Livro de Mágoas, de Florbela Espanca Fonte: ESPANCA, Florbela. Sonetos. Amadora, Portugal : Bertrand, 1978.

Texto proveniente de: A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro <http://www.bibvirt.futuro.usp.br> A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo Permitido o uso apenas para fins educacionais. Texto-base digitalizado por: William Mendonça – Tanguá/RJ Este material pode ser redistribuído livremente, desde que não seja alterado, e que as informações acima sejam mantidas. Para maiores informações, escreva para <bibvirt@futuro.usp.br>. Estamos em busca de patrocinadores e voluntários para nos ajudar a manter este projeto. Se você quer ajudar de alguma forma, mande um e-mail para <parceiros@futuro.usp.br> ou <voluntario@futuro.usp.br>

LIVRO DE MÁGOAS Florbela Espanca

ESTE LIVRO ... Este livro é de mágoas. Desgraçados Que no mundo passais, chorai ao lê-lo! Somente a vossa dor de Torturados Pode, talvez, senti-lo ... e compreendê-lo. Este livro é para vós. Abençoados Os que o sentirem , sem ser bom nem belo! Bíblia de tristes ... Ó Desventurados, Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo! Livro de Mágoas ... Dores ... Ansiedades! Livro de Sombras ... Névoas e Saudades! Vai pelo mundo ... (Trouxe-o no meu seio ...) Irmãos na Dor, os olhos rasos de água, Chorai comigo a minha imensa mágoa, Lendo o meu livro só de mágoas cheio! ...

Aquela que diz tudo e tudo sabe.. Eu sou a que na vida não tem norte. Que reúne num verso a imensidade! Sonho que um verso meu tem claridade Para encher todo o mundo! E que deleita Mesmo aqueles que morrem de saudade! Mesmo os de alma profunda e insatisfeita! Sonho que sou Alguém cá neste mundo . Chora o silêncio ...... Porque anseias? ... À noite... A quem? . um livro de horas........ – E o meu olhar é interrogador – Perscruto. Aos pés de quem a Terra anda curvada! E quando mais no céu eu vou sonhando.. Sou a que chora sem saber porquê . ninguém vem . vês? ..... porque choras Lendo.. ao longe. Sou talvez a visão que Alguém sonhou. Sou a que chamam triste sem o ser .. E que o destino amargo.VAIDADE Sonho que sou a Poetisa eleita.... toda de branco.. Aquela de saber vasto e profundo. plas ameias. Impele brutalmente para a morte! Alma de luto sempre incompreendida! . Porque rezas baixinho? .. triste e forte. Sombra de névoa ténue e esvaecida.. a dolorida . Acordo do meu sonho . debruçada. Que sonho afagam tuas mãos reais? .. as sombras do sol-pôr . Alguém que veio ao mundo pra me ver E que nunca na vida me encontrou! CASTELÃ DA TRISTEZA Altiva e couraçada de desdém. E não sou nada! . Vivo sozinha em meu castelo: a Dor! Passa por ele a luz de todo o amor ... À sombra rendilhada dos vitrais? . e desta sorte Sou a crucificada . Sou aquela que passa e ninguém vê . Que tem a inspiração pura e perfeita. E quando mais no alto ando voando.. EU Eu sou a que no mundo anda perdida.... E nunca em meu castelo entrou alguém! Castelã da Tristeza. TORTURA .. nada .. Castelã da Tristeza. Sou a irmã do Sonho..

. em que era querida. Que dissesse. Parece-me que foi numa outra vida .. O verso altivo e forte. Que dantes tinha o rir das primaveras. Sonhar um verso de alto pensamento.. branca e calma... com que minto! Quem me dera encontrar o verso puro. isto que sinto!! LÁGRIMAS OCULTAS Se me ponho a cismar em outras eras Em que ri e cantei.Tirar dentro do peito a Emoção. depois de vir do coração. São assim ocos.. o nada. Parece-me que foi noutras esferas. estranho e duro. pensativa. rudes. E a minha triste boca dolorida. A lúcida Verdade. a chorar. O pó.. Esbate as linhas graves e severas E cai num abandono de esquecida! E fico. vendavais dispersos. Ninguém as vê brotar dentro da alma! Ninguém as vê cair dentro de mim! . o sonho dum momento . Um punhado de cinza esparso ao vento! . E as lágrimas que choro. olhando o vago ... Toma a brandura plácida dum lago O meu rosto de monja de marfim . E puro como um ritmo de oração! – E ser. os meus versos: Rimas perdidas. o Sentimento! – E ser. depois de vir do coração. Com que eu iludo os outros..

a chorar..) As minhas mãos esguias. Há lírios Dum roxo macerado de martírios. E tudo nos fugiu. o seu mal .. ao sol.” Responde a minha Dor: “Que linda a cova!” . De brancos dedos.. arcarias.TORRE DE NÉVOA Subi ao alto... DIZERES ÍNTIMOS É tão triste morrer na minha idade! E vou ver os meus olhos. (Sou tão nova!) Dizem baixinho a rir: “Que linda a vida! . Feita de fumo. florida. tudo morreu! .... Os sinos têm dobres de agonias Ao gemer. uns bebês doentes Que hão-de morrer em plena mocidade! E ser-se novo é ter-se o Paraíso... Aonde a pedra em convulsões sombrias Tem linhas dum requinte escultural. A minha Dor é um convento. comovidos. todo o dia. a conversar Com os poetas mortos. névoas e luar.. sombras. E ninguém ouve . Tão belos como nunca os viu alguém! Nesse triste convento aonde eu moro. Aonde tudo é luz e graça e riso! E os meus vinte e três anos . E é desde então que eu choro amargamente Na minha Torre esguia junto ao céu! . como crentes Do soturno convento da Saudade! E logo vou olhar (com que ansiedade! . do meu sonhar. tristemente .. comovida.. no correr dos dias . A MINHA DOR À você A minha Dor é um convento ideal Cheio de claustros.” Calaram-se os poetas. ninguém . languescentes.. E todos os poetas. É ter-se a estrada larga. penitentes Vestidinhos de roxo. a alegria Dos versos que são meus. à minha Torre esguia.. ninguém vê .. Criança doida e crente! Nós também Tivemos ilusões. Noites e dias rezo e grito e choro. E pus-me.... E todos têm sons de funeral Ao bater horas.. como ninguém.. Responderam-me então: “Que fantasia.. Contei-lhes os meus sonhos.

.. Haste de lírio frágil e mimosa! Cofre de beijos feito sonho e neve! Doce quimera que a nossa alma deve Ao Céu que assim te faz tão graciosa! Que nesta vida amarga e tormentosa Te fez nascer como um perfume leve! O ver o teu olhar faz bem à gente .. A boca breve É um pequeno idílio cor-de-rosa .. À flor das ondas. Que ela afaste de ti aquelas dores Que fizeram de mim isto que sou! .. PEQUENINA À Maria Helena Falcão Risques És pequenina e ris .... Batem as asas pela Natureza . A doirada cabeça que delira Num último suspiro. suavemente ..... E eu vejo a urna de oiro. a flores Quando o teu nome diz. Pequenina que a Mãe de Deus sonhou. Chuva .. cor de safira.. A vaga estende os braços a suster. a chuva... E cheira e sabe.. a balouçar. Também as vi levar em urna de oiro. Soa no ar uma invisível lira ... Faz na vidraça rendas de Veneza . O vento desgrenhado chora e reza Por alma dos que estão nas agonias! E flocos de neve.. Digam isto que sinto que eu não posso!! ... a nossa boca. tenho saudades! Mas de quê?! Ó neve que destino triste o nosso! Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura! Gritem ao mundo inteiro esta amargura. tenho tristeza! Mas porquê?! Vento . Numa dor de revolta cheia de ira. O sol é um doente a enlanguescer . No mar da Vida. frias.. NEURASTENIA Sinto hoje a alma cheia de tristeza! Um sino dobra em mim Ave-Maria! Lá fora.. uma por uma .... à beira-mar. brancas mãos esguias. assim . a estremecer! O sol morreu . num lençol de espuma. e veste luto o mar ...AS MINHAS ILUSÕES Hora sagrada dum entardecer De Outono. aves brancas. doce tesoiro. As minhas Ilusões..

. talvez... alvíssima.. A urze que se pisa sob os pés...A MAIOR TORTURA A um grande poeta de Portugal! Na vida. Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos. divina... Sou. não há deleite...... A minha pobre Mãe tão branca e fria Deu-me a beber a Mágoa no seu leite! Poeta. em ti existe Uma Saudade igual à que eu contenho! Saudade que eu sei donde me vem . que inunda de amargura . onde me deite! E nem flor de lilás tenho que enfeite A minha atroz.. Milagre . Como se uma magnólia de cetim Fosse florir num muro todo em ruína. Pende em meu seio a haste branda e fina E não posso entender como é que.. Ninguém vem atrás dela a acompanhar A sua dor que é cheia de tortura . Essa tão rara flor abriu assim! .. enfim.. Voou ao longe a asa da minha’alma E nunca.. nunca mais eu me entendi . Ando a chorar convulsa noite e dia .. talvez. para mim. E não tenho uma sombra fugidia Onde poise a cabeça. fantasia . assim tão triste?! É que.. A FLOR DO SONHO A Flor do Sonho.. como tu. E eu oiço a Noite imensa soluçar! E eu oiço soluçar a Noite escura! Por que és assim tão escura.. Ou de ninguém! .. nem o que tenho!! . ó Noite.. ou.. eu sou um cardo desprezado. Miraculosamente abriu em mim. Que eu nunca sei quem sou. Talvez de ti. NOITE DE SAUDADE A Noite vem poisando devagar Sobre a Terra. ó Noite! .... Desde que em mim nasceste em noite calma. imensa nostalgia! . um riso desgraçado! Mas a minha tortura inda é maior: Não ser poeta assim como tu és Para gritar num verso a minha Dor! .. sina . E nem sequer a bênção do luar A quis tornar divinamente pura .. Que tem que sejam tristes os meus olhos Se eles são tristes pelo amor de ti?! .

. ao sol.. fechados. Como se os dois nascêssemos irmãos. a vastidão imensa! Eu queria ser a Pedra que não pensa. Amor.. pisa-as toda a gente! . aos Céus. devagarinho . O bem do que é humilde e não tem sorte! Eu queria ser a árvore tosca e densa Que ri do mundo vão e até a morte! Mas o Mar também chora de tristeza .. como um crente! E o Sol altivo e forte. PIOR VELHICE . Que fantasia louca Guardar assim. Vem sempre perguntando: “O que te resta? ... Ser rugido de tigre na floresta! AMIGA Deixa-me ser a tua amiga..” Ah! não ser mais que o vago.. Estrangular a hidra num momento! E não se quer pensar! .. como quem reza... no mesmo ninho . essas .. Tem lágrimas de sangue na agonia! E as Pedras .. muito a sós. Aves cantando. Que só.. me venha mágoa e dor O que me importa a mim?! O que quiseres É sempre um sonho bom! Seja o que for.. de ti.. ser granito. A pedra do caminho. o infinito! Ser pedaço de gelo. nestas mãos Os beijos que sonhei prà minha boca! . As árvores também. Abrem.. os braços. nada se apaga! Vem sempre rastejando como a vaga .. não .... rude e forte! Eu queria ser o Sol. e o pensamento Sempre a morder-nos bem. a luz imensa. DESEJOS VÃOS Eu queria ser o Mar de altivo porte Que ri e canta. Querer apagar no céu – ó sonho atroz! – O brilho duma estrela...ANGÚSTIA Tortura do pensar! Triste lamento! Quem nos dera calar a tua voz! Quem nos dera cá dentro... ao fim de um dia. E não se apaga.. A tua amiga só. já que não queres Que pelo teu amor seja a melhor. Bendito sejas tu por mo dizeres! Beija-me as mãos.. A mais triste de todas as mulheres. com o vento! . Amor.. dentro de nós . Beija-mas bem! .

e eu chorei Talvez porque... Na minha fronte mística de louca Martírios só poisou a emurchecer! E dizem que sou nova . enfeita e touca De alvas rosas a fronte da mulher. outrora . A mocidade Estará só.” Bendito o leite que te fez crescer . ai que me dera Dizer o que tu dizes! . DE JOELHOS “Bendita seja a Mãe que te gerou.. sem poder dizer! Leio-o. na nossa idade. ALMA PERDIDA Toda esta noite o rouxinol chorou. Quem soubera Velar a minha Dor desse teu manto! . gritou perdidamente! Alma de rouxinol.. ao ouvir-te. A esse livro de mágoas que me deste.. Artista da saudade e do sofrer! Estranho livro aquele em que puseste Tudo o que eu sinto... náufraga da Vida. Ou está em nós e em nosso peito mora?! Tenho a pior velhice.. Sombra roubada ao livro que ando a ler... assim.. Estranho livro aquele que escreveste. em voz rouca. então. Nunca o alvorecer Dum riso são andou na minha boca! Gritando que me acudam.. a que é mais triste.. um sonho que passou.. a alma doente Dalguém que quis amar e nunca amou! Toda a noite choraste .. Poeta igual a mim. Que eu pensei que tu eras a minh’alma Que chorasse perdida em tua voz! . Talvez sejas a alma. suavemente .. Que se fundiu na Dor. Eu. toda a minh’alma! O livro que me deste é meu. adivinhei Que ninguém é mais triste do que nós! Contaste tanta coisa à noite calma. alguém que se finou! Tu és. talvez.Sou velha e triste. que ao nascer.. A UM LIVRO No silêncio de cinzas do meu Ser Agita-se uma sombra de cipreste. Gemeu. e folheio. Tu és. rezou. talvez. alma da gente. e salma As orações que choro e rio e canto! . Aquela onde nem sequer existe Lembrança de ter sido nova .. ando a morrer! A Vida.

. quase pretas... Traçam gestos de sonho pelo ar . Bendito seja o beijo dessa boca!! LANGUIDEZ Tardes da minha terra. PARA QUÊ?! Tudo é vaidade neste mundo vão .. Pétalas que se pisam pelo chão! . Que poisam sobre duas violetas. Asas leves cansadas de voar . as tardes de Anto... Tristes vaidades! Sonhos que logo são realidades. torna a passar. E as minhas mãos. só para te ver .. Benditos sejam todos que te amarem. se há-de chorar! . Bendita seja a Lua... é nada! E mal desponta em nós a madrugada. Flor que é nascida e logo desfolhada. Tardes duma pureza de açucenas. Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto! Horas benditas. as tardes de novenas. tudo é pó.. AO VENTO O vento passa a rir. E esta minh’alma trágica e doente Não sabe se há-de rir. Que nos deixam a alma como morta! Só neles acredita quem é louca! Beijos de amor que vão de boca em boca. Vem logo a noite encher o coração! Até o amor nos mente. essa canção Que o nosso peito ri à gargalhada.. doce encanto. Tardes de Portugal.. Como pobres que vão de porta em porta! . Beijos de amor! Pra quê?! .. a Terra. Tudo é tristeza. Em gargalhadas ásperas de demente. que inundou De luz.. um dia. E a minha boca tem uns beijos mudos . Horas de fumo e cinza. Tardes de sonho.. bendita seja essa Mulher.. uns pálidos veludos.Bendito o berço aonde te embalou A tua ama. te quiser Alguém. horas serenas. pra te adormecer! Bendita essa canção que acalentou Da tua vida o doce alvorecer . Minhas horas de dor em que eu sou santo! Fecho as pálpebras roxas.. leves como penas. As que em volta de ti ajoelharem Numa grande paixão fervente e louca! E se mais que eu..

O mesmo lago plácido. meu pobre amigo! Desabafa essa dor a sós comigo. Vento que ris do mundo e do amor.. O frio que trago dentro gela e corta Tudo que é sonho e graça na mulher! O que é que me importa?! Essa tristeza É menos dor intensa que frieza.. ou um olhar sequer . esse fadário Do nosso peito ser como um Calvário. e a gente andar a rir pla vida fora!! .. É um tédio profundo de viver! E é tudo sempre o mesmo... voz plangente. A tua voz tortura toda a gente! . E os dias.. absorta. Ó vento.. Que diga o mundo e a gente o que quiser! – O que é que isso me faz? O que me importa? .Vento de voz tristonha.. Oiço dizer: “Que branca que ela é! Parece morta!” e eu que vou sonhando. Vale-te mais chorar... a correr .. ... não tenho um gesto.. E não rias assim ! . chora! Que eu bem conheço. Vento que ris de mim sempre a troçar. amigo. dormente . sempre os mesmos. vaga... eternamente . TÉDIO Passo pálida e triste.

Poentes de agonia trago-os eu Dentro de mim e tudo quanto é meu É um triste poente de amargura! E a vastidão do Mar. que é demência! Que é já vontade doida de gritar! E é sempre a mesma mágoa. entrou. quente. Trago em meus lábios roxos.. a vastidão Do mar imenso! E aquela voz fatal Com que ele fala. diz a gente. A mesma angústia funda. um dia..A MINHA TRAGÉDIA Tenho ódio à luz e raiva à claridade Do sol. SEM REMÉDIO Aqueles que me têm muito amor Não sabem o que sinto e o que sou . A coisa mais magoada das que são?! . toda essa água Trago-a dentro de mim num mar de Mágoa! E a noite sou eu própria! A Noite escura!! VELHINHA .. alegre.. Eu não gosto do sol.. E é desde então que eu sinto este pavor.. preta. essa cadência Que é já tortura infinda. de ser assim! Gosto da Noite imensa.. o mesmo tédio. Andando atrás de mim. sem me largar! MAIS TRISTE É triste.. sem remédio. Trazes-me embriagada.. a Dor À minha porta e.. Este frio que anda em mim. eu . Como esta estranha e doida borboleta Que eu sinto sempre a voltejar em mim! . Não sabem que passou.. Duns beijos que me deste noutra vida.. afinal. entontecida! . nesse dia. Parece que a minh’alma é perseguida Por um carrasco cheio de maldade! Ó minha vã. a saudade! ... inútil mocidade. agita o nosso mal! E a Noite é triste como a Extrema-Unção! É triste e dilacera o coração Um poente do nosso Portugal! E não vêem que eu sou . e que gelou O que de bom me deu Nosso Senhor! Se eu nem sei por onde ando e onde vou!! Sinto os passos da Dor. na subida. triste. eu tenho medo Que me leiam nos olhos o segredo De não amar ninguém.

E... digam assim: “Já ela é velha! Como o tempo passa! ... E eu paro a murmurar: “Ninguém o viu! . já cansados.” . aos que vires passar... interrogando Acerca do Amor. Fui sempre caminhando e perguntando .. e riu ... Deixem esse fio de oiro que esvoaça! Deixem correr a vida até o fim! Tenho vinte e três anos! Sou velhinha! Tenho cabelos brancos e sou crente .. Já murmuro orações ..” Não sei rir e cantar por mais que faça! Ó minhas mãos talhadas em marfim. Voltam todos pra trás desanimados . falo sozinha .” Fui pela estrada a rir e a cantar. que hás-de encontrar.. E o bando cor-de-rosa dos carinhos Que tu me fazes. EM BUSCA DO AMOR O meu Destino disse-me a chorar: “Pela estrada da Vida vai andando. Como se fosse um bando de netinhos . As contas do meu sonho desfilando ... olhou . Agora pela estrada. cheios de dor. à chuva e ao luar. olho-os indulgente. E noite e dia..... Mesmo a um velho eu perguntei: “Velhinho.. Talvez...Se os que me viram já cheia de graça Olharem bem de frente em mim.. Viste o Amor acaso em teu caminho?” E o velho estremeceu ...

ouviste .... O que é que tem?! Tão nova e sempre triste! Faça por estar contente! Pois então?! . anda sozinha . o que se diz é vão . assim. tudo.. Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera! .. Os males de Anto toda a gente os sabe! Os meus .. Sempre a pensar na dor que não existe .... A minha Dor não fala. Meu coração.. calado... Os meus males ninguém mos adivinha .... ao ver-me triste: “Parece Sexta-Feira de Paixão. .. A minha Dor não cabe Nos cem milhões de versos que eu fizera! .” Quando se sofre.. ninguém .... Sempre a cismar. cismar de olhos no chão.IMPOSSÍVEL Disseram-me hoje.

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