Capítulo 1

Conceitos Fundamentais
Modern Quantum Mechanics - J.J. Sakurai (Revised Edition)
0.1 Experiências com partículas
Metralhadora, barreira com duas fendas, “1” e “2”
e um anteparo com um detector (lata com areia).
Dispara-se durante 1 minuto e contam-se as balas
que atingem a lata. Esvasia-se a lata. Move-se a lata
para outra posição e repete-se o processo. A
metralhadora dispara em todas as direções.
Inicialmente fechamos a fenda “2” e medimos a
distribuição de balas que chegam ao anteparo
através da fenda “1”. A distribuição que se obtém
é parecida com a mostrada na figura ao lado.
Agora fechamos a fenda “1”
e medimos a distribuição de
balas que chegam ao anteparo
pela fenda “2”. A forma, mostrada
na curva da direita, é a mesma
que a anterior, porém deslocada
para baixo.
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 1
Finalmente, abrimos as duas
fendas e medimos a distribuição
de balas que chegam ao anteparo
por ambas as fendas. O resultado
é a curva mostrada na figura da
direita (linha sólida). Também
mostramos os resultados obtidos
anteriormente (linhas tracejadas).
0.2 Experiências com ondas
Fonte, barreira com 2 fendas e detector (cortiça).
Conta-se os sobe e desce da cortiça e determina-se
a energia que chega naquela posição do anteparo.
Move-se a cortiça (detector) para outras posições e
determina-se a distribuição de energia no anteparo.
Inicialmente, fecha-se a fenda “2” e
mede-se a distribuição de energia que
chega ao anteparo através da fenda “1”.
A forma é mostrada na curva da direita.
Note que é muito parecida com a
distribuição de balas que passa
por uma única fenda.
Agora fecha-se a fenda “1” e mede-se a distribuição
de energia da onda que chega através da fenda “2”,
como mostrada na figura da direita.
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 2
Finalmente, abrem-se as duas fendas e mede-se a
distribuição. As linhas tracejadas mostram a
distribuição com as fendas individuais abertas,
enquanto que a sólida é o resultado para ambas as
fendas abertas. Este resultado é chamado
de padrão de interferência.
Observações
1) Na experiência com duas fendas, uma partícula não apresenta padrão de interferência: a probabilidade
de atingir uma determinada posição no anteparo é a soma das probabilidades individuais.
2) Levando em conta a conservação da energia, o padrão de interferência para ondas pode parecer
dissonante. Porém, não existe nenhum problema: a energia total no padrão de interferência é igual à energia
que chega pela fenda “1” mais a que chega pela fenda “2”. O padrão de interferência apenas rearranja esta
energia, conservando sua quantidade total.
0.3 Experiências com elétrons
Como “sabemos” os elétrons são partículas que têm massa definida, carga elétrica etc. Algumas das
propriedades do elétron são mostrados na tabela abaixo.
Elétrons
Propriedade Valor
Massa 9. 11 × 10
−31
kg
Carga 1. 60 × 10
−19
C
Spin 5. 28 × 10
−35
J-s
Interferência de ondas de elétrons
detector
padrão de
interferência
Determinando por onde os elétrons passam
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 3
detector
sem padrão de
interferência
Resumo dessas experiências com elétrons
 A probabilidade de um evento numa experiência ideal, é dada pelo quadrado do valor absoluto de um número
complexo ç que se chama de amplitude de probabilidade
P = |ç|
2
 Quando um evento pode acontecer de várias maneiras, a amplitude de probailidade é a soma das amplitudes de
probabilidade de cada maneira considerada independentemente. Existe padrão de interferência
ç = ç
1
+ ç
2
→ P = |ç
1
+ ç
2 |
2
.
 Numa experiência onde se determina como as coisas efetivamente acontecem, a probabilidade do evento é a soma
das probabilidades de cada alternativa. Não existe padrão de interferência.
P = P
1
+ P
2
.
1.1 A Experiência de Stern-Gerlach
Resultado Clássico
Resultado Experimental
Com campo
Sem
campo
As duas
orientações do spin
Campo magnético
inomogêneo
Forno
Placa
fotográfica
Feixe de
átomos
de prata
Pólo
magétic
o
Do que consiste o experimento?
 Forno para produzir feixe de átomos neutros.
 Região de campo magnético inomogênio.
 Detector de átomos.
¯ Resultados da experiência
 Stern e Gerlach usaram átomos de prata (Ag) e observaram que o feixe original dividia-se em dois feixes ao
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atravessar o campo magnético: um defletido para cima e o outro para baixo (em relação à direção do gradiente do
campo magnético).
¯ Análise clássica dos resultados
 Os resultados da experiência sugerem uma interação entre uma partícula neutra e um campo magnético. Esta
interação só existe se a partícula neutra tiver momento magnético, .
 Neste caso, a energia da interação é dada por
U
B
= − - B
que resulta na força
F = −∇U
B
= ∇( - B)
 Na experiência de Stern-Gerlach, o campo magnético atua basicamente na direção z, e a força será
F
z
=

∂z
( - B) ≅ j
z
∂B
z
∂z
na direção do gradiente do campo magnético, perpendicular ao movimento do feixe atômico.
Origem do momento magnético na física clássica
 Os átomos são constituídos de partículas carregadas.
 O movimento destas partículas produz um laço de corrente, que dá origem aos momentos magnéticos. Para um laço
de área A e uma corrente I, o momento magnético (CGS) é dado por
j =
IA
c
 Se o laço de corrente origina-se do movimento circular uniforme de uma de uma partícula de carga e (para o elétron
e < 0), então
I =
e
T
=
e
2m
v
=
ev
2m
 Como A = mr
2
, então
j =
ev
2m
mr
2
c
=
evr
2c
=
e
2mc
mvr =
e
2mc
L
onde L = mvr é o momento angular orbital da partícula.
 Da mesma forma que a Terra se movimenta em torno do Sol e do seu próprio eixo, podemos também imaginar que
uma partícula carregada num átomo tenha tanto momento angular orbital, L, como momento angular intrínseco, S.
 Admitindo que o laço de corrente criado pelo movimento intrínseco produza uma relação similar entre o momento
magnético e o momento angular intrínseco, então,
 = g
e
2mc
S 
e
mc
S
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 5
onde usamos o valor correto g = 2 para o movimento rotacional intrínseco do elétron.
Momento magnético do átomo de prata
 O momento magnético depende do inverso da massa da partícula. Portanto, os prótons e neutros (massas ≈ 2. 000
m
e
) têm pouco efeito sobre o momento magnético do átomo, comparados com os elétrons, podendo ser
desprezados.
 A configuração eletrônica da Ag (47 elétrons) é:
1s
2
2s
2
2p
6
3s
2
3p
6
3d
10
4s
2
4p
6
4d
10
-
5s
1
Número de elétrons : 46 + 1 = 47
Momento angular: J = 0 S
 As camadas eletrônicas cheias são representadas por orbitais esfericamente simétricos e o momento angular orbital
e momento angular intrínseco dos elétrons nessas camadas são nulos.
 Resta o momento angular do elétron na última camada 5s. Mas, um elétron na camada s tem momento angular
orbital nulo.
 Logo, o momento angular total do átomo de prata é devido apenas ao momento angular intrínseco do elétron, que
chamamos de spin.
 Assim, o momento magnético do elétron, e, portanto, do átomo de prata neutro, é
 =
e
mc
S
onde e < 0.
 A força clássica sobre o átomo pode ser escrita como
F
z

e
mc
S
z
∂B
z
∂z
S
N
feixe S
z
+
feixe S
z
-
 A deflexão do feixe na experiência de Stern-Gerlach é então uma medida da componente S
z
, ou da projeção do spin
ao longo do eixo z, que é a direção do gradiente do campo magnético.
O que se esperaria classicamente?
 Vamos supor que todos os elétrons tenham a mesma magnitude do momento angular intrínseco, |S|, tal que a
projeção S
z
pode ser escrita como
S
z
= |S| cos 0
onde 0 é o ângulo entre a direção do spin e o eixo z.
 Dentro do forno aquecido, esperamos uma distribuição aleatória das direções do spin e, então, todos os possíveis
ângulos 0. Assim, S
z
tem uma distribuição contínua de valores no intervalo
S
z
= −|S|, …, +|S|
 Ao atravessar o campo magnético, um feixe de átomos de prata com todos os possíveis valores de S
z
no intervalo
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entre −|S| e +|S| deveria apresentar um contínuo na deflexão do feixe (ver figura abaixo).
¯ Mas o que se observa?
 Experimentalmente, observa-se apenas duas deflexões, indicando que existem apenas dois valores da projeção S
z
do spin do elétron.
 As magnitudes dessas deflexões são compatíveis com os dois valores de S
z
dados por
S
z
= ±
h
2
 Consequência do resultado do experimento: O spin do elétron tem valores discretos ao longo de um eixo
(quantização da projeção do spin).
 Conclusão: Esta quantização está em desacordo com a expectativa clássica para esta medida.
 Observação: Aqui consideramos o eixo z para medir a projeção do spin, mas poderíamos escolher
qualquer outro eixo que os resultados seriam os mesmos.
¯ Experiências de Stern-Gerlach sequenciais
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 7
Forno SG z SG z
S
z
+
Forno SG z SG x
S
x
+
S
x
-
S
z
+
S
z
-
Forno SG z SG x
S
z
+
S
z
-
S
z
+
S
z
-
SG z
S
x
+
S
x
-
S
z
+
S
z
-
Experiência de Stern-Gerlach seqüencial
Primeira experiência ↑↓→ SGz → SGz → ?
 o feixe passa inicialmente por um dispositivo SGz (campo inomogêneo na direção z).
 bloquea-se a passagem dos átomos com componentes S
z

 o restante dos átomos com S
z
+ fica sujeito a um segundo dispositivo SGz.
 verifica-se que apenas uma componenente do feixe (com S
z
+) emerge do segundo aparelho. (Aqui não há
nenhuma surpresa).
Segunda experiência ↑↓→ SGz → SGx → ?
 o feixe passa inicialmente por um dispositivo SGz (campo inomogêneo na direção z)
 bloquea-se a passagem dos átomos com S
z

 o restante dos átomos com S
z
+ fica sujeito a um segundo dispositivo SGx, de onde emergem em dois feixes, de
igual intensidade, um com S
x
+ e outro, S
x
−.
 Questão: Será que o feixe S
z
+ contém 50% de átomos com S
x
+ e 50% com S
x
− ? Veremos que esta idéia se
depara com algumas dificuldades e portanto não pode ser verdadeira!
Terceira experiência ↑↓→ SGz → SGx → SGz → ?
 o feixe passa inicialmente por um dispositivo SGz (campo inomogêneo na direção z.
 bloquea-se a passagem dos átomos com S
z

 o restante dos átomos com S
z
+ fica sujeito a um segundo dispositivo SGx, de onde emergem em dois feixes, de
igual intensidade, um com S
x
+ e outro, S
x
−.
 bloquea-se a passagem dos átomos com S
x
−.
 o feixe restante passa pelo terceiro dispositivo do tipo SGz
 verifica-se experimentalmente que deste terceiro dispositivo emergem dois feixes de átomos de igual intensidade (e
não um) com componentes S
z
+ e S
z
−.
 Questão: Mas a componente S
z
− já não havia sido completamente bloqueada na saída do primeiro dispositivo?
Como é possível reaparecer a componente S
z
− que pensávamos ter eliminado anteriormente?
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Consequências das experiências SG sequenciais
 O momento angular de spin não pode ser descrito por um espaço vetorial 3-D.
 O momento magnético (ou spin) do átomo é uma quantidade discreta ou quantizada.
 Não podemos determinar simultaneamente S
z
e S
x
(princípio da incerteza de Heisenberg). Mais precisamente,
podemos dizer que a seleção do feixe S
x
+ pelo segundo dispositivo (SGx) destrói completamente
qualquer informação prévia sobre S
z
.
¯ Postulados da Mecânica Quântica
Postulado 1 (estado de um sistema) Em cada instante t, o estado de um sistema físico é representado
por um ket normalizado, |+(t)), no espaço vetorial dos estados, que contém toda a informação que podemos conhecer
sobre o sistema.
Postulado 2 (quantidades físicas) Qualquer quantidade física A mensurável é descrita matematicamente
por um operador A que atua sobre os kets. Este operador é um observável.
Postulado 3 (medidas de quantidades físicas) O único resultado possível de uma medida de uma
quantidade física A é um dos autovalores a
n
do correspondente operador A.
Postulado 4 (decomposição espectral) A probabilidade de obter o autovalor a
n
(não degenerado)
numa medida de um observável A sobre o sistema no estado normalizado |+) é
P (a
n
) = |〈a
n |+)|
2
onde |a
n
) é o autovetor normalizado de A correspondente ao autovalor a
n
.
Postulado 5 (redução do pacote de onda) Imediatamente após uma medida de A, sobre o sistema no
estado |+), que dá o valor a
n
, o sistema se encontra num novo estado |+

), que é a projeção normalizada do ket original
no subespaço correspondente aos resultados da medida:
|+

) =
P
n|+)
〈+|P
n|+)
Postulado 6 (evolução temporal) A evolução temporal de um sistema quântico é determinada pelo
operador Hamiltoniano ou energia total, H(t), através da equação de Schrödinger
ih
d
dt
|+) = H(t) |+)
1.2 Kets, Bras e Operadores
As experiências de SG mostraram que os spins não podem ser representados num espaço vetorial 3-D. Isso
levou a considerar espaços vetoriais complexos.
Formulação básica dos espaços vetoriais usados em MQ
 Espaços vetoriais complexos: Ket e Bra
 Notação de Dirac
Espaço KET
Dimensionalidade. Depende da natureza do sistema em análise. Pode ser:
 Finita
 Infinita (espaço de Hilbert)
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 9
Estado físico. Em MQ, representado por um vetor de estado no espaço vetorial complexo.
Vetor de estado. Chamado de ket na notação de Dirac e denotado por |o).
Significado do ket. Contém todas as informações (possíveis) sobre o estado físico do sistema.
Propridades dos ket’s
 A soma de dois ket’s resulta um novo ket
|o) + |[) = |,) (1)
 O produto de um ket por um número complexo c resulta um novo ket
c|o) = |o)c (2)
não importa a ordem de c em relação a |o).
 Se c = 0 o ket resultante é chamado de ket nulo.
Postulado Os ket’s |o) e c|o) com c ≠ 0 representam o mesmo estado físico.
Significado do postulado Somente a direção do ket no espaço vetorial tem importância na representação
de um estado físico.
Observáveis. São representados por operadores no espaço vetorial. (Exemplos de observáveis: momento,
componentes de spin etc.)
Ação dos operadores. De uma maneira geral, um operador atua sobre um ket pelo lado esquerdo, isto é
A - (|o)) = A|o)
O resultado desta operação nem sempre é uma constante vezes o ket |o).
Autokets. Quando a ação de um operador A sobre um conjunto particular de kets resultar no produto de uma
constante pelos correspondentes kets, estes são chamados de autokets do operador A. Então, sejam os
auto-kets do operador A
|a

), |a
′′
), |a
′′′
), … (3)
logo, verifica-se a propriedade
A|a

) = a

|a

), A|a
′′
) = a
′′
|a
′′
), … (4)
onde a

, a
′′
, … são números.
Autovalores do operador A. O conjunto dos números ¡a

, a
′′
, a
′′′
, …) ou ¡a

) é chamado de autovalores do
operador A.
Autoestados do operador A. O estado físico correspondente a um autoket é chamado de autoestado.
Exemplo Sistema de spin ½
S
z|S
z
; +) =
h
2
|S
z
; +), S
z|S
z
; −) = −
h
2
|S
z
; −) (6)
Observação De acordo a notação |a

), onde um autoket é classificado por seu autovalor, o autoket de S
z
na Eq. (6)
deveria ser escrito como |h/2). Mas aqui a notação |S
z
; +) é mais conveniente, uma vez que consideramos também os
autokets de S
x
:
S
x|S
x
; ±) = ±
h
2
|S
x
; ±) (7)
Observação Dimensionalidade do espaço vetorial ¬ número de alternativas num experimento do tipo Stern-Gerlach.
Mais formalmente ¬ espaço vetorial N-dimensional descrito pelos N autokets do observável A. Qualquer ket arbitrário |o)
pode ser escrito como
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|o) =

a

c
a
′ |a

) (8)
Espaço BRA e Produtos Internos
Espaço vetorial BRA é o espaço dual do espaço vetorial KET.
Postulado A cada ket |o) existe um vetor bra denotado por 〈o|.
Isto significa que existe uma correspondência um-a-um entre o espaço ket e o espaço bra:
|o)
CD
÷ 〈o|
|a

), |a
′′
), …
CD
÷ 〈a

|, 〈a
′′
|, …
|o) + |[)
CD
÷ 〈o| + 〈[|
(9)
(CD = correspondência dual).
 Dual de c|o) = c

〈o|. Forma geral
c
o|o) + c
[|[)
CD
÷ c
o

〈o| + c
[

〈[| (10)
 Produto interno entre bra e ket Forma geral
〈o|[) = (〈o|) - (|[)) (11)
Este produto é, em geral, um número complexo.
Propriedades Fundamentais (postulados)
Propriedade (1):
〈[|o) = 〈o|[)

(12)
são conjugados complexos um do outro.
Analogia com o produto escalar Embora o produto interno seja análogo ao familiar produto escalar, a  b, devemos
fazer distinção entre 〈[|o) e 〈o|[): isto não é necessário no espaço vetorial real porque a  b  b  a.
Consequência de (12):
〈o|o) = número real
Prova: Fazendo-se 〈[| = 〈o| em (12), encontra-se
〈o|o) = 〈o|o)

que é um número real.
Propriedade (2):
〈o|o) ≥ 0 (13)
onde a igualdade só vale se |o) for um ket nulo.
Isto é conhecido como postulado da métrica positiva definida: é essencial para a interpretação probabilística da
MQ.
 Vetores ortogonais Dois kets |o) e |[) são ditos ortogonais, se
〈o|[) = 0 (14)
De (12), implica que
〈[|o) = 0 (15)
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 11
 Kets normalizados Exceto para o ket nulo, um ket |o) pode sempre ser colocado na forma normalizada
|õ ) =
1
〈o|o)
|o) (16)
que tem a propriedade
〈õ |õ ) = 1 (17)
 Norma de |o) A relação 〈o|o) é conhecida como norma de |o), em analogia com o módulo de um vetor
a  a = |a| definida no espaço euclidiano.
Observação Uma vez que |o) e c|o) representam o mesmo estado físico, podemos também exigir que os kets que
usamos para estados físicos sejam normalizados na forma da Eq. (17).
Operadores
Sejam os operadores
A, B, C, … ÷ classe restritiva (observáveis)
X, Y, Z, … ÷ classe geral
Operação sobre Kets
Os operadores sempre atuam nos kets pelo lado esquerdo
 X - (|o)) = X|o) (resulta outro ket)
 Operadores iguais: X = Y se
X|o) = Y|o) (20)
 X é um operador nulo se
X|o) = 0 (21)
para um ket arbitrário.
 Adição de operadores: comutativa e associativa
X + Y = Y + X (21a)
X + (Y + Z) = (X + Y) + Z (21b)
 Operadores lineares:
X(c
o|o) + c
[|[)) = c
o
X|o) + c
[
X| [) (22)
Operação sobre Bras
Os operadores sempre atuam sobre os bras pelo lado direito.
 (〈o| - X) = 〈o| X (resulta outro bra)
 Correspondência dual
X|o)
CD
÷ 〈o| X

(24)
onde X

é chamado de adjunto Hermitiano ou adjunto de X.
 Operador Hermitiano: é dito ser Hermitiano, o operador que satisfaz
X = X

(25)
Multiplicação de Operadores
 não comutativa
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XY ≠ YX (26)
 associativa
X(YZ) = (XY)Z = XYZ (27)
X(Y|o)) = (XY)|o) = XY|o), (〈[| X)Y = 〈[| (XY) = 〈[| XY (28)
 correspondência dual
XY|o)
CD
÷ 〈o|(XY)

mas,
XY|o) = X(Y|o))
CD
÷ (〈o|Y

)X

= 〈o|Y

X

de onde se conclui que
(XY)

= Y

X

(29)
Resumo. Até agora vimos produtos do tipo
〈[|o), X|o), 〈o| X e XY
Quais outros tipos de produtos são permitidos?
Produto externo. O produto de |[) e 〈o|, nesta ordem, ou seja,
(|[)) - (〈o|) = |[)〈o| (31)
é conhecido como produto externo de |[) e 〈o|. O produto |[)〈o| deve ser considerado um operador, ao invés
de um número como é o caso do produto escalar 〈[|o).
Produtos ilegais. Os produtos da forma
|o)X, X〈o|, |o)|[) e 〈o|〈[|
não têm nenhum sentido (quando o e [ são vetores kets ou bras que pertencem ao mesmo espaço bra ou ket).
Eles simplesmente não significam nada (não são operadores, kets ou bras).
Axioma Associativo da Multiplicação
A multiplicação entre operadores é associativa ÷ esta propriedade deve valer para todos os produtos “legais”
entre operadores, kets e bras (axioma associativo).
 Ilustração com o produto externo
(|[)〈o|) - |,) (32)
Devido ao axioma associativo, podemos reescrever:
|[) - (〈o|,)) (33)
onde 〈o|,) é um número. Como são iguais, podemos omitir o ponto e os parênteses:
|[)〈o|,)
possuindo dois significados equivalentes
∙ |[)〈o|,) ÷ operador |[)〈o| atuando sobre o ket |,).
∙ |[)〈o|,) ÷ número 〈o|,) multiplicando |[).
Por outro lado, se (33) fosse escrita como
(〈o|,)) - |[)
não poderíamos omitir o ponto e o parêntese, pois a expressão resultante seria “ilegal”. Ou seja,
〈o|
“ilegal”
,)|[)
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 13
Observação Note que o operador |[)〈o| gira |,) na direção de |[). É fácil mostrar que, se
X = |[)〈o|, (34)
então
X

= (|[)〈o|)

= |o)〈[|. (35)
 Outra ilustração importante do axioma Seja
bra
(〈[|) -
ket
(X|o)) =
bra
(〈[| X) -
ket
(|o)) (36)
Como os dois lados são iguais, podemos representar numa forma mais compacta
〈[| X|o) (37)
Observação Como 〈o| X

é o bra que é dual a X|o), então
〈[| X|o) = 〈[| - (X|o))
Por outro lado, da Eq. (12) 〈[|o) = (〈o|[))

, então
〈[| - (X|o)) = ¡(〈o|X

) - |[))

= 〈o|X

|[)

Ou seja
〈[| X|o) = 〈o|X

|[)

(38)
Para um operador Hermitiano, X

= X, tem-se
〈[| X|o) = 〈o| X|[)

(39)
1.3 Kets de Base e Representações Matriciais
Autokets de um observável
Vamos considerar os autovalores e autokets de um operador Hermitiano A.
Teorema Os autovalores de um operador Hermitiano A são reais; os autokets de A correspondentes a diferentes
autovalores são ortogonais.
Prova: Seja
A|a

) = a

|a

) (3.1)
Como A é Hermitiano, A

= A, então
〈a
′′
| A

= 〈a
′′
| A = a
′′∗
〈a
′′
| (3.2)
Então
〈a
′′
| A|a

) = a

〈a
′′
|a

)
〈a
′′
| A|a

) = a
′′∗
〈a
′′
|a

)
e, subtraindo ambos os membros, encontramos
(a

− a
′′∗
)〈a
′′
|a

) = 0 (3.3)
Admitindo que os vetores não sejam nulos, temos dois casos:
(1) Fazendo a

= a
′′
Neste caso, deduzimos a condição de que os autovalores de um operador
Hermitiano são reais, ou seja,
a

= a
′∗
(3.4)
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(a primeira metade do teorema).
(2) Fazendo a

≠ a
′′
A diferença, a

− a
′′∗
= a

− a
′′
(autovalores reais), não pode se anular, por
hipótese. Logo, o produto interno 〈a
′′
|a

) deve ser nulo, ou seja
〈a
′′
|a

) = 0, (a

≠ a
′′
)
o que prova a propriedade da ortogonalidade (segunda metade do teorema).
Observáveis ÷ autovalores reais ¬ operadores Hermitianos.
Normalização Na forma ortonormal
〈a
′′
|a

) = o
a
′′
a
′ . (3.6)
Completeza Por construção do nosso espaço ket, os autokets de A formam um conjunto completo.
Autokets como Kets de Base
 Todos os autokets normalizados de A formam um conjunto ortonormal completo. O número de autokets é igual à
dimensionalidade do espaço vetorial complexo.
 Um ket arbitrário no espaço ket pode ser expandido em termos dos autokets de A. Seja a expansão de um ket
arbitrário |o) no espaço ket descrito pelos autokets de A:
|o) =

a

c
a
′ |a

) (3.7)
Multiplicando por 〈a
′′
| e usando a relação de ortonormalidade, encontram-se os coeficientes da expansão:
〈a
′′
|o) = ∑
a

c
a
′ 〈a
′′
|a

) = ∑
a

c
a
′ o
a
′′
a
′ = c
a
′′
Ou seja,
c
a
′ = 〈a

|o) (3.8)
E a expansão fica
|o) = ∑
a

|a

)〈a

|o) (3.9)
Analogia com a expansão de um vetor V (real) no espaço euclidiano:
V = ∑
i
ê
i

i
- V) (3.10
 Em termos de base, os autokets de A são comparáveis ao conjunto de vetores unitários mutuamente ortogonais do
espaço euclidiano.
Relação de Completeza
Do axioma associativo da multiplicação e sendo |o) um vetor arbitrário, obtém-se
|o) = ∑
a

|a

)〈a

|o) = ∑
a

|a

)〈a

| |o) ¬ ∑
a

|a

)〈a

| = 1 (3.11
que é conhecida como relação de completeza. O “1” do lado direito deve ser entendido como o operador
identidade.
Uso do operador identidade. Seja 〈o|o). Podemos escrever
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 15
〈o|o) = 〈o|1|o) = 〈o| ∑
a

|a

)〈a

| |o)
= ∑
a

〈o|a

)〈a

|o)
= ∑
a

〈a

|o)

〈a

|o)
= ∑
a

|〈a

|o)|
2
Para kets normalizados, 〈o|o) = 1. Logo,

a

|〈a

|o)|
2
= 1
e, como c
a
′ = 〈a

|o), encontramos a relação

a

|c
a
′ |
2
= 1, (3.13
que deve ser satisfeita pelos coeficientes da expansão (3.7).
Operador projeção
Seja o operador |a

)〈a

| que aparece em (3.11). Aplicando sobre o ket |o)
(|a

)〈a

|) - |o) = |a

)〈a

|o) = c
a
′ |a

) (3.14
O que isto significa?
Significa que operando sobre o ket |o), o operador |a

)〈a

| seleciona a parcela de |o) que é paralela a |a

). Em
outras palavras, o operador |a

)〈a

| operando sobre |o) projeta este ket ao longo do ket de base |a

). Por isto
|a

)〈a

| é conhecido como operador projeção ou projetor. Denotando-o por A
a
′ , ou seja,
A
a
′ = |a

