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Sociedade Regional de Educação e Cultura Ltda –SOREC Centro de Formação Técnica e Profissional - CETEC

Introdução

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A assistência a clientes/pacientes em estado grave é a atenção às necessidades básicas de pacientes em qualquer faixa etária, que estejam em estado grave ou agonizante. Os cuidados são prestados nas unidades de internação e especialmente em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) geral, unidade coronariana, de diálise, de queimados e outras, visando ao conforto físico, mental e espiritual; eliminar ou minimizar riscos e agravos; promover recuperação isenta de sequelas; orientar e apoiar familiares durante a internação e preparo para alta.

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NOÇÕES DE FISIOPATOLOGIA.................................................................................................4 FISIOPATOLOGIA DOS VASOS SANGUÍNEOS......................................................................4 PATOLOGIAS DO SANGUE.........................................................................................................7

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4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 EM UTI 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33

FISIOPATOLOGIA DO CORAÇÃO..........................................................................................11 SISTEMA ÓSSEO..........................................................................................................................17 FISIOPATOLOGIA RENAL........................................................................................................23 FISIOPATOLOGIA ENDÓCRINA.............................................................................................32 FISIOPATOLOGIA NEUROLÓGICA.......................................................................................40 FISIOPATOLOGIA DO APARELHO RESPIRATÓRIO........................................................47 NEOPLASIAS E AGENTES CARCINOGÊNICOS..................................................................53 A UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA - RETROSPECTIVA HISTÓRICA E TÉCNICA DE COLETA DE MATERIAL PARA EXAMES LABORATORIAIS.................68 CARRO DE EMERGÊNCIA........................................................................................................74 CARACTERÍSTICAS E EFEITOS DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS UTILIZADOS 75 ANOTAÇÕES DE ENFERMAGEM............................................................................................81 ASSISTÊNCIA AO PACIENTE EM PÓS-OPERATÓRIO: PRINCIPAIS PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA CARDÍACA...................................................................83 PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA UROLÓGICA................................................................84 PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA TORÁCICA...................................................................85 PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIAS GASTRINTESTINAIS, ABDOMINAL E PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA VASCULAR..................................................................87 PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA CABEÇA E PESCOÇO................................................88 SUPORTE NUTRICIONAL DO PACIENTE CRÍTICO..........................................................89 ULCERA DE DECÚBITO.............................................................................................................90 CUIDANDO DO PACIENTE POLITRAUMATIZADO...........................................................92 CUIDANDO DO PACIENTE QUEIMADO................................................................................93 NOÇÕES GERAIS DE VENTILAÇÃO MECÂNICA (VM).....................................................94 PCR - PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA...........................................................................97 PVC: NOÇÕES BÁSICAS.............................................................................................................98 CUIDADOS PÓS-MORTE............................................................................................................99 CUIDADOS GERAIS COM DRENOS, SONDAS, OSTOMIAS E ACESSO CENTRAL.. .100 UTI NEONATAL..........................................................................................................................103 ONCOLOGIA, QUIMIOTERAPIA E ANTINEOPLASICOS................................................127

ESTRUTURA FÍSICA.........................................................................................................................................56

COMPLICAÇÕES E INTERVENÇÕES...........................................................................................................83

ANORRETAL.......................................................................................................................................................86

ONCOLOGIA, QUIMIOTERAPIA E ANTINEOPLASICOS

A lesão celular é reversível até certo ponto. chamada genericamente de lesão celular. levando coletivamente à lesão tecidual e orgânica. por limitações das células vizinhas.4 1 Noções de Fisiopatologia A Patologia é. ➢ Artérias: são divididas com base no seu tamanho e nas suas características estruturais: Grande calibre ou elásticas. os mecanismos do seu desenvolvimento (patogenia). se o estímulo persistir ou for intenso o suficiente desde o início. Se os limites da resposta adaptativa a um estímulo forem ultrapassados. incluindo a aorta e seus principais . mas. Estresses fisiológicos ou estímulos patológicos podem acarretar uma série de adaptações celulares fisiológicas e morfológicas. células diferentes nos tecidos interagem constantemente entre si. As interações célula-célula e célula-matriz contribuem para a resposta à lesão. o estudo (logos) do sofrimento (pathos). 2 Fisiopatologia dos Vasos Sanguíneos As anormalidades vasculares provocam doença clínica através de dois mecanismos: estreitamento ou obstrução completa da luz dos vasos. produzindo quase sempre uma deficiência do fluxo sangüíneo e enfraquecimento das paredes dos vasos. ou. as alterações estruturais induzidas nas células e órgãos do corpo (alterações morfológicas) e as conseqüências funcionais das alterações morfológicas (importância clínica). sofre lesão celular irreversível e morte celular. a célula atinge “o ponto sem retorno” e. Praticamente todas as formas de lesão orgânica começam com alterações moleculares ou estruturais nas células. Porém. com conseqüente dilatação e ruptura. é capaz de manter a homeostasia normal. e pela disponibilidade de substratos metabólicos. diferenciação e especialização. e um sistema elaborado de matriz extracelular é necessário à integridade dos órgãos. Definições: A célula normal é limitada por seus programas genéticos de metabolismo. Entretanto. quando a adaptação é impossível. literalmente. sobrevém uma sequência de eventos. em certos casos. Os quatro aspectos básicos de um processo mórbido que formam o cerne da Patologia são sua causa (etiologia).

➢ Veias: vasos de paredes finas com luz relativamente grande.5 ramos. ➢ À medida que estas placas aumentam de tamanho invadem a luz da artéria. desprovidos de células sangüíneas. .1. que servem como sistema de drenagem para o retorno do líquido do tecido intersticial ao sangue. médio calibre ou musculares. camada média (células musculares lisas) e camada adventícia (composta de tecido conjuntivo na qual estão dispersas fibras nervosas). influenciando a pressão arterial sistêmica. 1. 1. e pequeno calibre. e. também são freqüentemente encontrados na prática clínica.1 Arteriosclerose É o espessamento e perda da elasticidade das paredes arteriais.1 Patologias Vasculares As doenças vasculares afetam primariamente as artérias. como as veias varicosas. Envolvem três variantes: a) Aterosclerose ➢ Doença das artérias de grandes e de médios calibres. Possuem válvulas que impedem o fluxo retrógrado particularmente nas extremidades. composta de células endoteliais de revestimento). ➢ Os ateromas comprometem o fluxo arterial de sangue e enfraquecem a artéria afetada. b) Esclerose cálcica da média ➢ Calcificação dentro da camada média das artérias. a aterosclerose é a mais prevalente e clinicamente significativa. ➢ A lesão básica consiste em uma placa ateromatosa (fibrogordurosa) dentro da camada íntima. dentre elas. Possuem três camadas: camada íntima (adjacente à luz. nas quais o sangue flui contra a gravidade. ➢ Arteríolas: são os menores ramos das artérias e representam os principais pontos de resistência fisiológica ao fluxo sangüíneo. ➢ Capilares: vasos delgados e de parede finas. ➢ Linfáticos: estruturas com paredes muito delgadas. Os distúrbios venosos. como as coronárias e renais.

álcool. ➢ Locais mais afetados: cérebro e coração (artéria aorta) . Fatores de risco: ✔ Idade. ➢ Ocorre mais comumente na aorta ou no coração. ➢ Enfraquecimento da parede dos vasos. podendo ocasionar aneurisma ou ruptura. ➢ O sangue pode penetrar na parede da artéria. predisposição familiar. Constitui um dos fatores de risco mais importantes na cardiopatia coronariana e nos acidentes vasculares cerebrais.2 Doença de Raynaud ➢ Distúrbio vasoespástico que afeta as pequenas artérias ou arteríolas das extremidades. fumo.1 Aneurismas ➢ Causas freqüentes: aterosclerose e necrose cística da média (aneurismas dissecantes) ➢ Dilatação anormal localizada de um vaso sangüíneo. Consequências: ➢ Estreitamento da luz dos vasos.1 Doença Vascular Hipertensiva Elevação da pressão arterial. ➢ Comum em mulheres jovens. hipertensão arterial. ➢ Reflete um exagero das respostas vasomotoras centrais e locais normais ao frio ou a emoções. ➢ Oclusão repentina da luz dos vasos produzindo infarto. ➢ Etiologia desconhecida. ➢ Está freqüentemente associada com hipertensão e diabetes mellitus. dislipidemia. 1. 1. c) Arteriolosclerose ➢ É o espessamento das paredes das pequenas artérias e das arteríolas. ➢ Pode induzir lesão isquêmica. dissecando entre suas camadas e criando uma cavidade no interior da própria parede do vaso (aneurisma dissecante). 1. estresse.6 ➢ Pode ocorrer conjuntamente com a aterosclerose. sedentarismo. aparentemente saudáveis.

1. Glóbulos sanguíneos ⇒ Eritrócitos ou Hemácias Leucócitos→ Granulócitos ou Polimorfonucleares (neutrófilos. ➢ Esta dilatação varicosa torna as válvulas incompetentes levando a estase venosa e edema.1. cuja evolução é influenciada pelo estado imunológico do paciente. 1. sobretudo na lactância e na infância.1. 1. 1.1.1 Hemangioma ➢ Neoplasias caracterizadas por um número aumentado de vasos normais ou anormais.1 Patologias Venosas e Linfáticas 1. ➢ Formação de trombo dentro de uma veia levando a um processo inflamatório.1 Tromboflebite e Flebotrombose ➢ As veias profundas dos músculos dos membros inferiores são responsáveis por mais de 90% dos casos de tromboflebite.1 Varizes ➢ Veias anormalmente dilatadas e tortuosas.1 Sarcoma de Kaposi Neoplasia associada a vírus. O HIV e o herpes vírus humano tipo 8 podem desempenhar importante papel na indução destes tumores.7 1. viagens longas).1. É constituído por diversos tipos de células que constituem a parte "sólida" do sangue. 1.1 Hemangiossarcoma ➢ Metastizam-se freqüentemente e em geral são fatais.1 Tumores 1. 2 Patologias do Sangue O sangue é um tecido conjuntivo líquido e que tem como função a manutenção da vida do organismo. ➢ São extremamente comuns. eosinófilos e basófilos) Leucócitos → Agranulócitos (linfócitos e monócitos) . ➢ Alteração secundária a pressão intraluminal aumentada por longo período de tempo em pé ou sentado (profissões.

1 Anemias por Perdas Sanguíneas ⇒Aguda: traumatismo ⇒Crônica: lesões do trato gastrintestinal. ➢ Anemia hemolítica por aglutininas a frio→ ocorre em temperaturas de 30ºC que podem ser observadas nas extremidades do corpo. que fazem parte da molécula de hemoglobina. retina). diminuição dos níveis de hemoglobina e diminuição da sobrevida dos eritrócitos. ⇒Anemia falciforme: alteração genética da molécula de hemoglobina HbS que ocasiona deformação do eritrócito. cérebro. ➢ Anemia hemolítica por anticorpos a quente→estado de hipersensibilidade ou exposição a fármacos. Sua passagem pelo baço ocasiona uma estagnação e promove um maior contato com os macrófagos. devido a uma baixa concentração de hemoglobina ou diminuição do número de eritrócitos. Sintomatologia: hemossiderose (acúmulo excessivo de ferro) que causa lesão em órgãos como coração. os Megacariócitos.1. levando à destruição. rins. cianose e fenômeno de Raynaud. distúrbios ginecológicos.1. que adquire forma de foice. ⇒Hemoglobinúria paroxística noturna: eritrócitos anormalmente sensíveis à lise por complemento.1 Anemias Redução na capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue. Sintomatologia: anemia. tornando-o esférico. ocorre precipitação das cadeias de globina em excesso.2 Anemias Hemolíticas (aumento da velocidade de destruição das hemácias) ⇒Esferocitose hereditária: defeito interno da membrana do eritrócito. 2. com lesão tecidual isquêmica (ocorre nos ossos. e os eritrócitos aglutinados podem acarretar obstrução vascular. 2. Devido a esse desequilíbrio. fígado. esplenomegalia e icterícia. Sintomatologia: anemia ⇒Anemia imunohemolítica: presença de anticorpos antieritrocitários. fígado e pâncreas. . grupo de proteínas no sangue que complementa a função dos anticorpos na eliminação do antígeno. 2. A IgG é o principal anticorpo envolvido.8 Plaquetas ⇒ são constituídas por fragmentos do citoplasma de células gigantes da medula óssea. Acarretar (1) anemia hemolítica crônica e (2) oclusão de pequenos vasos sanguíneos. ⇒Síndrome talassêmica: distúrbio genético caracterizado pela ausência ou redução na síntese de cadeias de globinas.

1 Anemias Causadas por Diminuição da Eritropoese ⇒Anemia ferropriva: ingestão ou absorção inadequada de ferro.2 Policitemia Aumento na concentração dos eritrócitos. ocasionando hemorragia generalizada. AIDS. 1. . neutrófilos e plaquetas. lesão no sistema nervoso central e glossite atrófica (língua inchada e brilhante). vômitos prolongados. FNT. Os pacientes apresentam maior incidência de câncer gástrico. diarréia). tratamento farmacológico. infecções virais ou defeito no DNA. 1. ⇒Anemia perniciosa: aumento exagerado dos eritrócitos por deficiência de vitamina B12. necessidades aumentada na gravidez ou administração de drogas para tratamento de neoplasias (antagonista do ácido fólico). endocardite bacteriana. palidez e dispnéia. absorção ineficiente no intestino. ➢ Absoluta→ aumento no número total de eritrócitos devido à produção anormal de células na medula por algum estímulo local ou produção anormal devido aos níveis elevados de eritropoetina. infecções virais. geralmente com elevação correspondente dos níveis de hemoglobina. ocasionada por ingestão inadequada. irradiação. Sintomatologia: petéquias. Pode ocorrer após exposição a substâncias químicas e fármacos.1 Púrpura Trombocitopênica Idiopática Distúrbio auto-imune. distúrbios imunológicos (artrite reumatóide) e neoplasias. causada por má absorção da vitamina no trato gastrintestinal. epistaxes. abscesso pulmonar). Ex: infecções microbianas crônicas (osteomielite. Interferon-δ) que reduz a eritropoetina renal. Ex: lúpus eritematoso sistêmico. ⇒Anemia aplástica: diminuição dos eritrócitos. sangramento gengival. ⇒Anemia megaloblástica: aumento exagerado dos eritrócitos devido à deficiência de ácido fólico. ⇒Anemia por doença crônica: produção deficiente de eritrócitos ocasionada pela secreção de citocinas advindas das doenças inflamatórias crônicas (IL-1. perda na menstruação excessiva ou outro sangramento crônico. remoção cirúrgica do estômago ou infecções parasitárias. púrpuras. em que a destruição das plaquetas resulta da produção de anticorpos antiplaquetários. Pode ser: ➢ Relativa→ diminuição do volume plasmático por desidratação (privação de água. Sintomatologia: fraqueza progressiva. equimoses.9 1.1. que leva a formação diminuída de eritrócitos e síntese de hemoglobina.

favorecendo a agregação plaquetária Sintomatologia: equimoses.5 Coagulação Intravascular Disseminada Ativação da cascata de coagulação sanguínea que leva à formação de microtrombos em toda a microcirculação. Sintomatologia: equimoses.2 Hemofilia A Alteração hereditária de caráter recessivo ligado ao cromossomo X. que ocasiona redução do fator VIII da cascata de coagulação. Normalmente esse aumento é devido à infecção por vírus. menorragia e prolongamento do tempo de sangramento na presença de contagem plaquetária normal.4 Doença de Von Willebrand Distúrbio hereditário que ocasiona redução do fator VIII da cascata de coagulação. Ex: complicações obstétricas (retenção de feto morto.10 1. hemorragia maciça após traumatismos ou procedimentos cirúrgicos. sobretudo nos joelhos. . infecções (septicemia. malária). Em geral é produzida pela depressão do tecido mielopoiético por infecção (toxinas bacterianas). Linfocitopenia: diminuição do número de linfócitos do sangue. vasculite. que é responsável pela adesão das plaquetas ao colágeno subendotelial. hepatopatia). queimadura. Neutrofilia: aumento do número de neutrófilos do sangue.6 Interpretação Clínica da Contagem de Leucócitos Linfocitose: aumento do número de linfócitos do sangue. Ocorre no início das doenças infecciosas agudas. 1. que é necessária para a conversão de fibrinogênio em fibrina. sobretudo nos joelhos. aneurisma aórtico. Geralmente ocorre quando há infecção por bactérias. lesão tecidual maciça (trauma.3 Hemofilia B Alteração hereditária de caráter recessivo ligado ao cromossomo X. hemorragias em regiões do corpo normalmente sujeitas a traumatismo. 1. 1. descolamento prematuro da placenta). neoplasias. hemorragia maciça após traumatismos ou procedimentos cirúrgicos. Sintomatologia: sangramento excessivo das mucosas e feridas. cirurgia extensa) e outros (veneno de cobra. ocasionando redução do fator IX da cascata de coagulação. que é responsável pela ativação do fator X que ativa a protrombina em trombina. Neutropenia: diminuição do número de neutrófilos do sangue. hemorragias em regiões do corpo normalmente sujeitas a traumatismo. 1.

Monocitose: aumento do número de monócitos do sangue.11 Basofilia: aumento do número de basófilos do sangue. Geralmente ocorre em reações alérgicas. Em algumas condições. Eosinofilia: aumento do número de eosinófilos do sangue. Basofilopenia: diminuição do número de basófilos do sangue. D – Distúrbio da condução cardíaca: contrações descoordenadas das paredes musculares. Ocorre devido às reações alérgicas e por infecções de parasitos. Um adicional de 5 a 10% é atribuível a: cardiopatia hipertensiva (por aumento prolongado da pressão arterial). Princípios da Disfunção Cardíaca A – Falha da bomba cardíaca: o músculo lesado contrai-se fracamente e as câmaras não podem sofrer esvaziamento adequado. Geralmente ocorre devido à infecção por protozoários e na leucemia monocítica.Fluxo regurgitante: refluxo retrógrado de parte do débito em cada contração. . o músculo não pode se relaxar adequadamente. contribuindo com 40% de todas as mortes nos Estados Unidos e 80% das mortes cardíacas são atribuídas à cardiopatia isquêmica. cardiopatia congênita e doenças valvulares (estenose aórtica. Ocorre em várias situações. na anemia perniciosa. chegando um volume reduzido ao coração. 2 FISIOPATOLOGIA DO CORAÇÃO As doenças do coração constituem a primeira causa de morbidade e mortalidade nas nações industrializadas. Monocitopenia: diminuição do número de monócitos do sangue. dentre elas. Eosinofilopenia: diminuição do número de eosinófilos do sangue. B – Obstrução do fluxo: devido a uma lesão que impede a abertura da valva ou que provoque aumento da pressão na câmara ventricular. cardiopatia reumática e endocardite). Decorrem de processos sépticos e nas leucemias mielóide e linfóide. E – Ruptura da continuidade do sistema circulatório: perda de grande quantidade de sangue (ferimento por arma de fogo através da aorta torácica). prolapso da valva mitral. Geralmente ocorre na anemia perniciosa. C .

Hepatoesplenomegalia. Derrame pleural. Ex. ➢ Incapacidade de relaxamento durante a diástole.3 Cardiopatia Isquêmica Desequilíbrio entre o suprimento (perfusão) e a demanda de sangue oxigenado para o coração. mas também por uma redução da disponibilidade de substratos nutrientes e remoção inadequada dos metabólitos.1 Insuficiência Cardíaca Congestiva ➢ É a incapacidade dos ventrículos de bombear quantidades adequadas de sangue para manter as necessidades periféricas do organismo. Causas: Redução do fluxo sangüíneo coronariano. Hipóxia gerada pelo transporte diminuído de oxigênio. Sintomas: Síndrome congestiva venosa sistêmica.2 Insuficiência Cardíaca Direita Causas: Doença intrínseca pulmonar ou da vasculatura pulmonar e Consequência secundária da insuficiência cardíaca esquerda.12 2. A isquemia caracteriza-se não apenas pela insuficiência de oxigênio. . Débito cardíaco reduzido levando a diminuição da função renal.1 Insuficiência Cardíaca Esquerda Causas: Cardiopatia isquêmica. 1.: hipertrofia ventricular esquerda. Edema periférico. Doenças valvares aórtica e mitral. Miocardiopatia não-isquêmicas Manifestações: Congestão pulmonar e edema. Choque. não esvaziando adequadamente as câmaras cardíacas. Aterosclerose coronariana. Hipertensão. ➢ Deterioração progressiva da função contrátil miocárdica decorrente de isquemia. Ascite. 1. ➢ Contração muscular débil. hipertensão ou miocardiopatia dilatada. para encher o ventrículo corretamente. 1.

asfixiante ou cortante). não chegando a induzir a necrose celular que define o infarto. 1. 1.13 1. levando a 25% morte súbita após infarto. compressivo. Alterações bioquímicas das enzimas cardíacas.5 Infarto do Miocárdio Causas: Diminuição do suprimento sangüíneo para o músculo decorrente a obstrução de alguma artéria coronária. potencialmente secundária à hipertensão pulmonar causada por distúrbios dos pulmões ou da vasculatura pulmonar. Sintomas: Necrose das células miocárdicas. 1. . Náuseas.1 Cardiopatia Hipertensiva Sistêmica (esquerda) Os critérios utilizados para o diagnóstico desta patologia são os seguintes: Hipertrofia ventricular esquerda e História de evidencia patológica de hipertensão. Dispnéia. A estenose refere-se à incapacidade de uma valva de se abrir por completo. Alteração no eletroencefalograma (ECG). 1. insuficiência (regurgitação) ou ambas.6. Dor torácica. Dano permanente ao miocárdio.4 Angina de Peito É caracterizado por crises paroxísticas e geralmente recorrentes de desconforto torácico subesternal ou precordial (variadamente descrito como constritivo.2 Cardiopatia Hipertensiva Pulmonar (direita – COR PULMONALE) Consiste em: Hipertrofia e dilatação ventricular direita e. provocado por isquemia transitória do miocárdio.6.6 Cardiopatia Hipertensiva 1.7 Cardiopatia Valvular O comprometimento valvar por doença provoca estenose.

quando existe apenas estenose ou regurgitação. falência. quando ocorre antes do nascimento. potencialmente. a ocorrência de fluxo retrógrado.1 Cardiopatia Congênita É um termo genérico utilizado para descrever anormalidades do coração e dos grandes vasos presentes ao nascimento. ➢ Insuficiência aórtica: Dilatação da aorta ascendente. porém geralmente com predomínio de um dos defeitos. ➢ Estenose aórtica: Calcificação de valvas aórticas.1 Miocardiopatia As doenças miocárdicas constituem um grupo diverso que inclui distúrbios inflamatórios (miocardite). Defeito Septal Ventricular e Persistência do Canal Arterial: acarretam aumento do fluxo sangüíneo pulmonar. doenças imunológicas. as anormalidades do fluxo produzem sons cardíacos anormais. permitindo. dessa maneira. seguida de hipertrofia ventricular direita e. conhecidos como sopros. Exemplos: coarctação da aorta (constrição da aorta). ➢ Defeito Septal Atrial. Streptococcus (reação cruzada). As causas crônicas mais freqüentes das principais lesões valvares funcionais são as seguintes: ➢ Prolapso da valva mitral: Insuficiência mitral ➢ Estenose mitral: Cardiopatia reumática. quando tanto a estenose quanto a regurgitação coexistem na mesma valva. relacionada com hipertensão e envelhecimento. Com freqüência. a regurgitação ou a incompetência resultam da incapacidade de uma valva de se fechar por completo. podendo resultar em hipertensão pulmonar. Essas anormalidades podem ser puras. distúrbios metabólicos sistêmicos. e atrofia quando se desenvolve após o nascimento. 1.14 impedindo. assim. 1. ➢ Obstruções: o fluxo sanguíneo alterado geralmente provoca dilatação ou hipertrofia cardíaca (ou ambas). estenoses valvares ou atresias. distrofias musculares. Em contraste. . ou mistas. o fluxo anterógrado. a insuficiência. a redução no volume e na massa muscular de uma câmara cardíaca é denominada hipoplasia. Em contraste. É uma patologia multifatorial e podem ser classificadas em: ➢ Shunts: comunicação anormal entre as câmaras cardíacas ou entre os vasos sanguíneos.

bactérias. ➢ Causas desconhecidas. Derrame pericárdico e hemopericárdio: em condições normais. freqüentemente a fármacos. fungos. Divide-se nos seguintes padrões clínicos: ➢ Miocardiopatia Dilatada: é a forma mais comum. ➢ Miocardiopatia Restritiva: distúrbio que resulta no comprometimento do enchimento ventricular durante a diástole. O coração é pesado e em hipercontração. dilatação e disfunção contrátil (sistólica). Podem ser morfologicamente classificadas em: 1. enchimento diastólico anormal e obstrução do fluxo ventricular esquerdo intermitente. Em várias circunstâncias. lúpus eritematoso sistêmico. rejeição de transplantes.1 Miocardite Caracteriza-se por um processo inflamatório que resulta em lesão dos miócitos cardíacos. polimiosiste. distúrbios torácicos ou sistêmicos ou metástases de neoplasias que surgem em sítios remotos. como antibióticos. riquétsias.15 anormalidades genéticas das células musculares cardíacas e doenças de etiologia desconhecida. 1. sangue (hemopericárdio) ou pus (pericardite purulenta) Pericardite: é habitualmente secundária a uma variedade de cardiopatias. doenças sistêmicas como febre reumática. 1. o pericárdio parietal sofre distensão por líquido de composição variável (derrame pericárdico). clamídias. Pericardite Aguda → quase sempre de origem viral. As principais causas da miocardite são: ➢ Infecções: vírus. ➢ Miocardiopatia Hipertrófica: caracterizam-se por hipertrofia do miocárdio.hipertensivos. o saco pericárdico contém cerca de 30 ml a 50 ml de líquido fino.1 Doença Pericárdica As lesões pericárdicas estão quase sempre associadas a doenças em outras partes do coração ou nas estruturas circundantes. . caracteriza-se por hipertrofia cardíaca progressiva. ou são secundárias a algum distúrbio sistêmico. claro e cor de palha. protozoários e helmintos ➢ Reações imunológicas: pode estar associada a reações alérgicas. diuréticos e agentes anti.

Pericardite purulenta ou supurativa → ocasionada por microrganismos infecciosos. esclerodermia. Pericardite serosa → é tipicamente produzida por inflamações não-infecciosas. cirurgia cardíaca e traumatismo. lúpus eritematoso sistêmico. Pericardite Cicatrizada → fibrose que produz um tipo delicado e resistente de aderência entre o pericárdio parietal e visceral. 4. como febre reumática. Fibroelastomas papilares e Rabdomiomas. lipomas. Pericardite fibrinosa e serofibrinosa → são compostas de líquido seroso. com aderências fibrosas densas. que provocam um exsudato que varia de um pus fino até cremoso.1 Cardiopatia Reumatóide A artrite reumatóide constitui principalmente um distúrbio das articulações. febre reumática. misturado com exsudato fibrinoso. irradiação do tórax. a síndrome pós-infarto.16 2. lúpus eritematoso sistêmico. O coração é afetado em 20 a 40% dos casos de artrite reumatóide grave. 1. em contraste. mas também está associada a comprometimentos não-articulares. O achado mais comum consiste em pericardite fibrinosa. uremia. 6. Os tumores primários benignos mais comuns são: Mixomas. . como as bactérias piogênicas e fungos.2 Cardiopatia Neoplásica Os tumores primários do coração são raros. denominada pericardite adesiva. Pericardite caseosa → é típica das infecções tuberculosas. que pode evoluir para o espessamento fibroso do pericárdio visceral e parietal. ocorrem tumores metastáticos no coração em cerca de 5% dos pacientes que morrem de câncer. Pericardite hemorrágica → apresenta um exsudato composto de sangue misturado com derrame fibrinoso ou supurativo é mais comumente causado por tuberculose ou pelo comprometimento neoplásico maligno direto do espaço pericárdico. As causas comuns incluem infarto agudo do miocárdio. 5. 3. 7. 1. que raramente compromete ou restringe a ação cardíaca. tumores e uremia. Fibromas.

e são interconectados por uma variedade de articulações que permitem os movimentos e. oferece sustentação mecânica aos movimentos e protege e determina os atributos do tamanho e forma corporais. é o mineral que confere força e resistência aos ossos. A maior parte desses distúrbios surge em decorrência da embriogênese defeituosa durante o período gestacional que se estende da terceira até a oitava semana. metabólicos e congênitos. neoplásico. 2. abriga os elementos hematopoiéticos. quando ocorre desenvolvimento das principais estruturas cardiovasculares. Assim. garantem a estabilidade. O osso é um tipo de tecido conjuntivo. não é de surpreender que as doenças primárias e secundárias do osso sejam variadas e numerosas. osteócitos.1 Fisiopatologia Óssea O sistema esquelético está sujeito aos distúrbios circulatórios.ex.17 1. O componente inorgânico. ausência congênita de uma falange. osteoblastos.3 Cardiopatia Congênita É um termo genérico utilizado para descrever anormalidades do coração e dos grandes vasos presentes ao nascimento. sendo singular porque é um dos poucos tecidos que normalmente se mineralizam. As anormalidades do desenvolvimento do esqueleto variam desde a simples perda de uma falange a deformidades difusas e fatais.. Essas doenças são complexas porque podem ter um impacto sobre o esqueleto durante qualquer um dos seus estágios de desenvolvimento. 2. osteoclastos) e as proteínas da matriz (colágeno tipo I e uma família de proteínas não-colágenas). é definido por uma mistura especial de matriz orgânica e elementos inorgânicos. O sistema esquelético é composto de 206 ossos e variam em tamanho e forma.2 Anormalidades do Desenvolvimento (causadas por alterações genéticas) ➢ Malformações → as anomalias mais simples incluem falha do desenvolvimento de um osso (p. O componente orgânico inclui as células do osso (células osteoprogenitoras. 2 Sistema Ósseo O sistema esquelético desempenha um papel imprescindível na homeostase mineral. hidroxiapatita de cálcio. ao mesmo tempo. costela ou . inflamatórios. Bioquimicamente.

freqüentemente produzem uma abertura persistente através das quais as meninges e o sistema ➢ nervoso central herniam-se. Também é conhecida como doença dos ossos marmóreos e doença de Albers-Schönberg. produzindo uma meningomielocele ou meningoencefaloce. A cavidade torácica subdesenvolvida acarreta insuficiência respiratória. macrocefalia relativa. e os pacientes com freqüência morrem ao nascimento ou pouco depois. cartilagens costais e faces articulares. ou o desenvolvimento de dedos longos e aracniformes (aracnodactilia). ➢ Nanismo tanatofórico → é a forma letal mais comum de nanismo. pele e dentes. muitas das manifestações esqueléticas resultam das anormalidades da cartilagem hialina. predispondo o osso a fraturas. Também atingem outras estruturas anatômicas como as articulações. incluindo o primórdio cartilaginoso. um tronco de comprimento relativamente normal e uma cabeça aumentada. Em conseqüência. ➢ Osteoporose → é um termo que denota aumento da porosidade do esqueleto resultante de uma redução da massa óssea. 1. ➢ Mucopolissacaridoses → doenças do depósito nos lisossomos causadas por deficiências enzimáticas. orelhas. a fusão de dois dedos adjacentes (sindactilia). olhos. e uma causa importante de nanismo. Os pacientes afetados apresentam encurtamento micromélico dos membros. a formação de ossos extras (costelas ou dedos supranumerários). cavidade torácica pequena e abdome em forma de sino. placas de crescimento. A criança afetada apresenta partes proximais dos membros encurtadas. 1. como craniorraquisquise (ausência de fechamento da coluna vertebral e do crânio). resultando em ossos quebradiços. .18 clavícula).1 Doenças associadas a uma matriz anormal ➢ Osteogênese imperfeita (doença dos ossos quebradiços) → é causada por deficiência na síntese de colágeno do tipo I no esqueleto. As anomalias que afetam o crânio e a coluna vertebral. Acondroplasia → é a doença mais comum da placa de crescimento.1 Doenças causadas por disfunção do osteoclasto ➢ Osteopetrose → grupo de doenças hereditárias raras que se caracterizam por disfunção dos osteoclastos.

mais freqüentemente relacionado à ausência de vitamina D ou desequilíbrio do seu metabolismo. osteoesclerose. ➢ Fechadas (simples). ➢ Incompletas. por sua vez. liberam mediadores químicos (citocinas) que estimulam a atividade osteoclástica. incluindo aumento da reabsorção óssea osteoclástica. Isso é decorrente de regiões de reabsorção óssea exacerbada pelos osteoclastos. através dessa ativação. . ➢ Osteodistrofia renal → termo utilizado para descrever coletivamente todas as alterações esqueléticas da doença renal crônica. 1. quando o osso é estilhaçado. Estas alterações esqueléticas estão associadas a uma infecção viral lenta por um paramixovírus. os osteoclastos promovem uma reabsorção óssea desenfreada. ➢ Deslocadas. seguida por formação óssea exagerada. quando o local da fratura se comunica com a superfície cutânea. 1. quando as extremidades do osso no local da fratura não estão alinhadas.19 ➢ Doença de Paget (Osteíte Deformante) → doença esquelética cujo osso recémformado exibe uma arquitetura desequilibrada. ➢ Hiperparatireoidismo → doença ocasionada por níveis elevados de paratormônio que estimulam os osteoblastos.1 Fraturas As fraturas classificam-se em: ➢ Completas. nas quais o crescimento ósseo abalado produz deformidades esqueléticas distintas. O termo raquitismo refere-se ao distúrbio em células. Assim. retardo da mineralização da matriz. Isso acarreta osteopenia e predisposição a fraturas. estas células. retardo do crescimento e osteoporose. quando o tecido sobrejacente está intacto. o distúrbio denomina-se osteomalacia porque o osso formado durante o processo de remodelagem é submineralizado. No adulto. ➢ Expostas. ➢ Cominutivas.1 Doenças associadas a homeostase mineral anormal ➢ Raquitismo e Osteomalacia → defeito na mineralização da matriz.

(3) trombose e embolia. O calo ósseo é constituído por tecido ósseo imaturo que une provisoriamente as extremidades do osso fraturado. (2) corticosteróide. reconstitui-se completamente por processos de reativação que. O periósteo e o endósteo próximos à área fraturada respondem com uma intensa proliferação. requer métodos mecânicos de imobilização para facilitar a resolução. A osteomielite pode ser uma complicação de qualquer infecção sistêmica.1 Consolidação de fratura Nos locais de fratura óssea. que constitui um colar em torno da fratura e penetra entre as extremidades ósseas rompidas. (4) lesão vascular. como também. mas. nos quais se encontram principalmente fraturas nãocomplicadas. Esse processo evolui de modo a aparecer. ocorre hemorragia pela lesão dos vasos sanguíneos. manifesta-se como um foco primário de doença. os mecanismos que produzem isquemia são variados e incluem (1) interrupção vascular mecânica (fratura). Nesse colar conjuntivo. com crianças e adultos jovens. normalmente. com freqüência. Todos os tipos de microrganismos. após algum tempo. formando um tecido muito rico em células osteoprogenitoras. Osteomalacia). cujas fraturas tendem a ocorrer no contexto de alguma outra doença (p. o coágulo sanguíneo e os restos celulares e da matriz devem ser removidos pelos macrófagos. por ossificação intramembranosa. Em geral. incluindo vírus. 1. espera-se uma reconstituição praticamente perfeita.ex. um calo ósseo que envolve a extremidade dos ossos fraturados. fungos e bactérias . 1. Para que a reparação se inicie.1.. parasitas. ocorrem durante a embriogênese. tanto pela ossificação endocondral de pequenos pedaços de cartilagem que aí se formam. osteoporose.20 O osso é único na sua capacidade de se reparar.2 Osteonecrose (necrose avascular) Resulta de uma isquemia. bem como no conjuntivo que se localiza entre as extremidades ósseas fraturadas. destruição de matriz e morte de células ósseas. 1. Nas faixas etárias maiores.3 Osteomielite Denota inflamação do osso e medula óssea. o reparo é menos adequado e. com freqüência. (5) aumento da pressão intra-óssea com compressão vascular e (6) hipertensão venosa. Entretanto. surgem tecido ósseo imaturo.

. palato. Osteoma → em geral são tumores de crescimento lento com pouca importância clínica. 1. 3. mas as infecções causadas por certas bactérias piogênicas e microbactérias são as mais comuns. Sífilis esquelética → a sífilis (Treponema pallidum) e a bouba (Treponema pertenue) podem envolver os osso. À semelhança da forma pulmonar. principalmente a tíbia. exceto quando causam uma obstrução sinusal. crânio e membros. pode supurar por anos antes de ser reconhecida. Clinicamente se apresenta como massas de crescimento lento. 1. Osteocondroma → também conhecido como exostose. de um foco pulmonar para uma costela). Os ossos mais freqüentemente afetados são aquele do nariz. Osteomielite tuberculosa → os microrganismos em geral são transmitidos pelo sangue e originam-se de um foco de doença visceral ativa (p.1 Tumores Formadores de Cartilagem 1. que proliferam e induzem uma reação inflamatória aguda e causam morte celular.ex. Enquanto o osteoblastoma é mais freqüente na coluna vertebral. Os osteomas osteóides podem surgir em qualquer osso.21 podem produzi-las. 1. 2. é uma lesão relativamente comum e desenvolvem-se apenas nos ossos de origem endocondral. interferem na função da cavidade oral ou geram problemas estéticos. mas exibem uma predileção pelo esqueleto apendicular. . comprimem o cérebro ou o olho. O osso aprisionado sofre necrose e as bactérias e a inflamação se propaga no osso. 2.1 Tumores Ósseos e Lesões Semelhantes 1. que podem ser dolorosas se comprimir um nervo. Osteomielite piogênica → quase sempre é causada por bactérias. 3. Osteoma osteóide e Osteoblastoma → termos usados para descrever tumores ósseos benignos que exibem características histológicas idênticas. Osteossarcoma → tumor mesenquimal maligno cujas células cancerosas produzem matriz óssea.

Condrossarcoma → comumente originam-se nas partes centrais do esqueleto. Infecções do trato reprodutivo ou das vias urinárias inferiores. . 1 Fisiopatologia Renal As manifestações clínicas das doenças renais podem ser agrupadas em síndromes razoavelmente bem definidas.2 Insuficiência renal Os rins tornam-se incapazes de filtrar e excretar produtos de degradação. A característica comum desse tipo de tumor é a produção de cartilagem neoplásica. 5. Fibroma condromixóide → apresenta morfologia variada e costuma originar-se na metáfise dos ossos tubulares longos. 1. Imunossupressão. Os fatores de risco para a infecção renal incluem: 1. 1. ou na superfície do osso. também causam derrames e restringem a mobilidade articular. 3. vírus ou fungos que ascendem a partir da uretra. em virtude de sua localização próxima a uma articulação. regular a pressão arterial e manter o equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-base. ➢ Distúrbios infecciosos As infecções dos rins resultam da propagação hematogênica de bactérias. Condromas → são tumores benignos de cartilagem hialina. onde se denominam condromas subperiosteais ou justacorticais. Condroblastoma → tumor benigno raro mais freqüente ao redor do joelho costuma ser doloroso e. 2. contudo. Pode ser aguda ou crônica. Podem originar-se dentro da cavidade medular.1 Síndrome nefrótica Grupo de sintomas associados a um aumento da permeabilidade glomerular tais como: proteinúria. incluindo a pelve. 4.22 2. onde são conhecidos como encondromas. podem acometer praticamente qualquer osso do corpo. ombro e costelas. enquanto outras estão presentes em doenças que afetam qualquer estrutura renal. hipoproteinemia e edema. Algumas são peculiares às doenças glomerulares.

como cirrose e cardiopatia. como as articulações. caracterizado por excessos ou deficiências que podem resultar de doenças do sistema renal. 3. Os fatores de risco incluem: 1. endócrino e tegumentar. Distúrbios do equilíbrio hídrico: A retenção excessiva de líquidos pode provocar edema sistêmico e pulmonar. Os eletrólitos são essenciais na contração das células nervosas e musculares. Condições em que a eliminação de eletrólitos encontra-se excessiva ou insuficiente.2 Respostas Fisiológicas à Disfunção Renal 1. A insuficiência renal crônica é irreversível. A dor em outras áreas. 2. Condições nas quais há excesso ou deficiência na ingestão de eletrólitos. Os fatores de risco para a insuficiência renal incluem: 1. 1. Superdosagem de drogas.1 Distúrbios hidroeletrolíticos Desequilíbrio dos eletrólitos e líquidos do corpo. pode resultar de doença renal se houver comprometimento dos processos metabólicos. enquanto muitas não são. 2. 2. O carcinoma de células renais tende a ocorrer na quinta e sexta década de vida 1. Hipotensão. gastrintestinal. 4. . cardíaco. 1. pulmonar. podendo ser crônica ou aguda. A retenção de sal e de água em conseqüência da redução da taxa de filtração glomerular (TFG) resulta em hipertensão e edema.23 Algumas formas de insuficiência renal aguda são reversíveis.1 Câncer renal A gravidade depende do tamanho do tumor e da presença de metástases. Dor: Pode haver ou não dor. Predisposição genética. Hematúria: Presença de eritrócitos na urina indica passagem de sangue através do túbulo renal. Distúrbios sistêmicos. 3.

As manifestações incluem: hematúria. diminuição da taxa de filtração glomerular (TFG). atrito pericárdico. proteinúria. melena. Uremia: Presença de níveis anormais de uréia e outros produtos nitrogenados no sangue. Respostas Tegumentares: Ocorre prurido e a pele pode exibir uma tonalidade amarelada devido à retenção de urocromos. coma. nos pés e tornozelos. dor torácica. formando anticorpos anti-MBG (membrana basal glomerular). ➢ Glomerulonefrite crônica: surge quando a doença glomerular resulta em insuficiência renal crônica. . 5. alterações da função cognitiva e comportamental e convulsões. Dispnéia: Resulta de edema pulmonar e os pulmões ficam suscetíveis a infecções. 6. Respostas cardiovasculares: Hipertrofia dos miócitos. Outros sintomas podem incluir hematêmese. podendo resultar em falência renal crônica. ocorrem inflamação e ativação de mediadores químicos (complementos e leucócitos). Distúrbios gastrintestinais: Mais comumente náuseas e vômitos. Essas alterações resultam em insuficiência renal aguda ou crônica.hemolítico de grupo A que penetra no sangue. 9. pericardite com febre. anorexia.1 Glomerulonefrite Distúrbio inflamatório que afeta o glomérulo. Com a formação dos complexos antígenos-anticorpos. hipertensão. edema periorbicular. ocorre alteração da permeabilidade da membrana. 7.24 4. Os tipos de glomerulonefrite incluem: ➢ Pós-estreptocócica aguda: de início abrupto. ocorre em 7 a 10 dias após infecção estreptocócica de garganta ou de pele. provocando dispnéia devido à pneumonia. Este complexo deposita-se no glomérulo. 1. com conseqüente formação de complexo antígenoanticorpo. 8. Em conseqüência. sonolência. estomatite. Alterações neurológicas: Nível diminuído de consciência. A glomerulonefrite é causada por uma reação imune à presença de um microrganismo infeccioso geralmente Streptococcus beta. permitindo a passagem de eritrócito e proteínas através do glomérulo para a urina e tornando impossível a filtração glomerular normal. A extensão da lesão e os sintomas subseqüentes dependem da localização e do tempo de exposição do glomérulo ao complexo antígeno-anticorpo. oligúria.

visto que o hormônio necessário a sua ativação (25 – hidroxicolecalciferol) está habitualmente ligado a proteínas. dor nas virilhas. amiloidose (substância proteinácea patológica. nas pernas. ➢ A pielonefrite crônica pode ser idiopática ou pode ocorrer em associação com obstrução ou refluxo a cálculos renais. A perda de proteínas ultrapassa a 3. mas pode também ser provocada por fungos ou vírus. Resultam da presença de outras doenças primárias. como diabete. A perda de proteínas também pode levar a falta de vitamina D.5 g/dia que resulta em hipoalbuminemia e hiperlipedemia. 1. a pielonefrite é causada por bactérias. Pode ser aguda ou crônica.2 Insuficiência Renal . ➢ A pielonefrite aguda resulta da contaminação bacteriana através da uretra ou por disseminação hematogênica. Tipicamente. calafrios. A lesão da membrana glomerular resulta em perda das proteínas plasmáticas em conseqüência do extravasamento de sangue para a urina através do glomérulo. Pode ser observado nos pacientes: edema nos pés.1 Pielonefrite Infecção do tecido renal e da pelve que ocorre a partir de várias fontes.25 1. diminuindo a resistência do indivíduo às infecções. Os sintomas resultam da infecção do parênquima renal e podem consistir em: febre. freqüência urinária. 1. disúria e hipersensibilidade costovertebral.1 Síndrome Nefrótica Grupo de sintomas associados à perda de proteínas que ocorre em vários distúrbios renais. depositada entre as células de tecidos e órgãos do corpo) e lúpus eritematoso sistêmico. no sacro e na região periorbicular. Ocorre perda das imunoglobulinas (moléculas de anticorpos).

Verifica-se uma súbita queda da depuração da creatinina (medida da filtração glomerular). nefropatia diabética. é classificada em: pré-renal. inflamação. distúrbios metabólicos (diabete melito. amiloidose). tumores. hipotensão. necrose). obstrução ureteral. irreversível. como os meios de contrastes radiológicos). As causas incluem: distúrbios glomerulares. distúrbios tubulares. intra-renal. necrose tubular aguda. A Insuficiência renal pode ser aguda. insidiosos e irreversíveis da função renal onde os néfrons são permanentemente destruídos. como alteração do pH e distúrbios do equilíbrio hidroeletrolítico. doenças vasculares. ➢ A insuficiência renal aguda intra-renal refere-se à lesão do parênquima renal (glomérulo nefrite. doenças relacionadas com o colágeno (depósito de complexo antígeno-anticorpo. a condição que mais comumente provoca insuficiência renal aguda é a necrose tubular aguda (NTA) ocasionando oligúria ou anúria.26 Perda súbita e quase completa da função renal associada com azotemia (acúmulo de produtos nitrogenados no sangue).2. distúrbios congênitos e nefrotoxicidade (exposição a substâncias nefrotóxicas. pielonefrite.2 Processos fisiopatológicos e manifestações ➢ A disfunção renal provoca numerosos distúrbios metabólicos. ➢ A insuficiência renal aguda pós-renal é provocada por obstrução ao fluxo urinário (cálculos renais. Ocorre acúmulo de quantidade excessiva de produtos hidrogenados (uréia sanguínea. distúrbios infecciosos ou intersticiais. ou crônica. torção ureteral) 1. 1. e os rins são incapazes de manter a homeostasia. estenose aórtica. 1.1 Insuficiência Renal Aguda ➢ A insuficiência renal aguda pré-renal resulta do déficit prolongado do fluxo sanguíneo renal de qualquer etiologia (hipovolemia. fármacos). doença da artéria renal). . creatinina) no sangue. e pós-renal geralmente reversível.1 Insuficiência Renal Crônica Comprometimentos lentos.

1. Desequilíbrio do cálcio e do fósforo. Coagulação sanguínea inadequada. 1. Pericardite. ➢ Em conseqüência. É provocada por lesões das arteríolas e glomérulos e está associada à pielonefrite e necrose das papilas renais. . resultando em hiperfosfatemia.1 Síndrome Urêmica Grupo de sintomas que ocorrem em associação com a insuficiência renal e resulta do acúmulo de produtos de degradação do metabolismo devido à insuficiência renal. ➢ Os rins tornam-se incapazes de manter a homeostasia. Hipertensão devido à secreção acelerada de renina. os níveis de cálcio diminuem em conseqüência de sua absorção deficiente. vertigem e concentração deficiente).27 ➢ Como a vitamina D não pode ser convertida em sua forma biologicamente ativa (necessária à reabsorção de cálcio). Ulceração no trato gastrintestinal desde a boca até o ânus.3 Processos fisiopatológicos ➢ Ocorre comprometimento dos glomérulos por esclerose difusa e espessamento da membrana basal e mesângeo. Obs. e verifica-se o desenvolvimento de azotemia. Náusea e vômitos. devido à falta de excreção. Os sintomas podem consistir em: alteração do sistema nervoso central (tontura. Imunossupressão (diminuição da fagocitose). resultando em precipitação de fosfato de cálcio. constituindo uma condição potencialmente fatal. Prurido e alteração da cor da pele (devido a retenção de pigmentos urocrômicos). 1. ➢ A excreção de fósforo encontra-se diminuída. ➢ Espessamento das paredes das arteríolas aferentes e eferentes.: Os sintomas são reversíveis quando se institui o tratamento com diálise. ➢ O rim mais sadio compensa o rim enfermo. a TFG (taxa de filtração glomerular) diminui. Distúrbio no desequilíbrio ácidobásico e hidroeletrolítico. Neuropatia das extremidades inferiores (devido ao acúmulo de toxinas nos nervos periféricos).2 Nefropatia Diabética (glomerulosclerose diabética) Insuficiência renal devido à complicação do Diabetes Mellitus observada em adulto. devido à incapacidade dos trombócitos funcionar em plasma ácido.

1. dormência. outros podem provocar obstrução ao fluxo de urina através do trato urinário.28 ➢ Os sintomas da nefropatia diabética nos pacientes insulino dependente aparecem anos após a instalação da doença.1. 1. mostra-se normal. ➢ Além disso. ➢ O líquido exerce pressão sobre os túbulos e provoca a lesão das estruturas dos néfrons. A causa mais comum consiste na presença de cálculo.1 Distúrbios Hidroeletrolíticos Condições caracterizadas por excessos (ingestão excessiva. como cálcio ou ácido úrico. os rins hipertrofiam e. 1. ocasionando fluxo retrógrado de urina do local de obstrução de volta à pelve e o rim. além de hipersensibilidade costovertebral. ➢ Como a obstrução costuma ser unilateral. produzindo hidronefrose. eliminação diminuída) ou déficits (ingestão deficiente ou eliminação excessiva) de líquidos corporais ou eletrólitos: são comumente observados na insuficiência renal.2 Processos fisiopatológicos ➢ Cálculos são agregados de substâncias. formigamento e tremores.1 Processos fisiopatológicos ➢ As alterações no equilíbrio hidroeletrolítico resultam em alterações na condução das células nervosas e musculares.1 Uropatia Obstrutiva Obstrução do fluxo de urina dos rins para a bexiga. o exame de urina. a seguir. . que podem incluir parestesias. 1. ➢ Tendem a ser dolorosos e podem provocar hematúria. ➢ As manifestações incluem alterações no estado mental e na resposta reflexa. sofrem contração. podem ocorrer sintomas neuromusculares. são formados em conseqüência de distúrbios metabólicos. ➢ Com a obstrução ocorre fluxo retrógrado no rim. ➢ Alguns cálculos podem passar pelo trato urinário. ➢ A princípio.

com conseqüente desenvolvimento de acidose. Verifica-se um aumento de duas vezes no carcinoma de células renais em fumantes de cigarros. incluindo obesidade.1 Tumores do Rim Ocorrem tumores tanto benignos quanto malignos no rim. 1. ➢ Os principais locais de metástase incluem pulmões. necrose e hemorragia. Por outro lado. os tumores malignos são de grande importância clínica e o mais comum é o carcinoma de células renais. o glomérulo e os túbulos perdem a sua capacidade de regular os eletrólitos. Esse aumento. Um estudo identificou outros fatores de risco.2 Carcinoma de Células Renais Uma das características comuns deste tumor é a sua tendência a metastatizar-se extensamente antes de produzir quaisquer sinais ou sintomas locais.3 Processos fisiopatológicos ➢ Pode desenvolver-se em qualquer região dos rins. 1. A exceção do oncocitoma (tumor epitelial que pode atingir grandes dimensões). 1. o tumor pode comprimir os tecidos circundantes. podendo estender-se até a veia cava inferior. hipertensão. provocando isquemia.1 Acidose e Alcalose Respiratória Qualquer fator passível de reduzir a ventilação pulmonar irá aumentar a concentração de dióxido de carbono (CO2) dissolvido no líquido extracelular. 1. e aqueles que fumam cachimbo e charutos também são mais suscetíveis.29 ➢ Na presença de insuficiência renal. O tabaco constitui o fator de risco mais proeminente. Como essa forma de acidose é causada por anormalidade de respiração é denominada acidose respiratória. linfonodos e ossos. estrogenioterapia e exposição a asbestos. os tumores benignos são achados incidentais a autopsia e só raramente possuem algum significado clínico. fígado. determina aumento de ácido carbônico e de íons hidrogênio. ➢ Devido o seu crescimento. . produtos do petróleo e metais pesados. ➢ Os tumores podem invadir o sistema coletor e ramos da vaia renal. por sua vez.

3. a psiconeurose (histeria) pode causar hiperventilação a ponto do indivíduo se tornar alcalótico.2. é metabolizado pelos tecidos para produzir energia em lugar da glicose. a ventilação pulmonar excessiva diminui a concentração de dióxido de carbono e de íons hidrogênio.30 Por outro lado. Da formação excessiva de ácidos metabólicos no organismo.1 Principais condições que ocasionam a acidose metabólica ➢ Diarréia: perda excessiva de secreções gastrintestinais com alta concentração de bicarbonato de sódio. causando perda excessiva de CO2 e resultando em alcalose respiratória leve. Aumento na absorção de ácidos metabólicos do tubo gastrintestinal. que. Perda de base dos líquidos corporais. ➢ Diabete Mellitus: a ausência de insulina impede o uso normal da glicose no metabolismo. pneumonia e qualquer outro fator que interfira na troca de gases entre o sangue e o ar alveolar. As causas mais comuns de alcalose metabólica incluem: . A acidose quase sempre resulta de condições patológicas. resultando em alcalose respiratória. Todavia. por sua vez. Administração venosa de ácidos metabólicos. Raramente condições patológicas causam alcalose respiratória. cujas secreções são altamente ácidas. A concentração de ácido acetoacético atinge valores muito elevados ocasionando acidose grave. Pode ocasionar a morte em crianças. Dessa maneira. 4. Da incapacidade dos rins de excretarem os ácidos metabólicos normalmente formados no organismo. obstrução das vias aéreas do aparelho respiratório. 1. Uma pessoa pode provocar em si mesma acidose respiratória simplesmente ao prender sua respiração. ➢ Uremia: incapacidade dos rins de depurar o organismo das quantidades normais de ácidos formados diariamente nos processos metabólicos. 1. em certas ocasiões. O baixo teor de oxigênio (O2) do ar estimula a respiração. ➢ Vômito: perda de secreção do conteúdo gástrico. 2. algumas gorduras são degradadas em ácido acetoacético. 5.2 Acidose e Alcalose Metabólicas A acidose metabólica pode resultar: 1. como lesão do centro respiratório no bulbo. Ocorre um tipo fisiológico de alcalose respiratória quando a pessoa sobe a grandes altitudes.

1. a produção de outro hormônio. Depois da união complexo hormônio-receptor ocorre à mensagem para os genes específicos e formação de novas proteínas que representam os efeitos dos hormônios tireoidianos. Esses dois sistemas atuam em estreita interação principalmente no hipotálamo. No sistema endócrino os hormônios elaborados nas glândulas endócrinas interagem com os órgãos-alvo. após se dirigir para dentro do núcleo se liga ao DNA. 3. 1 Fisiopatologia Endócrina A homeostase celular é regulada pelo sistema nervoso e endócrino.receptores intranucleares→ os hormônios ligam-se preferencialmente aos receptores intranucleares. É mais observado em recém-nascido com obstrução pilórica. resultando numa determinada função.31 1. acompanhada pela secreção aumentada de íons hidrogênio. Perda de íons cloreto: vômito excessivo do conteúdo gástrico sem vômito do conteúdo gastrintestinal inferior. por exemplo. que modula a função da hipófise e nas células endócrinas que estão bastante dispersas. as quais representam os efeitos dos hormônios esteróides.receptores citoplasmáticos→ os hormônios interagem com receptores dentro do citoplasma da célula. 4. 2. através de receptores celulares. Existem três tipos de receptores: 1. Por excesso de aldosterona: que promove a reabsorção intensa de íons sódio dos segmentos distais do sistema tubular.1 Endocrinopatias ➢ Hipófise ou pituitária Composta de dois componentes funcionalmente distintos: a) lobo anterior (adenohipófise) b) lobo posterior neurossecretor (neurohipófise) . ocasionando a ativação de genes específicos. 2.receptores de membrana→ os hormônios interagem com receptores na superfície celular. 3. o que promove desenvolvimento de alcalose. Ingestão excessiva de substâncias alcalinas: como o bicarbonato de sódio para tratamento de gastrite ou úlcera péptica. específicos para um determinado hormônio. o complexo hormônio-receptor. Administração de diuréticos: que ocasiona perda excessiva de íons hidrogênio no túbulo renal. formando novas proteínas. Por sua vez.

Elas podem provocar: 1) anormalidades endócrinas A produção anormalmente aumentada de hormônios tróficos (hiperpituitarismo) é causada geralmente por uma neoplasia funcionante do lobo anterior. Considerável aumento da pressão intracraniana.neoplasias da hipófise anterior Causadas geralmente por um adenoma da hipófise anterior ou por um distúrbio hipotalâmico primário. Os hormônios mais comumente produzidos por adenomas funcionais incluem: prolactina/hormônio do crescimento (GH)/hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) A – Morfologia geral Os adenomas hipofisários podem ser divididos em microadenomas (< 10mm de diâmetro) e macroadenomas (>10mm de diâmetro). nos estágios iniciais. 1. formam massas tumorais isoladas na sela túrcica. posteriores ou ambas as regiões da glândula. mãos. O gigantismo é raro. O lobo anterior (adeno-hipófise) constitui a principal porção secretora da hipófise ➢ Patologia As doenças da hipófise podem afetar o lobo anterior. As características da acromegalia são: aumento da cabeça. B . 2) efeitos (expansivos) locais: Evidência radiográfica de expansão da sela túrcica. Os adenomas geralmente são solitários e. língua e tecidos moles. O hipopituitarismo associa-se geralmente à destruição de >75% do lobo anterior. pés. A acromegalia aparece quando um excesso de GH se manifesta em adultos (após o fechamento das epífises dos ossos longos).32 Do ponto de vista histológico os lobos anteriores e posteriores são totalmente distintos. Pode ocorrer em conseqüência de anormalidades hipotalâmicas ou da perda da inibição por feedback (realimentação) normal. aparecendo em crianças quando o excesso de GH ocorre antes do fechamento das epífises. com acromegalia ou gigantismo associado. C . Distúrbios visuais.1 Hiperpituitarismo .Prolactinomas .Adenomas somatotróficos Produzem um excesso de hormônio de crescimento (GH). mandíbulas.

esterilidade.1 Síndrome de Sheehan Causada habitualmente pelo infarto da hipófise anterior. As deficiências de hormônio estimulador da tireóide (TSH) e hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) podem levar respectivamente a hipotiroidismo e hipoadrenalismo. com conseqüente amenorréia e galactorréia em mulheres. a deficiência de GH leva a um nanismo hipofisário e é freqüentemente acompanhada de um retardo do desenvolvimento sexual. Geralmente se associa à destruição de 90 a 95% da glândula. 1. anemia falciforme. Clinicamente não é detectável. perda de pêlos pubianos e axilares. O aumento da glândula durante a gravidez torna a adenohipófise vulnerável a lesões isquêmicas. 1. O diagnóstico requer a demonstração de metástases. acidentes vasculares). ➢ Manifestações de hipogonadotrofismo: Amenorréia. recessão da linha capilar. .Carcinoma Extremamente raros.33 As manifestações clínicas incluem hipogonadismo em homens e mulheres. coagulação intravascular disseminada.2 Hipopituitarismo Pode ser conseqüente a distúrbios hipotalâmicos ou hipofisários primários e as alterações na hipófise levando ao hipopituitarismo são mais freqüentes (90 % dos casos). D . As manifestações clínicas são variáveis: a) a deficiência de GH em adultos só é notada pela análise dos níveis de GH. associada classicamente à hemorragia/choques obstétricos. b) em crianças pré-púberes. ➢ Causas mais comum: Adenomas não secretores e síndrome de Sheehan (infarto da hipófise). atrofia das gônadas. A síndrome de Sheehan também pode ocorrer em homens e em mulheres não grávidas (traumatismo. As manifestações iniciais comuns incluem insuficiência das gônadas e incapacidade de lactação. Geralmente não funcionante.

1. Expansão do compartimento líquido extracelular.1 Tireóide Localiza-se no pescoço. devido à poliúria e sede excessiva (polidipsia). A calcitonina.2 Tireotoxicose (hipertiroidismo) . 1. Estimulam ainda a produção de RNA e a síntese de proteínas. participa do controle da concentração sangüínea de cálcio. Radiação ou cirurgia hipotalâmica ou lesões cranioencefálicas. 1. hiponatremia e incapacidade de excretar uma urina diluída. estando relacionados ao crescimento.3 Secreção Inadequada de Hormônio Antidiurético (ADH) Caracteriza-se por níveis persistentemente elevados de ADH Reabsorção anormal de água. ➢ Doenças pulmonares não-neoplásicas (por exemplo: tuberculose pulmonar. estando apoiada sobre as cartilagens da laringe e da traquéia. estimulando sua incorporação pelos ossos. inibindo a remoção do cálcio dos ossos e a saída dele para o plasma sangüíneo. pneumonia). As causas incluem: ➢ Secreção de ADH ectópica por neoplasias não endócrinas (especialmente carcinomas de pequenas células do pulmão). As manifestações de doença da tiróide incluem hipertiroidismo e um aumento focal ou difuso da glândula e hipotiroidismo. Seus dois hormônios.2 Síndrome da Hipófise Posterior Incapacidade de concentrar a urina. As causas incluem: Distúrbios inflamatórios e infiltrativos do hipotálamo e da região hipofisária. outro hormônio secretado pela tireóide. maturação e desenvolvimento. elevando a taxa metabólica e a geração de calor. triiodotironina (T3) e tiroxina (T4).34 1. aumentam a velocidade dos processos de oxidação e de liberação de energia nas células do corpo.

retração palpebral. proptose.  As alterações oculares freqüentemente são notáveis: olhar fixo. com a produção de imunoglobulinas por linfócitos B. ○ Pode ocorrer a insuficiência cardíaca. bócio endêmico ou bócio colóide. ➢ Manifestações clínicas:  Nervosismo  Perda de peso. palpitação.  Pele quente.1 Bócio Aumento de volume persistente da tireóide. apesar de um aumento do apetite (devido ao aumento do metabolismo).85% dos casos). bócio por carência de iodo. úmida e avermelhada secundariamente à vasodilatação periférica e ao estado hipermetabólico.35 Um estado hipermetabólico ocasionado pelo aumento dos níveis de T3 e de T4. 1. ○ Adenoma tóxico. ○ Bócio multinodular tóxico. Na ausência ou presença de hipertiroidismo o bócio é classificado respectivamente em: ➢ Não-tóxico → também chamado de: bócio simples. 1. É dividido em difuso (o aumento de volume da tireóide estende-se a toda ela) e nodular (o aumento está limitado a determinadas áreas).  Tremor das mãos  Aumento variável da glândula tireóide.  Do ponto de vista cardiológico: ○ Taquicardia. ➢ Tóxico → também chamado doença de Graves e é provavelmente de natureza auto-imune.1 Hipotiroidismo As manifestações incluem: . arritmias atriais e cardiomegalia (ação dos hormônios tireoidianos).  Causas mais comum de tireotoxicose (99% dos casos): ○ Hiperplasia difusa (doença de Graves .

traços faciais e cutâneos grosseiros. Manifesta-se por: ➢ Lentificação insidiosa da atividade física e mental. O cretinismo pode ocorrer tanto em forma endêmica. localizadas na região posterior da tireóide.  Pele seca e áspera  Olhos separados  Inchaço periorbital  Volume aumentado da língua  Dependendo da idade. associado frequentemente a um defeito da biossíntese dos hormônios. Causas de hipotiroidismo: ➢ Agenesia ou ablação da tireóide. Neste contexto. ➢ Cardiomegalia e derrame pericárdico. bócio endêmico. a absorção de cálcio dos alimentos pelo intestino e a reabsorção de cálcio pelos túbulos renais. ➢ Tireoidite de Hashimoto (doença auto-imune). 1. associada à deficiência dietética de iodo. caracteriza-se por:  Retardo do crescimento físico e intelectual. ➢ Interferência na síntese de hormônios tireoidianos. . associadas à fadiga.1 Paratireóides São pequenas glândulas. na coagulação sangüínea e na excitabilidade das células nervosas. Secreta o paratormônio. aumentando a concentração de cálcio no sangue. ➢ Deficiência de iodo. o cálcio é importante na contração muscular. quando a deficiência da tiróide ocorre durante o período Um estado hipometabólico produzido pela deficiência dos hormônios perinatal ou em lactentes. ➢ Intolerância ao frio e apatia. como em forma esporádica.36  Cretinismo. graus variáveis de retardamento mental. ➢ Defeitos enzimáticos hereditários. ➢ Queda de cabelo e acúmulo de substância fundamental rica em mucopolissacarídeos na derme (mixedema). que estimula a remoção de cálcio da matriz óssea (o qual passa para o plasma sangüíneo). geralmente em número de quatro. ➢ Os sinais incluem edema periorbital. devido a um hipotiroidismo idiopático.

37 ➢ Hiperparatireoidismo primário É uma hipersecreção autônoma de paratormônio.  Maior reabsorção tubular renal e reabsorção de cálcio  Maior síntese de vitamina D e maior reabsorção de cálcio pelo intestino. divididas em duas partes independentes – medula e córtex . hipertensão. ➢ Hiperparatireoidismo secundário Geralmente ocorre na insuficiência renal. ao mesmo tempo em que causa aumento do . comportando-se como duas glândulas. ➢ Síndrome de Cushing Causas: ➢ Administração de glicocorticóides (mais comum). anormalidades neuropsiquiátricas. reduzindo. 1.secretoras de hormônios diferentes. ➢ Hipersecreção hipofisária de ACTH. Causa: Adenoma Consequências:  Maior reabsorção óssea e mobilização do cálcio a partir do esqueleto. ➢ Síndrome adrenogenitais (excesso de androgênios). face lunar. diabetes. sua perda pela urina.  Hipercalcemia. A hiperfunção (hiperadrenalismo) é caracterizada pela produção excessiva de hormônios.1 Hiperaldosteronismo Primário Produção excessiva de aldosterona que aumenta a reabsorção de sal e água pelos túbulos renais. 1. O córtex secreta três tipos de hormônios: os glicocorticóides. os mineralocorticóides e os androgênicos. hipercalciúria e cálculos renais. portanto. Clínica: ➢ Obesidade. ➢ Hiperaldosteronismo. ➢ Hipersecreção autônoma de cortisol por adenoma supra-renal. Inclui três síndromes básicas: ➢ Síndrome de Cushing (excesso de cortisol).1 Córtex Supra-renal São duas glândulas localizadas sobre os rins. fraqueza. com hipersecreção compensatória de paratormônio.

tornando-se manifesto e grave na puberdade. que tem papel no controle da pressão arterial. sobretudo.1 Pâncreas É uma glândula mista ou anfícrina – apresenta determinadas regiões endócrinas e determinadas regiões exócrinas (da porção secretora partem dutos que lançam as secreções para o interior da cavidade intestinal) ao mesmo tempo.virilismo supra-renal. Clínica: ➢ Produção de renina plasmática. conferindo-lhe características masculinas típicas. Três mecanismos interligados são responsáveis pela destruição das células das ilhotas: . Distribuição masculina dos pêlos do corpo e do púbis. hormônio responsável pelo uso da glicose. Os tipos incluem:  Tipo I: Diabetes Mellitus Insulino-Dependente (DMID) deficiência grave e absoluta de insulina causada por uma redução da massa de células β. estes pacientes desenvolvem complicações metabólicas graves. retenção de sódio e redução de potássio. Sem insulina. crescimento do clitóris que se assemelha a um pênis e deposição de proteínas na pele e. Em geral. nos músculos. a presença de tumor supra-renal virilizante provoca as mesmas características observadas na mulher. que atuam no metabolismo da glicose. juntamente com o rápido desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos e aparecimento do desejo sexual. como cetoacidose aguda e coma. Como conseqüência ocorre hipertensão independente do sistema renina-angiotensina. ➢ Síndromes Adrenogenitais ➢ Excesso de androgênios que causam intensos efeitos masculinizantes em todo o corpo . elas desenvolvem características viris. incluindo crescimento de barba. Causa: Neoplasia 1. desenvolve-se na infância. voz mais grossa. Causa: Adenoma. No menino pré-puberal. onde estão as células que secretam os dois hormônios: insulina e glucagon. Quando o tumor ocorre em mulheres. ocasionalmente calvície se também houver herança genética desse caráter. ➢ Diabetes Mellitus Resulta da insuficiência do pâncreas (células beta nas ilhotas de Langerhans) em secretar a insulina adequadamente. As chamadas ilhotas de Langerhans são a porção endócrina. hipertensão arterial.38 volume do líquido extracelular.

em que o neurônio diminui de volume.  TIPO II: Diabetes Mellitus Insulino-Independente (DMII) que em geral afeta pessoas obesas. além de prurido e infecções recorrentes. núcleo picnótico e ovalado ou cariolítico. geralmente por isquemia.oligodendrócitos c.células piramidais de Betz b.astrócitos b.células granulosas ➢ Células da glia → células com função estrutural e metabólica: a. daí o termo alteração celular isquêmica. Estudos indicam que a doença parece resultar de um conjunto de múltiplos defeitos genéticos ou polimorfismo. o núcleo tornase picnótico e o citoplasma mais basófilo que o normal. O neurônio necrótico tem volume diminuído. ➢ Atrofia: ocorre redução do volume celular.39 suscetibilidade genética.1 Alterações Patológicas Básicas ➢ Necrose: a causa mais comum de lesão no neurônio é a anóxia.micróglia d.células ependimárias 1. . daí o termo atrofia pigmentar. Os neurônios atróficos freqüentemente contêm abundante pigmento lipofuscínico. Os dois defeitos metabólicos que caracterizam esta patologia são: distúrbio na secreção de insulina pela célula β e resistência dos tecidos periféricos à insulina. polifagia e fadiga.células de Purkinje c. auto-imunidade e agressão ambiental (infecção viral). polidpisia. Clinica: similares ao tipo I. Clínica: glicosúria. perda de peso. 1 FISIOPATOLOGIA NEUROLÓGICA O sistema nervoso central (SNC) é constituído por células especializadas: ➢ Neurônios → células especializadas para geração e transmissão de impulsos elétricos: a. ➢ Retração: alteração comum.

Começa com perda da memória e. entretanto.  As alterações agudas incluem: síndromes cerebrais orgânicas (distúrbios da percepção e interpretação de estímulos externos). contribuindo para a formação da placa senil. 1. porém. as alterações agravam-se com a idade e a predisposição genética pode constituir um fator de risco. 1. e a função autônoma está intacta). Em geral.1 Doença de Alzheimer É um distúrbio mental orgânico crônico e irreversível. Estas alterações são observadas no córtex e resultam em centro fibroso. O início é insidioso. delírio (estado caracterizado por desorientação e hiperatividade do sistema nervoso autônomo) e obscurecimento da consciência (estado de percepção limitada). Doenças Degenerativas Ocorrem doenças degenerativas quando as células do Sistema Nervoso Central (SNC) sofrem alterações que mudam seu funcionamento. posteriormente. com desaparecimento dos corpúsculos de Nissl na porção central da célula e deslocamento do núcleo para a periferia. para manifestações neurológicas graves. mas não na capacidade de reagir) e estado vegetativo (condição em que não existe nenhuma função cerebral. os sintomas iniciais incluem perda da memória. esquecimento e flutuações do humor. além da degeneração de grande número e axônio terminais. Doenças Infecciosas Ocorrem as doenças infecciosas quando as células do SNC são infectadas por um patógeno que seguem a mesma evolução das infecções em outras regiões do corpo. 1. os ciclos de sonovigília estão presentes. 2.40 ➢ Cromatólise central: o corpo celular do neurônio sofre tumefação. A doença caracteriza-se pela presença de fibras protéicas deformadas e enroladas no interior do neurônio.  As alterações crônicas incluem: demência (alterações no conteúdo da consciência. . é contida no crânio.1 Respostas Fisiológicas à Disfunção Neurológica Degenerativa e Infecciosa ➢ Alterações do conteúdo da consciência As alterações no conteúdo da consciência podem ser agudas ou crônicas.

. 8. confusão e paralisia de nervos cranianos. em geral. e a forma secundária que ocorre por infecção.1 Doença de Wernicke (ou Síndrome de Wernicke-Korsakoff) Doença degenerativa associada a déficits nutricionais e caracterizada por distúrbios da marcha. Tremores 2. com incidência máxima aos 60 anos. irreversível. que ocorre depois dos 40 anos de idade. As manifestações características incluem: 1. Alteração postural. Face em máscara e diminuição do piscar. depois dos 65 anos. Hipocinesia ( diminuição da freqüência de movimentos). 1. o distúrbio é considerado como demência pré-senil do tipo Alzheimer.41 Desconhece-se a etiologia específica da doença. não pode ocorrer produção de energia. resultando em desequilíbrio bioquímico entre a transmissão neuronal excitatória inibitória que compromete a função motora normal. são consideradas demências senis. Rigidez muscular 3. Bradicinesia (lentidão dos movimentos voluntários – caracterizada por dificuldade em iniciar ou manter os movimentos). A doença é causada pela deficiência de tiamina (vitamina B1) que é essencial para o metabolismo neuronal. Existe a forma primária. Disfagia (dificuldade na deglutição). afeta indivíduos com mais de 65 anos de idade. As vias dopaminérgicas sofrem alterações degenerativas.2 Doença de Parkinson É um distúrbio crônico dos gânglios da base e desconhece-se a causa da doença. Visão embaçada. Ocorre também aumento relativo de alguns neurotransmissores excitatórios. 6. Tipicamente. Acinesia (diminuição ou ausência de movimentos voluntários) 4. se houver alteração do metabolismo. afeta ambos os sexos. toxicidade medicamentosa e neoplasia. provocando estimulação muscular excitatória constante. 5. e as atividades neuronais vitais cessam. 7. Quando o início é observado antes dos 50 anos. 1. 9.

Indivíduos desnutridos Os sintomas podem incluir: 1.1 Encefalite Infecção aguda do sistema nervoso causada por um vírus. Alcoólatras 2. A encefalite também pode resultar de complicações secundárias de doenças virais sistêmicas (poliomielite.1 MENINGITE É uma infecção das meninges. Além disso. incluindo a medula espinhal ou o cérebro. rubéola). As manifestações incluem: 1. Aumento da pressão intracraniana. ➢ Meningite bacteriana: as bactérias existentes na corrente sangüínea invadem as meninges. 2. resultando no rápido início de estados alterado da consciência. Esta resposta inflamatória resulta em edema . Alterações do estado mental (confusão e delírio). Os tipos incluem: meningite bacteriana. Ataxia 4. pode ocorrer em processo inflamatório secundário. Convulsões e coma 4. 1. Alterações da consciência 2. afetando o tecido neuronal e a vasculatura cerebral. desencadeando uma resposta inflamatória. 1. Psicose de Korsakoff (caracterizada por amnésia e confabulação). Febre 3. Amnésia anterógrada (incapacidade de reter as novas informações) 5. Os agentes mais comuns incluem o vírus do herpes simples tipo I e vírus transmitidos por artrópodes.42 Os grupos de risco incluem: 1. meningite asséptica e meningite fúngica. Disfunção oculomotora 3. Amnésia retrógrada (incapaz de recordar as informações da memória) 6. mononucleose. Indivíduos com síndromes de má absorção 3.

Em alguns casos. que pode causar paralisia respiratória. ➢ Meningite fúngica: ocorre formação de granuloma na base do cérebro. A demência começa insidiosamente. 1. incontinência vesical e intestinal e convulsões.1 Demência por AIDS Demência cognitiva progressiva associada à presença do vírus da imunodeficiência humana (H I V). Acredita-se que a demência por AIDS decorra da infiltração direta do HIV no tecido nervoso. O principal sintoma é fraqueza na musculatura dos membros que em poucos dias pode evoluir para uma paralisia flácida completa. Em cerca da metade dos casos obtém-se história de uma doença do tipo gripe ou diarréia. 1.2 Síndrome de Guillain-Barré É uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda ou subaguda. foi isolado o DNA do HIV no tecido neuronal. com lentidão mental. trombose e infecção. desencadeada por mecanismo auto-imune.se verificar o desenvolvimento de fibrose meníngea. como apatia e depressão. abscesso cerebral). ➢ Meningite asséptica: a inflamação das meninges é devida a um vírus ou outras causas (encefalite. que se distribui no córtex. 1. Também pode haver anormalidades motoras.43 vascular e aumento da permeabilidade da parede dos vasos. sangramento. Pode. uma a três semanas antes do início dos sintomas. para os nervos cranianos e espinhais. resultando em disfunção permanente dos nervos cranianos. Estudos sorológicos revelam como agentes mais comuns o citomegalovírus. Pode afetar crianças e adultos de todas as idades. Os fungos podem penetrar nos tecidos. provocando arterite. perda de memória e perturbações do humor. Forma-se um exsudato purulento.3 Neuropatia Diabética . ataxia. com saída de neutrófilos. vírus de Epstein-Barr e o Mycoplasma pneumoniae.

Desenvolvem-se quando o suprimento de sangue é interrompido devido ao entupimento do vaso ou pode ser conseqüência de uma compressão do nervo. tais como: ➢ Polineuropatia distal: uma das formas mais comuns de Neuropatia. excesso de transpiração e impotência. ➢ Neuropatia autonômica: causa principalmente hipotensão postural. formigamento ou queimação nas pernas. dores locais e desequilíbrio. Causas: A inflamação origina-se em 60-70% dos casos numa infecção viral provocada pelo Vírus Herpes Simples (HSV-1). ➢ Motores: estado de fraqueza e atrofia muscular. podemos classificar os sintomas em sensitivos. que acomete preferencialmente os nervos mais longos. De forma geral. Esta paralisia é derivada na maior parte das vezes por inflamação do nervo facial como resposta a uma infecção viral: o nervo aumenta de volume dentro do osso temporal. como a queda da pressão arterial ao levantar-se (tonturas) e impotência sexual. distúrbios digestivos. ➢ Neuropatia focal: esta é uma condição rara decorrente de danos a um único nervo ou grupo de nervos. Mais especificamente o 7º nervo craniano (nervo facial). podendo ocorrer até a paralisia completa. pés e mãos. Sua incidência é alta e possui diferentes formas clínicas. localizados nas pernas e nos pés. Outros sintomas incluem sensação de estômago repleto após as refeições. onde está alojado. comprimindo e deformando o nervo. pressão baixa. ➢ Autonômicos: ocorrência de pele seca. o qual passa a exercer pressão. 1. Exemplos: ➢ Sensitivos: formigamento.1 Paralisia de Bell A paralisia de Bell (também tem o nome de "paralisia facial idiopática") é uma desordem neurológica que afeta os nervos cranianos. motores e autonômicos. Outra origem da inflamação pode ser infecção bacteriana . A compressão do nervo causa uma disfunção nas suas atividades. distúrbios de transpiração e outros mais raros. Tende a ser pior à noite (período onde prestamos mais atenção aos sintomas). dormência ou queimação das pernas. causando dores.44 Os nervos podem ficar incapazes de emitir as mensagens ou emiti-las na hora errada ou muito lentamente.

excesso ou subprodução de saliva. etc.  Sequestro intralobar e lobar extrapulmonar (tecido pulmonar sem conexão normal com o sistema de vias aéreas). 2. pós-operatório. Atelectasia obstrutiva: obstrução total de uma via aérea. diminuição ou distorção do sentido gustativo. como bronquite.: secreção brônquica excessiva (asma. dificuldade de fechar o olho. dor atrás da orelha. Sintomas: Desaparecimento das rugas da testa. isquemia. como por exemplo: lúpus.1 Anomalias congênitas Os defeitos de desenvolvimento do pulmão incluem:  Agenesia ou hipoplasia de ambos os pulmões. dificuldade em falar.  Anomalias da traquéia e dos brônquios. são de ocorrência comum na prática clinica e patológica. 2 Fisiopatologia do Aparelho Respiratório Os pulmões são órgãos engenhosamente elaborados para o desempenho de sua função cardeal: a troca de gases entre o ar inspirado e o sangue. dessecação de córnea. 1. As infecções respiratórias primárias.45 crônica do ouvido médio. produzindo áreas do parênquima pulmonar relativamente destituído de ar. broncopneumonia e outras formas de pneumonia. contínua produção de muco nasal. Existem outras causas prováveis da paralisia de Bell além da inflamação. inchaço facial. A atelectasia adquirida pode ser dividida em: 1. comer e beber. fratura do osso temporal.  Hiperinsuflação lobar congênita (enfisema). hipersensibilidade a sons e luz. Ex.  Cistos congênitos. bronquite.1 Atelectasia Expansão incompleta dos pulmões ou colapso de partes ou de todo o pulmão. aspiração e corpo estranho).  Anomalias vasculares. de um pulmão ou de lobos isolados. . Pálpebra inferior caída. falta ou excesso de lágrimas.

queimaduras. aumento da pressão hidrostática. Ex. 1. sangue ou ar.46 2. neoplasias malignas.: derrame pleural. 4. devido à destruição do surfactante pulmonar. ruptura de aneurismas torácicos ou hemotórax. ➢ Embolia. embolia. que não respondem a oxigenoterapia. hemorragia e Infarto Pulmonares As oclusões da artéria pulmonar são quase sempre de origem embólicas. Atelectasia compressiva: o espaço pleural é preenchido por exsudato líquido tumor. pneumotórax.1 Doença Vascular Pulmonar ➢ Edema Pulmonar Hemodinâmico  Acúmulo de líquido nas regiões basais dos lobos inferiores  Os pulmões apresentam-se pesados e cheios de líquidos  O edema crônico predispõe às infecções Causas: insuficiência cardíaca congestiva. Atelectasia focal: há perda de surfactante pulmonar. Ex. . pós-operação de cirurgias ginecológicas.: síndrome de angústia respiratória do recém-nascido e na síndrome respiratória do adulto (SARA). etc. septicemia. politransfusões. Ocorrem geralmente em pacientes jovens. insuficiência cardíaca. levando à insuficiência respiratória e hipoxemia arterial grave. sem doença pulmonar prévia Causas: politraumatismo. ➢ SARA (Síndrome de Angústia Respiratória do Adulto) Há lesão primária do endotélio capilar alveolar. estenose mitral. Mais de 95% das embolias pulmonares originam-se das veias profundas dos membros inferiores Fatores de risco: Imobilidade absoluta no leito. determinando o colabamento de vários alvéolos e a formação de um revestimento interno de material protéico. grandes cirurgias. d) Atelectasia por contração: alterações fibróticas locais ou generalizadas no pulmão ou na pleura impedem a expansão total. etc. broncoaspiração. 3.

fibrose da parede bronquiolar. dificultando a expiração. A crise tem várias horas de duração e é seguida por tosse prolongada e prostração (devido a má oxigenação). exposição a agentes nocivos. devido à infecção crônica necrotizante. expectoração abundante de escarro purulento de odor fétido. uso de anticoagulantes em pacientes de risco. b) Bronquiectasia Dilatação anormal. cardiopatia esquerda. tórax em tonel (devido a uma lenta expiração forçada). febre. c) Bronquite crônica Definida como tosse persistente. embolia pulmonar recidivante. DPOC (Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas) → É o aumento da resistência ao fluxo de ar devido a uma obstrução parcial ou completa a qualquer nível do trato respiratório. Sintomas: dispnéia progressiva. Divide-se em: a) Enfisema É o aumento anormal dos espaços aéreos distalmente aos bronquíolos terminal com destruição de suas paredes (aumento dos alvéolos). permanente e irreversível dos brônquios e bronquíolos causada por destruição dos elementos elásticos e musculares de suas paredes. tosse. etc. Existe nítida associação com o tabagismo. Caracteriza-se por infiltração inflamatória. ➢ Hipertensão Pulmonar É o aumento da pressão na artéria pulmonar causada pelo aumento da resistência vascular pulmonar. estenose mitral. Fator causal: tabagismo e a poluição ambiental. uso de meias elásticas. movimentação ativa ou passiva em pernas de pacientes acamados. Há agressão bronquiolar e brônquica levando a hipersecreção de muco. infecções respiratórias. dispnéia discreta. Sintomas: tosse. Os pulmões encontram-se hiperinsuflados e com tampões mucosos espessos e pegajosos incluindo as vias aéreas. produtiva. Devido à hipertensão primária. É também uma doença incapacitante. d) Asma brônquica É o aumento da sensibilidade da árvore traqueobrônquica a diversos estímulos. por pelo menos 3 meses. É de origem alérgica e o estado de stress desencadeia a crise. levando a contração simultânea dos brônquios.47 Profilaxia: Intervenção precoce no pós-operatório e pós-parto imediatos. Divide-se em dois tipos: . dispnéia. Ocorre devido à poluição do ar. tabagismo. doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

interferência na ação fagocítica ou bactericida dos macrófagos alveolares. congestão pulmonar e edema. Os principais sintomas da pneumonia consistem em mal-estar. c) Abscesso pulmonar →O termo abscesso pulmonar descreve um processo supurativo localizado dentro do pulmão. Podem ser: a) Pneumonia viral e por micoplasma → Podem causar apenas uma infecção das vias aéreas superiores. irritantes químicos e fármacos. 1.2 Infecções Pulmonares As infecções respiratórias são mais freqüentes do que as causadas em qualquer outro órgão. devido à eficácia dos antibióticos.1 Doenças Restritivas Há menor expansão do parênquima pulmonar com diminuição da capacidade pulmonar total.: Distúrbios da parede torácica na presença de pulmões normais: doenças neuromusculares. Manifesta-se por tosse. Transmite-se por gotículas infectadas (tosse. d) Tuberculose pulmonar → Doença crônica. causada pelo Mycobacterium tuberculosis. Ex.  Intrínseca: desencadeada por infecções do trato respiratório. saliva. alcoolismo e doenças debilitantes subjacentes. ou uma infecção mais grave das vias aéreas inferiores. odores. caracterizado por necrose do tecido pulmonar. As circunstâncias que favorecem essa extensão da infecção quase sempre incluem desnutrição.48  Extrínseca: alérgica (tipo mais comum) deflagrada geralmente por pêlos. Causadas por vírus. b) Pneumonia bacteriana →É uma infecção bacteriana aguda de uma grande parte ou da totalidade de um lobo. tuberculosis  Resposta inflamatória do tipo granulomatosa . Atualmente. lesões do aparelho mucociliar. acúmulo de secreções. bactérias e fungos. cifoescoliose. febre e tosse produtiva. Ocorrem quando há falha nos mecanismos de defesa dos pulmões: perda ou diminuição do reflexo da tosse. pleurais. 1. reconhecida como resfriado comum. a pneumonia lobar clássica é rara. espirro) e produtos lácteos não fervidos. febre e quantidades copiosas de escarro sanguíneo ou purulento de odor fétido. ➢ PATOLOGIA:  Sobrevida intracelular do M.

3. ➢ SILICOSE →Inalação de partículas de sílica. b) Tuberculose de órgãos isolados Estabelecimento em um ou dois órgãos. Tuberculose Pulmonar Primária Indivíduos que nunca tiveram contato com o Bacilo de Koch Em muitos casos a infecção não progride e evolui para cicatrizações e calcificações locais 2. Fontes: minerais de ouro. tosse produtiva. medula óssea. pós-orgânicos. testículos. Pode ser por reativação de bacilos inativos nas lesões primárias. cicatrizes pulmonares. Ocasiona fibrose intersticial difusa. composto de silicato de magnésio e cálcio. estanho. redução do peso. de cobre. cerâmicas). Tuberculose Pulmonar Secundária Infecção ativa em um indivíduo anteriormente sensibilizado. retina. Embora as pneumoconioses sejam causadas pela exposição ocupacional bemdefinida a agentes aéreos específicos. ➢ ASBESTOSE → mineral filamentoso. a poluição atmosférica particulada também possui efeitos deletérios sobre a população geral.1 Pneumoconioses Doença causada pela inalação de qualquer aerossol: pós-minerais. gases e vapores. Tuberculose disseminada (Pode infectar outros órgãos) a) Tuberculose miliar Focos de infecção em vários órgãos devido à disseminação linfo-hematogênica. . inalterável ao fogo. baço. jatos de areia (pedreiras. 1. como por exemplo: Rins e supra-renais. tais como: fígado. ➢ ANTRACOSE → Provocada por inalação de pequenas partículas de carvão que ficam retidos nos pulmões.49  Necrose caseosa do granuloma (aspecto de requeijão) ➢ FORMAS CLÍNICAS: 1. sobretudo nas áreas urbanas. maiores riscos de carcinoma broncogênico. Manifestações clínicas: febre insidiosa. hemoptise. suores noturnos.

radioatividade (minérios de urânio). As principais manifestações fisiopatológicas podem ser subdivididas em: ➢ Derrames pleurais (acúmulo de exsudato. com raras exceções. poluição atmosférica.1 Tumores ✔ Carcinoma Broncogênico → o câncer de pulmão é uma das neoplasias mais insidiosas e agressivas. sangue. ✔ Carcinoma Brônquico → é uma neoplasia pulmonar que compartilham aspectos morfológicos e bioquímicos com as células do sistema neuroendócrino disperso. de sua capacidade de dar metástases e da propriedade de alguma das lesões de elaborar aminas vasoativas. ✔ Fatores de riscos: Tabagismo. ✔ Incidência igual entre ambos os sexos.50 1. asbestose.70 anos. transudato. ➢ Pneumotórax (presença de ar na cavidade pleural) ➢ Tumores pleurais (geralmente surgem de neoplasias primárias do pulmão e da mama). ✔ Incidência: entre 40 . 1. nas regiões bronquioloalveolares terminais. quilo). de pequenas células. como na pneumonia bacteriana. surgem com mais freqüência no hilo pulmonar ou ao seu redor. ✔ Tipos histológicos: Carcinoma de células escamosas. Os distúrbios primários incluem infecções bacterianas intrapleurais primárias e neoplasia primária da pleura. ✔ Não está associado ao hábito de fumar. ✔ Carcinoma Bronquioloalveolar → ocorre no parênquima pulmonar. uma complicação secundária de alguma doença subjacente.1 Pleura O comprometimento da pleura é. As manifestações clínicas derivam do seu crescimento intraluminal. etc. sendo mais freqüente nos homens. ✔ Responde por 90 a 95% dos tumores pulmonares. de grandes células e adenocarcinoma. 1 Neoplasias e agentes carcinogênicos .

A oncologia (do grego oncos = tumor) refere-se ao estudo dos tumores ou neoplasias. nos ovários no momento da ovulação. Vias de disseminação: Implantação nas cavidades corporais e superfícies – penetra nas cavidades naturais. As metástases são implantes tumorais descontínuos em relação ao tumor primário. hidrolisam as estruturas vasculares e afrouxam as . Ex: biópsia aspirada. fibras colágenas e elásticas. “aderir a qualquer parte e agarrar-se de modo obstinado”.1 Tumores benignos X malignos Tumores benignos – desenvolvem-se lentamente. favorecida pela isquemia ou hiperemia passiva local. Deriva do latim e presumivelmente refere-se ao fato de um câncer. período durante o qual o clone permanece aparentemente inativo C . 1. O termo neoplasia significa literalmente “crescimento novo”. induzida por uma determinada causa exógena ou endógena. Tumores malignos – apresentam células bem diferenciadas até indiferenciadas (anaplasias. tendem a permanecer localizados e o seu crescimento pode estacionar. grande proliferação do clone. A palavra câncer é o termo comum utilizado para referir-se a todos os tumores malignos. quando se esgota seu potencial proliferativo. 1. ou formar uma cápsula própria por estímulo sobre o estroma. que significa regredir).autonomia. Disseminação linfática – a célula apresenta receptores que se liga na parede dos capilares linfáticos. progressivamente originando subclones e invasão local.indução surge o 1º clone alterado que originarão novas células B . proporcionando-lhes a oportunidade de disseminação. cai na circulação e multiplica-se nos linfonodos.2 Invasão e Metástase Os tumores malignos são invasivos e isso dificulta sua retirada cirúrgica. tendendo a se perpetuar através das células descendentes. e esse novo crescimento é um neoplasma. mesmo cessada a causa que as originou. linfáticos e cavidades corporais.latência. Disseminação hematogênica – a célula liga seus receptores na membrana basal. por gerações teoricamente ilimitadas.51 As neoplasias se caracterizam por apresentar uma proliferação celular excessiva e autônoma. secretas proteases. A invasão dos cânceres permite sua penetração nos vasos sangüíneos. A neoplasia maligna evolui em três etapas: A . que significa caranguejo. pode invadir as vênulas e apresentar disseminação sangüínea secundária. Pode originar uma pseudocápsula.

duplicação de cromossomos. Podem ser: perda de segmentos cromossômicos. Pode ser: Gênica ou puntiforme – ocorre em nível molecular devido à perda de um gene.citotóxico.3 Biologia do Crescimento Tumoral Cinética do crescimento das células tumorais – depende da produção e da perda de células. por exemplo). caindo na corrente sangüínea. pois a hipóxia induz a apoptose da célula neoplásica pela ativação do gene denominado P53. Esse fenômeno é denominado progressão tumoral. Progressão e heterogeneidade dos tumores – após um tempo. formando um microtrombo. Pode ser: . que pode protegê-las do sistema imunológico e elas reinvadem a circulação e continuam disseminando-se ou são destruídas principalmente pelos linfócitos NK e linfócitos T.52 adjacências. de um par de bases nitrogenadas ou introdução de uma base nitrogenada errada (uracila na molécula do DNA ao invés de timina. Essas células circulantes podem ativar a coagulação sangüínea. Cromossômicas ou Aberrações cromossômicas – alteração em vários locigênicos dos cromossomos.4 Bases Genéticas do Câncer Mutação significa qualquer alteração no genoma de um organismo. Em alguns casos.5 Agentes Carcinogênicos Radiação são a emissão e propagação da energia através do espaço. 1. que geralmente são letais. os tumores tornam-se mais agressivos. 1. seus efeitos sobre a matéria viva são condicionados à absorção dessa energia. translocação ou inserção de segmentos de um cromossomo em outros. existe uma progressão ordenada de lesões pré-neoplásica para tumores benignos e por fim cânceres invasivos. Angiogênese tumoral – as células tumorais induzem uma neovascularização para receberem nutrientes e oxigênio. que se expressa por uma modificação na sua forma e na sua função e é transmissível a sua descendência. 1.

corantes comestíveis. Pode ocasionar mutações e indução de neoplasia. 1. secundariamente. repercutem sobre o comportamento do DNA. leucemia de linfócitos T e leucemia de células pilosas. Ex: tabaco. causando mutações cromossômicas. De efeito ionizante – advém de ondas eletromagnéticas. vírus da hepatite B. fumaça da queima do carvão e petróleo. Ex: herpes vírus II.6 Agentes Químicos Cancerígenos Genotóxicos – atuam sobre o DNA ocasionando mutações gênicas ou cromossômicas. causando alterações estruturais do DNA ou distúrbios bioquímicos que. Não-genotóxico – estimulam os mecanismos enzimáticos que regulam a síntese de ácidos nucléicos e a sua transcrição no RNA. raios infravermelhos e ultravioletas. favorecendo o surgimento de um clone neoplásico. codificam proteínas que atuam em nível nuclear. Atua principalmente em pessoas de pele clara. inibição da divisão celular e citólise. como Raios-X. promovem a formação de fatores de crescimento. que. que induz a formação de radicais livres e provoca reações em cadeia. causando a AIDS. Induz mutação. modificando a atividade das células com possibilidade de iniciar uma neoplasia. podendo gerar células neoplásicas. que predispõem a infecções oportunistas e menos freqüentemente a neoplasias. níquel. ciclamato. 1. então. RNA vírus oncogênicos – contém uma enzima denominada transcriptase reversa ou DNA polimerase-RNA dependente que lhe permite transcrever a informação genética do seu RNA num DNA próprio. Ex: HTLV I e II que causam respectivamente. Neoplasias Hereditárias – a transmissão pode ser autossômica (genes localizados em cromossomos não-sexuais) e ligada ao sexo (presente nos cromossomos sexuais).53 De efeito não-ionizante – luz solar. cobre. destruindo as citoestruturas até chegar ao DNA. HIV I e II que se replica nos linfócitos T e nos macrófagos. Raio-gama. . incorpora na célula hospedeira induzindo-a a replicar os vírus. inativação de enzimas. vírus Epstein-Barr.7 Agentes Virais Oncogênicos DNA vírus oncogênicos – incorpora o DNA no genoma da célula hospedeira. Ex: sacarina.

recrutando e treinando um grupo de mulheres para colaborarem nos cuidados e na higiene dos soldados feridos durante a Guerra da Criméia (1854-l856).RETROSPECTIVA HISTÓRICA E ESTRUTURA FÍSICA O cuidado de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva é uma modalidade de assistência mundialmente aceita e. de tal maneira que os mais graves ficassem próximos à área de trabalho das enfermeiras. potencialmente recuperáveis. 170/2007 do CREMESP. d) Pacientes na faixa etária de 14 a 18 anos incompletos. Weil e Planta (1992) afirmam que com o avanço dos procedimentos cirúrgicos. levou ao desenvolvimento das unidades especiais de terapia. Segundo a Resolução nº. além de equipamentos e recursos humanos especializados. a necessidade de maiores cuidados ao paciente. . assim. E a Enfermagem como surgiu dentro da assistência em Unidades de Terapia Intensiva? A Enfermagem. dispondo-os nas enfermarias. com o trabalho de Florence Nightingale. Nessa época. deve ser regulamentada adotando definições e normas técnicas e éticas para que essa assistência seja de qualidade e os profissionais trabalhem com mais responsabilidade e segurança. posteriormente. sendo o acompanhamento conduzido pelo cirurgião e. que define e regulamenta as atividades das Unidades de Terapia Intensiva do estado de São Paulo.54 2 A UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA . de acordo com o manual de rotinas do Serviço. surgiu à idéia de classificar os doentes de acordo com o grau de dependência. pelo anestesista. Inicialmente o tratamento era realizado em salas especiais. com apoio de equipe de saúde multiprofissional. que exijam assistência médica ininterrupta. nas seguintes modalidades: a) Neonatal – destinado ao atendimento de paciente com idade de 0 a 28 dias. para maior vigilância e melhor atendimento (Malta. Nishide. enquanto profissão teve início na Inglaterra. durante o período pós-operatório imediato. foi atribuído a enfermeiros e à equipe a responsabilidade direta pela observação e tratamento clínico dos pacientes de risco. adjacentes às salas de cirurgias. podem ser atendidos nos Serviços de Tratamento Intensivo Adulto ou Pediátrico. 1997). Com o passar do tempo. no século XIX. b) Pediátrico – destinado ao atendimento de pacientes com idade de 29 dias a 18 anos incompletos. também com Florence Nightingale. Os serviços de tratamento intensivo dividem-se de acordo com a faixa etária dos pacientes atendidos. c) Adulto – destinado ao atendimento de pacientes com idade acima de 14 anos. os serviços de tratamento intensivo têm por objetivo prestar atendimento a pacientes graves ou de risco.

sala recuperação pós-anestésica. fluxo de visitantes e funcionários. ➢ Manter condições de monitoramento e assistência respiratória contínua. ➢ Executar e registrar assistência médica e de enfermagem intensiva. a organização físico-funcional de internação de paciente em regime de terapia intensiva deve: ➢ Proporcionar condições de internar pacientes críticos em ambientes individuais e/ou coletivos conforme grau de risco. b) Agência transfusional/banco de sangue c) Diálise Peritoneal. ➢ Manter pacientes com morte encefálica. e na necessidade de instalações de apoio (posto de enfermagem. de imagem e terapêutico 24 horas. O Planejamento e projeto de uma UTI devem ser baseados em padrões de admissão de paciente. e) Serviço de Imagem. De acordo com Gomes (1988) uma UTI deve existir com no mínimo cinco leitos. patologia e requisitos de privacidade. ➢ Prestar assistência nutricional e distribuir alimentos aos pacientes. 1995). É necessário que a unidade esteja numa posição “privilegiada” dentro do hospital. devendo ficar perto de um elevador. Além de ser assistida por uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). dos seguintes serviços. próxima ao serviço de emergência. no mínimo. ➢ Prestar apoio diagnóstico-laboratorial. armazenamento. faixa etária. centro cirúrgico. Estabelecimentos especializados em cirurgia. A instalação com menos de cinco leitos torna-se impraticável e extremamente onerosa.55 Toda UTI deve dispor. 24 horas por dia: a) Laboratório de Análises Clínicas. parte burocrática. quando consentida. com rendimento insatisfatório em termos de atendimento. unidades intermediárias de terapia e serviço de laboratório e radiologia. nas condições de permitir a retirada de órgãos para transplantes. exigências administrativas e educacionais) e serviços que são peculiares à instituição individual em questão. com capacidade para realização de exames à beira do leito. num local com acesso controlado. d) Eletrocardiografia. Segundo normas para projetos físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS. cardiologia e em emergência devem fazer cálculo específico. em hospitais com capacidade para cem ou mais leitos. O ideal considerado do ponto de vista funcional são oito a doze leitos por .

essa situação crítica? Paciente grave/crítico é aquele que apresenta instabilidade de um ou mais de seus sistemas orgânicos. seus interesses e as atenções se limitam ao tempo presente. responde a este fato de uma forma característica. com risco de morte. entre o paciente e o posto de enfermagem. O projeto ideal é aquele que permite uma linha direta de visão. . Caso se indique maior número de leitos.1 ENTENDENDO O PACIENTE CRÍTICO Para trabalhar numa unidade de terapia intensiva é necessário entender qual tipo de paciente poderemos encontrar nela. Quais são as patologias que mais levam os pacientes a este estado? O que é. Ele se torna concentrado em si mesmo. tem todo o seu complexo sociobiológico e socioespiritual envolvido.56 unidade. Esta divisão proporciona maior eficiência de atendimento da equipe de trabalho. psicossociais e psicoespirituais). Podemos descrever resumidamente estas duas situações: ➢ Paciente Grave – paciente que apresenta instabilidade de um ou mais sistemas orgânicos. Nas duas situações visualizamos clientes em situações críticas de saúde. sua preocupação primária é o funcionamento do seu corpo. ➢ Paciente de Risco – paciente que possui alguma condição potencialmente determinante de instabilidade. devido às alterações agudas. individual. O paciente crítico internado numa UTI está numa situação de estresse onde suas necessidades básicas são afetadas. mas com possibilidade de recuperação. de fato. que ameaçam sua vida. 1. Removido para lá quase sempre por ter uma afecção primária na área biológica. Como já foi dito anteriormente o paciente para ser admitido nessa área de internação precisa ser grave ou de risco. O paciente gravemente enfermo tem uma grande dependência em relação à satisfação dessas necessidades e. A área deve ser planejada de modo que proporcione observação contínua do paciente. esta deve ser dividida em subunidades. REICHLE apud Gomes (2003) diz que muitas dessas necessidades estão afetadas no paciente de UTI. como todo ser humano que se vê dependente. Segundo Maslow (1954) as necessidades básicas são aquelas relacionadas com a sobrevivência física. psíquica e espiritual (necessidades psicobiológicas.

que não contemplam expectativa de recuperação. são aqueles em estado crítico. Por exemplo: pacientes com convulsões. por tratar-se de potencial doador de órgãos. com identificação do médico responsável. pacientes com desgaste crônicos de um ou mais sistemas. Deve haver a adequada comunicação à família. hemorragias graves. deverá estar explicitamente anotada. coma. respeitada a autonomia do paciente. Tem que estar com importante comprometimento nas suas funções vitais ou aquele que pode apresentar subitamente alterações graves nas suas funções vitais. Idade não deve ser barreira para admissão em UTI. Então. para uma qualidade de vida aceitável. Paciente deveria ser admitido em UTI. Então. devem ser feitas de comum acordo entre o médico assistente e o médico intensivista. bem como de tratamento invasivo. no prontuário do paciente. reduz disfunção orgânica. Em casos de divergência a decisão caberá ao Diretor Clínico. com letra legível. Reconhece-se que está associada com diminuição de reservas fisiológicas e com um aumento de risco de doenças coexistentes (Parecer CREMEC N° 27/99). que necessitam de cuidados específicos de enfermagem e de observação freqüente.57 1. Terá indicação para admissão em Unidade de Tratamento Intensivo. De acordo com o Parecer CREMEC N° 27/99 a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) tem sido definida como um serviço para pacientes com potenciais condições de recuperação os quais podem ser beneficiados de observação mais detalhada. os pacientes internados em UTI são selecionados analisando alguns critérios. que precisam de apoio de dois ou mais sistemas. quando da admissão e alta do paciente. . e paciente em morte encefálica. Geralmente é reservada para pacientes com insuficiência orgânica estabelecida ou em potencial. insuficiência renal aguda. antes que suas condições clínicas exibam precariedade e a sua recuperação torne-se impossível. Geralmente. Critérios podem ajudar a identificar esses riscos. Pacientes clinicamente estáveis.1 CRITÉRIOS DE ADMISSÃO E ALTA As indicações para admissão e alta da Unidade de Tratamento Intensivo. Diagnóstico precoce possibilita chances de recuperação. o tempo de internação na UTI e no hospital pode ser reduzido significativamente com repercussão direta nos custos operacionais (Parecer CREMEC N° 27/99). bem como sua justificativa. não deveriam ser admitidos. todo paciente grave ou de risco. com probabilidade de sobrevida e recuperação. A decisão de admitir um paciente para UTI deveria ser baseada no conceito de potencial benefício. que precisem de suporte ventilatório ou que apresentem insuficiência aguda de algum órgão podem ser encaminhados para terapia intensiva. Toda decisão.

Em um período relativamente curto surgiram as chamadas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) ou Centros de Tratamento Intensivo (CTIs). nome.071 de 04 de julho de 2005. tanto no âmbito hospitalar quanto do próprio sistema de saúde. Seu processo de implantação e implementação em nível nacional foi lento e substanciado de forma mais consistente pelas práticas americanas na área da atenção à saúde. anotar admissão no livro de registro. histórico do paciente. registro. locais de grande especialização e tecnologia. fazer as anotações. O atendimento ao paciente crítico deve ser oferecido dentro de condições técnicas. o paciente deixaria a unidade quando não fosse mais um doente grave ou de alto risco (GOMES. providenciar limpeza do leito. se identifica para passar mais segurança ao cliente. representavam a diferença entre a vida e a morte.58 Quanto tempo um paciente deve permanecer em um leito de Terapia Intensiva? A permanência de um doente na Unidade de Terapia Intensiva deve limitar-se ao necessário para superar a situação crítica que determinou sua admissão. testar equipamentos e arrumar o leito para o próximo paciente. eqüidade e universalidade assistencial. diz que a terapia intensiva deve se inserir no processo assistencial em conformidade com os princípios de integralidade. fornecedores de tecnologia médico-hospitalar e grupos hospitalares. em muitos momentos. Conferir o prontuário quanto ao número do leito. organizar o prontuário. equipamentos e recursos humanos adequados à prestação de assistência especializada . instalações físicas. Deste modo. identificados como espaços laborais destinados a profissionais médicos e de Enfermagem com grande diferenciação de conhecimento. 1.2 FUNÇÃO DOS ELEMENTOS DA EQUIPE A Terapia Intensiva pode ser considerada uma especialidade jovem ou recente. recompor a unidade. A Política Nacional de Atenção ao Paciente Crítico instituída na Portaria GM/MS nº 1. 2003). Na hora em que o paciente é admitido na unidade o corpo da enfermagem recebe-o de forma acolhedora. E para que isso aconteça exige a conformação de uma rede assistencial (hospitalar e extra-hospitalar) organizada que incorpore a linha de cuidado integral e a humanização assistencial. grande habilidade e destreza para a realização de procedimentos que. Quando o paciente for sair de alta deve-se anotar esta alta no livro específico com data e hora de saída e para qual unidade ele foi. A alta tecnologia e capacitação necessariamente diferenciada desta área assistencial chamaram a atenção de grupos farmacêuticos.

encaminhar altas. encaminhamento para esterilização dos equipamentos. 2003). É ainda. Cada profissional da Enfermagem tem sua função. as tarefas mais burocráticas dentro da unidade. na existência. quando então. técnicos de enfermagem. Todos os membros da equipe têm a mesma importância. sofrimento e dor. O conhecimento e a certeza de que deva existir um treinamento sistematizado. ajudando pessoas a encontrar significados na doença. É condição indispensável na organização da Unidade que toda a equipe esteja apta a cooperar no desenvolvimento das atividades. 2003). O técnico realiza os cuidados com o paciente. é preconizado como ideal para as unidades de terapia intensiva (GOMES. fazendo suas devidas anotações no prontuário e o Enfermeiro gerencia a equipe.3 A ASSISTÊNCIA HUMANIZADA AO PACIENTE CRÍTICO Para Waldow e Meyer (1998) cuidar em enfermagem consiste em envidar esforços transpessoais de um ser humano para outro. Esta equipe geralmente é formada por enfermeiros. bem como. Qualquer pessoa pode trabalhar em uma Unidade de Terapia Intensiva? As atividades de Enfermagem na UTI devem ser desempenhadas por pessoal treinado. ajudar outra pessoa a obter autoconhecimento. além de cuidar e evoluir o paciente já que ele tem respaldo para estas tarefas. pela limpeza. visando proteger. ao estresse emocional. independentemente de circunstâncias externas. Ele vai controlar o estoque. um sentido de harmonia interna é restaurada. toda atividade realizada por cada um é indispensável. não tem sido suficiente para se estabelecer meios que assegurem um bom cuidado de Enfermagem ao paciente (GOMES. 1. médicos. . fisioterapeutas e psicólogos.59 na área de terapia intensiva Para isso os profissionais devem ser sempre alvo de educação continuada como assegura a portaria anteriormente citada. O sucesso do tratamento da unidade está condicionado a um bom atendimento ao paciente pela equipe de saúde. Fazer os pedidos no almoxarifado e farmácias. promover e preservar a humanidade. montagem. O atendente de enfermagem que ainda existe em muitos hospitais. muitas vezes. num total de até trinta e seis horas semanais. por exemplo. O técnico pode realizar a função de secretário de Enfermagem. visando a uma melhor prestação de serviço. é responsável. O pessoal da Enfermagem desempenha um papel significativo nesse atendimento e a consciência disso tem levado. dentro de uma filosofia de trabalho já delineada com espírito de terapia intensiva (GOMES. 2003). nutricionistas. Um período de seis horas diárias. controle e autocura.

Henson (1997) aponta que nesta relação de respeito ao outro. aproxima-se das idéias do humanismo latino ao identificar os seres humanos pela sua capacidade de colaboração e de solidariedade para com o próximo. que se refere ao desenvolvimento de técnicas e procedimentos. zelo. o jeito de cuidar. Cuidar implica colocar-se no lugar do outro. a percepção da existência do outro. particularmente as que configuram o bem maior. a espontaneidade. diligência. que se apresenta na essência do cuidado de enfermagem. o vínculo compartilhado. assentado extremamente no cliente. a promoção e a recuperação da saúde e a própria morte. a valorização das potencialidades. a disponibilidade. Assim. geralmente em situações diversas. o envolvimento. a confiança mútua. A forma. a comunicação. a empatia. É verdade que não podemos questionar o surpreendente desenvolvimento tecnológico do mundo. a participação. conexão e compreensão. quer na social. suas escolhas. é preciso considerar o conceito de mutualidade como meio-termo ou equilíbrio entre duas posições extremas: o paternalismo e a autonomia. a observação. que se baseia em sensibilidade. O cuidado significa desvelo. o estabelecimento de limites. quer na dimensão pessoal. a presença. Os atributos da mutualidade caracterizam-se por sentimento de intimidade. solicitude. Compreender o valor do cuidado de enfermagem requer uma concepção ética que contemple a vida como um bem valioso em si. e o segundo. a intuição. e uma subjetiva. o amor. a vida. começando pela valorização da própria vida para respeitar a do outro em sua complexidade. nesta concepção de colocar-se no lugar do outro. a visão do outro como único. prestar cuidado quer na dimensão pessoal quer na social é uma virtude que integra os valores identificadores da profissão da enfermagem. o comprometimento. O cuidado de enfermagem consiste na essência da profissão e pertence a duas esferas distintas: uma objetiva. atenção e se concretiza no contexto da vida em sociedade. É um modo de estar com o outro. a autenticidade. com objetivo de satisfação de ambos intervenientes. a interação. a receptividade. Resgatar a humanidade nas UTIs talvez seja voltar a refletir. o calor humano e o sorriso. dentre estas o nascimento. Deste modo. o respeito. constitui um dos fundamentos dos humanistas. são os elementos essenciais que fazem a diferença no cuidado (FIGUEIREDO et al apud Souza. compartilhar com as demais pessoas experiências e oportunidades. o respeito ao silêncio. O primeiro centralizado na provedoria. 2005). 2005). a compreensão. a cientificidade. a sensibilidade. no que se refere a questões especiais da vida dos cidadãos e de suas relações sociais. a cooperação. sobre o que é ser humano.60 O cuidado em enfermagem. o toque delicado. criatividade e intuição para cuidar de outro ser. o 'fazer com'. inclusive a escolha da enfermagem como uma profissão (Souza et al. cada vez mais conscientemente. mas isso não necessariamente implica a leitura de .

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que as pessoas que vivem neste mundo se tornariam mais afetivas, compreensivas, sensíveis e solidárias (CINTRA, 2000). A Enfermagem é a profissão responsável, digamos assim, pelo cuidar do paciente. Esse cuidado humano tem muitos significados e interpretações, tem dimensões variadas. O que será e como se dá o cuidado ou assistência humanizada ao paciente crítico, que na maioria das vezes está sedado, em coma, inconsciente? A atenção a este paciente nestas condições precisa realmente ser humanizada? Vamos refletir! Qual é o início do cuidado?Quando surgiu? Segundo Roach (1993), o cuidado humano é uma característica humana. Desta forma, entende-se que o CUIDAR já faz parte da nossa essência, da nossa personalidade. O que precisamos, então, é aperfeiçoá-lo, principalmente, enquanto profissional da Enfermagem que lida diariamente com pessoas que necessitam muito de atenção, de assistência devido ao quadro em que se encontram à patologia que adquiriu. “O cuidado humano, referido como uma atitude ética, é entendido como uma forma de viver em que os seres humanos, tentariam harmonizar seus desejos de bem-estar próprio em relação aos seus próprios atos em função do bem-estar dos outros” (WALDOW, 2001). Assim, no cuidado humano existe um compromisso, uma responsabilidade em estar no mundo, que não é apenas para fazer aquilo que satisfaz, mas ajudar a construir uma sociedade com base em princípios morais. Isso permite construir uma história da qual se tenha orgulho (WALDOW, 2001). Com a ameaça de segurança, de doença, a cuidadora (em geral, papel atribuído à mulher) dedica-se a prover, além da atenção e do afeto, o conforto e demais atividades que possibilitem o bem-estar, a restauração do corpo e da alma, a dignidade. Mais tarde, segundo a história, auxilia no desenvolvimento de atividades, não só de conforto, mas daquelas que promovam a redução da dor e da incapacidade, em geral sob a orientação de um médico (WALDOW, 2001). O processo de cuidar é aqui definido com o desenvolvimento de ações, atitudes e comportamentos com base em conhecimento científico, experiência, intuição e pensamento crítico, realizadas para e com o cliente/paciente/ser cuidado no sentido de promover, manter e/ou recuperar sua dignidade e totalidade humana. Essa dignidade e totalidade englobam o sentido de integridade e plenitude física, social, emocional, espiritual intelectual nas fases do viver e do morrer e constitui, em última análise, um processo de transformação de ambos, cuidador e ser humano (WALDOW, 2001).

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CARPER apud Waldow, 2001 destaca a desumanização nos serviços de prestação à saúde e a resultante dessa personalização dos clientes/pacientes. Para ela, a consideração à pessoa como um todo e a consideração e sensibilidade à integridade do self é, basicamente, por assim dizer, uma ordem ética. O cuidar, como um valor profissional e pessoal, é de central importância em prover padrões normativos os quais governam as ações e atitudes em relação aqueles a quem se cuida.

1.4 ÉTICA E BIOÉTICA EM TERAPIA INTENSIVA
Ética é o conjunto de princípios morais que regem os direitos e deveres de um indivíduo ou de uma organização. A Bioética é uma ética aplicada na área da Ciência da vida e da ciência gera muitos conflitos na prática, os profissionais precisam estar norteados por um pensamento ético para que a sua ação seja um ato que não fira a integridade do cidadão que receberá a assistência. Para trabalhar na área de saúde prestando assistência às pessoas que necessitam tanto desse cuidado, que estão vulneráveis e muitas vezes em risco iminente de morte não é necessário apenas ter conhecimento científico, biológico. É muito importante e necessário conhecer os valores humanos. Quem nunca passou por uma situação no campo de trabalho em que se questionou se aquele procedimento, aquela ação que estava fazendo estava correto, se era ético? Nas unidades de terapia intensiva diariamente deparamos com pessoas no fim da vida. E nesses momentos podemos refletir sobre: ➢ Qualidade de vida ➢ Dignidade no processo de morrer ➢ Autonomia nas escolhas em relação à própria vida nos seus momentos finais. Para refletir: O que é ético deixar um paciente com quadro, segundo os conhecimentos médicos, irreversível, irrecuperável num leito de UTI ou considerá-lo fora de possibilidade terapêutica e diminuir os fármacos, tirar a ventilação para que outras pessoas possíveis de recuperação ocupem esse leito? E se fosse um parente seu? O avanço da tecnologia médica favoreceu a cura de doenças e o prolongamento da vida, porém, levada ao exagero, pode fazer com que o sofrimento seja prolongado.

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Esta atitude de tentar preservar a vida a todo custo é responsável por um dos maiores temores do ser humano na atualidade, que é o de ter a sua vida mantida à custa de muito sofrimento, solitário numa UTI, ou quarto de hospital, tendo por companhia apenas tubos e máquinas (KOVÁCS,2003). E nos casos de aborto? Uma mulher que foi estuprada pode recorrer à justiça e requerer o aborto. E aquele feto não tem direito à vida? Qual é a atitude correta? O que é ético? O cuidado se manifesta na preservação do potencial saudável dos cidadãos e depende de uma concepção ética que contemple a vida como um bem valioso em si. Por ser um conceito de amplo espectro, pode incorporar diversos significados. Ora quer dizer solidarizar-se, evocando relacionamentos compartilhados entre cidadãos em comunidades, ora, dependendo das circunstâncias e da doutrina adotada, transmite uma noção de obrigação, dever e compromisso social (Souza et al, 2005).

1.1 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI
Equipamentos de Proteção Individual ou EPIs são quaisquer meios ou dispositivos que podem ser utilizados por um profissional contra possíveis riscos ameaçadores da sua saúde ou segurança durante o exercício de uma determinada atividade. Os materiais como laminas de barbear, agulhas ampolas de vidro, pontas diamantadas, laminas de bisturi, lancetas, espátulas e outros similares devem ser desprezados em recipientes especiais como as caixas de perfurocortantes, pois apresentam elevados riscos de acidentes e contaminação. A caixa deve ser preenchida até 2/3 da sua capacidade.

1.2 TÉCNICAS DE PROFILAXIA DE INFECÇÕES
Segundo Lima (2006) o papel do enfermeiro, do técnico e do auxiliar de enfermagem é relevante no sentido de aprimorar a execução da assistência de Enfermagem. Os procedimentos realizados devem ser livres de risco tanto para os profissionais, quanto para os clientes, acompanhantes, comunidade e meio ambiente. O combate a infecção hospitalar (IH) é uma tarefa complexa e merece atenção de todos os integrantes da equipe de saúde e de nossos governantes. A expressão “infecção hospitalar” é empregada para designar infecção adquirida, após a admissão do paciente no hospital, e que se manifesta durante a internação ou após a alta, se puder ser relacionada com a hospitalização (PEREIRA, 1994).

➢ Participar de treinamento/reciclagem sobre procedimentos de risco e prevenção de IH. visitas. são “alvo” de técnicas terapêuticas invasivas. Recomenda-se: ➢ Usar luvas quando administrar fármacos. ventilação mecânica e outros procedimentos. máscaras e avental. máscara. deficiência imunológica e. endotraqueal. cateterismo vesical. Ao dar banho no paciente sempre utilizar luvas. Numa UTI onde os pacientes estão internados com queimaduras. ao manuseio de produtos químicos. muitas pessoas circulantes. UTI e outras unidades mais especializadas. Devem-se tomar algumas precauções. Ao realizar uma aspiração seja ela nasotraqueal. ainda. ➢ Ter especial atenção com manuseio de material descartável e esterilizado. possui um grande número de agentes infecciosos e micróbios. Segundo Pereira (1994) algumas medidas podem ser tomadas por eles. Tais como: ➢ Participar das reuniões da CCIH para tomar conhecimento e colocar em prática as normas e rotinas que foram padronizadas na unidade visando à proteção do paciente e a sua. . ➢ Usar máscara e óculos se houver a possibilidade de respingo no rosto. de material esterilizado/contaminado. oral ou nasal o uso de luvas é obrigatório. ➢ Dar atenção especial aos equipamentos de proteção individual e coletiva. traumas. mudança de decúbito. ao emprego de técnicas assépticas. tratamento por radiação. Um quadro propício para instalação de infecção nosocomial se a equipe não realizar os procedimentos com segurança e competência. ➢ Conhecer e colocar em prática as normas para desinfecção do centro cirúrgico. Se for aspiração endotraqueal a luva tem que ser estéril. Quando for arrumar o leito do paciente sempre utilizar EPIs como luvas. traqueostomia. ➢ Avental para não se sujar nem contaminar o medicamento. óculos.64 O técnico e o auxiliar de enfermagem como integrantes da equipe de enfermagem devem ter consciência de sua atuação no processo de prevenção da infecção hospital. O ambiente hospitalar é contaminado por si próprio. ➢ Adquirir o hábito de lavar as mãos. de lixo hospitalar e de rouparia. muitos equipamentos de uso comum que são verdadeiros veículos de infecção. ➢ Auxiliar no controle de fluxo de pacientes. avental. feridas abertas. cirurgias em geral. entubação.

➢ Infecção por Staphylococcus aureus: 1 TÉCNICA DE COLETA DE MATERIAL PARA EXAMES LABORATORIAIS 1. ➢ Nas infusões endovenosas contaminadas geralmente encontramos Enterobacter. Reunir o material e levar para próximo do paciente 3. Orientar desprezar primeiro jato de urina e colher o restante (10 a 20 mL). ➢ Em cateter central: Staphylococcus aureus. . Anotar e identificar o paciente no recipiente que deverá ser enviado ao laboratório. bacilos gramnegativo e aeróbicos como Klebsiella sp e Pseudomonas.1 Urina I MATERIAL:  Cuba rim  Recipiente para coleta  Saco plástico  Luvas Passos: 1. Enterobacter. Calçar luvas 6. SNG. Klebsiella. Enterococcus. cateteres. Segundo Santos (2003) os agentes infecciosos mais encontrados em ambiente hospitalar e que são causadores de infecção são: ➢ Em cateter periférico: Staphylococcus aureus.65 Quando manusear SVD. Pseudomonas e Cândida. Cândida sp. Solicitar que o paciente faça a higiene íntima com água e sabão (se tiver em condições) 5. curativos sempre se proteger utilizando EPIs. fizer coleta de materiais para exame. Lavar as mãos 2. Lavar mãos 9. 10. Tirar luvas 8. Passar urina para o recipiente 7. ➢ Cateter de longa permanência: Staphylococcus aureus. Explicar procedimento e finalidade 4.

Coleta de urina . porém sua confiabilidade depende da coleta adequada de urina (o trato urinário é estéril. depois de retirado o excesso. Se não tiver oferecer água. Se o paciente estiver acordado e consciente perguntar se está com vontade de urinar. podendo ocorrer resultados duvidosos por contaminação da amostra). o material colhido deve ser enviado imediatamente para semeadura. Colocar comadre . Lavar as mãos 2. Deve-se realizar uma rigorosa assepsia com água e sabão. Explicar o procedimento ao paciente 3.jato médio para urocultura. Ao fazer a coleta de urina deve-se prestar bastante cuidado para não contaminar a amostra. Com a proximidade do ânus da uretra a possibilidade de infecção urinária é maior. Colocá-lo em posição ginecológica 7. Calçar luva 8. 4. Material: • Recipiente esterilizado • Luva • Sabão e água • Cuba rim • Pinça • Cuba redonda com gazes • Saco plástico • Comadre • Papel toalha • Biombo Passos: 1. Isolar o paciente com biombo 6. Colocar o material próximo ao leito 5. Abrir o pacote de material 9.66 1.1 Urocultura A urocultura é o exame de escolha para a confirmação da Infecção do trato urinário. e. com exceção da uretra anterior.

Limpar genitais com água e sabão 11. 3. através de experiências pessoais ou de informações prestadas por outros profissionais. . Fazer a coleta no local indicado que fica na sonda depois deste ter sido desinfectado com PVPI tópico ou álcool a 70%. Atenção: Jamais desconectar a bolsa de drenagem. venipunção ou flebotomia. O sangue é considerado como um sistema complexo e relativamente constante.67 10. venóclise. Pedir para o paciente urinar 12. 3. pois o que está em uso já se encontrará contaminado. Os técnicos da área de coleta de sangue sabem que as chamadas "veias difíceis" não constituirão problema. Tirar a luva 14. Fechar a SVD 2. o procedimento é conhecido como punção venosa. Se o paciente estiver com SVD deve-se: 1.1 COLETA DE SANGUE O conhecimento prático sobre coleta e as reações que poderão ocorrer durante este procedimento são adquiridos. Depois de colocado novo dispositivo colher a primeira urina do sistema. Utilizar campo e material estéril. Para obtê-lo. do cateter! Se o paciente estiver com dispositivo urinário deve-se: 1. geralmente. Lavar as mãos. constituído de: ➢ Elementos sólidos (células sangüíneas) ➢ Substância líquida (soro ou plasma) ➢ Elementos gasosos (O e CO). desde que profissionais com experiência prática forneçam orientações e detalhes sobre o procedimento mais adequado. Colher de 5 a 10 mL 13. Trocar todo o sistema. Realizar o asseio perineal 2. 1. O hemograma que serve para avaliar as células sanguíneas do paciente.

Lavar as mãos. Acondicionar o tubo de coleta em grade própria. Retirar a agulha do local puncionado. 8. selecionando a mais adequada. 5. aguardando o tempo de secagem. 1. logo após o início da introdução do sangue no 1º tubo. 7. 2. 4. óculos de proteção e/ou avental). Receber os frascos de exames. 9. 10. 11. ou agulha 30 x 7 • Seringa 10 ml • Garrote • 2 bolas de algodão • Álcool 70 % • Tubos para coleta Passos: 1. com auxílio de algodão. Verificar as condições de acesso venoso. exercendo pressão sobre o local. Realizar anti-sepsia. 3. certificando o nome correto do paciente. friccionando com movimento único de baixo para cima. Garrotear próximo ao local selecionado.68 MATERIAL: • 1 par de luvas de procedimento • Scalp 21 ou 23. com algodão e álcool 70%. Manter todo material de procedimento próximo ao leito. sem dobrar o braço do paciente. Certificar-se que o paciente encontra-se em jejum. 12. Realizar a punção venosa. Paramentar-se com equipamento de proteção individual (EPI) adequado (luva de procedimento. Explicar o procedimento ao paciente. quando necessário para o exame solicitado. se for o caso. 6. com o bisel da agulha voltado para cima. 10 ml de PVPI tópico ou degermante . continuar a coleta com os demais tubos. Retirar o garrote. 13. Realizar inversões delicadas (mínimo 8). nos tubos com anticoagulante (EDTA).1 Hemocultura MATERIAL: 1.

. Geralmente. 1. 1 garrote 6. anal. Cultura de lesão purulenta de lesão ulcerada de pele: o paciente não deverá estar em uso de qualquer medicação tópica. ♦ Cultura de secreção uretral. e não deverá lavar os olhos antes da coleta de secreção ocular. 1 frasco de hemocultura Passos: A técnica é igual à de coleta de sangue I. o que possibilita a detecção de uma hipoglicemia ou de uma hiperglicemia. uretral. O importante é que o profissional que for fazer a coleta tem que manter a técnica asséptica. 1. de abscesso.69 2. Bolas de algodão 4. Seringa de 10 ml 7. livre de contaminação para que esta não interfira nos resultados. colhe-se 5 ml para adulto e 1 a 2 ml para crianças. Apenas deverá ser feito uma anti-sepsia mais rigorosa com PVPI ou álcool já que é uma hemocultura e a técnica deve ser livre de contaminação. 1 agulha 30 x 7 ou 30 x 6 scalp 21 ou 23 8. Se o paciente for alérgico a PVPI usar álcool a 70% 3. É uma avaliação da glicemia direta onde se faz um teste de ponta de dedo. Desse modo cada tipo de secreção tem uma técnica.2 Glicemia Capilar O teste de glicemia serve para avaliar os níveis glicêmicos do paciente. Atenção! ♦ Cultura de secreção ocular. orofaringe e ouvido: o paciente não deverá alimentarse e nem utilizar anti-séptico bucal antes da coleta de secreção de orofaringe. vaginal e endocervical. 1 par de luvas de procedimento 5. é possível saber no momento o valor da taxa de açúcar no sangue. do ouvido. vaginal.3 Cultura de Secreção Podemos fazer a coleta de vários tipos de secreção: traqueal.

Os resultados também podem estar alterados nos traumatismos.35 a 7. perto do punho. mas devem-se tomar alguns cuidados especiais como: ➢ Para localizar a artéria deve-se primeiro sentir o pulso ➢ Como é uma artéria há uma maior facilidade para formação de hematomas e sangramentos então depois de puncionada a artéria deve sofrer compressão para evitar esses problemas. respiratórias ou metabólicas. É um meio de avaliar se a ventilação a que o paciente está sendo submetido está proporcionando uma boa oxigenação. Também serve para monitorar a acidez do sangue.45 ♦ Saturação de oxigênio (SaO2) . A EQUIPE QUE DEVE TOMAR ESSES CUIDADOS.de 22 a 26 mEq/litro Atenção! ➢ mEq/litro = miliequivalentes por litro.de 7. Os resultados anormais podem indicar doenças renais.de 35 a 45 mm Hg ♦ pH . A punção é feita pelo médico ou enfermeiro ou técnico supervisionado e treinado e é igual a uma punção venosa.de 75 a 100 mm Hg ♦ Pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2) . LEMBRANDO QUE A MAIORIA DOS PACIENTES INTERNADOS EM UTI ESTÁ COMATOSA.1 Gasometria Arterial A gasometria arterial é um exame feito com a punção artéria radial. ➢ mm Hg = milímetro de mercúrio. mas também poderá ser coletada pela artéria braquial ou femoral. ENTÃO. Através das amostras de sangue coletadas nestes sítios artérias pode-se medir a concentração de oxigênio e gás carbônico. Valores de referência: ♦ Pressão parcial de oxigênio (PaO2) . 1 CARRO DE EMERGÊNCIA . 1.de 94% a 100% ♦ Bicarbonato .70 ♦ A fresco – secreções uretral e vaginal: o paciente não deverá estar em uso de qualquer medicação tópica. particularmente em lesões cefálicas ou cervicais que possam afetar a respiração.(HCO3) .

durante uma parada cardíaca. Agulha. Oferece um suporte firme sob as costas do paciente e é importante para evitar perda de força de compressão. fio guia e laringoscópio (peça achatada de metal que levanta a língua para que o tubo possa ser colocado na traquéia). por conta do afundamento do colchão. amiodarona. gorros e óculos de proteção. ➢ Material de Proteção: Luva. A quantidade de drogas e equipamentos deve ser estipulada conforme necessidade da área e rotina institucional. algumas drogas potentes são necessárias para fazer com que o coração recomece a bater ou volte para um ritmo mais estável. Seringa. Médicos e enfermeiros devem estar preparados para atender. lidocaína. ➢ Cateteres das veias centrais ➢ Drogas cardíacas . de forma sistematizada e padronizada. contudo na maioria dos hospitais cabe ao Enfermeiro a responsabilidade da conferência e . ➢ Equipamento de intubação endotraqueal . Então. uma situação de emergência. O objetivo é dar choques no coração para que ele volte ao normal. ➢ Água Destilada. e todo o material necessário para esse momento deve estar disponível de forma imediata.Tubos de vários tamanhos. ➢ Sonda de Aspiração Traqueal e Sonda Nasogástrica ➢ Cateter Intravascular Periférico (Jelco 12 á 24) ➢ Equipo de Soro. Para que isso ocorra. Máscaras. O carro deve ser composto por: ➢ Desfibrilador . Sulfato de epinefrina (adrenalina). Existe uma controvérsia de quem é a responsabilidade da conferência do carro de parada. É também chamado de carro de parada por ser mais utilizado em pacientes que desenvolveram ou estão na iminência de ter uma parada cardiorrespiratória (PCR). ➢ A intubação endotraqueal é o procedimento que consiste em colocar um tubo na traquéia quando a pessoa pára de respirar ou não está respirando adequadamente. quando o tórax é comprimido. ➢ Tábua de parada (prancha de cama) – é uma tábua que se estende dos ombros até a cintura do paciente e por toda a largura da cama. procainamida. sulfato de magnésio. ele deve estar com materiais que deverão ser usados para dar assistência a este paciente em situação crítica. sulfato de atropina.71 É um carro para transporte de medicamentos e equipamentos de emergência.aparelho elétrico com dois eletrodos que são colocados sobre o peito e que descarrega eletricidade no coração quando o paciente está com batimento cardíaco alterado. Soro Fisiológico e glicosado. o treinamento da equipe é fundamental. vasopressina e outras. bicarbonato de sódio.

Insulinas. Dentre eles estão os medicamentos vasoativos. 1 CARACTERÍSTICAS E EFEITOS DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS UTILIZADOS EM UTI A administração de medicamentos é um dos procedimentos de Enfermagem mais complexo e que exige do profissional: ➢ Conhecimentos sobre Farmacologia ➢ Conhecimentos sobre Matemática ➢ Habilidades técnicas e conhecimentos científicos para reconhecer as respostas que estes medicamentos podem causar no paciente. a sua diluição e dosagens precisam ser calculadas com bastante cuidado e a administração deve ser feita por bomba de infusão por uma via venosa central. anticoagulantes. ➢ VASOPRESSORES . O acesso central se faz necessário pelo fato de que o extravasamento destes medicamentos pode lesar a pele. citostáticos. débito urinário. Além de avaliar pressão venosa central (PVC). Estes fármacos possuem algumas características específicas como:  Início rápido de ação  Curta duração  Uso exclusivo venoso  Podem causar taquicardia. existe um grupo de medicamentos “básicos”. que são sempre utilizados na unidade. sangue e hemoderivados. ➢ VASOATIVOS Os medicamentos desta classe modificam o calibre dos vasos e. hipotensão. aquecimento. perfusão das extremidades. É necessário que o técnico de Enfermagem conheça-os. Na unidade de terapia intensiva alguns medicamentos são mais utilizados. vasodilatadores. por isso. esta responsabilidade deve ser protocolada de modo que toda equipe tenha acesso a sua conferência. Este acesso central deve ser usado exclusivamente para as drogas vasoativas. A equipe de Enfermagem deve prestar vigilância constante da freqüência cardíaca (FC) e pressão arterial (PA).72 reposição do carro. arritmias de forma acentuada e rápida.

Neste medicamento deve ser observada a presença de formação de precipitado ou mudança na coloração. MILRINONE e AMRINONE. choque cardiogênico. ♦ Adrenalina Também conhecida como EPINEFRINA. pós-operatório de cirurgia cardíaca podem utilizar esses fármacos. A adrenalina inibe a ação da insulina! ♦ Noradrenalina Também conhecida como LEVOPHED ou NORAEPINEFRINA. NORADRENALINA E ADRENALINA são representantes dessa classe de fármacos. ➢ INOTRÓPICOS Pacientes com insuficiência cardíaca grave. Os representantes desta classe são: DOBUTAMINA. Apresenta-se em ampolas de 1 mL em concentração de 1 mg. Os cuidados da enfermagem ao paciente que faz uso destes medicamentos incluem: .73 As medicações DOPAMINA. em bollus. Apresenta-se em ampolas de 10 mL em concentração de 50 mg. Sua ação é aumentar a pressão sanguínea. pois se a droga extravasar pode causar necrose ou escarificação no local da infiltração. por isso é usado em casos de:  Hipotensão arterial severa  Pós-operatório de cirurgia cardíaca  Choque séptico  Choque cardiogênico Sempre que estes medicamentos forem utilizados no paciente a Enfermagem deve:  Monitorar PA e nível de consciência  Comunicar agitação ou confusão mental  Controlar diurese  Observar arritmias ou taquicardia fazendo ECG  Observar permeabilidade do cateter. ficando castanha ou rosada deve ser desprezada. ♦ Dopamina Também conhecida como REVIVAN. Apresenta-se em ampolas de 4 mL em concentração de 1000ug/ ml. Deve ser administrada em via endovenosa. pois eles agem sobre a energia de contração das fibras musculares.

por exemplo. por via intramuscular. a Enfermagem deve: ✔ Estar atenta a alterações bruscas de PA ✔ Caso haja cefaléia persistente administrar analgésico já prescrito ✔ Efeitos colaterais como hipotensão. ♦ Dobutamina A dobutamina é uma droga que apresenta poucos efeitos sobre a FC. a Enfermagem deve ficar atenta aos sinais que indicam a presença ou início desses efeitos.  HEPARINA É um anticoagulante usado em pacientes que se encontram sob risco de formação de coágulos. A solução injetável de heparina pode ser administrada por injeção ou infusão endovenosa ou. Além disso. Nitroprussiato de sódio (nps): É um medicamento fotossensível e que deve. contendo 5. especialmente das arteríolas. hipotensão. isquemia do miocárdio. Os cuidados com a PA devem ser rigorosos. ➢ VASODILATADORES São medicamentos que produzem dilatação dos vasos. palpitação. PVC.74  Monitorar PA. confusão mental e até convulsões podem acontecer. ainda. Os principais são a Nitroglicerina (NTG) e o Nitroprussiato (NPS). vômitos. Apresenta-se como uma solução aquosa estéril. ser protegido da luz. Nitroglicerina (ntg). . não agindo sobre a resistência vascular e periférica. ECG. É utilizada para melhorar o desempenho cardíaco. Observar a presença de cianose. FC.25 ml). cefaléia intensa.000 UI de heparina sódica (por 1 ml e por 0. choque cardiogênico e insuficiência cardíaca congestiva (ICC).: Os efeitos colaterais mais comuns são: náuseas. então. Então. em pacientes com.  Controlar diurese  Vigiar velocidade da infusão  Observar presença de flebite na inserção do cateter  Observar sinais de reações alérgicas. aumenta a contratilidade miocárdica e o índice cardíaco.

É preciso tomar alguns cuidados com os pacientes que fazem uso deste medicamento porque podem surgir algumas alterações como: ✔ Ração local ✔ Reações hipoglicêmicas ✔ Lipodistrofia ✔ E até mesmo resistência ao medicamento Locais de aplicação: É necessário fazer rodízio dos locais de aplicação da insulina para que as reações locais como vermelhidão. Geralmente é usada em casos de: ✔ Trombose ou ameaça de trombose ✔ Embolia ✔ Prevenção das tromboses pós-operatórias ✔ Infarto do miocárdio ✔ Heparinização do sangue em caso de necessidade de circulação extracorpórea e de rim artificial ✔ Profilaxia e tratamento da hiperlipidemia. com início de efeito.75 A equipe de enfermagem deve observar possíveis sangramentos. bem assim como em hematomas que se formam em pontos de pressão. Existem vários tipos de insulina. O quadro abaixo mostra os quatro tipos de insulinas. Existem alguns tipos de insulina e a escolha vai depender da terapêutica que o paciente necessita. além do pico de funcionamento (quando vão estar em atividade máxima no organismo) e a sua duração no organismo do paciente. É preciso tomar cuidado com as hemorragias provenientes de feridas operatórias ou com as que se produzem nos pontos de injeção. formação de nódulos e dor não seja uma constante na terapêutica com insulina. A seleção da mais apropriada ou combinação de diversos tipos dependem da resposta individual ao fármaco.ufpe. para que assim possa ser utilizada como fonte de energia. ➢ INSULINA (SUBCUTÂNEA E ENDOVENOSA) A insulina é um hormônio produzido pelas células beta do pâncreas. o início de ação de cada uma. das condições do diabete e dos hábitos do paciente (http://www.br/ufhc/insulina. A insulinoterapia por via endovenosa é realizada com bomba de . Ela é considerada uma droga que promove a entrada da glicose nas células.htm). período de concentração máxima e duração do efeito que variam conforme o tipo de insulina.

Os pacientes críticos muitas vezes estão dentro dessa situação e precisam receber sangue ou hemoderivados. para restaurar o volume sangüíneo do organismo. obtida através do plasma fresco congelado. ✔ Lavar as mãos. É preciso seguir a risca a dosagem porque há um grande risco de desenvolver uma hipoglicemia grave. As transfusões são realizadas para aumentar a capacidade do sangue de transportar oxigênio. hemorragias. Os hemocomponentes são: ✔ Concentrado de hemácias: ○ Indicação: Hemorragias. ✔ Calçar as luvas. . para melhorar a imunidade ou para corrigir distúrbios de coagulação. doença de Von Willebrand. Como a equipe de Enfermagem deve proceder durante a hemotransfusão? Quais são os cuidados necessários? Quando o técnico receber a bolsa de hemocomponente para ser transfudida deve sempre conferir o tipo de sangue da bolsa com o tipo de sangue do paciente que irá recebê-la.76 infusão nos pacientes em terapia intensiva. Conferir o nome do paciente na bolsa e no prontuário e se é aquele hemoderivado que está mesmo prescrito para o paciente. procedimentos cirúrgicos e disfunção plaquetária. deficiência de fatores de coagulação. ○ Indicação: Deficiências de fibrinogênio. leucemias. Verificar os sinais vitais. ✔ Crioprecipitado (É a fração do plasma insolúvel em frio. ✔ Concentrado de plaquetas ○ Indicação: Doenças neoplásicas.  SANGUE E HEMODERIVADOS Inicialmente precisamos entender o que é a hemotransfusão? É a transferência de sangue ou de um hemocomponente (componente do sangue) de um indivíduo (doador) a outro (receptor).). onde não estão disponíveis ou indicados os fatores liofilizados. doenças hepáticas. anemias. ✔ Plasma fresco congelado ○ Indicação: Reposição de fatores de coagulação.

mas podem causar dependência. ✔ Registrar todas as intercorrências. retirar a etiqueta da bolsa e afixá-la no prontuário. ➢ SEDATIVOS São medicamentos que ao produzir um efeito calmante reduzem a ansiedade. 1 ANOTAÇÕES DE ENFERMAGEM São anotações ou registros realizados pelos integrantes da equipe de enfermagem contendo todas as informações do paciente. ✔ Em caso de redução do fluxo. prescrições . ✔ Neste caso utiliza-se o melhor acesso periférico que ele tiver. Os opióides ou narcóticos são mais potentes. validade e liberação. ➢ ANALGÉSICOS OPIÓIDES E NÃO OPIÓIDES A sua principal função é diminuir a dor. aspecto.77 ✔ Selecionar a veia observando que a região a ser puncionada deve estar livre de lesões cutâneas. ✔ Atenção: O tempo de infusão de uma bolsa não deve exceder às 4h. observações feitas sobre o seu estado de saúde. Os nãonarcóticos são a dipirona. ✔ Fazer a rechecagem de todos os dados. Os mais conhecidos são:  DIAZEPAN (VALIUM) e MIDAZOLAM (DORMONID). O paciente de UTI já possui vários acessos venosos. ✔ Observar as condições do produto relativas à estocagem. AAS e paracetamol. ✔ Estar atento a sinais e alarmes dos equipamentos. reposicionar agulha e observar o sistema para detectar coágulos. ✔ Observar o cliente durante todo o procedimento a fim de detectar sinais e sintomas de reações adversas. Quase não interferem na função mental e motora. ✔ Após o término do processo.

de modo geral.78 de enfermagem e sua implantação.  Contribuem para identificação e resolução de problemas do paciente  Oferecem dados para o setor de contabilidade e de estatística  Em circunstâncias ético-legais as anotações oferecem respaldo a quem executa o procedimento. para a elaboração de cuidados de Enfermagem individualizados a cada paciente. Quanto mais consciência o funcionário tiver sobre a finalidade dos registros de Enfermagem. efetivamente. 2006). Qual a importância das anotações de Enfermagem? Lima (2006) coloca que existem muitos motivos que a fazem importantes tais como:  Oferecem dados para as pesquisas na área de saúde  Revelam como o paciente está evoluindo em seu tratamento  Fornecem informações para outros profissionais de saúde que também tratam do paciente. mais ele a fará com riqueza de conteúdo. e não satisfazem os requisitos necessários para sua padronização. Acreditase que essas falhas ocorram devido à falta de conscientização de seu valor pelo pessoal de enfermagem.  Venóclise e dispositivo de infusão (local e colocar se é periférico ou central) . precisa. de acordo com o serviço que oferece. Cada instituição deve adotar um padrão específico de anotação de enfermagem. Devem ser escritas de maneira clara. completa. De acordo com Erdmann e Lentz (2006) no dia-a-dia verifica-se que as anotações de Enfermagem. entre eles a execução das prescrições médicas. Mas em geral os profissionais devem observar os seguintes aspectos no paciente:  Nível de consciência (sonolento e/ou confuso). psicológico e espiritual (LIMA. não são completas em relação ao cuidado integral que o paciente necessita e recebe. é um meio de comunicação. da evolução de enfermagem e de outros cuidados.  Cateteres e sondas (local aspecto da secreção. normal e baixa)  Anotar valores dos sinais vitais  Mantendo jejum (colocar motivo)  Dieta (tipo e se aceitou)  Sono ou repouso  Incisão cirúrgica (local e aspecto). Cada anotação deve vir acompanhada da assinatura e do número do registro do COREN e do profissional que a realizou. abordando aspectos biológicos. drenagem).  Locomoção (acamado e deambulando)  PA (elevada. colaborando assim.

O espectro do cuidado de Enfermagem cobre uma ampla gama de atividades durante esse período. cardiovascular e renal. nem escrever a lápis. A equipe deve ter sempre a noção de que tudo que é feito e acontece com paciente deve ser anotado no prontuário. o foco inclui a manutenção da via aérea do paciente. 2005). aliviar a dor e o desconforto tão comuns neste período. não se deve usar corretivo. Depois. aspecto e/ou quantidade). Ao avaliar o cliente a equipe de enfermagem deve incluir a observação das condições dos sistemas neurológico. Na fase pós-operatória imediata. ferida cirúrgica e posicionamento. É importante lembrar que as cores de caneta que podem ser utilizadas para escrever no prontuário são preta/azul para horário diurno e vermelho para noite. legível. as atividades de Enfermagem focalizam a promoção da recuperação do paciente e iniciação do ensino. pois o prontuário é um documento que é guardado por muitos anos e lhe assegura os procedimentos que fez em caso de auditoria. horário. presente. As anotações do prontuário devem seguir uma padronização e ele deve ser legível e sem rasuras. E deve ser escrito de modo científico. . avaliação dos efeitos dos agentes anestésicos.79  Eliminações urinárias e fecais (ausente. respiratório. dos cuidados de acompanhamento e referências essenciais para recuperação e reabilitação depois da alta (BRUNNER. Se a medicação não for feita circular o horário e anotar no prontuário o motivo da não realização da mesma. além de. 1 ASSISTÊNCIA AO PACIENTE EM PÓS-OPERATÓRIO: PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES E INTERVENÇÕES O pós-operatório é um período de grande instabilidade e o paciente encontra-se num nível de estresse fisiológico bastante elevado. Erros como da figura acima não devem ocorrer. nem deixar folhas em branco.  Queixas (náuseas e/ou dor). dos acessos venosos. drenos. Desse modo a equipe deve trabalhar para estabilizar o paciente e evitar que as complicações do pós-operatório se instalem. suporte nutricional e de eliminações. avaliação do paciente para complicações e fornecimento do conforto e alívio para dor. Quando for checar um medicamento feito no paciente deve-se rubricar em cima do horário.

5. estado cardiovascular. Segundo Machado (2004) ao ser admitido na unidade de tratamento intensivo a cada 4-12 horas deve ser realizada uma avaliação sistemática completa. 3. presença de ruídos respiratórios. Função renal: débito urinário.80 Segundo Brunner (2005) alguns fatores influenciam a saúde do paciente no pós-operatório. presença de edemas. função imune. O cuidado deve ser intenso porque em geral ele vem da sala de cirurgia ainda sob efeito da anestesia geral e em um quadro bastante instável. Tais como: estado nutricional e hídrico. pressão arterial (PA). coloração. temperatura. Estado respiratório. Estado cardíaco: freqüência cardíaca (FC). Estado vascular periférico: pulso. Em geral são procedimentos muitos delicados e que tem um grande risco de complicações por isso a equipe deve estar treinada para prestar uma assistência específica e de qualidade. pressão venosa central (PVC). 6. função endócrina. funções hepática e renal. freqüência respiratória. comparando com estado pré-operatório e observando as alterações desde o início da cirurgia. 2 PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA CARDÍACA Muitos leitos de UTI são destinados aos pacientes que passaram por uma cirurgia cardíaca. 7. saturação de oxigênio. coloração cutânea. Dor As complicações mais freqüentes no pós-operatório de cirurgia cardíaca são: ♦ Complicação da função cardíaca pela diminuição do débito cardíaco devido a perdas sanguíneas ♦ Alteração do volume líquido e do equilíbrio eletrolítico devido à alteração do volume sanguíneo circulante ♦ Dor ♦ Embolia . eliminação de todas as drenagens. uso prévio de medicamentos. que determinará a evolução do paciente no pós-operatório. Estado hidroeletrolítico: ingestão. 4. Deve-se então avaliar os seguintes parâmetros: 1. Nível de consciência 2. estado respiratório. uso de droga ou álcool. fatores psicossociais.

Deve ser fechado. bexiga. 1 PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA UROLÓGICA A cirurgia urológica envolve procedimentos realizados nos rins. ♦ Prostatectomia: é a remoção cirúrgica da glândula e sua cápsula. ureteres. ♦ Ureterostomia cutânea: desvio da corrente urinária pela anastomose dos ureteres. adquire sua cor normal. Os cuidados de Enfermagem são: ♦ Lavar bem as mãos antes de manipular sondas ♦ Fixar sonda com adesivo na parede lateral do abdome ♦ Conectar a sonda a um sistema estéril fechado ♦ Observar se a sonda está drenando adequadamente ♦ Manter o local de inserção da sonda limpo e protegido com o curativo ♦ Controlar e anotar volume drenado ♦ Incentivar a ingestão hídrica ♦ Cuidado para não tracionar cateter . a observação do débito urinário nestes casos deve ser contínua para que a função renal seja mantida com o máximo de estabilidade possível. contínuo e estéril para reduzir o risco de infecção. a uma alça isolada do íleo. que é exteriorizada na parede abdominal como uma ileostomia. O paciente deve ser avaliado principalmente em relação aos líquidos. Os principais procedimentos cirúrgicos são: ♦ Nefrectomia: remoção de um rim. Este sistema pode ser empregado para lavagem periódica da bexiga. ♦ Cistectomia: excisão da bexiga e estruturas adjacentes. e. geralmente para tratamento de carcinoma ou porções anormais da próstata. Após essas cirurgias urológicas a urina apresenta-se sanguinolenta. Quando está prevista a drenagem de grandes quantidades de fragmentos celulares e coágulos sanguíneos. uretra e órgãos genitais masculinos. recorre-se à irrigação contínua.81 ♦ Distúrbios de coagulação ♦ Alteração da perfusão renal ♦ Hipertermia devido à infecção ou síndrome de periocardiotomia. a seguir.

♦ Pancreatectomia: é remoção parcial ou total do pâncreas. ♦ Hepatectomia: é a ressecção de um ou mais lobo do fígado por neoplasia. com fechamento do ânus. ânus. esôfago. Os cuidados são: ♦ Manter o paciente em posição prescrita (em geral é Fowler) ♦ Aspirar secreções de maneira correta e efetiva ♦ Fazer exercícios respiratórios ♦ Trocar curativos utilizando técnicas assépticas ♦ Registrar a evolução da ferida operatória observando: dor. mau cheiro. sem prejuízo nos adultos por não ser um órgão essencial. área de necrose tecidual. sendo a intervenção mais comum para remoção de cálculos biliares. sangramento. ♦ Gastrectomia: ressecção do estômago. ♦ Observar e comunicar: dispnéia. ♦ Esplenectomia: é a remoção do baço.82 1 PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA TORÁCICA Os cuidados ao paciente em pós-operatório de cirurgia torácica objetivam aperfeiçoar a oxigenação e a ventilação. secreção purulenta. edema. megacólon tóxico. ♦ Proctolectomia: é a remoção do cólon e do reto. fígado. Geralmente é feita uma ileostomia permanente. . São cirurgias realizadas no trato gastrintestinal. 1 PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIAS GASTRINTESTINAIS. tumores. complicações da doença de Chron. ♦ Controlar a infusão dos medicamentos prescritos. pâncreas. visto que suas funções são também efetuadas por outros órgãos. É utilizada comumente para tratamento da colite ulcerativa. vermelhidão. o risco de infecção também é muito grande. ♦ Estimular ingesta hídrica ♦ Incentivar a movimentação no leito e deambulação precoce. ABDOMINAL e ANORRETAL A maioria dos pacientes de cirurgias desse tipo precisa de assistência em UTI. ♦ Colecistectomia: é a excisão da vesícula biliar. abscessos e fístula. Isso porque além de ser um tipo de cirurgia que tem potencialmente muitas complicações complexas. cianose ou dor torácica. vesícula biliar e baço.

A assistência vai depender do local da cirurgia. Geralmente o paciente é internado por 24 a 48 horas numa UTI. a cirurgia vascular envolve a retirada da obstrução através da ressecção e remoção de trombos e êmbolos.  Embolectomia: retirada cirúrgica de um êmbolo de um vaso sanguíneo. Êmbolos: corpo estranho na corrente sanguínea.83 As principais complicações são: ♦ Distensão abdominal ♦ Obstrução intestinal ♦ Hemorragias ♦ Deiscência da linha de sutura ♦ Choque ♦ Problemas pulmonares ♦ Trombose ♦ Evisceração ♦ Íleo paralítico ♦ Infecção Como são cirurgias do trato gastrintestinal muitas vezes haverá o uso de sonda nasogástrica (SNG) e a equipe deve mantê-la bem posicionada. há acompanhamento do equilíbrio hídrico e eletrolítico. Os principais objetivos no cuidado aos pacientes vasculares são:  Suporte do sistema vascular  Estabilização hemodinâmica  Controle da dor. O doente é mantido no respirador para facilitar as trocas gasosas. 1 PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA VASCULAR De maneira geral. onde são monitorizados sinais vitais e outros parâmetros hemodinâmicos. aberta (quando necessário) para drenar secreções e assim evitar náuseas e vômitos no paciente. Os procedimentos mais comuns são:  Aneurismectomia: aneurisma é uma dilatação localizada da parede arterial e que provoca uma alteração da forma do vaso e do fluxo sanguíneo. A observação . geralmente um coágulo sanguíneo que se deslocou do ponto original. Trombos: corpo ou substância que obstrui total ou parcialmente um vaso.

O paciente deve ser posicionado em semifowler baixa. ♦ Estimular deambulação logo que possível ♦ Fixar curativos sem causar desconforto ♦ Verificar sinais vitais atentando para intensidade dos movimentos respiratórios ♦ Comunicar sinais de angústia respiratória e cianose ♦ Aspirar sempre que houver necessidade. nutrição e comunicação.84 do volume hídrico é de grande importância para estabilização hemodinâmica. usando técnica asséptica e uma sonda estéril para cada aspiração. evita a compressão nas linhas de sutura e facilita as respirações. ♦ Mobilizar. Pois o choque hemorrágico é muito presente devido à perda de sangue na cirurgia ou no pós-operatório. ♦ Os cuidados de enfermagem à pacientes com extensa cirurgia de cabeça e pescoço requerem um intenso monitoramento de sinais vitais (SSVV). O paciente é posicionado em decúbito dorsal ou Trendelemburg. estimular a tosse e respiração profunda são essenciais para evitar atelectasias e pneumonia hipostática. ♦ Tireoidectomia parcial: ressecção parcial da glândula tireóide. na presença de enxertos abdominais ou femorais. ♦ A imobilização da cabeça e pescoço é essencial para evitar a flexão e hiperextensão do pescoço. ♦ Observar sangramento no local ou sinais de hemorragia ♦ Trocar cânula conforme rotina ♦ Retirar cânula interna para lavar . com a cabeça elevada cerca de 30 graus. com cabeceira elevada em 300 a 400 e orientado a não fletir os joelhos ou quadris. É essencial nesta e nas fases subseqüentes atenção às necessidades de conforto. reduz o edema. 1 PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA CABEÇA E PESCOÇO Os principais procedimentos de cabeça e pescoço são: ♦ Tireoidectomia total: ressecção total da glândula tireóide. ♦ Laringectomia: ressecção da laringe (SRPA) ♦ Laringectomia total: retirada completa da laringe ♦ Hemiglossectomia: remoção do segmento lateral da língua. gases sanguíneos e exames laboratoriais. Esta posição promove a drenagem das secreções. normalmente feita nos casos de câncer da tireóide (SRPA).

85 ♦ Fazer curativo ♦ Manter cadarço limpo e com pressão adequada ♦ Estimular ingesta hídrica ♦ Fazer higiene oral com cuidado para evitar náuseas e vômitos. evitar deficiências de nutrientes e melhorar o resultado clínico são quatro condições básicas que justificam um suporte nutricional especializado. pois diminui a morbimortalidade e diminui tempo de internação em UTI. não é isenta de complicações. 2000) É fundamental terapia nutricional para os pacientes hospitalizados em estado crítico. Apesar de ser o tipo de suporte nutricional mais fisiológico. a perda de massa magra. necrose e abscesso septonasal. (CINTRA. Nutrição enteral: é a administração de produtos líquidos por via oral. ♦ Obstipação ♦ Diarréia ♦ Obstrução da sonda ♦ Saída ou migração acidental da sonda ♦ Erosão nasal. empachamento. distensão abdominal e flatulência. A monitorização constante dos pacientes em uso de suporte enteral é imprescindível para reduzir o índice de complicações. Preservar as defesas do organismo. ♦ Manter a boca livre de resíduos ♦ Observar ferida operatória 1 SUPORTE NUTRICIONAL DO PACIENTE CRÍTICO A desnutrição pode se desenvolver ou encontrar-se presente em uma grande proporção de pacientes hospitalizados e destes 50% apresentam desnutrição moderada e 5% a 10% desnutrição severa. SNG. ♦ Hiperglicemia ♦ Hipoglicemia ♦ Aspiração pulmonar . As principais complicações são: ♦ Náuseas e vômitos ♦ Cólica. gastrostomia ou jejunostomia. diminui taxa de infecção e ainda melhora a cicatrização. Existem vários tipos de terapias nutricionais de acordo com CINTRA (2000): 1.

a derme e a hipoderme. . enterite. músculo. A NP periférica é utilizada quando o paciente necessita de NP por 7 a 10 dias e não está apresentando quadro de desnutrição severa. o tempo de internação é prolongado. Além disso. Nutrição parenteral: deve ser utilizada apenas e tão somente se o tratamento gastrintestinal não puder ser utilizado em hipótese alguma. Os fatores intrínsecos são: ♦ Desequilíbrios nutricionais. Isto permite a administração de soluções hiperosmolares e a minimização dos inconvenientes. pois este local apresenta intenso fluxo sanguíneo. medem a qualidade da assistência de enfermagem prestada ao paciente. ainda existem estruturas e tecidos adjacentes como: fáscia. Segundo Figueiredo (2006) as lesões da pele consistem em qualquer alteração estrutural ou funcional da pele que pode ser causada por fatores intrínsecos ou extrínsecos. de certa forma. E esse é um problema que deve ser evitado e que. 1 ULCERA DE DECÚBITO A úlcera de decúbito é um dos principais problemas que pode ocorrer no paciente crítico. lesões resultantes de um ou mais componentes nutricionais. Na NP central são utilizadas veias de grande calibre (subclávia ou jugular interna) e próximo ao coração. lesões resultantes de uma falha no sistema genético. ♦ Distúrbios genéticos. sem restrição hídrica e tem bom acesso periférico. o que dilui facilmente a solução. internado numa unidade de tratamento intensivo. ATENÇÃO! Para prevenir a flebite nos locais de acesso é importante tomar alguns cuidados como: fazer rodízio da punção de 48/48h. a epiderme. A pele é o órgão de revestimento do corpo sendo a primeira barreira de defesa do organismo contra agentes externos. utilizar braço contralateral pra punção seguinte. É um paciente grave. vômito e diarréia intratável. Geralmente a punção é feita no braço ou antebraço e as soluções contêm de 5 a 10% de glicose. então todo esse quadro predispõe a formação de úlceras. A nutrição parenteral pode ser periférica ou central. tendões e ossos. É formada por três camadas. Exemplo: epiderme bolhosa. com alguns ou muitos dos seus sistemas comprometidos.86 2. É indicada em casos de ressecção maciça do intestino delgado.

diabética. cisalhamento e maceração. É necessário investir nestas medidas porque a UP aumenta a morbidade. ♦ Identificar fatores de risco. arterial. De acordo com Machado (2004) os fatores de risco são: ♦ Estado geral do paciente ♦ Mobilidade reduzida ♦ Peso ♦ Incontinência urinária e fecal ♦ Pressão e fricção ♦ Idade ♦ Hidratação da pele A mesma autora afirma que na avaliação diária do paciente de UTI. ♦ Exemplo: úlcera venosa. tônus muscular. Por exemplo: extravasamento de quimioterapia antineoplásica. ♦ Agentes biológicos: resultantes da ação de microorganismos. fricção. umidade e rupturas. elevação cabeceira. observando pressão. pressão. a Enfermagem deve ter como rotina para prevenir o aparecimento de escaras de decúbito: ♦ Avaliar as condições gerais da pele do paciente. De acordo com CTI as úlceras de decúbito são classificadas em:  Estágio I: observa-se hiperemia persistente  Estágio II: comprometimento da epiderme ou derme  Estágio III: comprometimento do tecido subcutâneo  Estágio IV: comprometimento do tecido muscular e/ou ósseo. . minimização da fricção da pele do paciente e escoriação. O tratamento para UP é baseado na prevenção. Exemplo: piodermites (celulite e furúnculo). lesões cancerígenas. Como fatores extrínsecos têm: ♦ Agentes químicos: lesões resultantes da ação de substâncias alquilantes ou vesicantes. ♦ Agentes mecânicos: lesões resultantes de objeto perfurocortantes.87 ♦ Distúrbios patológicos: lesões desencadeadas por uma patologia. mudanças de decúbito. ♦ Verificar alterações isquêmicas ♦ Avaliar nível de mobilidade. avaliação constante da pele do paciente. prejudica o tratamento e prolonga o tempo de hospitalização. lesões resultantes pela exposição a temperaturas extremas ou á energia elétrica. rubor local. ♦ Agentes físicos. ♦ Observar a presença de dor.

as queixas referidas pelo paciente (dor. hidratação. as condições de pele ao redor da ferida (hiperemia. 1 CUIDANDO DO PACIENTE POLITRAUMATIZADO De acordo com Pires (2006) o paciente politraumatizado é diferente de qualquer outro tipo de doente. aberto. com irrigação. com tecido necrótico. desconforto e/ou prurido). consistência e/ou Odor Não se esquecer de anotar a localização da ferida ou lesão e sua extensão.). se existem presença de sinais flogísticos (exsudato. sem que se encontrasse preparado de maneira alguma para tal situação. Quando for necessário fazer curativo é importante anotar a localização e o tipo do curativo (aberto. subitamente. até que. Os cuidados de enfermagem podem ser:  Fazer mudança de decúbito de 2 em 2 horas ou segundo prescrição de enfermagem  Fazer massagem de conforto com hidratante  Proteger saliências ósseas  Checar as áreas mais vulneráveis  Fazer curativo conforme prescrição médica  Observar presença de secreções fétidas  Utilizar colchão caixa de ovo que deverá ser prescrito pelo intensivista. preparo dos monitores. seco. uma grande possibilidade de ter uma vida normal. os materiais e produtos utilizados no curativo. em uma pessoa hígida e com saúde. de um modo geral. caso seja salvo.). quantidade. apresenta. exatamente por ser antes um indivíduo hígido. limpo. devido a algum tipo de acidente. etc. imunodepressão. ♦ Registrar aspectos importantes. comunicação com a radiologia para que esta se prepare. algia). passou a se encontrar em estado grave. Se tiver exsudato anotar aspecto. com drenagem. necessitando de assistência médica imediata. edema. oclusivo. justificando o investimento dos recursos na tentativa de salvá-lo. calor) e as complicações locais (dor. incontinência e traumas múltiplos. coloração. o paciente politraumatizado. etc. pelas próprias circunstâncias que originaram seu estado. coloração. com fibrina. hiperemia. compressivo.). o tipo do curativo (oclusivo. a caracterização (limpo.88 ♦ Avaliar estado nutricional. seco). O tratamento hospitalar ao politraumatizado inicialmente inclui a preparação do ambiente para o paciente buscando o material de entubação. calor. o horário da realização do procedimento. soluções salinas aquecidas. rubor. etc. Por outro lado. O pessoal que recebe este . compressivo.

Circulação e controle da hemorragia 4. com 10 % de área corporal lesada/queimada. etc. de acordo com a regra dos nove. o que determinará a sua gravidade. mas prevenir hipotermia. usando avental cirúrgico. Criança: < 10 anos. até 3 l/min. Somatório das áreas:  De acordo com Santos (2003) podemos considerar um paciente de “grande queimado” quando: Adultos: > 75 anos.9% e mantê-las cobertas com gaze ou compressa úmida . A assistência de enfermagem deve realizar cuidados bem específicos para este tipo de paciente. 1 CUIDANDO DO PACIENTE QUEIMADO As queimaduras se classificam de acordo com a profundidade e a extensão da área lesada. AIDS. pois a patologia em si causa grandes mudanças vasculares e alterações no volume do líquido corporal do paciente. Vias aéreas (imobilização cervical) 2. As demais faixas etárias. ou seja. Os cuidados incluem: ♦ Instalar O2 se necessário. apresentando 20% ou mais de área corporal lesada/queimada. Analisar exposição: despir o paciente. Avaliação do estado neurológico 5. de acordo com a regra dos nove.89 tipo de paciente deve estar paramentado para proteção individual contra hepatite. entre 10 e 55 anos. Respiração e ventilação 3. também com 10 % de área corporal lesada/queimada. de maneira simples e objetiva. luvas e óculos de proteção. ♦ Verificar SSVV e instalar oxímetro de pulso ♦ Lavar as áreas com SF 0.. apresenta vermelhidão na área e é acompanhada de dor e aparecimento de bolhas. sob cateter nasal. ou sob máscara. O paciente é abordado segundo o ATLS. buscando cuidar de: 1. a pele lesada perde a capacidade de reter calor e de manter a temperatura corporal. 3º grau: atinge as camadas mais profundas do tecido subcutâneo. máscara. de acordo com a regra dos nove. grande risco de infecções e outras complicações. 2º grau: a lesão atinge a epiderme e a derme. apresenta vermelhidão da área e é acompanhada de dor. 1º grau: atinge a epiderme.

tosse ineficaz.  Pacientes com rebaixamento do nível de consciência. pneumonia. assim como o respirador ♦ Dar continuidade ao plano de cuidados traçado pelo enfermeiro responsável ♦ Fazer curativo diário mantendo rigorosa técnica asséptica ♦ Controlar diurese 1 NOÇÕES GERAIS DE VENTILAÇÃO MECÂNICA (VM) Segundo Machado (2004) a ventilação mecânica é qualquer étodo de respiração que utiliza um aparelho mecânico para aumentar ou satisfazer completamente as necessidades respiratórias do paciente. com dificuldade de eliminação de secreções)  Pacientes com Falência Muscular respiratória  Pacientes que falharam na adaptação da Ventilação Não-Invasiva. As Indicações para Ventilação Mecânica Invasiva são:  Pacientes que não são capazes de manter adequada ventilação alveolar e trocas gasosas  Pacientes que não são capazes de proteger as vias aéreas (déficit de deglutição. ♦ Falência respiratória. Em linhas gerais é indicada em casos de: ♦ Insuficiência respiratória aguda sem doença subjacente. ♦ Depressão do centro respiratório. ♦ Traumatismos torácicos. O ventilador pulmonar é definido como um dispositivo automático conectado às vias aéreas com o objetivo de aumentar ou prover a ventilação do paciente. Já a ventilação não – invasiva que se trata de um suporte ventilatório que usa Máscaras Nasais ou Faciais. A VM pode ser do tipo: invasiva ou não-invasiva. É o método de substituição funcional mais utilizado em terapia intensiva. não sendo necessária a intubação ou traqueostomia é indicada quando temos:  Paciente colaborativo  Paciente capaz de proteger as vias aéreas e eliminar secreções .90 ♦ Puncionar acesso venoso de grosso calibre e manter hidratação venosa conforme prescrição médica ♦ Manter o material de entubação de fácil acesso. ♦ Doenças neuromusculares ♦ Edema pulmonar. asma.

