7º PONTO

PENAL: Crimes contra a pessoa. Crimes contra a vida, lesões corporais, rixa, crimes contra a honra, crimes contra a liberdade individual. Crimes contra o patrimônio. Crimes contra a incolumidade, a paz e a fé públicas. Atualizado em janeiro de 2007. Gabriel Queiroz. OBS.: Todos os comentários em primeira pessoa foram feitos por mim. Além disso, registre-se que resolvi de enxugar um pouco esse resumo. O original tinha mais de cento e vinte páginas. De toda sorte, ficou difícil diminuir mais, porque se trata ponto muito extenso (só para se ter idéia, este ponto abrange algo em torno de três sinopses jurídicas da Saraiva). Atualizado em janeiro de 2008 por Gustavo de Mendonça Gomes. Obs.: O resumo está bastante completo e extenso. Não procurei enxugá-lo, mas acrescentei somente o indispensável, evitando torná-lo excessivamente longo. Além disso, sublinhei e grifei alguns trechos que me pareceram importantes. INTRODUÇÃO A Parte Especial é classificada de acordo com o bem jurídico tutelado, dividida em 11 títulos (bem jurídico genérico). Os títulos, por sua vez, são divididos em capítulos (bem jurídico específico); o primeiro cuida dos CRIMES CONTRA A PESSOA, que por sua vez, é dividido nos seguintes crimes: a. b. c. d. e. f. DOS CRIMES CONTRA A VIDA; DAS LESÕES CORPORAIS; DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE; DA RIXA; DOS CRIMES CONTRA A HONRA; DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL;

A PARTE ESPECIAL não é integrada apenas por normas incriminadoras (são as normas que proíbem determinados comportamentos, que se forem praticados haverá a conseqüência de aplicação de sanção penal; são integradas por dois preceitos: PRIMÁRIO e SECUNDÁRIO, aquele consiste no comportamento proibido e este, na sanção penal a ser aplicada), há também NORMAS PERMISSIVAS (permitem determinados comportamentos, estabelecendo a licitude, a inculpabilidade ou a impunidade dos comportamentos; EXEMPLOS: abortamento permitido e não punição da difamação e da injúria) e NORMAS EXPLICATIVAS (são as que estabelecem o conteúdo de outras normas, delimitando o campo de sua aplicação; EXEMPLOS: conceito de funcionário público e conceito de casa). O JURADO julga pelo PRINCÍPIO DA ÍNTIMA CONVICÇÃO (não há fundamentação, mas deve o seu julgamento estar de acordo com a prova dos autos), ou seja, não precisa de fundamentação, como se exige do juiz de direito que deve julgar de acordo com o princípio do livre convencimento (é imprescindível a fundamentação).

1 CRIMES CONTRA A VIDA
1.1 NOÇÕES GERAIS SOBRE O TRIBUNAL DO JÚRI São os crimes contra a vida a. Homicídio b. Participação em suicídio c. Infanticídio
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d. Aborto Nem todos os crimes que atingem a vida, são crimes contra a vida. EXEMPLO: latrocínio é crime contra o patrimônio. O júri NÃO julga o latrocínio, que não é um crime doloso contra a vida, ele é julgado pelo juiz singular, pois o agente mata a vítima somente para subtrair o bem (súmula 603 do STF).
603 - A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do Juiz singular e não do Tribunal do Júri.

O Tribunal do Júri é composto por um Juiz Presidente e por 21 jurados, sendo 07 sorteados para composição do Conselho de Sentença. O Júri é o juiz natural (constitucional) para julgar os crimes dolosos contra a vida e os que lhe forem conexos (leis atrativas) (artigo 5o., XXXVIII, CF/88). GENOCÍDIO: é julgado pelo tribunal do Júri? Há séria discussão sobre o assunto. Este julgado abaixo transcrito, do STF, bem coloca toda a controvérsia: 434 (RE-351487) Genocídio e Competência Artigo O Tribunal negou provimento a recurso extraordinário, remetido pela 1ª Turma ao Plenário, em que se discutia a competência para processar e julgar os crimes cometidos por garimpeiros contra índios ianomâmis, no chamado massacre de Haximu — v. Informativo 402. Pretendia-se, na espécie, sob alegação de ofensa ao disposto no art. 5º, XXXVIII, d, da CF (“é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:... d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida.”), a reforma de acórdão do STJ que, dando provimento a recurso especial do Ministério Público Federal, entendera ser o juízo singular competente para processar e julgar os recorrentes, condenados pela prática do crime de genocídio (Lei 2.889/56, art. 1º, a, b e c) em concurso material com os crimes de lavra garimpeira, dano qualificado, ocultação de cadáver, contrabando e formação de quadrilha. No caso, o processo tramitara perante juízo monocrático federal e resultara em decreto condenatório, contra o qual fora interposto, exclusivamente pela defesa, recurso de apelação, provido para anular a sentença e determinar a adoção do procedimento do Tribunal do Júri, ao fundamento de que o genocídio praticado contra índio, com conexão com outros delitos, seria crime doloso contra a vida. RE 351487/RR, rel.min. Cezar Peluso, 3.8.2006. (RE-351487). Inicialmente, asseverou-se que o objeto jurídico tutelado imediatamente pelos crimes dolosos contra a vida difere-se do bem protegido pelo crime de genocídio, o qual consiste na existência de um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Assim, não obstante a lesão à vida, à integridade física, à liberdade de locomoção etc. serem meios de ataque a esse objeto jurídico, o direito positivo pátrio protege, de modo direto, bem jurídico supranacional ou coletivo. Logo, no genocídio, não se está diante de crime contra a vida e, por conseguinte, não é o Tribunal do Júri o órgão competente para o seu julgamento, mas sim o juízo singular. Desse modo, não se negou, no caso, ser a Justiça Federal competente para a causa. Ademais, considerou-se incensurável o entendimento conferido pelas instâncias inferiores quanto ao fato de os diversos homicídios praticados pelos recorrentes reputarem-se uma unidade delitiva, com a conseqüente condenação por um só crime de genocídio. Esclareceu-se, no ponto, que para a legislação pátria, a pena será única para quem pratica as diversas modalidades de execução do crime de genocídio, mediante repetições homogêneas ou não, haja vista serem consideradas como um só ataque
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ao bem jurídico coletivo. Ressaltou-se, ainda, que apesar da cominação diferenciada de penas (Lei 2.889/56, art. 1º), a hipótese é de tipo misto alternativo, no qual, cada uma das modalidades, incluídos seus resultados materiais, só significa distinto grau de desvalor da ação criminosa. RE 351487/RR, rel.min. Cezar Peluso, 3.8.2006. (RE-351487). Em seguida, entendeu-se que a questão recursal não se esgotaria no reconhecimento da prática do genocídio, devendo ser analisada a relação entre este e cada um dos 12 homicídios praticados. Nesse sentido, salientou-se que o genocídio corporifica crime autônomo contra bem jurídico coletivo, diverso dos ataques individuais que compõem as modalidades de sua execução. Caso contrário, ao crime mais grave, aplicar-se-ia pena mais branda, como ocorrera no caso. No ponto, afastouse a possibilidade de aparente conflito de normas. Considerou-se que os critérios da especialidade (o tipo penal do genocídio não corresponderia à soma de um crime de homicídio mais um elemento especial); da subsidiariedade (não haveria identidade de bem jurídico entre os crimes de genocídio e de homicídio) e da consunção (o desvalor do homicídio não estaria absorvido pelo desvalor da conduta do crime de genocídio) não solucionariam a questão, existindo, pois, entre os diversos crimes de homicídio continuidade delitiva, já que presentes os requisitos da identidade de crimes, bem como de condições de tempo, lugar e maneira de execução, cuja pena deve atender ao disposto no art. 71, parágrafo único, do CP. Ademais, asseverou-se que entre este crime continuado e o de genocídio há concurso formal (CP, art. 70, parágrafo único), uma vez que no contexto dessa relação, cada homicídio e o genocídio resultam de desígnios autônomos. Por conseguinte, ocorrendo concurso entre os crimes dolosos contra a vida (homicídios) e o crime de genocídio, a competência para julgá-los todos será, por conexão, do Tribunal do Júri (CF, art. 5º, XXXVIII e CP, art. 78, I). Entretanto, tendo em conta que, na espécie, os recorrentes não foram condenados pelos delitos de homicídio, mas apenas pelo genocídio, e que o recurso é exclusivo da defesa, reconheceu-se incidente o princípio que veda a reformatio in pejus. Os Ministros Carlos Britto, Marco Aurélio e Sepúlveda Pertence ressalvaram seu entendimento no tocante à adoção da tese de autonomia entre os crimes genocídio e homicídio quando este for meio de execução daquele. RE 351487/RR, rel.min. Cezar Peluso, 3.8.2006. (RE-351487) Nesses crimes conexos (as infrações penais conexas podem ser estranhas à sua competência de crimes dolosos contra a vida), estão inseridos: CONTRAVENÇÃO PENAL; CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO; ou QUALQUER OUTRO DELITO. O Júri é uma garantia para aquele que não tenha foro privilegiado. O Júri está amparado pelos princípios constitucionais do: a. plenitude de defesa; b. soberania dos veredictos; (quanto ao mérito somente podem ser alteradas pelo próprio júri popular, que poderá ter seu julgamento renovado por determinação contida em recurso1);
Artigo 593, III, d, CPP – somente se a decisão do Júri for manifestamente contrária à prova dos autos é que poderá ser renovada, e mais, isso somente pode ocorrer uma vez, independentemente, de qual parte tenha requerido a renovação.
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1º Condenou → Recurso do Réu → 2º Absolveu → Promotor não pode recorrer. Não pode haver dois recursos sobre o mérito do veredicto, garantindo, assim a sua Soberania. Mas, se houver nulidade, o julgamento popular poderá ser renovado, quantas vezes forem necessárias.
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c. sigilo das votações; d. competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Há PESSOAS que NÃO serão julgadas pelo TRIBUNAL DO JÚRI:

a. MILITAR QUE MATA MILITAR em razão das atividades do exercício da caserna;
assim, esse militar praticará o crime previsto no artigo 205, CPM. Esse militar será submetido a julgamento de um Conselho de Justiça (01 juiz auditor e 04 juízes militares, que devem possuir patente superior à patente do réu), nos termos do artigo 27, da Lei 8457/92. Quem preside esse conselho de justiça é o militar de maior patente. Se existirem dois com a mesma patente, a presidência caberá àquele que for mais antigo no posto. MILITAR QUE MATA CIVIL EM ATIVIDADE DE POLICIAMENTO será julgado pelo Tribunal do Júri, nos termos do parágrafo único do artigo 9o. do CPM.
Artigo 9o. Consideram-se crimes militares, em tempo de paz: Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil, serão da competência da Justiça Comum.

b. AGENTE QUE GOZE DE FORO PRIVILEGIADO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO –
não será julgado pelo Tribunal do Júri, deverá ser julgado pelo foro competente. Se houver CONCURSO DE AGENTES com pessoa sem prerrogativa de foro, na prática de CRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA, haverá a separação obrigatória, por que a competência do júri e a prerrogativa de função são constitucionais. Mas, se não for crime doloso contra a vida, haverá a vis atrativa. A jurisprudência tem entendido que será competente o TJ do local onde estiver vinculado o agente com foro privilegiado e não onde tenha sido praticado o crime. Há CRIMES que NÃO serão julgados pelo TRIBUNAL DO JÚRI, mesmo havendo morte: a) EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO com evento morte, que também é um crime contra o patrimônio. Esse é o crime punido de forma mais veemente pelo legislador brasileiro (pena mínima = 24 anos de reclusão). Esse crime será julgado pelo juiz singular. Para reconhecimento desse crime, a MORTE precisa ser do SEQÜESTRADO, esse fator é de suma relevância. b) LATROCÍNIO (não é julgado pelo Júri) não pode ser confundido com o ROUBO SEGUIDO DE HOMICÍDIO. EXEMPLO 01: o trabalhador recebe o salário; o assaltante subtrai-lhe todo o salário. A vítima inconformada reclama da situação. O assaltante mata-a, então, em decorrência da reclamação. Ocorre um ROUBO em concurso material com um HOMICÍDIO QUALIFICADO. E será julgado pelo Júri pelos dois crimes. Não é latrocínio porque o assaltante já havia realizado o roubo e depois matou. EXEMPLO 02: um vizinho se desentende com o outro e por isso, mata-o. Após a prática do homicídio, percebe que a vítima tinha um relógio bonito, então decide furtá-lo. O agente será julgado pelo Júri, em decorrência da prática de crimes de HOMICÍCIO e FURTO em concurso material, não há que se falar em latrocínio (o agente mata ou tenta matar a vítima para garantir a subtração). c) LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE (artigo 129, § 3o., CP) é julgada pelo juiz singular. É um exemplo clássico de crime PRETERDOLOSO (dolo no antecedente e culpa no subseqüente). O agente que quer praticar lesão corporal, mas culposamente obtém o resultado morte. EXEMPLO: o agressor desfere socos na vítima, que vem a cair no chão batendo a cabeça e morrendo em virtude dessa pancada.
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d) ESTUPRO (artigo 213) E ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR (artigo 214) SEGUIDOS DE MORTE serão julgados pelo juiz singular. O parágrafo único do artigo 223 cuida do evento morte. São crimes contra os costumes e não contra a vida. Não se pretende o evento morte. Também são exemplos de crimes preterdolosos. EXEMPLO: o agente estupra uma criança de 07 anos de idade e em razão da violência empregada no ato e de a criança não ter compleição desenvolvida, a vítima morre. A intenção do agente era a de estuprar e não de matar. Esses crimes NÃO se confundem com os crimes de ESTUPRO E ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR e HOMICÍCIO. EXEMPLO: o agente estupra a vítima e depois percebe que a vítima está chorando e fica irritado, por isso decide matar a vítima. Assim, o agente praticou o ESTUPRO e o HOMICÍDIO QUALIFICADO em concurso material, será julgado pelo Júri, por serem conexos. e) CRIME DE TORTURA SEGUIDO DE MORTE (artigo 1o., § 3o., Lei 9455/97) é julgado pelo juiz singular. Esse crime não se confunde com o crime de HOMICÍDIO QUALIFICADO PELA TORTURA (artigo 121, § 2o., III, CP). A diferença entre eles é a vontade do agente, que no homicídio atua com a vontade de matar desde o início, ou seja, está imbuído do animus necandi, mas pretende que a vítima passe por um sofrimento absolutamente desnecessário, antes de alcançar a morte. No crime de tortura, não há a finalidade de matar a vítima, ela morre em razão do meio empregado, assim, ocorrerá um crime de tortura seguida de morte, que também é um crime preterdoloso. 1.2 HOMICÍDIO 1.2.1 Conceito Homicídio é a injusta morte de uma pessoa praticada por outrem, ou seja, é a destruição da vida humana extra-uterina, praticada pelo homem contra outro homem. A vida tem início com as manobras de parto, com o rompimento do saco amniótico. O parto é o conjunto de processos tendentes à expulsão do feto do útero materno, concluindo o ciclo fisiológico da gravidez.
Vida extra uterina Homicídio ou infanticídio (artigos 121 e 123) Vida intra-uterina Abortamento (artigos 124 126)

Para o homicídio, é imprescindível estabelecer os parâmetros para o início e para a cessação da vida. A cessão ocorre quando há morte encefálica ou cerebral, adotando uma corrente que não é pacífica na medicina, na qual, há uma corrente que defende que a vida somente cessa quando não há mais atividade alguma, circulatória, respiratória ou cerebral. O direito penal adota o critério de morte encefálica ou cerebral porque ela é irreversível (Lei 9434/97 – Lei de Transplantes, artigo 3o. caput, pacificou a doutrina). Somente é possível a remoção de órgão e tecidos humanos e conseqüente transplante, se a morte encefálica do paciente tiver sido atestada por pelo menos 02 médicos. Esses médicos não poderão proceder à remoção dos órgãos e tecidos humanos e muito menos poderão realizar o transplante em si. Será que aqui não poderia o STF permitir o aborto anencefálico? Se o feto anencefálico não tem vida, a conduta é atípica, ROGÉRIO SANCHES: acha que essa é uma boa válvula de escape jurídica para o STF. A matéria está sendo discutida na ADPF n.º 54, ainda pendente de julgamento. Há algumas vezes em que ocorre a morte encefálica ou cerebral, mas a pessoa permanece com a vida prolongada mediante aparelhos que mantêm a respiração e os batimentos cardíacos. QUESTÃO POLÊMICA: quem desligar os aparelhos estará cometendo uma conduta atípica. A EUTANÁSIA ou a ORTOTANÁSIA somente podem ser cogitadas se ainda não tiver ocorrido a morte encefálica ou cerebral.

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1.2.2 Classificação 1.2.2.1 Quanto à forma de ação: o homicídio é INSTANTÂNEO DE EFEITO PERMANENTE, pois não a conduta do agente, mas apenas o resultado da ação é permanente. A morte é irreversível, portanto permanente, mas seguramente marcada por um momento consumativo certo. O crime de homicídio pode ser cometido por meio da forma COMISSIVA ou COMISSIVA POR OMISSÃO (o agente tem o dever legal de agir, mas se mantém inerte – artigo 13, § 2o., CP); 1.2.2.1 Quanto ao resultado: o homicídio é MATERIAL, assim, admitirá a tentativa (conatus). ATENÇÃO: há doutrina MINORITÁRIA afirmando que não cabe tentativa quando for dolo eventual. Somente será admitida ação para apuração do crime de homicídio mediante a prova de laudo de exame necroscópico, que assegura a morte da vítima, sem a existência do laudo, fica prejudicada qualquer discussão sobre a prática do crime de homicídio. EXEMPLO: se alguém é condenado por um homicídio indevidamente, sem que tenha havido morte; após a saída da prisão encontra a suposta vítima, que então é realmente morta, terá que cumprir pena pela morte real, sendo que o período de pena cumprida indevidamente, deverá ser questionado em sede de ação de indenização. Há hipóteses, nas quais, não há como ser feito o exame necroscópico, EXEMPLO: o desastre ocorrido nas torres gêmeas, onde vários corpos foram consumidos pelas chamas. Assim, em caráter absolutamente excepcional, a prova testemunhal poderá substituir o laudo de exame necroscópico, nos termos do artigo 167, CPP. 1.2.3 Tentativa de homicídio e tentativa de lesão corporal A diferença entre os crimes de tentativa de homicídio e de lesão corporal é a vontade do agente. Na tentativa de homicídio o agente atua com o animus necandi, já na lesão atuará com animus laedendi, ou seja, com vontade de ferir (com “animus debendi” ou “animus vulneranti“ será lesão corporal). É evidente que é a prova dos autos que irá trazer a certeza de qual crime foi cometido, são as situações exteriores (as condutas) que definem. Pode haver tentativa de homicídio, mesmo que a vítima não sofra qualquer lesão. Todas as vezes nas quais o agente tenta dar cabo da vida da vítima, sem atingi-la, ocorre a TENTATIVA BRANCA OU INCRUENTA (Cruenta ou vermelha ocorre se o agente acertou o alvo, causando ferimento), ou seja, o ofendido NÃO sofre ferimentos. 1.2.4 Características gerais do homicídio CARACTERÍSTICAS GERAIS do crime de homicídio: 1.2.4.1 Nomenclaturas: há algumas nomenclaturas interessantes sobre o homicídio:
Parricídio Matricídio Pilicídio ou Pinaticídio Fratricídio Uxoricídio Maridicídio Gnaticídio ou matar o pai, praticado pelo (a) filho (a) contra o pai matar a mãe, praticado pelo (a) filho (a) contra a mãe matar o filho matar irmão, praticado por um irmão contra o outro matar a esposa, praticado pelo marido matar o marido, praticado pela esposa matar o filho, praticado pela mãe ou pelo
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Caso de diminuição de pena (homicídio privilegiado) § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral.4.4. § 4o.4 Crime Político: Sai do CP e vai para a lei especial (artigo 29. § 3o. HOMICÍDIO QUALIFICADO (artigo 121. § 4o. § 1o. logo em seguida a injusta provocação da vítima.2. caput. Militar que comete homicídio será julgado pela justiça militar.2.. HOMICÍDIO CIRCUNSTANCIADO (artigo 121.5 Classificação legal de homicídio O crime de homicídio pode ser um crime DOLOSO ou CULPOSO O CRIME DE HOMICÍDIO DOLOSO.2 Sujeito ativo: pode ser qualquer um. de seis a vinte anos. quando o homicídio é praticado contra o Presidente da República (e outros). parte. § 2o.2. será sempre pelo júri.. ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.3 Sujeito passivo: a vítima é o ser vivo. porque é um crime comum. Lei 7170/83). alterado pelo Estatuto do Idoso) • Se a vítima for índio (Estatuto do Índio) 1. pois ela é a condição de existência do próprio Estado (posição isolada). 1. HOMICÍDIO PRIVILEGIADO (artigo 121. 1. quem atira com uma arma desmuniciada..5 Bem jurídico: é a vida extra-uterina que começa com o rompimento do saco amniótico. CP). é a pessoa humana. se motivação for política. não há crime de homicídio.. porque o Estado tem interesse na conservação da vida humana. Homicídio qualificado § 2° Se o homicídio é cometido: 7 . porque o crime é impossível por absoluta impropriedade do objeto material. 1.6 Crime impossível: se o crime recair sobre um cadáver. A pena será aumenta de 1/3 nas seguintes hipóteses: • Se a vítima é menor de 14 anos (§ 4o. mas se a vítima for civil.4. que pode ser classificado em: • • • • • HOMICÍDIO SIMPLES (artigo 121. O infanticídio está caracterizado na morte do filho durante o parto. DOLOSO MAJORADO (artigo 121. por exemplo.) • Se a vítima é maior de 60 anos (§ 4o. MAGALHÃES NORONHA coloca ao lado da pessoa humana.reclusão. § 4o. 1a. ou seja.4. CP). ou sob o domínio de violenta emoção. é o ser vivo nascido de mulher pouco importando sua forma. o início do parto. CP). Será impossível também se o meio utilizado for absolutamente ineficaz. CP).4. CP) • HOMICÍDIO CULPOSO MAJORADO (artigo 121. 2a. se preenchidos os requisitos do CPM. CP) Homicídio simples Art 121.. houve alteração em 1996.2..2. parte. CP) Pode ser classificado o CRIME DE HOMICÍDIO CULPOSO: • HOMICÍDIO CULPOSO (artigo 121. por analogia utiliza-se essa interpretação: 1. Matar alguém: Pena .2.filicídio pai 1. o próprio Estado como sujeito passivo imediato e não mediato.

ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima. a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena .I . ou seja. IV . Aumento de pena (homicídio circunstanciado) § 4o No homicídio culposo. Homicídio culposo § 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4. arte ou ofício. já que o crime pode ser praticado por qualquer pessoa. não procura diminuir as conseqüências do seu ato.2.3 Dolo: O dolo pode ser direto ou eventual.mediante paga ou promessa de recompensa. EXEMPLO: na obra de Monteiro Lobato.416. § 3 o.6. de doze a trinta anos.2 Conduta típica: consiste em tirar a vida de alguém. de emboscada. (Incluído pela Lei nº 6. 1. Resultado é certo 8 DOLO EVENTUAL Resultado não querido pelo agente Resultado aceito pelo agente como algo eventualmente .à traição.para assegurar a execução. MAGALHÃES NORONHA e outros: afirmam que o crime pode ser praticado não só por meios materiais. a pena é aumentada de 1/3 (um terço). psíquicos ou até por meio de palavras. de 24. ou foge para evitar prisão em flagrante (homicídio CULPOSO majorado).2. por omissão (desde que o agente tenha o dever jurídico de evitar o resultado). V . mas também através de meios morais. ter ficado sem ar até morrer. tortura ou outro meio insidioso ou cruel. se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. 1. fogo. 1.2. ou por outro motivo torpe. É um crime de AÇÃO LIVRE podendo ser praticado por ação. é igual à lesão corporal seguida de morte.6 Homicídio doloso simples Homicídio simples Art 121.com emprego de veneno.6. asfixia. de 1965) Pena . houve a morte de um apoplético por ter rido demais.611. a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos (homicídio DOLOSO majorado).reclusão.741. E o dolo direto pode ser de primeiro ou de segundo grau: DOLO DIRETO Primeiro grau Segundo grau Previsão de resultado Resultado querido DIRETAMENTE pelo agente Resultado INDIRETAMENTE querido para poder alcançar outro resultado realmente querido. II . se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.2. a ocultação.1 Sujeito ativo: é um sujeito comum.por motivo fútil. de 2003) § 5º . Sendo doloso o homicídio. o juiz poderá deixar de aplicar a pena.5. III .Na hipótese de homicídio culposo.1977) (perdão judicial) O HOMICÍDIO PRETERDOLOSO está no artigo 124.6. ou de que possa resultar perigo comum. de um a três anos. por meios diretos (indivíduo que esganou a vítima) ou meios indiretos (indivíduo que praticou o crime valendo-se de um animal feroz). de seis a vinte anos. explosivo.detenção.reclusão. Matar alguém: Pena . 1.. (Redação dada pela Lei nº 10.

Esse homicídio é chamado pela doutrina de HOMICÍDIO CONDICIONADO (É O HOMICÍDIO SIMPLES COM A CONDIÇÃO DE SER HEDIONDO).2.7. haverá a ortotanásia. englobando aos sentimentos de misericórdia. o juiz é obrigado a diminuir a pena. em regra não é hediondo. Existe a DISTANÁSIA. para matar o desafeto (dolo direto de primeiro grau) e acaba matando os outros passageiros (dolo direto de segundo grau) 1. porque não há vida a ser retirada. bando = 04 pessoas. grupo = 03 pessoas já formam um grupo. ou seja. duas pessoas não são suficientes para formar um grupo. não há que se falar de eutanásia. misericórdia ou compaixão. de piedade e de compaixão. O homicídio privilegiado é sempre baseado em circunstância subjetiva.1 Dever ou faculdade judicial: No dispositivo acima. no caso.2.1 Motivo de relevante valor moral (ligado ao motivo determinante do crime) – o que impeliu o agente a praticar o crime foi um motivo nobre. inclusive podendo ser até mesmo abaixo do mínimo legal): 1. ela significa o HOMICÍDIO PRATICADO COM CRUELDADE EXEMPLO 03: pai que mata o estuprador da filha. Assim. CERNICHIARO: par = 02 pessoas.EXEMPLO: colocar a bomba no avião. mas o será se for praticado em atividade típica de grupo de extermínio ainda que por uma só pessoa.2. ou seja. grupo = bando ou quadrilha. Se já tiver ocorrido a morte encefálica ou cerebral. 1. Exemplos de homicídios privilegiados: EXEMPLO 01: eutanásia (exemplo na exposição de motivos do CP). se essas medidas deixarem de ser feitas e o paciente morrer. ROGÉRIO: afirmou que o homicídio será privilegiado mesmo se for o médico.2. voltado para um interesse individual ou particular. mas na verdade do juiz DEVERÁ. A eutanásia é o desligamento dos aparelhos.2. o juiz teria uma faculdade.7.4 Classificação: 1. que não está imbuído dos sentimentos de piedade. LFG: somente pratica eutanásia o médico. está escrito que o juiz PODERÁ. se os jurados reconhecerem o privilégio. Há uma corrente (minoritária) sustentada por FREDERICO MARQUES. porque quem reconhece (ou afasta) a existência do privilégio é o Conselho de Sentença (que tem suas decisões eivadas de soberania). 1. Quantas pessoas são necessárias para ter um grupo? Grupo é muito diferente de um par (que é composto por duas pessoas).2. porque se trata de um direito subjetivo do réu. CAUSA DE DIMINUIÇÃO = a lei diz o quanto a pena pode de reduzida. 1.6. ALBERTO SILVA FRANCO: par = 02 pessoas. EXEMPLO: pessoa sobrevive graças a grandes doses de antibióticos e a doações de sangue. o homicídio privilegiado será praticado pela pessoa da família e não pelo médico. assim. tratam-se de CAUSAS DE DIMINUIÇÃO da pena (ATENUANTE = a lei NÃO diz quanto será reduzido da pena.. no mínimo 04 pessoas. Se a família pede ao médico para desligar. É preciso que o motivo seja RELEVANTE. 9 .2 CRIME NÃO-HEDIONDO: O homicídio simples.6.7 Homicídio privilegiado Trata-se da possibilidade de aplicação de causa de diminuição de pena.2. que consiste na eutanásia por OMISSÃO. ainda que discorde dos jurados. que. essa hipótese foi acrescentada pela Lei 8930/94. que não tem correlação com os termos já citados.2 Circunstâncias de privilégio: São circunstâncias que privilegiam o homicídio. mas não pode chegar abaixo do mínimo.7. EXEMPLO 02: ortotanásia.4.

o TJ pode. O privilégio NÃO se comunica em caso de CONCURSO DE AGENTES. apesar de existir doutrina minoritária defendendo a aplicação in bonam partem. Se o júri absolve e julga contra a prova. Requisitos: a) INJUSTA PROVOCAÇÃO. as teses apresentadas em plenário e a autodefesa do réu apresentada no seu interrogatório. qualquer reação nesse período será imediata. jamais se pode falar em legítima defesa da honra. A revisão criminal pode absolver o réu que o júri condenou. EXEMPLO 01: patriota que em tempo de guerra mata o traidor da pátria que entregou os planos ao inimigo (exemplo na exposição de motivos do CP). EXEMPLO 02: pai que mata o estuprador da filha.2. EXEMPLO 02: trabalhador honesto que mata um perigoso marginal que aterroriza um bairro humilde. EXEMPLO: agente que mata o cônjuge ao chegar em casa e se deparar com o flagrante adultério. O quesito do PRIVILÉGIO sempre irá anteceder ao quesito das QUALIFICADORAS2. determinar novo julgamento pelo júri. que retira o agente do normal. 1. mediante a cobrança de pedágio e determinando o recolhimento de pessoas às suas casas.2. ou seja.4 Formulação de quesitos: é importantíssimo para o tema. (CUIDADO isso cai em concurso) REAÇÃO logo após da provocação é o requisito temporal e significa a explosão de ímpeto (instinto. uma semana. por uma vez. c. trata-se de hipótese de violação ao princípio 10 . O que é reagir imediatamente? Uma hora. CP) é circunstância atenuante. Reagir sem intervalo. III. O julgamento da causa é feito pelos jurados por meio das respostas apresentadas quando da formulação dos quesitos. na prática. a decisão do júri somente se anula uma vez. acompanhada de uma emoção violenta e de uma reação em seguida (homicídio emocional) (ligado ao estado anímico do agente) – domínio de violenta emoção após a injusta provocação da vítima (MP/MG – 2004) colocou a violenta emoção como qualificadora. 1. mas não pode modificar o veredicto. ou seja. DOMÍNIO é algo pleno.2 Motivo de relevante valor social (ligado ao motivo determinante do crime) – é o interesse coletivo.7. Pelo mérito. 1. essa afirmativa é uma meia verdade. o júri acaba aceitando. não se comunicando aos co-autores.7.2. total. Os jurados não julgam matéria de direito somente matéria de fato. Paixão é menor do que a emoção. analisar-se a questão dos QUESITOS.1. por ser uma emoção violenta e arrebatadora.2. não se confunde. descriminantes putativas.3 Injusta provocação. enquanto houve permanência do domínio de violenta emoção. se houver influência de violenta emoção (artigo 65. a emoção tem que dominar o agente. dois minutos? A jurisprudência tem entendido que a reação será imediata. EXEMPLO 01: insulto. note-se que será afastado o privilégio se a reação não for em seguida. tecnicamente. excludentes de tipicidade e outras decisões. depende que o agente ainda esteja dominado por violenta emoção. 2 NOÇÕES GERAIS SOBRE O JÚRI: quesitos são as perguntas feitas pelo juiz presidente ao conselho de sentença. que tomam por base o libelo crime acusatório. EMOÇÃO é o estado passageiro de instabilidade psíquica.7. EXEMPLO 03: marido ou esposa que matam o cônjuge traidor. PROVOCAÇÃO INJUSTA DA VÍTIMA é uma provocação sem motivo razoável (antijurídica).2. no interesse de toda uma coletividade. b) DOMÍNIO DE EMOÇÃO VIOLENTA e c) REAÇÃO EM SEGUIDA. porque quando o conselho se posiciona em determinas situações estará julgando matéria de direito: reconhecimento do nexo de causalidade. absorvente. porque é uma circunstância de caráter pessoal. sem hiato temporal. é mais tênue.7.2. no calor dos acontecimentos). ao passo que o domínio é arrebatador. a demora na reação descaracteriza o privilégio e configura a vingança. é aquela que contrária à lei ou à moral. mas para ser privilegiado.3 Natureza jurídica do privilégio: O privilégio é causa ESPECIAL DE DIMINUIÇÃO DE PENA. não pode haver um hiato temporal muito grande. mas. A influência é passageira.

no horário tal..)? SE OS JURADOS RECONHECEREM O PRIVILÉGIO. explosivo. 1. III . sob pena de nulidade.por motivo fútil.mediante paga ou promessa de recompensa.8. sempre os quesitos de defesa têm que vir primeiro. se não fizeram parte do libelo. que não tenham constado do libelo é que podem ser quesitadas.8. mas as qualificadoras subjetivas já estão prejudicadas. no Brasil. não é nada. Aqui. ATENÇÃO (TJ/BA): as agravantes genéricas de motivo fútil e meio que dificultou a defesa da vítima são QUALIFICADORAS do HOMICÍDIO. constitucional da soberania dos veredictos. fulano usando uma arma de fogo disparou em beltrano causando-lhe os ferimentos descritos no laudo de folhas tais? b) da vítima? nexo de causalidade: tais ferimentos foram a causa da morte c) privilegiante: se o réu agiu sob o domínio de violenta emoção (.para assegurar a execução. ser uma qualificadora ou até mesmo causa para um homicídio privilegiado. asfixia. motivo torpe: qualificadora subjetiva atenuantes: esse quesito é obrigatório sob pena de nulidade do Formula-se primeiro o quesito do privilégio. IV . 1. 1. V .2. se os jurados afastarem o privilégio. de doze a trinta anos. Somente as circunstâncias agravantes. mas ela pode.8 Homicídio qualificado Homicídio qualificado § 2° Se o homicídio é cometido: I . dependendo do motivo. a quesitação ocorreria nos seguintes termos: a) autoria e materialidade: no dia tal. a ocultação. 1.3 Vingança: por si só.EXEMPLO – o réu está sendo acusado de homicídio qualificado por um motivo torpe.. ou por outro motivo torpe. de emboscada.2.2 Natureza jurídica: trata-se de qualificadora porque traz pena própria. no local tal.8. não são qualificadoras (PREMIDITAÇÃO e RELAÇÃO DE PARENTESCO). 1.com emprego de veneno.4 Crime hediondo: Homicídio qualificado é sempre hediondo. assim não podem constar dos quesitos. ou de que possa resultar perigo comum. o juiz deve colocar as qualificadoras objetivas em votação. Se o júri reconhece o privilégio. julgarão o quesito sobre motivo torpe d) e) julgamento.reclusão. tortura ou outro meio insidioso ou cruel.2. O CRITÉRIO DE MOTIVO TORPE SERÁ PREJUDICADO (é uma QUALIFICADORA SUBJETIVA).2.1 Premeditação e relação de parentesco: no direito comparado é comum a associação entre as idéias de PREMIDITAÇÃO e de RELAÇÃO DE PARENTESCO como qualificadoras. caso haja requerimento do MP.à traição. mas que alega estar amparado pelo privilégio. a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena . 11 . ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido.8. II . de acordo com o entendimento do STF. fogo.2.

ou seja. Hungria diz que somente a recompensa econômica. necessariamente.5 Natureza jurídica das qualificadoras: há qualificadoras de natureza objetiva (relacionadas com o modo ou o meio de execução) e de natureza subjetiva (relacionadas com o motivo determinante do crime). fogo. em razão da comunicação das elementares. que mata em razão da paga ofertada. asfixia. O assassino responde pelo crime qualificado. Mas a recompensa deve ser por um motivo torpe. 12 . e por isso. FLÁVIO MONTEIRO e outros. não influenciando na existência do crime. EXEMPLO 01: matar esposa porque não quis virar prostituta. EXEMPLO: pai que paga para matar o estuprador da filha. Paga Promessa de recompensa é o recebimento prévio para cometimento de um assassino. ou mediante OBJETIV dissimulação ou outro recurso que dificulte ou A torne impossível a defesa do ofendido para assegurar a execução. repugnante ou abjeto. É o motivo vil. não há dúvida. promessa de recompensa) como exemplo de qualificado por motivo torpe.810/SP – DJ 20/11/03).1. baseando tal afirmativa na adoção do critério objetivo-formal para o concurso de pessoas. mas somente na aplicação da pena. o ânimo está no assassino. é o matador profissional é o chamado sicário. motivado pela ganância do lucro. EXEMPLO 02: matar alguém que se recusou a vender droga na escola. o executor e o mandante. é a ganância do assassino primeiro mata e depois recebe. existe um ajuste entre duas pessoas. pelo fato de a qualificante existir em razão do “animus lucrandi”. como Fernando Capez. em relação ao mandante. E.900/SC – DJ 09/08/04 e Resp 467. segundo essa corrente.: sujeito que mata para receber como recompensa o remédio que necessita para salvar a vida da sua filha. a SUBJETI impunidade ou vantagem de outro crime VA Pena – reclusão. Essa última posição é a que prevalece no STJ (vide RHC 14. OBJETIV tortura ou outro meio insidioso ou cruel. O código cita o homicídio mercenário (cometido mediante paga. que o mandante seria mero partícipe. HELENO FRAGOSO dá um exemplo de torpeza que deve se limitar ao executor. Ex. há o mandante e o executor. Homicídio qualificado mediante paga ou promessa de recompensa. estando o mandante agindo em razão de valor relevante moral. O mandante. É o homicídio mercenário ou por mandato remunerado é um crime bilateral de encontro. não pratica qualquer dos verbos componentes do tipo penal. MIRABETE diz que essa prevalece. Essa situação se trata de uma circunstância objetiva. Assim. ou de que A possa resultar perigo comum à traição. já que a paga e a promessa de recompensa não são elementares.6 Qualificadora de MOTIVO TORPE É o motivo moralmente reprovável. PONTE: acha essa mais correta. Magalhães Noronha diz que pode ser qualquer outra recompensa. de emboscada. Embora minoritária (não encontrei precedentes jurisprudenciais) há quem entenda. por que estão ligadas aos motivos dos agentes. responderão pelo crime qualificado. há as seguintes posições: Doutrina clássica: vai responder por homicídio qualificado. de 12 a 30 anos 1. explosivo. a ocultação.2. DAMÁSIO. Verificando no caso concreto. o matador de aluguel. É um caso de concurso necessário ou bilateral de agentes.8. deve se comunicar ao mandante.2. Doutrina moderna: não vai responder por qualificado. Trata-se de uma qualificadora elementar subjetiva. são circunstâncias pessoais. ou por outro motivo torpe SUBJETI VA SUBJETI VA motivo torpe motivo fútil meio insidioso ou cruel meio de que possa resultar perigo comum recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido outro crime com emprego de veneno.8.

2. como nos incisos I e III. São os instrumentos do crime. Se o motivo que levou à vingança é torpe.2.2. EXEMPLO: veneno (venicídio). 1. porque a idade da vítima não é um recurso da vítima. o que determinará é o caso concreto (CONCURSO).8. Insidioso é o dissimulado em sua eficiência maléfica. é muito pior. Matar alguém sem motivo é pior do que matar com motivo pequeno. cruéis ou outros meios de que possa resultar perigo comum (interpretação analógica). Relator. incompatibilidade entre o dolo eventual e o motivo fútil. E acrescentou que há conceitos de ordem jurisprudencial e de caráter doutrinário segundo os quais não são antinômicos o dolo eventual e as qualificadoras do homicídio. EMOSCADA OU OUTRO MEIO – o inciso é também caso de interpretação analógica. EXEMPLO: ciúme originado por motivo torpe. o homicídio é qualificado pelo inciso III ou IV. o motivo do homicídio será torpe. de maneira escondida que a vítima não percebe. (majoritária na jurisprudência).8. (posição tecnicamente mais correta) * O Min. se a vítima sabe. assumindo a posição a favor da compatibilidade. EMBOSCADA ou outro meio TRAIÇÃO.8 Qualificadora de MEIOS INSIDIOSOS. é uma característica sua. 1. MP/MG: a idade da vítima por si só configura um recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima? Não. A ausência de motivos é ser fútil? Há correntes: • Se matar por motivo pequeno é fútil.6. pois. no crime de homicídio. imagine matar sem motivo algum. a administração deve ser insidiosa. é o aplicado sub-repticiamente. o que é vedado pelo nosso ordenamento por ferir o princípio da reserva legal.8. não há a qualificadora do veneno.2.8. QUE POSSSAM RESULTAR PERIGO COMUM. • CÉZAR BITENCOURT – afirma que enquanto não vier a lei estabelecendo isso.pelo fato tão-só de ter o médico omitido no seu carimbo as iniciais do Estado (STJ. Para haver a qualificadora do veneno é imprescindível que a substância seja ministrada sem que ela saiba. A PREMEDITAÇÃO não qualifica o crime. na denúncia. CRUÉIS. 1. esclareceu não haver. morte. ou seja. assim. o motivo é pequeno e há clara desproporção entre o motivo do crime e o resultado. qualifica. mas não insidioso. será torpe. MAGALHÃES NORONHA: afirma que o açúcar pode ser veneno desde que ministrada para o diabético é veneno. EXEMPLO (MP/MG): o agente coloca uma arma na cabeça do indivíduo e manda que tome o veneno. é uma analogia in mallam partem. 13 .1 Motivo torpe e vingança: A vingança será motivo torpe.9 Qualificadora de TRAIÇÃO.7 Qualificadora de MOTIVO FÚTIL O motivo fútil é o motivo de somenos importância. invocando precedentes deste Superior Tribunal. Obrigar a vítima a beber veneno é meio cruel. Tudo depende do motivo de que originou. EXEMPLOS: mata a esposa porque não passou corretamente a camisa ou brigou no trânsito e matou. entender que a ausência de motivo qualifica. ela pode ser sinal de relutância. Pelos meios que podem ser: insidiosos. Açúcar para diabético é meio insidioso. se a vítima não percebeu. teve-se por evidente a qualificadora . 2007). dependendo do motivo da vingança.1.

I. sobre o assunto há 02 correntes: • Corrente minoritária – afirma que não é possível. pelo inciso V. a ocultação. essa conexão configura o concurso material de crimes (MP/MG). do art. 121. 1. Se os jurados reconhecerem o privilégio. ou seja. privilegiado e qualificado. 121 e não permitindo a aplicação do que vem depois.9 Homicídio híbrido EXEMPLO: pai matou o estuprador da filha por asfixia (privilegiado e qualificado). não sendo possível quando: as qualificadoras forem subjetivas (art. É o crime praticado por conexão. Essa conexão pode ser: a) Teleológica – quando o crime de homicídio é praticado para assegurar a execução de outro crime futuro.8. V)4. No inciso. à traição. ao mesmo tempo. sob os seguintes argumentos: a) se for reconhecido o privilégio. principalmente. de emboscada.2. não se trata da conexão ocasional (homicídio praticado durante a prática de outro crime). tortura ou outro meio insidioso ou cruel. o juiz não vota as qualificadoras • 3 Qualificadoras objetivas: com emprego de veneno. do mesmo artigo. precisa ser necessariamente ter sido praticado pelo homicida? O homicida necessariamente deve ser o autor do outro crime? A doutrina majoritária diz que não. EXEMPLO: matar a testemunha do estupro. Homicídio ocasional é concurso de crimes. EXEMPLO: durante do crime de estupro. ou por outro motivo torpe. há o fim de prática de crime futuro.10 Qualificadora de assegurar OUTRO CRIME Homicídio qualificado § 2° Se o homicídio é cometido: V . para assegurar a execução.reclusão. EXEMPLO: agente mata para ocultar um crime praticado pelo seu irmão. III e IV) 3. pelo motivo fútil. a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena . note-se pode ser qualificado por outro motivo. § 2º. Corrente majoritária – sim. ou de que possa resultar perigo comum. asfixia. É conseqüência de um crime passado. a ocultação. O inciso fala em outro CRIME. A doutrina e a jurisprudência discutem se um homicídio pode ser. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido 4 Qualificadoras subjetivas: mediante paga ou promessa de recompensa. o denominado Homicídio Híbrido. por motivo fútil. II. 121.1. ocultação ou vantagem de outro crime passado. ou seja. § 2º. já que incompatíveis com o homicídio privilegiado. Mas. no § 1º. fogo.2. não pode ser causa de qualificação matar para assegurar a ocultação de uma contravenção penal. o agente mata o seu desafeto. EXEMPLO: matar o marido para estuprar a esposa. já estarão prejudicadas a qualificadoras.para assegurar a execução. as qualificadoras que estão previstas no § 2o. há um vínculo entre o homicídio e um outro crime. já que o privilégio vem antes. explosivo. desde que: as qualificadoras sejam objetivas (art. a impunidade ou vantagem de outro crime 14 . de doze a trinta anos. E contravenção penal qualifica o crime de homicídio? Não. b) Consequencial – quando o crime de homicídio é praticado para assegurar a impunidade. é possível. b) pela própria disposição dos artigos. Ou seja.