)〈a

| (3.15
a relação de completeza (3.11) pode ser escrita como

a

A
a
′ = 1 (3.16
Representação Matricial
Conhecendo-se os kets de base, num espaço N −dimensional, como representar um operador X por uma
matriz quadrada?
Considere a identidade
X =
=1

a
′′
|a
′′
)〈a
′′
| X
=1

a

|a

)〈a

| ,
que pode ser reescrita como
X = ∑
a
′′

a

|a
′′
)
números
〈a
′′
| X |a

) 〈a

|. (3.17
Quantos números da forma 〈a
′′
| X |a

) existem? Sabendo-se que o conjunto ¡a

) = ¡a
(1)
, a
(2)
, a
(3)
, …, a
(N)
)
existem N
2
números dessa forma.
Forma matricial. Podemos colocá-los na forma matricial, fazendo as seguintes identificações
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 16
linha
〈a
′′
| X
coluna
|a

) (3.18
Ou seja,
X ≗
〈a
(1)
| X |a
(1)
) 〈a
(1)
| X |a
(2)
)
〈a
(2)
| X |a
(1)
) 〈a
(2)
| X |a
(2)
)
. . `
(3.19
onde o símbolo ≗ significa “é representado por”. Usando a Eq (38) da Seç. 2, podemos escrever
〈a
′′
| X |a

) = 〈a

| X

|a
′′
)

. (3.20
Para um operador Hermitiano B, ou seja, B = B

, esta equação torna-se,
〈a
′′
| B |a

) = 〈a

| B |a
′′
)

. (3.21
Verificação da regra usual da multiplicação de matrizes
Podemos mostrar que o arranjo 〈a
′′
| X |a

) numa matriz quadrada satisfaz a regra usual de multiplicação.
 Relação de operadores Seja Z o produto de dois operadores
Z = XY.
Assim
〈a
′′
| Z |a

) = 〈a
′′
| XY |a

) =

a
′′′
〈a
′′
| X |a
′′′
)〈a
′′′
| Y |a

) (3.23)
que é o produto de duas matrizes quadradas!
 Relação de kets Seja |,) o ket obtido pela aplicação do operador X sobre o ket |o)
|,) = X|o) (3.24)
Assim
〈a

|,) = 〈a

| X |o) =

a
′′
〈a

| X |a
′′
)〈a
′′
|o) (3.25)
que pode ser visto como a multiplicação de uma matriz quadrada por uma matriz-coluna. As matrizes-coluna 〈a
(i)
o)
e 〈a
(i)
,) representam os coeficientes de expansão dos kets |o) e |,), respectivamente, nos kets da base. Ou seja,
|o) ≗
〈a
(1)
o)
〈a
(2)
o)
〈a
(3)
o)
.
, |,) ≗
〈a
(1)
,)
〈a
(2)
,)
〈a
(3)
,)
.
(3.26)
 Relação de bras Seja
〈,| = 〈o| X
Da mesma forma
〈,|a

) = 〈o| Xa

) =

a
′′
〈,|a

)〈a

| Xa

) (3.28)
Logo, um bra é representado por uma matriz-linha
〈,| ≗ 〈, a
(1)
), 〈, a
(2)
), 〈, a
(3)
),
= 〈a
(1)
|,)

, 〈a
(2)
|,)

, 〈a
(3)
|,)

, (3.29)
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 17
 Produto interno 〈[|o)
〈[|o) =

a

〈[|a

)〈a

|o)
= 〈a
(1)
[)

, 〈a
(2)
[)

〈a
(3)
[)


〈a
(1)
o)
〈a
(2)
o)
〈a
(3)
o)
.
 Produto externo |[)〈o|
|[)〈o| =

a


a
′′
|a
′′
)〈a
′′
|[)〈o|a

)〈a

|
Logo,
|[)〈o| ≗
〈a
(1)
[)〈o|a
(1)
) 〈a
(1)
[)〈o|a
(2)
)
〈a
(2)
[)〈o|a
(1)
) 〈a
(2)
[)〈o|a
(2)
)
. . `
ou, usando a conjugação complexa
|[)〈o| ≗
〈a
(1)
[)〈a
(1)
o)

〈a
(1)
[)〈a
(2)
o)


〈a
(2)
[)〈a
(1)
o)

〈a
(2)
[)〈a
(2)
o)


. . `
(3.31)
 Observável A na base dos autokets
A ≗

a


a
′′
|a
′′
)〈a
′′
| A|a

)〈a

|
Como |a

) é um autoket de A, ou seja, A|a

) = a

|a

), a matriz 〈a
′′
| A|a

) é diagonal:
〈a
′′
| A|a

) = a

〈a
′′
|a

) = a

o
a

a
′′ (3.33)
Logo,
A ≗

a


a
′′
|a
′′
)〈a
′′
| A|a

)〈a

|
=

a


a
′′
|a
′′
) a

o
a

a
′′ 〈a

|
=

a

a

|a
′′
) 〈a

|
=

a

a

A
a
′ (3.34)
Sistemas de Spin ½
Base usada: |S
z
; ±) ≡ |±)
 Operador identidade
1 =

a

=+,−
|a

)〈a

| = |+)〈+| + |−)〈−|
 Operador S
z
De acordo com (3.34), a representação de um operador na base de seus autokets é
A =

a

a

A
a

Logo,
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 18
S
z
=
h
2
|+)〈+| − |−)〈−|
Escrito desta forma, a relação de autovalores S
z|±) = ±
h
2
|±), ou seja,
S
z|+) ≡
h
2
|+)〈+| − |−)〈−| |+)
=
h
2
|+)
=1
〈+|+) −|−)
=0
〈−|+)
=
h
2
|+).
Da mesma forma,
S
z|−) ≡
h
2
|+)〈+| − |−)〈−| |−)
=
h
2
|+)
=0
〈+|−) −|−)
=1
〈−|−)
= −
h
2
|−).
1.4 Medidas, Observáveis e Relações de Incerteza
Medidas
“Uma medida sempre faz com que o sistema salte para um autoestado da variável dinâmica que está sendo avaliada.”
(Dirac)
O que significam essas palavras de Dirac? Vamos analisar o processo de medida de um observável A.
Antes da medida. Nesta etapa, vamos admitir que o sistema esteja num estado |o), que pode ser
representado por uma combinação linear dos autokets de A. Ou seja,
|o) = ∑
a

c
a
′ |o

) = ∑
a

|a

)〈a

|o) (4.1)
Após a medida. Quando a medida é realizada, o sistema é “jogado” em um dos autoestados, digamos
|a

), do observável A. Ou seja,
medida de A
|o) |a

) (4.2)
Exemplo Um átomo de prata com uma orientação de spin arbitrária mudará para um dos estados |S
z
; +) ou |S
z
; −),
quando sujeito a um dispositivo de Stern-Gerlach do tipo SGẑ. Então, a medida geralmente muda o estado. A única
exceção é quando o sistema já está em um dos autoestados do observável que está sendo medido. Neste caso,
medida de A
|a

) |a

) (4.3)
Resultado da experiência. Quando o sistema passa do estado inicial |o) para um autoestado do observável
A, não sabemos de antemão em qual dos vários autoestados |a

)’s desse observável o sistema será
encontrado como resultado de uma medida.
Probabilidade. Embora não se saiba prever exatamente em qual dos autoestados o sistema será
encontrado, podemos estimar a probabilidade do sistema saltar para um dado autoestado |a

) de A. Admite-se
que tal probabilidade seja dada por
P
o→a
′ = |〈a

|o)|
2
(4.4)
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 19
que é um dos postulados fundamentais da MQ.
Como definir probabilidade para um único sistema?
Ensemble puro. Embora se fale de um único sistema, devemos considerar um grande número de medidas
realizadas sobre uma coleção (ensemble) de sistemas físicos preparados identicamente, todos com o mesmo
estado inicial |o). Tal ensemble é conhecido como ensemble puro.
| a
(1)

| a
(2)

| a
(N)

| α 〉
m
e
d
id
a
d
e
A
Exemplo Um exemplo de ensemble puro seriam os átomos de prata que atravessam o primeiro aparelho SGẑ com
a componente S
z−
bloqueada, uma vez que qualquer átomo membro do ensemble é caracterizado por S
z+
.
Faz sentido a interpretação probabilística?
 Casos extremos
|i) = |a

) e |f) = |a

) Considere o sistema no estado inicial |a

). Qual a probabilidade de encontrar o sistema
no estado final |a

) após a medida? De acordo com (4.4)
P
a

→a
′ = |〈a

|a

)|
2
= 1
como seria esperado. Repetindo-se sucessivamente a medida do mesmo observável o resultado será sempre
o mesmo.
|i) = |a

) e |f) = |a
′′
) Sendo a
′′
≠ a

autoestados do observável A, devido à ortogonalidade entre eles, a
probabilidade vale
P
a

→a
′′ = |〈a
′′
|a

)|
2
= 0
Do ponto de vista da teoria das medidas, kets ortogonais correspondem a alternativas mutuamente excludentes. Por
exemplo, se um sistema de spin ½está no estado |S
z
; +) com certeza ele não pode estar no estado |S
z
; −).
 Casos Gerais
Probabilidade não-negativa. A Eq. (4.4) satisfaz essa exigência.
Soma 1. Quando existem várias possibilidades alternativas, a soma total das probabilidades deve ser igual a
1. A Eq (4.4) satisfaz também essa exigência.
Valor Esperado
O valor esperado de A com relação ao estado |o) é definido como
〈A)
o
≡ 〈o| A | o) (4.5)
Valor medido médio O valor esperado pode ser reescrito como
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 20
〈A)
o
= ∑
a


a
′′
〈o|a
′′
)〈a
′′
| A | a

)〈a

|o)
= ∑
a


a
′′
a

〈o|a
′′
)〈a
′′
| a

)〈a

|o)
= ∑
a

a

〈o|a

)〈a

|o) = ∑
a

a

〈a

|o)

〈a

|o)
= ∑
a

medido a

valor
-
a

de obter a

probabilidade
|〈a

|o)|
2
É muito importante não confundir autovalores com valores esperados. Por exemplo, o valor esperado de S
z
para sistemas
com spin ½pode ter qualquer valor entre − h/2 e +h/2, digamos, 0, 273h; por outro lado, os autovalores de S
z
só podem ter
dois valores: −h/2 e +h/2.
Medida Seletiva ou Filtragem
No experimento de Stern-Gerlach, permitimos que apenas os átomos com uma das componentes do spin
passasse através do aparelho, bloqueando-se completamente a passagem de átomos com a outra
componente.
Processo de medida. De uma maneira geral, imaginamos um processo de medida com um dispositivo que
seleciona apenas um dos autokets de A, digamos |a

), rejeitando todos os outros (medida seletiva); v. figura
abaixo.
| a' 〉
| a'' 〉 com a''≠ a'
| α 〉
Medida de A
Matemática da medida seletiva. Matematicamente, quantificamos a medida seletiva, aplicando-se o
operador projeção A
a
′ sobre o ket |o)
A
a
′ |o) = |a

)〈a

|o). (4.7)
Sistemas de Spin ½Revisitados
 Na experiência de Stern-Gerlach, vimos que quando o feixe de átomos com S
x
+ está sujeito a um aparelho do tipo
SGẑ, o feixe se desdobra em duas componentes com intensidades iguais.
 Em termos dos postulados da MQ: a probabilidade para que o estado S
x
+ seja “lançado” em qualquer um dos
estados |S
z
; ±), ou simplesmente |±), vale
1
2
. Em outras palavras,
|〈±|S
x
; +)|
2
=
1
2
.
Logo,
|〈+|S
x
; +)| =
1
2
|〈−|S
x
; +)| =
1
2
Construção dos kets |S
x
; ±). Podemos construir o ket |S
x
; +) com segue. De acordo com a expressão
acima, |S
x
; +) tem componentes em ambos os autokets da base de S
z
. Assim, podemos escrever
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 21
|S
x
; +) =
1
2
|+) +
1
2
e
io1
|−) (4.9)
com o
1
real.
Por convenção, o coeficiente de |+) pode ser escolhido como sendo real e positivo.
Para construir o ket |S
x
; −), devemos observar que ambos, |S
x
; +) e |S
x
; −), são ortogonais, uma vez que as
alternativas S
x
+ e S
x
− são mutuamente excludentes. Esta ortogonalidade exige que
〈S
x
; −|S
x
; +) = 0.
Logo, escrevendo |S
x
; −) como
|S
x
; −) =
1
2
|+) +
1
2
e
io
1

|−)
onde usamos a convenção acima, encontramos
〈S
x
; −|S
x
; +) = 〈+|
1
2
+ 〈−|
1
2
e
−io
1

-
1
2
|+) +
1
2
e
io1
|−)
=
1
2
〈+|+) +
1
2
e
io1
〈+|−) +
1
2
e
−io
1

〈−|+) +
1
2
e
i(o1−o
1

)
〈−|−)
=
1
2
+
1
2
e
i(o1−o
1

)
= 0
de onde se obtém
e
i(o1−o
1

)
= −1 ¬ o
1
− o
1

= m ¬ o
1

= o
1
− m
Logo
|S
x
; −) =
1
2
|+) +
1
2
e
io1
e
−im
|−)
o que nos fornece
|S
x
; −) =
1
2
|+) −
1
2
e
io1
|−)
Construção dos Operadores S
x
e S
y
Usando a equação
A = ∑
a

a

A
a

podemos agora construir o operador S
x
. Seguindo a prescrição
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 22
S
x
=
h
2
|S
x
; +)〈S
x
; +| −
h
2
|S
x
; −)〈S
x
; −|
=
h
2
1
2
|+) +
1
2
e
io1
|−) - 〈+|
1
2
+ 〈−|
1
2
e
−io1

h
2
1
2
|+) −
1
2
e
io1
|−) - 〈+|
1
2
− 〈−|
1
2
e
−io1
=
h
2
1
2
|+)〈+| + e
−io1
|+)〈−| + e
io1
|−)〈+| + e
io1
e
−io1
|−)〈−|
− |+)〈+| + e
−io1
|+)〈−| + e
io1
|−)〈+| − e
io1
e
−io1
|−)〈−|
=
h
2
1
2
2e
−io1
|+)〈−| + 2e
io1
|−)〈+|
Ou seja,
S
x
=
h
2
e
−io1
|+)〈−| + e
io1
|−)〈+|
que é um operador Hermitiano, como deveria ser. De fato, calculando o adjunto Hermitiano desse operador, ou
seja, S
x

, encontramos
S
x

=
h
2
e
−io1
|+)〈−| + e
io1
|−)〈+|

=
h
2
e
io1
|−)〈+| + e
−io1
|+)〈−|
= S
x
que é a condição para que o operador seja Hermitiano.
Procedendo de uma forma similar, encontramos o operador S
y
:
|S
y
; ±) =
1
2
|+) ±
1
2
e
io2
|−)
S
y
=
h
2
e
−io2
|+)〈−| + e
io2
|−)〈+|
Existe alguma maneira de calcular o
1
e o
2
?
Vamos calcular a probabilidade
|〈S
y
; ±|S
x
; ±)| = ?
ou seja, a probabilidade de um sistema no estado inicial |S
x
; +) ou |S
x
; −) ser encontrado, após a medida, no
estado |S
y
; +) ou |S
y
; −). Usando a representação desses estados na base |S
z
; ±), encontra-se
|〈S
y
; ±|S
x
; +)| = 〈+|
1
2
± 〈−|
1
2
e
−io2
-
1
2
|+) +
1
2
e
io1
|−)
=
1
2
〈+| +) +
1
2
e
io1
〈+| −) ± 〈−| +)
1
2
e
−io2
±
1
2
e
i(o1−o2 )
〈−| −)
=
1
2
±
1
2
e
i(o1−o2 )
=
1
2
|1 ± e
i(o1−o2 )
|.
Da mesma forma,
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 23
|〈S
y
; ±|S
x
; −)| = 〈+|
1
2
± 〈−|
1
2
e
−io2
-
1
2
|+) −
1
2
e
io1
|−)
=
1
2
〈+| +) +
1
2
e
io1
〈+| −) ± 〈−| +)
1
2
e
−io2

1
2
e
i(o1−o2 )
〈−| −)
=
1
2

1
2
e
i(o1−o2 )
=
1
2
|1 ∓ e
i(o1−o2 )
|
=
1
2
|1 ± e
i(o1−o2 )
|.
Logo,
|〈S
y
; ±|S
x
; +)| = |〈S
y
; ±|S
x
; −)| =
1
2
|1 ± e
i(o1−o2 )
|.
Mas o que significa esta probabilidade?
Para responder a esta questão, vamos considerar um experimento sequencial de Stern-Gerlach do tipo
SGx̂ →SGŷ com átomos de spin ½ movendo-se na direção z. Devido à invariância rotacional do sistema físico,
este experimento pode ser considerado como um do tipo SGẑ →SGx̂ que foi discutido anteriormente. Os
resultados são exatamente os mesmos obtidos na Eq. (1.4.8), isto é,
|〈S
y
; ±|S
x
; +)| = |〈S
y
; ±|S
x
; −)| =
1
2
.
Em vista disto,
1
2
|1 ± e
i(o1−o2 )
| =
1
2
ou
|1 ± e
i(o1−o2 )
| = 2 .
Usando a fórmula de Euler, e
io
= cos o + i seno, podemos reescrever aquela equação como,
|1 ± e
i(o1−o2 )
| = 1 ± cos(o
1
− o
2
) + i sen(o
1
− o
2
)
= 1 ± cos(o
1
− o
2
) + i sen(o
1
− o
2
)
= 1 ± cos(o
1
− o
2
)
2
+ sen
2
(o
1
− o
2
)
= 1 ± 2cos(o
1
− o
2
) + cos
2
(o
1
− o
2
) + sen
2
(o
1
− o
2
)
= 2 ± 2cos(o
1
− o
2
)
= 2 1 ± cos(o
1
− o
2
) .
Ou seja,
|1 ± e
i(o1−o2 )
| ≡ 2 1 ± cos(o
1
− o
2
) = 2
de onde se obtém
1 ± cos(o
1
− o
2
) = 1
que, evidentemente, só é satisfeita se cos(o
1
− o
2
) = 0. Isto significa que
o
2
− o
1
= ±
m
2
. (4.16
Este resultado significa que os elementos de matrix de S
x
e S
y
não podem ser ambos reais. De fato, a presença dos
fatores de fase e
io1
e e
io2
nas definições dos estados |S
x
; ±) e |S
y
; ±), respectivamente, exige que pelo menos um deles seja
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 24
complexo. De fato, escolhendo o
1
= 0, o
2
= ±m/2 e, portanto, e
io2
= ±i (imaginário puro).
É conveniente escolhermos os elementos de matriz de S
x
como sendo reais. Neste caso, o
1
= 0 ou m. (No caso
de o
1
= m, a orientação positiva do eixo x terá direção oposta a de o
1
= 0). A segunda fase, o
2
, para o
1
= 0
será então:
o
2
=
m
2
ou −
m
2
.
O fato de ainda existe esta ambiguidade na escolha de o
2
não significa nenhuma surpresa, uma vez que ainda não
especificamos se o sistema de coordenadas que estamos usando é dextrógiro ou não. Ou seja, dados os eixo x e z, ainda
existe uma ambiguidade na escolha do sentido positivo do eixo y. Veremos mais tarde que a escolha do sistema de
coordenadas dextrógiro levará à escolha correta de o
2
= m/2.
Resumo
Com as escolhas o
1
= 0 e o
2
=
m
2
, encontra-se
|S
x
; ±) =
1
2
|+) ±
1
2
|−)
|S
y
; ±) =
1
2
|+) ±
i
2
|−)
e,
S
x
=
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
S
y
=
h
2i
|+)〈−| − |−)〈+|
(4.18
(4.18
Operadores S
±
Os operadores não Hermitianos S
±
definidos em (1.3.38), isto é,
S
±
= h|±)〈∓|
podem agora ser escritos com a ajuda das Eqs. (4.18-a,b). De fato,
2S
x
h
= |+)〈−| + |−)〈+|
2iS
y
h
= |+)〈−| − |−)〈+|
de onde se obtém
2S
x
h
+
2iS
y
h
= 2|+)〈−|
2S
x
h

2iS
y
h
= 2|−)〈+|
Logo,
S
+
≡ h|+)〈−| = h
S
x
h
+
iS
y
h
= S
x
+ iS
y
S

= h|−)〈+| = h
S
x
h

iS
y
h
= S
x
− iS
y
Ou seja,
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 25
S
±
= S
x
± iS
y
. (4.19
Relações de Comutação e Anticomutação
Sejam os operadores A e B. Definem-se relação de comutação entre esses operadores, |A, B], como
|A, B] ≡ AB − BA,
e relação de anticomutação, ¡A, B), como
¡A, B) ≡ AB + BA.
Relações de comutação dos operadores S
x
, S
y
e S
z
Estes três operadores são dados por
S
x
=
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
S
y
=
h
2i
|+)〈−| − |−)〈+|
S
z
=
h
2
|+)〈+| − |−)〈−|
Relação de comutação entre S
x
e S
y
Seja
|S
x
, S
x
] =
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|

h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
=
h
2
2
|+)
=0
〈−|+) 〈−| + |+)
=1
〈−|−) 〈+| + |−)
=1
〈+|+) 〈−|
+ |−)
=0
〈+|−) 〈+| − |+)
=0
〈−|+) 〈−| − |+)
=1
〈−|−) 〈+|
−|−)
=1
〈+|+) 〈−| − |−)
=0
〈+|−) 〈+|
= −i
h
2
2
|+)〈+| + |−)〈−| − |+)〈+| − |−)〈−|
= 0
Assim também como
|S
y
, S
y
] = |S
z
, S
z
] = 0.
Relação de comutação entre S
x
e S
y
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 26
|S
x
, S
y
] =
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
h
2i
|+)〈−| − |−)〈+|

h
2i
|+)〈−| − |−)〈+|
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
= −i
h
2
2
|+)
=0
〈−|+) 〈−| − |+)
=1
〈−|−) 〈+| + |−)
=1
〈+|+) 〈−|
− |−)
=0
〈+|−) 〈+| − |+)
=0
〈−|+) 〈−| − |+)
=1
〈−|−) 〈+|
+ |−)
=1
〈+|+) 〈−| + |−)
=0
〈+|−) 〈+|
= −i
h
2
2
− |+)〈+| + |−)〈−| − |+)〈+| + |−)〈−|
= −i
h
2
2
− 2|+)〈+| + 2|−)〈−|
Ou seja,
|S
x
, S
y
] = −i
h
2
2
− |+)〈+| + |−)〈−|
= ih
h
2
|+)〈+| − |−)〈−|
= ihS
z
Da mesma forma,
|S
y
, S
z
] = ihS
x
|S
z
, S
x
] = ihS
y
De uma maneira geral, podemos mostrar que esses operadores satisfazem as relações de comutação
|S
i
, S
j
] = i c
ijk
hS
k
onde c
ijk
é o símbolo de Levi-Civita que satisfaz as relações
c
ijk
=
1, i, j, k = permutação cíclica de x, y, z
0, repetição de dois ou mais índices
−1, i, j, k = permutação não-cíclica de x, y, z
.
Relações de anticomutação dos operadores S
x
, S
y
e S
z
Anticomutação de S
x
com S
x
. Neste caso,
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 27
¡S
x
, S
x
) =
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
+
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
=
h
2
2
|+)
=0
〈−|+) 〈−| + |+)
=1
〈−|−) 〈+| + |−)
=1
〈+|+) 〈−|
+ |−)
=0
〈+|−) 〈+| + |+)
=0
〈−|+) 〈−| + |+)
=1
〈−|−) 〈+|
+ |−)
=1
〈+|+) 〈−| + |−)
=0
〈+|−) 〈+|
=
h
2
2
|+)〈+| + |−)〈−| + |+)〈+| + |−)〈−|
=
h
2
2
2|+)〈+| + 2|−)〈−| = 2
h
2
2
=1
|+)〈+| + |−)〈−|
=
h
2
2
.
Da mesma forma, podemos mostrar que
¡S
y
, S
y
) = ¡S
z
, S
z
) =
h
2
2
.
Anticomutação de S
x
com S
y
. Seja a relação ¡S
x
, S
y
) = S
x
S
y
+ S
y
S
x
. Substituindo as expressões, encontra-se
¡S
x
, S
y
) =
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
h
2i
|+)〈−| − |−)〈+|
+
h
2i
|+)〈−| − |−)〈+|
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
= −i
h
2
2
|+)
=0
〈−|+) 〈−| − |+)
=1
〈−|−) 〈+| + |−)
=1
〈+|+) 〈−|
− |−)
=0
〈+|−) 〈+| + |+)
=0
〈−|+) 〈−| + |+)
=1
〈−|−) 〈+|
− |−)
=1
〈+|+) 〈−| − |−)
=0
〈+|−) 〈+|
= −i
h
2
2
− |+)〈+| + |−)〈−| + |+)〈+| − |−)〈−|
= 0.
Da mesma forma encontraremos
¡S
y
, S
z
) = ¡S
z
, S
x
) = 0
De uma maneira geral, as relações de anticomutação entre os três operadores podem ser escritas na forma
abreviada como
¡S
i
, S
j
) =
1
2
h
2
o
ij
, (i, j = x, y, z).
Esta relação de anticomutação é um caso especial para sistemas de spin ½, não valendo para outros valores de spin.
Operador S
2
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 28
Vamos definir o operador S
2
= S  S, como
S
2
= S
x
2
+ S
y
2
+ S
z
2
Da relação de anticomutação ¡S
x
, S
x
) obtém-se
¡S
x
, S
x
) = 2S
x
2
→ S
x
2
=
1
2
¡S
x
, S
x
) =
1
4
h
2
Da mesma forma,
S
y
2
= S
z
2
=
1
4
h
2
.
Logo,
S
2
=
3
4
h
2
.
que é uma constante multiplicada pelo operador identidade.
A forma deste operador é um caso especial para sistemas de spin ½, não valendo para outros valores de spin.
Para este caso, podemos mostrar facilmente que
|S
2
, S
i
] = 0, (i = x, y, z).
Observáveis Compatíveis
Dois observáveis A e B são definidos serem compatíveis, quando os correspondentes operadores comutam
entre si, ou seja,
|A, B] = 0;
e, incompatíveis, quando os operadores correspondenete não comutam entre si,
|A, B] ≠ 0.
Exemplo Os observáveis S
2
e S
z
são compatíveis, enquanto que S
x
e S
z
são incompatíveis.
Observáveis compatíveis A e B. Vamos admitir, como usual, que o espaço ket seja descrito pelos
autokets de A. (Poderíamos também considerar que o mesmo espaço fosse descrito pelos autokets de B).
Para observáveis compatíveis A e B, como se relacionam os autokets desses dois operadores ?
Antes de responder a esta questão, vamos abordar o conceito da degenerescência de autovalores.
Degenerescência
Quando existem dois (ou mais) autokets de A, linearmente independentes, com os mesmos autovalores,
dizemos que estes autovalores dos dois (ou mais) autokets são degenerados. Neste caso, a notação |a

) que
rotula o autoket apenas por seu autovalor não dá uma descrição completa. Pior ainda, é que o conceito de
espaço ket sendo descrito pelo conjunto de autokets ¡|a

