Autor: Filipe R. S.

Moreira – (ITA – SP) Revisão: Thiago da Silva sobral – (ITA – SP) Nível intermediário

SOMATÓRIOS
Muitas vezes precisamos escrever somas de muitas parcelas, às vezes até infinitas delas e para isso usamos uma notação muito especial que facilita a nossa vida.

1. Notação: a1 + a 2 + ... + a n = ∑ a k
k =1

n

2. Propriedades de somatórios:
• Dem.: • Dem.: Seja c uma constante real, então:

∑ ca
k =1

n

k

=c

∑a
k =1

n

k


k =1

n

ca k = ca1 + ca 2 + ... + ca n = c(a1 + a 2 + ... + a n ) = c
n

∑a
k =1

n

k


k =1
k

( a k ± bk ) =


k =1

n

ak ±

∑b
k =1

n

k

∑ (a
k =1

n

± bk ) =(a1 ± b1 ) + (a 2 ± b2 ) + ... + (a n ± bn ) = (a1 + a 2 + ... + a n ) ± (b1 + b2 + ... + bn ) =

=


k =1

n

ak ±
n

∑b
k =1

n

k

⎛ n c ( a k ± bk ) = c ⎜ ak ± ⎜ k =1 ⎝ k =1 Dem.: Análoga às outras.


n k =1

∑b
k =1

n

k

⎞ ⎟ ⎟ ⎠


n

∑1 = n

Dem.:

∑1 =∑ k
k =1 k =1

n

n vezes 0

= 1 + 2 + ... + n = 1 + 1 + ... + 1 = n
0 0

3. Técnicas para computar somas: a-) Perturbação de somatórios:
Esta é uma técnica muito legal e prática e para ser usada devidamente é necessário que se ganhe um tempo estudando opções que melhor satisfaçam os problemas. Basta acrescentar ao somatório o próximo termo e assim reescrever o somatório de forma conveniente para que termos se cancelem e facilite o cálculo. Vamos ver alguns exemplos!! Vamos calcular

∑k
k =1 n

n

2

. Como foi dito, temos que escolher o melhor somatório para perturbar, nesse caso

vamos perturbar a soma dos cubos.

∑k
k =1 n k =1

n

3

+ (n + 1) 3 =
n 3

∑ (k + 1)
k =0

3

= 1+

∑ (k + 1)
k =1 n

n

3

=1 +
2

∑ (k
k =0

n

3

+ 3k 2 + 3k + 1) = 1 +

∑k
k =1

n

3

+3

∑k
k =1

n

2

+3

∑k +
k =1

n

∑1 = ∑ k
k =1

+ n 3 + 3n 2 + 3n +1 ⇒

3

∑k
k =1

= n 3 + 3n 2 + 2n - 3

∑k
k =1

n

Autor: Filipe R. S. Moreira – (ITA – SP) Revisão: Thiago da Silva sobral – (ITA – SP) Nível intermediário
Mas, Então,

∑ k é soma de P.A, assim, ∑ k =
k =1 n k =1

n

n

n( n + 1) . Logo, 3 2

∑k
k =1

n

2

= n 3 + 3n 2 + 2n - 3

n( n + 1) 2

∑k
k =1

2

=

2n + 3n + n . 6
3 2

Outro exemplo, vamos resolver


k =1 n

n

kk ! Para isso, vamos perturbar (k + 1) ! = 1 +
n

∑k!
k =1

n


k =1

n

k ! + (n + 1)! =
n


k =0

n

(k + 1) ! = 1 +
n


k =1

n


k =1

n

(k + 1)k ! = 1 +


k =1

n

kk ! +

∑k!⇒
k =1

n

∑ k ! + (n + 1)!= 1 + ∑ kk ! + ∑ k !
k =1 k =1 k =1

∑ kk ! = (n + 1)!− 1 .
k =1

Treinando:
1-)

∑ k2
k =1

n

k

⎡ n ⎤ 2-) Prove que k − ⎢ k ⎥ = 0. ⎢ k =1 ⎥ k =1 ⎣ ⎦

n

3

2

3-) Calcule o resto da divisão de 4-) Calcule 3

∑ (k
k =1

n

2

+ 3k + 1)k! por 2002. em função de n.


