Estruturas de Concreto “Noções de Mecânica Geral”

Profº André Viana

Prof.º André Viana - nov/10

Noções de Mecânica Geral
1.CONCEITOS; 1.1 Mecânica; 1.2 Estática; 1.3 Mecânica dos corpos deformáveis 2. TEORIA DA ESTRUTURAS: 2.1 Esforços simples; 2.2 Esforço Normal; 2.3 Esforço Cortante; 2.4 Momento Torçor; 2.5 Momento Fletor; 3. RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS: 3.1 Tensão; 3.2 Tensão Normal; 3.3 Tensão de Cisalhamento; 3.4 Tensão por Torção; 3.5 Tensões por Flexão; 4. DEFORMAÇÃO: 4.1 Deformação; 4.2 Lei de Hooke; 4.3 Diagrama Tensão; 4.4 Deformações associadas à flexão de uma viga.

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Noções de Mecânica Geral 1. Conceitos
1.1 MECÂNICA:
De grande importância, essa é a parte que dá início ao estudo da física. O seu estudo possibilita o compreendimento dos movimentos, as causas dos movimentos, a interação dos corpos, possibilita ainda entender conceitos como o de pressão, trabalho de uma força, o movimento de corpos celestes, etc. A mecânica aborda vários assuntos, dos quais podemos citar alguns, veja: - movimento dos corpos; - conceito de velocidade e aceleração; - cálculo da velocidade e aceleração dos corpos; - força; - as leis do movimento; - conceitos que ajudam no estudo da hidrostática, como o conceito de pressão; - o que é energia, trabalho; - conservação da quantidade de movimento.
SINTESE: Mecânica é o estudo do comportamento de partículas e de corpos sob ação de forças.

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corpos em repouso e em movimento uniforme. isto é. Dinâmica: estuda as relações entre as forças e os movimentos que elas produzem. Conceitos O estudo da Mecânica é dividido em: • Mecânica dos corpos rígidos: estática e dinâmica  Estática: estuda os corpos rígidos sob a ação de forças equilibradas.º André Viana .  • • Mecânica dos corpos deformáveis (Resistência dos Materiais) Mecânica dos fluídos: incompressíveis e compressíveis Prof.nov/10 .Noções de Mecânica Geral 1. É fundamentada pela segunda lei de Newton. É fundamentada pela primeira e pela terceira leis de Newton.

De acordo com a segunda lei de Newton. De acordo com a primeira lei de Newton.2 ESTÁTICA: É a parte da física que estuda sistemas sob a ação de forças que se equilibram. Exemplo de um sistema de forças em equilíbrio Prof.Noções de Mecânica Geral 1.nov/10 . a partir do valor das forças externas.º André Viana . todas as partes de um sistema em equilíbrio também estão em equilíbrio. a aceleração destes sistemas é nula. Este fato permite determinar as forças internas de um corpo. Conceitos 1.

Momento: O momento representa a tendência de giro (rotação) em torno de um ponto provocada por uma força. sentido e intensidade.nov/10 .Noções de Mecânica Geral 1.º André Viana . Prof. Conceitos Forças: As forças são grandezas vetoriais caracterizadas por direção.

no que se refere à determinação de TENSÕES e DEFORMAÇÕES nas mesmas. Prof. barras) quando estão sujeitos a diferentes tipos de solicitações. Resistência dos Materiais (Mecânica dos Materiais. DEFINIÇÕES:  Teoria das Estruturas: determinação dos ESFORÇOS SOLICITANTES e dos DESLOCAMENTOS que as estruturas ficam submetidas quando solicitadas por agentes externos. elementos.º André Viana .3 MECÂNICA DOS CORPOS DEFORMÁVEIS: A Teoria das Estruturas e a Resistência dos Materiais são ramos da Mecânica Aplicada que estuda o comportamento dos sólidos (corpos.nov/10  .Noções de Mecânica Geral 1. Conceitos 1. Mecânica dos Sólidos): trata do comportamento das barras.

Força Normal (N). e os momentos M e T.z) são os seguintes esforços simples ou atuantes: 1.nov/10 .º André Viana . obtém-se as Forças N e V. Momento de torção ou torque (T) e.2. conhecidos como Esforços Simples: Nas três dimensões (x.y. 2. 3.1 ESFORÇOS SIMPLES Decompondo-se os vetores resultantes FR e MR0 em componentes normais e tangenciais ao plano da seção. DIAGRAMA DE UM CORPO LIVRE Noções de Mecânica Geral Prof. Momento fletor (M). 4. Força de cisalhamento (V). Teoria das estruturas: Esforços simples 2.

