A CAMINHO DA LUZ
(Obra Mediúnica)

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

A Caminho da Luz
História da Civilização à Luz do Espiritismo

Ditada pelo Espírito

EMMANUEL
(De 17 de agosto a 21 de setembro de 1938)

FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
DEPARTAMENTO EDITORIAL Rua Souza Valente, 17 20941-040 - Rio - RJ - Brasil

ISBN 85-7328-069-7 22ª edição

Do 219º ao 243º milheiro
Capa de CECCONI B.N. 7.362 571-AA;000.52-O; 8/1996

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A solidificação da Matéria.Os antepassados do homem.Fixação dos caracteres raciais.O Divino Escultor.7 Índice Antelóquio Introdução I .Origem. .O verbo na criação terrestre. . .AS RAÇAS ADÂMICAS O Sistema de Capela.Os ensaios assombrosos. . .A Ciência de todos os tempos. .Espíritos exilados na Terra. III . . . 11 13 17 25 33 .Um mundo em transições. . .Os primeiros habitantes da Terra.As formas intermediárias da Natureza. II . .A grande transição.Os primeiros tempos do orbe terrestre.A criação da Lua.A VIDA ORGANIZADA As construções celulares.A GÊNESE PLANETÁRIA A Comunidade dos Espíritos Puros. .A elaboração paciente das formas. . . . .

O expansionismo dos Árias. X . IV . .Em face de Jesus.Redenção. .Origem do racionalismo. XI .ROMA O povo etrusco. .Atenas e Esparta.A ciência secreta . . . . .Quatro grandes povos.A escolha de Israel.Os discípulos.As promessas do Cristo.As revelações gradativas.A ÍNDIA A organização hindu. . .O Mediterrâneo e o Mar do Norte. .O Cristo inconfundível. . .AS GRANDES RELIGIÕES DO PASSADO As primeiras organizações religiosas.Os rajás e os párias. VII .As Pirâmides .Os egípcios e as ciências psíquicas. .As castas. . . . .Ainda as raças adâmicas. .Fo-Hi.8 ÍNDICE das raças brancas.Moisés. .Os arianos puros. . Preparação do Cristianismo.O Politeísmo simbólico. . .A GRÉCIA E A MISSÃO DE SÓCRATES Nas vésperas da maioridade terrestre. .O Monoteísmo. . .A FAMÍLIA INDO-EUROPÉIA As migrações sucessivas.As advertências do Cristo. IX .A gênese das crenças religiosas.A grande virtude dos Árias europeus.Os nórdicos e os mediterrânicos. 41 49 57 65 73 81 89 97 .No porvir.Provação coletiva da Grécia. VI . .O Judaísmo e o Cristianismo.A Grécia.A incompreensão do Judaísmo.A edificação do Evangelho.A CHINA MILENÁRIA A China.O Nirvana. VIII . Confúcio e Lao-Tsé. . . . .Primórdios de Roma. .Os Mahatmas.A CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA Os egípcios.O POVO DE ISRAEL Israel.Sócrates. Experiências necessárias. . . V . .A unidade substancial das religiões.A ausência de notícias históricas. . . . .A cristalização das idéias chinesas. .A China atual.O culto da morte e a metempsicose. .

. . .O Cristo e os essênios.Os mártires.A palavra divina. XVII .Razões da Idade Média. . . XII . Os chefes de Roma.Cumprimento das profecias de Israel. .Fim da vaidade humana.Mestres do amor e da virtude. .Os patrícios e os plebeus. . . . .Provações coletivas dos judeus e dos romanos. .9 ÍNDICE . .Gregório VII.O roteiro de luz e de amor. . . XIV . Feudalismo. .O Império Bizantino. .O jejum e a oração.Nas vésperas do Senhor.Constantino. XVI . .A IGREJA E A INVASÃO DOS BÁRBAROS Vitórias do Cristianismo. XIII .Os apologistas.A IDADE MEDIEVAL Os mensageiros de Jesus.Carlos Magno. . .Transição de uma época.Os abusos da autoridade e do poder.Identificação da besta apocalíptica. .A grande lição. . .A Igreja de Roma. . Crepúsculo de uma civilização.O exemplo do Cristo. .Fran- 155 . .O IMPÉRIO ROMANO E SEUS DESVIOS Os desvios romanos. .O Papado. XV .As advertências de Jesus. .A missão de Paulo.O século de Augusto. . . .A família romana.As guerras do Islã. . .A EDIFICAÇÃO CRISTÃ Os primeiros cristãos. .Primórdios do Catolicismo.A propagação do Cristianismo. Islamismo.Influências decisivas.A VINDA DE JESUS A manjedoura.A redação dos textos definitivos.As guerras e a maioridade terrestre. .OS ABUSOS DO PODER RELIGIOSO Fases da Igreja Católica. .A invasão dos bárbaros.A destruição do Império. . . 105 113 121 131 139 147 O O XVIII .A EVOLUÇÃO DO CRISTIANISMO Penosos compromissos romanos.Culpas e resgates dolorosos do homem espiritual. .Razões do Feudalismo.O Apocalipse de João.

.Contra os excessos da revolução.Renascença religiosa. . .Apogeu da Renascença. .A Invencível Armada. XX . .Os Franciscanos. .A Constituição. Allan Kardec e os seus colaboradores.ÉPOCA DE TRANSIÇÃO As lutas da Reforma. XXV . .RENASCENÇA DO MUNDO Movimentos regeneradores.Renascimento. Transmigrações de povos.Época de sombras. . .Pobreza intelectual. .A Inquisição. . .Provações coletivas na França. . . . . XIX .O EVANGELHO E O FUTURO 163 171 179 187 195 203 211 Conclusão 217 .O ESPIRITISMO E AS GRANDES TRANSIÇÕES A extinção do cativeiro.AS CRUZADAS E O FIM DA IDADE MÉDIA As primeiras Cruzadas. .A obra do Papado. XXI . .Ação do Jesuitismo. .O Plano Invisível e a colonização do Novo Mundo. .O esforço dos emissários do Cristo.Guerras religiosas.Fim da idade medieval.O SÉCULO XIX Depois da Revolução.A Companhia de Jesus.O período do Terror. .Refúgio da América. . .Restabelecendo a verdade. XXIV .Napoleão Bonaparte.A França e a Inglaterra. .A Independência americana. Os Enciclopedistas. . . .Allan Kardec. XXII .Defecção da Igreja Católica. Provações da Igreja. . . A tarefa do missionário.Lutas renovadoras.O Socialismo.Missão da América.10 ÍNDICE cisco de Assis.Jesus.Independência política da América. A América e o futuro. . XXIII . .Fim das Cruzadas.As ciências sociais. . .A REVOLUÇÃO FRANCESA A França no século XVIII.

Esperemos e supliquemos a bênção do Alto para o nosso esforço. elucidando a influência sagrada da fé e o ascendente espiritual. em face das religiões e das filosofias terrenas. É-me grata a vossa palestra a respeito dos nossos trabalhos. no curso de todas as civilizações terrestres.11 Antelóquio Meus amigos. Pátria do Evangelho". Nossa contribuição será à tese religiosa. tanta vez incompreendido aí no mundo. O livro do irmão Humberto (1) __________ (1) "Brasil. A história do mundo está compilada e feita. que Deus vos conceda paz. Dando seguimento aos nossos estudos. Não deverá ser este um trabalho histórico. procuremos esforçar-nos por mostrar a verdadeira posição do Evangelho do Cristo. Coração do Mundo. .

Confiemos nEle.) . tão-somente. em apontamentos à margem da tarefa de grandes missionários do mundo e de povos que já desapareceram. Que Ele vos abençoe. sabe de todas as nossas lutas e lágrimas. esclarecendo a grandeza e a misericórdia do Divino Mestre. quando tentaremos realizar nossos planos humildes de trabalho.8 -1938. Que Deus vos conceda a todos tranqüilidade e saúde. das Alturas. Muito vos agradeço o concurso de cada um no esforço geral. e a nós as possibilidades necessárias. Vamos esperar os dias próximos. EMMANUEL (Mensagem recebida em 17. nosso esforço consistirá. da harmonia e da paz para todos os corações. sem outra preocupação que não seja a de bem servir Àquele que. Trabalhemos na grande colmeia da evolução. Do seu coração augusto e misericordioso parte a fonte da luz e da vida.12 EMMANUEL foi a revelação da missão coletiva de um país.

13 Introdução Enquanto as penosas transições do século XX se anunciam ao tinido sinistro das armas. evocando os grandes períodos evolutivos da Humanidade. com as suas misérias e com os seus esplendores. as forças espirituais se reúnem para as grandes reconstruções do porvir. para afirmar as realidades espirituais acima de todos os fenômenos transitórios da matéria. Esse esforço de síntese será o da fé reclamando a sua posição em face da ciência dos . Aproxima-se o momento em que se efetuará a aferição de todos os valores terrestres para o ressurgimento das energias criadoras de um mundo novo. e natural é que recordemos o ascendente místico de todas as civilizações que surgiram e desapareceram.

transformadas em ossuários silenciosos. e ante as religiões da separatividade.14 EMMANUEL homens. as línguas são formas de expressão. Diante dos nossos olhos de espírito passam os fantasmas das civilizações mortas. As raças são substituídas pelas almas e as gerações constituem fases do seu aprendizado e aproveitamento. O tempo. a fim de que constituam o tesouro imortal da alma humana em sua gloriosa ascensão para o Infinito. Passam as raças e as gerações. no curso incessante dos séculos. como a bússola da verdadeira sabedoria. a ordem equilibrando todos os fenômenos e movimentos do edifício planetário. constróem o edifício milenário da evolução humana com as suas lágrimas e sofrimentos. as ciências e as religiões. então. no sentido de aclarar o caminho das experiências humanas. Vê-se. como patrimônio divino do espírito. caminhando para a expressão única da fraternidade e do amor. como se permanecêssemos diante de um "écran" maravilhoso. Estabelece-se. Um sopro divino faz movimentar todas as coisas nesse torvelinho maravilhoso. e os povos são os membros dispersos de uma grande família tra- . as línguas e os povos. os países e as fronteiras. Passam as primeiras organizações do homem e passam as suas grandes cidades. então. harmoniosamente. reunindo-as. vitalizando os laços eternos que reúnem a sua grande família. umas às outras. o fio inquebrantável que sustenta os séculos das experiências terrestres. As almas mudam a indumentária carnal. renova as inquietações e angústias de cada século. e até nossos ouvidos chegam os ecos dolorosos de suas aflições.

encadeando o trabalho das civilizações. destacam-se esses missionários que o mundo muitas vezes crucificou na incompreensão das almas vulgares. são agraciados pela Justiça Suprema. As guerras ensangüentaram o roteiro dos povos nas suas peregrinações incessantes para o conhecimento superior. Nossos pobres olhos não podem divisar particularidades nesse deslumbramento. Caíram os tronos dos reis e . irradia-se a luz desse fio de espiritualidade que diviniza a matéria. de onde parte o primeiro ponto geométrico desse fio de vida e de harmonia. no plano dos valores espirituais. Um sopro de sua vontade pode renovar todas as coisas. e podem visitar as outras pátrias siderais. mais acima. mas.15 A CAMINHO DA LUZ balhando para o estabelecimento definitivo de sua comunidade universal. no esforço abençoado de missões regeneradoras dentro das igrejas e das academias terrenas. Na tela mágica dos nossos estudos. que equilibra e satura toda a Terra numa apoteose de movimento e divinas claridades. Seus filhos mais eminentes. ofuscando o "écran" das nossas observações e dos nossos estudos. mas sabemos que o fio da luz e da vida está nas suas mãos. com as suas inquietações e angústias. que legisla no Alto para todos os mundos do Universo. e. É Ele quem sustenta todos os elementos ativos e passivos da existência planetária. vemos a fonte de extraordinária luz. No seu coração augusto e misericordioso está o Verbo do princípio. e um gesto seu pode transformar a fisionomia de todos os horizontes terrestres. em tudo e sobre todos. regressando ao orbe. Passaram as gerações de todos os tempos.

na caminhada dolorosa das raças. no indumento humilde dos escravos. para o morticínio e para a destruição. Enquanto falamos da missão do século XX. objetivando a dilaceração de todas as fronteiras para o amplexo universal. todas as coisas humanas se modificarão. e conclamam ainda. Ele. porém. Ele é a Luz do Principio e nas suas mãos misericordiosas repousam os destinos do mundo. implorando-lhe paz e amor para todos os corações. em vão. no Evangelho. Sua mensagem de amor. inacessível ao tempo e à destruição. e. Só Jesus não passou. da fraternidade e da misericórdia. Seu coração magnânimo é a fonte da vida para toda a Humanidade terrestre. é a Luz de todas as vidas terrestres. os povos da Terra. cumpre-nos voltar os olhos súplices para a infinita misericórdia do Senhor. é a eterna palavra da ressurreição e da justiça. que se arvoram em verdugos das multidões. O determinismo do amor e do bem é a lei de todo o Universo e a alma humana emerge de todas as catástrofes em busca de uma vida melhor.16 EMMANUEL esfacelaram-se coroas milenárias. . Todas as coisas humanas passaram. Os príncipes do mundo voltaram ao teatro de sua vaidade orgulhosa. os ditadores conclamaram. contemplando os ditadores da atualidade.

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I A Gênese planetária
A COMUNIDADE DOS ESPÍRITOS PUROS Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias. Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos, ao que nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da dire-

18 EMMANUEL ção do nosso planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos. A primeira, verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção. A CIÊNCIA DE TODOS OS TEMPOS Não é nosso propósito trazer à consideração dos estudiosos uma nova teoria da formação do mundo. A Ciência de todos os séculos está cheia de apóstolos e missionários. Todos eles foram inspirados ao seu tempo, refletindo a claridade das Alturas, que as experiências do Infinito lhes imprimiram na memória espiritual, e exteriorizando os defeitos e concepções da época em que viveram, na feição humana de sua personalidade. Na sua condição de operários do progresso universal, foram portadores de revelações gradativas, no domínio dos conhecimentos superiores da Humanidade. Inspirados de Deus nos penosos esforços da verdadeira civilização, as suas idéias e trabalhos merecem o respeito de todas as gerações da Terra, ainda que as novas expressões evolutivas do plano cultural das sociedades mundanas tenham sido obrigadas a proscrever as suas teorias e antigas fórmulas.

19 A CAMINHO DA LUZ Lembrando-nos, porém, mais detidamente, de quantos souberam receber a intuição da realidade nas perquirições do Infinito, busquemos recordar o globo terráqueo nos seus primeiros dias. OS PRIMEIROS TEMPOS DO ORBE TERRESTRE Que força sobre-humana pôde manter o equilíbrio da nebulosa terrestre, destacada do núcleo central do sistema, conferindo-lhe um conjunto de leis matemáticas, dentro das quais se iam manifestar todos os fenômenos inteligentes e harmônicos de sua vida, por milênios de milênios? Distando do Sol cerca de 149.600.000 quilômetros e deslocandose no espaço com a velocidade diária de 2.500.000 quilômetros, em torno do grande astro do dia, imaginemos a sua composição nos primeiros tempos de existência, como planeta. Laboratório de matérias ignescentes, o conflito das forças telúricas e das energias físico-químicas opera as grandiosas construções do teatro da vida, no imenso cadinho onde a temperatura se eleva, por vezes, a 2.000 graus de calor, como se a matéria colocada num forno, incandescente, estivesse sendo submetida aos mais diversos ensaios, para examinar-se a sua qualidade e possibilidades na edificação da nova escola dos seres. As descargas elétricas, em proporções jamais vistas da Humanidade, despertam estranhas comoções no grande organismo planetário, cuja formação se processa nas oficinas do Infinito.

20 EMMANUEL A CRIAÇÃO DA LUA Nessa computação de valores cósmicos em que laboram os operários da espiritualidade sob a orientação misericordiosa do Cristo, delibera-se a formação do satélite terrestre. O programa de trabalhos a realizar-se no mundo requeria o concurso da Lua, nos seus mais íntimos detalhes. Ela seria a âncora do equilíbrio terrestre nos movimentos de translação que o globo efetuaria em torno da sede do sistema; o manancial de forças ordenadoras da estabilidade planetária e, sobretudo, o orbe nascente necessitaria da sua luz polarizada, cujo suave magnetismo atuaria decisivamente no drama infinito da criação e da reprodução de todas as espécies, nos variados reinos da Natureza. A SOLIDIFICAÇÃO DA MATÉRIA Na grande oficina surge, então, a diferenciação da matéria ponderável, dando origem ao hidrogênio. As vastidões atmosféricas são amplo repositório de energias elétricas e de vapores que trabalham as substâncias torturadas no orbe terrestre. O frio dos espaços atua, porém, sobre esse laboratório de energias incandescentes e a condensação dos metais verifica-se com a leve formação da crosta solidificada. É o primeiro descanso das tumultuosas comoções geológicas do globo. Formam-se os primitivos oceanos, onde a água tépida sofre pressão difícil de descrever-se. A atmosfera

onde se har- . talhando a escola abençoada e grandiosa. na qual o seu coração haveria de expandirse em amor. Organizou o cenário da vida. Ele havia vencido todos os pavores das energias desencadeadas. que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas mãos augustas e compassivas. após o longo período de confusão dos elementos físicos da organização planetária. com as suas legiões de trabalhadores divinos. cuja unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam identificar por toda a parte no universo galáxico. sob as vistas de Deus. organizando-lhes o equilíbrio futuro na base dos corpos simples de matéria. lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria informe. no curso dos milênios. a superfície do planeta. Operou a escultura geológica do orbe terreno. fixando a luz solar que se projeta nesse novo teatro de evolução e vida. o indispensável à existência dos seres do porvir. estatuiu os regulamentos dos fenômenos físicos da Terra. As mãos de Jesus haviam descansado. claridade e justiça.21 A CAMINHO DA LUZ está carregada de vapores aquosos e as grandes tempestades varrem. Fez a pressão atmosférica adequada ao homem. criando. As paisagens aclaram-se. Com os seus exércitos de trabalhadores devotados. O DIVINO ESCULTOR Sim. em todas as direções. estabeleceu os grandes centros de força da ionosfera e da estratosfera. antecipando-se ao seu nascimento no mundo. mas sobre a Terra o caos fica dominado como por encanto.

descer sobre a Terra. como no fundo dos oceanos. para que filtrassem convenientemente os raios solares. em todos os seus estudos e análises da existência. Com essa massa ge- . manipulando-lhes a composição precisa à manutenção da vida organizada no orbe. Jesus reuniu nas Alturas os intérpretes divinos do seu pensamento. como é e será a coroa gloriosa dos seres terrestres na imortalidade semfim. e edificou as usinas de ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude. engendrando a harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das atividades planetárias. E quando serenaram os elementos do mundo nascente. das amplidões dos espaços ilimitados. O VERBO NA CRIAÇÃO TERRESTRE A ciência do mundo não lhe viu as mãos augustas e sábias na intimidade das energias que vitalizam o organismo do Globo. uma nuvem de forças cósmicas. Definiu todas as linhas de progresso da humanidade futura. Daí a algum tempo. mas o seu amor foi o Verbo da criação do princípio.22 EMMANUEL monizam os fenômenos elétricos da existência planetária. a beleza melancólica dos continentes e dos mares primitivos. podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra. Substituíramlhe a providência com a palavra "natureza". quando a luz do Sol beijava. Viu-se. então. em silêncio. Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada. que envolveu o imenso laboratório planetário em repouso. na crosta solidificada do planeta.

23 A CAMINHO DA LUZ latinosa. . lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros homens. nascia no orbe o protoplasma e. com ele.

laboravam na Terra numerosas assembléias de operários espirituais. Como a engenharia moderna. no que se referia às edificações celulares das origens. a construção das formas organizadas e inteligentes dos séculos porvindouros. O ideal da beleza foi a sua preocupação dos primeiros momentos. nos dias primevos.25 II A vida organizada AS CONSTRUÇÕES CELULARES Sob a orientação misericordiosa e sábia do Cristo. . os artistas da espiritualidade edificavam o mundo das células iniciando. que constrói um edifício prevendo os menores requisitos de sua finalidade.

Os fluidos da vida foram manipulados de modo a se adaptarem às condições físicas do planeta. em todos os tempos. no plano material.26 EMMANUEL É por isso que. que se multiplicam prodigiosamente na temperatura tépida dos oceanos. encenando-se as construções celulares segundo as possibilidades do ambiente terrestre. OS PRIMEIROS HABITANTES DA TERRA Dizíamos que uma camada de matéria gelatinosa envolvera o orbe terreno em seus mais íntimos contornos. se essa matéria. Com o escoar incessante do tempo. e. onde encontram o oxigênio necessário ao entre- . As formas de todos os reinos da natureza terrestre foram estudadas e previstas. são as células albuminóides. sem forma definida. cobria a crosta solidificada do planeta. constituiu um dos traços indeléveis de toda a criação. Os primeiros habitantes da Terra. esses seres primordiais se movem ao longo das águas. era o celeiro sagrado das sementes da vida. O protoplasma foi o embrião de todas as organizações do globo terrestre. em breve a condensação da massa dava origem ao surgimento do núcleo. junto à ordem. as amebas e todas as organizações unicelulares. a beleza. tudo obedecendo a um plano preestabelecido pela misericordiosa sabedoria do Cristo. consideradas as leis do princípio e do desenvolvimento geral. amorfa e viscosa. isoladas e livres. Essa matéria. iniciando-se as primeiras manifestações dos seres vivos.

formam-se ensaios de vida que já apresentam caracteres e rudimentos dos organismos superiores.27 A CAMINHO DA LUZ tenimento da vida. emanados do mundo espiritual onde todo o progresso da Terra tem a sua gênese. em função de aperfeiçoamento dos organismos superiores. eis que as amebas primitivas se associam para a vida celular em comum. mas. formam-se os pródromos celulares do sistema nervoso e dos órgãos da procriação. que se aperfeiçoam. em obediência aos planos da construção definitiva do porvir. definindo-se nos seres. A ELABORAÇÃO PACIENTE DAS FORMAS Decorrido muito tempo. antes das grandes vegetações. . de polipeiros.o do tato. que deu origem a todos os outros. formando-se as colônias de infusórios. após eles. Não existem formas definidas nem expressão individual nessas sociedades de infusórios. A princípio. coordenam os elementos da nutrição e da conservação da existência. desses conjuntos singulares. elemento que a terra firme não possuía ainda em proporções de manter a existência animal. O coração e os brônquios são conquistados e. Os reinos vegetal e animal parecem confundidos nas profundidades oceânicas. nos serviços da elaboração paciente das formas. Milhares de anos foram precisos aos operários de Jesus. esses seres rudimentares somente revelam um sentido .

aptas a receber as sementes prolíficas da vida. Todavia. e a terra sólida está coberta de lodo e pântanos inimagináveis. os artistas da criação inauguram novos períodos evolutivos. todo o globo se veste de vegetação luxuriante. no plano das formas. as derradeiras convulsões interiores do orbe localizam os calores centrais do planeta. delineando os continentes e fixando a posição dos oceanos. desse modo. Os primeiros crustáceos terrestres são um prolongamento dos crustáceos marinhos.28 EMMANUEL AS FORMAS INTERMEDIÁRIAS DA NATUREZA A atmosfera está ainda saturada de umidade e vapores. surgem os animais horrendos das eras primitivas. surgindo. OS ENSAIOS ASSOMBROSOS Nessa altura. aparecem os batráquios. as grandes extensões de terra firme. Após os répteis. Esses fenômenos geológicos estabelecem os contornos geográficos do globo. restringindo a zona das influências telúricas necessárias à manutenção da vida animal. de cujas florestas opulentas e desmesuradas as minas carboníferas dos tempos modernos são os petrificados vestígios. que trocam as águas pelas regiões lodosas e firmes. A Natureza torna-se uma grande oficina de ensaios monstruosos. Nessa fase evolutiva do planeta. Seguindo-lhes as pegadas. . prodigiosa.

gêmeo dos crustáceos marinhos. prevendo todas as possibilidades e necessidades do porvir. que lhe foram posteriores. igualmente. a forma primitiva. analisavam. os animais monstruosos das épocas remotas. do laboratório de suas perseverantes experiências. A prova da intervenção das forças espirituais. desapareceram para sempre da fauna terrestre. Aplainaram-se dificuldades e realizaram-se novas conquistas. enquanto o escorpião. na retorta de acuradas observações. Todas as arestas foram eliminadas. de modo geral. eliminando-se os frutos teratológicos e estranhos. cuja formação eles próprios haviam delineado. no limite do possível. a combinação prodigiosa dos complexos celulares. guardando os museus do mundo as interessantes reminiscências de suas formas atormentadas. . em face das leis físicas do globo. A máquina celular foi aperfeiçoada. sob as influências do meio e em face dos imperativos da lei de seleção. nesse vasto campo de operações. Os tipos adequados à Terra foram consumados em todos os reinos da Natureza. executando. é que. conserva até hoje. como os alquimistas que estudam a combinação das substâncias. uma justa aferição de valores. com as suas experiências.29 A CAMINHO DA LUZ Os trabalhadores do Cristo. OS ANTEPASSADOS DO HOMEM O reino animal experimenta as mais estranhas transições no período terciário.

na época da grande maleabilidade dos elementos materiais. sob a orientação das esferas espirituais notavam-se algumas raças de antropóides. a questão nos seus prismas reais. o nosso raciocínio ansioso procura os legítimos antepassados das criaturas humanas. Examinada. estabeleceram. nessa imensa vastidão do proscênio da evolução anímica. que Adão e Eva constituem uma lembrança dos Espíritos degredados na paisagem obscura da Terra. antepassados do homem terrestre. Esses antropóides. Onde está Adão com a sua queda do paraíso? Debalde nossos olhos procuram. tiveram a sua evolução em pontos convergentes. e daí os parentescos sorológicos entre o organismo do homem moderno e o do chimpanzé da atualidade. todavia. afinal. que examinaram meticulosamente os transcendentes assuntos do evolucionismo. aflitos. uma linhagem .30 EMMANUEL Mas. No período terciário a que nos reportamos. Reportando-nos. no Plioceno inferior. e os ascendentes dos símios que ainda existem no mundo. aos eminentes naturalistas dos últimos tempos. Compreendemos. essas figuras legendárias. como Caim e Abel são dois símbolos para a personalidade das criaturas. vamos encontrar os primeiros antepassados do homem sofrendo os processos de aperfeiçoamento da Natureza. no início da evolução humana. porém. com o propósito de localizálas no Espaço e no Tempo. As forças espirituais que dirigem os fenômenos terrestres. sob a orientação do Cristo. somos compelidos a esclarecer que não houve propriamente uma "descida da árvore".

tiveram suas linhagens fixas de desenvolvimento e o homem não escaparia a essa regra geral. a realidade. Extraordinárias experiências foram realizadas pelos mensageiros do invisível. Os peixes. os mamíferos. são um atestado dos experimentos biológicos a que procederam os prepostos de Jesus. As pesquisas recentes da Ciência sobre o tipo de Neanderthal. Os séculos correram o seu velário de experiências penosas sobre a fronte dessas criaturas de braços alongados e de pelos densos. é que as entidades espirituais auxiliaram o homem do sílex. os répteis. imprimindo-lhe novas expressões biológicas. A GRANDE TRANSIÇÃO Os antropóides das cavernas espalharam-se. quanto ao homem fóssil. então. no curso vagaroso dos séculos. reconhecendo nele uma espécie de homem bestializado. em marcha para a racionalidade. porém. nas regiões .31 A CAMINHO DA LUZ definitiva para todas as espécies. sofrendo as influências do meio e formando os pródromos das raças futuras em seus tipos diversificados. e outras descobertas interessantes da Paleontologia. dentro das quais o princípio espiritual encontraria o processo de seu acrisolamento. aos grupos. até fixarem no "primata" os característicos aproximados do homem futuro. pela superfície do globo. até que um dia as hostes do invisível operaram uma definitiva transição no corpo perispiritual preexistente. dos homens primitivos.

