ERGONOMIA

SUMÁRIO Capítulo 1 - INTRODUÇÃO.............................................................................................................................. 5 1.1 - Introdução à Ergonomia ......................................................................................................................... 5 1.2 - Histórico................................................................................................................................................. 5 1.3 - Objetivos da Ergonomia......................................................................................................................... 6 1.4 - Modalidades de intervenção ergonômica ............................................................................................... 7 1.4.1 - Ergonomia de concepção .................................................................................................................... 7 1.4.2 - Ergonomia de correção........................................................................................................................ 7 1.4.3 - Ergonomia de mudança....................................................................................................................... 7 1.5 - Abordagem interdisciplinar da ergonomia ............................................................................................. 7 Capítulo 2 - ANÁLISE ERGONÔMICA DE SISTEMAS............................................................................... 9 2.1 - Introdução ............................................................................................................................................ 9 2.2 - Conceito de Sistema ............................................................................................................................. 9 2.3 - Sistema Homem-Máquina.................................................................................................................. 10 2.4 - Características dos Sistemas............................................................................................................... 11 2.4.3 Considerações sobre a otimização de sistemas.................................................................................... 12 2.4.4 - Confiabilidade de Sistemas ............................................................................................................... 13 2.5 - Homem versus Máquina..................................................................................................................... 14 2.5.1 - O homem se distingue por:............................................................................................................... 14 2.5.2 - A máquina se distingue por:............................................................................................................ 14 2.6 Problemas de automação ........................................................................................................................ 15 Capítulo 3 - BIOMECÂNICA OCUPACIONAL ......................................................................................... 17 3.1 - Introdução .......................................................................................................................................... 17 3.2 - O Trabalho Muscular ......................................................................................................................... 17 3.3 - Posturas .............................................................................................................................................. 18 3.3.1 - Posturas do Corpo ............................................................................................................................. 19 3.3.2 - Registro da postura.......................................................................................................................... 20 3.3.3 - Recomendações para melhorar as tarefas e os postos de trabalho..................................................... 22 3.4 - Movimentos........................................................................................................................................ 23 3.5 - Levantamento e transporte de cargas ................................................................................................... 24 3.5.1 - Recomendações Para o Levantamento de Cargas ............................................................................. 25 Restrinja o número de tarefas que envolvam a carga manual....................................................................... 25 3.5.2 - Equação de NIOSH - National Institute of Occupational Safety and Health .................................. 27 3.5.3 - Recomendações Para o Transporte de Cargas................................................................................... 32 Capítulo 4 - ANTROPOMETRIA.................................................................................................................. 33 4.1 - Introdução ............................................................................................................................................ 33 4.2 - Padrões Internacionais de medidas antropométricas ............................................................................ 34 4.3 - Realização das medidas antropométricas ............................................................................................. 34 4.3.1 - Definição dos objetivos..................................................................................................................... 34 4.3.2 - Definição das medidas ...................................................................................................................... 35 4.3.3 - Escolha dos métodos de medida........................................................................................................ 35 4.3.4 - Seleção da amostra ............................................................................................................................ 35 4.3.5 - Medições ........................................................................................................................................... 36 4.3.6 – Apresentação e análise dos resultados .............................................................................................. 36 4.6 - Antropometria: aplicações................................................................................................................. 38 4.6.1. - Espaço de trabalho ......................................................................................................................... 38 4.6.2. - Superfícies horizontais ................................................................................................................... 39 4.6.3. - Assento............................................................................................................................................ 42 Capítulo 5 - POSTO DE TRABALHO .......................................................................................................... 47 5.1 - Introdução .......................................................................................................................................... 47 5.2 - Enfoque tradicional do posto de trabalho........................................................................................... 47 5.3 - Enfoque ergonômico do posto de trabalho......................................................................................... 48 5.4 - Projeto do posto de trabalho................................................................................................................ 48 5.4.1 - Descrição da tarefa .......................................................................................................................... 49 5.4.2 - Descrição das ações......................................................................................................................... 49

5.5 - Arranjo físico do posto de trabalho .................................................................................................... 50 5.6 - Conceitos Básicos Relacionados ao Ser Humano e ao Arranjo Físico de Seu Local de Trabalho ..... 52 5.7 - Regras Básicas de Ergonomia na Organização do Arranjo Físico (Layout)....................................... 53 5.8 - A importância do espaço pessoal no trabalho .................................................................................... 55 5.9 - Dimensionamento do posto de trabalho ............................................................................................. 56 Capítulo 6 - DISPOSITIVOS DE INTERAÇÃO HOMEM-MÁQUINA: ...................................................... 57 CONTROLES E MOSTRADORES .............................................................................................................. 57 6.1 - Introdução .......................................................................................................................................... 57 6.2 - Movimentos de controle..................................................................................................................... 57 6.3 - Controles ............................................................................................................................................ 59 6.3.1 - Classificação dos controles ............................................................................................................. 60 6.3.2 - Discriminação dos controles ........................................................................................................... 61 6.3.3 - Prevenção de acidentes com controles ............................................................................................ 64 6.4 - Mostradores........................................................................................................................................ 64 6.4.1 - Principais tipos de mostradores....................................................................................................... 64 6.4.2 - Desenho de mostradores.................................................................................................................. 66 6.4.3 - Localização de mostradores ............................................................................................................ 69 6.5 – Associação de controles e mostradores ............................................................................................... 71 6.5.1 - Compatibilidade espacial ................................................................................................................ 71 6.5.2 - Princípios a serem seguidos na associação de controles e mostradores ................................................ 72 6.5.3 - Sensibilidade do deslocamento ....................................................................................................... 73 Capítulo 7 - FATORES AMBIENTAIS......................................................................................................... 75 7.1 - Introdução .......................................................................................................................................... 75 7.2 - Temperatura, umidade e velocidade do vento ..................................................................................... 75 7.2.1 - Trabalho a altas e baixas temperaturas............................................................................................ 75 7.3 - Ruído.................................................................................................................................................. 77 7.3.1 - Surdez provocada pelo ruído........................................................................................................... 77 7.3.2 - Influência do ruído no desempenho ................................................................................................ 78 7.4 - Vibrações ........................................................................................................................................... 79 7.4.1 - Efeito das vibrações sobre o organismo .......................................................................................... 80 7.4.2 - Controle das vibrações .................................................................................................................... 82 7.5 - Iluminação.......................................................................................................................................... 83 7.5.1 - Efeitos fisiológicos da iluminação .................................................................................................. 83 7.5.2 - Planejamento da iluminação............................................................................................................ 85 7.6 - Cores .................................................................................................................................................. 86 7.6.1 - Características das cores.................................................................................................................. 86 7.6.2 - Planejamento das cores ................................................................................................................... 88 Capítulo 8 - ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO............................................................................ 91 8.1 - Introdução ............................................................................................................................................ 91 8.2 – Análise Ergonômica da Demanda ....................................................................................................... 91 8.2.1 - Dados que devem ser coletados pela análise da demanda................................................................. 91 8.3 - Análise Ergonômica da Tarefa ............................................................................................................. 92 8.3.1 - Delimitação do sistema homem-tarefa .............................................................................................. 93 8.3.2 - Descrição das componentes do sistema homem-tarefa ..................................................................... 93 a) Dados a serem levantados referente ao homem............................................................................................ 94 8.3.3 - Avaliação das exigências do trabalho.............................................................................................. 96 8.4 - Identificação e detecção das síndromes ergonômicas .......................................................................... 97 ERGONOMIA.................................................................................................................................................. 99 CAPÍTULO 9 - ARRANJO FÍSICO ................................................................................................................ 99 9.1 - Introdução ............................................................................................................................................ 99 9.2 - Conceito de arranjo físico .................................................................................................................. 100 9.3 - Como surge o problema do arranjo físico ......................................................................................... 101 9.4 - A chave dos Problemas de Arranjo Físico ....................................................................................... 101 9.5 - Objetivos do arranjo físico ................................................................................................................. 102 9.6 - Princípios do arranjo físico .............................................................................................................. 102 9.7 - Recomendações ao estudo do arranjo físico..................................................................................... 103

...........................................................................................12 ............................... 105 9.................................10 ..................................................................................................................1 ......Estudo do Problema .......... 128 ..........................Concepção do Arranjo Físico ....................................11.......10.......... 125 Referências Bibliográficas............... 121 9.............................................. 107 9.........................................................................Dimensionamento de Áreas..2 ..........8 .......................... 107 9.............................Alternativas de arranjo físico ..........Procedimentos para determinação do arranjo físico...................10............................................................................................... 118 9.............................10.......................... 116 9..............11 ..4 .............................. 118 9..............10....................... 104 9............................Apresentação do estudo............................1 .......................... 120 9.................9.................................................Tipos básicos de arranjo físico .....Estudo do Fluxo ...................................3 ......Inter-relações não baseadas no fluxo de materiais .............................................. 111 9.................Escolha da concepção do arranjo físico......5 ................................10.......................9 .....................................................Projeto Detalhado do Arranjo Físico...................................................

psicólogos. equipamento e ambiente. em Oxford na Inglaterra. antropólogos. Para a Ergonomics Research Society (Inglaterra). Assim. a Ergonomics . mas também os aspectos organizacionais de como esse trabalho é programado e controlado para produzir os resultados desejados. IIDA define Ergonomia como sendo o estudo da adaptação do trabalho ao homem. Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho. A Ergonomia parte do conhecimento do homem para fazer o projeto do trabalho. O interesse nesse novo ramo de conhecimento cresceu rapidamente. suas qualidades. em 1949.Introdução à Ergonomia Segundo WISNER. Isso envolve não somente máquinas. Ergonomia é o conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários para a concepção de ferramentas. A conclusão imediata foi que era necessário conhecer mais sobre o homem. em especial na Europa e nos Estados Unidos. e particularmente a aplicação dos conhecimentos de anatomia. os equipamentos e dispositivos foram sub-utilizados. fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento. uma comissão para investigar sinais de fadiga em trabalhadores de indústrias. que foram aproveitados pela indústria. máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto. de segurança e de eficácia. sendo criados e construídos equipamentos e dispositivos cada vez mais complexos. ajustandoo às capacidades e limitações humanas. exigindo reações rápidas e alto nível de estresse.5 ERGONOMIA Capítulo 1 . Pela primeira vez. As primeiras armas e ferramentas conhecidas já eram adaptadas às pessoas. Simplificadamente I.Histórico De forma intuitiva.INTRODUÇÃO 1. Mas foi a partir deste século que a ergonomia realmente experimentou seu desenvolvimento. Trabalho no conceito ergonômico é considerado toda a situação em que ocorre o relacionamento entre o homem e uma atividade a ser realizada. para poder otimizar o sistema. Depois da primeira guerra mundial criou-se. habilidades e sobretudo. no pósguerra.1 . suas limitações. Com isso. 1. houve um rápido desenvolvimento técnico na área militar. foi fundada. Os resultados desse esforço interdisciplinar foram tão gratificantes. Fisiologistas. na Inglaterra. médicos e engenheiros trabalharam juntos para resolver os problemas causados pela operação de equipamentos militares complexos. Durante a segunda guerra mundial. já se pratica a Ergonomia desde que existe o homem. Esta deve ter sido a primeira pesquisa científica sobre os problemas do homem no seu trabalho. equipamentos e ambiente físico.2 . houve uma conjugação sistemática de esforços entre a tecnologia e as ciências humanas. o desempenho destes sistemas ficou bem abaixo do esperado.

idade. .o ambiente: estuda as características do ambiente físico que envolve o homem durante o trabalho. já tinha sido cunhado antes.origem multidisciplinar desses dados. uma sociedade de cientistas. . 1995): . luz.aumentar a produtividade. . . Para realizar seus objetivos.a máquina entendendo-se como sendo todas as ajudas materiais que o homem utiliza no seu trabalho. no século XIX. ela representa as associações de ergonomia de quarenta diferentes países.a organização: é a conjugação dos elementos acima citados no sistema produtivo. vibrações. ferramentas. fisiológicas.6 Research Society. regra. mobiliário e instalações. . planejadores.humanizar o trabalho. a transmissão de informações. ruídos.3 . organizadores. fadiga e “stress”. englobando os equipamentos.as informações: refere-se as comunicações existentes entre os elementos de um sistema.Objetivos da Ergonomia Os objetivos básicos da Ergonomia são: . cores gases e outros. a Associação Brasileira de Ergonomia foi fundada em 1983 e também é filiada a IEA). treinamento e motivação. . com um total de 15 mil sócios (No Brasil. a Ergonomia estuda diversos aspectos do comportamento humano no trabalho e suas relações com fatores importantes para o projeto de sistemas de trabalho. de caráter interdisciplinar. 1. Em 1961 foi criada a International Ergonomics Association (IEA). Portanto o estudo ergonômico envolve: . nomos . . além dos estudos sobre gastos energéticos. sobre a organização do trabalho e sobre a formação. Dentro desta visão. Então os objetivos práticos da ergonomia são: .lei. Criaram então Ergonomia. em atividades de projetos e avaliações (SELL.trabalho. cujo objeto de estudos e pesquisa era o homem e seu trabalho. dispensando uma seleção severa. . . a Ergonomia é uma ciência de apoio a projetistas. como ciência do trabalho. Atualmente. O termo Ergonomia. administradores. Todos esses aspectos fazem com que a prática ergonômica seja caracterizada por (SELL. teoria). de origem grega (Ergon . contudo. como a temperatura.as conseqüências do trabalho: questões de controles como tarefas de inspeção. 1995). na Polônia. o processamento e a tomada de decisões.o homem: analisando suas características físicas.aplicação dos mesmos sobre o dispositivo técnico. estudo dos erros e acidentes. influência do sexo. .perspectivas de uso destes dispositivos técnicos pela população de trabalhadores disponíveis.utilização de dados científicos sobre o homem.a segurança. psicológicas e sociais.

na fadiga excessiva. .psicólogos.Ergonomia de concepção. em doenças do trabalhador e na quantidade e qualidade da produção.Ergonomia de mudança Aproveita para melhorar as condições de trabalho por ocasião de mudanças no sistema em estudo. porque as decisões são tomadas em cima de decisões hipotéticas. 1. o que normalmente torna a ação mais eficaz e a um custo baixo. .3 . o que é inaceitável do ponto de vista ergonômico.engenheiros. .Abordagem interdisciplinar da ergonomia Todo o conhecimento sobre o homem.4. . relações pessoais. 1. maior conhecimento e experiência por parte dos ergonomistas.4.Ergonomia de correção.4. pode significar sacrifício e sofrimento para os trabalhadores. . 1. máquinas.7 . 1. Portanto. isoladamente. principais campos de atuação da ergonomia. para resolver problemas que se refletem na segurança.engenheiros de segurança. porque ela.analistas do trabalho.4 . Diante disso. processos. .1 . Deve-se considera isso tanto na concepção de um produto como em um processo. .Ergonomia de concepção Ocorre quando a contribuição ergonômica se faz durante a fase inicial de projeto do produto.a satisfação.médicos do trabalho. .5 . Permite agir precocemente. eficiência não é o objetivo principal da ergonomia. Exige porém.desenhistas industriais. 1.Modalidades de intervenção ergonômica . .2 . ambiente. são fontes de informações preciosas para o ergonomista. já existentes.Ergonomia de mudança. deve-se consultar: .Ergonomia de correção É aplicada em situações reais.engenheiros de manutenção.o bem estar dos trabalhadores no seu relacionamento com sistemas produtivos. . do sistema ou do ambiente.

214. com o objetivo de estimular a aplicação dos mesmos. Estas se encontram nas normas ISO (International Standardization Organization). modificada pela Portaria no 3751 de 23. por exemplo. Além disso.programadores de produção.1978 do Ministério do Trabalho.Ergonomia. nas normas européias EN da CEN (Comité Européen de Normalisation). na norma ANSI (EUA) e BSI (Inglaterra). de 8. . .compradores. Alguns conhecimentos em ergonomia foram convertidos em normas oficiais.11.1990 do Ministério do Trabalho). Portaria no 3. . bem como nas normas nacionais.6. há a Norma Regulamentadora NR 17 .8 . há normas específicas de ergonomia que são aplicadas em certas empresas e setores industriais. No Brasil.administradores.

esse novo sistema seria composto dos subsistemas: soldador e aparelho de solda. 2. ao sistema produtivo. Neste capítulo.são os elementos que compõem o sistema. colocando a fronteira em torno da operação. A qualidade desse desempenho estará diretamente relacionada com o grau de adaptação da mesma ao operador. As entradas desse novo sistema seriam as peças a serem soldadas e as saídas. se não forem tomados os devidos cuidados.2 . mas isso nem sempre é possível e muitas vezes não é econômico. trata-se de forma sucinta de um sistema denominado Homem-Máquina. Essa atividade de projeto deve ser feita a partir de uma visão ampla.são os limites de um sistema. b) subsistemas . Podem ter uma existência física. como a fronteira de uma posto de trabalho. dentro do ambiente em que a mesma deverá operar. d) saídas (outputs) . mas destina-se a desenvolver certas funções e habilidades que complementem aquelas do ser humano. No nosso caso será adotado um conceito que vem da biologia: “sistema é um conjunto de elementos (ou subsistemas) que interagem entre si.Conceito de Sistema A palavra sistema é muito utilizada atualmente com diversos sentidos. considerando todos os elementos que influirão no desempenho da máquina. Se desejarmos estudar uma operação em particular. equipamento ou produto não é uma atividade isolada. com um objetivo comum e que evoluem no tempo”. as peças já soldadas.Introdução O projeto de qualquer tipo de máquina. podem provocar o aparecimento de diversos problemas.são as atividades desenvolvidas pelos subsistemas que interagem entre si para converter as entradas em saídas. Assim. como a membrana de uma célula ou parede de uma fábrica.representam os produtos ou variáveis dependentes do sistema e) processamento . e até à cultura técnica da região ou do país. O processamento seria representado pela operação de . por exemplo. podemos restringir o sistema.9 ERGONOMIA Capítulo 2 . pois. Um exemplo de sistema poderia ser uma fábrica onde entra matéria-prima (entrada) que após uma série de transformações (processamento) em diversas operações (subsistemas) resulta no produto final (saída).1 . Alguns defensores da moderna tecnologia consideram que as máquinas podem substituir indiscriminadamente os homens. As fronteiras desse sistema coincidem com as paredes da própria fábrica. ou ser apenas uma delimitação imaginária para efeito de estudo.ANÁLISE ERGONÔMICA DE SISTEMAS 2. à organização da produção. c) entradas (inputs) .representam os insumos ou variáveis independentes do sistema. Um sistema é composto dos seguintes elementos: a) fronteiras . a solda.

1990) 2. Inversamente. . se desejarmos estudar mais amplamente as atividades da fábrica. Qualquer parte desse sistema constitui um subsistema.10 soldagem.Sistema Homem-Máquina O desenvolvimento das atividades em um processo estarão sempre dependentes da atuação de um Sistema Integrado Homem-Máquina. levando a decisões que resultam em ações que.Exemplo de um sistema produtivo. incluindo dentro da fronteira as operações de transporte para a entrada de materiais e as operações de distribuição dos produtos para a saída de materiais. determinam novos estímulos. (Itiro Iida. por exemplo. podemos ampliar a fronteira do sistema a ser considerado. por sua vez. Figura 2.3 . numa contínua realimentação.1 . Este sistema é uma sucessão de informações que estimulam os sentidos. que deverão funcionar harmoniosamente.

As informações sobre o ambiente são representadas pela paisagem. e assim por diante. para agir. O homem recebe informações do automóvel através dos instrumentos. sinalização das estradas. o homem pode receber instruções do trajeto que deve executar. ele dirige o automóvel atuando nos dispositivos de controle representados pelos pedais.4 . a velocidade máxima permitida.Representação esquemática das interações entre os elementos de um sistema homemmáquina. ruído do motor e outros. câmbio. sem exigir um acompanhamento visual). Esta se converte em movimentos musculares. que também fornece diversas informações ao homem. Um bom exemplo de um sistema homem-máquina é o sistema homem-automóvel. a saída ou resultado do sistema é o deslocamento do automóvel. A figura anterior é uma representação esquemática das interações de um sistema homenmáquina. e são processadas no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). O campo de trabalho é constituído pela rua ou estrada. botões e outros comandos. precisa das informações que são fornecidas pela máquina. O funcionamento desse sistema pode ser descrito sucintamente da seguinte forma. 2. audição. temperatura. O homem. Além disso. principalmente a visão. pelo estado ou situação do trabalho.Características dos Sistemas . Com todas essas informações. Finalmente. que agem sobre a máquina por meio dos dispositivos de controle. tato e movimentos das juntas do corpo através do senso cinestésico (que fornece informações sobre movimentos de partes do corpo.11 Figura 2.2 . gerando uma decisão. volante. pelo ambiente e pelas instruções de trabalho. iluminação externa e outras. Essas informações chegam através dos órgãos sensoriais.

o que lhes permite modificar ou adaptar seu comportamento em vista de eventos imprevistos. São capazes de manter um certo equilíbrio.2 . eliminando a influência de fatores estranhos.Sistemas fechados: sistemas que possuem mecanismos de realimentação que permitem introduzir correções para compensar desvios de origens diversas. desde que a máquina seja projetada de modo a fornecer. 2. Quando a solução ótima refere-se a um subsistema. dentro do sistema global. No caso. O que restringe o uso é o custo elevado que. mas para certos critérios (função objetivo) definidos. Em sistemas fechados há mecanismos de auto-correção. se uma única equipe tivesse desenvolvido o carro integralmente. 2. Suas características podem ser introduzidas em sistemas organizacionais e em máquinas para a obtenção de melhoria de desempenho.12 2. seria melhor um motor mais modesto. Os servosistemas possuem uma propriedade denominada homeóstase. além de não haver um aproveitamento integral de sua potência. São também conhecidos como servosistemas ( sistemas de controle automático). a segunda equipe desenvolveu um chassi que suporta somente 100 HP. . antes de começar o projeto. serão produzidas diversas soluções subótimas. com 200 HP de potência. o projeto de um sistema é dividido em partes. Isso significa que a solução ótima não existe de forma absoluta. O sistema homem-máquina pode ter características de um servosistema. A primeira pode ter desenvolvido um motor excepcional. a solução ótima de um problema é aquela que maximiza ou minimiza a função objetivo. Entretanto quando essas soluções subótimas forem conjugadas entre si. suspensão e outras partes. e tenha condições de reagir as ações humanas de controle. Provavelmente isso teria acontecido. Ex: o controle da temperatura interno do corpo humano. Os seres vivos geralmente são servosistemas. as especificações de cada parte tivessem sido cuidadosamente definidas.3 Considerações sobre a otimização de sistemas Em linguagem matemática.1 . pode não ser viável economicamente. dentro das restrições impostas a esse problema.Sistemas abertos: sistemas em que depois de acionados por um usuário. em função do desempenho global do projeto. não significa necessariamente que a solução global seja ótima. Ex: um míssil.4. e esse fato merece uma certa atenção. Normalmente. vamos supor que um carro seja projetado por duas equipes. uma fazendo o motor e outra o chassi. porque ela é uma solução subótima. mas cuja potência fosse integralmente aproveitada. informações sobre seu desempenho. tais como produção. continuamente. Se o motor for instalado. custos ou acidentes. ao homem.4. conforme comenta-se a seguir. ou se. Se cada equipe procurar otimizar a sua parte. lucros. Nos sistemas abertos há a necessidade de intervenções externas para se corrigir o desempenho. Ex: o arremesso de uma bola. Entretanto.4. Fazendo uma analogia. Os servosistemas possuem desempenho superior aos sistemas abertos. cada uma sob responsabilidade de uma equipe. dependendo da situação. corresponde a uma solução subótima para o sistema maior. provavelmente criará diversos problemas de transmissão. este não mantém mais controle sobre os mesmos.

das ligações entre os subsistemas que podem ser em série.confiabilidade de um sistema com ligações em paralelo .Rsp .R1) x (1 . ou seja.. pode garantir a otimização global do projeto. da confiabilidade de cada subsistema.confiabilidade de um sistema com ligações em série ..Rn . A confiabilidade para esses sistemas pode ser expressa como: Onde: Rss = R1 x R2 x . ou sobre julgamentos errados sobre a verdadeira fronteira do sistema.956 significa dizer que em 1... A confiabilidade pode ser expressa como: Rsp = 1 – [(1 ..sistemas com ligações em paralelo possuem mais de um subsistema para realizar a mesma função. aos aspectos organizacionais da produção ou ao relacionamento humano entre os membros da equipe.confiabilidade do subsistema n .4 .000 peças produzidas. Assim se a confiabilidade de uma máquina for de 0. só as especificações bem elaboradas e a coordenação das atividades para que as mesmas sejam obedecidas.. para se garantir a otimização global em grandes projetos.número de subsistemas Confiabilidade para sistemas com ligações mistas: esses sistemas apresentam tanto ligações em série como em paralelo. o sistema só funciona se todos os subsistemas funcionarem. 2.Rn)] Onde: . por exemplo. A confiabilidade pode ser expressa como: Rsm = Rss x Rsp . Ou seja. Portanto. paralelo ou mistas..13 A subotmização ocorre freqüentemente devido à consideração errônea das fronteiras do sistema.x Rn .confiabilidade do subsistema n . A fronteira nem sempre está ligada à área física. é necessário haver uma organização e coordenação eficiente dos diversos subsistemas para se obter um bom desempenho do sistema como um todo. 956 estariam dentro dos padrões recomendados. Confiabilidade de sistemas com ligações em série: Com ligações em série. A confiabilidade de um sistema depende: do número de componentes ou de subsistemas. Pode referir-se.Rn . inferior ao do sistema.n número de subsistemas Confiabilidade de sistemas com ligações em paralelo . Nesse caso. a solução ótima é procurada dentro de um espaço limitado. As subotimizações tendem a aumentar em grandes projetos. x (1 . em que cada parte é entregue para ser executada por diferentes equipes ou diferentes empresas.n .R1) x . o sistema pode continuar funcionando se um desses subsistemas parar.Confiabilidade de Sistemas Para os propósitos deste estudo considera-se confiabilidade de um sistema como sendo a probabilidade deste obter um desempenho bem sucedido.4.Rss .

e. f. l. b.5.A máquina se distingue por: a. ser capaz de resolver situações não codificadas. caberá ao projetista decidir que funções serão alocadas às máquinas e quais as que ficarão a cargo do operador humano.confiabilidade dos subsistemas ligados em série . ondas de rádio.O homem se distingue por: a.5 . desenvolvendo seus próprios programas. ser insensível a fatores estranhos. não requer programação. ser sensível a extensa variedade de estímulos. f.Rsp . d. executar manipulações delicadas. guardar grande quantidade de informações por longo período e recordar fatos relevantes em momentos apropriados. g. etc. h. aproveitar experiências anteriores. i. executar operações rotineiras. repetitivas ou muito precisas com maior confiabilidade.Homem versus Máquina No sistema Homem-Máquina. isto é.).2 . Para o projeto de um sistema envolvendo homens e máquinas. ser sensível a estímulos além da faixa de sensibilidade do homem (infravermelho. à medida que se fazem necessários.1 . sendo superiores um ao outro em situações específicas.confiabilidade de um sistema misto .confiabilidade dos subsistemas ligados em paralelo 2. c. raciocinar indutivamente. executar computações complexas rapidamente e com exatidão. perceber modelos e generalizar a partir destes. não estar sujeita á fadiga nem a fatores emocionais. 2. memorizar. 2.14 Onde: . não se restringe ao previsível. muito maior número de dados.Rss . i. quando da ocorrência de eventos inesperados j. c. selecionar muito mais rapidamente as informações e os dados necessários. b. procurando identificar suas vantagens e desvantagens. g. agir mesmo sob sobrecarga. com exatidão. ter capacidade de decidir. d.Rsm . Em função disso torna-se importante conhecer as características individuais de cada elemento. julgando e resolvendo situações imprevistas. h. aplicar originalidade na resolução de problemas: soluções alternativas. . e.5. pois podem ser programadas. executar simultaneamente diversas atividades. ambos os componentes atuam tanto como processadores de dados como controladores do processo. exercer uma grande quantidade de força regularmente e com precisão.

sem flexibilidade. sendo incapaz de reagir com presteza numa situação de emergência. quando é solicitado a reassumir os controles. De qualquer forma. perigos de quedas. principalmente quando o sistema manual subsiste em paralelo e o operador precisa estar habilitado a usar os dois sistemas. então. repetir operações rápidas. O que existe são recomendações gerais de características operacionais em que o desempenho do homem pode ser melhor que o das máquinas e vice-versa. principalmente na operação de modernas aeronaves. pode ser que não hajam razões evidentes para se optar pelo homem ou pela máquina. gases tóxicos. pois a máquina ainda não é capaz de executar bem certas funções e. e desligados. e isso pode reduzir o seu nível de atenção. pode ser desejável estabelecer alguns critérios para alocação de funções entre homem e máquina. que deva ser adotada sem restrições. sempre que possível. Para superar esses problemas. Existem ainda sistemas mais sofisticados. Há uma fase de instalação e ajuste do sistema. e precisamente da mesma maneira. para uma definição inicial do pré-projeto do sistema homem-máquina. 3) O operador fica menos ativo. em aeronaves e navios existem pilotos automáticos que podem ser ligados quando os mesmos atingem a velocidade de “cruzeiro”.15 j. Entretanto. Nos casos de operações perigosas em ambientes hostis ao homem. então. uniforme) enquanto a máquina tem a característica da consistência. e. pela qual o próprio operador tem a capacidade de decidir se usa o processo automático ou manual. Na prática muitas adaptações poderão ser necessárias. l. poeiras. além disso. contudo. a filosofia de projeto que tem sido adotada modernamente é a da alocação dinâmica. especialmente entre os projetistas que não tiveram formação em ergonomia. 1) A automação não produz resultados imediatos. que pode durar um longo tempo e durante o qual pode haver sobrecarga dos operadores e aumento do risco de acidentes e até o descrédito do sistema. de considerar a automação uma coisa boa. como o excesso de calor. a decisão a favor da máquina parece ser evidente. em que o operador pode passar parte de suas funções para o controle automático assim que se sentir sobrecarregado.6 Problemas de automação Existe uma forte tendência. as considerações sobre segurança podem suplantar aquelas puramente econômicas e. Evidentemente a decisão de alocar funções para homens e máquinas não é simples. 2) A automação aumenta as necessidades de treinamento. Outros sistemas em desenvolvimento procuram antecipar essa sobrecarga através . essas recomendações são válidas apenas como uma primeira aproximação. na empresa deve-se considerar sempre o aspecto econômico. 2. mas não se pode esperar dele um desempenho de forma consistente (constante. ruídos. foram identificados pelo menos três problemas que resultam de automações indiscriminadas. passando ao comando manual nas partidas e chegadas. radiações. Em outros casos. Por exemplo. Como orientação geral pode-se considerar que o homem tem a característica da flexibilidade. sob longo período de tempo. incêndios e explosões. operar em ambientes hostis ou até mesmo inóspitos ao homem. contínuas. Não existem critérios rígidos ou que sejam válidos em quaisquer circunstâncias.

como o ritmo cardíaco e as ondas cerebrais do piloto para.16 de alguns sinais biológicos. Pode-se chamar isso de uma alocação dinâmica em que o poder de decisão estaria com a máquina. a própria máquina ir assumindo o comando para aliviar a sobrecarga do operador. e não com o piloto. . depois de um certo limite.

o sangue circula normalmente.1 . cujos diâmetros são da ordem de grandeza de um glóbulo vermelho (0. A biomecânica ocupacional estuda as interações entre o trabalho e o homem sob o ponto de vista dos movimentos músculo-esqueletais envolvidos. dores e fadiga que. 3. e é através deles que o organismo realiza trabalhos externos. Os músculos do corpo humano classificam-se em três tipos: estriados ou esqueléticos. Muitos produtos e postos de trabalho inadequados provocam tensões musculares. lisos e do coração. Isso significa dizer que o músculo passa a receber mais oxigênio. . muitas vezes é possível encontrar soluções de compromisso. que embora não se configurem em uma situação ideal de trabalho. ele for contraído e relaxado alternadamente. São através dos capilares que o sangue transporta oxigênio até os músculos e retira os subprodutos do metabolismo. Um músculo sem circulação sangüínea se fadiga rapidamente. aumentando a sua resistência contra a fadiga. Analisa basicamente a questão das posturas corporais no trabalho e a aplicação de forças. e as suas conseqüências. pelo menos reduzem as exigências humanas ao nível tolerável.2 . No interior dos músculos existem inúmeros vasos sangüíneos muito finos. gerando assim movimentos. em relação à situação de repouso.BIOMECÂNICA OCUPACIONAL 3.O Trabalho Muscular Os músculos são responsáveis por todos os movimentos do corpo. São eles que transformam a energia química armazenada no corpo em contrações musculares. ativando a circulação nos capilares. não sendo possível mantê-lo contraído por mais de 1 ou 2 minutos. Desses três tipos. chamados capilares. Se esta contração atingir 60% da contração máxima do músculo o sangue deixa de circular nos mesmos.Introdução No estudo da biomecânica. apenas o estudo destes é de interesse para a ergonomia. podem ser resolvidas com providências simples. Contudo. o que provoca um estrangulamento dos capilares. por envolver um conflito fundamental entre as necessidades humanas e as necessidades do trabalho. Há situações em que a solução não é tão simples.007 mm). os músculos estriados ou esqueléticos são aqueles que estão sob controle consciente do homem. há um aumento de pressão interna. em certos casos.17 ERGONOMIA Capítulo 3 . Portanto. Quando um músculo está contraído. como o aumento ou a redução da altura da mesa ou da cadeira. Se ao invés de manter o músculo contraído. fazendo com que o volume de sangue em circulação aumente em até 20 vezes. as leis físicas da mecânica são aplicadas ao corpo humano. o próprio músculo funciona como uma bomba sangüínea. Se a contração ficar entre 15 e 20% da contração máxima.

