Aparecido Edilson Morcelli

Engenharia de Materiais

AprEsEntAção
É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Engenharia de Materiais, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina. A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidisciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail. Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br, a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso, bem como acesso a redes de informação e documentação. Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suplemento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal. A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar! Unisa Digital

sUMÁrIo
IntroDUção................................................................................................................................................5 1 ConCEItos FUnDAMEntAIs ........................................................................................................7
1.1 Classificação dos Materiais........................................................................................................................................ 10 1.2 Ligação Iônica e a ligação Secundária ou de Van der Waals ........................................................................ 11 1.3 A Estrutura Cristalina ................................................................................................................................................... 12 1.4 Exercícios Resolvidos................................................................................................................................................... 14 1.5 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................... 16 1.6 Atividades Propostas................................................................................................................................................... 16

2 EstrUtUrAs MEtÁLICAs ............................................................................................................. 17
2.1 Estruturas Cerâmicas ................................................................................................................................................... 18 2.2 Estruturas Poliméricas................................................................................................................................................. 19 2.3 Estruturas Semicondutoras ...................................................................................................................................... 20 2.4 Exercícios Resolvidos................................................................................................................................................... 22 2.5 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................... 24 2.6 Atividades propostas .................................................................................................................................................. 24

3 EstUDo DA rEDE CrIstALInA ................................................................................................. 27
3.1 Direções e Planos Cristalográficos ......................................................................................................................... 28 3.2 O Ângulo entre as Direções e os Índices de Miller .......................................................................................... 30 3.3 Difração de Raios X ...................................................................................................................................................... 32 3.4 Microscopia Eletrônica de Transmissão e Varredura ....................................................................................... 33 3.5 Defeitos Pontuais e Difusão no Estado Sólido................................................................................................... 35 3.6 Diagramas de Fases e o Desenvolvimento de Microestruturas ................................................................. 36 3.7 Exercícios Resolvidos................................................................................................................................................... 37 3.8 Resumo do Capítulo .................................................................................................................................................... 39 3.9 Atividades Propostas................................................................................................................................................... 40

4 ConsIDErAçÕEs FInAIs ............................................................................................................... 41 rEspostAs CoMEntADAs DAs AtIVIDADEs propostAs ..................................... 43 rEFErÊnCIAs ............................................................................................................................................. 51

IntroDUção
Esta apostila destina-se a você, estudante de graduação para os cursos de Engenharia Ambiental, Engenharia de Produção ou afins, para acompanhamento do conteúdo de Engenharia de Materiais, nos cursos a distância. Com o intuito de simplificar a exposição dos tópicos abordados, procurou-se, através de uma linguagem simples, expor o conteúdo de forma sucinta e objetiva, com a dedução de parte das equações expostas no texto. Neste curso, será abordado o estudo dos materiais metálicos, poliméricos e cerâmicos, bem como os materiais compósitos. Você terá a oportunidade de aprimorar os seus conhecimentos no mundo dos materiais, que o cerca no dia a dia. Muitos dos materiais utilizados atualmente em veículos automotores, utensílios domésticos, fazem parte dessa gama enorme de novos materiais e suas aplicações. Você também vai reconhecer a importância da nanotecnologia na produção de equipamentos em escalas cada vez menores, na ordem de 10-9 do metro, com a mesma eficiência, porém consumindo menor quantidade de matéria-prima. Para complementar a teoria, são propostas atividades com grau de dificuldade gradativo. Além desta apostila, você terá como materiais de estudo as aulas web, material de apoio e aula ao vivo. Serão utilizadas para avaliação as atividades, podendo ser atribuída uma nota ou não, e a prova presencial. Esperamos que você, aluno(a), tenha facilidade na compreensão do texto apresentado, bem como na realização das atividades propostas. Aparecido Edilson Morcelli

Unisa | Educação a Distância | www.unisa.br

5

As três primeiras categorias podem ser associadas a tipos distintos de ligação atômica. Os compósitos envolvem combinações de dois ou mais materiais. comumente conhecida como MEV.unisa. Você pode observar que os metais. A micrografia foi obtida por Microscopia Eletrônica de Varredura. Para ilustrar a você o que eu estou falando. Nesse caso. Você e eu. Agora. vamos analisar a micrografia obtida da superfície de fratura de um material metálico. necessitamos de equipamentos de observação. por exemplo. Dicionário Ductilidade: deformação permanente antecedendo a ruptura. para a produção de dispositivos cada vez menores. compósitos e semicondutores. polímeros. quando as propriedades dos materiais são compreendidas. Para eu e você podermos enxergar o mundo microscópico. temos a certeza de que. Vamos fazer uma análise compreendendo a ductilidade relativa de certas ligas metálicas. Nesse caso. Os semicondutores compreendem uma categoria separada de materiais eletrônicos.br 7 . Você já deve ter ouvido falar em nanotecnologia. vamos entender as várias propriedades desses materiais. ƒƒ Segundo nível: existe a competição dentro da categoria mais apropriada para o material específico ideal. as cerâmicas e vidros. o material apropriado para determinada aplicação pode ser processado e selecionado. os polímeros e os compósitos compreendem os materiais estruturais. é preciso que você e eu examinemos a estrutura desses materiais em escala microscópica ou atômica. agora. Veja a micrografia e seus detalhes da superfície: Unisa | Educação a Distância | www. O microscópio eletrônico é um equipamento utilizado atualmente para enxergar os materiais e estudar o seu comportamento. metais e cerâmicas. distinta por sua exclusiva condutividade elétrica intermediária. como. cerâmicas e vidros. A ductilidade da liga metálica está associada à “arquitetura” em escala atômica. Alguns materiais apresentam alta ductilidade.1 ConCEItos FUnDAMEntAIs A grande variedade de materiais disponíveis aos engenheiros pode ser dividida em cinco grandes categorias: metais. A seleção de materiais é feita em dois níveis: ƒƒ Primeiro nível: existe a competição entre as diversas categorias de materiais. trata-se de um ferro fundido nodular.

unisa. através da imagem de elétrons secundários. As esferas em contraste escuro são de carbono ou grafita. em Física I. Nessa técnica. Você viu. indicando que a fratura ocorreu por sobrecarga. com a existência de alvéolos. veja essa mesma superfície de fratura com um aumento de aproximadamente 1300x. Agora. é importante perceber que os elétrons se comportam como onda. Atenção A imagem obtida por MEV é através da interação do feixe de elétrons com o material. indicando a forma de resfriamento do material.Aparecido Edilson Morcelli Figura 1 – Imagem obtida por MEV. Você notou pelo contraste que existem regiões claras. Nós vamos falar um pouco mais sobre a análise de materiais nos próximos capítulos. 8 Unisa | Educação a Distância | www. a dualidade onda-partícula proposta por De Broglie. Calma! Eu vou falar mais sobre essa técnica nos próximos capítulos. m⋅v = h λ A imagem é obtida por MEV.br . Você notou que o aumento obtido corresponde a 420x.

enquanto outras são relativamente frágeis. Observamos que as ligas de alumínio são tipicamente dúcteis. vamos investigar os materiais através de técnicas de observação e de realização de ensaios e testes para observar o seu comportamento mecânico e termomecânico. Essa diferença fundamental se relaciona diretamente com suas diversas estruturas cristalinas. Por enquanto. Agora. Para você e eu entendermos as propriedades ou características observáveis dos materiais da engenharia.Engenharia de Materiais Figura 2 – Imagem obtida por MEV. agora. você deve saber apenas que a estrutura do alumínio segue um arranjo cúbico e a liga de magnésio segue um arranjo hexagonal. visualizar um corpo de prova metálico submetido ao ensaio de tração.br 9 .unisa. você e eu podemos “adentrar” à superfície de fratura e observar com grande profundidade de foco e resolução a superfície de fratura e as esferas escuras dentro dos alvéolos. Unisa | Educação a Distância | www. Você já tinha imaginado visualizar a superfície de um metal e encontrar tantos detalhes? Não! No nosso curso. Qualquer engenheiro responsável por selecionar vários metais para aplicações de projeto precisa estar ciente de que algumas ligas são relativamente dúcteis. Vamos. é necessário entender a sua estrutura em uma escala atômica e/ou microscópica. enquanto as de magnésio são normalmente frágeis.

Essas quatro categorias de materiais da engenharia são. simplesmente. Vamos classificar os materiais da engenharia que admitem um tipo de ligação em particular ou uma combinação de tipos para cada categoria. As cerâmicas e vidros envolvem a ligação iônica. Saiba mais Elasticidade: tensão máxima que ainda provoca deformação elástica.Aparecido Edilson Morcelli Figura 3 – Corpo de prova metálico.unisa. Os metais envolvem a ligação metálica. 1. gerando resistências e pontos de fusão tipicamente baixos. posteriormente uma deformação plástica e.br . mas normalmente em conjunto com uma forte característica covalente. Os semicondutores são predominantemente covalentes por natureza. Dureza: resistência à penetração. Esse fenômeno ocorre porque o material sofre inicialmente uma deformação elástica. Nas pontas próximas do rompimento. observamos uma redução da área.1 Classificação dos Materiais Uma base para a classificação dos materiais da engenharia é a ligação atômica. portanto. 10 Unisa | Educação a Distância | www. a natureza da ligação atômica é determinada pelo comportamento dos elétrons que orbitam o núcleo. com alguns compostos semicondutores tendo uma característica iônica significativa. Os compósitos são combinações dos três primeiros tipos fundamentais e possuem características de ligação apropriadas aos seus elementos constituintes. os tipos fundamentais. no estágio final. A ligação secundária atua como um elo fraco na estrutura. a estricção. Os polímeros normalmente envolvem ligações covalentes fortes ao longo de cadeias poliméricas. há a ruptura na região em que houve a redução da área ou. Você está observando que o material está rompido. Embora a identidade química de cada átomo seja determinada pelo número de prótons e nêutrons dentro de seu núcleo. mas possuem ligações secundárias mais fracas entre cadeias adjacentes.

Figura 4 – Gráfico da curva de ligação líquida. Fonte: Shackelford (2011).br 11 . Unisa | Educação a Distância | www. Você poderá visualizar no gráfico que a curva de ligação líquida é a derivada da curva da energia de ligação.unisa. ƒƒ K dado por: A ligação iônica é o resultado da atração coulombiana entre espécies químicas com cargas opostas.Engenharia de Materiais 1. Fc = − Sendo: K a2 A energia de ligação E está relacionada à força de ligação. A força de atração coulombiana segue a seguinte relação: K = k0 (Z1q )(Z 2 q ) .2 Ligação Iônica e a ligação Secundária ou de Van der Waals ƒƒ a a distância de separação entre os centros dos íons. por meio da expressão diferencial: ƒƒ Fc a força de atração coulombiana entre dois íons de cargas opostas.

Figura 5 – Geometria de célula unitária. por todo o espaço tridimensional. Fonte: Shackelford (2011). A ligação secundária ou de van der Waals pode ser de dois tipos. que surgiu de seus estudos de física em tempo parcial. pois a estrutura completa pode ser gerada pelo empilhamento repetitivo de células unitárias adjacentes. A ligação conhecida como secundária ou ligação de van der Waals ocorre com energias de ligação substancialmente menores. analisar o sistema cúbico: 12 Unisa | Educação a Distância | www. Vamos. Dicionário Célula unitária: o menor volume que. Todas as estruturas possíveis se reduzem a um pequeno número de geometrias básicas de célula unitária. agora.unisa. Vamos. analisar a geometria de uma célula unitária.Aparecido Edilson Morcelli A inclinação na curva de energia em um mínimo é igual a zero. a atração de cargas opostas. Sua brilhante pesquisa foi publicada inicialmente como uma dissertação de tese. ou seja: dentro de cada átomo ou unidade molecular que está sendo ligada. A principal diferença é que nenhum elétron é transferido.3 A Estrutura Cristalina A estrutura cristalina tem como característica central sua forma regular e repetitiva. A principal característica da célula unitária é que ela contém uma descrição completa da estrutura como um todo. face a face.br . rede ou parâmetros de rede. físico holandês. melhorou as equações de estado para os gases. Para quantificar essa repetição. Essa assimetria de carga é denominada dipolo. dependendo de os dipolos serem temporários ou permanentes. agora. sem a transferência ou o compartilhamento de elétrons. Existem somente sete formas exclusivas de célula unitária que podem ser empilhadas para preencher o espaço tridimensional. reproduz o reticulado cristalino. por repetição no espaço. Você pode observar que o mecanismo da ligação secundária ou de van der Waals é semelhante à ligação iônica. Saiba mais Johannes Diderick van der Waals (1837-1923). ou seja. A atração depende de distribuições assimétricas de cargas positivas e negativas 1. Você deve observar que o tamanho das arestas da célula unitária e os ângulos entre os eixos cristalográficos são chamados constantes de Você vai perceber que a descrição das estruturas cristalinas por meio de células unitárias tem uma vantagem importante. levando em consideração o efeito das forças secundárias. temos de determinar qual unidade estrutural é repetida.

