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A Longa Duracao Braudel

A Longa Duracao Braudel

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3. HISTORIA E CIÊNCIAS SOCIAIS.

A LONGA DURAÇÃO1

Há uma crise geral das ciências do homem: estão todas esmagadas sob seus próprios progressos, ainda que seja apenas devido à acumulação dos novos conhecimentos e da necessidade de um trabalho coletivo, cuja organização inteligente falta ainda eregir; direta ou indiretamente, todas são atingidas, queiram ou não, pelos progressos das mais ágeis dentre elas, mas permanecem entretanto às voltas com um humanismo retrógrado, insidioso, que não lhes pode mais servir de quadro. Todas, corn mais ou menos lucidez, se preoI . Annalcs E.S.C..
n.0

4 , out.-dez. 1958. Dlbair e1 Combats. pp. 725-753,

cuparn coin seli Iiigiir no conjunto monstruoso das pesquisas antigas e novas, cuja convergência necessária hoje se adivinha. As ciências do homem sairão, dessas dificuldades por um esforço suplementar de definição ou um acréscimo de mau humor? Talvez tenham a ilusão disso, pois (no risco de voltar a antigas repetições ou falsos problemas) ei-Ias preocupadas, hoje, ainda mais que ontem, em definir suas metas, seus métodos, suas superioridades. Ei-Ias, à porfia, empenhadas em chicanas sobre as fronteiras que as separam, ou não as separam, ou as separam mal das ciências vizinhas. Pois cada uma sonha, de fato, em permanecer ou retornar à sua casa . Alguns estudiosos isolados organizam paralelos: Claude Lévi-Strauss2 impele a antropologia "estrutural" rumo aos procedimentos da linguística, aos horizontes da história "iiiconsriente" e ao imperialismo juvenil das matemáticas "qualitativas". Tende para uma ciência que ligaria, sob o nome de ciência da co~?iunictlçáo,a aiitropologia, a economia política, a Mas quem está pronto para esses franlinguística . . queamentos de fronteira r para esses reagrupamentos? Por um sim, por um não, a própria geografia se divorciaria da história! Mas, não sejamos injiistos; há um intcressc nessas querelas e nessas recusas. O desejo de cada um se afirmar contra os outros está forçosamente na origem de novas curiosidades: negar outrem, já é conhecê-lo. Mais ainda, sem o querer explicitamente, as ciências sociais se impõem umas às outras, cada uma tende a compreender o social no seu todo, na sua "totalidade"; cada uma invade o domínio de suas vizinhas crendo permanecer em casa. A Economia descobre a Sociologia que a rodeia, a História - talvez a menos estruturada das ciências do homem - aceita todas as lições de sua múltipla vizinhança e se esforça por repercuti-las. Assim, malgrado as reticências, as oposições, as ignorâncias tranquilas, a insta!ação de um "mercado comum" se esboça; valeria a pena tentá-la no decorrer dos anos vindouros, mesmo se, mais tarde, cada

. .

.

2 . Anlhropologir mente, p. 329.

slruclurolc.

Paris. Plon, 1958, posrim

e notada-

ciência tivesse vantagem, por um momento, em retomar uma estrada mais estreitamente pessoal. Mas, é preciso aproximar-se desde logo, a operação é urgente. Nos Estados Unidos, essa reunião tomou a forma de pesquisas coletivas sobre as áreas culturais do mundo atual, sendo as area studies, antes de tudo, o estudo, por uma equipe de social scientists, desses monstros políticos do tempo presente: China, fndia, Rússia, América Latina, Estados Unidos. Conhecê-los é questão vital! Cumpre ainda, fora dessa compartição de técnicas e conhecimentos, que cada um dos participantes não permaneça enterrado em seu trabalho particular, cego ou surdo, ao que dizem, escrevem, ou pensam os outros! É preciso ainda que a reunião das ciências sociais seja completa, que não se negligenciem as mais antigas em benefício das mais jovens, capazes de prometer tanto, senão de cumprir sempre. Por exemplo, o lugar dado à Geografia nessas tentativas americanas é praticamente nulo e, extremamente reduzido o que se concede à História. E além disso, de que História se trata? As outras ciências sociais são muito mal informadas a respeito da crise que nossa disciplina atravessou no decorrer desses últimos vinte ou trinta anos, c sua tendência 6 de:;conhecer, ao mesmo tempo que os trabalhos dos historiadores, um aspecto da realidade social do qual a história é boa criada, senão hábil vendedora: essa dur;>ção social, esses tempos múltiplos e contraditórios da vida dos homens, que não são apenas a substância do passado, mas também o estofo da vida social atual. Uma razão mais para assinalar com vigor, no debate que se instaura entre todas as ciências do homem, a importância, a utilidade da história, ou, antes, da dialética da duração, tal como ela se desprende do mister, da observação repetida do historiador; pois nada 6 mais ,importante, a nosso ver, no centro da realidade social, do que essa oposição viva, íntima, repetida indefinidamente entre o instante e o tempo lento a escoar-se. Que se trate do passado ou da atualidade, uma consciência clara dessa pluralidade do tempo social é indispensável a uma metodologia comum das ciên&as do homem.

.

vinte ou cinquenta anos. Dá testemunho por vezes de movimentos muito profundos e. há longos anos. etnblogos (ou aiitropblogos). o tcii~podecorrido. o homem inteiro se incorporam e depois se redescobrem à vontade. econômica. por excelência. Talvez. do jornalista. seguimos nas suas experiências e pesquisas porque nos parecia (e ainda nos parece).o tempo.a história das cem faces deveri interessar às ciências sociais. É esse jogo inteligente e perigoso que propõemS. de acrescentar a esse fragmento o que ele não contém à primeira vista e portanto saber o que é justo . à toda uma corrente de acontecimentos. Ora. de destacar desde então uns dos outros.associar-lhe. Bem além desse segundo recitativo. de nossa parte. linguistas. também à realidade das subidas e descidas cíclicas dos preços. Por esse jogo de adições. livremente ou não. de longuíssima duração. em todo evento. Ler Tempr drrnes. A história tradicional. até mesmo. situa-se uma história de respiração mais contida ainda. "novidade sonante". sem dúvida. tornou-se-me familiar para designar o inverso do que François Simiand. do cronista. aceita ou não . etnógrafos. tenhamos alguma coisa a Ihes dar. 1957 n 139 e 140. de realidades subjacentes. Um evento. habituou-nos há muito tempo à sua narrativa precipitada. literária. Menos para os leitores dessa revista. ao evento. Pouco importam essas fórmulas. Benedetto Croce podia pretender que. social. há assim. mais que a própria história .Digamos então mais claramente. é de uma à outra.todos vizinhos que. Assim. demógrafos. geógrafos. uma catástrofe ferroviária. psicólogos. A nova história econômica e social põe no primeiro plano de sua pesquisa a oscilação cíclica e assenta sobre sua duração: prendeu-se à miragem. da vida cotidiana. uma inundação. parece. em todo caso. colocada a seu reboque ou ao seu contato. anexa um tempo muito superior à sua própria duração. vê-se apenas sua chama. liga-se. Com sua fumaça excessiva. 1. à medida dos indivíduos. crônica ou jornal fornecem. um dos primeiros após Paul Lacombe. De minha parte. notemo-lo. terá batizado história ocorrencial (événementielle) . Hoje. os medíocres acidentes da vida ordinária: um incêndio. que isto significa esvaziar a palavra de uma grande parte de seu sentido. de um p610 ao outro do tempo. boa ou má.consciente ou não. uma representação teatral. pode carregar-se de uma série de significações ou familiaridades. JEAN-PAUL SARTRE. que. cada um compreenderá que haja um tempo curto de todas as formas da vida. especialistas em nossos estudos. de fôlego curto. sociólogos. longamente da história. segundo preferências e opções exclusivas mais ou menos conscientes. sem dúvida.uma noção cada vez mais precisa da miiltiplicidade do tempo e do valor excepcional do tempo longo. a rigor. do tempo da história. e mesmo. História e durações Todo trabalho Iiistórico decoiiip6e. o preço do trigo. Mo- . religiosa e 3 . ao lado do relato (ou do "recitativo" tradicional). Qucstions de mCthode. Sob a condição. nossas vizinhas. quisera acantoná-Ia. ditos históricos. desprende-se . em lugar de ocorrencial: o tempo curto.Falarei. atenta ao tempo brevc. ao lado dos grandes acontecimentos. um recitativo da conjuntura que põe em questão o passado por largas fatias: dez. Essa última noção. Extensível no infinito. de nossas ilusões. a história inteira. institucional. Não que essas palavras sejam de uma certeza absoluta. de nossas rápidas tomadas de consciência . que para nossos vizinhos das ciências do homem: economistas. enche a consciência dos contemporâneos. as reflexões recentes de Jean-Paul Sartre . como se dizia no século XVI. escolhe entre suas realidades cronológicas. do instantâneo à longa duração que se situará nossa discussão. matemáticos sociais ou estatísticos . a história se ilumina com uma nova luz. aprisioná-la na curta duração: o evento é explosivo. Os filósofos nos diriam. Assim a palavra evento. Das experiências e tentativas recentes cia história. pelo jogo factíci~ não das "causas" e dos "efeiou tos" caros aos historiadores de ontem. dramática. ao indivíduo.ou não . e impossíveis. mas não dura. de amplitude secular: a história de longa. e. um crime. V . desta vez. A fórmula. pois.