)) tem problemas quando a dimensionalidade do
espaço ket é maior do que o número de autovalores distintos. Felizmente, em aplicações práticas em MQ, os
autovalores de algum outro observável B que comuta com A, podem ser usados para rotular esses autokets
degenerados.
Teorema Suponha que A e B sejam observáveis compatíveis, e os autovalores de A são não-degenerados. Então, os
elementos de matriz 〈a
′′
| B|a

) são todos diagonais. (Não devemos esquecer que os elementos de matriz de A já são
diagonais se |a

) forem usados como kets de base.)
Prova: Usando a definição de observáveis compatíveis, sabemos que
〈a
′′
| |A, B] |a

) = 0
Ou seja
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 29
〈a
′′
| (AB − BA)|a

) = (a
′′
− a

)〈a
′′
| B|a

) = 0
que tem como solução
〈a
′′
| B|a

) ≠ 0, se a
′′
= a

〈a
′′
| B|a

) = 0, se a
′′
≠ a

.
Na forma compacta, podemos escrever os elementos de matriz como
〈a
′′
| B|a

) = o
a

a
′′ 〈a

| B|a

)
o que prova a afirmativa de que os elementos de matriz 〈a
′′
| B|a

) são todos diagonais.
Operador B na Base dos Autokets de A
Seja a identidade
B = ∑
a


a
′′
|a
′′
)〈a
′′
| B|a

)〈a

|.
Substituindo o resultado (1.4.29), encontra-se
B = ∑
a


a
′′
|a
′′
)o
a
′′
a
′ 〈a
′′
| B|a
′′
)〈a

| = ∑
a
′′
|a
′′
)〈a
′′
| B|a
′′
)〈a
′′
|.
Fazendo este operador atuar num autoket de A, digamos |a

), tem-se
B|a

) = ∑
a
′′
|a
′′
)〈a
′′
| B|a
′′
)〈a
′′
|a

) = (〈a

| B|a

)) |a

) (4.31
Mas isto não é nada mais do que a equação de autovalores para o operador B com autovalor
b

≡ 〈a

| B|a

) (4.32
Logo, o autoket |a

) é um autoket simultâneo de A e B. Devido a essa imparcialidade |a

) em relação a ambos
os operadores, podemos renomeá-lo como |a

, b

) para carecterizar este autoket simultâneo.
Caso degenerado
Embora a prova dada acima seja para o caso onde os autokets de A são não-degenerados, o enunciado
também vale se existir uma ênupla degenerescência, ou seja,
A|a
′(i)
) = a

|a
′(i)
), para i = 1, 2, …, n,
onde |a
′(i)
) são n autokets de A mutuamente ortonormais. Para que se possa ver isso, precisamos apenas
construir n apropriadas combinações lineares de |a
′(i)
) que diagonalizam o operador B (v. Seç. 1.5).
Um autoket simultâneo de A e B, denotado por |a

, b

), tem a propriedade
A|a

, b

) = a

|a

, b

)
B|a

, b

) = b

|a

, b

)
Quando não existe degenerescência, esta notação é supérflua, uma que, da Eq. (1.4.32), vê-se que especificando-se a

,
necessariamente conhecemos o b

que aparece em |a

, b

). A notação |a

, b

) é muito mais poderosa quando existem
degenerescências. Veja exemplo abaixo.
Exemplo Os autovalores de L
2
(quadrado do momento angular orbital) e L
z
(componente-z do momento angular
orbital) valem h
2
l(l + 1) e m
l
h
2
, respectivamente. sendo l um número inteiro e m
l
= −l, −l + 1, …, +l. Para caracterizar
completamente um estado de momento angular precisamos especificar tanto l como m
l
. Por exemplo, dizendo-se
apenas que l = 1, os valores de m
l
ainda podem ser −1, 0 ou +1. Dizendo-se que m
l
= 1, l pode ter os valores
1, 2, 3, …. A única maneira de não sermos ambiguos em relação ao estado de momento angular, é especificarmos
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 30
simultaneamente os valores de l e m
l
, ou seja, |l, m
l
).
Índices coletivos
Às vezes um índice coletivo pode ser usado para caracterizar (a

, b

), tal que
|K

) = |a

, b

)
Generalização para Mais de Dois Observáveis Compativeis
A condição para os observáveis A, B, C, … serem compatíveis, pode ser generalizada para
|A, B] = |B, C] = |A, C] = = 0. (4.36
Conjunto máximo de observáveis comutantes. Dada uma lista de observáveis, o conjunto máximo de
observáveis comutantes é o maior conjunto que podemos formar com esses observáveis sem que se viole a
condição (1.4.36).
Os operadores individuais A, B, C, …, podem ter degenerescência, mas se especificarmos uma combinação
(a

, b

, c

, …) , então os correspondentes autokets simultâneos de A, B, C, … são especificados sem
ambiguidades. Podemos usar o índice coletivo K

para representar (a

, b

, c

, …). A relação de ortogonalidade
para
|K

) = |a

, b

, c

, …)
será
〈K
′′
|K

) = o
K

K
′′ = o
a

a
′′ o
b

b
′′ o
c

c
′′ … (4.38
enquanto que a relação de completeza, será escrita como

K

|K

)〈K

| = ∑
a


b


c

|a

, b

, c

, …)〈a

, b

, c

, …| = 1 (4.39
Medidas de Observáveis Compatíveis
Caso não degenerado. Suponha um sistema num estado inicial |o), quando realizamos medidas dos
observáveis compatíveis A e B. Suponha ainda que medimos primeiro o observável A, obtendo como resultado
a

. Subsequentemente, medimos B, obtendo-se b

. Finalmente, medimos A novamente.
Qual o valor que obteremos para esta nova medida de A?
Com base no formalismo de medidas, a resposta é simples: a terceira medida (A) sempre dará a

com certeza.
Isto é, a segunda medida (B) não destrói a informação obtida previamente na primeira medida (A). Isto é óbvio
quando os autovalores de A são não-degenerados:
|α〉
|a',b'〉 |a',b'〉
|a',b'〉
medida de A medida de B
medida de A
(4.40
Caso degenerado. Quando existe degenerescência, o argumento é como segue: Após a primeira medida
(A), que dá a

, o sistema se encontra em alguma combinação linear do tipo

i
n
c
a

(i)
|a

, b
(i)
), (4.41
onde n é o grau de degenerescência, e os kets |a

, b
(i)
) têm o mesmo autovalor a

com relação ao operador A.
A segunda medida (B) pode selecionar apenas um dos termos da combinação linear (1.4.41), digamos,
|a

, b
(j)
), mas a terceira medida aplicada a ele ainda dá a

.
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 31
Tendo ou não degenerescência, as medidas de A e B não se interferem. O termo compatível é, de fato, apropriado.
Observáveis Incompatíveis
Neste caso, os operadores correspondentes aos observáveis A e B não comutam entre si. Ou seja,
|A, B] ≠ 0.
Isto significa que observáveis incompatíveis não têm um conjunto completo de autokets simultâneos, como no
caso anterior.
Demonstração. Para demonstrar, vamos considerar que, ao contrário, existe um conjunto completo de
autokets simultêneos. Logo,
AB|a

, b

) = b

A |a

, b

) = a

b

|a

, b

)
BA|a

, b

) = a

B|a

, b

) = a

b

|a

, b

)
Então,
AB|a

, b

) = BA|a

, b

) (4.44
o que significa
(AB − BA) |a

, b

) = 0
ou, mais precisamente,
|A, B] = 0
o que está em contradição com a hipótese de que os operadores são incompatíveis.
Em geral, |a

, b

) não faz sentido para observáveis incompatíveis.
Existe porém um exceção interessante: é o que acontece quando existe um subespaço do espaço ket tal que
(1.4.44) vale para todos os elementos deste subespaço, mesmo que A e B sejam incompatíveis.
Exemplo Momento angular orbital: Considere um estado l = 0 (estado s). Embora os operadores L
x
e L
z
não
comutem, este estado é um autoestado simultâneo de L
x
e L
z
(com autovalores nulos para ambos os operadores). O
subespaço neste caso é unidemensional.
Observáveis Incompatíveis e SG Sequencial
Considere um sequência de medidas seletivas mostrada na parte (a) da figura abaixo.
 O primeiro filtro (A) seleciona o estado |a

) e rejeita os demais.
 O segundo filtro (B) seleciona o estado |b

) e rejeita os demais.
 O terceiro filtro (C) seleciona o estado |c

) e rejeita os demais.
Qual a probabilidade de obter |c

), quando o feixe saindo do primeiro filtro é normalizado à unidade?
Para obtermos a medida |c

), o feixe deve passar pelo segundo filtro e pelo terceiro filtro. Como neste caso, as
probabilidades são multiplicativas, encontramos
|〈c

|b

)|
2
|〈b

|a

)|
2
Agora precisamos somar sobre todos os estados b

para calcular a probabilidade total de ir através de todas as
rotas possíveis b


b

|〈c

|b

)|
2
|〈b

|a

)|
2
= ∑
b

〈c

|b

)〈b

|a

)〈a

|b

)〈b

|c

) (4.46
Operacionalmente, isto significa que primeiro registramos a probabilidade de obter c

com todos os b

bloqueados, com
exceção do primeiro; então, repetimos o procedimento com todos os b

bloqueados, com exceção do segundo, e assim
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 32
sucessivamente. No final, somamos todas essas probabilidades.
Comparação com o filtro B ausente. Veja a parte (b) da figura abaixo, onde o filtro B foi retirado.
Claramente, a probabilidade vale |〈c

| a

)|
2
, que também pode ser escrita como
|〈c

| a

)|
2
= ∑
b

〈c

|b

)〈b

|a

)
2
= ∑
b


b
′′
〈c

|b

)〈b

|a

)〈a

|b
′′
)〈b
′′
|c

) (4.47
A B C
| a'〉 | b'〉 | c'〉
A C
| c'〉
|a

) = ∑
b

|b

)〈b

|a

)
(a)
(b)
Observação Note que essas duas expressões são diferentes! Mas, isto é um resultado extraordinário, uma vez que em
ambos os casos o feixe puro |a

), saindo do primeiro filtro (A) pode ser considerado como composto dos autoestados de
B, isto é,
|a

) =

b

|b

)〈b

|a

)
onde a soma é sobre todos os valores possíveis de b

. O ponto crucial que deve ser notado é que o resultado que emerge
do filtro C depende se a medida B foi ou não realizada. No primeiro caso, verificamos experimentalmente quais dos
autovalores de B realmente materializaram-se; no segundo, meramente imaginamos |a

) ser construído dos vários |b

)

s no
sentido de (1.4.48).
Em outras palavras, medindo-se realmente as probabilidades através de todas as rotas dos vários b

faz toda a diferença,
mesmo que no final somemos sobre todos os b

. Aqui está o coração da mecânica quântica.
Em que circustâncias as duas expressões são iguais?
Pode-se mostrar que, na ausência de degenerescência, a condição suficiente é que
|A, B] = 0 ou |B, C] = 0.
Em outras palavras, essa particularidade ilustrada é característica de observáveis incompatíveis.
Relações de Incerteza
Dado um observável A, definimos um operador ΔA como
ΔA = A − 〈A),
onde o valor esperado é tomado para um determinado estado físico em consideração. O valor esperado de
(ΔA)
2
é conhecido como dispersão de A. Uma vez que,
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 33
(ΔA)
2
= (A − 〈A))
2
= A
2
− 2A〈A) + 〈A)
2
= 〈A
2
) − 2〈A)
2
+ 〈A)
2
= 〈A
2
) − 〈A)
2
,
podemos definir dispersão de A como sendo 〈A
2
) − 〈A)
2
. Às vezes, os termos variância e desvio quadrático
médio são também usados para a mesma quantidade.
Dispersão tomada para um autoestado de A. Quando o estado em questão é um autoestado de A,
(ΔA)
2
A
= 〈A
2
) − 〈A)
2
= 〈a

| A
2
|a

) − 〈a

| A|a

)
2
= a
2
〈a

|a

) − a
2
〈a

|a

)
2
= 0.
ou seja, a dispersão se anula quando tomada em relação ao autoestado do operador A. Grosso modo, a
dispersão de um observável, caracteriza “indefinição”. Por exemplo, para o estado S
z
+ de um sistema de spin
½, a dispersão de S
x
pode ser calculada
(ΔS
x
)
2
≡ 〈S
x
2
) − 〈S
x
)
2
= 〈+| S
x
2
|+) − 〈+|S
x |+)
2
onde,
〈+| S
x
2
|+) =
= 〈+|
h
2
|+)〈−| + |−)〈+|
h
2
|+)〈−| + |−)〈+| |+)
=
h
2
2
〈+| |+)〈−||+)〈−| + |+)〈−||−)〈+| + |−)〈+||+)〈−| + |−)〈+||−)〈+| |+)
=
h
2
2
=1
〈+||+)〈+||+) +
=0
〈+||−)〈−||+)
=
1
4
h
2
.
e
〈+|S
x |+)
2
= 〈+|
h
2
|+)〈−| + |−)〈+| |+)
2
=
h
2
2
〈+| |+)〈−| + |−)〈+| |+)
2
=
h
2
2
|〈+||+)〈−||+) + 〈+||−)〈+||+)]
2
= 0
Logo,
(ΔS
x
)
2
= 〈S
x
2
) − 〈S
x
)
2
=
1
4
h
2
.
Ao contrário, a dispersão (ΔS
z
)
2
= 0 para o estado S
z
+. Assim, para o estado S
z
+, S
z
é preciso (dispersão
nula), enquanto que S
x
é impreciso.
Relação de incerteza. Sejam os observáveis A e B. Então, para qualquer estado devemos ter a seguinte
desigualdade
(ΔA)
2
(ΔB)
2

1
4
|〈|A, B])|
2
. (4.53
Para prová-la, consideremos os seguintes lemas:
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 34
Lema (1) Desigualdade de Schwartz
〈o|o)〈o|o) ≥ |〈o|[)|
2
que é análoga a
|a|
2
|b|
2
≥ |a  b|
2
no espaço euclidiano.
Prova: Note que
(〈o| + 〈[| z

) - (|o) + z|[)) ≥ 0,
ou seja,
〈o|o) + z〈o|[) + z

〈[|o) + |z|
2
〈[|[)
= 1 + 2Re(z〈o|[)) + |z|
2
〈[|[) ≥ 0
onde z é um número complexo. Esta desigualdade deve valer quando z = −〈[|o)/〈[|[). Logo,
〈o|o) + 2Re −
〈[|o)
〈[|[)
〈o|[) +
|〈[|o)|
2
|〈[|[)|
2
〈[|[) =
= 〈o|o)〈[|[) − 2|〈o|[)|
2
+ |〈[|o)|
2
= 〈o|o)〈[|[) − |〈o|[)|
2
≥ 0
que é a mesma relação da desigualdade de Schwartz.
Lema (2) O valor esperado de um operador Hermitiano é real.
Prova: A prova já foi dada em (1.3.21).
Lema (3) O valor esperado de um operador anti-Hermitiano, definido como C = −C

é imaginário puro.
Prova: Veja a prova do lema (2).
Com esses lemas, estamos prontos para provar a relação de incerteza (1.4.53). Usando o Lema (1) com
|o) = ΔA| ),
|[) = ΔB| )
onde | ) em branco, enfatiza o fato de que as considerações aqui podem ser aplicadas a qualquer ket,
obtemos
〈o|o)〈o|o) ≥ |〈o|[)|
2
→ (ΔA)
2
(ΔB)
2
≥ |〈(ΔA)(ΔB))|
2
onde usamos a hermiticidade dos operadores ΔA e ΔB.
Cálculo do lado direito. Para calcular |〈(ΔA)(ΔB))|
2
, observe que
ΔAΔB =
1
2
|ΔA, ΔB] +
1
2
¡ΔA, ΔB)
onde o comutador |ΔA, ΔB] vale
|ΔA, ΔB] = |(A − 〈A)), (B − 〈B))]
= (A − 〈A))(B − 〈B)) − (B − 〈B))(A − 〈A))
= AB − A〈B) − 〈A)B + 〈A)〈B) − BA + B〈A) + 〈B)A − 〈B)〈A)
= AB − BA
= |A, B],
é anti-Hermitiano. Ou seja,
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 35
|ΔA, ΔB]

= |A, B]

= (AB)

− (BA)

= BA − AB = −(AB − BA)
= −|A, B]
Ao contrário, o anticomutator ¡ΔA, ΔB) é obviamente Hermitiano. Assim,
〈ΔAΔB) =
1
2
imaginario puro
〈|ΔA, ΔB]) +
1
2
real
〈¡ΔA, ΔB))
onde usamos os Lemas (2) e (3). Portanto, o lado direito torn-se
|〈(ΔA)(ΔB))|
2
=
1
4
|ΔA, ΔB]
2
+
1
4
¡ΔA, ΔB)
2
Então,
(ΔA)
2
(ΔB)
2
≥ |〈(ΔA)(ΔB))|
2
ou
(ΔA)
2
(ΔB)
2

1
4
|ΔA, ΔB]
2
1.5 Mudança de Base
Operador de Transformação
Considere dois observáveis incompatíveis, A e B, e que o espaço ket em questão possa ser descrito pelo
conjunto ¡|a

)) ou pelo conjunto ¡|b

)).
Exemplo Sistema de spin ½: |S
z
; ±) podem ser usado como base, da mesma forma que |S
x
; ±). Mas os dois
conjuntos diferentes de kets de base descrevem o mesmo espaço de ket.
Como essas duas descrições estão relacionas?
Mudança de base. A mudança do conjunto de kets de base é referido como mudança de base ou
mudança de representação.
Representação. Refere-se à base na qual os autokets de base são dados. Por exemplo, se a base de
autokets é dada por ¡|a

)) é chamada de representação de A, ou às vezes, representação diagonal de A, uma
vez que a matriz quadrada correspondente a A é diagonal nesta base.
Operador de transformação. Refere-se ao operador que conecta dois conjuntos ortornormais: a base
antiga ¡|a

)) e a nova base ¡|b

)).
Teorema Dado dois conjuntos de kets de base, ambos satisfazendo ortonormalidade e completeza, existe um operador
unitário U tal que
b
(1)
) = U a
(1)
), b
(2)
) = U a
(2)
), …, b
(N)
) = U a
(N)
). (5.1)
Entende-se como operador unitário aquele que satisfaz as condições
U

U = 1 (5.2)
assim como
UU

= 1 (5.3)
Prova: Seja o operador
U =

k
b
(k)
)〈a
(k)
. (5.4)
Aplicando em a
(l)
), ou seja,
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 36
U a
(l)
) =

k
b
(k)
)〈a
(k)
a
(l)
)
=

k
b
(k)
)〈a
(k)
a
(l)
)
=

k
b
(k)
) o
kl
= b
(l)
(5.5)
como queríamos. Agora vamos mostrar que U é unitário,
U

U =

k

l
a
(l)
)
o
lk
〈b
(l)
b
(k)
) 〈a
(k)
=

k
a
(k)
)〈a
(k)
= 1,
onde usamos a ortonormalidade de ¡|b

)). ¯
Matriz de Transformação
Representação do operador U na base antiga |a

) . De acordo com (1.5.5),
〈a
(k)
|U |a
(l)
= 〈a
(k)
|b
(l)
).
Em outras palavras, os elementos de matriz da matriz U são os produtos internos entre os bras da base antiga
e os kets da nova base. Lembre-se que a matriz rotação que muda de uma base (x̂, ŷ, ẑ ) para (x̂

, ŷ

, ẑ

), pode
ser escrita como
R =
x̂  x̂

x̂  ŷ

x̂  ẑ

ŷ  x̂

ŷ  ŷ

ŷ  ẑ

ẑ  x̂

ẑ  ŷ

ẑ  ẑ

.
A matriz quadrada 〈a
(k)
|U |a
(l)
é chamada de matriz de transformação da base |a

) para a base |b

) .
Coeficiente de expansão. Dado um ket arbitrário |o), cujos coeficientes 〈a

|o) são conhecidos na base
antiga,
|o) = ∑
l
|a
(l)
)〈a
(l)
|o).
Como obter os coeficientes de expansão 〈b

|o) na nova base?
Multiplicando a expansão por 〈b
(k)
|, encontramos
〈b
(k)
|o) = ∑
l
〈b
(k)
|a
(l)
)〈a
(l)
|o)
= ∑
l
〈b
(k)
|U

|a
(l)
)〈a
(l)
|o). (5.10
Em notação matricial, esta equação nos diz que a matriz-coluna de |o) na nova base pode ser obtida,
aplicando-se a matriz quadrada U

sobre a matriz-coluna de |o) na base antiga:
(Nova) = U

(antiga)
Elementos de matriz nas duas bases. Seja
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 37
〈b
(k)
| X |b
(l)
= ∑
m

n
〈b
(k)
| a
(m)
)〈a
(m)
| X |a
(n)
)〈a
(n)
|b
(l)
= ∑
m

n
〈a
(k)
| U

|a
(m)
)〈a
(m)
| X |a
(n)
) 〈a
(n)
| U |a
(l)
)
conhecida como transformação de similaridade, em álgebra matricial,
X

= U

XU (5.13
Traço de um operador X. É a soma dos elementos da diagonal
tr(X) = ∑
a

〈a

| X |a

O traço de um operador não depende da base. Da definição de tr(X), podemos mostrar que esta função
independe da base em que o operador é representado. Ou seja,

a

〈a

| X |a

= ∑
a


b


b
′′
〈a

| b

)〈b

| X |b
′′
〈b
′′
|a

)
= ∑
a


b


b
′′
〈b

| X |b
′′
)〈b
′′
|a

)〈a

| b

)
= ∑
b


b
′′
〈b

| X |b
′′
)
o
b

b
′′
〈b
′′
| b

)
= ∑
b

〈b

| X |b

).
Outras relações envolvendo o traço. Pode-se mostrar que
tr(XY) = tr(YX)
tr(U

XU) = tr(X)
tr(|a

)〈a
′′
|) = o
a

a
′′
tr(|b

)〈a

|) = 〈a

|b

)
Diagonalização. Estamos interessados nos autovalores b

e os autokets |b

), com a propriedade
B|b

) = b

|b

).
Vamos reescrever esta equação como

a

〈a
′′
|B|a

)〈a

|b

) = b

〈a
′′
| b

) (5.18
Quando | b

) corresponder ao l-ésimo autoket do operador B, podemos reescrever esta equação em notação
matricial, como segue:
B
11
B
12
B
13

B
21
B
22
B
23

. . . `
C
1
(l)
C
2
(l)
.
= b
(l)
C
1
(l)
C
2
(l)
.
(5.19
com
B
ij
= 〈a
(i)
|B|a
(j)
)
C
k
(l)
= 〈a
(k)
|b
(l)
)
(5.20
(5.20
com i, j, k = 1, 2, …, N (dimensionalidade do espaço). Soluções não triviais para C
k
(l)
são possíveis somente se a
equação característica,
det(B − z1) = 0,
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 38
for satisfeita.
 Esta equação é de N-ésima ordem em z e as N raizes obtidas são identificadas com os b
(l)
’s que queremos
determinar.
 Conhecendo os b
(l)
’s podemos resolver para os correspondentes C
k
(l)
’s a menos de uma constante que é
determinada pela condição de normalização.
 Comparando (1.5.20-b) com (1.5.7) vê-se que os C
k
(l)
’s são justamente os elementos da matriz unitária envolvida na
mudança de base ¡|a

)) → ¡|b

)).
 Para o procedimento de diagonalização via matriz unitária, a questão da hermiticidade do operador B é importante.
Exemplo No caso do operador S
+
não-Hermitiano, sua representação matricial na base de S
z
, que é dada por
S
+
≗ h
0 1
0 0
, (5.22)
não pode ser diagonalizada via matriz unitária. No Capítulo 2 serão encontrados autokets de um operador
não-Hermitiano em conexão com os estados coerentes de um oscilador harmônico simples, embora sabendo que eles
não formam um conjunto completo ortonormal.
Observáveis Equivalentes
Considere o seguinte teorema sobre transformação unitária
Teorema Considere novamente dois conjuntos de bases ortonormais, ¡|a

)) e ¡|b

)) conectados pelo operador U (1.5.4).
Conhecendo U, podemos construir uma transformação unitária de A, UAU
−1
; então A e UAU
−1
são denominados de
observáveis equivalentes por transformação unitária. A equação de autovalores para A
A|a
(l)
) = a
(l)
| a
(l)
,
o que implica claramente em
UAU
−1
U |a
(l)
) = a
(l)
U | a
(l)
Mas isto pode ser reescrito como
(UAU
−1
) |b
(l)
) = a
(l)
| b
(l)
). (5.25)
Este resultado aparentemente simples é muito profundo. Ele nos diz que os kets | b
(l)
) ’s são autokets de UAU
−1
com exatamente os mesmos autovalores de A. Em outras palavras, observáveis equivalentes têm espectros
idênticos.
Seja | b
(l)
) e, por definição,
B| b
(l)
) = b
(l)
| b
(l)
).
Comparando com (1.5.25), infere-se que B e UAU
−1
são simultaneamente diagonlizáveis. A questão
fundamental é:
Os operadores B e UAU
−1
são os mesmos?
Nos casos de interesse físico, a resposta sim é muito frequente. Tome, por exemplo, S
x
e S
z
, que são
relacionados por uma rotação em torno do eixo y, como será mostrado no Capítulo 3.
1.6 Posição, Momento e Translação
Espectro contínuo
Observáveis com autovalores contínuos: qualquer valor real entre − e +. Seja a equação de autovalores
para o caso do espectro contínuo:
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 39
ç| ç

) = ç

| ç

) (6.1)
onde ç é um operador e ç

é um número. O ket | ç

) é o autoket do operador ç com autovalor ç

. Seguindo uma
analogia com o caso discreto, vamos substituir o símbolo de Kronecker, o
ij
, pela função delta de Dirac,
o(ç − ç

), e a soma sobre autovalores discretos ¡a

) por uma integral sobre a variável contínua ç. Ou seja,
Discreto → Contínuo
〈a

|a
′′
) = o
a

a
′′ → 〈ç


′′
) = o(ç

− ç
′′
)

a

|a

)〈a

| = 1 →  dç



)〈ç

| = 1
|o) = ∑
a

|a

)〈a

|o) → |o) =  dç



)〈ç

|o)

a

|〈a

|o)|
2
= 1 →  dç

|〈ç

|o)|
2
= 1
〈[|o) = ∑
a

〈[|a

)〈a

|o) → 〈[|o) =  dç

〈[|ç

)〈ç

|o)
〈a
′′
| A|a

) = a

o
a

a
′′ → 〈ç
′′
| ç |ç

) = ç

o(ç
′′
− ç

)
Autokets da Posição e Medidas da Posição
Como foi enfatizado na Seç. 1.4,
medida em MQ é essencialmente um processo de filtragem.
Operador posição em uma dimensão. Os autokets | x

) do operador posição x satisfazem
x| x

) = x

| x

)
e formam um conjunto completo (postulado).
Não se deve confundir: x

é um número enquanto que x é um operador.
Expansão de um estado arbitrário. O ket |o) para um estado físico arbitrário pode ser expandido em termos
dos ¡| x

)):
|o) = 
−
+
dx

| x

)〈x

|o) (1.64
Experimento. Suponha um detector muito pequeno que clica somente quando a partícula está
exatamente na posição x

. Imediatamente após o detector clicar, podemos dizer que o estado em questão é
representado por | x

). Em outras palavras, quando o detector clica, | o) “salta” abruptamente para o autoestado
| x

) da mesma maneira como um estado arbitrário de spin salta para o estado S
z
+ ou S
z
− , quando sujeito a
aparelho de SG do tipo S
z
.
O detector na prática. O melhor que o detector pode fazer na prática é localizar a partícula dentro de um
pequeno intervalo, Δ, em torno de x

, ou seja, x

− Δ/2, x

+ Δ/2 .
Após o clique do detector, o estado ket muda abruptamente como segue:
|o) = 
−
+
dx
′′
|x
′′
)〈x
′′
|o)
medida

x

−Δ/2
x

+Δ/2
dx
′′
|x
′′
)〈x
′′
|o) (6.5)
Admitindo que 〈x
′′
|o) não varie apreciavelmente dentro do estreito intervalo Δ, a probabilidade para que o
detector clique é dada por
|〈x

|o)|
2
dx

onde escrevemos dx

para Δ.
Analogia com o espectro discreto. Esta expressão é análoga |〈a

|o)|
2
para a probabilidade de |o) ser
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 40
encontrado num autoestado |a

) quando o observável A é medido.
A probabilidade de encontrar a partícular em algum lugar entre − e + é dada por

−
+
dx

|〈x

|o)|
2
que é normalizada a um se |o) for normalizado:
〈o|o) = 1 ¬ 
−
+
dx

〈o|x

)〈x

|o) = 1.
Observações:
 A quantidade 〈x

|o) é a função de onda para um estado representado por |o).
 Os autokets da posição pode ser extendido para três dimensões: |x

).
 Admite-se que, em MQ não-relativística, os autokets |x

) formam um conjunto completo.
 Desprezando-se os graus de liberdade internos (tais como spin), o estado ket para uma partícula pode ser
expandido em termos dos ¡|x

)), ou seja
|o) =  d
3
x

|x

)〈x

|o)
onde x

representa x

, y

e z

; em outras palavras, |x

) é um autoket simultâneo dos observáveis x, y e z

. Ou seja
|x

) ≡ |x

, y

, z

),
x|x

) = x

|x

), y|x

) = y

|x

), z|x

) = z

|x

)
 existe um autoket simultâneo para as três componentes do vetor posição → podemos medí-las simultaneamente.
Logo,
|x
i
, x
j
] = 0
onde x
1
, x
2
e x
3
representa x, y e z, respectivamente.
Translação
É a operação que muda um estado bem localizado em torno de x

para um outro, também bem localizado em
torno x

+ dx

, mantendo inalteradas as demais propriedades do sistema (spin, por exemplo).
Translação infinitesimal. O operador T que realiza essa translação, conhecida como translação infinitesimal,
é definido como
T (dx

) = |x

+ dx

) (6.12
onde um possível fator de fase foi tomado igual a um por convenção.
Não são autokets. Os |x

) não são um autokets do operador translação infinitesimal T (dx

).
Efeito de T (dx

) sobre um estado |o). Expande-se |o) em termos dos |x

) e aplica-se o operador translação.
Ou seja,
|o) → T (dx

)|o) = T (dx

)  d
3
x

|x

)〈x

|o) =  d
3
x

|x

+ dx

)〈x

|o)
O lado direito também pode ser escrito como
 d
3
x

|x

+ dx

)〈x

|o) =  d
3
x

|x

)〈x

− dx

|o)
Isto mostra que a função de onda de um estado transladado T(dx

)|o) é obtida substituindo-se em 〈x

|o), x

→ x

− dx

.
Propriedades que devem ter o operador translação. Vamos relacionar algumas propriedades do operador
translação infinitesimal.
 (1) Unitariedade. Esta propriedade é imposta pela conservação de probabilidade. Se um ket |o) é normalizado
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 41
à unidade, o ket transladado,T (dx

)|o), também será normalizado à unidade. Ou seja,
〈o|o) = 〈o|T

(dx

)T (dx

)o)
Esta condição é garantida, exigindo-se que a translação infinitesimal seja unitária. Ou seja,
T

(dx

)T (dx

) = 1.
(2) Translações sucessivas. Aplicando-se duas translações sucessivas, primeiro por dx

e em seguida por dx
′′
,
não necessariamente na mesma direção, espera-se que o resultado total possa ser descrito por uma única
translação equivalente ao vetor soma dx

+ dx
′′
. Assim, vamos exigir que
T (dx
′′
)T (dx

) = T (dx

+ dx
′′
).
(3) Translação em direção oposta. Considere um translação em direção oposta a dx

, ou seja, T (−dx

).
Esperamos que essa translação seja o mesmo que o inverso da translação original. Isto é,
T (−dx

) = T
−1
(dx

).
(4) Translação dx

→ 0. Se dx

→ 0, esperamos que a operação de translação reduza-se à operação identidade,
ou seja,
lim
dx

→0
T (dx

) = 1,
e que a diferença entre T (dx

) e o operador identidade seja de primeira ordem em dx

.
Operador translação. Escolhendo-se o operador translação na forma
= 1 − iK - dx

(6.20
onde K, K
x
, K
y
e K
z
são operadores Hermitianos, então todas as propriedades listadas acima são satisfeitas.
De fato, veremos
 (1) Unitariedade. Seja
T

(dx

)T (dx

) = (1 − iK - dx

)

(1 − iK - dx

)
= (1 + iK

- dx

)(1 − iK - dx

)
= 1 − i(K − K

) - dx

+ O (dx

)
2
≃ 1,
onde o termo de segunda ordem é desprezível para uma translação infinitesimal.
(2) Translações sucessivas. Da mesma forma,
T (dx
′′
)T (dx

) = (1 − iK - dx
′′
) (1 − iK - dx

)
≃ 1 − iK - (dx
′′
+ dx

)
= T (dx

+ dx
′′
).
(3) Translação inversa. Este caso pode ser facilmente mostrado
T
−1
(dx

) =
1
1 − iK - dx

= 1 + iK - dx

+ O (dx

)
2
≃ 1 + iK - dx

= T (−dx

)
(4) É facilmente verificado.
Relação fundamental entre os operadores K e x. Sejam as seguintes expressões:
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 42
xT (dx

)|x

) = x |x

+dx

) = (x

+dx

) |x

+dx

)
e
T (dx

) x |x

) = x

T (dx

) |x

) = x

|x

+dx

).
Então
x, T (dx

) |x

) = (x

+dx

) |x

+dx

) − x

|x

+dx

)
= dx

|x

+dx

)
≃ dx

|x

),
onde o erro em tomar |x

+dx

) → |x

) é da segunda ordem em dx

. Como |x

) formam um conjunto completo de
funções, a equação acima deve valer como uma identidade de operadores. Ou seja,
x, T (dx

) = dx

que pode ser rescrito como
x (1 − iK - dx

) − (1 − iK - dx

) x = dx

ou ainda,
− i x K - dx

+ iK - dx

x = dx

Supondo que dx

esteja na direção de x̂
j
, vamos formar o produto escalar com x̂
i
,
− i x K - x̂
j
dx

+ iK - x̂
j
dx

x = x̂
j
dx

− i x K
j
dx

+ iK
j
dx

x = x̂
j
dx

- x̂
i
(×i)
x - x̂
i
K
j
− K
j
x - x̂
i
= i x̂
j
- x̂
i
x
i
K
j
− K
j
x
i
= io
ij
Ou seja,
|x
i
, K
j
] = io
ij
(6.27
onde i, j = 1, 2, 3 representam as componentes x, y, e z dos operadores.
Momento como um Gerador de Translação
A Eq. (6.27) representa as relações de comutação entre os operadores posição, x, y, z, e os operadores K,
K
x
, K
y
, K
z
.
Qual o significado físico que podemos atribuir a K?
O operador K está relacionado com o momento linear em MQ. Com esta identificação o operador translação
torna-se
T (dx

) = 1 − ip - dx

/h (6.32
E as relações de comutação (6.27) tornam-se agora
|x
i
, p
j
] = iho
ij
(6.33
 Estas relações de comutação (6.33) implicam que os pares x e p
x
, y e p
y
; e z e p
z
são observáveis incompatíveis,
enquanto que os demais (por exemplo, x e p
y
) são observáveis compatíveis. É portanto impossíveis encontrar
autokets simultâneos de x e p
x
y e p
y
; e z e p
z
.
Relação de incerteza posição-momento. Aplicando o formalismo da Seç. 1.4, obtém-se a relação de incerteza
de W. Heisenberg:
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 43
(Δx)
2
(Δp
x
)
2
≥ h
2
/4. (6.34
Translação Finita
Seja uma translação por uma quantidade finita Δx

na direção do eixo x, ou seja, Δx

x̂. Logo,
T (Δx

x̂ )|x

) = |x

+ Δx

x̂ ).
Podemos tratar esse deslocamento finito, como uma sucessão de deslocamentos infinitesimais (v. figura).
dx' = Δx'/N, N → ∞
Δx'
Dividindo o deslocamento original Δx

em N deslocamentos dx

e no final tomando o limite em que N → ,
encontra-se:
T (Δx

x̂ ) = T (dx

x̂ +dx

x̂ + +dx

x̂ ) =
N vezes
T (dx

x̂ ) × T (dx

x̂ ) × × T (dx

x̂ )
Mas,
N
T (dx

x̂ ) × T (dx

x̂ ) × × T (dx

x̂ ) =
N
1 −
ip - x̂dx

h
× × 1 −
ip - x̂dx

h
= 1 −
ip
x
dx

h
N
Como dx

= Δx

/N, e, para N → 0, encontra-se
T (Δx

x̂ ) = lim
N→
1 −
ip
x
Δx

Nh
N
= exp −
ip
x
Δx

h
(6.36
CUIDADO: Aqui exp −
ipxΔx

h
deve ser entendido com uma função do operador p
x
. De uma maneira geral, para
qualquer operador X, tem-se
e
X
= 1 + X +
X
2
2!
+ (6.37
Translações em diferentes direções. Uma propriedade fundamental das translações é que translações
sucessivas em diferentes direções (x e y, por exemplo) comutam entre si. Geometricamente, isto pode ser visto
na figura abaixo: ao nos deslocarmos de A para B, não interessa se vamos via C ou via D. O resultado final é o
mesmo. Matematicamente,
T (Δy

y)T (Δx

x) = T (Δx

x +Δy

y)
T (Δx

x)T (Δy

y) = T (Δx

x +Δy

y)
de onde se obtém
T (Δy

y), T (Δx

x) = 0. (6.40
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 44
A
C
B D
Δy' y
Δx' x
Translações sucessivas em diferentes
Este ponto não é assim tão trivial quanto possa parecer; será mostrado no Capítulo 3 que rotações em torno
de diferentes eixos não comutam entre si. Tratando Δx

e Δy

até a segunda ordem, encontramos
T (Δy

y), T (Δx

x) = exp −
ip
y
Δy

h
, exp −
ip
x
Δx

h
= 1 −
ip
y
Δy

h

p
y
2
(Δy

)
2
h
+ ,
1 −
ip
x
Δx

h

p
x
2
(Δx

)
2
h
+
≃ −
(Δx

)(Δy

)
h
2
p
y
, p
x
.
Como Δx

e Δy

são deslocamentos arbitrários e usando (6.40), isto T (Δy

y), T (Δx

x) = 0, encontra-se
imediatamente
|p
x
, p
y
] = 0 (6.41
ou, ainda mais geral
|p
i
, p
j
] = 0. (6.42
Estas relações de comutação são consequência direta do fato de que translações em diferentes direções comutam entre
si. Toda vez que os geradores de transformações (no caso aqui são translações) comutam o grupo correspondente é dito
ser abeliano. O grupo de translações em três dimensões é abeliano.
Os observáveis p
x
, p
y
e p
z
são compatíveis. As relações de comutação (6.42) implicam em p
x
, p
y
e p
z
serem
observáveis mutuamente compatíveis.
Autoket simultâneo. Como são compatíveis, podemos imaginar um autoket simultâneo, ou seja,
|p

) ≡ |p
x

, p
y

, p
z

),
p
x|p

) = p
x

|p

), p
y|p

) = p
y

|p

), p
z|p

) = p
z

|p

),
Translação sobre |p

). Vamos aplicar o operador de translação T(dx

) sobre o autoket dos momentos, |p

).
Ou seja
T(dx

) |p

) = 1 −
ip - dx

h
|p

) = 1 −
ip

- dx

h
|p

)
Observe que, diferentemente de |x

) (que mostramos não ser um autoket), os estados |p

) são autoestados
(autokets) de T(dx

), como já haviamos antecipado, devido à relação de comutação
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 45
p, T(dx

) = 0.
Note também que os autovalores de T(dx

) são complexos. Não esperamos autovalores reais porque T(dx

),
embora unitário, não é um operador Hermitiano.
As Relações de Comutação Canônicas
Resumo das relações inferidas do estudo das propriedades de translação:
|x
i
, x
j
] = 0, |p
i
, p
j
] = 0, |x
i
, p
j
] = iho
ij
(6.46
Estas relações formam a base da mecânica quântica. São conhecidas como relações de comutação canônicas
ou relações de comutação fundamentais.
Observações Históricas
(1) Historicamente foi Heisemberg quem mostrou em 1925 que as regras de combinações para linhas de
transições atômicas, conhecidas naquele tempo, seriam melhor entendidas se fossem associadas a um arranjo
de números obedecendo certas regras de multiplicação com essas frequências. Imediatamente depois, Born e
Jordan, reconheceram que as regras de multiplicação de Heisenberg eram essencialmente aquelas da álgebra
matricial e a teoria foi desenvolvida baseada no análogo de matriz da Eq. (1.6.46), que é agora conhecido com
mecânica matricial.
(2) Dirac, também em 1925, observou que as várias relações na mecânica quântica podem ser obtidas das
correspondentes relações na mecânica clássica, substituindo os colchetes de Poisson (da mecânica clássica)
pelas relações de comutação, ou seja,
,
clássico

,
ih
, (6.47
onde os colchetes de Poisson são definidos para funções de q e p, como
|A(q, p), B(q, p)]
clássico
≡ ∑
s
∂A
∂q
s
∂B
∂p
s

∂A
∂p
s
∂B
∂q
s
(6.48
Por exemplo, em mecânica clássica temos
|x
i
, p
j
]
clássico
= o
ij
que, usando (6.47) obtém-se (1.6.33) em mecânica quântica.
(3) Tanto os colchetes de Poisson, quanto as relações de comutação satisfazem propriedades algébricas
similares. Por exemplo,
|A, A] = 0
|A, B] = −|B, A]
|A, c] = 0, (c é um número)
|A + B, C] = |A, C] + |B, C]
|A, BC] = |A, B]C + B|A, C]
|A, |B, C]] + |B, |C, A]] + |C, |A, B]] = 0, (identidade de Jacobi)
1.7 Funções de Onda nos Espaços da Posição e do Momento.
Função de Onda no Espaço da Posição
Caso unidimensional. Seja
x |x

) = x

|x

)
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 46
e normalizada de tal maneira que a relação de ortogonalidade torna-e
〈x
′′
|x

) = o(x
′′
− x

).
Expansão. Um ket |o) representando um estado físico pode ser expandido em termos de |x

),
|o) =  dx

|x

)〈x

|o)
Coeficiente de expansão. O coeficiente de expansão 〈x

|o) é interpretado de tal maneira que
|〈x

|o)|
2
dx

nos fornece a probabilidade da partícula ser encontrada num pequeno intervalo dx

em torno de x

.
Função de onda. Neste formalismo, o produto interno 〈x

|o) é o que usualmente se conhece como função de
onda ç
o
(x

) para o estado |o). Ou seja,
〈x

|o) = ç
o
(x

)
Interpretações usando o formalismo de Dirac
Produto interno. Seja o produto interno 〈[|o). Usando a completeza de |x

) obtém-se
〈[|o) =  dx

〈[|x

)〈x

|o) =  dx

ç
[

(x


o
(x

)
tal que 〈[|o) caracteriza a integral de recobrimento (overlap) entre as duas funções de onda. A identificação de
〈[|o) com a integral de overlap segue do postulado de completeza para |x

). A interpretação mais geral de 〈[|o),
independente das representações, é que esse produto representa a amplitude de probabilidade para o estado |o)
ser encontrado no estado |[).
Expansão  função de onda. Agora vamos interpretar a expansão
|o) = ∑
a

|a

)〈a

|o)
usando a linguagem de função de onda. Mualtiplicando essa equação pelo autobra 〈x

| pelo lado esquerdo,
encontra-se
〈x

|o) = ∑
a

〈x

|a

)〈a

|o)
Na notação usual da mecânica quântica isto é reconhecido como
ç
o
(x

) = ∑
a

c
a
′ u
a
′ (x

)
onde introduzimos uma autofunção do operador A com autovalor a

:
u
a
′ (x

) = 〈x

|a

)
Elementos de matriz. Vamos examinar como 〈[| A |o) pode ser escrito, usando as funções de onda para |o) e
|[). Assim,
〈[| A |o) =  dx

 dx
′′
〈[|x

)〈x

| A |x
′′
)〈x
′′
|o)
=  dx

 dx
′′
ç
[

(x

) 〈x

| A |x
′′
) ç
o
(x
′′
) (7.10
Logo, para calcularmos 〈[| A |o) devemos conhecer os elementos de matriz 〈x

| A |x
′′
) que em geral é uma
função de duas variáveis, x

e x
′′
.
Operador é função da posição. Quando o operador A é função da posição, podemos simplificar (7.10).
Suponha, por exemplo, que
A = x
2
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 47
que realmente aparece no hamiltoniano do oscilador harmônico simples (Capítulo 2). Temos
〈x

| A |x
′′
) ≡ 〈x

| x
2
|x
′′
) = (〈x

|) - x
2
|x
′′
)
= (〈x

|) - (x
′′
)
2
|x
′′
) = (x
′′
)
2
〈x

|x
′′
) = x
′2
o(x

− x
′′
)
Substituindo em (7.10)
〈[| x
2
|o) =  dx

 dx
′′
ç
[

(x

) x
′2
o(x

− x
′′
) ç
o
(x
′′
)
=  dx

ç
[

(x

) x
′2
ç
o
(x
′′
)
que ficou reduzida a uma única integral.
De uma maneira geral, se A = f(x), então:
〈[|
operador
-
f(x) |o) =  dx

ç
[

(x

)
não é operador
-
f(x

) ç
o
(x
′′
) (7.14
Operador Momento na Base da Posição
Operador momento na base x. Por definição, momento é o gerador de translações infinitesimais; tomando
isto como ponto de partida
1 −
ipΔx

h
|o) =  dx

T (Δx

)|x

)〈x

|o)
=  dx

|x

+ Δx

)〈x

|o)
=  dx

|x

)〈x

− Δx

|o)
 dx

|x

) 〈x

|o) − Δx
′ ∂
∂x

〈x

|o) (7.15
onde, na última passagem, usamos a expansão de Taylor para
〈x

− Δx

|o) ≃ 〈x

|o) − Δx
′ ∂
∂x

〈x

|o)
Comparando ambos os membro (7.15), encontra-se
p|o) =  dx

|x

) −ih

∂x

〈x

|o) (7.16
Multiplicando ambos os membros por 〈x
′′
| encontra-se
〈x
′′
|p|o) =  dx

〈x
′′
|x

) −ih

∂x

〈x

|o)
=  dx

o(x
′′
− x

) −ih

∂x

〈x

|o)
= −ih

∂x
′′
〈x
′′
|o)
ou seja,
〈x

| p |o) = −ih

∂x

〈x

|o) (7.17
onde usamos a ortogonalidade dos estados |x

).
Elementos de matriz do momento. Para os elementos de matriz do momento na representação x, obtém-se
〈x

| p |x
′′
) = −ih

∂x

〈x

|x
′′
) = −ih

∂x

o(x

− x
′′
)
De (7.16), obtém-se uma identidade muito importante:
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 48
〈[| p |o) =  dx

〈[|x

) −ih

∂x

〈x

|o)
=  dx

ç
[

(x

) −ih

∂x

ç
o
(x

) (7.19
Neste formalismo, a Eq. (7.19) não é um postulado; pelo contrário, ela foi derivada usando as propriedades
básicas do momento. Aplicando repetidamente (7.17), podemos também obter:
〈x

| p
n
|o) = −ih

n
∂x
′n
〈x

|o)
〈[| p
n
|o) =  dx

ç
[

(x

)(−ih)
n ∂
n
∂x
′n
ç
o
(x

)
Funções de Onda no Espaço dos Momentos
Caso unidimensional
Especificação da base p. Sejam os autokets na base p
p |p

) = p

|p

)
e
〈p

|p
′′
) = o(p

− p
′′
)
Expansão na base p. Um estado arbitrário |o) pode ser expandido
|o) =  dp

|p

)〈p

|o)
Coeficiente de expansão. O coeficiente 〈p

|o) é interpretado em termos probabilísticos. Isto é, a probabilidade
de que uma medida de p resulte no autovalor p

dentro do pequeno intervalo dp

é |〈p

|o)|
2
dp

. É costume
chamar 〈p

|o) a função de onda no espaço dos momentos. A notação usada é ç
a
(p

):
〈p

|o) = ç
a
(p

)
Se |o) for normalizado, obtém-se
〈o|o) =  dp

〈o|p

)〈p

|o)
=  dp

ç
a

(p

) ç
a
(p

)
=  dp

ç
a
(p

)
2
= 1
Conexão entre as representações x e p
Espectro discreto. Para espectro discreto, havia uma matriz de transformação que operava uma mudança
de base de um conjunto antigo ¡|a

)) para um novo conjunto ¡|b

)).
Espectro contínuo. Da mesma forma que para o espectro discreto, espera-se que haja uma tal
transformação. Tais informações estão contidas em 〈x

|p

), que é uma função de x

e p

, usualmente chamada
de função de transformação da representação x para a representação p.
Forma explícita de 〈x

|p

). Para derivarmos a forma explícita de 〈x

|p

), vamos usar (7.17) com |o) → |p

):
〈x

| p |p

) = −ih

∂x

〈x

|p

)
ou
p

〈x

|p

) = −ih

∂x

〈x

|p

)
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 49
que é uma equação diferencial para 〈x

|p

). Reescrevendo na forma
1
〈x

|p

)

∂x

〈x

|p

) =
ip

h
encontra-se como solução
〈x

|p

) = N exp
ipx

h
(7.29
onde N é uma constante de normalização a ser determinada.
Observação Embora a função de transformação 〈x

|p

) seja uma função de duas variáveis, x

e p

, podemos
temporariamente considerá-la como uma função de x

para valores fixos de p

. Ela pode ser visto como uma amplitude de
probabilidade para o autoestado de momento p

ser encontrado na posição x

; em outras palavras, é a função de onda
para o autoestado do momento |p

), às vezes referida como autofunção do momento (ainda no espaço x). Assim, (7.29)
diz que a função de onda de um autoestado do momento é uma onda plana. É engraçado que se tenha obtido esta
solução de onda plana sem resolver a equação de Schrödinger (que ainda nem escrevemos).
Constante de normalização N. Para se obter a constante de normalização N, vamos primeiro considerar a
relação
〈x

|x
′′
) =  dp

〈x

|p

)〈p

|x
′′
)
O lado esquerdo é uma delta de Dirac (ortogonalidade) e o lado direito pode ser calculado com a forma
explícita de 〈x

|p

) (onda plana). Ou seja
o(x

− x
′′
) = |N|
2
=2mho(x

−x
′′
)
 dp

exp
ip

(x

− x
′′
)
h
Logo,
o(x

− x
′′
) = 2mh|N|
2
o(x

− x
′′
)
e daí
2mh|N|
2
= 1 → N =
1
2mh
onde, por convenção, escolhemos N real e positivo. Portanto,
〈x

|p

) =
1
2mh
exp
ip

x

h
.
Espaço da posição × espaço do momento. Vamos ver como as funções de onda nesses dois espaços estão
relacionadas. Seja
〈x

|o) =  dp

〈x

|p

)〈p

|o)
〈p

|o) =  dx

〈p

|x

)〈x

|o)
reescrevendo como
ç
o
(x

) =
1
2mh
 dp

exp
ip

x

h
ç
a
(p

) (7.34
e
ç
a
(p

) =
1
2mh
 dx

exp −
ip

x

h
ç
o
(x

) (7.34
Este par de equações é justamente o que se espera do teorema de inversão de Fourier.
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 50
Pacotes de Onda Gaussiana
Vamos ilustrar o formalismo básico aqui desenvolvido, considerando um exemplo físico, representado por um
pacote de onda gaussiano , cuja função de onda no espaço x é dada por
〈x

|o) =
1
m
1/4
d
exp ikx


x
′2
2d
2
(7.35
Expandindo esta função,
〈x

|o) =
1
m
1/4
d
onda plana
-
e
ikx

×
gaussiana
-
e

x
′2
2d
2
vemos que é uma onda plana exp(ikx

) com vetor de onda k modulada por perfil gaussiano centrado na origem.
Probabilidade. A probabilidade de observar a partícula anula rapidamente para x

> d. Mas especificamente,
a densidade de probabilidade vale
|〈x

|o)|
2
=
1
m d
e

x
′2
d
2
que tem a forma gaussianacom largura d (v. figura abaixo).
d
Densidade de probabilidade |〈x

|o)|
2
Valores esperados de x, x
2
, p e p
2
Valor esperado de x. Seja
〈x) = 
−
+
dx

o | x

x

x

| o = 
−
+
dx

x

| o
2
x

= 0
por simetria.
Valor esperado de x
2
. Seja
〈x
2
) = 
−
+
dx

o | x

x
′2
x

| o
= 
−
+
dx

x
′2
x

| o
2
=
1
m d

−
+
dx

x
′2
exp −
x
′2
d
2
=
d
2
2
.
que nos leva a
(Δx)
2
= 〈x
2
) − 〈x)
2
=
d
2
2
para a dispersão do operador posição.
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 51
Valor esperado de p. Seja
〈p) = o | p | o = 
−
+
dx

o | x

− ih

∂x

x

| o
= 
−
+
dx

o | x

−ih
1
m
1/4
d

∂x

exp ikx


x
′2
2d
2
= 
−
+
dx

ik −
x

d
2
x

| o
2
=
1
m d

−
+
dx

ik −
x

d
2
e

x
′2
d
2
=
1
m d
(ikd m )
= ik
Valor esperado de p
2
. Neste caso, obtém-se repetindo o processo anterior,
〈p
2
) =
h
2
2d
2
+ h
2
k
2
.
Dispersão do momento. Usando os resultados anteriores, esta dispersão vale
(Δp)
2
= 〈p
2
) − 〈p)
2
=
h
2
2d
2
Relação de incerteza de Heisenberg. Substituindo as dispersões na equação (1.6.34), o produto de incerteza
é dado por
(Δx)
2
(Δp)
2
=
d
2
2
h
2
2d
2
=
h
2
4
que é independente de d, tal que para o pacote gaussiano obtém-se uma relação de igualdade ao invés da
desigualdade que é a relação mais geral. Por esta razão, o pacote gaussiano é conhecido como o pacote de
onda de incerteza mínima.
Espaço dos momentos
Função de onda. Substituindo (1.7.32) e (1.7.35) em (1.7.33b) , encontramos
〈p

|o) = 
−
+
dx

p

| x

〈x

|o)
=
1
m
1/4
d

−
+
dx

p

| x

exp ikx


x
′2
2d
2
=
1
m
1/4
d
1
2mh

−
+
dx

exp −
ip

x

h
exp ikx


x
′2
2d
2
=
1
2mh
1
m
1/4
d

−
+
dx

exp −
ip

x

h
+ ikx


x
′2
2d
2
=
1
2mh
1
m
1/4
d

−
+
dx

exp −
x
′2
2d
2
+
i(p

− hk)x

h
=
1
2mh
1
m
1/4
d

−
+
dx

exp −
x

2 d
+
i(p

− hk)d
2 h
2
× exp −
(p

− hk)
2
d
2
2h
2
onde na última passagem, completamos os quadrados. A integral resultante vale