Essa é uma forma comum para descrever a curva de energia de ligação.Engenharia de Materiais Figura 6 – Sistema cúbico. Figura 8 – Energia de ligação em função do comprimento de ligação a. os comprimentos axiais são a=b=c e os ângulos correspondem a 90º.unisa. Fonte: Shackelford (2011). Você pode observar. Unisa | Educação a Distância | www. Você pode verificar a energia de ligação em relação ao comprimento de ligação. A forma geral da curva da energia de ligação e a terminologia associada às ligações covalentes e também iônicas estão representadas na figura a seguir.br 13 . No sistema cúbico. a partir da figura a seguir. A rede cúbica simples se torna a estrutura cristalina cúbica simples quando um átomo é colocado em cada ponto da rede. que os átomos estão colocados em cada vértice do sistema cúbico. Figura 7 – Sistema cúbico. Fonte: Shackelford (2011).

e .4 Exercícios Resolvidos 1.Aparecido Edilson Morcelli 1. onde e são constantes para atração e repulsão. Sendo .br . Dado o potencial respectivamente. temos: 2. e sendo: . Calcule a força de atração coulombiana entre Dados: Resolução: A força coulombiana é dada por: e e no .unisa. 14 Unisa | Educação a Distância | www. calcu- le a energia de ligação e o comprimento da ligação para o argônio.

Para um mol de argônio (Ar). que. teremos: .br 15 . em módulo. você deve observar a energia de ligação dada por Para o potencial dado pela equação: .Engenharia de Materiais Resolução: O comprimento da ligação (em equilíbrio) ocorre em Isolando-se Agora. será dada por: Unisa | Educação a Distância | www. teremos: O valor obtido corresponde à energia de ligação.unisa.

com dimensões 50 mm x 100 mm x 200 mm. que está relacionada à força de ligação. Dados: e . 1. calcule a massa de um tijolo de MgO refratário (resistente à temperatura). você aprendeu a visualizar no microscópio a fratura de um material. Calcule o número de átomos contidos em um cilindro de a) Magnésio.Aparecido Edilson Morcelli 1.6 Atividades Propostas Atenção Olá. não se esqueçam de realizar uma revisão da teoria. Você poderá utilizar a sua calculadora científica para facilitar os cálculos. por meio da expressão diferencial: . Utilizando a densidade do MgO. Dados: e Massa atômica de profundidade e diâmetro de: 2.unisa.5 Resumo do Capítulo Neste capítulo. .br . 16 Unisa | Educação a Distância | www. Calcule as dimensões de um cubo que contém 1 mol de cobre. sobre a influência da estrutura cristalina do material e seu comportamento macroscópico. 1. sobre a relação da força coulombiana dada por na ligação iônica e na ligação secundária ou de van der Waals e a repre- sentar a energia de ligação E. 3. aluno(a)! Para a resolução das atividades.

A quantidade de átomos por célula unitária será dada por: O Fator de Empacotamento Atômico (FEA) para essa estrutura é 0. Figura 12 – Estrutura cfc. A quantidade de átomos por célula unitária será dada por: Figura 9 – Estrutura ccc. com um total de quatro átomos em cada célula unitária cfc. existe um átomo no centro da célula unitária e um oitavo de átomo em cada um dos oito cantos da célula unitária. Figura 11 – Estrutura cfc. Assim. Cromo (Cr). Nessa estrutura. Unisa | Educação a Distância | www. Vanádio (V). Para você entender melhor o que eu estou dizendo. você vai analisar comigo uma estrutura cúbica de corpo centrado (ccc). Fonte: Shackelford (2011). utilizei bolas de isopor para representar a estrutura ccc.br 17 . veja uma estrutura cúbica de face centrada (cfc). Você pode verificar que cada átomo de canto é compartilhado por oito células unitárias adjacentes. Nessa estrutura.2 EstrUtUrAs MEtÁLICAs Agora. Molibdênio (Mo) e Tungstênio (W). Os metais típicos com essa estrutura incluem o Ferro alfa ( ).unisa. existe meio átomo no centro de cada face da célula unitária e um oitavo de átomo em cada canto da célula unitária. Fonte: Shackelford (2011). Agora. Átomo que compartilha as outras células unitárias Átomo no centro Figura 10 – Estrutura ccc. existem dois átomos em cada célula unitária ccc.68 e representa a fração do volume da célula unitária ocupada pelos dois átomos.

Níquel (Ni).74 é o valor mais alto possível para preencher o espaço empilhando as esferas rígidas de mesmo tamanho. às vezes. é denominada cúbica compacta.unisa. Cobre (Cu).74. Magnésio (Mg). a estrutura cfc.1 Estruturas Cerâmicas A grande variedade de composições químicas das cerâmicas é refletida em suas estruturas cristalinas. Para as estruturas cerâmicas. Um FEA de 0. porém existem dois íons. A estrutura do cloreto de césio (CsCl) é semelhante a uma estrutura ccc. O FEI é a fração do volume de célula unitária ocupada pelos diversos cátions e ânions. Prata (Ag). vamos começar com as cerâmicas de fórmula química mais simples: MX. Vamos definir o Fator de Empacotamento Iônico (FEI) para essas estruturas. Zinco (Zn) e Zircônio (Zr). Fonte: Shackelford (2011). Quanto à estrutura hexagonal compacta (hc). um e um por célula unitária. Alumínio (Al). Os metais típicos com estrutura cfc incluem: Ferro gama ( ). Platina (Pt) e Ouro (Au).Aparecido Edilson Morcelli O FEA para essa estrutura é 0.br . Os metais típicos com a estrutura hc incluem o Berílio (Be). Figura 13 – Estrutura hc. 2. Por esse motivo. Titânio alfa ( ). você vai poder observar que existem dois átomos associados a cada ponto da rede de Bravais. um átomo centralizado dentro da célula unitária e diversos átomos fracionados nos cantos da célula unitária. onde M é um elemento metálico e X é não metálico. 18 Unisa | Educação a Distância | www. Muitas dessas estruturas cerâmicas também descrevem compostos intermetálicos. A quantidade de átomos por célula unitária será dada por: Figura 14 – Estrutura hc.