Assim. Essas circunstâncias sendo subjetivas são incomunicáveis aos co-autores e partícipes. quando fala em aceito. está-se diante de qualificadora e privilégio. assim é hediondo. 1. o privilégio tem a natureza subjetiva devendo ser aplicada ao caso para afastar a hediondez. negligência ou imperícia.10.1 Conceito: Ocorrerá quando o agente. que no caso tem a natureza subjetiva. 1. Esse homicídio é hediondo? A doutrina é divergente: a) Corrente majoritária – ensina que não é hediondo (STJ e STF). de 11. A 15 . da personalidade do agente e da reincidência. somente serão quesitadas as qualificadoras objetivas. porque o privilégio é causa de diminuição. Assim. sendo o privilégio subjetivo. Essa corrente faz uma analogia: AGRAVANTES são semelhantes às qualificadoras para aumentar a pena e as ATENUANTES são semelhantes ao privilégio. partindo do mínimo de 12 anos (pena mínima do homicídio qualificado) – 1ª fase. com manifesta imprudência. de homicídio privilegiado as qualificadoras são sempre OBJETIVAS. afastando assim a hediondez.2 Modalidades de culpa: são: imprudência. mas não são). porém jamais querido ou aceito. nos termos do artigo 30. trata-se da CULPA INCONSCIENTE.10. Concurso de circunstâncias agravantes e atenuantes Art. entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime. afasta o DOLO EVENTUAL. O artigo 67. (Lei nº 7.10 Homicídio culposo 1.No concurso de agravantes e atenuantes. Dessa forma. estabelece as regras referentes entre conflitos de circunstâncias agravantes e atenuantes: o juiz aplica a circunstância de natureza preponderante: a subjetiva. A denúncia tem que explicar em qual dessas modalidades se enquadra a conduta e no que consistiu essa modalidade.7. o juiz aplica a que for preponderante. No caso do homicídio privilegiado.2. a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias preponderantes. EXEMPLO: pai que mata o estuprador da filha de modo cruel. As 03 circunstâncias que permitem o privilégio são INCOMUNICÁVEIS por que entendidas como subjetivas e não objetivas. mas previsível. provoca involuntariamente o resultado morte previsto ou não previsto (mas previsível). no caso. ou seja. Pena no homicídio híbrido – é aplicada normalmente. deve preponderar pela aplicação de analogia o privilégio que tem natureza subjetiva. se não previsto. Há uma aplicação analógica in bonam partem. b) Corrente minoritária – ensina que é hediondo. CP.2. Jamais querido afasta o DOLO DIRETO. Não há semelhança suficiente para permitir uma analogia. devendo especificar qual ato consistiu a modalidade apontada. Se previsto. 67 . já decidiram o STF e o STJ. aplicando-se analogicamente a regra do artigo 67.209. CP (se fossem elementares seriam comunicáveis. na 3ª fase ele reduz.1984) Agravante e atenuante não podem ser compensadas.2. trata-se da CULPA CONSCIENTE. no concurso de qualificadoras e privilégios o juiz deve aplicar a preponderante. para aplicar o privilégio. se não o fosse a lei teria excepcionado. já que a lei dos crimes hediondos não excepcionou essa figura.subjetivas. negligência ou imperícia.

última parte. IMPRUDÊNCIA = AFOITESA NEGLIGÊNCIA = FALTA DE PRECAUÇÃO IMPERÍCIA = FALTA DE APTIDÃO OU DE CAPACIDADE TÉCNICA PARA O EXERCÍCIO DE ARTE.2 Se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima: não será configurado o artigo 135 sob pena de configuração de bis in idem. a pena é aumentada de 1/3 (um terço). mas não a observa é o famoso ERRO PROFISSIONAL. sempre há uma inicial negligência. na causa de aumento.2. se a vítima já estava morta ou se foi socorrida antecipadamente. Nas causas de aumento. ou seja. se o agente podia socorrer a vítima. e não se confunde com essa causa de aumento. BASILEU GARCIA afirma que a imprudência e a imperícia são espécies de negligência. o sujeito está se aventurando. se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão.11. CP.1. (Redação dada pela Lei nº 10. por ausência de descrição satisfatória dos fatos. de acordo com HELENO 16 . o agente é perito. Se a culpa é exclusiva da vítima o fato praticado pelo agente é atípico. não há que se falar da incidência da majorante. ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima. Acidente automobilístico está regulado pelo Código de Trânsito Nacional e não pelo Código Penal. É a figura do homicídio majorado. Se houver dúvida. mas não emprega os conhecimentos que tem.3 Se o agente não procurar diminuir as conseqüências: O agente quando não procurar diminuir as conseqüências do seu comportamento é. trata de uma CAUSA ESPECIAL DE AUMENTO DE PENA.11. Todo o crime culposo tem um início de falta de precaução.11. Aumento de pena (homicídio circunstanciado) § 4o No homicídio culposo. Quando o artigo fala na primeira parte. o agente tem capacidade técnica.2.1 Se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão.2. a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos (homicídio DOLOSO majorado). EXEMPLO: médico/cardiologista em uma cirurgia cardíaca.1. 1. a negligência pode ser usada em sentido amplo. As duas hipóteses são circunstâncias de HOMICÍDIO CIRCUNSTANCIADO. 1. de 2003) O dispositivo legal deve ser dividido em duas partes para análise: HOMICÍDIO CULPOSO MAJORADO e HOMICÍDIO DOLOSO MAJORADO. é o chamado ERRO PROFISSIONAL. mas não é.. que em situações excepcionais permitirá que a pena seja fixada acima do máximo legal.1 Homicídio culposo majorado 1. Não existe compensação de culpas.1. o comportamento da vítima será considerado pelo juiz na fixação da pena base (artigo 59).2. 1. se ele podia agir.ausência desse requisito é causa de inépcia da denúncia. OFÍCIO OU PROFISSÃO.11 Homicídio circunstanciado ou homicídio majorado O artigo 121. § 4o.2. Só haverá o aumento.11. ou foge para evitar prisão em flagrante (homicídio CULPOSO majorado). arte ou ofício.741. não procura diminuir as conseqüências do seu ato. Porque a imperícia é não ter a qualificação. PARECE que está falando de imperícia. Sendo doloso o homicídio. 1. na imperícia falta ao agente capacidade técnica para o exercício. arte ou ofício: CUIDADO: a imperícia é uma modalidade de culpa.

que é ato bilateral.12 Perdão judicial O § 5O traz a figura do PERDÃO JUDICIAL que ocorre quando o juiz não obstante a prática de um fato típico e ilícito praticado por pessoa comprovadamente culpada. súmula 18): não interrompe a prescrição e não serve como título executivo judicial.. Para a aferição dessas majorantes. uma redundância em relação à hipótese anterior. É a mesma coisa do descabimento do in dubio pro reo na revisão criminal. EXEMPLO (BITENCOURT): CRIME DE TRÂNSITO: matar culposamente uma pessoa que jamais viu. CONCURSO: Quem tem que comprovar que a pena é desnecessária? O juiz está na dúvida.4 Se o agente foge para evitar o flagrante: A fuga do agente para evitar o flagrante é causa de aumento. Na hipótese de homicídio culposo. Somente há incidência se o agente tiver conhecimento da idade da vítima.2. não precisa ser aceito pelo réu. porque o ônus é da defesa. faz tudo certo. Note-se que. A doutrina diz que demonstra uma insensibilidade moral do agente e a dificuldade na investigação.1. por respeito ao princípio de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Omitir socorro e não tentar diminuir as conseqüências é a mesma coisa. b) declaratória extintiva da punibilidade (STJ. mas não deveria ficar esperando para ser preso. que é direito subjetivo do réu e não de faculdade do juiz. O PERDÃO JUDICIAL somente é cabível no homicídio culposo. O crime doloso é aumentado se o crime é praticado contra vítima em relação à sua idade: menor de 14 anos e maior de 60 anos. o que é diferente do perdão do ofendido. 17 . § 5o. deixa de punir (aplicar a pena) por razões de política criminal. a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos (homicídio DOLOSO majorado). É um ato unilateral. se o juiz perceber o preenchimento das condições deve conceder o perdão.12.2 Homicídio doloso majorado § 4o . somente cabível nos casos expressamente previstos em lei. que seria feita uma interpretação sistemática com o Estatuto do Idoso. 1. a idade tem que ingressar no dolo do agente. 4º. assim. 1. decide pro rei ou pro societate? Existe o in dubio pro réu no perdão? O ônus é da defesa. CP). serve como título executivo judicial. a dúvida não irá socorrer o autor. Há uma minoria na doutrina. leva-se em consideração a data da conduta (art.2. 1. o juiz poderá deixar de aplicar a pena. tornando às vezes mais frágil a eventual resposta estatal. Sendo doloso o homicídio.. ou seja. aumento de 1/3. É causa EXTINTIVA da punibilidade. bastaria colocar IDOSO.1 Natureza jurídica da sentença do perdão judicial: a) condenatória (STF): interrompe a prescrição.11. mas o motorista negligente ficou tetraplégico. O perdão judicial poderá ser concedido em casos nos quais não há parentesco. 1. se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção pena se torne desnecessária.11. que questiona a constitucionalidade dessa regra de aumento: EXEMPLO: o agente socorre a vítima.2.2.FRAGOSO. O que o legislador fez foi uma “burrice” porque deixou de lado os que têm idade IGUAL a 60 anos.

ou reclusão. via de regra (art. uma vez que se trata de bem jurídico indisponível. CARACTERIZAÇÃO. a jurisprudência mudou isso. No homicídio doloso. de dois a seis anos. IMPOSSIBILIDADE. Consoante entendimento consolidado nesta Corte. salvo se em jogo questões ligadas aos elementos da cultura indígena e aos direitos e interesses sobre terras. sim.3 INDUZIMENTO. TENTATIVA DE HOMICÍDIO E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. outra corrente. Elemento subjetivo do tipo é o dolo que é identificado pelo “animus necandi”. sem a possibilidade de ampla defesa.min. Por meio de seringa é pacífico. a ensejar a incidência. há duas correntes: uma que aplica o princípio da consunção e absorve. 1.13 Questões de concurso Índio: homicídio praticado por ele.O MP pode requerer o arquivamento do IP por que será demonstrada desnecessária a sanção penal? Dependerá da visão que se tiver da natureza jurídica da sentença: condenatória = deve aguardar o processo. Vide Informativo 434/STF). aferir se o crime de tentativa de homicídio absorve ou não o delito de porte ilegal de arma de fogo depende de atenta análise do contexto fático em que ocorreu o delito. instigação ou auxílio a suicídio Art. é da competência da justiça estadual. Teoricamente.orig.Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena . há julgados afirmando que é considerado como homicídio. não podem ser tidos como antefato impunível daquele delito. não alcançando delitos isolados praticados individualmente e sem envolvimento com toda a comunidade indígena (RE 419. 2007). ou contra ele. Homicídio praticado por meio de arma de fogo: quanto à absorção do crime de porte de arma de fogo. de um a três anos. se o suicídio se consuma. CPP). o consentimento da vítima não afasta a prática do crime. 69 do Código Penal (STJ. por meio de relações sexuais. que afirma a aplicação do princípio no caso de a arma ter sido adquirida para qualquer fim. Homicídio patológico: é o cometido por meio da transmissão de vírus ou bactéria. na espécie. Encontrei o seguinte precedente. a fim de averiguar se o porte da arma constituiu efetivamente meio necessário ou normal fase de preparação ou execução do homicídio. os atos anteriores à tentativa de homicídio. passando a dizer que a comarca competente será a do local da conduta. prolatado em 2007: PENAL. RECURSO PROVIDO. 18 . Considerado o quadro fático-probatório delineado pelo acórdão recorrido. rel. há o concurso material (posição do STJ).528/PR. O dolo pode ser direto ou eventual (agente não quer o resultado. porque já se estará permitindo o reconhecimento de culpa no IP. Marco Aurélio. consistentes no porte ilegal de arma de fogo em diversas outras oportunidades. do art. não pode arquivar. conforme entendimento sumulado pelo STJ. Foro (comarca) competente – o réu é processado no lugar da consumação. como conduta autônoma. mas assume o risco do produzi-lo). 122 . porque quando se concede o perdão. rel. está-se de outro modo reconhecendo a culpa do agente. mas.2. se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. mas se já tinha a arma. ROGÉRIO: discorda da posição do CAPEZ. declaratória = pode servir de fundamento de IP (CAPEZ). o que não existe no IP. p/ o acórdão Min. RECURSO ESPECIAL.reclusão. INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO SUICÍDIO (CRIME DE PARTICIPAÇÃO) Induzimento. 1. hoje dominante. 70. Cezar Peluso. 1. CONDUTA AUTÔNOMA DO PORTE DE ARMA SEM VINCULAÇÃO AO PROPÓSITO HOMICIDA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. 2. notadamente sem vinculação ao propósito homicida. CONCURSO MATERIAL.

sempre haverá um mesmo crime (PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE).3. o agente que auxiliou impede que seja prestado socorro à vítima. se a pessoa for incapaz.3. PARTICIPAÇÃO MATERIAL Princípio da alternatividade: Tratando-se de crime de ação múltipla e conduta variada. O auxílio deve ser uma cooperação secundária. admitindo-se a co-autoria e a participação MP/MG: A induziu B a auxiliar C a se suicidar A = praticou o artigo 122 na qualidade de partícipe B = praticou o artigo 122 C = não praticou crime 1. II . é homicídio. 1. se o agente intervém diretamente nos atos executório não haverá auxílio ao suicídio e sim.3. Não é apologia ao crime porque o suicídio não é crime. EXEMPLO: obras literárias que pregam o suicídio. mas o agente interfere no momento dos atos de execução.2 Instigar: reforçar a idéia mórbida pré-existente. DÚVIDA: o auxílio pode ser por ação ou omissão? Duas correntes: a) PRETAR AUXÍLIO = ação b) NELSON HUNGRIA e MAGALHÃES NORONHA = é possível a omissão. crime é a conduta periférica ao suicídio (induzimento. São 03 condutas: 1. 1. Mas essa circunstância interferirá na pena.3. A vítima já pensava em se matar.se o crime é praticado por motivo egoístico. é um irrelevante penal.1 Conceito de suicídio: NELSON HUNGRIA: suicídio é a eliminação direta e voluntária da própria vida. o autor convenceu a vítima a se matar.2 Sujeito passivo: somente pessoa capaz pode ser vítima. 1.3. há a prática de homicídio por omissão imprópria. o agente somente reforçou a idéia. o artigo 121 absorve o artigo 122.1 Induzir: fazer nascer a idéia ou a vontade mórbida. A vítima do suicídio pede socorro. já que pela sua conduta criou o risco de produção do resultado (artigo 13). não terão responsabilidade os autores.se a vítima é menor ou tem diminuída. a capacidade de resistência.A pena é duplicada: Aumento de pena I .3. um homicídio.3. e aperta o gatilho. EXEMPLO: segurar a espada para a vítima se lançar. 19 . não há conduta quando se volta para pessoas indeterminadas.3 Auxiliar: assistir materialmente a vítima na prática da conduta. desde que o agente tenha o dever jurídico de evitar o resultado. Assim. por qualquer causa. PARTICIPAÇÃO MORAL 1. instigação ou auxílio).2 Sujeito ativo: o crime é comum pode ser praticado por qualquer pessoa. o crime praticado é o do artigo 121.3.Parágrafo único . sendo imprescindível a intenção positiva de despedir-se da vida (CONSCIÊNCIA + VONTADE).3. Se o agente instigou a vítima a se matar.3.3 Conduta: deve ser dirigida contra vítima certa e determinada. a vítima jamais cogitou de se matar. porque a incapacidade é uma verdadeira arma na mão do criminoso. PARTICIPAÇÃO MORAL 1. Suicídio não é crime.

mas a punibilidade condicionada à lesão grave (1 a 3 anos) ou morte (2 a 6 anos). 20 . 1. sabendo que ela tem tendência suicida. Não se admite a tentativa. muito menor para se matar.4 Dolo: o crime é punido somente a título de dolo. instigar ou auxiliar para a consumação do crime. se não for assim. • • • Se a pessoa morre = 122 consumado Se a pessoa sofre lesão grave = 122 consumado Se a pessoa sofre lesão leve ou nenhuma lesão = FATO ATÍPICO 1.7 Causas de aumento de pena (artigo 122. porque a vítima é PRESUMIDAMENTE incapaz.6 Consumação e tentativa: há 03 correntes: 1. DIRETO ou EVENTUAL (EXEMPLO: o pai que manda a filha para fora de casa.6.3. por omissão de socorro qualificada (BITENCOURT fala majorada).5 Culpa: Se alguém colabora culposamente com o suicídio de alguém. há duas correntes: a) MINORITÁRIA: homicídio culposo. configurando homicídio. A LESÃO GRAVE há tentativa. se a vítima for MENOR. ou seja. instigar ou auxiliar. será atípica a conduta. Para a conduta configurar crime é preciso que provoque: MORTE ou LESÃO GRAVE são necessárias para a consumação do delito. sendo uma maneira sui generis e peculiar de punir a tentativa.3. o pai não quer a morte. 1.3. ou seja.1.6.2 BITENCOURT: o crime não se consuma no momento da prática dos verbos do tipo.2 MAJORITÁRIA MODERNAMENTE: O crime não se consuma com o fato de induzir. Não se admite a tentativa.3. b) MAJORITÁRIA: conforme o caso. a morte e a lesão grave = CONDIÇÃO OBJETIVA DE PUNIBILIDADE. • • • Se a pessoa morre = 122 consumado Se a pessoa sofre lesão grave = 122 tentado Se a pessoa sofre lesão leve ou nenhuma lesão = FATO ATÍPICO CONCURSO: Segundo as duas primeiras correntes. porque o que poderia ser considerado como tentativa (LESÃO GRAVE) foi elevado à categoria de consumação. não tem capacidade de decidir sobre o ato sexual.1 MAJORITÁRIA CLASSICAMENTE: BASTA induzir. não se consuma com a simples prática dos verbos do núcleo do tipo. NÃO INCAPAZ = 122. O crime somente se consuma com o resultado MORTE. 1. I e II): a pena será duplicada se: a) a vítima for menor – se a vítima for capaz = 122. • • • Se a pessoa morre = 122 consumado e punível Se a pessoa sofre lesão grave = 122 consumado e punível Se a pessoa sofre lesão leve ou nenhuma lesão = 122 consumado e NÃO punível 1.6. CP). sem precisar se socorrer do artigo 14.3. se for menor que 14 anos será um incapaz.3. mas conhecendo a filha que tem assume o risco de que a conduta ocorra). que são somente a conduta. que é o momento da consumação. se a vítima for incapaz = 121.3. o crime 122 é exemplo de CRIME PLURISUBSISTENTE MATERIAL QUE NÃO ADMITE TENTATIVA. essa questão dá ensejo a correntes distintas: • GUILHERME DE SOUZA NUCCI: é a vítima com idade variando entre 14 e 18 anos (artigo 224-A. Essa corrente fez uma ANALOGIA IN MALLAM PARTEM.

o próprio filho. Se não houver esse nexo. estando no estado puerperal. SUJEITO PASSIVO: a vítima é o nascente ou o neo-nato. assim. a lei o faz expressamente. § 2o. já foi um dos mais graves crimes. ERRO SOBRE A PESSOA artigo 20. quem praticou a conduta tinha interesses pessoais. passou a admitir que admite tanto a co-autoria quanto a participação. ele é entendido como um homicídio privilegiado. de dois a seis anos. com dolo de dano. pela parturiente. EXEMPLO: de outro crime ESTUPRO. SUJEITO ATIVO: crime próprio somente pela mãe. já que falou de menor. a lei quando quer presumir um menor como incapaz. praticou o crime previsto no artigo 123. sendo um crime BIPRÓPRIO. veja a exposição de motivos do CP). já que exige qualidades especiais dos sujeitos ativo e passivo. O crime tem todos os elementos do artigo 121 e mais alguns específicos = estado puerperal e durante ou logo após o parto. Historicamente. atualmente. se foi muito depois do parto.detenção. que é solucionado pelo PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. porque se trata de um requisito personalíssimo que não se comunica. durante o parto ou logo após: Pena .• HELENO FRAGOSO: deve-se deixar o juiz verificar o caso concreto. c) praticado por MOTIVO EGOÍSTICO. cabendo ao juiz a apreciação do caso concreto. sob a influência do estado puerperal. CONDUTA pode ser por ação ou omissão. haverá HOMICÍDIO. cessando o estado puerperal. É situação distinta da prevista no artigo 134. mas. 21 . mas depois mudou de idéia dizendo que a lei fala de requisito objetivo se comunica e subjetivo não se comunica. por se tratar de uma elementar subjetiva comunicável. Os elementos que tornam um tipo especial em relação ao gênero são chamados de ELEMENTOS ESPECIALIZANTES (CONCURSO). ELEMENTO TEMPORAL: somente durante o parto ou logo após. se foi antes do parto é ABORTO. no qual a mãe abandona o filho para ocultar a desonra própria (culpa para a morte) (dolo de perigo). Enquanto durar o ESTADO PUERPERAL haverá o elemento temporal LOGO APÓS. CO-AUTORIA e PARTICIPAÇÃO: NELSON HUNGRIA afirma que não admite co-autoria. algo que o legislador não pretendeu.4 INFANTICÍDIO Infanticídio Art. Então. não se pode aplicar o previsto acima. Note-se que se há uma supressão de capacidade de resistência. INFANTICÍDIO é o homicídio praticado pela própria mãe contra o filho. por qualquer causa. § 3o. CONCURSO: mulher mata o filho de outra pensando que era o seu. O filho que deu causa ao estado puerperal em que se encontra. 123 . sem estabelecer uma presunção de incapacidade. não cabe ao intérprete fazê-lo. Trata-se de um conflito aparente de normas. será HOMICÍDIO. ou seja o sujeito passivo também é próprio.Matar. ESTADO PUERPERAL é o desequilíbrio fisio-psíquico da gestante transtornada pela gravidez ou pelo parto. o menor será toda pessoa com 18 anos para baixo. b) se a vítima tem diminuída. É preciso que a vontade mórbida tenha sido desenvolvida pelo estado puerperal é preciso que exista nexo causal entre o crime e o estado puerperal (rê. o senil. MIRABETE percebeu que Nelson Hungria mudou de idéia. 1. para trazer ao artigo 122.. há a configuração do crime de homicídio. a capacidade de resistência – são casos: o ébrio. sob a influência do estado puerperal. continuará a haver HOMICÍDIO e não infanticídio.

A mulher em estado puerperal não pode ter a mesma previsibilidade do homem médio. direto ou eventual. o fato é atípico.reclusão. dependendo do grau do estado. Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Art. admitindo a tentativa. Parágrafo único. Aborto no caso de gravidez resultante de estupro II .Provocar aborto. CONCURSO: e a mãe que sob influencia do estado puerperal mata o filho culposamente. 1. que é verificada sob a noção do homem médio. lhe sobrevém a morte. 125 . Aplica-se a pena do artigo anterior. CONCEITO: abortamento é a interrupção da gravidez com a destruição do produto da concepção. A regra geral é a de que somente sirva para configurar o infanticídio. de um a três anos. 127 . ou se o consentimento é obtido mediante fraude.Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena . A doutrina traz várias classificações: 22 . se a gestante não é maior de quatorze anos.As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço. Art. se. É um crime plurisubsistente.Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena . podendo inclusive receber o perdão judicial. de um a quatro anos. e são duplicadas. que crime praticou? Correntes: a) FATO ATÍPICO – não poderia ser homicídio culposo. CONSUMAÇÃO: é um crime material.5 ABORTAMENTO Tem doutrina que fala que o nome certo é ABORTAMENTO. se. mas eventualmente pode ser causa inimputabilidade. 128 . Art. Aborto provocado por terceiro Art.detenção. já que o aborto é a conseqüência do crime.CONCURSO: o estado puerperal pode ser causa de INIMPUTABILIDADE. sem o consentimento da gestante: Pena . ou é alienada ou débil mental. a gestante sofre lesão corporal de natureza grave.se não há outro meio de salvar a vida da gestante. de três a dez anos. O crime é punido a título de DOLO. justificando a aplicação de medida de segurança? Sim. O estado puerperal será causa de diminuição da pena.reclusão.se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou. é tão errado quanto. b) FATO TÍPICO (BITENCOURT) (MAJORITÁRIA) – o estado puerperal não afeta a configuração do crime de homicídio culposo. porque faltava-lhe a PREVISIBILIDADE OBJETIVA. é a mesma coisa que chamar o homicídio de cadáver. por qualquer dessas causas. grave ameaça ou violência Forma qualificada Art. Por ser impossível a comparação da mãe com o homem médio. 124 . tudo que foi dito do homicídio pode ser aplicado aqui. a mãe pode ser tida como portadora de uma anomalia psíquica.Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto necessário I . de seu representante legal. em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo. 126 . quando incapaz.

Bem jurídico tutelado é a vida do ser humano em formação. quem pratica comete o artigo 126 (EXCEÇÃO PLURALISTA À TEORIA MONISTA). Trata-se de um CRIME DE MÃO PRÓPRIA (CRIME PRÓPRIO exige qualidade especial do agente e admite co-autoria e participação. por motivo de honra. ABORTO ANENCEFÁLICO. porque não admite co-autoria. de um a três anos. CRIME Praticado quando o feto traz deformidades físicas ou mentais que tornem a vida extra-uterina praticamente inviável. pois tem vida própria e recebe tratamento autônomo da ordem jurídica. Interrupção decorrente de problemas de saúde da gestante ou do feto. ou não morrendo ocorre a tentativa de abortamento com dolo eventual). Previsto nos artigos 124 e 127. ATENÇÃO VAI CAIR NO CONCURSO. Conduta: praticar em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque. também. Há um interesse prático relevantíssimo na gravidez de gêmeos: 1a corrente = dois crimes em concurso formal. Previsto no artigo 128. Em princípio. 124 .2 Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Art. direto ou eventual (a gestante tentando suicídio. É que o terceiro que.detenção. É o praticado por razões de miséria. a gravidez extra-uterina ou a gravidez molar (gravidez com ruptura da trompa) não configura crime.1 Classificação de abortamento ABORTO NATURAL ABORTO ACIDENTAL ABORTO CRIMINOSO ABORTO LEGAL OU PERMITIDO ABORTO MISERÁVEL OU ECONÔMICO SOCIAL ABORTO EUGÊNICO OU EUGENÉSICO ABORTO HONORIS CAUSA É a interrupção espontânea da gravidez. CP). 23 . por isso. corrente) ou o Estado (2a. deve ser qualificado como CRIME DE MÃO PRÓPRIA. O crime é punido a título de DOLO. traumatismos em geral. corrente = um crime apenas.5. está assumindo o risco do cometimento do aborto. sendo crime no ordenamento jurídico brasileiro. Para configurar o crime do artigo 124. são fatos típicos e relevantes penais. No Brasil. Sujeito passivo: é o feto em todos os estágios da vida intrauterina (1a. NÃO tem como ter o co-autor. embora tampouco seja mera expectativa de vida ou simples parte do organismo materno. a gravidez deve ser normal. é crime. não admitindo co-autoria). CRIME 1. Para o direito penal é IRRELEVANTE PENAL. O produto da concepção – feto ou embrião – não é pessoa. Sujeito ativo: sujeito ativo é gestante nas duas condutas. 2a. Quando o aborto for provocado por terceiro. Caiu no MP/MG. não tem interesse para o Direito Penal.Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena . É o abortamento decorrente de quedas. O artigo pune o AUTO-ABORTO ou o CONSENTIMENTO para que outro o provoque. com o consentimento da gestante. CRIME Para ocultar gravidez extra-matrimonial. corrente).5.1. LUIZ REGIS PRADO insiste em dizer que se trata de um crime próprio (CONCURSOS DO SUL). comete o aborto responderá por crime outro (126. CRIME DE MÃO PRÓPRIA também exige qualidade especial do agente e somente admite participação. o tipo penal protege também a incolumidade da gestante.

grave ameaça ou violência 1. Nas hipóteses do parágrafo único do artigo 126. o agente deve saber da existência das circunstancias ali constantes. SEM o seu consentimento. de três a dez anos. o feto já foi expelido COM vida.3. somente se consuma com a morte da vida intra-uterina.reclusão. o processo deve ser suspenso até que se encontre o réu. A maioria da doutrina entende que há a absorção da tentativa de aborto pelo homicídio. 24 . ou é alienada ou débil mental. EXEMPLOS: • • a gestante pratica a manobra abortiva e provoca a morte dentro do seu organismo. Débil mental. 126 . ou seja. neste último caso. CONDUTA: interromper uma gravidez sem consentimento da gestante. ocorrendo o fenômeno de CRISE DE INSTÂNCIA. o feto já foi expelido SEM vida = ARTIGO 124 a gestante pratica a manobra abortiva e provoca a morte FORA do seu organismo. Outro crime de dupla subjetiva passiva: violação de correspondência = remetente e destinatário. que deve ser intimado PESSOALMENTE DA PRONÚNCIA.5. Alienada. É o único abortamento INAFIANÇÁVEL. Grave ameaça ou fraude DOLO: o crime é punido a título de dolo. tenha sido decorrente das manobras abortivas.reclusão. 125 .3 Aborto provocado por terceiro Aborto provocado por terceiro Art. se não for assim responderá pelo artigo 126.Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena . sem o consentimento da gestante: Pena . SUJEITO PASSIVO: as vítimas são a gestante e o feto é um crime de DUPLA SUBJETIVIDADE PASSIVA.Provocar aborto. pune-se o TERCEIRO PROVOCADOR. o dolo tem que alcançar as hipóteses previstas. parágrafo único): gestante que não consentiu pela presunção: • • • • Menor de 14 anos. PRESUMIDO (dissenso presumido previsto no artigo 126. Art. ou se o consentimento é obtido mediante fraude. se a gestante não é maior de quatorze anos. A prescrição NÃO É SUSPENSA. depois. de um a quatro anos. é o único que não pode ser julgado pelo JÚRI sem a presença do réu. Pode agir sem o consentimento: 1.Consumação: o crime é material.5. morte decorrente das manobras abortivas = ARTIGO 124 a gestante pratica a manobra abortiva e o feto foi expelido COM VIDA. mas. ou seja. CUIDADO: pouco importa se a morte ocorreu dentro ou fora do ventre materno. REAL: quando a gestante realmente não consentiu 2. Não cabe a intimação por edital.1 Sem consentimento da gestante O artigo pune provocar aborto na gestante. desde que. decidiu matar definitivamente o feto. Parágrafo único. Ou seja. Aplica-se a pena do artigo anterior. renovando sua conduta = HOMICÍDIO ou INFANTICÍDIO. • 1. SUJEITO: é crime comum que pode ser praticado por qualquer pessoa.

os partícipes estarão salvos do artigo 127. causou lesão grave ou matou a vítima. muito menos o será para o partícipe.3 Forma qualificada Forma qualificada Art. o artigo 127 somente qualifica a conduta do terceiro provocador e não da gestante (se ela morre. se. em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo. Não é mais crime de dupla subjetividade passiva. Se houve a intenção de praticar o abortamento doloso e dolosamente mata a gestante. não há que se falar nisso. e são duplicadas.Não se pune o aborto praticado por médico: A doutrina chama de QUALIFICADORA DO ABORTAMENTO. 127 . em concurso formal (artigo 70). assim a resposta é a primeira hipótese (126 consumado e 127) 25 . CORRENTES: a) sendo o 127 qualificadora preterdolosa. colaborador do auto-aborto é um auxiliar.2 Com consentimento da gestante O abortamento é praticado com o consentimento válido da gestante. 1. se. Art. Se das manobras abortivas resultar crime de natureza leve fica absorvido.3. 128 . por qualquer dessas causas. O artigo 127 traz resultados CULPOSOS. trata-se de um aumento de pena. na verdade. VÍTIMA: é o feto ou o Estado (outra corrente). mas. é uma qualificadora preterdolosa ou preterintencional. lhe sobrevém a morte. a gestante sofre lesão corporal de natureza grave. porque o direito penal não pune a auto-lesão – PRINCÍPIO DA ALTERIDADE). já é a sua punição. não há tentativa. Na figura do artigo 124. os resultados devem advir de CULPA (dolo no abortamento e culpa na morte por exemplo). Não precisa que o feto tenha morrido. ou seja.5. Para que haja o aumento de pena do artigo 127 é dispensável ou indispensável o crime de abortamento? Para incidir o 127? É preciso matar o feto ou não precisa matar? O 127 incide no 125 e 126 sem que a morte tenha ocorrido? O artigo 127 é muito claro quando diz: EM RAZÃO DO ABORTO ou das MANOBRAS ABORTIVAS. Se o terceiro provocador praticou as manobras não conseguiu interromper a gravidez.5. CONDUTA: provocar abortamento = artigo 125 DOLO: = artigo 125 CONSUMAÇÃO E TENTATIVA = artigo 125 1. Assim. pouco importa de o indivíduo conseguiu ou não interromper a gravidez. O artigo se refere aos dois artigos anteriores (126 e 125). somente aumenta por LESÃO GRAVE ou MORTE. ele responde por 126 consumado c/c 127 ou 126 tentado c/c 127? A GESTANTE MORREU E O FETO FOI SALVO. se sofrer lesão grave. porque não se aplica para o autor. SUJEITO ATIVO: é crime comum que pode ser praticado por qualquer pessoa.CONSUMAÇÃO: tudo que foi dito para o artigo 124 aplica-se a esse artigo (125).As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço. o agente responde pelo artigo 125 e 121. mas.

tipicidade ou culpabilidade? É uma causa de exclusão da ILICITUDE ou a ANTIJURIDICIDADE. porque se isentaria o autor e seria punido o partícipe. o médico responde. c) não haver outro meio para salvá-la. que não é requisito. b) a vida da gestante tem que correr risco.se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou. NÃO é necessário o consentimento da gestante. O artigo 128 é causa de exclusão de punibilidade.5.4 Aborto necessário Aborto necessário I . Não pode excluir a culpabilidade (TEORIA DA ACESSORIEDADE LIMITADA). na conduta admite porque a conduta é dolosa. não requisito do aborto necessário. ou seja. quando incapaz. o crime preterdoloso não admite tentativa quanto ao resultado. é um abortamento tentado qualificado. ele não pode escolher o aborto porque era o meio mais cômodo. de seu representante legal. mas. mas.4. NÃO precisa de autorização judicial.5. 1. não basta risco de saúde (CUIDADO: o examinador coloca saúde ao invés de vida). (126 tentado qualificado pelo 127). Copiar o artigo.2 Aborto necessário ou terapêutico São 03 (três) requisitos cumulativos: a) tem que ser praticado por MÉDICO – se não há outro meio para salvar a gestante e quem pratica é um farmacêutico? Não é aborto necessário ou terapêutico. a conduta dolosa admite a tentativa.4. que traz duas espécies de abortamento: • • INCISO I – abortamento necessário (ABORTAMENTO TERAPÊUTICO): praticado para salvar a vida da gestante. 1. CUIDADO: o concurso acrescenta o consentimento e a autorização judicial. ou seja. Aborto no caso de gravidez resultante de estupro II . o farmacêutico não será punido pela conduta porque será aplicado o estado de necessidade.5. 1. o resultado que é culposo. o médico estará escudado pelos demais requisitos. a inevitabilidade do aborto.1 Aborto permitido Previsto no artigo 128. não há outro meio para salvar a vida. humanitário ou ético Para interromper uma gravidez.4. é uma causa de ESTADO DE NECESSIDADE. 1.5. INCISO II – abortamento sentimental (ABORTAMENTO HUMANITÁRIO OU ÉTICO): O artigo diz NÃO SE PUNE o médico. se havia um outro meio.b) LFG: na verdade. assim. é preciso que seja risco de vida. a maioria da doutrina entende que é uma causa especial de exclusão da ilicitude. requisitos cumulativos: 26 .se não há outro meio de salvar a vida da gestante.3 Aborto sentimental.

Decidiram que é cabível a ADPF. O pleno cassou em parte a liminar. porque falta dolo para o suicídio. é fato atípico. Esses são os únicos requisitos. trata-se de inexigibilidade de conduta diversa. 2 LESÕES CORPORAIS 27 . b) gravidez resultante de estupro. RÉGIS) (MINORITÁRIA).a) praticado por MÉDICO. STF em uma ADPF. CONCURSO: O candidato querendo matar o examinador coloca veneno em seu copo. 1. é crime. sendo a tendência que de que será possível. somente no futuro quem sabe será permitido. corrente: poderia praticar o aborto. c) consentimento da gestante ou quando incapaz. porque seria para prejudicar o réu.4 Aborto eugênico ou eugenésico É o aborto para evitar o nascimento de feto defeituoso. retirando a permissão. Recentemente o STF fez a observação de que o médico tenha ao menos um BOLETIM DE OCORRÊNCIA. não se suspendeu (até porque não poderia) a prescrição. foi deferida liminar (MARCO AURÉLIO): deferida liminar para permitir a interrupção da gravidez e suspender os processos de quem está sendo processado por isso. não há possibilidade de alegar estado de necessidade porque a gestante não corria risco de vida. por aplicação de analogia in bonam partem (MAJORITÁRIA). Pela teoria da imputação objetiva. conforme o caso. é a busca pela raça pura. mas manteve a suspensão de todos os processos.5. ROGÉRIO: o STF está errado. no Brasil. CONCURSO: e se a gravidez resulta de atentado violento a pudor? 1o. 2A. mas não houve julgamento definitivo. a ação é penal privada não exigindo que a vítima procure a polícia. aborto eugênico = é puro eufemismo para o racismo. BITENCOURT diz que o abortamento eugênico ou eugenésico (anencefálico) é um fato típico e antijurídico.4. Para os desconhecedores. Na PROCURADORIA DE GUARULHOS a resposta considerou que não é necessário o BO. atualmente. porque da mãe que interrompe essa gravidez não se poderia exigir conduta diversa. NÃO PRECISA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. mas não é culpável. Esse requisito não está na lei. não há autorização para interromper tal gravidez. se praticado por farmacêutico. do seu representante legal. O projeto do CP permite esse abortamento. para configurar a ATIPICIDADE do fato porque NÃO há vida quando não há atividade cerebral. é a "Ciência que se ocupa do aperfeiçoamento físico e mental da raça humana". mas. Parece que o STF vai utilizar o fundamento da lei de doação de órgãos. É uma espécie de abortamento eugênico. Noutras palavras. "eugenia". o neo-nazismo e a pregação de uma técnica abominável de seleção artificial do ser humano. é uma expectativa de mudança. o examinador percebendo que é veneno. CORRENTE: não cabe analogia em norma de exceção (HELENO FRAGOSO. De acordo como CP é crime. não cabendo a pena. Atualmente. toma-o porque queria se matar. ou seja. segundo Antônio Houaiss. a mesma propagada pela Alemanha de Hitler. não estando dentro das previsões do artigo 128. não podendo o STF incluir um requisito que não existe. Há a discussão no STF sobre o cabimento ou não da ADPF para questionar o assunto.

ficando claro que se trata de um bem disponível. O crime pode ser praticado por ação ou omissão. conforme art. pode ser praticado por qualquer pessoa. há uma proteção não somente do ponto de vista corporal. IV e § 2o. V do Código Penal. saúde mental.171. a vítima é gestante. fisiologia e mentalidade). Mas a pluralidade de ferimentos é considerada como circunstância desfavorável na fixação da pena. entretanto. ou seja. Se não provoca essa alteração desfavorável. que responderá na condição de autor mediato do crime. que cai no chão e quebra o braço. é uma leitura a contrario sensu. a integridade física pode ser disponível se não contraria a moral e os bons costumes. A autolesão pode. BITENCOURT afirma que a integridade física é um bem relativamente disponível. somente a gestante será sujeito passivo. Assim. Provação de dor é dispensável? A maioria da doutrina entende que a dor é dispensável porque não é elemento do tipo. EXEMPLO: dar um soco e deixar o olho roxo é um crime de lesão corporal. caracterizar estelionato. que será verificado de acordo com a análise do padrão social. Sujeito passivo: em regra é qualquer pessoa. assim. STJ). pode configurar INJÚRIA REAL. Se o sujeito ativo da lesão for um policial militar. EXCEÇÃO: no artigo 129. há crime de lesão corporal praticado pelo imputável. V. Essa interpretação está clara na Exposição de Motivos do CP (anatomia. CP. dar 10 socos e deixar os dois olhos roxos é também um só crime. A pluralidade de ferimentos significa uma pluralidade de crimes? Dentro do mesmo contexto NÃO desnatura a unidade de crime. porque atingiu a incolumidade fisiológica do indivíduo. mesmo o consentimento da dívida não é válido para afastar o crime. COMPETE A JUSTIÇA COMUM PROCESSAR E JULGAR MILITAR POR CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE. Se um capaz afirma ao inimputável que deve ferir a sua própria integridade física. Súmula: 172. EXEMPLO: provocar vômitos ou desmaio em uma pessoa é lesão corporal. item 42. O DP não pune a autolesão. AINDA QUE PRATICADO EM SERVIÇO. Pode ser também o agravamento de uma lesão já existe. ou seja. não é punível a conduta do indivíduo que perfura pessoa para colocação de piercing. física e fisiológica.Bem jurídico tutelado: incolumidade pessoal do indivíduo. MP/SP: cortar cabelo é lesão corporal? Trote de faculdade é lesão corporal? A jurisprudência entende que somente é lesão corporal se provoca uma alteração desfavorável no aspecto exterior do indivíduo. Se contraria a moral e os bons costumes. Se a vítima for menor de 14 anos ou maior de 60 anos (estatuto do idoso) há causa de aumento de pena (§ 7o).. § 1 o.. é englobada a saúde mental e fisiológica. 28 . fisiológica de outrem. a lesão fica absorvida pelo abuso de autoridade? A maioria entende que responderá pelos dois crimes. ou seja. A irá responder pela lesão? SIM. O fundamento do pensamento do autor está na Lei 9099/95. no artigo 13. PERGUNTA: A joga uma pedra em B. sendo que o abuso de autoridade é punido na justiça comum e a lesão é punida na justiça militar (súmula 172. que afirma que a lesão corporal de natureza leve passa a depender de representação. Sujeito ativo: o crime é comum. Porque há uma concausa relativamente independente superveniente que não por si só causou o resultado. continua sendo um só crime. Conduta: a conduta punida é a ofensa à integridade corporal. A integridade física é bem disponível ou indisponível? EXEMPLO: pessoa que cola piercing.

respeitado o artigo 30. sendo comunicáveis com os demais agentes. Consumação: é crime material e se consuma com a ofensa à integridade física.detenção. Tentativa: admite tentativa nas modalidades dolosas. do CP.Incapacidade para as ocupações habituais. a conduta do médico não é MATERIALMENTE TÍPICA.Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal. NÃO há nexo normativo. Lesão de natureza leve: é a lesão que se descobre por exclusão. não há e sequer é a intenção do agente ferir a integridade da vítima. 2. também é causada pelo PRETERDOLO. por mais de trinta dias. que consiste em qualquer atividade corporal rotineira NÃO necessariamente ligada à trabalho ou atividade lucrativa. Princípio da insignificância: pode ser aplicado em situações como um beliscão ou um arranhão? PIERÂNGELI: afirma que é possível a aplicação da insignificância na lesão corporal de natureza leve. logo. por mais de trinta dias: trata-se de uma qualificadora. e) TIPICIDADE CONGLOBANTE: de ZAFFARONI.2 LESÃO DOLOSA ou PRETERDOLOSA DE NATUREZA GRAVE Lesão corporal de natureza grave § 1º Se resulta: I . Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena . não contrariando a moral e os bons costumes não é crime. de três meses a um ano. porque o dolo é diverso.debilidade permanente de membro. 30 . III . salvo quando elementares do crime. Há correntes para explicar o fato de o médico não ser responsabilizado: a) FALTA DOLO: o médico que salvar a vida ou melhorar a vida da pessoa.2. ela se caracteriza nos seguintes exemplos: simples empurrão. Deve-se saber o que é OCUPAÇÃO HABITUAL. tapa leve.aceleração de parto: ATENÇÃO: não é somente causada por DOLO. 129. Art. Ou seja. Essas qualificadoras são de natureza objetiva. ROXIN traz vários exemplos. sentido ou função. será leve se não for grave ou gravíssima. IV .1 Incapacidade para as ocupações habituais. ou seja.1 LESÃO CORPORAL DOLOSA DE NATUREZA LEVE Lesão corporal Art. por culpa (dolo no conseqüente e culpa no subseqüente). 2. 2. f) IMPUTAÇÃO OBJETIVA: o médico nesses casos não cria o risco proibido. 29 . c) ESTADO DE NECESSIDADE/ EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO d) CONSENTIMENTO DO OFENDIDO: integridade física é um bem relativamente disponível. Nas vias de fato.perigo de vida. II . Intervenção médica de emergência ou reparadora ou estética: o médico não responde por lesão corporal.Contravenção penal de vias de fato: não se confunde com a lesão corporal. b) PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL: que exclui o fato típico.

Essa qualificadora é obrigatória e necessariamente PRETERDOLOSA OU PRETER INTENCIONAL. de dois a oito anos.3 LESÃO DOLOSA ou PRETERDOLOSA GRAVÍSSIMA Pena . A simples região da lesão NÃO presume o perigo de vida. continua mexendo o braço. mas enxerga menos. o feto nasce com vida.4 Aceleração de parto: ao produzir a lesão provoca-se na vítima o PARTO PREMATURO. CONCURSO: se a vítima não sai de casa por que está com vergonha do olho roxo que ostenta. Tem que haver perícia que demonstre essa qualificadora. III perda ou inutilização do membro. então são dois exames: o primeiro e o segundo depois do prazo de 30 dias. tem que ser feita a perícia. não é a lesão que está impedindo. PERMANENTE é diferente de PERPÉTUO. que deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias. ocorre a incidência do inciso I? NÃO. no 31o dia. ou seja. de um a cinco anos.2. CONCURSO: a possibilidade de prótese atenuar a debilidade afasta a qualificadora? NÃO. 30 . Podem continuar a funcionar. que deve ser entendido como a probabilidade séria. que irá determinar se a perda do dente causou ou não uma perda da função de mastigar. porém antes do tempo. § 2° Se resulta: I .enfermidade incurável. fomentar. mas sim a vergonha de exercer a atividade corporal (BITENCOURT e DAMÁSIO). induzir ou instigar a prostituição. do artigo 168. mesmo que a prótese possa deixar tudo em ordem.deformidade permanente. 2. ainda que imoral. porque o inciso está ligado à atividade corporal rotineira. sob pena de configurar uma tentativa de homicídio.reclusão.Incapacidade permanente para o trabalho. CONCURSO: a perda de um dedo configura a lesão de natureza grave? DEPENDE do dedo deve ser aplicado o mesmo raciocínio da perda do dente. EXEMPLO: continua a enxergar. a vítima não é obrigada a usar prótese. o que tem que ser aferido em perícia. MP/SP: um bebê de 03 meses de idade pode ser vítima no inciso I? SIM. mas não funcionam igual a antes. CPP). Se o feto nasce SEM VIDA? a) vontade de nascer sem vítima (DOLO) = ABORTO b) sem vontade de que o feto nasça sem vida (CULPA) = LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVÍSSIMA 2. que no caso do bebê é a atividade de mamar. que consiste em enfraquecimento. deve existir um perigo real. ou seja. 2. CONCURSO: a perda de um dente configura lesão de natureza grave? DEPENDE do dente. porque o perigo de vida jamais pode ter entrado na vontade do agente. concreta e imediata do êxito letal. porque não foi a lesão que impediu.2. IV . o que é ilícito é favorecer. a permanência significa período INCERTO e INDETERMINADO.3 Debilidade permanente de membro. II . sentido ou função.aborto: Pena .devendo ser lícita.reclusão.2. mas com menos mobilidade. diminuição ou redução da capacidade funcional. V .2 Perigo de vida: se a lesão resulta na vítima perigo de vida. A materialidade da lesão de natureza grave é feita por meio do EXAME COMPLEMENTAR (§ 2 o. EXEMPLO: prostituição. que não é ilegal no Brasil. sentido ou função: da lesão deve resultar a debilidade. 2.

sexo e condição social da pessoa. dependendo da idade pode ou não ser deformidade permanente. porque não há mera debilidade. dependendo do animus do agente: a) homicídio. desaparece a gravidade da lesão. CONCURSO: laqueadura de trompas sem autorização da mulher é caso de lesão corporal de natureza gravíssima. Se não a punibilidade fica na mão da vítima. ela não faz a cirurgia plástica para ele ser condenado. no entanto. porque até o tetraplégico não perde a sua capacidade total de trabalho.3.3. c) perigo de contágio de moléstia grave. 2. sentido ou função: a situação é mais grave do que a do § 1o. ela decida.3. porque ele pode ser comentarista de tevê ou ocupante de cargo eletivo (essa é a posição de MIRABETE). A perda pode ocorrer por meio da mutilação ou amputação.1 Incapacidade permanente para o trabalho: atenção é incapacidade para a o TRABALHO. A idade. Recentemente uma lei referiu-se claramente à LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVÍSSIMA foi a LEI DE TORTURA. essa é uma classificação doutrinária e não legal. a vítima faz cirurgia plástica e desaparece a lesão. considerável e irreparável pela própria força da natureza e capaz de causar impressão vexatória.3 perda ou inutilização do membro. humilhação para a vítima. Permanência não significa perpetuidade. deve existir a PERDA ou INUTILIZAÇÃO. b) lesão corporal seguida de morte. A punibilidade está da dependência da vontade de quem? Da vítima. EXEMPLO: permanecer com os braços ligados ao corpo.4 deformidade permanente: dano estético. O membro pode continuar preso ao corpo. CONCURSO: perder um olho ou um testículo é grave ou gravíssima? Tratando-se de órgãos duplos a lesão somente será gravíssima se atingir os dois.2 Enfermidade incurável: consiste na alteração permanente da saúde em geral por processo patológico. NESLON HUNGRIA: devem diversamente ser apreciadas uma marca em uma miss universo e em um velho. não existe deformidade permanente.O nome de NATUREZA GRAVÍSSIMA é atribuído pela doutrina.3. Ou seja. 2. Se. Há muita crítica? Se tem possibilidade de fazer cirurgia. sexo e condição social da vítima influencia na constatação da lesão SIM. ou seja. Mas o que prevalece é que se a vítima faz cirurgia plástica e somente a lesão. 2. mas se for inútil configura-se a qualificadora. quer dizer duradoura no tempo sem previsibilidade de cessação. mas sem funcionalidade alguma. que é o desconforto para quem olha. 31 . depende da idade. aparente. A transmissão da AIDS (doença letal) pode-se configurar o seguinte. para a lei os dois §§ dão origem à lesão grave. não há mais deformidade permanente. porque a perda de um deles causa o enfraquecimento e não a perda ou inutilização. CONCURSO: a incapacidade basta ser do trabalho anterior que exercia ou para qualquer trabalho? Prevalece na doutrina e na jurisprudência o entendimento de que somente se configura a qualificadora se a vítima ficar incapacitada para todo e qualquer tipo de trabalho (BITENCOURT). logo a deformidade permanente. ou seja. CONCURSO: a impotência generandi (capacidade de reprodução) e a impotência coendi (capacidade do coito) configuram qual espécie de lesão? São casos de lesão corporal de natureza gravíssima. ROGÉRIO: essa posição não é justa. enquanto o agente não for condenado. atividade econômica de sustento que é exercida. transmissão intencional de doença para a qual o estágio atual da medicina não prevê uma cura segura. E se a vítima se sujeita a uma cirurgia plástica capaz de retira o dano estético continua havendo lesão gravíssima? A doutrina afirma que a vítima não está obrigada a se submeter a cirurgia plástica. Tem que apreciar de maneira diversa uma lesão. 2.

trata-se de um direito subjetivo do réu. desde que preenchidos os requisitos necessários. Mas pode ser que a conduta contenha qualificadoras de parágrafos distintos concorrendo. a deformidade permanente existe. a pessoa cai e morre. assim. crime preterdoloso não admite tentativa quanto ao resultado culposo. Nesse caso deve ser aplicada a qualificadora mais grave e a outra será considerada para a fixação da pena-base. o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.5 LESÃO DOLOSA PRIVILEGIADA Diminuição de pena § 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção.reclusão.5 aborto: trata-se de um crime preterdoloso ou preterintencional. a conduta é a de aborto criminoso (artigo 125. não importa onde está a lesão. aqui. Tudo do homicídio privilegiado deve ser transportado para esse item. de duzentos mil réis a dois contos de réis: I . O agente não agiu com dolo direto ou com dolo eventual em relação à morte. CP). Elementos do preterdolo: a) conduta dolosa: o crime menos grave (lesão corporal). Se o agente em algum momento assumiu o risco do aborto. pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa. diferentemente do que ocorre na Argentina e na Itália. que ocorre em razão da culpa. c) nexo causal entre a conduta e o resultado. 2. 2. II . 32 .No Brasil.se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior. Se o resultado for fortuito não pode ser considerada a lesão corporal seguida de morte. não sendo graves as lesões.se as lesões são recíprocas. b) resultado culposo: o crime mais grave (morte). de quatro a doze anos. Somente será admitida a diminuição quando se tratar de LESÃO LEVE (prevista no caput). na verdade. 2. nem assumiu o risco de produzi-lo: Pena .4 LESÃO SEGUIDA DE MORTE OU HOMICÍDIO PRETERDOLOSO OU HOMICÍDIO PRETERINTENCIONAL Lesão corporal seguida de morte § 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado. 2. Concurso de qualificadoras É possível que em uma mesma lesão haja mais de uma qualificadora do mesmo parágrafo. porque o agente age com dolo na lesão e culpa no aborto. logo em seguida a injusta provocação da vítima. o juiz deve. não importando a região da lesão. como circunstância judicial desfavorável. Em que pese o texto falar em pode. EXEMPLO: estar lutando em um tatame. sendo indispensável que o agente soubesse ou pudesse saber que a vítima era gestante.6 SUBSTITUIÇÃO DA PENA Substituição da pena § 5° O juiz.3. Não é possível tentativa quanto ao resultado culposo. Nos dois países só se fala em deformidade permanente se ela estiver no rosto.

etiquetando-os de violência doméstica.886. (Incluído pela Lei nº 10. de 2004) § 10. assim. sempre se ajustará ao § 6o. 10. Se a lesão culposa ocorrer na direção de veículo automotor. se as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo. de 1990) As causas de aumento do homicídio se aplicam aqui. ou com quem conviva ou tenha convivido. ele somente é cabível em caso de LESÃO CULPOSA. de 6 (seis) meses a 1 (um) ano.2. que é maior no CTB. quando se tratar de lesão corporal culposa. § 4º. aumentando a pena mínima de três para seis meses de detenção (permanecendo a máxima no mesmo patamar) se a lesão for praticada contra ascendente. Aliás. mas há uma diferença em relação ao desvalor da conduta.611. irmão.886. porquanto diz respeito às conseqüências do crime. (Incluído pela Lei nº 10. 2. (Lei nº 8. descendente.8 MAJORANTES Aumento de pena § 7º . 2. cônjuge ou companheiro. sai do CP e vai para o CTB (artigo 303). se ocorrer qualquer das hipóteses do art. ou com quem conviva ou tenha convivido ou. 2º (lesões 33 . ainda. aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). a gravidade das lesões pode interferir na fixação da pena-base (art.Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. de coabitação ou de hospitalidade.099/95. aplicável nas mesmas hipóteses. criando medida cautelar de afastamento do autor do fato do lar. parágrafo único. esta espécie de violência é preocupação antiga. se deu nova redação ao artigo 69.Aumenta-se a pena de um terço. tanto que.9 PERDÃO JUDICIAL § 8º . de aplicação exclusiva à lesão corporal dolosa de natureza leve (129. da Lei n° 9. no ano de 2002. Pois foi dentro desse mesmo espírito que o § 9º. 2. de dois meses a um ano. que no CP.886. prevalecendo-se o agente das relações domésticas. de 2004) Segundo o resumo (fiz uma nova organização. A pena do CTB é mais grave que a do CP. domicilio ou do local de convivência com a vítima. Entretanto. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo.10 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10. em decorrência do princípio da especialidade. de 1965) Pena . Entretanto. cônjuge ou companheiro.886. porque havia repetição de muita) estes comentários abaixo são do Rogério Sanches (agosto de 2005): A Lei n. ainda.7 LESÃO CULPOSA Lesão corporal culposa § 6° Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4. irmão.069. A jurisprudência já se consolidou que o desvalor do resultado é o mesmo (CP e CTB). qualifica o delito. ou. de 2004) § 9o Se a lesão for praticada contra ascendente. de coabitação ou de hospitalidade: (Incluído pela Lei nº 10. Não importa o grau da lesão. de 2004) Pena – detenção. a lesão corporal mais grave será considerada na fixação da pena-base.detenção.886/04 acrescentou ao artigo 129 mais dois parágrafos (9º e 10).59 do CP).455. 121. prevalecendo-se o agente das relações domésticas. através da Lei n° 10. O perdão judicial somente se aplica aos casos previstos em lei. EXEMPLO: mulher que perdeu as pernas em um acidente náutico. majora em 1/3 as penas dos parágrafos 1º (lesões graves). 121. descendente. Também não importando a gravidade da lesão sempre: a) dependerá da representação da vítima e b) será crime de menor potencial ofensivo. caput). Já o § 10.

o tipo ficou exageradamente aberto. Entendemos. Aliás. do CP. à violência doméstica não mais se aplicam as agravantes nominadas do art. sabendo que prevalecer tem o sentido de levar vantagem. Haverá violência doméstica na agressão contra pessoa (que não ascendente. agressões no âmbito da vida em família. 535). curiosa a inclusão destas hipóteses. é claro. em respeito ao princípio da legalidade estrita. cônjuge ou companheiro com quem conviva ou tenha convivido. porém. desde que. irmão. alíneas “e” e “f”. 88 da Lei n° 9. Inclusive o resultante da adoção. faz incidir o tipo majorante. o indesejável “bis in idem”. Ação penal: Em regra. Logo. Uma empregada doméstica com quem o agente tenha convivido. segundo cremos. a vítima companheira (união estável). Nucci (ob. Em suma. repudiada há tempos pela Constituição Federal). cit. cônjuge ou companheiro. dispensável a coabitação entre o autor e a vítima. Com a nova disposição. coabitação e hospitalidade. 129. resta interpretar que haverá a forma qualificada da lesão quando o agente voltar-se contra ascendente. Aqui enquadramos. pensamos que a hipótese necessariamente pressupõe que o agente se valha da sua superioridade doméstica. possuindo intimidade. obrigando o julgador e o doutrinador a uma interpretação cuidadosa. não retirando dos envolvidos a qualidade pessoal de casado. por exemplo. não se revista de requintes de tortura. faria nascer a violência doméstica? Por certo que não. por exemplo). agredida muito depois de cessada a relação de emprego. Considerando o alerta e.gravíssimas) e 3º (lesão corporal seguida de morte). ou seja. c) com quem conviva ou tenha convivido: Guilherme de Souza Nucci critica esta inclusão. descendente. Logo. violência doméstica haverá quando o crime for praticado contra: a) ascendente. até então desamparada por qualquer agravante. pp. desse modo. c) prevalecendo-se o agente das relações domésticas. discordamos. p. também. caput) e culposa (§ 6°). Excepcionalmente. 61. ao escrever: “Se utilizarmos o sentido da palavra convivência para estipularmos tratar-se de uma vivência em comum com outrem. atual ou pretérita. irmãos) que jamais conviveram. as agressões praticadas pela babá contra a criança. aproveitar-se da condição (ou situação). b) cônjuge ou companheiro Em que pese decisões em sentido contrário. merecendo interpretação restritiva. de coabitação ou de hospitalidade em relação à vítima. mas somente estas enumeradas no tipo” (Código Penal comentado. nesses casos. que conviva ou tenha convivido (esta forma. adverte José Henrique Pierangeli: “Com a inclusão da convivência.099/95). bastando existir a referida relação parental. descendente. irmão. para não ofender o princípio da legalidade” (Manual de Direito Penal – Parte Especial. Com o devido respeito. relações domésticas. p. a pena do crime de lesão corporal será perseguida mediante ação penal pública incondicionada. isto é. II. Não outra pessoa. 143). irmão. descendente. diferenciação odiosa. o oferecimento da ação penal dependerá de representação da vítima ou de seu representante legal (art. cônjuge ou companheira) com quem o agente conviva ou tenha convivido (caso da república de estudantes. é a pior) estaria inserida no tipo do § 9°. cônjuge ou companheiro com quem tenha convivência atual ou passada? Não podemos aquiescer com a interpretação literal. 534-535) 34 . A necessária interpretação restritiva que o tipo incriminador merece é facilmente alcançada ao se exigir que a lesão corporal tenha sido provocada em razão da vivência. devemos questionar: quem deve conviver com quem? O agente com qualquer outra pessoa ou o agente somente com ascendente. irmão. comungar do primeiro entendimento é excluir do alcance da qualificadora em comento as agressões entre familiares (por exemplo. A inovação legislativa buscou proteger. evitando-se. descendente ou irmão: Aqui não importa se o parentesco é legítimo ou ilegítimo (aliás. pois seria ampliar em demasia a figura qualificada denominada violência doméstica. além do ascendente. descendente. de coabitação ou de hospitalidade: Sabendo que o que ora se pune com mais rigor é a violência doméstica. a majorante cônjuge persiste mesmo no caso de separação de fato ou judicial (até porque seria alcançado pela hipótese seguinte). qualquer outra pessoa agredida. no caso da lesão dolosa de natureza leve (art. mostrando o passado.

de ofício. a saber: “§ 9 Se a lesão for praticada contra ascendente. sim as normas do CPP (art. § 11.099/95 preceitua que dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves (prevista no caput do art. descendente. Na hipótese do § 9o deste artigo. embora lesão corporal.detenção. Afora os comentários do tópico anterior. O art. IV). A mudança foi tímida e de pouca utilidade” (ob. a ação penal passa a ser pública incondicionada. que passou a admitir prisão preventiva em crime punido com detenção (§ 9º) se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher. 41 citado acima (veda aplicação da Lei 9.099/95 condiciona a ação penal nos casos de lesão corporal de natureza leve e culposa. o Código Penal e a Lei de Execução Penal. retornando para a iniciativa do Ministério Público. também inovou na ordem jurídica ao prever que os crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher.entende que. Interessante alteração foi a do art.340/06 criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. no curso do processo. nos termos do § 8o do art. 129) e lesões culposas (constante no § 6° do mesmo artigo). “Isto porque o art. parece haver um choque entre o art. 20. a violência doméstica. decretada pelo juiz. cônjuge ou companheiro. 129 e a introdução do § 11. criou-se uma nova causa de aumento. havendo violência doméstica.099/95 no caso de violência contra mulher) e o artigo abaixo: 35 . sem depender de representação. 2. 13). 226 da Constituição Federal. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal.099. A duas. 313 (introdução do inc. a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência”. servindo o processo apenas para perturbar a reformada paz familiar. não se aplica a Lei no 9. é forma qualificada de lesão. Pensamos diferente. ). prevalecendo-se o agente das relações domésticas. se sobrevierem razões que a justifiquem. e dá outras providências. independentemente da pena prevista. de 26 de setembro de 1995 . O juiz poderá revogar a prisão preventiva se. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. do CPP. ou. De início vê-se que o delito do § 9º não mais é crime de menor potencial ofensivo (pena > 2 anos).11 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (inovações Lei Maria da Penha) A recente Lei 11. logo. 41. bem como de novo decretá-la. E mais: Art. de coabitação ou de hospitalidade: Pena . porque o art. do art. nos termos da lei específica. cit. Ora. mas. sim. caberá a prisão preventiva do agressor. dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Tem-se uma polêmica instaurada com relação à natureza da ação penal pública nos casos de violência doméstica contra a mulher. altera o Código de Processo Penal. da mencionada Lei. para o portador de deficiência. Parágrafo único. há rápida reconciliação entre os envolvidos. houve alteração do § 9º. No CP. ainda. irmão. não mais depende de representação da vítima. verificar a falta de motivo para que subsista. a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial. da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir. p. de 3 (três) meses a 3 (três) anos. A uma. porque é exatamente nesses casos que se deve exigir representação da vítima. 88 da Lei n° 9. pois na esmagadora maioria dos casos. para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. O § 9° não altera a natureza da lesão (permanece leve). Além disso. cuja descrição típica advém do caput. ou com quem conviva ou tenha convivido. 88 da Lei 9.

antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. 132 . (Incluído pela Lei nº 9. em desacordo com as normas legais. 36 . não há falar em ação penal pública incondicionada. § 1º . diante de crimes bem mais importantes. só será admitida a renúncia à representação perante o juiz. de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária.Abandonar pessoa que está sob seu cuidado. de três meses a um ano.4 ABANDONO DE INCAPAZ Abandono de incapaz Art. desta última lei (estabelece a representação como condição de procedibilidade nos crimes de lesões corporais leves e culposas).1 PERIGO DE CONTÁGIO VENÉREO Perigo de contágio venéreo Art.3 PERIGO PARA A VIDA OU SAÚDE DE OUTREM Perigo para a vida ou saúde de outrem Art. 3.detenção.1998) 3. afastado estaria o art. incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono: Pena . 16 é claro ao admitir a representação. de 29. e multa. 130 . A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza. nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. É vedada a aplicação. também inova ao limitar as penas restritivas de direito àquele que pratica violência doméstica contra a mulher. 3. com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei. Não obstante isso. ato capaz de produzir o contágio: Pena . 17 da mencionada Lei. 133 .2 PERIGO DE CONTÁGIO DE MOLÉSTIA GRAVE Perigo de contágio de moléstia grave Art. porque o resumo já está grande demais.detenção. 131 . guarda. 17.Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena . não havia nenhum comentário a tais dispositivos. a saber: “Art. Por isso. e multa. e.reclusão. a contágio de moléstia venérea. de seis meses a três anos. 3 PERICLITAÇÃO DA VIDA OBS. 3.Se é intenção do agente transmitir a moléstia: Pena . 88.12. se o fato não constitui crime mais grave. vem prevalecendo a tese de que o art.Art.reclusão. de que sabe ou deve saber que está contaminado: Pena .Expor alguém.Praticar.detenção. Parágrafo único. de um a quatro anos. ou multa. Além disso. de um a quatro anos. O art. em audiência especialmente designada com tal finalidade.099/95. Resolvi não comentá-los. bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa”. não havia outra solução senão fazer escolhas. 16.: No resumo original. de três meses a um ano.Somente se procede mediante representação. por qualquer motivo. por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso. § 2º . vigilância ou autoridade. Ora se não se admite aplicabilidade da Lei 9.777.

1 Natureza do crime: é um crime OMISSIVO PRÓPRIO (crimes que consistem numa desobediência a NORMA FUNDAMENTAL.6. II .6. de 2003) 3. Parágrafo único . CP. de seis meses a dois anos. se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave. à criança abandonada ou extraviada. cônjuge.se o abandono ocorre em lugar ermo.Se resulta a morte: Pena . não haverá crime pois o crime é OMISSIVO e NÃO COMISSIVO. § 1º . é imoral. norma esta que determina a prática de uma conduta que não é realizada. 134 .Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . para ocultar desonra própria: Pena . para quem o ausente respondo pelo crime quando chamado ao local para exercer o dever de assistência.6. 3.6.§ 1º .5 EXPOSIÇÃO OU ABANDONO DE RECÉM-NASCIDO Exposição ou abandono de recém-nascido Art.5 Sujeito ativo: qualquer pessoa.Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . A omissão de socorro somente pode ser relacionada a: 37 . Aumento de pena § 3º .reclusão. § 2º . quando possível fazê-lo sem risco pessoal. caso contrário. e triplicada. obrigatoriamente são previstos sem tipos penais específicos.As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço: I .3 Fundamento de criminalização: desrespeito ao DEVER DE SOLIDARIEDADE HUMANA.6 Sujeito passivo: do ponto de vista do sujeito passivo o crime é próprio. em obediência ao princípio da reserva legal).detenção.Deixar de prestar assistência. mas não é crime.6.se o agente é ascendente ou descendente.4 Obrigação solidária: a assistência de um desobriga os demais.Se resulta a morte: Pena . se for insuficiente. ou multa. DAMÁSIO: tem posição distinta. de um a três anos. Entretanto.741. irmão.reclusão. ou à pessoa inválida ou ferida. 135 . Obrigação de NÃO SE OMITIR. porque o indivíduo não estava no local (BITENCOURT e MAGALHÃES NORONHA). crime comum. de quatro a doze anos. Mas o sujeito ativo deve estar no lugar no momento em que o periclitante precisa do socorro. 3. 3. 3. se resulta a morte.2 Bem jurídico: preservação da vida e da saúde do ser humano. embora saiba do perigo e não vá ao seu encontro para salvá-lo.detenção. § 2º . 3. o socorro da autoridade pública: Pena .detenção. 3. de um a cinco anos.6 OMISSÃO DE SOCORRO Trata-se do crime previsto no artigo 135.Expor ou abandonar recém-nascido.A pena é aumentada de metade.6. de um a seis meses. 3. ao desamparo ou em grave e iminente perigo. III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos (Incluído pela Lei nº 10. incumbe a todos os demais. ou não pedir. de dois a seis anos. Omissão de socorro Art. tutor ou curador da vítima.detenção. não ir socorrer é um pecado. nesses casos. se estiver ausente.

14 Lesão corporal culposa e homicídio culposo: a omissão de socorro não constitui crime autônomo. 3. Mas se o perigo puder ser afastado tanto pela ação direta do agente quanto pela ação da autoridade.6. ATENÇÃO: o risco patrimonial ou moral pode configurar ESTADO DE NECESSIDADE. o crime é de perigo concreto. se o risco for puramente patrimonial ou moral não excluirá o crime. Omitente É culpado pelo acidente 38 . 3. Nas demais hipóteses de omissão. 3. DESAMPARADA – a invalidez e o ferimento devem eliminar a capacidade de auto-defesa da vítima. O risco para terceiro NÃO exclui a tipicidade. o perigo já é presumido. 3.6. pelos seus responsáveis. precisa haver prova da ocorrência do perigo. e responderá não simplesmente por crime de perigo.10 Dolo: o tipo subjetivo é o dolo de perigo. ou seja.6.6. se a própria vítima.6.6. mas poderá excluir a ilicitude por meio do ESTADO DE NECESSIDADE.11 Consumação: O crime se consuma com uma OMISSÃO seguida de um perigo. não precisando de prova. 13. EM GRAVE E IMINENTE PERIGO – não basta a mera possibilidade ou simples presunção de perigo. 3. Omitente é o condutor ii. nos termos do art. Omitente envolvido no acidente iii.9 Sem risco pessoal: o risco para afastar o dever de prestar socorro deve afetar a pessoa física. essa é uma exigência da doutrina majoritária. o agente tem a FACULDADE de eleger a alternativa que lhe pareça melhor.7 Criação da situação de perigo: é indiferente. 3.6. EXTRAVIADA é a criança perdida. A oposição da vítima por si só não afasta o dever geral de prestar socorro..12 Tentativa: não se admite por ser delito unissubsistente.6. mas é necessária a probabilidade de sua ocorrência. A assistência indireta é subsidiária e somente pode ser utilizada quando a DIRETA não puder ser prestada SEM RISCO PESSOAL ou quando o socorro da autoridade pública puder ser prestado com eficácia. No entanto. não constando no texto da lei. PESSOA INVÁLIDA OU FERIDA. No caso de omissão à criança.15 Tentativa: são as seguintes: a) QUALIFICADORA DE HOMICÍDIO CULPOSO NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR E NA LESÃO CORPORAL CULPOSA (ARTIGOS 302 e 303. é majorante desses crimes culposos. 3. QUALQUER PESSOA.13 Figuras majoradas: seguida de lesão corporal (aumentada da metade) ou morte (triplicada). se a situação de perigo foi criada pelo omitente. CTB): i. em princípio. mas por eventual resultado advir da situação que criara.CRIANÇA ABANDONADA OU EXTRAVIADA – ABANDONADA é a criança deixada à própria sorte. 3. dolosa ou culposamente. 3. § 2o. CP. este se transforma em GARANTIDOR.6. terceiros ou fenômenos naturais etc. quem criou a situação de perigo. BITENCOURT defende que para a definição de criança deve ser aplicada uma solução casuística.8 Adequação típica: a omissão pode ser: DIRETA ou IMEDIATA (deixar de prestar assistência) e INDIRETA ou MEDIATA (não pedir socorro à autoridade pública).

quer abusando de meios de correção ou disciplina: Pena . simples. quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis. não existindo forma culposa. 4 RIXA Rixa Art.Aumenta-se a pena de um terço. quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado. 137 . para fim de educação. Omitente PODE OU NÃO ser o condutor ii.Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave. pode-se concluir que o artigo 135 é um artigo subsidiário. direto ou eventual. em que não basta deixar a vítima sem um almoço. Conceito: 39 . de um a quatro anos.Participar de rixa. de dois meses a um ano. tratamento ou custódia. isoladamente. O elemento subjetivo do tipo é o dolo. 3.Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade. É um crime próprio específico. cuja caracterização depende da ocorrência de uma das situações descritas na lei. de quatro a doze anos. o crime é instantâneo. sempre que a vítima for idosa deve haver o recurso ao Estatuto do Idoso. A tentativa só possível nas condutas comissivas. se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos. Algumas hipóteses exigem certa habitualidade. pelo fato da participação na rixa. No caso do abuso dos meios de correção e disciplina. guarda ou vigilância. de seis meses a dois anos. Conforme observa Capez. comissivo ou omissivo.Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . ensino. ou multa.7 MAUS-TRATOS Maus-tratos Art. vigilância ou autoridade sobre a vítima para fins de educação. ou seja. Omitente envolvido no acidente iii. salvo para separar os contendores: Pena . assim. O crime se consuma no momento da produção do perigo. de ação múltipla. de quinze dias a dois meses. Trata-se de crime de ação vinculada. não cabe co-autoria em crime omissivo próprio. Omitente NÃO envolvido no acidente Diante do visto acima. próprio.b) CRIME AUTÔNOMONO (ARTIGO 304. de modo que. § 2º .detenção. Trata-se de crime de perigo concreto. Parágrafo único .reclusão. aplica-se. ensino. ambas cometerão omissão de socorro. tratamento ou custódia. se duas pessoas negarem socorro a uma ferida. pois exige uma vinculação jurídica entre o autor da infração penal e a vítima. como no caso da privação de alimentos.detenção. mas há hipóteses em que os maus-tratos constituem crime permanente (privação de alimentos ou cuidados indispensáveis). § 1º . Há omissão de socorro especial prevista no artigo 97 do Estatuto do Idoso. § 3º . instantâneo ou permanente. ou multa. CP): i. Omitente NÃO é culpado pelo acidente c) CRIME COMUM (ARTIGO 135. 136 . CTB) i. o autor do crime deve ter a guarda. a pena de detenção.Se resulta a morte: Pena .reclusão. Omitente é o condutor ii.

em grupos destacáveis. Sujeito ativo: É um crime comum “sui generis”: o sujeito ativo é ao mesmo tempo sujeito passivo. 40 . briga entre torcidas organizadas uma contra outra. homicídio. ou seja. sema que haja previsão anterior dos participantes. independentemente da efetiva agressão a quem quer que seja. Para alguns autores.É uma briga perigosa envolvendo mais de 02 pessoas. v. De igual forma. a rixa previamente planejada. 6 Tal espécie de rixa se contrapõe à chamada rixa de improviso ou ex improviso. Obs. arremessos de objetos etc. Trata-se de crime de concurso necessário ou plurissubjetivo (é preciso a participação de pelo menos mais de 02 pessoas). agindo cada uma por sua conta e risco. A participação pode ser material (quando o agente toma parte da luta – partícipe na rixa) ou moral (qdo o agente não toma parte na luta.g. por ofender os princípios da lesividade (punir alguém sem prova concreta da lesão ao bem jurídico tutelado) e da ampla defesa. acompanhado de vias de fato ou violência recíprocas. Entende a maioria que a rixa é espécie de perigo abstrato ou presumido5. trata-se de lesão corporal em concurso. Juarez Tavares e o STF recentemente) sustenta a inconstitucionalidade do crime de perigo abstrato. a tentativa é admissível na hipótese de rixa ex proposito ou preordenada6. porém induz ou instiga outros – partícipe do crime de rixa). de forma inesperada. o item 48 da exposição de motivos do CP). Rixa qualificada: É infração de menor potencial ofensivo (cf. Pessoas estranhas podem ser vítimas. mas não para a rixa em si. Sistemas: 5 Vale lembrar que a minoria (LFG. Tentativa: A rixa não admite tentativa. Consumação: Com o início da toca de agressões. Trata-se de crime unissubsistente (a conduta e o evento se exaurem simultaneamente).. Bem jurídico tutelado: A integridade física e mental da pessoa humana (cf. tiros. Aquele que entra para separar não age com dolo configurador do crime. todavia. Obs. A legítima defesa pode ser alegada pelo estranho à rixa. uma vez que nela a um iter criminis a ser fracionado. sendo irrelevante o motivo que deu causa à rixa.. pessoas eventualmente não identificadas e os loucos. Menores são computados. quando as condutas são desordenadas. Porém.g. v. Elemento subjetivo: O crime é punido a título de dolo. isto é. aos participantes pode ser alegada a legítima defesa para excluir crimes agregados ao crime de rixa. Sujeito passivo: São os rixosos. se entrou para separar e acabou tomando parte há dolo superveniente. Obs. não é rixa. aquela que surge de súbito. no crime de rixa é dispensável o corpo a corpo. assim como. § único do 137). É perfeitamente possível rixa à distância. Cada rixoso é sujeito ativo e passivo ao mesmo tempo.

(?) A rixa é punida por si mesma. de seis meses a dois anos.137. 2ª corrente . § 2º . porque com sua conduta anterior concorreu para o resultado. todos os participantes respondem pelo resultado agravador. fixar a pena estabelecendo uma média entre a do autor e do partícipe. ainda que tenham ocorrido várias mortes.137. a propala ou divulga. todos os participantes respondem solidariamente pelo resultado agravador. caput. e às 19:15 hs B morre (não se sabe quem matou)? A e C respondem por rixa qualificada. caput + 121 (sob pena de bis in idem) Obs. devendo o juiz.1 CALÚNIA Calúnia Art. matou. B morre às 19 hs e E entra na briga às 19:15 hs (quem matou foi A)? A responde por rixa qualificada e homicídio. e multa.detenção. todos respondem pelo homicídio ou pela lesão corporal grave. ocorrendo.g. C e D participam de um crime de rixa e D vem a morrer? Não se sabendo quem matou. apenas qualifica o crime. Exceção da verdade § 3º . B e C respondem por rixa qualificada. § + 121 (majoritária).Caluniar alguém.É punível a calúnia contra os mortos.SISTEMAS Solidariedade absoluta Ocorrendo morte ou lesão grave. imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena . D responde por rixa qualificada também.. ao passo que A responde: 1ª corrente . isto é. Ocorrendo morte ou lesão grave. no entanto.Na mesma pena incorre quem. do CP).: A rixa será qualificada ainda que a morte atinja pessoa estranha a ela. sabendo falsa a imputação. B. salvo: 41 . A. 138 . o crime continua uno. 5 CRIMES CONTRA A HONRA 5. 13. Aplicação da causalidade simples (cf. B e C participam de um tumulto generalizado? Todos respondem por rixa simples. A. B.Admite-se a prova da verdade. e D participam de rixa. porque não concorreu para o evento morte. independentemente do resultado agravador morte ou lesão corporal. C e D respondem por rixa qualificada. B e C respondem por rixa qualificada. (adotado pelo CP) Cumplicidade correspectiva Autonomia Questões: A. D sai da rixa às 19 hs. v. Por outro lado. Obs. se se souber que A. devendo ser considerados os demais na aplicação da pena. E responde por rixa simples. C. o qual. § 1º . A.

se considerem aviltantes: Pena . III .Injuriar alguém. por sua natureza ou pelo meio empregado.Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa. § 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça. 5. e multa. 139 .quando o ofendido.741.A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. ou contra chefe de governo estrangeiro. aplica-se a pena em dobro.contra o Presidente da República. 141 .no caso de retorsão imediata. cor. 5.741. de forma reprovável. 141. II . § 2º .Se a injúria consiste em violência ou vias de fato. de 1997) 5. exceto no caso de injúria.459. embora de ação pública. de três meses a um ano. etnia. ou multa. § 1º .detenção. em razão de suas funções.se.5 EXCLUSÃO DO CRIME Exclusão do crime 42 . II .I . II .detenção. Exceção da verdade Parágrafo único . que.O juiz pode deixar de aplicar a pena: I . além da pena correspondente à violência.se do crime imputado. imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena .na presença de várias pessoas. de um a seis meses. de 2003) Pena .contra funcionário público. religião. se qualquer dos crimes é cometido: I . de três meses a um ano.se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art.reclusão de um a três anos e multa. o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível.As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço. o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. ou por meio que facilite a divulgação da calúnia. provocou diretamente a injúria. e multa. constituindo o fato imputado crime de ação privada. 5. (Incluído pela Lei nº 9. da difamação ou da injúria. origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10. 140 .3 INJÚRIA Injúria Art.2 DIFAMAÇÃO Difamação Art. ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena . que consista em outra injúria.4 DISPOSIÇÕES COMUNS Disposições comuns Art. IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência. de 2003) Parágrafo único . (Incluído pela Lei nº 10.Difamar alguém. III .detenção.

INJÚRIA ou DIFAMAÇÃO. se infere calúnia. ⇒ Lei de Segurança Nacional: arts. Legislação: ⇒ CP: arts.º II do mesmo artigo. 140. 138 a 140.6 RETRATAÇÃO Retratação Art. I e III. no caso do art. não as dá satisfatórias. 43 Bem jurídico tutelado Honra objetiva (reputação parente a sociedade) Honra objetiva (reputação . se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação.Se. 141. 19. difamação e injúria: Crime calúnia Difamaçã Conduta Imputar a outrem fato previsto como crime. alusões ou frases.Não constituem injúria ou difamação punível: I . ⇒ Código Eleitoral: arts. 143 . ⇒ Lei de Imprensa: arts. salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar. quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo.O querelado que. deve ser resolvido sob o crivo do princípio da especialidade. I do art.a ofensa irrogada em juízo.o conceito desfavorável emitido por funcionário público.Nos casos dos ns.Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça. 144 . Diferenças entre calúnia. salvo quando. Parágrafo único . antes da sentença. 53. ⇒ Código Penal Militar: arts. artística ou científica. em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício. § 2º. 145 . Art. 5. Art. e mediante representação do ofendido.Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa. III . Eventual conflito de normas. Na Lei de Imprensa cabe somente CALÚNIA. ⇒ Código Brasileiro de Telecomunicações: art. a critério do juiz. 20 a 22.Art. sabidamente falso Imputar a outrem determinado fato. no caso do n. difamação ou injúria. no caso do nº. da violência resulta lesão corporal. II . 33 e 42 (?). 324 a 326. responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.a opinião desfavorável da crítica literária. fica isento de pena. Aquele que se recusa a dá-las ou. 142 . responde pela ofensa. no caso. de referências. pela parte ou por seu procurador. 214 a 216 e 219. No CP cabe somente CALÚNIA ou DIFAMAÇÃO. na discussão da causa. Parágrafo único .

constitui crime previsto na Lei de Imprensa. O crime pode ser praticado pode palavras. sendo certo que jamais poderá haver a sua supressão total. mas desonroso. uma vez que a sua honra subsiste. Se. aí entendida por pessoa física e não jurídica. o consentimento do ofendido exclui a ilicitude. Obs. escritos ou gestos9. No entanto. um caso concreto. a imunidade do advogado não abrange a calúnia. Segundo Rogério. pois. v. não obstante já ter sido outrora maculada pela constante prática de ilícitos(cf.. que entende que a pessoa jurídica não pode ser vítima de crimes contra honra. 650/328).o Injúria não previsto como crime. podendo constituir outro crime contra a honra. p. Cuida-se de um subtipo do crime de calúnia previsto no caput. Morto não pode ser vítima. A imputação pode ser explícita. 2ª edição. afirmar falsamente que determinado político. Curso de Direito Penal. dizer que “um Promotor deixou de denunciar um indiciado porque foi por ele subornado”. aí. logo. A imputação de contravenção penal poderá configurar crime de difamação. genérico. uma vez que a honra é um bem jurídico incorporado à personalidade humana. Há corrente no sentido de que pessoa jurídica também pode ser vítima. implícita ou reflexa (v. que um dia fora corrupto. conforme o caso. Rogério Sanches aponta que a doutrina está dividida acerca do tema. o fato se enquadra no Código Eleitoral (ob. Assim. O menor de 18 anos ou os loucos podem ser vítimas de calúnia. 221) 44 . a imputação de fato atípico não constitui crime de calúnia. os verbos-núcleos do tipo são propalar ou divulgar. pouco importando se verdadeiro ou falso. mas nunca calúnia. contudo. como Mirabete. a calúnia for lançada em propaganda eleitoral. ⇒ Art. detalhada. ⇒ Ação nuclear: é o verbo caluniar.). a vítima nesse caso é a família e não o morto.g.II. Ambas expressões exprimem a conduta de levar ao 7 CAPEZ: os desonrados também podem ser vítimas do crime de calúnia. não se podendo conceber como tal a comunicação. deputados. Assim. §1º: propalação ou divulgação de calúnia. em audiência judicial. O indiciado também foi ofendido). A falsidade pode ser do fato ou de sua autoria. Se a calúnia for praticada contra o Presidente da República e a mesma estiver imbuída de motivação política. dêem a imagem de fato tipicamente criminoso” (RT. caracteriza o crime de calúnia. visto que a palavra. É o que a vítima pensa dela mesma) Do crime de Calúnia: ⇒ Sujeito ativo: qualquer pessoa. Atribuir a outrem qualidades negativas perante a sociedade) Honra subjetiva (autoestima. Obs. bastando que impute aos mesmos fatos definido como crime. sabidamente falso. descrevê-lo de forma pormenorizada. citada. salvo aqueles que são invioláveis por suas palavras. porém . vol. sem indicação dos elementos essenciais que. está empregada em sentido amplo. pois tais crimes estão no capítulo dos crimes contra a pessoa. 8 CAPEZ: o fato precisa ser determinado. Nesse sentido STF: “Para caracterização do crime de calúnia é imprescindível a existência de ato determinado. não há se confundir o §2º do artigo 138 do CP. não sendo necessário. ainda continua a utilizar-se de seu cargo para solicitar vantagens indevidas.227). há que se aplicar na hipótese a Lei de Segurança Nacional e não o CP. De outro lado. de plano. ⇒ Sujeito passivo: qualquer pessoa7. autores há..g. 138. 9 CAPEZ: se realizado através de meios de informação (serviços de radiofusão. que significa imputar falsamente fato definido como crime8. p. de advogado no sentido de que seu constituinte sofrera ‘ameaça’ pela parte adversa. ou seja. A honra é bem disponível. jornais etc.