−
+
dx

exp −
x

2 d
+
i(p

− hk)d
2 h
2
= 2m d
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 52
Logo,
〈p

|o) =
1
2mh
1
m
1/4
d
2m d exp −
(p

− hk)
2
d
2
2h
2
=
d
h m
exp −
(p

− hk)
2
d
2
2h
2
(7.42
Esta função de onda no espaço dos momentos fornece um método alternativo para obter 〈p) e 〈p
2
).
Probabilidade. A probabilidade de encontrar a partícula com momento p

é uma gaussiana (no espaço dos
momentos) centrada em hk, da mesma forma que a probabilidade de encontrar a partícula na posição x

é uma
gaussiana (no espaço das posições) centrada em zero. Além disso, as larguras das duas gaussianas são
inversamente proporcionais entre si, o que representa uma outra maneira de expressar a constância do
produto de incerteza (Δx)
2
(Δp)
2
explicitamente calculado em (7.41). Quando mais larga no espaço x mais
estreita ela é no espaço p e vice-versa (v. figura abaixo).
gaussiana no espaço
das posições
gaussiana no espaço
dos momentos
Comparação entre as larguras das duas gaussianas.
Casos extremos d →  e d → 0. Vamos considerar este caso extremo em que a largura da gaussiana no
espaço x vale d → . A função de onda (7.35) torna-se uma onda plana extendida em todo espaço, com a
probabilidade de encontrar a partícula em qualquer ponto x

sendo uma constante independente da posição.
Por outro lado, no espaço dos momentos a função de onda torna-se muito localizada, tal como uma função
delta, em p

= hk.
Para d → 0, ocorre exatamente o contrário: no espaço das coordenadas a função torna-se localizada (delta)
enquanto que no espaço dos momentos a função de onda (7.42) é uma constante independente de p

.
Funções localizadas no espaço x. A última análise mostra que uma função de onda localizado no espaço x,
corresponde a uma superposição de autoestados do momento com todos os valores possíveis dos momentos.
Mesmo aqueles autoestados de momento cujos momentos são comparáveis ou excedem mc devem ser
incluídos na superposição. Porém, para tais valores altos do momento, a descrição baseada na mecânica
quântica não-relativística é limitada. A despeito desta limitação, nosso formalismo, baseado na existência do
autoket posição x

, tem um amplo domínio de aplicabilidade.
Generalização a Três Dimensões
Autokets da posição. Devem satisfazer
x |x

) = x

|x

)
Autokets do momento. Para o momento, temos,
p |p

) = p

|p

)
Normalização. Ambos os kets obedecem as condições de normalização
Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 53
〈x

|x
′′
) = o
3
(x

− x
′′
)
e
〈p

|p
′′
) = o
3
(p

− p
′′
)
onde
o
3
(x

− x
′′
) = o(x

− x
′′
)o(y

− y
′′
)o(z

− z
′′
)
Relações de completeza. As relações de completeza, tornam-se
 d
3
x

|x

)〈x

| = 1
e
 d
3
p

|p

)〈p

| = 1
que podem ser usadas para expandir um estado ket arbitrário
|o) =  d
3
x

|x

)〈x

|o)
ou
|o) =  d
3
p

|p

)〈p

|o)
Coeficientes de expansão. Os coeficientes de expansão 〈x

|o) e 〈p

|o) são identificados com as funções de
onda ç
o
(x

) e ç
o
(p

) no espaço das posições e dos momentos, respectivamente.
Operador momento. O operador momento, quando tomado entre |[) e |o), torna-se
[| p|o =  d
3
x

ç
[

(x

)(−ih∇)ç
o
(x

)
Transformação. A transformação análoga a (7.32) é
〈x

|p

) =
1
(2mh)
3/2
exp
ip

-x

h
tal que
ç
o
(x

) =
1
(2mh)
3/2
 d
3
p

exp
ip

-x

h
ç
o
(p

)
e
ç
o
(p

) =
1
(2mh)
3/2
 d
3
p

exp
−ip

-x

h
ç
o
(x

)
* * *
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 54

Finalmente, abrimos as duas fendas e medimos a distribuição de balas que chegam ao anteparo por ambas as fendas. O resultado é a curva mostrada na figura da direita (linha sólida). Também mostramos os resultados obtidos anteriormente (linhas tracejadas).

0.2

Experiências com ondas

Fonte, barreira com 2 fendas e detector (cortiça). Conta-se os sobe e desce da cortiça e determina-se a energia que chega naquela posição do anteparo. Move-se a cortiça (detector) para outras posições e determina-se a distribuição de energia no anteparo.

Inicialmente, fecha-se a fenda “2” e mede-se a distribuição de energia que chega ao anteparo através da fenda “1”. A forma é mostrada na curva da direita. Note que é muito parecida com a distribuição de balas que passa por uma única fenda.

Agora fecha-se a fenda “1” e mede-se a distribuição de energia da onda que chega através da fenda “2”, como mostrada na figura da direita.

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Mecânica Quântica A

2

Finalmente, abrem-se as duas fendas e mede-se a distribuição. As linhas tracejadas mostram a distribuição com as fendas individuais abertas, enquanto que a sólida é o resultado para ambas as fendas abertas. Este resultado é chamado de padrão de interferência.

Observações

1) Na experiência com duas fendas, uma partícula não apresenta padrão de interferência: a probabilidade de atingir uma determinada posição no anteparo é a soma das probabilidades individuais. 2) Levando em conta a conservação da energia, o padrão de interferência para ondas pode parecer dissonante. Porém, não existe nenhum problema: a energia total no padrão de interferência é igual à energia que chega pela fenda “1” mais a que chega pela fenda “2”. O padrão de interferência apenas rearranja esta energia, conservando sua quantidade total.

0.3

Experiências com elétrons

Como “sabemos” os elétrons são partículas que têm massa definida, carga elétrica etc. Algumas das propriedades do elétron são mostrados na tabela abaixo.
Elétrons Propriedade Massa Carga Spin Valor 9. 11  10 −31 kg 1. 60  10 −19 C 5. 28  10 −35 J-s

Interferência de ondas de elétrons
detector

padrão de interferência

Determinando por onde os elétrons passam

Capítulo 1

Conceitos Fundamentais

3

detector

sem padrão de interferência

Resumo dessas experiências com elétrons

A probabilidade de um evento numa experiência ideal, é dada pelo quadrado do valor absoluto de um número complexo  que se chama de amplitude de probabilidade P  || 2

Quando um evento pode acontecer de várias maneiras, a amplitude de probailidade é a soma das amplitudes de probabilidade de cada maneira considerada independentemente. Existe padrão de interferência    1   2 → P  | 1   2 | 2 .

Numa experiência onde se determina como as coisas efetivamente acontecem, a probabilidade do evento é a soma das probabilidades de cada alternativa. Não existe padrão de interferência. P  P1  P2.

1.1

A Experiência de Stern-Gerlach

Pólo magétic o
Feixe de átomos de prata

Forno

Campo magnético inomogêneo

Placa fotográfica

Sem campo

Com campo Resultado Clássico

As duas orientações do spin

Resultado Experimental

Do que consiste o experimento?

Forno para produzir feixe de átomos neutros. Região de campo magnético inomogênio. Detector de átomos.

 Resultados da experiência

Stern e Gerlach usaram átomos de prata (Ag) e observaram que o feixe original dividia-se em dois feixes ao

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Mecânica Quântica A

4

atravessar o campo magnético: um defletido para cima e o outro para baixo (em relação à direção do gradiente do campo magnético).

 Análise clássica dos resultados

Os resultados da experiência sugerem uma interação entre uma partícula neutra e um campo magnético. Esta interação só existe se a partícula neutra tiver momento magnético, . Neste caso, a energia da interação é dada por U B  −  B que resulta na força F  −∇U B  ∇  B

Na experiência de Stern-Gerlach, o campo magnético atua basicamente na direção z, e a força será F z  ∂   B ≅  z ∂B z ∂z ∂z na direção do gradiente do campo magnético, perpendicular ao movimento do feixe atômico.

 Origem do momento magnético na física clássica

Os átomos são constituídos de partículas carregadas. O movimento destas partículas produz um laço de corrente, que dá origem aos momentos magnéticos. Para um laço de área A e uma corrente I, o momento magnético (CGS) é dado por   IA c

Se o laço de corrente origina-se do movimento circular uniforme de uma de uma partícula de carga e (para o elétron e  0, então I  e  e  ev T 2 2 v

Como A  r 2 , então ev r 2  evr  e mvr  e L   2c 2c 2mc 2mc onde L  mvr é o momento angular orbital da partícula.

Da mesma forma que a Terra se movimenta em torno do Sol e do seu próprio eixo, podemos também imaginar que uma partícula carregada num átomo tenha tanto momento angular orbital, L, como momento angular intrínseco, S. Admitindo que o laço de corrente criado pelo movimento intrínseco produza uma relação similar entre o momento magnético e o momento angular intrínseco, então, e   g e S  mc S 2mc

Capítulo 1

Conceitos Fundamentais

5

|S|. A configuração eletrônica da Ag (47 elétrons) é: 1s 2 2s 2 2p 6 3s 2 3p 6 3d 10 4s 2 4p 6 4d 10 5s 1  Número de elétrons : Momento angular: J 0 46   S 1  47  As camadas eletrônicas cheias são representadas por orbitais esfericamente simétricos e o momento angular orbital e momento angular intrínseco dos elétrons nessas camadas são nulos. |S|  Ao atravessar o campo magnético. todos os possíveis ângulos . os prótons e neutros (massas ≈ 2. do átomo de prata neutro.  O que se esperaria classicamente?  Vamos supor que todos os elétrons tenham a mesma magnitude do momento angular intrínseco. 000 m e ) têm pouco efeito sobre o momento magnético do átomo. que é a direção do gradiente do campo magnético. comparados com os elétrons. que chamamos de spin. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 6 . portanto. Logo. um elétron na camada s tem momento angular orbital nulo. e.  Dentro do forno aquecido. o momento angular total do átomo de prata é devido apenas ao momento angular intrínseco do elétron. um feixe de átomos de prata com todos os possíveis valores de S z no intervalo Prof. S z tem uma distribuição contínua de valores no intervalo S z  −|S|. esperamos uma distribuição aleatória das direções do spin e. Assim. ou da projeção do spin ao longo do eixo z. Portanto.  Momento magnético do átomo de prata  O momento magnético depende do inverso da massa da partícula. tal que a projeção S z pode ser escrita como S z  |S| cos  onde  é o ângulo entre a direção do spin e o eixo z. podendo ser desprezados.     A força clássica sobre o átomo pode ser escrita como e F z ≅ mc S z ∂B z ∂z feixe Sz+ S N feixe Sz  A deflexão do feixe na experiência de Stern-Gerlach é então uma medida da componente S z . Assim. Mas. … . Resta o momento angular do elétron na última camada 5s. é e   mc S onde e  0.onde usamos o valor correto g  2 para o movimento rotacional intrínseco do elétron. então. o momento magnético do elétron.

observa-se apenas duas deflexões. indicando que existem apenas dois valores da projeção S z do spin do elétron. Observação: Aqui consideramos o eixo z para medir a projeção do spin.  Experiências de Stern-Gerlach sequenciais Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 7 . As magnitudes dessas deflexões são compatíveis com os dois valores de S z dados por Sz    2   Consequência do resultado do experimento: O spin do elétron tem valores discretos ao longo de um eixo (quantização da projeção do spin).entre −|S| e |S| deveria apresentar um contínuo na deflexão do feixe (ver figura abaixo).  Mas o que se observa?  Experimentalmente.  Conclusão: Esta quantização está em desacordo com a expectativa clássica para esta medida. mas poderíamos escolher  qualquer outro eixo que os resultados seriam os mesmos.

Sz + Forno SG z Sz SG z Sz + Sz + Forno SG z Sz SG x Sx + Sx - Sz + Forno SG z Sz SG x Sx + SG z Sx - Sz + Sz - Experiência de Stern-Gerlach seqüencial Primeira experiência ↑↓→ SGz → SGz → ?  o feixe passa inicialmente por um dispositivo SGz (campo inomogêneo na direção z. de igual intensidade. S x −. Questão: Será que o feixe S z  contém 50% de átomos com S x  e 50% com S x − ? Veremos que esta idéia se depara com algumas dificuldades e portanto não pode ser verdadeira!    Terceira experiência ↑↓→ SGz → SGx → SGz → ?  o feixe passa inicialmente por um dispositivo SGz (campo inomogêneo na direção z. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 8 .  Questão: Mas a componente S z − já não havia sido completamente bloqueada na saída do primeiro dispositivo? Como é possível reaparecer a componente S z − que pensávamos ter eliminado anteriormente? Prof. bloquea-se a passagem dos átomos com S z − o restante dos átomos com S z  fica sujeito a um segundo dispositivo SGx. (Aqui não há    nenhuma surpresa). S x −. de onde emergem em dois feixes. um com S x  e outro. de igual intensidade. bloquea-se a passagem dos átomos com S x −. de onde emergem em dois feixes. Segunda experiência ↑↓→ SGz → SGx → ?  o feixe passa inicialmente por um dispositivo SGz (campo inomogêneo na direção z) bloquea-se a passagem dos átomos com S z − o restante dos átomos com S z  fica sujeito a um segundo dispositivo SGx. um com S x  e outro. o feixe restante passa pelo terceiro dispositivo do tipo SGz verifica-se experimentalmente que deste terceiro dispositivo emergem dois feixes de átomos de igual intensidade (e      não um) com componentes S z  e S z −. verifica-se que apenas uma componenente do feixe (com S z ) emerge do segundo aparelho. bloquea-se a passagem dos átomos com componentes S z − o restante dos átomos com S z  fica sujeito a um segundo dispositivo SGz.

Isso levou a considerar espaços vetoriais complexos. Em cada instante t. Este operador é um observável. Formulação básica dos espaços vetoriais usados em MQ  Espaços vetoriais complexos: Ket e Bra Notação de Dirac  Espaço KET Dimensionalidade. Ht. Mais precisamente. sobre o sistema no estado |.   podemos dizer que a seleção do feixe S x  pelo segundo dispositivo (SGx) destrói completamente qualquer informação prévia sobre S z . Postulado 4 (decomposição espectral) A probabilidade de numa medida de um observável A sobre o sistema no estado normalizado | é P a n   |〈a n || 2 onde |a n  é o autovetor normalizado de A correspondente ao autovalor a n . no espaço vetorial dos estados. o sistema se encontra num novo estado | ′ . Não podemos determinar simultaneamente S z e S x (princípio da incerteza de Heisenberg). Pode ser: Finita Infinita (espaço de Hilbert)  Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 9 . Postulado 3 (medidas de quantidades físicas) O único resultado possível de uma medida de uma quantidade física A é um dos autovalores a n do correspondente operador A. que contém toda a informação que podemos conhecer Postulado 2 (quantidades físicas) Qualquer quantidade física A mensurável é descrita matematicamente por um operador A que atua sobre os kets. |t. Bras e Operadores As experiências de SG mostraram que os spins não podem ser representados num espaço vetorial 3-D. que é a projeção normalizada do ket original | ′   P n | 〈|P n | Postulado 6 (evolução temporal) A evolução temporal de um sistema quântico é determinada pelo operador Hamiltoniano ou energia total.2 Kets.  Depende da natureza do sistema em análise. O momento magnético (ou spin) do átomo é uma quantidade discreta ou quantizada. o estado de um sistema físico é representado por um ket normalizado.Consequências das experiências SG sequenciais  O momento angular de spin não pode ser descrito por um espaço vetorial 3-D. através da equação de Schrödinger ih d |  Ht | dt 1. que dá o valor a n .  Postulados da Mecânica Quântica Postulado 1 (estado de um sistema) sobre o sistema. obter o autovalor a n (não degenerado) Postulado 5 (redução do pacote de onda) no subespaço correspondente aos resultados da medida: Imediatamente após uma medida de A.

Chamado de ket na notação de Dirac e denotado por |. Qualquer ket arbitrário | pode ser escrito como (7) Prof.  2 Observação Dimensionalidade do espaço vetorial  número de alternativas num experimento do tipo Stern-Gerlach. a ′′ . … são números. verifica-se a propriedade A|a ′   a ′ |a ′ . Observáveis. componentes de spin etc. Vetor de estado. Quando a ação de um operador A sobre um conjunto particular de kets resultar no produto de uma constante pelos correspondentes kets. Então. … logo. Autoestados do operador A. |a ′′′ .) De uma maneira geral. |a ′′ .     |S x . Em MQ. representado por um vetor de estado no espaço vetorial complexo. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 10 . um operador atua sobre um ket pelo lado esquerdo. − 2 operador A. Contém todas as informações (possíveis) sobre o estado físico do sistema. Mais formalmente  espaço vetorial N-dimensional descrito pelos N autokets do observável A. (6) deveria ser escrito como |/2. o autoket de S z na Eq. … onde a ′ . …  ou a ′  é chamado de autovalores do O estado físico correspondente a um autoket é chamado de autoestado. A|a ′′   a ′′ |a ′′ . −  −  |S z .    |S z . S z |S z . a ′′′ . Exemplo Sistema de spin ½ (6) Observação De acordo a notação |a ′ . (Exemplos de observáveis: momento. Mas aqui a notação |S z . Postulado Os ket’s | e c| com c ≠ 0 representam o mesmo estado físico. Significado do ket. São representados por operadores no espaço vetorial. 2 S z |S z . onde um autoket é classificado por seu autovalor. estes são chamados de autokets do operador A. Autovalores do operador A. uma vez que consideramos também os autokets de S x : S x |S x . (3) (4) O conjunto dos números a ′ . |a ′ . . Significado do postulado Somente a direção do ket no espaço vetorial tem importância na representação de um estado físico. Propridades dos ket’s  A soma de dois ket’s resulta um novo ket |  |  | (1)  O produto de um ket por um número complexo c resulta um novo ket c|  |c não importa a ordem de c em relação a |.Estado físico. (2)  Se c  0 o ket resultante é chamado de ket nulo. sejam os auto-kets do operador A Autokets. isto é A  |  A| Ação dos operadores.  é mais conveniente. O resultado desta operação nem sempre é uma constante vezes o ket |. a ′′ .

〈a ′′ |. em geral. Isto é conhecido como postulado da métrica positiva definida: é essencial para a interpretação probabilística da MQ. se 〈|  0 (14) De (12). …  〈a ′ |. |a ′′ . Isto significa que existe uma correspondência um-a-um entre o espaço ket e o espaço bra: |  〈| |a ′ . Propriedade (2): 〈| ≥ 0 onde a igualdade só vale se | for um ket nulo. Propriedades Fundamentais (postulados) Propriedade (1): 〈|  〈| ∗ são conjugados complexos um do outro. a  b. … |  |  〈|  〈| (CD  correspondência dual). Forma geral c  |  c  |  c ∗ 〈|  c ∗ 〈|   CD (10)  Produto interno entre bra e ket Forma geral 〈|  〈|  | (11) Este produto é. Consequência de (12): 〈|  número real Prova: Fazendo-se 〈|  〈| em (12). (12) Analogia com o produto escalar Embora o produto interno seja análogo ao familiar produto escalar.|  ∑ c a |a ′  ′ (8) a′ Espaço BRA e Produtos Internos Espaço vetorial BRA é o espaço dual do espaço vetorial KET. implica que 〈|  0 (15) Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 11 .  (13) Vetores ortogonais Dois kets | e | são ditos ortogonais. devemos fazer distinção entre 〈| e 〈|: isto não é necessário no espaço vetorial real porque a  b  b  a. Postulado A cada ket | existe um vetor bra denotado por 〈|. um número complexo. encontra-se 〈|  〈| ∗ que é um número real.  CD CD CD (9) Dual de c|  c ∗ 〈|.

Observação Uma vez que | e c| representam o mesmo estado físico. C. Y. o operador que satisfaz X  X (25) Multiplicação de Operadores  não comutativa Prof. em analogia com o módulo de um vetor a  a  |a| definida no espaço euclidiano. Kets normalizados Exceto para o ket nulo.  〈|  X  〈| X (resulta outro bra) Correspondência dual X |  〈| X  onde X  é chamado de adjunto Hermitiano ou adjunto de X. …  classe geral Operação sobre Kets Os operadores sempre atuam nos kets pelo lado esquerdo  X  |  X | (resulta outro ket) Operadores iguais: X  Y se X |  Y | (20)   X é um operador nulo se X |  0 para um ket arbitrário. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 12 . podemos também exigir que os kets que usamos para estados físicos sejam normalizados na forma da Eq. …  classe restritiva (observáveis) X. Z. Operadores Sejam os operadores A. CD  (24)  Operador Hermitiano: é dito ser Hermitiano. B. (17). (21)  Adição de operadores: comutativa e associativa XY  YX X  Y  Z  X  Y  Z (21a) (21b)  Operadores lineares: Xc  |  c  |  c  X |  c  X|  (22) Operação sobre Bras Os operadores sempre atuam sobre os bras pelo lado direito. um ket | pode sempre ser colocado na forma normalizada ̃ |   1 〈| | (16) que tem a propriedade ̃ ̃ 〈 |   1  (17) Norma de | A relação 〈| é conhecida como norma de |.

Por outro lado. kets e bras (axioma associativo). Ou seja. ∙ |〈|  número 〈| multiplicando |. pois a expressão resultante seria “ilegal”. X |. Os produtos da forma |X. Produtos ilegais. |  〈|  |〈| (31) é conhecido como produto externo de | e 〈|. X Y |  XY|  〈|Y  X   〈|Y  X  de onde se conclui que XY   Y  X  (29) CD CD Resumo. O produto de | e 〈|. podemos reescrever: |  〈| onde 〈| é um número. Axioma Associativo da Multiplicação A multiplicação entre operadores é associativa  esta propriedade deve valer para todos os produtos “legais” entre operadores. nesta ordem. Como são iguais. X〈|.XY ≠ YX  (26) associativa XYZ  XYZ  XYZ XY |  XY|  X Y |. podemos omitir o ponto e os parênteses: |〈| possuindo dois significados equivalentes ∙ |〈|  operador |〈| atuando sobre o ket |. Até agora vimos produtos do tipo 〈|. 〈| XY  〈| XY  〈| X Y (27) (28)  correspondência dual X Y |  〈|XY  mas. Eles simplesmente não significam nada (não são operadores. || e 〈|〈| não têm nenhum sentido (quando  e  são vetores kets ou bras que pertencem ao mesmo espaço bra ou ket). 〈| | “ilegal” (32) (33) Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 13 . O produto |〈| deve ser considerado um operador. ao invés de um número como é o caso do produto escalar 〈|. kets ou bras). se (33) fosse escrita como 〈|  | não poderíamos omitir o ponto e o parêntese. 〈| X e X Y Quais outros tipos de produtos são permitidos? Produto externo.  Ilustração com o produto externo |〈|  | Devido ao axioma associativo. ou seja.

tem-se 〈| X |  〈| X | ∗ (39) (38) ∗ (37) 1. a ′  a ′∗ (3. subtraindo ambos os membros.3) (3. então 〈| X |  〈|  X | Por outro lado. então 〈|  X |  〈|X    | ∗  〈|X  | ∗ Ou seja 〈| X |  〈|X  | ∗ Para um operador Hermitiano. então 〈a ′′ | A   〈a ′′ | A  a ′′∗ 〈a ′′ | Então 〈a ′′ | A |a ′   a ′ 〈a ′′ |a ′  〈a ′′ | A |a ′   a ′′∗ 〈a ′′ |a ′  e. A †  A.Observação Note que o operador |〈| gira | na direção de |. então X   |〈|   |〈|. Prova: Seja A|a ′   a ′ |a ′  Como A é Hermitiano. É fácil mostrar que. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 14 . podemos representar numa forma mais compacta 〈| X | Observação Como 〈| X  é o bra que é dual a X |.1) Hermitiano são reais.4) Prof. da Eq. Teorema Os autovalores de um operador Hermitiano A são reais.  (34) (35) Outra ilustração importante do axioma Seja 〈|  X |  〈| X  | bra ket bra ket (36) Como os dois lados são iguais.3 Kets de Base e Representações Matriciais Autokets de um observável Vamos considerar os autovalores e autokets de um operador Hermitiano A. deduzimos a condição de que os autovalores de um operador (3. temos dois casos: (1) Fazendo a ′  a ′′ Neste caso.2) (3. (12) 〈|  〈| . se X  |〈|. os autokets de A correspondentes a diferentes autovalores são ortogonais. encontramos a ′ − a ′′∗ 〈a ′′ |a ′   0 Admitindo que os vetores não sejam nulos. ou seja. X  X.

Autokets como Kets de Base  Todos os autokets normalizados de A formam um conjunto ortonormal completo. obtém-se |  ∑ |a ′ 〈a ′ |  ∑ |a ′ 〈a ′ | a′ a′ |  ∑ |a ′ 〈a ′ |  1 a′ (3. a ′ ≠ a ′′  o que prova a propriedade da ortogonalidade (segunda metade do teorema). O “1” do lado direito deve ser entendido como o operador identidade. Logo. por hipótese. não pode se anular. O número de autokets é igual à dimensionalidade do espaço vetorial complexo. (2) Fazendo a ′ ≠ a ′′ A diferença.9) Analogia com a expansão de um vetor V (real) no espaço euclidiano: V  ∑ ê i ê i  V  i (3. a ′ − a ′′∗  a ′ − a ′′ (autovalores reais).8) ∑ |a ′ 〈a ′ | a′ (3. Observáveis  autovalores reais  operadores Hermitianos.6) Completeza Por construção do nosso espaço ket.10  Em termos de base. (3. os autokets de A formam um conjunto completo.11 que é conhecida como relação de completeza. Um ket arbitrário no espaço ket pode ser expandido em termos dos autokets de A. Uso do operador identidade. Relação de Completeza Do axioma associativo da multiplicação e sendo | um vetor arbitrário. arbitrário | no espaço ket descrito pelos autokets de A: |  Seja a expansão de um ket  ∑ c a |a ′  ′ (3. Seja 〈|. encontram-se os coeficientes da expansão: 〈a ′′ |  Ou seja. os autokets de A são comparáveis ao conjunto de vetores unitários mutuamente ortogonais do espaço euclidiano. ou seja 〈a ′′ |a ′   0. Podemos escrever Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 15 . c a ′  〈a ′ | E a expansão fica |  ∑ c a 〈a ′′ |a ′   ∑ c a  a a ′ ′ ′′ ′  c a ′′ a′ a′ (3. o produto interno 〈a ′′ |a ′  deve ser nulo. Normalização Na forma ortonormal 〈a ′′ |a ′    a ′′ a ′ .7) a′ Multiplicando por 〈a ′′ | e usando a relação de ortonormalidade.(a primeira metade do teorema).