p. o meio século do ciclo clássico de Kondratieff. A dzscoberta maciça do documento levou o historiador a crer que. Mas essa massa não forma toda a realidade. Ontem. Aparece uma nova forma de narrativa histórica. Donde. porque o mais raro. Ontem. como um Michelet. durante zsse mesmo período. baixam de 1817 a 1852: esse duplo e lento movimento de elevação e de recuo representa na época um interciclo completo da Europa e. lidos um ap6s o outro. somente grandes espíritos. P. o estudo (mais imaginado do que realizado) da produção. Iniroduciion d I'Hirioirc. uns brilhantes. Mas. a qual necessita de vastos espaços cronológicos. uO Mundo em 1880». deslocamentos de centros de interesses com a aparição de uma história quantitativa que. mais . graças à arqueologia. 1946. historiadores. Mas sobretudo. Os historiadores do século XVIII e do início do XIX haviam estado mais atentos às perspectivas da longa duração que.F.. um dia. das civilizações. inevitavelmente. segue 4 . os preços sobem. o papel de vanguarda dos estudos consagrados à Antiguidade clássica. um Fustel souberam redescobrir. Daí uma reviravolta e uma inegável renovação. Sabe-se que ela redundou em benefício da história econômica e social. A recente ruptura com as formas tradicionais da história do século XIX não foi uma ruptura total com o tempo curto. centrada no drama dos "grandes eventos". eles salvaram nossa profissão. a história dos Últimos cem anos. A ciência social tem quase horror do evento. na atualidade. que. quase sempre política. na Europa. dita ocorrencial. não sem alguma inexatidão: a história política não é forçosamente ocorrencial. Se aceitarmos que essa superação do tempo curto foi o bem mais precioso. na autenticidade documentária estava toda a verdade. certamente. na conquista científica de instrumentos de trabalho e de métodos rigorosos. a mais enganadora das durações. confundindo-se a etiqueta com 'a da história política. daí. e. a seguir. 5 . toda a espessura da história sobre a qual a reflexão científica pode trabalhar à vontade. quase sem espessura temporal. Por exemplo. o movimento dos salários. um Ranke. um ano podiam parecer boas medidas para um historiador político. entre alguns de nós. uma análise precisa da circulação reclamam medidas muito mais amplas. o passado é essa massa de fatos miúdos. compreenderemos o papel eminente da história das instituições. traballiou no e sobre o tempo curto. a<A Europa em 15M)». houve alteração do tempo histórico tradicional. no seu conjunto. é um fato que. . da historiografia dos últimos cem anos. Basta. uma tempestade) assim como política. o preço dos progressos realízados. na sua ambição de exatidão. \ I 1 I Esse ideal.U. até mesmo do "interciclo". uma viva desconfiança relativamente a uma história tradicional. não disse sua última palavra. uma progressão demográfica. O tempo era uma soma de dias. esses mesmos fatos que constituem. é um fato que. Entretanto. Paris. de 1791 a 1817. um quarto de século e. uma curva dos preços. salvo os quadros factícios. um Jacob Burckhardt. de onde recortava suas narrações4. para ver a corrente dos fatos se reconstituir quase automaticamente. resulta por volta do fim do século XIX numa crônica de novo estilo. do ciclo. modificações de método. A primeira apreciisáo. no limite extremo. sem levar em conta acidentes breves e' de superfície. Não sem razão: o tempo curto é a mais caprichosa. 50. Foi talvez. 1 passo a passo a história ocorrencial tal como eia se desprende de correspondências de embaixadores ou de debates parlamentares. as variações da taxa de juro. nem condenada à sê-10. tal como se nos oferecem. o despojo cotidiano da micro-sociologia ou sociometria (há tambtm uma micro-história). uA Alemanha A véspera da Reforma». salvo as explicações de longa duração de que era preciso sorti-la. . em detrimento da história política. outros obscuros e indefinidamente repetidos. que propõe à nossa escolha uma dezena de anos. "a história no estado nascente". escrevia ainda ontem Louis Halphen6 deixar-se de algum modo levar pelos documentos. das religiões. digamos o "recitativo" da conjuntura. LOUIS HALPHEN.mesmo geográfica (uina ventania.

em 1933. essas duas grandes personagens. São uma primeira chave. Como renunciaria ao drama do tempo breve. JOHANN AKERMAN. se esforça em ligar. desta vez. sempre. Mas ela ainda interessa apenas a raros economistas e suas coiisidcraçõcs sobre as crises estruturais. útil. Em outros bardmetros. Comment naissent les révolutions?. estudava o movimento geral dos preços na França no século XVIII'. Mas. movimento se1'I. por seu próprio excesso. 1952. ela domina os problemas da longa duração. se apresentam como esboços ou hipóteses. Em 1943. no maior livro de histiiria publicado na França no decorrer desses últimos vinte e cinco anos. quando. quando muito até o ario de 18708.ver também n9 1. Esquirse 6 . 1957. Paris. relações bastante fixas entre realidades e massas sociais. tratar-se-ia no caso de consolidar posições adquiridas. Bem entendido. assinalava uma das fontes vigorosas da Revolução Francesa. a tendência secular. no próprio côncavo da depressão de 1774 a 1791. apenas enterrados iio passado recente. incomodam-na. conjuntura econômica e conjuntura social. quando houver completado sua orquestra. o dos dias revolucionários. Apreciação e m RENE CLEMENS. segundo essas curvas e sua própria respiração. as civilizações (para empregar essa palavra cômoda). historiadores. A segunda. Cahiem de OU cular. as ferramentas mentais. esses períodos croiiológicos não têm um valor absoluto. por mil razões. comandam-lhe o escoamento. têm igualmente seu ritmo de vida e de crescimento. é a palavra esirutura. conduzir à longa duração. uma de suas rampas de lançamento.S. Entretanto. oferecem útil introdução à história de longa duração. porém mais ainda. não nos devem fazer perder de vista outros atores. tornam-se elementos estáveis de uma infinidade de gerações: atravancam a história.A. grande medida. sem estudá-la. rua Thtoris g&nIrale d u progrLr Iconomique. em 1948. Mas pouco importam essas discussões em curso! O historiador dispõe seguramente de um tempo novo. Apelava ainda para um meio interciclo. as técnicas. François Perroux6 nos ofereceria outros limites. o primeiro grande livro de Ernest Labrousse. . 7. o do crescimento econômico e da renda ou do produto nacional. as instituições políticas. Ravua Iconomiqua. Com toda lógica. uma vasta investigação de história social. Domat-Montchrestien. articulação. 2 v. Assim. Foi assim que Ernest Labrousse e seus alunos prepararam. cuja marcha será difícil de deteriiiiiiar. sob o signo da quantificação. dividindo-se de acordo com referências inéditas. talvez indeteriniiióvel. mais válidos talvez. Dalloz. e a nova história conjuntural. que esse tipo de conjuntura terá a mesma velocidade ou a mesma lentidão que a econômica. por viverem muito tempo. Para nós. aos melhores fios de uma velhíssima profissão? Além dos ciclos e intercicios. portanto. Por estrutura. As ciências. Paris. Não creio trair seu desígnio dizendo que essa investigação levará forçosamente à determinação de conjunturas (até mesmo de estruturas) sociais. do qJe ir do anterior para o desconhecido. após seu manifesto no último Congresso Histórico de Roma (1955). um patetismo econômico de curta duração (novo estilo) a um patetismo político (estilo muito antigo). o excesso não foi a regra e um retorno ao tempo curto se realiza sob nossos olhos. talvez porque parece mais necessário (ou mais urgente) costurar juntas a história "cíclica" e a história curta tradicional. Boa ou má. ~ r o l d ~ o m d n e#une 1hIo6e da r Ia rlruclure Icononiiquc. 1933. Sem dúvida. uma coerência. mas como é sintomática! O historiador é. iião tendo sofrido a prova das verificações históricas. sem que nada nos assegure. Em termos militares. e at6 o pescoço. os observadores do social entendem uma organizasão. C f . encenador. Sua comunicação ao Congresso Internacional de Paris. só estará no ponto. uma estrutura é sem dúvida. bem mais Útil. até 1929. há o que os economistas chamam. . por falta de medidas precisas. a operação é lícita. Certas estruturas. Cycle ct Stmcture. Eis-nos novamente no tempo curto.E. elevado à altura de uma explicação onde a história pode tentar inscrever-se. o mesmo Ernest Labrousse cedia essa necessidade de retorno a um tempo menos embaraçante. arquitetura.ou menos. Outras estão mais prontas à 8. de bom grado. uma realidade que o tempo utiliza mal e veicula mui longamente. de antemão. 1952 du mouvement der prix e1 der revenus an Francs X V l l l e siicle. Além disso. esse recitativo deveria. do mundo inteiro.

por sua vez. o estudo de Lucien Febvre. RENJ COURTIN. Peinture et SociétG2 assinala a partir dos inícios do Renascimento florentino. Audin. sustentáculos e obstáculos. . analisado depressa. 38 ed. porém muito mais tarde. 1951. ela própria. Hirloriche Zcitrchrifl. certos limites da produtividade. quadros resistentes. na continuidade de uma atitude de longa duração que. 180. a persistência das rotas e dos tráficos. velhos hábitos de pensar e de agir. Outros argumentos: colocam de bom grado em questão os rosos artigos que todos defendem no mesmo sentido de OTTO BRUN'& sobre a história social da Europa. de l a Rcnaimnce au cubisme.F. se apresenta também como uma das mais novas pesquisas da Escola Histórica francesa. no 1. de GEORGES LEFEBVRE. a permanência de um espaço pictural "geométrico" que nada mais alterará até o cilbismo e a pintura intelectual dos inícios de nosso século. Paris. e de F. sobre o humanismo. ir. isto é. I I I i i I livres. A idéia de cruzada é aí considerada. interciclos. São rejeitados apenas depois de hbverem servido longamente. até mesmo. Librairie de MCdicis. os psiquismos mais diversos e toca com um último reflexo os homens do século XIX. Pensai na dificuldade em quebrar certos quadros geográficos.. a fixidez surpreendente do quadro geográfico das civilizações. a civilização das elites intelectuais viveu dos mesmos temas.. Mas raciocinemos com base em um exemplo. de antemão. Albin Michel. é o estudo de um sistema cultural que prolonga.: I. 1941. A dificuldade. para além do século XIV. de populações animais. vede a durável implantação das cidades. O exemplo mais acessível parece ainda o da coerção geográfica. Paris. nv 1. é discernir a longa duraçiio no domínio onde a pesquisa histórica acaba de obter seus inegáveis sucessos: o domínio econômico. 1969. crises estmturais ocultam aqui as regularidades. Sorbonne. o homem é prisioneiro de climas. Durante séculos. 1949. t. e limitou duramente. 1956. t.U. as permanências de sistemas. O magnífico livro de Ernst Robert CurtiusQue finalmente apareceu numa tradução francesa. a civilização latina do Baixo Império. no 3 de R. 176. 1948 trad. por vezes contra toda lógica. O tema que Alphonse Duprontll trata. Ersai da sociologic rcligieure. séculos de duração são regularmente concedidos. sob uma pesada herança: até os séculos XII e XIV. Europairche Liicraiur und Iareinischcs Milielaller. Lyon. Ciclos. Vede o lugar da transumância na vida montanhesa. esse conjunto de concepções que. o livro de Pierre Francastel. oblitera-se então diante de um universo profundamente geometrizado que. de vegetações. O universo aristotélico se mantém sem contestação. 14. enraizados em certos pontos privilegiados das articulações litorâneas. no sentido matemático) dos quais o homem e suas experiências não podem libertar-se. La Civiliration lconomique du Brlsil. Annales hirioriqucs de la Rluolulion francaise. Hidorirche ~ c i t k h r i f i . BULTMANN. no Ocidente. ou quase. de culturas. i .a Liiléralurc aureplcnnc 61 le Moyen Age laiin. até Galileu. 10. até o nascimento das literaturas nacionais. perto de nós. por um paradoxo s6 aparente.isto é. Descartes e Newton. Nairsancu et destruclion d'un espace plasliquc. a aventura intelectual dos espíritos mais 9 . Paris. atravessa as sociedades. Berna. As mesmas permanências ou sobrevivências no imenso domínio cultural. esmagada. assinalam-se como limites (envolventes. ibidern. a permanência de certos setores de vida marítima. ERNST ROBERT CURTIUS. tese datilografada. diante das revoluções einsteinianasl:'. no quadro da Euro11. P. certas realidades biológicas.. PIERRE FRANCASTEL. os mundos. Obstáculos. HARTUNG. Pcinture cl Sociltl. afundará. muito além de a "verdadeira" cruzada. 1943. do qual não pode desviar-se sem o risco de pôr tudo novamente em jogo. L6 myihc de Croiradc. b e n antes de Rabelais e muito tempo depois dele. Numa linha anáioga de pensamento. A história das ciências também conhece universos consfruídos que são outras tantas explicações imperfeitas. das mesmas comparações.ti 177. Eis. Num domínio ainda vizinho. 13. de um equilíbrio lentamente construído. repetida incessantemente. Mas todas são ao mesmo tempo. dos mesmos lugares-comuns e refrões. deformando-a por suas escolhas. comandou as artes de viver. de pensar e de crer. 12. sobre o Despotismo esclarecido. estas ou aquelas coerções espirituais: os quadros mentais também são prisões de longa duração.se esfarelar. no 114. alguns disseram de civilizaçõesl4 . mas aos quais. duros de morrer. Rabelais et le problème de l'incroyance au X V I e siècle30 dedicou-se a precisar a ferramenta mental do pensamento francês na época de Rabelais. - - .

