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AMBIENTE E CIDADANIA Poupar energia

Devido à emissão de gases de efeito de estufa (dióxido de carbono, metano, óxido nitroso) para atmosfera pelo uso de combustíveis fósseis (gasóleo, gasolina, etc.), indústria, incêndios e destruição da floresta, etc. as alterações climáticas são uma realidade. A nível mundial já houve um aumento de 0,6 ºC desde que há registos (1861), o ano mais quente foi 1998 (2003 na Europa), o segundo ano foi 2002, redução da espessura e da área do gelo nos pólos. Em Portugal a temperatura média do ar tem aumentado desde 1970, o ano mais quente foi 1997, as chuvas têm diminuído principalmente na Primavera, e o nível do mar aumenta 1 a 2 cm /década. As consequências futuras a nível mundial serão, por exemplo, o aumento da temperatura do ar de 1,4 a 5,8 ºC e o aumento do nível do mar de 9 a 88 cm entre 1990 e 2100, aumento dos fenómenos meteorológicos extremos (cheias, secas, vagas de calor), extinção de metade das espécies de plantas e animais e para Portugal prevê-se o aumento da temperatura do ar de 4 a 7 ºC entre 2000 e 2100, a perda de terreno das zonas costeiras em cerca de 67% e o aumento do nível do mar entre 25 a 110 cm até 2080. Razão pela qual vários países, nomeadamente Portugal, assinaram o Protocolo de Quioto, assumindo um compromisso formal de tomarem medidas para evitar que estas previsões se verifiquem. Infelizmente, há países que ainda não o assinaram, entre eles os Estados Unidos da América, o país que mais gases emite! Por outro lado, Portugal já ultrapassou, em 2001, a meta para 2010 em 9,4%, pelo que a manter-se esta tendência, o nosso país irá exceder essa meta em 33%! O que se deve em parte ao aumento do uso do automóvel individual, ao aumento de cerca 4% ao ano no consumo de energia dos edifícios (devido à má construção e ao aumento de capacidade para pagar conforto). Para contrariar esta tendência e as apocalípticas previsões para além de se reflorestar e investir em energias limpas (ex: energia solar e eólica) ou, pelo menos, mais limpas (ex: gás natural, GPL e biodiesel) deve-se poupar energia. Não obstante o importante papel dos governos dos diversos países, os cidadãos podem e devem desde já empenharem-se nesta matéria, uma vez que é a nossa sobrevivência, a sobrevivência do nosso planeta, tal como o conhecemos, que está em jogo. Aqui vão algumas sugestões: 1- Construção bioclimática dos edifícios: arquitectura e materiais mais adequados, com o objectivo de evitar que as casas sejam muito frias no Inverno e muito quentes no verão, aumentando o conforto sem gastos desnecessários em energia para aquecê-las ou arrefecê-las. 2- Calafetar janelas. 3- Usar lâmpadas economizadoras, apagar a luz quando não é precisa. 4- Adquirir electrodomésticos com melhor eficiência energética e usá-los de modo eficiente, como: reduzir o n.º de vezes que se abre o frigorífico e fechá-lo logo que possível, descongelar regularmente o congelador, deixar arrefecer os alimentos antes de os colocar no frigorífico, usar preferencialmente o programa económico da máquina de lavar-loiça, lavar a roupa, sempre que possível, a baixas temperaturas, etc.. 5- Não abusar do ar condicionado. Se se regulassem todos estes aparelhos 1 grau mais acima poupar-se-iam muitos barris de petróleo. Quem tiver quintal pode plantar árvores de folha caduca à volta da casa para diminui a necessidade do uso do ar condicionado no Verão, aproveitando o sol no Inverno. 6- Manter o automóvel bem afinado, fazer uma condução económica (sem acelerar e travar bruscamente), usar transportes públicos, andar a pé ou de bicicleta. 7- Poupar água. No site da “ECOCASA” (projecto lançado em Janeiro de 2004 pela associação ambientalista QUERCUS) http://www.ecocasa.org, pode-se encontrar informação mais detalhada para melhorar a eficiência energética e o uso de energias alternativas nos edifícios.

Mª Alexandra Azevedo

Médica Veterinária, Vice-presidente da Direcção do MPI – Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente Bibliografia: 1- “50 coisas simples que você pode fazer para salvar a terra”, The Earth Works Group, Círculo de Leitores, 1993. 2- “Indústrias compram direito a poluir”, Quercus Ambiente, Agosto 2003, p. 29 3- “Entrevista a Livia Tirone”, Quercus Ambiente, Fevereiro/Março 2004, p. 4 4- “Eficiência energética”, Quercus Ambiente, Fevereiro/Março 2004, p. 16-17 5- “Alterações climáticas são uma realidade”, Quercus Ambiente, Maio/Junho 2004, p. 3 6- “Incentivos fiscais à energias renováveis são uma farsa”, Quercus Ambiente, Maio/Junho 2004, p. 10 7- http://www.ecocasa.org