Operador projeção Seja o operador |a ′ 〈a ′ | que aparece em (3.11).16 Representação Matricial Conhecendo-se os kets de base. a 3 . encontramos a relação ∑|c a | 2  1. o operador |a ′ 〈a ′ | operando sobre | projeta este ket ao longo do ket de base |a ′ .  a ′  |a ′ 〈a ′ | a relação de completeza (3. Em outras palavras.〈|  〈|1|  〈|    Para kets normalizados. fazendo as seguintes identificações Prof.14 (3. Forma matricial. o operador |a ′ 〈a ′ | seleciona a parcela de | que é paralela a |a ′ . a N  existem N 2 números dessa forma. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 16 . ∑ |a ′ 〈a ′ | a′ | ∑〈|a ′ 〈a ′ | a′ ∑〈a ′ | ∗ 〈a ′ | a′ ∑|〈a ′ || 2 a′ ∑|〈a ′ || 2  1 a′ e. … . num espaço N −dimensional. ′ (3. Por isto |a ′ 〈a ′ | é conhecido como operador projeção ou projetor. Podemos colocá-los na forma matricial. ou seja. a 2 . Logo. Aplicando sobre o ket | |a ′ 〈a ′ |  |  |a ′ 〈a ′ |  c a ′ |a ′  O que isto significa? Significa que operando sobre o ket |. como c a ′  〈a ′ |.7). a ′′ a′ números (3.13 a′ que deve ser satisfeita pelos coeficientes da expansão (3. que pode ser reescrita como X ∑ ∑ |a ′′  〈a ′′ | X |a ′  〈a ′ |. Denotando-o por  a ′ .11) pode ser escrita como (3. 〈|  1. como representar um operador X por uma matriz quadrada? Considere a identidade X ∑|a ′′ 〈a ′′ | a ′′ 1 X ∑|a ′ 〈a ′ | a′ 1 .17 Quantos números da forma 〈a ′′ | X |a ′  existem? Sabendo-se que o conjunto a ′   a 1 .15 ∑ a a′ ′ 1 (3.

〈a 2 | ∗ . (3.21 Verificação da regra usual da multiplicação de matrizes Podemos mostrar que o arranjo 〈a ′′ | X |a ′  numa matriz quadrada satisfaz a regra usual de multiplicação. nos kets da base. 〈a 3 | ∗ .28) Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 17 .20 Para um operador Hermitiano B. 〈a 1 | X |a 1  X≗ 〈a 2 | X |a 1   〈a 1 | X |a 2  〈a 2 | X |a 2      (3. 〈 a 3 . 2. B  B  .  (3.  〈a 1 | ∗ . podemos escrever ∗ 〈a ′′ | X |a ′   〈a ′ | X  |a ′′  . Usando a Eq (38) da Seç. ∗ 〈a ′′ | B |a ′   〈a ′ | B |a ′′  .24) Assim 〈a ′ |  〈a ′ | X |  ∑〈a ′ | X |a ′′ 〈a ′′ | a ′′ (3.〈a ′′ | X |a ′  linha coluna (3. (3.29) ∑〈|a ′ 〈a ′ | Xa ′  a ′′ (3.  Relação de operadores Seja Z o produto de dois operadores Z  XY.25) que pode ser visto como a multiplicação de uma matriz quadrada por uma matriz-coluna. Ou seja. um bra é representado por uma matriz-linha 〈| ≗  〈 a 1 .18 Ou seja.19 onde o símbolo ≗ significa “é representado por”. respectivamente. Assim 〈a ′′ | Z |a ′   〈a ′′ | X Y |a ′   que é o produto de duas matrizes quadradas!  ∑〈a ′′ | X |a ′′′ 〈a ′′′ | Y |a ′  a ′′′ (3.26) Relação de bras Seja 〈|  〈| X Da mesma forma 〈|a ′   〈| Xa ′   Logo. esta equação torna-se.23) Relação de kets Seja | o ket obtido pela aplicação do operador X sobre o ket | |  X | (3. | ≗ 〈a 2  〈a 3   (3. 〈 a 2 . As matrizes-coluna 〈a i  e 〈a i  representam os coeficientes de expansão dos kets | e |. 〈a 1  | ≗ 〈a 2  〈a 3    〈a 1  . ou seja.

usando a conjugação complexa 〈a 1 〈a 1  ∗ 〈a 1 〈a 2  ∗  |〈| ≗ 〈a 2 〈a 1  ∗ 〈a 2 〈a 2  ∗     (3.33) ∑ ∑|a ′′ 〈a ′′ | A |a ′ 〈a ′ | a′ a ′′ ∑ ∑|a ′′  a ′  a a 〈a ′ | ′ ′′ a′ a ′′ ∑ a ′ |a ′′  〈a ′ | a′ ∑ a′ a a′ ′ (3. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 18 .  ≡ |  Operador identidade 1 Operador S z De acordo com (3.− ∑ |a ′ 〈a ′ |  |〈|  |−〈−|  ∑ a′ a a′ ′ Prof. a ′ .31)   ∑ ∑|a ′′ 〈a ′′ |〈|a ′ 〈a ′ | a′ a ′′  Observável A na base dos autokets A≗ ∑ ∑|a ′′ 〈a ′′ | A |a ′ 〈a ′ | a′ a ′′ Como |a ′  é um autoket de A. A≗    (3. a representação de um operador na base de seus autokets é A Logo.34). a matriz 〈a ′′ | A |a ′  é diagonal: 〈a ′′ | A |a ′   a ′ 〈a ′′ |a ′   a ′  a ′ a ′′ Logo. 〈a 2  ∗ 〈a 3  ∗  〈a 2  〈a 3    Produto externo |〈| |〈|  Logo.34) Sistemas de Spin ½ Base usada: |S z . 〈a 1 〈|a 1  〈a 1 〈|a 2   |〈| ≗ 〈a 2 〈|a 1  〈a 2 〈|a 2    ou. Produto interno 〈| 〈|  ∑〈|a ′ 〈a ′ | a′ 〈a 1   〈a 1  ∗ . ou seja. A|a ′   a ′ |a ′ .

̂ quando sujeito a um dispositivo de Stern-Gerlach do tipo SGz.1) a′ a′ Quando a medida é realizada. S z |− ≡  |〈| − |−〈−| |− 2   2 | 〈|− − |− 〈−|− 0 1  −  |−.4) . Admite-se Probabilidade. vamos admitir que o sistema esteja num estado |. 2 1. que tal probabilidade seja dada por P →a ′  |〈a ′ || 2 Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 19 (4. a relação de autovalores S z |    |. podemos estimar a probabilidade do sistema saltar para um dado autoestado |a ′  de A.4 Medidas Medidas.2) Um átomo de prata com uma orientação de spin arbitrária mudará para um dos estados |S z . |a ′  (4. Nesta etapa. Ou seja. Embora não se saiba prever exatamente em qual dos autoestados o sistema será encontrado. a medida geralmente muda o estado.” (Dirac) O que significam essas palavras de Dirac? Vamos analisar o processo de medida de um observável A.  ou |S z . medida de A | Exemplo |a ′  (4. A única exceção é quando o sistema já está em um dos autoestados do observável que está sendo medido. digamos |a . ou seja.3) Quando o sistema passa do estado inicial | para um autoestado do observável A. |  Após a medida. Neste caso. Observáveis e Relações de Incerteza “Uma medida sempre faz com que o sistema salte para um autoestado da variável dinâmica que está sendo avaliada. Então. medida de A |a ′  Resultado da experiência. que pode ser representado por uma combinação linear dos autokets de A. Ou seja. −.S z   |〈| − |−〈−| 2 Escrito desta forma. não sabemos de antemão em qual dos vários autoestados |a ′ ’s desse observável o sistema será encontrado como resultado de uma medida. o sistema é “jogado” em um dos autoestados. do observável A. 2 S z | ≡  |〈| − |−〈−| | 2   2 | 〈| −|− 〈−| 1 0   |. ′ ∑ c a | ′   ∑|a ′ 〈a ′ | ′ (4. Antes da medida. 2 Da mesma forma.

Soma 1. | a(1) 〉 | a(2) 〉 |α 〉 med ida d e A | a(N) 〉 ̂ Exemplo Um exemplo de ensemble puro seriam os átomos de prata que atravessam o primeiro aparelho SGz com a componente S z− bloqueada. A Eq (4. A Eq. uma vez que qualquer átomo membro do ensemble é caracterizado por S z . Ensemble puro. kets ortogonais correspondem a alternativas mutuamente excludentes. se um sistema de spin ½ está no estado |S z .4) satisfaz essa exigência. devido à ortogonalidade entre eles. Como definir probabilidade para um único sistema? Embora se fale de um único sistema. Repetindo-se sucessivamente a medida do mesmo observável o resultado será sempre o mesmo.5) O valor esperado pode ser reescrito como Mecânica Quântica A 20 Prof. Quando existem várias possibilidades alternativas.que é um dos postulados fundamentais da MQ. Tal ensemble é conhecido como ensemble puro. (4.  Casos Gerais Probabilidade não-negativa. a P a ′ →a ′′  |〈a ′′ |a ′ | 2  0 Do ponto de vista da teoria das medidas. todos com o mesmo estado inicial |. Qual a probabilidade de encontrar o sistema |i  |a ′  e |f  |a ′  no estado final |a ′  após a medida? De acordo com (4. |i  |a ′  e |f  |a ′′  probabilidade vale Sendo a ′′ ≠ a ′ autoestados do observável A. Valor Esperado O valor esperado de A com relação ao estado | é definido como 〈A  ≡ 〈| A |  Valor medido médio (4.4) satisfaz também essa exigência. −. Abraham Moysés Cohen . Por exemplo.4) P a ′ →a ′  |〈a ′ |a ′ | 2  1 como seria esperado.  com certeza ele não pode estar no estado |S z . Faz sentido a interpretação probabilística?  Casos extremos Considere o sistema no estado inicial |a ′ . a soma total das probabilidades deve ser igual a 1. devemos considerar um grande número de medidas realizadas sobre uma coleção (ensemble) de sistemas físicos preparados identicamente.

o valor esperado de S z para sistemas com spin ½ pode ter qualquer valor entre − /2 e /2. . operador projeção  a ′ sobre o ket | (4. . vale 1 . 1 2 1 2 Podemos construir o ket |S x . Matematicamente.  com segue. | a' 〉 |α 〉 Medida de A | a'' 〉 com a''≠ a' Matemática da medida seletiva. podemos escrever Conceitos Fundamentais 21 Capítulo 1 . De acordo com a expressão acima. De uma maneira geral. por outro lado. |  Construção dos kets |S x . |S x . Medida Seletiva ou Filtragem No experimento de Stern-Gerlach. 2 |〈|S x . digamos. imaginamos um processo de medida com um dispositivo que seleciona apenas um dos autokets de A. | 2  1 . ou simplesmente |. Assim.  tem componentes em ambos os autokets da base de S z .7) Sistemas de Spin ½ Revisitados  Na experiência de Stern-Gerlach. Em outras palavras. v. 2  Logo. bloqueando-se completamente a passagem de átomos com a outra componente. vimos que quando o feixe de átomos com S x  está sujeito a um aparelho do tipo ̂ SGz. rejeitando todos os outros (medida seletiva). permitimos que apenas os átomos com uma das componentes do spin passasse através do aparelho. os autovalores de S z só podem ter dois valores: −/2 e /2. 0. figura Processo de medida. 273. o feixe se desdobra em duas componentes com intensidades iguais. quantificamos a medida seletiva. abaixo. Em termos dos postulados da MQ: a probabilidade para que o estado S x  seja “lançado” em qualquer um dos estados |S z . digamos |a ′ . Por exemplo. aplicando-se o  a ′ |  |a ′ 〈a ′ |. |〈|S x . |  |〈−|S x .〈A      ∑ ∑〈|a ′′ 〈a ′′ | A | a ′ 〈a ′ | a′ a ′′ ∑ ∑ a ′ 〈|a ′′ 〈a ′′ | a ′ 〈a ′ | a′ a ′′ ∑ a ′ 〈|a ′ 〈a ′ |  ∑ a ′ 〈a ′ | ∗ 〈a ′ | a′ a′ ∑ a′ a′  valor medido a ′ |〈a ′ || 2 probabilidade de obter a ′ É muito importante não confundir autovalores com valores esperados.

Logo. Seguindo a prescrição Prof. −.   0.   〈| 1  〈−| 2 1 e −i ′1 2  1 |  2 1 e i 1 |− 2 1 |  2 1 e i ′1 |− 2 ′ ′  1 〈|  1 e i 1 〈|−  1 e −i 1 〈−|  1 e i 1 − 1  〈−|− 2 2 2 2 ′  1  1 e i 1 − 1  2 2 0 de onde se obtém e i 1 − 1   −1   1 −  ′1     ′1   1 −  Logo |S x . −. 1 |  2 1 e i 1 |− 2 (4. −|S x . devemos observar que ambos.   com  1 real.|S x . −  o que nos fornece |S x .9) Por convenção. −  1 | − 2 1 e i 1 |− 2 1 |  2 1 e i 1 e −i |− 2 ′ Construção dos Operadores S x e S y Usando a equação A ∑ a′ a a′ ′ podemos agora construir o operador S x . −|S x . Esta ortogonalidade exige que 〈S x . o coeficiente de | pode ser escolhido como sendo real e positivo. −  onde usamos a convenção acima. − como |S x . uma vez que as alternativas S x  e S x − são mutuamente excludentes. encontramos 〈S x .  e |S x . escrevendo |S x . Para construir o ket |S x . |S x . são ortogonais. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 22 .

− ser encontrado. após a medida.S x   |S x . De fato. S x   e −i 1 |〈−|  e i 1 |−〈| 2 que é um operador Hermitiano. . encontramos x S    e −i 1 |〈−|  e i 1 |−〈| x 2   e i 1 |−〈|  e −i 1 |〈−| 2  Sx que é a condição para que o operador seja Hermitiano. no estado |S y . −| 2 2 1 |  1 e i 1 |−  〈|   2 2 2 −  2 1 | − 2 1 e i 1 |−  〈| 2 1  〈−| 2 1 − 〈−| 2 1 e −i 1 2 1 e −i 1 2   1 |〈|  e −i 1 |〈−|  e i 1 |−〈|  e i 1 e −i 1 |−〈−| 2 2 − |〈|  e −i 1 |〈−|  e i 1 |−〈| − e i 1 e −i 1 |−〈−|   1 2e −i 1 |〈−|  2e i 1 |−〈| 2 2 Ou seja. Procedendo de uma forma similar. |  1  〈−| 1 e −i 2  1 |  1 e i 1 |− 2 2 2 2  1 〈|   1 e i 1 〈| −  〈−|  1 e −i 2  1 e i 1 − 2  〈−| − 2 2 2 2 1  1 e i 1 − 2   2 2 1 |1  e i 1 − 2  |. calculando o adjunto Hermitiano desse operador. S  . −〈S x .  ou |S y .  ou |S x . encontramos o operador S y : |S y .   1 |  2 1 e i 2 |− 2  S y   e −i 2 |〈−|  e i 2 |−〈| 2 Existe alguma maneira de calcular  1 e  2 ? Vamos calcular a probabilidade |〈S y . −. | −  |S x . |  ? ou seja. como deveria ser. |S x . |S x . a probabilidade de um sistema no estado inicial |S x . 〈S x . encontra-se |〈S y . ou seja.  2 〈| Da mesma forma. Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 23 . Usando a representação desses estados na base |S z .

Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 24 . e i  cos   i sen . Isto significa que 2 − 1    . |S x . Devido à invariância rotacional do sistema físico. |  |〈S y . a presença dos fatores de fase e i 1 e e i 2 nas definições dos estados |S x . De fato. |S x .  e |S y . |1  e i 1 − 2  | ≡ de onde se obtém 1  cos 1 −  2   1 que. 2 〈| |〈S y . |S x . 1  〈−| 1 e −i 2  1 | − 1 e i 1 |− 2 2 2 2 1 〈|   1 e i 1 〈| −  〈−|  1 e −i 2 ∓ 1 e i 1 − 2  〈−| − 2 2 2 2 1 ∓ 1 e i 1 − 2  2 2 1 |1 ∓ e i 1 − 2  | 2 1 |1  e i 1 − 2  |. −|  Em vista disto. |1  e i 1 − 2  |  1       Ou seja. 1 |1  e i 1 − 2  |  2 ou |1  e i 1 − 2  |  2. −|  1 |1  e i 1 − 2  |. vamos considerar um experimento sequencial de Stern-Gerlach do tipo ̂ SGx → SGŷ com átomos de spin ½ movendo-se na direção z. 2 1  cos 1 −  2   2 (4. |S x . 1 2 1 . só é satisfeita se cos 1 −  2   0. |  |〈S y . Os resultados são exatamente os mesmos obtidos na Eq.16 Prof. 2 Mas o que significa esta probabilidade? Para responder a esta questão.8). −|      Logo. isto é.|〈S y . . ̂ ̂ este experimento pode ser considerado como um do tipo SGz → SGx que foi discutido anteriormente. |〈S y . evidentemente. podemos reescrever aquela equação como. (1. 2 Usando a fórmula de Euler.4. |S x . respectivamente. 2 Este resultado significa que os elementos de matrix de S x e S y não podem ser ambos reais. exige que pelo menos um deles seja cos 1 −  2   i sen 1 −  2  1  cos 1 −  2   i sen 1 −  2  1  cos 1 −  2  2  sen 2  1 −  2  1  2 cos 1 −  2   cos 2  1 −  2   sen 2  1 −  2  2  2 cos 1 −  2  2 1  cos 1 −  2  .

S    |〈∓| podem agora ser escritos com a ajuda das Eqs.  2 .   |S y .complexo. A segunda fase.38). encontra-se 2 |S x . portanto. e i 2  i (imaginário puro). S x   |〈−|  |−〈| 2 Sy   2i |〈−| − |−〈| 1 |  1 |− 2 2 1 |  i |− 2 2 (4. uma vez que ainda não especificamos se o sistema de coordenadas que estamos usando é dextrógiro ou não.18 Operadores S  Os operadores não Hermitianos S  definidos em (1.   e.  1  0 ou . ainda existe uma ambiguidade na escolha do sentido positivo do eixo y. a orientação positiva do eixo x terá direção oposta a de  1  0). escolhendo  1  0. De fato. Neste caso.18 (4. 2 2 O fato de ainda existe esta ambiguidade na escolha de  2 não significa nenhuma surpresa.  2  /2 e. (4. Veremos mais tarde que a escolha do sistema de coordenadas dextrógiro levará à escolha correta de  2  /2. Ou seja.18-a. 2S x  |〈−|  |−〈|  2iS y  |〈−| − |−〈|  de onde se obtém 2S x  2iS y  2 |〈−|   2S x − 2iS y  2 |−〈|   Logo. De fato.3. (No caso de  1  .b). Resumo Com as escolhas  1  0 e  2   . É conveniente escolhermos os elementos de matriz de S x como sendo reais.  S x  iS y  S x − iS y Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 25 . para  1  0 será então:  2   ou −  . isto é. iS y S  ≡  |〈−|   S x    iS y S −   |−〈|   S x −   Ou seja. dados os eixo x e z.

Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 26 . e relação de anticomutação. como A. B. B. A. (4. Relação de comutação entre S x e S y 1 2 0 |〈|  |−〈−| − |〈| − |−〈−| Prof. S y   S z . Definem-se relação de comutação entre esses operadores.19 Relações de Comutação e Anticomutação Sejam os operadores A e B. Relações de comutação dos operadores S x . S y e S z Estes três operadores são dados por S x   |〈−|  |−〈| 2 Sy   2i Sz   2 |〈−| − |−〈| |〈| − |−〈−| Relação de comutação entre S x e S y Seja S x . como A. B ≡ AB − BA. S x    |〈−|  |−〈|  |〈−|  |−〈| 2 2 −  |〈−|  |−〈|  |〈−|  |−〈| 2 2  2 2  | 〈−| 〈−|  | 〈−|− 〈|  |− 〈| 〈−| 0 1 1  |− 〈|− 〈| − | 〈−| 〈−| − | 〈−|− 〈| 0 0 1 −|− 〈| 〈−| − |− 〈|− 〈|  −i  2 0 Assim também como S y . B ≡ AB  BA. S z   0. A.S   S x  iS y .

i. S x   iS y De uma maneira geral. . z Relações de anticomutação dos operadores S x . podemos mostrar que esses operadores satisfazem as relações de comutação S i . j.S x . S j   i  ijk S k onde  ijk é o símbolo de Levi-Civita que satisfaz as relações 1. k  permutação cíclica de x. Neste caso. S y e S z Anticomutação de S x com S x . y. S y   −i  2  i  |〈| − |−〈−| 2  iS z 2 Da mesma forma. repetição de dois ou mais índices −1. S y . Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 27 . i. S y    |〈−|  |−〈|  |〈−| − |−〈| 2 2i −  |〈−| − |−〈|  |〈−|  |−〈| 2 2i 2  −i  2 | 〈−| 〈−| − | 〈−|− 〈|  |− 〈| 〈−| 0 1 1 − |− 〈|− 〈| − | 〈−| 〈−| − | 〈−|− 〈| 0 0 1  |− 〈| 〈−|  |− 〈|− 〈| 1 0  −i  2  −i  2 Ou seja. y. 2 − |〈|  |−〈−| − |〈|  |−〈−| − 2|〈|  2|−〈−| 2 − |〈|  |−〈−| S x . z  ijk  0. k  permutação não-cíclica de x. j. S z   iS x S z .

S z    . y. S z   S z . as relações de anticomutação entre os três operadores podem ser escritas na forma abreviada como S i . Da mesma forma encontraremos 2 − |〈|  |−〈−|  |〈| − |−〈−| S y . Seja a relação S x . S x   0 De uma maneira geral. S y   S z . 2 Anticomutação de S x com S y . S x    |〈−|  |−〈|  |〈−|  |−〈| 2 2   |〈−|  |−〈|  |〈−|  |−〈| 2 2  2 2  | 〈−| 〈−|  | 〈−|− 〈|  |− 〈| 〈−| 0 1 1  |− 〈|− 〈|  | 〈−| 〈−|  | 〈−|− 〈| 0 0 1  |− 〈| 〈−|  |− 〈|− 〈| 1 0   2  2 2 |〈|  |−〈−|  |〈|  |−〈−| 2  2 2  2 2|〈|  2|−〈−| |〈|  |−〈−| 1 2   . z. podemos mostrar que 2 S y . S y    −i  2 | 〈−| 〈−| − | 〈−|− 〈|  |− 〈| 〈−| 0 1 1 − |− 〈|− 〈|  | 〈−| 〈−|  | 〈−|− 〈| 0 0 1 − |− 〈| 〈−| − |− 〈|− 〈| 1 0  −i  2  0. S y   S x S y  S y S x . S j   1  2  ij . encontra-se  |〈−|  |−〈|  |〈−| − |−〈| 2 2i   |〈−| − |−〈|  |〈−|  |−〈| 2 2i 2 S x . j  x. Esta relação de anticomutação é um caso especial para sistemas de spin ½. Substituindo as expressões. não valendo para outros valores de spin.S x . 2 Da mesma forma. 2 i. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 28 . Operador S 2 Prof.