O trabalho estático é altamente fatigante e. Quando isso não for possível. ligamentos e articulações do corpo. sempre que possível. Os ligamentos desempenham uma função auxiliar.O músculo opera em condições desfavoráveis de irrigação sangüínea durante o trabalho estático. Os músculos fornecem a força necessária para o corpo adotar uma postura ou realizar um movimento.Posturas Posturas e movimentos têm grande importância na ergonomia. são acionados diversos músculos.3 . enquanto há equilíbrio entre a demanda e o suprimento durante o repouso e o trabalho dinâmico. músculos dos ombros e do pescoço para manter a cabeça inclinada para frente. Posturas ou movimentos inadequados produzem tensões mecânicas nos músculos. com os músculos dorsais e das pernas para manter a posição de pé. Para assumir uma postura ou realizar um movimento. Figura 2. como na tarefa de martelar. melhorando o posicionamento de peças e ferramentas ou providenciando apoios para partes do corpo com o objetivo de reduzir as contrações estáticas dos músculos. Também devem ser concedidas pausas de curta duração. entre outros. Tanto no trabalho como na vida cotidiana. para permitir relaxamento muscular e alívio da fadiga. As articulações permitem os deslocamentos de partes do corpo em relação as outras. serrar. eles são determinados pelas tarefas e pelo posto de trabalho. ombros. deve ser evitado. músculos da mão esquerda segurando a peça para martelar com a mão direita. pode ser aliviado. costas. .1 . para manter uma determinada posição. girar um volante ou caminhar. b) trabalho muscular dinâmico: é aquele que permite contrações e relaxamentos alternados dos músculos. Ocorre. mas com elevada freqüência. punhos e outras partes do sistema músculo-esquelético. por exemplo. permitindo mudanças de posturas. resultando em dores no pescoço.18 Essas duas formas diferentes de solicitação muscular (contração contínua e contração alternada) são utilizadas para classificar o trabalho muscular em duas formas distintas: a) trabalho muscular estático: é aquele que exige contração contínua de alguns músculos. ligamentos e articulações. com a demanda superando o suprimento. 3.

sentada e de pé. Se estas forem mantidas por um longo período de tempo. conforme pode ser visto na tabela abaixo. Em cada uma dessas posturas estão envolvidos esforços musculares para manter a posição relativa de partes do corpo. em pé. contribuindo para eliminar os resíduos do metabolismo e as toxinas dos músculos. As pessoas que executam trabalhos dinâmicos em pé.Localização das dores no corpo. permitindo grande mobilidade desses membros e. apresentam um gasto energético que exige muito dos músculos.1 (IIDA) . em relação à posição de pé. assentos ou bancadas de trabalho obrigam o trabalhador a usar posturas inadequadas. tem um ponto de referência relativamente fixo no assento. apresenta ainda a vantagem de liberar os braços e pés para tarefas produtivas. O consumo energético assume o valor mínimo.3. aproximando-se do metabolismo basal. c) posição de pé: a posição parada. além da dificuldade de usar os próprios pés para o trabalho. projetos inadequados de máquinas. Tabela 2.1 . nas nádegas. para retardar o aparecimento da fadiga. A postura ligeiramente inclinada para frente é mais natural e menos fatigante que aquela ereta.19 Alguns movimentos além de produzirem tensões mecânicas nos músculos e articulações. É a posição mais recomendada para repouso e recuperação da fadiga.Posturas do Corpo Trabalhando ou repousando. coração e pulmões. Muitas vezes. geralmente apresentam menos fadiga que aquelas que permanecem estáticas ou com pouca movimentação. que se distribuem da seguinte forma: a) posição deitada: na posição deitada não há concentração de tensão em nenhuma parte do corpo. 3. Postura Em pé Sentado sem encosto Assento muito alto Assento muito baixo Braços esticados Pegas inadequadas em ferramentas Risco de dores Pés e pernas (varizes) Músculos extensores do dorso Parte inferior das pernas. O coração encontra maiores resistências para bombear sangue para os extremos do corpo. provocadores da fadiga. O sangue flui livremente para todas as partes do corpo. é altamente fatigante porque exige muito trabalho estático da musculatura envolvida para manter essa posição. podem provocar fortes dores localizadas naquele conjunto de músculos solicitados na conservação dessas posturas. provocadas por posturas inadequadas. freqüentemente necessita-se do apoio das mãos e braços para manter a postura e fica mais difícil manter um ponto de referência. O consumo de energia é de 3 a 10% maior em relação à posição horizontal. Praticamente todo o peso do corpo é suportado pela pele que cobre o osso ísquio. joelhos e pés Dorso e pescoço Ombros e braços Antebraços . Na posição em pé. além disso. A posição sentada. O assento deve permitir mudanças freqüentes de postura. b) posição sentada: a posição sentada exige atividade muscular do dorso e do ventre para manter esta posição. o corpo assume três posições básicas: deitada.

inspeção de peças com pequenos defeitos ou leitura difícil. encontraram 72 posturas típicas. ao momento (no sentido da Física) provocado pela cabeça. Por esse motivo. foram desenvolvidas técnicas para registro e análise de postura. que trabalhavam em uma indústria siderúrgica. Entre as maiores dificuldades em analisar e corrigir más posturas no trabalho está a identificação e registro das mesmas.Ovako Working Posture Analysing System: é um sistema prático de registro de posturas proposto por três pesquisadores finlandeses (Karhu. 1990). Muitas vezes. o trabalho deve ser programado de modo que a cabeça seja inclinada durante o menor tempo possível e seja intercalado com pausas para relaxamento. Uma simples observação visual não é suficiente para se analisar essas posturas detalhadamente. Se isso não for possível. porque fazem apenas registros instantâneos sem dar informação da duração da postura e das forças envolvidas. em relação à vertical. principalmente. a) OWAS . A descrição verbal não é prática. que resultaram de diferentes .Tempos médios para aparecimento de dores no pescoço. pode haver mudanças rápidas de uma postura para outra. a mesa é muito baixa. 1977).2. 2.3. por exemplo. Essas necessidades geralmente ocorrem quando: o assento é muito alto. Através de análises fotográficas das principais posturas encontradas na indústria pesada.2 . no comando de uma máquina. com a cabeça voltando a sua posição vertical. Figura 2. fazendo-se ajustes na altura da cadeira. como nos casos de pequenas montagens. Em cada tipo de postura. há uma necessidade específica. Kansi e Kuorinka. mesa ou localização da peça.2 .Registro da postura Na prática durante uma jornada de trabalho. a cadeira está longe do trabalho que deve ser fixado visualmente. for maior que 30° (ver fig. deve-se tomar providências para restabelecer a postura vertical da cabeça. um trabalhador pode assumir centenas de posturas diferentes. Técnicas fotográficas também são falhas. que tem um peso relativamente elevado (4 a 5 kgf). como no caso do microscópio. As dores no pescoço começam a aparecer quando a inclinação da cabeça. pois torna-se muito prolixa e de difícil análise. um diferente conjunto da musculatura é acionado. Essa postura provoca fadiga rápida nos músculos do pescoço e do ombro. 3. devido.20 d) inclinação da cabeça para frente: muitas vezes é necessário inclinar a cabeça para frente para se ter uma melhor visão. IIDA). de preferência com até 20° de inclinação. Nesse caso. de acordo com a inclinação da cabeça para frente (IDA.

postura que deve merecer atenção imediata. Foi feita uma avaliação das diversas posturas quanto ao desconforto. Um grupo de 32 trabalhadores experientes fazia avaliações quanto ao desconforto de cada postura. Com base nas avaliações as posturas foram classificadas nas seguintes categorias: Classe 1 . braços e pernas. braços (3 posições típicas) e pernas (7 posições típicas).postura que deve merecer atenção a curto prazo. O diagrama está mostrado na figura 2. cada postura é descrita por um código de três dígitos. Classe 4 . representando posições do dorso. Figura 2. Para isso foi usado um manequim que podia ser colocado nas diversas posturas estudadas. braços e pernas e um exemplo de como codificar uma postura pelo sistema OWAS.Sistema OWAS para o registro da postura.4: .postura que deve ser verificada durante a próxima revisão rotineira.3 .postura normal. Classe 2 .3 mostra as posturas típicas do dorso. respectivamente. A figura 2. que dispensa cuidados. Classe 3 .21 combinações das posições do dorso (4 posições típicas). b) Diagrama de Corlett e Manenica (1980): este diagrama divide o corpo humano em diversos segmentos e com isso facilita a localização de áreas dolorosas após uma jornada de trabalho. a não ser em casos excepcionais.

são tensionados ao mínimo. em conseqüência. Exemplos de más posturas. perna levantada. 2. aumenta-se o braço de alavanca e. Nesta posição. 20) A seguir pede-se para os mesmos avaliarem o grau de desconforto que sentem em cada um dos segmentos indicados no diagrama. b) Conserve pesos próximos ao corpo Quanto mais o peso estiver afastado do corpo. o momento realizado por essa carga sobre o corpo. aumenta as tensões sobre elas e os músculos e ainda desestabiliza o corpo. os músculos e ligamentos que se estendem entre as articulações são esticados o menos possível. Isso além de solicitar mais as articulações. O índice de desconforto é classificado em 8 níveis: nível “0” para extremamente confortável. ou seja. 40) Dirigir os esforços para os pontos prioritários.3 . mais os braços serão tensionados e o corpo penderá para frente.22 Fig. c) Evite curvar-se para frente . ou seja. os músculos são capazes de liberar a força máxima. tanto quanto possível. quando as articulações estão na posição neutra.retirado do Itiro Iida.4 . 3. entrevista-se os trabalhadores pedindo para apontarem as regiões onde sentem dores. 30) Identificar máquinas. cabeça abaixada e tronco inclinado. as articulações devem ser conservadas. 1980) . nível “7” para extremamente desconfortável. Além disso. equipamentos e locais de trabalho que apresentam maior gravidade. Tendo-se em mãos o diagrama adota-se o seguinte procedimento: 0 1 ) Ao final de um período de trabalho. na sua posição neutra. onde as articulações não estão em posição neutra: braços erguidos.3.Recomendações para melhorar as tarefas e os postos de trabalho a) As articulações devem ocupar uma posição neutra Para manter uma postura ou realizar um movimento. Ao afastar-se a carga do corpo. acima do terceiro nível e que merecem atenção imediata.Diagrama para indicar partes do corpo onde se localizam as dores provocadas por problemas de postura (Corlett e Manenica.

Esse pico de tensão resulta da aceleração do movimento. como tração e rotação simultâneas. e as articulações e músculos que existem nos dois lados da coluna vertebral são submetidos a cargas assimétricas. e) Evite torções do tronco Posturas torcidas do tronco causam tensões indesejáveis nas vértebras. menor se torna o tempo suportável. h) Pausas curtas e freqüentes são melhores A fadiga muscular pode ser reduzida com diversas pausas curtas distribuídas ao longo da jornada de trabalho. A maioria das pessoas não consegue manter o esforço muscular máximo além de alguns segundos. onde surgem dores. há contração dos músculos e dos ligamentos das costas para manter essa posição. d) Evite inclinar a cabeça Não se deve esquecer que a cabeça de um adulto pesa de 4 a 5 kgf. há uma demora de vários minutos para a recuperação. Isso é melhor que as pausas longas concedidas ao final da tarefa ou ao fim da jornada. A tensão é maior na parte inferior do tronco. Quando o tronco pende para frente. precisão e . enquanto outras exigem uma contração coordenada de diversos músculos. É necessário pré-aquecer a musculatura antes de fazer uma grande força. Com 50% do esforço muscular máximo. Características dos movimentos Para fazer um determinado movimento. cada uma delas tendo diferentes características de velocidade. 3. acima da cintura.4 . provocam fadiga muscular localizada. que são prejudiciais. Posturas prolongadas e movimentos repetitivos são muito desgastantes. gerando desconforto e queda do desempenho. em média. g) Previna a exaustão muscular A exaustão muscular deve ser evitada porque. e) Alterne posturas e movimentos Nenhuma postura ou movimento repetitivo deve ser mantido por um longo período.Movimentos As forças humanas são resultados de contrações musculares. Algumas forças dependem de apenas alguns músculos. se isso ocorrer. O levantamento de força deve ser feito gradualmente. f) Restrinja a duração do esforço muscular contínuo Quanto maior o esforço muscular. principalmente se envolver combinações complexas de movimentos. Os discos elásticos que existem entre as vértebras são tensionados. d) Evite movimentos bruscos que produzem picos de tensão Movimentos bruscos podem produzir alta tensão. Os movimentos devem ter um ritmo suave e contínuo. diversas combinações de contrações musculares podem ser utilizadas.23 A parte superior do corpo de um adulto. pesa 40 kgf. o tempo suportável é de aproximadamente dois minutos. de curta duração.

A coluna vertebral é composta de discos superpostos. cotovelo e ombros. . sendo constituído de alavancas que se movem em torno de articulações.Para grandes esforços deve-se usar. é preferível usar uma roldana e exercer a força para baixo. A primeira está relacionada com a capacidade muscular para levantar a carga. Acelerações ou desacelerações bruscas. curvos e rítmicos. Além disso. para que as tarefas e as máquinas sejam corretamente dimensionadas dentro desses limites. A segunda com a capacidade energética do trabalhador e a fadiga física. tem uma tendência natural para executar movimentos curvos.os movimentos devem ser suaves.Ritmo . de preferência. com acompanhamento visual.Resistência da coluna: a musculatura das costas é a que mais sofre com o levantamento de pesos. fatores influenciados pela duração do trabalho.os movimentos de maior precisão são realizados com a ponta dos dedos. Se envolvermos sucessivamente os movimentos do punho. 3. que são mais resistentes. fazendo com que tenha pouca resistência a forças que não tenham a direção do seu eixo. .Levantamento e transporte de cargas O manuseio de cargas pesadas tem sido uma das mais freqüentes causas de trauma dos trabalhadores. pois assim se estará usando o peso do próprio corpo para ajudar a suspender. Quando os dedos fatigam-se. Por exemplo.Precisão . Movimentos retos . há uma tendência de substituí-los pelos movimentos do punho. este pode ter características e custos energéticos diferentes. Há duas situações a considerar no levantamento de cargas. ou botões e alavancas que têm posições discretas de paradas. Portanto a carga sobre a coluna vertebral deve atuar no sentido vertical. a musculatura das pernas. Isso pode ser observado em operações manuais altamente repetitivas.o corpo. aumentaremos a força. com prejuízo da precisão.Força . Terminações . Portanto. Um operador experiente se fadiga menos porque aprende a usar aquela combinação mais eficiente em cada caso.24 movimento. sempre se deve usar a gravidade e a quantidade de movimento (massa x velocidade) a seu favor. para suspender um peso de uma altura para outra. É necessário conhecer a capacidade humana máxima para levantar e transportar cargas. . Sempre que possível esses movimentos devem ser terminados com um posicionamento mecânico. conforme a combinação de músculos que participem de um movimento. são difíceis e demorados. . ou rápidas mudanças de direção são fatigantes. porque exigem maiores contrações musculares.os movimentos que exigem posicionamento precisos. pois exigem uma complexa integração de movimentos de diversas juntas. Portanto. como no caso da mão batendo contra um anteparo. Para isso deve-se analisar: . com progressiva perda da precisão. os movimentos retos são mais difíceis e imprecisos. cotovelo e ombro. economizando as suas energias.5 .

na especificação desses equipamentos deve-se tomar os seguintes cuidados: .Capacidade de carga: a determinação da capacidade vertical de carga repetitiva é feita da seguinte forma: 1o) determina-se a máxima carga que uma pessoa consegue levantar.5.Deve possibilitar a escolha da postura para o levantamento.O processo de mecanização pode criar problemas como ruídos. . . .A carga deve ser provida de alças ou furos para encaixe dos dedos. a fim de evitar o trabalho manual de levantamento de pesos. .A freqüência do levantamento não deve ser superior a um por minuto. facilidade de manuseio. . Porém. vibrações. flexionando as pernas e mantendo o dorso reto. . aproximadamente.A capacidade de carga varia consideravelmente conforme se usem as musculaturas das pernas. Isso é conhecido como “capacidade de carga isométrica das costas”. é necessário criar condições favoráveis para essa tarefa.A capacidade de carga é influenciada ainda: pela posição da carga em relação ao corpo. . braços ou dorso. na vertical.A carga deve estar sobre uma bancada de 75 cm de altura.Com os problemas de postura e movimento impostos por esse tipo de equipamento.Deve ser possível levantar o peso com as duas mãos.O tronco não deve ficar torcido durante o levantamento.A duração do levantamento não deve ser maior que uma hora. Observações: . .Manter a carga próxima do corpo (distância horizontal entre a mão e o tornozelo de cerca de 25 cm). 3. monotonia e redução dos contatos sociais.25 .Recomendações Para o Levantamento de Cargas Restrinja o número de tarefas que envolvam a carga manual Os sistemas de produção devem ser projetados para uso de equipamentos mecânicos. antes de começar o levantamento. . e deve ser seguida de um período de descanso (ou tarefas mais leves) de 120 por cento da duração da tarefa de levantamento. .1 . dimensões da carga. tais como: . Crie condições favoráveis para o levantamento de pesos Se o levantamento manual de pesos (até 23 Kg) for inevitável.As mulheres possuem aproximadamente metade da força dos homens para o levantamento de pesos . 2o) determina-se a carga recomendada para movimentos repetitivos que é de 50% do valor da “carga isométrica máxima”.

mas também não deve ser muito leve. Essa comparação é feita através do Índice de Levantamento obtido pela divisão da carga a ser erguida pelo valor do LPR. Não deve superar o valor encontrado pela Equação de NIOSH. O LPR representa. e acima de 2. condição segura. . o limite deve ser reduzido de acordo com a Equação de NIOSH.Baixo risco de ocorrer lesões. quando não existem todas essas condições. desde que não superem os valores calculados pela equação de NIOSH. Se o valor de IL calculado for menor que a unidade tem-se um baixo risco de ocorrer lesões. do que cargas menores e mais freqüentes. Este Instituto estabelece para uma situação qualquer de trabalho manual de levantamento de cargas. uma pessoa pode levantar 23 Kg. um Limite de Peso Recomendado (LPR). pois estimularia o carregador a pegar diversas embalagens.26 Limite o levantamento de peso para 23 Kg no máximo Somente se satisfeitas as condições acima descritas. estando o trabalhador em uma condição segura. para a situação de trabalho sob análise. O volume não deve ter protuberâncias ou cantos cortantes nem deve ser muito quente ou frio. Use a Equação de NIOSH para estimar a carga máxima O National Institute for Occupacional Safety and Health (Estados Unidos) patrocinou o desenvolvimento de um critério para o levantamento manual de cargas. A carga deve ser segura com as duas mãos. e assim superar o valor permitido. Escolha um valor adequado para a carga unitária O valor da carga unitária deve ser escolhido cuidadosamente. Nos casos práticos. Para IL ≥ 1 . As pegas devem ser arredondadas (sem ângulos cortantes) e posicionadas de modo a evitar que as cargas girem quando forem erguidas. Os objetos devem ter alças para as mãos Os objetos a serem carregados devem ter duas alças ou furos laterais para o encaixe dos dedos. Além disso.A partir desse valor a condição de levantamento de carga deixa-se de ser segura com aumento crescente do risco de lesões a medida que aumenta o valor de IL.Limite de Peso Recomendado Se IL < 1 . a ponto de dificultar o contato. aumenta-se a propensão de acidentes. O agarramento deve ser feito com a palma das mãos.0 essa probabilidade é crescente. Uma vez calculado o LPR deve-se compará-lo com o valor real da carga a ser erguida. são preferíveis cargas unitárias maiores com menores freqüências. A carga deve ter uma forma correta O tamanho da carga deve ser pequeno o suficiente para que possa ser mantida junto ao corpo. Resumindo: IL = P P – Carga a ser erguida LPR LPR . Para IL acima da unidade. simultaneamente. o valor de peso que mais de 90% dos homens e mais de 75% das mulheres conseguem levantar sem lesão.

a freqüência do levantamento não deve ser superior a um levantamento por minuto.distância vertical da carga ao piso (V). Use técnicas corretas para o levantamento de pesos . como gases e líquidos perigosos.deve ser possível segurar o peso com as duas mãos. O instituto NIOSH desenvolveu uma equação para determinar a carga máxima em condições desfavoráveis. .Use preferencialmente a musculatura das pernas.2 . .a carga deve ser provida de alças ou furos para encaixe dos dedos. . se o levantamento manual de pesos (até 23 kgf) for inevitável.rotação do tronco (A).27 No caso de cargas especiais. uma pessoa pode levantar 23 kgf. . . usando as duas mãos.o deslocamento vertical do peso não deve exceder 25 cm. é necessário planejar a operação e tomar cuidados especiais com a segurança.5. .a duração da atividade de levantamento não deve ser maior que uma hora. Quando a carga é desconhecida para a pessoa que vai carregá-la. .freqüência do levantamento (F).Mantenha a coluna reta. Nos casos práticos. depois erga em definitivo.deslocamento vertical da carga (D). é necessário criar condições favoráveis para essa tarefa seja realizada. Essa equação considera seis variáveis: . o limite deve ser reduzido. Se estiver abaixo o levantamento deve ser feito em duas etapas: primeiro coloque-a em uma plataforma. . . 3.A carga deve estar a 40 cm do piso.manter a carga próxima do corpo (distância horizontal entre a mão e o tornozelo de cerca de 25 cm). . . . quando não existem todas essas condições.National Institute of Occupational Safety and Health Para este instituto. é necessário colocar uma etiqueta.Equação de NIOSH . . informando o peso e os cuidados necessários para a manipulação da mesma. e deve ser seguida de um período de descanso (ou tarefas mais leves) de 120 por cento da duração da tarefa de levantamento. .Mantenha a carga o mais próximo possível do corpo. As condições recomendadas são: . . .dificuldade de manuseio (M).Antes de levantar um peso remova todos os obstáculos que possam atrapalhar o movimento. .distância horizontal entre a carga e o corpo (H) (referência do corpo – linha do tornozelo).Procure manter cargas simétricas.deve possibilitar a escolha da postura para o levantamento. Somente nas condições acima descritas.

que representam as variáveis acima: Carga máxima = 23 kgf x CM x CH x CV x CF x CD x CA CM – fator corretor da carga devido à dificuldade de manuseio CH – fator corretor em função da distância horizontal da carga ao corpo CV – fator corretor em função da distância vertical da carga ao piso CF – fator corretor da carga em função da freqüência do levantamento CD – fator corretor da carga para o deslocamento CA – fator corretor relacionado com a rotação do tronco Os valores para os coeficientes podem ser obtidos através dos gráficos e tabela a seguir.28 A figura 2. .5 – Medidas utilizadas na determinação dos fatores corretores da Equação de NIOSH Ela supõe que o trabalhador pode escolher a própria postura e que a carga é segura com as duas mãos. a carga máxima de 23 kgf é multiplicada por seis coeficientes. Assim.5 mostra a referência para a determinação dos fatores H. D e A. V. Figura 2.

29 Figura 2.6 – Gráficos para determinação dos coeficientes CD e CA .

00 0.35 0.41 0.45 0.88 0.3 0.55 0.8 0.26 0 0 0.21 1.5 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 .35 0.2 0.88 0.75 0.75 0.91 0.35 0.91 0.94 0.84 0.23 0.42 0.42 0.26 0.97 0.15 0.8 0.75 0.72 0.79 0.6 0.22 0.37 1.30 Figura 2.65 0.45 0.7 0.52 0.37 Freqüência de Levantamento (vezes/minuto) 0.13 0 0 0.92 0.97 0.72 0.52 0.88 0.Valores do fator Freqüência de Levantamento Até 8 hs Até 2 hs Até 1 h Vc<75cm Vc≥75cm Vc<75cm Vc≥75cm Vc<75cm Vc≥75cm 0.81 0.84 0.84 0.2 .85 0.18 0 0 0 0 0.75 0.81 0.6 0.95 0.41 0.79 0.00 0.5 0.6 0.92 0.3 0.94 0.45 0.5 0.55 0.18 0.7 – Gráficos para determinação dos coeficientes CH e CV Tabela 2.6 0.22 0.35 0.85 0.84 0.27 0.27 0.45 0.7 0.88 0.95 0.65 0.

0 tendendo a zero. Quanto mais desfavoráveis forem essas condições. quando a qualidade da pega for boa. quando for pega a uma altura de 75 cm.0.34 0. quando for pega simetricamente e quando a freqüência de levantamento for menor que uma vez a cada 5 minutos. os valores desses coeficientes se afastarão do valor 1.31 13 14 15 16 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0. o peso que pode ser levantado é muito menor que 23 Kg.31 0. Em função disso só pode se afirmar que somente uma pessoa pode levantar até 23 Kg quando a carga estiver próxima do corpo. dos gráficos e da tabela 2.28 0 Figura 2.2 é que nas situações comuns de trabalho. Se qualquer um dos seis fatores citados for diferente da unidade então o limite de peso recomendado não será mais de 23 Kg. Observa-se que para se obter 23 Kg. mas bem menor. O valor de CV cresce até a altura de 75 cm. quando for elevada apenas 30 cm entre a sua origem e o seu destino. todos os 6 multiplicadores têm que ser iguais a 1.8 – Gráficos para determinação dos coeficientes CF em função de V (para valores de V ≥ 75 cm e V< 75 cm Pode-se concluir a partir da equação. porque esta é a posição mais conveniente para começar a levantar cargas. .

32 3.Recomendações Para o Transporte de Cargas Durante o transporte a coluna vertebral deve ser mantida o máximo possível da vertical. c) Usar cargas simétricas. O centro de gravidade da carga deve passar o mais próximo possível pelo eixo longitudinal (vertical) do corpo. . e) Trabalhar em equipe. Recomenda-se os seguintes procedimentos: a) Manter a carga na vertical.5. b) Manter a carga próxima do corpo.3 . d) Usar meios auxiliares para o transporte.

. O crescimento estabiliza para as mulheres aos 18 anos e para os homens aos 20 anos. As medidas humanas são importantes na determinação dos aspectos relacionados ao ambiente de trabalho e sua influência no desempenho de atividades. têm corpo mais cheio. Após os 35 anos. ou seja.33 ERGONOMIA Capítulo 4 . o organismo vai perdendo gradativamente sua capacidade funcional e a estatura começa a declinar. As medidas das pessoas dependem de uma série de fatores: a) Tempo: Em função do desenvolvimento das populações verifica-se através de levantamentos que há um crescimento das medidas da população com o tempo. algumas pessoas crescem mais rapidamente do que outras.alterações nas condições de saúde. O problema prático com o qual a antropometria mais se defronta está relacionado às diferentes dimensões das pessoas. c) Sexo: Homens e mulheres apresentam diferenças antropométricas não apenas em dimensões. . f) Clima: habitantes de regiões com clima quente em geral possuem o corpo mais fino e membros superiores e inferiores mais longos.Há diferenças individuais pronunciadas nas taxas anuais de crescimento. Essas mudanças podem ser ocasionadas por: . o corpo das pessoas sofre mudanças de forma e proporções. Levantamentos estatísticos mostram que os homens de maior estatura são 25% mais altos que as mulheres de menor estatura. que se inicia de forma pronunciada a partir dos 50 anos. e) Alimentação: o crescimento da população é mais acentuado quando povos subalimentados passam a consumir maior quantidade de proteínas.prática de esportes. mais . Nem sempre as pessoas que crescem mais rapidamente atingem uma estatura final maior. d) Etnias: Diversos estudos antropométricos realizados durante várias décadas comprovam a influência da etnia nas medidas antropométricas.Devido ao processo de envelhecimento.5 cm.Cada parte do corpo tem uma velocidade diferente de crescimento. . Essas mudanças resultam dos seguintes aspectos: . As mulheres com a mesma estatura dos homens costumam ser mais gordas.1 . .ANTROPOMETRIA 4. habitantes de regiões de clima frio. mas também em proporções.alterações nos hábitos alimentares. Já se observou crescimento de até 8 cm na estatura média dos homens em apenas uma década.Introdução A antropometria é o estudo das medidas do corpo humano. . as medidas de comprimento tendem a diminuir e proporções tais como entre a cabeça e o corpo mudam. Os homens perdem 3 cm até os 80 anos e as mulheres 2. b) Idade: Durante as diversas fases da vida.As diferenças entre as velocidades de crescimento fazem com que as proporções entre as diversas partes do corpo sejam diferentes.

detalhamento ou precisão com que essas medidas serão realizadas. 4. Em função disso. .execução das medições. Com a internacionalização da economia esta tendência mudou e passou-se a raciocinar em um universo mais amplo. 4. .uso de antropometria estática. as medidas devem ser realizadas diretamente tomando-se uma amostra significativa das pessoas que serão usuárias e consumidoras do objeto a ser projetado. culturais e sociais. . . o que envolve diferenças étnicas. .1 . São decisões tais como: .critérios utilizados na seleção militar (altura. não existem medidas antropométricas confiáveis.Padrões Internacionais de medidas antropométricas Até bem pouco tempo existia a preocupação em estabelecer padrões de medidas nacionais.Definição dos objetivos A definição dos objetivos visa determinar onde e para quê serão utilizadas as medidas antropométricas.2 . . .escolha dos métodos de medida.seleção da amostra. .definição dos objetivos. outras decisões serão tomadas e que vão influir no modo como serão feitas as medidas.definição das medidas. peso. enquanto os de clima frio tendem para formas esféricas.são medidas para uma faixa etária entre 18 e 30 anos. no dimensionamento de cabinas de ônibus as pesquisas deveriam envolver os motoristas de ônibus. os movimentos de cada uma das partes do corpo são medidos mantendo-se o resto do corpo estático.). Hoje na produção de produtos deve-se considerar que os mesmos podem ser utilizados em 50 países diferentes. . Antropometria funcional: na prática observa-se que cada parte do corpo não se move isoladamente.apresentação e análise dos resultados. A partir da definição dos objetivos das medidas. A . Antropometria estática: é aquela que se refere ao corpo parado ou com poucos movimentos. com essa abrangência. A maioria das medidas disponíveis é de militares.Realização das medidas antropométricas Sempre que possível e economicamente justificável. dinâmica ou funcional. atualmente há a preocupação do estabelecimento de padrões mundiais de medidas. Ex: no projeto de carteiras escolares as pesquisas deveriam ser realizadas com estudantes. mas há uma conjugação de diversos movimentos para executar uma dada função. Antropometria dinâmica: mede os alcances dos movimentos. etc. e apresentam as seguintes limitações: .3 . 4.variáveis a serem medidas. é aplicada a objetos sem partes móveis ou com pouco movimento. Entretanto.envolvem somente medidas de homens. A execução das medidas compreende: . Em outras palavras os povos de clima quente têm corpo onde predomina a dimensão linear.3.34 volumoso e arredondado.

