A nova NR 12 promete revolucionar a proteção dos trabalhadores em relação às máquinas.

Uma primeira olhada sobre o conteúdo já chama atenção pelo tamanho. Enquanto a versão anterior contava com um -texto base de seis itens principais e mais dois anexos, um para mo-tosserras e ou-tro para cilindros de massa, a nova tem texto base com 19 itens principais, três apêndices, sete anexos e um -glossário. São 14.500 caracteres, um total de cin-co pá-ginas, contra mais de 230 mil letras, o que proporcional-mente dará cerca de 80 páginas para a nova norma. Dessa forma, traz explicações bem mais detalhadas sobre ins-tala-ções e dispositivos de segurança. "Agora é outro mundo, com explicação muito mais clara sobre o que é necessário. Uma evolução drástica do texto em si e com a criação de um grupo de trabalho permanente que vai discutir melhorias. A situação que tínhamos antes era de uma norma valendo de 1978 até 2010. A tecnologia avançou, e a norma trazia algo de 32 anos atrás. Se atualizou o texto e se coloca a -oportunidade de uma atualização contínua", avalia o engenheiro de segurança João Baptista Beck Pinto, que coordena um GT de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), no Rio Grande do Sul. Alterações Criada pela Portaria 3214, de 08 de junho de 1978, a NR 12 sofreu uma primeira alteração em 1983. Em 1994, a norma ganhou o anexo de motosserras e, em 1996, o de cilindros de massas. Mais duas pe-quenas mudanças ocorreram em 1997 e em 2000. Já a publicação da nova NR 12 traz uma transformação total, alcançada de forma tripartite. O nome da norma também mudou. Agora chama-se NR 12 - Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos. "O mais importante da nova versão são as informações mínimas para que a máquina seja concebida de forma se-gura. Queremos a médio prazo uma no-va geração de máquinas", afirma a coorde-nadora do GTT da NR 12, a auditora -fiscal da SRTE/RS, Aida Becker. Já para os trabalhadores, há avanços em to-da a concepção da norma. "Modernizada, buscou contemplar a maioria dos dife-rentes modelos de máquinas e equipamentos inseridos nos distintos processos de trabalho. Ela se ateve aos rumos da glo-balização, com visão atual alinhada às nor-mas - nacionais e internacionais - mais re-centes; e vislumbrou proteger, de fato, os envolvidos no processo de fabricação, en--volveu compradores e usuários, e vis-lum-brou a segurança no ambiente ao redor da máquina. Em sua nova roupagem, vejo como um dos melhores trabalhos ge-rados pelo processo tripartite e dará uma no-va dimensão à Segurança do Trabalho a grande parte dos setores produtivos", analisa o técnico de segurança do Sindicato dos Meta-lúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Adonai Ribeiro.

Transportadores de Materiais. e Reparos. Este estudo foi realizado pelo professor doutor René Mendes e colaboradores. em muitos casos. cuja operação está associada à incidência de acidentes do trabalho graves e incapacitantes. Preparação. Ajuste. A NR 12 apresenta tópicos bem definidos que são: Princípios de Segurança. Dispositivos de partida. todos. foi feito um estudo sobre acidentes com máquinas. Aspectos Ergonômicos. que veio depois de quase 10 anos do estudo Coordenado pelo Doutor René Mendes que indicou situações preocupantes sobre o uso e a comercialização de máquinas e equipamentos. É mais grave ainda o problema se considerar que a imensa maioria desses acidentes . podem perfeitamente ser prevenidos ou evitados”. Na época foram responsáveis por cerca de 25% dos acidentes do trabalho graves e incapacitantes registrados no País. que detectou como um dos problemas das máquinas e equipamentos elas estarem obsoletas e inseguras. Capacitação. Dispositivos de Parada de Emergência. Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul – STIMMME e da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul – FIERGS. fabricação e Importação. Componentes Pressurizados. publica o “Manual básico de Segurança em Prensas e Similares”. rampas. veio com 75 páginas. com muitas mudanças de paradigmas e principalmente forte no que se refere a prevenção de acidentes e doenças do trabalho. Riscos Adicionais. a gravidade das lesões e mutilações provocadas. com óbvios impactos sobre a saúde e o bem-estar dos trabalhadores e sobre o Seguro Social. sendo o resultado publicado no Volume 13 da Coleção Previdência Social. 197/2010 Assim celebramos a chegada da NR 12. Aliás este texto está sendo revisado para se adequar a NR 12. Procedimentos de Trabalho e Segurança. Inspeção. Sistemas de Segurança (Avaliação de Segurança e Categoria do Risco). texto elaborado de forma tripartite pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no estado do Rio Grande do Sul. Projeto. acionamento e parada. Arranjo Físico e Instalações. tendo em vista a idade prematura dos segurados atingidos. passarelas. Portaria nº. plataformas ou escadas de degraus). Em 2006 o Ministério do Trabalho e Emprego. Instalações e Dispositivos Elétricos. na verdade . Sinalização. PORTARIA 197 Depois de 13 anos a NR 12 foi alterada e surpreendeu todo mundo. A Conclusão inicia com o seguinte texto: “O presente estudo pode ser considerado como a primeira tentativa abrangente e aprofundada que se faz no Brasil de ampliar a compreensão da complexa problemática provocada pela utilização e. Manutenção. e a magnitude e irreversibilidade das incapacidades resultantes. Manuais. No ano de 2001. o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas. Meios de Acesso Permanente (elevadores. . comercialização de máquinas inseguras e/ou obsoletas.MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS O IMPACTO DA NR 12.

