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Revista da EDUCAÇÃO FÍSICA/UEM 8(1): 45-49, 1997.

LESÕES DESPORTIVAS NO VOLEIBOL1

Flavia Maria Serra Ghirotocc ** Aguinaldo Gonçalves

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RESUMO. Voleibol é um esporte em ascensão no meio profissional e amador, atraindo adeptos de diferentes faixas etárias de ambos os sexos. Também é crescente a necessidade de estudar as variáveis das lesões agudas e crônicas que ocorrem com cada vez mais freqüência. O presente trabalho focalizou o voleibol como esporte de alto nível de exigências e as lesões decorrentes.
Palavras-chave: voleibol, lesões agudas e crônicas, variáveis causais.

LESION CAUSED BY VOLLEYBALL PRACTICE

ABSTRACT. Volleyball has become increasingly popular among professional and amateur players, attracting male and female adherents from all ages. The study of chronic damaging lesions and their variable causes has been increasingly in demand as they occur more frequently. The present work focuses on the most demanding standard of volleyball and the lesions arising out of it.
Key words: volleyball, chronic damaging lesions, variable causes.

1. CARACTERIZAÇÃO GERAL

Nos últimos anos, tanto no panorama internacional como no nacional, o voleibol tem ampliado, destacadamente, sua abrangência. Um fator relevante a sopesar foi a conquista do segundo lugar da Equipe Brasileira no Campeonato Mundial Masculino de 1982, na Argentina e nas Olimpíadas de 1984, em Los Angeles. Nossos atletas passaram a ser vistos como ídolos deste esporte, cabendo destacar como exemplo a difusão do saque jornada nas estrelas. (Brunoro, s.d.). É de considerar que esta classificação possa ter tido influência positiva, à medida que a modalidade é exercitada em nosso meio, com destaque em escolas, clubes, bairros, centros esportivos, por adeptos de diferentes faixas
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etárias de ambos os sexos e ainda, como esporte de recreação de variadas classes sociais. Mesmo entre as populações indígenas, há o registro de que é a mais praticada: tal é a observação feita por Carvalho et al. (1991), entre os índios gorotire-kaiapó, no norte do país. Há grande número de equipes profissionais masculinas e femininas, em sua maioria patrocinadas por instituições privadas. Nossos campeonatos nacionais passam a ser mais disputados, demandando maior aperfeiçoamento técnico e tático. Na atualidade, qual panorama já se apresenta modificado, onde o número de equipes profissionais encontra-se reduzido. Na categoria feminina a situação é mais visível, houve extinções potencialmente importantes para o voleibol. Esse fato, provavelmente, não deixa de

Excerto da dissertação de mestrado apresentada a Faculdade de Educação Física/Unicamp, com apoio da Fapesp Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo Ensino e Pesquisa, Unicamp. Profª Mestre da Faculdade de Educação Física da Universidade São Judas Tadeu.

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Prof. Adjunto da Universidade Estadual de Campinas/Unicamp.