defini ou antes. salvo as exceções que confirmam a regra (feiras de Champagne já em seu declínio no início do período. a história é a soma de todas as histórias possíveis . Nenhuma quietude está pois à vista e a hora dos discípulos não soou. por minha vez. Alguns traços lhes são comuns e permanecem imutáveis. ou feiras de Leipzig no século XVIII). No entanto. os limites claros. Em todo caso. diremos. sair dele. os traços principais. todos os milhares de faixas. até a agitação do século XVIII e da revolução industrial da qual ainda não saímos. Mas desde Marc Bloch. quem pensasse. é em relação a essas extensões de história lenta que a totalidade da história pode se repensar. . de 1630-1730'5. as ciências sociais. obstáculo. como a partir de uma infra-estrutura. a longa duração se apresenta assim como um personagem embaraçante. A liora Irancesn. que encontramos os verdadeiros princípios. uma nova "ciência" histórica nasceu. como hão de mostrar os grandes refluxos de 1350-1450 e. a uma alteração de pensamento. século XII ao século XIV. a atividade econômica depende de populações demograficamente frágeis. Outras características desse sistema: a prioridade dos mercadores. empenhadas encarniçadamente em nos reconduzir à história tal como era ontem. de uma escolha cujo único b e n e ficiário será ele. ocultá-lo é prestar-se a uma mudança de estilo. quase no limite do movediço. dessa semi-imobilidade. a boa Escola. A história não faz exceção. do século XIV ao século XVIII. I I tratará. Foi e seria o erro historizante. Nessa faixa. Sabe-se que não será cômodo convencer todos os historiadores e. depois voltar a ele. do capitalismo comercial. o comércio colonial no século. prata. mas com outros olhos. e ainda. Ser-nos-á preciso muito tempo e cuidado para fazer com que todas essas mudanças e novidades sejam admitidas sob o velho nome de história. Anuncia-se. a fragilidade. com o fim do século XVI. desde 1900. a habitual ampliaçio de estudos e curiosidades. entre outras continuidades. digamos. Há uma longa distância de Charles-Victor Langlois e Charles Seignobos a Marc Bloch. de um ou dois grandes tráficos exteriores: o comércio do Levante d o . Todas as faixas. B familiarizar-se com um tempo diminuído. De fato. e mesmo o cobre. carregados de outras inquietudes. amiúde inédito. sendo toda a espessura continental. Para o historiador. de amanhã. Durante séculos.uma coleção de misteres e de pontos de vista. a uma nova concepção do social. Feliz. Admiti-lo no coração de nosso mister não será um simples jogo. para a Europa Ocidental. Durante séculos. tampouco. Os surtos de progresso europeus. até por volta de 1750. - - i ! O único erro. do próprio soalho da vida econômica. N a Espanlia o refluxo deinogr&lico sc nota desde o fim d o s&culo XVl. e bem ingênuo. todos os milhares de estouros do tempo da história se compreendem a partir dessa profundidade. Nas linhas que precedem não pretendo ter definido o mister de historiador mas uma concepção desse mister. pelo desenvolvimento decisivo do crédito. enfim. Para mim. o papel eminente dos metais preciosos. o papel desproporcionado à primeira vista. um sistema econômico que se inscreve em algumas linhas e regras gerais bastante claras: mantém-se mais ou menos no lugar. de outras questões. evoquei após alguns outros. não em outra. esses quatro ou cinco séculos de vida econômica tiveram uma certa coerência. Assim. mil rupturas e agitações renovavam o aspecto do mundo. e continua a interrogar-se e a transformar-se. de atitude. de ontem. a circulação vê o triunfo da água e do navio. os abalos repetidos das crises agrícolas estacionais. a roda não cessou de girar.pa. XVIII. ouro.voltarei a isso é lícito desprender-se do tempo exigente da história. a meu ver. por vezes. todos os misteres das ciências sociais náo cessam de transformar-se em razão de seus movimentos próprios e do vivo movimento do conjunto. . etapa de longa duração. Não obstante todas as modificações evidentes que os percorrem. menos ainda. enquanto que em torno deles. de hoje. Não se 15. todos esses surtos de progresso se situam ao longo das franjas litorâneas. sem dúvida. seria escolher uma dessas histórias com exclusão das outras. para maior segurança. tudo gavita em torno dela. Entre os diferentes tempos da história. cujos choques incessantes somente serão amortecidos. após as tempestades dos últimos anos. entre nós. inferioridade. complicado.

profundo. . Essa recusa autoritária da história não terá quase servido Malinowski e seus discípulos. na pesquisa das economias antigas. trata-se. De fato. Todas as ciências do homem. no impulso de um tempo longínquo. a história. as ciências sociais não se sentem quase tentadas pela busca do teinpo perdido. dizem os economistas. manter a balança igual. Todavia. fazendo isso. estão contaminadas umas pelas outras.com a Revue de Synthèse Historique e com os Annales. Quer se situe em 1558 ou no ano da graça de 1958. a serviço dos governos. a partir de 1929. ir aquém de 1945. nial divididos). depois. entre o historiador e o observador das ciências sociais. inclusive a história. alimentados pela tradição vidaliana). limitada aos dados do tempo curto. de outrora. de correntes. O eco. quando muito alguiis anos. desdenhosa de toda história. demógrafos. por gosto. Cabe aos historiadores. A cada instante dessa pesquisa. da investigação sobre o vivo. Entretanto. Além disso. o que. Não que se possa levantar contra elas um firme requisitório e declará-las sempre culpadas de não aceitar a história ou a duração como dimensões necessárias de seus estudos. entre um limite à retaguarda que vai aquém de 1945 e um hoje que os planos e previsões prolongam no futuro imediato de alguns meses. elas nos dão mesmo uma boa acolhida. estão divididos entre ontem e hoje (mas. Este último procedimento. Aparentemente. nem tão alarmante. ou se quisermos "atualiza" em excesso os estudos sociais. estes. a outra ultrapassa pura e simplesmente o tempo. Economistas. de definir uma hierarquia de forças. as barreiras e diferenças de ontem. como a antropologia se desinteressaria da história? E a mesma aventura do espírito. O historiador quis-se atento a "todas" as ciências do homem. acusada de escolha. só acontece raramente no caso dos economistas. tendem a escapar sempre à explicação histórica. Falam a mesma linguagem ou podem falá-la. ser-lhes-ia preciso para serem prudentes. A posição dos etnógrafos e etnólogos não é tão clara. de movimentos particulares. geógrafos. f A Querela do Tempo Curto Essas verdades são certamente banais. O mundo de 1558. aqueles. I graças a uma sociologiá empírica. 2. tão enfadonho no momento francês. que abandonaram por si mesmos. nosso difícil ano de 1958. prisioneiros da mais curta atualidade. Todas as ciências sociais participam do erro. sempre no momento francês. não imaginemos. ao mesmo tempo. para quem quer compreender o mundo. talvez por iorniação. o mais 'novo de todos. o que é imediato para os geógrafos (particularmente os nossos. escapam-lhe por dois procedimentos quase opostos: uma "fatualiza". apreender de novo uma constelação de conjunto. não nasceu ao umbral desse ano sem encanto. Alguns dentre eles sublinharam bem a impossibilidade (mas todo o intelectual é obrigado ao impossível) e a inutilidade da história no interior de seu mister. de anteontem. Cada "atualidade" reúne movimentos de origem. não é a única culpada. e exame "diacrônico" que reintroduz a história não está jamais ausente de suas preocupações teóricas. privam-se de um maravilhoso campo de observação. E tampouco. de ontem. de ritmo diferentes: o tempo de hoje data. Sustento que todo pensamento econômico fica encantoado por essa restrição temporal. é evidentemente o único que pode nos interessar profundamente. é preciso convir que as ciênclas sociais. ao contrário. sem por isso negar-lhe o valor.nomista tomou o hábito de correr a serviço do atual. será preciso distinguir entre movimentos longos e impulsos breves. mas. Sejamos justos: se há um pecado factualista. tomados desde suas fontes imediatadas. Falamos de nossa desconfiança em relação a uma história puramente fatual. por instinto . o que é fácil' e obrigatório para o demógrafo. afastadas essas aquiescências. imaginando ao termo de uma "ciência da comunicação" uma formulação matemática de estmturas quase intemporais. Eis o que dá ao nosso mister estranhas fronteiras e estranhas curiosidades. Mas o ocorrencial tem ainda bastante partidários para que os dois aspectos da questão mereçam ser examinados alternadamente.