Muito naturalmente. na maioridade. Também as crianças têm os defeitos da infância corrigidos pelos pais.32 EMMANUEL siderais e em certos intervalos de suas reencarnações. Uma transformação visceral verificara-se na estrutura dos antepassados das raças humanas. Surgem os primeiros selvagens de compleição melhorada. sem que. elas se lembrem disso. . tendendo à elegância dos tempos do porvir. que as preparam em face da vida. Como poderia operar-se semelhante transição? Perguntará o vosso critério científico.

ela. Magnífico sol entre os astros que nos são mais vizinhos. faz-se acompanhar. cantando as glórias divinas do Ilimitado. que recebeu. A sua luz gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra. observa-se desenhada uma grande estrela na Constelação do Cocheiro. na sua trajetória pelo Infinito. igualmente. que os astrônomos terrestres compulsam em seus estudos. o nome de Cabra ou Capela. desse modo. da sua família de mundos. considerando-se. a regular distância existente entre a Capela e o nosso planeta. na Terra.33 III As raças adâmicas O SISTEMA DE CAPELA Nos mapas zodiacais. já que a luz percorre o espaço com a .

relativamente às transições esperadas no século XX. localizar . desconhecendo os mais comezinhos princípios de fraternidade e pouco realizando em favor da extinção do egoísmo. neste crepúsculo de civilização. do seu infeliz orgulho. As lutas finais de um longo aperfeiçoamento estavam delineadas. dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes. como ora acontece convosco. examinadas as condições de atraso moral da Terra. deliberam.34 EMMANUEL velocidade aproximada de 300. Quase todos os mundos que lhe são dependentes já se purificaram física e moralmente. que fizera jus à concórdia perpétua. no caminho da evolução geral. que guarda muitas afinidades com o globo terrestre. mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade. diretoras do Cosmos. da vaidade. então. como nas eras pré-históricas de sua existência. para a edificação dos seus elevados trabalhos As grandes comunidades espirituais.000 quilômetros por segundo. atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. um dos orbes da Capela. Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam. marcham uns contra os outros ao som de hinos guerreiros. onde o homem se reconforta com as vísceras dos seus irmãos inferiores. UM MUNDO EM TRANSIÇÕES Há muitos milênios.

seriam degredados na face obscura do planeta terrestre. ESPÍRITOS EXILADOS NA TERRA Foi assim que Jesus recebeu.35 A CAMINHO DA LUZ aquelas entidades. Por muitos séculos não veriam a suave luz da Capela. que deixavam atrás de si todo um mundo de afetos. Com a sua palavra sábia e compassiva. aquela turba de seres sofredores e infelizes. Mostrou-lhes os campos imensos de luta que se desdobravam na Terra. andariam desprezados na noite dos milênios da saudade e da amargura. a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes. fazendo-lhes sentir os sagrados triunfos do futuro e prometendo-lhes a sua colaboração cotidiana e a sua vinda no porvir. reencarnariam no seio das raças ignorantes e primitivas. as grandes conquistas do coração e impulsionando. aqui na Terra longínqua. envolvendo-as no halo bendito da sua misericórdia e da sua caridade sem limites. à luz do seu reino de amor e de justiça. onde aprenderiam a realizar. simultaneamente. exortou essas almas desventuradas à edificação da consciência pelo cumprimento dos deveres de solidariedade e de amor. Aqueles seres angustiados e aflitos. o progresso dos seus irmãos inferiores. não obstante os seus corações empedernidos na prática do mal. mas . no esforço regenerador de si mesmas. na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente. que se tornaram pertinazes no crime. Abençoou-lhes as lágrimas santificadoras.

proporcionalmente. a gênese das raças humanas requeria a contribuição do tempo. as expressões dos "genes". se as observações do mendelismo fossem transferidas àqueles milênios distantes. consolidando-se-lhes as expressões definitivas. naquelas eras remotíssimas. A Natureza ainda era. até que se abandonasse a penosa e longa tarefa da sua fixação. tanto assim que. um campo vasto de experiências infinitas. aperfeiçoando os caracteres biológicos das raças humanas. nas regiões mais importantes. porquanto. não se encontraria nenhuma equação definitiva nos seus estudos de biologia. como hoje. ORIGEM DAS RAÇAS BRANCAS Aquelas almas aflitas e atormentadas reencarnaram. as células ainda sofriam longos processos de acrisolamento. onde se haviam localizado as tri- . as falanges do Cristo operavam ainda as últimas experiências sobre os fluidos renovadores da vida. imprimindo-se-lhes elementos de astralidade. Se a gênese do planeta se processara com a cooperação dos milênios. no laboratório das forças invisíveis. para os trabalhadores da espiritualidade. com vistas às organizações do porvir.36 EMMANUEL trabalhariam na Terra acariciados por Jesus e confortados na sua imensa misericórdia. A moderna genética não poderia fixar. FIXAÇÃO DOS CARACTERES RACIAIS Com o auxílio desses Espíritos degredados.

contrariando a regra geral. estabeleciam-se fatores definitivos na história etnológica dos seres. só puderam voltar ao país da luz e da verdade depois de muitos séculos de sofrimentos expiatórios. com muitas exceções. de onde atravessaram o istmo de Suez para a África. a que nos referimos ainda há pouco. . tecendo o hino sagrado das reminiscências. outros. na região do Egito. estabeleceram-se na Ásia.37 A CAMINHO DA LUZ bos e famílias primitivas. descendentes dos "primatas". nasceram no orbe os ascendentes das raças brancas. até que ficassem arquivadas nas páginas da Bíblia. Grande percentagem daqueles Espíritos rebeldes. Não obstante as lições recebidas da palavra sábia e mansa do Cristo. encaminhando-se igualmente para a longínqua Atlântida. infelizes e retrógrados. em virtude do seu elevado passivo de débitos clamorosos. QUATRO GRANDES POVOS As raças adâmicas guardavam vaga lembrança da sua situação pregressa. os homens brancos olvidaram os seus sagrados compromissos. porém. Um grande acontecimento se verificara no planeta É que. As tradições do paraíso perdido passaram de gerações a gerações. permanecem ainda na Terra. Em sua maioria. nos dias que correm. de que várias regiões da América guardam assinalados vestígios. com essas entidades. Com a sua reencarnação no mundo terreno.

porém. guardaram a reminiscência das promessas do Cristo. as fortaleceu no seio das mas- . É de grande interesse o estudo de sua movimentação no curso da História. que já existiam. os celtas e os gregos. Através dessa análise. é possível examinarem-se os defeitos e virtudes que trouxeram do seu paraíso longínquo. a maneira de suas vidas passadas no mundo distante da Capela. Dos árias descende a maioria dos povos brancos da família indoeuropéia nessa descendência. o povo de Israel e as castas da Índia. AS PROMESSAS DO CRISTO Tendo ouvido a palavra do Divino Mestre antes de se estabelecerem no mundo. além dos germanos e dos eslavos. Unidos. por sua vez. formaram desse modo o grupo dos árias. introduzindo os mais largos benefícios no seio da raça amarela e da raça negra. bem como os antagonismos e idiossincrasias peculiares a cada qual.38 EMMANUEL Aqueles seres decaídos e degradados. novamente. as raças adâmicas. com o transcurso dos anos reuniram-se em quatro grandes grupos que se fixaram depois nos povos mais antigos. que. na esteira do Tempo. As quatro grandes massas de degredados formaram os pródromos de toda a organização das civilizações futuras. nos seus grupos insulados. a civilização do Egito. obedecendo às afinidades sentimentais e lingüísticas que os associavam na constelação do Cocheiro. é necessário incluir os latinos.

idealizaram a sua trajetória. todos O queriam. cuja genealogia se confunde na poeira dos sóis que rolam no Infinito. da celeste figura do Salvador. durante muitos séculos. através da palavra de seus profetas mais eminentes. à sombra do trono de Jessé. como Alegria de todos os tristes e Providência de todos os infortunados. Todavia. Aliás. que o sol dos milênios futuros iluminaria na região escabrosa da Palestina. enviando-lhes periodicamente os seus missionários e mensageiros. (*) __________ (*) Entre as considerações acima e as do capítulo precedente. era conhecida quase toda a história evangélica. no que e refere à historicidade das raças adâmicas. da piedade e do martírio. Todos os povos O esperavam em seu seio acolhedor. devemos ponderar o interstício de muitos séculos. localizando em seus caminhos a sua expressão sublime e divinizada. e o povo de Israel.39 A CAMINHO DA LUZ sas. Uma secreta intuição iluminava o espírito divinatório das massas populares. na Índia védica. antevendo-lhe os passos nos caminhos do porvir. na China milenária. Na Pérsia. cantou-lhe as glórias divinas. Eis por que as epopéias do Evangelho foram previstas e cantadas alguns milênios antes da vinda do Sublime Emissário. apesar de surgir um dia no mundo. Os enviados do Infinito falaram. será justo meditarmos atentamente no . o Filho de Deus em todas as circunstâncias seria o Verbo de Luz e de Amor do Princípio. Os iniciados do Egito esperavam-no com as suas profecias. na exaltação do amor e da resignação. muitos séculos antes do advento de Jesus.

Toda oportunidade de realização do bem é sagrada. delineados nas Alturas. devemos esclarecer que. Quanto ao mais. obedecendo a sagrados roteiros. já o primata hominis se encontrava arregimentado em tribos numerosas. da Atlântida e de outras regiões que ficaram imprecisas no acervo de conhecimentos dos povos. Quanto ao fato de se verificar a reencarnação de Espíritos tão avançados em conhecimentos. Aos prepostos de Jesus foi necessária grande soma de tempo. como o ouro.40 EMMANUEL problema da fixação dos caracteres raciais. procurei demonstrar as largas experiências que os operários do Invisível levaram a efeito. foi que as migrações do Pamir se espalharam pelo orbe. ou disforme. Entre as raças negra e amarela. no sentido de fixar o tipo humano. que fazer com o trabalhador desatento que estraçalha no mal todos os instrumentos perfeitos que lhe são confiados? Seu direito. Lembremo-nos de que um metal puro. Apresentando o meu pensamento humilde. sobre os complexos celulares. . no terreno do trabalho e do sofrimento para a redenção. aos aparelhos mais preciosos. não deve causar repugnância ao entendimento. por exemplo. Depois de grandes experiências. A todo tempo. não houve retrocesso. bem como entre os grandes agrupamentos primitivos da Lemúria. em corpos de raças primigênias. sofrerá solução de continuidade.) . referindo-nos ao degredo dos emigrantes da Capela. nessa ocasião. a máquina deve estar de acordo com as disposições do operário.(Nota de Emmanuel. adquirindo a provisão de amor para suas consciências ressequidas. até que saiba valorizar as preciosidades em mão. mas providência justa de administração. Como vemos. os exilados da Capela trabalharam proficuamente. não se modifica pela circunstância de se apresentar em vaso imundo. segundo os méritos de cada qual. para que o dever cumprido seja caminho aberto a direitos novos. Assim. chegando a dizer da impossibilidade de qualquer cogitação mendelista nessa época da evolução planetária. A educação generosa e justa ordenará a localização de seus esforços em maquinaria imperfeita. pois.

aos seus penates resplandecentes. que era trabalhar devotadamente para regressar. guardaram no íntimo uma lembrança mais viva das experiências de sua pátria distante. um dia. Uma saudade torturante do céu foi a base de . Em razão dos seus elevados patrimônios morais.41 IV A civilização egípcia OS EGÍPCIOS Dentre os Espíritos degredados na Terra. Um único desejo os animava. importa considerar que eram eles os que menos débitos possuíam perante o tribunal da Justiça Divina. Aliás. os que constituíram a civilização egípcia foram os que mais se destacavam na prática do Bem e no culto da Verdade.

A própria Grécia. não recebeu toda a verdade das ciências misteriosas. representando uma das mais belas e adiantadas civilizações de todos os tempos. no passado longínquo. Os conhecimentos profundos ficaram circunscritos ao circulo dos mais graduados sacerdotes da época. Depois de perpetuarem nas Pirâmides os seus avançados conhecimentos. mediante os mais terríveis compromissos dos iniciados nos seus mistérios. todos os Espíritos daquela região africana regressaram à pátria sideral. os egípcios traziam consigo uma ciência que a evolução da época não comportava. que aí buscou a alma de suas concepções cheias de poesia e de beleza. compelidos a recolher o acervo de suas tradições e de suas lembranças no ambiente reservado dos templos. Em nenhuma civilização da Terra o culto da morte foi tão altamente desenvolvido. A CIÊNCIA SECRETA Em virtude das circunstâncias mencionadas. que as iniciações no Egito se revestiam de experiências terríveis para o candidato à . observando-se o máximo cuidado no problema da iniciação. Tanto é assim. Em todos os corações morava a ansiedade de voltar ao orbe distante. ao qual se sentiam presos pelos mais santos afetos. as expressões do antigo Egito desapareceram para sempre do plano tangível do planeta. através da iniciativa dos seus filhos mais eminentes. Foi por esse motivo que. Aqueles grandes mestres da antigüidade foram. então.42 EMMANUEL todas as suas organizações religiosas.

os sacerdotes mais eminentes conheciam o roteiro que a Humanidade terrestre teria de realizar. que seriam os senhores da Terra e do Céu. nas grandes festividades exteriores da religião. Aí residem os mistérios iniciáticos e a essencial importância que lhes era atribuída no ambiente dos sábios daquele tempo. de todos os tempos. O POLITEÍSMO SIMBÓLICO Nos círculos esotéricos. onde pontificava a palavra esclarecida dos grandes mestres de então. na execução de todas as leis físicas e sociais da existência planetária. mas os sacerdotes conheciam. Já os sacerdotes da época conheciam essa fraqueza das almas jovens. em virtude das suas experiências pregressas.43 A CAMINHO DA LUZ ciência da vida e da morte . a função dos Espíritos prepostos de Jesus. então.fatos esses que. Desse ambiente reservado de ensinamentos ocultos. eram motivo de festas inesquecíveis. haviam guardado as mais vivas recordações. sabia-se da existência do Deus Único e Absoluto. entre os gregos. Pai de todas as criaturas e Providência de todos os seres. As massas requeriam esse politeísmo simbólico. igualmente. do Homem e da Natureza. partiu. . Os sábios egípcios conheciam perfeitamente a inoportunidade das grandes revelações espirituais naquela fase do progresso terrestre. a idéia politeísta dos numerosos deuses. na oficina do aperfeiçoamento. chegando de um mundo de cujas lutas.

ao perfume das árvores e ao som das flautas dos pastores. . E tanto lhe doía semelhante humilhação. A metempsicose era o fruto da sua amarga impressão. desse modo. que.44 EMMANUEL satisfazendo-as com as expressões esotéricas de suas lições sublimadas. Era natural. classificando-as para o espírito das massas. O CULTO DA MORTE E A METEMPSICOSE Um dos traços essenciais desse grande povo foi a preocupação insistente e constante da Morte. Os mistérios de Ísis e Osíris mais não eram que símbolos das forças espirituais que presidem aos fenômenos da morte. Seus papiros e afrescos estão cheios dos consoladores mistérios do além-túmulo. na lembrança do pretérito. na categoria dos deuses. Inventou-se. por determinação punitiva dos deuses. uma série de rituais e cerimônias para solenizar o regresso dos seus irmãos à pátria espiritual. é que nasceu a mitologia da Grécia. acreditando que a alma de um homem podia regressar ao corpo de um irracional. em contacto permanente com a Natureza. O grande povo dos faraós guardava a reminiscência do seu doloroso degredo na face obscura do mundo terreno. Dessa idéia de homenagear as forças invisíveis que controlam os fenômenos naturais. A sua vida era apenas um esforço para bem morrer. criou a teoria da metempsicose. a respeito do exílio penoso que lhe fora infligido no ambiente terrestre.

Seus reis estavam tocados do mais alto grau de iniciação. enfeixando nas mãos todos os poderes espirituais e todos os conhecimentos sagrados. O estudo de suas artes pictóricas positivam a veracidade destas nossas afirmações. através deles. nos atos solenes da mumificação. Os grandes diretores da raça. apresenta-se o homem terrestre acompanhado do seu duplo espiritual. podem os egiptólogos modernos reconhecer que os iniciados sabiam da existência do corpo espiritual preexistente. no sentido de cercar-lhes o túmulo de veneração e de supremo respeito. O destino e a comunicação dos mortos e a pluralidade das existências e dos mundos eram para eles. problemas solucionados e conhecidos. Esse amor não se traduzia. Também o ambiente dos túmulos era santificado por um estranho magnetismo. cujas fórmulas se perderam na indiferença e na inquietação dos outros povos. que faziam jus a semelhantes consagrações. É por isso que a sua desencarnação provocava a concentração mágica de todas as vontades. apenas. . e. Seus conhecimentos.45 A CAMINHO DA LUZ OS EGÍPCIOS E AS CIÊNCIAS PSÍQUICAS As ciências psíquicas da atualidade eram familiares aos magnos sacerdotes dos templos. eram considerados dignos de toda a paz no silêncio da morte. eram muito superiores aos da atualidade. Desses conhecimentos nasceram os processos de mumificação dos corpos. Os papiros nos falam de suas avançadas ciências nesse sentido. a respeito das energias solares com relação ao magnetismo humano. Num grande número de frescos. que organiza o mundo das coisas e das formas.

que o seu degredo na Terra atingia o fim. AS PIRÂMIDES A assistência carinhosa do Cristo não desamparou a marcha desse povo cheio de nobreza moral. muitas vezes. que ficariam como a sua mensagem eterna para as futuras civilizações do orbe. que as mais interessantes características espirituais singularizam. os aviadores ingleses observam o não funcionamento dos aparelhos radiofônicos. residem as razões da tragédia amarga de Lord Carnarvon e de alguns dos seus companheiros que penetraram em primeiro lugar na câmara mortuária de Tut Ankh Amon. que ainda aí estão a desafiar milênios. quando as suas máquinas de vôo atravessam a limitada atmosfera do vale sagrado. que atravessaram todos os tempos provocando a admiração e o respeito da posteridade de todos os séculos. ao mesmo tempo que constituiriam. para os pósteros. Aquelas almas exiladas. nos tempos que correm. Esses grandiosos monumentos teriam duas finalidades simultâneas: representariam os mais sagrados templos de estudo e iniciação. Enviou-lhe auxiliares e mensageiros. e ainda por isso é que. inspirando-o nas suas realizações. conheceram. os círculos iniciáticos sugerem a construção das grandes pirâmides. em tempo. com as mais singulares profecias em face das obscuridades do porvir. Impulsionados pelas forças do Alto. um livro do passado.46 EMMANUEL Nessas saturações magnéticas. .

dessarte. a precessão dos equinócios. As pirâmides revelam os mais extraordinários conhecimentos daquele conjunto de Espíritos estudiosos das verdades da vida. as grandes construções que assombram a engenharia de todos os tempos. que. Com o seu regresso aos mundos ditosos da Capela. os grandes iniciados do Egito voltam ao plano espiritual. encontram-se ali os roteiros futuros da Humanidade terrestre. Ali está o meridiano ideal. os receberam dos grandes sacerdotes de Mênfis. A par desses conhecimentos. por sua vez. não é o colosso de seus milhões de toneladas de pedra nem o esforço hercúleo do trabalho de sua justaposição o que mais empolga e impressiona a quantos contemplam esses monumentos. no curso incessante dos séculos. REDENÇÃO Depois dessa edificação extraordinária. e através do qual se pode calcular a extensão das terras habitáveis pelo homem. vão desaparecendo os conhecimentos sagrados dos templos tebanos. bem como muitas outras conquistas científicas que somente agora vêm sendo consolidadas pela moderna astronomia. .47 A CAMINHO DA LUZ Levantaram-se. relativamente ao sistema cosmogônico do planeta e à sua posição no sistema solar. a distância aproximada entre o Sol e a Terra. a longitude percorrida pelo globo terrestre sobre a sua órbita no espaço de um dia. Cada medida tem a sua expressão simbólica. que atravessa mais continentes e menos oceanos. Todavia.

A maioria regressa. Em algumas centenas de anos. onde os corações se reconfortam nos sagrados reencontros das suas afeições mais santas e mais puras. os antigos degredados. muitas vezes têm reencarnado na Terra.48 EMMANUEL Aos mistérios de Ísis e de Osíris. sucedem-se os de Elêusis. com a sagrada bênção do Cristo. ao sistema da Capela. então. obedecendo a sagrados imperativos do sentimento e. mas grande número desses Espíritos. naturalmente transformados nas iniciações da Grécia antiga. nos planos espirituais. seu patrono e salvador. reuniram-se de novo. conservaram-se nas hostes de Jesus. ao seu influxo divino. . para desempenho de generosas e abençoadas missões. estudiosos e abnegados.

os que se gruparam nas margens do Ganges foram os primeiros a formar os pródromos de uma sociedade organizada. As almas exiladas naquela parte do Oriente muito haviam recebido da misericórdia do .49 V A Índia A ORGANIZAÇÃO HINDU Dos Espíritos degredados no ambiente da Terra. cujos núcleos representariam a grande percentagem de ascendentes das coletividades do porvir. As organizações hindus são de origem anterior à própria civilização egípcia e antecederam de muito os agrupamentos israelitas. como as de Abraão e Moisés. de onde sairiam mais tarde personalidades notáveis.

arrasado em parte pelas águas dos Oceanos Pacífico e Indico. é que. Foram elas as primeiras vozes da filosofia e da religião no mundo terrestre. salientando-se que também as suas escolas de pensamento guardavam os mistérios iniciáticos. que se organizou nas margens do Ganges. A realidade.50 EMMANUEL Cristo. de mestres e iniciados. exilados no planeta. Alguns acreditavam se tratasse do antigo continente da Lemúria. Deles descendem todos os povos arianos. que floresceram na Europa e hoje atingem um dos mais agudos períodos de transição na sua marcha evolutiva. e de cujas terras ainda existem porções remanescentes. OS ARIANOS PUROS Era na Índia de então que se reuniam os arianos puros. como provindo de uma raça de profetas. tanto que todas as línguas das raças brancas guardam as mais estreitas afinidades com . qual já vimos. entre os quais cultivavam-se igualmente as lendas de um mundo perdido. desde a aurora dos tempos terrestres. com as mais sagradas tradições de respeito. em cujas tradições iam beber a verdade os homens e os povos do porvir. de cuja palavra de amor e de cuja figura luminosa guardaram as mais comovedoras recordações. porém. O pensamento moderno é o descendente legitimo daquela grande raça de pensadores. os hindus eram um dos ramos da massa de proscritos da Capela. no qual o povo hindu colocava as fontes de sua nobre origem. como os egípcios. como a Austrália. traduzidas na beleza dos Vedas e dos Upanishads.

O EXPANSIONISMO DOS ÁRIAS Muitos séculos antes de qualquer prenúncio de civilização terrestre. OS MAHATMAS Da região sagrada do Ganges partiram todos os elementos irresignados com a situação . em outros planos. onde iam ensaiar seus primeiros passos as forças da sabedoria germânica. edificando-se os primórdios da civilização européia. originário de sua formação e que constituía uma reminiscência da sua existência pregressa. essa onda expansionista procurou localizar-se ao longo das terras da futura Europa. dos celtas e dos germanos estavam lançadas. bem como do outro lado do Reno. descendentes dos "primatas". os árias espalharam-se pelas planícies hindus. dominando os autóctones. muito cedo. nas costas da Itália e da França. começaram no Velho Mundo os choques de suas famílias e tribos. As balizas da sociedade dos gregos. dos latinos. que possuíam uma pele escura e deles se distanciavam pelos mais destacados caracteres físicos e psíquicos. Mais tarde. e. cada qual se baseou no princípio da força para o necessário estabelecimento. Cada corrente da raça ariana assimilou os elementos encontrados. estabelecendo os primeiros fundamentos da civilização ocidental nos bosques da Grécia.51 A CAMINHO DA LUZ o sânscrito.

as suas mensagens de amor. lá ficaram. em face da Majestade Suprema do Senhor do Universo. salientando-se que quase todos os grandes vultos do passado humano. progenitores do pensamento contemporâneo. Os "mahatmas" criaram um ambiente de tamanha grandeza espiritual para o seu povo. como devia. de esperança e de estoicismo resignado. As arriscadas aventuras forneceriam uma noção de vida nova e aqueles seres revoltados supunham encontrar o esquecimento de sua posição nas paisagens renovadas dos caminhos. A faculdade de tolerar. ao mundo. o seu acervo de experiências sagradas. não aproveitou de modo geral. aflorou no sentimento coletivo das multidões. ainda hoje. AS CASTAS O povo hindu. e esperar. que suportaram heroicamente todas as dores e aguardaram o momento sublime da redenção. que. nenhum estrangeiro visita a terra sagrada da Índia sem de lá trazer as mais profundas impressões acerca de sua atmosfera psíquica. . as almas resignadas e crentes nos poderes espirituais que as conduziriam de novo às magnificências dos seus paraísos perdidos e distantes.52 EMMANUEL humilhante que o degredo da Terra lhes infligia. Eles deixaram também. apenas. Os cânticos dos Vedas são bem uma glorificação da fé e da esperança. não obstante o seu elevado grau de desenvolvimento nas ciências do Espírito. deles aprenderam as lições mais sublimes.

a organização das castas separava as suas coletividades para sempre. anteriores à sua reencarnação para os trabalhos do penoso degredo. Essas castas não se constituíam num sentido apenas hierárquico. mas com a significação de uma superioridade orgulhosa e absoluta. foram compreendidos pelo grande povo sobre cuja fronte derramou o Senhor. alguns milênios antes da organização da Palestina. cuja epopéia. que eles afirmam trazer de sua longínqua origem. embora as suas tradições de espiritualidade. Krishna. de modo geral. Viasa foi instrumento das lições do Cristo. em todos os tempos. Lembravam-se vagamente das promessas do Senhor. designação original de sua raça primitiva. foi prevista pelos iniciados hindus. dera motivo ao seu exílio na Terra. vendo neles os avatares do seu Redentor. deixou crescer no coração o espinho do orgulho que. As fortes raízes de uma vaidade poderosa dividem os espíritos no campo social e religioso. Em breve. como se a questão fosse determinada por um doloroso atavismo psíquico. e em cujo seio não existem comunidades especiais ou autoridade centrali- . A prova disso é que eles abraçaram todos os grandes missionários do pretérito. e o seu sistema religioso.53 A CAMINHO DA LUZ Seus condutores conheciam as elevadas finalidades da vida. para exposição de suas verdades salvadoras. chama-se "Ária-Darma". as claridades divinas do seu amor desvelado e compassivo. seis mil anos antes do Evangelho. em seus mínimos detalhes. Mas. Buda e outros grandes enviados de Jesus ao plano material. aliás. Os filhos legítimos do país dão-se o nome de árias. o povo hindu.

resgatando o pretérito em avatares de amargas provações expiatórias. de cujos membros não podiam aproximar-se sem graves punições e severos castigos. voltam às mesmas estradas que transitaram sobre o dorso dos elefantes ajaezados de pedrarias. como mendigos desventurados. não se compadeceram das raças atrasadas que encontraram em seu caminho e cuja evolução devia representar para eles um imperativo de trabalho regenerador na face da Terra. senão profunda e maravilhosa liberdade de sentimento. esses sistemas avançados de religião e filosofia evocam o fastígio da raça no seu mundo de origem. contudo. Os arianos da Índia. que é obrigado a agir na esfera da mais atenciosa psicologia dos seus irmãos de raça não conseguiu eliminar esses absurdos sociais do seio do grande povo de iniciados e profetas. porém. A realidade. Ainda hoje. Os párias são a ralé de todos os seres e são obrigados a dar um sinal de alarme quando passam por qualquer caminho. a fim de que os venturosos se afastem do seu contágio maléfico. OS RAJÁS E OS PÁRIAS Na verdade. os aborígenes foram considerados como os párias da sociedade. é que os rajás soberanos. Os que humilharam os .54 EMMANUEL zadora. de onde foi precipitada ao orbe terreno pelo seu orgulho desmedido e infeliz. o espírito iluminado de Gandhi. ao influxo da misericórdia do Cristo.

acerca da reencarnação. E o que é de admirar-se é que nenhum povo da Terra tem mais conhecimentos. que lá nasceu na escola dos charvacas. do que o hindu. EM FACE DE JESUS Nos bastidores da civilização. somos compelidos a reconhecer que a Índia foi a matriz de todas as filosofias e religiões da Humanidade. ciente dessa verdade sagrada desde os primórdios da sua organização neste mundo. para que o amor das almas substituísse o preconceito de raça no seu reinado sem-fim. para todos os corações e para todos os povos. . volvem aos mesmos caminhos. inclusive do materialismo. exibindo a sua miséria e a sua indigência. mas. arrasando as fronteiras que separam os espíritos e eliminando os laços ferrenhos das castas sociais. temos de colocar a figura luminosa dAquele que é a luz do mundo. acima dos seus iogues e de seus "mahatmas". examinando a sua grandeza espiritual e as suas belezas misteriosas. e cuja vinda à Terra se verificaria para trazer a palma da concórdia e da fraternidade.55 A CAMINHO DA LUZ infortunados. do alto de seus palácios resplandecentes. Um pensamento de gratidão nos toma o íntimo. cheios de chagas cancerosas.

os arianos que procuravam as novas emoções de uma terra . através dos planaltos da Pérsia. que representariam mais tarde os troncos genealógicos da família indo-européia.57 VI A família indo-européia AS MIGRAÇÕES SUCESSIVAS Se as civilizações hindu e egípcia definiram-se no mundo em breves séculos. Do Irá procederam quase todas as correntes da raça branca. Somente com o escoar de muitos séculos regularizaram-se as suas migrações sucessivas. que ia iniciar na Europa os seus movimentos evolutivos. Conforme afirmávamos. o mesmo não aconteceu com a civilização ariana.

que guardava a palavra divina com a sua fé. pela força das circunstâncias. na ânsia de conquistar um novo paraíso e serenarem. Mais revoltados e enrijecidos que todos os demais companheiros exilados no orbe terrestre. datam de mais ou menos dez milênios antes da vinda do Cristo. através do qual poderia uma raça assinalar sua passagem pela Terra. daqueles tempos. acerca dos árias primitivos que lançaram os marcos da civilização européia. Não guardavam a história verbal de uma religião que não possuíam. suas reminiscências da vida pregressa nos planos mais . contando apenas com as próprias forças. não cuidaram da conservação do seu tradicionalismo. os primitivos árias do Velho Mundo não deixaram vestígios nos domínios da fé. mas desarvorados e sem esperança. É que. na sua maioria. não como o povo hebreu. Caminheiros do desconhecido. os espíritos revoltados com as condições do seu degredo. as suas inquietações angustiosas. não obstante a humanidade localizar-lhe a marcha apenas quatro mil anos antes do grande acontecimento da Judéia. em vista de sua situação psicológica. impunham uma disciplina de resignação e humildade. entre as tribos selvagens da Europa. assim. em virtude do seu caráter livre e insubmisso Suas incursões. único caminho. A AUSÊNCIA DE NOTÍCIAS HISTÓRICAS Aí reside a razão do escasso conhecimento dos historiadores. pouco afeitos aos misteres religiosos que.58 EMMANUEL desconhecida eram. erraram pelas planícies e montanhas desertas.

jamais deixou de acompanhar esse grande povo no seu atribulado desterro. contra as determinações de ordem divina. desde o Peloponeso até as vastas regiões da Rússia. A GRANDE VIRTUDE DOS ÁRIAS EUROPEUS A misericórdia do Cristo. Ao influxo dos seus emissários. os celtas retornaram ao culto divino. que penetraram na Europa. gauleses. citas. embora revoltadas e endurecidas. as famílias arianas da Europa. enquanto outros povos começaram a sacrificar vítimas e objetos aos seus numerosos deuses. impulsionando-lhes os passos nas sendas do progresso e do aperfeiçoamento. junto dos carvalhos sagrados. Enquanto os semitas e hindus se perderam na cristalização do orgulho religioso. traduziam-se numa revolta íntima. germanos. Apenas. e os germanos iniciaram a sua devoção ao fogo. venerando as forças da Natureza. porém. úmbrios. romanos. muito mais tarde.59 A CAMINHO DA LUZ elevados. Essas tribos assimilaram todos os elementos encontrados em seus caminhos. saxônios. latinos. samnitas. confraternizaram com o selvagem e nisso reside a sua maior virtude. eslavos. com a contribuição dos milênios. Assimilando os aborígenes. engendraram as premissas de . a seus olhos. as massas migratórias da Ásia se dividiram em grupos diversos. qual a que haviam experimentado no sistema da Capela. onde se encontram os antepassados dos gregos. que personificava. amargurada e dolorosa. iberos. a potência criadora dos seres e das coisas.

organizaram as primeiras noções políticas da vida coletiva. Com as organizações econômicas. A agricultura. oriundas do trato direto com o solo. com elas encontraram os primeiros impulsos nas estradas incertas dos que descendiam do "primata" europeu. O MEDITERRÂNEO E O MAR DO NORTE Por essa época. era também a única que confraternizava com o selvagem.. para que o germe da separatividade e do ciúme. As rivalidades entre as tribos. novos fenômenos geológicos abalam a vida do globo. . cujos primórdios se levantavam. deixaram perceber a lembrança de suas lutas no antigo mundo que haviam deixado. e dessas convulsões físicas do orbe surgem renovações que definem o Mediterrâneo e o Mar do Norte.60 EMMANUEL todos os surtos das civilizações futuras. fixando-se os limites da ação daqueles núcleos de operários da evolução coletiva. induziram-nas aos primeiros embates fratricidas. elegendo cada tribo um chefe para a direção de sua vida em comum. na vida comum. Bastou que inaugurassem na Terra o senso da propriedade. O Cristo sabia valorizar a atividade da família indo-européia. se era a mais revoltada contra os desígnios do Alto.. Nessa movimentação para o estabelecimento de novo "habitat". que. Precisava Jesus estabelecer as linhas definitivas da grande civilização. as indústrias pastoris. da ambição e do egoísmo lhes destruísse os esforços benfazejos.