2 FORÇA OU ESFORÇO NORMAL: A Força Normal ou Esforço normal ou axial (N) tende a promover variação da distância que separa as seções (fig. b). Noções de Mecânica Geral TRAÇÃO (b) COMPRESSÃO (a) (c) Prof. Teoria das estruturas: Esforços simples 2.2. permanecendo as mesmas paralelas uma à outra. e negativo quando de compressão (fig. c).º André Viana . a).nov/10 . quando tender a afastar duas seções infinitamente próximas. ou seja. O esforço normal será positivo quando de tração (fig.

3 FORÇA DE CISALHAMENTO (V) OU ESFORÇO CORTANTE (Q) : Tende a promover o deslizamento relativo de uma seção em relação à outra (tendência de corte).nov/10 . tiver o sentido positivo do eixo y e quando calculado pelas forças situadas do lado direito da seção. Dizemos que o esforço cortante Q é positivo quando. Noções de Mecânica Geral Prof. Teoria das estruturas: Esforços simples 2. calculado pelas forças situadas do lado esquerdo da seção.º André Viana . tiver o sentido oposto ao sentido positivo do eixo y.2.

Teoria das estruturas: Esforços simples 2.º André Viana .4 MOMENTO TORÇOR (T): Tende a promover uma rotação relativa entre duas seções infinitamente próximas em torno de um eixo que lhes é perpendicular. Noções de Mecânica Geral Prof.2. O momento torçor é positivo quando o vetor de seta dupla que o representa estiver como que tracionando a seção. passando pelo seu centro de gravidade (tendência de torcer a peça).nov/10 .

o efeito de M pode ser assimilado ao binário da figura.º André Viana . Teoria das estruturas: Esforços simples 2. que provoca uma tendência de alongamento em uma das partes da seção e uma tendência de encurtamento na outra parte.5 MOMENTO FLETOR (M) : Tende a provocar uma rotação da seção em torno de um eixo situado em seu próprio plano.nov/10 . Como um momento pode ser substituído por um binário. deixando a peça fletida.2. Noções de Mecânica Geral Prof.

3. como sendo: Noções de Mecânica Geral ∑ fn = F Como f1 = fn.Força resultante total a qual está submetida a força. podemos então calcular o esforço “ f “ a que está submetido o elemento em destaque no desenho abaixo. n .f = F ou seja f= F/n Onde: F. f – Esforço a que está submetido o elemento destacado (tensão).nov/10 . Resistência dos materiais: Tensão 3. então: n.º André Viana . ∑ fn – Somatório dos esforços . Portanto.1 TENSÃO: Descreve a intensidade da força interna sobre um plano específico (área) que passa por determinado ponto.o número de elementos formadores daquela parte da peça Prof.

veremos que a relação F / n pode ser reescrita como F / A onde A representa a área da seção transversal da peça e a essa relação chamaremos de “tensão” (ζ).área da seção da peça.nov/10 ζ=F/A . tensão será vista como uma relação entre o esforço externo e a área da seção da peça. ζ = F / A Noções de Mecânica Geral Como n = dA. Logo: ζ = F / A onde ζ .tensão de tração ou de compressão F . se observarmos a direção da força “ F “ e os pontos onde essa força está aplicada.º André Viana . onde esse esforço está sendo aplicado. transversal à força.força aplicada à peça A .3. Assim. Resistência dos materiais: Tensão Porém. então ζ = F / dA: f F f Prof.

Esse número representa. Noções de Mecânica Geral Prof.º André Viana . causando acidentes. que a peça de seu projeto possa suportar.nov/10 .3. a que chamamos coeficiente de segurança. Resistência dos materiais: Tensão Tensão Admissível: A tensão admissível é calculada a partir das tensões de escoamento ou de ruptura e representa a tensão máxima que o projetista admite. Utiliza-se o recurso de dividir essas tensões por um número maior que 1. a grosso modo. o número de vezes que estaremos seguros da resistência da peça. para que não sofra nenhum dano.

e negativo quando de compressão (fig.nov/10 . permanecendo as mesmas paralelas uma à outra.2 TENSÃO NORMAL: Descreve a intensidade da força interna que atua no sentido perpendicular a um plano específico (dA). a).º André Viana . Resistência dos materiais: Tensão 3. quando tender a afastar duas seções infinitamente próximas. Como já foi estudado: A Força Normal ou Esforço normal ou axial (N) tende a promover variação da distância que separa as seções (fig. c). Noções de Mecânica Geral TRAÇÃO (b) COMPRESSÃO (a) (c) Prof. ou seja. O esforço normal será positivo quando de tração (fig. b).3.

Resistência dos materiais: Tensão 3.3 TENSÃO DE CISALHAMENTO: A força cortante é aquela que atua no mesmo plano da força (dA) que estamos aplicando em uma peça. Dizemos que o esforço cortante Q é positivo quando. Admitindo-se que a distribuição dos esforços seja uniforme em toda a seção resistente da peça temos: Onde: T= Q T .tensão de cisalhamento A Q – força cortante atuante na peça A – área resistente ou área sobre a qual atua a força Q.3.º André Viana . calculado pelas forças situadas do lado esquerdo da seção.nov/10 . Prof. tiver o sentido positivo do eixo y e quando calculado pelas forças situadas do lado direito da seção. tiver o sentido oposto ao sentido positivo do eixo y. Noções de Mecânica Geral Como já foi estudado: A Força de cisalhamento (V) ou Esforço cortante (Q) tende a promover o deslizamento relativo de uma seção em relação à outra (corte).

que são as tensões de projeto. aquelas tensões que nos queremos. Te = Tensão elástica Tr = Tensão de ruptura cs = Coeficiente de segurança Noções de Mecânica Geral Prof. São as tensões que os projetistas escolhem para o funcionamento das peças e que são calculadas da mesma maneira que aquelas calculadas para tração. que nos admitimos. para o trabalho de nossas peças.º André Viana .nov/10 . onde: cs cs Tadm = Tensão admissível. ou seja. Resistência dos materiais: Tensão Tensão Admissível.3. no Cisalhamento: Também no cisalhamento vamos encontrar as tensões admissíveis. ou seja: Tadm = Te ou Tr .

nov/10 . O momento torçor é positivo quando o vetor de seta dupla que o representa estiver como que tracionando a seção.4 TENSÃO POR TORÇÃO: Como foi estudado: O Momento torçor (T) tende a promover uma rotação relativa entre duas seções infinitamente próximas em torno de um eixo que lhes é perpendicular. passando pelo seu centro de gravidade (tendência de torcer a peça).3. Podemos observar esse ângulo “ γ “ no desenho a seguir. Os efeitos da torção são de produzir deslocamentos angulares entre as diversas seções transversais em relação umas às outras.º André Viana . y Prof. Resistência dos materiais: Tensão 3. Noções de Mecânica Geral A torção é produzida por binários que atuem em planos transversais ao eixo de giração da peça.

Noções de Mecânica Geral MOMENTO POSITIVO MOMENTO NEGATIVO Prof. o efeito de M pode ser assimilado ao binário da figura. deixando a peça fletida (flexão). Resistência dos materiais: Tensão 3.5 TENSÕES POR FLEXÃO: Como foi estudado o Momento fletor (M) tende a provocar uma rotação da seção em torno de um eixo situado em seu próprio plano.º André Viana .nov/10 . Como um momento pode ser substituído por um binário. que provoca uma tendência de alongamento em uma das partes da seção (tração) e uma tendência de encurtamento na outra parte (compressão).3.

3. εx = Deformação elástica.nov/10 .º André Viana . εx Sendo: E= Módulo de elasticidade. Prof. A relação linear é dada por: Noções de Mecânica Geral ζx = E . Resistência dos materiais: Tensão A distribuição linear de tensões é típica para o comportamento de uma viga à flexão cujo material trabalha em regime linear (regime de serviço).

εm Sendo: E= Módulo de elasticidade.3. Chamando de c este valor (que pode corresponder à fibra superior ou à fibra inferior).º André Viana . Prof.nov/10 . Resistência dos materiais: Tensão Também a maior tensão normal ζx em uma seção transversal ocorre para o maior valor de y. o máximo valor absoluto de tensão normal é: Noções de Mecânica Geral ζm = E . εm = Deformação elástica máxima.

Prof. que passa pelo centro de gravidade dessa seção.nov/10 .tensão de tração ou de compressão Mf – momento fletor atuante na seção estudada c – distância entre a fibra em estudo e a fibra neutra I – momento de inércia da seção em estudo. sejam de tração ou de compressão. podemos calcular as tensões.3. em relação ao eixo horizontal. com a fórmula: Noções de Mecânica Geral ζ = Mf.º André Viana . atuantes em qualquer ponto da viga.c I Onde: σ . Resistência dos materiais: Tensão Então.

a deformação permanece. Se denominarmos o comprimento inicial da peça por “ L ” e a deformação por “Δ L “ teremos a deformação unitária (ε): ε = ΔL L Temos também: ∆L ζ=F F A Noções de Mecânica Geral L Prof.1 DEFORMAÇÃO: Quando aplicamos uma força a uma peça. cessando o esforço. ela sofre uma deformação que é proporcional ao esforço aplicado.º André Viana .nov/10 .quando a deformação é permanente. cessando o esforço.4. Resistência dos materiais: Deformação 4. cessa a deformação b) plástica . Essa deformação pode ser: a) elástica – quando.

nov/10 . representada pela tangente do ângulo formado pela linha OA com o eixo da “deformação“ e é uma propriedade de cada material.2 LEI DE HOOKE A relação entre a tensão e a deformação elástica de um material foi demonstrada em 1678 por Robert Hooke que ficou conhecida como lei de Hooke e podemos escrever: ζ=ε. Então: ζ=F/Aeζ=ε. A F / A = ΔL . E mas ε = Δ L/ L e teremos: ΔL = F . Noções de Mecânica Geral Prof. E / L o que nos dá: Notamos então que a deformação elástica de um material é diretamente proporcional à força aplicada e ao seu comprimento e é inversamente proporcional ao módulo de elasticidade do seu material e à área da peça. Resistência dos materiais: Deformação 4. transversal à direção do esforço aplicado. L / E .º André Viana . E assim: F/A=ε.E Sendo a constante “ E “ conhecida como o módulo de elasticidade ou módulo de Young.4.

a carga é gradualmente reduzida até zero. isto é. Como foi visto: Noções de Mecânica Geral ζ=F/A ε = ΔL / L Prof.3 DIAGRAMA TENSÃO: Os diagramas tensão-deformação ilustram o comportamento dos materiais.º André Viana . chama-se limite elástico. Quando um corpo-de-prova do material é descarregado. A tensão cujo descarregamento acarrete uma deformação residual permanente.4. Esta propriedade do material. pela qual ele tende a retornar à forma original. a deformação sofrida durante o carregamento desaparecerá parcial ou completamente. quando carregados por tração (ou compressão). é denominada elasticidade. Resistência dos materiais: Deformação 4.nov/10 .

a partir de zero até o seu rompimento. B e C – limites de escoamento inferior e superior D – limite de resistência E . Resistência dos materiais: Deformação Podemos então. Noções de Mecânica Geral Prof.nov/10 . que na maior parte das vezes se confunde com o limite elástico.4. apresentar o diagrama que representa o ensaio de tração de um corpo de prova. Onde: A – limite de proporcionalidade.º André Viana .limite de ruptura. onde vamos aumentando a carga aplicada ao corpo de prova.

Resistência dos materiais: Deformação 4. Noções de Mecânica Geral Prof.4.nov/10 . tal como indicado na figura abaixo. isto é. submetida somente a um momento fletor positivo M.4 DEFORMAÇÕES ASSOCIADAS À FLEXÃO DE UMA VIGA: Considere um trecho de viga submetida à flexão pura.º André Viana .

Resistência dos materiais: Deformação Na figura a seguir observamos que: L = ρθ e L’ = (ρ – y)θ e a variação de comprimento é dada por: δ = L’ – L = (ρ – y)θ – ρθ = – yθ Portanto.nov/10 Noções de Mecânica Geral .4. Prof.º André Viana . a deformação elástica será: εx = δ = -yθ L ρθ εx = -y ρ Sendo: ρ o raio do arco θ o ângulo em radianos O sinal negativo indica que a deformação é de compressão para um ponto y positivo (acima da linha neutra) e que a deformação é de tração para um ponto com y negativo (abaixo da linha neutra).

a deformação normal εx varia linearmente com a distância y da linha neutra. Resistência dos materiais: Deformação A deformação normal dada na expressão εx = −y /ρ vale para qualquer ponto situado à distância y da superfície neutra. Para tanto. ao longo de toda a barra.Noções de Mecânica Geral 4. a deformação normal εx varia linearmente com a distância y da superfície neutra. ou que o ângulo θ é infinitesimal (na verdade é um dθ). ela também é válida para flexão simples. Neste caso. Diz-se que. então. Deve-se observar que. na flexão simples. A maior deformação normal εx em uma seção transversal ocorre. ao longo de toda a seção transversal. embora a dedução da expressão εx = −y /ρ tenha sido feito para o caso de flexão pura. na flexão pura. para o maior valor de y. Diz-se que. Chamando de c este valor (que pode corresponder à fibra superior ou à fibra inferior). o máximo valor absoluto de deformação normal é: εm = c ρ Prof.nov/10 . basta imaginar que o trecho com momento fletor constante é tão pequeno quanto se queira. a expressão εx = −y /ρ se aplica a uma dada seção transversal.º André Viana .

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