sorte que a sua violação acarreta uma responsabilidade jurídica e não apenas uma reprovação social. é preciso que tenha considerável antigüidade. que é visto como exigência legal. Diz-se costume à reiteração uniforme de determinado comportamento. normas costumeiras são consolidadas. também. não alcançando mais do que um local ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. sob a orientação de Savigny. a lei é genérica. se torne costume. desprovidas de coercitividade. a analogia. p. com as demais normas sociais ou de cortesia. inicialmente porque surge independentemente de quaisquer formalidades impostas pelo Estado. os princípios gerais de direito. expressão esta que não tem caráter absoluto. seja praticado por longo tempo (longa inveterata diuturna consuetudo). O costume demonstra o princípio ou a regra não escrita que se introduziu pelo uso. ao passo que costume. em algumas situações concretas. em face do citado princípio da legalidade. portanto. No entanto. que hoje em dia têm pouca utilidade prática. vale dizer. às vezes. O costume não se confunde com a lei. É a prática social reiterada e considerada obrigatória. tem efeito particularizado.

que se manifesta através do desuso". sem estar escrito. 2º. no período arcaico. ao passo que esta é obra exclusiva dos tribunais. A legislação não o permite. Observar o que determina o art. Quando alegado. enquanto a jurisprudência se origina do raciocínio dos magistrados e da técnica jurídica. O costume reveste-se de singular importância para o Direito do Trabalho. 8º. 3). município ou região. isto é. v. Apesar disso. o costume vem a ser a norma não-escrita consagrada pelo uso e pela aceitação tácita das pessoas na prática de determinados atos. Cícero o definiu como sendo aprovado. Deve ser uniforme. O costume é a norma jurídica oral. de legibus. p. mas ao direito legislado (Introdução à Ciência do Direito. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. D. Com maior propriedade. O costume (mos. Pleraque in iure non legibus. porém.. como esclarece Mozart Victor Russomano (Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. a maioria das coisas não consistem em leis. o costume é espontâneo. adverte André Franco Montoro. 337. porque esta se trata de uma disciplina em formação e os hábitos coletivos continuam a presidir a realização de muitos atos que lhe dizem respeito. por ser criação da consciência popular. São Paulo. pois um costume não pode operar contra legem. § I. momentaneamente. "Entre as fontes do direito romano. 5. Com razão. a lei terá vigor até que outra modifique ou revogue. A sua força é supletiva da lei. Enfim. ex. do CC-Antigo. D. mores maiorum) é a observância constante e espontânea de determinadas normas de comportamento humano na sociedade. já que. No primeiro caso... mas sim em costumes.DIREITO E LEGISLAÇÃO . tenebunt omnes (Juliano: 1.37. já que somente uma lei pode revogar outra lei. apenas isso. José Konfino. 83). O costume pode se mostrar segundo a lei (Secundum legem) ou na omissão da lei (praeter legem). I. 1º. "embora os costumes venham perdendo importância como fontes do Direito. foi aprovado pelo povo. no segundo sentido. v. contra a lei. está o costume. São seus requisitos básicos a constância e a harmonia com o direito escrito. A doutrina não o permite. sed moribus constant (Quintiliano: I. que. o costume não se confunde com a jurisprudência. Com efeito. Observar o art. O costume não funciona contra a lei (contra legem). encontra exemplo marcante no art. a própria lei autoriza sua invocação. O.. I. derroga os textos. o costume deve ser provado. CLT. 58). será também guardado por todos aquilo que. p. o costume não pode dispor contra a lei ou revogá-la.192.. Optima est legum interpres consuetudo (Calístrato: 1. São. que revelam sua força. 4º da LICC. quae sine ullo scripto populus probavit. podemos dizer que o direito consuetudinário se opõe não ao direito escrito. assim: Não se destinando à vigência temporária. o costume readquire a força que outrora tinha e. 3). 32. por sua vez. porque a LICC é incisiva a respeito. consuetudo. CPC. Por outro lado. O costume é o melhor intérprete da lei. praça comercial. p. os casos excepcionais. ainda têm relevância no Direito do Trabalho. Da mesma forma que não se confunde com a lei. o teor do Art. resultando da consciência coletiva do povo. algumas vezes. O costume praeter legem. 1. de legibus. Merito etea. João Bosco 71 . II. 1979.I determinado. 3). Em direito. 7ª ed. foi quase que exclusivamente a sua única fonte. geral e praticado com continuidade.

