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TD de REVISÃO Filosofia 1ºAno_4ºBIMESTRE

TD de REVISÃO Filosofia 1ºAno_4ºBIMESTRE

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10/10/2013

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Escola Estadual de Educação Profissional Dona Creusa do Carmo Rocha

PROFESSOR: Jean Carlos DISCIPLINA: Filosofia ATIVIDADE: TD de Revisão
DATA: ___/___/___

TURMA: ALUNO:

Nº:

01 – Leia com atenção este texto do bispo São Gregório de Tours (século VI), que se dispôs a escrever uma história dos francos: “Os povos se enfureceram selvagemente; a fúria dos reis cresceu; igrejas foram assaltadas pelos heréticos e defendidas pelos católicos. No entanto, nesses tempos em que o estudo das letras declinou e desapareceu nas cidades da Gália, não mais se encontram estudiosos da literatura para descrever os acontecimentos dessa época. Por isso, procurei escrever para as gerações futuras a memória do passado” (História dos francos, prefácio; tradução livre). Agora, responda: a) A quais acontecimentos históricos o texto se refere? Refere-se aos acontecimentos ocorridos ao longo do século V d.C., quando o Império Romano do Ocidente sofreu ataques constantes dos “povos bárbaros”, principalmente os germânicos, e viu-se então esfacelado. b) Nesse contexto histórico, qual o papel desempenhado pela Igreja no plano cultural? Mantendo-se como única instituição social supranacional, a Igreja Católica consolidou sua organização religiosa, difundiu o cristianismo e preservou elementos da cultura grego-romana. 02 – Faça uma explanação sobre as origens e construção da doutrina cristã. O cristianismo surgiu no interior do império romano, a partir do ano I de nossa era, com os seguidores dos ensinamentos de Jesus Cristo, como corrente heterodoxa do judaísmo. Manteve, desse modo, o Velho Testamento (as escrituras hebraicas) como parte de seu livro sagrado (a Bíblia), mas incorporou a ele o Novo Testamento (as escrituras gregas), redigido pelos apóstolos e primeiros cristãos durante o século I d.C. Boa parte da doutrina cristã integra elementos de diversas correntes do pensamento grego, tarefa realizada pelos padres da Igreja e outros líderes cristãos com o propósito de explicar e justificar diversos aspectos de sua fé, sem contrariar as verdades reveladas e as interpretações das escrituras sagradas que foram sendo estabelecidas pela Igreja. As principais concepções gregas absorvidas pelo cristianismo nesse período vieram de escolas filosóficas helenísticas e greco-romanas, com destaque para o estoicismo e o neoplatonismo. 03 – “Toda verdade, dita por quem quer que seja, é do Espírito Santo.” Interprete essa frase de Santo Ambrósio. Em que contexto ela surgiu e como essa concepção afetou a investigação filosófica? A frase nos diz que a verdade já foi dita e revelada por Deus, através do Espírito Santo. Qualquer outra coisa que se diga não pode contrariar as verdades estabelecidas pela fé. Trata-se de uma frase que reflete o contexto cultural do período medieval, em que a fé cristã se tornara o pressuposto de toda vida espiritual, até mesmo para a filosofia. Esta não precisava mais se dedicar à busca da verdade. Restava-lhe, apenas, demonstrar racionalmente as verdade da fé. 04 – Quais foram os principais momentos da filosofia medieval? Explique-os. A filosofia medieval pode ser dividida em quatro momentos principais: o dos padres apostólicos, do início do cristianismo (séculos I e II), entre os quais se incluem os apóstolos, que disseminavam a palavra de Cristo, sobretudo em relação a temas morais. Entre estes se destaca a figura de São Paulo pelo volume e valor literário de suas epístolas (cartas escritas aos apóstolos); o dos padres apologistas (século III e IV), que faziam a apologia do cristianismo contra a filosofia pagã. Entre os apologistas destacam-se Orígenes, Justino e Tertuliano, este o mais intransigente na defesa da fé contra a filosofia grega; o da patrística (de meados do século IV ao século VIII), que pretendia uma conciliação entre a razão e a fé. Destacam-se aqui a figura de Santo Agostinho e a influência da filosofia platônica; o da escolástica (do século IX a XVI), em que se buscou uma sistematização da filosofia cristã, sobretudo a partir da interpretação da filosofia de Aristóteles, com destaque para a figura de Santo Tomás de Aquino. 05 – Qual foi a característica fundamental da filosofia medieval? Sua característica fundamental é a ênfase nas questões teológicas, destacando-se temas como: o dogma da Trindade, a encarnação de Deus-filho, a liberdade e a salvação, a relação entre fé e razão. 06 – Em que consistiu a patrística? Qual era o seu objetivo? O termo patrística designa a produção doutrinária, contida num conjunto de textos sobre a fé e a revelação cristãs, elaborada principalmente pelos primeiros padres da Igreja. Tinha por objetivo explicar os preceitos do cristianismo às autoridades romanas e ao povo em geral, de maneira convincente, mediante um trabalho de pregação e conquista espiritual. 07 – Explique a relação que estabelece Agostinho entre corpo e espírito Agostinho defendia a tese da supremacia do espírito sobre o corpo, isto é, que a alma teria sido criada por Deus para reinar sobre o corpo, para dirigi-lo à prática do bem. Mas o ser humano pecador, utilizando-se do livre-arbítrio, costumaria inverter essa relação, fazendo o corpo assumir o governo da alma.