apresentam as maiores e melhores condições de prática de uma modalidade esportiva. Dessa forma. tendo de se pontuar a falta de instrumentos sistematizados de registro e. a não uniformidade da prática da modalidade nos planejamentos da disciplina de Educação Física. Corroborando essa conclusão. contemporaneamente. Mclain (s. o risco de lesões. (1985). descreve esta influência como fator político a serviço da propaganda visando a rendimentos. fisioterapeutas e psicólogos. Nesse sentido. 1989). Cabe destacar que. Seus atletas são considerados “elite”. em decorrência a numerosas lacunas básicas. como de uma forma globalizadora do problema. onde fosse possível ponderar variáveis de ocorrência destas lesões. o que se tem notado é o grande empenho de muitos países em. No entanto. é de se considerar que este corpo. estudos em que se conheça a realidade em que estão inseridos e expostos. foi responsável por somente seis lesões.d. como exemplo. De fato. Manuel Sérgio (1982). 1988).. assim. as lesões desportivas passam a ser mais um limite a ser defrontado por esses atletas a fim de se responder às demandas exigidas pelos seus dirigentes e espectadores. ASPECTOS ESPECÍFICOS Os poucos estudos disponíveis sobre as lesões desportivas no voleibol revelam-se bastante heterogêneos em suas preocupações. necessita encontrar-se constantemente em excelente performance. 1989. em estudo realizado com escolares. vivenciado esporte de alto nível. hiperextensão. durante campeonato ocorrido em um ano acadêmico. detectou-se a necessidade de estudo que contivesse abordagem ampliada. nota-se mudança por parte dos técnicos em linhas tradicionais de treinamento. O primeiro destes a ser considerado parece constituir-se da controvérsia acerca do fato de a modalidade encerrar maior ou menor probabilidade para as respectivas lesões específicas.). como médicos.46 Ghirotocc e Gonçalves estar associado à recessão por que o país atravessa na atualidade. ainda. tivemos algumas mudanças nas regras realizadas pela Confederação Internacional de Voleibol. a identificação dos diferentes aspectos aí envolvidos. cada vez mais. lúdico e escolar. a aprimorar suas táticas e técnicas de jogo. Os autores que pioneiramente têm estudado o problema. parece revelar-se relevante. assim. Como prova disso. Através de observações assistemáticas. a síndrome do uso excessivo (overuse) e os microtraumas (Montgomery et al. atingir índices de desempenho acima dos já conseguidos. a primeira tentativa foi estudar o problema a nível escolar (Ghirotto et al. detectaram os dedos como a estrutura atingida de forma mais freqüente e grave por lesões de ligamento capsular. além de maior envolvimento de outros trabalhadores da saúde. como Cabot. mas. sobremodo. como já descrito. revelou que. Nesse sentido. a fim de se manter um patamar de dificuldades do jogo e. a especialização desportiva precoce. forçando treinadores e profissionais afins. os esforços resultaram também infrutíferos. correspondendo a apenas 9% do total de agravos registrados. tanto a nível de lesões agudas e crônicas. como caso relevante de análise. vem sinalizando no sentido de que o quadro não seja tão singelo. De fato. como instrumento de trabalho profissional. (1975) mencionam o voleibol como esporte de baixo risco. estes atletas aparentemente privilegiados. no sentido de se criar alternativa ou tentativa de minimizar tais problemas. Desta forma. podendo-se citar. não detectadas no âmbito amador. ou seja. além da preocupação com lesões agudas. parece que a evolução da prática da modalidade destes últimos anos. Aparentemente ampliase. apresentam respaldo médico e fisioterápico dentre outras facilidades. Potencializou-se. Por sua parte. o que dificulta. No âmbito internacional. pois as características do alto-nível são específicas. Detectou-se a inviabilidade de se obterem informações pertinentes. formulações e enfoques adotados. Micheli. assim. a propósito. O segundo passo foi explorar possibilidades de investigação junto a equipes amadoras de voleibol. estiramento e fratura. considera-se ainda. Montorsi & Luchetti. . 2. a redução das facilidades oferecidas pelas empresas patrocinadoras. Esta implica em exigir maior empenho físico e tático. executado por sessenta e quatro jogadores. demandando. A gravidade que vem sendo identificada em tais lesões. o interesse pelo já anteriormente. o voleibol. a recordes e a competições.