k =1

n

(k 2 − 2) 2 + 2

∑ (k + 1)
k =1

n

2

Desafio: Calcule por perturbação de somatórios b-) Operador diferença:

∑ sen(kx) .
k =1

n

Essa é uma técnica muito interessante e poderosa que resolve muitos tipos de somatórios. Basta descobrir uma função contínua no intervalo que compreende o intervalo da soma, que quando aplicado o Δf (k ) resulte no somatório que queremos calcular. Def.: Δf (k ) = f (k + 1) − f (k ) . Calculando

∑ Δf (k ) temos que:
k =1

n

∑ Δf (k ) = f (n + 1) − f (1) .
k =1

n

Dem.:

∑ Δf (k ) = ( f (n + 1) − f (n)) + ( f (n) − f (n − 1)) + ... + ( f (2) − f (1)) = f (n + 1) − f (1) .
k =1

n

Observa-se então o porquê de essa ser uma técnica muito poderosa, temos uma fórmula pronta para resolver qualquer somatório, desde que se descubra uma função que quando aplicado o Δf (k ) encontre-se a “cara” do somatório que queremos. Vamos ver alguns exemplos: Vamos calcular o mesmo somatório anterior: Solução: Seja f (k ) = k! assim, Δf (k ) = (k + 1)!−k! = (k + 1)k!−k! = k!(k + 1 − 1) = kk!

∑ kk !
k =1

n

Autor: Filipe R. S. Moreira – (ITA – SP) Revisão: Thiago da Silva sobral – (ITA – SP) Nível intermediário
Logo,

∑ Δf (k ) = ∑ kk! = f (n + 1) − f (1) = (n + 1)! − 1 .
k =1 k =1

n

n

Vamos calcular

∑ sen(kx) . Seja f(k) = cos((k+b)x).
k =1

n

Δf (k ) = cos((k+1)+b)x – cos((k+b)x) =

⎛ ⎛ 2k + 1 + 2b ⎞ ⎞ ⎛ x ⎞ = − 2 sen⎜ ⎜ ⎟ x ⎟ sen⎜ ⎟ . Fazendo 1 + 2b = 0 , temos b = -1/2. ⎜ ⎟ 2 ⎠ ⎠ ⎝2⎠ ⎝⎝ 1⎞ ⎛ x⎞ ⎛ Assim, f (k ) = cos⎜ k − ⎟ x e Δf (k ) = −2sen(kx) sen⎜ ⎟ . 2⎠ ⎝2⎠ ⎝
n

⎜ ⎟ ∑ Δf (k ) = cos⎛ (n + 1) − 2 ⎞ x − cos⎜ (1) − 2 ⎟ x = cos⎜ n + 2 ⎟ x − cos⎜ 2 ⎟ = − 2sen⎜ ⎝ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ 1
k =1

1⎞

1⎞

⎛x⎞

⎛ (n + 1)x ⎞ ⎛ nx ⎞ ⎟ sen⎜ ⎟ ⇒ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠

⎛ (n + 1)x ⎞ ⎛ nx ⎞ sen⎜ ⎟ sen⎜ ⎟ ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠. sen(kx) = ⎛x⎞ k =1 sen⎜ ⎟ ⎝2⎠
n

Treinando:
1-) Calcule

∑ cos(a + kx)
k =1 44 k =0

n

a, x ∈ ℜ .

2-) Prove que

∑ cos(2k + 1) + cos1 = 1 .
2sen1

3-) Sejam S = sin 4 2º + sin 4 7 º + sin 4 12 º +... + sin 4 82 º + sin 4 87 º e

T = cos 4 3º + cos 4 8º + cos 4 13º +... + cos 4 83º + cos 4 88º . Determine S + T.
4-) Calcule os mesmos somatórios do item anterior agora com a técnica do operador diferença.

c-) Soma de derivadas:
Existem alguns somatórios que o termo geral é parecido com a derivada de uma função que sabemos somar. Por exemplo, temos a soma

∑ k2
k =1

n

k

em que os termos são da forma kx k são muito parecidos com

kx
n k =1

k −1

que é a derivada de x k que é uma PG e que a soma é conhecida. Para calcular o somatório
k