OS NÓRDICOS E OS MEDITERRÂNICOS O fenômeno das trocas e os primeiros impulsos comerciais levantam. De um lado. o Lácio se ergue na Itália Central. Nos bosques da Armórica. aliviou-lhe os pesares no caminho sobrecarregado de lutas e dores tenazes. Doces revelações espirituais caem na alma desse povo místico e operoso. ajudando a reconstruir o templo da fé. em luta acér- . opera uma nova fase de evolução no seio da família indo-européia. estavam os nórdicos e de outro permaneciam os mediterrânicos. Suavizou-lhe a revolta e a amargura. que. os celtas antigos levantaram os altares da crença entre as árvores sagradas da Natureza. a Grécia se povoa de mestres e cantores. no labor educativo das tribos primitivas do continente. na esteira das gerações. e todo o Mediterrâneo oriental evolve com o uso da escrita. longa série de barreiras entre as relações desses povos. Através dos milênios. Assim.61 A CAMINHO DA LUZ aperfeiçoando-lhe os caracteres raciais. muito antes dos saxões. sem esmorecer na ação construtiva das oficinas do porvir. todavia. atendendo-lhe os secretos apelos do coração. enviou-lhe emissários em todas as circunstâncias. entre a Etrúria e a Campânia. povoou as terras da Grã-Bretanha. adquirido na convizinhança das civilizações mais avançadas. em seus labores divinos. já caracterizada pelas mais diversas expressões raciais. Enquanto os germanos criam novas modalidades de progresso. A reencarnação de numerosos auxiliares do Mestre.

porém. e a linha divisória dos litigantes se alonga justamente no local onde hoje se traçam os limites da França e da Alemanha contemporâneas. como imperativo constante. a concentração de todos os pensamentos no objetivo da fraternidade geral. oriunda dos atritos entre o Germanismo e a Latinidade. pelo que se impõe. pelo cultivo da razão. A rivalidade acende nessas duas facções os fogos da guerra. O que se não justifica. em vista do senso prático que os caracterizou nos primeiros tempos de sua organização.62 EMMANUEL rima e constante. sob os céus tranqüilos do Velho Mundo. puderam . quase todos os seus passos foram orientados pelos povos semitas e hindus. a tendência para as ciências positivas e o amor pela hegemonia e liberdade são. Uns e outros empunham as armas primitivas para as lutas de extermínio e destruição das hostes inimigas. O racionalismo de suas concepções. mas. é a perpetuação dessas animosidades no curso do tempo. ORIGEM DO RACIONALISMO Os arianos da Europa. Em matéria de religião. É como se explica essa intensidade de aversão racial entre as duas nações. nas épocas primitivas. elucidados dentro da análise dos seus primórdios. dessa maneira. Tal situação psicológica entre ambas haveria de tornar-se em fatalidade histórica. contadas entre as mais progressistas e operosas do planeta. como ficou esclarecido. não possuíram grandes ascendentes religiosos na sua formação primitiva.

nos tempos que correm. O Senhor da semeadura e da seara não lhes desconhece essa grande virtude e é por isso que as exortações de toda natureza são por ele enviadas do Alto. arrancando-as do primitivismo para um elevado nível de aperfeiçoamento nos grandes trabalhos construtivos da evolução global. O mundo. encontrados no seu caminho. às nações européias. no momento psicológico das grandes transformações. muito lhes deve pela colaboração decidida e sincera no labor do pensamento. nas dolorosas transições deste século. o fruto . AS ADVERTÊNCIAS DO CRISTO A sua confraternização com os terrícolas primários. na utilização do livre-arbítrio. a fim de que se preservem do extermínio e da destruição terrestre. constitui uma divida sagrada da Humanidade para com os seus labores planetários. com cujas famílias fraternizaram-se desde o princípio. se erraram muito. e. há de amparar-lhes as expressões mais dignas e mais puras. se muitas vezes perdeu com as suas inquietações e com as suas lutas renovadoras. Faltaram-lhes os valores espirituais de uma perfeita base religiosa. porque a sua inquietação era por levantar um novo paraíso para si mesmas e para os homens terrestres. em todas as épocas e períodos evolutivos. mas o Cristo.63 A CAMINHO DA LUZ aperfeiçoar a Ciência até às culminâncias das conquistas modernas. espiritualmente falando. inegavelmente. situação essa para a qual concorreram. foram igualmente muito sinceras.

64 EMMANUEL de suas atividades fecundas há de ser aproveitado. como a semente nova. para a civilização do porvir. .

nunca perdeu oportunidade de demonstrar a sua vaidosa aristocracia espiritual. mantendo inalterados os seus caracteres através de todas as mutações. reconhecemos que. Consciente da superioridade de seus valores. foram os hebreus que constituíram a raça mais forte e mais homogênea. Examinando esse povo notável no seu passado longínquo. se grande era a sua certeza na existência de Deus.65 VII O povo de Israel ISRAEL Dos Espíritos degredados na Terra. muito grande também era o seu orgulho. dentro de suas concepções da verdade e da vida. mantendo-se pouco acessível à comunhão perfeita com .

é uma lição dolorosa para todos os povos do mundo. contudo. na sua qualidade de mensageiro do Divino Mestre. no Egito antigo. Moisés. Médium extraordinário. inadaptados e revoltados num mundo que os não compreendia. ensinou de todos os tempos a fraternidade. somos obrigados a reconhecer que Israel. Sem procurarmos os seus antepassados. MOISÉS As lendas da Torre de Babel não representam um mito nas páginas antigas do Velho Testamento.66 EMMANUEL as demais raças do orbe. É quando então recebe. anteriores a Moisés. em honra da verdade. . Sem pátria e sem lar. porque o exílio na Terra não pesou tanto às outras raças degredadas quanto na alma orgulhosa dos judeus. a par de uma fé soberana e imorredoura. num paradoxo flagrante. cuja caridade fraterna o recolhera. exemplificando a solidariedade humana nas melhores tradições de trabalho. procura então concentrar o seu povo para a grande jornada em busca da Terra da Promissão. vamos encontrar o grande legislador hebreu saturando-se de todos os conhecimentos iniciáticos. à sombra do prestígio de Termútis. Entretanto. das conseqüências nefastas do orgulho e do exclusivismo. antecipandose às conquistas dos outros povos. realiza grandes feitos ante os seus irmãos e companheiros maravilhados. sua existência histórica. esse povo heróico tem sabido viver em todos os climas sociais e políticos. onde o seu espírito recebeu primorosa educação.

está o Velho Testamento tocado de clarões imortais. Os livros dos profetas israelitas estão saturados de palavras enigmáticas e simbólicas. Eminentes espiritualistas franceses. Moisés lega à posteridade as suas tradições no Pentateuco. Seus cânticos de amor e de esperança atravessam as eras com o mesmo sabor indestrutível de crença e de beleza. até hoje. O JUDAÍSMO E O CRISTIANISMO Estudando-se a trajetória do povo israelita. nas épocas mais remotas. todavia. é no conjunto um poema de eternas claridades. os dez sagrados mandamentos que. para as coletividades porvindouras. iniciando a construção da mais elevada ciência religiosa de todos os tempos. na extática visão da Terra Prometida. nestes últimos tempos. no Sinai. para a visão espiritual de . procuraram penetrar os seus obscuros segredos e. não lhes foi possível solucionar os vastos problemas que as suas expressões oferecem.67 A CAMINHO DA LUZ de emissários do Cristo. aproximandose da realidade com referência às interpretações. Antes de abandonar as lutas da Terra. e que somente os grandes mestres da raça poderiam interpretá-lo fielmente. a par do Evangelho. Contudo. dos iniciados do povo judeu. É por isso que. representam a base de toda a justiça do mundo. verifica-se que o Antigo Testamento é um repositório de conhecimentos secretos. constituindo um monumento parcialmente decifrado da ciência secreta dos hebreus. e não obstante a sua feição esfingética.

recebe do mundo espiritual as leis básicas do Sinai. Todas as raças da Terra devem aos judeus esse benefício sagrado. O MONOTEÍSMO O que mais admira. contagiosa e ardente. Seguiu-lhe Jesus todos os passos. Moisés. Enquanto a civilização egípcia e os iniciados hindus criavam o politeísmo para satisfazer os imperativos da época. construindo desse modo o grande alicerce do aperfeiçoamento moral do mundo. ensina a Humanidade a desferir. por amor do qual aprendia a sofrer todas as injúrias e a tolerar todos os martírios. naquelas tribos nômadas e desprotegidas. das sombras da Terra. no Tabor. assistindo-o nos mais delicados momentos de sua vida e foi ainda. o seu vôo divino para as luzes do Céu. porém. contemporizando com a versatilidade das multidões.68 EMMANUEL todos os corações. na Palestina. que representam duas etapas diferentes do progresso humano. que consiste na revela- . que se organizaram os reinos de Israel e de Judá. e Jesus. Uma perfeita conexão reúne as duas Leis. com a expressão rude da sua palavra primitiva. sob o pálio da sua proteção. o povo de Israel acreditava somente na existência do Deus Todo-Poderoso. é a fortaleza espiritual que lhes nutria a fé nos mais arrojados e espinhosos caminhos. Quarenta anos no deserto representaram para aquele povo como que um curso de consolidação da sua fé.

E. confabulam. Os doutores da Lei. sobre o Divino Missionário. A ESCOLHA DE ISRAEL No reino de Israel sucederam-se as tribos e os enviados do Senhor. para compreensão geral do povo. recordando esses apontamentos da história. no templo de Jerusalém. na sua vaidade orgulhosa esperavam-no no seu carro vitorioso. acerca dAquele que ao mundo viria para ser glorificado como o Cordeiro de Deus. O grande legislador dos hebreus trouxera a determinação de Jesus. respeitosos. destaca-se o seu vulto como o primeiro a rasgar a cortina que pesa sobre os mais elevados conhecimentos. com respeito à simplificação das fórmulas iniciáticas.69 A CAMINHO DA LUZ ção do Deus Único. E. A cada século renovam-se as profecias e cada templo espera a palavra de ordem dos Céus. somos naturalmente levados a perguntar o porque da preferência de Jesus pela árvore . para proclamar a todas as gentes a superioridade de Israel e operar todos os milagres e prodígios. Todos os seus caminhos no mundo estão cheios de vozes proféticas e consoladoras. através do Salvador do Mundo. no seio de todas as grandes figuras da antigüidade. Pai de todas as criaturas e Providência de todos os seres. a missão de Moisés foi tornar acessíveis ao sentimento popular as grandes lições que os demais iniciados eram compelidos a ocultar. de fato. filtrando a luz da verdade religiosa para a alma simples e generosa do povo.

deveria operar todos os prodígios. mas a própria lógica nos faz reconhecer que. em matéria de fé. conferindo a Israel o cetro supremo na direção de todos os povos do planeta. A INCOMPREENSÃO DO JUDAÍSMO A verdade.70 EMMANUEL de David. visitava as casas suspeitas para de Iá arrancar os seus auxiliares e seguidores. é que Jesus. sendo Israel o mais crente. seus companheiros prediletos eram os pesca- . de todos os povos de então. deveria humilhar todos os reis do mundo. para levar a efeito as suas divinas lições à Humanidade. no cumprimento de sua gloriosa missão de amor e de humildade. porém. sendo justo que se lhes exigisse um grau correspondente de compreensão. Os sacerdotes não esperavam que o Redentor procurasse a hora mais escura da noite para surgir na paisagem terrestre. chegando ao mundo. ofuscando a glória dos Césares. do Alto. trazido do Céu à Terra pela legião dos seus Tronos e Anjos. Segundo a sua concepção. em matéria de humildade e de amor. confundia-se com os pobres e com os humilhados. não foi absolutamente entendido pelo povo judeu. o Senhor deveria chegar no carro magnificente de suas glórias divinas. protegia as prostitutas. apresentava-se como filho de um carpinteiro e. era também o mais necessitado. E. no entanto. e os israelitas haviam conquistado muito. dada a sua vaidade exclusivista e pretensiosa "Muito se pedirá de quem muito haja recebido". o Cristo surgira entre os animais humildes da manjedoura.

NO PORVIR As organizações dos doutores da Lei subsistiram no curso incessante dos tempos. Apesar da crença fervorosa e sincera. mais fraternal. A realidade é que um sopro de amargura pesou mais fortemente sobre os destinos da raça. mais internacionalista. Israel continua a cultuar o Deus Todo-Poderoso dos seus profetas. a sabedoria e a humildade. Abandonando os templos da Lei. que caíram sobre o Templo de Jerusalém. não conseguiu compreender a ação do celeste emissário. depois da ignominiosa tarde do Calvário. acompanharam igualmente o povo escolhido em todas as diretivas. Embalde esperaram eles outro Cristo. mas também a mais altiva e exclusivista do mundo. conduziu aos martírios da cruz o divino Cordeiro. As sombras simbólicas. Israel não sabia que toda a salvação tem de começar no íntimo de cada um e. . em cujas margens pregava aos simples a fraternidade e o amor. pelas estradas longas do mundo. dos quais fazia apóstolos bem-amados. cumprindo as profecias de seus próprios filhos. O judaísmo. É talvez a raça mais livre. com amplos reflexos no ambiente contemporâneo. seus rituais prosseguem em pontos isolados do orbe inteiro. entre si. saturado de orgulho.71 A CAMINHO DA LUZ dores ignorantes e humildes. era freqüentemente encontrado ao longo do Tiberíades. nestes dois milênios que ora chegam a termo.

na Palestina. Jesus acompanha-lhe a marcha dolorosa através dos séculos de lutas expiatórias e regeneradoras. . Israel faz o seu roteiro através das cidades tumultuosas.72 EMMANUEL Apesar de não ter uma pátria (*) e não obstante todas as perseguições e clamorosas injustiças experimentadas nas suas jornadas de sofrimento. Novos conhecimentos dimanam do Céu para o coração dos seus patriarcas e não tardará muito tempo para que vejamos os judeus compreendendo integralmente a missão sublime do verdadeiro Cristianismo e aliando-se a todos os povos da Terra para a caminhada salvadora. __________ (*) Nota da Editora: Este livro foi escrito em 1938. em busca da edificação de um mundo melhor. dez anos antes de ser criado. o Estado de Israel. esperando o Messias da sua redenção e da sua liberdade.

. com o seu espírito valoroso e resignado. Inegavelmente. mas sem rumo certo nas estradas da edificação geral. a fim de observarmos a assistência carinhosa e constante do Divino Mestre para com todas as criaturas de Deus. é cabível examinarmos a árvore mais antiga das civilizações terrestres. que se constituía dos antigos árias no ambiente da Terra.73 VIII A China milenária A CHINA Depois de nossas divagações a respeito da raça branca. o mais prístino foco de todos os surtos evolutivos do globo é a China milenária.

A existência é uma longa escada. que deixa agora entrever uma certa estagnação nos seus valores evolutivos. dependem das trocas incessantes. simplesmente. É que a civilização e o progresso. não criou nem sanciona leis de isolamento na comunidade eterna dos mundos e dos seres. a história da China remonta a épocas remotíssimas. sempre foi igualmente acompanhado na sua marcha por aquela misericórdia infinita que. na qual todas as almas devem dar-se as mãos. em épocas remotíssimas. A CRISTALIZAÇÃO DAS IDÉIAS CHINESAS A cristalização das idéias chinesas advém. no seu passado multimilenário. Suas tradições já andavam de geração em geração. envolve todos os corações que latejam na Terra. apesar da fascinante beleza das suas tradições e dos seus ensinos. assimilando as expressões das tribos encontra- . nas mesmas circunstâncias. já a existência chinesa contava com uma organização regular. do Céu. de fato. na sua constituição maravilhosa. construindo as obras do porvir. desse insulamento voluntário que prejudicou. o espírito da Índia. Enquanto a família indo-européia pervagava no desconhecido.74 EMMANUEL Quando se verificou o advento das almas proscritas do sistema da Capela. O Universo. em face dos remanescentes humanos primitivos. e esse povo. oferecendo os tipos mais homogêneos e mais selecionados do planeta. na subida para o conhecimento e para Deus. como a própria vida. Daí se infere que.

à grande lição do entrelaçamento da comunidade planetária. embora. antes do grande Fo-Hi. renovando a fibra da sua fé a caminho da perfeita compreensão do Cristo. Foi pela sua obstinada resistência que a idéia chinesa estagnou-se na marcha do tempo.75 A CAMINHO DA LUZ das . a fim de ensinar as suas virtudes e aprender as virtudes dos outros povos. FO-HI Jesus. quando os israelitas são chamados por forças poderosas ao deslocamento no seio das nações. E agora. de sumo interesse para a direção e solução de todos os problemas da vida. na sua proteção e na sua misericórdia. As raças adâmicas ainda não haviam chegado ao orbe terrestre e entre aqueles povos já se ouviam grandes ensinamentos do plano espiritual. nestas despretensiosas observações.em longas iniciativas de construção e trabalho -. sejamos dos primeiros a reconhecer a grandeza de suas elevadas expressões espirituais. os arianos da Índia estacionaram no repouso de suas tradições. a fim de aprenderem mais intimamente a doce lição da fraternidade e do amor universal. econômica e politicamente. as mais prestigiosas lições de experiência para a alma dos povos. que foi o compilador de suas . entre as coletividades primárias da Terra. desde os tempos mais distantes enviou missionários àqueles agrupamentos de criaturas que se organizavam. no curso do tempo. desenvolvendo-se. pelas transformações do século. A História não vos fala de outros. a China é também convocada.

um elevado mensageiro do Senhor para as raças amarelas. que passaram do pretérito remotíssimo aos estudos da posteridade. por sua vez. de modo a beneficiar o país na medida de suas possibilidades de compreensão. de Lao-Tsé. algum tempo antes da sua palavra mirífica. Seus símbolos representam os característicos de uma ciência altamente evolutiva. Em seguida a esse grande missionário do povo chinês. No "KanIng". cinco séculos antes da sua vinda. na qualidade de missionário do Cristo. da religião e da filosofia. Suas lições estão cheias do perfume de requintada sabedoria moral. Roma e outros centros adiantados do planeta. a fim de que a Humanidade estivesse preparada para a aceitação dos seus ensinos.76 EMMANUEL ciências religiosas. aos grandes sábios que o antecederam no penoso caminho das aquisições de conhecimento espiritual. enviando-lhes elevados Espíritos da ciência. revelando ensinamentos de grande pureza e da mais avançada metafísica. Ele faz ressurgir os ensinamentos de Lao-Tsé. teve de saturar-se de todas as tradições chinesas. nos seus trigramas duplos. tal como procedera com a Grécia. no seu "Y-King". preparando os caminhos do Evangelho no mundo. eis algumas de suas afirmações que nada ficam a dever aos vossos . Fo-Hi refere-se. o Divino Mestre envia-lhe a palavra de Confúcio ou Kong-Fo-Tsé. aceitar as circunstâncias imperiosas do meio. CONFÚCIO E LAO-TSÉ Confúcio. que fora.

somos obrigados a reconhecer a prodigalidade da misericórdia de Jesus. Na estrada da inspiração. com o objetivo de fazer desabrochar no espírito das massas a melhor compreensão do seu Evangelho de Verdade e de Amor."O Senhor dos Céus é bom e generoso. de cujos ensinamentos Confúcio fez questão de formar a base dos seus princípios. é o culto dos antepassados o principio da sua fé. O NIRVANA Para fundamentar devidamente a nossa opinião relativa à estagnação do espírito chinês. em face dessa filosofia religiosa. que o mundo. viveu seis séculos antes do advento do Senhor. não obstante todos os seus sacrifícios. que enchem a vida de alegria e de bens. A idéia da necessidade de aperfeiçoamento espiritual é latente em to- . e. é a base da crença na imortalidade. cotidiano e perseverante. porquanto de suas manifestações ressaltam as provas diárias da sobrevivência. Esse culto. avançada e superior." Lao-Tsé. associado à existência do indivíduo mais obscuro. ainda não compreendeu. As relações com o plano invisível constituem um fenômeno comum. e o homem sábio é um pouco de suas manifestações. De um modo geral. examinemos ainda as suas interessantes e elevadas concepções religiosas.77 A CAMINHO DA LUZ conhecimentos e exposições do moderno pensamento religioso: . enviando os seus porta-vozes a todos os pontos da Terra. eles caminham juntos e o sábio lhe recebe as idéias. entretanto.

cristalizou-lhe as concepções e paralisou-lhe a marcha para as grandes conquistas. mas aqui me refiro à incompreensão geral acerca da lição sublime do Cristo e dos seus enviados. tem uma função definida de trabalho e elevação dos seus próprios valores. como sinônimo de imperturbável quietude ou beatífica realização do não ser. cheia de comodidades multifárias. . um obstáculo ao progresso geral. nunca. A CHINA ATUAL A falsa interpretação do Nirvana disturbou as elevadas possibilidades criadoras do espírito chinês. Cada individualidade. deve ser considerado como a união permanente da alma com Deus. É certo que essas conquistas não consistem nas metralhadoras e nas bombardas da civilização do Ocidente. na prova. mas o desvio inerente à compreensão do Nirvana é aí. examinado em suas expressões mais profundas. Sua manutenção depende da atividade de todos os mundos e de todos os seres. finalidade de todos os caminhos evolutivos. O Nirvana. Os que aprenderam os bens da vida e quantos os ensinam com amor. como em numerosas correntes do budismo. como na redenção. multiplicam na Terra e nos Céus os dons infinitos de Deus. como na glória divina.78 EMMANUEL dos os corações. A vida é a harmonia dos movimentos. porém. resultante das trocas incessantes no seio da natureza visível e invisível.

usando a psicologia dos conquistadores. ainda não chegou até lá de um modo geral.79 A CAMINHO DA LUZ A China. à reflexão. sem desprestígio do seu próprio valor. que poderá até ceder-lhe as próprias rédeas do governo. à cultura e à inteligência. consubstanciada no seu Evangelho. porquanto a China milenária sabe que os espíritos de rapina embriagam-se facilmente com o vinho de sangue do triunfo. todas as vitórias voltam. tem de esmar neste século os valores obtidos na sua caminhada longa e penosa Destas palavras. poderá melhorar as condições sanitárias do povo. rasgar estradas e multiplicar escolas. O que se faz necessário examinar é o estado de estagnação da alma chinesa nestes últimos séculos. como os outros povos do mundo. automaticamente. na sua incrível agressividade. mas um sopro de vida romperá as sombras milenárias que . e tão logo o luxo lhes amoleça as fibras da desesperação. A EDIFICAÇÃO DO EVANGELHO É verdade que a palavra direta do Cristo. na grande república. valoroso e resignado. todas as conquistas materiais. de suntuosidade e de honrarias. ao raciocínio. não há inferir que a invasão japonesa. O Japão poderá realizar. para concluirmos pela sua necessidade imperiosa de comungar no banquete de fraternidade dos outros povos. esteja tocada de uma sanção divina. mas não amortecerá a energia perseverante do espírito chinês. aclarando o caminho de todos os corações. enchendo-o de fortuna.

"Bem-aventurados os pacíficos." E as suas palavras mansas e carinhosas nos fazem lembrar a China milenária. da injustiça e da iniquidade. os aflitos. que. na falsa compreensão do Nirvana e do Absoluto. sofre agora o insulto das forças tenebrosas da ambição. Esperemos a providência dAquele que guarda em suas mãos augustas e misericordiosas a direção do mundo. indevidamente. Mãos valorosas erguerão o monumento evangélico naquele mundo de dolorosas antigüidades. amando a paz. e um novo dia raiará para a grande nação que se tornou em símbolo de paciência e de perseverança. para os outros povos.80 EMMANUEL caíram sobre a república chinesa. . os humildes. onde milhões de almas repousam.

aos quais enviava Jesus. os rudimentos das artes gráficas receberam os pri- . naquelas épocas longínquas. Dada a ausência da escrita. Todavia. os seus mensageiros e missionários. naturalmente. todas as tradições se transmitiam de geração a geração através do mecanismo das palavras. periodicamente.81 IX As grandes religiões do passado AS PRIMEIRAS ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS As primeiras organizações religiosas da Terra tiveram. com a cooperação dos degredados do sistema da Capela. sua origem entre os povos primitivos do Oriente.

esquecer que Jesus reunira nos espaços infinitos os seres proscritos que se exilaram na Terra. aliadas à paisagem mirífica do plano que foram obrigados a abandonar.82 EMMANUEL meiros impulsos. As belezas do espaço. que contam mais de seis mil anos. Obedecendo às determinações superiores do mundo espiritual. pois. antes de sua reencarnação geral na vizinhança dos planaltos do Irá e do Pamir. que a idéia religiosa nasceu com a própria Humanidade. já nos falam da sabedoria dos "Sastras". como íntima e sagrada aquisição de suas almas. viviam no cerne das suas recordações mais queridas. AINDA AS RAÇAS ADÂMICAS Não podemos. porém. Era por isso que aquelas civilizações antigas possuíam mais fé. Vê-se. eles nunca puderam esquecer a palavra salvadora do Messias e as suas divinas promessas. colocando a intuição divina acima da razão puramente humana. no campo das concepções religiosas. constituindo o alicerce de todos os seus esforços e realizações no plano terráqueo. cantavamlhes no íntimo os mais formosos hosanas de alegria e de esperança. nas margens dos rios sagrados da Índia. As exortações confortadoras do Cristo. . Os Vedas. que os antecederam de mais ou menos dois milênios. começando a florescer uma nova era de conhecimento espiritual. ou grandes mestres das ciências hindus. nas vésperas de sua dolorosa imersão nos fluidos pesados do planeta terrestre. A crença.

dos árabes. com os mais santos entusiasmos do coração. Suas vozes enchem todo o âmbito das civilizações que passaram no pentagrama dos séculos sem-fim e. dogmaticamente. e sim esclarecer a sua gloriosa ascendência na direção do orbe terrestre.83 A CAMINHO DA LUZ era a força motora de todas as realizações. dos celtas. do Egito. considerada a circunstância de que cada mundo. com as nossas exposições. ante a justiça e a sabedoria do Criador. segundo as modalidades dos mistérios religiosos. como cada família. A história da China. a figura luminosa do Cristo. A GÊNESE DAS CRENÇAS RELIGIOSAS A gênese de todas as religiões da Humanidade tem suas origens no seu coração augusto e misericordioso. segundo as mais variadas épocas. com todas as suas expressões divinas ou. como a própria face de Deus. o Cordeiro de Deus foi guardado pela compreensão e pela memória do mundo. tem seu chefe supremo. dos israelitas. divinizar. E muitos deles tão bem se . a evolução das criaturas em todas as latitudes do orbe. apresentado com mil nomes. e todos os degredados. falaram dEle e da sua infinita misericórdia. aliás. Fôra erro crasso julgar como bárbaros e pagãos os povos terrestres que ainda não conhecem diretamente as lições sublimes do seu Evangelho de redenção. da Índia. dos gregos e dos romanos está alumiada pela luz dos seus poderosos emissários. como acompanha a todo tempo. Não queremos. da Pérsia. porquanto a sua desvelada assistência acompanhou.

nas crenças do Tibete. No Manava-Darma. então quase ligada à . Lao-Tsé. no cumprimento dos seus grandes e abençoados deveres. entre si. no Alcorão vemos Maomet. Cada raça recebeu os seus instrutores. que foram havidos como sendo Ele próprio. sem falarmos das grandes coletividades que floresciam na América do Sul. em virtude das lembranças latentes que guardavam no coração. e no tradicionalismo de todas palpita a visão sublimada do Cristo. em reencarnações sucessivas e periódicas do seu divinizado amor. Confúcio. que é a essência da vida de todo o Universo. Os vários povos do mundo traziam de longe as suas concepções e as suas esperanças. na China encontramos Fo-Hi. arquivaram a história dos seus enviados. está a personalidade de Buda e no Pentateuco encontramos Moisés. chegando das resplandecências de sua glória divina. conhecendo intuitivamente a palavra das profecias. As revelações evolucionam numa esfera gradativa de conhecimento. tocada de esclarecimento e de amor. acerca da sua palavra nos espaços.84 EMMANUEL houveram. a mais estreita unidade substancial. esperado em todos os pontos do globo. A UNIDADE SUBSTANCIAL DAS RELIGIÕES A verdade é que todos os livros e tradições religiosas da antigüidade guardam. encontramos a lição do Cristo. Todas elas. nos moldes de sua vinda futura. como se fosse Ele mesmo. Todas se referem ao Deus impersonificável.

