EXPEPIÈNCIA ESTETICA E

EXPEPIÈNCIA hE0IA0A

CUIhAPÅES, César CeraIdo
0outor; Professor do Programa de Pos·Craduação em
ComunIcação da UnIversIdade Federal de |Inas CeIraIs
(UF|C).
cesargg6@gmaIl.com

LEAL, ßruno Souza
0outor; Professor do Programa de Pos·Craduação em
ComunIcação da UnIversIdade Federal de |Inas CeIraIs
(UF|C).
brunosleal@gmaIl.com













PESUhD
D que ImplIca o adjetIvo "medIada" quando usado para
qualIfIcar experIëncIas: Este artIgo retoma essa dIscussão,
buscando evItar tratar a experIëncIa medIada sob o ângulo
maIs frequente da medIatIzação e/ou sequestro da
experIëncIa. Para tanto, elege como ponto de Inflexão a
exIstëncIa de dImensões estétIcas na experIëncIa das midIas e,
num exercicIo comparatIvo, contrasta doIs modos dIstIntos de
medIação e de conformação da experIëncIa: a televIsão e o
documentárIo.

PaIavras-chave: ExperIëncIa. TelevIsão. 0ocumentárIo.


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ExperIëncIa estétIca e experIëncIa medIada
Ìntexto, Porto Alegre: UFFCS, v. 2, n. 19, p. 1·14, julho/dezembro 2008.








1 hE0IAÇÅD E hI0IATIZAÇÅD
Nos estudos da comunIcação, é bem conhecIdo o uso do termo ¨sequestro" (THD|PSDN,
1998; FD0FÌCUES, 1994) para caracterIzar as transformações hIstorIcas que fIzeram
com que um leque de experIëncIas que os IndIviduos tInham nos contextos prátIcos da
vIda fossem reordenados e reconstItuidos pela Intervenção de sIstemas de
conhecImento (como a medIcIna e a psIquIatrIa no século XÌX, por exemplo) e a
presença de InstItuIções especIalIzadas (hospItaIs, asIlos, manIcomIos, prIsões, escolas
etc.). Ao retomar o conhecIdo texto de 8enjamIn ("ExperIëncIa e pobreza"), CIorgIo
Agamben (2005), por sua vez, lembra que a exproprIação da experIëncIa está ImplIcada
no projeto politIco e cIentifIco da |odernIdade. Para autores como 8acon e LeIbnIz,
por exemplo, a experImentação é o que constItuI a caução da experIëncIa. Sob esse
ponto de vIsta, quando separada dos quadros da tradIção, a experIëncIa passa a ocorrer
]orc do homem. Ao transformar a experIëncIa em algo calculável e mensurável, a
cIëncIa moderna a destItuI daquIlo que, para a tradIção, era seu maIor valor: a
autorIdade. Se no dominIo da tradIção - aquela na qual vIve o narrador benjamInIano
- a experIëncIa é algo fInIto (nos podemos të·la), no âmbIto do conhecImento
cIentifIco, InfInIto, nos podemos realIzá·la, mas sem ter a sua posse

(ACA|8EN: 2005,
p. 22·2J).
Para Thompson (1998), as relações socIaIs estabelecIdas pelos meIos de
comunIcação de massa - as ¨Interações quase medIadas¨ - se dIstInguem do caráter
continuo, ImedIato e pré·reflexIvo da experIëncIa vIvIda (Erlebnìs) em vIrtude dos
seguIntes aspectos: a) os eventos experImentados através da midIa estão espacIal e
temporalmente dIstantes dos contextos prátIcos da vIda dIárIa; b) a experIëncIa
medIada promove uma recontextualIzação dos eventos, já que estes ocorrem
orIgInarIamente em outros locaIs; c) ao contrárIo do fluxo continuo da experIëncIa
vIvIda, que é plenamente Integrada ao projeto sImbolIco do sel], a experIëncIa
medIada, de natureza descontinua, so ganha relevâncIa para o eu quando este pode
Incorporá·la reflexIvamente (THD|PSDN, 1998, p.197·199). Pode·se observar, no
entanto, que o racIocinIo de Thompson é baseado na perspectIva de que o evento
J
CUÌ|AFAES, César Ceraldo; LEAL, 8runo Souza
Ìntexto, Porto Alegre: UFFCS, v. 2, n. 19, p. 1·14, julho/dezembro 2008.
(notIcIado ou relatado) precede a medIação, como se esta mesma não se constItuisse
em um evento que afeta os sujeItos nos contextos de recepção. D referente ao qual o
enuncIado remete pode estar realmente dIstante espacIal e temporalmente do
contexto da vIda prátIca, mas, por outro lado, a enuncIação se dá nesse mesmo
contexto. Há de se perguntar aInda se é possivel dIstInguIr claramente onde a
experIëncIa em geral se separa da experIëncIa medIada. A noção revela·se maIs
problemátIca se pensarmos no caso dos produtos mIdIátIcos fIccIonaIs: não faz sentIdo
dIzer que eles estão dIstantes - no espaço ou tempo - do receptor.
D que queremos destacar, por ora, é facIlIdade com que, em muItos estudos no
campo da comunIcação, a noção de experIëncIa medIada foI quase que InteIramente
substItuida pela noção de medIatIzação da experIëncIa, como se um conjunto de
caracteristIcas proprIas da midIa - especIalmente da televIsão - se InfIltrasse
InextrIncavelmente no tecIdo da vIda socIal. Toda a socIedade, Imersa em um ¨sonho
acordado¨, passarIa a vIver em ¨estado de televIsão¨, para retomar a expressão de
8eatrIz Sarlo (1997). CuIllhermo Drozco·Comez, por sua vez, nota que a crescente
medIatIzação que reordena velozmente os referencIaIs da Interação socIal em seu
conjunto não chega a abranger InteIramente uma outra tendëncIa que ele chama de
audIentIzação, na qual adquIrem sentIdo ¨as Interações socIaIs bombardeadas
audIovIsualmente, e a partIr da qual se reconstItuem dIarIamente a cultura, a
cIdadanIa, os saberes e conhecImentos, as IdentIdades, as sensIbIlIdades, as
representações, as alIanças e o poder¨ (DFDZCD·CD|EZ, 2002, p.2J5). A fIgura da
experIëncIa medIada que pode ser extraida desse contexto caracterIzado por Drozco·
Comez é, sobretudo, negatIva. Para o autor, os processos medìcdos de televìdêncìc
manIfestam a crescente amplIação do ¨despoder dos sujeItos socIaIs¨, através, dentre
outros fatores, da ¨exuberâncIa medIátIca homogeneIzante, a petrIfIcação unIlateral
dos sIlëncIos audItIvos e vIsuaIs, o prolongamento das experIëncIas vIcárIas, a
exproprIação da expressão¨. (2002, p.2J5).
0Iante deste cenárIo, à espera de um novo quadro conceItual e procedImentos
analitIcos de maIor precIsão, a noção de medIação, utIlIzada pelo proprIo Drozco·
Comez e por Jesus |artIn·8arbero, ofereceu possIbIlIdades de se descrever maIs
detalhadamente o espelhamento entre a televIsão e seu publIco, nele encontrando algo
de verdadeIramente decIsIvo: entre a experIëncIa vIvIda e a experIëncIa medIada,
surgIa uma sérIe de dIstorções e refrações, além de zonas de opacIdade e até mesmo
de IndIscernIbIlIdade. Du então, nos termos de 8arbero (2001a): o eIxo sIncronIco das
relações entre as LogIcas de Produção dos meIos de comunIcação de massa e as
CompetëncIas de Fecepção desenvolvIdas pelos sujeItos é cortado pelo eIxo dIacronIco
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ExperIëncIa estétIca e experIëncIa medIada
Ìntexto, Porto Alegre: UFFCS, v. 2, n. 19, p. 1·14, julho/dezembro 2008.
das relações entre as |atrIzes CulturaIs (nas quaIs estão Imersos os sujeItos) e os
Formatos ÌndustrIaIs (confIguração Instrumental dos dIversos produtos mIdIátIcos).
As relações varIadas entre os quatro vértIces dessa fIgura (LogIcas de Produção,
CompetëncIas de Fecepção, |atrIzes CulturaIs e Formatos ÌndustrIaIs) são modulados
pelo que o autor denomIna medIações, e que assumem feIções as maIs dIversas,
possuIndo natureza e alcance bastante varIáveIs. AssIm é que a leItura estabelece a
medIação entre as estruturas da socIedade e a estrutura do texto; o heroI do folhetIm
fomenta a medIação entre a novela e o mIto; o baIrro (como lugar de prátIcas
cotIdIanas compartIlhadas) crIa a medIação entre o dominIo prIvado da casa e o espaço
publIco da cIdade; o gënero dIscursIvo promove a medIação entre o formato dos
produtos mIdIátIcos e os usos que os leItores/espectadores lhes concedem; o cotIdIano
famIlIar sustenta a medIação entre a codIfIcação televIsIva e a sua leItura.(8AF8EFD,
2001a). AssIm compreendIda, a noção de medIação deslIza por entre dominIos bem
dIstIntos: ora concerne à confIguração técnIca do dIsposItIvo (televIsIvo ou
cInematográfIco), ora ganha valor dIscursIvo (quando trata das marcas especifIcas de
um gënero textual), ou aInda dIz respeIto às prátIcas culturaIs que conformam o
contexto da recepção (SÌCNATES, 1999).
Para compensar em parte a amplItude que o termo medIação ganhou entre nos,
será precIso conceder·lhe uma delImItação, cIrcunscrevë·lo, restrIngIr mesmo seu
alcance. É justamente Isso o que faz Foger SIlverstone (2002), ao propor uma
aproxImação entre a medIação e o trabalho de tradução (InspIrado em Ceorg SteIner),
poIs ambas ImplIcam o ¨movImento de sIgnIfIcação de um texto para outro, de um
dIscurso para outro, de um evento para outro¨ (SÌL7EFSTDNE, 2002, p.JJ). Entretanto,
a medIação guarda suas dIferenças dIante da operação de tradução: ela rompe os
lImItes do textual e atravessa espaços e tempos heterogëneos; o trabalho do medIador,
que não pode ser equIparado ao de um autor, está lIvre da fIdelIdade ao seu objeto
(que pode, portanto, ser traduzIdo/traido sem restrIções) e é desenvolvIdo por
InstItuIções, grupos e tecnologIas. A medIação, enfIm, ¨não começa nem termIna com
um texto sIngular¨ (2002, p.J7): ela se expande, se multIplIca, se dIssemIna, até
alcançar a leItura e o leItor, que se engaja atIvamente na produção de sentIdo.
Entretanto, a ënfase que SIlverstone deposIta no caráter genérIco e fortemente
dessIngularIzante da medIação, bem como a não·explIcItação das determInações
(politIcas, economIcas, estétIcas, técnIcas) que fazem com que a traIção seja a pré·
condIção da operação de medIação, leva·nos a manter uma reserva quando a
empregamos como um adjetIvo ao lado do termo ¨experIëncIa¨. Tudo se passa como se
o atrIbuto (¨medIada¨) dImInuIsse o valor heuristIco e o desdobramento analitIco do
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conceIto de experIëncIa. Para usar uma expressão fortemente crItIcada no escopo
recente dos estudos em comunIcação, poderiamos dIzer que, assIm caracterIzada, a
noção de medIação vem ¨colonIzar¨ a noção de experIëncIa, restrIngIndo sobremaneIra
o alcance desta. ServIndo·nos da expressão cunhada por Drozco Comez, para evItar que
a noção de medIação seja engolfada pelo que ele chama de ¨vassalagem mIdIátIca¨,
será precIso reformular o conceIto de experIëncIa, à luz de um outro quadro
conceItual.
LouIs Quéré e Albert DgIen (2005) lembram que o conceIto de experIëncIa
legado pela tradIção fIlosofIca - e que utIlIzamos correntemente - é de natureza
empIrIsta: a experIëncIa é defInIda como a percepção e a recepção de um dado
sensivel, causador de sensações, de Impressões, de Imagens, de sIgnIfIcações
experImentadas como pertencentes ao que é vIvIdo de modo ImedIato pelo sujeIto.
Contrapondo·se a essa concepção, outras abordagens, como o pragmatIsmo e a
hermenëutIca, partIram da noção hegelIana de Er]chruny e conceberam a experIëncIa
como algo que pode se referIr tanto à experIëncIa estétIca quanto ao método
experImental das cIëncIas da natureza. 0o ponto de vIsta hermenëutIco, sublInham
Albert DgIen e LouIs Quéré,

a experIëncIa desIgna uma travessIa que modIfIca aquele que a
realIza. Esta travessIa é uma prova, e pode ser ocasIonada pela
confrontação com um texto, uma obra de arte, um acontecImento ou
uma sItuação. ÌmplIcando a exploração e explIcação dos efeItos de
Interação que a funda, ela é fonte de descobertas sobre o mundo e
sobre sI, e revela novas possIbIlIdades de compreensão e de
Interpretação. Ela é produtora não somente de verdade, seja sob a
forma de conhecImento ou compreensão, mas também de
IndIvIdualIdade (aquela do acontecImento, da sItuação, do texto ou
da obra ImplIcada) e de IdentIdade (aquela de quem faz a
experIëncIa e é guIado por ela. (QUEFÉ,DLCÌEN, 2005, p J7·J8).

0o ponto de vIsta do pragmatIsmo, John 0ewey (1980) oferece uma
contrIbuIção decIsIva, frequentemente evocada, mas relatIvamente pouco explorada
em sua dImensão analitIca. Nas suas reflexões sobre "arte como experIëncIa", o
fIlosofo amerIcano afIrma a experIëncIa como o resultado "[d]a Interação entre a
crIatura vIva e algum aspecto do mundo em que ele vIve" (1980, p.44). AssIm sendo,
ela ocorre contInuamente, como num fluxo, aInda que as partes, os momentos que o
constItuem mantenham sua IdentIdade, por maIs Interconectados que estejam. Sendo
"Interação", a experIëncIa para 0ewey está ImplIcada nas condIções e nas dImensões
concretas da relação do IndIviduo com o ambIente e, consequentemente, não pode ser
caracterIzada por outro aspecto exclusIvamente. Em outras palavras: a "experIëncIa"
exIge a mobIlIzação sensorIal e fIsIologIca do corpo humano; ela é uma atIvIdade
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ExperIëncIa estétIca e experIëncIa medIada
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prátIca, Intelectual e emocIonal; é um ato de percepção e, portanto, envolve
Interpretação, repertorIo, padrões; exIste sempre em função de um "objeto", cuja
materIalIdade, condIções de aparIção e de cIrcunscrIção hIstorIca e socIal não são
IndIferentes.
Se a "experIëncIa" é assIm cotIdIana e relacIonal, ela não deIxa de ser
tensIonada pela IndIferença e pela IntensIdade. 0ewey afIrma IncIsIvamente a dIstâncIa
entre "ter experIëncIa" e "ter umc experIëncIa". No prImeIro caso, "coIsas acontecem,
mas elas não são nem defInItIvamente Incluidas nem decIsIvamente excluidas: nos
somos levados pela corrente. [...] Uma coIsa substItuI outra, mas não a absorve e segue
em frente. Há experIëncIa, mas tão frouxa e dIscursIva que não é umc experIëncIa"
(1980, p.40). Entre umc e outras, o que as dIstIngue é a unIdade da prImeIra e a
dIspersão, a monotonIa das demaIs. Se experIëncIa é o resultado da Interação, o que
0ewey observa é que esta ultIma pode ser rotIneIra, mera repetIção, submIssa a
convenções prátIcas e procedImentos IntelectuaIs e, consequentemente, dIspersa,
fragmentada. Por outro lado, essa Interação pode Integrar as várIas capacIdades
humanas, pode mobIlIzá·las lIvremente de modo que seu resultado seja umc
experIëncIa Integral, forte, de rara IntensIdade.
Nessa perspectIva, como qualIfIcar uma ou qualquer experIëncIa como
medìcdc: D que ImplIca o uso do adjetIvo: A partIr de 0ewey, a ImportâncIa do
medIador, do "objeto" da Interação, da qual a experIëncIa é resultado, torna·se
fundamental. AfInal, dIz ele, o "objeto" ou a "obra" deve apelar ao sujeIto, deve
mobIlIzá·lo de modo a estImular sua percepção estétIca. Sob esse ponto de vIsta,
notam DgIen e Quéré, fazer uma experIëncIa ImplIca uma experIëncIa atIva com as
coIsas, na qual um organIsmo experImenta seus poderes atIvos sobre o mundo que o
rodeIa, nele provocando modIfIcações que retornam sobre ele (o organIsmo), e o
afetam, modIfIcando suas condIções de exIstëncIa (2005, p.42).
0o ponto de vIsta hIstorIco, multIplas foram - e aInda são - as fIguras tomadas
pela experIëncIa. Na verdade, é Impossivel encontrar uma fIgura unIca capaz de
sIntetIzar os traços da experIëncIa em nossos dIas, seja qual for o nome que lhe
dermos, emprestado aos jargões acadëmIcos em moda ou ao dIscurso das midIas - do
jornalIsmo ao entretenImento - em sua ânsIa de nos oferecer dIarIamente a cronIca do
atual, seja sob o modo de uma etnografIa InvoluntárIa do InsIgnIfIcante (como em
tantos programas dedIcados ao comportamento e às preferëncIas de qualquer um,
eleIto momentaneamente "estrela" do banal), seja sob o modo da exIbIção dos
horrores e das crueldades de todas as ordens (das guerras aos crImes hedIondos e
comuns, dos atentados às catástrofes naturaIs...).
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No tempo dedIcado ao lazer e à dIversão, a cIdade contemporânea oferece
experIëncIas que - presencIaIs e/ou medIadas - podem ser compartIlhadas a doIs, por
pequenos grupos ou por uma multIdão: os baIles ]unk, as festas anImadas pela musIca
eletronIca, os jogos de futebol, a Ida aos cInemas, o frequentar as lojas de jogos
eletronIcos, a conversação nos bares... A essa cIdade febrIl, objeto de um consumIsmo
estétIco por parte de dIversos publIcos, movImentada pela cIrculação de automoveIs,
pessoas, dInheIro e Informação, corresponde uma outra, Igualmente atravessada pelas
paIxões e valores que Imantam a vIda coletIva: dIante da tv, mIlhares de espectadores
se entregam a uma nova forma de experIëncIa na qual a realIdade cotIdIana é tão
porosa e permeável ao que se passa na midIa que, aos olhos de alguns, a "realIdade
televIsIva, no fInal do século XX, tornou·se uma realIdade cotIdIana" (CU|8FECHT,
1998, p.262). 0Iante dessa multIplIcIdade InomInável da experIëncIa, optamos por
contrastar duas de suas fIgurações: uma maIs recente, hegemonIca e famIlIar (a da
televIsão, em suas dIversas manIfestações), e outra maIs antIga, mInorItárIa e pouco
famIlIar (a do cInema documentárIo, com todas as suas varIantes).

