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Aforismos: Volume I - Amauri Ferreira

Aforismos: Volume I - Amauri Ferreira

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Aforismos - 2011
Aforismos - 2011

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AFORISMOS

VOLUME I
AMAURI FERREIRA
www.amauriferreira.com
2011
SUMÁRIO
Escondido 04
Falar 05
Despedida 0
!amin"ar 0#
Rela$%es 0&
!onfinamen'o 0(
)er 10
Imor'alidade 11
Ser 12
Depress*o 1+
Sen'idos 14
!ria$*o 15
Respiro 1
,i-er 1#
.ensamen'o 1&
Ess/ncia 1(
Fascismo 20
Resi0na$*o 21
,ul0ari1a$*o 22
!onser-a$*o 2+
Ri'mo 24
Erudi$*o 25
3ues'%es 2
4u'onomia 2#
E5plorador 2&
4mi1ade 2(
4r'e +0
Massifica$*o +1
,iol/ncia +2
!on'inuidade ++
Impo'/ncia +4
Escre-er +5
Ressen'imen'o +
Indolen'es +&
4ula +(
.ri-a'i1a$*o 40
Re-olu$*o 41
Inclus*o 42
Repress*o 4+
Educa$*o 44
4mor 45
I0nor6ncia 4
In'rospec$*o 4#
Impre-is7-el 4&
Opini*o 50
8o'as 51
ES!O8DIDO
,i-er anonimamen'e9 escondido9 n*o nos parece ser uma fu0a
co-arde. .elo con'r:rio9 al;m de ser um al'i-o cuidado de si9 ; uma
0rande pro-a de for$a9 de uma con<uis'a da -ida cora=osa. 4 -ida s:>ia ;
con<uis'ada <uando encon'ramos9 a'ra-;s das mais -ariadas coisas do
mundo9 as compan"ias <ue per'encem ? nossa na'ure1a. @al-e1 uma
das 'arefas mais :rduas da nossa e5is'/ncia ; sa>ermos nos li-rar das
amarras9 is'o ;9 fa1er morrer o <ue pode morrer9 pois o <ue se 'ornou
dispens:-el n*o pode mais 'er sen'ido para ser carre0ado conosco. @ais
rela$%es -enenosas com as coisas do mundo nos impedem de dispor o
nosso corpo e a nossa men'e para 'udo o <ue ; no-o. 4ssim9 le-amos
uma -ida <ue assemel"aAse ? massa B e9 pior9 nos preocupamos cada
-e1 mais em -i-er assim. Fa1emos o <ue os ou'ros <uerem e9 como ;
ine-i':-el9 col"emos os piores fru'os em ra1*o dessa i0nor6ncia.
.erdemos 'empo e for$as com 'arefas inC'eis B ser recompensado9
admirado9 in-e=ado9 famoso ou9 simplesmen'e9 ser um su=ei'o DnormalE9
demanda doses a>surdas de compromissos enfadon"os e de
compan"ias insupor':-eis9 'udo para preser-ar uma ima0em <ue des'oa
comple'amen'e da nossa sin0ularidade. ,i-er como a maioria 'ornaAnos
a0i'ados9 per'ur>ados9 impo'en'es para pensar e a0ir. 8*o ": al0o mais
noci-o do <ue -i-er em um am>ien'e errado. Em -e1 de u'ili1armos as
nossas for$as para coisas mui'o mais no>res9 u'ili1amoA as para afas'ar
de nFs o <ue nos corrompe9 'en'amos encon'rar a'al"os9 momen'os de
>oa compan"ia ou momen'os para ficar com nFs mesmos. Mas o de-er
social nos c"ama9 o 'elefone n*o para de 'ocar9 os compromissos s*o
inadi:-eis e9 mais uma -e19 o <ue nos daria a c"ance de come$ar a
en'ender o processo da nossa diferencia$*o ; adiado mais uma -e1. 8*o
": dC-ida de <ue9 assim9 a -ida 'ransformaAse9 cada -e1 mais9 em um
0rande ';dio.
4
F4)4R
Falar9 falar9 falar. !er'amen'e falamos demais por 'ermos pouca
coisa B ou nada B a di1er. 4 'a0arelice parece n*o 'er fim. 4s pala-ras
s*o e5cessi-amen'e desperdi$adas e mu'iladas por<ue perdemos a
dilatação das experiências que não são faladas. Uma pausa
indispens:-el para o >ur>urin"o das ruas9 da 'ele-is*o9 do 'ra>al"o.
.assamos9 en'*o9 a permi'ir <ue o 'empo9 a'ra-;s de nFs9 0ere pala-ras
-i-as. 40ora9 em cada pala-ra di'a9 um ras0o ; fei'o. O dese=o passa9
a'ra-essa a pala-ra9 'oca e modifica o ou-in'eG es'ran"amen'o9
"ilaridade9 repulsa9 medo9 amor... De <ual<uer modo9 al0o -ai ser
produ1ido em <uem ; 'ocado por pala-ras impulsionadas por um dese=o
li-re... H li-re por<ue des'rFi 'udo a<uilo <ue a moral9 a reli0i*o e a
ra1*o <uerem limi'ar ao es'a>elecerem o <ue pode e o <ue n*o pode ser
di'o B e o efei'o disso n*o poderia ser mais noci-oG as pala-ras mor'as
passam a dominar a nossa -ida. .recisamos encon'rar o nosso 'empo
prFprio de processar o <ue nos a'in0e9 a nossa maneira sin0ular de
sermos 'ocados por elemen'os da -ida <ue n*o s*o falados... Mas
'am>;m podemos pri-ile0iar as pala-ras faladas <ue e5pressam al0o
no-o9 diferen'e B e isso e5is'e. Ias'a selecionarmos a<uelas <ue nos
'ocam com uma for$a <ue nos impulsiona B para aondeJ .ouco
impor'a. Uma pala-ra9 >em u'ili1ada9 pode for'alecer. 8Cpcias e não a
mor'eK B =: <ue as pala-ras mor'as n*o '/m9 de fa'o9 al0o a nos di1er.
5
DES.EDID4
H no'Fria a o>=e$*o <ue mui'os indi-7duos '/m dian'e do a'o '*o
0randioso de despedirAseG 'al-e1 a despedida se=a a coisa mais dif7cil de
ser dese=ada por<ue a ideia comum <ue se 'em da e5is'/ncia ainda es':
impre0nada de concep$%es demasiado u'ili':rias9 e de uma a-alia$*o
profundamen'e 'orpe dos pressupos'os mais essenciais ? cria$*o. Mas9
apesar disso9 a despedida ;9 'al-e19 o a'o mais impor'an'e para <uem ;
impelido por uma 0rande inspira$*oG um pensamen'o maior sur0e
na<uele <ue perce>e o mo-imen'o ine5or:-el das mudan$as <ue es'*o
presen'es em a>solu'amen'e 'udo <ue e5is'e. .ara <uem 'em no corpo o
san0ue do ar'is'a9 despedirAse das coisas <ue9 'emporariamen'e9 fa1em
par'e da sua e5is'/ncia ; a condi$*o -i'al para <ue a su>lime o>ra de
man'erAse na 'ransposi$*o de limi'es n*o se=a in'errompida por uma
le-iandade <ual<uer <ue pode assol:Alo em cer'as circuns'6ncias9 e <ue9
por isso9 'ornaAse peri0osa B mel"or <ue se=a in'errompida por uma causa
mui'o mais no>re9 <ue ; a produ$*o infini'a da e5is'/ncia... 4 dor da
despedida9 por ser "ones'a9 ; infini'amen'e menor do <ue a dor do
adoecimen'o <ue9 ine-i'a-elmen'e9 sur0e <uando es'amos dominados
pelo medo do descon"ecido. Mas ": 'an'a coisa para ser e5plorada nesse
mundo descon"ecido <ue9 inclusi-e9 nos "a>i'aK H9 sem dC-ida9 um
pro>lema nosso sa>er <uando n*o podemos mais esperar para irmos
em>ora. Mas en<uan'o n*o par'imos9 um -en'o for'e B <ue se repe'e
incon':-eis -e1es duran'e a nossa e5is'/ncia B con'inua a nos empurrar
para efe'uarmos a despedida de 'udo a<uilo <ue 'ornouAse uma
desarmonia B n*o ": dC-ida de <ue somos impulsionados9 a 'odo
momen'o9 ? musicalidade. Somen'e assim podemos nos unir aos <ue
puderam despedirAseG eles tornam-se compreensíveis para nós porque
experimentamos o que são as dores e as lágrimas de uma despedida,
mas também aprendemos que a alegria e os sorrisos também estão
implicados no ato de despedir-se... 8asce uma uni*o dos <ue
superaram o medo de se diferenciar. penas essa união é legítima9 pois9
afinal9 ; a prFpria -ida <ue <uer e5pandirAse <ue a le0i'ima. !rande
celebração dos que ousaram trocar de pele" E 'al uni*o ; radicalmen'e
dis'in'a da<uelas <ue s*o reali1adas pelas ins'i'ui$%es <ue foram
er0uidas por a<ueles <ue n*o conse0uem efe'uar a despedidaG ;
ine-i':-el <ue se=am uni%es ar'ificiais9 marcadas por um 7nfimo 'ra$o de
-ida...

!4MI8L4R
O camin"an'e 'em sede por e5plora$*o. Duran'e o seu percurso
em 'erras descon"ecidas9 ele ; acompan"ado por sensa$%es <ue l"e fa1em
can'ar9 in'eriormen'e9 mCsicas ima0inadas e in-en'adas9 e <ue s*o cada
-e1 mais in'ensas <uando o seu corpo e5prime um no-o ri'mo alcan$ado.
Ele perce>e <ue9 duran'e a e5peri/ncia de camin"ar sem rumo definido9 a
sua memFria ; convocada para dan$ar =un'o com o seu corpo... 8*o9 a
solid*o do camin"an'e n*o ; uma co-ardia9 como pro-a-elmen'e mui'os
podem ima0inar. @ra'aAse9 na -erdade9 de uma permiss*o para <ue a sua
solid*o se=a po-oada por ima0ens9 ri'mos9 afe'os9 memFrias e percep$%es
<ue9 0radualmen'e9 permi'em um a>andono da desarmonia de
mo-imen'os <ue condiciona-am o seu corpo9 para9 somen'e assim9
con<uis'ar a li>erdade de criar no-os mo-imen'os. .odemos di1er <ue o
camin"an'e ; ine-i'a-elmen'e um aman'e do con"ecimen'o. .or isso ele
pode recorrer ? escri'a para e5pressar os seus pensamen'os <ue nasceram
camin"ando. 4final de con'as9 o camin"an'eAescri'or sabe <ue o sen'ido
mais ele-ado da escri'a ; o de mudar a -ida de <uem l/ os seus escri'os. E9
al;m disso9 ele 'am>;m sa>e <ue a lei'ura9 por ser um a'o soli':rio9
necessita de uma escri'a #onesta, is'o ;9 uma escri'a <ue a=ude o lei'or a
amar a sua prFpria solid*o.
#
RE)4MNES
4 car/ncia de rela$%es profundamen'e afe'i-as en're os
indi-7duos e5p%e cada -e1 mais a impor'6ncia pol7'ica da produ$*o de
afe'os. 8*o ": dC-ida de <ue as di-is%es "ier:r<uicas e o confinamen'o
ser-em para 'ornar as rela$%es "umanas cada -e1 mais ar'ificiais e
u'ili':rias. .or isso elas s*o es'a>elecidas em am>ien'es demasiado
or0ani1ados9 onde a efic:cia das 'arefas <ue s*o consideradas Dur0en'esE
<uase n*o permi'e <ue rela$%es de ou'ra na'ure1a acon'e$am. 4
pri-a$*o da cons'i'ui$*o de rela$%es au'/n'icas ;9 'al-e19 a maior causa
do adoecimen'o "umano9 res'ando ao "omem relacionarAse com o
mundo de modo falso9 -a0ueando pelos camin"os <ue9
ima0inariamen'e9 foram cons'ru7dos para ele. H impossível <ue se=a
produ1ida uma re-olu$*o social <ue i0nore as rela$%es afe'i-as. 4s
rela$%es <ue s*o 'ecidas sem a media$*o do #omem-parasita possuem
uma sus'en'a$*o prFpria e9 al;m disso9 '/m um poder de con':0io por
-:rios canais da sociedade. 4'ra-;s das nossas a'i-idades co'idianas
de-emos e5pandir isso9 com 'oda a nossa for$aK !"e0aremos a um 0rau
de 'aman"o en-ol-imen'o afe'i-o <ue9 mui'as -e1es9 =: n*o ser: se<uer
necess:rio pedir um a>ra$o ao ou'ro9 pois apenas com o encon'ro dos
ol"ares tudo $á é dito... Um can'o pode mudar a -ida de al0u;m9 assim
como um carin"oso 'o<ue na pele9 acompan"ado de pala-ras
delicadamen'e sussurradas ao ou-ido do ou'ro B ; impossível <ue9
a'ra-;s do afe'o9 n*o se=a criada uma ou'ra perspec'i-a da e5is'/ncia. O
amor <ue sur0e nessas e5peri/ncias passa a nos 0uiar por 'oda a nossa
-ida.
&
!O8FI84ME8@O
O animal <ue ; colocado ? for$a em um ca'i-eiro rea0e
a0ressi-amen'e con'ra essa si'ua$*o. En're'an'o9 <uando ele es':9 de
al0uma forma9 adap'ado ao ca'i-eiro9 apenas come9 >e>e :0ua9 dorme
mui'o. 8essa si'ua$*o9 o animal apenas so>re-i-e. Em>ora es'e=a li-re das
amea$as dos predadores9 esse animal apresen'a compor'amen'os mui'o
diferen'es dos <ue -i-em li-remen'e. )imi'ado pela ar<ui'e'ura do
ca'i-eiro9 a sua for$a n*o encon'ra a -ia suficien'e para a0ir e modificar o
am>ien'e. En<uan'o so>re-i-e no ca'i-eiro9 ele n*o passa pelas
e5peri/ncias fundamen'ais de procurar o seu alimen'o9 de -oar9 de
enfren'ar riscos9 de fu0ir do <ue o amedron'a9 de e5plorar o seu am>ien'e9
de inventar solu$%es para os pro>lemas <ue sempre sur0em no seu
"a>i'a'. !om o passar do 'empo9 esse animal 'ornaAse ine-i'a-elmen'e
en'ediado por<ue pra'icamen'e 'udo <ue acon'ece no am>ien'e ar'ificial
em <ue "a>i'a ; pre-is7-el B as condi$%es em <ue -i-e impedem <ue o
impre-is'o sur=a como uma a>er'ura para a sua a$*o. Em suma9 o
animal <ue -i-e no ca'i-eiro ; incapa% de criar um mundo prFprio. 4s
'en'a'i-as de in'rodu1ir nos ca'i-eiros o>=e'os <ue pro-ocam um
m7nimo de impre-is'o para es'imular os sen'idos do animal9 de maneira
<ue ele possa 'er alguma a$*o9 apenas funcionam como palia'i-os... O: o
animal #omem9 escondido so> o in-Flucro da racionalidade9 >usca o
confinamen'o voluntariamente. Ele so>re-i-e enclausurado no mundo
ar'ificial ar<ui'e'ado para <ue a sua for$a se=a con'inuamen'e impedida
de -a1ar. 8o seu co'idiano9 deslocaAse de um ca'i-eiro a ou'ro9 o <ue l"e
d: uma apar/ncia de Dli>erdadeEG se=a no 'ranspor'e pC>lico9 no seu
local de 'ra>al"o9 nos es'a>elecimen'os de ensino ou na sua prFpria
casa9 a po'/ncia do seu corpo de criar as cone5%es com ou'ros corpos ;
con'inuamen'e refreada. @al como o animal <ue so>re-i-e no ca'i-eiro9
o "omem e5perimen'a9 na maioria das -e1es9 uma violência con'ra o
seu prFprio corpo9 reali1ada den'ro dos espa$os modernos de
confinamen'o B -iol/ncia <ue ; autori%ada por leis <ue -isam o seu
D>emAes'arE. 4ssim ; produ1ido um indi-7duo co-arde9 resi0nado9
inofensi-o e9 e-iden'emen'e9 mui'o f:cil de ser en0anado. Dian'e dessa
-iol/ncia9 ; ine-i':-el <ue o seu corpo passe a rea0ir a'ra-;s de -:rios
sin'omas <ue apon'am para uma de0rada$*o acelerada. Uma -ida assim
e5i0e respiro e al7-io. !ons'i'u7da por seres aprisionados <ue amam o
poder9 a m:<uina social <ue or0ani1a os indi-7duos den'ro dos espa$os
de confinamen'o também oferece os palia'i-os necess:rios para
com>a'er o ';dio <ue os assola9 de modo a man'/Alos dis'ra7dos antes
<ue esses sofredores des'ruam o funcionamen'o do per-erso sis'ema de
reprodu$*o de seres a'rofiados. !onsumidor -ora1 das <uin<uil"arias
reprodu1idas so> medida para os doen'es9 o #omem-confinado padece
cada -e1 mais por<ue nem se<uer pode ima0inar <ue a cria$*o de um
mundo prFprio corresponde ? li>erdade de efe'ua$*o da sua na'ure1a B
li>erdade <ue se e5prime em um corpo ap'o a fa1er9 na maioria das
-e1es9 as coisas que somente l#e interessaP li>erdade <ue se e5prime em
um indi-7duo <ue ama o risco9 <ue d: >oasA-indas ao impre-is'o9 <ue
cria as suas prFprias condi$%es de so>re-i-/ncia ao in-en'ar os a'al"os
no mundo em <ue -i-e. ntes a ação do que a crença em uma
ideologia... .ois somen'e en<uan'o vive, o "omem ; capa1 de despre1ar
os en0odos <ue ser-em para ali-iar9 de modo ef/mero9 o desespero dos
confinados. (
)ER
&'ocê vive aquilo que lê(). Es'a <ues'*o 'ornaAse ur0en'e numa
;poca em <ue os lei'ores n*o conse0uem criar a par'ir da<uilo <ue
cos'umam ler. 4 rela$*o com os li-ros ;9 mui'as -e1es9 uma a'i-idade
enfadon"a9 o <ue desper'a no lei'or uma -on'ade de 'erminar a lei'ura o
mais r:pido poss7-el. 4ssim9 ele ima0ina <ue pode aplicar rapidamen'e os
Densinamen'osE da<uilo <ue foi lido. O lei'or da nossa ;poca funciona
como uma cai5a de resson6ncia do <ue ; escri'o nos =ornais9 re-is'as e
li-ros. 3uando ele escre-e ou fala al0o a respei'o do <ue leu9 pra'icamen'e
n*o e5pressa nada de diferen'e9 pois como n*o sa>e selecionar e di0erir o
<ue leu9 a0e como um papa0aio. Mas quando vivemos aquilo que lemos ;
re-elada para nFs uma es'ran"a paci/ncia9 de modo <ue9 sempre <uando
re'ornamos ao mesmo escri'o9 con'inuamos a desco>rir ou'ras nuan$as
do 'e5'o. 3uem ; s:>io l/ a<uilo <ue reme'e dire'amen'e ?s suas
e5peri/ncias de -ida. Esse 'ipo de lei'ura 'ornaAse produ'i-a por<ue ela
nos prepara para a a$*oG fa1emos das nossas lem>ran$as9 <ue s*o
e-ocadas duran'e a lei'ura9 a ocasi*o para nascer em nós ideias que vão
além daquilo que lemos. Mas isso9 para o au'or <ue escre-e
"ones'amen'e9 ; 'udo o <ue ele dese=a... .assamos a par'icipar da
con'inuidade da produ$*o de pensamen'o ao lan$armos uma ideia para
lu0ares ine5plorados. 4penas en'endemos <ue ": movimento na
na'ure1a quando nos colocamos no processo de produção. 8*o ":
dC-ida de <ue9 se -i-emos a<uilo <ue lemos9 'ransformamos a nossa
prFpria -ida e9 em ra1*o disso9 amamos o 'e5'o <ue lemos... Dei5amos
de ser reprodu'ores de fal:cias ins'i'ucionali1adas e 'ransmi'idas ?
e5aus'*o pelos mass media para sermos criadores B somen'e a7
podemos perce>er <ue o sen'ido ele-ado da lei'ura apon'a sempre para
a dire$*o da cria$*o e não para a erudi$*o. .ois9 ao con'r:rio do lei'or
s:>io9 o lei'or erudi'o sempre es': preocupado em memori1ar a<uilo
<ue l/. Ele demons'ra a sua i0nor6ncia <uando in'erpre'a um 'e5'o com
a finalidade de encon'rar al0uma -erdade escondida. Diferen'e do
erudi'o9 o s:>io 'ra'a o 'e5'o como al0o -i-o9 in'erpre'andoAo para
ma<uin:Alo9 para levá-lo adiante ao produ%ir algo diferente a partir
dele B no prFprio mo-imen'o da in'erpre'a$*o9 fa1 da lei'ura uma
e5peri/ncia in'ensi-a. Em suma9 o lei'or erudi'o apenas reprodu1 o <ue
cos'uma lerP =: o lei'or s:>io modifica9 de fa'o9 a realidade com a<uilo
<ue l/. En<uan'o o lei'or erudi'o 'ornaAse dependen'e dos aplausos <ue
rece>e dos seus admiradores9 o lei'or s:>io9 ao de-ol-er ao mundo o seu
a'o sin0ular como um a0radecimen'o ? -ida9 e5perimen'a o mais al'o
sen'imen'o da produ$*o de realidade. 10
IMOR@4)ID4DE
4 cren$a na imor'alidade da alma ainda alimen'a a esperan$a dos
<ue <uerem encon'rar uma respos'a defini'i-a para os seus pro>lemas
e5is'enciais. Mas a cren$a numa -ida imor'al9 <ue seria alcan$ada
somen'e no mundo do al;m9 sofreu adap'a$%es para a'ender aos anseios
da ;poca DmodernaE. 4s no$%es de DalmaE ou de DeuE ainda permanecem
pra'icamen'e ina'ac:-eis9 ? medida <ue o "omem con'inua a -i-er9
so>re'udo9 preocupado em defenderAse con'ra os impre-is'os da -ida.