no século XVI. Por que essa diferença? O problema está colocado. por comparação.não são menos necessários para compreender o que vos cerca. CLAUDE WVI-STRAUSS. nossa querela será bastante viva nas fronteiras do tempo curto. reconstruções. mais que nossos discursos clássicos. Por este lado. Paris. de que fala 8 Le Temps de I'histoire. cil. simplificado. de ultrapassá-lo. O historiador preparou a viagem. "as garras do evento". o expatriamento. tereis bruscamente compreendido alguns dos traços mais profundos e originais da França. da surpresa na explicação histórica: tropeçais. notadamente p. o passado. Vivei em Londres um ano. de adiantar hipóte16. à condição. o historiador tem demasiada facilidade para destacar o essencial de uma época passada. de recusar o real ta1 como é percebido. a atenção incidirá sobre o que se mexe depressa! brilha com razão ou sem razão. como no estrangeiro. Para que voltar-se para o tempo da história: empobrecido. Mas. Em compensação. estranheza para v6s. que interesse podemos encontrar. p. Elas mergulham entre nós. o inquiridor sobre o tempo presente somente chega até às tramas "finas" das estruturas. sobre a coerência ou a iiicoerèiicia da civilização da Grécia 7 antiga T . Anlhropologic slrucluralc. ele ouviu cem vozes gregas salvas do silêncio. ou que pensa. poiico legível porquc deinasiado atiavaiicada de gestos e sinais menores'? Claiide Lévi-Strauss pretende que uma hora de convcisaçfio com uiii cc~iiieii~porâiieo Platão o informadc ria. seu calor "vulcânico". Duvido que a fotografia sociológica do presente seja mais "verdadeira" que o quadro histórico do passado. e de tão perto que não mais o vedes com clareza. DIOGkNE COUCHB.insistamos bem: reconstruído. 17. à atualidade muito próxima. tão fastidioso como o das ciências históricas. nós. Face ao atual. à luz de vossos espantos. entenda-se. 298 e%. ou acaba de mudar. o p . p. Mais ainda. "aqueles que tiveram conseqüências". Uma hora na Grécia de hoje não lhe ensinará nada. Não acho que esse problema seja essencial. está tão morto. ao passado longínqiio. .. Na verdade. durante anos. Simplificação evidente e perigosa. Na verdade. não teríamos razão em 110s lamentar ou insistir. uma aposta repetida sobre o valor insubstituível do tempo presente. etnógrafo que encontra por três meses um povo polinésio. São à sua maneira. 1954. tampouco não há sociedade cuja história tenha naufragado inteiramente. nos deslocamentos. aqueles que não conheceis a força de conhecê-los. confusa. tão reconstruído quanto se pretende dizê-lo? Sem dúvida. Mas é que. em uma estranheza. . por mais inferior que seja. E se se observa exclusivamente na estreita atualidade. para melhor dominá-lo. cercar perfeitamente um mecanismo social. as investigações de mil direções. todas. acerca das coerências ou incoerências atuais. O social é uma caça muito mais ardilosa. Philippe Ariès18 insistiu sobre a importância do expatriamento. Historiadores e social scientists poderiam pois eternamente passar a bola um para o outro no que tange ao documento morto e ao testemunho muito vivo. o afastamento . e tanto menos quanto mais afastada do reconstruído ela quiser estar. 1' ses e explicações. para falar como Henri Pirenne. homem do século XX. de reconstruir. 31. Não h6 sociedade. mas que são. Mas direi que a surpresa. que não revele à observação. tambCm 6 expatriamento. devastado pelo silêncio. todas as operações que permitem escapar ao dado. distingue nela sem esforço os "eventos importantes". Plon. ciências do homem. sociólogo industrial que entrega os clichês de sua última investigação. Presente e passado iluminam-se com luz recíproca. o que não daria o viajante do atual para ter esse recuo (ou esse avanço no tempo) que desmascararia e simplificaril1 a vicla prcsiiitc. ou quase nada. entre sociologia. psicologia e economia. ou se revela sem esforço.como costuma dizer Claude Lévi-Strausslu. sua riqueza abundante. reconstruído . 17. e conhecereis bem mal a Inglaterra. também. de truncá-lo. espreita o observador apressado. com respeito à sociologia das investigações sobre o atual. ou faz barulho. com questionários hábeis e as combinações dos cartões perfurados. Estou bem de acordo com isso. Todo um fatual. no 195. Mas. Lrs Ternpr Modernrs.esses grandes meios de conhecimento .

retomado. ou. 106. determinada rivalidade industrial ou comercial. E m todo caso. acumular ensinamentos. está alhures. Comunicação e Matemáticas Sociais Talvez não tenhamos tido razão em nos demorar na agitada fronteira do tempo curto.F. não crer que somente os atores que fazem barulho sejam os mais autênticos. O debate essencial que a mais nova experiência das ciências sociais conduz. se a distância cronológica entre os extratos não é suficiente para permitir inscrever tudo num verdadeiro movimento. tem que se recolocada no complexo dos campos próximos que a rodeiam. será algo difícil provar que nenhum estudo social escapa ao tempo da história. não será fácil advogar o processo. Nem há grande coisa a dizer acerca das estruturas. nessa discussão. Divirto-me em ver. seja menos fácil a delimitar do que parece.sur-le-Rhbne. Na verdade. Nada temos a repetir. elas se definem por si mesmas. Toda cidade.uma vasta e boa investigação sobre a região parisienseLg. Paris. sobre um mapa.não esteja ao abrigo das incertezas e das d i s c u ~ s õ e s ~E . não é à sua maneira. sociedade tensa com suas crises. Paris e1 l'agglorndralion paririenne. P. P. no 71. evidentemente. explicação do social em toda a sua realidade? e portanto do atual? Valendo sua lição nesse domínio como uma proteção contra o evento: não pensar apenas no tempo curto. 1958. Vienne. Ver o Colloque sur lu Stmctuns. quero dizer. durante os dez últimos anos de vida. seus pânicos. A u x c r r c e n 1950. num estudo concreto do social. Cahiers der Scicnces Politiquer. iini dos priri~eirosa falar.U. CHOMBART D E LAUWE. Une uille Irançoisc m o y e n n r . ao menos aparentemente. ciência do presente". se situam absolutamente fora dele. ainda que seu papel. Mas. qualquer que seja. ou Viena em Delfinadoa. rejuvenescido nas novas discussões e que prosseguem sob nossos olhos. Sociologie d'unc ciié {rançaire. onde está c problema sem o qual uma investigação permanece um esforço perdido? O interesse dessas investigações para a investigação é. aí o debate se desenrola sem grande interesse. 20: SUZANNE FRBRE e CHARLES BETTELHEIM. 1951. ou ao menos. acerca do evento.. há outros e silenciosos . entre nossos vizinhos. Cahiers der Scienccs Politiques. na linguagem da história (tal como eu a imagino). e também desses arquipélagos de cidades vizinhas das qiiais. . possa ser o objeto de uma investigaçãc. sem se inscrever na duração histórica. I 1 Í 1 "história ciência do passado. seu professor de música e o local das Sciences-Po? Tira-se daí um lindo mapa. A história dialética da duração. Paris. suspendendo todas as durações. I. e portanto rio movimento. é indiferente ou. VIa Sec~áo aEcole Pratique da des Hautes . Mas. é quase absurda em si. se não disponho de um mapa anterior da distribuição. terá repetido: 19. amiúde milito íifastado iio iciiipo. ainda que a palavra . mais ou meiios afastado no tempo. p.tilides. e um a um. mas. sem surpresa útil. se o leitor quiser nos seguir (para nos aprovar ou divergir de nosso ponto de vista) fará bem em pesar por sua vez. a distribuição dos domicílios dos empregados de uma grande empresa. Duvido igualmente que um estudo de cidade. terá sido o historiador Richard Hapke. 1952. ao contrário.mas quem já não o sabia? 3 . sob o duplo signo da "comunicação" e da matemática. ou da longa duração. seus cortes. nv 17. Mas aqui. 21. de um longínquo ressurgimento ou de um monótono recomeço? Concluamos numa palavra: Lucien Febvre. no XVIO quarceirão. 1955. não pode haver sincronia perfeita: uma parada instantânea. Desconfiemos da arte pela arte. ainda assim nem todas serão válidas ipso facto para trabalhos futuros. Com efeito. sociológica como foi o caso para AuxerreZ0. Se registrarmos um intercâmbio canipo-cidade.e a coisa . o que 22.. tivesse ela feito estudos de agronomia ou praticado o esqui náutico e tudo teria mudado em suas viagens triangulares. Armand Colin. qiie anima esse coniplexo. a propósito de tentativas que. não é essencial saber que se trata de um movimento jovem em pleno ímpeto ou de um fim de corrida. rrsuino diitiloyrafado. PIERRE CLEMENT e NELLY XYDIAS. Armand Colin. quando muito. seus cálculos necessários. Paris. I. os termos de um vocabulário não inteiramente novo. de uma jovem entre seu domicílio. ~ inútil também insistir muito nas palavras sincronia e diacronia.