os sistemas jurídicos próprios de Inglaterra. 3) a lei.3. 1992) Há que diferenciar dois tipos básicos de sistemas jurídicos. havendo entretanto quem entenda só ter de ser provado o costume no caso de sua contestação . Como diz MIGUEL REALE. 6ª ed. a um processo anteriormente previsto e o costume nasce de maneira imprevista. a vigência do costume é uma decorrência de sua eficácia.33). Diferença entre a lei e o costume Entre essas duas fontes formais do direito existem diferenças. uma vez publicada. e começa a obrigar a partir de um dado momento. mas o costume jurídico. 1. 2) a lei é dotada de certeza e segurança. algumas das quais a doutrina põe em relevo.67). dos Estados Unidos e das restantes ex-colónias inglesas — e o direito continental ou romano-germânico. Há contudo excepções a esta não-vinculatividade: as "súmulas vinculantes" brasileiras e os "assentos" portugueses são disso exemplo. próprio dos países europeus continentais e das suas ex-colónias." (Marky. o Congresso Nacional) e obedecer.3. o "civil law". 2. João Bosco 72 . ao passo que o costu me não tem autor conhecido. pelo decurso de longuíssimo tempo e pela vontade de todos: quod voluntate omnium sine lege vetustas comprobavit (De inv. duas "famílias de direitos": o direito anglo-saxónico ou "common-law" — isto é. que são vinculativos.I sem lei. ao passo que o costume deve em regra ser demonstrado e cede ante prova em contrário. o juiz julga sobretudo com base em decisões anteriores dos próprios tribunais. Nos sistemas continentais. No "common-law". ex.. nem se saber onde e como apareceu. As decisões dos tribunais superiores não vinculam para casos futuros. a principal fonte do direito é a lei. Thomas. dispensando a prova de sua existência. na sua formação.DIREITO E LEGISLAÇÃO . 01/04/2011 Doutrina ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. Assim é que: 1) a lei é resultado reflexivo e técnico da vontade do órgão estatal qualificado. Saraiva. ed. vigora até que outra lei a revogue. a observância da regra consuetudinária deve ser constante e universal.1) e Ulpiano como "diuturno": diuturna consuetudo (D.32. 1. A legislação é esparsa. pode perder a vigência.22.. de modo que as regras de direito costumei ro deixam de viger por falta de uso. surge espontaneamente e ninguém sabe quando ele começou a existir. a legislação emitida pelos parlamentos e governos. Todos os sistemas jurídicos de países de língua oficial portuguesa pertencem à família romano-germânica. pelo desuso (desuetudo). De qualquer modo. sem se lhe poderem prefixar métodos elaborativos. os chamados precedentes. 4) a lei tem execução imediata e geral. visto emanar de um órgão de terminado (p. Curso Elementar de Direito Romano. Juliano o caracterizava como "inveterado": inveterata consuetudo (D.

ilumi nando o campo de abrangência da normatividade da lei (haja vista. Com suas críticas. E nesta situação têm sabido encontrar so luções mediante o manejo imaginativo de recursos proces suais ou substantivos. que muitas vezes é falha e de difícil interpretação. Em suas obras se encontram a crí tica das instituições vigentes. além de complementar a legislação existente. mas tem utilidade na prática judiciária. entre nós. artigos. senão a palavra do jurista e advogado em luta contra atos arbitrários ofensivos da liberdade individual. 1979. converte ram-se em agentes efetivos do desenvolvimento legislativo. E em muitas oportunidades eles mesmos chegaram a ocupar essa posição. filosófico. em geral. entre outros. Neles se manifesta uma aguda capacidade para intuir as exigências do desenvol vimento social. dos juízes e tribunais. entre advogados e juízes). págs. os remédios propostos. 200/1).DIREITO E LEGISLAÇÃO . "Fuentes del Derecho". Seus escritos têm exercido uma perdurável influência sobre os legisladores. “ Jurisprudência 03/04/2011 ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. convenceu o Judiciário e. Quem.I O termo doutrina pode ser definido como o conjunto de princípios que servem de base a um sistema religioso. no Brasil. diz que: “A doutrina. Além disso. como a jurisprudência. a difusão dos comentários aos códigos e constituições. final mente. escreve um mestre: Os juristas são portavozes da comunidade. a prescrever a proibição de desterrar presos políti cos para lugares desertos. com o que tiveram a opor tunidade de traduzir em ação legislativa seus ensinamentos teóricos (JÚLIO CUETO RUA. em seu “Curso de Introdução ao Estudo do Direito. José Bushatsky. tal como a jurisprudência. São Paulo. 1971. congressos etc. a doutrina também é fonte secundária e influencia no surgimento de novas leis e na solução de dúvidas no cotidiano. pareceres. Bue nos Aires. João Bosco 73 . Assim. convencido pelas lições dos grandes mestres do Direito. o próprio constituinte de que' "os efeitos do estado de sítio" não podiam subsistir depois de findo o prazo marcado para essa medida de exceção? Não foi também por obra exclusiva desse advogado que os tribunais vieram a admitir e a Constituição de 1934. Rubens Rodrigues Nogueira. por via deste. Editor. político. insalubres ou longínquos? A propósito da importância viva da doutrina na expe riência jurídica de todos os tempos. São dos primeiros a adquirir consciência dos desajustes entre o Direito vigente e as novas circuns tâncias sociais. materializada em livros. e a forma de encarar as dificuldades mediante o emprego dife rente das técnicas disponíveis. não está entre as fontes formais do Direito. ela exerce influência sobre o desenvolvimento da própria legis lação. científico. por exemplo. sendo muitas as ocasiões em que o Poder Legislativo elabora novas leis ou modifica as já existentes. A doutrina é a teoria desenvolvida pelos estudiosos do Direito.

“jurisprudência” são diversas decisões no mesmo sentido. julgados pelos tribunais. para outros julgamentos. o hábito de interpretar e aplicar as leis aos fatos concretos. Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco etc). Então. instituída pela Emenda Constitucional n° 45. Ou seja. na CF/88. que adotem idêntica decisão. Entidade de Classe com representação em todo território nacional etc). Tais decisões serão objetos de recursos e. em Brasília. para que. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul.DIREITO E LEGISLAÇÃO . pode-se tomar como parâmetro para decisões futuras. apenas. Nesse sentido. pela qual todos os órgãos do Poder Judiciário ficam vinculados à decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (última instância do Poder Judiciário) em Ação Direta de Inconstitucionalidade ou Ação Direta de Constitucionalidade (ações que podem ser propostas por determinadas pessoas ou entidades com: Presidente da República. assim. João Bosco 74 . formando. A grosso modo. Jurisprudência é derivado da conjugação dos termos. 102. pelo que entende-se como a Ciência do Direito vista com sabedoria. Os processos julgados em primeira instância farão jurisprudências que serão referências. ante sua existência. pelo qual se condensa uma série de acórdãos (decisões de tribunais). mas sim após uma série de decisões no mesmo sentido. No mesmo instante. em primeira instância tem uma decisão que se chama sentença: é o precedente. em geral. Modernamente. Diz-se em geral. ou seja. Ressalva seja feita em decorrência da recente Reforma do Judiciário. Partido Político. formarão novas decisões que serão a jurisprudência destes tribunais (por exemplo. um processo ajuizado por uma pessoa física ou jurídica. simplesmente. e. que implementou a “súmula vinculante”. se decidam as causas. de 31/12/2004. em latim. os Juízes são livres para decidir conforme suas próprias convicções. finalmente. diversas outras pessoas entram com processos discutindo o mesmo assunto. em cada um destes tribunais. pois. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. § 2º). e “súmula” é o resultado decorrente do procedimento de Uniformização de Jurisprudência. Na prática. a jurisprudência não se forma por decisões isoladas.I Chama-se jurisprudência o conjunto de decisões do Poder Judiciário na mesma linha. Caso sejam possíveis novos recursos. têm sido seguidas à risca. ou. ainda que. essas decisões não obriguem a Administração quando não é parte na ação. estes processos poderão ser encaminhados para o Superior Tribunal de Justiça. mas as súmulas têm forte caráter persuasivo e. julgamentos no mesmo sentido. para o Supremo Tribunal Federal. suas próprias jurisprudências (conjunto de decisões num mesmo sentido). o Direito aplicado com sabedoria. Segundo o dicionário jurídico de De Plácido e Silva1. jus (Direito) e prudentia (sabedoria). entende-se por jurisprudência como sábia interpretação e aplicação das leis a todos os casos concretos que se submetam a julgamento da justiça. Segue um exemplo de jurisprudência: ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. Nenhum destes tem aplicação obrigatória. há previsão de vinculação do Judiciário e do Executivo à decisão definitiva de mérito em Ação Declaratória de Constitucionalidade (art. pode-se dizer que: “precedente” é uma única decisão em determinado sentido. Governador do Estado. também em Brasília.

o órgão julgador etc). art. 1.07. 2005/0008523-7. 1. 397 do Código de Processo Civil. RECURSO ESPECIAL. Em seguida. Precedentes da Corte. A juntada da cópia integral da convenção de condomínio em grau de apelação não viola o art. não viola um dispositivo de lei determinado (art. Neste caso. revistas especializadas. Recurso especial conhecido e provido. § 1°.” (REsp 718217 / SP . Vê-se. que foi o relator do processo – aquele que fez o relatório. os dados para identificação do processo (número.336. É um sumário do caso e do resultado do julgamento. Órgão Julgador T3 .DIREITO E LEGISLAÇÃO . Relator(a) Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO (1108). Multa. 532) “Ementa” significa. a matéria dizia respeito a aplicação do novo Código Civil (publicado em 2002 e que entrou em vigor em 2003). A natureza estatutária da convenção de condomínio autoriza a imediata aplicação do regime jurídico previsto no novo Código Civil. ou pela internet. síntese.2005 p. Data da Publicação/Fonte DJ 01. § 1°. 2. em grau de recurso.I Ementa: “Despesas de condomínio. Qualquer pessoa pode ter acesso às jurisprudências dos tribunais brasileiros. 3.TERCEIRA TURMA. concluindo que aplicava-se imediatamente a matérias envolvendo condomínios.336. João Bosco 75 . resumo. 1. Aplicação do Código Civil de 2002. regendo-se a multa pelo disposto no respectivo art. Data do Julgamento 14/06/2005. entre parênteses. ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL Prof. em parte. concluiu-se que a juntada de documento após o início do processo. 397 do Código de Processo Civil). por meio de livros.