On a whim

Série Katie 2
Robin Jones Gunn

Capítulo 1
- Qual botão eu aperto? Katie fitava o painel de opções do aparelho de microondas da sua melhor amiga. - O que diz 'pipoca'. A voz de Cris do quarto de seu apartamento carregava ênfase suficiente para comunicar que Katie deveria saber a resposta óbvia. - Oh. Achei! Katie pressionou o botão de pipoca e sacudiu o seu cabelo ruivo para trás das orelhas. Ela estava pronta para comer bastante naquela Noite das Garotas delas. Abrindo a porta do freezer, ela gritou: - Tudo bem se eu usar todo o gelo? Você não tem muito aqui. - Use tudo, Cris gritou de volta. Você sempre pode descer ao apartamento do Rick se você precisar de mais. - Rick está no Arizona. Eu te contei isso, não contei? Katie parou de encher o liquidificador com gelo enquanto Cris caminhava para dentro da cozinha. Ela tinha vestido shorts de pijama de flanela folgados e uma das camisas de moletom com capuz de Ted. Seu longo cabelo cor de noz-moscada estava preso em um rabo-de-cavalo e o seu rosto estava verde. - Uau! Isso é mais verde do que eu me lembrava. Katie disse. Você já está sentindo formigar? - Um pouco. Sinto minha pele esticada. - É assim mesmo que deveria estar. - Então eu acho que está funcionando. Cris pegou um dos morangos congelados que estavam descongelando em uma tigela no balcão da cozinha. De que você disse que isso foi feito? - Os smoothies? 1 - Não, a máscara facial. - Pó de chá verde, pólen de abelha, mel, ovos brancos e algumas outras coisas orgânicas. - E me diga de novo quem deu isso a você e disse que era ótimo? - Nicole. Ela usa isso o tempo todo e você viu a pele dela. - A pele dela é perfeita, Cris disse. Mas Nicole provavelmente se exercita regularmente e come direito, então eu acho que ela tem vantagens adicionais sobre nós.

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Bebida feita com iogurte e frutas. Parece um pouco com sorvete, mas é mais saudável.

- Nós estamos trabalhando na saúde alimentar até mesmo enquanto falamos. Katie colocou alguns morangos e blueberries2 congelados dentro do liquidificador por cima do iogurte light e dos cubos de gelo. - Nós tínhamos gelo suficiente? Cris abriu a porta do freezer. Eu acho que o nosso congelador está estragado. - Nós temos o suficiente. Ajuda que as frutas ainda estejam congeladas. - Se você quiser mais gelo, eu estava falando sério quando disse que você poderia descer ao apartamento do Rick e do Eli. Eli provavelmente está lá. De fato, ele vai até ficar feliz por ser a pessoa a lhe dar o gelo, pra variar. - Muito engraçado. - Mas é isto. Cris tentou abrir a sua boca na forma de um O e passou levemente a mão em um lado do seu rosto. Eu estou rachando? - Sim. E eu não vou fazer nenhum comentário adicional. Eu também não vou adicionar comentário algum ao tópico de quão supostamente rude eu sou com Eli. Eu já ouvi demais o Rick falando sobre isso. O cara me deixa nervosa, ok? Isso é tudo o que eu estou dizendo. Isso é tudo o que eu já disse a respeito dele. Eli é... - Ele é um de nós, Katie. Você nem deu uma chance a ele. Ele é o colega de quarto do seu namorado e ele foi o colega de quarto do Ted quando eles estavam na Espanha. Ele vai estar durante algum tempo em nosso círculo. Você realmente precisa fazer as pazes com isso. O micro-ondas deu um ”bip" lento e Katie tirou vantagem da interrupção para sair do assunto atual da conversa. - Eu acho que o seu micro-ondas está mais ou menos do mesmo jeito que o seu congelador. Esse saco de pipoca mal começou a inchar. - Mas está com cheiro de pipoca. Cris deu um passo passando pela mesa da cozinha rumo à janela que tinha aberto para o pátio gramíneo e o passeio de cimento. Talvez seja essa máscara verde que eu estou cheirando. Alguma coisa está cheirando forte. Katie apertou o botão de pipoca no micro-ondas novamente e retornou ao liquidificador e o ligou. - Você gosta bem batido? Ela gritou por cima do som do gelo sendo quebrado. - Não faz diferença pra mim, bata o suficiente até que fique doce. Eu não gosto de smoothies que parecem mais com um iogurte forte do que com fruta. - Por que você não trabalha na mistura perfeita enquanto eu pinto o meu rosto de verde? Cris balançou a cabeça, mas não disse coisa alguma numa tentativa aparente de
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Planta silvestre que dá frutinhos comestíveis.

não estragar sua máscara verde que estava secando. Katie entrou para dentro do pequeno banheiro do apartamento de um quarto de Ted e Cris. O banheiro era do mesmo jeito que o do apartamento de dois quartos de Rick e Eli, alguns andares abaixo. A pia oval tinha as mesmas torneiras de bronze com o mesmo tipo de corte e tom e cal na base. O que fazia o banheiro de Ted e Cris quase atraente era o tapete combinando com a cortina de chuveiro e as toalhas. Katie tinha ajudado Cris a escolher o jogo colorido com crédito que Cris tinha na Banho e Alegria depois de ela devolver uma variedade de presentes de casamento repetidos. Agora tudo no banheiro dela combinava. Os tons praianos de listras amarelo pálido, azul e verde na cortina do chuveiro eram acentuados pelo tapete e toalhas e faziam o quadro com a foto de uma cachoeira na parede parecer ainda mais convidativo. Katie podia quase acreditar que isso estava prestes a se tornar uma relaxante experiência de spa caseiro que ela esperava quando Cris sugeriu que Katie viesse. As longas horas que Katie havia aplicado em seus estudos estavam começando a desgastá-la, assim como a disponibilidade de 24 horas por dia que era requerida dela como uma assistente dos residentes na Universidade Rancho Corona. Esse tempo de reconexão para Katie e Cris estava passando da hora há muito tempo. Colocando seu cabelo sedoso pra trás num rabo-de-cavalo, Katie fez uso de alguns grampos que Cris deixara no balcão. O primeiro passo era lavar o rosto. Depois, ela aplicou a meleca orgânica com dois dedos. A sensação fresca e refrescante a levou a abrir bem os olhos e a boca e fazer uma cara engraçada no espelho. Ela notou que a cor verde da máscara era do mesmo tom de seus olhos. Com uma cheirada, Katie concordou com o comentário de Cris mais cedo de que algo tinha um odor forte. Ele parecia estar ficando mais forte e não era especialmente agradável. - Cris, é essa pipoca que eu estou cheirando? As palavras de Katie estavam perdidas no zumbido do liquidificador. Andando vagarosamente para a cozinha, Katie chegou bem enquanto Cris desligava o liquidificador. Com um olhar para o micro-ondas, Katie gritou: - Fogo! Movendo-se rapidamente pela cozinha, Katie bateu seu punho no botão de desligar o micro-ondas. Ela agarrou o liquidificador e, abrindo a porta do microondas, ela molhou o saco de pipoca com o smoothie de iogurte de morango. - Katie! - Está tudo bem. Olha, apagou o fogo. Não se preocupe. Eu vou limpar. Cara, o que aconteceu com essa coisa patética? Katie puxou um par de pegadores da primeira gaveta ao lado do fogão e tirou o saco de pipoca. Ela segurou o disco retangular chamuscado gotejando com sujeira de morango sobre a pia. Ao invés de inchar e subir como um saco de pipoca de micro-ondas normal, o achatado e

indiferente saco de papel tinha entrado em auto-combustão e explodiu em chamas. - Que bagunça! Ta com um cheiro horrível. Katie, de onde essa pipoca veio? Sem responder à pergunta de Cris, Katie derrubou o desastre há pouco evitado na lixeira e foi atrás de um pano de prato para amenizar a sujeira rosa. - Você ainda tem a caixa? Cris continuou. Porque eu estou pensando que nós devemos contar à loja, então eles podem substituir o restante do estoque. - Isso não será necessário. Katie evitou o olhar de Cris. Eu não comprei em uma loja. Cris entregou a Katie o rolo inteiro de papel toalha e esperou que ela finalizasse a sua confissão. - Eu comprei a pipoca num bazar de garagem. Eu sei, eu sei. Você não tem que dizer nada. Eu estou fazendo uma nota para mim mesma neste exato momento: 'Ei, Katie, de agora em diante não compre comida em um bazar de garagem. ' Não vou me esquecer disso. Cris acomodou o chumaço usado de papel toalha dentro da lata de lixo e deu a Katie um olhar perturbador. Com um sorriso sem-graça, Katie disse: - Acho que isso significa que eu não deveria usar a caixa do Hamburger Helper que eu também comprei no bazar de garagem. Embora ela quisesse parecer furiosa, Cris começou a gargalhar. Ou, pelo menos, tentar gargalhar. Sua boca estava puxada pra trás em uma posição apertada, não natural. Katie deu risada da expressão esquisitamente inclinada de Cris, agradecida que a sua amiga estivesse mais uma vez estendendo graça a Katie. Só então uma batida alta soou na porta. Katie e Cris pararam de rir e olharam uma para a outra. Katie podia sentir a máscara secando e apertando as dobras que sua risada tinha acabado criar. - Você vai atender à porta? Katie sussurrou. - Não com essa cara! A batida soou novamente. - Você atende. Cris deu uma cotovelada em Katie. - Eu? Este é o seu apartamento, não o meu. Uma abafada voz masculina do outro lado da porta fechada chamou pelo nome de Cris. - Eu acho que é o Eli, Cris sussurrou. - Ele provavelmente sentiu o cheiro da fumaça saindo pela janela aberta. Venha.

Nós duas devemos ir. Antes que Cris pudesse protestar, Katie a puxou até a entrada e abriu a porta totalmente. Tentando menosprezar o desastre que, por pouco, não acontecera, Katie ensaiou uma pose casual como se ela ”batesse ponto" toda sexta-feira à noite no apartamento de sua amiga casada, pintando seu rosto de cores vibrantes e colocando fogo em modestos eletrodomésticos. Eli, ou Cara do Cavanhaque, como Katie o tinha intitulado no casamento de Cris e Ted, estava de pé no tapete de boas vindas segurando um grande saco de lixo preto. Ele estava usando a camiseta cáqui exigida para o seu cargo de segurança do campus. Seu cabelo castanho-claro estava mais curto do que estivera da última vez que Katie o vira dirigindo pelo campus em um dos carros de golfe. Assim que as irmãs marcianas com seus penteados de Pedrita Flintstone abriram a porta, Eli e o seu saco de lixo deram um passo involuntário para trás. A exclamação dele parecia estar presa á sua garganta. - Um pouco cedo para o Natal, Katie brincou apontando com a cabeça para a sacola. Eli levantou o queixo como um urso pardo farejando fogueiras campestres. - Está tudo bem? Eu acho que ouvi alguém gritar quando eu deixei meu apartamento. Então eu senti o cheiro... Cara, isso está horrível. O que queimou? - Pipoca de micro-ondas. Para crédito de Cris, ela estava mantendo a sua compostura mesmo que Katie soubesse que esse tipo de momento era mais humilhante para Cris do que para Katie. Apesar de que Katie estava sentindo o seu rosto esquentar sob a máscara e percebia que estava envergonhada. Isso não acontecia com muita freqüência. - Para ser precisa, Katie disse, o pacote estava etiquetado como pipoca de microondas, mas eu acredito que o conteúdo atual precisaria de um teste de DNA para determinar o seu original conteúdo e identidade. Ou talvez a pipoca seja uma candidata ao teste do carbono. Nós temos o artigo petrificado na lixeira se você quiser provar. - Eu acredito em você, ele disse, retornando à sua compostura. Eu só queria ter certeza de que tudo estava bem. Eu sei que o Ted está com o grupo de juniores esta noite, mas eu não sabia se você estava com ele, Cris, ou se o seu apartamento estava vazio. - Obrigada, Eli. Cris disse docemente. Eu agradeço sua preocupação comigo. - Certa de que você entendeu até agora – Katie adicionou com um gesto impetuoso com o seu vestuário, cabelo e rosto - nós estamos tendo uma noite de embelezamento, já que o Rick e o Ted estão, ambos, fora esta noite. Eli balançou a cabeça. - Rick está aqui. - Não, ele não está. Ele está no Arizona.

- Ele ainda não partiu. - Ele está no apartamento de vocês agora? Eli acenou que sim com a cabeça. Katie não precisava de nenhum convite prévio para passar como uma rajada por Eli e ir rumo ao apartamento de Rick e Eli. Refletir em suas ações antes de responder a elas nunca fora o forte de Katie. Ela era muito melhor seguindo seus instintos. Nesse momento, com o rosto verde e tudo, ela queria ver Rick. Ela sabia que ele não ficaria surpreso. Muito poucas coisas sobre ela ainda o surpreendiam, incluindo sua espontaneidade impulsiva. No verão passado, Rick foi quem disse a Katie que suas melhores decisões eram aquelas em que ela ia com seus instintos. Ele fez essa declaração durante uma semana difícil quando ela estava tentando decidir se trocaria de curso bem em seu último ano de faculdade. Ao mesmo tempo ela estava pensando sobre pegar o cargo de assistente dos residentes no dormitório. Suas escolhas no nível intuitivo acabaram se tornando boas escolhas. Ela bateu um pequeno número rítmico na porta fechada do apartamento e considerou brevemente o que ela poderia dizer quando ele respondesse. Agora que ela e Rick tinham dado o próximo passo no seu relacionamento e oficialmente chamavam um ao outro de namorado e namorada, eles estavam descobrindo que a comunicação entre eles necessitava de mais trabalho do que eles pensavam. Katie sabia que Rick teria uma boa explicação para ele não estar à caminho do Arizona como ele disse que estaria. Ela só queria ouvir dos lábios dele. Alto e de cabelos escuros, Rick permanecia em frente a ela com um olhar pouco divertido em seu rosto bonito. Ele poderia interpretar uma figura autoritária caso ele quisesse mostrar seus dois metros de altura e assumir seus ombros de atacante principal de um time de futebol americano. Katie o tinha visto ficar desse jeito no Café Ninho da Pomba onde ele era o gerente e onde ela tinha trabalhado com ele por oito meses, antes de começar o seu último ano da faculdade. - Doces ou travessuras? - Você está um pouco atrasada para o Halloween. Rick esfregou a parte de trás do seu pescoço e gesticulou para ela entrar. - E você está um pouco atrasado para o seu vôo. Eu pensei que você estaria a caminho do Arizona nesse exato momento. - Eu estaria mesmo, mas Josh achou que nós deveríamos ir de carro dessa vez e usar as milhas de bônus da próxima vez. Eu estou esperando ele vir me buscar. Eu disse a você tudo isso na mensagem que eu deixei no seu telefone. Você checou suas mensagens durante a última hora, ou duas? - Não. Cris e eu estamos um pouco, uh... Ocupadas. - Estou vendo. Você precisa de uma toalha ou algo assim?

- Não. Bem, na verdade, sim. Está na hora mesmo de tirar isso. Eu volto logo. Ao invés de usar o banheiro de Rick, Katie foi até a pia da cozinha e lavou o seu rosto. Ela usou papel toalha para secar e esfregou bem para remover a meleca verde endurecida. Retornando à sala de estar onde Rick estava assistindo TV com o som no mute, Katie se jogou ao lado dele e segurou a mão dele. Esfregando os dedos dele na bochecha dela, ela perguntou: - O que você acha? Está mais macia? - Está meio grudenta. - É, está mesmo. Essa coisa funciona como uma poção milagrosa na pele de Nicole. - Quem é Nicole? - Você a conheceu. É a outra AR do meu andar. Nicole, aquela com o cabelo escuro bonito e a pele corada. - Ah, sim. Eu já a vi. Eu não sei se eu a conheci oficialmente. - Não importa. A máscara verde é algo que ela me deu pra testar. Agora eu vou ter uma pele macia e corada. Rick colocou o seu braço em volta de Katie e beijou-a na ponta do nariz. - Para mim, você está ótima bem do jeito que você é. - Desapareceu alguma das minhas sardas? - Espero que não. Rick chegou mais perto dela enquanto a porta da frente se abria. Ele se afastou. Eli entrou e foi para a cozinha sem olhar para Rick e Katie abraçados em cima do sofá. Eles podiam ouvi-lo colocando um novo saco na lixeira embaixo da pia. Katie percebeu que ela deixara seu papel-toalha usado no balcão e gritou: - Desculpe, Eli, eu deixei uma pequena bagunça aí. Apesar de que, se serve de consolo, não é nada comparado à bagunça que eu deixei na cozinha da Cris. Voltando-se para Rick, ela disse: - Eu realmente deveria voltar e ajudar Cris a limpar. Nós tivemos um pequeno desastre. - Eu quero saber o que aconteceu? - Provavelmente não. Katie sorriu para Rick. De qualquer forma, você quer vir comigo? - É melhor eu ficar aqui mesmo. Ele olhou para o seu relógio. Josh vai querer pegar a estrada imediatamente, já que a viagem é de cinco horas. - Quando você vai estar de volta? - Quinta-feira.

- Ok. Katie tinha se acostumado com as viagens de Rick para o Arizona nos últimos meses. Ele e o irmão dele estavam abrindo um café em Tempe. Muitas das etapas que foram planejadas para serem rápidas estavam tomando mais atenção e tempo do que eles tinham previsto. Rick estava empolgado com o projeto, mas o número de viagens dele era praticamente compatível ao número de vezes que ela tinha rejeitado oportunidades de estar com ele, por causa das responsabilidades de AR dela na Rancho Corona. Você vai estar de volta a tempo para a Noite de Pizzas de Casais na sexta, Katie disse. - Que horas é isso mesmo? Rick pegou o seu novo telefone celular e colocou o calendário à tela. - Olhe pra você, todo organizado. É às sete da noite de sexta-feira, no Crown Hall e nós precisamos ir com outro casal porque a parte de criação de pizzas do evento é para grupos de quatro. Rick entrou com a informação no seu telefone. - Nós vamos com quem? - Ainda não sei. - Ei, Eli! Rick gritou. O que você vai fazer na próxima sexta à noite? Katie lançou um olhar em Rick, ela esperava que ele entendesse que era melhor não convidar Eli. Rick entendeu o olhar dela e deu um olhar do tipo ”okay" para acalmá-la. - Eu tenho que estar no trabalho às onze. Ele se sentou na cadeira reclinável perto da estante de livros. Por quê? O que vai rolar? Katie não respondeu. - Você ouviu o que Katie estava falando? A noite da pizza? - Sim. Katie virou a sua cabeça para longe de Eli e deu a Rick um olhar irritado. Rick coçou a sobrancelha. - Nós ainda estamos na fase das tentativas, caso dê certo, tenho certeza de que Katie irá te comunicar durante a semana. Katie lançou a Rick um olhar posso-falar-com-você-um-minuto-em-particular. Ela se levantou do sofá e disse: - É melhor eu voltar para o apartamento da Cris. Você quer me levar até lá, Rick? A resposta óbvia estava estampada no rosto dele, mas ele lançou o controle remoto para Eli e acompanhou Katie. Para Eli, Katie disse: - Eu o mantenho informado sobre sexta... Sobre o que vai acontecer. Ou talvez, Rick o mantenha informado. - Ok.

A pior coisa no momento era a expressão que Katie captou no rosto de Eli. Ele parecia contente. Não preocupado ou ansioso, embora não desinteressado. Ele sempre parecia estar em um fuso-horário diferente ou ter expectativas diferentes de todas as outras pessoas. Eli parecia com o tipo de pessoa que não se machucaria por não ser incluído no evento da pizza. Ela sabia que não queria que ele fosse com ela e Rick. Ela também não queria dizer a ele que ele estava desconvidado. Então, ela decidiu, seria responsabilidade de Rick. Foi ele quem abriu a possibilidade para Eli, e ele poderia ser quem fecharia a possibilidade, assim que ela tivesse uma pequena conversa com ele no caminho para o apartamento de Ted e Cris.

Capítulo 2
- Sobre o quê foi tudo aquilo? Rick manteve sua voz baixa enquanto ele e Katie caminhavam em direção ao apartamento de Cris. - Eu não sei. Quer dizer, eu sei sobre a noite da pizza. Eu não queria que você convidasse o Eli pra ir com a gente. - Por que não? - Eu não sei! A voz de Katie aumentou. - Ei, não tem nada a ver. Eu pensei que seria uma boa idéia a gente fazer alguma coisa juntos, assim você pode superar essa sua fobia ou o que quer que seja que você tem por ele. Eli é um cara bacana. Eu quero que você supere o que quer que seja que faz o ambiente ficar estranho quando nós três estamos juntos. Katie respirou fundo. - E Nicole? Rick perguntou. - E Nicole? - Que tal Nicole ir com o Eli na sexta à noite? Não é ela com a face que você estava falando? - A face? - Você sabe do que estou falando. Já que ela é sua companheira de andar vocês duas não deveriam fazer esses eventos sociais juntas? - Sim, claro. Nicole e eu gostamos de fazer coisas juntas. Mas eu tenho quase certeza que ela já tem um acompanhante. Além disso, Rick, esse não é seu evento pra você planejar ou convidar as pessoas aleatoriamente. - Nossa! O que você tem hoje à noite? Pensei que você e Cris estavam relaxando. Você está mais estressada do que quando te vi na quarta depois de você levar bomba naquele teste. - Ah, essa foi boa, Rick. Obrigada por me lembrar sobre o teste. Agora definitivamente me sinto mais relaxada. - Ei, vem cá. Rick colocou seus braços ao redor dela e a trouxe pra mais perto dele. Esquece tudo que eu disse. Você vai se sair bem no próximo teste. Você sempre melhora nos seus estudos. E se você tem suas razões para não incluir o Eli, eu não vou me envolver mais nisso. Eu sei que você precisava relaxar hoje à noite. Desculpa por eu ter tornado mais estressante. Você acha que pode voltar lá pra dentro com a Cris e achar uma forma de se acalmar e ficar de boa? - Sim, posso fazer isso. Katie respirou fundo. Agora, você faria uma coisa por mim? - Qualquer coisa.

- Você pode dizer pro Eli que não temos nenhum plano partilhado que o inclua assim não tenho que falar pra ele depois? Não quero que você vá pro Arizona e me deixe com esse mal-entendido pra desfazer. - Ok, vou dizer a ele que falei apressadamente sem saber os detalhes. - O que quer que seja, tente não machucar os sentimentos dele, tá bom? Rick lançou um olhar estranho pra Katie, como se ele não esperasse que ela expressasse tal preocupação por Eli. Eles estavam em pé em frente ao apartamento de Cris e Ted. A janela da frente estava aberta e o cheiro de pipoca queimada ainda enchia o ar. Em vez de comentar sobre o que Katie havia dito, Rick perguntou: - Você está sentindo o cheiro de alguma coisa queimada? - Era nossa pipoca de micro-ondas. Foi o desastre que você não quis que eu te contasse. Provavelmente eu deveria levar a lata de lixo lá pra baixo pro depósito de lixo, se não o apartamento vai ficar cheirando assim a noite inteira. - Deixe que eu faça isso pra você, Rick se ofereceu. Katie bateu na porta da frente antes de virar o trinco e entrar. Cris tinha lavado a máscara verde de seu rosto e estava em pé na cozinha com uma esponja numa mão e um spray de limpeza na outra. - Rick vai levar o lixo pra fora pra gente, Katie disse. - Obrigada, Rick. Essa é a última evidência da quase catástrofe. - Com exceção do cheiro malvado que não parece querer ir embora, Katie disse. Rick pegou a lata de lixo da porta da frente sem dizer nada. Cris olhou pra Katie como tentando medir a temperatura do que estava acontecendo entre os dois. - Tá tudo certo? - Acho que vai ficar. Nós só estamos tendo uma de nossas discussões por falha na comunicação. Ele tem um jeito de resolver problemas; eu tenho outro. Nós estamos tentando resolver isso. Cris deu um sorriso esperançoso pra ela. - Como você está sentindo seu rosto? - Grudento. - Sério? O meu tá macio. Aqui. Cris veio pra mais perto dela e ofereceu a bochecha pra Katie sentir. - Cara, está completamente diferente do meu. - Eu tive que deixar a toalha no meu rosto por uns instantes. Você usou água morna? - Não. Isso é um problema? Eu só usei água fria e um papel toalha na cozinha do

Rick. - Um papel toalha? Katie, você provavelmente ainda tá com o negócio pastoso na sua pele. Por que você não tenta lavar isso com água morna e uma toalha de rosto dessa vez? Katie voltou pro banheiro de Cris e deixou a água correr alguns segundos até esquentar. Ela molhou a toalha de rosto e a colocou no rosto, respirando no vapor. Isso com certeza era melhor que uns respingos frios e o esfregão áspero do papel toalha. A toalha de rosto ainda estava cobrindo seu rosto quando ela ouviu a voz de Rick atrás de si. - Vou indo. Eu disse a Cris que ela deveria manter a lata de lixo do lado de fora pro cheiro sair. Te ligo amanhã. Katie baixou a toalha e se virou pra olhar Rick, que estava parado na porta, pronto pra sair. - Ok. E você vai falar com Eli antes de viajar, certo? - Eu disse que iria. - Eu sei. - Você pode confiar que vou fazer isso. - Eu sei. Eles olharam um para o outro por mais um momento. Ela estava com o rosto vermelho da água quente e estava pingando no tapete do banheiro. Ele parecia um pouco desconcertado e pronto pra sair voando dali. - Te vejo na sexta, Rick disse. - Ok. Tchau. Assim que ela ouviu a porta da frente fechar atrás dele, Katie virou pra se olhar no espelho. Você pode culpar o rapaz por não iniciar um beijo de despedida? Você tá parecendo uma lagosta fresca saída do mar. Como Rick te agüenta, Katie? O que ele vê em você? - Então, foi melhor? Cris perguntou, sua imagem aparecendo no reflexo do espelho. Katie se virou para Cris e perguntou: - O que você acha que Rick vê em mim? - Nesse momento, eu diria que ele apenas viu uma feição bastante rosada. - Seriamente, o que você acha que ele vê em mim? Além da coisa de opostos se atraem? - Eu tenho certeza que ele vê seu coração, Katie. O seu belo, generoso, leal e amável coração. Ele também vê você. A verdadeira você. A divertida e superanimada pessoa que você é. Por que você tá perguntando? Você está tendo

inseguranças de novo sobre seu relacionamento? - Sempre, Katie percebeu a si mesma. Não, desconsidera isso. Não devo usar sempre quando tem a ver com nosso relacionamento. - Por que não? - É alguma coisa que veio de um antigo argumento. Alguma coisa sobre como eu não deveria ir para extremos e usar sempre ou nunca quando estou zangada. Sim, claro. Como se eu nunca fosse para extremos ou ficasse zangada. Cris ofereceu a expressão de compreensão que Katie estava esperando com seu sarcasmo. Cris disse: - Sempre não é tipo Para sempre? Ted e eu temos usado essa expressão para sempre em nosso relacionamento desde quase o início. - Ah, sim, a famosa pulseira para sempre. Cris levantou seu braço direito quando Katie mencionou a pulseira que Ted tinha lhe dado pouco depois que eles tinham se conhecido. Tinha a expressão ”para sempre" gravada nela. A pulseira tinha passado por vários quase desastres ao longo de sua história. Um deles foi durante um breve tempo no Ensino Médio quando Cris namorou Rick. Ele pegou a pulseira delicada de Cris sem que ela soubesse e a substituiu por uma de prata pesada com a palavra RICK gravada nela. - Katie, todos nós temos um monte de lombadas ao longo do caminho em nossos relacionamentos. Você sabe disso. Pela expressão no rosto de Cris, a lembrança de Rick e da pulseira pareceu abrir uma parte de seu coração que estava cheio de graça. Não foi uma expressão feliz que cobriu o recém revitalizado rosto de Cris, mas também não foi uma expressão amarga. Por todo o potencial embaraço das partes dos mesmos relacionamentos entre Cris, Katie e Rick, claramente Cris não guardava nenhum arrependimento ou amargura a respeito de seu curto namoro com ele. Ela já tinha lidado com isso há muito tempo atrás. - Sabe o que é estranho pra mim agora? Cris disse enquanto Katie secava seu rosto ainda vermelho com uma toalha de mão amarela e macia. Tantas coisas que aconteceram no colegial e no começo da faculdade pareciam traumáticas e irreversíveis como se fossem as coisas mais intensas na vida. Mas agora elas parecem um monte de experiências artesanais inigualáveis que Deus usou para me fazer mais dependente dEle. - Que coisa que soa bem e madura espiritualmente pra se dizer. Katie dobrou a toalha cuidadosamente e a colocou de volta na prateleira onde estava, mesmo embora tivesse uma pequena mancha verde no centro. - Você tá fazendo graça de mim? Katie sorriu pra Cris.

- Sempre. - Você só está tentando achar maneiras de ter problemas hoje à noite. - Sim, estou. Como estou indo até agora? Não responde. Eu já sei. Se eu estivesse sendo séria sobre a grande destruição em massa do universo, eu teria dado um beijo bom e macio no Rick bem nos lábios antes dele ir. Cris inclinou a cabeça e lançou um olhar simpático para Katie. - Vocês dois ainda estão na zona de total abstinência. Entendo. - Não apenas estamos na zona de abstinência; estamos plantados lá. Permanentemente, eu acho. Eternamente. Minha previsão é que estarei com noventa e oito anos de idade e ainda esperando pro Rick decidir se está pronto pra me beijar. Tudo que posso dizer é que até lá, é melhor que esse grande beijo dele seja realmente bom, ou vou definitivamente terminar com o cara. Katie notou que Cris escondeu um sorriso olhando para baixo. - Nem pense em começar com a abençoada alegria da espera. Katie colocou as mãos na cintura. - A espera tem seus benefícios definidos. O amor é paciente. - Então me diz uma coisa. Katie se encostou à beirada da pia do banheiro. Como você sabe? - Como eu sei o quê? - Como você sabe quando realmente está amando? Ou talvez eu devesse perguntar como ou quando você sabe que está com o cara com quem você vai ficar 'para sempre'? Cris colocou suas mãos nos bolsos da frente do moletom de Ted. Sua expressão suavizada. - Leva tempo, Katie. - Eu sei. E então o quê? Cris riu. - Tempo ajuda se você pelo menos tentar ter um pouquinho de paciência. - Sim, bem, 'paciência' é uma... Katie contou os dedos. Paciência é uma palavra de nove letras e eu faço uma prática de não usar palavras com nove letras sempre que possível. Cris contou nos dedos. - Possível é uma palavra de oito letras. Possível é uma boa palavra. Com Deus, qualquer coisa é possível. - Possível, sim. Não poderia concordar mais com você. Minha pergunta é quando. Quando você sabe? Quanto tempo leva? - Não é como se tivesse uma lista e você marcasse o número de dias requeridos

em que vocês estão juntos, e então num dia determinado você sabe. É diferente pra cada casal. Você precisa de tempo e experiências suficientes juntos para ter certeza em seu próprio espírito. Katie puxou o amarrador de cabelo de seu rabo de cavalo e balançou a cabeça. - Bem, pelo menos você não veio com aquela frase 'quando você sabe, você sabe' que eu tenho ouvido de outras mulheres. - Essa frase é verdadeira. Mesmo que nem toda mulher 'saiba' da mesma forma, eu penso que todo relacionamento tem uma linha invisível e misteriosa que você atravessa. É como se você concordasse em seguir por um tempo, apenas colocando um pé na frente do outro, seguindo em frente. Então de repente você dá um passo e o caminho tá diferente. Tem mais luz ou alguma coisa. E é quando você apenas sabe que está no caminho certo com esse rapaz. Não importa quantos obstáculos estão à frente, vocês sabem que devem continuar seguindo em frente. É como seu primeiro passo para dentro da parte eterna do seu futuro, mas você não teria dado esse passo decisivo sem dar todos os outros passos. - Estou esperando por aquele momento quando o pó da fada vem e cintila em mim então em qualquer momento que eu sorrir eu fico com um daqueles raios brilhantes no canto dos olhos. Katie fez uma pose mostrando um falso sorriso com seus ombros levantados e seus olhos bem abertos. - Então basicamente você quer se tornar um personagem de desenho animado. - Com certeza. Por que não? Katie mudou sua posição contra a pia e cruzou os braços sobre a barriga. - Porque aquilo é um conto de fada. Cris disse de forma prática. - Você se importa se a gente sentar em outro cômodo? Katie perguntou, percebendo que aquela conversa poderia durar um tempo e o apartamento tinha melhores lugares do que o banheiro para uma conversa de-coração-para-coração. Elas foram para o quarto em vez de ir para a sala e se esparramaram na confortável cama da mesma maneira que faziam durante o tempo em que eram colegas de quarto na faculdade. Cris deu um travesseiro para Katie. - Então vá direto ao ponto, Katie disse. Como é estar casada? É como você pensava que seria? - É diferente do que eu pensava. Em algumas coisas é mais maravilhoso, mas em outras é muito mais difícil. - Como assim mais difícil? Cris desviou o olhar por um momento e traçou a estampa acolchoada na coberta da cama. - Nós brigamos muito mais do que eu pensei que iríamos. - Não consigo imaginar vocês dois brigando. - Tivemos uma discussão ridícula hoje à noite bem antes do Ted sair. Ele achou

que eu estava indo com ele pra essa noite do boliche, mas eu disse a ele que você e eu já tínhamos feito planos. Eu contei pra ele três noites atrás sobre nossos planos e naquele dia ele disse, 'Ótimo. Divirta-se. ' Mas ele esqueceu e quando ele descobriu que eles teriam mais crianças vindo do que ele esperava, ele supôs que eu ajudaria. - Você poderia ter ido, Cris. Eu teria entendido se você dissesse que tinha que cancelar. - Eu sei. E eu disse a ele isso também, depois que finalmente eu falei que iria. Mas a essa altura ele disse que tinha achado outra pessoa para ajudar. Chegamos a um cansativo tipo de acordo antes de ele sair. Vamos manter um calendário juntos assim ambos podem ser lembrados do que o outro tem planejado. Acho que foi uma discussão útil quando penso a respeito. Deveríamos ter colocado juntos esse calendário conjunto há tempos atrás. Eu só odeio a forma como discutimos. Não somos bons nisso. Katie riu. - Não é engraçado. Você é boa em discussão, Katie. Você não tem medo quando precisa falar o que pensa e botar tudo pra fora. Eu faço muitos dos meus processos dentro de mim; então mesmo que eu apenas coloque pra fora por volta de uma dúzia de sentenças antes do conflito ser resolvido, por dentro eu lutei uma batalha exaustiva comigo mesma apenas tentando dizer o que penso ou o que quero. - Sabe o que eu acho? Acho que você é muito educada. Katie ajeitou sua posição. Cris franziu a sobrancelha. - Honestamente, Cris, você vai terminar ficando maluca se não começar a falar o que pensa. Cris se deitou de costas e ficou olhando para o teto. Cruzou os braços sobre a barriga e disse: - Como você faz, Katie? Como você diz o que está pensando e sentindo sem machucar as outras pessoas? - Não muito bem. Você sabe que sou horrível pra segurar minha língua. Talvez a gente possa ajudar uma à outra a encontrar o meio termo. Você tem que falar e eu tenho que me segurar. Podemos aprender uma com a outra. Cris voltou a cabeça na direção de Katie. - Você está certa. Não é uma má idéia pra nós tentarmos ajustar nossos extremos. - Vou te dizer outra coisa que não é uma má idéia. - O que é? - Comida. Comer é uma ótima idéia agora. Você tem comida aqui que eu possa comer sem destruir seus eletrodomésticos? Ou melhor ainda, poderíamos sair pra comer e então fazer alguma coisa.

- Como o quê? - Como patinar ou pára-quedismo noturno ou... - Poderíamos jogar boliche com 50 adolescentes. Ted vai ficar com eles no boliche até meia-noite. - Sim, não exatamente o que eu tinha em mente. Estou pensando em alguma coisa como voar para Arugula e andar de camelo. Cris cerrou seus distintos olhos azul-esverdeados. - Eu acho que arugula é um tipo de alface. Não é um país, se isso era o que você tava tentando. - Bem, então, nos deixe – entende – nos deixe3 encontrar um país que tem camelos e vamos pra lá pra um galope à meia-noite. Os camelos galopam? - Não tenho a mínima idéia. Você se sentaria pra ver um DVD que tem camelos nele? - O DVD também tem alface? Cris riu e balançou a cabeça. - Não vamos saber até irmos pra locadora e checarmos as opções. - Não quero assistir uma aventura, Katie disse, Quero experimentar uma. Talvez eu devesse ter ido pro Arizona com Rick e Josh. - Por quê? - A viagem noite-toda-na-estrada teria sido divertida. - Katie, você tem mais do que muita energia pra alguém que tem mantido o tipo de rotina que você tem. - Não me fale sobre minha rotina. Eu tenho que estar no trabalho na mesa da frente amanhã às 8 da manhã. - Então você não poderia ter ido pro Arizona com Rick mesmo que você quisesse. - Eu sei. Estou apenas sonhando. Sonhar é bom pra gente. Cris se deitou de volta. - Estou sonhando com torta de queijo agora. - Torta de queijo? Katie encarou Cris. Você tá grávida? Cris levantou-se rapidamente. - Não. Por que você tá perguntando isso? - Porque você geralmente não sonha com torta de queijo. Biscoito de chocolate, sim. Uma ocasional chimichanga na Casa de Pedro, sim. Eu apenas nunca tinha
3

Outro jogo de palavras da Katie: lettuce (alface) é pronunciada em inglês da mesma maneira que let us (nos deixe).

ouvido você dizer que torta de queijo estava no topo de sua lista de sonhos. Cris encolheu os ombros. - Pareceu bom. Alguém no trabalho tinha um pedaço na geladeira por 2 dias e parecia delicioso. Se eles não tivessem comido hoje eu iria ajudá-los, mas já tinha sumido quando eu chequei essa tarde. Um estranho som tipo um arranhão veio da porta da frente. Katie perguntou: - Ouviu isso? Cris foi pra porta da frente e Katie a seguiu até a sala de estar, se jogando no sofá. Ela esperava que fosse Ted na porta sem suas chaves. Abrindo um pouco a porta, Cris falou com voz firme: - Você não tem outro lugar pra ir? Ted não vai gostar se ele souber que você voltou. - Cris, com quem você tá falando? - Senhor Tropeço. Por um momento Katie estava certa que sua melhor amiga tinha ficado doida. Primeiro desejo por torta de queijo e agora uma conversa na porta da frente com alguém chamado Senhor Tropeço?

Capítulo 3
No momento em que Cris permanecia em frente à porta aberta de seu apartamento, um grande gato malhado passou rapidamente entre as pernas dela e correu para dentro. Ele correu diretamente para a cozinha e se anunciou com um miado meio rouco. - Sr. Tropeço! Cris gritou, indo atrás do intruso. - Quando foi que você arrumou um gato? - Ele não é nosso. Ele apareceu semana passada. - Não me diga que você está dando comida a ele. - Venha aqui, Sr. Tropeço, Cris chamou fazendo aquela vozinha que só se usa para falar com animais e bebês. Ela carregou o criminoso balofo e coçou a cabeça dele. O gato fechou os olhinhos alegremente e ronronou tão alto que Katie caiu na gargalhada. - Isso é um animal ou um abridor de latas peludo? Cris, essa coisa está possessa! - Não ligue pra ela, Sr. Tropeço. Cris levou a mão à parte de trás de um de seus armários e puxou um saco plástico de comida para gatos. Ela sacudiu o saco na frente do gato contente. Sr. Tropeço soltou seu melhor miau. - Esse barulho que ele fez... Parece com aquela voz rouca de fumantes, Katie disse. - Ei, por acaso eu fiz alguma piadinha com o seu peixinho dourado ano passado? - Como você poderia ter feito alguma piada? Rudy e Chester nem viveram o suficiente pra você vir com algum tipo de frase depreciativa sobre eles. - Talvez você não os tenha alimentado o suficiente. Cris abriu a porta da frente e colocou a comida para gato numa pequena tigela que ela tinha guardado atrás das plantas. - Talvez você esteja alimentando esse rapazinho demais. É por isso que ele se sente livre para entrar em seu apartamento sem ser convidado. - Você está falando igual ao Ted. Foi ele quem nomeou o gato, porque na primeira vez que ele veio até nossa porta ele estava meio cambaleante. - Então por que vocês não o adotam? - Nós mal temos dinheiro para comprar comida pra nós. Se nós ficássemos com o Sr. Tropeço no apartamento, nós teríamos que levá-lo ao veterinário. Você faz idéia de quanto isso custaria? Eu faço. Eu trabalhei num pet shop, lembra? Cris e Katie assistiam Sr. Tropeço devorar seu lanchinho noturno da porta da frente do apartamento de Cris. O não-tão-educado hóspede mastigou e engoliu em tempo recorde e foi embora sem muita cerimônia, como lavar as patas ou miar em agradecimento.

- E lá se vai ele, Katie disse. O gato desapareceu no meio dos arbustos. Esse rapazinho está te usando, Cris. Ele está abusando de sua generosidade. - Eu sei. - Então você sabe o que está acontecendo aqui? - Sei sim. Katie olhou pela bem iluminada calçada da área do complexo de apartamentos, tentando ver se Sr. Tropeço iria de porta-em-porta com seu ar simpático. Ele parecia estar andando fora da parte iluminada e se mantendo na parte onde os arbustos que, ficavam na frente de cada apartamento do primeiro andar, eram mais baixos. - Você sabe, se essa mesma área fosse usada para apartamentos hoje, a maioria das construtoras colocaria o dobro ou talvez o triplo de apartamentos no mesmo espaço, Katie comentou. Eu não sei de nenhum outro complexo de apartamentos que tenha uma área gramada tão grande no centro e seja tão tranqüilo. - Eu acho que é porque quando os apartamentos foram construídos eles estavam no subúrbio, e a terra era relativamente barata, Cris disse. Agora que a cidade cresceu bastante, o local ficou ótimo. - Você acha que vocês dois vão morar aqui por muito tempo? Cris deu de ombros e fechou a porta. - Você conhece o Ted. A cada duas semanas ele começa a falar sobre integrar algum tipo de ministério que nos mandaria para um dos cantos selvagensdesse mundo fazendo traduções da Bíblia ou alguma outra coisa. - E como você se sente em relação a isso? - Depende do dia que você me pergunta. Eu soube desde cedo no nosso relacionamento que viver na selva ou numa casa na árvore era parte do sonho de Ted. Eu não sei se essa idéia irá, algum dia, sair completamente da mente dele. Cris foi até o armário e tirou um saco de tortilla chips e deu a Katie juntamente com alguns itens da geladeira, incluindo salsa, um saco de mini cenouras, e um pote de pasta de amendoim. - Então você faria as malas e iria com ele para os confins da terra se ele te pedisse? Cris fez que sim com a cabeça. Ela transmitia paz em sua expressão. Nem resistente nem decidida. Apenas contente. - Nossa. Katie espalhou os itens variados na pequena mesa da cozinha e se jogou em uma das cadeiras. - Nossa o quê? Cris ligou a torneira da pia, enchendo dois copos com água. - Eu achei que Ted se sentiria mais estável agora e iria querer ficar em um só lugar já que vocês estão casados e que ele tem um bom emprego. É um trabalho como pastor, eu sei. É um ministério, certo? Eu não gosto de pensar na

possibilidade de vocês se mudarem para longe daqui. - É sempre uma possibilidade. Mas não se preocupe com isso. Nós não temos planos de ir para nenhum lugar nos próximos anos. Elas lancharam e conversaram por mais uma hora até Katie decidir que deveria voltar para o dormitório. Pegando sua bolsa tira-colo e jaqueta, ela perguntou: - Você quer tentar se encontrar comigo para almoçarmos na terça no Ninho da Pomba? Eu posso estar lá à 1:30. - Terça 1:30 dá pra mim. Eu vou pedir pelo meu horário de almoço nessa hora, então. Cris se levantou e deu um abraço em Katie. - Foi ótimo. Eu precisava mesmo de algo assim. Espero que você tenha descansado um pouco também, apesar de não termos conseguido saltar de páraquedas ou andar a camelo. - Há sempre uma próxima vez, Katie disse sorrindo. Diga um oi ao Ted. E se o Sr. Tropeço voltar essa noite, eu recomendo que você o mande embora sem comida. Melhor ainda, eu vou trazer o Hamburger Helper que eu comprei junto com a pipoca no bazar de garagem, e você pode alimentá-lo com isso. - Katie, um dia você ainda vai encontrar um animal que você realmente goste, e você vai acabar se tornando uma pessoa mais meiga. - Sim, talvez. Por acaso algum canguru já veio até sua porta pedindo por comida? Eu gosto de cangurus. Cris abraçou Katie mais uma vez. - Da próxima vez que um canguru aparecer na minha porta eu vou guardá-lo pra você. - É bom mesmo. Acenando por cima de seus ombros, Katie caminhava alegremente para o estacionamento e subiu em seu VW 1978, o qual ela carinhosamente chamava de Buguinho. Jogou sua bolsa em cima do banco do passageiro e virou a chave na ignição. Nada aconteceu. Ela tentou uma segunda vez e uma terceira. Nada. Nem mesmo um ronco estilo Sr. Tropeço saiu de baixo do capô. - Qual o problema, Buguinho? Você está dormindo? Vamos lá, acorde. Você tem que me levar de volta pra escola, agora. Vendo que as tentativas quatro, cinco, e seis não produziram nenhum barulho, Katie tirou uma lanterna do porta-luvas e saiu do carro. Ela abriu o capô e iluminou o motor. - Não que eu saiba o que exatamente estou procurando... , ela murmurava

enquanto iluminava na frente e atrás, aqui e ali. Ela fazia idéia que algum tubo tinha desencaixado de seu encaixe próprio, ou que algum fio estaria solto e pendurado debaixo de seu respectivo plug. Nada se revelou para Katie durante aquela checagem aleatória. O irmão dela era quem consertava os carros. Ele sabia tudo sobre o Buguinho, ele saberia o que fazer. Entretanto, Katie não tinha o número dele no celular dela. E mesmo se ela tivesse, ela tinha plena certeza de que ele não estaria disposto a pôr o pé na estrada e dirigir por mais de uma hora para resgatá-la à meia-noite. Ela não o via há quase dois anos. Por ele ser bem mais velho, quando chegou à época em que ela já estava crescidinha o suficiente pra conhecê-lo melhor, ele passava a maior parte do tempo fora de casa e envolvido em problemas. Uma boa idéia e a mais provável era que ela encontrasse um novo mecânico. Katie iluminou o motor mais uma vez, mas foi sua última e fútil tentativa. A luz piscou. Depois ela diminui consideravelmente e piscou de novo. - Eu estou um desastre ambulante esta noite com relação a aparelhos eletroeletrônicos! Qual é o meu problema? Por acaso o estrago do micro-ondas me tornou radioativa ou algo assim? Katie permaneceu frente ao capô aberto, tentando decidir o que fazer. Se ela voltasse ao apartamento de Cris, ela teria que esperar Ted voltar, já que eles só tinham um carro. Mas Katie sabia que ela podia contar com ele para lhe dar uma carona, então ela começou a fechar o capô, já com sua decisão tomada. Mas antes que ela pudesse fazer algo, ela ouviu alguém se aproximando atrás dela. Virando-se e segurando firmemente a lanterna pesada em caso de precisar usá-la como uma arma, Katie ouviu um rapaz perguntar: - Está tudo bem? Um número grande de estudantes da Rancho Corona morava nesse complexo. Katie conhecia muitos deles. Mesmo na escuridão do estacionamento, ela reconheceu a voz e o jeito de andar do rapaz que vinha na direção dela. Era Eli. - Ele não quer dar partida. - Você tentou bombear o acelerador algumas vezes e deixar no ponto morto enquanto vira a chave na ignição? - Não. Eli permanecia próximo a ela e examinava o motor. Debaixo de seu braço ele carregava um saco de dormir uma garrafa térmica. - Você vai acampar ou algo do tipo? Katie perguntou. - Eu vou ao deserto. - Agora? Ta doido? - Provavelmente.

Katie olhou para ele mais de perto sob a luz amarelada do estacionamento. O cabelo castanho claro de Eli parecia estar sempre desgrenhado. Hoje ele estava usando um gorro que permitia que alguns fios rebeldes escapassem em diferentes direções. Ela normalmente o identificava pelo cavanhaque, como se aquela fosse a característica que mais o distinguia. Os olhos dele, na verdade, eram mais peculiares. Ela tinha notado a intensidade deles e sua expressão examinadora quando Eli a tinha parado na cafeteria em Agosto e tentado envolvê-la numa conversa. Mas agora, na luz escassa, o foco deles sobre ela os fazia mais intensos. - Então... Ela tentou encontrar um jeito amigável de terminar essa conversa. Você vai ao deserto sozinho no meio da noite com freqüência? - Não muito. Eu normalmente vou com o Joseph. Você conhece Joseph Oboki? Ele estuda na Rancho. - Sim, eu conheço o Joseph. Ele vai com você hoje? - Eu estou indo buscá-lo agora. - Ótimo! Eu posso pegar uma carona com você de volta pro campus? - Claro, mas eu vou buscar o Joseph no posto de gasolina, que é onde ele trabalha. - O posto é perto da Rancho? - Não é longe. Eu posso te deixar lá. - Obrigada. Katie fechou o capô e pegou sua bolsa e jaqueta no banco do passageiro. Ela seguiu Eli até seu velho Toyota Camry. Essa parecia ser a chance para ela a começar a ser mais legal e ”normal" com ele. Quando Cris e Katie estavam comendo seu lanche mais cedo, Cris mencionou que Eli tinha se juntado a ela e Ted algumas vezes para almoçar depois do culto aos domingos desde que o semestre tinha começado. Katie tinha estado ocupada demais para participar desse momento ”galera no almoço", mas ela percebeu que se ela tivesse gastado algum tempo com Eli quando ele estava com Cris e Ted ou até mesmo quando estivesse com Rick, ela teria pensando nele como sendo mesmo parte do grupo deles. Ela sentou no banco do passageiro, e a primeira coisa que ela notou foi que ele ainda tinha o arranjo de flores que ela tinha usado no cabelo, no casamento de Ted e Cris. O círculo seco de pequenas e brancas baby's breath tinha caído da cabeça de Katie no casamento, e quando Eli dirigiu para fora do lugar onde havia sido o casamento, Katie viu o arranjo pendurado no espelho do carro dele. - Hm, isso é meu, não é? - É. - Por que você ainda guarda isso? - Você disse que não o queria.

- Sim, porque ele caiu no chão. Quando você tentou me devolver, eu acho que minhas palavras foram algo como 'jogue fora pra mim'. Não 'faça disso um enfeite nojento de retrovisor pra mim e dirija por aí com ele em seu carro pelos próximos seis meses. ' Eli colocou o cinto de segurança e dirigiu para fora do estacionamento. - Você o quer de volta? - Não, não exatamente. - Você se importa se eu ficar com ele? - Sim, me importo sim. - Por quê? - Não há porque você ficar com isso. É estranho. - Mais estranho que sair correndo por aí com uma coisa verde na cara? - Havia uma razão para aquilo. - É há uma razão para isso, Eli disse confiante. - Que razão? - Ele me lembra de orar. Katie deixou a declaração de Eli se esvair entre eles. Ela não podia discutir com alguém cujo argumento se baseava em 'lembrar de orar'. Mas orar pra quê? Ou pra quem? Por que seu arranjo seco levaria alguém a orar? Ela decidiu não querer saber. A melhor coisa a fazer nesse momento era transformar toda essa estranheza numa piada. - Ah, bem, se você vai vir com desculpas espirituais e dizer que ele é seu arranjo da oração ou qualquer coisa assim, eu acho que não posso iniciar uma briga aqui. A expressão de Eli mudou para um tipo de expressão satisfeita e vitoriosa. Nota a si mesma: Jamais tente jogar xadrez com o Cara do Cavanhaque. O cérebro dele gira em círculos que você não quer visitar. Pelos cinco minutos seguintes, nenhum deles pronunciou uma palavra. Estava bom para Katie desse jeito. Pra falar a verdade, estava mais que bom. Ela estava acostumada a andar de carro com Rick ouvindo música no clássico Mustang dele e, falar não fazia parte desse momento. Rick gostava de ficar com as janelas abertas, assim ele podia ficar com os braços para fora da janela e batucar no lado da porta junto com o tempo da música. Muitas vezes Katie cantava junto com a música, mais pra ela mesma do que para Rick. Katie pensou em como Rick ficaria feliz por ela estar se esforçando para se dar bem com o colega de quarto dele. Isso era bom. Por um instante ela pensou na possibilidade de trazer a tona o assunto da noite de pizza apenas para se certificar de que Rick tinha explicado a Eli que o convite de mais cedo tinha sido oferecido muito apressadamente.

Mas ela não disse nada. Ela confiava em Rick. Se ele disse que iria consertar as coisas com Eli, ela sabia que era exatamente isso que Rick faria. Tudo que ela precisava fazer era ser educada com o rapaz. Essa era a chance de ser um pouco mais como Cris, exatamente como as duas tinham conversado mais cedo, cada uma pegaria um pouco das qualidades da personalidade da outra. Katie achou que estava indo muito bem. O silêncio durou mais três quarteirões até que Eli virou e entrou num posto de gasolina que ficava numa esquina. Ele desligou o carro e saiu. Ele olhou para trás, na direção de Katie e disse: - Você sabe que pode vir conosco se quiser. O que surpreendeu Katie enquanto ela assistia Eli dar longos passos em direção à loja de conveniência do posto, foi que ela quase soltou um ”ok" antes que ele saísse do carro. Por que eu iria querer ir ao deserto no meio da noite com esses caras? Através da janela de vidro da loja de conveniência, Katie via Eli e Joseph fazerem um desses toques particulares com as mãos enquanto conversavam um pouco. Joseph olhou para o carro e levantou o braço para acenar para Katie. Ela acenou de volta. Ele havia estado em um dos grupos de orientação que Katie tinha apresentado pelo campus um ano e meio atrás quando ela tinha se voluntariado para ser da equipe de recepção do campus. A única coisa de que ela se lembrava sobre ele era como ele estava tímido na primeira reunião deles. Mais tarde ela descobriu que ele era da África, e ela entendeu então porque tudo parecia tão encantador pra ele na primeira semana no campus. Katie tinha um carinho especial por estudantes intercambistas. Ela pensou em quão rapidamente ela ficou atraída por Michael no ensino médio. Ele era da Irlanda do Norte, e a primeira frase lírica que saiu da boca dele a encantou. Eles namoraram tempo suficiente para que Cris expressasse sua preocupação com onde Katie tinha colocado seus valores e prioridades. Mas o relacionamento deles deu a ela um coração bondoso com relação àqueles que tentavam se sentir em casa em uma nova cultura e país. Katie inclinou a cabeça para trás e se perguntou quanto tempo fazia desde que ela tinha pensado em Michael. Meses. Talvez um ano. Ela e Rick estavam fazendo coisas juntas por quase um ano, e por todas as razões óbvias, Rick estava na linha de frente de todos os pensamentos dela sobre garotos. Com um pequeno sorriso, Katie se lembrou de quão intensamente Michael tinha a influenciado durante o tempo de namoro deles. O romântico irlandês tinha a convencido de mudar radicalmente seus hábitos alimentares. Ela tinha se tornado uma vegetariana fã de todas as coisas orgânicas e consumidora de alho e tofu. Os ombros dela tremeram involuntariamente quando ela pensou em todas as combinações de sushi altamente estranhas que ela tinha comido quando estava com Michael. Ela rapidamente disse que amava as preferências alimentares dele

mesmo sabendo que, na maioria das vezes, ela estava engolindo cada delícia rápido demais pra ter sequer uma idéia do gosto delas. Olhando para trás, ela não tinha certeza de ter mesmo compartilhado do gosto dele por frutos-do-marcrus-e-vegetais, mas ela amou o jeito como ele a apreciava por ela ter mesmo abraçado as preferências dele. E ela amou a aventura de tentar algo novo. Eli e Joseph vieram em direção ao carro, e o pensamento que tinha vindo à Katie mais cedo retornou. E se eu fosse com esses caras ao deserto? Não era eu quem estava dizendo à Cris que queria tentar algo novo? Ir em busca de algum tipo de mini-aventura? Isso certamente se aplica. Joseph abriu a porta de trás e cumprimentou Katie com um oi caloroso. Ele era mais velho que Katie pelo menos uns cinco anos, ela supôs. As poucas vezes que ela o tinha visto pelo campus, ela o cumprimentara, mas não parou pra se envolver em nenhum tipo de conversa. - Você vai vir ao show conosco? O jeito de Joseph falar era um doce emaranhado de palavras, com um sotaque eclético que unia levemente o francês em algumas vezes e em outras levemente o inglês britânico. - Show? Katie disse. Eu pensei que vocês estavam indo ao deserto. - Nós estamos. Nós temos um lugar onde nós gostamos de ir e curtir um pouco com as rocks 'n' stars. - É mesmo. Exatamente com quais 'rock stars' você vai curtir? Eu não sei de nenhuma que more por aqui. Eli gargalhou. Katie não o tinha ouvido gargalhar antes. Aquele barulho tinha vindo do fundo de seu ser e era um tipo de gargalhada tão feliz que Katie ficou surpresa com o som dela. - Katie, nós estamos indo assistir a uma chuva de meteoros, Eli disse calmamente. Essa são as rocks e as stars das quais Joseph está falando. - Ah. Ok. Então qual de vocês é o presidente do Star Wars Club local? Ela balançou as mãos no ar e fez uns barulhos de bipes de estações espaciais. Nenhum dos dois riu. - Star Trek? Eli ligou o carro. - Eu vou te deixar na Rancho. Ela mordeu seu lábio inferior enquanto Eli saía do posto de gasolina e dirigia pela luz verde, rumo ao oeste, na direção do campus. Ele passou por três cruzamentos até que Katie limpou sua garganta e em voz baixa disse: - Eu vou. - Você disse alguma coisa? Eli perguntou. - Sim. Katie disse com determinação. Ela forçou seus ombros pra trás e se virou para Eli. Eu vou com vocês ver a chuva de meteoros e o show das rock-star.

- Que bom, Joseph disse. Katie voltou à sua posição enquanto Eli virava o carro. Essa era a aventura de tarde da noite que ela queria. Verdade, nada de camelos ou arugulas pelo caminho. Assim que eles entraram na aventura ela tentou pensar em Cris. Mas a emoção do desconhecido estava esperando por ela além do clarão das luzes da cidade, e isso a deixou feliz. Fazia muito tempo que ela não fazia algo assim, no impulso. Isso seria muito bom.

Capítulo 4
O improvável trio de amigos estava na estrada por volta de 5 minutos quando Katie assumiu o papel de diretor social já que ambos os rapazes estavam muito quietos. Ela começou perguntando Eli como estava o emprego de segurança do campus. Foi a primeira coisa que lhe ocorreu sobre ele. - É um bom emprego. As horas não entram em conflito com as aulas, e como você sabe já que você é uma AR, não acontece muita coisa no campus pra fazer da segurança um grande problema. E seu emprego? - Tem sido ótimo, Katie disse. Quer dizer, eu reclamo muito sobre trabalhar dia e noite, mas essa posição cobre moradia e alimentação e isso é ótimo. O verão inteiro trabalhei ridiculamente longas horas em diferentes empregos, e tudo que ganhei foi pra pagar mensalidade. Ainda não sei como vou pagar pelo próximo semestre. - Isso é um desafio pra todos nós, não é? Joseph disse. - Joseph, de qual parte da África você é? Katie perguntou. - Gana. - É perto do Quênia? - Lado oposto do continente, Eli respondeu. Quênia é Leste da África. Gana é Oeste da África. - Onde fica Zimbábue? Katie perguntou. - Sul da África. De novo, Eli foi quem respondeu as perguntas dela. - Ding-ding-ding! Katie disse como se ela fosse uma apresentadora de um programa de jogos. Eli... qual é seu sobrenome? - Lorenzo. - Sério? - Sim, sério. - Certo. Voltando a usar a voz de apresentadora ela disse: Eli Lorenzo ganha para a categoria 'lugares na África'. Aparentemente temos um gênio geográfico na disputa essa noite. - Ele não é um gênio, Joseph disse com um risinho. Ele sabe porque ele esteve lá. - Você esteve na África? Que massa! Vocês dois se conheceram em Gana? - Não, nos conhecemos aqui, Joseph respondeu. - Acho muito incrível que você tenha ido pra África, Katie disse pra Eli. Ele riu. Joseph se juntou a ele. - O quê?

- Você disse que eu 'fui pra África, ' Eli disse. - Sim, eu acho legal. Viajar para outros lugares do mundo é uma ótima oportunidade. Dois anos atrás fui pra Europa com Cris e Ted. Numa viagem diferente antes daquela, fui pra Inglaterra e Irlanda. Acho que viajar é um privilégio. - É sim, Joseph concordou. - Cris me contou que você e Ted moraram no mesmo lugar quando vocês estavam na Espanha. - É verdade, Eli disse. - De todos os lugares interessantes em que você esteve, qual é o seu favorito? - Aqui. - Aqui? Sul Meridional da Califórnia? Você não tá falando sério, tá? - Claro que estou falando sério. Gosto daqui. - Mas depois de ter estado na Europa e África, você tá dizendo honestamente que esse populoso-poluído-engarrafado canto do mundo é seu lugar favorito? - Sim. - Bem, acho que jamais diria isso. E duvido que você diria se tivesse crescido aqui. - Não, provavelmente não diria. Mas então, não cresci aqui. - E onde você cresceu? Eli fez uma pausa antes de responder. Ele olhou bem pra Katie como checando pra ter certeza que ela queria ouvir a resposta dele. - África. Eu cresci na África. - De verdade? Uau. Que parte? Assim que ela perguntou, ela riu. Não que eu saberia onde, mesmo se você me contasse, desde que já temos estabelecido meu conhecimento limitado de geografia africana. - Cresci na Zâmbia. É Sul Meridional da África um pouco acima de Zimbábue e Moçambique. Quando eu tinha 12 anos nos mudamos para Nairobi. - Nairobi é capital do Quênia, né? - Ding-ding-ding. Parece que temos uma vencedora na rodada bônus, Eli disse com um meio-sorriso, imitando a brincadeira anterior de Katie. - Então suponho que você tenha visto uma girafa. - Algumas. Eli disse. Joseph riu. - E uma zebra ou duas? Katie perguntou. - Sim.