é difícil. como muitos historiadores. a linguística acreditava tirar tudo das palavras.a partir do qual foi. cientificamente mais rico. é verdade. Mas pouco importam essas definições. concordam em considerá-la? Ontem. mais claramente per23. A fórmula de Marx esclarece. em lhe conceder um lugar cada vez maior ao lado. Essas breves chamadas e cuidados bastarão. por vezes discutíveis! De minha parte. Nessa prospecção em que a história não está só (ao contrário. além disso. estáticos ou dinâmicos. mais ou menos aperfeiçoados. dos acidentes de Dien-Bien-Phu ou de Sakhiet-Sidi-Iussef. Mais de um de nossos contemporâneos acreditaria de bom grado que tudo veio dos acordos de Ialta ou de Potsdam. do mesmo modo. é cada vez mais viva. Mas uma certa realidade não aparece sem que uma outra não a acompanhe e. o cálculo das médias se impõe: elas conduze:m aos modelos estatísticos.senão para descobrir. ou desse outro evento. o lançamento dos sputniks. Retomo em Claude Lévi-Strauss esta última distinção. do factual que se nos reapresenta. Esses comentários indispensáveis se reúnem alhures. criado . uma vez mais. Admiti. Esses sistemas de explicações variam ao infinito segundo o temperamento. 30-31. pois. Mas a separação entre superfície clara e px'ofundezas obscuras . ela não data apenas de ontem. De fato. Essa história consciente. O modelo estabelecido com cuidado permitirá. pois. "Os homens fazem a história. cebida do que se costuma dizer. para o instaiite. importante de outro modo.não tardarão a se reunir.outros meios sociais de mesma natureza. precisar o . do "microtempo". ela nada mais fez senão seguir nesse domínio os pontos de vista das novas ciências sociais e adaptá-los ao seu uso). de apreender seu desenrolar no dia a dia. um inconsciente social. sistemas de explicação solidamente ligados segundo a forma da equação ou da função: isso é igual aquilo ou determina aquilo. esperando o melhor. mais simples. Citado por CLAUDE L&VI-STRAUSS. bem entendido. (É o que acontece no tocante à história econômica. numa problemática comum às ciências sociais. do que as leis ou a direção. hoje. isto é. Mas é preciso ser mais explícito no que concerne à história inconsciente.entre ruído e silêncio .espero-o .. fora do meio social observado . desta para aquela. A história teve a ilusão de tirar tudo dos eventos. do factual. por vezes ainda artesanais. qualitativos ou quantitativos. de seus flashes. Acrescentemos que a história "inconsciente".vem a dar no mesma bastante fictícia. Anihropologic slrucluralc. realidade de pequenas dimensões interessando somente a grupos minúsculos de homens (assim procedem os etnólogos a propósito das sociedades primitivas). em parte domínio do tempo conjuntura1 e. É seu valor recorrentc. Mecânico. o p cit. até em detrimento. colocar em questão. relações estreitas e constantes se revelam. Os modelos não são mais do que hipóteses. Os homens sempre tiveram a impressão. mas ignoram que a fazemvz3. clara. consistiu em abordar de frente essa semi-obscuridade. Quanto às vastas sociedades. o essencial antes de estabelecer um programa comum das ciências sociais. A história inconsciente é.) A revolução. tem o sentimento de uma história de massa cuja potência e cujos impulsos reconhece melhor. já há muito tempo. aleatória. além de sua própria vida. é verdade. mais fácil para explorar . Cada um de nós. às matemáticas sociais. ou . o modelo estaria na própria dimensão da realidade diretamente observada. mas não explica o problema. E se essa consciência. é uma revolução no espírito. é muitas vezes. onde os grandes números intervêm. através do tempo e espaço. os modelos. a uma certa distância. segundo os diversos e inumeráveis rios do tempo. por excelência. que esse inconsciente seja considerado cientificamente mais rico que a superfície cintilante à qual nossos olhos estão habituados. em suma. é. o cálculo ou o alvo dos utilizadores: simples ou complexos. pp. é todo o problema do tempo curto. novos instmmentos de conhecimento e investigação foram construídos: temos assim. a história das formas inconscientes do social. Admiti pois que existe. uina descida segundo a inclinaçáo do tempo não é pensável seriáo sob a forma de uma inultiplicidade de descidas. do tempo estrutural. vivendo seu tempo. aos modelos. sob um novo nome. A história iiiconsciente se desenrola além dessas luzes. é abusiva. mecânicos ou estatísticos.

26. Não será difícil transportar esse modelo fora do século privilegiado e particularmente movimentado. durante um tempo dado. vê nela a reação habitual a toda classe dominante que sente seu prestígio atingido e seus privilégios ameaçados. Armand Colin. L e r m l f a u x monifaircs ef I'lconomie d u X V l e rilcle. Supõe certas condições sociais precisas. atônito com essa dupla linguagem. mais estreitas. esboçado por Frank Spooner e por mim mesmo". T h c R c p u f a f i o n of lhe American Burincssrnan. Seria tentando dar um lugar aos umodelosa dos economista. pois. império romano. na verdade. por conseguinte. 28. extensível na duração e no espaço. raramente desenvolvidos até o rigor de uma verdadeira regra científica e nunca preocupados em desembocar numa linguagem matemática revolucionária . depois especializadas no comércio do banco. Já não é o mesmo com o modelo que esbocei. linguagern da classe dominante dos grandes financistas americanos contemporâneos de Pierpont Morgan. o século XVI. SIGMUND DIAMOND. circulando pelas rotas obscuras e inéditas da longuíssima duração. aplica-se plenamente apenas a uma família dada de sociedades. por sua vez. . que. a evolução da idéia de dinastia ou de império. a "estratégia" de um. "industriais". que podemos depreender da obra de Marx.de um ciclo de desenvolvimento econômico. 1956. ALEXANDRE CHABERT. num livro antigo5. fabricados por historiadores. isto é. modelos à sua maneira. mas todas as estruturas da história são pelo menos elementarmente dinâmicas) apto a se reproduzir num número de circunstâncias fáceis de reencontrar. precisa confundir sua sorte com a da Cidade ou da Nação. cobre . 1955. No limite. a necessidade de coiifroritar os modelos. esta última atividade. publ. i I { I tuto do metal . Se deixa a porta aberta a todas as extrapolações. S. 1955. Quase intemporais. Sfruclure lconomiquc e1 I h l o r i c mondlairc. Diamond explicaria de bom grado. que a estrutura do capitalismo comercial. quase intemporais. a respectiva significaçáo e o valor de explicação. 25. do uCentre d'Etudes Economiquwu. esse ágil substi24. dos sociólogos matemáticos. a mais lenta a desabrochar. a meu ver. no caso particular dos países desenvolvidos de hoje. v. antes. Paris. a propósito da história dos metais preciosos. L a M l d i f s r r a n l e c1 Ic monde m l d i f c r r a n l c n d I'lpoquc da Philippc I I . 1949. Sigmund D i a m ~ n d ~ ~ . linguagem anterior à classe e linguagem exterior (esta última. que certas iniciativas arriscam engrandecer excessivamente. comandaram nossa imitação. a propósito das cidades italianas entre os séculos XVI e XVIII.todavia. 2 7 . dinastia inglesa. Paris. jogadores. O modelo assim concebido é. p.e crédito. esse gênero de modelo assemelhar-se-ia aos modelos favoritos. mas cuja história tenha sido pródiga: é válido. pesa sobre a "estratégia" do outro. 264 e 5s. Mais restrito. seu interesse particular com o interesse público.I I papel e os limites do modelo.são também. defende em face da opinião pública a quem se representa o sucesso do financista como o triunfo típico do self-mude man. ou seja. Aconteceria talvez a mesma coisa com esse modelo. . modelos bastante grosseiros. mais facilmente que aquele. Os economistas não tentaram também à sua maneira. Falamos mais acima do capitalismo comercial entre os séculos XIV e XVIII: trata-se aí de um modelo. para se mascarar. com a idéia de duração. pp. Rapporir ou Congr21 inlcrnelional de R o m e . esse esboço seria. da mesma maneira. que escolhemos para nossa observação. Daí também. verificar a velha teoria quantitativa da moeda modelo27? Mas as possibilidades de duração de todos esses modelos ainda são breves se as compararmos às do modelo imaginado por um jovem historiador sociólogo Atônito com a dupla americano. . de fato. 233-264. durante e após o século XVI: ouro. para uma duração muito mais longa do que os modelos precedentes. da duração que implicam dependem bastante estreitamente. alternadamente mercadoras. IV. evidentemente. Cambridgc (Massachuset~~). Para ser mais claro. como diriam os matemáticos. a condição da fortuna da própria nação). na verdade. Armand Colin. tomemos exemplos entre modelos históricos--'. FERNAND BRAUDEL e FRANK SPOONER. é também a mais lenta a se apagar. entre vários. na verdade. Registra um fenômeno (alguns diriam uma estrutura dinâmica. rudimentares. prata. mas ao mesmo tempo põe em causa realidades mais precisas. capaz de correr os séculos.