08 – Que papel tem a vontade humana no pensamento agostiniano? Diferente dos gregos, Agostinho entendia que a vontade é uma força que determina a vida, e não uma função específica ligada ao intelecto. Assim, a liberdade humana estaria vinculada à vontade, e não à razão. A vontade seria também a fonte do pecado, pois o indivíduo peca porque usa de seu livre-arbítrio para satisfazer sua vontade, mesmo sabendo que tal atitude é pecaminosa ou vai contra a razão. 09 – De que maneira o conceito de graça divina, defendido por Agostinho, rompe com a ética pagã? A ética pagã baseia-se na noção grega de autonomia da vida moral, isto é, na idéia de que o ser humano pode salvar-se por si só, sendo bom e fazendo boas obras, sem a necessidade da ajuda divina. Por sua vez, o conceito de graça divina traz implícita a idéia de que o esforço pessoal não basta, pois o ser humano nada pode conseguir sem a graça de Deus, e esta será concedida somente a alguns eleitos, predestinados à salvação. 10 – Em que contexto histórico desenvolveu-se a escolástica? No contexto da renascença carolíngia, a partir do século VIII, período de estímulo à atividade cultural que marcou o reinado de Carlos Magno, quando se reorganizou o ensino e se fundaram escolas ligadas às instituições católicas. Com isso, a cultura greco-romana, guardada nos mosteiros até então, voltou a ser divulgada, passando a ter uma influência mais marcante nas reflexões da época. A descoberta das obras de Aristóteles, ocorrida nesse período, também influiu no desenvolvimento da escolástica. 11 – Explique a chamada “questão dos universais”. A questão dos universais, surgida no contexto dos estudos escolásticos (trivium e quadrivium), foi uma discussão acerca da relação entre as palavras e as coisas, especialmente aquelas referentes a idéias gerais ou conceitos (os universais de Artistóteles). Essa discussão levou ao surgimento de duas posições antagônicas e de uma terceira, intermediária. De um lado ficaram os que sustentavam uma interpretação realista da questão, isto é, a tese de que os universais existiam de fato. Do outro lado posicionaram-se os nominalistas, que defendiam a tese de que o universal não existiria em si mesmo, seria apenas uma palavra, um nome, sem existência real. A terceira posição entendia que tais conceitos não seriam nem entidades metafísicas (posição do realismo) nem palavras vazias (posição do nominalismo), e sim discursos mentais, categórias lógico-linguísticas que fazem a mediação, a ligação enre o mundo do pensamento e o mundo do ser. 12 – Inserida no movimento escolástico, a filosofia de Tomás de Aquino já nasce com objetivos preestabelecidos: não contrariar a fé. Explique essa afirmação. A afirmação refere-se ao fato de Tomás de Aquino, como a maioria dos pensadores de seu temo, ter-se empenhado em organizar um conjunto de argumentos para demonstrar e defender as revelações do cristianismo. Para isso, fez da filosofia de Aristóteles um instrumento a serviço da religião católica. 13 – Qual é a diferença entre o ser em geral e o Ser pleno, estabelecido por Tomás de Aquino? Para entender essa diferença, é preciso dizer que Tomás de Aquino distingue “ser geral” de “Ser pleno”, bem como “ser” de “essência”. De acordo com essas distinções, o único ser realmente pleno, no qual o ser e a essência se identificariam, seria Deus. Para o filósofo, Deus é ato puro. Não há o que realizar ou atualizar em Deus, pois ele é completo. Nas outras criaturas, porém, o ser é diferente da essência, pois elas seriam seres não necessários. 14 – Santo Tomás de Aquino pretendeu provar racionalmente a existência de Deus. Para isso apresentou cinco provas. Cite e explique cada uma das provas apresentadas por ele. O Primeiro Motor – tudo aquilo que se move é movido por outro ser. Por sua vez, esse outro ser, para que se mova, necessita também que seja movido por outro ser, e assim sucessivamente. Se não houvesse um primeiro ser movente, cairíamos em um processo indefinido. Logo, conclui Tomás de Aquino, é necessário chegar a um primeiro ser movente que não seja movido por nenhum outro. Esse ser é Deus; a Causa Eficiente – todas as coisas existentes no mundo não possuem em si a causa eficiente de suas existências. Devem ser consideradas efeitos de alguma causa. Tomás de Aquino afirma ser impossível remontar indefinidamente á procura das causas eficientes. Logo, é necessário admitir a existência de uma primeira causa eficiente, responsável pela sucessão de efeitos. Essa causa primeira é Deus; Ser Necessário e Ser Contingente – esse argumento, uma variante do segundo, afirma que todo ser contingente, do mesmo modo que existe, pode deixar de existir. Ora, se todas as coisas que existem podem deixar de ser, então, alguma vez, nada existiu. Mas, se assim fosse, também agora nada existiria, pois aquilo que não existe somente começa a existir em função de algo que já existia. É preciso admitir, então, que há um ser que sempre existiu, um ser absolutamente necessário, que não tenha fora de si a causa de sua existência, mas, ao contrário, que seja a causa da necessidade de todos os seres contingentes. Esse ser necessário é Deus; Os Graus de Perfeição – em relação à qualidade de todas as coisas existentes, pode-se afirmar que há graus diversos de perfeição. Assim, estabelecemos que tal coisa é melhor que outra, ou mais bela, ou mais poderosa, ou mais verdadeira, etc. Ora, se uma coisa possui “mais” ou “menos” determinada qualidade positiva, isso supõe que deva existir um ser com o máximo dessa qualidade, no nível da perfeição. Devemos admitir, então, que existe um ser com o máximo de bondade, de beleza, de poder, de verdade, sendo, portanto, um ser máximo e pleno. Esse ser é Deus; Finalidade do Ser – todas as coisas brutas, que não possuem inteligência própria, existem na natureza cumprindo uma função, um objetivo, uma finalidade, tal como a flecha orientada pelo arqueiro. Devemos admitir, então, que existe algum ser inteligente que dirige todas as coisas da natureza para que cumpram seu objetivo. Esse ser é Deus.