2 0UAS hD0ALI0A0ES 0E EXPEPIÈNCIA hE0IA0A: A TELEVISÅD E D 0DCUhENTAPID
2.1. A TELEVISÅD
Em seus "exercicIos do ver", Jesus |artIn·8arbero consIdera a centralIdade da
televIsão na experIëncIa contemporânea e observa que ela não so vaI "desordenar a
IdéIa e os lImItes do campo da cultura: suas cortantes separações entre realIdade e
fIcção, entre vanguarda e kItsch, entre espaço de ocIo e de trabalho" (2001b, p.JJ),
como também faz da fragmentação a marca Insuperável do cotIdIano. Com Isso, a
televIsão contrIbuI decIsIvamente para a IncomunIcabIlIdade da experIëncIa, tal como
concebIa 8enjamIn, uma vez que, por um lado, fragmenta·se o relato, "estIlhaçado"
em mIlhares de mIcro·relatos e sua "unIca possIbIlIdade de artIculação é colocado pelo
fluxo, agora convertIdo em gramátIca de construção de novos relatos..." (2001a,
p.110). Uma outra consequëncIa desse estIlhaçamento, segundo 8arbero, é a ruptura
da lInearIdade temporal e o estabelecImento de uma realIdade marcada pela "não·
contemporaneIdade do sImultâneo", poIs "...uma tarefa·chave hoje da midIa é fabrIcar
presente: um presente concebIdo sob a forma de golpes sucessIvos sem relação entre
sI. Um presente autIsta, que crë poder bastar·se a sI mesmo (2001b, p.J5).
A fragmentação de que fala 8arbero concerne tanto a um modo de ser da
programação - Incluidos ai os programas, suas narratIvas e as formas de mobIlIzação
das lInguagens - como uma caracteristIca da televIsão como empresa, ou seja, em sua
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ExperIëncIa estétIca e experIëncIa medIada
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natureza predomInante comercIal, na pluralIdade de canaIs, no trânsIto InternacIonal
de formatos e produtos, em sua destInação ao uso/consumo/recepção prIvado e
IndIvIdualIzado. AssIm, a televIsão é vIsta como elemento fundamental da desordem da
cultura, poIs romperIa com um aspecto fundamental das representações e do saber
legItImados na modernIdade - a autorIdade - ao IndIferencIar, vIa pluralIdade, os
mIcrorrelatos que põe em cIrculação. Tal desordem é maIs e maIs acentuada, uma vez
que a tevë é tomada por 8arbero como a matrIz da "experIëncIa audIovIsual"
contemporânea, à qual se lIgarIa o "cInema à Hollywood e boa parte do video".
Nesse exercicIo de ver feIto pelo autor de 0os meìos cs medìcções, doIs
movImentos são decIsIvos: prImeIro, a necessIdade, na caracterIzação das medIações
contemporâneas, do retorno a um "meIo", a televIsão; segundo e consequentemente,
esta surge como um "aparato" comercIal, tecnologIco e lInguistIco, dotado de uma
gramátIca e de um modo de ser peculIares, de alcance transnacIonal e para além dos
gëneros tradIcIonaIs. Essa perspectIva, sob o rIsco de IndIferencIar em demasIa os
dIversos programas e canaIs, reconhece por "televIsão" um conjunto de caracteristIcas
geraIs que envolvem modos de produção, de orIentação de recepção, de organIzação
textual e de Inserção na vIda cotIdIana.
Se a centralIdade da midIa televIsão surge como fato decIsIvo na experIëncIa
contemporânea para 8arbero, é precIso reconhecë·la como dotada de certas
peculIarIdades, que Interferem de algum modo nas medIações nas quaIs está envolvIda.
A qualIdade desse medIador, portanto, é ponto fulcral na compreensão da experIëncIa
medIada hoje em dIa. A partIr do reconhecImento do papel marcante da televIsão no
mundo de hoje, Impõe·se o desafIo de analIsar suas caracteristIcas geraIs e
hegemonIcas e também a sua contra·face, os espaços de resIstëncIa, margInalIdade e
contra·dIscurso por ela estabelecIdos. Por consequëncIa, o mesmo movImento pode ser
vIslumbrado na "experIëncIa audIovIsual" contemporânea: aquele que regIstra suas
relações e processos "canonIcos", vInculados à tevë comercIal e a Hollywood, e aqueles
outros cInemas, aquelas outras Imagens do mundo que se oferecem no contrafluxo.
Em um breve apanhado das dIversas contrIbuIções para o entendImento do
fenomeno televIsIvo, é possivel reconhecer alguns elementos dessa caracterIzação
geral, algumas delas estreItamente lIgadas aos tensos e complexos vinculos (estétIco,
IdeologIco, politIco...) entre a realIdade televIsIva e as realIdades socIaIs:
a) o afastamento de valores e relações tradIcIonalmente assocIadas à arte, à
lIteratura, à Imprensa e ao cInema, taIs como as oposIções
"fIcção/realIdade", "alta cultura/baIxa cultura" (ECD, 1984 e 200J;
CU|8FECHT, 1998, entre outros);
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b) uma "pragmátIca" comunIcacIonal, marcada pelo uso doméstIco e por sua
Inserção numa dInâmIca de relações prIvadas (como IndIcam, por
exemplo, SÌL7EFSTDNE, 2002; ELLÌS,1994, WÌLLÌA|S,200J; 0UAFTE,2004);
c) a complexIdade da sItuação de recepção e das relações estabelecIdas com
espectador e pelo espectador (Cf.DFDZCD·CD|EZ, 2002; 8AF8EFD, 2001a
e b);
d) a ImportâncIa da enuncIação televIsIva, seja pela sua premëncIa frente ao
enuncIado seja pela artIculação tecnologIa/lInguagem, seja pela
determInação das narratIvas, das relações de sentIdo e das relações
propostas para o espectador (Cf., por exemplo, ECD, 1984; JDST, 2004;
7EFDN, 2001; além de CHAFAU0EAU, 1997 e 2001);
e) a IndIferencIação de gëneros (fIccIonaIs/não·fIccIonaIs,
entretenImento/formação, jornalIsmo/não·jornalistIco) e o prIvIlégIo dos
formatos (tal como aponta 8AF8EFD, 2001b; |ACHA0D, 2000 e outros);
f) uma certa confIguração da Imagem e das narratIvas, marcadas pela
redundâncIa, pela serIalIdade e pela pequena densIdade InformatIva
(como IndIcam, entre outros, ELLÌS, 1994, |ACHA0D, 2000, 0UAFTE,
2004).

Nessa sucInta caracterIzação, a televIsão surge como um ator socIal, capaz de
tecnologIca e lInguIstIcamente produzIr realIdades, ofertadas à vIda cotIdIana numa
tensa relação de poder, seja com o telespectador, seja com os demaIs agentes socIaIs.
Como um medIador, a televIsão guarda, como foI vIsto, uma especIfIcIdade, o que
ImplIca dIzer que ela confIgura de modo peculIar o presente e a realIdade que oferece
ao seu publIco. Ao mesmo tempo, essa leItura, essa "experIëncIa" do mundo propõe
uma relação com os "outros" televIsIvos. É como se se dIssesse, na esteIra de 8arbero,
que o "golpe de presente" que a tevë proporcIona resulta de uma amálgama temporal
em que o passado é atualIzado narratIvamente e que o presente resultante constItuI
uma promessa/contrato para o futuro.

2.2. D documentárIo
Quanto ao documentárIo e à experIëncIa medIada que lhe é peculIar, ele ocupa hoje
uma posIção - de resIstëncIa e de Invenção - que se sItua no extremo oposto das
estratégIas espetacularIzantes do regIme da Informação e, em partIcular, daquelas
proprIas da televIsão, em seus dIferentes gëneros dIscursIvos. Sobretudo no momento
atual, em que as redes de televIsão do mundo InteIro, guIadas habIlmente pelos
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mestres do marketIng e da publIcIdade, alIados aos roteIrIstas, promovem uma
verdadeIra Inflação da vIsIbIlIdade das vIdas anonImas e IncentIvam a procura (quanto
maIs exasperada, maIs destInada ao fracasso) das manIfestações da "vIda tal como ela
é", num arremedo carIcatural do gesto documentárIo e numa espécIe de compensação
dIante da arrogante soberanIa com que ela mesma - a televIsão - se põe a fazer fIcção
de tudo, é justamente neste momento que se torna maIs vItal conhecer a modalIdade
de medIação propIcIada pelo documentárIo, Isto é, a maneIra com que ele defende a
operação da representação - onIpresente na vIda socIal - contra o avanço veloz (mas
não absoluto!) da mIdIatIzação.
Como escreve |arIe José |ondzaIn (2002), o fluxo Incessante e crescente de
vIsIbIlIdades proprIo das socIedades contemporâneas - e que serve tanto ao mundo da
arte quanto ao do consumo - se apoIa na multIplIcação de dIsposItIvos enIgmátIcos que
funcIonam de modo duplo: ao não mostrarem os corpos reaIs e todas as condIções
materIaIs de fIlmagem, as telas são o tecIdo de uma elIsão; mas, ao mesmo tempo, ao
suportarem as Imagens (projetadas ou transmItIdas), elas são o tecIdo de uma aparIção
(2002, p.49). D dIsposItIvo das telas gerou uma redIstrIbuIção dos poderes do vIsivel e
do InvIsivel, ou, nos termos da autora, uma tensão entre as operações de enccrncçõo e
de ìncorporcçõo. Enquanto as prImeIras, constItuidas por uma logIca do terceIro
Incluido (o vIsivel, o InvIsivel, o olhar que os põe em relação), dão vIda e lIberdade às
Imagens e à atIvIdade do sujeIto espectador, as segundas oferecem aos sujeItos a
substâncIa consumivel de alguma coIsa de real e de verdadeIro que os leva a se
fundIrem e a desaparecerem em um corpo ImagInárIo com o qual se IdentIfIcam.
Enquanto as prImeIras lIdam com a ausëncIa do que é representado na Imagem (objeto
de um desejo de ver Inalcançável e, por Isso mesmo, Inesgotável) fazendo apelo a uma
construção do olhar, convIdado, lIvremente, a recuperar o InvIsivel no vIsivel, as
segundas lIdam com a presença do que é dado a ver e exIgem a fusão ou comunhão com
a Imagem que com ele se IdentIfIca, tal como agem a publIcIdade e a propaganda
(|DN0ZAÌN, 2002, pJ2·42).
Ao contrárIo do dIsposItIvo do jornal televIsIvo - locus prIncIpal da
manIfestação dos efeItos de real na tela eletronIca - que peleja para que suas
operações de enquadramento dIante do acontecImento permaneçam sem resto,
ImpermeáveIs a tudo aquIlo que poderIa vIr a desestabIlIzar sua maneIra proprIa de
recortar o real e transformá·lo em realIdade notIcIada, o fIlme documentárIo sabe, de
antemão, que o real não é de todo fIlmável, não é plenamente representável, e é essa
ImpossIbIlIdade (elevada paradoxalmente a uma potëncIa de crIação) que faz com que
sua escrItura surja como fendIda, rasurada, perfurada mesmo por aquIlo que ele, o
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fIlme, vIrá, de algum modo, a representar. Ao contrárIo da exacerbação dos efeItos de
real promovIda pela televIsão, no documentárIo o real é da ordem do residuo.
Ao não tomar como resolvIda, de saida, a aparIção dos homens ordInárIos,
capturada no tempo mesmo da fIlmagem, o documentárIo constroI a mìse en scène de
seus personagens de tal modo que pode vIr, perfeItamente, se alIar à fIcção. Para Isso,
entretanto, não basta sImplesmente que aqueles que não atuam como os atores
profIssIonaIs assumam a máscara de um personagem reconhecIdamente fIccIonal. É
precIso, sobretudo, tempo, tempo puro, duração, para que homens ordInárIos, ao longo
do fIlme, alcancem seu devIr personagem, que eles surjam como seres em
transformação e que possam, por Isso, mesmo, deslocar, transformar o proprIo
espectador. 0upla função desse tempo em estado puro alcançado pelo documentárIo:
ele permIte, sImultaneamente, que o homem ordInárIo passe por um devIr (ao se
colocar na vIzInhança da fIcção), enquanto o proprIo fIlme estabelece uma relação com
o espectador que o põe em confronto com o Dutro (CD|DLLÌ, 2004, p.51). Essa duração
que acolhe os corpos fIlmados e a fala dos sujeItos alcança também o espectador, poIs
ela é fabrIcada por uma escrItura que apela ao sujeIto para que este InvIsta
ImagInarIamente o espaço·tempo do fIlme e se reaproprIe da mìse en scène.
D espectador é esse ser que não permanece IndIferente ao trabalho do fIlme.
Se no unIverso do consumo, as mercadorIas - astucIosamente orIentadas pela
publIcIdade - nos desejam IndIstIntamente, IndIferentemente, no cInema, ao
contrárIo, somos seres sIngulares (CD|DLLÌ, 2004, p.218). Nos todos somos homens
ordInárIos do cInema, não qualquer um, mas um quclquer, poIs o fIlme nos atInge um c
um. D ser·qualquer, qualquer que ele seja, o ser que vem, não sendo In·dIferente,
¨mantém uma relação orIgInal com o desejo¨ (nos termos de Agamben). D termo latIno
para qualquer, quodlìbet, aproxIma o qualquer, qualquer que seja e o desejo. Lìbet é
vIzInho de lIbId, que dará lIbIdo, conforme IndIca sua orIgem etImologIca. D espectador
do cInema, o homem ordInárIo do cInema, é, fInalmente, um ser anImado pela
dIferença e pelo desejo, graças aos componentes proprIos de que o fIlme dIspõe.
Certamente a dIferença e o desejo também fazem parte do trabalho do espectador da
televIsão, mas de uma maneIra bem dIversa...

3 A CUISA 0E CDNCLUSÅD
Contudo, para os efeItos deste texto em partIcular e da perspectIva comparada que o
sustenta, parece·nos ImprodutIvo InsIstIr demasIadamente em uma dIcotomIa rigIda
entre os recursos expressIvos do documentárIo e as estratégIas espetaculares que
permeIam os dIferentes gëneros e o proprIo meIo televIsIvo. |aIs do que uma separação
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genérIca entre os dIferentes atrIbutos - técnIcos, semIotIcos, ImagétIcos, dIscursIvos -
proprIos aos dIsposItIvos da televIsão e do cInema documentárIo, o que procuramos
aquI é contrastá·los de uma maneIra não·sImplIfIcadora, evItando a tese da
mIdIatIzação generalIzada. Para não cedermos apressadamente a essa tese de uso tão
recorrente nos estudos da área, e que traz ImplIcações comprometedoras para a
conceItuação da ¨experIëncIa medIada¨ - é precIso lembrar que a mIdIatIzação
permanece sendo uma modalIdade hIstorIco·cultural daquele ¨terceIro sImbolIzante¨
que permIte aos sujeItos socIaIs terem acesso ao real, construirem sua IdentIdade e sua
comunIdade, adquIrIrem a capacIdade de pensar e agIr e, desse modo, se constItuirem,
enfIm, como atores hIstorIcos (QUÉFÉ, 1982). Segundo LouIs Quéré, esse ¨terceIro
sImbolIzante¨ é constItuido por uma multIplIcIdade de elementos composItos:
estruturas cognItIvas, quadros normatIvos, marcas de dIscrImInação e crItérIos de
avalIação, modos de apreensão do tempo, regras de escolha, modos de representação e
esquemas de ação; jogos de papéIs e de categorIas da prátIca, afIrmações consIderadas
verdadeIras e normas tIdas por justas, crenças e fIgurações (1982, p.84).
Ds dIferentes processos de objetIvação da medIação sImbolIca constItuem
modalIdades hIstorIco·culturaIs, mas possuem um traço comum: eles são projeções de
uma alterIdade, são processos de mìse en scène ou mìse en vìsìbìlìté no qual ¨a
IdentIdade e o lIame socIal são correlatos de um processo de dIstancIamento da
socIedade em relação a ela mesma, através do qual ela se faz vIsivel para seus
membros¨ (QUÉFÉ, 1982,p.85). As socIedades crIam, desse modo, dIferentes economIas
da representação ou regImes de regulação sImbolIca. Em contraste com o dIsposItIvo
burguës que garantIa uma InstItuIção teatral da socIedade na contemporaneIdade, a
IdeologIa do consumo e o funcIonamento das midIas estabeleceram uma nova
modalIdade de objetIvação da medIação sImbolIca, apoIada em trës suportes: a) os
meIos ou Instrumentos técnIcos (como aqueles do mundo audIovIsual); b) as estratégIas
guIadas pela escolha racIonal e pelo saber analitIco que assegura o cálculo e a
prevIsIbIlIdade; c) as tecnologIas. Se no modo de representação burguës, Inaugurado
pelas socIedades modernas, a escrItura cumprIu o papel de separar o presente do
passado e colocar o real fora de campo, substItuIndo·o por um traço materIal e
sImbolIco (QUÉFÉ, 1982, p.99), agora, nos dIas atuaIs, o real se põe a tagarelar (como
escreve |Ichel de Certeau): Incansavelmente narrado, contado, representado,
fIgurado, fabulado pela publIcIdade, exIbIdo pelas estatistIcas, Informado pelo relato
jornalistIco, que em nome de uma objetIvIdade pretensamente cIentifIca, fabrIca
sImulacros em cessar: ¨D grande sIlëncIo das coIsas muda·se no seu contrárIo através da
midIa¨(CEFTEAU,1996, p.286).
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Nesse novo regIme de regulação sImbolIca, a InstItuIção do real promovIda por
multIplos tIpos de relatos ¨dIta IntermInavelmente aquIlo que se deve crer e aquIlo que
se deve fazer¨ (CEFTEAU, 1996, p.287): cremos no que vemos, pratIcamos o que nos é
mostrado. Ds relatos do real, ao fabrIcá·lo com aparëncIas, mudam o ver num crer e
Induzem prátIcas. A noção de ¨experIëncIa medIada¨, reformulada, deve funcIonar aquI
à maneIra de uma dobradIça: de um lado, ela se abre às formas de narrar e InstItuIr o
real: de outro, ela suscIta crenças e modos de ver no espectador, acIonando os
componentes proprIos da experIëncIa estétIca, e a IncIdëncIa de seus efeItos sobre os
sujeItos. 0upla vIsada, complementar e artIculada: de um lado, a fabrIcação do real
pelos relatos: de outro, a experIëncIa do espectador. 0oIs regImes de vIsão, doIs
regImes de crença, duas formas de mìse en scène, duas possIbIlIdades de experIëncIa
estétIca, enfIm.

AesthetIc experIence and medIated experIence

AßSTPACT
What ImplIes the adjectIve ¨medIated¨ when used to qualIfy
experIences: ThIs artIcle retakes thIs questIon, seekIng to
avoId to treat the medIated experIence under the most
frequent angle of the kIdnappIng of the experIence. For that,
It focuses on the esthetIcal dImensIons In the experIence of
the medIas, and, In a comparatIve exercIse, contrasts two
dIstInct ways of medIatIon and of conformatIon of the
experIence, the televIsIon and the documentary

Keywords: ExperIence. TelevIsIon. 0ocumentary.



ExperIencIa estétIca y experIencIa medIada

PESUhEN
¿Qué sIgnIfIca el adjetIvo ¨medIada¨ cuando se utIlIza para
calIfIcar la experIencIa: Este articulo retoma la cuestIon,
Intentando evItar tratar a la medIacIon la experIencIa bajo el
ángulo más frecuente del secuestro de la experIencIa. Para
eso, se centra en las posIbIlIdades de las dImensIones estétIcas
en la experIencIa de los medIos de comunIcacIon, y, en un
ejercIcIo comparatIvo, contrasta dos formas dIstIntas de la
medIacIon y de la conformacIon de la experIencIa, la
televIsIon y el documental.

PaIabras cIaves: ExperIencIa. TelevIsIon. 0ocumental.

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Ao Nos estudos da comunicacao. fora do homem. que originariamente vivida. da experiencia esta implicada Para autores como Bacon e Leibniz.197 -199). no seculo XIX.aquela na qual vive narrador benjaminiano do conhecimento a experiencia infinito.Ao E MIDIATIZAC. ja b) a experiencia estes ocorrem promove recontextualizacao dos eventos. 2. escolas ("Experiencia e pobreza").as "interacoes e pre-reflexive quase mediadas" . que em outros plenamente locais. RODRIGUES. as relacoes sociais estabelecidas pelos meios de de massa . reflexivamente 0 so ganha relevancia eu quando este pode no incorpora-la entanto. a a em algo calculavel ciencla daquilo que. de natureza descontinua. c) ao contrario integrada ao projeto do fluxo continuo simbollco para do self. e bem conhecido 0 uso do termo "seqliestro" historicas (THOMPSON. 1998. e algo finito (nos podemos te-la). para a tradicao. n. moderna Ao transformar a destitui a experiencia passa a ocorrer e rnensuravel. Giorgio conhecido texto de Benjamin Agamben (2005). de Thompson p. lembra que a expropriacao no projeto politico e cientifico da Modernidade. (1998). julho/dezembro 2008. p. 19. Para Thompson cornunicacao continuo. a experimentacao e 0 que constitui ponto de vista.:a de tnstitutcoes etc. mas sem ter a sua posse (AGAMBEN: 2005. que (THOMPSON. 1·14.2 Expertencta estetica e experlencia mediada 1 MEDIAC. .se distinguem vivida (Erlebnis) do carater dos imediato da experiencia em virtude seguintes aspectos: a) os eventos experimentados temporalmente mediada distantes uma dos contextos praticos atraves da midia estao espacial e da vida diaria. rnanicornios. prisoes. nos podemos realiza-la.22-23). no ambito cientifico. Ao retomar 0 especializadas asilos. quando separada dos quadros da tradicao. - Se no dominic da tradicao . 1994) para caracterizar com que um leque de experiencias vida fossem reordenados e as transformacoes que os individuos tinham nos contextos pela intervencao de reconstituidos conhecimento (como a medicina e a psiquiatria (hospitais. era seu maior valor: 0 autoridade. p. 0 da experiencia a experiencia e mediada. de que 0 raciocinio e baseado na perspectiva evento Intexto. a caucao da experiencia. Porto Alegre: UFRGS. por sua vez. a experiencia Sob esse por exemplo. que fizeram praticos da sistemas de ea 1998.). por exemplo) presenc. Pode-se observar. v.

a espera de um novo quadro ofereceu conceitual e procedimentos pelo proprio Orozco- analiticos de maior precisao. atraves. A nocao revela-se mais problernatica se pensarmos no caso dos produtos rnldiaticos ficcionais: nao faz sentido dizer que eles estao distantes . 19.:6es. detalhadamente 0 possibilidades de se descrever mais espelhamento entre a televisao e seu publico. . Beatriz Sarlo (1997). Cesar Geraldo. p. a enunciacao se da nesse mesmo ainda se e possivel distinguir claramente onde a Ha de se perguntar em geral se separa da experiencia mediada. p. Bruno Souza (noticiado ou relatado) precede a rnediacao. os processos mediados de televideticia manifestam a crescente arnpliacao do "despoder dos sujeitos socials". a as audiovisualmente. 0 referente ao qual enunciado contexto contexto. dentre outros fatores. a nocao de experiencia mediada foi quase que inteiramente pela nocao de rnediatizacao da experiencia. por sua vez. proprias da rnidia especialmente como se um conjunto de caracteristicas da televisao se infiltrasse inextrincavelmente no tecido da vida social. nota que a crescente rnediatizacao que reordena velozmente os referenciais da interacao social em seu conjunto nao chega a abranger inteiramente audientizacao. alern de zonas de opacidade e ate mesmo de indiscernibilidade. p. e facilidade com que.3 GUIMARAES. sobretudo. Guillhermo Orozco-Gomez. Ou entao. as sensibilidades. LEAL. representac. as aliancas e poder" (OROZCO-GOMEZ. mas. e a partir da qual se reconstituem diariamente os saberes e conhecimentos. A figura da experiencia mediada que pode ser extraida desse contexto caracterizado por OrozcoGomez e. por ora. a nocao de rnediacao. cidadania. da "exuberancia rnediatica homogeneizante. Porto Alegre: UFRGS. Toda a sociedade. imersa em um "sonho para retomar a expressao de acordado". dos silenclos auditivos e visuais. Para 0 autor.no espaco ou tempo . na qual adquirem sentido uma outra tendencia que ele chama de "as interacoes sociais bombardeadas a cultura.do receptor. experiencia remete pode estar realmente distante espacial e temporalmente 0 do da vida pratica. de verdadeiramente surgia uma serie de distorcoes e refracoes. 2. nos termos de Barbero (2001a): 0 eixo sincronico das relacoes entre as Logicas de Producao dos meios de cornunlcacao de massa e as Cornpetencias de Recepcao desenvolvidas pelos sujeitos e cortado pelo eixo diacronico Intexto. n. o que queremos substituida destacar.235). Diante deste cenario. por outro lado. 0 a petrificacao unilateral vicarias.2002. (2002. a prolongamento das experiencias expropriacao da expressao". nele encontrando algo decisivo: entre a experiencia vivida e a experiencia mediada. negativa. como se esta mesma nao se constituisse em um evento que afeta os sujeitos nos contextos de recepcao. julho/dezembro 2008. 0 as identidades.235). passaria a viver em "estado de televisao". v. em muitos estudos no campo da cornunlcacao. utilizada Gomez e por Jesus Martin-Barbero. 1·14.

p.3?): 0 A rnediacao. Cornpetencias de Recepcao. julho/dezembro 2008. e que assumem feicoes as mais diversas. ela se expande. leva-nos empregamos como um adjetivo o atributo ("mediada") ao lado do termo "experiencia". Para compensar em parte a amplitude sera preciso alcance. conceder-lhe justamente uma delirnitacao. rnediacao entre as estruturas fomenta a rnediacao entre Assim e que a leitura do texto. . de um "movimento discurso para outro.:a nem termina se dissemina. 1999). "nao comec. singular" (2002. dorninios bem (televisivo ou de 0 2001 a). contexto da recepcao (SIGNATES. v. 2. lnstltuicoes. condicao leitor. dessingularizante (politicas. alcancar a leitura e Entretanto. trabalho do mediador. (BARBERO. p. de signiflcacao de um texto para outro. esteticas. 0 0 bairro (como lugar de praticas 0 cotidianas compartilhadas) publico da cidade. da operacao que fazem com que a traicao seja a prea manter uma reserva quando a de rnediacao.33). 0 Tudo se passa como se analitico do diminuisse valor heuristico e 0 desdobramento Intexto. 19. 0 cria a rnediacao entre dominic privado da casa e a rnediacao entre 0 espaco dos genero discursivo promove formato 0 produtos rnldiaticos e os usos que os leitores/espectadores familiar sustenta a rnediacao entre a codificacao televisiva lhes concedem. mesmo seu uma circunscreve-lo. a rnediacao guarda suas diferenc. a enfase que Silverstone deposita no carater generico e fortemente da mediacao. ora ganha valor discursivo (quando trata das marcas especificas ou ainda diz respeito as praticas culturais que conformam um genero textual).2002. p. E isso que faz 0 Roger Silverstone ao propor aproxirnacao entre a rnediacao e pois ambas implicam 0 trabalho de traducao (inspirado em Georg Steiner).:6es econornicas. ao seu objeto por com ate ao de um autor. Porto Alegre: UFRGS. um texto portanto. enfim. esta livre da fidelidade sem restricoes) ser traduzido/traido e e desenvolvido grupos e tecnologias. 0 da sociedade e a estrutura a novela e 0 heroi do folhetim mito. n. Matrizes Culturais e Formatos Industriais) pelo que 0 sao modulados autor denomina rnediacoes. cotidiano e a sua leitura. 1·14.4 Expertencta estetica e experlencia mediada das relacoes entre as Matrizes Culturais (nas quais estao imersos os sujeitos) dos diversos produtos rnldiaticos). distintos: ora concerne a a nocao de rnediacao desliza por entre configuracao tecnica do dispositivo cinematograflco). bem como tecnicas) a nao-expllcitacao das determinac. Assim compreendida. estabelece a possuindo natureza e alcance bastante variaveis. Entretanto. 0 que 0 termo mediacao ganhou entre nos. restringir (2002). de um evento para outro" (SILVERSTONE. e os Formatos Industriais (configuracao instrumental As relacoes variadas entre os quatro vertices dessa figura (Logicas de Producao. se multiplica. que se engaja ativamente na producao de sentido.:as diante da operacao de traducao: 0 ela rompe os limites do textual e atravessa espacos e tempos heterogeneos: que nao pode ser equiparado (que pode.

ao que e vivido de modo imediato pelo sujeito. do texto ou da obra implicada) e de identidade (aquela de quem faz a experiencia e guiado por ela.OLGIEN. de slgniflcacoes de sensacoes. ela fonte de descobertas sobre 0 mundo e sobre si. n. e revela novas possibilidades de cornpreensao e de interpretacao. um acontecimento ou uma situacao. experimentadas Contrapondo-se como pertencentes a essa concepcao. LEAL. . restringindo sobremaneira o alcance desta.Bruno Souza conceito de experiencia. 1-14. "[d]a interacao americana afirma a experiencia resultado entre a criatura viva e algum aspecto do mundo em que ele vive" (1980. da situacao. de irnpressoes. Porto Alegre: UFRGS. (QUERE. P 37-38). Do ponto de vista herrneneutico. p. conseqiientemente. Sendo a experiencia para Dewey esta implicada nas condicoes e nas dirnensoes 0 concretas da relacao do individuo com caracterizada ambiente e. v . 2005. e e e e Do ponto contribulcao de vista do pragmatismo. partiram da nocao hegeliana de Erfahrung e conceberam a experiencia como algo que pode se referir experimental tanto a experiencia estetica quanto ao rnetodo sublinham das clencias da natureza. CesarGeraldo. que estejam. p.5 GUIMARAES. mas tarnbern de individualidade (aquela do acontecimento. assim caracterizada. ela e uma atividade Intexto. "interacao". sera preciso conceitual. uma obra de arte. ainda que as partes. seja sob a forma de conhecimento ou cornpreensao. nao pode ser por outro aspecto exclusivamente. Implicando a exploracao e exphcacao dos efeitos de interacao que a funda. e pode ser ocasionada pela confrontacao com um texto. a experiencia causador Ogien (2005) lembram que e que utilizamos 0 reformular 0 conceito de experiencia.44). ela ocorre continuamente. frequenternente evocada. como 0 pragmatismo ea herrneneutica. Em outras palavras: a "experiencia" exige a rnobilizacao sensorial e fisiologica do corpo humano. a luz de um outro quadro conceito de experiencia e de natureza correntemente e definida como a percepcao e a recepcao de um dado de imagens. para evitar que a nocao de rnediacao seja engolfada pelo que ele chama de "vassalagem rnidiatica". Esta travessia uma prova. a experiencia designa uma travessia que modifica aquele que a realiza. os momentos que por mais interconectados 0 constituem mantenham sua identidade. Louis Quere e Albert legado pela tradicao fllosofica empirista: sensivel. Albert Ogien e Louis Ouere. 19. poderiamos dizer que. julho/dezembro 2008. filosofo Nas suas reflexoes sobre "arte como 0 como experiencia". nocao de rnediacao vem "colonizer" a nocao de experiencia. Servindo-nos da expressao cunhada por Orozco Gomez. Ela produtora nao somente de verdade. mas relativamente pouco explorada 0 em sua dirnensao analitica. 2. John Dewey (1980) oferece uma decisiva. Para usar uma expressao fortemente criticada no escopo a recente dos estudos em cornunicacao. outras abordagens. como num fluxo. Assim sendo.

forte. humanas. pela experiencia. 19. p.do . consequenternente.. Se experiencia e e 0 resultado e e uma experiencia" ea 0 a unidade da primeira da interacao. indiferentes. modificando suas condicoes de exlstencia (2005.as figuras tomadas impossivel encontrar uma figura unica capaz de 0 Do ponto de vista historico. Porto Alegre: UFRGS. a irnportancia da interacao. fundamental. p. . dos ao entretenimento 0 seja sob modo de uma etnografia programas dedicados momentaneamente ao comportamento do banal). qualificar uma ou qualquer experiencia como do uso do adjetivo? A partir de Dewey. multiples foram . rnobiliza-lo do "objeto" Afinal. e. comuns. experiencia das demais. 1·14. seja qual for nome que lhe dermos. torna-se deve "objeto" deve apelar ao sujeito. intelectuais mera repeticao. Dewey afirma incisivamente a distancla No primeiro caso. afetam. tantos eleito aos jargoes acadernicos em mod a ou ao discurso das midi as .:a e pela intensidade. ativa com as 0 notam Ogien e Ouere. entre "ter experiencia" e "ter uma experiencia". nem decisivamente excluidas: nos mas elas nao sao nem definitivamente somos levados pela corrente. v. ela nao deixa de ser tensionada pela indiferenc. "coisas acontecem. nele provocando rnodiflcacoes implica uma experiencia seus poderes ativos sobre sobre ele (0 mundo que e 0 0 que retornam organismo). as varias resultado Por outro essa interacao livremente de pode integrar modo que seu pode rnobiliza-las integral.. n. sintetizar Na verdade. portanto. ). capacidades seja uma praticas e procedimentos lado. na qual um organismo experimenta rodeia. ] Uma coisa substitui outra. p. 2.. e um ato de percepcao e. intelectual e emocional. como 0 Nessa perspectiva. Entre uma e outras. e as preferencias seja sob 0 de qualquer "estrela" modo da exibicao horrores e das crueldades de todas as ordens (das guerras aos crimes hediondos e naturais . mas nao a absorve e segue mas tao frouxa e discursiva que nao 0 (1980.em sua ansia de nos oferecer diariamente involuntaria do insignificante a cronica do (como em um. em frente.42). Sob esse ponto de vista. julho/dezembro 2008. submissa a dispersa. fazer uma experiencia coisas.40). 0 da qual a experiencia ou a "obra" e resultado.e ainda sao . mediada? 0 que implica mediador. Ha experiencia. materialidade. de rara intensidade.6 Expertencta estetica e experlencia mediada pratica. incluidas [ . condicoes padroes: existe sempre em funcao de um "objeto". envolve cuja lnterpretacao. que que esta ultima pode ser rotineira. repertorio. dos atentados as catastrofes Intexto.. e os traces da experiencia em nossos dias. diz ele. que as distingue dispersao. de modo a estimular sua percepcao estetica. emprestado jornalismo atual. de aparicao e de circunscricao historica e social nao sao Se a "experiencia" e assim cotidiana e relacional. a monotonia Dewey observa convencoes fragmentada.

e outra mais antiga. p.. de uma realidade estabelecimento marcada pela "nao- contemporaneidade presente: do sirnultaneo". Com isso. v.:ado" pelo em milhares de micro-relatos fluxo. n. por parte de diversos publicos. movimentada corresponde pela circulacao pessoas. "estilhac. 0 uma vez que. A TELEVISAo Em seus "exercicios televisao do ver". a cidade conternporanea oferece que . Uma outra conseqiiencia da linearidade temporal e 0 desse estilhac. por um lado. fragmenta-se e sua "unica possibilidade de construcao relato. suas narrativas e as formas de rnobilizacao das linguagens . estetico os jogos de futebol. objeto de um consumismo de autornoveis. 2 DUAS MODALIDADES DE EXPERIENCIA MEDIADA: A TELEVISAo E 0 DOCUMENTARIO 2. milhares de espectadores na qual a realidade cotidiana e tao porosa e perrneavel ao que se passa na rnidia que. agora convertido de articulacao e colocado ea em grarnatica de novos relatos . A essa cidade febril.podem ser compartilhadas os bailes funk. decisivamente a marca insuperavel do cotidiano. ou seja. eletronicos. a "realidade televisiva. entre espaco de octo e de trabalho" como tarnbern faz da fragrnentacao televisao contribui concebia Benjamin. uma outra. a dois. p. rnlnoritarla e pouco com todas as suas variantes). Um presente autista. p. ruptura p. hegernonica e familiar em suas diversas manifestacoes).presenciais e/ou mediadas ..110). segundo Barbero. familiar Diante dessa multiplicidade da experiencia.:amento. aos olhos de alguns. as festas animadas pela rnusica 0 a ida aos cinemas.262).como uma caracteristica da televisao como empresa. freqiientar as lojas de jogos a conversacao nos bares .GUIMARAES.. tornou-se uma realidade lnorninavel cotidiana" (GUMBRECHT. 1·14. . julho/dezembro2008. entre vanguarda e kitsch. optamos por (a da 1998. (a do cinema docurnentario. A fragrnentacao de que fala Barbero concerne tanto a um modo de ser da prograrnacao . que ere poder bastar-se a si mesmo (2001 b. no final do seculo XX. PortoAlegre:UFRGS. " (2001 a.. contrastar televisao. pois " . 19. Jesus Martin-Barbero considera a centralidade da a e na experiencia conternporanea e observa que ela nao so vai "desordenar suas cortantes separacoes entre realidade ldeia e os limites do campo da cultura: ficcao. uma tarefa-chave hoje da rnidia e fabricar um presente concebido sob a forma de golpes sucessivos sem relacao entre si. por pequenos grupos ou por uma rnultidao: eletronica..35). p.33).incluidos ai os programas. 2. duas de suas figuracoes: uma mais recente..1. (2001 b. a tal como para a incomunicabilidade da experiencia. runoSouza Cesar B 7 No tempo dedicado experiencias ao lazer e a diversao. Geraldo. igualmente atravessada pelas paixoes e valores que imantam a vida coletiva: se entregam a uma nova forma de experiencia diante da tv.LEAL. dinheiro e inforrnacao. em sua Intexto.

A qualidade desse mediador. sob as mediacoes. 0 e possivel reconhecer alguns elementos dessa caracterizacao geral. cultura/baixa cultura" (ECO. Essa perspectiva. irnpoe-se e ponto fulcral na cornpreensao da experiencia do papel marcante da televisao no suas caracteristicas gerais e e marginalidade de analisar mediada hoje em dia. 0 Por consequencia. diversos programas e canais. politico . GUMBRECHT. entre outros). a necessidade. da "experiencia do video". Em um breve apanhado das diversas contribulcoes fenorneno televisivo. dotado de uma de alcance transnacional 0 grarnatica e de um modo de ser peculiares. Se a centralidade conternporanea peculiaridades. vinculados a teve comercial e a Hollywood. esta surge como um "aparato" generos tradicionais.8 Expertencta estetica e experlencia mediada natureza predominante de formatos cultura. p. ) entre a realidade televisiva e as realidades sociais: 0 de valores e relacoes tradicionalmente a arte. 1984 e 2003. tais "ficcao/ realidade". 1 Intexto. Tal desordem via pluralidade. comercial. associadas como as ideologico. e mais e mais acentuada. a oposicoes literatura. aquelas outras imagens do mundo que se oferecem no contrafluxo. dois na caracterizacao das rnediacoes do retorno a um "meio". Porto Alegre: UFRGS. e tomada por Barbero como a matriz ligaria 0 audiovisual" conternporanea. a televisao legitimados microrrelatos que a teve na modernidade e vista como elemento fundamental . tecnologico e lingUistico. 998. comercial. v. mesmo movimento pode ser aquele que registra suas conternporanea: relacoes e processos "canonicos". conternporaneas. 2. e preciso reconhece-la como dotada de certas que interferem de algum modo nas rnediacoes nas quais esta envolvida. 1·14. a qual se "cinema a Hollywood e boa parte Nesse exercicio de ver feito pelo autor de Dos meios movimentos sao decisivos: primeiro. 19. algumas delas estreitamente a) afastamento ligadas aos tensos e complexos vinculos (estetico. julho/dezembro 2008. Assim. no transite internacional ao uso/consurno/recepcao das representacoes privado e e do saber os uma vez e produtos..a autoridade que poe em circulacao. de orlentacao textual e de insercao na vida cotidiana. e para alern dos em demasia os de organizacao risco de indiferenciar de recepcao. mundo de hoje. na "experiencia audiovisual" os espacos de resistencia. e aqueles para entendimento do outros cinemas. em sua destinacao individualizado. na pluralidade de canais.ao indiferenciar. da desordem da pois romperia com um aspecto fundamental . para um conjunto de caracteristicas da rnidia televisao surge como fa to decisivo na experiencia Barbero. n. a imprensa "alta e ao cinema. . contra-discurso vislumbrado por ela estabelecidos.. portanto. reconhece por "televisao" gerais que envolvem modos de producao. a televisao: segundo e consequenternente. A partir do reconhecimento 0 desafio hegernonicas e tarnbern a sua contra-face.

MACHADO. Bruno Souza b) uma "pragrnatica" comunicacional. BARBERO. 19. 0 que implica dizer que ela configura de modo peculiar ao seu publico. 2004). ° docurnentario e Quanto ao docurnentario uma posicao estrategias a experiencia mediada que the e peculiar. 2. n. a complexidade da situacao de recepcao e das relacoes estabelecidas com espectador e pelo espectador (Cf. 2002. p. Porto Alegre: UFRGS. capaz de realidades. atual.2. marcada pelo uso dornestico e por sua privadas (como indicam. MACHADO. uma especificidade. 0 das relacoes e das relacoes espectador (Cf. julho/dezembro . espetacularizantes do regime da informacao proprias da televisao. essa leitura. ofertadas produzir 0 a vida cotidiana numa tensa relacao de poder. Intexto. tecnologica e lingilisticarnente a televisao surge como um ator social. VERON. WILLlAMS.2004). e 0 entretenirnento/forrnacao. Ao mesmo tempo. por insercao c) numa dinamica de relacoes exemplo. alern de CHARAUDEAU.2001 a e b). Nessa sucinta caracterizacao. f) uma certa redundancia. seja pela seja pela sua prernencia frente ao tecnologia/linguagem. a televisao telespectador.2001 b.2003. jornalisrno/nao-jornalistico) privilegio dos formatos (tal como aponta BARBERO. na esteira de Barbero. 1984. presente e a realidade que oferece do mundo prop6e essa "experiencia" uma relacao com os "outros" que 0 E como se se dissesse. DUARTE. em particular. Sobretudo no momenta guiadas habilmente pelos em que as redes de televisao do mundo inteiro. como foi visto. 2001. densidade informativa (como indicam. 1994. 2004. v. 2000. Cesar Geraldo. 1997 e 2001). seja com Como um mediador. ELLIS. 2008. d) a importancia enunciado da enunciacao televisiva. em que passado e atualizado para 0 e que presente resultante constitui uma promessa/contrato 2. LEAL. em seus diferentes generos discursivos. ELLIS.1994.2002. televisivos. JOST.. de sentido seja pela articulacao determinacao propostas para das narrativas. SILVERSTONE. configuracao da imagem e pela e das narrativas. ele ocupa hoje oposto das daquelas de reslstencia e de invencao - que se situa no extremo e. resulta de uma arnalgarna temporal 0 "golpe de presente" 0 que a teve proporciona narrativamente futuro. 2000 e outros). DUARTE.OROZCO-GOMEZ. e) a indiferenciacao de generos (ficcionais/ nao-ficcionais. 0 guarda. pequena marcadas pela pela serialidade entre outros. seja com os demais agentes sociais. 1·14. por exemplo.9 GUIMARAES. ECO.

(MONDZAIN.contra avarice veloz (mas nao absoluto!) da rnidiatizacao. 1·14. de e e essa real e transforrna-lo 0 filme docurnentario representavel. p. por isso mesmo. e justamente de rnediacao propiciada do gesto docurnentario e numa especie de cornpensacao diante da arrogante soberania com que ela mesma . Enquanto as primeiras.:a do que e dado aver e exigem a fusao ou cornunhao com a imagem que com ele se identifica. . aliados aos roteiristas.se apoia na rnultiplicacao de dispositivos enigrnaticos que funcionam de modo duplo: ao nao mostrarem 0 os corpos reais e todas as condicoes materiais de filmagem. julho/dezembro 2008. nao e plenamente (elevada paradoxalmente a uma potencia de criacao) que faz com que perfurada mesmo por aquilo que ele. 0 sua maneira propria de sabe. as segundas oferecem aos sujeitos a imagens e a atividade substancia fundirem consumivel do sujeito de alguma coisa de real e de verdadeiro em um corpo irnaginario com 0 que os leva a se e a desaparecerem qual se identificam. mais destinada ao fracasso) das rnanifestacoes da "vida tal como ela e". p. nos term os da autora. v. e. convidado.:am sem irnperrneaveis recortar 0 a tudo aquilo que poderia vir a desestabilizar em realidade noticiada. rasurada. promovem uma verdadeira inflacao da visibilidade das vidas anonirnas e incentivam a procura (quanto mais exasperada.onipresente isto e. uma tensao entre as operacoes de encarnacao e de incorporacao. 0 olhar que os poe em relacao). 19. anternao. mas.10 Expertencta estetica e experlencia mediada mestres do marketing e da publici dade. Porto Alegre: UFRGS.se poe a fazer ficcao neste momenta que se torna mais vital conhecer a modalidade pelo docurnentario. visibilidades proprio das sociedades conternporaneas 0 fluxo incessante e crescente de . Intexto. que impossibilidade sua escritura real nao e de todo filrnavel. . 0 surja como fendida. inesgotavel) fazendo apelo a uma livremente. 0 invisivel. ou. de enquadramento do acontecimento permanec.a televisao . num arremedo caricatural de tudo. n. a maneira com que ele defende a 0 operacao da representacao na vida social . Como escreve Marie Jose Mondzain (2002). (0 constituidas por uma logica do terceiro incluido visivel. as telas sao tecido de uma elisao. na imagem (objeto Enquanto as primeiras lidam com a ausencia do que e representado de um desejo de ver inalcancavel construcao do olhar. 2. 2002. a recuperar 0 invisivel no visivel.e que serve tanto ao mundo da arte quanto ao do consumo .49). 0 dispositivo ou transmitidas). tecido de uma aparicao das telas gerou uma redistribuicao dos poderes do visivel e do invisivel. Ao rnanifestacao operacoes contrario do dispositivo do jornal televisivo locus principal da tal como agem a publicidade e a propaganda dos efeitos de real na tela diante eletronica que peleja para que suas resto. ao elas sao 0 suportarem as imagens (projetadas (2002. as segundas lidam com a presenc. dao vida e liberdade as espectador. ao mesmo tempo. p32-42).

julho/dezembro . desejo. p. 0 ser-qualquer. Certamente televisao. aproxima homem ordinario 0 Libet e vizinho de libid.218). enquanto o espectador que 0 proprio filme estabelece uma relacao com Outro (COMOlU. GUISA DE CONCLUsAo Contudo. Mais do que uma separacao Porto Alegre: UFRGS. deslocar. n.. Cesar Geraldo. do cinema. 2. que 0 homem ordinario 0 0 passe por um devir (ao se colocar na vizinhanc. docurnentario constroi a se aliar mise en scene de Para isso. pela ao orientadas no cinema. ao trabalho do filme. quodlibet. sobretudo. no docurnentario real e da ordem Ao nao tomar como resolvida. tempo. entre parece-nos improdutivo insistir e da perspectiva comparada que 0 demasiadamente em uma dicotomia espetaculares rigida que os recursos expressivos do docurnentario 0 e as estrategias permeiam os diferentes Intexto. Bruno Souza filme. a representar. - e esse ser que nao permanece indiferente as mercadorias indistintamente. - do consumo. que nao atuam assumam a mascara de um personagem reconhecidamente E em preciso. e.51). entretanto. v. p. do filme. LEAL. 2008. nao qualquer um. mesmo. conforme indica sua origem etirnologica. 3 A.11 GUIMARAES. proprios um ser animado de que 0 diferenc. 0 termo latino qualquer. seu devir personagem.:a e graces aos componentes 0 desejo tarnbern fazem parte do trabalho do espectador da mas de uma maneira bem diversa . (COMOlU. mas um qualquer.:a da ficcao). 19. qualquer que seja e 0 "rnantern uma relacao original com desejo" (nos termos de Agamben).. e que possam. transformar proprio Dupla funcao desse tempo em estado puro alcanc. para que homens ordinaries. 0 0 ser que vem. nao sendo in-diferente. tempo puro. vira. do cinema. para qualquer. generos e proprio meio televisivo. capturada no tempo mesmo da filmagem. seus personagens de tal modo que pode vir. p. perfeitamente. 2004. finalmente. pois filme nos atinge um a um. de saida. duracao. que eles surjam como ao longo seres 0 alcancem transforrnacao espectador.:a e pelo desejo. de algum modo.:ado pelo docurnentario: simultaneamente. pois e fabricada por uma escritura 0 que apela ao sujeito da para que este invista imaginariamente espac. 0 0 espectador pela filme dispoe. real promovida pela televisao. por isso. a aparicao 0 dos homens ordinaries. para os efeitos deste texto em particular sustenta.:o-tempo do filme e se reaproprie mise en scene. que dara libido. como os atores ficcional. 2004. Essa duracao 0 poe em confronto com que acolhe os corpos filmados e a fala dos sujeitos alcanca tarnbern ela espectador. ele permite. a diferenc. profissionais nao basta simplesmente que aqueles a ficcao. o espectador Se no universo publicidade contrario. somos seres singulares Nos todos somos homens 0 ordinaries do cinema. nos desejam astuciosamente indiferentemente. 1·14. qualquer que ele seja. Ao contrario 0 da exacerbacao dos efeitos de do residue.

Em contraste teatral da sociedade e funcionamento 0 burgues que garantia uma tnstltulcao do consumo 0 na contemporaneidade. sernioticos. esse "terceiro por uma multiplicidade de elementos cornpositos: e criterios de e marcas de discrirninacao e constituido cognitivas. modernas.286). pelas sociedades passado e colocar escreve Michel de racional e pelo saber analitico a escritura cumpriu 0 calculo e a presente material do e c) as tecnologias. mas possuem um trace comum: eles sao projecoes de de um processo de distanciamento sao processos de mise en scene ou mise en visibilite liame social sao correlatos a ela mesma. 2.tecnicos. exibido pelas estatisticas. apoiada em tres suportes: que assegura meios ou instrumentos tecnicos (como aqueles do mundo audiovisual). p. p. evitando rnidiatizacao generalizada. atraves em relacao do qual ela se faz visivel para seus com dispositivo a uma nova a) os rnernbros" (QUERE. se constituirem. Segundo Louis Ouere. v. real se poe a tagarelar (como representado. adquirirem a capacidade de pensar e agir e.12 Expertencta estetica e experlencia mediada generica entre os diferentes atributos . agora.:as e flguracoes (1982. Porto Alegre: UFRGS.1996. discursivos proprios aos dispositivos da televisao e do cinema docurnentario. das rnidias estabeleceram de objetivacao da rnediacao sirnbolica. fabulado pela publicidade. identidade sociedade e 0 processos de objetivacao da rnediacao simbollca constituem no qual "a da modalidades historico-culturais. p. Os diferentes uma alteridade. substituindo-o 0 por um trace contado. n. regras de escolha. crenc. quadros normativos. que em nome de uma objetividade pretensamente simulacros em cessar: "0 grande silencio das coisas muda-se no seu contrario atraves da midia"(CERTEAU.84). modos de apreensao do tempo. p. e que traz irnplicacoes mediada" a essa tese de uso tao para a que a rnidiatizacao simbolizante" comprometedoras da "experiencia e preciso lembrar sendo uma modalidade historico-cultural daquele "terceiro que permite aos sujeitos sociais terem acesso ao real. 19. b) as estrategias guiadas pela escolha previsibilidade. desse modo. diferentes economias da representacao ideologia modalidade ou regimes de regulacao simbolica.85). modos de representacao esquemas de acao: jogos de papeis e de categorias da pratica. 1982). 1982. desse modo. As sociedades criam. inaugurado 0 papel de separar real fora de campo. enfim. avaliacao. irnageticos. 1982. aqui 0 que procuramos a tese da e contrasta-los nos estudos de uma maneira nao-simpllflcadora. nos dias atuais. aflrmacoes consideradas verdadeiras e normas tidas por justas. 1·14. Intexto.99). 0 Se no modo de representacao 0 burgues. jornalistico.p. . construirem sua identidade e sua comunidade. Certeau): incansavelmente figurado. narrado. fabrica informado pelo relato cientifica. como atores simbolizante" estruturas historicos (QUE:RE. sirnbolico (QUERE. julho/dezembro 2008. recorrente conceituacao permanece Para nao cedermos apressadamente da area.

intentando evitar tratar a la rnediacion la experiencia bajo el angulo mas frecuente del secuestro de la experiencia. se centra en las posibilidades de las dimensiones esteticas en la experiencia de los medios de cornuntcacion. Intexto. ao fabrica-Io induzem praticas. en un ejercicio comparativo.G.:as e modos de ver no espectador. praticamos com aparencias. mudam 0 que nos e mostrado. contrasta dos formas distintas de la rnediacton y de la conforrnacion de la experiencia.1993. Dois regimes de visao. multiples tipos de relatos "dita interminavelmente se deve fazer' a tnstitulcao do real promovida por aquilo que se deve crer e aquilo que 0 (CERTEAU. For that. 19. n. complementar de outro. Os relatos do real.13 GUIMARAES. Palabras c1aves: Experiencia. 2. p. A nocao de "experiencia a maneira de uma dobradica: real: de outro. proprios da experiencia de seus efeitos sobre os do real Dupla visada. ela se abre as form as de narrar e instituir acionando ela suscita crenc. contrasts two distinct ways of mediation and of conformation of the experience. UFMG. julho/dezembro 2008.G. Documentary. in a comparative exercise. deve funcionar aqui 0 de um lado. 1·14. Television. duas possibilidades de experiencia Aesthetic experience ABSTRACT and mediated experience What implies the adjective "mediated" when used to qualify experiences? This article retakes this question. 2005. REFERENCIAS AGAMBEN. reformulada. the television and the documentary Keywords: Experience. dois regimes de crenc. lnfancia e htstoria. ver num crer e rnediada". Bruno Souza Nesse novo regime de regulacao sirnbolica. Television. p. and. seeking to avoid to treat the mediated experience under the most frequent angle of the kidnapping of the experience. e a lncidencia os componentes sujeitos. AGAMBEN. Documental. it focuses on the esthetical dimensions in the experience of the medias. a experiencia e articulada: de um lado. Cesar Geraldo. . v. LEAL. Lisboa: Presenc. y. mise en scene. estetica. a fabricacao pelos relatos: do espectador.28?): cremos no que vemos. 1996.:a.:a. la television y el documental. A comunidade que vern. Para eso. enfim. Experiencia estetica y experiencia RESUMEN mediada lQue significa el adjetivo "mediada'' cuando se utiliza para calificar la experiencia? Este articulo retoma la cuestion. duas formas de estetica. Porto Alegre: UFRGS. Belo Horizonte: Ed.

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