Não é. mas sabem do conteúdo da sua palavra. na senda das revelações espirituais. de cujos cataclismos e arrasamentos ficaram ainda as expressões interessantes dos incas e dos astecas. na sua marcha coletiva através de augustos caminhos. não somente com a sua palavra. as grandes civilizações pré-históricas. porém. Citando. que se ligava à Atlântida. e da América do Norte. que. receberam a palavra indireta do Senhor. nosso propósito estudar aqui outras questões que se não refiram à superioridade do Cristo e à ascendência do seu Evangelho. Cada emissário trouxe uma das modalidades da grande lição de que foi teatro a região humilde da Galiléia. com a sua exemplificação salvadora. a Humanidade terrestre viveu etapas gradativas de conhecimento e de possibilidades. que desabrocharam e desapareceram no continente americano. porém. todos os povos antigos do planeta. igualmente. mas. com as suas experiências consecutivas e dolorosas.85 A CAMINHO DA LUZ China pelas extensões da Lemúria. prepararam os caminhos dAquele que vinha. somos compelidos a recordar. nestes apontamentos despretensiosos. principalmente. É por esse motivo que numerosas coletividades asiáticas não conhecem a lição direta do Mestre. AS REVELAÇÕES GRADATIVAS Até à palavra simples e pura do Cristo. em virtude das próprias revelações do seu . como todos os outros agrupamentos do mundo. Os milênios.

abusaram da própria liberdade. À luz significativa da história. não souberam cultivar a flor da vida e da verdade. observamos muitas vezes. do amor e da esperança.abafando-a nos templos de uma falsa religiosidade. desse modo. prejudicando a harmonia geral. . precedidas de laboriosa e longa preparação na intimidade dos milênios Os sacerdotes de todas as grandes religiões do passado supuseram. nos séculos posteriores aos seus ensinos. se a Boa Nova não se dilatou no curso dos tempos. ou encarcerando-a no silêncio dos claustros. PREPARAÇÃO DO CRISTIANISMO As lições da Palestina foram. pelas estradas dos povos. Alguns foram ditadores de consciências. traídos em suas forças e desprezando os compromissos sagrados com o Salvador. dando ouvidos às forças subversivas da Treva. mas temos de convir que Jesus foi inconfundível. enérgicos e ferozes no sentido de manter e fomentar a fé. a planta maravilhosa do Evangelho foi sacrificada no seu desenvolvimento e contrariada nos seus mais lídimos objetivos. as características das vulgaridades terrestres. que os seus exemplos haviam implantado no mundo: . e que os pretensos missionários do Cristo. e.86 EMMANUEL ambiente. outros. a personalidade do Senhor. nos seus mestres e nos seus mais altos iniciados. nos seus auxiliares ou instrumentos humanos. longe de serem instrumentos do Divino Mestre.

cujas claridades iluminam os caminhos milenários da humanidade inteira. na face da Terra. de piedade e de amor. encheu-lhe o organismo de tolerância. A manjedoura e o calvário são lições maravilhosas. Suas parábolas e advertências estão impregnadas do perfume das verdades eternas e gloriosas. aludindo à efígie de César. fez uma revolução espiritual que permanece no globo há dois milênios. na dilatada compreensão das mais santas verdades da vida. em frente das criaturas desregradas e infelizes. e sobretudo os seus exemplos e atos constituem um roteiro de todas as grandiosas finalidades.87 A CAMINHO DA LUZ O CRISTO INCONFUNDÍVEL Mas Jesus assinala a sua passagem pela Terra com o selo constante da mais augusta caridade e do mais abnegado amor. de sábios ou de grandes iniciados. A maioria dos missionários religiosos da antigüidade se compunha de príncipes. Respeitando as leis do mundo. Com esses elementos. no aperfeiçoamento da vida terrestre. Remodelou todos os conceitos da vida social. exemplificando a mais pura fraternidade. até agora. vivendo a situação de quem sabia cumpri-lo. e somente Ele ensinou o "Amai-vos uns aos outros". Os Espíritos incapacitados de o compreender podem alegar que as suas fórmulas verbais eram antigas e conhecidas. . com as suas lições na praça pública. que saíam da intimidade confortável dos palácios e dos templos. Cumprindo a Lei Antiga. mas ninguém poderá contestar que a sua exemplificação foi única. ensinou as criaturas humanas a se elevarem para Deus.

aliado ao individualismo dos corações . definida pelo pensamento moderno. a fim de que aprendessem os seus irmãos a lição inesquecível do "Caminho.e que. da Verdade e da Vida".síntese social para a qual caminham as coletividades dos tempos que passam . onde fazia questão de ensinar à posteridade que a verdadeira aristocracia deve ser a do trabalho. lançando a fórmula sagrada. de todo o amor.88 EMMANUEL mas o Senhor da semeadura e da seara era a personificação de toda a sabedoria. e o seu único palácio era a tenda humilde de um carpinteiro. desprezando todas as convenções e honrarias terrestres. preferiu não possuir pedra onde repousasse o pensamento dolorido. . como o coletivismo das mãos.

todas as tendências da Humanidade. que renovam. Grandes mestres do cérebro e do coração formam escolas numerosas na Grécia. aptos a consolidar. que assu- . envioulhes o Cristo. para melhor.89 X A Grécia e a missão de Sócrates NAS VÉSPERAS DA MAIORIDADE TERRESTRE Examinando a maioridade espiritual das criaturas humanas. antes de sua vinda ao mundo. de filósofos e de artistas. de homens cultos e generosos. de modo definitivo. numerosa coorte de Espíritos sábios e benevolentes. então. As cidades populosas do globo enchem-se. essa maturação do pensamento terrestre.

revendo Atenas e Esparta como dois símbolos políticos que nos fazem pensar na plena atualidade da Grécia antiga. que provocam o sensacionalismo dos vossos dias como inovações ultramodernas. que eram os enviados do Cristo às coletividades terrestres. fascistas ou comunistas e as repúblicas democráticas. que representa o roteiro seguro para a edificação do homem espiritual. em cujos mestres têm os seus legítimos fundamentos.90 EMMANUEL mia a direção intelectual do orbe inteiro. divulgando-se a mais farta colheita de ensinamentos. ATENAS E ESPARTA Muitas teorias científicas. pregando a verdade às multidões. Em matéria de doutrinas sociais. os ensinamentos dos grandes iniciados para as praças públicas. grandes ensaios foram realizados. foram conhecidas da Grécia. . religiosas e filosóficas dos mais diversos matizes. devemos volver os olhos ao passado. Assim como a organização do homem físico exigira as mais amplas experiências da natureza. a lição de Jesus. em todos os ambientes do mundo. A maioria desses pensadores. do círculo retraído e isolado dos templos. antes de se fixarem os seus caracteres biológicos definitivos. nos cinco séculos anteriores à vinda do Cordeiro. uma aglomeração de inúmeras escolas políticas. trazem. deveria ser precedida pelas experiências mais vastas no campo social. É por essa razão que observamos. e quando meditamos no conflito moderno entre os Estados totalitários.

Atenas. as indústrias. protegendo as classes pobres e desvalidas. cerceando o gosto pessoal em face das bagatelas encantadoras da vida e do sentimento. nome que constitui apenas uma representação simbólica dos generais da época. como Sólon. Seus legisladores. em detrimento das mais nobres finalidades da vida. a agricultura. . mas não cultivava a parte intelectual. muitas vezes. instituiu a uniformidade dos vestuários. não expressaram a mesma fisionomia da Alemanha e da Rússia atuais? A legislação de Esparta proibia o comércio. sob o regime atribuído a Licurgo. estabelecendo uma linha harmônica entre todos os departamentos da sociedade. condenava a cultura. Por essa razão. sem nenhuma significação construtiva para a Humanidade. o regime do roubo e da delação. sua dedicação à cultura e às artes iniciou as outras nações no culto da vida. Esparta passou à história como um simples povo de soldados espalhando a destruição e os flagelos da guerra. protegendo o trabalho. abalando todo o edifício sagrado da família e criando. reformaram todos os sistemas sociais conhecidos até então. acolhendo os estrangeiros. maltratando os estrangeiros. ao contrário. fomentando o comércio. eram filósofos e poetas. vivendo a existência absoluta do Estado. da criação e da beleza. que.91 A CAMINHO DA LUZ Os espartanos. Povo que amou profundamente a liberdade. incumbiu-se da educação das crianças através dos órgãos do Estado. é o berço da verdadeira democracia. decretou medidas de insulamento.

sem esquecermos. no quadro das filosofias e das ciências. à frente do fervoroso idealismo de Pitágoras e Xenófanes. foram incentivadas e acompanhadas de perto pelos prepostos de Jesus. nas grandes transformações da sua existência. respeitadas as grandes leis da liberdade individual e coletiva. que decidia. A GRÉCIA Ao influxo do coração misericordioso do Cristo. no campo sociológico. nas transições do século XX. O mundo precisava conhecer a boa e a má semente. em assembléias numerosas. igualmente. sem embargo das lutas renovadoras que a antecederam no orbe. EXPERIÊNCIAS NECESSÁRIAS Semelhantes experiências. E é fácil reconhecer aí o início das democracias modernas. para a repressão de todas as doutrinas nefastas da força e da violência. que agora se organizam. A exemplificação do Cristo necessitava de elevada compreensão no seio da cultura e da experiência de todos os séculos transcorridos e. É lá que vamos encontrar as escolas Itálica e Eleática. toda a Grécia se povoa de artistas e pensadores eminentes.92 EMMANUEL Lá começou o verdadeiro regime de consulta à vontade do povo. há dois milênios que o Evangelho do Mestre espera a floração do perfeito entendimento dos homens. as escolas Jônica e Ato- . todos os problemas da cidade venerável.

em algumas circunstâncias. poderia Ele nutrir o coração humano com a sementeira bendita da sua palavra. e por fim a extraordinária personalidade de Sócrates. Poucas fases da evolução européia se aproximaram desse século maravilhoso. então. das Alturas. nas expressões do mais avançado materialismo. no intuito de realizar o coroamento do esforço decidido de tantos mensageiros. O planeta terrestre aproximava-se da sua maioridade espiritual quando. cheio de amor e de esperança. essa época de elevadas conquistas morais. Envia. chegando a um apogeu de beleza e de cultura com os elevados princípios recebidos da civilização egípcia. às sociedades do globo o esforço de auxiliares valorosos.93 A CAMINHO DA LUZ mística com Tales e Demócrito. na Atenas antiga. Superior a Anaxágoras. então. o grande filósofo está aureolado pelas mais divinas claridades espirituais. espalha os mais soberbos clarões espirituais nos horizontes da Terra. Eurípedes. aproxima-se da exemplificação . Sua existência. SÓCRATES É por isso que. somos compelidos a destacar a grandiosa figura de Sócrates. O Salvador contempla. como também imperfeitamente interpretado pelos seus três discípulos mais famosos. seu mestre. O século de Péricles. nas figuras de Ésquilo. no curso de todos os séculos planetários. de todas as grandes figuras daqueles tempos longínquos. Heródoto e Tucídides.

Os enviados do plano invisível cercam-lhe o coração magnânimo e esclarecido.soluça ainda a desolada esposa. ensina à infância e à juventude o formoso ideal da fraternidade e da prática do bem.. Preso e humilhado. . Sua palavra confunde todos os espíritos mesquinhos da época e faz desabrochar florações novas de sentimento e cultura na alma sedenta da mocidade. Sócrates é acusado de perverter os jovens atenienses. lançando as sementes generosas da solidariedade dos pósteros." . instilandolhes o veneno da liberdade nos corações. recusa fugir do próprio cárcere."Mas essa condenação é injusta. Mas Atenas..responde resignadamente o filósofo ." ."Sócrates. seu espírito generoso não se acovarda diante das provas rudes que lhe extravasam do cálice de amarguras.. Nas praças públicas. nas horas mais ásperas e agudas da provação. apesar do seu vasto progresso. Consciente da missão que trazia."Que tem isso? .94 EMMANUEL do próprio Cristo.eles também estão condenados pela Natureza. e quando a esposa.." . Sócrates. assoma às grades da prisão para comunicar-lhe a nefanda condenação à morte pela cicuta. Xantipa. cujas portas se lhe abrem às ocultas pela generosidade de alguns juízes. não consegue suportar a lição avançada do grande mensageiro de Jesus. ei-la exclamando no auge da angústia e desesperação: . como cérebro do mundo de então. os juizes te condenaram à morte.

conservar-se ao nível de alta superioridade espiritual. antes de entregar a sua tarefa doutrinária a Aristóteles. não deixou de cultivar alguns dos princípios cristãos legados pelo grande mentor. apenas. que ia também trabalhar pelo advento do Cristianismo. Xenofonte e Platão."E quererias que ela fosse justa?" Senhor do seu valoroso e resignado heroísmo. deste último. OS DISCÍPULOS O grande filosofo que ensinara à Grécia as mais belas virtudes. chegando mesmo a justificar o direito tirânico dos senhores sobre os escravos. como precursor dos princípios cristãos.95 A CAMINHO DA LUZ E ele a esclarece com um olhar de paciência e de carinho: . Contudo. como também muitos dos seus companheiros. Não soube. deixou vários discípulos. Sócrates abandona a Terra. mas nem sempre compreendeu que ele misturou a filosofia pura do mestre com a ganga das paixões terrestres. alçando-se de novo aos páramos constelados. Falaremos. A História louva os discursos de Platão. . antecipando-se ao apostolado do Evangelho. dos quais se destacaram Antístenes. sem uma visão ampla da fraternidade humana e da família universal. onde o aguardava a bênção de Jesus. para esclarecer que nenhum deles soube assimilar perfeitamente a estrutura moral do mestre inesquecível. enveredando algumas vezes por complicados caminhos políticos.

. sem embargo das suas elevadas noções da vida. pairava o sanguinolento labéu daquela injusta condenação. É verdade que iam instaurar um novo período de progresso espiritual para as coletividades romanas. com os seus luminosos ensinamentos. Eles iam nas galeras suntuosas. mas o processo evolutivo poderia ladear outros caminhos. na medida justa das responsabilidades pessoais entre si. da liberdade e da justiça. mais tarde. longe do morticínio e da escravidão. E é em razão disso que. do amor. para todos os espíritos que participaram dela. labéu ignominioso que a Grécia deveria lavar com as lágrimas dolorosas da compunção e do cativeiro. vemos o povo nobre e culto de Atenas fornecendo escravos valorosos e sábios aos espíritos agressivos e enérgicos de Roma. humilhados e oprimidos. Todavia. sobre a fronte de muitos gregos ilustres.96 EMMANUEL PROVAÇÃO COLETIVA DA GRÉCIA A condenação de Sócrates foi uma dessas causas transcendentes de dolorosas e amargas provações coletivas.

A esse tempo. que se viam humilhados pelas . ao norte e ao sul da península. os prepostos e auxiliares de Jesus projetam a fundação de Roma. o Vale do Pó era habitado pelos etruscos. por parte de todos os Espíritos que se haviam localizado na Itália primitiva. que se ergueu rapidamente.97 XI Roma O POVO ETRUSCO Reconhecendo as dedicações ao trabalho. que eram a Gália Cisalpina e a Magna Grécia. coroada de lendas numerosas. para desempenhar tão grande papel na evolução do Mundo. então dividida em duas partes importantes.

transportando para aí as experiências mais valiosas dos outros povos. os etruscos decidiram tentar vida nova e.98 EMMANUEL constantes invasões dos gauleses. então. PRIMÓRDIOS DE ROMA Defendida naturalmente pelo adensamento constante de população. presumiam conhecer através dos fenômenos comuns da Natureza. Atormentados e desgostosos em face das lutas reiteradas com os gauleses. Nas regiões da Toscana. A verdade. é que os etruscos. criando uma nova . marinha notável. operosos e inteligentes. sobretudo. sentimentos evolvidos que os faziam diferentes das coletividades mais próximas. venerando os deuses cujas disposições. porém. edificaram as primeiras organizações da cidade. fundando escolas de trabalho. em cada dia. que. guiados indiretamente pelos mensageiros do Invisível. eram eles dos mais esforçados. possuíam largas indústrias de metais. de Rômulo e Remo assumiram papel saliente e singularíssimo. a cidade mergulhou as suas origens numa corrente profunda de histórias interessantes e maravilhosas. destacado progresso no amanho da terra e. onde as figuras de Enéias. em grande maioria. nada mais era que um agrupamento de cabanas humildes e desprotegidas. De todos os elementos que formaram os ascendentes da Itália moderna. de Réia Sílvia. grande parte resolveu fixarse na Roma do porvir. Acreditavam na sobrevivência e ofereciam sacrifícios às almas dos mortos.

com destino ao Céu. entre as suas muitas renovações. Quando Rômulo chegou. que trouxe à cidade grandes reformas e inúmeras inovações em todos os departamentos da sua consolidação e do seu progresso. Todavia. de onde o Cristo vela incessantemente pelo orbe e pelos seus destinos. que se conserva. quanto à direção do planeta. quando o nosso único propósito é esclarecer o entendimento do leitor. filho da Etrúria. lembrando. das quais assumiram a direção por largos anos. Lá encontraram eles as tribos latinas Ramnenses. Sérvio Túlio. mas não faltou à posteridade o gosto de tecer-lhe uma coroa lendária e fantasiosa. era igualmente da sua família.99 A CAMINHO DA LUZ terra com o seu esforço enérgico e decidido. . congregadas para a edificação comum. Seu sucessor. de fato. para fundamentar nossa asserção acerca das influências etruscas nos primórdios de Roma. Titienses e Lúceres. seus olhos já contemplaram uma cidade próspera e trabalhadora. Este. chegando-se a afirmar que a sua figura fora arrebatada no carro dos deuses. somos levados a recordar a figura de Tarquínio Prisco. INFLUÊNCIAS DECISIVAS Desnecessária será a autópsia da História nos seus pontos mais divulgados e conhecidos. no mundo espiritual. segundo as possibilidades financeiras de cada um. onde fez valer a sua enérgica inteligência. a construção da Cloaca Máxima e do Capitólio. dividiu todo o povo da cidade em classes e centúrias. construindo os alicerces das realizações futuras.

alastravam-se as comunidades religiosas. com a evolução da cidade. mais se evidenciam as influências etruscas. cuja fundação remonta ao passado longínquo da cidade. e foi por isso que. que fica governada por dois magistrados patrícios. aos deuses e às superstições de toda espécie. e. que seriam multiplicadas em seus contactos com a Grécia. Cada família. Grandes medidas são exe- . possuía o seu gênio invisível e amigo. a esse tempo já organizados. não obstante as suas finalidades militares. Esse Colégio foi depois substituído pelo Pontífice Máximo. porém. em virtude de essa reforma apresentar-se dentro de características liberais. assistidos pelo Senado. o Panteão. não procuravam muitas indagações transcendentes em matéria religiosa ou filosófica. nas organizações romanas. na sociedade. culminando no Colégio dos Pontífices. ao contrário dos atenienses. chegou a possuir mais de trinta mil deuses. devotada aos gênios. do qual os bispos romanos iam extrair. Os romanos. que procuraram intensificar os poderes militares da realeza. seu templo mais aristocrático. como cada lar. proclama-se a República. é justamente na alma popular. mais tarde.100 EMMANUEL desgostando os patrícios. sem muitas argumentações com a lógica. OS PATRÍCIOS E OS PLEBEUS Depois dos últimos Tarquínios. atendendo somente aos problemas do culto externo. chefe supremo das correntes religiosas. Onde. o Vaticano e o Papado dos tempos modernos.

um período de belas conquistas dos direitos humanos. então. em muitas circunstâncias superior ao da própria Grécia cheia de sabedoria e beleza. revoltaramse em face da penosa situação em que as colocavam as possibilidades da ditadura preconizada pelos senadores. contando aos rebeldes o apólogo dos membros e do estômago. mas os patrícios. os plebeus em massa abandonaram a cidade. o perfeito organismo de um corpo. que constituem. culminando na Lei Canuleia. . lhes enviam Menênio Agripa. que conferia a estes últimos as próprias funções sacerdotais. retirando-se para o Monte Sagrado. que permitia o casamento entre patrícios e plebeus e com a Lei Ogúlnia. que gozavam de todos os direitos.101 A CAMINHO DA LUZ cutadas para consolidar a supremacia romana. à margem da História. na instituição do colégio da família. no mecanismo de sua harmonia. examinando a gravidade daquela atitude extrema. cuja palavra se desincumbe com felicidade da diligência que lhe fora cometida. Os tribunos da plebe inauguram. embora impondo condições quase que irrestritamente aceitas. mas as classes pobres. A plebe concorda em regressar à cidade. em casos especiais com poderes soberanos e amplos em todas as questões da vida e morte de cada um. A FAMÍLIA ROMANA Muito poderíamos comentar. Inspirados pelas forças espirituais que os assistiam. mas outros são os nossos fins. considerando-nos no dever de salientar aqui as sagradas virtudes romanas. oprimidas pelas mais ricas.

afundando-o num mar de lodo sanguinolento. Entretanto.102 EMMANUEL A família romana. AS GUERRAS E A MAIORIDADE TERRESTRE Em breve. ante os seus sucessores e os seus antepassados. corrompendo-lhe os sentimentos. devorando-lhe as esperanças mais nobres. relaxandolhe as energias? Que força devastadora derrubou todas as suas estátuas gloriosas de virtude? Debalde. está constituída no mais sublime respeito às virtudes heróicas da mulher e na perfeita compreensão dos deveres do homem. foi dilacerada pelos gênios militares e pelos espíritos guerreiros. os pródromos do Direito Romano e a organização da família assinalavam . a família romana. cheia das tradições de generosa beleza. a mão misericordiosa de Jesus desceu sobre a sua fronte. levantando-a de quedas tenebrosas. Que gênio maldito imiscuiu-se nessa organização sublimada em seus mais íntimos fundamentos. antes dos tristes espetáculos do seu arrasamento. Os abusos de poder e de liberdade dos seus habitantes fizeram do ninho do amor e do trabalho um amontoado de rumarias. porém.. em suas tradições gloriosas. O progresso incessante da cidade formava a tendência geral ao expansionismo em todos os domínios.. Lembrando-nos de Roma no seu áureo período de trabalho. enchese-nos o olhar de lágrimas amargas.

Todavia. a liberdade pessoal e coletiva é respeitada pelo plano invisível e Roma não se mostra digna das numerosas dádivas recebidas. então. O homem com semelhantes conquistas. ouvindo-se a voz diretora de um só homem para quase todas as regiões povoadas da Terra. estava a desferir o vôo para as mais altas esferas espirituais. O Evangelho deveria chegar como a mensagem eterna do amor. alargando a sua influência pelo mundo com as balistas e catapultas dos seus guerreiros. todavia. Suas águias vitoriosas cruzam. o Mediterrâneo é propriedade sua e o Império Romano é o Império do homem.103 A CAMINHO DA LUZ o período da maioridade terrestre. todos os mares. Os enviados do Cristo harmonizam esses terríveis movimentos no instituto das provações necessárias aos indivíduos e aos seus agrupamentos. diante da Justiça Divina. da luz e da verdade para todos os seres. Depois das conquistas da Península. igualmente. a realidade é que Roma assumia. com as guerras púnicas. onde também se encontrava a Grécia esgotada e vencida. As legiões magnânimas do Cristo aprestam-se para as últimas preparações de seus gloriosos caminhos na face do mundo. empreende a conquista do mundo. as mais pesadas responsabilidades e os mais penosos débitos. Em vez de estender os seus laços pela educação e pela concórdia. terminando por submeter todo o Oriente. . deixa prender-se por uma legião de espíritos agressivos e ambiciosos.

A Terra não podia perder a sua posição espiritual. adotando providências de vasta e generosa importância. viu-se uma noite cheia de luzes e de estrelas maravilhosas. nas esferas mais próximas do planeta. Muitas lágrimas foram vertidas. os precursores imediatos. no Alto. A lição do Salvador deveria. . agora. A manjedoura é o teatro de todas as glorificações da luz e da humildade. quando reinava Augusto. Harmonias divinas cantavam um hino de sublimadas esperanças no coração dos homens e da Natureza. Uma atividade única registra-se. resplandecer para os homens. noite santa". os auxiliares divinos. nunca mais se esqueceria o Natal. depois das conquistas da sabedoria ateniense e da família romana. e. a "noite silenciosa. Todas as providências são levadas a efeito. controlando-lhes a liberdade com a exemplificação perfeita do amor. É então que se movimentam as entidades angélicas do sistema. O Cristo reúne as assembléias de seus emissários. na sede do governo do mundo. nas proximidades da Terra.104 EMMANUEL NAS VÉSPERAS DO SENHOR As forças do invisível. e. Escolhem-se os instrutores. então. em vista de tão nefastos acontecimentos. não descansaram. porém. enquanto alvorecia uma nova era para o globo terrestre.

com a sua exemplificação divina. como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes. Debalde os escritores materialistas de todos os tempos vulgarizaram o grande acontecimento. Começava a era definitiva da maioridade espiritual da Humanidade terrestre. de vez que Jesus. entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações. ironizando os altos fenômenos mediú- .105 XII A vinda de Jesus A MANJEDOURA A manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo.

Ana. João Batista. CUMPRIMENTO DAS PROFECIAS DE ISRAEL Do seu divino apostolado nada nos compete dizer em acréscimo das tradições que a cultura . têm sido muitas vezes objeto de observações injustas e maliciosas. As figuras de Simeão. crença e vida. com a superioridade que o planeta lhe conheceu desde os tempos longínquos do princípio. antes do seu messianismo de amor e de redenção. a respeito do Salvador de todas as criaturas. O Mestre. mostrou-se tal qual era. refletem as opiniões contraditórias da Humanidade. Desde os seus primeiros dias na Terra. bem como a personalidade sublimada de Maria. Isabel. há quem o veja entre os essênios.106 EMMANUEL nicos que o precederam. As próprias esferas mais próximas da Terra. José. aprendendo as suas doutrinas. poderia Jesus lançar na Terra os fundamentos da verdade inabalável. O CRISTO E OS ESSÊNIOS Muitos séculos depois da sua exemplificação incompreendida. mas a realidade é que somente com o concurso daqueles mensageiros da Boa Nova. que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe. porém. não obstante a elevada cultura das escolas essênias. portadores da contribuição de fervor. não necessitou da sua contribuição.

Mas. Somos um imenso rebanho desgarrado. Ele sofrerá o peso das nossas iniquidades. verá nascer uma posteridade e os interesses de Deus hão de prosperar nas suas mãos. não soltará o mais leve queixume. Presumireis na sua figura um homem vergando ao peso da cólera de Deus. muito tempo antes da manjedoura e do calvário: . Dele asseveraram os profetas de Israel. todos lhe voltarão o rosto. reafirmando. Coberto de ignomínias. vivendo na ingratidão de um solo árido. para nos reunir no caminho de Deus. onde não haverá graça nem beleza. salientando-se que muitos cultos religiosos do Oriente caminhavam para . É que Ele carregará o fardo pesado de nossas culpas e de nossos sofrimentos. deixando-se conduzir como um cordeiro ao sacrifício."Levantar-se-á como um arbusto verde.107 A CAMINHO DA LUZ evangélica apresentou em todos os séculos posteriores à sua vinda à Terra. que a sua lição de amor e de humildade foi única em todos os tempos da Humanidade. Cada povo fazia da religião uma nova fonte de vaidades. desde o momento em que oferecer a sua vida. tomando sobre si todas as nossas dores." A GRANDE LIÇÃO Sim. mas serão os nossos pecados que o cobrirão de chagas sanguinolentas e as suas feridas hão de ser a nossa redenção. todavia. não merecerá consideração. O seu túmulo passará como o de um malvado e a sua morte como a de um ímpio. Humilhado e ferido. mas. o mundo era um imenso rebanho desgarrado. Carregado de opróbrios e desprezado dos homens.

Combateu pacificamente todas as violências oficiais do judaísmo. ensinando às criaturas terrestres que existe algo superior às pátrias. Sua palavra profunda.108 EMMANUEL o terreno franco da dissolução e da imoralidade. se a impiedade dos homens não fizesse valer o peso da iniquidade na balança da redenção. refundiu todas as filosofias. Sua palavra. ao sangue e às leis humanas. Suas pregações. às bandeiras. para fazer-se ouvir na sua misteriosa beleza. na praça pública. A PALAVRA DIVINA Não nos compete fornecer uma nova interpretação das palavras eternas do Cristo. Espalhou as mais claras visões da vida imortal. Semelhante interpretação está fei- . Escolheu os ambientes mais pobres e mais desataviados para viver a intensidade de suas lições sublimes. da tolerância e do perdão. verificam-se a propósito dos seres mais desprotegidos e desclassificados. mostrando aos homens que a verdade dispensava o cenário suntuoso dos areópagos. dos fóruns e dos templos. mansa e generosa. renovando a Lei Antiga com a doutrina do esclarecimento. como a demonstrar que a sua palavra vinha reunir todas as criaturas na mesma vibração de fraternidade e na mesma estrada luminosa do amor. aclarou o caminho das ciências e já teria irmanado todas as religiões da Terra. nos Evangelhos. enérgica e misericordiosa. reunia todos os infortunados e todos os pecadores. mas o Cristo vinha trazer ao mundo os fundamentos eternos da verdade e do amor.

Incendiaram e trucidaram. muito mais devem representar.109 A CAMINHO DA LUZ ta por quase todas as escolas religiosas do mundo. no sentido de se renovarem os institutos sociais e políticos da Humanidade. competindo apenas às suas comunidades e aos seus adeptos a observação do ensino imortal. inventando bandeiras de separatividade e destruição. de modo que se verifique a renovação geral. aplicando-a a si próprios. com a transformação moral dos homens dentro de uma nova era de justiça econômica e de concórdia universal. Dois mil anos em que os homens se estraçalharam em seu nome. no seu trato com as vicissitudes da vida terrestre. massacrando esperanças em todos os corações. porque os homens repeliram o amor em suas cogitações de progresso. no mecanismo da vida de relação. os exemplos do Divino Mestre. . porque. A dor completará as obras generosas da verdade cristã. em nome dos seus ensinos de perdão e de amor. De suas lições inesquecíveis. Contudo. mas é preciso reconhecer que dois mil anos já dobaram sobre a palavra divina. decorrem conseqüências para todos os departamentos da existência planetária. Pode parecer que as conquistas do verdadeiro Cristianismo sejam ainda remotas. se a manjedoura e a cruz constituem ensinamento inolvidável. para nós outros. o século que passa deve assinalar uma transformação visceral nos departamentos da vida. na sublime exemplificação. em face das doutrinas imperialistas da atualidade.

ainda. nos horizontes da Terra cheia de indústrias de morte e destruição. para reerguerem o sentido cristão da civilização da Humanidade. como o tesouro de todos os infortunados e de todos os desvalidos. verificada no orbe há dois milênios. porém. . O EXEMPLO DO CRISTO Sem nos referirmos.110 EMMANUEL CREPÚSCULO DE UMA CIVILIZAÇÃO Uma nuvem de fumo vem-se formando. Haja necessidade e tornaremos a ver a crença e a esperança reunindo-se em novas catacumbas romanas. muitas vezes. aos problemas da política transitória do mundo. Sua palavra construiu a fé nas almas humanas. nos corações humildes e aflitos que vamos encontrar a divina palavra cantando o hino maravilhoso dos bemaventurados. Todos os países são convocados a conferirem os valores da maturação espiritual da Humanidade. porque a direção da Terra está nas mãos misericordiosas e augustas do Cordeiro. registram-se nos espaços novas atividades de trabalho. e. enquanto a política do mundo se sente manietada ante os dolorosos fenômenos do século. fazendo-lhes entrever os seus gloriosos destinos. O progresso científico dos povos e as suas mais nobres e generosas conquistas são reclamados pelo banquete do morticínio e da ambição. É. que a lição do Cristo ficou para sempre na Terra. lembremos. há muito tempo.

acusado de tramar a liberdade de sua pátria contra o jugo dos espanhóis. não só te perdôo como ainda te peço cumpras o teu dever."Como." . é condenado à morte e conduzido ao cadafalso. Secam-se as lágrimas e a serenidade lhe volta ao semblante macerado. No instante do suplício. quando o carrasco lhe pede perdão."Meu filho. ei-lo que responde resignado: . para fechar este capítulo.. recordemos o episódio do monge de Manilha. pois. pelos olhos da vítima. que."Jesus também era inocente!. lembrando a influência do Divino Mestre em todos os corações sofredores da Terra.. será possível que eu morra assim inocente? Onde está a justiça? Que fiz eu para merecer tão horrendo suplício?" Mas um companheiro corre ao seu encontro e murmura-lhe aos ouvidos: . um clarão de misteriosa beleza.111 A CAMINHO DA LUZ E. e. antes de apertar o parafuso sinistro." Passa. soluça desesperadamente o mísero condenado . então.