S i   0. Felizmente. quando os correspondentes operadores comutam entre si. Pior ainda. Teorema Suponha que A e B sejam observáveis compatíveis. S2  3 2. não valendo para outros valores de spin. enquanto que S x e S z são incompatíveis.Vamos definir o operador S 2  S  S. como S2  S2  S2  S2 x y z Da relação de anticomutação S x .) Prova: Usando a definição de observáveis compatíveis. Para este caso. B |a ′   0 Ou seja Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 29 . como se relacionam os autokets desses dois operadores ? Antes de responder a esta questão. e. Vamos admitir. os elementos de matriz 〈a ′′ | B |a ′  são todos diagonais. quando os operadores correspondenete não comutam entre si. incompatíveis. e os autovalores de A são não-degenerados. Então. 4 que é uma constante multiplicada pelo operador identidade. B ≠ 0. Degenerescência Quando existem dois (ou mais) autokets de A. S x   2S 2 → S 2  1 S x . S x  obtém-se S x . é que o conceito de espaço ket sendo descrito pelo conjunto de autokets |a ′  tem problemas quando a dimensionalidade do espaço ket é maior do que o número de autovalores distintos. A forma deste operador é um caso especial para sistemas de spin ½. Observáveis Compatíveis Dois observáveis A e B são definidos serem compatíveis. em aplicações práticas em MQ. Observáveis compatíveis A e B. podemos mostrar facilmente que S 2 . ou seja. como usual. dizemos que estes autovalores dos dois (ou mais) autokets são degenerados. (Poderíamos também considerar que o mesmo espaço fosse descrito pelos autokets de B). a notação |a ′  que rotula o autoket apenas por seu autovalor não dá uma descrição completa. (Não devemos esquecer que os elementos de matriz de A já são diagonais se |a ′  forem usados como kets de base. linearmente independentes. Exemplo Os observáveis S 2 e S z são compatíveis. sabemos que 〈a ′′ | A. i  x. A. podem ser usados para rotular esses autokets degenerados. Para observáveis compatíveis A e B. os autovalores de algum outro observável B que comuta com A. z. Neste caso. S x   1  2 x x 4 2 Da mesma forma. B  0. A. y. com os mesmos autovalores. vamos abordar o conceito da degenerescência de autovalores. que o espaço ket seja descrito pelos autokets de A. y z 4 Logo. S2  S2  1 2.

b ′  B |a ′ . da Eq. respectivamente. 2. Devido a essa imparcialidade |a ′  em relação a ambos os operadores. … . 〈a | B |a   0. 0 ou 1. Seç. A única maneira de não sermos ambiguos em relação ao estado de momento angular. se ′′ ′ a ′′ ≠ a′ Na forma compacta. Exemplo Os autovalores de L 2 (quadrado do momento angular orbital) e L z (componente-z do momento angular orbital) valem  2 ll  1 e m l  2 . dizendo-se apenas que l  1.5). (1. tem a propriedade A |a ′ . necessariamente conhecemos o b ′ que aparece em |a ′ . precisamos apenas construir n apropriadas combinações lineares de |a ′i  que diagonalizam o operador B (v. o enunciado também vale se existir uma ênupla degenerescência. encontra-se B ∑ ∑|a ′′ 〈a ′′ | B |a ′ 〈a ′ |. 2. ′′ ′ a′ a ′′ a ′′ Fazendo este operador atuar num autoket de A. o autoket |a ′  é um autoket simultâneo de A e B. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 30 . n. A notação |a ′ . digamos |a ′ . tem-se B |a ′   ∑ |a ′′ 〈a ′′ | B |a ′′ 〈a ′′ |a ′   〈a ′ | B |a ′  |a ′  a ′′ (4.4. se a ′′  a ′ . 1. é especificarmos Prof. Por exemplo. −l  1. A|a ′i   a ′ |a ′i .4. a′ a ′′ ∑ ∑ |a ′′  a a 〈a ′′ | B |a ′′ 〈a ′ |  ∑ |a ′′ 〈a ′′ | B |a ′′ 〈a ′′ |. b ′  Quando não existe degenerescência. l. os valores de m l ainda podem ser −1. b ′ . b ′  é muito mais poderosa quando existem degenerescências. denotado por |a ′ . Para caracterizar completamente um estado de momento angular precisamos especificar tanto l como m l . Veja exemplo abaixo. para i  1. (4.32 onde |a ′i  são n autokets de A mutuamente ortonormais. 3. sendo l um número inteiro e m l  −l. Operador B na Base dos Autokets de A Seja a identidade B Substituindo o resultado (1. Um autoket simultâneo de A e B. b ′  para carecterizar este autoket simultâneo.32). Caso degenerado Embora a prova dada acima seja para o caso onde os autokets de A são não-degenerados.29). … . esta notação é supérflua.〈a ′′ | AB − BA |a ′   a ′′ − a ′ 〈a ′′ | B |a ′   0 que tem como solução 〈a ′′ | B |a ′  ≠ 0. ou seja. … . Dizendo-se que m l  1. b ′   b ′ |a ′ . uma que. b ′   a ′ |a ′ .31 Mas isto não é nada mais do que a equação de autovalores para o operador B com autovalor b ′ ≡ 〈a ′ | B |a ′  Logo. vê-se que especificando-se a ′ . podemos renomeá-lo como |a ′ . Para que se possa ver isso. l pode ter os valores 1. b ′ . podemos escrever os elementos de matriz como 〈a ′′ | B |a ′    a ′ a ′′ 〈a ′ | B |a ′  o que prova a afirmativa de que os elementos de matriz 〈a ′′ | B |a ′  são todos diagonais.

digamos. pode ser generalizada para A. c ′ . b ′ . Isto é óbvio quando os autovalores de A são não-degenerados: |α〉 ′ medida de A |a'. b i . b ′ . … 〈a ′ . a resposta é simples: a terceira medida (A) sempre dará a ′ com certeza. Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 31 . que dá a . (4. … serem compatíveis. A segunda medida (B) pode selecionar apenas um dos termos da combinação linear (1. então os correspondentes autokets simultâneos de A.4. …  .4. … são especificados sem ambiguidades. Suponha ainda que medimos primeiro o observável A.41). b j . B. mas se especificarmos uma combinação a ′ .39 Medidas de Observáveis Compatíveis Suponha um sistema num estado inicial |.b'〉 (4. medimos B.simultaneamente os valores de l e m l . b ′ .36). medimos A novamente. será escrita como (4. Subsequentemente. C. c ′ . B. C. mas a terceira medida aplicada a ele ainda dá a ′ . Os operadores individuais A. m l . Conjunto máximo de observáveis comutantes. … . |a ′ .b'〉 medida de A |a'. C    0. Isto é. a segunda medida (B) não destrói a informação obtida previamente na primeira medida (A). c ′ . A relação de ortogonalidade para |K ′   |a ′ . |l. quando realizamos medidas dos observáveis compatíveis A e B. obtendo como resultado a ′ . Índices coletivos Às vezes um índice coletivo pode ser usado para caracterizar a ′ . … |  1 K′ a′ b′ c′ (4. podem ter degenerescência. B. c ′ . c ′ . o conjunto máximo de observáveis comutantes é o maior conjunto que podemos formar com esses observáveis sem que se viole a condição (1. e os kets |a ′ . Qual o valor que obteremos para esta nova medida de A? Com base no formalismo de medidas. a ′ n i (4. tal que |K ′   |a ′ . ou seja. B  B.40 Quando existe degenerescência. b ′ . … .36 Dada uma lista de observáveis. Caso não degenerado. Finalmente. o argumento é como segue: Após a primeira medida (A). C  A. o sistema se encontra em alguma combinação linear do tipo Caso degenerado.38 ∑|K ′ 〈K ′ |  ∑ ∑ ∑ |a ′ . b ′ .41 onde n é o grau de degenerescência. …  será 〈K ′′ |K ′    K ′ K ′′   a ′ a ′′  b ′ b ′′  c ′ c ′′ … enquanto que a relação de completeza. b ′  Generalização para Mais de Dois Observáveis Compativeis A condição para os observáveis A. C. b i  têm o mesmo autovalor a ′ com relação ao operador A. b ′ .b'〉 medida de B |a'. obtendo-se b ′ . ∑ c i |a ′ . Podemos usar o índice coletivo K ′ para representar a ′ .

A. b ′   a ′ b ′ |a ′ . apropriado. então. de fato. encontramos |〈c ′ |b ′ | |〈b ′ |a ′ | 2 2 Agora precisamos somar sobre todos os estados b ′ para calcular a probabilidade total de ir através de todas as rotas possíveis b ′ ∑ |〈c ′ |b ′ | 2 |〈b ′ |a ′ | 2  ∑〈c ′ |b ′ 〈b ′ |a ′ 〈a ′ |b ′ 〈b ′ |c ′  b′ b′ (4. b ′   b A |a ′ .   Qual a probabilidade de obter |c ′ . O terceiro filtro C seleciona o estado |c ′  e rejeita os demais. Isto significa que observáveis incompatíveis não têm um conjunto completo de autokets simultâneos. b ′  não faz sentido para observáveis incompatíveis. Ou seja. Embora os operadores L x e L z não comutem. Observáveis Incompatíveis e SG Sequencial Considere um sequência de medidas seletivas mostrada na parte (a) da figura abaixo. como no caso anterior. o feixe deve passar pelo segundo filtro e pelo terceiro filtro. b ′   a ′ B |a ′ . repetimos o procedimento com todos os b ′ bloqueados. B ≠ 0.  O primeiro filtro A seleciona o estado |a ′  e rejeita os demais. b ′   0 ou. AB |a ′ . b ′  ′ ′ (4. O subespaço neste caso é unidemensional. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 32 . AB |a ′ . e assim Prof. com exceção do segundo. O segundo filtro B seleciona o estado |b ′  e rejeita os demais. b ′   BA |a ′ . Em geral. |a ′ . isto significa que primeiro registramos a probabilidade de obter c ′ com todos os b ′ bloqueados. Para demonstrar. os operadores correspondentes aos observáveis A e B não comutam entre si. Observáveis Incompatíveis Neste caso. vamos considerar que.44) vale para todos os elementos deste subespaço. b ′  BA |a ′ . quando o feixe saindo do primeiro filtro é normalizado à unidade? Para obtermos a medida |c ′ .44 o que significa AB − BA |a ′ . b ′   a ′ b |a ′ . A.4. b ′  Então. Logo. com exceção do primeiro. mesmo que A e B sejam incompatíveis. as medidas de A e B não se interferem. B  0 o que está em contradição com a hipótese de que os operadores são incompatíveis. Demonstração. ao contrário. Exemplo Momento angular orbital: Considere um estado l  0 (estado s). mais precisamente. O termo compatível é. este estado é um autoestado simultâneo de L x e L z (com autovalores nulos para ambos os operadores).Tendo ou não degenerescência. as probabilidades são multiplicativas. existe um conjunto completo de autokets simultêneos.46 Operacionalmente. Existe porém um exceção interessante: é o que acontece quando existe um subespaço do espaço ket tal que (1. Como neste caso.

no segundo.48). essa particularidade ilustrada é característica de observáveis incompatíveis. verificamos experimentalmente quais dos autovalores de B realmente materializaram-se. O valor esperado de ΔA 2 é conhecido como dispersão de A.sucessivamente. Veja a parte (b) da figura abaixo. Em que circustâncias as duas expressões são iguais? Pode-se mostrar que. mesmo que no final somemos sobre todos os b ′ . B  0 ou B. uma vez que em ambos os casos o feixe puro |a ′ . Claramente. Aqui está o coração da mecânica quântica. No final. saindo do primeiro filtro A pode ser considerado como composto dos autoestados de B. meramente imaginamos |a ′  ser construído dos vários |b ′  ′ s no sentido de (1. No primeiro caso. onde o valor esperado é tomado para um determinado estado físico em consideração. Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 33 . a probabilidade vale |〈c ′ | a ′ | . Comparação com o filtro B ausente. onde o filtro B foi retirado. que também pode ser escrita como 2 2 |〈c | a |   ′ ′ 2 ∑〈c b′ b′ b ′′ ′ |b 〈b |a  ′ ′ ′ ∑ ∑〈c ′ |b ′ 〈b ′ |a ′ 〈a ′ |b ′′ 〈b ′′ |c ′  | b'〉 B (a) C | c'〉 (4. isto é. somamos todas essas probabilidades. |a ′   ∑|b ′ 〈b ′ |a ′  b′ onde a soma é sobre todos os valores possíveis de b ′ . Em outras palavras. a condição suficiente é que A. medindo-se realmente as probabilidades através de todas as rotas dos vários b ′ faz toda a diferença. Relações de Incerteza Dado um observável A. isto é um resultado extraordinário. Uma vez que.47 | a'〉 A |a ′   ∑ |b ′ 〈b ′ |a ′  b′ | c'〉 C A (b) Observação Note que essas duas expressões são diferentes! Mas. O ponto crucial que deve ser notado é que o resultado que emerge do filtro C depende se a medida B foi ou não realizada. Em outras palavras. na ausência de degenerescência. definimos um operador ΔA como ΔA  A − 〈A. C  0.4.

a dispersão de S x pode ser calculada ΔS x  2 ≡ 〈S 2  − 〈S x  2  〈| S 2 | − 〈|S x | 2 x x onde. Assim. consideremos os seguintes lemas: Prof. 4 e 〈|S x | 2  〈|  |〈−|  |−〈| | 2   0 Logo. a dispersão ΔS z  2  0 para o estado S z . ou seja. para qualquer estado devemos ter a seguinte ΔA 2 ΔB 2 ≥ 1 |〈A. Por exemplo. Grosso modo. A ΔA 2  〈A 2  − 〈A 2  〈a ′ | A 2 |a ′  − 〈a ′ | A |a ′  2  a 2 〈a ′ |a ′  − a 2 〈a ′ |a ′  2  0.53 Para prová-la. 2  2  2 2 〈| |〈−|  |−〈| | 2 2 〈||〈−||  〈||−〈|| 2 Sejam os observáveis A e B. Quando o estado em questão é um autoestado de A. 〈| S 2 |  x  〈|  |〈−|  |−〈|  |〈−|  |−〈| | 2 2 2   〈| |〈−||〈−|  |〈−||−〈|  |−〈||〈−|  |−〈||−〈| | 2   2 2 〈||〈||  〈||−〈−|| 1 0  1 2. caracteriza “indefinição”. 4 desigualdade (4. x 4 Ao contrário. S z é preciso (dispersão nula). Então. enquanto que S x é impreciso. Às vezes. B| 2 . Relação de incerteza. os termos variância e desvio quadrático médio são também usados para a mesma quantidade. a dispersão de um observável. para o estado S z  de um sistema de spin ½. para o estado S z . ΔS x  2  〈S 2  − 〈S x  2  1  2 . a dispersão se anula quando tomada em relação ao autoestado do operador A. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 34 .ΔA 2  A − 〈A 2  A 2 − 2A〈A  〈A 2  〈A 2  − 2〈A 2  〈A 2  〈A 2  − 〈A 2 . Dispersão tomada para um autoestado de A. podemos definir dispersão de A como sendo 〈A 2  − 〈A 2 .

|  ΔB|  onde |  em branco. estamos prontos para provar a relação de incerteza (1. obtemos 〈|〈| ≥ |〈|| 2 → ΔA 2 onde usamos a hermiticidade dos operadores ΔA e ΔB. Ou seja. ΔB 2 2 onde o comutador ΔA. ΔB vale ΔA. Prova: Veja a prova do lema (2). 〈|  2 Re − 〈| 〈| 〈|  |〈|| 2 〈|  |〈|| 2  〈|〈| − 2|〈|| 2  |〈|| 2  〈|〈| − |〈|| 2 ≥ 0 que é a mesma relação da desigualdade de Schwartz. ΔB 2 ≥ |〈ΔAΔB| 2 Para calcular |〈ΔAΔB| 2 .Lema (1) Desigualdade de Schwartz 〈|〈| ≥ |〈|| 2 que é análoga a |a| 2 |b| 2 ≥ |a  b| 2 no espaço euclidiano. definido como C  −C  é imaginário puro. Esta desigualdade deve valer quando   −〈|/〈|. 〈|  〈|   ∗ 〈|  || 2 〈|  1  2 Re〈|  || 2 〈| ≥ 0 onde  é um número complexo.21). Cálculo do lado direito. Com esses lemas. Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 35 . enfatiza o fato de que as considerações aqui podem ser aplicadas a qualquer ket. ΔB  A − 〈A. Usando o Lema (1) com |  ΔA| . Logo. é anti-Hermitiano.53). Lema (2) O valor esperado de um operador Hermitiano é real. ou seja. ΔB  1 ΔA.3. B − 〈B  A − 〈AB − 〈B − B − 〈BA − 〈A  AB − A〈B − 〈AB  〈A〈B − BA  B〈A  〈BA − 〈B〈A  AB − BA  A. Prova: A prova já foi dada em (1. Lema (3) O valor esperado de um operador anti-Hermitiano.4. observe que ΔA ΔB  1 ΔA. Prova: Note que 〈|  〈|  ∗   |  | ≥ 0. B.

Representação. ou às vezes.4) Prof. ΔB  1 4 ΔA. ΔA 2 ou ΔA 2 ΔB 2 ≥ 1 4 ΔA. (5. da mesma forma que |S x . Por exemplo. representação diagonal de A. Mudança de base. Mas os dois conjuntos diferentes de kets de base descrevem o mesmo espaço de ket. e que o espaço ket em questão possa ser descrito pelo conjunto |a ′  ou pelo conjunto |b ′ . . se a base de autokets é dada por |a ′  é chamada de representação de A. Teorema Dado dois conjuntos de kets de base.  podem ser usado como base. Entende-se como operador unitário aquele que satisfaz as condições UU  1 assim como UU   1 Prova: Seja o operador U Aplicando em a l .1) ′ ∑ k b k 〈a k . Refere-se ao operador que conecta dois conjuntos ortornormais: a base ′ antiga |a  e a nova base |b . ΔB 2 2 2 ΔA. ΔB 2 imaginario puro 2 real onde usamos os Lemas (2) e (3). ΔB é obviamente Hermitiano. Como essas duas descrições estão relacionas? A mudança do conjunto de kets de base é referido como mudança de base ou mudança de representação. Assim. ou seja. ΔB ΔB 2 ≥ |〈ΔAΔB| 2 1. A e B. b 2   U a 2 . 〈ΔA ΔB  1 〈ΔA. … . B   AB  − BA   BA − AB  −AB − BA  −A. B Ao contrário. o anticomutator ΔA. existe um operador unitário U tal que b 1   U a 1 . o lado direito torn-se |〈ΔAΔB| 2  1 4 Então.ΔA. Exemplo Sistema de spin ½: |S z . Refere-se à base na qual os autokets de base são dados. (5. Portanto.3) (5.5 Mudança de Base Operador de Transformação Considere dois observáveis incompatíveis.2) (5. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 36 . uma vez que a matriz quadrada correspondente a A é diagonal nesta base. ΔB  1 〈ΔA. b N   U a N . ΔB   A. ambos satisfazendo ortonormalidade e completeza. Operador de transformação.

z ′ . l Como obter os coeficientes de expansão 〈b ′ | na nova base? Multiplicando a expansão por 〈b k |. Em outras palavras. ̂ ̂ z  z′ A matriz quadrada 〈a k |U |a l é chamada de matriz de transformação da base Coeficiente de expansão. ŷ ′ . cujos coeficientes 〈a ′ | são conhecidos na base |  antiga. pode ser escrita como ̂ ̂ ̂ ̂ ̂ x  x′ x  ŷ′ x  z′ R ̂ ̂ ŷ  x′ ŷ  ŷ′ ŷ  z′ ̂ ̂ ̂ z  x′ z  ŷ ′ . ŷ.U a l     ∑ k b k 〈a k a l  ∑ k b k 〈a k a l  b k   kl (5.5) ∑ k  b l como queríamos. os elementos de matriz da matriz U são os produtos internos entre os bras da base antiga ̂ ̂ ̂ ̂ e os kets da nova base. l (5. aplicando-se a matriz quadrada U  sobre a matriz-coluna de | na base antiga: (Nova)  U Elementos de matriz nas duas bases. encontramos 〈b k |   ∑ 〈b k |a l 〈a l | l ∑ 〈b k |U  |a l 〈a l |. 〈a k |U |a l  〈a k |b l .5. Lembre-se que a matriz rotação que muda de uma base x.  Matriz de Transformação Representação do operador U na base antiga |a ′  . De acordo com (1. esta equação nos diz que a matriz-coluna de | na nova base pode ser obtida.10 Em notação matricial. |a ′  para a base |b ′  . ∑ |a l 〈a l |. UU   ∑∑ k l a l  〈b l b k  〈a k  lk ∑ k a k 〈a k  1. onde usamos a ortonormalidade de |b ′ .5). z  para x ′ . Dado um ket arbitrário |. Agora vamos mostrar que U é unitário.  (antiga) Seja Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 37 .

Ou seja. Prof. ∑ 〈a ′ | X |a ′ a′     ∑ ∑∑ a′ b′ b ′′ 〈a ′ | b ′ 〈b ′ | X |b ′′ 〈b ′′ |a ′  〈b ′ | X |b ′′ 〈b ′′ |a ′ 〈a ′ | b ′  ∑ ∑∑ a′ b′ b ′′ ∑∑ b′ b ′′ 〈b ′ | X |b ′′  〈b ′′ | b ′   b ′ b ′′ ∑ b′ 〈b ′ | X |b ′ . em álgebra matricial.19 (5.〈b k | X |b l   ∑ ∑〈b k | a m 〈a m | X |a n 〈a n |b l m n ∑ ∑ 〈a k | U  |a m 〈a m | X |a n  〈a n | U |a l  m n conhecida como transformação de similaridade. N (dimensionalidade do espaço). com a propriedade B |b ′   b ′ |b ′ . podemos reescrever esta equação em notação matricial.13 É a soma dos elementos da diagonal trX  ∑ 〈a ′ | X |a ′ a′ O traço de um operador não depende da base. … . Soluções não triviais para C l são possíveis somente se a k equação característica. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 38    C l 1 C l 2   b l C l 1 C l 2  (5. j.18 Quando | b ′  corresponder ao l-ésimo autoket do operador B. Vamos reescrever esta equação como ∑〈a ′′ |B |a ′ 〈a ′ |b ′   b ′ 〈a ′′ | b ′  a′ (5.  (5. como segue: B 11 B 12 B 13  B 21 B 22 B 23   com B ij  〈a i |B |a j  C l k  〈a k |b l  com i. Da definição de trX. podemos mostrar que esta função independe da base em que o operador é representado. k  1. Pode-se mostrar que trXY  trYX trU  XU  trX tr|a ′ 〈a ′′ |   a ′ a ′′ tr|b ′ 〈a ′ |  〈a ′ |b ′  Diagonalização. X′  U X U Traço de um operador X. 2.20 (5.20 . Outras relações envolvendo o traço. detB − 1   0. Estamos interessados nos autovalores b ′ e os autokets |b ′ .

Observáveis Equivalentes Considere o seguinte teorema sobre transformação unitária Teorema Considere novamente dois conjuntos de bases ortonormais. a resposta sim é muito frequente. Seja a equação de autovalores para o caso do espectro contínuo: Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 39 . No Capítulo 2 serão encontrados autokets de um operador não-Hermitiano em conexão com os estados coerentes de um oscilador harmônico simples. Seja | b l  e.for satisfeita.5. Ele nos diz que os kets | b l  ’s são autokets de UAU −1 com exatamente os mesmos autovalores de A.7) vê-se que os C k ’s são justamente os elementos da matriz unitária envolvida na mudança de base |a ′  → |b ′ . Momento e Translação Espectro contínuo Observáveis com autovalores contínuos: qualquer valor real entre −  e  .6 Posição. Comparando com (1.25) Este resultado aparentemente simples é muito profundo. embora sabendo que eles não formam um conjunto completo ortonormal.4). por exemplo.5.5. A equação de autovalores para A A|a l   a l | a l . como será mostrado no Capítulo 3. Comparando (1. observáveis equivalentes têm espectros idênticos. A questão fundamental é: Os operadores B e UAU −1 são os mesmos? Nos casos de interesse físico.  Esta equação é de N-ésima ordem em  e as N raizes obtidas são identificadas com os b l ’s que queremos determinar. No caso do operador S  não-Hermitiano. UAU −1 . a questão da hermiticidade do operador B é importante. que são relacionados por uma rotação em torno do eixo y. 1. Para o procedimento de diagonalização via matriz unitária. Conhecendo os b l ’s podemos resolver para os correspondentes C k ’s a menos de uma constante que é determinada pela condição de normalização. B | b l   b l | b l .20-b) com (1.25). l l    Exemplo (5. o que implica claramente em UAU −1 U |a l   a l U | a l Mas isto pode ser reescrito como UAU −1  |b l   a l | b l . que é dada por S ≗  0 1 0 0 . (5.5. Em outras palavras. podemos construir uma transformação unitária de A. Conhecendo U.22) não pode ser diagonalizada via matriz unitária. S x e S z . sua representação matricial na base de S z . então A e UAU −1 são denominados de observáveis equivalentes por transformação unitária. Tome. por definição. infere-se que B e UAU −1 são simultaneamente diagonlizáveis. |a ′  e |b ′  conectados pelo operador U (1.

 ij . Após o clique do detector. Não se deve confundir: x ′ é um número enquanto que x é um operador. vamos substituir o símbolo de Kronecker. em torno de x ′ . Ou seja. x ′ − Δ/2.1) → → → → ′ ′′ Contínuo 〈 |    ′ −  ′′  ∑ |a ′ 〈a ′ |  1 a′  d ′ | ′ 〈 ′ |  1 |   d ′ | ′ 〈 ′ | |  ∑ |a ′ 〈a ′ | a′ ∑ |〈a ′ || 2  1 a′ a′ →  d ′ |〈 ′ || 2  1 〈|   d ′ 〈| ′ 〈 ′ | 〈 ′′ |  | ′    ′  ′′ −  ′  〈|  ∑ 〈|a ′ 〈a ′ | → 〈a ′′ | A |a ′   a ′  a ′ a ′′ → Autokets da Posição e Medidas da Posição Como foi enfatizado na Seç. a probabilidade para que o detector clique é dada por 2 |〈x ′ || dx ′ onde escrevemos dx ′ para Δ. quando sujeito a aparelho de SG do tipo S z . O ket |  ′  é o autoket do operador  com autovalor  ′ . O detector na prática. | x ′  da mesma maneira como um estado arbitrário de spin salta para o estado S z  ou S z − . | ′   ′ | ′  onde  é um operador e  ′ é um número. Imediatamente após o detector clicar.4. Analogia com o espectro discreto. Expansão de um estado arbitrário. Discreto 〈a |a    a ′ a ′′ ′ ′′ (6. ou seja. Esta expressão é análoga |〈a ′ || 2 para a probabilidade de | ser Mecânica Quântica A 40 Prof. |  “salta” abruptamente para o autoestado Experimento. podemos dizer que o estado em questão é representado por | x ′ .64 Suponha um detector muito pequeno que clica somente quando a partícula está exatamente na posição x ′ .5) Admitindo que 〈x ′′ | não varie apreciavelmente dentro do estreito intervalo Δ. e a soma sobre autovalores discretos a ′  por uma integral sobre a variável contínua . medida em MQ é essencialmente um processo de filtragem. O ket | para um estado físico arbitrário pode ser expandido em termos |  dos  | x ′ :  − dx ′ | x ′ 〈x ′ |  (1. Seguindo uma analogia com o caso discreto. Δ. pela função delta de Dirac.  −  ′ . x ′  Δ/2 . quando o detector clica. Os autokets | x ′  do operador posição x satisfazem x | x′   x′ | x′  e formam um conjunto completo (postulado). Operador posição em uma dimensão. 1. o estado ket muda abruptamente como segue: medida |   − dx ′′  |x ′′ 〈x ′′ |  x −Δ/2 dx ′′ ′ x ′ Δ/2 |x ′′ 〈x ′′ | (6. O melhor que o detector pode fazer na prática é localizar a partícula dentro de um pequeno intervalo. Abraham Moysés Cohen . Em outras palavras.