Portaria nº. parafusos. A NR 12. são: a) Ao invés de dizer “o que fazer” como as outras Normas Regulamentadoras. Um destaque negativo da edição da NR 12. quem tiver proficiência vai se dar bem. dentre elas. f) Define prazos de adequação aos requisitos da norma para máquinas novas (12 a 30 meses) e máquinas usadas (4 a 30 meses). da NR 12. ela vem com “Inventario atualizado das máquinas e equipamentos com identificação por tipo. a NR 22. a NR 17. Podia ser melhor. 197/2010. tais como. c) Prioriza Normas tipo C da EN e NBR. a NR 31. a NR 15. . 197/2010.A NR 12 contém ainda os seguintes Anexos: I – Motoserras II – Máquinas para panificação e confeitaria III – Máquinas para açougue e mercearia IV – Prensas e similares V – Injetoras de materiais plásticos VI – Máquinas para calçados e afins VII – Máquinas e implementos para uso agrícola e florestal Foi acordada a inclusão de anexo sobre cestos elevatórios (está em andamento e deve prever três tipos de cestos) As principais mudanças de paradigmas da NR 12. a NR 8. mas melhor mesmo quem vai ficar é o trabalhador brasileiro. segundo a norma é “ato de anular de maneira simples o funcionamento normal e seguro de dispositivos ou sistemas da maquina. pode ser que alguns tenham maior dificuldade em se adequar aos requisitos da Norma. a NR 18. Para leitura das distâncias é preciso comprar a Norma da ABNT. que são as que tem características específicas de segurança. objetos de uso diário.. a NR 10. diz “o que” e “como fazer”. b) Estabeleceu uma interface direta com várias Normas Regulamentadoras. uma vez que internalizou várias Normas Brasileira da ABNT. mas digo que ela ficou consistente e propõe defesa para os riscos. utilizando para acionamento quaisquer objetos disponíveis.Distâncias de segurança para impedir o acesso a zonas de perigo pelos membros superiores. e) Quando todos esperavam pelo PPRPS – Programa de Prevenção de Riscos de Prensas e Similares. d) Definiu claramente o que é Burla. capacidade.Segurança de Máquinas . do Anexo I. inclusive para máquinas e equipamentos em áreas classificadas e como o Brasil é um país continental. agulhas. a NR 26. NR 9. vem com um leque imenso de serviços. que ficou restrito ao estado de São Paulo. elaborado por profissional qualificado ou legalmente habilitado. pecas em chapa de metal. Portaria nº. 197/2010 é que não se consegue ler as distâncias de segurança para impedir o acesso a zonas de perigo pelos membros superiores (dimensões em milímetros) do Quadro I. sistemas de segurança e localização em planta baixa.. como chaves e moedas ou ferramentas necessárias a utilização normal da maquina”. quem sabe?. NBRNM-ISO 13852 . . Portaria nº.

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