15 – Explique as contribuições de Tomás de Aquino para a filosofia. É o caso do filósofo católico Jacques Maritain (1882 – 1973), que assim enaltece a contribuição de Tomás de Aquino: “Não só transportou para o domínio do pensamento cristão a filosofia de Aristóteles na sua integridade, para fazer dela o instrumento de uma síntese teológica admirável, como também e ao mesmo tempo super-elevou e, por assim dizer, transfigurou essa filosofia. Purificou-a de todo vestígio de erro [...] sistematizou-a poderosa e harmoniosamente, aprofundando-lhe os princípios, destacando as conclusões, alargando os horizontes, e se nada cortou, muito acrescentou, enriquecendo-a com o imenso tesouro da tradição latina e cristã.” 16 – Explique os argumentos usados por Bertrand Russel para questionar os méritos de Tomás de Aquino. Bertrand Russel disse que: “Há pouco do verdadeiro espírito filosófico em Aquino [...] Não está empenhado numa pesquisa cujo resultado não possa ser conhecido de antemão. Antes de começar a filosofar, ele já conhece a verdade; está declarada na fé católica. Se, aparentemente, consegue encontrar argumentos racionais para algumas partes da fé, tanto melhor, se não, basta-lhe voltar de novo à revelação. A descoberta de argumentos para uma conclusão dada de antemão não é filosofia, mas uma alegação especial. Não posso, portanto, admitir que mereça ser colocado no mesmo nível que os melhores filósofos da Grécia ou dos tempos modernos” 17 – Cite os fatores que levaram ao questionamento do pensamento escolástico. Grandes acontecimentos históricos marcaram a Europa nos séculos XIII e XIV, como a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, a epidemia da peste bubônica, que matou cerca de três quartos da população européia, o cisma definitivo entre as Igrejas do Ocidente e do Oriente, que, entre outros fatores, diminuiu a influência da Igreja Católica Romana sobre o poder temporal (o Estado) e sobre a população; a criação de novas universidades, que iniciam o desenvolvimento de questões relativas às ciências naturais e a autonomia da filosofia em relação à teologia. 18 – Explique o fato de Guilherme de Ockham merecer destaque entre os filósofos mais significativos do período correspondente à Escolástica Pós-Tomista. Ockham merece destaque porque proclamou uma distinção absoluta entre fé e razão. Para Ockham, a filosofia não seria serva da teologia, e a teologia não poderia sequer ser considerada ciência, pois seria tão somente um corpo de proposições mantidas não pela coerência racional, mas pela força da fé. Pensador empirista e nominalista, combateu a metafísica tradicional e iniciou o método da pesquisa científica moderna. Seu pensamento destacou-se porque apreendeu as transformações de seu tempo: a ruptura entre a Igreja e os nascentes Estados nacionais; a perda da concepção unitária da sociedade humana, que passou a se dividir cada vez mais entre o poder temporal e o poder espiritual; a ruptura entre fé e razão, ocasionada pelo nascente desenvolvimento da razão autônoma, que buscou através da investigação empírica o conhecimento dos fenômenos naturais.

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