Essas no$%es s*o realmen'e mui'o es'ran"as para quem vive o momento9
por<ue o "omem criador =: e5perimen'a uma felicidade de na'ure1a
a>solu'amen'e dis'in'a da<uela in-en'ada pelos "omens impo'en'es. .ara
ele9 soam es'ran"as <ues'%es como DL: -ida apFs a mor'eJE ou D.ara
aonde ir: a nossa almaJE. Ora9 como as reli0i%es oferecem as Drespos'asE
para es'as <ues'%es9 mais um mem>ro doen'e ; adicionado por uma sei'a.
Mas es'as <ues'%es n*o diferem9 de fa'o9 de ou'ras9 'ais como D3uan'o eu
-ou 0an"ar se eu me formar em 'al especialidadeJE9 ou en'*o9 D3ual ; a
profiss*o <ue mais com>ina comi0oJE. Es'as <ues'%es indicam uma
afli$*o para >uscar9 alcan$ar e conser-ar um DeuE B essa ; a aspira$*o
m:5ima <ue mo-e a -ida dos "omens <ue n*o criam. identidade está *
venda, portanto, aos impotentes... 4os "omens criadores9 'ais <ues'%es
nem passam pela men'e deles9 por<ue =: -i-em de uma maneira <ue
sen'em a e'ernidade -i>rar a cada no-o a'o de supera$*o de si. 4final9
seus pro>lemas s*o mui'o mais no>res do <ue os dos a'rofiados... Duran'e
a noi'e9 ": momen'os em <ue os criadores adiam o sono9 n*o por causa
das preocupa$%es <ue cos'umam assolar o "omem comum9 mas por<ue
ainda sen'em re-er>erar os efei'os de um dia de in'ensa cria$*o... 4
e5peri/ncia da felicidade refreia a necessidade da cren$a na imor'alidade.
11
SER
3uando o>ser-amos um corpo9 ima0inamos <ue ele ; e n*o <ue
ele de-;m. Fi5amos e a'ri>u7mos um nome e al0umas <ualidades a ele
Qa cadeira ; um corpo sFlido9 ; de cor cin1a...R. 8*o a0imos de maneira
diferen'e <uando di-idimos os corpos em "umanos e n*o "umanos9
para9 em se0uida9 fa1ermos dis'in$%es de nome9 cor9 se5o9 ra$a9
nacionalidade9 profiss*o. Di1emos <ue al0u;m é Maria9 é mul"er9 é
>ranca9 é >rasileira9 é >iFlo0a. E assim ima0inamos <ue 'am>;m somos9
no fundo9 uma realidade fi5a. Dessa maneira9 redu1imos 'oda a
realidade ao -er>o serG eis o nosso 0rande -7cio9 a 0rande armadil"a do
ressen'imen'oK Mas n*o ": nada fi5o no mundo9 nem a cadeira9 nem
Maria9 nem nFs mesmos. 4ssim como acon'ece com todas as coisas do
mundo9 n*o paramos de mudar. H necess:rio compreendermos <ue n*o
nos separamos do mundo nem mesmo <uando acredi'amos <ue somos
isso ou a<uilo B nem o mais fer-oroso defensor da sua iden'idade es':
separado do de-ir. Mas compreender isso ; uma 'arefa mui'o dif7cil9
pois a no$*o de iden'idade9 <ue ; um sin'oma de ressen'imen'o9 ;
reprodu1ida a'ra-;s de uma -iol/ncia cada -e1 maior pelos aparel"os do
Es'ado. !er'amen'e9 o maior e5emplo dessa -iol/ncia <ue domes'ica as
massas s*o os meios de comunica$*o. 3uan'o mais somos informados
pelos mass media9 cada -e1 mais sen'imos a necessidade de Dcorri0irE a
realidade B em ou'ras pala-rasG o péssimo ":>i'o de $ulgar o mundo ;
in'ensificado pelos mass media. E is'o ; perfei'amen'e compreens7-el9
=: <ue uma <uan'idade cada -e1 maior de en're'enimen'o fa1 aumen'ar
a 'a0arelice. Mas9 mesmo so> o imp;rio da >es'eira9 a realidade se0ue
escoando em nFs e de nFs para o mundo9 sem nen"um o>=e'i-o a ser
alcan$ado B mas continuamos a querer encobrir tudo isso através da
linguagem" Se ainda nos a0arramos ? men'ira do DeuE9 con'inuamos a
reprimir os nossos DeusE9 is'o ;9 os estran#os <ue nos "a>i'am... Mas
podemos fa1er emer0ir esses estran#os a'ra-;s da ar'e9 por e5emplo. 4
ar'e nos fa1 'ocar a fluide1 do real por<ue ela suspende o nosso ":>i'o
de falar9 de <uerer fi5ar 'udo <ue muda. 4final9 sentimos a vida quando
deixamos de tagarelar. .assamos a ou-ir a enorme >ele1a das -o1es do
mundo <uando acompan"amos o ri'mo <ue escoa da e'ernidade...
12
DE.RESSSO
O maior -alor da depress*o ; <ue ela e5p%e a necessidade de uma
0rande mudan$a no percurso de uma -ida. Mudan$a mesmo, rup'ura.
Somos "ones'os com nFs mesmos <uando n*o dese=amos mais o en0odo
das dis'ra$%es enla'adas9 por<ue perce>emos <ue elas n*o ser-em para
darem con'a de uma dor crescen'e9 sufocan'e9 uma sensa$*o do nada9 do
-a1io9 de um Dpara <u/ a e5is'/nciaJE <ue insis'e em cu'ucar nas "oras do
caf;9 do 'ra>al"o9 no co'idiano <ue foi >anali1ado9 'ornado insosso9
enfadon"o B o mundo9 as pessoas9 a #istória pessoal parecem ser erros9
em>us'es <ue >lo<ueiam al0uma coisa <ue sen'imos ser realmen'e maior9
<ue ; -erdadeiramen'e nossa9 por;m ainda sem for$a suficien'e para -ir ?
'ona e mudar um percurso <ue parece n*o 'er mais sa7da al0uma. 8o
mínimo o deprimido e5p%e ? sociedade o erro da conser-a$*o das
o>ri0a$%es <ue apenas reprodu1em seres resi0nados com as mi0al"as
dis'ri>u7das por <uem precisa fare=ar a impo'/ncia al"eia para e5'rair
-an'a0ens B desse modo9 cada sofredor en're0a a sua prFpria -ida aos
'u>ar%es famin'os. Mas9 para os 'u>ar%es9 a depress*o pode ser uma s;ria
amea$a ? perman/ncia das suas leis. Os moralis'as a0em r:pido <uando
<uerem impedir <ue al0u;m se afunde na 'ris'e1a9 e por isso recorrem ao
seu m;'odo mais usual para Dcorri0irE o compor'amen'o de 'odos <ue
ousam des-iarAse do D>omE camin"oG o $ulgamento. Eles di1em9 com o
'om de uma Din'eli0/ncia supremaE9 <ue o deprimido sF pode ser
doen'e ou louco. Mas9 comparado com esses funcion:rios de reprodu$*o
dos -alores de uma moral u'ili':ria9 o deprimido es': muito mais vivo9
mui'o mais prF5imo de um au'/n'ico renascimen'o. 4 depress*o pode
nos ensinar <ue o a>andono do <ue nos esma0a ; a condi$*o para
respirarmos um ar a>solu'amen'e reno-ado9 de modo <ue9 ao -irarmos
para 'r:s9 ol"amos para 'udo <ue se desprendeu de nFs9 'udo a<uilo <ue
foi maravil#osamente despre%ado Q'odo sen'imen'o de de-er9 de culpa9
en're ou'ras pris%esR9 e nos ale0ramos pela passa0em9 pela con<uis'a da
au'onomia9 do <uerer9 do nosso querer9 curados de 'odas as doen$as
<ue uma sociedade fraca <uer nos con'aminar e9 por isso9 -i>ramos em
cada mCsculo9 em cada pensamen'o B e assim se0uimos adian'e9 mas
reinventados. !er'amen'e9 isso n*o ; um processo simples e r:pido9
pois en-ol-e mui'a paci/ncia9 disfarce9 alian$a9 <uerer9 so>re'udo um
<uerer <ue a -ida passe mais in'ensa9 de ou'ro =ei'o9 do nosso =ei'o. Mas
antes <ue 'udo isso se=a9 de fa'o9 e5perimen'ado9 o nosso maior peri0o
s*o as muitas op$%es oferecidas para uma fu0a cada -e1 mais r:pida da
depress*oG Dnada de 'ris'e1a9 isso ; coisa de pre0ui$osoKE9 0ri'am os
ca'e<ui1adores. DO reino de DeusE9 a Dalma 0/meaE9 a Dprofiss*o idealEG
'ais op$%es refor$am o conformismo9 e -emos9 desse modo9 Do
mundin"o encan'adoE ser no-amen'e o>=e'o de cren$a... e a ação passa
a ser adiada9 mais uma -e1 B o <ue9 com cer'e1a9 fa% um parasita
feste$ar... O en're'enimen'o e o 'ra>al"o u'ili':rio s*o apenas al0uns
rem;dios para <ue a massa n*o se=a incomodada pela depress*o9
man'endoAa su>me'ida aos compromissos <ue9 e-iden'emen'e9
con'inuam a esma0:Ala. 4 ima0em de um indi-7duo <ue dese=a a
men'ira por medo de assumir a<uilo <ue9 nele mesmo9 n*o cessa de
e5i0ir9 <ue o incomoda9 <ue con'inua a 0ri'ar9 isso sim <ue ; deplor:-el.
!omo ele n*o sa>e o <ue fa1er <uando o ri'mo <ue o man';m dis'ra7do
de si ; momen'aneamen'e suspenso9 dese$a que essa suspensão vá
embora rapidamente. O domin0o ; o seu 0rande dia dedicado ao
descanso9 mas <ue ; 'am>;m o dia do seu 0rande ';dio9 de um
sen'imen'o de desperd7cio de -ida9 de uma dor <ue ser: apa1i0uada com
<ual<uer coisa <ue ten#a <ue preenc"er esse -a1io Qas "oras dedicadas ?
'ele-is*o9 dis'ra$%es9 dormir em e5cesso para n*o sen'ir o 'empo
passarR. Mais uma -e1G isso sim <ue ; deplor:-elK 1+
3uando escu'amos uma mCsica9 perce>emos <ue #á um mundo
en-ol-ido na maneira de fru7AlaG o confor'o da pol'rona onde sen'amos9 a
aus/ncia de ru7do na sala9 a necessidade de fec"armos os ol"os9 as
lem>ran$as <ue emer0em =un'amen'e com os mo-imen'os musicais9 os
>ra$os <ue >alan$am9 as e-en'uais l:0rimas <ue escorrem9 em suma9 um
estran#o <ue nos "a>i'a re-elaAse para a nossa consci/ncia B a
e5peri/ncia musical9 por n*o limi'arAse ? audi$*o9 ;9 an'es de 'udo9 uma
0rande alian$a en're os nossos sen'idos. Mas uma pol'rona
desconfor':-el9 um ru7do na sala9 os ol"os <ue se a>rem9 in'errompem
>ruscamen'e o mer0ul"o cada -e1 mais profundo em nossas lem>ran$asG
SE8@IDOS
en'*o9 a e5peri/ncia 'ornaAse radicalmen'e diferen'e9 apesar da mCsica
ser a DmesmaE. E5peri/ncias sin0ulares9 acon'ecimen'osG isso ocorre
com 'odas as coisas <ue nos relacionamos9 mesmo <uando n*o nos
a'en'amos ? mCl'ipla ri<ue1a de um mesmo o>=e'o9 pois9 afinal9 o nosso
corpo sempre dese$a outros corpos9 pois ele ; reno-ado por cada
elemen'o da na'ure1a <ue e5prime uma ri<ue1a prFpria. Os nossos
sen'idos delei'amAse com a imensid*o de um no-o mundo <ue a>reAse
para eles. 4ssim ocorre <uando ou-imos uma -o1 sussurrada >em
prF5ima ao nosso ou-ido9 com um 'om '*o delicado9 <ue nos fa1
perce>er <ue ela e5pressa um enorme cuidado de n*o afas'ar a presen$a
do sil/ncio B afinal9 as pala-ras sussurradas e o nosso pensamen'o se
en'endem mui'o >em com o sil/ncio... 3uando menospre1amos o corpo9
come'emos o nosso maior erroG como n*o mudamos a nossa -ida9 n*o
podemos mudar a -ida de al0u;m... De-emos amar o que se passa em
cada sen'ido para compreendermos <ue n*o somos apenas um9 mas
muitos. Isso ; uma rela$*o de amor para com o mundo. H imposs7-el
<ue cada 'o<ue9 ol"ar9 c"eiro9 som9 sa>or9 se=a uma e5peri/ncia i0ual a
ou'ra. 4final9 cada sensa$*o 'em o seu inedi'ismo9 e -i-er ; alimen'arAse
a 'odo momen'o das diferen$as9 do ines0o':-el.
14
!RI4MSO
!on'ra 'odo de-er ser9 con'ra 'odo modelo de perfei$*o9 o
sen'imen'o de felicidade ; a nossa maior arma no com>a'e ao
esma0amen'o con'7nuo da -ida "umana. !riar ; uma resis'/ncia ?
su>miss*o9 e a felicidade <ue pro-;m do a'o cria'i-o passa a nos 0uiar
cada -e1 mais9 =: <ue a'ra-;s dela podemos a-aliar as nossas a'i-idades
co'idianas sempre do pon'o de -is'a do fa-orecimen'o ou do o>s':culo ?
frui$*o da -ida. !omo o criador ; mo-ido por um dese=o con'7nuo de
dis'ri>uir os seus fil"os ao mundo9 ; ine-i':-el <ue9 ao perce>er <ue es':
mui'o prF5imo da mor'e9 'en"a como a Cnica preocupa$*o não a morte
mesma9 mas sim 'er a cer'e1a de <ue 'udo o <ue foi poss7-el criar foi
efe'i-amen'e dis'ri>u7do ao mundo. .or isso <ue o pensamen'o da
mor'e9 <uando nele sur0e9 funciona apenas como mais um es'7mulo
para 'ornarAse cada -e1 mais fecundo e para n*o des-iarAse do seu
camin"o. L:9 nele9 um con"ecimen'o de <ue 'udo con'inua e <ue as
coisas permanecem sempre de modo diferen'e... e a sua felicidade
corresponde a uma cer'e1a de <ue a roda 0ira desde sempreG es'e=a com
-in'e9 <uaren'a ou oi'en'a anos9 o criador n*o con"ece cansa$o por<ue
n*o para de >e>er da fon'e onde =orra 'oda a ma';ria para o no-o. Um
mCsico 'ranspor'a para a mCsica as e5peri/ncias <ue ele -i-eu B assim
'am>;m fa1 o escri'or ou 'odo a<uele <ue cria. Mas <uem cria ; <uem
es': a>er'o ?s no-as e5peri/ncias B e por isso as suas o>ras podem
e5primir cada sen'imen'o -i-ido. !omo cada 0es'o nosso ; um
acon'ecimen'o a>solu'amen'e in;di'o no uni-erso9 o criador fa1 de sua
o>ra um es'imulan'e para <ue os ou'ros 'am>;m par'icipem a'i-amen'e
da cria$*o do uni-erso... Uma "umanidade <ue n*o cria9 n*o pode
resis'ir por mui'o mais 'empo ao seu prFprio cansa$o.
15
RES.IRO
8os momen'os de respiro es'amos acompan"ados da nossa
prFpria e5peri/ncia por<ue ousamos nos en're0ar9 mesmo <ue
'emporariamen'e9 ao aspec'o inC'il da e5is'/ncia. Somen'e assim
podemos perce>er <ue9 de fa'o9 n*o paramos de mudar um sF ins'an'e9
<ue nos diferenciamos inin'errup'amen'e B nesse processo sen'imos
emer0ir uma 0rande ale0ria por par'iciparmos de uma realidade <ue se
alimen'a de si mesma. .assamos a amar e a dese=ar a po'enciali1a$*o da
nossa capacidade de sermos profundamen'e afe'ados pelo 'empo. !omo
aprendemos a amar as e5peri/ncias dessa na'ure1a9 somos pressionados a
comunicar aos ou'ros essa 0rande emo$*o da men'e B e ; ine-i':-el <ue
os pensamen'os nunca an'es ima0inados 'ornemAse presen'es para nFs.
Essa 0rande sensa$*o nos coa0e a -i-ermos cada -e1 mais assimG o inC'il9
o mara-il"osamen'e inC'il9 e5pressa a in'errup$*o 'empor:ria da
a0i'a$*o9 do >arul"o <ue pro-;m das <uin<uil"arias ele'rTnicas9 da insana
correria para a'ender aos compromissos do 'ra>al"o9 do consumo das
dis'ra$%es9 enfim9 de 'udo a<uilo <ue carac'eri1a o co'idiano do "omem
u'ili':rio. !om uma -ir'ude encarnada9 <uem ; 0rande esfor$aAse9 sempre
na<uilo <ue pode9 para -arrer para lon0e de si a maior par'e das
o>ri0a$%es sociais es'a>elecidas9 e 'ra-a um com>a'e con'7nuo con'ra o
au'oma'ismo crescen'e dos indi-7duos <ue reprodu1 uma "umanidade
em>o'ada9 escra-a do seu fana'ismo u'ili':rio9 da sua repu0n6ncia con'ra
'udo <ue ; es'ran"o9 do seu Fdio con'ra o 'empo. +as a criação e toda
grande sensação apenas podem ser fil#as do in,til"... -omente assim
podemos redimir o ,til... 8ada nos fal'a <uando en'endemos <ue9 para
<ue "a=a a 0era$*o do no-o9 >as'a nos aprofundarmos no nosso prFprio
'empo B um 'empo <ue ma<uina silenciosamen'e cada modifica$*o em
nFs. . através dele que encontramos o nosso ritmo para o que fa%emos
com amor.