♦ Reduz tempo de hospitalização. não realizando manobras bruscas para evitar pinçamento do circuito e desconexões do ventilador o que causaria danos ao estado clínico do paciente. ♦ Minimiza desconforto respiratório.Ventilação Controlada: Neste modo de ventilação não há participação do paciente. Temos três tipos principais de ventilação: 1. Segundo Machado (2004) os cuidados de enfermagem relacionados com a ventilação são: ♦ Controlar a existência de conexão entre o ventilador e a rede de gás. . ♦ Reduz morbidade e mortalidade. bem como os pontos do circuito e tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia. ♦ Reduzem as lesões de vias aéreas superiores.91  Capacidade de adaptação às máscaras nasal ou facial  Pressão arterial controlada Este tipo de ventilação é mais vantajoso que o modo invasivo por que: ♦ Melhora troca gasosa. A sensibilidade do aparelho está desligada porque o paciente não vai colaborar neste caso. (Sensibilidade predeterminada). ♦ Diminui necessidade de hospitalizações. 2. Ventilação Assistida: Neste modo de ventilação. mas o ciclo só é iniciado com o esforço do paciente. ♦ Reduz riscos de infecções respiratórias. ♦ Fácil manuseio. ♦ As traquéias do circuito devem estar livres de água ou qualquer outra substância para evitar infecções respiratórias. Utilizam-se freqüências respiratórias ligeiramente abaixo da freqüência espontânea do paciente para que os ciclos controlados sejam a exceção. ♦ Observar se os parâmetros programados estão de acordo com os prescritos e condizentes com o quadro clínico do paciente. 3. o aparelho determina todas as fases da ventilação. Ventilação assistido-controlada: Este modo permite um mecanismo duplo de disparo fornecendo maior segurança para o paciente. pois o ciclo controlado entra sempre que o paciente não disparar o ciclo assistido. ♦ Cuidado ao mobilizar o paciente. ♦ Baixo custo de terapia. o aparelho determina o início da inspiração por um critério de pressão ou fluxo. ♦ Manter o carro de urgência e o material de oxigenação. próximos ao paciente em uso de ventilação.

♦ A secreção: tipo (amarela.92 ♦ Estar atento aos alarmes sempre que ocorram. vigente na época. após a parada cardíaca era de fato possível. etc. Ao avaliar o paciente entubado ou traqueostomizado devem ser feitas as anotações adequadas no prontuário incluindo: ♦ A localização do tubo ou cânula (oral. observando com freqüência os avisos ópticos e evitando confusão em face de indicadores simultâneos. ♦ As complicações: locais da traqueostomia (hemorragia. de que nada poderia ser feito por esses pacientes. cricotireoidostomia. traqueomalacia). ♦ As condições de permebilidade do tubo ou cânula (obstruída desposicionamento). Até alguns anos atrás. rotura de laringe. sanguinolenta. relaxantes musculares.) e quantidade (pequena média e grande). nada era feito quando da ocorrência da parada cardiorrespiratória. etc.PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA Pires (2006) afirma que a parada cardiopulmonar é a cessação da circulação e da respiração. espessa. sangramento. é reconhecida pela ausência de pulso e apnéia em um paciente inconsciente. ♦ O tempo de permanência. nasal) e o tipo (traqueostomia. pneumotórax. aspiração do conteúdo gástrico. para conseguir uma adequada ventilação. aspiração. ♦ Avaliar nível de consciência.) e as tardias (estenose traqueal ou subglótica. quando se verificou que a ressuscitação. perfuração de traquéia. 1 PCR . fístula traqueosofágica. estado de agitação e adaptação do paciente a ventilação mecânica. devido a uma crença infundada. mediastino ou esôfago. Manter ajustados os limites máximos e mínimos programados para os alarmes.). Os principais sinais e sintomas que precedem uma PCR são: ♦ Dor torácica ♦ Sudorese ♦ Tontura . mudança na voz. ♦ O tipo de fixação. lesão de corda vocal. O mesmo autor diz que as manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) foram introduzidas na década de 1950. enfisema subcutâneo ou de mediastino. infecção. Verificar o uso de sedativos.

punção venosa. Colocar vítima em decúbito dorsal 3. Então o que se deve fazer inicialmente ao reconhecer uma PCR? 1. Respiração boca-boca ou boca-nariz 3.93 ♦ Escurecimento visual ♦ Perda de consciência ♦ Alterações neurológicas ♦ Sinais de baixo débito cardíaco ♦ Parada de sangramento prévio Os sinais clínicos de um paciente são: inconsciência.4% e 5%. ausência de pulsos em grandes artérias ou ausência de sinais de circulação. atropina. ♦ Em relação às anotações que devem constar no prontuário após a ressuscitação cardiopulmonar a equipe deve anotar. As manobras que serão descritas a seguir é o melhor tratamento para PCR e quando aplicadas precocemente aumentam a sobrevida do paciente.). Nele utilizam-se equipamentos adequados para maior oxigenação e ventilação. entubação. . Solicitar ajuda pegar material. a circulação artificial é feita com massagem cardíaca e até mesmo desfibrilação ainda é associado uso de medicamentos e a busca do diagnóstico. Iniciar suporte básico de vida É necessário termos um carro de parada completo com todos os equipamentos já descrito. bicarbonato de sódio a 8. exemplificando: chamado o médico. etc. ♦ A conduta tomada. monitoração cardíaca. ♦ As intervenções médicas e da enfermagem (compreensão cardíaca. amrinona. 2. ♦ As respostas das ações de enfermagem. dopamina. dobutamina. como ambumáscara ou intubação endotraqueal. ♦ Os sinais observados. Abertura das vias aéreas 2. diminuindo as seqüelas cardíacas e cerebrais. puncionado veia. instalação de máscara. etc. As medicações utilizadas são adrenalina.. Circulação artificial (compressão torácica externa) Em unidades de terapia intensiva utilizam-se mais o suporte avançado que é a seqüência do primário. ausência de movimentos respiratórios e ausência de resposta verbal e motora. O suporte básico de vida inclui três etapas de ressuscitação cardiopulmonar: 1. ausência dos movimentos respiratórios. ♦ O horário da detecção dos sinais de ausências de pulso (periférico e central). gluconato de cálcio e xilocaína.

Para iniciar a medida devemos marcar um nível zero que vai ser o encontro da linha axilar média com o mamilo. Depois de reunir o material o primeiro passo é montar o equipo de PVC com o soro. Após isso. suporte para soro. casos de hipo e hipervolemia. soro fisiológico e fita adesiva. A via mais curta deve ser fixada junto à fita graduada e a via longa é inserida no cateter central do paciente. ♦ Posição correta das mãos e braços. se ocorrer. Quando marcamos esse ponto (altura) ele deve ser exatamente marcado no suporte e a partir dele é que colamos a nossa fita graduada.94 ♦ As condutas tomadas na transferência do paciente. O passo agora é encher a coluna d’água com SF instalado no equipo de PVC. condições do coração de bombear o sangue e tônus vascular. Para que medida de PVC saia correta o paciente deve estar em decúbito dorsal totalmente horizontal e em posição anatômica. uma régua de nível. Depois fechar a via do soro e abrir a do paciente para poder observar a queda do líquido na coluna que está fixada no suporte e assim medir a PVC Os valores normais de PVC em adultos são: ♦ 10 a 12 cm de H2O (7 a 8 mmHg) A equipe de enfermagem deve ser treinada para fazer essa mensuração de pressão invasiva e deve realizar alguns cuidados: ♦ Observar sinais flogístico na inserção do cateter ♦ Fazer curativos com técnica asséptica sempre que necessário ♦ Prevenir obstrução do cateter ♦ Fazer controle das infusões venosas ♦ Comunicar ao enfermeiro valores discrepantes de PVC 1 CUIDADOS PÓS-MORTE . depois fixamos a fita graduada no suporte e também o equipo. Esta monitorização vai nos fornecer informações sobre o volume sanguíneo que chega ao coração. 1 PVC: NOÇÕES BÁSICAS A pressão venosa é a monitorização invasiva da pressão nas grandes veias de retorno ao coração (cava superior). Para montarmos uma PVC é necessário que o médico tenha feito no paciente um acesso central (geralmente a subclávia). peamos o equipo de PVC.

cateteres. preparar o corpo e enviar ao necrotério e fazer anotações no prontuário. tamponamento.. durante a internação permanece com: sondas. ♦ O encaminhamento do prontuário do paciente ao Registro Geral do Hospital. deve entregar à família os objetos pessoais. Serviço de Verificação de Óbitos (SVO). bem definido. O paciente internado em UTI lida com muitos procedimentos invasivos. Profissionalismo e ética são fundamentais neste momento. 1 CUIDADOS GERAIS COM DRENOS. ♦ O horário do encaminhamento do corpo ao necrotério. OSTOMIAS E ACESSO CENTRAL. identificação do corpo). traqueostomia. ♦ O preparo do corpo realizado (limpeza.). ♦ O tipo de óbito (mal definido. e a equipe precisa saber cuidar desses materiais para que o paciente se restabeleça sem seqüelas. Instituto Médico Legal (IML). ♦ A retirada de cateteres. colocação de próteses. SONDAS. drenos. A equipe de Enfermagem deve permitir que os familiares tenham um tempo com o cadáver. drenos. . ♦ Os pertences encaminhados juntamente com o corpo. pedir para assinar o livro de protocolo além de identificar o cadáver com os dados pessoais. A preparação do corpo antes de levá-lo ao necrotério inclui: ♦ Dar banho no leito se necessário ♦ Retirar sondas e drenos ♦ Fazer curativos se necessário ♦ Fazer tamponamento dos orifícios com algodão ou gaze ♦ Prender braços e pernas com atadura ♦ Colocar o cadáver identificado no saco para óbito No prontuário as anotações de enfermagem devem conter: ♦ O horário que o médico constatou o óbito. o nome do médico que constatou o óbito. ♦ O horário que avisou o Registro Geral do Hospital. equipamentos para suporte. etc. É necessário tratar este momento com ética independente de como o profissional encara a morte. vestimenta. curativo. com possibilidades de complicação. E muitas vezes o paciente vem a óbito é preciso saber lidar com essa situação. tubos de ventilação mecânica.95 O trabalho em unidades de terapia intensiva é com pacientes críticos. caso de polícia. etc.

gastrostomia. etc. limpo. ar. etc.  Observar o aspecto de inserção se há presença de hiperemia. sangue. nasoenteral.. presença de exsudato. ♦ A troca de coletor. ♦ O aspecto de inserção (hiperemia.). vesical. orogástrica.96 1. etc. Os drenos devem ser cuidadosamente manipulados para que não seja alterado o fluxo das secreções e também para que não desloque ou retire o dreno acidentalmente causando desconforto e dor ao paciente.1 SONDAS As sondas utilizadas no paciente podem ser vesical.). prurido.). dreno fechados de pressão negativa que é uma bolsasanfonada que cria um vácuo e aspira continuamente à secreção.  Sempre que necessário trocar de coletor. Os cuidados de enfermagem vão depender do tipo de sonda e é importante inicialmente. lesão. etc.1 DRENOS Existem muitos tipos de drenos como o de penrose. cor. ressecamento. ♦ O curativo de inserção (se houver): oclusivo. aspecto. condições gerais de pele). cor. retal) e assim:  Anotar o débito (volume. etc. ressecamento. . especificando o horário. lesão. 1. observar a localização e tipo de sonda (nasogástrica. tórax. quais as condições gerais de pele. nasogástrica. dreno de tórax utilizado na cavidade torácica. ♦ As queixas referidas pelo paciente com relação ao dreno (dor. Penrose. para retirar pus. aberto. especificando o horário. de kher utilizado em cirurgias da via biliar. seco e compressivo. As anotações do prontuário devem conter: ♦ A localização e tipo de dreno (Kher.). ♦ O débito (volume. aspecto. etc. retal. O aspecto marrom ou esverdeado sugere estase gástrica e refluxo de bile. ♦ O tipo de fixação do dreno. A secreção gástrica é clara e viscosa.

♦ As orientações ao paciente relacionadas aos cuidados com a ostomia. edema.). Através do ostoma é colocada a bolsa coletora para eliminar as fezes mais líquidas. com a finalidade de eliminar os dejetos do organismo. a quantidade ou volume. geralmente uma bolsa.. que permite recolher o conteúdo a ser eliminado através do ostoma. chama-se ostoma. também através do ostoma. etc. ♦ As características da ostomia como retração. a consistência (fezes). a parte final e mais larga do intestino delgado. ♦ O horário da troca do dispositivo coletor (bolsa.). etc. freqüência. sangramento. . As Ileostomias localizam-se sempre no lado inferior direito do abdômen. prurido.). presença de exsudato. ♦ A higienização da ostomia (horário. edemaciada. ➢ ILEOSTOMIA: é um tipo de ostomia intestinal que faz a combinação do íleo. As semelhanças das ostomias podem ser permanentes ou temporárias. lesada. ➢ UROSTOMIA (também denominada como “Desvio Urinário”): é a intervenção cirúrgica que consiste em desviar o curso normal da urina. 1. volume. etc. Os ostomizados utilizam um dispositivo. prolapso. A equipe de enfermagem ao prestar cuidados aos ostomizados deve observar: ♦ A localização e o tipo de dispositivo utilizado.97  Fazer curativo com técnica asséptica  Observar e anotar as queixas referidas pelo paciente com relação à sonda (dor.1 OSTOMIAS A ostomia é uma intervenção cirúrgica que permite criar uma comunicação entre o órgão interno e o exterior. cor). A nova abertura que se cria com o exterior. a cor e o odor. o aspecto ou características. com o exterior. Existem três tipos principais de ostomias: ➢ COLOSTOMIA: é um tipo de ostomia intestinal que faz a comunicação do cólon com o exterior. ♦ Em relação às eliminações deve anotar a freqüência. odor. etc. ♦ O débito (características. etc. ♦ As características da pele ao redor da ostomia (ressecada.). hiperemiada. no qual é acoplado a bolsa coletora no abdômen para a coleta das fezes. intercorrências.

confusão mental.) e o tipo do procedimento (intracath. MULTÍPARA: + de 12h. flebotomia.). infiltração. edema. ♦ Filho de mãe diabética. etc. triplo lúmen. complicações locais (hiperemia. ♦ Anemia Aguda. etc. ♦ Pós-maturidade. nutrição parenteral. O cuidado deve ser rigoroso principalmente no controle da infecção nestes acessos que na maioria das vezes tem muitas entradas. rubor. o tempo de permanência. pedioso. ♦ Duração do parto ativo: PRIMÍPARA: + de 24h. port-a-cath.98 1. observarem indicativos de infecção da corrente sangüínea como: tremores. inferior a 2 kg. após os cuidados anotar no prontuário a localização (subclávia. flebite. ausência de acesso periférico de boa qualidade são alguns dos motivos pelo qual o paciente crítico precisa ter um acesso central feito pelo médico da equipe.. medicamentos vesicantes. Indicações para internamento na UTI neonatal: ♦ Baixo peso. observar presença de sinais flogísticos (exsudato. usar sempre luvas ao manusear o cateter. ♦ Asfixia perinatal. Então o curativo deve ser feito sempre que necessário utilizando técnicas assépticas.1 ACESSO CENTRAL O grande tempo de internação. Segundo Estágio: + de 2h. queixas álgicas. tipo de cateter (duplo. etc. a terapia intravenosa de longa duração. ♦ Grande ou pequeno para idade gestacional.). calor). hiperemia. ♦ Anomalias congênitas importantes. ♦ Icterícia não-fisiológica. sudorese.). os produtos utilizados no curativo realizado em inserção de cateter. 2 UTI neonatal É o local de cuidados intensivos para recém-nascidos com alguma patologia ou prematuridade. Além disso. . etc. ♦ Malformação. ♦ Suspeita de infecção congênita. etc. ♦ Pré-termo.

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♦ Síndrome Hemorrágica; ♦ Convulsões; ♦ Pré e pós-operatório; ♦ Prolapso de Cordão Umbilical; ♦ Sofrimento fetal crônico, subagudo ou agudo; ♦ Placenta prévia ou descolamento de placenta; ♦ Parto difícil ou tocotraumatismo; ♦ Gravidez múltipla; ♦ Parto cesárea (observação); ♦ Parto pélvico (observação); ♦ Oligo e polidrâmio; ♦ Membrana Hialina ou outra dificuldade respiratória; ♦ Sespis; ♦ Doença hemolítica; ♦ Cardiopatia congênita; ♦ RN sintomático. ➢ Cuidados de enfermagem ao recém-nascido prematuro ao nascer: ♦ Deve-se secar bem o recém- nascido, remover campos úmidos e não realizar higiene até a estabilização clínica. A estabilização da temperatura é um cuidado crucial para enfermagem devido às seqüelas que podem gerar a variação brusca da temperatura, levando até mesmo à morte do neonato; ♦ Mantê-lo em ambiente aquecido: incubadora ou berço de calor radiante. A temperatura da incubadora deve ser entre 35.8 a 36.2°C, com parede dupla de proteção. A temperatura deve ser rigorosamente observada, pois a hipotermia não tratada pode levar à morte e à hipertermia, e tem como conseqüência apnéia, aumento do metabolismo e hemorragia periventricular; ➢ Os mecanismos de perda de calor são: ♦ Evaporação: desde o nascimento em contato com secreções e umidade; ♦ Condução: ao colocar o neonato em bancadas frias como balanças; ♦ Radiação: ambiente frio, mesmo sem contato direto com a pele do paciente, há perda de calor para o ambiente. Exemplo: janelas e paredes da incubadora; ♦ Convecção: é a perda de calor para o ambiente mais frio, como a sala de parto resfriada para conforto da equipe de saúde.

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➢ Cuidados de enfermagem na admissão do recém-nascido na UTI neonatal ➢ Sondagem gástrica Consiste em introduzir uma sonda no trato gastrintestinal, por via nasal ou oral. Via oral é a indicada para recém-nascidos, devido ao fato de que os mesmos respiram principalmente por via nasal. Tem como finalidade de administrar medicações, alimentar ou esvaziamento gástrico. ➢ Material necessário:  Sonda n°6 ou 8;  Seringa de 10 ml;  Água destilada;  Fita para marcar a medida e para rotular com data e horário a sonda;  Estetoscópio;  Luvas de procedimento;  Fita cortada para fixação. ➢ Técnica: Reunir o material, lavar as mãos, cortar uma fita em forma de “H” OU “V” para fixar a sonda, calçar as luvas, medir a sonda do lóbulo da orelha à ponta do nariz e deste ao processo xifóide. Marcar a medida. Posicionar o RN em decúbito lateral direito ou posição supina, lubrificar a sonda com água destilada. Introduzir a sonda com cuidado e observar cianose, tosse, sangramento ou dispnéia, durante o procedimento, porque a sonda pode ir para a traquéia ou haver a estimulação do nervo vago. Introduzir 2 ml de ar com a seringa e auscultar, com ajuda do estetoscópio posicionado na região abaixo do processo xifóide, a entrada de ar no estômago. Se não houver ruídos a sonda pode estar posicionada incorretamente. Após, aspirar para visualizar retorno de resíduo gástrico. Fixar a sonda e colocar a data. Anotar o procedimento na pasta do paciente. Se for para alimentação fechar a sonda e se for para drenagem deve-se conectar a sonda ao látex e este ao frasco coletor. ➢ Aspirado e lavado gástrico Consiste na aspiração do conteúdo gástrico e posteriormente lavagem gástrica, com a finalidade de remoção de secreções, controle de hemorragias e coleta de material para exame. ○ Material necessário:  Luvas de procedimento;  Sonda gástrica;

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 Adesivo;  Soro fisiológico e seringa de 20 ml. ○ Técnica: Reunir o material; Lavar as mãos; Passar a sonda; Aspirar com a seringa o resíduo gástrico observando aspecto e volume; Instalar 10 ml de soro fisiológico pela sonda com auxílio de uma seringa e em seguida aspirar, medindo o volume e observando o aspecto; Repetir o procedimento até que o conteúdo esteja limpo; Retirar as luvas e lavar as mãos, organizar o material e anotar na pasta do paciente o aspecto e volume da drenagem. ➢ Cuidados de enfermagem na administração de oxigênio A oxigenioterapia é a administração de oxigênio ao recém-nascido que apresenta sinais de deficiência do mesmo, como: tiragem, taquipnéia, batimento de asa de nariz, cianose, angústia respiratória. O oxigênio apresenta efeitos benéficos, mas também tem efeitos tóxicos à retina e ao tecido pulmonar, que estão relacionados com o tempo de exposição e a altas concentrações. Deve ser monitorado com exames gasométricos PaO2 entre 50 a 80 mmhg ou saturação entre 92% a 95%. ➢ Oxigênio na incubadora Quando necessitam de baixas concentrações de O2 em torno de 30%. As atualmente permitem a oferta de 70% de O2. ○ Material:  Fonte de O2;  Fluxômetro de oxigênio;  Frasco umidificador de oxigênio;  Saturômetro;  Oxímetro de ambiente;  Extensão para oxigenioterapia;  Água destilada; ○ Técnica: Reunir o material; Lavar as mãos; Adaptar a extensão para oxigenioterapia ao fluxômetro de oxigênio; Colocar água destilada no frasco umidificador até o nível indicado; Adaptar a outra extremidade da extensão à incubadora em local específico; Adaptar a alavanca da incubadora conforme orientações do fabricante; Colocar o sensor de oxímetro de ambiente no interior da incubadora calibrado; Instalar saturômetro no RN; Abrir o fluxômetro de oxigênio até o volume necessário para alcançar a concentração desejada; Manter o RN em incubadoras

Registrar o procedimento no prontuário do paciente.  Fluxômetro de oxigênio.  Saturômetro. ○ Técnica: .  Ajustar o fluxômetro de oxigênio conforme prescrição médica.  Saturômetro. ○ Material:  Fonte de oxigênio e ar comprimido.  Fluxômetro de oxigênio e ar comprimido.  Frasco umidificador. ○ Material:  Fonte de O2. ➢ Oxigênio por cateter nasal A concentração de oxigênio não pode ultrapassar a 44%.  Frasco umidificador de oxigênio. ○ Técnica:  Reunir o material.  Colocar água destilada no frasco umidificador até o nível indicado.  Oxímetro de ambiente.  Cateter nasal.  Campânula de acrílico com tampa de acordo com tamanho do RN.  Água destilada.  Água destilada. Lavar as mãos.102 posição supina com leve extensão da cabeça. ➢ Oxigênio por campânula É um capacete de acrílico transparente que no seu interior o RN recebe a concentração de O2 até 100%. Manter o controle da saturação continuamente.  Intermediário de três vias “Y” ou “T”.  Instalar o saturômetro no RN.  Adaptar o cateter ao frasco umidificador de oxigênio.  Adaptar o cateter às narinas do RN ajustando em torno da cabeça.  Lavar as mãos. Manter vias aéreas superiores desobstruídas.  Extensão para oxigenioterapia.

ocluindo a cânula.  Cânulas nasal. Adaptar os extensores de oxigenioterapia no fluxômetro de ar comprimido e no frasco umidificador de oxigênio. impedindo o escape de gases e o conseqüente soar do alarme. Ajustar o fluxo de gases conforme prescrição médica. Lavar as mãos. Instalar o saturômetro no paciente.  Circuito de CPAP. Proteger a narina com curativo de hidrocoloide para evitar lesão. Lavar as mãos e registrar no prontuário do paciente. Colocar o sensor do oxímetro de ambiente no interior da campânula. Registrar parâmetros da ventilação no prontuário do paciente. Ajustar a cânula à narina do RN.  Fonte de oxigênio e ar comprimido. Conectar o ventilador às fontes de oxigênio e ar comprimido. ➢ Ventilação mecânica . Lavar as mãos. Colocar a água destilada no copo termo-umidificador até o nível indicado.103 Reunir o material. ➢ Pressão positiva contínua das vias respiratórias (CPAP nasal) Administrar oxigênio à pressão de 3 a 8 mmhg. A água destilada do umidificador na oxigenioterapia deve ser trocada a cada 24 horas.  Saturômetro. pois ligado à luz vai aquecer e umidificar o ar que entra pela campânula e também evita prováveis ruídos nas conexões. Adaptar o extensor ao “Y” ou “T” e este à campânula. Montar o circuito de CPAP com a cânula adequada para o tamanho do RN. A administração de oxigênio por campânula pode ser feita utilizando o umidificador da ventilação mecânica. ○ Material:  Ventilador mecânico. Ligar o ventilador e testá-lo. Para utilizar este tipo de umidificação deve conectar as extensões que vêm das fontes de oxigênio e ar comprimido em “Y” ao umidificador e outra conexão que sai do umidificador à campânula. por meio de circuito próprio conectado a um ventilador mecânico. Lavar as mãos. Solicitar para o médico programar o ventilador.  Água destilada. ○ Técnica: Reunir o material. Colocar a campânula sobre a cabeça do RN. Colocar água destilada no frasco umidificador até o nível indicado. pois o gás carbônico sai para o ambiente por esses espaços. Não devem ser obstruídas as aberturas que há na campânula.

○ Material:  Ventilação mecânica. ○ Técnica: Reunir o material.  Cateter para aspiração conectado a extensor e este com a fonte de aspiração.  Água destilada. Auxiliar na entubação endotraqueal.  Ambú com máscara. registrar os parâmetros da ventilação e o procedimento no prontuário do paciente.  Circuito pediátrico. ○ Material para entubação endotraqueal (TET):  Lâmina de laringoscópio pediátrico.  Luvas estéreis.  Luvas de procedimento.104 Sua finalidade é auxiliar ou substituir a função respiratória. Posicionar o RN confortavelmente.  Fonte de oxigênio e ar comprimido.6 ou 8.  Tubo endotraqueal com diâmetro apropriado para o RN. impedindo a saída de gases e conseqüente soar do alarme. Verificar e retirar com freqüência a água acumulada no circuito. Lavar as mãos. Manter TET permeável. ➢ Cuidados de enfermagem na aspiração Consiste na remoção de secreções acumuladas para facilitar a ventilação. Posicionar a traquéia de modo que não tracione o TET. Solicitar para que o médico ajuste os parâmetros do aparelho. Manter RN monitorado. .  Fonte para aspiração. Lavar as mãos.  Adesivo para fixar. Colocar água destilada no copo termo-umidificador até o limite indicado.  Saturômetro.  Fonte de oxigênio. Conectar o ventilador às fontes de oxigênio e ar comprimido. Ligar o ventilador e testá-lo ocluindo a saída para o paciente. Trocar circuito conforme rotina da instituição. Montar o circuito do ventilador e conectá-los ao mesmo. Aspiração de vias aéreas superiores ○ Material:  Sonda de aspiração n° 4. Conectar o circuito ao tubo endotraqueal.

Introduzir a sonda com a .  Ambú com máscara. Auscultar os pulmões do RN para certificar-se da presença de secreções. Calçar as luvas. Desconectar o TET do circuito do respirador. evitando estimular o reflexo vagal. Calçar as luvas e pegar a sonda com a mão dominante. sangramento. Proceder à aspiração retirando a sonda em movimentos rotatórios para evitar lesões na mucosa nasal.  Recipiente com água destilada. reconectá-lo ao circuito do respirador. Desconectar o TET do circuito do respirador. Lavar as mãos. Instalar aproximadamente 0. Fechar a fonte de aspiração. Testar e manter aberto o sistema de aspiração. Lavar a sonda e o sistema de aspiração com água destilada. Aguardar algumas ventilações assistidas. Instilar aproximadamente 1 ml de soro fisiológico no TET e após. mantendo o restante da sonda protegida. Abrir o invólucro da sonda e conectar sua extremidade distal ao sistema de aspiração. náuseas. Pressão do vácuo deve ser entre 40 a 60 mmhg. interromper o procedimento e esperar o RN estabilizar.  Luvas estéreis. Lavar as mãos. Introduzir a sonda na narina mantendo o sistema de aspiração clampeado. Proceder à aspiração da cavidade oral sem tocar na úvula.  Seringa com soro fisiológico. Testar e manter aberto o sistema de aspiração. evitando lesões da mucosa oral.  Recipiente com água destilada. Medir a sonda do lóbulo da orelha à ponta do nariz para determinar o máximo da introdução da mesma.5ml de soro fisiológico em cada narina com o auxílio da seringa. Aguardar a estabilização do RN entre as aspirações. Na presença de dispnéia. Usar técnica asséptica. ➢ Aspiração de tubo endotraqueal ○ Material:  Sonda de aspiração n°4 ou 6. Lavar as mãos.  Fonte de vácuo montado com extensor de aspiração. Manter intermitente a aspiração com clampeamento e desclampeamento do sistema de aspiração. Registrar o procedimento no prontuário do paciente. ligado a fonte de oxigênio. Posicionar o RN em decúbito dorsal. informando aspecto. Desprezar a sonda e as luvas. ○ Técnica: Reunir o material. Lavar a sonda com água destilada. ○ Técnica: Reunir o material.  Fonte de vácuo montado com extensor de aspiração. volume da secreção e intercorrências.105  Seringa com soro fisiológico.

O espaço morto não deve ser muito extenso evitando a extubação acidental e retenção de gás carbônico. quantidade. Se necessário repetir o processo. na presença do mesmo observar o volume e aspecto. a extremidade da mesma e preenchê-la com a dieta prescrita. ➢ Cuidados de enfermagem na administração de dieta Para os RNs que não podem ser amamentados no seio da mãe. ♦ Por sonda entérica: Preencher a seringa e o perfusor com a dieta prescrita. Que corresponde em centímetros ao seu comprimento no interior da traquéia e soma-se o valor do espaço morto. Reconectar o TET ao respirador. até o momento em que possa sugar seio materno.  Dieta prescrita. Desclampear o sistema e retirar a sonda com movimentos rotatórios. Adaptar o conjunto a bomba de infusão e programar. usam-se artefatos como copinho. e proceder conforme orientações médicas ou rotinas do serviço. ♦ Dieta por sonda ○ Material:  Seringa de 20 ml. Cada aspiração não deve exceder 15 segundos. Registrar o procedimento informando aspecto da secreção. Aspirar o resíduo gástrico com uma seringa. permitindo que o leite escoe por ação da gravidade (gavagem).  Bomba de infusão e perfusor (se prescrito). Clampear a sonda e conectar a seringa sem o embolo. Desclampear a sonda. Observar a dieta conforme prescrito (volume e temperatura adequada). Lavar as mãos e organizar o material.106 mão dominante. Fechar a sonda. ○ Técnica: Lavar as mãos. Em pacientes com traqueostomia a aspiração da cânula obedece ao mesmo processo do TET. Aspirar a cavidade oral e nasal. intercorrências. Administrar a dieta por sonda gástrica: Certificar-se do posicionamento da sonda. A medida da sonda a ser introduzida deve levar em consideração a medida indicada no TET na altura da comissuria labial. Fechar o sistema de aspiração. Ao término da . mantendo o sistema de aspiração clampeado.  Água destilada. Para RNs que não podem receber leite materno. Lavar a sonda com 1 ml de água destilada ao término da dieta.  Estetoscópio. mamadeira e sonda. para que a sonda alcance a extremidade distal do TET. Conectar a extremidade do perfusor a sonda e começar a infusão. desconectar a sonda do sistema de aspiração e desprezá-la junto com a luva. há formulas lácteas para atender as necessidades dos bebês. Lavar a sonda e o sistema de aspiração com água destilada.

 Luvas de procedimento. Posicionar confortavelmente o paciente. ➢ Coleta de fezes ○ Material:  Saco coletor. Higienizar o períneo com água e sabão neutro. Calçar as luvas. ○ Técnica: Reunir o material. Lavar as mãos. Identificar a seringa com nome do paciente e leito. Higienizar o períneo com água e sabão neutro. Retirar as luvas. ○ Técnica: Reunir o material.  Sonda de aspiração. enviar imediatamente para o .  Seringa de 10 ou 20 ml. Retirar a proteção da parte adesiva do saco coletor. Retirar a proteção da parte adesiva do saco coletor. Retirar o saco coletor com cuidado para não lesionar a pele do RN.107 infusão. Observar se há presença de urina. Introduzir uma sonda de aspiração no saco coletor e aspirar a urina com uma seringa. após administração da dieta. Lavar as mãos e registrar o procedimento. A sucção não nutritiva durante a alimentação por sonda estimula o reflexo de deglutição. Registrar o procedimento.  Requisição do exame. Retirar as fraldas colocar o RN em decúbito dorsal com as pernas fletidas.  Requisição do exame. Lavar as mãos e organizar o material. desligar a bomba e lavar a sonda com 2 ml de água destilada e fechá-la. Pode ser coletada urina por punção suprapúbica. Manter o RN em decúbito lateral direito ou ventral. Retirar as fraldas colocar o RN em decúbito dorsal com as pernas fletidas. Vestir o RN. Fechar o saco coletor e identificar. Retirar com cuidado após evacuar.  Saco coletor. por sondagem vesical ou com saco coletor. Calçar as luvas. ○ Material:  Luvas de procedimento. Fixar o saco coletor na região perianal. Lavar as mãos. ➢ Cuidados de enfermagem na coleta de exames ♦ Coleta de urina por saco coletor Proporciona saber sobre patologias renais e extra-renais. Adaptar o saco coletor à pele do bebê de modo que fique bem aderido. encaminhar ao laboratório imediatamente.

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laboratório; Higienizar o períneo; Posicionar confortavelmente a criança; Retirar as luvas; Lavar as mãos e registrar o procedimento. ➢ Coleta de secreções por swab Serve para coletar da região de garganta, narina, ouvidos, olhos, coto umbilical e reto. ○ Material:  Swab;  Luvas de procedimento;  Requisição do exame. ○ Técnica: Reunir o material; Lavar as mãos; Calçar as luvas; Posicionar o paciente conforme a coleta, se necessário conter solicitar ajuda; Deslizar o swab delicadamente no local; Introduzir o swab no tubo sem encostá-lo na lateral; Identificar o tubo e encaminhar ao laboratório ou conservar sob refrigeração até que isto ocorra; Posicionar confortavelmente a criança; Retirar as luvas; Lavar as mãos e registrar o procedimento. ➢ Coleta de sangue para verificação de glicemia periférica ○ Material:  Agulha 13x4, 5 ou lanceta de 2 a 4mm;  Algodão seco;  Aparelho ou fita reagente. ○ Técnica: Reunir o material; Lavar as mãos; Calçar as luvas; Aquecer a região do calcâneo para aumentar a vascularização; Segurar o pé do RN expondo a face lateral do calcâneo e realizar uma leve pressão para auxiliar um aumento na vascularização da região e movimentos de flexão e extensão; Realizar a punção com agulha e aguardar a formação de uma gota; Colocar a gota de sangue na fita e proceder à leitura; Comprimir o local com algodão seco por alguns segundos até hemostasia, não é necessário colocar curativo no local; Organizar o material, retirar as luvas e lavar as mãos; Registrar o procedimento e o resultado no prontuário do paciente. ➢ Coleta de sangue periférico para exames laboratoriais ○ Material:  Solicitação do exame;  Algodão com solução anti-séptica;

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 Algodão seco;  Garrote;  Adesivo;  Frasco adequado para o tipo de coleta;  Seringa;  Agulha 25x7 ou 25x8;  Luvas de procedimento. ○ Técnica: Reunir o material; Lavar as mãos; Calçar as luvas; Escolher o local de punção; Realizar a desinfecção do local; Na coleta venosa, garrotear o membro escolhido. Recomendam-se as veias do dorso da mão e do pé, além das veias: mediana, cefálica, basílica e jugular externa; Na coleta arterial, não é necessário garrotear, deve sentir a pulsação arterial, e é privativo do enfermeiro. Recomenda-se a artéria radial e a cubital; Após a coleta comprimir o local com algodão seco até hemostasia completa. Na coleta arterial essa compressão deve ser por um minuto no mínimo e manter um curativo compressivo no local; Organizar o material, retirar as luvas e lavar as mãos; Registrar o procedimento e o volume de sangue coletado no prontuário do paciente; Complicações decorrentes da punção são os hematomas. ➢ Curativos Sua finalidade é de tratamento, limpeza e proteção de uma lesão ou incisão cirúrgica, além de facilitar a regeneração e cicatrização de tecidos. ○ Material:  Pacote de curativo;  Solução fisiológica ou conforme prescrição médica;  Micropore;  Gaze;  Luvas de procedimento;  Tesoura;  Medicação tópica prescrita. ○ Técnica: Reunir o material; Lavar as mãos; Calçar as luvas; Posicionar o RN e se necessário imobilizálo; Avaliar para dor, se necessário medicar conforme prescrição médica, antes do curativo; Abrir o pacote de curativo com técnica asséptica; Dispor o material de forma a facilitar o manuseio sem contaminação; Desprender o adesivo da pele com auxílio de uma pinça; Remover o curativo e desprezar em local apropriado (resíduo biológico); Desprezar a pinça;

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Com uma segunda pinça, limpar o local com gaze embebida em solução fisiológica morna, a partir da área mais limpa para a mais contaminada; Aplicar a medicação, se indicado; Fechar o curativo com material indicado (gaze, atadura, adesivos hidrocoloide ou transparente), identificar com data, hora, profissional responsável; Acomodar o RN confortavelmente; Organizar o material, retirar as luvas e lavar as mãos; Registrar no prontuário o aspecto da ferida. ➢ Cuidados de enfermagem na hiperbilirrubinemia neonatal A icterícia é o aumento de bilirrubina e é comum no período neonatal, devemos estar atentos, pois pode ser indicativo de doenças e pode ser tóxica levando a danos neurológicos. ○ Suas causas são:  Doenças hemolíticas por incompatibilidade materno-fetal;  Deficiência de enzima eritrocitária;  Defeitos na estrutura dos eritrócitos;  Policitemia;  Síndrome de Down;  Atresia de vias biliares;  Obstrução biliar extrínseca;  Hepatite;  Infecção;  Nutrição parenteral prolongada;  Retardo de eliminação de mecônio, íleo paralítico, demora de início da alimentação. ○ Tratamento:  Fototerapia;  Exosanguíneotransfusão. ➢ Fototerapia: Posicionar o aparelho 30 a 40 cm do paciente; Quando utilizado o aparelho convencional, observar se todas as lâmpadas estão acesas e de preferência 7 a 8 lâmpadas fluorescentes; O bilispot é recomendado para RN menores de 2.500g, devido diâmetro do foco de luz; Biliblanket é um colchão com fibra ótica luminosa com a qual a pele do RN fica em contato direto, mas sua eficácia é pequena devido à pequena superfície corporal exposta; Biliberço é um aparelho com sete lâmpadas dispostas na base de um berço de acrílico, com colchão de silicone, sendo a luz refletida na cúpula de acrílico, é eficaz devido à grande área exposta do

 Instabilidade térmica.  Distensão abdominal. não as atingindo.  Arritmias e parada cardíaca. Controlar a irradiância. a luz não afeta as gônadas. Direcionar ao foco de luz perpendicularmente.  Rash cutâneo. ○ Complicações da fototerapia:  Perda de líquido. Controle rigoroso da temperatura. pois pode acarretar danos irreversíveis a retina. Ela é denominada de Kernicterus. Retirar da fototerapia somente para alimentar. ➢ Exosanguíneotransfusão É a transfusão sangüínea em que se realiza troca sangüínea total ou parcial da volemia com finalidade terapêutica.  Hiperbilirrubinemia remove a bilirrubina indireta e corrige a anemia.  Desequilíbrio hidroeletrolitico. pois penetra 2 a 3 mm na pele.  Sangramento. Usar protetor ocular (radiopaco) no RN. Pesar uma vez ao dia.  Obstrução de vias aéreas superiores pelo protetor ocular. Manter a distância de 5 a 8 cm entre a incubadora e as lâmpadas.  Queimaduras. Retirar as fraldas do RN para expor maior área corporal.  Enterocolite necrosante. . Hidratação adequada.  Encefalopatia bilirrubínica: é o resultado clínico da toxidade da bilirrubina às células dos gânglios da base e diversos núcleos do tronco cerebral.  Infecção. Registrar no prontuário o resultado.  Hipocalcemia. ○ Complicações:  Embolia. ○ Indicação:  Incompatibilidade ABO ou Rh. com radiômetro: colocar a célula fotossensível para cima junto à superfície corporal do RN (abdômen).111 RN.  RN hidrópico realiza a correção da policitemia.  Perfuração dos vasos umbilicais. trombose e vasoconstrição.

 Frasco coletor para o sangue desprezado. Verificar o nível de glicose imediatamente após procedimento. Requisitar o sangue.  Monitor cardíaco. Obter consentimento dos pais para transfusão. ○ Intervenções de enfermagem: Lavar as mãos.  Material para intubação e ventilação manual. Colocar RN em berço aquecido. Anotar cada saída e entrada de sangue em uma ficha de exosanguíneotransfusão e em voz alta verbalizar ao médico a quantidade de sangue a cada saída e entrada. Administrar gluconato de cálcio a cada 100 ml de sangue transfundido conforme prescrição médica.  Equipos com o sangue. Avaliar os sinais vitais a cada 15minutos durante o procedimento.  Seringa de 10 e 20 ml.  Ventilador artificial.  Luvas estéreis. 1hora após.  Material para cateterização umbilical. Colher exames laboratoriais pré-procedimento.  Gluconato de cálcio 10%. ➢ Cuidados de enfermagem na administração de medicamentos . ○ Material:  Berço aquecido. Observar estado geral do RN. Organizar o material.  Campo estéril.  Tubos para colheita de exames de sangue. Organizar o material e lavar as mãos.112  Instabilidade térmica. Acomodar confortavelmente após o procedimento. Instalar as monitorizações. Auxiliar o médico na cateterização umbilical.  Máscara e gorro. Verificar os sinais vitais a cada 30minutos depois do procedimento por 2horas. 2horas após e 4horas após.  Avental estéril.  Solução anti-séptica. Movimentar a bolsa do doador delicadamente a cada 5minutos.  Aparelho de pressão. Imobilizar o RN. No final do procedimento colher sangue para exames.  Oxímetro de pulso.  Medicamento de urgência. Anotar o procedimento no prontuário do paciente.

Fixar o dispositivo deixando descoberta a parte distal da agulha: Instalar o soro ou a . Escolher a veia a ser puncionada: Proceder à anti-sepsia do local da punção. administrar o medicamento e lavar a sonda com 1 ml de água destilada se sonda gástrica e 2ml se sonda duodenal. Em caso de sonda aberta em frasco para drenagem deixá-la fechada por 30 minutos após administração de medicamento. Lavar as mãos. irritabilidade no local da punção. ➢ Via endovenosa ○ Material:  Seringa. Observar sinais de dor.2ml de soro fisiológico. Esticar a pele e manter a veia fixa.  Equipo de microgotas e bomba de infusão. Organizar o material. via de administração.  Luvas de procedimento. Observar a deglutição. aproximadamente a 1 cm de onde a veia será alcançada. Se isto ocorrer retirar o acesso e puncionar em outro local. Testar a permeabilidade da veia observando o refluxo de sangue e introduzindo 0. lavar as mãos e registrar o procedimento no prontuário do paciente.  Agulha. Verificar a dose.  Agulha para aspirar o medicamento. ○ Técnica: Lavar as mãos.  Adesivo. edema. horário. ○ Técnica: Reunir o material. Reunir o material.  Água destilada.113 Via oral ou sonda gástrica ou duodenal ○ Material:  Seringa. Posicionar o paciente em decúbito levemente elevado. vasoespasmo. Administrar o medicamento com auxílio de uma seringa no canto da boca do paciente.  Dispositivo intravenoso periférico n°25 ou27 ou cateter flexível n°24.  Algodão seco e com solução anti-séptica. Introduzir o dispositivo com o bisel voltado para cima. Calçar as luvas e preparar o medicamento prescrito.  Soro fisiológico. nome e leito do RN. No caso de sonda testar aspirando resíduo.  Medicamento prescrito.  Medicamento.

Tracionar o êmbolo para certificar que não puncionou um vaso. Fazer a desinfecção da ampola ou frascoampola. Calçar as luvas. Organizar o material. ○ Técnica: Reunir o material. haste flexível com pontas de algodão ou espátula. Selecionar o local para aplicação: Vasto lateral da coxa na face anterolateral. no terço médio. delimita-se com a mão contrária ao lado de aplicação. Pinçar o músculo com dedo indicador e polegar. Retirar a agulha e pressionar o local com algodão seco.114 medicação prescrita em equipo de microgotas e bomba de infusão.  Gaze. Introduzir a agulha em direção ao joelho. Expor a área ser tratada. Aplicar o medicamento.  Agulha 13x4. Administrar o medicamento. Registrar o procedimento no prontuário do paciente. 5 ou 25x7 (depende do tamanho do RN). ➢ Via cutânea ○ Material:  Medicamento. afastando-se o dedo médio do indicador. Aspirar em seringa o medicamento e trocar a agulha. ➢ Via retal ○ Material:  Supositório ou solução. Este posicionamento formará um “V” entre os dedos.  Algodão seco e com solução anti-séptica. Região ventro – glútea. lavar as mãos. Lavar as mãos. lavar as mãos. Registrar o procedimento no prontuário do paciente. em direção antero-posterior. ○ Técnica: Reunir o material. Calçar as luvas. Organizar o material. Colocando o dedo indicador na espinha ilíaca superior anterior. . Organizar o material. lavar as mãos. Lavar as mãos.  Medicamento prescrito.  Luvas de procedimento. Registrar o procedimento no prontuário do paciente. ➢ Via intramuscular ○ Material:  Seringa. aproximadamente 2 cm abaixo do limite superior deste. sobre a crista ilíaca. A aplicação é feita no centro deste “V”.  Luvas de procedimento.

 Seringa.  Gaze. Técnica: Reunir o material. O nitrato de prata causa queimaduras quando em contato com a pele. lavar as mãos. Registrar o procedimento no prontuário do paciente. Registrar o procedimento no prontuário do paciente. ○ Técnica: Reunir o material. Afastar com a gaze a pálpebra inferior. Lubrificar a sonda com gel e conectar a seringa com medicamento. Instilar a gota ou aplicar a pomada no saco conjuntival. Calçar as luvas.  Luvas de procedimento.115  Gel lubrificante. ➢ Via otológica ○ Material:  Medicamento.  Conta-gotas. Calçar as luvas. Organizar o material. Posicionar o RN mantendo a cabeça levemente inclinada para trás. Administrar o medicamento. Registrar o procedimento no prontuário do paciente. Organizar o material. lavar as mãos.  Gaze. Posicionar o RN em decúbito lateral esquerdo com a perna fletida e afastar as nádegas com a gaze. some após alguns dias. Lavar as mãos. . para evitar o retorno do medicamento. comprimindo as nádegas. Posicionar o RN em decúbito lateral esquerdo com a perna fletida e afastar as nádegas com a gaze.  Luvas de procedimento. Calçar as luvas. lavar as mãos. ➢ Administrar soluções: Reunir o material. Organizar o material. Retirar a sonda. ➢ Via oftálmica ○ Material:  Medicamento. Estimular com supositório: Introduzir parcialmente o supositório no reto e deixar neste local por alguns segundos. Lavar as mãos. Lavar as mãos. Introduzir 2 cm no reto.  Gaze.

1ml. Organizar o material.Registrar o procedimento no prontuário do paciente. lavar as mãos. Organizar o material. Lavar as mãos. ➢ Via subcutânea ○ Material:  Algodão seco e com solução anti-séptica. . lavar as mãos. Introduzir a agulha em ângulo de 45° em relação à pele. Realizar assepsia do local. Lavar as mãos.  Gaze. Posicionar o RN em decúbito lateral e tracionar o pavilhão auricular para baixo e para trás. ○ Técnica: Reunir o material. Realizar pressão no local com algodão seco.  Agulha 13x4. ➢ Via nasal ○ Material:  Medicamento.  Luvas de procedimento. Local de aplicação é a face externa lateral da coxa e parede abdominal.  Medicamento na seringa e não deve ultrapassar 0. Registrar o procedimento no prontuário do paciente. Posicionar o RN em decúbito dorsal com a cabeça levemente fletida para trás.  Conta-gotas. 5. Registrar o procedimento no prontuário do paciente. Organizar o material. Administrar o medicamento e retirar a agulha. Aplicar o medicamento e manter o RN em decúbito lateral por alguns minutos e depois aplicar no outro ouvido se prescrito. retilinizando o canal auditivo.116 ○ Técnica: Reunir o material. Lavar as mãos. Instilar o medicamento e manter o RN na mesma posição por alguns segundos. lavar as mãos. Tracionar o êmbolo para certificar que puncionou um vaso. ○ Técnica: Reunir o material. ➢ Extravasamento de medicações endovenosas Vários fatores contribuem para extravasamento ou infiltração endovenosa entre eles:  Má perfusão.

torna-se necessário usar de habilidade e observação das alterações comportamentais e fisiológicas para qualificar e quantificar a dor. o profissional deve conversar com voz suave com RN e tentar acalmá-lo.117  Fixar o cateter de maneira que impossibilite de visualizar a região da extremidade da agulha. pois pode aumentar a lesão. Conduta:  Parar a infusão imediatamente. Os sinais de infiltração são:  Edema. .  Esfriamento da extremidade afetada. luminosidade.  Não aplicar calor úmido ou compressas frias. incentivar a mãe a realizar o canguru e conversar com RN.  Observar o local a cada 15minutos por 2horas.  Diminuição da perfusão local. pois ainda não há uma escala especifica para estes.  Se a lesão for muito profunda recomenda-se avaliação do cirurgião plástico.  Alteração da coloração da pele no local (necrose). enrolar o RN em coberta.  Mudar de decúbito.  Não parar a infusão no primeiro sinal de flebite ou extravasamento. reduzir os manuseios e utilizar sons intra-uterinos ou ambientais. ○ Intervenções de enfermagem  Diminuir estimulação ambiental como ruídos. As escalas de avaliação da dor são adaptadas ao neonato.  Comunicar o enfermeiro e o médico imediatamente para realizar o medicamento hialuronidase subcutâneo ou intradérmico ao redor da lesão.  Colocar uma luva de procedimento e oferecer o dedo para sucção não nutritiva durante procedimentos dolorosos.  Se não há familiar acompanhando.  Elevar a extremidade afetada.  Não observar com freqüência o local da punção. ➢ A dor no neonato É um desafio avaliar a dor no neonato pela falta de verbalização.  Formação de bolha.

oxímetria de pulso.  Aspirador montado e testado. ➢ Onfalocele .  Instalar suporte ventilatório.  Manter jejum de 8horas.  Verificar sinais vitais e realizar o exame físico antes de encaminhar ao centro cirúrgico.  Manter o aporte de oxigênio necessário.  Organizar material para reanimação.  Receber plantão da equipe da cirurgia. envolvêlos no cuidado e responder todas as dúvidas.  Colocar o RN em berço aquecido para transporte.  Colher sangue para exames.  Administrar medicações pré-anestésicas conforme prescrição médica. Pesar o paciente.  Verificar sinais vitais a cada 15minutos na primeira hora. onde exterioriza órgãos da cavidade abdominal.118  Medicar para dor conforme prescrição médica.  Obter acesso venoso.  Instalar monitorização cardíaca. ➢ Cuidados de enfermagem no pós-operatório  Preparar o leito para receber o RN.  Permitir que os pais acompanhem o neonato assim que possível. ➢ Gastrosquise: É um defeito congênito da parede abdominal.  Manter a estabilidade térmica.  Confirmar a identificação do paciente (pulseira) antes de encaminhar ao centro cirúrgico. ➢ Cuidados de enfermagem no pré-operatório  Verificar se há autorização dos pais para o procedimento cirúrgico.  Berço aquecido pronto.  Observar o curativo.  Encaminhar o RN ao centro cirúrgico.

119 É um defeito congênito da parede abdominal.  Orientar as normas da UTI neonatal e o cuidado que terão que ter com as visitas (centrada na família). .  Tubo endotraqueal. pele fria e úmida. ○ Material:  Fontes de vácuo. bradicardia.  Ressuscitador manual com máscara adequada ao tamanho do RN. Cuidados de enfermagem  Cobrir com compressa úmida com soro fisiológico morno as estruturas e envolver em plástico estéril próprio para esse procedimento.  Estetoscópio.  Água destilada. ausência de pulso.  Utilizar técnica asséptica e utilizar cobertor. ♦ Cuidados de enfermagem na parada cardiorrespiratória (PCR) São sinas de PCR: ausência de expansão pulmonar ou apnéia. mas a diferença da gastrosquise é que há uma membrana avascularizada transparente cobrindo as estruturas do abdômen. Ao médico compete a intubação traqueal e à equipe de enfermagem deve preparar o material e auxiliar no procedimento.  Não ventilar o RN com máscara para prevenir distensão abdominal. assistolia. lençol estéril no leito do RN.  Monitorar sinais vitais com freqüência. diminuição da perfusão periférica. palidez e cianose.  Observar coloração da pele e perfusão.  Puncionar acesso venoso.  Agrupar os cuidados. midríase. pressão arterial ausente.  Manter balanço hídrico rigoroso.  Extensão de silicone.  Orientar os pais sobre equipamentos envolvidos no cuidado com RN.  Manter sonda gástrica aberta para drenagem.  Administrar analgésico conforme prescrição médica.  Cabo e lâmina de laringoscópio. oxigênio e ar comprimido.  Umidificador. onde exterioriza órgãos da cavidade abdominal.

Alguns critérios para alta são:  Peso acima de 2 kg. lavar as mãos.  Agulhas.  Seringas de 1. máscara e óculos de proteção. Monitorar o RN. ○ Técnica: Ao constatar a PCR.  Evitar readmissão. O profissional deve ensinar aos pais cuidados básicos como:  Alimentação.  Adesivo para fixar o tubo endotraqueal.  Identificar os recursos disponíveis na comunidade para atendimento após a alta. Auxiliar na aspiração das vias aéreas e intubação. pois durante muito tempo estiveram no ambiente hospitalar com uma equipe lhes dando suporte. que é o de irem para casa. Agilizar RX. Registrar o procedimento no prontuário do paciente. Acomodar o RN.  Sonda de aspiração.  Material para punção venosa. Monitorar sinais vitais. Auxiliar na instalação do respirador.  Ensinar os pais a maneira correta de prestar o cuidado ao seu filho.120  Monitor de oxímetria cardíaco. Posicionar o RN em decúbito dorsal com a cabeça levemente hiperextendida.5 e 10 ml. trazer o material de urgência para perto do leito do RN. Realizar sondagem gástrica e manter aberta para drenagem. Solicitar ajuda imediatamente. Planejar a alta é recomendado e seus objetivos são:  Desenvolver o senso de responsabilidade nos pais. Administrar drogas conforme solicitação médica.  Estabilidade dos sinais vitais.  Higiene. .  Drogas de emergência. mas que também causa muitas dúvidas. Organizar o material. Puncionar acesso venoso periférico. Lavar as mãos e colocar as luvas de procedimento.  Ambiente adequado. e agora chegou o momento tão almejado.  Verificação da temperatura axilar. ♦ Alta hospitalar É importante preparar os pais para a alta.

a duplicação do material genético. a célula conclui seu processo de duplicação na fase M. No entanto. normais ou cancerosas. Isso leva à perda da diferenciação celular. Por outro lado. Quimioterapia e Antineoplasicos 1.121  Quando procurar atendimento. em estruturas adjacentes. fase S. eventualmente levando à morte. Uma neoplasia pode ocorrer em qualquer tecido e em qualquer idade. Em 30 a 60 segundos ocorre a separação dos cromossomos e a formação de duas células-filhas idênticas. É uma anomalia da multiplicação celular (malignidade celular). Todas as células. ou seja. geralmente células de crescimento mais lento têm períodos G1 maiores que as de crescimento rápido. Tem duração de 1 a 12 horas. passam pelas mesmas fases até chegarem à divisão celular. A maioria das neoplasias detectadas em sua fase inicial é potencialmente curável. Nela ocorre a síntese do RNA e das proteínas necessárias à formação do DNA. ou fase de mitose. onde ocorre a síntese do RNA e das proteínas necessárias ao processo de divisão.  Tirar dúvidas sobre administração de medicamentos.1 Introdução O câncer é um tumor que pode infiltrar-se através de barreiras do tecido normal. Tem duração variável. Tem sua duração média de 18 horas. há um balanço entre células que nascem e células que morrem. um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original. 1). As células malignas e normais passam pelas fases do ciclo de divisão celular (Fig. Nesse processo descontrolado de reprodução pode haver também . 1 Oncologia. Na fase seguinte. Em seguida. raramente constituindo um risco de vida. e disseminar-se para regiões distantes. Tem duração de 10 a 30 horas. A diferença básica reside no fato de que nos tecidos normais a produção celular ocorre de forma a preencher as necessidades orgânicas. a célula entra na fase G2. A fase G1 representa o início do processo de divisão celular. Células em fase G0 ou fase de descanso representam a fração não-proliferativa do tecido.  Locais e datas da visita periódica ao pediatra. cuja característica principal é a perda do controle normal da multiplicação e crescimento celular. ou seja. Finalmente. ocorre a síntese do DNA. as cancerosas não obedecem a esse comando e proliferam excessivamente. crescimento desregulado e invasão de tecidos locais e a distância (metástases). chamada pré-mitótica. de algumas horas a muitos anos. pois não se dividem.

2 Carcinogênese As causas do câncer são tão diversas quanto o próprio câncer. por outro lado. Nesta fase as células se encontram. genes supressores de tumores. como a mutação no gene BRCA 1 do cromossomo 17. ♦ Estágio de Promoção É o segundo estágio da carcinogênese. Como resultado. Existem. Outros genes causando maior suscetibilidade ao câncer tem sido identificados. Nele as células sofrem o efeito dos agentes cancerígenos ou carcinógenos que provocam modificações em alguns dos seus genes. ♦ Estágio de Iniciação É o primeiro estágio da carcinogênese. sendo a mutação em ambos os alelos necessária para impedir tal função. que têm como função normal suprimir a transformação. Nesse estágio o câncer já está instalado. evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas da doença. de forma lenta e gradual. porém ainda não é possível se detectar um tumor clinicamente. geneticamente alteradas. que aumenta o . Nele. a lesão pré-cancerosa supera as defesas orgânicas e torna-se uma neoplasia maligna invasiva. as células passam a sintetizar ou proteínas normais em quantidades inadequadas ou proteínas com estrutura aberrante para as funções celulares. Em teoria: câncer ocorre em pacientes com predisposição genética herdada ou induzida. denominados protoncogenes. que sofrem alteração por agentes virais. A célula iniciada é transformada em célula maligna. que foram expostos a co-fatores secundários (geralmente ambientais ou talvez virais). ♦ Estágio de Progressão É o terceiro e último estágio e se caracteriza pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. As mutações que ativam os oncogenes usualmente ocorrem nas células somáticas. ou seja. Alguns componentes da alimentação e a exposição excessiva e prolongada a hormônios são exemplos de fatores que promovem a transformação de células iniciadas em malignas. as células geneticamente alteradas sofrem o efeito dos agentes cancerígenos classificados como oncopromotores. a produção de células com características morfológicas e biológicas totalmente diferentes do tecido normal. Na atualidade já foram descobertas duas classes de genes que atuam na transformação neoplásica. Após um período extremamente variável. não sendo transmitidas hereditariamente. O resultado final decorrente da ativação de um oncogene é uma divisão celular desregulada.122 a perda da capacidade de diferenciação. Os oncogenes se originam de genes normais preexistentes. 1. físicos ou químicos.

como ocorre em alguns sarcomas. Muitos agentes ambientais atuam como carcinogênicos. capaz de prevenir o encurtamento dos telômeros. A infecção pelo vírus HIV está associada ao maior risco de alguns tipos de câncer. apresenta o risco de desenvolver câncer de pulmão. O mais importante agente carcinogênico conhecido é o tabagismo. o qual pode estar envolvido em quase um terço de todas as formas conhecidas de câncer. A supressão autoimune também pode contribuir para o desenvolvimento do câncer. tornando-o incapaz de controlar a proliferação celular. juntamente com vírus oncogênicos (papilomavírus. A atividade da telomerase está presente em 85% dos tumores malignos. o asbesto. ♦ Diagnóstico e Estadiamento  Marcadores Tumorais Marcadores tumorais são substâncias produzidas pelo tumor ou pelo tecido normal. sendo encontrados no sangue. maior suscetibilidade genética. prevenindo sua ação reguladora da apoptose. sugere que a mesma pode exercer um papel importante na imortalidade da célula tumoral. doença de Hodgkin. agentes infecciosos e outros fatores ainda pouco conhecidos causam mutação no DNA normal. líquor e tecidos do corpo. Mutações no gene p53 removem seu efeito supressor de forma que o gene não pode mais se expressar. O processo maligno se desenvolve como resultado da expressão desregulada e/ou inapropriada de determinados genes cruciais para a proliferação e a diferenciação celular.123 risco para carcinoma de mama e ovário. em reposta à presença do tumor. químicos e biológicos são conhecidos como carcinogênicos para o ser humano. Outro controle contra a proliferação celular anormal é o encurtamento da extremidade dos cromossomos (telômero) à medida que a célula se divide e envelhece. o que explica o fato de que nem todo fumante. O gene p53 parece atuar na morte celular programada (apoptose) como uma forma de regular a proliferação celular descontrolada na presença de sinais celulares anormais para o processo de crescimento. urina. A expressão exagerada da enzima telomerase. sarcoma de Kaposi e cânceres anal e cervical. Esse gene também pode ser inativado pela expressão anormal e aumentada de um oncogene cujas proteínas se ligam ao gene p53 normal. o que favorece o crescimento anormal e excessivo do tecido tumoral. como linfoma não-Hodgkin. que se torna maligna. mas apenas uma minoria. como o benzeno. Parece existir predisposição hereditária para determinados tipos de câncer. Epstein Barr) e agentes físicos. Exposições ambientais. Um grande número de agentes físicos. A agressividade do tumor é aumentada pela manifestação ou potenciação de informação genética adicional. como radiação ionizante e luz ultravioleta. . mas ausente na maioria dos tecidos normais.

bem como abordagem diagnóstica. O estadiamento poderá também basear-se em dados patológicos oriundos do exame da peça cirúrgica. As células neoplásicas entram na circulação em grande número. e a maioria deles pode ser detectada em diferentes tumores (Quadro 1). possui grande valor para a escolha do tratamento e para a previsão quanto ao prognóstico do paciente. Nos pacientes com alguns tipos de câncer. pT1pN2. estadiamento e tratamento. os marcadores possam ser utilizados com diversas finalidades. em parte como resultado da natureza anormal da vasculatura tumoral. as células tumorais rompem e invadem a membrana epitelial. teoricamente. propriamente dito. As anotações da descrição macroscópica e microscópica contem dados importantes para o estadiamento patológico correto: tamanho exato da lesão. localização de metástases e tratamento. ♦ Metástases Uma vez estabelecido o crescimento. Alguns marcadores tumorais são a expressão de substâncias normalmente presentes em tecidos embrionários. monitoração da eficiência da terapêutica. permitindo a ocorrência de metástases a distância. o estabelecimento de prognóstico. dos linfonodos da cadeia de drenagem linfática do órgão em que o tumor se localiza e ainda da presença ou ausência de metástase a distância. demonstrando que certos genes foram reativados como decorrência da transformação neoplásica das células. essas proteínas reaparecem em circulação. Essa classificação segue as características do tumor primário. os tumores disseminam por invasão local e metástases. proposta pela União Internacional Contra o Câncer. O primeiro passo para o cuidado médico-paciente é estabelecer o diagnóstico histopatológico. Cada tipo de câncer tem um padrão característico de crescimento. por exemplo. Nesse caso. a maioria deles tem sua grande aplicação na avaliação da resposta terapêutica e na detecção precoce de recidivas. em que T= tumor. no momento de seu diagnóstico. Ainda que. M= metástase).124 Poucos marcadores tumorais possuem especificidade para um determinado tipo de tumor. apresentação. relações anatômicas a estruturas adjacentes e proximidade das margens de ressecção. Como o câncer progride. recebe o prefixo “p”. N= linfonodos. O estádio e o nível funcional do paciente são os fatores de prognóstico mais acessíveis para o médico e também os de maior relevância para se estimar o prognóstico de um dado paciente com câncer. as células tumorais têm acesso aos canais linfáticos e venosos. mas ausentes ou em concentrações muito baixas no indivíduo adulto.  Estadiamento O estadiamento de forma padronizada de uma neoplasia. Uma vez atravessada a matriz. tais como diagnóstico. O estadiamento clínico dos tumores de diversos órgãos baseia-se na classificação dos tumores malignos (TNM. onde amplas aberturas entre células endoteliais e a descontinuidade na membrana .

nervos ou outras estruturas importantes (coluna vertebral. tabagismo. e também cresça e passe através do primeiro leito capilar (geralmente no fígado ou pulmão). ♦ Principais Modalidades de Tratamento O controle do câncer pode ser obtido por meio de prevenção. a seguir. hormonioterapia e imunoterapia) ou locais como a radioterapia podem ser aplicadas. hormonioterapia. mais antigas e de ação localizada. Uma vez definido que a doença do paciente é localizada. asbestos). a cirurgia não é geralmente uma opção e outras modalidades terapêuticas sistêmicas (como a quimioterapia. Para instalação de uma metástase é necessário que a célula tumoral sobreviva ao ambiente circulatório que lhe é hostil. agamaglobulinemia). carina etc).  Cirurgia Uma das principais modalidades de tratamento dentro da oncologia para a maioria dos tumores sólidos. o número de metástases que se estabelece é relativamente pequeno. É importante neste processo identificar as pessoas com risco aumentado de desenvolver câncer como consequência da exposição a fatores ambientais (por exemplo. esta é uma manifestação importante da heterogeneidade das células tumorais. Este é um processo complexo e especializado. deve-se saber. imunoterapia e anticorpos . aderindo preferencialmente ao local da metástase e estabelecendo um ambiente local favorável para seu desenvolvimento. então não é de surpreender que a maioria das células neoplásicas não o consigam. Contudo. Somente pequena parcela da população celular tumoral total é funcionalmente capaz de metastatizar. radioterapia. que não invade estruturas nobres. da extensão da doença e da condição física do paciente. polipose intestinal. tais como cirurgia. Um tumor ressecável é tecnicamente exequível de ser extirpado por completo com margens cirúrgicas livres de neoplasia. que contrasta com a cirurgia e a radioterapia. Se o tumor for ressecável. bem como devido a fatores predisponentes individuais (albinismo e câncer de pele. se o doente é operável ou não. alcoolismo. Nas situações em que o tumor é irressecável ou já há metástases a distância. Pode ser empregada com objetivos curativos ou paliativos. dependendo do tipo do tumor.125 basal facilitam o acesso vascular. deve-se questionar se o tumor é ressecável cirurgicamente. ou seja. como vasos sanguíneos. dependendo das características do tumor em questão.  Quimioterapia A quimioterapia antineoplásica é uma modalidade de tratamento sistêmico da doença. A associação da quimioterapia a outras formas de tratamento. detecção precoce e terapêutica cirúrgica e/ou quimioterapia. Operabilidade é definida genericamente como a capacidade que o paciente tem de se submeter com sucesso à cirurgia proposta. apesar do grande número de células neoplásicas que circulam.

os tumores de rápido desenvolvimento são os mais suscetíveis à destruição pela quimioterapia. são mais eficazes quando utilizadas precocemente. são tóxicos aos tecidos de rápida proliferação. O oncologista radioterapeuta possui ferramentas para curar muitas malignidades e paliar outras com risco mínimo de efeitos colaterais graves/sérios. geralmente tem como objetivo a avaliação da resposta ao antineoplásico e a eventual redução do tumor. que pode resultar em cirurgias mais conservadoras. cancerosas ou normais. Os agentes antineoplásicos não específicos contribuem com o recrutamento das células para um estado ativo de divisão. Esta ionização pode levar a dano direto do DNA ou formar radicais livres quimicamente reativos que por sua vez causam dano ao DNA. A associação dos agentes antineoplásicos cicloespecíficos ou não específicos combinados com fase-específicos são efetivos contra células que se encontram em divisão ativa ou lenta. portanto.  Radioterapia Radioterapia é uma especialidade médica que utiliza um agente físico. produz os indesejáveis efeitos colaterais ou tóxicos. havendo. preservar o tecido normal adjacente. não destrói seletiva e exclusivamente as células tumorais. a utilização de quimioterápicos após o tratamento cirúrgico. A aplicação disseminada das técnicas radioterapêuticas modernas tem somente algumas décadas de idade. O ataque indiscriminado promovido pelas drogas antineoplásicas às células de rápida proliferação. Quando empregada antes da cirurgia. ou seja. Sabe-se que as drogas antineoplásicas agem especialmente em células que estão em processo de divisão ativa. Os antineoplásicos são drogas que atuam em nível celular. tecnologia de computação e radiobiologia contribuíram para os grandes melhoramentos neste campo. mais células estão em divisão ativa. é chamada de quimioterapia adjuvante. com . Para tal finalidade têm sido desenvolvidos equipamentos que permitem a escolha de diferentes tipos de radiação. que é produzida em aparelhos ou obtida de radioisótopos naturais ou artificiais para fins terapêuticos.126 monoclonais é bastante comum. para promover a erradicação de micrometástases. ou seja. portanto. da quimioterapia neoadjuvante. conhecidos e extremamente temidos pelos indivíduos que necessitam se submeter ao tratamento. caracterizados por uma alta atividade mitótica e ciclos celulares curtos. Em geral. A maioria dos agentes antineoplásicos não possui especificidade. tornando-as mais sensíveis aos agentes fase-específicos. nesse caso. Além disso. Trata-se. pois. O objetivo da radioterapia é destruir o tecido patológico e. ao mesmo tempo. Todas as formas de radiação em uso clínico produzem ionização no tecido alvo. nesses casos. mais células sensíveis às drogas antineoplásicas. interferindo no seu processo de crescimento e divisão. Por outro lado. Desenvolvimentos recentes na física da radiação. a radiação ionizante. quando o tumor é ainda pequeno e cresce exponencialmente.

A dose única é . ✔ Antineoplásica: constitui sua maior indicação. Todos os métodos disponíveis (clínico. O objetivo é causar lesão nas células endoteliais presentes. O tratamento apropriado de qualquer tumor profundo requer conhecimento anatômico preciso da extensão do tumor e apreciação da tolerância à radiação dos tecidos normais adjacentes. É imprescindível a classificação do tumor em cada uma de suas localizações anatômicas e o estadiamento. Preferencialmente. É também administrada em doses baixas (menores que as usadas para neoplasias malignas). raios gama ou partículas geradas distante do paciente. ✔ Modificadora do trofismo dos tecidos: pode produzir efeito frenador ou ativador funcional. ✔ Teleterapia: uso de feixes de raios X. reação inflamatória e fibrose. principalmente nos casos de processos inflamatórios crônicos e recidivantes. A radioterapia pode ser usada de forma paliativa. Essa resposta tardia ocorre em semanas ou meses após o tratamento. radiológico e cirúrgico) são empregados para se delinear um volume de tratamento para o tumor sob consideração. particularmente as máformações arteriovenosas.  Radiocirurgia Foi desenvolvida para tratamento de lesões não-malignas no cérebro. dependendo do tecido. introduzidos sistemicamente. ✔ Terapia sistêmica: uso de materiais radioativos que. o volume do tratamento inclui toda massa tumoral. áreas adjacentes de provável doença microscópica e uma margem de segurança. e está indicada para as seguintes finalidades: ✔ Anti-inflamatória: devido a seus efeitos na liberação de substâncias vasoativas e na indução da morte das células inflamatórias.127 diferentes energias. curativa ou complementar. para doenças malignas e benignas. em especial tumores. também chamada de terapia “intersticial” ou “intracavitária”. existe uma distância física entre o paciente e a fonte de radiação. utilizam processos fisiológicos para localização do tumor. permitindo-se movimentos ao paciente e divergência do feixe de radiação. administrada em dose alta e única. fracionamento e dose da radiação. em suas diversas localizações anatômicas (superficiais ou profundas). Conhecida como radioterapia externa. São administradas doses baixas. morte celular. para tratamento de doenças. ✔ Braquiterapia: uso de fontes de radiação ionizantes encapsuladas implantadas diretamente nos tecidos ou colocadas em cavidades corporais naturais.

resultando em doses menores nos tecidos normais críticos. mucosas e suco gástrico para combate aos ataques externos e internamente . Para os tumores cerebrais. dada em 3 a 12 frações. permite o uso de retratores. São ambos de resposta lenta e apresentam alta capacidade de reparo da lesão radioinduzida com o fracionamento de dose. o indivíduo pode ir para casa com o implante no local. que dura poucos minutos. a taxa de dose é alta e diminui conjuntamente à atividade da fonte. Pode ser usada em vários locais. interessa explorar o fracionamento. A braquiterapia intracavitária com baixa taxa de dose é geralmente temporária e demora de 1 a 4 dias. Há duas formas para isto: irradiação intracavitária. não há vantagem em usar tratamento com doses fracionadas.  Braquiterapia Consiste no implante de fontes radioativas diretamente no tumor. O tratamento com alta taxa de dose. que podem ser deixadas. Além das células cerebrais apresentarem maior capacidade de reparo das lesões radioinduzidas que o tumor. a técnica foi adaptada para o tratamento de tumores malignos pequenos e metástases no cérebro (radioterapia estereotáxica). pois permite reoxigenação entre as frações. É vantajoso para o paciente. Para a braquiterapia intersticial permanente são usadas fontes seladas com meia-vida curta. pois o tumor representa tecido de resposta rápida (alta quantidade de lesão reparável). Ele reconhece substâncias estranhas (antígenos). abre-se mão da vantagem radiobiológica de poupar o tecido normal de resposta lenta. o fracionamento propicia maior quantidade de lesão nas células tumorais. Nesse caso. pois. Está presente em pele. porém o mais comum é no colo do útero. o fracionamento aumenta o ganho terapêutico. A braquiterapia intracavitária em baixa taxa de dose tem sido substituída pela alta taxa de dose. A braquiterapia intersticial pode ser temporária ou permanente.  Terapia Biológica O sistema imunológico é responsável pela defesa do organismo contra elementos potencialmente nocivos. as vantagens físicas sobrepõem-se sobre as desvantagens radiobiológicas. Com essa substituição. Assim. elimina-as e memoriza esse contato. usando fontes radioativas colocadas diretamente no volume do tumor. e a intersticial. Mais recentemente. e o material utilizado é o irídio. Dessa forma. como não é necessário realizar cirurgia para remoção da fonte. No início. com sementes implantadas diretamente no volume do tumor.128 usada porque o tecido que se deseja destruir (má-formação vascular) e o tecido normal (cérebro) respondem de modo semelhante à radiação.

O interferon-alfa. O termo modificador de resposta biológica é usado para todo agente cujos efeitos antitumorais ocorrem por meio de modulação do sistema imunológico do hospedeiro. Dentre os inúmeros efeitos imunológicos. contrastando com agentes quimioterápicos.129 em órgãos linfoides. o estímulo da produção de citocinas. das células T e dos macrófagos. molgramostima eritropoietina. beta. . melanoma. usadas no tratamento da tricoleucemia. O interferon possui um amplo espectro de atividade antiviral. gama – com base na sequência de aminoácidos. atenuam os efeitos mielotóxicos dos quimioterápicos e outros imunomoduladores com atividade antitumoral. Diferentes classes foram identificadas – alfa. destacam-se a ativação das células destruidoras naturais.  Interleucinas A interleucina-2 é uma glicoproteína produzida por uma subclasse de linfócitos T auxiliares após a estimulação com mitógenos específicos. inclui uma família de mais de 20 proteínas usadas em ensaios clínicos. como filgrastima (GCSF). que atuam destruindo diretamente as células neoplásicas. o aumento da expressão antigênica da superfície celular das células tumorais e os efeitos na angiogênese e oncogênese. carcinoma renal. A administração da interleucina causa aumento no número de linfócitos circulantes.  Interferons Os interferons são uma família de proteínas que ocorrem naturalmente. como a interleucina-2 e o interferon. apesar de não possuírem atividade antitumoral. o primeiro a ser descoberto. dentre outras neoplasias. citocinas denominadas a fatores de estimulação ou crescimento (GM-CSF) e hematopoiético. A atividade dos dois é quase idêntica. sendo produzidas e secretadas em resposta à infecção viral ou a agentes de baixo peso molecular. imunológica e antiproliferativa. Integram o grupo dos agentes biológicos citocinas recombinantes com importante atividade imunomodulatória e antitumoral. que. o aumento da citotoxicidade anticorpo-dependente. A interleucina é utilizada como agente antitumoral no carcinoma de células renais e melanoma maligno bem como estimulante da produção de linfócitos CD4. tecidos e células para proteger o organismo dos perigos que ultrapassaram as defesas externas. O interferon alfa-2a e alfa-2b são proteínas purificadas produzidas pela tecnologia do DNA recombinante. bem como um aumento da citotoxicidade de subpopulações de linfócitos. sendo também empregados no sarcoma de Kaposi do paciente com AIDS.

decorrentes de destruição de tecido normal pelo tumor. como anorexia. mediado pelo sistema complemento e/ou pelos linfócitos T. Os anticorpos monoclonais se ligam a antígenos tumorais. como o fator estimulante de colônias de macrófagos e granulócitos (GM-CSF). nas síndromes paraneoplásicas os achados clínicos assemelham-se às manifestações de doenças primárias endócrinas. anemia aplástica. como leucopenia em pacientes com AIDS. neutropenia idiopática. eosinófilos e monócitos. o fator estimulante de colônias de macrófagos (M-CSF). neutropenia cíclica. fagocitose e citotoxicidade anticorpo-dependente. Diversos fatores estimulantes de colônias já foram identificados e purificados. Ensaios clínicos comprovaram a eficácia desses fatores no tratamento da insuficiência medular primária ou em quadros de imunodeficiência.130  Anticorpos Monoclonais A fusão de linfócitos B produtores de anticorpos com mieloma murino permitiu a obtenção de células híbridas que são capazes de produzir uma grande variedade de anticorpos específicos que podem ser mantidos em cultura de forma indefinida. dentre outros. estimulando a resposta imunológica do organismo. bem como no alívio da mielossupressão durante o uso de agentes citotóxicos. como a hipercalcemia nas metástases ósseas osteolíticas. Essas manifestações podem ser decorrentes de produtos do tumor. agranulocitose e doenças malignas em fases avançadas. metabólicas. como a quimiotaxia. mas podem ser antigênicos. Anticorpos monoclonais já foram desenvolvidos contra mais de cem tipos de antígenos associados a tumores e possuem um grande potencial terapêutico. ♦ Síndromes Paraneoplásicas Enquanto as manifestações clínicas das neoplasias decorrem usualmente de invasão e compressão local devido ao crescimento tumoral ou à infiltração e invasão metastática de outros tecidos pelas células tumorais.  Fatores Estimuladores de Colônias Os fatores estimuladores de colônias são fatores de crescimento responsáveis pelo crescimento. fraqueza e emagrecimento. hematológicas ou neuromusculares. ou consequentes de mecanismos desconhecidos. Adicionalmente também agem na função normal de células. com sinais e sintomas sistêmicos inespecíficos. síndromes mielodisplásicas e leucopenia. . sobrevivência e maturação de células precursoras da medula óssea que originam granulócitos. como a síndrome carcinoide. Anticorpos monoclonais possuem uma toxicidade mínima. como a osteoartropatia hipertrófica associada ao carcinoma brônquico. o fator estimulante de colônias de granulócitos (G-CSF). exercendo um efeito citotóxico.

A veia cava superior é bastante vulnerável à obstrução devido à sua localização anatômica. seguido pelo câncer de células escamosas (20-25%). O linfoma maligno é outro tumor capaz de causar a síndrome. por exemplo. carcinoma de pulmão) ou em razão à tromboflebite. trombose venosa primária e fibrose em área de cateter venoso central. assim como o reaparecimento das manifestações significam a recorrência do tumor. A compressão pode ocorrer como complicação de linfomas. O tratamento efetivo do tumor deve ser acompanhado da resolução da síndrome paraneoplásica. adenocarcinoma (525%) e carcinoma de células grandes (4-30%). hipercalcemia ou hiponatremia. fraqueza progressiva e alterações sensoriais das extremidades inferiores. que se origina na região central e invade localmente. A principal causa da síndrome é o carcinoma de pulmão. ♦ Síndrome da Veia Cava Superior A obstrução aguda ou crônica da veia cava superior é uma complicação decorrente do crescimento progressivo de um tumor na região superior anterior do mediastino (linfomas. Um alto índice de suspeita deve sempre existir em todo paciente portador de neoplasia e que apresente dor nas costas e fraqueza nas extremidades. aneurisma do arco aórtico ou pericardite constritiva. possuindo uma parede muito fina e pressão sanguínea muito baixa. pois é possível o retorno . o tumor produz um pró-hormônio ou substâncias de alto peso molecular responsáveis pela síndrome. ♦ Compressão Medular A compressão da medula espinhal por uma massa tumoral se caracteriza pela presença de dor. A síndrome ocorre em 3-5% dos pacientes com câncer de pulmão. Diagnósticos e tratamento rápidos são importantes. por estar confinada entre o esterno e brônquio principal direito e rodeada de linfonodos. sobretudo o carcinoma indiferenciado de pequenas células. Algumas vezes a síndrome acompanha um crescimento tumoral relativamente limitado e pode fornecer pistas ao clínico para o diagnóstico precoce. A obstrução pode ocorrer por compressão da veia cava pelos linfonodos com metástases ou por invasão direta da parede vascular pela neoplasia. assim como mediastinite esclerosante idiopática. mieloma múltiplo ou tumores sólidos metastáticos e a dor precede as alterações motoras e sensitivas. o que favorece o prognóstico. como. tumores de mediastino. É comum no câncer de pulmão não-pequenas células (15-45%). Algumas vezes as consequências patológicas metabólicas ou tóxicas podem caracterizar urgência maior que a causada pela neoplasia.131 Nas síndromes paraneoplásicas associadas à produção hormonal ectópica. que pode causar trombose local.

♦ Síndrome de Lise Tumoral A morte de um grande número de células tumorais pode causar hiperuricemia devido à excessiva liberação de ácidos nucleicos em circulação. por isso a importância do diagnóstico precoce. Metástases ósseas nem sempre estão presentes. Os níveis elevados de cálcio causam anorexia. Quando a lesão causa déficit neurológico grave. fraqueza muscular e hiporreflexia. os quais diminuem a excreção renal de urato. linfomas e mieloma. tremor e letargia. A prevenção da lesão renal melhora significativamente o prognóstico do paciente oncológico. de mama e mieloma múltiplo.132 completo das funções com a remissão do tumor por quimioterapia ou radioterapia. causadores de mortalidade precoce ou. O diagnóstico de câncer com ou sem tratamento é um fator de risco importante para FTV. constipação. ♦ Trombose Fenômenos tromboembólicos venosos (FTV) são frequentes em pacientes portadores de neoplasias. vômitos. ♦ Hipercalcemia A hipercalcemia secundária a neoplasias é uma emergência médica relativamente comum. psicose. Os níveis de cálcio podem ser elevados havendo o risco de morte súbita por arritmias cardíacas ou assistolia. Níveis mais elevados devem ser tratados como emergência médica. um problema que pode ser agravado pelo uso de diuréticos tiazídicos. que a . por si só. poliúria. como leucemias agudas. este pode tornar-se permanente. Na investigação do paciente oncológico deve sempre ser feita a dosagem de ácido úrico e creatinina. náuseas. podendo o paciente ser assintomático. a não ser em indivíduos predispostos. mas pode causar nefropatia aguda pelos cristais de urato. alternativamente. aumentando a probabilidade de quatro a seis vezes. a hiperuricemia pode ser consequência de neoplasias de crescimento rápido com grande produção de ácidos nucleicos. A complicação é mais comum durante o tratamento de neoplasias hematológicas. confusão mental. alcalinização da urina e uso de alopurinol. particularmente no câncer de pulmão. a presença de FTV é fator de pior prognóstico em pacientes com câncer. Por outro lado. com hidratação abundante. O pior prognóstico conferido pela presença de FTV em pacientes com câncer pode indicar que os FTV são. Mais raramente. que representam aproximadamente 15 a 20% de todos os casos novos de FTV. como leucemias. A hiperuricemia não causa crise de gota. sendo comum a manifestação de hipercalcemia como síndrome paraneoplásica.

a redução do tabagismo está associada à diminuição da incidência do câncer de pulmão. sendo a neoplasia incomum em não-fumantes. o paciente e o sistema hemostático. mas dependente de diferentes fatores. O CA pulmonar é uma neoplasia primária com origem nas vias aéreas. Os mecanismos patogênicos de trombose em câncer envolvem interações entre as células tumorais. ativação da coagulação e lesão vascular. haloéters. ♦ Carcinoma de Pulmão O câncer de pulmão persiste como a principal causa de morte em virtude às neoplasias no mundo moderno. imobilização. embora existam dados para supor que deva existir predisposição genética individual para a manifestação da neoplasia em uma minoria dos fumantes. óxido de ferro. ovário e pulmão. estase. O carcinoma broncogênico representa mais de 90% de todos os tumores pulmonares. níquel. berílio e gás radiônio. apresentando um aumento por ano de 2% na sua incidência mundial. parece ser mais elevado para pacientes com tumores cerebrais malignos. associada ao uso de produtos do tabaco. óleo isopropílico. Exposições ocupacionais também aumentam a incidência do CA de pulmão. etc) e história pregressa de trombose. comparadas às que recebem apenas quimioterapia. e sua extensão são fatores extrínsecos (cirurgia. O CA de pulmão ocorre geralmente a partir dos 45 anos de idade. carcinoma de grandes células e carcinoma de pequenas células. Epidemiologicamente. dos tipos de tumor e tratamento antineoplásico. como ao urânio (mineiros). na atualidade. a principal causa de morte por neoplasia no homem em todo o mundo. adenocarcinoma. Evidências da influência do tipo de terapia antineoplásica no risco de FTV são observadas em estudos clínicos de terapia sistêmica em pacientes portadoras de câncer de mama. sendo. todos esses são encontrados em maior ou menor grau em pacientes com câncer. Embora o risco exato de FTV não esteja definido para a maioria dos tumores. o tipo mais comum). com maior incidência entre 70 e 75 anos.133 presença deles é um indicador de maior agressividade dessas neoplasias. primários e metastáticos. O risco exato de FTV em câncer não é homogêneo. pâncreas. . Os pulmões podem ser sede de um grande e variado número e tipos de tumores. Os tumores pulmonares geralmente são de um dentre quatro tipos principais: células escamosas (epidermoide. Entre os três fatores classicamente envolvidos na coagulação. particularmente cigarros. gases arsenicais. Mulheres pós-menopáusicas que receberam quimioterapia concomitantemente ao tamoxifeno são as pacientes que apresentam as maiores incidências de FTV.

O CA de pequenas células causa. hemoptise. hiperfosfatemia ou síndrome de secreção inapropriada do hormônio antidiurético. Cerca de 10% dos CA epidermoides secretam produtos hormonais. . rouquidão. A grande maioria dos pacientes com câncer de pulmão apresenta doença avançada no momento do diagnóstico e morre no período de um ano após a sua detecção. mas medidas profiláticas são imprescindíveis. hiperpigmentação das regiões palmares e plantares no CA epidermoide e acantose nigricans no adenocarcinoma. como síndrome de Cushing. e mesmo a diminuição no número de cigarros fumados diminui o risco. hemoptise. A lesão primária pode causar tosse. como tosse. hiperpigmentação ou diabetes. com dor torácica. O carcinoma de grandes células se manifesta como uma massa periférica relativamente grande. hemoptise e/ou emagrecimento. Geralmente o CA de pequenas células torna-se sintomático em três meses após seu surgimento. é mais agressivo que o anterior e causa invasão de linfonodos ou metástases a distância. sendo que a osteoartropatia hipertrófica ocorre em quase um terço dos pacientes. Muitas vezes um tumor pulmonar pode manifestar-se apenas por meio de uma síndrome paraneoplásica (presente em 15 a 20% dos pacientes). sendo rara no tipo de pequenas células. manifestações endócrinas. enquanto o carcinoma de pequenas células aparece na região central do pulmão. diarreia e colelitíase. A grande maioria dos pacientes com câncer de pulmão apresenta sintomas que os fazem buscar atendimento médico. com maior frequência. O tipo celular e o estágio da doença são fatores importantes no prognóstico. disfagia. podendo haver manifestações devido à extensão local do tumor. O CA epidermoide quase sempre ocorre na região central. pela capacidade do tumor de metastatizar precocemente para linfonodos regionais. sibilos. O adenocarcinoma geralmente ocorre na periferia do pulmão. síndrome de Claude-Bernard-Horner. dispneia. O risco de câncer de pulmão e tabagismo é dose-dependente. havendo sintomas como tosse. enquanto no CA epidermoide os sintomas ocorrem após mais de oito meses de crescimento tumoral. como pleura. derrame pericárdico. perda ponderal. febre e pneumonia. A inalação passiva da fumaça de cigarros também parece ser um fator de risco de câncer de pulmão. derrame pleural ou paralisia diafragmática. síndrome de Pancoast. causando hipercalcemia. com tendência a invadir localmente. expectoração. como o abandono do tabagismo. sendo que mais de 70% dos pacientes apresentam manifestações extrapulmonares no momento do diagnóstico. sistema nervoso central ou adrenais. síndrome da veia cava superior. Um tipo especial de adenocarcinoma é o carcinoma bronquioloalveolar. Ginecomastia pode estar associada ao CA de grandes células. coração e outros órgãos. que geralmente se manifesta como nódulo pulmonar solitário. dispneia.134 A inflamação pulmonar crônica (fibrose intersticial) e áreas cicatriciais estão associadas ao adenocarcinoma.

história familiar (25% dos pacientes). em ambos os sexos. As fezes geralmente são positivas para a pesquisa de sangue oculto. colite granulomatosa ou doença de Crohn). enquanto no lado esquerdo as manifestações são obstrutivas. como uso de salicilatos. O carcinoma no lado direito apresenta mais comumente diarreia. Deve-se evitar ingestão excessiva e prolongada de bebidas alcoólicas. sendo responsável por 90% dos casos. sendo que se acredita que a maioria dos tumores se origina da transformação maligna de pólipos adenomatosos. ácido fólico. como história de pólipos adenomatosos (múltiplos e maiores de 1 cm). após o câncer de pulmão. bem como o teor de líquido das fezes. o melanoma e o fibrossarcoma. Diversos fatores de risco devem ser lembrados. como perfuração ou obstrução. câncer colorretal hereditário não-poliposo (doença autossômica dominante). O INCA aponta o câncer colorretal como o quinto tumor maligno mais frequente entre homens e quarto entre as mulheres. folato e café (3-4 xícaras ao dia) possuem uma associação com uma menor incidência do CA de cólon. O tumor ocorre geralmente após os 40 anos. o cólon transverso (5%) e o ceco e o cólon ascendente (16%). o tumor carcinoide. sendo raros o linfoma. e uma massa pode ser palpável no quadrante inferior direito. polipose familiar retocolônica. O sangramento intestinal é um sinal importante (sangue oculto nas fezes) e complicações podem ocorrer. deficiência imunológica e diabetes. A mais importante e eficaz prevenção do câncer de pulmão é o combate ao tabagismo. As lesões retais são acessíveis ao exame palpatório (toque retal) ou sigmoidoscopia. Os sintomas e sinais variam conforme o local do tumor. pois a luz intestinal é maior. sendo uma manifestação frequente a mudança nos hábitos intestinais. O consumo de carbonato de cálcio. presença de outra neoplasia no corpo (câncer ginecológico). o cólon descendente (9%). seguindo-se o sigmoide (20%).135 Independente do tipo celular ou subcelular. cálcio e terapia de reposição hormonal (mulher pós-menopausa). Indivíduos com exame positivo devem realizar colonoscopia. Estudos epidemiológicos sugerem que diversos fatores e hábitos dietéticos podem diminuir a incidência da neoplasia. dieta rica em frutas e vegetais. o tabagismo é o principal fator de risco do câncer pulmonar. Tal ação permite a redução da incidência e mortalidade. Mais de 90% dos pacientes com CA de cólon e reto podem ser submetidos à cura ou ressecção cirúrgica . O local mais comumente acometido é o reto (50%). Pessoas com mais de 50 anos devem se submeter anualmente ao exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes. É o segundo tumor mais comum dentre as neoplasias. existência de doença inflamatória crônica dos intestinos (colite ulcerativa. ♦ Carcinoma Colorretal O adenocarcinoma é o tumor mais comum do cólon e reto.

com sobrevida de cinco anos em mais de 50% dos casos. É relativamente raro antes dos 35 anos de idade. Entretanto. A doença fibrocística da mama. No entanto. Alguns tumores apresentam curso rápido e fatal. particularmente aqueles de mulheres na pré-menopausa com um ou mais parentes de primeiro grau acometidos pela doença. havendo maior risco em pacientes cuja mãe ou irmã tenham tido CA de mama antes da menopausa e maior incidência em mulheres nulíparas ou cuja primeira gestação completa ocorreu após os 35 anos e/ou com menarca precoce (<12 anos) ou menopausa tardia (> 50 anos). está associada à maior incidência de câncer de mama. BRCA2). padrão de mutação genética (BRCA1. que afetam a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal. Após a ressecção cirúrgica completa do tumor. Os fatores associados à maior incidência do CA de mama são: raça branca. mas acima dessa faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. O CA de mama é o tumor mais comum na mulher (uma em cada 11 mulheres). história familiar (incidência na mãe. história médica prévia (CA de endométrio). o BRCA1 é responsável por apenas 5% dos casos de carcinoma. irmã). os níveis de ACE devem normalizar. pelos seus efeitos psicológicos. Cerca de 80% das pacientes com carcinoma de mama não apresentam nenhum antecedente familiar. sobretudo. menopausa tardia (após 50 anos). aliado a mamografia. sendo que níveis aumentados no pós-operatório indicam recorrência da neoplasia e níveis persistentes indicam um mau prognóstico. hiperplasia ou papilomatose. Fatores como maior consumo de gordura. particularmente se associado ao uso de progestogenos. sendo o antígeno carcinoembrionário (ACE) um indicador para a monitorização da recorrência em intervalos de seis em seis meses. devido à sua alta frequência e. quando acompanhada de alterações proliferativas. o câncer de mama de caráter familiar corresponde a aproximadamente 10% do total de casos de cânceres de mama. idade. BRCA2). enquanto outros podem manifestar-se após vários anos. álcool e uso prolongado de estrógenos em doses elevadas também aumentam o risco da ocorrência da neoplasia. A mamografia pode identificar tumores de crescimento lento dois anos antes que se tornem .136 paliativa. permite o diagnóstico precoce. menarca precoce (antes dos 12 anos). O uso de anticoncepcionais não aumenta o risco de câncer de mama. gestação (nulípara ou gestação tardia). A detecção precoce da doença é fundamental para a maior sobrevida da paciente. Ao câncer de mama com vínculo hereditário está associada a uma mutação genética nos cromossomos 17 e 13 (genes BRCA1. A recorrência do câncer ocorre em aproximadamente 10 a 15% dos casos. O exame simples e regular da mama. ♦ Carcinoma de Mama O câncer de mama é provavelmente o mais temido pelas mulheres.

agravando o prognóstico. Nos estágios I e II o tratamento pode ser cirúrgico curativo. o tamanho do tumor primário. tais como CMF (ciclofosfamida. e agentes quimioterápicos podem aumentar o intervalo livre de doença. O uso de tamoxifeno diminui a incidência contralateral da doença. a qual visa obter o maior intervalo possível sem manifestações da neoplasia. A quimioterapia é denominada adjuvante quando visa tratar estádios iniciais do tumor nos quais não existem linfonodos axilares envolvidos e evidência clínica de metástases. pois os casos receptores-positivos possuem evolução mais favorável. Cerca de 15% das pacientes com ausência de envolvimento axilar podem apresentar comprometimento de linfonodos paraesternais que escapam à detecção. Na escolha do tratamento. o clínico avalia o possível comprometimento de linfonodos axilares. O tratamento cirúrgico pode ser feito por meio de mastectomia parcial ou radical com dissecção axilar de linfonodos associada à radioterapia pós-operatória. a presença ou não de menopausa e a existência ou não de receptores hormonais no tumor. Alguns esquemas.137 palpáveis. Pacientes na fase inicial da doença podem ser tratadas de forma menos agressiva com cirurgia conservadora da mama associada à radioterapia. A presença ou ausência de receptores para estrógenos e progestogenos no citoplasma das células tumorais é de grande importância no tratamento da paciente. Na vigência de comprometimento axilar. O uso de taxanos. quase a metade dos casos apresenta uma nova manifestação da doença no período de dois anos. pondera-se que o câncer de mama é uma doença sistêmica no momento de seu diagnóstico. A grande maioria das pacientes com neoplasia de mama apresenta óbito devido à doença disseminada a curto ou longo prazos. podendo ser maior nas mulheres pré-menopausa. Considerando que a maioria das mulheres apresenta metástases a distância. metotrexato e fluorouracil) podem aumentar a sobrevida em cinco anos. A presença dos receptores ajuda na escolha do tratamento na presença de metástases e na terapia adjuvante (terapia hormonal adjuvante nos casos positivos e quimioterapia adjuvante na ausência de receptores). O tratamento da doença pode ser curativo ou paliativo. O tratamento paliativo é usado no estágio IV e nos demais casos que desenvolvem metástase a distância. tais como docetaxel ou paclitaxel aumenta a sobrevida em mulheres com linfonodos positivos. Nos outros estádios a quimioterapia é denominada paliativa. enquanto no estágio III pode ser curativo ou paliativo (maioria). Uma tendência crescente é o tratamento sistêmico adjuvante em toda paciente com metástases axilares (esquema CMF) associados à hormonioterapia com tamoxifeno em casos específicos. dependendo do seu estadiamento. Mulheres entre 20 e 40 anos de idade devem fazer exames periódicos a cada dois a três anos enquanto mulheres acima dos 40 anos devem fazer exames anualmente. embora sem mudar a sobrevida. .

celioblastoma (tumor de Brenner). Cerca de 90% dos cânceres de ovário são esporádicos. após o CA de mama. se benigno. carcinoma de células claras e CA não classificado (indiferenciado). um seguimento criterioso da evolução deve ser efetuado. A presença de cistos no ovário só é perigosa quando são maiores que 10 cm e possuem áreas sólidas e líquidas. ♦ Carcinoma de Endométrio O adenocarcinoma de endométrio é a quarta neoplasia mais comum na mulher. Um grande número de doenças é fator predisponente ao CA de endométrio. Exames ginecológicos profiláticos são importantes em toda mulher após os 40 anos de idade e. Fatores hormonais. Daí pode ocorrer invasão para a corrente sanguínea e disseminação hematogênica para os pulmões e fígado. ocorrendo principalmente em mulheres na faixa etária dos 50 anos. cistoadenocarcinoma mucinoso. ambientais e genéticos estão relacionados com o aparecimento do câncer de ovário. Na maioria das pacientes (80%) a neoplasia já evoluiu e se estendeu para fora da pelve no momento do diagnóstico. pode ser classificado histologicamente como cistoadenocarcinoma seroso. É o câncer ginecológico de maior letalidade. isto é. Cerca de 10% apresentam um componente genético ou familiar. cistos ovarianos funcionais são mais comuns e um novo exame após seis a oito semanas pode revelar regressão. O CA ovariano tende a disseminar-se por via direta e através dos linfáticos aos linfonodos pélvicos regionais e região para-aórtica. Os tumores que se originam das células germinativas ou do estroma são os tumores das células granulosas. os tumores das células de Leydig-Sertoli. CA de pulmão e CA colorretal. pois permanece oculto até crescer bastante ou se estender produzindo sintomas. embora seja menos frequente que o câncer de colo de útero. não apresentam fator de risco reconhecido. Cerca de três quartos dos tumores malignos de ovário apresentam-se em estágio avançado no momento do diagnóstico inicial. estando indicada a intervenção cirúrgica. os disgerminomas e os teratomas malignos. sendo comum a disseminação para o peritônio da região pélvica e abdominal. se maligno. originando-se das células epiteliais do endométrio. caso seja detectado aumento do ovário (> 5 cm). usualmente no período da pós-menopausa e principalmente na faixa etária dos 50 aos 60 anos.138 ♦ Carcinoma de Ovário O câncer de ovário é responsável por cerca de 20% dos tumores ginecológicos. A maior parte dos tumores ovarianos (80%) se origina do epitélio ovariano. A detecção precoce do tumor é difícil. com tumores . O risco de malignidade é proporcional à idade da paciente e qualquer aumento de tamanho do ovário na mulher pós-menopausa deve ser considerado como maligno. Nas mulheres jovens. persistência ou crescimento.

para os ovários pelas trompas ou enviar metástases a distância pela corrente sanguínea ou linfática. podendo ser dolorosa. fibroadenomas ou lipomas. A maioria dos tumores começa das células germinativas primordiais e é classificada em seminomas. geralmente transmitidas sexualmente. teratomas. O CA de endométrio pode ser dividido em duas formas clínico-patológicas. O fato de ter maior incidência em pessoas jovens e sexualmente ativas possibilita a chance de o câncer ser confundido ou até mesmo mascarado por orquiepididimites. diabetes mellitus e história familiar de CA de mama ou ovariano. A principal manifestação é a hemorragia uterina. é relativamente bom. hipertensão arterial. bem como hematúria e comprometimento do estado geral na presença de metástases a distância. Este tipo de câncer é facilmente curado quando detectado precocemente. a qual pode ser precedida de corrimento mucoso ou aquoso. Dentre os tumores malignos do homem. obesidade. O CA pode disseminar-se pela cavidade uterina até o canal cervical. dependendo do tipo histológico. sendo a criptorquídia um fator predisponente. hiperplasia endometrial adenomatosa. A forma mais comum de apresentação é uma massa escrotal. lesões e traumas na bolsa escrotal e criptorquidia. o CA de baixo grau que ocorre em mulheres mais jovens e está relacionado ao estrogênio. dor imprecisa no abdômen inferior. particularmente se houver traumatismo ou hemorragia local.139 ovarianos produtores de estrógenos. Estenose cervical e piometria podem ocorrer por extensão local do tumor. história de irregularidades menstruais. da raça branca. com aumento progressivo de tamanho. Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de testículo são: histórico familiar desse tumor. da idade da paciente e do grau de disseminação e repercussões no organismo. mas correspondem à maior parte dos tumores sólidos em homens com menos de 30 anos de idade. 5% ocorrem nos testículos. sangue na urina e aumento ou sensibilidade nos mamilos. teratocarcinoma e coriocarcinoma. carcinoma embrionário. O prognóstico. Deve-se ficar atento às alterações como aumento ou diminuição no tamanho dos testículos. O estadiamento simplificado dos tumores de testículos inclui . A sobrevida em cinco anos é boa (80%) para seminomas localizados ou mesmo com metástases retroperitoneais. infertilidade. ♦ Carcinoma de Testículos Os tumores dos testículos são raros. através do miométrio para a cavidade peritoneal. mas ruim para o coriocarcinoma. mesmo em casos com metástases. sendo que dois terços das pacientes podem ter sobrevida de cinco anos ou mais após o tratamento cirúrgico ou clínico. enquanto os tumores originários das estruturas anexas aos testículos são geralmente fibromas.

A hiperplasia benigna da próstata inicia-se como uma proliferação do estroma. competindo com o câncer de pulmão e do cólon. É provável que a hiperplasia prostática não seja fator predisponente para o . IIIa (metástases pulmonares) e IIIb (metástases mediastinais). cirurgia suprapúbica transvesical ou retropúbica ou ressecção endoscópica com laser. Um volume residual superior a 60 mL indica retenção urinária. bem como infecções urinárias de repetição. A drenagem suprapúbica deve ser feita na impossibilidade de passagem de sonda vesical. uma glândula exócrina. episódios repetidos de retenção urinária ou um quadro sintomático importante. é uma doença agressiva com alto índice de duplicação das células tumorais. músculo e epitélio em nível periuretral e sua etiologia é desconhecida. e a fluxometria urinária permite determinação do grau de obstrução infravesical (fluxo menor que 10 mL/s sugere obstrução). particularmente em pacientes idosos. Maior frequência urinária. Há relação com idade avançada e presença dos testículos. VO. A presença de nódulos endurecidos indica a necessidade da realização de biópsia. O exame retal revela uma próstata aumentada. Se. ♦ Carcinoma de Próstata A próstata. O paciente refere diminuição do jato urinário (mais fino). sendo que até 25% desses pacientes serão candidatos à cirurgia. dois terços dos homens apresentam próstatas maiores do que 40 gramas. A finasterida. 5mg diários por seis meses pode ser útil.140 os estádios Ia (tumor restrito aos testículos). IIa (metástases microscópicas para linfonodos retroperitoneais). elabora uma secreção que liquefaz o sêmen. A ultrassonografiafornece as mesmas informações que exames invasivos como a urografia excretora e a uretrocistografia. por um lado. visto ser amplamente responsivo aos quimioterápicos disponíveis no momento. O tratamento cirúrgico pode ser feito com ressecção transuretral (RTU). noctúria e urgência geralmente estão presentes. por outro lado é de fácil diagnóstico e um dos tumores com maior índice de cura. O câncer de próstata é um dos tumores mais comuns nos homens na atualidade. havendo risco de um quadro de retenção aguda de urina. a próstata pesa em média 15 gramas. esvaziamento incompleto da urina e gotejamento terminal. infecções recorrentes. A prostatectomia está indicada na presença de complicações como azotemia por hidronefrose. incontinência urinária. No adulto jovem. dificuldade de micção. sem relação entre tamanho e sintomas. IIb (metástases com < 2 cm para os linfonodos retroperitoneais). incisão transuretral do colo vesical. hematúria grave. aos 70 anos. IIc (metástases com > 2 cm para os linfonodos retroperitoneais). o qual necessita de tratamento de urgência. constituindo-se em 21% do total de todas as neoplasias malignas.

Cerca de 25% dos pacientes apresentam metástases no momento do diagnóstico. com linfadenopatia supraclavicular. mais comum após os 50 anos de idade e mais frequente em homens. O tumor se manifesta por meio de hematúria macro ou microscópica (mais comum). o qual pode ser pouco ou muito diferenciado (prognóstico mais favorável). mas a presença de metástases limita a adoção de um tratamento radical como radioterapia ou prostatectomia. O CA de próstata é a segunda causa de morte por neoplasias no homem. noctúria ou urgência urinária. é o tipo mais comum. micção frequente. O prognóstico do paciente depende do grau e estágio do tumor. sendo uma doença diagnosticada devido à ocorrência de obstrução urinária. Hipertensão arterial e policitemia também podem estar presentes e metástases pulmonares ocorrem com frequência. As metástases nos ossos da coluna podem causar compressão medular e sinais neurológicos periféricos. Os achados clínicos podem sugerir hiperplasia prostática benigna. massa palpável e febre de origem desconhecida. A evolução é variável e um terço dos pacientes sobrevive mais de cinco anos . devido à invasão dos vasos sanguíneos. O adenocarcinoma. dores e emagrecimento. fígado e ossos.141 desenvolvimento do CA de próstata. que se origina das células acinares da próstata. História familiar de pai ou irmão com câncer da próstata antes dos 60 anos de idade pode aumentar o risco de câncer em três a dez vezes em relação à população em geral. O tumor metastatiza precocemente para os pulmões. O envolvimento de linfonodos e a sua remoção não interferem na terapêutica da doença. Todavia. dor lombar. ♦ Carcinoma Renal O adenocarcinoma renal (hipernefroma) é o tumor mais comum dos rins. Os adenocarcinomas da próstata são os tumores malignos mais frequentes do trato geniturinário e representam mais de 90% de todos os tumores malignos prostáticos. podendo refletir tanto fatores hereditários quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco de algumas famílias. sendo responsável por 2% das neoplasias em adultos. a grande maioria dos pacientes (75%) apresenta sintomas relacionados quer com doença metastática ou com grande crescimento tumoral local (sintomas urinários obstrutivos). ou a doença pode ser descoberta devido a metástases ósseas. Sua descoberta pode ser feita acidentalmente na realização de ultrassonografia ou TC abdominal ou ocasionalmente no estudo da perfusão renal ou do tecido ósseo com radioisótopos. Nos estágios iniciais o adenocarcinoma da próstata é geralmente assintomático e o diagnóstico clínico deve ser feito pelo encontro de nódulo endurecido ao toque retal. pois a doença metastática progressiva ocorrerá de qualquer maneira (80% em menos de cinco anos e em apenas 20% dos pacientes sem envolvimento de linfonodos).

anemia refratária. Apenas tardiamente na evolução ocorre invasão da corrente circulatória e disseminação hematogênica. maior incidência em idosos e pacientes com HIV. sendo mais comum em homens. peculiar. doença extranodal e sintomas B).500 casos por ano. adenomegalia generalizada. sendo geralmente a febre o único sintoma. homens com adenomegalia generalizada. crescimento lento. originando-se nas células da linha monócito-histiócitos. paciente adulto jovem. O tumor tem o aspecto de células tubulares renais arranjadas na forma de cordas ou de formas bizarras. reação leucemoide. emagrecimento. Alguns pacientes apresentam metástases 10 a 15 anos após a remoção do tumor primário. Uma massa na região lombar pode ser palpável e dor pode ocorrer devido a sangramento do tumor. agressivos e de pior prognóstico). de celularidade mista (segundo subtipo mais comum. Em um grande número de pacientes o hipernefroma não produz sintomas clássicos. se do subtipo esclerose nodular (mais comum. doença localizada com boa resposta à radioterapia. No Brasil estima-se cerca de 2. sudorese noturna ou prurido generalizado. doença extranodal. O envolvimento ósseo pode causar dor (lesões osteoblástica ou raramente osteolíticas) e fraturas por compressão. geralmente no pescoço. hipoglicemia.142 após o diagnóstico. provavelmente viral. de predominância linfocítica (raro. neuropatia periférica e produção . Hematúria importante é o sinal mais frequente. inexplicado e curioso é a ocorrência de dor nos linfonodos acometidos após a ingestão de bebidas alcoólicas. na faixa dos 15 aos 34 anos e aproximadamente aos 54 anos de idade. que pode manifestar-se de forma localizada ou generalizada. A invasão da medula pode causar pancitopenia (do tipo depleção linfocítica) e a invasão peridural pode febre de origem obscura. O tumor geralmente ocorre numa área de linfonodos e evolui ordenada e localizadamente a linfonodos contíguos. É um subgrupo dos linfomas. sudorese noturna e emagrecimento podem ocorrer frequentemente caso haja envolvimento de linfonodos internos (mediastino ou retroperitoneais). sem sintomas sistêmicos. risco de recidiva) ou depleção linfocitária (raro. ♦ Doença de Hodgkin A doença de Hodgkin é uma neoplasia linforreticular de causa desconhecida. A doença é rara antes dos dez anos de idade. mas se apresenta com aumentada de gonadotrofinas e prostaglandinas. Febre. A maioria dos pacientes apresenta uma massa indolor. A progressão do tumor depende do tipo histológico. Um sintoma comum. hipercalcemia. Alguns podem evidenciar sintomas gerais como febre. vísceras (fígado) ou medula óssea. tendo incidência bimodal. lento ou moderadamente progressivo). Obstrução da veia cava pode ser responsável pelo desenvolvimento de circulação colateral e edema dos membros inferiores.

Uma investigação clínica detalhada com estadiamento do tumor é importante no diagnóstico e no tratamento do tumor. enquanto a sobrevida nos pacientes com doença difusa (estádios IIIB e IV) pode chegar a 50%. mas inespecíficas. As neoplasias da linhagem linfocítica B ou T são denominadas linfomas nãoHodgkin e esses linfomas constituem o maior grupo de neoplasias do sistema imunológico. quando pode ocorrer refratariedade à terapêutica. bacterianas ou fúngicas em fases avançadas da doença. sudorese noturna e emagrecimento. sendo possível que o mesmo ocorra nos demais casos. O envolvimento dos linfonodos pode ser retroperitoneal. Os tumores da linhagem dos linfócitos B podem ser identificados pela presença de imunoglobulinas na superfície celular. A maioria dos pacientes apresenta um defeito lento e progressivo à imunidade celular (linfócitos T). mesentérico ou na pelve e linfomas indolores geralmente já estão disseminados no momento do diagnóstico. o qual pode ser localizado ou generalizado. Embora a etiologia dos linfomas não-Hodgkin seja desconhecida. como febre. Sintomas constitucionais podem estar presentes.143 originar paraplegia. Os pacientes com linfoma se apresentam com aumento indolor de linfonodos. A doença não é sempre fatal e os pacientes com doença localizada ou mesmo disseminada podem ser tratados com objetivos curativos. mas cerca de 50% dos pacientes podem obter cura com um . o que favorece o aparecimento de infecções virais. sendo que o paciente geralmente morre por septicemia se não for tratado adequadamente. existem evidências associando o linfoma de Burkitt com o vírus de Epstein-Barr (herpes vírus humano tipo 4) e a leucemia/linfoma T do adulto com o retrovírus humano HTLV-1. O diagnostico deve sempre ser estabelecido por biópsia. retroperitônio) ou na mandíbula. ♦ Linfomas As neoplasias do sistema imunológico constituem um grupo heterogêneo de tumores cujas células podem ser originárias dos linfócitos. ovários. A sobrevida em dez anos nos pacientes com estádios IA e IIA da doença pode ser superior a 80%. dos histiócitos ou de outros componentes do sistema. A sobrevida média dos pacientes com linfoma indolor é em torno de seis a oito anos. Nos tumores linfocíticos demonstrou-se a origem a partir de uma expansão monoclonal das células malignas. enquanto os tumores da linhagem dos linfócitos T são identificados pela formação in vitro de rosetas com hemácias de carneiro. considerando que as manifestações clínicas são sugestivas. Pacientes com linfoma de Burkitt frequentemente apresentam dor abdominal pela presença de tumores extranodais volumosos nas vísceras abdominais (rins. particularmente em crianças.

fatores genéticos e congênitos (gêmeos. sendo que 25% vivem dez anos ou mais. havendo anomalias cromossômicas na maioria dos pacientes (80-90%). dor abdominal. Pode ocorrer de forma assintomática ou através da presença de linfadenopatia. usualmente indolente. emagrecimento e raramente hemorragia. Na maioria dos pacientes. O transplante de medula óssea (autólogo) pode trazer benefício aos pacientes responsivos à quimioterapia e em boas condições gerais. com acúmulo progressivo dos pequenos linfócitos de longa vida. emagrecimento. Os pacientes sobrevivem em média de cinco a seis anos após o diagnóstico. São identificados agentes capazes de induzir a leucemogênese: radiação ionizante. Imunodeficiência pode ocorrer devido à produção inadequada de anticorpos por linfócitos B anormais. As leucemias se apresentam de forma heterogênea devido à complexidade da diferenciação hematopoiética. hepotomegalia. constituindo mais de 80% de todas as neoplasias naquelas com idade inferior a 15 anos. onde ocorre linfadenomegalias.144 esquema terapêutico apropriado. intolerância ao exercício. os quais não são imunocompetentes. descoberta muitas vezes de forma acidental. anemia progressiva e trombocitopenia com sobrevida média de 5 meses. como o benzeno. principalmente se for um paciente jovem e em boas condições clínicas. sua ocorrência se manifesta sem causa determinada. . Uma parcela dos pacientes (10% a 15%) evolui para formas mais agressivas como a síndrome de Richter (transformação para linfoma não-Hodgkin de grandes células ou imunoblástico). As leucemias podem ser induzidas por radiações ou por exposição a substâncias químicas. É uma doença de pessoas idosas (65 anos de idade). as quais perdem a capacidade de maturação e diferenciação e proliferam de forma a substituir todas as células normais da medula. vírus oncogênicos como HLTV-1 (vírus da leucemia da célula T humana). ♦ Leucemias Crônicas ♦ Leucemia Linfocítica Crônica A leucemia linfocítica crônica é uma neoplasia clonal maligna dos linfócitos B. fadiga crônica. síndrome de Down) e agentes químicos como o benzeno. havendo critérios para sua diferenciação e classificação. hepatoesplenomegalia. sendo a leucemia mais comum em crianças. febre. ♦ Leucemias Agudas As leucemias agudas são tumores malignos das células precursoras das células hematopoiéticas. entretanto. As leucemias correspondem a cerca de 3-5% de todas as formas de câncer. anemia e fenômenos hemorrágicos e/ou infecciosos.

A doença pode ser diagnosticada em um paciente assintomático com achado ocasional de esplenomegalia. ocorrendo geralmente na faixa dos 40 a 45 anos. sudorese noturna e febrícula em consequência do quadro de metabolismo aumentado devido à grande produção de células mieloides. O câncer de estômago desenvolvese insidiosamente sem manifestações clínicas e frequentemente passa despercebido. geralmente associada a defeitos cromossômicos adicionais com progressão maligna na maioria dos pacientes. transformação maligna ainda maior. sendo incomum antes dos 20 anos de idade. havendo maior incidência em pessoas expostas a altas doses de radiação ou em uso de agentes citotóxicos. em que a função celular e a diferenciação das células mieloides são mantidas e os neutrófilos agem normalmente no caso de infecções. decorrente de translocação específica entre os cromossomos 9 e 22. dores ósseas e importante esplenomegalia. A doença pode permanecer estável por vários anos. cefaleia. A sobrevida média varia na maioria dos casos de três a quatro anos na fase crônica e é de poucos meses após a instalação da fase blástica. as quais retêm a capacidade de diferenciação e são capazes de executar as funções essenciais das células hematopoiéticas normais que são substituídas na medula óssea. e embora o mesmo possa estar ausente em 5% dos pacientes. com duração em torno de três anos. A enfermidade é reconhecida com facilidade pela presença de anormalidade cromossômica característica. fraqueza. ♦ Carcinoma de Estômago O carcinoma de estômago é um dos mais comuns do trato gastrintestinal. Em um grande número de casos o paciente queixa-se de desconforto e massa abdominal. o cromossomo Philadelphia (Ph1). então. pois as vagas manifestações gástricas fazem com que o paciente pratique a automedicação com . fatal em poucos meses. associada a manifestações hemorrágicas. A etiologia da doença é desconhecida. Após uma fase estável. sendo a leucemia descoberta incidentalmente. sofrendo. A leucemia mieloide é responsável por cerca de 15% dos casos de leucemia. não havendo vínculo ou transmissão familiar (crianças nascidas de mães doentes são normais). a doença em regra apresenta uma fase blástica acelerada. como fadiga. não se comportando como uma doença maligna. evoluindo para uma crise blástica. ocorrendo particularmente em homens com idade superior a 45 anos. Na fase evolutiva a progressão da doença é acompanhada por febre sem infecções. sendo possível a cura da neoplasia nos casos de transplante medular alogênico.145 ♦ Leucemia Mieloide Crônica A leucemia mieloide crônica se caracteriza por produção excessiva de células. As manifestações clínicas podem ser discretas e inespecíficas.

Metástases precoces para os pulmões. causam reabsorção do tecido ósseo. tíbia. Os tumores malignos. sendo o mais letal dos tumores ósseos. a maioria dos pacientes apresenta mau prognóstico. linfonodos e a distância. As lesões crescem lentamente e usualmente destróem o osso adjacente. pleura ou linfonodos estão presentes em um terço dos pacientes. em sua maioria. principalmente os condrócitos. fator de necrose tumoral e polipeptídeos. acometendo mais frequentemente a pelve. que é responsável pelo número aumentado de osteoclastos e pela osteólise da periferia das lesões.146 sucesso e dificilmente procure o médico. Algumas lesões são pré-cancerosas. como gastrite atrófica. fêmur e úmero. no momento do diagnóstico. como uma úlcera infiltrante (tipo III) ou não (tipo II) da parede gástrica ou como um processo infiltrativo difuso. ♦ Tumores Ósseos Os tumores ósseos podem se originar de células mesenquimais. ♦ Carcinoma de Pâncreas . pela extensão do tumor pela mucosa. como interleucina-1. A evolução da neoplasia depende de sua localização e da reação do tecido vizinho (exemplo: a cartilagem articular parece proporcionar uma barreira à disseminação do tecido neoplásico). O mieloma múltiplo é o tumor ósseo maligno mais comum em adultos. nos ossos longos cuja velocidade de crescimento é maior (fêmur. a linite plástica (tipo IV). hematopoiéticas ou vasculares presentes no tecido ósseo. O tumor pode ocorrer em qualquer local do estômago e pode desenvolver-se como uma massa polipoide intraluminar (tipo I). originando-se da linhagem dos linfócitos B. talvez em decorrência da produção pelas células neoplásicas e/ou monócitos/macrófagos circunvizinhos de substâncias que induzem a reabsorção óssea. As células do mieloma produzem uma linfotoxina similar ao fator de necrose tumoral. A maioria possui crescimento rápido e metastatiza precocemente. úmero). o fêmur e a tíbia. na cintura pélvica ou costelas. ocorrendo principalmente em adultos e adolescentes. Entretanto. que ocorrem particularmente em jovens. osteoblastos e os fibroblastos e são relativamente incomuns. Condrossarcomas são tumores primários dos condrócitos. Os osteossarcomas são raros. O tumor de Ewing (sarcoma) é uma neoplasia rara que ocorre em jovens com idade inferior a 30 anos. gastrite crônica e acloridria. Apenas 20% dos pacientes possuem a doença localizada no momento do diagnóstico e a cirurgia ainda permanece para o tratamento de escolha do quadro localizado.

agentes infecciosos (papilomavírus. vômitos e perda do apetite. pois essa doença não apresenta sintomas específicos. não apresenta sintomas. com isso. ♦ Câncer de Esôfago Um dos cânceres mais incidentes e o sexto mais mortal. já que esta tem uma agressividade biológica devido ao fato de o esôfago não possuir serosa e. síndrome de Plummer-Vinson (deficiência de ferro). sendo responsável por cerca de 5% das mortes devidas à neoplasia. Outras condições que podem ser predisponentes para a maior incidência desse tumor são a tilose (espessamento nas palmas das mãos e nas plantas dos pés). alimentos defumados. É mais comum nos homens na faixa etária dos 70 a 80 anos. A diarréia pode estar presente ocasionalmente numa fase inicial. de mama e de cólon. a acalasia. A maioria dos pacientes morre no primeiro ano após o diagnóstico. bebidas alcoólicas e produtos derivados do tabaco. ♦ Câncer de Colo Uterino . com cirurgia. É o segundo tumor mais comum do tubo digestivo. Porém. é importante adotar uma dieta rica em frutas e legumes e evitar o consumo frequente de bebidas quentes. O carcinoma é a neoplasia mais comum do pâncreas. A neoplasia maligna tem desenvolvimento insidioso e inexorável. alguns sintomas são característicos como a dificuldade ou dor ao engolir. Icterícia e emagrecimento são comuns. Para prevenir o câncer de esôfago. O câncer de esôfago. O câncer de esôfago associa-se ao alto consumo de bebidas alcoólicas e de produtos derivados do tabaco (tabagismo). A detecção precoce torna-se muito difícil. e a quarta neoplasia mais comum. sendo de caráter vago. causando metástases hematogênicas com grande frequência.147 Apesar do tratamento agressivo. haver infiltração local das estruturas adjacentes e disseminação linfática. Na maioria das vezes. sensação de obstrução à passagem do alimento. na sua fase inicial. A perda de peso pode chegar até 10% do peso corporal. a disfagia já demonstra a doença em estado avançado. difusa e localizada principalmente no epigástrico. HIV) e história pessoal de câncer de cabeça e pescoço ou pulmão. A disfagia progride geralmente de alimentos sólidos até alimentos pastosos e líquidos. menos de 3% dos pacientes sobrevivem cinco anos. após o câncer de cólon. depois do câncer de pulmão. sendo 75% na cabeça e 25% no corpo e cauda do órgão. lesões cáusticas no esôfago. dor torácica. mas ocorrem tardiamente. quase sempre fatal. A extensão da doença é muito importante em função do prognóstico. náuseas. dor retroesternal. o esôfago de Barrett. irradiando-se para as costas e aliviando na posição genupeitoral. A dor é o sintoma mais comum. radioterapia e quimioterapia. sendo o fumo o fator ambiental que apresenta maior associação e risco com a neoplasia.

