Povos Indígenas do Acre

Biblioteca da Floresta Ministra Marina Silva disponibiliza, no Espaço Povos da Floresta, no segundo piso, exposição dedicada às nações indígenas acreanas. O visitante tem contato com um conjunto de painéis, composto por texto e fotografias das desesseis etnias indígenas conhecidas no Acre: Ashaninka, Jaminawa Arara, Katukina, Poyanawa, Madija, Manchineri, Apolima Arara, Jaminawa, Kaxinawá, Nawa, Nukini, Yawanawá, Apolima, Kaxarari, Shanenawa e Arara. Os painéis traçam um resumo dos tempos da história indígena e descrevem, brevemente, aspectos relacionados à origem, grupo lingüístico, cultura material, produção e localização geográfica. Uma exposição de peças indígenas apresenta a indumentária, artesanato e utilitários representativos das etnias indígenas do Acre. A seleção e exposição das peças mostram a forma de produção material feita pelos índios acreanos demonstrando sua diversidade cultural, através de seus fazeres. É importante destacar que a Biblioteca dispõe de um acervo que trata do tema, composto por revistas e publicações diversas, além de vídeos e CDs musicais. Esse acervo, que está sendo iniciado, será ampliado para que os visitantes tenham a oportunidade de aprofundar os conhecimentos sobre as nações indígenas acreanas.

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Isso ocasionou um aumento da umidade e expansão dos sistemas florestais. por grupos humanos provenientes da Ásia. que variam entre350 a 150 metros de diâmetro. Os painéis abordam os diferentes tempos vividos pelos povos indígenas do Acre divididos em: Tempo da antiguidade A longa história do povoamento humano da América e do Acre começa entre 20.Os Tempos da História Indígena Diferentes povos nativos já habitavam as terras acreanas. sob a ótica deles mesmos.000 anos atrás. com apenas algumas manchas de floresta ao longo dos rios. Foi nesse tempo de profundas mudanças climáticas que novas formas de organização humanas surgiram. a partir de 10. Segundo alguns pesquisadores. antes mesmo da chegada dos europeus ao Brasil. Esses povos tinham a sua própria história. seus modos de vida. do cativeiro e dos direitos. Com o passar do tempo. construídos principalmente em ares de terra firme. que incluem os sítios com grandes formas geométricas de terra. Graças à sua força e a coragem. o clima do planeta começou a esquentar. além de começar a praticar o plantio de raízes (principalmente mandioca). Muitos destes povos desapareceram. É nesse percurso temporal que iremos conhecer mais sobre a história de um povo que se fez da rica floresta amazônica e que não desistiu de lutar pelo direito de viver e de cultivar suas raízes. Mas não só. favorecendo assim a proliferação de uma forma terrestre e aquática de pequeno porte. Para melhor compreender toda trajetória da história indígena no Acre. No século XIX existia no Acre cerca de 50 grupos indígenas. alguns desses povos sobreviveram e até hoje lutam pela sua sobrevivência social e cultural. das malocas. sua cultura e tradições.000 e 12. das correrias. Sítios de povos ceramistas em sua maioria. sua religião e sua sabedoria. fabricar cerâmica e a ocupar os lugares por um tempo mais prolongado. por todos os vales acreanos centenas de sítios arqueológicos . subjugados pela violência e doenças desconhecidas trazidas pelo branco. nessa época a Amazônia era uma ampla extensão de savanas. São vestígios dessa época que constituem os sítios arqueológicos existentes no Estado. pois os povos pré-históricos passaram a contar com recursos alimentares mais diversificados. os painéis irão levar o visitante a voltar ao tempo da antiguidade.000 anos AP (antes do presente).

Entre 1880 e 1910. havia predomínio de diversos e numerosos grupos da língua Pano. teve início a verdadeira corrida pelo ouro negro. exatamente a região de ocupação de dois grandes grupos lingüísticos Pano e Aruak. Milhares de homens. Os primeiros exploradores começaram a chegar à região acreana a partir de 1860. em parte. expulso ou exterminado. os povos nativos da região se viram cercados. por outras resistindo à invasão de seus territórios. Isso explica. expedições armadas feitas com o objetivo de matar as lideranças das aldeias. Vistos como obstáculos da exploração. mas não exclusivo.” (Norberto Sales Tene Kaxinawá). estabelecendo um sutil equilíbrio ecológico e social na região. vindos de toda parte do Brasil e do mundo. Durante os milhares de anos em que as aldeias foram compostas por grandes malocas coletivas. o povo vivia do que lhes dava a floresta. que vem desde o começo do mundo. que por vezes eram exterminados por colaborarem com os brancos. os índios tiveram suas terras invadidas e seu povo perseguido para ser aprisionado. Os primeiros rios acreanos a serem colonizados foram o Purus e o Juruá. Grupos pouco aguerridos eram comumente submetidos por outros grupos mais fortes ou se refugiavam na terra firme. a fragmentação que muitas tribos Pano apresentavam quando finalmente os brancos começaram a chegar à região. espalhando-se por diversos afluentes de ambas as margens do Purus. da cultura tradicional. sem ter para onde fugir e como resistir à enorme pressão que vinha do capitalismo internacional. mas também contra grupos do mesmo tronco. Tempo das correrias Com a implantação dos seringais. levando ao extermínio inúmeros grupos indígenas. o tempo das malocas é o mais antigo para os índios do Acre e do sudoeste do Amazonas. Nessa época. se submetendo ao risco de doenças a qual não tinham imunidade. bem como na maior parte de seus afluentes. No Purus havia predomínio. dos mitos. cada vez mais ávido por esse produto. aprisionar homens e obter mulheres para serem vendidas para seringueiros. Essa terrível realidade pendurou por pelo menos trinta anos. das línguas Aruan e Aruak. . Em poucos anos.atestam a grande riqueza e importância de nossa pré-história para a compreensão da trajetória de nossos povos indígenas. Tempo do nascimento dos povos indígenas. Com seu caráter guerreiro. passaram a subir os rios estabelecendo imensos seringais em suas margens. os Pano conquistaram seu território através da guerra contra tribos de outras línguas. tempo das histórias de antigamente. “É um tempo muito longe. os povos indígenas começaram a ser dizimados através das chamadas correrias. o ritmo da exploração da região só aumentou. a borracha extraída da seringa e depois defumada. Tempo das malocas É o tempo da vida dos indígenas antes do contato com o cariú (homem branco). o que também só aumentava a perseguição. Já no médio e alto curso do rio Juruá. portanto.

Podemos imaginar os conflitos que surgiram nesse processo. mortes anunciadas ou não. os índios construíram um espaço sagrado. à educação. Etnias e Cultura Material dos Povos Indígenas do Acre Para mostrar aspectos importantes da cultura indígena acreana estão expostos painéis (apresentados abaixo) que retratam um pouco de cada uma das 16 etnias existentes no Acre. depois de uma intensa batalha. a falta de políticas de assistência à saúde. levou-os a uma grave condição econômica e social. os índios eram constantemente enganados. Como não sabiam ler e entendiam pouco o português. a depender de armas. surgiu a Aliança dos Povos da Floresta – formada por índios. para não desaparecerem. a falar o português e muitas vezes o espanhol (aprendido com os peruanos e bolivianos). nunca mais seria possível retomar as antigas forma de organização social. vestimentas feitas em fibra e algodão e outros adereços. aspectos relacionados à origem. transformando-se em prisioneiros dos seus patrões. um espaço que retrata uma lenda indígena que conta sobre uma época onde as mulheres dominavam as tribos e perderam o poder para os homens. Desde então. A maioria dos patrões tratava os índios pior do que tratavam seringueiros nordestinos. que retratam a cultura e o artesanato dos povos indígenas da Floresta acreana. passaram a construir casas caboclas (modelo utilizado pelo branco). . Com isso.os instrumentos musicais .e são realizados importantes rituais mágicos que garantem a fertilidade e a abundância da terra. desde o peso da borracha até a compra de mercadoria nos barracões. Esculturas moldadas em madeira. ou seja. Os primeiros indícios de mudanças começaram em 1976. de ferramentas diferentes das suas. descrevendo brevemente. Diante dessa nova realidade. O primeiro ciclo da borracha (1890 a 1913) foi época de formação dos grandes seringais. È apresentado ainda um espaço dedicado à exposição de instrumentos e utensílios destes povos. a “Casa das Flautas” onde as mulheres são proibidas de entrar. histórias de pistoleiros e jagunços. Neste espaço estão guardados os objetos de poder . seringueiros e ribeirinhos – que representou um grande avanço na luta contra a exploração predatória das florestas acreanas. Surgiram. então. Isso resultou em muitas emboscadas. Alguns grupos. A acentuada queda nos preços internacionais da borracha fez com que ficasse cada vez mais difícil trazer nordestinos. a reconquista das terras. o que levou a necessidade cada vez maior de aproveitamento dos índios como mão de obra. dando início assim a demarcação das terras ancestrais dos povos nativos do Acre. O peso do preconceito da sociedade não-índia. barro.Tempo do cativeiro Conta a história de como os índios eram aprisionados e obrigados a trabalhar nos seringais. acumulavam enormes dividas nos seringais e nunca tinham saldo. a expropriação de suas terras. Destaque é dado à Casa das Flautas. em diversas aldeias as primeiras cooperativas que proporcionaram condições objetivas para que as comunidades se libertassem do domínio dos patrões. Nesse contexto. Tempo dos direitos Conta o surgimento das instituições de apoio aos indígenas e o nascimento dos movimentos indígenas. Durante décadas de cativeiro os povos nativos do Acre sofreram uma enorme degradação e perda da sua cultura tradicional. pois os patrões não estavam dispostos a abrir mão daquilo que acreditavam que tinham direito. com a instalação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) no Acre e sul da Amazônia. tiveram que adotar algumas formas de vida dos brancos. grupo lingüístico e localização geográfica.

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Pedagoga .Presidente da Fundação Garibaldi Brasil Gerusa Vidal .Técnica ba Biblioteca da Floresta Marina Silva Edição Gráfica: Maurício de Lara Galvão Fontes de Consulta “Índio do Acre: História e Organização” (Kaxinawá. Comissão Pró-Índio. .Autoria Marcos Vinícius Neves . Acre. Joaquim Paulo Maná [et al].Historiador . 2002.

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