Engenharia de Materiais Figura 15 – Célula unitária do cloreto de césio. a maioria dos plásticos comerciais é. diferentemente do empilhamento de átomos ou íons individuais nos metais e cerâmicas.2 Estruturas Poliméricas Figura 16 – Célula unitária do poli-hexametileno adipamida ou náilon 66. Unisa | Educação a Distância | www. Você vai notar agora que. Como resultado. Fonte: Shackelford (2011). O arranjo dessas moléculas longas em um padrão regular e repetitivo é difícil. 2. não cristalina. mostrando as posições dos íons e os dois íons por ponto de rede.br 19 . Fonte: Shackelford (2011). Vamos observar a célula unitária triclínica para o poli-hexametileno adipamida ou náilon 66. a estrutura tende a ser muito complexa. os polímeros são definidos pela estrutura do tipo cadeia das moléculas poliméricas longas. em grande parte.unisa. Naquelas regiões da microestrutura que são cristalinas.

sendo que cada átomo é coordenado tetraedricamente. Figura 17 – Estrutura da célula unitária cúbica do diamante. vamos analisar o empacotamento real dos átomos representados como esferas rígidas associadas à célula unitária (SHACKELFORD.unisa.Aparecido Edilson Morcelli 2. Germânio (Ge) e Estanho (Sn) cinza. com dois átomos associados a cada ponto da rede e oito átomos por célula unitária. que estão dispostos na tabela periódica do grupo IV A.br . Fonte: Shackelford (2011). Saiba mais Cúbico tipo diamante: a estrutura cúbica do diamante. tais como o Silício (Si). Você pode notar as posições dos átomos. 2011). A quantidade de átomos por célula unitária será dada por: Átomo/célula unitária: 20 Unisa | Educação a Distância | www.3 Estruturas Semicondutoras Os semicondutores elementares. Você pode observar essa estrutura no esquema a seguir. compartilham a estrutura cúbica do diamante. Observe que existem dois átomos por ponto da rede. que representa uma estrutura da célula unitária cúbica do diamante. Essa estrutura é montada sobre uma rede de Bravais cfc. Agora. Uma característica crucial dessa estrutura é que ela acomoda a configuração de ligação tetraédrica desses elementos.

Fonte: Shackelford (2011). coloquei esses dados na forma de tabela. Veja: Estrutura cristalina Relação entre o tamanho da aresta (a) e o raio atômico (r) Cúbica de corpo centrado (ccc) Cúbica de face centrada (cfc) Hexagonal compacta (hc) Unisa | Educação a Distância | www. Para ajudar você. Você deverá anotar essas relações para podermos realizar os exercícios que se seguem no texto.Engenharia de Materiais Figura 18 – Empacotamento real dos átomos.br 21 . É importante notarmos a relação entre o tamanho da célula unitária (tamanho da aresta) e o raio atômico para as estruturas metálicas comuns.unisa.

Esboce essa equivalência.unisa.br . temos: 22 Unisa | Educação a Distância | www. Antes de iniciarmos a resolução.4 Exercícios Resolvidos 1. você deve analisar que a estrutura que o cobre possui é cfc e a equação é dada por: . Resolução: 2. Dado o raio do átomo de cobre determine: a) O parâmetro de rede a (aresta).Aparecido Edilson Morcelli 2. Mostre que uma rede quadrada de base centrada pode ser transformada em uma rede quadrada simples. contendo quatro átomos. 4r a= 2 Como o problema nos fornece o raio do átomo de cobre . b) A densidade da célula unitária. Resolução: a) Cálculo da aresta a. Sabe-se que o cobre (Cu) é um metal cfc.

Dados: rátomoMg = 0. temos: Como existem quatro íons para o Mg e quatro íons para o O por célula unitária.Engenharia de Materiais b) A densidade da célula unitária: A densidade é dada pela relação: 3.132n m . Calcule o FEI do MgO. o volume iônico total será: Unisa | Educação a Distância | www. Resolução: Dado . A rede de Bravais cfc será: Fonte: Shackelford (2011).078n m e rátomoO = 0.br 23 . Lembre-se de que a estrutura é similar à do NaCl.unisa.

a estrutura cúbica de face centrada (cfc) e a estrutura hexagonal compacta (hc). Calcule a densidade do Dados: massa atômica de .Aparecido Edilson Morcelli O FEI será: 4. 24 Unisa | Educação a Distância | www. sabendo que responde a .6 Atividades propostas 1. e e o volume de célula unitária cor- Dados: massa molecular atômica Resolução: . e . foi visto o conceito estrutural da matéria.br . Aprendemos a calcular o Fator de Empacotamento Atômico (FEA) para as estruturas dadas. bem como o Fator de Empacotamento Iônico (FEI). tentei expor através de figuras a posição dos átomos na célula unitária e a sua forma estrutural: a estrutura cúbica de corpo centrado (ccc). A densidade é dada por: 2.unisa. 2.5 Resumo do Capítulo Neste capítulo. Para você entender melhor como a célula unitária é formada. Calcule a densidade do MgO. sabendo-se que é um metal com estrutura ccc.