Bullelin Inlcrnational de$ Scienccs socialcs. seu recorte. onde se possa examinar e tocar quase tudo diretamente com o dedo. que não são mais apenas nossas velhas matemáticas habituais: curvas de preços. As pesquisas com vistas h fabricação de uma máquina de traduzir. comunicação.lista nesses domínios difíceis. 31. intitulado: Les maihlrnaiiqucs a1 les sciences socialer. Cl. o p . ou antes. da comunicação ou das matemáticas qualitativas. de salários. para as comunicações no sentido mais material da palavra. mas submissos a certas coerções. Há três linguagens. out. as matemáticas. mas que corre o risco à menor desatenção. de escapar ao nosso controle e de precipitar-se. Nesses domínios evidentemente se abrem mil possibilidades de pesquisas. das matemáticas sociais. mas que ainda assim seguiu. dos grupos. . a linguagem dos fatos aleatórios. O tratamento prévio. das quais as matemáticas tirarão todas as conclusões e prolongamentos possíveis para chegar a um modelo que as resuma todas. Critique. a geometria. tão ambiciosos e avançados na pesquisa. tais possibilidades matemáticas existem. E é preciso que os historiadores ocupem aí posições de vanguarda. nem os deles. O autor desse estudo não é.que é grande . no eixo da "estratégia" de Von Neumann e Morgenstern". até aqui. desde Pascal é o domínio do cálculo das probabilidades. tudo se reúne bastante bem sob o vocábulo. digamos o de uma ciência da comunicaçáo~1. estabelecer em seguida. de nascimentos. . é preciso iluminar nossa lanterna. é preciso preparar o trabalho dessa máquina que não engole nem tritura todos os alimentos. o outro segue). lançam-no. de modo algum. sua brocagem. Nossos colegas são. portanto: a dos fatos de necessidade (um é dado. não há uma matemática. não podem iludir nossa atenção. foi em função de verdadeiras máquinas. todos os jogos possíveis. Entretanto. Deus sabe para onde! Informação. As matemáticas sociais" são pelo menos três linguagens que ainda podem misturar-se e não excluem uma sequência. nem determinados. 1951. um especia. pela utilização dos conjuntos. Evidentemente. Ora. Mas um exemplo valerá mais que um longo discurso.As explicaçòes que precedem não são mais que uina insuficiente iiitroduçiio à ciência e à teoria dos n~odelos. T h e T h e o r y o/ C a m c s and economic Bchauiour. entre os elementos distinguidos todas as relações. à máquina de calcular. de suas regras de funcionamento. Claude Lévi-Strauss se nos oferece como um excelente guia. o preparo da realidade social para seu uso. a regras de jogos. Essas relações rigorosamente determinadas dão as próprias equações. aliás amplo. a Anihropologic struciurale. Todas as obxrvações que seguem são extraídas de sua Última obra. VI. tal como uma "tribo" primitiva. um "isolado" demográfico. "Não se deve dizer a álgebra. Seus modelos não passam quase de feixes de explicações. 30. . Em todo caso. que ele seguiu de longe. V difícil via das medidas e dos longos cálculos estatísticos. A imaginação dos matemáticos não está no fim. que se esboçou e desenvolveu uma ciência da informação. leve todas em conta. que tentam chegar à altura das teorias e das linguagens da informação. diremos nós. como alguns outros. abre o caminho A matemáticas "quantitativas". como pudermos. nem aleatórios. se o novo mecanismo matemático nos escapa com muita frequência. aliás. uma geometria" (Th. Seu mérito. e mais geralmente todo esse número de um grande interesse. enfim. Princeton. Além disso. 2Q) é preciso preparar o social das matemáticas do social. Da análise do social. Ver especialmente CLAUDE LIVI-STRAUSS. tem sido quase sempre o mesmo: escolher uma unidade restrita de observação. permanece um duplo fato: 1Q) tais máquinas. é o domínio das matemáticas tradicionais. pode-se passar diretamente a uma formulação matemática. a passagem da observação à formulação matemática não mais se faz obrigatoriamente pela 29. cii. vamos segui-lo. do próprio cálculo das probabilidades. a linguagem dos fatos condicionados. a matemática (ou então é uma reivindicação). A estratégia dos jogos. essa estratégia triunfante que não ficou somente nos princípios e audácias de seus fundadores. UNESCO. Ainda assim. uma álgebra. o relatório brilliantc de JEAN FOURASTIB. s Por conseguinte. Introduzir-nos-á num setor dessas pesquisas. n 51. n9 4. . num abismo de reflexbes. Guilbaud).é o de acolher no seu domínio essa linguagem sutil. 1944. matemáticas qualitativas. o que não simplifica noFsos problemas. mas.

aos agrupamentos desses sons. comunicação das mensagens". linguagens diferentes. os mitemas. O modelo obtido deve provar a validade. "átomo" de parentesco. essa primeira linguagem. a última palavra da pesquisa sociológica.. em níveis diferentes. P. à propósito. Lévi-Strauss conseguiu traduzir em termos matemáticos a observação do antropólogo. em muitas outras direções."Em to1111 ~ocicdnde". que "não pode deixar de representar. culinariamente. ao fonema. essencial às comunicações humanas. com a cozinha (essa outra linguagem) : re. como o linguista descobre as suas na ordem infrafonêmica e o físico.os matemáticos procurarão as combinações e soluções possíveis. mas é preciso dizer muito. Aclii~i~~ii~ios que sejam. de maneira direta ou indireta. ou mesmo como a linguagem. o qual nosso guia apresentou na sua tese de 1949" sob a expressão mais simples: entenda-se o homem.e são numerosos . nada mais didático. não me preocupo com os fonemas de meu discurso. Ibid. p. uma linguagem. Assim sendo. 33. Essas relações simples e misteriosas. escapa do mundo das ciências sociais para atravessar "o desfiladeiro das ciências exatas". Portanto. Estender o sentido da linguagem às estruturas elementares de parentesco. mas linguagens. seria apreendê-las sob todas as linguagens. 47-62. O novo trabalho matemático colocou-se sobre algumas dezenas de fonemas que se encontram. aos mitos. Aquém da palavra.. Anlhropologie . ou melhor. escreve Claude Lévi-Strauss:l< "n nconiunicnção se opera pelo menos em três I I I V Ç ~CH : I I I U ~ ~ C ~ das O mulheres. indiferente por conseguinte a seu sentido. do que ver Lévi-Strauss às voltas. mas atenta a seu lugar. A cada vez. comunicação O Ç~ do3 hriis c dos serviços. e de associá-las. a universal linguagem matemática? É a ambição das novas 34. isto é. A cada vez. por exemplo. para traduzi-las em alfabeto Morse. se libertou pela revolução fonológica.. assinalar as soluções que este último implica. entretanto. aos progressos sensacionais da linguística.duzirá os mitos a uma série de células elementares. 39. quero dizer. às trocas econômicas. à toda realidade subjacente. ao cerimonial. às estruturas infrafonêmicas. a estabilidade do sistema. representou para o conjunto das ciências exatas9'33? É dizer muito. o casamento no interior da estreita célula familiar. na ordem inframolecular. e é a proeza que realizou Claude Lévi-Strauss. a criança. cujas relações possam ser precisamente analisadas. Sob essa linguagem. Paris. o jogo das relações sutis e precisas me faz companhia. à mesa. com os mitos e. onde o incesto. pp. a linguística presa na armadilha das palavras (relação das palavras com o objeto.. primitivas ou não. Ler ~Iruclures llimcntairsr de la parenll. no decorrer desses últimos vinte anos. 42-43. a esposa. Como a história presa na armadilha J o evento. com "gustemas". pp. 1949. está à procura de níveis de profundidade. depois o tio materno da criança. da troca matrimonial. Assim. não seja proibido. ele procurou um elemento de base correspondente. ela apegou-se ao esquema de som que é o fonema. 326.. ao menos uma parte da linguística que. não teremos o direito de tratá-las como linguagens. depois reduzir essa realidade em elementos menores. se é que existem "gustemas". sou eu que acrescento essa reserva) que se espera perceber as leis de estrutura mais gerais. evolução histórica 'das palavras). em face das ciências sociais. É nessa etapa "micro-sociológica" (de um certo gênero. e eis a linguística. primeiramente. 35. O jogo pode prosseguir. reduzirá (sem acreditar muito) a linguagem dos livros de cozinha em gustemas. o mesmo papel renovador que a física nuclear. em todas as línguas do mundo passou a aplicar-se o novo trabalho matemático. Ibid. .. Ver Anlhropologie síruciurale. desta vez. ao nível do átomo""5. da fonologia. Vê-se qual é o encaminhamento dessa pesquisa: ultrapassar a superfície da observação para atingir a zona dos elementos inconscientes ou pouco conscientes.U. é pesquisar esse caminho difícil mas salutar do desfiladeiro. maneira de ser. aos sons que o acompanham. inconsciente da língua. idênticos. algumas vezes. esse 32. Ajudado pelo matemático André Weill. pois.F. salvo exceção. se quisermos. a tal ponto que não há sociedades. não me preocupo mais. p. A partir desse elemento quadrangular e de todos os sistemas de casamentos conhecidos nesses mundos primitivos . esse elemento. subconscientes: ao falar. evidentemente. em toques finos.

se possível. depois fazê-lo remontar no tempo. se atira para o mundo exterior: a proibição do incesto é uma realidade de longa duração. instrumento de controle. não caminha apenas sobre as estradas tranquilas e monótonas da longa duração . ele 6 sensível às incidências e saltos. as revolucionárias matemáticas qualitativas estarão elas condenadas a seguir somente as 36. O navio construído. com efeito. E esse tempo. do mito. calcularia sua vida provável. com o século XVIII e o impulso anormal do crédito. me parece a mais inteligente. Podemos. . ver se flutua. De resto. como que intemporal. eu o faça passear no tempo ou no espaço. até na própria estrutura do maquiavelismo. Sobre os modelos clássicos e tais como os elaboram os economistas. Comparei por vezes os modelos a navios. Assim. tais como nos foram aprematemáticas qualit~ . depois impossível. depois deste àquela. até a próxima ruptura. antes de tudo porque circulam sobre uma única das inumeráveis rotas do tempo. a melhor enraizada também na experiência social de onde tudo deve partir. por uma sequência de retoques. à minha vontade. uma vez mais. notemo-lo. rumo à jusante desta vez. são seus pontos de ruptura. uma discusrio diferente estaria por se empenhar. em busca de outras realidades capazes de se iluminar graças a ele. pois esse sistema não tem a solidez teatral. segundo o movimento concomitante de outras realidades sociais. Spooner e por mim mesmo. sem sorrir. e assim por diante. verificação da solidez e da própria vida de uma estrutura dada. colecionar as versões do mito de Édipo. eles também. para viver. quantas rupturas. mais significativos ainda que as estruturas profundas da vida. Se eu fabricasse um modelo a partir do atual. abaixo delas. ele põe em causa um fenômeno de extrema lentidão. de comparação. Aquém. a duração. porque. posso dizer. até seu nascimento. mas no encontro do infinitamente pequeno e da longuíssima duração.natemáticas sociais. a estruturas de extrema longevidade. porque é preciso que um pequeno grupo de homens. I I I i I I sentadas até aquiw. quantas reviravoltas. segundo a estratkgia dos jogos. gostaria de recolocá-10 imediatamente na realidade. para o observador do social. uma articulação profunda que as comande. da realidade social ao modelo. Então. aqui. A não ser que. nesses domínios. não me parece válido antes do século XV. sua brusca ou lenta deterioração sob o efeito de pressões contraditórias. correspondem. . não se situa apenas na etapa micro-sociológica. a partir de seu lançamento real por volta do meio do século XVI. Digo matemáticas qualitativas. depois fazê-lo subir ou descer. Para mim. O naufrágio é sempre o momento mais significativo. cabe-nos procurar a causa. Mas suponhamos que nosso colega se interesse não por um mito. ou aonde tudo deve voltar. mas pelas imagens. A cada instante. a Claude Lévi-Strauss. Todos os sistemas de parentesco se perpetuam porque não há vida humana possível além de uma certa taxa de consagüinidade. . Após o que. ensaio de explicação da estrutura. sendo que o problema é ordenar as diversas variações e pôr à luz. as águas do tempo. sem nos preocupar em escolher a mais antiga. O modelo é assim. a da longa. os choques dos metais são de uma violência que a observação ulterior não havia assinalado. Numa palavra. com uma luz nova. Assim. se prestariam mal a tais viagens. Não tenho razâo em pensar que os modelos das tivas. 0 s mitos. servindo-me deie. a pesquisa deve ser sempre conduzida. é primordial. porque a navegação de nosso navio muito simples torna-se difícil. como de um elemento de comparação. pelas interpretações sucessivas do "maquiavelismo". Assim como é necessário ver. Disse que os modèlos eram de duração variável: valem o tempo que vale a realidade que eles registram. ao abrigo dos acidentes. Mas. porque sua tentativa. A cada vez. longuíssima duração. das rupturas? Voltarei. para os jogos entre metais preciosos. alternadamente. às intempéries múltiplas da história. de viagens pacientemente renovadas. o meu interesse é pô-lo na água. quase eterna. a mais clara. o procedimento que Lévi-Strauss recomenda na pesquisa das estruturas matematizáveis. que essa é uma outra história? Reintroduzamos. a explicação imaginada por F. lentos para se desenvolver. das conjunturas. que ele pesquisa os elementos de base de uma doutrina bastante simples e muito difundida.