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XIII O Império Romano e seus desvios
OS DESVIOS ROMANOS Reportando-nos ainda às conquistas romanas, antes da chegada do Senhor para as primeiras florações do Cristianismo, devemos lembrar o esforço despendido pelas entidades espirituais, junto das autoridades organizadoras e conservadoras da República, no sentido de orientar-se a atividade geral para um grande movimento de fraternidade e de união de todos os povos do planeta. Os pensadores que hoje sonham a criação dos Estados Unidos do Mundo, sem os movi-

114 EMMANUEL mentos odiosos das guerras fratricidas, podem sondar os desígnios do plano invisível naquela época. A Grécia havia perscrutado, na medida do possível, todos os problemas transcendentes da vida. Nas suas lutas expiatórias, transferira as suas experiências e conhecimentos para a família romana, então apta para as grandes tarefas do Estado. À força de educação e de amor, poderia esta última unificar as bandeiras do orbe, criando um novo roteiro à evolução coletiva e estabelecendo as linhas paralelas do progresso físico e moral da Humanidade terrestre. Todos os esforços foram despendidos, nesse particular, pelos emissários do plano invisível, e a prova desse grandioso projeto de trabalho unitário é que a obra do Império Romano foi das mais primorosas, em matéria educativa, com vistas à organização das nacionalidades modernas. O próprio instinto democrático da Inglaterra e da França, bem como as suas elevadas obras de socialização, ainda representam frutos da missão educativa do Império, no seio da Humanidade. O caminho dos romanos ficou juncado de sementes e de luzes para o porvir A realidade, contudo, é que, se os mensageiros do Cristo conseguiram a realização de muitos planos generosos, no seio da comunidade de então, não podiam interferir na liberdade isolada da grande maioria dos seus membros. OS ABUSOS DA AUTORIDADE E DO PODER Em breve, os abusos da autoridade e do poder embriagavam a cidade valorosa. Toda

115 A CAMINHO DA LUZ a sede do governo parecia invadida por uma avalancha de forças perversoras, das mais baixas esferas dos planos invisíveis. A família romana, cujo esplendor espiritual conseguiu atravessar todas as eras, iluminando os agrupamentos da atualidade, parecia atormentada pelos mais tenazes inimigos ocultos, que, aos poucos, lhe minaram as bases mais sólidas, mergulhando-a na corrupção e no extermínio de si mesma, dada a ausência de vigilância de suas sentinelas mais avançadas. Denso nevoeiro obscurecia todas as consciências, e a sociedade alegre e honesta, rica de sentimentos enobrecedores, foi pasto de crimes humilhantes, de tragédias lúgubres e miserandos assassínios. As classes abastadas aproveitavam a pletora de poder instalando-se no carro da opressão, que deixava atrás de si um rastro fumegante de revolta e de sangue. Os Gracos, filhos da veneranda Cornélia, são quase que os derradeiros traços de uma época caracterizada pela administração enérgica, mas equânime, cheia de honestidade, de sabedoria e de justiça. OS CHEFES DE ROMA Depois de Caio, assassinado no Aventino, embora se fizesse supor um suicídio, instala-se definitivamente um regime de quase completa dissolução das grandes conquistas morais realizadas. Sobe Mário ao poder, depois das vitórias contra Jugurta e contra os germanos, que haviam, por sua vez, invadido o território das

116 EMMANUEL Gálias. Mas os antagonismos sociais levam Sila ao poder, travando-se lutas cruentas, como vésperas escuras de sangrentas derrocadas. Em seguida, surgem Pompeu e a revolução de Catilina, muito conseguindo a prudência de Cícero em favor da segurança da cidade. Verifica-se, logo após, o primeiro triunvirato com a política maneirosa de Caio Júlio César, que se alia a Pompeu e a Crasso para as supremas obrigações do governo. As citações históricas, todavia, desviariam os objetivos do nosso esforço. Nossa intenção é mostrar que o determinismo do mundo espiritual era o do amor, da solidariedade e do bem, mas os próprios homens, na esfera relativa de suas liberdades, modificaram esse determinismo superior, no curso incessante da civilização. Os generais romanos podiam conquistar a ferro e fogo, desviandose dos objetivos mais sagrados dos seus deveres e obrigações, levando aos outros povos, pela força das armas, os liames que somente deveriam utilizar com a sua cultura e experiência da vida; mas seus atos originaram os mais amargos frutos de provação e sofrimento para a Humanidade terrestre, e é por isso que, em sua quase totalidade, entraram no plano espiritual seguidos de perto pelas suas numerosas vítimas, entre as vozes desesperadas das mais acerbas acusações. Muitos deles, decorridos decênios infindáveis de martírios expiatórios, podiam ser vistos sem as suas armaduras elegantes, arrastando-se como vermes ao longo das margens do Tibre, ou estendendo as mãos asquerosas, como mendigos detestados do Esquilino.

cuja generosidade dispensa a mais carinhosa atenção às inteligências estudiosas e superiores da época. que assinalam. É nesse reinado que a Judéia leva a efeito a tragédia do Gólgota. depois de instalados os primeiros Césares do Império Romano. o governo de Augusto decorreu em grande tranqüilidade para Roma e para o resto das sociedades organizadas do planeta. eis que ia cumprir-se a missão do Cristo. que vê terminar a era de paz. Em vista disso. realizando sinistramente as mais remotas profecias. Belos monumentos são erigidos.117 A CAMINHO DA LUZ O SÉCULO DE AUGUSTO Terminados os triunviratos. O espírito artístico e filantrópico de Atenas revive na pessoa de Mecenas. de trabalho e concórdia. com o regresso do Cordeiro às regiões sublimadas da Luz. com as suas obras numerosas. TRANSIÇÃO DE UMA ÉPOCA Depois de Augusto. junto de outras nobres expressões intelectuais do tempo. A aproximação e a presença consoladora do Divino Mestre no mundo era motivo para que todos os corações experimentassem uma vida nova. aparece à barra da História a personalidade disfarçada e cruel de Tibério. a passagem do chamado "século de Augusto". quais Horácio e Vergílio. . Realizam-se gigantescos esforços edificadores ou reconstrutivos. ainda que ignorassem a fonte divina daquelas vibrações confortadoras. seu filho adotivo. confidente do imperador.

e a . o Divino Mestre é submetido aos martírios da cruz. Vaticínios sinistros pesam sobre todos os espíritos rebeldes e culpados. de massacres e de incêndios. Um perfeito trabalho de seleção se verifica no ambiente espiritual das coletividades romanas. Raros apóstolos sabiam da missão sublimada daquela doutrina sacrossanta. PROVAÇÕES COLETIVAS DOS JUDEUS E DOS ROMANOS Os seguidores humildes do Nazareno iniciam. nas regiões da Palestina. de devastação e de sangue. Esses mensageiros do Alto iniciam. as suas predicações e ensinamentos. que lhe não compreendeu o amor e a humildade. como se desconhecesse as finalidades mais nobres da vida.118 EMMANUEL Não obstante o seu compassivo e desvelado amor. De perto. Roma colabora no doloroso acontecimento com a indiferença fria de Pôncio Pilatos. seguemlhes a atividade os emissários solícitos do Senhor. preparando os caminhos da revolução ideológica do Evangelho. Chovem inspirações do Alto preludiando as dores de Jerusalém e as amarguras da cidade imperial. o esforço de auxílio ao Império nas suas dolorosas provações coletivas. Calígula inaugura um período longo de sombras. Seguindo a mesma estrada escura de Tibério. retornando aos seus festins e aos seus prazeres. igualmente e de modo indireto. por imposição do judaísmo. que mandava fazer o bem pelo mal e instituía o perdão aos próprios inimigos.

desapareceu num mar de ruínas. os Espíritos culpados trocaram a sua indumentária para a evolução e para o resgate no cenário infinito da vida. enquanto muitos deles ainda choram . destruindo milhares de vidas florescentes e desequilibrando a existência romana para sempre. Sob o látego da expiação e do sofrimento.119 A CAMINHO DA LUZ verdade é que. dada a galvanização dos sentimentos gerais na mesa larga dos excessos e prazeres terrestres. depois das suas guerras. a dor foi chamada a restabelecer o fundamento da verdade nas almas. em virtude da maravilhosa unidade a que chegou e mercê do esforço e da proteção do Alto. FIM DA VAIDADE HUMANA O Império Romano. Da orgulhosa cidade dos imperadores não restaram senão pedras sobre pedras. desvios e circos cheios de feras e gladiadores. quando Tito destruiu a cidade. O imenso organismo apodreceu nas chagas que lhe abriram a incúria e a impiedade dos próprios filhos e. e. atormentada pelas tempestades de fogo e cinza que arrasaram Estábias. Herculânum e Pompéia. que poderia ter levado a efeito a fundação de um único Estado na superfície do mundo. quando não foi mais possível o paliativo da misericórdia dos espíritos abnegados e compassivos. depois do cerco de Jerusalém. arrasando-lhe o Templo famoso e dispersando para sempre os israelitas. viu o orgulhoso vencedor mudar-se o curso das dores para a sociedade do Império.

120 EMMANUEL nos padecimentos redentores. gemem sobre as ruínas do Coliseu de Vespasiano os ventos tristes e lamentosos da noite. .

Em virtude dos seus postulados sublimes de fraternidade. a lição do Cristo representava . no propósito de solucionar as suas grandes questões. a sociedade da época sentia de perto a insuficiência das escolas filosóficas conhecidas. A idéia de uma justiça mais perfeita para as classes oprimidas tornara-se assunto obsidente para as massas anônimas e sofredoras.121 XIV A edificação cristã OS PRIMEIROS CRISTÃOS Atingindo um período de nova compreensão concernente aos mais graves problemas da vida.

Em toda a Ásia Menor. pela pureza de costumes e por uma conduta retilínea e exemplar. que lhe ouviram diretamente os ensinos imorredouros. Sua doutrina de perdão e de amor trazia nova luz aos corações e os seus seguidores destacavam-se do ambiente corrupto do tempo. como em Roma. aproveitando essa exceção.e da cruz chegava-lhes. As multidões dos aflitos pareciam ouvir aquela misericordiosa exortação: .122 EMMANUEL o asilo de todos os desesperados e de todos os tristes. cheia das claridades sacrossantas do reino de Deus e da sua justiça. da sua filosofia nova que abraçava todos os infelizes. na Grécia. as autoridades do Império não ligaram maior importância à doutrina nascente. os seguidores do Cru- . porque todos eram irmãos. vós todos que sofreis e tendes fome de justiça e eu vos aliviarei" . além daquelas consideradas como cooperativas funerárias e. iniciandose o martirológio com os primeiros editos de proscrição. Numerosos centuriões e cidadãos romanos conheceram pessoalmente os fatos culminantes das pregações do Salvador. ainda. Os cristãos foram acusados de feiticeiros e heréticos. mas os Apóstolos ensinavam que. filhos do mesmo Deus. A recordação dos exemplos do Mestre não se restringia aos povos da Judéia. não mais poderia haver diferença entre os livres e os escravos. o alento de uma esperança desconhecida. falava-se dEle. A princípio. O Estado não permitia outras associações independentes. na África e mesmo nas Gálias. O patriciado não podia ver com bons olhos semelhantes doutrinas. por Jesus-Cristo. entre patrícios e plebeus."Vinde a mim.

A doutrina do Crucificado propaga-se com a rapidez do relâmpago. Maior revolucionário de todas as épocas. A PROPAGAÇÃO DO CRISTIANISMO Na Judéia cresce. O hino de esperanças da manjedoura e do calvário espalha nas almas um suave e eterno perfume. Fala-se dela. que podiam levar a palavra de fé ao mais obscuro recanto do globo. então. o número dos prosélitos da nova crença. repartindo o pão milagroso da fé com todos os famintos do coração. Doutrina alguma alcançara no mundo semelhante posição. não empunhou outra arma além daquelas que . Surgem os advogados e os detratores. A centralização e a unidade do Império Romano facilitaram o deslocamento dos novos missionários. É que o Divino Mestre selara com exemplos as palavras de suas lições imorredouras. tanto em Roma como nas Gálias e no norte da África. disseminando as idéias e interpretações. espalham as claridades da Boa Nova por toda a parte. em face da preferência das massas. sem as exigências e os obstáculos das fronteiras. As primeiras igrejas surgem ao pé de cada Apóstolo. Os prosélitos mais eminentes buscam doutrinar.123 A CAMINHO DA LUZ cificado começaram os famosos movimentos das catacumbas. cuja tarefa o Cristo abençoara com a sua misericórdia. É assim que os Apóstolos. ou de cada discípulo mais destacado e estudioso.

no estudo das idéias religiosas. com vistas ao futuro. A palavra "apócrifo" generalizou-se como o espantalho de todo o mundo. mas igualmente junto aos núcleos das tradições. educação e aclaramento. Histórias numerosas foram escritas. por excelência. não puderam . É por essa razão que os Evangelhos constituem o livro da Humanidade. os mensageiros do Cristo presidem à redação dos textos definitivos. entre si. dentro da crítica histórica. Os cristãos mais destacados trocam. A REDAÇÃO DOS TEXTOS DEFINITIVOS Nesse tempo. ao encanto suave de suas narrativas.124 EMMANUEL significam amor e tolerância. Muitas escolas literárias se formaram nos últimos séculos. não somente junto aos Apóstolos e seus discípulos. Sua simplicidade e singeleza transparecem na tradução de todas as línguas da Terra. ao trabalho e à paz construtiva. ensinando simultaneamente aos discípulos o amor incondicional à ordem. insurgiu-se contra todas as violências oficializadas. São mensagens de fraternidade e de amor. para o estudo e elucidação desses documentos. prendendo a alma dos homens entre as luzes do Céu. cartas de alto valor doutrinário para as diversas igrejas. mas os sábios materialistas. que a posteridade muita vez não pôde ou não quis compreender. Condenou todas as hipocrisias. Hipóteses incontáveis foram aventadas. quando a guerra formidável da critica procurava minar o edifício imortal da nova doutrina.

se esses pescadores valorosos eram elevados Espíritos em missão.125 A CAMINHO DA LUZ sentir que a intuição está acima da razão e. verificavam-se. portas a dentro do coração. só a essência deve prevalecer para as almas e. que constituem. A opinião geral rodopiará em torno do crítico mais eminente. está na beleza imortal que se irradia de suas lições divinas. Todos os Apóstolos do Mestre haviam saído do teatro humilde de seus gloriosos ensinamentos. de Lucas ou de João. atravessando as idades e atraindo os corações. Todavia. Não há vantagem nas longas discussões quanto à autenticidade de uma carta de Inácio de Antioquia ou de Paulo de Tarso. A MISSÃO DE PAULO No trabalho de redação dos Evangelhos. falharam. quando o raciocínio absoluto não possui elementos para a prova concludente e necessária. na exposição dos princípios e na apresentação das grandes figuras do Cristianismo. a autoridade literária não poderá apresentar a equação matemática do assunto. É que. em sua maioria. algumas dificuldades para que se lhes desse o precioso caráter universalista. a intuição tem de marchar à frente da razão. em se tratando das conquistas sublimadas da fé. ainda uma vez. A grandeza da doutrina não reside na circunstância de o Evangelho ser de Marcos ou de Mateus. segundo as convenções. sem dúvida. o portentoso alicerce do Cristianismo. nessa época. preludiando generosos e definitivos conhecimentos. mas. precisamos con- .

Essa deliberação foi um acontecimento dos mais significativos na história do Cristianismo. com o seu enorme prestígio. em face das novas igrejas e associações que se fundavam nos mais diversos pontos do mundo. De cidade em cidade.126 EMMANUEL siderar que eles estavam muito longe da situação de espiritualidade do Mestre. mas sua influência providencial teve por fim evitar uma aristocracia injustificável dentro da comunidade cristã. . A princípio. começou a sofrer a influência do judaísmo. após o advento da nova doutrina. sofrendo as influências do meio a que foram conduzidos. nos seus tempos inesquecíveis de simplicidade e pureza. Tão logo se verificou o regresso do Cordeiro às regiões da Luz. estabelece-se entre ele e os demais Apóstolos uma penosa situação de incompreensibilidade. a comunidade cristã. fala do Mestre. inflamando os corações. O APOCALIPSE DE JOÃO Alguns anos antes de terminar o primeiro século. As ações e as epístolas de Paulo tornam-se poderoso elemento de universalização da nova doutrina. e quase todos os núcleos organizados. já as forças espirituais operam uma análise da situação amargurosa do mundo. É então que Jesus resolve chamar o espírito luminoso e enérgico de Paulo de Tarso ao exercício do seu ministério. de igreja em igreja. o convertido de Damasco. da doutrina. pretenderam guardar feição aristocrática. de modo geral. em face do porvir.

lê a linguagem simbólica do invisível. senão um foco infeccioso que é preciso neutralizar ou remover. os tormentos porvindouros. e o velho Apóstolo de Patmos transmite aos seus discípulos as advertências extraordinárias do Apocalipse. que ainda se encontrava preso nos liames da Terra. estão ali pormenorizadamente entrevistos. Todos os fatos posteriores à existência de João estão ali previstos. e o Apóstolo. . estabelecem novas linhas de progresso para a civilização. vê-se que a sua expressão humana não pôde copiar fielmente a expressão divina das suas visões de palpitante interesse para a história da Humanidade. o comercialismo. E a figura mais dolorosa. assinalando os traços iniciais dos países europeus dos tempos modernos. Todas as dádivas do Alto haviam sido desprezadas pela cidade imperial. então.127 A CAMINHO DA LUZ Sob a égide de Jesus. as lutas ideológicas da civilização ocidental. para o plano invisível. atônito e aflito. O Divino Mestre chama aos Espaços o Espírito João. É verdade que freqüentemente a descrição apostólica penetra o terreno mais obscuro. que ainda hoje se oferece à visão do mundo moderno. as nações futuras. é bem aquela da igreja transviada de Roma. transformada num vesúvio de paixões e de esgotamentos. Roma já não representa. Recomenda-lhe o Senhor que entregue os seus conhecimentos ao planeta como advertência a todas as nações e a todos os povos da Terra. ali relacionada. As guerras. simbolizada na besta vestida de púrpura e embriagada com o sangue dos santos.

um período de 1260 anos comuns. Quanto ao número 666. desse modo. obtendo. Examinando-se a importância dos símbolos naquela época e seguindo o rumo certo das interpretações. devemos recorrer aos algarismos romanos. filosófica e religiosa da Humanidade. "Vigário do Filho de Deus" e "Príncipe do Clero". em cada um deles. em seus valores. com o imperador Focas. por serem mais divulgados e conhecidos. quando o Papado se consolidava. explicando que é o Sumo-Pontífice da igreja romana quem usa os títulos de "VICARIVS GENERALIS DEI IN TERRIS". Bastará ao estudioso um pequeno jogo de paciência. em sua significação.128 EMMANUEL IDENTIFICAÇÃO DA BESTA APOCALÍPTICA Reza o Apocalipse que a besta poderia dizer grandezas e blasfêmias por 42 meses. podemos tomar cada mês como sendo de 30 anos. XIII. que assinalou a decadência e a ausência de autoridade do Vaticano. em vez de 30 dias. somando os algarismos romanos encontrados em cada titulo papal a fim de encontrar a mesma equação de 666. justamente o período compreendido entre 610 e 1870. após o seu surgimento. 5 e 18). em 1870. e o decreto da infalibilidade papal com Pio IX. sem nos referirmos às interpretações com os números gregos. "VICARIVS FILII DEI" e "DVX CLERI" que significam "Vigário-Geral de Deus na Terra". em 607. da nossa era. em face da evolução científica. . acrescentando que o seu número era o 666 (Apoc.

através do qual todas as almas podem ascender às luminosas montanhas da sabedoria dos Céus. constituindo o roteiro de luz e de amor. cumprindo-nos reconhecer nos Evangelhos uma luz maravilhosa e divina. É que eles guardam a súmula de todos os compêndios de paz e de verdade para a vida dos homens. que o escoar incessante dos séculos só tem podido avivar e reacender. O ROTEIRO DE LUZ E DE AMOR Mas. pois. que o Apocalipse de João tem singular importância para os destinos da Humanidade terrestre. voltemos aos nossos propósitos.129 A CAMINHO DA LUZ Vê-se. .

possibilitando a consolidação de um Estado único no planeta. A canalização de consideráveis riquezas materiais. Todos os recursos possíveis foram prodigalizados inutilmente à cidade imperial. . transplantara-se para Roma a extraordinária sabedoria ateniense e a colaboração de todas as experiências dos povos conquistados. do ponto de vista moral. ao lado de todas as providências que se faziam necessárias. não fora esquecida. Em vão.131 XV A evolução do Cristianismo PENOSOS COMPROMISSOS ROMANOS Debalde tentaram as forças espirituais o aproveitamento dos romanos na direção suprema do mundo.

a cidade dos Césares embriaga-se cada vez mais no vinho do ódio e da ambição. trazendo a mensagem luminosa da verdade e do amor. sentindo-se traídos em suas energias mais profundas. do Alto. contraindo débitos penosos. . O aproveitamento desse processo educativo deveria ser levado a efeito pela capital do mundo. adstrito aos mais grosseiros instintos de conservação.132 EMMANUEL Os Espíritos encarnados não conseguiram a eliminação dos laços odiosos da vaidade e da ambição. se fariam acompanhar do agravo de responsabilidades e deveres para a solução de grandes problemas educativos do coração. Pesadas forças da Treva. e. choram sobre os abusos de liberdade dos romanos. de acordo com os desígnios do plano espiritual. Se ao homem físico rasgavam-se os mais amplos horizontes nos domínios do progresso material. contraindo dívidas penosas. perante os tribunais da Justiça Divina. criando negras perspectivas para o longínquo futuro. porém. educando-o convenientemente para as suas arrojadas conquistas de ciência e de liberdade. constantemente inclinado aos liames do mal que o prendiam à Terra. entrelaçando os seus sentimentos com o ódio dos vencidos e dos humilhados. com vistas ao porvir. Essa maioridade implicava direitos que. enquanto os Espíritos abnegados. assinalara o período da maioridade espiritual da Humanidade. por sua vez. os Evangelhos vinham trazer ao homem espiritual um roteiro de novas atividades. aliaram-se às mais fortes tendências do homem terrestre. A vinda do Cristo ao cenáculo obscuro do planeta.

para demonstrar que Jesus é o fundamento da Verdade e só o amor é a sagrada finalidade da vida. prometendo a reparação e o resgate recíprocos. todavia.133 A CAMINHO DA LUZ CULPAS E RESGATES DOLOROSOS DO HOMEM ESPIRITUAL Ao coração misericordioso de Jesus chegam as preces dolorosas de todos os operários da sua bendita semeadura. unidos pelo ódio como calcetas algemados um ao outro nas galés da amargura. fundando a civilização ocidental. ante a misericórdia suprema do Filho de Deus. como abençoada oficina dos seus novos . recebendo de conformidade com as suas obras. nos enormes desvios a que se conduziu. Seu olhar percuciente. Foi por isso que Roma teve oportunidade de realizar seus propósitos e desígnios políticos. Um laço pesado e tenebroso reuniu a cidade conquistadora aos povos que humilhara. comprometendo para sempre o futuro do homem espiritual. somente a Ele competindo a separação. Foi por essa razão que o conquistador e os conquistados. nos Espaços. penetrara o âmago das almas e não fora em vão que recomendara o crescimento do trigo e do joio nas mesmas leiras. nos séculos do porvir. Cada qual é responsável pelos seus atos. na época da ceifa A limitada liberdade de ação dos indivíduos e das coletividades é integralmente respeitada. que somente agora conhecerá um reajustamento nas amargurosas transições do século que passa. compareceram periodicamente. O ódio do verdugo e dos seus inimigos fundiu-se em séculos de provações e de lutas expiatórias. mas a Justiça Divina acompanhou-lhe todos os passos.

OS MÁRTIRES Antes do movimento de propagação das idéias cristãs no seio da sociedade romana. teria saído do oceano de lodo onde se mergulhou. já os prepostos de Jesus se preparavam para auxiliar os missionários da nova fé. iniciada no reinado de Nero. as unhas de ferro. os leões do circo. onde as almas decaídas encontrassem todos os elementos de edificação e aprimoramento. há dois milênios? Respondam por nós as angustiosas expectativas da hora presente. . conhecendo a reação dos patrícios em face dos postulados de fraternidade da nova doutrina. A bondade do Mestre fez florescer cidades valorosas e progressistas. de tão dolorosas quão terríveis lembranças. voluntariamente. Nenhum instrumento de suplício foi esquecido na experimentação da fé e da constância daquelas almas resignadas e heróicas. o cavalete. O homem físico continuou a linha ascensional de sua evolução nas conquistas e descobrimentos. a cruz.134 EMMANUEL trabalhos no esforço da fraternidade e da regeneração. o fogo. incompatíveis com a orgulhosa filosofia do Império. países cultos e fartos. e é assim que vemos os cristãos sofrendo os martírios da primeira perseguição. a personalidade imortal. As classes mais abastadas não podiam tolerar semelhantes princípios de igualdade. mas o homem transcendente. quais os que preconizavam as lições do Nazareno. O açoite. considerados como postulados de covardia moral.

Observa-se-lhe a influência no segundo século. encontrara nas perseguições os seus melhores recursos de propaganda e de expansão. Clemente de Alexandria e Orígenes surgem com a sua palavra autorizada. mas o sangue dos cristãos era a seiva da vida lançada às divinas sementes do Cordeiro. e os seus sacrifícios foram bem os reflexos da amorosa vibração do ensinamento do Cristo. Seus princípios generosos encontravam guarida em todos os corações. de sangue e de lágrimas. seduzindo a consciência de todos os estudiosos de alma livre e sincera. em quase todos os departamentos da atividade intelectual.135 A CAMINHO DA LUZ tudo foi lembrado para maior eficiência da perseguição aos seguidores do Carpinteiro de Nazaré. defendendo a filosofia cristã. com largos reflexos na legislação e nos costumes. Pedro e Paulo entregam a vida na palma dos martírios santificadores e de Nero a Diocleciano uma nuvem pesada. não conseguiu deter a corrente de forças trevosas. todavia. envolve a alma cristã. cheia de confiança na Providência Divina. OS APOLOGISTAS A doutrina cristã. provocando admiração e respeito gerais. O próprio Marco Aurélio. Tertuliano apresenta a sua apologia do Cristianismo. e com eles levanta-se um verdadeiro exército . cuja elevada estatura espiritual recebera do Alto a missão de paralisar semelhantes desatinos. atravessando os séculos da Terra para ser compreendido e praticado nos milênios do porvir.

examinando essa decisão desaconselhável dos primeiros tempos. povoaram os desertos na suposição de que se redimiriam mais rapidamente para o Cordeiro. não tiveram de início uma visão do campo de trabalho que se lhes apresentava. Entretanto.136 EMMANUEL de vozes que advogam a causa da verdade e da justiça. mais elevada virtude representam quando levados a efeito no torvelinho das paixões desenfreadas. perseverança no esforço redentor. a fim de aproveitar aos que os contemplam. significam sacrifício pelo próximo. O JEJUM E A ORAÇÃO Os cristãos. somos levados a recordar que os cristãos se haviam esquecido de que Jesus não desejava a morte do pecador. da redenção e do amor. que corrige e edifica simultaneamente. exilados do mundo e dos seus prazeres desastrosos. Retirando-se para a vida monástica. Uma ânsia de fugir das cidades populosas fazia então vibrar todos os crentes. nas lutas regeneradoras. originando os erros da idade medieval. Não compreenderam imediatamente que esses preceitos evangélicos. acima de tudo. quando o homem supunha encontrar nos conventos as antecâmaras do Céu. contudo. afigura-se o caminho de todos quantos desejam fugir dos antros das paixões. com os seus desertos numerosos e os seus lugares sagrados. Só a grande montanha de Nítria chegou a possuir trinta mil anacoretas. Não atinaram que. serenidade no trabalho ativo. . se o jejum e a oração constituem uma grande virtude na soledade. O Oriente.

vitorioso. com quatro grandes capitais. Sentindo a aproximação de grandes sucessos e antevendo a impossibilidade de manter a unidade imperial. com o nobre fim de fazer valer os . filho de Constâncio Cloro. elevando e abatendo imperadores de um dia para outro. ocorre a rebelião militar que aclama Augusto a Constantino. que devem preparar a sociedade romana para o resgate e para a provação. contrariando as disposições dos dois Césares. A luta se estabelece e Constantino vence Maxêncio às portas de Roma. procuram dispor os alicerces de novos acontecimentos. sob a égide de Jesus. mas os prepostos do Mestre não descansavam. sucessores de Diocleciano e Maximiano. Retirando-se para Salona. ou governo de quatro soberanos. exausto da tarefa governativa. A invasão dos povos considerados bárbaros é então entrevista. penetrando a cidade. para ser recebido em triunfo. Uma forte anarquia militar dificulta a solução dos problemas de ordem coletiva. o Cristianismo ascende à tarefa do Estado. Junto dele. com o edito de Milão. Diocleciano organiza a Tetrarquia. O PAPADO Desde a décima perseguição que o Cristianismo era considerado em Roma como doutrina morta.137 A CAMINHO DA LUZ CONSTANTINO As forças espirituais que acompanhavam e acompanham todos os movimentos do orbe.

logo depois da vitória. Entronizamse. a indigência dos homens não compreendeu a dádiva do plano espiritual. eis que o imperador Focas favorece a criação do Papado. os bispos romanos solicitavam prerrogativas injustas sobre os seus humildes companheiros de episcopado. e. mais uma vez. A fatalidade histórica reclamava a sua colaboração nos gabinetes da política do mundo e. porque.138 EMMANUEL seus generosos princípios. ia começar um período de 1260 anos de amarguras e violências para a civilização que se fundava. Trezentos anos lutaram os mensageiros do Cristo. tão logo a abandonaram ao penoso trabalho de aperfeiçoar-se a si mesma. Dessa data em diante. procurando ampará-la no caminho do amor e da humildade. Focas é chamado ao mundo dos invisíveis. ainda uma vez. até que a deixaram enveredar pelas estradas da sombra. dominou igualmente a igreja de Roma. para o esforço de salvação e de experiência. Em 610. A decisão imperial faculta aos bispos de Roma prerrogativas e direitos até então jamais justificados. deixando no orbe a consolidação do Papado. O mesmo espírito de ambição e de imperialismo. no ano de 607. faz sentir a força das suas determinações arbitrárias. Cooperando com o Estado. que de longo tempo trabalhava o organismo do Império. o orgulho e a ambição da cidade dos Césares. que se arvorou em suserana e censora de todas as demais do planeta. .

que negara a divindade do Cristo. padre de Alexandria. começada no governo de Diocleciano. . por sua vez.139 XVI A Igreja e a invasão dos bárbaros VITÓRIAS DO CRISTIANISMO Constantino. que. consegue levar a efeito a nova organização administrativa do Império. eram divididas em dioceses dirigidas respectivamente por prefeitos e vigários. dividindo-o em quatro Prefeituras. no seu caminho de realizações. que foram as do Oriente. da Itália e das Gálias. efetua-se o Concílio Ecumênico de Nicéia para combater o cisma de Ário. Com a influência do vencedor da ponte Mílvius. da Ilíria.

pelo advento da qual milhares de homens haviam dado a própria vida no campo do martírio e do sacrifício. bispo de Milão. porém. É então que todos os povos reconhecem a grande força moral da doutrina do Crucificado. já não aparecia com aquela mesma humildade de outros tempos. que declara o Cristianismo religião oficial do Estado. eleva-se ao poder tentando restaurar os deuses antigos. Findo o reinado de Constantino. desse parlamento eclesiástico de 325. surge a figura de Teodósio. por volta do ano 381. Juliano. vendo-se o imperador. A união com o Estado era motivo para grandes espetáculos de riqueza e . Seus concílios. mal lembrando a madeira tosca.140 EMMANUEL Os primeiros dogmas católicos saem. como os de Nicéia. Mas. Suas cruzes e cálices deixavam entrever a cooperação do ouro e das pedrarias. em 390. sobrinho do imperador. Constantinopla. com força de lei. Éfeso e Calcedônia. que lhe não seguem as tradições. decretando. Em seguida. ajoelharse humildemente aos pés de Ambrósio. embora compreendesse a ineficácia do seu tentâmen. em detrimento da doutrina cristã. PRIMÓRDIOS DO CATOLICISMO O Cristianismo. não eram assembléias que imitassem as reuniões plácidas e humildes da Galiléia. a extinção dos derradeiros traços do politeísmo romano. aparecem os seus filhos. da época gloriosa das virtudes apostólicas. simultaneamente. a penitenciar-se das crueldades com que reprimira a revolta dos tessalonicenses.

pela posteridade. tão do gosto dos antigos romanos pouco inclinados às indagações transcendentes. contrariando as sublimes finalidades do ensinamento dAquele que preconizara a humildade e o amor como os grandes caminhos da redenção. em contraposição com os ensinos dAquele que não possuía uma pedra para repousar a cabeça dolorida. novas modalidades doutrinárias. finalmente. ao arvorar-se em detentora das ordenações de Pedro. impunham suas inovações arbitrárias. de Alexandria e dos demais grandes centros da época. Herdando os costumes romanos e suas disposições multisseculares. modificando as tradições puramente cristãs. A IGREJA DE ROMA A igreja de Roma. e. o culto dos ídolos . longe de educarem a alma das massas na sublime lição do Nazareno. É assim que aparecem novos dogmas. não perdia ensejos de firmar a sua injustificável primazia junto às suas congêneres de Antioquia. abusando do fácil entendimento com as autoridades políticas do Estado. pelo culto fácil do mundo externo. entram em acordo com a sua preferência pelas solenidades exteriores.141 A CAMINHO DA LUZ vaidade orgulhosa. procurou um acordo com as doutrinas consideradas pagãs. que antes da criação oficial do Papado considerava-se a eleita de Jesus. As autoridades eclesiásticas compreendem que é preciso fanatizar o povo. o Catolicismo sobre os escombros da doutrina deturpada. adaptando textos. impondo-lhe suas idéias e suas concepções. Os bispos de Roma. improvisando novidades injustificáveis e organizando.