1
,I,ER
4madurecemos mui'o mais <uando nos relacionamos com
indi-7duos <ue a'i-am os diferen'es DeusE <ue es'*o em nFs. Isso
acon'ece nas rela$%es <ue s*o despro-idas de =ul0amen'o9 de censura9
de -er0on"a9 de co>ran$a B s*o as rela$%es de ami%ade. 8*o ": dC-ida
de <ue o lCdico e a inoc/ncia dos nossos a'os nos d*o a confian$a
necess:ria para dese=ar <ue esses es'ran"os em nFs con'inuem a ser
e-ocados. 8as rela$%es dessa na'ure1a9 podemos a'; afirmar <ue
pra'icamen'e e5is'e uma Ddispu'aE de <uem pode doar mais9 de <uem
pode produ%ir mais. 4 <ualidade da rela$*o n*o poderia ser a-aliada
por 'udo a<uilo <ue nos desper'a9 <ue nos le-a ? a$*o e ? nossa
despersonali1a$*oJ... 8essas e5peri/ncias sen'imos <ue somos ora mais
=o-ens9 ora mais -el"os9 e <ue 'am>;m somos pais9 fil"os9 "omens9
mul"eres9 animais. E9 al;m disso9 aprendemos a -i-er num ri'mo em
<ue o 'empo cronolF0ico dei5a de ser a refer/ncia do nosso percurso
espiri'ual B assim con<uis'amos o 'empo dos afe'os... Isso 'udo ;
e5a'amen'e o opos'o das rela$%es 'ris'es9 <ue reprodu1em o Fdio e o
ciCme9 <ue en-ol-em =ul0amen'o9 censura9 -er0on"a9 medo e9 em suma9
constrangimento da nossa nature%a. 4s rela$%es 'ris'es n*o cessam de
reprimir os nossos DeusE ao refor$ar a iden'idade9 a fun$*o social9 o
papel familiar9 o lu0ar corre'o no mundo. @ris'e1a e fal'a s*o apenas
conse<u/ncias de uma -ida <ue n*o aprendeu a rir9 <ue le-a demasiado
a s;rio os Dpro>lemasAdoAco'idianoA<ueAa'ormen'amAoAseuAeu1in"oE...
Mas <uando >ei=amos os dedos de uma de nossas prFprias m*os para9
em se0uida9 encos':Alos carin"osamen'e so>re o pei'o de al0u;m
<uerido9 'al-e1 muita coisa pode ser mudada... ,i-er ;9 so>re'udo9 'ocar
e ser 'ocado9 doar e rece>er...
1#
.E8S4ME8@O
4 capacidade <ue 'emos de pensar n*o es': dissociada das rela$%es
<ue o nosso corpo 'ece com os am>ien'es <ue fre<uen'amos9 <ue
moramos9 <ue lemos9 <ue comemos. O mais ele-ado es'ado de esp7ri'o ;
fru'o de uma -i-/ncia nos am>ien'es certos B pensar nunca ; al0o
passi-o9 mas9 ao con'r:rio9 ; uma po'/ncia da -ida <ue en-ol-e uma
a'i-idade do nosso prFprio corpo9 de uma fu0a dos am>ien'es errados.
Um pensador ; esmagado <uando se dei5a le-ar pela afo>a$*o da<ueles
<ue n*o cos'umam pensar9 <uando ; en-enenado pelo imp;rio da
insensa'e1 <ue assola os "omens. Da7 a necessidade de -i-ermos nas
re0i%es mais profundas de nFs mesmos9 ou se=a9 passamos a pensar
<uando mer0ul"amos numa na'ure1a <ue =: pensa em nFs. .or ser
dis'in'o da >analidade9 do senso comum9 ; ine0:-el <ue ": uma doce
loucura no pensamen'o9 ao pon'o <ue podemos di1er <ue a for$a de
uma ideia B e o respei'o <ue ela e5i0e de nFs B es': em al0uma loucura
<ue nos fa1 -i-er. / pensador e a sua loucuraG eis os compan"eiros
insepar:-eis9 <ue n*o se confundem9 de nen"um modo9 com a opini*o.
O pensamen'o nos li>er'a da mesmice e da co-ardia9 do 0os'o amar0o
da racionalidade9 da consci/ncia <ue <uer pre-er 'udo. .ensar e5i0e
cora0em para di1er as coisas <ue n*o se ousa di1er9 para di1er de um
=ei'o <ue "a>i'ualmen'e a sociedade não dese=a sa>er. E o nosso peri0o
; esseG dei5amos de pensar <uando somos en0olidos pelo mais 'err7-el
disposi'i-o de an'ipensamen'o <ue ser-e para dis'rair as massas B a
proliferação da besteira.
1&
ESSU8!I4
4 semen'e precisa de cer'os corpos para desen-ol-erAse9 para9
enfim9 morrer e nascer ao mesmo tempo9 di-idindoAse <uando dei5a de
ser semen'e para ser plan'a. Sua me'amorfose somen'e ocorre <uando ela
se mis'ura com corpos <ue s*o fundamen'ais para esse processo9 como a
:0ua e a 'erra. Sem isso9 ela n*o 0ermina. Uma semen'e mis'urada com
corpos <ue s*o con'r:rios ? sua na'ure1a9 como o cimen'o e a madeira9
por e5emplo9 n*o ir: 0erminar. !on'inuar: a ser semen'e9 mas9
cer'amen'e9 dessa mis'ura n*o -eremos deri-ar uma plan'a. Essas
o>ser-a$%es n*o s*o nada mis'eriosas9 =: <ue per'encem ao senso comum.
DOs alunos o>ser-am con'inuamen'e a e-olu$*o do plan'io e c"e0am ?s
primeiras conclus%es. 0econ#ece-se a semente por sua capacidade de
mudar1 cresce se ; colocada na 'erraP uma semen'e <ue cresce d: uma
plan'a. Em uns <uin1e minu'os Qo>ser-a$*o e re0is'ros escri'osR B a cada
dois dias duran'e uma semana a de1 dias B em fun$*o da e-olu$*o do
plan'io9 as crian$as o>ser-am as mudan$asP ; uma o>ser-a$*o con'7nua. 4
cada -e19 cada um desen"a e escre-e o <ue o>ser-a9 colocando a da'a.
4pFs cada o>ser-a$*o9 os alunos <ue <uerem rela'am suas o>ser-a$%es ao
0rupo ou ? classe. 2 medida que o tempo passa, diferenças aparecem na
evolução dos plantios1 no-as plan'as saem da 'erra no 'erceiro dia9
ou'ras apenas apFs se'e dias. Os alunos prop%em remo-er a 'erra para
mel"or o>ser-ar o <ue colocaram. !ons'a'am o <ue mudou. 3ma
semente se recon#ece pelo que é capa% de transformar. 4sta
capacidade de mudar com o tempo e de fa%er trocas com o ambiente
são propriedades que permitem identificar o ser vivoE. 4ssim como
ocorre com as semen'es9 as mudan$as da nossa ess/ncia e5i0em um
'empo9 mais precisamen'e um 'empo prFprio9 para9 somen'e assim9
perce>ermos <ue nos 'ornamos diferen'es de nFs mesmos B mudan$as
<ue implicam a ar'e da e5perimen'a$*o9 de um con-7-io com os corpos
<ue s*o fa-or:-eis ? nossa me'amorfose e <ue nos relacionamos de
modo amoroso9 onde9 li'eralmen'e9 rou>amos 'udo o <ue pode ser-ir a
al0o <ue nos impulsiona a -i-er9 <ue ; a produ$*o da nossa ess/ncia B
assim, percebemos que existe uma &planta) em nós mesmos... D4 no$*o
de semen'e9 es'ando a0ora esclarecida do pon'o de -is'a morfolF0ico9
on'o0/nico e ana'Tmico9 parece in'eressan'e <ues'ionar so>re as
necessidades fisiolF0icas des'e ser -i-o9 ou se=a9 sobre as condiç5es
ambientais necessárias ao seu desenvolvimento. 4s crian$as procuram
sa>er o <ue a semen'e precisa para <ue consi0a 0erminar com /5i'o. 4
o>ser-a$*o das diferen$as na e-olu$*o dos plan'ios le-a as crian$as a
per0un'arem VO <ue fa1 com <ue cer'as semen'es cres$am mais r:pido
<ue ou'rasJW Os alunos discu'em os resul'ados o>'idos nos seus
e5perimen'os e escre-em suas conclus%esG para germinar, a semente
precisa de água, sem água não germina. O professor prop%e <ue as
crian$as analisem os resul'ados dos e5perimen'os. 4pFs al0uns dias9
podeAse cons'a'ar <ue nos se'ores onde n*o ": :0ua9 semente nen#uma
germinou. .or ou'ro lado9 nos se'ores onde as semen'es es'a-am em
presen$a de :0ua9 os brotos apareceramE. 4 efe'ua$*o disso n*o se
dissocia de um au'/n'ico com>a'eG encon'rar a nossa D:0uaE e5i0e a$*o9
uma dose de cora0em9 rup'ura com rela$%es <ue n*o com>inam
conosco9 <ue 'ra-am o processo da nossa 0ermina$*o9 porque são
organi%adas de fora e n*o por nFs mesmos. E a consci/ncia desse
processo irre-ers7-el de me'amorfose 'ornaAse cada -e1 mais rara ?
medida <ue os "omens nem se<uer ima0inam <ue eles s*o9 na -erdade9
como 'udo na na'ure1a B ess/ncia <ue n*o reme'e a uma iden'idade
perdida9 mas a uma capacidade de modificarAse cada -e1 mais. 4final9
recon"ecemos al0u;m que vive <uando perce>emos <ue ; capa1 de
efe'uar isso. 1(
F4S!ISMO
&6udo no 4stado, nada fora do 4stado, nada contra o 4stado).
4ssim Mussolini resumia a lF0ica fascis'a9 para o a0rado de uma massa
enfra<uecida9 amedron'ada e9 ao mesmo 'empo9 esperan$osa. Mas isso
n*o se 'ra'a de um caso isolado. O fascismo apenas e5p%e uma moral
unificadora9 <ue pre'ende espan'ar9 a 'odo cus'o9 <ual<uer amea$a ao
Dconfor'oE e Dsosse0oE dos D>em sucedidos economicamen'eE. 4'ra-;s de
'aman"o descaramen'o9 ; e-iden'e <ue esse 'ipo de fascismo n*o pode
durar mui'o. Os do0m:'icos do li>eralismo9 nes'e pon'o9 s*o mui'o mais
as'u'os9 =: <ue pre'endem operar a "omo0enei1a$*o a'ra-;s da
democracia. 8*o 'emos dC-ida de <ue a sociedade capi'alis'a ; um
fascismo disfarçado de democracia. 4 democracia reali1a de forma mui'o
mais eficien'e e su'il a emprei'ada fascis'a9 que é a #omogenei%ação
através da inclusão das supos'as DminoriasE9 'udo em nome da
#umani%ação dos e5clu7dos de um modelo <ue ; impos'o para 'odos. 4
inclus*o ; para a mesma educa$*o9 para o mesmo 'ra>al"o9 para a mesma
fam7lia. inclusão democrática facilita a busca pela identidade que
falta" 4 democracia moderna... eis o 0rande 0olpe >ur0u/s para man'er
a cren$a das massas numa supos'a pro'e$*o do Es'ado. Os mass media9
por e5emplo9 'en'am esconder9 de 'odas as maneiras9 <ue o Es'ado
moderno es': a ser-i$o da acumula$*o do capi'al9 <ue a >ur0uesia se
ser-e dele para os seus in'eresses -ampirescos9 de modo <ue os
representantes da massa no poder s*o apenas pe$as Q<ue s*o
reno-adas a cada no-a elei$*oR para man'er a m:<uina capi'alis'a
funcionando. Mas esconder isso a 'odo cus'o9 simulando o>=e'i-os para
<ue uma -ida mel"or possa ser alcan$ada a'ra-;s da lF0ica democr:'ica
da inclus*o9 fa1 par'e desse 0rande circo. 4 inclus*o9 de fa'o9 ; reali1ada
a'ra-;s da cap'ura de um dese=o <ue passa a amar a iden'idade e o
poder. O <ue decorre disso ; <ue os inclu7dos passam a -i0iar e punir...
mas es'es 'am>;m s*o -i0iados e punidosK 8*o ; mesmo f:cil ser li-re
num mundo assim9 n*o ; f:cil man'erAse numa -ida re-olucion:ria <ue
n*o se confunde com um 0ri'o de D,i-a a re-olu$*oKE9 mas <ue ; um
cons'an'e afas'amen'o do poder em si mesmo. 4l0u;m <ue -i-e
enfra<uecido9 impedido de ampliar suas cone5%es e de criar no-as
maneiras de -i-er Qno'em >emG criar e não ser inclu7doR9 tende a
dese$ar o poder Qeis um fascismo emer0en'e...R. @al-e1 a 0rande
con'ri>ui$*o de .ierre !las'res se=a essaG a sociedade primi'i-a n*o ;
sem Es'ado9 mas con'ra o Es'ado9 ela escon=ura9 cons'an'emen'e9 o
Es'ado <ue es': sempre ali9 -ir'ualmen'e... 8*o se 'em a menor ideia
disso <uando ": e5i0/ncias por Dmais se0uran$aKE9 Dmais direi'os
i0uaisKE9 Dmais puni$*oE. O "orror9 o #orror de ou'rora dos re0imes
fascis'as passa a ser e5ercido pelo "omem democr:'ico9 pro0ressis'a e
c7nico B o "omem de >em da nossa ;poca.
20
RESIX84MSO
3uerer man'erAse dis'an'e de si mesmo ao in'erromper as
e5peri/ncias das mais es'ran"as e incTmodas sensa$%es B <ue s*o
rapidamen'e a>or'adas com al0umas doses mui'o >emA-indas de
dis'ra$%es para a men'e9 en're elas9 o 'elefone9 a re-is'a9 o =ornal9 a
'ele-is*o9 a in'erne'9 o aman'e9 o>=e'os <ue de-em es'ar sempre
dispon7-eis e facilmen'e acess7-eis para anes'esiar uma dor <ue n*o se
sa>e mais como -i-/Ala B9 n*o <uerer enfren'ar os -erdadeiros
impassesG isso 'udo indica <ue ": uma impos'ura9 uma pr:'ica
criminosa con'ra a produ$*o de sensa$%es e de sen'imen'os9 con'ra o
processo irrefre:-el da -ida de reali1arAse de maneira <ue n*o a0rada o
po>re paladar do "omem da nossa ;poca9 es'e <ue ainda se recusa a
aprender <ue 'am>;m no 0os'o amar0o das coisas a -ida se e5prime
com 'oda a sua d:di-a. Es'e indi-7duo <ue sofre poderia aprender <ue
n*o adian'a esconder o <ue n*o funciona mais para eleP <ue9 onde ":
lodo9 cer'amen'e nen#uma dis'ra$*o ir: fa1er a limpe1a <ue e5pulsaria
a<uelas coisas <ue cos'umam en'ra-ar um li-re camin"ar sem rumo
prede'erminado9 sem fu'uro =: dado ou plane=ado B 'al limpe1a pode 'er
in7cio a par'ir de uma e5peri/ncia realmen'e -i-ida da<uilo <ue l"e
incomodou9 a'ra-;s de <ues'ionamen'os <ue fa1em um ":>i'o noci-o
ser9 0radualmen'e9 en'errado. Seus impasses de-em ser solucionados de
den'ro B mas isso 'ornaAse incompreens7-el se es'e "omem con'inua a
en-enenarAse pela resignação social com o es'ado a'ual das coisas do
mundo. .or'an'o9 a sua e5is'/ncia funcional e a sua memFria s*o
su>'erfC0ios para con-encerAse da sua resi0na$*oG D@udo <ue eu <ueria
'er fei'o9 <ue eu poderia 'er fei'o9 infeli1men'e =: n*o posso mais. O
'empo n*o -ol'a para 'r:s. Res'aAme con'inuar a -i-er assim9
alimen'andoAme de ilus%esK 4final9 ainda bem que elas existem"E. O
consumo de ilus%es como Cnica sa7da poss7-el para anes'esiarAse B o
en'orpecimen'o social da indCs'ria das ilus%es Qo ensino9 as -ia0ens9 o
empre0o9 o espor'e...R. IludirAse para supor'ar a sua prFpria resi0na$*o.
4ssim9 ; ine-i':-el <ue o cansa$o do "omem con'empor6neo cres$a
rapidamen'e ? medida <ue aumen'a a sua instrução9 <ue ; a sua ilusão
de con#ecimento. 4m;rica9 Europa9 Ásia9 em suma9 'odo o mundo
capi'alis'a camin"a para a sua ine-i':-el ru7na a'ra-;s do mais alto
grau de ins'ru$*oG o cansaço absoluto da absoluta automati%ação...
21
,U)X4RIY4MSO
En-ol-ida pela 'ecnolo0ia9 dis'ra7da pelos mais di-ersos
aparel"os ele'rTnicos9 a -ida "umana es': com o seu 'empo9 o seu corpo
e a sua -ida su0ados. Mesmo <uando se 'em uma -a0a ideia disso9 a
'en'a$*o ; '*o for'e <ue9 como resul'ado9 os indi-7duos se adap'am9 de
>om 0rado9 ao ri'mo fren;'ico de es'7mulos sonoros e -isuais <ue
em>o'am os seus sen'idos para a e5peri/ncia das sensa$%es <ue s*o
dis'in'as de um co'idiano <ue se assemel"a a um -ideoclipe. 4l0uns
sin'omas dessa -ul0ari1a$*oG dominada pela polui$*o sonora e -isual
<ue dis'rai a men'e9 <ue rou>a a ocasi*o primordial para <ue as suas
re0i%es inconscien'es possam se manifes'ar com 'oda a sua ri<ue1a9 um
su=ei'o assim <uase n*o amadurece B perce>emos isso <uando9 ao
reencon'rarmos al0u;m apFs al0uns anos9 cons'a'amos <ue essa pessoa
praticamente não mudou...P a capacidade de pensar ; esma0ada pelo
p;ssimo -7cio de redu1ir a -ida ? so>re-i-/ncia e9 'am>;m9 ?
necessidade de in'erpre'ar9 de associar 'udoP a escri'a cada -e1 mais
en5u'a9 o>=e'i-a9 ref;m de uma lin0ua0em -ul0ari1ada9 0re0:ria9 <ue
ser-e para os <ue n*o '/m 'empo dispon7-el para lei'uras <ue
demandam um m7nimo de paci/ncia B o <ue deno'a uma a'rofia
cere>ral crescen'eP um e5cesso de ins'ru$*o <ue o>scurece as coisas
elemen'ares da e5is'/ncia Qa ar'e9 a frui$*o da -ida9 o pensamen'o9 a
ale0ria9 os de-iresR B assim a ins'ru$*o 'am>;m ser-e de
entorpecimentoP a i0nor6ncia da impor'6ncia do corpo para a in-en$*o
de 'udo <ue ser-e para a supera$*o de pro>lemas9 ou se=a9 impasses
num co'idiano <ue se 'ornou insupor':-el de ser -i-ido Qefei'os dissoG
in'o5ica$*o do corpo a'ra-;s de um ":>i'o alimen'ar <ue ; indu1ido por
in'eresses mercadolF0icos B como a in0es'*o de alimen'os e >e>idas <ue
a'; os c*es se recusam a in0erir B e a conse<uen'e sensa$*o de fome
con'7nua... a fome or06nica e também a fome psicológica9 es'a como
sin'oma de uma p;ssima alimen'a$*o do 'empoR. .erce>eAse <ue o n7-el
de in'eli0/ncia B n*o a erudi'a9 mas a do modo de -i-er B es': '*o >ai5o9
<ue es'amos camin"ando para uma ;poca em <ue se al0u;m falar ou
escre-er duas ou 'r/s frases <ue e5pressam al0uma comple5idade de
ideias9 ser: c"amado de 0/nio... 8unca ser: '*o f:cil ser um D0/nioE no
meio de 'an'a -ul0aridade.
22
!O8SER,4MSO
Um malAen'endido ocorre <uando al0u;m ima0ina <ue9 por
rece>er um sal:rio9 por -i-er com a fun$*o de D'arefeiroE9 por cumprir as
ordens <ue mais de'es'a por medo de perder o seu empre0o9 estará se
conservando... 4s coisas desa0rad:-eis s*o a'enuadas pela sensa$*o de
conser-a$*o do seu Dpoder de compraE ou de DconsumoE B consumo de
la1er9 de 'udo <ue ser-e para ali-iar o cansa$o e a dor de reali1ar um
'ra>al"o sem sen'ido al0um. O mandamen'o Dntes a conservação do
que o risco") es': impre0nado por 'oda a sociedade A a'; em reuni%es
so>re as al'era$%es no clima -emos os c"efes de Es'ado se esfor$ando para
conser-ar o a'ual sis'ema econTmico. Mas como conser-ar um sis'ema
capi'alis'a <ue descon"ece os limi'es do plane'aJ B eis um pro>lema <ue
cada -e1 mais demanda esfor$os dos defensores do capi'alismo.
Dis'ra7dos pela amea$a da ru7na da<uilo <ue refor$a a sua conser-a$*o9 o
-erdadeiro pro>lema nem ; colocado pela sociedade9 por<ue
simplesmen'e n*o in'eressa aos c"efes de Es'ado9 aos empres:rios9 aos
'ra>al"adores9 aos consumidores B onde 'odos s*o pe$as de uma m:<uina
de des'rui$*o am>ien'al9 social e... deles mesmos"
4 -on'ade de se conser-ar ainda fala mais al'o. Mas essa ; uma falsa
concep$*o do <ue podemos c"amar de conser-a$*o. Uma ou'ra
conser-a$*o de-e ser dese=adaG conser-ar a nossa na'ure1a de operar
modifica$%es em nFs9 no am>ien'e9 no social9 no mundo9 de e5pressar o
nosso dese=o de ou'ro =ei'o. 4pesar do impera'i-o social ao
conformismo9 ; necess:rio conser-ar o anseio de -i-ermos de ou'ra
maneira. H necess:rio conser-ar a c"ama <ue nos mos'ra onde ": -ida
ao nosso redor9 mesmo <ue isso pon"a em risco a conser-a$*o dos
ideais dos <ue es'*o en'ediados do seu co'idianoG 'al-e19 um dia9 al0uns
desses <ue a>riram m*o da lu'a para se -enderem por umas mi0al"as9
a0radecer*o ? c"ama <ue l"es fe1 desper'ar o dese=o por uma ou'ra
conser-a$*o B a da potência singular de ser sen#or do seu próprio
destino...
2+
RI@MO
!"e0a um momen'o em <ue nos es0o'amos das coisas de mau
0os'o <ue fa1em par'e do co'idiano de uma me'rFpoleG a ri0ide1 dos
"or:rios9 o >arul"o das ruas9 a mul'id*o das cal$adas9 o 'ra>al"o
apressado9 or0ani1a$%es <ue nos en-ol-em peri0osamen'e Qpois
dei5amos para depois o <ue sa>emos ser primordial para nFsR e9 <uando
sen'imos isso9 <ueremos <ue o nosso corpo se=a 'ocado por ou'ras coisas
mais calmas9 afe'ado por ou'ras cores9 >an"ado por :0uas de um mar
descon"ecido9 <ue ele fa$a par'e de uma outra paisa0em. .assamos a
desco>rir uma maneira diferen'e de e5pressar o nosso <uerer9 sem
>anali1ar os 0es'os comuns ao darAl"es um ou'ro ri'mo9 mais es'endido9
<ue >ril"a para nFs. 4ssim9 aprendemos a'; a nos despedir de modo
diferen'e9 mais sua-e9 'al como a mo$a <ue9 no por'*o de sua casa9 >ei=a
as prFprias m*os e es'ende os >ra$os9 le-emen'e inclinados9 para se
despedir de al0u;m <uerido. Den'ro de um mundo <ue corre cada -e1
mais r:pido9 ur0e aprendermos com a sin0ele1a das e5peri/ncias <ue
possuem um ou'ro ri'mo B ; esse ou'ro ri'mo <ue de-emos desco>rir.
24
ERUDIMSO
Os criadores n*o es'*o preocupados em Dsa>erE mais <ue al0u;m.
Sem fa1er rodeios9 eles fa1em uso da erudi$*o como meio para invenç5esG
DO <ue isso ser-e para a min"a o>raJE9 assim per0un'am eles. !onser-am
o ol"ar es'ran0eiro9 -eem as coisas de ou'ro =ei'o9 d*o -alor ?s coisas <ue a
maioria despre1a9 possuem uma in'eli0/ncia <ue n*o 'em nada a -er com
a pr:'ica B uma in'eli0/ncia do seu prFprio 'empo para amadurecerem
ideias9 a'os9 me'amorfoses. 4firmam os sen'idos do corpo9 dese=am o
maior con'a'o poss7-el com o>ras <ue alimen'am o seu ins'in'o criador9
por<ue sa>em <ue o con"ecimen'o não está pronto para ser acessado9
mas es': associado ? mCsica9 ? li'era'ura9 ao mar9 ?s mon'an"as9 ?s
con-ersas. Os criadores '/m a consci/ncia de <ue a na'ure1a ;9 'am>;m
em nFs9 um continuum in'ensi-o B eis o con"ecimen'o <ue es':
insepar:-el de uma emo$*o <ue e5prime a<uilo <ue n*o morre9 de um
supremo pensamen'o <ue es': acompan"ado de uma rar7ssima ale0ria e
de uma perfei'a confian$a em si mesmo. @ra'aAse de um acon'ecimen'o
<ue n*o fa1 >arul"o9 <ue acon'ece nos lu0ares mais impro-:-eis9 <ue
nin0u;m ao redor 'em a menor no$*o da louca ideia <ue aca>ou de >ro'ar
aliG sem in0erir al0um alucinF0eno9 os criadores podem alucinar a';
duran'e uma simples camin"ada... L: uma -erdade mara-il"osa nesse
pensamen'o9 <ue a ra1*o nem c"e0a per'o. @oda erudi$*o de 'odos os
'empos ; incapa1 de dar con'a da e5peri/ncia <ue fa1 com <ue o criador
encare a e5is'/ncia como uma crian$a <ue >rinca em um =ardim.
25
3UES@NES
H necess:rio des'acar a diferen$a <ue ": en're um co'idiano <ue se
>anali1ou de ou'ro <ue se 'ornou enri<uecido9 <ue se e5prime9 mui'as
-e1es9 na sensa$*o de <ue 'i-emos um dia prol7fico9 sa'isfei'os com nosso
prFprio 'ra>al"o9 com a cer'e1a de 'ermos a-an$ado ainda mais lon0e na
nossa prFpria 'arefa. !os'umaAse ima0inar <ue a<ueles <ue falam com e
como 'odo mundo s*o Dsoci:-eisE9 pois eles s*o facilmen'e iden'ificados9
facilmen'e 'ornados familiares9 en<uan'o ou'ros seriam Ddissoci:-eisE e9
=us'amen'e por isso9 supos'amen'e pa0ariam um pre$o al'o por n*o
-i-erem Dcomo 'odo mundoE9 por n*o fa1erem as coisas <ue D'odo
mundo fa1E B e assim s*o acusados de -i-erem DisoladosE. Mas n*o se
'ra'a de isolamen'o9 mas de al0o <ue ; mui'o su'il9 <ue n*o se perce>e9
<ue ; i0norado fre<uen'emen'eG 'ra'aAse da capacidade sele'i-a de nos
relacionar com as coisas <ue realmente nos in'eressam9 <ue9 inclusi-e9
podem ser pou<u7ssimas9 <uando comparadas ? a>er'ura le-iana e sem
sele'i-idade -i-ida pela massa. 8*o se cons'rFi um mundo prFprio
<uando se -i-e de maneira -ul0ar B em oposi$*o a isso9 o mundo
selecionado de acordo com nFs mesmos9 de-ido ? nossa po'/ncia
sin0ular de e5is'ir9 'orna a indol/ncia dif7cil de supor'ar. Fa1emos
e5plodir a or0ani1a$*o 'ir6nica da -ida <ue ; sus'en'ada pela censura9
culpa9 sofrimen'o9 recompensa9 recon"ecimen'o9 i0ualdade e medo9
muito medo. !omo nos parecem os <ue se preocupam em defender a
sua #onra e9 em ra1*o disso9 a0em mo-idos pelo medo de serem
=ul0ados por a<ueles <ue mais 'ememJ ,i0iam por<ue '/m medo de
<uem os -i0ia9 reprimem para sus'en'ar a >oa opini*o <ue os -i1in"os
'er*o deles. H ine-i':-el <ue eles se assemel"em pela fal'a9 pela
fra<ue1a9 pela >ai5e1a dos seus ":>i'os. .or ou'ro lado9 o anonima'o ;
si0no de dis'in$*o9 de li>erdade9 de possibilidade de perceber quem é o
inimigo para <ue as suas for$as n*o se=am desperdi$adas 0ra'ui'amen'e.
E9 al;m disso9 o anTnimo fa1 a dis'in$*o fundamen'al en're pe<uenas e
0randes <ues'%es. Xrandes <ues'%es nascem <uando se -/ a fol"a de
uma :r-ore inserida num 'odoG 0al"os9 'ronco9 a :r-ore no am>ien'e
onde -i-e e cresce. Xrandes <ues'%es n*o es'*o dissociadas da
"a>i'a$*o9 do ar <ue se respira9 do <ue se alimen'a9 de como se 0an"a o
seu prFprio p*o. Xrandes <ues'%es colocam em dC-ida -alores <ue
en'ra-am a e5plora$*o de no-as capacidades de a0ir. O: as pe<uenas
<ues'%es Q<ue s*o mais fre<uen'esR se con'en'am com a fol"a da :r-ore
e i0noram o res'o. .e<uenas <ues'%es nos di1em <ue 'al pessoa ; Dassim
ou assadoE em ra1*o disso ou da<uilo B e l: se -*o 0randes doses de
ener0ia desperdi$adas para a preser-a$*o de al0u;m <ue ima0ina -i-er
desconec'ado do res'o9 de um DeuE <ue ora sofre9 ora es': feli19 <ue
'am>;m can'a9 dorme9 come9 <ue -i-e para se e5i>ir. 4ssim9 as 0randes
<ues'%es s*o adiadas9 pois elas n*o s*o in'eressan'es <uando o or0ul"o
doen'io ? ra$a9 ao se5o9 ? classe social e ?s demais represen'a$%es ser-e
para man'er um co'idiano >anali1ado.
2
4U@O8OMI4
@es'emun"amos uma concorr/ncia insana en're os indi-7duos <ue
foram educados para se0uirem ri0orosamen'e as o>ri0a$%es <ue s*o
consideradas D>oasE B n*o por eles9 cer'amen'e9 mas pela sociedade em
<ue -i-em. !ada um dese=a passar por cima dos seus concorren'es9 fa1er
'rapa$as9 c"e0ar aos o>=e'i-os =: dados de foraG 'udo para se sen'irem
or0ul"osos de serem apenas pe$as de uma m:<uina des'ruidora deles
mesmos. !omo es'*o impossi>ili'ados de camin"ar com as suas prFprias
pernas9 fo0em de <uem pode ensinarAl"es a con<uis'ar a -ida au'Tnoma.
Sua co-ardia 'ornaAse e-iden'e <uando sen'em <ue o D>emE moral a <ue
se su>me'em9 mesmo sendo con'r:rio ? na'ure1a deles9 de-e ser
conser-ado por meio de uma lu'a di:ria con'ra os seus ins'in'os.
En<uan'o es'*o incapaci'ados de in-en'ar para si prFprios o seu >em9
desperdi$am o 'empo <ue seria fundamen'al para se li>er'arem do ri'mo
doen'io <ue ; impos'o pela or0ani1a$*o 'ir6nica da -ida "umana. Mas
e5is'em indi-7duos <ue dese=am encon'rar os seus mes'res9 <ue dese=am
in-en'ar o seu próprio bem9 <ue dese=am lu'ar pelo seu prFprio des'ino.
8esse processo de e-olu$*o9 eles dei5am de per'encer ? ima0em "a>i'ual
<ue se fa1 dos "omensP 'ornamAse cada -e1 menos familiares9 passam a
ser es'ran"os9 mara-il"osamen'e es'ran"os9 come$a a >ril"ar neles
al0uma DloucuraE <ue os fa1 dis'in0uiremAse dos indi-7duos DnormaisE e
domes'icados. 3uem se li0a a eles perce>e9 com o passar do 'empo9 <ue
e5is'e a impossi>ilidade de 'en'ar definir o <ue9 na -erdade9 n*o para de
escapar9 de mudar9 de ser in-en'ado. O indi-7duo au'Tnomo escapa das
0arras do poder por<ue ; produ'or de si prFprio9 pois9 ao se alimen'ar do
flu5o do real9 fa1 os seus disfarces se mul'iplicarem cada -e1 mais. Sua
mul'iplicidade de es'ilos9 de -o1es9 de 0es'os9 esse ator encarnado9
e5prime a for$a da -ida <ue9 finalmen'e9 no meio de 'an'o Fdio ao seu
redor9 'ornouAse madura9 feli19 capa1 de dar fru'os9 de ensinar aos ou'ros
a amar cada momen'o -i-ido. Mais do <ue nunca9 a nossa ;poca precisa
de indi-7duos assim9 mesmo <ue os <ue ser-em aos in'eresses das
ins'i'ui$%es con'inuem a se esfor$ar para <ue eles não existam.
2#
EZ.)OR4DOR
O e5plorador n*o <uer respos'as ou e5plica$%es9 ele quer cada ve%
mais alimentos B com isso ele ensina <ue s*o os alimen'os <ue nos fa1em
e-oluir9 ao con'r:rio das explicaç5es <ue ser-em para nos man'er no
mesmo mundin"o po>re. 3uerer os alimen'os en-ol-e risco9 a>er'ura ao
descon"ecido B isso permi'e <ue as 'arefas u'ili':rias se=am
'emporariamen'e dei5adas de lado9 reser-adas para os lu0ares e os
momen'os mais apropriados. .or isso seu ensinamen'o nos di1G or0ani1ar
a nossa -ida para pri-ile0iar a e5plora$*o9 para n*o dei5armos <ue essa
fome por con"ecimen'o se es0o'e9 para <ue o nosso pensamen'o se=a
capa1 de ir para re0i%es ine5ploradas B isso9 cer'amen'e9 n*o ; para
c"e0armos a al0um lu0ar e nem para encon'rarmos respos'as
defini'i-as9 mas9 pelo con'r:rio9 ; para n*o permi'irmos <ue a -ida
escape das nossas m*os9 para se0uirmos o seu mo-imen'o de ir adian'e9
sem falsos 'emores. DEs'ou 'ris'e9 'en"o andado mui'o 'ris'e
ul'imamen'e. Lo=e9 a'; sen'i as min"as pernas >alan$arem com 'an'a
'ris'e1a...E B assim o indi-7duo enfra<uecido e5p%e para nFs o
sen'imen'o <ue l"e a'ormen'a 'an'o9 com o seu cora$*o oprimido9
mis'urado com l:0rimas imposs7-eis de serem con'idas. 4 'ris'e1a
alo=ouAse nele por<ue perdeu a -on'ade de e5plorar9 de ser um curioso
insaci:-el Qo <ue o faria sair da mesmiceR. 4o ol"ar para 'r:s9 a sua
'end/ncia ; 'en'ar encon'rar al0uma =us'ifica'i-a no seu passado9 na sua
inf6ncia9 na sua educa$*o9 no seu casamen'o9 na sua profiss*o9 para
<uerer con-encerAse de <ue ; incapa1 de fa1er al0o no-o9 diferen'e9
descon"ecido. Ele ima0ina <ue9 se as coisas ocorreram como n*o
de-eriam9 en'*o n*o e5is'e mais possi>ilidade de sa7da. Mas o <ue deu
errado n*o ser-e como =us'ifica'i-a para nos resi0narmosK 4 -ida nos
empurra para irmos adian'e e a 'ris'e1a alo=ada em nFs ; indicadora
disso... 6entativa e erro1 nem sempre o <ue fa1emos d: cer'o9 por isso
'en'amos no-amen'e9 de ou'ro modo9 pois9 afinal9 as circuns'6ncias s*o
comple'amen'e diferen'es. 8Fs e o mundo n*o podemos ser mais os
mesmos. O e5plorador aprende com os erros9 n*o os le-a a s;rio9
inclusi-e se for'alece por meio deles e ; capa1 de a0radec/Alos. Ele
domina por<ue ; pacien'e9 o>ser-ador9 sa>e esperar e a0e <uando sen'e
<ue deve a0ir. 4le0raAse por se0uir nesse mo-imen'o de e5plora$*o da
produ$*o do real. !om oi'en'a anos9 ol"a para si e ao seu redor e
cons'a'a <ue permanece =o-em9 <ue o mundo 'odo con'inua =o-em.
@omado por esse pensamen'o9 seu corpo arrepiaAse in'eiramen'e e sua
alma se enc"e de 0ar0al"adas B ele 'em a>solu'a consci/ncia <ue ;
impossível <ue a e5plora$*o do mundo se=a conclu7da. 4le explora para
seguir mudando... 2&
4MIY4DE
Os ami0os nos a>rem por'as surpreenden'es <uando nos
apresen'am coisas <ue nem ima0in:-amos <ue poderiam e5is'ir. !ores9
sons9 ima0ens po;'icas <ue passamos a con"ecer por causa deles. Somos
0ra'os a eles por<ue o <ue nos apresen'am ser-e para ampliar a
e5peri/ncia dos nossos sen'idosG passamos a ou-ir9 a escre-er e a falar de
ou'ro =ei'o9 sem 'ermos -er0on"a de mudar. 3uem precisa censurar e
refor$ar a passi-idade de al0u;m n*o 'em como con"ecer a impor'6ncia
da ami1ade para a li>erdade "umana. Um ami0o mCsico9 um ami0o poe'a9
um ami0o filFsofo9 um ami0o cien'is'a9 enfim9 um ami0o <ual<uer <ue9
por meio do <ue ele fa19 ; sempre uma pro-oca$*o para irmos adian'e B e
n*o podemos 'er ou'ro in'eresse na ami1ade de al0u;m al;m des'e.
.recisamos de 0en'e assim9 capa1 de doar al0uma coisa9 de 0en'e <ue
podemos c"amar9 sem erro9 de ami0o. !om efei'o9 coe5is'e na nossa o>ra
al0uma coisa das nossas ami1adesG um9 dois9 'r/s ami0os9 n*o impor'a
<uan'os s*o9 desde <ue sai>amos <ue por meio da ami1ade 'ecemos de
modo 0randioso o nosso prFprio des'ino. Desse modo9 esculpimos a nFs
mesmos len'amen'e9 silenciosamen'e9 amorosamen'e9 a0radecidos aos
<ue nos doaram al0o -alioso.
2(
4R@E
O ar'is'a se alimen'a de ima0ens e de afe'os para ma'eriali1ar
suas ideias na sua o>ra. Ele par'e do <ue ; efe'uado para9 a'ra-;s da
e5perimen'a$*o9 criar al0o capa1 de en0endrar no-as ima0ens e
sensa$%es na<uele <ue frui uma o>ra sua. Desse modo9 a ar'e ser-e ?s
mais ele-adas necessidades da -ida "umana. 8*o ": nada para ser
in'erpre'ado9 nada para ser =ul0ado9 pois9 afinal9 a na'ure1a ; inocen'e
demais para ser =ul0ada. 4 o>ra de ar'e ; para ser sen'ida9
e5perimen'ada9 para pro-ocar os indi-7duos a sen'irem de ou'ro modo9
para con"ecerem no-as ima0ens9 para a0irem de acordo com suas
'end/ncias9 in'errompendo 'emporariamen'e a ordem parasi':ria dos
seus corpos B assim eles s*o coa0idos9 a'ra-;s da ar'e9 a considerarem
presen'es es'ran"as sensa$%es <ue mudam a -ida deles para sempre.
!er'amen'e9 n*o ca>e ? ar'e nen"um discurso inflamado9 ideolF0ico9
mas ou'ra coisa <ue acon'ece de modo su>'err6neoG re-olu$*o. 4 ar'e
sempre foi re-olucion:ria B e sempre ser:9 por isso ela ; '*o indese=ada
pelos "orrorosos "omens de poder. Ela li>er'a pensamen'os9 a'rai os
indi-7duos para uma face da realidade <ue ; i0norada en<uan'o es'*o
"a>i'uados a =ul0ar a -ida a par'ir das ima0ens e afe'os <ue '/m
consci/ncia. Mas ao con'r:rio de <uem =ul0a9 o ar'is'a fa1 das ima0ens e
dos afe'os os seus alimen'os para <ue suas o>ras possam permi'ir <ue o
"omem comum con"e$a essa face da realidade <ue ; anterior ?s
ima0ens9 is'o ;9 a face da produ$*o inin'errup'a das coisas <ue 'emos
consci/ncia. O encon'ro com a o>ra de ar'e a'i-a for$as descon"ecidas
no "omem e por isso ela ; sempre necess:ria em cada dia <ue -i-emos.
+0
M4SSIFI!4MSO
D4r'e para todosKE. 4 inclus*o
Dcul'uralE promo-ida pelo Es'ado resul'a
numa diminui$*o da po'/ncia su>-ersi-a da
ar'e B a sua massifica$*o impede9 de fa'o9
<ue ela se=a fru7da de modo a produ1ir no
indi-7duo sensa$%es e ideias <ue podem
'orn:Alo au'Tnomo. En'*o9 a -el"a pol7'ica
do Dp*o e circoE con'inua a ser ferramen'a
de dis'ra$*o para as massas e9 como
resul'ado disso9 a frui$*o da o>ra de ar'e
con'inua a ser pri-il;0io para
pou<u7ssimos. .or isso o Es'ado compra o
ar'is'a e a sua o>ra para si B e9 o <ue ;
deplor:-el9 o ar'is'a se permi'e ser
comprado em 'roca de ri<ue1a9 fama9
recon"ecimen'o9 en're ou'ras D-an'a0ensE
<ue fa1em os seus ol"os >ril"arem. !omo
produ1ir os mais ele-ados sen'imen'os e
ideias <uando a sua o>ra ; e5ecu'ada ou
e5pos'a em am>ien'es <ue 'endem a
diminu7Ala9 no meio do correAcorre da mul'id*o9 in-adida por es'7mulos
sonoros e -isuais <ue impedem a sua frui$*oJ !on'r:rio a isso9 o ar'is'a
<ue n*o se -ende de-e es'ar preparado para con-i-er com a sa>o'a0em e
a amea$a de des'rui$*o da sua o>ra Qmui'as -e1es9 nem uma lin"a no
=ornal so>re al0o <ue produ1iuP pouco ou nen"um es'7mulo financeiro
para a produ$*o da sua o>raR. Xlau>er Roc"a =: es>ra-e=a-aG DEu me
encon'ro no Irasil marA0iAnaAliA1aAdoKE. 4ssim acon'ece 'am>;m com o
filFsofo9 como =: di1ia 8ie'1sc"e9 <ue9 ao su>me'erAse ao Es'ado9 ;
impedido de pensar. .or'an'o9 ; necess:rio <ue o ar'is'a e o filFsofo n*o
se 'ornem ser-idores do Es'ado9 =: <ue os mo-imen'os de in'ensifica$*o
da -ida por meio da ar'e e da filosofia nunca ser-iram aos in'eresses de
conser-a$*o do Es'ado. H necess:rio <ue eles man'en"am o poder
afas'ado de si mesmos9 sem dar impor'6ncia a '7'ulos9 fama9 ri<ue1a ou
al0uma au'ori1a$*o para criar e pensar. H necess:rio se0uir adian'e na
produ$*o da prFpria o>ra sem esperar aplausos de uma massa <ue n*o
sa>e e5perimen'ar9 sem a0uardar a au'ori1a$*o de al0uma ins'i'ui$*o
para falar9 escre-er ou e5por os seus mais sinceros dese=os9 ideias9
a$%es. !er'amen'e9 su>me'erAse ? or0ani1a$*o e5'erior da -ida fornece
ao indi-7duo lu0ar 0aran'ido na m7dia oficial9 0rande pC>lico nas
pales'ras9 mui'os li-ros -endidos9 mas9 em ra1*o disso9 pa0aAse um
pre$o al'oG a sua cria$*o ; anulada... Em con'rapar'ida9 o indi-7duo
n7made di19 com 'odo cora$*o9 D4deusKE ao Es'ado9 por<ue inventa o
seu prFprio 'ra>al"o9 a sua escola9 a sua fam7lia9 a sua dis'ra$*o9 os seus
encon'ros9 os seus mo-imen'os sociais B assim ele ; fiel aos seus afe'os
e n*o c,mplice dos modelos Qor0ani1ados pelo Es'adoR de 'ra>al"o9 de
escola9 de fam7lia e de dis'ra$*o <ue ser-em para massificar os "omens9
para impediAlos de fruir a o>ra de ar'e e9 em ra1*o disso9 'ornamAse
i0noran'es e incapa1es de or0ani1ar a sua prFpria e5is'/ncia.
+1
,IO)U8!I4
4 ideia de <ue a -ida "umana possa se desen-ol-er de modo
completamente dis'in'o do <ue ; a'ualmen'e perce>ido ainda es': lon0e
de ser n7'ida para a maior par'e da sociedade. @es'emun"amos o
desespero das ins'i'ui$%es para aumen'ar a -i0il6ncia e o con'role so>re os
indi-7duos na esperan$a de -arrer9 para >em lon0e9 as for$as do acaso <ue
sempre amea$am a 0re0aridade. .ara defender suas cren$as9 as reformas
dos modelos de educa$*o9 de 'ra>al"o9 de fam7lia9 s*o9 ine-i'a-elmen'e9
apenas 'en'a'i-as de conser-ar os princ7pios <ue >uscam a
"omo0enei1a$*o m:5ima dos "omens. Dessa forma9 a<ueles <ue se
dedicam a esse ser-i$o nefas'o de -iol/ncia con'ra a -ida "umana 'ornamA
se9 como ; no'Frio9 C'eis ? 0re0aridade enfra<uecidaG suas in-en$%es
a>as'ecem o anseio da sociedade para aperfei$oar a domes'ica$*o dos
indi-7duos. Uma sociedade sus'en'ada pela men'ira 'em necessidade de
novas men'iras <ue ser-em para man'/Ala afas'ada das 0randes <ues'%es
<ue ela n*o <uer enfren'ar. !om efei'o9 a -iol/ncia dos seus m;'odos 'em
como fun$*o ampliar a semel"an$a de a0ir9 de dese=ar e de pensar en're
os "omens 0re0:rios9 o <ue e5pressa o dese=o fascis'a de alcan$ar uma
Dra$a puraE cons'i'u7da por indi-7duos comuns e pre-is7-eis e <ue9 por
isso mesmo9 n*o represen'em mais nen"uma amea$a ? sociedade. @ais
m;'odos -ariad7ssimos s*o sempre reno-ados por no-as Dcompro-a$%es
cien'7ficasE <ue a>as'ecem a con'a >anc:ria dos carrascos da -ida
au'Tnoma. 8*o se pensa9 ou mel"or9 não se quer pensar9 <ue <uando
uma crian$a se re>ela con'ra o ensino a'ual es': apenas e5pondo a
-iol/ncia <ue ela sofre diariamen'e por meio de um modelo de ensino <ue
pouco 'em a -er com a sua -ida. Seus anseios s*o ou'ros9 suas
necessidades s*o in'eiramen'e dis'in'as das o>ri0a$%es escolares <ue
pre'endem domes'ic:Ala em ra1*o de um Dfu'uro mel"orE9 is'o ;9 de um
fu'uro sem diferen$as9 sem per'ur>a$%es9 sem impre-isi>ilidade. Dian'e
disso9 a crian$a responde com desd;m9 com Dre>eldiaE Qcom a<uilo <ue
a'ualmen'e c"amam de Dd;fici' de a'en$*oE e D"ipera'i-idadeER e con'ra
isso os sal-adores das ins'i'ui$%es se -eem com um 'ra>al"o de Dcorre$*oE
<ue parece in'ermin:-el Qser: <ue eles sus'en'ar*o por mui'o mais 'empo
suas prFprias cren$asJR. Mas con'ra essa 'irania 'emos a in-en$*o como a
nossa Cnica sa7da. O <ue ; inadiável ; in-en'armos o nosso ensino9 o
nosso 'ra>al"o9 a nossa fam7lia9 as nossas dis'ra$%es9 'udo isso se0undo
os nossos mais sinceros anseios B por efei'o9 os modelos es'a>elecidos
<ue -iolen'am as sin0ularidades s*o despre1ados por nFs. Em -e1 da
ideolo0ia9 preferimos enfren'ar a 'ela em >ranco. @ornamoAnos
e5perimen'adores e or0ani1adores do nosso prFprio modo de aprender
B um sa0rado au'odida'ismo9 acompan"ado 'am>;m de 0rupos <ue se
reCnem apenas... para aprender. 4mar o <ue es'udamos9 como meio de
intensificação da nossa própria vontade9 fa1 =o0ar para lon0e o ';dio
<ue9 ine-i'a-elmen'e9 a>a'e os esp7ri'os mais po'encialmen'e li-res
<uando es'*o en'upidos de e5ames9 'arefas e o>ri0a$%es curriculares da
'ris'e educa$*o oficial B pois a filosofia9 a >iolo0ia9 a an'ropolo0ia9 por
e5emplo9 en<uan'o s*o condu1idas se0undo as necessidades de
diferencia$*o da -ida "umana9 aparecem sempre como uma amea$a aos
<ue precisam or0ani1ar o ensino se0undo os seus in'eresses mais
mes<uin"os. Mas se podemos fa1er isso com o ensino9 podemos
'am>;m fa1er com o nosso 'ra>al"o9 com as nossas -ia0ens9 com as
nossas rela$%es amorosasG sem con'ra'os9 sem classifica$%es9 uma
a>er'ura ? produ$*o dos afe'os <ue nos in'eressam... 4 'ela em >ranco
dian'e de nFs ; uma pro-oca$*o para enfren'armos a dif7cil 'arefa de
arriscarmos9 de amarmos o impre-is7-el9 de sentirmos a<uilo <ue
fa1emos sem 'er a necessidade de nome:Alo9 de definiAlo racionalmen'e.
En're0ar os pinc;is para <ue al0u;m pin'e por nFs9 <ue nomeie para
nFs9 ; mui'o mais f:cil9 mas9 cer'amen'e9 somos desones'os com a nossa
prFpria e5is'/ncia <uando nos limi'amos a isso.
+2
4 aus/ncia 'o'al de ori0em e conclus*o na produ$*o do mundo
elimina a no$*o de <ue ser7amos a cria$*o de uma en'idade so>rena'ural9
<ue cumpriria um pro=e'o ou modelo finalis'a prede'erminado por meio
de uma -on'ade superior ? -ida. !on'ra isso9 radicali1amos o nosso
pensamen'o <uando podemos afirmar <ue sempre e5is'imos e <ue
sempre existiremos, desde <ue se compreenda <ue essa afirma$*o n*o
'em nen#uma rela$*o com o <ue di1em os esp7ri'as ou ou'ras dou'rinas da
reencarna$*o da DalmaE. 4s nossas no$%es de ori0em e conclus*o9
nascimen'o e mor'e9 por serem produ'os da nossa capacidade de
ima0inar9 dei5am de alimen'ar as supers'i$%es reli0iosas <uando
pensamos a -ida B e nFs mesmos B como con'inuidade <ue se diferencia
de si mesma9 como po'/ncia indes'ru'7-el de supera$*o. 4o in-;s da no$*o
de ori0em9 podemos pensar a -ida como diferencia$*o9 como mudan$a
con'7nua. 4final9 e5is'e apenas a mudan$a9 o mundo ; mudan$a9 somos
mudan$a B e podemos compreender <ue esse e'erno escoamen'o do real
n*o pode ser9 essencialmen'e9 fra0men'ado por e'apas9 'ais como as <ue
nos "a>i'uamos a fa1er a respei'o do con"ecimen'o da nossa e5is'/ncia9
<uando es'a aparece como Dinf6nciaE9 D=u-en'udeE9 D-ida adul'aE9 D-el"iceE
e Dmor'eE9 pois ; imposs7-el <ue se=a apreendido o ins'an'e <ue al0u;m
nasce9 <ue se 'orna =o-em9 adul'o9 idoso ou <uando morre. Redu1ir assim
a nossa -ida e a -ida em 0eral nos man';m afas'ados do con"ecimen'o de
<ue -i-emos sempre de maneira con'7nua9 sempre de modo diferen'e B e
; ine-i':-el <ue a i0nor6ncia disso alimen'e as mais -ariadas supers'i$%es.
Dese=ar <ue a -ida con'inue a'ra-;s de nFs9 mas de ou'ro modo9 nada
mais nos fa1 do <ue sen'irmos <ue essencialmen'e =amais podemos ser
des'ru7dos B eis o sa>er do 0uerreiro9 cora=oso9 <ue p%e a faca en're os
den'es e -ai ? lu'a9 com a a>solu'a confian$a de <ue se0uir: presen'e para
sempre. Ele 'em a consci/ncia de <ue cada ins'an'e <ue -i-e =amais -ai se
repe'ir do mesmo modo9 <ue =amais dei5ar: de per'encer ao elo <ue o
man';m li0ado ao de-ir do mundo de 'oda a e'ernidade... H imposs7-el
di1er com clare1a 'odas as nossas mudan$as de um dia para o ou'ro9 no
corpo e na men'e. H9 'am>;m9 imposs7-el pre-er o <ue seremos no dia
se0uin'e9 como e5pressaremos as nossas ideias9 o nosso <uerer9 <ue
mudan$as -i-eremos B um seguir-no-mundo <ue nunca se su>me'e ao
c:lculo e ? pre-is*o. O con"ecimen'o de <ue =amais dei5aremos de ser
al0o da na'ure1a nos empurra para par'iciparmos a'i-amen'e dessa
con'inuidade criadora9 'ecendo o nosso fu'uro e o fu'uro do uni-erso com
au'onomia e ale0ria9 comandados por um au'/n'ico amor cosmolF0ico.
!O8@I8UID4DE
++
IM.O@U8!I4
3uando nada mais parece nos 'ocar9 nen"uma mCsica9 nen"um
li-ro9 nen"uma con-ersa9 fa1emos se0uidas 'en'a'i-as Qfrus'radasR para
e5pressar al0uma ideia in'eressan'e9 mas9 en'*o9 finalmen'e
perce>emos <ue a nossa -on'ade de doar al0o ao mundo es':9
momen'aneamen'e9 en'ra-ada. 4 par'ir disso9 podemos a'; ima0inar
<ue a roda da cria$*o parou de 0irar em nós B mas is'o ;9 cer'amen'e9 o
nosso maior en0ano. Os momen'os de impo'/ncia cria'i-a nos ensinam9
no m7nimo9 a compreender o <ue cons'i'ui o co'idiano dos indi-7duos
<ue es'*o cap'urados pela or0ani1a$*o moralG como eles es'*o
impedidos de e-oluir conforme os seus mais sinceros dese=os9 s*o al-os
f:ceis da indCs'ria do passa'empo. 4 Dfelicidade dos acomodadosE Quma
esp;cie de ale0ria deri-ada do D'apin"a nas cos'asER impede <ue a
impo'/ncia cria'i-a se=a9 de fa'o9 e5perimen'ada B ela ; co-ardemen'e
escondida pelos >rin<uedos indus'riais <ue s*o produ1idos para os
sofredores da realidade... @a0arelar9 por e5emplo9 ainda ; uma das -ias
mais f:ceis para dis'rairAse de si mesmo Qpara isso9 uma >oa lis'a de
Dami0osE pode ser >as'an'e C'ilR. 40ir como todos de-em a0ir nos
man';m dis'an'es do con"ecimen'o da nossa sin0ularidade de ruminar9
de escu'ar as mCl'iplas -o1es in'eriores <ue -*o9 0radualmen'e9
emer0indo em nFs9 -o1es <ue dese=am condu1ir a nossa e5is'/ncia9
acompan"adas de cores9 sons9 sen'imen'os B assim a nossa consci/ncia
; enri<uecida pela for$a da -ida <ue nos impulsiona. Sem dC-ida9
e5is'em coisas <ue nos 'ocam9 <ue nos mo>ili1am9 mas9 nos momen'os
de crise9 elas parecem passar por nFs sem nos dei5ar nada9 como se nos
o>ri0asse a uma pausa e a um des-io necess:rio para <ue se=a poss7-el9
enfim9 al0uma e5peri/ncia sem falsos 'emores9 lon0e de <ues'%es do
'ipo Donde ; <ue isso -ai darJE9 como sa7da necess:ria para <ue
possamos retornar ao nosso <uerer. Ou'rora9 o sen'imen'o de
impo'/ncia ar'7s'ica poderia nos le-ar a a0ir como os massificados9 is'o
;9 dese=ar as dis'ra$%es enla'adas e fa1er a nossa prFpria e5is'/ncia
simplesmen'e passar9 de maneira en'orpecida. Mas9 depois de 'an'as
mudan$as e =: com al0um respiro de -ida au'Tnoma9 n*o queremos
mais fu0ir dos momen'os de crise9 pois na -erdade =: passamos por eles
al0umas -e1es e sa>emos <ue a impo'/ncia adormece <uando a nossa
na'ure1a -ol'a9 re0enerada9 a fluir para o mundo a'ra-;s das nossas
o>ras. H preciso ser 0rande para não se opor aos momen'os de crise...
+4
ES!RE,ER
Dese=ar <ue as pala-ras se=am
capa1es de e5pressar al0o das -i-/ncias
in'eriores <ue as en0endraram ;9
podemos afirmar9 a mais dif7cil 'arefa de
<uem escre-e9 ou mel"or9 de <uem 'em
uma rela$*o artística com a escri'a. Um
escri'or assim conse0ue perce>er
impor'an'es mudan$as no seu an'i0o
":>i'o9 'ornaAse conscien'e do
amadurecimen'o do seu pensamen'o9
pois ? medida <ue sua escri'a con'inua a
l"e ser-ir como demons'ra$*o de <ue o
a'o de escre-er carre0a ine-i'a-elmen'e
as suas e5peri/ncias com o corpo9 ele necessariamen'e ad<uire a 0rande
sa>edoria de <ue somen'e ; poss7-el escre-er de maneira "ones'a <uando
se -i-e "ones'amen'e com a -ida. O escri'or afirmativo passa a e5pressar
as ideias <ue =amais nasceriam se9 ao con'r:rio9 ele es'i-esse limi'ado ?
mesmice9 ?s ilus%es de D-erdadeE9 Din7cioE e Dconclus*oE <ue a lin0ua0em
0re0:ria poderia le-:Alo a acredi'ar. .or'an'o9 por priori1ar uma rela$*o
ar'7s'ica com a escri'a9 fa1 com <ue o uso 0re0:rio das pala-ras es'e=a
reser-ado apenas para o <ue l"e con-;m. O sil/ncio e a solid*o9 e n*o a
'a0arelice9 s*o os mel"ores meios para fa1er da escri'a a 'es'emun"a mais
prF5ima da sua e-olu$*o criadora. Di'o de ou'ro modoG o escri'orAar'is'a
dese=a comunicar aquilo que é comum a todos9 ou se=a9 a capacidade
<ue cada um 'em para e5pressar9 mesmo de modo limi'ado9 a sua
mul'iplicidade de afe'os. 4 for$a dos seus escri'os <uer nos di1er is'oG
DSin'a9 pe0ue isso9 le-eAo para mais lon0e do seu =ei'o...E. Um ensino <ue
'i-esse como fio condu'or o es'7mulo ? capacidade cria'i-a dos
indi-7duos <uando se l/ ou se escre-e al0o9 is'o ;9 um ensino <ue
priori1asse a rela$*o com a lei'ura e com a escri'a como maneiras de
e-oluir9 cer'amen'e n*o 'eria nada a -er com o ensino a'ual9 cu=o
es'7mulo ? lei'ura e ? escri'a 'em o>=e'i-os >em clarosG a ins'ru$*o
m:5ima dos indi-7duos como 0aran'ia da manu'en$*o das D-erdadesE
-i0en'es9 como processo con'7nuo da reprodu$*o dos funcion:rios do
poder9 da prolifera$*o dos =u71es da -ida. Dian'e disso9 'ornaAse
compreens7-el <ue a escri'a #onesta se=a9 de fa'o9 uma raridade no
mundo dominado pela comunica$*o 0lo>al. 3uem disponi>ili1a suas
m*os para se limi'ar a escre-er al0o <ue n*o ; -i-ido9 <uem escre-e
por<ue al0u;m l"e ordena escre-er9 <uem se ser-e das pala-ras para
disseminar os afe'os de Fdio e de -in0an$a9 <uem escre-e para Dser
al0u;mE na -ida9 <uem escre-e apenas por causa do sal:rio9 come'e o
maior crime con'ra a sua prFpria -ida9 <ue ; esma0ar as suas -i-/ncias
in'eriores em 'roca de um <uin"*o do lucro dos D>emAsucedidosE. O
escri'orAcomum ; apenas o produ'o de um receio ima0in:rio de
perce>er a si mesmo como caos dese=an'e e9 assim9 pro'e0eAse
e5a0eradamen'e na no$*o de DserEG DEis9 meus caros9 um [0rande[
escri'orKE. )imi'aAse a escre-er para um pC>lico <ue anseia por pala-ras
<ue alimen'am suas esperan$as de eliminar os DmalesE da e5is'/ncia9
ansiosos por recei'as <ue se=am facilmen'e aplicadas ao seu co'idiano.
