Princípio de Conservação do Momento Angular A variação com o tempo do momento angular total de um sistema de partículas em relação a um ponto qualquer

é igual à soma dos torques associados às forças externas que atuam sobre o sistema.

∆L = Σ τ EXT ∆t
Caso a soma dos torques associados às forças externas que atuam sobre o sistema seja nula, ficamos com:

∆L =0 ∆t
ou L = constante Podemos, assim, enunciar o princípio de conservação do momento angular: para um sistema isolado, isto é, quando o torque resultante das forças externas sobre o sistema é nulo, o momento angular total do sistema é constante. Os (vetores) momentos angulares individuais das partículas que constituem o sistema podem variar, porém sua soma (vetorial) permanece constante. Exemplo 1 Consideremos uma bailarina que, para girar rapidamente ao redor do eixo do corpo, que é mantido na vertical, abre os braços, dá um impulso para girar e, simultaneamente, para se elevar acima do solo, e, ainda no ar, aproxima os braços do eixo do corpo (Fig.36).

A variação do módulo da velocidade de rotação é causada pela alteração da distribuição da massa ao redor do eixo do corpo, ou seja, pela alteração do momento de inércia. O momento de inércia depende da massa do corpo e de como ela se distribui em torno do eixo de rotação. A única força externa que age sobre a bailarina quando ela está no ar é a força peso. Como essa força atua no centro de massa, o torque associado a ela, em relação ao eixo do corpo, onde também se encontra o centro de massa, é, por isso mesmo, nulo. Assim, o momento angular da bailarina é conservado enquanto ela está no ar.

Grupo de Ensino de Física da Universidade Federal de Santa Maria

a linha imaginária que liga o planeta ao Sol varre áreas iguais em tempos iguais. do princípio de conservação do momento angular. no contexto da Mecânica Celeste. Para mostrar que esta lei é a expressão.37).Com a diminuição do momento de inércia.38). a conservação do momento angular. Considerando o movimento do planeta no entorno desses pontos num intervalo de tempo ∆t muito pequeno. aqui representada pela expressão matemática L = ℑω = constante. pela aproximação dos braços ao eixo do corpo. garante o aumento do módulo da velocidade angular da bailarina. Uma discussão análoga pode ser feita para o caso de um mergulhador que salta de um trampolim (Fig. Nesta figura. Exemplo 2 Vamos considerar a segunda lei de Kepler: se o movimento de um planeta é observado em um referencial fixo no Sol. exageramos a excentricidade da órbita. sejam os pontos P1 e P2 da órbita do planeta (Fig. podemos considerar as respectivas áreas varridas pela linha imaginária que liga o planeta ao Sol como triangulares e escrever: Grupo de Ensino de Física da Universidade Federal de Santa Maria .

1 A 1 = 2 r1d1 e 1 A 2 = 2 r2 d 2 em que d1 e d2 são as distâncias percorridas. a massa do planeta. como o intervalo de tempo ∆t é muito pequeno. os respectivos momentos angulares em relação ao Sol têm módulos: j1 = mr1v 1 e j 2 = mr2 v 2 e pela expressão acima. podemos considerar os módulos das velocidades do planeta no entorno dos pontos P1 e P2 como constantes e escrever: v1 = e d1 ∆t d2 ∆t v2 = de modo que as expressões para as áreas ficam: 1 A 1 = 2 r1v 1∆t e 1 A 2 = 2 r2 v 2 ∆t Agora. usando a segunda lei de Kepler e multiplicando os dois lados da igualdade resultante por m. Isto significa a conservação do momento angular do planeta. segue-se que j1 = j2. no entorno de P1 e P2. Então. ficamos com: mr1v1 = mr2v2 Por outro lado. Grupo de Ensino de Física da Universidade Federal de Santa Maria . as velocidades do planeta são perpendiculares às respectivas linhas que ligam esses pontos ao Sol. Um argumento mais geral pode demonstrar esse resultado para quaisquer outros pontos. Além disso. Os pontos P1 e P2 foram escolhidos por conveniência didática.

sobre uma plataforma sem atrito. que gira com velocidade angular de módulo ω = π rad/s num referencial fixo no solo. Calcule o novo período de rotação do Sol no caso em que sua massa não muda. Exercício 1 Um homem está de pé. com um raio médio de 7.0 x 108 m. encurtando o raio da órbita do corpo. Quando o homem aproxima os tijolos do corpo.4 x 106 m.39). Ao puxarmos o fio. O momento de inércia do sistema é de 6 kg m2.Exemplo 3 Um corpo é amarrado a um fio que passa pelo interior de um tubo oco (Fig. o Sol se transforme numa estrela anã branca do tamanho da Terra. Pode acontecer que. Grupo de Ensino de Física da Universidade Federal de Santa Maria . esse passa a girar com velocidade de módulo maior num referencial fixo no tubo. daqui a muitos e muitos anos. colocamos o corpo a girar num plano horizontal. este momento de inércia fica reduzido a 4 kg m2. Exercício 2 O Sol. Segurando o tubo com uma das mãos e o fio com a outra. O aumento do módulo da velocidade não pode ser atribuído ao trabalho que a força do fio exerce sobre o corpo porque essa força é perpendicular à direção do movimento do corpo em qualquer instante de tempo. dá uma volta em torno de si próprio a cada 25 dias. Calcule o módulo da nova velocidade angular da plataforma. de braços abertos. com um tijolo em cada mão. com um raio médio de 6. O aumento do módulo da velocidade deve ser atribuído à conservação do momento angular.

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