∑ kx

basta dividir o termo geral por x, integrar o termo geral resultante, que vai se tornar uma PG, somar

essa PG, derivar a resposta e depois multiplicar por x. Isto é possível porque a soma das derivadas é a derivada da soma. Vale salientar que para que essa técnica funcione sempre, é necessário que a função com a qual se parece o termo geral do nosso somatório, seja contínua no intervalo que compreende o intervalo do somatório Vejamos:

∑ kx
k =1

n

k

=x

∑ kx
k =1

n

k −1

⎛ d⎜ ⎜ =x ⎝

∑x
k =1

n

k

dx

⎞ ⎟ ⎟ ⎠ =x

⎛ x n +1 − x ⎞ d⎜ ⎜ x − 1 ⎟ nx n + 2 − ( n + 1) x n +1 + x ⎟ ⎝ ⎠ = , dx ( x − 1) 2

x ≠1.

Autor: Filipe R. S. Moreira – (ITA – SP) Revisão: Thiago da Silva sobral – (ITA – SP) Nível intermediário
Para o caso particular de x = 2 temos a seguinte expressão:

∑k2
k =1

n

k

= (n − 1)2 n +1 + 2 .

Obs.: É bom ficar claro que x ≠ 0 , até porque não faz sentido o cálculo de uma soma em que todos os termos fossem zero pois o resultado seria trivial.

d-) Soma de números binomiais:
Esta técnica envolve um conhecimento prévio de raízes da unidade. Essa associação é usada, porque ∞ ⎛n⎞ ⎜ ⎟ = 2 n (basta somar os temos algumas informações sobre os binomiais, por exemplo sabemos que ⎜k ⎟ k =0 ⎝ ⎠

números das linhas do triângulo de pascal) e sabemos que na equação
=0

Z n = 1, Z ∈ C ,

Z − 1 = ( Z − 1)( Z
n

n −1

+Z

n−2

+ ... + Z + 1) = 0. Para a demonstração dessa propriedade, basta calcular o

⎛ 2π ⎞ somatório abaixo e para isso basta substituir x por ⎜ ⎟ na expressão encontrada no exemplo de soma de ⎝ n ⎠ senos em PA e também no exercício proposto de soma de cossenos em PA. Acompanhe o raciocínio abaixo: n −1 n −1 n −1 n −1 ⎛ ⎛ 2kπ ⎞ ⎛ 2kπ ⎞ ⎛ 2kπ ⎞ ⎛ 2kπ ⎞ ⎛ 2kπ ⎞ ⎞ cis⎜ cos⎜ Vejamos: ⎟ + i sin⎜ ⎟= ⎟ = ⎜ cos⎜ ⎟ + i sin⎜ ⎟⎟ = ⎟ ⎜ ⎝ n ⎠ k =0 ⎝ n ⎠ ⎝ n ⎠ k =0 ⎝ ⎝ n ⎠ ⎝ n ⎠ ⎠ k =0 k =0

=

sin (n − 1)π cos(n − 2)π sin (n − 1)π sin (n − 2 )π = 0, ∀n ∈ Z . +i π⎞ ⎛π ⎞ ⎛ sen⎜ ⎟ sen⎜ ⎟ ⎝n⎠ ⎝n⎠ Vejamos um exemplo para a melhor compreensão. ∞ ⎛n⎞ ⎛n⎞ ⎛n⎞ ⎛ n⎞ ⎛n ⎞ ⎛ 2π ⎞ ⎜ ⎟=? Seja Z = cis⎜ (1 + 1) n = ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ + ... ⎟, Z ∈ C ⎜ 0 ⎟ ⎜1 ⎟ ⎜ 3k ⎟ ⎜2⎟ ⎜3 ⎟ ⎝ 3 ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ k =0 ⎝ ⎛n⎞ ⎛ n⎞ ⎛ n⎞ ⎛n⎞ (1 + Z ) n = ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ Z + ⎜ ⎟ Z 2 + ⎜ ⎟ + ... ⎜ 0 ⎟ ⎜1 ⎟ ⎜2⎟ ⎜3 ⎟ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠

=1

lembrando que Z 4 = Z 3 .Z = Z
n n

⎛n⎞ ⎛n⎞ ⎛n⎞ ⎛ n⎞ (1 + Z 2 ) n = ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ Z 2 + ⎜ ⎟ Z + ⎜ ⎟ + ... ⎜ 0 ⎟ ⎜1 ⎟ ⎜2⎟ ⎜3 ⎟ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠
= zero