8ada mais e5pl7ci'o so>re isso do <ue os li-ros dos D0urus da felicidadeE
Qesses sacerdo'es modernos...R e9 sem dC-ida9 'am>;m os 'e5'os
=ornal7s'icos <ue derru>am e ele0em pol7'icos9 <ue di'am padr%es de
compor'amen'o9 <ue refor$am a D-erdadeiraE percep$*o da realidade9
<ue di1em para 'odos o <ue Dacon'eceuE... B a era dos mass media ;
'am>;m a era da maior -ul0ari1a$*o do "omem e9 'am>;m9 da maior
'irania so>re a -ida. Mas os 0randes escri'ores redimem a escri'a do seu
e5cessi-o uso 0re0:rio para comunicar a felicidade <ue sen'em por se
apropriarem das pala-ras conforme o seu dese=o. Eles escre-em para
'ocar no cora$*o de seus lei'ores9 criando9 desse modo9 o seu pC>lico9 e
n*o para serem compreendidos por um pC>lico <ue se arras'a no
mundo9 seden'o por De5plica$%esE <ue ser-em para consol:Alo. +5
RESSE8@IME8@O
O ressen'ido -ol'aAse para o seu passado e9 <uan'o mais
mer0ul"a nele9 mais encon'ra o>=e$%es con'ra si e con'ra o de-ir do
mundo. Se fosse poss7-el9 ele dese=aria 'er fei'o ou'ras escol"as9 'al-e1
n*o 'er se calado9 'al-e1 'er enfren'ado al0uns riscos e incer'e1as9 'al-e1
n*o 'er fei'o isso e a<uilo. Dese=aria9 a';9 'er sido ou'ra pessoa B mas
como ima0ina <ue o seu passado ; imposs7-el de ser al'erado9 res'aAl"e
ol"ar para o seu fu'uro9 para o fu'uro do mundo9 e a respos'a para a
per0un'a D.ara aonde -ai a e5is'/nciaJE pareceAl"e 'eimosamen'e
escapar. DLa-er: um fu'uro mel"or do <ue o 'ris'e e in=us'o presen'eJE9
insis'e ele. 4 dor por n*o -i-er de acordo com o seu dese=o ;9 de fa'o9 a
sua maior o>=e$*o con'ra o mundo. Seu cansa$o crescen'e9 a o>ri0a$*o
de cumprir os dese=os dos ou'ros9 a -ida <ue n*o para de passar9 a
sucess*o dos acon'ecimen'os <ue s*o desfa-or:-eis ao seu dese=o9 as
rumina$%es das impress%es <ue ser-em para alimen'ar o seu Fdio ?
-ida9 o Fdio ?s supos'as causas dos seus males9 'udo isso l"e fa1
ima0inar <ue o mundo9 sua realidade inal'er:-el9 nada mais ; do <ue
repressão. !ansado 'am>;m de si mesmo9 da inu'ilidade do seu Fdio9 o
+
ressen'ido ima0ina <ue sua lu'a pela -ida9 is'o ;9 sua >usca pela
felicidade permanen'e9 ; al0o <ue parece ser imposs7-el de ser alcan$ado.
4final9 ele se d: con'a de <ue as for$as da -ida e5cedem o seu dese=o B
como isso o a'ormen'a9 perce>e <ue a -i'Fria so>re o acaso ; apenas uma
<uimera9 uma fic$*o9 um en0odo. Res'a resi0narAse com o sen'ido
imposto do e5'erior9 'ornandoAse cCmplice da ordem moral <ue se
alimen'a do seu san0ue9 <ue9 a'ra-;s dos en'orpecen'es9 fa1 li-r:Alo
momen'aneamen'e do 'err7-el sen'imen'o do nada9 mas <ue 'am>;m o
amea$a9 cas'i0a9 produ1 medo. .or'an'o9 as rela$%es de poder n*o se
e5plicam pela fami0erada no$*o de lu'a de classes. Elas se cons'i'uem por
indi-7duos que não agem9 <ue padecem9 <ue sofrem com o <ue l"es
acon'ece9 e <ue por isso s*o mo-idos por -in0an$a9 por -on'ade de corri0ir
os "omens9 de corri0ir o mundo. Em ra1*o do ressen'imen'o9 ;
es'a>elecida uma depend/ncia mC'ua en're o sen"or e os seus ser-os9 de
modo <ue os ser-os di1em para si mesmosG D8*o conse0uir7amos -i-er
sem o reiKEP e o rei9 da mesma forma9 di1 para siG D8*o conse0uiria -i-er
sem os meus sCdi'osKE. Impo'en'e9 o ressen'ido <uer uma pe<uena
felicidade9 uma pe<uena ocasi*o para ser in-e=ado9 al0um elo0io9 al0um
recon"ecimen'o9 al0um sucesso9 al0uma fama B e isso 'udo ele rece>e9
sem dC-ida9 desde <ue se=a su>misso ao poder. Mas o "omem de poder9
por ser ressen'ido9 'am>;m ; ser-o da<ueles <ue o ser-emG como 'am>;m
<uer ser in-e=ado9 >a=ulado9 recon"ecido9 ; ine-i':-el <ue dependa de
<uem se su>me'e para sa'isfa1/Alo. En'*o9 'odos ser-em9 os impo'en'es e
ressen'idos lu'am por sua prFpria ser-id*o9 an'es a ser-id*o9 an'es uma
mi0al"a de pra1er9 do <ue -i-er de ou'ro modo9 onde "a=a al0um risco9
al0uma impre-isi>ilidade9 al0uma cria$*o. Eles <uerem9 ou mel"or9
necessitam do poder econTmico9 da acumula$*o de >ens ma'eriais9 de
>ens cul'urais Qde uma supos'a Dsa>edoriaER9 para <ue a sua mis;ria
e5is'encial se=a disfar$ada. 3uerem din"eiro9 mui'o din"eiro9 para serem
admirados9 in-e=ados9 para se sen'irem dis'in'os9 superiores9 sen"ores de
al0uma coisa. .or'an'o9 o capi'alismo n*o ; nada mis'erioso9 pois ele ;
apenas sin'oma da necessidade dos ressen'idos esconderem9 a'; de si
mesmos9 o seu sofrimen'o. H poss7-el perce>er <ue n*o ":9 de fa'o9
oposi$*o en're DricosE e Dpo>resE G en<uan'o os indi-7duos s*o
ressen'idos9 permanecem de m*os dadas para a reprodu$*o de 'udo
a<uilo <ue en-enena a -ida "umana... 4"9 e como eles ol"am com Fdio
<uando se sen'em Dincul'osE e Dmed7ocresE dian'e de al0u;m for'e9
e5u>eran'e9 ale0re e li-re do ressen'imen'oK Mas ; ine-i':-el <ue a
mediocridade do ressen'ido B <ue fa1 a'; ele se sen'ir incomodado B
le-aAo a 'en'ar al0um des'a<ue numa a'i-idade <ue n*o se=a a do
D'ra>al"oApeloAlucroEG essa ; a ra1*o <ue o le-a a 'en'ar
desesperadamen'e al0um sucesso QleiaAseG al0uma admira$*o9 al0uma
in-e=a...R na mCsica9 na li'era'ura9 nas ar'es pl:s'icas. Mas como ele lu'a
contra o 'empo9 a superficialidade da sua Da'i-idade ar'7s'icaE apenas
denuncia a sua es'erilidade9 fru'o de sua p;ssima alimen'a$*o das
sensa$%es e do 'empo. E a pol7'ica dos ressen'idos modernos ; para rirG
sua democracia represen'a'i-a ; pura dis'ra$*o9 circo9 passa'empo9
ferramen'a de poder B o prFprio ressen'ido perce>e cada -e1 mais <ue
ela n*o pode ser le-ada a s;rio. 4 democracia ser-e para des-iar o ol"ar
de si mesmo e9 dessa forma9 refor$ar os afe'os de rancor <ue
mul'iplicam as e5i0/ncias de <ue al0u;m Qo <ue "a>i'ualmen'e se
c"ama de Dpol7'icoER de-e resol-er os pro>lemas do mundo. E <uais s*o
os pro>lemas do DmundoEJ !er'amen'e s*o os <ue amea$am a sua
'ran<uilidade9 a sua pe<uena felicidade9 em suma9 o seu mundo
pri-a'i1ado... DUm mundo sem dor9 por fa-orKE. Mas tudo se decide
a<uiG a dor9 para o ressen'ido9 ; sempre o começo do seu fim9 en<uan'o
para <uem ; sadio9 ; apenas o começo da sua liberdade de agir. Mas
isso ; di1er <ue9 en<uan'o o ressen'ido ne0a a -ida9 odeia a -ida9 o
ou'ro9 o criador9 afirma a -ida9 ama a -ida. Mas isso ; 'am>;m di1er
<ue9 en<uan'o o ressen'ido ol"a para o seu passado com um ol"ar de
repro-a$*o9 o "omem afirmador n*o apenas ol"a para o seu passado9
mas 'am>;m se di-er'e9 >rinca9 se ale0ra com ele9 fa% alguma coisa
realmente grande com ele. Mas isso 'udo ;9 enfim9 di1er <ue9 en<uan'o
o ressen'ido en're0a o seu des'ino nas m*os de um parasi'a9 <ue
prome'e li-r:Alo do DmalE9 o "omem sadio recusa essa su>miss*o e
assume a responsa>ilidade pelo seu prFprio des'ino B ele n*o fo0e9 n*o
precisa fu0ir da -ida9 porque sabe que não #á nada fora da vida.
+#
I8DO)E8@ES
Os D0urus da felicidadeE n*o cansam de pre0ar o Dcon"ecimen'o de
siE9 a >usca compulsi-a pelo D-erdadeiro euE9 de 'er o Dcuidado de siE9 ou
en'*o9 o Damor a si mesmoE9 o Des'ar de >em consi0o mesmoE e 'an'as
ou'ras e5press%es -ul0ares <ue ser-em para cap'urar um nCmero cada -e1
maior de indi-7duos <ue sofrem da realidade9 <ue padecem dos -alores
modernos e <ue9 por isso9 procuram a=uda. 3uerer a=uda ; al0o <ue nunca
iremos censurar9 pois em cer'os momen'os ela ; par'e necess:ria da
e5is'/ncia B mas o <ue censuramos ; a a=uda oferecida pelos mais
-ariados sacerdo'es modernos9 <ue -es'em a roupa0em de escri'ores9
s:>ios9 especialis'as da psi<ue9 espiri'ualis'as9 m7s'icosG n*o passam de
'erapeu'as c"arla'*es <ue pre0am a Dsa>edoriaAaplicadaAnoAco'idianoE.
Dif7cil passar por eles e n*o perce>er a enorme car/ncia de se 'ornarem
indispens:-eis para <uem l"es procura9 pois9 afinal9 dependem dos
doen'es para acumular mais din"eiro. Mas9 por ou'ro lado9 '*o ruim
<uan'o esses 0urus s*o os <ue precisam deles9 os <ue pedem recei'as
f:ceis de serem decoradas e aplicadas Qa li>erdade oferecida na >ande=aR9
de unir a D'eoriaE Qsempre a mais >analR com a Dpr:'icaE Qa aplica$*o como
pro-a da D-erdadeE 'eFricaR. .ois >em9 es'es s*o os seres indolentes9
seden'os para aplaudir uma no-a recei'a9 uma no-a ins'ru$*o9 <ue se
ale0ram com no-as doses de conscien'i1a$*o9 de in'erpre'a$*o de
si0nos9 de D-erdadesE <ue refor$am a sua passi-idade e o seu DeuE B n*o
": como ne0armos <ue eles realmen'e merecem os seus 0urus.
Depender de al0u;m para or0ani1ar as suas rela$%es B se=a na fam7lia9
no 'ra>al"o9 nos es'udos B apenas e5p%e a in;rcia9 o descuido de si9 a
aus/ncia de si e9 'am>;m9 o temor dian'e de si9 dos pensamen'os e
dese=os mais prFprios <ue podem9 sim9 or0ani1ar suas rela$%es sem
de-er nada a nin0u;m. O indolen'e 'em pa-or do sil/ncio e da solid*o9
n*o para de odiar a -ida <ue 'ende a manifes'arAse nele por meio de
ideias e dese=os a>solu'amen'e inocen'es. .or'an'o9 ele necessi'a dos
0urus para man'erAse afas'ado das for$as re-olucion:rias do
inconscien'e. D4fas'aiA-os das 'en'a$%es do malKE B es'a ; a moral do
padre e 'am>;m9 ; claro9 a dos D0urus da felicidadeE... De um lado9 os
indolen'es <uerem mudan$as ar'ificiais e9 por ou'ro lado9 seus 0urus
aconsel"am mudan$as confundidas com um no-o car0o na empresa9
um no-o parceiro con=u0al9 uma no-a opor'unidade de enri<uecer9 al;m
de -ia0ens >anais <ue n*o passam de deslocamen'os no espa$o B o
indolen'e pode -ia=ar ao redor do mundo para encon'rar o seu
D-erdadeiro dese=oE9 mas =amais o encon'rar:9 por<ue simplesmen'e
não #á D-erdadeiro dese=oE9 assim como 'am>;m n*o ": D-erdadeira
personalidadeE9 D-erdadeiro amorE...
+&
4U)4
Ima0inamos um ou-in'e <ue es': dispos'o a fruir uma aula9 ou
se=a9 <ue n*o pre'ende ser ins'ru7do por ela9 mas9 ao con'r:rio9 ser
des'ru7do nos seus mais arrai0ados ":>i'os de =ul0ar9 de perce>er e de
pensar B ima0inamos9 sim9 a e5peri/nciaAaula como >an"o men'al9 como
pro>lema social de "i0iene9 onde o ou-in'e 'em seus falsos 'ormen'os
suspensos9 res'andoAl"e apenas o <ue ;9 no fundo9 o essencialG sua
na'ure1a modificada como condi$*o para <ue ocorra uma au'/n'ica
re0enera$*o a par'ir do <ue ele ; capa1 de fa1er com isso... Mas o <ue ;
issoJ 6udo o <ue se passou nele a'ra-;s da e5perimen'a$*oAaula... Mas as
ideias e a 'ransforma$*o mais profunda s*o assassinadas <uando o
ou-in'e9 de-ido ao ":>i'o da educa$*o oficial9 me'eAse a 'a0arelar9 a ser
um pedan'e ine-i'a-elmen'e es';ril. In'erromper um flu5o de ideias ;
es'or-ar a re-olu$*o silenciosa <ue uma aula pode proporcionar. 3uem se
dedica de cora$*o para minis'rar uma aula de-e 'er isso na sua men'eG a
aula tem <ue ser uma o>ra de ar'e B e mesmo sa>endo <ue a aula como
o>ra de ar'e sempre ser: uma e5ce$*o9 ela de-e ser dese=ada9 uma aula
tem <ue ir al;m dela mesma9 pois cada aula ; um meio para <ue acon'e$a
a aula maior9 is'o ;9 a aula como o>ra de ar'e. .ara isso9 ; condi$*o
indispens:-el <ue o professor se=a capa1 de -i-er o <ue ensinaG assim ele
'em o nosso amor9 respei'o e admira$*oP assim ele ; capa1 de9 realmen'e9
mudar a -ida de al0u;m e9 por isso mesmo9 cria os seus prFprios alunos.
+(
.RI,4@IY4MSO
O consumo de represen'a$%es de modo acelerado9 al0o
carac'er7s'ico nos nossos dias9 aparece a'ra-;s do amor Qe 'am>;m do
FdioR pela iden'idade se5ual e racial9 assim como o fana'ismo pelo 'ime de
fu'e>ol9 o pa'rio'ismo e9 'am>;m9 pela necessidade de D-es'ir a camisa da
empresaE. O peri0o disso 'udo9 lon0e de ser i0norado por nFs9 ; <ue a -ida
aprisionada nessas represen'a$%es fa1 desper'ar o fascista-em-nós,
fenTmeno <ue se 'orna e5pl7ci'o em si'ua$%es <ue en-ol-em uma s;ria
amea$a ? manu'en$*o de de'erminados pri-il;0ios pessoais. DIrancos -s.
8e0rosE9 DSulis'as -s. 8ordes'inosE9 DLomem -s. Mul"erE9 DRico -s.
.o>reE9 s*o apenas al0uns e5emplos da rea$*o ressen'ida ao or0ul"o
ferido. Sen'eAse ferido por 'er sido a'acado na<uilo <ue9 essencialmen'e9
n*o se ;G uma iden'idade <ual<uer. O "omem pri-a'i1ado9 >em ins'ru7do9
>em informado9 fa1 do confor'o dos espa$os <ue l"e s*o familiares uma
esp;cie de defesa con'ra os flu5os nada familiares <ue amea$am o seu
or0ul"o9 o seu cul'o ? personalidade9 o seu car0o na empresa9 o seu papel
na fam7lia. Redu1ida a essa fo'o0rafia do dese=o <ue apenas con"ece
o>=e'os <ue l"e fal'am e fins a serem alcan$ados9 a sociedade se -/
o>ri0ada a reprimir os Ddese=os sel-a0ens e fascis'asE como meio para
Ddomes'icarE e Dci-ili1arE o "omem9 'ornandoAo Dap'o na sociedadeE
QElisa>e'" Roudinesco9 por e5emplo9 refor$a essa 'ese do senso comum ao
di1erG D+uitas pessoas são inconscientemente racistas e antissemitas.
8uando não #á lei, esses sentimentos se exprimemER. Mas a sociedade
ainda n*o compreendeu <ue ; o dese=o aprisionado9 ref;m da
represen'a$*o9 <ue se manifes'a de modo reacion:rio. O processo
dese=an'e ; essencialmen'e criador9 doador9 n*o se confunde =amais com a
fal'a9 es'a>elece rela$%es de amor e de ami1ade en're os "omens9 ou se=a9
o dese=o ; necessariamen'e social9 cole'i-o9 conec'a diferen$as reais9 ;
irredutível * representação. Mas isso 'udo ; -iolen'ado <uando se
ima0ina <ue o dese=o per'ence a um su=ei'o en-aidecido <ue di1G DMeu
dese=oKE. @al dese=o do "omem pri-a'i1ado carac'eri1aAse por ele <uerer
'udo o <ue limi'aAse ao seu um>i0o9 e por isso aliaAse aos <ue prome'em
conser-ar o seu mundin"o prFprio9 dando as cos'as para os pro>lemas
sociais e am>ien'ais mais ur0en'es. !om efei'o9 ele passa a 'er um "orror
crescen'e pelo espa$o pC>lico9 odeia <uem n*o pensa como ele9 <uem n*o
a0e como ele9 quem não trabal#a a favor dele. O 0os'o pelo poder -em
da79 desses seres sisudos9 'ris'es9 impo'en'es9 incur:-eis en<uan'o es'*o
dependen'es das ima0ens <ue cons'i'uem a ar'ificialidade da sua
e5is'/ncia. 4 corrup$*o de uma sociedade n*o es': dissociada de uma
ar'ificialidade das rela$%es "umanas <ue cons'i'uem os espa$os
pri-a'i1adosG os condom7nios e as casas -i0iadas9 os au'omF-eis
>lindados e os s#opping centers s*o apenas al0uns 7cones desse pa-or
ao es'ran"o9 ao no-o9 ao impre-is7-el. 4 necessidade de
enclausuramen'o n*o resol-e nada9 apenas adia o desin-es'imen'o nos
modelos.