35 antropometria funcional baseia-se em medidas obtidas pela observação do corpo como um todo executando tarefas específicas. deve ser representativa do universo onde serão apresentados os resultados.3. vertical ou outra posição. Métodos indiretos: geralmente envolvem fotos do corpo ou partes dele contra uma malha quadriculada. . fitas métricas. Métodos diretos: envolvem leituras com instrumentos que entram em contato físico com o organismo. esquadros. assento.a postura do corpo. biótipo e deficiências físicas).as características biológicas ou inatas (sexo. direção e postura. superfície vertical ou outro ponto do corpo). e pode ser calculado estatisticamente. . transferidores. com a pessoa sentada com o braço pendendo ao lado do corpo e o antebraço estendendo-se horizontalmente. balanças.técnica de medida a ser utilizada. 4. por exemplo. Uma descrição mais detalhada deve conter: . relaxado). sem roupa. usando um antropômetro.Escolha dos métodos de medida Os métodos antropométricos de medidas classificam-se em diretos e indiretos. etc). cada medida a ser efetuada deve especificar claramente a sua localização.2 . São os casos de réguas.3.outras condições (com roupa.Medida do comprimento ombro-cotovelo: medir a distância vertical entre o ombro. nível de renda e outros). dinamômetros e outros instrumentos semelhantes. até a parte inferior do cotovelo direito. postura: indica a posição do corpo (sentado. . calçado. são geralmente baseadas em . de pé ereto. direção: indica. se o comprimento do braço é medido na horizontal. trenas. .3 .3. 4. Exemplo de definição precisa de uma medida antropométrica: .os instrumentos antropométricos a serem utilizados. Nessa escolha devem ser determinadas: .4 . As medidas adotadas pelas forças armadas nos EUA. conforme indicado a seguir: localização: indica o ponto do corpo que é medido a partir de uma outra referência (piso. esportes. O tamanho da amostra (quantidade de sujeitos a serem medidos) varia de acordo com a variabilidade da medida e da precisão que se deseja. paquímetros. Uma variante dessa técnica é a de traçar o contorno da sombra projetada sobre um anteparo transparente ou translúcido. Em geral. 4.Seleção da amostra A amostra de sujeitos a serem medidos.Definição das medidas A definição das medidas envolve a descrição dos dois pontos entre os quais estas serão tomadas. acima da articulação do úmero com a escápula. por exemplo.as características adquiridas pelo treinamento ou pela experiência no trabalho (profissão.

e que o restante (95% das pessoas) têm medidas superiores as deste percentil.elaborar um roteiro para a tomada de medidas. Entretanto para a maioria das aplicações em ergonomia.576 . em que não se exigem graus de confiança superiores a 90 ou 95%.realizar um treinamento prévio das pessoas que executarão as medidas.282 1. Ao trabalhar com percentis deve-se considerar que: . referem-se somente a ela.97.0 . segundo uma seqüência ordenada.6 – Apresentação e análise dos resultados Geralmente os dados antropométricos para uso do projetista são apresentados na forma gráfica ou na forma tabular.0 5.36 amostras de 3 a 5 mil sujeitos. A utilização de percentis é uma forma de dividir uma distribuição normal desde o valor mínimo até o máximo.90.645 1. Em outras palavras. As tabelas costumam classificar os dados de acordo com o sexo e por percentis.confeccionar formulários e desenhos apropriados para suas anotações.0 .os percentis antropométricos. que compreenda: conhecimentos básicos de anatomia humana.5 COEFICIENTE 1. reconhecimento de postura.3. .Coeficientes para cálculo do intervalo de confiança dos percentis desejados (NETO. relacionados a uma medida.1 .99. 1977) PERCENTIS 10. pode apresentar a altura do joelho no percentil 40 e o valor para o comprimento da mão no percentil 60. Percentis indicam a porcentagem de indivíduos da população que possuem uma medida antropométrica de um certo tamanho ou menor que este. multiplicando-os pelos seguintes coeficientes: Tabela 4. Tendo-se o desvio padrão da distribuição podese calcular o intervalo de confiança para os percentis desejados.0 2. um indivíduo que tenha a estatura no percentil 50.0 0. apresentam pequena probabilidade de incidência.não existe o indivíduo cujas medidas pertençam a um único percentil.5 . Os percentis extremos.99.0 . As medidas antropométricas geralmente seguem uma distribuição normal ou de Gauss.3. 4.960 2. O treinamento aplica-se principalmente para grandes amostras. Esta distribuição é representada por dois parâmetros: a média e o desvio padrão.95.5 1. amostras de 30 a 50 sujeitos são suficientes. uso correto de instrumentos de medida. Exemplo: O percentil 5 significa que 5% das pessoas do levantamento antropométrico considerado têm medidas inferiores ou iguais às deste percentil. . onde muitos medidores estarão envolvidos durante meses de trabalho.5 .5 .326 2. . identificação dos pontos de medida. sejam máximos ou mínimos. realização de um teste piloto. 4.Medições Para realizar as medidas torna-se conveniente: .

se vestidas.4 cm e de 5% acima de 182 cm. e) condições especiais − referem-se às condições em que as medidas foram tomadas. O desvio padrão representa o grau de variabilidade dessa medida dentro da amostra escolhida. Esses parâmetros podem ser aplicados ao projeto da seguinte forma: 1o Princípio .Projeto para o tipo médio: existem certos tipos de problemas cujos projetos podem ser bem resolvidos. se dimensionássemos uma saída de emergência para a pessoa média.5 x 1. 4.4 cm e 182 cm. principalmente nas proporções dos diferentes segmentos corporais.Uso de dados antropométricos Naturalmente é mais rápido e mais econômico usar dados antropométricos já disponíveis na bibliografia. um banco de jardim feito para uma pessoa média vai causar menos incômodo para o público geral.37 Exemplo: Considerando uma estatura média da população de 169.4 cm . qual o intervalo de medidas para a população para os percentis de 5% e 95%? .4 .7 .Altura para o percentil de 5%⇒ H5%= 169. simplesmente 50% na população não conseguiria sair. Por exemplo. construindo um painel de controle a uma distância tal que o homem médio pudesse alcançar convenientemente. do que aconteceria para um anão ou um gigante. com sapatos. tais como: a) o país onde foram tomadas as medidas − há diferenças étnicas das medidas antropométricas. 2o Princípio .7 cm e desvio padrão de 7. que os diferenciam da população em geral: c) faixa etária − as medidas variam continuamente com a idade.Altura para o percentil de 95%⇒ H95%= 169.Princípios para aplicação dos dados antropométricos As medidas antropométricas geralmente são representadas pela média e desvio padrão. deve-se verificar certos fatores que influem nos resultados das medidas. há uma possibilidade de 5% da população ter estatura abaixo de 157. A média corresponde simplesmente à média aritmética dessas medidas encontradas numa certa amostra de pessoas. Mas antes de se utilizar este tipo de solução. Por exemplo. devido ao critério de seleção e a faixa etária desses elementos. no caso de um acidente. descalças e assim por diante. Em outras palavras.5 cm. nuas.Conclusão: o universo do qual a amostra foi retirada.7 cm . do que fazer levantamentos antropométricos próprios.7. b) tipo de atividade exercida pelas pessoas que foram medidas − deve-se tomar cuidado quando as medidas se referem às forças armadas. considerando a média dos valores antropométricos observados. se dificultaria o acesso das pessoas .Hm = 169. 90% da população possui altura entre 157.645= 182 cm . 4.7 + 7.645= 157.Projeto para indivíduos extremos: existem certas circunstâncias nas quais equipamentos feitos para pessoas médias não são satisfatórios. d) época − as medidas antropométricas dos povos evoluem com o tempo.5 .5 x 1. Analogamente. seminuas.

6. os problemas técnicos e econômicos envolvidos para abranger 100% da população. a distância ao painel não pode ser maior do que 95% do comprimento dos braços. No caso em que há predominância de homens ou de mulheres. 4o Princípio . ou cintos com furos. se considerarmos o painel de controle. Considerações sobre a aplicação dos critérios Quanto mais padronizado for o produto. relativamente.38 abaixo da média para operar o painel. o maior ou o menor. devemos projetar o equipamento para acomodar uma grande porcentagem da população.Projetos para faixas da população − alguns equipamentos podem ter certas medidas ajustáveis para se acomodar melhor seus usuários. deve-se empregar como critério de projeto aquele em que consiste em acomodar os casos extremos. Da mesma forma construindo uma escrivaninha embaixo da qual houvesse espaço para uma perna média. Por exemplo. Isso proporciona melhor adaptação entre o produto e o seu usuário.Projeto para o indivíduo − utilizado no caso de produtos projetados especificamente para um indivíduo. os casos do assento do automóvel. de um modo geral. geralmente 95% dos casos e sabendo de antemão que não servirá para as poucas pessoas de um dos extremos. Como. porque. deve-se adotar. como numeração de roupas e calçados. menores são os seus custos de produção e de estoques. o que significa dizer que é mais econômico aplicar o primeiro e/ou o segundo princípio. São por exemplo. Assim. para acomodar. cadeiras de secretárias. teríamos que aumentar muito o tamanho dos objetos. ou quando as conseqüências de uma falha podem ser tão elevadas que as considerações de custo passam a ser de menor relevância. se elas conseguissem sentar. de preferências as medidas do sexo predominante. uma pequena faixa adicional da população. 4. do ponto de vista industrial. não compensam. dependendo do fator limitativo do equipamento. se quisermos englobar 95% da população. estaríamos causando graves incômodos às pessoas com pernas maiores que a média. Esses equipamentos normalmente cobrem a faixa de 5 a 95% da população. a variável limitadora é o comprimento de alcance do braço. São exemplos as roupas de astronautas e os carros de Fórmula 1. . por uma questão econômica. É o caso de aparelhos ortopédicos.1. . Acima disso. A maioria dos produtos é dimensionada para acomodar até 95% da população. roupas sob medidas ou pessoas que tenham o pé maior que o tamanho 44 e que precisam encomendar os seus sapatos. necessário para o organismo realizar os movimentos requeridos por um trabalho.Espaço de trabalho Espaço de trabalho é um espaço imaginário. Para utilizarmos esse princípio. Assim.6 . não sabemos quais são as dimensões dos usuários. em geral. 3o Princípio . mas também é mais oneroso. Enquadra-se também nesse critério certos produtos que apresentam tamanhos discretos. sendo aplicado só em casos de extrema necessidade.Antropometria: aplicações 4. é necessário saber qual será a variável limitadora. se existir algum fator limitativo no projeto (no sentido de que as pessoas acima ou abaixo de uma dada dimensão não estariam bem acomodadas).

como pressionar um botão. Estes descreverão um arco com raio de 35 a 45 cm. situada em frente ao corpo. inspeção. portanto deve ser considerado ao se dimensionar o espaço de trabalho. por exemplo). formada pela interseção dos dois arcos. pois sobre elas se realiza grande parte dos trabalhos de montagem. realizando movimentos maiores com os membros do que com o corpo. Trabalhos que exijam ações de agarramento com o centro das mãos. os seguintes fatores deverão ser considerados no dimensionamento do espaço de trabalho: a) Postura: fator que mais influi no dimensionamento do espaço de trabalho.39 Embora certos trabalhos exijam muitos deslocamentos de todo o corpo. 4. será a área ótima para se usar as duas mãos. A faixa situada entre o alcance máximo e a área ótima deve ser usada para a colocação de peças a serem usadas para tarefas menos freqüentes ou de menor precisão (como montagem.6. b) Tipo de atividade manual: Influencia nos limites do espaço de trabalho.2. deve-se fazer registros de antropometria dinâmica. . a) Alcance sobre a mesa A área de alcance ótimo sobre a mesa pode ser traçada. girando-se os antebraços em torno dos cotovelos com os braços caídos normalmente. na maioria das ocupações da vida moderna as atividades são desempenhadas em espaços relativamente pequenos. como no caso de alavancas ou registros.Superfícies horizontais As superfícies horizontais despertam um interesse particular em ergonomia. devem ficar mais próximas do operador do que as tarefas que exijam a atuação apenas das pontas dos dedos. Tarefas com muita freqüência e com exigência de precisão devem ser executadas na área ótima. c) Vestuário: O vestuário pode tanto aumentar o volume ocupado pelas pessoas. como limitar os seus movimentos. com o trabalhador em pé ou sentado. A parte central. De uma forma geral. Trabalhos que exijam movimentos corporais mais amplos. A área de alcance máximo é obtida fazendo-se girar os braços estendidos em torno do ombro. serviços de escritório. entre outros. .

considerando-se três situações de uso dos olhos e mãos: Tabela 4. . a altura do cotovelo e dos olhos depende da altura do assento. Muitas tarefas exigem acompanhamento visual dos movimentos manuais. Em princípio uma superfície baixa é melhor. para a posição sentada (Grandjean.a altura do cotovelo. . Por outro lado.1983) b) Altura da mesa para trabalho sentado As variáveis que influem na altura da mesa.1 . A altura do assento pode ser dimensionada usando-se a altura poplítea (parte inferior da coxa). A altura final da superfície de trabalho será definida pelo compromisso entre a melhor altura para as mãos e a melhor posição para os olhos. as superfícies mais altas permitem uma melhor visualização do trabalho.2 . mãos e braços para a posição sentada e em pé Tipo de tarefa Altura da superfície de trabalho . que acaba determinando a postura da cabeça e do tronco.40 Figura 4. A altura correta das mãos e do foco visual depende da tarefa dimensões corporais e preferências individuais. se obtêm uma primeira aproximação para a altura da mesa.Recomendações para a altura da superfície de trabalho para três situações de uso dos olhos.Áreas de alcances ótimo e máximo sobre a mesa. porque os braços não precisam ser erguidos e. Quando o trabalhador está sentado. sem necessidade de curvar-se para frente.tipo de trabalho a ser executado. para trabalho sentado são: .altura dos olhos. Como orientação geral sugere-se as seguintes recomendações para a altura da superfície de trabalho. nesta posição é mais fácil aplicar forças. Somando a altura do assento (obtida pela altura poplítea) com a altura do cotovelo acima do assento.

deve-se prever um faixa maior de ajuste para a superfície de trabalho. que não seja uma simples barra. Se a altura da superfície de trabalho não for ajustável. Quando as medidas antropométricas utilizadas. É necessário considerar a altura ou espessura das peças. esta deve ser descontada. exigindo pressão e força. deve-se usar superfícies mais baixas. para facilitar a mudança de postura durante a jornada. situa-se 3 cm (medida no ponto médio) acima da superfície da mesa. A altura do assento. mas uma superfície ligeiramente inclinada. contribuindo para a redução da fadiga. ferramentas ou acessórios em uso. é regulada para essa superfície. c) Altura da bancada para trabalho em pé A altura da bancada para trabalho em pé depende: . .No caso de manipulação de peças de diferentes alturas. No caso de manipulação de objetos que tenham uma determinada altura. . Quando o trabalho é grosseiro.da altura do cotovelo. Para trabalhos que exigem precisão deve-se usar uma superfície ligeiramente mais alta. então. como no caso de máquinas. deve-se considerar que sua superfície de trabalho. foram tomadas com o pé descalço. Bancadas com altura fixa devem ser dimensionadas para o homem mais alto. Para os usuários mais baixos. Esse tipo de apoio também pode ser providenciado para trabalhos em escritórios.41 Uso dos olhos: muito Uso das mãos e braços: pouco Uso dos olhos: muito Uso das mãos e braços: muito Uso dos olhos: pouco Uso das mãos e braços: muito 10 a 30 cm abaixo da altura dos olhos 0 a 15 cm acima da altura do cotovelo 0 a 30 cm abaixo da altura do cotovelo Deve-se considerar ainda que: . cerca de 5 cm acima da altura do cotovelo. até 30 cm abaixo da altura do cotovelo. Ex: no uso de teclados. . é necessário acrescentar 2 ou 3 cm. referente a altura do solado.tipo de trabalho a ser executado. deve ser providenciado um apoio para os pés. De preferência. para permitir mudanças de postura. a partir da posição sentada. prevendo-se estrados para os homens mais baixos.As mãos e o foco visual nem sempre estão na superfície da mesa ou da bancada. Para trabalhos normais a altura da mesa deve ficar entre 5 a 10 cm abaixo da altura dos cotovelos. é melhor dimensioná-la para o usuário mais alto. com a pessoa em pé. esse ajuste de altura deve ser facilmente regulável.

pouco espesso. Esse contato é feito por dois ossos de forma arredondada. e estabelecem os principais pontos a serem verificados no projeto e seleção de assentos. podem provocar anormalidades permanentes na coluna. Figura 4.3. As más posturas causam fadiga. dores lombares e cãibras que. São eles: 1. a) Suporte para o peso do tronco Na posição sentada. por exemplo. As tuberosidades são cobertas apenas por uma fina camada de tecido muscular e uma pele grossa.6. colocado sobre uma base rígida que não afunde com o peso do corpo. chamados de tuberosidades isquiáticas. na sua obra Orthopedia. além de proporcionar maior estabilidade ao corpo. .42 4. Existe um assento mais adequado para cada tipo de função Não existe um tipo ideal de assento para todas as ocasiões. Para tarefas específicas podem ser utilizadas cadeiras com certas particularidades. já deixou de ser um animal ereto. fez diversas recomendações para corrigir posturas. Os braços ajudam a suportar o peso do tronco e dos membros superiores e auxiliam nas mudanças de . quando ANDRY.Assento Muitas pessoas na vida moderna chegam a passar mais de 20 horas nas posições sentada ou deitada. podem ser usadas desde que estes não atrapalhem. Daí justifica-se o grande interesse da ergonomia pelos assentos. adequada para suportar grandes pressões. praticamente só através da estrutura óssea. b) Princípios gerais sobre os assentos Os princípios gerais sobre os assentos são derivados de diversos estudos anatômicos. não sendo recomendados. homo-sapiens. Essas características ajudam a distribuir a pressão. fisiológicos e clínicos dos movimentos de postura sentada. O material usado para revestir o assento deve ter característica anti-derrapante e ter capacidade de dissipar o calor e umidade gerados pelo corpo.2 . homo erectus. plásticos lisos e impermeáveis. situados na bacia.Estrutura dos ossos da bacia e tuberosidades isquiáticas Atualmente as características recomendadas para assentos são: estofado. homo sedens. o corpo entra em contato com o assento. para se transformar no animal sentado. Diz-se até que a espécie humana. mas aquele adequado para cada tipo de tarefa. Análises de posturas são encontradas desde 1743. se não forem corrigidas. “pai dos ortopedistas”. Logo o assento deve ser escolhido de acordo com a atividade. contribuindo para a redução do desconforto e da fadiga. Cadeiras com braços. Em apenas 25 cm2 de superfície da pele sob essas tuberosidades concentram-se 75% do peso total do corpo sentado.

Formas que permitem poucos movimentos relativos “não são recomendadas”. é importante um bom desenho do perfil do encosto. para facilitar as mudanças de posturas. recomenda-se que a altura do assento seja regulável. a altura total oscila entre 40 e 50 cm. pois provocam instabilidade. embora sentada. a dimensão antropométrica crítica é a altura poplítea (da parte inferior da coxa à sola do pé). Além disso. 3. O encosto deve propiciar apoio para a região lombar. reduzindo-se a fadiga. Podem provocar pressões sobre as coxas. exige movimentação com freqüência em pequenos espaços. na altura do abdome (mais precisamente entre a 2a e 5a vértebras lombares). Porém. Cadeiras com “rodinhas” podem ser úteis quando a atividade. Para postos de trabalho em que as pessoas ficam muitas horas sentadas é recomendado colocar apoio para os pés. O encosto deve ter uma altura de 30 cm. é necessário um espaço vazio de 10 a 20 cm entre o assento e o encosto. Assento e mesa formam um conjunto integrado . com duas ou três alturas diferentes. a fim de aliviar a fadiga. mas apenas de tempos em tempos. periodicamente. o encosto não é usado de forma continua durante toda a jornada de trabalho. Devem ser curtos para permitir que a cadeira possa aproximar-se da mesa. 4. 2. para transmitir o peso do corpo sobre o assento. para relaxar. como uma pessoa sentada apresenta uma protuberância para trás na altura das nádegas e a curvatura da coluna varia bastante de pessoa para pessoa. A largura do assento deve ser adequada à largura torácica do usuário. A regulagem deve ser feita em movimentos contínuos e suaves. O assento deve permitir variações de postura As freqüentes variações de postura servem para aliviar as pressões sobre os discos vertebrais e as tensões dos músculos dorsais de sustentação. que são anatômica e fisiologicamente inadequadas para suportar o peso do corpo. 5. Em função disso. para que a pessoa possa reclinar-se para trás . Os assentos cujas alturas sejam superiores ou inferiores à altura poplítea não permitem um assentamento firme das tuberosidades isquiáticas. “rodinhas” não devem ser utilizadas em atividades que possuem operações com pedais. somando-se a isto o espaço vazio (entre 10 e 20 cm). O encosto deve ajudar no relaxamento Em geral. As dimensões do assento devem ser adequadas às dimensões antropométricas do usuário No caso. O comprimento deve ser tal que a borda do assento fique pelo menos 2 cm afastada da parte interna da perna . Para desempenhar bem sua função. Outra possibilidade é fazer o encosto móvel.43 posturas e servem como apoio na hora de se levantar. que determina a altura do assento.

como para se adaptar ao tipo de tarefa que será executada. Essas dimensões estão mostradas na figura 4. freqüentemente adotam também posturas relaxadas e vice-versa. pelo menos 40 cm na parte superior e 100 cm na parte inferior.3 . tanto para acomodar as diferenças de medidas antropométricas dos usuários.44 A altura do assento deve ser estudada em função da altura da mesa. A largura mínima desse espaço é de 60 cm. Esse espaço é importante para permitir uma postura adequada. A profundidade deve ser de. A dimensão maior junto aos pés justifica-se pela necessidade de esticar as pernas para frente.3.Espaços necessários entre mesa e assento c) Dimensionamento de assentos A figura a seguir apresenta as dimensões básicas recomendadas para assentos. ereta e relaxada. não apresentam fronteiras rígidas pois as pessoas que trabalham em posição ereta. Entre o assento e a mesa deve haver espaço para acomodar os membros inferiores . Para acomodar as coxas é necessária uma altura mínima de 20 cm entre assento e parte inferior da mesa. de modo que a superfície da mesa fique aproximadamente na altura do cotovelo da pessoa sentada. Os braços da cadeira devem ficar aproximadamente à mesma altura ou pouco abaixo da superfície de trabalho para dar apoio aos cotovelos. Essas duas posturas. para variar a postura. . As dimensões são apresentadas com uma faixa de variação. considerando as posturas: ereta e relaxada. Figura 4.

4 . portanto.7 . chegando a haver 83 mudanças de postura por hora (Grieco. mais de uma mudança por minuto.Dimensões básicas recomendadas para assentos nas posturas: ereta e relaxada Grandjean e Hüting (1977) observaram 378 pessoas trabalhando em um escritório e constataram que em apenas 33% dos casos as pessoas mantêm a postura ereta. Essas mudanças de postura são ainda mais freqüentes se o assento for desconfortável ou inadequado para o trabalho.Na escolha dos dados antropométricos o projetista deve verificar a definição exata das medidas (especialmente os pontos iniciais e terminais) e as características da população em que a amostra foi baseada.5 .Resumo das recomendações sobre antropometria 1 . ocupando toda a área do assento. as pessoas se sentam na borda do assento. com contínuas mudanças de postura. 1977) 4. No resto do tempo. . inclinando-se para frente ou para trás. Figura 4.45 Figura 4.Diferentes posições no assento em uma amostra de 378 empregados de um escritório (Grandjean e Hutinger. 1986).

11. a altura da mesa deve ser dimensionada de forma integrada com o assento. 6. 10. Na decisão sobre o trabalho sentado ou de pé.a freqüência do trabalho de pé ou sentado. devem ser considerados: .pequenos acolchoamentos do assento e do encosto. acima desse percentil. . 4. Os objetos e os espaços de trabalho podem ser dimensionados para a média da população (50%) ou um de seus extremos (5% ou 95%). 7.a intensidade e as direções das forças a serem exercidas. .a relação entre a altura do assento e do trabalho. .46 2 . como pela mudança das pessoas que exercem certas funções na sociedade. No uso de dados antropométricos. . Muitas vezes é possível projetar o posto de trabalho para permitir o trabalho sentado e de pé. alternadamente. . O projeto do assento deve considerar: . e providenciar os ajustes estáticos. pode não ser economicamente justificável. Dificuldades de movimentar-se contribuem para aumentar a fadiga. . Os objetos e os espaços de trabalho devem permitir uma acomodação de pelo menos 90% da população de usuários.o espaço para acomodar as pernas.a localização dos controles.Há influências econômicas nas medidas antropométricas. Projetos feitos no exterior nem sempre se adaptam aos brasileiros.As dimensões antropométricas podem variar de acordo com as etnias e com a época. O dimensionamento do posto de trabalho está intimamente relacionado com a postura e nenhum deles pode ser considerado separadamente um do outro. . dinâmicos e funcionais.estabilidade do assento. A altura da superfície de trabalho em pé depende do tipo de trabalho executado. . 5. quando sentado. 3. tanto pela evolução da população. Trabalhadores de baixa qualificação podem ser até 10 cm mais baixos em relação aos de melhor renda. 9. O assento confortável permite variações de postura. 12. A acomodação dos extremos. e essa diferença tende a ser maior no caso de projetos baseados em medidas antropométricas de mulheres. Para a posição sentada. 8. o projetista deve verificar qual é a tolerância aceitável para acomodar as diferentes dimensões encontradas na população de usuários. componentes e atividades.facilidade de sentar-se e levantar-se.

Hoje admite-se que os resultados obtidos usando-se o enfoque tradicional nem sempre são os mais eficazes. Porém.POSTO DE TRABALHO 5. onde os diversos dispositivos. que envolve: a) definir os objetivos da operação. geralmente envolvendo um homem e o seu local de trabalho. fábricas ou escritórios.Preparação do método padrão O método escolhido é registrado para ser convertido em padrão 3. A curto prazo pode ser eficiente.Desenvolvimento do método preferido. 5. onde o homem é o seu núcleo. b) descrever alternativas de métodos para alcançar os objetivos. e o melhor método é escolhido pelo critério do menor tempo gasto. A seqüência dos movimentos necessários para executar uma tarefa é baseada em uma série de princípios de economia de movimentos. Esse processo abrange três etapas: 1.47 ERGONOMIA Capítulo 5 .2 . O bom funcionamento de uma fábrica depende do bom funcionamento de cada um de seus postos de trabalho. que são equivalentes a departamentos. como tende a concentrar a carga de trabalho sobre determinados . determina-se o tempo necessário para um operário experiente executar o trabalho usando o método padrão.Determinação do tempo padrão Fazendo-se uso do método padrão. um posto de trabalho seria equivalente a uma célula.Introdução O posto de trabalho pode ser considerado como a menor unidade produtiva. Um dos aspectos mais questionados é que seu uso leva a produzir métodos cada vez mais simples e repetitivos.1 . Fazendo uma analogia biológica.Enfoque tradicional do posto de trabalho O enfoque tradicional baseia-se no estudo dos movimentos corporais necessários para a execução de um trabalho e na medida do tempo gasto em cada um desses movimentos. c) testar essas alternativas. baseados em critérios empíricos e experiências pessoais do analista de métodos. O desenvolvimento do melhor método é feito geralmente em laboratório de métodos. d) selecionar a melhor 2. Uma fábrica ou um escritório. principalmente para trabalhadores pouco qualificados. seriam formados de um conjunto de postos de trabalho. Um conjunto dessas células constitui o tecido e o órgão. por exemplo. materiais e ferramentas são colocados em posições mais convenientes.

Isso ocorre sobretudo quando há solicitações muito intensas. . alta rotatividade e até doenças ocupacionais. 5.reduzam as exigências biomecânicas. . Esses fatores podem ser tão fortes. Contudo. em que ele possa realizar o trabalho com: . se essa dor continuar. usando-se os princípios de economia dos movimentos.Projeto do posto de trabalho A configuração do posto de trabalho deve arranjar os subsistemas e elementos necessários ao seu funcionamento de tal forma que: . ou aumentar. é o primeiro alerta de que algo não está indo bem.48 movimentos musculares. é: .índice de erros e acidentes.Enfoque ergonômico do posto de trabalho O enfoque ergonômico tende a desenvolver postos de trabalho que: . Diversos critérios podem ser adotados para avaliar a adequação de um posto de trabalho. provocando redução gradativa das dores. há uma adaptação do organismo: os músculos se alongam e se fortalecem. ou quando a postura do corpo é inadequada. que tendem a provocar dores nos músculos e tendões. o posto de trabalho deve envolver o operador como uma “vestimenta” bem adaptada.propiciem facilidade de percepção de informações. com o decorrer do uso. resultando em absenteísmo. o melhor critério do ponto de vista ergonômico.3 . a ponto de neutralizar as vantagens proporcionadas pela racionalização do posto de trabalho.a postura. é necessário projetar muitos objetos. A partir deles. Uma dor aguda.conforto. localizada. .A tarefa possa ser executada da forma desejada.4 .o tempo gasto na operação. . além da monotonia.o esforço físico exigido dos trabalhadores.coloquem o operador em uma boa postura de trabalho. o que pode provocar inflamação dos músculos ou dos tendões.segurança. indica que essa adaptação não se processou. . Isso contribui para reduzir a motivação. Contudo. . Em outras palavras. Em alguns casos com o passar dos dias.localizem os objetos dentro dos alcances dos movimentos corporais. produz excessiva fadiga localizada. 5. para o enfoque ergonômico. Para a configuração do posto de trabalho. Entre eles se incluem: . podem resultar em lesões permanentes. . .eficiência.As condições de trabalho sejam adequadas as pessoas. . Se não forem adequadamente tratadas. A ênfase deste capítulo é o projeto de postos de trabalho considerando o enfoque ergonômico. ou muito freqüentes. pode-se determinar os principais pontos de concentração de tensões. cujas características devem ser definidas de forma a contribuir para a humanização do trabalho.

49 A primeira etapa do projeto de um posto de trabalho é fazer uma análise detalhada da tarefa. uso de equipamentos de proteção individual. a descrição não precisará abranger todos esses itens. dimensões antropométricas. o que será executado ou produzido. trabalho em grupo. o que será comprado de fornecedores externos e o que será produzido internamente. chamado de descrição da tarefa. quando as máquinas . b) Operador: que tipo de pessoa trabalhará no posto.Descrição da tarefa A descrição da tarefa abrange os aspectos gerais da tarefa. flexibilidade e graus de adaptação das máquinas.2 . localização do posto dentro do sistema produtivo. chamado de descrições das ações. envolvendo os seguintes tópicos: a) objetivo: para que serve a tarefa. quantos postos idênticos serão produzidos. c) características técnicas: quais as máquinas ou conjunto de máquinas e materiais envolvidos. Elas se concentram mais nas características que influem no projeto da interface homem-máquina e se classificam em informações e controles. o que produziria um sistema homem-máquina mais integrado. Por exemplo. sistemas de transporte de materiais e de manutenção. e o projeto se restringirá ao arranjo dos mesmos. O primeiro.4. . turnos. torna-se praticamente impossível modificar esses elementos. em um nível mais detalhado. adaptando-os às necessidades da tarefa e do operador. pois certas características podem ser bem conhecidas.Descrição das ações As ações devem ser descritas em um nível mais detalhado que a tarefa. tipos de postura (sentado. equipamentos e materiais. provavelmente contribuiria para uma seleção mais adequada desses elementos. Naturalmente dependendo do tipo de tarefa. anos ou unidades de peças a produzir). alimentação. uso isolado ou integrado a uma linha de produção. esforços físicos e condições desconfortáveis. Se a análise tivesse partido antes. A análise da tarefa realiza-se em dois níveis.1 . experiência anterior. riscos de acidentes. carreira. a análise da tarefa deverá iniciar o mais cedo possível. em pé). e) Condições operacionais: como vai trabalhar o operador. 5. Uma tarefa pode ser definida como sendo um conjunto de ações humanas que torna possível um sistema atingir o seu objetivo. É o que faz funcionar o sistema para se atingir o objetivo pretendido. chefia. 5.4. qual é a duração prevista da tarefa (meses. o segundo. em que quantidade e com que qualidade. em um nível mais global e. se haverá predominância de homens ou mulheres. antes que certos parâmetros do sistema sejam definidos e se torne difícil ou oneroso introduzir modificações corretivas. f) Condições organizacionais: como será a organização do trabalho e as condições sociais: horários. habilidades pessoais. graus de instrução e treinamento. d) Aplicações: onde será usado o posto de trabalho. mesas e cadeiras já foram compradas. acessórios. faixas etárias. Para questões de projeto. remuneração.

características dos instrumentos de controle (botões. tipos e características dos dispositivos de informação (luzes. Figura 5. alcances manuais. 5. visual. volantes. alavancas. som. de modo que ele possa ser continuamente observado ou facilmente manejado. Esse arranjo normalmente é baseado nos seguintes critérios: Importância: colocar o elemento mais importante em posição de destaque no posto de trabalho. Informações: canal sensorial envolvido (auditivo.Arranjo físico do posto de trabalho O arranjo físico (layout) é o estudo da distribuição espacial ou do posicionamento relativo dos diversos elementos que compõe o posto de trabalho.Arranjo funcional. Freqüência de uso: os componentes usados com maior freqüência são colocados em posição de destaque ou de mais fácil manipulação. tipos de sinais. Seqüência de uso: quando há uma ordem de operação a ser seguida ou ligações temporais entre os elementos. características do sinais (intensidade. No automóvel. o velocímetro e o volante ocupam essas posições de destaque. num painel de comando todos os dispositivos visuais podem ser colocados na parte central. mostradores).5 . por exemplo. Agrupamento funcional: os elementos de funções semelhantes entre si formam subgrupos que são mantidos em blocos. duração). Controle: tipo de movimento corporal exigido.50 As informações referem-se as interações no nível sensorial do homem e os controles no nível motor ou das atividades musculares. freqüência. aquele que deve ser acionado primeiro aparece em primeira posição e assim sucessivamente.1 . Por exemplo. . com agrupamento de elementos de mesma função ou funções semelhantes entre si. cinestésico). a posição relativa dos mesmos no espaço deve seguir a mesma seqüência da operação. Ou seja. forma. pedais). membros envolvidos no movimento.

aqui pode haver diferenças qualitativas no fluxo.Arranjo pela seqüência de uso (relações de natureza temporal entre os elementos). . informações visuais e informações auditivas.3 . O fluxo é representado por uma determinada variável que deve ser escolhida em cada caso. 1970) Ligações preferenciais: os elementos entre os quais ocorrem determinados tipos de ligações são colocados próximos entre si. Intensidade de fluxo: os elementos entre os quais ocorre maior intensidade de fluxo. movimentos ou informações. Figura 5.51 Figura 5.2 . Os números e as larguras dos traços indicam intensidade de fluxo (McCormick. baseado nas intensidade de fluxo dos movimentos visuais entre eles. por exemplo. que se baseava na intensidade de um único tipo de fluxo. Ao contrário do critério anterior. são colocados próximos entre si.Arranjo proposto para a localização dos instrumentos de controle de um avião. movimentos de controle. podendo ser de materiais.

para se obter uma idéia inicial do arranjo. As pessoas têm grandes prejuízos em atividades intelectuais quando o ruído ambiente está acima do nível de conforto. de elementos numerosos (acima de dez) pode-se fazer uma análise inicial pelas ligações preferenciais ou pela intensidade de fluxo. mas para trabalhos de pouca exigência intelectual beneficia-se com a presença de outras pessoas num raio além da área pessoal. o ser humano necessita de uma certa proximidade com outras pessoas. existem pessoas que preferem trabalhar sozinhas. b) No entanto. enquanto os demais (seqüência de uso.Arranjo proposto para os elementos de um painel de controle.6 .Pela área necessária para a movimentação do próprio corpo.Pela área necessária para movimentação em volta da máquina/equipamento. se por um lado a excessiva proximidade com outras pessoas traz desconforto. pela análise das ligações preferenciais entre os mesmos. uma área em torno da qual não se deve ter ninguém. É claro. como o da importância ou da freqüência de uso. Esses critérios não são mutuamente exclusivos entre si. nem com odores. nem com calor. Uso dos critérios: observa-se que os três primeiros critérios apresentados (importância. é bem conhecido que todo o ser humano tem o seu espaço pessoal. 5. . . O espaço mínimo necessário é determinado por diversos fatores: . mas próxima o suficiente para que se converse em altura normal. freqüência de uso e agrupamento funcional) referem-se à natureza dos elementos.52 Figura 5. .Pela necessidade de segurança. intensidade de fluxo e ligações preferenciais) referem-se às interações entre os mesmos.Para não se sentir constrito. c) Trabalho mental não combina com ruído alto. que se concentram melhor nestas circunstâncias. a distância excessiva também é desconfortável. No caso. para se evitar o choque do corpo contra partes do equipamento ou do mobiliário. que pode ser posteriormente melhorado pelo uso de outros critérios. Estudos psicofísicos indicam que. podendo ser aplicados de forma conjugada. .Conceitos Básicos Relacionados ao Ser Humano e ao Arranjo Físico de Seu Local de Trabalho a) O ser humano necessita de espaço para trabalhar.4 . por exemplo.

h) Trabalhos com empenho intelectual são prejudicados por movimentação excessiva em frente à pessoa.Cadeira ou dispositivo para trabalhar tanto sentado como em pé. o pessoal costuma criar códigos próprios de sinalização uns para os outros quanto aos movimentos da supervisão. O mesmo se aplica ao ruído.Para refugos.Acessórios da máquina. de modo a economizar movimentos e energia para as atividades produtivas. . deve haver a previsão de pelo menos os seguintes espaços: .Espaços para os movimentos da máquina (processo). . Muitas pessoas têm dificuldade de concentração quando há movimento de pessoas próximas de si. que resultarão em fadiga. especialmente o da conversação.Espaço para a própria máquina. . . . .Para movimentação das peças. Este é um problema que se verifica muito em escritórios projetados de acordo com uma concepção baseada em espaços abertos. Mesmo pequenas distâncias. o mesmo se aplica à supervisão oculta (escuta de telefonemas). . Grandes distâncias cansam. Deve-se garantir um mínimo de privacidade para que essas pessoas possam se concentrar adequadamente. A supervisão pelas costas costuma ser acompanhada de ansiedade e tensão.Para o acesso da peça (por onde ela vai entrar e por onde vai sair). Há necessidade de prever espaços adequados em corredores principais.7 .área para acesso do operador. .Espaço para a prancheta. com a conseqüente menor fadiga no trabalho. em corredores secundários. 5.53 d) Trabalho com empenho visual não combina com ambiente escuro e nem com reflexos nos olhos. . e) É desejável que exista uma certa flexibilidade na postura. podem cansar e levar à fadiga. que exigem trabalhados em etapas.Dispositivos. porém movimentação excessiva gera fadiga. em escritórios e junto das máquinas no chão da fábrica.Espaço para iluminação. . segundo o tipo de serviço. além da ansiedade. . Junto de um máquina. ou por conversa excessiva.Espaço para peças incomuns. Nestas circunstâncias serão acionados os mecanismos de adaptação visual. f) As pessoas se beneficiarão da racionalidade na organização da tarefa.Espaço para manutenção ao redor da máquina. . Estudos psicofísicos costumam evidenciar que nesses casos.Regras Básicas de Ergonomia na Organização do Arranjo Físico (Layout) a) Deve-se prever espaços mínimos compatíveis com as necessidades das pessoas. Os preceitos da Engenharia de Métodos visam garantir essa racionalidade. .Para matéria prima e produtos acabados. g) As pessoas não se adaptam bem a trabalharem sendo observadas pelas costas. mas percorridas muitas vezes durante o dia. .

É especialmente importante avaliar a necessidade de comunicação entre as diversas operações para. deve-se chamar a atenção para o fato de que as partes que se projetam para próximo do trabalhador devem ser arredondadas e de preferencia de materiais não muito duros. as áreas utilizadas por diversas pessoas devem ser localizadas em posição central na oficina. mas freqüentemente desconsiderada. O layout do tipo célula de produção. . ou que partes móveis de máquinas atinjam o ser humano ao se movimentarem. geralmente tem essa característica como básica. d) Deve-se ajustar ao máximo o posicionamento das pessoas de acordo com o seu grau de interdependência no trabalho. e no caso de ruas movimentadas deve-se providenciar vidros duplos a vácuo para garantir o isolamento acústico. j) Posicionar os postos de trabalho com alto empenho visual mais próximos da luz natural. Visa atender à maior demanda de iluminação nestas circunstâncias. onde irão trabalhar pessoas. f) Ao planejar o layout. para finalidades sociais.54 b) Deve-se evitar grandes distâncias entre as pessoas. h) Garantir que o trabalho intelectual seja feito longe de ruas movimentadas e de máquinas produtoras de ruído. Na inexistência de ar condicionado. têm esta premissa de funcionamento. a regra é considerar um valor compatível com os indivíduos extremos. Isso não quer dizer que as pessoas não possam trabalhar isoladas. evitando por exemplo. evitando-se ao máximo o retorno do mesmo no contrafluxo. c) Deve-se reduzir ao mínimo a movimentação das pessoas. por exemplo. Trata-se de uma recomendação óbvia. devendo-se dar preferência a aparelhos em que a unidade condensadora (a mais ruidosa) esteja afastada do ambiente de trabalho. movimentação em excesso equivale a desperdício de energia em atividades que não incorporam valor ao produto e que cansam. situá-las em posição que facilite esta condição. funcionando sob a forma de “U”. de comunicação e eventualmente até de segurança. especialmente se a telha for de amianto. em função disto. i) Garantir que atividades intelectuais estejam bem afastadas de fontes de calor e odor. Cabe aqui um estudo detalhado de segurança de cada máquina e suas partes móveis. mas nesses casos deve-se prever formas de quebra do isolamento como. escritórios imediatamente abaixo de telhados. no galpão ou na área de escritório. de tal forma que os trabalhadores percebam a peça a ser trabalhada no interior da célula. na existência de ar condicionado. mais recente. Embora seja desejável a flexibilidade na postura. em uma direção. Deve-se tomar cuidado especial com as oficinas mecânicas próximas de escritórios de projetos. garantir que o nível de ruído do mesmo seja adequado. g) Deve-se tomar todos os cuidados para evitar que o corpo humano atinja partes de máquinas ao se movimentar. deve-se ter em mente as dimensões mínimas necessárias para caber adequadamente as pessoas. As linhas de produção. deve-se atentar para a posição de colocação dos comandos e para as áreas de alcance. pela utilização de meios eletrônicos de comunicação. conforme planejadas e desenvolvidas ao longo de décadas. A interação entre as pessoas é importante. mesmo que exista espaço sobrando. bem como de suas partes salientes. Na dúvida quanto o valor a considerar. garantir que esta atividade seja feita em áreas bem ventiladas. bem como as alturas de superfícies horizontais e assentos. e) A área de trabalho deve ser organizada de tal forma que o produto tenha um fluxo crescente ao longo da mesma.

escova de dentes. em vez de vigiar como a pessoa está executando a atividade. especialmente de Eysenk.8 . entre outros exemplos. Há que se dar liberdade para algumas ações sociais. há que se ter pelo menos o armário individual. Possibilitar eventuais telefonemas particulares em horários de almoço e de pausas. o tempo para a eventual.55 k) Estudar a posição do sol e sua variação ao longo do dia. pelo menos uma gaveta em que possa colocar alguns objetos de uso pessoal (pasta dental. extratos bancários. Nunca ficar observando uma pessoa trabalhar. etc). onde parece tudo bagunçado mas que o dono sabe onde está cada coisa. Todo o local onde trabalhem pessoas deve ser preservado da luz direta do sol. especialmente em layouts apertados. tudo isso. onde se possa guardar de forma segura os objetos trazidos de casa. aquela espécie de “pequeno mundo”. No caso de impossibilidade de se evitar a entrada do sol. Algumas atitudes importantes para se respeitar o espaço pessoal dos trabalhadores: Nunca mudar a pessoa de local de trabalho sem avisar-lhe previamente. o respeito a inviolabilidade da correspondência pessoal. Essa medida contribui para o desenvolvimento de um senso de organização e limpeza na área. têm mostrado a importância de a pessoa ter seu espaço pessoal. . A previsão de um espaço pessoal do trabalhador pode ser um dos fatores que diferenciam o trabalho em uma empresa. discussão de alguns assuntos pertinentes à condição social das pessoas. sem abrir mão dos resultados operacionais. l) Manter sempre as áreas industriais bem demarcadas. de forma a preservar a organização e respeitar os limites estabelecidos. É importante então se garantir algum espaço pessoal para o trabalhador. a conta bancária individual com privacidade. Visa fundamentalmente evitar a supervisão pelas costas. de tal forma que a luz direta não atinja nenhum posto de trabalho. é necessário prever algum local para guardar a bolsa (não existe mulher sem bolsa). Mas o que seria esse espaço pessoal para o trabalhador na empresa? O primeiro tipo de espaço pessoal é o espaço propriamente dito: a pessoa deve ter um local de trabalho. para as mulheres. Uma outra forma (mais sutil) de garantir o espaço pessoal nas organizações é através da liberdade para algum tipo de movimentação: a cobrança por tarefas é uma das principais formas. m) Situar a mesa da supervisão em posição tal que os subordinados possam ver o supervisor. Nunca mudar os móveis de trabalho de uma pessoa sem avisar-lhe previamente. uma mesa só dela. como um tempo no final do mês para a “festinha” de homenagem aos aniversariantes daquele mês. verifica-se mais os resultados finais. naturalmente. a distância mínima entre uma pessoa e outra. sem avisá-la do motivo desta observação. de frente ou pelas costas. retratos pessoais. também nas linhas de produção. devem ser providenciadas persianas. fazendo com que o trabalhador sinta-se como em “sua casa”. no caso de trabalhadores de fábrica. talão de cheques.A importância do espaço pessoal no trabalho As pesquisas psicológicas. há de se respeitar pelo menos a distância mínima entre o trabalhador e outro. 5. ao qual somente a pessoa tenha acesso: em casa a gaveta que ninguém mexe.

submetê-la a sofrimento por longos anos.Dimensionamento do posto de trabalho O dimensionamento do posto de trabalho é uma etapa fundamental para o bom desempenho da pessoa que ocupará este posto. Em anexo. ou providenciando-se calços ou estrados para aumentar a altura. Evitar a criação de formulários para toda e qualquer função. Tomando-se essas ações dentro de um ambiente de conscientização das pessoas. dimensões de equipamentos máquinas e ferramentas. torna-se praticamente impossível introduzir correções. que nem sempre se adaptam à população nacional. Diversos fatores devem ser considerados no dimensionamento do posto de trabalho. Em algumas casos. deixando o trabalhador já treinado com a liberdade para adotar as demais soluções. Por exemplo. e interações com outros postos de trabalho e o ambiente externo. atentando-se mais à cobrança do resultado. quando o arranjo é de mobiliário e de bancadas. sentada ou de pé neste posto. Deve-se contudo ter o devido cuidado ao utilizar tais dados pois fazem usos de dados antropométricos de populações européias. então. ou seja. Evitar a colocação da sala da gerência num ponto alto do galpão.9 . antropometria. como postura corporal adequada. . 5. cortando-se os pés da mesa ou da cadeira. apresenta-se algumas recomendações para situações mais comuns. a seu gosto. Tudo isso faz com que cada caso represente uma situação particular. essas atitudes poderão ser consideradas um exagero. certamente contribuirão para a melhoria do ambiente de trabalho. desde que não sejam usadas como estímulo à anarquia e ao desrespeito hierárquico. Em outros como no caso de cabina de comando ou painel de um centro de controle operacional de um sistema complexo. movimentos corporais necessários. durante anos.56 Possibilitar arranjos especiais em seu local de trabalho. Evitar a discussão do método de trabalho (exceto quando isso é necessário). evitando a padronização extrema. Qualquer erro cometido neste dimensionamento pode. É possível que essa pessoa passe várias horas ao dia. de onde o mesmo pode ver todos os postos de trabalho. exigindo um estudo específico. ventilação. iluminação necessária. mas certamente isso faz uma diferença importante no estado emocional das pessoas. Prever as situações em que a chefia deverá ser consultada para a decisão. a correção pode ser feita de forma relativamente simples e econômica. alcances dos movimentos. Para determinadas pessoas e em algumas culturas.

Essas interações estão esquematicamente representadas na figura 6. especialmente com o uso das mãos e braços. De acordo com o princípio ergonômico que as máquinas devem ser um “prolongamento” do homem. serão estudadas as características humanas para a transmissão de movimentos.1 .1. processá-las e agir em função dessas e outras informações.2 . o homem recebe informações da máquina e atua sobre ela.Introdução No mundo moderno. Isso exige interações que consistem em receber informações. 6.Modelo mostrando as interações entre homem e a máquina Este capítulo apresenta as características necessárias que as máquinas devem ter para que possam ser mais facilmente operadas.DISPOSITIVOS DE INTERAÇÃO HOMEM-MÁQUINA: CONTROLES E MOSTRADORES 6.1 . um número cada vez maior de pessoas usa produtos e sistemas complexos. Esses movimentos geralmente são executados com as mãos e com os . Assim se reduzem os erros. a fadiga e os acidentes durante a operação das mesmas. acionando algum dispositivo de controle Figura 6.Movimentos de controle Movimento de controle é aquele executado pelo corpo humano para transmitir alguma forma de energia à máquina.57 ERGONOMIA Capítulo 6 . Nesse modelo.

Estereótipo popular  Estereótipo popular é o movimento esperado pela maioria da população. Testes realizados com crianças de 5 anos. Discute-se muito se os estereótipos seriam naturais. que os transformou em 22 princípios. há uma forte tendência de retorno ao movimento compatível. que se acentua com o aprendizado. Esse índice aumenta para 87% em adultos de 20 anos. Diversas pesquisas realizadas mostram que os movimentos compatíveis são memorizados mais rapidamente e executados com maior confiabilidade. Smith (1990) realizou uma pesquisa em 18 situações diferentes. Demonstrou-se também que as pessoas podem ser treinadas para fazer intencionalmente movimentos incompatíveis. que formularam. como no movimento de botões. Inversamente. são chamados de incompatíveis. numa situação de emergência ou de pânico. Destros e canhotos  Os canhotos representam 10% da população. os que o contrariam. há uma nítida preferência das pessoas. os movimentos de controle devem seguir aqueles movimentos naturais e mais facilmente realizados pelo corpo humano. ou se seriam adquiridos. alimentados continuamente por uma cadeia de ação-informação. Apesar desse número não ser desprezível. mas o tempo gasto nesse treinamento é maior do que no caso dos movimentos compatíveis. executados simultaneamente. uma característica inata. os movimentos incompatíveis devem ser evitados. Os movimentos de controle que seguem o estereótipo popular são chamados de compatíveis. Esses princípios foram posteriormente aperfeiçoados por Barnes (1977). Por exemplo. seguindo trajetórias curvas e contínuas. com aparelhos que elas nunca tinham visto antes. Em outros casos. 20 princípios de economia dos movimentos. Adequação dos controles aos movimentos corporais Na medida do possível. que tendem a causar confusão . Verifica-se que em alguns casos. ou seja. Também se verifica que a experiência anterior e o treinamento podem influir nos resultados. No caso em que isso for impossível. sempre que possível. Se os controles envolverem movimentos com os dois braços. o estereótipo para “ligar” ou “aumentar” está associado a um movimento para a direita. é preferível que todos os movimentos sejam incompatíveis pois isso ainda é menos danoso que uma mistura de alguns movimentos incompatíveis com outros compatíveis. o que se verifica na prática é que todos os produtos são projetados supondo as pessoas . Isso levou muitos pesquisadores a investigar os estereótipos em diversas situações. que decorre do próprio organismo. as mãos devem realizar movimentos rítmicos. como nos movimentos de torneira de pia ou no arranjo do teclado de calculadora. Isso demonstra que há uma forte tendência natural para os movimentos compatíveis. Segundo esses princípios. no sentido horário. fechadura de caixa e movimento de uma alavanca. Portanto. evitando-se paradas bruscas ou mudanças repentinas de direção. Além disso. empiricamente. mostraram que 70% delas seguem o padrão “esperado”. estes devem ser feitos em direções opostas e simétricas. isso não aparece claramente.58 pés e podem ser desde um simples aperto de botão até movimentos mais complexos de perseguição (como de vídeo games). Os movimentos corporais no trabalho foram estudados exaustivamente pelo casal Frank e Lilian Gilbreth.

Mas as experiências realizadas com canhotos não comprovaram esta hipótese. Já para as pegas . o movimento esperado para “ligar” e “aumentar” seria no sentido anti-horário. Também se denomina “controle” o elemento ou objeto pelo qual se materializa esta ação.Os dois tipos básicos de manejo Força dos movimentos  os movimentos de pega com a ponta dos dedos. enfiar a linha na agulha.7). Para um uso forçado da mão não-preferida. martelar. 6. Controle é a ação transmitida pelo homem à máquina pelos movimentos musculares. ligar o rádio (ver figura 6. No manejo fino os movimentos são transmitidos com a ponta dos dedos. manivelas. como: . eles apresentaram os mesmos estereótipos dos destros. Designa-se esta ação por manejo fino. ou seja. Isso é explicado porque as pessoas canhotas são obrigadas a conviver no mundo dos destros e. Neste caso os dedos têm a função de prender o objeto. deve ser acionado com a ponta dos dedos. enquanto a palma da mão e o punho permanecem relativamente estáticos. botões.7). alavancas. A ação de pega ou engate efetuada pelo homem sobre a máquina costuma-se designar por manejo. ou seja. os estereótipos para os canhotos deveriam ser opostos em relação aos destros. 6. volantes. Como exemplos destes manejos tem-se: escrever com lápis ou caneta. por meio de controles. ou seja. ficando relativamente estáticos enquanto os movimentos estão sendo realizados pelo punho e braço. são forçadas a desenvolver habilidades para usar a mão direita. entre outros.teclados. Figura 6.3 .59 destras. Dada a hipótese de que os estereótipos teriam causas naturais. que não é o caso dos destros. As pesquisas sobre os movimentos dos controles quase sempre são realizadas supondo também que as pessoas são destras. capinar. Um controle que exige maior força deve ser acionado com a musculatura da perna ou dos braços. anatômicas.Controles As pessoas podem transmitir suas idéias ou decisões à máquina. de certa forma. Já um controle que exige maior precisão. Exemplos: serrar. a mão direita para os canhotos e mão esquerda para os destros. tendo o dedo polegar em oposição aos demais.2. precisão e força. Ao projetar controles deve-se considerar que os movimentos musculares têm características diferentes de velocidade. Os controles podem ser de diversos tipos. Esta situação caracteriza um manejo grosseiro (ver fig. permite transmitir uma força máxima de 10 Kg. verificou-se que os canhotos apresentam melhor desempenho.

Portanto.3.1 .Classificação dos controles Os controles são classificados de acordo com: . a força máxima é de 27 Kg e para movimentos de empurrar e puxar (para frente e para trás) é de 55 Kg. paralelepípedos e outras.60 grosseiras do tipo empunhadura. Por esta razão. e os movimentos são pouco precisos. devido à sua maior flexibilidade de uso. Essas figuras.os controles de forma geométrica. respectivamente. pode ser mais fatigante em um trabalho prolongado. Portanto. os valores recomendados são de 14 Kg x cm e de 13 Kg x cm. sendo um tanto quanto diferentes da anatomia humana. tem a grande vantagem de liberar as mãos para outras tarefas que exijam mais precisão. Quanto à forma tem-se: .a função. é menos prejudicado pelas variações individuais das medidas antropométricas. tendem a desequilibrar o corpo. Geralmente possuem depressões ou saliências para o encaixe da palma da mão. Embora a força transmitida pelos pés possa alcançar valores elevados. De qualquer forma. . Controle antropomorfo  o desenho antropomorfo geralmente apresenta uma superfície irregular. sem usar o peso do tronco. conformando-se com a anatomia da parte do organismo usada no manejo. a força pode chegar a 40 Kg. dos dedos ou das pontas dos dedos. pois limita a pega a uma ou duas posições.a forma. para fins operacionais. É o caso. as formas antropomorfas são geralmente conhecidas como “anatômicas”. conseguem-se torques máximos de 66 Kg x cm para a direita e de 100 Kg x cm para a esquerda. como cilindros. naturalmente. Permite maiores variações de pega e. Controle geométrico  o controle geométrico é aquele que se assemelha a uma figura geométrica regular. Entretanto. de muletas e espátulas. o desenho antropomorfo pode ser usado vantajosamente quando o trabalho é de curta duração. . o desenho geométrico. Tipicamente. apresentam relativamente pouca superfície de contato com as mãos. Nesse caso. Se o mesmo for realizado com o operador de pé. ela está restrita a poucas combinações de direção e sentido. transmissão de maiores forças. . Para levantar e abaixar peso com um braço. embora seja menos eficiente. Para girar o antebraço. por exemplo. Movimento dos pés  o movimento dos pés só serve para controles grosseiros. quando a pega exige poucos movimentos relativos e quando a população de usuários apresenta poucas variações nas medidas antropométricas. especialmente para o operador sentado. pode resultar em trabalho menos fatigante para o operador. Entretanto. O desenho antropomorfo apresenta maior superfície de contato. com todos os dedos fechando-se em torno do objeto. com concentração menor de tensões em relação ao manejo geométrico. permite maior firmeza de pega.os controles antropomorfos. no começo e fim das operações. cones. mas tem a desvantagem de concentrar as tensões em alguns pontos da mão e transmitir menos força. 6. usando a mão direita. são realizadas com os pés operações do tipo liga-desliga ou operações de fixação e liberação de peças. pode ser mais adequado quando não se exigem grandes forças. esferas.

deve-se considerar as características. Um exemplo clássico é a padronização dos controles adotada pela força aérea dos EUA. textura outras características podem influir no seu desempenho. reduzindo-se o índice de acidentes. como um teclado. mas procurando-se aumentar a área de contato da pega geométrica. não podendo assumir valores intermediários entre as mesmas. enquanto o controle dos “flapes” (flap . embora ele não apresente muita precisão. os controles do trem de pouso têm a forma de pneu e são feitos de borracha.3. podemos dizer que a precisão vai diminuindo quando se passa do movimento do dedo para as mãos. durante a II Guerra Mundial. ou o modo de operar uma máquina.Discriminação dos controles Muitos artifícios podem ser utilizados para se diferenciar os controles e facilitar a sua correta identificação e operação. Os controles foram redesenhados para que pudessem ser identificados pelo tato. daí para os braços. procurando combinar as vantagens de cada uma delas. Controle discreto  o controle discreto é o que admite apenas algumas posições bem definidas. c) entrada de dados: conjunto de botões. como no caso do dial de um rádio. Para o controle de ativação. Controle contínuo  o controle contínuo é o que permite realizar uma infinidade de diferentes ajustes. ombros e o corpo. depois que se observaram 400 acidentes em apenas 22 meses. Assim. b) posicionamento: admite um número limitado de posições. Quanto à função os controles podem ser classificados em : discretos e contínuos.2 .dispositivo localizado na parte posterior e inferior da asa do avião destinado a diminuir a velocidade do aparelho na aterragem) tem a forma de asa e é feito de alumínio. resistência. devido à confusão entre os controles do trem de pouso e dos “flapes”. Para cada situação. acompanhando a sua trajetória. Exemplo: teclados de máquina de escrever e calculadoras. Para proceder uma correta seleção dos controles. principalmente em situações de emergência. entre os controles do mesmo tipo. precisão e força dos movimentos a serem transmitidos pelo operador. há um controle mais adequado. O controle discreto abrange as seguintes categorias: a) ativação: admite somente dois estados possíveis: sim/ não ou liga/desliga. variações de tamanho. mas a força desses movimentos aumenta na mesma seqüência.61 Existe ainda um grande número de formas intermediárias entre o geométrico e o antropomorfo. Pode ser subdividido nas seguintes categorias: a) posicionamento quantitativo: quando se deseja fixar um determinado valor dentro de um conjunto contínuo. por exemplo. E. pois envolve mais o movimento balístico dos braços do que o movimento dos dedos. ou seja. em termos de velocidade. como no caso do botão rotativo para sintonizar a TV. que permite compor séries de letras e/ou números. 6. se considerarmos a velocidade. mesmo sem o acompanhamento visual. b) movimento contínuo: quando serve para alterar continuamente o estado da máquina. . como o volante de uma automóvel. De maneira geral. o mais eficiente é o botão liga-desliga. suavizando-se a rigidez da pega antropomorfa.

para que possam ser discriminados. deve-se verificar a compatibilidade de seus movimentos com os estereótipos. Nesses casos consegue-se chegar a 15 “botões”. A discriminação das mesmas. textura. Ela só funciona bem se os controles estiverem próximos entre si. Cores: o uso de cores pode ser um elemento importante para a discriminação de controles. Exemplo: diâmetros seguindo uma seqüência tal como 20 . perante a sujeira e ao desgaste. Localização: a localização dos controles supõe a sua identificação pelo senso cinestésico. para aquelas horizontais. naturalmente.2 cm. para que não sejam confundidas entre si. tamanho. Por exemplo. amarelo e laranja. em elementos ou locais sujeitos a corrosão. que não são confundidos. Testes realizados demonstraram que essa distância deve ser pelo menos 6. Tamanho: a discriminação pelo tamanho (com a mesma forma) já é mais difícil do que pela forma. por exemplo.24 . que devem dizer se os mesmos são iguais ou diferentes. com incrementos mínimos de 20% em relação à anterior.6 .28.62 As principais variáveis utilizadas para facilitar as discriminações de controles são: forma. sem acompanhamento visual. no mínimo.41. modo operacional. Também não teria efeito se fosse operado por pessoa daltônica. a superfície rugosa (recartilhada ou com pequenas estrias) e aquelas com pequenos sulcos no sentido axial. para distâncias verticais e de 10. as diferenças entre eles devem seguir uma progressão geométrica. As cores ainda podem ser associadas a determinados significados. com a sua visão fixada no trânsito. alguns podem ser do tipo alavanca. é prejudicada quando o operador usa luvas. Textura: a textura refere-se ao tipo de acabamento visual do controle. Experiências realizadas com controles cilíndricos construídos de mesmo material demonstraram que é possível discriminar três tipos de texturas: a superfície lisa. Forma: a discriminação pela forma é aquela que ocorre apenas pelo tato. como a verde para ligar a máquina e a vermelha para desligar. A seleção é feita apresentando-se os controles aos pares a sujeitos com os olhos vendados.8 . localização e letreiros. Cada um só pode operar com determinados tipos de movimentos.34. com o motorista manejando o câmbio. Embora o olho humano seja capaz de discriminar um grande número de cores.3 cm. do tipo rotacional. É o que ocorre. Modo operacional: cada tipo de controle pode ter um modo operacional diferente. apenas pelo uso do tato.4. Nesse caso. outros do tipo puxar/empurrar e outros. A desvantagem é que exige acompanhamento visual e não funciona bem em locais mal iluminados ou quando sujam facilmente. recomenda-se usar apenas cinco cores para aplicação em controles: verde. para que possam ser comparados visualmente. azul. ainda. cores. No uso desse tipo de controle. vermelho. . uns com os outros. Essa identificação exige um certo distanciamento entre os controles.

para melhorar essa discriminação. Para que o letreiro tenha legibilidade suficiente devem ser satisfeitas as seguintes condições: . por exemplo. pois isso provoca confusão. Naturalmente. Contudo. por exemplo. essas diferentes maneiras de codificar os mostradores podem ser combinadas entre si. têm paredes inteiras com centenas de controles iguais. Em função disso apresentam as seguintes desvantagens: . com a diferenciação simultânea de formas e cores. consegue-se discriminar uma grande quantidade de controles. .63 Além disso os controles não devem ser localizados fora da área de alcance normal dos trabalhadores. . Letreiros: Os letreiros referem-se a colocação de palavras ou códigos numéricos nos controles. podem ser usados códigos redundantes. Combinação de códigos: naturalmente. . . . identificados apenas pelos letreiros. para que não sejam cobertas pelas mãos do operador. Esses letreiros devem ser colocados acima do próprio controle. Quando um controle danificado não tiver um similar no estoque.informação restrita ao significado do controle. . .uso de símbolos facilmente compreensíveis. facilitando-se a discriminação dos mesmos. sem exigir treinamento especial.exigir operadores alfabetizados.uso de palavras com significados conhecidos. . Em casos críticos. .luz suficiente para a leitura.a importância do controle. . a diferenciação entre os controles não deve ser exagerada. As salas de controle em centrais nucleares. além de dificultar a manutenção.a freqüência de uso. .exigir certo tempo para leitura.não funcionar no escuro. dessa forma.espaço suficiente para colocação do letreiro. Também não devem obstruir outros controles.exigir espaço adicional no painel para a colocação dos letreiros. Convém lembrar que na localização de controles devem ser considerados aspectos tais como: .tamanho adequado das letras.a seqüência da operação. o que aumenta o risco de erro na operação. há risco de ser substituído por um outro tipo.

como a remoção da tampa.Prevenção de acidentes com controles Os controles cujos acionamentos acidentais ou inadvertidos podem produzir conseqüências indesejáveis.4 . devem ser cercados de certos cuidados especiais no projeto. • Resistências: dotar o controle de atrito ou inércia para anular a ação de pequenas forças acidentais. para que este possa tomar decisões. • Luzes: associar o controle a uma pequena lâmpada que se acende.64 6. • Batente: usar bordas para ajudar o operador a manter uma determinada posição. Além desses tipos dinâmicos existem também mostradores quantitativos estáticos como a indicação da altitude de uma localidade e a quilometragem de uma estrada. • Guias: usar guias feitas na superfície do painel para fixar o controle numa determinada posição  o deslocamento é precedido de um movimento perpendicular ao mesmo. Exemplo: botão que precisa ser puxado para ligar (não liga acidentalmente com esbarrões).1 . comprimento. como o velocímetro de um carro. temperatura. de modo que os controles só possam ser acionados quando forem precedidos de uma operação de desbloqueio. ligada a alguma variável como. de forma que não apresentem saliências. indicando que está ativado. para destravá-lo. • Cobertura: proteger os controles por um anel ou uma caixa protetora ou colocá-los no interior de caixas ou tampas. . • Rebaixos: encaixar os controles no painel. 6. peso. assim como um barômetro (pressão) ou dinamômetro (força).3 . Entre estes. dentro de uma determinada lógica de movimentos.3. Mostradores quantitativos  o mostrador quantitativo é usado quando a informação a ser fornecida é de natureza quantitativa. • Direção de acionamento: movimentar o controle na direção em que não possa ser movido por forças acidentais do operador.Principais tipos de mostradores Os mostradores se classificam basicamente em quantitativos e qualitativos e ambos podem ser estáticos ou dinâmicos. O mostrador digital é o que apresenta o estado da variável em números.4. Exemplo: ligar um conjunto de interruptores da esquerda para a direita. retirada de um cadeado ou a ligação da energia. Existem dois grandes subgrupos: os analógicos e os digitais. pressão. e assim por diante. Os mostradores analógicos apresentam um ponteiro ou uma escala móvel que segue uma evolução análoga ao estado da máquina. • Bloqueio: colocar um obstáculo. destacam-se os seguintes: • Localização obedecendo a seqüência de uso: colocar os controles para serem acionados seqüencialmente.Mostradores Mostradores são dispositivos de máquinas que fornecem informações ao operador humano. conforme forneçam leituras fixas ou variáveis. 6.

em condições controladas demonstraram que os controladores digitais são superiores aos analógicos para leituras quantitativas.Quantidade de erros de leitura cometidos em cinco tipos de mostradores Aumentando-se o tempo de exposição para 0.escala fixa com ponteiro móvel. vertical e circular). Os quatro primeiros são do tipo escala fixa e ponteiro móvel e o último. a tarefa de leitura do contador digital é mais simples. .65 a) Legibilidade em escalas quantitativas  as escalas quantitativas são basicamente de três tipos: . semicirculares e de janela. . de escala móvel e ponteiro fixo. permanecendo para os demais a mesma ordem anterior.12 segundos. semicircular (16%).contadores digitais com algarismos móveis. depois fazer as leituras das graduações mais próximas do ponteiro e depois interpolar o valor para a posição indicada pelo ponteiro. que os digitais não fornecem. Em resumo. o horizontal continua sendo o melhor seguido pelo circular. os melhores resultados são obtidos com o mostrador horizontal. Comparando somente as três formas básicas (horizontal. Figura 6.5%) seguido na ordem pelo circular (11%). o contador digital não poderá ser utilizado na situação em que os números ficam expostos em tempos inferiores a 1 segundo. verticais. para um tempo de exposição de 0. Contudo. Isso pode ser explicado porque para a leitura no contador.5 s (segundos). primeiro localizar o ponteiro. tanto no tempo de leitura como na precisão das leituras. horizontal (28%) e vertical (35%). pois dessa forma não será legível. b) Leituras analógicas e digitais  experiências realizadas em laboratórios. circulares. . Em um experimento realizado com 60 sujeitos que faziam leitura de 17 valores em cada um dos cinco mostradores .3 .escala móvel com ponteiro fixo. chegou-se aos seguintes resultados: o de janela apresentou o menor índice de erros (0. As pesquisas sobre legibilidade geralmente foram feitas com cinco tipos de mostradores quantitativos: horizontais. ficando em último o vertical. Há de se considerar também que os mostradores analógicos apresentam ainda uma função qualitativa. basta uma fixação visual. enquanto no dial (analógico) é necessário.

a) Legibilidade em escalas qualitativas  as escalas qualitativas são usadas principalmente em leituras de verificação. que pode provocar distorções.Para escalas muito extensas pode-se optar pela utilização de mostradores tipo janela. . onde as variáveis como pressão. .Em mostradores associados a controles. temperatura e fluxo devem ser mantidos dentro de uma determinada faixa de operação. . sobre sua tendência. Quando essa ocorrência for previsível. variação de direção ou desvio em relação a um determinado valor.Uso de código de cores em mostradores qualitativos Para uso de cores em mostradores qualitativos deve-se tomar cuidado com a iluminação local do ambiente.4. com isso evita-se confusões na leitura. com ponteiro fixo e escala móvel. onde não é necessário conhecer o valor exato de uma variável. É usado em controle de processos.2 . como é o caso do indicador de temperatura do motor do carro.Se houver necessidade de uma leitura de um valor numérico exato.Desenho de mostradores a) Recomendações gerais: . . quando não se necessita o valor exato da variável. Sempre que possível deve ser usado código de cores nesses mostradores. b) Associação com controles  em situações onde ocorre a associação de mostradores com controles deve-se seguir os princípios de compatibilidade dos movimentos e a sensibilidade dos deslocamentos.66 Mostradores qualitativos  os mostradores qualitativos apresentam indicações sobre valores aproximados de uma variável. não se deve colocar mais de um ponteiro na mesma escala.4 . mas apenas checar se ela permanece dentro de uma faixa de operação ou de segurança. Figura 6. .Utilizar preferencialmente os mostradores de ponteiro móvel e escala fixa.Para indicar grandezas semelhantes. . 6. o controle deve estar relacionado com o movimento do ponteiro e nunca com o da escala. o código de cores pode ser substituído por figuras geométricas. são preferíveis os contadores digitais. de preferência na horizontal.Se a progressão numérica estiver relacionada com o aumento ou diminuição de uma variável física usar uma escala reta.

recomenda-se usar 3 tamanhos de marcações diferentes: maior. Nesse caso.67 . para melhorar a legibilidade. • Dimensões  o tamanho de letras e números depende da distância de leitura. intermediária e menor. para que não haja confusão entre eles. proporções e cores usados em letras. É recomendável que só as marcações maiores sejam graduadas com números.5 mm e o traço deve ter espessura de 0. Existem dois erros bastante comuns no desenho de escalas.5 . c) Desenho de ponteiros O desenho mais adequado para o ponteiro é o reto. O outro erro é o de paralaxe.Ponteiros associados com o sentido de aumento de alguma variável devem deslocar-se para a direita. Deve haver um pequeno vão entre o ponteiro e a marcação.Recomendações para o desenho de ponteiros de mostradores d) Desenho de letras e números Os tamanhos. números e símbolos influem na sua legibilidade. b) Marcação de escalas Marcações são os traços que indicam as unidades das escalas. Em geral recomenda-se que a altura de letras e números seja 1/200 da distância.Os mostradores circulares são mais compactos e são recomendados principalmente para leituras qualitativas. De preferência. que aparece quando o ponteiro e a escala se situam em planos diferentes. a graduação deve ficar do lado oposto ao do ponteiro. dificultando a sua leitura. que dentro do possível devem ser evitados. As diversas pesquisas feitas sobre o assunto permitem fazer as seguintes recomendações. O menor intervalo entre duas marcações sucessivas não deve ser inferior a 0. Figura 6. . Por . Para se evitar esse problema a melhor solução é fazer um rebaixo na área de varredura do ponteiro ou um ressalto na escala. de modo que o ponteiro e a escala fiquem no mesmo plano. O primeiro é a marcação que fica dentro da área de varredura do ponteiro. a leitura deve ser feita na vertical. e este pode esconder a graduação. mas desde que não prejudiquem a leitura. Para que não seja necessário graduar todas as marcações.1 mm. as marcações intermediárias também podem ser numeradas. no mínimo. Em alguns casos. de modo que a largura da ponta seja semelhante à largura da marcação da escala. em milímetros. para cima ou no sentido horário. com um pequeno chanfro de 30o nas pontas.

1800 1800 . se a distância de leitura for de 1 metro. de traços simples e uniformes.intervalo entre linhas 1/5 da altura .5 9 18 30 Figura 6.6000 • Proporções  as proporções recomendadas são as seguintes: .1 . para facilitar a legibilidade • Tipos  devem ser usados. as letras maiúsculas. e algarismos de formas semelhantes Figura 6.distância entre palavras 2/3 da altura . a altura da letra deveria ser de 5 mm.6 . são recomendadas as seguintes dimensões para diferentes distâncias de leitura: Tabela 6.900 900 .Proporções recomendadas em letras.espessura do traço 1/6 da altura . de preferência.altura da minúscula 2/3 da altura da maiúscula Altura da letra (mm) 2.3600 3600 .Tipos de letras e algarismos recomendados para facilitar a legibilidade . Mais especificamente.Alturas de letras de acordo com a distância de leitura Distância de leitura até 500 mm 500 .68 exemplo.5 mm 4.distância entre letras 1/5 da altura .largura da letra 2/3 da altura .12 .

estes devem ser agrupados de modo que facilite a percepção do operador. sempre que possível: a) contornos fortes . d) estabilidade de forma .7 . na medida do possível Figura 6. no campo de mais fácil visualização. como acontece quando há confusão entre figura e o fundo.a figura não deve permitir interpretações dúbias. são mais facilmente percebidas. são mais facilmente percebidas. completas. despojadas de detalhes.a figura deve ter contornos bem definidos.3 .Recomendações para o desenho de símbolos 6. Quando há diversos mostradores em um painel. e que devem ser continuamente observados.Localização de mostradores A localização dos mostradores tem uma grande importância para facilitar a sua visualização.as figuras “inteiras”.69 • Cores  Estudos sobre combinação de cores em mostradores revelaram que a melhor legibilidade é a conseguida com o preto sobre o fundo branco. Na medida do possível.4. e) simetria .os mostradores mais importantes. o próprio arranjo espacial dos mesmos deve sugerir uma associação com as variáveis que estão sendo controladas.a leitura será facilitada se a figura tiver simetria. • Símbolos  o desenho de símbolos deve atender aos seguintes requisitos. c) figura fechada . devem ficar à frente do operador. para atrair a atenção. .formas mais simples. b) simplicidade . de acordo com os seguintes critérios gerais: • importância .

Área 2: Movimento dos olhos.70 • associação . apenas com uma olhada. ambos devem ser colocados na mesma ordem ou mesmo tipo de arranjo espacial. lateralmente. Área 3: Movimento da cabeça. Os objetos situados dentro dessa área podem ser vistos continuamente. eles podem ser agrupados por tipos ou funções que exercem. Na área 1 podem ser feitas 2 inspeções simultaneamente.8. devem ser colocados na mesma seqüência dessas operações. A cabeça consegue girar até 55o para a esquerda ou para a direita. até um ângulo de 30o e para os lados. Isso significa que aí podem ser colocados dois dispositivos visuais que requerem um acompanhamento contínuo. com diversos tipos de mostradores. Figura 6. praticamente sem nenhum movimento dos olhos. inclinar-se até 40o para frente e 50o para trás e inclinar-se 40o para a esquerda ou a direita. No nível 3 situa-se o campo visual que se consegue atingir com o movimento da cabeça. faz uma abertura de 80o portanto. pendendo para um dos ombros.quando mostradores estiverem associados a operações seqüenciais. O tempo necessário e o esforço crescem quando se passa da área 1 para a 2 e desta para a 3.em painéis mais complexos. Esse cone com 30o de abertura é conhecido como área ótima de visão.Área de visão ótima e máxima Na área 1 as inspeções visuais pedem ser feitas mais rapidamente e com pouco esforço. • tipos e funções . Áreas de visão Para a localização dos mostradores podem ser definidas três áreas preferenciais de acordo com o campo de visão do ser humano: Área 1: Visão estática. Situa-se na faixa abaixo da linha horizontal de visão. É a visão que se consegue. sem movimentar a cabeça. conforme pode ser visto na figura 6.no caso de mostradores associados a controles. além da área de visão ótima. 25o de cada lado. com abertura lateral de 30o. movimentando-se somente os olhos. Situa-se até 25o acima da linha horizontal da visão e 35o abaixo da mesma e. • seqüência . Na .8 .

obteve-se como resultado que todos os arranjos foram mencionados com freqüências semelhantes. Nessa área. Quando essa correspondência deixa de existir os erros aparecem a taxas de 6 a 11%. 6. Essa classificação em três áreas leva a recomendar que os dispositivos visuais também sejam classificados em três categorias. sendo que os da área 1 serão os últimos a serem afetados.Compatibilidade espacial Entende-se por compatibilidade espacial a correspondência existente entre as posições relativas dos controles e mostradores no espaço. os dispositivos ficam num campo de visão periférica. na área 3. Experimentos realizados com fogões de 4 bocas (fig. de modo que aqueles de maior importância se situem na área 1. como os de emergência.1 .5 – Associação de controles e mostradores 6. os olhos detectam os movimentos grosseiros ou qualquer tipo de anormalidade. os objetos só podem ser percebidos quando houver um movimento consciente da cabeça. perguntando-se a 200 sujeitos sobre as suas preferências entre os arranjos que não apresentavam compatibilidade espacial. .9). quando aparece a fadiga. Em tarefas que exigem atenção contínua por um tempo prolongado. mostraram que os sujeitos não cometem erros quando há algum tipo de correspondência espacial entre a posição dos botões e dos queimadores.71 área 2. o operador tende a simplificar o seu trabalho. Ou seja. pelo menos nesse caso. demonstrando.5. onde os mostradores eram representados pelos queimadores. mas exige fixação visual posterior para a percepção dos detalhes. os de média importância na área 2 e aqueles de uso eventual. 6. Finalmente. aqueles situados na área 3 passam a ser menos observados e depois os da área 2. na área 3. que não existe um estereótipo para a compatibilidade espacial. Em outro teste.

de . O movimento do mostrador é representado pelo movimento da “ponta do parafuso”. girando-se o controle (cabeça) para a direita.10 . girando-se o controle (cabeça) para a esquerda. 6. o mostrador (ponta) tende a afastar-se.Resultados dos testes de compatibilidade. Em outras palavras. em 40 %. no ponto mais próximo entre ambos.os movimentos rotacionais de controle no sentido horário estão associados a movimentos de mostradores “para cima” e “para a direita” (fig. displays ou luzes de um painel.72 Figura 6. em percentagens de erros no acionamento. nem na redução de erros e nem na redução dos tempos de reação.os controles e mostradores executam movimentos no mesmo sentido. Sendo assim. adota-se uma analogia com o movimento de um “parafuso de rosca direita”. há dois artifícios que podem ser usados para se reduzir os erros. com o uso de cores. Entretanto.2o princípio de relacionamento entre controles e mostradores 3o Princípio . é como se existisse uma engrenagem imaginária. 6. Esses dois artifícios para o caso onde há compatibilidade espacial não demonstraram eficiência. em arranjos incompatíveis verificou-se que o uso de linhas reduziu os erros em até 95% e.1o princípio de relacionamento entre controles e mostradores 2o Princípio .11 . os tempos de reação.11). 1959) Quando a correspondência espacial entre mostradores e controles não fica evidente. Figura 6. O primeiro é desenhar linhas no painel ligando os controles aos respectivos mostradores e o segundo é o uso de um código de cores. e o movimento do controle pelo da “cabeça do parafuso”.2 .9 . 6. o relacionamento entre eles é regido pelos seguintes princípios: 1o Princípio . Figura 6.Princípios a serem seguidos na associação de controles e mostradores No caso de controles associados a movimentos de mostradores. na associação entre botões e queimadores do fogão (Chapanis e Lindenbaum.para movimentos de controles e mostradores situados em planos perpendiculares entre si. o mostrador (ponta) tende a aproximar-se (ver fig.5.10).

a sensibilidade é alta. Assim. Figura 6.Sensibilidade dos movimentos controles de mostradores associados a movimentos de controles .13). 6.Sensibilidade do deslocamento A sensibilidade do deslocamento é um outro aspecto que deve ser considerado no relacionamento entre mostradores e controles.Sensibilidade dos movimentos de mostradores associados a movimentos de Figura 6. se o deslocamento do mostrador é pequeno em relação ao movimento do controle a sensibilidade é baixa e. controles de alta sensibilidade se deslocam rapidamente mas são mais difíceis de atingir com precisão o objetivo (fig. Figura 6.73 modo que o movimento de um deles “arrastasse” o outro. Em um movimento contínuo de controle.12 .3 . finalmente o ponteiro é colocado na posição exata. Esse princípio se aplica também a controles e mostradores situados em planos diferentes (fig. Um é o ajuste “grosso”. há dois tipos de ajustes. mas são mais facilmente ajustados e. Os controles de baixa sensibilidade exigem maior tempo de deslocamento. A sensibilidade é medida pela razão entre o deslocamento do mostrador e do controle.3o princípio de relacionamento entre controles e mostradores Em mostradores controlados por alavancas situados em planos diferentes. ao contrário.5. 6.13 . inversamente.6 . o relacionamento entre ambos nem sempre segue padrões definidos.12). quando o operador desloca o ponteiro até a vizinhança do seu objetivo e depois um outro tipo de ajuste “fino” em que. se o movimento do mostrador for grande em relação ao movimento de controle. 6.

A facilidade ou dificuldade desses ajustes está relacionada também com a resistência e a inércia dos movimentos envolvidos. Há casos em que se usam deliberadamente baixas ou altas sensibilidades.74 A escolha do tipo de sensibilidade a ser utilizada vai depender naturalmente do tipo de medida a ser controlada. principalmente nos casos em que os mesmos estejam sujeitos a vibrações. conforme a necessidade. pois evitam os acionamentos acidentais e conservam os controles na posição desejada. onde tanto o tempo de ajuste grosso como o de ajuste fino sejam mínimos. Em outros casos pode-se buscar uma sensibilidade ótima. mas têm uma vantagem importante. Tanto a resistência como a inércia podem dificultar a realização de movimentos. . como em rádios instalados em carros.

Introdução Uma grande fonte de tensão no trabalho são as condições ambientais desfavoráveis. da ordem de 0. Assim diferentes combinações dessas variáveis (temperatura. Embora não cheguem a esses . iluminação e cores nos locais de trabalho.1 . As temperaturas no globo terrestre podem variar em até 100 o C (de 50 graus negativos até 50 graus positivos) e a umidade relativa chega a 100% em dias chuvosos ou nas proximidades do mar. 7. com o organismo adaptado ao frio. As diferenças de temperatura presentes no mesmo ambiente não devem ser superiores a 4 oC. com umidade relativa de 40 a 60%. umidade.FATORES AMBIENTAIS 7. ruídos e vibrações. com uma velocidade do ar moderada. Neste capítulo pretende-se discutir os aspectos de temperatura. Esses fatores causam desconforto. tanto sobre a produtividade como sobre os riscos de acidentes. A zona de conforto térmico é estabelecida tomando-se como referência a temperatura efetiva.1 . umidade relativa e movimento do ar.2 m/s. na medida do possível. umidade e velocidade do vento A temperatura e a umidade ambiental influem diretamente no desempenho do trabalho humano. aumentam o risco de acidentes e podem provocar danos consideráveis a saúde. considerando-se os valores dessas variáveis normalmente existentes na natureza. Temperatura efetiva é aquela que produz sensação equivalente de calor a uma temperatura medida com o ar saturado (100% de umidade relativa) e praticamente parado (sem ventos). tomando-se todas as medidas preventivas cabíveis em cada caso. Estudos realizados em laboratórios e na indústria comprovam essas influências.75 ERGONOMIA Capítulo 7 . Sendo assim a zona de conforto térmico é delimitada entre as temperaturas efetivas de 20 a 24 oC. uma temperatura efetiva de 25o C é aquela que mede 25o C com umidade de 100% e o ar parado. mas também do grau de umidade do ar e da velocidade do vento. Cabe ao projetista conhecer essas limitações e. como o excesso de calor. Esses mecanismos influem na evaporação que retira calor do corpo. 7.Temperatura. Para cada uma das variáveis ambientais há certas características que são mais prejudicais ao trabalho. vibrações. Ou seja. para que seja adotada aquela alternativa menos prejudicial. durante o inverno. devem ser avaliados os possíveis danos ao desempenho e à saúde dos trabalhadores. A sensação térmica que sentimos depende não só da temperatura externa. Nos países temperados. Essa zona se refere ao organismo adaptado ao calor. e velocidade do vento) podem produzir a mesma sensação térmica.2.2 . ruídos. essa zona de conforto situa-se entre 18 e 22 o C para a mesma taxa de umidade e velocidade do vento.Trabalho a altas e baixas temperaturas As zonas de conforto térmico correspondem a faixas relativamente estreitas de variações da temperatura. baixando a 15% nos desertos.

porque a camada de gordura que possuem sob a pele funciona como isolante. elevação do ritmo cardíaco e aumento da capacidade de transpiração. o desempenho geral pode ser prejudicado. Nesse caso. produzindo mais calor pelo metabolismo. Essa variação do teor salino nos tecidos tem pouca influência sobre o desempenho muscular. Essa pessoa ficará bastante incomodada e se sentirá exausta. dificultando essa adaptação. Essa adaptação deverá ser feita gradualmente em período de até 6 meses. independentemente de sua origem étnica. Um problema adicional ocorre quando a baixa temperatura é acompanhada de chuva. enquanto a quantidade de sal no sangue permanece quase constante. não causam nenhum inconveniente ao trabalho pesado. que podem ser combatidas pela ingestão de uma pequena quantidade de cloreto de sódio. reduzindo algumas habilidades motoras como a destreza e a força. pois nesse caso. Uma pessoa não adaptada ao clima quente (acima de 4O oC) e úmido (acima de 80%). não resta outra alternativa se não a de diminuir o ritmo de trabalho para controlar a produção de calor e. Junto com o suor. que já se processa lentamente devido ao ar saturado. O frio abaixo de 15 oC diminui a concentração e reduz as capacidades para pensar e julgar.76 extremos. muitos trabalhadores. Afeta também o controle muscular. pelo menos nos níveis que ocorrem no país. o grau de concentração diminui. As mulheres e os homens obesos têm mais dificuldade nessa adaptação. mas esta. também impede a evaporação do suor. podem surgir sintomas de cãibras musculares. em maior ou menor grau. Entretanto se a temperatura for muito baixa (abaixo de 15 oC) ou na presença de ventos fortes. e o ritmo cardíaco subirá para 180 pulsações por minuto (no repouso a pulsação é 70/min). devido aos tremores. mas o sal atua sobre o sistema nervoso como um calmante. Se o frio afetar todo o corpo. e isso altera a composição salina dos tecidos. as pausas se tornam maiores e mais freqüentes. por ser impermeável. A sua falta provoca estados de excitação. assim. o trabalhador deverá usar uma vestimenta para proteger-se. podem desenvolver essa capacidade. A velocidade do trabalho diminui. b) Trabalho a baixas temperaturas  as baixas temperaturas. trabalhando durante 4 horas. o seu rendimento cai. eliminando 2 litros de suor. terá a sua temperatura aumentada par 39 oC (o normal é 37 oC). A capacidade de adaptação ao calor está diretamente relacionada com a capacidade de produção de suor e todos os indivíduos. principalmente a partir de 30 oC. o organismo estará atuando a favor do balanço térmico. são obrigados a conviver como ambientes térmicos desfavoráveis. manter o equilíbrio térmico do organismo. Nestas condições. o organismo também perde sal. pode-se usar uma capa protetora. . com diversas transformações fisiológicas que ocorrem durante duas semanas: há uma elevação da temperatura média do corpo. O organismo adapta-se ao trabalho no calor. Os magros e musculosos são os que melhor se adaptam ao trabalho sob calor intenso. principalmente aqueles ao ar livre. e a freqüência de erros e acidentes tende a aumentar significativamente. a) trabalho a altas temperaturas  quando o homem é obrigado a suportar altas temperaturas. Se essa falta for prolongada.

ou pode ser permanente. pode ser devida à idade. os homens apresentam uma perda auditiva mais rápida que as mulheres. pode ser que o descanso diário não seja suficiente para a recuperação e. sobretudo após os 40 anos. o “bip” intencional de uma máquina. Uma exposição diária. a partir do ouvido externo para o interno. a um nível elevado de ruído. o corpo também se adapta ao frio intenso e.000. acima de 1000 hertz. Nesse particular. O ouvido humano é capaz de perceber uma grande faixa de intensidades sonoras. de natureza mais operacional. infecção ou perfuração. mas o mesmo pode ser considerado um ruído pelo seu vizinho. sempre provoca algum tipo de surdez temporária. situa-se o limiar da percepção dolorosa. pois um som pode ser indesejável para uns mas pode não sê-lo para outros. porque é um aviso para ele iniciar um novo ciclo. A surdez de condução resulta de uma redução da capacidade de transmitir as vibrações.000. como acúmulo de cera. reversível. ao final de um ciclo de operação. A surdez nervosa ocorre no ouvido interno e é devida á redução da sensibilidade das células nervosas. que pode desaparecer com o descanso diário. que podem ocorrer com ruídos relativamente baixos. . Ela pode ser de duas naturezas: a surdez de condução e a surdez nervosa.Ruído Existem diversas conceituações de ruído. Assim. em uma unidade chamada decibel (dB). 7. acaba atrapalhando a audição.3 . Pode ser causada por diversos fatores. que pode produzir danos ao aparelho auditivo. o ruído é uma mistura complexa de diversas vibrações.3.000 (1013).000. desde aquelas próximas de zero.1 . dependendo de vários fatores como freqüência. e é praticamente o máximo que o ouvido humano pode suportar. Contudo. durante a jornada normal de trabalho (8h diárias). bares). com o tempo. Essa insensibilidade ocorre principalmente nas faixas de maior freqüência. ou mesmo para a mesma pessoa. as mulheres e as pessoas obesas podem levar vantagem por terem camadas isolantes de gordura sob a pele. O primeiro sintoma é a dificuldade cada vez maior para entender a fala em ambientes barulhentos (festas. acima de 1000 hertz. em ocasiões diferentes. Quanto à duração a surdez pode ter um caráter temporário. Esse é o ruído correspondente ao do avião a jato. 7. até potências 10. Isso provoca interferência nas comunicações e redução da concentração. considera o ruído um “estímulo auditivo que não contém informações úteis para a tarefa em execução”. Aquela mais usual é a que considera o ruído como um “som indesejável”. pode ser considerado útil ao operador. Uma outra definição. Fisicamente. principalmente na faixa de 2000 a 4000 Hz.77 Da mesma forma que no caso do trabalho sob calor intenso. A presença de ruídos elevados no ambiente de trabalho pode perturbar e. Acima disso. equivalentes a 130 dB.Surdez provocada pelo ruído A conseqüência mais evidente do ruído é a surdez. Este é um conceito um tanto quanto subjetivo. Essa perda audição para sons agudos. cuja atenção está concentrada em outra tarefa. nesse caso. intensidade e tempo de duração dessa exposição. medido em uma escala logarítmica.

de caráter irreversível. sentiam-se irritados e cansados. A faixa mais prejudicial encontra-se entre 2000 e 4000 hertz. começam a surgir riscos para os trabalhadores expostos a ruídos contínuos. o trabalhador pode se expor durante toda a jornada de trabalho sem nenhuma conseqüência grave. inclusive. Em uma escola situada nos arredores de um aeroporto observou-se uma mudança de comportamento de professores e alunos nos dias de maior movimento dos aviões. tinham dores de cabeça e freqüentemente perdiam o controle sobre a disciplina na sala de aula. As pessoas precisam falar mais alto e prestar mais atenção.Curvas de exposição máximas permitidas (em minutos) a ruídos contínuos. barulhentos e menos inclinados ao trabalho escolar. 7. ao nível de 100 Hz.1 .2 . Assim. intensidade.Influência do ruído no desempenho Os ruídos intensos. Isso tudo faz aumentar a tensão psicológica e o nível de atenção. O tempo de exposição também um fator importante. devido a uma interrupção forçada da tarefa ou aquilo que as pessoas gostariam de estar fazendo. Por exemplo. O ruído também produz aborrecimentos. sem riscos de surdez. Os ruídos intensos tendem a prejudicar tarefas que exigem concentração mental e certas tarefas que exigem atenção velocidade e precisão dos movimentos. ruídos mais agudos são menos tolerados. para serem compreendidas. Em geral. o tempo de exposição contínua sem riscos é de apenas 7 minutos. Para ruídos de até 80 dB. o nível máximo alcançado e. Os professores diminuíam o ritmo. e isso provoca tensões e dores de cabeça. como conversar ou dormir. e a surdez temporária se transforma em permanente.78 então. Contudo. acima de 90 dB. principalmente na faixa de 2000 a 6000 Hz. dificultam a comunicação verbal. timbre. os alunos ficavam mais excitados. Os resultados tendem a piorar após duas horas de exposição. Figura 7. o horário em que ocorre. para ruídos de 4000 Hz com 100 dB. Não é fácil caracterizar aquele ruído que mais perturba as pessoas. . há um efeito cumulativo. Isso depende de uma série de fatores como freqüência. Nesses dias.3. duração. a pessoa pode suportar até 100 dB enquanto a 4000 Hz esse nível cai para 85 dB. acima desse nível.

tanto em tarefas intelectuais como aquelas manuais. como no sacolejar de um carro andando em uma estrada de terra. a ruídos de 70 e 100 dB. tanto no início como no final do período ruidoso. Os defensores da mesma dizem que ela melhora a atenção e a vigilância. não faz diferença. na faixa de 70 a 90 dB. então. do tipo senoidal ou irregular. que influi no desempenho. . parece que não é propriamente o ruído. mas se o ruído for mantido. durante uma parte da jornada de trabalho. essa diferença já não era significativa. Esses estudos indicam que não é a música em si. Quando o ruído cessa. Um experimento feito com dois grupos. o desempenho retorna ao nível que estava antes de começar o ruído. e produzem sensações de bem estar. Esse movimento pode ser regular. no segundo dia. medida em g (1g = 9. definida por três eixos triortogonais (x. dentro de certos limites. Notou-se também que o tipo de música. o organismo tem o poder de se adaptar a ambientes ruidosos. não se observam mudanças significativas em experimentos realizados em laboratório.4 . A vibração é definida por três variáveis: a freqüência. Contudo. popular ou erudita. c) Música ambiental  a música de fundo tem sido recomendada com um meio de quebrar a monotonia e reduzir a fadiga.z). Contudo. principalmente se não houver mascaramento pelo ruído de fundo. medida em ciclos por segundo (Hz). Os trabalhadores em geral apreciam a música e a consideram agradável. Em tarefas que exigem atenção. logo no início do ruído.y. que aumentam o stress e a fadiga. e as pessoas treinadas em uma tarefa sofrem menos influência em relação aquelas sem treinamento. do segundo grupo. o desempenho cai. quando não segue nenhum padrão determinado.Vibrações Vibração é qualquer movimento que o corpo executa em torno de um ponto fixo. preferencialmente nos horários em que a fadiga manifesta-se com maior intensidade. Ela deve ser tocada. mas é a mudança que ela provoca no ambiente. mostrou-se que o segundo grupo apresentava um desempenho significativamente menor no primeiro dia. 7. a intensidade do deslocamento (em cm ou mm) ou aceleração máxima sofrida pelo corpo. A terceira variável é a direção do movimento. comprovando o efeito de adaptação ao ruído. Notam-se diferenças individuais aos efeitos do ruído. o número de erros aumenta significativamente. perdendo efeito estimulador. submetidos. Isso significa que. b) Ruídos de longa duração  para ruídos de longa duração (horas). Portanto. alguns estudos demonstraram que a música tocada continuamente não produz esses efeitos desejados. quebrando a monotonia. respectivamente. Entretanto. A partir de 90 a 100 dB começam a haver reações fisiológicas prejudiciais do organismo. que melhoram o rendimento do trabalho e reduzem os índices de acidentes e de absenteísmo.81 m x s-2). o desempenho começa a cair. Para ruídos acima de 90 dB.79 a) Ruídos de curta duração  em ruídos de curta duração (um ou dois minutos) observa-se uma queda no rendimento. há novamente uma queda no desempenho. que retorna ao nível normal após alguns segundos. mas intermitência do mesmo que provoca alterações do desempenho. principalmente em situações de trabalho altamente repetitivo.

músculos e órgãos. As freqüências intermediárias. correspondendo ao limiar do risco à saúde. Após um longo período de descanso eles podem reduzir-se. como perda de equilíbrio. dificultando o controle motor. A primeira publicação internacional que estabeleceu limites de exposição a vibrações nessa faixa foi a ISO no 2631 de 1978. 2) limite de fadiga. nas freqüências altas. causando perda da capacidade de manipular e do tato nas mãos. No sentido longitudinal (eixo z. Essas amplificações ocorrem quando partes do corpo passam a vibrar na mesma freqüência e então dizemos que entrou em ressonância. como ocorre em veículos de transporte coletivo. fig. há uma degeneração gradativa do tecido vascular e nervoso. Elas provocam lesões nos ossos. como ocorre com os carros. mesmo com baixas amplitudes (1 mm) e. Em trabalhadores florestais que usam moto-serras. Alguns desses sintomas são reversíveis.4.Efeito das vibrações sobre o organismo Os efeitos da vibração direta sobre o corpo humano podem ser extremamente graves. diminuindo a acuidade visual. Nos últimos anos. podendo danificar permanentemente alguns órgãos do corpo humano. As recomendações abrangem três critérios de severidade: 1) limite de conforto. como as mãos e os braços. o sintoma é de dores agudas e distúrbios neurovasculares. A vibração do corpo inteiro ocorre quando há uma vibração dos pés (na posição em pé) ou do assento (na posição sentada). mas retornam rapidamente se o organismo for novamente exposto às vibrações. como em máquinas que vibram. As vibrações são particularmente danosas ao organismo nas freqüências mais baixas. As vibrações das mãos e braços ocorrem quando se usam ferramentas elétricas ou pneumáticas.1 . 7. sendo uma estrutura complexa. juntas e tendões. a) Freqüência de ressonância  o organismo humano. enquanto no sentido transversal (eixos x e y. acima de 300 Hz. Cada parte do organismo pode tanto amortecer como amplificar as vibrações. de 1 a 80 Hz. . dos pés à cabeça. diversos pesquisadores têm coletado dados sobre os efeitos fisiológicos das vibrações sobre o trabalhador. 3) limite de exposição. como as furadeiras. articulações. composta de diversos ossos. de 30 a 200 Hz provocam doenças cardiovasculares. fig. provocando redução na eficiência de trabalhadores. 7.2) o corpo humano é mais sensível na faixa de 4 a 8 Hz. sem maior gravidade. Geralmente essas vibrações têm um sentido vertical.3) o organismo é mais sensível nas faixas de 1 a 2 Hz. falta de concentração e visão turva. não reage uniformemente ao efeito das vibrações. A vibração pode afetar o corpo inteiro ou apenas parte dele. que apresentava valores máximos de vibrações suportáveis para tempos de um minuto a 12 horas de exposição. perpendiculares ao eixo z.80 7.

o organismo humano também consegue criar resistência.81 Parte do Corpo Cabeça Tronco Membros Superiores Coluna Vertebral Coxa Perna Freqüência de Ressonância (Hz) 20 3 5 5 9 5 Tabela 7. os ombros ressoam entre 20 e 30 Hz. Fora das freqüências de ressonância. Pode-se imaginar essas freqüências da seguinte forma: se um homem ficar de pé sobre uma plataforma vibratória. de 1 a 2 Hz. ou pelo menos substituídas por outras freqüências menos prejudiciais. Em geral.06 a 0. Na direção horizontal e lateral. também causam enjôos. causando náuseas e vômitos. observa-se. cada uma tem diferentes freqüências de ressonância. por exemplo. em cada instante. que começa a vibrar lentamente e vai aumentar a sua freqüência. As vibrações de freqüências muito baixas. quando for submetido diversas vezes a esses movimentos. As mulheres são mais sensíveis que os homens. as ressonâncias ocorrem à freqüências mais baixas. Aquelas de baixa freqüência (4 a 20 Hz) e acelerações de 0.1 – Freqüências de ressonância para partes do corpo O corpo inteiro é mais sensível na faixa de 4 a 8 Hz. depois. Entre adultos também há grandes diferenças individuais. Se considerarmos apenas as partes do corpo. e os olhos ressoam entre 60 e 80 Hz. essa parte pára. essa freqüências devem ser evitadas. Assim. mais baixa será a sua freqüência de ressonância. porque o organismo humano é mais sensível às vibrações que tenham essas características. b) Vibrações em meios de transporte  praticamente todos os meios de transporte estão sujeitos a vibrações. particularmente à vibração de 5 Hz. há uma redução dos sintomas. uma determinada parte do corpo vibrando com maior intensidade e. no projeto de máquinas e equipamentos. como aquelas provocadas por ondas do mar. Portanto. sendo uns mais suscetíveis que outros. a resistência do organismo às vibrações tende a aumentar. inferiores a 1 Hz. quando . Entretanto. assim como as crianças entre 1 a 12 anos de idade. com o aumento progressivo da freqüência. na medida do possível. que corresponde à freqüência de ressonância na direção vertical (eixo z). O conceito de freqüência de ressonância é importante. quanto maior for a massa do corpo. ânsias de vômito e indisposição geral. Em veículos ou navios. como se tivesse sido “desligada” da máquina e uma outra parte começa a vibrar.09 g são particularmente incômodas.

interferência na fala. Existem diversas providências que o projetista pode adotar para reduzir o problema de vibrações. c) Proteger o trabalhador  se as providências anteriores não forem suficientes. como furadeiras elétricas. para que o trabalhador não entre em contato direto com ela. mas apenas que aquela é a mais prejudicial nesse caso.82 a visão for fixada na paisagem distante ou na linha do horizonte. Esta. No caso de ruídos. pode-se proteger o trabalhador individual com certos equipamentos como botas e luvas. Por exemplo. desordem gastrointestinal e perda do controle muscular de partes do corpo. A exposição continuada pode levar a lesões da coluna vertebral. Naturalmente. braços e corpo do operador e pode causar dormência dos dedos e perda de coordenação motora. naturalmente. Entre estas se incluem as seguintes (são válidas também para ruídos): a) Eliminar a fonte  a primeira providência em relação às vibrações é tentar reduzi-las junto à fonte. então. . sempre que não for necessário transmitir força para as ferramentas manuais.4. que permanecem relativamente estáticos.. a vibração mais prejudicial.2 . Em outros casos. Uma forma parcial de isolar é conseguida evitando-se as pegas muito apertadas. é de 5 Hz. esta pode ser isolada. 10 minutos de descanso para cada hora de trabalho) para evitar a exposição contínua do trabalhador. Esse isolamento pode ser feito pela distância. 7. as vibrações também podem ser eliminadas por meio de lubrificações e manutenções periódicas das máquinas e equipamentos. confusão visual. Essas pausas. pois a maioria dos trabalhadores não gosta de usá-los e eles costumam ser eficientes apenas em determinadas freqüências de vibrações. rebitadores. ex. permitem uma recuperação pelo menos parcial do organismo durante a jornada de trabalho.Controle das vibrações Uma vibração intensa transmitida por ferramentas manuais propaga-se pelas mãos. devem ser programadas pausas (p. numa britadeira manual. reduzindo o efeito cumulativo das vibrações no organismo. d) Conceder pausas  quando a vibração for contínua. Porém o uso desses equipamentos de proteção individual deve ser cuidadosamente considerado. podem ser usados também os protetores auriculares. ou colocando-se calços de borracha absorvedores de vibrações. se tiverem duração adequada. b) Isolar a fonte  quando não for possível eliminar a fonte. após a jornada de trabalho. que outras vibrações não sejam prejudiciais. Isso não quer dizer. afastando-se a fonte ou usando-se algum tipo de material isolante para enclausurar a fonte de vibrações. Inúmeras máquinas utilizadas na indústria. A freqüência e a duração dessas pausas vai depender naturalmente das características da vibração e demais condições de trabalho. peneiras vibratórias e motoserras provocam enjôos. Deve-se estudar particularmente as vibrações que provocam ressonâncias. que provoca ressonância dos membros superiores. deveria ter prioridade de tratamento. que ajudam a absorver as vibrações. a recuperação maior vai se processar durante o período normal de descanso.

a partir de 10 lux até cerca de 1000 lux. hospitais.150 200 . 7. em pouco mais de um século de existência.600 EM LOCAIS DE TRABALHO 1000* .2.5.000 lux.2000 . Em alguns casos excepcionais. corredores. Trabalhos minuciosos e muito detalhados.Quantidade de luz  o rendimento visual tende a crescer. Fábricas com maquinaria pesada.Efeitos fisiológicos da iluminação O nível de iluminamento interfere diretamente no mecanismo fisiológico da visão e também na musculatura que comanda os movimentos dos olhos. zonas de circulação. depósitos e almoxarifados Iluminação mínima de serviço. A partir desse ponto.1 . os aumentos do iluminamento não provocam melhorias sensíveis no rendimento. inventada em 1878 por Thomas Edison (1847 . sala de primeiros socorros Trabalhos manuais precisos.300 ILUMINAÇÃO GERAL 400 . pode-se chegar a 3. trabalhos de relojoaria. ILUMINAMENTO RECOMENDADO (lux) 20 . como no lar.50 ILUMINAÇÃO GERAL (LOCAIS DE POUCO USO) 100 . trabalhos com revisão e desenhos detalhados. leitura ocasional e arquivo. Trabalhos manuais médios. oficinas em geral.5 . O correto planejamento da iluminação e das cores contribui para aumentar a satisfação no trabalho. TIPO ILUMINAÇÃO LOCALIZADA 1500 . para montagens ou inspeções de peças pequenas e complicadas. recomenda-se usar no máximo 2. tendo acrescentado mais quatro horas diárias de vida ativa para a população mundial. restaurantes.1931). manipulação de peças pequenas e complicadas. indústria de confecções. Iluminação geral de escritórios. e a fadiga visual começa a aumentar. contribuiu como poucos inventos para aumentar a produtividade humana. enquanto a fadiga visual se reduz nessa faixa. montagem de automóveis.1500* EXEMPLOS DE APLICAÇÃO Iluminação mínima para corredores e almoxarifados e estacionamentos Escadas. banheiros. Dessa forma. Existem diversas tabelas de níveis de iluminamento recomendadas para cada tipo de ambiente.Iluminação Na vida moderna. mas quase todas recaem nas faixas apresentadas na tabela 7. melhorar a produtividade e reduzir a fadiga e os acidentes.000 lux. instrumentos de precisão e componentes eletrônicos. A) Fatores que influem na discriminação visual . montagem de pequenas peças. A lâmpada incandescente. pode-se dizer que o homem está praticamente “cercado” de luzes e cores produzidas artificialmente. tanto no ambiente profissional.83 7.

atuar sobre o ambiente. náuseas. ao qual o olho foi acostumado. ele é facilmente percebido. b) iluminação inadequada . A fadiga visual provoca tensão e desconforto. por exemplo. como acontece. principalmente se forem pequenos. se o contraste for reduzido de 70 % para 50%. Em grau mais avançado a fadiga visual provoca dores de cabeça. como cópias mal feitas ou manuscritos pouco legíveis. o tempo necessário poderá crescer sensivelmente. ou colocando-as longe dos olhos. contraste e nível de iluminação. responsáveis pela movimentação. d) pouca definição .84 Tabela 7. . A fadiga visual é decorrente das seguintes causas: a) fixação de detalhes . começam a lacrimejar. mas se ocorrer o inverso. como. provoca brilhos e ofuscamentos. haverá uma redução da eficiência visual devido ao ofuscamento. o tempo necessário aumentará em 4 vezes. com o urso polar na neve ártica. Ofuscamento  quando um objeto é mais brilhante que o fundo. Na maioria dos casos é suficiente o tempo de 1 segundo para que haja uma boa discriminação. Quando isso não for possível. Para acabar com o ofuscamento. Os olhos ficam avermelhados. para objetos pequenos. fixação e focalização dos olhos.a intensidade luminosa insuficiente ou errada. por exemplo. se a fonte for uma janela.os objetos em movimento exigem maior ação muscular para serem focalizados. aumentando a luminosidade geral ou colocando anteparos entre a fonte de brilho e os olhos. Se os objetos forem pequenos e o contraste for baixo.Níveis de iluminamento recomendados para algumas tarefas típicas (*) pode ser combinado com a iluminação local Tempo de exposição  o tempo de exposição para que um objeto possa ser discriminado depende do seu tamanho. e) objetos em movimento .reduzir o brilho refletido usando-se lâmpadas de luz difusa ou eliminando-se superfícies refletoras no campo visual. O ofuscamento é produzido pela presença de luzes.2 . e a freqüência de piscar vai aumentando. a medida mais eficiente é eliminar a fonte de brilho do campo visual. depressão e irritabilidade emocional. Se não houver esse contraste. Por exemplo. pode-se mudar a posição do trabalhador de forma que essa janela fique de lado ou de costas para ele. uma lâmpada por um conjunto de lâmpadas de intensidades menores. . por exemplo. B) Fadiga visual A fadiga visual é causada principalmente pelo esgotamento dos pequenos músculos ligados ao globo ocular. a figura ficará camuflada e não será visível.objetos e figuras com traços ou contornos confusos. Outras medidas possíveis são as seguintes: . Raramente refere-se à dificuldade de percepção.reduzir a fonte de brilho substituindo-se.objetos muito pequenos exigem grande esforço dos músculos dos olhos para acomodação e convergência. porque ambos apresentam cores ou formas semelhantes. c) pouco contraste .quando há pouca diferença entre a figura e o fundo. . janelas ou áreas excessivamente brilhantes em relação ao nível geral do ambiente. de baixo contraste e mal iluminados. Contraste entre figura e fundo  a diferença de brilho entre a figura e fundo é chamada de contraste.

assim.000 lux.a iluminação geral é complementada com focos de luz localizados sobre a tarefa. esta deve ser provida de um anteparo. d) posicionamento das luminárias  as luminárias devem ser posicionadas de modo a evitar a incidência da luz direta ou refletida sobre os olhos. quando há paralaxe em instrumentos de medida. se houver necessidade de se colocar a luminária em frente ao trabalhador. enquanto o ambiente geral recebe menos luz. para não provocar ofuscamentos. um nível uniforme de iluminamento sobre o plano horizontal. A) Sistemas de iluminação O sistema de iluminação. A claridade do ambiente é determinada não apenas pela intensidade da luz. mas também pelas distâncias e pelo índice de reflexão das paredes. devem ser colocadas lateralmente ou atrás do trabalhador. Sempre que possível. com pouca fadiga. B) Recomendações sobre iluminação 1. No caso da iluminação combinada. piso.existem obstáculos físicos que dificultam a propagação da iluminação geral. tetos. para evitar a luz direta ou refletida nos seus olhos. máquinas e mobiliário.Planejamento da iluminação A iluminação dos locais de trabalho deve ser cuidadosamente planejada desde as etapas iniciais de projeto do edifício. Um bom sistema de iluminação. para se evitar a incidência de luz direta sobre os olhos. assim como a escolha do tipo de lâmpadas. da ordem de 50% da primeira. com o uso adequado de cores e a criação dos contrastes. sempre que for necessário. b) iluminação localizada  a iluminação localizada concentra maior intensidade de iluminamento sobre a tarefa. e produzem com maior eficiência. monotonia e acidentes. .2 . . luminárias e a distribuição das mesmas depende das características do trabalho a ser executado. fazendo-se aproveitamento adequado da luz natural e suplementandoa com luz artificial. se possível. com intensidade de 3 a 10 vezes superior ao do ambiente geral.5. Existem basicamente três tipos de sistemas de iluminação: a) iluminação geral  a iluminação geral se obtém pela colocação regular de luminárias em toda a área. principalmente nos seguintes casos: . por exemplo.a tarefa exige luz dirigida para discriminar certas formas. pode produzir um ambiente de fábrica ou escritório agradável. .a tarefa exige iluminamento local acima de 1. 7.85 f) má postura . De preferência devem se situar acima de 30o em relação à linha de visão (horizontal) e. onde as pessoas trabalham confortavelmente. evitando-se a incidência direta da luz solar sobre superfícies envidraçadas.a má postura pode dificultar a leitura. c) iluminação combinada . aproveitar a iluminação natural. texturas ou defeitos. garantindo-se.

86
2. As janelas devem ficar na altura das mesas e aquelas, de formatos mais altos na vertical, são mais eficazes para uma penetração mais profunda da luz. 3. A distância da janela ao posto de trabalho não deve ser superior ao dobro da altura da janela, para o aproveitamento da luz natural. 4. Para reduzir ofuscamentos: - usar vários focos de luz, ao invés de um único; - proteger os focos com luminárias ou anteparos, colocando um obstáculo entre a fonte e os olhos; - aumentar o nível de iluminamento ambiental em torno da fonte de ofuscamento, para diminuir o brilho; - colocar as fontes de luz o mais longe possível da linha de visão; - evitar superfícies refletoras, substituindo-as pelas superfícies difusoras. 5. Para postos de trabalhos onde se exigem maiores precisões, providenciar um foco de luz adicional, que pode ter um brilho de 3 a 10 vezes superior ao do ambiente geral. 6. Usar cores claras nas paredes, tetos e outras superfícies, para reduzir a absorção da luz. 7. A luz da lâmpada fluorescente é intermitente e pode causar o efeito estroboscópio em motores ou peças em movimento (se houver coincidência com a ciclagem de 60 hertz podem produzir uma imagem estática), havendo riscos de provocar acidentes. 7.6 - Cores A cor é uma resposta subjetiva a um estímulo luminoso que penetra nos olhos. O olho é um instrumento integrador de estímulos. Ele nunca percebe um estímulo isolado, mas um conjunto de estímulos simultâneos e complexos, que interagem entre si, formando uma imagem, que pode ter características diferentes daqueles estímulos, quando considerados isoladamente. 7.6.1 - Características das cores Do ponto de vista físico, as cores do espectro visível podem ser consideradas como ondas eletromagnéticas na faixa de 400 a 750 nm (1 nm = 10-9 m), com as seguintes bandas dominantes: - Azul: abaixo de 480 nm - Verde: 480 a 560 nm - Amarelo: 590 a 630 nm - Laranja: 590 a 630 nm - Vermelho: acima de 630 nm A cor de um objeto é caracterizada pela absorção e reflexão seletiva das ondas luminosas incidentes. A cor que enxergamos é aquela que foi refletida pelo objeto. Assim, um corpo negro ou absorvedor ideal é aquele que absorve todos os comprimentos de onda e não reflete nada. Ao contrário, o corpo branco é o que reflete tudo e não absorve nada. Um objeto verde, por exemplo, significa que absorve todos os comprimentos de onda, exceto aqueles em torno de 500 nm, que produzem a sensação de verde. Da mesma forma, um objeto será vermelho se refletir somente aquelas ondas que se aproximem de 700 nm. Quando nos referimos à cor de um objeto, geralmente subentendemos que o mesmo é visto sob luz branca ou solar. Com outras luzes, como acontece com muitos tipos de lâmpadas comerciais, as cores percebidas podem ser diferentes.

87
As denominadas cores primárias são aquelas que não podem ser produzidas a partir da mistura de outras cores e, se elas forem misturadas entre si em proporções variáveis, produzem todas as demais cores do espetro. Existem dois tipos de cores primárias: as da luz e as de corantes. Cores primárias da luz: são o vermelho, o verde e o azul. As outras cores são obtidas aditivamente. Cores primárias de corantes: são o amarelo, o magenta e o verde-azul. As outras cores são obtidas subtrativamente. Cores complementares: além das cores primárias, cujas misturas produzem as outras cores, existem também as cores complementares (de luzes) que se anulam mutuamente, ou seja, cujas misturas produzem a branca. São representadas pelos seguintes pares: vermelha  verde-azul; amarela  azul; verde  magenta. A legibilidade de cores depende do contraste e tende a aumentar com a adição de preto. Em letreiros, só se deve usar cores puras nos títulos principais, com fundo mais claro. Os letreiros longos podem ter a mesma cor do fundo, porém mais escuro, de modo que, quanto menor a letra, maior deverá ser o conteúdo de preto. Em letreiros curtos pode-se usar uma cor complementar no fundo, como a vermelha sobre o verde-azul e vice-versa. Diversos estudos experimentais realizados sobre a visibilidade das cores apresentaram os seguintes resultados, em ordem decrescente: 1) azul sobre o branco; 2) preto sobre o amarelo; 3) verde sobre o branco; 4) preto sobre o branco; 5) verde sobre o vermelho; 6) vermelho sobre o amarelo; 7) vermelho sobre o branco; 8) laranja sobre o preto; 9) preto sobre o magenta; 10) laranja sobre o branco; Por exemplo, em placas para carro, que deveriam ter uma boa legibilidade, a cor recomendada seria o azul sobre fundo branco. A legibilidade depende ainda do tipo de letra e de suas proporções. Outros fatores que influenciam a legibilidade é o nível de iluminação e o movimento relativo entre a imagem e o espectador sendo, naturalmente, mais fácil identificar objetos parados. Existem também estudos que comprovam a influência das cores sobre o estado emocional, sobre a produtividade e sobre a qualidade do trabalho. O ser humano apresenta diversas reações a cores, que o podem deixar triste ou alegre, calmo ou irritado. O vermelho, o laranja e o amarelo sugerem calor, enquanto o verde, o azul e o verde-azul sugerem frio. Cores avermelhadas sugerem alegria e satisfação. O preto, quando usado só, é depressivo e sugere melancolia. Essas características são muito utilizadas em marketing. Assim, já houve casos em que uma simples mudança da cor em uma embalagem provocou aumento de vendas em 1.000 %. As cores possuem também diferentes simbologias, associações e superstições, que variam de acordo com a região e a cultura. Por exemplo, a cor do luto no ocidente é preta, mas na china é branca. Isso sugere que os fabricantes de produtos para exportação devem atentar para esses detalhes. Entre as associações normalmente feitas com as diversas cores, podemos destacar as seguintes, a título de exemplos:

88
- vermelho: é cor quente, saliente, agressiva, estimulante e dinâmica até o enervamento. Sendo a cor do fogo e sangue, é a cor mais importante para muitos povos, figurando quase sempre nas cores das bandeiras. Associada ao verde, forma o par de cores complementares mais vibrante. Quando aplicado em pequenas porções sobre o fundo verde, chega a produzir vibrações desagradáveis. - Amarelo: cor luminosa e digna, evoca dominação, riqueza material e espiritual. Representando o calor, energia e claridade, opõe-se à passividade e à frigidez do azul. Junto com o vermelho é considerada cor “masculina”, enquanto o verde, o azul e o vileta são “femininas”. - Verde: a cor verde é passiva, sugere imobilidade, alivia tensões e equilibra o sistema nervoso. Não deixa acompanhar nem de alegria, nem de tristeza e nem de paixão. Medidas de tensões nervosas e pressões sangüíneas comprovam a qualidade calmante do verde, justificando seu uso em locais de repouso e mesas de jogo. - Azul: é cor fria por excelência. É calmo, repousante e até mesmo um pouco sonífero. Sugere indiferença, imprudência e passividade. Exerce apelo intelectual, simbolizando inteligência e raciocínio, opondo-se ao apelo emocional do vermelho. _ Laranja: cor muito quente, viva, acolhedora, saliente. Evoca o fogo, o sol, a luz e o calor. Associa-se a propriedades do vermelho e amarelo que lhe dão origem. É cor psicologicamente ativa e capaz de facilitar a digestão. - Branco: cor da pureza, simbolizando a paz, nascimento e morte. - Preto: é deprimente, evoca a sombra e o frio, o caos, o nada, o céu noturno, o mal, a angústia, a tristeza, o inconsciente e a morte. 7.6.2 - Planejamento das cores Um planejamento adequado do uso das cores no ambiente de trabalho, aplicando-se cores claras em grandes superfícies, com contrastes adequados para identificar os diversos objetos, associado a um planejamento adequado da iluminação, tem resultado em economia de até 30 % no consumo de energia e aumentos de produtividade que chegam a 80 ou 90 %. Existem diversas experiências comprovando a influência das cores no desempenho humano. Por exemplo, numa fábrica de produtos fotográficos, o processo de fabricação exigia o uso de luzes especiais. Diversos problemas disciplinares ocorridos na fábrica desapareceram assim que a luz vermelha das salas foi substituída pela verde. A pintura de uma forjaria em azul proporciona uma sensação de frescor, puramente psicológica, apesar do calor reinante. Ao contrário, a sensação de frio em lavabos e vestiários pode ser reduzida com o uso racional de cores quentes como o amarelo, o laranja e o vermelho. Cores nas fábricas  nas fábricas, em geral, são recomendadas as combinações de cores apresentadas na tabela 7.3. PAREDES Cinza claro bege creme MÁQUINAS verde claro verde azulado claro

89
ocre-amarelo fosco azul claro

Tabela 7.3 - Combinações de cores para utilizar em paredes e máquinas Eventualmente, poderão ser utilizados dois ou mais graus de claridade para criar um conjunto alegre e dinâmico. O uso de cores deve ser cuidadosamente planejado, junto com a arquitetura e a iluminação, de modo que o conjunto seja harmônico. As paredes, máquinas, equipamentos de transporte e até utensílios e ferramentas individuais deverão seguir as cores planejadas. Nos pontos em que há necessidade de maior visibilidade, pode-se aumentar o contraste de cores e o nível de iluminação. Cores nos equipamentos  naturalmente não convém pintar todo o equipamento de uma única cor. Existem normas para pintar as partes móveis e perigosas de equipamentos e das tubulações. O corpo principal deve ser pintado de uma cor clara, que descanse a vista, sendo recomendadas as seguintes: verde claro, azul claro, verde-azulado claro, cinza claro. Cores foscas são melhores que as cores brilhantes, pois as últimas produzem reflexos que prejudicam a visão e distraem o trabalhador. Uma combinação adequada de cores, usada harmoniosamente, quebra a monotonia e ajuda a obter concentração do trabalhador sobre determinadas partes do equipamento, ajudando a reduzir acidentes. As cores bem dosadas também estimulam a manter o equipamento limpo. A norma brasileira NB - 76/59 fixa as cores dos locais de trabalho para prevenção de acidentes. Recomenda o uso de 8 cores de acordo com as seguintes aplicações: - Vermelho: em equipamentos de combate a incêndio, como extintores, hidrantes, caixas de alarme. Excepcionalmente pode indicar advertência e perigo, sob forma de luzes ou botões interruptores de circuitos elétricos. - Alaranjado: identifica as partes móveis e perigosas de máquinas e equipamentos, como polias, engrenagens e tampas de caixas protetoras (pintar no lado interno, par ficar visível na posição aberta). - Amarelo: indica “cuidado” em escadas, vigas, partes salientes de estruturas, bordas perigosas, equipamentos de transporte e de manipulação de material. Pode ser combinado com faixas ou quadrados pretos quando houver necessidade de melhorar a visibilidade, como em pára-choques, ou para delimitar locais de trabalho perigosos. - Verde: cor usada pela segurança industrial para identificar equipamentos de primeiros socorros, macas chuveiros de segurança, e quadros para exposição de cartazes sobre segurança. - Azul: indica equipamentos fora de serviço, pontos de comando e partidas ou fontes de energia. - Púrpura: é usado para indicar os perigos provenientes de radiações eletromagnéticas penetrantes e de partículas nucleares. - Branco: é usado para demarcar áreas de corredores e locais de armazenagem, localizações de equipamentos de primeiros socorros, combate ao incêndio, coletores de resíduos e bebedouros. - Preto: indica os coletores de resíduos. Uma outra norma, a NB-54/57 fixa as cores para tubulações: - Vermelho: combate ao incêndio. - Verde: água. - Azul: ar comprimido. - Laranja: ácidos.

_ Marrom: qualquer outro tipo de fluído. Alumínio: gases liqüefeitos. por exemplo. _ Cinza escuro: eletrodos. para identificar botijões de gás ou resistividades elétricas.90 _ _ Lilás: álcalis. Cinza claro: vácuo. Existem diversos outros códigos de cores usados na indústria. mas não serão apresentados aqui por se tratarem de aplicações específicas. Branco: vapor. inflamáveis e combustíveis de baixa viscosidade. Preto: inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade. .

também.Introdução A ergonomia fornece um conjunto de conhecimentos científicos sobre o homem e a aplicação destes conhecimentos na concepção de ferramentas.tempo de serviço na empresa e no posto .importância sócio econômica .Dados que devem ser coletados pela análise da demanda Dados sobre a empresa . tempo de serviço e 1grau de escolaridade 8.efetivo .estrutura e funcionamento do processo global de produção Dados sobre a população envolvida . encontra-se. a implantação de sistemas de produção são. a concepção de ferramentas e máquinas. máquinas e dispositivos que o homem utiliza na atividade de trabalho.Razões que levam à sua realização condições de trabalho segurança do trabalho fabricação dificuldade de recrutamento melhoria da qualidade aumento da produtividade . definido a partir da formulação da .divisão por idade e por sexo .1 .setor de atividade .ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO 8.modo de gestão do pessoal .objetivos a curto. as situações de trabalho não são determinadas unicamente por critérios ergonômicos.interações e inter-relações entre os subsistemas . A organização do trabalho. Em virtude desses outros fatores e até mesmo pela falta de conhecimento da maioria da população sobre ergonomia.2.1 .Para desenvolver o trabalho dentro da realidade da situação de trabalho é preciso: conhecer a tecnologia utilizada conhecer a situação econômica levar em conta os fatores sociais: idade média.É fundamental estabelecer os objetivos a serem alcançados pelos mesmos .2 – Análise Ergonômica da Demanda 8. com freqüência.Ponto de partida demanda delimitação do objeto de estudo. tanto técnicos como econômicos e sociais. determinados por outros fatores. médio e longo prazos .91 ERGONOMIA Capítulo 8 . postos de trabalhos . Entretanto.tecnologia utilizada .

Segundo POYET (1990) pode-se considerar três diferentes níveis de tarefa: . a partir dos conhecimentos que ele possui das diversas componentes do sistema. métodos e meios de trabalho. cujas saídas. Pode-se fala.Análise Ergonômica da Tarefa A tarefa é um objetivo a ser atingido. isto é. isto é. Tarefa induzida ou redefinida É a representação que o trabalhador elabora da tarefa. neste caso. mas também as condições organizacionais e ambientes de trabalho. . Costuma-se em análise ergonômica trabalhar com sistemas homens-tarefas. É o que o trabalhador pensa realizar. Tarefa realizada ou atualizada . . 2a) descrever todos os elementos que compõem esse sistema. ou as condições de trabalho. em tarefa real ou efetiva.nível de formação . identificar os componentes do sistema que condicionam as exigências de trabalho.condições organizacionais de trabalho 8.tarefa realizada ou atualizada. Tarefa prescrita Trata-se do conjunto de objetivos. resultam desta atividade (os resultados do trabalho). Sistemas homens-tarefas são sistemas mais ricos que os tradicionais sistemas h0mens-máquinas tradicionais. Sua análise coincide com a análise das condições dentro das quais o trabalhador desenvolve suas atividades de trabalho.tarefa induzida ou redefinida.nível de qualificação Dados sobre o posto de trabalho .3 .tarefa prescrita. uma situação de trabalho é um sistema complexo e dinâmico. o que deve ser feito e os meios colocados à disposição para a sua realização.92 . na medida em que as tarefas compreendem não só as máquinas e suas manifestações (condições técnicas de trabalho). fixados pela organização para os trabalhos. é conveniente distinguir três fases distintas: 1a) delimitação do sistema homem-tarefa a ser analisado.posição do posto dentro do sistema global de produção .condições ambientais de trabalho . Do ponto de vista ergonômico. Para analisar a tarefa. É o aspecto formal e oficial do trabalho. 3a) Avaliar as exigências do trabalho. cujas entradas (as exigências de trabalho) determinam a atividade do trabalhador (os comportamentos de trabalho) e. procedimentos.

informações recíprocas.Delimitação do sistema homem-tarefa A delimitação do sistema é composta em cinco etapas sucessivas: a) Definição e concepção da missão do sistema: trata-se de determinar os objetivos do sistema homem-tarefa a ser analisado. não se pode abordar de imediato todas as variáveis do sistema delimitado.1 . em três níveis. 2o) Definição das diferentes componentes do sistema (materiais. e) Atribuição de funções aos homens e às máquinas. 8. ao menos. qualidade. que normalmente existem. c) Identificação e descrição das funções do sistema e dos sub-sistemas existentes e as ligações funcionais. b) Definição do perfil do sistema: deve-se realizar uma avaliação dos objetivos do sistema. o sistema homem-tarefa estará delimitado e o posto de trabalho e suas inter-relações definido. organizacionais e ambientais) que são pertinentes às funções do operador (ou operadores) do sistema. É preciso definir também. fixar uma prioridade entre as diversas variáveis do sistema. Esta descrição tem dois objetivos principais: 1o) Aquisição de um conhecimento aprofundado a respeito da tarefa a ser analisada.2 . quantidade. a sua representação mental referente ao que deveria ser feito A distinção da tarefa.3. 8. estabelecendo uma hierarquia entre eles. - .93 Em função dos imprevistos e das condicionantes de trabalho.3. deve-se procurar compreender como funciona o sistema de produção delimitado. o trabalhador modifica a tarefa induzida às especificidades da situação de trabalho. entre a definição formal e oficial daqueles que concebem o trabalho e as representações deformadas que o trabalhador elabora a partir do seu entendimento. d) Estabelecimento de normas: estabelecer critérios de performance funcional em itens como: prazos. atualizando.Descrição das componentes do sistema homem-tarefa A descrição das componentes do sistema homen-tarefa é a identificação das exigências de trabalho. Por outro lado. Após estas fases. Neste caso. quais as variáveis que serão analisadas ou. assim. é importante porque permite ao analista compreender as distâncias. A partir da descrição do sistema homem-tarefa pode-se: Tomar consciência do tipo de intervenção ergonômica a ser feita e as diversas áreas envolvidas.

c) às entradas.Operador (ou operadores) que intervem no posto (ou postos) e seu papel no sistema de produção ...Número de operadores trabalhando simultaneamente sobre cada posto . absenteísmo.As principais ações do operador sobre: a máquina. f) às condições ambientais de trabalho.hidráulico.. estabilidade no posto e na empresa.Os principais deslocamentos realizados pelo operador . eletrônico. Prognosticar disfunções evidentes.Órgãos de comando da máquina .Os principais gestos de trabalho realizados pelo operador .Órgãos de sinalização da máquina . g) ás condições organizacionais de trabalho.As principais posturas de trabalho assumidas pelo operador . Preparar planos de enquête (questionários..As principais decisões a serem tomadas pelo operador . forma de admissão.. sexo.As ações imprevistas ou não programadas .Problemas aparentes na máquina (ou máquinas) . Estas exigências poderão ser sub-divididas em oito grandes categorias. foto. a) Dados a serem levantados referente ao homem . permitindo identificar dados referentes: a) ao homem.Regras de divisão de tarefas ( quem faz o quê?) . pneumático. b) Dados a serem levantados referente à máquina .) .Princípios de funcionamento da máquina (mecânico.Estrutura geral da máquina (ou máquinas) . entrevistas. levantamento de posturas. as entradas e as saídas .Aspectos críticos evidentes na máquina c) Dados a serem levantados referente às ações .. deslocamentos). fluxograma de produção) . Em resumo pode-se identificar as exigências da situação de trabalho. remuneração. sindicalização.Números de trabalhadores trabalhando sucessivamente sobre cada posto e regras de suscessão (horários. b) à máquina.Dimensões características (croqui.Características da população: idade. d) às saídas e) às ações.94 Identificar os grandes processos que serão analisados de forma aprofundada na análise das atividades. rotatividade da mão de obra (turn-over).Formação e qualificação profissional . modos de alternância das equipes) .

Acuidade auditiva exigida .Importância das diferenças de intensidade a serem percebidas f) Dados a serem levantados referentes aos órgãos sensoriais Visão .Riscos de ofuscamento informação . velocidade do ar) .O ambiente vibratório (freqüência das vibrações) .Sensibilidade às comunicações verbais em meio ruidoso .Número e variedade de comandos da máquina .Dispersão espacial das fontes .Canais sensoriais envolvidos .Freqüência e distribuição dos sinais .Intensidade dos sinais luminosos e sonoros .O ambiente sonoro (pressão sonora. grafismo.O ambiente térmico (temperatura úmida e seca.Acuidade visual exigida pela tomada de . freqüência de emissão do ruído e tempo de exposição ao ruído) .Dimensões dos sinais visuais (relação distância-formato) .Levantamento dos diferentes sinais úteis ao(s) operador(es) .Rapidez de percepção de sinais visuais .Sensibilidade às diferenças de caracteres de sons(freqüência.Exigência de sinais de advertência e de sistemas de interação .Elementos de suporte (cor. tempo de exposição) f) Dados a serem levantados referentes aos dispositivos sinais-comandos .O ambiente toxicológico (concentração de partículas e gases tóxicos) e) Dados a serem levantados referentes às fontes de informações .Discriminação de um mesmo tipo (sonoro por exemplo) .O ambiente luminoso (pressão sonora.95 d) Dados a serem levantados referente ao ambiente de trabalho .Riscos do efeito de máscaras ou de interferências de sinais .Sensibilidade às diferenças de cores - Tempo disponível para acomodação .Sensibilidade às diferenças de luminâncias .Riscos de problemas de audição devido a ruídos elevados . freqüência de emissão de ruído e tempo de exposição ao ruído) . letras) .Campo visual do operador e localização dos sinais visual . timbre.Duração da solicitação do sistema visual Audição .O espaço e os locais de trabalho . umidade relativa do ar.

Intervalo entre o aparecimento do sinal e o início da ação .96 . manobrados seqüencialmente ou simultaneamete .Métodos e procedimentos de trabalho .Avaliações referentes ao organismo humano esforços estáticos .Contrato de trabalho ( horários. equipes.Grau de correspondência entre a forma dos comandos e suas funções .Serviços .Grau de conformidade dos deslocamentos dos comandos em relação aos estereótipos dos operadores .Avaliação das exigências do trabalho Exigências físicas de trabalho .Estrutura funcional .Exigências antropométricas: posição dos comandos em relação às zonas de alcance das mãos e dos pés . distância relativa dos sinais e dos comandos associados .Grau de encadeamento dos gestos sucessivos . modo de remuneração) 8.Rapidez e freqüência das ações realizadas pelo operador .Ações simultâneas das mãos e dos pés . e a codificação utilizada (forma.Avaliações referentes à tarefa e à situação esforços dinâmicos .Posição. dimensão.Seções . cor) deste comando h) Dados a serem levantados referentes às condições organizacionais do trabalho Organização geral da empresa .3.Posturas ou gestos do operador susceptíveis de impedir a recepção de um sinal .Grau de realismo dos comandos .Disposição relativa dos comandos e cronologia de sua utilização .Grau de coerência no sentido dos movimentos de comandos.Membros do operador envolvidos pelos diferentes comandos da máquina .3 .Grau de precisão da ação do operador sobre o comando das máquinas .Estrutura das comunicações .Divisão de funções .Diretorias .Arranjo físico das máquinas e sistemas de produção .Departamentos .Divisões .Grau de compatibilidade entre o efeito de uma ação sobre um comando percebido (ou imaginado) pelo operador.Grau de compatibilidade dos movimentos de diferentes comandos. que tenham similares g) Dados a serem levantados referentes às características do operador .Postos de trabalho Organização ao nível do posto .

pulsação) Exigências ambientais . que apresenta um caráter anômalo em relação a um desenvolvimento habitual conhecido Alguns tipos de incidentes críticos que podem ser detectados: .Montagem de peças diversas de maneira não conforme .Avaliações referentes ao ambiente sonoro 8.Dispor de meios para acompanhar a execução do trabalho.todo evento observável.Avaliações referentes ao ambiente térmico .4 .Modo operativo proibido pelas normas de segurança .Omissão de uma operação prevista no processo .Dosagem de produtos mas-formulados .Material . ou ao comportamento que leva a um resultado negativo.Estabelecimento de uma trajetória de forma equivocada O erro permite identificar o desvio em relação a norma. Duas condições são necessárias: .97 posturas gastos energéticos cardíaca.Avaliações referentes ao ambiente luminoso . numa situação de trabalho.Erro no funcionamento do conjunto do sistema homem-tarefa Alguns tipos de erros que podem ser detectados em diversas situações de trabalho: .Conhecer a norma .Acionamento de um comando de forma intempestiva .Identificação e detecção das síndromes ergonômicas Para o estabelecimento do diagnóstico parte-se da identificação das síndromes as quais se explicam no decorrer da análise do trabalho.Manipulação de uma ferramenta de uma forma não prescrita .Erro na atividade individual do trabalho . ao menos nos seus aspectos fundamentais 2) Incidentes Críticos .Ambiental movimentos as reações cardiovasculares (freqüência .Leitura de desenho técnico de forma errônea . 1) Erros Humanos . Nesse sentido apresenta-se a seguir as principais categorias de síndromes a serem identificadas e as modalidades de sua intervenção.Leitura de aparelhos de medida de forma equivocada .Erro na atividade coletiva de trabalho .desvio em relação a uma norma preestabelecida ou resultado indesejado do trabalho O erro pode ser detectado em diferentes níveis: .

todo evento observável que afeta a componente material do sistema homem-tarefa.98 Tarefa .Possíveis causas da baixa produtividade .Prescrever uma ação corretiva 6) Baixa produtividade – produtividade identifica o alcance de um certo nível de produção com a garantia de um certo padrão de qualidade Pode-se levantar este sintoma a partir de uma análise histórica do nível de produção e da sua evolução no tempo Deve-se observar os seguintes aspectos: . numa situação de trabalho.Identificar o defeito (atribuir um nome) .todo evento observável.Prescrever uma ação corretiva .Variações ocorridas no espaço de tempo considerado . A pane se manifesta por uma interrupção do sistema 5) Defeitos de produção – desvios constatados ao nível do produto fabricado e do resultado previsto do trabalho Um procedimento sugerido para dar um tratamento aos defeitos consta dos seguintes itens: .As variáveis que determinam a baixa produtividade .Pessoal 3) Acidentes de Trabalho .Determinar a(s) causa(s) possíveis do defeito . que afeta a componente humano dos sistemas 4) Panes do sistema .Descrever o defeito .

na fase de elaboração do layout ou arranjo físico das instalações da empresa. a próxima etapa é definir o arranjo mais adequado de homens.transporte. deve-se analisar uma série de fatores.1 . um dos problemas fundamentais a ser resolvido é a definição do local onde se instalará a indústria. . posto de trabalho. . etc. .mercado. Os modelos de fluxo e as inter-relações entre as diversas áreas são visualizadas.Introdução Ao se iniciar o processo de implantação de uma indústria.matéria-prima. Os fatores de ordem econômica são: . Depois. não existência de meios de comunicação e de um sistema rodo-ferroviário. eliminar os pontos críticos de produção e suprimir as demoras desnecessárias entre as várias atividades.ARRANJO FÍSICO 9. e de um sistema de esgoto sanitário. A localização da indústria pode ser analisada em duas etapas: a macrolocalização e a microlocalização. Para tal. Os fatores de ordem técnica são: água comunicação energia clima resíduos leis e impostos Uma vez escolhida a região. .mão de obra. defini-se claramente a localização de cada máquina. riscos de inundação. não existência de água potável. Tendo especificado o local. prevalecerão os fatores técnicos. desde a entrada das matérias-primas até a saída do produto. . deslizamento de pedras. parte-se para a escolha do local efetivo de implantação da indústria. equipamentos e materiais sobre uma determinada área física. estabelece-se a posição relativa entre as diversas áreas. Nesta fase. Entra-se assim. levando em consideração fatores de ordem econômica e fatores de ordem técnica. definindo-se assim sua microlocalização. A macrolocalização é a etapa mais ampla pois visa definir a região onde deverá ser implantada a indústria.99 ERGONOMIA CAPÍTULO 9 . dispondo esses elementos de forma a minimizar os transportes.planejamento estratégico da empresa. a fim de evitar que as condições inseguras surjam a partir das próprias características do terreno. tendo-se a noção clara do fluxo industrial. dimensões insuficientes para atender as expansões futuras. As técnicas do arranjo físico permitem assegurar um entrosamento interno e um funcionamento harmônico da empresa. fluvial e aéreo. Nesta etapa. As condições inseguras poderão ser provenientes de: deslizamento de terra.

sobre tudo. e estas atribuírem importâncias diferentes para cada um destes requisitos. _ espaço ou áreas (de trabalho. ventilação. de administração. de qual meio de transporte vai ser utilizado para movimentação da peça. uma das etapas finais. . de como evitar controles desnecessários. O arranjo físico. condições ambientes.Conceito de arranjo físico Fazer o arranjo físico de uma área qualquer é planejar e integrar os caminhos dos componentes de um produto ou serviço. . de movimentação. portanto. equipamentos e materiais. . e objetos em um espaço físico determinado. e fluxo racional. e que envolve: _ pessoas (direta ou indiretamente envolvidas com a atividade). percebe-se que o arranjo físico é. a fim de obter o relacionamento mais eficiente e econômico entre o pessoal. . analisar e sugerir alternativas que podem levar a solução deste problema será o objetivo deste estudo.outros. é bem provável que a solução encontrada por ambos seja diferente. 9.tipo de produção. Supondo que os requisitos estabelecidos sejam. Procura harmonizar e integrar todos os itens que possibilitem uma atividade de trabalho. etc. segurança. movimentação necessária e distribuição em um espaço físico. dependendo do critério adotado. utensílios.2 . entre os quais: . máquinas.).). o estudo das condições humanas de trabalho (iluminação. material. e só pode ser elaborado depois de definida uma série de outros itens. Não é somente uma disposição racional das máquinas mas também. atividades. Isto posto.volume de produção. Se pessoas diferentes forem designadas para planejar o arranjo físico. definindo e integrando os elementos produtivos.tipo de produto. . ou em planejamento[ 1 ].).tipo de equipamento produtivo. relacionados pela função que cada um desempenha. por exemplo.100 O arranjo físico é.. Estudar. _ objetos (equipamento. dentro de um espaço disponível. Abrange o estudo de instalações existentes. de estocagem. de corredores eficientes. por sua vez será dependente da importância relativa entre os requisitos a serem atendidos pelo arranjo físico. estética do conjunto.. é um estudo sistemático que procura a combinação mais adequada das instalações que concorrem para a produção de um bem ou serviço. O principal campo de ação do arranjo físico é internamente à empresa. um estudo das interações entre homens e objetos em um ambiente de trabalho. Logo o mesmo problema poderá ter soluções diferentes. Mas a forma de medir. é necessário estabelecer uma forma de medir a eficiência das soluções encontradas. mesas. Para se obter a combinação mais adequada. portanto. etc. etc. de armários e bancadas ao lado das máquinas. Então basicamente o estudo do arranjo físico visa solucionar um problema: promover a interação harmônica entre homens.

Obsolescência das instalações existentes novos produtos ou novos serviços. . .construção de uma fábrica nova. mercadorias acabadas e/ou serviços prestados ou processados.necessidade de promover pequenas alterações no arranjo físico existente. temperaturas anormais e má iluminação. . . . Entre os acontecimentos normais dentro da dinâmica de uma empresa que podem provocar a necessidade de um reestudo do arranjo físico existente. PRODUTO (ou material ou serviço): entende-se por produto o que é produzido ou feito pela empresa ou área em questão. que forneça com antecedência as alterações a serem executadas e contar com tempo para executar o estudo. aquisição de máquinas e equipamentos. destacam-se: .Variações na demanda. pois este foi planejado a partir de informações que já não correspondem mais a realidade. deve-se realizar um bom estudo. avanço da tecnologia. . 9. QUANTIDADE (ou volume): representa o quanto de cada item deve ser feito ou serviços executados. . Essas causas podem ter os seguintes efeitos: . 9.4 .3 . . antes de se definir por determinada combinação. que reduzem o rendimento do trabalhador.transferências para edifícios existentes ou ampliações.Mudança do mercado de consumo.Melhoria das condições de trabalho e redução de acidentes em um ambiente de trabalho inadequado provocado por ruído. peças montadas. necessidade de novas seções. . Daí a importância de se contar com um bom sistema de informações.Como surge o problema do arranjo físico O arranjo físico é um problema dinâmico e pode surgir toda vez que ocorrer mudanças nos membros da equação da produção: Produção = administração (material + pessoal + equipamento + processo) Qualquer alteração em um desses três elementos pode tornar inadequado um arranjo existente.Mudança no projeto do produto. pois embora inicialmente seus custos sejam mais elevados. . .Manuseio excessivo. a matéria prima ou peças compradas.A chave dos Problemas de Arranjo Físico Os problemas de arranjo físico geralmente recaem em dois elementos básicos que são: produto e quantidade. melhoria dos métodos de trabalho).nova disposição do arranjo físico existente.101 Logo. na maioria das vezes rapidamente há o retorno do investimento.Instalação de uma nova empresa. Todos esses acontecimentos provocam mudanças nos membros da equação da produção o que pode levar a necessidade de um novo estudo do arranjo existente.Redução dos custos de produção corte de pessoal e/ou paradas de equipamentos e diminuição de movimentação de materiais.

. cartas de processo. direta ou indiretamente. . . devemos obter informações sobre o roteiro (ou processo) segundo o qual o produto será fabricado ou o serviço será executado. São eles: . .Princípio da Satisfação e Segurança.maior utilização do equipamento. . Também a movimentação de materiais através das áreas depende do roteiro ou seqüência de operações.102 Esses elementos. .Princípio de Obediência ao Fluxo das Operações.redução do material em processo através de um maior balanceamento da produção. 9. são responsáveis por todas as características. ou operações que não agreguem valor ao produto. .melhor aproveitamento de espaço disponível. Eles representam a chave da resolução dos problemas de arranjo físico. . Os equipamentos e os postos de trabalho a serem utilizados dependem das operações de transformação. portanto. . É importante.Princípios do arranjo físico Para atingir os objetivos relacionados anteriormente. .aumentar a moral e a satisfação do trabalho pela melhoria das condições de trabalho. o arranjo físico se utiliza dos seguintes princípios gerais. fatores e condições do planejamento. Rompido este elo a corrente deixa de funcionar como unidade. . etc.Princípio do Uso das Três Dimensões. 9. pois a falha em qualquer um deles pode resultar em uma falha global. que devem ser obedecidos por todos os estudos.redução do tempo de manufatura. De posse das informações acerca do produto e da quantidade. suas operações.Princípio da Integração. O sistema . gráficos de fluxo.redução dos tempos mortos. o que determina a busca dos seguintes objetivos específicos: .maior flexibilidade.Objetivos do arranjo físico O objetivo geral de um bom arranjo físico é encontrar a combinação mais adequada possível dos membros da equação da produção. .redução do manuseio. Princípio da Integração Os diversos elementos que interagem no arranjo (fatores diretos e indiretos ligados a produção) devem estar harmoniosamente integrados. .redução dos custos indiretos. Ele pode ser definido através de listas de operações. estimativas e informações sobre esses dois elementos. .5 .Princípio da flexibilidade. O roteiro representa o processo. Logo as operações envolvidas no roteiro ou processo e sua seqüência tornam-se a chave do problema.incrementar a produção. cuja resistência é determinada pelo seu elo mais fraco. equipamentos e seqüência. coletar os fatos. O sistema é análogo a uma corrente.Princípio da Mínima Distância.6 .

A falta de atenção a essas mudanças pode levar uma fábrica ao obsoletismo. impressão de ordem. Princípio da Flexibilidade Nas condições atuais. deve-se pensar na utilização de porões. Princípio da Satisfação e Segurança Quanto mais satisfação e segurança um arranjo físico proporcionar aos seus usuários. este princípio deve ser atentamente considerado pelas pessoas encarregadas do planejamento do arranjo físico. Entre eles: cores. Planeje para o futuro. e interrupções. implica em maiores custos. Em geral. decoração. A imagem ideal a ser conseguida é a do rio e seus afluentes.7 . subsolos. Procure a idéia de todos. onde as mudanças de caráter tecnológico são cada vez mais freqüentes. transportes por monovias.Recomendações ao estudo do arranjo físico Planeje o todo e depois o detalhe. materiais e equipamentos se movam em fluxo contínuo. São freqüentes e rápidas as necessidades de mudança do projeto do produto. confusões e custos maiores. visando a eficiência de produção do conjunto.103 do arranjo físico deve ser considerado como uma unidade composta de uma série de elementos que devem estar devidamente entrosados. impressão de limpeza. e não uma determinada área. mudanças de métodos e sistemas de trabalho. tanto melhor ele será. Planeje o ideal e depois o prático. Sendo assim as distâncias devem ser reduzidas tanto quanto possível para evitar esforços inúteis. No projeto do layout há de se considerar que as condições vão mudar e que o mesmo deve ser fácil de mudar e de se adaptar as novas condições. Princípio de Obediência ao Fluxo das Operações As disposições das áreas e locais de trabalho devem obedecer às exigências das operações de maneira que pessoas. organizado e de acordo com a seqüência lógica do processo de manufatura ou serviço. os itens a serem arranjados ocupam um certo volume. ao contrário. Princípio da Mínima Distância O transporte nada acrescenta ao produto ou serviço. 9. Princípio do Uso das Três Dimensões Se as três dimensões podem ser utilizadas. isto se traduzirá em um menor uso do espaço global e ao mesmo tempo em um maior aproveitamento das instalações existentes. . Portanto. etc. Há fatores psicológicos que exercem influencia positiva no sentido de melhorar a moral e disposição para o trabalho. congestionamentos. Para isso deve proporcionar boas condições de trabalho e máxima redução de riscos. Devem ser evitados cruzamentos e retornos que causam interferência.

etc. Neste caso. filas de clientes formando-se ao longo da operação.Arranjo físico é freqüentemente uma atividade difícil e de longa duração devido as dimensões físicas dos recursos de transformação movidos. inconveniências para os clientes. Prepare para vender a idéia (apresentação. pode levar a padrões de fluxo excessivamente longos e confusos. contato.). Com efeito. Esse processo pode ser comparado ao projeto de um produto materializado por um arranjo de pessoas e objetos em um espaço físico determinado. . 9.). que integrados através de atividades. operações inflexíveis. Tais procedimentos compreendem.104 Utilize os melhores elementos de visualização (gráficos. entretanto. Compreender os objetivos estratégicos da produção.Se o arranjo físico (examinado a posteriori) está errado. fluxos imprevisíveis e altos custos. psicologia de vendas. plantas. etc. os gerentes de produção podem relutar em fazê-la com freqüência. A conseqüência de qualquer mau julgamento na definição do arranjo físico terá um efeito considerável de longo prazo na operação.1. Ao mesmo tempo.8 . tempos de processamento desnecessariamente longos. é apenas o ponto de partida do que é um processo de múltiplos estágios que leva ao arranjo físico final da produção. tabelas. 1a Fase 2a Fase 3a Fase ESTUDO DO PROBLEMA CONCEPÇÃO DO ARRANJO DO ARRANJO FÍSICO PROJETO DETALHADO DO ARRANJO FÍSICO . levando à insatisfação do cliente ou a perdas na produção. modelos bidimensionais e tridimensionais. . são os objetivos estratégicos da produção que devem ser muito bem compreendidos. fluxogramas. São elas: . assim como de qualquer atividade de projeto. em geral. Projetar o arranjo físico de uma operação produtiva. A mudança de arranjo físico pode ser de execução difícil e cara e. eles não podem errar em sua decisão. Desta forma. boas relações humanas. executam o papel de uma grande máquina destinada a produção de um bem ou de um serviço.Procedimentos para determinação do arranjo físico Há algumas razões práticas pelas quais as decisões de arranjo físico são importantes na maioria dos tipos de produção. portanto. como é o caso da Metodologia de PAHL e BEITZ [3]. deve iniciar-se com uma análise sobre o que se pretende que o arranjo físico propicie.O rearranjo físico de uma operação existente pode interromper seu funcionamento suave. estoque de materiais. os procedimentos na elaboração de um layout podem ser baseados naqueles especificados em metodologias de desenvolvimento de produtos disponíveis na bibliografia. 4 etapas conforme representado esquematicamente na figura 9. há uma dupla pressão para a decisão sobre o arranjo físico.

105

4a Fase

IMPLANTAÇÃO

Figura 9.1 - Fluxograma com as etapas básicas de elaboração de um Arranjo Físico 9.9 - Estudo do Problema Esta é a primeira e uma das mais importantes fases no projeto ou elaboração do layout, pois é nela que o projetista ou o planejador do layout vai tomar pé da situação e isso envolve conhecer: - O que vai ser feito? Será a elaboração do layout para uma nova empresa ou será apenas um alteração do layout existente? - Com que objetivos? Significa saber qual é a finalidade do trabalho a ser feito ou o que motivou a decisão de realizar esse serviço. É melhorar as condições de trabalho? É incrementar a produção? É melhorar o aproveitamento do espaço disponível? O responsável pela elaboração do layout deve estar plenamente ciente dessas metas, para que a partir delas possa direcionar o trabalho, principalmente porque no decorrer de sua realização provavelmente surgirão momentos em que será necessário tomar decisões sobre questões conflitantes. Em tais momentos o pleno domínio dos objetivos do trabalho orientarão na escolha da solução mais adequada. Várias outras questões serão levantadas nesta fase, como por exemplo: - O que vai ser arranjado? - Em que quantidade? - Onde? - Quais os recursos disponíveis? - Qual o tempo disponível? É uma fase que se caracteriza por um exaustivo levantamento de informações acerca do problema ou da tarefa a ser realizada. Sua importância vem do fato de que a partir desse conjunto de dados e informações começa a se delinear os limites para as possíveis soluções. O resultado desta fase pode ser desde o estabelecimento de requisitos a serem atendidos pelo futuro layout podendo chegar até mesmo no estabelecimento de posicionamentos definitivos a serem cumpridos pelo futuro layout, embora não seja este último o objetivo desta fase. São inúmeros os itens sobre os quais há necessidade de se obter informações, mas de uma maneira geral o alvo das atenções são: o produto, o processo, as pessoas, os objetos (máquinas, equipamentos, dispositivos, ferramentas, móveis, acessórios, etc.) as instalações. Conforme já colocado anteriormente, por produto entende-se o que é produzido ou realizado pela empresa, podendo ser representado por um objeto ou por um serviço. Sobre o produto é importante conhecer: - Característica física: líquido, sólido, gasoso, ou é simplesmente um serviço; - Forma de manuseio; - Volume ou tamanho; - Peso; - Quantidade; - Variedade; - Condições para armazenagem e acondicionamento; - Cuidados especiais; - Outros.

106
Tão importante como o produto é o processo, ou seja, o conjunto das atividades desenvolvidas e a seqüência de execução, que a partir dos elementos de entrada (matérias prima ou informações) realizam o trabalho de transformação resultando nos elementos de saída (produtos ou serviços). Sobre o processo é importante conhecer: - Tipo de processo; - Atividades; - Seqüência de operações; - Inter-relações entre as atividades; - Intensidade das inter-relações; - Tempo de cada atividade. - Máquinas, equipamentos, ferramentas, dispositivos, acessórios e mobiliário envolvido; - Pessoal envolvido (trabalhadores diretos, trabalhadores indiretos). Essas informações possibilitam entre outras coisas: - identificar as operações limites (início e fim do processo); - indicar o posicionamento relativo mais adequado das atividades ou pelo menos os requisitos a serem atendidos quanto isso (Ex: atividade 1 próxima das atividades 3 e 4; atividades 5 e 6 juntas; etc.); - sugerir uma indicação do tipo de arranjo a ser utilizado; - estabelecer os requisitos de espaço para as diversas operações. - estabelecer os requisitos quanto ao fluxo de materiais, informações e pessoas. Como conseqüência disso, o porte das instalações ou o espaço necessário para as atividades também já pode ser grosseiramente estimado ou pelo menos se estabelecer os requisitos a serem atendidos. É fundamental colher informações e sugestões de todas as pessoas que de alguma forma estarão ou poderão estar envolvidas com o layout. O término da fase de estudo do problema deve ser marcado pelo estabelecimento de uma lista de requisitos que deve ser satisfeita pelo futuro layout. Na elaboração desta lista, seria conveniente classificar os requisitos em obrigatórios e desejáveis. Requisitos obrigatórios, como o próprio nome sugere, seriam aquelas condições absolutamente necessárias a serem cumpridas pelo futuro layout, ou seja, o seu não atendimento determina a inadequação do layout e por conseqüência o seu descarte. Requisitos desejáveis são condições que melhoram ou diferenciariam no sentido positivo o futuro layout, mas que na impossibilidade de não serem atendidas não inviabilizam a proposta. Em geral os requisitos obrigatórios servem para selecionar as soluções candidatas, enquanto que os requisitos desejáveis auxiliam na escolha entre as candidatas. Em outras palavras a solução escolhida para o layout deveria ser aquela que atenderia todos os requisitos obrigatórios e a que melhor atenderia os requisitos desejáveis. Com o estabelecimento da lista de requisitos pode-se partir para a próxima fase, a Concepção do Layout. Cabe ainda salientar que, dado ao elevado número de informações a serem colhidas no estudo do problema, seria muito prudente, mesmo para os mais experientes profissionais que

107
trabalham com essa atividade, fazer uso de check lists ou listas de verificação, para assegurar que detalhes importantes para o funcionamento do arranjo físico tenham sido considerados. 9.10 - Concepção do Arranjo Físico Estando o problema adequadamente estudado, ou seja, uma vez se dispondo de informações suficientes a respeito da abrangência do trabalho, passa-se então para 2a fase, a Concepção. O objetivo desta fase é encontrar um configuração geral para o arranjo físico do processo produtivo em estudo. Aqui ainda não tem a preocupação com especificação de detalhes, mas sim estabelecer de forma geral o posicionamento dos principais elementos e do fluxo das operações. A partir das informações obtidas na fase anterior, procura-se encontrar alternativas de layout que solucionem o problema. Entre as decisões a serem tomadas está a escolha do tipo de processo a ser adotado, que em linhas gerais vai depender da relação volume e variedade. Depois que o tipo de processo foi selecionado, deve-se definir o tipo básico de arranjo físico, ou seja, a forma geral do arranjo de recursos produtivos da operação. 9.10.1 - Tipos básicos de arranjo físico Há muitas maneiras de se arranjarem recursos produtivos de transformação, mas a maioria dos arranjos físicos na prática deriva de quatro tipos básicos de arranjo físico. São eles: A) arranjo posicional ou por posição fixa; B) arranjo funcional, por processo, ou departamental; C) arranjo de grupo ou celular; D) arranjo linear ou por produto. Essa divisão clássica atende principalmente a fins didáticos, pois, na prática, o que ocorre é uma mistura deles, e , dificilmente, observa-se uma fábrica totalmente projetada utilizando um único tipo de arranjo. A classificação desses tipos surge em função dos elementos que se movimentam em uma estação de trabalho. Para que determinado arranjo funcione deve existir: equipamentos, homem e materiais. É da movimentação desses três elementos que surgem os tipos clássicos de arranjo físico. A - Arranjo posicional ou por peça fixa Situação em que o material ou recurso a ser transformado permanece imobilizado enquanto pessoas, equipamentos, maquinaria e instalações (recursos transformadores) se movimentam ao seu redor. A razão para isso é o fato do produto ou o sujeito do serviço serem muito grandes para serem movidos, estarem em um estado muito delicado para serem movidos, ou ainda objetar-se a serem movidos.

ou o componente principal. ou departamental Arranjo utilizado quando as operações do mesmo tipo são agrupados no mesmo departamento ou local de trabalho. informações ou clientes fluírem através da operação. Neste tipo de arranjo. Diferentes produtos ou clientes terão necessidades diferentes e.108 PRODUTO COMPONENTES PRINCIPAIS Ferramentas Operário Equipamento Peças Figura 9.montadoras de automóveis que utilizam o sistema de produção em massa.em hospitais determinados processos tais como exames de raio X e exames laboratórios exigem instalações especiais. . construção de navios e aeronaves. etc. eles percorrerão um roteiro de processo a processo.. citando-se como exemplos: a construção de barragens. . portanto. processos similares (ou processos com necessidades similares) são localizados juntos um dos outros. etc. por processo. . é difícil de ser movimentado.Esquema básico de um Arranjo Físico Posicional Sua aplicação se restringe principalmente a casos onde o material. B . quando produtos. salas de projeções. ferramentaria. rodovias. salas de leituras. grandes turbinas. homens e componentes até o material imobilizado.. Ex: área de tornos. Exemplos de arranjo físico por processo: . etc. percorrerão diferentes roteiros através da operação. há uma separação clara em setores de produtos de higiene e limpeza. setores de frutas e legumes. área de banhos.supermercado é um típico exemplo de arranjo departamental ou funcional.2 . Por esta razão o padrão de fluxo na operação será bastante complexo. área de prensas. setor de periódicos. de acordo com suas necessidades.Arranjo funcional. Isto significa que.bibliotecas: setor de livros separados por assunto. sendo mais fácil transportar equipamentos. . É utilizado particularmente quando a tecnologia de execução (recursos transformadores) tem caráter predominante sobre os outros fatores de produção. também é freqüente a utilização de alas para pacientes que necessitam de tratamentos específicos tais como bloco cirúrgico e UTI. É um tipo de layout utilizado quando o produto é artesanal. área de fornos.

redução do tempo de ajuste de máquina na mudança de lotes dentro da família. os recursos transformados podem prosseguir para outra célula.eliminação do transporte e de filas ao pé da máquina. destinadas a atender inteiramente a fabricação de uma família de peças.Modelo esquemático de um Arranjo Físico Funcional ou por Processo C . tornando economicamente viável a produção de pequenos lotes. Isto implica na conveniência de operadores polivalentes. setor de artigos esportivos de uma loja de departamentos.redução dos defeitos. já que uma célula possui máquinas de características diferentes. Depois de serem processados na célula.redução de espaço. . . reduzindo-se então estoques de segurança intermediários.3 . Exemplos de arranjo celular: lancherias em supermercados. que tem características semelhantes em termos geométricos ou de processo. . A célula em si pode ser arranjada por processo ou por produto.maior facilidade no planejamento e controle da produção. Esta disposição de máquinas tem as seguintes vantagens potencialmente comparandose principalmente com o arranjo físico funcional: . O que caracteriza cada célula é ser um conjunto de máquinas voltada a produzir uma determinada família de peças.109 SE SE SE SE SE SE TO TO TO TO TO TO FR FR FR FR FR FR RE RE RE RE RE RE Figura 9. .Arranjo celular ou de grupo Neste tipo de disposição as máquinas são arranjadas em grupos de células de tipos diversos. . na medida em que num arranjo celular um trabalhador pode passar a peça diretamente a outro e se houver defeito o próprio trabalhador devolverá a peça ao companheiro. na medida em que o problema de alocação de ordens de produção das máquinas é extremamente minimizado.

5 . informações ou clientes é muito claro e previsível no arranjo físico por produto. O material passa por cada estação de trabalho até transformar-se em um produto acabado. O fluxo de produtos. etc.).4 .Arranjo linear ou por produto Arranjo utilizado quando as estações de trabalho obedecem a mesma seqüência de operações por que passa o produto. A escolha da(s) alternativa(s) é fortemente influenciada pelas características da relação volume e variedade da operação.110 SE TO TO RE RE FU TO TO FU FR FR FU TO FU FU RE RE FR Figura 9.Modelo esquemático de um Arranjo Linear ou por Produto Em geral a escolha do tipo básico de arranjo físico a adotar não é direta até porque existem as alternativas de escolha de arranjos mistos. A localização dos recursos transformadores (equipamentos. mas é o material que se movimenta para sofrer as operações. o que faz dele um arranjo muito fácil de controlar. É o caso de linha de montagem de automóvel. pessoal) é feita obedecendo inteiramente a melhor conveniência do recurso que está sendo transformado. O entendimento correto das vantagens e desvantagens de cada um dos arranjos auxilia bastante a decisão da escolha. Na tabela 9.Modelo esquemático de um Arranjo Celular ou de Grupo D . instalações. A peça é produzida numa determinada área.1 estão apresentadas de forma resumida as vantagens e desvantagens de cada um dos 4 tipos de arranjos básicos. Matéria Prima TO TO TO TO Produto Acabado Figura 9. . Também é adotado nas indústrias de processo contínuo de produção (fábricas de adubo. cimento.

Dificuldade e custo de reconfigurar o arranjo atual. Por exemplo. . Com volumes maiores e variedade menor. perturbado.Baixa utilização dos recursos. um arranjo definido completamente por fluxo torna-se difícil porque produtos ou clientes terão diferentes padrões de fluxo. Bastante susceptível a problemas de interrupções por falhas do equipamento.Vantagens e desvantagens dos 4 tipos básicos de Arranjo Físico Arranjo Vantagens Desvantagens . Sob essas condições. .Baixa flexibilidade em termos de variedade de produtos. na biblioteca do exemplo 3 dos anexos. . Quando o volume produzido é baixo e a variedade de produtos é alta. Processo Celular Produto .10.Custos unitários muito altos.1 . o fluxo não é uma questão central. .Elevada flexibilidade em termos de tipo e . Possibilita a utilização de equipamentos especializados. Pode reduzir níveis de utilização de recursos.Fluxo do produto na linha rápido. . Por exemplo. . . . Como as necessidades de seus clientes .Alta variedade de tarefas para a mão de obra. _ Compatibiliza baixo custo com varie. 9.Fluxo regular de clientes e materiais. informações e clientes depende muito da configuração de arranjo físico escolhida e a importância do fluxo para uma operação dependerá muito das características da relação volume variedade. . Se a variedade ainda é alta.Pode significar muita movimentação de . . . a maior probabilidade é a escolha de um arranjo posicional ou por peça fixa.O fluxo pode ser complexo e difícil de controlar. . o fluxo dos recursos transformados torna-se uma questão mais importante que deve ser tratada pela decisão referente ao arranjo físico.Baixos custos unitários para altos volumes.Necessitar de capacidade adicional.Trabalho pode ser repetitivo. . equipamentos e de mão de obra.Estudo do Fluxo O fluxo de materiais.Praticamente não é afetado em termos de interrupção de etapas. em operações de manufatura de satélites de comunicação. porque cada produto é diferente dos outros e porque produtos fluem através da operação com pouca freqüência.Alta flexibilidade em termos de tipo e variedade de produtos.Facilidade em termos de supervisão de equipamentos e instalações.111 Tabela 9. variedade de produtos.2 . os diferentes tipos de livros e os outros serviços serão arranjados de forma a tentar minimizar a distância que seus clientes terão que percorrer. simplesmente não vale a pena arranjar os recursos de forma a minimizar o fluxo através da operação. . entretanto.Pode ter alto estoque em processo ou filas de clientes.O produto ou cliente não é movimentado ou pode ser complexa.A programação de espaço e de atividades Posicional .dade relativamente alta.O trabalho em grupo pode resultar em melhor motivação .

6 Relacionamento entre volume e variedade com o tipo de arranjo físico Baixo Volume Posicional Alto V a r i e d a d e Baixa Por processo Celular Por produto Fluxo Regular . Já quando a variedade de produtos e serviços é relativamente pequena. um arranjo celular torna-se mais adequado. inviabiliza a organização de um fluxo regular e contínuo dos recursos transformadores. Esses exemplos mostram a influência da relação volume-variedade na escolha do tipo básico de arranjo físico. também aumenta a decisão de se controlar o fluxo das operações. Fluxo Intermiten te Alta Figura 9. poderá satisfazer a maioria de seus clientes. de forma que um grupo de clientes com necessidades similares possa ser identificado. A figura 9. Se a variedade de produtos e serviços é menor.112 variam. Reduzindo a variedade de produtos e aumentando-se o volume de produção de cada produto a importância de se considerar o fluxo aumenta. o arranjo da biblioteca. e conforme o volume a ser produzido aumenta. como na célula de artigos esportivos (exemplo 4 dos anexos).6 apresenta de forma gráfica a relação entre o volume e variedade com o tipo de arranjo físico. o fluxo de materiais. ficando uma minoria prejudicada nesse aspecto. uma variedade muito alta de produtos com baixo volume de produção. embora ainda alta. A medida que a variedade de produtos e serviços se reduz aumenta a possibilidade de se arranjar os recursos transformadores de acordo com o processamento. assim como aumenta a possibilidade de se organizar um arranjo físico tendo um fluxo regular e contínuo. informações e clientes pode ser regularizado através de um arranjo físico por produto. Em outras palavras. quando muito. como no caso de uma montadora de veículos.