Dados: Lembre-se: 3. Calcule o FEI do CaO. Calcule a densidade do germânio (Ge). O=16. Quantas células unitárias estão contidas em 1 kg de polietileno comercial.Engenharia de Materiais 2. . 50% cristalino e o restante amorfo. Calcule a densidade do CaO. a = 0. 5.unisa.br 25 . 4. Lembre-se: você deve observar que as células unitárias estão presentes somente na parte cristalina.940 Mg/cm3.a.a. Dados: e Unisa | Educação a Distância | www.m. Dados: e . Ele possui uma densidade global de 0.08 u.m.476n m e Ca=40.00 u.

físicos. Essas regras e as notações associadas são utilizadas uniformemente pelos cristalógrafos. Caro(a) aluno(a)! Veja com detalhes a figura a seguir: Unisa | Educação a Distância | www. é estruturalmente equivalente à mesma posição em qualquer outra célula unitária da mesma estrutura. engenheiros de materiais e outros que precisam lidar com materiais cristalinos. Agora. geólogos.br 27 . Um aspecto da natureza da estrutura cristalina é que uma dada posição da rede. Fonte: Shackelford (2011). químicos.3 EstUDo DA rEDE CrIstALInA Existem algumas regras básicas para descrever a geometria ao redor de uma célula unitária. Vamos descrever as posições na rede cristalina expressas como frações ou múltiplos de dimensões da célula unitária. em uma determinada célula unitária. cientistas de materiais. Figura 19 – Posições na rede cristalina.unisa. consistindo em múltiplos inteiros ao longo de direções paralelas aos eixos cristalográficos. você pode observar na figura a notação utilizada para as posições na rede cristalina. vai entender o mundo dos cristais. agora. As posições equivalentes são conectadas por translações na rede cristalina. Você.

Figura 21 – Notação para direção na rede.1 Direções e Planos Cristalográficos Na figura a seguir.unisa. você pode observar a notação para a direção na rede. pois somente a origem é deslocada. Fonte: Shackelford (2011). devemos estar atentos ao fato de que essas direções são expressas como conjuntos de inteiros.Aparecido Edilson Morcelli Figura 20 – Posições equivalentes. Para descrevermos as direções na rede cristalina. 28 Unisa | Educação a Distância | www. os inteiros de direção são delimitados por colchetes. Na notação para distinguir uma direção daquela de uma posição. Fonte: Shackelford (2011). sendo o seu uso muito importante para a designação padrão para as direções específicas da rede. identificando-se as menores posições inteiras interceptadas pela linha que parte da origem dos eixos cristalográficos. Note que as direções [uvw] paralelas compartilham a mesma notação.br . 3.

passando pela posição no centro do corpo . Fonte: Shackelford (2011).Engenharia de Materiais O uso dos colchetes é importante e é a designação padrão para as direções específicas na rede. sendo o conjunto 111 o menor. por exemplo. que são estruturalmente equivalentes.br 29 . essa direção é referenciada como . A direção se tornaria a direção se fizéssemos uma escolha diferente de orientação de eixos cristalográficos. é chamado família de direções e é representado pelos sinais < >. Note que a extensão adicional da linha leva à interceptação de outros conjuntos de inteiros. Unisa | Educação a Distância | www. Por exemplo. 222 e 333. Como resultado. Um exemplo das diagonais de corpo no sistema cúbico é: para interceptar a posição 111 do canto da célula unitária. Você deve observar que a linha da origem dos eixos cristalográficos. a barra acima do número inteiro final na direção designa que a linha da origem passou pela posição 1 1 -1.unisa. Esse conjunto de direções. Figura 22 – Família de direções 111 . pode ser estendida sa indicar esse movimento. a notação preci- Vamos agora visualizar a família de direções . Ambas são diagonais do corpo através de células unitárias idênticas. Você deve observar que as direções e são estruturalmente muito semelhantes. Quando uma direção se move por um eixo negativo. como. representando todas as diagonais do cor- po para células unitárias adjacentes no sistema cúbico.

br . conhecidos como índices de Miller. Os planos são expressos como um conjunto de números inteiros.2 O Ângulo entre as Direções e os Índices de Miller Os ângulos podem ser determinados pela visualização cuidadosa e por cálculos trigonométricos. Figura 23 – Índices de Miller.unisa. com os vetores . Os números representam o inverso das interceptações axiais. 30 Unisa | Educação a Distância | www. o ângulo pode ser determinado pelo cálculo simples de um produto escalar de dois vetores. Podemos determinar o ângulo duas direções: δ entre essas ou Lembre-se de que essa relação é válida somente para o sistema cúbico. A obtenção desses números inteiros é um processo mais elaborado do que o que foi exigido para as direções.Aparecido Edilson Morcelli 3. Vamos analisar as direções: e e . No sistema cúbico. Fonte: Shackelford (2011).

podemos agrupar planos estruturalmente equivalentes como uma família de planos com índices de Miller ou Miller-Bravais entre chaves: ou . o que também permite que qualquer plano do sistema hexagonal seja designado pelos índices de Miller-Bravais (hkil) ou pelos índices de Miller (hkl). Fonte: Shackelford (2011). Unisa | Educação a Distância | www. um conjunto de quatro dígitos dos índices de Miller-Bravais (hkil) pode ser definido. pertencente à família . O plano (210) indicado na figura intercepta o eixo a em 1 a . A notação geral para os índices de Miller é (hkl). com: inversos das interceptações axiais são Esses inversos das interceptações geram os inteiros . Vamos analisar as faces de uma célula unitária no sistema cúbico.Engenharia de Materiais Você deve observar que os parênteses servem como notação padrão para representar os planos cristalográficos.br 31 . Como o sistema hexa- Figura 24 – Faces de uma célula unitária no sistema cúbico. gonal pode ser representado por quatro eixos. que pode ser usada para qualquer um dos sete sistemas cristalinos. Pode-se mostrar que para qualquer plano no sistema hexagonal. Da mesma forma que as direções equivalentes. o eixo b em b 2 e é paralelo ao eixo c.unisa. Os . levando à notação do plano . interceptando-o em ∞ .

