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Gerenciamento de Recursos Hidricos

Gerenciamento de Recursos Hidricos

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ANEEL - Agencia Nacional de Energia Eletrica
ANA - Agencia Nacional de Aguas
OMM - Organizacao Metereologica Mundial

Panorama geral da questão do gerenciamento dos recursos hídricos no Brasil - presevação e uso racional.
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Panorama geral da questão do gerenciamento dos recursos hídricos no Brasil - presevação e uso racional.

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Os recursos hídricos podem ser avaliados sob duas perspectivas: a das potencialidades e a das

disponibilidades.

Recursos potenciais são os que decorrem do regime natural dos escoamentos superficiais e
subterrâneos, isto é, os que não são influenciados pelas atividades do homem e representam, portanto,
um estado natural de base, cuja variabilidade depende apenas de características de natureza
geográfica, climática e fisiográfica.

Recursos disponíveis são os que resultam da modificação do regime natural dos escoamentos
em conseqüência da intervenção do homem e, portanto, a sua variabilidade, além de depender dos
fatores que condicionam os recursos potenciais, depende também dos aproveitamentos e das
utilizações da água.

De maneira geral, não é indiferente para o aproveitamento dos recursos hídricos que as reservas
naturais da água de um país estejam mais concentradas numa região do que noutra, e são também
condicionantes as características do regime hidrológico em termos de distribuição e importância relativa
dos períodos úmidos e secos. Também não são indiferentes as características de qualidade de águas
das várias origens.

O conceito de disponibilidade implica, pois, no seu significado amplo, a consideração de
aspectos tais como localização, regime, qualidade, grau de aproveitamento e tipo de utilização dos
recursos.

Mais do que simples análise do ciclo hidrológico, o inventário de disponibilidades de água deve
presumir uma quantificação dinâmica, uma precisa definição do quanto, onde, quando e como dos
recursos hídricos.

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Quando se inventariam os recursos hídricos de uma bacia, região ou país, devem-se ter em
conta as potencialidades e as disponibilidades, procurando-se determinar a interseção dos processos
naturais e das atividades econômicas e, de maneira geral, todos os fatores suscetíveis de transformar o
estado natural por influência do homem.

A definição do grau de pormenor com que é realizado o inventário dos recursos condiciona o
custo do inventário. Em termos gerais, pode dizer-se que o grau de minúcia do inventário está
relacionado com o valor econômico da informação recolhida, não devendo, por isso, ser definido a
priori mas apenas como análise de custo-benefício do processo de levantamento de informações.
Porém, a própria estimativa do valor econômico da informação hidrológica impõe a existência prévia de
algum tipo de informação. Isso implica que o inventário se deva processar de forma iterativa, partindo
de um levantamento geral de informação, feito com malha suficientemente larga, para uma progressiva
pormenorização ulterior, nas regiões em que tal se justifique.

As variáveis que definem os recursos hídricos têm caráter aleatório pelo que, para além dos
correspondentes valores médios, interessa sobretudo conhecer a sua distribuição no espaço e no
tempo. Para ser possível a caracterização daquelas variáveis, é necessário que sejam
simultaneamente preenchidas as condições seguintes:

- distribuição geográfica correta e densidade adequada dos pontos de observação;
- freqüência adequada de observações;
- período de observação suficientemente extenso;
- precisão suficiente das observações.

O levantamento de informações relativas às variáveis que definem os recursos hídricos pode ser
otimizada pela combinação de observações pontuais, manuais ou automatizadas, com observações
globais decorrentes da aplicação de técnicas como, por exemplo, as de detecção remota.

As principais informações a serem obtidas são referentes ao clima, à quantidade e à qualidade
de água, bem como às obras de aproveitamento dos recursos hídricos:

a)Informações relativas ao clima – as informações climatológicas (precipitação, evaporação,
evapotranspiração, temperatura, e outras) exigem grande número de observações, quer no
espaço quer no tempo, a fim de se poder caracterizar de forma adequada a sua probabilidade
de ocorrência;

b) Informações relativas à quantidade de água – o conhecimento dos caudais ou volumes de
águas superficiais exige também, pelos mesmos motivos, grande número de observações,
além da determinação das suas relações com os dados climatológicos. A determinação
dessas relações é muito importante, já que os valores dos caudais medidos diretamente nos
cursos de água são cada vez mais afetados pelo comportamento dos utilizadores da água, o
que impede, portanto, a obtenção de séries suficientemente longas e homogêneas de
caudais representativos de sua distribuição estatística. Assumem aqui importância relevante,
por exemplo, o estudos em bacias hidrográficas representativas e experimentais e os
modelos de simulação, como meio de caracterizar, com suficiente rigor, as relações entre
precipitações e caudais. A obtenção de informações relativas às águas subterrâneas levanta
problemas mais complexos do que os anteriormente indicados, quais sejam:

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- do volume de água que, em ano médio, alimenta o aqüífero;
- do volume de água que, para um dado regime de alimentação do aqüífero, pode dele ser

retirado;

- do efeito regulador que pode ter o aqüífero no caso de uma sobrealimentação ou de uma
sobreexploração sazonal;
- das relações entre as quantidades de águas subterrâneas e superficiais.

Para que sejam obtidas tais informações é, pois, necessário ter um conhecimento global das
características geológicas dos aqüíferos e das características hidrodinâmicas das águas
subterrâneas. Uma vez que parte importante da precipitação transita para os aqüíferos, o
seu comportamento e utilização tem papel essencial na gestão dos recursos hídricos.

As medições de caudais, normalmente muito dispendiosas, apenas dão informações pontuais
de reduzido interesse para o conhecimento das reservas existentes, do seu efeito
regularizador, da sua capacidade de alimentação, e outras características. Atualmente,
recorre-se cada vez mais aos dados regionais sobre a distribuição no espaço e a evolução no
tempo dos níveis dos aqüíferos, ao tratamento matemático desses dados como eventual
recurso, e ao apoio de técnicas experimentais.

c) Informações relativas à qualidade de água: contrariamente ao que sucede quanto às
informações relativas à quantidade de águas, não interessa, quando se analisa o problema
das informações relativas à qualidade, distinguir as águas superficiais das águas
subterrâneas, dado que a diferença de origens não afeta substancialmente os procedimentos
inerentes à caracterização da qualidade da água.

No quadro da gestão dos recursos hídricos, os objetivos visados pela observação da
qualidade da água são determinar a forma como evolui a qualidade da água no espaço e no
tempo, tendo especialmente em conta a variação das poluições afluentes, e estabelecer uma
rede de detecção e alarme que assegure o controle efetivo da qualidade da água.

Para atingir esses objetivos é necessário um número bastante grande de observações
fidedignas, sendo muito difícil estabelecer a priori qual a freqüência das observações mais
adequadas e a distribuição e densidade ótimas da correspondente rede, enquanto não se
dispuser, para as águas poluídas, de séries de observações suficientemente representativas.

Aspectos importantes nas observações de qualidade da água são a escolha dos parâmetros
a medir e o significado do aumento ou da diminuição dos valores respectivos. Presentemente,
detecta-se uma tendência crescente para a generalização dos sistemas automáticos de
determinação da qualidade da água.

d)Informações relativas às obras de aproveitamento dos recursos hídricos - o conhecimento
das modificações do ciclo hidrológico que se devem à intervenção do homem é essencial
para caracterizar os recursos hídricos disponíveis. Uma vez que essa intervenção do homem
se traduz fundamentalmente na realização de obras de aproveitamento de recursos hídricos,
interessa procurar recolher todas as informações disponíveis sobre essas obras e sobre as
repercussões que elas têm no regime hidrológico natural. Como exemplo de aspectos sobre

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os quais interessa obter informações, podem-se citar os aproveitamentos hidroelétricos, as
obras de regularização fluvial e de controle de cheias, os aproveitamentos hidroagrícolas, os
sistemas de abastecimentos urbanos e industriais, os sistemas de esgotos, as obras de
aproveitamento de águas subterrâneas, as instalações recreativas relacionadas com a água e
as obras de controle de erosão e de regularização torrencial.

Além dos dados que diretamente dizem respeito aos recursos hídricos, há toda uma série de
dados de natureza diferente, mas com interesse indireto para o inventário. Entre eles incluem-se, por
exemplo, dados de natureza demográfica, cartográfica, geológica, pedológica, ecológica, econômico-
social e jurídica. Diversas publicações apresentam guias e manuais para o recolhimento desses
dados.