Excepcionalmente haverá quando praticado por escrito 10. ⇒ Elemento subjetivo: dolo. 10 Pirangeli: admite tentativa na forma verbal. Ex: em uma frase há possibilidade de interrupção. Havendo procedência da exceção da verdade. TJ/MG. Segundo Sanches. Nesse sentido. Segundo Sanches. resguarda o respeito à coisa julgada. Doutrina minoritária diz que o artigo 138. o juiz absolve por atipicidade (o falso é elementar do tipo). Pensar se o modo de praticar é unissubsistente ou plurissubsistente. se a lei não pude expressamente não cabe ao intérprete fazê-lo. Pessoa jurídica: pode ser vítima (majoritária). se adotada a teoria forma-objetiva. HUNGRIA: “propalar refere-se mais propriamente ao relato verbal. ⇒ Tentativa: Em regra não há. já tomou ela conhecimento e o crime se consumou. ainda que a imputação seja verdadeira. isto é. pq está implícita no caput (César R Bitencourt). N. haverá o crime. 45 . Do crime de Difamação: ⇒ Sujeito ativo: crime comum. consistente no ânimo de denegrir. havendo aí a tentativa. não foi recepcionado. pq no momento em que a funcionária o materializa para enviar a 3º. independentemente do efetivo dano à reputação. o referido autor está correto. “Fofoqueiro”: para a maioria pune. infringindo o princípio da ampla defesa. assim como. O artigo 138. ⇒ Consumação: Dá-se quando terceiros tomam conhecimento do que foi dito. Telegrama: não admite tentativa. no entanto. Segundo Sanches. é punida. Na Lei 5250. Para a minoria. Exige que tanto o caluniador quanto o propalador tenham consciência da falsidade da imputação. ⇒ Consumação: vide observações da calúnia. §3º. ofender a honra do indivíduo. com as observações da calúnia. É de se salientar que. além do dolo.conhecimento de outrem a calúnia de que tenha tomado conhecimento. O dolo pode ser direto ou eventual na figura do caput e somente direto na figura do §1º. veda a prova da verdade. §3º. Morto: não é punida a difamação contra os mortos. o dispositivo abrange o corpo monárquico. ⇒ Exceção da verdade: Exceção da verdade é instrumento de defesa. Aqui o legislador objetivou que as pessoas não façam comentários com outros acerca de fatos desabonadores. significa relatar por qualquer meio”. nos crimes contra honra deve estar presente um especial fim de agir consubstanciado no animus injuriandi vel difamandi. com as mesmas observações da calúnia. ⇒ Elemento subjetivo: O crime é punido a título de dolo. enquanto divulgar tem acepção extensiva. possibilitando ao querelado fazer prova da verdade do fato imputado. ⇒ Tentativa: vide observações da calúnia.

O falso não é elementar do tipo. O advogado tem imunidade profissional. entendemos que é inconcebível a injúria contra pessoa jurídica. ⇒ Tentativa: maioria diz ser possível na forma escrita. Ex: a pessoa dizer que é filha de meretriz. § 2º.. Obs. sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB. por conseguinte consumou. no entanto. em juízo ou fora dele. Mas se entrou com a queixa é pq tomou conhecimento. gestos. ou outras indicadas naquele prazo. faz referência a “órgão” 13. 46 . 11 CPP: Art. ⇒ Consumação: Como ofende a honra subjetiva. no exercício de sua atividade. 523. Do crime de Injúria: ⇒ Sujeito ativo: crime comum. Sanches não concorda: quem entra com a queixa? Vítima. artigo 7º. ressalvadas as inviolabilidades. III. pq não tem dignidade ou decoro. pq a lei 5250. ou seja.⇒ Exceção da verdade: em regra não é cabível. difamação ou injúria cometidos contra órgão ou autoridade que exerça função de autoridade pública. O Juiz. Tem doutrina. ⇒ Sujeito passivo: Só pode ser aquele que tem capacidade de entender a ofensa. §2º do Estatuto da OAB12. Por ação ou omissão (omissão: ignorar cumprimento). pelos excessos que cometer. Pessoa jurídica NÃO pode ser vítima. II. ⇒ Elemento subjetivo: dolo (vide calúnia). 139. ⇒ Auto injúria: Não é punida. uma vez acolhida a exceção da verdade. p. o “amor-proprio” do agente. difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte. Nesse caso. sentimentos estes que somente a pessoa humana pode possuir (cf. ob. Decoro ofensa aos atributos intelectuais ou físicos. a auto-estima. ⇒ Exceção da verdade: não é admitida. alguns dizem não ser possível a tentativa. Advogado é imune: cf. absolve por causa especial de exclusão de ilicitude (exercício regular de direito). citada. § único). atingiu a mãe. Admite-se para o funcionário público (cf. 12 EAOB: Art. consuma-se quando a vítima toma conhecimento. 246). Por isso. Imputar fato genérico. podendo ser inquiridas as testemunhas arroladas na queixa. na medida em que a honra é subjetiva. 7º. que admite quando praticado pela imprensa. ⇒ Conduta: É ferir dignidade ou decoro. da Lei 5250/67 preveja uma causa de aumento de pena para os crimes de calúnia. em substituição às primeiras. em seu artigo 23. Exceção de notoriedade é cabível nas hipóteses em que não cabe exceção da verdade11. não constituindo injúria. o querelante poderá contestar a exceção no prazo de 2 (dois) dias. Quando for oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do fato imputado. vago = injúria (na difamação e na calúnia deve ser determinado) Execução: palavras. Dignidade: ofensa aos atributos morais da pessoa. salvo se ultrapassar a órbita pessoal. na medida em que aquela diz com a honra subjetiva. ou para completar o máximo legal. mas na Lei de Imprensa é punida. 13 CAPEZ: Embora o artigo 23. Mortos: no CP não..

mediante violência ou grave ameaça. § 2º . ex vi legis (art.detenção.250/67 QUE. 6 CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL 1 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL Os crimes contra a liberdade individual podem ser: DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL Constrangimento ilegal Ameaça Seqüestro e cárcere privado Redução à condição análoga à de escravo DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO Violação de domicílio INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA Violação de correspondência Sonegação ou destruição de correspondência Violação de comunicação telegráfica. da lavra do Dr. IV do Título I) só se protege a honra das pessoas físicas (HC 42781)”. Penal) não se inclui a pessoa jurídica no pólo passivo e. para a execução do crime. sujeitando-se apenas à imputação de difamação”. Aumento de pena § 1º . O STF. Encontrei precedentes do STJ de 2005 que afirmam peremptoriamente que: “Pela lei em vigor. No TRF 5.Constranger alguém. como se vê em decisão de 2002. nos crimes contra a pessoa (Título I do C. (Cap. ou depois de lhe haver reduzido. por qualquer outro meio. ESTA SE ENTENDENDO COMO ATRIBUTO SINGULAR DA PERSONALIDADE HUMANA. ou há emprego de armas.Quanto às pessoas jurídicas como sujeitos passivos dos crimes contra a honra. 139 do C. APENAS PODE FIGURAR COMO SUJEITO PASSIVO DOS MESMOS A PESSOA FÍSICA. A própria difamação. Penal).Além das penas cominadas.1 CONSTRANGIMENTO ILEGAL Constrangimento ilegal Art. a jurisprudência ainda não se pacificou. quando. só permite como sujeito passivo a criatura humana. entende que “a pessoa jurídica não pode ser sujeito passivo dos crimes de injúria e calúnia. ou a fazer o que ela não manda: Pena . 146 . de três meses a um ano. pessoa jurídica não pode ser sujeito passivo dos crimes contra a honra previstos no C. achei um precedente de 2003. especificamente. radioelétrica ou telefônica Correspondência comercial DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS SEGREDOS Divulgação de segredo Violação do segredo profissional 2 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL 2. Lázaro Guimarães: “TRATANDO-SE DE CRIMES CONTRA A HONRA. aplicam-se as correspondentes à violência. a não fazer o que a lei permite. Inexistindo qualquer norma que permita a extensão da incriminação. 47 . assim. a capacidade de resistência. POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL. Penal. se reúnem mais de três pessoas. SALVO NA HIPÓTESE DOS CRIMES TRATADOS NA LEI Nº.As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro. 5. ou multa. ADMITE A PESSOA JURÍDICA COMO SUJEITO PASSIVO DE ILÍCITOS ALI TIPIFICADOS”.

entretanto deve ser capaz de entender o caráter intimidatório do fato. gestos. Há discussão se a ameaça proferida pelo agente que está tomado de cólera ou raiva profunda. O sujeito passivo pode ser qualquer pessoa. Pode ser cometida por diversos meios: palavras. causando-lhe sofrimento físico ou mental para provocar ação ou omissão de natureza criminosa”. poderá haver. não haverá ameaça. e sim constrangimento ilegal. * Segundo Capez. no caso de agente que não consegue subtrair a carteira da vítima pela ausência desta em seu bolso.a coação exercida para impedir suicídio. Nos casos em que a violência ou a grave ameaça são exercidas para a vítima praticar crime. 48 . como roubo. O constrangimento é a coação e se completa quando a vítima é forçada a fazer algo ou quando é forçada a não fazer algo. pode haver crime impossível de roubo/furto. se justificada por iminente perigo de vida.3 SEQÜESTRO E CÁRCERE PRIVADO Seqüestro e cárcere privado Art. ou qualquer outro meio simbólico. Configura a ameaça. I. independentemente de se sentir intimidada.Não se compreendem na disposição deste artigo: I . contudo o agente pode responder por constrangimento ilegal 2. se for cometido por funcionário público no exercício de suas funções estará cometendo abuso de autoridade (Lei 4898/65). 1º. estupro.a intervenção médica ou cirúrgica. ou multa. Nada impede que o agente seja absolvido do crime principal e seja responsabilizado pelo constrangimento ilegal. por isso. Caso a intenção seja de que a vítima apresente determinado comportamento. ou qualquer outra forma apta a intimidar. O Crime se consuma no instante em que a vítima toma o comportamento que não queria. para a minoria não afasta por conta do art.2 AMEAÇA Ameaça Art. da Lei 9455/97: “constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça. em seu íntimo.detenção. b. de um a seis meses. A tentativa é possível nos casos de ameaça escrita. O bem jurídico protegido é liberdade dos cidadãos. 147 . 148 . Pode ser cometido por qualquer pessoa. 2. II . Ameaça pode ser direta (contra a própria vítima) ou indireta (mal a ser provocado em terceira pessoa). Para a maioria afasta o delito. mesmo com a ameaça a vítima acaba fazendo o que o agente não queria). Trata-se de crime subsidiário. ainda que. grave ameaça ou qualquer outro meio que reduza a capacidade de resistência da vítima. o crime de tortura do art. Busca proteger a liberdade das pessoas. há concurso material entre o constrangimento ilegal e o crime efetivamente praticado.reclusão. segundo a doutrina clássica. colocar fogo na casa da vítima) e injusto e verossímil. a existência de crime mais grave. 28. lesões corporais.Ameaçar alguém. de um a três anos.§ 3º . Parágrafo único . A ameaça deve-se referir a mal grave (morte. por palavra. entretanto. afasta sua incidência.Privar alguém de sua liberdade. seqüestro. o sujeito ativo não tenha intenção de causar o mal prometido. O crime se consuma no momento em que a vítima toma conhecimento da ameaça. O sujeito passivo deve ser determinado. A tentativa é possível (basta pensar. Há três meios de execução: violência. sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal. não obstante isso. Também há discussão se o ameaçador comete o crime estando embriagado por ser incompatível com o seu elemento subjetivo. do CP. e não se exige finalidade especial de agir. escritos. Para a maioria afasta o delito em casos tais. atualmente. escrito ou gesto. de causar-lhe mal injusto e grave: Pena . Não é necessário que a ameaça seja cometida na presença da vítima.Somente se procede mediante representação. trata-se de crime formal. O sujeito passivo é qualquer pessoa que tenha capacidade para decidir sobre seus autos. ou seja. mediante seqüestro ou cárcere privado: Pena . O crime é doloso. II.

2. IV .reclusão. mas há doutrina que nega a condição de vítima àquele que não tem condição de se movimentar. ou seja. consiste na possibilidade de mudança de lugar. ou. Pena: reclusão.se a privação da liberdade dura mais de quinze dias. independentemente de CAPACIDADE de conhecer e de autodeterminar-se de acordo com esse conhecimento. II . III . 2. 26.4 Consentimento da vítima: A liberdade de locomoção é um bem DISPONÍVEL. EXEMPLOS: paralíticos e outros sem liberdade física de locomoção. porque eles têm liberdade.A pena é de reclusão. Pena: reclusão. 26 . o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal.se o crime é praticado com fins libidinosos. há a circunstância de clausura ou encerramento. sempre e quando a pessoa queira.1 Bem jurídico: A tutela penal é a liberdade de movimento. não há que distinguir entre as duas modalidades criminais. É irrelevante que a vítima tenha conhecimento de que sua liberdade pessoal está sendo violada. no cárcere privado.3 Sujeito passivo: a vítima pode ser qualquer pessoa. O consentimento atua como CAUSA JUSTIFICANTE SUPRALEGAL.se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital.Atentar contra a liberdade pessoal de qualquer das autoridades referidas no art.Caluniar ou difamar o Presidente da República. não destinado à prisão pública. pode ser configurado o crime de abuso de autoridade. mas. Se o sujeito ativo for autoridade. Art. assim.2 Sujeito ativo: é qualquer pessoa.§ 1º . a vítima se depois de consentir se arrepende. 28 . No seqüestro a vítima fica privada de sua liberdade.3. de dois a cinco anos: I – se a vítima é ascendente. menores em tenra idade e outros.se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos. Diferente da AMEAÇA e do CONSTRANGIMENTO ILEGAL que exigem a necessidade de consciência. de 4 a 12 anos. por outras palavras. Pessoa jurídica não pode ser vítima do crime. de dois a oito anos. nesse sentido. o delito é comum. de 1 a 4 anos.3. A liberdade. imputando-lhes fato definido como crime ou fato ofensivo à reputação.3. mas em local aberto. As pessoas que não podem locomover-se também podem ser vítimas do crime. § 2º . descendente.Se resulta à vítima. há crime. 2. O seqüestro é o que é o gênero e o cárcere privado a espécie. É a liberdade de locomoção. o do Senado Federal. o seqüestro (arbitrária privação ou compressão da liberdade de movimento no espaço) toma o nome tradicional de cárcere privado quando exercido in domo privata ou em qualquer recinto fechado. Se for criança ou adolescente ocorrerá o crime previsto no ECA. cônjuge OU COMPANHEIRO do agente ou maior de 60 (sessenta) anos. é detida ou retida a pessoa em determinado lugar. Mas. 2. o consentimento da vítima exclui o crime. BITENCOURT: pode ser qualquer pessoa. É uma espécie de constrangimento ilegal. apenas se diferenciando pela especialidade. Tanto no seqüestro quanto no cárcere privado. sendo indiferente que a vontade desta se dirija a essa mudança. Configura crime da Lei de Segurança Nacional (Lei 7170/83) a prática de seqüestro e cárcere privado nos termos do artigo 28: Art. em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção. de modo que não se justificaria uma diferença de tratamento penal. MAGALHÃES NORONHA discorda totalmente disso.3. grave sofrimento físico ou moral: Pena . o 49 . Abstraída esta acidentalidade. V . somente irão precisar da ajuda de aparelhos ou de terceiros para a sua locomoção.

cuja consumação se protrai no tempo. 2.3. quanto na jurisprudência. Observe-se que esse consentimento NÃO pode ser absoluto.11 Roubo e seqüestro: se a privação de liberdade durar mais do que o necessário para garantir o êxito da subtração da coisa alheia ou da fuga. 2. seja a privação total ou parcial. assim. do STF.3.10 Crime de tortura: Se o agente mantém a vítima enclausurada buscando os fins específicos da lei de tortura (artigo 1o. O tempo de duração da privação de liberdade é requisito da consumação? Há duas correntes: a) pouco importa o tempo de privação.3.5 Tipo objetivo: o crime consiste na privação de liberdade.8 Consumação: ocorre com a privação da liberdade de movimento. isso não prevalece. a consumação não está vinculada. Há doutrina que afirma que os dois são sinônimos.) haverá o crime de tortura. de alguma forma. 2. a conduta passa a ser o exercício arbitrário das próprias razões.3. Nos crimes permanentes. embora tenha dois verbos. se o médico não libera o paciente com o dolo de privar a liberdade. O tempo de privação de liberdade de locomoção NÃO é elementar do tipo.3. que se consuma no momento em que ocorre a privação. pode ser praticado por AÇÃO ou OMISSÃO. ferir a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. Não é necessária a absoluta impossibilidade de a vítima afastar-se do local onde foi colocada ou retirada pelo agente sendo suficiente que não possa fazê-lo sem grave risco pessoal (risco analisado de acordo com as circunstâncias da vítima). é feita a distinção: o seqüestro é o gênero e o cárcere privado uma espécie. 2.9 Tentativa: é um crime plurisubsistente (a conduta pode ser fracionada em vários atos). haverá a aplicação da lei mais grave. sendo possível a prisão em flagrante do agente.7 Tipo subjetivo: o tipo é punido a título de dolo. Sendo assim. O cárcere privado é uma espécie mais grave de seqüestro. 2. podem ser antecedidos por violência. mas.3. deixará de constituir simples 50 .3. admite a tentativa. ou seja. e não no recinto fechado. diferente do seqüestro. b) só existe o crime se a privação de liberdade ocorre por tempo JURIDICAMENTE RELEVANTE. Se o médico não concede a alta para garantir o ressarcimento da internação que não foi feita. já que não terá validade se violar princípios fundamentais de Direito Público ou.6 Conduta: o seqüestro ou o cárcere privado são crimes de execução livre. no qual a vítima tem liberdade de locomoção privada. há o confinamento da vítima em um recinto fechado. é permanente. 2. Tanto na doutrina. o agente tem que agir com a consciência e a vontade de privar a liberdade da vítima. no qual. enquanto durar a detenção ou retenção da vítima". Será importante para configurar uma qualificadora. 2. Os meios de privação podem ser: a) SEQUESTRO ou b) CÁRCERE PRIVADO. por exemplo: o médico que não concede alta para o paciente. grave ameaça ou fraude ou ardil. será o que o caso concreto determinar. de acordo com a súmula 711. A conduta pode ser feita por omissão. O cárcere privado merece uma reprimenda maior do que o seqüestro. O crime NÃO é de ação múltipla. é um crime permanente.posterior dissentimento configura o crime. Conforme CELSO DELMANTO e outros: "É delito material. em qualquer momento admitindo o flagrante. ou seja.

majorante do (artigo 157, § 2o = ROUBO) para configurar crime autônomo, de seqüestro, em concurso material como crime contra o patrimônio. 2.3.12 Tipo qualificado A lei 11.106/2005 alterou o § 1o. do artigo 148 e outros tantos dispositivos. Acrescentando o que está marcado
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos: I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge OU COMPANHEIRO do agente ou maior de 60 (sessenta) anos. II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital; III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias. IV - se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos. V - se o crime é praticado com fins libidinosos.

I – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge OU COMPANHEIRO do agente ou maior de 60 (sessenta) anos: não protege todos os idosos, que têm idade igual ou superior de 60 anos, no dispositivo somente foi abrangido aquele que tem idade MAIOR do que 60 anos. O rol do inciso é taxativo, não pode ser ampliado. Entenda-se: companheiro ou companheira. Aqui a redação ampliou o rol das formas qualificadas tendo em vista a necessidade de tratamento igualitário entre "cônjuge e companheiro" como decorrência do novo perfil jurídico-constitucional desta última situação reguladora de relacionamentos, que não estava amparada nas mesmas formalidades que protegem os cônjuges. Antes da previsão expressa não era possível estender a forma qualificada aos autores de tais crimes praticados contra companheiros em razão de estar vedada em Direito Penal a interpretação ampliativa do alcance da norma de maneira a ensejar resultado gravoso ao réu. Maior de 60 anos Se a inicial privação da liberdade ocorrer quando a vítima contar com menos de 60 (sessenta) anos de idade, porém, se alongar até que seja ultrapassado o sexagésimo aniversário, a qualificadora incidirá em razão de estarmos diante de crime permanente, cujo momento consumativo se protrai no tempo. De igual maneira, a nova regra também será aplicada aos casos em que a privação da liberdade teve início antes da vigência da nova lei, porém, se estendeu além da data de seu ingresso no ordenamento punitivo. II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital: não faz distinção entre casa de saúde ou hospital. III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias: qualifica o crime pelo tempo. Esse dispositivo é a maior prova de que o tempo de duração não é relevante para a consumação somente é relevante para a qualificadora, segundo uma corrente. IV - se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos: o que interessa é a idade biológica. Em razão da nova disposição também será qualificado o crime quando a vítima não contar com 18 (dezoito) anos completos. Se a privação da liberdade ocorrer no dia do aniversário a qualificadora não incidirá, pois, em tal caso, a vítima não poderá ser considerada menor de dezoito anos. V - se o crime é praticado com fins libidinosos: é o inciso mais importante. Era o antigo RAPTO. Atos libidinosos são aqueles praticados com a finalidade de satisfazer a lascívia, o prazer sexual. Se o crime for cometido para o fim de manter relação sexual (cópula vagínica)
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ou para a prática de qualquer ato libidinoso diverso da conjunção carnal (coito anal ou felação, por exemplo), a forma qualificada estará presente. Se além da privação da liberdade, configuradora de seqüestro ou cárcere privado, o réu (ou a ré) efetivamente praticar ato libidinoso diverso da conjunção carnal, contra a vontade da vítima (art. 214 do CP), ocorrerá concurso material de crimes (art. 69 do CP). Também haverá concurso material de crimes se além do seqüestro ou cárcere privado o agente submeter a vítima à relação sexual não consentida (art. 213 do CP). Na hipótese do inc. V, por certo haverá muita discussão a respeito do posicionamento adotado, pois não serão poucos os que entenderão que o crime de seqüestro ou cárcere privado deverá ser considerado crime meio para a prática do crime fim - atentado violento ao pudor ou estupro, dependendo do caso. A melhor exegese, entretanto, não autoriza tal compreensão, inclusive porque tais crimes prescindem, para sua configuração, das práticas tratadas no art. 148 do Código Penal. O rapto agora passou a ser uma qualificadora do crime de seqüestro e cárcere privado. Ver o artigo 5o. da Lei 11.106/05.
Art. 5o Ficam revogados os incisos VII e VIII do art. 107, os arts. 217, 219, 220, 221, 222, o inciso III do caput do art. 226, o § 3o do art. 231 e o art. 240 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal. DO RAPTO Rapto violento ou mediante fraude Art. 219 - Raptar mulher honesta, mediante violência, grave ameaça ou fraude, para fim libidinoso: Pena - reclusão, de dois a quatro anos. Rapto consensual Art. 220 - Se a raptada é maior de catorze anos e menor de vinte e um, e o rapto se dá com seu consentimento: Pena - detenção, de um a três anos. Diminuição de pena Art. 221 - É diminuída de um terço a pena, se o rapto é para fim de casamento, e de metade, se o agente, sem ter praticado com a vítima qualquer ato libidinoso, a restitue à liberdade ou a coloca em lugar seguro, à disposição da família. Concurso de rapto e outro crime Art. 222 - Se o agente, ao efetuar o rapto, ou em seguida a este, pratica outro crime contra a raptada, aplicam-se cumulativamente a pena correspondente ao rapto e a cominada ao outro crime.

REVOGADOS

Revogação do crime de rapto: foram revogados tanto o delito de rapto violento como o de rapto consensual, assim como as disposições pertinentes a eles (CP, arts. 219, 220, 221 e 222). Agora, quem raptar (seqüestrar) qualquer pessoa com fim libidinoso vai responder pelo crime de seqüestro qualificado (CP, art. 148, § 1º, inc. V). A finalidade do agente é marcante nesse caso (pois reside nela a diferenciação dos delitos): quem seqüestra uma pessoa com o fim de privá-la da liberdade responde por seqüestro simples; se a finalidade é libidinosa, há seqüestro qualificado; se a finalidade é extorquir vantagem econômica, crime de extorsão. De acordo com velha classificação penal, o seqüestro qualificado pelo fim libidinoso é um crime formal, leia-se, não é preciso acontecer o ato libidinoso para a consumação do crime (basta a finalidade do agente). Aqui reside mais um exemplo de crime de intenção transcendental, que é dirigida a um resultado (ato libidinoso, no caso) que não é exigido pelo tipo para a consumação do crime. Crime de resultado cortado (ou antecipado).
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral: Pena - reclusão, de dois a oito anos.
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O § 2o. prevê uma qualificação mais grave para o crime. Há duas modalidades de causar GRAVE SOFRIMENTO FÍSICO OU MORAL: i. MAUS-TRATOS e ii. NATUREZA DA DENTENÇÃO. Não basta praticar os maus-tratos, é preciso que deles decorra GRAVE SOFRIMENTO FÍSICO OU MORAL. Assim, a acusação deve descrever a conduta referente aos maus-tratos e qual foi o grave sofrimento físico ou moral. Note-se que poderá haver crime de tortura se o fato for provado para obter informações, declarações ou confissão da vítima ou para provocar ação ou omissão de natureza criminosa ou em razão de discriminação racial ou religiosa. 2.4 REDUÇÃO À CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO Houve uma alteração do dispositivo, em 2003. Mas, foi motivo de muita crítica.
Redução a condição análoga à de escravo Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003). Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) § 1o Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)

A doutrina costuma chamar o artigo 149 como PLÁGIO, porque se trata da condição análoga de escravo. Porque que o crime não é a redução à condição de escravo? Porque é redução à condição análoga à de escravo? A escravidão é um estado de direito, em virtude do qual, alguém domina o outro, falar-se em escravidão, é dizer que o estado legitima alguém a dominar outrem. O Brasil repudia a escravidão, por isso, é que se pune uma situação de fato análoga à situação de direito. É um estado de fato que é proibido por lei. O objeto jurídico protegido é a LIBERDADE e não a organização do trabalho, em decorrência da exposição de motivos. Há pouco o STF findou decidir, após intenso debate doutrinário e jurisprudencial, que a competência para o julgamento desse crime é da justiça federal: Informativo 450 (RE-398041) Crime de Redução a Condição Análoga à de Escravo e Competência Em conclusão de julgamento, o Tribunal, por maioria, deu provimento a recurso extraordinário para anular acórdão do TRF da 1ª Região, fixando a competência da justiça federal para processar e julgar crime de redução a condição análoga à de escravo (CP, art. 149) — v. Informativo 378. Entendeuse que quaisquer condutas que violem não só o sistema de órgãos e instituições que preservam, coletivamente, os direitos e deveres dos trabalhadores, mas também o homem trabalhador, atingindo-o nas esferas em que a Constituição lhe confere proteção máxima, enquadram-se na categoria dos crimes contra a organização do trabalho, se praticadas no contexto de relações de trabalho. Concluiu-se que, nesse contexto, o qual sofre influxo do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, informador de todo o sistema jurídico-constitucional, a prática do crime em questão caracteriza-se como crime contra a organização do trabalho, de competência da justiça federal (CF, art. 109, VI). Vencidos, quanto aos
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que davam provimento ao recurso extraordinário. O mesmo acontece com o artigo 207. os Ministros Gilmar Mendes e Eros Grau. de 11. a sujeição de uma pessoa ao domínio de outra como se fosse um escravo. ou seja. o agente praticando mais de uma conduta prevista no artigo. a qual reputaram ocorrida no caso concreto. O crime do artigo 149 absorve o crime do artigo 148. a diferença está na finalidade específica do agente. (Incluído pela Lei nº 10. A consumação do crime ocorre quando a vítima passa a ser tratada como se escrava fosse. 30. o dolo é sem finalidade específica. etnia.min. parcialmente. RE 398041/PA..2003) II – por motivo de preconceito de raça. se o crime é cometido: (Incluído pela Lei nº 10. o juiz no caso concreto verificaria se houve ou não a redução.fundamentos. por isso é que a instalação de câmeras no local de trabalho não configura o crime. já que: 1) há a proteção do mesmo bem jurídico e 2) há a mesma vítima. considerando que a competência da justiça federal para processar e julgar o crime de redução a condição análoga à de escravo configura-se apenas nas hipóteses em que esteja presente a ofensa aos princípios que regem a organização do trabalho. Atenção no momento de fazer a sentença. o juiz irá considerar essa circunstância na fixação da pena base. Assim. (Incluído pela Lei nº 10. No caput.12. com a lei nova. Trata-se de um crime de AÇÃO MÚLTIPLA ou CONTEÚDO VARIADO. cor. Sempre se ensinou que o crime é de execução livre (o tipo anterior era bem mais amplo: “Reduzir alguém a condição análoga à de escravo”).12. nesse caso atenção para o DOLO ESPECÍFICO DE RETENÇÃO NO TRABALHO. a finalidade é aliciar trabalhadores para levá-los para uma outra localidade. Carlos Velloso e Marco Aurélio que negavam provimento ao recurso. rel. Assim.2003) I – contra criança ou adolescente.. admite flagrante a qualquer momento. talvez de difícil ocorrência na prática. ao qual se aplica a súmula 711 do STF. Joaquim Barbosa. A tentativa teoricamente é possível. O dolo do § 1 o. responderá obviamente por um crime. O crime é punido a título de dolo: reduzir a vítima à condição análoga à de escravo. Não se pode confundir com o crime do artigo 206 (crime para o fim de emigração). Trata-se de um crime permanente. de 11. Vencidos. assim. mas.2003) 54 . também conta com a previsão de outras condutas que configuram o crime. deve ser aplicado o princípio da concussão. Não é preciso o sofrimento da vítima para configurar o crime.803.2006. o outro é recrutar (. os Ministros Cezar Peluso. Basta a prática de qualquer uma das condutas previstas.12. é o antigo dolo específico que não existe mais: RETER NO TRABALHO. No § 2o. também. porque o status libertatis é um bem jurídico indisponível. ou seja. O consentimento da vítima não exclui o crime. Sujeito passivo: qualquer pessoa A conduta punida no artigo 149 é a ESCRAVIZAÇÃO DE FATO da criatura humana. o crime passou a ser um crime de conduta vinculada.803. Isso é ruim porque o legislador não tem como prever todas as possibilidades cabíveis para a configuração da redução à condição análoga à de escravo.). O crime dispensa o sofrimento da vítima.11. o dolo é distinto nos dois artigos: um é reduzir à condição análoga à de escravo. de 11. religião ou origem. (RE-398041) Sujeito ativo: qualquer pessoa. O § 1 o. foram acrescentadas as causas de aumento de pena: § 2o A pena é aumentada de metade.803. O caput prevê 03 maneiras capazes de configurar o crime. mas.

§ 3º .1 VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO É um artigo rico em detalhes que caem muito em concurso. § 1º . se há 55 . ou em lugar ermo. da Lei de Abuso de Autoridade. ou por duas ou mais pessoas: Pena . ou seja.Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências: I .º II do parágrafo anterior. de um a três meses. ou seja. Só criança e adolescente. ou com o emprego de violência ou de arma. 150 .hospedaria.aposento ocupado de habitação coletiva. O artigo 150 é um artigo sancionador de um direito fundamental do homem (artigo 5o. Mas. o legislador não colocou. em casa alheia ou em suas dependências: Pena . ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito. pune a violação de domicílio quando praticada por abuso de autoridade. ou multa. prevalece a vontade dos pais na COLIDÊNCIA DE DECISÕES. III . para efetuar prisão ou outra diligência. se o fato é cometido por funcionário público. onde alguém exerce profissão ou atividade. CF).Aumenta-se a pena de um terço.compartimento não aberto ao público. § 2º . com observância das formalidades legais. II .durante o dia. Não há menção em relação ao preconceito de sexo. ou com abuso do poder. Se não houver hierarquia entre os moradores. além da pena correspondente à violência. § 4º .detenção. No caso de habitação familiar.Entrar ou permanecer.qualquer compartimento habitado. Violação de domicílio Art. SUJEITO ATIVO: pode ser qualquer pessoa. é a vontade dele que prevalece. II . estalagem ou qualquer outra habitação coletiva. de seis meses a dois anos. menor de 18 anos. casa de jogo e outras do mesmo gênero.taverna.detenção. SUJEITO PASSIVO: é o morador. É a inviolabilidade domiciliar o direito protegido por esse crime. que deve respeitar o direito do locatário. quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser. mesmo que o imóvel seja do filho menor. O crime é de ação penal pública INCONDICIONADA. ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei. II . salvo a restrição do n.Se o crime é cometido durante a noite. fora dos casos legais.a qualquer hora do dia ou da noite. se o filho for maior e proprietário do imóvel. inclusive o proprietário. note-se NÃO acrescentou o idoso. CUIDADO: o artigo 3o.Contra criança e o adolescente..Não se compreendem na expressão "casa": I . enquanto aberta. Pune-se o ataque ilegítimo que a pessoa deveria ter no sossego do seu lar.A expressão "casa" compreende: I . clandestina ou astuciosamente. XI. 3 DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO 3. § 5º .

ou seja. O morador pode impedir o passeio de pessoas nas áreas comuns? Não pode impedir os outros moradores. é a aplicação do PRINCÍPIO MELHOR EST CONDITIO PROHIBENTIS. Se os vizinhos proíbem e o morador consente. também configura do crime de violação de domicílio. mas. mas. devassar olhando. EXEMPLO: empregada que permite. O crime é de ação múltipla. CUIDADO: as partes privativas desses locais podem ser objeto de violação de domicílio sim. O empregado doméstico pode impedir o acesso de pessoas nesse aposento? Sim. contra a ordem do proprietário. o ingresso de homem para manter relações sexuais. churrasqueira. No condomínio. o morador quer que o agente se retire. O crime se consuma no momento em que entra sem consentimento ou no que se recusa a sair. Se a emprega permite e o proprietário não? Prevalece a vontade do proprietário. não havendo dois crimes. colocar somente o braço não configuram a violação de domicílio. de quem está bêbado ou de quem entrou na casa pensando ser a sua (erro de tipo). como bares. ASTÚCIA: mediante fraude. ou seja. Prevalece a decisão do NÃO CONSENTIMENTO. se está à venda. isso não é razoável). Não há o crime se a casa está vazia ou desabitada. desde que não seja essa pessoa o proprietário. ou seja. permanecer é crime permanente (aqui. prevalece a vontade daquele que proibiu. O crime do artigo 150 prevê a punição de: ENTRAR ou PERMANECER (em casa alheia ou suas dependências) de MANEIRA CLADESTINA OU ASTUCIOSA. os moradores do têm autoridade na sua unidade autônoma. hotéis e etc. não é necessário o consentimento para ingresso no saguão do hotel. entrar no escritório administrativo ou em quarto de hóspede. EXEMPLO: piscina. mas. EXEMPLO: república de estudantes. sempre contra a vontade do morador. configura o crime. ou seja. Não há dolo caracterizador do crime: de quem está fugindo da polícia. por exemplo. podem impedir que visitas dos outros moradores transitem nas áreas comum. Também não há o crime se a invasão ocorre em lugares comuns. lojas.um regime de igualdade. mas. sentar no muro. O crime é punido a título de dolo: violar o domicílio de outrem. o proprietário não pode ser impedido pelo empregado se há uma justificativa para ingressar (há doutrina que afirma que pode proibir mesmo sem justificativa. CONDUTA Entrar ou permanecer OBJETO MATERIAL Casa alheia ou suas dependências MODUS OPERANDI Astuciosa ou clandestinamente ENTRAR: é quem efetivamente entra. admite 56 . Trata-se da prevalência da vontade daquele que proíbe. ou seja. PERMANECER: quem entra com o consentimento. basta entrar totalmente ou recusar-se a sair. prevalece a vontade de proibição sob pena de violação de domicílio. DISSENTIMENTO: o não consentimento da vítima pode ser expresso ou tácito. há somente um crime. CLANDESTINO: às ocultas sem o consentimento do morador. O entrar é um crime de mera conduta instantâneo. O crime é de mera conduta.

detenção.prisão a qualquer tempo). porque o concurso pode se configurar pelo partícipe também. As causas de aumento de pena estão previstas no § 2o. no presente caso. ou seja. CEZAR BITENCOURT acha que os partícipes devem ser computados. além da pena correspondente à violência. O crime cometido por duas ou mais pessoas é qualificado. não se diz se a violência é contra a pessoa ou contra a coisa ou contra o terceiro? O CP sempre que quer especificar a violação à pessoa ele o faz. de seis meses a dois anos. ou seja. ou por duas ou mais pessoas: Pena . ou seja. ou seja. ou com abuso do poder. pouco importa a finalidade na fabricação. o CP não fez essa restrição. 14 57 . porque se configura em crime de abuso de autoridade (FERNANDO CAPEZ). b) arma em seu sentido impróprio: instrumento capaz de causar lesão. FUNCIONÁRIO PÚBLICO FORA DOS CASOS LEGAIS: a doutrina diverge se essa causa de aumento ainda permanece. fora dos casos legais. Figura qualificada no § 1o. É crime subsidiário. Prevalece o entendimento de que qualificará o crime a arma em sentido impróprio. se o fato é cometido por funcionário público.. O que é arma? Há duas correntes: a) arma em seu sentido próprio: instrumento fabricado com a finalidade exclusivamente bélica. o agente pode armar-se no interior da casa. basta que. O crime cometido em uma habitação erma é qualificado porque torna mais difícil de a vítima pedir auxílio. Mas. § 2º .Se o crime é cometido durante a noite. é uma EXCEÇÃO. ou em lugar ermo. porque como regra crime de mera conduta não admite tentativa. computa-se o partícipe. EXEMPLO: revólver. é sinal de que se tratará de CONCURSO MATERIAL DE CRIMES. ou seja. No concurso de pessoas. É crime de MERA CONDUTA 14 que admite tentativa. o agente se arme. Sempre que falar em ALÉM DA PENA CORRESPONDENTE À VIOLÊNCIA. Já o artigo 150 fala em crime COMETIDO. EXEMPLO: faca de cozinha.: § 1º .Aumenta-se a pena de um terço. O crime cometido à noite torna mais difícil a defesa da vítima. dentro da casa. Note-se que o legislador não usou a expressão em CONCURSO DE PESSOAS (como fez em outros tipos penais). será qualquer violência até contra a coisa que qualificará o crime. A arma de brinquedo NÃO qualifica o crime. O emprego de violência não está especificado pelo CP. INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO SUICÍDIO). a entrada ou a permanência deve ser NECESSARIAMENTE PRATICADA POR DUAS OU MAIS PESSOAS. com duas correntes: a) não se aplica o § 2o. Mas. ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei. O agente não precisa entrar armado. há exceção. CRIME MATERIAL admite a tentativa. O emprego de arma também qualifica o crime. em decorrência da revogação da súmula do STJ (174). ou com o emprego de violência ou de arma. assim. há crime material que NÃO admite tentativa: ARTIGO 122 (INDUZIMENTO.

se viola com a finalidade de abuso de poder. a sonega ou destrói.Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada. de um a seis meses.1 VIOLAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIA Violação de correspondência Art. se posiciona no sentido de que tais normas foram revogadas pelo art.2 SONEGAÇÃO OU DESTRUIÇÀO DE CORRESPONDÊNCIA Sonegação ou destruição de correspondência § 1º . da Lei 6. por tratar de situação em ação. 40. O § 1º.taverna. I.hospedaria.durante o dia. ou no estrito cumprimento do dever legal (inciso I. há aplicação da tipicidade conglobante. O caput do art. casa de jogo e outras do mesmo gênero. no todo ou em parte.Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências: I . combinados permitem a extração do conceito de casa. enquanto aberta. do CP. 4 INVIOLABILIDADE DE CORRESPONDÊNCIA 4. salvo a restrição do n..a qualquer hora do dia ou da noite. passaram a ser elementos subjetivos do tipo (“Incorre nas mesmas penas quem se 58 . de acordo com a maioria da doutrina. § 5º .qualquer compartimento habitado. Para os garantistas. § 4º . afastando a tipicidade.detenção.. o conteúdo variado do crime de sonegação ou destruição de correspondência foi trocado pela conduta única de “apossar-se”. do art. 40 tem redação idêntica ao caput do art.º II do parágrafo anterior. aplica-se a lei de abuso de autoridade (MAJORITÁRIA). quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser. dirigida a outrem: Pena . com observância das formalidades legais.A expressão "casa" compreende: I . entretanto. os crimes de menor potencial ofensivo admitem prisão em flagrante. onde alguém exerce profissão ou atividade.quem se apossa indevidamente de correspondência alheia. caso o agente se comprometa em comparecer. II . que também está comportando as diligências policiais e administrativas). II . O inciso II afirma: CRIME. 151. trata-se de uma interpretação autêntica. para efetuar prisão ou outra diligência. 151. e § 1º. Os § § 4o. dessa Lei. 151 . Rogério Greco. O termo CRIME admite a analogia para considerar as CONTRAVENÇÕES PENAIS. § 3º .aposento ocupado de habitação coletiva. estalagem ou qualquer outra habitação coletiva.b) aplica-se o § 2o. III . porque os dois crimes existem: se viola pelo simples fato de violar o domicílio aplica-se o artigo 150.Não se compreendem na expressão "casa": I . II .538/78 (dispôs sobre os serviços postais). ou seja. e 5o. ou multa. porque não foi revogado.compartimento não aberto ao público. pode ser feita a analogia que no caso é em bonam partem. mudou um pouco.Na mesma pena incorre: I . I. embora não fechada e. mas. I. não admitem a lavratura do auto. citando inclusive Bitencourt. A sonegação ou destruição do § 1º. 4. Há uma causa de exclusão da ILICITUDE no § 3o.

de um a seis meses. embora não fechada. de informática ou telemática. radioelétrico ou telefônico: Pena . no todo ou em parte.983. sem justa causa. 70. § 4º . radioelétrica ou telefônica II . informações sigilosas ou reservadas. prevê que “Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas. 152 . Divulgar.Divulgar alguém. de um a três anos.Abusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial ou industrial para.Somente se procede mediante representação. IV .1 DIVULGAÇÃO DE SEGREDO Divulgação de segredo Art. transmite a outrem ou utiliza abusivamente comunicação telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro. 40. sonegar. (Parágrafo único renumerado pela Lei nº 9. caput. e multa.detenção. e § 1º. conteúdo de documento particular ou de correspondência confidencial. sem justa causa. Sobre o inc. O mesmo doutrinador observa que a doutrina se inclina a entender que o § 3º. no todo ou em parte”). contidas ou não nos sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública: (Incluído pela Lei nº 9. na parte em que versam sobre conversações telefônicas foram derrogados. das interceptações telefônicas. 10.apossa indevidamente de correspondência alheia. 5 DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DOS SEGREDOS 5.Somente se procede mediante representação. Parágrafo único . desviar. III . de que é destinatário ou detentor.quem indevidamente divulga. Lei 6.detenção. sem observância de disposição legal. 153 . porque.detenção. § 2º . de 2000) 59 . ou revelar a estranho seu conteúdo: Pena .quem instala ou utiliza estação ou aparelho radioelétrico.quem impede a comunicação ou a conversação referidas no número anterior. do art. 151 também está revogado. da Lei 9.Se o agente comete o crime. e do § 3º. salvo nos casos do § 1º. § 3º . Rogério Greco entende que os incisos II e III acima. do Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4.296/96. da Lei 4117/62.538/78).As penas aumentam-se de metade. havendo abuso por parte de funcionário de telecomunicações. de três meses a dois anos. se há dano para outrem. e cuja divulgação possa produzir dano a outrem: Pena .983. ou conversação telefônica entre outras pessoas. assim definidas em lei. IV. sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei”. será aplicável o art. de 2000) § 1o-A. porque o art.3 VIOLAÇÃO DE COMUNIÇÃO TELEGRÁFICA. telegráfico. nas demais hipóteses (art. (Incluído pela Lei nº 9. 43 da Lei de Serviços Postais. Para Rogério Greco passou a ser um crime formal. 4. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. § 1º Somente se procede mediante representação. o funcionário incorrerá no disposto no art.117/62). RADIOELÉTRICA OU TELEFÔNICA Violação de comunicação telegráfica. ou multa. 4. de 2000) Pena – detenção. para sonegá-la ou destruí-la. subtrair ou suprimir correspondência. acima Rogério Greco leciona que tal dispositivo foi revogado pelo art.4 CORRESPONDÊNCIA COMERCIAL Correspondência comercial Art. IV. com abuso de função em serviço postal.983. 58. ou quebrar segredo de justiça.