⎛⎛ n⎞ ⎛ n⎞ ⎛ n⎞ ⎞ ⎛⎛n⎞ ⎛ n⎞ ⎛ n⎞ ⎞ (1 + 1) + (1 + Z ) + (1 + Z ) = 3⎜ ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ + ... ⎟ + (1 + Z + Z 2 )⎜ ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ + ...⎟ + ⎜ ⎜1 ⎟ ⎜ 4 ⎟ ⎜ 7 ⎟ ⎟ ⎜⎜0 ⎟ ⎜3 ⎟ ⎜6 ⎟ ⎟ ⎝⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎠ ⎝⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎠
2 n
∞ ⎛⎛ n⎞ ⎛ n⎞ ⎛ n⎞ ⎞ ⎛n ⎞ + (1 + Z + Z 2 )⎜ ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ + ...⎟ = 3 ⎜ ⎟ ⇒ ⎜ 3k ⎟ ⎜⎜ 2 ⎟ ⎜5 ⎟ ⎜8 ⎟ ⎟ ⎠ k =0 ⎝ ⎝⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎠

= zero

∑ ⎜ 3k ⎟ = ⎜ ⎟ ⎝ ⎠
k =0

⎛n ⎞

(1 + 1) n + (1 + Z ) n + (1 + Z 2 ) n 3

=

(1 + 1) + (− Z ) + (− Z ) 3
n

2 n

n

.

⎛π ⎞ ⎛ π⎞ Da figura: (− Z 2 ) = cis⎜ ⎟ e (− Z ) = (− Z 2 ) = cis⎜ − ⎟ . 3⎠ ⎝ ⎝ 3⎠


=

(1 + 1) n + (cos(60n ) + isen(60n )) + (cos( −60n) + isen( −60n)) = 3 ⎛ nπ ⎞ 2 n + 2 cos⎜ ⎟ ⎝ 3 ⎠. = 3 OBS.: Há uma propriedade importante sobre soma de binomiais. Veja:

⎛n ⎞ (1 + 1) n + (cos 60 + isen60) n + (cos( −60) + isen(−60)) n ⎜ ⎟= ⎜ 3k ⎟ 3 ⎠ k =0 ⎝

=

Autor: Filipe R. S. Moreira – (ITA – SP) Revisão: Thiago da Silva sobral – (ITA – SP) Nível intermediário
⇒ Absorção:

⎛n⎞ ⎜ ⎟= ⎜k ⎟ k =r ⎝ ⎠
s

∑ k ⎜ k − 1⎟ . ⎜ ⎟ ⎝ ⎠
k =r

s

n ⎛ n − 1⎞

⎛n⎞ ⎜ ⎟= Dem.: ⎜k ⎟ k =r ⎝ ⎠

s


k =r

s

n! = k!(n − k )!


k =r

s

n (n − 1)! = k (k − 1)!((n − 1) − (k − 1))!

∑ k ⎜ k − 1⎟ ⎜ ⎟ ⎝ ⎠
k =r

s

n ⎛ n − 1⎞

Treinando:
1-) Calcule 2-) Calcule 3-) Calcule 4-) Calcule

∑ ⎜ 3k + 1⎟ ⎜ ⎟ ⎝ ⎠
k =0

n ⎞

∑ ⎜ 4k + 1⎟ ⎜ ⎟ ⎝ ⎠
k =0

n ⎞

∑ ⎜ 3k ⎟k8 ⎜ ⎟ ⎝ ⎠
k =0

⎛ n⎞
n

k

∑ ⎜ 4k + 2 ⎟(8k ⎜ ⎟ ⎝ ⎠
k =0

2

+ 6k + 1)16 k

4. Desafio final:
Para resolver essa questão não é necessário o conhecimento de nenhuma das técnicas acima mostradas, porém é preciso bastante raciocínio e domínio das propriedades de somatórios. Prove que:

1 π2 ∑ k2 = 6 . k =1

Sugestão: Calcule

∑ cot
k =1

n

2

⎛ kπ ⎞ ⎜ ⎟ ⎝ 2n + 1 ⎠

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful