O catador de latinhas.

Pedro era um catador de latinhas. Fazia disso um estilo de sobrevivência. Era simples e só. Morava em uma pequena casinha num bairro da periferia, mas era feliz. Vivia para si, do modo como gostava. Não possuía bens matérias, só a vida lhe bastava como elemento de felicidade. Todos os dias fazia sua rotina diária, levantava antes do nascer do sol para admirá-lo, tomava seu café e seguia ruas e ruas procurando latinhas que as pessoas deixavam perdida pelos lixos da cidade. Todos os dias eram as mesmas coisas, os mesmos trajetos, as mesmas ruas, as mesmas pessoas... Até que certo dia acordou querendo fazer algo diferente. Resolveu mudar sua rotina, queria evitar que o tédio lhe batesse à porta. Caminhando por outras ruas a qual ele nunca passara, sempre muito atento aos detalhes, na ânsia de encontrar suas latinhas, Pedro vê no banquinho de uma praça um envelope fechado. Olha ao redor, mas não vê absolutamente ninguém. O movimento das ruas ainda é fraco, andam por ela somente aquelas pessoas que vão ao trabalho ou a qualquer outro tipo de compromisso. Pedro se aproxima e pega o envelope na mão, mas não tinha remetente. Ele sabia que era errado abrir a correspondência alheia, mas a curiosidade falou mais alto e Pedro não pôde controlar. Ao abrir, Pedro se vê diante de uma notícia terrível, alguém a quem ele não fazia ideia de quem fosse iria se suicidar a qualquer momento. O mundo para ele parecia ter parado ali. Era como se a gravidade sumisse da atmosfera. Não sabia bem o porquê se sentia assim, o porquê desse bilhete ter lhe afetado tanto ao ponto de quase nem conseguir respirar. Só sabia apenas que precisava encontrar aquela pessoa antes que fosse tarde demais. Mas como?! Pedro se perguntava. Não havia endereço, não havia remetente, não havia nada. Apenas uma carta de despedida de alguém que estava muito infeliz. Ele tornou a ler pra ver se não havia sinais. Tem que haver sinais, ele pensava. Ou por que alguém deixaria uma carta assim... E a sorte lhe sorriu. Havia no verso da folha, num cantinho, apenas um endereço e nada mais. Tinha que ser ali era ali. Insistia Pedro. Correu o mais depressa que pôde até o local, era uma rua deserta que levava a uma ponte. Ao chegar, ele avistou apenas uma moça que chorava muito e estava a um passo de pular. Era ela! Ele foi ao seu encontro e conseguiu segurá-la antes daquele infortúnio. Laura ia suicidar-se, pois se sentia infeliz. Tinha tudo o que queria, havia nascido em ''berço de ouro'', mas sua vida era amarga. Foi através de Pedro que ela conheceu um mundo diferente. Ele não tinha nada, mas a vida era seu tudo. Descobriu que a felicidade não está em bens matérias, e sim no modo como a gente escolhe viver.

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