à claridade soberana da misericórdia do Senhor. aliadas à incúria e vaidade dos homens. Todos os recursos haviam sido prodigalizados a Roma. as espetaculosas festas do culto externo. concernentes ao progresso dos homens. haviam obtido um triunfo relativo e transitório. dos mensageiros de Jesus. sua alma coletiva. nas cidades da Campânia. abrangendo todas as gentes no mesmo amplexo de amor e de unidade. como nos acontecimentos inesquecíveis e dolorosos do Vesúvio. havia deturpado todas as possibilidades sagradas de edificação e renegado todos os grandes ensinamentos. Os gênios do Espaço. copiados quase todos os costumes da Roma anticristã.142 EMMANUEL nas igrejas. A DESTRUIÇÃO DO IMPÉRIO A fraqueza e a impenitência dos homens não lhes deixou compreender que o Cristianismo fora chamado à tarefa do governo tãosomente para educar o sentimento dos governantes. Séculos de luta e . no entanto. reúnem-se no Infinito. Não obstante todos os esforços em contrário. As forças do mal. a fim de que as suas expressões políticas e intelectuais se estendessem pelo orbe. todavia. então considerados bárbaros pela cultura do Império. Advertências penosas não lhe faltaram do Alto. Bonifácio III cria o Papado em 607. preparando-os para levar o esclarecimento e a fraternidade aos outros povos da Terra. adotando providências novas. contrapondo-se a todas as disposições de humildade que deveriam reger a vida da Igreja.

foram seguidas das primeiras grandes invasões com os visigodos que. fugindo dos hunos. o espírito que investiga o passado inquire o motivo desses sinistros arrasamentos. Apa- . o Mediterrâneo era propriedade sua. porém roubando as mais fortes economias romanas. é Radagásio que parte à frente de duzentos mil soldados. sem que a alma do Império se compenetrasse dos seus deveres necessários. Debalde surgem as vitórias de Estilicão. Até hoje. espalhando flagelos e devastações. penetrando depois na Grécia e na Itália. A INVASÃO DOS BÁRBAROS Essas determinações do Cristo. sendo vencido. que fica entregue ao saque e às mais duras humilhações. mas a verdade é que todos os fundamentos da Terra residem em Jesus-Cristo. verificadas após o reinado de Constantino. em 410. transpõem o Danúbio e estabelecem-se no oriente do Império. As provas expiatórias do Império prosseguem numa avalancha de dores amargas. porque. atingem elas as portas de Roma. em demanda da cidade imperial. Em 405. todos os povos se lhe curvavam para a homenagem e para a obediência. Suas águias orgulhosas haviam singrado todos os mares.143 A CAMINHO DA LUZ de ensinamento se haviam escoado. mas uma força invisível arrancou-lhe todos os diademas. tirou-lhe as energias e lhe reduziu as glórias a um punhado de cinzas. É então que Jesus determina a transformação do Império organizado e poderoso.

144 EMMANUEL recem as correntes bárbaras dos alanos, dos vândalos, dos suevos, dos burgúndios. Em 450, os hunos comandados por Átila atacam as Gálias, perseguindo populações pacíficas e indefesas. A unidade imperial perde a sua tradição, para sempre. Com as suas vitórias, funda Clóvis a monarquia dos francos. Os bretões, oprimidos pela invasão e privados do auxílio dos exércitos romanos, apelam para os saxônios que povoavam o sul da Jutlândia, organizando-se posteriormente a Heptarquia Anglo-Saxônia. O que Roma deveria fazer com a educação e o amparo perseverantes, aqueles povos rudes e fortes vinham reclamar por si mesmos. A grande cidade dos Césares poderia ter evitado a catástrofe do desmembramento, se levasse a sua cultura a todos os corações, em vez de haver estacionado tantos séculos à mesa farta dos prazeres e das continuadas libações. RAZÕES DA IDADE MÉDIA A queda do Império Romano determinara no mundo extraordinárias modificações. Muitas almas heróicas e valorosas, que se haviam purificado nas lutas depuradoras, não obstante o ambiente pantanoso dos vícios e das paixões desenfreadas, ascenderam definitivamente a planos espirituais mais elevados, apenas voltando às atmosferas do planeta para o cumprimento de enobrecedoras e santificantes missões. A desorganização geral com os movimentos revolucionários dos outros povos do globo terrestre, que embalde esperam o socorro moral do governo dos imperadores, originara um

145 A CAMINHO DA LUZ longo estacionamento nos processos evolutivos. É ai, nessa época de transições que agora atinge as suas culminâncias, que vamos encontrar as razões da Idade Média, ou o período escuro da história da Humanidade. Só esse ascendente místico da civilização pôde explicar o porque das organizações feudais, depois de tão grandes conquistas da mentalidade humana, nos grandes problemas da unidade e da centralização política do mundo. É que um novo ciclo de civilização começava sob a amorosa proteção do Divino Mestre, e as últimas expressões espirituais do grande Império retiravam-se para o silêncio dos santuários e dos retiros espirituais, para chorar na solidão dos conventos, sobre o cadáver da grande civilização que não soubera prover ao seu glorioso destino. MESTRES DO AMOR E DA VIRTUDE Almas sublimadas e corajosas reencarnam, então, sob a égide de Jesus e para a grande tarefa de orientar as forças políticas da igreja romana, agora organizada à maneira das construções efêmeras do mundo. O Papado era a obra do orgulho e da iniquidade; mas o Cristo não desampara os mais infelizes e os mais desgraçados, e foi assim que surgiram, no seio mesmo da Igreja, alguns mestres do amor e da virtude, ensinando o caminho claro da evolução aos povos invasores, trazendo-os ao pensamento cristão e destinando-os aos tempos luminosos do porvir.

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XVII A idade medieval
OS MENSAGEIROS DE JESUS Em todo o século VI, de conformidade com as deliberações efetuadas no plano invisível, aparecem grandes vultos de sabedoria e bondade, contrastando a vaidade orgulhosa dos bispos católicos, que em vez de herdarem os tesouros de humildade e amor do Crucificado, reclamaram para si a vida suntuosa, as honrarias e prerrogativas dos imperadores. Os chefes eclesiásticos, guindados à mais alta preponderância política, não se lembravam da pobreza e da simplicidade apostólicas, nem das palavras do Messias, que afirmara não ser o seu reino ainda deste mundo.

148 EMMANUEL Todavia, nesse pantanal de ambições floresciam, igualmente, os lírios da misericórdia de Jesus, em sublimadas realizações de sacrifício e bondade. Espíritos heróicos e missionários, cuja maioria não se incorporou aos nomes da galeria histórica terrestre, exerceram a função de novos sacerdotes da idéia sagrada do Cristianismo, conservando-lhe o fogo divino para as futuras gerações do planeta. Subordinados, embora, à disciplina da Igreja romana, eles ouviam, no ádito do coração, a palavra eterna e suave do Divino Jardineiro e sabiam, por isso, que a sua missão era a da renúncia, do sacrifício e da humildade. Roma podia negociar os títulos eclesiásticos com a política do mundo e estabelecer a simonia nos templos sagrados, esquecendo os mais severos compromissos; eles, porém, nas suas túnicas rotas, atravessariam o mundo alentando a palavra das promessas evangélicas, edificariam pousos de silêncio e de misericórdia, onde guardassem as tradições escritas da cultura sagrada, para os dias do porvir. Desses exércitos de abnegados que se organizaram com Jesus e por Jesus, no seio da Igreja, somos levados a destacar os missionários beneditinos, cujo esforço amoroso e paciente conduziu grande número de coletividades dos povos considerados bárbaros, principalmente os germanos, para o seio generoso das idéias do Cristianismo. O IMPÉRIO BIZANTINO Depois da morte do imperador Teodósio, eis que o mundo conhecido se reparte em dois

149 A CAMINHO DA LUZ impérios - o do Ocidente e o do Oriente - divididos entre os seus dois filhos, Honório e Arcádio. Com o assalto dos hérulos, em 476 desaparece o império ocidental e com ele, para sempre, os resquícios da integridade do Império Romano, instalando-se depois, em 493, o reino ostrogodo na Itália, tendo Ravena por capital. Constantinopla é então a sucessora legítima da grande cidade imperial. O império bizantino era o depositário da legislação e dos costumes romanos. Um poderoso sopro de latinidade vitaliza as suas instituições. Debalde, porém, as expressões romanas buscam um refúgio nas outras terras, com o objetivo de uma perpetuação. Homens enérgicos, como Justiniano, não conseguem salvá-las. Forças ocultas e poderosas estavam incumbidas de sua visceral renovação, e, não obstante sua resistência milenar, o império bizantino, herdeiro dos Césares, ia cair exânime, em 1453, ao assalto de Maomet II. O ISLAMISMO Antes da fundação do Papado, em 607, as forças espirituais se viram compelidas a um grande esforço no combate contra as sombras que ameaçavam todas as consciências. Muitos emissários do Alto tomam corpo entre as falanges católicas no intuito de regenerar os costumes da Igreja. Embalde, porém, tentam operar o retorno de Roma aos braços do Cristo, conseguindo apenas desenvolver o máximo de seus esforços no penoso trabalho de arquivar experiências para as gerações vindouras.

pobre e humilde no começo de sua vida. existe a doutrina da responsabilidade individual. assinalou mais uma vitória das . torna-se rico após o casamento com Khadidja e não resiste ao assédio dos Espíritos da Sombra. ao nascer em Meca no ano 570. corrigindo os desvios do Papado nascente. É por essa razão que o missionário do Islã deixa entrever. mas não conseguiu triunfar das inferioridades humanas. sua missão era reunir todas as tribos árabes sob a luz dos ensinos cristãos. Dotado de grandes faculdades mediúnicas inerentes ao desempenho dos seus compromissos. divisando-se através de tudo isso uma imaginação superexcitada pelas forças do bem e do mal. traindo nobres obrigações espirituais com as suas fraquezas. nos grandes lances da sua existência. veio aquele que se chamou Maomet. que poderia representar um grande movimento de restauração do ensino de Jesus.150 EMMANUEL Numerosos Espíritos reencarnam com as mais altas delegações do plano invisível. de modo a organizar-se na Ásia um movimento forte de restauração do Evangelho do Cristo. Entre esses missionários. Filho da tribo dos Coraixitas. em oposição aos abusos romanos. há um espírito belicoso. flagrantes contradições. de violência e de imposição. Maomet. nos seus ensinos. muitas vezes foi aconselhado por seus mentores do Alto. que deveria ser de sacrifício e exemplificação. contudo. junto da doutrina fatalista encerrada no Alcorão. num cérebro transviado do seu verdadeiro caminho. A par do perfume cristão que se evola de muitas das suas lições. Por essa razão o Islamismo. nos ambientes da Europa.

em vista da escassa resistência dos visigodos atormentados pela separação. designando assim os árabes que lhe. atravessaram o estreito de Gibraltar. quando a expressão se aplicava. aos sacerdotes transviados do Cristianismo. a fim de regenerar a Igreja para Jesus. CARLOS MAGNO É depois dessa época que Jesus permite a reencarnação de um dos mais nobres imperadores romanos. Nos primeiros anos do século imediato. eram insubmissos. vulgarizou a palavra "infiel". sob o nome de Carlos . ansioso de auxiliar o espírito europeu na sua amargurada decadência. subjugando toda a África setentrional. encaminhando Carlos Martel para as vitórias de 732. toda a Arábia estava submetida à sua doutrina. Iniciaram no exterior as guerras santas". entre as várias famílias do seu povo. Com o seu regresso ao plano espiritual. perfeitamente. nas recordações do dever que o trazia à Terra.151 A CAMINHO DA LUZ Trevas contra a Luz e cujas raízes era necessário extirpar. AS GUERRAS DO ISLÃ Maomet. então. lembrando os trabalhos que lhe competiam na Ásia. Essa entidade renasceu. no fim do século VII. estabelecendo-se na Espanha. pela força da espada. e somente não seguiram caminho além dos Pirineus porque o plano espiritual assinalara um limite às suas operações. e todavia os seus continuadores não se deram por satisfeitos com semelhantes conquistas.

Quase analfabeto. que com ele haviam caminhado na Roma do direito e do dever. quando o seu pensamento em prece se elevava a Jesus. na basílica de São Pedro. deixando as mais belas perspectivas para a latinidade Sabe Jesus quanto de lágrimas lhe custou o cumprimento de uma tarefa dessa natureza. corrigiu defeitos administrativos que imperavam entre os povos desorganizados da Europa. como Jeremias sobre a Je- . contemplando a Roma do pretérito. cujo desempenho exigia as mais altas qualidades de cérebro e coração. criou as mais vastas tradições de energia e de bondade. Num reinado de 46 anos consecutivos.152 EMMANUEL Magno. o papa reinante. antecipando as doces comoções que o aguardavam no plano espiritual. pouco propício às demonstrações da verdadeira espiritualidade. Mas. cheia de dignidade e de virtude. numerosos amigos invisíveis. e. cercam-lhe a personalidade na noite do Natal do ano 800. Seu coração derrama lágrimas. aproximando-se do grande batalhador do bem. o verdadeiro reorganizador dos elementos dispersos para a fundação do mundo ocidental. Uma onda de vibrações harmoniosas invade o ambiente suntuoso. em vozes comovidas e entusiásticas. com a superioridade que lhe caracterizava o espírito equilibrado e altamente evolvido. sente-se tocado de incompreensível arrebatamento espiritual. enquanto a multidão designa-o. cinge-lhe a fronte com uma coroa de ouro. Carlos Magno sente que aquela cidade era também dele. como "imperador dos romanos". Parece-lhe voltar ao passado longínquo. Leão III. Carlos Magno intensificou a cultura.

mas o império por ele organizado teria escassa duração. o grande imperador busca de novo as claridades do Além. disputando-se uma hegemonia que jamais chegava na equação dos movimentos bélicos. depois das grandes jornadas do direito romano à face do mundo. instituindo-se as chamadas "tréguas de Deus". O FEUDALISMO Depois das nobres conquistas atenienses em matéria de política administrativa. com o objetivo de comemorar as passagens da vida de Jesus-Cristo e defendendo-se a paz com a periódica cessação das hostilidades. as lutas fratricidas tiveram campo largo no território europeu. A propriedade individual jamais alcançou tamanha importância e nunca a servidão moral ganhou tão forte impulso. Toda a unidade política desaparece nesses tempos de luzidas lembranças para a Humanidade.153 A CAMINHO DA LUZ rusalém das suas dores. obrigando os guerreiros ao repouso em determinados dias da semana. para reconhecer que o seu esforço caía sobre as almas qual uma bênção. Somente as poucas qualidades cristãs da Igreja Católica conseguiram atenuar o caráter nefasto dessa situação. Decorridos alguns anos sobre esse acontecimento. custa-se a entender o porque do feudalismo. agradecendo a Jesus os favores divinos. desde o século VIII até o século XII. que se estendeu pela Europa. Com semelhante regime. . figurando-se ao estudioso da História um como retrocesso de toda a civilização.

sob a égide do Cristo. é facilmente explicável. chamando todos os homens para a vida do campo. embora grosseiras. renovaram os processos educativos do mundo europeu. observando-se a inutilidade do tentame. as autoridades espirituais. em virtude do endurecimento da maioria dos corações. foram aproveitadas na escola penosa das aquisições espirituais. a fim de aprenderem melhor. A missão de Carlos Magno houvera sido organizada pelo plano invisível como uma das mais vastas tentativas de reorganização do império do Ocidente. mas. Só o feudalismo podia realizar essa obra. então no início da civilização atual.154 EMMANUEL RAZÕES DO FEUDALISMO Esse regime. onde a reflexão e a sensibilidade iam surgir para a construção do edifício milenar da civilização do Ocidente. no trato da terra e no contacto da Natureza. todavia. . e as suas normas.

condoído da impiedade de quantos. Advertências inúmeras lhe foram enviadas em todos os tempos da sua vida histórica. sob o seu nome. a instituição católica .155 XVIII Os abusos do poder religioso FASES DA IGREJA CATÓLICA Apesar dos numerosos desvios da Igreja romana. Enquanto esteve subordinada aos imperadores de Constantinopla. nunca o Catolicismo foi de todo abandonado pelas potências do bem. que esquecera os princípios cristãos tão logo que chamada aos gabinetes da política do mundo. pela misericórdia do Cristo. no mundo espiritual. manchavam o altar dos templos.

os vários soberanos da época dispunham da Igreja de acordo com os seus caprichos pessoais. semelhante situação de descalabro moral marchava para a frente. GREGÓRIO VII Foi nesse movimento de restauração que Hildebrando. reconheceu que as primeiras providências que lhe competiam eram as do combate ao simonismo no seio da instituição católica e as . procurando a mais ampla independência espiritual. de onde sairiam pensamentos novos e energias regeneradoras. deploram semelhantes espetáculos de indigência espiritual e promovem a reencarnação de numerosos auxiliares da tarefa remissora. ouvindo as inspirações que lhe desciam ao coração. num crescendo espantoso. somente conseguida depois do papa Estêvão II. Sua figura é das mais importantes do século XI. conferindo dignidades eclesiásticas às consciências mais apodrecidas. Estes missionários da verdade e do bem operam a restauração do mosteiro de Cluny. com a organização do chamado Patrimônio de São Pedro. nas claridades do Infinito. A esse tempo. após a desencarnação de Alexandre II. em 756. Até depois do século X. conhecido como Gregório VII. do plano invisível. A sede do Catolicismo se transformara em vasto mercado de títulos nobiliárquicos de toda a espécie. Eleito papa. pela fé e pela sinceridade que lhe caracterizaram as atitudes.156 EMMANUEL trabalhou para libertar-se de semelhante tutela. preparou-se para a missão que o esperava no Vaticano. nas hostes da regra de São Bento. Os Apóstolos do Divino Mestre.

depois de exortado por Gregório VII. O papa excomunga o príncipe rebelado. muitas vezes recebeu as advertências de Jesus à conta de heresias condenáveis. tenta depô-lo. Filipe I e Henrique IV prometem amparo e auxílio às decisões do pontífice. ocorrendo então os célebres acontecimentos de Canossa. deixando. a Igreja poucas vezes compreendeu a tarefa de amor. AS ADVERTÊNCIAS DE JESUS Instalada nas suas imensas riquezas e dispondo de todo o poder e autoridade. Habituada a mandar sem restrições. que se realizaria em 1122 com Henrique V.157 A CAMINHO DA LUZ do restabelecimento da autoridade da Igreja. fugiu ao cumprimento da promessa e. quando Gregório VII se desprende do mundo em 1085. no sentido de regenerar a organização da Igreja. procurou reprimir a enormidade de tantos abusos referentes ao mercado dos sacramentos e às honras eclesiásticas. . porém. que ele desejou sinceramente reconduzir ao seio do Cristianismo. que era preciso combater e profligar. A luta ainda não havia terminado. Henrique IV. prestigiado pelos bispos culpados de simonia. Convocando um concílio em Roma. o caminho preparado para a Concordata de Worms. no ano de 1074. reunindo em Worms um sínodo de sacerdotes transviados. que competia à sua missão educativa. embora as lutas sustentadas contra Henrique IV façam parecer o contrário. porém. com a independência da Igreja e a regeneração aproximada de sua disciplina.

Qualquer lembrança verdadeira e sincera. em 1185. porque. despojando-se de todos os bens em favor dos pobres e necessitados. que. em Lião. mandou traduzir os livros sagrados para leitura pública e. desligou-se de todos os laços que o prendiam às riquezas humanas. porém. era tomada como heresia abominável e suscetível das mais severas punições. do seu divino Fundador. comovido com a leitura da exemplificação de Jesus no seu Evangelho de amor e redenção. é que. A verdade. A Igreja não poderia tolerar outra doutrina que não a sua. onde penitentes humildes proporcionavam aos seus orgulhosos superiores eclesiásticos as mais santas lições da piedade cristã. suas pregações e apelos nunca mais desapareceram do mundo desde o século XI. com vários nomes. iniciou amplo movimento de pregações evangélicas.158 EMMANUEL As exortações do Alto não se faziam sentir tão-somente no seio das ordens religiosas. acerca do Evangelho e dos exemplos do Cristo. as suas organi- . pelo pontífice do Vaticano. Também na sociedade civil as sementes de luz deixavam entrever os mais esperançosos rebentos de compreensão e de sabedoria. se os valdenses foram caluniados pelas forças católicas. a quem fora cometida a missão de instrumento da vontade do Senhor. Neste caso está Pedro de Vaux. Os "Pobres de Lião" foram excomungados. junto de outros companheiros que passaram à História com o nome de valdenses. Esse homem extraordinário. à maneira dos tempos apostólicos. primeiramente pelo arcebispo da cidade e mais tarde. embora sendo um homem de negócios. feita de orgulho e mal disfarçada ambição.

antes da sua fundação. onde se aprestaram providências e medidas de renovação educativa. cujos embates atravessaram o espaço de vinte anos. a guerra contra os hereges. Mascarar-se-ia o cometimento com o pretexto da necessidade de unificação religiosa. mas a realidade é que a instituição desejava dilatar o seu vasto domínio sobre as consciências. As chamadas "heresias" brotavam por toda parte onde houvesse consciências livres e corações sinceros. o negro projeto preocupava igualmente o Espaço. Seu grande e luminoso espírito resplandeceu próximo de Roma.159 A CAMINHO DA LUZ zações subsistiram na Europa até à Reforma. Sua atividade reformista verificou-se sem os atritos próprios da palavra. mas as autoridades do Catolicismo nunca se mostraram dispostas a receber semelhantes exortações. Todavia. Por isso. cujos projetos de há muito preocupavam o pensamento do Vaticano. porque o seu . se a Inquisição preocupou longamente as autoridades da Igreja. nas regiões da Úmbria desolada. FRANCISCO DE ASSIS Os apelos do Alto continuaram a solicitar a atenção da Igreja romana em todas as direções. em 1229. um dos maiores apóstolos de Jesus desceu à carne com o nome de Francisco de Assis. não obstante os guantes de ferro da Inquisição. quando alguns chefes da Igreja consideraram a oportunidade da fundação do tribunal da penitência. Havia terminado.

para aceitar tão-somente os alimentos mais pobres e mais grosseiros. OS FRANCISCANOS O esforço poderoso do missionário. esses espíritos abnegados reconheciam que a melhor oração. diante do mal triunfante. A INQUISIÇÃO Muito pouco valeram as lições do bem. para Deus. é a do trabalho construtivo. Seu exemplo de simplicidade e de amor. Esse instituto. Em vez de repousarem à sombra dos claustros. Eles repeliam qualquer auxílio pecuniário. todavia.160 EMMANUEL sacerdócio foi o exemplo na pobreza e na mais absoluta humildade. e o característico que mais os destacava das outras comunidades religiosas era o seu alheamento dos mosteiros. todavia. porque em 1231 o Tribunal da Inquisição estava consolidado com Gregório IX. de singeleza e de fé. que se entregaram ao santo mister de regenerar almas para Jesus. nesse tempo não condenava os supostos culpados . se não conseguiu mudar a corrente de ambições dos papas romanos. contagiou numerosas criaturas. deixou traços fulgurantes da sua passagem pelo planeta. não aceitou as dádivas de Jesus. não entendeu que a lição lhe dizia respeito e. ironicamente. A Igreja. no aperfeiçoamento do mundo e dos corações. na tranqüilidade e na meditação. A ordem dos Franciscanos chegou a congregar mais de duzentos mil missionários e seguidores do grande inspirado. ainda uma vez.

tornando-se o flagelo e a desdita do mundo inteiro. mas podia aplicar todos os suplícios imagináveis. A OBRA DO PAPADO Há quem tente justificar esses longos séculos de sombra pelos hábitos e concepções daquele tempo. como cada instituição. tem o seu processo de contas na Justiça Divina. e cada personalidade. A Inquisição foi obra direta do papado. Crimes tenebrosos foram perpetrados ao pé dos altares. . em nome dAquele que é amor. A penumbra dos templos era teatro de cenas amargas e sacrílegas.pena benéfica e consoladora em face dos martírios infligidos aos que lhe caíssem nos calabouços -.161 A CAMINHO DA LUZ diretamente à morte . cuja ação criminosa e perversa entravou a evolução da Humanidade por mais de seis longos séculos. nos débitos romanos pesam essas responsabilidades tão tremendas quão dolorosas. Mas. Por isso. A repressão das "heresias" foi o pretexto de sua consolidação na Europa. a verdade é que o progresso das criaturas poderia dispensar esse mecanismo de crimes monstruosos. Eis por que não podemos justificar a existência desse tribunal espantoso. perdão e misericórdia. Longo período de sombras invadiu os departamentos da atividade humana. A instituição sinistra da Igreja ia cobrir a estrada evolutiva do homem com um sudário de trevas espessas.

dados os seus movimentos. as correntes do . identificando os caminhos da Paixão de Jesus. as Cruzadas nos merecem especial referência. Enquanto dominavam na região os árabes de Bagdá ou do Egito. Milhares de peregrinos visitavam anualmente a paisagem triste de Jerusalém. característicos da época. Desde Constantino que os lugares santos da Palestina haviam adquirido considerável importância para a Europa ocidental.163 XIX As Cruzadas e o fim da Idade Média AS PRIMEIRAS CRUZADAS Reportando-nos ao século XI. ou os traços da vida dos Apóstolos.

sob o comando de Pedro. Depois da presa de Nicéia. aceitou apenas o título de "defensor do Santo Sepulcro". Depois de muita relutância. dispersada que foi pelos búlgaros e húngaros. depois de se reunirem em Constantinopla. quando o Cristo tivera. não descansaram. demandaram Nicéia. tão-somente. Os turcos. as paragens sagradas. preparam-se as primeiras cruzadas em busca da vitória contra o infiel. que não mais toleraram a presença dos cristãos. organizando-se logo em seguida as ordens religiosas de caráter exclusivamente militar. apossaram-se de Edessa. nas mãos augustas e compassivas. não chegou a ausentar-se da Europa. obrigando o papa Eugênio III a providenciar . Godofredo de Bouillon com seus irmãos e Tancredo de Siracusa e outros chefes. A primeira expedição que saiu dos centros mais civilizados. com um exército de 500. cuja fronte fora aureolada com a coroa de espinhos. uma cana ignominiosa. como a dos Templários e a dos Hospitalários. e considerou sacrilégio o colocarem-lhe nas mãos um cetro de ouro. sem receio. Semelhantes medidas provocam os protestos de todo o mundo católico do Ocidente e. expulsando-os dali com a máxima crueldade. Todavia. porém. o Eremita. Ali quiseram presentear Godofredo de Bouillon com a coroa de rei.000 homens. mas o duque da Baixa Lorena parecia rever o vulto luminoso do Senhor do Mundo. apoderaram-se de Antioquia. mas a Jerusalém do século XI havia caído sob o poder dos turcos.164 EMMANUEL turismo católico podiam buscar. Depois de muitas lutas. no fim do referido século. em 1096. penetrando em Jerusalém com a palma do triunfo.

que a própria Natureza pareceu maldizer para sempre os lugares que mereciam o amor e o carinho dos homens. cheio de perfume e de flores. FIM DAS CRUZADAS Em fins do século XII Jerusalém cai em poder de Saladino. As lutas no Oriente sucederam-se anos a fio como furacões periódicos e devastadores. chefiada por Luís VII da França e Conrado III da Alemanha. Os mensageiros de Jesus. até então. pagando fabuloso resgate e vindo a desprender-se da vida terrestre em 1270. não obstante o seu caráter anticristão. A Galiléia era um vasto jardim. teve os mais desastrosos efeitos. caiu em poder dos inimigos. Os príncipes cristãos do Ocidente preparam-se para a terceira Cruzada. Mas tantos foram os embates dos exércitos inimigos. As últimas Cruzadas foram dirigidas por Luís IX. tantas as lutas de extermínio e de ambição. buscam aproveitar a utilidade desses acontecimentos dolorosos. que. depois da tomada de Damieta. A Palestina possuía. fizeram-se acompanhar de alguns benefícios de ordem econômica e social para todos os povos. enfraque- . defronte de Túnis. os seus recantos maravilhosos de verdura abundante. João d'Acre.165 A CAMINHO DA LUZ a segunda Cruzada. o rei santo de França que. que de todos os acontecimentos sabem extrair os fatores da evolução humana para o bem. assinalando-se as vitórias de S. Na Europa a sua influência foi regeneradora. Foi por essa razão que as Cruzadas. vitimado pela peste.

os seus movimentos intensificaram. influenciados pela imperfeição rude do meio a que foram conduzidos. apenas paralisadas mais tarde. compelidas pelas leis do amor que regem o Universo. como Luís IX. partindo dos Espaços. sobremaneira. O ESFORÇO DOS EMISSÁRIOS DO CRISTO No Infinito. Mas. cumprindo os seus sagrados deveres espirituais com poucos benefícios e amplos prejuízos gerais para as criaturas. saturados dos melhores e mais santos propósitos. excediam-se no poder e na autoridade. Além disso. experimentam no orbe a traição das próprias forças. essas entidades compassivas jamais negaram do Alto o seu desvelado concurso a favor do progresso dos povos. cometendo atos de quase selvajaria. que. de França. as relações do Ocidente com o Oriente.166 EMMANUEL cendo a tirania dos senhores feudais e renovando a solução dos problemas da propriedade. Muitos deles se deixavam deslumbrar pelas riquezas efêmeras. organizando novos trabalhos para a evolução geral de todos os povos do planeta. reúnem-se os emissários do Divino Mestre. mergulhando no oceano das vaidades dominadoras. e outros. procurando aperfeiçoar as almas e guiando os missionários do Cristo através dos mais espinhosos caminhos. em assembléias numerosas. Lamentam a inabilidade de muitos missionários do bem e do amor. estacionando nos caminhos evolutivos. em vista da ferocidade dos turcos e dos invasores mongóis. sob a égide do seu pensamento misericordioso. conjurando muitas lutas isoladas. .

organizavam as suas construções à sombra da Igreja. receosa de interpretações que não fossem propriamente dela. considerando-se os direitos absurdos do Tribunal da Inquisição. que se constitui das mais altas indagações espirituais. com poderes de vida e morte sobre as criaturas. bem como a Filosofia. então senhora absoluta de todas as atividades do homem. estavam totalmente escravizadas à Teologia. Cada região européia tratava de concatenar todos os elementos precisos à organização de sua unidade política.167 A CAMINHO DA LUZ POBREZA INTELECTUAL No século XIII estava definitivamente instalado o governo real. A Ciência. onde muitos padres se ocupavam de avivar a letra dos manuscritos mais antigos. Os Estados que se levantavam. desaparecendo as mais fortes expressões do feudalismo. Coimbra e Salamanca. Até o século XII as escolas estavam circunscritas ao ambiente dos mosteiros. produzindo outros para a posteridade. sob a inspiração do Alto. depois do século XIII. que serviram de modelo às de Oxford. Os pergaminhos custavam verdadeiras fortunas e o livro era dificilmente encontrado. . cuja linha ascensional guarda o seu ponto de princípio na curiosidade ou na dúvida. que tinha interesse em não dilatar os domínios da educação individual. quando. mas a verdade é que os meios escassos de instrução não permitiam uma existência intelectual mais avançada. já se haviam fundado universidades importantes como as de Paris e de Bolonha.

iniciam largo trabalho de associação dos Espíritos. TRANSMIGRAÇÃO DE POVOS É então que inúmeros mensageiros de Jesus. A universidade se constituía de quatro faculdades . que seriam os grandes elementos de preparação do porvir. Direito e Artes reunindo milhares de inteligências ávidas de ensino. proibindo o exame e a livre opinião. é um dos pontos culminantes dessa renascença espiritual. formando-se as grandes tradições literárias de cada região. contudo. consolidam-se as expressões lingüísticas de cada país.Teologia. a fim de formarem as nações do futuro.168 EMMANUEL RENASCIMENTO A esse tempo opera-se um verdadeiro renascimento na vida intelectual dos povos mais evolvidos do mundo europeu. com sérios prejuízos para as coletividades. Rogério Bacon. máxime no capítulo da Medicina. que. franciscano inglês. A Igreja. com a sua perso- . sob a sua orientação. notável por seus estudos e iniciativas. Medicina. desprezando a observação atenta de todos os fatos. em vista das grandes e numerosas construções então em voga. prejudicou esse surto evolutivo. Com a influência indireta dos Guias espirituais dos vários agrupamentos de povos. se entregou à magia. a Arquitetura foi a mais cultivada de todas as artes. Favorecida pela necessidade dos panoramas imponentes do culto externo da religião e pela fortuna particular. de acordo com as tendências e afinidades.