- O que seus pais faziam na Zâmbia? - Eles eram professores. Então meu pai assumiu uma organização missionária na sede em Nairobi. Ele procura por vilas que precisam de um bom sistema de encanamento para levar água limpa pra eles. No reflexo das luzes dos carros que passavam, Katie viu o maxilar de Eli cerrar e descerrar. Ela não poderia imaginar que falar sobre a África ou onde ele cresceu seria um tópico cheio de tensão, mas então ela não conhecia Eli. E ela não sabia como estava a atual temperatura política no Quênia. Ela sabia que as coisas tinham sido complicadas vez ou outra. Ela queria saber se ele era uma daquelas crianças missionárias que se sentiam mais confortáveis quando as pessoas pensavam que elas tinham crescido num subúrbio americano com um conhecimento sobre skates e seriados cômicos da TV. - Sabe, se eu tivesse crescido na África como vocês dois, acho que eu seria a maior orgulhosa no campus. Todo mundo saberia quão exótica eu era. Eli riu e Joseph se juntou a ele. - Estou falando sério. Vocês fazem idéia de quão legal é que vocês tenham morado em outra parte do mundo? - E você percebe, Eli disse, que pra nós isso é outra parte do mundo? Viver aqui é que nos faz legal pra todo mundo que deixamos em casa. - Interessante. Tô entendendo o que você tá dizendo. Então, esse é seu último ano? Eli balançou a cabeça afirmando. - E então o quê? - Eu ainda não sei. O que chocou Katie a respeito da resposta de Eli foi que ele era o primeiro estudante de quem ela já tinha ouvido aquele tipo de resposta que não soava em pânico. Alguns meses antes ela teve que decidir uma especialidade antes que pudesse se matricular para seu último ano na faculdade e o estresse de não saber com certeza o que queria foi estranho. Ela não podia acreditar que Eli estava levando seu futuro de forma tão tranqüila. Queria ter a mesma confidência e contentamento profundos que Eli tem. Eu não faço a mínima idéia do que vou fazer quando me formar. Como ela já tinha feito tantas vezes, Katie flertou com a idéia de casar logo após a formatura como Ted e Cris. Ela sabia que ela e Rick não estavam prontos pra esse próximo passo. Não que eles não pudessem estar em alguns meses, mas definitivamente eles ainda não estavam lá. Uma parte dela queria ver uma girafa ou alimentar um canguru ou andar de riquexó 4 numa rua lotada de Bangkok antes dela caminhar pelo corredor da igreja pro seu casamento. Mas primeiro ela tinha
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Transporte comum na Ásia, um tipo de carro que é puxado por uma pessoa.

que terminar esse semestre e descobrir uma forma de ter dinheiro para o restante de sua faculdade. E exatamente naquele momento seu ”trabalho" de diretora social estava onde ela precisava pra direcionar sua atenção. As coisas tinham ficado muito quietas no carro. - E você Joseph? - Eu? Eu tenho mais 2 anos de estudos. Se Deus quiser, vou passar e me tornar um pastor e professor. - Você quer trabalhar aqui ou em Gana? Katie perguntou. - Gana. Claro que Gana. Eles estavam fora da rodovia principal agora e se dirigiam por uma estrada estreita e cheia de buracos que ficava mais escura quanto mais eles seguiam. Os faróis do carro de Eli logo se tornaram a única luz ao redor deles. Então ele parou o carro, desligou o motor e desligou os faróis. O mundo se tornou negro e silencioso. - Nossa, Katie disse baixando a voz. É realmente escuro aqui. Eli se inclinou sobre o volante e olhou pra cima através do pára-brisa. Katie seguiu os movimentos dele e esticou o pescoço numa tentativa de ver o céu noturno acima deles. Uma exposição gloriosa de estrelas tomou seu lugar no palco do céu apenas além do painel de vidro embaçado do pára-brisa. Joseph abriu a porta traseira e saiu. Eles estavam parados numa estrada de asfalto que formava um caminho através da areia do deserto como uma faixa larga de alcaçuz seca5. Uma corrente de ar frio encheu o carro. Katie pegou sua jaqueta e a vestiu antes de sair do carro. A luz do interior do carro mostrou que Joseph tinha subido no teto do carro e tinha se posicionado confortavelmente como se o carro fosse uma cadeira reclinável de couro. - Não é má idéia. Katie fechou a porta e fez uma não-tão-graciosa tentativa de se juntar a Joseph no teto. As boas condições do carro de Eli mantiveram Katie de ficar preocupada em arranhar o teto ou danificá-lo em alguma coisa. - Ah, sim, é bom e tostante aqui atrás, né? - Hmm, Joseph replicou satisfeito. Seus braços estavam embaixo de sua cabeça e seus olhos estavam fixos no céu. Katie se deitou e absorveu a vista. - Uau! De onde vieram todas essas estrelas? Tem tantas! - Umm-hmm, Joseph murmurou.
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alcaçuz= legume de raiz amarela e adocicada; raiz de regoliz (o que quer que seja isso)

Eli puxou o saco de dormir e garrafas térmicas do banco traseiro. Ele encontrou o caminho para a frente do carro com a ajuda de uma pequenina lanterna vermelha que estava no seu chaveiro. Estendendo as garrafas e o saco de dormir pra Katie, ele pulou pra perto dela. O teto fez um ruído metálico, e Katie teve certeza que o peso deles estava deixando um dano permanente no teto. Eli desenrolou o saco de dormir e colocou sobre eles três como se eles fossem moscas num tapete e acostumados a se embrulharem daquela forma toda noite. - Isso é incrível, gente. Tô feliz que vocês me convidaram pra vir com vocês. - Você quer café? Eli abriu a tampa de sua garrafa térmica. - Com certeza. Obrigada. Katie tomou um gole do café fumacento que Eli tinha colocado nos copos. - Você pode agradecer Joseph. Ele me deixou colocar na loja de conveniências. - Entretanto eu paguei pelo café, Joseph disse rapidamente como se ele estivesse preocupado que Katie podia pensar que ele tinha permitido que Eli roubasse um pouco. Katie estava impressionada de uma forma terna por ouvir um colega da Rancho Corona fazer sua integridade conhecida nas pequenas coisas. Ela estava acostumada a ouvir de alguns estudantes como eles manejavam pra furtar isso ou aquilo sem ser descobertos ou como eles davam um jeitinho aqui e ali sem ninguém notar. Katie conhecia poucos estudantes que estavam tentando fazer escolhas corretas e honestas mesmo quando ninguém estava olhando. Ela admirava Joseph. - É bom café, Katie disse. Apesar de que sou uma expert em chá, então não tenho certeza se sou qualificada pra avaliar café de lojas de conveniência. - Gosta de chá? Eli perguntou. - Sim, gosto de chá, Katie respondeu fazendo um resumo sobre sua afeição pela bebida. Ela sintetizou a história de como ela tinha passado seu primeiro semestre na Rancho tentando criar um chá de ervas original. Seus esforços chegaram ao fim quando seus humildes oferecimentos causaram alergia na pele dos estudantes cobaias que provaram suas misturas. - Entretanto, uma das minhas misturas participou de um show de comida por volta de 1 ano atrás e ninguém sofreu efeitos nocivos. Recebi uma menção honorável. - Você continua fazendo misturas de chá? - Não, acabou que se tornou um dos meus hobbies passageiros. Por quê? Vocês gostam de chá? - Prefiro café. Joseph pegou o copo da mão de Katie e segurou enquanto Eli colocava mais café da garrafa térmica. - A gente bebe muito chá no Quênia, Eli disse. Eu tenho amigos que administram uma plantação de chá. - Sério? Eles são americanos?

- Não, são quenianos. A terra foi cultivada durante o período colonial por uma família da Áustria. Eles venderam pra um médico queniano e agora seus dois filhos mais velhos e suas famílias tomam conta da fazenda. - Isso é tão legal. Fiz um trabalho ano passado sobre justo comércio e como é difícil para os indígenas viverem do que produzem no mercado de chá. A maioria das minhas pesquisas citadas foram sobre a Índia. Eu não sabia que o Quênia tinha um grande mercado de chá. - Eles tem. E é um mercado em crescimento porque as condições climáticas são certas. Tenho certeza que o que você leu sobre a Índia se aplicaria ao mercado do justo comércio na África. A especialidade na plantação do meu amigo é chamado 'Nairobi Chai. ' Tenho alguns no apartamento. Próxima vez que você for lá me lembra e eu faço um pouco pra você. - Valeu, obrigada. Gostaria de provar sim. Joseph tinha voltado pra sua posição reclinada e Eli se juntou a ele. Katie seguiu o sinal mudo pra encerrar a conversa e curtir o show. Recostando-se, ela focou seus olhos no centro do palco acima deles. A enorme quantidade de pontos de luz brilhantes correndo das estrelas para a Terra tiveram um efeito respiraçãoem-sinfonia em Katie. Longe ao Sul, a lua de marfim parecia flutuar como uma casca encaracolada de um limão pálido. Parecia que uma grande rajada de vento cósmico poderia enviar a lua minguante rolando de ponta a ponta pra fora da toalha de mesa aveludada do céu. Tal rajada de vento não veio. Tudo estava como deveria estar nessa quieta cena da vida. Tantas estrelas. Não acho que já tenha visto esse tanto de estrelas. O motor abaixo deles arrefecia. Era o único som que Katie ouvia. Quanto mais ela olhava mais parecia que a a vida parada se movimentava. Era como se o universo estivesse exalando em um grande suspiro. Ela sentia como se eles três, o carro e todo o planeta Terra estivessem se reduzindo até se tornarem não maior que uma partícula de areia. Diante deles estava o universo expansivo, vasto, imensurável, selvagem e vivo com cores sutis e luzes pulsantes. Uma estrela diretamente acima parecia mais azul que as outras. Ela notou como as outras estrelas eram de tamanhos diferentes e algumas pareciam tremular. Uma estrela cadente apareceu no horizonte leste, deixando um rastro resplandecente no céu em um piscar de olhos. Katie suspirou numa rápida respiração através de seus lábios entreabertos. Se ela estivesse com outras pessoas, sua resposta teria sido oohs e aahs, como se isso fosse uma apresentação de fogos de artifícios. Mas com Joseph e Eli, o silêncio profundo que os circundava foi a oferta deles de admiração. Entre piscadas, Katie estreitou os olhos e localizou outro rápido e menos brilhante meteoro, como se lançasse a si mesmo de cabeça na atmosfera da Terra e se incinerasse com sua longa cauda de luz.

Durante uma das aulas de ciências de Katie, ela tinha estudado um pouco sobre as estrelas e o espaço sideral. Uma figura de um de seus livros veio à sua mente. Mostrava um diagrama do caminho que os cometas fazem ao redor do sol num curso regular. Quando a Terra viajava através de um fluxo de pedaços de pedras geladas de um cometa, nós veríamos aqueles pedaços como estrelas cadentes ou uma chuva de meteoro. Uma depois da outra, o desfile de estrelas cadentes colidiam com a barreira invisível da Terra e desapareciam. Seus pensamentos sobre a cupular cena noturna mudaram de científicos para apreciarem uma dança. Joseph tinha dito mais cedo que eles estavam indo para um concerto. Talvez ele estivesse ouvindo música naquele exato momento. Para ela, um balé maravilhoso estava tomando seu lugar no céu. Deus estava orquestrando essa performance como Ele faz todos os dias e todas as noites. Ela sentiu como se fosse parte de uma audiência limitada e privilegiada que estava testemunhando a Terra sendo salva momento a momento da destruição de grandes pedras malvadas e antigas que vinham em sua direção. Tudo estava calmo. O perigo estava mantido fora da barreira invisível da atmosfera da Terra. A vida continuava como sempre enquanto esse girante planeta azul continuava no seu curso correto. A magnitude de tal compreensão assentou em Katie da mesma forma que o saco de dormir de cheiro musgoso descansava sobre ela, mantendo-a aquecida e confortável. Ela se sentiu segura. Katie notou como sua respiração tinha se tornado regular e constante. Ela quase não percebia Joseph e Eli ao seu lado a não ser pelo pequeno senso de que a respiração deles estava lenta e até mesmo ritmada como a dela. Aquilo e a percepção de que a jaqueta de Joseph carregava o cheiro de gasolina. Outro meteoro, esse com a cauda mais brilhante até aquele momento, apareceu no oriente e não se apressou antes de incinerar em uma fumaça de poeira interplanetária. Uma série de pontos de luz brilhantes tipo ratinhos velozes6 seguiram o primeiro pra extinção. Deus mantém o mal longe de mim todos os dias da mesma forma que ele está mantendo a Terra de ser pulverizada pelas estrelas cadentes? Um sendo de humilde gratidão a encheu. Sem aviso, Eli moveu suas pernas e deslizou pra fora do teto, deixando um espaço frio perto de Katie. Ele foi para o porta-malas, o abriu e apenas com a pequena luz vermelha no seu molho de chave para iluminar o caminho, ele caminhou de volta lentamente para a frente do carro. Katie sussurrou para Joseph:

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No original o nome é LEMMING, tudo que consegui encontrar foi que é um animal tipo um rato que habita nas regiões frias do Norte.

- O que ele tá fazendo? - Não sei. Com Eli eu nunca sei. Só então, à distância o débil uivo de um coiote soou. Pelo menos Katie achava que era um coiote. Ela e Joseph trocaram olhares assustados na escuridão, sem certeza do que poderia acontecer a seguir.

Capítulo 5
Eli abriu a porta da frente do carro, e a luz interna iluminou a fria escuridão com uma luz azul. Katie se virou e olhou de onde ela estava, perto de Joseph no capô do carro Eli, para dentro do carro através do pára-brisa. Eli estava colocando um CD som do carro e aumentando o volume. Abaixando a janela do carro do lado motorista, ele fechou a porta. Assim que ele fez isso, a noite os submergiu novo. de no do de

Eli subiu para perto de Katie e puxou uma parte do saco de dormir para cima de suas pernas. Atrás deles a música começou. A introdução começou com o lento e constante ritmo dos tambores. - Isso é da África? Katie perguntou. - Sim. Shhh. Os tambores foram seguidos por uma ”limpa" e singular voz que provavelmente pertencia a uma criancinha. O solo foi cantado com perfeita afinação e clareza. Mesmo Katie não entendendo as palavras, a música soava como uma adoração pra ela. Contemplando o céu novamente, ela deixou a música lavá-la como se fossem ondas invisíveis. No refrão, uma multidão de vozes se juntou àquela voz sozinha com expressivos sons que fizeram o pára-brisa vibrar na suas costas. A letra mudou para o inglês. Katie ouviu mais cuidadosamente e rapidamente reconheceu a primeira parte da canção como sendo de Salmos 8. Ela sabia isso porque Ted e o amigo deles, Douglas, também tinham escrito uma canção com esse versículo. A versão africana era bem diferente tanto na melodia quanto no tom, mas as palavras eram as mesmas: Quando contemplo os teus céus, Obra dos teus dedos, A lua e as estrelas que ali firmaste, Que é o homem para que com ele te importes, E o filho do homem para que te preocupes? Tu o fizeste um pouco menor que os seres celestiais E o coroaste de glória e honra. A música acabou, e a próxima começou sobre eles tão bela e calmamente quanto a primeira. Essa também foi cantada nos profundos e terrestres tons de uma língua que Katie não reconheceu e depois foi repetida em inglês. O que o Senhor requer de você?

Além de agir com justiça, Amar com misericórdia, E caminhar humildemente com Deus. Katie se virou para Joseph enquanto ele balançava a cabeça e os ombros junto com o tempo da música. - Ótimo show, ela disse docemente. - Umm-hmm. Sobre eles as estrelas dançavam. Na TV e no cinema, Katie tinha assistido uma porção de danças. Ela tinha visto dançarinos tribais pulando com grandes lanças. Ela tinha visto homens tailandeses numa ilha vestidos a caráter pisar na areia com força. Comédias retratavam companheiros mascarados balançando suas armas em volta das fogueiras da tribo e gritando ”uga-buga" para assustar seus inimigos e fazer com eles fugissem. Mas isso, Katie ainda não tinha visto. Ou se ela já tinha visto, seu espírito nunca tinha sido capturado da maneira como estava sendo agora. Tudo em volta dela parecia estar dançando em resposta à música e a beleza perfeita da noite, e ela era parte dessa imensa dança de louvor. Apesar de não estar se mexendo. Katie puxou o saco de dormir até a altura de seu queixo, quase cobrindo o sorriso em seus lábios. O nariz dela estava gelado, mas o coração estava quente e tranqüilo, como se lá dentro ela estivesse prostrada em oração. Ela não se lembrava de alguma vez ter se sentido tão envolvida na imensidão e ao mesmo tempo em um minuto tão particular diante da beleza de Deus e do seu cosmos. Essa era uma noite como nenhuma outra. Quando a música terminou, Eli e Joseph silenciosamente desceram do capô do carro, e Katie os seguiu. Uma vez que Eli tinha ligado o carro e o aquecedor, ela começou uma conversa sobre a música e a África. Eli e Joseph contaram-na que cada um deles tinha, em algum momento de sua infância, vivido em uma choupana de barro com telhado de palha. Antes de vir para a Califórnia, ambos tinham morado em grandes cidades. Eli disse que morou em um apartamento. Joseph disse que morou em um quarto de uma casa com uma pessoa chamada Shiloh. - E quem é Shiloh? Katie perguntou. - Shiloh é minha linda esposa. - Sua esposa? Eu não sabia que você era casado. Ela ainda está na África? - Claro. Ele tirou uma foto de sua carteira e entregou à Katie. Ela teve dificuldade em ver sob a luz fraca, mas ela pôde perceber que a foto era de uma amável e sorridente moça. - Qual foi a última vez que você a viu?

- Vinte e três meses atrás. - Joseph! - Sim? - Que horror. - Nós estaremos separados apenas por mais dezessete meses. - Apenas dezessete meses? Joseph, eu estou pasma. Katie devolveu a foto a Joseph. - Por que você está pasma? É por que uma mulher tão linda me escolheu como marido? - Não, claro que não. Eu estou pasma de ver como você pode deixar sua esposa por tanto tempo apenas para vir estudar. - Ir a uma faculdade é um grande privilégio. Katie concordou, mas ela nunca tinha considerado os sacrifícios que alguns estudantes faziam para estudar na Rancho. Para ela tinha sido muito difícil sem o suporte de sua família, mas os obstáculos dela pareciam mínimos comparados aos de Joseph. Enquanto processava tudo aquilo, o carro branco de Eli subia o morro até o topo do planalto onde a Universidade Rancho Corona ficava. O campus parecia estar dormindo naquelas primeiras horas desse novo dia. - Obrigada por me deixar ir com vocês, Katie disse. Eu estou quase feliz por meu pobre carrinho ter estragado. Quase. - Você tem algum mecânico que pode fazer o conserto pra você? Joseph perguntou. - Eu estou pensando em ver se meu irmão pode vir e dar uma olhada. - Se ele não puder, me fale, por favor, Joseph disse. Eu conheço um pouco de mecânica. - Bom saber disso. Katie pegou seu celular e a tela iluminou-se quando ela apertou os botões para armazenar um novo contato. Qual é seu número? - Eu não tenho celular. Katie não sabia de ninguém que não tivesse um celular. - Há algum telefone para o qual eu possa ligar lá no posto de gasolina? - Há sim, mas eu não sei o número. Se você rebocar o carro até o posto, eu posso fazer o conserto pra você. - Ta bom. Eli parou o carro em frente ao Crown Hall, e seu carro ficou parado ao longe enquanto Katie se despedia. - Eu vejo vocês por aí. Obrigada mais uma vez por me deixar ir com vocês. Se

vocês planejarem ir a outro rock star show me falem, tá? - Combinado, Eli disse. Estou feliz por ter vindo. Katie se dirigiu para dentro do dormitório e fez aquela longa caminha até o fim do corredor, ainda flutuando na euforia daquela noite. Com apenas três horas antes de ela ter que estar em serviço na mesa da frente, ela vestiu seu pijama e colocou o seu celular para despertar. Ela se sentia bela e estranhamente descansada desde o seu interior até o exterior. Instintivamente digitando uma mensagem para Rick antes de dormir, ela disse a ele que esperava que ele e Joseph fizessem uma viagem segura. Um minuto depois que ela enviou a mensagem, seu celular tocou. - Eu não acredito que você ainda está acordada. Você está na casa da Cris? Rick disse, com uma voz de quem estava bem acordado. - Não, eu saí de lá antes da meia-noite. Eu estou no meu quarto, mas você jamais vai adivinhar onde eu fui depois que saí da casa de Cris. - Casa de Pedro? - Não. Eu fui ao deserto com Eli. O outro lado da linha ficou em silêncio. - Rick, você ainda está aí? - Sim, estou. Você disse que foi ao deserto com Eli? - É. Eu fui ao deserto com Eli e Joseph. Você conhece o Joseph. Ele é da África. - Katie, você está tentando fazer uma piada ou coisa do tipo? Porque eu não estou entendendo. Katie se esticou em sua cama e começou a história com a parte que o Buguinho não queria funcionar. Então ela deu a Rick uma explicação completa, incluindo a discussão sobre chás, a inacreditável quantidade de estrelas, a irresistível presença de Deus, a maneira como ela ouviu um coiote de longe, e o ”show" africano. Então ela parou para respirar antes de dizer: - Eu queria que você estivesse lá. Foi a noite mais maravilhosa de todas. Eu acho que nem consigo explicar o quão fenomenal foi. De novo, a ligação parecia ter caído. - Rick? - Eu não sei o que dizer, Katie. Eu ainda estou tentando entender porque você saiu no meio da noite e foi ao deserto com dois caras que você nem conhece. - O que você quer dizer com 'nem conhece'? Eli mora com você. Era você quem queria que eu o conhecesse melhor. - Sim, conhecê-lo, ser educada quando você estiver no apartamento e ele estiver lá. Eu nunca quis dizer que você deveria sair com ele no meio da noite para algum destino louco.

- Não foi assim tão louco quanto parece. O que eu não te contei é que eu estava tentando convencer a Cris de ir a uma aventura noturna comigo. Eu sugeri pular de pára-quedas, então com isso em mente, essa chuva de meteoros noturna foi uma opção muito melhor. - Então por que a Cris não foi com você? - Ela não sabe que eu fui. Eu não voltei para contá-la que o Buguinho não estava funcionando. Mas fato é, eu conheci o Eli e agora eu não tenho mais antipatia dele. Então na verdade, agora mesmo, eu acho que você deveria estar dizendo, ”Bom trabalho, Katie. Continue assim!”. - Okay, bom trabalho, Katie. Continue assim. E a propósito, eu disse ao Eli que o convite que eu fiz para ele sobre a noite de pizza foi um erro, então eu espero que você não mude de idéia com relação a isso. - Não. Obrigada. Como ele reagiu? - Bem. Por quê? - Eu só não quero magoar os sentimentos dele. - Katie, você está me matando. Hoje mais cedo eu tentei convidar o Eli para a noite de pizza e você não gostou disso. Agora você está preocupada com a possibilidade de eu o ter magoado. Você não sabe o que quer. - Ei, eu não conhecia o Eli hoje mais cedo como eu o conheço agora. Você estava certo; ele é um cara legal. As coisas estão indo bem, Rick. Tudo está ótimo entre mim e você e tudo está bem agora com o Eli. Não há nada com o que se aborrecer. - Sabe o que mais, Katie? Essa é, provavelmente, a pior hora possível para termos essa conversa. Nós estamos numa hospedaria agora. Josh acabou de chegar com as chaves. Eu te ligo hoje mais tarde, pode ser? - Pode. Me ligue depois das cinco. - Depois das cinco. Entendi. - Eu espero que suas negociações dêem certo. - Obrigada, Katie. Ela apertou o botão de seu telefone e colocou-o de lado. Será muito bom quando ele tiver terminado esse café no Arizona. Essas viagens estavam o cansando muito e colocando um grande peso no relacionamento deles. Sem perceber, ela começou uma oração em voz baixa. - Você já sabe o que eu quero, Deus Pai. Eu quero que o Rick e eu tenhamos uma chance de ficar mais próximos agora que nós somos namorados. Nós esperamos um ano por esse próximo passo no nosso relacionamento, e apesar de parecer que temos que nos esforçar muito mais do que tínhamos antes de sermos oficialmente namorados. Um grande bocejo tomou conta dela e ela deixou o restante da oração por falar

quando caiu no sono. Parecia que tinha passado apenas um minuto até ela ouvir uma batida persistente em sua porta. Ela deu olhada no relógio sobre sua mesa. Eram apenas 8:25 de uma manhã de sábado. Com um gemido ela rolou na cama e gritou: - Pode entrar. A batida continuou, mais forte. Sem abrir seus olhos, Katie gritou de novo: - Sério! Vá checar a AR em-trabalho na mesa principal. Assim que as palavras pronunciadas saíram de sua boca, os olhos de Katie abriram instantaneamente. - Espera. Sábado? Ah, não! Sou eu, não sou? Rolando pra fora de sua cama, ela abriu a porta, piscando por causa da luz do corredor. Julia, a diretora dos ARs, estava lá com uma expressão meio confusa. Parecia que ela tinha acabado de levantar e colocar uma calça jeans e um moletom. Seu cabelo castanho cor-de-areia estava preso com um grampo e sua bela e sardenta pele estava rosa. - Katie? - Meu despertador deve... Eu pensei que eu... - Eu vou voltar para a mesa principal, Julia disse. Venha e tome meu lugar assim que você puder. - Eu vou me apressar. Katie pegou seu telefone e descobriu que desapercebidamente o desligou quando ela acabou de falar com Rick algumas horas atrás. Ela tinha três chamadas na caixa postal. Duas eram de Julia. Ela não parou pra ver de quem era a terceira ligação. Correndo para vestir uma calça de jeans e um moletom, Katie calçou seus pés num par de chinelos e desceu o corredor correndo. - Julia, eu sinto muito, muito mesmo. Meu telefone... - Não se preocupe com isso. Acontece. Eu não estou me sentido bem, eu vou voltar pra cama. Se você tiver algum problema, ligue para o Greg primeiro, ta? - Claro. Obrigada. De novo, me desculpe. Rapidamente, aquele se tornou um chatíssimo sábado para Katie e para todos com que ela se encontrou durante as suas cinco horas de trabalho. Primeiramente, ela estava com fome e nenhuma das gavetas da mesa guardava uma sacola de rosquinhas ou maçãs confiscadas da cafeteria que normalmente ficavam lá. Segundo, todos que vieram até ela com um problema estavam irredutíveis no quesito precisar de uma solução imediata para o problema. Terceiro, o número de problemas, mesmo para um sábado, estava bem mais alto que o normal. Katie estava acostumada com as situações como ”Eu perdi minha chave" ou o ”Eu preciso agendar com a manutenção para que eles venham

consertar a porta do meu armário". Hoje duas infestações de formigas foram detectadas e um pequeno incêndio resultante de uma cola quente em cima da cama enquanto a artista foi ao centro da cidade para comprar mais coisas para seu projeto de arte. A fumaça da roupa de cama queimada originou numa ligação para a mesa de Katie vinda do quarto ao lado do desastre, o que significava que Katie tinha que avaliar o lugar se ligasse para o departamento de incêndio. Ela ligou, eles vieram, tudo foi feito bem rápido e eficientemente, antes que a estudante de arte estivesse de volta do centro da cidade e encontrasse seu colchão e sua roupa de cama queimada ensopados e fora do Crown Hall. Acabou que Katie teve que encontrar um novo colchão e arrumar um jeito de levar o colchão danificado para longe dali. Tudo isso aconteceu antes de meio dia. Ao meio dia, sua companheira de andar, Nicole, entrou no Crown Hall com uma surpresa feliz. Ela tinha um sanduíche com porção extra de picles para Katie. - Você está brincando comigo? Katie disse, assim que a doce Nicole apareceu com o grande, e salvador de famintos embrulhado num papel. Como você sabia? - Eu tive que trabalhar no sábado por duas semanas seguidas, lembra? É o pior dia. - Oh, baby, você é meu novo melhor amigo. Katie deu uma mordida em seu sanduíche. - Eu seria boba de pensar que você estava falando comigo, Nicole disse com um sorriso. Eu sei que essa sua expressão de carinho é para o sanduíche. O sanduíche é mesmo seu novo melhor amigo, não é? Katie não respondeu. Ela apontou para seus lábios fechados e sua boca cheia de sanduíche e continuou a mastigar e fazer barulhos para demonstrar sua felicidade enquanto mastigava. Nicole puxou uma cadeira para perto de Katie. O cabelo escuro e escorrido de Nicole estava preso em um rabo de cavalo e mesmo parecendo que ela não estava com nenhuma maquiagem exceto pelo discreto delineador e o rímel em seus olhos, ela aparentava estar nova em folha, como sempre. Nicole pegou seu celular, para checar as mensagens. Seu semblante caiu. - Hmm? Katie perguntou, ainda mastigando. Ela apontou para o telefone, deixando claro que ela queria saber com o quê Nicole estava desanimada. - Ah. Eu estou esperando que uma certa pessoa me responda se vai comigo a uma certa noite de pizza na sexta e isso está me deixando louca. Isso é muito humilhante. Eu gostava mais de quando estávamos no primeiro ano do ensino médio, quando tudo que tínhamos que fazer era contar às nossas amigas de quem nós gostávamos e deixá-las contar ao garoto para nós. Elas sempre voltavam logo em seguida com uma resposta se ele gostava de nós ou não.

Katie engoliu e deu olhada para fora da área do saguão para se certificar de que ninguém as podia ouvir. - Quem você chamou? - Ah... Phillip Sett. Katie caiu na gargalhada. - Que foi? Ele não é tão ruim assim. Eu acho que ele é até bonitinho. Katie balançou sua mão na frente de seu rosto e tentou respirar. - Por que você está rindo, Katie? - Não, não. Não é por causa dele. Eu nem o conheço. Ela voltou a respirar normalmente. - Então qual é a graça? Já é humilhante o suficiente estar na última semana e tentar arrumar um acompanhante; você não precisa zombar de mim. Katie assumiu uma expressão melancólica. - Nicole, me desculpe. Eu não estou zombando de você. Foi o jeito como você disse o nome dele. Eu nem conheço o cara. Mas quando você disse o nome dele, eu achei que você tinha dito, 'Eu to triste, '7 e eu acabei achando engraçado o fato de você estar tão chateada e eu pensei que... A lógica ilógica do que Katie tinha entendido foi ao encontro de Nicole e ela deu um pequeno sorriso. - Ah, entendi. Phillip Sett. Eu to triste. Ok. É bem engraçado. - Não, não é. Se fosse engraçado você estaria rindo também. Eu estou meio grossa essa manhã, Nicole. Nós já tivemos dois problemas com formigas e um incêndio. - Eu vi o colchão. O que aconteceu? Em meio às mordidas do sanduíche, Katie fez um resumo para Nicole. Depois de Katie dar mais algumas mordidas em seu sanduíche, todas as luzes no pequeno escritório piscaram. A luz caiu completamente por dois segundo e depois voltou. - O que está acontecendo hoje? - Nós tivemos uma queda de energia ontem a noite também, Nicole disse. Você estava aqui quando isso aconteceu? Nós ficamos sem energia às nove da noite por cerca de cinco ou seis minutos. - Não, eu estava na casa da Cris. Nós estávamos tendo nosso problema particular de queda de energia com o micro-ondas.
7

Em inglês, o que a Katie entendeu foi que a Nicole tinha dito”I feel upset", que quer”Eu to triste", ao invés de Phillip Sett, que é o nome do garoto. Coisas de Katie...

- Ah, é, e como foi o tratamento facial? Vocês gostaram da minha fórmula secreta? - Eu acho que funcionou mais na Cris do que em mim. - Você deveria usá-lo constantemente. Toda semana. O produto é bom. - A cor era ótima. Excelente tom de verde. Bom para assustar garotos. Nicole sorriu. - Eu não sei se quero ouvir o restante dessa história. Não agora, do jeito que a minha vida anda... Eu acho que eu assustei o Phillip. E agora sim, eu to triste. - Então ligue pra ele e diga que você só está querendo saber como ele está. Seja calma e simpática e então você vai saber se ele vai com você ou se você vai precisar convidar outra pessoa. - Esse é o problema, Nicole disse. Quem mais eu poderia convidar? Eu já esgotei todas as minhas opções. Se o Phillip não for comigo, eu acho que não vou. - Você tem que ir. Isso é seu trabalho. - Bem, então meu trabalho deveria vir, automaticamente, com um acompanhante para todos os eventos sociais porque, de verdade, eu não quero ser a única a ir sozinha. Eu não estou agindo com uma criança pirracenta. Sinceramente. Esse é meu último ano e eu fui sozinha à maioria desses eventos. É horrível. Especialmente ano passado quando eu fui AR pela primeira vez. Eu dizia a mim mesma que tudo bem ir sozinha porque no ano seguinte seria meu último ano, e certamente, a essa altura, eu teria alguém com quem eu pudesse fazer, pelo menos, as coisas mais casuais. Mas olhe pra mim, Katie! Lágrimas jorraram de seus olhos. Eu sou uma universitária em seu último ano e do campus todo eu sou a mulher que menos saiu com algum rapaz! - Isso não é verdade. Você está brincando comigo? Nicole, você é maravilhosa e você sabe disso. Você está com um corpo ótimo, pele perfeita, um cabelo lindo, e você é mesmo maravilhosa. Tanto por fora quanto por dentro. Você só não encontrou o cara certo ainda. Por mais que Katie tivesse a intenção de que sua última frase desse esperança à Nicole, ela ainda parecia com algo que uma mãe diria seguido de um tapinha no joelho. Principalmente por causa do jeito como Katie tinha feito um resumo das melhores características de Nicole, como se Nicole precisasse que alguém a contasse o quão maravilhosa ela era. Infelizmente, a exortação de Katie para Nicole tinha produzido o mesmo tipo de lágrimas sufocadas que teriam vindo se uma mãe estivesse falando a mesma fatídica frase. Nicole piscou corajosamente. - Eu sei. Eu realmente não deveria estar fazendo disso um grande problema. Eu estou sensível demais. Você tem algum chocolate guardado em seu quarto? - Bombas de chocolate? Katie ofereceu, segurando a chave de seu quarto.

- Eu vou olhar com a Em. Ela normalmente tem essa coisinha preta guardada. Se ela não tiver, eu vou atacar seu estoque de bombas de chocolate. - Seja minha hóspede. E Nicole? Eu estava falando sério mesmo que tudo tenha saído errado e soado horrivelmente bobo. Você é maravilhosa, e qualquer rapaz seria louco de não sair com você. Eu realmente acredito que você vai encontrar alguém. Eu não sei quando, mas você vai, e os 'sinos vão soar' pra vocês dois. Poção mágica, raios brilhantes no canto dos olhos e tudo mais. - Poção mágica, raios brilhantes no canto dos olhos, hein? - Cris e eu estávamos falando sobre isso ontem à noite. É basicamente a síndrome da princesa de desenho animado. Então Katie se lembrou de que a conversa com Cris tinha sido, na verdade, sobre deixar os raios no canto dos olhos na parte dos mitos. Agora, aqui estava ela, bajulando Nicole e a convencendo a acreditar que seu lindo príncipe estava há apenas um desejo de distância. - Sabe o que mais, Nicole? Eu percebi que não são brilhos e raios. Eu não deveria ter vindo com essa história de poção mágica. Eu sei que não é assim pra todo mundo. Mas, fato é, eu tenho aquela sensação melosa de docinho de coco de que é assim que vai ser com você. - Por que, eu sou um docinho de coco? - Não, você não é um docinho de coco. - Katie, você pode parar de tentar me animar. Eu sei que Deus tem um plano pra minha vida. Sei mesmo. Eu te contei durante nossa caminhada rumo ao Catalina como eu cresci com a premissa de que eu sou uma princesinha de Deus e um dia meu príncipe viria. Eu acho que grande parte de mim ainda acredita nisso. - Que bom. É assim que deve ser. - Sim, mas nesse ano, por sua causa do seu tema Tesouros Peculiares para o nosso andar, eu estou desenvolvendo uma imagem maior da minha vida e do que importa para Deus. Eu não sei se eu já te agradeci por isso. Eu estou vendo que sou mesmo um tesouro peculiar de Deus e o meu valor pra ele é o que importa mais e mais. - Não há regra nenhuma que diz que você não pode ser um tesouro peculiar e uma princesa ao mesmo tempo. - Eu acho que estou no meio-a-meio. Metade de mim quer deixar isso pra lá e dizer que toda essa coisa de acompanhantes não vai me definir ou meu último ano de faculdade. Deus está fazendo tudo que o honra e é isso que eu quero. Mas aí, a outra metade de mim diz, ”Alôôôô! Lembra de mim, Deus? Cadê meu Senhor Maravilha?” Katie deu um espontâneo abraço em Nicole. - Eu te amo, Nicole. Você é tão sincera. - Esse também é um dos seus melhores traços que está passando pra mim, Katie.

O telefone de Nicole tocou e as duas se ergueram na cadeira, com expectativa e uma expressão levemente ”tonta". - To triste? Katie perguntou, enfatizando a pronúncia errada do nome do acompanhante em potencial de Nicole. Nicole pegou seu telefone e o abriu. A expressão dela decaiu quando ela viu o nome no identificador. Colocando o telefone em seu ouvido e melhorando sua voz, ela disse: - Oi, mãe. Katie escondeu seu sorriso desapontado numa mordida em seu sanduíche. Nicole deu um tapinha no ombro de Katie e acenou um tchau enquanto caminhava para fora do escritório dizendo: - Aham. Sério? Ah, que bom. Enquanto mastigava ruidosamente na calmaria da mesa principal, ela lembrou que havia uma mensagem na caixa postal que ela ainda não tinha ouvido. Pegando seu telefone, ela acenou para duas estudantes que entraram no prédio e deram um oi pra ela. Ela ouviu às duas mensagens de voz de Julia perguntando onde ela estava e se ela se lembrava que ela estava encarregada da mesa principal naquela manhã. Então veio a terceira mensagem. - Ah. Bem. Eu não sei que... Alô? Você está me ouvindo? É sua mãe. Katie? Você não deve estar em casa. Você está aí? Eu não sei se eu devo falar o número do meu telefone ou apertar algum botão. Você deveria deixar instruções que digam às pessoas o que elas devem fazer ao invés de... Bem, tchau. Eu já desliguei? Eu não sei como isso funciona. Um clique e um silêncio se seguiram. Katie engoliu o pedaço de sanduíche. Ela respirou fundo e digitou o número do telefone da casa de seus pais. Limpando sua garganta, ela esperou enquanto o telefone chamava. O coração dela estava acelerado, como se ela fosse atravessar a nado um grande e gelado oceano.

Capítulo 6
Os pais de Katie estavam em seus quarenta anos quando ela nasceu. Mesmo eles sendo super protetores no começo, uma vez que ela formou no ensino médio, ela começou a ficar mais independente, o que a deixou sentindo-se à deriva no relacionamento dela com eles. Enquanto ela esperava sua mãe atender o telefone, um caminhão de entrega da floricultura estacionou em frente ao Crown Hall. - Oi, mãe. Sou eu, Katie. Ela odiava ter que se identificar, mas era melhor ela se fazer conhecida no começo da ligação do que esperar que sua mãe soasse confusa e depois dissesse, ”Quem é?” - Eu tentei te ligar hoje de manhã, Katie. - Eu sei. Essa é a primeira oportunidade que tive para ligar de volta. - Você deveria deixar instruções no seu telefone se você não vai atender. Eu não sabia se eu deveria apertar algum botão ou o quê. - Você não precisa apertar nenhum botão. Tudo que você tem que fazer é falar, mãe. E depois desligar. Do jeitinho que você fez. Um homem baixinho aproximou-se da mesa principal, seu rosto escondido pelo grande buquê de margaridas, lírios e rosas. Ele colocou as flores no balcão, o que bloqueou a visão de Katie, impedindo que ela o visse. - Eu preciso que você assine aqui. Ele puxou uma prancheta passando-a ao lado do buquê - No 'x'. - Katie, há mais alguém na linha? - Não, mãe. Só um segundo. Ela abaixou o telefone, rabiscou sua assinatura na linha onze e agradeceu ao entregador antes de voltar à conversa com sua mãe. Voltei, eu tive que assinar uma entrega de flores. - Flores? - É, um buquê. Um buquê enorme. - É pra você? - Não. Eu estou de plantão na mesa principal. Não sei pra quem é. Katie virou o vaso e encontrou o cartão colado ao lado do vidro ao invés de preso a um desses usuais palitinhos de plástico presos em meio às flores. Seu coração parou quando ela viu que o nome que estava no cartão era “Katie". - Se você estiver muito ocupada agora para falar, você pode me ligar mais tarde, a mãe dela disse. - Não, tudo bem. E aí, alguma novidade? Ela tentou não soar indiferente, mas sua mente percorreu todas os possíveis motivos pelos quais Rick a teria mandado

flores. Ele estava só tentando ser legal? Eles não tinham marcado ou comemorado nenhum desses ”aniversários de namoro" do jeito que alguns casais de namorados faziam. Rick não estava começando agora, estava? - Eu preciso do seu endereço, a mãe dela disse. - Meu endereço? - Sim. Aí da escola. Uma carta chegou pra você e eu preciso encaminhá-la. - Ok. Katie recitou o endereço de seu dormitório enquanto tirava a fita adesiva que prendia o cartão no lado do vaso. Assim ela poderia ler o que estava escrito. - Sua tia avó Mabel morreu. Eu já te contei isso, não contei? - Já, mãe. Você me contou isso uns meses atrás. A menos que agora você esteja falando de outra tia avó Mabel. - Não, é a mesma. - Ok, bem, é melhor eu voltar para o trabalho. As unhas de Katie estavam curtas, o que fez da tarefa de tirar a fita adesiva do cartão, algo desafiador. - Seu pai retirou um nódulo do braço dele, mas não era cancerígeno. - Que bom. Ah, eu tenho que contar. Meu carro estragou ontem à noite. - O carro que o Larry comprou pra você? - Sim, esse mesmo. Eu estava pensando que deveria ligar pra ele, mas eu não tenho o número do telefone dele. Katie parou com aquela briga inútil com o cartão no vaso e procurou pra uma caneta. Ela encontrou também, sobre a mesa, um pedaço de papel num bloco de anotações que não estava completamente usado. Você poderia me dar o número do Larry? - Por que você não tem o número do telefone do seu irmão? Katie teve vontade de dizer: - Você acabou de me pedir meu endereço. Qual é a diferença entre isso e o fato de eu não ter o número do telefone do Larry? Ao invés disso, ela disse: - Eu devo ter em algum lugar, mas não no meu celular. Você pode me dar o número, mãe? - Só um minuto. Ah, espere. Aqui está. A mãe de Katie leu o número e depois disse: Você sabe que ele se mudou para Bakersfield, não sabe? - Bakersfield? Quando o Larry se mudou pra lá? - No verão passado. Você sabia que ele estava num centro de reabilitação, não sabia? - Não. - Eu pensei que soubesse. Ele ficou lá apenas uma semana ou talvez duas antes de ele mesmo pedir pra sair. Nós não temos notícias dele desde Agosto. Eu tenho

certeza que o centro não se importará se você ligar pra saber se ele ainda está lá. - Que número você acabou de me dar? O celular dele? - Não tem como eu saber se ele tem um celular. Eu te dei o número do centro de reabilitação. É o único número que tenho. Katie empurrou o papel na mesa. - Mãe... - O quê? - Isso é muito sério, não é? Quero dizer... - Seu irmão já é um homem crescido. Eu não posso me responsabilizar pelas más decisões dele. Nós criamos vocês três para serem independentes. - Eu sei, Katie disse calmamente. Como o Clint está, a propósito? Você falou com ele recentemente? - Não. Você quer o telefone dele também? - Sim, se você tiver. Katie anotou o telefone de seu irmão mais velho no bloco de notas. Ela sentiu como se algo bom tivesse mexido com ela por dentro. - Mãe, o que você e o papai vão fazer na semana de Ação de Graças? - O que você quer dizer com 'O que nós vamos fazer'? - Bem, eu só estava pensando que poderia ir pra casa. Eu não tenho que ficar aqui. Quero dizer, eu só estou há uma hora de casa. Eu não fui pra casa durante o verão porque eu estava trabalhando muito, mas eu não tenho que trabalhar durante a semana de Ação de Graças. O silêncio cobriu aquela conversa, como que passando a responsabilidade da resposta para a mãe de Katie e ela, aparentemente, não sabia o que fazer com aquilo. - Nós não nos importamos muito com os feriados, Katie. Nós nunca fomos assim. - Eu sei. Eu não estou dizendo que tem que ser um grande evento caso eu vá pra casa. Eu só estou oferecendo. Talvez o Rick possa ir comigo e ele e eu poderíamos fazer o jantar para você e pro papai. Vocês iriam gostar, não iriam? - Não sei. Aquele silêncio doloroso preencheu o espaço entre elas mais uma vez. - A família de Rick não convidou você? É isso? - Rick e eu ainda não conversamos sobre a semana de Ação de Graças. Eu só pensei em te falar sobre essa possibilidade. Não é nada de muito importante, mãe. - Nós não estamos prontos para receber visita. Ter a casa preparada em tão pouco tempo é demais pra mim. Há muita coisa acontecendo aqui. Ontem mesmo

seu pai retirou um nódulo... - Eu sei, mãe. Você já me contou. Nós podemos deixar pra lá a idéia do dia de Ação de Graças. Também há muita coisa acontecendo por aqui. - Se você tivesse me avisado com um pouco mais de antecedência, eu poderia organizar alguma coisa, Katie. O dia de Ação de Graças é daqui a apenas uma semana e meia. - Eu sei. - Você deveria ser mais organizada, especialmente quando seus planos envolvem outras pessoas. Eu esperava que a faculdade fosse curar essa sua natureza impulsiva, mas, obviamente, você continua pensando que tudo bem fazer as coisas na última hora. Katie se sentiu mergulhando em uma velha e bastante desagradável poça de lama de vergonha. - Agora, se você quiser conversar sobre fazermos algo no Natal, eu posso falar com seu pai sobre isso. - Eu vou pensar, mãe. - Pensar em quê? Você quer vir ou não? - Não sei. Eu preciso conversar com o Rick sobre isso. - Nos telefone quando você decidir. Quanto mais rápido, melhor. Nós estaremos aqui, você sabe disso. Katie desligou e olhou para o pedaço de papel com o telefone do centro de reabilitação de seu irmão. Sem parar pra pensar no que ela deveria dizer, Katie discou o número do telefone. Uma recepcionista atendeu. - Meu nome é Katie Weldon, e eu gostaria de saber se existe a possibilidade de meu irmão estar nesse centro. O nome dele é Larry Weldon. Ele tem trinta e cinco, não, trinta e seis anos, ele tem o cabelo ruivo e... - Um momento, por favor. Enquanto Katie esperava, ela olhou para as cheirosas flores e usou seu dedo polegar para, mais uma vez, tirar a fita adesiva. Ela tentou puxar para cima uma ponta do cartão. - Alô? Uma voz feminina diferente surgiu no telefone. Eu soube que você está ligando para procurar por um de nossos internos. Katie deu a mesma informação que tinha dado à primeira mulher. - Um momento, por favor. De volta na espera, Katie tirou o cartão, com dificuldade, do vaso. Ela abriu o envelope selado e tirou o pequeno cartão, esperando ver o nome ”Rick" na assinatura debaixo de algo bem carinhoso. Ao invés disso, tudo que o cartão dizia era:

Eu estou muito feliz por você ter dito sim. Nosso futuro começa agora. Nenhum nome apareceu no cartão. Apenas aquelas duas frases. Katie virou o cartão e checou a frente do envelope. O nome na frente era mesmo ”Katie.” - Que bizarro, ela resmungou. Para o quê eu disse sim? - Alô, Senhorita Weldon? Katie pegou seu celular. - Sim, ainda estou aqui. - Obrigada por esperar. Nós checamos nossos arquivos, e não achamos nenhum 'Larry Weldon' que esteja atualmente inscrito em nosso programa. - Ele estava aí no verão, no entanto, certo? Ele deixou alguma informação? - Infelizmente nós não temos autorização para dar qualquer tipo de informação por telefone. - Mesmo para familiares? - Não. Sinto muito. Nós podemos pegar alguma informação sua para contato e se seu irmão entrar no programa de novo, nós podemos passar seu telefone pra ele. - Ok. Eu agradeço. Katie falou o número de seu telefone e seu endereço. Com uma última tentativa ela disse: Tem certeza de que você não pode me contar nada mesmo? Quero dizer, eu não sei se ele está desabrigado ou... - Nós não temos como localizar um interno antigo, a menos que essa pessoa queira nos manter atualizada. - Entendo. Ok. Bem, se ele aparecer por aí, por favor diga a ele que eu quero mesmo falar com ele. Katie sentiu-se mal com a possibilidade de seu irmão estar em uma situação ruim. Verdade, ela nunca fora muito próxima de nenhum de seus irmãos e eles não mantiveram contato depois que ela saiu de casa, mas ainda assim, eles eram seus irmãos. Ela se sentiu mal por não ter feito nada para manter contato com eles. Assim que ela desligou o telefone, ela discou o número de seu irmão mais velho. A caixa postal dele atendeu. - Ei, Clint. Sou eu, Katie. Sua irmãzinha. Eu sei. Estranho eu ligar. Eu só queria saber como você está. A mamãe me deu seu número. Então... Eu acho que eu só queria dar um oi e me ligue uma hora dessas. Eu estou bem. Mamãe e papai estão bem. Eu não sei como o Larry está. Se você souber, você poderia me ligar e dizer como ele está e como você está? Ok. Bem... Espero falar com você depois. Tchau. Talitha, uma das outras ARs, entrou na pequena área atrás da mesa principal. Ela estava com seu laptop debaixo do braço e em sua mão direita estava um copo térmico de café.

- Não é possível que já sejam duas horas. Katie olhou para o relógio de parede. Uau. Esse foi o plantão mais rápido de todos. - Como foi a manhã? Talitha perguntou. - Coisa de louco. Mas essa última hora foi normal. - Que bom. Espero que continue assim. Eu tenho um trabalho pra terminar. Ela armou seu laptop na mesa, e Katie apontou para o resto de seu sanduíche. - Você está com fome? O estômago de Katie estava muito cheio de 'nós' pra ela enviar qualquer pedaço a mais de comida para ele. - Não. Obrigada assim mesmo. Pegando as flores, Katie as encaixou em seu quadril e colocou seu celular em seu bolso para que ela pudesse carregar a sacola do sanduíche de volta para seu quarto e guardá-lo em sua pequena geladeira para um lanchinho futuro. - São lindas, Talitha disse. São pra você? - São. - Do Rick? Katie se desvencilhou de sua incerteza dizendo: - De quem mais elas seriam? - Eu amo o cheiro de lírios sonhadores, você não? 8 - É isso que elas são? Lírios sonhadores? Katie sentiu um rumor estranho dentro de si enquanto jogava pra longe o pensamento que estava tentando bater de frente com sua consciência. - Sim, sonhadores. Você tem que tomar bastante cuidado porque o pólen amarelo mancha, mas os dessas flores foram retirados. Eu amo essas flores. Eu vou usá-las no meu casamento. Katie ficou surpresa. - Seu casamento? Você tem planos que eu ainda não sei? - Não! Talitha disse rapidamente, abaixando o tom da voz. Você está brincando? Eu tenho uma vida amorosa zero e quase uma vida social zero também. Eu só estou dizendo que algum dia, se e quando eu me casar, eu gostaria de ter essas flores no meu buquê de casamento. - Aqui. Katie extraiu uma das vibrantes flores do centro do buquê e deu à Talitha. Uma flor para fazer um desejo. Então, para dar um toque em seu presente impulsivo, ela inventou instruções para extrair um desejo da flor:
8

Em inglês é stargazer lilies. Literalmente traduzidos, são lírios sonhadores, mas não tenho certeza de que esse seja o nome verdadeiro da flor em português.

- Veja, com uma flor dos desejos, você deve girar a flor, cheirá-la e dizer, 'Com esse lírio, eu te desejo. ' Então o primeiro garoto que você vir depois que tiver feito o desejo será 'ele'. Talitha gargalhou. - Eu acho que vou esperar para girar e cheirar até que minhas chances de localizar o 'Sr. Ele' sejam um pouco melhores do que elas são nesse momento. Katie seguiu a visão de Talitha para o hall onde dois rapazes podiam ser vistos. Um deles estava abraçando sua namorada no sofá e outro, um raquítico conhecido em seus quarenta e quatro quilos, estava digitando, em seu laptop, na velocidade da luz. - Entendo o que você quer dizer. Entretanto, quando você estiver pronta, siga essas simples instruções e veja o que acontece com sua flor dos desejos. - Se você diz. Katie tinha certeza que Talitha estava rindo dela por trás daquele sorrisinho, mas Katie não se importava. - Sabe o que eu acho? Eu acho que se uma jovem não se dá o direito de ocasionalmente fazer um desejo para uma estrela, ou uma flor, ou um bolo de aniversário cheio de velas, então nós estaremos perdendo um das mais doces extravagâncias da nossa juventude. Talitha levantou suas sobrancelhas para a declaração de Katie. - De onde você tirou isso? Katie levantou seu queixo. Ela sabia que sua incomum e excêntrica frase tinha vindo das experiências combinadas das últimas vinte e quatro horas – estar com sua amiga casada, Cris; contemplar as estrelas com Eli e Joseph, conversar com sua monótona mãe; pensar em seus irmãos; e agora segurar um lindo buquê de flores com seu nome nele. Uma vez que era demais tentar resumir isso tudo, sua resposta para Talitha foi: - A vida passa rápido e muitas coisas podem nos entristecer. Mas se nós não tivermos esperança, então, bem... pra quê serve o futuro, se não é pra gente sonhar com ele? Talitha deu um abraço espontâneo em Katie. - Eu precisava disso. Obrigada, Katie. Eu precisava dessas flores também. - Que bom. E não se esqueça do desejo-para-seu-lírio. - Não esquecerei. - O desejo só é bom enquanto a flor ainda está viva, então não espere ela secar ou começar a se despedaçar. - Entendi. Juntando tudo em seus braços, Katie tentou carregar as flores para o seu quarto

sem ser notada pelos demais. Ela não teve muito êxito. Três mulheres de seu andar a pararam para sentir o cheiro e admirar seu buquê. Já que o divertido faça-um-desejo-para-uma-flor estava fresquinho em sua mente, Katie repetiu o exercício inventado com as três moças. Para cada uma delas, ela deu um botão de rosa juntamente com as instruções do desejo. - Tem certeza de que você quer dissecar seu buquê assim? Uma das garotas perguntou. Katie rapidamente disse que o buquê era grande demais e precisava ser decomposto. - O Rick tem a tendência de exagerar nas coisas, ela adicionou com um rápido pensamento sobre a última vez que ele deu um buquê a ela. Ele era tão enorme quanto esse, e Katie não tinha exatamente apreciado seus generosos esforços. Eles discutiram naquela noite e ela deixou o buquê no banco de trás do carro. Esse ela guardaria. Ela poderia o decompor um pouco, mas ela o guardaria e se certificaria de agradecê-lo sinceramente, mesmo ela não tendo entendido a mensagem no cartão. A observação de Cris no primeiro buquê era que Rick estava tentando encontrar maneiras criativas de expressar sua afeição e paixão por Katie, sem fazer isso de uma maneira física. Se isso fosse verdade, esse buquê era equivalente a, pelo menos, uma dúzia de beijos. Uma dúzia de beijos que ela e Rick ainda não tinham compartilhado lábio-a-lábio nessa nova fase de estarem juntos. Na maioria das vezes, Katie tentava não pensar sobre a falta de beijos deles. A admirável, apesar de enlouquecedora prudência de Rick a frustrava demais para ela pensar no assunto e chegar a uma conclusão que fosse boa para ela. A única paz que ela tinha no momento era que quando fosse a hora certa, eles estariam se beijando como uma parte maravilhosa das expressões de carinho deles um pelo outro. Depois de todos os meses e todas as discussões que eles tiveram sobre beijos - ou sobre a falta deles - ela sabia que isso só viria como um toque de mágica essencial se ela esperasse e deixasse Rick dar o primeiro passo. Entrando no corredor do dormitório, Katie parou em frente ao Mural dos Tesouros Peculiares. No começo do semestre, Katie e Nicole tinham coberto uma parte do mural com fotos de todas as mulheres do andar. Perto de cada foto elas adicionaram um versículo como um tipo de benção para a garota. Parando para dar uma olhada em sua foto no mural, Katie repetiu seu versículo como se fosse uma promessa ou uma benção. - 'O Senhor guardará sua saída e sua entrada desde agora e para sempre' Salmo 121:8. Mais uma vez, o versículo escolhido por Em para Katie, uma das alunas, era aplicável para o momento que ela estava passando. Ela estava ”saindo" com Rick, mas também estava ”entrando" em um novo relacionamento com sua mãe e possivelmente com seus irmãos. Uma vez que a mãe de Katie era uma pessoa emocionalmente distante, Katie

nunca tinha experimentado o carinho maternal que muitas de suas amigas tinham com suas mães. Eu me pergunto se isso é parte da razão pela qual Rick se tornou uma pessoa tão importante pra mim. Por muito tempo eu quis ser aceita pela minha mãe, mas isso nunca aconteceu com a profundidade que eu precisava. Eu tenho uma queda por Rick desde o colégio. Agora que ele está verdadeiramente interessado em mim, eu o tenho visto como o preenchedor desse buraco em mim? Ela olhou novamente para o versículo no mural e pensou em como, de muitas formas, Deus já tinha ”guardado" sua saída com Rick. Para ela não importava quais eram as profundas razões psicológicas para seu relacionamento com ele. Contanto que o relacionamento deles estivesse dando certo. Por que analisar tudo? Ela lembrou a si mesma de que se o opulento arranjo florido era a maneira dele de expressar sua paixão por ela, ela aceitaria isso e seria grata. E se o relacionamento dela com esses dois estranhos próximos da sua família fosse o relacionamento que ela deveria dar atenção agora, ela aceitaria isso e seria grata, também. A porta de Nicole de frente para o Mural dos Tesouros Peculiares estava aberta. Katie viu Nicole sentada em sua cama com seu laptop. Assim que Katie entrou, Nicole abaixou o volume da música em seu laptop e disse: - Uau! Katie esperava que sua entrada e a ostentação de seu buquê não deixassem Nicole desconfortável, uma vez que ela ainda estava esperando para ouvir se teria, pelo menos, um acompanhante para sexta à noite. Ela ainda estava com a chave do quarto de Katie, então Katie tinha mesmo que ir lá buscar. - Aqui. Katie puxou uma margarida rosa. Essas são suas favoritas, certo? As rosas? Nicole sorriu e balançou a cabeça em afirmação. - Obrigada, mas você não deveria estar despedaçando seu buquê. - Considere isso como meu agradecimento pelo sanduíche e apenas uma coisinha para alegrar seu dia e seu quarto. - Obrigada. Nicole tirou um pequeno vaso de uma caixa em seu armário. Claro que Nicole estaria preparada para qualquer situação. - Você foi lá pegar as bombas de chocolate? Katie perguntou. - Não, eu acabei mudando de rumo quando minha mãe me ligou. Ela me animou e eu me esqueci da minha busca pelo ouro negro. Aqui está sua chave. De qualquer forma, obrigada. - Eu tenho um favor pra te pedir. Katie colocou o vaso de flores na beirada da escrivaninha de Nicole. - Você quer deixar seu buquê aqui?

- Que bonitinho. Não, eu preciso de uma carona hoje à tarde. Meu carro está no prédio da Cris onde ele resolveu parar de funcionar ontem à noite, então eu preciso rebocá-lo até o mecânico. Eu precisarei de uma carona de volta pra faculdade. - Claro, eu estou disponível. Sinto muito pelo Buguinho. O que aconteceu? - Ele não quis funcionar ontem à noite. - Eu posso ir quando você quiser. Eu estou pronta agora mesmo. Nicole parecia estar sempre pronta pra sair. Seu quarto também. Tudo estava no lugar – limpo, organizado e guardado. Katie percebeu enquanto estava em pé no quarto limpo e organizado de Nicole que ela ainda carregava em si uma mistura de fragrâncias que as flores, provavelmente, estavam ajudando a despistar nesse momento. Os aromas começavam com a pipoca de micro-ondas mutante sabor alho e manteiga e máscara de chá-verde, seguido do constante cheiro de fumaça de motor resultante da ida ao deserto. Um banho parecia uma boa idéia. - O que você acha de sairmos daqui a meia hora? - Eu estarei bem aqui. Katie saiu depressa de seu quarto. Ela ligou para um serviço de reboque e marcou de encontrá-los no prédio de Cris em uma hora. Já que o chuveiro era, normalmente, seu lugar favorito para orar, Katie começou com sua lista interna assim que a água quente caiu sobre ela. Ela iniciou com os problemas do carro, suas necessidades financeiras, sua família e, especialmente, seu irmão, onde quer que ele estivesse. Então ela orou sobre seu relacionamento com Rick. - Eli! Katie repentinamente expeliu esse nome em meio à corrente de água que caía. Ela continuou parada ali como se uma mini-revelação estivesse caindo sobre ela. O Eli me mandou aquelas flores! Elas não são do Rick. Elas são do Eli. Ele escreveu aquelas duas frases porque ele ficou feliz por eu ter dito ”sim" para a ida ao deserto com ele e ele está feliz porque as coisas estão bem entre nós agora, e nossa amizade é o que está ”apenas começando". Katie inclinou a cabeça para trás e enxaguou o shampoo de seu cabelo. Então por que ele não assinou o cartão? Será que ele pensou que eu saberia que foi ele quem mandou as flores? E por que ele mandaria um buquê tão grande? Será que ele não pensou que isso poderia passar uma 'mensagem errada'? Quero dizer, ele sabe que eu sou namorada do Rick. O banho de Katie acabou virando um tanque de pensamentos, onde ela tentava descobrir porque Eli a enviaria um cartão como aquele. Ela se lembrou que ele tinha feito um comentário com Rick algumas semanas atrás sobre Katie ser ”inesquecível,” o que quer que ele quisesse dizer com isso.

Se o Eli acha que essa é uma boa hora ou uma maneira esperta para ele começar a flertar comigo enquanto Rick está fora, bem, então eu tenho umas poucas e boas pra esse atrevido Cara do Cavanhaque. Katie deixou de lado os pensamentos sobre Eli assim que ela voltou para seu quarto. A caminho do prédio de Rick, ela tentou ligar para Cris enquanto Nicole dirigia. Katie percebeu que ela não tinha contado à Cris sobre seu carro ter estragado. Ou mesmo sobre seu passeio ao deserto. Mas seria bem melhor contála pessoalmente. Katie poderia esperar até o almoço delas na terça-feira. Com Cris, era sempre melhor ter uma conversa longa face-a-face. Já que Cris não atendeu o celular, Katie deixou uma mensagem de voz. - Ei, sou eu. Me ligue mais tarde. O telefone dela tocou às cinco daquela tarde, bem na hora que Katie e Nicole estavam entrando no posto de gasolina onde Joseph trabalhava. Elas estavam bem atrás do caminhão de reboque e Katie pôde ver que Joseph estava no posto, o que era bom. Mas não era Cris quem estava ligando para Katie; era o pontual Rick. Ela tinha dito a ele para ligar depois das cinco, e eram 5:01. - Rick, eu vou ter que te ligar mais tarde. Meu carro estragou, e Nicole e eu estamos no posto de gasolina agora. - Seu carro estragou? O que aconteceu? - Não sei. Eu te conto quando eu descobrir. Só me diga bem rapidamente, como você está? - Estou bem. Tudo está indo bem aqui. Me ligue quando você puder. - Ligo sim. Ela desligou e Nicole disse: - Você esqueceu de agradecê-lo pelas flores. - Ah, é, Katie disse. As flores.

Capítulo 7
Nos dias seguintes, Katie foi surpreendida todas as vezes em que atendeu seu telefone. A primeira chamada inesperada foi do seu irmão Clint. Ele deixou uma mensagem enquanto Katie estava na igreja domingo de manhã. Ele disse que estava passando muito bem. Ele não falava com Larry já há alguns meses, mas Clint não estava preocupado porque a única vez que ele falou com Larry foi quando ele estava metido em confusão. Depois Clint disse a Katie,”me ligue quando você quiser". Já fazia muito tempo que Katie não se comunicava regularmente com seus irmãos, parecia mais que ela estava ouvindo uma mensagem de uma professora bem intencionada do colégio que estava ligando pra saber se estava tudo bem. Ela não ligaria de volta pra Clint só pra bater papo, mas era bom ter o telefone dele e ver que poderia ligar pra ele se ela quisesse. A ligação seguinte que a surpreendeu veio na segunda-feira do mecânico amigo de Joseph ao qual Katie tinha confiado o Buguinho. As palavras restauração e peças originais foram as primeiras pistas de que ela estava caminhando para um desastre financeiro. O mecânico disse que tornaria a ligar para ela com uma estimativa em poucos dias. Nesse meio tempo ele ia procurar pelas peças raras. A ligação surpresa mais agradável foi a que veio de Rick na segunda-feira de manhã. Katie estava deixando a lanchonete quando o telefone dela tocou. Ela decidiu fazer um passeio até a parte mais alta do campus enquanto ela falava com ele. Rick estava de bom humor e disse que tinha várias novidades. Katie supôs que era alguma novidade referente ao negócio no café no Arizona, algo que estava sendo uma parte consistente das conversas semanais e, às vezes, diárias deles desde agosto. - Antes de você me contar suas novidades, Katie disse eu tenho algumas pra você. - Boas novidades, eu espero. Rick disse. - Minhas novidades são misturadas. Como um buquê. Como um grande, bonito e inesperado buquê. Então, obrigada. Katie esperou que Rick dissesse alguma coisa do tipo:”Oh, você recebeu as flores, não é? Ótimo. Você gostou?”. Em vez disso, Rick disse: - Pelo quê exatamente você está me agradecendo? - Você sabe. Ela esperou. - Não... Rick esperou. Katie cuidadosamente lançou a próxima isca para ele.