40
RE,O)UMSO
Rein-en'arAse para n*o ser prisioneiro do poderP dese=ar a -ida
re-olucion:ria e não a re-olu$*o <ue se confunde com a posse do poder.
.erce>emos <ue a -ida re-olucion:ria n*o passa a'ra-;s dos 0es'os
pi'orescos e discursos supos'amen'e Dimoralis'asE. O re-olucion:rio n*o
-i-e em fun$*o do aplauso9 n*o <uer confe'es ou "olofo'es. 4 rein-en$*o
con'7nua de si ; a sua arma silenciosa <ue pode al'erar a percep$*o de
uma sociedade so>re a no$*o de re-olu$*oG compreendeAse a re-olu$*o
<uando se -i-e de modo re-olucion:rio e n*o <uando se fa1 um pro=e'o
para <ue ela ocorra. Uma sociedade condu1ida por uma con'7nua
rein-en$*o promo-ida por esses seres <ue n*o cessam de rein-en'aremA
se9 <ue s*o usinas de ideias9 <ue 'rans>ordam afe'os de amor ao mundo9
se 'orna profundamen'e ar'7s'ica B e por isso pode fes'e=ar seu
crescimen'o em for$a9 em au'onomia9 em ale0ria. H o con'r:rio de uma
sociedade cons'i'u7da pelo medo da rein-en$*o B a'ualmen'e9 mui'os
dos seus ar'is'as9 por e5emplo9 s*o apenas som>ras dessa re-olu$*o.
Ias'a o>ser-:Alos com cuidado para cons'a'armos <ue a Dre-olu$*oE <ue
eles di1em n*o conse0ue escapar do imp;rio da represen'a$*o9 de uma
imagem <ue fa1em do caos. .or'an'o9 ora a li>erdade aparece
confundida com a 'rans0ress*o ?s leis9 ora aparece confundida com a
e5i0/ncia do recon"ecimen'o pelo Es'ado dos direi'os dos <ue s*o
Ddiferen'esE do padr*o social B eles ainda falam e5cessi-amen'e de uma
perspec'i-a da e5is'/ncia limi'ada ? no$*o de "umano Qo caos
"umani1ado ; um desses sin'omasR. Mas se o re-olucion:rio n*o le-a a
s;rio os direi'os "umanos ; por<ue ele =: cria os seus prFprios direi'os.
Esses direi'os criados n*o s*o9 de nen"um modo9 "umanos B eles são
direitos da vida que escapa das tentativas #umanas de repressão. E
a<uilo <ue escapa n*o ; pro>lema dele9 ; pro>lema da sociedadeP a0ora9
ela -ai 'er <ue se me5erG ou seus indi-7duos se rein-en'am para
e-olu7rem9 ou en'*o9 res'a 'en'ar reprimir9 inu'ilmen'e9 as pala-ras9 os
pensamen'os9 os 0es'os9 is'o ;9 os si0nos <ue e5pressam uma po'/ncia
ines0o':-el de rein-en$*o do mundo B o re-olucion:rio se alia a is'o e
n*o a um en'edian'e ideal de re-olu$*o... / ideal assassina a
reinvenção... Rein-en$*o de si mesmoG por -i-er em fun$*o dis'o9 o
re-olucion:rio se man';m =o-em9 curioso como crian$a. )u'a com 'udo
<ue pode para n*o perder a inoc/ncia <ue o le-a a poe'ar. Sua poesia ;
vivida e n*o uma -er>orra0ia ou =o0o de pala-ras.
41
I8!)USSO
4 di-is*o do mundo em duas realidades9 a 'eFrica e a pr:'ica9
enquanto estão sustentadas por uma moral9 por uma irresis'7-el -on'ade
de corrigir os "omens9 'ornaAse noci-a por<ue a insu>ordina$*o ?
-erdade ; =ul0ada como DminoriaE9 Ddefici/nciaE9 Dcorrup$*oE. 4s
'en'a'i-as de con-er'er o <ue ; diferen'e9 o <ue ; =ul0ado como falso9 a um
princípio de verdade9 de superioridade9 a'ra-essam a "is'Fria da
"umanidade ": s;culosG po'/ncias como a filosofia9 a ar'e9 a ci/ncia e a
reli0i*o aparecem enredadas na an'i0a no$*o do Iem uni-ersal. 4 posse
da -erdade9 <ue se acredi'a como princ7pio do mundo sens7-el9 =us'ifica a
necessidade de impor aos "omens cer'os ":>i'os9 modos de perce>er e de
dese=ar9 <ue a'endem a in'eresses <ue s*o ineren'es ao ressen'imen'oG
mesmo <ue se di0a <ue ": Dneu'ralidadeE ou Ddesin'eresseE na imposi$*o
de uma -erdade9 o <ue se pre'ende com isso ; apa1i0uar a<uilo <ue ;
=ul0ado como causa do DmalE9 ou se=a9 a<uilo <ue fa1 o caos emer0ir.
4'ra-;s da Dcompro-a$*o cien'7ficaE9 o "omem do ressen'imen'o acredi'a
ser mais cTmodo e mais =us'o para ele Qe para a sociedadeR aplicar uma
'eoria <ue ser-e para in'erpre'ar as manifes'a$%es mais es'ran"as da -ida
B desse modo9 ao amarrar a diferen$a9 a0e de acordo com um sa>er
acessado pelas mui'as "oras de es'udos e de pes<uisas duran'e a sua
forma$*o acad/mica Qnesse sen'ido9 o con"ecimen'o passa a se confundir
com o acesso a uma -erdadeR. O seu sen'imen'o de superioridade e o
or0ul"o da sua Dsa>edoriaE 'ornaAo fascis'a9 <ue ama e5ercer a sua
au'oridade. O 0rande 0olpe do poder consis'e em fa1er com <ue os
"omens acredi'em <ue a -erdade ; o princ7pio9 como se ela sempre
e5is'isse e <ue poucos Q0eralmen'e os <ue s*o formados pelas
uni-ersidades de maior pres'70ioR podem acess:Ala. Mas a -ida escapa9
se0ue escapando e sempre escapar: das se0uidas 'en'a'i-as de docili1:A
la por par'e dos <ue aplicam um sa>er em nome do D>em comumE. Os
"omens de >em B e sua pre'ens*o de neuro'i1ar 'odos B pensam de
modo semel"an'e ao <ue di1 Elisa>e'" RoudinescoG D psicanálise
funciona muito bem. 4ntretanto, é verdade que não curamos bem a
psicose, embora ten#amos nos desenvolvido muito nesse tema
também. /s loucos #o$e buscam na psicanálise um complemento, $á
que os psiquiatras só querem saber de medicamentosE. Essa -on'ade de
inclus*o9 de i0ualdade a par'ir de um modelo <ue ; impos'o por ser o
Dmel"orE para 'odos9 'em9 para nFs9 duas facesG uma manifes'a e ou'ra
la'en'e. 4 <ue se manisfes'a ; o desespero para eliminar o <ue escapa do
modelo. .or isso a necessidade de incluir para excluirG por mais <ue os
discursos se=am de Dinclus*o da diferen$aE9 a diferen$a <ue ; inclu7da ;
sempre a da represen'a$*o Qdiferen$as de ra$a9 de classe social9 de se5o9
de mo>ilidade f7sica9 e'c.R. Desse modo9 a inclus*o das supos'as
Ddiferen$asE pre'ende impedir <ue a diferen$a real se e5presse a'ra-;s
da cria$*o de maneiras de aprender9 de 'ra>al"ar9 de escre-er9 de falar9
enfim9 de se relacionar com o mundo sem refer/ncia e5'erior ? -ida9
sem es'ar amarrado a um modelo de educa$*o9 de 'ra>al"o9 de fam7lia9
de consumo. 3uem rea0e a essa imposi$*o ; mar0inali1ado pelo sis'ema
ou se adap'a ?<uilo <ue n*o foi in-en'ado por ele9 mas impos'o do
e5'erior Qna educa$*o a'ual9 o mais n7'ido e5emplo dessa adap'a$*o
-iolen'a ; o fenTmeno Ri'alina9 Da dro0a da o>edi/nciaER. O: a ou'ra
face9 la'en'e9 ; <uando se 'ransmu'a as pol7'icas de inclus*o em al0o <ue
fa1 a -ida passar9 fu0ir9 'ecer cone5%es <ue rompem com a<uilo <ue a
moral da i0ualdade mais 'eme. O fei'i$o9 en'*o9 -ol'aAse con'ra o
prFprio fei'iceiro. 8os parece <ue9 de 'odas as pol7'icas de inclus*o Q;
poss7-el fa1er um uso po'enciali1ador de mui'as delasR9 a di0i'al ;9 nesse
sen'ido9 a mais in'eressan'e. O \i]ilea]s9 por e5emplo9 nos mos'ra <ue
o dese=o =amais es'ar: des'inado a es'a0narAseG con'ra isso ele rea0e9
escapa9 flui9 produ1 realidade. 4 al'erna'i-a ? mar0inalidade e ?
adap'a$*o ;9 por'an'o9 criada a'ra-;s de um cole'i-o dese=an'e de
anTnimos9 mara-il"osamen'e anTnimos9 <ue9 ao se e5pandir9 o>ri0a a
"umanidade a a0ir e9 'al-e19 a'; a romper a casca <ue a sufoca. 42
RE.RESSSO
8o mundo con'empor6neo9 o dese=o con'7nuo por repress*o
manifes'aAse pelo modo -ul0ar de ou-ir mCsica9 de ler um li-ro9 de -er um
filme9 de ou-ir uma aula B modos nada re-olucion:rios de fruir o>ras <ue
foram 0enerosamen'e doadas para nFs. O dom7nio de um 'empo
ima0in:rio <ue or0ani1a a sociedade9 is'o ;9 a or0ani1a$*o a'ra-;s da
incer'e1a <ue carac'eri1a um 'empo fu'uro9 0era an0Cs'ia9 desconfian$a na
-ida e a conse<uen'e necessidade de maior repress*o. 4prendemos a
e5perimen'ar n*o por meio de uma pro=e$*o do <ue ir: acon'ecer no
'empo ima0in:rio9 mas somen'e aprendemos a e5perimen'ar...
experimentando9 sem dei5ar a nossa consci/ncia a'rapal"ar. H a0indo9
caindo9 rindo9 dan$ando9 'al como uma crian$a <ue n*o dei5a a
especula$*o conscien'e assassinar a sua e5peri/ncia com o corpo e com o
'empo. Redimimos o 'empo <uando 'ornamoAnos produ'i-os9 <uando
fa1emos o <ue <ueremos9 o <ue amamos9 sem 'ermos necessidade de
lu'ar con'ra o 'empo do relF0io. 4 repress*o <ue um po-o sofre B e <ue9
no seu limi'e9 fa1 e5plodir o Fdio ao seu repressor B n*o ;9 de modo
al0um9 e5clusi-idade do Es'ado despF'ico. 8o Es'ado democr:'ico a
repress*o 'am>;m e5is'e. O 'empo da cria$*o e da felicidade ;
reprimido pela imposi$*o do relF0io9 pela imposi$*o da normalidade9
pela imposi$*o da inclus*o9 pela imposi$*o da di-ers*o9 pela imposi$*o
do consumo9 pela imposi$*o da informa$*o. Mas a o>ra de ar'e nos
redime do dom7nio do 'empo ar'ificial e nos permi'e mer0ul"ar numa
in'ensifica$*o da -ida em nFs. .or isso <ual<uer poder odeia a ar'e9 e a
sua massifica$*o ; uma 'en'a'i-a de diminu7Ala9 de 'orn:Ala inofensi-a9
de reprimiAla. 4 filosofia 'am>;m ; reprimida <uando o pensamen'o9
den'ro da academia9 'ornaAse inofensi-o B em 0eral9 o filFsofo
acad/mico9 em 'roca de sal:rio Qe 'am>;m em ra1*o da sua -aidadeR9
resi0naAse com uma -ida de burocrata e reprodu'or do sa>er oficial. 4
repress*o da democracia li>eral ; su'il e9 assim como ocorre na
sociedade despF'ica9 'am>;m ; peri0osa9 'am>;m ; dese=ada9 mas de
um modo <ue l"e d: um sucesso sin0ularG como n*o e5is'e o 'irano9 ela
impede <ue o o>=e'o de Fdio 'en"a um ros'o9 <ue se=a iden'ificado. DOE
repressor9 de fa'o9 n*o e5is'e. O <ue e5is'e s*o indi-7duos <ue <uerem
reprimir9 <ue s*o educados para a repress*o9 <ue rece>em recompensas
por reprimir. Mas o <ue 'am>;m e5is'e ; a repress*o <ue es'es mesmos
indi-7duos sofrem por meio de ou'ros <ue9 no fundo9 também são
reprimidos9 e assim se0ue um sis'ema de repressoresAreprimidos... H
ine-i':-el <ue os <ue acei'am es'e =o0o per-erso man'en"am o sucesso
da democracia li>eral B eles lutam pela sua própria repressão porque
dependem da preservação deste sistema.
4+
EDU!4MSO
Os es'udan'es <ue es'*o :-idos para acessar al0uma 'eoria <ue
pre'endem aplicar9 raramen'e c"e0am a <ues'ionar os mo'i-os <ue os
de'erminam a se prepararem duran'e anos para poder reprodu1ir9 da
maneira mais eficien'e poss7-el9 a<uilo <ue aprenderam nos seus anos de
es'udo informa'i-o. 3ueremos di1er9 com isso9 <ue n*o podemos
dispensar um 'ipo de ensino <ue se=a dis'in'o do ensino oficial. .or'an'o9
; necess:rio <ue o es'udan'e 'en"a uma Dau'odisciplinaE9 um cer'o esfor$o
<ue se=a suficien'e para escapar da disciplina impos'a pela educa$*o
oficial9 a'; <ue9 enfim9 ele se 'orne capa19 de acordo com suas
necessidades9 de -i-er sem se su>me'er ? 'ransmiss*o de informa$*o das
escolas B em>ora se=a poss7-el9 ; cer'amen'e dif7cil <ue esse es'7mulo para
encon'rar as ideias <ue s*o as mais preciosas para a -ida de al0u;m possa
ocorrer en're os muros da escola... O: disseram <ue a crian$a precisa de
espa$o para correr9 de :r-ore para su>ir9 de rio para mer0ul"ar9 ao in-;s
de ficar confinada -:rias "oras num am>ien'e <ue l"e ; "os'il9 duran'e os
anos mais e5u>eran'es da sua e5is'/ncia. 8*o dar mais prioridade ?s
informa$%es <ue s*o impos'as >urocra'icamen'e na sala de aula ; uma -ia
impor'an'e para quem dese$a sinceramente o con#ecimento9 se=a na idade
em <ue es'i-er. 4 diferen$a ; enormeG o con"ecimen'o do <ue acontece
com al0u;m9 o con"ecimen'o das ideias <ue >ro'am em al0u;m e o
con"ecimen'o dos anseios de al0u;m se dis'in0uem 'o'almen'e do
con"ecimen'o <ue ; dis'an'e da -ida de al0u;m9 por simplesmen'e ser
impos'o para 'odos o>edecerem. 4 repress*o do corpo e da men'e <ue os
alunos sofrem duran'e uma par'e consider:-el dos seus dias9 se=a
a'ra-;s do confinamen'o Q<ue produ1 afe'os de en'ris'ecimen'o9 ';dio9
Fdio e 'am>;m o bull9ingR9 se=a a'ra-;s do con'role das "oras de es'udo
fora da escola Q<ue rou>am o 'empo da e5perimen'a$*oR9 apenas os
man'/m dis'an'es de e5perimen'arem um amor <ue redime o "omem
da sua e5is'/ncia 'ris'e9 <ue ; o amor ao con#ecimento9 pois somen'e
a'ra-;s desse amor o "omem passa a 1elar por seus momen'os de
es'udo e de e5perimen'a$*o9 e de 'am>;m perce>er a educa$*o como
processo vital da sua e5is'/ncia9 e n*o como o>ri0a$*o de con"ecer al0o
para poder c"e0ar a al0um lu0ar ou para 'er al0uma -an'a0em na
concorr/ncia pelos Dmel"ores car0osE9 mas para -i-er com maior for$a9
in-en'i-o e cada -e1 mais capa1 de 'ransformar a si e o am>ien'e em <ue
-i-e. 8um caso9 o es'udan'e ; um mero reprodu'or de informa$*o9
inofensi-o e dFcilP no ou'ro caso9 o es'udan'e permi'e <ue a -ida 0ere
ideias a'ra-;s dele Qa sua dedica$*o aos es'udos permi'e <ue 'en"a essa
alian$a criadora com o pensamen'oR9 por isso seu con"ecimen'o ; fru'o
da<uilo <ue apenas acon'eceu com ele B o con"ecimen'o uneAse aos
acon'ecimen'os da sua e5is'/ncia... 8um caso9 o con"ecimen'o es':
al"eio ?s <ues'%es mais essenciais da "umanidade por<ue o es'udan'e9
independen'e da sua classe social9 ; se-eramen'e preparado para ser
apenas mais uma pe$a da m:<uina de reprodu$*o do a'ual sis'ema
econTmicoP no ou'ro caso9 o con"ecimen'o es': dire'amen'e li0ado ?
pele e ao cora$*o dele9 por isso 'em necessidade de con'inuar a con"ecer
o <ue9 para ele9 ; a ra1*o para con'inuar -i-endo. Ser apenas um
reprodu'or de um sa>er ; o des'ino de mui'os es'udan'es in'o5icados
pela educa$*o oficial9 <ue os 'ornam i0noran'es de si mesmos B li>er'arA
se desse 'err7-el sis'ema de Di0noran'i1a$*oE "umana a'ra-;s da
Ddemocra'i1a$*o do ensinoE ;9 e-iden'emen'e9 mui'o comple5o9 =: <ue
en-ol-e mui'os fa'ores9 acasos9 encon'ros ale0res com lu0ares e com
0en'e dispos'a a ensinar e aprender de ou'ro =ei'o9 al;m da cora0em de
se0uir os seus ins'in'os9 ou se=a9 de ler a<uilo <ue dese=a9 <ue mais
com>ina com sua -ida9 de escre-er a<uilo <ue pensa9 de di1er o <ue
nasceu das suas e5peri/ncias. En<uan'o a educa$*o es'i-er separada da
-ida9 "a-er: apenas uma som>ra do con"ecimen'o dela9 e os es'udos
con'inuar*o associados com sen'imen'os de repress*o9 de fadi0a e de
'ris'e1a. 3uem se ale0ra com o con"ecimen'o9 quem vive para ele9 -i-e
'am>;m para dissemin:Alo B e >usca redimir o concei'o de educa$*o ao
l"e dar um no-o e no>re sen'ido. 44
4MOR
.ara al0uns "omens9 c"e0a o momen'o em <ue s*o 'omados por
um sen'imen'o impessoal <ue os le-a a cuidar da sua e5is'/ncia para <ue
ela sir-a de passa0em para uma ener0ia li-re9 <ue cresce e alcan$a um
0rau de e5pans*o <ue con'inua mui'o al;m da sua prFpria carne. Um
ol"ar a'en'o para o passado da "umanidade permi'e perce>ermos al0uns
indi-7duos <ue entregaram a sua existência por amor B uma en're0a
irre-ers7-el9 sem li-re escol"a9 em ra1*o de uma ur0/ncia de al0o <ue
sen'em ser mui'o maior do <ue os seus nomes9 os seus corpos9 as suas
#istórias pessoais. 4l0u;m e5perimen'a isso <uando se d: con'a9
finalmen'e9 de <ue a prFpria o>ra es': em processoG em cer'os casos9
podeAse a'; di1er <ue par'e dela es'e=a fei'a B isso pode ser um fa'o B9 mas
como o amor ao <ue es': efe'uado apenas alimen'a a ilus*o do eu9 ;
indispens:-el <ue o dese=o para cuidar da sua e5is'/ncia B e9 por
conse<u/ncia9 da prFpria o>ra em cons'ru$*o B n*o se=a es<uecido.
Ousamos di1er <ue o maior en'endimen'o en're os "omens apenas pode
ser condu1ido pela e5peri/ncia desse sen'imen'o de par'icipar9 de al0um
modo9 do en0endramen'o da<uilo <ue ; -i'al e indispens:-el para o fu'uro
da "umanidade. Se o <ue os "omens amam ; esse processo9 es': desfei'a9
en'*o9 a confus*o do amor a al0o <ue se ima0ina fi5o9 'al como o amor ao
ou'ro9 ao o>=e'o ou a <ual<uer coisa supos'amen'e isolada. Se <uisermos
redimir o sen'ido -ul0ar da pala-ra Dou'roE9 ; preciso consider:Alo n*o
como uma realidade Dem siE9 mas como par'e de um 'odo9 o <ue permi'e
<ue ocorra uma alian$a 'empor:ria <ue se cons'rFi =un'o com al0u;m9 is'o
;9 uma ami1ade indispens:-el <ue ; sus'en'ada por um amor ? -ida. O
ol"ar dis'an'e e in'rospec'i-o9 caro ? e5peri/ncia de amar9 nos li>er'a do
amor ? -erdade a>solu'a9 do fana'ismo reli0ioso9 do or0ul"o de per'encer
a uma sei'a9 se=a ela reli0iosa9 moral9 filosFfica9 ar'7s'ica. O amor dos
fan:'icos ; mes<uin"o9 -enenoso9 ini>e o processo cria'i-o9 impede a
au'onomia9 reprodu1 o 'emor dos indi-7duos so>re 'udo a<uilo <ue 'em
um fim. Sem o en0endramen'o da o>ra9 os fan:'icos e cren'es de 'oda
esp;cie n*o conse0uem compreender <ue o fim n*o se op%e ao processo
de produ$*o da realidade B por isso o mel"or rem;dio con'ra a f; ; -i-er
de modo cria'i-o. E apenas ": filosofia9 ou mel"or9 con<uis'a da cria$*o
filosFfica9 <uando se ; condu1ido pelo amor9 pois9 caso con'r:rio9 o
passa'empo da lin0ua0em9 a f; na ra1*o9 fa1em deri-ar <ues'%es
dis'an'es da -ida9 que encobrem o processo e tornam a filosofia uma
ferramenta para interesses vis... 4 >re-idade da nossa e5is'/ncia
or06nica =: seria mo'i-o suficien'e para en'endermos a ur0/ncia de n*o
desperdi$:Ala. 4cordamos9 comemos9 respiramos9 'ra>al"amos9 enfim9
e5is'imos em fun$*o de al0uma coisa <ue pode n*o es'ar
suficien'emen'e n7'ida para nFs9 mas <ue sen'imos nos empurrar para
adian'e. Esse cuidado de si9 como =: ; poss7-el compreender9 somen'e ;
sus'en'ado pelo amor.
45
IX8OR^8!I4
4credi'ar <ue um c;re>ro9 ou um Fr0*o <ual<uer9 es'*o
separados das rela$%es com o mundo9 'ra1 conse<u/ncias fundamen'ais
para a cons'ru$*o de uma cidade. 4l0u;m ; adoecido por -i-er num
meio -iolen'oG -emos9 por e5emplo9 uma crian$a aprisionada <uando
"a>i'a um espa$o cons'ran0edor <ue redu1 sua locomo$*o9 <ue impede
a e5perimen'a$*o com o seu corpo9 con-i-endo com adul'os =:
adoecidos socialmen'e. Ser: dif7cil ima0inar o <ue uma crian$a assim
pode se 'ornarJ O <ue c"amam es'upidamen'e de Dmen'e criminosaE
n*o seria apenas o produ'o de uma cidade <ue -iolen'a con'inuamen'e a
-idaJ .ois ; essa -iol/ncia <ue 0era a ou'ra9 es'a Cl'ima apenas como
efei'o da primeira9 ine0a-elmen'e mais 0ra-e e <ue n*o ; perce>ida
pelos "omens9 pois a'; os mais ins'ru7dos en're eles con'inuam a 0ri'ar
pela lei para se pro'e0erem dos DmausE indi-7duos. Mui'os m;dicos9
psicFlo0os9 professores9 ar<ui'e'os e ou'ros 'an'os di-ersos especialis'as
con'inuam a i0norar as rela$%es do nosso corpo com o am>ien'e <ue
-i-emos B cer'amen'e eles 'ra>al"ariam a fa-or da -ida se9 ao in-;s de
se limi'arem ? ins'ru$*o9 con<uis'assem o pensamen'o. 4 or0ani1a$*o
de uma cidade ; o resul'ado da i0nor6ncia ou do con"ecimen'o de seus
"a>i'an'es B e o mesmo podemos di1er com rela$*o aos seus
0o-ernan'es. @oda mudan$a radical ; a>solu'amen'e necess:ria para o
fu'uro de um po-o <ue es': enfra<uecido B por isso <ue para uma
cidade ser cons'ru7da a fa-or da -ida implica a ur0/ncia de educar os
"omens para o pensamen'o9 li>er'andoAse de um 0o-erno <ue somen'e
fa1 proliferar ainda mais a i0nor6ncia9 onde os "omens preferem =ul0ar
em -e1 de pensar cada manifes'a$*o da -ida como produ'o das
rela$%es... 4 -iol/ncia ; fil"a da i0nor6ncia.
4
I8@ROS.E!MSO
3uem pode -er a o>ra em processo9 por in'rospec$*o9 ; somen'e
o au'or. Fora isso9 o mundo n*o pode -/Ala em seu processo B <uando a
-/9 -/ mal9 <uando 0eralmen'e perce>e apenas o <ue9 na o>ra9 permi'e
<ue al0o possa ser associado a al0uma coisa =: e5is'en'e e familiar. Mas
o mundo 'am>;m n*o -/ o au'or9 n*o pode se<uer suspei'ar da sua
e5is'/ncia B ele ; es'ran"o demais para os cFdi0os -i0en'es. ,er o au'or
seria iden'ific:Alo9 -ul0ari1:Alo9 o <ue poderia >lo<uear a o>ra em
processo. Mas se o mundo n*o pode -er o au'or ; por<ue9 de fa'o9 o
au'or9 como a0en'e causal9 não existeG ele ; apenas um meio de
transmissão de afe'os9 de pensamen'os9 de dese=os. !"amamos de
introspecção es'a consci/ncia de si como meio de passagem para
po'/ncias ines0o':-eis do e'erno <ue ; a -ida. Escre-er por
in'rospec$*o9 falar por in'rospec$*o9 -i-er por in'rospec$*o9 fa1 >ro'ar
al0uma realidade mui'o ori0inal de nFs B realidade <ue n*o <uer di1er
nada9 mas <uer apenas... >ro'ar e se0uir9 >ro'ar e se0uir9 >ro'ar e
se0uir... O "omem mal come$ou a pensar9 ; ainda um inician'e na ar'e
de pensar9 ainda n*o es': maduro para 'er uma consci/ncia <ue ;9 ao
mesmo 'empo9 modes'a e rica9 <ue 'orna o pensador impercep'7-el no
mundo das iden'idades <ue fa1em dos "omens o>=e'os de consumo. 4
in'rospec$*o le-a o au'or a perce>er a sua prFpria o>ra em processo9 no
<ue ela es': se 'ornando9 assim 'am>;m no que ele está se tornando...
Uma par'e dela9 cer'amen'e9 =: e5is'e9 =: es': sal-a9 por;m9 ele ;
impercep'7-el o suficien'e para n*o ser en0anado por sua o>ra reali1ada
Qa -aidade como sin'oma de en-enenamen'oR9 'ampouco ; incomodado
pelas dis'ra$%es <ue o fariam des-iar dessa dupla produ$*o9 <ue
ine-i'a-elmen'e camin"am =un'asG a produ$*o da o>ra e a produ$*o de
si... :sto n*o de-e parar.
4#
IM.RE,IS_,E)
Se pensarmos no <ue le-a os "omens a dese=arem a repress*o9 is'o
;9 a fa%erem aquilo que sentem como uma violência sobre si mesmos9
sem cul'i-ar um amor pela o>ra9 resi0nandoAse com a aus/ncia de 'empo
e de pensamen'os prFprios9 compreendemos <ue n*o se 'ra'a de ro'ul:A
los como -7'imas ou culpados por seus infor'Cnios. Mas 'am>;m <uando
di1emos <ue a repress*o ; uma produ$*o social9 como uma cons'a'a$*o de
<ue se os "omens fa1em a<uilo <ue9 no fundo9 n*o 0os'ariam de fa1er9 ;
por<ue n*o "ou-e ou'ra op$*o mel"or para eles Qpor simples necessidade
de so>re-i-/nciaR9 n*o nos fa1 ainda compreendermos o <ue mo-e o
dese=o por repress*o. @al-e1 'en"amos <ue diri0ir a nossa cr7'ica ao
modelo familiar da sociedade capi'alis'a9 onde a crian$a ;9 de acordo com
esse modelo9 educada para 'er direi'o a um fu'uro na sociedade9 pois as
pe$as <ue cons'i'uem a m:<uina de reprodu$*o do capi'al come$am a ser
formadas na fam7lia. 4 crian$a <ue 'em um impedimen'o das suas
e5perimen'a$%es com o corpo passa a ser9 0radualmen'e9 in'rodu1ida
numa ordem mui'o comum da -ida dos adul'osG "or:rios r70idos para os
es'udos9 para a di-ers*o9 para as refei$%es9 al;m da e5i0/ncia de
de'erminados compor'amen'os9 'arefas9 espa$os de confinamen'o
ocupados por ela. Sua o>edi/ncia ; recompensada com elo0ios e com
4&
presen'es e9 como sua po'/ncia ; reprimida num am>ien'e r70ido9 n*o
podemos es'ran"ar o fa'o de <ue a repress*o se=a considerada por ela
como al0o Dna'uralE9 desde <ue se 'en"a sempre al0uma recompensa por
a0ir do modo <ue a fam7lia espera. Essa supos'a Dna'uralidadeE da
repress*o pode se se0uir duran'e a sua e5is'/nciaG na escola9 por e5emplo9
pode se esfor$ar para se compor'ar da maneira <ue a ins'i'ui$*o dese=a9
mesmo se o <ue ela presencia na sala de aula ;9 em 0rande par'e9 in,til
para sua vida no presente. Seus pensamen'os e dese=os es'*o em ou'ros
lu0ares coloridos9 le-es9 lCdicos9 por<ue eles '/m mais sen'ido para a sua
-ida atual. .or;m9 desde cedo9 na fam7lia9 >oa par'e dos seus son"os foi
recalcada em ra1*o do seu fu'uro <ue9 em>ora incer'o9 n*o dei5a de ser
um o>=e'i-o <ue ser: mais facilmen'e alcan$ado <uando ela renuncia aos
seus son"os di'os Dim>ecisE e DinC'eisE. Se9 mais 'arde9 supos'amen'e es'e
indi-7duo Dc"e0a l:E9 alcan$a o o>=e'i-o9 isso n*o l"e dei5a menos
per'ur>ado. De fa'o9 nunca al0u;m Dc"e0a l:E9 por<ue o fu'uro prome'ido
; uma <uimera9 um em>us'e9 pois n*o ": conclus*o de nada9 'udo no
mundo flui. 4o con'r:rio da<uilo <ue mui'os 0os'ariam <ue fosse9 o nosso
futuro é imprevisível... O <ue flui9 o <ue -i-e9 is'o ;9 o que é real9 ;
reprimido con'inuamen'e no capi'alismo9 se=a na inf6ncia9 na escola ou
no e5erc7cio de uma profiss*o <ue ; apenas 'olerada9 cer'amen'e com
confli'os... e con'inua a ser tolerada apenas en<uan'o o "omem
con'inua a se ser-ir dos >enef7cios <ue pro-/m do e5erc7cio de uma
a'i-idade <ue9 em si mesma9 =: n*o l"e 'em o menor sen'ido. 4
consci/ncia de <ue a con'7nua repress*o dos seus mais profundos
dese=os9 son"os e pensamen'os foi necess:ria para <ue uma -ida normal
e >emAsucedida pudesse ser alcan$ada pode sur0ir em al0u;m9 de modo
impre-is7-el9 como um en0odo. Finalmen'e9 um >re-e momen'o de
lucide1... Ou ele ol"a para 'r:s9 para o seu passado9 e -ai >uscar al0um
culpado9 um respons:-el por seu infor'Cnio Qmui'as -e1es ele mesmo se
considera o culpado por suas Descol"as erradasER9 ou9 en'*o9 re'oma o
<ue foi -iolen'amen'e in'errompido e B por <ue n*oJ B passa a dar
-a1*o aos seus son"os e dese=os. 4ssim como uma crian$a9 n*o ": mais
-er0on"a de se e5pressar por meio de um poema9 de uma mCsica9 de
uma aula ou9 para falar de modo mais profundo9 por meio de algo que é
feito com o coração B e isso -ale para <ual<uer coisa <ue ; fei'a <uando
sen'imos a sua ori0inalidade... ela -em de den'ro9 ela -em de nFs
mesmos. 4 n*o re'omada do <ue foi reprimido fa1 o indi-7duo carre0ar
um9 dois9 'r/s9 mui'os peda$os do seu passado9 com um peso <ue pode
c"e0ar ao insupor':-elG peda$os <ue sur0em como escol"as infeli1es e
pre=u71os causados pelos ou'ros Qse=am eles familiares9 ami0os9
cTn=u0esR. O: n*o ": mais fu'uro prome'ido9 e a es'rada adian'e parece
se diri0ir rumo ao a>ismo9 ao nada... 4 re'omada do <ue foi
in'errompido9 ao con'r:rio9 produ1 o fu'uro <ue l"e in'eressa9 mas sem
ima0em9 por<ue ; 'ecido conforme os seus impre-is7-eis encon'ros. Is'o
ocorre por<ue n*o ; mais um -aidoso DeuE <ue es': ref;m do passado e
su>me'ido a uma ima0em de fu'uro Qmesmo <ue o fu'uro se=a o nadaR9
mas sim a um incans:-el D'ornarAseE... O impre-is7-el B e <ue 'am>;m
podemos c"amar de acaso B ; a a>er'ura m:5ima para n*o padecermos
do nosso prFprio passado e da nossa es'Cpida -aidade.
4(
O.I8ISO
3uando 0rupos de =o-ens ocupam
uma rua9 uma pra$a ou a'; a rei'oria de
uma uni-ersidade9 cos'umam ser
considerados9 por mui'os comen'adores
dos meios de comunica$*o9 como
D-a0a>undosE9 Dsel-a0ensE9 D-iolen'osE e
DcriminososE. H f:cil associar a ima0em
de uma parede pic"ada ou de uma mesa
<ue>rada com uma a$*o -iolen'a e
criminosa B lo0o9 >oa par'e da sociedade
espera <ue os <ue a0iram assim sofram
al0um 'ipo de puni$*o9 pois9 afinal9 a
ordem de-e ser preser-ada. Mas <uando
se compro-a <ue um pol7'ico ; corrup'o9
<ue se apropriou do din"eiro pC>lico9 por e5emplo9 n*o ; considerado
Dsel-a0emE ou D-iolen'oE pelos comen'adores da m7dia. 3uando um
pol7'ico ; considerado criminoso9 'ra'aAse de um con'e5'o mui'o diferen'e
de <uem pic"a parede ou <ue>ra mesa. !omo a mesa des'ru7da ou a
parede pic"ada s*o associados ? Dsel-a0eriaE9 is'o ;9 ? inci-ilidade9 ;
incomum considerar inci-il um pol7'ico corrup'o9 =: <ue ele n*o <ue>ra
o>=e'os e n*o su=a o espa$o pC>lico B en'*o9 nesse sen'ido9 n*o pode ser
considerado uma amea$a ? ordem social... Em um caso9 a ordem social ;
e5plici'amen'e amea$adaP no ou'ro caso9 ela nem ; considerada como
amea$ada. Desse modo9 ; mais f:cil <ue o Fdio e a indi0na$*o para com
um 0rupo de =o-ens considerados Ddelin<uen'esE se=am mui'o maiores do
<ue para com um pol7'ico corrup'o9 mesmo <uando a sociedade 'em uma
-a0a no$*o de <ue o dano causado por um 0rupo de =o-ens ; mui'7ssimo
menor do <ue o dano causado pelo pol7'ico corrup'o... !er'amen'e9 se
<uisermos9 apenas por con-en$*o das pala-ras9 c"amar de D-iolen'aE e
DcriminosaE as ocupa$%es de ruas9 pra$as9 rei'orias ou edif7cios
a>andonados9 isso n*o se compara9 de modo al0um9 com a -iol/ncia
co'idiana e5ercida por a<ueles <ue se ser-em do Es'ado para 0aran'ir os
seus in'eresses parasi':rios e per-ersos Qin'eresses <ue s*o9 de fa'o9 de
acumula$*o de din"eiro e de manu'en$*o de poderR. H para es'es
indi-7duos <ue al0uns comen'adores da m7dia 'ra>al"am9 u'ili1andoAse
de clic"/s como Da culpa ; de 'al par'ido pol7'icoE9 Da pol7cia es': a
ser-i$o do po-oE9 D; um >ando de desocupadosE9 en're 'an'os ou'ros
clic"/s9 ser-indo para alimen'ar discuss%es improdu'i-as na sociedade9
mo-endo dese=os -aidosos onde cada um <uer impor a DsuaE -erdade
ou9 para di1er mais claramen'e9 impor uma opinião que foi, antes,
construída pela mídia. Discuss%es9 confus%es9 opini%es9 'udo isso ser-e
para man'er escondida uma ou'ra -iol/ncia9 <ue ; mui'o9 mui'o mais
0ra-eG a<uela <ue ; e5ercida por =u71es9 pol7'icos9 empres:rios e 'an'os
ou'ros <ue par'icipam desse 0rande circo de "orrores9 ser-indoAse9
inclusi-e9 da m7dia para n*o se 'ornarem al-os do Fdio das massas. O
Fdio das massas ; perfei'amen'e diri0ido n*o somen'e aos =o-ens
considerados Ddelin<uen'esE9 mas mui'o mais fre<uen'emen'e aos
mendi0os9 aos po>res dro0ados9 aos assassinos9 =: <ue es'es s*o
considerados B conforme =: dissemos B como uma amea$a e5pl7ci'a ?
ordem social. .or isso ; impor'an'e <ues'ionarmos o <ue c"amam de
DordemE... DOrdemE como manu'en$*o de in'eresses mes<uin"osJ... E
se pensarmos <ue a manu'en$*o dos in'eresses mes<uin"os9 <ue s*o
man'idos a'ra-;s de uma -iol/ncia cons'an'e9 s*o determinantes para a
reprodu$*o de assassinos9 po>res dro0ados9 mendi0os9 in-as%es de
edif7cios a>andonados9 ruas9 pra$asJ... O poder e5erce o seu dom7nio
pela lin0ua0em9 e a m7dia oficial9 nesse sen'ido9 n*o cessa de reprodu1ir
si0nificados <ue man'/m as massas redu1idas ? opinião9 ini>indo9 desse
modo9 o e5erc7cio da cr7'ica como for$a do li-re pensamen'o. 4
comunica$*o de massa9 cada -e1 mais crescen'e9 forma indi-7duos <ue
a0em9 escre-em e falam o <ue ; le0i'imado e di'ado pela lin0ua0em do
poder. E na ;poca onde a m7dia con'inua a aumen'ar o seu dom7nio9 ;
ine-i':-el <ue os indi-7duos massificados recorram aos mais an'i0os
clic"/s para 'en'ar compreender manifes'a$%es de dese=o <ue s*o
a>solu'amen'e in;di'as e sin0ulares. 4 -ul0ari1a$*o crescen'e ; sin'oma
de uma pene'ra$*o cada -e1 maior dos mass media no co'idiano dos
indi-7duos.
50
8O@4S
!apaG 4mauri Ferreira
Os aforismos des'e -olume foram escri'os duran'e o per7odo de
Oaneiro de 200( a 8o-em>ro de 2011
Em 4ssência9 os 'rec"os ci'ados en're aspas foram e5'ra7dos do ar'i0o
DUma semen'e9 uma plan'aJE9 dispon7-el no se0uin'e endere$oG
"''pG``www.cdcc.usp.>r`maomassa`li-ro`li-rommaIII.pdf
@odas as ima0ens s*o de 4mauri Ferreira9 e5ce'o as ima0ens em
4xplorador e mi%ade Qde Ye1elR e ula Qde .aulo .apaleoR

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