169 A CAMINHO DA LUZ nalidade coletiva. A Península Ibérica é imensa oficina de trabalho e a França ensaia os passos definitivos para a sabedoria e para a beleza. . Andemos mais um pouco e acharemos na Prússia o espírito belicoso de Esparta. Na antiga Lutécia. organiza os Estatutos de Oxford. com a sua educação e a sua prudência. A Alemanha se organiza. segundo as determinações sábias do Cristo. erguendo-se as bases de um mundo novo. A Itália prepara-se para a sua missão de latinidade. Constroem-se os alicerces dos grandes países como a Inglaterra. em 1258. limitando os poderes de Henrique III. cuja educação defeituosa e transviada construiu o espírito detestável do pangermanismo na Alemanha da atualidade. A atuação do mundo espiritual proporciona à história humana a perfeita caracterização da alma coletiva dos povos. abrindo caminhos claros ao direito dos homens e dos povos. Como os indivíduos. vamos achar a alma ateniense nas suas elevadas indagações filosóficas e científicas. e em 1265 erige a Câmara dos Comuns. que. que se transformou na famosa Paris do Ocidente. A cada uma dessas nacionalidades seria cometida determinada missão no concerto dos povos futuros. É assim que vamos encontrar antigos fenícios na Espanha e em Portugal. Atravessemos a Mancha e deparar-se-nos-á na Grã-Bretanha a edilidade romana. as coletividades também voltam ao mundo pelo caminho da reencarnação. depois de tantos e tão continuados desastres da fraqueza humana. onde a burguesia e as classes menos favorecidas têm a palavra com a Câmara dos Lordes. entregando-se de novo às suas predileções pelo mar.

FIM DA IDADE MEDIEVAL Do plano invisível e em todos os tempos. que ficou para sempre em poder dos turcos. e às guerras dolorosas que assinalaram o fim da idade medieval. verificava-se o término da época medieval. registramos aqui. que cumpriu elevada missão adstrita aos princípios de justiça e de fraternidade na Terra. lá dos arcanos do Infinito.170 EMMANUEL retomando de novo as rédeas perdidas do Império Romano. Referindo-nos. com as conquistas tenebrosas de Gêngis Khan e de Tamerlão e com a queda de Constantinopla. a sua proteção e o seu auxílio. . Uma nova era despontava para a Humanidade terrestre. que. em 1453. por tantos séculos. para beneficiar as almas que aguardaram. de escantilhão. lutando sempre pela paz e pelo bem de todas as criaturas. com a assistência contínua do Cristo. à nobre figura de Joana d'Arc. cujos olhos misericordiosos acompanham a evolução dos homens. os Espíritos abnegados acompanharam a Humanidade em seus dias de martírio e glorificação.

grandes assembléias espirituais se reúnem nas proximidades do planeta. orientando os movimentos renovadores que.171 XX Renascença do mundo MOVIMENTOS REGENERADORES Nos albores do século XV. Todo esse esforço de regeneração efetuava-se sob o seu olhar misericordioso e compassivo. em virtude das determinações do Cristo. derramando sua luz em todos os corações. quando a idade medieval estava prestes a extinguir-se. Mensageiros devotados reencarnam no orbe. deveriam encaminhar o mundo para uma nova era. para desempenho de missões carinhosas e re- .

como a bússola para as experiências marítimas e o papel para a divulgação do pensamento. MISSÃO DA AMÉRICA O Cristo localiza. e investindo cada qual com determinada responsabilidade na estrutura da evolução coletiva do planeta. a importância de semelhante acontecimento. na América as suas fecundas esperanças. combatendo os abusos de natureza religiosa. Jesus dirige essa renascença de todas as atividades humanas. sob a orientação da personalidade de Henrique de Sagres. espalhando nos departamentos da pintura e da escultura as mais belas jóias do gênio e do sentimento. A Inglaterra e a França preparam-se para a grande missão democrática que o Cristo lhes conferira. fundam-se escolas de navegadores que se fazem ao grande oceano. os auxiliares do Divino Mestre conseguem ambientar na Europa antigas invenções e utilidades do Oriente.172 EMMANUEL dentoras. procurando as estradas esquecidas para o Oriente. O século XVI alvorece com a descoberta do novo continente. na época. Numerosos precursores da Reforma surgem por toda a parte. em busca de terras desconhecidas. compreendessem. O comércio se desloca das águas estreitas do Mediterrâneo para as grandes correntes do Atlântico. de modo geral. Na Península Ibérica. Antigos mestres de Atenas reencarnaram na Itália. então. sem que os europeus. definindo a posição dos vários países europeus. incumbido de grandes e proveitosas realizações. As riquezas fabulosas da Índia . Para facilitar a obra extraordinária dessa imensa tarefa de renovação.

todos os espíritos de boa-vontade poderiam trabalhar pelo advento da paz e da fraternidade do futuro humano.173 A CAMINHO DA LUZ deslumbram o espírito aventureiro daquele tempo. Os primeiros guardam os poderes materiais. Se os colonizadores da região americana. e o seu coração nas extensões da terra farta e acolhedora onde floresce o Brasil. eram os degredados ou os proscritos das sociedades européias. localizando o cérebro da nova civilização no ponto onde hoje se alinham os Estados Unidos da América do Norte. grande esforço de seleção espiritual foi levado a efeito no seio das lutas européias. importa considerar que esses colonos não vinham tão- . Nesse campo de lutas novas e regeneradoras. O PLANO INVISÍVEL E A COLONIZAÇÃO DO NOVO MUNDO Após a descoberta da América. e as testas coroadas do Velho Mundo não entenderam a significação moral do continente americano. laborando para os séculos porvindouros. Os operários de Jesus. organizam as linhas evolutivas das nacionalidades que aí teriam de florescer no porvir. nos primeiros tempos. cumprem os seus grandes deveres no âmbito das novas terras. porém. Sob a determinação superior. e foi por isso que. no intuito de criar no Novo Mundo um outro sentido de evolução. na América do Sul. abstraídos da crítica ou do aplauso do mundo. destinadas à civilização planetária do futuro. o segundo detém as primícias dos poderes espirituais. definiram o papel de cada região no continente.

A literatura apresenta uma vida nova e as artes atingem culminâncias que a posteridade não poderia alcançar. na exclusiva observância do plano material. igualmente. A invenção da imprensa facultava o mais alto progresso no mundo das idéias. desse modo. APOGEU DA RENASCENÇA Essa renascença. criando as mais belas expressões de vida intelectual. iniciada do Alto. originando-se.174 EMMANUEL -somente das grandes capitais do antigo continente. que encarnaram nas terras novas. Numerosos artífices da Grécia antiga. cansadas das lutas inglórias de hegemonia e de ambição. partiram caravanas inúmeras de almas de boa-vontade. como filhos daqueles degredados muitas vezes perseguidos pela iniquidade da justiça dos homens. como também em todas as questões que significam os verdadeiros bens da vida. deixam traços indeléveis da sua passagem. sentimentos mais elevados. não só quanto aos problemas da concórdia internacional e da solidariedade humana. clareou a Terra em todas as direções. aliaram-se numerosas entidades da Europa. A esses Espíritos mais ou menos adiantados. nos mármo- . Do mundo invisível. buscando a redenção no esforço construtivo de uma nova pátria em bases sólidas de fraternidade e amor. Se reconhecemos na América a projeção espiritual da Europa. entre os povos americanos. temos de convir que se trata de uma Europa mais sábia e mais experiente. reencarnados na Itália. quanto à compreensão da comunidade continental.

Melanchton e outros vultos notáveis da Reforma. de maneira a regenerar os seus relaxados centros de força. o célebre "Livro das Taxas da Sagrada Chancelaria e da Sagrada Penitenciaria Apostólica". em 1518. para todos os adultérios. Erasmo.175 A CAMINHO DA LUZ res preciosos. Por ocasião dos primeiros protestos contra o fausto desmedido dos príncipes da Igreja. De nada valeram as perseguições . Há mesmo. em todos os departamentos das atividades artísticas. inclusive os crimes mais hediondos. ocupava a cadeira pontifícia Leão X. desviada do caminho cristão. assim. Tais rebaixamentos da dignidade eclesiástica ambientaram as pregações de Lutero e seus companheiros de apostolado. anterior às disciplinas austeras do Catolicismo na idade medieval. O plano invisível determina. um pronunciado sabor da vida grega. Calvino. a vinda ao mundo de numerosos missionários com o objetivo de levar a efeito a renascença da religião. atingiam rigorosamente apenas quem não fosse parte integrante do quadro das autoridades eclesiásticas. Sob a sua direção criara-se. cuja vida mundana impressionava desagradavelmente os espíritos sinceramente religiosos. no século XVI. onde se encontrava estipulado o preço de absolvição para todos os pecados. na Europa Central e nos Países Baixos. cujas regras. aliás. RENASCENÇA RELIGIOSA A essas atividades reformadoras não poderia escapar a Igreja. aparecem as figuras veneráveis de Lutero. Assim.

Os postulados de Lutero constituíram. A verdade. que mostraram ao europeu outras aplicações da pólvora. respondia com o extremismo da intolerância. com poderes de vida e morte nos países católicos. O Tribunal da Inquisição. antes de tudo. modalidade de combate aos absurdos romanos. contudo. em face da preferência de Leão X encarregando os Dominicanos da pregação das indulgências. Espetáculos . A COMPANHIA DE JESUS Uma onda de claridades novas felicitava todas as consciências. inaugurava um dos períodos mais tristes da história ocidental. no capítulo da imposição dogmática e da extorsão pecuniária. prejudicando a sua própria doutrina. inspiraram ao cérebro obcecado e doentio de Inácio de Loiola a fundação do jesuitismo. A Igreja. é que o humilde filho de Eisleben tornara-se órgão da repulsa geral aos abusos da Igreja. Mas o seu esforço se coroou de notável importância para os caminhos do porvir. mas os Espíritos tenebrosos e pervertidos.176 EMMANUEL e ameaças ao eminente frade agostiniano. além daquelas que os chineses haviam enxergado na beleza dos fogos de artifício. colimando reprimir a liberdade das consciências. em 1534. ensombrando o caminho dos povos. fez milhares e milhares de vítimas. Alguns historiadores enxergaram na sua missão uma simples expressão de despeito dos seus companheiros de comunidade. sem representarem o caminho ideal para as verdades religiosas. estendendo mão forte a essa idéia. Ao extremismo do abuso.

Também os padres sinceros sofreram largamente sob a sua preponderância nefasta. mas obedeço à minha consciência. queimavam o infeliz na praça pública. para cogitar tão-somente dos fins imorais a que se propunha. em 1773. os autos-de-fé acenderam horrendas fogueiras do Santo-Ofício. quando o papa Clemente XIV tentou extingui-la. em . muitos "fiéis" faziam questão de levar ao altar de Jesus a vela feita da gordura dos protestantes. contribuindo amplamente para o atraso moral em que se encontra o "homem científico" dos tempos modernos. AÇÃO DO JESUITISMO A Companhia de Jesus."Assino minha sentença de morte. de nefasta memória. por toda parte onde existissem cérebros que pensassem e corações que sentissem. com o seu breve "Dominus ac Redemptor". tétrica noite causava pesadelos coletivos em matéria de fé. nos domínios da civilização ocidental. Na Espanha. Suas hordas de predomínio. Tanto assim que. Sua ação desdobrou-se por largos anos de treva." Com efeito. na França.177 A CAMINHO DA LUZ sangrentos e detestáveis verificaram-se em quase todas as grandes cidades da Europa. Instituiu-se a devassa de todos os institutos sociais e a violação de todos os lares. exclamava desolado: . de cupidez e de ambição não martirizaram apenas o mundo secular. não procurava conhecer os meios. na Irlanda.

vitimado por um veneno letal que lhe apodreceu lentamente o corpo. o grande pontífice entregava a alma a Deus.178 EMMANUEL setembro de 1774. . no meio dos mais horrorosos padecimentos.

confiscando-lhe bens preciosos. porque alguns príncipes ambiciosos se aproveitaram do movimento das massas. condenara Lutero como herege. A Igreja começou a sofrer os golpes mais fortes e mais dolorosos. Numerosos camponeses. em 1521. levando-o a refugiar-se em Wartburgo.179 XXI Época de transição AS LUTAS DA REFORMA Debalde a Dieta de Worms. empolgados pelos direitos do pensamento livre. exigindo . iniciaram grande campanha contra a Igreja usurpadora. porque as suas idéias libertárias acenderam uma nova luz. propagando-se com a rapidez de um incêndio.

180 EMMANUEL reformas agrárias e sociais. os huguenotes se encontravam muito bem organizados. O movimento sinistro. por conveniência de caprichos pessoais tornou-se o chefe do poder político. Na França. começou em 24 de agosto de 1572. instituiu-se um regime da mais larga tolerância recíproca. O direito do exame livre. que durou 48 horas. Henrique VIII. a Igreja Presbiteriana. como cada coletividade. na Suíça e na França era o Calvinismo e. Somente em Paris e subúrbios. ou das conveniências políticas do meio em que viviam. a questão veio a tornar-se mais grave. Na Alemanha era o Protestantismo. e o gênio despótico de Catarina de Médicis ordena a matança de São Bartolomeu. mas precisamos considerar que cada homem. arrancando-a daquela alucinação de morticínio e sangue. assumindo a direção da Igreja Anglicana. os centros cultos europeus viveram momentos de angustiosas expectativas nos bastidores da tragédia religiosa. no intuito de eliminar o almirante Coligny. defensor extremado da fé católica. em nome do Evangelho. dividiu a Reforma em vários departamentos religiosos. De 1521 a 1555. Na Inglaterra. foram eliminadas três mil pessoas. porém. trabalhando por despertar a consciência geral. Os mensageiros do Cristo deploram tão dolorosos acontecimentos. com os partidários dos princípios de Martinho Lutero. mas. na Escócia. a princípio. de acordo com a orientação pessoal de seus pregadores. pode cumprir seus deveres ou . mas surgem as complicações de natureza política. sofrendo a "Reforma" um dos seus mais amargos reveses. depois da Concordata de Augsburgo.

longe de colimar um fim. que trabalhavam o organismo europeu desde muitos anos. viu essa poderosa esquadra destruída totalmente por uma tempestade aniquiladora. procurou reprimir a liberdade política dos Países Baixos. A INVENCÍVEL ARMADA As lutas na Europa. sucessor de Carlos V. As lutas de Filipe II. De conformidade com as providências do plano invisível. Como se não bastassem as guerras religiosas. Animado com as vitórias sobre os turcos e os muçulmanos. mergulhando os povos do Velho Mundo num terrível círculo vicioso de reencarnações e resgates dolorosos. encontrando a mais heróica resistência.181 A CAMINHO DA LUZ agravar suas responsabilidades próprias. . em todo o século XVI. surge a figura de um príncipe fanático e cruel. Foi assim que. colocava ele a sua ambição e o seu despotismo. no ano de 1588. Suas atividades maléficas. obrigando o plano espiritual a coibir-lhe os imensuráveis abusos do poder.000 homens. complicando a existência política das coletividades européias. mascaradas com a defesa do Catolicismo. na esfera de sua liberdade relativa. a fim de atacar a Inglaterra sem motivo que justificasse semelhante agressão. mas. na poderosa Espanha de então. espalhavam-se por toda a parte. composta de mais de uma centena de navios equipados com 2. de algum modo. prendiam-se.000 canhões e 35. aos problemas da Reforma protestante. acima de tudo. dilatavam-se em guerras tenebrosas. havendo organizado a Invencível Armada.

dada a rebeldia de todos os elementos. no Velho Mundo. em 1648. As guerras de natureza religiosa estavam longe de terminar. não obstante o amparo e a assistência dos abnegados mensageiros do Cristo. e que foram lá recebidos generosamente. encontrando uma nova pátria. consolidando as vitórias do protestantismo. mergulhou num oceano de tricas políticas.182 EMMANUEL apenas aportaram às costas inglesas os espíritos pacíficos. porque a quase totalidade da Companhia. Quase se pode afirmar que os únicos jesuítas dignos do nome de sacerdotes de Jesus foram aqueles que vieram para as regiões desconhecidas da América. o povo inglês estava preparado para o cumprimento de uma grande missão. muitas vezes rematadas em tragédias criminosas. e ao mundo espiritual competia trabalhar pela preservação dos seus patrimônios de liberdade política. agora agravadas com as tenebrosas criações do Tribunal da Penitência. em face das imposições injustificáveis do jesuitismo. e foi com penosos esforços que os emissários do Alto conduziram as coletividades européias ao Tratado de Westphalia. compelidos pela força a participarem da armada destruída. no cumprimento dos mais nobres deveres de fraternidade humana. transportou-se ao século XVII no meio de lutas espantosas. . Se Henrique VIII havia errado como homem. GUERRAS RELIGIOSAS A Europa.

para as mais nobres conquistas humanas. desgostosos com a adminis- . eleva-se ao trono o rei da Escócia. verifica-se a restauração do trono com os Stuarts. a passos largos. em 1603. Rompendo com o Parlamento e dissolvendo-o. porque os ingleses. firmavam-se os princípios do absolutismo no trono. vezes consecutivas. criavam-se os serviços benéficos da diplomacia. fanático e cruel. que. ensejando uma guerra civil que durou vários anos e só terminada com a ação de Cromwell. O governo destes teria. e. em defesa dos seus representantes. em face da incapacidade política do filho. sob a influência do plano invisível. Ao seu lado. Depois da sua morte. viu o povo da capital inglesa de armas na mão. pouca duração. o descendente dos Stuarts inaugurou um período de nefastas perseguições. mas a sua grande alma coletiva. já vislumbrava o precioso esforço que lhe competia no porvir. a dinastia dos Túdores. cujas disposições políticas se constituíam das mais avançadas tendências para a tirania. mas. Jaime I. de acordo com o Parlamento. porém. embriagado com o vinho sinistro do despotismo. Nos bastidores da sua política administrativa. a Grã-Bretanha caminhava. foi também um ditador vingativo. cheia de sentimento e generosidade. Cromwell era um espírito valoroso. a França já se encontrava preparada para o cumprimento da sua grande missão junto dos povos. estabelece a República da qual se torna o "Lorde Protetor". o qual foi intensificado por seu filho Carlos I. Desejando reviver os princípios absolutistas. Extinta.183 A CAMINHO DA LUZ A FRANÇA E A INGLATERRA A esse tempo.

consolidando as fórmulas do parlamentarismo. sob a orientação de Jesus. definindo a emancipação do povo e limitando os poderes reais. as organizações políticas do continente americano se tornaram. O Parlamento redige a famosa declaração de direitos. Para o hemisfério do Novo Mundo afluíam todas as entidades conclamadas à organização do progresso futuro. sentiam no íntimo as generosas florações de reformas edificantes. depois de muitas lutas no antigo continente. A Inglaterra havia cumprido um dos seus mais nobres deveres. conduzia para a América todos os Espíritos sinceros e trabalhadores. REFÚGIO DA AMÉRICA Considerando o movimento das responsabilidades gerais e isoladas. desde os seus primórdios. Foi por essa razão que. cada vez mais. onde indivíduos e coletividades se prendiam. chamam Guilherme de Orange ao poder. baluartes de paz e de . que não necessitassem de reencarnações ao mundo europeu. elevando-se ao trono Guilherme III com a revolução de 1688.184 EMMANUEL tração de Jaime II. porque assim todas as classes eram chamadas à cooperação e fiscalização dos governos. Muitas dessas personalidades haviam adquirido o senso da fraternidade e da paz. Exaustas de procurar a felicidade nos limites estreitos dos sentimentos exclusivistas. e no seu tradicional amor à liberdade. o plano invisível. compreendendo a verdadeira solidariedade. na comunidade universal. na cadeia das existências de provações expiatórias.

Quesnay. em nome do qual se cometiam todas as barbaridades. substância de todas as conquistas sociais de que se orgulham os povos modernos. para regeneração das coletividades terrestres. Vamos encontrar nessa plêiade de reformadores os vultos veneráveis de Voltaire. mas elevados Espíritos da Filosofia e da Ciência. iam combater os erros da sociedade e da política. como em todo o mundo. e dos príncipes da Prússia. não se pejam de vir a público asseverar que esses espíritos estudiosos e sábios se encontravam a soldo de Catarina II da Rússia. reencarnados particularmente na França. É que a permanência no seu solo e nas luzes ocultas do seu clima social era considerada por todos os Espíritos como uma bênção de Deus. D'Alembert. Rousseau. fazendo soçobrar os princípios do direito divino. numa característica mania de sensacionalismo. Suas lições generosas repercutem na América do Norte. Diderot.185 A CAMINHO DA LUZ fraternidade para o orbe inteiro. Historiadores há que. foram eles os instrumentos ativos do mundo espiritual. Montesquieu. porque foi dos sacrifícios desses corações generosos que se fez a fagulha divina do pensamento e da liberdade. OS ENCICLOPEDISTAS O século XVIII iniciou-se entre lutas igualmente renovadoras. contra a integridade da França. mas. Entre cintilações do sentimento e do gênio. semelhantes afirmativas representam injúrias caluniosas que apenas afetam os que as proferem. . em face das sucessivas inquietações européias.

organizando-se. de que ''ninguém deve pagar contribuições sem as ter votado".186 EMMANUEL A INDEPENDÊNCIA AMERICANA As idéias nobilitantes dos autores da Enciclopédia e das novas teorias sociais haviam encontrado o mais franco acolhimento nas colônias inglesas da América do Norte. o grande princípio por ela própria firmado. deliberando executar nas terras novas os grandes princípios democráticos pregados pelos filósofos e pensadores do século XVIII. a Constituição de Filadélfia. E enquanto a Inglaterra desrespeita. Depois de alguns incidentes com a metrópole. celebram a sua emancipação em 4 de julho de 1776. os americanos resolvem proclamar a sua independência política. . posteriormente. desse modo. O mundo invisível aproveita. modelo dos códigos democráticos do porvir. para com as suas colônias. organizadas e educadas no espírito de liberdade da pátria do parlamentarismo. a grande oportunidade.

no coração torturado do povo. humilhados pelas mais prementes dificuldades. haviam ambientado todas as idéias livres e nobres dos enciclopedistas e dos filósofos.187 XXII A Revolução Francesa A FRANÇA NO SÉCULO XVIII A independência americana acendera o mais vivo entusiasmo no ânimo dos franceses. Os impostos aniquilavam todos os centros de produção. O luxo desenfreado e os abusos do clero e da nobreza. salientan- . depois do extravagante reinado de Luís XV. em proporções espantosas. A situação das classes proletárias e dos lavradores caracterizava-se pela mais hedionda miséria.

precedida de numerosos incidentes.188 EMMANUEL do-se que os nobres e os padres estavam isentos desses deveres. na sua pouca experiência dos homens e da vida. Desde 1614. mal sabia. explodiram os maiores desentendimentos entre os seus membros. não mais se haviam reunido os Estados-Gerais. De nada valera o esforço de Luís XVI convidando os espíritos mais práticos e eminentes para colaborar na sua administração. Reunidos em maio de 1789 os Estados-Gerais. não obstante a boavontade e a cooperação de Necker. com transformações dolorosas que lhe exigiriam a própria vida. em Paris. fortalecendo-se. o absolutismo monárquico. inicia-se a revolução instigada pela palavra de Mirabeau. uma série de reformas se verifica em todos os departamentos da vida social e política da França. Famílias numerosas aproveitavam a trégua. ÉPOCA DE SOMBRAS Derrubada a Bastilha em 14 de julho de 1789 e após a célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Aquelas renovações. como Turgot e Malesherbes. O bondoso monarca. e o próprio . Transformada a reunião em Assembléia Constituinte. todavia. preludiavam os mais dolorosos acontecimentos. cada vez mais. buscando o acolhimento de países vizinhos. que tudo fazia para reerguer a realeza de sua queda lamentável. em virtude dos excessos do seu antecessor no trono. em nome do Rei. que uma era nova começava para o mundo político do Ocidente.

foi combatida imediatamente pelas outras nacionalidades da Europa. Todavia. no sentido de quebrar o cetro da realeza absoluta. que. Ministro da Inglaterra. sendo preso em Varenas e reconduzido a Paris. pelo plano espiritual. depois de muitas figuras notáveis dos primórdios revolucionários. A volúpia da vitória generalizou uma forte embriaguez de morticínio no ânimo das massas. sustentaram contra ela. decretou-lhe a morte na guilhotina. CONTRA OS EXCESSOS DA REVOLUÇÃO A Revolução Francesa. Cabia-lhe tão-somente aproveitar as conquistas inglesas. ao cumprimento de sagrada missão junto à Humanidade sofredora. desse modo. surgiram espíritos tenebrosos. uma luta de morte. Foi assim que.189 A CAMINHO DA LUZ Luís XVI tentou atravessar a fronteira. naquela época. espreitavam na treva o momento psicológico para saciar a sede de sangue e de poder. chamada. infelizmente. . de acordo com as sábias lições dos seus filósofos e pensadores. muitas outras personalidades. sob a orientação de Pitt. apesar das garantias que a Constituição de 1791 oferecia à pessoa do Rei. organizando um novo processo administrativo na renovação dos organismos políticos do orbe. como Robespierre e Marat. conduzindo-as aos mais nefastos acontecimentos. Um mundo de sombras invadia as consciências da França generosa. se alguns Espíritos se encontravam preparados para a jornada heróica daquele fim de século. e por largos anos. A Convenção Nacional.

confortando as almas aflitas e aclarando novos caminhos. à frente de grandes exércitos de Espíritos consoladores. suplicando a atenção dos súditos. antes que o carrasco lhe decepasse a cabeça. no local da atual Praça da Concórdia. para as reencarnações regeneradoras. tenta Luís XVI justificar sua inocência ao povo de Paris. de paz e de liberdade. implorando a sua proteção e misericórdia para a grande nação transviada. A França atraía para si as mais dolorosas provações coletivas nessa torrente de desatinos. Sob as . Renovam-se as ordens aos guardas do cadafalso e rufam os tambores com estrépito. Aquela que fora a corajosa e singela filha de Domrémy volta ao ambiente da antiga pátria. numa onda de lágrimas e de sentimentos que lhe burburinhavam no coração. sob a bênção de Jesus. Mas. são por ela conduzidos às plagas da América. Em vão. Numerosas caravanas de seres flagelados. abafando as suas afirmativas. fora do cárcere material. As palavras mais sinceras afluem-lhe aos lábios. organiza-se a primeira coligação européia contra o nobre país.190 EMMANUEL verificando-se a execução aos 21 de janeiro de 1793. Também no mundo espiritual reúnem-se os gênios da latinidade. não somente nos gabinetes administrativos da Europa se processavam providências reparadoras. O PERÍODO DO TERROR A lei das compensações é uma das maiores e mais vivas realidades do Universo. não obstante a sua calma aparente. Com a influência inglesa.

Ocasiões houve em que subiram ao cadafalso mais de vinte pessoas por dia. aproveitada na reconstrução de obras notáveis do pensamento. com os mais sinistros espetáculos do patíbulo. conseguem os gênios da França inspirar aos seus homens públicos a Constituição de 1795. em face da reação das massas anônimas e sofredoras. o teatro de trágicos acontecimentos. com o propósito de restituir a liberdade ao povo de sua terra e expiando o seu ato extremo com a própria vida.191 A CAMINHO DA LUZ suas disposições sábias e justas. cujos tronos se sentiam . A consciência da França viu-se envolvida em trevas espessas. Erradamente. Estabelece-se dessa forma uma trégua de paz. a cidade de Paris teria de ser. Foi assim que se instalou o hediondo tribunal revolucionário e a chamada junta de salvação pública. ainda por muito tempo. Carlota Corday entregou-se ao crime na residência de Marat. ficando o poder executivo confiado a um Diretório composto de cinco membros. mas Robespierre e seus sequazes não tardaram muito a subir igualmente os degraus do patíbulo. Os centros militares lutavam contra os propósitos de invasão de outras potências européias. A CONSTITUIÇÃO Depois de grandes lutas com o predomínio das sombras. A tirania de Robespierre ordenou a matança de numerosos companheiros e de muitos homens honestos e dignos. Os poderes legislativos ficavam entregues ao "Conselho dos quinhentos" e ao "Conselho dos anciães".

assinalava para o mundo espiritual a pouca eficácia do seu esforço. em 1797. porém. Assediado pelo sonho de domínio absoluto. Bastaram as vitórias de Árcole e de Rívoli. NAPOLEÃO BONAPARTE O humilde soldado corso. com atribuições de missionário. considerado o espírito de orgulho e de imperialismo que predominou nas suas energias transformadoras. em face do advento das novas idéias do liberalismo. Povos existem. foi Napoleão Bonaparte. depois dos seus desvarios de liberdade. estava ameaçada de invasão e desmembramento.192 EMMANUEL ameaçados na sua estabilidade. e os políticos se entregavam a uma vasta operosidade de edificação. Assim como o profeta do Islã pouco se aproximara do Evangelho. Contudo. da França do liberalismo. a França. muito antes de Waterloo. filho de obscura família corsa. para que a vaidade e a ambição lhe ensombrassem o pensamento. também as atividades de Napoleão pouco se aproxima- . Assim. no cumprimento de suas elevadas obrigações junto de outras coletividades do planeta. que se fazem credores da assistência do Alto. destinado a uma grande tarefa na organização social do século XIX. com a paz de Campoformio. chamado às culminâncias do poder. A expedição ao Egito. não soube compreender as finalidades da sua grandiosa missão. vingando nesse esforço as mais nobres realizações. que a sua ação deveria validar. Napoleão foi uma espécie de Maomet transviado.

Sua história está igualmente cheia de traços brilhantes e escuros. Aproximavam-se os tempos em que . invadindo as searas alheias com o seu movimento de transformação e conquistas. mas espalhava a miséria e a ruína no seio de outros povos. no Além. embora traído em suas próprias forças. demonstrando que a sua personalidade de general manteve-se oscilante entre as forças do mal e do bem. garantia a integridade do solo francês. com o movimento dos seus exércitos na absorção e anexação de vários povos. Helena após o seu pedido de amparo e proteção. ALLAN KARDEC A ação de Bonaparte. compeliu o mundo espiritual a tomar enérgicas providências contra o seu despotismo e vaidade orgulhosa. No cumprimento da sua tarefa. organizava-se o Código Civil. estabelecendo as mais belas fórmulas do direito. e verdade é que ele foi um missionário do Alto. de tradições gloriosas.193 A CAMINHO DA LUZ ram das idéias generosas que haviam conduzido o povo francês à revolução. Santa Helena representou para o seu espírito o prólogo das mais dolorosas e mais tristes meditações. fugindo à finalidade de missionário da reorganização do povo francês. considerando providencial a pouca piedade da Inglaterra que o exilou em Sta. mas. mas difundiam-se a pilhagem e o insulto à sagrada emancipação de outros. para o mundo. na vida do Infinito. Sua fronte de soldado pode ficar laureada. seu coração sentiu melhor a amplitude das suas obras. Com as suas vitórias.

194 EMMANUEL Jesus deveria enviar ao mundo o Consolador. com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo. aos 3 de outubro de 1804. obrigando o papa Pio VII a coroá-lo na igreja de Notre Dame. e. Um dos mais lúcidos discípulos do Cristo baixa ao planeta. dois meses antes de Napoleão Bonaparte sagrarse imperador. Apelos ardentes são dirigidos ao Divino Mestre. nas esferas mais próximas da Terra. em Paris. a grande voz do Consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus-Cristo. pelos gênios tutelares dos povos terrestres. Assembléias numerosas se reúnem e confraternizam nos espaços. . compenetrado de sua missão consoladora. nascia Allan Kardec. de acordo com as suas auspiciosas promessas.

em 1815. . aproveitando as dolorosas experiências daqueles anos de extermínio e de revolução. conde de Provença. as mais vastas providências para o ressurgimento dos povos europeus. Também a Igreja é contemplada no grande inventário. adotam-se no Congresso de Viena. é reposto no trono francês. restituindo-se-lhe os Estados onde fundara o seu reino perecível. restabelecendo-se naquela mesma época antigas dinastias. irmão de Luís XVI. Luís XVIII.195 XXIII O século XIX DEPOIS DA REVOLUÇÃO Afastado Napoleão dos movimentos políticos da Europa. A diplomacia realiza memoráveis feitos.

INDEPENDÊNCIA POLÍTICA DA AMÉRICA A maioria dos povos do planeta. tais como a igualdade dos cidadãos perante a lei. ensejando a intervenção indireta das forças invisíveis na reconstrução patrimonial dos grandes povos. com a restrição de poderes dos soberanos.196 EMMANUEL Um sopro de paz reanima aquelas coletividades esgotadas na luta fratricida. A própria Igreja. reconheceu a limitação dos seus poderes junto das massas. os . a liberdade de cultos. habituada a todas as arbitrariedades na sua feição dogmática. porém. caminhando para a mais perfeita emancipação. um regime de responsabilidade individual no mecanismo de todos os departamentos do Estado. A América. resignando-se com a nova situação. vários princípios liberais da Revolução foram adotados. a par de todas as conquistas políticas e sociais. aproximando-se dos ideais republicanos ou instituindo o regime constitucional. Além de se beneficiar o governo de Luís XVIII com as imitações do sistema inglês. estabelecendo-se. se haviam verificado após os movimentos sanguinolentos iniciados em 89. destinada a receber as sagradas experiências da Europa. procurou eliminar os últimos resquícios do absolutismo dos tronos. Muitas reformas. busca aplicar os grandes princípios dos filósofos franceses à sua vida política. Seguindo o exemplo das colônias inglesas. Mormente na França. acompanhando o curso dos acontecimentos. para a civilização do futuro. semelhantes renovações foram mais vastas e numerosas.

ALLAN KARDEC E OS SEUS COLABORADORES O século XIX desenrolava uma torrente de claridades na face do mundo. quando toda a zona sul do continente se fracionava em pequenas repúblicas. Allan Kardec. As lições sagradas do Espiritismo iam ser ouvidas pela Humanidade sofredora. . proclamava-se a liberdade política das províncias da América Meridional. com a ação de Bolívar e com as deliberações do Congresso de Tucumã.197 A CAMINHO DA LUZ quatro vice-reinados da Espanha procuraram lutar pela sua independência. em 1816. encaminhando todos os países para as reformas úteis e preciosas. mas em todos os departamentos da atividade intelectual do século XIX. cuja ação regeneradora não se manifestaria tão-somente nos problemas de ordem doutrinária. nessa época. sendo digno de notar-se o esforço do plano invisível na manutenção da sua integridade territorial. fazia-se acompanhar de uma plêiade de companheiros e colaboradores. no Sul. erguia igualmente o seu brado de emancipação com Pedro I. desfere os vôos soberanos que a conduziriam às culminâncias do século XX. na sua missão de esclarecimento e consolação. A Ciência. todavia. O Brasil. atento à missão do povo brasileiro na civilização do porvir. Jesus. em 1822. No México os patriotas não toleraram outra soberania além da própria e. na sua magnanimidade. repartiria o pão sagrado da esperança e da crença com todos os corações.

. descobre-se a indução magnética. AS CIÊNCIAS SOCIAIS O campo da Filosofia não escapou a essa torrente renovadora. Constrói-se a pilha de coluna. Consolador da Humanidade. segundo as promessas do Cristo. Estuda-se a teoria atômica e a fisiologia assenta bases definitivas com a anatomia comparada. O laboratório afasta-se definitivamente da sacristia. preparando-lhes o coração para o perfeito aproveitamento de tantas riquezas do Céu. atormentadas e divididas. encontra-se a análise espectral e a unidade das energias físicas da Natureza. Aliando-se às ciências físicas. estabelece o intercâmbio direto dos povos. intensificando as comodidades da civilização. o Espiritismo vinha esclarecer os homens. As confissões cristãs. A dádiva celestial do intercâmbio entre o mundo visível e o invisível chegou ao planeta nessa onda de claridades inexprimíveis. A facilidade de comunicações.198 EMMANUEL O progresso da arte tipográfica consegue interessar todos os núcleos de trabalho humano. surgem o telefone e o fonógrafo. A literatura enche-se de expressões notáveis e imorredouras. não toleraram as ciências da alma o ascendente dos dogmas absurdos da Igreja. com o telégrafo e as vias férreas. revistas e jornais numerosos. As artes atestam uma vida nova. A pintura e a música denunciam elevado sabor de espiritualidade avançada. Aparecem os primeiros sulcos no campo da radiotelegrafia. fundando-se bibliotecas circulantes.

A fagulha partira das plagas americanas. amontoara todos os tesouros inúteis. Longe da exemplificação do Nazareno. não obstante a sinceridade com que foram lançadas no vasto campo das idéias. A TAREFA DO MISSIONÁRIO A tarefa de Allan Kardec era difícil e complexa. no seu negativismo transcendente. Competia-lhe reorganizar o edifício desmoronado da crença. . no famoso lugarejo de Hydesville. então. intensificando as necessidades das massas sofredoras. A Igreja Romana era culpada de semelhantes desvios.199 A CAMINHO DA LUZ viviam nos seus templos um combate de morte. provocando os mais largos movimentos de opinião. Longe de exemplificarem aquela fraternidade do Divino Mestre. Atento à missão de concórdia e fraternidade da América. não tratara de fundar o império espiritual dos corações à sua sombra acolhedora. reconduzindo a civilização às suas profundas bases religiosas. entregavam-se a todos os excessos do espírito de seita. antes de dar. o plano invisível localizou aí as primeiras manifestações tangíveis do mundo espiritual. Extorquia. Dominando a ferro e fogo. Schopenhauer é uma demonstração eloqüente do seu pessimismo e as teorias de Spencer e de Comte esclarecem as nossas assertivas. conchegada aos príncipes do mundo. aplicando às suas manifestações os mesmos princípios da ciência racional e materialista. conservando a ignorância em vez de espalhar a luz do conhecimento. A Filosofia recolheu-se.

depois dos seus excessos na Revolução e nas campanhas napoleônicas. A Europa busca ambientar as idéias novas e generosas. Depois das revoluções de 1830 e 1848. reconduzindo os corações ao Evangelho suave do Cristianismo. Numerosos cooperadores diretos da sua tarefa auxiliam-lhe o esforço sagrado. ia fazer jus às dores amargas de 1914 -1918. comparecendo aos espetáculos tenebrosos do cadafalso e aplaudindo os opressores. desdobrando-lhe as sínteses em gloriosos complementos. que assistira com certa indiferença às dores dos condenados do Terror. PROVAÇÕES COLETIVAS NA FRANÇA Cumpre-nos assinalar as dolorosas provas da França.200 EMMANUEL como partira igualmente delas a consolidação das conquistas democráticas. por causas somente conhecidas no plano espiritual. sofre miséria e . Paris. é esmagada e vencida pela orgulhosa Alemanha de Bismarck. A grande nação latina. O orbe. havia atingido um período de grandiosas transformações. por sua vez. com as suas instituições sociais e políticas. embriagada e cega no triunfo. pronto a atender aos chamamentos do Senhor. mediante as quais se efetuam penosos resgates por parte dos indivíduos e das coletividades. que requeriam mais de um século de lutas dolorosas e remissoras. surge a guerra franco-prussiana de 1870. e o Espiritismo seria a essência dessas conquistas novas. que encontram o discípulo no seu posto de oração e vigilância. que.

todos os povos cultos da Europa não enxergaram nas suas instituições senão escolas religiosas. estabelecera-se a luta. e as amarguras coletivas do povo francês nos dias da derrota. Compreendendo que o Cristo não tratara de açambarcar nenhum território do Globo. significam o resgate dos desvios da grande nação latina. O período das grandes transformações estava iniciado. o Catolicismo experimenta provações amargas e dolorosas. que foi por muito tempo prolongada em vista da decisão da França. Exaustos de suas imposições. em Versalhes. Mas a situação de 1870 obrigara o povo francês a reclamar a presença dos guardas do Vaticano. e ela. restringindo-se a sua posse material. limitando-selhes as finalidades educativas e controlando-se-lhes o mecanismo de atividades. que assinalaria a falência da Igreja com a declaração da infalibilidade papal. os italianos. com Pio IX. Começa. procurando organizar a unidade da Itália sem a tutela do Vaticano.201 A CAMINHO DA LUZ fome em 1870. a grande lição da Igreja. que sempre ditara ordens . As imposições políticas do imperador Guilherme. reclamaram os seus direitos no capítulo das reivindicações. triunfando as idéias de Cavour e privando-se o papa de todos os poderes temporais. naturalmente. que manteve todo um exército em Roma para garantia do pontífice da Igreja. em 28 de janeiro de 1871. Desde 1859. PROVAÇÕES DA IGREJA Aproximando-se o ano de 1870. antes de cair em poder dos impiedosos inimigos.

que nunca se lembrara de dar um título real à figura do Cristo. . na sua sede de domínio. Observava-se um fenômeno interessante. assim que viu desmoronarem-se os tronos do absolutismo com as vitórias da República e do Direito. A Igreja. construiu a imagem do Cristo-Rei para o cume dos seus altares.202 EMMANUEL aos príncipes do mundo. iria tornar-se instrumento de opressão nas mãos dos poderosos.

observam-se igualmente acontecimentos políticos de suma importância. A par dos grandes fenômenos de evolução científica e industrial que o abalaram. Cumprindo as determinações do Divino Mestre. seus mensageiros do plano invisível laboram junto aos gabinetes . renovando as concepções sociais de todos os povos da raça branca.203 XXIV O Espiritismo e as grandes transições A EXTINÇÃO DO CATIVEIRO O século XIX caracteriza-se por suas numerosas conquistas. Um desses grandes acontecimentos é a extinção do cativeiro.

Alexandre II da Rússia declarava livres todos os camponeses que trabalhavam sob o regime da escravidão. as antigas doutrinas da igualdade absoluta. O fim do século que passou é o cenário vastíssimo dessas lutas inglórias. de modo a facilitar a vitória da liberdade. condenando-a à destruição mais completa. as sociedades de caráter universal. idealizada por Platão. Na revolta de 1848. Aparece o socialismo propondo reformas viscerais e imediatas. a França delibera a extinção do cativeiro em seus territórios. na luta da secessão. Em 1834. Em 1861. O SOCIALISMO Grandes idéias florescem na mentalidade de então. e. Alguns idealistas tocam a Utopia de Thomas More. o parlamento inglês resolve abolir a escravidão em todas as colônias da Grã-Bretanha. de 1861 a 1865. encontrara funda repercussão em todos os países. Uma revolução sociológica de conseqüências imprevisíveis ameaça a estabilidade da própria civilização. . Em 1850.204 EMMANUEL administrativos. que termina com a vitória da liberdade e das idéias progressistas da grande nação da América. aí. reprovando o tráfico de homens livres. Fundam-se as alianças de anarquismo. Ressurgem. o Brasil suprime o tráfico africano. Todas as ciências sociais são chamadas aos grandes debates levados a efeito entre o capitalismo e o trabalho. uma guerra nefanda devasta o solo hospitaleiro dos Estados Americanos do Norte. ou a República perfeita. As decisões do Congresso de Viena.

vinha reabilitar o Cristianismo que a Igreja deturpara. Todavia. semelhante equação era muito difícil por parte da Igreja. desse modo. Com as verdades da reencarnação. fartas de palavras. apontando a cada qual os seus mais sagrados deveres. quando Pio IX decretava a infalibilidade pontifícia. Com as provas da sobrevivência. as forças morais capazes de realizar o grande milagre da elucidação de todos os espíritos? A Igreja Romana. veio explicar o absurdo das teorias igualitárias absolutas. cooperando na restauração do verdadeiro caminho do progresso humano. tentando conciliar o braço e o capital. na hora psicológica das grandes transformações. de novo. Se o efeito desse documento teve considerável importância para as classes mais cultas do Velho e do Novo Mundo. Entretanto. em 1870. alentando o espírito humano para que se não perdesse o fruto sagrado de quantos trabalharam e sofreram no esforço penoso da civilização. a entidade indicada para resolver o grande problema. os eternos ensinamentos do Cristo no coração dos homens. Enquadrando o socialismo nos . era. por força das circunstâncias. que nutria a civilização ocidental desde o seu berço.205 A CAMINHO DA LUZ Onde se encontram. Leão XIII vem ao campo da luta com a encíclica "Rerum Novarum". tanto não se deu com as classes mais desfavorecidas. porém. semeando. RESTABELECENDO A VERDADE O Espiritismo vinha. após as afirmativas do Sílabo e depois do famoso discurso do bispo Strossmayer. no Vaticano.

como os da Rússia e da Alemanha. distante de todas as guerras pela compreensão dos laços fraternos que reúnem a comunidade universal. Ensinando a lei das compensações no caminho da redenção e das provas do indivíduo e da coletividade. pugnando pela intensificação dos movimentos educativos da criatura. não se ilude com as reformas exteriores. porque somente a evolução é o seu campo de atividade e de experiência. Nestes tempos dolorosos em que as mais penosas transições se anunciam ao espírito do homem. o Espiritismo. em suas sinistras aventuras revolucionárias. das famílias e dos grupos. ensina a fraternidade legítima dos homens e das pátrias. para concluir que a única renovação apreciável é a do homem intimo. Enquanto os utopistas da reforma exterior se entregam à tutela de ditadores impiedosos. em vista dos conhecimentos da lei do esforço e do trabalho individual. alargando as concepções da justiça econômica e corrigindo o espírito exaltado das ideologias extremistas. à luz eterna do Evangelho do Cristo. só o Espiritismo pode representar o valor moral onde se encontre o apoio necessário à edificação do porvir. e não se transforma em instrumento de opressão dos magnatas da economia e do poder. a sua obra educativa junto das classes intelectuais e . por consciente dos imperativos da solidariedade humana. em que cada espírito deve enriquecer a catalogação dos seus próprios valores. prossegue ele. Não se engana com as utopias da igualdade absoluta. estabelece o regime da responsabilidade. Despreocupado de todas as revoluções. célula viva do organismo social de todos os tempos.206 EMMANUEL postulados cristãos.

preparando o mundo de amanhã com as luzes imorredouras da lição do Cristo. Esquecida de Deus. qual arena ampla de lutas renovadoras. nos tempos apostólicos. mas as revelações do alémtúmulo descem às almas. ano que assinalou para o homem a decadência da Igreja. Numerosas transformações são aguardadas e o Espiritismo esclarece os corações. LUTAS RENOVADORAS O século XX surgiu no horizonte do Globo. um período de transições profundas marca todas as atividades humanas. a Igreja não cuidou de outra coisa que não fosse o seu reino perecível. tocando muitas vezes a curva tenebrosa do extremismo. iniciadas no império de Constantino. em virtude da sua defecção espiritual no cumprimento dos grandes deveres que lhe foram confiados pelo Senhor. reno- . As teorias sociais continuam seu caminho. É por isso que agora lhe pairam sobre a fronte os mais sinistros vaticínios. Em vão o mundo esperou as realizações cristãs. prendendo-se a interesses rasteiros e mesquinhos da política temporal. Aliada do Estado e vivendo à mesa dos seus interesses econômicos. como orvalho imaterial. preludiando a paz e a luz de uma nova era.207 A CAMINHO DA LUZ das massas anônimas e sofredoras. nunca procurou equiparar a evolução do homem físico à do homem espiritual. DEFECÇÃO DA IGREJA CATÓLICA Desde 1870.

desde os primeiros anos deste século a guerra se aninhou com caráter permanente em quase todas as regiões do planeta. e dentro da qual o planeta alijará todos os Espíritos rebeldes e galvanizados no crime. a fim de não perverter as sagradas conquistas do progresso. cuja misericórdia é o verbo de vida e luz. o Tratado de Versalhes. no processo de seleção final das expressões espirituais da vida terrestre. As guerras russo-japonesa e a européia de 1914 . bem como todos os pactos de segurança da paz. que somente terminarão com o apogeu dessas lutas fratricidas. A Liga das Nações. como aquele mundo longínquo da Capela. porque o homem da radiotelefonia e do transatlântico precisa de alma e sentimento. Época de lutas amargas. a América está des- . pelo determinismo das circunstâncias de sua vida política. não têm sido senão fenômenos da própria guerra.1918 foram pródromos de uma luta maior. Ficarão no mundo os que puderem compreender a lição do amor e da fraternidade sob a égide de Jesus. desde o princípio. ver-se-á livre das entidades endurecidas no mal. que não souberam aproveitar a dádiva de numerosos milênios. no patrimônio sagrado do tempo. que não vem muito longe.208 EMMANUEL vando a personalidade espiritual das criaturas para o futuro que se aproxima. Então a Terra. A AMÉRICA E O FUTURO Embora compelida a participar das lutas próximas.

Os homens se recolheram às zonas de concentração militar. sem saber que o adversário está em seu próprio espírito. esperando o inimigo. que se vêem obrigadas a grandes programas de rear- . O esforço sincero de cooperação no trabalho e de construção da paz não é aí uma utopia. aproveitando o esforço penoso dos que tombaram na obra da civilização do Ocidente para a edificação do homem espiritual. como na Europa saturada de preconceitos multisseculares. JESUS Há no mundo um movimento inédito de armamentos e munições. As indústrias bélicas atingem culminâncias imprevistas. Teria começado neste momento? Não.209 A CAMINHO DA LUZ tinada a receber o cetro da civilização e da cultura. apresta-se o plano espiritual. no afã de elucidação dos nobres deveres continentais. na orientação dos povos porvindouros. reunir-se-ão as experiências européias. Em torno dos seus celeiros econômicos. no pleno conhecimento dos grandes problemas do ser e do destino. Nos campos exuberantes do continente americano estão plantadas as sementes de luz da árvore maravilhosa da civilização do futuro. em 1904. Os campos estão despovoados. A corrida armamentista do século XX começou antes da luta de Porto Artur. Para esse desiderato grandioso. com exceção das Repúblicas Democráticas. que há de sobrepor-se ao homem físico do planeta. A Europa e o Oriente constituem um campo vasto de agressão e terrorismo.

nesse barco frágil do homem ignorante do seu glorioso destino. desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de abraçar e redimir a nossa Humanidade. Somente o Espiritismo. Onde os valores morais da Humanidade? As igrejas estão amordaçadas pelas injunções de ordem econômica e política. prescindindo de todas as garantias terrenas. da Cultura e do Direito. executa o esforço tremendo de manter acesa a luz da crença. Nas grandes transições do século que passa. mas o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres. Convenhamos em que o esforço do Espiritismo é quase superior às suas próprias forças. a sociedade celeste. Espíritos abnegados e esclarecidos falam-nos de uma nova reunião da comunidade das potências angélicas do sistema solar. barco que ameaça voltar às correntes da força e da violência. Que resultará desse conclave dos Anjos do Infinito? Deus o sabe. em face do Moloque do extremismo. . longe das plagas iluminadas da Razão. os espaços mais próximos da Terra se movimentam a favor do restabelecimento da verdade e da paz. Jesus é o seu único diretor no plano das realidades imortais. da qual é Jesus um dos membros divinos. na atmosfera terrestre. decidindo novamente sobre os destinos do nosso mundo. e agora que o mundo se entrega a todas as expectativas angustiosas. a caminho de uma nova era. pela terceira vez. Reunir-se-á.210 EMMANUEL mamento. de novo. aguardemos o seu amor e a sua misericórdia.

nas lutas purificadoras. mas os atores são os mesmos. o homem terrestre foi naturalmente conduzido às atividades exteriores. . sofrendo profundas renovações nos seus cenários. Nos primórdios da Humanidade. caminhando.211 XXV O Evangelho e o futuro Um modesto escorço da História faz entrever os laços eternos que ligam todas as gerações nos surtos evolutivos do planeta. Muita vez. para a perfeição dAquele que é a Luz do princípio. desbravando o caminho da natureza para a solução do problema vital. o palco das civilizações foi modificado. mas houve um tempo em que a sua maioridade espiritual foi proclamada pela sabedoria da Grécia e pelas organizações romanas.

Quando não foram trucidados pelas multidões delinqüentes ou pelos verdugos das consciências. Desde essa época. O assédio das trevas avassalou o coração das criaturas. Mas a pureza do Cristianismo não conseguiu manter-se intacta. em que a mensagem evangélica dilatava a esfera da liberdade humana.212 EMMANUEL Nessa época. com respeito aos ensinamentos divinos. Decorridos três séculos da lição santificante de Jesus. ligando a Terra ao reino luminoso de Jesus. na hipótese da assimilação do homem espiritual. esperando o juízo longínquo da posteridade. tão logo regressaram ao plano invisível os auxiliares do Senhor. de vez que o Evangelho seria a eterna mensagem do Céu. estacionou o homem espiritual em seus surtos de progresso. a vinda do Cristo ao planeta assinalaria o maior acontecimento para o mundo. Debalde enviou o Divino Mestre seus emissários e discípulos mais queridos ao ambiente das lutas planetárias. foram obrigados a capitular diante da ignorância. desvirtuando-se-lhe todos os princípios. que ligam todos . em virtude da sua maturidade para o entendimento das grandes e consoladoras verdades da existência. É por esse motivo que. ao lado dos aviões poderosos e da radiotelefonia. reencarnados no globo terrestre para a glorificação dos tempos apostólicos. por favorecer doutrinas de violência oficializada. surgiram a falsidade e a má-fé adaptando-se às conveniências dos poderes políticos do mundo. impossibilitado de acompanhar o homem físico na sua marcha pelas estradas do conhecimento.

apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos. a espiritualidade tem de penetrar as realizações do homem físico. se perpetram todos os absurdos nos países ditos cristãos. . Mas é chegado o tempo de um reajustamento de todos os valores humanos. nestes vinte séculos. É ainda por isso que. isto para nos referirmos tão-somente às nações supercivilizadas do planeta. o machado na Alemanha e a cadeira elétrica na própria América da fraternidade e da concórdia. todas as discórdias e todas as amarguras do mundo. O Espiritismo.213 A CAMINHO DA LUZ os continentes e países da atualidade. em nome do Evangelho. a forca na Inglaterra. enquanto os povos se preparam para o extermínio e para a destruição. vemos o conceito de civilização insultado por todas as doutrinas de isolamento. na sua feição de Cristianismo redivivo. conduzindo-as para o bem de toda a Humanidade. na sua missão de Consolador. A realidade é que a civilização ocidental não chegou a se cristianizar. em nome da civilização cristã do Ocidente? Não foi em nome do Evangelho que os padres italianos abençoaram os canhões e as metralhadoras da conquista? Em nome do Cristo espalharam-se. indicando os imperativos das leis da solidariedade humana. A Itália não realizou a sua agressão à Abissínia. é o amparo do mundo neste século de declives da sua História. só ele pode. Se as dolorosas expiações coletivas preludiam a época dos últimos ''ais'' do Apocalipse. Na França temos a guilhotina. salvar as religiões que se apagam entre os choques da força e da ambição. do egoísmo e do domínio.

poder-se-á beber a linfa cristalina das verdades consoladoras do Céu. contemplando essas chuvas de lágrimas e de sangue que rebentarão das nuvens pesadas de suas consciências enegrecidas. passarão com a vertigem de um pesadelo. exércitos. Condenada pelas sentenças irrevogáveis de seus erros sociais e políticos. O cajado do pastor conduzirá o sofrimento na tarefa penosa da escolha e a dor se incumbirá do trabalho que os homens não aceitaram por amor. preparando-se as almas para a nova era. organizações seculares. guerras inglórias. como o Império Romano. O século que passa efetuará a divisão das ovelhas do imenso rebanho. A vitória da força é uma claridade de fogos de artifício. Os filhos da Jerusalém de todos os séculos devem chorar. Ditadores. a superioridade européia desaparecerá para sempre. entregando à América o fruto . e os seus últimos triunfos são bem o penhor de uma reação temerária e infeliz.214 EMMANUEL No seu manancial de esclarecimentos. hegemonias econômicas. massas versáteis e inconscientes. Toda a realidade é a do Espírito e toda a paz é a do entendimento do reino de Deus e de sua justiça. Uma tempestade de amarguras varrerá toda a Terra. apressando a realização dos vaticínios sombrios que pesam sobre o seu império perecível. São chegados os tempos em que as forças do mal serão compelidas a abandonar as suas derradeiras posições de domínio nos ambientes terrestres.

com vistas à civilização do porvir. porque chegará o dia da consolação! Bemaventurados os pacíficos. e o Espiritismo terá retirado dos seus escombros materiais a alma divina das religiões. O homem espiritual estará unido ao homem físico para a sua marcha gloriosa no Ilimitado. Vive-se agora. porque depois da treva surgirá uma nova aurora. sentimos um frio cortante neste crepúsculo . porque o reino de Deus lhes pertence! Bem-aventurados os que têm fome de justiça. Todavia. na Terra. e ao século XX compete a missão do desfecho desses acontecimentos espantosos. Trabalhemos por Jesus. porque serão saciados! Bem-aventurados os aflitos. um crepúsculo.215 A CAMINHO DA LUZ das suas experiências. que os homens perverteram. porque irão a Deus!" Sim. ainda que a nossa oficina esteja localizada no deserto das consciências. ligando-as no abraço acolhedor do Cristianismo restaurado. Revendo os quadros da História do mundo. Todos somos dos chamados ao grande labor e o nosso mais sublime dever é responder aos apelos do Escolhido. Luzes consoladoras envolverão todo o orbe regenerado no batismo do sofrimento. ao qual sucederá profunda noite. os operários humildes do Cristo ouçamos a sua voz no âmago de nossa alma: "Bem-aventurados os pobres.

de fraternidade e de redenção. como sempre. A noite não tarda e. Lembremos a misericórdia do Pai e façamos as nossas preces.216 EMMANUEL doloroso da civilização ocidental. feita de paz. cuja misericórdia infinita. no bojo de suas sombras compactas. . não nos esqueçamos de Jesus. será a claridade imortal da alvorada futura.

217 Conclusão Meus amigos. Deus vos conceda muita paz. mas não tínhamos em vista uma nova autópsia da História do Globo em suas expressões sociais e políticas. um único objetivo orientou as nossas atividades . Nossa contribuição pode pecar pela síntese excessiva. como agradeço também à misericórdia divina o bendito ensejo que nos foi concedido. a partir da sua escultura geológica. Agradeço a vossa colaboração. Em nosso modesto estudo da História.o da demonstração da influência sagrada do Cristo na organização de todos os surtos da civilização do planeta. . e sim revelar. em face de mais este esforço humilde do nosso grupo na propagação dos grandes postulados do Espiritismo evangélico.

tão logo seja possível. EMMANUEL (Mensagem recebida em 21/ 9/1938. Reitero-vos.(Nota da Editora. Deus me concederá a alegria de falar dos laços que nos unem de épocas remotas. Que Deus vos guie e abençoe. (*) Permitirá Deus que sejamos felizes. devemos agradecer a Jesus a felicidade de nos conservarmos em paz em nossa oficina. porque não é sem razão que nos encontramos reunidos e irmanados no mesmo trabalho e ideal. Sinto-me feliz com a vossa colaboração dedicada e amiga. sob a égide do seu divino amor. que são "Há Dois Mil Anos" e "50 Anos Depois". Prometemos. porque não ponho em dúvida a sua infinita misericórdia. . em todos os seus departamentos.218 EMMANUEL mais uma vez. meu agradecimento comovido e sincero.) __________ (*) Refere-se ao "romance" de sua vida de patrício romano e legado na Judéia ao tempo do Cristo. os ascendentes místicos que dominam os centros do progresso humano. um ensaio no gênero romântico. conservando-vos a tranqüilidade sagrada dos lares e dos corações.) . Quando lá fora se prepara o mundo para as lutas mais dolorosas e mais rudes. Assim o espero. aqui. Algum dia. obra já concluída e publicada em dois volumes.

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