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I - DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES 1.

As funções do Estado Desde a antigüidade, com Aristóteles, já se havia identificado três atividades exercidas pelo Estado como meio para se alcançar a felicidade humana. Eram elas a: função administrativa, legislativa e judicial. 2. A Separação dos poderes Em tempos mais recentes, deve-se a John Locke a teoria original da separação dos Poderes do Estado, quando aquele filósofo inglês, na célebre obra Two treatises of government, surgida em 1690, sustentou os princípios de liberdade política da gloriosa revolução inglesa de 1688 e impugnou o absolutismo real. Inspirado em Locke, Montesquieu defendeu a idéia de poder limitado, Em sua também célebre obra De I'esprit des lois, o escritor francês admitiu que o homem investido no poder tende naturalmente a dele abusar até que encontre limites. E afirmou que o poder só pode ser limitado pelo próprio poder (te pouvoir arrête le pouvoir). Assim, sustentou a necessidade de um outro poder capaz de limitar o próprio poder. Disse que no Estado existem três poderes, a saber, o poder legislativo, o poder executivo e o poder judicial, incumbidos do desempenho de funções distintas: respectivamente, a função de legislar, a função de administrar e a função de julgar. E atentou para o fato de que, num Estado, para que exista liberdade política, é imperioso que estes três poderes não estejam reunidos na mão de um único órgão. É necessário, pois, que eles se repartam por entre órgãos distintos, de sorte que possa cada um deles, sem usurpar as funções do outro, impedir que os demais abusem de suas funções. Montesquieu, portanto, preconizou fundamentalmente, para além de uma divisão de funções, a idéia de uma recíproca limitação dos poderes, e isso só era possível num ambiente em que os poderes distintos fossem exercidos por órgãos também distintos. Seu pensamento muito influenciou na elaboração da Constituição norteamericana de 17 de setembro de 1787. Foi, contudo, na Revolução francesa que a doutrina da separação tornou-se, definitivamente, dogma universal. Com efeito, no art. 16 da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 se afirmou que "Toda sociedade na qual não esteja assegurada a garantia dos direitos nem determinada a separação dos poderes, não tem constituição". A Constituição Federal de 1988, seguindo a diretriz política das Constituições que lhe precederam, consagrou o principio da separação dos Poderes (art. 2º) como um aspecto fundamental e estruturante do Estado brasileiro, a ponte de tornálo imutável em face da competência constitucional reformadora (CF, art. 60, § 4º, inciso III). 3. Teoria dos Freios e Contrapresos A idéia fundamental da doutrina da separação dos poderes é a contenção do poder. Daí, fácil perceber-se que o princípio da separação dos poderes é,

poder limitado é liberdade garantida. pondo em risco as liberdades. de um modo geral. julga nos casos em que se tem. Cabe constitucionalmente ao poder legislativo criar. pelo poder que têm os órgãos do Judiciário de declarar a inconstitucionalidade das leis e atos normativos do poder público. exemplificativamente. Poder legislativo a) típica: legislar. 4. ao cumprir os ditames da lei. 4. não obstante a independência orgânica. seja pela prerrogativa de solicitar urgência na tramitação de projetos de leis de suas iniciativas.senão de todas. por exemplo. onde há "interferências. por exemplo. quando estes forem inconstitucionais ou contrários ao interesse público e. Também. No Brasil. no sentido de não haver entre eles qualquer subordinação ou dependência no que tange ao exercício de suas funções. à busca do equilíbrio necessário à realização do bem da coletividade e indispensável para evitar o arbítrio e o desmando de um em detrimento do outro e especialmente dos governados". b) atípica: legislar e julgar. quando estes e aquelas ofenderem o texto magno. 59 da CF/88).Funções dos Poderes 4. seja pela iniciativa legislativa que têm. 52. Ainda. que visam ao estabelecimento de um sistema de freios e contrapesos. o trâmite de processo administrativo (disciplinar) para averiguar infração de servidor público. já havia sido apontado por Montesquieu. quando exerce sua competência legislativa ou quando pratica o veto ou sanção do projeto de lei. esse sistema de controle mútuo é revelado. quando. a separação dos poderes se assenta na independência e na harmonia entre os órgãos do Poder político. desempenha o papel de julgar o Presidente da República nos crimes de responsabilidade (art. como uma providência necessária para que um poder pudesse limitar outro poder. Esse sistema de interferências recíprocas. uma das principais garantias das liberdades públicas. Ao revés. Sem a contenção do poder. Atualmente. discutir e aprovar leis (art. o exercício ilimitado do poder desborda para práticas iníquas e arbitrárias. Note-se que nesse caso o julgamento não faz coisa julgada. como ocorre nas decisões do poder judiciário. encerrado na conhecida fórmula checks and balances. nomeia e exonera servidores de seu quadro administrativo. II. O legislativo excepcionalmente administra. Isso significa que.1.2. É função primordial do poder executivo administrar o patrimônio público. Poder Executivo a) típica: administrar. da CF/88). como acima mencionado. O chefe do poder executivo atua excepcionalmente como legislador. entre nós. de participarem do processo legislativo. b) atípica: administrar e julgar. . a Constituição Federal instituiu um mecanismo de controle mútuo. o poder que têm as chefias do Executivo de vetar projetos de leis aprovados pelo Legislativo.

3. 1. b) atípica: administrar e legislar. Poder Judiciário a) típica: julgar (exercício da jurisdição). Por isso. que se adota apenas no âmbito do órgão legislador da União. Desenvolve atividade legislativa. só intervindo o Congresso (com a reunião dos componentes da Câmara e do Senado) na eventual hipótese de veto presidencial. dos Estados (Assembléia Legislativa). como ocorre com o legislativo. sem que haja hierarquia entre eles. Órgãos do Poder Legislativo O Poder legislativo no Brasil é exercido por órgãos próprios e autônomos. Composição das casas do Congresso Nacional . razão por que a distribuição de Senadores por Estados é absolutamente a mesma. tendo em vista o modelo de processo legislativo que a Constituição adotou. o judiciário. Semelhantemente. O Congresso Nacional O órgão do Poder legislativo da União é o Congresso Nacional. os Estados.1. 1. que envolve. É característica das federações o sistema bicameral. nomeia e exonera servidores de seu quadro administrativo. apesar de estruturá-lo em vários órgãos (art. O Bicameralismo O sistema bicameral. distinta das casas que o compõem. ou de duas casas. 92 da CF/88). porém conciliada. portanto. 49 do texto fundamental. excepcionalmente administra. é forçoso reconhecer que a atividade legislativa da União é esmagadoramente exercida pelas casas que integram o Congresso Nacional e não por ele propriamente. basicamente a atuação separada. Não obstante. da Câmara e do Senado. há entre nós órgãos legislativos da União (Congresso Nacional). A CF/88 deu atuação una ao poder judiciário. Isso porque a Constituição a ele atribuiu importantes competências políticas. o Distrito Federal e os Municípios de competência legislativa que a exercem por meio de seus órgãos legislativos próprios.4. Mas é importante frisar que o Congresso Nacional tem existência própria. que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. a Constituição brasileira proveu a União.2. 1. Em razão da forma federal de Estado e de sua estrutura tríplice. a fim de sobre ele deliberar. do Distrito Federal (Câmara Legislativa) e dos Municípios (Câmara de Vereadores). II – PODER LEGISLATIVO 1. da forma federativa de Estado. é decorrência. quando.3. quando edita seu regimento interno ou quando apresenta projeto de lei de sua competência. por exemplo. que se encontram concentradas no art. E ao Senado foi atribuída a missão de representar a vontade dos Estados federados. diante da necessidade de uma delas representar a vontade dos Estados federados na formação da vontade nacional.

cada Território Federal. o Tribunal Superior Eleitoral fornecerá aos Tribunais Regionais Eleitorais e aos partidos políticos o número de vagas a serem disputadas. na hipótese de vir a ser criado. 1. há a mesa diretora. em cada Território e no Distrito Federal. Esse número deve ser distribuído por Estado e pelo Distrito Federal.De acordo com a Constituição. 1. Entre os seus órgãos internos fundamentais. Funcionamento A sessão legislativa no Congresso Nacional. composto de Senadores eleitos segundo o princípio majoritário. a representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos. 44). no ano anterior às eleições.5. Segundo a Constituição. que disciplina a fixação do número de deputados. Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores. existe uma Mesa diretora da Câmara . será estabelecido por lei complementar. que é o órgão de direção da casa legislativa e responsável pela condução dos trabalhos legislativos e administrativos. no ano anterior às eleições. No Poder legislativo da União.5. Cada legislatura será de quatro anos (§ único.1 A mesa diretora Todo órgão legislativo tem uma Mesa. proporcional à sua população. Organização interna do Poder Legislativo A organização interna de cada casa legislativa compreende a estruturação de órgãos indispensáveis à condução de seus trabalhos e ao desempenho de suas atividades. procedendo-se aos ajustes necessários. proporcionalmente à população. O número total de Deputados. a Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo. Feitos os cálculos da representação dos Estados e do Distrito Federal. O Senado Federal é a casa legislativa representativa dos Estados e do Distrito Federal. pelo sistema proporcional. bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal. com mandato de oito anos. para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados. cujos dados devem ser fornecidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A lei complementar n° 78/93. estabeleceu que o número de deputados federais não ultrapassará 513 representantes. Porém.4. inicia-se no dia 02 de fevereiro até 17 de julho e reinicia-se no dia 01 de agosto até 22 de dezembro. por um e dois terços. entre outros. alternadamente. Cada Senador será eleito com dois suplentes. art. para a atualização estatística demográfica das unidades da Federação. elegerá quatro Deputados. 1. segundo o artigo 57 da CF/88. em cada Estado. as comissões parlamentares e os órgãos administrativos. eleitos.

Podem ser permanentes ou temporárias. Os membros das Mesas da Câmara e do Senado são eleitos para um mandato de dois anos. segundo a Constituição.2. São exemplos de comissão mista permanente: a comissão para examinar as medidas provisórias antes de serem apreciadas pelas casas separadamente (art.5. .5. e os demais cargos serão exercidos. 57. §9º) e a comissão do orçamento (art. uma Mesa diretora do Senado e uma Mesa diretora do Congresso Nacional. na constituição das Mesas é assegurada. Assim. pelos ocupantes de cargos equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. tanto quanto possível. §1º). não é formada por eleição.2. Todavia.dos Deputados. Comissões Permanentes As comissões permanentes são aquelas criadas para durarem por tempo indeterminado. 62. 1.2. 1. 57. As Comissões Parlamentares As Comissões parlamentares são órgãos de natureza técnica competentes para examinar as propostas legislativas em curso nas casas legislativas e sobre elas emitir pareceres ou para controlar e investigar fatos relevantes e determinados.1. A Mesa do Congresso Nacional. entre aqueles que compõem as Mesas da Câmara e do Senado. §5º). os Regimentos da Câmara.5. vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente (art.3. a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da respectiva Casa (art. do Senado e do Congresso Nacional dispõem dos seguintes cargos: um Presidente. § 5°. 1. dois Vice-Presidentes (1º Vice-Presidente e 2° Vice-Presidente). a Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo Presidente do Senado Federal. Tradicionalmente. alternadamente. § 4°). Comissões Temporárias As comissões temporárias são aquelas criadas para fins específicos e durarem o tempo necessário para conclusão de seus trabalhos ou no prazo previamente fixado. 1. Os cargos da Mesa são definidos no Regimento interno de cada casa. pois a Constituição já indicou quais serão os seus membros. de acordo com o art.2. que se compõe conjuntamente de deputados e senadores.5. 57. 166. quatro Secretários e quatro suplentes de Secretários. Comissões Mistas As comissões mistas são aquelas criadas no âmbito do Congresso Nacional e se compõem conjuntamente de deputados e senadores.2. São comissões especiais.

Poderes das CPI´s O §3º. 5º. . Nos moldes do art. Desse modo. São órgãos que instauram um procedimento administrativo de feição política. semelhante ao inquérito policial e ao inquérito civil público.1. encaminhadas ao Ministério Público. em conjunto ou separadamente. tendo em vista a imparcialidade e a especialização jurídica ínsitas à esse Poder. 5º. de cunho meramente investigatório. alguns poderes judiciais não podem ser desempenhados em face da chamada reserva de jurisdição. sendo suas conclusões. § 3° da Constituição.acessar diretamente dados fiscais. do artigo 58 da CF/88 estabelece como regra geral que as CPI´s terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais. 1. inciso XI). . para a apuração de fato determinado e por prazo certo.2. as comissões parlamentares de inquérito terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais.4. 1. mediante requerimento de um terço de seus membros.2. se for o caso. apesar de não assumirem natureza preparatória de ações judiciais.1. . Comissões de Inquérito São comissões necessariamente temporárias. a Constituição preferiu reservar ao Poder Judiciário certos atos.interceptações telefônicas (art. salvo as em flagrante delito. inciso LXI). inclusive motivar suas decisões (art. 1.6.requisitar documentos e informações dos órgãos da Administração Pública. Conceito .5. inciso XII). Prerrogativas Tem por escopo assegurar a autonomia e independência funcional dos parlamentares. inciso IX).6. financeiros e bancários. além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. não podem as CPI´s: .buscas domiciliares (art. . 5º.1. 58. 93. que podem ser criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.6. Ou seja.determinar intimação de testemunhas. devendo.determinar prisões (art. para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. por exemplo: .4.1.1. Contudo. Podem. Imunidades 1.5.

53 da Constituição. a difamação e a injúria. cautelar (preventiva. civil e penalmente.1.2. para que o ocupante desse cargo possa exercer suas funções de parlamentar com independência e liberdade de manifestação. como. Se o legislador estiver na tribuna. palavras e votos terão presunção absoluta de inviolabilidade.) Quanto à prisão Essa prerrogativa protege o parlamentar. provisória). apesar de não afastarem a ocorrência do crime. . por quaisquer de suas opiniões.São prerrogativas constitucionais atribuídas ao cargo de parlamentar de uma das casas do Congresso Nacional. são aplicadas no âmbito processual. que determina que os deputados e senadores são invioláveis.6. tais como a calúnia. por exemplo. não há crime quando o membro do poder legislativo federal se pronunciar (opinião. se satisfeitas as condições constitucionais. os autos do inquérito devem ser remetidos à respectiva casa do parlamentar. política ou disciplinar em relação aos chamados “crimes de opinião” ou “crimes da palavra”. exceto quando for flagrante de crime inafiançável efetuado depois da diplomação. palavras ou votos no exercício da função parlamentar. suas opiniões. uma vez que são atribuições do cargo eletivo. responsabilidade civil por danos materiais causados em virtude de colisão de veículo automotor ou responsabilidade fiscal de recolher devidamente o IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física). afastando a possibilidade de prisão. para resolver se ele permanecerá preso ou não. Porém. civil. penal. protege o parlamentar contra a prisão e torna possível a sustação do andamento do processo penal instaurado junto ao Supremo Tribunal Federal. É importante lembrar que as imunidades são irrenunciáveis pelos parlamentares. prisão de sentença penal condenatória recorrível ou prisão em flagrante. Espécies a) Imunidade material É a imunidade prevista no caput do art. em vinte e quatro horas. Assim. palavras ou votos) sobre alguém ou assunto no exercício de sua função parlamentar dentro ou fora Congresso Nacional. Mesmo sobre essa situação. palavras ou votos. A imunidade material protege o congressista da incriminação civil. b. para os demais delitos ou situações jurídicas o parlamentar ainda continua responsável. por meio de opiniões. Assim. a imunidade formal. 1. mesmo que tal manifestação venha causar danos a terceiros que não parlamentares.1. b) Imunidade Processual São prerrogativas que.

na condição de Ministro de Estado da Casa Civil. Note que não há prazo para manifestação de intenção de sustar o andamento do processo junto ao Supremo Tribunal Federal. certificando a regular eleição. porém não pode invocar a prerrogativa da imunidade material e processual pelo cometimento de crime no exercício da nova função”. assim decidiu: “O deputado que exerce função de ministro de estado não perde o mandato. bem como o número dos votos e sua condição como candidato. de 1981. pelo voto da maioria de seus membros. despe-se temporariamente da condição de parlamentar e. no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do recebimento pela mesa Diretora. decorrente de representação formulada pelo Partido Trabalhista Brasileiro – PTB.) Algumas observações O indivíduo. perante o Supremo Tribunal Federal. p. José Dirceu. 8 de Set. a convite do Presidente da República (Lula). Em 2005. Vejamos também a um problema que já foi enfrentado. indeferiu pedido de liminar formulado em mandado de segurança impetrado por Deputado Federal pelo qual se pretendia a suspensão de processo disciplinar contra ele instaurado na Câmara dos Deputados. O STF manifestou nos seguintes termos: “O Tribunal. em conseqüência. enquanto perdurar aquele mandato.2. afastou-se do exercício parlamentar para exercer o cargo de Ministro de Estado da Casa Civil.2. com a assunção do cargo no executivo. das prerrogativas e incompatibilidades pertinentes. Tal decisão cancelou expressamente a Súmula nº 04 do STF. Tanto é assim que o Supremo Tribunal Federal. no seu pleno. ter comandado um esquema de pagamento a deputados para que votassem. se a casa legislativa se pronunciar pela suspensão do processo perante o Supremo Tribunal Federal. como por exemplo. a favor de projetos de interesse do Governo. 8605).) Quanto à sustação do processo A imunidade formal ou processual quanto à sustação do processo trata-se da possibilidade de que a respectiva casa legislativa. b. de maneira que o processo poderá ser suspenso até antes da decisão ou antes do término do mandato. na qual o impetrante é acusado de quebra do . Por fim.A imunidade protege o parlamentar desde a expedição do diploma pela justiça eleitoral. julgando o Inquérito nº 104-0-RS (Diário da Justiça. Acusação que ficou conhecida como “esquema do mensalão”. suste o andamento do processo. visto que é um ato administrativo da justiça eleitoral em conferir ao candidato. c. na Câmara Federal. por crime ocorrido após a diplomação e desde que haja a iniciativa de partido político nela representado e ocorra antes da decisão final. Eleito deputado federal em 2002 e empossado em 01/02/2003 para um mandato de quatro anos. reside. por maioria. que dispunha de modo diverso. foi acusado publicamente pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson de. ocorrerá suspensão da prescrição. O prazo. o caso do ex-deputado federal e ex-Ministro de Estado da Casa Civil. A diplomação está entre a eleição e a posse. por sua vez. que será apreciado. apenas sobre a deliberação sobre o pedido de sustação solicitado por partido político.

53). enquanto que as secundárias são aquelas que decorrem no artigo 84. pela prática de crimes comuns ocorridos antes ou depois da diplomação. que considerou estar a representação formulada contra o impetrante juridicamente vinculada à sua condição de parlamentar. o Min. os deputados e senadores depois de diplomados serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. As primárias são todas aquelas enumeradas no artigo 59 da CF/88.1. enumeradas no artigo 59 da CF/88: emendas constitucionais.decoro parlamentar por fatos praticados em período em que ocupava cargo de Ministro de Estado. leis delegadas. julgamento em 19-10-2005. por não ter perdido a condição de parlamentar. aderiu à divergência iniciada pelo Min. após essa decisão. medidas provisórias. Todas essas espécies normativas são capazes de inovar no direito. Carlos Brito. sujeita-se a processo disciplinar perante sua respectiva Casa legislativa”. em votação majoritária. a Câmara dos Deputados deu normal prosseguimento ao processo de cassação. à sua influência política. As ações de natureza civil ou trabalhista não possuem foro especial. Agora cumpri estudarmos as espécies normativas primárias. III – DO PROCESSO LEGISLATIVO 1. e não a fatos qualificados como inerentes ao exercício da função de Ministro de Estado. tem características de criar. Joaquim Barbosa. Entretanto. que teve como resultado final a aprovação da perda do mandato do ex-deputado José Dirceu e conseqüente inelegibilidade para as eleições que se realizaram até 31/01/2007 e nos oito anos subseqüentes. Noções Existem espécies normativas primárias e secundárias. palavras e votos (art. tais como os elencados no art.579-MC. . 1. também indeferindo a liminar. isto é. Consiste na inviolabilidade civil e penal dos deputados e senadores por quaisquer de suas opiniões. Min. Por sua vez. Foro Privilegiado O foro privilegiado é mais amplo do que a imunidade formal ou processual. Joaquim Barbosa.6. Rel.1. decretos e resoluções legislativas. Prosseguindo no julgamento. ou seja. leis complementares. uma vez que também é aplicado aos processos iniciados antes da diplomação. (MS 25. informativo 406) Como é de conhecimento público. As últimas serão abordadas no momento que o Poder Executivo for estudado. o Plenário. 87 da CF. leis ordinárias. Com o término do mandato tem-se o fim do foro privilegiado. entendeu que o parlamentar investido temporária e precariamente no cargo de Ministro de Estado. a prerrogativa de foro não alcança as ações que não sejam de natureza criminal. modificar ou extinguir o direito. IV da CF/88 “expedir decretos e regulamentos”. ou seja.2.

0. separação dos poderes. a não observância do trâmite constitucional do processo legislativo pode levar a declaração de inconstitucionalidade da norma. elas para terem validade e eficácia devem observar regras procedimentais. constitucionalmente previstas. como. Espécies normativas que utilizam o processo legislativo 2. alínea “b” e o artigo 16 da constituição federal também são cláusulas pétreas. em 07 de setembro de 1993. secreto. 60. econômicos etc. redação. estado de sítio e de intervenção federal. A lei complementar n. 2) materiais implícitos são decorrentes da própria interpretação feita pelo estudioso do direito constitucional.1. . Assim. 3) procedimentais ao se exigir quórum qualificado para a propositura de Projeto de Emenda a Constituição (art. voto direto. bem como quórum de aprovação da PEC (3/5 em dois turnos de cada casa do Congresso Nacional). Emenda constitucional As emendas constitucionais (art. 4) e circunstanciais ao se impedir a emenda da constituição em tempo de estado de defesa. Alguns autores à exemplo do Kildare Gonçalves. manifestando cada uma delas pela maioria relativa de seus membros). Merece uma atenção especial a última proteção (direitos e garantias individuais) que estão presentes no artigo 5º da CF/88 e por força do § 2º. sociais. Assim. II – Pres da República – e III – mais da 1/2 das assembléias legislativas do Estados-membros. como já mencionado pelo Supremo Tribunal Federal. incisos I – 1/3. 95/98 dispôs sobre as técnicas de elaboração. ao dispor que o artigo 150. os direitos sociais. que apesar de não estar protegida explicitamente no texto constitucional passou a ser admitida como cláusula pétrea depois de escolhida em plebiscito votado.. universal e periódico. 60 CF/88) são conhecidas como poder constituinte derivado reformador e servem para adequar o texto constitucional a um novo posicionamento do Estado sobre aspectos políticos. inciso III. os direitos políticos e sobre os partidos políticos também são protegidos por serem cláusulas pétreas. no mínimo dos membros da CD e SF –. pode ser estendida a outros artigos da constituição federal.Por sua vez. direitos e garantias individuais. O poder de emenda tem os limites: 1) materiais explícitos (cláusulas pétreas) enumeradas no § 4º. os direitos de nacionalidade. por exemplo. desse mesmo dispositivo constitucional. nos moldes do artigo 2º da ADCT. desde que observem os limites estabelecidos pelo legislador constituinte originário. a forma republicana de governo. bem como sua consolidação. por exemplo. do artigo 60 da CF/88: forma federativa. como. André Ramos Tavares entendem que além entendimento esposado pelo STF os outros direitos e garantias fundamentais. de acordo com o STF os direitos e garantias individuais não são apenas aqueles 78 incisos enumerados no artigo 5º da constituição federal. 2. alteração das leis.

: parágrafo único. Assim.3. políticos e eleitorais. 2. Logo. delimitará o conteúdo a ser tratado na lei delegada em votação única vedada qualquer emenda (art. o determinará. Ex. da constituição. o Congresso Nacional. ou seja. nacionalidade e cidadania. ou seja. maioria absoluta (artigo 69 da CF/88) em relação a lei ordinária. em sessão unicameral. para aprovação das emendas de revisão (artigo 3º da ADCT). de modo que fixaremos mais as diferenças. §3º CF/88). não aplica mais atualmente. Conseqüentemente. os de competência privativa da CD e do SF (art. Seu procedimento: o Presidente da República a fim de editar a lei delegada precisa previamente solicitar ao Congresso Nacional a delegação sobre matéria específica que será autorizada ou não por resolução (art. A primeira é quando a constituição federal exige taxativamente a regulamentação de seu conteúdo por lei complementar. autogoverno e auto-administração (artigo 25 da CF/88). não se faz necessário a sanção ou veto do Presidente da República. § 1º CF/88): atos da competência exclusiva do CN (art. direitos individuais. maioria simples ou relativa (artigo 47 da CF/88). a legislação sobre organização do poder judiciário e do MP. Leis ordinárias e complementares Possuem mais semelhanças (iniciativa. Algumas matérias não poderão ser delegadas (art. que a fixada acima. com o intuito de permitir que eles possuam sua capacidade de auto-organização. 68. A segunda é quando se exige quórum diferenciado para aprovação da lei complementar. 68. 49 CF/88). Assim. conhecida por delegação “externa corporis”. Limitou-se a condicionar a reforma da constituição ao quórum de maioria absoluta. 2. deliberação parlamentar e aprovação ou não do executivo) que diferenças. A lei delegada não poderá tratar de assunto alheio a autorização legislativa. . sempre que o poder constituinte originário quiser que determinada matéria seja regulamentada por lei complementar.b) decorrente: é poder transferido aos Estados-membros. Lei delegada É elaborada pelo Poder Executivo por delegação do Poder Legislativo. não existe hierarquia entre as duas espécies legislativas. Existem duas grandes diferenças entre lei complementar e lei ordinária. artigo 22 da CF/88. expressamente. §2º CF/88). por meio de resolução. diretrizes orçamentárias e orçamentos. Esse meio de revisão do texto constitucional se exauriu. matérias reservadas à lei completar.2. c) revisor: é poder concedido pelo Poder Constituinte ao Derivado com o intuito de permitir uma reforma menos rigorosa. planos plurianuais. 68. 51 e 52 CF/88).

Media provisória Substituiu o antigo decreto-lei da constituição de 1967. A promulgação do decreto legislativo é realizada pelo presidente do SF. A promulgação da resolução é realizada pelo presidente da cada casa do legislativo federal (CD. partidos políticos e direito eleitoral. em casos de relevância e urgência. ressalvado o previsto no art. SF e CN). 2. com força de lei. devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. valerão aqueles promovidos pela MP em seu período de vigência. ou que tenha perdido a sua eficácia por decurso de prazo. é vedado a reedição de MP (art. Os efeitos da MP serão regulados pelo Congresso Nacional através de decreto legislativo. §10 CF/88) na mesma sessão legislativa. cidadania. processual penal e processual civil. 2. que determinarão a sua publicação. incisos I a XVII da CF/88). expressamente rejeitada pelo Congresso Nacional. orçamento e créditos adicionais e suplementares. a MP entrará em regime de urgência. A MP tem validade de 60 dias. aprovado por maioria simples (artigo 47 CF/88). II – que vise a detenção ou seqüestro de bens. Esses prazos não serão contados em período de recesso parlamentar. Resolução É o instrumento normativo através do qual serão regulamentadas as matérias de competência privativa do CD e do SF.2. que determinará sua publicação. b) direito penal. Por fim. É vedada a edição de MP: I – relativa a: a) nacionalidade. d) planos plurianuais.4. c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público. A não conversão da MP em lei resultará no fim de sua eficácia. III – reservada a lei complementar. 3. Caso contrário. 62. direitos políticos. É editada pelo Presidente da República. diretrizes orçamentárias. a carreira e a garantia de seus membros. Após 45 dias de sua publicação. aprovado por maioria simples (artigo 47 CF/88). IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. 167. Decreto legislativo É o instrumento normativo através do qual serão executadas as competências exclusivas do CN (artigo 49. sobrestando todas as demais deliberações legislativas da casa em que estiver tramitando.5.3.0 Fases do processo legislativo . prorrogável uma única vez por igual período. de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro. § 3º.

Fase de iniciativa Essa fase é quando e quem começa o processo legislativo. eleitoral. aeronáutico. Como regra geral o processo se inicia com a apresentação do projeto da espécie normativa (emenda a constituição.É constituído por diversas fases que as espécies normativas devem observar. agrário. e) o Procurador-Geral da República.1. diferenciadas. Temos que apenas o item “b” abaixo possui iniciativa privativa. qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados. marítimo.§ 1º. lei ordinária. as leis delegadas. II. É importante salientar também que o artigo 61 da CF trata sobre as pessoas que podem iniciar o processo legislativo. José Afonso aduz que seria uma iniciativa compartilhada. b) o Presidente da República. comercial. §5º e artigo 61.2 concorrente – Nesse tópico é importante ressaltar que o Presidente da República e o procurador-geral da república possuem competência concorrente para apresentar projeto que venha tratar sobre a organização do Ministério Público da União (artigo 128. processual.1 Geral ou comum – o artigo 61 da CF/88 enumera as entidades ou pessoas que podem apresentar (elaborar) projetos de leis complementares e ordinárias para serem discutidos (fase constitutiva ou de deliberação) no parlamento. Senão vejamos: .) pelas pessoas designadas na constituição federal. 3. espacial e do trabalho (artigo 22. São elas: a) qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados. que podem ser aquelas indicadas na competência privativa. 3. de acordo com suas competências legislativas.1. d da CF/88). do Senado Federal ou do Congresso Nacional. comum. por terem configurações. Atentemos que os projetos de emenda à constituição. Estudaremos o processo legislativo da lei ordinária por ser o mais completo das espécies normativas. I CF/88) ou aquelas dos artigos 23 ou 24 da CF/88.1.1. concorrente de competência da União. como já vistas. Não se menciona nesse momento as matérias que podem ser apresentadas. do Senado Federal ou do Congresso Nacional. bem como as medidas provisórias não se enquadram nessa iniciativa. Ele se divide em: 3. complementar etc. os decretos legislativos e resoluções. Assim. d) os Tribunais Superiores. 3. c) o Supremo Tribunal Federal. o Presidente da República e os cidadãos poderão elaborar projetos de leis ordinárias e complementares que tenham como matéria o direito civil. penal. f) e aos cidadãos.3 privativa (melhor exclusiva ou reservada) – em determinadas matérias apenas certas entidades definidas na constituição podem apresentar seus projetos de leis.

3. emendas – é a alteração do projeto de lei. 93 e 96. exceto aquelas reservadas. Fase constitutiva (deliberação) É o momento da discussão feita pelos parlamentares.II da CF/88). bem como determinadas espécies normativas que são de uso privativo de outras entidades constitucionais (resoluções.4.4. privativas ou exclusivas. Casa revisora – do mesmo modo o projeto será recebido na CCJ. II e III da CF/88). (art. Deve seguir as regras do artigo 61. Tribunais Superiores e TJ´s (no âmbito estadual) têm competência legislativa para apresentar projetos de lei de seu interesse exclusivo. deliberação executiva – o Presidente da República pode vetar ou sancionar o projeto de lei já aprovado pelo parlamento.2. 3. Aprovado o projeto ele é enviado ao Presidente da República. 3.a) o Presidente da República tem competência legislativa para apresentar projetos de lei que fixem ou modifiquem os efetivos das forças armadas etc. art. 3. (artigo 61.1. b) o STF. O veto é a discordância do projeto.). Casa iniciadora – o projeto será recebido na CCJ – comissão de constituição e justiça. parágrafo. 5 Estados-membros e cada um não pode ter menos do que 3/10% de seus eleitores. 51. Tem inicio em regra na CD (casa iniciadora) que depois é enviado. desde que feita a proposta apresentada por maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do CN (art. §2º CF/88 que exige a assinatura de 1% do eleitorado nacional. encaminhado será à comissão temática respectiva à matéria contida no projeto.§1º CF/88) e (LO ou LDO. XIII da CF/88). Logo sem seguida será enviado ao plenário. Não se admite a subemenda. 3. pelo menos. 165.2. IV e 52. Pode ser político ou jurídico. a emenda da emenda.2. distribuído em. leis delegadas.2. se aprovado será enviado à comissão temática respectiva à matéria contida no bojo do projeto. se aprovado.2. 3. Projeto rejeitado – poderá ser reapresentado na mesma sessão legislativa. Popular – pode ser apresentado projeto de lei ordinária ou complementar em qualquer matéria. com prazo máximo de 15 dias para se manifestar. inciso ou de alínea). MP´s etc.3. Aprovado o projeto ele será enviado à casa revisora. Alertamos que somente as emendas apresentadas pela casa revisora serão apreciadas pela casa iniciadora. se aprovado.2. ao SF (casa revisora). I. Precisa ser motivado e pode ser total ou parcialmente (abrange texto total de artigo. c) a CD e SF têm competência legislativa para apresentar projetos de lei de seu interesse exclusivo (art. 67 CF/88). Logo em seguida será enviado ao plenário.2.1. 3. ou seja.5. Pode ser cassado em sessão conjunta do SF e CD por maioria absoluta no prazo de 30 .

Fase complementar É o momento em que promulga (atesta sua existência) e publica a lei (leva o conhecimento a todos da inovação legislativa).dias a contar de seu recebimento. Sanção é a concordância do projeto. Sendo derrubado o veto.3. Com a sanção o projeto é convertido em lei. 3. Após 15 dias não houver pronunciamento do Presidente da República tem-se a sanção tácita. a lei deverá ser enviada ao Presidente da República para promulgação. Após o conhecimento da lei (vacacio legis) inicia-se o seu cumprimento (eficácia social). .