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01/06/2012

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Como o próprio Merleau-Ponty diz no prefácio da Fenomenologia da percepção, Husserl distingue entre

a intencionalidade de ato, que é aquela de nossos juízos e de nossas tomadas de posição voluntárias, a única da qual a Crítica da Razão Pura falou, e a intencionalidade operante (fungierende Intentionalität), aquela que forma a unidade natural e antepredicativa do mundo e de nossa vida, que aparece em nossos desejos, nossas avaliações, nossa paisagem, mais claramente do que no conhecimento objetivo (PhP, XIII, 16; destaque nosso).

Iremos apresentar aqui o itinerário da noção de intencionalidade na Fenomenologia da percepção

Tal como se vê em A prosa do mundo, de 1959, onde Merleau-Ponty diz que “a filosofia não é a passagem de um mundo confuso a um universo de significações fechadas. Ao contrário, ela começa com a consciência daquilo que corrói e faz ruir” (PM, 25-26, 39). A filosofia deve, então, buscar a clareza própria das confusões, pois “mesmo o homem de espírito não é uma pura consciência, (…) nossas clarezas nos vêm de nosso comércio com o mundo e com os outros” (RC, p. 27). Contra isso, a conversão proposta por Merleau-Ponty “conduz a reconhecer (…) a própria exigência da carne” - que ele já começa a preparar nos anos trinta, para ampliá-la com vigor nos seus textos tardios -, a qual se confunde com as relações da filosofia, compreendida como “uma ação à distância, cada qual exigindo, do fundo de sua diferença, a mistura, a promiscuidade (...) [a] imbricação” (S, 20, 12). “E esta confusão não é pura indistinção: respondendo à natureza intencional e desejante da carne, ela não opera uma unidade de fusão, mas a imbricação como união dos incompossíveis” (SAINT AUBERT, 2005, p. 52). Ela não enfraquece o sentido, “mas reúne-se à sua fonte e libera seu excesso”. Ela não é uma “fantasmagoria”, diz Merleau-Ponty. E ele “medita sem fim” sobre essas estranhas relações, como a que dá à visão em profundidade (Cf. PhP, 294-309, 343-360, sobre a profundidade) o poder de “manter juntos lugares incompatíveis”, ao “olhar e à fala” o poder de “alcançar outrem, até no invisível de seu corpo e de seu desejo” (SAINT AUBERT, 2005,

Merleau-Ponty diz: “Esta percepção operante. ao contrário. apud SAINT AUBERT. . 52). em 1959. finalmente. 2005. 52). 9. e que se reenvia ao uso da vida porque a obscuridade só se conhece. Em notas inéditas para o prefácio de Signos. num contato cego. as formas bastardas que nascem da mistura da alma e do corpo. esta fala operante que forçam as portas do visível e do invisível. setembro 1960. p. não são mais para a filosofia moderna um setor subordinado do Ser. a fonte de todo sentido e abrem a dimensão da filosofia” (S.p. Elas são.

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