bloqueio. a dúvida quanto ao fato de que tais estudos poderiam ter se concentrado apenas na análise dos membros superiores. à temperatura ambiental e calçados impróprios. o Quadro 1 sumariza as principais informações a respeito. descrevendo. o entorse de dedo e de tornozelo e tendinite de rótula e ombro. falta de aquecimento e coordenação. os ombros. (1987). à insuficiente qualidade de jogo. está o encontro de relatos referentes à chamada síndrome do joelho do saltador. toque em suspensão. ou sobre a inserção patelar do tendão do quadríceps. considerando os tipos e estruturas lesadas. Ferretti et al. em uma amostra de trinta e seis voleibolistas. musculatura dorsal. Outra lesão a ser considerada é o aneurisma de extremidade descrita por HO et al. no estudo de Gerberich et al. teve-se a oportunidade de se proceder a estudo de campo . treinamento escasso. aquela em que a bola atinge a extremidade distal do segmento referido. Kostianen e Orava. pesquisam as lesões arteriais de mãos em jogadores de voleibol. (1983). abdominal e femural. Ferretti et al. como as lesões mais freqüentes. provavelmente é mais comum do que aquilo que se espera. Perugia & Perretti. decorrente do grande número de repetições de saltos. Albohm (1976) lembra as contusões e abrasões do joelho e cotovelo. Ganel et al. dentre outros). à iniciação desportiva precoce. La Cava (1961). fratura e entorse. Massada (1985). De fato. bem como não (ou má) utilização de equipamentos de proteção.Lesões esportivas no voleibol 47 Rodineau (1977) destaca. desencadeado após um forte impacto da mão de uma jogadora. bloqueio. como por exemplo. para as mãos. do tornozelo e no joelho. entorse e ruptura dos ligamentos e. caracterizam. luxação e ruptura de tendões. Emily & Bergman. além dos dedos. Tratase de quadro baseado no achado físico de dor na área de inserção do tensão patelar. não aptidão individual. (1983). Mencionam como momento de jogo de maior predisposição à ocorrência deste agravo: manchete. e ainda as microtraumáticas. (1985). recentemente. consideram os choques com adversários e contra o suporte da rede. sendo estes sintomas habitualmente bilaterais. estudanto atletas do sexo feminino. reportam. complementando as informações anteriores. (1980) relatam a vulnerabilidade da articulação metacarpofalangiana do primeiro quirodáctilo. Sola et al. na sua avaliação. cujo envolvimento decorre de microtraumatismos com conseqüente tenosinovite da porção longa do bíceps. apesar de também destacarem os joelhos. A este respeito. caracterizada pela tendinite patelar ou do tendão do quadríceps. 1988. enquanto que as estruturas corporais menos gravemente atingidas. que tais são as estruturas com maior concentração de agravos. ao inadequado ritmo de competição. descrevem igualmente a luxação dos tornozelos como tipo e região a serem considerados como relevantes. igualmente. além dos envolvidos no contato com a bola. em que as estruturas faciais (nariz e supracílios) podem se tornar mais vulneráveis. Haycock & Gillette (1976). caracteriza. Hell & Schonle (1987). Parecem se destacar aqueles em que se propicia maior impacto sobre o chão (mergulhos e rolamentos). como momento mais propício do trauma. incorreto tratamento de lesões. com percentuais de 59% e 22% respectivamente. Apesar de algumas lesões serem incomuns. ao se referirem aos tipos de agravo característico. sendo o mais severo o mergulho. (1988). distensões e entorses. Em síntese. Ainda quanto à causa. (1986). Remanesce. encontrando como causa o efeito martelo da bola à face anterior da mão e antebraço. Os autores comentam que a síndrome do martelo braquial e palmar. luxações. toque e cortada. Klafs & Lyon (1981). pontuam fraturas. Compatível com esta inquietude. para os tornozelos. durante um treinamento rigoroso. submetendo-o a hiperextensão e hiperflexão. são os dedos. (1987). em estudo de distribuição de freqüência agrega os traumatismos devidos ao esforço (estresse). para os joelhos. Hell & Schonle (1987). o da defesa de cortada. executados pelos jogadores na maioria dos fundamentos da modalidade (cortada. pode-se detectar. destacados como traumatismos severos. fratura. assim chamada. saque viagem ao fudno do mar. entre as quais os momentos do jogo. Aspecto igualmente não negligenciável encerra a exploração das possíveis causas envolvidas. Em nosso meio. no entanto. econtram maior freqüência em entorse nas articulações digitais. e sanado através de cirurgia que possibilitou seu retorno à prática da modalidade quatro meses depois. Baker (1984).

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