Estudos mostram que o papiloma vírus (HPV) tem importante papel no desenvolvimento da neoplasia das células cervicais e na sua transformação em células cancerosas. Conforme a doença progride. à higiene íntima inadequada e ao uso prolongado de contraceptivos orais. É a quarta causa de morte por câncer em mulheres. ao tabagismo (diretamente relacionados à quantidade de cigarros fumados). os principais sintomas são sangramento vaginal. os tumores de bexiga têm sido mais bem controlados e os índices de sobrevida desses casos melhoraram significativamente nas últimas décadas. A principal estratégia utilizada para detecção precoce da lesão precursora e diagnóstico precoce do câncer (prevenção secundária) no Brasil é por meio da realização do exame preventivo (exame de Papanicolau). Mais de 70% dos pacientes com câncer de bexiga são atualmente curados da doença e tem-se observado esse fenômeno até mesmo em casos de neoplasia disseminada. Ao contrário dos carcinomas transicionais. A incidência de câncer de bexiga aumenta com a idade e menos de 1% dessas neoplasias ocorrem antes dos 40 anos.148 O câncer de colo uterino é a terceira neoplasia maligna mais comum entre as mulheres. ♦ Câncer de Bexiga Depois do câncer de próstata. Existe uma fase pré-clínica (assintomática) do câncer do colo do útero. os carcinomas epidermoides predominam no sexo feminino na proporção 3:2 e isso se deve. Apesar de seu comportamento por vezes bastante agressivo. provavelmente. o tumor desenvolve-se nas células escamosas da bexiga e apresenta um comportamento biológico bastante diferente do outro tipo de câncer (carcinoma transicional). em que a detecção de possíveis lesões precursoras ocorre por meio da realização periódica do exame preventivo. Entre 3 e 8% dos casos de câncer de bexiga enquadram-se em uma condição particular denominada de carcinoma epidermoide de bexiga. sendo superado pelos cânceres de pele (não-melanoma) e de mama. Vários são os fatores de risco identificados para o câncer de colo do útero. Nesses casos. os tumores de bexiga (carcinomas transicionais de bexiga) representam a neoplasia urogenital mais frequente do homem e a quinta causa de óbito por câncer em pacientes com mais de 75 anos de idade. Esse vírus está presente em mais de 90% dos casos de câncer de colo do útero. frequentes em mulheres. ao início precoce da atividade sexual. à multiplicidade de parceiros sexuais. cuja evolução fatal era inevitável até recentemente. e alguns dos principais estão associados às baixas condições socioeconômicas. . à associação entre essas neoplasias e infecções urinárias crônicas. corrimento e dor. A prevenção primária do câncer do colo do útero pode ser realizada mediante o uso de preservativos durante a relação sexual.

xeroderma pigmentoso (doença congênita que se caracteriza pela intolerância total da pele ao sol. a radiação ionizante. quando detectado precocemente. sendo relativamente raro em crianças e negros. lesões crônicas e tumores múltiplos) e nevo displásico (lesões escuras da pele com alterações celulares pré-cancerosas). por isso. a propensão para esse tipo de câncer aumenta). esse tipo de câncer pode apresentar neoplasias de diferentes linhagens. litíase vesical não-tratada e esquistossomose vesical. e melanoma. em ordem de importância. carcinoma epidermoide. As neoplasias cutâneas estão relacionadas a alguns fatores de risco. Este tipo e o carcinoma epidermoide são também chamados de câncer de pele não-melanoma. Indivíduos de pele clara. processo irritativo crônico (úlcera de Marjolin). história prévia de câncer de pele. principalmente. mais frequente. com queimaduras externas. detectado em 4% dos pacientes. principalmente na quinta e sexta décadas de vida. Pacientes com lesão na medula espinhal apresentam uma incidência de carcinoma epidermoide de bexiga que é cerca de 460 vezes maior que a população normal. genodermatoses (xeroderma pigmentosum) e. maturidade (após os 15 anos de idade. Os negros normalmente têm câncer de pele nas regiões palmares e plantares. responsável por 70% dos diagnósticos de câncer de pele. acompanhada de coceira e descamação. exposição excessiva ao sol. com 25% dos casos. uso prolongado de sonda de Foley. Como a pele é um órgão heterogêneo. pele clara. é também o menos agressivo. Quando os melanomas são detectados em estádios iniciais. A manifestação da doença na pele normal se dá a partir do aparecimento de uma pinta escura de bordas irregulares. história familiar de melanoma. Câncer de pele é comum em indivíduos com mais de 40 anos. Em casos de uma lesão pigmentada . Os fatores de risco. Felizmente. correspondendo a cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados no Brasil. sensível à ação dos raios solares. A letalidade do câncer de pele melanoma é elevada. ou com doenças cutâneas prévias são as principais vítimas do câncer de pele. ♦ Câncer de Pele Embora o câncer de pele seja o tipo de câncer mais frequente. o carcinoma basocelular. O surgimento desse tipo de carcinoma relaciona-se com irritação vesical e. são passíveis de cura. com exceção daqueles que apresentam doenças cutâneas prévias. nevo congênito (pinta escura). O melanoma pode surgir a partir da pele normal ou de uma lesão pigmentada. ocorre em casos de infecção urinária crônica. apresenta altos percentuais de cura. à exposição aos raios ultravioletas. como o químico (arsênico). com casos descritos entre 37 e 84 anos.149 Os carcinomas epidermoides se manifestam em adultos. Os mais frequentes são: carcinoma basocelular. porém sua incidência é baixa. são: sensibilidade ao sol (queimadura pelo sol e não bronzeamento).

uma alteração na coloração e na forma da lesão. como os pelos. com picos de incidência por volta dos 40 anos. a neoplasia invade a epiderme. Há uma nítida associação entre a ingestão excessiva de álcool e o vício de fumar com o desenvolvimento de câncer nas vias aerodigestivas superiores. Assim. ocorre um aumento no tamanho. A coloração pode variar do castanho-claro. Nas lesões avançadas das cordas vocais. Na fase de crescimento horizontal (superficial). . podendo atingir ou não a derme papilar superior. Porém. por exemplo. odinofagia sugere tumor supraglótico e rouquidão indica tumor glótico e subglótico. além da rouquidão. Na história do paciente. Já os carcinomas epidermoides têm origem no queratinócio da epiderme. passando por vários matizes. que passa a apresentar bordas irregulares. a média de idade dos pacientes vem diminuindo. podendo também surgir no epitélio escamoso das mucosas. com a constante exposição de jovens aos raios solares. Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e beber tem probabilidade de cura diminuída e aumento do risco de aparecimento de um segundo tumor primário na área de cabeça e pescoço. O crescimento ou alteração da forma é progressivo e se faz no sentido horizontal ou vertical. O câncer supraglótico geralmente é acompanhado de outros sinais e sintomas como a alteração na qualidade da voz. ♦ Câncer de Laringe O câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a região da cabeça e pescoço. Quando a ingestão excessiva de álcool é adicionada ao fumo. o seu crescimento é acelerado através da espessura da pele. Aproximadamente dois terços desses tumores surgem na corda vocal verdadeira e um terço acomete a laringe supraglótica. chegando até a cor negra (melanoma típico). representando cerca de 25% dos tumores malignos que acometem essa área e 2% de todas as doenças malignas. Esse tipo de câncer é mais comum em adultos. No sentido vertical. formando nódulos visíveis e palpáveis. A maior incidência desse tipo de câncer de pele se dá na região da cabeça e do pescoço. ou apresentar área com despigmentação (melanoma com área de regressão espontânea). O tabagismo é o maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de laringe.150 preexistente. que são justamente os locais de exposição direta aos raios solares. disfagia e dispneia. o primeiro sintoma é o indicativo da localização da lesão. Os carcinomas basocelulares são originários da epiderme e dos apêndices cutâneos acima da camada basal. disfagia leve e sensação de um “caroço” na garganta. podem ocorrer dor na garganta. o risco aumenta para o câncer supraglótico.

Para ocorrer essa passagem da solução A para o lado da membrana onde se encontra a solução B e vice-versa. conseguem passar e se misturar. moléculas de alto peso raramente se encontram com a membrana e consequentemente com os poros localizados em sua superfície. Nesse processo as moléculas que não conseguem passar através dos poros da membrana por si só são arrastadas juntamente com a água. O bicarbonato utilizado na composição do dialisato tem a finalidade de tampão. A ultrafiltração ocorre quando a água impulsionada por uma força hidrostática é impulsionada através da membrana. As moléculas maiores dos poros da membrana ficam retidas. O sangue para hemodiálise é proveniente de um acesso vascular (cateter venoso. . onde ocorrem as trocas entre o sangue e o dialisato. por essa razão. presentes nas soluções A e B. a membrana semipermeável está no dialisador.151 1 Enfermagem em Nefrologia ♦ Princípios Básicos A diálise é um processo no qual a composição do soluto de uma solução (solução A) é modificada pela exposição à outra (solução B) utilizando-se. enquanto moléculas maiores não conseguem atravessar a membrana. o sangue é bombeado através do circuito com um fluxo de 300 a 500mL/ min. para isto. fístula arteriovenosa ou prótese) e impulsionado para o circuito extracorpóreo por uma bomba. por onde atravessam com maior frequência. Na hemodiálise. uma membrana semipermeável. enquanto o dialisato flui em direção contrária. com fluxo de 500 a 800mL/ min. Para a remoção eficaz das escórias. os solutos capazes de atravessar a membrana se utilizam de dois mecanismos: ♦ Difusão: as moléculas de baixo peso se movem rapidamente e encontram os poros da membrana. A difusão de solutos entre o sangue e a solução de diálise resulta na remoção das escórias metabólicas e na reposição de solutos como o bicarbonato. ♦ Ultrafiltração: As moléculas de água são pequenas e conseguem atravessar todas as membranas semipermeáveis. No circuito o sangue entra em contato com a membrana semipermeável do dialisador. Na composição do dialisato as concentrações das substâncias levam a perdas das mesmas que se encontram em maior quantidade no sangue do paciente. Podemos considerar a membrana como sendo uma superfície contendo poros por onde as moléculas de água e de solutos com baixo peso molecular. Já as moléculas maiores se movem lentamente por possuírem alto peso molecular.

♦ Monitores de temperatura e de pressão do compartimento de sangue e de diálise. São elas: ♦ Condições de realizar diálise com solução de bicarbonato de sódio. para medir as pressões e para detectar a entrada de ar no circuito. com objetivo de manter a eficiência e a segurança do tratamento hemodialítico. ♦ Módulo de ultrafiltração. concentração de sais dissolvidos e não está sendo exposta ao sangue. é bombeado através do equipo de infusão de sangue arterial (linha arterial) até o dialisador e. ♦ Detector de bolhas. o sangue retorna para o paciente através do equipo para infusão de sangue venoso (linha venosa). ➢ Água para Hemodiálise . respeitando as orientações do fabricante e as normas da comissão de controle de infecção da instituição. que forma a solução de diálise on-line a partir da água purificada e concentrada. O sistema possui diversas câmaras. ♦ Sistema de bypass da solução de diálise. o circuito de sangue preenchendo a câmara interna e o circuito de diálise preenchendo a câmara externa. Diante da variedade. O circuito de sangue se inicia no acesso vascular (fístula arteriovenosa ou cateter).152 ♦ Aparelho para Hemodiálise Atualmente é grande a variedade de máquinas de hemodiálise disponível no mercado. É recomendado que todos os equipamentos sejam testados antes de seu uso. Essas normas preconizam alguns itens e funções obrigatórias para os aparelhos de diálise. então. e logo após bombeia a solução através de vários monitores que asseguram que a solução de diálise está de acordo com os padrões de temperatura. São diversos modelos com variáveis técnicas e financeiras que influenciam diretamente na escolha do equipamento pelos gestores de centros de diálise e instituições hospitalares. há normatização técnica em relação aos equipamentos necessários e ao funcionamento de uma unidade de diálise. limpos internamente com solução desincrostante e desinfetados com agentes químicos ou calor. O aparelho para hemodiálise se divide em circuito de sangue e circuito de solução de diálise (“banho”) que se encontram no dialisador. ♦ Monitor de condutividade e de ruptura de membrana. portas laterais e monitores ligados aos equipos de infusão arterial e venosa que são utilizados para infundir solução de heparina e salina. Após cada turno de diálise deve-se realizar a desinfecção das máquinas de hemodiálise. O circuito de diálise inclui o sistema de aporte de solução de diálise.

composto por várias colunas em série. ➢ Osmose reversa: mais comum. seguido de . para os pacientes com comprometimento renal. são levados em consideração o número de pacientes atendidos. para isso. incapazes de excretar essas substâncias. a água é transferida de um compartimento para outro através da diferença de pressão hidrostática e osmótica. a duração das sessões e os fluxos de solução de diálise ofertados. Os sistemas de tratamento de água para HD são: ➢ Deionizador: tem custo elevado. ao longo da vida. utiliza-se a osmose reversa portátil. se configuram um perigo pela possibilidade de absorção destas substâncias em solução. Periodicamente. A tubulação deve ser do mesmo material do reservatório. sem pontos cegos e deve possuir ainda um sistema de recirculação da água tratada – a água deve estar em constante movimentação. oferece água de melhor qualidade.1%. mas. não deve possui cantos e o fundo deve ser cônico a fim de permitir seu total esvaziamento. uma de areia de variados tamanhos de grãos. Além disso. composto por várias colunas em série. retêm 90 a 99% de elementos minerais e 95 a 99% dos elementos orgânicos. em diversos pontos do sistema. todos os contaminantes presentes na água de peso molecular baixo na solução de diálise conseguem penetrar livremente e se acumulam no sangue do paciente que não consegue realizar excreção renal eficaz. uma de carvão. por medidas de saúde pública. O reservatório de água dos centros de diálise deve ser constituído por material atóxico. A eficácia e eficiência do sistema de tratamento devem ser monitoradas em razão da possibilidade de crescimento bacteriano. Para realização de HD externas aos centros de diálise. Para desinfecção do reservatório recomenda-se o uso de hipoclorito a 0.153 Numa sessão de hemodiálise cada paciente tem contato com cerca de 120 a 200 litros de solução de diálise. amostras são coletadas. é muito eficaz contra os contaminantes iônicos. uma de resina aniônica e filtros microporosos. uma de areia de vários tamanhos de grãos. utilizando uma membrana semipermeável. para cultura. nos centros de diálise é vital que haja um sistema de purificação da água que será utilizada pelas máquinas de HD. A escolha do sistema de tratamento depende do volume de água a ser tratada e. não representam riscos à população normal. Algumas substâncias adicionadas aos sistemas de tratamentos de água dos municípios. Entretanto. representam alto risco para contaminação microbiológica. uma de resina catiônica. uma de carvão e uma de abrandador. Por isso.

Observar sinais de infecção. Necessita de tempo para estar em condições de uso. por muitos sistemas municipais de tratamento de água. como agente floculador. aferir pressão arterial ou colher sangue para exames. . removendo partículas suspensas incapazes de serem filtradas. com água e sabão. Vantagens: Possui maior durabilidade. A seguir estão listadas as substâncias mais comumente encontradas na água e que podem representar perigo aos pacientes. é adicionada à água para evitar a deterioração dos dentes. ➢ Acesso Vascular para Hemodiálise A necessidade de acesso vascular para hemodiálise pode ser permanente (fístula arteriovenosa) ou temporária (cateter). Seus efeitos no organismo podem variar de leves náuseas atingindo níveis fatais de complicações: ➢ Alumínio: é adotado. Não usar o membro da FAV para carregar peso. Tradicionalmente é realizada no punho entre a artéria radial e a veia cefálica. Tipos de acesso vascular para hemodiálise: ➢ Fístula arteriovenosa (FAV): anastomose subcutânea de uma artéria e uma veia nativa adjacente. ➢ Bactérias e Endotoxinas: uma vez que as substâncias adicionadas ao abastecimento de água para prevenir a proliferação bacteriana são removidas pelo sistema de purificação da água do aparelho de diálise. Orientações: Realizar exercícios de apreensão e extensão. Hematomas. Lavar os braços antes de cada tratamento. Baixo fluxo e espasmo. Surgimento de aneurisma. Maior segurança. ➢ Cloramina: evita a proliferação bacteriana na água. Trombose venosa parcial ou total.154 enxágue até que o teste residual para o produto apresente resultado negativo. ➢ Fluoreto: no Brasil. Pode haver dor no momento da punção. Desvantagens: Isquemia de extremidade. promovendo sua dilatação. A periodicidade deve ser mensal. Manter o local limpo e seco. ➢ Cobre e Zinco: podem estar presentes na água por sua eliminação de canos e equipamentos constituídos ou compostos por esses elementos. e secá-los com papel toalha. Promove liberdade de movimentos e ação. permitindo o fluxo direto da artéria para a veia. embora haja variações possíveis. É necessário aguardar aproximadamente seis semanas para que ocorra a dilatação da artéria que nutre a veia. aumenta a susceptibilidade de contaminação microbiológica por bactérias e endotoxinas. Baixo índice de infecção e trombose.

no interior da câmara interna. Pode ser utilizado imediatamente após instalação. acetato celulose. Possuem ainda duas variações com relacionadas à função: . ➢ Dialisadores Os dialisadores são também chamados de “filtros” ou “capilares”. tenha uma perda de 20% do prime. Acerca da capacidade de ultrafiltração é aconselhável que dialisadores com coeficiente de ultrafiltração (CUF – volume de mL/h de filtrado para cada mmHg de pressão transmembrana) superiores a 8.0. Câmara interna: Esta parte abriga o dialisato para que este entre em contato com o sangue que flui na parte interna das membranas capilares semipermeáveis que flui em direção contrária. Maior risco de trombose. É necessário certificar a capacidade ou volume do enchimento (prime) de um dialisador para avaliar sua eficácia. hemophan.1 m². Alto índice de recirculação.3 a 2. Sintéticas: Polisulfona. que varia de 0. ➢ Desvantagens: Maior risco de infecção. o clearance disponibilizado pelo fabricante do dialisador é maior que o obtido na hemodiálise.155 ➢ Cateter: constitui um acesso temporário para hemodiálise que é estabelecido através da inserção percutânea em uma veia calibrosa (jugular interna. Produz baixa resistência venosa. Geralmente. jamais se deve utilizar um dialisador que. seja utilizado apenas em aparelhos de ultrafiltração Membranas As membranas existentes para os dialisadores possuem duas naturezas: Celulósicas: Cuprofane. ➢ Características A capacidade de remoção de moléculas pequenas e médias através da membrana de um dialisador é chamada de clearance. triacetato celulose. São constituídos por um cilindro dividido em duas partes: Câmara interna: nesta parte ficam as membranas capilares semipermeáveis que será preenchida com o sangue do paciente. Pode ser de duplo ou triplo lúmen e confeccionado de diferentes materiais. São mais compatíveis com o organismo. Em geral tem as vias de acesso diferenciadas por cor (Azul para venoso e Vermelha para arterial) ➢ Vantagens: Indolor durante a sessão de diálise. após ter sido reprocessado. femoral e subclávia) (Figura 23). O clearance é influenciado pelo tamanho da fibra do dialisador.

➢ Soluções esterilizantes As soluções esterilizantes utilizadas no reuso de dialisadores são: ♦ Formol: 3 a 4% ou a 1% quando armazenado em estufa. Possuem alta capacidade de ultrafiltração. máscara de gases. vancomicina. CUF. ➢ Cuidados com o dialisador Identificar o dialisador e as linhas com nome do paciente. O reuso deve ser realizado pelo técnico de enfermagem devidamente experiente e treinado. com utilização de equipamentos de proteção individual (óculos. ➢ Reutilização de Dialisadores A prática de reuso ou reutilização de dialisadores é adotada no mundo inteiro e deve ser executada corretamente para que os pacientes sofram os menores riscos possíveis. além de marcadores para hepatite. prime. touca e bota de borracha). . avental de manga comprida. CA210 e F8. Aumento do catabolismo proteico. luvas de borracha. data do 1º uso. As soluções químicas devem ser protegidas das fontes de calor e luz. Pode ser de modo manual ou automático e o modo pelo qual é realizado define o número de vezes que esse processo poderá ocorrer (12 vezes para o reuso manual e 20 vezes no reuso automático). Sistema de exaustão. HBS e HCV em caso positivo. além de assinatura do paciente ou responsável (em cumprimento à portaria ministerial que trata dos reusos permitidos). por exemplo. Geração de precursor de amiloides (causador de síndrome do carpo e artropatias). Membranas de alta eficiência: são os dialisadores do tipo F60. Preencher o sistema com cloro sempre que for desprezá-lo. entre elas: Reação de hipersensibilidade (mais relacionadas com o 1º uso do dialisador – Síndrome do primeiro uso). o número de registro e o turno de cada paciente. F80 e CT 190. Ventilação satisfatória.156 Membranas de Alto Fluxo: São os dialisadores CA170. em que constem o nome. A membrana dialisadora funciona como corpo estranho e desencadeia reações adversas como reposta do organismo. Temperatura média de 25°C. Armazenamento dos sistemas em recipientes plásticos. A sala de reuso para pacientes portadores de hepatite C deve ser separada. Anotar em impresso próprio os dados referentes ao 1º uso. Esses dialisadores devem ser utilizados em máquinas de ultrafiltração controlada. e assinatura do técnico responsável pelo reuso. Possuem alto clearance por ter maior superfície e alta capacidade de ultrafiltração. As características da sala de reuso são: Boa iluminação. Alteração da função leucocitária. individuais. Medir o prime inicial antes de utilizar o dialisador. porém o alto clearance de uréia nem sempre é observado. Promovem grande remoção de drogas como.

Verificar o valor através de cálice graduado. impedindo o bom fluxo sanguíneo necessário para a hemodiálise. possui. caso contrário prossegue-se o reuso. Medir o volume interno das fibras. Como a cascata de coagulação é um fator individual e o tempo de coagulação . pois toda vez que o circuito coagula é necessário interromper a remoção de líquidos. virucida e esporicida. É a mais utilizada atualmente. Se o valor for abaixo de 80% do valor de prime inicial devese desprezar o dialisador. A coagulação pode ocorrer no aceso vascular (cateter vascular) obstruindo um ou mais vasos de modo parcial ou total. ➢ Seleção do anticoagulante A coagulação do sangue no circuito extracorpóreo tem relação com a adesão plaquetária e os anticoagulantes agem diretamente sobre a cascata de coagulação impedindo o agrupamento destas células. o que compromete o tratamento e aumenta as perdas sanguíneas. ➢ Técnica de reprocessamento A técnica adotada no reprocessamento de dialisadores é a descrita a seguir: Utilizar água tratada (observando a pressão de 20PSI). Diminuir as chances do aparecimento de outros efeitos colaterais. Prolongar a vida útil do dialisador. Deixar o dialisador em ultrafiltração reversa por 20 minutos.157 ♦ Ácido peracético: esta substância possui característica bactericida. Ser eficaz para deixar o sistema livre de coágulos durante todo o dia. e impedir a formação de coágulos no circuito extracorpóreo. ➢ Anticoagulação O uso de anticoagulantes no circuito extracorpóreo e de modo sistêmico visa evitar a formação de coágulos no acesso vascular do paciente. Realçar a identificação do sistema e anotar os dados na ficha de reuso. Retirar o dialisador da ultrafiltração reversa e realizar outro flash de água na câmara interna. evitando assim aumento nos custos e gastos de material. Desconectar as linhas do dialisador. pois a anticoagulação excessiva ainda tem sido observada em cerca de 30% dos pacientes em hemodiálise. Realizar flash de água na câmara interna do dialisador para retirar o excesso de sangue. Tem ação bacteriostática. portanto. A anticoagulação deve ser eficaz para não permitir a formação de coágulos. porém deve ser respeitada a dose indicada de acordo com o paciente e o tipo de circuito extracorpóreo. ♦ Cloreto de sódio 24%: É utilizada no dialisador de pacientes alérgicos a outras substâncias. O regime de anticoagulação deve: Ser de fácil manuseio. alta eficácia no que diz respeito à esterilização do sistema. Esterilizar o sistema com o preenchimento da solução esterilizante de escolha. Vários são os fatores que podem favorecer a formação de coágulos.

Integridade do circuito. uma série de cuidados e medidas de controle deve ser observada. deve-se interromper a continuidade da diálise desconectando o sistema sem realizar a devolução do sangue ao paciente. ainda. Controlar a adequação da taxa de infusão do anticoagulante adotado a partir de resultados laboratoriais é função do enfermeiro que deve. Fluxo sanguíneo. Caso seja verificado algum coágulo na linha arterial. verificar a presença de coágulos nas linhas arterial e venosa. Circuitos arteriovenosos são menores que venovenosos e. Outros fatores ligados ao circuito também podem interferir na seleção da anticoagulação adotada. Abaixo estão as características dos principais anticoagulantes em uso: ➢ Coagulação do circuito extracorpóreo O deve estar em constante monitoramento das características do circuito extracorpóreo além dos parâmetros registrados pela máquina de diálise para evitar que sinais de coagulação presentes ou registrados no painel da máquina de diálise passem despercebidos e torne mais difícil preservar o sistema e. bem como a avaliação das respostas do paciente frente à terapia adotada. Fluxo do dialisato. Uma vez aumentado o valor de pressão venosa. Controle da anticoagulação do circuito extracorpóreo. É importante ressaltar que a administração de soluções no circuito de diálise deve estar restrita a anticoagulantes ou líquidos de reposição hídrico-eletrolítica.158 varia de uma pessoa para outra. entre elas: Avaliação hemodinâmica. as doses de anticoagulante para manter o circuito pode variar assim como o tipo de anticoagulação empregada no sistema. Monitoração do balanço de fluidos. realizar inspeção constante visando à detecção imediata do início do processo de coagulação nas linhas e/ou no dialisador. ➢ Complicações Durante a Hemodiálise . por essa razão. necessitam de doses menores de anticoagulantes para evitar a formação de trombos. deve-se suspeitar de coagulação no circuito. como consequência. O deve ter em vista a importância do acesso vascular para a hemodiálise e. Monitoração da reposição de volemia para o paciente. Monitoração da ultrafiltração. ➢ Ações de Enfermagem É de responsabilidade do enfermeiro o monitoramento do sistema dialítico durante toda a sessão de diálise. assim. O circuito com o coágulo é desprezado e se reinicia o processo a partir da montagem de um novo circuito. Para isso. continuar a diálise.

Hipertensão. Ruptura das fibras do dialisador. geralmente ocorrem quando o paciente é submetido à ultrafiltração muito intensa para remoção do excesso de líquido ingerido no período interdialítico. Hipoglicemia. Para isso. Fluxo sanguíneo diminuído ou obstrução em CDL. Reações pirogênicas/bacteremias. Embolia gasosa. Estas complicações podem estar relacionadas ao paciente ou ao equipamento. No que diz respeito às câimbras. Convulsão. Síndrome do primeiro uso. seguida da aplicação da prescrição. Presença de exudação na inserção do CDL. além de adotar mecanismos para a prevenção destas complicações. Reações alérgicas medicamentosas. cultura do dialisato e da água para diálise. Hipotensão arterial. Reação ao peróxido de hidrogênio/formol. câimbras. O aparecimento de febre e calafrios durante a hemodiálise pode estar ligado a pirogenia ou infecção. da evolução do tratamento e da avaliação do cliente após a terapia constituem as ações que a equipe de enfermagem deve desenvolver a cada sessão de diálise do paciente. ➢ Controle de Infecções na Unidade de Hemodiálise . Aneurisma em FAV. Hipernatremia/hiponatremia. é necessário que o enfermeiro tenha uma base sólida de conhecimento que o permita identificar. Para a correção desta complicação administra-se solução salina isotônica. A avaliação de parâmetros pré-diálise (do cliente e do equipamento). e Coagulação do sistema extracorpóreo. Neste caso. Hemólise. Parada cardiorrespiratória. providenciando hemocultura. Hipertermia. a aferição da pressão arterial e a verificação de edemas. Hipercalemia. ➢ Ações de Enfermagem A assistência de enfermagem é importante na intervenção. Fluxo sanguíneo arterial insuficiente em FAV. Arritmia. investigar o possível foco da infecção inspecionando o acesso vascular. o monitoramento constante é fundamental na garantia da segurança do tratamento. Síndrome do desequilíbrio hidroeletrolítico. Ruptura das linhas do circuito extracorpóreo (arterial e/ou venosa). Edema agudo de pulmão. febre e calafrios. Precordialgia. Outras complicações comuns são: Hematoma em FAV. atender e avaliar qualquer complicação decorrente da hemodiálise.159 Apesar de todos os avanços feitos no campo da hemodiálise e de sua crescente melhora muitas complicações podem ocorrer durante uma sessão. As complicações mais comuns são: hipotensão. na prevenção e na avaliação das possíveis complicações durante a hemodiálise. A detecção precoce de níveis pressóricos baixos durante a hemodiálise e a orientação do paciente para comunicar os sinais e sintomas que precedem a hipotensão devem ser os focos de controle da pressão arterial associados aos parâmetros prédiálise como o peso seco.

Em seu texto há uma determinação para que todos os centros de diálise implementem um Programa de Controle e Prevenção de Infecções e Eventos Adversos. eventualmente. seja por fatores orgânicos (linfócitos e granulócitos em baixa por causa do acúmulo de toxina urêmica. tratamento. menor que 2. Por esta razão. de procedimentos invasivos além de distúrbios imunológicos. monitoramento das máquinas de diálise (verificação da eficácia dos processos de desinfecção automática e a desinfecção externa). que é o Regulamento Técnico para o Funcionamento dos Serviços de Diálise publicado pelo Ministério da Saúde. avaliação da solução de diálise e observação do uso corretos de técnicas de prevenção de infecção (lavagem das mãos. Existe relação entre o número de bactérias presentes na água e nas soluções de diálise e as reações pirogênicas. uso de EPI e EPC). e em grande número. armazenagem e distribuição da água tratada). Os maiores agentes causadores de infecção em pacientes renais são microrganismos da flora bacteriana da sua própria pele que. Entre eles: o monitoramento da água (qualidade. Alguns fatores são importantes de serem observados pela equipe atendendo as rotinas estabelecidas para o controle e prevenção de infecções.000UFC/mL. de acordo com a legislação do Programa de Controle de Infecção Hospitalar do Ministério da Saúde e sob a responsabilidade do médico ou do enfermeiro do serviço de diálise. Sendo assim. sendo a maior responsável pelo aumento da morbidade. Valores superiores a esse podem facilitar a produção de biofilme. . a contagem de bactérias na água que abastece a máquina de diálise deve ser menor que 200 UFC/mL e após o preparo da solução. contaminam equipamentos e soluções. ➢ Infecção Relacionada à Contaminação das Soluções de Diálise Umas das complicações mais comuns oriundas da contaminação bacteriana da solução de diálise são as reações pirogênicas e as bacteremias por microrganismos gram-negativos (Tabela 8). a preocupação com a sua prevenção e controle é foco constante dos profissionais e gestores que devem seguir os protocolos estabelecidos na RDC nº 154. desnutrição e deficiência de Vitamina D) ou por bioincompatibilidade de materiais utilizados nos procedimentos. Nos serviços de diálise pacientes e funcionários estão sujeitos à infecção.160 As infecções são a segunda maior causa de óbitos dos pacientes em diálise no Brasil e a principal causa de internação hospitalar de pacientes com doença renal crônica em programas de substituição da função renal. O grande número de infecções ocorre pela realização constante. ➢ Infecção Relacionada ao Acesso Vascular para HD Infecção no acesso vascular representa uma das complicações mais comuns em pacientes submetidos à hemodiálise.

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hospitalização, necessidade de mudança de acesso e, eventualmente, morte do paciente. Há aumento de infecção, principalmente, osteomielite, endocardite e bacteremia, quando o acesso vascular para hemodiálise é o cateter. A melhor forma de prevenção de infecção relacionada ao cateter é a redução na sua permanência, pela confecção da fístula arteriovenosa. A infecção relacionada ao cateter tem origem na contaminação do lúmen e posterior migração de microrganismos da flora da pele do próprio paciente pelo local de inserção colonizando a ponta do cateter e causando a infecção. A maioria das infecções relacionadas ao cateter é causada por microrganismos da própria pela do paciente, especialmente, Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus aureus, porém estes não são os únicos causadores de infecção. ➢ Infecções virais em unidade de HD Hepatites: os vírus da hepatite B (HBV) e da Hepatite C (HCV) são os mais prevalentes nos pacientes em terapia renal substitutiva. A identificação sorológica deve ser realizada a fim de identificar os pacientes portadores e isolá-los dos pacientes suscetíveis para prevenir novas contaminações, comumente chamada de soroconversão. (I) HBV: A exposição ao vírus da hepatite B ocorre devido ao reprocessamento de dialisadores, equipamentos, equipe e transfusões sanguíneas (quando indicadas) além da tendência à baixa imunidade associada à uremia. A prevenção da transmissão do vírus em pacientes submetidos à hemodiálise se faz através de implementação de medidas de precaução universal, além de vacinação de pacientes que iniciam o tratamento e apresentam HBsAg e anti-HBs negativos (controle do HBsAg e anti-HBs são feitos com base na legislação vigente, semestralmente). É recomendada a vacinação de todos os pacientes com doença renal crônica contra hepatite B. Para a imunização é realizada dose dupla da vacina, pois a resposta vacinal nesse grupo é baixa; (II) HCV: Atualmente a prevalência de hepatite C é maior entre os pacientes dependentes de hemodiálise do que na população em geral. Entre os fatores de risco estão o tempo de tratamento hemodialítico, transmissão via componentes sanguíneos, transmissão paciente-paciente através de equipamentos e materiais compartilhados. Não é recomendado o isolamento de pacientes com HCV. Recomenda-se que o reuso dos dialisadores de portadores do HCV seja em sala separada e as máquinas de diálise sejam desinfetadas entre cada turno além da adoção de medidas de precaução universal; HIV: os fatores de risco para esta infecção em pacientes em tratamento hemodialítico englobam as transfusões sanguíneas, transplante renal, contato sexual ou compartilhamento de agulhas (em caso de abuso de drogas). Melhorias nas práticas no controle de infecções nos centros de diálise diminuíram a prevalência de HBV e HCV, porém a prevalência de pacientes infectados com HIV tem aumentado. Esse aumento se deve ao próprio aumento da população

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geral infectada pelo HIV, já que não há registro de transmissão horizontal desse vírus. Como medida de controle, o Ministério da Saúde recomenda o descarte do circuito de diálise após a sessão de hemodiálise. ➢ Ações de Enfermagem As ações de enfermagem no que tange ao controle de infecções em unidades de hemodiálise baseiam-se em estratégias de prevenção e controle, tais como: Lavagem das mãos antes e após qualquer procedimento, mesmo tendo utilizado luvas de procedimento; Lavagem das mãos entre um procedimento e outro realizado em um mesmo paciente; Lavagem das mãos com sabão neutro comum após procedimentos derotina e com antisséptico para procedimentos de risco; Uso de luvas ao tocar sangue e fluidos ou itens potencialmente contaminados; Não reutilização de materiais descartáveis; Limpeza e desinfecção dos equipamentos utilizados pelo paciente; Uso de técnica asséptica rigorosa na implantação e manuseio do cateter; Uso de antisséptico visando à redução de microrganismos patogênicos (em geral clorexidina a 2%); Uso de máscara, avental e óculos de proteção ao realizar procedimentos onde haja risco de respingo de sangue e fluidos; Remoção de luvas imediatamente após seu uso; Reprocessamento de dialisadores de pacientes portadores de HCV em sala separada; Descarte de dialisadores de pacientes portadores de HIV após cada sessão; Observação rigorosa de medidas de precaução padrão; Proteção de lesões com materiais cortantes; Identificação dos marcadores virais precocemente no paciente em fase pré-dialítica; Realização de exames de marcadores virais periódicos; Vacinação contra hepatite B (pacientes e equipe); Monitorização periódica do anti-HBs (pacientes e equipe); Limpeza mecânica antes de qualquer procedimento de desinfecção; Limpeza mecânica externa e desinfecção dos materiais mais utilizados; Desinfecção das máquinas entre os turnos de hemodiálise; Descarte de isoladores de pressão após as sessões; Desinfecção química de superfícies que tiveram contato com sangue e fluidos; Uso único para materiais descartáveis; Descarte ou reuso de dialisadores feito na própria máquina de hemodiálise para pacientes com sorologia desconhecida; Evitar superlotação da sala; As salas devem ter paredes e pisos laváveis e devese evitar o excesso de materiais para facilitar a higienização; Os membros da equipe não devem consumir alimentos ou bebidas na sala de diálise ou área potencialmente contaminada; Os membros da equipe devem ter suas roupas trocadas sempre que se sujarem e entre os turnos. ➢ Enfermagem na Hemodiálise

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A enfermagem começou a participar ativamente do processo de hemodiálise, como integrante da equipe multiprofissional que assiste aos pacientes renais, a partir dos avanços feitos nessa área, antes exclusivamente médica. Para dar início ao tratamento é necessário o preparo do ambiente, da água para hemodiálise, dos equipamentos e material que será utilizado. Ao receber na unidade de hemodiálise o paciente faz-se uma breve anamnese e exame físico, para adequar a prescrição da diálise às suas condições atuais. Após isso, seguem-se as etapas descritas: Preparo do sistema de hemodiálise: ligar a máquina e realizar checagem de seu funcionamento, valores de condutividade e temperatura, montar o sistema de diálise, preencher câmara interna do dialisador e interna do circuito extracorpóreo com solução salina, checar remoção completa de ar do sistema e/ou resíduos de solução esterilizante com reagente específico; Preparo do paciente para hemodiálise: orientar o paciente a checar seu nome e registro gravado no material de diálise, verificar sinais vitais e peso seco do paciente, higienizar o braço da fístula (quando for esta a via de acesso vascular), acomodar o paciente de modo confortável à poltrona ou cama; Instalação do paciente: proceder à punção da fístula ou a abertura do cateter, coletar material para exames (se solicitado), anticoagular o paciente (se prescrito), conectar a linha arterial à via arterial do cateter ou fístula e a linha venosa à via venosa, ligar a bomba de sangue; Monitorizar o tratamento hemodialítico; Finalização do tratamento hemodialítico: verificar sinais vitais e pesar o paciente, desligar a bomba de sangue e devolver ao paciente o conteúdo do segmento pré-bomba do equipo arterial, administrar drogas prescritas e coletar exames antes de desconectar os equipos, desconectar os equipos do acesso do paciente encaminhando o circuito para o reprocessamento, retirar as agulhas do paciente (em caso de fístula como acesso vascular) e realizar hemostasia com gaze estéril por cinco minutos, orientar quanto aos cuidados no período interdiálise. ➢ Enfermagem no Reuso de Dialisadores O enfermeiro deve atentar para a realização correta do reprocessamento de dialisadores, o reuso, obedecendo ao número estabelecido pelo Ministério da Saúde de reutilização de dialisadores conforme a técnica de reprocessamento empregada (até 12 vezes para reuso manual e até 20 vezes para reuso automático), desde que seja respeitado o mínimo de 80% do seu volume de enchimento (priming). Deve-se ainda efetuar controle do número de reutilização com registro em ficha própria e assinatura do paciente ou responsável. Além disso, devem-se realizar exames laboratoriais periódicos estabelecidos pela Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA (RDC 154). ➢ Exames de rotina: distribuídos em periodicidades diferentes:

(c) Semestrais: parato-hormônio. visando uma assistência humanizada. Caracteriza-se pelo levantamento de dados. pois a avaliação dos dados obtidos permitirá a identificação de diagnósticos de enfermagem. monitorização e retirada do paciente da máquina onde realiza tratamento hemodialítico. do paciente. dosagem de hemoglobina. como sistemas de classificação e como uma das etapas do processo de enfermagem. anti-HBs. É uma etapa fundamental para o processo de enfermagem. conforto na instalação. da família e de outros profissionais. proporcionando um tratamento individualizado. ferro sérico. A SAE consiste em cinco etapas sequenciais e relacionadas entre si: Histórico de enfermagem: primeira etapa do processo de enfermagem onde é realizado o levantamento de dados do paciente. subjetivos e objetivos. bem como a escolha das intervenções que serão adotadas a partir das necessidades dos pacientes. ➢ Sistematização da Assistência de Enfermagem na Hemodiálise A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é considerada pelo Conselho Federal de Enfermagem como atividade privativa do enfermeiro e de caráter obrigatório. radiografia de tórax. cálcio. seguro e eficiente (Quadro 27). dosagem de ferritina. proteínas totais e frações fosfatase alcalina. glicemia para pacientes diabéticos e creatinina durante o primeiro ano. além da avaliação dos resultados esperados. Planejamento: . ajude a estabelecer as prioridades. conduza aos diagnósticos de enfermagem. (b) Trimestrais: hemograma completo. O técnico deve oferecer através de sua assistência higiene. atendendo ao paciente de modo integral. sendo presente em todas as áreas de atuação do enfermeiro. A SAE deve ser baseada em um referencial teórico que permita orientar a coleta de dados sobre o estado de saúde dos pacientes. medição da saturação da transferrina. através de entrevista em roteiro sistematizado. fundamente as ações de enfermagem e forneça parâmetros avaliativos. dosagem de anticorpos para HIV e do Nível sérico de alumínio.164 (a) Mensais: medição do hematócrito. Diagnóstico: aparece em três contextos: como processo de raciocínio diagnóstico. ➢ Funções do Técnico de Enfermagem O técnico de enfermagem é responsável pela execução da prescrição médica e de enfermagem com vistas a dar assistência ao paciente renal em hemodiálise. HBsAg e anti-HCV (para pacientes suscetíveis e com resultado negativo anterior). ureia pré e pós-sessão de diálise. exame físico e exames laboratoriais ligados à função renal. (d) Anuais: colesterol total e fracionado. potássio. fósforo. transaminase glutâmico-pirúvica (TGP). seja ela pública ou privada. Deve ser abrangente. dosagem de creatinina após o primeiro ano. triglicérides.

é o registro das modificações do estado geral do paciente diante das intervenções de enfermagem empregadas. As classificações mais difundidas são: NANDA (North American Nursing Diagnosis Classification): classificação para os diagnósticos de enfermagem. NOC (Nursing Outcomes Classification): classificação de resultados esperados. Deve-se registrar o resultado da avaliação em prontuário.165 determina as estratégias e definição dos resultados esperados diante das ações de enfermagem prestadas por um período determinado. . NIC (Nursing Interventions Classification): classificação para as intervenções de Enfermagem. Avaliação: também conhecida por evolução. Implementação: é a execução das estratégias de intervenção de enfermagem definidas no planejamento. A utilização de classificações padrão pode mostrar uma elevada eficácia na padronização de resultados e avaliação dos resultados das intervenções empregadas.