- Obrigada por perguntar sobre minhas novidades e por sempre fazer coisas tão legais para mim. Coisas inesperadas. - Oh-kay. E o que eu fiz que foi tão legal? Katie então soube que as flores não foram de Rick. - O que você fez que foi tão legal? Bem, pra começar, você me ligou. Obrigada. Além de ser simpático e legal comigo sempre. Como quando você levou pra fora o fedorento pacote de pipoca queimado pra mim e pra Cris na sexta-feira passada. Isso foi legal. Obrigada. E não sei se eu disse obrigada naquela noite, quando você fez aquilo por mim, por nós, mas eu queria dizer obrigada. Rick estava rindo do outro lado. Para Katie soou do jeito que Ricky Ricardo riria para Lucy no antigo episódio em preto e branco quando Lucy estava tentando esconder uma de suas muitas manotas. Dessa vez a desculpa dela 'caiu como uma luva', como se diz, e a risada do ”Ricky dela" estava garantida. Katie estava alegre por ele estar rindo e não a pressionando por detalhes. Ela sabia que se ele estivesse irritado ao invés de bem-humorado, ela teria contado sobre as flores para explicar-se e isso poderia virar uma confusão. Especialmente considerando que o buquê estava atualmente com mais ou menos um terço de sua opulência original. Katie tinha se deleitado todo o final de semana abençoando várias mulheres do andar com uma flor e tinha vindo ao buquê meia dúzia de vezes, como se ele fosse o seu jardim particular e todas as flores estavam só esperando ser apanhadas e entregadas a alguma outra pessoa. - Então? Rick perguntou. Era essa a sua novidade? - Não, tem mais. Ela resumiu a conversa com a mãe dela e a subseqüente conexão parcial com o seu irmão Clint. - Isso é ótimo, Katie. Você estava dizendo algumas semanas atrás que você realmente esperava que as coisas com a sua mãe melhorassem. Parece que esse pode ser o primeiro passo. - É um primeiro passo meio cambaleante. - Tudo bem. É um passo. Tem certeza que ela não vai mudar de idéia e nos chamar para o jantar do dia de ação de graças? - Ela não vai querer que nós apareçamos na última hora. Ela não muda de idéia. Ela não é como eu. Não mesmo. Assim que Katie disse as últimas frases, um intervalo estranho se seguiu por alguns segundos antes de ela ter certeza do que deveria fazer com aquela autorevelação. - Não que eu mude de idéia o tempo todo. Quero dizer, uma vez que eu tomo minha decisão, eu sigo em frente com o que quer que eu tenha decidido fazer. - Eu sei, Rick disse. - Contudo, não foi você que me disse que flexibilidade é um sinal de boa saúde mental?

- Acho que não. Talvez. - Bem, eu sou flexível com horários e dia de ação de graças e qualquer outra coisa. Ela esperou um momento para Rick convidá-la para a celebração de ação de graças da família dele como se essa fosse, naturalmente, a próxima coisa a ser dita na conversa. Ele hesitou por mais um instante. - Eu não sei o que meus pais estão planejando fazer este ano. Tanta coisa tem acontecido que eu não pensei em perguntar a eles. - Eu imaginei que com a casa nova e o jeito como sua mãe ama decorar e fazer tudo ficar tão bonito, ela poderia não estar pronta para receber pessoas no dia de ação de graças. Quero dizer, pelo menos não do jeito como ela fez na Páscoa com aquelas louças de porcelana e prata e toda aquela comida. Quantas pessoas estavam lá? Umas doze ou quatorze? Eu não acreditei que todas elas couberam em volta da mesa. - Essa é minha mãe. Ela ama celebrar em grande estilo. Eu vou perguntar a ela quais os planos para este ano. Tenho certeza que você está convidada. Você é minha namorada, você sabe. Katie sorriu. - É sempre bom ser lembrada disso. - Pronta para ouvir as minhas novidades? - Espere. Eu tenho mais uma. - Fim de semana agitado pra você. - Foi. E essa novidade é triste. Você lembra que eu te contei que o Buguinho não queria pegar? Bem, não está nada bem com o velho garoto. O mecânico não me ligou de volta com uma estimativa final, mas o Buguinho pode estar nas últimas. - Que chato. - Eu sei. - O que você vai fazer? Rick perguntou. - Ainda não sei. - Bem, se ajudar, eu posso te oferecer caronas para onde você precisar ir, a partir de terça-feira por volta das seis da noite. Katie digeriu essa declaração. - Isso significa que você está vindo pra casa mais cedo? - Estou. Nós temos mais um compromisso no banco amanhã de manhã e então Josh e eu vamos ir direto pra casa de vez. - De vez? - Sim, de vez. Nós saímos do negócio hoje. Esta é a minha grande novidade.

- Você está brincando! O que aconteceu? - Nós encontramos obstáculos consideráveis, então trouxemos um consultor empresarial. Ele verificou os documentos e depois de conversarmos com ele por três horas, nós decidimos sair do projeto. Não ia decolar. - Rick, essa é uma grande novidade! Vê o que eu digo sobre como você é paciente e bom? Você me deixou falar e falar sobre todas as minhas coisas primeiro, mesmo que as suas novidades mudem radicalmente sua vida e seus horários. - É, mas eu tenho que te contar, nós estamos bem. Tanto Josh quanto eu estamos aliviados. Em nossa viagem para cá, nós oramos e então nós perguntamos um ao outro se talvez nós não estávamos forçando algo que não ia dar certo, mesmo que nós nos esforçássemos ao máximo pra que desse certo. - Eu sei como é isso, Katie disse. - Eu sei que você sabe. Você está trabalhando duro também, Katie. Eu acho que eu, algumas vezes, fico com uma idéia fixa de que se eu me esforçar bastante ou trabalhar mais todas as coisas quebradas serão consertadas. Dessa vez não estava funcionando. As primeiras duas horas da nossa reunião com o consultor, eu permaneci argumentando que nós ainda poderíamos fazer funcionar. Finalmente, eu percebi. Eu vi que a melhor decisão, a decisão correta, era sair fora, embora eu estivesse tão envolvido no projeto. - Uau. - Eu sei. Uau, né? Esse, definitivamente, não sou eu. Katie agora estava nos bancos do planalto e sentou com seu olhar direcionado para o pôr-do-sol. O horizonte estava tão embaçado que ela não via o oceano. Tudo o que estava visível eram nuvens cinzas. Naquela parte mais afastada do litoral, no alto do planalto onde ela se sentou, o céu era um tom pálido de azul com longas tiras de nuvens cinza-prateadas riscando o teto abobadado da Terra. - Então o que vocês vão fazer? Ela perguntou a Rick. - Nós vamos ser reembolsados na maior parte do nosso investimento inicial porque o contratante adiou o contrato por mais cinco meses na última semana. Já que foi ele que mudou a data, nós tivemos a oportunidade de sair. Foi um fim de contrato tranqüilo, como nós queríamos que fosse. - Soa como uma coisa de Deus. Katie disse. - Eu acho que é. No tempo certo. Eu vou poder focar novamente no Ninho da Pomba e Josh vai procurar outras oportunidades. Nós vamos recomeçar. - Vai ser terrivelmente egoísta se eu disser que estou contente porque você não vai para o Arizona mais? Rick riu novamente. - Eu não vou sentir falta do calor daqui, isso eu te digo!

Há muito tempo ele não estava tão bem humorado. De onde ela estava sentada, o futuro dos dois estava parecendo inteiramente melhor do que nos últimos meses enquanto ele estava saindo e viajando o tempo todo. - Nada em você é egoísta, Katie. Você estava me agradecendo mais cedo por ser generoso e tirar o lixo, mas sabe? Você é quem deveria receber todos os agradecimentos. Você tem sido extremamente paciente comigo nisso tudo. Eu deveria estar te agradecendo por me agüentar durante esses meses. Eu coloquei tanto foco e atenção nessa transação empresarial, que eu sinto como se tivesse desprezado você. - Você não me desprezou, Rick. Nos últimos quatro meses eu me envolvi com a faculdade e o cargo de AR assim como você em seus negócios. Nós estivemos, ambos, ocupados. - Eu acho que é tempo de um novo começo para nós – para mim e para você. Rick disse. - Concordo. - O que você vai fazer amanhã à noite depois das seis? - Ver você, eu espero. - Eu fiz reservas no Palácio Tailandês. - Perfeito. Katie sorriu. O Palácio Tailandês foi o restaurante onde Rick e ela tinham decidido dar o próximo passo no relacionamento deles e se comprometer como namorado e namorada. Desde aquele feliz jantar quase um mês atrás, nada de muito significativo havia mudado no relacionamento deles. Nada que os fizesse parecer mais comprometidos um com o outro. Ambos sabiam que seus horários loucos eram os culpados, então tinha sido fácil estender porções de graça e entendimento para os dois. Agora que Rick já não teria o projeto do café no Arizona em primeiro plano em sua vida, Katie sabia que as coisas estavam prestes a mudar para eles. Essas eram novidades que ela não podia esperar para contar a Cris. Assim que Katie desligou o telefone, ela ligou para Cris. Katie ainda estava sentada no banco na parte de cima do campus, olhando para o horizonte. A névoa da noite estava chegando em grande quantidade, tornando ainda mais difícil ver qualquer coisa debaixo do expansivo vale que se curvava para o oceano. - Cris? Ei, o que você está fazendo? Vocês estão no meio do jantar ou qualquer coisa assim? - Não. Ted e Eli confiscaram a mesa da cozinha. Eles estão tentando consertar o laptop do Ted. O que você está fazendo? - Eu estou sentada bem perto do lugar onde você lançou seu buquê de casamento e eu o peguei. - Ohh. Eu não vou aí desde o nosso casamento. Você acredita? Como está a campina esta noite?

- Nublada e fria com uma chance de comida tailandesa amanhã à noite. - Uma chance de quê? - Eu acabei de falar com o Rick. Ele está voltando do Arizona amanhã e nós vamos ao Palácio Tailandês. Katie caminhou de volta ao seu dormitório enquanto ela colocava Cris a par da conversa com Rick. Como qualquer melhor amiga faria, Cris respondeu às novidades de Katie com entusiasmo. Katie passou para as novidades do falecimento iminente do Buguinho. - Nós precisamos cancelar os nossos planos de almoço amanhã? Cris perguntou. - Não, eu tenho certeza que posso pegar um carro emprestado. Eu vou estar na livraria às 13:30. Katie se recusou a contar suas duas novidades favoritas, as flores e o passeio para o deserto na sexta-feira à noite. Ela ainda sentia que esses dois assuntos seriam mais bem apresentados pessoalmente, enquanto ela e Cris se demorassem na conversa do horário de almoço. Essa foi, parcialmente, a razão pela qual, no dia seguinte, Katie sugeriu que elas ficassem no Ninho da Pomba para almoçar em vez de ir para algum lugar. Katie queria assegurar o maior tempo possível para conversar. Em outros encontros de almoço com Cris, elas tinham optado por ir a algum outro lugar, então os empregados não estariam dentro dos limites de escuta da conversa particular delas. Isso não era um problema hoje. O que foi um problema foi o jeito como Cris reagiu quando Katie disse a ela a próxima parte das novidades. - Então, adivinha o que eu fiz sexta-feira passada quando eu deixei o seu apartamento? Você nunca adivinhará. - Você acabou indo saltar de pára-quedas. Cris estava indo rumo à mesa no canto mais distante. Elas tinham pedido saladas simples e água e estavam carregando a própria comida para a mesa numa tentativa de deixar claro que elas não queriam ser interrompidas. - Nada de saltar de pára-quedas. Melhor que isso. Eu fui ao deserto e assisti uma chuva de meteoros com dois caras da África e nós ficamos praticamente cercados por coiotes selvagens. Cris abaixou o queixo e examinou a expressão de Katie, certa de que ela estava brincando. - É sério. Quando eu saí da sua casa, o Buguinho não pegou. Eli veio e me ofereceu uma carona de volta para o campus, mas aí ele buscou o Joseph Oboki e nós três acabamos indo para onde nós podíamos ver as estrelas. Foi incrível, Cris. Eu nunca tinha visto tantas estrelas. E quando a música começou com as crianças africanas... - Katie, espere. Eu estou muito confusa. Que parte disso é verdade, sem contar o Buguinho não funcionar?

Katie lançou um falso olhar ferido para Cris. - O que você quer dizer com 'Que parte é verdade'? Tudo é verdade. Cris abaixou o garfo e olhou perturbada. - Quando o seu carro não pegou na sexta-feira passada, por que você não voltou para o meu apartamento? Nós teríamos esperado pelo Ted e ele teria te dado uma carona até o campus. - Eu sei. Mas o Eli estava bem ali. - Então, por que você não pegou uma carona com Eli? - Eu peguei. Eli estava indo me levar de volta para o campus depois de ele buscar Joseph no posto de gasolina, mas então eles me convidaram para ir com eles e eu ainda estava animada para fazer alguma coisa, daí eu disse sim. E foi maravilhoso. Nós assistimos as estrelas do capô do carro do Eli sob um saco de dormir. Um desses velhos e verdes sacos de dormir de flanela. - Vocês três? Debaixo de um saco de dormir? - Ele estava aberto como um grande cobertor. Era o único jeito de ficarmos aquecidos. - Katie! - O quê? - Você está me dizendo que na sexta à noite, depois de você deixar o meu apartamento, num impulso, você foi para o deserto com dois caras que você sequer conhece e se aconchegou num saco de dormir com eles? - Por que você faz isso soar dessa forma? Nós não nos agarramos. Você está fazendo isso parecer algo indecente. Não foi. Foi bonito. Foi uma noite santa. - Então o que foi toda essa coisa sobre dois garotos da África e crianças cantando? - Eli cresceu na África. Joseph também. Nós ouvimos um CD com crianças cantando em algum idioma africano. Eu não estou inventando isso. Tudo o que eu estou dizendo é a verdade e foi maravilhoso. Eu não consigo entender porque todo mundo fica tentando estragar isso. - Você honestamente não quer ver como parece loucura quando você diz que foi ao deserto no meio da noite com dois caras que você nem conhece? - Não pareceu loucura na hora. Nem metade da loucura que seriam os passeios de camelo e saltos de pára-quedas que eu estava sugerindo na sua casa. E como assim 'dois caras que eu nem conheço'? Rick disse isso também. Vocês estão juntos nisso? - Juntos em quê? - Tentar fazer com que eu me sinta mal sobre o que foi realmente uma maravilhosa experiência de adoração. Sem mencionar que eu estava fazendo um

esforço para conhecer Eli e ser simpática com ele. Vocês se esqueceram como esta tem sido a meta de vocês para mim nos últimos meses? - Ninguém está tentando te fazer sentir mal. Nós apenas nos preocupamos com o que acontece com você. Cris apertou os seus olhos e deu a Katie um olhar intenso. E se alguma coisa terrível tivesse acontecido? - O que você está fazendo? - Eu estou te fazendo uma pergunta. Katie inclinou-se para trás e cruzou os braços. - Não, você não está. Isso não é uma pergunta. Você está fazendo soar como uma acusação. Você está tentando agir como a minha mãe. - Sua mãe? - Sim, minha mãe. Você está me tratando como se eu tivesse doze anos de idade e não fosse inteligente o bastante para tomar minhas próprias decisões. - Não, eu não estou. - Sim, você está! - Katie, por que você está tão chateada? Eu é que fui pega de surpresa. Lá estávamos nós tendo um ótimo tempo no meu apartamento na sexta à noite e então você fugiu com esses dois caras. O que você estava pensando? - Eu estava pensando que seria divertido. - Katie, há mais coisas na vida além de tentar propor novas formas de se divertir. - Ah, essa é boa! Katie podia sentir o seu rosto ficar vermelho. Você senta aqui e age como se você soubesse de tudo agora que está casada. - Não, eu não ajo assim. - Sim, você age. E você está tentando fazer com que eu me sinta mal porque eu não sou séria e responsável o tempo todo como você é. Você pensa que eu sou uma grande fracassada. - Eu não disse isso! Agora o rosto de Cris estava ficando vermelho também. Eu não disse nada sequer parecido com isso. - Então por que você está me tratando como se minhas decisões fossem imaturas e irresponsáveis? Cris parou. Então ela soltou: - Bem, por que talvez, algumas vezes, Katie, elas sejam. Katie sentiu como se ela tivesse acabado de esbofetear o seu rosto. Ela se afastou da mesa. - Oh! Então você acha que eu sou imatura e irresponsável. Eu não posso acreditar nisso. Primeiro você fala igual ao Rick e agora você está imitando a minha mãe palavra por palavra. O que vocês fazem? Ligam um para o outro e dizem, 'Ei,

como nós podemos chatear a Katie essa semana? '. É isso? - Claro que não. Cris levantou o queixo. Talvez nós três estejamos dizendo a mesma coisa porque nós nos preocupamos com você. - Não é isso. Não, vocês estão dizendo tudo isso porque vocês pensam que eu sou irresponsável demais para tomar minhas próprias decisões. Especialmente se tais decisões têm alguma coisa a ver com relaxar e se divertir e não trabalhar e estudar 24 horas por dia e 7 dias por semana. Vocês acham que eu estou tomando decisões tão ruins que um dia eu vou acabar em um centro de reabilitação em Bakersfield. O rosto de Cris foi de vermelho para branco. - Do que você está falando? Katie não respondeu. Ela sentiu sua mandíbula tremendo. - Sabe o quê mais? Cris disse, seu rosto ainda vermelho. Eu não sei o que está acontecendo, mas eu sei que eu não posso ter essa conversa com você. Não agora. Não aqui. Ela levantou da mesa e caminhou para longe. Katie não se lembrava de uma ocasião em que Cris se caminhasse para longe dela como agora. Katie estava chocada. Então ela se deu conta de que várias pessoas no café estavam olhando para elas e as escutando. A conversa delas obviamente tinha sido alta o suficiente para os observadores curiosos terem uma clara idéia do que estava se passando. O lugar parecia estar se tornando menor e mais fechado. Katie ousou olhar ao redor do café. Duas mesas à frente ela viu a última pessoa que queria ver.

Capítulo 8
O olhar de Julia, a diretora dos residentes de Katie no Crown Hall, encontrou o de Katie ali no café. Katie desviou o olhar. Como se já não fosse suficientemente ruim Katie ter perdido o horário no sábado e Julia tivesse que ir buscá-la, agora, nesse lugar público, Julia tinha, indubitavelmente, testemunhado a discussão inteira. O estranho era que uma parte de Katie queria correr até Julia e receber o mesmo tipo de compaixão e compreensão que ela tinha experimentado com Julia antes. Como conselheira de Katie, Julia tinha dado ótimos conselhos e encorajamento em diversas ocasiões. Naquele momento, entretanto, Katie não achava que podia encarar Julia. Não do jeito como ela estava se sentindo. Sem parar para considerar qualquer outra opção, Katie se levantou, pegou sua bolsa e correu para a porta. Enfiando a chave na ignição do carro de Nicole, ela deu ré e saiu da vaga do estacionamento rapidamente, antes que algumas lágrimas pudessem correr rosto abaixo. Eu não acredito que isso acabou de acontecer! Cris e eu não brigamos desse jeito. Outro pensamento tomou conta de Katie enquanto ela pensava com mais clareza no que Julia tinha acabado de presenciar. Julia não era apenas sua conselheira e amiga, era também supervisora de Katie. Era ela quem avaliava o trabalho de Katie como AR. Se ela fizer uma anotação ruim no meu relatório, eu posso não ser contratada para o segundo semestre e aí o que eu vou fazer? Meu trabalho cobre as minhas despesas de moradia e alimentação. Eu já não tenho dinheiro suficiente para o conserto do meu carro. Se eu tiver que pagar por moradia e alimentação no próximo semestre... Katie sentiu suas mãos tremendo quando ela deu a seta e saiu da área do estacionamento. Parte dela queria sair cantando pneu e deixar uma marca de raiva no asfalto. Se ela estivesse no Buguinho, ela teria deixado um grande risco de pneu. Mas esse era o carro de Nicole e Katie tinha consciência de quão cuidadosa ela precisava ser, especialmente porque ela não sabia quem poderia vê-la nessa pequena cidade. Dirigindo abaixo do limite de velocidade permitido, Katie, cuidadosamente, dirigiu de volta para o campus. Pelo caminho, ela reclamava em voz alta como se estivesse terminando a briga sozinha. - Eu vou mostrar pra vocês como eu sou responsável. Eu sou confiável. Eu não estou fazendo nada de errado. Estão vendo? Eu sou uma motorista competente. E para informação de vocês, eu também posso, com bastante competência, contemplar as estrelas à meia noite. Vocês não estavam lá. Vocês não sabem como foi ótimo.

Assim que Katie chegou ao campus, o celular dela tocou. Ao checar, ela viu que era Julia que estava ligando. Katie sentiu um frio na barriga. Ela sabia que era melhor atender a ligação agora do que adiar aquela inevitável conversa. - Oi, Katie disse calmamente. Ela estacionou o carro numa vaga perto do campo de softball e o desligou, já preparada para ser repreendida. - Como você está, Katie? - Péssima. - Faço idéia. - É, tenho certeza que você faz mesmo. Katie não teve o sentimento de vergonha que ela esperava ter. Julia tinha todas as razões para fazer um julgamento depois do que tinha acabado de acontecer. Ao invés disso, ela estava calma e compreensiva em suas palavras para Katie. - Onde você está agora? - Na Rancho. Perto do campo de softball. - Você quer sua salada? Eu a embrulhei pra viagem. Eu posso levá-la comigo. - Eu não estou com fome. - Eu vou levar caso você fique com fome mais tarde. Por que você não se encontra comigo no meu quarto daqui a vinte minutos? - Ta bom. Julia pausou. - Espere, você disse que está no campo de softball? - Sim. - Eu vou te encontrar aí, então. Enquanto você espera por mim, você poderia conseguir um bastão e uma bolsa de bolas? Katie sabia que deveria concordar com o que quer que Julia pedisse. Então Katie marchou rumo à sala de esportes, onde ela pegou um bastão de baseball e uma bolsa de lona com bolas de softball. Com passos largos ela retornou para a arquibancada e se sentou, esperando por Julia, sob aquela brisa fria da tarde. Ele não teve que esperar muito. Julia apareceu na área do estacionamento usando óculos escuros e roupas casuais, roupas que alguém usaria quando estivesse em seu dia de folga. Julia tinha uma aparência jovial com seu cabelo castanho 'beijado-de-sol' e algumas sardas espalhas pelo rosto. Sempre que Katie a via, ela achava que Julia parecia ter acabado de sair de um barco à vela. - Vem cá. Julia pegou a bolsa de lona. Ela foi para a área do lançador deixando Katie com o bastão de baseball. Katie seguiu, ficando com os pés numa posição confortável sobre a base inicial. Ela não jogava softball há meses, mas do jeito como ela estava se sentindo, ela poderia rebater uma bola até Cincinnati. Além do mais, ela gostou mesmo da

idéia de bater em algo com o bastão de baseball naquele momento. Abrindo a parte superior da bolsa de lona, Julia pegou uma bola. Ela se esticou para a direita e esquerda e então lançou a bola para Katie. Katie balançou o bastão e errou. Julia deu um grande sorriso. Ela tinha vindo para brincar. - Ei, Katie gritou, batendo a ponta do bastão no chão de terra e colocando toda sua expressão de jogadora. Tente pegar esse além da base. Julia jogou de leve com um traiçoeiro lançamento bem devagar. Katie balançou o bastão, dando tudo de si. A bola voou para além da terceira base e aterrissou fora do campo com uma pequena quicada. - Ok, estou te entendendo, Julia disse. Nada de moleza, Senhorita Katie. Deixeme ver do que você é capaz. Pelos cinco minutos seguintes, Katie pôs pra fora toda sua agressividade e a colocou na constante quantidade de bolas, fazendo contato e mandando cerca de 80 por cento delas para fora do campo com uma série de rebatidas precisas. Assim que a bolsa se esvaziou, Julia sorriu, - Você tem escondido talentos, Katie. - Você também. Katie andou rumo à área do lançador. Você jogou em algum time? - Anos atrás. Eu saí. - Eu também. - Está se sentindo um pouco melhor? Julia perguntou. - Sim, um pouco. Elas caminharam para fora do campo com Julia carregando a bolsa de lona. Como duas criancinhas cansadas no final da caçada de ovos na Páscoa, elas cataram as bolas e as colocaram de volta na bolsa. - Então, eu tenho que te perguntar sobre a referência ao centro de reabilitação em Bakersfield. O tom de voz convencional de Julia era calmo. Como se elas estivessem fazendo uma 'revisão' de todos os problemas de Katie pela última uma hora e estavam agora acertando alguns pontos finais. - De onde você tirou isso? - Meu irmão. Katie parou de pegar as bolas e ficou de pé com as mãos nos quadris, dando a Julia um resumo da conversa dela com sua mãe e a subsequente tentativa de ligar para o centro em Bakersfield. - Agora você sabe de onde minha loucura vem, Katie concluiu. - Eu vou te parar aqui, Katie. Repreenda esse pensamento. Elimine-o do seu coração. Primeiramente, você não é seu irmão, e segundo, você não é sua mãe. E por falar nisso, a Cris não é sua mãe. Katie olhou pra baixo, pra bola em sua mão e a girou antes de colocá-la de volta

na bolsa. - Você está certa. Eu preciso me desculpar com a Cris. Ela e eu tivemos algumas briguinhas no passado, mas nada desse nível. Eu não sei por que eu fiquei tão chateada. Bem, talvez eu saiba. Foi uma combinação de tudo, começando pelo jeito como ela fez isso parecer, como se eu tivesse feito algo imoral só porque eu dividi um saco de dormir. Foi como um cobertor. Nada inapropriado aconteceu. Aquilo foi mesmo maravilhoso e adorável. Katie tomou fôlego e continuou. - Quero dizer, eu sei que teria sido sensato contar a alguém onde eu estava indo e com quem. Essa parte eu entendi. Mesmo que os dois rapazes sejam alunos da Rancho, ninguém mais soube onde eu estava indo e com quem eu estava. E eu sei que é esperado que ARs lidem com sua vida social baseada nos mesmos parâmetros que os demais alunos. Então, se você quiser escrever isso no meu relatório, eu estive fora até às 4 da manhã ou qualquer que seja a hora, eu não vou contestar isso. Não foi sensato e nem um bom exemplo da minha parte. Nenhuma das mulheres do meu andar sabe que eu estive fora até esse horário. Mas isso não importa. Mesmo que elas não saibam, você sabe e eu sei, então se você quiser me dar uma advertência, eu entendo. - Quem disse que eu vou te dar uma advertência sobre alguma coisa? - É assim que funciona, não? Nós temos muitas regras na Rancho Corona. Eu estou sendo paga para auxiliar no cumprimento dessas regras pelas mulheres no meu andar. Se eu estou indo contra as regras, então é você que é paga para cobrar essas regras de mim. Julia não respondeu. Katie esperava que ela fosse dar um sermão sobre como os assistentes dos residentes e os diretores dos residentes estavam lá para, em primeiro lugar, cultivar relacionamentos e, em segundo lugar, impor regras. Katie tinha memorizado essa frase nas reuniões de treinamento. Julia, entretanto, parecia mais inclinada a demonstrar aquela diretriz à Katie do que a repetir as palavras pra ela. - Eu quero que você saiba, Katie, que você poderia ter me ligado quando seu carro não quis funcionar. Eu teria ido te buscar não importa onde você estivesse ou a que horas do dia fosse. - Obrigada. Katie não tinha pensado em ligar para Julia, mas ela sabia que poderia ligar. Julia se curvou e pegou outra bola. Virando-se para olhar para Katie, ela disse com uma voz doce: - Não se preocupe. Você não vai pra Bakersfield tão cedo. Não enquanto estiver debaixo dos meus olhos. Katie não soube explicar porque aquela afirmação simples de Julia foi tão profundo em seu coração. Ela expulsou pra longe algumas gotas de lágrimas que vieram correndo. Então ela se virou de costas para Julia e catou as últimas bolas.

Esse foi um momento raro e intenso para Katie, enquanto ela absorvia a sensação de ser amada por outra mulher. A fonte em seu coração que guardou tais palavras da bondade feminina estava tão vazia, que aquelas ocasiões espontâneas que a vida lhe deu, quando aquelas palavras 'pingaram' na sua fonte, produziram um eco que ressoou até sua alma. As duas mulheres caminharam até a sala de esportes e devolveram os equipamentos. - Eu estou com sua salada no meu carro, Julia disse. Ela deve estar um pouco murcha. - Tudo bem. Obrigada por trazer. Julia sorriu. - Obrigada a você por me trazer aqui. Vamos jogar juntas mais vezes. - Boa idéia. - Eu acredito que outra boa idéia seria se você e eu marcássemos algum horário para nos encontrarmos de novo daqui a alguns dias. Julia disse. - Com ou sem bastão de baseball? - Sem. Embora eu deva ter um em mãos caso eu precise. - Ok. Katie sorriu e deu um abraço em Julia. Obrigada. De verdade. Obrigada. Katie levou o carro de Nicole de volta ao estacionamento do Crown Hall e correu para seu quarto. Ela empurrou a salada para dentro de sua pequena geladeira e pegou seu laptop. Sua próxima aula começaria em quatro minutos, e ela sabia que era impossível atravessar o campus rápido o suficiente para chegar a tempo. Ela chegaria atrasada. Normal para aquele dia atribulado. Katie sentou numa cadeira no fundo da sala. A cabeça dela não estava na aula. Ela tentou fazer anotações nos primeiros vinte minutos até admitir que era inútil. Ela tinha que falar com Cris. Rick viria buscá-la dentro de uma hora e meia, mas Katie sabia que ela não conseguiria aproveitar seu tempo com Rick sabendo que seu relacionamento com sua melhor amiga estava assim tão confuso. Após perguntar se o rapaz ao seu lado poderia mandar-lhe um email com as anotações dele sobre a aula, Katie saiu da sala e foi direto para seu quarto. Ela olhou seu telefone procurando por mensagens e viu que Cris tinha ligado duas vezes. Ensaiando seu pedido de desculpas enquanto andava a passos largos pelo campus, Katie planejou fazer a ligação assim que entrasse em seu quarto e pudesse fechar a porta para aquela importante conversa. Ela correu corredor abaixo rumo ao seu quarto. Era um dia de 'dormitório aberto', então muitos estudantes estavam socializando em seus quartos, com uma variedade de músicas tocando. Katie acabou de colocar os pés dentro do quarto e seu celular tocou. Era Cris. - Ei. Katie sentou-se em sua cama e se acalmou. Eu ia te ligar agora. Eu saí da

aula mais cedo porque eu queria me desculpar. - Eu também. Eu sinto muito mesmo, Katie. - Eu também. Foi horrível. Eu não quero brigar de novo com você desse jeito. - Nem eu. As duas deram um longo suspiro ao mesmo tempo, por coincidência. Katie se sentiu uns cinqüenta quilos mais leve. - Foi horrível mesmo. Eu não acho que o plano de vamos-influenciar-uma-a-outra funcionou muito bem, Cris disse. - Do quê você está falando? - Sabe quando você disse na sexta passada que eu era educada demais? Bem, eu pensei muito sobre aquilo. E quando você começou a se exaltar, eu me senti tão frustrada que eu decidi tentar ser um pouco... não, muito mais agressiva. Isso não funcionou mesmo. Não pra mim. Eu não me dou bem com discussões de jeito nenhum. - Mas você estava dizendo coisas, na hora do almoço, que você honestamente sentiu? Quero dizer, você acha que eu sou irresponsável? - Não. Eu não estava dizendo que você é irresponsável. Não mesmo. - Tem certeza? - Katie, você é uma AR. Eles não dão esses empregos para pessoas irresponsáveis. Você está se mantendo numa faculdade. Quantas mulheres você conhece que conseguiram fazer isso? Você e Rick têm estado num relacionamento maravilhoso e maduro por quase um ano. Katie, você é responsável. Você sabe que você é. Considere tudo que eu disse da mesma forma que toda a minha imagem de tentar entender porque você saiu com Eli e Joseph. Dê-me um pouco de misericórdia, considerando que eu não sabia o que estava acontecendo. - Entendido. Misericórdia concedida. - E vergonha retirada de você. - Gostei disso. Vergonha retirada de mim. Misericórdia concedida a mim. Misericórdia concedida a nós duas. - Sim, misericórdia concedida a nós duas. Katie respirou funda e constantemente. - Você quer tentar almoçar de novo mais no fim dessa semana? Eu acho que deveríamos falar mais sobre isso sem nos exaltarmos. Eu preciso da sua opinião. Você vê coisas que eu não consigo ver em mim mesma. Eu preciso ouvir o que você tem a dizer sobre mim sem te atacar logo em seguida. - Por que você não me manda um email quando você souber quais dias você pode? Nós vamos começar de novo. - Você não vai acreditar, mas você está 'citando' Rick de novo. Quando ele e eu

nos falamos ontem, ele disse que já que ele não vai mais viajar pro Arizona, essa é nossa chance de dar ao nosso relacionamento um novo começo. - Eu espero que vocês dois tenham uma ótima noite hoje. - Eu também espero. Eu te mando um email mais tarde. Katie pausou novamente, encarando o buquê que preenchia o centro de sua escrivaninha. Ela se perguntou se deveria contar a Cris sobre as flores. Não, melhor ir direto à fonte. Katie ligou para a segurança do campus e perguntou por Eli Lorenzo. Entretanto, ela não fazia a menor idéia do quê ela iria falar quando ele atendesse.

Capítulo 9
Assim que Katie ouviu a voz de Eli do outro lado do telefone, sua garganta apertou e ela deu uma leve tossida. - Katie? Eli disse. Você está bem? - Sim. Desculpa. De repente fez uma cócega na minha garganta. Ei... humm... - Seu carro já está bom? - Não, estou esperando o orçamento. Pode ser definitivo. Aparentemente, partes do meu carro viraram categoria de colecionador. - Nada bom - Eu sei Seguiu uma pausa. Katie queria tossir de novo mas refreiou e mecheu com as mãos rapidamente procurando uma forma de levar a conversa onde precisava ir. - Então, Rick está voltando essa noite. Ele te disse? - Sim, ele ligou - Bom. Então... Ela olhou para as flores e decidiu usar as mesmas pistas que havia usado com Rick para saber se ele havia mandado o buquê. - Eu só liguei para agradecer pelas flores... Ela parou, esperando que ele desse uma resposta indicativa. Ele não deu. Katie fez o melhor que pode. - ... a maneira florida que você iluminou meu dia na outra noite no concerto dos meteoros. Ela fechou os olhos e fez uma careta. Isso foi patético! - Você é bem vinda, Eli disse vagarosamente. Outra pausa seguiu e depois ele acrescentou, Você tem certeza que está bem? - Sim, estou bem. Ei, escute. Eu preciso ir. Eu queria apenas ter certeza que você sabia que Rick está vindo mais cedo do que havia dito, já que ele chega essa noite. - Certo. Peguei isso. Rick está vindo para casa. - Ok. Bem. É isso. Te vejo por aí. Katie apertou o End no telefone e caiu na cama. Colocando as mãos nos olhos ela murmurou: Eu não acredito no que eu – Antes que ela pudesse terminar a frase, uma batida soou na porta. Com as mãos nos olhos, ela disse:

- Entre somente se você ousa se associar com uma idiota! A porta abriu e Katie afastou um dedo para ver se era Nicole ou outra das mulheres do dormitório que havia batido na porta. A face que apareceu vindo pela porta não era a de Nicole. - Rick! Katie caiu fora da cama da forma menos delicada possivel e correu para dar a ele um grande abraço. - Você está aqui! Eu senti tanto sua falta! - Senti saudades também. Rick chegou para traz e sorriu para ela. Seus acolhedores olhos castanhos pareciam estar dando a ela uma olhada em sua aparencia. - Você chegou cedo! Katie protestou, puxando-o para fora do quarto. E eu não estou pronta ainda. Você deve voltar daqui a meio hora. Não, vinte minutos. Eu posso ficar o mais fofa possivel em vinte minutos. - Eu posso esperar aqui, não posso? É um dormitório aberto. Você irá descer o corredor para o banheiro. Eu irei checar meus e-mails enquanto você está indo. Rick entrou de novo no quarto e aparentemente notou pela primeira vez o buquê. - Quem mandou flores pra você? Katie deu uma boa olhada na expressão dele para ter certeza de que ele não estava brincando e tentando esconder que ele mesmo mandou. Ela conhecia Rick o suficiente para ler dentro de seu olhar um ligeiro ciume e saber definitavamente que o buquê não era dele. Com os ombros encolhidos ela tentou fazer uma expressão fofa o maximo que pode. Se ela tivesse mais argumentos no momento, poderia tentar distrair Rick para não fazer mais perguntas sobre as flores. - É um mistério. Ela disse. - O que o cartão diz? - Não está assinado. Rick se moveu para a mesa. Ele pegou o cartão, olhou, e então olhou para Katie. - Não está assinado - Eu sei. É o que acabei de dizer. Daqui o mistério. Ela usou dois dedos um de cada mão para fazer uma mímica do contorno do ”mistério” Rick olhou em volta do vaso. - Ele não parece meio errado para você? - O que, que um admirador fantasma mande flores pra mim? Eu não chamaria isso de errado. Um pouco extraordinário e inesperado, talvez, mas eu posso ser popular em alguns circulos. - Não, eu digo o buquê. Não parece que ele não foi terminado ou algo assim?

Quero dizer, não estou dizendo que sou especialista em arranjos de flores, mas para um ramalhete enorme, ele esté diferente, como se tivesse sido colhido - Ah, é porque eu o tenho usado como jardim pessoal esses dias. Sempre que uma das mulheres do andar precisava de um carinho, eu lhe dava uma flor para lhe desejar algo bom. - Faz sentido. Rick olhou para o cartão novamente e então para frente do envelope. Esse cartão não faz muito sentido. Outra batida ma porta meio aberta de Katie. Dessa vez ela sabia que era Nicole assim que ela bateu. - Venha Nicole. Você chegou a tempo da reunião do Clube Junior de Sabichões. Nicole entrou graciosamente e moldou um sorriso timido para Rick antes de olhar para Katie. - Olá. - Vocês já se conhecem? Quero dizer, oficialmente? Katie parou e disse: Rick, Nicole. Nicole, Rick. - Nicole Sanders. Ela estendeu a mão para Rick com muito mais classe do que a tentativa de apresentação de Katie. Eu sou a parceira de andar da Katie. Rick demonstrou suas imprensionantes boas maneiras. - Eu sou Rick Doyle. Namorado da Katie. É bom te conhecer depois de tudo, tenho ouvido sobre você pela Katie. Parece que vocês duas têm tido um ótimo ano. - Eu imagino que posso dizer a mesma coisa sobre vocês dois. Os olhos de Nicole pareciam graciosos e frescos enquanto ela sorria para Rick. Katie estava amando que Nicole e Rick estavam se conhecendo. Importava muito para Katie que todos os seus amigos fossem amigos uns dos outros. Nesta nova fase da vida, agora que Cris e Ted estavam casados, e Douglas e Tricia estão bem ocupados com o bebê, Katie queria que seus antigos amigos se misturassem com os novos. Ela percebeu que Rick tinha o mesmo motivo em querer que ela fosse amigável com Eli desde que ele estava morando com Rick e já fazia parte do circulo de amigos de Ted e Cris. Nota para si mesma: Não ser tão teimosa e reacionária. Se Rick queria que eu fosse legal com seu colega de quarto, devo lembrar que eu gostaria que ele fosse legal com minha colega de dormitório. É a mesma coisa. Nicole virou para Katie. - Eu acho que não entendi a parte do clube de sabichões quando entrei. Indicando o buquê fazendo um esforço para parecer indiferente, Katie disse: - Elas não são do Rick. O cartão sem assinatura é bem enigmático. Nós estamos

tentando descobrir quem mandou. Rick continuou com o cartão na mão. Ele olhou o envelope de novo. - Você tem certeza de que são pra você? Não tem o ultimo nome. Talvez sejam para uma outra Katie. Katie congelou. Sua mão vagarosamente cobriu a boca enquanto seus olhos ficaram arregalados. Nicole teve a mesma reação abrindo os olhos. - Existe outra Katie neste andar? Rick perguntou, olhando para as duas. - Ela não está neste dormitório, mas sim, existe outra Katie. Ela é uma A. R. também. - Ela está no Sophie Hall, Nicole acrescentou. E você não vai acreditar, mas ontem ouvi que ela está noiva. Katie sentiu seu estomago apertar. Rick leu o cartão. - Estou feliz que você tenha dito sim. Os três trocaram olhares. - Nosso futuro começa agora. Katie repetiu, já havia memorizado o que parecia uma mensagem estranha. - Ai cara, cara, cara!!! Isso não é bom. Isso não é bom mesmo. Como pude ser tão burra? Eu tenho que concertar isso. Eu tenho que leva-lo ao Sophie Hall agora. - Primeira coisa que você precisa é de mais flores para concertar o buquê, Rick disse. Eu sei o quanto um buquê desse tamanho custa, e eu acho que o namorado dela, ou na verdade, o noivo dela, deve estar bem chateado que ela não tenha dito nada de ter recebido. - Você está certo. Nós precisamos de mais flores. Vamos fazer isso agora. Katie agarrou sua mochila. Vamos lá! Você conhece uma loja de flores, certo? Ela procurou a mão de Rick. Aquela que você comprou um buquê pra mim a alguns meses atras. - Você deveria levar as flores com você, Nicole disse. Assim você vai saber o que acrecentar. - Certo! Ótimo pensamento. Ela pegou o buquê e parou, olhando para Nicole. Vem com a gente. - Eu? - Por favor? Você tem olho muito melhor em coisas assim do que eu. Provavelmente eu pediria flores erradas e faria parecer um grande erro. - Ok, certo, eu vou. Os três se apressaram para o hall e entraram no mustang vermelho de Rick. - Meu pai tinha um Mustang, Nicole disse do banco de trás, enquanto o carro de Rick saia do estacionamento e ia em direção à cidade.

- De que ano era? Você sabe? - Eu não sei. Era azul e conversivel. Ele vendeu quando eu estava na escola então não lembro muito sobre ele, exceto o quanto era divertido ficar no banco de trás nas tardes de verão e ir tomar um sorvete. - Você cresceu por aqui? Rick perguntou. - Não, eu cresci em Santa Barbara. - Sério? É onde minha mãe cresceu, Rick disse. Sua familia morou lá por muito tempo? - Meu pai morou em Santa Barbara a vida toda. Ele deve conhecer sua mãe. Isso não é estranho? Rick disse a Nicole o primeiro e o novo nome da mãe dele e Nicole manteve a conversa com detalhes de onde ela cresceu e o quanto as coisas mudaram depois que virou uma cidade costeira sonolenta. Katie apreciava a forma que Nicole estava levando a conversa. Ela estava tão frustrada no momento para pensar em coisas para dizer. Tudo que ela estava se preocupando era em restaurar o buquê na vivacidade original e levá-lo para a outra Katie no Sophie Hall. Enquanto Rick entrava no estacionamento. Katie estava pensando nas desculpas para a outra Katie. Rick segurou a porta aberta para Katie e Nicole entrarem na floricultura. Felizmente, eles eram os unicos na loja, o que fez a confissão de Katie ao caixa menos dolorosa do que seria com uma grande audiência. A mulher olhou para Katie com uma mistura de simpatia e humor. - Sem problemas, ela disse. Eu de fato acho que lembro desse buquê. Nós usamos lírios, não foi? - Isso mesmo, Katie disse. - Deixe eu pegá-las pra você. A mulher pegou o buquê. Nós iremos trabalhar da forma certa. Irá levar em torno de meia hora. Talvez um pouco menos. Você gostaria de esperar ou voltar depois? Katie olhou para Rick. - É com você, ele disse. - Nós voltaremos depois. Os três sairam e Katie disse: - Que tal um sorvete para todos? Não é exatamente uma tarde de verão, mas nós podemos abaixar os vidros do carro de Rick e aproveitar o tempo, dirigindo, em volta do quarteirão e fingindo que é um conversível. - Ou nós podemos apenas ir lá para aquele café do outro lado, Rick sugeriu. - Eu prefiro isso. Nicole colocou os braços em volta dela mesma tentando se aquecer. Nicole estava de short e camiseta. Eles saíram do dormitório tão rápido que ela não teve tempo de pegar um casaco.

- Ótimo, mas continuo pagando. Vocês dois estão sendo ótimos comigo, com isso tudo. Me sinto péssima. Não posso acreditar que não pensei que as flores não eram pra mim. Rick colocou o braço nos ombros dela, enquanto eles andavam até o Café Bella Barista. - Por que você não perguntou pra mim se eu mandei as flores? Isso teria resolvido o mistério, ou pelo menos faria você começar a querer resolver o problema. - Eu perguntei a você. - Quando? - No telefone. No Domingo. Ou talvez foi na Segunda. Eu não lembro quando, mas eu sei que perguntei. - Você lembra como fez isso? - Primeiro, você precisa saber isso da forma certa, quando eles me entregaram o buquê no Sábado, eu presumi que eram suas. Mas quando vi o cartão ele não fazia sentido. Você lembra quando eu disse na ligação que tinha noticia mistas como um grande buquê? E então tentei agradece-lo por ser tão legal. - Eu achei que você estava me agradecendo. - Eu estava. - Você não estava me agradecendo por tirar o lixo da casa da Cris na outra noite? - Sim, mas era mais do que uma conversa sobre o lixo tóxico da pipoca. Eu estava te dando um monte de agradecimentos por tudo que você faz por mim, incluindo as flores. Katie olhou pra ele e deu um de seus sorrisos fofos. Rick sorriu de volta. Ela colocou os braços em volta da cintura dele. - Você é meu heroi. Você sabe disso, não sabe? Rick encostou os lábios do lado da cabeça dela e beijou seu cabelo. Ela desejou que tivesse tomado um banho antes dele chegar. Ela estava se sentindo um pouco sem graça andando perto de Nicole enquanto Rick estava demonstrando carinho por ela. Ela não interrompeu o carinho. Rick soltou Katie e passou por elas para segurar a porta enquanto ele continuava ouvindo que era o heroi de Katie. - Obrigada. Nicole entrou na loja quentinha primeiro. Ela respirou fundo. Eu amo o cheiro de café, vocês não? - Eu sempre achei que o cheiro é melhor do que o gosto, Katie disse. - Não pra mim. Adoro café. Você já provou o expresso que eles têm aqui? Eles fazem um ótimo duplo descafeinado americano, Nicole disse. - Americano? É este que Rick geralmente pede. Não é este que você gosta Rick? Katie perguntou.

Ele balançou a cabela olhando para o menu na parede. - Eu nunca estive aqui antes. Ótimo menu. Fácil de ler. Boa iluminação. Katie virou para Nicole. - Eu deveria ter alertado você. Ele sempre ”toma nota” em qualquer café que vamos. - Vocês gostariam de fazer o pedido? O rapaz na caixa registradora estava olhando para Katie. Ela apontou para Nicole ir primeiro. Nicole pediu o recomendado duplo descafeinado americano. Rick pediu o mesmo. Katie estava considerando pensar em outra coisa mas pela pressão disse: - Faça três desse. Ela pegou sua carteira, mas Rick a interrompeu. - Deixe-me fazer isso. - Mas eu disse pra vocês que iria fazer isso. Eu quero fazer alguma coisa para agradece-los por virem comigo e me ajudar a resolver meu gigante fiasco. Rick sorriu para ela e lhe deu um piscada. - E eu quero pagar para você ter mais uma razão para me agradecer. Katie sorriu de volta. Ela se sentiu feliz. Não apenas porque Rick estava em casa, isso era ótimo. E não porque ele estava pagando o café como um cavalheiro, ela tinha que admitir, isso também era ótimo. Ela estava feliz porque Rick parecia diferente. Ele parecia que havia voltado ao seu charme antigo aquele que ela tinha ficado enlouquecida na escola. Ele parecia ter deixado um pouco de lado o homem de negócios responsavel e a seriedade, o lado flertardor de sua personalidade voltou mais forte. Katie estava gostando de Rick mais do que nunca. Sem dar uma segunda resposta a ele, Katie levantou seu queixo e, bem ali, na frente de Nicole e do rapaz do caixa, ela irreverentemente disse: - Ótimo. Eu aceito você pagar com uma condição. - Ok, qual? os olhos castanhos de Rick estavam deixando o coração dela mais feliz. - Primeiro você tem que me beijar.

Capítulo 10
- Eu vou inventar uma máquina do tempo. É isso que eu vou fazer. Katie levantou o seu edredom até o queixo. Ela estava deitada em um colchonete no chão do quarto de Nicole. Era bem depois da meia-noite e as duas estavam repassando os detalhes das últimas seis horas e meia. - Sim, é isso que eu vou fazer. Eu vou descobrir um jeito de voltar no tempo e alertar a mim mesma antes de fazer todas aquelas coisas exageradas e impensadas que eu faço. Você viu o olhar no rosto do Rick? Claro que você viu. Você estava bem ali. Eu nunca o tinha visto olhar daquele jeito. Era como se eu o tivesse ferido. - Ele contornou bem a situação, Katie. Quando ele te beijou na bochecha e entregou o cartão de crédito dele para o rapaz no caixa, ele fez tudo parecer inteligente e suave. Ninguém sabia que era um comentário impulsivo da sua parte. Nicole virou-se de barriga pra cima na cama e ajustou as cobertas. - Eu sabia que era impulsivo; Rick sabia que era impulsivo, Katie disse. Foi por isso que ele trouxe o assunto à tona enquanto nós estávamos tomando café. E o que você disse foi ótimo, a propósito. Eu acho que ele precisava ouvir seus pensamentos de como „alguns casais‟ fazem de uma pequena coisa no relacionamento algo enorme e como o relacionamento inteiro precisa estar em equilíbrio. - Katie, a única razão pela qual eu disse tudo aquilo foi porque eu pensei que nós estávamos apenas tendo uma conversa sobre relacionamentos. Eu não tinha idéia de que o que eu disse teria um significado especial para você e para o Rick porque vocês ainda não se beijaram. Eu só presumi que, uma vez que vocês dois são oficialmente um casal, suas expressões de afeição tinham se estendido para beijar. Faz sentido? - Sim. Fez muito sentido. Só que ela e Rick aparentemente não eram como os outros casais. Aquela realidade tinha se tornado clara desde o início do relacionamento de idas-e-vindas deles. - Sabe, Katie adicionou, Rick também está certo. De várias maneiras, a razão do nosso relacionamento estar equilibrado, ou pelo menos mais equilibrado do que qualquer um dos relacionamentos anteriores dele, é porque as nossas expressões físicas estão em um nível muito baixo. - E isso é muito louvável, Nicole disse. - Sim, se eu estivesse em busca de um distintivo de elogios por conseguir controlar um relacionamento que está no começo, eu suponho que eu estaria feliz por nós sermos tão „louváveis‟. Mas eu não quero louvores. Eu quero romance. Eu estou pronta para romance, Nicole. Eu estou pronta para ser tratada com carinho. - Rick te trata com carinho. Isso ficou muito claro esta noite, não apenas pela

conversa, mas também pelo jeito como ele tratou você. Ele está tentando fazer o que é melhor para o relacionamento de vocês. - Eu sei, eu sei, eu sei. Rick é a personificação de todas as virtudes cristãs. E eu estou tentando respeitar as preferências dele, sabe? Quero dizer, eu não entrei nesse relacionamento, especialmente na parte física, com o mesmo tipo de objetivos de super-hiper abstinência que ele tem. Nicole olhou com surpresa para Katie. - Eu só estou dizendo a verdade. Correndo o risco de parecer vulgar, mas eu não vejo nada de errado com casais que se beijam, particularmente quando eles estão no estágio namorado-namorada. Mas ele vê. Pelo menos, beijar nos lábios. Ele está com uma idéia fixa na cabeça que é melhor para o nosso relacionamento ficar desse jeito. Esse jeito pode ser muito puro e bom na teoria, mas, na realidade, quando eu me sinto bem próxima dele como eu me senti esta noite, eu quero beijar o garoto! - Eu sei o que você quer dizer, Nicole disse calmamente. - Eu não deveria dizer beijar o „garoto‟. O que eu quero é beijar Rick Doyle, o homem. Eu já beijei Rick, o garoto. Duas vezes. Nicole sentou e se inclinou sobre a beirada da cama, dando a Katie olhar arregalado de conte-tudo. - Foi muito tempo atrás. No ensino médio. Bem, eu estava no ensino médio, mas ele estava na faculdade. Nós fomos ao Desfile das Rosas em Pasadena, o que, a propósito, era uma coisa muito mais legal para se fazer naquela época do que aparentemente é agora. - Há quanto tempo foi isso? Nicole estava ao lado dela, com o braço a sustentando. - Não sei. Quatro anos atrás. Talvez vá fazer cinco em janeiro. - E ele te beijou? Katie afirmou com a cabeça. - À meia-noite. Quero dizer, é obrigatório, certo? Feliz Ano-Novo! Beije a garota que estiver mais perto de você, depois a ignore por um longo período, deixe-a confusa e então a beije de novo quando você estiver engessado e totalmente vulnerável e ela estiver bastante insegura. - Foi o segundo beijo? Nicole parecia estar acompanhando bem as digressões e progressões de memória que Katie estava fazendo enquanto contava o caso. - Sim. Esse foi no apartamento que ele compartilhava com Ted e Douglas em San Diego. Ele estava dando saltos mortais na piscina aquela tarde antes de Cris e eu chegarmos, se exibindo como um grande universitário, e ele torceu o pulso e rompeu ou deslocou alguma coisa. Os rapazes o levaram para o hospital. - E ele teve que engessar?

- Era algo mais parecido com um grande embrulho de faixas. Mas o fato é que eu fiquei com pena dele. Ele estava agindo mais humildemente do que o normal. Ou talvez os analgésicos que deram a ele no hospital o fizeram parecer mais vulnerável. De qualquer forma, aquela noite, lá fora, na escuridão em frente ao apartamento dele, quando ele pressionou o rosto dele contra o meu, eu deixei que ele me beijasse. Então, quando ele começou a se afastar, eu o beijei de volta. Não foi nada romântico. Eu me senti uma idiota. Ele me ignorou durante todo o dia seguinte e foi isso. - Katie, você faz isso soar tão desagradável. Eu não consigo imaginar que beijar Rick possa ter sido tão ruim. Katie suspirou. - Não foi horrível, mas não foi exatamente romântico. Eu só queria mesmo que ele me beijasse esta noite. - Você acha que se ele te beijasse no caixa do Bella Barista teria sido romântico? Katie torceu a boca para um lado e para o outro. Ela odiava quando seus amigos mais próximos expunham suas declarações ilógicas com tanta precisão. Se Nicole fosse, de alguma maneira, uma pessoa combativa, Katie poderia, pelo menos, iniciar uma boa discussão, mas ela sabia que não poderia discordar. - Ok, então não na frente do rapaz do Barista. Mas realmente, Nicole, essas coisas de ter paciência, de planejar, esperar e tudo isso que o Rick fala já me cansaram. - Eu acho que o que ele disse foi maduro e nobre. - Sim, mas do jeito que eu estou me sentindo, eu quero jogar toda essa prudência pro alto. Ele só precisa me beijar e terminar com isso. Nicole riu suavemente. Eu odeio dizer isso, Katie, mas agora você é quem não está soando muito romântica. Katie esticou-se para apanhar o saco de M&Ms que dez minutos atrás elas tinham colocado fora de seu alcance para parar de comer impulsivamente. Ela colocou três balinhas em sua boca e fez um barulho cômico para Nicole. Nicole riu levemente e jogou um travesseiro em Katie. - Ok, então eu não sou romântica. Nem Rick. Aí está o segredo sobre o que faz de nós um casal tão bom. Nós somos os últimos „amigos para sempre‟. Katie cruzou os olhos e mordeu sua língua colocando a para fora. - Pára! Nicole jogou outro travesseiro nela. Vocês dois são um ótimo casal. Rick é um ótimo rapaz. Quero dizer, o jeito que ele se sentou ali para o café e conversou abertamente sobre o assunto de beijos e relacionamentos e o valor de planejar à frente... Que mulher não iria querer um rapaz que tem pensado profundamente por cada passo? Katie riu. - O quê?

- „Pensado profundamente por cada passo‟. Você ouviu o que acabou de dizer? Agora temos um trava-língua. - Eu acho que você está com excesso de açúcar no sangue, Nicole disse. - Eu acho que você tem razão. Katie fechou o saco e colocou-o ainda mais longe. Eu não posso mais consumir tanto açúcar como quando eu era criança. - Katie, eu quero lhe dizer uma coisa e eu quero que você ouça como vindo de alguém que tem apenas as melhores intenções. - Ok, vá em frente, irmã. Eu agüento. - Eu acho que se você não pressionar Rick sobre demonstrar a afeição dele por você fisicamente, isso vai acabar acontecendo com naturalidade e equilíbrio e vai ser muito romântico. - Eu sei. - Mesmo se ele tiver algum tipo de plano secreto, como você o acusou no Bella Barista... - Eu não o acusei. Aquilo não foi uma acusação. Foi um desafio amigável. Rick entende o meu senso de humor. Ele consegue agüentar. - Tem certeza? - Sim. Por quê? - Bem, Nicole disse lentamente, esticando-se para pegar seu travesseiro. A primeira parte foi bonitinha, quando você disse que o lado ruim de namorar um super-herói era que você tinha que passar pelo código de conduta dele. Foi a parte seguinte que soou muito forte. - Tudo o que eu disse foi que ele tem dado um descanso para os lábios dele por muito tempo. - Na verdade, Katie, suas palavras exatas foram, „Você pode muito bem raspar a sua cabeça e se tornar um monge já que seus lábios esqueceram como achar o caminho para os meus‟. Katie fez uma careta. - Eu realmente disse isso? Nicole confirmou. - Você tem um gravador ou alguma coisa parecida? - Não, eu só lembro porque, bem... Foi uma declaração bastante memorável. - Você está certa. Foi muito duro. Eu acho que eu estava um pouco exaltada àquela altura. Ela estalou os seus dedos. Você sabe o que eu acho? Eu acho que aquele barrigudo do Barista nos deu café normal e não descafeinado e mais que o dobro de café. Eu acho que ele me deu uma porção extra de cafeína e ela me fez ficar um pouco maluca durante essa parte da conversa. Então, veja, na realidade era o café falando e não eu.

Nicole se ajeitou embaixo das cobertas, mas não disse nada, o que fez Katie perceber que Nicole não estava engolindo nada disso. - Ok. Katie pegou sua calça jeans no chão perto dela e tirou telefone do bolso. É melhor eu ligar para o Rick e me desculpar novamente. - Eu acho que ele aceitou as suas desculpas no caminho de volta da floricultura. E a propósito, eu acho que, quando nós fomos ao Sophie Hall, a outra Katie aceitou muito bem suas desculpas quando você deu as flores a ela. Eu não acho que você tenha desculpas pendentes pra pedir. Katie fechou o telefone dela. - Eu acho que ela aceitou muito bem também. - Ajudou o fato de a moça da floricultura ter telefonado para ela antes de nós chegarmos e explicado que foi um descuido deles não colocar o nome no cartão anexo. Eu estou contente por ela ter checado o computador e visto que o noivo da Katie colocou o nome dele na nota quando ele fez o pedido on-line. A floricultura deveria ter posto o nome dele no cartão e o nome completo dela no envelope. - Eu achei legal que a moça na floricultura fez um buquê novinho em folha. Eu acho que o segundo era ainda mais deslumbrante que o primeiro. - Concordo. - Você também deve concordar que a moça da floricultura foi muito simpática conosco. - Ela foi maravilhosa. Rick foi muito maravilhoso também. Eu acho que a moça gostou que ele tenha comprado flores para você e pra mim. Eu sei que gérberas cor-de-rosa não são as suas favoritas. Katie olhou sobre o vaso na cômoda de Nicole com o chamativo buquê rosa. - Não, mas elas são as suas favoritas. - Eu sei, mas você foi legal ao dizer que você gostava delas também, para fazer o Rick feliz ao nos dar o presente. - Sim, bem, eu sou totalmente a favor de fazer o Rick feliz ao me dar presente. Katie tombou para trás no colchão inflável, fitando o teto. Nicole tinha revestido o seu teto completamente com tecido, fazendo o seu quarto parecer uma confortável nuvem do reino das fadas. Como você fez isso? - Fiz o quê? - O tecido pelo teto. - Nunca subestime o poder de uma mulher com um grampeador, uma cola quente e uma paixão insaciável por decorar todas as coisas que estiverem ao alcance de suas mãos. Katie riu.

- É a sua arte. Eu amo isso. Sabe, você amaria a mãe do Rick. Ela tem o mesmo jeito. Ela ama decorar. Ela também ama celebrar fazendo seus aniversários e feriados bonitos. O que me lembra que é provável que eu fique aqui no dia de Ação de Graças. Então, se você precisar que eu verifique alguma coisa enquanto você não estiver aqui, eu posso cobrir qualquer responsabilidade que tenhamos no andar. - Você vai ficar aqui? Sério? - Sim. Katie detestava o sentimento de sim-eu-sou-praticamente-uma-orfã-maspor-favor-não-me-olhe-assim que a cobria naquele momento. - Bom, adivinha? Eu acho que vou ficar aqui também. - Você vai? Por quê? - Eu me sinto como a Pequena Órfã Annie. - Me fale sobre isso. Nicole disse: - Bom, meus pais estão indo para Singapura na quarta para uma conferência internacional de pastores e minha irmã vai passar com a família do namorado em Idaho. Eu poderia ir para casa em Santa Bárbara e passar o jantar do dia de Ação de Graças com minha tia e meu tio, mas acho que eu vou ficar aqui. - Por que você e eu não fazemos alguma coisa juntas? Nós poderíamos fazer uma viagem. - Eu pensei que você fosse passar o dia de Ação de Graças com a família do Rick. - Talvez eu passe. Os pais dele acabaram de se mudar para a nova casa deles e eles provavelmente ainda não estão prontos para receber visitas. Como eu disse, a mãe dele ama fazer tudo. Na Páscoa ela teve um farto jantar na tarde de domingo. Todos nós nos sentamos em uma grande mesa com pratos de porcelana e cristal. Muito elegante. Eu acho que se ela não puder fazer do dia de Ação de Graças algo super chique, ela provavelmente irá esperar e fazer do Natal uma noite de gala. - É assim que a minha mãe sempre fez nos feriados, Nicole disse. Eu poderia ir pra casa, mas eu ficaria totalmente sozinha. Seria muito deprimente. - Nós definitivamente temos que fazer alguma coisa. Nicole acenou com a cabeça e cobriu a sua boca assim que um bocejo tomou conta dela. - Ah, desculpa. Eu estou ficando com sono, Katie. Você se importaria se eu apagasse a luz? Nós podemos continuar conversando, se você quiser, mas eu tenho que te alertar que eu posso pegar no sono. - Tudo bem. Eu estou pronta para deixar esse dia muito longo e muito irritante terminar. Eu tenho uma aula às oito da manhã e eu sei que eu vou estar morta quando o meu alarme soar às sete. Pelo menos eu tomei o meu banho à noite. Eu

estava realmente desejando que eu tivesse tomado um antes de ver o Rick porque, perto de você, eu definitivamente não era a abóbora mais fresca do „pedaço‟. Katie podia ver Nicole sorrindo, antes de ela apagar a luz, por causa de sua última frase. - A propósito, Katie, obrigada por me deixar ir jantar com você e Rick. Eu me senti como se estivesse atrapalhando o encontro de vocês. - Não, foi divertido ter você lá. Além do mais, o que você iria fazer? Eu a arrebatei da loja de flores e a arrastei conosco para o Sophie Hall. Quando você terminou de ser meu apoio moral em reparar minha grande asneira, a lanchonete estava fechada. Você quase não tinha nenhuma escolha a não ser vir conosco e eu estou contente por você ter vindo. Fiquei feliz pelo jeito como você e o Rick se deram tão bem. Ele queria que eu fosse mais simpática com o colega de apartamento dele, mas eu demorei muito pra entender isso. Eu agora aprecio o que ele estava tentando dizer por que eu posso ver como é ótimo quando todo mundo, em seus diferentes círculos sociais, se dão bem um com o outro. Entende o que eu quero dizer? O tique-taque fixo do antigo relógio na escrivaninha de Nicole foi a única resposta que Katie recebeu. - Uau. Você não estava brincando quando disse que estava prestes a pegar no sono. Eu pensava que eu fosse rápida, mas isso é assustadoramente mais rápido. Lembre-me de te contar de manhã quão rapidamente você dormiu. Katie puxou seu edredom até o queixo e aconchegou-se dentro dele. - Eu continuo gostando da minha idéia de uma máquina do tempo, ela murmurou para si própria já que Nicole já estava dormindo. Eu definitivamente faria esse dia sumir. Com exceção dessa parte. Eu deixaria essa parte da nossa „noite de pijamas‟. Eu me sinto em casa com você, minha nova amiga.

Capítulo 11
- O que você quer dizer com isso de não ir para a noite da pizza amanhã? Katie estava em pé perto de Rick na fila para o cinema, mas ela estava no celular com Nicole. - Phillip só agora me enviou um email. Ele nem sequer deu uma razão. Ele apenas disse, „Talvez outra hora‟. Eu sei que ele não fez de mal. Odeio quando os rapazes dizem coisas que eles não tinham intenção. - Que idiota, Katie disse. Rick calmamente pressionou sua mão no ombro de Katie. Ela entendeu que era a forma dele fazê-la saber que sua voz estava elevada e que ela estava falando muito alto num lugar público. - Ele não é um idiota, Katie. Ele é um cara legal. Eu sei que você acharia isso também se você o conhecesse. - Tá bom, se eu chegar a conhecê-lo, eu vou ter algumas palavras bem escolhidas pra ele. - Ele provavelmente tem uma boa razão pra que ele não queira ir comigo amanhã à noite. Não estou guardando isso contra ele. Mas agora é tarde demais pra convidar outra pessoa. - Não é tarde demais. Tem que ter alguém, Nicole. Rick pressionou o ombro de Katie novamente. Ela levantou o olhar pra ele e perguntou: - Quê? Ainda estou falando muito alto? Rick sorriu. - E Eli? - O que é que tem Eli? Katie perguntou. - Quem é Eli? Nicole perguntou. Katie olhou pra Rick e lembrou como menos de uma semana antes eles tinham discutido no apartamento dele quando ele estava tentando juntar Eli com a companheira de andar de Katie. Katie ofereceu a Rick um meio sorriso. - Quer saber Nicole? Eu só não tenho o mais compreensivo e paciente e lindo namorado do mundo, eu também tenho o melhor matchmaking namorado do mundo. Você se importaria se eu e Rick te juntássemos com o colega de quarto dele, Eli? Tenho certeza que ele está disponível. - Ele é o rapaz da segurança do campus que dirige no pequeno carro de golfe? - Sim. É ele. Aquele com o maluco cabelo marrom claro que sempre parece que acabou de sair do ciclo giratório da secadora. Aquele com a barbicha.

- Certo. É quem eu pensei mesmo. Nicole não pareceu entusiasmada. - Ele não é como você acha, Katie disse rapidamente. Ele não é nada do que ele parece. Quer dizer. Ele parece bem, na minha opinião. Ele tem aqueles olhos melancólicos que parecem olhar dentro de sua alma enquanto você tá olhando pro outro lado. E ele cresceu na África e foi pra Espanha com Ted, e ele parece ter um coração terno, sabe? Como se tivesse sido machucado e agora ele sabe como os outros se sentem quando estão feridos. Acho que você vai se dar muito bem com Eli. Ele é um tipo de pessoa artística e ah, Nicole, ele tem uma ótima risada. Quer dizer, uma linda risada. Ele é definitivamente um bom partido. Muito melhor que o cara „eu to triste‟. Nicole parou Katie antes que ela pudesse continuar com a longa descrição em favor de Eli. - Ok. Você me convenceu com o „disponível‟. Katie se virou para Rick e acenou com a cabeça de forma febril e, com um sorriso enorme, ela apontou pro celular dele e indicou com sua mão que estava livre que Rick deveria ligar pra Eli e marcar. - De jeito nenhum, Rick disse. Katie piscou pra ele e fez uma careta. - Só um minuto, Nicole. Ela pressionou o celular contra seu estômago. O que você quis dizer com „de jeito nenhum‟? - Eu já tinha convidado Eli. Eu também o desconvidei. Se você pensa que ele é perfeito pra Nicole, eu acho que você deveria convidá-lo dessa vez. - Ok. Tá bem. Katie colocou o celular de volta no ouvido. Nicole? Aqui o plano. Vou ligar pra Eli pra ver se ele ainda está disponível amanhã à noite, e então eu dou seu número pra ele te ligar porque nós estamos quase entrando no cinema. - Obrigada, Katie. - Não me agradeça ainda. Espere até depois que você passar um tempo com ele amanhã à noite. Então você me agradece, e eu realmente vou saber que você quis dizer isso porque ele é legal. Ela desligou e olhou pra Rick. - Tem certeza que você não quer ligar pra ele? - Certeza. Rick procurou na lista de seu celular e deu pra ela enquanto a fila se movia pra dentro do cinema. Katie deu uma olhada na tela do celular muito-mais-elaborado do Rick. - Tudo que você tem que fazer é apertar o botão. Katie o pressionou e disse: - Sei, isso foi o que Cris disse na noite que eu tentei fazer pipoca na casa dela. - Ei, sobre aquela pipoca, Rick disse. Eu ouvi do Ted noite passada que você

comprou num bazar de garagem. Agora era Katie quem estava pressionando sua mão no ombro de Rick. Ele definitivamente estava falando muito alto num lugar público lotado. Abençoadamente, Eli atendeu ao telefone no primeiro toque. - Eli. Ei. É Katie. Oi. Como você está? Por que isso de eu continuar monossilábica quando eu tento falar com esse cara? Sou uma bobona. - O que está acontecendo, Katie? - Eu tava pensando, bem, na verdade, Rick e eu estávamos pensando, Rick está bem aqui comigo no cinema, estamos caminhando pro cinema exatamente agora e eu estou ligando do celular dele. Ela achou que ouviu Eli abafando uma risada. - De qualquer forma, nós estávamos pensando se você não vai fazer nada amanhã à noite, sexta à noite, se você queria ir pra Noite da Pizza no Crown Hall. - Achei que vocês já tinham me desconvidado pra esse evento. - Bom, agora estou te des-desconvidando e isso é o mesmo que te reconvidar. Tudo que você tem que fazer é dizer, „Com certeza, eu ficaria feliz em ligar pra sua colega de andar, linda Nicole, e diria a ela que estaria honrado em acompanhá-la pra cafeteria pra fazer uma pizza com ela amanhã à noite‟. O que você me diz? Sete horas? Pode nos encontrar no lobby do Crown Hall??? Uma longa pausa se seguiu do outro lado. Katie olhou pra Rick. Ele tava reprimindo um sorriso. Ela usou seu braço livre pra fazer círculos no ar como para indicar pra Eli apressar em tomar sua decisão. - Então? - Ele desligou? Rick perguntou. Se sim, você não pode exatamente culpar o cara. - Eli? Katie pressionou o telefone mais perto de seu ouvido. Eu posso te ouvir respirando, Eli. Ele riu aquela fantástica risada dele vinda do fundo do ser. - Foi só muito, muito engraçado ver você suando daquele jeito. - O que você quer dizer com „me ver suando‟? Eu pressionei o botão da câmera do telefone do Rick? - Não. Olha na direção da máquina de pipoca. Katie se virou na direção da banca de lanches. Eli estava em pé recostado contra uma coluna e segurando um enorme saco de pipoca. Ele tinha uma bandana ao redor de sua cabeça, e seu cabelo dançava em todas as direções por baixo dela. Katie se virou e deu um soco no braço de Rick, mas não muito forte. - Você sabia desde o início que ele estava aqui.

- Sim, eu sabia. O sorriso de Rick era imenso e cheio de travessura. Esqueci de comentar que Eli estava vindo ao cinema com a Carley? - Carley? Katie falou o nome de forma muito alta e ela sabia. Abaixando sua voz, ela disse: Quando Eli começou a sair com Carley? - Hoje à noite quando ela o convidou. Katie nunca tinha realmente encontrado uma forma de estabelecer um tipo de relacionamento pacífico, fácil e cheio de altos e baixos com Carley, uma garota no seu andar. No verão anterior Carley foi contratada pra trabalhar no Ninho da Pomba com Katie, mas sempre pareceu pra Katie que Carley estava competindo pela atenção romântica de Rick. Quando Carley e algumas outras garotas fizeram uma brincadeira com Katie há um pouco mais de um mês, elas duas tiveram uma conversa face a face que pareceu arrumar as coisas entre elas e colocá-las em um lugar melhor relacionalmente. Ainda assim, Carley não estava no topo da lista de pessoas favoritas de Katie. Essa surpresa, no entanto, atingiu Katie mais forte do que ela teria previsto. Definitivamente Carley não era a garota certa pra Eli. Nicole era uma escolha muito melhor e Katie sabia disso. Ela e Rick entregaram seus ingressos para o atendente e cruzaram o lobby onde Eli estava em pé perto da máquina de pipoca. - Então? Katie deu a Eli uma expressão de expectativa e olhar brilhante. É uma resposta vindo, oh-grande-rebelde-sem-refrigerante-pra-acompanhar-toda-essapipoca? - Sim. A resposta é sim. Eu vou com você amanhã à noite, Eli disse. - Não comigo. Com Nicole. - Certo. Isso que eu quis dizer. Tenho a impressão que é um encontro duplo. 9 - É. Ok. Bom. Aqui. Espera só um segundo, ok? Katie pegou seu celular, apertou o nome de Nicole e esperou ela atender. Ela sentiu um tipo engraçado de pânico, como se Carley pudesse aparecer a qualquer momento e tornar as coisas mais embaraçosas do que já estavam. - Ei, Nicole, Eli está bem aqui e eu vou deixar ele conversar com você. Ela entregou o telefone antes que Nicole dissesse qualquer coisa. Eli agiu de forma louvável, soando interessado em Nicole enquanto ele confirmava os planos. Ele disse a ela: - Até lá então, e devolveu o telefone para Katie. Ela o fechou com força. - Ótimo! Tudo certo então. Obrigada, Eli. Pronto, Rick? Ou você queria comprar mais pipoca?
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Double date é quando dois casais saem juntos. Não sei se tem uma expressão específica pra isso em português, se tiver por favor, eu quero saber também kkkkk

- Eu não. Você quer? - Não. Eu perdi meu apetite por pipoca recentemente. - Engraçado. Eli disse. Cris disse a mesma coisa. - Você tá só inventando isso. - Não estou. - Quando você viu Cris? - Ela e Ted estavam na fila atrás de nós pra última sessão, mas já estavam esgotados, então eles foram comer alguma coisa e vão voltar. - Quer dizer que eles estão vindo pra mesma sessão que a gente. Legal. Katie olhou pra Rick. Nós deveríamos entrar e guardar lugar pra nós quatro. - Vocês se incomodariam em guardar mais um lugar? Eli perguntou. - Você vai ver de novo? Rick disse. - Não. Eu estava no grupo que não conseguiu ver a sessão esgotada. Eu consegui estudar no meio tempo, acredite ou não. - E Carley? Katie perguntou. - Ela foi na sessão mais cedo. Ela e a colega de quarto dela compraram os ingressos online por isso não tiveram problemas pra entrar. - E elas te deixaram? Katie perguntou. Eli encolheu os ombros. - O que posso dizer? - Vamos. Rick pegou a mão de Katie. Nós vamos guardar alguns assentos. Eli, fale pra Ted e Cris que nós entramos. - Isso tá se tornando mais estranho e mais estranho a cada minuto, Katie murmurou. Ela e Rick tinham conversado sobre ir assistir essa sequência do filme que eles tinham gostado em um de seus encontros anteriores em Fevereiro. Como em todo caso de sequências longamente antecipadas, a noite de estréia é o melhor momento pra ir mesmo com a multidão, apenas pra ficar entre os primeiros a ver. Katie odiava estar em grupo de pessoas quando eles conversavam sobre uma seqüência que ela não tinha visto ainda. Os estudantes da Rancho Corona mantinham-se avidamente a par dos filmes e conversavam sobre eles nas refeições. - Nós deveríamos ter organizado, Katie disse, enquanto ela e Rick se apressavam pra entrar no auditório e pegar 5 assentos juntos. Se nós soubéssemos que Ted e Cris estavam vindo, poderíamos ter ido comer com eles. - Talvez eles queiram sair pra comer sobremesa mais tarde. O cinema estava enchendo rapidamente e o barulho feito dificultou que Katie entendesse o que Rick tinha dito enquanto eles subiam os degraus.

- Você disse que eles talvez queiram ir pro deserto depois? 10 - Não, não sair para o deserto. Sair pra comer sobremesa. Café? Torta de queijo? Torta? 11 - Cris provavelmente vai querer torta de queijo. Ela teve um desejo por isso na outra noite. Perguntei se o desejo significava que ela tava grávida, mas ela disse que não. - Que tal aqui? Rick deslizou para uma fileira quase na metade do fundo e Katie o seguiu. Os assentos eram próximos ao fim da fileira, mas da forma como o cinema estava lotando iria se tornar impossível encontrar cinco assentos juntos no centro. Colocando suas jaquetas nas três poltronas entre eles, Katie e Rick sentaram-se em cada ponta e ficaram olhando a entrada esperando por seus amigos. De todas as pessoas, Carley veio do canto, os olhou, acenou e veio para a fileira deles. - Pensei que ela estava na última sessão. Katie murmurou baixo o suficiente para que Rick não a ouvisse. - Olá vocês dois. Carley correu fileira abaixo e ficou em pé no espaço em frente aos assentos vazios que eles estavam tentando guardar. - Apenas vim dizer oi. Vi Eli e ele me disse que vocês estavam aqui. Vocês vão amar esse filme. O fim é uma grande surpresa. Não é o que vocês estão esperando. - Carley, não se atreva a nos contar o que acontece! Katie sentiu seu rosto ficando vermelho. - Não se preocupe. Eu não ia dizer. Estou apenas dizendo que não é o que vocês esperam. Vocês sabem o cara no primeiro filme que tem o dente que sai? Bem... Katie a interrompeu. - Carley, não! Não diz nada. Nada! Nem uma palavra! Oh, olha. Lá vem Ted e Cris. Eles vão querer sentar exatamente onde você está em pé. - Sem problema. Já estou indo. Só queria dizer oi e também dizer obrigada, Rick, pelas flores. Aquilo foi realmente muito gentil da sua parte. Rick balançou a cabeça polidamente e se levantou para que Ted e Cris pudessem passar por ele enquanto Carley acenava e se movia lentamente para fora da fileira na outra direção. - Vocês estão tendo uma briga? Ted perguntou a Katie. - Não. Por quê? - Vocês estão sentados muito longe um do outro. O surfista-cara-legal Ted deu um meio sorriso para Katie que mostrou sua covinha e ainda mais claramente
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Dessert = sobremesa Desert = deserto 11 Cheesecake é torta de queijo e outras tortas são chamadas pie.

mostrou que ele estava brincando com ela. - Não comece comigo hoje à noite, Ted. Não é uma boa idéia. Nós estávamos sentados longe, pois assim pudemos guardar lugar para vocês dois. Katie se levantou e passou por Cris assim Katie pôde sentar no lado direito dela, perto de Rick. Cris sentou do outro lado de Katie e apertou o braço dela. - Que divertido! Não consigo acreditar que deu certo, Cris disse. Você sabe quantas vezes temos tentado nos encontrar com vocês dois, mas não pudemos coordenar nossas agendas? Bem, isso é perfeito e nenhum de nós planejou. - Eu sei. Isso é ótimo. A resposta de Katie não foi inteiramente entusiástica. Ela se virou para Rick e em uma voz baixa disse: Então, flores, hein? Alguma coisa que eu deveria saber? Rick se inclinou para mais perto e sussurrou no ouvido de Katie. A respiração dele fazendo cócegas no cabelo dela. - Eu quis fazer uma coisa gentil para agradecer a todos os meus empregados por terem feito um ótimo trabalho nos últimos meses enquanto eu estava indo e vindo do Arizona. Voltei à floricultura já que a moça de lá foi muito prestativa conosco na outra noite. Ela pôs alguns arranjos pequenos para todas as empregadas. - Apenas para as mulheres? - Sim, apenas para as mulheres. Para os homens eu comprei canivetes. - Isso foi muito gentil da sua parte. - Sabe o que mais é gentil da minha parte? Rick perguntou, colocando seu braço no ombro de Katie e a puxando para mais perto. É também gentil da minha parte que estou aqui e nós vamos passar esse tempo juntos assim. Katie se sentiu relaxar no abraço parcial dele. Encostando sua cabeça no ombro de Rick, ela disse: - Sim, isso é bom. Só para constar, se eu ainda trabalhasse no Ninho da Pomba, eu teria preferido o canivete em vez de flores. - Eu sei, Rick disse. Ele beijou o topo da cabeça dela. - Especialmente se fosse um daqueles canivetes pequenos que tem pequenas tesouras flexíveis. Eli tem um. Você sabia que eles fazem daquelas em cores? Eu vi um vermelho que combinava com seu carro. Sabia disso? Katie se afastou um pouco pra trás e olhou para Rick. - Você deveria comprar um vermelho pequeno e manter no porta-luvas. - Ei, e você sabe alguma coisa sobre seu carro? Katie fez uma careta exagerada. - Tô com medo de que o Bugrinho esteja se encaminhando para a fábrica de cola. - O que isso significa?

- Não sei. Meu pai costumava dizer isso. Acho que tem a ver com cavalos velhos que eles costumavam fazer cola deles ou alguma coisa. - Você está dizendo que seu carro não tem conserto? Katie confirmou. - O mecânico me deixou uma mensagem hoje e disse que ele encontrou uma das partes online no Havaí, mas estava muito enferrujado para usar. Eu tenho que ligar de volta pra ele amanhã e basicamente concordar com ele sobre o inevitável. Ele acabou. Ele foi um bom amigo enquanto o tive, mas infelizmente nosso relacionamento maravilhoso tem que chegar a um fim. Cris que aparentemente ouviu Katie, perguntou: - Você tá falando sobre o Bugrinho? Katie se virou para ela e balançou a cabeça afirmando. - Katie, que triste. - Eu sei. É como o fim de uma era. Ted se esticou sobre o colo de Cris e apertou o braço de Katie. Ele podia ser um grande brincalhão, mas quando ele queria, Ted podia ser compreensivo. - Sinto muito por saber disso, Katie. Eu senti como se fosse o fim de uma era quando a Kombinada deu seu último suspiro. - Como você vai fazer para ter um carro? Cris perguntou. - Não faço a mínima idéia. Não tem sido tão ruim quanto eu pensei que seria essa semana por não ter um carro, mas isso porque Nicole tem me emprestado o dela. Vou ter que ver se eu posso vender as partes do Bugrinho ou alguma coisa assim. - Você pensa em talvez guardar algumas partes? Ted perguntou. - O quê? Como você guardou o banco traseiro da Kombinada quando você teve aquele acidente? O meio sorriso de Ted voltou. - Eu poderia fazer alguns móveis para você. - Eu vou pensar nisso, Katie disse sem disfarçar seu sarcasmo. Ela olhou para trás de Ted e viu Eli vindo na direção deles. Ted o viu também e acenou para que ele sentasse na poltrona guardada próxima a ele. Eli se sentou e ofereceu seu pacote de pipoca. - Vocês querem? Ted foi o único que pegou uma mão cheia. As luzes diminuíram e os trailers começaram. Katie se voltou para Rick e ele a aconchegou perto dele. Ted e Cris estavam abraçados também. Era um dos cenários de encontro duplo que Katie tinha imaginado sempre desde que ela e Rick tinham começado a sair juntos. Eles tinham manejado coordenar alguns

desses tipos de tempos juntos. Tão feliz quanto Katie estava ela se sentiu mal por Eli. Falando de experiência própria! Katie sabia muito bem o que era ser aquela pessoa sobrando, ao longo dos anos que ela saía com Cris e Ted e os outros amigos. Em uma pequena – muito pequena – maneira, Katie desejou que Carley tivesse trocado seu ingresso assim Eli pelo menos teria alguém com ele. Katie se aproximou mais perto de Rick e fez uma de suas notas contínuas para si mesma: Pare de se preocupar com Eli. Isto é o que você tem sonhado por um longo tempo. Relaxa! Aproveita o momento.

Capítulo 12
A grande surpresa daquela noite não foi o fim do filme, apesar de que foi uma maneira brilhante de amarrar a história e deixar os espectadores famintos pelo terceiro filme. A surpresa foi como o filme ficou tão bom. - O segundo filme nunca é tão bom quanto o primeiro, Rick disse, enquanto o grupo deles saía da sala. - Esse com certeza foi, Ted disse. Cris concordou dizendo, : - Aquela parte no final em que o cara... Katie pegou o braço dela e impediu Cris de terminar sua frase. Eles estavam passando pela fila de espectadores que esperavam para assistir ao filme na seção de tarde da noite. - Eu só não queria que você acabasse contando algo para qualquer uma das pessoas que estão na fila. - Ah. Ta bom. Cris apertou os lábios. - Eu estou feliz por termos visto o filme hoje à noite, Katie disse. Eu odiaria me sentar amanhã na cafeteria e ficar ouvindo um monte de críticos amadores falando sobre todas as partes boas do filme. - O que vocês acham de nós formarmos nosso próprio grupo de críticos amadores? Rick perguntou. Katie e eu descobrimos uma nova cafeteria. O Bella Barista. Vocês já foram lá? - Não, Cris disse enquanto Ted balançava sua cabeça negativamente ao lado dela. - E você, Eli? Katie perguntou. - Eu sou mais do tipo que bebe café em lojas de conveniência, como você sabe. Todo mundo se virou para olhar para Katie, esperando uma explicação de porque ela saberia aquilo. Ela não queria Cris, Rick e Ted envolvidos numa discussão sobre seu passeio ao deserto na semana passada com Eli e Joseph. Mudando o foco, Katie disse: - E aí? Vocês querem ir conosco ao café? Ted e Cris olharam um para o outro e trocaram uma série de expressões de dúvidas, como ombros balançando e cabeças se mexendo, o que pareceu para Katie dois passarinhos conversando num fio de telefone. - É melhor não, Cris disse. Katie suspeitou que eles tivessem gastado seus fundos para entretenimento para o mês com o filme e o jantar.

A decisão de Ted e Cris pareceu determinar a decisão de Eli. Ele disse que iria voltar para o apartamento. Olhando para Katie de uma maneira bem direta, ele disse: - Te vejo amanhã à noite. - Beleza. Noite de Pizzas de casais. Crown Hall. 7 horas. No saguão. Katie esperava que ninguém tivesse notado como suas frases ficavam curtas quando ela estava perto de Eli. Essa agitação toda dela a incomodava. O grupo se despediu no estacionamento, e Rick e Katie caminharam de mãos dadas para o carro dele. - Eu não te contei ainda, Rick disse. Minha mãe está planejando fazer um jantar de Ação de Graças na nova casa dela. Ela disse que iria te ligar. Ela queria que você soubesse que está convidada, eu disse a ela que me certificaria de que você fosse. - É muito legal da parte dela. E da sua parte também. Eu adoraria passar o dia Ação de Graças na sua casa. Diga a sua mãe que eu ficaria feliz em ajudar de alguma forma, caso ela precise. Enquanto eles caminhavam, ela balançava as mãos deles. - Você sabe se ela convidou muitas pessoas? - Não sei. Por quê? - Eu estava pensando que se tivesse jeito, seria legal incluir mais uma pessoa que não tem planos para o dia de Ação de Graças. Mas isso é só se sua mãe não se importar em receber mais um universitário órfão. - Você conhece minha mãe. Tenho certeza de que ela não se importaria. Rick fez um carinho na mão de Katie. Estou feliz que você tenha pensando no Eli. Vou falar com ele que ele também está convidado. - Eli? Eu estava pensando em Nicole. Ela não vai pra casa no dia de Ação de Graças. Na verdade, ela e eu estávamos pensando em fazer uma viagem no próximo fim de semana caso nós duas não recebêssemos nenhum convite. - Como eu disse, você conhece minha mãe. Tenho certeza de que ela não se importaria. Eu vou convidar o Eli e você pode convidar a Nicole. - Eles vão pensar que nós estamos forçando os dois a ficarem juntos. - Não tem problema. Se der certo, eles vão nos agradecer. Eles chegaram ao carro de Rick, e ele destrancou a porta do passageiro e a abriu para Katie. Ela estava prestes a entrar no carro quando viu, no banco, uma pequena caixa com uma fita prateada em volta. - Que isso? Rick não respondeu. Ele apenas deu um sorriso malicioso, como se sua surpresa estivesse funcionando do jeito como ele tinha planejado.

- É pra mim? - Por que você não abre e descobre? Katie puxou a fita e abriu a caixinha. Dentro dela havia um canivete, exatamente igual ao que ela tinha descrito para Rick no cinema. Ao invés de vermelho como o carro de Rick, esse era amarelo, como o Buguinho. - Rick! Como você sabia? - Eu te conheço, Katie. Eu sabia que você ia gostar. Eu também sabia que se eu te desse flores não significaria tanto quanto se eu te desse um desses. Eu vi o amarelo e pensei no seu carro. Isso foi antes de eu ficar sabendo que ele não teria conserto. - Isso vai sempre me lembrar do meu Buguinho amarelo-sol. Katie disse carinhosamente. - Você já abriu um desses antes? Aqui ficam as tesouras, e quando você puxa isso aqui, sai uma lixa de unha. - Rick, obrigada! Katie envolveu-o com seus braços em um caloroso abraço. Assim que se afastaram, eles ouviram uma buzina e ambos olharam para ver Eli passando de carro por eles, fazendo um tipo de aceno mãos-retas-no-ar. - Eu não sei por que ele guarda aquilo, ela resmungou. Ele disse que isso o lembra de orar. Mas orar pelo quê? - Katie? Rick colocou sua mão debaixo do queixo dela e trouxe o rosto dela de volta, afim de que ela olhasse para ele. Katie pôs fim aos pensamentos resmungões sobre Eli e sorriu calorosamente para Rick. - Desculpe-me. O que eu estava dizendo? - Você estava dizendo que gostou do canivete. - Sim, gostei. Eu gostei do canivete. E gosto de você. Muito. - Que bom. Porque eu gosto muito de você. Rick sorriu. Você quer tomar sorvete? - Sorvete? Claro. Você tem duas passagens de avião para Veneza escondidas no bolso da sua jaqueta? - Nós podemos tomar sorvete aqui mesmo nessa cidade. - Onde? - No lugar que fomos com a Nicole. O Bella Barista. Eu vi sorvete no menu e pensei que você e eu precisávamos voltar lá e dar um basta nisso. - Um basta em quê? - No fiasco do nosso encontro no verão passado com aquele teste de sabor. Embalagem quadrada versus embalagem redonda? Katie inclinou sua cabeça para trás e resmungou.

- Por favor. Eu estou tentando esquecer toda aquela confusão. Tudo isso aconteceu muito tempo atrás quando eu era sincera demais, impulsiva e exigente. Como você e eu sabemos, eu mudei dramaticamente desde aquela época. Rick gargalhou. - Ok. Talvez não dramaticamente. Mas eu sei como eu queria não ter levado essa coisa toda do sorvete tão a sério, e, bem... Tudo mais naquela noite. Katie deixou o restante por falar, na mesma noite que ela o tinha pressionado a fazer o desafio do teste do sorvete, ela também o tinha pressionado sobre suas determinações em não convidar beijos para o relacionamento deles. O desafio não tinha terminado nada bem. Parte da tentativa posterior de Rick em dar fim àquela noite foi seu estranho teste particular, o qual Katie achou bastante irritante. Rick usou apenas uma embalagem de sorvete e dessa forma fraudou o teste dizendo que era uma tentativa de ser esperto. - Esse evento todo do sorvete foi uma idéia divertida que acabou dando errado. Muito errado, Katie disse. Nós podemos não relembrar mais disso? - Combinado, Rick disse. É por isso que sorvete é a resposta. É um novo começo. Nós podemos tomar sorvete sem nenhum tipo de conflito sobre a forma da embalagem e o sabor. O que você acha? - Ok. Novos começos. „Bora pro sorvete. Katie entrou no carro e sorriu pra si mesma. Rick Doyle, você é mesmo o homem mais determinado do planeta. Uma vez que você entra em algo, você nunca deixa isso de lado até você ter todas as peças no lugar, do jeitinho que você gosta. Katie lembrou a si mesma de que essa característica de Rick era boa e era também uma maneira de completar Katie, já que ela não era assim tão comprometida em cumprir seus objetivos. - Sabe, se nós não tivéssemos finalmente concordado algumas semanas atrás em parar de tentar achar apelidos um para o outro, eu acho que agora eu te chamaria de „Bulldog‟. - Bulldog? A réplica de Rick deixou claro que ele não estava nada empolgado com aquele apelido. Sacudindo sua mão no ar, ela disse: - Deixa pra lá. Puxando pra fora a lixa de unha de seu novo canivete, Katie começou a lixar a unha de seu polegar. Ela desejou não ter trazido à tona esse assunto de apelidos. Durante meses Rick tinha tentado conseguir o apelido certo para ela, mas nenhuma das opções a agradou. Com exceção do ”Katie-girl”. Ela gostou desse, mas Rick não. Cerca de três semanas atrás, enquanto eles saíam da igreja juntos e Rick de repente anunciou que ele não gostava do apelido ”Katie-girl”, ela parou e disse: - Fim do jogo. Pronto. Ela disse a Rick que de agora em diante ela só queria que

ele a chamasse de Katie e ela o chamaria de Rick, exceto para aqueles momentos ocasionais em que o último nome dele cairia melhor e ”Doyle” simplesmente escorregaria de seus lábios. Eles acabaram dando uma basta naquela busca por apelidos naquele domingo. Katie esperava que esse passeio ao Bella Barista desse um basta na busca deles por uma agradável experiência com sorvetes. Meia hora depois, Katie estava dizendo a si mesma. Até agora tudo bem! Pra constar, tudo nessa noite tem sido bom. Muito bom. Talvez o nosso melhor encontro até hoje. Quando eles pediram pelo sorvete, só pra ser agradável, Rick deu um beijo na bochecha de Katie assim que passou seu cartão de crédito para o caixa. - Algum motivo especial? Ela perguntou. - Eu pensei em começar uma nova tradição. Você disse, da última vez que viemos aqui, que se eu fosse pagar eu teria que te dar um beijo. Eu gostei disso. De agora em diante, toda vez que viermos aqui, se eu pagar, eu tenho que te beijar. - E se eu pagar? - Então você é quem tem que me beijar. - Promete? Katie levantou uma sobrancelha. Rick sorriu pra ela e a beijou de novo, dessa vez na testa. Foi meigo, como uma benção ou um gesto fraternal de carinho. Ela deixou o calor do beijo dele na testa dela acalmar seu interior. Talvez, pela primeira vez, Katie ficou contente com os gestos de carinho de Rick. Ela não teve que tentar esconder uma expressão de decepção porque ele não a envolveu em seus fortes braços, a rodopiou como um dançarino num salão de festas, e plantou um grande beijo em seus lábios. Ele estava mostrando a ela que gostava dela. Que a adorava. Por que ela não tinha visto a intenções dele dessa maneira antes? O carinhoso Rick e a apaixonada Katie sentaram-se um de frente para o outro em uma das pequenas mesas do canto. Eles, confortavelmente, cruzaram seus pés um no outro e compartilharam os sabores de seus sorvetes. A iluminação baixa e amarelada das lâmpadas que estavam penduradas e a inspiradora música italiana ao fundo fizeram do momento deles algo tão romântico para Katie como se eles estivessem lado a lado numa gôndola descendo um canal de Veneza. Rick alcançou o cabelo de Katie e passou a mão sobre ele, depois tocou sua bochecha e disse a ela o quanto ele gostava do cabelo, das sardas e dos olhos verdes dela. - Às vezes seus olhos ficam profundos, como jade, ele disse. Nessas horas eu sei que você está pensando muito. É como se a luz ficasse fosca do lado de fora primeiro e depois do lado de dentro. Há também momentos em que seus olhos ficam da cor da grama ou das folhas na primavera. Eu sempre sei quando você está feliz. Seus olhos parecem primavera.

- Que cor eles estão agora? Katie entrelaçou seus dedos nos dele. - Cor da primavera. Definitivamente, primavera. - Seus olhos estão cor de chocolate quente agora. Chocolate quente de verdade. Não o pó de chocolate ao leite que vem num pacote. Estão como chocolate escuro. Como o chocolate do meu sorvete. Katie, graciosamente, levantou uma pequena colher cheia de sorvete e a colocou perto dos olhos de Rick. Ele fez uma pose, arregalando os olhos enquanto ela fazia a comparação. - Não, seus olhos são mais escuros. Muito mais misteriosos. Rick lançou pra ela um olhar elegante-homem-misterioso, posando como um autor de romances de suspense, com uma mão no queixo. Katie gargalhou. - Lá vem você. É esse olhar que você quer no seu próximo cartão de apresentação. Ela levantou-se de seu assento. Ei, eu vou pegar um pouco de água. Você quer beber algo? - Sim, eu quero um Americano pra gente levar. - Pra gente levar? A gente vai a algum lugar? Rick checou seu relógio. - Claro. Por que não? Quanto tempo você ainda tem antes de perder seu sapatinho de cristal e ficar trancada pra fora de seu dormitório? Katie levantou seu pé. - Nada de sapatinhos de cristal, veja, e não se esqueça de que eu tenho a chave mestra. Olha, rimou! - Espertinha. Agora pegue o meu Americano e vamos. - Ok, Sr. Chefinho. Eu pego e eu pago? Katie perguntou. - Não vejo porque você não deva pagar. Rick deixou claro, que assim como Katie, ele estava gostando da brincadeira e de tudo mais naquele encontro. - Ok. Está bem. Ela pegou no braço dele, o puxou para cima, e marchou com ele para a caixa registradora. Um Americano duplo e um chá médio Darjeeling. Para levar. Entendeu? A mulher no caixa disse que sim e Katie tirou o dinheiro de seu bolso. Assim que ela entregou o dinheiro, ela ficou na ponta dos pés e deu um delicado beijo na bochecha de Rick. Sorrindo pra ele, ela disse. - Eu acho que essa nova tradição vai funcionar muito bem. Eles se foram com suas bebidas quentes e seus braços em volta um do outro. - Não está tão frio como na outra noite que viemos aqui, Katie disse. Olhando pra cima, ela viu um punhado de estrelas. A fina camada de nuvem que normalmente bloqueava a visão do céu deles, nessa época do ano, tinha

diminuído o suficiente para revelar um pouquinho das maravilhas brilhantes aqui e ali. - A noite está boa. - Vai ficar melhor ainda quando chegarmos ao lugar para o qual estamos indo. Rick abriu a porta do carro ao seu modo Príncipe Charmoso. - Ah, uma pequena dica de para onde estamos indo. Você não está o Senhor Cavalheiro hoje à noite? Rick pareceu gostar de ser o Senhor Cavalheiro. Ele manteve esse mesmo olhar durante todo o percurso de volta para o campus da Rancho Corona. Katie ficou um pouco decepcionada. Ela pensou que ele quis dizer que eles iriam para algum lugar mais aventureiro como a praia, ou as montanhas, ou até mesmo o deserto. Talvez Eli estivesse certo com relação a essa parte do sul da Califórnia ser um ótimo lugar pra se viver. Em uma hora nós poderíamos estar em qualquer um desses lugares – praia, montanhas, deserto. Então por que Rick quis vir aqui? Ele continuou dirigindo depois de passar a virada para o dormitório de Katie e rumou para a parte mais alta do campus. Nós estamos indo para aquele banco de madeira. O banco onde ele tentou aquele desastroso teste de sabor do sorvete. É o banco onde eu estava sentada e falei com ele alguns dias atrás quando ele me disse que não iria mais dar prosseguimento ao café no Arizona. Katie estava certa. Rick estava a levando para o banco ”deles”. O que ela não sabia era que as palmeiras ao longo da trilha estavam envolvidas em luzes piscapisca brancas. - Olhe! As árvores estão todas iluminadas! Adorei! Ela saiu do carro com seu copo de chá em mãos. Quando foi que eles fizeram isso? - Eli me contou sobre isso. Ele trabalhou na fiação ontem. Parece que eles vão armar coberturas amanhã porque essa área foi alugada para um grande número de eventos durante os feriados. Cris e Ted iniciaram algo quando descobriram que poderiam fazer o casamento deles aqui. - Boa e velha Tia Marta. Foi ela quem descobriu isso aqui. - É bonito, não é? Rick colocou seu braço em volta do ombro de Katie. - É como um conto de fadas. Ela bebeu um pouco de seu chá enquanto caminhavam. A cheirosa bebida estava na temperatura e no gosto exatos. Os braços de Rick em volta dela a faziam se sentir bem. Eles tinham descido alguns metros trilha abaixo quando Rick parou. Ele se virou, assim ele e Katie ficaram face-a-face sob a mágica luz de centenas de pequenas luzes brancas que acendiam seus corações no ar calmo daquela noite. Os ventos no alto das palmeiras estavam calmos. A faculdade e a cidade estavam em silêncio. Tudo que Katie pôde ouvir foi o som de seu coração acelerando assim que Rick se

aproximou. Seus olhos cor de chocolate estavam fixos nela e ela sabia. Ela sabia. Era isso. Rick iria beijá-la. Ele realmente, verdadeiramente, finalmente iria beijá-la!

Capítulo 13
Katie fechou os seus olhos. Os lábios quentes de chá dela viraram-se para Rick enquanto ela sentia que ele inclinava-se para mais perto. O momento foi tão perfeito quanto poderia ser. Ela prendeu a respiração. Rick beijou Katie. O beijo dele não foi qualquer beijo. O beijo dele foi o beijo perfeito pelo qual ela esperou por tanto tempo. Eles demoraram tempo suficiente antes de se afastarem. Seus narizes tocaram-se e, em um gesto de afeição, eles pararam por um momento com os seus narizes lado a lado. À medida que Rick se afastava, Katie abriu os seus olhos. Ela abriu a sua boca e respirou fundo, pronta para dizer alguma coisa calorosa, graciosa e maravilhosa para marcar esse momento para sempre no seu coração e mente. Antes de uma palavra poder escapar, Rick colocou seu dedo nos lábios dela e emitiu um suave, ”Shhh”. Katie fechou os seus lábios e manteve todos os seus pensamentos e sentimentos espontâneos guardados. Nada precisava ser dito. Nenhuma declaração precisava ser entregue para clarear o que acabara de acontecer. Ambos sabiam. Ela sabia. Ela sabia que era a afirmação do crescimento do compromisso de Rick para com ela. Tudo relacionado ao ”primeiro” beijo deles foi perfeito. Rick deu a ela esse beijo. Ele não o roubou. E exatamente no mesmo momento, Katie deu a ele o seu beijo em retorno. Ela sabia que tudo para eles havia acabado de mudar. Avançando para a mão de Katie, Rick conduziu-a abaixo pela trilha de luzes cintilantes. Eles não pararam e sentaram no banco, que parecia estar coberto com gotas de orvalho. Em vez disso, eles permaneceram caminhando, de mãos dadas, através do silêncio do caminho de luzes cintilantes. Katie pressionou os seus lábios, revivendo as sensações de calor e formigamento do beijo de Rick. Ela pensou ter sentido o leve gosto de sorvete de menta com chocolate. Um pouco do sorvete dela tinha se apegado aos seus lábios. Ou talvez fosse um pouco que tinha se apegado aos lábios do Rick quando ele estava provando o sorvete de Katie. Katie sorriu para si mesma, pensando no beijo envolvido em chocolate que ela acabara de compartilhar com o seu namorado com olhos de chocolate. Eles foram até o final do caminho de palmeiras iluminadas. Eles tinham os seus braços ao redor um do outro agora e Katie descansou a sua cabeça nos ombros dele. Ele estava usando uma camisa pólo de mangas-compridas e colarinho feita de uma mistura de casimira. Ela sabia porque da última vez que ele usou ela o tinha abraçado e perguntado porque a blusa dele era tão quente e confortável.

Então ela o fez ficar parado, com o queixo inclinado pra baixo, assim ela poderia levantar a etiqueta e ver do que fora feito. Nenhuma daquelas frenéticas, normais, ações de Katie parecia parte dela agora. Ela se sentia elegante e calma e - ousaria ela a dizer isso? Como uma princesa. Enquanto Rick levava Katie para o dormitório, eles seguraram as mãos e roubaram olhares um do outro. Ambos estavam sorrindo, mas nenhum dos dois falava. Até mesmo isso parecia certo e ajustado. Quando ele a encaminhava para a porta do dormitório dela, Rick encaixou Katie nos braços dele e segurou-a perto dele por alguns momentos. - Vejo você amanhã, ele sussurrou no cabelo dela. - Amanhã, ela ecoou. Ele a deixou lentamente e voltou-se, olhando para trás e acenando antes de entrar no carro dele. Katie permaneceu na frente do Crown Hall, assistindo o carro dele desaparecer, ainda com olhos sonhadores e ofuscados. Quando as luzes traseiras não eram mais visíveis, ela finalmente se voltou e usou a sua chave-mestra para abrir a porta. Uns poucos estudantes estavam conversando no salão de entrada. Outros ainda estavam acordados no andar dela, enquanto ela flutuava pelo longo corredor até o esconderijo dela bem no final. Katie destrancou a porta do seu quarto, ligou a luz e entrou. A primeira coisa que ela viu foi um formidável buquê com uma dúzia de rosas brancas. Dessa vez Katie sabia que as flores eram de Rick. Rick Doyle, você planejou essa noite até a última luz reluzente e rosa branca, não foi? No topo do envelope do cartão estava colado um papel rosa de Nicole que dizia, ”Eu coloquei as flores dentro do seu quarto para que elas não ficassem esperando na mesa da frente a noite inteira. Sabia que você não se importaria. Muito feliz por você! N.” Abrindo o cartão de presente, Katie ligou a luz sobre a escrivaninha. Ela prendeu a respiração na lânguida fragrância das delicadas rosas antes de ler o cartão, escrito à mão por Rick. “Bem aventurados são os puros de coração, porque eles verão a Deus.” Rosas brancas representam pureza de coração. Katie, eu vejo Deus trabalhando em nosso relacionamento e eu me sinto muito abençoado. Você é linda. Seu namorado, Rick. Ela leu o cartão três vezes antes de colocá-lo de volta no envelope. Não era o que ela esperava que o cartão dissesse, ainda que o sentimento fosse doce e parecesse que Rick tinha gastado tempo pensando antes de escrever. Arrancando uma das rosas brancas do buquê, Katie comprimiu-a debaixo do seu

travesseiro. Ela sabia que não precisaria de ajuda para fazer com que seus sonhos fossem sobre Rick essa noite, mas uma pequena flor debaixo do travesseiro da pessoa nunca é demais. Manter-se flutuante em seu mundo dos sonhos não foi difícil essa noite ou até mesmo na manhã seguinte, quando ela se apressou para a aula. De um jeito louco, porém feliz, a inocência disso tudo estava dando a ela uma sensação que durou mais do que ela pensou que duraria. A parte engraçada era que ela não queria contar para ninguém. Ela não queria se apressar para o quarto de Nicole ou ligar para Cris. Por agora, isso era a experiência especial compartilhada por Rick e Katie e não alguma coisa que Katie estivesse pronta para colocar em discussão. Uma coisa ela tinha certeza sobre o evento da Noite da Pizza: ela queria parecer bem. E cheirar bem. Com duas horas inteiras para se preparar, Katie revistou uma caixa no chão do seu armário procurando pra ver se ela tinha algum gel de banho não utilizado ou loções que poderiam realmente somar algo ao seu banho. Ela encontrou uma espuma em spray perfumado de pêssego para se depilar, mais da máscara facial verde de Nicole e uma caixa de clareador de cabelos. Ela tinha comprado a caixa no começo do verão quando ela estava se sentindo deprimida por trabalhar todos os dias e também por ir para a escola de verão. Já que ela não poderia gastar tempo lá fora no sol ou ir à praia, ela calculou que poderia muito bem parecer que tinha feito isso. Seu verão estivera, no entanto, ocupado demais para um pequeno mimo e Katie nunca tinha aplicado o clareador no seu cabelo. Ela tinha tempo hoje. Checando a data de validade na caixa, ela leu as instruções e decidiu: - Por que não? Colocando pra fora todo o conteúdo, Katie foi passo-a-passo, espremendo a solução do iluminador dentro da pequena bandeja de plástico e misturando-a com a mistura fedorenta da outro pequeno pote. Com um pequeno rodo de plástico engraçado, ela aplicou a coisa pastosa em seu cabelo começando em uma parte, conforme as instruções indicavam. Uma vez que os seus cabelos estavam profundamente imersos na solução acre, Katie colocou a touca de plástico fornecida e checou o relógio. Ela tinha que esperar de doze a dezessete minutos antes de enxaguar. Dando o pontapé inicial no modo multitarefa, ela aplicou a máscara facial e prontamente abriu a janela e virou-se para o seu pequeno ventilador. A combinação de todas as fragrâncias era demais. Ela decidiu esperar para usar a espuma depilatória de pêssego no momento do banho. Com a sua energia restante, Katie trocou os lençóis da cama dela, alisou o seu edredom e estendeu as roupas que ela queria usar. Levou exatamente doze minutos. Ela desceu ao corredor que dá para o banheiro, evitando ser vista por alguém. Uma vez no chuveiro, ela assistiu enquanto a cor dos seus cabelos e o verde do seu rosto concentravam-se no chuveiro, fazendo uma sombra estranha

de marrom no azulejo. O spray de espuma depilatória de pêssego refrescou bem o ar e Katie saiu do chuveiro bem quando outras três mulheres do andar entraram com pressa de se prepararem para a noite. As três estavam conversando sobre a noite da pizza. Katie sentiu uma pontada de decepção, ou talvez fosse ciúme, já que nenhuma das mulheres do seu andar tinha parecido tão empolgada quanto agora com o ”Evento do Hall” que ela tinha organizado no começo do ano. Aquele evento não era para ser um encontro de casais e muita gente não conhecia uns aos outros ainda. Mas agora já tinha passado muito tempo daquele ano para que eles começassem a ficar empolgados com os eventos sociais. Ela sabia que deveria estar agradecida pelo entusiasmo estar alto para o evento dessa noite. Tão logo ela entrou em seu quarto, Katie permaneceu na frente do espelho com a toalha ainda enrolada em volta da sua cabeça. Uma erupção de remorso por estar correndo risco veio sobre ela. E se essa for uma das coisas mais precipitadas que você já fez? E se não for? E se você acabar gostando disso? Só tem uma maneira de descobrir. Mas ainda não. Ela virou as costas para o espelho, procurando ao redor pelo seu secador e se apoiou na cintura enquanto secava a parte de baixo do seu cabelo primeiro. Levantando-se e dando uma pequena balançada na cabeça, ela rapidamente secou o restante do seu cabelo sacudindo-o desordenadamente. Ela queria que ele parecesse despojado quando virasse. Desligando o secador e respirando profundamente, Katie soltou um ”ta-rã” otimista e virou. O que ela viu no espelho a chocou. Seu cabelo estava maravilhoso. Ela amou. A identidade ruiva dela ainda era dominante, mas as luzes deram um destaque beijado de sol, um toque loiro que clareou o semblante dela e acentuou o seu rosto brilhante, graças à máscara verde. - Eu não acredito, ela murmurou. Eu fiz alguma coisa que deu certo. Eu amei meu cabelo! Esse momento, não importava o quão pequena era a vitória, não era para ser desperdiçado. Katie se vestiu rapidamente, se divertiu um pouco com a sua maquiagem e então se levantou de novo e tirou uma foto de si própria com o seu telefone celular. Ela enviou a foto para Cris com uma mensagem de texto dizendo: ”Eu clareei o meu cabelo. Amei!!!” Katie olhou no relógio e percebeu que as suas pequenas vitórias continuavam. Ela estava pronta e estava adiantada. Subitamente, ela era uma mulher com opções. Ela poderia ir ao salão de entrada e ajudar caso os seus companheiros AR‟s encarregados do evento precisassem dela. Ela poderia tirar um super cochilo. Ela

poderia checar o seu e-mail. Ela poderia passear corredor abaixo e ver quantos elogios receberia pelo seu novo look. Isso era ótimo. A vida era doce. Katie não se lembrava da última vez em que se sentira assim. Com um sorriso para si própria no espelho, ela pensou: Talvez o beijo de Rick na noite passada realmente tenha me tornado uma princesa. O pensamento a encantou, assim como a lembrança do beijo dele. Já era quase a octogésima vez que ela pensava sobre isso. E todas as vezes que ela considerava o jeito que ele tinha sido tão romântico beijando-a, Katie sorria. O sorriso se formava apenas nos cantos dos seus lábios fechados. Um sorriso de Monalisa. Como Monalisa, Katie tinha um segredo. Um segredo delicioso. Um segredo que ela eventualmente revelaria a Cris. Mas no momento, o segredo dela não estava diluído. Era somente dela. Dela e do Rick. Eu queria saber se o Rick já contou para alguém. Os rapazes fazem isso? Para quem ele poderia contar? Eli? Ted? E se ele tiver contado para o seu irmão ou para os seus pais? Eles vão me olhar de maneira diferente quando me virem no dia de Ação de Graças? Katie decidiu que ela definitivamente deveria contar para Nicole. E para Julia. Esse seria um bom momento da vida dela para compartilhar com Julia e comemorar de alguma forma. Oh, e Trícia. Trícia ficaria sabendo eventualmente, já que Rick, Ted e o marido de Trícia, Douglas, eram tão próximos. Trícia deveria ouvir essa novidade de Katie antes de ouví-la de Douglas. E Selena! Eu deveria mandar um e-mail para ela no Brasil e contar a ela. Quanto tempo eu tenho agora? Checando o relógio na escrivaninha outra vez, Katie decidiu esperar para enviar o e-mail a Selena. Ela avançou para um dos botões de rosa branca e tirou-o do vaso. Seria divertido usar a rosa de alguma forma esta noite, mesmo que fosse somente uma noite da pizza e não uma noite de baile. Katie tentou descobrir uma forma dela poder afixar a flor no seu cabelo. Não deu certo. Ela tentou atrás da orelha, no estilo havaiano. Não ficou bom. Entre os dentes, no estilo de uma dançarina latina de flamenco? Ela ergueu as suas mãos de lado e bateu-as duas vezes, pisando no salto do sapato dela para dar ênfase. Não. A rosa foi levada de volta para o vaso e Katie foi para fora do quarto. Passeando corredor abaixo, ela bateu na porta de Nicole e encontrou a sua companheira de andar no meio de uma tentativa na qual Nicole chamava”Possibilidade de roupa número quatro. Não, número cinco.” Vendo as opções empilhadas na cama de Nicole, Katie disse: - Agora, é por isso que eu estou subitamente contente por ter um guarda-roupas minimalista. Eu levaria umas seis horas para vasculhar todas as combinações que você tem aqui.

Nicole puxou uma camiseta branca sobre a sua cabeça e, enquanto fazia isso, ela notou o cabelo de Katie. - Katie, o seu cabelo! Eu amei! Quando você teve tempo para fazer isso? - Eu fiz uma hora atrás. - Você mesma fez? Eu estou impressionada. Está deslumbrante. - Obrigada. Katie virou-se para olhar a sua imagem no espelho de Nicole. No reflexo, ela viu Nicole alisando os lados da camiseta branca e olhando pensativa. - Você acha que essa camiseta está muito sem graça? - Não se você a usar com uma de suas jóias divertidas. E quanto a um de seus colares de conta? - Ótima idéia. Nicole correu para a parede próxima à sua escrivaninha onde todos os seus acessórios estavam pendurados em uma ordenação fashion, parecendo mais uma peça de arte tridimensional do que um espaço útil para guardar coisas. - Experimente o vermelho. Ou o turquesa com prata. Katie sugeriu. Ela deu um passo à frente e tirou um dos colares do gancho. Esse é fofo. Você se importaria de me emprestar? - Claro que não. Ele vai ficar ótimo com a sua blusa azul. O que você acha desse? - Fantabuloso12. Nada que você deva se preocupar. Você sempre fica ótima. E, além disso, Eli é do tipo de cara de estilo discreto, assim você não precisa se sentir como se você estivesse tentando impressioná-lo. Nicole deu a Katie um sorriso apreciativo. - Obrigada por me arranjar com ele. Eu ainda sinto que isso é humilhante, mas pelo menos eu tenho um acompanhante. Estar com você e com o Rick vai tornar isso divertido. - Vai ser definitivamente divertido. Você já está quase pronta? - Já. Deixe-me encontrar meus sapatos e escovar meus dentes. Não vai demorar muito. Você pode ir à frente. Eu não quero fazê-la se atrasar. - Não vou me atrasar. Eu estou adiantada. Nicole chegou o seu relógio. - Está mesmo! - Eu sei. É como a noite do universo alternativo de Katie. Meu cabelo ficou ótimo, eu gosto do que eu estou vestindo e eu estou adiantada. Isso nunca acontece. Com uma balançada nas pontas dos seus cabelos, Katie disse: Eu acho que eu vou saltar a caminho do salão de entrada e talvez cantar uma pequena canção. Terra de contos de fadas combina comigo, não acha? - Definitivamente. Se minha mãe estivesse aqui agora, ela diria que o Senhor está
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Neologismo da Katie. Fantástico com fabuloso.

abençoando-a e ela citaria Tiago 1:17. - Por que Tiago 1:17? - Diz, „Tudo de bom que recebemos e tudo o que é perfeito vem do céu, vem de Deus, o Criador das luzes do céu‟. - E porque sua mãe citaria esse versículo bem agora? Katie sabia que o pai de Nicole era pastor, então não era incomum que Nicole tivesse crescido com versículos bíblicos como uma parte de sua vida diária. Contudo, Katie não estava certa do que esse significava. - Minha mãe sempre cita esse versículo quando as coisas vão bem. Ela diz que nós devemos apreciar todos os presentes que Deus nos dá, inclusive os momentos divertidos com amigos e até mesmo „noites de cabelo bom‟. Katie queria contar a Nicole sobre certo presente ”bom e perfeito” que ela tinha recebido na noite passada na forma de certo beijo de certo Príncipe Encantado. Ela se segurou, contudo. Elas não tinham muito tempo. Esse assunto seria mais bem conversado quando tivessem mais tempo de discussão disponível. - Eu estou indo na frente, Katie disse. Vejo você em alguns minutos. Sentindo-se radiante enquanto entrava no salão principal, a primeira pessoa que Katie viu foi Eli. Ele sorriu quando a viu. O cabelo dele não estava desgrenhado como o usual. Ele parecia limpo, do jeito que ele estava no casamento de Cris e Ted, quando Katie o encontrara pela primeira vez. - Rick deve estar aqui em alguns minutos, Eli disse. - Nicole também. Aqui, quero dizer. Ela está vindo. Também. Eli acenou com a cabeça enquanto Katie respirava e tentava dizer ao seu cérebro que ela realmente precisava lembrar-se de usar frases completas quando ela estivesse próxima desse cara. - Eu tenho uma pergunta para você, Eli disse. - Ok. Raios! Isso ainda foi uma única palavra. - Rick me contou sobre a confusão com o buquê que foi entregue aqui. - Sim, foi uma confusão enorme. Deu tudo certo no final, graças ao Rick. Aí. Agora você soa normal. Continue normal. - Quando você me ligou outro dia, você estava tentando ver se era eu que tinha lhe enviado as flores? - Mais ou menos. Eu estava pescando pistas. Eli inclinou-se para frente e olhou para ela mais intensamente. - Por que você pensaria que era eu que tinha enviado as flores para você? - Por causa do cartão. Rick te contou o que ele dizia?

- Não. - Ele dizia, „Obrigado por dizer sim‟. Eu pensei que talvez isso significasse sim para ir ao deserto, o que foi maravilhoso, a propósito. Eu fiquei pensando sobre todas aquelas estrelas, como alguns minutos atrás quando Nicole estava citando para mim um versículo sobre como bons presentes vem do Pai das luzes do céu, eu imediatamente vi uma imagem na minha mente de todas aquelas estrelas . Eu disse ao Rick que nós precisamos sair e ir até lá. Quero dizer, ele e eu estamos saindo, óbvio, mas eu quero dizer sairmos para ir ao deserto algum dia. Eli acenava com a cabeça, compreendendo as frases rápidas de Katie. Ok, agora você está usando palavras demais. Diminua um pouco. O salão de entrada estava se enchendo de gente rapidamente e o volume das conversas estava aumentando. Katie olhou para a porta esperando por Rick e então virava na outra direção para ver se Nicole estava chegando. Quando ela virou de volta para Eli, ele parecia estar estudando-a com o seu olhar penetrante. Em um esforço para agir como seu eu ”normal”, Katie formou um retângulo com o polegar e o indicador nas duas mãos. - Tire uma foto, amigo. Dura mais. - Mais que o quê? - Mais do que encarar. Você estava me encarando. - Desculpe. Um velho hábito. De uma árvore. Quando eu era uma criança. Agora era Eli quem estava com frases parciais. Katie inclinou a cabeça, esperando uma explicação. - Em Zâmbia? Ele acenou confirmando. - Nós morávamos em um complexo, um lote com várias casas. Havia uma grande árvore que era perfeita para escalar. Era bem próxima do posto de saúde. Eu costumava me esconder lá, assistindo todas as pessoas irem ao posto. Eu podia me esconder lá por muito tempo antes de alguém me notar e me dizer para descer de lá. - Bem, aqui vai uma pequena sugestão amigável, se você não se importar de eu lhe dar. A maioria das garotas não gosta de ser estudadas. Então esta noite, enquanto você estiver com Nicole, tente se lembrar de que você não está em cima de uma árvore. Você estará com a minha amiga e ela é maravilhosa e nós teremos um bom momento juntos, então você pode apenas relaxar. - Entendi, Eli disse. Katie olhou através da multidão procurando por Nicole e então para a porta da frente procurando por Rick. - E se nós tivermos um sinal? Eli perguntou.

- Um sinal para quê? - Esta noite, se você me vir agindo como uma estranha criança da África, você pode me dar um sinal para eu perceber. Quando Katie olhou para Eli, ela percebeu pela primeira vez que ele poderia estar nervoso sobre esse encontro. Ela sabia que se ela estivesse nesta posição, sobre ir a um encontro às escuras, ela estaria nervosa também. Katie nunca apreciou ser a sobra que seria arranjada com os amigos de outras pessoas. Especialmente de última hora. Sua empatia por Eli cresceu. - Ok, ela disse. Aqui está o meu favorito. Está pronto? Katie coçou a sobrancelha direita e jogou o cabelo para trás. - Vá em frente, Eli disse. Qual é o sinal? - Aqui está. Ela fez de novo. - Pareceu algo tão natural. - Bem, Einstein, esse é o ponto. Você não quer um sinal com esse. Ela bateu em seu ombro direito duas vezes e, com três dedos, bateu em seu antebraço. Eli riu e em um profundo suspiro, ele pareceu relaxar totalmente. - Você joga baseball, não joga? - Softball, normalmente. E você? - Eu cresci jogando futebol. Beisebol está na minha lista de esportes para experimentar enquanto eu estiver aqui. Eu ainda não tive oportunidade. - Nós temos que ver o que podemos fazer para mudar isso. Eu estou louca, há muito tempo, por um bom jogo no campo de baseball. Não há nada melhor do que um grande jogo de softball num sábado à tarde. Exceto no verão. É quando os jogos noturnos são os melhores. O ar é muito bom e o jeito que a terra se levanta das bases nos holofotes, é como... Antes de Katie terminar a sentença ela viu Nicole timidamente parada atrás de Eli, esperando que Katie terminasse. - Oh, ei. Nicole está aqui. Bom. Nicole, este é Eli. Eli conheça a Nicole. Nicole estava ótima. Os modos dela eram perfeitos. Ela veio casual e com uma roupa fresca e Eli compreendia cada palavra que ela falava, inclinando a cabeça e escutando cuidadosamente. Quando pareceu que ele estava caminhando para ser tornar um pouco mais focado, Katie deu alguns passos e parou bem atrás de Nicole. Ela passou a mão sobre sua sobrancelha e jogou os seus cabelos para trás. Eli captou a dica de Katie e respondeu com um sinal à altura. Ele alisou o seu cavanhaque com o polegar e o indicador. Pelo menos Katie pensava que era um sinal de retorno. Foi bonitinho. Se fosse o seu sinal de ”Okay”, Eli o transmitiu sem esforço e sem tirar os olhos de Nicole. Mas a sua postura relaxou e ele pareceu menos intenso, o que era bom. Katie olhou em volta e viu Rick parado há mais ou menos duzentos metros de

distância e olhando na direção dela com um grande sorriso no seu rosto bonito. Katie piscou para ele, como se isso fosse seu sinal especial de olá para ele. Sua ”piscada de Monalisa”, como ela resolveu chamá-lo. Rick não piscou de volta. Ela levantou a sua mão em um pequeno aceno e Rick pareceu mover o seu olhar de Nicole para Katie. Ele levantou a mão e acenou para ela vir até onde ele estava. Meu príncipe chegou.

Capítulo 14
- Você parece ótima, Rick disse. - Você também. Katie colocou a mão na de Rick. Com um gesto discreto, ele perguntou: - Como estão indo aqueles dois? - Muito bem na verdade. Eu acho que Eli estava nervoso. Foi fofo. - Ele estava nervoso, tudo bem. Aparentemente ele não tem tido muitos encontros desde que se mudou pros Estados Unidos. E a Nicole? Estava nervosa também? - Até que não. Ela mudou de roupa várias vezes até decidir o que usar. Mas isso é normal. Especialmente quando você tem várias opções para escolher como ela tem. Rick parecia estar estudando Nicole enquanto Katie falava. - Ela fez uma boa escolha. Está fantástica. Katie deu um passo atrás e deu a Rick um olhar curioso. - O que? Ele perguntou, vendo a expressão dela. - Se eu não soubesse bem, eu diria que você a está checando de mais. - Eu só estou dizendo que ela fez uma boa escolha. Você disse que ela mudou várias vezes. - Eu sei. OK, vamos lá. Katie puxou Rick pelo salão lotado, ansiosa em deixar para trás esse assunto antes que ela e Rick começassem uma discussão. - Eu tenho que fazer um anúncio. Katie fez seu caminho para o centro do salão e teve a ajuda de Rick para subir na mesa de café. - Ok, todos, escutem! Como a conversa não parou, Katie colocou os dois dedos nos lábios e deu um assobio. Isso chamou a atenção. - Obrigada! Oi, Sejam Bem Vindos! Se vocês estão aqui pela Noite da Pizza de Casais, estão no lugar certo. Se vocês estão para o estudo da turma 101 de Biologia, vocês não estão no lugar certo. A piada dela não surtiu muito efeito então Katie decidiu ir direto ao ponto. - Ok, então assim será nossa noite. Talita e sua tropa estão do outro lado na cafeteria preparando tudo para nós irmos como um time fazer pizzas. Todos precisam ter um time de 4 pessoas. Se você não tem 4 no seu grupo ainda, você tem a chance de achar outro casal mas... Espera! Escutem! Não tentem achar os

pares ainda. Deixe-me terminar as instruções primeiro. As vozes no local cheio continuavam a aumentar então Katie teve de assobiar de novo. Ela olhou a expressão de Rick, ele não parecia ter gostado. Ela guardou a expressão de desaprovação dele. - Então todos irão caminhar até a cafeteria e ficar em grupos de 4 pessoas. Cada grupo terá a massa de pizza, molho e queijo na mesa. Então vocês poderão selecionar no máximo 5 recheios e irão fazer suas pizzas o mais criativo que cada um puder. Seu grupo irá comer sua própria pizza, então não coloquem nenhum objeto estranho. - Como um sapato! O comentário veio de Vick e estava ligado a uma piada interna entre ela e Katie. Estava se referindo ao incidente do ano anterior quando Katie colocou um sapato de Vick em um forno. A forma que todos riram parecia que mais pessoas sabiam sobre o incidente com o sapato. - Continue, Katie. Julia estava do outro lado de Katie e mencionava que ela podia completar as instruções antes de se perder na multidão. - As pizzas serão premiadas por categoria então se divirtam, escolham seus grupos de 4 pessoas, e é isso. Vocês podem ir para a cafeteria agora. A agitação de vozes imediatamente cresceu assim que Katie terminou de falar e desceu da mesa de café. - Por que eu aceitei fazer isso? Ela perguntou a Rick. Talita poderia dar as instruções. - Sim, mas a Talita conseguiria assobiar como você? Rick perguntou. - Provavelmente não. - Então eu acho que você tem a resposta. Vamos tentar achar Nicole e Eli antes que eles sejam atropelados. Rick fez um caminho pelas pessoas se movendo até onde estavam Eli e Nicole onde Katie os deixou. Nicole parecia um pouco frustrada, mas se iluminou quando viu Rick e Katie. Os quatro andaram pelo campus com Rick conduzindo a conversa. Eles entraram na cafeteria e acharam uma área aberta com os ingredientes básicos para pizza deles. Alguns grupos já estavam colocando calabresa, azeitonas e vários outros recheios. Eles se posicionaram em volta da mesa e olharam um para o outro. - Eu pensei que poderíamos fazer uma grande face feliz, Katie disse. Vocês sabem, olhos de calabresa e... - Ou, Rick disse, nós podemos focar em fazer a mais gostosa já que nós vamos comê-la. - Mas é uma competição de formas, Katie disse. - E nós temos que comê-la, Rick repetiu. Dois olhos de calabresa para quatro

pessoas não é uma boa escolha. - E se nós tentarmos fazer uma fofa e deliciosa? Nicole perguntou. Nós podemos tentar fazer uma forma única. Não precisa ser redonda, precisa? Nós podemos fazer de uma forma diferente, como uma casa. - Uma casa? Katie repetiu. - Nicole chegou no ponto, Rick disse. Talvez não uma casa, mas alguma outra coisa. Gostei como você conduziu, Nicole. Katie sentiu como se estivesse virando uma grande produção maior do que ela esperava. Ela tinha um dono/chef de um café em seu time com uma grande criatividade. Virando para Eli ela disse: - O que você acha? - Eu não sou um expert na área, então eu vou deixar vocês me dizerem o que precisam que eu faça. Rick puxou para cima suas mangas. - Me deixe lavar as mãos e eu irei trabalhar na massa. Vocês vejam qual recheio nós podemos usar. Peguem cogumelos, lingüiça e cebolinha, se eles tiverem alguma. Nós precisamos disso, o gosto é muito bom. Rick saiu do restaurante e Katie virou para Nicole. - Cebolinhas? - São como pequenas cebolas. Você quer que eu vá buscar os recheios? - Ótima idéia, Katie disse. Para surpresa dela, Eli não seguiu Nicole e Nicole não pareceu notar que não havia ninguém com ela. - Então, Katie disse, Como está indo com Nicole? Eli parecia muito mais relaxado do que mais cedo. Ele não deu nenhuma resposta. Ao invés ele disse: - Seu cabelo está ótimo. Katie já havia esquecido que descoloriu o cabelo. - Oh, obrigada. Ela lembrou que Rick não disse nada. Ele geralmente era bem atencioso, mas aparentemente ele não havia notado. Quando ele voltou e colocou as mãos na massa, Katie disse: - Você notou meu cabelo? - Eu notei, parece bom, ele disse, a atenção dele estava na massa. - Nós podemos decidir o formato da pizza? Nicole chegou cheia de coisas para o recheio. - Eu tive uma idéia. E se nós a fizermos retangular como um quadro? Vocês

sabem, muitas azeitonas em volta para fazer uma moldura. Então nós podemos fazer um quadro com todos esses diferentes recheios. - Você diz uma foto da Monalisa? Katie perguntou. Nicole riu. - Eu não sou tão ambiciosa! Eu estava pensando em algo simples como uma paisagem. Katie não tinha pegado a visão, mas Rick parecia estar na mesma linha que Nicole. Ele habilidosamente colocou a massa na forma retangular e fez as bordas enquanto Nicole colocava as fileiras de azeitonas. Eli e Katie assistiam. - Isso é ruim, nós não podemos usar essa pasta ao invés de molho de tomate, Rick disse. Nós podemos fazer uma paisagem mais realista com uma base de verde. Esse espinafre irá servir bem, para o topo da árvore. Boa escolha com o espinafre. Katie queria rir, mas manteve a vontade pra si mesma. Nunca em um milhão de anos ela esperaria ver Rick trabalhando em uma pizza, ainda mais como ele era, fazendo uma árvore com lingüiça e dizendo a Katie para „trabalhar com os cogumelos‟ para fazer com que eles pareçam flores. - Por que eles não podem ser apenas o que são? Um monte de cogumelos? Rick estava decidido a fazer o design para Nicole, que tinha uma faca apenas pro caso de precisar cortar a calabresa em formas especificas. - Eu vou procurar alguma coisa pra gente beber, Katie disse. Toda essa criatividade está me dando sede. - Eu vou com você, Eli disse. Os dois passaram pelo resto dos outros grupos e pararam ombro a ombro para ver o que estava acontecendo. A maioria deles estava apenas colocando o molho numa não tão redonda pizza e colocando a calabresa de uma forma não tão criativa ou escrevendo suas iniciais com azeitonas. - Olha lá. Eli apontou para o grupo de Vick no final da mesa. Segunda carinha feliz que eu vejo. - Ok, então eu não sou original. Ele parou Katie e olhou para ela com um olhar intenso. - Sim, você é. Você definitivamente é original. - Ok, ela disse vagarosamente. Eu sou original. Mas minha decoração de pizza não parece. Eles estavam próximos à máquina de refrigerante e Eli estava pegando copos com gelo. - Nós podemos ir lá e pegar bebidas para todos. O que você acha? - Certo. Pode ser uma coisa boa a fazer. Ela procurou por uma bandeja de

cafeteria e cada um deles encheu as bandejas com copos cheios de gelo e refrigerantes. Eles andaram em volta, oferecendo as pessoas uma bebida. Katie gostava de fazer esse tipo de coisa. Isso dava a ela a chance de interagir com todos. Eli parecia gostar de servir bem. Ele não tinha muito a dizer para todos, mas ele conhecia mais pessoas do que Katie e ele se lembrava de todos pelo nome. Os dois fizeram uma segunda rodada de bebidas. Quando eles chegaram de volta na mesa deles, Rick e Nicole estavam prontos para alguns copos de refrigerante. - Isto irá caber no forno? Katie perguntou, porque a pizza deles era a maior da mesa. - Sim. Rick passou o braço pelos ombros de Katie. Espere para ver nosso prêmio de maior pedaço. - Melhor ainda, Nicole adicionou, Espero para ver Julia e Greg e os outros jurados virem isso. Eu acho que nós já ganhamos a competição fora da cozinha. Rick riu e levantou seu copo plástico para brindar com Nicole pela grande contribuição dela. Os dois brindaram. Katie virou para Eli, para incluí-lo no brinde. Enquanto Katie bebia um pouco de seu refrigerante, ela notou que Rick estava com o seu antigo sorriso de flerte para Nicole. Ele continuou com o braço em volta de Katie e estava deixando claro que eles estavam juntos, mas o seu sorriso para Nicole estava um pouco demais na opinião de Katie. No começo da semana Katie tinha pensado calorosamente do fato de que Rick era muito mais seu agora do que na época da escola. - Bem na hora para checar nossa pizza, Rick disse pegando seu celular que estava tocando. - Você colocou um alarme? Katie perguntou. - Sim, não quero que nossa pizza queime. Vamos. Os quatro deixaram a mesa e foram para o forno numero 6 do Crown Hall, os ajudantes da cafeteria estavam com grandes pás de tirar pizza do forno. - O tempo dessa já está bom, Rick disse, estando um pouco mais alto e esticando o pescoço para ver o que estava acontecendo nos outros fornos. É, parece que nós vamos precisar de 3 minutos ou mais. Apenas para assar mais as bordas. Nenhum dos outros estudantes estava dando direções especificas de cozimento para os outros ajudantes. Pelos olhares dos outros, eles perceberam que estavam sendo exigentes. Uma das pizzas não teve todo o queijo derretido. Os juízes estavam colocando seus comentários e, graciosamente, Julia disse que a pizza precisava voltar ao forno. Depois de tudo, Katie viu que o evento tinha ido muito bem. Todos estavam se divertindo e este era o objetivo. Todos exceto Nicole e Eli. Não que Nicole tivesse que dar atenção somente a ele, mas afinal era um encontro. Os quatro assistiram sua pizza retangular sair do forno parecendo muito boa.

Quando a pizza estava pronta para os jurados olharem, todos olharam e sorriram. Rick mumurou: - Nós estamos prontos pra vocês. Ele virou para Nicole e bateu em uma de suas mãos como um jogador de basquete. Os dois agiram como se praticamente a vitoria já fosse deles. O que está acontecendo aqui? Katie tentou dar a si mesma alguma perspectiva. Ela lembrou a si mesma como ela tinha ficado chata durante o verão quando Carley ganhou atenção extra de Rick. Carley depois disse que ela estava fazendo um jogo para ver se ela poderia fazer Rick notá-la e isto era pra aborrecer Katie. O ideal de Carley era inusitado e nasceu quando Katie considerou que ela era insegura. Os esforços de Nicole para conseguir a atenção de Rick não vinham do mesmo lugar. Ela não era como a Carley. Eu estou sendo muito sensível? A Nicole está apenas tentando se ajustar e ter um tempo divertido e eu estou interpretando as intenções dela com Rick de forma errada? Então, o que tem de mais se eles tiveram um momento legal de comprimentos de vitória? Katie lembrou a si mesma que ela e Eli também tinham um sinal secreto que eles inventaram antes do evento. Ainda, o gesto de Rick e Nicole não tinha incluído ela. Nicole poderia brindar com Eli e bater as mãos com ele. Tentando afastar esses pensamentos incômodos. Katie foi para perto de Rick enquanto estava dando a bandeja com a pizza finalizada para os juízes. Os quatro estavam livres para voltar pra mesa deles e mergulhar em sua criação. Com Katie ao seu lado, Rick fez seu caminho mais longo até a mesa. Foi engraçado ver todos pegando seus pedaços de pizza simultaneamente e enfiando tudo na boca. Oh, meu namorado competitivo! Você me mata! O processo de cozimento tirou um pouco as cores de sua moderna paisagem. As fatias de cogumelos haviam ondulado agradavelmente e alguns deles não pareciam flores. O tronco da arvore, feito de lingüiça, ficou bem marrom e as folhas de espinafre ficaram bem com os pedaços de tomate imitando as maçãs. Era uma paisagem surreal, mas funcionou bem. - Eu tenho que cortar isso, Nicole disse enquanto os quatro estavam sentados com a pizza na frente deles. Todos que passavam comentavam, incluindo acusações contra Nicole de que ela havia trazido um especialista para ganhar a competição. - Ele não está comigo, Nicole disse, olhando em volta como se ela estivesse acabado de lembrar que ela tinha saído com Eli naquela noite. Rick é namorado da Katie. Depois de muito tempo temos que relembrar esse fato significante, eu estou pronta para colocar minha apreensão de lado e não deixar que nada de louco aconteça.

Nicole sorriu para Eli, que estava sentado do outro lado da mesa em frente a ela e disse: - Obrigada por ter trazido bebidas pra nós Eli. - Era o mínimo que eu podia fazer para uma artista tão focada, ele disse. Nicole levantou de seu lugar do outro lado de Rick e deu a volta na mesa onde Eli estava sentado sozinho. Ele parecia feliz que eles tivessem esse encontro e Katie poderia se acalmar e finalmente sentir pronta para aproveitar o encontro duplo deles. - Quem quer ter a honra de cortar o primeiro pedaço? Rick perguntou. - Espere! Katie disse. Nós devemos tirar uma foto primeiro. Onde está seu telefone com câmera? Rick pegou o celular e tirou varias fotos. Ele tirou uma de Eli e Nicole parados lado a lado sorrindo. Katie pensou que eles faziam um belo casal. Ela desejou que Nicole pensasse a mesma coisa quando visse a foto. Nicole, no entanto, não pareceu ter sentimentos por Eli de uma forma ou de outra, mesmo depois de Rick ter enviado a foto por e-mail no sábado de manhã. Ela e Katie estavam dirigindo pela cidade para comprar algum ”bom” café na Bella Barista quando Katie começou a falar da Noite da Pizza de Casais com Nicole. - Então quais foram seus pensamentos sobre Eli? Katie perguntou. Nivole virou para ela, fez uma cara de ”mais ou menos” e manteve os olhos na estrada. - Ele é um cara profundo e cuidadoso, Katie disse. Você deveria ver como as pessoas reagiram com ele quando nós estávamos distribuindo as bebidas. Ele conhece cada um do campus e todos pareciam respeitá-lo. - Ele é um cara legal, Nicole disse. - Mas... - Mas ele não é muito meu tipo. - O que é seu tipo? Mais como o Rick, certo? Nicole sorriu para Katie com um pouco de pânico ou outra coisa menos tranqüila em sua expressão. - Eu acho o tipo do Rick ótimo, Nicole disse rapidamente. Ele é doido por você. Ele não teria um irmão? Katie sentiu seus ombros relaxarem. - Sim, de fato, Rick tem um irmão. - Ele tem? - O nome dele é Josh e, quer saber? Não é uma má idéia afinal! Eu posso ver você com o Josh. Eu estava mesmo para te chamar para ir ao Jantar de Ação de Graças na casa dos Doyles. Isso seria otimo! Você gostaria de vir?

- Você tem certeza que está tudo bem com os pais do Rick? - Sim. Ele já perguntou a mãe dele. Ele está convidando Eli e eu estou convidando você. Nicole sorriu para Katie de novo. - Eli também vai? - Sim, apenas porque Rick o convidou. Eu nem sei se ele vai mesmo, mas foi convidado, assim como você. Você ficaria desconfortável se ele fosse? Eu digo, você não viria para o Jantar de Ação de Graças porque o Eli poderia estar lá? - Não, não, não. Eu realmente estou tentando não fazer um grande caso com isso, Katie. Desculpe se pareceu isso. Eu apenas sinto que Eli não é pra mim, sabe? Ele chegou de uma forma muito intensa, antes quando você falava dele, ele não parecia complicado. Eu gosto de caras mais complexos, sabe? Mais misteriosos. Katie pensou sobre a forma que Nicole falou de Eli. Ele era roceiro. Katie apreciava isso nele. Ela gostava que Rick vestisse camisas sofisticadas, mas ela também gostava da forma que Eli vestia as camisas que pareciam como se elas tivessem uma longa jornada. Ela gostava da forma que Rick parecia sempre bem e seu cabelo estava sempre bem cortado, mas ao mesmo tempo algo sobre a forma desarrumada de Eli a faziaela sentir como se não precisasse checar sua própria aparência antes de começar uma conversa com ele. A forma relaxada de Eli dava a Katie a liberdade de ser igualmente relaxada. - Homens misteriosos estão em falta, Katie disse. Rick é um contínuo enigma e eu posso te dizer que esse não resolvido quebra cabeça de sua mente é exaustivo. Bem, não exaustivo. Desafiador seria uma palavra melhor. Rick me deixa caidinha. Ele me deixa sonhando. - Eu amo isso num relacionamento, Nicole disse. Não que eu já tenha tido muitas experiências, mas eu gosto de surpresas. - Josh pode ser como o Rick nesse departamento. Eu não o conheço muito bem. Eu vou dizer ao Rick que você irá no Jantar de Ação de Graças e ele terá a chance de preparar o Josh. - Não! Não diga nada sobre me apresentar ao irmão dele! Por favor! Eu honestamente acho que isso foi o grande impedimento pros meus sentimentos com o Eli. Desde o inicio era uma armação e nós dois sabíamos. Eu acho que saber disso parece que estou desesperada por um encontro e isso acaba deixando o nosso carisma meio de lado, sabe? Katie concordou. Ela estava entendendo mais fácil agora como as coisas aconteceram na noite passada. Katie já esteve em encontros como esse e ela sabia exatamente o que Nicole estava dizendo. Elas entraram no estacionamento do shopping e Nicole estacionou. As duas entraram no Bella Barista, que estava cheia por ser um sábado. Enquanto elas esperavam na caixa registradora, Katie lembrou como Rick havia

beijado ela na primeira vez que estiveram lá e então como ela havia devolvido o beijo na outra vez quando ela pagou. Essa pequena lembrança, em frente à caixa registradora do Bella Barista, era sempre um pensamento mágico pra ela. Rick não havia beijado ela nos lábios, mas isso estava bom para Katie. Eles haviam transformado isso em parte de seu relacionamento devagar por vários meses e agora ela sentia como se cada beijo não dado tivesse um grande valor e pudesse ser guardado como uma moeda de ouro. Se ela tinha algum problema sobre Rick não dar a atenção devida para ela na noite passada, todos esses pensamentos foram embora enquanto ela se lembrava do beijo ali na cafeteria. A única pequena imagem que não deixava sua cabeça foi o que aconteceu enquanto os vencedores da Noite da Pizza eram anunciados. Todos pareciam saber que os vencedores seriam Rick, Katie, Nicole e Eli. Então quando Greg chamou seus nomes, mesmo Katie estando ao lado de Rick, em frente a todos, Rick foi até Nicole primeiro e a cumprimentou com um abraço da vitória. Foi um abraço rápido sim, bem merecido para Nicole que havia feito o design da pizza. Mas Katie ficou lá parada sozinha perto de Eli. Os dois deram um ao outro embaraçosos tapinhas nas costas, enquanto eles sorriam um para o outro. Katie esperou Rick voltar. Quando ele voltou, ele deu a ela um abraço da vitória enquanto todos olhavam e aplaudiam. Foi fofo, engraçado e romântico. Katie preferiria é claro que Rick tivesse abraçado a ela primeiro. Ela não imaginou que ele abraçaria Nicole. Katie apenas queria que ela fosse a primeira com Rick quando haviam varias pessoas em volta. Isso, ela decidiu, enquanto pediu outro chá de jasmim, sempre seria um desafio com Rick, seu quebra cabeças favorito. Ela tinha o sentimento de que nunca teria uma forma completa de entendê-lo. Era melhor deixar as coisas andarem de forma que estavam e não mudar ou reclamar sobre a maneira do relacionamento deles. O ponto era, ela cresceu, se importava com seu relacionamento que ela sempre quis ter com Rick e mesmo com todos esses obstáculos em potencial, estava funcionando. Por que isso estava mexendo com ela?

Capítulo 15
Katie tinha duas conversas pendentes e, na terça-feira de manhã, ela sabia que era melhor tentar ter essas conversas antes do feriado de Ação de Graças que era apenas daqui dois dias. A primeira conversa era com Julia, com quem Katie tinha concordado em falar após o jogo de softball delas e a segunda conversa era com Cris. Ela precisava contar a Cris sobre ter beijado Rick. Katie não tinha que contar a sua melhor amiga, mas ela queria. Ninguém sabia ainda. Em certa ocasião, ela considerara se abrir para Nicole; entretanto, depois da estranha noite de pizza, Katie decidiu que contraria primeiro a Cris e depois deixar Nicole a par das novidades. Fã da frase que dizia ”matar dois coelhos com uma cajadada só”, Katie marcou um horário para se encontrar com Julia às quatro da tarde de terça-feira e depois, após pegar o carro de Nicole emprestado, iria se encontrar com Cris assim que ela saísse do trabalho às cinco. O que Katie não contava era com o fato de que o carro de Nicole precisaria levar alguém ao aeroporto. Katie encontrou Julia no quarto dela às quatro e começou a ”vender seu peixe.” - Você gostaria de ir ao Ninho da Pomba para comer algo? Eu pago. Eu até pago a gasolina porque, na verdade, eu planejava encontrar a Cris, mas o carro que eu iria pegar emprestado não está disponível. - Sem problema, Julia disse. Deixa eu dizer ao Greg onde estou indo. Ele está dispensando muitos estudantes mais cedo para o feriado de Ação de Graças, e eu disse que o ajudaria se ele ficasse sobrecarregado. - Muitos deles estão indo pra casa mais cedo. Eu estou sentindo que as aulas amanhã terão pouquíssimos alunos. Eu me pergunto por que eles não cancelam todas as aulas de quarta? - Eu me lembro de me fazer a mesma pergunta quando era aluna, Julia disse. Você está pronta pra irmos? - Pra casa? - Não, quis dizer se estava pronta para ir ao Ninho da Pomba. Eu estou pronta se você estiver. Várias pessoas as pararam para fazer alguma pergunta rápida ou só mesmo pra conversar enquanto elas passavam pelo saguão do Crown Hall e iam para o estacionamento do lado de fora. Julia tinha um básico Sedan quatro-portas azul e a capa dos bancos era de flores havaianas azuis e brancas. - Como está sendo pra você ficar sem carro? Julia perguntou. - Só tem uma semana e meia, e eu já me sinto desamparada, Katie disse. Eu

estava planejando ir à igreja no domingo, mas acabou dando numa confusão. Eu disse ao Rick que o encontraria lá, e aí a Nicole não podia ir porque ela tinha um trabalho enorme para fazer para segunda-feira. Mas ela já tinha emprestado o carro para outra pessoa. Na hora que eu descobri isso tudo, já era tarde demais para Rick vir me buscar e ainda conseguirmos chegar a tempo na igreja, daí eu apenas fiquei aqui no campus e fui tomar café da manhã. Ninguém vai tomar café da manhã aos domingos, você sabia disso? Eu levei minha bíblia comigo e tive meu momento particular e tranqüilo com o Senhor. E acredite, foi um momento tranqüilo, muito tranqüilo. - Como estão as outras coisas? Julia perguntou enquanto saía da entrada principal da Rancho Corona e começou a virar morro abaixo. - Bem. Está tudo bem. Eu vou à casa nova dos pais de Rick no dia de Ação de Graças, e Nicole vai vir comigo. Vai ser divertido. - Eu notei na noite de pizza que Nicole e Rick se dão muito bem. Katie olhou para Julia para ver se ela deveria estar lendo algo nas entrelinhas do comentário de Julia. Julia não pareceu estar fazendo nada mais que um simples comentário. - Sim. Eles se dão bem. Eu espero conseguir juntá-la com o irmão do Rick, o Josh. Rick e eu tentamos juntá-la com o Eli, mas não deu em nada. Julia dirigiu em silêncio cerca de um quilômetro e meio até que Katie disse: - Você teve esses mesmos tipos de drama quando estudava aqui? - Claro. A maioria dos meus „dramas‟ girava em torno do meu namorado. - Seu namorado? Katie olhou para Julia de novo, esperando que uma chuva de detalhes viesse a seguir. - O nome dele era Trent. - Nome legal e forte, Katie disse. Eu acho que nunca conheci um „Trent‟. - Ele era único. O original. - E... ? Katie buscou por mais detalhes. - Nós estávamos apaixonados e... - Não me conte se for algo horrível. Eu odeio ouvir sobre mulheres que tiveram seus corações quebrados. Por que o amor tem que ser tão doloroso? Julia respirou fundo. - Ele certamente pode ser doloroso, não pode? - Como você sabia que o amava? Quero dizer, sabia mesmo que era amor? - Eu apenas sabia. Eu ainda sei. Se ele fosse entrar na minha vida hoje, eu ainda sentiria aquele sentimento avassalador no meu coração. O amor não vai embora só porque as pessoas vão embora. Katie tentou descobrir se concordava com a frase de Julia.

- Você está dizendo que pode genuinamente amar alguém, mas acabar não ficando com essa pessoa pro resto da sua vida. É isso que está dizendo? Você pode amá-lo – de verdade, amá-lo mesmo – e ainda assim não ficar com ele. - Sim. - Não sei se concordo. Eu não gosto da idéia de viver com o fio do amor apenas balançando pra lá e pra cá, sem este estar conectado dos dois lados. Julia sorriu um pequeno, meigo sorriso. - Eu também não gosto, mas aqui está ele. - Então você vai me dizer que ele acabou se casando com outra pessoa? - Não. Katie esperou por mais detalhes, mas Julia terminou por ali. O não dela era firme o suficiente para que Katie soubesse que ela faria bem se deixasse o assunto de lado, pelo menos por enquanto. Nota a si mesma: Quando o assunto sobre o Trent surgir de novo, descubra onde ele está agora. Se não está casado, por que ele e Julia não poderia ficar juntos de novo? Agora que seria uma grande história de amor. - Como estão as coisas com sua família? Julia perguntou mudando de assunto. - Do mesmo jeito, eu acho. - Já que você disse que vai para casa de Rick no dia de Ação de Graças, eu supus que você não vai passar esse dia com seus pais. - Não. Eu tentei marcar algo com eles, mas não funcionou. Talvez no Natal. Não sei. - Tomara que você passe um tempo com eles no Natal, Julia disse, Não precisa ser muito tempo ou algo muito especial. Apenas estar com eles de alguma forma já seria muito bom. Katie olhou para suas mãos. Ela sempre se sentia desconfortável quando o assunto girava em torno de seus pais, mesmo ela sabendo que Julia estava certa. A verdade era, ela adoraria ter um relacionamento com seus pais, mas como isso poderia acontecer? Não era algo real. Katie abriu seus pensamentos para Julia e contou a ela como era difícil estar com os pais dela. Ela resumiu a última conversa com sua mãe e disse: - Então, como eu posso mudar isso? Quero dizer, o que eu posso fazer? - Eu não acho que você possa mudar alguma coisa. A única coisa que você pode mudar é a mesma. - Você acha que eu preciso mudar? Quero dizer, você acha que minha atitude está errada? Katie sentiu uma pontinha de um sentimento defensivo crescendo dentro dela e tentou deixá-lo de lado. Ela, com certeza, não queria começar uma discussão do tipo me-desafie-em-algo-que-eu-me-sinta-desconfortável-e-eu-vou-

morder-sua-cabeça com a diretora dos residentes. Ela valorizava demais o relacionamento dela com Julia para fazer isso. - Eu acho que o que você tem que fazer é o que Deus nos mandou fazer. - O quê? Amarmos uns aos outros? - Sim, verdade, nós somos chamados a amarmos uns ao outros. Mas eu estava pensando era sobre o quinto mandamento. - Que é... - „Honra teu pai e tua mãe. ‟ Ele pode parecer diferente em muitos relacionamentos pais-filhos, mas o direcionamento é o mesmo. Honre-os. O que isso significa pra você e pra eles, você terá que descobrir. Mas faça o que os faz sentirem honrados. Katie balançou sua cabeça concordando. - Ok, eu sou boa nisso. Eu não tenho certeza de como eu vou honrá-los no Natal ou o que quer que seja, mas entendo o que você está dizendo, e sim, eu quero sim honrar meus pais. - Eu sei que você quer. Você tem um grande coração, Katie. Você é uma pessoa muito aberta, de boa vontade e responsável. Eu realmente admiro isso em você. - E eu admiro que você tenha me falado o que preciso ouvir e fazer isso de uma maneira que eu consigo engolir. Julia virou para dentro da vaga do estacionamento do Ninho da Pomba, e na mesma hora elas disseram: - O que está acontecendo? O estacionamento estava quase todo cheio. - Você pode ir lá para trás, Katie disse. Os funcionários estacionam lá ao lado da lixeira, e sempre há vaga. Elas acharam uma vaga e entraram no café e encontraram uma fila de alunos do ensino fundamental esperando para fazer o pedido. Espalhados entre os alunos estavam alguns adultos com uma aparência exausta tentando manter seus pequenos bandos sobre controle. - Parece uma excursão, Katie disse. Nós tivemos algumas dessas na última primavera. Você quer ir a algum outro lugar? Julia olhou para seu relógio. - Você que sabe, se você quiser, Katie, eu posso te deixar aqui. Nós não precisamos ir a lugar algum ou comer algo. Eu só queria conversar um pouco com você antes do feriado de Ação de Graças. Eu acho que nossa conversa no carro foi boa, nós colocamos o papo em dia. O que você acha? - Eu me sinto mal, como se eu tivesse usado você para me dar uma carona até aqui, e pronto. - Não se sinta mal. Eu disse a você que estaria disponível para caronas se você

precisasse delas algum dia. A Cris vai te levar de volta pra faculdade, não vai? - Esse é o plano. - Então eu vou voltar pra Rancho. Eu preciso mesmo estar disponível para ajudar Greg a registrar a saída dos alunos para o fim de semana. Eu viajo amanhã, mas estarei de volta no sábado. Apareça qualquer hora, se você acabar ficando nos dormitórios pelo restante do fim de semana. - Ok, vou sim. Obrigada pela carona. Julia acenou e se foi. Katie não tinha certeza, mas pareceu que quando o nome do de Trent surgiu , um „peso‟ tomou conta de Julia. Katie deveria ter imaginado isso, mas a fisionomia de Julia parecia ter se entristecido e ficado abatida depois disso. Isso só deixou Katie mais curiosa sobre Trent, mas ao mesmo tempo, mais alerta ao fato de que ela precisava ser cuidadosa e sensível se esse assunto surgisse de novo. Katie ficou ali do lado, tentando decidir o que faria. Ela sabia que poderia ir à livraria ali ao lado e ficar seguindo Cris pela loja caso ela estivesse estocando livros. Ou ela poderia ficar ali e assistir a festa daquela excursão. Sem muito esforço, ela se moveu para onde ela poderia ver Rick atrás do balcão, tentando eficientemente ajudar seu agitado grupo de funcionários que estava anotando os pedidos na fila de alunos. Katie, de certa forma, gostava de estar nos bastidores assistindo isso e assistindo Rick. Ele tinha uma presença bastante imponente. Ele estava lindo. Um sorriso brincou nos lábios de Katie enquanto ela pensou: Esse é meu namorado, Rick Doyle, esse homem maravilhoso, você. Você me beijou, você sabe. Você me beijou bem. E eu amo você. No instante em que Katie concluiu aquele pensamento de ”e eu amo você,” Rick levantou o olhar e seu olhar percorreu todo o café. Ele estabeleceu contato visual com Katie, e ela sentiu um arrepio subir suas costas e fazer cócegas em seu pescoço. Foi como se ele a tivesse ouvido. Rick, eu amo você. Você me ouviu pensando isso? Eu não posso acreditar: Eu sei. Eu sei mesmo. Eu te amo! Um nó se agarrou à garganta de Katie, e ela sentiu como se fosse chorar; exceto pelo fato de que ela não tinha lágrimas. Ela só tinha um sorriso. Um grande, feliz sorriso para Rick, que agora estava acenando para que ela fosse até o balcão. Muitos dos alunos se viraram para ver para quem o cara no balcão estava acenando. Katie se sentiu como a escolhida Cinderela que estava se aproximando de seu príncipe no meio da multidão enquanto todos os pequeninos, os pequenos cavalheiros estavam abrindo caminho para ela. Nenhum dos alunos estava se curvando para ela, no entanto, mas Katie imaginou que eles estavam já que eles eram tão pequenos. - Que visão agradável, Rick disse assim que Katie estava próxima o suficiente dele para que pudesse ouvi-lo. Você vai encontrar com alguém?

- Cris, mas só às cinco. - Alguma chance de você vir aqui pra trás, colocar um avental, e fazer algumas pizzas? - Isso vai depender. Katie estava atenta ao fato de que os estudantes assim como os adultos que os acompanhavam pudessem estar ouvindo cada palavra da conversa deles. Eles estavam dispostos a ficarem impacientes e começarem a jogar dardos invisíveis nela se ela atrasasse Rick mais um pouco, então ela fez sua gracinha rapidamente. Eu vou fazer quantas pizzas você quiser contanto que eu não tenha que enfeitá-las com paisagens. Eu sou o tipo de mulher „carinhafeliz‟, você sabe. - Sim, eu sei, Rick disse. Sem paisagens, eu prometo. Coloque uma telinha no cabelo e me ajude a começar essa fila. A expressão dele ficou engraçada e ele virou a cabeça. Ei, você fez algo diferente no cabelo? Katie deu um grande sorriso. - Ah, esse é o observador Sherlock Holmes que todos conhecemos e amamos. Ela enfatizou o ”amamos”, na esperança de que Rick captasse a pista do que tinha acabado de acontecer no coração de Katie. Ela estava apaixonada. Ela sabia disso. Ela amava Rick. Ela provavelmente carregava uma cápsula do amor por ele em seu coração desde o ensino médio. Mas hoje, nesse exato momento, enquanto Katie estava ali, assistindo Rick, algo havia mudado. Era exatamente como Cris tinha dito que seria. Katie tinha dado um passo após o outro, enquanto ela e Rick caminhavam nessa longa e sinuosa estrada do relacionamento deles. Então, sem nenhuma pista de que o próximo passo seria diferente dos outros, Katie deu esse passo nessa fila invisível, e lá estava ela. Amando!

Capítulo 16
Para Katie, fazer pequenas pizzas de pepperoni no Ninho da Pomba era uma coisa que ela poderia fazer dormindo. Ela provavelmente dormira mais que uma vez durante o expediente enquanto tinha produzido dúzias das pequenas delícias para vários grupos. Estar de volta à linha de montagem vestida em seu avental e touca foi algo familiar pra ela e a fez se sentir feliz Claro, a explosão extra de felicidade poderia vir do deleite que ela secretamente carregava dentro de si, sabendo que ela estava amando. Verdadeiramente amando. Oficialmente, além da conta, amando. Em um determinado momento nos vinte minutos de loucura de pizzas sendo preparadas, Katie olhou para Rick, que tinha se juntado à brigada do molho de tomate. Ela ouviu uma pequena canção melódica em sua cabeça: ”Primeiro vem o amor, então vem o casamento e então vem o bebê num carrinho de bebê.” Um sorriso brotou. Ela não fazia idéia de onde tinha ouvido aquela cantiga. Era muito antiga e definitivamente muito pouco aplicável para a geração em que ela estava vivendo, mas naquele momento, as frases soaram familiares e amigáveis. A última vez que as linhas dessa canção tinham soado em seus pensamentos foi naquele verão na praia13. Douglas e Trícia tinham levado o bebê Daniel, e uma quantidade enorme de coisas de bebê para a areia. Cris e Ted levaram seu „modo lua-de-mel‟ e ficaram a tarde toda envolvidos em abraços carinhosos. Katie levou Rick, mas Rick levou seu celular e ficou bastante tempo com o rosto colado no irritante pedaço de plástico em uma longa conversa com Josh sobre negócios relacionados ao café no Arizona. Naquele dia, Katie não estava certa sobre a parte da cantiga em que ela se encaixava. No entanto, seus amigos se encaixavam muito bem nas partes do ”casamento” e do ”carrinho de bebê”. Mas hoje ela sabia. Ela estava no primeiro passo. Amor. Primeiro vem o amor, depois vem... O coração dela palpitou levemente quando ela se permitiu pensar se casamento seria o próximo passo. Por que não? Toda vez que esses pensamentos tinham aparecido na mente de Katie no passado, ela os tinha sacudido pra longe. Hoje ela gostou muito da idéia. Isso certamente seria a resposta para muitas das perguntas sobre o que ”virá em seguida?”. Resmungando para si mesma, Katie entrou na linha de produção e serviu aqueles estudantes todos antes das cinco. Rick escorregou seu braço em volta da cintura dela quando ninguém estava vendo. - Você quer fazer algo hoje à noite? Eu posso sair daqui por volta das oito. - Não posso.
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Essa cantiga aparece no capítulo 13 de Tesouros Peculiares e no capítulo 1 de Como quiseres, Senhor.

- Por quê? Ele se afastou, chocado com o fato de que ela negou o pedido dele. - Eu vou jantar com a Cris e depois tenho que fazer um trabalho para amanhã, e eu ainda nem comecei. - Você ainda terá aula amanhã? - Eu só terei uma aula. É às 10:30. Depois disso, eu tenho plantão na mesa principal de meio-dia às cinco. - Então você está me dizendo que eu terei que esperar vinte e quatro horas inteiras até que você se lembre de que tem um namorado que está esperando passar um tempo com você. - Oh, eu me lembrarei cada segundo dessas vinte e quatro horas. Mas, sim, você terá que esperar até amanhã às cinco até que eu esteja oficialmente no feriado de Ação de Graças. - Eu posso esperar. Katie sorriu. - Eu sei que você pode esperar. Você é um profissional na arte de esperar. E um chef profissional. E um proprietário profissional de um café. Mas você começou como um garçom muito bom. Entendeu? 14 Rick pegou Katie pelo punho e a levou para os fundos do restaurante onde ficava seu escritório e uma mesa que fora colocada no canto para os funcionários. Ninguém estava lá atrás naquele momento. Ele olhou pra direita e pra esquerda e depois, com as mãos em forma de concha, pegou o rosto de Katie e aproximoua dele. Antes que Katie soubesse o que estava acontecendo, Rick a estava beijando. E foi um beijo bom. Um beijo muito bom. - O que você está fazendo? Ela sussurrou enquanto eles se afastavam. - Se você não sabe o que foi isso, eu, com certeza, estou fazendo algo de errado. - Eu sei o que foi isso, bobão! E foi algo muito bom, a propósito. Rick sorriu. Num tom de voz mais baixo, ela disse: - Mas o que você está fazendo me beijando? Rick apenas sorriu mais, como se a pergunta dela não precisasse de uma resposta. Katie se afastou, assim as únicas partes deles que estavam se tocando eram as mãos entrelaçadas. - O que eu quis dizer, foi... Ela abaixou sua voz para quase um sussurro. O que
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A expressão usada, no inglês, é waiter. Um trocadilho que a Katie/Robin faz, já que waiter significa aquele que espera, do verbo wait e também significa garçom. Ou seja, o Rick começou como garçom, e ao mesmo tempo, como alguém que sabe esperar. Uma vez que, de certa forma, garçons são pessoas que esperam pelos pedidos dos clientes.

você está fazendo me beijando no trabalho? Você sempre teve regras rígidas sobre nós não darmos para ninguém a impressão de estarmos namorando ou de estarmos sendo carinhosos no trabalho. - Você trabalha aqui? Ele perguntou com um sorriso metido. - Não, não mais. - Então qual era mesmo sua pergunta? Katie deu a ele um de seus olhares garota-bonitinha-do-rosto-sardento que ela sabia que ele gostava. De um jeito brincalhão ela disse: - Sem mais perguntas, Senhor. Ele se aproximou e a beijou do lado de sua cabeça e soltou as mãos dela. - É melhor você ir encontrar a Cris. Eu irei à Rancho amanhã às cinco e nós jantaremos em algum lugar. - Ok. Katie ainda estava dando a ele seu olhar sonhador. - É um encontro, Rick disse. - É um encontro, Katie repetiu. Ela envolveu seus braços no tronco de Rick e lhe deu um grande abraço. O mesmo tipo espontâneo de abraço que tinha estabelecido uma sequência de conflitos no último verão quando ela expressara seu carinho no trabalho. Hoje ele foi recebido pelo namorado dela e respondido com um igualmente caloroso abraço. Katie se soltou de seu forte namorado Rick, jogou sua touca no lixo e seu avental sujo na cesta de roupas para lavar. Beijando as pontas de seus dedos, ela acenou para Rick e deu um sorriso ”te vejo mais tarde” pra ele. Ele olhou apaixonado e ela não poderia estar mais feliz. Passando por dentro do café e indo para a livraria ao lado, Katie viu Cris na porta de vidro da frente olhando para fora, na direção do estacionamento. Ela estava com sua bolsa sobre os ombros. - Procurando por mim? - Aí está você. Eu não sabia se alguém te traria ou não. - A Julia me trouxe mais cedo. Eu acabei indo ajudar lá no café. Ficando o mais ereta possível na frente de sua amiga, Katie abaixou a voz e disse: Você está percebendo algo de diferente em mim? - Seu cabelo! Cris exclamou. Está mais claro. Adorei! Katie tinha se esquecido das suas luzes e deixou de lado o comentário de Cris dizendo: - O que mais você notou? Alguma coisa? Está vendo nos meus olhos? Cris olhou mais de perto. - Você está usando lentes de contato ou algo do tipo?

- Não. Decepcionada, Katie relaxou os ombros. Eu acho que é invisível, já que isso acontece de verdade no interior. Cris continuou parecendo não entender o que as dicas de Katie insinuavam, então Katie prosseguiu e disse: - Estou amando. Curiosa, Cris levantou suas sobrancelhas. - Sério? - Sim, sério. - Uau, Katie. - Eu sei. Uau, né? Foi exatamente como você disse. Eu estava caminhando, passoa-passo e aí... - Espere. Essa conversa é importante demais para ser feita aqui. Vamos, eu quero ouvir tudo. Ela olhou para seu relógio. Eu tenho que buscar o Ted às 6:45. - Isso significa que não temos muito tempo, Katie disse. - Eu sei, mas o bom é que você sabe falar rápido. Eu estava pensando que nós podíamos ir à Casa de Pedro. O que você acha? Katie deu os braços para Cris enquanto elas saíam e iam para o Volvo de Cris e Ted. - Tô contigo, Chimiganga Mama. Bora! - Comece com a Noite de Pizzas de Casais, Cris disse. Eu quero ouvir tudo. Katie fez um rápido resumo. Ela pulou as partes sobre as pontadas de ciúme que sentiu de Rick e Nicole por eles estarem se dando tão bem naquela noite. - Nós quatro fomos tomar café no Bella Barista depois e essa parte foi divertida porque um monte de outras pessoas da Rancho foi pra lá. Nós todos juntamos as mesas e conversamos. O Bella Barista está se tornando nosso novo ponto de encontro. Eu não tinha percebido isso até o dia que fomos à floricultura para consertar o buquê da outra Katie. - Espere. Cris estacionou o carro em frente à Casa de Pedro e o desligou. Que buquê e que outra Katie? Katie fez uma careta. - Eu estou mesmo atrasada nas novidades com você, né? Eu nunca vou conseguir chegar na parte boa. - Vai sim. Continue. Conte-me sobre o buquê. Katie resumiu o assunto enquanto a recepcionista as acomodava. Mudando de assunto apenas o tempo suficiente para fazer o pedido, Katie então mudou pra parte que ela queria falar. - Então Rick e eu fomos para a parte mais alta do campus, e as palmeiras estão

todas envolvidas por luzes. Está maravilhoso, Cris. Você e Ted precisam ir lá para ver o que vocês começaram quando decidiram fazer o casamento de vocês lá. A calçada foi melhorada também. Está mágico. - Eu quero ir lá ver. Eu vou falar com o Ted. Talvez nós possamos dar uma passada lá nesse fim de semana. Mas continue. Você e Rick foram fazer um caminhada até o topo do campus debaixo dos pisca-pisca das palmeiras e... - Ele me beijou. Cris ficou paralisada por um momento e então ela soltou um gritinho e pegou o punho de Katie. - Katie! Não acredito que você demorou isso tudo pra me contar. - Eu sei. Eu queria te contar pessoalmente. Foi perfeito demais, Cris. Perfeito de todas as maneiras e eu sei que isso vai soar meio louco, mas eu não contei a ninguém porque eu não queria acordar caso isso fosse só um sonho. Mas não foi um sonho. Foi real e foi maravilhoso. Perfeito. E você é a primeira pessoa para quem eu estou contando. A expressão do rosto de Cris deu a impressão de que ela iria gritar de novo, mas dessa vez foi um gritinho bem mais baixo. - Eu estou tão feliz por vocês, Katie. - Eu estou amando, Cris. De verdade. Eu sei que eu já disse isso antes de uma forma leviana, mas dessa vez é diferente. - Diferente como? Cris olhou abertamente e cheia de expectativas para Katie. - Foi exatamente como você disse. Eu estava lá no Ninho da Pomba menos de duas horas atrás, assistindo o Rick no caixa e lá estava um mar de crianças do ensino fundamental. Eu só pensei, „Esse é meu namorado‟ e depois pensei, „Eu o amo. ‟ E algo dentro de mim simplesmente... Não sei. Algo dentro de mim confirmou meu pensamento. Não era um „eu amo o Rick‟ leviano, um sentimento desses que vêm e vão. Dessa vez era como uma afirmação. Foi como... Katie pausou e sorriu, mais pra ela mesma do que para Cris. - Eu não acredito que vou dizer isso, Katie falou, mas eu sabia. Quero dizer, todo mundo que já amou de verdade sempre diz, „Quando você souber, você vai saber. ‟ E eu sempre achei que essa era a desculpa mais esfarrapada para uma possível explicação. Mas é verdade. Eu sei. Eu sei que eu amo o Rick. É como uma pedra no meu coração. Uma pedra enorme. A Pedra de Gibraltar. E ela não vai embora. O sorriso de Cris era caloroso e amoroso. Ela tinha lágrimas nos cantos de seus olhos. - Ah, Katie, eu sinto que devo dizer, „Bem vinda ao outro lado‟ ou algo assim - Eu estou do outro lado, não estou? - Está sim, Cris disse. Você está amando e você está num outro nível do seu

relacionamento com o Rick. Você está no nível do coração e do sentimento, e eu estou tão feliz por você. - Obrigada. Agora Katie sentia que lágrimas iriam rolar vagarosamente de seus olhos também. Antes que as gotinhas fizessem sua feliz aparição, a comida e a bebida chegaram com sua glória fumegante e bem temperada. - Eu quero orar. Cris buscou pelas duas mãos de Katie e elas seguraram as mãos uma da outra sobre a mesa. Assim que Katie fechou os olhos e curvou sua cabeça, ela sentiu Cris abençoá-la com suas palavras de carinho ao Pai celestial, agradecendo a ele por ter dado o dom do amor e por derramar do amor dele sobre Katie. Cris agradeceu a Deus por Rick, por Katie, pelo relacionamento deles e por como Deus os tinha trazido até esse „lugar‟. As palavras de Cris foram simples, lindas e profundas. Ela estava parecendo com Ted quando ele orava. O momento foi tão sagrado que Katie não queria abrir os olhos mesmo depois de Cris ter dito, ”Eu oro em nome do seu Filho, Jesus. Amém.” Quando Katie olhou pra cima, tudo que ela e Cris fizeram foi sorrir uma pra outra. - Eu quero construir um altar aqui, Katie disse. - O quê? A expressão de Cris mudou de feliz para confusa. Do que você está falando? - Quando eu estava em Catalina no verão passado, durante nosso dia de silêncio, eu estava procurando pelo versículo dos tesouros peculiares e li esse versículo em Êxodo que diz, „Construa altares nos lugares onde eu te lembro de quem eu sou, e eu irei e te abençoarei ali‟. Eu sinto que Deus acabou de me abençoar aqui através de você. Ele me lembrou de quem ele é. Deus é amor. Eu estou amando. Eu quero marcar esse momento de alguma forma e sempre me lembrar dele. Cris parecia estar incerta sobre como responder. Cautelosamente ela disse: - Eu não tenho certeza de que nós deveríamos construir altares... - Eu não estou dizendo que vou começar a empilhar feijões congelados dentro de um pequeno santuário. Só estou dizendo que eu quero marcar esse momento como um momento de Deus. - Eu acho que ele já está marcado, Cris disse. No seu coração. Você nunca vai esquecer o momento em que soube que amava Rick. Eu nunca esquecerei o momento em que soube que eu amava o Ted. Quando esse momento está marcado no seu coração, você pode voltar lá a qualquer hora e, confie em mim, você verá que o Senhor já está lá e ele te abençoará lá. - Isso é muito estranho, não é? Katie disse, nada interessada em morder seu chimiganga do mesmo jeito que Cris tinha abocanhado o dela. O que quero dizer é que você está caminhando normalmente e tudo está como sempre, e de repente, Deus aparece e tudo muda.

- O Ted tem uma opinião sobre isso. Cris limpou sua boca com seu guardanapo. As pessoas dizem, „Deus apareceu‟, e isso ou aquilo aconteceu. Ted diz que Deus não „aparece‟. Deus é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. Ele é onipresente, onisciente e onipotente. O jeito como Ted define esses momentos é dizendo que Deus já está lá. Ele era, é e sempre será. Nós é que aparecemos. Nós temos uma idéia do que Deus deseja pra nós e nós o buscamos e prestamos atenção nas direções que ele dá. Então, repentinamente esse momento santo acontece não porque Deus resolveu dar um passo e entrar nas nossas vidas, mas porque nós resolvemos caminhar passo a passo com o eterno plano de Deus para nossa vida. - Hmm. - Enfim, Cris disse enquanto Katie contemplava a perspectiva de Ted sobre esses momentos divinos. Me diga o que aconteceu depois no Ninho da Pomba. Depois que você soube que estava amando o Rick. Você disse alguma coisa pra ele ou apenas entrou e fez as pizzas com ele, como se nada estivesse diferente? - Eu não o contei que o amo, mas eu sinto que ele, de certa forma, percebeu. - Como? - Ele me levou lá pros fundos e me beijou de um jeito muito romântico. - Ele fez isso? - Sim. Você sabe como ele sempre foi bem incisivo sobre nós expressarmos qualquer tipo de carinho no trabalho? Cris balançou a cabeça concordando, sua boca estava cheia de comida. - Bem, dessa vez ele é quem foi o carinhoso. Ele disse que eu não trabalho mais lá então não era como se ele estivesse fazendo algo de errado 15 com uma funcionária. - Ele disse isso? Ele disse „fazendo algo de errado‟? - Não, ele não disse isso, e nós, definitivamente não estávamos fazendo algo de errado. Foi só um beijo. Um beijo lindo, memorável, e derretedor-de-corações. Katie suspirou. - Você sabe, eu acho que o Rick deva estar certo sobre o que ele disse no verão passado quando nós tivemos aquela enorme e horrível discussão na cozinha dele porque ele não me beijava quando eu queria que ele o fizesse. - O que ele disse? - Ele disse que os rapazes nunca se esquecem dos beijos deles com uma mulher, e eu disse que nós nunca esquecemos também. É simplesmente diferente, sabe? Quero dizer, um abraço você meio que lembra por um tempo, mas quando seus
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A expressão no inglês é making out e literalmente, segundo o dicionário Michaelis – UOL diz que making out é ter relações sexuais. Eu achei muito ‘estranho’ traduzir assim e não tenho certeza de que a Robin quis dizer algo assim ‘tão forte’. Enfim, o algo de errado dá uma idéia mais ampla, sem restringir apenas ao ato sexual.

lábios se tocam, isso acende uma memória na sua cabeça, não é? Cris chegou mais perto e abaixou a voz. - Espere até você estar casada e você se doar completamente, de corpo e alma. Aí estará algo que você nunca vai esquecer. A memória fica bem acesa. Confie em mim. Katie gostou do modo como o rosto de Cris estava ficando corado, como se ela fosse a guardiã de alguns preciosos segredos e ela estava revelando um pouco desse tesouro para Katie. - Eu não entendo como alguém pode doar a si mesmo num nível de intimidade como esse sem a linda, protetora aliança do casamento, entende? Cris continuou. O sexo é tão sagrado e capaz de unir duas pessoas. Eu sei que eu já disse isso antes, Katie, mas eu tenho que dizer de novo. Criar esses momentos de intimidade que marcam a alma com apenas um homem e apenas no seu leito de casamento é algo que não se parece com nada que você já experimentou. Quando você espera por esses momentos e sabe que ele esperou para compartilhar esses momentos com você... Cris chorou de novo. - É mesmo um presente. Um presente maravilhoso. Katie entregou um guardanapo à Cris. Ela pegou-o e enxugou seus olhos. Depois, alcançando seu copo de chá gelado, Cris levantou seu copo para Katie. - Ao amor e a Deus, que fez disso algo tão lindo. Katie brindou com seu copo de refrigerante e adicionou: - E a você e Ted por esperarem para darem a si mesmos um ao outro e por fazer um ótimo trabalho em me anunciar a recompensa dessa virtude da espera. Cris gargalhou. - Eu não sabia que nós estávamos anunciando. - Vocês estão anunciando, mas é do melhor jeito possível. Isso é uma boa coisa. É uma coisa de Deus, na verdade. Katie bebeu seu refrigerante. - Às vezes, Cris, eu olho pra trás e penso, „Quem eu seria hoje se eu nunca tivesse conhecido a Cris? ‟ Eu sei que eu não seria quem eu sou hoje. Eu não acho que eu estaria fazendo escolhas tão boas. Principalmente se eu tivesse ficado com o mesmo círculo de amigos que eu tinha no Colégio Kelley antes de você se mudar pra Escondido. Cris, e se você não tivesse se mudado de Wisconsin? E se nós não tivéssemos nos tornado tão amigas desde aquela primeira noite quando empapelamos a casa do Rick? Deus é quem fez isso, não foi? Dessa vez as lágrimas realmente transbordaram dos olhos azul-esverdeados de Cris. - Eu preciso de outro guardanapo. Ela deu uma olhada em volta para ver se

algum garçom estava indo na direção delas. Eu estou muito emotiva. Katie se levantou e puxou dois guardanapos de uma das mesas vazias. - Vá em frente. Chore o quanto quiser. Cris enxugou seus olhos novamente e assuou seu nariz. Katie encarou seu grande burrito chimiganga. - Isso é mesmo muito estranho. - O que é estranho? Seu chimiganga? - Não, o chimiganga está ótimo. O que é estranho sou eu. Eu não estou com fome. Você pode acreditar nisso? Tenho certeza de que isso tem que significar algo. Eu estou sentada na Casa de Pedro com meu preferido chimi no mundo todo bem na minha frente e eu não consigo comer. Cris deu um grande sorriso. - Claro que você não comer significa algo. Você está amando. Katie fez um gesto para Cris para que ela passasse a unha entre seus dois dentes da frente. Tem um pedacinho de carne ou algo parecido bem aí. A expressão de Cris mudou. Ela ficou constrangida, mas apenas por um instante. Ela usou o segundo guardanapo para remover o pedacinho de carne. - Você e eu precisamos uma da outra mais do que nós pensamos. Obrigada, Katie. O garçom chegou perto da mesa delas. - Eu preciso de uma caixa para levar, Katie disse. E a conta. Nós precisamos ir andando. - Eu vou pegar uma caixa também, Cris disse. Eu nunca consigo terminar um desses. - Eu sinto que assim que essa sensação de felicidade atordoadoara-e-bobaporque-eu-estou-amando passar, eu vou estar faminta. Quando esse momento chegar, o Sr. Baby Chimi estará esperando em minha pequena geladeira, e eu serei uma menina feliz. O chimiganga de Katie ocupou uma prateleira inteira na geladeira dela e ficou lá, intocado, durante toda a noite. Ela trabalhou na velocidade da luz em seu trabalho para a aula de quarta-feira e dormiu três horas. Então ela se vestiu e caminhou pelo campus com um leve sorriso no rosto. Ela ainda não estava com fome depois da aula. Voltando para seu dormitório, Katie subiu para a parte coberta do telhado e se esticou em uma das espreguiçadeiras. Abaixo, no estacionamento, dúzias de alunos estavam enchendo seus carros de malas para o longo fim de semana. Acima, o céu da Califórnia estava riscado com a cauda das nuvens, o que era um indicador de que o outono também estava fazendo suas malas. O inverno, com seus ventos impetuosos vindos do deserto, iria, brevemente, mandar a névoa e o

calor para o mar e agraciar o sul da Califórnia com ar refrescante e céu limpo. Um passeio de volta ao deserto durante os próximos meses providenciaria uma oportunidade fantástica de apreciação das estrelas. Katie pensou nas estrelas enquanto fechava seus olhos no conforto da espreguiçadeira. Ela podia ouvir as vozes das crianças africanas cantando. Ela podia sentir o calor do sol do fim da manhã sobre ela, como se fosse um velho e verde saco de dormir. Uma sensação de estar presa num universo em movimento veio sobre Katie. Ela sabia duas coisas naquele momento sob o cobertor de raios solares. Primeiro, ela sabia que era minúscula em comparação ao cosmos. Segundo, ela sabia que aquele que tinha arquitetado os céus e a terra tinha feito seu coração à mão, e nesse coração, ele tinha plantado uma semente que estava crescendo e se tornando algo maravilhoso, eterno e puro. Algo chamado ”amor”.

Capítulo 17
Pouco depois de Katie cochilar com todos os seus pensamentos felizes, ela sentiu alguma coisa fazendo cócegas em sua bochecha. Ela sacudiu a mão diante para espantar aquilo que a incomodava e lentamente abriu um olho enquanto uma sombra bloqueava o calor do sol. - Olá. Os calorosos olhos cor de chocolate que a encontraram só podiam pertencer a uma pessoa. - Rick! Ele acariciou a bochecha dela com uma gérbera rosa. - Pra você, ele disse. Katie abriu ambos os olhos e recebeu a flor de Rick assim como um beijo no topo de sua cabeça aquecida pelo sol. - Como você soube que eu estava aqui? - Nicole. Ela estava no salão principal registrando a saída dos estudantes e disse que você contou a ela que estaria aqui até o seu turno começar. - Eu estou atrasada? Katie se sentou e piscou. Ou você está adiantado? Você não deveria estar aqui antes das cinco. Espere. Eu estou sonhando com tudo isso? - Eu estou adiantado, Rick disse. Estava meio parado no Ninho da Pomba por causa do fim de semana de Ação de Graças então eu saí umas duas horas mais cedo. Não precisa se preocupar com a troca de turno lá em baixo. Nicole disse que poderia cobrir para você. Eu disse a ela que você e eu tínhamos planos. - Isso foi legal da parte dela. Eu deveria dar a ela a minha flor. Katie girou o talo entre seus dedos como se fosse um cata-vento. Nota para si mesma: Você realmente precisa explicar ao Rick que você só disse que gostava desse tipo de flor para manter uma conversa agradável quando Nicole disse que elas eram as suas favoritas. Se você não disser alguma coisa logo, você vai ser sufocada por essas margaridas detestavelmente coloridas pelo resto da sua vida. - Você não precisa dar a Nicole a sua flor, eu comprei uma para ela em forma de agradecimento. Katie correu os dedos pelos cabelos, tentando acordar de uma vez. - Agradecer pelo quê? Por pegar o meu turno esta tarde? Ela bocejou e cobriu a boca. Desculpe. - Sim. Eu liguei pra ela mais cedo e perguntei se ela poderia lhe cobrir. Eu contei a ela que eu tinha preparado uma pequena surpresa. - O que é? Katie estava acordada agora. Ela estendeu a mão e Rick a ajudou a se levantar da espreguiaçadeira. Assim que ela sentiu o calor da mão dele

segurando a dela, ela soube com certeza que não estava sonhando com tudo isso. Rick realmente estava ali e ele tinha uma surpresa para ela. - Você terá que esperar, ele disse. Katie sorriu. - Eu sou boa na espera, assim como você. Ela não pôde deixar de pensar no que acontecera no dia anterior quando ela disse algo relacionado a Rick também ser bom na espera. Sua graciosidade lhe rendeu um beijo. Rick abriu a porta que os levava até as escadas. - Então eu deveria fechar os meus olhos ou algo assim? - Não, não feche os seus olhos. Eu tenho um pressentimento de que você vai dormir em pé se você fechar os olhos novamente. Katie bocejou de novo, involuntariamente. - Desculpe. Eu estou morta de sono. - Eu deveria ter deixado você dormir mais um pouco. - Não. Tá brincando? Você e eu finalmente temos tempo para fazer alguma coisa juntos. Isso é raro. Eu não quero dormir enquanto isso. Eu estou bem vestida para onde quer que estejamos indo? - Você está ótima. Só pegue uma jaqueta ou um suéter e encontre-me no salão principal. - Estarei lá em três minutos e meio. Katie apressou-se para o seu quarto. Rick havia dito na noite anterior que eles iriam sair para jantar. Agora que ele estava tão adiantado, ela queria saber se o encontro deles tinha se tornado um almoço atrasado. Não importava. O Rick, a qualquer hora do dia, era um presente. Katie deixou o seu quarto com uma blusa de moletom em sua mão e sentiu o seu estômago murmurando. Já tinham passado quase vinte e quatro horas desde que ela comera. Talvez o magnífico ponto alto da descoberta de que ela está apaixonada tinha diminuído o bastante para trazê-la de volta às coisas da vida real, como dormir e comer. Ela encontrou Rick no salão de entrada conversando com Nicole no escritório. Exposto no balcão estava um significativo buquê com gérberas cor-de-rosa, amarelas, brancas e alaranjadas. Rick realmente gosta de dar flores. Eu ainda tenho as rosas brancas que ele me deu na semana passada. Eu só espero que ele não tenha mais flores esperando por mim no carro. - Eu acho que preto ainda é a melhor opção, Nicole estava dizendo quando Katie se aproximou. Eu sei que pode parecer clichê, mas para efeito dramático, você nunca erra com preto. Ele vai dar à sala um senso de estabilidade mais definido.

- Sobre o que vocês estão conversando? Katie perguntou. - Meu apartamento. Eli e eu estávamos pensando em pintar a sala de estar e Nicole está me dando algumas idéias. Katie voltou-se para Nicole. - Você está dizendo para ele pintar a sala de preto? Você não pode estar falando sério. - Não a sala de estar. As molduras das fotografias dele. Eu estou dizendo que ele poderia manter todas as fotografias, mas pintar os seus quadros de preto. Eu acho que faria uma manifestação dramática. - Quando vocês decidiram pintar a sua sala de estar? Katie perguntou. - Semana passada quando nós movemos a estante e a televisão. Nós vimos o quanto a nossa parede estava ruim. - Por que vocês mudaram tudo? - O sol colocava uma sombra na TV mesmo quando as cortinas estavam fechadas. Eli sugeriu que movêssemos alguns centímetros, fora da sombra, o que foi uma ótima idéia. Eu nunca pensei nisso. Uma vez que nós movemos a TV e a estante, a parede ficou exposta e estava horrível. Nós movemos o móvel e agora está bem fácil caminhar para os quartos. Eu só tenho que decidir de que cor vou pintar a parede - Eli tem alguma preferência? Nicole perguntou. - Não, não. - Você deveria pedir à Nicole para fazer umas amostras de cor pra você, Katie disse. Você sabe, como aquelas tiras cores que você juntou para aquela aula de arte do Renascimento. Nicole explicou: - Eu acho que você está se lembrando daquele projeto que eu fiz um mês atrás, no qual eu tinha de criar uma paleta de cores para a pintura The Milkmaid, de Vermmeer. Eu deveria ter ido de Rembrandt, como a maioria da classe fez. As cores dele eram muito mais fáceis. - Você gosta desse tipo de coisa? Rick perguntou. Pintura e decoração, quero dizer. - Acho que sim. Nicole disse. - Não seja tão modesta. Você já viu o quarto dela, Rick? Nicole é uma artista quando o assunto é com cores e decoração. Ela é bem parecida com a sua mãe nessa parte. - Eu pagaria você, Rick disse para Nicole. Quero dizer, se você quiser vir dar uma olhada no apartamento e fazer sugestões de cores. - Você não precisa me pagar. Eu vou dar uma passada na loja de pintura este

final de semana e pegar algumas amostras. Então você pode decidir de qual você gosta. Que cor é o seu sofá? - Marrom, Rick disse. - Meio marrom, Katie acrescentou. É preto em alguns lugares. Realmente, Nicole, você deveria ver o apartamento primeiro. Se você quiser, nós poderíamos ir lá na sexta ou no sábado, já que eu e você vamos estar por aqui todo o final de semana, de qualquer forma. - Eu vou cozinhar para vocês, Rick disse. - Ótima idéia, Katie disse. Se nós formos ambiciosos, nós poderíamos fazer do dia uma festa de pintura. A sala vai estar pronta em pouco tempo. - Eu estou gostando de onde isso está chegando, Rick disse. Eu posso tirar folga a maior parte da sexta, mas não no sábado. - Parece que nós temos um plano, Katie disse. O que você acha Nicole? Sexta está bom pra você? Nicole olhava um pouco hesitante, mas acenou com a cabeça demonstrando que concordava. Katie se perguntou se era porque Eli, sem dúvida, estaria ali. Nicole parecia ter a mesma antipatia de Eli que Katie tinha. Ela decidiu que quando ela tivesse a chance, iria assegurar a Nicole que Eli era realmente um ótimo rapaz. Uma vez que você começa a conhecer um pouco mais sobre ele, ele é intrigante e pensativo, mas não chato. - Parece que nós temos um encontro, Rick sorriu para Nicole. Voltando-se para Katie, ele disse: E parece que é melhor nós sairmos para o nosso encontro antes que a tarde deslize para longe de nós. - Divirtam-se, Nicole disse. - Nós vamos nos divertir. Katie segurou a mão de Rick enquanto eles viravam para ir. Ela olhou para Nicole sobre os ombros e disse: Pelo menos eu acho que nós vamos nos divertir. Eu nem sei onde nós estamos indo! Rick, brincalhão, arrastou-a para fora da porta. - É por isso que é uma surpresa. Nem tente me arrancar alguma pista. - Tem certeza que eu estou bem de jeans? Nós não vamos a nenhum lugar chique, vamos? - Não é chique. - Vai estar muito frio? Porque se esse moletom não for quente o suficiente, digame agora e eu volto pra pegar uma jaqueta. Rick soltou a mão dela e colocou o braço em volta do ombro dela, aproximando-a dele. - Você está tentando arrancar dicas de mim. - Só um pouco.

- Sem mais dicas. Você está bem. Jeans, moletom, tudo. Você vai ficar bem. - E se eu sentir frio, você vai me manter aquecida, certo? - Sem dúvida. Rick beijou-a no lado da cabeça. A propósito, eu gostei do seu cabelo. Quando você fez isso? - Sexta-feira, antes da Noite da Pizza. - Você vai ter que contar a minha mãe aonde você foi. Desde que eles se mudaram para cá, ela diz que não tem encontrado uma boa lavanderia à seco ou um bom salão de cabeleireiro. Katie riu. Rick olhou para ela, esperando que ela explicasse o que era tão engraçado. - Desculpe, mas eu não posso ajudar a sua mãe com nada disso. Eu nunca tive nada lavado à seco na minha vida e eu mesma tingi os meus cabelos. Rick parecia pasmo. Não impressionado. Pasmo. - Você é realmente a mulher mais independente que eu conheço. - Eu teria dado uma ótima pioneira, Katie disse. E quanto a você? Você acha que teria sido um grande pioneiro? - Definitivamente não. Eu nunca iria para o oeste se eu estivesse bem acomodado em uma cidade do leste. Arizona foi o lugar mais rústico que eu já quis ir e eu mesmo assim eu fiquei sob um ar condicionado o tempo todo. Rick abriu a porta do lado do passageiro do Mustang dele para Katie com os seus modos usualmente gentis. No banco estava uma caixa amarrada com um laço azul. - Rick, você não tem que sempre me dar coisas, você sabe. - Eu sei. Eu gosto. Espere até que eu entre para abrir isto. Uma vez que Rick estava atrás do volante, Katie desfez o laço e abriu a pequena caixa. Dentro estava um colar em uma corrente prata. Ao final da corrente estava uma pedra verde lapidada ou um pedaço de vidro polido. Era lindo, mas Katie não entendeu o seu significado. - Gostou? Ele perguntou. - Sim. Ela gostou mais dele ter pensado nela e dado a ela algo meigo do que gostara do colar por si só. É lindo. - Eu vi o colar em uma loja de presentes da última vez em que estive no Arizona. A pedra me lembrou de seus olhos. Veja, quando você a vira para a luz, ela muda ligeiramente, assim como os seus olhos. Você quer usar? - Claro. Katie entregou o colar para Rick porque ela sabia que ele via pequenos gestos como fechar jóias ou amarrar os sapatos de Katie como atos românticos. Rick se aproximou enquanto ela afastava os seus cabelos do pescoço e ele fechou o colar

no lugar. Então, ele a beijou no pescoço. A resposta de Katie foi se virar para Rick, que estava há apenas alguns centímetros de distância e iniciar um doce e terno beijo nos lábios dele. - Obrigada, ela sussurrou. - De nada. Eu estou contente por você ter gostado. Katie olhou para baixo e alisou os seus dedos sobre a pedra verde. - Eu queria saber o que é isso, ela disse. Quero dizer, que tipo de pedra é essa? - Eu não sei. Você pode chamar de Pedra da Katie, se você gostar. - Fofo! Eu nunca tive uma pedra nomeada por minha causa antes. Rick ligou o carro e a música do som instantaneamente ressoou. Ele foi para abaixar, mas Katie o parou com a sua mão na dele. - Eu amo esta música, ela gritou. Deixe assim. Rick concordou. Com a música alta, as janelas abertas e a luz do sol da tarde de outono vertendo pelo pára-brisa, Rick e Katie saíram para o seu encontro. Ela tocou a lisa pedra verde em seu colar mais uma vez e desejou saber se o colar era a surpresa ou o destino seria também uma surpresa. Uma coisa era certa. Quanto mais rápido eles parassem para comer, melhor. Ela estava morrendo de fome. Katie tinha um pressentimento de que ela iria engolir mais comida do que ela tinha comido alguma vez na frente do Rick. Era bom que ele estivesse louco por ela e acostumado aos seus modos carnívoros. Eles viajaram por mais de quarenta minutos e estavam se aproximando de Escondido, onde ambos haviam crescido, quando Katie começou a se sentir enjoada. O estômago dela não estava transtornado de fome. Ela se sentia nervosa por estar tão perto da casa de seus pais. - Rick. Ela avançou para abaixar o volume do som. Por favor, não me diga que nós estamos indo ver os meus pais. Eu não estou preparada para vê-los. Mentalmente, quero dizer. - Nós não estamos indo ver os seus pais. - Bom. Não que eu não deveria estar indo vê-los, porque eu deveria. Eu tentei, você sabe, arrumar alguma coisa para o dia de Ação de Graças, mas... - Eu sei. Nós não vamos lá. Você pode relaxar. Katie não relaxou. Ela sentia como se precisasse confiar em Rick mais do que confiara antes. Enquanto ele continuava dirigindo, ela continuou falando, conversando abertamente sobre os seus pais. Ela contou a Rick o que Julia havia dito sobre honrar a eles. Ela também contou a ele sobre a conversa com a sua mãe, sobre deixar uma mensagem no telefone de Clint e sobre como Larry havia estado num centro de reabilitação em Baskerfield no verão passado. - Por que você não me contou isso antes? Rick perguntou.

- O assunto nunca surgiu. Meus irmãos são apenas uma parte da minha vida. Eu tentei contatar Clint por causa do Buguinho. - Eu acho que você contou que sua mãe ligou enquanto você estava de plantão naquele sábado. - Isso mesmo, ela me ligou. - Havia uma razão? Katie relembrou. - Ela disse que queria o meu endereço. - Ela te enviou alguma coisa? - Eu não sei. Eu deveria verificar a minha caixa de correio no campus. Eu não vejo há cerca de uma semana. Ela disse que tinha uma carta para me enviar. - Que tipo de carta? - Não tenho idéia. Provavelmente alguma coisa de empréstimos estudantis ou uma promoção de cartão de crédito. O tráfego estava ficando mais intenso enquanto eles reduziam a velocidade na pista do centro. - Eu espero que não haja um acidente, Katie disse. - Eu deveria ter imaginado que nós pegaríamos o tráfego do feriado. Eu pensei que nós estivéssemos saindo cedo o bastante. - Onde nós estamos indo? Katie perguntou. Rick deu a ela um de seus sorrisos de lado. - Deveria ser uma surpresa. - Eu pensei que o colar fosse a surpresa. - Ok, então eu tenho duas surpresas. A primeira foi o colar. - E a segunda? - Deixe-me dizer apenas que nós estamos indo a um lugar que eu estive pensando em levá-la por um longo tempo. - Oh, uma pista! Continue. - É um lugar que eu sei que você realmente queria ir. - Isso não é uma grande dica. E tenho desejado ir a um monte de lugares. É... Marrocos? Rick riu. - Não exatamente. - Nós estamos indo em direção ao sul. É o... México? - Não, definitivamente não!

- O que há de errado com o México? Eu acho que seria divertido ir à Tijuana ou à Enseada por um dia. Nós deveríamos fazer isso uma hora. Um grupo de garotas do nosso andar foi uns finais de semana atrás para a praia de Rosarita. - Nós podemos passar o dia na praia de Carlsbad, ou melhor ainda, nós poderíamos ir até à praia de Newport. - Você não acha que seria divertido ir até o México? - Não. - Por que não? - É primitivo. Eu pensaria em outros lugares aos quais eu vou mais. - Como onde? Onde você gostaria de ir se você pudesse ir a qualquer lugar do mundo? - Eu iria à Aspen. - Colorado? - Minha família ficou em um resort ali uma vez que foi, na minha opinião, o melhor possível. Cinco estrelas, ótimas vistas pela janela. Eu poderia viver lá, sem problemas. - Você viveria onde neva? Em um ski resort? Katie nunca esperava que Rick dissesse isso. - Foi o primeiro lugar que me veio à cabeça. Se nós estivermos sonhando os nossos sonhos ideais, então sim, é lá que eu viveria. - Eu nem fazia idéia que você gostava tanto do Colorado. Rick acenou que sim com a cabeça. - Você e eu deveríamos ir esquiar neste inverno. Eu só fui uma vez no ano passado. Você já esquiou antes, não é? - Só uma vez. Com a Cris, no ensino médio. Eu falei para ela se inscrever no clube de esqui. Nós tivemos que vender tabletes de chocolate para levantar dinheiro para a viagem. Eu acho que comi mais do que vendi. Gostaria de saber como eu coube em minhas roupas de esquiar. - O que você acha? Você está interessada em descer as ladeiras novamente? - Eu estou interessada em tentar de novo, mas você precisa saber que, quando eu tenho um par de tábuas amarradas aos meus pés e sou empurrada ladeira de gelo abaixo, bem, deixe-me apenas dizer que todos os coelhos da neve estarão a salvo de qualquer competição séria. - Você só não teve o instrutor certo, Rick disse. Quando nós formos, eu vou ensinar a você algumas das artimanhas do esporte. Você vai ficar ótima. Confie em mim. Katie parou para criar uma imagem mental dela mesma na viagem de esqui no ensino médio. Ela realmente era um desastre com os esquis. Embora, se ela

estivesse lembrando corretamente, o assistente da loja de aluguel de esquis tinha dado a ela esquis que eram grandes demais. Talvez fosse diferente se ela tivesse os melhores esquis ou pelo menos uns que fossem mais curtos e mais fáceis de manusear. - E quanto a você? Rick perguntou. - E quanto a mim? - Onde você viveria se pudesse viver em qualquer lugar? Katie parou. - Eu acho que eu gostaria de ter um pequeno apartamento em algum lugar onde o aluguel estivesse disponível e então eu gastaria todo o meu dinheiro viajando pelo mundo. Rick riu. - Estou falando sério. Tem tanta coisa fora daqui para se ver. - Isso é o que o meu irmão diz. Ele fixou metas muito altas para nós ao iniciar essa rede de cafés. Se nós conseguirmos os locais certos no momento certo e adquirirmos antes da área começar a bombar, nós vamos conseguir bastante dinheiro. A loja do Arizona era um retrocesso, mas eu estou feliz agora que não funcionou. Josh está correndo os olhos por outros locais. Eu não te contei muitos detalhes, mas nós temos um plano de dez anos que poderia se tornar muito bom para nós. Katie não estava acostumada com Rick falando sobre as suas metas financeiras. Ela também não tinha percebido que ele e Josh planejavam permanecer com o negócio do café por dez anos. Rick tinha a vida dele planejada. Eu gostaria de saber se ele me colocou nesse plano de dez anos. - A propósito, Katie perguntou. Josh vai estar no jantar de Ação de Graças amanhã, não vai? - Sim. - E quanto a Eli? - Sim, ele irá e disse que vai levar alguém. Katie ficou empolgada. - Ele vai levar Joseph? - Eu não lembro quem ele disse que era. Pode ser que seja Joseph. - Espero que seja. Rick olhou para Katie: - Por que você perguntou sobre Josh? Ela estava quase revelando a sua idéia de juntar Nicole com Josh, mas ela lembrou que Nicole não queria que Katie dissesse coisa alguma para que não

ficasse um clima estranho quando eles se encontrassem. - Eu só estava querendo saber. Do mesmo jeito que eu quero saber por que nós estamos quase em San Diego. Nós estamos fazendo uma viagem para dentro do seu passado e visitando o seu antigo apartamento? Rick olhou para Katie novamente. - Eu não tinha pensado nisso, mas não é uma má idéia. - Eu estava brincando. Onde nós estamos indo realmente? - San Diego, como você percebeu. - E o que nós estamos indo fazer em San Diego? - Você vai ver. Katie deu um tapinha amigável no braço de Rick. - Você é um grande garoto chato e mimado com segredos, você sabia disso? E só por ser chato e mimado, eu acho que você deveria me dar outra dica. - Você acha, não é? Ok, sem problemas. Aqui está a sua dica. Isso é um „refazer‟. - Um o quê? - Um refazer. Nós já viemos aqui antes. - Essa não é uma dica muito boa. - E quando nós viemos aqui você não teve um bom tempo. Eu sempre me senti mal com relação a isso. E estava pensando sobre esse lugar ontem e eu decidi que, se nós viéssemos aqui e tivéssemos um refazer da experiência, eu poderia substituir a lembrança com uma lembrança nova e melhor. Katie pensou sobre o que Rick estava dizendo. - Da última vez que eu estive aqui, você estava aqui também? Rick acenou com a cabeça e deu uma olhada para ela. Um sorriso largo e ensolarado rompeu da face dela. - Rick, nós estamos indo ao zoológico! Você está me levando para o zoológico de San Diego! - Talvez, Rick disse lentamente. De qualquer forma, a expressão satisfeita no rosto dele tornou claro que Katie chutara corretamente. - Ei, eu volto atrás sobre ter dito que você é um garoto chato e mimado. Você é o meu herói! Eu não posso acreditar que você está me levando para o zoológico. Eu amo o zoológico. Exceto na última vez que estivemos aqui. Eu odiei o zoológico aquele dia e eu odiei você. Bem, não odiei você, mas meus sentimentos não eram agradáveis com relação a você como eles são agora. Oh, Rick, essa é uma surpresa tão boa! Você é maravilhoso! Eu te amo! O ”Eu te amo” saltou antes que Katie tivesse a chance de devolvê-lo à caverna secreta de onde ele tinha pulado.

Rick permaneceu olhando para frente, dirigindo com um sorriso fixo em seus lábios. Katie não se retratou de sua declaração. Ela queria saber se ele entendeu como todos os seus outros comentários exuberantes do tipo ”você-é-legal, eu-teadoro” ou se ele entendeu do mesmo jeito que ainda estava ressoando dentro de Katie como um gongo. A verdade fora dita em alta voz. Katie amava Rick. Agora estava nas mãos de Rick. Qual seria a resposta dele? Ele colocara Katie em seu plano de dez anos? Ou ele ainda estava dando um-passo-atrás-do-outro no relacionamento deles sem ter passado pela linha invisível que o conduziria a saber com certeza que estava amando? Katie desejava muito saber a resposta aqui e agora. Ela podia até ter dito a Rick mais cedo que ela era ”boa-para-esperar”, mas no momento, ela não gostava de ter os sentimentos dela expostos ali no espaço entre eles e ser aquela que estava prendendo a respiração, esperando pelo que Rick diria em seguida.

Capítulo 18
Cinco horas antes Katie havia deixado escapar a declaração de amor por Rick e ele continuava não dizendo nada a respeito, ela tinha a expectativa de uma resposta. Ela preferia que Rick tivesse sido o primeiro a fazer uma declaração tão importante. Ela convenceu a si mesma, pela forma como tinha dito, que poderia deixar isso passar até Rick ser aquele que levaria a relação por conta própria. Sem dúvidas ele iria planejar cuidadosamente o momento em que diria essas três pequenas palavras que poderia mudar tudo pra eles. Eles já haviam chego ao Zoológico de São Diego as 15 horas e feito o caminho para ver as escolhas de Katie em algumas horas. Katie dizia cada animal que gostava e então eles iam até a próxima exposição. Então este animal se tornava seu favorito. Rick brincou com ela, segurou sua mão, e comprou pra eles cachorro quente para acalmar a fome antes dos grandes planos do jantar. Na exibição do Panda, eles não viram muitos dos animais porque eles estavam dormindo. Os Coalas estavam dormindo também. Os ursos polares estavam ativos e bem amigáveis esta tarde. Um deles nadou para baixo do gelo na sala de vidro e olhou para todos, depois subiu a superfície. Katie colocou a mão no vidro e conversou com ele. Ele ficou um pouco tempo antes de voltar a sua ronda, virou as costas para eles e nadou. Rick gostava de ler as informações sobre cada animal. Ele ficou especialmente impressionado quando leu que o primeiro urso polar chegou ao Zoológico de São Diego em 1917. Agora a exibição do urso polar era a maior exibição do mundo, e a água era mantida bem gelada mesmo nos dias quentes de São Diego. A exibição dos Gorilas foi bem divertida pros dois. Eles riram muito e se divertiram vendo as crianças pequenas vendo os orangotangos nadando e jogando água para cima. Um dos orangotangos brincava mais do que os outros. Uma pessoa parada perto de Rick e Katie disse: - Eu acho que ele é o que pinta e tem isso na internet. Katie pensou que o homem estava brincando, mas outras pessoas em volta deles confirmaram que os orangotangos do Zoológico de São Diego eram conhecidos pela sua inteligência. Rick achou um quadro informativo que explicava sobre um orangotango chamado Ken Allen que morava ali por 29 anos. ”Curioso Ken Allen” ele fez seu próprio nome quando escapou 3 vezes do seu habitat e ficou andando pelo zoológico, vendo os outros animais. Os tratadores nunca conseguiam saber como ele escapava. O passeio deles pelo zoológico foi bem diferente de cinco anos atrás quando eles vieram com Cris, Ted e Douglas. Katie passou a maior parte do dia se sentindo mau porque Rick a estava ignorando depois de te-la beijado na noite anterior em frente ao apartamento que ele dividia com Ted e Douglas. Em um momento,

Katie lembrou que chorou por causa disso e ficou chateada com Cris por tentar anima-la. Essa viagem ao zoológico estava sendo para relembrar e a diversão que ela e Rick estavam tendo juntos estava suprimindo o drama e o trauma da excursão anterior. - Você acha que é porque somos mais velhos? Katie perguntou a Rick, enquanto eles estavam deixando a exibição para a saída. É por isso que tivemos esse tempo tão legal? Nós estamos aptos em levar melhor nosso relacionamento? - Eu acho que você faz de coisas como essas mais legais, Rick disse. Eu não acredito que você disse àquela garotinha que quando os flamingos ficam parados com uma perna é porque querem ir ao banheiro. Katie riu. - Você a viu quando ela saiu com a mãe? Ela estava pulando numa perna. - Nós podemos imaginar onde eles foram. - E nós? Katie perguntou. - E nós? Rick bebeu o gole final de seu refrigerante que estava carregando desde que eles pararam na exibição dos répteis. Você quer parar em um banheiro também? - Não. Eu estava tentando perguntar pra onde nós vamos agora? Ela sabia que eles iriam jantar, mas aparentemente Rick entendeu como algo sobre seu relacionamento. - Eu acho que estamos prontos para mais tempos bons. O que você acha? - Mais tempos bons, sim, definitivamente. Alguma coisa mais que você queira adicionar ao pedido? Rick colocou o braço nos ombros dela. - Eu acho que estamos prontos para mais tempos bons por muitos dias que ainda virão. Isso é suficiente, ou você está pronta para mais? - Mais? - O quanto de compromisso você precisa neste ponto? A voz de Rick estava toda derretida. - Eu não preciso necessariamente de mais compromisso. Eu apenas sei que isso... - Você sabe o que? Ela não queria jogar para fora que o estava amando. Não ali. Não na saída do zoológico. Ele estava dando varias pistas de que se sentia da mesma forma, e ainda, até que ele tenha dito as palavras, ela não iria repeti-las. - Eu só sei que estou muito feliz da forma como estamos agora, e estou agradecida que tenhamos pego o caminho longo na marcha lenta, ela disse. - Eu também.

Enquanto eles dirigiam para fora do estacionamento, Katie pensou sobre as respostas anteriores de Rick. Ele estava dando a Katie todas as razões para ela acreditar que estava incluída em seus planos de 10 anos – e muito mais. Um dia, ela acreditava que ele iria dizer que a amava. E eu preciso esperar esse dia. Eu não quero pressioná-lo em algo emotivo até ele dizer isso. Eu preciso ouvir as palavras dele quando elas saírem do coração, todas exuberantes e espontaneas. - Então onde estamos indo agora? Katie perguntou. Então acrescentou: Algum lugar para comermos, eu espero. Meu cachorro quente acabou la no urso polar. Eu estou tão faminta que eu acho que poderia comer um urso polar. Não um daqueles que acabamos de ver, porque eles eram fofos. E muito grandes! Como uma criatura tão grande pode nadar com tanta agilidade? - Eu não tenho idéia, mas acho que você irá gostar de onde estamos indo comer já que esta com fome. Eu estou com fome também. - É algum lugar que nós já fomos antes ou que você já esteve antes? - Não. Eu achei esse lugar pela internet. Eu tive ótimas referencias, e é diferente. - Diferente, hum? Katie sabia que Rick sempre se interessava em procurar restaurantes que oferecessem coisas ”diferentes”. Era por isso que ele tinha ficado tão animado quando abriram um restaurante perto do apartamento dele alguns meses atrás. Ele ficou falando de um restaurante indiano que abriu em Fallbrook. Katie torceu para que essa noite não fosse a escolhida para conhecer esse restaurante em particular. Ela queria comer um grande pedaço de carne, não um prato com variedade de arroz. Rick dirigiu até proximo a área antiga de São Diego e achou um estacionamento na rua, que ele disse foi um milagre. Katie achou uma loja de chocolate do outro lado da rua. - Você se importa se pararmos ali antes de comer? - Você quer alguns aperitivos? Rick perguntou. - Não. Bem, talvez. Não é uma má idéia. Eu queria comprar algo para dar a sua mãe amanhã. Quando ela se juntou à família de Rick na Páscoa, todos os outros convidados levaram bonitos presentes e doces ou frutas especiais. A família de Rick era boa em dar presentes e Katie não queria aparecer com as mãos vazias no grande jantar da mãe dele. Entrando na loja de doces, Katie perguntou a Rick: - O que sua mãe gosta? - Ela gosta de qualquer chocolate. - Olhe esse! Katie pulou em um chocolate. O que você acha desse?

Rick não parecia convencido. - Você poderia pegar algumas trufas, ele sugeriu. Você pode escolher a que quiser, e eles embrulham pra você. Katie pegou vários tipos de bombons e trufas, enquanto uma jovem mulher com luvas brancas enchia uma caixa com cerca de 900 gramas de bombons. Rick tinha sugerido que ela comprasse uma caixa de 700 gramas ou, até mesmo de 450 gramas. Katie queria causar uma boa impressão então ela deixou de lado a sugestão de Rick e pediu pela caixa de 900 gramas, certificando-se de que a embalagem faria jus aos mais deliciosos chocolates. A mulher do outro lado do balcão fechou a caixa marrom com um laço dourado e o colocou de uma forma muito bonita. Ela digitou algo em seu computador e então disse: - Fica em $57, 82 Katie não se moveu. Ela não piscou. Por um momento ela nem respirou. A única palavra que ela conseguiu dizer foi. - Dólares? - Aqui. Rick rapidamente alcançou sua carteira. Eu posso colocar no meu cartão, se você não tiver este valor. Você pode me pagar depois. Com um sorriso ele adicionou: Você é boa em empréstimos. Eu sei onde te encontrar. - Não, eu posso pagar. Katie disse. Ela pegou seu cartão de débito, sabendo que não tinha dinheiro suficiente na sua conta para cobrir o gasto. Contudo, quinta seria Ação de Graças e feriado no banco e ela tinha quase certeza de que poderia colocar o dinheiro de volta desde que recebesse seu pagamento de AR, já que ele era depositado automaticamente toda sexta. Tudo que ela tinha que fazer era lembrar de transferir o valor necessário. Quando eles deixaram a loja de chocolate com Katie segurando o caro presente numa sacola de shopping, ela ainda estava em choque. Ela nunca havia pago tanto por um presente. Verdade, ela sempre fora econômica e não muito de dar presentes então ela não sabia o quanto iria gastar com isso. Mas gastar quase 60 dolares em doces acabou com sua mente. - Pronta para comer? Rick perguntou Ela confirmou e forçou um sorriso. A ultima coisa que ela queria era mostrar a Rick que ela desejava não ter comprado todo esse chocolate. Ou talvez ela pudesse ter comprado menos como Rick havia sugerido. Nota para si mesma: Quando Rick disser para colocar menos de qualquer coisa, escute o homem! Rick fez seu caminho pela rua abaixo para um restaurante charmoso que tinha um cheiro muito bom. A placa da entrada dizia, ”Churrascaria”. - É brasileiro. Rick segurou a porta aberta para Katie. Ele apontou para um dos garçons vestidos com roupas estilo gaúcho que passou por eles com um grande

espeto cheio de carne. Na outra mão ele tinha uma grande faca. - Eles vêm a mesa com a carne no espeto. Então eles cortam quanto você quiser enquanto ainda está quente. - O quanto eu quiser? Katie repetiu. - Você está com fome, não está? - Muita! O recepcionista os sentou em uma mesa longa, perto das saladas. - E se você não quiser a carne? Katie perguntou. Essa é a opção dos vegetarianos? - Não, está tudo incluído. Katie arregalou seus olhos verdes. - Tudo incluso? Quanto custa este lugar? - Não importa. Apenas aproveite. O que você quer beber? Katie pediu chá, e então juntos, eles fizeram sua ronda pela espetacular mesa das saladas. O primeiro pedaço de carne foi oferecido e cortado na mesa deles junto com um pedaço de bacon, seguido por outros pedaços finos de carne. O sabor era apimentado, Katie adorou, e Rick também. Eles experimentaram cada pedaço de carne que era trazido à mesa deles. - Eles têm 16 tipos diferentes de carne, Rick disse. Eu acho que nós devemos começar a contar porque eu acho que não conseguiremos chegar lá. - Essa ultima estava maravilhosa, Katie disse. Mesmo tendo comido pouco ela já estava cheia. A salada ainda estava intocada, mesmo ela amando. Ela não poderia forçar a si mesma a comer mais um pedaço. - Selena continua no Brasil, você sabe, e ela me disse sobre lugares que você poderia comer muita carne. Eu não consegui imaginar, mas tenho certeza que era disso que ela estava falando. E só pra constar, você pode me trazer aqui sempre que quiser. Katie teve a sensação de que a conta seria maior do que a dela com o chocolate. Ela queria ter certeza que Rick saberia o quanto ela tinha gostado do dia. Eles saíram para dar uma volta pelo bairro antes de voltar para casa. - Você é tão bom pra mim Rick. Obrigada pelo dia. O zoológico, o jantar maravilhoso, e essa volta. Você realmente sabe ser generoso. - Saiu tudo como imaginei, valeu a pena. - O que valeu a pena? - Gastar tempo pensando em coisas legais para fazer e lugares interessantes para jantar. Nós estamos juntos há quase um ano, Katie. Eu sei, que estamos oficialmente juntos há alguns meses, mas nós fizemos muitas coisas juntos por um longo tempo. Muito desse ano passado eu estava focado no café e em abrir

outro com o Josh. Isso me fez sentir que estava falhando com minhas obrigações de namorado. - Obrigações de namorado? Katie riu. Ei, se você está saindo comigo como uma tarefa ou obrigação, você está bem enganado com o que significa nosso relacionamento. - Ok, então obrigações foi uma palavra errada. Mas você sabe o que eu quero dizer. Eu quero me focar em você agora. Eu quero que a gente faça coisas legais juntos. Não ria de mim, mas eu fiz uma lista. É isto estava ma lista. Eu queria ir ao zoológico para você poder ter uma boa memória em estar comigo. Katie olhou para Rick com olhar de devoção e apreciação. - Missão comprida, meu namorado fazedor de listas. Eu agora tenho a melhor e mais feliz lembrança do zoológico. - Ótimo. Rick parou de andar. Eles estavam em frente a uma loja de vender bicicletas. Todas as lojas estavam fechadas, mas era um lugar turístico. Enquanto eles estavam lá, Rick segurou Katie em seus braços. Ela sabia que ele iria beija-la. Ela então fechou os olhos e esperou. Quando os lábios de Rick estavam próximos aos dela, um arroto inesperado rodeou em seu estomago e estava pronto para sair. Katie rapidamente virou o rosto e tentou impedir. Ela fez um barulho engraçado e então riu. - O que é tão engraçado? Rick perguntou. - Nada. Eu! Meu barulho! Há! Katie tentou não ficar com uma expressão estranha e trazer de volta o momento romântico que eles quase experimentaram. Me desculpe, Rick. Ele parecia confuso. De forma alguma Katie iria contar a ele que ela quase deixou escapar um gás tóxico do rosto dele. Coitado do rapaz. Ele parecia não entender a brincadeira privada de Katie. - Vamos lá. Ele pegou a mão dela e a levou de volta ao carro. - Você está triste? Ela perguntou. - Eu deveria estar? - Não. Eu apenas... meu hálito está realmente com cheiro estranho. Ela disse. Me desculpe eu não queria estragar o momento. - Eu devo ter algum chiclete no carro. - Bom. Eu irei pegar. Eles pegaram a estrada e foram para o norte, mastigando o chiclete sabor menta e pimenta e conversaram sobre o zoológico e outras idéias que Rick tinha em sua lista. O humor deles estava ótimo. O trafego estava horrível, mas deu a eles a oportunidade de discutir sobre vários pontos. Uma hora no caminho deles pra casa, Katie de repente segurou o braço de Rick.

- Ah, não! Rick, nós temos que voltar! - Qual o problema? - Os chocolates! Eu esqueci os chocolates! Eu coloquei a sacola em baixo da mesa do restaurante, e esqueci. Rick, nós temos que voltar! Ele não estava feliz. Mas Katie também não estava. - Eu deveria dizer pra esquecer isso e irmos embora, mas os chocolates foram um grande investimento pra mim, Rick. - Você deveria ter comprado uma caixa menor! Ele murmurou - Eu sei. Você está certo. Eu vou te pagar pela gasolina de volta. - Você não precisa me pagar pela gasolina, Katie. Eu deveria ter lembrado também. Eu deveria ter lembrado antes de sair. - Eu odeio quando faço coisas assim. - Não gaste a próxima hora se culpando. Aqui. Use meu celular e ligue pro restaurante. Eles podem levar a sacola pra você em frente ao restaurante então a gente apenas passa e pega. - Você tem o numero deles aqui? - Eu coloquei ai quando liguei alguns dias. Está na minha lista de restaurantes. - Eu não conheço ninguém que tenha uma lista de restaurantes no celular. Por que você tem todos esses números de restaurantes? - Para momentos como esse, Rick disse com uma voz baixa. - Ponto para você. Katie achou o numero e ligou pro restaurante. Eles disseram que acharam uma sacola e que iriam segurar na porta da frente. Levou 1:15 minutos para dirigir de volta ao restaurante. Então eles voltaram pra casa e levaram 2h pra chegar por causa do tráfego. Parte do caminho eles estavam cordiais. Mas quando Rick deixou Katie do Crown Hall depois de uma hora da manhã, os dois estavam meio ausentes. - Eu virei amanhã 11h, Rick disse. Por um momento, Katie não conseguia lembrar o por que ele estaria vindo. Então ela lembrou que seria Ação de Graças. O almoço seria as 14h, mas Rick iria pegala mais cedo para eles assistirem o jogo de futebol ou jogar algum jogo. - Estarei pronta as 11h, Katie disse mais para lembrar a ela mesma e então acrescentou. E Nicole estará comigo. - Bom. Rick disse. Katie estava quase fechando a porta do carro quando Rick disse. - Katie, a sacola. - Ah, os chocolates. Eu quase os esqueci de novo. Ela pegou a sacola.

- Você quer que eu fique com eles e traga comigo amanha? - Não, eu irei lembrar. Obrigada de novo, Rick. Foi um dia maravilhoso e noite também. E o começo do outro dia. Me desculpe por esquecer os doces. - Não se preocupe. Durma um pouco. Te vejo de manhã. Katie acenou, e Rick foi embora. O campus estava estranho. Nenhum estudante estava andando por lá. Mesmo já sendo tarde da noite, sempre tinha alguém entrando ou saindo do estacionamento ou sentado no lobby. Crown Hall estava parecendo um lugar fantasma. Usando sua chave mestra, Katie fez seu caminho pelo prédio, bocejando muito. Não havia musica saindo das portas por onde passava. Nenhum som de conversas vindas dos banheiros e nenhuma jovem sentada em frente seu quarto com problemas nas chaves e conversando em seu telefone. Katie achou que seria fácil ir pra cama hoje. O que não foi fácil foi acordar no outro dia quando o alarme do seu celular tocou. Ela levou pouco tempo tomando banho. Mas mesmo sendo pouco tempo, Katie achou que seria difícil estar pronta antes das 11h. Ela saiu pelo corredor em seu robe e bateu na porta do quarto de Nicole, chamando-a. - Ei, eu não sei o que vestir. O que você está usando? Nicole abriu a porta e fez sinal para Katie entrar enquanto ela estava no celular. Ela estava arrumada, e seu cabelo brilhante estava muito bonito. Seu vestido marrom acentuava da forma certa os lugares certos. Seus brincos e o colar estavam ideais, e até seus sapatos estavam combinando. Nicole estava perfeita para a Ação de Graças e Katie tinha certeza de que Josh iria notá-la e ter uma ótima impressão. Desligando o celular, Nicole imediatamente perguntou. - Eu estou muito arrumada? - Não. E nem pense em se trocar. Você está perfeita. Fantástica. Agora, posso pegar algo emprestado? Nicole riu. - O que quiser. O que você quer vestir? Calças? Um vestido? - Eu quero colocar um vestido. Ou uma saia. Eu acho que fico mais confortável com saias. - Aqui, tente essa. E se essa não ficar boa, tente essa. Nicole deu a Katie algumas peças do armário. Katie levou apenas 6 tentativas antes de achar uma boa combinação. Ela escolheu uma saia preta de Nicole apenas porque ela cabia bem melhor do que as outras e uma blusa verde e branca com um suéter que combinavam bem com

seus olhos. Parecia combinar também com o cordão que Rick deu a ela. - Você precisa me levar pra fazer compras. Katie disse. Eu nunca compraria algo assim, mas agora que as coloquei junto, eu gostei. Gostei da saia também. - Quer saber? Pode ficar com a saia. Eu não a usava há mais de um ano. Sério, pode ficar. - Obrigada. Vou voltar ao meu quarto e pegar o presente da mãe do Rick. Então estarei pronta. - O que você comprou? - O chocolate mais caro do mundo. - Eu comprei pra ela mum16. Isso é idiota? Eu não sabia o que comprar. Nicole pegou um vaso com uma planta. - Estas são as mums? Elas parecem margaridas. Só um pouco marrons. Ou é um tipo de laranja? - É ocre. - O que é isso? - É o nome desse tipo de marrom. Ocre. - Ok. Eu tenho que te dizer que você e a mãe do Rick com certeza se darão bem. Você estará no topo da lista dela de pessoas favoritas com seu ótimo vocabulário. - Ótimo, mas mesmo assim vou levar as crisântemos. - Ahhhh! Diga essa palavra perto dela também. Ela sabe os nomes verdadeiros das plantas e flores. Ela irá amar.

16

Uma espécie de ‘apelido’ para as flores crisântemos.

Capítulo 19
Katie estava certa. Com ou sem flores ou a linguagem das nuances das cores, a mãe de Rick instantaneamente adorou Nicole. Assim como o pai de Rick. Josh, no entanto, parecia envolvido demais numa conversa com o pai de Rick para fazer qualquer coisa além de dizer oi. Quando o pai de Rick saiu da cozinha para atender a campainha, Katie tentou encontrar uma maneira de conectar Josh e Nicole. - E então, Josh, você ainda está morando no Arizona, ou voltou pra cá quando os planos do café em Tempe não deram certo? - Eu estou no meio-a-meio. Do jeito que as coisas estão indo, eu devo estar de volta no Natal, mas isso depende do que minha namorada acabar fazendo. - Sua namorada? Katie trocou um rápido olhar com Nicole, que estava colocando uma pequena cenoura de molho dentro de uma tigela. Nicole pareceu insensível à novidade de que Josh tinha uma namorada, mas Katie sentiu que devia outra desculpa à sua amiga. Primeiro ela tentou juntar Nicole com Eli e não deu em nada. Agora Josh tinha uma namorada. - Shana se candidatou a um emprego em San Diego. Se conseguir, ela se mudará pra cá no fim de dezembro. Então eu não teria motivos para ficar no Arizona. Claro, muito vai depender, também, de onde nós vamos começar o próximo café. A mãe de Rick entrou na conversa enquanto ela enchia uma tigela de madeira com tortilhas. - Eu queria que Shana tivesse se juntado a nós nesse feriado. Por favor, diga a ela que ela é bem vinda aqui no Natal. Você também, Katie, claro. Nós tivemos um tempo ótimo quando você esteve conosco no último Natal. Você é sempre bem vinda. Eu espero que saiba disso. Agora que nós nos mudamos e estamos bem mais perto da Rancho, eu espero que você venha aqui mesmo quando Rick não estiver com você. E Nicole, você é sempre bem vinda também. - Obrigada, Nicole disse. Tem certeza que não há nada que eu possa fazer para te ajudar com a comida? - Ainda não. Eu te aviso quando nós estivermos próximos ao horário de nos sentarmos pra comer. - A mesa está linda, a propósito, Nicole disse. Rick mostrou a casa pra nós. A mesa de jantar é maravilhosa. Eu adoro aquela madeira escura. Sua louça de porcelana é um dos meus modelos preferidos. Minha tia tem igual. É Lenox, não é? Vindo de qualquer outra garota jovem, aqueles elogios poderiam soar com um monte de frases falsas com a intenção de impressionar. Vindo de Nicole, elas eram sinceras. A mãe de Rick pareceu perceber isso. - Você viu a tigela de molho que vem com o conjunto de peças? Eu acho que é

minha peça favorita. Ela foi até a sala de jantar e Nicole a seguiu, animada para conversar sobre a louça de porcelana. Katie se virou para Josh. - Espero que Shana consiga o trabalho. Eu gostaria muito de conhecê-la. - Você vai gostar dela. Ela se parece bastante com sua amiga. Josh apontou com a cabeça para a sala de jantar, onde Nicole estava de pé de costas para eles. - A Nicole é ótima, não é? Katie sabia que Josh quis dizer algo positivo com o comentário, mas sinceramente, Katie teria gostado mais se Josh tivesse dito que Shana era bastante parecida com Katie. Isso teria aumentado o „ibope‟ de Katie com a família de Rick, o que Katie sentia ser sempre uma boa coisa a ser feita. Além do mais, se Josh estava comparando sua namorada com Nicole, então Katie desejou ter apresentado Josh a Nicole antes de ele ter se envolvido com Shana. Mas ela nem teve tempo de se sentir mal pelas possibilidades que o comentário de Josh trazia porque o pai de Rick retornou da cozinha com Eli e Joseph. Katie cumprimentou Joseph com um abraço de lado e disse um caloroso oi para Eli. O irmão e o pai de Rick pareciam um pouco surpresos com a aparência desmazelada do companheiro de quarto de Rick. Ou talvez fosse a aparência de Joseph. Rick, que estava lá fora na garagem procurando por algum tipo de bandeja em meio à coleção de caixas fechadas para sua mãe, entrou naquele momento. Ele apresentou Eli e Eli apresentou Joseph. Nicole e a mãe de Rick retornaram para a cozinha e outra rodada de apresentações aconteceu com mais apertos de mão e olhares curiosos. Katie tinha que admitir, Rick devia ter preparado Eli para o código de vestimenta da casa dos Doyle. Eli estava de calça jeans e um suéter com um buraco no braço. Seu cabelo escapulia por debaixo da boina que ele deveria ter retirado quando entrou na casa. Joseph não estava tão bagunçado quanto Eli, mas sua camisa estava amassada e carregava um leve cheiro do posto de gasolina. - Por favor, sirvam-se de alguns aperitivos. A mãe de Rick assumiu o papel de uma anfitriã ideal e se certificou de que todos tinham algo para beber. Espalhada pelo balcão, junto com as tortilhas e uma travessa de vegetais frescos e picados, estava uma salada de frutas feita na hora, pão francês com patê de espinafre, azeitonas, queijo e torradas. - Que banquete maravilhoso. Joseph pegou algumas azeitonas e cubinhos de queijo. Muito obrigado por me convidar para o jantar de Ação de Graças de vocês. - Ainda tem mais, Rick disse. Isso ainda não é o jantar. Isso é só o aquecimento. Joseph olhou incrédulo. Katie se perguntou como deveria ser para alguém que cresceu numa vizinhança humilde entrar numa casa grande e primorosamente decorada como a dos Doyle. O que será que ele pensa?

Verdade, a cafeteria da Rancho Corona provia uma variedade abundante de comida. Mas aqui, toda a comida era apresentada artisticamente e era acompanhada por pratos de porcelana para os aperitivos e taças de cristal para as bebidas. Katie olhou para Eli. Ele estava encarando a mãe de Rick como se estivesse tentando memorizar sua fisionomia. Ela era uma mulher linda. Alta e de cabelos escuros como Rick. Quando ela era jovem, ela tinha feito alguns trabalhos como modelo e quando Rick era jovem, ela vendera alguns produtos para pele. Rick contou à Katie uma vez que o avô de sua mãe morou na Itália e que ele ainda tinha alguns parentes lá. Dando alguns passos à frente para conseguir a atenção de Eli, Katie fez o sinal que eles tinham praticado na Noite de Pizzas antes de Nicole descer. Ela esfregou sua sobrancelha direita e passou a mão em seu cabelo. Eli não captou a mensagem. Katie fez o sinal pela segunda vez. Ele continuou sem responder. Recorrendo a uma tática mais óbvia, Katie mudou para o original sinal com os dedos ”tire uma foto, dura mais”. Eli olhou para ela, assim como todos. Katie rapidamente afastou suas mãos uma da outra e fez um estranho movimento de estalar os dedos, como se um pouco de sal ou patê dos aperitivos tivesse ficado em suas mãos e o sinal fosse parte do método para removê-los. Eli respondeu à mímica de Katie passando a mão em seu cavanhaque. Esse era o sinal que ele tinha dado a ela no saguão do Crown Hall, então agora ela teve plena certeza de que ele estava em sintonia com ela. Ao menos ele tinha parado de encarar. A família tabuleiro achava o sabia que Doyle era forte em tradições e uma dessas tradições era um jogo de que eles jogavam quando todos estavam juntos. Katie secretamente jogo muito estranho, mas ela tinha jogado em ocasiões anteriores e daria seu melhor no jogo mais uma vez.

O jogo vinha com uma roleta e peças para mover pelo tabuleiro, mas ele deixava a desejar na parte da competição. Era mais um jogo ”vamos conversar”. Quando um jogador parava na casa azul, ele tinha que pegar uma das cartas-pergunta e respondê-la. Se ele parasse na casa vermelha, ele tinha que pensar numa pergunta e fazê-la à pessoa a sua direita. Katie descobriu que o jogo foi inventado por um terapeuta que estava tendo problemas em convencer sua família a se interagir. Não que Katie soubesse como uma família normal e saudável devia interagir nos feriados, mas se sentar para responder a perguntas parecia estranho para ela. Entretanto, enquanto o peru cozinhava, os convidados se sentaram em volta de uma grande mesa na espaçosa sala de estar e Rick foi o primeiro a girar a roleta. Ele parou na casa vermelha e tinha que fazer uma pergunta a Nicole. Ele

perguntou a ela se ela estava feliz por ter vindo à casa dos Doyle. Nicole graciosamente disse: - Sim, eu estou muito feliz por estar aqui. Obrigada por terem me convidado. Isso fez o jogo começar de um jeito legal e cordial. Eli foi o primeiro a tirar uma carta-pergunta. Ele leu em voz alta. - Descreva um dos seus aniversários preferidos. Eli encarou a carta por um longo e desconfortável momento antes de finalmente olhar pra cima. - Eu tinha nove anos. Eu estava morando em um lote com várias casas em Zâmbia e choveu no meu aniversário. Todo mundo esperou pela parte seguinte da história. Exceto Joseph que concordou com a cabeça e sorriu. - Não chovia há quatorze meses, Eli explicou. Quando começou a chover, todos correram para a parte descoberta na frente do posto médico. Foi uma grande festa. A escola foi suspensa pelo restante do dia. Todos gargalhavam, dançavam, e batiam com os pés nas poças d‟água. Eu e meus amigos fizemos uma grande guerra de lama e minha mãe fez um bolo. Meu pai me deu uma lanterna que ele mantinha sempre em seu bolso. Eu ainda tenho a lanterna. Aquele foi, sem dúvida, meu aniversário favorito. O restante do grupo ficou em silêncio por um tempo em silenciosa contemplação. Era a vez de Josh. Ele girou a seta e parou na casa azul. Sua pergunta era: - Onde você espera morar daqui a cinco anos? - Vocês já sabem a resposta dessa. Josh olhou para seus pais e para Rick. Meu objetivo é ser milionário quando eu estiver com trinta e cinco anos. - Mas onde você quer morar daqui cinco anos? Nicole soltou. - No Hawaii. Embora eu ache que, do jeito que as coisas estão indo, demore mais uns dez anos para conseguir isso. O projeto de Tempe foi um retrocesso, mas se nós conseguirmos ajeitar as coisas até o fim do ano, eu acho que conseguiremos voltar à ativa. Eu tenho a papelada preliminar em movimentação e nós nos encontraremos com a construtora na terça-feira, então... - Espere, Katie interrompeu. Vocês encontraram outra propriedade para desenvolver o projeto? Eu não sabia que vocês já tinham encontrado algo. Josh concordou com a cabeça e lançou um olhar irritado para Rick, como se este fosse o responsável a dar os detalhes para Katie. - Nós temos dois em vista. Tenho certeza de que Rick vai te contar sobre eles. Rick lançou um olhar de volta para Josh enquanto disse: - Ainda está nas preliminares. Um é em Redlands, e o outro é no leste de San Diego. Ambos são há algumas horas de estrada daqui.

- E ambos estão sendo oferecidos a preço abaixo do mercado, Josh adicionou. Se os dois derem certo, eles vão, definitivamente, fazer a perda do negócio de Tempe ter valido a pena. Nós conseguiremos dobrar nossos lucros. O pai de Rick entrou no diálogo. - Nós saberemos mais depois que nos encontrarmos com a construtora na terçafeira. Agora é a vez de quem? Katie teve um estranho sentimento. Todo o tempo que Rick tinha falado que gastaria com ela provavelmente seria redirecionado depois daquele encontro de terça. Ele poderia facilmente voltar à mesma agenda que tinha quando ele e Josh estavam tentando fazer as coisas darem certo com o café em Tempe. Josh disse que ele queria fechar o negócio até o fim do ano. Aquilo significava que as coisas poderiam mudar rapidamente para Rick e Katie. Ela não estava certa sobre como se sentia a respeito disso. Um pequeno eco dentro dela a estava dizendo que a razão pela qual ela descobriu estar amando Rick era por causa do sentimento de segurança que ela sentiu depois que ele expressou sua afeição por ela com beijos e por ele estar mais disponível para que eles ficassem mais juntos. Como ela se sentiria quando ele não estivesse assim tão disponível? Era a vez da mãe de Rick e ela estava respondendo uma pergunta sobre o que ela sentia quando ia ao dentista. Enquanto ela descrevia sua aversão a grandes agulhas, Katie desligou sua mente e tentou imaginar como as coisas ficariam entre ela e Rick pelo resto do semestre, o resto do ano, pelos próximos dez anos, e pelo resto da vida dela. Forçando-se a voltar ao presente, Katie percebeu que parte do fato de ela amar Rick significava entrar na vida dele no nível apropriado para o tipo de relacionamento deles. Se ela realmente o amava, o que ela sabia ser verdade, então ela precisaria entrar nos objetivos dele e andar no mesmo ritmo que ele para que ele cumprisse esses objetivos. Estar com Rick o resto da vida dela sempre significaria planos financeiros, objetivos de carreira e muitas horas de trabalho. Ela não tinha medo de uma vida assim. Era apenas diferente da vida que ela vivera e certamente diferente de como ela imaginara que sua vida seria. A única parte que ela sabia que teria que trabalhar era a parte do dinheiro. Comprar chocolates para a mãe de Rick tinha sido um pequeno teste do nível de vida que a família dele tinha. Quando Katie e Nicole entraram na cozinha mais cedo e presentearam a mãe de Rick com as flores e os doces, ela expressou igual apreciação pelos presentes. Ela deu um abraço de agradecimento em Katie pela grande caixa de doces e disse: - Não há como tentar fazer dieta nos feriados, não é? Foi um comentário amigável e dito de forma espontânea. Mas agora que Katie tinha pensado sobre isso, ela percebeu que os caros chocolates iriam ficar intocados pela mãe de Rick. Katie sabia que ela teria que desenvolver um novo senso de entendimento para todas as coisas relativas ao dinheiro. Especialmente

em dar presentes aos membros da família Doyle. Ela gostava de desafios. Esse era um que ela acreditava que conseguiria vencer. - É a vez de Katie. Rick deu a roleta pra ela girar. Ela voltou seus pensamentos de volta para o jogo e tirou um cinco. Sua peça parou numa casa vermelha e ela tinha que fazer uma pergunta a Joseph. Sem pensar em como sua pergunta poderia soar, ela voltou sua inspiração para o rumo que seus pensamentos tinham tomado. - Se você tivesse um milhão de dólares, o quê você faria? - Essa é sempre uma boa pergunta, o pai de Rick disse. Joseph não aparentou ter a mesma apreciação pela pergunta que o pai de Rick teve. Ele gaguejou um pouco, como se ele nunca tivesse pensado nisso. Depois de um tempo ele respondeu: - Eu traria minha esposa e minha filha para morarem comigo. O grupo ficou mais uma vez em silêncio. - Sua filha? Katie perguntou. Eu só vi a foto da sua esposa. Eu não sabia que você também tinha uma filha. - Ela só tinha três meses quando eu deixei Ghana, e nós não tivemos a oportunidade de tirar fotos dela. Rick mudou de posição desconfortavelmente. - Como você consegue agüentar ficar longe delas? - Alguns dias são mais fáceis que outros. Quando eu ouço que elas estão bem, isso me encoraja a continuar e terminar meu curso. Minha esposa entende o que eu estou tentando cumprir aqui com meus estudos. Ela sabe que isso será para o bem do nosso povo, daí ela diz que o sacrifício dela é pequeno. A conversa continuou enquanto Joseph explicava como, quando seu avô era um chefe da aldeia, um missionário dos Estados Unidos tinha vindo e contado a eles sobre Cristo. O pai de Joseph acreditou e como resultado, toda a aldeia veio a Cristo. Desde então, a aldeia cresceu surpreendentemente e usufruiu de boa saúde e abastecimento estável de água potável. O pai de Joseph era o chefe agora e Joseph foi escolhido para ir para a faculdade através de uma bolsa de estudos providenciada pela primeira organização missionária que fez contato com a aldeia. Os planos de Joseph eram de voltar à sua aldeia como pastor e como professor na escola. O contraste entre os objetivos de vida de Joseph e Josh eram chocantes. - Eu sinto muito por você, sua esposa e sua filha estarem separados durante esse tempo. A mãe de Rick disse. Quando foi a última vez que você as viu? - Vinte e três meses e duas semanas atrás. A mãe de Rick deixou escapulir um leve suspiro que expressou o que Katie estava sentindo e o que ela achava que o resto deles também estava sentindo.

- O que você está fazendo, Joseph, é muito admirável. Eu sei que o Senhor abençoará você e sua esposa pelo grande sacrifício de vocês. - O Senhor já tem nos abençoado. Abundantemente. A expressão de Joseph era cheia de paz. Katie desejava que, agora mesmo, ela tivesse um milhão de dólares para que Joseph pudesse estar com a família dele durante os dezessete meses restantes que ele estaria na faculdade. - É a vez de quem agora? Josh perguntou. Katie não estava mais com vontade de jogar. Rick deve ter sentido o mesmo porque ele disse: - Que tal nossa anual volta pelo quarteirão? Katie ouvira sobre essa tradição dos Doyle no último Natal. A família sempre saía para dar um passeio enquanto o peru estava na sua última hora no forno. Eles retornavam à casa cheirosa pela fragrância do peru e já tinham cuidado de aumentar seu apetite durante a caminhada. - Bem na hora, Rick, a mãe dele disse. Sim, que tal a caminhada? Todos prontos para aumentar o apetite? O pai de Rick foi o primeiro a se levantar. Todos o seguiram e se reuniram na porta da frente. Katie notou que a mãe de Rick tinha ficado na cozinha. - Sua mãe não vai vir? - Não, ela normalmente fica aqui preparando o purê de batatas e as ervilhas enquanto nós caminhamos. - Eu vou ficar e ajudar. Nicole deu uma cutucada no braço de Katie. Esses sapatos não são os melhores pra caminhar. Eu prefiro ficar. - Apenas se certifique de deixar alguns pedaços de batata no purê, Katie disse. É assim que Rick gosta. Com alguns pedaços. - Entendi. Com alguns pedaços. Assim que eles deixaram a casa, Katie compassou seu andar com o de Joseph. - Qual é o nome da sua filha? - Nós a demos o nome de Esperança. Katie sentiu seu coração ficando mais afeiçoado por Joseph e sua esposa, Shiloh. Até o nome da filha deles era um reflexo das aspirações que eles compartilhavam pela aldeia e pelo povo deles. - Eu gostaria que houvesse um jeito de vocês ficarem juntos aqui. Os três deveriam ficar juntos. - Esse era nosso plano original. Nós dois preparamos os formulários e os vistos necessários, mas nem tudo foi como nós queríamos. Tudo bem. Nós estamos, certamente, dentro do plano de Deus. Ele tem muitos pensamentos que nós não entendemos.

O grupo desceu a larga rua do novo complexo de casas. Toda a paisagem estava fresca e verde e todas as árvores eram jovens. A maioria das casas estava ocupada; apesar de a vizinhança ter aquele aspecto sonolento, como se tivesse acabado de acordar. Era uma comunidade bebê e estava destinada a crescer forte. Rick foi para o lado de Katie e pegou a mão dela. Puxando-a alguns passos para trás dos outros, ele disse: - Você está bem? - Estou, eu só estou pensando em Joseph. Eu queria que ele pudesse trazer sua família pra cá. - Eu entendo o que você quer dizer. Em horas como essas que eu gostaria de ser um milionário, para fazer essas coisas acontecerem. Às vezes eu dou pra trás nos planos de Josh de ganhar muito dinheiro. E então eu ouço alguém como o Joseph com uma necessidade dessas e eu só gostaria de poder fazer um cheque. - Eu sei, Katie disse. - Isso me ajuda a lembrar porque eu concordei em entrar nessa franquia do café com o Josh e despender tanto esforço nisso. Se nós conseguirmos ser bem sucedidos nisso, nós teremos uma grande chance de ajudar aos outros financeiramente. Katie estava feliz por Rick ter dito o que ele disse naquele momento. Dentro da casa os pensamentos dela tinham pendido para um lado da equação, pensando que a busca incansável por riqueza era um objetivo fraco em comparação ao foco solitário de Joseph em se capacitar para voltar a Gana e ensinar os outros. Rick fez um carinho na mão de Katie. - Quando eu perguntei um minuto atrás sobre você estar bem, eu estava me referindo às novidades sobre os dois novos cafés. Como você está processando isso tudo? Quando Katie ouvira essa novidade, ela formulou as primeiras linhas do que ela queria dizer: ”Por que você não me contou ontem? Nós ficamos juntos o dia todo e quase a noite toda e nós conversamos por horas. Entretanto você nem tocou nesse assunto. Por que?” Contudo, agora que ela teve tempo para colocar as coisas sob uma perspectiva mais clara, ela estava pensando em Shiloh e no sacrifício que ela estava fazendo com aquela garotinha, Esperança, para que Joseph pudesse atingir seu objetivo. Para Katie, aquilo parecia mais com a linda imagem de amor verdadeiro do que o sentimento possessivo e acusador que ela originalmente iria lançar sobre Rick. Com aquele renovado senso de admiração pelo que Josh e Rick estavam tentando alcançar em longo prazo, Katie tinha uma resposta diferente para a pergunta dele. - Eu gostaria de ter ouvido a notícia de você, mas eu acho que posso entender o motivo de você ter evitado esse assunto ontem. Foi um dia divertido. Bem,

divertido exceto pelo fato de eu ter esquecido os doces. - Não se preocupe com isso, Katie. Deu tudo certo. - Acho que sim. Eu deveria ter comprado só metade do que eu comprei, como você sugeriu. Eu aprendi bastante, entretanto. E eu aprendi bastante com Joseph naquele jogo, que, a propósito, eu sempre julguei ser um jogo idiota, mas agora eu acho que entendo porque sua família gosta dele. Meu pensamento sobre essa coisa toda do café é que você deve correr atrás. Independente das oportunidades que Deus der a vocês e da forma que elas acontecerem ou quando elas acontecerem, eu acho que você deve correr atrás dos seus sonhos e objetivos. É isso que você quer. Você não precisa me comunicar sobre cada acontecimento, no entanto, quanto mais você me contar, menos provável é que eu acabe soltando frases vergonhosas na frente da sua família. Rick sorriu. - Você é a melhor, Katie. E sabe o que mais? Você é boa demais pra mim. Katie olhou pra ele. Eles estavam longe demais de todos para que eles os pudessem ouvir. Rick parecia estar a um pequeno passo de proferir as três poderosas palavras que tinham, mais uma vez, subido até a superfície do coração de Katie. Ela carinhosamente queria dizê-las em voz alta. A afirmação que estava na ponta da sua língua era: ”A razão pela qual você acha que eu sou boa demais pra você é porque eu te amo, Rick Doyle”. Ela guardou suas palavras dentro de si e esperou Rick fazer a declaração que ela não podia deixar de acreditar que estava nos lábios dele. Eles pararam de caminhar. Rick olhou dentro dos olhos de Katie. Ela encontrou o olhar dele, ansiosa, pronta para ouvir aquelas palavras que mudariam a vida dela.

Capítulo 20
- Então o que ele disse? Nicole estava na beira da cama mais tarde na mesma noite do Jantar de Ação de Graças, ouvindo o resumo de Katie sobre o que aconteceu entre ela e Rick na caminhada deles. Katie estava sentada no colchão inflável no chão do quarto de Nicole, tendo gasto a ultima hora falando do relacionamento dela com Rick. - Ele disse, 'Você está esplendida hoje'. - E? Nicole motivou. - Foi isso. Ele me deu um beijo rápido e suave, e nós andamos rápido pra alcançar os outros. Quando ele chegou perto do pai ele disse 'Estou sentindo falta do Max'. E então o irmão dele se juntou aos dois e começaram a conversar sobre o Max, o que eu achei ser um papo de homem entre os Doyles. - Desculpa, me perdi. Quem é Max? - Max era o cachorro deles. Era um ótimo cachorro. Eu o conheci. Eu acho que eles o tiveram por 15 anos. Rick estava tomando conta do Max no verão passado quando os pais dele se mudaram pra casa nova, e o velho cão nunca conheceu a casa. - Rick não voltou a falar do relacionamento de vocês? Nicole perguntou - Não. Você estava lá no resto do dia. Nós não conversamos mais sozinhos. - Foi um dia maravilhoso. Que jantar! A mulher sabe cozinhar. E decorar. Você viu o quarto do casal e o banheiro? Claro que viu. Você já esteve lá antes de mim. Estou falando, Katie, eu nunca vi uma casa tão bonita. Eu não posso acreditar que eles moram nessa casa há alguns meses. - Eles são uma família maravilhosa. Em termos de ambição e classe, eles estão em lados polares opositores da minha família. Se Rick e eu nos casarmos, eu realmente ficarei nervosa sobre os pais dele conhecerem os meus. - Casar? Você disse isso? - Sim, eu acho que disse, não disse? - Vocês pensam em casar? Nicole perguntou. Digo, vocês já conversaram sobre casar? - Não. Como eu te disse nós nem chegamos à parte de dizer „eu te amo‟. Às vezes, como hoje, eu consigo imaginar isso. Eu posso-me ver ajustada a isso, adaptada e vivendo minha vida. E outra hora eu... Katie sentiu sua garganta fechar. Outra hora eu penso em pessoas como Eli e Joseph e me sinto como se eu tivesse mais a ver com esse tipo mais simples de vida. Sabe? Como Eli disse que o aniversário preferido dele foi quando choveu e eles dançaram na chuva. Katie imaginou varias crianças se divertindo na chuva enquanto os adultos se

alegravam e riam uns pros outros enquanto chovia. - É uma ótima imagem não é? Ela continuou. É muito lindo, uma forma simples de celebração. Eu posso apostar que não haja uma pessoa no complexo onde Eli mora que tenha uma tigela de porcelana. Não, eu posso apostar que no complexo onde ele mora não haja alguém que se quer tenha visto uma tigela de porcelana. Bem, exceto talvez os pais de Eli antes de irem pra África. Nicole parecia que iria protestar sobre o discurso de Katie, mas Katie rapidamente acrescentou, - Digo, não há nada de errado com isso. Eu amo o Dia de Ação de Graças, com as flores bonitas no centro da mesa, e todas as figuras de peru e índios. Mas, eu não sei, você tem que me dizer Nicole. Todas as pessoas como eu apreciam e eventualmente se divertem com as pessoas de classe alta? Ou eu sempre irei preferir dançar na chuva ao invés de me preocupar com garfo de saladas? - Katie, eu acho que você pode fazer o que estiver em seu coração. O que imaginar. Você se encaixa em famílias como a de hoje. - Serio? Eu não pareço como uma prima estranha? - Não, não. Os Doyles amam você. Isso está claro. - Eles amam você também. Todos, exceto Josh, que decidiu ir e arrumar uma namorada quando eu não estava vendo! Desculpa sobre isso. Eu estou feliz por você não ter-me deixado falar nada antes do tempo, porque eu não falei. Além do mais, teria sido bom se Rick tivesse me falado que o irmão dele tem uma namorada. - Ah, o que era aquela caixa que você fez com os dedos quando nós chegamos lá? - Eu estava fazendo uma moldura de foto. „Tire uma foto, dura mais‟. Era um sinal pro Eli. Ele encara as pessoas. - Eu percebi. - Ele não percebe o quanto ele olha intenso. Então, depois da noite da pizza, eu tentei manter um sinal com ele, mas ele aparentemente esqueceu. - É um sinal meio obvio, não acha? Katie riu. - Sim. Eu tentei um mais discreto, mas quando ele não respondeu, eu voltei pro grande sinal. Nicole riu. - Pobre Eli. Não, na verdade, nada de pobre Eli. Eu estou começando a entender porque você gosta dele. Eu vi um lado diferente dele hoje, e ele é intrigante. - Oh! Deus! Isso quer dizer que você dará outra chance a ele? Nós estaremos com ele o dia inteiro quando formos pintar o apartamento, então você poderia deixálo saber que você está interessada.

- Opa! Pare essa loucura agora mesmo! - O que você acabou de dizer? - Era o que meu pai costumava dizer pra minha irmã e eu quando estávamos fazendo algo errado. O que to querendo dizer é que eu não estou interessada. Você me ouviu? N-Ã-O, não estou interessada no Eli. Eu estava apenas dizendo que ele não me parece mais estranho. Eu não me imagino saindo com ele. É só isso. - Bem, Katie disse com tristeza, já é um começo. - Você nunca desiste, Katie Weldon, ou talvez você esteja interessada em começar uma guerra de travesseiros, e, pra ser sincera, eu estou cansada. Que horas são? - Quase duas. - É isso. Que horas nós combinamos com Eli? - Você disse que estaríamos lá umas 8 horas. - Eu disse? - Sim, você disse, 8 horas, Nicole! O que você estava pensando! - Eu estava pensando que estaríamos na cama antes de meia noite. Será que deveríamos ligar e dizer que estaremos lá 9 ou 10h? - Não é uma boa idéia, Katie disse. Lembra que Rick disse que faria o café da manha? Bem, ele definitivamente acorda cedo, e, acredite, as omeletes valem a pena. - Eu devo colocar o alarme para 6:30? Nicole perguntou - Você esta doida? Coloque para 7:40. Nós apenas temos que colocar uma calça, uma camiseta e achar algo para prender o cabelo. Nós só vamos pintar, lembra? - Eu sei, mas eu gosto de tomar banho de manhã. - Escolha o que você quiser. Só não me acorde até 7:40. Eu posso estar pronta em alguns minutos, e leva só 10 minutos até lá. Nicole armou o alarme, mas não disse a Katie que horas colocou. Eram 6:50 e Nicole estava pronta para tomar um banho e se arrumar enquanto Katie tentava ficar mais uns minutos na cama. Ela saiu da cama e fez o que disse que iria fazer na noite anterior, vestiu uma calça jeans, uma camiseta velha e uma bandana azul. Assim que ela lavou o rosto e escovou os dentes já estava pronta para sair. Katie voltou para o quarto de Nicole e a encontrou colocando base. - Uau, Miss América! Dia de trabalho significa que você não tem que estar maravilhosa. Se bem que você é adorável sem nada mesmo. - Eu só preciso colocar um pouco de maquiagem. Pronto, isso é tudo. Estou pronta. Andando pelo dormitório vazio, Katie disse:

- Isso está muito quieto não está? Eu me esqueço de como isso aqui fica sinistro e quieto quando todos saem. Ah, e obrigada por me ajudar a pintar o apartamento dos rapazes. - Sem problemas. Nós somos um ótimo time, Katie. - Sim, nós somos. Trabalhar em equipe é sempre melhor. Eu tenho o pressentimento de que seremos o time do dia. Espero que você saiba que o Rick é uma máquina! A primeira tarefa de Rick pela manhã foi fazer as omeletes, foi uma das grandes marcas do dia. Nicole e Katie estavam longe de serem críticas de comida. Todos eles não estavam com muita fome, depois de ter comido tanto no dia anterior. Rick parecia um pouco chateado depois de todos eles terem comido apenas um terço das omeletes. Quando eles disseram que queriam guardar na geladeira pra comer mais tarde, Rick pareceu aceitar melhor. Nicole se ocupou do serviço da cozinha, limpando tudo como havia feito na noite anterior na casa da mãe de Rick depois do jantar de Ação de Graças. - O que vocês acham de mais café para todos? Rick perguntou. Eu vou fazer um fresquinho. - Você não tem chá? Katie perguntou. Eli, que estava quieto com sua omelete na cozinha, falou. - Eu tenho chá de Nairóbi e algum chá preto. - Oh, certo, você tem chá da África. Fantástico! Eu quero ver isso. Eles cortam as folhas e depois as lavam? - Eu não tenho idéia. - Eu to pronta pra ver isso. Onde você guarda essas coisas? Enquanto Katie e Eli desenrolavam folhas amarelas, Nicole e Rick trabalhavam lado a lado lavando os pratos enquanto o café passava. Katie decidiu provar o chá de Nairóbi primeiro, mesmo depois de ter dito a Eli que não era muito fã de chá feito de folhas secas como aquele era. - Eu acho que estou pronta para provar o chá preto do Quênia, até porque estou sempre pronta pra provar coisas novas. Olhe a textura dessas folhas do chá preto. Cara, é maravilhoso. Elas cheiram muito bem fervendo na água. Elas tem que abrir e subir pra ficar com o melhor gosto. É por isso que deixar ferver é o melhor jeito de tomar chá. As folhas de chá boas assim ficam melhor ainda dentro do bule. Além do mais, muitos chás não usam folhas frescas. Tem um lugar, que eu pesquisei, na Índia que tem uma reportagem sobre ele. A reportagem diz que depois que eles embalam os melhores chás, com as folhas das plantas soltas e os colocam em grandes containeres, eles varrem o chão e colocam tudo que sobrou nos pacotinhos de chá. - Isso não pode ser verdade, Nicole disse. Pode? Eu bebo chá de pacotinhos o tempo todo. Me diga que isso não é verdade.

- Como eu disse, eu estava pesquisando. Pode ser uma lenda urbana. Eu não sei. Tudo que estou dizendo é que se você tiver folhas fantásticas, guardá-las bem, e usar um bom filtro... Por sobre os ombros, fazendo seu trabalho de limpeza. Rick disse: - Katie, eu to perdido aqui ouvindo toda a sua história sobre chá. - Minha história sobre chá? - Você ficou animada com essa história de chá por um bom tempo. Eu estou apenas dizendo que é legal ver você animada sobre sua paixão de novo. Katie pensou sobre o comentário de Rick enquanto Eli preparava o chá de Nairóbi. Chá era sua paixão? Ela não se sentia energizada falando sobre chá da forma como antes. Para ela, o amor por chá foi algo interessante e feliz na vida dela, e, sim, talvez ela pudesse ter considerado como uma paixão por um tempo. Mas definitivamente esse tempo passou. Ela gostava de chá e coisas relacionadas a ele. Mas ela sabia que poderia ficar sem falar sobre chá. Ela teve uma idéia. Ela tinha um trabalho na semana que vem sobre a influência da tecnologia na vida das pessoas de diferentes partes do mundo. Isso era perfeito. Ela poderia escrever sobre as plantações de chá no Quênia e como eles transportavam o produto para outras partes do mundo. Katie entrevistou Eli sobre o que ele sabia sobre as plantações, enquanto Rick e Nicole iam pra sala e começavam o projeto de pintura. Eli escreveu o link do site sobre as plantações e disse que o chá poderia ser pedido pela internet. Ele falou sobre seus amigos que tinham plantações e como eles trabalhavam, as restrições do governo e os problemas com os vizinhos das terras. - Um monte de problemas deles começou no Quênia. Eles não fazem parte dos colonizadores Europeus que dominaram as plantações até os anos 70. Os pais desse meu amigo eram pessoas maravilhosas. Ele era medico, educado na Inglaterra. Graças ao dinheiro dele, eles foram capazes de comprar as plantações e começar a fazer negócios. Eu acho que será mais fácil pras crianças deles do que foi pra eles. Além do mais, quem sabe com essa política da África. O futuro da África não é brilhante. O futuro é mais como um vislumbre de luz que vem e vai. Eli entregou um copo de chá de Nairóbi para Katie. - Prove um pouco. Ela assoprava um pouco para esfriar, enquanto Eli olhava atentamente. A intensidade dele a estava incomodando cada vez menos. Bebendo um pouco, ela pressionou os lábios e engoliu. - Uau! - Você gostou? - Não sei. - É tão diferente, não é?

- Na verdade não parece muito com chá. Definitivamente não parece chá. Sem o leite, o chá seria mesmo bem energético, não seria? - Eu bebo o meu com bastante açúcar, do jeito que os quenianos fazem. E quero dizer, bastante açúcar mesmo. - Onde está o açúcar? Katie olhou uma vasilha enquanto Eli colocava o açúcar na caneca dela. - Mais, Eli disse. - Sério? - Se você quer provar da forma que nós bebemos, sim. Mais. Katie colocou mais açúcar. Então, Eli acenou, ela colocou ainda um pouco mais. Pegando uma colher, ela mexia e assoprava. - Terá sabor como de água de beija flor. Ela provou um pouco e dessa vez arregalou os olhos. - Nossa, está completamente diferente o sabor. Você já bebeu gelado? - Eu nunca tentei. - Vamos colocar na geladeira. Irá ficar ótimo para mais tarde quando nós estivermos cansados de pintar. Eli começou a fazer o que Katie sugeriu. Ele estava um pouco à frente quando se virou e disse: - Katie, eu quero te agradecer. - Pelo que? - Por provar. - Eu não me importo em provar seu chá na verdade. E ainda quero provar o preto, mas talvez mais tarde. Eu vou beber esse aqui primeiro. Eu tenho um sentimento de que todo esse açúcar me vai dar bastante energia para a pintura em sessenta segundos. - Eu tenho que me acertar com Nicole, ele disse em voz baixa, - Eu gostei da sua tentativa. - Bem, eu espero que você não tenha ficado chateada por... você sabe... as coisas não terem funcionado. Eu fico feliz de nós quatro podermos sair juntos. Se tem uma coisa que aprendi esses anos foi que bons amigos são como ouro quando você não tem família por perto. Ele virou pro lado e olhou além de Katie por um momento. - Então, vocês já compraram as tintas? Katie perguntou - Não. Rick estava tentando decidir a cor. - Venham dar uma olhada, Rick os chamou. Nós estamos dando uma olhada nas

amostras agora. Katie e Eli se juntaram aos dois enquanto Nicole estava parada em frente à parede segurando uns papeis pequenos com amostras de cores. - Eu estava pensando que marrom, parece legal, Rick disse - Essa cor deixaria a sala meio escura, não deixaria? Katie perguntou. - Você pode escolher um marrom mais claro. Nicole segurou uma cor diferente. Essa é legal. Chama-se Café Caramelo Ole. - Eu gostei, Rick disse. O que vocês acharam? Eli? - Parece legal pra mim. - Eu gostei do nome. Katie disse fazendo uma pose como um Mexicano. Café Caramelo Olé! Rick riu. - Não é espanhol. É francês, certo, Nicole? - Você está certo Rick. É o termo francês para 'com leite'. - Ok. Quem quer ir à loja de tintas? Rick olhou para Nicole. - Eu dirijo. Ele disse. - Eu vou, Nicole ofereceu. Katie estava pronta para se oferecer pra ir também, mas se deu conta de que não poderia deixar Eli sozinho preparando tudo. Ela precisou respirar fundo e dizer: - Eu vou ficar aqui e terminar de deixar a sala pronta. Se assegure de comprar alguns rolos com cabos longos. Irá fazer a pintura ser mais rápida. - Nós já voltaremos. Rick ficou em frente à porta, segurando aberta para Nicole. Ele se posicionou de uma forma que ela teve que passar por baixo do braço dele para sair. Enquanto ela passava por baixo dele, ele ofereceu um sorriso caloroso a ela, e ela sorriu de volta. Katie parou por um momento depois de eles terem saído e ficou no lugar onde eles estavam antes. A cena era familiar. Rick costumava fazer isso na escola. Ele ficava parado do outro lado da porta que ele segurava aberta então a garota teria que passar por baixo do braço dele. Por que ele estava fazendo isso agora? Por que estava sorrindo para Nicole? Por que ela sorriu de volta? Se todas essas coisas eram incomuns para Eli, ele não deu nenhuma indicação. Ele estava pronto para trabalhar, movendo cadeiras para o centro da sala então eles teriam mais espaço sem as cadeiras no caminho. Katie deixou pra lá o pensamento de que talvez Rick e Nicole tenham flertado e colocou a atenção na tarefa.

- Você tem alguma musica africana? Ela perguntou. - Algumas. - Nós podemos colocar musica pra trabalhar. Katie começou seu trabalho com o rolo de fita enquanto Eli pegava algumas musicas. A sala se encheu com sons vindos de vozes exóticas. Eli abriu todas as janelas e cobriu os moveis no centro da sala com um antigo saco de dormir verde. Katie sorriu, olhando a estante de livros. Ela sabia o quanto era 'seguro' ser coberta por aquele maravilhoso saco de dormir. O sol da manha de Novembro passava pelas janelas e ela sentiu um vento abençoador. Katie olhou para Eli, que estava tirando os eletrônicos das tomadas. Ele não pareceu notar que ela estava olhando pra ele. Não importava, Katie não estava querendo a atenção dele. Ela tinha um namorado. Ao contrario do namorado dela, ela não precisava ficar flertando apenas pela diversão de flertar. Ela se sentia feliz nesse momento musical e iluminado e quis compartilhar com um amigo. - Eli? - Sim? Ele não tirou os olhos do trabalho. - Está um dia lindo, não está? - Sim está. Ele continuou sem olhar para ela. Katie voltou para seu serviço com a fita. Ela sentia profundamente feliz, mas não podia explicar o porquê. Não importava. Seu coração estava completo. Ela decidiu que era simplesmente um dos efeitos que a faziam ter certeza que estava amando.

Capítulo 21
Os quatro pintores que trabalharam duro estavam de pé para admirar o seu trabalho depois que a primeira parede fora finalizada. - Ótima escolha de cores, Katie disse. - As molduras pretas nas suas fotos vão ficar mesmo boas, Nicole acrescentou. Ela tinha montado uma estação de pintura na cozinha e tinha transformado todos os quadros de Rick com pinceladas de tinta enquanto Eli, Rick e Katie começaram a passar o rolo. - Eu sinto como se nós estivéssemos em um daqueles reality shows de decoração, Katie disse. O apresentador do programa de TV poderia caminhar pela porta bem agora e nos dizer se nós vencemos o outro time. - Que outro time? Eli perguntou. - Você alguma vez já viu aqueles programas de decoração? - Eu acho que não. - Eles usualmente têm algum tipo de competição para tornar interessante enquanto as pessoas estão pintando as casas umas das outras ou trocando a mobília de seus vizinhos, Nicole explicou. - Trocando a mobília de seus vizinhos pelo quê? - É difícil de explicar, Nicole disse. Você vai ter que assistir um desses programas de reforma de casa uma alguma hora. - Nossa única competição aqui, Katie disse, é ver quem conseguiu ter a menor quantidade de tinta em si, e eu acho que vamos ter que concordar que foi a Nicole. - Vocês não viram as minhas mãos. As pontas dos meus dedos estão pretas de tentar fazer pequenos retoques nas molduras. - Sabe, Rick disse, puxando o saco de dormir verde de cima da estante, e se nós pintássemos isso de preto também? - Nós precisaríamos de mais tinta, Nicole disse. - Facilmente resolvido, Rick disse. Eu tenho que ir ao café e assinar algumas coisas. Vocês ficarão bem continuando o serviço aqui enquanto eu vou lá? Eu vou trazer mais tinta e uma pizza. Os três dispostos voluntários concordaram com a arrumação e permaneceram pintando enquanto Rick saía. Katie ligou para Cris e Ted para ver se eles estavam em casa e queriam vir admirar o trabalho. Já que ambos tinham o dia de folga, eles ainda estavam em Newport Beach na casa dos tios de Cris. - Nós saímos para uma longa caminhada na praia esta manhã, Cris disse. Você não pode imaginar o quanto nós dois precisávamos dessa pequena pausa! Parece

que nós não tínhamos tido tempo algum para relaxar como agora desde a nossa lua-de-mel. Como está sendo o seu fim de semana? Está quieto nos dormitórios? - Está repugnantemente quieto nos dormitórios. Mais eu não estou lá agora. Nicole e eu estamos ajudando Eli e Rick a pintarem a sala de estar deles. - Você está brincando. - Não, ficou ótimo. Espere até você ver. Quanto tempo vocês ficarão na casa de Bob e Marta? - Nós vamos ficar aqui até amanhã. Ted tem que estar de volta no domingo de manhã, mas nós não temos nada para amanhã. Tia Marta quer ir às compras amanhã, mas Ted e eu podemos sair cedo e descer a Coast Highway se o tempo ficar bom. Eu realmente quero ver Douglas e Trícia e amanhã pode ser a nossa única chance por enquanto. Você acredita que o bebê Daniel já está com cinco meses? Eu não o vejo há semanas. Eu tenho certeza de que ele mudou bastante. - Cinco meses. Uau. O tempo está passando rápido. - Você está pronta para outro choque, pra ver como o tempo esta passando rapidamente? - Qual é o choque? - Você acredita que em poucas semanas vai fazer um ano que Ted me pediu em casamento? Isso significa que também faz um ano que você e Rick começaram a sair juntos. Lembra? Era sexta-feira antes do feriado de Natal e todos nós fomos ao Ninho da Pomba porque ele tinha aberto recentemente. Mas nenhum de nós sabia que Rick estaria ali. - Um ano, Katie repetiu. Foi um ano muito rápido. - Agora falando serio. Eu acho que nós quatro deveríamos planejar de fazer alguma coisa para celebrar, não acha? Nós podemos achar alguma coisa para fazer que não custe muito. Eu diria que nós poderíamos ir ao Ninho da Pomba, mas eu não acho que seria muito agradável para o Rick. - Eu vou perguntar a ele se ele tem alguma idéia. Espere só um minuto. Katie caminhou para fora do apartamento, deixando Eli e Nicole continuar trabalhando enquanto ela terminava a sua ligação com Cris com um pouco de privacidade. Tomando o caminho para o apartamento de Cris e Ted, Katie esperou até achar que sua voz não chegaria longe pelas janelas abertas do apartamento de Rick e Eli antes de dizer: Você nunca vai adivinhar onde o Rick me levou na tarde de quarta-feira. - Ao zoológico. - Como você soube? - Ele veio na noite anterior e me perguntou se eu achava que seria uma boa idéia, já que da última vez que nós estivemos lá todos nós sentimos muita tensão entre vocês. - E você disse a ele que seria uma boa idéia?

- Sim. Cris fez uma pausa. O que? Você está me dizendo que não foi uma boa idéia? - Foi uma idéia fantástica. Eu amei! Nós nos divertimos muito. Nós fomos a um restaurante brasileiro em San Diego para jantar e foi maravilhoso, coma o quanto quiser. A única parte ruim do encontro foi o tráfego e que eu deixei uma coisa no restaurante então nós tivemos que voltar. Mas apesar disso, foi o melhor encontro de todos. Obrigada por dizer a ele que seria uma boa idéia. - Eu estou muito contente por vocês terem se divertido. O que aconteceu com... você sabe. - Há alguém perto o suficiente para te ouvir? Katie perguntou - Sim, Cris disse entusiasticamente, como se ela estivesse concordando de todo o coração com alguma coisa que Katie dissera. - Ok, posso supor. Você quer saber o que aconteceu com o Eli no jantar de Ação de Graças na casa dos Doyles? - Não, mas se você quiser me contar, eu definitivamente quero ouvir. Eu tenho uma pergunta diferente para você. - Oh, você quer saber o que aconteceu com a parte do eu-te-amo? - Exatamente. - Ele não disse as palavras para mim ainda, mas eu não me importo de esperar. De verdade. - Parece sábio da sua parte. Katie parou na frente da porta do apartamento de Ted e Cris. - Ei, foi bom eu ter caminhado até aqui. Vocês têm uma caixa em frente à sua casa. - Nós temos? De quem é? - Central de Serviços de alguma coisa. Não consigo ler a última palavra. - Oh, é a parte do nosso micro-ondas. Ou pode ser a reposição da nossa campainha. Deveria ter sido entregue no apartamento do síndico. Você pode deixar a caixa no apartamento do Rick? Nós teremos o síndico para instalar o que for na próxima semana. - O seu micro-ondas está estragado mesmo? - Sim. - Espero que não tenha sido a pipoca. - Eu acho que o micro-ondas estava em seu caminho para a aposentadoria antes de você colocar a sua pipoca, mas o fogo provavelmente não ajudou. - Por que você não me contou? Eu vou pagar pelo conserto, Cris. Sinto muito por isso.

- Não se preocupe com isso. Ei, você pode me fazer mais um favor, já que você está aí? - Claro. - Você se lembra da noite em que você estava aí e eu me levantei e abri a porta? - E o Sr. Tropeço correu para dentro do seu apartamento? Sim, eu me lembro. - Bom. E você lembra onde eu coloquei a coisa do lado de fora? Cris conversava em uma linguagem cheia de códigos. - Você quer dizer a tigela com comida de gato? - Exatamente. Você poderia checar isso pra mim? Katie inclinou-se para baixo e olhou atrás das plantas. - A tigela está aqui. Está vazia. - Ok. - Cris, por que você está alimentando aquele gato? Aquela bolsa de pele sarnenta. E você só esta fazendo com que ela fique cada vez maior, você sabe. Cris não respondeu. - Ok, bem, você pode me contar mais tarde se você quiser. Mas se você está querendo manter isso em segredo do Ted, eu acho que não é uma boa idéia. Você tem que falar com ele. Quero dizer, eu não sou uma conselheira matrimonial como vocês, mas me parece que até mesmo pequenas situações como essa deveriam ser discutidas entre os casais casados e eles não deveriam esconder coisa alguma um do outro. - Eu sei, Cris disse suavemente. - Ok, bem, nós podemos conversar sobre isso mais tarde quando vocês chegarem em casa. Diga oi para Bob e Marta por mim e para Douglas e Trícia, se você acabar os vendo. - Digo sim. Mas espere. Você disse mais cedo que você pensou que eu estava te perguntando sobre Eli ir ao jantar de Ação de Graças dos Doyle. O que aconteceu lá? - Nada. Foi ótimo. Nicole veio, assim como Joseph. A comida estava fantástica. Todo mundo teve um bom tempo realmente. O único choque, bem, exceto por Joseph ter ficado um pouco impressionado com a deslumbrante casa dos Doyle e a abundância ridícula de comida, foi um pequeno anúncio de Josh de que ele está atrás de mais duas propriedades para novos cafés. Pelo menos os dois estão há poucas horas de viagem daqui. - Eu espero que a transação dê certo para Rick e Josh, mas eu sei que isso poderia potencialmente significar que você e Rick voltarão ao modo namorointercalado-entre-muitas-viagens-a-trabalho. - Sim, é isso que eu estou pensando que pode acabar acontecendo. A questão é,

eu estou prestes a ficar atolada pelo próximo mês a partir de domingo, quando os estudantes retornam aos dormitórios. Depois disso, eu tenho um final de semestre muito cheio. Se Rick acabar tendo que viajar todo o tempo durante os próximos seis meses, bem, eu vou estar tão ocupada quanto ele. - Você tem uma atitude tão boa, Katie. Eu olho para trás, para os longos períodos que eu e Ted estivemos de um lado para o outro e, para ser honesta, eu sei que eu reclamei muito, muito mesmo. Katie guardou as palavras de Cris no coração enquanto ela caminhava de volta para o apartamento de Rick com a caixa debaixo do braço. Ela queria ser mais deliberada em apreciar Rick e os seus momentos juntos. Esse tinha sido um bom dia e eles ainda tinham a noite e parte do sábado para estar juntos antes de Katie ter que voltar para o serviço. Ela pretendia aproveitar o máximo do tempo que eles tinham. Os objetivos dele tinham sido bem cumpridos aquela tarde, enquanto eles finalizavam a pintura da sala e da estante. Eles estavam prontos para a pizza que Rick havia trazido do Ninho da Pomba, o fato de os quatro estivarem juntos mais uma vez em volta de uma pizza depois da Noite das Pizzas de Casais, trouxe comentários estranhos. No entanto todos eles se relacionaram muito melhor dessa vez do que ha uma semana atrás. - O que você acha? Rick perguntou enquanto eles limpavam o equipamento de pintura. Nós devemos mover os moveis de volta ou deixar secar durante a noite? - Eu acho que nós deveríamos deixar secar, Katie disse. - É o que eu acho também. Nós podemos também ir fazer algo. Vocês querem ver um filme? - Eu iria amar, Katie disse. Alguma coisa em particular que vocês queiram ver? Os quatro discutiram as opções em potencial e decidiram pegar o carro de Nicole, já que ele era o que tinha mais espaço. Enquanto tirava o seu carro da área de estacionamento do prédio, Nicole bateu em algo e parou o carro. - Vocês não têm quebra-molas aqui, tem? - Não, o que foi aquilo? Eli perguntou. Ele e Katie estavam no banco traseiro, já que Rick tinha as pernas mais longas e pegou o banco da frente para ter mais espaço. Eli olhou para fora da janela. Estacione o carro Nicole. Eu vou sair para ver o que é. Katie pulou fora do carro também. Ela tinha um sentimento não-tão-bom de que ela sabia o que Nicole havia acertado. Ela estava certa. - Senhor Tropeço, Katie resmungou enquanto ela e Eli examinavam a massa de pele preta no brilho vermelho pálido das luzes traseiras do carro de Nicole. Nicole desligou o motor e ela e Rick vieram para ver o que Katie e Eli estavam encarando. - Oh, não! Eu o matei?

- Eu não acredito que esse velho gato ainda está por aqui, Rick disse. Ele está vagando pelo complexo há semanas. Eli abaixou-se com compaixão e pressionou a sua mão no abdômen do Senhor Tropeço. - Você não o matou, Nicole. - Ainda está vivo? Nós deveríamos procurar um veterinário, ela disse. - Não, o gato está morto, mas não foi você quem o matou. A carcaça está fria. Ele já esta aqui há um tempo. - Nós deveríamos nos dispor dele, Rick sugeriu. Eu vou voltar para o apartamento e trazer um saco de lixo. - O que você vai fazer? Katie perguntou. Eu não acho que nós podemos jogá-lo no lixo, podemos? - Eu tenho uma pá, Eli disse. Nós podemos enterrá-lo. - Onde? Nicole perguntou. - Nós poderíamos ir a algum lugar e... - Ao deserto! Katie exclamou. O grupo entrou em uma discussão comprida se eles deveriam ir até o deserto. Nicole e Rick não eram a favor da idéia. Eles estavam mais interessados em ir ao cinema. Katie gostou da idéia de pular a parte do filme para enterrar o Senhor Tropeço sob um toldo de estrelas. Aquele show seria melhor do que qualquer coisa que eles pudessem ver no cinema. O voto de Eli também era pelas estrelas. Nicole fez uma sugestão que quebrou o impasse. - E se nós falássemos com o síndico? Quero dizer,o gato não é seu. Não fui eu realmente quem o matou. O síndico não gostaria de saber sobre animais mortos no estacionamento? Os quatro se dividiram. Eli voltou ao apartamento para lavar as mãos. Rick e Katie foram falar com o síndico e Nicole moveu o carro e esperou pelos outros. - Cris tinha uma queda por este gato, Katie disse enquanto ela e Rick chegavam ao apartamento do síndico. - Era ela quem o estava alimentando? - Quem falou que Cris estava alimentando o Senhor Tropeço? Katie disse, tentando jogar verde. - Alguém estava alimentando a fera. Eu tive um pressentimento de que era Cris. Os anos dela no pet shop fizeram o coração dela terno para com os animais, não foi? - É, acho que sim. O síndico atendeu à batida de Rick. Rick explicou a situação e o velho homem calvo disse para deixar o gato onde estava. Ele cuidaria dele.

Eles estavam quase saindo quando Katie disse: - Oh, uma outra coisa. Uma caixa chegou para Ted e Cris. Está no apartamento do Rick. Se for uma parte do micro-ondas, eu tenho que dizer a você que eu devo ter sido quem o quebrou. Não de propósito, claro, mas eu coloquei uma pipoca nele e a pipoca pegou fogo. O problema era provavelmente com a pipoca, mas no caso de o fogo ter algo a ver com o micro-ondas já não estar funcionando bem, eu vou pegar pelo dano. O síndico do prédio inclinou a sua cabeça e deu a Katie um olhar curioso. - Qual é o seu nome? - Eu sou Katie Weldon. Sou a namorada de Rick. O síndico olhou para Rick como se estivesse surpreso por pensar que Rick tinha uma namorada. - Bem, Katie Weldon, eu vou dar uma olhada no micro-ondas e se eu decidir que o fogo causou o dano, então eu mando a conta pra você através do Rick. - Ok, obrigada. Eles voltaram para o estacionamento e Rick disse em voz baixa: - Por que você contou tudo aquilo a ele? - Porque era a coisa certa a fazer. - Katie, ele vai te mandar a conta. Você não conhece o cara. Você tem idéia do que eu tive que fazer só para conseguir a liberação para pintar a nossa sala de estar? Você não sai por aí pedindo aos síndicos para te cobrar os reparos. Nós podemos fazer melhorias, como a pintura por nossa conta, mas... - Ok, entendi. Katie não queria adentrar em uma das discussões irritantes deles. Eu pensei que estivesse fazendo uma coisa honorável. - Honorável, sim, mas adquirindo responsabilidades que não eram necessárias. Seria o mesmo se disséssemos a Nicole que ela matou o gato quando na verdade o gato já estava morto e só aconteceu de estar na rua quando ela dirigiu por lá. - Ok, eu entendi o seu ponto de vista. Eles estavam de volta ao carro agora. Katie estava pronta para deslizar no banco de trás, ir ao cinema e apagar a discussão. Rick tinha mais uma coisa pra falar. - Não é como se você tivesse o dinheiro para voluntariamente pagar por coisas como essa, Katie. Ela desejou que pudesse ter mantido calados seus lábios indomados , mas antes que ela pudesse parar as palavras, Katie soltou: = Bem, eu não tinha sessenta dólares para pagar pela caixa de chocolates para a sua mãe, mas aquela era a coisa certa a fazer. Não que ela tenha apreciado os chocolates. Ela fez algum comentário sobre estar de dieta. - Minha mãe sempre está de dieta. Não leve isso tão ao extremo, Katie. Relaxe.

- Ok. - Ok. Eli estava de volta ao carro com Nicole. Eles tinham escutado a última parte da briga de Rick e Katie. - Sinto muito, Katie resmungou para Rick antes de ela entrar no carro. - Eu também, ele resmungou de volta. - Está tudo bem? Nicole perguntou. - O síndico disse que cuidaria do gato, Rick disse, tomando o banco da frente novamente. Vamos. Nós provavelmente ainda podemos pegar a sessão das 19:15. Os quatro viajaram em silêncio. Katie odiou isso. Ela odiava se sentir abafada. Ter uma discussão tão estúpida com Rick estava definitivamente abafando não apenas o relacionamento deles, mas também a atmosfera com os seus amigos. Tudo tinha sido ótimo durante todo o dia. Eli e Nicole estavam se dando muito bem. Katie gostou de experimentar o chá da África de Eli e ouvir à música dele. Rick estava feliz com os resultados do duro trabalho deles. Ela não queria ser a razão para o silêncio no carro. - E amanhã? Katie perguntou numa tentativa de mudar o clima entre eles. Você tem que trabalhar o dia inteiro, Rick? - Sim. - Ok. Bem, você gostaria que Nicole e eu viéssemos e ajudássemos Eli a mover os moveis de volta e pendurar os quadros? - Vocês que sabem. Agora Katie estava mal. Ela estava tentando. Por que Rick não podia manter a conversa fluindo e ficar de bom humor de novo? Ele ficou do seu jeito mal-humorado por muito mais tempo do que Katie pensou que ficaria. Felizmente, eles entraram para o cinema e encontraram lugares bons o bastante e juntos apesar de tanta gente estar lá naquela noite. Os trailers começaram logo, então não havia muita necessidade de conversar. Rick e Eli estavam nas extremidades e Nicole e Katie estavam ao lado uma da outra no meio. Na metade do filme, depois de uma cena em que todo mundo no cinema riu, Rick avançou e pegou a mão de Katie. Ela ainda estava se sentindo no limite da irritação contra ele e queria tirar a mão para longe. Mas estar de mãos dadas sempre foi uma coisa boa para eles e ela esperava que permanecer conectada a Rick dessa forma a ajudaria a sentir como se estivesse conectada com ele no nível do coração. Como pode ser possível eu me sentir tão certa de que eu estou profundamente apaixonada por esse homem e então nós temos uma discussão ridícula e eu me sinto a oceanos de distância dele?

Katie pensou em como Cris costumava dizer a ela coisas como essa enquanto Cris e Ted estavam vivendo em sua fase de namoro e noivado. Naqueles tempos, Katie achou difícil entender por que Cris e Ted poderiam brigar por problemas que pareciam insignificantes. Agora era ela quem experimentava o mesmo tipo de relacionamento complicado e ela via como pequenas questões poderiam se tornar grandes quando a pessoa faz um investimento emocional tão grande em outro indivíduo. O pensamento que manteve Katie flutuando foi que ela sabia que Cris e Ted ainda tinham momentos como este. Apenas se apegar àquele pensamento deu a Katie um senso de normalidade. Talvez ela e Rick estivessem bem onde a maioria dos casais se encontram quando eles estão apaixonados. Ela sentiu os seus dedos relaxando na mão de Rick. Ele parecia sentir a liberação da tensão, porque ele deu um aperto na mão dela. Ela apertou de volta. Deixando sair um longo e profundo suspiro, Katie pensou em como esse relacionamento era mais complicado do que ela tinha alguma vez esperado. Por que o amor não torna as coisas mais fáceis? Eu estou pegando muito pesado? Eu estou mais apaixonada por Rick do que ele por mim? É hora de nós termos outra DR? Se for, sou eu quem deve iniciá-la? Katie não se lembrava de quando tempo havia se passado desde que ela e Rick tiveram uma de suas conversas de “Definir o Relacionamento”. Ela sabia que não queria ser aquela a declarar os seus sentimentos a ele primeiro. Ela também não queria que o seu coração aprofundasse suas raízes na relação se o investimento emocional que ela e Rick tinham fosse inclinado para apenas um dos lados. Por que eles não podiam estar no mesmo lugar, ao mesmo tempo, emocionalmente e relacionalmente? Tentando fortemente deixar de lado os seus pensamentos instáveis, Katie colocou-se no presente e deixou o filme a levar para um lugar mais tranqüilo. Por agora, ela disse a si própria, era o suficiente estar com Rick. Os detalhes específicos que ela estava ansiosa para saber sobre o relacionamento deles viriam à tona eventualmente. Nenhum deles disse coisa alguma sobre a discussão deles quando eles deixaram o cinema e Nicole não trouxe isso à tona depois que ela e Katie retornaram ao dormitório. O plano era dormir tão tarde quanto pudessem e dar a Eli um toque para ele saber que elas estavam vindo. Eli estaria de serviço no campus às seis da noite no sábado e Rick disse que poderia voltar para casa mais ou menos nesse horário. Katie entrou num sono profundo e restaurador que durou ininterruptamente até quase nove horas. Quando ela finalmente desceu pelo corredor para tomar um banho e ver se Nicole estava acordada, ela ouviu um dos chuveiros funcionando. - É você, Nicole? - Sim. - Quando você acordou?

- Uns vinte minutos atrás. - Eu também. Muito bom não precisar levantar cedo pra fazer algo, não é? - Maravilhoso! Apesar de eu ter acordado desejando que nós tivéssemos trazido o resto das omeletes do Rick de volta, dai nós teríamos as comido agora. - Eles estão provavelmente esperando por nós no freezer do Rick. Estarei pronta em uns vinte minutos. - Eu vou tentar ser rápida. Nicole gritou sobre o fluxo de água que agora corria na baia do chuveiro de Katie. Cerca de quarenta minutos depois, as duas estavam em seu caminho para o apartamento quando Nicole disse: - Katie, eu tenho que lhe dizer uma coisa. - Ok. - Eu não ligo de voltar ao apartamento hoje para finalizar as coisas, mas se você não se importa, eu não quero gastar o dia inteiro lá. - Tudo bem. Como Nicole não deu uma explicação adicional para sua escolha, Katie perguntou: - É o Eli? Ele ainda te deixa desconfortável? Porque ontem parecia que vocês estavam se dando muito bem. - Por mim tudo bem estar junto com o Eli. Eu não estou atraída por ele ou ansiosa por gastar um pouco mais de tempo com ele ou qualquer outra coisa, mas eu estou bem com relação a ele. Ele é um rapaz único e intrigante. Eu o julguei mal a princípio. - Então, se não é Eli, é alguma outra coisa que eu deveria saber? Nicole hesitou. - Quero dizer, eu sei que na noite passada houve certa tensão depois do episódio com o Senhor Tropeço e a conversa com o síndico e tudo o mais. Eu espero que você não tenha se sentido desconfortável pela forma como Rick e eu estávamos agindo um com o outro. - Não é você, Katie. É só que nós quatro estivemos juntos na quinta e então todo o dia de ontem e agora... - Você está certa. Eu monopolizei todo o seu final de semana. Eu nem sequer perguntei a você se você queria voltar hoje, não foi? Esse é a sua folga e aqui estou, tomando todo o seu tempo livre e... - Não é isso, Katie. A pintura e decoração foram divertidas. Eu amo fazer coisas assim, como você sabe. É só que eu tenho alguns deveres que eu tenho que terminar hoje e eu queria fazer umas pequenas compras em algumas lojas esse final de semana e... Eu não sei. Eu só acho que é melhor que eu não esteja com

você, Rick e Eli toda a noite como se nós fôssemos um par de casais, sabe? Katie acenou com a cabeça. - Eu entendo. Acredite em mim, eu entendo. Você prefere só me levar lá e o Rick me leva de volta para os dormitórios mais tarde? - Não, eu vou ajudar com os móveis e quadros e tudo o mais. E o resto da minha omelete está me esperando, certo? Quero dizer, eu tenho minhas prioridades em ordem. Comida de graça. Eu estou dentro! As duas amigas riram juntas e foram apreciar as omeletes do-dia-anterior-masainda-deliciosas e colocar as coisas em ordem no apartamento de Rick e Eli. Os resultados finais foram impressionantes. As cores deixaram a sala mais aconchegante. A idéia de Nicole de pintar todas as molduras de preto fez uma grande diferença. Rick tinha uma grande figura emoldurada. Era uma figura personalizada e ampliada de uma foto que o pai dele tirara na Itália de uma vila costeira vista do azul profundo do Mar Mediterrâneo. Todas as brilhantes casas coloridas que se prendiam aos precipícios rochosos agora pareciam ainda mais dramáticas dentro do quadro pintado. A foto foi o que Nicole chamou de “peça focal temática” da sala e ela pendurou de um jeito que os seus olhos iriam para ela quando alguém entrasse no apartamento. As outras quatro pequenas imagens eram também fotos. Uma da família do Rick com Max, todos juntos no quintal da velha casa deles em Escondido, quando Max era um filhote. Outra foto era de Rick em toda a sua glória de jogador principal do Ensino Médio, usando o seu uniforme de futebol do Kelley High e fazendo uma pose poderosa. As outras duas eram fotos que o pai de Rick havia tirado e ambas eram do pôr-do-sol. Todas as cores na sala misturavam-se formosamente. Nicole estava contente e enquanto ela estava lá, os três se deram muito bem. De qualquer forma, quando Nicole partiu, Eli e Katie olharam um para o outro sem graça, como se eles não tivessem percebido que iriam estar sozinhos por algumas horas até Rick retornar do trabalho. Katie não esperava ficar assim, agitada, do jeito que ela ficou. - Esta com fome? Eu estou. Mais ou menos. Ela disse. Por que eu estou voltando para o meu antigo modo monossilábico agora que eu estou sozinha com Eli? - Eu poderia fazer um pouco de chá para nós, ele sugeriu. Você ainda não provou o chá preto queniano. - Sim. Certo. Bom. Ok. Katie se sentou no sofá e fez os seus lábios se fecharem antes que outra pequena palavra deslizasse para fora de sua boca. Apanhando o controle remoto, ela se voltou para a televisão e flutuou pelos canais até encontrar um programa que parecia bom. - É um daqueles programas de reforma de casas, Eli. Agora você pode ver do que

nós estávamos falando ontem. E é uma maratona, então vai ser um programa depois do outro. - Que bom, ele replicou da cozinha. Levou alguns minutos para ele retornar à sala de estar e presentear Katie com uma caneca de chá queniano fumegante. - Eu adicionei leite e um pouco de açúcar. Katie tomou um gole. - Oh, agora isso está bom. Muito bom. - Deve ser daquelas folhas longas que você estava admirando ontem. Esse é um bom chá. Olhando para a televisão com Katie, ele disse. Explique-me o que aquelas pessoas estão fazendo com as marretas. Katie introduziu Eli ao passatempo americano de redecorar e remodelar casas enquanto Eli introduziu-a ao chá preto queniano e fez comentários comoventes do contraste entre a riqueza nos EUA e a miséria na África. Ele não fez esses comentários de um jeito que fez Katie se sentir culpada por viver com um telhado sobre a sua cabeça que não tivesse goteiras, mas as observações de Eli eram uma abertura para os olhos dela. Em certo momento Eli estava lhe falando calmamente sobre como ele e o pai dele iam todos os dias pelas ruas sujas e estreitas pelo Quênia para entregar água limpa a quantas pessoas eles conseguissem. Eli descreveu as horríveis condições de vida com compaixão e tenras descrições de pessoas específicas. Ele falou sobre quão duro era deixar aquela vida, vir para a Rancho Corona e tentar ajustar o passo com um ritmo diferente de vida. A forma como Eli desdobrou a sua história foi como o desembrulhar de um presente. O presente era a vida dele, a história dele. Ele a manteve embrulhada e guardou-a longe; mas hoje ele abriu o presente e o ofereceu a Katie. A compaixão dele tocou-a tão profundamente que ela chorou. E foi assim que Rick os encontrou quando ele caminhou para dentro do apartamento, sentados um ao lado do outro no sofá, com lágrimas correndo pelas bochechas de Katie.

Capítulo 22
- O que aconteceu? Rick perguntou, indo em direção a Katie e colocando as mãos nos ombros dela. - África! Katie disse. Eli estava me falando sobre a África. Rick soltou os ombros dela. - Oh, eu pensei que tinha algo errado. - Alguma coisa está realmente errada. Katie disse. Alguma coisa está errada conosco como pessoas, e alguma coisa está horrivelmente errada com nosso mundo, milhões estão morrendo, sofrendo e ficando com fome e tristes enquanto nós gastamos nosso dinheiro com pinturas ou chocolates! Rick olhou com um olhar acusador para Eli. - O que você disse pra ela? Eli voltou para a cozinha com as xícaras vazias. - Eu apenas disse como minha vida era antes de vir pra cá. Rick ficou no lugar de Eli no sofá e colocou os braços ao redor de Katie. Ela encostou no ombro dele e deixou as lagrimas terminarem de cair. Eli voltou da cozinha e trouxe pra ela um lenço de papel. - Obrigada. Desculpe rapazes. Eu acho que nunca havia pensado sobre o resto mundo, sabe? Você fez isso parecer tão normal, Eli. Tão real. As pessoas realmente vivem em condições terríveis. Isso está fora de controle. Eles não têm nem mesmo água limpa pra beber. Quero dizer, isso é básico! - É isso que meu pai faz agora, Eli disse. Eu te falei como a organização que ele trabalha, cava poços e localiza água limpa em lugares remotos. Você precisa conhecer meu pai pra entender a devoção dele. Ele ama a África. Ele concluiu o trabalho por 3 homens. Ele faz muito mais coisa agora desde que… Eli não terminou a frase. Katie presumiu que a ida de Eli para os Estados Unidos fez a diferença na produtividade o pai. Ela sabia que os pais de Rick tinham feito muito mais coisas depois que Josh e Rick saíram de casa. Eles começaram o Ninho da Pomba e a Livraria A Arca, depois que seus filhos ficaram independentes. - Rick, eu tenho uma idéia. As lagrimas dela secaram. Ela era uma mulher com uma missão. - O que você acha se o Ninho da Pomba mandar dinheiro pra África para limpar a água? Você pode colocar uma caixa do lado da caixa registradora para recolher donativos. Ou você pode decidir que toda vez que alguém pedir uma pizza o lucro vai para a África. Você pode colocar uma placa. Eu aposto que as pessoas vão ajudar. Mesmo que seja um trocado por pessoa, pense em quanto podemos

coletar no final de um mês. Quero dizer, os problemas do mundo são enormes. Nós temos que fazer alguma coisa. Nós temos que começar em algum lugar. Por que não podemos fazer isso? Como um café, quero dizer. Você pode ficar conhecido como um restaurante que se importa com o resto do mundo. A cabeça de Rick começou a balançar a partir da terceira frase dela. Enquanto ela falava seu discurso. - Eu to com você. Sim, por que não? Nós podemos fazer isso. Katie bateu as mãos e se virou para Eli. - Você pode nos conectar com as organizações que seu pai trabalha, certo? Talvez eles tenham cartazes ou algo assim. - Eu posso fazer isso. Eli coçou a nuca enquanto ela sorria ligeiramente. Katie já tinha visto essa expressão dele antes. - Isso é bom. - Sim, Rick acrescentou. Boa idéia, Katie. Eu vou usar isso. É algo que quero fazer já tem algum tempo, mas não sabia exatamente o que fazer ou como começar. - Você sabe, Eli disse enquanto dava um olhar de apreciação para Katie. Eu precisava disso. - Precisava de que? Katie perguntou. - Eu precisava falar sobre minha casa. Sobre a África. Desde que cheguei aqui, eu nunca abri sobre como minha vida é, ou até mesmo como minha vida era antes de chegar aqui. Eu acho que fiquei um pouco chocado com a diferença de cultura nos primeiros meses. Então, tudo que eu pensava em fazer era esquecer, sabe? Eu vi muita coisa que quero esquecer. Katie e Rick assistiram enquanto uma onda de emoções tomou o rosto de Eli. - Se você puder fazer isso Rick, se puder recolher um pouco que seja de dinheiro e mandar pra lá, faria uma grande diferença. Você não tem idéia. Katie concordou. - Nós podemos fazer um fundo muito bem. Por que o Crown Hall não poderia colher uns trocados ou organizar um lava jato ou algo assim? Vou trabalhar nisso, Eli. Ele respirou fundo. - Obrigada gente. Eu aprecio isso. Eu acho que a coisa mais difícil pra mim desde que cheguei aqui era pensar no que fazer com a minha história. Minha história. Tudo que eu vi e experimentei. Nada disso cabia aqui. Eu não tinha acreditado realmente em ninguém, a não ser Joseph e Ted. - O que você quer dizer com “acreditar”? Katie perguntou. - Talvez “confiado” seja uma forma melhor de dizer. Eu não confiei a mim

mesmo ou a minha história para mais ninguém a não ser Joseph e Ted. Eu não quero parecer uma vitima. Eu espero que vocês não estejam vendo assim. - Não, continue. Rick disse. Eli deu outro suspiro. - A forma que eu vejo, eu arrumei esse emprego no Racho pra tentar me adaptar melhor aqui. Eu faço meu trabalho, eu estudo, eu como e durmo. Mas a vida aqui é tão diferente. É uma bolha pra mim. Eu estou isolado. Desde que estou na bolha, eu não tenho pensado muito sobre o que vivi antes de chegar aqui. Isso precisa mudar. Eu preciso achar um jeito de viver nos dois mundos. Rick balançou a cabeça afirmando que entendia. Katie continuou confirmando para encorajar Eli a continuar falando. - Então, obrigado, Katie, por me escutar e ter a idéia de juntarmos contribuições. Eu acho que era isso que eu precisava para colocar meus dois mundos juntos. Katie deu um sorriso cheio de compaixão para Eli. Mais uma vez ela sentiu que o havia julgado mal desde o principio. Ela não havia dado a ela a graça e o espaço necessário pra ser ele mesmo. Pelo resto do fim de semana, Katie pensou sobre as coisas que Eli tinha falado. Quando ela viu Cris na igreja domingo, ela contou sobre a conversa com Eli e a idéia de arrecadar fundos que ela e Rick estavam trabalhando. - Tenho certeza que Ted pode acertar alguma coisa com o grupo da juventude, Cris disse. Lava jatos são sempre bons pra arrecadar fundos. E a Arca? Se Rick colocar uma caixa de contribuição ou algo assim no lado do café, ele poderia colocar no lado da livraria também. - Eu vou dizer isso a ele. Boa idéia, Cris. Isso será bom para todos. - Eu também acho, Cris disse, enquanto as duas iam para o estacionamento da igreja. Cris ia dar uma carona a Katie para a Rancho antes de voltar para a igreja e pegar Ted. - Falando de carro e estacionamentos..., Katie disse vagarosamente. - Você conseguiu concertar o Buguinho? - Não, ele foi desmontado, tenho certeza agora. Eu tenho um cheque na minha caixa de correio com o valor das peças. Eu não sei de quanto é, e não tenho olhado muito minha caixa, mas espero que dê para cobrir algumas despesas com os estudos. Minhas economias já eram. - O que você acha de comprar um carro novo? - Parece que terei que continuar com as caronas por enquanto. Você, Nicole e Rick têm sido muito bons me dando carona. Obrigada. - Quando quiser. Bom, sempre que eu estiver com o carro. Eu simpatizo com a sua situação, Katie, porque dividir o carro com Ted tem sido nosso maior desafio desde que casamos. Nós estamos pensando em comprar outro.

- Me avise se você achar uma promoção pague um leve dois. Além do mais, eu não sei se poderia comprar nem mesmo o carro mais barato nesse momento. Eu não sei nem como vou pagar o próximo semestre. - Bem, talvez o cheque pelas partes do Buguinho seja maior do que você imagina. Você disse que o Buguinho está na categoria de antiguidade. Talvez suas partes internas valham um preço alto. - Falando de partes internas, Katie disse, colocando o cinto de segurança. E voltando ao estacionamento e pensando nas coisas... Eu acho que devo te contar que o Sr. Tropeço não está mais conosco. Ele foi pro “onde quer que seja que os felinos vão quando morrem”. - Eu sei, Cris disse. Pobre Sr. Tropeço. - Como você soube? - Eu escutei isso do Sr. Yeager, nosso sindico. Ele veio ontem à noite, pra olhar nosso micro-ondas. - Ah, eu tinha que falar isso com você também. Eu me ofereci para pagar o concerto. - Ele disso isso. Mas, Katie, como você irá pagar se você não tem dinheiro nem para seus estudos? - Isso que Rick disse. Eu vou dizer a você o que eu disse a ele. Eu não sei como vou pagar. Eu apenas quero fazer a coisa certa. - Eu aprecio isso, mas honestamente eu não acho que tenha sido a pipoca que estragou o micro-ondas. Ele era velho e nunca funcionou muito bem desde que mudamos pra lá. Eu disse ao sindico isso. Eu disse a ele que o micro-ondas estava igual à nossa campainha, que continua não funcionando. Ele trouxe uma campainha nova na caixa ontem e a nova não funcionou, então deve ser um problema elétrico. Deve ter sido o mesmo problema com a campainha e o microondas. - Ok, aprendi a lição. Eu não preciso tentar fazer as coisas certas com o universo inteiro. - Não com o universo inteiro, Cris disse. Se preocupe com o fundo de finanças para limpar a água da África. Esse é um problema que você pode resolver. Cris deixou Katie em frente ao Crown Hall, e as duas decidiram se comunicar de novo para um almoço durante a semana. Alguns estudantes estavam indo para as portas abertas do Crown Hall. Era bom sentir o dormitório cheio de estudantes de novo. A vida estava voltando. Katie notou que Jordan, um do ARs do dormitório masculino, estava checando alguns estudantes. Katie olhou em volta e foi de encontro a ele do escritório. Ela sentou no sofá e fechou os olhos por alguns minutos. Era um bom lugar. Rancho Corona podia ser uma bolha, como Eli disse no dia anterior, mas era uma bolha muito bonita e era o lugar onde Katie estava livre para ser ela mesma mais do que já esteve no lar onde cresceu. Ela amava aquele lugar e aquelas pessoas.

- Quando você está de plantão? Jordan perguntou a Katie. Ela abriu um olho e disse: - As 3. A não ser que você que eu comece logo. Você quer dar uma parada? - Você não se importa de começar mais cedo? - Não. Nicole me cobriu durante a saída na quarta, então eu acho que devo fazer isso por alguém hoje. - Ótimo. Eu aceito a oferta se você estiver falando sério, Jordan disse. - Eu estou falando sério. - Obrigado, Katie. Te devo uma. - Não deve não... Bem, eu realmente não deveria dizer isso, deveria? Eu tenho certeza de que eu eventualmente precisarei de ajuda para alguma coisa. Ela escorregou para a cadeira aquecida e olhou para numeração na tela do computador, enquanto Jordan juntava e pegava a mochila e saía do escritório. Nem mesmo um terço dos estudantes havia chegado ainda. Com certeza o descanso só viria mais tarde. Katie olhou pra o relógio e imaginou por que ela aceitou tão rápido ficar ali. Ela não tinha comido ainda e agora ela tinha o compromisso de ficar de plantão pelas próximas 6 horas ao invés de 4. Katie desejou que Nicole, do jeito carinhoso, poderia pensar em trazer algo para ela comer. Depois de 3 horas de trabalho, ela havia checado apenas 40 estudantes, e Nicole não tinha aparecido. Ela estava faminta e decidiu dar um SOS no telefone de Rick. Quando ele atendeu, ela disse: - Comida! Preciso de comida! - Katie? Ela riu. - Claro que sou eu. Quem mais liga pra você e diz „Comida! Preciso de comida!‟? - Não parecia com a sua voz. - É porque eu estou faminta. Eu estou fraca de fome. O que você está fazendo agora? Tem alguma chance de você poder vir aqui e trazer algo pra eu comer? Eu estou de plantão e tenho que ficar mais duas horas. - Eu acho que eu só chegaria aí em duas horas. - Onde você está? - São Diego. Estamos olhando lugares em potencial que Josh achou. Eu não sei por que viemos essa tarde. O trafego que eu e você pegamos na última quarta esta horrível de novo. Eu posso ligar pra você quando eu estiver perto e vejo se você ainda está desesperada. - Eu estarei desesperada. Mesmo que eu consiga arrumar comida nas próximas horas, eu estarei desesperada para ver você. - Isso é ótimo, Katie. Eu te ligarei mais tarde.

- Espera! Como a propriedade é? - Muito boa. É uma antiga loja de pneus que ficava as margens da cidade, mas agora estão construindo habitações, a locação é ideal. Nenhum outro comprador está interessado o que deixa um preço muito bom. - Por que mais ninguém esta interessado? - Continua com pneus dentro. Josh disse que podemos nos livrar do cheiro. Ele está pensando em fazer um tema de Loja de Refrigerantes com os pneus porque uma das habitações que estão desenvolvendo é para pessoas de mais ou menos 55 anos. A Loja de refrigerantes poderia ser nostálgica para eles17. Nós estamos no estágio de trocar idéias. - Parece que será o tema mais divertido. Você pode chamar Nicole para ajudar na decoração. - Minha mãe sugeriu a mesma coisa. Ela veio com meu pai, Josh e eu. - Eu devo deixar você ir se você está no carro agora. - Tudo bem. Josh está conversando com Shana. Ele está tentando convencê-la a se mudar pra cá mesmo que ela não tenho um emprego. Josh está definitivamente se mudando de volta. Katie tinha uma leve suspeita de que se Josh se mudasse, mas Shana não, poderia ser o fim do curto relacionamento deles e isto seria bom para Nicole ter uma segunda chance com ele. Ela manteve o pensamento pra ela e disse a Rick que ela tinha que ir porque alguns estudantes estavam chegando e ela tinha que voltar ao trabalho. Durante as duas ultimas horas do trabalho de Katie foi cheio com a volta dos estudantes. Ela esqueceu sobre a comida até Nicole chegar ofegante ao escritório. - Você não vai imaginar como estava o tráfego! Katie, eu tinha a intenção de voltar mais cedo, mas eu ficava lá sentada e não saía pra lugar nenhum. - Você trouxe comida? Katie olhou inquisitiva para as sacolas de Nicole. - Eu tenho o resto de uma salada de Santa Fé. Você quer? Eu tenho certeza que posso achar um garfo por aqui. - Eu adoraria! Aqui, troque de lugar comigo. Eu sei onde os garfos estão. Katie devorou ferozmente a salada que já estava quente por ficar tanto tempo no carro de Nicole. Nicole tirou as coisas da mesa. Quando elas acertaram tudo com calma, Katie disse: - O que você fez o dia todo? - Você está pronta para isso? A linda pele de pêssego de Nicole ficou rosada. Eu fui à igreja essa manhã com Julia, e Phil estava lá. - Quem?
Loja de Refrigerantes eram umas lanchonetes super badaladas antigamente quando os refris foram lançados. Por isso da nostalgia.
17

Nicole abaixou a voz. - Philip Sett. Lembra? - Oh! Certo, o cara que parecia triste. Você foi almoçar com ele? - Eu fui. Ele disse que queria se acertar por não ter podido ir à Noite da Pizza. - Impressionante! - Tem mais. Nós fomos almoçar em um aconchegante restaurante à beira mar. Então ficamos presos no trafego de volta o resto do dia. - Parece que você teve um bom dia. - Foi bom. Não estupendo. Bom. A melhor parte foi quando ele me convidou, sabe? - Sim, eu sei. Eu definitivamente sei o que você quer dizer. A próxima leva de estudantes chegou, e Katie ficou uma hora a mais depois de seu turno para ajudar Nicole. Julia chegou e perguntou a Katie se elas poderiam acertar um compromisso segunda-feira à tarde. Katie escreveu para si mesma uma nota e colocou na bolsa. Quando ela procurou a nota depois da aula no dia seguinte, não conseguia achar. Ela tinha certeza que Julia falou para ela estar no apartamento dela às 4 horas. Como Katie tinha um pouco de tempo extra, ela deu uma volta no campus para ir à caixa de correio. Três cartas estavam esperando por ela e um postal lembrando que a permissão de estacionamento venceria dia 1° de Dezembro. - Bom, essa é uma divida que não preciso me preocupar mais. Ela gostaria que um dos envelopes tivesse o cheque das peças do Buguinho. Se Deus quisesse, teria dinheiro suficiente para ela passar o próximo mês. Ela sabia que poderia pegar algumas horas extras no Ninho da Pomba durante o feriado de Natal e poderia cobrir as despesas de Janeiro. Depois disso Katie não tinha idéia de onde viria o dinheiro de que ela precisa. Ela não estava preocupada, apesar disso. Deus sempre providenciava o suficiente. Nunca de mais, nunca de menos. Sempre o suficiente. Ela sussurrou uma pequena oração de agradecimento a Deus pela forma que Ele cuida dela. Checando o endereço do primeiro envelope, Katie sabia que era o cheque esperado. Ela foi abrindo o envelope enquanto caminhava de volta para o Crown Hall e tirou o cheque. Ela parou no caminho. - Devem estar brincando comigo! Alguns estudantes olharam pra ela. Ao invés de exteriorizar sua raiva, deixou-a ser expressa apenas em seu interior. O que está acontecendo? Isso não é suficiente nem para uma semana de despesas. Você viu isso, Deus? Eles me roubaram ou o que? Eu não acredito nisso. Eu vou ligar para esses caras e dizer que essa brincadeira não foi engraçada. Eles terão que me pagar tudo. Instantaneamente motivada, Katie procurou seu telefone e ligou pro número no topo do cheque. Ela pegou suas coisas e andou pelo Crown Hall e debateu com o mecânico com um tom de voz que era alto suficiente para qualquer um perto

ouvir. - Você me pagou por amendoins! Não é possível que isso seja tudo. Você disse que o Buguinho era uma raridade. Clássico. E isto é tudo que ele vale? - Eu temo que sim. Não foram muitas partes que podemos salvar. Você olhou a lista dentro do envelope? Você pode ver exatamente as partes que podemos vender e o preço que recebemos por elas. Nós tiramos nossa comissão, e isso está na lista também. Katie não respondeu. - Você ainda está ai? O mecânico perguntou. - Sim, eu ainda estou aqui. Desculpe-me se gritei com você. Eu apenas estou chateada. - Eu entendo. - Eu sei. Obrigada. Eu aprecio que tenha mandado o cheque. - Sem problemas. Katie controlou seus sentimentos se sentindo péssima da forma como falou com o pobre homem. Ela poderia agir assim se ele a tivesse roubado, mas como ela poderia saber? A parte mais embaraçosa foi quando ela percebeu que um pouco antes de abrir o envelope ela docemente agradeceu a Deus pelas providências. Dois segundos depois as suas expectativas não valiam, ela estava gritando para Deus e com outra pessoa como se a vida não fosse justa para ela. Respirando fundo, Katie entrou no Crown Hall e foi ao apartamento de Julia. Ao invés de pegar o elevador, ela decidiu ir pelas escadas para queimar todo esse sentimento. Quando ela chegou ao primeiro piso Julia apareceu na porta entre aberta com seu celular no ouvido. Ela acenou para Katie entrar e então fechou a porta. Katie podia ouvir apenas algumas coisas da conversa de Julia e rapidamente percebeu que não era da sua conta com quem Julia estava falando. Ela olhou para o envelope em sua mão. Ali. Aquele foi seu ultimo pensamento negativo, ela decidiu. Deus sabia o que estava fazendo mesmo que Katie não soubesse. Qual seria o propósito de acreditar em Deus se tudo vem automaticamente e facilmente? Katie disse para si mesma para ser agradecida. Era um bom exercício pro coração dela – um coração que saía facilmente do controle. - Obrigada, Katie sussurrou no apartamento de Julia. Na parede do quarto estavam varias fotos de Julia em locais diferentes pelo mundo. Em uma das visitas de Katie, Julia havia descrito onde cada foto foi tirada. Perto da porta estava a foto mais bonita que ficava na altura dos olhos com um escrito em Maori, a língua das pessoas indígenas da Nova Zelândia. A primeira vez que Katie viu essas palavras He aha te mea nui? He tangata! He tangata! He tangata!, ela perguntou a Julia o que elas significavam. Julia disse que era um enigma antigo na língua deles. A primeira linha era uma pergunta: “O

que é a melhor coisa?” A segunda linha era a resposta: “São as pessoas! São as pessoas! São as pessoas!” Katie pensou sobre o significado de dizer o que estava acontecendo na vida dela. Deus não deu a ela a benção que era mais importante? Pessoas, pessoas, pessoas. - Obrigada, ela sussurrou de novo para Deus. Desta vez sua gratidão carregava muito mais sinceridade. Katie colocou o cheque de novo no envelope e, como Julia ainda estava no celular, ela decidiu abrir os outros dois envelopes. A próxima era do banco, notificando que quando o cartão de débito foi requisitado na compra de chocolate, os fundos dela estavam insuficientes, e ela já havia usado o saldo especial. Ela ficou olhando o aviso. O pagamento dela de AR deveria ser automaticamente depositado na sexta. Ela não tinha idéia de que a transição que ela havia feito na quarta poderia ser finalizada no mesmo dia. Os bancos não têm mais feriados da Ação de Graças? Apesar da carta, Katie não gritou com Deus ou balançou a carta pro céu. Desta vez ela cerrou os dentes e sentiu a raiva implodindo ao invés de explodir. Ela sabia do orgulho dela em comprar os chocolates apesar de saber que eles estavam caros demais e mesmo o Rick tendo oferecido o dinheiro até sexta. Ela não poderia reclamar com ninguém alem dela mesma. Recusando-se a entrar numa confusão emocional, Katie pegou a próxima carta esperando que fossem boas noticias. Cupons de desconto para a próxima pizza seria ótimo. O endereço, porém, a fez perder as esperanças. A carta era da mãe dela.

Capítulo 23
Katie escolheu não abrir a carta. Não ali. Não com o humor que ela estava naquele momento. Enfiando todas as cartas dentro de sua bolsa a tiracolo, Katie cruzou e descruzou suas pernas. Ela colocou o cabelo atrás da orelha e mordiscou seu polegar. Já que Julia não aparecia, Katie não agüentou mais esperar. Ela enfiou sua mão na bolsa e puxou a carta com o endereço de seus pais escrito a Mao do lado esquerdo no topo do envelope. O envelope estava grosso, e quando Katie o virou, um bilhete estava pregado nas costas do envelope. Era o bilhete que ela não encontrou mais cedo. Com sua letra, estava escrito o horário que ela deveria encontrar Julia - 4:30. Ela estava adiantada. Agora sim dava pra entender porque Julia não estava disponível quando Katie apareceu. Katie considerou ir embora e voltar mais tarde. Mas pra onde ela iria por dez minutos? Passando os olhos na letra de sua mãe no envelope, Katie decidiu abrílo. Dentro estava outro envelope. Era endereçado a Katie e selado. Foi então que ela se lembrou da ligação de sua mãe algumas semanas atrás pedindo o endereço de Katie. Agora sua curiosidade estava aguçada. A carta não era, na verdade, de sua mãe. Era de alguém chamado “Nathaniel Brubaker, Adv.” O remetente era de Joplin, MO. Agora ela estava confusa. Ela não conhecia ninguém em “MO”, qualquer que fosse esse estado. Cuidadosamente, ela abriu a carta impressa em papel branco. Katie notou as palavras depois do nome de Nathaniel Brubaker. “Advogado aos cuidados da Lei.” Por que um advogado me mandaria uma carta? Por acaso eu violei alguma lei no estado de „MO‟ sem saber? Katie rapidamente passou o olho na carta e então leu a ultima linha, “Por favor, entre em contato comigo o mais rápido que puder para conversarmos sobre isso.” - Conversarmos sobre o que? Katie disse em voz alta. Ela estava lendo a carta pela segunda vez, mais atenciosamente quando Julia entrou na sala. - Desculpe-me por te deixar esperando. - Eu estava adiantada. Katie disse sem tirar o olho da carta. - Tudo bem? - Não sei. Ela deu a carta à Julia. Você pode me dizer o que isso significa? Enquanto Julia lia, seus olhos arregalaram. Ela olhou para Katie e disse: - Sua tia Mabel faleceu. - Eu sei. Ela morreu no verão passado. Ou talvez tenha sido na primavera. E eu

acho que ela era minha tia avó. Então por que eles estão me contando isso agora? Julia estava relendo a carta movendo seus lábios silenciosamente. - Eu acho que ela te deixou algo. Sr. Brubaker vai discutir os detalhes com você quando você ligar pra ele. - Tomara que ela tenha me deixado o carro dela. Eu poderia usar o carro dela. Apesar de que ela deve ter um daqueles carros de senhoras e num estado bem pior que o Buguinho estava. E como e que eu iria buscar esse carro onde quer que ele esteja? Que estado é MO, a propósito? - Missouri. - Então por que eles não usam as duas primeiras letras, MI? - Eu acho que essa é a abreviatura de Mississipi. Não, na verdade, Mississipi é MS. MI deve ser Michigan. - Isso explica o porquê de eu sempre me confundir com os nomes dos estados. Eu nunca tive uma noção clara de onde meus parentes são. - Você quer ligar para o Sr. Brubaker? Com o fuso horário, ele provavelmente pode não estar trabalhando, mas você pode deixar uma mensagem. - Claro, acho que sim. Katie pegou seu telefone e discou o número que estava no cabeçalho da carta. Uma mensagem gravada falou os horários de funcionamento do escritório e pediu pra que ela deixasse uma mensagem. Katie disse seu nome, o numero de seu celular e, só pra constar, seu endereço na Rancho. - Me conte o que ele disse quando ele te ligar. Julia falou. - Conto sim. - Então, como foi seu Dia de Ação de Graças e como estão as coisas? Katie e Julia ficaram os trinta minutos seguintes colocando os assuntos em dia. Katie não tinha muito pra contar, exceto pelos detalhes felizes do passeio ao zoológico na ultima quarta-feira, o bom tempo com a família de Rick e depois a pintura do apartamento dele. Katie passou por cima dos detalhes e falou sobre como queria levantar fundos para "água limpa" para a África e algumas das idéias que ela tivera de como o dormitório todo poderia participar disso. - Nos falaremos disso no nosso próximo encontro com a equipe, Julia disse. Você tem o encontro no seu calendário, não tem? É sexta-feira às três horas. - Eu estarei lá. Você quer que eu traga informações sobre a organização para a qual o pai do Eli trabalha? - Quero. Se você quiser, você pode mandar um email pra todos antes do encontro e mandá-los um link, caso haja algum site que eles possam dar uma olhada antes. - Eu farei isso. - Agora. Julia inclinou-se pra frente e olhou intensamente para Katie. Eu preciso te dar algumas direções com relação ao seu cargo.

- Ok. - Durante as ultimas semanas, algumas meninas no seu andar têm vindo ate mim e dito que não tem sentido que você tem estado disponível pra elas. - O que? - Apenas me ouça, Katie. Como você se lembra do treinamento, sua função não é ser a mãe dessas meninas e você não tem obrigação de ser a melhor amiga de todas. Então eu percebo que elas possam estar esperando mais de você do que deveriam. Eu também sei que é um desafio encontrar o equilíbrio perfeito. Eu não estou preocupada se você não esta fazendo seu trabalho ou se não esta tentando estar disponível. Você também tem suas aulas, assim como uma vida social. Então não leve isso como uma forma de repreensão da minha parte. Isso é apenas uma informação para você processar e ver como pode remediar alguns desses problemas. - Quem estava reclamando? - Eu não acho que isso importe. Não acho mesmo. Eu ouvi o que elas tinham pra dizer e as dei minha palavra de que iria falar com você. - Ah, é? E o que exatamente essas mulheres anônimas têm a dizer? - Katie, você esta agindo defensivamente. Você tem que levar isso como uma direção pra te ajudar e não uma acusação. O que elas disseram é que elas foram ao seu quarto um monte de vezes, mas você não estava lá. - E elas foram falar com a Nicole, certo? Nós somos um time. Ou a Nicole recebeu a mesma reclamação? - Elas foram falar com a Nicole, e não, ela não recebeu a mesma reclamação. - Eu não entendo como qualquer uma delas poderia esperar que eu ficasse no meu quarto esperando o tempo todo por elas. Como eu poderia fazer isso? Eu não tenho como estar lá toda vez que elas quiserem falar dos problemas delas. - Katie. - Quero dizer, o que elas pensam que eu estou fazendo? Eu não estou tentando ignorá-las. - Katie! A voz de Julia estava mais firme dessa vez. Você ainda está levando isso como uma ofensa. Olha para o que eu te disse por outra perspectiva. Examine isso objetivamente. Nesse cargo, você não pode levar tudo pro lado pessoal. Katie tentou com todas as forcas levar suas emoções para um lado mais neutro. - Desculpa. Ela respirou fundo. Então, o que eu devo fazer? - Eu acho que algumas atitudes poderiam ajudar. Você pode colocar no seu quadro de mensagens ao lado da sua porta, horários em que você esta no seu quarto e os horários que não está. - Eu já tenho um quadro de mensagens ao lado da minha porta.

- Eu sei que você tem. O que eu estou sugerindo e que você acrescente um sistema qualquer, como você preferir, que faça com que as pessoas saibam onde você está caso não esteja no seu quarto e a que horas estará de volta. Você já viu alguns desses relógios feitos à mão que as outras ARs tem. Ou você pode usar cartões que digam que você esta em aula ou quando estiver na cafeteria ou estudando. Então se certifique de deixar o horário em que estará de volta. Você pode trabalhar com o sistema que preferir. Tudo que você tem que fazer é encontrar um jeito de comunicar sua disponibilidade mais claramente com as meninas do andar. - Tá bom. - Tudo bem com você em relação a isso? - Sim, eu vou pensar em algo. Eu vou descobrir onde Nicole comprou aquele quadro magnético todo chique com os imãs para "aula", "estudos" e tudo mais. Com ela mesma, Katie pensou, não que eu possa comprar um agora... - Eu tenho outra sugestão, Julia disse. Você pode organizar um horário regular cada semana para fazer rondas. Eu sei que Nicole fez isso ano passado, mas não sei se ela começou a fazer esse ano. Vocês duas poderiam ir juntas ou separadas. Tudo que tem que fazer é dar uma parada no quarto de todas e dizer oi. Não tem que ser uma visita longa, e esse não é um tempo para elas contarem sobre suas histórias de vida, mas apenas uma oportunidade de estabelecer contato com todas. - Ok. Vou falar com Nicole sobre isso também. - Ah, e eu sugiro que você deixe um caderno perto de seu telefone para quando receber ligações. Inevitavelmente você vai receber um monte de pedidos para coisas como lâmpadas queimadas ou algo referente a uma embalagem de xampu que elas deixaram no banheiro. - Caderno. Entendi. - Obrigada, Katie. Julia disse com um sorriso. Eu agradeço por você estar levando isso tudo como sugestões construtivas ao invés de apenas criticas. - Isso é algo que eu preciso trabalhar. - Eu tenho certeza de que você esta descobrindo que ser uma AR está te dando a oportunidade de trabalhar exatamente nisso. - Exatamente. Katie retornou ao seu quarto antes de ir para a cafeteria jantar. Algo de sua velha e rebelde natureza a fez caminhar por todos os quartos e ignorar todas as meninas no andar durante todo o caminho para o seu quarto. Ela concordou com Julia que ela deveria ser mais deliberada em estar mais em contato com as meninas. Mas porque alguma mulher anônima ou duas ou talvez mais foram e "conversaram fiado" sobre ela, Katie preferiu afastar-se delas do que se esforçar para cumprir o que prometeu a Julia. Uma vez em seu quarto, Katie jogou seu travesseiro na parede e soltou um

"Grrr!" - Calma, ela disse a si mesma enquanto andava de um lado para o outro. Esse é o seu trabalho. Você tem quarto e comida de graça por isso. Leve isso como uma avaliação da sua performance. Relaxe. Você tem algumas áreas pra melhorar, só isso. Entre nessa. Não lute contra isso. Sua rápida sessão de terapia funcionou. Ela parou de andar de um lado para o outro no seu quarto e deixou o conselho de Julia "assentar" sobre ela. Bem nessa hora, seu celular tocou. Era Rick. Seu cumprimento foi: - Como é que você consegue me suportar? - Katie? - Sim, claro que sou eu. Por que você sempre pergunta se sou eu quando eu ligo? Isso é o que minha mãe faz, e isso me deixa louca. Você poderia pelo menos ler o identificador de chamadas no seu celular no caso de você não reconhecer minha voz por alguma estranha razão. - Eu liguei numa ma hora, não foi? Katie não pôde identificar se ele estava impaciente ou compadecente dela. Com Rick, às vezes, era difícil de saber a diferença. - Eu estou bem, ela disse, nada interessada em repetir a conversa com Julia para ninguém. - Tem certeza? Katie suspirou e então, impulsivamente, ela contou a Rick. Ela tentou fazer isso de uma maneira rápida e resumiu dizendo: - Então, eu acho que vou ter que me esforçar pra melhorar em cada parte do meu cargo no período entre agora e o recesso de Natal. - Isso vai ser bom. Rick disse. - Eu sei. É isso que eu preciso mesmo fazer. Eu não deveria ter uma atitude tão ruim assim. - Não, eu quero dizer que vai ser bom que seu trabalho vai exigir mais de você nas próximas semanas porque eu estou na mesma situação. Meu trabalho vai exigir bastante de mim também. Da beirada de sua cama, Katie fez uma careta e ficou feliz por Rick não poder ver seu rosto. - O que esta acontecendo? Ela tentou fazer a pergunta soar mais "calma" do que soou no interior dela. - Nos compramos a propriedade de San Diego hoje. Pelo menos nós começamos o processo. Nos estamos comprometidos com eles. Vai ser um negocio enorme, Katie! Isso é o que Josh e eu estávamos esperando. Nos ainda não podemos

acreditar que Deus abriu essa porta tão rapidamente depois que a propriedade do Arizona não deu certo. Ate que o Josh faça as malas e mude pra cá, eu terei que trabalhar contra o tempo. - Uau. Katie tentou soar um pouco entusiasmada para alegria de Rick. Então, nosso momento dourado de sair como namorados para encontros normais acabou. - Nosso namoro não acabou. - Quero dizer, o luxo de ir ao zoológico durante um dia como nos fizemos na semana passada. Essa é a parte dourada que vai acabar. - Não acabar, Katie. Apenas esperar. Nos ainda podemos nos encontrar para jantar e talvez ir ao cinema uma vez ou outra. Você entende a oportunidade fantástica que isso é e como eu tenho que mergulhar nisso e seguir em frente, não entende? - Sim. Eu entendo. Claro que eu entendo. É isso que você faz. Desculpe-me se eu não estou muito empolgada com relação a isso. Bem no fundo eu estou muito feliz por você, Josh e seus pais e pela triste, abandonada loja de pneus que em breve se tornara um feliz e 'bombante' point. - Nos ainda não estamos nesse nível. - Mas Rick, eu estaria mentindo se eu não dissesse que fiquei meio frustrada. Eu gostei de passar o tempo com você na semana passada, mesmo tendo sido apenas alguns dias. - Eu sei. Eu também gostei. Escute, eu não sei quando eu vou te ver essa semana porque eu tenho algumas viagens pra fazer para San Diego. - Dessa vez tomara que não tenha transito. - Sim, tomara que não tenha transito. Mas eu estarei em casa no próximo domingo, então vamos agendar esse dia como nosso dia juntos, ok? Se você tiver algum plantão, tente trocar com a Nicole. Se você tiver algum trabalho, tente fazê-lo antes de domingo. Assim nos podemos ter o domingo todo juntos. - Ok. Uma pequena parte do lado rebelde de Katie a fez ter vontade de dizer, “Por que sou eu tenho que fazer todos os ajustes e encaixar minha vida na sua agenda?" Mas ela não disse isso. Ela se lembrou do comentário de Cris alguns meses atrás sobre a vida de casada; como ela não esperava que tivesse que ceder tanto para encaixar sua vida com a vida de Ted. Cris disse também que Ted estava fazendo a mesma coisa. Ele tinha que ajustar sua agenda diariamente apenas pra lidar com as necessidades de transporte deles com apenas um carro. Aquele pensamento fez Katie se lembrar do seu cheque decepcionante das partes do Buguinho e das duas outras significantes cartas. Ela decidiu não dizer nada a Rick a respeito das cartas. Quando ela o visse no próximo domingo ela teria mais informações do advogado. Ela também sabia que não adiantaria de nada trazer à tona o assunto dos chocolates caros outra vez.

Eles se falaram mais alguns minutos e Rick disse que tinha que ir. Katie desligou e pensou em como Rick iria precisar do mesmo tipo de quadro de horários que ela penduraria ao lado de sua porta. Talvez ela achasse dois-pelopreco-de-um no Galpão da Economia, o lugar preferido de Katie pra fazer compras. Ele poderia colocá-lo ao lado da porta de seu escritório no Ninho da Pomba, e se ela não pudesse encontrá-lo no celular, pelo menos Carlos ou algum dos outros funcionários no Ninho poderia checar no calendário dele e informá-la de quando ele estaria de volta. Imaginar aquela cena levou Katie a acalmar seus sentimentos com relação ao que Julia dissera. Se algumas mulheres do seu andar tinham o sentimento de perda e talvez de abandono quando elas não encontravam Katie, ela agora compreendia mais como elas se sentiam. Ela não gostava de entrar nesse estágio de suas emoções, onde ela já estivera muitas vezes quando o assunto era Rick. Ela era uma mulher forte. Ela podia lidar com isso. Tudo isso. Deixando seu quarto e indo rumo à cafeteria, Katie se determinou a não sentir pena de si mesma com relação à iminente ocupada agenda de Rick. Ela também determinou que iria fazer um esforço generoso para demonstrar bondade a todas as mulheres no seu andar toda vez que pudesse, começando agora. Katie colocou a cabeça para dentro de cada porta e disse um caloroso oi. Todas as pessoas que passavam por ela no caminho para a cafeteria, ela cumprimentava pelo nome. Quando ela chegou à cafeteria, Eli estava na fila, dois lugares a frente dela. - Ei, Eli! Ele virou e deu um grande sorriso e se juntou a ela na fila. - Eu mandei um email pro meu pai. Você não iria acreditar no quanto ele ficou animado como a idéia dos nossos levantamentos de fundos. Eu acho que ele estava num momento bem difícil. Isso foi como remédio pra ele. Katie entrou, através da fila, na cafeteria com Eli, e os dois comeram juntos numa mesa ao lado da janela que tinha apenas duas cadeiras. Mesmo depois que eles terminaram de comer, eles continuaram falando sobre as idéias dos levantamentos de fundo. Eli contou a Katie mais histórias sobre as vezes que ele foi com seu pai em vilarejos remotos para fazer o trabalho preparatório antes de enviar a equipe que cavaria o poço. Ele descreveu um problema horrível em um vilarejo que tinha um parasita na água que se alojava debaixo da pele e deixava as crianças e adultos com dolorosos inchaços nesses lugares onde o parasita estava. Katie teve um calafrio diante da descrição e ficou feliz por já ter acabado de comer. - Você não vai acreditar nisso, Katie, mas dois meses apos o poço estar cavado e as pessoas não terem mais que beber da nascente contaminada, os parasitas sumiram. As pessoas foram curadas pela água limpa que estavam bebendo e

usando para cozinhar e lavar suas coisas. Isso transformou o vilarejo. - Você tem que contar essa história, Katie disse. - Onde? - Aqui, na capela. Os olhos de Katie se arregalaram. Sim, é isso! Na capela. Nós temos pessoas que vêm o tempo todo e nos contam sobre o que está acontecendo em varias partes do mundo, mas Eli, você esta aqui. E você viu e viveu isso tudo. Você falaria na capela um dia? Ele deu de ombros. - Acho que sim. O que eu diria? - Simplesmente o que você tem me contado. Conte suas histórias. Eu conheço pessoas no comitê da capela. Eu vou falar com eles amanhã. Eli, isso é muito legal! Nós podemos começar um projeto para levantar fundos que toda a universidade poderia participar! O entusiasmo de Katie não diminuiu quando a noite chegou. Ela e Eli continuaram conversando ate a cafeteria fechar. Então eles caminharam até o Java Jungle, um coffee shop dentro do campus, e continuaram conversando ate depois das nove. - Eu tenho mesmo que ir, Eli disse. Eu tenho que trabalhar à meia noite e tenho um trabalho pra fazer pra amanhã. - Vamos combinar um horário pra nos encontrarmos amanhã, Katie sugeriu. Qual é o número do seu celular? Eu acho que não tenho. Eles fizeram planos de se encontrarem na terça-feira. Eli sugeriu a fonte no centro do campus. A princípio Katie disse sim. Então ela parou e disse: - Vamos nos encontrar no Java Jungle ao invés da fonte. A fonte era um lugar especial para ela já que ela e Rick compartilharam alguns almoços-piqueniques divertidos assim como algumas guerrinhas de água. Soou engraçado pensar em começar algumas novas lembranças naquele lugar com Eli. Na hora que eles iam se encontrar no Java Jungle na ter Ca, Katie estava cheia de novidades. Ela estava esperando por Eli quando Julia entrou no pequeno coffee shop e acenou para Katie. Katie chamou-a e iria contar-lhe a mais nova idéia sobre o "testemunho" de Eli na capela quando seu celular tocou. Katie não reconheceu o numero e assumiu que fosse Eli. Ela atendeu dizendo: - Você não vai acreditar em todas as coisas boas que estão pra acontecer! Depois de uma pausa, uma mulher disse: - Katie Weldon, por favor. - Oh. Sim, é a Katie. - Vou passar para o Sr. Brubaker.

Katie cobriu o microfone e olhou para Julia. - É o advogado, ela sussurrou. Julia apontou para a porta. - Você deveria ir lá pra fora, pra algum lugar onde possa ouvir melhor. Julia disse. - Você pode vir comigo, Julia? Eu devo precisar de você. As duas foram para fora e caminharam ate um banco que ficava de frente para o prédio principal da comunidade dos estudantes e de costas para o muro de tijolos do Dishner Hall, o departamento de música. Esse era o melhor lugar à prova de som que elas poderiam encontrar do lado de fora. - Senhorita Weldon? A voz do outro lado da linha era baixa e "sombria". - Sim? - Você respondeu à minha carta com relação a Mabel Overton. - Sim. - Eu estou lidando com o testamento da Sra. Overton. Ela tinha um pedido especifico, seu desejo era que encontrássemos todos os seus parentes que estivessem na faculdade. - Sr. Brubaker? Eu vou colocar o senhor no vivavoz. - Alguém vai ouvir nossa conversa? Katie olhou a sua volta. - Apenas minha DR. Minha diretora dos residentes. Eu quero que ela ouça o que você vai dizer porque ela estava comigo quando eu li sua carta e ela esta comigo agora. Eu são quero que ela ouça para que ela possa me falar se eu preciso fazer algo que eu não entenda enquanto você fala. Faz sentido? Eu nunca falei com um advogado antes e, pra ser honesta, eu estou nervosa. - Não tem motivos pra ficar nervosa. Vai em frente e me coloque no vivavoz. Katie segurou o telefone entre ela e Julia e olhou em volta para se certificar de que nenhum outro estudante estava por perto. Elas ainda estavam isoladas no seu "esconderijo". - Ok, ela disse. Tá limpo. Quero dizer, você pode continuar com o que ia dizer. Sr. Brubaker descreveu como a tia avó de Katie queria encontrar todos os parentes dela que estivessem fazendo faculdade porque era algo que ela queria muito ter feito, mas não pode. O advogado conduzira uma extensa procura, e Katie foi a única familiar direta que estava fazendo faculdade ou tinha expressado algum desejo em fazer faculdade. Katie olhou pra Julia. Ela não fazia a menor idéia do porquê isso importava tanto para sua falecida tia avo. Então o Sr. Brubaker deixou as intenções de Mabel claras.

- Como a única universitária, você foi destinada a receber toda a quantia do testamento dela. Katie levantou suas sobrancelhas e continuou olhando para Julia. Que ótima novidade! Talvez sua tia avó tivesse deixado uma quantia suficiente para cobrir o resto do valor de seu curso. - Você gostaria de saber a quantia destinada a você? Ele perguntou. - A quantia? Claro! O Sr. Brubaker disse a quantia, e Katie deixou seu celular cair no mesmo instante. Julia pegou o telefone. - Obrigada, Sr. Brubaker. Katie esta um pouco abalada no momento. - Compreensível. A tia avó dela adquiriu um pequena quantia em ações numa companhia de petróleo quando estava em seus quarenta anos. Com o preço do petróleo hoje, eu diria que dá um bom dinheiro. - Sim, Julia concordou. - Sr. Brubaker, o senhor tem certeza disso tudo? Katie disse, recobrando sua voz. Coisas assim acontecem em filmes, mas não na vida real. - Oh, elas acontecem na vida real todos os dias, Srta. Weldon. Acredite. Agora, eu tenho seu endereço aí na Rancho Corona, então eu enviarei as papeladas finais para você nesse endereço, a menos que você queira que eu mande pra algum outro lugar. - Não, aqui mesmo. - Tenha um bom dia, então. - Espere! Sr. Brubaker? - Sim? - Alguém mais sabe disso? Meus pais ou algum parente? - Não. Você pode fazer o que quiser com a informação e o dinheiro. - Ok. Obrigada. - Disponha. Tenha um bom dia.

Capítulo 24
Katie desligou seu celular e encarou Julia. - Tenha um bom dia? Ele acabou de dizer „tenha um bom dia‟? Julia sorriu. - Uau, Katie. - Me diz a o valor de novo. Julia repetiu enquanto Katie desenhava os números invisíveis no ar com seu dedo. - É um monte de número na frente do ponto decimal. E números agradáveis também, você não acha? Agradáveis, grandes, gordos números. Julia, isso é loucura! Me dá um tapa para eu acordar? Isso não pode estar acontecendo. Julia deslizou seu braço ao redor dos ombros de Katie e lhe deu um abraço apertado. - Parece ser real, Katie. Sem piada. Você orou por ajuda financeira ou alguma coisa assim? Katie riu. Ela riu e riu até lágrimas rolarem por sua face. Uma vez que ela tinha recuperado sua voz, ela disse: - Julia. O que vou fazer com todo esse dinheiro? - Você vai dar um tempo, você vai orar... - Certo. Claro. Deus não teria feito isso se Ele não tivesse uma razão. Você acha que Ele tem um plano para esse dinheiro? Claro que Ele tem um plano. Você acha... você acha que Ele tem um sonho? Um sonho para alguma coisa que poderia acontecer e Ele quer usar esse dinheiro para fazer acontecer? - Por que você não pergunta a Ele? - Sim, claro. Por que não posso pensar nessas coisas? Vou perguntar a Ele. Você quer orar comigo? - Claro. Pelos cinco minutos seguintes Katie e Julia curvaram suas cabeças no banco do lado do Dishner Hall e oraram juntas. Ambas agradeceram a Deus pelo inesperado e extravagante presente. Julia pediu que Deus desse sabedoria a Katie. Katie concluiu suas orações espontâneas com: - Pai, e você? Você tem algum sonho e quer que eu use esse dinheiro pra realizar? Porque você pode tê-lo. Eu sei que já é Teu, mas se você está colocando no meu caminho para que eu venha usá-lo de alguma forma que irá fazer teu reino vir e tua vontade ser feita tanto na terra como no céu, então eu farei. Apenas me diga o que queres. Amém.

- Amém. Julia repetiu. Katie abriu seus olhos e olhou para Julia se sentindo um pouco mais estabilizada. - Isso é muito louco. - Deus é muito louco, Julia disse. Ele raramente faz o que nós pensamos que ele iria fazer. Katie acenou com a cabeça. Alguns pensamentos suaves sobre Rick e onde o relacionamento deles estava indo veio flutuando sobre ela. Ela não estava certa por que. Ela teria pensado que o dinheiro seria tudo que ela poderia pensar a respeito depois de receber tal notícia surpreendente. - Julia, posso te fazer uma pergunta maluca? - Ok - O que quer que seja que aconteceu com Trent? Julia pareceu assustada. - O que você quer dizer com o que aconteceu com ele? - Você disse que não se casou com ele, então eu só estava pensando o que tinha acontecido. Quer dizer, se você não se importar em me contar. Meus pensamentos estão em todo lugar e eu acho que estou tentando entender minha vida inteira agora de uma vez só e eu pensei sobre você e amor e casamento e o futuro. Julia levou um longo momento antes de falar. - Eu... Ela não continuou. Com sua expressão de tranqüilidade retornando ela disse: Quer saber, Katie? Vou te fazer uma promessa. Eu prometo que vou te contar sobre Trent um dia. Eu não contei pra muitas pessoas, mas eu vou contar pra você. Não hoje, mas um dia. - Ok. Eu espero. Sou uma boa esperadora. Bem, não muito. É um tipo de piada que eu e Rick temos. Eu não sei por que não consigo parar de pensar em Rick. Você acha que tô ficando doida? Eu sinto como se estivesse. Sinto como se eu estivesse sobrecarregada. - Por que você não volta para seu quarto e seja você mesma por um momento? Você pode deixar tudo isso ser absorvido e ore um pouco mais e volte ao seu normal. Estarei por aqui, se você precisar conversar um pouco mais. - Obrigada. Katie caminhou de volta ao Crown Hall confusa, embora um pensamento persistente ficasse em sua mente. No momento em que ela estava na porta do dormitório, ela sentiu que um pensamento singular tinha sido selado em seu cérebro. Aquele pensamento a guiou pra uma decisão importante. Ela entrou no lobby e decidiu, Eu não vou contar nada a ninguém sobre a herança. Nem Rick ou Cris ou Nicole, ninguém. Apenas Julia precisa saber no momento. Se eu disser a muita gente, vai ficar confuso saber o que devo fazer depois. Tentando lembrar-se de sua nova abordagem de cumprimentar todos no caminho,

Katie parou por alguns minutos pra um rápido bate-papo com três garotas diferentes. Quando ela entrou em seu quarto, ela fechou a porta e ficou de pé com as costas contra ela. Isso não é real. Isso não está acontecendo. E se Julia não estivesse comigo? Eu teria pirado total. Provavelmente eu estaria correndo pelo campus exatamente agora gritando e contando pra todos. Ela respirou fundo. Assim é melhor. Só você e eu, Senhor. Só você e eu. Por aproximadamente vinte minutos, Katie ficou deitada em sua cama, fitando o teto. Seu celular tocou, mas ela não atendeu. Quem quer que fosse ela não podia falar naquele momento. Ela estava pensando. Meditando. Qual era seu próximo passo? O pagamento de sua mensalidade estava vencendo na semana seguinte. Ela usaria o dinheiro pra pagar, claro. Não apenas pra o próximo pagamento, mas para o resto do ano. Ela pagaria todas suas contas escolares. Isso era que sua tia Mabel queria, não era? Daquela forma Katie poderia se formar em Maio sem nenhum empréstimo estudantil e sem nenhum débito. Nunca em um milhão de anos ela teria pensado que Deus faria uma coisa dessas. Ela tinha dito a Ele quando iniciou a faculdade que ela confiava nEle pra ajudá-la a superar, mas mesmo em suas mais loucas idéias isso não era do jeito que ela pensou que Ele faria. - Obrigada, Katie sussurrou. Obrigada, obrigada, obrigada! Ela pensou em todos seus amigos que estavam lutando pra encontrar maneiras de pagar suas mensalidades. Por que ela não poderia ajudá-los? Anonimamente. Julia poderia direcioná-la em como fazer uma doação silenciosamente. Por que não? Ela poderia contribuir pras mensalidades de Joseph e Eli. - Eli! Katie levantou-se e procurou por seu telefone. Eu saí do Java Jungle e nunca voltei pra encontrá-lo. Katie checou e viu que ela tinha três mensagens dele. Discando o número dele rapidamente, ela caiu na mensagem de voz. - Eli, eu sinto muito, muito. Aconteceu uma coisa. Eu hummmm... bem, me liga depois. Talvez a gente possa se encontrar pra jantar ou alguma coisa. Ela pegou seu caderno de espiral de sua mesa e lembrou que ela ainda não tinha feito sua leitura pra aula daquela noite. A leitura teria que esperar uns vinte minutos. Katie precisava colocar sua enxurrada de pensamentos no papel antes que sua mente começasse a se dispersar de novo. Ela rabiscou o nome de todos os estudantes que ela sabia que estavam trabalhando pra pagar suas mensalidades. A lista cresceu e Katie se sentiu desencorajada. Se ela tentasse pagar a mensalidade de todos na lista, todo o dinheiro acabaria antes que ela alcançasse o final da lista.

Riscando aquela lista, ela começou outra. Eli estava no topo da lista. Ela não fazia idéia como a mensalidade dele estava sendo paga. Julia poderia ajudá-la a descobrir. Joseph vinha a seguir na lista. Enquanto ela escrevia o nome dele, ela se lembrou do jogo que eles fizeram no Dia de Ação de Graças. A resposta de Joseph para o que ele faria se tivesse um milhão de dólares foi trazer Shiloh e Hope pra ficar com ele na Rancho Corona. Um amável sorriso cresceu no rosto de Katie. Ela poderia fazer isso. Ela poderia tornar aquilo possível. Na verdade, Deus era quem poderia e estava fazendo se tornar possível. Katie começou uma nova lista. O título era “Sonhos de Deus”. A primeira coisa na lista era “Shiloh e Hope mudam pra Rancho”. Quando ela escreveu o último “o”, ela adicionou um pequeno e feliz cachinho no topo do “o.” Então por diversão ela adicionou olhos e um grande sorriso dentro do “o” em Shiloh, Hope e em Rancho. Três rostos felizes. - O que mais? Katie perguntou em voz alta. O que mais você quer fazer com esse pedaço ridículo de troco? Exatamente no topo de seus pensamentos estava o projeto pra levantar fundos pra água limpa na África. Ela escreveu aquilo. Se ela fizesse uma contribuição grande, não significaria que o levantamento do dinheiro estava acabado. Apenas significava que mais dinheiro seria adicionado. Katie estava muito empolgada pra esperar e perguntar o que mais Deus queria na lista de sonhos. Ela ligou pra Julia e pediu pra que ela viesse pra seu dormitório. - Preciso de ajuda. - Você está bem? Julia perguntou. - Estou mais do que bem. Estou jubilante. - Oh, querida! Julia disse com uma risada: Estarei logo aí. O que começou naquela tarde no quarto de Katie entre ela e Julia ficou naquele quarto entre Katie e Julia. Foi o tipo de segredo delicioso de sempre. Depois que Katie mostrou pra Julia como ela queria dividir o dinheiro, Julia concordou com a cabeça e então disse: - Você esqueceu uma coisa importante. - O quê? Dízimo? - Não, eu acho que você tem seu dízimo quadruplicado com o que você quer direcionar pro projeto de água limpa. O que você esqueceu foi você mesma. - Minha mensalidade está coberta. Está nessa coluna bem aqui. - Katie, e a respeito de um carro? - Ah, sim. Eu poderia usar um desses. - Cê acha? Julia disse em tom de brincadeira. Eu não consigo acreditar como você

não colocou isso no topo da lista. Você pensou em todo mundo menos você mesma. - Não exatamente. Eu apenas esqueci minha deficiência de transporte. Acho que é porque todos têm sido tão legais me levando pra cima e pra baixo, eu não tenho sentido falta do meu carro tanto quanto eu pensei que eu iria. - Ainda assim você precisa comprar um. - Eu sei. Eu não preciso de um carro novo, mas alguma coisa que seja seguro seria muito boa. Isso poderia ser divertido! Eu poderia pagar com dinheiro vivo! A papelada chegou na quinta e Julia ajudou Katie a olhar os específicos pra ter certeza que ela tinha respondido a todas as perguntas feitas a ela e assinado todos os lugares que eram requeridos pra assinar. Enquanto elas dirigiam de volta da loja de envio onde elas mandaram os papéis de volta via FedEx noturno, Julia ajudou Katie decidir quanto ela colocaria na poupança, quanto ela transferiria pra conta corrente e quanto ela precisava segurar pros impostos. Outro valor precisava ser colocado numa conta poupança de longo termo onde renderia mais e estaria disponível pra Katie depois que ela graduasse. Katie não estava convencida sobre a poupança pós graduação, mas Julia comentou que o valor final permitiria que Katie se mudasse pra um apartamento. - E se eu não precisar comprar meu próprio apartamento depois que eu me formar? Katie disse, aludindo à possibilidade de que ela poderia fazer como Cris e se casar logo depois da formatura. - Então eu diria que você vai ter todo dinheiro que precisa pra um vestido de noiva sensacional como também uma recepção que vai surpreender todos os seus amigos e familiares. - E eu não terei que pedir nem um centavo aos meus pais, Katie disse pensativamente. Aquele foi o momento que ela percebeu quanto sua vida tinha mudado. Não apenas por causa do dinheiro, mas porque ela realmente tinha se tornado independente. Com aquilo em mente, Katie adicionou outra conta poupança à sua lista. Essa era para seus pais. - Você me disse que a melhor coisa que eu poderia fazer era honrar meu pai e minha mãe. Eu não quero contar a eles sobre esse dinheiro por todas as razões óbvias, mas eu quero guardar um pouco pra eles caso eles tenham problemas médicos ou pra despesas com aposentadoria que eles não possam arcar. Julia concordou. - Isso é bom, Katie. Muito bom. Você está sendo uma boa administradora daquilo que Deus tem te dado. - Bem, Ele não meu deu ainda. Eu ainda tenho a sensação de que isso é um daqueles momentos só-acredito-vendo.

Katie cancelou seu almoço com Cris planejado para aquela semana dizendo honestamente que ela tinha muita coisa pra fazer. Ela estava morrendo de vontade de contar para Cris, mas ela sabia que se ela contasse a Cris, Cris ia quere contar para Ted e se Ted soubesse então ele contaria a Eli e, claro, Rick e então ninguém poderia parar as notícias. Todo mundo saberia e o segredo das doações seria estragado. Por aquela razão ela também evitou longas conversas com Nicole. Suas conversas no telefone com Rick foram todas sobre as aventuras dele em San Diego e como ele sempre deixara a nova construção cheirando a pneus de borracha. Quando ele disse a ela no telefone sexta à noite que ele sentia muito, mas não poderia manter o encontro deles no domingo, Katie nem estava tão chateada. - Eu tenho tido tanta coisa acontecendo aqui que você nem acreditaria. - Você não está chateada? - Não. Estou ansiosa pra te ver, mas eu posso esperar. Sou uma boa esperadora. Rick sorriu. - Você é, Katie. Você é a melhor. Eu... Um pequeno sorriso cresceu no rosto de Katie enquanto ela sentava na cafeteria barulhenta com seu celular contra seu ouvido. - Sim, você começou a dizer alguma coisa... - Eu te aprecio mais do que você jamais vai saber, ele disse. - Frango18! - O quê? Katie sabia que não era uma boa idéia insistir pra que Rick dissesse que a amava. Ela rapidamente redirecionou sua declaração. - Nós temos frango hoje à noite. Estou na cafeteria. - Posso ouvir. Eu deveria te deixar ir. - Ok, mas me liga mais tarde quando você puder. - Eu ligo. Eu sempre ligo. - Eu sei. Katie fechou seu telefone e carregou sua bandeja pra mesa perto da janela onde ela e Eli tinham sentado na segunda-feira à noite quando ela deu a idéia dele falar na capela. Ela tirou seu prato e bebida da bandeja já que a mesa era pequena e pôs a bandeja contra a janela. Ela realmente tinha frango no seu prato. A última coisa que ela queria fazer era mentir pra Rick. De certa forma ela se sentia incerta desde que ela não tinha dito a ele sobre a herança. Ao mesmo tempo ela sabia que era a decisão certa. Quanto mais ela pensava a
18

A expressão CHICKEN em inglês, além de significar frango, tb é usada pra chamar um pessoa de medrosa, covarde, etc. Então na primeira vez em que Katie usou, o sentido era chamar Rick de medroso por não ter dito que a amava.

respeito, mais certo parecia manter tudo como estava – um esplêndido segredinho entre ela e Deus. Claramente Deus tinha enviado Julia para o suporte necessário. Não era coincidência, Katie estava certa, ela ter aberto a primeira carta quando ela estava sentada no sofá do apartamento de Julia. Também não era coincidência Julia ter adentrado o Java Jungle apenas alguns minutos antes de Katie receber a ligação do advogado. Katie fez uma oração de gratidão por seu frango de sexta-feira à noite da cafeteria e comeu sozinha. Ela pensou sobre todos os trabalhos que ela precisava terminar só no fim de semana. Ela também pensou quando ela teria tempo pra sair e procurar por um carro e quando ela teria tempo pra encontrar Cris pra almoçar. Quando ela pensou em Cris, ela pensou em duas coisas. Pobre velho senhor Tropeço e um-carro-dilema de Ted e Cris. Pegando o pequeno caderno que agora ela carregava consigo desde que Julia sugeriu que ela mantivesse um manual em seu quarto, Katie escreveu uma nota pra si mesma: T e C – Gato e Carro. Ela colocou a nota na página onde ela estava mantendo uma lista que ela estava chamando sua lista “Fada Madrinha”. Se ela pudesse abençoar alguém anonimamente com o dinheiro extra que ela receberia na poupança, seus nomes e o presente específico iam pra lista Fada Madrinha. Não significava que ela seguiria todas as noções viajantes daquela lista, mas com certeza era divertido pensar como ela poderia comprar um carro extra e um animal de estimação pra Cris e Ted. Katie mastigou o pedaço de frango pensativamente e decidiu riscar o “gato” da lista para Cris. Ela já sabia que aquilo não seria visto por Ted como uma benção. O carro, porém, era uma possibilidade. Ela não sabia como aconteceria e como ela manteria no anonimato, mas ela tinha tempo. O dinheiro não tinha chegado ainda. Quando chegasse, ela poderia guardar e esperar até o momento certo pra ativar sua lista Fada Madrinha.

Capítulo 25
O cheque chegou na quinta-feira, três semanas antes do Natal. Katie abriu a sua caixa de correio e viu o envelope. Ela consumiu cada molécula de compostura dentro dela para simplesmente pegar o envelope e escorregá-lo para a sua bolsa a tiracolo sem deixar escapar um grito selvagem de júbilo. Ela se apressou de volta para o Crown Hall, discando para Julia no caminho. - Ei, Katie disse calmamente. Sou eu, Katie. Hum, você lembra como você disse que se eu algum dia precisasse de uma carona que eu poderia pedir para você? - Sim. - Bem, eu quero saber se você estaria disponível para me levar ao banco esta tarde. - Oh, o banco. O banco! Sim! Uau! Já? Ok. Sim. Eu vou estar honrada por te levar ao banco. - Bom. Eu estou quase no Crown Hall bem agora. - Eu a encontro no salão de entrada. As duas mantiveram a fachada tranqüila enquanto se encontravam na porta da frente. - Você está pronta para ir, então? Julia perguntou. - Sim. Obrigada por fazer isso por mim. - Sem problemas, Katie. Às ordens. Então, já que ela não poderia ajudar, mas para adicionar uma pequena graça ao momento, Katie disse: - Eu espero que eu brevemente seja capaz de comprar um carro de alguma forma, mas até lá, eu realmente aprecio a carona. Julia olhou em volta. Não parecia que alguém tivesse escutado o comentário de Katie. Sem problemas. As duas conheciam todos os significados ocultos. Assim que elas escapuliram no carro de Julia, Katie abriu o envelope. - Minhas mãos estão tremendo! Puxando cuidadosamente o pedaço de papel significante para fora do envelope, Katie o colocou em seu colo e encarou. - É o que você esperava? Julia perguntou. - Até o último centavo. Uau! Quantos belos, belos gordos e alegres números. Olhe para todos eles alinhados como desejos. Tantos desejos vão se tornar realidade como resultado desses números inesperados. Eu tenho vontade de cantar! Enquanto Julia dirigia rumo ao banco, ambas cantavam. Um tipo de cântico bobo e espontâneo, mas ao mesmo tempo, parecia a coisa mais natural a fazer. Era um ato de adoração.

Uma vez que elas chegaram ao banco, entretanto, ambas passaram a ser só negócios. Aquilo era fácil de fazer devido ao trabalho preliminar que Julia tinha feito. Ela havia preagendado um compromisso com o gerente e tinha ligado para ele assim que Katie a chamou. Isso permitiu que as duas sentassem com o gerente do banco e conduzissem a transação de forma particular. Levou quase uma hora até que tudo estivesse completo. Eles estavam perto de finalizar com os detalhes da conta que Katie queria usar para o levantamento de fundos quando o gerente disse: - Eu estou entendendo que a maior parte desse fundo vai para caridade? Katie explicou sobre os planos de levantamento de fundos e a conexão de Eli com o projeto. - Ele vai falar na capela amanhã, Katie disse. Você será bem vindo a se juntar conosco, se você quiser. O gerente se sentou novamente e dobrou as suas mãos, sua expressão era contemplativa. - Eu não poderei ir à capela, ele disse. Mas eu gostaria que a nossa filial participasse do levantamento de fundos. Você poderia nos dar as informações? - Claro. Katie e Julia trocaram olhares surpresos. Ele inclinou a sua grande cadeira de couro para frente e, olhando para Katie, disse: - Eu nunca vi nada igual a isso. Você é uma jovem mulher inspiradora. Ter essa quantidade de dinheiro à sua disposição e escolher colocar tanto assim nessa causa move profundamente. Katie não sabia o que dizer. - Eu decidi que vou fazer uma contribuição pessoal de três mil dólares para o fundo. Minha contribuição irá aparecer na conta ao final deste mês. - Obrigada! Katie se levantou e avançou para apertar a mão dele. Muito obrigada! - Não, obrigada a você pelo seu exemplo impressionante. Eu estou em bancos há duas décadas e nunca tinha visto esse tipo de dedicação. Especialmente em alguém tão jovem. Posso perguntar como você chegou a esta decisão? Katie olhou para Julia e de volta para o gerente. - Nós só oramos sobre isso. Eu perguntei a Deus se ele tinha alguns sonhos que queria que se cumprissem com o dinheiro e, então, eu comecei a fazer uma lista. - Bem, de novo, obrigada pelo seu exemplo, Senhorita Weldon. Você está em crédito com o seu Deus e com a sua universidade. Ele se levantou e abriu a porta do escritório. Enquanto Katie e Julia caminhavam para fora, os clientes que esperavam para se encontrar com o gerente em seguida vieram em sentido contrário. - Rick, Josh! Ei! Katie se apressou para frente e deu a Rick um grande abraço. Eu não acredito que vocês estão aqui.

- Nós estamos aqui para o nosso empréstimo empresarial, Josh disse. Assim nós esperamos. - Parece que esses jovens homens são amigos de vocês, o gerente disse. - Esse é o meu namorado, Rick Doyle, e o seu irmão, Josh. - Está tudo bem? Rick perguntou a Katie. Ele disse isso calmamente, mas Katie estava muito certa de que o gerente e Julia podiam ouvi-lo. Você não está com saldo negativo, está? Por que se você estiver... O gerente cobriu a sua boca como se uma tosse subitamente o atacasse. - Não, está tudo ótimo. Julia se ofereceu para me dar uma carona. Eu tinha que colocar algumas das minhas finanças em ordem. Ela se virou e deu ao gerente um sorriso astuto. Nós conseguimos arranjar tudo. - Bem, se você precisar de uma carona de novo, só me ligue. Eu não sabia que você estava vindo aqui hoje. - Eu também não sabia. Só aconteceu desse jeito. Katie se voltou para Julia. Vocês já se conheceram? Rick e Josh, esta é Julia a diretora dos residentes do meu dormitório. Eles trocaram corteses 'olás'. O gerente então convidou Rick e Josh para dentro do seu escritório. - Se ajudar, Katie disse para o gerente do banco com um sorriso brincalhão, eu estou disposta a ser garantia desses dois. - Obrigada, Katie Girl. Josh respondeu com um tapinha igualmente brincalhão no ombro dela. Eu tenho certeza que isso ajuda muito vindo de uma estudante universitária que não ter sequer um carro no momento. Não estou certo de que tipo de efeito colateral você pode nos oferecer, mas obrigado pelo seu voto de confiança. O comentário de Josh a incomodou, mas Katie fugiu dele e ofereceu um sorriso tranqüilo para o gerente do banco. A porta do escritório se fechou atrás dos dois irmãos e Katie pensou se ela queria esperar até eles terminarem e pegar uma carona de volta para a Rancho com eles ou voltar agora com Julia. Ela optou por voltar com Julia e as duas se dirigiram para o Archie‟s Burgers no caminho para o campus. - Nós vamos querer dois milkshakes de chocolate, Julia disse. - Pequenos, médios ou grandes? A voz no caixa do drive-through perguntou. - Grande! Katie gritou de volta. Definitivamente, grande! Nós estamos celebrando! Quando elas se dirigiram para a janela, Katie estendeu a Julia uma nota de vinte dólares. Eu sempre quis fazer isso. Dar a ela vinte e então dizer 'Fique com o troco'. Julia fez como Katie pediu e pelo olhar no rosto da jovem mulher, ela tinha acabado de ganhar o dia.

- Foi muito engraçado, Katie concordou. E não se preocupe com a minha nota de vinte dólares sendo agitada pelo campus e levantando suspeitas. Eu tenho pensado muito sobre isso e sei que tenho que pegar leve. Eu vou. E mais uma coisa. Eu tenho pensado sobre isso muito também então eu espero que você honre os esforços exaustivos do meu cérebro. Eu quero pagar a você pela sua consultoria. Katie tirou um dos seus novos talões de cheques e começou a preencher um cheque. - Agora antes de você protestar, Katie calmamente adicionou, apenas saiba que eu não quero ouvir qualquer recusa de você. Eu quero te dar esse dinheiro como um agradecimento a você por toda a sua ajuda. O que você fará com ele é com você. Mas você tem que aceitar. Julia não resistiu. Ela chorou, disse obrigada e abraçou Katie. Katie perguntou. - Você acha que terá tempo para pegar o cheque administrativo para o serviço dos estudantes? - Aquele para o Joseph? - Sim, eu não posso esperar para colocar todas as etapas em prática. Se há algum jeito de Shiloh e Hope estarem aqui antes do Natal, será inacreditável. Julia tinha tomado todas as providências necessárias para que a mulher e a filha de Joseph se mudassem para lá. Tudo o que faltava era o cheque. Então Joseph seria notificado, os vôos seriam finalizados e tudo de maravilhoso para a família dele estaria acontecendo. Ninguém sabia quem estava fazendo a contribuição. Julia tinha feito um excelente trabalho de manter os segredos de Katie. A faculdade de Eli tinha sido paga, mas a de Joseph já estava coberta por uma bolsa de estudos. Tudo o que Katie estava pagando eram as despesas da viagem e moradia para Joseph e a sua família até ele se formar. Katie retornou para o seu quarto enquanto Julia dava os próximos passos no serviço dos estudantes. Algumas mulheres cumprimentaram Katie enquanto ela caminhava corredor abaixo e ela parou para conversar com duas delas antes de entrar no seu quarto e fechar a porta. Ela ainda não tinha um calendário de dentro-e-fora no seu quadro de mensagens, mas ela tinha começado a escrever “Já volto” e estimar um tempo para voltar sempre que ela deixava o quarto. A técnica de parar-e-conversar que ela estava usando todas as vezes que ela subia ou descia o corredor parecia estar ajudando na forma como as mulheres a cumprimentavam quando a viam. As coisas pareciam bem em todas as áreas da vida de Katie. Ela estava quase em seu quarto quando Rick telefonou. - Nós conseguimos o empréstimo. Ele parecia emocionado e surpreso. - Isso é ótimo! - Você não entendeu, Katie. Nós recebemos o suficiente para abrir os dois cafés. O de Redlands e o de San Diego.

- Qual café em Redlands? Eu pensei que fosse só uma especulação. - E era, mas com essa quantidade de dinheiro, Josh e eu podemos abrir ambos. Nós precisamos sair para comemorar. O que você está fazendo agora? Você quer nos encontrar no Palácio Tailandês? Oh, espere, Josh acabou de me dizer que ele não tem tempo para sentar e jantar. Eu estou indo levá-lo de volta para o Ninho da Pomba no carro dele e então eu vou para o Palácio Tailandês e pego alguma comida. Nós podemos comer no meu carro. Você pode conseguir uma carona? - Sim, tenho certeza de que eu posso conseguir uma carona com alguém. Te vejo em meia hora. - Quarenta minutos. Katie passou pelas suas caronas usuais. Julia estava levando Talitha e a sua companheira de quarto para o jantar de aniversário de Talitha. Nicole estava respondendo às suas chamadas. Três das outras possíveis generosas amigas motorizadas de Katie já tinham planos e nenhuma delas estava indo para o lado do apartamento de Rick. Ela tentou Cris como um tiro longo, mas ela estava trabalhando no turno da noite para alguém que estava doente e Ted estava com o carro em uma reunião. - Ok. Então eu acho que preciso de um carro. Ela não queria ligar para o Rick novamente e fazer com que ele viesse buscá-la. Em um impulso, Katie ligou para a companhia de táxi. Ela nem sabia se os táxis estariam disponíveis, mas quando localizou um e fez a chamada, ela pediu para ser encontrada na entrada da frente da Rancho Corona; assim havia poucas pessoas que poderiam vê-la tomando um táxi. Correndo pelo seu caminho ao longo do campus, Katie avançou para a entrada principal esperando o táxi chegar. Ela percebeu que má idéia era esperar na porta, porque vários estudantes a notaram enquanto se dirigiam para o campus e pararam para perguntar se ela estava ok. Ela disse a eles que estava esperando por alguém, o que ela estava. Ela só não conhecia esse alguém. O próximo carro que saiu da Rancho parou. Era uma descuidada Camry branca. - Katie! - Ei, Eli. Você está indo para casa? - Sim. - Por que eu não pensei em te ligar? Eu preciso de uma carona para o seu apartamento. - Claro. Entre. - Só um segundo. Katie rapidamente fez uma ligação para a companhia de táxi e cancelou o pedido. Ela queria fazer isso longe de Eli para que ele não pudesse ouví-la fazendo a chamada. Quando ela já estava no carro, Eli disse:

- Você se importa se nós fizermos um desvio? - Claro que não. - Que bom. Meu carro precisa de petróleo e eu tenho umas coisas para deixar com Joseph. - Oh, claro. Ok. Como vai Joseph? - Ele vai bem, suponho. - E quanto a você? Katie perguntou. Está pronto para a sua apresentação na capela amanhã? - Acho que sim. Obrigado por organizar tudo. - Por nada. Foi fácil. - Eu vi todos os folhetos que você imprimiu e as caixas de doações. Eles parecem bons. - Nicole fez tudo aquilo. Ela é maravilhosa com aquele tipo de coisa. Você nunca vai adivinhar o que aconteceu hoje. - O que? Katie pensou em tudo o que havia acontecido e forçou seus lábios a darem apenas um pequeno sorriso. - Eu tive que ir ao banco e acabei conversando com o gerente. Ele disse que poderia colocar folhetos e caixas de doações lá no banco. - Sério? Isso é maravilhoso. - Eu sei. Deus está fazendo uma coisa muito maior do que eu esperava. Katie olhou para o pára-brisa e notou que Eli ainda tinha o halo floral balançando em seu espelho retrovisor. Sabe, você realmente deveria jogar essa coisa fora, Eli. - Por que? - Está morto. - Não, ele disse, lançando para Katie um olhar bastante feroz. Não está morto. Ele me lembra de orar. - Pelo que? Ele hesitou. - Por você. Por várias pessoas, mas uma delas é você. - Eu? O que você ora para mim? - Eu oro para que Deus a abençoe. Não fazia sentido, mas Katie riu alto e então cobriu a boca rapidamente. - Isso é muito legal. Verdade. Obrigada. Eu acho que você pode parar agora. - Por que?

Ela estava para dizer que Deus a abençoara tanto que ela não precisava de mais orações enviadas ao céu em seu benefício. Corrigindo rapidamente seu pensamento, porque ele poderia despertar suspeitas, Katie simplesmente disse: - Na verdade não. Continue orando. Sinto muito por ter rido. Isso é realmente simpático da sua parte, Eli. Obrigada. Sim, continue orando por mim. Eu sempre preciso de oração. Com um sorriso de lado, ele disse: - Foi o que eu pensei. Foi por isso que eu decidi te adicionar na minha lista. Ele abaixou a viseira do lado dele do carro e revelou um cartão de índice usado que tinha uma lista de nomes nele. Katie viu que o seu nome realmente estava na lista. Assim como o nome de Rick. - Obrigada. Katie disse sinceramente. De verdade, Eli, obrigada. Eles entraram no posto onde Joseph trabalhava e Eli saiu para bombear a gasolina. Joseph aparentemente o notou do seu lugar atrás do balcão dentro da loja de conveniência porque logo que Joseph percebeu que era Eli, ele saltou para fora da porta da frente com um largo sorriso em seu rosto. - Eli, ela está vindo! Elas estão vindo! Você não vai acreditar! Batendo palmas e depois levantando as mãos para o céu, Joseph olhou e riu com o desleixo selvagem de um homem louco. Eli se apressou e colocou a sua mão no ombro de Joseph. Pessoas nos carros e esperando dentro da loja de conveniência o encararam. Katie mordeu seu lábio inferior para evitar chorar ou rir ou de qualquer outra maneira dar alguma dica de que ela sabia por que Joseph estava dançando ao redor e altercando com Eli de uma forma que poderia parecer sem sentido. Enquanto Katie assistia do seu lugar no carro com a janela aberta, Joseph contou a Eli sobre o telefonema que ele tinha recebido e como era um sonho que ela tinha deixado de sonhar há muito tempo. Shiloh e Hope estavam vindo para viver com ele. Então Joseph chorou. Eli o ajudou a voltar para a loja de conveniência e o deixou novamente atrás do balcão, então ele poderia atender a fila de pessoas esperando por ele. Katie decidiu terminar de bombear a gasolina e então pegou o rodo e lavou as janelas do carro de Eli. O tempo todo ela expulsava suas velhas lágrimas, enquanto assistia Eli conversar com as pessoas dentro da loja e apontar para Joseph, que ainda estava sorrindo de orelha a orelha. Todos os clientes começaram a sorrir. Katie assistiu enquanto cada um deles apertou a mão de Joseph e deixou a loja sorrindo. - É incrível, um cliente disse enquanto passava por Katie. Você ouviu o que aconteceu? Eu achei que o cara estava tendo um desarranjo nervoso quando ele correu pra cá. Voltar a ter sua mulher e filha reunidas a ele depois de vários anos. Toca você bem aqui, não é? Katie concordou, tentando duramente não chorar.

- Dá esperança para o mundo, sabe? Coisas boas ainda acontecem, não é? - Eu gosto de chamá-las Coisas de Deus, Katie disse. O homem balançou a cabeça lentamente e voltou para o seu carro. Quando Eli voltou, ele estava sorrindo como um louco. - Você quer entrar e dizer oi para Joseph? Ele tem novidades maravilhosas. Katie sentiu-se rasgar. Ela não sabia como iria reagir se ela olhasse para Joseph ou ouvisse as novidades dele frente-a-frente. Ela estava com medo de “desabar”. - Por que você não me conta as novidades dele em nosso caminho de volta para o apartamento? Joseph parece um pouco ocupado no momento. Eli relutantemente concordou. Ele ligou o carro. - Ei, obrigada por lavar os meus vidros. - De nada. Então, quais são as novidades de Joseph. Eli se afobava enquanto contava a Katie. Ela se afobou enquanto o ouvia contar a ela. Tudo o que ela podia dizer em resposta era “Uau!”. - Ruth do Serviço dos Estudantes disse a Joseph que tudo tinha sido arranjado por um doador anônimo. Você pode imaginar? É provavelmente alguém que sustenta a organização missionária que tem trabalhado na área deles por vários anos. Katie deu um “Hmm” descomprometido. Eles chegaram ao apartamento só alguns minutos depois que Rick retornara com um sortimento fragrante de sua comida tailandesa favorita em pequenas caixas brancas. Assim que Rick viu Katie entrar com Eli, uma sombra veio sobre o rosto dele. - Eu deveria ter perguntado se você viria para jantar em casa, Rick disse para Eli. Eu teria comprado mais comida. - Não se preocupe com isso. Realmente, eu não vou ficar. Eu já estou saindo. Eu só vim pegar alguns livros e Katie precisava de uma carona então deu tudo certo. - Tem certeza? Ruck disse. - Sim, eu estou bem. Eli sorriu. Eu estou realmente bem. - Obrigada pela carona, Katie disse. - A qualquer hora. Basta me chamar. - Ok, obrigada. Rick abriu as caixas que ele havia desempacotado na mesa da cozinha. Katie foi até o armário e pegou alguns pratos. Ela encontrou uma garrafa de água mineral no refrigerador e pegou dois copos do armário. Vertendo a água borbulhante para dentro dos copos, ela entregou um para Rick e disse: - Aqui está. por você e Josh terem fechado o negócio. Eles bateram os copos e tomaram um gole.

- Ahh, Rick disse. Ano de vindima. Agradável cintilante sabor. Eu espero que você não se importe que eu tenha trazido os mais picantes. Katie fez uma careta, mas Rick não a viu. Ela não gostava muito de pratos mais picantes. Na verdade, ela não era uma grande fã de comida tailandesa como Rick era. Ela preferia Casa de Pedro qualquer dia. Eli passou por eles em seu caminho para a porta da frente. - Vejo vocês mais tarde. - Vejo você amanhã na capela, Katie disse. Eu vou estar na primeira fila sorrindo. - Obrigada. Eli deu a ela um sorriso caloroso e saiu. - Você sabe o que eu amo? Rick disse um momento depois de Eli sair do apartamento. - Eu? Katie arriscou. Katie evitou a resposta de Katie olhando para longe. - Eu procurei isso, não foi? - O que você ia dizer? - Eu ia dizer que eu amo a forma como você está se dando bem com meu colega de apartamento. Eu aprecio isso. Isso faz as coisas melhores por aqui, sabe? Ele continuou evitando olhá-la e puxou macarrão da larga caixa branca com uma colher de servir. - Rick. Katie colocou a sua mão na dele e parou o movimento dele antes que ele mergulhasse para um segundo apoio. Olhe para mim. Rick olhou para Katie. Sem parar para pensar no que ela estava para dizer, Katie disse: - Eu não ia dizer isso, mas... - Eu sei o que você vai dizer. Rick abaixou a colher e levantou a mão para alisar os cabelos dela atrás de suas têmporas. - E você...? Para Katie a questão tinha um duplo sentido. Ela estava perguntando a Rick, “Você me ama?”. Mas ela sabia que também poderia ser interpretado como “Você sabe o que eu vou dizer?”. De qualquer forma, a conversa deles estava se encaminhando para a declaração que Katie esteve pensando todo o tempo desde aquela tarde no Ninho da Pomba quando ela olhou para Rick sobre o mar de estudantes em excursão. Rick olhou Katie nos olhos. Ele deu um pequeno sorriso e correu o dedo polegar dele pela bochecha dela. Aproximando-se, ele a beijou. Enquanto eles se afastavam, Katie sentiu que tudo o que ela queria saber sobre os sentimentos de Rick por ela, ele tinha acabado de expressar naquele beijo. Mas ela ainda queria palavras. Ela queria "as" palavras. Procurando os olhos dele, ela perguntou de novo.

- Você...? Só que dessa vez, os olhos dela sozinhos faziam a pergunta. Rick colocou os seus braços em volta de Katie e a puxou em um abraço. Sussurrando no ouvido dela de forma que a respiração dele enviava pequenos tremores para cima e para baixo ao cabelo no pescoço dela, ele falou o nome dela. - Katie. Eu quero que você me escute e entenda o que eu vou dizer. Ela tentou se afastar, então ela poderia ver o rosto dele enquanto ele falava, mas Rick suavemente a segurou. - Um dos compromissos que eu fiz comigo mesmo quando eu acertei o meu coração com o Senhor foi que eu não diria a uma mulher que a amo até que as próximas palavras a saírem da minha boca sejam um pedido de casamento. Katie engoliu e sentiu os seus olhos nublando. - Eu ainda não estou completamente lá. Você entende o que eu estou dizendo? Ela concordou com a cabeça, sabendo que ele podia sentir o movimento. - Quase, Rick sussurrou. Quase. Katie balançou a cabeça novamente. Ele a soltou e Katie se afastou rápido o bastante para que pudesse ler os olhos dele. Ela viu em seu olhar caloroso toda garantia que ela precisava para esse momento. Ele abaixou o queixo e permaneceu olhando para ela, levantando seus olhos castanhos ligeiramente como se convidando-a a responder. - Eu sou boa para esperar, Katie disse suavemente. Rick sorriu. - Sim, você é. - E você é muito bom para esperar. - Sim, eu sou. Rick concordou. - O que você está aludindo é longe e muito importante para ser decidido no impulso. - Sim, é. - Eu posso viver com “quase para sempre”. Ela sorriu para ele. - Quase para sempre, Rick repetiu. Então ele adicionou: Por enquanto. - Por enquanto, Katie ecoou. Eles inspiraram juntos no mesmo momento e deram um ao outro um beijo que era igual a qualquer beijo de contos de fadas que sempre acompanhava a história do "quase para sempre".

Contracapa
Desde a escola secundária, Katie Weldon desejava saber como seria se ela fosse a namorada de Rick Doyle. Como uma veterana na faculdade, ela está prestes a descobrir. No redemoinho dessa fase avançada da vida de Katie está o recebimento de um buquê inexplicável, um telefonema inesperado de sua mãe, uma noite das garotas sem precedentes com Cris e um infeliz momento em que seu amado carro dá um último suspiro. O novo colega de quarto de Rick, Eli, complica as coisas convidando Katie para ver uma chuva de meteoros. Sobre uma cobertura de estrelas Katie alcança uma nova visão do universo – out there as well as up close. Como se ela não tivesse mais nada para fazer, num impulso, ela sozinha começa uma campanha para levantar fundos para a purificação das águas da África. Com Rick subindo em seus planos para o futuro, como Katie poderá seguir seu caminho pelo resto de sua carreira universitária sem dinheiro, sem transporte e sem idéia do que Deus irá fazer? ON A WHIM é o segundo livro da Série Katie. ROBIN JONES GUNN é a tão amada autora das séries Cris, Selena, Glenbrooke e Sisterchicks, com mais de 3, 5 milhões de livros vendidos no mundo inteiro. “Gunn escrevera sobre Katie e seus amigos durante anos, mais notavelmente na Série Cris... O diálogo que resulta é uma vez de desmanchar o coração e totalmente familiar para todas as pessoas alguma vez esteve no caminho de Katie. Além disso, a fé religiosa de Katie nunca ficou sentimentalizada ou alinhavada, mas é integralmente bela em um enredo encantador.” Publishers Weeklly, fevereiro de 2008

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