A análise . armazenagem e inspeção. sem cruzamentos. determina-se a forma como ele é realizado. As convenções utilizadas são: Espera Operação Transporte Inspeção Armazenagem Figura 9. Toda vez que a movimentação dos materiais for a parte preponderante do processo. sem retornos. As convenções padronizadas são utilizadas por muitos. B) Gráfico de processos múltiplos. no entanto podem ser adaptadas a cada caso a fim de se obter melhor visualização das etapas do processo em estudo. Isto é valido principalmente quando os materiais são volumosos ou pesados. Existem vários métodos para análise de fluxo. a análise do fluxo será a base do planejamento das instalações.7 . perdas e sobras.113 A análise do fluxo é realizada para determinar-se a melhor seqüência de movimentação dos materiais através das etapas exigidas pelo processo e também para determinar-se a intensidade ou magnitude dos movimentos. apresenta o fluxo de operações ligando os símbolos indicativos de cada atividade conforme sua seqüência lógica no processamento das operações. Na análise de fluxo de materiais. é recomendável preparar um esboço do processo de fabricação de cada um dos componentes e da sua seqüência de operação. principalmente quando há montagens complexas. ou ainda quando os custos de transporte e movimentação sejam maiores que os custos de operação. C) Carta De-Para A) Gráfico de processo ou gráfico de fluxo Utilizando uma linguagem simbólica originalmente desenvolvida pelo casal Gilbreth (posteriormente modificado pela ASME). O fluxo deve permitir que o material se movimente progressivamente durante o processo. além da seqüência dos movimentos é necessário estudar a intensidade ou magnitude do fluxo de materiais e considerar os refugos. Dessa forma podem ser diagramados qualquer fluxo de materiais.Símbolos básicos usados no gráfico de processo Para auxiliar na elaboração do gráfico. Tomando-se um produto ou serviço completo e desmembrando-o em peças e operações. Com isso pode ser realizado um gráfico com a seqüência de suas operações para a análise de fluxo. Os mais comuns são: A) Gráfico de processo ou gráfico de fluxo. ou em grande quantidade. sem desvios.

8 obtêm-se a carta De-Para da figura 9. A primeira coluna à esquerda é reservada para as operações e cada uma das outras colunas é reservada para um dos produtos.9 . B) Gráfico de processo múltiplos Quando há três ou quatro produtos. caixas. O roteiro de cada produto é traçado por meio de operações pré-identificadas. Ela é feita para coordenar as inter-relações entre operações ou atividades. Mas quando são vários produtos (até 10) é melhor usar o gráfico de processo múltiplos. A magnitude do movimento (ou intensidade do fluxo) nos diversos roteiros ou caminhos é uma medida que expressa a importância relativa de cada ramo do roteiro do processo e da proximidade relativa entre as operações.114 do fluxo de materiais inclui. deve ser feito um gráfico de processo para cada um deles. tanto a seqüência quanto a intensidade ou magnitude do movimento dos materiais. ao lado de cada linha de fluxo. Uma forma de representar a intensidade do fluxo e colocar seu valor. a seleção ou grupamento das atividades abre caminho para a Carta De-Para. volume. Cada retângulo de interseção mostra o movimento de uma operação para outra. etc. Por exemplo partindo do gráfico de processos múltiplos mostrado na figura 9. O objetivo de um bom arranjo é obter um fluxo progressivo com o mínimo de retornos e aproximar ao máximo as operações entre as quais haja uma alta intensidade de fluxo. Nesta carta as operações. Este gráfico junta todos os produtos em uma única folha de papel. obedecendo à mesma seqüência. em uma unidade apropriada. As unidades de medidas podem ser peso. atividades e os centros de trabalho são listados na primeira linha e na primeira coluna. número de vagões. Com os roteiros colocados lado a lado podemos fazer uma comparação dos fluxos de cada produto. portanto. Isso pode ser feito trocando-se a ordem entre as linhas horizontais (operações) do gráfico até obter-se a seqüência mais adequada. C) Carta De-Para Quando os produtos componentes ou materiais em estudo são muito numerosos. O cálculo pode ser feito através do número de peças em movimentação por período e o volume ou massa de cada uma delas.

8 .Gráfico de processos múltiplos PARA DE Cortar 1 Cortar 1 Entalhar 2 ABC 3 Estirar 3 Furar 4 EF 2 Dobrar 5 Aplainar 6 Entalhar 2 Estirar Furar Dobrar 3 4 5 BD 2 AC 2 BDE F C 4 1 BDE 3 1 CEF 3 A Aplainar 6 Figura 9.9 .Para .Carta De.115 Operação Cortar Peça ou Produto A 1 B 1 2 3 1 2 C D 1 1 4 2 2 3 5 4 E 1 F Entalhar 2 Estirar Furar Dobrar Aplainar 3 3 3 2 3 4 5 4 4 5 4 Figura 9.

3 . preparação. áreas de escritório ou oficinas de reparo e manutenção. 3) Em empresas de prestação de serviços.Muito importante ou especialmente importante. O efeito de fatores como este. entre outros.Pouco importante U . E .Importante O . não existe um fluxo de material definido e constante. o roteiro de operações pode indicar a seguinte seqüência: moldagem.10. Cada losango é dividido em duas partes. Há. Mas o tratamento é uma operação que deve atender às regras de higiene e segurança por suas características ambientais e de processo. ou mesmo a fatores relativos à distribuição de suprimentos. à contaminação do produto. necessidade de se encontrar uma forma sistemática de integra os serviços de suporte ao fluxo de materiais. Para atender ao fluxo de materiais. 2) Muitas vezes o fluxo de materiais não tem importância para o arranjo físico. Por exemplo.Absolutamente necessário.116 9. Há varias razões para que o fluxo de materiais nem sempre seja considerado a base única para o arranjo físico: 1) Os serviços de suporte devem se integrar ao fluxo de forma organizada. Para sua construção procede-se da seguinte forma. podem existir outras operações de maior importância.Inter-relações não baseadas no fluxo de materiais A consideração do fluxo isoladamente não é a melhor base para o planejamento das instalações. Esta carta é uma matriz triangular onde representa-se o grau de proximidade e o tipo de inter-relação entre uma certa atividade e cada uma das outras. Há determinadas atividades de suporte que obrigatoriamente devem ficar próximas a certas áreas produtivas. 4) Mesmo em operações que o fluxo seja relevante.1 do Richard Muther): quando a linha descendente da atividade 1 cruza com a linha ascendente da atividade 4. A melhor alternativa nesse sentido é a carta de interligações preferenciais.Indesejável . A parte superior é reservada para classificar a interligação segundo a seguinte escala de valores : A . Ela é uma das ferramentas mais práticas e efetivas para o planejamento do layout. Ou seja.Desprezível X . É a melhor maneira de integrar os serviços de apoio aos departamentos de produção ou de planejar o arranjo de escritórios e áreas de serviço nas quais existe um pequeno fluxo de materiais. Dessa forma existe um losango de interseção para cada par de atividades. I . conforme pode ser acompanhado na figura em anexo (figura 5. o setor de tratamento deveria ser colocado entre a preparação e a submontagem. portanto. montagens e embalagens. submontagem. o setor de tratamento deveria ficar longe da área de submontagem que envolve operações mais delicadas e de grande concentração de pessoal. ao custo de controle da qualidade. tratamento. O objetivo básico da carta é mostrar quais as atividades devem ser localizadas próximas e quais as que ficarão afastadas. deve ser comparado com a importância do fluxo de materiais e os ajustes devem ser feitos conforme as necessidades práticas. o losango resultante indica o relacionamento entre duas atividades.

uma grande quantidade de informações é colocada numa única folha de papel sem que se faça necessário escrever observações adicionais. quando acompanhada pela “razão” desta proximidade. poderão surgir outras razões além das citadas. Qualquer que seja o projeto.desprezível em branco X . as razões básicas para a determinação de grau de proximidade são: 1. Na prática. Supervisão ou controle 7. Utilização dos mesmos suprimentos 11. Desejos específicos da administração ou conveniências pessoais. . As razões deverão ser listadas e codificadas para facilitar o preenchimento da carta. O registro das classificações pode ser feito a lápis ou outro recurso de escrita qualquer. as cores são colocadas apenas na metade superior de cada losango. Necessidade de contato pessoal 3. Mas como letras e símbolos se tornam confusos quando usados em grande quantidade. Cada losango da carta será colorido segundo a convenção estabelecida. Utilização de equipamentos comuns 4. Isto é feito. Urgência de serviço 9. entretanto. Pessoal em comum 6. Freqüência de contatos 8.117 A classificação de um par de atividades segundo a proximidade terá mais significado. Desta forma. já que cada cor representa um determinado grau de proximidade e não as razões.indesejável marrom Para facilitar a visualização. Fluxo de material 2. Utilização de registros semelhantes 5.absolutamente necessário vermelho E . No losango respectivo deverão constar os números correspondentes a cada uma das razões. será interessante utilizarmos um código de cores para a classificação.importante verde O . colocando-se o código numérico da razão na metade inferior dos losangos.especialmente importante amarelo I . As convenções de cores utilizadas são: A . Custo de distribuição de suprimentos 10.pouco importante azul U . Uma determinada interligação poderá ser justificada por mais de uma razão. Grau de utilização de formulários de comunicação 12.

eventualmente participantes do processo de seleção. 9. Essas alternativas serão então incorporadas aos vários ajustes do diagrama de inter-relações entre espaços. Uma vez que o tipo básico de arranjo físico tenha sido escolhido. Essencialmente este é um processo em que empenha-se em conseguir um arranjo das atividades que propicie a melhor combinação de todas as limitações práticas. a grande dependência de um único tipo de equipamento. símbolos e designações de atividades que utilizamos no planejamento. em um determinado projeto de arranjo físico poderíamos achar interessante a utilização de um sistema de transporte completamente automatizado e sincronizado.118 9.Alternativas de arranjo físico Enquanto trabalha-se com cada uma das variantes do problema. o próximo passo é executar o seu projeto detalhado. . B) Avaliação da análise dos fatores. C) Comparação e justificação de custos. Isto significa que os planos alternativos devem receber um tratamento gráfico de bom nível (com cópias satisfatórias). bem como a forma de fluxo. essas alternativas podem ser em número de seis a oito. podem não estar familiarizados com os códigos. São elas: A) Balanceamento das vantagens e desvantagens. mas as limitações práticas se opõem às vantagens de tal sistema: o retorno do investimento. A medida que trabalha-se com as possibilidades de arranjos e suas respectivas limitações deve-se registrar cada solução alternativa. cada alternativa deve ser representada de maneira clara. sejam considerações sobre o fluxo. o próximo passo é escolher aquela a ser adotada no arranjo final.5 . o problema é determinar qual das alternativas é a melhor. abandona-se as possibilidades que se mostram fracas e continua-se somente com as alternativas aparentemente de valor prático. já que cada idéia auxiliará no desenvolvimento de um arranjo mais satisfatório. Cada uma dessas idéias trará uma série de limitações práticas próprias. as possibilidades de mudanças. Há. o volume de produção. Cada uma tem uma série de vantagens e desvantagens. escolher a mais adequada para a configuração do arranjo final. Pelo contrário. Definidas as soluções alternativas.4 . a partir delas. A cada alternativa que surja haverá uma série de limitações práticas que devem ser pesadas.Escolha da concepção do arranjo físico Nesta fase.10. Ao final tem-se apenas um número relativamente pequeno de alternativas. os tipo básicos de arranjos. É muito raro chegar-se a um único arranjo. Deve-se realizar uma boa análise dessas alternativas procurando reduzi-las a um número entre 2 e 5 soluções possíveis.10. Por exemplo. pois sabemos que outras pessoas. À medida que compara-se os prós e os contras de cada uma delas. parte-se das alternativas selecionadas na fase anterior para. Antes de realizarmos a seleção. os problemas de fluxo de material que o sistema pode causar e outras limitações similares. a variedade. três maneiras de se realizar essa seleção. basicamente. diversas idéias sobre o arranjo físico vão surgindo. entre outros fatores.

Eficiência no manuseio de materiais.Avaliar os planos alternativos seguindo um fator de cada vez. B) Avaliação da análise de fatores Esse processo segue o procedimento.119 Cada plano ou alternativa deve ter um título ou uma breve descrição.Segurança da fábrica.Reunir esses fatores avaliados e ponderados. . construções e arredores. 4 . e comparar o valor total dos diversos planos. Mas quando isso acontecer. . . .Ponderar a importância relativa de cada um desses fatores em relação a cada um dos outros. deve-se redesenhar ou preparar uma nova cópia do plano de arranjo físico de modo que ele possa ser avaliado. 3 .Facilidade para futuras expansões. o menos preciso. Em conseqüência.Qualidade do produto ou material.Relações com a comunidade e o público. consequentemente o mais utilizado.Adaptabilidade e versatilidade. . . . o que ajuda a eliminar qualquer dúvida durante e após a avaliação. Conforme já dito.Utilização do equipamento.Utilização de espaços.Eficiência na integração dos serviços de suporte. avaliando-as segundo determinados critérios julgados relevantes para o problema.Problemas de manutenção. . Inconsistência e dúvidas neste ponto pode acarretar sérios problemas mais tarde. . ainda é possível realizar mudanças nos planos ou alternativas.Flexibilidade do arranjo físico. porém. . freqüentemente termina-se com uma nova combinação de duas (ou até mais) alternativas ou com uma ulterior modificação de uma delas. Uma lista de fatores ou considerações que aparecem mais comumente é apresentada a seguir (não estão em ordem de importância): . Condições de trabalho e satisfação dos trabalhadores. Basicamente o processo segue o seguinte: 1 .Eficiência da estocagem. um cuidado que se deve tomar é que eles sejam claramente definidos e de fácil compreensão. É natural durante a avaliação de alternativas de arranjos físicos surgir novas idéias. No estabelecimento dos fatores. . Lista-se as vantagens e desvantagens de cada alternativas.Utilização das condições naturais. de dividir o problema em seus elementos e analisar cada um deles separadamente. . 2 . . . Mesmo nesta fase. suficientemente curta para ser escrita no próprio plano e nas folhas de avaliação. a avaliação das alternativas pode ser feita através dos métodos descritos a seguir: A) Balanceamento das vantagens e desvantagens É o mais simples.Higiene e segurança. .Compatibilidade com os planos a longo prazo da empresa. valor promocional e imagem da organização.Listar todos os fatores que são considerados importantes ou significativos na seleção do melhor plano.Eficiência do fluxo de materiais. . que muitas vezes é a que acaba sendo selecionada. muito utilizado em engenharia.

uma pesquisa junto aos clientes do processo (externos e internos) é fundamental. Esta técnica possui benefícios psicológicos. . Uma exceção é o caso de supermercados que na medida do possível procuram fazer com os clientes passem por determinados produtos dentro da loja.A localização física de todas as instalações. alguns hospitais que usam faixas pintadas no chão com diferentes cores para indicar o roteiro para os diferentes departamentos.todos os processos que podem representar perigo.As tarefas que serão executados por centro de trabalho. Este procedimento se adapta especialmente para projetos onde as opiniões divergem muito em relação às considerações econômicas.Projeto Detalhado do Arranjo Físico O projeto detalhado do arranjo físico é o ato de operacionalizar os princípios gerais implícitos na escolha dos tipos básicos de arranjo físico. O método de análise dos fatores faz uma avaliação sistemática sem se basear em pontos de vista subjetivos. informações ou clientes deve ser canalizado pelo arranjo físico de forma a atender os objetivos da operação. como. Ela proporciona uma maneira conveniente e organizada de envolver os que participarão da avaliação e os que deverão aprovar as despesas. .o fluxo de materiais. . sendo por conseguinte particularmente aplicável onde os custos de investimento ou economias entre os planos não são precisos ou significativos. tanto para o trabalhador como para os clientes.120 .Possibilidade de satisfazer a capacidade produtiva. 9. equipamentos. Passagens devem ser claramente marcadas e mantidas livres. por exemplo. . Extensão do fluxo . isso significa minimizar as distâncias percorridas pelos recursos transformados.Facilidade de supervisão e controle. Por exemplo.11 . Saídas de incêndio devem ser claramente sinalizadas com acesso desimpedido.Todo o fluxo de materiais e clientes deve ser sinalizado de forma clara e evidente para clientes e para a mão-de-obra. As saídas do estágio de projeto detalhado de arranjo físico são: . operações de manufatura em geral têm corredores muito claramente definidos e marcados.O espaço a ser alocado a cada centro de trabalho. não devem ser acessíveis a pessoas não autorizadas. De certa forma os objetivos dependerão das circunstâncias específicas. Operações de serviços em geral usam roteiros sinalizados. Em muitas operações. . máquinas e pessoal que constituem os centros de trabalho do processo da empresa. Clareza do fluxo . e dentro de uma empresa adepta da filosofia da qualidade total. O valor representativo de cada valor para a organização em geral é estabelecido pela alta administração. No projeto detalhado do arranjo físico devem estar bem definidos quais os objetivos dessa atividade. mas há alguns objetivos gerais que são relevantes para todas as operações: Segurança inerente .Integração com a estrutura organizacional da empresa.

quando possível. é o equipamento (ou instalações).dimensionamento da área do centro de departamento. Não são muito confiáveis.as peças processadas. e todos os acessórios e espaço necessários ao seu perfeito desempenho. agradável. .todas as máquinas.todos os arranjos físicos devem permitir uso adequado do espaço disponível da operação (incluindo o espaço cúbico.o arranjo físico deve mudar periodicamente à medida que houver mudanças nas necessidades operacionais da empresa.o acesso dos meios de transporte e movimentação. . Uso do espaço . quanto aos resultados que apresentam. Isso em geral implica minimizar o espaço utilizado para determinado propósito.supervisão e coordenação devem ser facilitadas pela localização dos trabalhadores e dispositivos de comunicação. iluminado e. A . . Coordenação gerencial . .as matérias primas não processadas. . as ações seguintes devem ser conduzidas no sentido de operacionalizar o arranjo físico concebido. No dimensionamento do posto de trabalho deverão ser consideradas áreas para: .121 Conforto da equipe de trabalho . . etc. aquecimento. É a menor unidade de produção da fábrica. ventilação.1 . O dimensionamento de áreas será estudado em vários níveis: .Dimensionamento de Áreas O correto dimensionamento de áreas é um dos problemas mais trabalhosos com que se defronta o homem do arranjo físico.os serviços da fábrica: iluminação. O arranjo físico deve prover um ambiente de trabalho bem ventilado. ou. equipamentos e instalações devem estar acessíveis para permitir adequada limpeza e manutenção. se é possível que a demanda cresça para determinado produto ou serviço.Dimensionamento da área do posto de trabalho O posto de trabalho é uma unidade em funcionamento independente da fábrica.a equipe de trabalho deve ser alocada para locais distantes de partes barulhentas ou desagradáveis da operação. acrescidos ainda daqueles específicos ou particulares do processo de cada empresa. água. será que o arranjo físico foi projetado de modo a poder acomodar a futura expansão? Tendo-se em conta tais objetivos.dimensionamento da área da fábrica. assim como o espaço do piso). . ar comprimido. no entanto.atendimento aos dispositivos legais. o operador. 9. Um bom arranjo físico terá sido concebido com as potenciais necessidades das futuras operações. Por exemplo. como no lobby de entrada de hotéis de luxo. mas às vezes pode significar criar uma impressão de espaço luxuoso.dimensionamento da área do conjunto de postos de trabalho. algumas técnicas foram desenvolvidas procurando simplificar a sua obtenção.11. de outra forma. Procura-se aqui conceituar o problema de uma forma mais ampla.dimensionamento da área do posto de trabalho. Flexibilidade de longo prazo . Dessa forma. Acesso . .

catálogos de fabricantes. os resíduos.especificações técnicas. . Área para o operador .preparação das máquinas. .o operador. os cavacos.o acesso para manutenção. Essa área é obtida por: . .deslocamento de componentes.medidas diretas na máquina. . . As áreas para o equipamento e para o processo são registradas em planta. o espaço necessário para o seu posicionamento na fábrica.desenhos que acompanham o equipamento. . Devem ser previstos espaços para: .análise da preparação da máquina. Área para o processo . seja possível a execução das tarefas da operação. Área para o equipamento .análise da movimentação do material. sendo a primeira em linha cheia e a segunda em pontilhado.122 .colocação e retirada de dispositivos. . etc. . .alimentação das máquinas.é toda a área indispensável ao equipamento para que esse possa executar perfeitamente e sem limitações as suas operações de processamento. O dimensionamento desta área deverá ser obtido a partir de: . .tabelas de medidas antropométricas.o acesso dos operadores. As áreas são obtidas então por análise de movimentos dos membros envolvidos e por tabelas de medidas antropométricas. através da determinação dos deslocamentos dos membros envolvidos na atividade. O registro desta área é efetuado sobrepondo-a sobre a carta do equipamento b) movimento para realização do trabalho Em cada posição deve-se estudar todos os movimentos efetuados pelo operador na realização do trabalho. . etc.análise de movimentos dos membros envolvidos. . . instrumentos. .medidas de máquinas semelhantes ou idêntica.área necessária para os deslocamentos e a movimentação do operador terá para que.os refugos.o processo. em conjunto com o equipamento. . Essas dimensões podem ser obtidas através de: . . dispositivos. as ferramentas. Há três tipos de áreas para serem consideradas: a) deslocamento do operador relativamente á máquina Onde são consideradas as diferentes posições de trabalho do operador na operação e os deslocamentos necessários para atingir essas diferentes posições.o equipamento.análise do processo. Esse registro denomina-se diagrama ou carta do equipamento.é a projeção estática do equipamento. .catálogos de fabricantes.retirada de peças processadas. Compreende as dimensões volumétricas máxima do equipamento. .

Portanto. de falta de segurança ou semelhantes. Este dimensionamento está estritamente relacionado com a programação da produção. Auxiliam na determinação desta área o estudo do deslocamento do operador e as tabelas de medidas antropométricas.em um processo de produção (industrial principalmente). Deve-se. deve agir com os equipamentos próximos em pleno funcionamento. de tabelas de medidas antropométricos. é constante a retirada e colocação de peças para processamento. Esta área deve ser sobreposta á carta do operador e do equipamento. Área para acesso dos operadores . c) outras Tanto nos deslocamentos do operador como nos movimentos de seus membros devem ser considerados os aspectos de segurança. e nem a pessoa que estiver executando os serviços estar sujeita a acidentes provocados pelo seu mau funcionamento. Não se deve esquecer que os componentes principais da máquina podem também exigir manutenção. Esta área é obtida através de análise de movimentos.123 Uma técnica que pode ser utilizada é o gráfico mão esquerda . Área para acesso da manutenção . Área para matérias primas não processadas e para peças processadas . no dimensionamento de corredores deve estar previsto como será feita a carga e descarga no posto de trabalho. a peça é transportada em lotes e fica ao lado da máquina à espera do processamento. Área para acesso dos meios de transporte e movimentação . Pode se registrar essa área sobrepondo-a sobre as anteriores. Deve-se prever as seguintes áreas para serviços regulares de manutenção preventiva e para serviços de manutenção corretiva.o transporte precisa retirar e colocar material. e que esse trabalho não deve interromper o ciclo normal dos equipamentos vizinhos. plena liberdade de movimentação. de observação e bom senso. reservar área para essa demora. .mão direita.freqüentemente. Logo. Esta área pode ser adicionada às áreas do operador e do equipamento. Nesse caso.há necessidade do transporte atingir o centro de produção. e cuidar para que não haja interferência de áreas. portanto. dos eixos principais e as áreas principais para sua remoção. O registro desta área é feito sobrepondo-a sobre à carta do operador e do equipamento. devem ser analisadas as dimensões de mesas. necessidade e dimensionamentos de assentos para operários. Outro fato que também deve ser considerado é que a manutenção.a manutenção é uma atividade imprescindível em quase todos os processos industriais. Sendo assim. Devese prever então que: .deve-se estudar como será feita a entrada e saída do operador no posto de trabalho. freqüentemente. deve-se prever as condições mais desfavoráveis para . Basicamente essa área deve permitir livre movimentação com segurança e rapidez. o que iria prejudicar o bom desempenho da operação. e alguns aspectos psicológicos envolvidos como sensação de enclausuramento. deve-se prever áreas para que os encarregados de executar essas atividade possam acessá-la livremente.

freqüência da coleta.método de transporte. cavacos.definir os serviços de fábrica que são necessários. .o sistema de programação e entrega do material.o posto de trabalho pode exigir alguns serviços de fábrica como. a área já dimensionada para materiais. . as fundições de ferro e aço. . se esta vier a ocorrer. aparas. Há necessidade. aquecimento e ar comprimido. Para dimensionar esta área é necessário conhecer: . de se prever área específica destinada para tal fim. plaina ou fresadora. Em algumas indústrias. Área para refugos. não ocorra prejuízos ao posto de trabalho. . canais.levantar suas dimensões. como e onde colocar). as operações de prensa. Não existem regras gerais de dimensionamento pois tudo depende da programação da produção. .a liberação de sobras por período de tempo. .verificar como esses serviços são conduzidos ao posto de trabalho.124 que. instrumentos .método de armazenamento. Para realizar esse dimensionamento. Esta área deve ser superposta ás anteriores. . só para citar alguns exemplos. dimensão da matéria prima a ser processada. maçalotes. arestas cortantes. muitas vezes. que é entregue no posto de trabalho juntamente com a matéria prima a ser processada. e o operário é o responsável pela sua guarda e manutenção. Essas áreas devem ser posicionadas de forma que não prejudique o bom desempenho do posto de trabalho. Área para serviços de fábrica . . etc.como é feito o depósito. . em muito. dimensões máximas e mínimas.número de peças do ferramental. sobras. o volume daqueles supera. . porém. por exemplo.dimensão do depósito. . cavacos. fragilidade. Área para ferramentas. Deve-se então: . o processamento do vidro.os processos de usinagem com remoção de cavacos. . produzem refugos.a necessidade de processamento de um ou vários materiais diferentes e de sua separação. impregnação de óleo. . então. bem como determinadas operações industriais.método de armazenamento. produzem sobras de materiais que. tiras. são de volume significativo.características especiais do material liberado. o ferramental é colocado ao lado da máquina.sua forma física.verificar seu relacionamento com o posto de trabalho (iluminação por exemplo. e muitas vezes.como é feita a coleta. simultaneamente com a produção de peças boas. deve-se conhecer: . dispositivos. alumínio ou latão. . as injetoras de plástico. . como por exemplo: temperatura. o resultado líquido da operação industrial. iluminação. água.o sistema de programação e entrega de materiais. Convém lembrar que esses serviços estão em posição fixa em relação ao equipamento e que não podem ocupar áreas vitais para o processamento e movimentação. A usinagem em tornos automáticos. Em função disso no seu dimensionamento deve-se conhecer: . .em geral a programação se encarrega do transporte do ferramental necessário à operação. resíduos .método de transporte. utilizando dessa forma.

30 m (um metro e trinta centímetros) quando entre partes móveis de máquinas. Em nenhum local de trabalho poderá haver acúmulo de máquinas. antes da utilização ou alteração dos tamplates ou maquetes. mesmo em empresas que já estejam plenamente equipadas para utilizar tamplates. Também deve-se considerar que a apresentação final do arranjo físico é com freqüência o único elemento a ser observado e analisado pelos escalões superiores da empresa. máquinas e equipamentos existem as seguintes regulamentações: . Constituem-se basicamente de modelos bidimensionais pré-impressos do equipamento. Entre as máquinas de qualquer local de trabalho. Deixar-se-á espaço suficiente para a circulação em torno das máquinas. a fim de permitir seu livre funcionamento.Art. serão satisfeitos as determinações legais exigidas pela legislação. B) Modelos bidimensionais ou templates C) Modelos tridimensionais ou maquetes D) Programas computacionais ou softwares A) Desenho Por ser o método mais prático de arranjar e distribuir os espaços no planejamento do layout. de tal forma que constitua risco de acidentes para os empregados. instalações ou pilhas de materiais. deverá haver passagem livre. Normalmente é utilizado para auxiliar nas análises de possibilidades. materiais ou produtos acabados.12 . podendo ser . B) Modelos bidimensionais ou Templates É o método de representação visual de arranjos físicos mais flexível e ajustável. A autoridade competente em segurança do trabalho poderá determinar que essas dimensões sejam ampliadas quando assim o exigirem as características das máquinas e instalações ou tipos de operações. . da sua apresentação final. que será de 1. Dessa forma. reparo e manuseio dos materiais e produtos acabados. São quatro as formas básicas de apresentação de um estudo de arranjo físico: A) Desenhos. 9. pois a aceitação da proposta vai depender muito de sua venda. maquetes ou softwares. conduzem a um projeto que possibilita o desempenho da operação industrial com conforto e segurança. ou seja. 188. para avaliações. de pelo menos 0.Apresentação do estudo A fase de apresentação do layout é.Art. que nem sempre se interessam pelas etapas preliminares do estudo. Apresentam a vantagem de ser um instrumento de fácil manuseio podendo ser usado. ajuste. o planejador do arranjo físico deve procurar os melhores elementos de visualização e que ressaltem a eficiência da solução adotada. 189. no próprio local da instalação.125 Área para atendimento dos dispositivos legais A análise do trabalho e o dimensionamento correto de área. o desenho é a técnica de representação mais utilizada. § 2o. muitas vezes da maior importância. Com relação a instalações. § 1o.80 m (oitenta centímetros).Dessa forma. como decorrência.

como complemento aos templates e aos desenhos e não para substitui-los. assim como para os operadores. C) Modelos Tridimensionais ou maquetes São a forma mais clara de representação do arranjo físico. verificação e apresentação do arranjo para as pessoas envolvidas. Um dos fatores que prejudicam o uso de maquetes são seu alto custo. permitindo uma melhor visualização espacial do conjunto. tenham um alto custo. mostra um resumo explicativo de quando utilizar desenhos.126 feitos em diversos graus de detalhamento. A grande aplicação das maquetes é na revisão. podem ser úteis para a explicação do arranjo para fornecedores externos. 2o) Trabalhar com as alternativas com a utilização de templates. ou que introduzam novos processos ou produtos e principalmente. indica-se a montagem de um modelo tridimensional o mais completo possível. Dessa forma. as maquetes só se justificam economicamente em instalações que requeiram alto investimento ou que envolvam problemas relativos à altura. Em geral. que. que fornecerá muito mais informações do que uma planta. . portanto . Os modelos tridimensionais ou maquetes são usados. especialmente para pessoas acostumadas a trabalhos em engenharia. Diversos materiais podem ser utilizados para sua confecção sendo os mais comuns a cartolina e o plástico. A compreensão do projeto é bastante rápida. Assim a seqüência normalmente seguida pelo projetista é: 1o) Estudar as idéias sobre o arranjo por meio de desenhos ou croquis. A tabela a seguir. para a alta administração. o espaço necessário para guardá-los. Um arranjo com modelos é bastante fácil de ser visualizado por suas próprias características tridimensionais. Os modelos são réplicas aproximadamente perfeitas do equipamento. assim que se decidir sobre a melhor alternativa. em função da grande área. templates e maquetes. serão responsáveis pela aprovação. O uso de modelos tridimensionais se justifica em projetos que envolvam problemas com a terceira dimensão. quando o trabalho de engenharia é feito fora do local da instalação. em muitos casos. Em particular. 3o) Preparar os modelos tridimensionais. para rever e checar o arranjo com as outras pessoas que participaram do plano. Também são de grande utilidade para instruir operadores e empregados em serviços de suporte sobre o funcionamento do arranjo. facilidade de quebra. entre outros. como complexos químicos ou fábricas que utilizam transporte elevado. dos homens e do material.

templates e maquetes GUIA PARA O USO DE DESENHOS. No esboço das idéias iniciais 3. ou um novo tipo de layout. No refinamento do plano. especialmente quando o preço do terreno for alto. Quando a revisão e análise do projeto por outras pessoas se tornarem importante 5. Quando outras pessoas não pertencentes ao grupo estiverem participando 5. 4. Quando o arranjo envolver um número muito grande de pessoas. Quando não houver tempo para obter templates e maquetes 2. Quando um dos problemas principais é o uso da terceira dimensão 2. Quando os templates forem facilmente disponíveis 3. Quando não se tiver experiência e o projeto não justificar o uso das outras técnicas 4. bem diferente do utilizado 3. Quando o projetista tiver experiência prévia em trabalhos com templates 4. para coleta de informações 1. Quando o projeto envolver um investimento muito grande ou quando o tempo de vida for grande. Quando o projeto envolver muitas alternativas 1.Tabela resumo para utilização de desenhos.2 . causando problemas e exigindo treinamento de empregados e supervisores DESENHOS TEMPLATES MAQUETES . novos métodos ou procedimentos.127 Tabela 9. TEMPLATES E MAQUETES 1. No planejamento do layout detalhado de uma grande área ou em rearranjos repetidos 2. Quando o projeto envolver novos processos.

Engineering Design: a systematic approach. São Paulo: Editora Edgard Blücher. Springer-Verlag.A . G AND BEITZ. 1997. [4} SLACK N. L. [3] PAHL. 1992. London. [2] OLIVERIO. R. W. J. Planejamento do layout: sistema SLP.128 Referências Bibliográficas [1] MUTHER. São Paulo: Editora Atlas S. 1978. Produtos processos e instalações industriais. São Bernardo do Campo: Editora Ivan Rossi. . et alli Administração da Produção.