Ou seja |x ′  ≡ |x ′ . T dx ′  sobre um estado |. x i . o estado ket para uma partícula pode ser expandido em termos dos |x ′ . por exemplo). mantendo inalteradas as demais propriedades do sistema (spin. y ′ e z ′ . Desprezando-se os graus de liberdade internos (tais como spin). respectivamente. em MQ não-relativística. y e z. Esta propriedade é imposta pela conservação de probabilidade. também bem localizado em torno x ′  dx ′ .  A quantidade 〈x ′ | é a função de onda para um estado representado por |. Logo. Translação É a operação que muda um estado bem localizado em torno de x ′ para um outro. Não são autokets. z ′ . x 2 e x 3 representa x. ou seja |      d 3 x ′ |x ′ 〈x ′ | onde x ′ representa x ′ .encontrado num autoestado |a ′  quando o observável A é medido. Propriedades que devem ter o operador translação. y ′ . conhecida como translação infinitesimal.  (1) Unitariedade. T dx ′ |  T dx ′   d 3 x ′ |x ′ 〈x ′ |   d 3 x ′ |x ′  dx ′ 〈x ′ | O lado direito também pode ser escrito como  d 3 x ′ |x ′  dx ′ 〈x ′ |   d 3 x ′ |x ′ 〈x ′ − dx ′ | Isto mostra que a função de onda de um estado transladado Tdx ′ | é obtida substituindo-se em 〈x ′ |. A probabilidade de encontrar a partícular em algum lugar entre − e  é dada por  − dx ′ |〈x ′ || 2 que é normalizada a um se | for normalizado: 〈|  1  Observações:    − dx ′ 〈|x ′ 〈x ′ |  1.12 onde um possível fator de fase foi tomado igual a um por convenção. T dx ′   |x ′  dx ′  é definido como (6. Se um ket | é normalizado Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 41 . Admite-se que. Os autokets da posição pode ser extendido para três dimensões: |x ′ . x j   0 onde x 1 . |x ′  é um autoket simultâneo dos observáveis x. Expande-se | em termos dos |x ′  e aplica-se o operador translação. em outras palavras. x ′ → x ′ − dx ′ . os autokets |x ′  formam um conjunto completo. Vamos relacionar algumas propriedades do operador translação infinitesimal. z|x ′   z ′ |x ′  existe um autoket simultâneo para as três componentes do vetor posição → podemos medí-las simultaneamente.  y|x ′   y ′ |x ′ . Efeito de Os |x ′  não são um autokets do operador translação infinitesimal T dx ′ . y e z ′ . O operador T que realiza essa translação. x|x ′   x ′ |x ′ . Translação infinitesimal. | → Ou seja.

primeiro por dx ′ e em seguida por dx ′′ . dx ′ T dx ′   1. vamos exigir que T dx ′′ T dx ′   T dx ′  dx ′′ . Isto é. então todas as propriedades listadas acima são satisfeitas. Relação fundamental entre os operadores K e x. Operador translação. K x . Se dx ′ → 0. K y e K z são operadores Hermitianos. 〈|  〈|T dx ′ T dx ′  Esta condição é garantida. Este caso pode ser facilmente mostrado T −1 dx ′   1 1 − iK  dx ′  1  iK  dx ′  O dx ′  2 ≃ 1  iK  dx ′  T −dx ′  Sejam as seguintes expressões: (4) É facilmente verificado. também será normalizado à unidade. lim T dx ′   1. não necessariamente na mesma direção. ou seja. Esperamos que essa translação seja o mesmo que o inverso da translação original. De fato.20 onde K. (3) Translação em direção oposta. ou seja. espera-se que o resultado total possa ser descrito por uma única translação equivalente ao vetor soma dx ′  dx ′′ . exigindo-se que a translação infinitesimal seja unitária. Considere um translação em direção oposta a dx ′ . esperamos que a operação de translação reduza-se à operação identidade. Aplicando-se duas translações sucessivas. Prof.T dx ′ |. −1 T −dx ′ . Escolhendo-se o operador translação na forma  1 − iK  d x ′ (6. dx ′ →0 dx ′ .à unidade. Assim. veremos  (1) Unitariedade. onde o termo de segunda ordem é desprezível para uma translação infinitesimal.   T (2) Translações sucessivas. Ou seja. T −dx ′   T (4) Translação dx ′ → 0. T dx ′′ T dx ′   1 − iK  dx ′′  1 − iK  dx ′  ≃ 1 − iK  dx ′′  dx ′   (3) Translação inversa. (2) Translações sucessivas. o ket transladado. e que a diferença entre T dx ′  e o operador identidade seja de primeira ordem em dx ′ . Ou seja. Da mesma forma. Seja T  dx ′ T dx ′   1 − iK  dx ′   1 − iK  dx ′   1  iK   dx ′ 1 − iK  dx ′   1 − iK − K    dx ′  O dx ′  2 ≃ 1. T dx ′  dx ′′ . Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 42 .

e z e pz são observáveis incompatíveis. Ou seja. Então x. Kz. x. Heisenberg: Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 43 . autokets simultâneos de x e p x y e p y . T dx ′  |x ′   x ′ dx ′  |x ′ dx ′  − x ′ |x ′ dx ′   dx ′ |x ′ dx ′  ≃ dx ′ |x ′ .27) representa as relações de comutação entre os operadores posição. vamos formar o produto escalar com x i . j  1.33 y e py. 1. T dx ′   dx ′ que pode ser rescrito como x 1 − iK  dx ′  − 1 − iK  dx ′  x  dx ′ ou ainda. a equação acima deve valer como uma identidade de operadores. Como |x ′  formam um conjunto completo de funções.27) tornam-se agora x i . Qual o significado físico que podemos atribuir a K? O operador K está relacionado com o momento linear em MQ. p j   i ij  (6. obtém-se a relação de incerteza de W. z. e os operadores K.27 Momento como um Gerador de Translação A Eq. x e p y ) são observáveis compatíveis. enquanto que os demais (por exemplo.xT dx ′ |x ′   x |x ′ dx ′   x ′ dx ′  |x ′ dx ′  e T dx ′  x |x ′   x ′ T dx ′  |x ′   x ′ |x ′ dx ′ . 3 representam as componentes x.4. e z e p z . (6. K j   i ij onde i. É portanto impossíveis encontrar Relação de incerteza posição-momento. ̂ ̂ ̂ − i x K  x j dx ′  iK  x j dx ′ x  x j dx ′ ̂ − i x K j dx ′  iK j dx ′ x  x j dx ′ ̂ ̂ ̂ ̂ x  xi Kj − Kj x  xi  i xj xi ̂  x i i x i K j − K j x i  i ij Ou seja. y.32 (6. − i x K  d x ′  iK  d x ′ x  d x ′ ̂ ̂ Supondo que dx ′ esteja na direção de x j .33) implicam que os pares x e p x . Com esta identificação o operador translação torna-se T dx ′   1 − ip  dx ′ / E as relações de comutação (6. x i . Ky. Estas relações de comutação (6. Kx. (6. e z dos operadores. 2. x. y. Aplicando o formalismo da Seç. onde o erro em tomar |x ′ dx ′  → |x ′  é da segunda ordem em dx ′ .

37 Uma propriedade fundamental das translações é que translações sucessivas em diferentes direções (x e y. Matematicamente. Podemos tratar esse deslocamento finito. tem-se (6. figura). e. encontra-se ̂ T Δx ′ x   lim N→ 1− ip x dx ′  N N 1− ip x Δx ′ N  exp − ip x Δx ′  (6. De uma maneira geral. ̂ ̂ T Δx ′ x |x ′   |x ′  Δx ′ x . por exemplo) comutam entre si. encontra-se: ̂ ̂ ̂ ̂ ̂ ̂ ̂ T Δx ′ x   T dx ′ x dx ′ x   dx ′ x  T dx ′ x   T dx ′ x     T dx ′ x  N vezes Mas. Translações em diferentes direções. não interessa se vamos via C ou via D. T Δy ′ y T Δx ′ x   T Δx ′ x Δy ′ y  T Δx ′ x T Δy ′ y   T Δx ′ x Δy ′ y  de onde se obtém T Δy ′ y . ̂ ̂ ̂ T dx ′ x   T dx ′ x     T dx ′ x   N 1− ̂ ip  xdx ′   1− N ̂ ip  xdx ′   Como dx ′  Δx ′ /N.40 Mecânica Quântica A . para N → . Geometricamente. isto pode ser visto na figura abaixo: ao nos deslocarmos de A para B.34 Translação Finita ̂ Seja uma translação por uma quantidade finita Δx ′ na direção do eixo x. para 2 eX  1  X  X   2! qualquer operador X.36 CUIDADO: Aqui exp − ip x Δx ′  deve ser entendido com uma função do operador p x .Δx 2 Δp x  2 ≥  2 /4. ou seja. 44 (6. N → ∞ Δx' Dividindo o deslocamento original Δx ′ em N deslocamentos dx ′ e no final tomando o limite em que N → . dx' = Δx'/N. T Δx ′ x  Prof. Abraham Moysés Cohen  0. Δx ′ x. Logo. como uma sucessão de deslocamentos infinitesimais (v. O resultado final é o mesmo. (6.

Como são compatíveis. devido à relação de comutação Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 45 . ainda mais geral p i .42) implicam em p x .41 (6. exp − ip x Δx ′  p 2 Δy ′  2 ip y Δy ′ y −  . O grupo de translações em três dimensões é abeliano. será mostrado no Capítulo 3 que rotações em torno de diferentes eixos não comutam entre si. p y   0 ou.40). como já haviamos antecipado.   p 2 Δx ′  2 ip x Δx ′ − x    ≃− Δx ′ Δy ′  py. ou seja. T Δy ′ y . 2 Como Δx ′ e Δy ′ são deslocamentos arbitrários e usando (6. diferentemente de |x ′  (que mostramos não ser um autoket). Toda vez que os geradores de transformações (no caso aqui são translações) comutam o grupo correspondente é dito ser abeliano. Os observáveis p x .D B Δy' y A Δx' x C Translações sucessivas em diferentes Este ponto não é assim tão trivial quanto possa parecer. Translação sobre |p ′ . ip ′  d x ′  |p ′  Ou seja Tdx ′  |p ′   1− |p ′   1− Observe que. Autoket simultâneo. Tratando Δx ′ e Δy ′ até a segunda ordem. |p ′ . p j   0. px . p y |p ′   p ′y |p ′ . encontra-se (6. p y e p z são compatíveis. Vamos aplicar o operador de translação ip  d x ′  Tdx ′  sobre o autoket dos momentos. encontramos T Δy ′ y . podemos imaginar um autoket simultâneo. p y e p z serem observáveis mutuamente compatíveis. p x |p ′   p ′x |p ′ .42 Estas relações de comutação são consequência direta do fato de que translações em diferentes direções comutam entre si. |p ′  ≡ |p ′x . As relações de comutação (6. T Δx ′ x   0. p ′z . T Δx ′ x    exp − 1− 1− ip y Δy ′  . isto imediatamente p x . p z |p ′   p ′z |p ′ . p ′y . os estados |p ′  são autoestados (autokets) de Tdx ′ .

BC  A.46 Estas relações formam a base da mecânica quântica. observou que as várias relações na mecânica quântica podem ser obtidas das correspondentes relações na mecânica clássica. x i . em mecânica clássica temos x i . Bq. B  0.p. p clássico ≡ Por exemplo.48 A. C. p j   i ij (6. (identidade de Jacobi) 1. BC  BA. . Tdx ′   0.6. p. As Relações de Comutação Canônicas Resumo das relações inferidas do estudo das propriedades de translação: x i . A  C. substituindo os colchetes de Poisson (da mecânica clássica) pelas relações de comutação. quanto as relações de comutação satisfazem propriedades algébricas similares.46). Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 46 . reconheceram que as regras de multiplicação de Heisenberg eram essencialmente aquelas da álgebra matricial e a teoria foi desenvolvida baseada no análogo de matriz da Eq. Tanto os colchetes de Poisson. B  −B. (c é um número) A  B. Não esperamos autovalores reais porque Tdx ′ . A  0 A. clássico → . p j   0. (1) Dirac. como Aq. São conhecidas como relações de comutação canônicas ou relações de comutação fundamentais. seriam melhor entendidas se fossem associadas a um arranjo de números obedecendo certas regras de multiplicação com essas frequências. i ∂A ∂B − ∂A ∂B ∂p s ∂q s ∂q s ∂p s (6. c  0. p i . Prof. Por exemplo. que é agora conhecido com mecânica matricial. x j   0. Imediatamente depois. A. C  A. (3) ∑ s (6. Observações Históricas Historicamente foi Heisemberg quem mostrou em 1925 que as regras de combinações para linhas de transições atômicas. não é um operador Hermitiano.47 onde os colchetes de Poisson são definidos para funções de q e p.47) obtém-se (1. ou seja. p j  clássico   ij que. C A.6.7 Funções de Onda nos Espaços da Posição e do Momento. conhecidas naquele tempo. também em 1925. C  B. usando (6. (1. B. Seja x |x ′   x ′ |x ′  Função de Onda no Espaço da Posição Caso unidimensional. (2) . Born e Jordan. C A.33) em mecânica quântica. embora unitário. Note também que os autovalores de Tdx ′  são complexos. C  B. A A.

x ′ e x ′′ . Vamos examinar como 〈| A | pode ser escrito. Mualtiplicando essa equação pelo autobra 〈x ′ | pelo lado esquerdo. A identificação de 〈| com a integral de overlap segue do postulado de completeza para |x ′ . por exemplo. Operador é função da posição. Função de onda. que Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 47 . para calcularmos 〈| A | devemos conhecer os elementos de matriz 〈x ′ | A |x ′′  que em geral é uma função de duas variáveis.e normalizada de tal maneira que a relação de ortogonalidade torna-e 〈x ′′ |x ′   x ′′ − x ′ .10 Logo. Seja o produto interno 〈|. Neste formalismo. Agora vamos interpretar a expansão |  ∑ |a ′ 〈a ′ | a′ usando a linguagem de função de onda. independente das representações. é que esse produto representa a amplitude de probabilidade para o estado | ser encontrado no estado |. Ou seja. 〈x ′ |    x ′  Interpretações usando o formalismo de Dirac Produto interno. Expansão.10). usando as funções de onda para | e 〈| A |   |. A  x2 Suponha. Um ket | representando um estado físico pode ser expandido em termos de |x ′ . podemos simplificar (7. Usando a completeza de |x ′  obtém-se 〈|   dx ′ 〈|x ′ 〈x ′ |   dx ′  ∗ x ′   x ′   tal que 〈| caracteriza a integral de recobrimento (overlap) entre as duas funções de onda. encontra-se 〈x ′ |  ∑ 〈x ′ |a ′ 〈a ′ | a′ Na notação usual da mecânica quântica isto é reconhecido como   x ′   ∑ c a u a x ′  ′ ′ a′ onde introduzimos uma autofunção do operador A com autovalor a ′ : u a ′ x ′   〈x ′ |a ′  Elementos de matriz.  dx ′  dx ′′ 〈|x ′ 〈x ′ | A |x ′′ 〈x ′′ |  dx ′  dx ′′  ∗ x ′  〈x ′ | A |x ′′    x ′′   (7. A interpretação mais geral de 〈|. Expansão  função de onda. Assim. o produto interno 〈x ′ | é o que usualmente se conhece como função de onda   x ′  para o estado |. Quando o operador A é função da posição. O coeficiente de expansão 〈x ′ | é interpretado de tal maneira que 2 |〈x ′ || dx ′ nos fornece a probabilidade da partícula ser encontrada num pequeno intervalo dx ′ em torno de x ′ . |   dx ′ |x ′ 〈x ′ | Coeficiente de expansão.

〈x ′ | p |  −i ∂ ′ 〈x ′ | ∂x onde usamos a ortogonalidade dos estados |x ′ . Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 48 . (7. momento é o gerador de translações infinitesimais. na última passagem. tomando ipΔx ′  isto como ponto de partida 1− |     dx ′ T Δx ′ |x ′ 〈x ′ |  dx ′ |x ′  Δx ′ 〈x ′ |  dx ′ |x ′ 〈x ′ − Δx ′ |  dx ′ |x ′  〈x ′ | − Δx ′ ∂ ′ 〈x ′ | ∂x (7. se A  fx. Por definição.10) 〈| x 2 |   que ficou reduzida a uma única integral. obtém-se 〈x ′ | p |x ′′   −i ∂ ′ 〈x ′ |x ′′   −i ∂ ′ x ′ − x ′′  ∂x ∂x De (7.que realmente aparece no hamiltoniano do oscilador harmônico simples (Capítulo 2). encontra-se p|   dx ′ |x ′  −i ∂ ′ 〈x ′ | ∂x (7.15 onde. De uma maneira geral.15).16).14 Operador Momento na Base da Posição Operador momento na base x. obtém-se uma identidade muito importante: Prof.17 Para os elementos de matriz do momento na representação x. Elementos de matriz do momento.16 Multiplicando ambos os membros por 〈x ′′ | encontra-se 〈x ′′ |p|  −i ∂ ′ 〈x ′ | ∂x ′ ′′ ′   dx x − x  −i ∂ ′ 〈x ′ | ∂x ∂ 〈x ′′ |  −i ′′ ∂x  dx ′ 〈x ′′ |x ′  ou seja. então: 〈| fx |   operador  x ′′  2 〈x ′ |x ′′   x ′2 x ′ − x ′′   dx ′  dx ′′  ∗ x ′  x ′2 x ′ − x ′′    x ′′    dx ′  ∗ x ′  x ′2   x ′′    dx ′  ∗ x ′   fx ′   não é operador   x ′′  (7. Temos 〈x ′ | A |x ′′  ≡ 〈x ′ | x 2 |x ′′   〈x ′ |  x 2 |x ′′   〈x ′ |  x ′′  2 |x ′′  Substituindo em (7. usamos a expansão de Taylor para 〈x ′ − Δx ′ | ≃ 〈x ′ | − Δx ′ ∂ ′ 〈x ′ | ∂x Comparando ambos os membro (7.

podemos também obter: n 〈x ′ | p n |  −i ∂ ′n 〈x ′ | ∂x 〈| p n |  ∂  dx ′  ∗ x ′ −i n ∂x ′n   x ′   n Funções de Onda no Espaço dos Momentos Caso unidimensional Especificação da base p. Espectro contínuo. O coeficiente 〈p ′ | é interpretado em termos probabilísticos. que é uma função de x ′ e p ′ . havia uma matriz de transformação que operava uma mudança de base de um conjunto antigo |a ′  para um novo conjunto |b ′ . (7. ela foi derivada usando as propriedades básicas do momento. a Eq.〈| p |  −i ∂ ′ 〈x ′ | ∂x   dx ′  ∗ x ′  −i ∂ ′   x ′   ∂x  dx ′ 〈|x ′  (7.17). É costume chamar 〈p ′ | a função de onda no espaço dos momentos. a probabilidade de que uma medida de p resulte no autovalor p ′ dentro do pequeno intervalo dp ′ é |〈p ′ || 2 dp ′ . Da mesma forma que para o espectro discreto. Sejam os autokets na base p p |p ′   p ′ |p ′  e 〈p ′ |p ′′   p ′ − p ′′  Expansão na base p.19 Neste formalismo. A notação usada é  a p ′ : 〈p ′ |   a p ′  Se | for normalizado. Tais informações estão contidas em 〈x ′ |p ′ . Isto é. Aplicando repetidamente (7. pelo contrário. Um estado arbitrário | pode ser expandido |   dp ′ |p ′ 〈p ′ | Coeficiente de expansão. obtém-se 〈|     dp ′ 〈|p ′ 〈p ′ |  dp ′  ∗ p ′   a p ′  a  dp ′  a p ′  2 1 Conexão entre as representações x e p Para espectro discreto.17) com | → |p ′ : 〈x ′ | p |p ′   −i ∂ ′ 〈x ′ |p ′  ∂x ou p ′ 〈x ′ |p ′   −i ∂ ′ 〈x ′ |p ′  ∂x Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 49 . espera-se que haja uma tal transformação. Espectro discreto. Para derivarmos a forma explícita de 〈x ′ |p ′ . Forma explícita de 〈x ′ |p ′ . usualmente chamada de função de transformação da representação x para a representação p. vamos usar (7.19) não é um postulado.

escolhemos N real e positivo. Portanto. Reescrevendo na forma ′ ∂ 〈x ′ |p ′   ip 1 ′ ′  〈x |p  ∂x ′ encontra-se como solução 〈x ′ |p ′   N exp onde N é uma constante de normalização a ser determinada. Seja  dp ′ 〈x ′ |p ′ 〈p ′ |  dx ′ 〈p ′ |x ′ 〈x ′ |  dp ′ exp  dx ′ exp − ip ′ x ′  ip ′ x ′   a p ′  reescrevendo como   x ′   e  a p ′   1 2   x ′  1 2 (7. vamos primeiro considerar a 〈x ′ |x ′′   relação  dp ′ 〈x ′ |p ′ 〈p ′ |x ′′  O lado esquerdo é uma delta de Dirac (ortogonalidade) e o lado direito pode ser calculado com a forma explícita de 〈x ′ |p ′  (onda plana). x ′ e p ′ . ipx ′  (7. Vamos ver como as funções de onda nesses dois espaços estão 〈x ′ |  〈p ′ |  relacionadas. por convenção. é a função de onda para o autoestado do momento |p ′ .34 Este par de equações é justamente o que se espera do teorema de inversão de Fourier.que é uma equação diferencial para 〈x ′ |p ′ . (7.34 (7. Assim. Ou seja x ′ − x ′′   |N| 2  dp ′ exp ip ′ x ′ − x ′′   2x ′ −x ′′  Logo. ′ ′ 1 exp ip x  2 1 2 . Constante de normalização N. x ′ − x ′′   2|N| 2 x ′ − x ′′  e daí 2|N| 2  1 → N  onde.29) diz que a função de onda de um autoestado do momento é uma onda plana.29 Para se obter a constante de normalização N. É engraçado que se tenha obtido esta solução de onda plana sem resolver a equação de Schrödinger (que ainda nem escrevemos). Ela pode ser visto como uma amplitude de probabilidade para o autoestado de momento p ′ ser encontrado na posição x ′ . Prof. às vezes referida como autofunção do momento (ainda no espaço x. podemos temporariamente considerá-la como uma função de x ′ para valores fixos de p ′ . 〈x ′ |p ′   Espaço da posição  espaço do momento. em outras palavras. Observação Embora a função de transformação 〈x ′ |p ′  seja uma função de duas variáveis. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 50 .

A probabilidade de observar a partícula anula rapidamente para x ′  d. a densidade de probabilidade vale Probabilidade.35 e 2d2  gaussiana − x ′2 vemos que é uma onda plana expikx ′  com vetor de onda k modulada por perfil gaussiano centrado na origem. Mas especificamente. Capítulo 1 Conceitos Fundamentais 51 . x 2 . 〈x ′ |  1  1/4 d e ikx   onda plana ′ 1  1/4 d ′2 exp ikx ′ − x 2 2d (7. 2 |〈x ′ ||  1 d e − x2 d ′2 que tem a forma gaussianacom largura d (v. representado por um pacote de onda gaussiano . figura abaixo). 2 que nos leva a 2 Δx 2  〈x 2  − 〈x 2  d 2 para a dispersão do operador posição. d Densidade de probabilidade |〈x ′ || 2 Valores esperados de x. Seja 〈x 2      − dx ′  − dx ′ 1 d    | x ′ x ′2 x ′ |  x ′2 x′ |   2  − dx ′ x ′2 exp − x 2 d ′2 2  d . considerando um exemplo físico.Pacotes de Onda Gaussiana Vamos ilustrar o formalismo básico aqui desenvolvido. p e p 2 Valor esperado de x. cuja função de onda no espaço x é dada por 〈x ′ |  Expandindo esta função. Seja 〈x   − dx ′   | x′ x′ x′ |    − dx ′  x′ |  2 x′  0 por simetria. Valor esperado de x 2 .

Valor esperado de p. completamos os quadrados. Por esta razão. esta dispersão vale 2 Δp 2  〈p 2  − 〈p 2   2 2d Relação de incerteza de Heisenberg.33b) .34). Substituindo as dispersões na equação (1. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A . tal que para o pacote gaussiano obtém-se uma relação de igualdade ao invés da desigualdade que é a relação mais geral. 2d Dispersão do momento. o pacote gaussiano é conhecido como o pacote de onda de incerteza mínima.6. A integral resultante vale  − dx exp ′  − ′ x ′  ip − kd 2d 2 2  2 d 52 Prof.7.32) e (1. Substituindo (1.35) em (1. o produto de incerteza Δx 2 2 2 2 Δp 2  d  2   2 2d 4 é dado por que é independente de d. Neste caso.7. encontramos 〈p ′ |        − dx ′ 1  p ′ | x ′ 〈x ′ |  1/4 d 1  1/4  − dx ′ 1 2 1  1/4 d 1  1/4 d 1  1/4 d  ′2 p ′ | x ′ exp ikx ′ − x 2 2d d  − dx ′ exp  − dx ′ exp  − dx ′ exp  − dx exp ′     − − − − ip ′ x ′  ′2 exp ikx ′ − x 2 2d 1 2 1 2 1 2  exp − ′2 ip ′ x ′  ikx ′ − x 2  2d ′ ′ x ′2  ip − kx 2  2d ′ x ′  ip − kd 2d 2 2 p ′ − k 2 d 2 2 2 onde na última passagem. Seja 〈p   | p |        ik  − dx ′ −i   | x′ 1  1/4 d x′ |  2 − i ∂ ′ x ′ |  ∂x ∂ exp ikx ′ − x ′2 ∂x ′ 2d 2  − dx ′  − dx ′ 1 d 1 d    | x′ ′ ik − x2 d  − dx ′ ikd    ′ ik − x2 d e − x2 d ′2 Valor esperado de p 2 . 2 〈p 2    2   2 k 2 .7. obtém-se repetindo o processo anterior. Espaço dos momentos Função de onda. Usando os resultados anteriores.

Generalização a Três Dimensões Autokets da posição.42 Esta função de onda no espaço dos momentos fornece um método alternativo para obter 〈p e 〈p 2 . baseado na existência do autoket posição x ′ . em p ′  k. Mesmo aqueles autoestados de momento cujos momentos são comparáveis ou excedem mc devem ser incluídos na superposição. A despeito desta limitação.Logo. estreita ela é no espaço p e vice-versa (v. Casos extremos d →  e d → 0. temos. Funções localizadas no espaço x.41). tem um amplo domínio de aplicabilidade. com a probabilidade de encontrar a partícula em qualquer ponto x ′ sendo uma constante independente da posição.35) torna-se uma onda plana extendida em todo espaço. da mesma forma que a probabilidade de encontrar a partícula na posição x ′ é uma gaussiana (no espaço das posições) centrada em zero. Para d → 0. Para o momento. para tais valores altos do momento. corresponde a uma superposição de autoestados do momento com todos os valores possíveis dos momentos. Vamos considerar este caso extremo em que a largura da gaussiana no espaço x vale d → . A função de onda (7. Ambos os kets obedecem as condições de normalização Conceitos Fundamentais 53 Capítulo 1 . Porém. p |p ′   p ′ |p ′  Normalização. a descrição baseada na mecânica quântica não-relativística é limitada. ocorre exatamente o contrário: no espaço das coordenadas a função torna-se localizada (delta) enquanto que no espaço dos momentos a função de onda (7. nosso formalismo. Devem satisfazer x |x ′   x ′ |x ′  Autokets do momento. Além disso. figura abaixo). o que representa uma outra maneira de expressar a constância do produto de incerteza Δx 2 Δp 2 explicitamente calculado em (7. gaussiana no espaço das posições gaussiana no espaço dos momentos Comparação entre as larguras das duas gaussianas. tal como uma função delta. A probabilidade de encontrar a partícula com momento p ′ é uma gaussiana (no espaço dos momentos) centrada em k. no espaço dos momentos a função de onda torna-se muito localizada.42) é uma constante independente de p ′ . Por outro lado. as larguras das duas gaussianas são inversamente proporcionais entre si. A última análise mostra que uma função de onda localizado no espaço x. Quando mais larga no espaço x mais Probabilidade. 〈p ′ |   1 2 1  1/4 d 2 d exp − p ′ − k 2 d 2 2 2 2 2 ′ d exp − p − k d 2 2   (7.

torna-se | p|   d 3 x ′  ∗ x ′ −i∇  x ′   1 2 3/2 ip ′ x ′  Transformação. Operador momento.32) é 〈x ′ |p ′   exp tal que   x ′   e   p ′   1 2 3/2 1 2 3/2  d 3 p ′ exp ip ′ x ′    p ′   d 3 p ′ exp *** −ip ′ x ′    x ′  Prof. As relações de completeza. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 54 .〈x ′ |x ′′    3 x ′ − x ′′  e 〈p ′ |p ′′    3 p ′ − p ′′  onde  3 x ′ − x ′′   x ′ − x ′′ y ′ − y ′′ z ′ − z ′′  Relações de completeza. respectivamente. A transformação análoga a (7.  d 3 x ′ |x ′ 〈x ′ |  d 3 p ′ |p ′ 〈p ′ | Os coeficientes de expansão 〈x ′ | e 〈p ′ | são identificados com as funções de onda   x ′  e   p ′  no espaço das posições e dos momentos. tornam-se  d 3 x ′ |x ′ 〈x ′ |  1 e  d 3 p ′ |p ′ 〈p ′ |  1 que podem ser usadas para expandir um estado ket arbitrário |  ou |  Coeficientes de expansão. O operador momento. quando tomado entre | e |.