A crise económica e financeira, que obrigou Portugal a submeter-se à humilhação de pedir ajuda internacional, tem vários culpados.

Os políticos são o alvo mais fácil e têm, de facto, muitas responsabilidades pelas decisões económicas erradas que conduziram o País até à bancarrota. Mas há mais. Os bancos nacionais tiveram um papel especial, tal como os grandes bancos internacionais tiveram comportamentos irresponsáveis que motivaram a crise económica mundial, nascida com o subprime. Depois da entrada no euro, que provocou uma descida dos juros, os bancos não lidaram bem com a nova realidade do dinheiro barato. Com políticas comerciais agressivas - que passaram por reguladores permissivos -, promoveram o endividamento das famílias, das empresas e do Estado. O crédito parecia um rio sem fim, fácil de navegar. Pois a festa do consumismo não podia durar para sempre. A factura chegou e para todos. Os bancos também estão a sofrer com a falência do País. Só têm liquidez vinda do Banco Central Europeu (BCE) e, como recomendou ontem o regulador, devem aumentar os rácios de capital para reforçarem a solidez do sistema financeiro. E, entretanto, vão enfrentar mais ‘stress tests'. Perante este cenário complexo, os banqueiros mudaram de posição. Ameaçaram fechar o crédito ao Estado e abandonaram José Sócrates na resistência à intervenção externa. E, com discursos combinados, apareceram a pedir a ajuda do estrangeiro com máxima urgência. Aparentemente, foram as dificuldades da banca que motivaram a rendição de Sócrates. Os bancos contribuíram para a falência financeira do País e agora estão preocupados em salvar a sua pele. Parece injusto mas é a vida. Nenhuma economia moderna funciona sem um bom sistema financeiro. Portanto, esta ajuda a Portugal tem de prever uma área de intervenção para os bancos. A liquidez tem de ser recuperada porque, caso contrário, o sistema financeiro vai sofrer mas toda a economia também. Além disto, os banqueiros portugueses já provaram a sua competência. A banca não revelou até hoje problemas de solidez, ao contrário por exemplo da Islândia e Irlanda. Houve no passado casos criminais que devem ser julgados na justiça. Há uma grande lição a tirar desta bancarrota: quem está altamente endividado, não é independente. Portugal está a perder soberania nacional. Mas os bancos portugueses também estão a aprender esta lição à força. Muitos estão a vender os anéis e outros, no final desta crise, vão ter nome português mas donos estrangeiros. Afinal, a crise chega a todos. ____