DO FURTO Está disposto no CP da seguinte forma: Artigo 155. escalada ou destreza. 60 . de 2000) 5.Conceito: subtrair. ministério. § 1o. MAJORANTE § 2o. e é de pequeno valor a coisa furtada. a posse e a detenção. Subtrair. e multa (art. diminuí-la de 1/3 a 2/3. o juiz pode substituir apenas de reclusão pela de detenção. co-herdeiro ou sócio. § 5o. Observação: nesta parte. A pena é de reclusão de 03 a 8 anos. e multa. Essa parte de crimes contra o patrimônio tinha mais de quarenta páginas na versão original. A pena aumenta-se de 1/3. Não é punível a subtração de coisa comum fungível.Somente se procede mediante representação. ofício ou profissão. de três meses a um ano. segredo. A pena é de 1 a 4 anos de reclusão. para si ou para outrem. a ação penal será incondicionada. coisa alheia móvel:FURTO SIMPLES Pena – reclusão. a coisa comum: Pena – detenção. . A pena é de reclusão de 2 a 8 anos.983. II – com abuso de confiança. se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. § 1o. ocorre que não era m ais um resumo tão detalhado.§ 2o Quando resultar prejuízo para a Administração Pública. Subtrair o condômino. se o crime é cometido:FURTO QUALIFICADO I – com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa. de 6 meses a 2 anos. ou mediante fraude. FURTO QUALIFICADO Furto de coisa comum Artigo 156. e cuja revelação possa produzir dano a outrem: Pena . III – com emprego de chave falsa. se o crime é praticado durante o repouso noturno. IV – mediante concurso de duas ou mais pessoas. Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. ou aplicar somente a pena de multa PRIVILÉGIO § 3o. ou multa. que estava ótimo. para si ou para outrem. Somente se procede mediante representação. de 1 a 4 anos.1 FURTO SIMPLES . 155). ou multa. cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente. sem justa causa. (Incluído pela Lei nº 9. de que tem ciência em razão de função. Parágrafo único .detenção.Objetividade jurídica: a propriedade. e multa. 154 . coisa alheia móvel.Revelar alguém. a quem legitimamente a detém. Se o criminoso é primário. 1. CLÁUSULA DE EQUIPARAÇÃO § 4o.2 VIOLAÇÃO DO SEGREDO PROFISSIONAL Violação do segredo profissional Art. § 2o. para si ou para outrem. tive que alterar bastante o resumo.

na atualidade. o agente se torna possuidor da res furtiva. 155 do Código Penal. não é necessário que a casa seja habitada ou que os moradores estejam repousando. o possuidor e o detentor da coisa. § 1º).Sujeito ativo: qualquer pessoa. mas a tese prevalente. bem como do Supremo Tribunal Federal. Segundo posição do STF e do STJ.). assim como o de furto. sendo desnecessário que o bem saia da esfera de vigilância da vítima. 155. A causa de aumento somente se aplica ao furto simples. as hipóteses em que é possível a retomada do bem por meio de perseguição imediata (vide REsp 842937 / RS. devendo a análise ser feita de acordo com as características da região. firmou a orientação no sentido de que se considera consumado o crime de roubo. Posição topográfica do parágrafo. . habitada ou 61 . . cessada a clandestinidade ou violência. Não basta que o fato ocorra à noite. a posse. pois nesta a vítima entrega uma posse desvigiada ao agente.Observações: 1) Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico (art. bem como de sinal de TV a cabo. é a constante do texto. e não ao furto qualificado. devendo a análise ser feita de acordo com as características da região (rural.Ação penal: pública incondicionada. segundo a maioria da jurisprudência e da doutrina. comum. 1.Tipo subjetivo: o dolo. 155. configura a hipótese para a maioria. dormem.Coisa alheia móvel é o objeto material do furto.Tipo objetivo: tirar uma coisa do poder de alguém. simples. lojas e veículos. é suficiente que a infração ocorra durante o repouso noturno. de 10/10/2006). são considerados móveis para fins penais. instantâneo. . . mas que podem ser transportados. Encontra-se alguns precedentes isolados em outro sentido. incluindo-se. . radioativa e genética. posse ou detenção. A pena aumenta-se de um terço se o crime é praticado durante o repouso noturno (art. menos o proprietário. É irrelevante o fato de se tratar de estabelecimento comercial ou de residência. Exige ainda o elemento subjetivo do tipo “para si ou para outrem” de fim de assenhoramento definitivo da coisa. urbana etc.Qualificação doutrinária – o crime de furto é material. a saber: “Para a incidência da causa especial de aumento prevista no § 1º do art. a subtração de sinal de telefonia.Sujeito passivo: é a pessoa física ou jurídica. 3)O furto famélico configura estado de necessidade. Bens classificados como imóveis pela lei. mecânica.2 MAJORANTE: repouso noturno Repouso noturno é o período em que as pessoas de uma certa localidade descansam. 2)O furto de uso não é crime. ainda que por curto espaço de tempo. da coisa. apoderar-se de bem da vítima. de dano. titular da propriedade. enquanto que no furto a posse deve ser vigiada. portanto. período de maior vulnerabilidade para as residências. no momento em que.. por circunstâncias alheias a sua vontade. . ainda que momentânea. O furto difere da apropriação indébita. Ocorre a tentativa quando o agente não consegue. . de ação livre.Consumação e tentativa: “A jurisprudência desta Corte. . § 3º) – o dispositivo abrange energias térmica. Repouso noturno é o período em que as pessoas da localidade onde ocorreu o crime repousam.

03. O rompimento de obstáculo externo ao objeto do furto caracteriza a circunstância qualificadora” (RESP 815.5 FURTO QUALIFICADO Segundo o modus operandi. Primário é todo aquele que não é reincidente (contra: Mirabete). e somente se aplica ao furto simples e ao praticado durante o repouso noturno (não se aplica ao furto qualificado – STJ. carece de relevância jurídica no sentido de afetar o desvalor da ação na figura típica do furto qualificado (Precedentes do STJ e do Pretório Excelso)”. considera-se este como obstáculo exterior àquele. § 2º).244/RS.03). Detonar uma bomba na porta de um cofre significa destruir. destruir significa subverter. 62 . Arrombamento de porta é rompimento de obstáculo à subtração da coisa.2 Abuso de confiança. EXEMPLO 02: quebrar o vidro do veículo para furtar o guarda-chuva que está dentro. o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção. Esses dois exemplos parecem ilógicos. porque na verdade. Romper significa abrir brecha. HC 29. Dirigindo-se o furto à apropriação de tampa traseira interna. e não do automóvel em si.153/MS. Ao furto qualificado não se aplica a minorante da forma privilegiada. 292.438). e é de pequeno valor a coisa furtada. segundo a jurisprudência. Ordem denegada (STJ. § 3º. desde que não seja insignificante. Eresp. o furto é qualificado. 17/08/2006). FURTO Subtrair a energia antes do medidor ESTELIONATO Subtrair a energia por meio de alteração do medidor para registrar menos energia. nº. desfazer o obstáculo. Já foi comentado acima. do art.5. efetivamente repousando.5. 1. Coisa de pequeno valor. para ser obstáculo à subtração não pode ser diretamente sobre a coisa que se quer subtrair. 155. ou aplicar somente a pena de multa (art.desabitada. Violência contra o obstáculo: A violência deve ser contra o obstáculo que dificulte a subtração e não contra a própria coisa. seria mais grave furtar o guardachuva do que o veículo. Não obstante isso.4 CLÁUSULA DE EQUIPARAÇÃO A subtração de energia elétrica é furto. O menor desvalor de resultado. 1. é aquela cujo valor não excede um salário mínimo.3 FURTO PRIVILEGIADO Se o criminoso é primário. ou não. pode caracterizar furto qualificado. A excepcional prova testemunhal supletiva deve referir-se à violência à coisa e não à subtração da res furtiva. “O privilégio pode incidir sobre o furto tentado ou consumado.1 Destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa Segundo Damásio. bem como o fato de a vítima estar.11. 155. Prova: como o crime deixa vestígio. ao tempo do fato. é necessária a prova pericial. EXEMPLO 01: quebrar o vidro do veículo para furtá-lo é furto simples. é o que prevalece nas duas turmas criminais do STJ: “I. diminuí-la de um a dois terços. II. 1. 1. 1. porque a violência incidiu sobre a própria coisa que se queria subtrair.

não pode ser nem anterior e nem posterior. EXEMPLO: chapelaria (MP/SP) ESTELIONATO MP/BA: duas pessoas disfarçadas de operadores de sociedade de telefonia. 1. porque a posse o agente é vigiada. rampas. o que subiu deixa a senhora sozinha e desce para ajudar o outro. CUIDADO: escalada nem sempre é subida. senão não tem relevância a destreza. detentora ou possuidora da coisa. não havendo estelionato.5. que podem ser de parentesco.5.5.3 Fraude FURTO COM ABUSO DE CONFIANÇA O agente tem mero contato físico O dolo é anterior ao contato físico É o furto praticado utilizando-se o agente que qualquer meio enganoso. EXEMPLO: batedores de carteira. trata-se de furto mediante fraude. é preciso demonstrar a relação e a confiança em relação aos demais em mesma condição. mediante desforço incomum.3 Furto qualificado por abuso de confiança e apropriação indébita: é MP/MG: qual a diferença entre o furto qualificado pelo abuso de confiança e a apropriação indébita? APROPRIAÇÃO INDÉBITA O agente tem posse sem vigilância com a coisa O dolo é superveniente à posse sem vigilância 1.5. Qual o crime? Houve meio enganoso. A jurisprudência entende que prevalece o furto mediante fraude. ou seja. É o mesmo raciocínio para a pessoa que leva as roupas do provador.5 Destreza O agente por meio de peculiar habilidade manual subtrai a coisa sem que o proprietário. andar e o outro fica no apartamento. amizade ou profissional.1 Confiança : é a confiança que decorre de certas relações. FURTO MEDIANTE FRAUDE Há utilização de meio enganoso O meio enganoso é aplicado para iludir a vítima. A simples relação não significa necessariamente que o furto entre eles é qualificado pelo abuso de confiança. terceiro percebeu e a vítima não percebeu? A doutrina entende que a 63 . É imprescindível que fique caracterizada não a relação entre agente e vítima. assim. pode ser resultante de um túnel. ou meio subterrâneo. a vítima é despojada de seu bem sem que a vítima perceba. enganada. para iludir a vigilância da vítima. fazendo com que essa entregue O meio enganoso é aplicado para iludir a vítima. é preciso que fique demonstrado o ABUSO DA CONFIANÇA. É necessário que o agente se aproveite de alguma facilidade. saltar fossas. ainda que facilitando a subtração. A finalidade é afastar ou diminuir a vigilância da vítima e facilitar a subtração. para facilitar a subtração. envolvendo agente e vítima proprietária. um acompanha a senhora até o 10o.5. porque a posse era vigiada. detentor ou possuidor perceba. A doutrina entende que é indispensável para a caracterização da destreza que o objeto esteja junto ao corpo da vítima. facilitando a subtração da coisa.2.4 Escalada É o uso de via anormal para acessar o lugar. 1. Toda a via anormal empregada para acessar o lugar é escalada. 1. Mas para configurar a qualificadora quando o uso de via anormal exigir do agente um desforço incomum. vão até o primeiro andar e conseguem entrar no apartamento de uma senhora. SP: feito o test drive. CONCURSO: a destreza é verificada do ponto de vista da vítima ou de terceiro? Ou seja. EXEMPLO: disfarce. precária. A fraude deve ser aplicada no MOMENTO DA EXECUÇÃO.2. o agente leva o carro. espontaneamente a coisa. seja por meio artificial ou impróprio.1.

NELSON HUNGRIA não considera como qualificadora a conduta que tenha sido praticada só por autor. qualificado o furto praticado por pessoa imputável e pessoa inimputável (menor de 18 anos)” (HC 38. Entretanto. 1. Por isso.7 Concurso de pessoas Para a maioria ainda que um dos envolvidos seja menor.5. não caracteriza a qualificadora. Somente será configurada quando ultrapassar os limites do Estado. apesar. Essa qualificadora não pode ser cumulada com o furto praticado por quadrilha ou bando. desconsiderando os eventuais partícipes. se e quando previstas. DAMÁSIO fala que o concurso de pessoas envolve partícipe e co-autor. ou seja. dependendo das circunstâncias. ficou guardado em sua garagem. 64 . ainda que qualquer delas seja inimputável ou não seja identificada.5. BITTENCOURT: quando a chave verdadeira é obtida mediante fraude ou mesmo mediante furto. Nilson Naves). NÃO há a qualificadora porque não ultrapassou os limites do Estado ou do país. Rel. ou seja. desconsiderando os partícipes deve ainda existir dois executores pelo menos. 1. Sexta Turma – DJ de 04/12/06. EXEMPLOS: arames. se for preso na fronteira. Trata-se de FURTO SIMPLES CONSUMADO. CONCURSO: o agente subtraiu o veículo em 21/01/05. ou seja. concurso de pessoas imputáveis.097/SP. Poderá configurar a qualificadora do emprego de fraude. é aplicação de interpretação progressiva. Não é. BITTENCOURT: é a concorrência de duas ou mais pessoas na prática do crime.8 Concurso de qualificadoras Somente uma qualifica o crime. MAGALHÃES NORONHA aceita como chave falsa a chave verdadeira obtida fraudulentamente. Não é posição que prevalece. dirigiu-se para o Paraná. portanto. não chegou ao Paraná. sabe-se de julgado do STJ cuja ementa isto expressa: “O Cód. nos crimes de furto e roubo. Em 25/02/05. configurando a qualificadora da chave falsa. Quando o agente realiza LIGAÇÃO DIRETA não utiliza qualquer objeto sobre a ignição do veículo. que possa ser confundido ou tido como chave falsa. entende o Relator. pregos.6 Emprego de chave falsa Chave falsa é todo o instrumento com ou sem formato de chave que seja destinado a abrir fechaduras. 1. Entender que os cartões de hotel podem ser utilizados como chave falsa. Penal é o código das pessoas maiores de idade. grampos e outros. a peculiar habilidade manual é em relação à vítima.5.destreza é verificada do ponto de vista da vítima. tendo sido apreendido na fronteira do estado. 1. a qualificadora do concurso de duas ou mais pessoas pressupõe. não podendo ser afastados os partícipes. de o TRF4 já tenha decidido nesse sentido.5 FURTO DE VEÍCULO AUTOMOTOR O agente dificulta o ressarcimento do proprietário. as outras poderão ser consideradas como agravantes genéricas. há incidência da qualificadora. por exemplo.

). para si ou para outrem.1 Roubo simples próprio .É possível furto tentado qualificado pelo § 5o. mediante grave ameaça ou violência a pessoa. como circunstância desfavorável. sem jamais ter tido a posse mansa e pacífica da coisa. reduzido à impossibilidade de resistência. deve ser escolhido o § mais grave no caso o 5 o. assim.? Os dois são incompatíveis não podem conviver.Conceito: subtrair coisa móvel alheia.Subtrair coisa móvel alheia. mediante grave ameaça ou violência a pessoa. PERGUNTAS: direitos reais e pessoais não podem ser objeto de furto. 157 . por não possuírem.Sujeito passivo: o proprietário. Há quem entenda que o talonário e a própria folha tenham valor econômico por si só. acompanhados de um dos seguintes meios de execução: 1) Violência – Emprego de desforço físico sobre a vítima a fim de possibilitar a subtração (socos. o possuidor e o detentor da coisa. 2. . 2) Grave ameaça – Promessa de mal grave e iminente (morte. § 1º . o valor econômico indispensável à caracterização de crime contra o patrimônio. de quatro a dez anos. 157). e multa. 2 DO ROUBO E DA EXTORSÃO 2. possuidor ou detentor da coisa. quando o agente é perseguido e ultrapassa os limites do Estado. por qualquer meio.Sujeito ativo: qualquer pessoa. sendo que o outro será utilizado no momento de fixação da pena. reduzido à impossibilidade de resistência: Pena .Na mesma pena incorre quem. emprega violência contra pessoa ou grave ameaça. mas os documentos podem. por qualquer meio. 3) Redução à impossibilidade de resistência – É a violência imprópria (embriaguez. E os limites do Distrito Federal configuram a qualificadora? A maioria entende que sim. A pena é de 4 a 10 anos de reclusão. em si.É crime complexo. há posições conflituosas na jurisprudência. .reclusão.5. os precedentes localizados no sentido de que o talonário de cheques e cartão de crédito não podem ser objeto de receptação.? Sim. menos o proprietário. lesões corporais). ou depois de havê-la. etc. FURTO DE FOLHA DE CHEQUE. No STJ. não pode ser entendido o DF. ou depois de havê-la. 65 . . hipnose).. para si ou para outrem. a liberdade individual e a integridade corporal (em caso de violência). e 5o. . .1 ROUBO Roubo Art.Objetividade jurídica: o patrimônio. mas há doutrina dizendo que é analogia in malam partem. logo depois de subtraída a coisa. bem como qualquer outra pessoa que seja atingida pela violência ou grave ameaça. É possível cumular as qualificadoras dos § § 4o. pois atinge mais de um bem jurídico: o patrimônio e a liberdade individual ou integridade corporal. e multa (art. pontapés. Trailer que é utilizado como residência pode ser entendido como moradias para fins das qualificadoras do artigo.1.Tipo objetivo: possui os mesmos requisitos do furto. a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.

Eresp.Tipo subjetivo: o dolo. § 1º). outra corrente diz que NÃO cabe o arrependimento posterior. . há doutrina dizendo que nesse caso cabe o arrependimento posterior.205). há controvérsia: a) uns entendem que ela é incabível. Também exige o elemento subjetivo do tipo. consistente no “fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro”.1. Também está consumado o roubo quando o agente se desfaz da coisa subtraída ou a mesma se extravia na fuga. nº. mesmo que o agente não consiga garantir a impunidade ou assegurar a posse dos objetos subtraídos.A Roubo majorado São as causas de aumento de pena que estão previstas no § 2o do artigo 157: § 2º . HC nº 25. b) outros entendem ser possível.5. concurso material de crimes (furto com lesões corporais. 66 .Consumação e tentativa: segundo entendimento do STF e do STJ. de ação livre e instantâneo. tenta empregar violência ou grave ameaça. conforme a hipótese. houve violência. quando. ou não as emprega. porque esse qualquer outro meio NÃO deixa de ser uma violência. ainda que momentânea. 235. emprega violência contra pessoa ou grave ameaça. bastando a posse do objeto material por curto período de tempo (STJ.489. assim. complexo. por exemplo. por exemplo).Qualificação doutrinária – o roubo é crime material. Se a finalidade for outra haverá. Consumação e tentativa: consuma-se no exato momento em que é empregada a violência ou grave ameaça. apenas crime de furto. Mas. não a recuperando a vítima. até o recebimento da denúncia ou queixa)? Existe divergência na doutrina.se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. mas não consegue (para os adeptos da primeira corrente. após apoderar-se do bem. da coisa. apenas a vítima não foi atingida). Sobre a tentativa. pois.. pois constituem meio para que o agente consiga efetivá-la. No roubo próprio a violência e a grave ameaça são empregadas antes ou durante a subtração. comum. o que gera críticas na doutrina (há quem defenda a possibilidade). que está vedado somente para os dois primeiros modos (FLÁVIO MONTEIRO). a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro (art. .Ação penal: pública incondicionada. a posse. o agente.A pena aumenta-se de um terço até metade: (MAJORANTES) I . Exige o elemento subjetivo do tipo (contido na expressão “para si ou para outrem”) de fim de assenhoramento definitivo da coisa. É de se notar que no roubo impróprio não se fala no terceiro modus operandi previsto no caput (qualquer outro meio que reduza a vítima à impossibilidade de resistência).1. nesse exemplo. um deles consegue empreender fuga na posse do bem. havendo. logo depois de subtraída a coisa. No roubo impróprio o agente emprega violência ou grave ameaça para garantir a impunidade da subtração ou assegurar a detenção do bem. Ocorre a tentativa quando o agente não consegue. por circunstâncias alheias a sua vontade. para a consumação do roubo é desnecessária a posse tranqüila do bem subtraído por parte do agente. 157. porque o crime de roubo próprio não é somente cometido sob a forma de violência ou grave ameaça. O roubo próprio admite o ARREPENDIMENTO POSTERIOR (artigo 16 = crimes cometidos sem grave ameaça e violência à pessoa. de dano. O tipo subjetivo é o dolo. . há um terceiro modus operandi que não está inserido no artigo 16. 2. havendo concurso de agentes. ou o agente emprega violência ou grave ameaça ou ameaça de violência e o crime está consumado. ou quando. neste caso. 2.2 Roubo simples impróprio Na mesma pena incorre quem.

EXEMPLO: revólver. O que é arma? É arma em si ou qualquer outro objeto utilizado como tal? CORRENTE RESTRITIVA: somente objeto fabricado com finalidade bélica. pois os agentes EFETIVAMENTE empregaram a arma. sendo instrumento incapaz de gerar situação de perigo real à integridade da vítima. 2. restringindo sua liberdade. mas.se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. 2007). que majora a pena de crime de roubo.1. CORRENTE AMPLIATIVA (MAJORITÁRIA): qualquer objeto. em 2006. ou seja. mas a utilização da arma no roubo (EMPREGO) é outra conduta. O STJ. ou seja. EXEMPLO: faca. 157. quando as demais provas constantes dos autos são firmes sobre sua efetiva utilização na prática da conduta criminosa (STJ. mesmo sem finalidade bélica.A. III .se há o concurso de duas ou mais pessoas. E a arma desmuniciada majora a pena? Sempre se entendeu que sim. LUIZ RÉGIS PRADO: basta o porte ostensivo para que configure a majorante.1 Emprego de arma § 2º . §º 2º. Sempre se entendeu que eventuais inimputáveis e pessoas não identificadas eram computadas para a aplicação da majorante. ou seja. a arma de brinquedo não tem o condão de produzir o RISCO PROIBIDO com a majorante. do CP). I.2 Concurso de pessoas Tudo que foi dito da qualificadora do furto se aplica aqui. sendo perfeitamente possível a aplicação de concurso da quadrilha armada (PORTE). não são necessárias a apreensão e a perícia na arma de fogo utilizada no roubo. porque a vítima vê e se sente amedrontada. ARMA PRÓPRIA. a súmula do STJ (174) foi cancelada pelo próprio STJ. IV . O cancelamento da súmula 174 foi comemorado pelos adeptos da TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA.A. decidiu que: É ilegal o aumento de pena pelo uso de arma no cometimento do roubo. simulacro de arma não aumenta mais a pena do crime de roubo.II .se o agente mantém a vítima em seu poder.se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. afastando o porte ostensivo. assim. ou seja.426. mas. Para configuração da majorante é preciso o emprego efetivo ou basta o porte ostensivo? BITENCOURT (MAJORITÁRIA): é preciso o emprego efetivo na conduta. de 1996) V . (Incluído pela Lei nº 9.A pena aumenta-se de um terço até metade: I . (Incluído pela Lei nº 9. de 1996) 2. * Para configurar a causa especial do aumento de pena (art. O emprego de arma desmuniciada no delito de roubo não se presta para fazer incidir a causa especial de aumento prevista no Código Penal. o cancelamento da súmula reforçou a corrente que defendia que a arma desmuniciada também não majora a pena do crime de roubo (MP/SP). Há doutrina que reconhece o bis in idem. É possível uma denúncia de crime de roubo envolvendo o emprego de arma em concurso com o crime de quadrilha armada? O STF não reconhece o bis in idem nesse caso. mas há julgado do STJ no sentido de que INIMPUTÁVEIS não são considerados para o fim de 67 . o agente tem que efetivamente empregar a arma como ameaça. Precedentes. A arma de brinquedo NÃO mais aumenta a pena do crime de roubo.426. pode ser capaz de causar lesão a outrem. ou seja.1. ARMA SEM SENTIDO IMPRÓPRIO. a arma de brinquedo ainda é objeto capaz de configurar a grave ameaça para configuração do crime de roubo. se o objeto encontrar-se desmuniciado.

por exemplo) em poder do agente. nos termos do inciso. 2.B Roubo qualificado § 3º Se da violência resulta lesão corporal grave. já que houve privação da liberdade. de 1996) Qual a diferença entre o crime de roubo em concurso e o crime de seqüestro? Quando a vítima é obrigada a permanecer por período prolongado (algumas horas. se resulta morte. V. 2. de 1996) Vide Lei nº 8. 68 .A pena aumenta-se de um terço até metade: V .se o agente mantém a vítima em seu poder. assim. O latrocínio. Tem que ser feita a análise caso a caso. 148). a lesão grave não é hedionda e não é latrocínio. quando doloso admite a tentativa. restringindo sua liberdade. (MAJORANTES).A. o art. mas. assim. Note-se que na doutrina e na jurisprudência de uma forma geral. as circunstâncias desse parágrafo não aumentam as penas do § 3o. 2. CORRENTE AMPLIATIVA: aplica-se a majorante em qualquer carga que esteja sendo transportada. que qualificam tanto o roubo próprio quanto o roubo impróprio. quando o agente sabe que a vítima está em transporte de valores. (Redação dada pela Lei nº 9. que pressupõe algo mais duradouro. além da multa. porque questão de coerência.072. EXEMPLO: cerveja e outros. a pena é de reclusão. se a vítima estiver transportando seus próprios valores NÃO incide a majorante.90 (ROUBO QUALIFICADO) Esse parágrafo regula as qualificadoras: se da violência resulta lesão corporal ou se resulta morte. (Incluído pela Lei nº 9. deve fazer parte do dolo do agente. carros-fortes. Somente se aplica a majorante.1. sem prejuízo da multa. se fosse incidir.426. O que são valores? CORRENTE RESTRITIVA: a majorante somente incide em casos de roubos em valores bancários.426. 157. De forma diversa. de 25.4 Subtração de veículo automotor Tudo que foi dito em relação ao crime de furto aplica-se aqui. deve estar transportando valores de alguém.A. não fala em privação. somente qualificam o crime de roubo: LESÃO GRAVE e MORTE. eles podem ser crimes DOLOSOS ou PRETERDOLOSOS. mas mera restrição da liberdade. não se aplica o § 2o. todo o roubo seria majorado. quando preterdoloso não admite a tentativa. ou seja. de sete a quinze anos. podem ser resultado de culpa. a reclusão é de vinte a trinta anos. § 2º.5 Agente mantém a vítima § 2º . a indicar um tempo menor em que a vítima fica breve espaço de tempo em poder do agente. porque o subseqüente é praticado a título de culpa. A lesão leve fica absorvida. prevalece o entendimento de que os inimputáveis são computados.. Somente o qualificado por MORTE é chamado de LATROCÍNIO e é CRIME HEDIONDO.configuração do concurso de pessoas no furto.3 Vítima em serviço de transporte de valores A vítima de deve estar EM SERVIÇO para alguém.1.A. caracteriza-se crime de roubo em concurso material com o seqüestro (art. pode ser doloso ou preterdoloso. Os resultados LESÃO GRAVE e MORTE. ou seja. 2. esse é o mesmo entendimento para o roubo.1.7.1. o agente deve ter esse conhecimento. Diante do § 3o.

acerta o comparsa é LATROCÍNIO. por roubo e homicídio. A lesão grave ou morte de co-autor ou partícipe não qualifica o roubo. deve-se comprovar que a intenção inicial era a vida. desde que esteja dentro do mesmo contexto fático. pouco importa se o crime foi contra o proprietário ou de terceiro. nos termos do artigo 70. mas. mesmo que haja várias mortes. mas. assustada com a arma de fogo. SUBTRAÇÃO DE A e MORTE DE B SUBTRAÇÃO DE A e MORTES DE A E B LATROCÍNIO 01 LATROCÍNIO E AS MORTES APLICADAS NA PENA SUBTRAÇÃO DE A e B e MORTES DE A e 02 LATROCÍNIOS em concurso material B Se a intenção inicial do agente era matar o agente e somente depois nasce a idéia do furto. muitos criticam essa posição. mas. Mas. porque o homicídio foi praticado em razão do roubo (NEXO). é como se o cliente tivesse morrido na conduta criminosa. em concurso formal. Responderá por assalto e homicídio em concurso por decorrência CONEXÃO CONSEQUENCIAL. Para os adeptos da IMPUTAÇÃO OBETIVA. é o entendimento do STF (Súmula 603). Quando um assaltante mata o outro para ficar com o objeto do assalto é HOMICÍDIO e não latrocínio. O latrocínio não vai a júri. Assim. Para que haja o latrocínio. não foi praticado durante o assalto (TEMPO). porque se aplica a teoria do erro de tipo acidental. então mata a vítima. pode o ladrão ser responsabilizado. Para não ser latrocínio. consideram-se as características da vítima virtual (aberratio ictus). a vítima tem um ataque cardíaco e morre. NÃO É LATROCÍCIO. Sobre a CONSUMAÇÃO do crime de latrocínio: SUBTRAÇ ÃO MORTE CRIME DE LATROCÍNIO Consumado 69 consumad consum a ada . mas. SOMENTE UM CRIME: LATROCÍNIO. a grave ameaça quando é praticada não tem como desdobramento causal normal a morte. Mas se são subtraídos vários bens e várias mortes. o agente responde por roubo em concurso com o HOMICÍDIO. configuram-se vários latrocínios. se houver o nexo normativo. A lei não qualifica quando a morte é fruto da grave ameaça. não sendo imputado ao agente o resultado MORTE porque ela não é desdobramento causal normal da grave ameaça no crime de roubo. doloso ou culposo.Esses resultados somente qualificam o crime se resultarem da VIOLÊNCIA. mas. TJ/BA: se for subtraído somente UM bem. há ROUBO EM CONCURSO COM O HOMICÍDIO. porque não é um crime doloso contra a vida. EXEMPLO: agente assaltou o banco e duas semanas dois do crime foi identificado por vítima. um crime contra o patrimônio. trata-se de HOMICÍDIO em concurso com FURTO (concurso material). mas várias pessoas forem mortas. mas não da grave ameaça. BITENCOURT: A proprietário do veículo e B passageiro. essa situação (várias mortes) deve ser considerada na fixação da pena. é indispensável que a violência seja empregada durante o assalto (FATOR TEMPO) e em razão (FATO NEXO) do assalto são FATORES indispensáveis ao latrocínio. o agente mata B para assaltar o veículo de A. será um único latrocínio. quantos crimes existem? O passageiro que não era o proprietário e foi morto. somente responde por roubo. quantos crimes foram cometidos? BITENCOURT: não desconfigura a UNIDADE DO CRIME. se durante um assalto. se o agente atira na vítima. quando a morte é fruto da grave ameaça. com a ocorrência de dolo ou culpa. se não for assim. ou seja.

porque ninguém 70 .2. SÚMULA 610): o agente responde por LATOCÍNIO CONSUMADO. A grave ameaça será verificada analisando as condições da vítima ou do homem médio (ninguém sabe quem é o homem médio)? A doutrina tende a desprezar a noção do homem médio.7. 2. Vide Lei nº 8.2. Nem todo particular pratica extorsão. o crime praticado é a CONCUSSÃO. CONSTRANGER. um enriquecimento ilícito. CORRENTE (NELSON HUNGRIA): o agente responde por HOMICÍDIO QUALIFICADO CONSUMADO. consumad a tentada tentada consuma da 2.2 EXTORSÃO Extorsão Art. mediante ataque à liberdade.1 Sujeito ativo: o crime é comum porque não se exige nenhuma qualidade específica Se for funcionário público. aumenta-se a pena de um terço até metade. se estiver na iminência de assumir função pública. CORRENTE (STF. a fazer. ou com emprego de arma.3 Conduta: consiste em EXIGIR. CORRENTE (TJ/SP): o agente responde por LATROCÍNIO TENTADO. Qual a diferença entre o constrangimento ilegal (artigo 146) e o crime de extorsão (artigo 158)? É a finalidade do agente. 158 . busca-se vantagem indevida. Se o funcionário público NÃO tem competência para praticar o ato que está ameaçando não há crime funcional. tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa: Pena . mediante violência ou grave ameaça.90 A extorsão é um ataque indevido à liberdade de outrem visando a obter vantagem econômica. de quatro a dez anos. se não tiver a competência. 2.072. V). O constrangimento é feito mediante VIOLÊNCIA (efetivo emprego de força física) ou GRAVE AMEAÇA. pratica somente o crime de extorsão. ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima. e multa. § 2o. Nem todo o funcionário público pratica concussão. 2. Na extorsão. isto é. CORRENTE MAJORITÁRIA (STF): o agente responde por LATROCÍNIO TENTADO. pratica concussão. 610 .tentada tentada Tentado CORRENTE: agente responde por TENTATIVA DE HOMICÍDIO qualificado pela CONEXÃO com a SUBTRAÇÃO (artigo 121.reclusão.2 Sujeito passivo: o lesado patrimonialmente e o que sofreu a violência ou a grave ameaça. quando o homicídio se consuma. § 2º .Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas. CORRENTE MINORITÁRIA (doutrinária): o agente responde por HOMICÍDIO QUALIFICADO CONSUMADO em concurso com ROUBO SIMPLES TENTADO. pratica a extorsão. e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica.Constranger alguém. de 25.Há crime de latrocínio.Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior. § 1º . no constrangimento ilegal busca-se somente a restrição da liberdade.2.

aumenta-se a pena de um terço até metade. Jurisprudência: “PENAL. 71 .Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior. I.5 Dolo: o crime é punido a título de dolo.90 Artigo 157. enquanto na extorsão o comportamento da vítima é imprescindível à consumação do crime. II. configuram-se os crimes de roubo e extorsão.426. 3) no roubo o mal é a violência física iminente. Vide Lei nº 8.2. § 2º. independentemente.097): 1) no roubo há subtração. Essa majorante é distinta da prevista no ROUBO (§ 2O. nº. 2. após subtrair alguns pertences da vítima. de sete a quinze anos. Exige que as pessoas participem diretamente da execução do crime. § 1º. obriga-a a entregar o cartão do banco e fornecer a respectiva senha. não estando incluída a figura do partícipe. Com um elemento subjetivo do tipo: com o intuito de obter para si ou para outrem INDEVIDA VANTAGEM ECONÔMICA. se o agente. em que. ATENÇÃO: somente há a qualificadora se os resultados nascem da violência e não da grave ameaça. de 25. ART. A minoria (LUIZ RÉGIS PRADO) afirma que basta o porte ostensivo para a aplicação da majorante. analisando as características das vítimas. Se houver o partícipe não será aplicada a majorante. 96). 2) no roubo o comportamento da vítima é prescindível. que é utilizado pelo juiz diligente como circunstância judicial desfavorável. DJ de 14/02/05. o legislador fala em COMETIMENTO por duas ou mais pessoas. em concurso material.4 Extorsão e crime de roubo: (STJ.2. DELITO ÚNICO. a reclusão é de vinte a trinta anos. Assim. p.7. enquanto na extorsão o mal prometido é futuro.8 Qualificadora: somente será hediondo se resulta a morte e não a lesão corporal grave. de 1996) Vide Lei nº 8. além da multa.7. Resp. 2. A segunda hipótese da majorante é o EMPREGO DE ARMA.2. de 25. sendo o locupletamento do agente mero exaurimento do crime. Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas. § 2º . § 3º Se da violência resulta lesão corporal grave. se resulta morte. 157. é crime de consumação antecipada. (Redação dada pela Lei nº 9. 90. CONCURSO DE PESSOAS).90 (ROUBO QUALIFICADO) As causas de aumento do § 1o.7 Majorante: a doutrina erroneamente chama de qualificadora. STF e STJ (S.423/SP. ou seja. 239). deve ser verificado o caso concreto para a configuração da grave ameaça. consumando-se no momento do constrangimento. DO CÓDIGO PENAL.072. § 1º. a pena é de reclusão. Na linha de precedentes desta Corte e do Pretório Excelso. para a maioria.072. 158. enquanto na extorsão há tradição da coisa. da obtenção da vantagem indevida.2. Na extorsão. Recurso provido” (Resp 684. Sobre o conceito de armas valem os argumentos anteriores.sabe em é ele (ROXIN e LFG). somente aumentam a pena do caput e não da qualificadora. Consumação: há correntes distintas. sem prejuízo da multa. enquanto na extorsão é futura a vantagem visada pelo agente. 2. mas é uma majorante que deve ser verificada na 3a fase de aplicação da pena. ou com emprego de arma. CONCURSO MATERIAL. 4) no roubo o proveito do agente é contemporâneo.2.6 Tentativa: o crime de extorsão admite tentativa. 2. está abrangida por essa idéia a noção do partícipe. 2. II E V E ART. entretanto. prevalece majoritariamente a tese de que é um crime formal. A maioria da doutrina afirma que é necessária a efetiva utilização da arma e não o mero porte ostensivo (BITENCOURT).

159 .741. o concorrente que o denunciar à autoridade.Se resulta a morte: Vide Lei nº 8. EXEMPLO: prender a cachorrinha da Vera Loyola é extorsão e não extorsão mediante seqüestro. o foi no título.reclusão. Vide Lei nº 8. de dezesseis a vinte e quatro anos. (Redação dada pela Lei nº 8. (Redação dada pela Lei nº 9.072.072. Pena .7.Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Vide Lei nº 8. ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha. (Redação dada pela Lei nº 8. de oito a quinze anos. (Redação dada pela Lei nº 8. 2. se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos.7.7. Vale trazer que apenas a extorsão qualificada pela morte. de 25.reclusão.072. de 25.90 Pena . seguidas as mesmas regras do roubo.072. terá sua pena reduzida de um a dois terços.reclusão. de 25. de vinte e quatro a trinta anos.As qualificadoras somente se aplicam nas hipóteses em que a extorsão é cometida com emprego de violência. podendo ser praticado por qualquer pessoa. b) deve ser vantagem indevida: porque se é devida é exercício arbitrário das próprias razões.2 Sujeito passivo: é a pessoa humana.4 Dolo: o crime é punido a título de dolo acrescido do elemento subjetivo do tipo: locupletamento. de 25. Há jurisprudência discordando pelos seguintes motivos: a) deve ser vantagem patrimonial: porque está no título dos crimes contra o patrimônio.7. 2. como condição ou preço de resgate.3 EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO Extorsão mediante seqüestro Art.072.3. 2. Nesses casos.7.7.90 Pena .90 Pena . se o legislador não foi expresso no tipo.269. é que tem natureza de crime hediondo. (Redação dada pela Lei nº 8. por ter o legislador utilizado a expressão QUALQUER VANTAGEM.3.072. de doze a vinte anos. de 1996) E se for uma extorsão mediante cárcere privado aplica-se o artigo 159? A doutrina toda adverte que no texto o seqüestro está em sentido amplo.7. como condição ou preço do resgate: Vide Lei nº 8.072.reclusão. para si ou para outrem.1990) § 4º . serão. consumada ou tentada.3. de 25. facilitando a libertação do seqüestrado. 2. abrangendo o seqüestro propriamente dito e o cárcere privado. 72 .3.072. 2.1990) § 2º . qualquer vantagem.Se o crime é cometido em concurso. Importa se a vantagem é devida ou indevida? Tem que ser patrimonial ou extra-patrimonial ? Não importa. de 25.Seqüestrar pessoa com o fim de obter.1990) § 3º . de 25.1990) § 1o Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas. pode ser vantagem devida ou indevida ou econômica ou não econômica (BITENCOURT e RÉGIS LUIZ PRADO). de 25. de 2003).3 Conduta: privar alguém de sua liberdade para obtenção de QUALQUER VANTAGEM.1 Sujeito ativo: é um crime comum.7.90 (Redação dada pela Lei nº 10.

há concurso material com homicídio qualificado. (Redação dada pela Lei nº 8. . 2. 2. O resultado qualificador pode advir de dolo ou culpa. 711 . Essa qualificadora se justifica porque cria maior sofrimento para a vítima e para os seus familiares. assim a consumação exige a obtenção do locupletamento. majorado. de 2003). Deve-se contar do momento em que foi privada a sua liberdade até a sua soltura. o resultado qualificador deve recair sobre a pessoa seqüestrada. A súmula do 711 do STF aplica-se a esse crime. Para aqueles que entendem não haver necessidade de privação de liberdade por tempo juridicamente relevante para a consumação do delito. Por isso. irão carregar seqüelas insuperáveis ou de difícil superação. CORRENTE MINORITÁRIA: crime material. ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha.Não há necessidade de que a lesão grave ou morte decorram de violência.3. argumentam que esse dispositivo afasta a teoria de que o tempo é juridicamente relevante para a configuração da tentativa ou consumação do crime. CORRENTE MAJORITÁRIA: crime formal. basta a extorsão sem a necessidade do locupletamento. tipificando-o no artigo 157. COMETIDO POR QUADRILHA OU BANDO: devem estar presentes os requisitos do artigo 288. NÃO será aplicável a qualificadora. ficou afastado o idoso que tem a idade igual a 60 anos. de 25.Trata-se de duas hipóteses de crime qualificado pelo resultado. VÍTIMA COM MENOS DE 18 OU MAIOR DE 60 ANOS: essas vítimas presumidamente irão sofrer mais do que os outros. 73 .741.2. .3. como regra admite a tentativa.7. Vide Lei nº 8.6 Crime permanente: 2.072. pouco importando que tenha sido pago o resgate nesse meio tempo. A tentativa ocorre quando o ato de seqüestrar é frustrado por circunstâncias alheias à vontade do seqüestrador.5 Consumação: a discussão se repete em relação à natureza jurídica do crime. Se os seqüestradores matam o segurança da vítima ou a pessoa que estava efetuando o pagamento do resgate.A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente.3.90 (Redação dada pela Lei nº 10. Pena .8 Modalidades qualificadas: § 1o Se o seqüestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas.7 Tentativa: a maioria entende que o crime deve perdurar por tempo juridicamente relevante. QUALIFICAÇÃO POR LESÃO GRAVE E MORTE: . Nessa modalidade.7. se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. EXEMPLO: tentar colocar a vítima no veículo para realizar a extorsão mediante seqüestro. bastando que decorram do seqüestro. muita gente não coloca o seqüestro relâmpago nesse dispositivo. de doze a vinte anos.Em ambas as hipóteses.reclusão.3. Se a vítima tem 60 anos ou foi libertada no dia em que completou 60 anos. se o seqüestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos.1990) DURAÇÃO SUPERIOR A 24 HORAS: o tempo somente será relevante juridicamente para fins da aplicação da qualificadora.072. de 25. O fato de o crime ser formal não afasta a tentativa.

3 Conduta: são dois os núcleos do tipo: EXIGIR ou RECEBER. O crime pretende evitar que a pessoa se valha da justiça criminal para a cobrança de créditos extorsivos.1 Sujeito ativo: a maioria esmagadora dos exemplos dados pela doutrina são de agente economicamente forte de economicamente fraco. Porque está municiando o agente de armas para a futura extorsão. Ocorre quando o agente voluntariamente (não se confunde com espontaneidade). pois as penas são distintas. 2. para que depois possa utilizar o cheque para ajuizamento de uma ação criminal por estelionato. c) visando a garantir o pagamento da dívida.4. É a proteção do economicamente fraco em relação ao economicamente forte. facilitando a libertação do seqüestrado. que não deixa que o crime protege no MÚTUO o economicamente fraco em relação ao economicamente forte. sob pena de desaparecer o próprio crime.4.269.9 Delação eficaz: antes de 1996 somente existia para a qualificação em quadrilha ou bando. é claro que se trata de crime comum. 2. São imprescindíveis os elementos acima. (Redação dada pela Lei nº 9.4. terá sua pena reduzida de um a dois terços. documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro: Pena .3. EXEMPLO: o credor exige que a vítima assine um cheque em branco. bem como o terceiro contra quem se intentou a ação penal. são duas as modalidades criminosas: a) EXIGIR: para a realização do negócio.4. basta o concurso de pessoas. (lembra um pouco o estado de perigo do direito civil). pode ser incentivado por terceiros.807/99 (proteção a testemunhas) trazem importantes hipóteses de perdão judicial. 13 e 14 da Lei nº.reclusão. 160 . ou seja. 2. b) RECEBER: para a realização do negócio. Mas. o concorrente que o denunciar à autoridade. de um a três anos. b) abuso da situação de necessidade do sujeito passivo. delata eficazmente.O reconhecimento de qualificadora mais grave automaticamente afasta a aplicação das menos graves. e multa. Maior será a redução da pena quanto maior for a colaboração do agente na libertação da vítima. 2. abusando da situação de alguém.. 74 . Essa tipificação legal nasceu para proteger em uma relação de mútuo a parte mais fraca da parte mais forte.Exigir ou receber. § 4º . de 1996) * Os artigos. Será eficaz quando permitir a libertação do seqüestrado. 2. como garantia de dívida. agora.2 Sujeito passivo: é a pessoa que fez o empréstimo.1 Elementos essenciais: são elementos essenciais da extorsão indireta: a) exigência ou recebimento de documento que possa dar causa a processo penal contra a vítima ou terceiro. Assim. 2.4 EXTORSÃO INDIRETA Extorsão indireta Art. Essa conclusão está expressa e clara na Exposição de Motivos do CP. 9.Se o crime é cometido em concurso.

se o fato não constitui crime mais grave. de seis meses a três anos. Assim. uma nota-promissória ou um cheque. marco. DA USURPAÇÃO DA USURPAÇÃO Alteração de limites Art.8 Tentativa: a tentativa é sempre possível.detenção. águas alheias. 75 . indevidamente.4. no todo ou em parte.4.detenção. São bens jurídicos diversos: denunciação caluniosa (administração da justiça) e extorsão (patrimônio). incorre também na pena a esta cominada. ou multa.4.Destruir. 2.4.Se o agente usa de violência. inutilizar ou deteriorar coisa alheia: Pena .Suprimir ou alterar. somente se procede mediante queixa. DO DANO Dano Art. Esbulho possessório II .4 Documento: é indispensável que o documento tenha potencialidade para prejudicar a vítima. em proveito próprio ou de outrem. é admitida a tentativa quando a conduta for feita por escrito. de um a seis meses.6 Dolo: o crime é punido a título de dolo.com violência à pessoa ou grave ameaça. e multa. 4.2. II . Documento é qualquer escrito que seja capaz de materializar algo que prejudique a vítima. 2. 161 . 2. marca ou sinal indicativo de propriedade: Pena . com violência a pessoa ou grave ameaça.invade.Se o crime é cometido: I .com emprego de substância inflamável ou explosiva. Supressão ou alteração de marca em animais Art. e não há emprego de violência.desvia ou represa. § 1º . ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória. 163 . terreno ou edifício alheio. Dano qualificado Parágrafo único .4. Na modalidade exigir é formal e no núcleo receber o crime é material.Se a propriedade é particular. e multa. formal ou material? Depende da modalidade de conduta. e outros. há doutrina que afirma que cheque pré-datado não dá ensejo a processo penal.detenção. 162 . de coisa imóvel alheia: Pena . na modalidade exigir. de um a seis meses.Suprimir ou deslocar tapume. pode ser declaração em cartório confessando um crime ou uma dívida inexistente. para o fim de esbulho possessório. § 2º .7 Natureza do crime: é de mera conduta. § 3º . 2. ou mediante concurso de mais de duas pessoas. trata-se de mero ilícito civil.5 Denunciação caluniosa: se o agente sabendo que a vítima é inocente e dá início ao processo penal absorve a denunciação caluniosa? Há divergência. em gado ou rebanho alheio. 3.Na mesma pena incorre quem: Usurpação de águas I . para apropriar-se.

sem consentimento de quem de direito. inutiliza ou deteriora os obstáculos materiais à consecução da fuga. Em 2006 o STJ entendeu que: Inexiste crime de dano se o preso destrói. Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia Art. o aspecto de local especialmente protegido por lei: Pena . do inciso IV do seu parágrafo e do art.3 Sujeito passivo: qualquer pessoa titular de direito patrimonial atingido pela ação tipificada.2 Sujeito ativo: qualquer pessoa que tenha a posse ou detenção LÍCITA de coisa alheia móvel. porque ausente o dolo específico. havendo prevalecido na doutrina a posição de que tal intento específico não foi previsto pela lei. arqueológico ou histórico Art. em relação à PROPRIEDADE.por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima: Pena . A locução patrimônio público (para fins de agravamento) deve ser considerada de forma ampla. 5 DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA 5. Revogado pelo art. englobando os bens de uso comum do povo e os de uso especial. ou multa. 166 . 168 . 164 . 164. 167 .605/98. de 3. sem licença da autoridade competente. (Redação dada pela Lei nº 5. além da pena correspondente à violência. Em regra o proprietário mas o possuidor pode ser vítima quando a posse decorra de DIREITO REAL (usufruto ou penhor. desde que o fato resulte prejuízo: Pena .1.detenção. Protege o direito de propriedade contra eventuais abusos do possuidor. 63.1 Bem jurídico: inviolabilidade do patrimônio. de seis meses a três anos. ou seja. já que se relacionam com a propriedade). Dano em coisa de valor artístico. que possa ter a intenção de dispor da coisa como se fosse sua. 5. e multa. 5.reclusão.1 APROPRIAÇÃO INDÉBITA Apropriação indébita Art. Revogado pelo art.11.detenção. 76 . 165 . e multa. arqueológico ou histórico: Pena . empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista.Apropriar-se de coisa alheia móvel. Algumas observações me parecerem relevantes. de seis meses a dois anos.Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia. de quinze dias a seis meses. 9.Nos casos do art. somente se procede mediante queixa. de que tem a posse ou a detenção: Pena .Alterar. 5.1. de um a quatro anos. da Lei n. Discute-se a necessidade do ânimo de causar prejuízo.Destruir. 62. o propósito de causar prejuízo ao titular do objeto material do crime. ou multa. I.III . Estado.contra o patrimônio da União.detenção.1. IV .detenção. Alteração de local especialmente protegido Art. A jurisprudência traz julgados nos dois sentidos. inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em virtude de valor artístico. de um mês a um ano. da Lei 9. Ação penal Art. e multa. 163.1967). bastando a vontade destruir.605/98.346. Município. A locação ou cessão de prédio público a órgão da Administração Pública não tem o condão de tornar públicos esses bens.

relojoeiro etc. de 2000) 77 .983. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes. de 2000) § 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de: (Incluído pela Lei nº 9. ser objeto de apropriação indébita.1. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. engenheiros etc. a vontade definitiva de não restituir a coisa alheia ou desviá-la de sua finalidade.2 Depósito necessário: é o depósito que se efetua no desempenho de obrigação legal (DEPÓSITO LEGAL. como incêndio.1 Formas qualificadas: não são qualificadoras são majorantes.7 Questões especiais: NÃO geram o crime de APROPRIAÇÃO INDÉBITA: 1) APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE USO: não existe.1. inundação. que se refere às bagagens dos viajantes. 647. de 2000) Pena – reclusão. nas hospedarias.em depósito necessário.A pena é aumentada de um terço.1.1. geralmente. ou seja trata-se de uma atitude subjetiva. emprego ou profissão. Emprego é a prestação de serviço com subordinação e dependência.1.1. PRESSUPOSTO: anterior posse ou detenção legítima. ou por equiparação. emprego ou profissão: sujeito viola deveres inerentes à sua qualidade.4 Ofício. inventariante.). 647. 5. 5. 5.1. hóspedes ou fregueses. São condições justificadoras de maior confiança. advogados. 168-A.).5 Tipo Subjetivo: DOLO (animus rem sibi habendi) constituído pela vontade livre e consciente de apropriar-se de coisa alheia móvel.4 Tipo objetivo: apropriar-se é tomar para si. testamenteiro ou depositário judicial. art.1. do CC) ou aquele que é efetuado por ocasião de alguma calamidade. art.983.5.na qualidade de tutor.1 Majorantes Aumento de pena § 1º .3 Qualidade especial do agente: a lista é numerus clausulus. É o DOLO SUBSEQUENTE pois a apropriação segue-se à posse lícita da coisa. para ser restituída na mesma espécie. (Incluído pela Lei nº 9.1.983. 5. naufrágio e saque (DEPÓSITO MISERÁVEL. do CC). 5.1. CC). Profissão se caracteriza pela inexistência de qualquer vinculação hierárquica e pelo exercício predominantemente técnico e intelectual de conhecimentos (médicos. síndico. ou seja. e multa. INVERTER a natureza da posse.1. passando a agir como se dono fosse de coisa alheia de que tem posse ou detenção.983.em razão de ofício. emprestada ou depositada. 5. Ofício é a ocupação manual ou mecânica que supõe certo grau de habilidade e que é útil ou necessária à sociedade (mecânico de automóvel. II. 5. 5. quantidade e qualidade. liquidatário.1. que podem não existir no ofício ou profissão. não pode.6 Consumação e tentativa: é de difícil precisão. Como é crime material em tese é possível a tentativa. quando o agente recebeu a coisa: I .2 APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA Apropriação indébita previdenciária (Incluído pela Lei nº 9. III . Há a INVERSÃO DA NATUREZA DA POSSE. de 2000) Art. 5. no prazo e forma legal ou convencional: (Incluído pela Lei nº 9.1. hotéis ou pensões onde estiverem (art. 2) APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE COISA FUNGÍVEL: a coisa fungível. 649. costureiro. porque ocorre no momento em que ocorre a INVERSÃO DA NATUREZA DA POSSE. curador. II .

Empresário individual. não é necessário ter o ânimo de possuir a coisa.983.I – recolher. sócios solidários. desde que responsável pelo repasse aos cofres públicos. de 2000) § 2o É extinta a punibilidade se o agente. uma vez que a novatio legis (art. de 2000) § 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes. a terceiros ou arrecadada do público. após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia. não se exige nada além do dolo.983. o pagamento da contribuição social previdenciária. gerentes. quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social. apenas muda de lugar.983. inclusive acessórios. no prazo legal. 9. pois os prazos e as formas de repasse estão estabelecidas na Lei n. confessa e efetua o pagamento das contribuições. Sujeito passivo: INSS (não é a União nem os segurados). diretores ou administradores que efetivamente tenham participado da administração da empresa. Trata-se de norma penal em branco. § 1º. do CP. (Incluído pela Lei nº 9. de 2000) III . nenhum requisito subjetivo especial.983. declara. Houve abolitio criminis? NÃO. A lei 9983 revogou o art. assim aquela parte do empregador não recolhida não configura crime. contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados. importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social. manteve a figura típica anterior no seu aspecto substancial.212/91.983/00). antes do início da ação fiscal. pois tudo que estava previsto no art.670. 95. de 2000) II – recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços. Objeto do crime: só as contribuições recolhidas dos contribuintes e não repassadas ao INSS. administrativamente. não fazendo desaparecer o delito em questão” (HC 33. conforme ampla jurisprudência do STF e do STJ. após o desconto das contribuições. ou seja. Contenta-se com o dolo genérico de repassar. é tipo penal congruente. de 2000) II – o valor das contribuições devidas. 78 . inclusive acessórios. 8. seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social. de 2000) I – tenha promovido. DJ de 25/10/2004). desde que: (Incluído pela Lei nº 9. (Incluído pela Lei nº 9.983. 95 veio para o artigo 168-A o tipo mudou de lugar (PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE NORMATIVOTÍPICA). conquanto tenha revogado o disposto no art. o STJ: “Inocorrência da alegada abolitio criminis. Quinta Turma. o tipo continua.983.212/91. (Incluído pela Lei nº 9. espontaneamente. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. acrescentado pela Lei n. 168-A. Competência: Justiça Federal. Nesse sentido. não se exigindo o animus rem sibi habendi. 95 da Lei n. Por isso. como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. Crime omissivo próprio ou puro e independe de vantagem ilícita. ou (Incluído pela Lei nº 9. 8. na forma definida em lei ou regulamento.983. (Incluído pela Lei nº 9. (Incluído pela Lei nº 9.pagar benefício devido a segurado. de 2000) Pela lei 9983/00 antes os crimes previdenciários estavam na Lei 8212/91 (artigo 95).

212/91 – a presunção de que o desconto ocorrera. 33.213/91. • (inc III) Deixar de pagar benefício devido a segurado quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social . presença apenas do dolo genérico. estelionato previdenciário. sonegação previdenciária Extinção da punibilidade: é tema recorrente nos concursos. contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados. preleciona LUIZ REGIS PRADO. desta feita. 31 da Lei 8.212/91. I) Deixar de recolher. somente dolosa. crime omissivo próprio. conseqüentemente. a terceiros ou arrecadada do público – aqui também crime omissivo próprio. a tentativa. o que a lei quis dizer foi a voluntariedade. presença apenas do dolo genérico • Elementos normativos: outra importância – elemento normativo do tipo a depender de complemento pela legislação previdenciária. arrecadada do público – contribuição oriunda dos concursos prognósticos e também a incidente sobre a receita bruta decorrente de realização de espetáculos desportivos. Art. tal como o art. Presunção do art. exemplificando a incidência da norma incriminadora: não recolher ao órgão previdenciário contribuição embutida no preço final do produto ou serviço.crime comissivo próprio. inadmitindo. A consumação desta modalidade exige efetivo desconto e. 168. torna o fato impunível.Se o empregador está impossibilitado de pagar há crime? A jurisprudência exclui a culpabilidade. aqui se impõe a comprovação de que o agente efetuou a dedução da contribuição. Mas exige-se a prova inequívoca da impossibilidade de repassar a contribuição. não existe apropriação na forma culposa. se exógeno ou endógeno. §5°. Ato espontâneo do agente (para alguns. tal qual previsto no art. por inexigibilidade conduta diversa. 91 da Lei 8. o anterior reeembolso. Requisito subjetivo do crime: dolo. não se exigindo o animus rem sibi habendi. conforme se posicionam Luiz Régis Prado e Alexandre de Morais). 79 . qual seja. § 2º. no prazo e forma legal ou convencional – contenta-se com o dolo genérico de não repassar. • (INC.crime omissivo próprio. o não repasse. da Lei 8. (inc II) Deixar de recolher contribuições devidas à previdência social que tenha integrado despesas contábeis ou custos relativos a venda de produtos ou à prestação de serviços – igualmente. O pagamento extingue a punibilidade. em razão de existir uma conduta precedente. é vedada no âmbito penal. essa é a modalidade que mais se aproxima da apropriação indébita. A figura diz com o substituto tributário. não será aferido pela autarquia previdenciária. consumase com o vencimento do prazo fixado para o repasse aos cofres da Previdência. CONDUTAS Versam sobre normas penais em branco colmatadas pela legislação previdenciária (CAPUT) Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes. • São crimes contra a previdência: a) b) c) d) apropriação indébita. no prazo legal. falsidade previdenciária. pois o motivo que levou o agente a buscar a extinção da punibilidade.

retornando a ação penal. que não faz distinção entre as contribuições previdenciárias descontadas dos empregados e as patronais. Se o contribuinte não pagar o parcelamento. 16) Parcelamento de débito previdenciário (aplica-se também para o débito tributário): parcelamento equivale a pagamento? SIM.REFIS II (PAES): o REFIS II suspende a pretensão punitiva (e também a prescrição) durante o período em que o contribuinte está pagamento o parcelamento. § 2º.º 9. § 2º. a saber: “A empresa administrada pelos réus aderiu ao REFIS previsto na Lei nº 9. que ocorre apenas com o pagamento integral do débito” (STJ – HC 19.684/03 . 5º. na forma definida em lei ou regulamento. a qual dispõe. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. da Lei 10. 9º. não se aplica à apropriação indébita previdenciária. 34 da Lei n.331.§ 2o É extinta a punibilidade se o agente. PARCELAMENTO E QUITAÇÃO APÓS O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. limita-se a autorizar a extinção da punibilidade referente aos 80 . deve ser beneficiado pelo que dispõe o artigo 9º. o parcelamento tem os mesmos efeitos do pagamento. Enfim. inclusive acessórios. e o paciente cumpre a respectiva obrigação. se deferido o parcelamento. de 2000) TIAF (Termo de início da ação fiscal) Pagamento Extinção da punibilidade Oferecimento da denúncia Recebimento da denúncia Pagamento Pagamento Cìrcunstância atenuante (art. a incidência da Lei 9. da Lei. Em se tratando do REFIS I (vale lembrar que aqui o benefício penal também só era cabível se o parcelamento fosse anterior à denúncia). de acordo com o entendimento do STJ. não haver mais limitação de parcelamento anterior à denúncia) são aplicáveis retroativamente.249/95.249/95. declara. DJ de 09/10/06. sendo desnecessário. Chegou-se a entender que o art. p. 95. 168-A existente no caput do art. 9º restou inócua (vide STJ HC 35. quando a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos débitos oriundos de tributos e contribuições sociais.897/SP. espontaneamente. “d”. o pagamento integral do débito.212/91. verificava-se a extinção da punibilidade prevista no art.684/03. POR FORÇA DA RETROAÇÃO DE LEI BENÉFICA. 316). As regras referentes ao parcelamento são dirigidas à autoridade tributária. em seu art. cabe o benefício penal: EMENTA: HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO. ou seja. é excluído do programa. conforme pacífica jurisprudência do STJ e do STF. da citada Lei n. Quinta Turma. pouco importa essa discussão.684/03. já não mais se aplicava esse entendimento. (Incluído pela Lei nº 9. da lei 8. Não obstante isso. Se esta defere a faculdade de parcelar e quitar as contribuições descontadas dos empregados. portanto. Este preceito. DJ de 18/10/2004). 15. Constatado que o parcelamento do débito previdenciário foi deferido aos pacientes já na vigência da Lei 9. que prevê a extinção da punibilidade. 34. Lei 10. Isso valia na época em que estava em vigor o art. 10. razão pela qual a referência ao art. impossível a declaração da extinção da punibilidade. já que o art. uma vez deferido o parcelamento em momento anterior ao recebimento da denúncia. registre-se que os benefícios trazidos pelo REFIS II (como por exemplo. Aqui não há mais falar em parcelamento ou pagamento antes do recebimento da denúncia. da Lei 9. e não repassadas ao INSS. afastando-se. APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCONTADAS DOS EMPREGADOS.964/00. Nessa época. Gilson Dipp. caiu aquela limitação temporal das leis anteriores. que a inclusão no regime de parcelamento enseja a suspensão da pretensão punitiva do Estado. foi vetado. 65) Pagament o Perdão judicial ou somente pena de multa Arrependimento posterior (art.983. Efetuados todos os pagamentos extingue-se a punibilidade.249/95 e se referia ao tempo em que o crime estava disposto no art.964/00. confessa e efetua o pagamento das contribuições. para tanto. importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social. Rel. § 2º. aplicando-se ao caso o disposto na nova regulamentação legal. antes do início da ação fiscal. o STF (e agora o STJ também adota esse posicionamento) entendeu que. já que o parcelamento só significava suspensão da pretensão punitiva.

quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria. 5. aplicam-se normalmente as regras do CP que abaixo se comenta. Mínimo para execução fiscal de débito do INSS: atualmente. de um mês a um ano. pequeno valor – aplicação do perdão judicial ou redução da pena. Podia fazê-lo. sendo portanto. 168A. mas assim não procedeu. 169 . PERDÃO JUDICIAL E FIGURA PRIVILEGIADA: ART. da quota a que tem direito o proprietário do prédio. pode perdoar ou aplicar somente a multa.4 APROPRIAÇÃO INDÉBITA PRIVILEGIADA 15 Insignificância – valor ínfimo.crimes ali relacionados. 5.2 Apropriação de coisa achada Apropriação de coisa achada II . não gerando. caso fortuito ou força da natureza: Pena . XL da Constituição do Brasil. Condições objetivas alternativas: α) pagamento da contribuição. 17/05/05). 81 . por conseguinte. Ordem deferida. à época. Extensão a paciente que se encontra em situação idêntica (HC 85. a critério do julgador. pois não se considera o fato atípico.452/SP. total ou parcialmente.3 APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE COISA HAVIDA POR ERRO. A lei nova permite que o faça depois. É bom que se registre que as regras do REFIS são temporárias e vão valer para aqueles que dela se utilizaram no respectivo período. antes do recebimento da denúncia. efeitos penais (súmula 18 STJ. deve incidir o mencionado artigo 9º. O paciente obteve o parcelamento e cumpriu a obrigação. o que o dispositivo permite é o perdão judicial.quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria. Se todo o débito for até o limite. cuja retroação deve operar-se por força do artigo 5º. dentro no prazo de quinze dias. CP • • Condição subjetiva para obtenção do favor: agente primário e de bons antecedentes. Rel. a sentença veiculadora de perdão tem natureza condenatória). Erou Grau.1 Apropriação de tesouro Apropriação de tesouro I . acrescida dos acessórios.3. Em não havendo mais possibilidade de adesão ao REFIS. cuja sentença concessiva é considerada declaratória da extinção da punibilidade. deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente. o valor mínimo que o INSS exige para efeitos de execução fiscal é de R$5000.Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro.3. ou multa. até o recebimento da denúncia. para o STF. 5. de valor inferior ao patamar estabelecido pela previdência para ajuizamento de execuções fiscais. o juiz pode ao invés de aplicar pena. § 3°. Não foi adotado o princípio da insignificância15. CASO FORTUITO OU FORÇA DA NATUREZA Apropriação de coisa havida por erro. Nada importa se o parcelamento foi deferido antes ou depois da vigência das leis que o proíbe: se de qualquer forma ocorreu. caso fortuito ou força da natureza Art. lex mitior.detenção.00.Na mesma pena incorre: 5. no todo ou em parte. principal e acessórios. ou β) ser o débito. Parágrafo único . entretanto.

Qualquer outro meio fraudulento – EXEMPLO: o silêncio. SUJEITO PASSIVO: não é somente a vítima da lesão patrimonial. sendo que a vantagem de outra natureza NÃO configura estelionato. ou seja. O crime de estelionato é um CRIME DE DUPLO RESULTADO.101/05. pelo princípio da especialidade). § 2º. EXEMPLOS: abastecimento de veículo. configura-se o exercício arbitrário das próprias razões. Se a vítima for incapaz de discernimento como um menor e um alienado mental o crime é o do artigo 173 (FRAUDE CONTRA INCAPAZ). está-se diante da TENTATIVA. Artifício – utilização de objetos ou aparatos aptos a enganar alguém. ela pode ter duas finalidades: INDUZIMENTO (o agente CAUSA a falsa percepção da realidade na vítima. aplica-se o disposto no art. CP. porque são indispensáveis: VANTAGEM INDEVIDA para o agente e PREJUÍZO para a vítima. começa a paquerar e a mulher afirma que não tem dos defeitos da namorada antiga.Nos crimes previstos neste Capítulo. o agente apenas mantém a vítima nessa situação). mas. CONCURSO: é possível praticar estelionato por omissão? SIM. que a vantagem deve ser necessariamente de natureza econômica. deve ser especificada indicação): i. iii. ou seja. mas. É um dos crimes mais difíceis que existe. EXEMPLO (brincadeira): sujeito em uma boate depois de terminado o namoro. no caso do silêncio. se for pessoa incerta e indeterminada. ii. via de regra. 155. haverá o crime da Lei 1. também quem foi enganado pela fraude empregada pelo agente. 6 DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES O estelionato está previsto no artigo 171. São os elementos estruturais do estelionato: a) FRAUDE: pode servir para induzir a vítima em erro ou manter a vítima em erro. o agente é o provocador) ou MANUTENÇÃO (a vítima já estava em erro.Art. taxímetro de táxi. por exemplo). balanças. depois de um 01 mês mostra-se igual à namorada = conversa enganosa. em razão da riqueza do tipo penal.. CUIDADO: existem vários crimes cuja a fraude e vantagem indevida são elementares em diversas leis especiais (Lei dos Crimes contra o SFN e a Lei de Falências . por meio de uma boa conversa.521/51 (artigo 2o. SUJEITO ATIVO: é crime comum e pode ser praticado por qualquer pessoa. IX – Lei de Economia Popular). EXEMPLO: bilhete premiado. Como capitular a conduta daquele que está 82 . • A vantagem é ou não necessariamente de natureza econômica? PREVALECE. A fraude poder ser empregada por 03 modos (que também deve estar especificado na denúncia – CUIDADO. quando empregado para manter a vítima em erro. O conflito deverá ser resolvido. faltando um dos dois. O sujeito passivo deve ser pessoa certa e determinada. utilização de disfarces. b) PREJUÍZO ALHEIO: que deve ser resultante da vantagem indevida. Ardil – para ludibriar a vítima. c) VANTAGEM INDEVIDA: discussões importantíssimas: • Se a vantagem for devida. mas. CONCEITO: estelionato é o agente praticar FRAUDE em PREJUÍZO ALHEIO buscando uma VANTAGEM INDEVIDA (MP/PE). 170 .artigo 168 da Lei 11.

discorda da primeira. ele pratica estelionato permanente ou não? É crime instantâneo de efeitos permanentes de acordo com o entendimento do MIN MARCO AURÉLIO. O agente. CP). O STJ não está dizendo que SEMPRE é absorvido. STJ – o falso é absorvido pelo estelionato. mas. ESTELIONATO e DOCUMENTOS FALSOS: são 04 correntes: a) ARTIGO 171 em concurso material com o crime de FALSO – um não pode absorver o outro porque atingem objetividades jurídicas diversas. porque entende que há uma única conduta (STF e TRF4a). CONSUMAÇÃO: é crime material que se consuma no instante em que o agente efetivamente consegue obter a vantagem ilícita. por meio de falsificação. consegue receber benefícios do INSS. Agente primário e coisa ou prejuízo sofrido pela vítima de pequeno valor. PREJUÍZO ALHEIO e VANTAGEM INDEVIDA. o será apenas e tão somente quando o falso se esgota no crime material. o STJ entende que se trata de um CRIME EVETUALMENTE PERMANENTE. porque a boa ou má-fé da vítima NÃO é elementar do tipo. EXEMPLO 02: falsificado um cartão de crédito e várias compras forma feitas. não se aplica a súmula. SUBTIPOS DO ESTELIONATO: § 2o do artigo 171. nas mesmas penas do estelionato incorre quem praticar as condutas abaixo. I – Disposição de coisa alheia como própria I – vende. em locação ou em garantia coisa alheia como própria. b) ARTIGO 171 em concurso FORMAL com o crime de FALSO – há uma só conduta produzindo 02 resultados. aplica-se tudo o que foi dito sobre furto. porque permanece o potencial lesivo do cartão falsificado. Do contrário. d) SÚMULA 17. Mas. note-se que as mesmas elementares estão presentes: FRAUDE. Não achei precedentes no TRF5.prestando vestibular com escuta das respostas? O STF capitulou como sendo ESTELIONATO (artigo 171. além de existirem duas condutas diversas o que culmina no concurso material dos crimes. SUJEITO ATIVO: qualquer pessoa. 83 . ou seja. dá em pagamento. em decorrência de duas objetividades jurídicas diversas. FRAUDE BILATERAL: a vítima age com a mesma má-fé do agente. será configurado somente o crime de estelionato. O agente está vendendo coisa que não é sua. cabendo o flagrante a qualquer tempo. b) NELSON HUNGRIA: a fraude bilateral descaracteriza o crime. como se sua fosse. quando haja a potencialidade lesiva sido esgotada no crime patrimonial. até o CONDÔMINO. o STJ entende que há concurso MATERIAL DE CRIMES. mas. houve o esgotamento. de acordo com a SUMULA. permuta. ou seja. o crime persiste mesmo que a vítima tenha tido a mesma má-fé que o agente (MAJORITÁRIA). ESTELIONATO PRIVILEGIADO: § 1o do artigo 171. CORRENTES: a) a fraude bilateral NÃO descaracteriza o tipo. porque a lei não pode amparar a má-fé da vítima (MINORITÁRIA). c) Agente responde apenas pelo falso – o estelionato é absorvido pelo falso (TRF2a). não permitindo a absorção. EXEMPLO 01: a pessoa falsificou uma cártula de cheque e comprou uma mercadoria.

em princípio. a fraude não estar em negociar coisa própria que não podia ser negociada. dispensa-se a transcrição quando o bem for imóvel. alienando-a sem o consentimento do credor.defrauda. em locação ou em garantia coisa própria (. Sujeito ativo: é o segurado. ou seja. a fraude está em negociar coisa própria que não podia ser negociada. Sob pena de o crime ser impossível. ou agrava as conseqüências da lesão ou doença. ou oculta coisa própria. total ou parcialmente. a garantia pignoratícia. válido e vigente. excepcionalmente. validade e vigência. A FRAUDE está em SILENCIAR. qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém. estará sujeito somente a sanções civis = prisão civil por ser depositário infiel. esses negócios jurídicos são taxativos ou meramente exemplificativos? O rol é taxativo. Elemento do tipo: a existência de contrato de seguro existente. fica na posse da coisa empenhada. com o intuito de haver indenização ou valor de seguro. caso falte qualquer das características do contrato: existência. O indivíduo de corta o braço do outro que quer enganar a seguradora responderá pelo crime de lesão corporal. porque a INTEGRIDADE FÍSICA é um bem RELATIVAMENTE 84 . e silenciar sobre essa circunstância. Sujeito passivo: é a responsável pelo pagamento das indenizações.. O devedor que fica. permuta. é o favorecido pelo contrato de seguro. Trata-se de negociar coisa que é do agente mas que o agente não poderia negociar. o devedor se colocou em situação de insolvência o crime será o do artigo 179. o que está sendo punido nesse crime é auto-lesão que sirva como meio de enganar a seguradora. dá em pagamento. IV . ou seja.destrói.defrauda substância. Mas será típico se ao vender a coisa penhorada. não está abrangido o COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. Consumação: quando o devedor defrauda a coisa. O DP não pune a auto-lesão. independe de tradição para a configuração do crime. Quem está com coisa penhorada e aliena. ou lesa o próprio corpo ou a saúde. a coisa penhorada não faz parte desse crime. quando tem a posse do objeto empenhado.SUJEITO PASSIVO: crime de dupla subjetividade passiva: REAL PROPRIETÁRIO e o ADQUIRENTE. As condutas descritas no inciso I tratam-se de negócios. O ladrão que vende a coisa furtada não responde por esse crime. Objeto material: coisa empenhada (penhor) e não penhorada (garantia em execução). o crime é impossível. EXEMPLO: se no momento do crime o contrato expirou. III – Defraudação de penhor III .). as condutas são: • VENDER – basta a venda nos objetos móveis. é fato atípico. CP. quando ele vende a coisa furtada trata-se de post factum impunível. NELSON HUNGRIA: se o agente faz a escritura pública há concurso com o crime de falsidade ideológica PERMUTAR DAR EM PAGAMENTO DAR EM LOCAÇÃO DAR EM GARANTIA • • • • II – Alienação ou oneração fraudulenta de COISA PRÓPRIA II – vende. a seguradora. do mesmo modo. Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro V . Sujeito passivo: credor que vê sua garantia ser defraudada.. Sujeito ativo: devedor que está na posse da coisa empenhada. mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo.

porque é ordem de pagamento à vista. se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular. nos termos do art. Se o pagamento ocorrer antes do recebimento da denúncia. tratase de crime formal ou de consumação antecipada. Nesse sentido. Se uma pessoa se apodera de cheque de outrem e o preenche sem autorização para fazer compras. Municípios. qualquer atitude que lhe retire essa característica afastará o crime (é o caso do cheque pré-datado ou em garantia de dívida). não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos). sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado. aplica-se o aumento quando a entidade autárquica da Previdência Social for vítima. Segundo a Súmula 24/STJ. § 3º . antes de o beneficiário receber. sob a modalidade de emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos. quantos crimes foram cometidos? a) STJ: trata-se de crime eventualmente permanente (a prescrição somente a contar depois de cessada a permanência). também é instituição de economia popular. trata-se de estelionato comum (art. 16. Para que exista o crime é necessário que o sujeito tenha agido de má-fé por ocasião da emissão (nesse sentido a súmula 246/STF: comprovado não ter havido fraude. quer em razão da ausência de fundos. porque geram prejuízo à CEF. O cheque. segundo a qual o pagamento antes do recebimento da denúncia retira justa causa para ação penal.A pena aumenta-se de um terço. portanto. incide a presente causa de aumento (Resp 177407. VI . O aumento se aplica quando o crime atinge patrimônio da União. LFG: esse crime não é 85 . do CP). embora a Caixa Econômica seja empresa pública federal. ou lhe frustra o pagamento. a pena será reduzida. caput). do CP. 16. o estelionato se consumou no momento da obtenção da vantagem ilícita (Súmula 48/STJ: Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque). Os saques fraudulentos de FGTS também configuram a causa de aumento. o primeiro saca o dinheiro ou susta o cheque). consumando-se o delito independentemente do locupletamento ilícito.INDISPONÍVEL. por exemplo). EXEMPLO: permissão para colocação de piercing no umbigo. Segundo julgados do STJ. Dessas figuras. Esse subtipo do estelionato é uma MODALIDADE FORMAL. Se o pagamento ocorrer após o recebimento. assistência social ou beneficência. ou seja. aplica a atenuante genérica do art. dispensa o enriquecimento do segurado. inclusive). do CP. a razão de seu prejuízo e do locupletamento do agente. ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO: DISCUSSÃO AINDA ATUAL O agente todo o mês recebe fraudulentamente os benefícios decorrente de uma única fraude. o STJ quer punir por todo o período. as súmulas 521/STF e 244/STJ: “O foro competente para o processo e julgamento dos crimes de estelionato. A tentativa é admissível (o exemplo que se dá é aquele em que o agente emite o cheque sem fundos e um parente deposita o dinheiro na conta antes da apresentação). já que será disponível quando NÃO contrariar a moral e os bons costumes. poderá haver o estelionato na modalidade fundamental. b. é o local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado”. 171. ainda está válida a Súmula 554/STF (que é anterior ao art. Nessa modalidade. 65. portanto. O crime se consuma quando o banco sacado formalmente recusa o pagamento. quer em razão da contra-ordem de pagamento. mas. Ou seja.emite cheque. São duas condutas autônomas: a) emitir cheque sem fundos (o agente põe em circulação). III. b) frustrar o pagamento de cheque (o agente possui a quantia no banco por ocasião da emissão. que trata do arrependimento posterior. E se o agente se arrepender após a consumação e ressarcir a vítima? Duas correntes. o estelionato mediante cheque sem suficiente provisão de fundos é o mais importante. É o posicionamento ainda majoritário. Para outra corrente. a depender do caso. Estados. gestora do fundo (precedentes do TRF5. Não obstante isso. e DF. É necessário que a emissão do cheque tenha sido a causa direta do convencimento da vítima e.

de três a oito anos. ter em depósito. e multa. montar. receber. favorecimento real (artigo 348). favorecimento pessoal (artigo 349). empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista. É posição preponderante nos TRF’S.Adquirir ou receber coisa que.Equipara-se à atividade comercial. porque nos permanentes a execução se protrai no tempo e o bem jurídico fica constantemente sofrendo violação. pode o juiz. coisa que deve saber ser produto de crime: Pena .Tratando-se de bens e instalações do patrimônio da União. Realmente. ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa. § 3º . em proveito próprio ou alheio. conduzir ou ocultar. § 4º . a adquira. 180 . receba ou oculte: Pena . de um mês a um ano.1 RECEPTAÇÃO DOLOSA SIMPLES 86 . ou influir para que terceiro. para a sua existência não dependem de nenhum outros. isto é. qualquer forma de comércio irregular ou clandestino. em proveito próprio ou alheio. Obs. que somente é violado uma vez. O crime de receptação está previsto no artigo 180: Receptação Art. inclusive o exercício em residência. deve presumir-se obtida por meio criminoso: Pena . ou de qualquer forma utilizar. expor à venda. coisa que sabe ser produto de crime. para efeito do parágrafo anterior. como regra o CP estabelece crimes principais. O resumo não fala dos delitos relativos aos artigos 172/179.reclusão. ou ambas as penas. deixar de aplicar a pena. desmontar. § 2º . 7 DA RECEPTAÇÃO Os crimes principais são os crimes que existem independentemente de outros. no exercício de atividade comercial ou industrial. sendo mais producente a leitura dos dispositivos. no estelionato previdenciário. Os crimes acessórios são crimes que pressupõem outros crimes. Essa é a regra do CP. 7. § 6º . Receptação qualificada § 1º . ou pela condição de quem a oferece. não há uma violação constante do bem jurídico. ou multa. receber. conduzir. remontar. vender. transportar. Município. EXEMPLOS: receptação.reclusão.permanente nunca. § 5º . Estado. ou seja. Não achei julgados no TRF5. certamente pela pouca relevância dos tipos ali contidos. a pena prevista no caput deste artigo aplica-se em dobro. de boa-fé.Na hipótese do § 3º. b) STF: trata-se de crime instantâneo de efeito permanente.A receptação é punível. 155. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. ocultar. de um a quatro anos.Adquirir. estupro e outros. EXEMPLO: furto.Adquirir. tendo em consideração as circunstâncias. a doutrina não acrescenta nada de relevante àqueles crimes. se o criminoso é primário. e multa. por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço. transportar.detenção.

caberia ao legislador estabelecer que a receptação ocorreria quando praticado ato infracional.).1. porque o ato infracional é ato previsto como crime. Fragoso e Mirabete entendem que o imóvel pode ser objeto de receptação. EXEMPLO: dois agentes roubam um carro. 7. O tipo descreve: QUE SABE. a lei não exige que a coisa seja móvel. o STF. O partícipe e o co-autor do crime anterior não pratica o crime de receptação. entendeu que a própria palavra receptação significa dar abrigo.1. devendo a coisa manter na cadeia de transmissão o seu caráter delituoso. 7. mas outros entendem O MP/MG considerou que NÃO abrange o dolo eventual. roubo. apropriação etc.7.1. apesar de já ter sido muito discutida essa questão anteriormente. acompanhando o posicionamento de Damásio. H.6 Produto do crime foi transformado desnatura-se a receptação? NÃO.4 Produto de contravenção penal (MP/MG): não configura do crime de receptação. Mas atualmente é possível. derretê-la. MAJORITÁRIA: é a posição que estabelece a existência do crime de receptação. implicando movimentação do objeto. Alguns entendem que a expressão não abrange o dolo eventual.1. que somente ocorrerá diante da coisa que seja produto de crime.1.5 Produto de conduta de menor inimputável: pode ou não configurar o crime de receptação? A coisa é produto de crime? HELENO FRAGOSO: entende que não é crime de receptação por que o menor não pratica crime. NELSON HUNGRIA.1.7 Objeto material do crime de receptação: prova oral perguntou se o objeto material do crime pode ser bem móvel ou imóvel? Há duas correntes. o indivíduo adquiriu a coisa de boa-fé.12 DIVERGÊNCIA: nos dois itens sobre o dolo a doutrina e a jurisprudência estão muito divididas. porque. não há como saber qual prevalece. posiciona. in fine). 7.10 Dolo possibilidade doutrinadores que abrange. Por outro lado. um paga a parte do outro. EXEMPLO 02: o advogado que instrui o cliente a vender o veículo furtado para pagar os honorários com dinheiro obtido pela conduta criminosa anterior.1. C. Exceto o participante do crime pressuposto.11 Dolo superveniente configura esse crime? Ou seja. 7. EXEMPLOS: crimes contra a administração pública e crimes de violação de direitos autorais. e Magalhães Noronha.1.1. EXEMPLO 01: subtrair a taça.1.1.9 Receptação da receptação é perfeitamente possível.2 Sujeito passivo: (crime vago é aquele que tem como vítima sua coletividade despersonalizada. 7. ao contrário dos demais crimes contra patrimônio (furto. A maioria assim se 7. configura-se igualmente o crime de receptação. 7. direto ou dolo eventual (MP/MG): A doutrina é divergente sobre a de cabimento do dolo eventual. 7. sociedade e outros). 7.1 Sujeito ativo: é crime comum pode ser praticado por qualquer pessoa. caput.3 Modalidades de receptação: pelo artigo 180 verifica-se que são puníveis: RECEPTAÇÃO PRÓPRIA e RECEPTAÇÃO IMPRÓPRIA (artigo 180. entende que a lei não faz distinção nesse sentido.8 Natureza do crime pressuposto: não afasta o cabimento da receptação mesmo que não seja contra o patrimônio. Hungria. mas só depois soube que era produto de crime? Uma parcela da doutrina entende que o dolo superveniente desconfigura o crime. esconder. de modo diverso. transformar em medalhas e vender para terceiros (que sabem tratar-se da coisa subtraída transformada). 7. 87 . A receptação NÃO é crime vago. 7. EXEMPLOS: família. a vítima da receptação é a mesma vítima do crime anterior.1.

. 7.16 Sentença condenatória do crime pressuposto: NÃO é necessária para a configuração do crime anterior. 88 . a receptação imprópria não admite. Furto Art. ou não se saiba a autoria. consuma-se com a prática das condutas. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. CP deixa claro que a extinção do crime pressuposto não prejudica a configuração do crime acessório. mas. Art. a maioria afirma que isso configura meros atos preparatórios. Consuma-se com a prática de qualquer um dos núcleos do tipo previsto no caput. a agravação da pena resultante da conexão. Para punição por receptação basta a prova do FATO. 108 . Basta saber da sua existência. se o criminoso é primário. pouco importando se o terceiro adquiriu ou não a coisa. CONDUZIR e OCULTAR há crimes permanentes porque as condutas se protraem no tempo (admitindo flagrante a qualquer tempo). o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção. para si ou para outrem.1.13 Consumação da receptação própria: nas modalidades do caput. coisa alheia móvel: § 2º .A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto. entretanto. ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa. 7. RECEPTAÇÃO (artigo 180) O agente pratica as condutas do tipo AGINDO EM PROVEITO PRÓPRIO ou de TERCEIRO que não o criminoso anterior FAVORECIMENTO REAL (artigo 349) O agente pratica a conduta em auxílio do criminoso anterior.1. ou aplicar somente a pena de multa. 7.Se o criminoso é primário. nas modalidades TRANSPORTAR. ROGÉRIO SANCHES admite que pode haver tentativa da receptação imprópria por escrito. mesmo que haja a extinção da punibilidade (artigo 108). O artigo 108. elemento constitutivo ou circunstância agravante de outro não se estende a este. quanto aos outros. tendo em consideração as circunstâncias. havendo consumação com a mera INFLUÊNCIA. Trata-se de crime formal.1.Subtrair. 155. deixar de aplicar a pena.1. primeira parte.14 Consumação da receptação imprópria: a receptação imprópria pune o intermediário. Nos crimes conexos. segunda parte § 5º .15 Tentativa: a maioria da doutrina entende que a receptação própria admite tentativa. a extinção da punibilidade de um deles não impede.1.17 Privilégio: está previsto no § 5o.A receptação é punível. pode o juiz. que não chega ao terceiro. 155 .Na hipótese do § 3º (RECEPTAÇÃO CULPOSA).7. RECEPTAÇÃO CULPOSA Réu primário Circunstâncias RECEPTAÇÃO DOLOSA Réu primário Coisa de pequeno valor O entendimento majoritário determina que se aplica o privilégio à receptação dolosa qualificada. e é de pequeno valor a coisa furtada. diminuí-la de um a dois terços. § 4º . 7.

o crime é único. montar. 7. conduzir.3 Tipo subjetivo: QUE SABE ser produto de crime (caput. os irregulares ou de fato estarão submetidos à qualificadora. 7.Equipara-se à atividade comercial. ocultar. de 1996) ou ambas as penas. 7. § 2º . 7. ter em depósito. inclusive o exercício em residência.2 RECEPTAÇÃO DOLOSA QUALIFICADA Receptação qualificada § 1º .2 Tipo misto alternativo: já que é composto por uma pluralidade de núcleos. DEVE SABER (§ 1o. mesmo em decorrência da prática de dois núcleos do tipo. qualquer forma de comércio irregular ou clandestino. primeira: parte e aplica-se somente à receptação culposa. (Redação dada pela Lei nº 9. exigindo que: 89 . no exercício de atividade comercial ou industrial.2.4 Consumação: ocorre com a prática de qualquer um dos núcleos. de 1996) Pena . de três a oito anos. ou multa. No § 1 o. por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço. vender. por inconstitucionalidade da pena do § 1o. situação que faz facilitar a transferência da coisa ao terceiro de boa-fé. É qualificada porque o agente está em atividade industrial ou comercial. em decorrência da equiparação. de um mês a um ano.Adquirir. ou pela condição de quem a oferece. deve presumir-se obtida por meio criminoso: (Redação dada pela Lei nº 9..3 RECEPTAÇÃO CULPOSA § 3º .7. 7. Se o agente pratica mais de um núcleo dentro do mesmo contexto fático. ou de qualquer forma utilizar. coisa que deve saber ser produto de crime: Pena . para efeito do parágrafo anterior. lembrando-se de que alguns são permanentes.. 7. artigo 180) (PENA – 03 a 08 anos) gera posições doutrinárias distintas: a) abrange somente o dolo eventual (DAMÁSIO = com a aplicação da pena do caput. em proveito próprio ou alheio. O comerciante irregular pode configurar a qualificadora ou será a modalidade simples do caput? Em decorrência do § 2o. de 1996) 7.3. remontar. desmontar. basta o preenchimento de somente uma das situações. Basta somente um para ensejar o cometimento do crime.3.426.1 Condutas: Para caracterização dessa modalidade de receptação não é necessário o preenchimento de todos os requisitos do § 3o. ser inconstitucional por ser maior que a do caput).reclusão. e multa.426.2 Consumação: Crime instantâneo consuma-se no momento em que o agente adquire a coisa. 7. os pressupostos não são cumulativos.426. (Redação dada pela Lei nº 9.2.1 Sujeito ativo: o crime é próprio. ele são alternativos. expor à venda.3 Perdão judicial: está previsto no § 5o.2. porque exige que o indivíduo seja comerciante ou industrial.2.3. artigo 180) (PENA – 01 a 04 anos). receber. b) abrange o dolo eventual (que é o menos) e o dolo direto (que o mais) (MAJORITÁRIA). transportar.Adquirir ou receber coisa que. o agente deve estar no exercício de atividade comercial ou industrial. estão enquadrados os desmanches de veículos.detenção.

Na hipótese do § 3º.Somente se procede mediante representação. há uma minoria que entende que não pode ser aplicada essa analogia em regra de exceção. devendo responder pelo crime. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE Punibilidade nasceu e foi extinta EXCLUSÃO DA PUNIBILIDADE Sequer nasceu a punibilidade.de ascendente ou descendente. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do art. o que foi afastado pela CF e pelo novo CC. a pena prevista no caput deste artigo aplica-se em dobro. deixar de aplicar a pena. 7. 8.do cônjuge. assim. Basta a culpa levíssima do agente. ou seja. 181 . se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo: I . 155.1 ESCUSAS OU IMUNIDADES PATRIMONIAIS ABSOLUTAS Art. pensar que o DF está enquadrado nos Estados. a punibilidade sequer existiu 8. de 1996) O CP não destaca o DF dos Estados. tendo em consideração as circunstâncias. CP é meramente exemplificativo. pode o juiz. em que pese uma corrente minoritária defender que não. O convivente estará abrangido em decorrência da aplicação da analogia in bonan partem. 8. 8. ATENÇÃO: esse aumento de pena aplica-se somente à MODALIDADE DE RECEPTAÇÃO SIMPLES. se o criminoso é primário. mas. no dispositivo está abrangido o DF.É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título. por ser analogia in malam partem. Estado.1 Natureza jurídica: as escusas absolutórias são causas de EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE.4 CAUSA DE AUMENTO DE PENA § 6º .1. 182 . (Incluído pela Lei nº 9. na constância da sociedade conjugal.426. seja civil ou natural.Tratando-se de bens e instalações do patrimônio da União. II .3 Parentesco: não há mais distinção entre os parentescos. 90 . Município.2 Cônjuge: é apenas o casado de acordo com a lei civil.426. 8 DISPOSIÇÕES GERAIS 8.§ 5º .1. seja o parentesco legítimo ou ilegítimo. apenas o casamento de acordo com a lei civil fica abrangido pela IMUNIDADE PATRIMONIAL ABSOLUTA. em prejuízo: I . Os afins em linha reta não estão abrangidos pelo dispositivo. FREDERICO MARQUES afirma que se trata de causa de EXCLUSÃO DA PUNIBILIDADE.2 ESCUSAS OU IMUNIDADES PATRIMONIAIS RELATIVAS Art. o rol do artigo 107.1. CUIDADO: não há necessidade de que a coisa seja de pequeno valor.do cônjuge desquitado ou judicialmente separado. empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista. (Incluído pela Lei nº 9. ou seja. de 1996) a) o criminoso tem que ter primário e b) em decorrência das circunstâncias.

expondo a perigo a vida. 8. 91 . Mas não quer dizer que a conduta deve ser praticada no local da coabitação. 183 . A idade será verificada na data da prática do crime. 8. é imprescindível a coabitação. Não se aplicam aos crimes contra o patrimônio que se apuram mediante queixa (dano simples.II .Causar incêndio.2. 1) Crimes contra a incolumidade pública 1.3.ao estranho que participa do crime.3 NÃO APLICAÇÃO DAS IMUNIDADES Art. a integridade física ou o patrimônio de outrem: Pena .3.se o crime é de roubo ou de extorsão. em geral. legítimo ou ilegítimo. CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE.4 Tio ou sobrinho: somente existe se o sobrinho ou tio furta um ou outro.Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: I .2.2. Esse inciso reforça a idéia de que as escusas são causas de extinção da punibilidade. de 3 (três) a 6 (seis) anos. há somente a aplicação da separação judicial. mesmo que não tenha utilizado o termo específico. II .reclusão.de irmão. 8. Assim. EXEMPLO: filho que furta a mãe de 60 anos não será beneficiado pela escusa. quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa.As penas aumentam-se de um terço: I . ou. Também afasta a idéia de que são extinção da tipicidade. III . A PAZ E A FÉ PÚBLICAS. mas de uma alteração da ação penal que passa a ser condicionada à representação da vítima.2 Idoso: NÃO existe imunidade se a vítima for idosa. Aqui o CP agiu bem.se o incêndio é: a) em casa habitada ou destinada a habitação. 8. por exemplo).se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio. já que à separação de fato aplica-se o artigo 181. III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. se o inciso está dizendo que se pune o partícipe é porque não está afastada nem a tipicidade e nem a antijuridicidade. com quem o agente coabita. dizendo que não se trata de imunidade.1. 8. 8.1 Natureza jurídica: há uma crítica doutrinária.de tio ou sobrinho. II . com quem o agente coabita. pode ser praticado em outro lugar. preenchendo os requisitos de configuração dos idosos. 250 .1 Estranho que participa do crime.2 Cônjuges separados judicialmente: o divórcio exclui a imunidade. Dos crimes de perigo comum a) Incêndio Incêndio Art. Aumento de pena § 1º . porque não há a extensão para o partícipe e pela teoria da ACESSORIEDADE LIMITADA somente se pune o partícipe se o fato típico e ilícito/antijurídico. 8.3 Irmãos: não há distinção entre eles.2. e multa.

o incêndio pode ser desclassificado para: a) dano. c) estelionato. ou é visada ou atingida qualquer das coisas enumeradas no nº II do mesmo parágrafo. uma vez que se trata de crime de perigo coletivo). culpa ou preterdolo.b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura.reclusão. Sujeito passivo é a coletividade. I. O dolo deve abranger a vontade de provocar o incêndio e o conhecimento do perigo comum. Sujeitos do delito. Consumação e tentativa. 250): Objeto jurídico: incolumidade pública. § 1º . pastagem. Frise-se que o art. I. V. de 3 (três) a 6 (seis) anos. do artigo anterior. 250.605/98). É punido a título de dolo de perigo. Modalidade culposa 92 . Aumento de pena § 2º . d) perigo para a vida ou saúde de outrem. e multa. aplica-se o art. g) em poço petrolífico ou galeria de mineração. O delito se consuma com a produção do perigo comum. se o agente lograsse obter o seguro). de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.reclusão. Admitese a tentativa. § 1º. para quem haveria concurso material. Incêndio culposo § 2º . integridade física e patrimônio). Inexistindo perigo a indeterminado número de pessoas ou coisas.250 do CP (p. “h”. 251 . O tipo requer a exposição a perigo a vida. integridade física ou patrimônio de um número indeterminado de pessoas (perigo comum).Se a substância utilizada não é dinamite ou explosivo de efeitos análogos: Pena . Do contrário. a vida. mata ou floresta. se o agente visa expor a perigo um número certo de pessoas. arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos: Pena . se teve como objetivo reclamar indenização da seguradora. comboio ou veículo de transporte coletivo. Pode ser cometido por ação ou omissão. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. se a intenção era de danificar. h) em lavoura.Expor a perigo a vida.605/98 (incêndio em mata ou floresta) não revogou a figura qualificada do art. inclusive o proprietário da coisa incendiada.As pena aumentam-se de um terço. 171. Elemento subjetivo. d) em estação ferroviária ou aeródromo. no segundo. Conduta delituosa. b) é inadmissível o concurso material ou formal entre a figura qualificada prevista no art.Se culposo o incêndio. combustível ou inflamável. 250. e) em estaleiro. fábrica ou oficina. de 1 (um) a 4 (quatro) anos.168). se ocorre qualquer das hipóteses previstas no § 1º. INCÊNDIO (ART. aeronave. se o objetivo era de satisfazer pretensão legítima. previsto no art. e o estelionato do art. § 1º. Esse perigo deve ser também concreto e não presumido. mediante explosão. Se ocorrer morte ou lesão corporal grave. é pena de detenção. 41 da Lei nº 9.41 da Lei 9. b) Explosão Art. Se o incêndio não acarretar perigo à coletividade pública. e multa. § 2º. 258. a integridade física ou o patrimônio de outrem. pois são distintos os objetos jurídicos (no primeiro é tutelado o meio ambiente. c) em embarcação. o crime será enquadrado na lei ambiental (art. b) exercício arbitrário das próprias razões. Concurso: a) já se decidiu pelo concurso formal na hipótese de dano a mais de uma propriedade (entendimento discutível. será crime de incêndio. f) em depósito de explosivo. pois este é absorvido por aquele (contra Hungria.

salvo na figura qualificada de obter vantagem pecuniária. se a conduta foi dirigida a pessoas indeterminadas. 252 . sendo atípico o fato se ninguém for posto em perigo. O dolo é de perigo. e) Inundação 93 . Conduta única é punível. dispensando-se a habitualidade. gás tóxico ou asfixiante. Sujeito passivo é a coletividade. Admite-se a tentativa. Sujeito passivo é a coletividade. Incide o tipo mesmo que apenas uma pessoa seja exposta a perigo. Admite-se a tentativa.Se o crime é culposo: Pena .Expor a perigo a vida. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. não configura esse crime. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. 65 da LCP (perturbação da tranqüilidade). e multa. Conduta delituosa. O perigo deve ser efetivo e concreto. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. é de detenção. Consuma-se com a situação de perigo.reclusão. sem licença da autoridade. substância ou engenho explosivo. Lançamento de ampola de gás lacrimogêneo em discoteca. Elemento subjetivo.Fabricar. 253 . este crime. Sujeitos do delito. há de ser demonstrado caso a caso. Sujeito passivo é a coletividade. é da competência da Justiça Estadual. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. Conduta delituosa.detenção. Tratando-se de crime de perigo concreto. e multa. mas. Consuma-se com a produção do perigo comum. possuir ou transportar. Requer-se perigo a um número indeterminado de pessoas. na prática. d) Fabrico. Objeto jurídico: incolumidade pública. Objeto jurídico: incolumidade pública. se não tiver conotação política. fornecimento. usando de gás tóxico ou asfixiante: Pena . Conduta delituosa. b) estocagem de fogos de artifício em local inadequado e sem licença da autoridade competente. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. ou material destinado à sua fabricação: Pena . c) Uso de gás tóxico ou asfixiante Art. a pena é de detenção. Consumação e tentativa. nos demais casos.§ 3º . Objeto jurídico é a incolumidade pública. Embora a fiscalização de explosivos seja de competência federal. se o agente não anteviu essa circunstância meramente acidental.detenção. 258. posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico. adquirir. Consumação e tentativa. abrangendo a ciência da falta de licença. se a explosão é de dinamite ou substância de efeitos análogos. Consumação e tentativa. não se admitindo prova em contrário. O elemento normativo do tipo é a ausência de licença da autoridade. Sujeitos do delito. Configura o crime: a) destinação de parte de estoque regular de explosivos. Consuma-se com a efetiva prática das ações. usados na mineração. A finalidade do sujeito é irrelevante. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. presumido pelo legislador. para venda a estranhos. aquisição. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. fornecer. tendo em vista que os atos preparatórios (arremesso ou colocação) já são punidos.No caso de culpa. Modalidade Culposa Parágrafo único . mas a contravenção do art. a integridade física ou o patrimônio de outrem. muito difícil de se configurar. ou asfixiante Art. Trata-se de crime de perigo abstrato. Sujeitos do delito. Se ocorrer morte ou lesão corporal grave. A tentativa é teoricamente possível. pouco importando se efetivamente apenas uma pessoa foi exposta a perigo. sem autorização (STF). mas em dose insuficiente para expor a perigo os presentes. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. aplica-se o art.

Entretanto. Consuma-se com a produção do perigo concreto comum. Se foi causado pelo agente. Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. Consumação e tentativa. ou detenção. de 6 (seis) meses a 1 (um) ano. Pode ser cometido por ação ou omissão. Sujeitos do delito. Admite-se qualquer meio de execução. trata-se de crime contra a pessoa. se a coisa for determinada. material ou qualquer meio destinado a serviço de combate ao perigo. inundação. 257 . Admitese tentativa.reclusão. Trata-se de crime de perigo concreto. f) Perigo de inundação Art. 29 da LCP). se não houver perigo comum.Se o crime é culposo: Pena . salvo na modalidade culposa. obstáculo natural ou obra destinada a impedir inundação: Pena . Objeto jurídico: incolumidade pública. Consumação e tentativa. Sujeito passivo é a coletividade. responde pelo 94 . e multa. se forem utilizados explosivos. A situação de perigo criada deve se dirigir a coisas ou pessoas indeterminadas: se a pessoa for determinada. h) Subtração. no caso de dolo.reclusão. ou outro desastre ou calamidade. Desabamento é a queda de obras construídas pela ação do homem. 255 .reclusão. Sujeitos do delito.Remover. trata-se de crime de dano. a integridade física ou o patrimônio de outrem: Pena . de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.Subtrair.Art. destruir ou inutilizar. 254 . Conduta delituosa. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. Sujeito passivo é a coletividade. 256 . Sujeito passivo é a coletividade. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. Se ocorrer morte ou lesão corporal grave. 251. aplica-se o art. aplica-se o art. de 1 (um) a 3 (três) anos.Causar inundação. expondo a perigo a vida. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. ocultação ou inutilização de material de salvamento Art. pelo princípio da consunção.Causar desabamento ou desmoronamento. Não interessa a origem do perigo comum requerido. É admissível a tentativa. por ocasião de incêndio. Conduta delituosa. em prédio próprio ou alheio. aparelho. Não se admite tentativa. pode configurar a contravenção de desabamento de construção (art. 258. expondo a perigo a vida. de 3 (três) a 6 (seis) anos. ou impedir ou dificultar serviço de tal natureza: Pena . e multa. e multa. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Objeto jurídico: é a incolumidade pública. expondo a perigo a vida. Sujeitos do delito. de socorro ou salvamento. desmoronamento é a queda de formações naturais. ocultar ou inutilizar.reclusão. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. naufrágio. no caso de culpa. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Conduta delituosa. Tratando-se de crime de perigo concreto. Objeto jurídico: incolumidade pública. requer-se que da inundação decorra perigo efetivo a um número indeterminado de pessoas. Modalidade culposa Parágrafo único . g) Desabamento ou desmoronamento Art. a integridade física ou o patrimônio de outrem. podendo ser até casual. Consuma-se com a produção do perigo coletivo. que se consuma com a produção desse perigo. e multa. Sujeito passivo é a coletividade. a integridade física ou o patrimônio de outrem: Pena .detenção.

Admite-se tentativa. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. a pena privativa de liberdade é aumentada de metade.Se do crime doloso de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.Se do fato resulta desastre: Pena . i) Formas qualificadas Art. Trata-se de crime de perigo concreto.2. Sujeito passivo é a coletividade. 258 . No caso de culpa. ocorrendo desastre: Pena . Só na figura qualificada (“resultando efetivo 95 . Dos crimes contra a segurança dos meios de comunicação e transporte e outros serviços públicos a) Perigo de desastre ferroviário b) Desastre ferroviário Perigo de desastre ferroviário Art.praticando outro ato de que possa resultar desastre: Pena . j) Difusão de doença ou praga Art. Sujeito passivo é a coletividade. 260 .reclusão. A prática de quaisquer das condutas previstas no tipo por si só não caracteriza o delito. se presentes suas elementares. § 3º . e multa. se do fato resulta lesão corporal. em trilhos ou por meio de cabo aéreo. aplica-se a pena cominada ao homicídio culposo. de 4 (quatro) a 12 (doze) anos e multa. plantação ou animais de utilidade econômica: Pena . Admite-se a tentativa. 1. material rodante ou de tração. inclusive o proprietário da plantação. Em face da expressão “destinado”. danificando ou desarranjando. se resulta morte. de 1 (um) a 6 (seis) meses. 259 . plantação ou animais de utilidade econômica.Difundir doença ou praga que possa causar dano a floresta.No caso de culpa. é aplicada em dobro. aumentada de um terço. É dispensável a verificação de efetivo dano a tais bens. Modalidade culposa Parágrafo único . de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.colocando obstáculo na linha. Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. Pode ser cometido por ação ou omissão. admite-se que os aparelhos sejam circunstancialmente úteis ao salvamento (Damásio e Fragoso). Consuma-se com a propagação da doença ou praga que exponha a perigo a floresta. linha férrea. telefone ou radiotelegrafia.Para os efeitos deste artigo.destruindo. se resulta morte.detenção. § 2º . Desastre ferroviário § 1º .reclusão. e multa. a pena é de detenção. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.reclusão. bastando a potencialidade lesiva. IV .No caso de culpa.transmitindo falso aviso acerca do movimento dos veículos ou interrompendo ou embaraçando o funcionamento de telégrafo. III . impondo-se sempre o perigo de desastre ferroviário. total ou parcialmente.crime em concurso material com o delito consistente na causação de desastre ou calamidade.Impedir ou perturbar serviço de estrada de ferro: I . para outros. a pena aumenta-se de metade. obra-de-arte ou instalação. Admite-se a tentativa. II . entende-se por estrada de ferro qualquer via de comunicação em que circulem veículos de tração mecânica. ou multa. há quem entenda que o aparelho deve se destinar especificamente ao salvamento (Delmanto e Hungria).

reclusão. Visa à segurança de outros meios de transporte. 263 .detenção. Forma qualificada: art. de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. Forma qualificada: art. no caso de desastre ou sinistro. Sujeito passivo é a coletividade. 258.Se do fato resulta naufrágio. 262 . Prática do crime com o fim de lucro § 2º . não incluídos nos dispositivos anteriores: ônibus. para si ou para outrem. táxis etc.reclusão. a pena é de detenção.Aplica-se. por água ou pelo ar: Pena . uma vez que não causa perigo comum.detenção. se resulta morte.No caso de culpa. bondes e teleféricos.Arremessar projétil contra veículo. ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar navegação marítima. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. de 1 (um) a 6 (seis) meses. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.Expor a perigo outro meio de transporte público.detenção. Consuma-se com a ocorrência do perigo concreto. também. 263. impedir-lhe ou dificultarlhe o funcionamento: Pena . e) Arremesso de projétil Arremesso de projétil Art. fluvial ou aérea: Pena . ainda que particulares). Sujeito passivo é a coletividade. d) Atentado contra a segurança de outro meio de transporte Atentado contra a segurança de outro meio de transporte Art. Sinistro em transporte marítimo. 260 a 262.Expor a perigo embarcação ou aeronave. Admite-se a tentativa. lotações. se ocorre desastre: Pena .Se do fato resulta desastre. Admite-se a tentativa. o conceito de estrada de ferro abrange não só os trens.No caso de culpa. Bujão de gás em táxi pode configurar o crime. As embarcações podem se destinar ao transporte de pessoas ou coisas. 121. 261 . Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. de 1 (um) a 2 (dois) anos. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. § 1º . a pena de multa. 263.. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.Se de qualquer dos crimes previstos nos arts. destinado ao transporte público por terra. aumentada de um terço 96 . § 2º . embarcações lacustres. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Parágrafo único . no que concerne à segurança dos meios de transporte. O surf ferroviário é atípico. em movimento. § 3º. Forma qualificada: art. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. 263. própria ou alheia. se ocorre o sinistro: Pena . a pena é de reclusão. desde que se destinem a transporte público (compreendendo o efetuado por concessionários. fluvial ou aéreo Art. Forma qualificada Art.desastre”) pune-se a título de culpa.Se do fato resulta lesão corporal. Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. 264 . Não inclui as embarcações lacustres. Exige-se perigo concreto. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. Segundo o § 3º. fluvial ou aéreo § 1º . aplica-se o disposto no art. Exigese perigo concreto. como também metrô. Modalidade culposa § 3º . a pena é a do art. inclusive o proprietário da embarcação ou aeronave.detenção. c) Atentado contra a segurança de transporte marítimo. submersão ou encalhe de embarcação ou a queda ou destruição de aeronave: Pena . se o agente pratica o crime com intuito de obter vantagem econômica. resulta lesão corporal ou morte.

f) Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública Art. Não é necessária a paralisação do serviço.Causar epidemia. Se o agente utilizar fogo. Parágrafo único . Requer apenas perigo abstrato. 151. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. até mesmo o infectado. III). 250. e multa. Sujeito passivo é a coletividade. que a conduta seja idônea a perturbar a segurança ou o funcionamento do serviço. se usar explosivo. se resulta morte. 266 . § 1º . Sujeito passivo é a coletividade. ainda que não consiga atingir o veículo. força ou calor. Instalação de aparelhos clandestinos não o caracteriza. Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. Exige-se que o transporte esteja em movimento. Sujeito passivo é a coletividade. 267 . especialmente a saúde pública. § 1º. Consuma-se com o surgimento da epidemia.detenção. Se o objetivo é impedir a comunicação entre duas pessoas. 155. se o dano ocorrer em virtude de subtração de material essencial ao funcionamento dos serviços. Dos crimes contra a saúde pública a) Epidemia Art. independentemente da velocidade. Parágrafo único . Consuma-se com o lançamento do projétil. A enumeração dos serviços é taxativa. 265 . Sujeito passivo é a coletividade. § 2º . de 1 (um) a 2 (dois) anos.3. Não se admite tentativa. ou telefônicos e a incolumidade pública. Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. radiotelegráfico ou telefônico. tem-se apenas o crime do art. ou. de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. Não se admite tentativa (ou se arremessa o projétil e o crime está consumado ou não se arremessa e o fato é atípico). Se resultar várias mortes da epidemia.Aumentar-se-á a pena de 1/3 (um terço) até a metade. g) Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico ou telefônico Art. O comportamento pode comissivo ou omissivo.reclusão. e multa.Interromper ou perturbar serviço telegráfico.Aplicam-se as penas em dobro. Seu objeto jurídico é o regular funcionamento dos serviços telegráficos. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. O perigo é presumido. radiotelegráficos. A epidemia com resultado morte é considerada crime hediondo. impedir ou dificultar-lhe o restabelecimento: Pena . com o aparecimento em número que dão o caráter de epidemia. de 1 (um) a 3 (três) anos. É suficiente o perigo presumido. de 1 (um) a 5 (cinco) anos. mediante a propagação de germes patogênicos: Pena .No caso de culpa. configura-se o crime de violação de comunicação telefônica (art. Protege-se o passageiro e não o veículo. o art. de 10 (dez) a 15 (quinze) anos. O projétil deve ser idôneo a causar dano.reclusão. a pena é aplicada em dobro.Se do fato resulta morte. se o agente não tinha intenção de perturbar o funcionamento do serviço. luz.Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. 1. ou seja. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. a pena é de detenção. ou qualquer outro de utilidade pública: Pena . sendo necessário. Não configura o crime greve que impede o acesso dos funcionários dos serviços de utilidade pública. o agente responde apenas pelo crime do 97 . No caso de furto de fios telefônicos. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.Atentar contra a segurança ou o funcionamento de serviço de água. contudo. 251. se o crime é cometido por ocasião de calamidade pública. É crime de perigo abstrato. Admite-se tentativa. configura-se o crime do art. Admite-se tentativa.

269 . de uso comum ou particular. Admite-se a tentativa. Parágrafo único . mas de conselhos ou recomendações. § 1º . É crime de perigo abstrato.detenção.reclusão. Trata-se de norma penal em branco. não se admite tentativa. A consumação ocorre com a não-comunicação da doença à autoridade no prazo designado no regulamento.reclusão.Se o crime é culposo: Pena . e multa. cujo complemento pode constar de lei ou ato administrativo. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.Corromper ou poluir água potável. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. 285.detenção. dentista ou enfermeiro. aplica-se o art. c) Omissão de notificação de doença Art. Sujeito passivo é a coletividade. Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. Sujeito passivo é a coletividade. Tratando-se de crime omissivo puro. Modalidade culposa Parágrafo único . Sujeito ativo é só o médico (crime próprio). e multa.art. de 1 (um) mês a 1 (um) ano. farmacêutico.detenção. Não configura se não se trata de “determinação”.Se o crime é culposo: Pena . b) Infração de medida sanitária preventiva Art. 271 . Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. Modalidade culposa § 2º . Estábulo ou abate clandestino em região urbana configuram o delito.Envenenar água potável. Sujeito passivo é a coletividade.Está sujeito à mesma pena quem entrega a consumo ou tem em depósito. consuma-se com a realização de ato incompatível com a vontade de fazer a comunicação. desclassifica-se para corrupção de água (art. 98 . ou substância alimentícia ou medicinal destinada a consumo: Pena . É crime de perigo abstrato. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. 271). A compulsoriedade da comunicação pode derivar de lei ou ato administrativo. 267. destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa: Pena .A pena é aumentada de um terço.Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é compulsória: Pena . e) Corrupção ou poluição de água potável Art. não o enfermeiro ou farmacêutico. de 2 (dois) meses a 1 (um) ano. especialmente a saúde pública. Admite-se tentativa. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. de uso comum ou particular. de 10 (dez) a 15 (quinze) anos. essa circunstância influirá apenas na aplicação da pena. a água ou a substância envenenada. d) Envenenamento de água potável ou de substância alimentícia ou medicinal Art. Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. Não havendo prazo. Se a substância que o agente jogou na água tornou-se tão repugnante que ninguém iria bebê-la. não havendo crime se atinge número limitado de pessoas. para o fim de ser distribuída. O erro quanto à potencialidade infecciosa do microorganismo exclui o dolo. não se falando em concurso formal.detenção. especialmente a saúde pública. especialmente a saúde pública. Se resulta morte. tornando-a imprópria para consumo ou nociva à saúde: Pena . 268 . 270 . se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a profissão de médico.Infringir determinação do poder público.

exigindo-se a capacidade de produzir dano à saúde. f) Falsificação. importa. Sujeito passivo é a coletividade. 272 . 99 . com ou sem teor alcoólico. adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais: Pena .sem as características de identidade e qualidade admitidas para a sua comercialização. g) Falsificação. Mas o perigo deve ser concreto. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no § 1º em relação a produtos em qualquer das seguintes condições: I . sendo desnecessário dano efetivo às pessoas. § 1º-B .Incluem-se entre os produtos a que se refere este artigo os medicamentos. e multa. Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. antes do fato. III . Modalidade culposa § 2º .Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. § 1º-A . quando exigível. Consuma-se com a corrupção ou poluição da água. de qualquer forma. os cosméticos. esta bem menos grave. corromper. adulterar. adulterado ou alterado. VI . bastando que se trate de água que se possa razoavelmente utilizar para beber e cozinhar. habitualmente usada por indeterminado número de pessoas. de 1 (um) a 2 (dois) anos. adulteração ou alteração de substância ou produtos alimentícios Art. vende. vende. É necessário provar que a água. as matérias-primas. § 1º .de procedência ignorada. 132. IV .reclusão. corrompido. no órgão de vigilância sanitária competente.Corromper. de 10 (dez) a 15 (quinze) anos. número indeterminado de pessoas. É crime de perigo. e multa. Damásio afirma que a nova redação do artigo fere o princípio da proporcionalidade. corrupção. Não é necessário que a água seja irrepreensivelmente pura. Admite-se tentativa.Se o crime é culposo: Pena .detenção. tem em depósito para vender ou. corrupção.Está sujeito às mesmas penas quem pratica as ações previstas neste artigo em relação a bebidas.adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária competente. tornando-o nociva à saúde ou reduzindo-lhe o valor nutritivo: Pena .Nas mesmas penas incorre quem importa.Incorre nas penas deste artigo quem fabrica.em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no inciso anterior. expõe à venda. de 1 (um) a 3 (três) anos. os insumos farmacêuticos. Exige-se que o alimento seja destinado a número indeterminado de pessoas. era potável. adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais Art. corrompido ou adulterado. isto é. V . Admite-se a tentativa. de qualquer forma. não se exigindo dano efetivo.Falsificar. § 1º . especialmente a saúde pública. Sujeito passivo é a coletividade. especialmente a saúde pública.com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. se para um número determinado. distribui ou entrega a consumo a substância alimentícia ou o produto falsificado. distribui ou entrega a consumo o produto falsificado.Se o crime é culposo: Pena . os saneantes e os de uso em diagnóstico. pois sanciona com a mesma intensidade as condutas que tornam o alimento nocivo à saúde e reduzem-lhe o valor nutritivo. § 1º-A . É crime de perigo presumido. e multa. expõe à venda. falsificar ou alterar substância ou produto alimentício destinado a consumo. 273 . II . Modalidade culposa § 2º .sem registro. tem em depósito para vender ou.reclusão. e multa. tem-se o crime do art. de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.detenção.

Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Não é exigido perigo concreto para a consumação. Admite-se tentativa. e multa. A lei não exige que o produto seja nocivo à saúde. Admite-se a tentativa. quem pratica as condutas dos arts. h) Emprego de processo proibido ou de substância não permitida Art. Há quem entenda que o art. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. l) Substância destinada à falsificação Art. expor à venda. Pena . Seu objeto jurídico é a saúde pública. de 1 (um) a 5 (cinco) anos. e multa. Seu objeto jurídico é a saúde pública. posteriormente. só pratica o crime daqueles artigos. salvo na forma culposa. 274 e 275. É crime de perigo presumido. não se exigindo que o produto seja entregue ao consumo. 274 . j) Produto ou substância nas condições dos dois artigos anteriores Art. de 1 (um) a 5 (cinco) anos.Empregar. expor à venda. que lhe serve de complemento. especialmente a saúde pública. 276 . Sujeito passivo é a coletividade. revestimento. e multa. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. A conduta deve recair sobre produto destinado a consumo de um número indeterminado de pessoas. 275 .reclusão. Consuma-se com a falsa indicação. É indispensável que o sujeito tenha conhecimento da destinação da substância. ter em depósito para vender ou. 274 e 275.Inculcar. Admite-se a tentativa. no fabrico de produto destinado a consumo.Vender.137/90 revogou este artigo. Sujeito passivo é a coletividade.Seu objeto jurídico é a saúde pública. em invólucro ou recipiente de produtos alimentícios. matéria corante. de 1 (um) a 5 (cinco) anos. da Lei 8.reclusão. Seu objeto jurídico é a saúde pública. 274 e 275 e. Sujeito passivo é a coletividade. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. anti-séptica. A substância pode ser exclusivamente destinada á falsificação ou eventualmente destinada a tal fim (Delmanto só admite a primeira hipótese). Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. terapêuticos ou medicinais.reclusão. pois este constitui post factum impunível. não se exigindo dano efetivo. Admite-se tentativa. 277 . de 1 (um) a 5 (cinco) anos. ter em depósito ou ceder substância destinada à falsificação de produtos alimentícios. Sujeito passivo é a coletividade. entregar a consumo produto nas condições dos arts. terapêuticos ou medicinais: Pena . i) Invólucro ou recipiente com falsa indicação Art.Vender. e multa. a existência de substância que não se encontra em seu conteúdo ou que nele existe em quantidade menor que a mencionada: Pena . gaseificação artificial. substância aromática. Admite-se tentativa. IX. de qualquer forma. Trata-se de norma penal em branco: a descrição típica é integrada pela legislação sanitária. m) Outras substâncias nocivas à saúde pública 100 . Trata-se de crime hediondo.reclusão. Sujeito passivo é a coletividade. conservadora ou qualquer outra não expressamente permitida pela legislação sanitária: Pena . 7º. vende o produto. Assim. desde que não seja autor dos crimes dos arts.

A receita deve ser de médico. Configura o crime: a) manter laboratório de análises clínicas. trata-se de crime próprio. 282 . que se aperfeiçoa tão-só com a possibilidade de dano à saúde.Art. É crime de perigo presumido ou abstrato. ainda que não destinada à alimentação ou a fim medicinal: Pena .: localidade sem recursos). OBS.Se o crime é culposo: Pena . Modalidade culposa Parágrafo único . se de dentista. arte dentária ou farmacêutica Art.Fornecer substância medicinal em desacordo com receita médica: Pena .detenção.: O ART. entregar a consumo coisa ou substância nociva à saúde. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. 279 FOI REVOGADO PELA LEI Nº 8.10. aplica-se também multa. independentemente da utilização do adquirente. OBS.detenção. a profissão de médico. Seu objeto jurídico é a incolumidade pública. Isso só deve ser levado em consideração pelo juiz no momento da aplicação da pena. responde por homicídio.detenção. O crime é habitual: exige-se a reiteração de atos. O ART. 278 . perigoso e impróprio para sua finalidade. existem duas posições: a) não pode ser alegado. A eficiência do tratamento não aproveita ao agente. o) Exercício ilegal da medicina. o fato é atípico. 281 FOI REVOGADO PELA LEI Nº 6.Fabricar. Quanto ao estado de necessidade. 47 da LCP.Exercer. É crime de perigo abstrato ou presumido. em face da habitualidade. de 2 (dois) meses a 1 (um) ano. sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites: Pena . psicólogo. n) Medicamento em desacordo com receita médica Art. ter em depósito para vender ou. na modalidade do exercício “excedendo-lhe os limites”. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Sujeito passivo é a coletividade. Sujeito ativo na forma típica do exercício “sem autorização legal”. Atos ocasionais não são típicos (há quem entenda que basta um único ato). b) venda de veneno de rato de fabricação clandestina. de qualquer forma. DE 21. Se o agente exerce outra profissão comete a contravenção do art. etc. visando à morte do doente. Modalidade culposa Parágrafo único . Caracteriza o delito: a) envio de agrotóxico nocivo pelo correio. e não por este crime. de 1 (um) a 3 (três) anos. pode ser qualquer pessoa. ou multa. É crime de perigo abstrato. de 1 (um) a 3 (três) anos.137/90. Seu objeto jurídico é a saúde pública.detenção. O desacordo pode se referir à espécie. b) protético que exerce 101 .Se o crime é culposo: Pena . pois o legislador presumiu o perigo. não se caracteriza o delito. que só pode ser cometido por médico. Não interessa o fato de o medicamento fornecido possuir o mesmo efeito do substituído.Se o crime é praticado com o fim de lucro. Se o sujeito fornece o medicamento em desacordo com a receita médica que lhe foi apresentada. qualidade ou quantidade do medicamento. expor à venda. Hungria considera que só pode ser o farmacêutico. especialmente a saúde pública. dentista ou farmacêutico. Pouco importa o grau de nocividade. Sujeito passivo é a coletividade e a pessoa atendida. vender. 280 . ainda que não seja industrial ou comerciante. de 2 (dois) meses a 1 (um) ano. O fornecimento pode ser a título gratuito ou oneroso. Seu objeto jurídico é a saúde pública. ainda que a título gratuito. Para Magalhães Noronha. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa que esteja à frente da farmácia (Damásio). Não se admite tentativa (crime habitual). em determinadas situações (ex. dentista e farmacêutico. b) pode. Admite-se tentativa. Parágrafo único . de forma a constituir um estilo de vida.368.76.detenção. Consuma-se com a entrega do medicamento. e multa. Sujeito passivo é a coletividade. prático autorizado ou herbatário. se o desacordo for para melhor. c) venda de produto de limpeza doméstica.

o curandeiro pratica atividade grosseira de quem não possui conhecimento de medicina. Não configura o crime: a) exercício legal de protético. secundariamente. 267. Passes e rezas não configuram o delito. O charlatão deve comportar-se com insinceridade e com falsidade. podendo ter ou não conhecimentos técnicos. O delito pode ser praticado por qualquer meio: 102 .Se o crime é praticado mediante remuneração. É crime de perigo abstrato. Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. salvo quanto ao definido no art. III . ou infalíveis. 285 . É indiferente que o incitamento se dirija a pessoa determinada.detenção. contanto que percebido ou perceptível por indefinido número de pessoas (Hungria). r) Curandeirismo Art. b) ser proprietário de farmácia. Seu objeto jurídico é a saúde pública. 258 aos crimes previstos neste Capítulo. 284 .Incitar. Sujeitos do delito. pois fazem parte de ritual de religião. Parágrafo único . II . sinceramente. Forma qualificada Art. 282): no charlatanismo a pessoa sabe falsa a cura que apregoa. O verbo incitar tem a significação de açular. A publicidade é requisito do tipo. 2) Crimes contra a paz pública a) Incitação ao crime Art. por ser vaga. Crime comum quanto ao sujeito ativo. Também é habitual: a prática de um só ato não caracteriza o tipo. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. Se o agente acredita. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. Por incitamento público considera-se o que é feito de modo a ser recebido por indeterminado número de pessoas. q) Charlatanismo Art. Seu objeto jurídico é a saúde pública.fazendo diagnósticos: Pena . Distinção entre o curandeiro e o charlatão: este propala falsamente a cura por meios só dele conhecidos. Conduta delituosa.prescrevendo.detenção. c) aplicação de injeção. Diferença para o exercício ilegal da medicina (art. Pune-se o comportamento de quem incita a prática de crime. de 3 (três) a 6 (seis) meses.Aplica-se o disposto no art. a prática de crime: Pena . Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa que não possua conhecimento técnicos Sujeito passivo é a coletividade e. ou multa. Se o charlatanismo for utilizado com meio para o estelionato. o agente fica também sujeito à multa. ministrando ou aplicando. Sujeito passivo é a coletividade. quem submete ao curandeiro.Exercer o curandeirismo: I . na eficácia dos meios apregoados para a cura. e multa. É imprescindível que se trate de fato criminoso determinado. Não é crime habitual: basta um ato para configurá-lo. não se enquadrando na figura o incitamento para praticar contravenção penal ou ato imoral. não teria eficácia ou idoneidade” (Magalhães Noronha). excitar. palavras ou qualquer outro meio. deve tratar-se de fato expressamente previsto em lei como crime. 283 .Inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível: Pena . Objeto jurídico: paz pública.detenção. Portanto. provocar. O incitamento realizado em reunião familiar não apresenta a tipicidade necessária. Sujeito passivo é a coletividade. 286 . habitualmente. publicamente. pois “a instigação feita genericamente.usando gestos. d) exercício ilegal da profissão de massagista e enfermeiro. Admite-se tentativa. qualquer substância.a profissão de dentista. este absorve aquele. o dolo está excluído.

29) ou em sua tentativa (art. c) Quadrilha ou bando Art.palavras. isto é. pode. Crime doloso.detenção. caracterizar-se a participação do agente no delito incitado (CP.889/56. em sua segunda parte. no art. 6o.7. Ação penal pública incondicionada. A tentativa é admissível conforme o meio de execução empregado. Objeto jurídico: paz pública. possibilitando seu desmantelamento. 8 o. ou multa. se a quadrilha ou bando é armado. A apologia que se pune é: a) de fato criminoso. quando se trata de crimes hediondos. É indiferente o meio de que se vale o agente para a prática deste crime: palavras. 288 do CP. Trata-se de crime formal. e não acusado de crime.072/90 (Lei dos crimes hediondos) estabelece que “será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no art. 19 da Lei 5250/67. Se a conduta é realizada pela imprensa ou por outro meio de comunicação. gestos. eventualmente. Sujeito passivo é a coletividade. de 25. cometa o crime objeto da incitação. inclusive pela internet. que “o participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha. 8o da Lei 8. de 3 (três) a 6 (seis) meses.Associarem-se mais de três pessoas. Assim sendo. não há punição a título de culpa. publicamente. Lei 9. 227 e 228 do CP. Algumas decisões do STJ tem entendido que apologia de acusado de crime. ou seja. não sendo punível a mera opinião (Heleno Fragoso). art. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo. efetivamente. Conduta delituosa. Objeto jurídico: paz pública. sendo desnecessário que alguém. (Vide Lei 8. elogiar. Se o incitamento é para a prática de crimes punidos pela Lei de Genocídio. A publicidade da conduta é requisito do tipo (vide comentário do artigo anterior). será atípica pois a lei penal usa a expressão autor de crime. não se confunde a apologia com a simples manifestação de solidariedade. e não a acusado de crime ou simplesmente acusado. 287 . Na lei de Segurança Nacional. Consumação e tentativa. Se o incitamento é para a satisfação de lascívia ou para a prática da prostituição. exaltar. A ação incriminada é fazer apologia. O perigo é presumido. prática da tortura. A chamada Lei do Crime organizado. em quadrilha ou bando. enaltecer. a autor de crime. Ação penal. Consuma-se com a prática da incitação perceptível por indeterminado número de pessoas. 31). 288 . por sua vez. louvar. art.072. defesa ou apreciação favorável. b) de autor de crime: é a apologia do criminoso em razão de crime que cometeu. de um a três anos. terá a pena reduzida de uma dois terços. Segundo Damásio. apologia de fato criminoso ou de autor de crime: Pena . escritos ou outro meio de comunicação.Fazer. Sujeitos do delito. 287. estabelece que “nos crimes praticados em organização criminosa. ainda que veemente. quadrilha ou bando são termos sinônimos.reclusão. inclusive pela internet. O parágrafo único do mesmo art. de pessoa que ainda não tenha sido condenada definitivamente. escritos ou outro meio de comunicação. art. Elemento subjetivo. 3o da Lei 2. 103 . Se a pessoa instigada pelo agente pratica o crime. Delito comum.A pena aplica-se em dobro. não bastando a apologia de fato contravencional ou imoral. b) Apologia de crime ou criminoso Art.034/95. O art. ou seja. art. quando a colaboração espontânea do agente levar ao esclarecimento de infrações penais e sua autoria”. Refere-se o art. a pena será reduzida de um a dois terços. para o fim de cometer crimes: Pena .1990) Parágrafo único . fato real e determinado que a lei tipifica como crime. gestos. 23 da Lei 7170/83. arts. dispõe.

símbolos e sinais que são empregados pelo homem em suas relações em sociedade). 3. empresta. pois é nesse momento que se apresenta o perigo concreto para a paz pública. com a finalidade de praticar mais de um crime. Consuma-se no momento em que a associação criminosa é formada independentemente da prática de qualquer delito. importa ou exporta. Ação penal pública incondicionada. no qual se contam. pode haver participação de terceiros. A imitação da verdade é o elemento típico dos crimes de falso. considerando-se como crimes os fatos assim definidos em lei.Nas mesmas penas incorre quem. Sujeito passivo é a coletividade. O núcleo associar-se implica a idéia de estabilidade. CF). 21. a propositura de nova ação penal. fatos ilícitos ou imorais. A quadrilha. basta a associação. por conta própria ou alheia. Ação penal. daí resultado o número mínimo de quatro pessoas. Deve haver a possibilidade de gerar o engano. Exige a lei que sejam mais de três pessoas. VII. e multa. Crime comum quanto ao sujeito ativo. será crime de estelionato.Sujeitos do delito. os inimputáveis. O núcleo indicado é associarem-se. considerando-se tanto a arma própria como a imprópria.reclusão. não admite punição da forma culposa. pois é infração permanente. reunirem-se. Consumação e tentativa. o crime de quadrilha enseja a propositura de uma única ação penal. embora predomine esse entendimento. em tese. Haverá concurso material com os crimes cometidos. mas apenas para os integrantes do bando que tenham efetivamente participado desses delitos. 3) CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA (a fé pública é a crença na veracidade dos documentos. Conduta delituosa. porém. Se a quadrilha ou bando é armado. fabricando-a ou alterando-a. razão pela qual se exige que a associação seja estável ou permanente. 104 . vende. de acordo com a Súmula 73 do STJ e o entendimento do STF. Da moeda falsa a) Moeda falsa Art. quando estes tiverem capacidade para entender e integrar a associação. por exemplo. será sempre única. Além dos membros do bando. troca. Se depois de oferecida a denúncia a associação criminosa continuar a prática de novos delitos. cede. Ação Penal: é sempre pública incondicionada. A doutrina majoritária entende que a associação para a prática de um crime continuado não basta para à tipificação do 288. agregarem-se. é cabível. Conforme já decidiu o STJ. que traz a significação de ajuntarem-se. Não é necessária a prática de qualquer crime. Se a falsificação for grosseira. uma vez que se pretende enganar o sujeito passivo. Todos os crimes contra a fé pública são dolosos. Crime doloso. também. moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro: Pena . 289 . A associação deve ser para o fim de cometer crimes. por violar o interesse da União na emissão privativa de moedas (art. Há ainda o elemento subjetivo. da competência da Justiça Federal.1.Falsificar. § 1º . aliarem-se. de 3 (três) a 12 (doze) anos. perceptível ictu oculli. adquire. “para o fim de cometer crimes”. Elemento subjetivo. Características dos crimes de falsidade. no auxilio para reuniões da quadrilha. Não se admite a tentativa. guarda ou introduz na circulação moeda falsa. Não é pacífico que seja suficiente estar armado um só membro do bando. ou seja. não sendo suficiente a finalidade de praticar contravenções.

Precedente: ACR nº. pois já constitui outro ilícito penal (art. a restitui à circulação. sendo irrelevante o número de moedas ou cédulas. Quarta Turma. Na modalidade guardar é crime permanente.de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. § 1º. é punido com detenção. II . guardar e introduzir na circulação a moeda falsa. O dolo é a vontade livre e consciente de realizar as condutas descritas na lei. § 4º . a. independente do resultado lesivo. Admite-se a tentativa. Consumação e tentativa. Sujeitos do delito. a vítima prejudicada pela falsificação. desde que não seja o agente do crime anterior. O agente que pratique duas ou mais ações típicas (adquiriu e vende. moeda falsa ou alterada. O dolo é a vontade de falsificar a moeda por meio de contrafação ou alteração. de 3 (três) a 15 (quinze) anos. Elemento subjetivo. Consumação e tentativa. notadamente o de moeda falsa do art. Sujeitos do delito. exportar. ainda que de apenas uma moeda. b) alterando (modificando moeda verdadeira).É punido com reclusão. 291). exigindo-se que o agente tenha ciência ou dúvida de que se trata de moeda falsa. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. § 3º . Elemento subjetivo. o funcionário público ou diretor. secundariamente. §1º) Objeto jurídico: fé pública.Quem. ceder. adquirir. Lázaro Guimarães). secundariamente. (TRF 5. A conduta típica é falsificar: a) fabricando (fazendo. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Dr. Se foram falsificadas várias moedas. como verdadeira.3) Circulação de moeda falsa . a. 289. O objeto material do crime é moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro. e multa. O crime se consuma no momento da prática da conduta. Conduta delituosa. cuja circulação não estava ainda autorizada. e multa. 289. depois de conhecer a falsidade. Conduta delituosa. do CP.de papel-moeda em quantidade superior à autorizada. a. DJ 21/06/2007. permitindo a autuação em flagrante. trocar. A conduta típica é: importar. exceto quando se tratar de petrechos para falsificação de moeda. 105 . 4916/CE. ou fiscal de banco de emissão que fabrica. O crime se consuma com a fabricação ou alteração.1) Moeda Falsa – falsificação (art. confeccionando a moeda).Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda. O sujeito passivo é o Estado e. Lázaro Guimarães. exceto se as falsificações forem em ocasiões diferentes. 289.2) Circulação de moeda falsa (art. Rel. por ex. Trata-se de crime de conduta múltipla alternativa. §2º) Objeto jurídico: fé pública. emite ou autoriza a fabricação ou emissão: I . 289. a vítima prejudicada. gerente. configura crime único e não concurso formal. 2007. tendo recebido de boa-fé. O sujeito ativo é o Estado e.§ 2º .figura privilegiada (art. Admite-se a tentativa. caput) Objeto jurídico: fé pública. vender.) responde por crime único. * Não se aplica o princípio da insignificância aos crimes contra a fé pública. emprestar.

Sujeitos do delito. A conduta típica é colocar em circulação moeda falsa. emitir ou autorizar a fabricação ou emissão de moeda com título ou peso inferior ao previsto em lei. Consuma-se o crime no momento em que o agente coloca a moeda em circulação. A conduta típica é desviar e fazer circular a moeda. Elemento subjetivo. suprimir. notas ou bilhetes verdadeiros. Elemento subjetivo. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. ou já recolhidos para o fim de inutilização: 106 . Admite-se a tentativa. Conduta delituosa. b) conhecimento da falsidade: o sujeito deve ter pleno conhecimento da falsidade da moeda. emite ou autoriza a emissão do objeto material. 290 . a. nota ou bilhete representativo de moeda com fragmentos de cédulas. uma vez que não estaria de boa-fé. a.Formar cédula. em nota. sendo que a recebeu como verdadeira e tomou conhecimento da sua falsidade. tendo o conhecimento do excesso ou da violação da autorização. gerente ou fiscal de banco de emissão de moeda. Sujeitos do delito. Admite-se a tentativa. b) Crimes assimilados ao de moeda falsa Crimes assimilados ao de moeda falsa Art. O dolo é a vontade livre e consciente de desviar e fazer circular a moeda. Sujeito passivo é o Estado. 289. restituir à circulação cédula. deve-se salientar que o crime é próprio. Consumação e tentativa. A conduta típica é fabricar. O tipo apresenta três elementos subjetivos: a) recebimento de boa-fé: o agente deve ter recebido a moeda pensando ser verdadeira. Consuma-se o delito com a entrada da moeda em circulação.O objeto material do crime é a moeda verdadeira. sinal indicativo de sua inutilização. por circunstância alheia à sua vontade. Quanto ao sujeito ativo. o diretor. para o fim de restituí-los à circulação. nota ou bilhete em tais condições. Conduta delituosa. Elemento subjetivo. Consumação e tentativa. menos o falsificador.4) Fabricação. 289. O sujeito passivo é o Estado e secundariamente a vítima prejudicada. Consumação e tentativa. §4º) Objeto jurídico: fé pública. Sujeito passivo é o Estado. §3º) Objeto jurídico: fé pública. porém. Emissão ou Autorização Irregular (art. Conduta delituosa. Consuma-se o crime no momento em que o sujeito fabrica. com conhecimento de que a circulação ainda não estava permitida. só podendo ser praticado por determinadas pessoas: o funcionário público.5) Desvio e circulação indevida (art. responde somente por tentativa. e a moeda não entra em circulação. Se o sujeito desvia. não bastando a dúvida. O dolo é a vontade livre e consciente de concretizar os elementos objetivos do tipo. cédula ou bilhete recolhidos. c) a vontade livre e consciente de colocar a moeda em circulação.Sujeitos do delito.

abastecer). Sujeito passivo é o Estado. O objeto material é maquinismo. O dolo é a vontade livre e consciente de praticar as ações incriminadas. Consumação e tentativa.reclusão. O dolo é a vontade de formar moeda. exige-se a finalidade especial de restituir a moeda á circulação.Pena . haja vista que o funcionário que trabalha na repartição tem acesso fácil e é quem deve zelar pela manutenção da idoneidade dos papéis referidos. efetivamente. A conduta típica consiste em: a) formar com fragmentos: pune-se quem utiliza-se de fragmentos. propiciar. Quanto ao recorte e colagem de pedaços de cédula verdadeira em outra. 289 do CP. instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação da moeda. b) suprimir sinal de inutilização. b) adquirir (obter para si). b) moeda com sinal de inutilização suprimido. parágrafo único). O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. c) com a volta à circulação.Fabricar. e multa. e) guardar (ter sob a guarda. 291 absorvido (crime subsidiário). b) com o desaparecimento do sinal indicativo de inutilização. a título oneroso ou gratuito. e multa. Sujeitos do delito. de 2 (dois) a 8 (oito) anos. c) fornecer (entregar. c) Petrechos para falsificação de moeda Art. notas ou bilhetes capazes de circular como verdadeiros. possuir ou guardar maquinismo. A reprovabilidade da conduta é maior. em razão do cargo. Figura qualificada (art. Se consuma com a efetiva prática de uma das ações. ficando o deste art. Admite-se a tentativa. Quando se trata de supressão de sinal indicativo de inutilização. se o crime é cometido por funcionário que trabalha na repartição onde o dinheiro se achava recolhido.000 (quarenta mil cruzeiros). para o fim de aumentar o valor. Consumação e tentativa. aparelho. Conduta delituosa. 107 . Conduta delituosa. o STF entendeu configurado o crime do art. fornecer. Nas modalidades de possuir e guardar é crime permanente. Parágrafo único . d) possuir (ter a posse ou a propriedade). aparelho. respectivamente: a) moeda formada com fragmentos. usar o material e falsificar a moeda.O máximo da reclusão é elevado a 12 (doze) anos e o da multa a Cr$ 40. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda: Pena . c) restituir a circulação.reclusão. Se o agente. com a consciência de que ela poderá circular. ou nela tem fácil ingresso. com o conhecimento da destinação dos objetos. 289. inclusive o funcionário da instituição em que imprime a moeda (servidor da Casa da Moeda). manufaturar. Sujeitos do delito. em relação às condutas: a) com a efetiva formação de cédula idônea a enganar. produzir). adquirir. em relação às três condutas descritas. Objeto jurídico: fé pública. o crime será apenas o do art. Elemento subjetivo. Objeto jurídico: fé pública. Elemento subjetivo. A conduta típica consiste em: a) fabricar (construir. os justapõe. (RTJ 33/506) O objeto material é. obrigar). 291 . prover. Sujeito passivo é o Estado. formando cédulas. c) moeda recolhida para o fim de inutilização. Admite-se a tentativa nas três modalidades. O crime se consuma. 290.

de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. Sujeito ativo é quem emite título ao portador. Segundo Capez. a que se referem este artigo e o seu § 2º. passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União. IV . A conduta típica é consiste em emitir (colocar em circulação). ou multa. § 2º . Admite-se a tentativa. § 3º . embora recibo de boa-fé. § 1º . § 4º . Consumação e tentativa. utilidades ou mercadorias. e multa. O objeto material é qualquer dos títulos inscritos no tipo penal.Quem usa ou restitui à circulação. III .Suprimir. O dolo é a vontade livre e consciente de emitir o título. por Estado ou por Município: Pena . Da falsidade de títulos e outros papéis públicos a) Falsificação de papéis públicos Art. 178 do CP.Incorre na mesma pena quem usa. é co-autor. Objeto jurídico: fé pública. de 2 (dois) a 8 (oito) anos.cautela de penhor. carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização: Pena . não o caracterizando aquele que tem valor para serviços. bilhete. caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade de direito público. estampilha.papel de crédito público que não seja moeda de curso legal.reclusão. em qualquer desses papéis. Consuma-se com a circulação do título. em algumas situações. recibo.Incorre na mesma pena quem usa qualquer dos papéis falsificados a que se refere este artigo. VI .bilhete.2. sem permissão legal.reclusão. II . com o conhecimento de que não há permissão para a circulação. Obs.A ação penal é pública incondicionada e o crime é também é de competência da Justiça Federal. vale ou título que contenha promessa de pagamento em dinheiro ao portador ou a que falte indicação do nome da pessoa a quem deva ser pago: Pena .vale postal. alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja responsável. 293 . Sujeitos do delito. guia. desde que contenha promessa de pagamento em dinheiro. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. qualquer dos papéis falsificados ou alterados. incorre na pena de detenção. independente da produção de dano. destinado à arrecadação de imposto ou taxa. pois a efetiva falsificação da moeda acarreta a absorção do delito em tela. qualquer dos papéis a que se refere o parágrafo anterior.: a emissão irregular de conhecimento de depósito ou warrant pode configurar o crime previsto no art. de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses.Quem recebe ou utiliza como dinheiro qualquer dos documentos referidos neste artigo incorre na pena de detenção. d) Emissão de título ao portador sem permissão legal Art.Falsificar. Conduta delituosa. fabricando-os ou alterando-os: I . Parágrafo único .Emitir. depois de alterado. com o fim de torná-los novamente utilizáveis. o crime do art. Elemento subjetivo. 292 . quando legítimos. de 1 (um) a 6 (seis) meses. e multa. ou multa. V . ficha. sem permissão legal.talão. papel selado ou qualquer papel de emissão legal.291 (petrechos para falsificação de moeda) é eminentemente subsidiário. É crime formal. 108 . caso não seja o autor da emissão. O subscritor. Sujeito passivo é o Estado e eventualmente terceiro lesado pela conduta.selo postal. ou multa. depois de conhecer a falsidade ou alteração. nota. 3.detenção.

Se o sinal falsificado é o usado por autoridade pública para fiscalização sanitária.Incorre nas mesmas penas: I . falsifica ou faz uso indevido de marcas. fabricando-os ou alterando-os: I . 109 . 306. mas compreende os de autarquia ou entidade paraestatal. que constitui a sua marca de tabelião e que não se confunde com a assinatura simples (esta chamada sinal raso).Se o agente é funcionário público.Fabricar. o particular eventualmente prejudicado. possuir ou guardar objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior: Pena . ou a autoridade. 295 .3. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. enfeitada. especialmente os sinais públicos de autenticidade. vide art. em segundo lugar. b) alterando (modificação do selo ou sinal verdadeiro). Não inclui o selo ou sinal estrangeiro. na hipótese do inciso I. 3. em qualquer de suas modalidades. Elemento subjetivo.reclusão. Se há falsificação de sinal empregado no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária. em que o agente faz o selo ou sinal). Objeto jurídico: fé pública. siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública.quem altera.selo público destinado a autenticar atos oficiais da União. 294 .quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio. e multa. para caracterizar o crime. O selo aqui referido não tem relação alguma com o selo postal. Sujeito ativo é qualquer pessoa. de que o selo é destinado à autenticação de atos oficias. geralmente metálica. Trata-se de peça. e comete o crime prevalecendo-se do cargo. Sujeitos do delito. 306. III . de Estado ou de Município. ou comprovar o cumprimento de formalidade legal. fornecer. que se usa para imprimir em papéis. e Estado ou de Município (I). Conduta delituosa.Se o agente é funcionário público.b) Petrechos de falsificação Petrechos de falsificação Art. art. Art. primeiramente é o Estado. II . e comete o crime prevalecendo-se do cargo. O objeto material vem assim indicado: a) selo público destinado a autenticar atos oficiais da União.Falsificar. 296 . Não há forma culposa. O núcleo do tipo é falsificar. deve ser apta a enganar a generalidade das pessoas. § 2º . A falsificação. ou para autenticar determinados objetos. b) selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público.quem faz uso do selo ou sinal falsificado. logotipos. Sujeito passivo. II . de 1 (um) a 3 (três) anos. ou a autoridade. caput. ou sinal público de tabelião (II). Sinal público de tabelião é a assinatura especial deste. adquirir. parágrafo único. aumenta-se a pena de sexta parte. ou sinal público de tabelião: Pena . § 1º . desde que atribuídos por lei. A falsificação pode ser feita: a) fabricando (é a contratação. com a finalidade de autenticá-los. e multa.selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público. O elemento subjetivo é o dolo. com o conhecimento. Da falsidade documental a) Falsificação do selo ou sinal público Falsificação do selo ou sinal público Art. aumenta-se a pena de sexta parte. que tem a significação de apresentar como verdadeiro o que não é.reclusão. É indispensável à tipificação o fim de autenticação de atos oficiais.

utilizar de forma imprópria. independentemente de causar efetivo resultado. os logotipos. § 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social. O elemento subjetivo é o dolo. 4) Outros símbolos (sinais. o objeto material é o selo ou sinal verdadeiro e não o falsificado. Admite-se tentativa. formando siglas ou palavras).reclusão.Consumação e tentativa. Uso de selo ou sinal falsificado (§ 1o. O uso. que tem o significado de apresentar como verdadeiro aquilo que não é. que tem o sentido de modificar. Os núcleos do tipo são três: a) alterar. aumenta-se a pena de sexta parte. I). e multa.Para os efeitos penais. as siglas ou outros símbolos da Administração Pública. Se o agente é funcionário público e comete o crime prevalecendose do cargo. O objeto material compõe-se de: 1) Marcas (sinais que se fazem em coisas para reconhecê-las). A ação penal é pública incondicionada. para os clássicos. Alteração. O objeto jurídico é a fé pública. e comete o crime prevalecendo-se do cargo. II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social. b) falsificar. 297 . siglas ou outros símbolos (§1o. O crime consuma-se com a falsificação. c) usar indevidamente. pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório. mas apenas aquele em que o sinal ou selo público falsificado é usado em sua destinação normal e oficial. agindo em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio. Incrimina-se quem utiliza indevidamente. signos). ou seja. Aplica-se tanto ao caput quanto ao § 1o. b) Falsificação de documento público Art. 2) Logotipos (conjuntos de letras unidas em um único tipo. sujeito ativo e sujeito passivo é idêntico ao caput. II). sujeito ativo e passivo idênticos ao do caput. III). Consuma-se com o efetivo prejuízo ou proveito. Aqui. O objeto jurídico. § 2º . Trata-se de crime material. O elemento subjetivo é o dolo. no todo ou em parte. Sujeitos ativo e passivo idênticos ao caput. os livros mercantis e o testamento particular. acrescido de especial fim de agir (em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio). de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Trata-se de crime formal. Utilização indevida de selo ou sinal verdadeiro (§1o. falsificação ou uso indevido de marcas. O tipo subjetivo é o dolo. ou alterar documento público verdadeiro: Pena .Falsificar. Há necessidade de que o objeto material seja utilizado por órgão ou entidade da Administração Pública. Pune-se quem faz uso do selo ou sinal falsificado. equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal. O resultado referido pela lei é alternativo (embora indispensável): prejuízo alheio ou proveito próprio ou de terceiro. o título ao portador ou transmissível por endosso. o dolo genérico. Não se incrimina qualquer uso. A alteração e a falsificação devem ser aptas a enganar a generalidade das pessoas. A ação penal é pública incondicionada. Objeto jurídico. § 1º . Figura qualificada (§ 2o). 110 . A ação penal é pública incondicionada. logotipos.Se o agente é funcionário público. ou identifique estes. Ação penal. especialmente as marcas. Trata-se de crime formal. declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita. Consuma-se com o uso do selo ou sinal falsificado. pelo próprio agente que falsificou o selo ou sinal é fato posterior impunível. as ações de sociedade comercial. A ação penal é pública incondicionada. sem dependência de outro resultado. documento público. 3) Siglas (sinais convencionais).

aquela que diz respeito à forma do documento. As fotocópias ou xerox não podem ser considerados documentos. 2006). art. nome do segurado e seus dados pessoais. Admite-se tentativa. de acordo com as formalidades legais. 297 pune é a material. pois o falso grosseiro não traz perigo à fé pública. art. Não há punição a título de culpa. configura post factum não punível. conforme o caso. Quando a falsidade do documento público foi o meio par a prática de estelionato. Nesta modalidade. Elemento subjetivo. 111 . documento público. Consumação e tentativa. São duas as condutas previstas: a) Falsificar. Também é incluído o documento público estrangeiro. pelo crime de falsificação de documento particular (CP. pois o falso inócuo não configura o delito. 297) ou. é a contrafação integral. em tal hipótese. a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. São alcançados tanto o documento formal e substancialmente público. 2) Há concurso formal (prevalece no STF). e a pessoa em prejuízo de quem foi o falso praticado. Sujeito ativo é qualquer pessoa. A ação penal é pública incondicionada. 298). Sujeitos do delito. E que a falsificação seja capaz de causar prejuízo para outrem. primeiramente. traslados. Se funcionário público vide § 1 o. é por este absorvido”). ou seja. Exige-se o dolo. Consuma-se com a efetiva falsificação ou alteração. Em qualquer das hipóteses. para fins penais. O uso dos papéis falsificados. Objeto jurídico: fé pública. 3) O crime de falso prevalece sobre o estelionato. declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. desde que originariamente considerado público e atendidas as formalidades legais exigidas no Brasil. 4) Há concurso material. Prevalece o entendimento de que não há concurso com o crime de uso previsto no art. considerando-se como tal o elaborado. como o formalmente público mas substancialmente privado. 304 do CP. O objeto material é o documento público. A falsidade que este art. § 4o Nas mesmas penas incorre quem omite. a remuneração. é imprescindível que a falsificação seja idônea para enganar indeterminado número de pessoas. Sujeito passivo é o Estado. a formação do documento. há alteração (modificação) do teor formal do documento. nos documentos mencionados no § 3 o. esta a absorve. secundariamente. sem mais potencialidade lesiva. divide-se a jurisprudência. por funcionário público no desempenho de suas atribuições. ou em parte. mero exaurimento do "crimen falsi". no todo ou em parte. quando esta foi o meio fraudulento empregado para a prática do crime-fim que era o estelionato (Súmula 17 do STJ – “Quando o falso se exaure no estelionato. É necessário exame de corpo de delito. (STF. b) ou alterar documento público verdadeiro. Ação penal. Se a falsidade é usada como crime-meio para a prática de sonegação fiscal. No todo. especialmente a autenticidade dos documentos. dando lugar a quatro correntes diferentes: 1) O estelionato absorve a falsidade. É a contrafação. pelo delito de falsificação de documento público (CP. fotocópias autenticadas e o telegrama emitido com os requisitos de documento público.III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social. Conduta delituosa. quando se acrescentam mais dizeres ao documento verdadeiro. quando praticado pelo próprio autor da falsificação. São também documentos públicos as certidões. respondendo o falsário.

por sua localização neste artigo. sujeitos ativo e passivo idênticos ao § 3o. c) as ações de sociedade comercial. II. d) os livros mercantis e o testamento particular (não abrange o codicilo). a qual. aplica-se apenas ao caput. entre outras. Buscando tutelar os interesses da Previdência Social e. punindo com as mesmas do caput aquele que inserir ou fizer inserir. a Lei nº 9. §2º). nos documentos que enumera. especialmente a veracidade dos documentos relacionados com a Previdência Social. As condutas previstas nos três incisos são comissivas. acrescentou o § 3o a este art. não poderão ser equiparados a documento público. O inciso III tipifica como crime a conduta daquele que insere ou faz inserir. fictícia) ou diversa (diferente. na folha de pagamento ou em outro documento de informações destinado a fazer prova perante a Previdência Social. ou de declarações falsa ou diversa das que deveriam constar. b) o título ao portador ou transmissível por endosso (cheque. representado pela Previdência Social. pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório. os documentos mencionados nos incisos I. são segurados obrigatórios as seguintes pessoas físicas: o empregado.). mas somente “mediante cessão civil. punindo com as mesmas do caput aquele que omitir. 297. secundariamente. tais documentos. Outra figura equiparada (art. nota promissória. além dos já previstos no § 2o. o trabalhador avulso e o segurado especial. não incidirá a causa especial de aumento de pena do § 1o. subsidiariamente. determinados fatos falsos ou diversos dos que deveriam constar. e III. A inserção de pessoa que não seja segurado obrigatório. 297. deve ser juridicamente relevante e ter potencialidade para prejudicar direitos. O objeto material são os documentos enumerados nos incisos I. O delito consuma-se com a efetiva inserção de pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório. 297. nos mesmos documentos enumerados no § 3o. Sujeito passivo. De acordo com o art. que cuida da falsificação de documento público. as seguintes informações: o nome do 112 . Sujeito ativo é qualquer pessoa. 11 da Lei 8213/91. §4o). II e III. nos documentos enumerados pelos incisos I. restaram equiparados a este. 297. se os títulos forem falhos quanto aos seus requisitos essenciais. primeiramente é o Estado. distinta) da que deveria ter sido escrita. Tratando-se de funcionário público. declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. declaração falsa (contrária à realidade. §3o). que se refere ao conteúdo do documento. duplicata. ou de declaração falsa ou diversa da que deveria constar. Figuras equiparadas (art. Em face da inserção deste § 3o no art. do próprio beneficiário. o empregado doméstico. ou em documento que deve produzir efeito perante a Previdência. a falsidade empregada pelo agente neste § 3o é a ideológica. Enquanto o § 3o trata de condutas comissivas. objeto material. quando após certo prazo não mais podem ser transferidos por endosso.Documentos públicos por equiparação (art. Ao contrário do caput. atualizada pelas Leis 9876/99 e 10403/02. O inciso I pune a conduta daquele que insere ou faz inserir. 297. na CTPS. em documento contábil ou em qualquer outro referente às obrigações da empresa perante a Previdência Social. o contribuinte individual. são equiparados a documento público: a) o documento emanado de entidade paraestatal (as autarquias). warrant. O objeto jurídico é a fé pública. Como observa Hungria. Objeto jurídico. Igualmente. deixam de ser equiparados a documentos públicos”. o segurado e seus dependentes que vierem ser prejudicados. II e III. Elemento subjetivo é o dolo. Não há punição a título de culpa. O inciso II incrimina a conduta de quem inserir ou fizer inserir. Para fins penais. esta figura equiparada incrimina condutas omissivas.983/00. etc.

Por muitas razões. Na falsidade ideológica. segundo a doutrina e jurisprudência dominantes. Não há forma culposa. desde que seja idôneo para a documentação.Falsificar. Exige-se certa permanência. Na falsidade material. a forma do documento é verdadeira. documento é todo escrito devido a um autor determinado. O objeto material é o documento particular. as reproduções fotográficas (xerocópias) não autenticadas de documentos. Consuma-se a partir do momento em que a inserção das informações referidas for juridicamente exigível pela legislação previdenciária e/ou trabalhista. c) Falsificação de documento particular Art. São requisitos do documento: a) forma escrita. que possa ter conseqüência no plano jurídico. ao contrário. previsto no art. Trata-se de crime doloso. A simples assinatura em papel em branco não é documento. Sujeitos do delito. quando nulo por falta de formalidade legal. d) relevância jurídica. contendo exposição de fatos ou declaração de vontade. Não se admite tentativa.reclusão. indispensável nas falsidades materiais. documento particular ou alterar documento particular verdadeiro: Pena . de 1 (um) a 5 (cinco) anos. vide comentário do artigo anterior. As condutas previstas são idênticas às do artigo anterior. A identificação deve advir da assinatura ou do próprio teor do documento. b) que tenha autor certo. a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. a idéia ou declaração que o documento contém não corresponde à verdade. art. 304. o que se frauda é a própria forma do documento. para o qual fazemos remissão. ou que não é a este equiparado para fins penais. Efeitos da distinção: 1) Quanto à capitulação penal. não se considerando documentos os impressos. 298 . poderá ser considerado documento particular. No caso de reprodução mecânica é indispensável a subscrição manuscrita. mas seu conteúdo é falso. que cria um documento novo. 2) Quanto a necessidade do exame de corpo de delito. O sujeito passivo é o Estado e. e multa. que é alterada. dotado de significação ou relevância jurídica (Heleno Fragoso). isto é.segurado e seus dados pessoais. a modalidade do falso (material ou ideológico) repercute no cabimento de incidente de falsidade (Código de Processo Civil. pinturas. É necessário que seu conteúdo seja juridicamente apreciável. A omissão empregada pelo agente deve ser juridicamente relevante e ter potencialidade para prejudicar direitos. É crime comum. É irrelevante o meio empregado para escrevê-lo. 390). 113 . as gravações. Quando a falsidade foi meio para prática de estelionato. c) Seu conteúdo deve expressar manifestação de vontade ou exposição de fatos. O escrito anônimo não é documento. considerando-se como tal o que não está compreendido como documento público. Não há concurso com o crime de uso. Não se incluem as fotografias. Na primeira hipótese só haverá crime se houver a omissão concomitante do nome dos segurados e de seus dados pessoais. a sua remuneração. Deve o escrito ser feito sobre coisa móvel. Conduta delituosa. embora não precise ser indelével. 3) No cível. a pessoa prejudicada pela falsidade. O próprio documento público. transportável e transmissível. como também não o é o escrito ininteligível ou desprovido de sentido. etc. no todo ou em parte. Trata-se de crime doloso. no todo ou em parte. ou é forjada pelo agente. Elemento subjetivo. é importante observar a distinção que existe entre o falso material e o falso ideológico. secundariamente. Para a lei penal.

e não o falso material. A ação penal é pública incondicionada. no exercício de função pública. declaração que dele devia constar. Trata-se de crime doloso com especial fim de agir. e) Falso reconhecimento de firma ou letra Art. de 1 (um) a 5 (cinco) anos.Consumação e tentativa. e multa.reclusão. que se refere ao conteúdo do documento. Conduta delituosa. Sujeitos do delito. Em qualquer das modalidades. Quanto à simulação. se o documento é público. Admite tentativa salvo na hipótese omissiva. c) Fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrito. O agente omite (silencia. especialmente a autenticação de documentos. com o fim de prejudicar direito. A falsidade que este artigo incrimina é a ideológica.Omitir. Trata-se de crime próprio. Sujeito passivo. A conduta é omissiva. e reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos. de 1 (um) a 5 (cinco) anos. 300 . Ação penal. Consuma-se com a efetiva falsificação ou alteração. Consuma-se com a efetiva omissão ou inserção. insere declaração falsa ou diversa da que devia ser consignada. não é pacífica na doutrina a sua caracterização como falsidade ideológica.reclusão. Objeto jurídico: fé pública. Objeto jurídico: fé pública. especialmente a genuinidade ou veracidade do documento. é indispensável que a falsidade seja capaz de enganar e tenha por objeto fato juridicamente relevante. como verdadeira. e de 1 (um) a 3 (três) anos. ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil. b) Inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita. se o documento é particular. mas o agente atua indiretamente. fazendo com que outrem insira a declaração falsa ou diversa.Se o agente é funcionário público. Ação penal. A ação penal é pública incondicionada. Sujeitos do delito. O agente. somente podendo ser praticado por funcionário com fé pública para reconhecer. 114 . não menciona) fato que era obrigado a fazer constar. firma ou letra que o não seja: Pena . Consumação e tentativa. idem ao crime anterior. e multa. d) Falsidade ideológica Art. diretamente. criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: Pena . caso contrário. São três as modalidades alternativamente previstas: a) Omitir declaração que dele devia constar. O objeto material é o documento público ou particular. ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita. Elemento subjetivo. Parágrafo único . Admite-se tentativa. exige-se que se trate de papel entregue ou confiado ao agente para preenchimento. Na hipótese de abuso de folha assinada em branco. O comportamento é semelhante. 299 . embora se admita participação. e multa.Reconhecer. Sujeito ativo é qualquer pessoa. e comete o crime prevalecendose do cargo. o falso será material. e multa. se o documento é público. se o documento é particular. aumenta-se a pena de sexta parte. em documento público ou particular.

A ação penal é pública incondicionada. uma descrição detalhada fugiria dos objetivos propostos de um texto base para a prova oral. somente praticado por médico.detenção. Ação penal. a de multa. no todo ou em parte.Se o crime é praticado com o fim de lucro. no exercício da sua profissão. Conduta delituosa. sem dependência de outra conseqüência. Consuma-se com o efetivo reconhecimento.detenção. Ação penal. ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro. O presente dispositivo legal contém as mesmas especificidades que estão sendo vistas nos demais artigos do presente capítulo. Consumação e tentativa. A falsidade deve referir-se a fato juridicamente relevante. isenção de ônus ou de serviço de caráter público.Conduta delituosa. de 2 (dois) meses a 1 (um) ano. para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público. g) Falsidade de atestado médico Art. salvo quando a reprodução ou a alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça: Pena . Trata-se de crime doloso. não havendo mister de maiores esclarecimentos além de uma interpretação literal e sistemática com os demais dispositivos. em razão de função pública. f) Certidão ou atestado ideologicamente falso Art.Dar o médico. aplica-se. ou qualquer outra vantagem: Pena . Consuma-se com a efetiva entrega do atestado ao beneficiário ou a outrem. 302 . e multa. Elemento subjetivo. fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público. Ação penal pública incondicionada. aplica-se também multa. de 1 (um) a 3 (três) anos. especialmente com relação aos atestados médicos. Não há punição da modalidade culposa. atestado falso: Pena . Elemento subjetivo. A falsidade deve ser praticada por escrito (pois se trata de atestado) e relacionada com o exercício médico do atestante.Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção. 303 . para fins de comércio. faz uso do selo ou peça filatélica. Consumação e tentativa. Trata-se de crime doloso. motivo pelo qual. h) Reprodução ou adulteração de selo ou peça filatélica Art. de 3 (três) meses a 2 (dois) anos. Parágrafo único . 115 . O núcleo é reconhecer (atestar. Sujeitos do delito. atestado ou certidão.Se o crime é cometido com o fim de lucro. além da pena privativa de liberdade. ou qualquer outra vantagem: Pena .Na mesma pena incorre quem. Crime próprio.detenção. § 1º . 301 . Parágrafo único . O que se pune é dar atestado falso.Atestar ou certificar falsamente.Falsificar. certificar).detenção. isenção de ônus ou de serviço de caráter público. de 1 (um) mês a 1 (um) ano. a conduta deve ser praticada no exercício da sua profissão. Objeto jurídico: fé pública. § 2º . Além disso.

a) destruir (eliminar. e multa. pelo uso. O objeto material é documento público ou particular verdadeiro. como meio de prova. Sujeito ativo é qualquer pessoa. se o documento é particular. Sujeitos do delito. 39 da Lei 6538/78. livremente. Trata-se de crime doloso com especial fim de agir. ou emprega documento que é ideologicamente falso. b) suprimir (fazer desaparecer sem destruir nem ocultar. o comportamento de quem faz uso de documento materialmente falsificado. Elemento subjetivo. Consumação e tentativa. extinguir). Crime doloso. a pessoa prejudicada com o uso. A conduta punível é fazer uso. Para muitos há ainda a finalidade de atentar contra a integridade do documento.a cominada à falsificação ou à alteração. A conduta é comissiva e o documento deve ser utilizado em sua destinação própria. vale dizer. ou vice-versa. 116 . que prevê figura com redação praticamente idêntica). passivo é o Estado e. Elemento subjetivo. Ação penal pública incondicionada. Objeto jurídico: fé pública. i) Uso de documento falso Art. a maioria da doutrina acha que o dispositivo foi revogado pelo art. Exige-se o uso efetivo. não bastando a mera alusão ao documento. que tem a significação de empregar. 297 a 302: Pena . Além disto. em benefício próprio ou de outrem. Trata-se de crime comum. secundariamente. utilizar. Assim. Não haverá o crime de uso. Vide julgado inserido na página 90. Ação penal pública incondicionada. Ação penal. desaparece a ilicitude quando o agente pode. especialmente a segurança do documento como prova. também.Destruir. com relevância jurídica. Sujeito secundariamente. Sujeito passivo é o Estado primeiramente. de que não podia dispor: Pena . e multa. 305 . São três os núcleos alternativamente indicados. Sujeitos do delito. todavia. de que não podia dispor. Ação penal. a pessoa prejudicada com a supressão. assim. j) Supressão de documento Supressão de documento Art. c) ocultar (esconder. e reclusão. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. de 1 (um) a 5 (cinco) anos. ou em prejuízo alheio. suprimir ou ocultar. 304 . Conduta delituosa. Consuma-se com o efetivo uso. desfazer-se do documento. Objeto jurídico: fé pública. predomina largamente o entendimento de que o autor do falso não pode responder. colocar em lugar onde não possa ser encontrado).reclusão. Conduta delituosa. se o documento é público. Incrimina-se. (só se o examinador quiser te reprovar ele te faria uma questão específica sobre este dispositivo. se faltar ao documento requisito necessário à configuração do próprio falso. como se verdadeiro fora. benefício próprio ou de outrem ou de prejuízo alheio.Dispositivo sem maiores interesses para uma prova oral. documento público ou particular verdadeiro. a que se referem os arts. como se fora autêntico.Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados.

e multa.Usar. 307. documento dessa natureza. incuca ou imputa. marca ou sinal empregado pelo poder público no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária. Sujeito ativo. se o fato não constitui elemento de crime mais grave. em proveito próprio ou alheio. porque o acusado tem o direito de mentir.). a si próprio ou a terceira pessoa. secundariamente. profissão. primeiramente é o Estado. a pessoa prejudicada. e multa.detenção. Crime doloso. Sujeito passivo. b) Falsa identidade Art. de 4 (quatro) meses a 2 (dois) anos. identidade que não é a verdadeira. Consuma-se com a fabricação ou alteração idônea. especialmente a autenticidade das marcas. de 1 (um) a 3 (três) anos. etc. Na doutrina. Para alguns doutrinadores. ou comprovar o cumprimento de formalidade legal: Pena . A conduta punida é atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade. ou causar dano a outrem.3.Se a marca ou sinal falsificado é o que usa a autoridade pública para o fim de fiscalização sanitária. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. Sujeito comum quanto ao sujeito ativo. 308 .reclusão ou detenção. A lei consigna que a ação deve visar a obter vantagem. a) no contraste de metal precioso (que serve para atestar o título ou quilate). ou para outros fins Art. Exceto na modalidade de usar. Consuma-se com a atribuição. em proveito próprio ou alheio. ou para causar dano a outrem: Pena . costuma-se dar sentido amplo à expressão identidade (compreendendo idade.4. A jurisprudência do STF e do STJ se pacificou no sentido de que não se fala no crime. Não há punição na modalidade culposa. como próprio. ou para autenticar ou encerrar determinados objetos.detenção. A ação penal é pública incondicionada. Incrimina-se. se o fato não constitui elemento de crime mais grave. e deve ser absorvido por outro crime mais grave. O silêncio ou consentimento tácito a respeito da falsa identidade atribuída por outrem não se enquadra no dispositivo. fabricando-o ou alterando-o. de falsa identidade. verbalmente ou por escrito. Parágrafo único . Sujeitos do delito. especialmente em relação à identidade pessoal. De outras falsidades a) Falsificação do sinal empregado no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária. nacionalidade.reclusão. Elemento subjetivo. filiação. passaporte. b) na fiscalização alfandegária (usado para assinalar as mercadorias liberadas). 306 . caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade alheia ou ceder a outrem. Polêmica é a questão acerca da vinculação. Art. Conduta delituosa. e multa. Art. assim. ou com o uso efetivo. 307 .Falsificar. quando constitui elemento deste. próprio ou de terceiro: Pena . a ação de quem. ou usar marca ou sinal dessa natureza. qualquer pessoa. por parte de quem é preso ou acusado. o Estado. estado de casado ou solteiro. 117 .Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem. sem dependência do efetivo benefício o dano (delito formal). Sujeito passivo. ou multa. título de eleitor. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. A ação penal é pública incondicionada. falsificado por outrem: Pena . irroga. O objeto material é marca ou sinal empregado pelo poder público. mas o entendimento não é pacífico. Objeto jurídico: fé pública. a tentativa é admissível. para que dele se utilize. Ação penal. O delito é expressamente subsidiário. Consumação e tentativa. O objeto jurídico é a fé pública. Trata-se de crime doloso.

(Redação dada pela Lei nº 9. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 309 . o documento pode ser do agente ou de outrem. de 6 (seis) meses a 3 (três) anos. e multa.1996) Objeto jurídico: fé publica.426. de 24.detenção. para entrar ou permanecer no território nacional. Ação penal pública incondicionada. no que concerne à identidade pessoa. além do dolo deve ter este outro elemento subjetivo. título ou valor pertencente a estrangeiro.Prestar-se a figurar como proprietário ou possuidor de ação. d) Adulteração de sinal identificador de veículo automotor Adulteração de sinal identificador de veículo automotor Art. o direito a autodefesa atinge. Consumação e tentativa. O crime é doloso.1996) § 2º . o interrogatório de mérito. c) Fraude de lei sobre estrangeiro Fraude de lei sobre estrangeiro Art. Ação penal.12.reclusão. de seu componente ou equipamento: (Redação dada pela Lei nº 9. ou seja.426. Trata-se de crime próprio.entretanto. 311 .Usar o estrangeiro. Parágrafo único . Objeto jurídico é a fé pública.426.12.12.1996) Pena . 310 . 308. Ação penal pública incondicionada.12. não admite punição por culpa. Consuma-se com o uso efetivo para prova de identidade.1996) Objeto jurídico: fé pública. Consuma-se com adulteração ou remarcação idônea a enganar. O comportamento deve ser praticado para entrar ou permanecer no território nacional.426. Sujeitos do delito.1996) Pena . Admite tentativa. título de eleitor. o terceiro prejudicado pela adulteração ou remarcação.12. de 24. Elemento subjetivo. especialmente em relação à propriedade e ao licenciamento ou registro dos veículos automotores. A cessão pode ser gratuita ou onerosa e não é necessário que a pessoa que recebe o documento o use.Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o licenciamento ou registro do veículo remarcado ou adulterado. Art. Sujeitos do delito. Aqui. caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade. Consuma-se com o efetivo uso para entrar ou permanecer. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9. Crime doloso. com a efetiva entrega (em ambos os casos.Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor. (Redação dada pela Lei nº 9. e multa.12. nome que não é o seu: Pena .Atribuir a estrangeiro falsa qualidade para promover-lhe a entrada em território nacional: (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9. Ação penal é pública incondicionada. apenas.reclusão. Como objeto material a lei fala em passaporte.426.426.detenção. de 24. Consumação e tentativa.1996) § 1º . É delito expressamente subsidiário. Trata-se de crime comum. não alcançando a identificação do acusado. de 24. eis que nessa fase não há qualquer atividade de cunho defensivo. O sujeito passivo principal é o Estado. de 1 (um) a 3 (três) anos. a pena é aumentada de um terço. secundariamente. na segunda.426. Admite-se a tentativa apenas na forma de ceder.12. de 24. e multa. Ação penal. fornecendo indevidamente material ou informação oficial. de 3 (três) a 6 (seis) anos. ainda que a entrada ou permanência não se realize. Sujeito passivo é o Estado. Art. Crime comum quanto ao sujeito ativo. e multa. sem dependência de outro resultado). efetivamente. nos casos em que a este é vedada por lei a propriedade ou a posse de tais bens: (Redação dada pela Lei nº 9. de 24. 118 . Sujeito passivo é o Estado e.Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela. na primeira conduta. Não se admite a tentativa. Conduta delituosa.1996) Pena . de 24. o sujeito ativo só pode ser o estrangeiro. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9. de forma a compreender todo documento admitido como prova de identidade.