A Conferência da Água de 1977, das Nações Unidas, também fez referência explícita ao
inventário dos recursos hídricos, recomendando que os países membros devem:

- criar um organismo nacional, com responsabilidades globais no que se refere aos dados
relativos a recursos hídricos, ou repartir as atribuições já existentes nesse domínio, de modo
coordenado, e estabelecer bancos de dados com vista a recolher, processar, armazenar e
difundir os dados, sistemática e periodicamente e de forma adequada;

- desenvolver as redes de estações hidrológicas e meteorológicas, tomando em consideração
as necessidades a longo prazo, seguindo tanto quanto possível as recomendações das
agências especializadas das Nações Unidas relativamente à normalização dos instrumentos
e das técnicas e à consistência dos dados, e utilizando as séries de dados meteorológicos
para o estudo das variações sazonais e anuais do clima e dos recursos hídricos; essa análise
pode também ser utilizada no planejamento e no projeto das redes;

- estabelecer redes de observação e reforçar os sistemas e instalações existentes para medida
e registo das variações da qualidade e dos níveis de águas subterrâneas; organizar a coleta
de todos os dados existentes sobre águas subterrâneas (diagramas de sondagem, estrutura
geológica, características hidrogeológicas e outros), inventariar esses dados
sistematicamente e proceder a uma avaliação quantitativa para caracterizar o estado dos
conhecimentos e as eventuais lacunas existentes; intensificar a investigação e a
determinação das variáveis relativas aos aqüíferos e avaliar as suas potencialidades e as
possibilidades de recarga que apresentam;

- normalizar e organizar, na medida do possível, o processamento e a publicação dos dados,
de modo a manter as estatísticas atualizadas e a tirar partido das observações feitas nas
estações a cargo de diferentes instituições;

- considerar as doenças de origem hídrica na elaboração de inventários dos recursos hídricos
e estudar as relações mútuas entre a qualidade e a quantidade de água e a utilização do
solo;

- realizar inventários periódicos dos recursos de águas superficiais e subterrâneas,
considerando a precipitação, a evaporação e o escoamento, os lagos, as lagoas, os glaciares
e a neve, tanto em escala de bacias hidrográficas como em escala nacional, para definir um
programa de investigação para o futuro, tendo em conta as necessidades do

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desenvolvimento; intensificar os programas em curso e formular novos programas quando
necessário;

- fornecer aos organismos nacionais existentes os meios de utilizar, adequadamente, as
modernas tecnologias (detecção remota, técnicas nucleares, técnicas geofísicas, modelos
analógicos e matemáticos) para o recolhimento, a recuperação e o processamento de dados
relativos à quantidade ou à qualidade dos recursos hídricos; os métodos manuais de
tratamento de dados podem ser suficientes para séries pequenas, mas pode ser necessário,
por vezes, recorrer a meios automáticos e computadores com capacidade adequada;

- normalizar técnicas e instrumentos de medição e automatizar as estações de medição
quando for o caso; deve-se fazer referência às normas e recomendações internacionais
adaptadas pelos governos;

- apoiar e promover as contribuições nacionais em programas de estudos hidrológicos ao nível
nacionais e internacionais (por exemplo, o Programa Hidrológico Internacional e o Programa
Hidrológico Operacional);

- colaborar na coordenação, coleta e permuta de dados no caso de recursos hídricos
compartilhados;

- destinar recursos financeiros substanciais a atividades relacionadas com o inventário dos
recursos hídricos e criar ou reforçar as instituições e os serviços necessários;

- criar ou reforçar programas e serviços de formação para meteorologistas, hidrologistas e
hidrogeólogos, ao nível de especialistas e de técnicos;

- preparar o inventário das águas minerais e termais nos países que dispõem de tais recursos,
com o objetivo de estudar e desenvolver o seu potencial industrial, bem como a sua
utilização em termas;

- desenvolver metodologias de inventário dos recursos hídricos disponíveis por meio de
observações aerológicas para o cálculo dos balanços de água atmosférica relativos a
grandes bacias hidrográficas, rios e continentes;

- elaborar, com recurso de equipes multidisciplinares, o estudo e a análise dos dados
hidrológicos relativos a águas superficiais e subterrâneas, a fim de fornecer informações para
fins de planejamento;

- elaborar métodos de previsão, no âmbito do inventário de quantidade e de qualidade dos
recursos hídricos, especialmente no caso de países em desenvolvimento;

- elaborar, no âmbito da gestão da qualidade de água, métodos de tomada de decisões
baseados em técnicas de manutenção da qualidade natural, que já tenham sido utilizadas
com êxito;

- considerar as características e condições específicas dos diferentes países para avaliar e
fixar critérios de qualidade de água.

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