8 DE JANEIRO, DIA INTERNACIONAL DOS POVOS BANTU TRÊS DAS CINCO REGIÕES DA UNIÃO AFRICANA SÃO BANTU

Esta constatação foi feita recentemente, pelo historiador Simão SOUINDOULA, consultor do Centro Internacional das Civilizações Bantu, durante um encontro organizado em Benfica, na sede do Triangulo Turistico e Historico-Cultural Kanawa Mussulo.
Estruturada sob forma dum “workshop”, esta actividade teve como principal suporte, a obra “Racines Bantu. Bantu Roots”, livro publicado em Paris, nas edições Sépia, sob a direcção do egiptólogo congolês, actualmente Professor na Califórnia, Théophile Obenga e do citado especialista angolano.

O principal objectivo desta actividade de animação científica, foi de recordar, o fenómeno histórico que constitua o mundo bantu e cuja característica, a mais evidente, é que esta área etno-linguística ocupa o terço do continente africano. O antigo Director do Departamento das Produções Culturais do CICIBA fundamentou, portanto, numa metodologia abertamente didáctica, a sua intervenção na referida compilação de contribuições, de 276 páginas, e cujo a ilustração da capa é uma reprodução de “Identidade cultural”, a antológica pintura a óleo do malogrado artista congolês, Kamba Luesa. Souindoula lembrou, na introdução da sua exposição, que “Raízes Bantu” beneficiou da colaboração de vários especialistas, nomeadamente europeus, e naturalmente, os da zona bantu. As diferentes contribuições foram, reagrupadas segundo o coeditor da obra, em seis capítulos que apresentam, sucessivamente,

“Os Primeiros Bantu”, “As relações entre o homem bantu e os eco-sistemas”, “O contexto histórico”, “As línguas e as tradições orais”, As crenças” e, enfim, “A estética e os símbolos”.

Como resultados científicos, o historiador angolano indicou, uma dezena de aspectos essenciais no conhecimento do mundo bantu.
E assim que hoje, os primeiros bantu podem ser identificados, a luz dos cruzamentos de análises arqueológicas feitas, como tendo sido, há cerca de 20 000 anos, homens de aspecto nitidamente negroïde que difundiram uma língua embrionária bantu, a partir da região norte ocidental da bacia do Congo.

VAGAS MIGRATORIAS
Esses e os seus descendentes partirão portanto das Grassfields, actual região fronteiriça entre os Camarões e a Nigéria, há 4000 ou 3000 anos antes da nossa era, a um estádio neolítico ou proto-histórico, para ocupar, definitivamente, por vagas migratórias sucessivas e continuas assim que na sequência de fortes crescimentos demográficos, in loco, a maior parte da África sub-saariana . Vários grupos contornarão a temível barragem florestal equatorial e se estabilizarão na África oriental. Ocuparão a região interlacustre. São os Ruanda e os Rundi, classificados como “Bantu interlacustres”. Outros migrantes tomaram possessão das altas terras do Kénia e da Tanzania assim que da costa nordeste : Shambaa, Nyika, Kikuyu, Kamba, Meru, Chagga, Taita, Pare, Toro, Nkole, Ganda, Nyoro, Rwanda, Rundi,Guisii, Gogo, Bende, Sukuma, Nyamwezi, Fipa, Bena, Nyakusa, etc. Comunidades mais tenazes se instalarão na grande floresta equatorial. São chamados. “Bantu do Equador” : Ngala, Pandé, Fang, Mbosi, Kele, Mongo,Bolia, Isongo, Ngombé, etc.

Os seus vizinhos, classificados, como “Bantu Ocidentais”, que evoluirão essencialmente nas savanas são Kongo e Téké . Esses são igualmente considerados de Bantu do Centro, ao lado dos grupos Kimbundu, Kwango, Kasaï, Lunda-Cokwé, Bemba, etc. Outros locutores do proto-bantu costerão, simplesmente, a faixada atlântica ou optarão afastar-se para a ilha de Bioko. São os Bantu do nordeste : Benga, Duala, Mpongwé, Bubi, etc. Enfim, vários elementos de natureza linguistica e arqueológica indicam que populações migrantes dos eixos ocidental e oriental, misturaram-se e formaram os Bantu do médio Zambeze e todos outros Bantu meridionais : Matabele, Shona, Thonga, Sotho, Zalu, Nguni, etc.

E o conjunto desses migrantes e os seus descendentes, saidos do berço grassfieldiano, que organizarão, na grande floresta equatorial, chefaturas, e, nas zonas de savanas, reinos e impérios : Loango, Kongo, Téké, Ndongo, Kuba, Luba, Lunda, Kazembe, Lozi, Monomotapa, Zulu, Swazi, Ruanda, Rundi, Ganda Toro, Nyoro, Kitara, etc.
E esta dinámica histórica com efeitos extraordinariamente centrífugos, no espaço, que dará ao meio-milhar das línguas e culturas da África central, oriental e austral, as suas diferentes particularidades. EXTENSAO EPISTEMOLOGICA

A amplitude desta evolução provocará, como era de esperar, uma saida das investigações fora do domínio linguistico. Registara-se, portanto essencialmente a partir da primeira metade do século XX, importantes trabalhos em história, etnologia, arqueologia em antropo-biologia.
Todos esses estudos desembocaram a uma extensão semântica que acabou de consagrar a utilização de bantu como substantivo e adjectivo.

O uso deste termo fora do domínio linguistico foi reesforçado com a criação, em 1983, do Centro Internacional das Civilizações Bantu. Baseando-se sobre os velhos radicais proto-bantu tais como úmù (chefe),-wáto (piroga), -dim (cultivar) e -búmba (ceramica), fala-se, hoje, com mais firmeza científica, duma governação bantu, de tecnologias bantu e de artes plásticas bantu. Concluindo a sua exposição, Simão SOUINDOULA, afirmou, em substância, que este alargamento do conceito bantu atesta que, somos bem, na África central, oriental e austral, três das cinco regiões do continente, perante uma partilha de identidade global, realidade que é, objectivamente, um trunfo decisivo na construção da salvadora União Africana. Por Johnny Kapela International Networking Bantulink C.P. 2313 Luanda (Angola) Tel.: + 244 929 74 57 34

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