É igualmente o sentido de uma antiga reflexão de Paul Lacombe. elas devem reencontrar o jogo múltiplo da vida. que essas tentativas . de antropologia. no decorrer de um cativeiro bastante moroso. seus problemas emaranhados. simples e concretas. Paris. da escolha que isola os elementos essenciais da realidade observada e determina suas relações no seio dessa realidade. não são cifras. Ele sonha. eis-me de volta ao tempo. a duração demasiado longa. passar ao tempo menos curto e ao tempo muito longo (se existe. Gastoii R0upnel:~7 escreveu a esse propósito palavras que fazem sofrer todo historiador sincero. isto é. aforismos da sabedoria das nações. Não creio. Por ora. E. de fato. Mas se trtta no caso de verdadeiras evasões? Pessoalmente. Ainda não houve. também historiador de grande classe: "o tempo não é nada em si. suas diferentes velocidades de vida. melhor julgá-los e não crer muito. é diretamente observável e onde uma vida social muito hornogênea permitz definir seguramente relações humanas. Neuue dr rynfhise hisíoriqur. H i ~ i o i r s e1 Dcslin.estradas da longuíssima duração? Nesse caso. nunca está no coração de seus problemas e de suas reflexões.. em lhe escapar. ao abrigo. todas as suas rupturas. Mas as matemáticas sociais qualitativas só darão provas de seu valor quando houverem abordado uma sociedade moderna. Mas. Verdades primeiras. ( 4. 169. porque estas não podem restringir-se a isso que chamarei desta vez. era colocar-se à margem. todas as suas variações. lutei muito para escapar 3 crônica desses anos difíceis ( 1940-1945). para olhá-los um pouco de longe. tentativas desse gênero. parsim. responderemos. 38. 3 7 . lia escala dos grupos e não mais dos indivíduos. após esse jogo cerrado. relações que devem ser assaz rigorosamente definidas para que possamos atribuir-lhes um sinal matemático a partir do qual serão estudadas todas as possibilidades matemáticas desses sinais. e que podem iluminar com uma nova luz as próprias bases de toda vida social. ao contrário. Tempo do historiador. estabelecidos a partir de grupos estreitos onde cada indivíduo. por assim dizer. que os sociólogos tenham podido escapar dela. 32. tempo do sociólogo ) Ao termo de uma incursão pelo país das intemporais matemáticas sociais.~tradicioiiais. Todo o valor das conclusões depende portanto do valor da observaçáo inicial. de economia. não é nada senão uma idéia para nós":iX. Verdades essenciais.ou tentativas análogas . p. quer se trate de psicologia. só pode ser o tempo dos sábios).não possam prosseguir fora da longuíssima duração. 1943. às mateiiiátic:. dirão espíritos melancólicos. sem mesmo nos preocuparmos mais com a realidade social que representam. às sociedades amplas e complexas onde a observaçáo só pode !er dcseiivolvida graças às médias. todas as experiências foram feitas no sentido que defini à propósito de Lévi-Strauss. apostemos também que provocará uma revisão obrigatória dos métodos até aqui observados pelas matemáticas novas. a preferência das matemáticas sociais pelos modelos que Claude Lévi-Strauss denomina mecânicos. Recusar os eventos e o tempo dos eventos. nada impede por conseguinte de recorrer a elas. Os modelos ditos estatísticos se destinam. falávamos e que são necessárias às elaborações das matemáticas qualitativas. por conseguinte. pouco variáveis. Mas estamos no início das experiências. Mas é que seu tempo não é o nosso: é muito menos imperioso. historiador incorrigível. A duração. isto é. Bernard Graset. que eu saiba. uma vez mais. notadamente p. encontraríamos apenas verdades que são um pouco demais as do homem eterno. espanto-me. objetivamente. todas as suas durações. essas iiiédias estabelecidas. se o observador é capaz de estabelecer. . menos concreto também. O que se fornece às matemáticas sociais qualitativas. seguramente.. De fato. este último. todos os seus movimentos. Com a angústia de 1940 ajudando. essas relaçõii de base de que. Mas não reside aí o conjunto do debate. mas relações. o historiador não sai jamais do tempo da história: o tempo cola em seu pensamento como a terra à pá do jardineiro. Do tempo curto. Apostemos que a aventura tentará um de nossos sociólogos matemáticos. 1900. Concebe-se.

situar-se exatamente nela mesma e mais ainda em relação aos movimentos das estruturas concomitantes. Mas quiséramos. arrebata seus tempos particulares de cores diversas: sim. O tempo social é simplesmente uma dimensão particular de determinada realidade social que contemplo. i iiir. no eixo de nossas exigências habituais.de que ela se reveste. do tempo da história. é um dos sinais outros . repito-o. Do mesmo modo. o regime político ou a ordem social que aborda. muito polêmico uGeorges Gurvitcli et Ia disco?tinuité du social*. tal como o tempo da coiijuntu!-a que Ernest Labrousse descreve no início de seu livra:'!). Annaler E. Cahiers de I'lnstitut de Science economiquc Appliquée. o das temporalidades. tudo acaba pelo tempo. O tempo da história prestar-se-ia menos. Essas reflexões ao contrário. Interior a essa realidade como pode sê-10 entre a determinado indivíduo. Longa duração. pois todos se medem por uma mesma escala. aceitamos de bom grado a explicação que a observação histórica confirma de resto. 1953. tempo como que exterior aos homens. Os ciclos econômicos. Uma crise estrutural social deve. - 39.F. o tempo imperioso do mundo. que os impele. medida particular a cada um desses fenômenos. repugna à estrutura profunda de nossa profissão. 1944. não aceitam essa noção muito simples. Patis. não sente jamais esse peso do tempo da história. P. Ora. fora do tempo do mundo. os grupos sociais. L'e~Ógen~". Paris. deter-se. um tempo matemático e demiúrgico. 547-361. Para o historiador. com ou sem razão. participar em espírito de um desses tempos. Estão muito mais próximos da Dialectique de lu durée. ontem. O sociólogo não é incomodado por esse tempo complacente que. chepndo 11 rtiw iciiiio. IntroduGáo. uma das propriedades que a marcam como ser particular. evento se encaixam sem dificuldade. igualmente. Um filÓsof04~ não O definia. . de um tempo concreto.. quase fraternal de Georges Gurvitch. 3: pp. uma imagem imóvel. np I.. O que interessa apaixonadamente um historiador. atento ao aspecto subjetivo. é claro. Série M. Esse desacordo é mais profundo do que parece: o tempo dos sociólogos não pode ser o nosso. é participar de todos. diriam os economistas. 1950. saber a duração precisa desses movimentos. sem dúvida. fluxo e refluxo da vida material. fechar. as sociedades globais os tempos. P. O vasto edifício social (diremos o modelo?) de Georges Gurvitch se organiza segundo cinco arquiteturas essenciaid2: os patamares em profundidade. se medem.. Nosso tempo é medida. corre o mundo. mesmo nele.C. 42. através do tempo. ERNEST LABROUSSE. De fato.U. é o entrecruzamento desses movimentos. conjuntura. sua interação e seus pontos de ruptura: coisas todas que só podem se registrar em relação ao tempo uniforme dos historiadores. 2r ed. cortar. referir-se no tempo. GILLES GRANGER. nem suas temporalidades. medida geral de todos esses fenômenos. Quando um sociólogo nos diz que uma estrutura não cessa de se destmir senão para se reconstruir. interior à noção do tempo. mas as fragmentações dessa duração. universal.depois. Ver meu artigo. como o dos economistas. esses fragmentos se reúnem ao termo de nosso trabalho. o mais novo. cssns fugas sucessivas não o repelem em definitivo. à vontade. e não ao tempo social multiforme. 41. à vontade. pp. La crise de l ' i c o n o m i ~ /rançaire à lo ueille de Ia Riuolulion françaire. o historiador não reconhece nem suas durações. tudo começa. as durações que distinguimos são solidárias umas com as outras: não é a dcração que é tanto assim criação de nosso espírito. tnesmo quando penetra na sociologia acolhedora. considerar tudo de novo a ~ r t + r i i i t . imperioso porque irreversílrel e porque corre no próprio ritmo da rotação da Terra.F. ele - pode. Mas.. um historiador as formula. idêntico em toda parte a si mesmo. 4142. Eudnemcnt et Slruclure dons Ies Scienccs de l'homme. Os sociólogos. os constrange. qualquer que seja o país onde desembarca. as sociabilidades. tal como a apresenta Gaston Bachelard". como um viajante que. recolocar em movimento.U. impõe os mesmos constrangimentos. 40. esse último andaime. ver tudo girar à volta: a r operaçAo tem coiii o que tentar um historiador. positivos ou negativos. comc aquele que "encurrala a sociologia na história"? Ora. O filósofo. do qual seria fácil sorrir. ao duplo jogo ágil da sincronia e da diacronia: quase não permite imaginar a vida como um mecanismo cujo movimento podemos parar para dele apresentar.S.