é possível medir a estrutura cristalina dos materiais de engenharia. para os raios X.Aparecido Edilson Morcelli 3. de modo que podemos pensar nas estruturas cristalinas como redes de difração em uma escala subnanométrica. A difração de raios X é o resultado da radiação espalhada por um conjunto regular de centros de difusão. Dadas essas características.1 nm. A parte do espectro eletromagnético com um comprimento de onda nesse intervalo é a radiação X. A relação que demonstra essa condição é a equação de Bragg: nλ = 2dsenθ Nessa equação. a difração de raios X é capaz de caracterizar a estrutura cristalina.unisa. d corresponde ao espaçamento entre planos cristalinos adjacentes e θ é o ângulo de espalhamento. 32 Unisa | Educação a Distância | www. Figura 25 – Equação de Bragg. sendo que o mecanismo específico de espalhamento é a interação de um fóton de radiação eletromagnética com um elétron orbital no átomo. os átomos são centros de espalhamento. Fonte: Shackelford (2011).3 Difração de Raios X Você sabe como a estrutura do material é determinada? Através da utilização da difração de raios X. Ela pode ser utilizada para determinar a estrutura de um novo material ou a estrutura conhecida de um material comum pode ser usada como fonte de identificação química. Você deve observar que. Observa-se que os tamanhos de átomos e íons são da ordem de 0. você deve observar que λ é o comprimento de onda dos raios X. Para que haja a difração. Um cristal atua como uma grade de difração tridimensional.br . A diferença de caminho entre os feixes de raios X adjacentes é algum número inteiro n. os feixes de raios X espalhados por planos cristalinos adjacentes devem estar em fase. de comprimento de onda da radiação λ . cujo espaçamento é da mesma ordem de grandeza do comprimento de onda da radiação.

O microscópio eletrônico de varredura produz imagens de aparência tridimensional de características microestruturais. Para ilustrar a utilização da microscopia eletrônica no estudo da superfície de fratura. como as superfícies de fraturas. O espaçamento entre planos hkl adjacentes é dado pela equação: Nessa equação. Agora. Para esses estudos.000 vezes de aumento.Engenharia de Materiais A magnitude do espaçamento interplanar é uma função direta dos índices de Miller para o plano. utilizamos microscópios ópticos e também eletrônicos. ou seja. Figura 26 – Difratômetro e ampola de raios X.4 Microscopia Eletrônica de Transmissão e Varredura Você já deve ter tido a oportunidade de visualizar alguma estrutura utilizando uma lupa convencional. Analisando a emissão de raios X característica. observe as imagens relativas à fratura de um parafuso e aos respectivos elementos químicos presentes no material analisado. por exemplo. Imagine o mesmo ocorrendo com o estudo dos materiais. Unisa | Educação a Distância | www. você deve lembrar-se dos parâmetros de rede a e c para o sistema hexagonal. como. 100. o tamanho da aresta da célula unitária. a relação é muito simples. a composição química microestrutural pode ser estudada. Você deve ter notado que muitos dos detalhes que você não conseguia enxergar sem a lupa são enxergados com certa nitidez e detalhes. os defeitos como discordâncias no material.br 33 . temos as imagens de um difratômetro de raios X e uma ampola de raios X. O microscópio eletrônico de transmissão usa o contraste de difração para obter imagens com alta ampliação. veja como fica a fórmula para um sistema hexagonal: 3. Para o sistema cúbico. Você deve lembrar que a é o parâmetro de rede. Os microscópios ópticos e eletrônicos são ferramentas poderosas para observar a ordem e a desordem estrutural do material.unisa. Para ilustrar o texto.

através da microanálise por energia dispersiva de raios X. Cromo (Cr) e Manganês (Mn).Aparecido Edilson Morcelli Figura 27 – Fratura de um parafuso. Analisando a superfície.br . é possível saber os elementos químicos presentes no material. Alumínio (Al). Zinco (Zn). você nota a presença de alvéolos indicando que o material sofreu uma sobrecarga para romper-se. A imagem ilustra a superfície de fratura de um material metálico. Figura 28 – Elementos químicos presentes no parafuso. Silício (Si). Você pode observar a presença dos seguintes elementos químicos: Oxigênio (O). Ferro (Fe). 34 Unisa | Educação a Distância | www.unisa. Com a análise de raios X característicos.

O tratamento matemático formal desse fluxo difusional começa com uma expressão conhecida como primeira lei de Fick: Agora. Em temperaturas suficientes. átomos e moléculas podem ser bastante móveis em líquidos e sólidos.5 Defeitos Pontuais e Difusão no Estado Sólido Você já observou o que ocorre quando uma gota de tinta cai em um frasco contendo água. vamos analisar o gradiente de concentração em um ponto específico ao longo do caminho de difusão. Essa situação é representada pela equação diferencial. devido a um gradiente de concentração  ∂c    . e D é o coe ∂x  ficiente de proporcionalidade ou coeficiente de difusão.unisa. A difusão por um mecanismo de intersticialidade pode ser visto na figura seguinte. também conhecido como difusividade. Seu trabalho na escola mecanistica da fisiologia foi tão excelente que serviu como guia para as ciências físicas. conhecida como segunda lei de Fick: ∂cx ∂  ∂cx  = D  ∂t ∂x  ∂x  Para facilitar. Figura 29 – Difusão por mecanismo de intersticialidade. A gota se espalha até que toda a água fique colorida por igual. que muda com o tempo t. o que nos fornece uma equação simplificada da segunda lei de Fick: J x = −D ∂c ∂x ∂cx ∂ 2 cx =D 2 ∂t ∂x 35 Unisa | Educação a Distância | www. ou seja.Engenharia de Materiais 3. Figura 30 – Fluxo de átomos. Saiba mais Adolf Eugen Fick (1829-1901) foi um grande fisiologista alemão. o movimento das moléculas de uma região de maior concentração para uma de menor concentração.br . Fonte: Shackelford (2011). Você deve observar que essa aleatoriedade não impede o fluxo líquido de material quando existe uma variação geral na composição química. podemos admitir D independente de c. em que efetivamente a natureza de caminhos aleatórios da migração atômica é observada. Fonte: Shackelford (2011). A variável J x é o fluxo ou taxa de fluxo das espécies em difusão na direção de x. Essa é uma demonstração simples da difusão.

