Exmo Senhor

Presidente do Conselho Executivo,
Presidente do Conselho Pedagógico
da Escola Secundária de Tomás Cabreira

Os professores abaixo assinados, docentes da Escola Secundária de Tomás
Cabreira, reunidos em 12 de Novembro de 2008, na defesa da qualidade do Ensino e do
prestígio da Escola Pública vêm, por este meio, e em consonância com as decisões do
Plenário Nacional de Professores do passado dia 8, expor as razões que os levam a
decidir suspender a sua participação na aplicação do novo modelo de Avaliação de
Desempenho:

1. O Decreto Regulamentar nº 2/2008 não tem em conta a complexidade da
profissão docente, a qual não se compadece com uma avaliação confinada a uma
perspectiva essencialmente burocrática, assente numa multiplicidade de grelhas e
fichas, por conseguinte, redutora.

2. O modelo introduzido pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008, para além de, quer a
nível pessoal, quer profissional, não constituir uma mais-valia para os docentes,
não propicia as condições necessárias para que estes possam cumprir eficazmente
as funções que lhes competem no processo de ensino-aprendizagem.

3. O Decreto Regulamentar nº 2/2008, ao impor quotas para as menções de
“Excelente” e “Muito Bom”, inviabiliza, desde logo, a justa aspiração de muitos
docentes a verem reconhecidos as suas capacidades, competências e investimento
na carreira.

4. O Decreto Regulamentar nº 2/2008 faz depender significativamente a avaliação
do professor de dois indicadores de medida em contexto sócio-educativo:
progresso dos resultados escolares e redução das taxas de abandono, por parte
dos alunos. Para além de se tratar de duas realidades extremamente complexas,
pelas múltiplas razões que estão na sua base (familiares, económicas, sociais,
profissionais e/ou culturais), e de que o professor está longe de ser o único
responsável, a inclusão do primeiro indicador configura uma violação grosseira
do Despacho Normativo que regula a avaliação no ensino secundário e
estabelece, no nº 35º do Capítulo II, que “ a decisão final quanto à classificação a
atribuir é da competência do Conselho de Turma, que, para o efeito, aprecia a
proposta apresentada por cada professor, juntamente com as informações
justificativas da mesma e a situação global do aluno.”

5. O Decreto Regulamentar nº 2/2008 pode originar degradação das relações entre
colegas, com o consequente mal-estar na escola, pelo facto de não terem sido
acauteladas situações de melindre como, por exemplo, haver avaliadores com
formação científico-pedagógica e académica de nível inferior à dos avaliandos ou
serem avaliadas as práticas docentes por avaliadores oriundos de grupos
disciplinares que não os dos avaliados.

6. A imposição deste modelo de Avaliação de Desempenho, alicerçada no estrito
cumprimento, por parte dos professores, do legislado, contrasta com a ligeireza
com que a tutela pretende contornar requisitos legais que obstaculizam a
implementação do modelo, a exemplo da delegação de competências dos
professores avaliadores, cuja função só terá base legal após publicação no Diário
da República ou, em sua substituição, após a entrada em vigor do Orçamento de
Estado para 2009.

Muito embora os professores concordem com uma avaliação justa do seu
desempenho, consideram que este modelo não contribui para uma avaliação
séria do pessoal docente, desvia a atenção dos professores daquilo que deve ser a
sua principal preocupação, que é o trabalho junto dos alunos, assente na partilha
de saberes, no rigor e na exigência, e contraria disposições legais (como a
referida no ponto 6.)
Face ao exposto, os professores abaixo-assinados decidem suspender a
sua participação neste processo de Avaliação de Desempenho, até que sejam
alteradas as desconformidades apontadas, e advogam o direito de divulgar
publicamente esta tomada de posição.

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