reforça o ponto de vista deles quando. encerrado numa pele de bode. ou Tintoretto como um pequeno-burguês. E m todo caso.. que os acantona seja no factuel'mais estrito.. os grupos. assume a dimensão desses domicílios e de suas exigências. por natureza. como que suspenso acima do tempo. Cf. em recentes artigo+. seu leitmotiv exposto com insistêricia. sempre atual. da realidade abundante do factual. o tempo em atraso sobre si próprio e o tcmpo dc altcrii5iicia cntre atraso e avanço. historiadores. o tempo em avaiico sobre si próprio. pp. O gênio de Marx. Alcançá-las-ia ainda melhor se a ampulhetâ fosse inclinada nos dois sentidos .Flaubert. . Estas têm a cumplicidade dos sacrossantos programas da Universidade. É pedir muito. E uma maneira diferente de reescrever. O marxismo é uma multidão de modelos. Mas a cada vez. com um sinal suplementar. mas contra a utilização que dele se faz. as mesmas equações. segundo os "patamares". desejar que a um dado momento de seus raciocínios. a linha mais útil para uma observação e uma reflexão comuns às ciências sociais. nov. os sociólogos escapam quase sempre: evadem-se ou no instante. Não é à história que os sociólogos. as sociedades globais. não é útil repetir. A história está ausente dela. O tempo do mundo. Dítcrminismcs sociaux r t Liberid humaiiie. Duvido. Protestarei como ele. essa realidade que permanece violenta. portanto. o tempo histórico aí se encontra. ou nos fenomenos de repetição que não são de nenhuma idade. o esquematismo. . inclusive entre historiadores de opiniões diferentes! 43. I i I I l i 1 1 Não sei se esse artigo muito claro. Cada realidade social secreta seu tempo ou suas escalas de tempo. não contra o modelo. querem mal. como vulgares conchas. o tempo cíclico.U. a longa duração nos parece. a todos os movimentos em que ela pode decompor-se. quando se tiver "situado" Flaubert como um burguês. o tempo de pulsação irregular. Como o historiador se deixaria convencer? Com essa gama de cores. Paris. GEORGES GURVITCH. final e incoilscientemente. JEAN-PAUL SARTRE. Sartre protesta contra a rigidez. seja na duração mais longa. se aloja muito naturalmente entre os outros. o tempo. ganhamos com isso? A imensa arquitetura dessa cidade ideal permanece imóvel. Ler T c m p s Modcrnes. que esse tempo camaleão assinala sem mais. ser-lhe-ia impossível reconstituir a luz branca unitária. As temporalidades de Georges Gurvitch são múltipl. Ele percebe também rapidamente. Estou efetivamente de acordo. Valéry. Ele distingue toda uma série: o tempo de longa diiração e em ritmo mais lento. nesse leque. Essa pesquisa vai da superfície às profundezas da história e atinge minhas próprias preocupações. o tempo ilusão de óptica ou o tempo surpresa. Essa evasão é lícita? Aí reside o verdadeiro debate entre historiadores e sociólogos. mas ao tempo da história. querendo protestar contra o que. 38-40 e passim. sem modificá-las.F. Jean-Paul Sartre ao contexto estrutural e profundo. o segredo de 44. as sociabilidades. reconduzam a esse eixo suas constatações ou suas pesquisas? Para os historiadores. no marxismo. diversificá-la. P. terá a aquiescência dos sociólogos e de nossos outros vizinhos.sendo também o último construído e como que sobreposto ao conjuiito. Jean-Paul Sartre. seguir-se-ia uma inversão do vapor: é para a história curta que vão. mas como o vento em Eolo. depois das estruturas e dos modelos para o evento. Fragment d'un livre B paraltre tur le Tintoret. 1955. Nem tudo está dito. o estudo do caso concreto .is. . e artigo citado precedentemente. ou a política exterior da Gironda . por uma marcha oposta do espírito.reconduz. (em estes ou aqueles matizes a menos). último a cnegar. em nome do particular e do individual. segundo o hábito dos historiadores. h guisa de conclusão. ele o faz em nome do biográfico. mesmo se se procura arranjá-la. a dedicar uma atenção privilegiada à duração. que não serão todos da minha opinião. finalmente. as categorias anteriormente distinguidas. a nossos vizinhos. Se a história está destinada. com um toque de cor. instintivamente.do evento para a estrutura. Essa coerção à qual o historiador nunca escapa. é ao mesmo tempo demasiado simples e demasiado pesado. que muitos se julgaram autorizados a fazer. . Na cidade de nosso amigo. o tempo explosivof". a insuficiência do modelo. Mas o que nós. muito amparado. suas preferências. que lhe é indispensável. 1957.

. Rauue de synfh2se h i ~ f o r i q u e 1903.seu poc. o que é ou nHo 6 estrutura . em lugar de pensar tempo e espaço. I 1 i Entretanto. a um passado cada dia mais recuado. que orientariam uma pesquisa coletiva. mas as antigas. a ecologia. Sinico. está semeado por nossos canteiros de obra. A geografia se considera m u i b frequentemente como um mundo em si. dar-se-ia o passo na pesquisa geográfica. se existem linhas. as linhas. provisoriamente. VAN DER SPRENKEL. sua trama seria posta em evidência porque é sólida e bem tecida. Os modelos espaciais são esses mapas onde a realidade social se projeta e parcialmente se explica. ~ . através de nossas pesquisas. redução ao espaço. Que procurem antes traçar. . e mais ainda o XVI. apliIII. para o sociólogo. B 45. priliipii~i (1 (11111 ) i 1 1 1 VI-IIIIIIII'II IIY iiiotlrlos sociais. as tentativas das novas matemáticas sociais. chamo-as pessoalmente: matematização.d a r i a espaço e realidade social. e a 11111 111 i111 III~I. . Digamos a geografia. I ri. 239. O século XVIII europeu.. mas matizada. Sem dúvida. mas há equipes de calculadores e máquinas de calcular. Ao IIII\W cluc. p.i' Ela teria necessidade de um Vidal de La Blache que. bem ou mal. a todas as sociedades. por outros modelos. OTTO BERKELBACH. dêem lugar a uma "concepção (cada vez) mais geográfica da humanidaden4B. sem que ele o confesse sempre.desejaria que as ciências sociais.cs~* ~ ~ ~ l ~ 1ti .A. . reapareceria sem cessar. aZur Finani-und Agrargeschichte der Ming Dpastie 13681643>s. transportando-os sobre os rios mutantes do tciiipo. uma última família de modelos. limitou-se o poder criador da mais poderosa análise social do último século. Existem outras. . a partir desses cálculos e pesquisas. cxp1iciiçU0 prévia. Mas toda ciência vai assim do complicado ao simples. Mas a ciência social os ignora de maneira espantosa. de serem definidas por outras regras e. bem como os temas que permitiriam atingir uma primeira convergência. V I . Ecologia: a palavra. .pois esse artigo tem um fim prático .\ ~ o d OS s ~ lugares. Ela não poderia reencontrar força e juventude senão na longa duração . para falar a verdade: a redução necessária de toda realidade social ao espaço que ela ocupa. que ele revela à observação atenta. a estatística simplifica para melhor conhecer. de esquivar os problemas que o espaço coloca e. como Vidal de La Blache o pedia já em 1903. por conseguinte.EGER. cujo espírito e as lições não nos consolaríamos em ver traídos. ao mesmo tempo. por seu lado. modelos. iIr. . I . as profundezas do passado chinês4. ~Population Statistiw of Ming China*. cujo triunfo é patente em economia . Na prática . Assinalei. presa ao modelo pelo modelo? O que eu quisera sublinhar também para concluir é que a longa duração é apenas uma das possibilidades de linguagem comum em vista de uma confrontação das ciências sociais. Acrescentarei eu que o marxismo atual me parece a própria imagem do perigo que espreita toda ciência social apaixonada pelo modelo no estado puro.O.não merecem esta ou aquela reflexão desabusada.S. É preciso que todas as ciências sociais. Assim. . . na verdade. B. sem nos deter muito nessas diferenças de vocabulário. no seu conjunto.S. Creio na utilidade das longas estatísticas. E nos problemas de conjunto das ciências do homem que. longa duração. Imensos cálculos nos esperam nesse domínio clássico. no necessário remontar.talvez a mais avançada das ciências do homem .III11111 II~. portanto. alternadamente esfumaçada ou avivada pela presença de outras estruturas suscetíveis. v ~rrl ~ ~Iiilo~ tlc ~q~ 1 d o i o l ~ 1 i ic IIO ~ l 1. e é pena.. dia a dia mais aperfeiçoadas.I~O I~istOricn.. mais ainda. Pensei muitas vezes que uma das superioridades francesas nas ciências sociais era essa escola geográfica de Vidal de La Blache. desta vez. Essas linhas. cessassem de tanto discutir sobre suas fronteiras recíprocas. VIDAL DE LA BLACHE. para todas as categorias do social. sobre o que é ou não é ciência social. para todos os movimentos da duração e sobretudo da longa duração. MARIANNE RI.. 1953. I P. elas próprias. que não se esqueça uma Última linguagem. mas já o XVII.1. é uma maneira de não dizer geografia e. Estatísticas de uma dimensão inaudita nos abrem por sua linguagem universal. Mas estaria curioso para conhecer aquelas que outros 46. 1932. automática. também. Eses modelos IIIIIII~~ I IIII~!~~IIIIIIIY NIIII simplicidade ao lhes ser dado 1111 VI~IIII 11. . As novas me seduzem.

I I + r * / í ' ~ I ~ I I / J ~ I ~ . no que cri1 II:I~ concerne à sua especialidade.S..C. n9 1. UNIDADE E DIVERSIDADE DAS CIÉNCIAS DO 1-IOMEM1 A primeira vista .~I~~I. Rcuuc ds l'tnreigncment rupe"aur. pp. o que é menos justificável. 17-22. difícil de formular e de promover. estreitamente. 1960. Essas páginas são um chamado à discussão. mas pela diversidade entranhada. I 1.III .ao menos se se participa por pouco que seja em seu processamento . 47. como outras tantas carreiras. IIIII. YPretende por não resolver proIII~. estrutural. para dizer tudo. se expõe a riscos evidentes. e se apresentam como outras tantas pátrias.lii. é necessário III~IIII I. 78 . i i I 4.IIIII~ que infelizmente cada um de nós. Rubxica bem conhecida dor Annolcr (E.. com suas regras. linguagens e também. a s ciências humanas nos impressionam não pela unidade. Elas são desde logo elas mesmas.?. 11 IIIIII. afirmada. / I . antiga.. I.).à primeira vista. i l ~ l i r 1111 IUII IICIISO colocado sob a rubrica ~'~. I ' o i s ÇSSC artigo.

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