após preparo da amostra da superfície. Veja. Uma microestrutura monofásica pode ser policristalina. Por uma questão prática. Figura 31 – Microestrutura monofásica do molibdênio comercialmente puro. As variáveis de estado importantes. que representam sistemas de dois componentes (C=2). e os diagramas ternários. agora. Fonte: Metals Handbook (1972). observada por microscopia óptica. sobre as quais o engenheiro de materiais tem controle no estabelecimento da microestrutura. pressão e composição. C=3 na regra de fases de Gibbs. Fonte: Shackelford (2011). que representam sistemas de três componentes.Aparecido Edilson Morcelli 3.6 Diagramas de Fases e o Desenvolvimento de Microestruturas Uma fase é uma porção química e estruturalmente homogênea da microestrutura. ou seja. Um diagrama de fases é qualquer representação gráfica das variáveis de estado associadas à microestrutura por meio da regra de fases de Gibbs. Nota-se a presença de muitos grãos nessa microestrutura e cada grão tem a mesma composição uniforme. Qualquer aumento na temperatura mudará o estado da microestrutura.unisa. são: temperatura. Figura 32 – Diagrama de fases. a microestrutura monofásica do molibdênio comercialmente puro. A relação geral entre a microestrutura e essas variáveis de estado é dada pela regra de fases de Gibbs: Na qual F é o número de graus de liberdade. C é o número de componentes e P é o número de fases. os diagramas de fases mais usados pelos engenheiros de materiais são os diagramas binários.br . mas cada grão cristalino difere apenas na orientação cristalina e não na composição química. com aumento de 200 vezes. 36 Unisa | Educação a Distância | www.

pois o alumínio é de estrutura d111 = 0. Resolução: Inicialmente. Para o plano (111). através da consulta ao Metals Handbook que se encontra na referência. o ferro encontra-se na fase líquida.br 37 . 404nm 12 +12 +12 = 0. e acima da temperatura de 1538 °C. entre 1394 °C e 1538 °C. Você pode analisar no diagrama uma projeção da informação do diagrama de fases em 1 atm. a partir de 910 °C até 1394 °C. temos o ou ferrita. temos: d 200 = 0. 234nm 3 Para o plano (200). 404nm 12 +12 +12 d111 = 0. temos a formação do ou austenita. vamos utilizar a equação cúbica. 404nm 22 + 02 + 02 = 0. 404nm 22 + 02 + 02 0. 3. 404 = 0.Engenharia de Materiais O esquema representa o diagrama de fases de um componente para o ferro puro.404nm. Os três primeiros picos obtidos por difração de raios X do alumínio em pó são: (111).unisa. Observe que. (200) e (220). temos: d hkl = a h2 + k 2 + l 2 . observamos a formação do . Sabendo-se que o parâmetro a=0. determine o valor de d para cada plano.7 Exercícios Resolvidos 1. 404 = 0. temos: d 220 = 0. 404nm 22 + 22 + 02 Unisa | Educação a Distância | www. até 910 °C. 202nm 2 d 200 = Para o plano (220). Você poderá encontrar diversos diagramas de fases para a maioria dos materiais conhecidos. que gera uma escala de temperatura.

63 2 g -11 m e DCemFe = 2.unisa. existe uma queda na concentração de carbono de 5% para 4% at de carbono. temos que usar a relação da trigonometria. Sabendo que a fonte de raios X do cobre possui λ = 0. o valor de ( θ ) = 38. 404nm 22 + 22 + 02 = 0. 2º . 234nm 0. 5º .143nm 8 2.Aparecido Edilson Morcelli d 220 = 0.1542nm = 19.1542nm (radiação CuK α ). para o 2 111 ângulo θ =19. Superfícies de aço podem ser endurecidas pela carbonetação. Vamos isolar o valor de θ : senθ = λ 2d Para calcularmos o valor de θ . 234nm θ = arsen θ = arsen Como o difratograma apresenta a relação entre a intensidade e o ângulo em (2θ ) . 3. Durante um tratamento desse tipo a 1000 °C.1542nm 2 ´ 0. entre 1 e 2 mm da superfície de aço. Estime o fluxo de átomos de carbono no aço nessa região próxima à superfície. 2º 2 ´ 0. 234nm . ou seja: θ = arsen λ 2d 0. utilizada para a difração do alumínio. 404 = 0. Resolução: Você vai utilizar a lei de Bragg nλ = 2dsenθ . 98 ´10 s cm3 Resolução: 38 Unisa | Educação a Distância | www. Lembre-se de que o problema fornece o valor de lambda e de d. determine o ângulo θ para o plano d111 = 0.br . Dados: densidade do Feγ (1000º C ) = 7.

Para o estudo da cristalografia do material. 023 ´1023 átomos átomos ρ = 7. 85 g cm3 Agora.8 Resumo do Capítulo No presente capítulo. cerâmicos e poliméricos. 63 3 ´ = 8. Note que existe uma grande gama de materiais metálicos. utiliza-se a difração de raios X.br 39 . Também viu o tratamento matemático formal do fluxo difusional utilizando a primeira lei de Fick: J x = −D ∂c ∂x Unisa | Educação a Distância | www. vamos utilizar a equação de Fick dada por: 3. 23 ´1022 cm 55.Engenharia de Materiais g 6. utilizando-se a equação: nλ = 2dsenθ .unisa. sendo possível determinar os planos de difração do material a partir do difratograma dado. você aprendeu a descrever os planos cristalográficos e como estão dispostos os parâmetros de rede do material.

100 110 b) [ ] e [ ]. Calcule os ângulos.143nm .1542nm (radiação CuK α ).9 Atividades Propostas 1. 100 111 4.Aparecido Edilson Morcelli 3. determine o ângulo θ para o plano d 200 = 0. no sistema cúbico. Sabendo que fonte de raios X do cobre possui 3. uma liga de solda Pb-Sn 50:50 existe como duas fases: um sólido rico em chumbo e um líquido rico em estanho. A superfície de aço pode ser endurecida pela carbonetação. 5.br . utilizada para a difração do alumínio. λ = 0. 2.1542nm (radiação CuK α ). utilizada para a difração do alumínio. 40 Unisa | Educação a Distância | www. A 200 °C. determine o ângulo θ para o plano d 220 = 0.unisa. Durante um tratamento desse tipo a 1100 °C. Dados: DCnoFeα = 7. 92 ´10 -11 m2 e s . estime o fluxo de átomos de carbono no aço nessa região próxima à superfície. c) Pb puro em seu ponto de fusão. Sabendo que fonte de raios X do cobre possui λ = 0. Calcule os graus de liberdade a uma pressão constante de 1 atm para: a) Uma solução sólida de monofásico do Sn dissolvida no solvente Pb. b) Pb puro abaixo de seu ponto de fusão. 202nm . entre as seguintes direções:   D ×D ' uu '+ vv '+ ww ' Use a equação: cos δ =   = D D' u 2 + v 2 + w2 u '2 + v '2 + w '2 a) [ ] e [ ].

unisa. além de definir e identificar os materiais metálicos. Unisa | Educação a Distância | www.4 ConsIDErAçÕEs FInAIs Espera-se que. poliméricos e cerâmicos. aluno(a). se envolva na disciplina. bem como a sua utilização e comportamento mecânico e termomecânico. consequentemente. entenda e consiga definir os conceitos básicos da ciência dos materiais.br 41 . Você irá desenvolver o raciocínio lógico e saberá utilizar e aplicar as equações pertinentes aos vários assuntos abordados e estudados na presente apostila. no âmbito profissional e. na sociedade em que se encontra inserido(a). com esta apostila. você. sua classificação e estrutura.

2.br 43 . Para calcular a massa.rEspostAs CoMEntADAs DAs AtIVIDADEs propostAs CAPÍTULO 1 1. V O problema nos fornece a densidade MgO. ou seja: Unisa | Educação a Distância | www. você deve lembrar a relação ρ= m . O volume será dado por base x altura átomos de Mg. Vamos calcular o número de átomos de magnésio.unisa.

br . Para calcular a densidade do . Para o . sabendo-se que é um metal com estrutura ccc: Dados: massa atômica de e . temos: .unisa.Aparecido Edilson Morcelli 3. Você possui os dados: A dimensão será dada por: dim ensão = massa atômica densidade CAPÍTULO 2 1. portanto: 44 Unisa | Educação a Distância | www.

unisa.Engenharia de Materiais A densidade é dada por: 2. Vamos calcular o FEI do CaO: Dados: Lembre-se: e O volume unitário da célula será dado por: O FEI será dado por: Unisa | Educação a Distância | www.br 45 .

m.08 u.940 Mg/cm3. Para calcular quantas células unitárias estão contidas em 1 kg de polietileno comercial. você deve observar que as células unitárias estão presentes somente na parte cristalina.m.a. Os dados fornecidos são: e Ca=40. sabendo que ele possui uma densidade global de 0.unisa. O volume da célula unitária é dada por: A densidade será dada pela relação: Portanto: 4.00 u. O=16.br . O volume da fase cristalina será dado por: O número de células unitárias será: 46 Unisa | Educação a Distância | www. 50% cristalino e o restante amorfo.Aparecido Edilson Morcelli 3.a. Você deve analisar os dados fornecidos no exercício.

que possui CuK α ).br 47 .Engenharia de Materiais 5. você vai isolar a variável θ e a equação se torna equivalente: senθ = λ 2d θ = arsen λ 2d Vamos substituir o valor das variáveis dadas no problema: Unisa | Educação a Distância | www. e o plano . Para você calcular a densidade do germânio (Ge). vamos utilizar os dados: e Para o germânio. Vamos utilizar a equação de Bragg dada por: (radiação nλ = 2dsenθ Agora. o valor de a será dado por: O volume é calculado utilizando a relação: A densidade será: CAPÍTULO 3 1.unisa. O problema nos fornece a fonte de raios X do cobre.

Aparecido Edilson Morcelli Portanto: e o valor de 2. você vai isolar a variável θ e a equação se torna equivalente: senθ = λ 2d θ = arsen λ 2d Portanto.unisa. vamos utilizar a relação: a) Você agora deve isolar o delta: 48 Unisa | Educação a Distância | www. .br . Vamos determinar o ângulo θ para o plano Vamos utilizar a equação de Bragg dada por: nλ = 2dsenθ Agora. Para calcularmos o ângulo entre as direções no sistema cúbico. Você deve seguir o mesmo procedimento do exercício anterior. temos: e 3. A fonte de raios X do cobre possui (radiação CuK α ) e foi utilizada para a difração do alumínio.

temos: 5. portanto.unisa. A relação geral entre a microestrutura e essas variáveis de estado é dada pela regra de fases de Gibbs.br 49 . dada por: F = C − P + 1. a) b) c) F = C − P +1 ⇒ F = 2 −1 F = 1−1+1 = 1 F =1− 2 +1 = 0 Unisa | Educação a Distância | www. O problema nos fornece os seguintes dados: e Você deverá lembrar-se da relação de Fick dada por: Vamos substituir os valores dados na equação.Engenharia de Materiais b) 4.

KRANE. Ohio: American Society for Metals. 2. GUY. 1979. Rio de Janeiro: LTC. Unisa | Educação a Distância | www. Massachusetts: Addison-Wesley. 2011. ed. Rio de Janeiro: LTC. M. METALS HANDBOOK. Rio de Janeiro: LTC. 1972. 1980. A. Elements of x-ray diffraction. EISBERG. S. A. ed. F. RESNIK. Heat and thermodynamics. 5. 6. R. Imagens da física – As idéias e as experiências do pêndulo aos quarks. 1978. W. W. ed. CULLIT. M. CALLISTER JR.br 51 . 1957. J. ZEMANSKY. SHACKELFORD. G. Ciência dos materiais. ed. Materiais de engenharia: microestrutura e propriedades. ed. 7. Física. 1995.. K. R... D.unisa. Rio de Janeiro: Guanabara Dois. Atlas de microestrutura. PADILHA. [S. HALLIDAY. B. D. 8. U. D. São Paulo: Pearson.]: McGraw-Hill. Curitiba: Hemus. v. F. Ciência dos materiais. 4 v. Fundamentos da física moderna. 2000. ed. 2000.l. Tradução de Daniel Vieira. Ciência e engenharia de materiais: uma introdução. 2008. 4.rEFErÊnCIAs AMALDI. 5. São Paulo: EDUSP. São Paulo: Scipione.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful