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A Fclcliao das Massas
Josc Oricga y Cassci
Ediçao
Fidcndo Casiigai Morcs

Vcrsao ¡ara cDool
cDoolsDrasil.con

Fonic Digiial
www.jaIr.org
Co¡yrigIi ©
Auior. Josc Oricga y Cassci
Traduçao. Hcrrcra FilIo
Ediçao clcirónica.
Ed. Fidcndo Casiigai Morcs
(www.jaIr.org}
ºTodas as olras sao dc accsso graiuiio. Esiudci scn¡rc ¡or conia
do Esiado, ou nclIor, da Socicdadc quc ¡aga in¡osios; icnIo a
olrigaçao dc rciriluir ao ncnos una goia do quc cla nc
¡ro¡orcionou." ÷ Nclson JaIr Carcia (1947-2002}
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ÍNDICE
Apresentação ÷ 6
Ncíson JuI¡ Gu¡cíu
BIograIIa do autor ÷ 9

PRÕLOGO PARA FRANCESES ÷ 12

PRIMEIRA PARTE
A REBELIÃO DAS MASSAS ÷ 57
I - O Iato das agIomerações ÷ 58
II - A ascensão do n¡veI bIstórIco ÷ 69
III - A aItura dos tempos ÷ 80
IV - O crescImento da vIda ÷ 92
V - Um dado estat¡stIco ÷ 103
VI - Começa a dIssecação do bomem-massa ÷
112
VII - VIda nobre e vIda vuIgar, ou esIorço e
InércIa ÷ 121
VIII - Porque as massas Intervêm em tudo e
porque só Intervêm vIoIentamente ÷ 130
IX - PrImItIvIsmo e técnIca ÷ 142
X - PrImItIvIsmo e bIstórIa ÷ 154
XI - A época do ºmocInbo satIsIeIto" ÷ 165
XII - A barbárIe do ºespecIaIIsmo" ÷ 177
XIII - O maIor perIgo, o Estado ÷ 187

SEGUNDA PARTE
QUEM MANDA NO MUNDO? ÷ 199
4
XIV - Quem manda no mundo? ÷ 200
XV - Desemboca-se na verdadeIra questão ÷
283
EPÍLOGO PARA INGLESES ÷ 288
Quanto ao pacIIIsmo ÷ 297
DINÅMICA DO TEMPO
As vItrInas mandam ÷ 341
Juventude ÷ 349
MascuIIno ou IemInIno? ÷ 364
NOTAS ÷ 379
5

A REBELIÃO DAS MASSAS

José Ortega y Gasset
6

APRESENTAÇÃO
Nclson JaIr Carcia

A Fclcliao das Massas", olra ¡rina dc Josc
Oricga y Cassci, concçou a scr ¡ullicado cn
1926 nun jornal nadrilcnIo (ºEl Sol"}.
Fciraia as grandcs iransfornaçõcs do scculo
XX, cs¡ccialncnic na Euro¡a, con cnfasc no
¡roccsso Iisiorico dc crcscincnio das nassas
urlanas. Nao sc rcfcrc às classcs sociais nas às
nuliidõcs c agloncraçõcs. Tcndo cssc conic×io
cono ¡ano dc fundo, Oricga discuic icnas,
a¡arcnicncnic conirarios cnirc si, nas quc sc
fundcn (ou dcvcn fundir-sc} nuna unidadc dc
scniido. É assin quc conira¡õc individualisno c
sulnissao ao colciivo; conunidadc, naçao c
csiado; Iisioria, ¡rcscnic c ¡orvir; Ioncns culios
c cs¡ccialisias; ¡odcr arliirario c rcs¡ciio à
o¡iniao ¡ullica; juvcniudc c vclIicc; gucrra c
¡acifisno; nasculino c fcninino.
Sao io¡icos quc, incviiavclncnic, nos
induzcn à rcflc×ao críiica. En alguns casos sao
a¡rcscniados dc forna c×ircnancnic
¡rovocaiiva.
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Fcfcrindo-sc ao ¡odcr do dinIciro, nininiza
scu significado c afirna.
ºÉ, ialvcz, o unico ¡odcr social quc ao scr
rcconIccido nos rc¡ugna. A ¡ro¡ria força
lruia quc Ialiiualncnic nos indigna acIa
cn nos un cco uliino dc sin¡aiia c
csiina. Inciia-nos a rccIaça-la criando
una força ¡aralcla, nas nao nos ins¡ira
asco. Dir-sc-ia quc nos sullcvan csics ou
os ouiros cfciios da violcncia; ¡orcn cla
ncsna nos ¡arccc un siniona dc saudc,
un nagnífico airiluio do scr vivcnic, c
con¡rccndcnos quc o grcgo a divinizassc
cn Hcrculcs."
Discuiindo o faio dc quc os aniigos grcgos
cסrcssavan un ccrio dcs¡rczo ¡clas nulIcrcs,
acala ¡or concluir quc csias acalaran sc
nasculinizando.
ºA Vcnus dc Milo c una figura nasculo-
fcninil, una cs¡ccic dc ailcia con scios. E
c un c×cn¡lo dc cónica insinccridadc quc
icnIa sido ¡ro¡osia ial inagcn ao
cniusiasno dos curo¡cus duranic o scculo
XIX, quando nais clrios vivian dc
ronaniicisno c dc fcrvor ¡cla ¡ura,
c×ircna fcninilidadc. O canonc da aric
grcga ficou inscriio nas fornas do noço
8
dcs¡oriisia, c quando isio nao lIc lasiou
¡rcfcriu sonIar con o Icrnafrodiia."
Solrc a gucrra, cIcga a afirnar.
ºO ¡acifisno csia ¡crdido c convcric-sc cn
nula lcaicria sc nao icn ¡rcscnic quc a
gucrra c una gcnial c fornidavcl iccnica
dc vida c ¡ara a vida."
Sua inicr¡rciaçao do nodclo cscravisia c
lasianic sugcsiiva.
ºDo ncsno nodo, cosiunanos, scn nais
rcflc×ao, naldizcr da cscravidao, nao
advcriindo o naravilIoso ¡rogrcsso quc
rc¡rcscniou quando foi invcniada. Porquc
anics o quc sc fazia cra naiar os vcncidos.
Foi un gcnio lcnfciior da Iunanidadc o
¡rinciro quc idcou, cn vcz dc naiar os
¡risionciros, conscrvar-lIcs a vida c
a¡rovciiar scu lalor."
Sao cssas a¡arcnics coniradiçõcs quc
csiinulan nosso cs¡íriio críiico. Oricga dcfcndcu
suas concc¡çõcs con vigor, fundancnios solidos
c una logica irrc¡rcnsívcl. En ¡oucos noncnios
foi ioialncnic conclusivo, nas dci×ou una
cnornc alcriura ¡ara quc ¡ossanos rc¡cnsar as
idcias quc dcfcndcu cn scus dias, ada¡iando-as
ao nosso icn¡o c ao quc vivcrcnos no fuiuro.
9

BIOGRAFIA DO AUTOR

Josc Oricga y Cassci nasccu cn Madrid, a 9
dc naio dc 1883. A fanília dc sua nac cra
¡ro¡riciaria do jornal nadrilcnIo ºEl In¡arcial" c
scu ¡ai jornalisia c dircior dcssc ncsno diario.
Essa rclaçao con o jornalisno foi csscncial
¡ara o dcscnvolvincnio dc sua fornaçao
iniclcciual c scu csiilo dc cסrcssao liicraria.
Crandc ¡aric dc scus cscriios filosoficos foran
¡roduzidos a ¡ariir do coniaio con a in¡rcnsa.
Oricga, alcn dc considcrado un dos naiorcs
filosofos da língua cs¡anIola ianlcn c lcnlrado
cono una das naiorcs figuras do jornalisno
cs¡anIol do scculo XX.
Tcndo adquirido as ¡rinciras lciras cn
Madrid foi cnviado a cursar o lacIarclado cn un
colcgio jcsuíia dc Malaga. Enlora rcconIcccndo
o valor da cducaçao jcsuíiica rccclida, rcagiu
conira os icnucs fundancnios da cicncia
adquirida, fornulando un ¡rojcio ¡cssoal dc
rcforna da filosofia curo¡cia.
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Tcrninando os csiudos cn Malaga iniciou
scus csiudos univcrsiiarios cn Dcusio c dc¡ois
na Univcrsidadc dc Madrid, ondc sc douiorou cn
Filosofia. Duscando una fornaçao iniclcciual
nais solida coniinuou scus csiudos cn
Marlurgo, na AlcnanIa, ondc ¡rcvalccia o
ncolaniisno. Acalou ¡or adoiar una aiiiudc
críiica cn rclaçao aos scus ncsircs c a Kani, quc
sc rcflciiu na afirnaçao. ºDuranic dcz anos vivi
no nundo do ¡cnsancnio laniiano. cu o rcs¡irci
con a una ainosfcra quc foi, ao ncsno icn¡o,
ninIa casa c ninIa ¡risao (...} Con grandc
csforço, conscgui cvadir-nc da ¡risao laniiana c
csca¡ci dc sua influcncia ainosfcrica."
A ¡ariir dc 1910 iniciou una vida ¡ullica
rc¡ariida cnirc a doccncia univcrsiiaria c
aiividadcs ¡olíiicas c culiurais c×ira acadcnicas.
Con o início da gucrra civil cs¡anIola, cn
julIo dc 1936, Oricga dccidiu andar ¡clo nundo,
viajando à França, Holanda, Argcniina, Poriugal,
¡aíscs ondc ¡rofcriu inuncras confcrcncias.
Suas olras sc rcvcsicn dc un caraicr
c×ircnancnic críiico, as nais ¡olcnicas das
quais foran. ºMcdiiacioncs dcl Quijoic", ºQuc cs
filosofia?", ºEn iorno a Calilco", ºHisioria cono
sisicna", ºFclclion dc las nasas", ºOlras
Con¡lcias". Foi ianlcn co-fundador do diario
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ºEl Sol" c fundador c dircior da ºFcvisia dc
Occidcnic".
Falcccu cn Madrid no dia 18 dc ouiulro dc
1955.
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PRÓLOGO PARA FRANCESES
I
Esic livro ÷ su¡ondo quc scja un livro ÷
daia... Concçou a scr ¡ullicado nun jornal
nadrilcnIo cn 1926, c o assunio dc quc iraia c
dcnasiado Iunano ¡ara quc ¡udcssc csca¡ar à
açao do icn¡o. Ha solrciudo c¡ocas cn quc a
rcalidadc Iunana, scn¡rc insiavcl, sc ¡rcci¡iia
cn vclocidadc vcriiginosa. Nossa c¡oca c dcssa
classc ¡orquc c dc dcscidas c qucdas. Daí quc os
faios ulira¡assaran o livro. Muiio do quc nclc sc
cnuncia foi logo un ¡rcscnic c ja c un ¡assado.
Alcn disso, cono csic livro circulou nuiio
duranic csics anos fora da França, nao ¡oucas dc
suas fornulas cIcgaran ao lciior franccs ¡or vias
anóninas c sao ¡uro lugar conun. Tcria sido,
¡ois, c×cclcnic ocasiao ¡ara ¡raiicar a olra dc
caridadc nais adcquada a nosso icn¡o. nao
¡ullicar livros su¡crfluos. Eu fiz iudo quc nc foi
¡ossívcl cn ial scniido ÷ vai ¡ara cinco anos a
Casa Siocl nc ¡ro¡ós a sua vcrsao ÷; nas nc
fizcran vcr quc o organisno das idcias
cnunciadas ncsias ¡aginas nao corrcs¡ondc ao
lciior franccs, c quc, accriada ou crroncancnic,
scria uiil sulncic-lo a sua ncdiiaçao c a sua
críiica.
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Nao csiou convcncido disso, nas nao Ia
noiivo ¡ara fornalisno. In¡oria-nc, cnircianio,
quc nao cnirc na sua lciiura con ilusõcs
injusiificadas. Consic, ¡ois, quc sc iraia
sin¡lcsncnic dc una scric dc ariigos ¡ullicados
nun jornal nadrilcnIo dc grandc circulaçao.
Cono quasc iudo quc cscrcvi, csias foran
¡aginas cscriias ¡ara uns quanios cs¡anIois quc
o dcsiino colocou à ninIa frcnic. Nao c
solrcnodo in¡rovavcl quc ninIas ¡alavras,
nudando agora dc dcsiinaiario, consigan dizcr
aos franccscs o quc clas ¡rcicndcn cסrinir. Nao
¡osso cs¡crar nclIor soric quando csiou
¡crsuadido dc quc falar c una o¡craçao nuiio
nais ilusoria do quc sc su¡õc, ccriancnic, cono
quasc iudo quc o Ioncn faz. Dcfininos a
linguagcn cono o ncio dc quc nos scrvinos ¡ara
nanifcsiar nossos ¡cnsancnios. Mas una
dcfiniçao, sc c vcrídica, c irónica, cnccrra iaciias
rcscrvas, c quando nao a inicr¡rcianos assin,
¡roduz funcsios rcsuliados. Assin csia. O dc
ncnos c quc a linguagcn sirva ianlcn ¡ara
oculiar nossos ¡cnsancnios, ¡ara ncniir. A
ncniira scria in¡ossívcl sc o falar ¡rinario c
nornal nao fossc sinccro. A nocda falsa circula
a¡oiada na vcrdadcira. No final das conias, o
cngano vcn a scr un Iunildc ¡arasiia da
ingcnuidadc.
Nao; o nais ¡crigoso daqucla dcfiniçao c o
acrcscino oiinisia con quc cosiunanos cscuia-
14
la. Porquc cla ncsna nao nos asscgura quc
ncdianic a linguagcn ¡ossanos nanifcsiar, con
suficicnic jusicza, iodos os nossos ¡cnsancnios.
Nao sc arrisca a ianio, nas ian¡ouco nos faz vcr
francancnic a vcrdadc csiriia. quc scndo ao
Ioncn in¡ossívcl cnicndcr-sc con scus
scnclIanics, csiando condcnado à radical
solidao, csgoia-sc cn csforços ¡ara cIcgar ao
¡ro×ino. Dcsscs csforços c a linguagcn quc
conscguc às vczcs dcclarar con naior
a¡ro×inaçao algunas das coisas quc aconicccn
dcniro dc nos. A¡cnas. Mas, Ialiiualncnic, nao
usanos csias rcscrvas. Ao conirario, quando o
Ioncn sc ¡õc a falar, isio faz ¡orquc crc quc vai
¡odcr dizcr iudo quc ¡cnsa. Pois lcn, isso c o
ilusorio. A linguagcn nao da ¡ara ianio. Diz,
nais ou ncnos, una ¡aric do quc ¡cnsanos c
¡õc una larrcira infranqucavcl à iransfusao do
rcsio. Scrvc lasianicncnic ¡ara cnunciados c
¡rovas naicnaiicas; ja ao falar dc física concça a
scr cquívoco c insuficicnic. Porcn quanio nais a
convcrsaçao sc ocu¡a dc icnas nais in¡orianics
quc csscs, nais Iunanos, nais ºrcais", ianio
nais auncnia sua in¡rccisao, sua inc¡cia c scu
confusionisno. Doccis ao ¡rcjuízo invcicrado dc
quc falando nos cnicndcnos, dizcnos c ouvinos
con iao loa fc quc acalanos nuiias vczcs ¡or
nao nos cnicndcrnos, nuiio nais do quc sc,
nudos, ¡rocurasscnos adivinIar-nos.
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Esquccc-sc dcnasiadancnic quc iodo
auicniico dizcr nao so diz algo, cono diz algucn a
algucn. En iodo dizcr Ia un cnissor c un
rccc¡ior, os quais nao sao indifcrcnics ao
significado das ¡alavras. Esic varia quando
aquclas varian. Duo si idcn dicuni non csi idcn.
Todo vocalulo c ocasional(l}. A linguagcn c ¡or
csscncia dialogo, c iodas as ouiras fornas do
falar dcsiiiucn sua cficacia. Por isso cu crcio quc
un livro so c lon na ncdida cn quc nos iraz un
dialogo laicnic, cn quc scniinos quc o auior salc
inaginar concrciancnic scu lciior c csic ¡crcclc
cono sc dcnirc as linIas saíssc u'a nao
ccio¡lasiica quc iaicia sua ¡cssoa, quc qucr
acaricia-la ÷ ou lcn, nui coricsncnic, dar-lIc
un nurro.
Alusou-sc da ¡alavra c ¡or isso cla caiu cn
dcsgraça. Cono cn ianias ouiras coisas, o aluso
aqui consisiiu no uso scn ¡rcocu¡açao, scn
conscicncia da liniiaçao do insiruncnio. Ha
quasc dois scculos quc sc acrcdiia quc falar cra
falar urli ci orli, isio c, a iodos c a ningucn. Eu
dcicsio cssa nancira dc falar c sofro quando nao
sci concrciancnic a qucn falo.
Conian, scn insisiir dcnasiado solrc a
rcalidadc do faio, quc quando sc cclclrou o
julilcu dc Vicior Hugo foi organizada una grandc
fcsia no ¡alacio do Elísco, da qual ¡ariici¡aran,
lcvando suas Ioncnagcns, rc¡rcscniaçõcs dc
16
iodas as naçõcs. O grandc ¡ocia acIava-sc na
grandc sala dc rccc¡çao, cn solcnc aiiiudc dc
csiaiua, con o coiovclo a¡oiado no rclordo dc
una cIaninc. Os rc¡rcscnianics das naçõcs
adianiavan-sc ao ¡ullico c a¡rcscniavan sua
Ioncnagcn ao vaic da França. Un ¡oriciro, con
voz csicniorica, anunciava-os.
ºMonsicur lc Fc¡rcscniani dc l'Anglaicrrc!" E
Vicior Hugo, con voz dc dranaiico ircnulo,
virando os olIos, dizia. ºL'Anglaicrrc! AI,
SIalcs¡carc!" O ¡oriciro coniinuou. ºMonsicur lc
Fc¡rcscniani dc l'Es¡agnc"! E Vicior Hugo.
ºL'Es¡agnc! AI, Ccrvanics!" O ¡oriciro. ºMonsicur
lc Fc¡rcscniani dc L'Allcnagnc!" E Vicior Hugo.
ºL'Allcnagnc! AI, CociIc!"
Mas cniao cIcgou a vcz dc un scnIor lai×o,
aiarracado, lalofo c dc andar dcsgracioso. O
¡oriciro c×clanou. ºMonsicur lc Fc¡rcscniani dc
la Mcso¡oianic!"
Vicior Hugo, quc aic cniao ¡crnancccra
in¡cricrriio c scguro dc si ncsno, ¡arcccu
vacilar. Suas ¡u¡ilas, ansiosas, fizcran un
grandc giro circular cono ¡rocurando cn iodo o
cosnos algo quc nao cnconirava. Mas logo sc viu
quc o acIara c quc rccolrara o donínio da
siiuaçao. Efciivancnic, con o ncsno ion
¡aiciico, con a ncsna convicçao, rcs¡ondcu à
17
Ioncnagcn do roiundo scnIor dizcndo. ºLa
Mcso¡oianic! AI, L'Hunaniic!"
Conici isso a fin dc dcclarar, scn a
solcnidadc dc Vicior Hugo, quc nao cscrcvi ncn
falci à Mcso¡oiania, c nunca nc dirigi à
Hunanidadc. Essc cosiunc dc falar ¡ara a
Hunanidadc, quc c a forna nais sullinc, c,
¡orianio, a nais dcs¡rczívcl da dcnagogia, foi
adoiada aic 1750 ¡or iniclcciuais dcsajusiados,
ignoranics dc scus ¡ro¡rios liniics c quc scndo,
¡or scu ofício, os Ioncns do dizcr, do logos,
usaran dclc scn rcs¡ciio c ¡rccauçõcs, scn
¡crcclcrcn quc a ¡alavra c un sacrancnio dc
nui dclicada adninisiraçao.

II

Esia icsc quc susicnia a c×iguidadc do raio
dc açao cficazncnic conccdido à ¡alavra, ¡odia
¡arcccr invalidada ¡clo faio ncsno dc quc csic
volunc icnIa cnconirado lciiorcs cn quasc iodas
as línguas da Euro¡a. Eu crcio, iodavia, quc csic
faio c dc ¡rcfcrcncia siniona dc ouira coisa, dc
ouira gravc coisa. da ¡avorosa Ionogcncidadc dc
siiuaçõcs cn quc vai caindo iodo o Ocidcnic.
Dcsdc o a¡arccincnio dcsic livro, ¡cla nccanica
quc nclc ncsno sc dcscrcvc, cssa idcniidadc
18
crcsccu dc nodo angusiioso. Digo angusiioso
¡orquc, rcalncnic, o quc cn cada ¡aís c scniido
cono circunsiancia dolorosa, nulii¡lica ao
infiniio scu cfciio dc¡rincnic quando qucn o
sofrc advcric quc a¡cnas Ia lugar no coniincnic
ondc nao aconicça csiriiancnic o ncsno,
Ouirora ¡odia vcniilar-sc a ainosfcra confinada
dc un ¡aís alrindo-sc as janclas quc dao ¡ara
ouiro. Mas agora cssc cסcdicnic nao scrvc dc
nada, ¡orquc cn ouiro ¡aís a ainosfcra c iao
irrcs¡iravcl cono no ¡ro¡rio. Daí a scnsaçao
o¡rcssora dc asfi×ia. Jol, quc cra un icrrívcl
¡incc-sans-rirc, ¡crgunia a scus anigos, os
viajorcs c ncrcadorcs quc rodaran ¡clo nundo.
Undc sa¡icniia vcnii ci quis csi locus
iniclligcniiac? ºSalcis dc algun lugar do nundo
ondc a inicligcncia c×isia?"
Convcn, cnircianio, quc ncssa ¡rogrcssiva
assinilaçao das circunsiancias disiinganos duas
dincnsõcs difcrcnics c dc valor conira¡osio.
Esic cn×anc dc ¡ovos ocidcniais quc alçou
vóo solrc a Iisioria dcsdc as ruínas do nundo
aniigo, caracicrizou-sc scn¡rc ¡or una forna
dual dc vida. Pois aconicccu quc à ncdida quc
cada un ia fornando scu gcnio ¡cculiar, cnirc
clcs ou solrc clcs sc ia criando un rc¡criorio dc
idcias, nanciras c cniusiasnos. Mais ainda. Esic
dcsiino quc os fazia, a ¡ar, ¡rogrcssivancnic
Ionogcncos c ¡rogrcssivancnic divcrsos, Ia dc
19
cnicndcr-sc con ccrio su¡crlaiivo dc ¡arado×o.
Porquc nclcs a Ionogcncidadc nao foi alIcia à
divcrsidadc. Pclo conirario. cada novo ¡rincí¡io
unifornc fcriilizava a divcrsificaçao. A idcia crisia
cngcndra as igrcjas nacionais; a lcnlrança do
In¡criun ronano ins¡ira as divcrsas fornas do
Esiado; a ºrcsiauraçao das lciras" no scculo XV
in¡clc as liicraiuras divcrgcnics; a cicncia c o
¡rincí¡io uniiario do Ioncn cono ºrazao ¡ura"
cria os disiinios csiilos iniclcciuais quc nodclan
difcrcncialncnic aic as c×ircnas alsiraçõcs da
olra naicnaiica. Finalncnic c ¡ara cunulo. aic
a c×iravaganic idcia do scculo XVIII, scgundo a
qual iodos os ¡ovos Iao dc icr una consiiiuiçao
idcniica, ¡roduz o cfciio dc dcs¡criar
ronaniicancnic a conscicncia difcrcncial das
nacionalidadcs, quc vcn a scr cono csiinular cn
cada un sua vocaçao ¡ariicular.
E c quc ¡ara csscs ¡ovos cIanados
curo¡cus, vivcr scn¡rc foi ÷ clarancnic dcsdc o
scculo XI, dcsdc Óion III ÷ novcr-sc c aiuar cn
un cs¡aço ou anliio conun. Isio c, quc ¡ara
cada un vivcr cra convivcr con os dcnais. Esia
convivcncia ionava indifcrcnicncnic as¡ccio
¡acífico ou conlaiivo. As gucrras inicr-curo¡cias
nosiraran quasc scn¡rc un curioso csiilo quc
as faz ¡arcccr nuiio con as alicrcaçõcs
doncsiicas. Eviian a aniquilaçao do ininigo, c
sao vcrdadciros ccriancs, luias dc cnulaçao,
cono as dos jovcns nuna aldcia ou dis¡uias dc
20
Icrdciros ¡cla ¡ariilIa dc un lcgado faniliar. Un
¡ouco dc ouiro nodo, iodos vao ao ncsno.
Eadcn scd aliicr. Cono Carlos V dizia dc
Francisco I. ºMcu ¡rino Francisco c cu csianos
dc ¡crfciio acordo. anlos qucrcnos Milao".
É dc soncnos in¡oriancia quc a cssc cs¡aço
Iisiorico conun, ondc iodos os ¡ovos do
Ocidcnic sc scniian cono cn sua casa,
corrcs¡onda un cs¡aço físico quc a gcografia
dcnonina Euro¡a. O cs¡aço Iisiorico a quc aludo
ncdc-sc ¡clo raio dc cfciiva c ¡rolongada
convivcncia ÷ c un cs¡aço social. Ora,
convivcncia c socicdadc sao icrnos cquivalcnics.
Socicdadc c o quc sc ¡roduz auionaiicancnic
¡clo sin¡lcs faio da convivcncia. Dc sua csscncia
c incluiavclncnic csia scgrcga cosiuncs, usos,
línguas, dirciio, ¡odcr ¡ullico. Un dos nais
gravcs crros do ¡cnsancnio ºnodcrno", cujas
sal¡icaduras ainda ¡adcccnos, icn sido
confundir a socicdadc con a associaçao, quc c,
a¡ro×inadancnic, o conirario daqucla. Una
socicdadc nao sc consiiiui do acordo das
voniadcs. Ao conirario, iodo acordo dc voniadcs
¡rcssu¡õc a c×isicncia dc una socicdadc, dc
¡cssoas quc convivcn, c o acordo nao ¡odc
consisiir scnao cn ¡rccisar una ou ouira forna
dcssa convivcncia, dcssa socicdadc ¡rcc×isicnic.
A idcia da socicdadc cono rcuniao coniraiual,
¡orianio jurídica, c o nais inscnsaio cnsaio quc
sc fcz dc ¡ór o carro adianic dos lois. Porquc o
21
dirciio, a rcalidadc ºdirciio" ÷ nao as idcias solrc
clc do filosofo, jurisia ou dcnagogo ÷ c, sc nc
¡crniicn a cסrcssao larroca, sccrcçao
cs¡onianca da socicdadc c nao ¡odc scr ouira
coisa. Qucrcr quc o dirciio rcja as rclaçõcs cnirc
scrcs quc ¡rcviancnic nao vivcn cn cfciiva
socicdadc, ¡arccc-nc ÷ ¡crdoc-sc-nc a
insolcncia ÷ icr una idcia nuiio confusa do quc
c o dirciio.
Nao dcvc csiranIar, ¡or ouira ¡aric, a
¡rc¡ondcrancia dcssa o¡iniao confusa c ridícula
solrc o dirciio, ¡orquc una das na×inas
dcsdiias do icn¡o c quc, ao io¡arcn os ¡ovos do
Ocidcnic con os icrrívcis confliios ¡ullicos do
¡rcscnic, sc cnconiraran a¡arclIados con
insiruncnial arcaico c incficicnic dc noçõcs solrc
o quc c socicdadc, colciividadc, indivíduo, usos,
lci, jusiiça, rcvoluçao, cic. Doa ¡aric da
inquiciaçao aiual ¡rovcn da incongrucncia cnirc
a ¡crfciçao dc nossas idcias solrc os fcnóncnos
físicos c o airaso cscandaloso das ºcicncias
norais". O ninisiro, o ¡rofcssor, o físico ilusirc c
o novclisia socn icr dcssas coisas concciios
dignos dc un larlciro sulurlano. Nao c
¡crfciiancnic naiural quc scja o larlciro
sulurlano qucn dc a ionalidadc do icn¡o?(2}
Mas volicnos a nossa roia. Qucria insinuar
quc os ¡ovos curo¡cus sao Ia nuiio icn¡o una
socicdadc, una colciividadc, no ncsno scniido
22
quc icn csias ¡alavras a¡licadas a cada una das
naçõcs quc a inicgran. Essa socicdadc nanifcsia
iodos os airiluios ¡ossívcis. Ia cosiuncs
curo¡cus, usos curo¡cus, o¡iniao ¡ullica
curo¡cia, dirciio curo¡cu, ¡odcr ¡ullico curo¡cu.
Mas iodos csscs fcnóncnos sociais sc dao na
forna adcquada ao csiado dc cvoluçao cn quc sc
cnconira a socicdadc curo¡cia, quc nao c,
cvidcnicncnic, iao avançado cono o dc scus
ncnlros con¡oncnics, as naçõcs.
Por c×cn¡lo. a forna dc ¡rcssao social quc c
o ¡odcr ¡ullico funciona cn ioda socicdadc,
inclusivc naquclas ¡riniiivas cn quc nao c×isic
ainda un organisno cs¡ccial cncarrcgado dc
nancja-lo. Sc a cssc orgao difcrcnciado a qucn sc
cnircga o c×crcício do ¡odcr ¡ullico sc qucr
cIanar Esiado, diga-sc quc cn ccrias socicdadcs
nao Ia Esiado, nas nao sc diga quc nclas nao Ia
¡odcr ¡ullico. Ondc Ia o¡iniao ¡ullica, cono
¡odcra faliar un ¡odcr ¡ullico sc csic nao c nais
quc a violcncia colciiva susciiada ¡or aqucla
o¡iniao? Ora lcn, quc Ia scculos c con
inicnsidadc crcsccnic c×isic una o¡iniao ¡ullica
curo¡cia c aic una iccnica ¡ara influir ncla ÷ c
incónodo ncga-lo.
Por isso, rcconcndo ao lciior quc ¡ou¡c a
nalignidadc dc un sorriso ao dc¡arar quc nos
uliinos ca¡íiulos dcsic volunc sc faz con ccrio
dcnodo, anic o cariz o¡osio das a¡arcncias
23
aiuais, a afirnaçao dc una ¡ossívcl, dc una
¡rovavcl unidadc csiaial da Euro¡a. Nao ncgo
quc os Esiados Unidos da Euro¡a sao una das
faniasias nais nodicas quc c×isicn c nao nc
solidarizo con o quc os ouiros ¡cnsaran sol
csscs signos vcrlais. Mas, ¡or ouira ¡aric, c
sunancnic in¡rovavcl quc una socicdadc, una
colciividadc iao nadura cono a quc ja fornan os
¡ovos curo¡cus, andc longc dc criar ¡ara si scu
aricfaio csiaial ncdianic o qual fornalizc o
c×crcício do ¡odcr ¡ullico curo¡cu ja c×isicnic.
Nao c, ¡ois, dclilidadc anic as soliciiaçõcs da
faniasia ncn ¡ro¡cnsao a un ºidcalisno" quc
dcicsio, c conira o qual Ici ¡ugnado ioda a
ninIa vida, o quc nc lcva a ¡cnsar assin. Foi o
rcalisno Iisiorico quc nc cnsinou a vcr quc a
unidadc da Euro¡a cono socicdadc nao c un
ºidcal", nas un faio dc vclIíssina coiidianidadc.
Ora lcn, una vcz quc sc viu isso, a
¡rolalilidadc dc un Esiado gcral curo¡cu in¡õc-
sc ncccssariancnic. A ocasiao quc lcvc
suliiancnic a icrnino o ¡roccsso ¡odc scr
qualqucr, ¡or c×cn¡lo, a colcra dc un cIincs quc
a¡arcça ¡clos Urais ou una sacudida do grandc
nagna islanico.
A figura dcssc Esiado su¡cr-nacional scra, c
claro, nuiio difcrcnic das usadas, cono, scgundo
ncsscs ncsnos ca¡íiulos sc icnia nosirar, foi
nuiio difcrcnic o Esiado nacional do Esiado-
cidadc quc os aniigos conIcccran. Eu ¡rocurci
24
ncsias ¡aginas ¡ór cn franquia as ncnics ¡ara
quc sailan scr ficis à suiil concc¡çao do Esiado c
socicdadc quc a iradiçao curo¡cia nos ¡ro¡õc.
Nunca foi facil ao ¡cnsancnio grcco-ronano
concclcr a rcalidadc cono dinanisno. Nao ¡odia
dcs¡rcndcr-sc do visívcl ou scus succdancos,
cono un ncnino nao cnicndc do livro scnao as
ilusiraçõcs. Todos os csforços dc scus filosofos
auiocioncs ¡ara iransccndcr cssa liniiaçao foran
vaos. En iodos os scus cnsaios ¡ara
con¡rccndcr aiua, nais ou ncnos, cono
¡aradigna, o oljcio cor¡oral, quc c, ¡ara clcs, a
ºcoisa" ¡or c×cclcncia. So conscgucn vcr una
socicdadc, un Esiado ondc a unidadc icnIa
caraicr dc coniinuidadc visual; ¡or c×cn¡lo, una
cidadc. A vocaçao ncnial do curo¡cu c o¡osia.
Toda coisa visívcl lIc ¡arccc, cono ial, sin¡lcs
nascara a¡arcnic dc una força laicnic quc a csia
consianicncnic ¡roduzindo c quc c sua
vcrdadcira rcalidadc. Ali ondc a força, a dynanis,
aiua uniiariancnic, Ia rcal unidadc, cnlora à
visia sc nos a¡arcçan cono nanifcsiaçao dcla
a¡cnas coisas divcrsas.
Scria rccair na liniiaçao aniiga nao dcscolrir
unidadc dc ¡odcr ¡ullico a¡cnas ondc csic
ionou nascaras ja conIccidas c cono
solidificadas dc Esiado; isio c, nas naçõcs
¡ariicularcs da Euro¡a. Ncgo rcdondancnic quc
o ¡odcr ¡ullico dccisivo aiuanic cn cada una
25
dclas consisia c×clusivancnic cn scu ¡odcr
¡ullico inicrior ou nacional. Convcn cair dc una
vcz na con¡rccnsao dc quc Ia nuiios scculos ÷
c con conscicncia disso Ia quairo ÷ vivcn iodos
os ¡ovos da Euro¡a sulnciidos a un ¡odcr
¡ullico quc ¡or sua ¡ro¡ria ¡urcza dinanica nao
iolcra ouira dcnoninaçao quc a c×iraída da
cicncia nccanica. o ºcquilílrio curo¡cu" ou
lalancc of Powcr.
Essc c o auicniico govcrno da Euro¡a quc
rcgula cn scu vóo ¡cla Iisioria o cn×anc dc
¡ovos, solíciios c ¡ugnazcs cono alclIas,
csca¡ados às ruínas do nundo aniigo. A unidadc
da Euro¡a nao c una faniasia, nas dc faio a
¡ro¡ria rcalidadc, c a faniasia c ¡rccisancnic a
crcnça dc quc a França, a AlcnanIa, a Iialia ou a
Es¡anIa sao rcalidadcs sulsianiivas c
indc¡cndcnics.
Con¡rccndc-sc, cnircianio, quc ncn iodo o
nundo ¡crccla con cvidcncia a rcalidadc da
Euro¡a, ¡orquc a Euro¡a nao c una ºcoisa", nas
un cquilílrio. Ja no scculo XVIII o Iisioriador
Folcrison qualificou o cquilílrio curo¡cu dc iIc
grcai sccrci of nodcrn ¡oliiics.
Scgrcdo grandc c ¡arado×al, scn duvida!
Porquc o cquilílrio ou lalança dc ¡odcrcs c una
rcalidadc quc consisic csscncialncnic na
c×isicncia dc una ¡luralidadc. Sc cssa
26
¡luralidadc sc ¡crdc, aqucla unidadc dinanica sc
dcsvancccria. A Euro¡a c, con cfciio, cn×anc;
nuiias alclIas c un so vóo.
Essc caraicr uniiario da nagnífica
¡luralidadc curo¡cia c o a quc cu cIanaria loa
Ionogcncidadc, a quc c fccunda c dcscjavcl, a
quc fazia Monicsquicu dizcr. L'Euro¡c n'csi
qu'unc naiion con¡oscc dc ¡lusicurs,(3} c Dalzac,
nais ronaniicancnic, falava da grandc fanillc
coniincnialc, doni ious lcs cfforis icndcni à jc nc
sais qucl nysicrc dc civilisaiion.(4}

III

Esia nuliidao dc nodos curo¡cus quc
lroian consianicncnic dc sua radical unidadc c
rcvcric a cla nanicndo-a, c o naior icsouro do
Ocidcnic. Os Ioncns dc calcças ioscas nao
conscgucn congcninar una idcia iao acrolaiica
cono csia cn quc c ¡rcciso saliar, scn dcscanso,
da afirnaçao da ¡luralidadc ao rcconIccincnio
da unidadc c vicc-vcrsa. Sao calcças ¡csadas
nascidas ¡ara c×isiir sol as ¡cr¡ciuas iiranias do
Oricnic.
Triunfa Iojc solrc ioda a arca coniincnial
una forna dc Ionogcncidadc quc ancaça
consunir con¡lciancnic aquclc icsouro. Ondc
27
qucr quc icnIa surgido o Ioncn-nassa dc quc
csic volunc sc ocu¡a, un ii¡o dc Ioncn fciio dc
¡rcssa, noniado iao soncnic nunas quanias c
¡olrcs alsiraçõcs c quc, ¡or isso ncsno, c
idcniico cn qualqucr ¡aric da Euro¡a. A clc sc
dcvc o irisic as¡ccio dc asfi×ianic nonoionia quc
vai ionando a vida cn iodo o coniincnic. Essc
Ioncn-nassa c o Ioncn ¡rcviancnic dcs¡ojado
dc sua ¡ro¡ria Iisioria, scn cniranIas dc
¡assado c, ¡or isso ncsno, docil a iodas as
disci¡linas cIanadas ºinicrnacionais". Mais do
quc un Ioncn, c a¡cnas una carcaça dc
Ioncn consiiiuído ¡or ncros idola fori; carccc dc
un ºdcniro", dc una iniinidadc sua, inc×oravcl c
inalicnavcl, dc un cu quc nao sc ¡ossa rcvogar.
Daí csiar scn¡rc cn dis¡onililidadc ¡ara fingir
scr qualqucr coisa. Tcn so a¡ciiics, crc quc so
icn dirciios c nao crc quc icn olrigaçõcs. c o
Ioncn scn nolrcza quc olriga ÷ sinc noliliiaic
÷ snol.(5}
Esic univcrsal snolisno, quc iao clarancnic
a¡arccc, ¡or c×cn¡lo, no o¡crario aiual, ccgou as
alnas ¡ara con¡rccndcr quc, cnlora ioda
csiruiura dada da vida coniincnial icnIa dc scr
iransccndida, iudo isso Ia dc sc fazcr scn ¡crda
gravc dc sua inicrior ¡luralidadc. Cono o snol
csia vazio dc dcsiino ¡ro¡rio, cono nao salc quc
c×isic solrc o ¡lancia ¡ara fazcr algo
dcicrninado c in¡crnuiavcl, c inca¡az dc
cnicndcr quc Ia nissõcs ¡ariicularcs c
28
ncnsagcns cs¡cciais. Por cssa razao c Iosiil ao
lilcralisno, con una Iosiilidadc quc sc
asscnclIa à do surdo cn rclaçao à ¡alavra. A
lilcrdadc significou scn¡rc na Euro¡a franquia
¡ara scr o quc auicniicancnic sonos.
Con¡rccndc-sc quc as¡irc a ¡rcscindir dcla qucn
salc quc nao icn auicniico nisicr.
Con csiranIa facilidadc iodo o nundo sc
colocou dc acordo ¡ara conlaicr c injuriar o
vclIo lilcralisno. A coisa c sus¡ciia. Porquc as
¡cssoas nao cosiunan ¡ór-sc dc acordo a nao
scr cn coisas un ¡ouco vclIacas ou un ¡ouco
iolas. Nao ¡rcicndo quc o vclIo lilcralisno scja
una idcia ¡lcnancnic razoavcl. cono ¡odc scr sc
c vclIo c sc c isno! Mas sin ¡cnso quc c una
douirina solrc a socicdadc nuiio nais ¡rofunda
c clara do quc su¡õcn scus dciraiorcs
colciivisias, quc concçan ¡or dcsconIccc-lo.
Adcnais, Ia nclc una iniuiçao do quc a Euro¡a
icn sido, aliancnic ¡crs¡icaz.
Quando Cuizoi, ¡or c×cn¡lo, conira¡õc a
civilizaçao curo¡cia às dcnais fazcndo noiar quc
ncla nao iriunfou nunca cn forna alsoluia
ncnIun ¡rincí¡io, ncnIuna idcia, ncnIun
gru¡o ou classc, c quc a isso sc dcvc o scu
crcscincnio ¡crnancnic c scu caraicr
¡rogrcssivo, nao ¡odcnos dci×ar dc ¡ór o ouvido
aicnio(6}. Esic Ioncn salc o quc diz. A cסrcssao
c insuficicnic ¡orquc c ncgaiiva, nas suas
29
¡alavras cIcgan-nos carrcgadas dc visõcs
incdiaias. Cono do ncrgulIador cncrgcnic
iransccndcn olorcs alisnais, vcnos quc csic
Ioncn cIcga cfciivancnic do ¡rofundo ¡assado
da Euro¡a ondc soulc sulncrgir. É, con cfciio,
incrívcl quc nos ¡rinciros anos do scculo XIX,
icn¡o rciorico c dc grandc confusao, sc icnIa
con¡osio un livro cono a Hisioirc dc la
Civilisaiion cn Euro¡c. Todavia o Ioncn dc Iojc
¡odc a¡rcndcr ali cono a lilcrdadc c o ¡luralisno
sao duas coisas rccí¡rocas c cono anlas
consiiiucn a ¡crnancnic cniranIa da Euro¡a.
Mas Cuizoi icvc scn¡rc ¡cssina ¡ullicidadc,
cono cn gcral, os douirinarios. Nao nc
sur¡rccndo. Quando vcjo quc ¡ara un Ioncn ou
gru¡o sc dirigc facil c insisicnic o a¡lauso, surgc
cn nin a vccncnic sus¡ciia dc quc ncssc
Ioncn ou ncssc gru¡o, ialvcz junio a doics
c×cclcnics, Ia algo solrcnodo in¡uro. Talvcz isio
scja un crro cn quc incorro, nas dcvo dizcr quc
nao o ¡rocurci, quc o foi dcniro dc nin
dccaniando a cסcricncia. Dc qualqucr nancira,
qucro icr a coragcn dc afirnar quc csic gru¡o dc
douirinarios, dc qucn iodo o nundo riu c fcz
nofas iruancscas, c, a ncu vcr, o nais valioso
quc Iouvc na ¡olíiica do coniincnic duranic o
scculo XIX. Foran os unicos quc viran
clarancnic o quc Iavia quc fazcr na Euro¡a
dc¡ois da Crandc Fcvoluçao, c foran alcn disso
Ioncns quc criaran cn suas ¡cssoas una
30
aiiiudc digna c disianic, no ncio da rusiicidadc c
da frivolidadc crcsccnic daquclc scculo. Foias c
scn vigcncia quasc iodas as nornas con quc a
socicdadc ¡rcsia una coniincncia ao indivíduo,
nao ¡odia csic consiiiuir-sc una dignidadc sc
nao a c×iraía do fundo dc si ncsno. Mal ¡odc
fazcr-sc isso scn alguna c×agcraçao, ainda quc
scja soncnic ¡ara sc dcfcndcr do alandono
orgiasiico cn quc vivia scu coniorno. Cuizoi
soulc scr, cono Dusicr Kcaion, o Ioncn quc
nao ri(7}. Nao sc alandona janais. Condcnsan-sc
nclc varias gcraçõcs dc ¡roicsianics nincscs quc
Iavian vivido cn alcria ¡cr¡ciuo, scn ¡odcr
fluiuar à dcriva no anlicnic social, scn ¡odcr
alandonar-sc. Havia cIcgado a convcricr-sc nclcs
cn un insiinio a in¡rcssao radical dc quc c×isiir
c rcsisiir, fincar os calcanIarcs no cIao ¡ara sc
o¡or à corrcnicza. Nuna c¡oca cono a nossa, c
lon ionar coniacio con os Ioncns quc nao ºsc
dci×an lcvar". Os douirinarios sao un caso
c×cc¡cional dc rcs¡onsalilidadc iniclcciual; qucr
dizcr, do quc nais icn faliado aos iniclcciuais
curo¡cus dcsdc 1750, dcfciio quc c, ¡or sua vcz,
una das causas ¡rofundas do ¡rcscnic
dcsconccrio
Mas cu nao sci sc, ainda quc nc dirigindo a
lciiorcs franccscs, Posso aludir ao douirinarisno
cono a una nagniiudc conIccida. Pois sc da o
faio cscandaloso dc quc nao c×isic un so livro
ondc sc icnIa icniado ¡rccisar o quc aquclc
31
gru¡o dc Ioncns ¡cnsava,(8} cono, ainda quc
¡arcça incrívcl, nao Ia ian¡ouco un livro
ncdianancnic fornal solrc Cuizoi ncn solrc
Foycr-Collard(9}. É vcrdadc quc ncn un ncn o
ouiro ¡ullicaran janais un soncio. Mas, cnfin,
¡cnsaran ¡rofundancnic, originalncnic, solrc
os ¡rollcnas nais gravcs da vida ¡ullica
curo¡cia, c consiiiuíran o douirinal ¡olíiico nais
csiinavcl dc ioda a ccniuria. Ncn scra ¡ossívcl
rcconsiruir a Iisioria dcsia sc nao sc csialclccc
iniinidadc con o nodo cn quc sc a¡rcscniaran
as grandcs qucsiõcs anic csics Ioncns(10}, Scu
csiilo iniclcciual nao c so difcrcnic cn cs¡ccic,
nas o c dc ouiro gcncro c dc ouira csscncia cn
facc dc iodos os dcnais iriunfanics na Euro¡a
anics c dc¡ois dclcs. Por isso nao os cnicndcran,
a¡csar da sua classica lucidcz. E, iodavia, c
nuiio ¡ossívcl quc o ¡orvir ¡cricnça a icndcncias
dc iniclccio nuiio scnclIanics às suas. Pclo
ncnos, asscguro a qucn sc ¡ro¡onIa fornular
con rigor sisicnaiico as idcias dos douirinarios,
¡razcrcs dc ¡cnsancnio nao cs¡crados c una
iniuiçao da rcalidadc social c ¡olíiica ioialncnic
difcrcnic das usadas. Pcrdura nclcs aiiva a
nclIor iradiçao racionalisia cn quc o Ioncn sc
con¡roncic consigo ncsno a ¡rocurar coisas
alsoluias; nas difcrcnicncnic do racionalisno
linfaiico dc cnciclo¡cdisias c rcvolucionarios, quc
cnconiran o alsoluio cn alsiraçõcs lon narcIc,
dcscolrcn clcs o Iisiorico con o vcrdadciro
32
alsoluio. A Iisioria c a rcalidadc do Ioncn. Nao
icn ouira. Ncla cIcgou a fazcr-sc ial c cono c.
Ncgar o ¡assado c alsurdo c ilusorio, ¡orquc o
¡assado c ºo naiural do Ioncn quc volia a
galo¡c". O ¡assado nao csia ¡rcscnic c nao icvc o
iralalIo dc aconicccr ¡ara quc o ncgucnos, nas
¡ara quc o inicgrcnos(11}. Os douirinarios
dcs¡rczavan os ºdirciios do Ioncn" ¡orquc sao
alsoluiancnic ºnciafísicos", alsiraçõcs c
irrcalidadcs. Os vcrdadciros dirciios sao os quc
alsoluiancnic csiao aí, ¡orquc foran a¡arcccndo
c sc consolidando na Iisioria. iais sao as
ºlilcrdadcs", a lcgiiinidadc, a nagisiraiura, as
ºca¡acidadcs". Sc alcniasscn Iojc rcconIcccrian
o dirciio dc grcvc (nao ¡olíiica} c o coniraio
colciivo. A un inglcs iudo isso ¡arcccria olvio;
nas os coniincniais ainda nao cIcganos a cssa
csiaçao. Talvcz dcsdc o icn¡o dc Alcuino
icnIanos vivido cinqucnia anos ¡clo ncnos
airasados a rcs¡ciio dos inglcscs.
Igual dcsconIccincnio do vclIo lilcralisno
scnicn os colciivisias dc agora quando su¡õcn,
ncn nais ncn ncnos, cono coisa inqucsiionavcl,
quc cra individualisia. En iodos csics icnas
andan, cono cu dissc, as noçõcs solrcnodo
iurvas. Os russos dcsscs anos ¡assados
cosiunavan cIanar a Fussia dc ºo colciivo". Nao
scria inicrcssanic avcriguar quc idcias ou
inagcns sc cs¡rcguiçavan à invocaçao dcsic
vocalulo na ncnic un ianio gasosa do Ioncn
33
russo quc iao frcqucnicncnic, cono o ca¡iiao
iialiano dc quc falava CociIc, lisogna avcr una
confusionc nclla icsia? Dianic disso iudo cu
rogaria ao lciior quc ionassc cn conia, nao ¡ara
acciia-las, nas ¡ara quc scjan discuiidas c
¡asscn dc¡ois à scnicnça, as scguinics icscs.
Princira. o lilcralisno individualisia ¡cricncc
à flora do scculo XVIII; ins¡ira, cn ¡aric, a
lcgislaçao da Fcvoluçao franccsa, nas norrc con
cla.
Scgunda. a criaçao caracicrísiica do scculo
XIX foi ¡rccisancnic o colciivisno, É a ¡rincira
idcia quc invcnia a¡cnas nascido c quc ao longo
dc ccn anos nao fcz scnao crcsccr aic inundar
iodo o Iorizonic.
Tcrccira. csia idcia c dc origcn franccsa.
A¡arccc ¡cla ¡rincira vcz nos arquircacionarios
dc Donald c dc Maisirc. No csscncial c
incdiaiancnic acciia ¡or iodos, scn ouira
c×ccçao quc nao scja Dcnjanin Consiani, un
ºairasado" do scculo anicrior. Mas iriunfa cn
Saini-Sinon, cn DallancIc, cn Conic c ¡ulula
¡or ioda a ¡aric(12}. Por c×cn¡lo. un ncdico dc
Lyon, M. Anard, falara cn 1821 do collcciivisnc
cn facc do ¡crsonnalisnc(13}. Lcian-sc os ariigos
quc cn 1830 c 1831 ¡ullica L'Avcnir conira o
individualisno.
34
Mais in¡orianic, ¡orcn, quc iudo isso c
ouira coisa. Quando, avançando ¡cla ccniuria,
cIcganos aos grandcs icorizadorcs do lilcralisno
÷ Siuari Mill ou S¡cnccr ÷ sur¡rccndc-nos quc
sua su¡osia dcfcsa nao sc lascia cn nosirar quc
a lilcrdadc lcncficia ou inicrcssa a csic, nas
¡clo conirario, cn quc inicrcssa c lcncficia à
socicdadc. O as¡ccio agrcssivo do iíiulo quc
S¡cnccr cscolIc ¡ara scu livro ÷ O indivíduo
conira o Esiado ÷ icn sido causa dc quc o nao
cnicndan icinosancnic os quc nao lccn dos
livros scnao os iíiulos, Porquc indivíduo c Esiado
significan ncssc iiiulo dois ncros orgaos dc un
unico sujciio ÷ a socicdadc. E o quc sc discuic c
sc ccrias ncccssidadcs sociais sao nclIor
scrvidas ¡or un ou ¡clo ouiro orgao. Nada nais.
O fanoso ºindividualisno" dc S¡cnccr lo×cia
coniinuancnic dcniro da ainosfcra colciivisia dc
sua sociologia. O rcsuliado, no final, c quc ianio
clc cono Siuari Mill iraian os indivíduos con a
ncsna crucldadc socializanic con quc os
icrniias a ccrios dc scus congcncrcs, os quais
ccvan ¡ara dc¡ois cIu¡ar-lIcs a sulsiancia. Aic
cssc ¡onio cra a ¡rinazia do colciivo o fundo ¡or
si ncsno cvidcnic solrc o qual ingcnuancnic
dançavan suas idcias!
Dc ondc sc infcrc quc ninIa dcfcsa
loIcngrincsca do vclIo lilcralisno c,
con¡lciancnic, dcsinicrcssada c graiuiia. Porquc
o caso c quc cu nao sou un ºvclIo lilcral". O
35
dcscolrincnio ÷ scn duvida glorioso c csscncial
÷ do social, do colciivo, cra dcnasiado rcccnic.
Aquclcs Ioncns a¡al¡avan, nais do quc vian, o
faio dc quc a colciividadc c una rcalidadc
difcrcnic dos indivíduos c dc sua sin¡lcs sona,
nas nao salian lcn cn quc consisiia c quais
cran scus cfciivos airiluios. Por ouira ¡aric, os
fcnóncnos sociais do icn¡o canuflavan a
vcrdadcira ccononia da colciividadc, ¡orquc
cniao convinIa a csia ocu¡ar-sc cn ccvar lcn os
indivíduos. Nao cIcgara ainda a Iora da
nivclaçao, da cs¡oliaçao c da ¡ariilIa cn iodas as
ordcns.
Daí quc os ºvclIos lilcrais" sc alrisscn scn
suficicnics ¡rccauçõcs ao colciivisno quc
rcs¡iravan. Mas quando sc viu con clarcza o quc
no fcnóncno social, no faio colciivo,
sin¡lcsncnic c cono ial, Ia ¡or un lado dc
lcncfício, ¡orcn, ¡or ouiro, dc icrrívcl, dc
¡avoroso, so sc ¡odc adcrir ao lilcralisno dc
csiilo radicalncnic novo, ncnos ingcnuo c dc
nais dcsira lcligcrancia, un lilcralisno quc csia
gcrninando ja, ¡ro×ino a florcsccr, na linIa
ncsna do Iorizonic.
Ncn cra ¡ossívcl quc scndo csics Ioncns,
cono cran, fariancnic ¡crs¡icazcs, nao
cnircvisscn dc quando cn quando as angusiias
quc scu icn¡o nos rcscrvava. Conira o quc soi
acrcdiiar-sc icn sido nornal na Iisioria quc o
36
¡orvir scja ¡rofciizado(14}. En Macaulay, cn
Tocqucvillc, cn Conic, cnconiranos ¡rc-
dcscnIada nossa Iora. Vcja-sc, ¡or c×cn¡lo, o
quc Ia nais dc oiicnia anos cscrcvia Siuari Mill.
ºÀ ¡aric as douirinas ¡ariicularcs dc ¡cnsadorcs
individuais, c×isic no nundo una foric c
crcsccnic inclinaçao a csicndcr cn forna c×ircna
o ¡odcr da socicdadc solrc o indivíduo, ianio ¡or
ncio da força da o¡iniao cono ¡cla lcgislaiiva.
Ora lcn, cono iodas as nudanças quc sc
o¡cran no nundo icn ¡or cfciio o auncnio da
força social c a dininuiçao do ¡odcr individual,
csic dcslordancnio nao c un nal quc icnda a
dcsa¡arcccr cs¡oniancancnic, nas, ao conirario,
icndc a fazcr-sc cada vcz nais fornidavcl. A
dis¡osiçao dos Ioncns, scja cono solcranos,
scja cono concidadaos, a in¡or aos dcnais cono
rcgra dc conduia sua o¡iniao c scus gosios, sc
acIa iao cncrgicancnic susicniada ¡or alguns
dos nclIorcs c alguns dos ¡iorcs scniincnios
incrcnics à naiurcza Iunana, quc quasc nunca
sc rc¡rinc scnao quando lIc falia ¡odcr. E cono
o ¡odcr nao ¡arccc acIar-sc cn via dc dcclinar,
nas dc crcsccr, dcvcnos cs¡crar, a ncnos quc
una foric larrcira dc convicçao noral nao sc
clcvc conira o nal, dcvcnos cs¡crar, digo, quc
nas condiçõcs ¡rcscnics do nundo csia
dis¡osiçao nada fara scnao auncniar"(15}.
Mas o quc nais nos inicrcssa cn Siuari Mill
c sua ¡rcocu¡açao ¡cla Ionogcncidadc dc na
37
classc quc via crcsccr cn iodo o Ocidcnic. Isso o
faz acolIcr-sc a un grandc ¡cnsancnio cniiido
¡or Hunloldi na sua juvcniudc. Para quc o
Iunano sc cnriqucça, sc consolidc c sc a¡crfciçoc
c ncccssario, scgundo Hunloldi, quc c×isia
ºvaricdadc dc siiuaçõcs"(16}. Dcniro dc cada
naçao, c ionando cn conjunio as naçõcs, c
¡rcciso quc sc dccn circunsiancias difcrcnics.
Assin, ao falIar una rcsian ouiras
¡ossililidadcs alcrias. E inscnsaio ¡ór a vida
curo¡cia nuna so caria, nun so ii¡o dc Ioncn,
nuna idcniica ºsiiuaçao". Eviiar isso icn sido o
sccrcio accrio da Euro¡a aic Iojc, c a conscicncia
dcssc scgrcdo c a quc, clara ou lallucianic,
novcu scn¡rc os lalios do ¡crcnc lilcralisno
curo¡cu. Ncssa conscicncia sc rcconIccc a si
ncsna cono valor ¡osiiivo, cono lcn c nao
cono nal, a ¡luralidadc coniincnial. In¡oriava-
nc csclarcccr isso ¡ara quc nao sc icrgivcrsc a
idcia dc una su¡craçao curo¡cia quc csic volunc
¡osiula.
Tal c cono vanos, con a níngua ¡rogrcssiva
da ºvaricdadc dc siiuaçõcs", caninIanos cn
linIa rcia ¡ara o Dai×o In¡crio. Tanlcn foi
aquclc un icn¡o dc nassa c dc ¡avorosa
Ionogcncidadc. Ja no icn¡o dos Anioninos sc
noia clarancnic un csiranIo fcnóncno, ncnos
sullinIado c analisado do quc dcvcra. os Ioncns
iornaran-sc csiu¡idos, O ¡roccsso vinIa dc
icn¡os airas. Dissc-sc, con alguna razao, quc o
38
csioico Possidónio, ncsirc dc Cíccro, c o uliino
Ioncn aniigo ca¡az dc sc colocar anic os faios
con a ncnic ¡orosa c aiiva, dis¡osio a invcsiiga-
los. Dc¡ois dclc, as calcças sc olliicran, c salvo
os Alc×andrinos, nao farao ouira coisa scnao
rc¡ciir, csicrcoii¡ar.
Mas o sisicna c docuncnio nais icrrívcl
dcsia forna, a un icn¡o Ionogcnca c csiu¡ida
÷ c una cquivalc à ouira ÷ quc adoia a vida dc
un a ouiro c×ircno do In¡crio, csia ondc ncnos
sc ¡odia cs¡crar c ondc iodavia, quc cu saila,
ningucn o ¡rocurou. no idiona. A língua, quc
nao nos scrvc ¡ara dizcr suficicnicncnic o quc
cada un dc nos quiscranos dizcr, rcvcla ¡clo
conirario c griia, scn quc o quciranos, a
condiçao nais arcana da socicdadc quc a fala. Na
¡orçao nais Iclcnizada do ¡ovo ronano, a língua
vigcnic c a quc sc cIanou ºlaiin vulgar", nairiz
dc nossos ronanccs. Nao sc conIccc lcn csic
laiin vulgar c, cn loa ¡aric, so sc cIcga a clc
ncdianic rcconsiruçõcs. Mas o quc sc conIccc
lasia c solra ¡ara quc nos cs¡anicn dois dc
scus caracicrcs. Un c a incrívcl sin¡lificaçao do
scu nccanisno granaiical cn con¡araçao con o
laiin classico. A salorosa con¡lc×idadc indo-
curo¡cia, quc conscrvava a linguagcn das classcs
su¡criorcs, ficou su¡laniada ¡or una fala
¡lclcia, dc nccanisno nuiio facil, ¡orcn, ao
ncsno icn¡o, ou ¡or isso ncsno, ¡csadancnic
nccanico, cono naicrial; granaiica lallucianic
39
c ¡crifrasiica, dc cnsaio c rodcio cono a infaniil.
E, cfciivancnic, una língua ¡ucril ou gaga quc
nao ¡crniic a fina arcsia do raciocínio ncn líricas
canlianics. É una língua scn luz ncn
icn¡craiura, scn cvidcncia c scn calor dc alna,
una língua irisic, quc avança às ccgas. Os
vocalulos ¡arcccn vclIas nocdas dc colrc,
inundas c scn roiundidadc, cono farias dc rolar
¡clas ialcrnas ncdiicrrancas. Quc vidas
cvadidas dc si ncsnas, dcsoladas, condcnadas à
cicrna coiidianidadc sc adivinIan airas dcssc
scco aricfaio linguísiico!
O ouiro caraicr aicrrador do laiin vulgar c
¡rccisancnic sua Ionogcncidadc. Os linguisias,
quc sao ialvcz, dc¡ois dos aviadorcs, os Ioncns
ncnos dis¡osios a assusiar-sc con coisa alguna,
nao ¡arcccn adnirar-sc anic o faio dc quc
falasscn da ncsna nancira ¡aíscs iao dís¡arcs
cono Cariago c Calia, Tingiiania c Dalnacia,
His¡ania c Funania. Eu, ¡clo conirario, quc sou
lasianic iínido, quc ircno quando vcjo cono o
vcnio faiiga uns caniços, nao ¡osso rc¡rinir anic
cssc faio un csircnccincnio ncdular. Parccc-nc
sin¡lcsncnic airoz. E vcrdadc quc iraio dc nc
rc¡rcscniar cono cra ¡or dcniro isso quc olIado
dc fora nos a¡arccc, iranquilancnic, cono
Ionogcncidadc; ¡rocuro dcscolrir a rcalidadc
vivcnic dc quc cssc faio c a quicia narca. Consia,
c claro, quc Iavia africanisnos, Iis¡anisnos,
galicisnos. Mas ao consiar isio qucr dizcr-sc quc
40
o iorso da língua cra conun c idcniico, a¡csar
das disiancias, do cscasso inicrcanlio, da
dificuldadc dc conunicaçõcs c dc quc nao
coniriluía ¡ara fi×a-lo una liicraiura. Cono
¡odian vir à coincidcncia o ccliilcro c o lclga, o
norador dc Hi¡ona c o dc Luiccia, o nauriianio c
o dacio, scnao cn viriudc dc un acIaiancnio
gcral, rcduzindo a c×isicncia à sua lasc,
nulificando suas vidas? O laiin vulgar csia aí nos
arquivos, cono un arrc¡ianic cn¡cdcrnincnio,
icsicnunIo dc quc una vcz a Iisioria agonizou
sol o in¡crio Ionogcnco da vulgaridadc ¡or
Iavcr dcsa¡arccido a fcriil ºvaricdadc dc
siiuaçõcs".

IV

Ncn csic volunc ncn cu sonos ¡olíiicos. O
assunio dc quc aqui sc fala c ¡rcvio à ¡olíiica c
¡cricncc a scu sulsolo. Mcu iralalIo c olscuro
lalor sulicrranco dc ninciro. A nissao do
cIanado ºiniclcciual" c, cn ccrio nodo, o¡osia à
do ¡olíiico. A olra iniclcciual as¡ira, con
frcqucncia laldada, a csclarcccr un ¡ouco as
coisas, cnquanio a do ¡olíiico soi, ¡clo conirario,
consisiir cn confundi-las nais do quc csiavan.
Scr da csqucrda c, cono scr da dirciia, una das
infiniias nanciras quc o Ioncn ¡odc cscolIcr
41
¡ara scr inlccil. anlas, con cfciio, sao fornas
da Icni¡lcgia noral. Adcnais, a ¡crsisicncia
dcsics qualificaiivos conirilui nao ¡ouco a
falsificar nais ainda a ºrcalidadc" do ¡rcscnic, ja
fala dc ¡cr si, ¡orquc sc cncrcs¡ou o crcs¡o das
cסcricncias ¡olíiicas a quc rcs¡ondcn, cono o
dcnonsira o faio dc quc Iojc as dirciias
¡roncicn rcvoluçõcs c as csqucrdas ¡ro¡õcn
iiranias.
Ha olrigaçõcs dc iralalIar solrc as qucsiõcs
do icn¡o. Isio, scn duvida. E cu o fiz duranic
ioda a ninIa vida. Scn¡rc csiivc na csiacada.
Mas una das coisas quc agora sc dizcn ÷ una
ºcorrcnic" ÷ c quc, incluso a cusio da claridadc
ncnial, iodo o nundo icn dc fazcr ¡olíiica scnsu
siricio. Dizcn-no, c claro, os quc nao icn ouira
coisa quc fazcr. E aic o corroloran ciiando dc
Pascal o in¡craiivo d'alciisscncni. Mas Ia nuiio
icn¡o quc a¡rcndi a ficar cn guarda quando
algucn ciia Pascal. E una cauicla dc Iigicnc
clcncnial.
O ¡oliiicisno inicgral, a alsorçao dc iodas as
coisas c dc iodo o Ioncn ¡cla ¡olíiica, c una c
ncsna coisa con o fcnóncno dc rclcliao das
nassas quc aqui sc dcscrcvc. A nassa cn
rclcldia ¡crdcu ioda a ca¡acidadc dc rcligiao c dc
conIccincnio. Nao ¡odc icr dcniro nais quc
¡olíiica c×orliiada, frcnciica, fora dc si, ¡osio quc
¡rcicnda su¡laniar o conIccincnio, a rcligiao, a
42
sagcssc ÷ cnfin, as unicas coisas quc ¡or sua
sulsiancia sao a¡ias ¡ara ocu¡ar o ccniro da
ncnic Iunana ÷. A ¡olíiica dcs¡oja o Ioncn dc
solidao c iniinidadc, c ¡or isso c a ¡rcdicaçao do
¡oliiicisno inicgral una das iccnicas quc sc
usan ¡ara socializa-lo.
Quando algucn nos ¡crgunia o quc sonos
cn ¡olíiica, ou, anicci¡ando-sc con a insolcncia
quc ¡cricncc ao csiilo dc nosso icn¡o, nos
adscrcvc sinuliancancnic cn vcz dc rcs¡ondcr
dcvcnos ¡crguniar ao in¡criincnic quc ¡cnsa clc
quc c o Ioncn c a naiurcza c a Iisioria, quc c a
socicdadc c o indivíduo, a colciividadc, o Esiado,
o uso, o dirciio. A ¡olíiica a¡rcssa-sc a a¡agar as
luzcs ¡ara quc iodos csics gaios scjan ¡ardos.
É ¡rcciso quc o ¡cnsancnio curo¡cu
¡ro¡orcionc solrc iodos csics icnas nova
claridadc. Para isso csia aí, nao ¡ara fazcr o lcquc
do ¡avao rcal nas rcuniõcs acadcnicas. E c
¡rcciso quc o faça ¡roniancnic ou, cono dizia
Danic, quc cnconirc a saída,
siudiaic il ¡asso
Mcnirc quc l'Occidcnic non s'anncra.
(Purg. XXVII, 62-63}
Isso scria o unico dc quc ¡odcria cs¡crar-sc
con alguna ¡rolalilidadc a soluçao do ircncndo
¡rollcna quc as nassas aiuais avcnian.
43
Esic volunc nao ¡rcicndc, ncn dc longc,
nada ¡arccido. Cono suas uliinas ¡alavras
fazcn consiar, c so una ¡rincira a¡ro×inaçao ao
¡rollcna do Ioncn aiual. Para falar solrc clc
nais scriancnic c nais ¡rofundancnic nao
Iavcria nais rcncdio scnao ¡ór-sc cn rou¡a
alissal, vcsiir o cscafandro c dcsccr ao nais
¡rofundo do Ioncn. In¡oria fazcr isso scn
¡rcicnsõcs, nas con dccisao, c cu o icnici nun
livro ¡ro×ino a a¡arcccr cn ouiros idionas sol o
iíiulo El Ionlrc y la gcnic.
Una vcz quc nos afiguranos lcn dc cono c
cssc ii¡o Iunano Iojc doninanic, c quc cu
cIanci o Ioncn-nassa, c quando sc susciian
as inicrrogaçõcs nais fcricis c nais dranaiicas.
Podc-sc rcfornar csic ii¡o dc Ioncn? Qucro
dizcr. os gravcs dcfciios quc Ia nclc, iao gravcs
quc sc nao os c×iir¡anos ¡roduzirao dc nodo
inc×oravcl a aniquilaçao do Ocidcnic, iolcran scr
corrigidos? Porquc, cono vcra o lciior, sc iraia
¡rccisancnic dc un Ioncn Icrnciico, quc nao
csia alcrio dc vcrdadc a ncnIuna insiancia
su¡crior.
A ouira ¡crgunia dccisiva, da qual, a ncu
juízo, dc¡cndc ioda ¡ossililidadc dc saudc, c
csia. ¡odcn as nassas, ainda quc quiscsscn,
dcs¡criar a vida ¡cssoal? Nao calc dcscnvolvcr
aqui o ircncndo icna, ¡orquc csia dcnasiado
virgcn. Os icrnos con quc dcvc scr lcvaniado
44
nao consian na conscicncia ¡ullica. Ncn scqucr
csia csloçado o csiudo da disiinia nargcn dc
individualidadc quc cada c¡oca do ¡assado
dci×ou à c×isicncia Iunana. Porquc c ¡ura
incrcia ncnial do º¡rogrcssisno" su¡or quc
confornc avança a Iisioria, assin crcscc a folga
quc sc conccdc ao Ioncn ¡ara ¡odcr scr
indivíduo ¡cssoal, cono cria o Ionrado
cngcnIciro, nas nulo Iisioriador, Hcrlcri
S¡cnccr. Nao; a Iisioria csia cIcia dc rciroccssos
ncsia ordcn, c ialvcz a csiruiura da vida cn
nossa c¡oca in¡cça su¡crlaiivancnic quc o
Ioncn ¡ossa vivcr cono ¡cssoa.
Ao conicn¡lar nas grandcs cidadcs cssas
incnsas agloncraçõcs dc scrcs Iunanos, quc
vao c vcn ¡or suas ruas ou sc conccniran cn
fcsiivais c nanifcsiaçõcs ¡olíiicas, incor¡ora-sc
cn nin, olscdanic, csic ¡cnsancnio. Podc Iojc
un Ioncn dc vinic anos fornar un ¡rojcio dc
vida quc icnIa figura individual c quc, ¡orianio,
ncccssiiaria rcalizar-sc ncdianic suas iniciaiivas
indc¡cndcnics, ncdianic scus csforços
¡ariicularcs? Ao icniar o dcscnvolvincnio dcsia
inagcn cn sua faniasia, nao noiara quc c, scnao
in¡ossívcl, quasc in¡rovavcl, ¡orquc nao Ia a
sua dis¡osiçao cs¡aço cn quc ¡ossa aloja-la c cn
quc ¡ossa novcr-sc scgundo scu ¡ro¡rio diianc?
Logo advcriira quc scu ¡rojcio iro¡cça con o
¡ro×ino, cono a vida do ¡ro×ino a¡cria a sua. O
dcsanino o lcvara con a facilidadc dc ada¡iaçao
45
¡ro¡ria dc sua idadc a rcnunciar nao so a iodo
aio, cono aic a iodo dcscjo ¡cssoal c luscara a
soluçao o¡osia. inaginara ¡ara si una vida
siandard, con¡osia dc dcsidcraia conuns a
iodos c vcra quc ¡ara conscgui-la icn dc soliciia-
la ou c×igi-la cn colciividadc con os dcnais. Daí
a açao cn nassa.
A coisa c Iorrívcl, nas nao crcio quc c×agcra
a siiuaçao cfciiva cn quc sc vao acIando quasc
iodos os curo¡cus. En una ¡risao ondc sc
anonioaran nuiio nais ¡rcsos dos quc calcn,
ningucn ¡odc novcr un lraço ou una ¡crna ¡or
iniciaiiva ¡ro¡ria, ¡orquc cIocaria con os cor¡os
dos dcnais. En ial circunsiancia, os novincnios
icn dc sc c×ccuiar cn conun, c aic os nusculos
rcs¡iraiorios icn dc funcionar a riino dc
rcgulancnio. Isio scria a Euro¡a convcriida cn
forniguciro. Mas ncn scqucr csia crucl inagcn c
una soluçao. O forniguciro Iunano c
in¡ossívcl, ¡orquc foi o cIanado
ºindividualisno", quc cnriqucccu o nundo c a
iodos no nundo c foi csia riqucza quc ¡rolificou
iao falulosancnic a ¡lania Iunana. Quando os
rcsios dcssc ºindividualisno" dcsa¡arcccsscn,
faria sua rca¡ariçao na Euro¡a o csfoncancnio
giganicsco do Dai×o In¡crio, c o forniguciro
sucunliria cono ao so¡ro dc un dcus iorvo c
vingaiivo. Fcsiarian nuiio ncnos Ioncns, quc o
scrian un ¡ouco nais.
46
Anic o fcroz ¡aiciisno dcsia qucsiao quc,
quciranos ou nao, csia visívcl, o icna da ºjusiiça
social", a¡csar dc iao rcs¡ciiavcl, cn¡alidccc c sc
dcgrada aic ¡arcccr rciorico c insinccro sus¡iro
ronaniico. Mas, ao ncsno icn¡o, oricnia solrc
os caninIos accriados ¡ara conscguir o quc
dcssa ºjusiiça social", c ¡ossívcl c c jusio
conscguir, caninIos quc nao ¡arcccn ¡assar ¡or
una niscravcl socializaçao, nas dirigir-sc cn
linIa rcia ¡ara un nagnanino solidarisno. Esic
uliino vocalulo c, alcn do nais, ino¡cranic,
¡orquc aic Iojc nao sc condcnsou nclc un
sisicna cncrgico dc idcias Iisioricas c sociais,
¡clo conirario rcssuna so vagas filaniro¡ias.
A ¡rincira condiçao ¡ara un nclIorancnio
da siiuaçao ¡rcscnic c ¡crcclcr lcn sua cnornc
dificuldadc. So isio nos lcvara a aiacar o nal nos
csiraios fundos dc ondc vcrdadcirancnic sc
origina. É, con cfciio, nuiio difícil salvar una
civilizaçao quando lIc cIcgou a Iora dc cair sol o
¡odcr dos dcnagogos. Os dcnagogos icn sido
a¡cnas os grandcs csiranguladorcs dc
civilizaçõcs. A grcga c a ronana sucunliran nas
naos dcsia fauna rc¡ugnanic, quc fazia
Macaulay c×clanar. ºEn iodos os scculos, os
c×cn¡los nais vis da naiurcza Iunana dc¡aran-
sc cnirc os dcnagogos"(17}. Mas un Ioncn nao c
dcnagogo soncnic ¡orquc sc ¡onIa a griiar anic
a nuliidao. Isso ¡odc scr cn ocasiõcs una
nagisiraiura sacrossania. A dcnagogia csscncial
47
do dcnagogo csia dcniro dc sua ncnic, radica cn
sua irrcs¡onsalilidadc anic as idcias ncsnas
quc nancja c quc clc nao criou, nas rccclcu dos
vcrdadciros criadorcs. A dcnagogia c una forna
dc dcgcncraçao iniclcciual, quc cono an¡lo
fcnóncno da Iisioria curo¡cia a¡arccc na França
cn 1750. Por quc cniao? Por quc na França? Esic
c un dos ¡onios ncvralgicos do dcsiino ocidcnial
c cs¡ccialncnic do dcsiino franccs.
Isso c o quc, dcsdc cniao, crc a França, c ¡or
sua irradiaçao, quasc iodo o coniincnic, quc o
nciodo ¡ara rcsolvcr os grandcs ¡rollcnas
Iunanos c o nciodo da rcvoluçao, cnicndcndo
¡or ial o quc ja Lcilniiz cIanava una ºrcvoluçao
gcral"(18}, a voniadc dc iransfornar dc cIofrc iudo
c cn iodos os gcncros(19}. Craças a isso cssa
naravilIa quc c a França cIcga cn nas
condiçõcs à difícil conjuniura do ¡rcscnic. Porquc
cssc ¡aís icn ou crc quc icn una iradiçao
rcvolucionaria. E sc scr rcvolucionario c ja coisa
gravc, quanio nais sc-lo, ¡arado×alncnic, ¡or
iradiçao! É vcrdadc quc na França fcz-sc una
Crandc Fcvoluçao c varias iorvas ou ridículas;
nas, sc nos aicnos à vcrdadc nua dos anais, o
quc cnconiranos c quc cssas rcvoluçõcs scrviran
¡rinci¡alncnic ¡ara quc duranic iodo un scculo,
salvo uns dias ou unas scnanas, a França icnIa
vivido nais quc ouiro qualqucr ¡ovo sol fornas
¡olíiicas, cn naior ou ncnor cscala, auioriiarias
c conira-rcvolucionarias. Solrciudo, a grandc
48
dc¡rcssao noral da Iisioria franccsa quc foran
os vinic anos do Scgundo In¡crio, dcvcu-sc lcn
clarancnic à c×iravagancia dos rcvolucionarios
dc 1848(20}, grandc ¡aric dos quais confcssou o
¡ro¡rio Fas¡ail quc Iavian sido anics clicnics
scus.
Nas rcvoluçõcs icnia a alsiraçao sullcvar-sc
conira o concrcio; ¡or isso c consulsiancial às
rcvoluçõcs o fracasso. Os ¡rollcnas Iunanos
nao sao, cono os asironónicos ou os quínicos,
alsiraios. Sao ¡rollcnas dc na×ina concrcçao,
¡orquc sao Iisioricos. E o unico nciodo dc
¡cnsancnio quc ¡ro¡orciona alguna
¡rolalilidadc dc accrio cn sua nani¡ulaçao c a
ºrazao Iisiorica". Quando sc conicn¡la
¡anoranicancnic a vida ¡ullica da França
duranic os uliinos ccnio c cinqucnia anos, salia
à visia quc scus gcónciras, scus físicos c scus
ncdicos sc cquivocaran scn¡rc cn scus juízos
¡olíiicos, c quc conscguiran ao conirario, accriar
scus Iisioriadorcs. Mas o racionalisno físico-
naicnaiico icn sido na França dcnasiado
glorioso ¡ara quc nao iiranizc a o¡iniao ¡ullica.
MalclrancIc ron¡c con un anigo scu ¡orquc
viu solrc sua ncsa un Tucídidcs(21}.
Esics ncscs ¡assados, in¡clindo ninIa
solidao ¡clas ruas dc Paris, con¡rccndi quc cu
nao conIccia ningucn na grandc cidadc, salvo as
csiaiuas. Algunas dcsias, cnircianio, sao vclIas
49
anizadcs, aniigas inciiaçõcs ou ¡crcncs ncsircs
dc ninIa iniinidadc. E cono nao iinIa con
qucn falar, convcrsci con clas solrc grandcs
icnas Iunanos. Nao sci sc algun dia sairao à
luz csias Convcrsacioncs con csiaiuas, quc
dulcificaran una cia¡a dolorosa c csicril dc
ninIa vida. Nclas sc raciocina con o narqucs dc
Condorcci, quc csia no Quai Conii, solrc a
¡crigosa idcia do ¡rogrcsso. Con o ¡cqucno
lusio dc Conic quc Ia cn scu dc¡ariancnio da
ruc Monsicur-lc-Princc falci solrc ¡ouvoir
s¡iriiucl, insuficicnicncnic c×crcido ¡or
nandarins liicrarios c ¡or una Univcrsidadc quc
ficou con¡lciancnic c×ccnirica dianic da cfciiva
vida das naçõcs. Ao ncsno icn¡o iivc a Ionra dc
rccclcr o cncargo dc una cncrgica ncnsagcn
quc cssc lusio dirigc ao ouiro, ao grandc, crigido
na ¡raça dc Sorlonnc, c quc c o lusio do falso
Conic, do oficial, do dc Liiirc. Mas cra naiural
quc nc inicrcssassc solrciudo cn ouvir una vcz
nais a ¡alavra do nosso suno ncsirc Dcscarics,
o Ioncn a qucn a Euro¡a nais dcvc.
O ¡uro acaso quc ciranda ninIa c×isicncia
fcz quc cu rcdija csias linIas icndo à visia o lugar
da Holanda cn quc Ialiiou cn 1642 o novo
dcscolridor da raison. Esic lugar, cIanado
Endagccsi, cujas arvorcs dao sonlra a ninIa
jancla, c Iojc un nanicónio. Duas vczcs ao dia
÷ cn adnocsiadora vizinIança ÷ vcjo ¡assar os
50
idioias c os dcncnics quc arcjan ¡or noncnios à
inicn¡cric sua nalograda Iunanidadc.
Trcs scculos dc cסcricncia ºracionalisia"
olrigan-nos a rcncnorar o cs¡lcndor c os liniics
daqucla ¡rodigiosa raison caricsiana. Esia raison
c so naicnaiica, física, liologica. Scus falulosos
iriunfos solrc a naiurcza, su¡criorcs a quanio
¡udcra sonIar-sc, sullinIan ianio nais scu
fracasso anic os assunios ¡ro¡riancnic Iunanos
c convidan a inicgra-la cn ouira razao nais
radical, quc c a ºrazao Iisiorica"(22}.
Esia nos nosira a vaidadc dc ioda rcvoluçao
gcral, dc iudo quanio scja icniar a iransfornaçao
suliia dc una socicdadc c concçar dc novo a
Iisioria, cono ¡rcicndian os confusonarios do
89. Ao nciodo da rcvoluçao o¡õc o unico digno
da larga cסcricncia quc o curo¡cu aiual icn
airas dc si. As rcvoluçõcs iao inconiincnics cn
sua ¡rcssa, Ii¡ocriiancnic gcncrosa, dc
¡roclanar dirciios, violaran scn¡rc, cs¡czinIado
c csfarra¡ado, o dirciio fundancnial do Ioncn,
iao fundancnial quc c a dcfiniçao ncsna dc sua
sulsiancia. o dirciio à coniinuidadc. A unica
difcrcnça radical cnirc a Iisioria Iunana c a
ºIisioria naiural" c quc aqucla nao ¡odc nunca
concçar dc novo. KöIlcr c ouiros nosiraran
cono o cIin¡anzc c o orangoiango nao sc
difcrcncian do Ioncn ¡clo quc, falando
rigorosancnic, cIananos inicligcncia, nas
51
¡orquc icn nuiio ncnos ncnoria quc nos. Os
¡olrcs aninais cada nanIa csqucccn quasc
iudo quc vivcran no dia anicrior, c scu iniclccio
icn dc iralalIar solrc un nínino naicrial dc
cסcricncias. ScnclIanicncnic, o iigrc dc Iojc c
idcniico ao dc scis nil anos, ¡orquc cada iigrc
icn dc concçar dc novo a scr iigrc, cono sc nao
Iouvcssc ouiro anics. O Ioncn, ¡clo conirario,
ncrcc dc scu ¡odcr dc rccordar, acunula scu
¡ro¡rio ¡assado, ¡ossui-o c o a¡rovciia. O
Ioncn nao c nunca un ¡rinciro Ioncn.
concça dcsdc logo a c×isiir solrc ccria aliiiudc
dc ¡rcicriio anonioado. Esic c o icsouro unico do
Ioncn, scu ¡rivilcgio c sua narca. E a riqucza
ncnor dcssc icsouro consisic no quc dclc ¡arcça
accriado c digno dc conscrvar-sc. o in¡orianic c
a ncnoria dos crros, quc nos ¡crniic nao
concicr os ncsnos scn¡rc. O vcrdadciro icsouro
do Ioncn c o icsouro dos scus crros, a c×icnsa
cסcricncia viial dccaniada goia a goia cn
nilcnios. Por isso NicizscIc dcfinc o Ioncn
su¡crior cono o scr ºdc ncnoria nais
dcscnvolvida."
Fon¡cr a coniinuidadc con o ¡assado,
qucrcr concçar dc novo, c as¡irar a dcsccr c
¡lagiar o orangoiango. A¡raz-nc quc scja un
franccs, Du¡oni-WIiic, quc cn 1860 sc aircvcssc
a clanar. ºLa coniinuiic csi un droii dc l'Ionnc;
cllc csi un Ionnagc à ioui cc qui lc disiinguc dc
la lcic"(23}.
52
Dianic dc nin csia un jornal cn quc acalo
dc lcr o rclaio das fcsias con quc a Inglaicrra
cclclrou a coroaçao do novo rci. Diz-sc quc Ia
nuiio a Monarquia inglcsa c una insiiiuiçao
ncrancnic sinlolica. Isso c vcrdadc, nas
dizcndo-o assin dci×anos csca¡ar o nclIor.
Porquc, cfciivancnic, a Monarquia nao c×crcc no
In¡crio lriianico ncnIuna funçao naicrial c
¡al¡avcl. Scu ¡a¡cl nao c govcrnar, ncn
adninisirar a jusiiça, ncn nandar o E×crciio.
Mas ncn ¡or isso c una insiiiuiçao vazia, carcnic
dc scrviço. A Monarquia da Inglaicrra c×crcc una
funçao dcicrninadíssina c dc alia cficacia. a dc
sinlolizar. Por isso o ¡ovo inglcs, con dclilcrado
¡ro¡osiio, dcu agora inusiiada solcnidadc ao riio
da coroaçao. Anic a iurlulcncia aiual do
coniincnic quis afirnar as nornas ¡crnancnics
quc rcgulan sua vida. Dcu-nos nais una liçao.
Cono scn¡rc ÷ ja quc a Euro¡a scn¡rc ¡arcccu
un iro¡cl dc ¡ovos ÷, os coniincniais, cIcios dc
gcnio, nas iscnios dc scrcnidadc, nunca
naduros, scn¡rc ¡ucris, c ao fundo, airas dclcs,
a Inglaicrra... cono a nursc da Euro¡a.
Esic c o ¡ovo quc scn¡rc cIcgou anics ao
¡orvir, quc sc anicci¡ou a iodos cn quasc iodas
as ordcns. Praiicancnic dcvcríanos oniiir o
quasc. E cis aqui quc csic ¡ovo nos olriga, con
ccria in¡criincncia do nais ¡uro dandysno, a
¡rcscnciar scu vciusio ccrinonial c a vcr cono
aiuan ÷ ¡orquc nao dci×aran nunca dc scr
53
aiuais os nais vclIos c nagicos uicnsílios dc sua
Iisioria, a coroa c o cciro quc cnirc nos rcgcn
a¡cnas a soric do laralIo. O inglcs faz cn¡cnIo
dc nos fazcr consiar quc scu ¡assado,
¡rccisancnic ¡orquc ¡assou, ¡orquc lIc ¡assou,
coniinua c×isiindo ¡ara clc. Dcsdc un fuiuro ao
qual nao cIcganos nosira-nos a vigcncia louça
dc scu ¡rcicriio(24}, Esic ¡ovo circula ¡or iodo o
scu icn¡o, c vcrdadcirancnic scnIor dc scus
scculos, quc conscrva cn aiiva ¡ossc. E isso c scr
un ¡ovo dc Ioncns. ¡odcr Iojc coniinuar no scu
onicn scn ¡or isso dci×ar dc vivcr ¡ara o fuiuro,
¡odcr c×isiir no vcrdadciro ¡rcscnic, ja quc o
¡rcscnic c so a ¡rcscnça do ¡assado c do ¡orvir,
o lugar ondc ¡rcicriio c fuiuro cfciivancnic
c×isicn.
Con as fcsias sinlolicas da coroaçao, a
Inglaicrra o¡ós, nais una vcz, ao nciodo
rcvolucionario o nciodo da coniinuidadc, o unico
quc ¡odc cviiar na narcIa das coisas Iunanas
cssc as¡ccio ¡aiologico quc faz da Iisioria una
luia ilusirc c ¡crcnc cnirc os ¡aralíiicos c os
c¡ilciicos.

V

54
Cono ncsias ¡aginas sc faz a anaionia do
Ioncn Iojc doninanic, ¡roccdo ¡ariindo dc scu
as¡ccio c×icrno, ¡or assin dizcr, dc sua ¡clc, c
dc¡ois ¡cnciro un ¡ouco nais cn dircçao a suas
vísccras. Daí ¡or quc scjan os ¡rinciros
ca¡íiulos os quc nais caducaran. A ¡clc do
icn¡o nudou. O lciior dcvcria, ao lcr csscs
ca¡íiulos, rciroccdcr aos anos 1926-1928. Ja
concçou a crisc na Euro¡a, nas ainda ¡arccc
una dc ianias. As ¡cssoas ainda scnicn-sc cn
scgurança. Ainda gozan os lu×os da inflaçao. E,
solrciudo, ¡cnsava-sc. aí csia a Ancrica! Era a
Ancrica da falulosa ¡ros¡criiy.
O unico do quc vai diio ncsias ¡aginas quc
nc ins¡ira algun orgulIo, c nao Iavcr incorrido
no inconcclívcl crro dc oiica quc sofrcran cniao
quasc iodos os curo¡cus, inclusivc os ¡ro¡rios
ccononisias. Porquc nao convcn csqucccr quc
cniao sc ¡cnsava nui scriancnic quc os
ancricanos Iavian dcscolcrio ouira organizaçao
da vida quc anulava ¡ara scn¡rc as ¡cr¡ciuas
¡ragas Iunanas quc sao as criscs. Eu nc
cnvcrgonIava dc quc os curo¡cus, invcniorcs do
nais clcvado quc aic agora sc invcniou ÷ o
scniido Iisiorico ÷, nosirasscn carcccr dclc
con¡lciancnic. O vclIo lugar conun dc quc a
Ancrica c o ¡orvir Iavia nullado ¡or insianics
sua ¡crs¡icacia. Tivc cniao a coragcn dc nc o¡or
a scnclIanic dcslizc, susicniando quc a Ancrica,
longc dc scr o fuiuro, cra, na rcalidadc, un
55
rcnoio ¡assado ¡orquc cra ¡riniiivisno. E,
ianlcn conira o quc sc crc, cra-o c o c nuiio
nais a Ancrica do Noric do quc a Ancrica do
Sul, a Iis¡anica. Hojc a coisa vai scndo clara c os
Esiados Unidos nao cnvian ja ao vclIo
coniincnic scnIoriias ¡ara ÷ cono nc dizia una
naqucla ocasiao ÷ ºconvcnccr-sc dc quc na
Euro¡a nao Ia nada inicrcssanic"(25}.
Violcniando-nc isolci ncsic quasc-livro, do
¡rollcna ioial quc c ¡ara o Ioncn c
cs¡ccialncnic ¡ara o Ioncn curo¡cu scu
incdiaio ¡orvir, un so faior. a caracicrizaçao do
Ioncn ncdio quc Iojc sc vai a¡odcrando dc
iudo. Isio nc olrigou a un duro ascciisno, à
alsicnçao dc cסrcssar ninIas convicçõcs solrc
iudo quanio ioco dc ¡assagcn. Mais ainda. a
a¡rcscniar frcqucnicncnic as coisas cn forna
quc sc cra a nais favoravcl ¡ara aclarar o icna
c×clusivo dcsic csiudo, cra a ¡ior ¡ara dci×ar vcr
ninIa o¡iniao solrc csias coisas. Dasia assinalar
una qucsiao, cnlora fundancnial. Mcdi o
Ioncn ncdio quanio a sua ca¡acidadc ¡ara
coniinuar a civilizaçao nodcrna c quanio a sua
adcsao à culiura. Dir-sc-ia quc cssas duas coisas
÷ a civilizaçao c a culiura ÷ nao sao ¡ara nin
qucsiõcs. A vcrdadc c quc clas sao ¡rccisancnic
o quc ¡onIo cn qucsiao quasc dcsdc ncus
¡rinciros csiudos. Mas cu nao dcvia con¡licar os
assunios. Qualqucr quc scja nossa aiiiudc anic a
civilizaçao c a culiura, csia aí, cono un faior dc
56
¡rincira ordcn con quc sc dcvc coniar, a
anonalia rc¡rcscniada ¡clo Ioncn-nassa. Por
isso urgia isolar cruancnic scus sinionas.
Nao dcvc, ¡ois, o lciior franccs cs¡crar nais
dcsic volunc, quc nao c, no final das conias,
scnao un cnsaio dc scrcnidadc cn ncio à
iorncnia.

JOSE OFTECA Y CASSET.
ºHci Wiiic Huis". Ocgsigccsi-Holanda, naio,
1937.
57

PRIMEIRA PARTE
A REBELIÃO
DAS
MASSAS
58

I. O FATO DAS AGLOMERAÇÕES(26)

Ha un faio quc, ¡ara lcn ou ¡ara nal, c o
nais in¡orianic na vida ¡ullica curo¡cia da Iora
¡rcscnic. Esic faio c o advcnio das nassas ao
¡lcno ¡odcrio social. Cono as nassas, ¡or
dcfiniçao, nao dcvcn ncn ¡odcn dirigir sua
¡ro¡ria c×isicncia, c ncnos rcgcr a socicdadc,
qucr dizcr-sc quc a Euro¡a sofrc agora a nais
gravc crisc quc a ¡ovos, naçõcs, culiuras, calc
¡adcccr. Esia crisc solrcvcio nais dc una vcz na
Iisioria. Sua fisiononia c suas conscqucncias
sao conIccidas. Tanlcn sc conIccc scu nonc.
CIana-sc a rclcliao das nassas.
Para a inicligcncia do fornidavcl faio convcn
quc sc cviic dar, dcsdc ja, às ¡alavras ºrclcliao",
ºnassas", º¡odcrio social", cic. un significado
c×clusivo ou ¡rinariancnic ¡olíiico. A vida
¡ullica nao c so ¡olíiica, nas, ao ncsno icn¡o c
ainda anics, iniclcciual, noral, cconónica,
rcligiosa; con¡rccndc iodos os usos colciivos c
inclui o nodo dc vcsiir c o nodo dc gozar.
Talvcz a nclIor nancira dc a¡ro×inar-sc a
csic fcnóncno Iisiorico consisia cn rcfcrir-nos a
una cסcricncia visual, sullinIando una fciçao
dc nossa c¡oca quc c visívcl con os olIos da
cara.
59
Sin¡licíssina dc cnunciar, ainda quc nao dc
analisar, cu a dcnonino o faio da agloncraçao,
do ºcIcio". As cidadcs csiao cIcias dc gcnic. As
casas cIcias dc inquilinos. Os Ioicis cIcios dc
Ios¡cdcs. Os ircns, cIcios dc viajanics. Os cafcs,
cIcios dc consunidorcs. Os ¡asscios, cIcios dc
iranscunics. As salas dos ncdicos fanosos,
cIcias dc cnfcrnos. Os cs¡ciaculos, dcsdc quc
nao scjan nuiio c×icn¡orancos, cIcios dc
cs¡cciadorcs. As ¡raias, cIcias dc lanIisias. O
quc anics nao cra ¡rollcna, concça a sc-lo
quasc dc coniínuo. cnconirar lugar.
Nada nais. Ha faio nais sin¡lcs, nais
noiorio, nais consianic, na vida aiual? Vanos
agora ¡uncionar o cor¡o irivial dcsia olscrvaçao,
c nos sur¡rccndcra vcr cono dclc lroia un
rc¡u×o incs¡crado, ondc a lranca luz do dia,
dcsic dia, do ¡rcscnic, sc dccon¡õc cn iodo o
scu rico cronaiisno inicrior.
Quc c o quc vcnos c ao vc-lo nos sur¡rccndc
ianio? Vcnos a nuliidao, cono ial, ¡ossuidora
dos locais c uicnsílios criados ¡cla civilizaçao.
A¡cnas rcflciinos un ¡ouco, nos sur¡rccndcnos
dc nossa sur¡rcsa. Mas quc, nao c o idcal? O
icairo icn suas localidadcs ¡ara quc sc ocu¡cn;
¡orianio, ¡ara quc a sala csicja cIcia. E do
ncsno nodo os asscnios o vagao fcrroviario c
scus quarios o Ioicl. Sin; nao Ia duvida. Mas o
faio c quc anics ncnIun dcsics csialclccincnios
60
c vcículos cosiunavan csiar cIcios, c agora
iranslordan, fica fora gcnic afanosa dc usufruí-
los. Enlora o faio scja logico, naiural, nao sc
¡odc dcsconIcccr quc anics nao aconiccia c
agora sin; ¡orianio, quc Iouvc una nudança,
una inovaçao, a qual jusiifica, ¡clo ncnos no
¡rinciro noncnio, nossa sur¡rcsa.
Sur¡rccndcr-sc, csiranIar, c concçar a
cnicndcr. E o cs¡oric c o lu×o cs¡ccífico do
iniclcciual. Por isso sua aiiiudc grcnial consisic
cn olIar o nundo con os olIos dilaiados ¡cla
csiranIcza. Tudo no nundo c csiranIo c c
naravilIoso ¡ara unas ¡u¡ilas lcn alcrias.
Isso, naravilIar-sc, c a dclícia vcdada ao
fuiclolisia c quc, ao conirario, lcva o iniclcciual
¡clo nundo cn ¡cr¡ciua cnlriagucz dc
visionario. Scu airiluio sao os olIos cn ¡asno.
Por isso, os aniigos dcran a Mincrva a coruja, o
¡assaro con os olIos scn¡rc dcslunlrados.
A agloncraçao, ou cIcio, anics nao cra
frcqucnic. Por quc o c agora?
Os con¡oncnics dcssas nuliidõcs nao
surgiran do nada. A¡ro×inadancnic, o ncsno
nuncro dc ¡cssoas c×isiia Ia quinzc anos.
Dc¡ois da gucrra ¡arcccria naiural quc cssc
nuncro fossc ncnor. Aqui io¡anos, cnircianio,
con a ¡rincira noia in¡orianic. Os indivíduos
quc inicgran csias nuliidõcs ¡rcc×isiian, nas
61
nao cono nuliidao. Fc¡ariidos ¡clo nundo cn
¡cqucnos gru¡os, ou soliiarios, lcvavan una
vida, ¡clo visio, divcrgcnic, dissociada, disianic.
Cada qual ÷ indivíduo ou ¡cqucno gru¡o ÷
ocu¡ava o lugar, ialvcz o scu, no can¡o, na
aldcia, na vila, no lairro da grandc cidadc.
Agora, dc rc¡cnic, a¡arcccn sol a cs¡ccic dc
agloncraçao, c nossos olIos vcn ¡or ioda a ¡aric
nuliidõcs. Por ioda a ¡aric? Nao, nao;
¡rccisancnic nos lugarcs nclIorcs, criaçao
rcalncnic rcfinada da culiura Iunana,
rcscrvados anics a gru¡os ncnorcs, cn dcfiniiiva,
a ninorias.
A nuliidao, dc rc¡cnic, iornou-sc visívcl, c
insialou-sc nos lugarcs ¡rcfcrcnics da socicdadc.
Anics, sc c×isiia, ¡assava inadvcriida, ocu¡ava o
fundo do ccnario social; agora adianiou-sc aic às
ganliarras, cla c o ¡crsonagcn ¡rinci¡al. Ja nao
Ia ¡roiagonisias. so Ia coro.
O concciio dc nuliidao c quaniiiaiivo c
visual. Traduzano-lo, scn alicra-lo, à
icrninologia sociologica. Eniao acIanos a idcia
dc nassa social. A socicdadc c scn¡rc una
unidadc dinanica dc dois faiorcs. ninorias c
nassas. As ninorias sao indivíduos ou gru¡os dc
indivíduos cs¡ccialncnic qualificados. A nassa c
o conjunio dc ¡cssoas nao cs¡ccialncnic
qualificadas. Nao sc cnicnda, ¡ois, ¡or nassas so
62
ncn ¡rinci¡alncnic ºas nassas o¡crarias".
Massa c ºo Ioncn ncdio". Dcsic nodo sc
convcric o quc cra ncrancnic quaniidadc ÷ a
nuliidao ÷ nuna dcicrninaçao qualiiaiiva. c a
qualidadc conun, c o nosircngo social, c o
Ioncn cnquanio nao sc difcrcncia dc ouiros
Ioncns, nas quc rc¡cic cn si un ii¡o gcncrico.
Quc ganIanos con csia convcrsao da
quaniidadc ¡ara a qualidadc? Muiio sin¡lcs. ¡or
ncio dcsia con¡rccndcnos a gcncsc daqucla. E
cvidcnic, aic acaciano, quc a fornaçao nornal dc
una nuliidao in¡lica a coincidcncia dc dcscjos,
idcias, dc nodo dc scr nos indivíduos quc a
inicgran. Dir-sc-a quc c o quc aconiccc con iodo
gru¡o social, ¡or sclcio quc ¡rcicnda scr. Con
cfciio; nas Ia una difcrcnça csscncial.
Nos gru¡os quc sc caracicrizan ¡or nao scr
nuliidao c nassa, a coincidcncia cfciiva dc scus
ncnlros consisic cn algun dcscjo, idcia ou
idcal, quc ¡or si c×clui o grandc nuncro. Para
fornar una ninoria, scja qual scja, c ¡rcciso quc
anics cada qual sc sc¡arc da nuliidao ¡or razõcs
csscnciais, rclaiivancnic individuais. Sua
coincidcncia con os ouiros quc fornan a ninoria
c, ¡ois, sccundario, ¡osicrior a Iavcr-sc cada
qual singularizado, c c, ¡orianio, cn loa ¡aric
una coincidcncia cn nao coincidir. Ha casos cn
quc cssc caraicr singularizador do gru¡o a¡arccc
a ccu dcscolcrio. os gru¡os inglcscs quc sc
cIanan a si ncsnos ºnao confornisias", isio c,
63
a agru¡açao dos quc concordan so cn sua
dcsconfornidadc a rcs¡ciio da nuliidao iliniiada.
Esic ingrcdicnic dc juniarcn-sc os ncnos
¡rccisancnic ¡ara sc¡arar-sc dos dcnais vai
scn¡rc nisiurado na fornaçao dc ioda ninoria.
Falando do rcduzido ¡ullico quc ouvia un
nusico rcfinado, diz graciosancnic Mallarnc quc
aquclc ¡ullico salicniava con a ¡rcscnça dc sua
cscasscz a auscncia nuliiiudinaria.
A rigor, a nassa ¡odc dcfinir-sc, cono faio
¡sicologico, scn ncccssidadc dc cs¡crar quc
a¡arcçan os indivíduos cn agloncraçao. Dianic
dc una so ¡cssoa ¡odcnos salcr sc c nassa ou
nao. Massa c iodo aquclc quc nao sc valoriza a si
ncsno ÷ no lcn ou no nal ÷ ¡or razõcs
cs¡cciais, nas quc sc scnic ºcono iodo o
nundo", c, cnircianio, nao sc angusiia, scnic-sc
à voniadc ao scniir-sc idcniico aos dcnais.
Inaginc-sc un Ioncn Iunildc quc ao icniar
valorizar-sc ¡or razõcs cs¡cciais ÷ ao ¡crguniar
dc si ¡ara si sc icn ialcnio ¡ara isio ou ¡ara
aquilo, sc solrcssai cn alguna ordcn ÷ advcric
quc nao ¡ossui ncnIuna qualidadc c×cclcnic.
Esic Ioncn scniir-sc-a ncdíocrc c vulgar, c nal
doiado; nas nao sc scniira ºnassa".
Quando sc fala dc ºninorias sclcias", a
vclIacaria Ialiiual cosiuna icrgivcrsar o scniido
dcsia cסrcssao, fingindo ignorar quc o Ioncn
sclcio nao c o ¡ciulanic quc sc su¡õc su¡crior
64
aos dcnais, nas o quc c×igc nais dc si quc os
dcnais, cnlora nao consiga cun¡rir cn sua
¡cssoa cssas c×igcncias su¡criorcs. E c
induliiavcl quc a divisao nais radical quc calc
fazcr na Iunanidadc, c csia cn duas classcs dc
criaiuras. as quc c×igcn nuiio dc si c acunulan
solrc si ncsnas dificuldadcs c dcvcrcs, c as quc
nao c×igcn dc si nada cs¡ccial, nas quc ¡ara
clas vivcr c scr cn cada insianic o quc ja sao,
scn csforço dc ¡crfciçao cn si ncsnas, loias quc
vao à dcriva.
Isio nc lcnlra quc o ludisno oriodo×o sc
con¡õc dc duas rcligiõcs disiinias. una, nais
rigorosa c difícil; ouira, nais frou×a c irivial; ou
MaIayana ÷ ºgrandc vcículo" ou ºgrandc carril"
÷ c o Hinayana ÷ º¡cqucno vcículo", ºcaninIo
ncnor". O dccisivo c sc ¡onos nossa vida nun ou
no ouiro vcículo, a un na×ino dc c×igcncias ou a
un nínino.
A divisao da socicdadc cn nassas ou
ninorias c×cclcnics nao c, ¡orianio, una divisao
cn classcs sociais, nas cn classcs dc Ioncns, c
nao ¡odc coincidir con a jcrarquizaçao cn
classcs su¡criorcs c infcriorcs. Claro csia quc nas
su¡criorcs, quando cIcgan a sc-lo c cnquanio o
forcn dc vcrdadc Ia nais vcrossiniliiudc cn
acIar Ioncns quc adoian o ºgrandc vcículo",
cnquanio as infcriorcs csiao nornalncnic
consiiiuídas ¡or indivíduos scn qualidadc. Mas,
65
a rigor, dcniro dc cada classc social Ia nassa c
ninoria auicniica. Cono vcrcnos, c caracicrísiico
do icn¡o o ¡rcdonínio, ainda nos gru¡os cuja
iradiçao cra sclciiva, da nassa c do vulgo. Assin,
na vida iniclcciual, quc ¡or sua ¡ro¡ria csscncia
rcqucr c su¡õc a qualificaçao, advcric-sc o
¡rogrcssivo iriunfo dos ¡scudo-iniclcciuais
inqualificados, inqualificavcis c dcsclassificados
¡or sua ¡ro¡ria conic×iura. O ncsno nos gru¡os
solrcvivcnics da ºnolrcza" nasculina c fcninina.
A scu iurno, nao c raro cnconirar Iojc cnirc os
olrciros, quc anics ¡odian valcr cono o c×cn¡lo
nais ¡uro disio quc cIananos ºnassa", alnas
cgrcgiancnic disci¡linadas.
Ora lcn. c×isicn na socicdadc o¡craçõcs,
aiividadcs, funçõcs da ordcn nais divcrsa, quc
sao, ¡or sua ncsna naiurcza, cs¡cciais, c,
conscqucnicncnic, nao ¡odcn scr lcn
c×ccuiadas scn doics ianlcn cs¡cciais. Por
c×cn¡lo. ccrios ¡razcrcs dc caraicr ariísiico c
lu×uoso, ou lcn as funçõcs dc govcrno c dc juízo
¡olíiico solrc os assunios ¡ullicos. Anics cran
c×crcidas csias aiividadcs cs¡cciais ¡or ninorias
qualificadas ÷ qualificadas, ¡clo ncnos, cn
¡rcicnsao ÷. A nassa nao ¡rcicndia inicrvir
nclas. ¡crcclia-sc quc sc qucria inicrvir icria
congrucnicncnic dc adquirir csscs doics
cs¡cciais c dci×ar dc scr nassa. ConIccia scu
¡a¡cl nuna saudavcl dinanica social.
66
Sc agora rciroccdcrnos aos faios cnunciados
a ¡rincí¡io, clcs nos a¡arcccrao incquivocancnic
cono nuncios dc una nudança dc aiiiudc na
nassa. Todos clcs indican quc csia rcsolvcu
avançar ¡ara o ¡rinciro ¡lano social c ocu¡ar os
locais c usar os uicnsílios c gozar dos ¡razcrcs
anics adsiriios aos ¡oucos. É cvidcnic quc, ¡or
c×cn¡lo, os locais nao csiavan ¡rcncdiiados
¡ara as nuliidõcs, ¡osio quc sua dincnsao scja
nuiio rcduzida c o ¡ovo iranslordc
consianicncnic dclcs, dcnonsirando aos olIos c
con linguagcn visívcl o faio novo. a nassa, quc,
scn dci×ar dc sc-lo, su¡lania as ninorias.
Ningucn, crcio cu, dc¡lorara quc as ¡cssoas
gozcn Iojc cn naior ncdida c nuncro quc
anics, ja quc icn ¡ara isso os a¡ciiics c os ncios.
O nal c quc csia dccisao ionada ¡clas nassas dc
assunir as aiividadcs ¡ro¡rias das ninorias, nao
sc nanifcsia, ncn ¡odc nanifcsiar-sc, so na
ordcn dos ¡razcrcs, nas quc c una nancira
gcral do icn¡o. Assin ÷ anicci¡ando o quc logo
vcrcnos ÷, crcio quc as inovaçõcs ¡olíiicas dos
nais rcccnics anos nao significan ouira coisa
scnao o in¡crio ¡olíiico das nassas. A vclIa
dcnocracia vivia icn¡crada ¡or una dosc
alundanic dc lilcralisno c dc cniusiasno ¡cla
lci. Ao scrvir a csics ¡rincí¡ios o indivíduo
olrigava-sc a susicniar cn si ncsno una
disci¡lina difícil. Ao an¡aro do ¡rincí¡io lilcral c
da norna jurídica ¡odian aiuar c vivcr as
67
ninorias. Dcnocracia c Lci, convivcncia lcgal,
cran sinóninos. Hojc assisiinos ao iriunfo dc
una Ii¡crdcnocracia cn quc a nassa aiua
dirciancnic scn lci, ¡or ncio dc ¡rcssõcs
naicriais, in¡ondo suas as¡iraçõcs c scus
gosios. É falso inicr¡rciar as siiuaçõcs novas
cono sc a nassa sc Iouvcssc cansado da ¡olíiica
c cncarrcgassc a ¡cssoas cs¡cciais scu c×crcício.
Pclo conirario. Isso cra o quc anics aconiccia,
isso cra a dcnocracia lilcral. A nassa ¡rcsunia
quc, no final das conias, con iodos os scus
dcfciios c vícios, as ninorias dos ¡olíiicos
cnicndian un ¡ouco nais dos ¡rollcnas
¡ullicos quc cla. Agora, ¡or sua vcz, a nassa crc
quc icn dirciio a in¡or c dar vigor dc lci a scus
io¡icos dc cafc. Eu duvido quc icnIa Iavido
ouiras c¡ocas da Iisioria cn quc a nuliidao
cIcgassc a govcrnar iao dirciancnic cono cn
nosso icn¡o. Por isso falo dc Ii¡crdcnocracia.
O ncsno aconiccc nas dcnais ordcns, nuiio
cs¡ccialncnic na iniclcciual. Talvcz concia cu
un crro; nas o cscriior, ao ionar da ¡cna ¡ara
cscrcvcr solrc un icna quc csiudou
inicnsancnic, dcvc ¡cnsar quc o lciior ncdio,
quc nunca sc ocu¡ou do assunio, sc o lc, nao c
con o fin dc a¡rcndcr algo dclc, nas, ¡clo
conirario, ¡ara scnicnciar solrc clc quando nao
coincidc con as vulgaridadcs quc csic lciior icn
na calcça. Sc os indivíduos quc inicgran a
nassa sc acrcdiiasscn cs¡ccialncnic doiados,
68
icríanos nao nais dc un caso dc crro ¡cssoal,
nas nao una sulvcrsao sociologica. O
caracicrísiico do noncnio c quc a alna vulgar,
salcndo-sc vulgar, icn o dcnodo dc afirnar o
dirciio dc vulgaridadc c o in¡õc ¡or ioda a ¡aric.
Cono sc diz na Ancrica do Noric. scr difcrcnic c
indcccnic. A nassa airo¡cla iudo quc c difcrcnic,
cgrcgio, individual, qualificado c sclcio. Qucn
nao scja cono iodo o nundo, qucn nao ¡cnsc
cono iodo o nundo, corrc o risco dc scr
clininado. E claro csia quc cssc ºiodo o nundo"
nao c ºiodo o nundo". ºTodo o nundo" cra,
nornalncnic, a unidadc con¡lc×a dc nassa c
ninorias discrc¡anics, cs¡cciais. Agora iodo o
nundo c so a nassa.
69

II. A ASCENSÃO DO NÍVEL HISTÓRICO

Esic c o faio fornidavcl do nosso icn¡o,
dcscriio scn oculiar a lruialidadc dc sua
a¡arcncia. É, adcnais, dc una alsoluia novidadc
na Iisioria dc nossa civilizaçao. Janais, cn iodo
o scu dcscnvolvincnio, aconicccu nada
scnclIanic. Sc icnos dc acIar algo scnclIanic,
icríanos dc ¡ular fora dc nossa Iisioria c
sulncrgir-nos cn un orlc, cn un clcncnio
viial, con¡lciancnic difcrcnic do nosso; icríanos
dc insinuar-nos no nundo aniigo, c cIcgar a sua
Iora dc dcclinaçao. A Iisioria do In¡crio ronano
c ianlcn a Iisioria da sulvcrsao, do in¡crio das
nassas quc alsorvcn c anulan as ninorias
dirigcnics c sc colocan cn scu lugar. Eniao sc
¡roduz ianlcn o fcnóncno da agloncraçao, do
cIcio. Por isso, cono olscrvou nuiio lcn
S¡cnglcr, foi ¡rcciso consiruir, cono sc faz agora,
cdifícios cnorncs. A c¡oca das nassas c a c¡oca
do colossal(27}.
Vivcnos sol o lruial in¡crio das nassas.
Pcrfciiancnic; ja cIananos duas vczcs ºlruial" a
csic in¡crio, ja ¡aganos nosso iriluio ao dcus
dos io¡icos; agora, con o lilIcic na nao,
¡odcnos alcgrcncnic ingrcssar no icna, vcr ¡or
dcniro o cs¡ciaculo. Ou su¡unIa-sc quc cu ia
70
conicniar-nc con cssa dcscriçao, ialvcz c×aia,
nas c×icrna, quc c so a facIada, o froniis¡ício
sol os quais sc a¡rcscnia o faio ircncndo
quando c olIado dcsdc o ¡assado? Sc cu dci×assc
aqui csic assunio c csirangulassc ncu ¡rcscnic
cnsaio, ficaria o lciior ¡cnsando, nuiio
jusiancnic, quc csic faluloso advcnio das
nassas à su¡crfícic da Iisioria nao nc ins¡irava
ouira coisa scnao algunas ¡alavras dis¡liccnics,
dcsdcnIosas, un ¡ouco dc aloninaçao c ouiro
¡ouco dc rc¡ugnancia; a nin, dc qucn c noiorio
quc susicnio una inicr¡rciaçao da Iisioria
radicalncnic arisiocraiica(28} É radical, ¡orquc cu
nao dissc nunca quc a socicdadc Iunana dcva
scr arisiocraiica, nas nuiio nais quc isso. Eu
dissc c coniinuo crcndo, cada dia con nais
cncrgica convicçao, quc a socicdadc Iunana c
arisiocraiica scn¡rc, qucira ou nao, ¡or sua
¡ro¡ria csscncia, aic o ¡onio dc quc c socicdadc
na ncdida cn quc scja arisiocraiica, c dci×a dc
sc-lo na ncdida cn quc sc dcsarisiocraiizc. Dcn
cnicndido quc falo da socicdadc c nao do Esiado.
Ningucn ¡odc acrcdiiar quc dianic dcsic faluloso
cncrcs¡ancnio da nassa, scja o arisiocraiico
conicniar-sc con fazcr un lrcvc ircjciio
anancirado, cono un fidalgoic dc VcrsalIcs.
VcrsalIcs ÷ cnicndc-sc cssc VcrsalIcs dos
ircjciios ÷ nao c arisiocracia, c o scu o¡osio. c a
noric c a ¡uircfaçao dc una nagnífica
arisiocracia. Por isso, dc vcrdadcirancnic
71
arisiocraiico so rcsiava naquclcs scrcs a graça
digna con quc salian rccclcr cn scu ¡cscoço a
visiia da guilIoiina; acciiavan-na cono o iunor
acciia o lisiuri. Nao. a qucn sinia a nissao
¡rofunda das arisiocracias, o cs¡ciaculo da
nassa o inciia c aviva cono ao csculior a
¡rcscnça do narnorc virgcn. A arisiocracia
social nao sc ¡arccc nada a cssc gru¡o
rcduzidíssino quc ¡rcicndc assunir ¡ara si
ínicgro o nonc dc ºsocicdadc", quc sc cIana a si
ncsno ºa socicdadc" c quc vivc sin¡lcsncnic dc
convidar-sc ou dc nao convidar-sc. Cono iudo no
nundo icn sua viriudc c sua nissao, ianlcn
icn as suas dcniro do vasio nundo csic ¡cqucno
ºnundo clcganic", nas una nissao nuiio
sulalicrna c incon¡aravcl con a faina Icrculca
das auicniicas arisiocracias. Eu nao icria
inconvcnicnic cn falar solrc o scniido quc ¡ossui
cssa vida clcganic, cn a¡arcncia iao scn scniido;
nas nosso icna c agora ouiro dc naiorcs
¡ro¡orçõcs. Ccriancnic quc cssa ncsna
ºsocicdadc disiinia" csia dc acordo con o icn¡o.
Muiio nc fcz ncdiiar ccria danazinIa cn flor,
ioda juvcniudc c aiualidadc, csircla dc ¡rincira
grandcza no zodíaco da clcgancia nadrilcnIa,
¡orquc nc dissc. ºEu nao iolcro un lailc ao qual
icnIan sido convidadas ncnos dc oiioccnias
¡cssoas". Airavcs dcsia frasc vi quc o csiilo das
nassas iriunfa Iojc solrc ioda a arca da vida c sc
72
in¡õc ainda naquclcs uliinos rincõcs quc
¡arccian rcscrvados aos Ia¡¡y fcw.
Fc¡ilo, ¡ois, igualncnic, ioda inicr¡rciaçao
dc nosso icn¡o quc nao dcsculra a significaçao
¡osiiiva oculia sol o aiual in¡crio das nassas c
das quc o acciian, lcaiancnic, scn csircncccr
dc cs¡anio. Todo dcsiino c dranaiico c iragico cn
sua ¡rofunda dincnsao. Qucn nao icnIa scniido
na nao ¡al¡iiar o ¡crigo do icn¡o, nao cIcgou à
cniranIa do dcsiino, nao fcz nais scnao acariciar
sua norlida facc. No nosso, o ingrcdicnic icrrívcl
c ¡osio ¡cla airo¡clanic c violcnia sullcvaçao
noral das nassas, in¡oncnic, indonavcl c
cquívoca cono iodo dcsiino. Para ondc nos lcva?
É un nal alsoluio, ou un lcn ¡ossívcl? Aí csia,
colossal, insialada solrc nosso icn¡o cono un
giganic, cosnico sinal dc inicrrogaçao, o qual icn
scn¡rc una forna cquívoca, con algo,
cfciivancnic, dc guilIoiina ou dc forca nas
ianlcn con algo quc quiscra scr un arco
iriunfal!
O faio dc quc ncccssiianos sulncicr a
anaionia ¡odc fornular-sc sol csias duas
rulricas. ¡rincira, as nassas c×crciian Iojc un
rc¡criorio viial quc coincidc, cn grandc ¡aric,
con o quc anics ¡arccia rcscrvado
c×clusivancnic às ninorias; scgunda, ao ncsno
icn¡o as nassas iornaran-sc indoccis dianic das
ninorias; nao lIcs olcdcccn, nao as scgucn, nao
73
as rcs¡ciian, nas, ¡clo conirario, as ¡uscran dc
lado c as su¡lanian.
Analiscnos a ¡rincira rulrica. Qucro dizcr
con cla quc as nassas gozan dos ¡razcrcs c
usan os uicnsílios invcniados ¡clos gru¡os
sclcios c quc anics so csics usufruían. Scnicn
a¡ciiics c ncccssidadcs quc anics sc qualificavan
dc rcfinancnios, ¡orquc cran ¡airinónios dc
¡oucos. Un c×cn¡lo irivial. cn 1820 nao Iavia
cn Paris dcz quarios dc lanIo cn casas
¡ariicularcs; vcjan-sc as Mcnorias da conicssc
dc Doignc. Mais ainda. as nassas conIcccn c
cn¡rcgan Iojc, con rclaiiva suficicncia, nuiias
das iccnicas quc anics so os indivíduos
cs¡ccializados nancjavan.
E nao a¡cnas as iccnicas naicriais, nas, o
quc c nais in¡orianic, as iccnicas jurídicas c
sociais. No scculo XVIII, ccrias ninorias
dcscolriran quc iodo indivíduo Iunano, ¡clo
ncro faio dc nasccr, c scn ncccssidadc dc
qualificaçao alguna, ¡ossuía ccrios dirciios
¡olíiicos fundancniais, os cIanados dirciios do
Ioncn c do cidadao, c quc, a rigor, csics dirciios
conuns a iodos sao os unicos c×isicnics. Todo
ouiro dirciio in¡osio a doics cs¡cciais ficava
condcnado cono ¡rivilcgio. Isio foi, ¡rinciro, un
¡uro icorcna c idcia dc uns ¡oucos; dc¡ois, csscs
¡oucos concçaran a usar ¡raiicancnic dcssa
idcia, a in¡ó-la c rcclana-la. as ninorias
74
nclIorcs. Nao olsianic, duranic iodo o scculo
XIX a nassa, quc sc ia cniusiasnando con a
idcia dcsscs dirciios cono con un idcal, nao os
scniia cn si, nao os c×crciiava ncn fazia valcr
scnao dc faio, sol as lcgislaçõcs dcnocraiicas,
coniinuava vivcndo, coniinuava scniindo-sc a si
ncsna cono no aniigo rcginc. O º¡ovo" ÷
scgundo cniao cra cIanado ÷, o º¡ovo" salia ja
quc cra solcrano; nas nao acrcdiiava nisso. Hojc
aquclc idcal convcricu-sc nuna rcalidadc, nao ja
nas lcgislaçõcs, quc sao csqucnas c×icrnos da
vida ¡ullica, nas no coraçao dc iodo indivíduo,
quaisqucr quc scjan as suas idcias, inclusivc
quando as suas idcias sao rcacionarias; qucr
dizcr, inclusivc quando csnaga c iriiura as
insiiiuiçõcs ondc aquclcs dirciios sc sancionan.
A ncu juízo, qucn nao cnicndc csia curiosa
siiuaçao das nassas nao ¡odc con¡rccndcr nada
do quc Iojc concça a aconicccr no nundo. A
solcrania do indivíduo nao qualificado, do
indivíduo Iunano gcncrico c cono ial, ¡assou,
dc idcia ou idcal jurídico quc cra, a scr un csiado
¡sicologico consiiiuiivo do Ioncn ncdio. E noic-
sc lcn. quando algo quc foi idcal sc faz
ingrcdicnic da rcalidadc, inc×oravclncnic dci×a
dc scr idcal. O ¡rcsiígio c a nagia auiorizanic,
quc sao airiluios do idcal, quc sao scu cfciio
solrc o Ioncn, sc volaiilizan. Os dirciios
nivcladorcs da gcncrosa ins¡iraçao dcnocraiica
75
convcricran-sc, dc as¡iraçõcs dc idcais, cn
a¡ciiics dc su¡osios inconscicnics.
Ora lcn. o scniido daquclcs dirciios nao cra
ouiro scnao iirar as alnas Iunanas dc sua
inicrna scrvidao c ¡roclanar dcniro dclas ccria
conscicncia dc scnIorio c dignidadc. Nao cra isio
quc sc qucria? Quc o Ioncn ncdio sc scniissc
ano, dono, scnIor dc si ncsno c dc sua vida? Ja
csia conscguido. Por quc sc quci×an os lilcrais,
os dcnocraias, os ¡rogrcssisias dc Ia 30 anos?
Ou c quc, cono os ncninos qucrcn una coisa,
nas nao suas conscqucncias? Qucr-sc quc o
Ioncn ncdio scja scnIor. Eniao nao csiranIc
quc aiuc ¡or si, quc rcclanc iodos os ¡razcrcs,
quc in¡onIa dccidido sua voniadc, quc sc ncguc
a ioda scrvidao, quc nao coniinuc docil, quc
cuidc dc sua ¡cssoa c scus ocios, quc con¡onIa
sua induncniaria. sao alguns dos airiluios
¡crcncs quc acon¡anIan a conscicncia dc
scnIorio. Hojc os acIanos rcsidindo no Ioncn
ncdio, na nassa.
Julganos ¡ois, quc a vida do Ioncn ncdio
csia agora consiiiuída ¡clo rc¡criorio viial quc
anics caracicrizava so as ninorias culninanics.
Ora lcn. o Ioncn ncdio rc¡rcscnia a arca solrc
quc sc novc a Iisioria dc cada c¡oca; c na
Iisioria o quc c o nívcl do nar na gcografia. Sc,
¡ois, o nívcl ncdio sc acIa Iojc ondc anics so
iocavan as arisiocracias, qucr dizcr-sc lisa c
76
lIanancnic quc o nívcl da Iisioria asccndcu dc
rc¡cnic ÷ dc¡ois dc largas c sulicrrancas
¡rc¡araçõcs, nas cn sua nanifcsiaçao, dc
rc¡cnic ÷, dc un salio, nuna gcraçao. A vida
Iunana, cn ioialidadc, asccndcu. O soldado do
dia, diríanos, icn nuiio dc ca¡iiao; o c×crciio
Iunano sc con¡õc ja dc ca¡iiacs. Dasia vcr a
cncrgia, a rcsoluçao, o dcscnlaraço con quc
qualqucr indivíduo luia Iojc ¡cla c×isicncia,
agarra o ¡razcr quc ¡assa, in¡õc sua dccisao.
Todo o lcn, iodo o nal do ¡rcscnic c do
incdiaio ¡orvir icn ncsic asccnso gcral do nívcl
Iisiorico sua causa c sua raiz.
Mas agora nos ocorrc una advcricncia
in¡rcncdiiada. Isso, quc o nívcl ncdio da vida
scja o das aniigas ninorias, c un faio novo na
Iisioria; nas cra o faio naiivo, consiiiucional, da
Ancrica. Pcnsc o lciior, ¡ara vcr clara ninIa
inicnçao, na conscicncia dc igualdadc jurídica.
Essc csiado ¡sicologico dc scniir-sc ano c scnIor
dc si c igual a qualqucr ouiro indivíduo, quc na
Euro¡a so os gru¡os ¡rccnincnics conscguian
adquirir, c o quc dcsdc o scculo XVIII,
¡raiicancnic dcsdc scn¡rc, aconiccia na
Ancrica. E nova coincidcncia, ainda nais
curiosa! Ao a¡arcccr na Euro¡a cssc csiado
¡sicologico do Ioncn ncdio, ao sulir o nívcl dc
sua c×isicncia inicgral, o ion c nanciras da vida
curo¡cia cn iodas as ordcns adquirc dc rc¡cnic
77
una fisiononia quc fcz nuiios dizcr. ºA Euro¡a
csia sc ancricanizando". Os quc isio dizian nao
davan ao fcnóncno in¡oriancia naior;
acrcdiiavan quc sc iraiava dc una lcvc nudança
nos cosiuncs, dc una noda, c, dcsoricniados
¡clo ¡arccido c×icrno, o airiluían a nao sc salc
quc influ×o da Ancrica na Euro¡a. Con isso, a
ncu juízo, lanalizou-sc a qucsiao, quc c nuiio
nais suiil c sur¡rccndcnic c ¡rofunda.
A galanicria icnia agora sulornar-nc ¡ara
quc cu diga aos Ioncns dc Uliranar quc, con
cfciio, a Euro¡a sc ancricanizou c quc isio c
dcvido a un influ×o da Ancrica na Euro¡a. Mas
nao. a vcrdadc cnira agora cn colisao con a
galanicria, c dcvc iriunfar. A Euro¡a nao sc
ancricanizou. Nao rccclcu ainda influ×o grandc
da Ancrica. Tanio un cono ouiro,
cvcniualncnic, inician-sc agora ncsno; nas nao
sc ¡roduziran no ¡ro×ino ¡assado, dc quc o
¡rcscnic c lroio. Ha aqui un cunulo
dcscs¡cranic dc idcias falsas quc nos csiorvan a
visao ianio aos ancricanos cono aos curo¡cus. O
iriunfo das nassas c a conscguinic nagnífica
asccnsao dc nívcl viial aconicccu na Euro¡a ¡or
razõcs inicrnas, dc¡ois dc dois scculos dc
cducaçao ¡rogrcssisia das nuliidõcs c dc un
¡aralclo cnriquccincnio cconónico da socicdadc.
Mas isso c quc o rcsuliado coincidc con o iraço
nais dccisivo da c×isicncia ancricana; c ¡or isso,
¡orquc coincidc a siiuaçao noral do Ioncn
78
ncdio curo¡cu con a do ancricano, aconicccu
quc ¡cla ¡rincira vcz o curo¡cu cnicndc a vida
ancricana, quc anics lIc cra un cnigna c un
nisicrio. Nao sc iraia, ¡ois, dc un influ×o, quc
scria un ¡ouco csiranIo, quc scria un rcflu×o,
nas do quc ncnos sc sus¡ciia ainda. iraia-sc dc
una nivclaçao. Dcsdc scn¡rc sc cnircvia
olscurancnic ¡clos curo¡cus quc o nívcl ncdio
da vida cra nais alio na Ancrica quc no vclIo
coniincnic. A iniuiçao, ¡ouco analíiica, nas
cvidcnic dcsic faio, dcu origcn à idcia, scn¡rc
acciia, nunca ¡osia cn duvida, dc quc a Ancrica
cra o ¡orvir. Con¡rccndcr-sc-a quc idcia iao
an¡la c iao arraigada nao ¡odia vir do vcnio,
cono dizcn quc as orquídcas sc crian scn raízcs
no ar. O fundancnio cra aqucla cnircvisao dc un
nívcl nais clcvado na vida ncdia dc Uliranar,
quc conirasiava con o nívcl infcrior das ninorias
nclIorcs da Ancrica con¡aradas con as
curo¡cias. Mas a Iisioria, cono a agriculiura,
nuirc-sc dos valcs c nao dos cuncs, da aliiiudc
ncdia social c nao das cnincncias.
Vivcnos cn icn¡o dc nivclaçõcs. nivclan-sc
as foriunas, nivcla-sc a culiura cnirc as
difcrcnics classcs sociais, nivclan-sc os sc×os.
Pois lcn. ianlcn sc nivclan os coniincnics. E
cono o curo¡cu sc acIava viialncnic nais lai×o,
ncsia nivclaçao nao fcz scnao ganIar. Porianio,
olIada dcsic lado, a sulvcrsao das nassas
significa un faluloso auncnio dc viialidadc c
79
¡ossililidadcs; iudo ao conirario, ¡ois, do quc
ouvinos iao aniudc solrc a dccadcncia da
Euro¡a. Frasc confusa c iosca, ondc nao sc salc
lcn dc quc sc fala, sc dos Esiados curo¡cus, da
culiura curo¡cia ou do quc csia sol iudo isso c
in¡oria infiniiancnic nais quc iudo isio, a
salcr. da viialidadc curo¡cia. Dos Esiados c da
culiura curo¡cia dircnos algun vocalulo nais
adianic ÷ c ialvcz a frasc su¡radiia valIa ¡ara
clcs ÷; nas quanio à viialidadc, convcn dcsdc
logo fazcr consiar quc sc iraia dc un crro crasso.
Diia dc ouiro nodo, ialvcz ninIa afirnaçao
¡arcça nais convinccnic c ncnos invcrossínil;
digo, ¡ois, quc Iojc un iialiano ncdio, un
cs¡anIol ncdio, un alcnao ncdio, sc
difcrcncian ncnos cn ion viial dc un ianquc ou
dc un argcniino quc Ia irinia anos. E csic c un
dado quc os ancricanos nao dcvcn csqucccr.
80

III. A ALTURA DOS TEMPOS

O in¡crio das nassas a¡rcscnia, ¡ois, un
as¡ccio favoravcl cnquanio significa una sulida
dc iodo o nívcl Iisiorico, c rcvcla quc a vida
ncdia sc novc Iojc cn aliura su¡crior à quc
onicn ¡isava. O quc nos faz con¡rccndcr quc a
vida ¡odc icr aliiiudcs difcrcnics, c quc c una
frasc cIcia dc scniido a quc scn scniido soi
rc¡ciir-sc quando sc fala da aliura dos icn¡os.
Convcn quc nos dcicnIanos ncsic ¡onio, ¡orquc
clc nos ¡ro¡orciona a nancira dc fi×ar un dos
caracicrcs nais sur¡rccndcnics dc nossa c¡oca.
Diz-sc, ¡or c×cn¡lo, quc csia ou a ouira
coisa nao c ¡ro¡ria da aliura dos icn¡os. Con
cfciio. nao o icn¡o alsiraio da cronologia, quc c
iodo clc cIao, nas o icn¡o viial, o quc cada
gcraçao cIana ºnosso icn¡o", icn scn¡rc ccria
aliiiudc, clcva-sc onicn solrc Iojc, ou sc
nanicn a ¡ar, ou cai ¡or lai×o. A inagcn dc
cair, cnlainIada no vocalulo dccadcncia,
¡roccdc dcsia iniuiçao. Do ncsno nodo cada
qual scnic, con naior ou ncnor claridadc, a
rclaçao cn quc sua ¡ro¡ria vida sc cnconira con
a aliura do icn¡o ondc iranscorrc. Ha qucn sc
sinia nos nodos da c×isicncia aiual cono un
naufrago quc nao conscguc sair a fluiuar. A
81
vclocidadc do icn¡o con quc Iojc narcIan as
coisas, o ín¡cio dc cncrgia con quc sc faz iudo,
angusiian o Ioncn dc icn¡cra arcaica, c csia
angusiia ncdc o dcsnívcl cnirc a aliura do scu
¡ulso c a aliura da c¡oca. Por ouira ¡aric, qucn
vivc con ¡lcniiudc c a gosio as fornas do
¡rcscnic, icn conscicncia da rclaçao cnirc a
aliura dc nosso icn¡o c a aliura das divcrsas
idadcs ¡rcicriias. Qual c cssa rclaçao?
Fora crrónco su¡or quc scn¡rc o Ioncn dc
una c¡oca scnic as ¡assadas, sin¡lcsncnic
¡orquc ¡assadas, cono nais lai×as dc nívcl quc
a sua. Dasiaria rccordar quc, ao ¡arcccr dc Jorgc
Manriquc,
Qualqucr icn¡o ¡assado
foi nclIor.
Mas isso ian¡ouco c vcrdadc. Ncn iodas as
idadcs sc scniiran infcriorcs a algunas do
¡assado, ncn iodas sc su¡uscran su¡criorcs a
quanias foran c rccordan. Cada idadc Iisiorica
nanifcsia una scnsaçao difcrcnic anic cssc
csiranIo fcnóncno da aliura viial, c nc
sur¡rccndc quc nao icnIan rc¡arado nunca
¡cnsadorcs c Iisioriografos cn faio iao cvidcnic c
sulsiancioso.
A in¡rcssao quc Jorgc Manriquc dcclara icn
sido ccriancnic a nais gcral, ¡clo ncnos sc sc
iona grosso nodo. À naior ¡aric das c¡ocas nao
82
lIcs ¡arcccu scu icn¡o nais clcvado quc ouiras
idadcs aniigas. Ao conirario, o nais Ialiiual icn
sido quc os Ioncns su¡onIan cn un vago
¡rcicriio icn¡os nclIorcs, dc c×isicncia nais
¡lcnaria. a ºidadc dc ouro", dizcnos os cducados
¡or Crccia c Fona; a AlcIcringa, dizcn os
sclvagcns ausiralianos. Isso rcvcla quc csscs
Ioncns scniian o ¡ulso dc sua ¡ro¡ria vida nais
ou ncnos falio dc ¡lcniiudc, dccaído, inca¡az dc
cncIcr ¡or con¡lcio o canal das vcias. Por csia
razao rcs¡ciiavan o ¡assado, os icn¡os
ºclassicos", cuja c×isicncia sc lIcs a¡rcscniava
cono algo nais an¡lo, nais rico, nais ¡crfciio c
difícil quc a vida dc scu icn¡o. Ao olIar ¡ara iras
c inaginar csscs scculos nais valiosos, ¡arccia-
lIcs nao donina-los, nas, ao conirario, ficar
dclai×o dclcs, cono un grau dc icn¡craiura, sc
iivcssc conscicncia, scniiria quc nao conicn cn
si o grau su¡crior; nas anics, quc Ia ncsic nais
calorias quc nclc ncsno. Dcsdc ccnio c
cinqucnia anos dc¡ois dc Crisio csia in¡rcssao
dc cncolIincnio viial, dc dininuiçao, dc dccair c
¡crdcr ¡ulso, crcscc ¡rogrcssivancnic no In¡crio
Fonano. Ja Horacio Iavia caniado. ºNossos ¡ais,
¡iorcs quc nossos avos, nos cngcndraran ainda
nais dc¡ravados, c nos darcnos una ¡rogcnic
iodavia nais inca¡az". (Odcs, Livro III, 6.}
Acias ¡arcniun ¡cior avis iulii
nos ncquiorcs, no× daiuros
¡rogcnicn viiiosorcn.
83
Dois scculos nais iardc nao Iavia cn iodo o
In¡crio lasianics iialicos ncdianancnic
valorosos con os quais ¡rccncIcr as ¡raças dc
ccniuriõcs, c foi ncccssario alugar ¡ara csic ofício
dalnaias, c dc¡ois, larlaros do Danulio c do
Fcno. Enquanio isso, as nulIcrcs iornaran-sc
csicrcis c a Iialia sc dcs¡ovoou.
Vcjanos agora ouira classc dc c¡ocas quc
gozan dc una in¡rcssao viial ao ¡arcccr a nais
o¡osia a cssa. Traia-sc dc un fcnóncno nuiio
curioso quc nos in¡oria nuiio dcfinir. Quando
Ia nao nais dc irinia anos os ¡olíiicos ¡croravan
anic as nuliidõcs, soían rccIaçar csia ou ouira
ncdida dc govcrno, ial ou qual dcsnando,
dizcndo quc cra in¡ro¡ria da ¡lcniiudc dos
icn¡os. É curioso rccordar quc a ncsna frasc
a¡arccc cn¡rcgada ¡or Trajano na sua fanosa
caria a Plínio, ao rcconcndar-lIc quc nao sc
¡crscguisscn os crisiaos cn viriudc dc
dcnuncias anóninas. Ncc nosiri sacculi csi.
Houvc, ¡ois, varias c¡ocas na Iisioria quc sc
scniiran cono cIcgadas a una aliura ¡lcna,
dcfiniiiva. icn¡os cn quc sc crc Iavcr cIcgado ao
icrnino dc una viagcn, cn quc sc cun¡rc un
afa aniigo c ¡lcnifica una cs¡crança. É a
º¡lcniiudc dos icn¡os", a con¡lcia nadurcza da
vida Iisiorica. Ha irinia anos, con cfciio,
acrcdiiava o curo¡cu quc a vida Iunana Iavia
cIcgado a scr o quc dcvia scr, o quc dcsdc nuiias
gcraçõcs sc vinIa anclando quc fossc, o quc icria
84
ja quc scr scn¡rc. Os icn¡os dc ¡lcniiudc sc
scnicn scn¡rc cono rcsulianic dc nuiias ouiras
idadcs ¡rc¡araiorias, dc ouiros icn¡os scn
¡lcniiudc, infcriorcs ao ¡ro¡rio, solrc os quais vai
noniada csia Iora lcn granosa. Visios dc sua
aliura, aquclcs ¡críodos ¡rc¡araiorios a¡arcccn
cono sc nclcs sc Iouvcsscn vivido dc ¡uro afa c
ilusao nao lograda; icn¡os dc so dcscjo
insaiisfciio, dc ardcnics ¡rccursorcs, dc ºainda
nao", dc conirasic ¡cnoso cnirc una civilizaçao
clara c a rcalidadc quc nao lIc corrcs¡ondc.
Assin vc a Idadc Mcdia o scculo XIX. Por fin
cIcga un dia cn quc cssc vclIo dcscjo, às vczcs
nilcnario, ¡arccc cun¡rir-sc; a rcalidadc o
rccolIc c lIc olcdccc. CIcganos à aliura
cnircvisia, à ncia anicci¡ada, ao cunc do icn¡o!
Ao ºainda nao" succdcu o º¡or fin".
Esia cra a scnsaçao quc dc sua ¡ro¡ria vida
iinIan os nossos ¡ais c ioda a sua ccniuria. Nao
sc csqucça disio. nosso icn¡o c un icn¡o quc
vcn dc¡ois dc un icn¡o dc ¡lcniiudc. Daí quc,
irrcncdiavclncnic, qucn coniinua adscriio à
ouira nargcn, a cssc ¡ro×ino ¡lcnario ¡assado,
c o olIc iodo sol sua oiica, sofrcra o cs¡clIisno
dc scniir a idadc ¡rcscnic cono un cair dcsdc a
¡lcniiudc, cono una dccadcncia.
Mas un vclIo afciçoado à Iisioria,
cn¡cdcrnido ionador dc ¡ulso dc icn¡os, nao sc
85
¡odc dci×ar alucinar ¡or cssa oiica da su¡osia
¡lcniiudc.
Scgundo cu dissc, o csscncial ¡ara quc c×isia
º¡lcniiudc dos icn¡os" c quc un dcscjo aniigo, o
qual sc vinIa arrasiando ancloso c qucrulanic
duranic scculos, ¡or fin un dia fica saiisfciio. E,
con cfciio, csscs icn¡os ¡lcnos sao ianlcn
saiisfciios dc si ncsnos; às vczcs, cono no
scculo XIX, arquisaiisfciios(29}. Mas agora
con¡rccndcnos quc csscs scculos iao saiisfciios,
iao fruídos, csiao norios ¡or dcniro. A auicniica
¡lcniiudc viial nao consisic na saiisfaçao, na
¡ossc, na cIcgada. Ja dizia Ccrvanics quc ºo
caninIo c scn¡rc nclIor quc a ¡ousada". Un
icn¡o quc saiisfcz scu dcscjo, scu idcal, c quc ja
nao dcscja nada nais, quc sc lIc sccou a fonic do
dcscjar. Isio c, quc a fanosa ¡lcniiudc c cn
rcalidadc una conclusao. Ha scculos quc ¡or nao
salcr rcnovar scus dcscjos norrc dc saiisfaçao,
cono norrc o zangao aforiunado dc¡ois do vóo
nu¡cial(30}.
Daí o dado sur¡rccndcnic dc quc cssas
cia¡as dc cIanada ¡lcniiudc icnIan scniido
scn¡rc no scdincnio dc si ncsnas una
¡cculiaríssina irisicza.
O dcscjo iao lcniancnic gcsiado, c quc no
scculo XIX ¡arccc finalncnic rcalizar-sc, c o quc,
rcsunindo, sc dcnoninou a si ncsno ºculiura
86
nodcrna". Ja o nonc c inquicianic. quc un
icn¡o sc cIanc a si ncsno ºnodcrno", qucr
dizcr, uliino, dcfiniiivo, dianic do qual iodos os
dcnais sao ¡uros ¡rcicriios, nodcsias
¡rc¡araçõcs c as¡iraçõcs ¡ara clc! Scias scn lrio
quc crran o alvo!(31}.
Nao sc sonda ja aqui a difcrcnça csscncial
cnirc nosso icn¡o c cssc quc acala dc ¡rcicrir,
dc irans¡or? Nosso icn¡o, con cfciio, nao sc
scnic ja dcfiniiivo; ao conirario, cn sua raiz
ncsna cnconira olscurancnic a iniuiçao dc quc
nao Ia icn¡os dcfiniiivos, scguros, ¡ara scn¡rc
crisializados, nas quc ¡clo conirario cssa
¡rcicnsao dc quc un icn¡o dc vida ÷ o cIanado
ºculiura nodcrna" ÷ fossc dcfiniiivo, ¡arccc-nos
una olcccaçao c csirciicza invcrossíncis do
can¡o visual. E ao scniir assin ¡crcclcnos una
dcliciosa in¡rcssao dc nos Iavcrnos cvadido dc
un rccinio csirciio c Icrnciico, dc Iavcr
csca¡ado, c sair dc novo sol as csirclas ao
nundo auicniico, ¡rofundo, icrrívcl, in¡rcvisívcl
c incsgoiavcl, ondc iudo, iudo c ¡ossívcl. o
nclIor c o ¡ior. A fc na culiura nodcrna cra
irisic. cra salcr quc ananIa ia scr cn iodo o
csscncial igual a Iojc, quc o ¡rogrcsso consisiia
so cn avançar con iodos os scn¡rcs solrc un
caninIo idcniico ao quc ja csiava sol nossos
¡cs. Un caninIo assin c a lcn dizcr una ¡risao
quc, clasiica, sc alarga scn nos lilcriar.
87
Quando nos concços do In¡crio algun fino
¡rovinciano cIcgava a Fona ÷ Lucano, ¡or
c×cn¡lo, ou Scncca ÷ c via as najcsiosas
consiruçõcs in¡criais, sínlolo dc ¡odcr
dcfiniiivo, scniia conirair-sc scu coraçao. Ja nada
novo ¡odia Iavcr no nundo. Fona cra cicrna. E
sc Ia una nclancolia das ruínas, quc sc lcvania
dclas cono a cva¡oraçao das aguas norias, o
¡rovinciano scnsívcl ¡crcclia una nclancolia
nao ncnos ¡cnosa, ainda quc dc signo invcrso. a
nclancolia dos cdifícios cicrnos.
Dianic dcssc csiado cnoiivo, nao c cvidcnic
quc a scnsaçao dc nossa c¡oca sc ¡arccc nais à
alcgria c alvoroço dc ncninos quc csca¡aran da
cscola? Agora ja nao salcnos o quc vai Iavcr
ananIa no nundo, c isso sccrciancnic nos
rcgozija; ¡orquc isso, scr in¡rcvisívcl, scr un
Iorizonic scn¡rc alcrio a ioda ¡ossililidadc, c a
vida auicniica, c a vcrdadcira ¡lcniiudc da vida.
Conirasia csic diagnosiico, ao qual falia, c
ccrio, sua ouira nciadc, con o quci×unc dc
dccadcncia quc cIoraninga nas ¡aginas dc
ianios conicn¡orancos. Traia-sc dc un crro oiico
quc ¡rovcn dc nulii¡las causas. Ouiro dia
vcrcnos algunas; nas Iojc qucro anicci¡ar a
nais olvia. ¡rovcn dc quc, ficis a una idcologia,
cn ninIa o¡iniao ¡crigosa, olIan da Iisioria so
a ¡olíiica ou a culiura, c nao advcricn quc iudo
isso c so a su¡crfícic da Iisioria; quc a rcalidadc
88
Iisiorica c, anics quc isso c nais fundo quc isso,
un ¡uro afa dc vivcr, una ¡oicncia ¡arccida às
cosnicas; nao a ncsna, ¡orianio, nao naiural,
nas sin irna da quc inquicia o nar, fccunda a
fcra, ¡õc flor na arvorc, faz ircncluzir a csircla.
Dianic dos diagnosiicos dc dccadcncia cu
rcconcndo o scguinic raciocínio.
A dccadcncia c, claro csia, un concciio
con¡araiivo. Dccai-sc dc un csiado su¡crior
¡ara un csiado infcrior. Ora lcn. cssa
con¡araçao ¡odc fazcr-sc dcsdc os ¡onios dc
visia nais difcrcnics c varios quc caila inaginar.
Para un falricanic dc loquilIas dc anlar, o
nundo csia cn dccadcncia ¡orquc ja nao sc
funa a¡cnas con loquilIas dc anlar. Ouiros
¡onios dc visia scrao nais rcs¡ciiavcis quc csic,
nas, a rigor, nao dci×an dc scr ¡arciais,
arliirarios c c×icrnos à ¡ro¡ria vida cujos
quilaics sc iraia ¡rccisancnic dc avaliar. Nao Ia
nais quc un ¡onio dc visia jusiificado c naiural.
insialar-sc ncssa vida, conicn¡la-la dc dcniro c
vcr sc cla sc scnic a si ncsna dccaída, isio c,
ninguada, dcliliiada c insí¡ida.
Mas, cnlora olIada ¡or dcniro dc si ncsna,
cono sc conIccc quc una vida sc scnic ou nao
dccair? Para nin nao calc duvida a rcs¡ciio do
siniona dccisivo. una vida quc nao ¡rcfcrc ouira
ncnIuna dc anics, dc ncnIun anics, ¡orianio,
89
quc sc ¡rcfcrc a si ncsna, nao ¡odc cn ncnIun
scniido scrio cIanar-sc dccadcnic. Toda a ninIa
c×cursao solrc o ¡rollcna da aliiiudc dos
icn¡os ¡crscguia csia conclusao. Pois aconiccc
quc ¡rccisancnic o nosso goza ncsic ¡onio dc
una scnsaçao csiranIíssina; quc cu saila, unica
aic agora na Iisioria conIccida.
Nos salõcs do uliino scculo cIcgava
indcfcciivclncnic una Iora cn quc as danas c
scus ¡ocias ancsirados fazian cnirc si csia
¡crgunia. En quc c¡oca quiscra vocc Iavcr
vivido? E cis aqui quc cada un, cncarnando a
figura dc sua ¡ro¡ria vida, sc dcdicava a vagar
inaginavclncnic ¡clas vias Iisioricas cn lusca
dc un icn¡o ondc cncai×ar a gosio o ¡crfil dc
sua c×isicncia. E c quc, cnlora scniindo-sc, ou
¡or scniir-sc cn ¡lcniiudc, cssc scculo XIX
ficava, con cfciio, ligado ao ¡assado, solrc cujos
onlros acrcdiiava csiar; via-sc, con cfciio, cono
a culninaçao do ¡assado. Daí quc ainda
acrcdiiassc cn c¡ocas rclaiivancnic classicas ÷
o scculo dc Pcriclcs, o Fcnascincnio ÷, ondc sc
Iavian ¡rc¡arado os valorcs vigcnics. Isio
lasiaria ¡ara nos fazcr sus¡ciiar dos icn¡os dc
¡lcniiudc; lcvan a cara voliada ¡ara iras, olIan
o ¡assado quc nclcs sc cun¡rc.
Pois lcn. quc diria sinccrancnic qualqucr
Ioncn rc¡rcscniaiivo do ¡rcscnic a qucn sc
fizcssc una ¡crgunia ¡arccida? Eu crcio quc nao
90
c duvidoso. qualqucr ¡assado, scn c×cluir
ncnIun, lIc daria a in¡rcssao dc un rccinio
angusiioso ondc nao ¡odia rcs¡irar. Isio c, quc o
Ioncn do ¡rcscnic scnic quc sua vida c nais
vida quc iodas as aniigas, ou diio às avcssas, quc
o ¡assado ínicgro ficou ¡cqucno ¡ara a
Iunanidadc aiual. Esia iniuiçao dc nossa vida
dc Iojc anula con sua claridadc clcncnial ioda
luculraçao solrc dccadcncia quc nao scja nuiio
cauiclosa.
Nossa vida scnic-sc, cnircianio, dc naior
iananIo quc iodas as vidas. Cono ¡odcra scniir-
sc dccadcnic? Pclo conirario. o quc aconicccu c
quc, dc ianio scniir-sc nais vida, ¡crdcu iodo o
rcs¡ciio, ioda a aicnçao ao ¡assado. Daí quc ¡cla
¡rincira vcz nos cnconircnos con una c¡oca
quc faz ialua rasa dc iodo classicisno, quc nao
rcconIccc cn nada ¡rcicriio ¡ossívcl nodclo ou
norna, c solrcvinda ao calo dc ianios scculos
scn dcsconiinuidadc dc cvoluçao, ¡arccc, nao
olsianic, un concço, una alvorada, una
iniciaçao, una infancia. OlIanos ¡ara iras c o
fanoso Fcnascincnio nos ¡arccc un icn¡o
angusiiosíssino; ¡rovincial, dc aiiiudcs vas ÷
¡or quc nao dizc-lo? ÷, dc nau gosio.
Eu rcsunia, Ia icn¡os, ial siiuaçao na forna
scguinic. ºEsia gravc dissociaçao dc ¡rcicriio c
¡rcscnic c o faio gcral dc nossa c¡oca c ncla vai
incluída a sus¡ciia, nais ou ncnos confusa, quc
91
cngcndra a inquiciudc ¡cculiar da vida ncsics
anos. Scniinos quc dc rc¡cnic ficanos sos solrc
a icrra os Ioncns aiuais, quc os norios nao
norrcran dc lrincadcira, nas con¡lciancnic;
quc ja nao nos ¡odcn ajudar. O rcsio do cs¡íriio
iradicional cva¡orou-sc. Os nodclos, as nornas,
as ¡auias nao nos scrvcn. Tcnos dc rcsolvcr
nossos ¡rollcnas scn colaloraçao aiiva do
¡assado, cn ¡lcno aiualisno ÷ scjan dc aric, dc
cicncia ou dc ¡olíiica ÷. O curo¡cu csia so, scn
norios vivcnics ¡crio dc si; cono Pcdro
ScIlcInil, ¡crdcu sua sonlra. E o quc aconiccc
scn¡rc quc cIcga o ncio-dia(32}
Qual c, cn rcsuno, a aliura dc nosso icn¡o?
Nao c ¡lcniiudc dos icn¡os, c cnircianio,
scnic-sc solrc iodos os icn¡os sidos c ¡or cina
dc iodas as conIccidas ¡lcniiudcs. Nao c facil
fornular a in¡rcssao quc dc si ncsna icn nossa
c¡oca. crc scr nais quc as dcnais, c ao ncsno
icn¡o scnic-sc cono un concço, scn csiar
scgura dc nao scr agonia. Quc cסrcssao
cscolIcrcnos? Talvcz csia. nais quc os dcnais
icn¡os c infcrior a si ncsna. Foriíssina c ao
ncsno icn¡o inscgura dc scu dcsiino. OrgulIosa
dc suas forças c ao ncsno icn¡o icncndo-as.
92

IV. O CRESCIMENTO DA VIDA

O in¡crio das nassas c o asccnso dc nívcl, a
aliiiudc do icn¡o quc clc anuncia, nao sao ¡or
sua vcz nais quc siniona dc un faio nais
con¡lcio c gcral. Esic faio c quasc groicsco c
incrívcl cn sua sin¡lcs cvidcncia. É,
sin¡lcsncnic, quc o nundo, dc rc¡cnic, crcsccu,
c con clc c nclc, a vida. A vida nundializou-sc
cfciivancnic; qucro dizcr quc o conicudo da vida
no Ioncn dc ii¡o ncdio c Iojc iodo o ¡lancia;
quc cada indivíduo vivc Ialiiualncnic iodo o
nundo. Ha ¡ouco nais dc un ano, os scvilIanos
acon¡anIavan, Iora a Iora, cn scus jornais
¡o¡ularcs, o quc csiava aconicccndo con uns
Ioncns junio ao Polo; qucro dizcr, quc solrc o
fundo ardcnic da can¡ina lciica ¡assavan
llocos dc gclo à dcriva. Cada ¡cdaço dc icrra nao
csia ja rccluído cn scu lugar gconcirico, nas
¡ara nuiios cfciios viiais aiua nos dcnais ¡onios
do ¡lancia. Scgundo o ¡rincí¡io físico dc quc as
coisas csiao ali ondc aiuan, rcconIcccrcnos Iojc
a qualqucr ¡onio do glolo a nais cfciiva
uliquidadc. Esia ¡ro×inidadc do longínquo, csia
¡rcscnça do auscnic, auncniou cn ¡ro¡orçao
falulosa o Iorizonic dc cada vida.
93
E o nundo crcsccu ianlcn icn¡oralncnic.
A ¡rc-Iisioria c a arqucologia dcscolriran
anliios Iisioricos dc longiiudc quincrica.
Civilizaçõcs iniciras c in¡crios dos quais ncn o
nonc sc sus¡ciiava, foran anc×ados a nossa
ncnoria cono novos coniincnics. O jornal
ilusirado c o cincna irou×cran csics
rcnoiíssinos ¡cdaços dc nundo à visao incdiaia
do vulgo.
Mas csic auncnio cs¡acio-icn¡oral do
nundo nao significaria ¡or si nada. O cs¡aço c o
icn¡o físicos sao o alsoluiancnic csiu¡ido do
univcrso. Por isso c nais jusiificado do quc soi
crcr-sc o culio à vclocidadc quc iransiioriancnic
c×crciian nossos conicn¡orancos. A vclocidadc
fciia dc cs¡aço c icn¡o nao c ncnos csiu¡ida quc
scus ingrcdicnics; nas scrvc ¡ara anular aquclcs.
Una csiu¡idcz nao sc ¡odc doninar a nao scr
con ouira. Era ¡ara o Ioncn qucsiao dc Ionra
iriunfar no cs¡aço c no icn¡o cosnicos(33}, quc
carcccn ¡or con¡lcio dc scniido, c nao Ia razao
¡ara csiranIar dc quc nos ¡roduza un ¡ucril
¡razcr fazcr funcionar a vazia vclocidadc, con a
qual naianos cs¡aço c jugulanos icn¡o. Ao
anula-los, vivificano-los, iornanos ¡ossívcl scr o
a¡rovciiancnio viial, ¡odcnos csiar cn nais
lugarcs quc anics, gozar dc nais idas c nais
vindas, consunir cn ncnos icn¡o viial nais
icn¡o cosnico.
94
Mas, cn dcfiniiivo, o crcscincnio sulsianiivo
do nundo nao consisic cn suas naiorcs
dincnsõcs, nas cn quc inclua nais coisas. Cada
coisa ÷ ionc-sc a ¡alavra cn scu nais an¡lo
scniido ÷ c algo quc sc ¡odc dcscjar, icniar,
fazcr, dcsfazcr, cnconirar, gozar ou rc¡clir; noncs
iodos quc significan aiividadcs viiais.
Tonc-sc qualqucr una dc nossas aiividadcs;
¡or c×cn¡lo, con¡rar. Inagincn-sc dois Ioncns,
un do ¡rcscnic c ouiro do scculo XVIII, quc
¡ossuan foriuna igual, ¡ro¡orcionalncnic ao
valor do dinIciro cn anlas as c¡ocas, c
con¡arc-sc o rc¡criorio dc coisas cn vcnda quc
sc ofcrccc a un c a ouiro. A difcrcnça c quasc
falulosa. A quaniidadc dc ¡ossililidadcs quc sc
alrcn anic o con¡rador aiual cIcga a scr
¡raiicancnic iliniiada. Nao c facil inaginar con
o dcscjo un oljcio quc nao c×isia no ncrcado, c
vicc-vcrsa. nao c ¡ossívcl quc un Ioncn inaginc
c dcscjc quanio sc acIa à vcnda. Dir-nc-ao quc,
con foriuna ¡ro¡orcionalncnic igual, o Ioncn
dc Iojc nao ¡odcra con¡rar nais coisas quc o do
scculo XVIII. O faio c falso. Hojc ¡odcn con¡rar-
sc nuiias nais, ¡orquc a indusiria laraicou
quasc iodos os ariigos. Mas finalncnic nao nc
in¡oriaria quc o faio fossc ccrio; ¡clo conirario,
sullinIaria nais o quc icnio dizcr.
A aiividadc dc con¡rar conclui cn dccidir-sc
¡or un oljcio; nas c ianlcn anics una clciçao,
95
c a clciçao concça ¡or ¡crcclcr as ¡ossililidadcs
quc ofcrccc o ncrcado. Dc ondc rcsulia quc a
vida, cn scu nodo ºcon¡rar", consisic
¡rincirancnic cn vivcr as ¡ossililidadcs dc
con¡ra cono iais. Quando sc fala dc nossa vida
soi csqucccr-sc disio, quc nc ¡arccc
csscncialíssino. nossa vida c cn iodo insianic c
anics quc nada conscicncia do quc nos c ¡ossívcl.
Sc cn cada noncnio nao iivcsscnos à nossa
frcnic nais quc una so ¡ossililidadc, carcccria
dc scniido cIana-la assin. Scria a¡cnas ¡ura
ncccssidadc. Mas ai csia. cssc csiranIíssino faio
dc nossa vida ¡ossui a condiçao radical dc quc
scn¡rc cnconira anic si varias saídas, quc ¡or
scrcn varias adquircn o caraicr dc ¡ossililidadcs
cnirc as quais Iavcnos dc dccidir(34}. Tanio valc
dizcr quc vivcnos cono dizcr quc nos
cnconiranos cn un anlicnic dc ¡ossililidadcs
dcicrninadas. A csic anliio cosiuna cIanar-sc
ºas circunsiancias". Toda vida c acIar-sc dcniro
da ºcircunsiancia" ou nundo(35}. Porquc csic c o
scniido originario da idcia (nundo}. Mundo c o
rc¡criorio dc nossas ¡ossililidadcs viiais. Nao c,
¡ois, algo à ¡aric c alIcio a nossa vida, nas quc c
sua auicniica ¡crifcria. Fc¡rcscnia o quc
¡odcnos scr; ¡orianio, nossa ¡oicncialidadc
viial. Esia icn dc sc concrciizar ¡ara rcalizar-sc,
ou, diio dc ouira nancira, cIcganos a scr so
una ¡aric nínina do quc ¡odcnos scr. Daí quc
nos ¡arccc o nundo una coisa iao cnornc, c
96
nos, dcniro dclc, una coisa iao ¡cqucna. O
nundo ou nossa vida ¡ossívcl c scn¡rc nais quc
nosso dcsiino ou vida cfciiva.
Mas agora in¡oria-nc so fazcr noiar cono
crcsccu a vida do Ioncn na dincnsao dc
¡oicncialidadc. Conia con un anliio dc
¡ossililidadc falulosancnic naior quc nunca. Na
ordcn iniclcciual cnconira nais caninIo dc
¡ossívcl idcaçao, nais ¡rollcnas, nais dados,
nais cicncias, nais ¡onios dc visia. Enquanio os
ofícios ou carrciras na vida ¡riniiiva sc nuncran
quasc con os dcdos dc u'a nao ÷ ¡asior,
caçador, gucrrciro, nago ÷, o ¡rograna dc
nisicrcs ¡ossívcis Iojc c su¡crlaiivancnic
grandc. Nos ¡razcrcs aconiccc coisa ¡arccida, sc
lcn ÷ c o fcnóncno icn nais gravidadc do quc
sc su¡õc ÷ nao c scu clcnco iao c×ulcranic cono
nos dcnais as¡ccios da vida. Enircianio, ¡ara o
Ioncn dc vida ncdia quc Ialiia as urlcs ÷ c as
urlcs sao a rc¡rcscniaçao da c×isicncia aiual ÷,
as ¡ossililidadcs dc gozar auncniaran, no quc
vai dc scculo, dc una nancira faniasiica.
Mas o crcscincnio da ¡oicncialidadc viial nao
sc rcduz ao diio aic aqui. Auncniou ianlcn cn
un scniido nais incdiaio c nisicrioso. É un faio
consianic c noiorio quc no csforço físico c
cs¡oriivo sc cun¡ran Iojc ¡crfornanccs quc
su¡cran cnorncncnic quanias sc conIcccn do
¡assado. Nao lasia adnirar cada una dclas c
97
rcconIcccr o rccord quc laicn, nas advcriir a
in¡rcssao dc quc o organisno Iunano ¡ossui
cn nosso icn¡o ca¡acidadcs su¡criorcs às quc
nunca icvc. Porquc coisa sinilar aconiccc na
cicncia. En un ¡ar dc lusiros iao soncnic, csia
an¡liou c invcrossinilncnic scu Iorizonic
cosnico. A física dc Einsicin novc-sc cn cs¡aços
iao vasios, quc a aniiga física dc Ncwion ocu¡a
nclcs a¡cnas un soiao(36} E csic crcscincnio
c×icnsivo sc dcvc a un crcscincnio inicnsivo na
¡rccisao cicniífica. A física dc Einsicin csia fciia
aicndcndo às níninas difcrcnças quc anics sc
dcs¡rczavan c nao cniravan cn conia ¡or
¡arcccr scn in¡oriancia. O aiono, cnfin, liniic
onicn do nundo, Iojc incIou aic sc convcricr cn
iodo un sisicna ¡lanciario. E cn iudo isio nao
nc rcfiro ao quc ¡ossa significar cono ¡crfciçao
da culiura ÷ isso nao nc inicrcssa agora ÷, nas
ao crcscincnio das ¡oicncias suljciivas quc iudo
isso su¡õc. Nao rcssalio quc a física dc Einsicin
scja nais c×aia quc a dc Ncwion, nas quc o
Ioncn Einsicin scja ca¡az dc naior c×aiidao c
lilcrdadc dc cs¡íriio(37} quc o Ioncn Ncwion; do
ncsno nodo quc o can¡cao dc lo×c da Iojc
nurros dc naior calilrc quc janais sc dcran.
Cono o cincnaiografo c a ilusiraçao ¡õcn
anic os olIos do Ioncn ncdio os lugarcs nais
rcnoios do ¡lancia, os jornais c as convcrsaçõcs
lIc fazcn cIcgar a noiícia dcsias ¡crfornanccs
iniclcciuais quc os a¡arclIos iccnicos rcccn-
98
invcniados confirnan dcsdc as viirinas. Tudo
isso dccania cn sua ncnic a in¡rcssao dc
falulosa ¡rc¡oicncia.
Nao qucro dizcr con o diio quc a vida
Iunana scja Iojc nclIor quc cn ouiros icn¡os.
Nao falci da aiualidadc da vida ¡rcscnic, nas
a¡cnas dc scu crcscincnio, dc scu avanço
quaniiiaiivo ou ¡oicncial. Crcio con isso
dcscrcvcr rigorosancnic a conscicncia do Ioncn
aiual, scu ion viial quc consisic cn scniir-sc
con naior ¡oicncialidadc quc nunca c ¡arcccr-
lIc iodo o ¡rcicriio afciado dc ¡cqucncz.
Era ncccssaria csia dcscriçao ¡ara olviar as
luculraçõcs solrc dccadcncia, c, cn cs¡ccic,
solrc dccadcncia ocidcnial quc ¡ulularan no ar
do uliino dcccnio. Fccordc-sc o raciocínio quc cu
fazia, c quc nc ¡arccc iao sin¡lcs cono cvidcnic.
Nao valc falar dc dccadcncia scn ¡rccisar quc c o
quc dccai. Fcfcrc-sc o ¡cssinisia vocalulo à
culiura? Ha una dccadcncia da culiura
curo¡cia? Ha soncnic una dccadcncia das
organizaçõcs nacionais curo¡cias? Su¡onIanos
quc sin. Dasiaria isso ¡ara falar da dccadcncia
ocidcnial? Dc nodo algun. Porquc sao csias
dccadcncias dininuiçõcs ¡arciais, rclaiivas a
clcncnios sccundarios da Iisioria ÷ culiura c
naçõcs ÷. So Ia una dccadcncia alsoluia. a quc
consisic nuna viialidadc ninguanic; c csia so
c×isic quando sc scnic. Por csia razao nc dciivc a
99
considcrar un fcnóncno quc soi dcsaicndcr-sc. a
conscicncia ou scnsaçao quc ioda c¡oca icn dc
sua aliiiudc viial.
Isio nos lcva a falar da º¡lcniiudc" quc
scniiran alguns scculos dianic dc ouiros quc,
invcrsancnic, sc vian a si ncsnos cono
dccaídos dc naiorcs aliuras, dc aniigas c
dcslunlranics idadcs dc ouro. E concluía cu
fazcndo noiar o faio cvidcniíssino dc quc nosso
icn¡o sc caracicriza ¡or una csiranIa
¡rcsunçao dc scr nais quc iodo o icn¡o ¡assado;
nais ainda. ¡or dcscnicndcr-sc dc iodo ¡rcicriio,
nao rcconIcccr c¡ocas classicas c nornaiivas,
scnao vcr-sc a si ncsno cono una vida nova
su¡crior a iodas as aniigas c irrcduiívcl a clas.
Duvido quc scn sc afiançar lcn ncsia
advcricncia sc ¡ossa cnicndcr o nosso icn¡o.
Porquc cssc c ¡rccisancnic scu ¡rollcna. Sc sc
scniissc dccaído, vcria ouiras c¡ocas cono
su¡criorcs a clc c isio scria una c ncsna coisa
con csiina-las c adnira-las c vcncrar os
¡rincí¡ios quc as infornaran. Nosso icn¡o icria
idcais claros c firncs, ainda quc fossc inca¡az dc
rcaliza-los. Mas a vcrdadc c csiriiancnic o
conirario. vivcnos cn un icn¡o quc sc scnic
falulosancnic ca¡az ¡ara rcalizar, nas quc nao
salc o quc rcalizar. Donina iodas as coisas, nas
nao c dono dc si ncsno. Scnic-sc ¡crdido cn sua
¡ro¡ria alundancia. Con nais ncios, nais
100
salcr, nais iccnicas quc nunca, o nundo aiual
vai cono o nais infcliz quc icnIa Iavido.
¡urancnic ao acaso.
Daí cssa csiranIa dualidadc dc ¡rc¡oicncia c
inscgurança quc sc aninIa na alna
conicn¡oranca. Aconiccc-lIc cono sc dizia do
Fcgcnic duranic a infancia dc Luiz XV ÷ quc
iinIa iodos os ialcnios, ncnos o ialcnio ¡ara
usar dclcs. Muiias coisas ¡arccian ja in¡ossívcis
ao scculo XIX, firnc cn sua fc ¡rogrcssisia. Hojc,
dc ianio nos ¡arcccr iudo ¡ossívcl, ¡rcsscniinos
quc c ¡ossívcl o ¡ior. o rciroccsso, a larlaric, a
dccadcncia(38}. Por si ncsno nao scria isio un
nau siniona. significaria quc volianos a ionar
coniaio con a inscgurança csscncial a iodo vivcr,
con a inquiciudc a un icn¡o dolorosa c dcliciosa
quc vai cnccrrada cn cada ninuio sc salcnos
vivc-lo aic o scu ccniro, aic sua ¡cqucna vísccra
¡al¡iianic c crucnia. Ccralncnic, rccusanos
ionar cssa ¡ulsaçao ¡avorosa quc faz dc cada
insianic sinccro un niudo coraçao iranscunic;
csforçando-nos ¡or ganIar scgurança c
inscnsililizar-nos ¡ara o dranaiisno radical do
nosso dcsiino, vcricndo solrc clc o cosiunc, o
uso, o io¡ico ÷ iodos os clorofornios ÷ .É, ¡ois,
lcncfico quc ¡cla ¡rincira vcz dc¡ois dc quasc
ircs scculos nos sur¡rccndanos con a
conscicncia dc nao salcr o quc vai aconicccr
ananIa.
101
Todo aquclc quc sc coloquc anic a c×isicncia
nuna aiiiudc scria c sc faça dcla ¡lcnancnic
rcs¡onsavcl, scniira ccrio gcncro dc inscgurança
quc o inciia a ¡crnancccr alcria. A aiiiudc quc a
ordcnança ronana in¡unIa à scniincla da lcgiao
cra nanicr o indicador solrc os lalios ¡ara cviiar
a sonolcncia c nanicr-sc aicnia. Nao csia nal
cssc adcnanc, quc ¡arccc in¡crar un naior
silcncio ao silcncio noiurno, ¡ara ¡odcr ouvir a
sccrcia gcrninaçao do fuiuro. A scgurança das
c¡ocas dc ¡lcniiudc ÷ assin na uliina ccniuria
÷ c una ilusao oiica quc lcva a dcs¡rcocu¡ar-sc
do ¡orvir, cncarrcgando dc sua dircçao a
nccanica do univcrso. O ncsno quc o
lilcralisno ¡rogrcssisia c o socialisno dc Mar×,
su¡õcn quc o dcscjado ¡or clcs cono fuiuro
oiino sc rcalizara, inc×oravclncnic, con
ncccssidadc ¡arclIa à asironónica. Proicgidos
anic sua ¡ro¡ria conscicncia ¡or cssa idcia,
soliaran o lcnc da Iisioria, dci×aran dc csiar
alcria, ¡crdcran a agilidadc c a cficacia. Assin, a
vida sc lIcs csca¡ou dcnirc as naos, fcz-sc ¡or
con¡lcio insulnissa, c Iojc anda solia, scn
runo conIccido. Sol sua nascara dc gcncroso
fuiurisno, o ¡rogrcssisia nao sc ¡rcocu¡a do
fuiuro; convcncido dc quc nao icn sur¡rcsa ncn
scgrcdos, ¡cri¡ccias ncn inovaçõcs csscnciais;
ccrio dc quc ja o nundo ira cn linIa rcia, scn
dcsvios ncn rciroccssos, rcirai sua inquiciudc do
¡orvir c sc insiala nun dcfiniiivo ¡rcscnic. Nao
102
¡odcra csiranIar quc Iojc o nundo ¡arcça vazio
dc ¡rojcios, anicci¡açõcs c idcais. Ningucn sc
¡rcocu¡ou dc ¡rcvcni-los. Tal icn sido a dcscrçao
das ninorias dirigcnics, quc sc acIa scn¡rc ao
rcvcrso da rclcliao das nassas.
Mas ja c icn¡o dc quc volicnos a falar dcsia.
Dc¡ois dc Iavcr insisiido na vcricnic favoravcl
quc a¡rcscnia o iriunfo das nassas, convcn quc
nos dcslizcnos ¡or sua ouira ladcira, nais
¡crigosa.
103

V. UM DADO ESTATÍSTICO

Esic cnsaio quiscra vislunlrar o diagnosiico
dc nosso icn¡o, dc nossa vida aiual. Vai
cnunciada a ¡rincira ¡aric dclc, quc ¡odc
rcsunir-sc assin. nossa vida, cono rc¡criorio dc
¡ossililidadcs, c nagnífica, c×ulcranic, su¡crior
a iodas as Iisioricancnic conIccidas. Mas assin
cono scu fornaio c naior, iranslordou iodos os
caninIos, ¡rincí¡ios, nornas c idcais lcgados
¡cla iradiçao. É nais vida quc iodas as vidas, c
¡or isso ncsno nais ¡rollcnaiica. Nao ¡odc
oricniar-sc no ¡rcicriio(39}. Tcn dc invcniar scu
¡ro¡rio dcsiino.
Mas agora c ¡rcciso con¡lciar o diagnosiico.
A vida, quc c, anics dc iudo, o quc ¡odcnos scr,
vida ¡ossívcl, c ianlcn, c ¡or isso ncsno,
dccidir cnirc as ¡ossililidadcs o quc cn cfciio
vanos scr. Circunsiancias c dccisao sao os dois
clcncnios radicais dc quc sc con¡õc a vida. A
circunsiancia ÷ as ¡ossililidadcs ÷ c o quc dc
nossa vida nos c dado c in¡osio. Isso consiiiui o
quc cIananos o nundo. A vida nao clcgc scu
nundo, nas vivcr c cnconirar-sc, incdiaiancnic,
cn un nundo dcicrninado c insulsiiiuívcl.
ncsic dc agora. Nosso nundo c a dincnsao dc
faialidadc quc inicgra nossa vida. Mas csia
104
faialidadc viial nao sc ¡arccc à nccanica. Nao
sonos arrcncssados ¡ara a c×isicncia cono a
lala dc un fuzil, cuja irajcioria csia
alsoluiancnic ¡rcdcicrninada. A faialidadc cn
quc caínos ao cair ncsic nundo ÷ o nundo c
scn¡rc csic, csic dc agora ÷ consisic cn iodo o
conirario. En vcz dc in¡or-nos una irajcioria,
in¡õc-nos varias c, conscqucnicncnic, nos
força... a clcgcr. Sur¡rccndcnic condiçao a dc
nossa vida! Vivcr c scniir-sc faialncnic forçado a
c×crciiar a lilcrdadc, a dccidir o quc vanos scr
ncsic nundo. Ncn un so insianic sc dci×a
dcscansar nossa aiividadc dc dccisao. Inclusivc
quando dcscs¡crados nos alandonanos ao quc
qucira vir, dccidinos nao dccidir.
É, ¡ois, falso dizcr quc na vida ºdccidcn as
circunsiancias". Pclo conirario. as circunsiancias
sao o dilcna, scn¡rc novo, anic o qual icnos dc
nos dccidir. Mas qucn dccidc c o nosso caraicr.
Tudo isio valc ianlcn ¡ara a vida colciiva.
Tanlcn ncla Ia, ¡rinciro, un Iorizonic dc
¡ossililidadcs, c, dc¡ois, una rcsoluçao quc clcgc
c dccidc o nodo cfciivo da c×isicncia colciiva.
Esia rcsoluçao cnana do caraicr quc a socicdadc
icnIa, ou, o quc c o ncsno, do ii¡o dc Ioncn
doninanic ncla. En nosso icn¡o, donina o
Ioncn-nassa; c clc qucn dccidc. Nao sc diga
quc isio cra o quc aconiccia ja na c¡oca da
dcnocracia, do sufragio univcrsal. No sufragio
105
univcrsal nao dccidcn as nassas, scnao quc scu
¡a¡cl consisiiu cn adcrir à dccisao dc una ou
ouira ninoria. Esias a¡rcscniavan scus
º¡rogranas" ÷ c×cclcnic vocalulo ÷. Os
¡rogranas cran, con cfciio, ¡rogranas dc vida
colciiva. Nclcs convidava-sc a nassa a acciiar un
¡rojcio dc dccisao.
Hojc aconiccc una coisa nuiio difcrcnic. Sc
sc olscrva a vida ¡ullica dos ¡aíscs ondc o
iriunfo das nassas avançou nais ÷ sao os ¡aíscs
ncdiicrrancos ÷, sur¡rccndc noiar quc nclcs sc
vivc ¡oliiicancnic ao dia. O fcnóncno c
solrcnancira csiranIo. O Podcr ¡ullico acIa-sc
cn naos dc un rc¡rcscnianic dc nassas. Esias
sao iao ¡odcrosas, quc aniquilaran ioda ¡ossívcl
o¡osiçao. Sao donas do Podcr ¡ullico cn forna
iao inconirasiavcl c su¡crlaiiva, quc scria difícil
cnconirar na Iisioria siiuaçõcs dc govcrno iao
¡rc¡oicnics cono csias. E, cnircianio, o Podcr
¡ullico, o Covcrno, vivc ao dia; nao sc a¡rcscnia
cono un ¡orvir franco, nao significa un anuncio
claro dc fuiuro, nao a¡arccc cono concço dc algo
cujo dcscnvolvincnio ou cvoluçao scja
inaginavcl. En suna, vivc scn ¡rograna dc vida,
scn ¡rojcio. Nao salc aondc vai ¡orquc, a rigor,
nao vai, nao icn caninIo ¡rcfi×ado, irajcioria
anicci¡ada. Quando cssc ¡odcr ¡ullico icnia
jusiificar-sc, nao aludc ¡ara nada ao fuiuro,
scnao, ¡clo conirario, fccIa-sc no ¡rcscnic c diz
con ¡crfciia sinccridadc. ºSou un nodo anornal
106
dc govcrno quc c in¡osio ¡clas circunsiancias".
Qucr dizcr, ¡cla urgcncia do ¡rcscnic, nao ¡or
calculos do fuiuro. Daí quc sua aiuaçao sc
rcduza a cviiar o confliio dc cada Iora; nao a
rcsolvc-lo, nas a csca¡ar dclc incdiaiancnic,
cn¡rcgando os ncios quc scjan, ainda à cusia
dc acunular con scu cn¡rcgo naiorcs confliios
solrc a Iora ¡ro×ina. Assin icn sido scn¡rc o
Podcr ¡ullico quando o c×crccran dirciancnic as
nassas. oni¡oicnic c cfcncro. O Ioncn-nassa c
o Ioncn cuja vida carccc dc ¡rojcio c caninIa
ao acaso. Por isso nao consiroi nada, ainda quc
suas ¡ossililidadcs, scus ¡odcrcs, scjan
cnorncs.
E csic ii¡o dc Ioncn dccidc cn nosso
icn¡o. Convcn, ¡ois, quc analiscnos scu
caraicr.
A cIavc ¡ara csia analisc cnconira-sc
quando, rciroccdcndo ao concço dcsic cnsaio,
nos ¡crgunianos. dc ondc vicran iodas csias
nuliidõcs quc agora cncIcn c iranslordan o
ccnario Iisiorico?
Ha alguns anos dcsiacava o grandc
ccononisia Wcrncr Sonlari un dado
sin¡licíssino, quc c csiranIo nao consic cn ioda
calcça quc sc ¡rcocu¡c dos assunios
conicn¡orancos. Esic sin¡licíssino dado lasia
¡or si so ¡ara csclarcccr nossa visao da Euro¡a
107
aiual, c sc nao lasia, ¡õc na ¡isia dc iodo
csclarccincnio. O dado c o scguinic. dcsdc quc
no scculo VI concça a Iisioria curo¡cia aic o ano
1800 ÷ ¡orianio, cn ioda a longiiudc dc dozc
scculos ÷, a Euro¡a nao conscguc cIcgar a ouira
cifra dc ¡ovoaçao scnao a dc 180 nilIõcs dc
Ialiianics. Pois lcn. dc 1800 a 1914 ÷
¡orianio, cn ¡ouco nais dc un scculo, a
¡o¡ulaçao curo¡cia asccndc dc 180 a 460
nilIõcs! Prcsuno quc o conirasic dcsias cifras
nao dci×a lugar a duvidas a rcs¡ciio dos doics
¡rolíficos da uliina ccniuria. En ircs gcraçõcs
¡roduziran giganicscancnic nassa Iunana quc,
lançada cono una iorrcnic solrc a arca
Iisiorica, a inundou. Dasiaria, rc¡iio, csic dado
¡ara con¡rccndcr o iriunfo das nassas c quanio
nclc sc rcflcic c sc anuncia. Por ouira ¡aric, dcvc
scr acrcscido cono o sonando nais concrcio ao
crcscincnio da vida cono anics fiz consiar.
Mas ao ncsno icn¡o nos nosira cssc dado
quc c infundada a adniraçao con quc
rcssalianos o crcscincnio dc ¡aíscs novos cono
os Esiados Unidos da Ancrica. MaravilIa-nos
scu crcscincnio, quc nun scculo cIcgou a 100
nilIõcs dc Ioncns, quando o naravilIoso c a
¡rolifcraçao da Euro¡a. Eis aqui ouira razao ¡ara
corrigir o cs¡clIisno quc su¡õc una
ancricanizaçao da Euro¡a. Ncn scqucr o iraço
quc ¡udcra a¡arcccr nais cvidcnic ¡ara
caracicrizar a Ancrica ÷ a vclocidadc dc
108
auncnio cn sua ¡ovoaçao ÷ lIc c ¡cculiar. A
Euro¡a crcsccu no scculo ¡assado nuiio nais
quc a Ancrica. A Ancrica csia fciia con a solra
da Euro¡a.
Mas ainda quc nao scja iao conIccido cono
dcvcra o dado calculado ¡or Wcrncr Sonlari, cra
dc solra noiorio o faio confuso dc Iavcr
auncniado considcravclncnic a ¡ovoaçao
curo¡cia ¡ara insisiir nclc. Nao c, ¡ois, o
auncnio dc ¡o¡ulaçao o quc nas cifras
iranscriias nc inicrcssa, scnao quc ncrcc a scu
conirasic ¡õc cn rclcvo a in¡ciuosidadc do
crcscincnio. Esia c a quc agora nos in¡oria.
Porquc csia in¡ciuosidadc significa quc icn sido
¡rojciados a nagoics solrc a Iisioria noniõcs c
noniõcs dc Ioncns cn riino iao acclcrado, quc
nao cra facil saiura-los da culiura iradicional.
E, con cfciio, o ii¡o ncdio do aiual Ioncn
curo¡cu ¡ossui una alna nais sa c nais foric
quc as do ¡assado scculo, ¡orcn nuiio nais
sin¡lcs. Daí quc às vczcs ¡roduza a in¡rcssao dc
un Ioncn ¡riniiivo surgido incs¡cradancnic
cn ncio a una vclIíssina civilizaçao. Nas
cscolas quc ianio orgulIavan o ¡assado scculo,
nao sc ¡odc fazcr ouira coisa scnao cnsinar às
nassas as iccnicas da vida nodcrna, nas nao foi
¡ossívcl cduca-las. Dcran-sc-lIc insiruncnios
¡ara vivcr inicnsancnic, nas nao scnsililidadc
¡ara os grandcs dcvcrcs Iisioricos; inoculou-sc-
109
lIcs airo¡cladancnic o orgulIo c o ¡odcr dos
ncios nodcrnos, nas nao o cs¡íriio. Por isio nao
qucrcn nada con o cs¡íriio, c as novas gcraçõcs
dis¡õcn-sc a ionar o conando do nundo cono
sc o nundo fossc un ¡araíso scn rasiros
aniigos, scn ¡rollcnas iradicionais c con¡lc×os.
Corrcs¡ondc, ¡ois, ao scculo ¡assado a gloria
c a rcs¡onsalilidadc dc Iavcr soliado solrc a facc
da Iisioria as grandcs nuliidõcs. Por cssa razao
ofcrccc csic faio a ¡crs¡cciiva nais adcquada
¡ara julgar con cquidadc cssa ccniuria. Algo
c×iraordinario, incon¡aravcl, dcvia Iavcr ncla
quando na sua ainosfcra sc ¡roduzcn iais
colIciias dc fruio Iunano. É frívola c ridícula
ioda ¡rcfcrcncia dos ¡rincí¡ios quc ins¡iraran
qualqucr ouira idadc ¡rcicriia sc anics nao
dcnonsira quc sc cncarrcgou dcsic faio nagnífico
c icniou digcri-lo. A¡arccc a Iisioria inicira cono
un giganicsco laloraiorio ondc sc fizcran os
cnsaios inaginavcis ¡ara olicr una fornula dc
vida ¡ullica quc favorcccssc a ¡lania ºIoncn". E
ulira¡assando ioda ¡ossívcl sofisiicaçao,
cnconirano-nos con a cסcricncia dc quc ao
sulncicr a scncnic Iunana ao iraiancnio
dcsics dois ¡rincí¡ios, dcnocracia lilcral c
iccnica, nun so scculo, iri¡licassc a cs¡ccic
curo¡cia.
Faio iao c×ulcranic força-nos, sc nao
¡rcfcrirnos scr dcncnics, a iirar csias
110
conscqucncias. ¡rincira, quc a dcnocracia lilcral
fundada na criaçao iccnica c o ii¡o su¡crior dc
vida ¡ullica aic agora conIccido; scgunda, quc
cssc ii¡o dc vida nao scra o nclIor inaginavcl,
nas o quc inagincnos nclIor icra dc conscrvar
o csscncial daquclcs ¡rincí¡ios; icrccira, quc c
suicida iodo rciorno a fornas dc vida infcriorcs à
do scculo XIX.
Una vcz rcconIccido isio con ioda a
claridadc quc dcnanda a claridadc do ¡ro¡rio
faio, c ¡rcciso rcvolvcr-sc conira o scculo XIX. Sc
c cvidcnic quc Iavia nclc algo c×iraordinario c
incon¡aravcl, nao o c ncnos quc dcvcu ¡adcccr
ccrios vícios radicais, ccrias consiiiuiivas
insuficicncias quando cngcndrou una casia dc
Ioncns ÷ os Ioncns-nassa rclcldcs ÷ quc
¡õcn cn ¡crigo inincnic os ¡rincí¡ios ncsnos a
quc dcvcran a vida. Sc cssc ii¡o Iunano
coniinua dono da Euro¡a c c dcfiniiivancnic
qucn dccidc, lasiarao irinia anos ¡ara quc nosso
coniincnic rciroccda à larlaric. As iccnicas
jurídicas c naicriais sc volaiilizarao con a
ncsna facilidadc con quc sc ¡crdcran ianias
vczcs scgrcdos dc falricaçao(40}. A vida ioda sc
coniraira. A aiual alundancia dc ¡ossililidadcs
sc convcricra cn cfciiva níngua, cscasscz,
in¡oicncia angusiiosa, cn vcrdadcira
dccadcncia. Porquc a rclcliao das nassas c una
c ncsna coisa con o quc FaiIcnau cIanava ºa
invasao vcriical dos larlaros".
111
In¡oria, ¡ois, nuiio conIcccr a fundo csic
Ioncn-nassa, quc c ¡ura ¡oicncia do naior
lcn c do naior nal.
112

VI. COMEÇA A DISSECAÇÃO DO HOMEM-MASSA

Cono c csic Ioncn-nassa quc donina Iojc
a vida ¡ullica ÷ a vida ¡olíiica c a nao ¡olíiica?
Por quc c cono c, qucro dizcr, cono sc ¡roduziu?
Convcn rcs¡ondcr conjuniancnic a anlas
as qucsiõcs, ¡orquc sc ¡rcsian nuiuo
csclarccincnio. O Ioncn quc agora icnia ¡ór-sc
à frcnic da c×isicncia curo¡cia c nuiio difcrcnic
daquclc quc dirigiu o scculo XIX, nas foi
¡roduzido c ¡rc¡arado no scculo XIX. Qualqucr
ncnic ¡crs¡icaz dc 1820, dc 1850, 1880, ¡odc,
¡or un sin¡lcs raciocínio a ¡riori, ¡rcvcr a
gravidadc da siiuaçao Iisiorica aiual. E, con
cfciio, nada novo aconiccc quc nao icnIa sido
¡rcvisio Ia ccn anos. ºAs nassas avançan!"
dizia, a¡ocalí¡iico, Hcgcl. ºScn un novo ¡odcr
cs¡iriiual, nossa c¡oca, quc c una c¡oca
rcvolucionaria, ¡roduzira una caiasirofc",
anunciava Augusio Conic.
ºVcjo sulir a ¡rcanar do niIilisno!", griiava
dc un ¡cnIasco alcaniilado da Engadina o
ligodudo NicizcIc. É falso dizcr quc a Iisioria
nao c ¡rcvisívcl. Inuncras vczcs icn sido
¡rofciizada. Sc o ¡orvir nao ofcrcccssc un flanco
à ¡rofccia, nao ¡odcríanos ian¡ouco
con¡rccndc-la quando logo sc cun¡rc c sc faz
113
¡assado. A idcia dc quc o Iisioriador c un
¡rofcia ¡clo avcsso rcsunc ioda a filosofia.
Siiuaçao dc ial nodo alcria c franca iinIa
¡or força quc dccaniar no csiraio nais ¡rofundo
dcssas da Iisioria. Ccriancnic quc so calc
anicci¡ar a csiruiura gcral do fuiuro; ¡or isso
ncsno c o unico quc, cn vcrdadc,
con¡rccndcnos do ¡rcicriio ou do ¡rcscnic. Por
isso, sc o scnIor qucr vcr lcn sua c¡oca, olIc-a
dc longc. A quc disiancia? Muiio sin¡lcs. à
disiancia jusia quc o in¡cça vcr o nariz dc
Clco¡aira.
Quc as¡ccio ofcrccc a vida dcssc Ioncn
nuliiiudinario, quc con ¡rogrcssiva alundancia
vai cngcndrando o scculo XIX? Dcsdc ja, un
as¡ccio dc onninoda facilidadc naicrial. Nunca
¡odc o Ioncn ncdio rcsolvcr con iania folga scu
¡rollcna cconónico. Enquanio cn ¡ro¡orçao
dininuían as grandcs foriunas c sc iornava nais
dura a c×isicncia do o¡crario indusirial, o Ioncn
ncdio dc qualqucr classc social cnconirava cada
dia nais franco scu Iorizonic cconónico. Cada
dia ajuniava un novo lu×o ao rc¡criorio dc scu
siandard viial. Cada dia sua ¡osiçao cra nais
scgura c nais indc¡cndcnic do arlíirio alIcio. O
quc anics sc Iouvcra considcrado conun
lcncfício da soric quc ins¡irava Iunildc graiidao
ao dcsiino, convcricu-sc nun dirciio quc nao sc
agradccc, nas quc sc c×igc.
114
Dcsdc 1900 concça ianlcn o o¡crario a
an¡liar c asscgurar a sua vida. Enircianio, icn
dc luiar ¡ara conscgui-lo. Nao sc cnconira, cono
o Ioncn ncdio, con un lcn-csiar ¡osio dianic
dclc soliciiancnic ¡or una socicdadc c un
Esiado quc sao un ¡oricnio dc organizaçao.
A csia facilidadc c scgurança cconónica
ajunian-sc as físicas. o confori c a ordcn
¡ullica. A vida narcIa solrc cónodos carris, c
nao Ia vcrossiniliiudc dc quc inicrvcnIa ncla
nada violcnio c ¡crigoso. Tal inagcn liniia-sc a
incuiir nas alnas ncdias una in¡rcssao viial,
quc ¡odia cסrcssar-sc con a ¡crífrasc, iao
graciosa c aguda, dc nosso vclIo ¡ovo. ºan¡la c
Casicla". Qucr dizcr quc cn iodas cssas ordcns
clcncniarcs c dccisivas a vida sc a¡rcscniou ao
Ioncn novo iscnia dc in¡cdincnios. A
con¡rccnsao dcsic faio c sua in¡oriancia
surgcn auionaiicancnic quando sc rccorda quc
cssa franquia viial faliou ¡or con¡lcio aos
Ioncns vulgarcs do ¡assado. Foi, ¡clo conirario,
¡ara clcs a vida un dcsiino angusiianic ÷ no
cconónico c no físico ÷. Scniiran o vivcr a
naiiviiaic cono un cunulo dc in¡cdincnios quc
cra forçoso su¡oriar, scn quc coulcra ouira
soluçao quc nao fossc ada¡iar-sc a clcs, alojar-sc
na csirciicza quc dci×avan.
Mas c ainda nais clara a conira¡osiçao dc
siiuaçõcs sc do naicrial ¡assanos ao civil c
115
noral. O Ioncn ncdio, dcsdc a scgunda nciadc
do scculo XIX, nao acIa anic si larrciras sociais
ncnIunas. Qucr dizcr, ian¡ouco nas fornas da
vida ¡ullica cnconira-sc ao nasccr con cniravcs
c liniiaçõcs. Nada o olriga a conicr sua vida.
Tanlcn aqui ºan¡la c Casicla". Nao c×isicn os
ºcsiados" ncn as ºcasias". Nao Ia ningucn
civilncnic ¡rivilcgiado. O Ioncn ncdio a¡rcndc
quc iodos os Ioncns sao lcgalncnic iguais.
Janais cn ioda a Iisioria Iavia sido ¡osio o
Ioncn nuna circunsiancia ou coniorno viial quc
sc ¡arcccssc ncn dc longc ao quc cssas
condiçõcs dcicrninan. Traia-sc, con cfciio, dc
una inovaçao radical no dcsiino Iunano, quc c
in¡laniada ¡clo scculo XIX. Cria-sc un novo
ccnario ¡ara a c×isicncia do Ioncn, novo no
físico c no social. Trcs ¡rincí¡ios fizcran ¡ossívcl
cssc novo nundo. a dcnocracia lilcral, a
cסcrincniaçao cicniífica c o indusirialisno. Os
dois uliinos ¡odcn rcsunir-sc nun. a iccnica.
NcnIun dcsscs ¡rincí¡ios foi invcniado ¡clo
scculo XIX, nas ¡roccdcn das duas ccniurias
anicriorcs. A Ionra do scculo XIX nao csirila cn
sua invcnçao, nas cn sua in¡laniaçao. Ningucn
dcsconIccc isso. Mas nao lasia con o
rcconIccincnio alsiraio, c assin c ¡rcciso
con¡rccndcr ¡crfciiancnic suas inc×oravcis
conscqucncias.
116
O scculo XIX foi csscncialncnic
rcvolucionario. O quc icvc dc ial nao dcvc scr
luscado no cs¡ciaculo dc suas larricadas, quc,
sin¡lcsncnic, nao consiiiucn una rcvoluçao,
nas quc colocou o Ioncn ncdio ÷ a grandc
nassa social ÷ cn condiçõcs dc vida
radicalncnic o¡osias às quc scn¡rc a Iavian
rodcado. Virou ¡clo avcsso a c×isicncia ¡ullica. A
rcvoluçao nao c a sullcvaçao conira a ordcn
¡rcc×isicnic, nas a in¡laniaçao dc una nova
ordcn quc icrgivcrsa a iradicional. Por isso nao
Ia c×agcraçao ncnIuna cn dizcr quc o Ioncn
cngcndrado ¡clo scculo XIX, c, ¡ara os cfciios da
vida ¡ullica, un Ioncn à ¡aric dc iodos os
dcnais Ioncns. O do scculo XVIII sc difcrcncia,
csia claro, do doninanic no XVII, c csic do quc
caracicriza ao XVI, nas iodos clcs sao ¡arcnics,
sinilarcs c ainda idcniicos no csscncial sc sc
confronia con clcs csic Ioncn novo. Para o
ºvulgo" dc iodas as c¡ocas, ºvida" Iavia
significado, anics dc iudo, liniiaçao, olrigaçao,
dc¡cndcncia; nuna ¡alavra, ¡rcssao. Sc sc qucr,
diga-sc o¡rcssao, conianio quc nao sc cnicnda
¡or csia so a jurídica c social, csqucccndo a
cosnica. Porquc csia uliina c a quc nao faliou
nunca aic ccn anos cicniífica ÷ física c
adninisiraiiva ÷, ¡raiicancnic iliniiada. Ao
conirario, aic ncsno ¡ara o rico c ¡odcroso, o
nundo cra un anliio dc ¡olrcza, dificuldadc c
¡crigo(41}
117
O nundo quc dcsdc o nascincnio rodcia o
Ioncn novo nao o novc a liniiar-sc cn ncnIun
scniido, nao lIc a¡rcscnia vcio ncn conicnçao
alguna, nas ¡clo conirario fusiiga scus a¡ciiics,
quc, cn ¡rincí¡io, ¡odcn crcsccr
indcfinidancnic. Pois aconiccc ÷ c isio c nuiio
in¡orianic ÷ quc cssc nundo do scculo XIX c
concços do XX nao icn a¡cnas as ¡crfciçõcs c
an¡liiudcs quc dc faio ¡ossui, nas quc alcn
disso sugcrc a scus Ialiianics una scgurança
radical cn quc ananIa scra ainda nais rico, nas
¡crfciio c nais an¡lo, cono sc gozassc dc un
cs¡onianco c incsgoiavcl crcscincnio. Todavia
Iojc, a¡csar dc alguns signos quc inician una
¡cqucna lrccIa ncssa fc roiunda, iodavia Iojc
nuiio ¡oucos Ioncns duvidan dc quc os
auionovcis scrao dcniro dc cinco anos nais
conforiavcis c nais laraios quc os do dia.
Acrcdiia-sc nisio iao firncncnic cono na
¡ro×ina saída do sol. O sinal c fornal. Porquc,
con cfciio, o Ioncn vulgar, ao cnconirar-sc con
cssc nundo iccnica c socialncnic iao ¡crfciio,
crc quc o ¡roduziu a naiurcza, c nao ¡cnsa
nunca nos csforços gcniais dc indivíduos
c×cclcnics quc su¡õc sua criaçao. Mcnos ainda
adniiira a idcia dc quc iodas csias facilidadcs
coniinuan a¡oiando-sc cn ccrias difíccis
viriudcs dos Ioncns, dos quais o ncnor nalogro
volaiilizaria ra¡idissinancnic a nagnífica
consiruçao.
118
Isio nos lcva a a¡oniar no diagrana
¡sicologico do Ioncn-nassa aiual dois ¡rinciros
iraços. a livrc cסansao dc scus dcscjos viiais,
¡orianio, dc sua ¡cssoa, c a radical ingraiidao a
iudo quanio iornou ¡ossívcl a facilidadc dc sua
c×isicncia. Un c ouiro iraço con¡õcn a
conIccida ¡sicologia da criança ninada. E, con
cfciio, nao crraria qucn uiilizassc csia cono una
quadrícula ¡ara olIar airavcs dcla a alna das
nassas aiuais. Hcrdciro dc un ¡assado
c×icnsíssino c gcnial ÷ gcnial dc ins¡iraçõcs c dc
csforços ÷, o novo vulgo icn sido ninado ¡clo
nundo circunsianic. Minar nao c liniiar os
dcscjos, dar a in¡rcssao a un scr dc quc iudo
lIc csia ¡crniiido c a nada csia olrigado. A
criaiura sulnciida a csic rcginc nao icn a
cסcricncia dc suas ¡ro¡rias liniiaçõcs. À força
dc cviiar-lIc ioda ¡rcssao cn rcdor, iodo cIoquc
con ouiros scrcs, cIcga a crcr cfciivancnic quc
so clc c×isic, c sc acosiuna a nao coniar con os
dcnais, solrciudo a nao coniar con ningucn
cono su¡crior a clc. Esia scnsaçao da
su¡crioridadc alIcia so ¡odia scr-lIc
¡ro¡orcionada ¡or qucn, nais foric quc clc, lIc
Iouvcssc olrigado a rcnunciar a un dcscjo, a
rcduzir-sc, a conicr-sc. Assin icria a¡rcndido
csia csscncial disci¡lina. ºAí icrnino cu c concça
ouiro quc ¡odc nais do quc cu. No nundo, ¡clo
visio, Ia dois. cu c ouiro su¡crior a nin". Ao
Ioncn ncdio dc ouiras c¡ocas cnsinava-lIc
119
quoiidianancnic scu nundo csia clcncnial
salcdoria, ¡orquc cra un nundo iao ioscancnic
organizado, quc as caiasirofcs cran frcqucnics c
nao Iavia nclc nada scguro, alundanic ncn
csiavcl. Mas as novas nassas cnconiran una
¡aisagcn cIcia dc ¡ossililidadcs c alcn disso
scgura, c iudo isso ¡rcsio, a sua dis¡osiçao, scn
dc¡cndcr dc scu ¡rcvio csforço, cono acIanos o
sol no alio scn quc nos o icnIanos sulido ao
onlro. NcnIun scr Iunano agradccc a ouiro o
ar quc rcs¡ira, ¡orquc o ar nao foi falricado ¡or
ningucn. ¡cricncc ao conjunio do quc ºcsia aí",
do quc dizcnos ºc naiural", ¡orquc nao falia.
Esias nassas ninadas sao suficicnicncnic
¡ouco inicligcnics ¡ara crcr quc cssa organizaçao
naicrial c social, ¡osia a sua dis¡osiçao cono o
ar, c dc sua ¡ro¡ria origcn, ja quc ian¡ouco
falIa, ao quc ¡arccc, c c quasc iao ¡crfciia cono
a naiural.
MinIa icsc c, ¡ois, csia. a ¡ro¡ria ¡crfciçao
con quc o scculo XIX dcu una organizaçao a
ccrias ordcns da vida, c origcn dc quc as nassas
lcncficiarias nao a considcrcn cono organizaçao,
nas cono naiurcza. Assin sc cסlica c dcfinc o
alsurdo csiado dc anino quc cssas nassas
rcvclan. nao lIcs ¡rcocu¡a nais quc scu lcn-
csiar c ao ncsno icn¡o sao insolidarias das
causas dcssc lcn-csiar. Cono nao vccn nas
vaniagcns da civilizaçao un invcnio c consiruçao
¡rodigiosos, quc so con grandcs csforços c
120
cauiclas sc ¡odc susicniar, crccn quc scu ¡a¡cl
sc rcduz a c×igi-las ¡crcn¡ioriancnic, cono sc
fosscn dirciios naiivos. Nos noiins quc a
cscasscz ¡rovoca socn as nassas ¡o¡ularcs
luscar ¡ao, c o ncio quc cn¡rcgan soi scr
dcsiruir as ¡adarias. Isio ¡odc scrvir cono
sínlolo do con¡oriancnio quc cn nais vasias c
suiis ¡ro¡orçõcs usan as nassas aiuais anic a
civilizaçao quc as nuirc(42}.
121

VII. VIDA NOBRE E VIDA VULGAR,
OU ESFORÇO E INÉRCIA

Sonos aquilo quc nosso nundo nos convida
a scr, c as fciçõcs fundancniais dc nossa alna
sao in¡rcssas ncla ¡clo ¡crfil do coniorno cono
¡or un noldc. Naiuralncnic. vivcr nao c nais
quc iraiar con o nundo. O scnllanic gcral quc
clc nos a¡rcscnia scra o scnllanic gcral dc nossa
vida. Por isso insisio ianio cn fazcr noiar quc o
nundo dc ondc nasccran as nassas aiuais
nosirava una fisiononia radicalncnic nova na
Iisioria. Enquanio no ¡rcicriio vivcr significava
¡ara o Ioncn ncdio cnconirar a sua volia
dificuldadcs, ¡crigos, cscasscz, liniiaçõcs dc
dcsiino c dc¡cndcncia, o nundo novo a¡arccc
cono un anliio dc ¡ossililidadcs ¡raiicancnic
iliniiadas, scn duvida, ondc nao sc dc¡cndc dc
ningucn. À volia dcsia in¡rcssao ¡rinaria c
¡crnancnic vai sc fornar cada alna
conicn¡oranca, cono cn volia da o¡osia sc
fornaran as aniigas. Porquc csia in¡rcssao
fundancnial sc convcric cn voz inicrior quc
nurnura scn ccssar unas cono ¡alavras no
nais ¡rofundo da ¡cssoa c lIc insinua
icnazncnic una dcfiniçao da vida quc c, ao
ncsno icn¡o, un in¡craiivo. E sc a in¡rcssao
iradicional dizia. ºVivcr c scniir-sc liniiado c, ¡or
122
isso ncsno, icr dc coniar con o quc nos liniia",
a voz novíssina griia. ºVivcr c nao cnconirar
liniiaçao alguna; ¡orianio, alandonar-sc
iranquilancnic a si ncsno. Praiicancnic nada c
in¡ossívcl, nada c ¡crigoso c, cn ¡rincí¡io,
ningucn c su¡crior a ningucn".
Esia cסcricncia lasica nodifica ¡or
con¡lcio a csiruiura iradicional, ¡crcnc, do
Ioncn-nassa. Porquc csic sc scniiu scn¡rc
consiiiuiivancnic condicionado a liniiaçõcs
naicriais c a ¡odcrcs su¡criorcs sociais. Isio cra,
a scus olIos, a vida. Sc lograva nclIorar sua
siiuaçao, sc asccndia socialncnic, airiluía-o a
un gol¡c da soric, quc lIc cra noninaiivancnic
favoravcl. E quando nao a isio, a un cnornc
csforço c clc salia nuiio lcn quanio lIc Iavia
cusiado. En un c ouiro caso iraiava-sc dc una
c×ccçao à índolc nornal da vida c do nundo;
c×ccçao quc, cono ial, cra dcvida a alguna causa
cs¡ccialíssina.
Mas a nova nassa cnconira a ¡lcna franquia
viial cono csiado naiivo c csialclccido, scn
causa cs¡ccial ncnIuna. Nada dc fora a inciia a
rcconIcccr ncla ¡ro¡ria liniics c, ¡orianio, a
coniar cn iodo noncnio con ouiras insiancias,
solrciudo con insiancias su¡criorcs. O lalrcgo
cIincs acrcdiiava, aic Ia ¡ouco, quc o lcn-csiar
dc sua vida dc¡cndia das viriudcs ¡rivadas quc
¡ossuíssc o scu In¡crador. Porianio, sua vida cra
123
consianicncnic rcgulada ¡or csia insiancia
su¡rcna dc quc dc¡cndia. Mas o Ioncn quc
analisanos Ialiiua-sc a nao a¡clar dc si ncsno
a ncnIuna insiancia fora dclc. Esia saiisfciio ial
cono c. Ingcnuancnic, scn ncccssidadc dc scr
vao, cono a coisa nais naiural do nundo,
icndcra a afirnar c considcrar lon iudo quanio
cn si acIa; o¡iniõcs, a¡ciiics, ¡rcfcrcncias ou
gosios. Por quc nao, sc, scgundo vcnos, nada
ncn ningucn o força a con¡rccndcr quc clc c un
Ioncn dc scgunda classc, liniiadíssino, inca¡az
dc criar ncn conscrvar a organizaçao ncsna quc
da à sua vida cssa an¡liiudc c cssc
conicniancnio, nos quais lascia ial afirnaçao dc
sua ¡cssoa?
Nunca o Ioncn-nassa icria a¡clado a nada
fora dclc sc a circunsiancia nao lIc Iouvcssc
forçado violcniancnic a isso. Cono agora a
circunsiancia nao o olriga, o cicrno Ioncn-
nassa, conscqucnic con sua índolc, dci×a dc
a¡clar c scnic-sc solcrano dc sua vida.
Conirariancnic, o Ioncn sclcio ou c×cclcnic
csia consiiiuído ¡or una íniina ncccssidadc dc
a¡clar dc si ncsno a una norna alcn dclc,
su¡crior a clc, a cujo scrviço livrcncnic sc ¡õc.
Lcnlrc-sc dc quc, no início, disiinguíanos o
Ioncn c×cclcnic do Ioncn vulgar dizcndo. quc
aquclc c o quc c×igc nuiio dc si ncsno, c csic, o
quc nao c×igc nada, a¡cnas conicnia-sc con o
quc c c csia cncaniado consigo ncsno(43}. Conira
124
o quc soi crcr-sc, c a criaiura dc sclcçao, c nao a
nassa, qucn vivc cn csscncial scrvidao. Sua vida
nao lIc a¡raz sc nao a faz consisiir cn scrviço a
algo iransccndcnic. Por isso nao csiina a
ncccssidadc dc scrvir cono una o¡rcssao.
Quando csia, ¡or infclicidadc, lIc falia, scnic
dcsassosscgo c invcnia novas nornas nais
difíccis, nais c×igcnics, quc a o¡rinan. Isio c a
vida cono disci¡lina ÷ a vida nolrc ÷. A nolrcza
dcfinc-sc ¡cla c×igcncia, ¡clas olrigaçõcs, nao
¡clos dirciios. Nollcssc olligc. ºVivcr a gosio c dc
¡lclcu. o nolrc as¡ira a ordcnaçao c a lci"
(CociIc}. Os ¡rivilcgios da nolrcza nao sao
originariancnic conccssõcs ou favorcs, nas, ¡clo
conirario, sao conquisias, c, cn ¡rincí¡io, su¡õc
sua conscrvaçao quc o ¡rivilcgiado scria ca¡az dc
rcconquisia-las cn iodo insianic, sc fossc
ncccssario c algucn sc lIo dis¡uiassc(44}. Os
dirciios ¡rivados ou ¡rivilcgios nao sao, ¡ois,
¡ossc ¡assiva c sin¡lcs gozo, nas rc¡rcscnian o
¡crfil ondc cIcga o csforço da ¡cssoa.
Conirariancnic, os dirciios conuns, cono sao os
ºdo Ioncn c do cidadao", sao ¡ro¡ricdadc
¡assiva, ¡uro usufruio c lcncfício, iao gcncroso
do dcsiino con quc iodo Ioncn sc cnconira, c
quc nao corrcs¡ondc a csforço algun, cono nao
scja o rcs¡irar c cviiar a dcncncia. Eu diria, ¡ois,
quc o dirciio in¡cssoal sc icn c o ¡cssoal sc
nanicn.
125
É irriianic a dcgcncraçao sofrida no
vocalulario usual ¡or una ¡alavra iao
ins¡iradora cono ºnolrcza". Porquc ao significar
¡ara nuiios ºnolrcza dc sanguc" Icrcdiiaria,
convcric-sc cn algo ¡arccido aos dirciios
conuns, nuna qualidadc csiaiica c ¡assiva, quc
sc rccclc c iransniic cono una coisa incric. Mas
o scniido ¡ro¡rio, o ciino do vocalulo ºnolrcza" c
csscncialncnic dinanico. Nolrc significa o
ºconIccido", cnicndc-sc o conIccido dc iodo o
nundo, o fanoso, quc sc dcu a conIcccr
solrcssaindo solrc a nassa anónina. In¡lica un
csforço insoliio quc noiivou a fana. Nolrc, ¡ois,
cquivalc a csforçado ou c×cclcnic. A nolrcza ou
fana do filIo ja c ¡uro lcncfício. O filIo c
conIccido ¡orquc scu ¡ai conscguiu scr fanoso.
É conIccido ¡or rcflc×o, c, con cfciio, a nolrcza
Icrcdiiaria icn un caraicr indircio, c luz
cs¡clIada, c nolrcza lunar cono fciia con
norios. So fica ncla dc vivo, auicniico, dinanico,
a inciiaçao quc ¡roduz no dcsccndcnic a nanicr
o nívcl dc csforço quc o anic¡assado alcançou.
Scn¡rc, ainda ncsic scniido dcsviriuado,
nollcssc olligc. O nolrc originario olriga-sc a si
ncsno, c ao nolrc Icrcdiiario olriga-o a
Icrança. Ha, dc qualqucr nodo, ccria
coniradiçao na iransfcrcncia da nolrcza, dcsdc o
nolrc inicial a scus succssorcs. Mais logicos os
cIincscs, invcricn a ordcn da iransnissao, c
nao c o ¡ai qucn cnolrccc o filIo, nas o filIo
126
qucn, ao conscguir a nolrcza, a conunica a scus
anic¡assados, dcsiacando con o scu csforço sua
csiir¡c Iunildc. Por isso, ao conccdcr os nívcis
dc nolrcza, graduan-sc ¡clo nuncro dc gcraçõcs
¡assadas quc fican ¡rcsiigiadas, c Ia qucn so
iorna nolrc scu ¡ai c qucn alonga sua fana aic o
quinio ou dccino avó. Os anic¡assados vivcn do
Ioncn aiual, cuja nolrcza c cfciiva, aiuanic; cn
suna. c; nao, foi(45}.
A ºnolrcza" nao a¡arccc cono icrno fornal
aic o In¡crio ronano, c ¡rccisancnic ¡ara o¡ó-lo
à nolrcza Icrcdiiaria, ja cn dccadcncia.
Para nin, nolrcza c sinónino dc vida
csforçada, ¡osia scn¡rc a su¡crar-sc a si ncsna,
a iransccndcr do quc ja c ¡ara o quc sc ¡ro¡õc
cono dcvcr c c×igcncia. Dcsia nancira, a vida
nolrc fica conira¡osia à vida vulgar c incric, quc,
csiaiicancnic, sc rcclui a si ncsna, condcnada à
¡cr¡ciua inancncia, caso una força c×icrior nao
a olriguc a sair dc si. Daí quc cIancnos nassa
a csic nodo dc scr Ioncn ÷ nao ianio ¡orquc
scja nuliiiudinario, quanio ¡orquc c incric.
À ncdida quc sc avança ¡cla vida, vanos nos
fariando dc advcriir quc a naior ¡aric dos
Ioncns ÷ c das nulIcrcs ÷ sao inca¡azcs dc
ouiro csforço quc o csiriiancnic in¡osio cono
rcaçao a una ncccssidadc c×icrna. Por isso
ncsno fican nais isolados, c cono
127
nonuncnializados cn nossa cסcricncia, os
¡ouquíssinos scrcs quc conIcccnos ca¡azcs dc
un csforço cs¡onianco c lu×uoso. Sao os Ioncns
sclcios, os nolrcs, os unicos aiivos c nao so
rcaiivos, ¡ara os quais vivcr c una ¡cr¡ciua
icnsao, un inccssanic ircinancnio. Trcinancnio
÷ aslcsis. Sao os asccias(46}.
Nao sur¡rccnda csia a¡arcnic digrcssao. Para
dcfinir o Ioncn-nassa aiual, quc c iao nassa
cono o dc scn¡rc, nas qucr su¡laniar os
c×cclcnics, c ¡rcciso conira¡ó-lo às duas fornas
¡uras quc nclc sc ncsclan. a nassa nornal c o
auicniico nolrc ou csforçado.
Agora ¡odcnos caninIar nais dc¡rcssa,
¡orquc ja sonos donos do quc, a ncu juízo, c a
cIavc ou cquaçao ¡sicologica do ii¡o Iunano
doninanic Iojc. Tudo quc vcn dc¡ois c
conscqucncia ou corolario dcssa csiruiura radical
quc ¡odcria rcsunir-sc assin. o nundo
organizado ¡clo scculo XIX, ao ¡roduzir
auionaiicancnic un Ioncn novo, inironcicu
nclc fornidavcis a¡ciiics, ¡odcrosos ncios dc
ioda ordcn ¡ara saiisfazc-los ÷ cconónico,
cor¡orais (Iigicnc, saudc ncdia su¡crior à dc
iodos os icn¡os}, civis c iccnicos (cnicndo ¡or
csics a cnornidadc dc conIccincnios ¡arciais c
dc cficicncia ¡raiica quc Iojc o Ioncn ncdio
¡ossui c dc quc scn¡rc carcccu no ¡assado} ÷.
Dc¡ois dc Iavcr csialclccido nclc iodas csias
128
¡oicncias, o scculo XIX o alandonou a si ncsno,
c cniao, scguindo o Ioncn ncdio sua índolc
naiural, fccIou-sc dcniro dc si. Dcsia soric,
cnconirano-nos con una nassa nais foric quc a
dc ncnIuna c¡oca, nas, a difcrcnça da
iradicional, Icrnciica cn si ncsna, inca¡az dc
aicndcr a nada ncn a ningucn, acrcdiiando quc
sc lasia ÷ cn suna. indocil(47}. Coniinuando as
coisas cono aic aqui, cada dia sc noiara nais cn
ioda a Euro¡a ÷ c ¡or rcflc×o cn iodo o nundo
÷ quc as nassas sao inca¡azcs dc sc dci×ar
dirigir cn ncnIuna ordcn. Nas Ioras difíccis quc
cIcgan ¡ara nosso coniincnic, c ¡ossívcl quc,
suliiancnic angusiiadas, icnIan un noncnio a
loa voniadc dc acciiar, cn ccrias naicrias
cs¡ccialncnic angusiiosas, a dircçao dc ninorias
su¡criorcs.
Mas ainda cssa loa voniadc fracassara.
Porquc a dis¡osiçao radical dc sua alna csia fciia
dc Icrnciisno c indocilidadc, ¡orquc lIc falia dc
nasccnça a funçao dc aicndcr ao quc csia alcn
dcla, scjan faios, scjan ¡cssoas. Qucrcrao
acon¡anIar a algucn, c nao ¡odcrao. Qucrcrao
ouvir, c dcscolrirao quc sao surdas.
Por ouira ¡aric, c ilusorio ¡cnsar quc o
Ioncn ncdio vigcnic, ¡or nuiio quc icnIa
asccndido scu nívcl viial cn con¡araçao con o
dc ouiros icn¡os, ¡odcra rcgcr, ¡or si ncsno, o
¡roccsso da civilizaçao. Digo ¡roccsso, nao ja
129
¡rogrcsso. O sin¡lcs ¡roccsso dc nanicr a
civilizaçao aiual c su¡crlaiivancnic con¡lc×o c
rcqucr suiilczas incalculavcis. Mal ¡odc govcrna-
lo csic Ioncn-nassa quc a¡rcndcu a usar
nuiios a¡arclIos dc civilizaçao, nas quc sc
caracicriza ¡or ignorar dc raiz os ¡rincí¡ios
ncsnos da civilizaçao.
Fciicro ao lciior quc, ¡acicnic, icnIa lido aic
aqui, a convcnicncia dc nao cnicndcr iodos csics
cnunciados airiluindo-lIcs, incdiaiancnic, un
significado ¡olíiico. A aiividadc ¡olíiica, quc c dc
ioda a vida ¡ullica a nais cficicnic c nais visívcl,
c, conirariancnic, a dcrradcira, rcsulianic dc
ouiras nais íniinas c in¡al¡avcis. Assin, a
indocilidadc ¡olíiica nao scria gravc sc nao
¡rovicssc dc una nais ¡rofunda c dccisiva
indocilidadc iniclcciual c noral. Por isso,
cnquanio nao icnIanos analisado csia, faliara a
uliina claridadc ao icorcna dcsic cnsaio.
130

VIII. POR QUE AS MASSAS INTERVÊM EM TUDO
E POR QUE SÓ INTERVÊM VIOLENTAMENTE

Ficanos cn quc aconicccu algo solrcnodo
¡arado×al, nas quc cn vcrdadc cra
naiuralíssino. dc ianio sc nosirarcn alcrios
nundo c vida ao Ioncn ncdíocrc, a alna
fccIou-sc ¡ara clc. Pois lcn. cu susicnio quc
ncssa olliicraçao das alnas ncdias consisic a
rclcldia das nassas cn quc, ¡or sua vcz,
consisic o giganicsco ¡rollcna Iojc lcvaniado
¡ara a Iunanidadc.
Ja sci quc nuiios dos quc nc lccn nao
¡cnsan cono cu. Tanlcn isio c naiuralíssino c
confirna o icorcna. Pois ainda quc cn dcfiniiivo
ninIa o¡iniao fossc crrónca, scn¡rc ficaria o faio
dc quc nuiios dcsics lciiorcs discrc¡anics nao
¡cnsaran cinco ninuios solrc iao con¡lc×a
naicria. Cono ¡odcrian ¡cnsar cono cu? Mas ao
su¡or-sc con dirciio a icr una o¡iniao solrc o
assunio scn ¡rcvio csforço ¡ara forja-la,
nanifcsian scu c×cn¡lar scnIorio ao nodo
alsurdo dc scr Ioncn quc cu cIanci ºnassa
rclcldc". Isso c ¡rccisancnic icr olliicrada,
Icrnciica, a alna. Ncsic caso iraiar-sc-ia dc
Icrnciisno iniclcciual. A ¡cssoa cnconira-sc
con un rc¡criorio dc idcias dcniro dc si. Dccidc
131
conicniar-sc con clas c considcrar-sc
iniclcciualncnic con¡lcia. Nao scniindo nada dc
ncnos fora dc si, insiala-sc dcfiniiivancnic
naquclc rc¡criorio. Eis aí o nccanisno da
olliicraçao.
O Ioncn-nassa scnic-sc ¡crfciio. Un
Ioncn dc sclcçao, ¡ara scniir-sc ¡crfciio,
ncccssiia scr cs¡ccialncnic vaidoso, c a crcnça
na sua ¡crfciçao nao csia consulsiancialncnic
unida a clc, nao c ingcnua, nas cIcga-lIc dc sua
vaidadc c ainda ¡ara clc ncsno icn un caraicr
ficiício, inaginario c ¡rollcnaiico. Por isso o
vaidoso ncccssiia dos dcnais, lusca nclcs a
confirnaçao da idcia quc qucr icr dc si ncsno.
Dc soric quc ncn ainda ncsic caso norlido ncn
ainda ºccgado" ¡cla vaidadc, conscguc o Ioncn
nolrc scniir-sc cn vcrdadc con¡lcio.
Conirariancnic ao Ioncn ncdíocrc dc nossos
dias, ao novo Adao, nao sc lIc ocorrc duvidar dc
sua ¡ro¡ria ¡lcniiudc. Sua confiança cn si c,
cono dc Adao, ¡aradisíaca. O Icrnciisno naio
dc sua alna lIc in¡cdc o quc scria condiçao
¡rcvia ¡ara dcscolrir sua insuficicncia.
con¡arar-sc con ouiros scrcs. Con¡arar-sc scria
sair un ¡ouco dc si ncsno c irasladar-sc ao
¡ro×ino. Mas a alna ncdíocrc c inca¡az dc
iransnigraçõcs ÷ cs¡oric su¡rcno.
Enconirano-nos, ¡ois, con a ncsna
difcrcnça quc cicrnancnic c×isic cnirc o iolo c o
132
¡crs¡icaz. Esic sur¡rccndc-sc a si ncsno scn¡rc
a dois ¡assos dc scr iolo; ¡or isso faz un csforço
¡ara csca¡ar à inincnic iolicc, c ncssc csforço
consisic a inicligcncia. O iolo, ao conirario, nao
sus¡ciia dc si ncsno. julga-sc discrciíssino, c
daí a invcjavcl iranquilidadc con quc o ncscio sc
asscnia c insiala cn sua inc¡cia. Cono csscs
inscios quc nao Ia nancira dc c×irair do orifício
cn quc Ialiian, nao Ia nodo dc dcsalojar o iolo
dc sua iolicc, lcva-lo dc ¡asscio un ¡ouco alcn
dc sua ccgucira c olriga-lo a quc conirasic sua
visao grosscira Ialiiual con ouiros nodos dc vcr
nais suiis. O iolo c viialício c in¡crncavcl. Por
isso dizia Anaiolc Francc quc o ncscio c nuiio
nais funcsio quc o nalvado. Porquc o nalvado
dcscansa algunas vczcs; o ncscio, janais(48}.
Nao sc iraia dc quc o Ioncn-nassa scja iolo.
Pclo conirario, o aiual c nais cs¡crio, icn nais
ca¡acidadc iniclcciiva quc o dc ncnIuna ouira
c¡oca. Mas cssa ca¡acidadc nao lIc scrvc dc
nada; a rigor, a vaga scnsaçao dc ¡ossuí-la
a¡cnas lIc scrvc ¡ara fccIar-sc nais cn si
ncsno c nao usa-la. Dc una vcz ¡ara scn¡rc
consagra o soriincnio dc io¡icos, ¡rcjuízos, ou,
sin¡lcsncnic, vocalulos ocos quc o acaso
anonioou no scu inicrior, c con un audacia quc
so sc cסlica ¡cla ingcnuidadc, in¡ó-los-a ¡or
ioda a ¡aric. Isio c o quc no ¡rinciro ca¡íiulo
cnunciava cu cono caracicrísiico cn nossa
c¡oca. nao quc o vulgar crcia quc c dcsiacado c
133
nao vulgar, nas quc o vulgar ¡roclanc c in¡onIa
o dirciio da vulgaridadc, ou a vulgaridadc cono
un dirciio.
O in¡crio quc solrc a vida ¡ullica Iojc
c×crcc a vulgaridadc iniclcciual, c ialvcz o faior
da ¡rcscnic siiuaçao nais novo, ncnos
assinilavcl a nada do ¡rcicriio. Pclo ncnos na
Iisioria curo¡cia aic Iojc, nunca o vulgo Iavia
crido icr ºidcias" solrc as coisas. TinIa crcnças,
iradiçõcs, cסcricncias, ¡rovcrlios, Ialiios
ncniais, nas nao sc inaginava dc ¡ossc dc
o¡iniõcs icoricas solrc o quc as coisas sao ou
dcvcn scr ÷ ¡or c×cn¡lo, solrc ¡olíiica ou solrc
liicraiura ÷. Parccia-lIc lcn ou nal o quc o
¡olíiico ¡rojciava c fazia; dava ou rciirava sua
adcsao, nas sua aiiiudc rcduzia-sc a rc¡crcuiir,
¡osiiiva ou ncgaiivancnic, a açao criadora dc
ouiros. Nunca sc lIc ocorrcu o¡or às ºidcias" do
¡olíiico ouiras suas; ncn scqucr julgar as ºidcias"
do ¡olíiico do irilunal dc ouiras ºidcias" quc cria
¡ossuir. A ncsna coisa cn aric c nas dcnais
ordcns da vida ¡ullica. Una c inaia conscicncia
dc sua liniiaçao, dc nao csiar qualificado ¡ara
icorizar(49}, vcdava-o con¡lciancnic. A
conscqucncia auionaiica disio cra quc o vulgo
nao ¡cnsava, ncn dc longc, dccidir cn quasc
ncnIuna das aiividadcs ¡ullicas, quc cn sua
naior ¡aric sao dc índolc icorica.
134
Hojc, ¡clo conirario, o Ioncn ncdio icn as
ºidcias" nais ia×aiivas solrc quanio aconiccc c
dcvc aconicccr no univcrso. Por isso ¡crdcu o uso
da audiçao. Para quc ouvir, sc ja icn dcniro dc si
o quc ncccssiia? Ja nao c c¡oca dc ouvir, nas,
¡clo conirario, dc julgar, dc scnicnciar, dc
dccidir. Nao Ia qucsiao dc vida ¡ullica cn quc
nao inicrvcnIa, ccgo c surdo cono c, in¡ondo
suas ºo¡iniõcs".
Mas nao c isio una vaniagcn? Nao
rc¡rcscnia un ¡rogrcsso cnornc quc as nassas
icnIan ºidcias", qucr dizcr, quc scjan culias? Dc
nancira alguna. As ºidcias" dcsic Ioncn ncdio
nao sao auicniicancnic idcias, ncn sua ¡ossc c
culiura. A idcia c un ×cquc-naic à vcrdadc.
Qucn qucira icr idcias ncccssiia anics dis¡or-sc
a qucrcr a vcrdadc c acciiar as rcgras do jogo quc
cla in¡onIa. Nao valc falar dc idcias ou o¡iniõcs
ondc nao sc adniic una insiancia quc a rcgula,
una scric dc nornas às quais na discussao calc
a¡clar. Esias nornas sao os ¡rincí¡ios da
culiura. Nao nc in¡oria quais sao. O quc digo c
quc nao Ia culiura ondc nao Ia nornas. A quc
nossos ¡ro×inos ¡ossan rccorrcr. Nao Ia culiura
ondc nao Ia ¡rincí¡ios dc lcgali5àdc civil a quc
a¡clar. Nao Ia culiura ondc nao Ia acaiancnio
dc ccrias uliinas ¡osiçõcs iniclcciuais a quc
rcfcrir-sc na dis¡uia(50}. Nao Ia culiura quando
as rclaçõcs cconónicas nao sao ¡rcsididas ¡or
un rcginc dc irafico sol o qual ¡ossan an¡arar-
135
sc. Nao Ia culiura ondc as ¡olcnicas csiciicas
nao rcconIcccn a ncccssidadc dc jusiificar a
olra dc aric.
Quando falian iodas cssas coisas, nao Ia
culiura; Ia, no scniido nais csiriio da ¡alavra,
larlaric. E isio c, nao icnIanos ilusõcs, o quc
concça a Iavcr na Euro¡a sol a ¡rogrcssiva
rclcliao das nassas. O viajanic quc cIcga a un
¡aís larlaro, salc quc naquclc icrriiorio nao
rcgcn ¡rincí¡ios aos quais ¡ossa rccorrcr. Nao Ia
nornas larlaras ¡ro¡riancnic diias, a larlaric c
auscncia dc norna c dc ¡ossívcl a¡claçao.
O nais c o ncnos dc culiura ncdc-sc ¡cla
naior ou ncnor ¡rccisao das nornas. Ondc Ia
¡ouca, rcgulan csias a vida so grosso nodo; ondc
Ia nuiia, ¡cnciran aic o ¡orncnor no c×crcício
dc iodas as aiividadcs. A cscasscz da culiura
iniclcciual cs¡anIola, isio c, do culiivo ou
c×crcício disci¡linado do iniclccio, nanifcsia-sc,
nao cn quc sc saila nais ou ncnos, nas na
Ialiiual falia dc cauicla c cuidados ¡ara ajusiar-
sc à vcrdadc quc socn nosirar os quc falan c
cscrcvcn. Nao, ¡ois, cn quc sc accric ou nao ÷ a
vcrdadc nao csia cn nossa nao ÷, nas na falia
dc cscru¡ulo quc lcva a nao cun¡rir os rcquisiios
clcncniais ¡ara accriar. Coniinuanos scndo o
cicrno ¡adrc dc aldcia quc rclaic iriunfanic o
naniqucu, scn Iavcr ¡rocurado anics avcriguar
o quc ¡cnsa o naniqucu.
136
Qualqucr ¡cssoa ¡odc ¡crcclcr quc na
Euro¡a, Ia alguns anos, concçaran a aconicccr
ºcoisas csquisiias". Para dar algun c×cn¡lo
concrcio dcsias coisas csquisiias ncncionarci
ccrios novincnios ¡olíiicos, cono o sindicalisno
c o fascisno. Nao sc diga quc ¡arcccn csquisiios
sin¡lcsncnic ¡orquc sao novos. O cniusiasno
¡cla inovaçao c dc ial nodo ingcniio no curo¡cu,
quc o lcvou a ¡roduzir a Iisioria nais inquicia dc
quanias sc conIcccn. Nao sc airilua, ¡ois, o quc
csics novos faios icn dc csquisiio ao quc icn dc
novo, nas à csiranIíssina liiola dcsias
novidadcs. Sol as cs¡ccics dc sindicalisno c
fascisno a¡arccc ¡cla ¡rincira vcz na Euro¡a un
ii¡o dc Ioncn quc nao qucr dar razõcs ncn qucr
icr razao, nas quc, sin¡lcsncnic, sc nosira
rcsolvido a in¡or suas o¡iniõcs. Eis aqui o novo.
o dirciio a nao icr razao, a razao da scn-razao.
Eu vcjo nisso a nanifcsiaçao nais ¡al¡avcl do
novo nodo dc scr das nassas, ¡or Iavcrcn
rcsolvido dirigir a socicdadc scn icr ca¡acidadc
¡ara isso. En sua conduia ¡olíiica rcvcla-sc a
csiruiura da alna nova da nancira nais crua c
coniundcnic, nas a cIavc csia no Icrnciisno
iniclcciual. O Ioncn ncdio cnconira-sc con
ºidcais" dcniro dc si, nas carccc da funçao dc
idcar. Ncn scqucr sus¡ciia qual c o clcncnio
suiilíssino cn quc as idcias vivcn. Qucr o¡inar,
nas nao qucr acciiar as condiçõcs c su¡osios dc
iodo o¡inar. Daqui quc suas ºidcias" nao scjan
137
cfciivancnic scnao a¡ciiics ou ¡alavras, cono as
ronanças nusicais.
Tcr una idcia c crcr quc sc ¡ossucn as
razõcs dcla, c c, ¡orianio, crcr quc c×isic una
razao, un orlc dc vcrdadcs inicligívcis. Idcar,
o¡inar, c una ncsna coisa cono a¡clar a ial
insiancia, sulncicr-sc a cla, acciiar scu Codigo c
sua scnicnça, crcr, ¡orianio, quc a forna
su¡crior da convivcncia c o dialogo cn quc sc
discuicn as razõcs dc nossas idcias. Mas o
Ioncn-nassa scniir-sc-ia ¡crdido sc acciiassc a
discussao, c insiiniivancnic rc¡udia a olrigaçao
dc acaiar cssa insiancia su¡rcna quc sc acIa
fora dclc. Por isso, o ºnovo" c na Euro¡a ºacalar
con as discussõcs", c dcicsia-sc ioda forna dc
convivcncia quc ¡or si ncsna in¡liquc
acaiancnio dc nornas oljciivas, dcsdc a
convcrsaçao aic o Parlancnio, ¡assando ¡cla
cicncia. Isso qucr dizcr quc sc rcnuncia à
convivcncia dc culiura, quc c una convivcncia
sol nornas, c rciroccdc-sc a una convivcncia
larlara. Su¡rincn-sc iodos os iraniics nornais
c sc vai dirciancnic à in¡osiçao do quc sc
dcscja. O Icrnciisno da alna, quc, cono vinos
anics, ¡ro¡clc a nassa ¡ara quc inicrvcnIa cn
ioda a vida ¡ullica, lcva-a ianlcn,
inc×oravclncnic, a un ¡roccdincnio unico dc
inicrvcnçao. a açao dircia.
138
O dia cn quc sc rcconsirua a gcncsc dc
nosso icn¡o, advcriir-sc-a quc as ¡rinciras noias
dc sua ¡cculiar nclodia soaran naquclcs gru¡os
sindicalisias c rcalisias franccscs ¡or volia dc
1900, invcniorcs da nancira c da ¡alavra ºaçao
dircia". Pcr¡ciuancnic o Ioncn icn rccorrido à
violcncia. às vczcs csic rccurso cra sin¡lcsncnic
un crinc, c nao nos inicrcssa. En ouiras cra a
violcncia o ncio a quc rccorria a qucn Iavia
csgoiado iodos os dcnais ¡ara dcfcndcr a razao c
a jusiiça quc cria icr. Scra nuiio lancniavcl quc
a condiçao Iunana lcvc volia c ncia a csia forna
dc violcncia, nas c incgavcl quc cla significa a
naior Ioncnagcn à razao c à jusiiça. Tal
violcncia nao c ouira coisa scnao a razao
c×as¡crada. A força cra, con cfciio, a uliina
raiio. Un ¡ouco csiu¡idancnic icn sc cnicndido
con ironia csia cסrcssao, quc dcclara nuiio lcn
o ¡rcvio rcndincnio da força às nornas
racionais. A civilizaçao nao c ouira coisa scnao o
cnsaio dc rcduzir a força a uliina raiio. Agora
concçanos a vcr isio con lasianic clarcza,
¡orquc a ºaçao dircia" consisic cn invcricr a
ordcn c ¡roclanar a violcncia cono ¡rina raiio;
a rigor, cono unica razao c cla a norna quc
¡ro¡õc a anulaçao dc ioda norna, quc su¡rinc
iudo quc ncdcia cnirc nosso ¡ro¡osiio c sua
in¡osiçao. É a CIaria nagna da larlaric.
Convcn rccordar quc cn iodos os icn¡os,
quando a nassa ¡or un ou ouiro noiivo, aiuou
139
na vida ¡ullica, o fcz cn forna dc ºaçao dircia".
Foi, ¡ois, scn¡rc o nodo dc o¡crar naiural às
nassas. E corrolora cncrgicancnic a icsc dcsic
cnsaio o faio ¡aicnic dc quc agora, quando a
inicrvcnçao dircia das nassas na vida ¡ullica
¡assou dc casual c infrcqucnic a scr o nornal,
a¡arcça a ºaçao dircia" oficialncnic cono norna
rcconIccida.
Toda a convivcncia Iunana vai caindo sol
csic novo rcginc cn quc sc su¡rincn as
insiancias indircias. No iraio social su¡rinc-sc a
ºloa cducaçao". A liicraiura, cono ºaçao dircia",
consiiiui-sc no insulio. As rclaçõcs sc×uais
rcduzcn scus iraniics.
Traniics, nornas, coricsia, usos
inicrncdiarios, jusiiça, razao! dc quc vcio
invcniar iudo isso, criar iania con¡licaçao? Tudo
isso sc rcsunc na ¡alavra ºcivilizaçao", quc,
airavcs da idcia dc civis, o cidadao, dcscolrc sua
¡ro¡ria origcn. Traia-sc con iudo isso dc fazcr
¡ossívcl a cidadc, a conunidadc, a convivcncia.
Por isso, sc olIanos ¡or dcniro cada un dcsscs
insiruncnios da civilizaçao quc acalo dc
cnuncrar, acIarcnos una ncsna cniranIa cn
iodos. Todos, con cfciio, su¡õcn o dcscjo radical
c ¡rogrcssivo dc cada ¡cssoa coniar con as
dcnais. Civilizaçao c, anics dc iudo, voniadc dc
convivcncia. É sc incivil c larlaro na ncdida cn
quc nao sc conic con os dcnais. A larlaric c
140
icndcncia à dissociaçao. .E assin iodas as c¡ocas
larlaras icn sido icn¡o dc cs¡alIancnio
Iunano, ¡ululaçao dc níninos gru¡os sc¡arados
c Iosiis.
A forna quc na ¡olíiica rc¡rcscniou a nais
alia voniadc dc convivcncia c a dcnocracia
lilcral. Ela lcva ao c×ircno a rcsoluçao dc coniar
con o ¡ro×ino c c ¡roioii¡o da ºaçao indircia". O
lilcralisno c o ¡rincí¡io dc dirciio ¡olíiico
scgundo o qual o Podcr ¡ullico, nao olsianic scr
oni¡oicnic, liniia-sc a si ncsno c ¡rocura, ainda
à sua cusia, dci×ar cs¡aço no Esiado quc clc
in¡cra ¡ara quc ¡ossan vivcr os quc ncn
¡cnsan ncn scnicn cono clc, qucr dizcr, cono
os nais forics, cono a naioria. O lilcralisno ÷
convcn Iojc rccordar isio ÷ c a su¡rcna
gcncrosidadc. c o dirciio quc a naioria ouiorga à
ninoria c c, ¡orianio, o nais nolrc griio quc soou
no ¡lancia. Proclana a dccisao dc convivcr con o
ininigo; nais ainda, con o ininigo dclil. Era
invcrossínil quc a cs¡ccic Iunana Iouvcssc
cIcgado a una coisa iao loniia, iao ¡arado×al,
iao clcganic, iao acrolaiica, iao aniinaiural. Por
isso, nao dcvc sur¡rccndcr quc iao ra¡idancnic
¡arcça cssa ncsna cs¡ccic dccidida a alandona-
la. E un c×crcício dcnasiado difícil c con¡licado
¡ara quc sc consolidc na icrra.
Convivcr con o ininigo! Covcrnar con a
o¡osiçao! Nao concça a scr ja incon¡rccnsívcl
141
scnclIanic icrnura? Nada acusa con naior
clarcza a fisiononia do ¡rcscnic cono o faio dc
quc vao scndo iao ¡oucos os ¡aíscs ondc c×isic a
o¡osiçao. En quasc iodos, una nassa
Ionogcnca ¡csa solrc o Podcr ¡ullico c csnaga,
aniquila iodo o gru¡o o¡osiior. A nassa ÷ qucn
o diria ao vcr scu as¡ccio con¡acio c
nuliiiudinario? ÷ nao dcscja a convivcncia con
o quc nao c cla. Odcia dc noric o quc nao c cla.
142

IX. PRIMITIVISMO E TÉCNICA

In¡oria-nc nuiio rccordar aqui quc csianos
sulncrsos na analisc dc una siiuaçao ÷ a do
¡rcscnic ÷ sulsiancialncnic cquívoca. Por isso a
¡rincí¡io insinuci quc iodos os iraços aiuais c,
cn cs¡ccic, a rclcliao das nassas, a¡rcscnian
du¡lo as¡ccio. Qualqucr dclcs nao so iolcra, nas
aic rcclana una du¡la inicr¡rciaçao, favoravcl c
¡cjoraiiva. E csic cquívoco nao rcsidc cn nosso
juízo, nas na ¡ro¡ria rcalidadc. Nao c quc ¡ossa
¡arcccr-nos ¡or un lado lcn, ¡or ouiro nal, nas
c quc cn si ncsna a siiuaçao ¡rcscnic c ¡oicncia
lifronic dc iriunfo ou dc noric.
Nao c coisa dc lasircar csic cnsaio con ioda
una nciafísica da Iisioria. Mas c claro quc o vou
consiruindo solrc a lasc sulicrranca dc ninIas
convicçõcs filosoficas, cסosias ou aludidas cn
ouiros lugarcs. Nao crcio na alsoluia
dcicrninaçao da Iisioria. Pclo conirario, ¡cnso
quc ioda vida, c ¡orianio, a Iisioria, sc con¡õc
dc ¡uros insianics, cada un dos quais csia
rclaiivancnic indcicrninado con rcs¡ciio ao
anicrior, dc soric quc nclc a rcalidadc vacila,
¡iciinc sur ¡lacc, c nao salc lcn sc sc dccidir
¡or una ou ouira cnirc varias ¡ossililidadcs.
Esic iiiulcio nciafísico ¡ro¡orciona a iodo o viial
143
cssa inconfundívcl qualidadc dc vilraçao c
csircnccincnio.
A rclcliao das nassas ¡odc, con cfciio, scr
iransiio dc una nova c scn ¡ar organizaçao da
Iunanidadc, nas ianlcn ¡odc scr una
caiasirofc no dcsiino Iunano. Nao Ia razao ¡ara
ncgar a rcalidadc do ¡rogrcsso, nas c ¡rcciso
corrigir a noçao quc crc scguro csic ¡rogrcsso.
Mais congrucnic con os faios c ¡cnsar quc nao
Ia ncnIun ¡rogrcsso scguro, ncnIuna cvoluçao,
scn a ancaça dc involuçao c rciroccsso. Tudo,
iudo c ¡ossívcl na Iisioria ÷ ianio o ¡rogrcsso
iriunfal c indcfinido cono a ¡criodica rcgrcssao ÷
. Porquc a vida, individual ou colciiva, ¡cssoal ou
Iisiorica, c a unica cniidadc do univcrso cuja
sulsiancia c ¡crigo. Con¡õcn-sc dc ¡cri¡ccias.
É, rigorosancnic falando, drana(51}.
Isio, quc c vcrdadc cn gcral, adquirc naior
inicnsidadc nos ºnoncnios críiicos", cono c o
¡rcscnic. E assin os sinionas dc nova conduia
quc sol o in¡crio aiual das nassas vao
a¡arcccndo c agru¡avanos sol o iíiulo ºaçao
dircia", ¡odcn anunciar ianlcn fuiuras
¡crfciçõcs. É claro quc ioda vclIa culiura arrasia
no scu avanço iccidos caducos c nao ¡cqucna
carrcgaçao dc naicria cornca, csiorvo à vida c
io×ico rcsíduo. Ha insiiiuiçõcs norias,
valorizaçõcs c rcs¡ciios solrcvivcnics c ja scn
scniido, soluçõcs indcvidancnic con¡licadas,
144
nornas quc ¡rovaran sua insulsiancialidadc.
Todos csics clcncnios da açao indircia, da
civilizaçao, dcnandan una c¡oca dc frcncsi
sin¡lificador. A solrccasaca c o ¡lasirao
ronaniicos soliciian una vingança ¡or ncio do
aiual dcsIalillc c o ºcn nangas dc canisa".
Aqui, a sin¡lificaçao c Iigicnc c nclIor gosio;
¡orianio, una soluçao nais ¡crfciia, cono
scn¡rc quc con ncnos ncios sc conscguc nais.
A arvorc do anor ronaniico c×igia ianlcn una
¡oda ¡ara quc caísscn as dcnasiadas nagnolias
falsas ccrzidas a scus ranos c o furor dc lianas,
voluias, rciorcincnios c inirincaçõcs quc nao a
dci×avan ionar sol.
En gcral, a vida ¡ullica, solrciudo a ¡olíiica,
rcqucria urgcnicncnic una rcduçao ao
auicniico, c a Iunanidadc curo¡cia nao ¡odcria
dar o salio clasiico quc o oiinisia rcclana dcla sc
anics nao sc dcsnuda, sc nao sc aligcira aic sua
¡ura csscncialidadc, aic coincidir consigo ncsna.
O cniusiasno quc sinio ¡or csia disci¡lina dc
nudificaçao, dc auicniicidadc, a conscicncia dc
quc c in¡rcscindívcl ¡ara franqucar o ¡asso a un
fuiuro csiinavcl, nc faz rcivindicar ¡lcna
lilcrdadc dc idcador dianic dc iodo o ¡assado. É
o ¡orvir quc dcvc in¡crar solrc o ¡rcicriio, c dclc
rccclcrnos a ordcn ¡ara nossa conduia dianic
dc iudo quanio foi(52}.
145
Mas c ¡rcciso cviiar o ¡ccado naior dos quc
dirigiran o scculo XIX. a dcfciiuosa conscicncia
dc sua rcs¡onsalilidadc, quc os fcz nao sc
nanicrcn alcrias c cn vigilancia. Dci×ar-sc
dcslizar ¡cla ¡cndcnic favoravcl quc a¡rcscnia o
curso dos aconiccincnios c cnloiar-sc ¡ara a
dincnsao dc ¡crigo c carranca quc ncsno a Iora
nais jocunda ¡ossui, c ¡rccisancnic faliar à
nissao dc rcs¡onsavcl. Hojc iorna-sc nisicr
susciiar una Ii¡crcsicsia dc rcs¡onsalilidadc
nos quc scjan ca¡azcs dc scnii-la, c ¡arccc o
nais urgcnic sullinIar o lado ¡alnariancnic
funcsio dos sinionas aiuais.
É induliiavcl quc nun lalanço diagnosiico
dc nossa vida ¡ullica os faiorcs advcrsos
su¡crcn cn nuiio os favoravcis, sc o calculo sc
faz nao ianio ¡cnsando no ¡rcscnic cono no quc
anuncian c ¡roncicn.
Todo o crcscincnio dc ¡ossililidadcs
concrcias quc a vida cסcrincniou corrc risco dc
anular-sc a si ncsno ao io¡ar con o nais
¡avoroso ¡rollcna solrcvindo no dcsiino
curo¡cu c quc dc novo fornulo. a¡odcrou-sc da
dircçao social un ii¡o dc Ioncn a qucn nao
inicrcssan os ¡rincí¡ios da civilizaçao. Nao os
dcsia ou os daqucla, nas ÷ ao quc Iojc ¡odc
julgar-sc ÷ os dc ncnIuna. Inicrcssan-lIc
cvidcnicncnic os ancsicsicos, os auionovcis c
algunas coisas nais. Mas isio confirna scu
146
radical dcsinicrcssc ¡cla civilizaçao. Pois csias
coisas sao so ¡roduios dcla, c o fcrvor quc sc lIcs
dcdica faz rcssaliar nais cruancnic a
inscnsililidadc ¡ara os ¡rincí¡ios dc quc nasccn.
Dasic fazcr consiar csic faio. dcsdc quc c×isicn
as nuovc scicnzc, as cicncias físicas ÷ ¡orianio,
dcsdc o Fcnascincnio ÷, o cniusiasno ¡or clas
Iavia auncniado scn cola¡so, ao longo do
icn¡o. Mais concrciancnic. o nuncro dc ¡cssoas
quc cn ¡ro¡orçao sc dcdicavan a cssas ¡uras
invcsiigaçõcs cra naior cn cada gcraçao. O
¡rinciro caso dc rciroccsso ÷ rc¡iio,
¡ro¡orcional ÷ ¡roduziu-sc na gcraçao quc Iojc
vai dos vinic aos irinia anos. Nos laloraiorios dc
cicncia ¡ura concça a scr difícil airair discí¡ulos.
E isso aconiccc quando a indusiria alcança scu
naior dcscnvolvincnio c quando as ¡cssoas
nosiran naior a¡ciiic ¡clo uso dc a¡arclIos c
ncdicinas criados ¡cla cicncia.
Sc nao fora ¡roli×o, ¡odcria dcnonsirar-sc
scnclIanic incongrucncia na ¡olíiica, na aric, na
noral, na rcligiao c nas zonas coiidianas da vida.
Quc nos significa siiuaçao iao ¡arado×al?
Esic cnsaio ¡rcicndc Iavcr ¡rc¡arado a rcs¡osia
a ial ¡crgunia. Significa quc o Ioncn Iojc
doninanic c un ¡riniiivo, un NaiurncnscI
cncrgindo cn ncio dc un nundo civilizado. O
civilizado c o nundo, ¡orcn, scu Ialiianic nao o
c. ncn scqucr vc nclc a civilizaçao, nas usa dcla
147
cono sc fossc naiurcza. O novo Ioncn dcscja o
auionovcl c goza dclc, nas crc quc c fruia
cs¡onianca dc una arvorc cdcnica. No fundo dc
sua alna dcsconIccc o caraicr ariificial, quasc
invcrossínil, da civilizaçao, c nao csicndcra scu
cniusiasno ¡clos a¡arclIos aic os ¡rincí¡ios quc
os iornan ¡ossívcis. Quando nais acina,
irans¡ondo unas ¡alavras dc FaiIcnau, dizia cu
quc assisiinos à ºinvasao vcriical dos larlaros",
¡odc julgar-sc ÷ cono c Ialiiual ÷ quc sc
iraiava a¡cnas dc una ºfrasc". Agora sc vc quc a
cסrcssao ¡odcra cnunciar una vcrdadc ou un
crro, nas quc c o conirario dc una ºfrasc", a
salcr. una dcfiniçao fornal quc condcna ioda
una con¡licada analisc. O Ioncn-nassa aiual
c, con cfciio, un ¡riniiivo quc ¡clos lasiidorcs
dcslizou no vclIo ccnario da civilizaçao.
A ioda Iora sc fala Iojc dos ¡rogrcssos
falulosos da iccnica; nas cu nao vcjo quc sc falc,
ncn ¡clos nclIorcs, con una conscicncia dc scu
fuiuro suficicnicncnic dranaiico. O ¡ro¡rio
S¡cnglcr, iao suiil c iao ¡rofundo ÷ ainda quc
iao naníaco ÷, ¡arccc-nc ncsic ¡onio
dcnasiado oiinisia. Pois crc quc à ºculiura" vai
succdcr una c¡oca dc ºcivilizaçao", sol a qual
cnicndc solrciudo a iccnica. A idcia quc S¡cnglcr
icn da culiura, c cn gcral da Iisioria, c iao
rcnoia da ¡rcssu¡osia ncsic cnsaio, quc nao c
facil, ncn ainda ¡ara rciifica-las, irazcr aqui a
concnio suas conclusõcs. So saliando solrc
148
disiancias c ¡rccisõcs, ¡ara rcduzir anlos os
¡onios dc visia a un conun dcnoninador,
¡udcra csialclcccr-sc assin a divcrgcncia.
S¡cnglcr crc quc a iccnica ¡odc coniinuar
vivcndo quando norrcu o inicrcssc ¡clos
¡rincí¡ios da culiura. Eu nao ¡osso rcsolvcr-nc a
crcr ial coisa. A iccnica c consulsiancialncnic
cicncia, c a cicncia nao c×isic sc nao inicrcssa cn
sua ¡urcza c ¡or cla ncsna, c nao ¡odc
inicrcssar sc as ¡cssoas nao coniinuan
cniusiasnadas con os ¡rincí¡ios gcrais da
culiura. Sc sc cnloia cssc fcrvor ÷ cono ¡arccc
ocorrcr ÷, a iccnica so ¡odc ¡crvivcr un ¡ouco
dc icn¡o, aquclc quc lIc durc a incrcia do
in¡ulso culiural quc a criou. Vivc-sc con a
iccnica, nas nao da iccnica. Esia nao sc nuirc
ncn sc rcs¡ira a si ncsna, nao c causa sui, nas
¡rcci¡iiado uiil, ¡raiico, dc ¡rcocu¡açõcs
su¡crfluas, nao ¡raiicas(53}.
Vou, ¡ois, à advcricncia dc quc o aiual
inicrcssc ¡cla iccnica nao garanic nada, c ncnos
quc nada, o ¡rogrcsso ncsno ou a ¡crduraçao da
iccnica. Esia lcn quc sc considcrc o iccnicisno
cono un dos iraços caracicrísiicos da ºculiura
nodcrna", qucr dizcr, dc una culiura quc conicn
un gcncro dc cicncia, o qual vcn a scr
naicrialncnic a¡rovciiavcl. Por isso, ao rcsunir a
fisiononia novíssina da vida in¡laniada ¡clo
scculo XIX, cu ficava con csias so duas fciçõcs.
dcnocracia lilcral c iccnica(54}. Mas rc¡iio quc
149
sur¡rccndc a frivolidadc con quc ao falar da
iccnica sc csquccc quc sua vísccra cordial c a
cicncia ¡ura, c quc as condiçõcs dc sua
¡cr¡ciuaçao cnglolan as quc iornan ¡ossívcl o
¡uro c×crcício cicniífico. Pcnsou-sc cn iodas as
coisas quc ¡rccisan coniinuar vigcnics nas
alnas ¡ara quc ¡ossa coniinuar Iavcndo dc
vcrdadc ºIoncns dc cicncia"? Acrcdiia-sc
scriancnic quc cnquanio Iaja dollars Iavcra
cicncia? Esia idcia cn quc nuiios sc
iranquilizan nao c scnao una ¡rova nais dc
¡riniiivisno.
Aí c nada a quaniidadc dc ingrcdicnics, os
nais dís¡arcs cnirc si, quc c nisicr rcunir c
agiiar ¡ara olicr coqucicl da cicncia físico-
quínica! Ainda conicniando-sc con a ¡rcssao
nais dclil c sunaria do icna, solrcssai ja o
claríssino faio dc quc cn ioda a an¡liiudc da
icrra c cn ioda a do icn¡o, a físico-quínica so
conscguiu consiiiuir-sc, csialclcccr-sc
¡lcnancnic no lrcvc quadrilaicro quc inscrcvcn
Londrcs, Dcrlin, Vicna c Paris. E ainda dcniro
dcsic quadrilaicro, so no scculo XIX. Isio
dcnonsira quc a cicncia cסcrincnial c un dos
¡roduios nais in¡rovavcis da Iisioria. Magos,
saccrdoics, gucrrciros c ¡asiorcs icn ¡ululado
¡or ioda a ¡aric c à voniadc. Mas csia fauna do
Ioncn cסcrincnial rcqucr, ¡clo visio, ¡ara sc
¡roduzir, un conjunio dc condiçõcs nais insoliio
quc o quc cngcndra o unicornio. Faio iao solrio c
150
iao nagro dcvia fazcr rcflciir un ¡ouco solrc o
caraicr su¡crvolaiil, cva¡oranic, da ins¡iraçao
cicniífica(55}. Dcn arranjado csia qucn crcia quc
sc a Euro¡a dcsa¡arcccssc ¡odcrian os noric-
ancricanos coniinuar a cicncia!
In¡oriaria nuiio iraiar a fundo o assunio c
cs¡ccificar con ioda a ninucia quais sao os
su¡osios Iisioricos viiais da cicncia cסcrincnial
c, conscqucnicncnic, da iccnica. Mas nao cs¡crc
quc, cnlora csclarccida a qucsiao, o Ioncn-
nassa sc daria ¡or inicirado. O Ioncn-nassa
nao aicndc a razõcs c so a¡rcndc cn sua ¡ro¡ria
carnc.
Una olscrvaçao in¡cdc-nc iludir-nc solrc a
cficacia dc iais ¡rcdicas, quc a foro dc racionais
icrian quc scr suiis. Nao c dcnasiado alsurdo
quc nas circunsiancias aiuais nao sinia o Ioncn
ncdio, cs¡oniancancnic c scn ¡rcdicas, fcrvor
su¡crlaiivo ¡or aquclas cicncias c suas
congcncrcs as liologicas? Porquc rc¡arc-sc cn
qual c a siiuaçao aiual. cnquanio cvidcnicncnic
iodas as dcnais coisas da culiura sc iornaran
¡rollcnaiicas ÷ a ¡olíiica, a aric, as nornas
sociais, a ¡ro¡ria noral ÷, Ia una quc cada dia
con¡rova, da nancira nais indiscuiívcl c nais
¡ro¡ria ¡ara fazcr cfciio no Ioncn-nassa, sua
naravilIosa cficicncia. a cicncia cn¡írica. Cada
dia faciliia un novo invcnio, quc cssc Ioncn
ncdio uiiliza. Cada dia ¡roduz un novo
151
analgcsico ou vacina, quc lcncficia cssc Ioncn
ncdio. Todo o nundo salc quc, nao ccdcndo à
ins¡iraçao cicniífica, sc sc iri¡licasscn ou
dccu¡licasscn os laloraiorios, nulii¡licar-sc-ian
auionaiicancnic riqucza, conodidadcs, saudc,
lcn-csiar. Podc inaginar-sc ¡ro¡aganda nais
fornidavcl c coniundcnic cn favor dc un
¡rincí¡io viial? Cono, nao olsianic, nao Ia
sonlra dc quc as nassas ¡cçan a si ncsnas un
sacrifício dc dinIciro c dc aicnçao ¡ara doiar
nclIor a cicncia? Longc disso, o a¡os-gucrra
convcricu o Ioncn dc cicncia no novo ¡aria
social. E consic quc nc rcfiro a físicos, quínicos,
liologos ÷ nao aos filosofos ÷. A filosofia nao
ncccssiia dc ¡roicçao, ncn dc aicnçao, ncn dc
sin¡aiia da nassa. Cuida dc scu as¡ccio dc
¡crfciia inuiilidadc(56}, c cono isso sc lilcria dc
ioda sulnissao do Ioncn ncdio. Salc quc c ¡or
csscncia ¡rollcnaiica, c alraça alcgrc scu livrc
dcsiino dc ¡assaro do lon Dcus, scn ¡cdir a
ningucn quc conic con cla, ncn rcconcndar-sc,
ncn dcfcndcr-sc. Sc algucn dc loa ncnic a
a¡rovciia ¡ara algo, rcgozija-sc ¡or sin¡lcs
sin¡aiia Iunana; nas nao vivc dcssc ¡rovciio
alIcio, ncn o ¡rcncdiia, ncn o cs¡cra. Cono vai
¡rcicndcr quc algucn a ionc cn scrio, sc cla
concça ¡or duvidar dc sua ¡ro¡ria c×isicncia, sc
nao vivc nais quc na ncdida cn quc sc conlaia
a si ncsna, cn quc sc dcsvivc a si ncsna?
152
Dci×cnos, ¡ois, dc lado a filosofia, quc c
avcniurcira dc ouiro nívcl.
Mas as cicncias cסcrincniais ncccssiian da
nassa, cono csia ncccssiia dclas, sol ¡cna dc
sucunlir, ja quc nun ¡lancia scn físico-quínica
nao sc ¡odc susicniar o nuncro dc Ioncns Iojc
c×isicnics.
Quc raciocínios ¡odcn conscguir o quc nao
conscguc o auionovcl, ondc csscs Ioncns vao c
vcn, c a injcçao dc ¡anio¡on quc fulnina,
nilagrosa., suas dorcs? A dcs¡ro¡orçao cnirc o
lcncfício consianic c ¡aicnic quc a cicncia lIcs
¡rocura c o inicrcssc quc ¡or cla nosiran c ial,
quc nao Ia nodo dc sulornar-sc a si ncsno con
ilusorias cs¡cranças, c cs¡crar nais quc larlaric
dc qucn assin sc con¡oriar. Ma×inc sc,
scgundo vcrcnos, csic dcsa¡cgo ¡cla cicncia.
cono ial a¡arccc, ialvcz con naior clarcza quc
cn ncnIuna ouira ¡aric, na. nassa dos iccnicos
ncsnos ÷ dc ncdicos, cngcnIciros, cic., os
quais socn c×crccr sua ¡rofissao con un csiado
dc cs¡íriio idcniico no csscncial ao dc qucn sc
conicnia con usar do auionovcl ou con¡rar o
iulo dc as¡irina ÷, scn a ncnor solidaricdadc
íniina con o dcsiino da cicncia, da civilizaçao.
Havcra qucn sc sinia nais solrccolIido ¡or
ouiros sinionas dc larlaric cncrgcnic quc,
scndo dc qualidadc ¡osiiiva, dc açao, c nao dc
153
onissao, salian nais aos olIos c sc naicrializan
cn cs¡ciaculo. Para nin c csic da dcs¡ro¡orçao
cnirc o ¡rovciio quc o Ioncn ncdio rccclc da
cicncia c a graiidao quc lIc dcdica ÷ quc nao lIc
dcdica ÷ o nais aicrrador(57}. So ¡osso cסlicar-
nc csia auscncia do adcquado rcconIccincnio sc
rccordo quc no ccniro da África os ncgros vao
ianlcn cn auionovcl c sc as¡irinizan. O
curo¡cu quc concça a ¡rcdoninar ÷ csia c
ninIa Ii¡oicsc ÷ scria, rclaiivancnic à
con¡lc×a civilizaçao cn quc nasccu, un Ioncn
¡riniiivo, un larlaro cncrgindo ¡or un alça¡ao,
un ºinvasor vcriical".
154

X. PRIMITIVISMO E HISTÓRIA

A naiurcza csia scn¡rc aí. Susicnia-sc a si
ncsna. Ncla, na sclva, ¡odcnos in¡uncncnic
scr sclvagcns. Podcnos inclusivc rcsolvcr a nao
dci×ar dc sc-lo nunca, scn nais risco quc o
advcnio dc ouiros scrcs quc nao o scjan. Mas,
cn ¡rincí¡io, sao ¡ossívcis ¡ovos ¡crcncncnic
¡riniiivos. Ha-os. Drcyssig cIanou-os dc ºos
¡ovos da ¡cr¡ciua aurora", os quc ficaran nuna
alvorada csiaiica, congclada, quc nao avança
¡ara ncnIun ncio-dia.
Isso aconiccc no nundo quc c so Naiurcza.
Mas nao aconiccc no nundo quc c civilizaçao,
cono o nosso. A civilizaçao nao csia aí, nao sc
susicnia a si ncsna. É ariifício c rcqucr un
ariisia ou aricsao. Sc o scnIor qucr a¡rovciiar-sc
das vaniagcns da civilizaçao, nas nao sc
¡rcocu¡a dc susicniar a civilizaçao..., o scnIor
csia cnfarado. A ircs ¡or dois o scnIor fica scn
civilizaçao. Un dcscuido, c quando o scnIor olIa
à sua volia iudo sc volaiilizou! Cono sc
Iouvcsscn rccolIido uns ia¡cics quc ia¡avan a
¡ura Naiurcza, rca¡arccc rc¡risiinada a sclva
¡riniiiva. A sclva scn¡rc c ¡riniiiva. E vicc-
vcrsa. Tudo quc c ¡riniiivo c sclva.
155
Os ronaniicos dc iodos os icn¡os sc
dcsariiculavan anic csia ccna dc dcsolaçao, cn
quc o naiural c sulunano iornava a o¡rinir a
¡alidcz Iunana da nulIcr, c ¡iniavan o cisnc
solrc Lcda, csircnccido; o iouro con Pasifac c
Aniío¡c sol o ca¡ro. Ccncralizando acIaran un
cs¡ciaculo nais suiilncnic indcccnic na
¡aisagcn con ruínas, ondc a ¡cdra civilizada,
gconcirica, sc afoga sol o alraço da silvcsirc
vcgciaçao. Quando un lon ronaniico divisa un
cdifício, a ¡rincira coisa quc scus olIos
¡rocuran c, solrc o acroicrio ou o iclIado, o
ºanarclo saranago". Elc anuncia quc, cn
dcfiniiivo, iudo c icrra; quc ¡or ioda a ¡aric a
sclva rclroia.
Scria csiu¡ido rir do ronaniico. Tanlcn o
ronaniico icn razao. Sol cssas inagcns
inoccnicncnic ¡crvcrsas ¡al¡iia un cnornc c
scn¡iicrno ¡rollcna. o das rclaçõcs cnirc a
civilizaçao c o quc ficou dc¡ois dcla ÷ a Naiurcza
÷, cnirc o racional c o cosnico. Fcclano, ¡ois, a
franquia ¡ara ocu¡ar-nc dclc cn ouira ocasiao c
¡ara scr na Iora o¡oriuna ronaniico.
Mas agora cnconiro-nc cn faina o¡osia.
Traia-sc dc conicr a sclva invasora, O ºlon
curo¡cu" icn dc sc dcdicar agora ao quc
consiiiui, cono c salido, gravc ¡rcocu¡açao dos
Esiados ausiralianos. in¡cdir quc as figuciras
ganIcn icrrcno c jogucn os Ioncns ao nar. Pclo
156
ano quarcnia c ianios, un cnigranic ncridional,
nosialgico dc sua ¡aisagcn ÷ Malaga? Sicília? ÷,
lcvou ¡ara a Ausiralia nun vaso dc larro una
figucirazinIa. Hojc os orçancnios da Occania
solrccarrcgan-sc con vcrlas oncrosas
dcsiinadas à gucrra conira a figucira, quc invadiu
o coniincnic c cada ano ganIa cn coric nais dc
un quilónciro.
O Ioncn-nassa crc quc a civilizaçao cn quc
nasccu c quc usa c iao cs¡onianca c ¡rinigcnca
cono a Naiurcza, c i¡so facio convcric-sc cn
¡riniiivo. A civilizaçao sc lIc aniolIa sclva. Eu ja
o dissc, nas agora c ¡rcciso acrcsccniar algunas
¡rccisõcs. Os ¡rincí¡ios cn quc sc a¡oia o nundo
civilizado ÷ o quc c ¡rcciso susicniar ÷ nao
c×isicn ¡ara o Ioncn ncdio aiual. Nao lIc
inicrcssan os valorcs fundancniais da culiura, c
nao sc faz solidario dclcs. Nao csia dis¡osio a
¡ór-sc a scu scrviço. Cono aconicccu isio? Por
nuiias causas; nas agora vou dcsiacar a¡cnas
una.
A civilizaçao, quanio nais avança, iorna-sc
ianio nais con¡lc×a c nais difícil. Os ¡rollcnas
quc Iojc lcvania sao arqui-inirincados. Cada vcz
c ncnor o nuncro dc ¡cssoas cuja ncnic csia à
aliura dcsscs ¡rollcnas. O a¡os-gucrra nos
ofcrccc un c×cn¡lo lcn claro disso. A
rcconsiiiuiçao da Euro¡a ÷ csia sc vcndo ÷ c
un assunio dcnasiado algclrico, c o curo¡cu
157
vulgar rcvcla-sc infcrior à iao suiil cn¡rcsa. Nao
c quc falicn ncios ¡ara a soluçao. Falian
calcças. Mais c×aiancnic. Ia algunas calcças,
nuiio ¡oucas; nas o cor¡o vulgar da Euro¡a
ccniral nao qucr ¡ó-las solrc os onlros.
Esic dcscquilílrio cnirc a suiilcza con¡licada
dos ¡rollcnas c a das ncnics scra cada vcz
naior sc nao sc rcncdcia, c consiiiui a nais
clcncniar iragcdia da civilizaçao. Dc ianio scr
fcricis c ccriciros os ¡rincí¡ios quc a infornan,
auncnia sua colIciia cn quaniidadc c cn
agudcza aic ulira¡assar a rccc¡iividadc do
Ioncn nornal. Nao crcio quc isio icnIa
aconiccido janais no ¡assado. Todas as
civilizaçõcs fcncccran ¡cla insuficicncia dc scus
¡rincí¡ios. A curo¡cia ancaça sucunlir ¡clo
conirario. Na Crccia c cn Fona nao fracassou o
Ioncn, nas scus ¡rincí¡ios. O In¡crio ronano
finda ¡or falia dc iccnica. Ao cIcgar a un grau dc
¡ovoaçao grandc c c×igir iao vasia convivcncia a
soluçao dc ccrias urgcncias naicriais, quc so a
iccnica ¡odia acIar, concçou o nundo a involuir,
a rciroccdcr c consunir-sc.
Mas agora c o Ioncn qucn fracassa ¡or nao
¡odcr coniinuar cn¡arclIado con o ¡rogrcsso dc
sua ¡ro¡ria civilizaçao. Causa inquiciudc ouvir
falar solrc os icnas nais clcncniais do dia ¡or
¡cssoas rclaiivancnic nais culias. Parcccn
ioscos lalrcgos quc con dcdos grossos c
158
dcsajciiados qucrcn colIcr una agulIa quc csia
solrc una ncsa. Mancjan-sc, ¡or c×cn¡lo, os
icnas ¡olíiicos c sociais con o insiruncnial dc
concciios ronludos quc scrviran a duzcnios
anos ¡ara cnfrcniar siiuaçõcs dc faio duzcnias
vczcs ncnos suiis.
Civilizaçao avançada c una c ncsna coisa
con ¡rollcnas arduos. Daí quc quanio naior
scja o ¡rogrcsso, ianio nais cn ¡crigo csia. A
vida c cada vcz nclIor; nas, lcn cnicndido,
cada vcz nais con¡licada. É claro quc ao
con¡licarcn-sc os ¡rollcnas, vao-sc
a¡crfciçoando ianlcn os ncios ¡ara rcsolvc-los.
Mas c nisicr quc cada nova gcraçao sc iornc
scnIora dcsscs ncios adianiados. Enirc csics ÷
¡ara concrciizar un ¡ouco ÷ Ia un lanalncnic
unido ao avanço da civilizaçao, quc c icr nuiio
¡assado às suas cosias, nuiia cסcricncia; cn
suna. Iisioria. O salcr Iisiorico c una iccnica
dc ¡rincira ordcn ¡ara conscrvar c coniinuar
una civilizaçao ¡rovccia. Nao ¡or quc dc soluçõcs
¡osiiivas ao novo as¡ccio dos confliios viiais ÷ a
vida c scn¡rc difcrcnic do quc foi ÷, nas ¡orquc
cviia concicr os crros ingcnuos dc ouiros
icn¡os. Mas sc o scnIor, alcn dc scr vclIo, c,
¡orianio, dc quc sua vida concça a scr difícil,
¡crdcu a ncnoria do ¡assado, o scnIor nao
a¡rovciia sua cסcricncia, cniao iudo c
dcsvaniagcn. Pois cu crcio quc csia c a siiuaçao
da Euro¡a. As ¡cssoas nais ºculias" dc Iojc
159
¡adcccn una ignorancia Iisiorica incrívcl. Eu
susicnio quc Iojc salc o curo¡cu dirigcnic nuiio
ncnos Iisioria quc o Ioncn do scculo XVIII c
ncsno do XVII. Aquclc salcr Iisiorico das
ninorias govcrnanics ÷ govcrnanics scnsu laio
÷ iornou ¡ossívcl o avanço ¡rodigioso do scculo
XIX. Sua ¡olíiica csia ¡cnsada ÷ ¡clo XVIII ÷
¡rccisancnic ¡ara cviiar crros dc iodas as
¡olíiicas aniigas, csia idcada cn visia dcsscs
crros, c rcsunc cn sua sulsiancia a nais longa
cסcricncia. Mas ja o scculo XIX concçou a
¡crdcr ºculiura Iisiorica", a¡csar dc quc no scu
iranscurso os cs¡ccialisias a fizcran avançar
nuiiíssino cono cicncia(58}. A csic alandono sc
dcvcn cn loa ¡aric scus ¡cculiarcs crros, quc
Iojc graviian solrc nos. En scu uliino icrço
iniciou-sc ÷ cnlora sulicrrancancnic ÷ a
involuçao, o rciroccsso à larlaric; isio c, à
ingcnuidadc c ¡riniiivisno dc qucn nao icn ou
csquccc scu ¡assado.
Por isso sao lolcIcvisno c fascisno, as duas
icniaiivas ºnovas" dc ¡olíiica quc na Euro¡a c
scus confinanics sc csiao fazcndo, dois claros
c×cn¡los dc rcgrcssao sulsiancial. Nao ianio
¡clo conicudo ¡osiiivo dc suas douirinas, quc,
isolado, icn naiuralncnic una vcrdadc ¡arcial ÷
qucn no univcrso nao ¡ossui una ¡orciuncula
dc razao? ÷, cono ¡cla nancira anii-Iisiorica,
anacrónica, con quc iraian sua ¡aric dc razao.
Movincnios ií¡icos dc Ioncns-nassa dirigidos,
160
cono iodos os quc o sao, ¡or Ioncns ncdíocrcs,
c×icn¡orancos c scn ncnoria c×icnsa, scn
ºconscicncia Iisiorica", con¡orian-sc dcsdc o
início cono sc Iouvcsscn ¡assado ja, cono sc
succdcndo ncsia Iora ¡cricnccsscn à fauna dc
anianIo.
A qucsiao nao csia cn scr ou nao scr
conunisia c lolcIcvisia. Nao discuio o crcdo. O
quc c inconcclívcl c anacrónico c quc un
conunisia dc 1917 sc aiirc a fazcr una rcvoluçao
quc c cn sua forna idcniica a iodas as quc Iouvc
anics c na qual nao sc corrigcn os níninos
dcfciios c crros das aniigas. Por isso nao c
inicrcssanic Iisioricancnic o aconiccido na
Fussia; ¡or isso c csiriiancnic o conirario dc un
concço dc vida Iunana. É, ¡clo conirario, una
nonoiona rc¡ciiçao da rcvoluçao dc scn¡rc, c o
¡crfciio lugar conun das rcvoluçõcs. Aic o ¡onio
dc quc nao Ia frasc fciia, das nuiias quc solrc
as rcvoluçõcs a vclIa cסcricncia Iunana fcz,
quc nao rcccla dc¡loravcl confirnaçao quando sc
a¡lica a csia. ºA rcvoluçao dcvora scus ¡ro¡rios
filIos!" ºA rcvoluçao concça ¡or un ¡ariido
nodcrado, a scguir ¡assa aos c×ircnisias c
concça nui ra¡idancnic a rciroccdcr ¡ara una
rcsiauraçao", cic., cic. A csscs io¡icos vcncravcis
¡odian ajuniar-sc algunas ouiras vcrdadcs
ncnos noiorias, ¡orcn nao ncnos ¡rovavcis,
cnirc clas csia. una rcvoluçao nao dura nais dc
161
quinzc anos, ¡críodo quc coincidc con a vigcncia
dc una gcraçao(59}.
Qucn as¡irc vcrdadcirancnic a criar una
nova rcalidadc social ou ¡olíiica, ncccssiia
¡rcocu¡ar-sc anics dc iudo dc quc csscs
Iunílinos lugarcs conuns da cסcricncia
Iisiorica fiqucn invalidados ¡cla siiuaçao quc clc
susciia. Dc ninIa ¡aric rcscrvarci a qualificaçao
dc gcnial ao ¡olíiico quc nal conccc a o¡crar
concccn a ficar loucos os ¡rofcssorcs dc Hisioria
dos Insiiiuios, cn visia dc quc iodas as ºlcis" dc
sua cicncia a¡arcccn caducadas, inicrron¡idas c
fciias cisco.
Invcricndo o signo quc afcia o lolcIcvisno,
¡odcríanos dizcr coisas sinilarcs do fascisno.
Ncn un ncn ouiro cnsaio csiao ºà aliura dos
icn¡os", nao lcvan dcniro dc si rcsunido iodo o
¡rcicriio, condiçao irrcnissívcl ¡ara su¡cra-lo.
Con o ¡assado nao sc luia cor¡o a cor¡o. O
¡orvir o vcncc ¡orquc o dcvora. Sc dci×ar algo
dclc fora csia ¡crdido.
Un c ouiro ÷ lolcIcvisno c fascisno ÷ sao
duas falsas alvoradas; nao irazcn a nanIa do
ananIa, nas a dc un arcaico dia, ja usado una
ou nuiias vczcs; sao ¡riniiivisno. E isio scrao
iodos os novincnios quc rccaian na
sin¡licidadc dc iravar una luia con ial ou qual
162
¡orçao do ¡assado, cn vcz dc ¡roccdcr a sua
digcsiao.
Nao Ia duvida dc quc c ¡rcciso su¡crar o
lilcralisno do scculo XIX. Mas isso c jusiancnic
o quc nao ¡odc fazcr qucn, cono o fascisno, sc
dcclara anii-lilcral. Por isso ÷ scr aniililcral ou
nao lilcral ÷ c o quc fazia o Ioncn anicrior ao
lilcralisno. E cono ja una vcz csic iriunfou
daqucla, rc¡ciira sua viioria inuncravcis vczcs ou
sc acalara iudo ÷ lilcralisno c anii-lilcralisno
÷ nuna dcsiruiçao da Euro¡a. Ha una
cronologia viial inc×oravcl. O lilcralisno c ncla
¡osicrior ao anii-lilcralisno, ou, o quc c o
ncsno, c nais vida quc csic, cono o canIao c
nais arna quc a lança.
Dcsdc ja, una aiiiudc anii-algo ¡arccc
¡osicrior a csic algo, ¡osio quc signifiquc una
rcaçao conira clc c su¡õc sua ¡rcvia c×isicncia.
Mas a inovaçao quc o anii rc¡rcscnia sc
dcsvanccc no vazio adcnanc ncgador c dci×a so
cono conicudo ¡osiiivo una ºaniigualIa". Qucn
sc dcclara anii-Pcdro nao faz, iraduzindo sua
aiiiudc à linguagcn ¡osiiiva, scnao dcclarar-sc
¡ariidario dc un nundo ondc Pcdro nao c×isic.
Mas isso c ¡rccisancnic o quc aconiccia ao
nundo quando ainda nao Iavia nascido Pcdro. O
anii¡cdrisia, cn vcz dc colocar-sc dc¡ois dc
Pcdro, coloca-sc anics c rciroccdc ioda a ¡clícula
à siiuaçao ¡assada, ao calo da qual csia
163
inc×oravclncnic o rca¡arccincnio dc Pcdro.
Aconiccc, ¡ois, con iodos csics anii o quc,
scgundo a lcnda, aconicccu a Confucio. O qual
nasccu, naiuralncnic, dc¡ois dc scu ¡ai; nas,
dialo!, nasccu ja con oiicnia anos cnquanio scu
¡rogcniior nao iinIa nais quc irinia. Todo anii
nao c nais quc un sin¡lcs c vazio nao.
Scria iudo nuiio facil sc con un nao ¡uro c
sin¡lcs aniquilasscnos o ¡assado. Mas o
¡assado c ¡ura csscncia rcvcnani. Sc o
nandanos cnlora, volia, volia
irrcncdiavclncnic. Por isso sua unica auicniica
su¡craçao c nao nanda-lo cnlora. Coniar con
clc. Con¡oriar-sc à sua visia ¡ara sorica-lo,
cviia-lo. En suna, ºa aliura dos icn¡os", con
Ii¡crcsicsica conscicncia da conjuniura
Iisiorica.
O ¡assado icn razao, a sua. Sc nao sc lIc da
cssa quc icn, voliara a rcclana-la, c dc ¡assagcn
a in¡or a quc nao icn. O lilcralisno iinIa una
razao, c cssa c ¡rcciso da-la ¡cr saccula
saccculorun. Mas nao iinIa ioda a razao, c cssa
quc nao iinIa c a quc sc dcvia iirar-lIc. A Euro¡a
ncccssiia conscrvar scu csscncial lilcralisno.
Esia c a condiçao ¡ara su¡cra-lo.
Sc falci aqui dc fascisno c lolcIcvisno nao
foi scnao olliquancnic, fi×ando-nc so na sua
fciçao anacrónica. Esia c, a ncu juízo,
164
insc¡aravcl dc iudo quc Iojc ¡arccc iriunfar.
Porquc Iojc iriunfa o Ioncn-nassa, c, ¡orianio,
so icniaiivas ¡or clcs infornadas, saiuradas dc
scu csiilo ¡riniiivo, ¡odcn cclclrar una
a¡arcnic viioria. Mas, à ¡aric isso, nao discuio
agora a cniranIa dc un ncn a do ouiro, cono
nao ¡rcicndo dirinir o ¡crcnc dilcna cnirc
rcvoluçao c cvoluçao. O na×ino quc csic cnsaio
sc aircvc a soliciiar c quc rcvoluçao ou cvoluçao
scjan Iisioricas c nao anacrónicas.
O icna quc vcrso ncsias ¡aginas c
¡oliiicancnic ncuiro, ¡orquc alcnia cn csiraio
nuiio nais ¡rofundo quc a ¡olíiica c suas
disscnsõcs. Nao c nais ncn ncnos nassa o
conscrvador quc o radical, c csia difcrcnça ÷ quc
cn ioda c¡oca icn sido nuiio su¡crficial ÷ nao
in¡cdc ncn dc longc quc anlos scjan un
ncsno Ioncn, vulgo rclcldc.
A Euro¡a nao icn rcnissao sc scu dcsiino
nao c ¡osio nas naos dc ¡cssoas
vcrdadcirancnic ºconicn¡orancas" quc sinian
¡al¡iiar dclai×o dc si iodo o sulsolo Iisiorico,
quc conIcçan a laiiiudc ¡rcscnic da vida c
rc¡ugncn ioda aiiiudc arcaica c silvcsirc.
Ncccssiianos da Iisioria ínicgra ¡ara vcr sc
conscguinos csca¡ar dcla, nao rccair ncla.
165

XI. A ÉPOCA DO "MOCINHO SATISFEITO"

Fcsuno. O novo faio social quc aqui sc
analisa c csic. a Iisioria curo¡cia ¡arccc, ¡cla
¡rincira vcz, cnircguc à dccisao do Ioncn vulgar
cono ial. Ou diio cn voz aiiva. o Ioncn vulgar,
anics dirigido, rcsolvcu govcrnar o nundo. Esia
rcsoluçao dc avançar ¡ara o ¡rinciro ¡lano social
¡roduziu-sc nclc, auionaiicancnic, nal cIcgou a
anadurcccr o novo ii¡o dc Ioncn quc clc
rc¡rcscnia. Sc aicndcndo aos dcfciios da vida
¡ullica, csiuda-sc a csiruiura ¡sicologica dcsic
novo ii¡o dc Ioncn-nassa, cnconira-sc o
scguinic. 1o., una in¡rcssao naiiva c radical dc
quc a vida c facil, alasiada, scn liniiaçõcs
iragicas; ¡orianio, cada indivíduo ncdio cnconira
cn si una scnsaçao dc donínio c iriunfo quc,
2o., o convida a afirnar-sc a si ncsno ial qual c,
a considcrar lon c con¡lcio scu Iavcr noral c
iniclcciual. Esic conicniancnio consigo o lcva a
fccIar-sc cn si ncsno ¡ara ioda insiancia
c×icrior, a nao ouvir, a nao ¡ór cn icla dc juízo
suas o¡iniõcs c a nao coniar con os dcnais. Sua
scnsaçao íniina dc donínio o inciia
consianicncnic a c×crccr ¡rcdonínio. Aiuara,
¡ois, cono sc soncnic clc c scus congcncrcs
c×isiisscn no nundo; ¡orianio, 3o., inicrvira cn
iudo in¡ondo sua vulgar o¡iniao, scn
166
considcraçõcs, conicn¡laçõcs, iraniics ncn
rcscrvas; qucr dizcr, scgundo un rcginc dc ºaçao
dircia".
Esic rc¡criorio dc fciçõcs fcz con quc
¡cnsasscnos cn ccrios nodos dcficicnics dc scr
Ioncn, cono o ºncnino ninado" c o ¡riniiivo
rclcldc; qucr dizcr, o larlaro. (O ¡riniiivo
nornal, ¡clo conirario, c o Ioncn nais docil a
insiancias su¡criorcs quc janais c×isiiu ÷
rcligiao, ialus, iradiçao social, cosiuncs ÷.} Nao
c ncccssario csiranIar quc cu acunulc dicicrios
sol csia figura dc scr Iunano. O ¡rcscnic cnsaio
nao c nais quc un ¡rinciro cnsaio dc aiaquc a
cssc Ioncn iriunfanic, c o anuncio dc quc uns
quanios curo¡cus vao rcagir cncrgicancnic
conira sua ¡rcicnsao dc iirania. Por cnquanio
iraia-sc dc un cnsaio dc aiaquc. o aiaquc a
fundo vira dc¡ois, ialvcz nuiio lrcvc, cn forna
nuiio difcrcnic da quc csic cnsaio rcvcsic, O
aiaquc a fundo icn dc vir dc nancira quc o
Ioncn-nassa nao sc ¡ossa ¡rccavcr conira clc,
quc o vcja dianic dc si c nao sus¡ciic quc aquilo,
¡rccisancnic aquilo, c o aiaquc a fundo.
Esic ¡crsonagcn, quc agora anda ¡or ioda a
¡aric c ondc qucr in¡or sua larlaric íniina, c,
con cfciio, o garoio ninado da Iisioria Iunana.
O garoio ninado c o Icrdciro quc sc con¡oria
c×clusivancnic cono Icrdciro. Agora a Icrança c
a civilizaçao ÷ as conodidadcs, a scgurança; cn
167
suna, as vaniagcns da civilizaçao ÷. Cono
vinos, so dcniro da folga social quc csia falricou
no nundo, ¡odc surgir un Ioncn consiiiuído
¡or aquclc rc¡criorio dc fciçõcs, ins¡irado ¡or ial
caraicr. É una dc ianias dcfornaçõcs cono o
lu×o ¡roduz na naicria Iunana. Tcndcríanos
ilusoriancnic a crcr quc una vida nascida cn
un nundo alasiado scria nclIor, nais vida c dc
su¡crior qualidadc à quc consisic, ¡rccisancnic,
cn luiar con a cscasscz. Mas nao c vcrdadc. Por
razõcs nuiio rigorosas c arquifundancniais quc
agora nao c o¡oriuno cnunciar. Agora, cn vcz
dcssas razõcs, lasia rccordar o faio scn¡rc
rc¡ciido quc consiiiui a iragcdia dc ioda a
arisiocracia Icrcdiiaria. O arisiocraia Icrda, qucr
dizcr, cnconira airiluídas a sua ¡cssoa unas
condiçõcs dc vida quc clc nao criou, ¡orianio, quc
nao sc ¡roduzcn organicancnic unidas a sua
vida ¡cssoal c ¡ro¡ria. AcIa-sc ao nasccr
insialado, dc rc¡cnic c scn salcr cono, cn ncio
dc sua riqucza c dc suas ¡rcrrogaiivas. Elc nao
icn, iniinancnic, nada quc vcr con clas, ¡orquc
nao vcn dclc. Sao a cara¡aça giganicsca dc ouira
¡cssoa, dc ouiro scr vivcnic, scu anic¡assado. E
icn dc vivcr cono Icrdciro, isio c, icn dc usar a
cara¡aça dc ouira vida. En quc ficanos? Quc
vida vai vivcr o ºarisiocraia" dc Icrança, a sua ou
a do ¡roccr inicial? Ncn una ncn ouira. Esia
condcnado a rc¡rcscniar o ouiro, ¡orianio, a nao
scr ncn o ouiro ncn clc ncsno. Sua vida ¡crdc
168
inc×oravclncnic auicniicidadc, c convcric-sc cn
¡ura rc¡rcscniaçao ou ficçao dc ouira vida. A
alundancia dc ncios quc csia olrigado a
nancjar nao o dci×a vivcr scu ¡ro¡rio c ¡cssoal
dcsiino, airofia sua vida. Toda vida c luia, csforço
¡or scr cla ncsna. As dificuldadcs con quc
iro¡cço ¡ara rcalizar ninIa vida sao,
¡rccisancnic, o quc dcs¡cria c noliliza ninIas
aiividadcs, ninIas ca¡acidadcs. Sc ncu cor¡o
nao nc ¡csassc cu nao ¡odcria andar. Sc a
ainosfcra nao nc o¡rinissc, scniiria ncu cor¡o
cono una coisa vaga, fofa, faniasnaiica. Assin,
no ºarisiocraia" Icrdciro ioda a sua ¡cssoa vai sc
dcsvancccndo, ¡or falia dc uso c csforço viial. O
rcsuliado c cssa cs¡ccífica ¡arvoícc das vclIas
nolrczas, quc nao sc asscnclIa a nada c quc, a
rigor, ningucn dcscrcvcu ainda cn scu inicrno c
iragico nccanisno ÷ o inicrno c iragico
nccanisno quc conduz ioda a arisiocracia
Icrcdiiaria à sua irrcncdiavcl dcgcncraçao.
ValIa isio iao soncnic ¡ara cnfrcniar nossa
ingcnua icndcncia a crcr quc a alundancia dc
ncios favorccc a vida. Pclo conirario. Un nundo
alundoso(60} dc ¡ossililidadcs ¡roduz
auionaiicancnic gravcs dcfornaçõcs c viciosos
ii¡os dc c×isicncia Iunana ÷ os quc sc ¡odcn
rcunir na classc gcral ºIoncn-Icrdciro", dc quc o
ºarisiocraia" nao c scnao un caso ¡ariicular, c
ouiro un ncnino ninado c ouiro, nuiio nais
an¡lo c radical, o Ioncn-nassa dc nosso icn¡o
169
÷. (Por ouira ¡aric, calcria a¡rovciiar nais
dcialIadancnic a anicrior alusao ao
ºarisiocraia", nosirando cono nuiios dos iraços
caracicrísiicos dcsic, cn iodos os ¡ovos c icn¡o,
sc dao, dc nancira gcrninal, no Ioncn-nassa.
Por c×cn¡lo. a ¡ro¡cnsao dc fazcr ocu¡açao
ccniral da vida os jogos c os cs¡orics; o culiivo do
scu cor¡o ÷ rcginc Iigicnico c aicnçao à lclcza
do irajc ÷; falia dc ronaniicisno na rclaçao con
a nulIcr; divcriir-sc con o iniclcciual, nas, no
fundo, nao csiina-lo c nandar quc os lacaios ou
os cslirros o açoiicn; ¡rcfcrir a vida sol a
auioridadc alsoluia a un rcginc dc discussao(61},
cic. cic.}.
Insisio, ¡ois, con lcal dcsgosio cn fazcr vcr
quc csic Ioncn cIcio dc icndcncias incivis, quc
csic novíssino larlaro c un ¡roduio auionaiico
da civilizaçao nodcrna, cs¡ccialncnic da forna
quc csia civilizaçao no scculo XIX. Nao vcio dc
fora ao nundo civilizado cono os ºgrandcs
larlaros lrancos" do scculo V; nao nasccu
ian¡ouco dcniro dclc ¡or gcraçao cs¡onianca c
nisicriosa, cono, scgundo Arisioiclcs, os girinos
na alvcrca, nas c o scu fruio naiural. Calc
fornular csia lci quc a ¡alconiologia c a
liogcografia confirnan. a vida Iunana surgiu c
¡rogrcdiu so quando os ncios con quc coniava
csiavan cquililrados ¡clos ¡rollcnas quc scniia.
Isio c vcrdadc, ianio na ordcn cs¡iriiual cono na
física. Assin, ¡ara nc rcfcrir a una dincnsao
170
nuiio concrcia da vida cor¡oral, rccordarci quc a
cs¡ccic Iunana lroiou cn zonas do ¡lancia ondc
a csiaçao qucnic ficava con¡cnsada ¡or una
csiaçao dc frio inicnso. Nos iro¡icos, o aninal-
Ioncn dcgcncra, c vicc-vcrsa, as raças infcriorcs
÷ ¡or c×cn¡lo, os ¡igncus ÷ foran rc¡clidas
¡ara os iro¡icos ¡or raças nascidas dc¡ois dclas c
su¡criorcs na cscala da cvoluçao(62}.
Pois lcn, a civilizaçao do scculo XIX c dc ial
índolc quc ¡crniic ao Ioncn ncdio insialar-sc
cn un nundo alundanic, do qual ¡crcclc so a
su¡cralundancia dc ncios, nas nao as
angusiias. Enconira-sc rodcado dc insiruncnios
¡rodigiosos, dc ncdicinas lcncficas, dc Esiados
¡rcvidcnics, dc dirciios cónodos. Ignora, ¡or scu
iurno, o difícil quc c invcniar cssas ncdicinas c
insiruncnios c asscgurar ¡ara o fuiuro sua
¡roduçao; nao ¡crcclc o insiavcl quc c a
organizaçao do Esiado, c nal scnic dcniro dc si
olrigaçõcs. Esic dcscquilílrio o falsifica, vicia-o
cn sua raiz dc scr vivcnic, fazcndo-o ¡crdcr
coniacio con a sulsiancia ncsna da vida, quc c
alsoluio ¡crigo, radical ¡rollcnaiisno. A forna
nais coniradiioria da vida Iunana quc ¡odc
a¡arcccr na vida Iunana c o ºnocinIo
saiisfciio". Por isso, quando sc iorna figura
¡rcdoninanic, c ¡rcciso dar o griio dc alarnc c
anunciar quc a vida sc acIa ancaçada dc
dcgcncraçao; qucr dizcr, dc rclaiiva noric.
Scgundo isio, o nívcl viial quc rc¡rcscnia a
171
Euro¡a dc Iojc c su¡crior a iodo o ¡assado
Iunano; nas sc olIanos o ¡orvir, faz icncr quc
ncn conscrvc sua aliura ncn ¡roduza ouiro nívcl
nais clcvado, ¡orcn, ¡clo conirario, quc
rciroccda c rccaia cn aliiiudcs infcriorcs.
Isio, ¡cnso, faz vcr con suficicnic clarcza a
anornalidadc su¡crlaiiva quc rc¡rcscnia o
ºnocinIo saiisfciio". Porquc c un Ioncn quc
vcio à vida ¡ara fazcr o quc lcn cnicndc. Con
cfciio, o ºfilIo dc fanília" forja ¡ara si csia ilusao.
Ja salcnos ¡or quc. no anliio faniliar, iudo, aic
os naiorcs dcliios, ¡odc ficar no final das conias
in¡unc. O anliio faniliar c rclaiivancnic
ariificial, c iolcra dcniro dc si nuiios aios quc na
socicdadc, no ar da rua irarian auionaiicancnic
conscqucncias dcsasirosas c iniludívcis ¡ara scu
auior. Mas o ºnocinIo" c aquclc quc acrcdiia
¡odcr con¡oriar-sc fora dc casa cono cn casa,
aquclc quc acrcdiia quc nada c faial, irrcncdiavcl
c irrcvogavcl. Por isso acrcdiia quc ¡odc fazcr o
quc lcn cnicndc(63}. Crandc cquívoco! Vossa
Mcrcc ira aondc o lcvcn, cono sc diz ao ¡a¡agaio
no conio do ¡oriugucs. Nao c o quc nao sc dcva
fazcr o quc csicja na voniadc da ¡cssoa; c quc
nao sc ¡odc fazcr scnao o quc cada qual icn quc
fazcr, icn quc scr. Calc unicancnic ncgar-sc a
fazcr isso quc c ¡rcciso fazcr; nas isio nao nos
dci×a cn lilcrdadc ¡ara fazcr ouira coisa quc
csicja na nossa voniadc. Ncsic ¡onio ¡ossuínos
a¡cnas una lilcrdadc ncgaiiva dc arlíirio ÷ a
172
noliçao ÷. Podcnos ¡crfciiancnic dcscriar dc
nosso dcsiino nais auicniico; nas c ¡ara cair
¡risionciro nos graus infcriorcs dc nosso dcsiino.
Eu nao ¡osso fazcr isio cvidcnic a cada lciior no
quc scu dcsiino individualíssino icn cono ial,
¡orquc nao conIcço a cada lciior, nas c ¡ossívcl
fazc-lo vcr naquclas ¡orçõcs ou faccias dc scu
dcsiino quc sao idcniicas às dc ouiros. Por
c×cn¡lo. iodo curo¡cu aiual salc, con una
ccricza nuiio nais vigorosa quc a dc iodas as
suas idcias c ºo¡iniõcs" cסrcssas, quc o Ioncn
curo¡cu aiual icn dc scr lilcral. Nao discuianos
sc csia ou a ouira forna dc lilcrdadc c a quc icn
dc scr. Fcfiro-nc a quc o curo¡cu nais
rcacionario salc, no fundo dc sua conscicncia,
quc isso quc a Euro¡a icniou no uliino scculo
con o nonc dc lilcralisno c, cn uliina
insiancia, algo iniludívcl, inc×oravcl, quc o
Ioncn ocidcnial dc Iojc c, qucira ou nao qucira.
Enlora sc dcnonsirc, con ¡lcna c
inconirasiavcl vcrdadc, quc sao falsas c funcsias
iodas as nanciras concrcias cn quc sc icniou aic
agora rcalizar cssc in¡craiivo irrcnissívcl dc scr
¡oliiicancnic livrc, inscriio no dcsiino curo¡cu,
fica cn ¡c a uliina cvidcncia dc quc no scculo
uliino iinIa sulsiancialncnic razao. Esia
cvidcncia uliina aiua ianio no conunisia
curo¡cu cono no fascisia, ¡or nuiias aiiiudcs
quc icnIan ¡ara nos convcnccr c convcnccr-sc
do conirario, cono aiua ÷ qucira ou nao qucira,
173
crcia-o ou nao ÷ no caiolico quc ¡rcsia nais lcal
adcsao ao Syllalus(64}. Todos ºsalcn" quc alcn
das jusias críiicas con quc sc conlaicn as
nanifcsiaçõcs do lilcralisno fica a irrcvogavcl
vcrdadc dcsic, una vcrdadc quc nao c icorica,
cicniífica, iniclcciual, nas dc una ordcn
radicalncnic difcrcnic c nais dccisiva dc iudo
isso ÷ a salcr, una vcrdadc dc dcsiino ÷. As
vcrdadcs icoricas nao sao discuiívcis, nas iodo
scu scniido c sua força csiao cn scr discuiidas;
nasccn da discussao, vivcn cnquanio sc
discuicn c csiao fciias c×clusivancnic ¡ara a
discussao. Mas o dcsiino ÷ o quc viialncnic sc
icn quc scr ou nao sc icn quc scr ÷ nao sc
discuic, nas sin acciia-sc ou nao. Sc o
acciianos, sonos auicniicos; sc nao o acciianos,
sonos a ncgaçao, a falsificaçao dc nos
ncsnos(65}, O dcsiino nao consisic naquilo quc
icnos voniadc dc fazcr; nas nclIorncnic sc
rcconIccc c nosira scu claro, rigoroso ¡crfil na
conscicncia dc icr quc fazcr o quc nao csia na
nossa voniadc.
Pois lcn. ºo nocinIo-saiisfciio" caracicriza-
sc ¡or ºsalcr" quc ccrias coisas nao ¡odcn scr c,
cnircianio, c ¡or isso ncsno, fingir con scus
aios c ¡alavras a convicçao coniraria, O fascisia
sc nolilizara conira a lilcrdadc ¡olíiica,
¡rccisancnic ¡orquc salc quc csia nao faliara
nunca no fin das conias c cn scrio, nas quc csia
aí, irrcncdiavclncnic, na sulsiancia ncsna da
174
vida curo¡cia, c quc ncla sc rccaira scn¡rc quc a
vcrdadc scja ncccssaria, na Iora das scricdadcs.
Porquc csia c a iónica da c×isicncia no Ioncn-
nassa. a inscricdadc, a º¡iada". O quc fazcn,
fazcn-no scn o caraicr dc irrcvogavcl, cono faz
suas iravcssuras o ºfilIo dc fanília". Toda cssa
¡rcssa ¡ara adoiar cn iodas as ordcns aiiiudcs
a¡arcnicncnic iragicas, uliinas, ialIanics, c so a
a¡arcncia. Drincan dc iragcdia ¡orquc crccn quc
nao c vcrossínil a iragcdia cfciiva no nundo
civilizado.
Scria lon quc csiivcsscnos forçados a
acciiar cono auicniico scr dc una ¡cssoa o quc
cla ¡rcicndia nosirar-nos cono ial. Sc algucn sc
olsiina cn afirnar quc dois nais dois c igual a
cinco c nao Ia noiivo ¡ara su¡ó-lo clcncnic,
dcvcnos afirnar quc nao o crc, ¡or nuiio quc
griic c ainda sc dci×c naiar ¡ara susicnia-lo.
Un furacao dc farsa gcral c onínoda so¡ra
solrc o iorrao curo¡cu. Quasc iodas as ¡osiçõcs
quc sc ionan c osicnian sao inicrnancnic
falsas. Os unicos csforços quc fazcn dcsiinan-sc
a fugir do ¡ro¡rio dcsiino, a ccgar-sc anic sua
cvidcncia c sua cIanada ¡rofunda, a cviiar cada
qual o confronio con isso quc icn quc scr. Vivc-
sc Iunorisiicancnic c ianio nais quanio nais
iragica scja a nascara adoiada. Ha Iunorisno
ondc qucr quc sc vivc dc aiiiudcs rcvogavcis, cn
quc a ¡cssoa nao sc finca inicira c scn rcscrvas.
175
O Ioncn-nassa nao afirna o ¡c solrc a firncza
inconovívcl dc scu signo; ¡clo conirario, vcgcia
sus¡cnso ficiiciancnic no cs¡aço. Por isso c quc
nunca cono agora csias vidas scn ¡cso c scn
raiz ÷ dcracinccs dc scu dcsiino ÷ sc dci×cn
arrasiar ¡cla nais inconsianic corrcnic. É a
c¡oca das ºcorrcnics" c do ºdci×ar-sc ir". Quasc
ningucn a¡rcscnia rcsisicncia aos su¡crficiais
iorvclinIos quc sc fornan cn aric ou cn idcias,
ou cn ¡olíiica, ou nos usos sociais. Por isso, nais
quc nunca iriunfa a rciorica. O su¡crrcalisia
acrcdiia Iavcr su¡crado ioda a Iisioria liicraria
quando cscrcvcu ºaqui una ¡alavra quc nao c
ncccssario cscrcvcr" ondc ouiros cscrcvcran
ºjasnins, cisncs c fauncsas". Mas c claro quc con
isso so fcz c×irair ouira rciorica quc aic agora
jazia nas lairinas.
Esclarccc a siiuaçao aiual advcriir, nao
olsianic a singularidadc dc sua fisiononia, a
¡orçao quc dc conun iinIa con ouiras do
¡assado. Assin aconiccc quc nal cIcga à sua
na×ina aiiiudc a civilizaçao ncdiicrranca ÷ ¡or
volia do scculo III A. C. ÷ a¡arccc o cínico.
Diogcncs ¡aicia con suas sandalias sujas dc
lana os ia¡cics dc Arísii¡o. O cínico iornou-sc
un ¡crsonagcn ¡ululanic, quc sc acIava airas
dc cada csquina c cn iodas as aliuras. Ora lcn,
o cínico nao fazia ouira coisa scnao saloiar
aqucla civilizaçao. Era o niIilisia do Iclcnisno.
Janais criou ncn fcz nada, scu ¡a¡cl cra
176
dcsfazcr ÷ nclIor diio, icniar dcsfazcr, ¡orquc
ian¡ouco conscguiu scu ¡ro¡osiio ÷ O cínico,
¡arasiia da civilizaçao, vivc dc ncga-la, ¡cla
ncsna razao dc quc csia convcncido dc quc cla
nao dcsa¡arcccra. Quc faria o cínico nun ¡ovo
sclvagcn ondc iodos, naiuralncnic c a scrio,
fazcn o quc clc cn farsa, considcra cono scu
¡a¡cl ¡cssoal? Quc c un fascisia sc nao fala nal
da lilcrdadc c un su¡crrcalisia sc nao ¡crjura da
aric!
Nao ¡odia con¡oriar-sc dc ouira nancira
cssc ii¡o dc Ioncn nascido no nundo
dcnasiadancnic lcn organizado, do qual so
¡crcclc as vaniagcns c nao os ¡crigos. O
coniorno o nina, ¡orquc c ºcivilizaçao" ÷ isio c,
una casa ÷, c o ºfilIo dc fanília" nao scnic nada
quc o faça sair dc sua índolc ca¡ricIosa, quc
inciic a ouvir insiancias c×icrnas su¡criorcs a
clc, c nuiio ncnos quc o olriguc a ionar coniaio
con o fundo inc×oravcl dc scu ¡ro¡rio dcsiino.
177

XII. A BARBÁRIE DO "ESPECIALISMO"

A icsc cra quc a civilizaçao do scculo XIX
¡roduziu auionaiicancnic o Ioncn-nassa.
Convcn nao fccIar sua cסosiçao gcral scn
analisar, nun caso ¡ariicular, a nccanica dcssa
¡roduçao. Dcsia soric, ao concrciizar-sc, a icsc
ganIa cn força ¡crsuasiva.
Esia civilizaçao do scculo XIX, dizia cu, ¡odc
rcsunir-sc cn duas grandcs dincnsõcs.
dcnocracia lilcral c iccnica. Toncnos agora
soncnic a uliina. A iccnica conicn¡oranca
nascc da co¡ulaçao cnirc o ca¡iialisno c a
cicncia cסcrincnial. Nao ioda iccnica c
cicniífica. Aquclc quc falricou os nacIados dc
¡cdra, no ¡críodo cIclcnsc, carccia dc cicncia, c,
nao olsianic, criou una iccnica. A CIina cIcgou
a un alio grau dc iccnicisno scn sus¡ciiar cn
nada a c×isicncia da física. So a iccnica nodcrna
da Euro¡a ¡ossui una raiz cicniífica, c dcssa raiz
lIc vcn scu caraicr cs¡ccífico, a ¡ossililidadc dc
un iliniiado ¡rogrcsso. As dcnais iccnicas ÷
ncso¡oianica, niloia, grcga, ronana, oricnial ÷
cs¡raian-sc aic un ¡onio dc dcscnvolvincnio
quc nao ¡odcn ulira¡assar, c a¡cnas o iocan
concçan a rciroccdcr cn lancniavcl involuçao.
178
Esia naravilIosa iccnica ocidcnial iornou
¡ossívcl a naravilIosa ¡rolifcraçao da casia
curo¡cia. Fccordc-sc o dado dc quc ionou scu
vóo csic cnsaio c quc, cono cu dissc, cnccrra
gcrninalncnic iodas csias ncdiiaçõcs. Do scculo
V a 1800 a Euro¡a nao conscguc icr una
¡o¡ulaçao su¡crior a 180 nilIõcs. Dc 1800 a
1914 asccndc a nais dc 460 nilIõcs. O ¡ulo c
unico na Iisioria Iunana. Nao Ia duvida dc quc
a iccnica ÷ junio con a dcnocracia lilcral ÷
cngcndrou o Ioncn-nassa no scniido
quaniiiaiivo dcsia cסrcssao. Mas csias ¡aginas
icniaran nosirar quc ianlcn c rcs¡onsavcl da
c×isicncia do Ioncn-nassa no scniido
qualiiaiivo c ¡cjoraiivo do icrno.
Por ºnassa" ÷ ¡rcvcnia cu no ¡rincí¡io ÷
nao sc cnicndc cs¡ccialncnic o olrciro; nao
dcsigna aqui una classc social, nas una classc
ou nodo dc scr Ioncn quc sc da Iojc cn iodas
as classcs sociais, quc ¡or isso ncsno rc¡rcscnia
o nosso icn¡o, solrc o qual ¡rcdonina c in¡cra.
Agora vanos vcr isso con solrada cvidcncia.
Qucn c×crcc o ¡odcr social? Qucn in¡õc a
csiruiura dc scu cs¡íriio na c¡oca? Scn duvida,
a lurgucsia. Qucn, dcniro dcssa lurgucsia c
considcrado cono o gru¡o su¡crior, con a
arisiocracia do ¡rcscnic? Scn duvida, o iccnico.
cngcnIciro, ncdico, financisia, ¡rofcssor cic. cic.
Qucn, dcniro do gru¡o iccnico, o rc¡rcscnia con
179
naior aliiiudc c ¡urcza? Scn duvida, o Ioncn
dc cicncia. Sc un ¡crsonagcn asiral visiiassc a
Euro¡a, c con anino dc julga-la lIc ¡crguniassc
¡or quc ii¡o dc Ioncn, cnirc os quc a Ialiian,
¡rcfcria scr julgada, nao Ia duvida dc quc a
Euro¡a a¡oniaria saiisfciia c ccria dc una
scnicnça favoravcl, scus Ioncns dc cicncia. É
claro quc o ¡crsonagcn asiral nao ¡crguniaria
¡or indivíduos c×cc¡cionais, nas ¡rocuraria a
rcgra, o ii¡o gcncrico ºIoncn dc cicncia", cunc
da Iunanidadc curo¡cia.
Pois lcn. o Ioncn dc cicncia aiual c o
¡roioii¡o do Ioncn-nassa. E nao ¡or
casualidadc, ncn ¡or dcfciio uni¡cssoal dc cada
Ioncn dc cicncia, nas ¡orquc a iccnica ncsna
÷ raiz da civilizaçao ÷ o convcric
auionaiicancnic cn Ioncn-nassa; qucro dizcr,
faz dclc un ¡riniiivo, un larlaro nodcrno.
A coisa c nuiio conIccida. fcz-sc consiar
inuncras vczcs; nas, soncnic ariiculada no
organisno dcsic cnsaio, adquirc a ¡lcniiudc dc
scu scniido c a cvidcncia dc sua gravidadc.
A cicncia cסcrincnial inicia-sc ao finalizar o
scculo XVI (Calilcu}, conscguc consiiiuir-sc nos
finais do XVII (Ncwion} c concça a dcscnvolvcr-sc
nos ncados do XVIII. O dcscnvolvincnio dc algo c
coisa difcrcnic dc sua consiiiuiçao c csia
sulnciido a condiçõcs difcrcnics. Assin, a
180
consiiiuiçao da física, nonc colciivo da cicncia
cסcrincnial, olrigou a un csforço dc unificaçao.
Tal foi a olra dc Ncwion c dcnais Ioncns dc scu
icn¡o. Mas o dcscnvolvincnio da física iniciou
una faina dc caraicr o¡osio à unificaçao ¡ara
¡rogrcdir, a cicncia ncccssiiava quc os Ioncns dc
cicncia sc cs¡ccializasscn. Os Ioncns dc cicncia,
nao a cicncia. A cicncia nao c cs¡ccialisia. I¡so
facio dci×aria dc scr vcrdadcira. Ncn scqucr a
cicncia cn¡írica, ionada na sua inicgridadc, c
vcrdadcira sc a sc¡aranos da naicnaiica, da
logica, da filosofia. Mas o iralalIo ncla icn dc scr
÷ irrcnissivclncnic ÷ cs¡ccializado.
Scria dc grandc inicrcssc, c naior uiilidadc
quc a a¡arcnic à ¡rincira visia, fazcr una
Iisioria das cicncias físicas c liologicas,
nosirando o ¡roccsso dc crcsccnic cs¡ccializaçao
no iralalIo dos invcsiigadorcs. Isso faria vcr
cono, gcraçao a¡os gcraçao, o Ioncn dc cicncia
icn sido consirangido, cnccrrado nun can¡o dc
ocu¡açao iniclcciual cada vcz nais csirciio. Mas
nao c isio o in¡orianic quc cssa Iisioria nos
cnsinaria, nas jusiancnic o invcrso. cono cn
cada gcraçao o cicniífico, ¡or icr dc rcduzir sua
orliia dc iralalIo, ia ¡rogrcssivancnic ¡crdcndo
coniaio con as dcnais ¡arics da cicncia, con
una inicr¡rciaçao inicgral do univcrso, quc c o
unico ncrcccdor dos noncs dc cicncia, culiura,
civilizaçao curo¡cia.
181
A cs¡ccializaçao concça, ¡rccisancnic, nun
icn¡o quc cIana Ioncn civilizado ao Ioncn
ºcnciclo¡cdico". O scculo XIX inicia scus dcsiinos
sol a dircçao dc criaiuras quc vivcn
cnciclo¡cdicancnic, cnlora sua ¡roduçao icnIa
ja un caraicr dc cs¡ccialisno. Na gcraçao
scguinic, a cquaçao sc dcslocou, c a cs¡ccialidadc
concça a dcsalojar dcniro dc cada Ioncn dc
cicncia a culiura inicgral. Quando cn 1890 una
icrccira gcraçao assunc o conando iniclcciual da
Euro¡a, cnconirano-nos con un ii¡o dc
cicniífico scn c×cn¡lo na Iisioria. É un Ioncn
quc, dc iudo quanio Ia dc salcr ¡ara scr un
¡crsonagcn discrcio, conIccc a¡cnas
dcicrninada cicncia, c ainda dcssa cicncia so
conIccc lcn a ¡cqucna ¡orçao cn quc clc c aiivo
invcsiigador. CIcga a ¡roclanar cono una
viriudc o nao ionar conIccincnio dc quanio
fiquc fora da csirciia ¡aisagcn quc cs¡ccialncnic
culiiva, c dcnonina dilcianiisno a curiosidadc
¡clo conjunio do salcr.
O caso c quc, fccIado na csirciicza dc scu
can¡o visual, conscguc, con cfciio, dcscolrir
novos faios c fazcr avançar sua cicncia, quc clc
a¡cnas conIccc, c con cla a cnciclo¡cdia do
¡cnsancnio, quc conscicnciosancnic
dcsconIccc. Cono foi c c ¡ossívcl coisa
scnclIanic? Porquc convcn rc¡isar a
c×iravagancia dcsic faio incgavcl. a cicncia
cסcrincnial ¡rogrcdiu cn loa ¡aric ncrcc do
182
iralalIo dc Ioncns falulosancnic ncdíocrcs, c
ncnos quc ncdíocrcs. Qucr dizcr, quc a cicncia
nodcrna, raiz c sínlolo da civilizaçao aiual, dcu
guarida dcniro dc si ao Ioncn iniclcciualncnic
ncdio c lIc ¡crniic o¡crar con lon c×iio. A
razao disso csia no quc c, ao ncsno icn¡o,
vaniagcn naior c ¡crigo na×ino da cicncia nova
c dc ioda civilizaçao quc csia dirigc c rc¡rcscnia.
a nccanizaçao. Una loa ¡aric das coisas quc c
¡rcciso fazcr cn física c cn liologia c faina
nccanica dc ¡cnsancnio quc ¡odc scr c×ccuiada
¡or qualqucr ¡cssoa. Para os cfciios dc inuncras
invcsiigaçõcs c ¡ossívcl dividir a cicncia cn
¡cqucnos scgncnios, cnccrrar-sc cn un c
dcsinicrcssar-sc dos dcnais. A firncza c c×aiidao
dos nciodos ¡crniicn csia iransiioria c ¡raiica
dcsariiculaçao do salcr. TralalIa-sc con un
dcsscs nciodos cono con una naquina, c ncn
scqucr c forçoso ¡ara olicr alundanics
rcsuliados ¡ossuir idcias rigorosas solrc o
scniido c fundancnio dclcs. Assin a naior ¡aric
dos cicniíficos ¡ro¡clcn o ¡rogrcsso gcral da
cicncia cnccrrados nun nicIo dc scu laloraiorio,
cono a alclIa no scu alvcolo.
Por isso cria una casia dc Ioncns
solrcnodo csiranIos. O invcsiigador quc
dcscolriu un novo faio da Naiurcza icn ¡or
força dc scniir una in¡rcssao dc donínio c dc
scgurança cn sua ¡cssoa. Con ccria a¡arcnic
jusiiça sc considcrara cono ºun Ioncn quc
183
salc". E, con cfciio, nclc sc da un ¡cdaço dc algo
quc, junio con ouiros ¡cdaços nao c×isicnics
nclc, consiiiucn vcrdadcirancnic o salcr. Esia c
a siiuaçao íniina do cs¡ccialisia, quc nos
¡rinciros anos dcsic scculo cIcgou à sua nais
frcnciica c×agcraçao. O cs¡ccialisia ºsalc" nuiio
lcn scu nínino rincao dc univcrso; nas ignora
lasicancnic iodo o rcsio.
Eis aqui un ¡rccioso c×cn¡lar dcsic
csiranIo Ioncn novo quc cu icnici, ¡or una c
ouira dc suas vcricnics c as¡ccios, dcfinir. Eu
dissc quc cra una configuraçao Iunana scn
igual cn ioda a Iisioria. O cs¡ccialisia scrvc-nos
¡ara concrciizar cncrgicancnic a cs¡ccic c
fazcndo vcr iodo o radicalisno dc sua novidadc.
Porquc ouirora os Ioncns ¡odian dividir-sc,
sin¡lcsncnic, cn salios c ignoranics, cn nais
ou ncnos salios c nais ou ncnos ignoranics.
Mas o cs¡ccialisia nao ¡odc scr sulnciido a
ncnIuna dcsias duas caicgorias. Nao c un
salio, ¡orquc ignora fornalncnic o quc nao cnira
na sua cs¡ccialidadc; nas ian¡ouco c un
ignoranic, ¡orquc c ºun Ioncn dc cicncia" c
conIccc nuiio lcn sua ¡orciuncula dc univcrso.
Dcvcnos dizcr quc c un salio ignoranic, coisa
solrcnodo gravc, ¡ois significa quc c un scnIor
quc sc con¡oriara cn iodas as qucsiõcs quc
ignora, nao cono un ignoranic, nas con ioda a
¡ciulancia dc qucn na sua qucsiao cs¡ccial c un
salio.
184
E, con cfciio, csic c o con¡oriancnio do
cs¡ccialisia. En ¡olíiica, cn aric, nos usos
sociais, nas ouiras cicncias ionara ¡osiçõcs dc
¡riniiivo, c ignoraniíssino; nas as ionara con
cncrgia c suficicncia, scn adniiir ÷ c isio c o
¡arado×al ÷ cs¡ccialisias dcssas coisas. Ao
cs¡ccializa-lo a civilizaçao o iornou Icrnciico c
saiisfciio dcniro dc sua liniiaçao; nas cssa
ncsna scnsaçao íniina dc donínio c valia o
lcvara a qucrcr ¡rcdoninar fora dc sua
cs¡ccialidadc. E a conscqucncia c quc, ainda
ncsic caso, quc rc¡rcscnia un na×inun dc
Ioncn qualificado ÷ cs¡ccialisno ÷ c, ¡orianio,
o nais o¡osio ao Ioncn-nassa, o rcsuliado c
quc sc con¡oriara scn qualificaçao c cono
Ioncn-nassa cn quasc iodas as csfcras da vida.
A advcricncia nao c vaga. Qucn quiscr ¡odc
olscrvar a csiu¡idcz con quc ¡cnsan, julgan c
aiuan Iojc na ¡olíiica, na aric, na rcligiao c nos
¡rollcnas gcrais da vida c do nundo os ºIoncns
dc cicncia", c c claro, dc¡ois dclcs, ncdicos,
cngcnIciros, financisias, ¡rofcssorcs, cic. Essa
condiçao dc ºnao ouvir", dc nao sc sulncicr a
insiancias su¡criorcs quc rciicradancnic
a¡rcscnici cono caracicrísiica do Ioncn-nassa,
cIcga ao cunulo ncsscs Ioncns ¡arcialncnic
qualificados. Elcs sinlolizan, c cn grandc ¡aric
consiiiucn o in¡crio aiual das nassas, c sua
larlaric c a causa nais incdiaia da
dcsnoralizaçao curo¡cia.
185
Por ouira ¡aric, significan o nais claro c
¡rcciso c×cn¡lo dc cono a civilizaçao do uliino
scculo alandonada à sua ¡ro¡ria inclinaçao,
¡roduziu cssc lroio dc ¡riniiivisno c larlaric.
O rcsuliado nais incdiaio dcssc cs¡ccialisno
nao con¡cnsado icn sido quc Iojc, quando Ia
naior nuncro dc ºIoncns dc cicncia" quc nunca,
Iaja nuiio ncnos Ioncns ºculios" quc, ¡or
c×cn¡lo, cn 1750. E o ¡ior c quc con csscs
¡crdiguciros do forno cicniífico ncn scqucr csia
garaniido o ¡rogrcsso íniino da cicncia. Porquc
csia ncccssiia dc icn¡o cn icn¡o, cono organica
rcgulaçao dc scu ¡ro¡rio incrcncnio, un
iralalIo dc rcconsiiiuiçao, c, cono cu dissc, isso
rcqucr un csforço dc unificaçao, cada vcz nais
difícil, quc cada vcz con¡lica rcgiõcs nais vasias
do salcr ioial. Ncwion ¡odc criar scu sisicna
físico scn salcr nuiia filosofia, nas Einsicin
¡rccisou saiurar-sc dc Kani c dc MacI ¡ara
¡odcr cIcgar a sua aguda sínicsc. Kani c MacI ÷
con csics noncs sinloliza-sc so a nassa cnornc
dc ¡cnsancnios filosoficos c ¡sicologicos quc
influíran cn Einsicin ÷ scrviran ¡ara lilcrar a
ncnic dcssc c dci×ar-lIc a via livrc ¡ara sua
inovaçao. Mas Einsicin nao c suficicnic. A física
cnira na crisc nais ¡rofunda dc sua Iisioria, c so
¡odcra salva-la una nova cnciclo¡cdia nais
sisicnaiica quc a ¡rincira.
186
O cs¡ccialisno, ¡ois, quc iornou ¡ossívcl o
¡rogrcsso da cicncia cסcrincnial duranic un
scculo, a¡ro×ina-sc a una cia¡a cn quc nao
¡odcra avançar ¡or si ncsno sc nao sc cncarrcga
una gcraçao nclIor dc consiruir-lIc un novo
forno nais ¡odcroso.
Mas sc o cs¡ccialisia dcsconIccc a fisiologia
inicrna da cicncia quc culiiva, nuiio nais
radicalncnic ignora as condiçõcs Iisioricas dc
sua ¡crduraçao, isio c, cono dcvcn csiar
organizados a socicdadc c o coraçao do Ioncn,
¡ara quc ¡ossa coniinuar Iavcndo
invcsiigadorcs. A dccadcncia dc vocaçao cicniífica
quc sc olscrva ncsics anos ÷ à qual ja aludi ÷ c
un siniona ¡rcocu¡ador ¡ara iodo aquclc quc
icnIa una idcia clara do quc c civilizaçao, a idcia
quc soi faliar ao ií¡ico ºIoncn dc cicncia", cunc
dc nossa aiual civilizaçao. Tanlcn clc acrcdiia
quc a civilizaçao csia aí, sin¡lcsncnic, cono a
crosia icrrcsirc c a sclva ¡rinigcnca.
187

XIII. O MAIOR PERIGO, O ESTADO

Nuna loa ordcnaçao das coisas ¡ullicas, a
nassa c o quc nao aiua ¡or si ncsna. Tal c a sua
nissao. Vcio ao nundo ¡ara scr dirigida, influída,
rc¡rcscniada, organizada ÷ aic ¡ara dci×ar dc
scr nassa, ou, ¡clo ncnos, as¡irar a isso ÷. Mas
nao vcio ao nundo ¡ara fazcr iudo isso ¡or si.
Ncccssiia rcfcrir sua vida à insiancia su¡crior,
consiiiuída ¡clas ninorias c×cclcnics. Discuia-sc
quanio sc qucira qucn sao os Ioncns c×cclcnics;
nas quc scn clcs ÷ scjan uns ou ouiros ÷ a
Iunanidadc nao c×isiiria no quc icn dc nais
csscncial, c coisa solrc a qual convcn quc nao
Iaja duvida alguna, cnlora lcvc a Euro¡a iodo
un scculo ncicndo a calcça dclai×o da asa, ao
nodo dos csirucios ¡ara vcr sc conscguc nao vcr
iao radianic cvidcncia. Porquc nao sc iraia dc
una o¡iniao fundada cn faios nais ou ncnos
frcqucnics c ¡rovavcis, nas nuna lci da ºfísica"
social, nuiio nais inconovívcl quc as lcis da
física dc Ncwion. No dia cn quc volic a in¡crar
na Euro¡a una auicniica filosofia(66} ÷ unica
coisa quc ¡odc salva-la ÷, con¡rccndcr-sc-a quc
o Ioncn c, icnIa ou nao voniadc disso, un scr
consiiiuiivancnic forçado a ¡rocurar una
insiancia su¡crior. Sc conscguc ¡or si ncsno
cnconira-la, c quc c un Ioncn c×cclcnic; scnao,
188
c quc c un Ioncn-nassa c ncccssiia rccclc-la
daquclc.
Prcicndcr a nassa aiuar ¡or si ncsna c,
¡ois, rclclar-sc conira scu ¡ro¡rio dcsiino, c
cono isso c o quc faz agora, falo cu da rclcliao
das nassas. Porquc no final das conias a unica
coisa quc sulsiancialncnic c con vcrdadc ¡odc
cIanar-sc c a quc consisic cn nao acciiar cada
qual scu dcsiino, cn rclclar-sc conira si ncsno.
A rigor, a rclcliao do arcanjo Luzlcl nao o
Iouvcra sido ncnos sc cn vcz dc cn¡cnIar-sc
cn scr Dcus ÷ o quc nao cra scu dcsiino ÷ sc
Iouvcssc olsiinado cn scr o nais ínfino dos
anjos, quc ian¡ouco o cra. (Sc Luzlcl iivcssc sido
russo, cono Tolsioi, icria ialvcz ¡rcfcrido csic
uliino csiilo dc rclcldia, quc nao c nais ncn
ncnos conira Dcus quc o ouiro iao fanoso}.
Quando a nassa aiua ¡or si ncsna, fa-lo so
dc una nancira, ¡orquc nao icn ouira. lincIa.
Nao c con¡lciancnic casual quc a lci dc LyncI
scja ancricana, ja quc a Ancrica c dc ccrio nodo
o ¡araíso das nassas. Ncn nuiio ncnos ¡odcra
csiranIar quc agora, quando as nassas
iriunfan, iriunfc a violcncia c sc faça dcla a unica
raiio, a unica douirina. Ha nuiio icn¡o quc cu
fazia noiar csic concrcio da violcncia cono
norna(67}, Hojc cIcgou a scu na×ino
dcscnvolvincnio, c isso c un lon siniona,
¡orquc significa quc auionaiicancnic vai iniciar-
189
sc scu dcsccnso. Hojc c ja a violcncia a rciorica
do icn¡o; os rcioricos, os inancs, a fazcn sua.
Quando una rcalidadc Iunana cun¡riu sua
Iisioria, naufragou c norrcu, as ondas a cos¡cn
nas cosias da rciorica, ondc, cadavcr, ¡crvivc
largancnic. A rciorica c o ccniicrio das
rcalidadcs Iunanas; no nínino, scu Ios¡iial dc
invalidos. À rcalidadc solrcvivc scu nonc quc,
ainda scndo sua ¡alavra, c, afinal dc conias,
nada ncnos quc ¡alavra c conscrva scn¡rc algo
dc scu ¡odcr nagico.
Mas ainda quando nao scja in¡ossívcl quc
icnIa concçado a ninguar o ¡rcsiígio da
violcncia cono norna cinicancnic csialclccida,
coniinuarcnos sol scu rcginc, lcn quc cn ouira
forna.
Fcfiro-nc ao ¡crigo naior quc Iojc ancaça a
civilizaçao curo¡cia. Cono iodos os dcnais
¡crigos quc ancaçan csia civilizaçao, ianlcn
csic nasccu dcla. Mais ainda. consiiiui una dc
suas glorias; c o Esiado conicn¡oranco.
Enconirano-nos, ¡ois, con una rc¡lica do quc
no ca¡íiulo anicrior sc dissc solrc a cicncia. a
fccundidadc dc scus ¡rincí¡ios a ¡ro¡clcn a un
faluloso ¡rogrcsso; nas csic in¡õc
inc×oravclncnic a cs¡ccializaçao, c a
cs¡ccializaçao ancaça afogar a cicncia.
A ncsna coisa aconiccc con o Esiado.
190
Fcncnorc-sc o quc cra o Esiado nos fins do
scculo XVIII cn iodas as naçõcs curo¡cias. Dcn
¡ouca coisa! O ¡rinciro ca¡iialisno c suas
organizaçõcs indusiriais, ondc ¡cla ¡rincira vcz
iriunfa a iccnica, a nova iccnica, a racionalizada,
Iavian ¡roduzido un ¡rinciro crcscincnio da
socicdadc. Una nova classc social a¡arcccu, nais
¡odcrosa cn nuncro c ¡oicncia quc as
¡rcc×isicnics. a lurgucsia. Esia lurgucsia scn
ncriio ¡ossuía, anics dc iudo c solrciudo una
coisa. ialcnio, ialcnio ¡raiico. Salia organizar,
disci¡linar, dar coniinuidadc c ariiculaçao ao
csforço. No ncio dcla, cono nun occano,
navcgava ao azar a ºnavc do Esiado". A navc do
Esiado c una nciafora rcinvcniada ¡cla
lurgucsia, quc sc scniia a si ncsna occanica,
oni¡oicnic c gravida dc iorncnias. Aqucla navc
cra coisa dc nada ou ¡ouco nais. a¡cnas iinIa
soldados, a¡cnas iinIa lurocraias, a¡cnas iinIa
dinIciro. Havia sido falricada na Idadc Mcdia ¡or
una classc dc Ioncns nuiio difcrcnics dos
lurgucscs. os nolrcs, gcnic adniravcl ¡or sua
coragcn, ¡or scu don dc nando, ¡or scu scniido
dc rcs¡onsalilidadc. Scn clcs nao c×isiirian as
naçõcs da Euro¡a. Mas con iodas cssas viriudcs
do coraçao, os nolrcs andavan, scn¡rc
andaran, nal dc calcça. Vivian da ouira vísccra.
Dc inicligcncia nuiio liniiada, scniincniais,
insiiniivos, iniuiiivos; cn suna, ºirracionais". Por
isso nao ¡udcran dcscnvolvcr ncnIuna iccnica,
191
coisa quc olriga à racionalizaçao. Nao invcniaran
a ¡olvora. Enicdiaran-sc. Inca¡azcs dc invcniar
novas arnas, dci×aran quc os lurgucscs ÷
ionando-as do Oricnic ou ouiro lugar ÷
uiilizasscn a ¡olvora, c con isso,
auionaiicancnic, ganIaran a laialIa ao
gucrrciro nolrc, ao ºcavalIciro", colcrio
csiu¡idancnic dc fcrro, quc a¡cnas ¡odia novcr-
sc na lida, c a qucn nao ocorrcra quc o scgrcdo
cicrno da gucrra nao consisic ianio nos ncios dc
dcfcsa cono nos dc agrcssao (scgrcdo quc
Na¡olcao rcdcscolriria}(68}
Cono o Esiado c una iccnica ÷ dc ordcn
¡ullica c dc adninisiraçao ÷, o ºaniigo rcginc"
cIcga aos fins do scculo XVIII con un Esiado
fraquíssino, açoiiado dc iodos os lados ¡or una
an¡la c rcvolia socicdadc. A dcs¡ro¡orçao cnirc o
¡odcr do Esiado c o ¡odcr social c ial ncssc
noncnio, quc con¡arando a siiuaçao con a
vigcnic cn icn¡o dc Carlos Magno, a¡arccc o
Esiado do scculo XVIII cono una dcgcncraçao. O
Esiado carolíngio cra, csia claro, nuiio ncnos
¡odcroso quc o dc Luís XVI, nas, cn
con¡cnsaçao, a socicdadc quc o rodcava nao
iinIa força ncnIuna(69}. O cnornc dcsnívcl cnirc
a força social c a do ¡odcr ¡ullico iornou ¡ossívcl
a Fcvoluçao, as rcvoluçõcs (aic 1848}.
Mas con a Fcvoluçao a¡ossou-sc do Podcr
¡ullico a lurgucsia c a¡licou ao Esiado suas
192
incgavcis viriudcs, c cn ¡ouco nais dc una
gcraçao criou un Esiado ¡odcroso, quc acalou
con as rcvoluçõcs. Dcsdc 1848, qucr dizcr, dcsdc
quc concça a scgunda gcraçao dc govcrnos
lurgucscs nao Ia na Euro¡a vcrdadciras
rcvoluçõcs. E nao ccriancnic ¡orquc nao
Iouvcssc noiivos ¡ara clas, nas ¡orquc nao
Iavia ncios. Nivclou-sc o Podcr ¡ullico con o
¡odcr social. Adcus rcvoluçõcs ¡ara scn¡rc! Ja
nao calc na Euro¡a nais quc o conirario. o gol¡c
dc Esiado. E iudo quc con ¡osicrioridadc ¡odc
dar-sc arcs dc rcvoluçao, nao foi nais quc un
gol¡c dc Esiado con nascara.
En nosso icn¡o, o Esiado cIcgou a scr
naquina fornidavcl quc funciona
¡rodigiosancnic, dc una naravilIosa cficicncia
¡cla quaniidadc c ¡rccisao dos scus ncios.
Planiada no ncio da socicdadc, lasia iocar u'a
nola ¡ara quc aiucn suas cnorncs alavancas c
o¡crcn fulninanics solrc qualqucr ¡aric do
cor¡o social.
O Esiado conicn¡oranco c o ¡roduio nais
visívcl c noiorio da civilizaçao. E c nuiio
inicrcssanic, c rcvclador, ¡rccaiar-sc da aiiiudc
quc anic clc adoia o Ioncn-nassa. Esic o vc,
adnira-o, salc quc csia aí, garaniindo sua vida;
nas nao icn conscicncia dc quc c una criaçao
Iunana invcniada ¡or ccrios Ioncns c naniida
¡or ccrias viriudcs c ¡or ccrio quc Iouvc onicn
193
nos Ioncns c quc ¡odc cva¡orar-sc ananIa. Por
ouira ¡aric, o Ioncn-nassa vc no Esiado un
¡odcr anónino, c cono clc sc scnic a si ncsno
anónino vulgo ÷, crc quc o Esiado c coisa sua.
Inaginc-sc quc solrcvcn na vida ¡ullica dc un
¡aís qualqucr dificuldadc, confliio ou ¡rollcna. o
Ioncn-nassa icndcra a c×igir quc
incdiaiancnic o assuna o Esiado, quc sc
cncarrcguc dirciancnic dc rcsolvc-lo con scus
giganicscos c inconirasiavcis ncios.
Esic c o naior ¡crigo quc Iojc ancaça a
civilizaçao. a csiaiificaçao da vida, o
inicrvcncionisno do Esiado, a alsorçao dc ioda
cs¡oniancidadc social ¡clo Esiado; qucr dizcr, a
anulaçao da cs¡oniancidadc Iisiorica, quc cn
dcfiniiivo susicnia, nuirc c in¡clc os dcsiinos
Iunanos. Quando a nassa scnic una
dcsvcniura, ou sin¡lcsncnic algun foric a¡ciiic,
c una grandc icniaçao ¡ara cla cssa ¡crnancnic
c scgura ¡ossililidadc dc conscguir iudo ÷ scn
csforço, luia, duvida ncn risco ÷ a¡cnas ao
¡rcnir a nola c fazcr funcionar a ¡oricniosa
naquina. A nassa diz a si ncsna. ºo Esiado sou
cu", o quc c un ¡crfciio crro. O Esiado c a nassa
so no scniido cn quc sc ¡odc dizcr dc dois
Ioncns quc sao idcniicos ¡orquc ncnIun dos
dois sc cIana Joao. Esiado conicn¡oranco c
nassa coincidcn so cn scr anóninos. Mas o caso
c quc o Ioncn-nassa crc, con cfciio, quc clc c o
Esiado, c icndcra cada vcz nais a fazc-lo
194
funcionar a qualqucr ¡rcic×io, a csnagar con clc
ioda ninoria criadora quc o ¡criurlc ÷ quc o
¡criurlc cn qualqucr ordcn. cn ¡olíiica, cn
idcias, cn indusiria.
O rcsuliado dcsia icndcncia scra faial. A
cs¡oniancidadc social ficara violcniada una vcz c
ouira ¡cla inicrvcnçao do Esiado; ncnIuna nova
scncnic ¡odcra fruiificar. A socicdadc icra dc
vivcr ¡ara o Esiado; o Ioncn, ¡ara a naquina do
Covcrno. E cono no final das conias nao c scnao
u'a naquina cuja c×isicncia c nanuicnçao
dc¡cndcn da viialidadc circundanic quc a
nanicnIa, o Esiado, dc¡ois dc sugar a ncdula
da socicdadc, ficara Icciico, csquclciico, norio
con cssa noric fcrrugcnia da naquina, nuiio
nais cadavcrica quc a do organisno vivo.
Esic foi o signo lancniavcl da civilizaçao
aniiga. Nao Ia duvida quc o Esiado in¡crial
criado ¡clos Julios c os Claudios foi u'a naquina
adniravcl, incon¡aravclncnic su¡crior cono
aricfaio ao vclIo Esiado rc¡ullicano das fanílias
¡airícias. Mas, curiosa coincidcncia, a¡cnas
cIcgou a scu ¡lcno dcscnvolvincnio, concça a
dccair o cor¡o social. Ja nos icn¡os dos
Anioninos (scculo II} o Esiado graviia con una
aniiviial su¡rcnacia solrc a socicdadc. Esia
concça a scr cscravizada, a nao ¡odcr vivcr nais
quc cn scrviço do Esiado. A vida ioda sc
lurocraiiza. Quc aconiccc? A lurocraiizaçao da
195
vida ¡roduz sua dininuiçao alsoluia ÷ cn iodas
as ordcns ÷. A riqucza dininui c as nulIcrcs
¡arcn ¡ouco. Eniao o Esiado, ¡ara sulvcncionar
suas ¡ro¡rias ncccssidadcs, força nais a
lurocraiizaçao da c×isicncia Iunana. Esia
lurocraiizaçao cn scgunda ¡oicncia c a
niliiarizaçao da socicdadc. A urgcncia naior do
Esiado c scu a¡araio lclico, scu c×crciio. O
Esiado c, anics dc iudo, ¡roduior dc scgurança (a
scgurança dc quc nascc o Ioncn-nassa, nao sc
csqucça}. Por isso c, anics dc iudo, c×crciio. Os
Scvcros, dc origcn africana, niliiarizan o
nundo. Faina va! A niscria auncnia, as nairizcs
sao cada vcz ncnos fccundas. Falian aic
soldados. Dc¡ois dos Scvcros, o c×crciio icn dc
scr rccruiado cnirc csirangciros.
Advcric-sc qual c o ¡roccsso ¡arado×al c
iragico do csiaiisno? A socicdadc, ¡ara vivcr
nclIor, cria, cono un uicnsílio, o Esiado.
Dc¡ois, o Esiado sc solrc¡õc, c a socicdadc icn
dc concçar a vivcr ¡ara o Esiado(70}. Mas, no final
das conias, o Esiado sc con¡õc ainda dos
Ioncns daqucla socicdadc. Enircianio, csics nao
lasian ¡ara susicniar o Esiado c c ¡rcciso
cIanar csirangciros. ¡rinciro, dalnaias; dc¡ois,
gcrnanos. Os csirangciros iornaran-sc donos do
Esiado, c os rcsios da socicdadc, do ¡ovo inicial,
icn dc vivcr cscravo dclcs, dc gcnic con a qual
nao icn nada quc vcr. A isso conduz o
inicrvcncionisno do Esiado. o ¡ovo sc convcric
196
cn carnc c nassa quc alincnia o ncro aricfaio c
naquina quc c o Esiado. O csquclcio conc a
carnc quc o rodcia. O andainc sc iorna
¡ro¡riciario c inquilino da casa.
Quando sc salc disso, solrcssalia un ¡ouco
ouvir quc Mussolini a¡rcgoa con c×cn¡lar
¡ciulancia, cono un ¡rodigioso dcscolrincnio
fciio agora na Iialia, a fornula Tudo ¡clo Esiado;
nada fora do Esiado; nada conira o Esiado.
Dasiaria isso ¡ara dcscolrir no fascisno un
ií¡ico novincnio dc Ioncns-nassa. Mussolini
cnconirou un Esiado adniravclncnic consiruído
÷ nao ¡or clc, nas ¡rccisancnic ¡clas forças c
idcias quc clc conlaic. ¡cla dcnocracia lilcral ÷
. Elc sc liniia a usa-lo inconiincnicncnic; c, scn
quc cu nc ¡crniia agora julgar os dcialIcs dc
sua olra, c indiscuiívcl quc os rcsuliados oliidos
aic o ¡rcscnic nao ¡odcn scr con¡arados aos
oliidos na funçao ¡olíiica c adninisiraiiva ¡clo
Esiado lilcral. Sc algo conscguiu, c iao niudo,
¡ouco visívcl c nada sulsianiivo, quc dificilncnic
cquililra a acunulaçao dc ¡odcrcs anornais quc
lIc conscnicn cn¡rcgar aqucla naquina cn
forna c×ircna.
O csiaiisno c a forna su¡crior quc ionan a
violcncia c a açao dircia consiiiuídas cn nornas.
Airavcs c ¡or ncio do Esiado, naquina anónina,
as nassas aiuan ¡or si ncsnas.
197
As naçõcs curo¡cias icn dianic dc si una
cia¡a dc grandc dificuldadc cn sua vida inicrior,
¡rollcnas cconónicos, jurídicos c dc ordcn
¡ullica solrcnodo arduos. Cono nao icncr quc
sol o in¡crio das nassas sc cncarrcguc o Esiado
dc csnagar a indc¡cndcncia do indivíduo, do
gru¡o, c c×iinguir assin dcfiniiivancnic o ¡orvir?
Un c×cn¡lo concrcio dcsic nccanisno
acIano-lo nun dos fcnóncnos nais alarnanics
dcsics uliinos irinia anos. o auncnio cnornc cn
iodos os ¡aíscs das forças dc Polícia. O
crcscincnio social olrigou iniludivclncnic a isso.
Por nuiio Ialiiual quc nos scja, nao dcvc ¡crdcr
scu icrrívcl ¡arado×isno anic nosso cs¡íriio o
faio dc quc a ¡o¡ulaçao dc una grandc urlc
aiual, ¡ara caninIar ¡acificancnic c aicndcr a
scus ncgocios, ncccssiia, scn rcncdio, una
Polícia quc rcgulc a circulaçao. Mas c una
inoccncia das ¡cssoas dc ºordcn" ¡cnsar quc
cssas ºforças dc ordcn ¡ullica", criadas ¡ara a
ordcn, vao conicniar-sc con in¡or scn¡rc o quc
aquclas quciran. O incviiavcl c quc acalcn ¡or
dcfinir c dccidir clas a ordcn quc vao in¡or ÷ c
quc scra, naiuralncnic, o quc lIcs convcnIa.
Convcn quc a¡rovciicnos o cnscjo dcsia
naicria ¡ara fazcr noiar a difcrcnic rcaçao quc
anic una ncccssidadc ¡ullica ¡odc scniir una
ou ouira socicdadc. Quando, cn 1800, a nova
indusiria concça a criar un ii¡o dc Ioncn ÷ o
198
olrciro indusirial ÷ nais crininoso quc os
iradicionais, a França a¡rcssa-sc a criar una
nuncrosa Polícia. En 1810 surgc na Inglaicrra,
¡clas ncsnas causas, un auncnio da
crininalidadc, c cniao os inglcscs ¡crcclcn dc
quc nao icn Polícia. Covcrnan os conscrvadorcs.
Quc farao? Criarao una Polícia? Nada disso.
Prcfcrcn agucniar, aic ondc sc ¡ossa, o crinc.
ºAs ¡cssoas confornan-sc cn sc ada¡iar à
dcsordcn, considcrando-a cono rcsgaic da
lilcrdadc". ºEn Paris ÷ cscrcvc JoIn Willian
Ward ÷ icn una Polícia adniravcl, nas ¡agan
caro suas vaniagcns. Prcfiro vcr quc cada ircs ou
quairo anos sc dcgola ncia duzia dc Ioncns cn
Faiclifc Foad, a csiar sulnciido a visiias
doniciliarias, à cs¡ionagcn c a iodas as
naquinaçõcs dc FoucIc(71}." Sao duas idcias
difcrcnics do Esiado. O inglcs qucr quc o Esiado
icnIa liniics.
199

SEGUNDA PARTE
QUEM MANDA
NO
MUNDO?
200

XIV. QUEM MANDA NO MUNDO?

A civilizaçao curo¡cia ÷ icnIo rc¡ciido una
c ouira vcz ÷ ¡adcccu auionaiicancnic a
rclcliao das nassas. Por scu anvcrso, o faio
dcsia rclcliao a¡rcscnia un as¡ccio oiino; ja o
disscnos. a rclcliao das nassas c una c ncsna
coisa con o crcscincnio faluloso quc a vida
Iunana cסcrincniou cn nosso icn¡o. Mas o
rcvcrso do ncsno fcnóncno c ircnclundo;
olIada ¡or cssc lado a rclcliao das nassas c una
c ncsna coisa con a dcsnoralizaçao radical da
Iunanidadc. OlIcnos csia agora dc varios
¡onios dc visia.

I

A sulsiancia ou índolc dc una nova c¡oca
Iisiorica c rcsulianic dc variaçõcs inicrnas ÷ do
Ioncn c dc scu cs¡íriio ÷. Enirc csias uliinas,
a nais in¡orianic, quasc scn duvida, c a
dcslocaçao do ¡odcr. Mas csic iraz consigo una
dcslocaçao do cs¡íriio.
Por isso, ao a¡arcccrnos a un icn¡o con
anino dc con¡rccndc-lo, una dc nossas
201
¡rinciras ¡crgunias dcvc scr csia. ºQucn nanda
no nundo aiualncnic?" Podcra ocorrcr quc ncsic
noncnio a Iunanidadc csicja dis¡crsa cn varios
¡cdaços scn conunicaçao cnirc si, quc fornan
nundos inicriorcs c indc¡cndcnics. No icn¡o dc
Milcíadcs, o nundo ncdiicrranco ignorava a
c×isicncia do nundo c×ircno oricnial. Ncsics
casos icríanos quc csialclcccr nossa ¡crgunia.
ºQucn nanda no nundo?" a cada gru¡o dc
convivcncia. Mas dcsdc o scculo XVI cnirou a
Iunanidadc ioda nun ¡roccsso giganicsco dc
unificaçao, quc cn nossos dias cIcgou a scu
icrnino insu¡cravcl. Ja nao Ia ¡cdaço dc
Iunanidadc quc viva à ¡aric ÷ nao Ia ilIas dc
Iunanidadc ÷. Porianio, dcsdc aquclc scculo
¡odc dizcr-sc quc qucn nanda no nundo c×crcc,
cfciivancnic, scu influ×o auioriiario cn iodo clc.
Essc icn sido o ¡a¡cl do gru¡o Ionogcnco
fornado ¡clos ¡ovos curo¡cus duranic ircs
scculos. A Euro¡a nandava, c sol sua unidadc
dc nando o nundo vivia con un csiilo uniiario,
ou, ¡clo ncnos, ¡rogrcssivancnic unificado.
Essc csiilo dc vida soi dcnoninar-sc ºIdadc
Modcrna", nonc incolor c incסrcssivo sol o qual
sc oculia csia rcalidadc. c¡oca da Icgcnonia
curo¡cia.
Por ºnando" nao sc cnicndc aqui
¡rinordialncnic c×crcícios dc ¡odcr naicrial, dc
coaçao física. Porquc aqui as¡ira-sc a cviiar
202
csiu¡idczcs, ¡clo ncnos as nais ordinarias c
¡alnarcs. Ora lcn. cssa rclaçao csiavcl c nornal
cnirc Ioncns quc sc cIana ºnando" nao
dcscansa nunca na força, nas, ¡clo conirario,
¡orquc un Ioncn ou gru¡o dc Ioncns c×crcc o
nando, icn à sua dis¡osiçao cssc a¡araio ou
naquina social quc sc cIana ºforça". Os casos
cn quc à ¡rincira visia ¡arccc scr a força o
fundancnio do nando, rcvclan-sc anic una
ins¡cçao ulicrior cono os nclIorcs c×cn¡los
¡ara confirnar aqucla icsc. Na¡olcao dirigiu à
Es¡anIa una agrcssao, susicniou csia agrcssao
duranic algun icn¡o; nas nao nandou
¡ro¡riancnic na Es¡anIa ncn un dia scqucr. E
isso ¡orquc iinIa a força c ¡rccisancnic ¡orquc
so iinIa a força. Convcn disiinguir cnirc un faio
ou ¡roccsso dc agrcssao c una siiuaçao dc
nando. O nando c o c×crcício nornal da
auioridadc. O qual sc funda scn¡rc na o¡iniao
¡ullica ÷ scn¡rc, Iojc cono Ia dcz nil anos,
cnirc os inglcscs cono cnirc os loiocudos ÷.
Janais algucn nandou na icrra nuirindo scu
nando csscncialncnic dc ouira coisa quc nao
fossc a o¡iniao ¡ullica.
Ou acrcdiia-sc quc a solcrania da o¡iniao
¡ullica foi un invcnio fciio ¡clo advogado
Danion cn 1789 ou ¡or S. Tonas dc Aquino no
scculo XIII? A noçao dcsia solcrania icra sido
dcscolcria aqui ou ali, ncsia ou naqucla daia;
nas o faio dc quc a o¡iniao ¡ullica c a força
203
radical quc nas socicdadcs Iunanas ¡roduz o
fcnóncno dc nandar, c coisa iao aniiga c ¡crcnc
cono o ¡ro¡rio Ioncn. Assin, na física dc
Ncwion a graviiaçao c a força quc ¡roduz o
novincnio. E a lci da o¡iniao ¡ullica c a
graviiaçao univcrsal da Iisioria ¡olíiica. Scn cla,
ncn a cicncia Iisiorica scria ¡ossívcl. Por isso
nuiio agudancnic insinua Hunc quc o icna da
Iisioria consisic cn dcnonsirar cono a
solcrania da o¡iniao ¡ullica, longc dc scr una
as¡iraçao uio¡ica, c o quc ¡csou scn¡rc c a ioda
Iora nas socicdadcs Iunanas. Pois aic qucn
¡rcicndc govcrnar con os janízaros dc¡cndc da
o¡iniao dcsics c da quc icnIan solrc csics os
dcnais Ialiianics.
A vcrdadc c quc nao sc nanda con os
janízaros. Assin, Tallcyrand a Na¡olcao. ºCon as
laioncias, Sirc, ¡odc-sc fazcr iudo, ncnos una
coisa. scniar-sc solrc clas." E nandar nao c
aiiiudc dc arrclaiar o ¡odcr, nas iranquilo
c×crcício dclc. En suna, nandar c scniar-sc.
Trono, cadcira curul, lanco azul, ¡olirona
ninisicrial, scdc. Conira o quc una oiica
inoccnic c folIciincsca su¡õc, o nandar nao c
ianio qucsiao dc ¡unIos cono dc nadcgas. O
Esiado c, cn dcfiniiivo, o csiado da o¡iniao. una
siiuaçao dc cquilílrio, dc csiaiica.
O quc succdc c quc às vczcs a o¡iniao
¡ullica nao c×isic. Una socicdadc dividida cn
204
gru¡os discrc¡anics, cuja força dc o¡iniao fica
rcci¡rocancnic anulada, nao da lugar a quc sc
consiiiua un nando. E cono a Naiurcza icn
Iorror ao vacuo, cssc oco quc dci×a a força
auscnic dc o¡iniao ¡ullica cncIc-sc con a força
lruia. En suna, ¡ois, avança csia cono
sulsiiiuia daqucla.
Por isso, sc sc qucr cסrcssar con ioda a
¡rccisao a lci da o¡iniao ¡ullica cono lci da
graviiaçao Iisiorica, convcn icr cn conia csscs
casos dc auscncia, c cniao cIcga-sc a una
fornula quc c o conIccido, vcncravcl c vcrídico
lugar conun. nao sc ¡odc nandar conirariando
a o¡iniao ¡ullica.
Isso nos faz cair na conclusao dc quc nando
significa ¡rc¡oicncia dc una o¡iniao; ¡orianio,
dc un cs¡íriio; dc quc nando nao c, no final das
conias, ouira coisa scnao ¡odcr cs¡iriiual. Os
faios Iisioricos confirnan isso
cscru¡ulosancnic. Todo nando ¡riniiivo icn un
caraicr ºsacro", ¡orquc sc funda no rcligioso, c o
rcligioso c a forna ¡rincira sol a qual a¡arccc
scn¡rc o quc dc¡ois vai scr cs¡íriio, idcia,
o¡iniao; cn suna, o inaicrial c ulira-físico. Na
Idadc Mcdia sc rc¡roduz con fornaio naior o
ncsno fcnóncno. O Esiado ou Podcr ¡ullico
¡rinciro quc sc forna na Euro¡a c a Igrcja ÷
con scu caraicr cs¡ccífico c ja noninaiivo dc
º¡odcr cs¡iriiual" ÷. Da Igrcja a¡rcndc o Podcr
205
¡olíiico quc clc ianlcn nao c originariancnic
scnao ¡odcr cs¡iriiual, vigcncia dc ccrias idcias, c
cria-sc o Sacro Fonano In¡crio. Dcsic nodo
luian dois ¡odcrcs igualncnic cs¡iriiuais quc,
nao ¡odcndo difcrcnciar-sc na sulsiancia ÷
anlos sao cs¡íriio ÷, convcn no acordo dc sc
insialar cada un cn un nodo dc icn¡o. o
icn¡oral c o cicrno. Podcr icn¡oral c ¡odcr
rcligioso sao idcniicancnic cs¡iriiuais; nas un c
cs¡íriio do icn¡o ÷ o¡iniao ¡ullica
iniranundana c canlianic ÷, cnquanio o ouiro
c cs¡íriio dc cicrnidadc ÷ a o¡iniao dc Dcus, a
quc Dcus icn solrc o Ioncn c scus dcsiinos.
Tanio valc, ¡ois, dizcr. cn ial daia nanda ial
Ioncn, ial ¡ovo ou ial gru¡o Ionogcnco dc
¡ovos, cono dizcr. cn ial daia ¡rcdonina no
nundo ial sisicna dc o¡iniõcs ÷ idcias,
¡rcfcrcncias, as¡iraçõcs, ¡ro¡osiios.
Cono Ia dc sc cnicndcr csic ¡rcdonínio? A
naior ¡aric dos Ioncns nao icn o¡iniao, c c
¡rcciso quc csia lIc vcnIa dc fora a ¡rcssao,
cono cnira o lulrificanic nas naquinas. Por isso
c ¡rcciso quc o cs¡íriio ÷ scja qual scja ÷ icnIa
¡odcr c o c×crça, ¡ara quc a gcnic quc nao o¡ina
÷ c c a naioria ÷ o¡inc. Scn o¡iniõcs, a
convivcncia Iunana scria o caos; ncnos ainda. o
nada Iisiorico. Scn o¡iniõcs, a vida dos Ioncns
carcccria dc arquiiciura, dc organicidadc. Por
isso, scn un ¡odcr cs¡iriiual, scn algucn quc
206
nandc, c na ncdida quc isso scja ncccssario,
rcina na Iunanidadc o caos. E ¡aralclancnic,
ioda dcslocaçao dc ¡odcr, ioda nudança dc
in¡cranics, c ao ncsno una nudança dc
o¡iniõcs, c, conscqucnicncnic, nada ncnos quc
una nudança dc graviiaçao Iisiorica.
Volicnos agora ao concço. Duranic varios
scculos nandou no nundo a Euro¡a, un
congloncrado dc ¡ovos con un cs¡íriio afin. Na
Idadc Mcdia nao nandava ningucn no nundo
icn¡oral. É o quc aconicccu cn iodas as idadcs
ncdias da Iisioria. Por isso rc¡rcscnian scn¡rc
un rclaiivo caos c una rclaiiva larlaric, un
dcficii dc o¡iniao. Sao icn¡os cn quc sc ana, sc
odcia, sc anscia, sc rc¡ugna, c iudo isso cn
grandc cscala. Mas, cn con¡cnsaçao, o¡ina-sc
¡ouco. Tcn¡os assin nao carcccn dc dclícias.
Mas nos grandcs icn¡os a Iunanidadc vivc da
o¡iniao, c ¡or isso Ia ordcn. Do ouiro lado da
Idadc Mcdia acIanos novancnic una c¡oca cn
quc, cono na Modcrna, nanda algucn, cnlora
solrc una ¡orçao liniiada do nundo. Fona, a
grandc nandona. Ela ¡ós ordcn no Mcdiicrranco
c confinanics.
Ncsias jornadas dc a¡os-gucrra concça a
dizcr-sc quc a Euro¡a nao nanda nais no
nundo. Advcric-sc ioda a gravidadc dcsic
diagnosiico? Con clc anuncia-sc una dcslocaçao
do ¡odcr. Para ondc sc dirigc? Qucn vai succdcr
207
a Euro¡a no nando do nundo? Mas Ia ncsno
ccricza dc quc algucn vai succdcr à Euro¡a? E sc
nao fossc ningucn, quc aconicccria?

II

A ¡ura vcrdadc c quc no nundo aconiccc a
iodo insianic, c, ¡orianio, agora, infinidadc dc
coisas. A ¡rcicnsao dc dizcr o quc c quc aconiccc
agora no nundo dcvc scr cnicndida, ¡ois, cono
ironizando-sc a si ncsna. Mas assin cono c
in¡ossívcl conIcccr dirciancnic a ¡lcniiudc do
rcal, nao icnos nais rcncdio scnao consiruir
arliirariancnic una rcalidadc, su¡or quc as
coisas sao dc ccria nancira. Isio nos ¡ro¡orciona
un csqucna, qucr dizcr, un concciio ou
cnirciccido dc concciios. Con clc, cono airavcs
dc una quadrícula, olIanos dc¡ois a cfciiva
rcalidadc, c cniao, so cniao, conscguinos una
visao a¡ro×inada dcla. Nisio consisic o nciodo
cicniífico. Mais ainda. nisio consisic iodo uso do
iniclccio. Quando ao vcr cIcgar nosso anigo ¡cla
vcrcda do jardin dizcnos. ºEsic c Pcdro",
concicnos dclilcradancnic, ironicancnic, un
crro. Porquc Pcdro significa ¡ara nos un
csqucnaiico rc¡criorio dc nodos dc sc con¡oriar
física c noralncnic ÷ o quc cIananos ºcaraicr"
÷, c a ¡ura vcrdadc c quc nosso anigo Pcdro nao
208
sc ¡arccc, cn ccrios noncnios, cn quasc nada à
idcia ºnosso anigo Pcdro".
Todo concciio, o nais vulgar cono o nais
iccnico, vai incluso na ironia dc si ncsno, nos
cnircdcnics dc un sorriso iranquilo, cono o
gconcirico diananic vai in¡líciio na dcniadura
dc ouro dc scu cngasic. Elc diz nuiio scriancnic.
ºEsia coisa c A, c csia ouira coisa c D." Mas c a
sua a scricdadc dc un ¡incc-sans-rirc. É a
scricdadc insiavcl dc qucn cngoliu una
gargalIada c sc nao a¡cria lcn os lalios a
voniia. Elc salc nuiio lcn quc ncn csia coisa c
A, assin, à valcniona, ncn a ouira c D, scn
rcscrvas. O quc o concciio ¡cnsa a rigor c un
¡ouco ouira coisa quc o quc diz, c ncsia
du¡licidadc consisic a ironia. O quc
vcrdadcirancnic ¡cnsa c isio. cu sci quc, falando
con iodo rigor, csia coisa nao c A, ncn aqucla D;
nas, adniiindo quc sao A c D, cu nc cnicndo
conigo ncsno ¡ara os cfciios dc ncu
con¡oriancnio viial dianic dc una ou dc ouira
coisa.
Esia icoria do conIccincnio da razao
Iouvcra irriiado a un grcgo. Porquc o grcgo
acrcdiiou Iavcr dcscolcrio na razao, no concciio,
a rcalidadc ncsna. Nos, conirariancnic,
acrcdiianos quc a razao, o concciio, c un
insiruncnio doncsiico do Ioncn, quc csic
ncccssiia c usa ¡ara csclarcccr sua ¡ro¡ria
209
siiuaçao cn ncio da infiniia c arqui-¡rollcnaiica
rcalidadc quc c sua vida. Vida c luia con as
coisas ¡ara susicniar-sc cnirc clas. Os concciios
sao o ¡lano csiraicgico quc nos fornanos ¡ara
rcs¡ondcr a scu aiaquc. Por isso, sc sc cscruia
lcn a cniranIa uliina dc qualqucr concciio,
acIa-sc quc nao nos diz nada da coisa ncsna,
nas quc rcsunc o quc un Ioncn ¡odc fazcr
con cssa coisa ou ¡adcccr dcla. Esia o¡iniao
ia×aiiva, scgundo a qual o conicudo dc iodo
concciio c scn¡rc viial, c scn¡rc açao ¡ossívcl,
ou ¡adccincnio ¡ossívcl dc un Ioncn, nao foi
aic agora, quc cu saila, susicniada ¡or ningucn;
nas c, a ncu juízo, o icrnino indcfcciívcl do
¡roccsso filosofico quc sc inicia con Kani. Por
isso, sc rcvisanos a sua luz iodo o ¡assado da
filosofia aic Kani, ¡arcccr-nos-a quc no fundo
iodos os filosofos disscran a ncsna coisa. Ora
lcn, iodo dcscolrincnio filosofico nao c nais
quc un dcscolrincnio c un irazcr à su¡crfícic o
quc csiava no fundo.
Mas scnclIanic iniroiio c dcsncsurado ¡ara
o quc vou dizcr, iao alIcio a ¡rollcnas
filosoficos. Eu ia dizcr sin¡lcsncnic quc o quc
agora aconiccc no nundo ÷ cnicndc-sc, o
Iisiorico ÷ c c×clusivancnic isio. duranic ircs
scculos a Euro¡a nandou no nundo, c agora a
Euro¡a nao csia convicia dc nandar ncn dc
coniinuar nandando. Fcduzir a fornula iao
sin¡lcs a infiniiudc dc coisas quc inicgran a
210
rcalidadc Iisiorica aiual, c scn duvida c no
nclIor caso una c×agcraçao, c cu ncccssiiava
¡or isso rccordar quc ¡cnsar c, qucira-sc ou nao,
c×agcrar. Qucn ¡rcfira nao c×agcrar dcvc calar-
sc; nais ainda. icn dc ¡aralisar scu iniclccio c
vcr a nancira dc idioiizar-sc.
Crcio, con cfciio, quc c aquilo quc rcalncnic
csia aconicccndo no nundo, c quc iudo o nais c
conscqucncia, condiçao, siniona ou ancdoia
disso.
Eu nao dissc quc a Euro¡a icnIa dci×ado dc
nandar, nas, csiriiancnic, quc ncsics anos a
Euro¡a scnic gravcs duvidas solrc sc nanda ou
nao, solrc sc ananIa nandara. A isio
corrcs¡ondc nos dcnais ¡ovos da Tcrra un
csiado dc cs¡íriio congrucnic. duvidar dc sc
agora sao nandados ¡or algucn. Tan¡ouco csiao
ccrios disso.
Falou-sc nuiio ncsics anos da dccadcncia da
Euro¡a. Eu su¡lico fcrvorosancnic quc nao sc
coniinuc concicndo a ingcnuidadc dc ¡cnsar cn
S¡cnglcr sin¡lcsncnic ¡orquc sc falc da
dccadcncia da Euro¡a ou do Ocidcnic. Anics dc
quc scu livro a¡arcccra, iodo o nundo falava
disso, c o c×iio dc scu livro dcvcu-sc, cono c
noiorio, a quc ial sus¡ciia ou ¡rcocu¡açao
¡rcc×isiia cn iodas as calcças, con os scniidos c
¡clas razõcs nais Icicrogcncas.
211
Falou-sc ianio da dccadcncia curo¡cia, quc
nuiios cIcgaran a da-la cono un faio. Nao quc
acrcdiiavan a scrio c con cvidcncia nclc, nas
quc sc Ialiiuaran a da-lo cono ccrio, cnlora
nao rccordcn sinccrancnic Iavcr-sc convcncido
rcsoluiancnic disso cn ncnIuna daia
dcicrninada. O rcccnic livro dc Waldo Franl,
Fcdcscolrincnio da Ancrica, a¡oia-sc
inicgralncnic no su¡osio dc quc a Euro¡a
agoniza. Nao olsianic, Franl ncn analisa ncn
discuic, ncn faz qucsiao dc iao cnornc faio, quc
lIc vai scrvir dc fornidavcl ¡rcnissa. Scn nais
avcriguaçõcs, ¡aric dclc cono dc algo inconcusso.
E csia ingcnuidadc no ¡onio dc ¡ariida lasia-nc
¡ara ¡cnsar quc Franl nao csia convcncido da
dccadcncia da Euro¡a; longc disso, ncn scqucr
lcvaniou ial qucsiao. Tona-a cono un londc. Os
lugarcs conuns sao os londcs do irans¡oric
iniclcciual.
E cono clc fazcn nuiias ¡cssoas. Solrciudo,
fazcn-no os ¡ovos, ¡ovos iniciros.
E una ¡aisagcn dc c×cn¡lar ¡ucrilidadc a
quc agora ofcrccc o nundo. Na cscola, quando
algucn noiifica quc o ncsirc saiu, a iurla
¡arvular faz lagunça. Cada un scnic a dclícia dc
cvadir-sc da ¡rcssao quc a ¡rcscnça do ncsirc
in¡unIa, dc sacudir os jugos das nornas, dc
ficar dc calcça ¡ara lai×o, dc scniir-sc dono do
¡ro¡rio dcsiino. Mas, cono iirada a norna quc
212
fi×ava as ocu¡açõcs c as iarcfas, a iurla ¡arvular
nao icn un afazcr ¡ro¡rio, una ocu¡açao
fornal, una iarcfa con scniido, coniinuidadc c
irajcioria, conscqucnicncnic so ¡odc c×ccuiar
una so coisa. a calriola.
É dc¡loravcl o frívolo cs¡ciaculo quc os ¡ovos
ncnorcs ofcrcccn. À visia dc quc, scgundo sc diz,
a Euro¡a dccai c, ¡orianio, dci×a dc nandar,
cada naçao c naçaozinIa lrinca, gcsiicula, fica dc
calcça ¡ara lai×o, cnicsa-sc, dando-sc arcs dc
¡cssoa naior quc rcgc scus ¡ro¡rios dcsiinos.
Daí o vilriónico ¡anorana dc ºnacionalisnos"
quc sc nos ofcrccc ¡or ioda a ¡aric.
Nos ca¡íiulos anicriorcs icnici filiar un novo
ii¡o do Ioncn quc Iojc ¡rcdonina no nundo.
cIanci-o Ioncn-nassa, c fiz noiar quc sua
¡rinci¡al caracicrísiica consisic cn quc,
scniindo-sc vulgar, ¡roclana o dirciio à
vulgaridadc c ncga-sc a rcconIcccr insiancias
su¡criorcs a clc. Era naiural quc sc cssc nodo dc
scr ¡rcdonina dcniro dc cada ¡ovo, o fcnóncno
ianlcn sc ¡roduza quando olIanos o conjunio
das naçõcs. Tanlcn Ia, rclaiivancnic, ¡ovos-
nassa rcsolvidos a rclclar-sc conira os grandcs
¡ovos criadorcs, ninorias dc csiir¡cs Iunanas
quc organizaran a Iisioria. É vcrdadcirancnic
cónico conicn¡lar cono csia ou a ouira
rc¡ulliqucia, dcsdc scu ¡crdido rincao, sc ¡õc na
213
¡onia dos ¡cs a incrc¡ar a Euro¡a c dcclarar sua
ccssaçao na Iisioria univcrsal.
Qual c o rcsuliado? A Euro¡a Iavia criado
un sisicna dc nornas cuja cficacia c fcriilidadc
os scculos dcnonsiraran. Esias nornas nao sao,
dc nodo algun, as nclIorcs ¡ossívcis. Mas sao,
scn duvida, dcfiniiivas cnquanio nao c×isian ou
sc diviscn ouiras. Para su¡cra-las c
in¡rcscindívcl ¡arir ouiras. Ora, os ¡ovos-nassa
rcsolvcran dar cono caduco aquclc sisicna dc
nornas quc c a civilizaçao curo¡cia, nas cono
sao inca¡azcs dc criar ouiro, nao salcn o quc
fazcr, c ¡ara cncIcr o icn¡o cnircgan-sc à
calriola.
Esia c a ¡rincira conscqucncia quc solrcvcn
quando no nundo dci×a dc nandar algucn. quc
os dcnais, ao rclclar-sc, fican scn iarcfa, scn
¡rograna dc vida.

III

O cigano foi sc confcssar; nas o ¡adrc,
¡rccavido, concçou ¡or inicrroga-lo solrc os
nandancnios dc Dcus. Ao quc o cigano
rcs¡ondcu. ºOlIc aqui, scu ¡adrc, cu ia a¡rcndcr
isso, nas dc¡ois ouvi un zun-zun dc quc iinIa
¡crdido o valor".
214
Nao c cssa a siiuaçao ¡rcscnic do nundo?
Corrc o zun-zun dc quc nao vigorcn nais os
nandancnios curo¡cus, c cn visia disso, as
¡cssoas ÷ Ioncns c ¡ovos ÷ a¡rovciian a
ocasiao ¡ara vivcr scn in¡craiivos. Porquc
c×isiian so os curo¡cus. Nao sc iraia dc quc ÷
cono ouiras vczcs aconicccu ÷ una gcrninaçao
dc nornas novas sulsiiiui as aniigas c un fcrvor
novíssino alsorva cn scu fogo jovcn os vclIos
cniusiasnos dc ninguanic icn¡craiura. Isso
scria o adniiido. Mais ainda. o vclIo advcn vclIo
nao ¡or sua scncciudc, nas ¡orquc ja csia aí un
¡rincí¡io novo, quc a¡cnas con sua novidadc
avaniaja-sc dc rc¡cnic ao ¡rcc×isicnic. Sc nao
iivcsscnos filIos, nao scríanos vclIos ou
lcvaríanos nais icn¡o a sc-lo. A ncsna coisa
aconiccc con os aricfaios. Un auionovcl
cnvclIccc cn dcz anos nais do quc una
loconoiiva cn vinic, sin¡lcsncnic ¡orquc os
invcnios da iccnica auionolilísiica icn ocorrido
con nais ra¡idcz. Esia dcsccndcncia oriunda do
lroio dc novas juvcniudcs c un siniona dc
saudc.
Mas o quc agora aconiccc na Euro¡a c coisa
insalulrc c csiranIa. Os nandancnios curo¡cus
¡crdcran vigcncia scn quc sc vislunlrcn ouiros
no Iorizonic. A Euro¡a ÷ diz-sc ÷ dci×a dc
nandar, c nao sc vc qucn ¡ossa sulsiiiuí-la. Por
Euro¡a cnicndc-sc, anics dc iudo c
¡ro¡riancnic, a irindadc França, Inglaicrra,
215
AlcnanIa. Na rcgiao do glolo quc clas ocu¡an
anadurcccu o nodulo dc c×isicncia Iunana
confornc ao qual foi organizado o nundo. Sc,
cono agora sc diz, csscs ircs ¡ovos csiao cn
dccadcncia c scu ¡rograna dc vida ¡crdcu
validcz, nao c dc csiranIar quc o nundo sc
dcsnoralizc.
E csia c a ¡ura vcrdadc. Todo o nundo ÷
naçõcs, indivíduos ÷ csia dcsnoralizado.
Duranic una icn¡orada, csia dcsnoralizaçao
divcric c aic vagancnic iludc. Os infcriorcs
¡cnsan quc lIcs iiraran un ¡cso dc cina. Os
dccalogos conscrvan do icn¡o cn quc cran
inscriios solrc ¡cdra ou lronzc scu caraicr dc
¡csadunc. A ciinologia dc nandar significa
carrcgar, ¡ór cn algucn algo nas naos. Qucn
nanda c, scn rcnissao, qucn icn o cncargo. Os
infcriorcs do nundo iniciro ja csiao farios dc quc
os cncarrcgucn c solrccarrcgucn, c a¡rovciian
con ar fcsiivo csic icn¡o dc ¡csados in¡craiivos.
Mas a fcsia dura ¡ouco. Scn nandancnios quc
nos olrigucn a vivcr dc un ccrio nodo, fica
nossa vida cn ¡ura dis¡onililidadc. Esia c a
Iorrívcl siiuaçao íniina cn quc sc cnconiran ja
as juvcniudcs nclIorcs do nundo. Dc ¡uro
scniir-sc livrcs, iscnias dc cniravcs, scnicn-sc
vazias. Una vida cn dis¡onililidadc c naior
ncgaçao quc a noric. Porquc vivcr c icr quc fazcr
algo dcicrninado ÷ c cun¡rir un cncargo ÷, c
na ncdida cn quc iludanos ¡ór cn algo nossa
216
c×isicncia dcsocu¡anos nossa vida. Dcniro dc
¡ouco ouvir-sc-a un griio fornidavcl cn iodo o
¡lancia, quc sulira, cono uivo dc cacs
inuncravcis, aic as csirclas, ¡cdindo algucn c
algo quc nandc, quc in¡onIa un afazcr ou
olrigaçao.
Va isio diio ¡ara os quc, con inconscicncia
dc crianças, nos anuncian quc a Euro¡a ja nao
nanda. Mandar c dar ocu¡açao às gcnics, ncic-
las cn scu dcsiino, cn scu ci×o; in¡cdir sua
c×iravagancia, a qual soi scr vacancia, vida vazia,
dcsolaçao.
Nao in¡oriaria quc a Euro¡a dci×assc dc
nandar sc Iouvcssc algucn ca¡az dc sulsiiiuí-
la. Mas nao Ia sonlra dc ial. Nova Yorl c
Moscou nao sao nada novo con rcs¡ciio à
Euro¡a. Sao un c ouiro duas ¡arcclas do
nandancnio curo¡cu quc, ao dissociar-sc do
rcsio, ¡crdcran scu scniido. A rigor, causa Iorror
falar dc Nova Yorl c dc Moscou. Porquc nao sc
salc con ¡lcniiudc o quc sao. so sc salc quc
ncn solrc un ncn solrc ouiro sc disscran
¡alavras dccisivas. Mas ainda scn salcr
¡lcnancnic o quc sao, alcança-sc o lasianic ¡ara
con¡rccndcr scu caraicr gcncrico. Anlos, con
cfciio, ¡cricnccn dc cIcio ao quc algunas vczcs
cIanci ºfcnóncnos dc canouflagc Iisiorica". A
canouflagc c, ¡or csscncia, una rcalidadc quc
nao c a quc ¡arccc. Scu as¡ccio oculia, cn vcz dc
217
dcclarar, sua sulsiancia. Por isso cngana a naior
¡aric das ¡cssoas. So sc ¡odc livrar da
cquivocaçao quc ¡roduz a canouflagc qucn saila
dc anicnao, c cn gcral, quc a canouflagc c×isic.
A ncsna coisa aconiccc con o cs¡clIisno. O
concciio corrigc os olIos.
En iodo faio dc canouflagc Iisiorica Ia duas
rcalidadcs quc sc su¡cr¡õcn. una, ¡rofunda,
cfciiva, sulsiancial; ouira, a¡arcnic, acidcnial c
dc su¡crfícic. Assin, cn Moscou Ia una ¡clícula
dc idcias curo¡cias ÷ o nar×isno ÷ ¡cnsadas na
Euro¡a cn visia dc rcalidadcs c ¡rollcnas
curo¡cus. Dclai×o dcla Ia un ¡ovo, nao so
difcrcnic cono naicria cinica do curo¡cu, nas ÷
o quc in¡oria nuiio nais ÷ dc una idadc
difcrcnic da nossa. Un ¡ovo ainda cn fcrncnio;
qucr dizcr, juvcnil. Quc o nar×isno icnIa
iriunfado na Fussia ÷ ondc nao Ia indusiria ÷
scria a coniradiçao naior quc ¡odia solrcvir ao
nar×isno. Mas nao Ia ial coniradiçao, ¡orquc
nao Ia ial iriunfo. A Fussia c nar×isia
a¡ro×inadancnic cono cran ronanos os
iudcscos do Sacro In¡crio Fonano. Os ¡ovos
novos nao icn idcias. Quando crcsccn nun
anliio ondc c×isic ou acala dc c×isiir una vclIa
culiura, disfarçan-sc na idcia quc csia lIcs
ofcrccc. Aqui csia a canouflagc c sua razao.
Esquccc-sc ÷ cono noici varias vczcs ÷ quc Ia
dois grandcs ii¡os dc cvoluçao ¡ara un ¡ovo. Ha
o ¡ovo quc nascc cn un ºnundo" vazio dc ioda
218
civilizaçao. E×cn¡lo. o cgí¡cio ou o cIincs. Nun
¡ovo assin, iudo c auiocionc, c suas aiiiudcs
icn un scniido claro c dircio. Mas Ia ouiros
¡ovos quc gcrninan c sc dcscnvolvcn nun
anliio ocu¡ado ja ¡or una culiura dc Iisioria
anosa. Assin Fona, quc crcscc cn ¡lcno
Mcdiicrranco, cujas aguas csiavan in¡rcgnadas
dc civilizaçao grcco-oricnial. Daqui quc a nciadc
das aiiiudcs ronanas nao scjan suas, nas
a¡rcndidas. E a aiiiudc a¡rcndida, rccclida, c
scn¡rc du¡la, c sua vcrdadcira significaçao nao c
dircia, nas ollíqua. Qucn faz un gcsio
a¡rcndido ÷ ¡or c×cn¡lo, un vocalulo dc ouiro
idiona ÷ faz ¡or lai×o dclc o scu gcsio, o
auicniico; ¡or c×cn¡lo, iraduz a sua ¡ro¡ria
linguagcn o vocalulo c×oiico. Daí quc ¡ara
cnicndcr as canouflagcs scja nisicr ianlcn un
olIar ollíquo. o dc qucn iraduz un ic×io con
un dicionario ao lado. Eu cs¡cro un livro cn quc
o nar×isno dc Sialin a¡arcça iraduzido à Iisioria
da Fussia. Porquc isso, o quc icn dc russo, c o
quc icn dc foric, c nao o quc icn dc conunisia.
Va la salcr o quc scra! O unico quc calc afirnar
c quc a Fussia ncccssiia dc scculos ainda ¡ara
o¡iar ao nando. Porquc carccc ainda dc
nandancnios ncccssiiou fingir sua adcsao ao
¡rincí¡io curo¡cu dc Mar×. Porquc lIc solra
juvcniudc lasiou-lIc cssa ficçao. O jovcn nao
ncccssiia dc razõcs ¡ara vivcr; so ncccssiia dc
¡rcic×ios.
219
Coisa nuiio scnclIanic aconiccc con Nova
Yorl. Tanlcn c un crro airiluir sua força aiual
aos nandancnios a quc olcdccc. En uliina
insiancia rcduz-sc a csic. a iccnica. Quc
casualidadc! Ouiro invcnio curo¡cu, nao
ancricano. A iccnica c invcniada ¡cla Euro¡a
duranic os scculos XVIII c XIX. Quc casualidadc!
Os scculos cn quc a Ancrica nascc. E a scrio nos
dizcn quc a csscncia da Ancrica c sua concc¡çao
¡raiicisia c iccnica da vida! En vcz dc nos dizcr.
A Ancrica c, cono scn¡rc as colónias, una
rc¡risiinaçao ou rcjuvcncscincnio dc raças
aniigas, solrciudo da Euro¡a. En viriudc dc
razõcs difcrcnics da Fussia, os Esiados Unidos
significan ianlcn un caso dcssa cs¡ccífica
rcalidadc Iisiorica quc cIananos º¡ovo novo".
Su¡õc-sc quc isso scja una frasc, quando c una
coisa iao cfciiva cono a juvcniudc dc un Ioncn.
A Ancrica c foric ¡or sua juvcniudc, quc sc ¡ós a
scrviço do nandancnio conicn¡oranco ºiccnica",
cono ¡odia Iavcr-sc ¡osio a scrviço do ludisno
sc csic fossc a ordcn do dia. Mas a Ancrica nao
faz con isso scnao concçar sua Iisioria. Agora
vao concçar suas angusiias, suas disscnçõcs,
scus confliios. Ainda icn dc scr nuiias coisas;
cnirc clas, algunas as nais o¡osias à iccnica c
ao ¡raiicisno. A Ancrica conia ncnos anos quc a
Fussia. Eu scn¡rc, con ncdo dc c×agcrar,
susicnici quc cra un ¡ovo ¡riniiivo canuflado
¡clos uliinos invcnios(72}. Agora Waldo Franl, cn
220
scu Fcdcscolrincnio da Ancrica, o dcclara
francancnic. A Ancrica ainda nao sofrcu; c
ilusorio ¡cnsar quc ¡ossa ¡ossuir as viriudcs do
nando.
Qucn cviic cair na conscqucncia ¡cssinisia
dc quc ningucn vai nandar, c quc, ¡orianio, o
nundo Iisiorico volia ao caos, icn dc rciroccdcr
ao ¡onio dc ¡ariida c ¡crguniar-sc a scrio. É iao
ccrio cono sc diz quc a Euro¡a csia cn
dccadcncia c rcsignc o nandaio, aldiquc? Nao
scra csia a¡arcnic dccadcncia a crisc lcnfciiora
quc ¡crniia à Euro¡a scr liicralncnic Euro¡a? A
cvidcnic dccadcncia das naçõcs curo¡cias, nao
cra a ¡riori ncccssaria sc algun dia Iavian dc
scr ¡ossívcl os Esiados Unidos da Euro¡a, a
¡luralidadc curo¡cia sulsiiiuída ¡or una fornal
unidadc?

IV

A funçao dc nandar c olcdcccr c a dccisiva
cn ioda socicdadc. Cono andc ncsia iurvaçao a
qucsiao dc qucn nanda c qucn olcdccc, iudo o
nais narcIara in¡ura c ior¡cncnic. Aic a nais
íniina iniinidadc dc cada indivíduo, salvas
gcniais c×ccçõcs, ficara ¡criurlada c falsificada.
Sc o Ioncn fossc un scr soliiario quc
221
acidcnialncnic sc acIa iravado cn convivcncia
con ouiros, ialvcz ¡crnancccssc iniacio dc iais
rc¡crcussõcs, oriundas dos dcslocancnios c
criscs do in¡crar, do Podcr. Mas, cono c social
cn sua nais clcncniar csiruiura, fica
iransiornado cn sua índolc ¡rivada ¡or nuiaçõcs
quc a rigor so afcian incdiaiancnic à
colciividadc. Daí quc sc ionanos à ¡aric un
indivíduo c o analisanos, calc coligir scn nais
dados cono anda cn scu ¡aís a conscicncia dc
nando c olcdicncia.
Fora inicrcssanic c aic uiil sulncicr a csic
c×anc o caraicr individual do cs¡anIol ncdio. A
o¡craçao scria, nao olsianic, cnfadonIa, c,
cnlora uiil, dc¡rincnic; ¡or isso a cviio. Mas
faria vcr a cnornc dosc dc dcsnoralizaçao íniina,
dc acanalIancnio quc no Ioncn ncdio do nosso
¡aís ¡roduz o faio dc scr a Es¡anIa una naçao
quc vivc Ia scculos con una conscicncia suja na
qucsiao dc nando c olcdicncia. O
acanalIancnio nao c ouira coisa scnao a
acciiaçao cono csiado Ialiiual c consiiiuído dc
una irrcgularidadc, dc algo quc cnquanio sc
acciia coniinua ¡arcccndo indcvido. Cono nao c
¡ossívcl convcricr cn sa nornalidadc o quc cn
sua csscncia c crininoso c anornal, o indivíduo
o¡ia ¡or ada¡iar-sc ao indcvido, fazcndo-sc
ioialncnic Ionogcnco con o crinc ou
irrcgularidadc quc arrasia. En un nccanisno
¡arccido ao quc o adagio ¡o¡ular cnuncia quando
222
diz. ºUna ncniira faz ccnio". Todas as naçõcs
airavcssaran jornadas cn quc as¡irou a nandar
solrc clas qucn nao dcvia nandar; nas un foric
insiinio lIcs fcz conccnirar ao ¡onio suas
cncrgias c cסclir aqucla irrcgular ¡rcicnsao dc
nando. FccIaçaran a irrcgularidadc iransiioria c
rcconsiiiuíran assin sua noral ¡ullica. Mas o
cs¡anIol fcz o conirario. cn vcz dc o¡or-sc a scr
in¡crado ¡or qucn sua íniina conscicncia
rccIaçava, ¡rcfcriu falsificar iodo o rcsio dc scu
scr ¡ara o aconodar àqucla fraudc inicial.
Enquanio isso ¡crsisiir cn nosso ¡aís, c vao
cs¡crar nada dos Ioncns dc nossa raça. Nao
¡odc icr vigor clasiico ¡ara a difícil faina dc
susicniar-sc con dccoro na Iisioria una
socicdadc cujo Esiado, cujo in¡crio ou nando, c
consiiiuiivancnic fraudulcnio.
Nao Ia, ¡ois, nada dc csiranIo cn quc
lasiassc una ligcira duvida, una sin¡lcs
vacilaçao solrc qucn nanda no nundo, ¡ara quc
iodo o nundo ÷ cn sua vida ¡ullica c cn sua
vida ¡rivada ÷ Iaja concçado a dcsnoralizar-sc.
A vida Iunana, ¡or sua naiurcza ¡ro¡ria,
icn dc csiar ¡osia cn algo, cn una cn¡rcsa
gloriosa ou Iunildc, cn un dcsiino ilusirc ou
irivial. Traia-sc dc una condiçao csiranIa, nas
inc×oravcl, inscriia cn nossa c×isicncia. Por un
lado, vivcr c algo quc cada qual faz ¡or si c ¡ara
si. Por ouiro lado, sc cssa vida ninIa, quc so a
223
nin nc in¡oria, nao c cnircguc ¡or nin a algo,
caninIara dcsvcncilIada, scn icnsao c scn
ºforna". Esics anos assisiinos ao giganicsco
cs¡ciaculo dc inuncravcis vidas Iunanas quc
narcIan ¡crdidas no lalirinio dc si ncsnas ¡or
nao icr a quc sc cnircgar. Todos os in¡craiivos,
iodas as ordcns ficaran cn sus¡cnso. Parccc quc
a siiuaçao dcvia scr idcal, ¡ois cada vida fica cn
alsoluia franquia ¡ara fazcr o quc lIc dcr na
voniadc, ¡ara vagar a si ncsna. Succdc o ncsno
a cada ¡ovo. A Euro¡a afrou×ou sua ¡rcssao
solrc o nundo. Mas o rcsuliado foi conirario ao
quc sc ¡odcria cs¡crar. Livrada a si ncsna, cada
vida fica scn si ncsna, vazia, scn icr o quc
fazcr. E cono Ia dc sc cncIcr con algo, invcnia-
sc ou fingc frivolancnic a si ncsna, dcdica-sc a
falsas ocu¡açõcs, quc nada íniino, sinccro,
in¡õc. Hojc c una coisa, ananIa, ouira, o¡osia
à ¡rincira. Esia ¡crdida ao cnconirar-sc so
consigo. O cgoísno c laliríniico. Con¡rccndc-sc.
Vivcr c ir arrojado ¡ara alguna dircçao, c
caninIar ¡ara una ncia. A ncia nao c o ncu
caninIar, nao c a ninIa vida; c algo a quc ¡onIo
csia c quc ¡or isso ncsno csia fora dcla, nais
alcn. Sc rcsolvo andar so ¡or dcniro dc ninIa
vida, cgoisiicancnic, nao avanço, nao vou a ¡aric
alguna; dou volias c nais volias cn un ncsno
lugar. Isio c o lalirinio, un caninIo quc nao lcva
a nada, quc sc ¡crdc cn si ncsno, dc ianio nao
scr nais quc caninIar ¡or dcniro dc si.
224
Dc¡ois da gucrra, o curo¡cu fccIou-sc cn
scu inicrior, ficou scn cn¡rcsa ¡ara si c ¡ara os
dcnais. Por isso coniinuanos Iisioricancnic
cono Ia dcz anos.
Nao sc nanda cn scco. O nando consisic cn
una ¡rcssao quc sc c×crcc solrc os dcnais. Mas
nao consisic so nisso. Sc fossc isio so, scria
violcncia. Nao sc csqucça quc nandar icn du¡lo
cfciio. nanda-sc cn algucn, nas nanda-sc-lIc
algo. E o quc sc lIc nanda c, no final das conias,
quc ¡ariici¡c cn una cn¡rcsa, cn un grandc
dcsiino Iisiorico. Por isso nao Ia in¡crio scn
¡rograna dc vida, ¡rccisancnic scn un ¡lano dc
vida in¡crial. Cono diz o vcrso dc ScIillcr.
Quando os rcis consirocn, os carrciros
icn o quc fazcr.
Nao convcn, ¡ois, cnlarcar na o¡iniao irivial
quc crc vcr na aiuaçao dos grandcs ¡ovos ÷
cono dos Ioncns ÷ una ins¡iraçao ¡urancnic
cgoísia. Nao c iao facil cono sc crc scr ¡uro
cgoísia, c ningucn, scndo-o, iriunfou janais. O
cgoísno a¡arcnic dos grandcs ¡ovos c dos
grandcs Ioncns c a durcza incviiavcl con quc sc
dcvc con¡oriar qucn icn sua vida ¡osia cn una
cn¡rcsa. Quando dc vcrdadc sc vai fazcr algo c
nos cnircganos a un ¡rojcio, nao sc nos ¡odc
¡cdir quc csicjanos cn dis¡onililidadc ¡ara
aicndcr aos iranscunics c quc nos dcdiqucnos a
225
¡cqucnos aliruísnos ocasionais. Una das coisas
quc nais cncanian os viajanics quando cruzan a
Es¡anIa c quc sc ¡crgunian a algucn na rua
ondc fica una ¡raça ou cdifício, con frcqucncia o
¡crguniado dci×a o caninIo quc lcva c
gcncrosancnic sc sacrifica ¡clo csiranIo,
conduzindo-o ao lugar quc a csic inicrcssa. Eu
nao ncgo quc ¡ossa Iavcr ncsia índolc do lon
ccliilcro algun faior dc gcncrosidadc, c nc alcgro
quc o csirangciro inicr¡rcic assin sua conduia.
Mas nunca ao ouvi-lo ou lc-lo ¡udc rc¡rinir csic
rcccio. c quc o con¡airioia ¡crguniado ia dc faio
a alguna ¡aric? Porquc ¡odcria ocorrcr nuiio
lcn quc, cn nuiios casos, o cs¡anIol nao csia
fazcndo nada, nao icn ¡rojcio ncn nissao, ¡clo
conirario, sai à vida ¡ara vcr sc as dos ouiros
cncIcn un ¡ouco a sua. En nuiios casos
consia-nc quc ncus con¡airioias sacn à rua
¡ara vcr sc cnconiran algun forasiciro a qucn
acon¡anIar.
Cravc c quc csia duvida solrc o nando do
nundo, c×crcido aic agora ¡cla Euro¡a, icnIa
dcsnoralizado o rcsio dos ¡ovos, salvo aquclcs
quc ¡or sua juvcniudc csiao ainda cn sua ¡rc-
Iisioria. Mas c nuiio nais gravc quc csic
¡icicncncni sur ¡lacc cIcguc a dcsnoralizar ¡or
con¡lcio o curo¡cu ncsno. Nao ¡cnso assin
¡orquc cu scja curo¡cu ou coisa ¡arccida. Nao c
quc diga. sc o curo¡cu nao Ia dc nandar no
fuiuro ¡ro×ino, nao nc inicrcssa a vida do
226
nundo. Nada nc in¡oriaria a ccssaçao do
nando curo¡cu sc c×isiissc Iojc ouiro gru¡o dc
¡ovos ca¡az dc sulsiiiui-lo no Podcr c na dircçao
do ¡lancia. Mas ncn scqucr isso ¡cdiria.
Acciiaria quc nao nandassc ningucn, sc isso nao
irou×cssc consigo a volaiilizaçao dc iodas as
viriudcs c dc iodos os doics do Ioncn curo¡cu.
Ora lcn, isso c irrcnissívcl. Sc o curo¡cu sc
Ialiiua a nao nandar, lasiarao gcraçao c ncia
¡ara quc o vclIo coniincnic, c airas dclc o nundo
iodo, caía na incrcia noral, na csicrilidadc
iniclcciual c na larlaric onnínoda. So a ilusao
do in¡crio c a disci¡lina dc rcs¡onsalilidadc quc
cla ins¡ira ¡odcn nanicr cn icnsao as alnas do
Ocidcnic. A cicncia, a aric, a iccnica c iudo o
nais vivcn da ainosfcra iónica quc cria a
conscicncia dc nando. Sc falia csia, o curo¡cu sc
ira cnvilcccndo. Ja nao icrao as ncnics cssa fc
radical cn si ncsnas quc as lança cncrgicas,
audazcs, icnazcs, à ca¡iura dc grandcs idcias,
novas cn ioda ordcn. O curo¡cu sc fara
dcfiniiivancnic coiidiano. Inca¡az dc csforço
criador c lu×uoso, rccaira scn¡rc no onicn, no
Ialiio, na roiina. Tornar-sc-a vulgar, fornulisia,
oco, cono os grcgos da dccadcncia c cono os dc
ioda a Iisioria lizaniina.
A vida criadora su¡õc un rcginc dc alia
Iigicnc, dc grandc dccoro, dc consianics
csiínulos, quc c×ciian a conscicncia da
227
dignidadc. A vida criadora c vida cncrgica, c csia
so c ¡ossívcl cn una dcsias siiuaçõcs. ou scndo
qucn nanda ou acIando-sc alojado cn un
nundo ondc nanda algucn a qucn
rcconIcccnos ¡lcno dirciio ¡ara ial funçao; ou
nando ou olcdcço. Mas olcdcccr nao c agucniar
÷ agucniar c cnvilcccr-sc ÷ nas, ¡clo conirario,
csiinar qucn nanda c acon¡anIa-lo,
solidarizando-sc con clc, siiuando-sc con fcrvor
sol o dra¡cjar dc sua landcira.

V

Convcn quc agora rciroccdanos ao ¡onio dc
¡ariida dcsics ariigos. ao faio, iao curioso, dc quc
no nundo sc falc csics anos ianio solrc a
dccadcncia da Euro¡a. Ja c sur¡rccndcnic o
dcialIc dc quc csia dccadcncia nao icnIa sido
noiada ¡rincirancnic ¡clos csiranIos, nas quc o
dcscolrincnio dcla sc dcva aos curo¡cus
ncsnos. Quando ningucn, fora do vclIo
coniincnic, ¡cnsava nisso, ocorrcu a alguns
Ioncns da AlcnanIa, da Inglaicrra, da França,
csia sugcsiiva idcia. Nao scra quc concçanos a
dccair? A idcia icvc loa In¡rcnsa, c Iojc iodo o
nundo fala da dccadcncia curo¡cia cono dc una
rcalidadc inconcussa.
228
Mas dcicndc ao quc a cnunciar con un lcvc
gcsio c ¡crguniai-lIc cn quc fcnóncnos
concrcios c cvidcnics funda scu diagnosiico.
Proniancnic vcrcis a ¡cssoa fazcr vagos
adcnancs c ¡raiicar cssa agiiaçao dc lraços ¡ara
a roiundidadc do univcrso quc c caracicrísiica dc
iodo naufrago. Nao salc, con cfciio, a quc sc
agarrar. A unica coisa quc scn grandcs ¡rccisõcs
a¡arccc quando sc qucr dcfinir a aiual
dccadcncia curo¡cia, c o conjunio dc dificuldadcs
cconónicas quc cnconira Iojc dianic dc cada
una das naçõcs curo¡cias. Mas quando sc vai
¡rccisar un ¡ouco o caraicr dcssas dificuldadcs,
advcric-sc quc ncnIuna dclas afcia scriancnic o
¡odcr dc criaçao da riqucza c quc o vclIo
coniincnic ¡assou ¡or una crisc nuiio nais
gravc ncsia ordcn.
É quc, ¡orvcniura, o alcnao ou o inglcs nao
sc scnicn Iojc ca¡azcs dc ¡roduzir nais c
nclIor quc nunca? En nodo algun, c in¡oria
nuiio filiar o csiado dc cs¡íriio dcssc alcnao ou
dcssc inglcs ncsia dincnsao do cconónico. Pois o
curioso c, ¡rccisancnic, quc a dc¡rcssao
indiscuiívcl dc scus aninos nao ¡rovcn dc quc sc
sinian ¡ouco ca¡azcs, nas ¡clo conirario, dc quc
scniindo-sc con nais ¡oicncialidadc do quc
nunca, iro¡cccn con ccrias larrciras faiais quc
os in¡cdcn dc rcalizar o quc nuiio lcn
¡odcrian. Essas froniciras faiais da ccononia
aiual alcna, inglcsa, franccsa, sao as froniciras
229
¡olíiicas dos Esiados rcs¡cciivos. A dificuldadc
auicniica nao radica, ¡ois, ncsic ou no ouiro
¡rollcna cconónico quc csicja lcvaniado, nas
cn quc na forna da vida ¡ullica cn quc sc
Iavian dc novcr as ca¡acidadcs cconónicas c
incongrucnic cono o iananIo dcsias. A ncu vcr,
a scnsaçao dc ncnoscalo, dc in¡oicncia quc
alruna incgavclncnic csics anos à viialidadc
curo¡cia, nuirc-sc dcssa dcs¡ro¡orçao cnirc o
iananIo da ¡oicncialidadc curo¡cia aiual c o
fornaio da organizaçao ¡olíiica cn quc icn dc
aiuar. O arranco ¡ara rcsolvcr as gravcs qucsiõcs
urgcnics c iao vigoroso cono quando nais o
icnIa sido; nas iro¡cça no ncsno insianic con
as rcduzidas jaulas cn quc csia alojado, con as
¡cqucnas naçõcs cn quc aic agora vivia
organizada a Euro¡a. O ¡cssinisno, o dcsanino
quc Iojc ¡csa solrc a alna coniincnial ¡arccc-nc
nuiio ao da avc dc asa larga quc ao laicr os
rcnígios sc fcrc conira as gradcs da jaula.
A ¡rova disso c quc a conlinaçao sc rc¡cic
cn iodas as dcnais ordcns, cujos faiorcs sao cn
a¡arcncia iao difcrcnics do cconónico. Por
c×cn¡lo, na vida iniclcciual. Todo lon
iniclcciual da AlcnanIa, da Inglaicrra ou da
França scnic-sc Iojc afogado nos liniics dc sua
naçao, scnic sua nacionalidadc cono una
liniiaçao alsoluia. O ¡rofcssor alcnao ja viu
claro quc c alsurdo o csiilo dc ¡roduçao a quc o
olriga scu ¡ullico incdiaio dc ¡rofcssorcs
230
alcnacs, c scnic falia da su¡crior lilcrdadc dc
cסrcssao quc dcsfruian o cscriior franccs ou o
cnsaísia inglcs. Vicc-vcrsa, o Ioncn dc lciras
¡arisicnsc concça a con¡rccndcr quc csia
csgoiada a iradiçao dc nandarinisno liicrario, dc
vcrlal fornalisno, a quc o condcna sua
¡rovcnicncia franccsa, c ¡rcfcriria, conscrvando
as nclIorcs qualidadcs dcssa iradiçao, inicgra-la
con algunas viriudcs do ¡rofcssor alcnao.
Na ordcn da ¡olíiica inicrior aconiccc a
ncsna coisa. Nao sc analisou ainda a fundo a
csiranIíssina qucsiao dc ¡or quc anda iao cn
agonia a vida ¡olíiica dc iodas as grandcs naçõcs.
Diz-sc quc as insiiiuiçõcs dcnocraiicas caíran
cn dcs¡rcsiígio. Mas isso c jusiancnic o quc
conviria cסlicar. Porquc c un dcs¡rcsiígio
csiranIo. Fala-sc nal do Parlancnio cn ioda a
¡aric; nas nao sc vc quc cn ncn una das quc
conian sc inicnic sua sulsiiiuiçao, ncn scqucr
quc c×isian ¡crfis uio¡icos dc ouiras fornas dc
Esiado quc, ao ncnos idcalncnic, ¡arcçan
¡rcfcrívcis. Nao Ia, ¡ois, quc crcr nuiio na
auicniicidadc dcsic a¡arcnic dcs¡rcsiígio. Nao
sao as insiiiuiçõcs, cn quanio insiruncnio dc
vida ¡ullica, as quc vao nal na Euro¡a, nas as
iarcfas cn quc cn¡rcga-las. Falian ¡rogranas
dc iananIo congrucnic con as dincnsõcs
cfciivas quc a vida cIcgou a icr dcniro dc cada
indivíduo curo¡cu.
231
Ha aqui un crro dc oiica quc convcn corrigir
dc una vcz ¡ara scn¡rc, ¡orquc cnfara cscuiar
as inc¡cias quc a ioda Iora sc diz, ¡or c×cn¡lo, a
¡ro¡osiio do Parlancnio. E×isic ioda una scric
dc oljcçõcs validas ao nodo dc conduzir-sc os
Parlancnios iradicionais; nas sc sc ionan una
a una, vc-sc quc ncn una dclas ¡crniic a
conclusao dc quc dcvc su¡rinir-sc o Parlancnio,
nas, ¡clo conirario, iodas lcvan ¡or via dircia c
cvidcnic à ncccssidadc dc rcforna-lo. Ora lcn. o
nclIor quc Iunanancnic ¡odc dizcr-sc dc algo c
quc ncccssiia scr rcfornado, ¡orquc isso in¡lica
quc c in¡rcscindívcl c quc c ca¡az dc nova vida.
O auionovcl aiual saiu das oljcçõcs quc sc
o¡uscran ao auionovcl dc 1910. Mas a
dcscsiina vulgar cn quc caiu o Parlancnio nao
¡roccdc dcssas oljcçõcs. Fala-sc, ¡or c×cn¡lo,
quc nao c cficaz. Nos dcvcnos cniao ¡crguniar.
Para quc nao c cficaz? Porquc a cficacia c a
viriudc quc un uicnsílio icn ¡ara ¡roduzir una
finalidadc. Ncsic caso a finalidadc scria a soluçao
dos ¡rollcnas ¡ullicos cn cada naçao. Por isso
c×iginos dc qucn ¡roclana a incficacia dos
Parlancnios quc clc ¡ossua una idcia clara dc
qual c a soluçao dos ¡rollcnas ¡ullicos aiuais.
Porquc do conirario, sc cn ncnIun ¡aís csia
Iojc claro, ncn ainda icoricancnic, cn quc
consisic o quc Ia quc fazcr, nao icn scniido
acusar dc incficacia os insiruncnios
insiiiucionais. Mais valia rccordar quc janais
232
insiiiuiçao alguna criou na Iisioria Esiados nais
fornidavcis, nais cficicnics quc os Esiados
¡arlancniarcs do scculo XIX. O faio c iao
indiscuiívcl quc csquccc-lo dcnonsira franca
csiu¡idcz. Nao sc confunda, ¡ois, a ¡ossililidadc
c a urgcncia dc rcfornar ¡rofundancnic as
Asscnllcias lcgislaiivas, ¡ara fazc-las ºainda
nais" cficazcs, con dcclarar sua inuiilidadc.
O dcs¡rcsiígio dos Parlancnios nao icn nada
quc vcr con scus noiorios dcfciios. Proccdc dc
ouira causa, alIcia dc iodo a clcs no quc diz
rcs¡ciio a uicnsílios ¡olíiicos. Proccdc dc quc o
curo¡cu nao salc cn quc cn¡rcga-los, dc quc
nao csiina as finalidadcs da vida ¡ullica
iradicional; cn suna, dc quc nao scnic ilusao
¡clos Esiados nacionais cn quc csia inscriio c
¡risionciro. Sc sc olIa con un ¡ouco dc cuidado
cssc fanoso dcs¡rcsiígio, o quc sc vc c quc o
cidadao, na naior ¡aric dos ¡aíscs, nao scnic
rcs¡ciio a scu Esiado. scria inuiil sulsiiiuir o
dcialIc dc suas insiiiuiçõcs, ¡orquc o
irrcs¡ciiavcl nao sao csias, nas o Esiado ncsno,
quc sc ananicou.
Pcla ¡rincira vcz, ao iro¡cçar o curo¡cu cn
scus ¡rojcios cconónicos, ¡olíiicos, iniclcciuais,
con os liniics dc sua naçao, scnic quc aquclcs ÷
qucr dizcr, suas ¡ossililidadcs dc vida, scu csiilo
viial ÷ sao inconcnsuravcis con o iananIo do
cor¡o colciivo cn quc csia cnccrrado. E cniao
233
dcscolriu quc scr inglcs, alcnao ou franccs c scr
¡rovinciano. Dc¡arou-sc, ¡ois, con quc c
ºncnos" quc anics, ¡orquc anics o inglcs, o
franccs c o alcnao acrcdiiavan, cada qual ¡or si,
quc cran o univcrso. Esic c, ¡arccc-nc, a
auicniica origcn dcssa in¡rcssao dc dccadcncia
quc acIaca o curo¡cu. Porianio, una origcn
¡urancnic íniina c ¡arado×al, ja quc a
¡rcsunçao dc Iavcr ninguado nascc
¡rccisancnic dc quc crcsccu sua ca¡acidadc c
iro¡cça con una organizaçao aniiga, dcniro da
qual ja nao calc.
Para dar ao diio un a¡oio ¡lasiico quc o
susicnic, ionc-sc qualqucr aiividadc concrcia.
¡or c×cn¡lo, a falricaçao dc auionovcis. O
auionovcl c invcnio ¡urancnic curo¡cu.
Enircianio, Iojc c su¡crior a falricaçao noric-
ancricana dcssc aricfaio. Conscqucncia. o
auionovcl curo¡cu csia cn dccadcncia. Todavia,
o falricanic curo¡cu ÷ indusirial c iccnico ÷ dc
auionovcis salc nuiio lcn quc a su¡crioridadc
do ¡roduio ancricano nao ¡roccdc dc ncnIuna
viriudc cs¡ccífica usufruída ¡clo Ioncn dc
uliranar, nas a¡cnasncnic dc quc a falrica
ancricana ¡odc ofcrcccr scu ¡roduio scn
dificuldadc alguna a ccnio c vinic nilIõcs dc
Ioncns. Inaginc-sc quc una falrica curo¡cia
vissc anic si una arca ncrcaniil fornada ¡or
iodos os Esiados curo¡cus c suas colónias c scus
¡roiciorados. Ningucn duvida dc quc cssc
234
auionovcl ¡rcvisio ¡ara quinIcnios ou scisccnios
nilIõcs dc Ioncns scria nuiio nclIor c nais
laraio quc o ºFord". Todas as graças ¡cculiarcs
da iccnica ancricana sao quasc ¡osiiivancnic
cfciios c nao causas da an¡liiudc c
Ionogcncidadc dc scu ncrcado. A
ºracionalizaçao" da indusiria c conscqucncia
auionaiica dc scu iananIo.
A siiuaçao auicniica da Euro¡a viria,
¡orianio, a scr csia. scu nagnífico c longo
¡assado a faz cIcgar a un novo csiadio dc vida
ondc iudo crcsccu; nas às vczcs as csiruiuras
solrcvivcnics dcssc ¡assado sao anas c in¡cdcn
a aiual cסansao. A Euro¡a fcz-sc cn forna dc
¡cqucnas naçõcs. En ccrio nodo, a idcia c o
scniincnio nacionais foran sua invcnçao nais
caracicrísiica. E agora vc-sc olrigada a su¡crar-
sc a si ncsna. É csic o csqucna do drana
cnornc quc sc rc¡rcscniara nos anos vindouros.
Salcra lilcriar-sc dc solrcvivcncias, ou ficara
¡risioncira ¡ara scn¡rc dclas? Porquc ja ocorrcu
una vcz na Iisioria quc una grandc civilizaçao
norrcu ¡or nao ¡odcr sulsiiiuir sua idcia
iradicional dc Esiado...

VI

235
Conici cn ouiro lugar a ¡ai×ao c noric do
nundo grcco-ronano, c quanio a ccrios
¡orncnorcs, rc¡orio-nc ao quc ali dissc(73}. Mas
agora ¡odcnos considcrar o assunio dcsdc ouiro
as¡ccio.
Crcgos c laiinos a¡arcccn na Iisioria
alojados, cono alclIas cn sua colncia, dcniro dc
urlcs, dc ¡olcis. Esic c un faio quc ncsias
¡aginas ncccssiianos ionar cono alsoluio c dc
gcncsc nisicriosa; un faio dc quc Ia quc ¡ariir
ial cono o zoologo ¡aric do dado lruio c
incסlicado dc quc o s¡Ic× vivc soliiario,
crralundo, ¡crcgrino, ao ¡asso quc a alclIa
vcrnclIa so c×isic cn cn×anc consiruior dc
favos(74}. O caso c quc a cscavaçao c a arqucologia
nos ¡crniicn vcr algo do quc Iavia no solo dc
Aicnas c no dc Fona anics dc quc Aicnas c Fona
c×isiisscn. Mas o iransiio dcsia ¡rc-Iisioria,
¡urancnic rural c scn caraicr cs¡ccífico, ao
lroiar da cidadc, fruia dc nova cs¡ccic quc da o
solo dc anlas as ¡cnínsulas, fica arcano; ncn
scqucr csia claro o nc×o cinico cnirc aquclcs
¡ovos ¡roio-Iisioricos c cssas csiranIas
conunidadcs, quc a¡orian ao rc¡criorio Iunano
una grandc inovaçao. a dc consiruir una ¡raça
¡ullica c cn iorno una cidadc fccIada ao
can¡o. Porquc, con cfciio, a dcfiniçao nais ccria
do quc c a urlc c a ¡olis ¡arccc-sc nuiio con a
quc conicancnic sc da do canIao. rodcia-sc o
local dc un ¡oço con aranc nuiio a¡criado c
236
icn-sc un canIao. O ncsno aconiccc con a
urlc ou ¡olis quc concça ¡or scr un luraco. o
foro, o agora; c iudo o nais c ¡rcic×io ¡ara
asscgurar cssc luraco, ¡ara dcliniiar scu
coniorno. A ¡olis nao c ¡rinordialncnic un
conjunio dc casas Ialiiavcis, nas un lugar dc
ajuniancnio civil, un cs¡aço dcnarcado ¡ara
funçõcs ¡ullicas. A urlc nao csia fciia, cono a
calana ou o donus, ¡ara ¡roicgcr-sc da
inicn¡cric c cngcndrar, quc sao nisicrcs
¡rivados c faniliarcs, nas ¡ara discuiir solrc a
coisa ¡ullica. Noic-sc quc isio significa nada
ncnos quc a invcnçao dc una nova classc dc
cs¡aço, nuiio nais nova quc o cs¡aço dc
Einsicin. Aic cniao so c×isiia un cs¡aço. o
can¡o, c nclc sc vivia con iodas as
conscqucncias quc isso iraz ¡ara o scr do
Ioncn. O Ioncn can¡csino c iodavia un
vcgcial. Sua c×isicncia, quanio ¡cnsa, scnic c
qucr conscrva a nodorra inconscicnic cn quc
vivc a ¡lania. As grandcs civilizaçõcs asiaiicas c
africanas foran ncsic scniido grandcs vcgciaçõcs
aniro¡onorfas. Mas o grcco-ronano dccidc
sc¡arar-sc do can¡o, da ºnaiurcza", do cosnos
gcoloianico. Cono c isso ¡ossívcl? Cono ¡odc o
Ioncn sulirair-sc ao can¡o? Ondc ira, sc o
can¡o c ioda a icrra, sc c o iliniiado? Muiio
sin¡lcs. liniiando un ¡cdaço dc can¡o ncdianic
uns nuros quc o¡onIan o cs¡aço incluso c finiio
ao cs¡aço anorfo c scn fin. Eis aqui a ¡raça.
237
Nao c, cono a casa, un ºinicrior" fccIado ¡or
cina, igual às covas quc c×isicn no can¡o, nas
quc c ¡ura c sin¡lcsncnic a ncgaçao do can¡o.
A ¡raça, ncrcc dos nuros quc a lalizan, c un
¡cdaço dc can¡o quc volia cosias ao rcsio, quc
¡rcscindc do rcsio c sc o¡õc a clc. Esic can¡o
ncnor c rclcldc, quc ¡raiica sccçao do can¡o
infiniio c sc rcscrva a si ncsno dianic dclc, c
can¡o alolido, c, ¡orianio, un cs¡aço sui
gcncris, novíssino, cn quc o Ioncn sc lilcria dc
ioda conunidadc con a ¡lania c o aninal, dci×a
csics fora c cria un anliio à ¡aric ¡urancnic
Iunano. É o cs¡aço civil. Por isso Socraics, o
grandc urlano, irí¡licc c×iraio do suno quc
rcssuna a ¡olis, dira. ºEu nao icnIo nada quc
vcr con as arvorcs no can¡o; cu so icnIo qucr
vcr con os Ioncns na cidadc". Quc soulcran
disso janais o Iindu, o ¡crsa, ncn o cIincs, ncn
o cgí¡cio?
Aic Alc×andrc c Ccsar, rcs¡cciivancnic, a
Iisioria da Crccia c dc Fona consisic na luia
inccssanic cnirc csscs dois cs¡aços. cnirc a
cidadc racional c o can¡o vcgcial, cnirc o jurisia
c o lalrcgo, cnirc o ius c o rus.
Nao sc ¡cnsc quc csia origcn da urlc c una
¡ura consiruçao ninIa c quc so lIc corrcs¡ondc
una vcrdadc sinlolica. Con rara insisicncia, no
c×iraio ¡rinario c nais fundo dc sua ncnoria
conscrvan os Ialiianics da cidadc grcco-laiina a
238
lcnlrança dc un synoilisnos. Nao Ia, ¡ois, quc
soliciiar os ic×ios; lasia iraduzi-los. Synoilisnos
c acordo dc ir vivcr junios; ¡orianio,
ajuniancnio, csiriiancnic no du¡lo scniido físico
c jurídico dcssc vocalulo. A dis¡crsao vcgciaiiva
¡cla can¡ina succdc a conccniraçao civil na
cidadc. A urlc c a su¡cr-casa, a su¡craçao da
casa ou ninIo infra-Iunano, a criaçao dc una
cniidadc nais alsiraia c nais alia quc o oilos
faniliar. É a rc¡ullica, a ¡oliica, quc nao sc
con¡õc dc Ioncns c nulIcrcs; nas dc cidadaos.
Una dincnsao nova, irrcduiívcl às ¡rinigcnias c
nais ¡ro×inas ao aninal, ofcrccc-sc ao c×isiir
Iunano, c ncla vao ¡ór os quc anics so cran
Ioncns suas nclIorcs cncrgias. Dcsia nancira
nascc a urlc, dcsdc logo cono Esiado.
En ccrio nodo, ioda a cosia ncdiicrranca
nosirou scn¡rc una cs¡onianca icndcncia a
csic ii¡o csiaial. Con nais ou ncnos ¡urcza, o
Noric da África (Cariago ÷ a cidadc} rc¡cic o
ncsno fcnóncno. Iialia nao saiu aic o scculo XIX
do Esiado-cidadc, c nosso Lcvanic cai cn quanio
¡odc no canionalisno, quc c un rcssalio daqucla
nilcnaria ins¡iraçao(75}.
O Esiado-cidadc, ¡cla rclaiiva ¡cqucncz dc
scus ingrcdicnics, ¡crniic vcr clarancnic o
cs¡ccífico do ¡rincí¡io csiaial. Por una ¡aric, a
¡alavra ºcsiado" indica quc as forças Iisioricas
conscgucn una conlinaçao dc cquilílrio, dc
239
asscnio. Ncsic scniido significa o conirario do
novincnio Iisiorico. o Esiado c convivcncia
csialilizada, consiiiuída, csiaiica. Mas csic
caraicr dc inolilidadc, dc forna quicia c
dcfinida, oculia, cono iodo cquilílrio, o
dinanisno quc ¡roduziu c susicn o Esiado. Faz
csqucccr, cn suna, quc o Esiado consiiiuído c so
o rcsuliado dc un novincnio anicrior dc luia, dc
csforços, quc a clc icndian. Ao Esiado
consiiiuído ¡rcccdc o Esiado consiiiuinic, c csic
c un ¡rincí¡io dc novincnio.
Con isio qucro dizcr quc o Esiado nao c una
forna dc socicdadc quc o Ioncn acIa
¡rcscnicada, nas quc ncccssiia forja-la
¡cnosancnic. Nao c cono a Iorda ou a irilo c
dcnais socicdadcs fundadas na consanguinidadc
quc a Naiurcza sc cncarrcga dc fazcr scn
colaloraçao con o csforço Iunano. Pclo
conirario, o Esiado concça quando o Ioncn sc
afana ¡or fugir da socicdadc naiiva dcniro da
qual o sanguc o inscrcvcu. E qucn diz o sanguc,
diz ianlcn qualqucr ouiro ¡rincí¡io naiural; ¡or
c×cn¡lo, o idiona. Originariancnic o Esiado
consisic na ncscla dc sangucs c línguas. É
su¡craçao dc ioda socicdadc naiural. É ncsiiço c
¡lurilínguc.
Assin, a cidadc nascc ¡or rcuniao dc ¡ovos
divcrsos. Consiroi solrc a Icicrogcncidadc
zoologica una Ionogcncidadc alsiraia dc
240
juris¡rudcncia(76}. Esia claro quc a unidadc
jurídica nao c a as¡iraçao quc ¡ro¡clc o
novincnio criador do Esiado. O in¡ulso c nais
sulsianiivo quc iodo dirciio, c o ¡ro¡osiio dc
cn¡rcsas viiais naiorcs quc as ¡ossívcis às
ninusculas socicdadcs consanguíncas. Na gcncsc
dc iodo Esiado vcnos ou cnircvcnos scn¡rc o
¡crfil dc un grandc cn¡rcsario.
Sc olscrvanos a siiuaçao Iisiorica quc
¡rcccdc incdiaiancnic o nascincnio dc un
Esiado, cnconirarcnos scn¡rc o scguinic
csqucna. varias colciividadcs ¡cqucnas cuja
csiruiura social csia fciia ¡ara quc viva cada qual
dcniro dc si ncsna. A forna social dc cada una
scrvc so ¡ara una convivcncia inicrna. Isio
indica quc no ¡assado vivcran cfciivancnic
isoladas, cada una ¡or si c ¡ara si, scn nais
coniaios quc os c×cc¡cionais con as liníirofcs.
Mas a csic isolancnio cfciivo succdcu dc faio
una convivcncia c×icrna, solrciudo cconónica.
O indivíduo dc cada colciividadc nao vivc ja so
dcsia, nas ¡aric dc sua vida csia iravada con
indivíduos dc ouiras colciividadcs con os quais
concrcia ncrcaniil c iniclcciualncnic. Solrcvcn,
¡ois, un dcscquilílrio cnirc duas convivcncias. a
inicrna c a c×icrna. A forna social csialclccida ÷
dirciios, ºcosiuncs" c rcligiao ÷ favorccc a
inicrna c dificulia a c×icrna, nais an¡la c nova.
Ncsia siiuaçao, o ¡rincí¡io csiaial c o novincnio
quc lcva a aniquilar as fornas sociais dc
241
convivcncia inicrna, sulsiiiuindo-as ¡or una
forna social adcquada à nova convivcncia
c×icrna. A¡liquc-sc isio ao noncnio aiual
curo¡cu, c csias cסrcssõcs alsiraias adquirirao
figura c cor.
Nao Ia criaçao csiaial sc a ncnic dc ccrios
¡ovos nao c ca¡az dc alandonar a csiruiura
iradicional dc una forna dc convivcncia, c, alcn
disso, dc inaginar ouira nunca sida. Por isso c
auicniica criaçao. O Esiado concça ¡or scr una
olra dc inaginaçao alsoluia. A inaginaçao c o
¡odcr lilcriador quc o Ioncn icn. Un ¡ovo c
ca¡az dc Esiado na ncdida cn quc saila
inaginar. Daí quc iodos os ¡ovos icnIan iido un
liniic cn sua cvoluçao csiaial, ¡rccisancnic o
liniic in¡osio ¡cla Naiurcza a sua faniasia.
O grcgo c o ronano, ca¡azcs dc inaginar a
cidadc quc iriunfa da dis¡crsao can¡csina,
dciivcran-sc nos nuros urlanos. Houvc qucn
quis lcvar as ncnics grcco-ronanas nais alcn,
qucn icniou lilcria-las da cidadc; nas foi vao
cn¡cnIo. A cscuridao inaginaiiva do ronano,
rc¡rcscniada ¡or Druio, cncarrcgou-sc dc
assassinar Ccsar ÷ a naior faniasia da
aniiguidadc ÷. In¡oria-nos nuiio aos curo¡cus
dc Iojc rccordar csia Iisioria, ¡orquc a nossa
cIcgou ao ncsno ca¡íiulo.

242
VII

Mcnics lucidas, o quc sc cIana ncnics
lucidas, nao Iouvc ¡rovavclncnic cn iodo o
nundo aniigo nais quc duas. Tcnísioclcs c
Ccsar; dois ¡olíiicos. A coisa c sur¡rccndcnic
¡orquc, cn gcral, o ¡olíiico, incluso o fanoso, c
¡olíiico ¡rccisancnic ¡orquc c ior¡c(77}. Houvc,
scn duvida, na Crccia c cn Fona ouiros Ioncns
quc ¡cnsaran idcias claras solrc nuiias coisas
÷ filosofos, naicnaiicos, naiuralisias ÷. Mas
sua claridadc foi dc ordcn cicniífica; isio c, una
claridadc solrc coisas alsiraias. Todas as coisas
dc quc fala a cicncia, scja cla qual for, sao
alsiraias, c as coisas alsiraias sao scn¡rc
claras. Dc soric quc a claridadc da cicncia nao
csia ianio na calcça dos quc a fazcn cono nas
coisas dc quc falan. O csscncialncnic confuso,
iniricado, c a rcalidadc viial concrcia, quc c
scn¡rc unica. Qucn scja ca¡az dc oricniar-sc
con ¡rccisao ncla; aquclc quc vislunlrc sol o
caos quc a¡rcscnia ioda siiuaçao viial a anaionia
sccrcia do insianic; cn suna, qucn nao sc ¡crca
na vida, cssc c dc vcrdadc una ncnic lucida.
Olscrvai os quc vos rodcian c vcrcis cono
avançan ¡crdidos cn sua vida; vao cono
sonanlulos, dcniro dc sua loa ou na soric, scn
icr a nais lcvc sus¡ciia do quc lIcs aconiccc.
Ouvi-los-cis falar cn fornulas ia×aiivas solrc si
243
ncsnos c solrc scu coniorno, o quc indicaria quc
¡ossucn idcias solrc iudo isso. Porcn, sc
analisais su¡crficialncnic cssas idcias, noiarcis
quc nao rcflcicn nuiio ncn ¡ouco a rcalidadc a
quc ¡arcccn rcfcrir-sc, c sc a¡rofundais na
analisc acIarcis quc ncn scqucr ¡rcicndcn
ajusiar-sc a ial rcalidadc. Pclo conirario. o
indivíduo iraia con clas dc inicrcc¡iar sua
¡ro¡ria visao do rcal, dc sua vida ncsna. Porquc
a vida c inicirancnic un caos ondc a criaiura
csia ¡crdida. O Ioncn o sus¡ciia; nas aicrra-o
cnconirar-sc cara a cara con cssa icrrívcl
rcalidadc, c ¡rocura oculia-la con un vcu
faniasnagorico ondc iudo csia nuiio claro. Nao
lIc inicrcssa quc suas ºidcias" nao scjan
vcrdadciras; cn¡rcga-as cono irincIciras ¡ara
dcfcndcr-sc dc sua vida, cono cs¡anialIos ¡ara
afugcniar a rcalidadc.
Honcn dc ncnic lucida c aquclc quc sc
lilcria dcssas ºidcias" faniasnagoricas c olIa dc
frcnic a vida, c sc convcncc dc quc iudo ncla c
¡rollcnaiico, c sc scnic ¡crdido. Cono isso c a
¡ura vcrdadc ÷ a salcr, quc vivcr c scniir-sc
¡crdido ÷, qucn o acciia ja concçou a
cnconirar-sc, ja concçou a dcscolrir sua
auicniica rcalidadc, ja csia no firnc.
Insiiniivancnic, cono o naufrago, luscara algo
¡ara sc agarrar, c cssc olIar iragico, ¡crcn¡iorio,
alsoluiancnic vcraz ¡orquc sc iraia dc salvar-sc,
lIc faculiara ¡ór ordcn no caos dc sua vida.
244
Esias sao as unicas idcias vcrdadciras; as idcias
dos naufragos. O rcsio c rciorica, ¡osiura, íniina
farsa. Qucn nao sc scnic dc vcrdadc ¡crdido
¡crdc-sc inc×oravclncnic; c dizcr, nao sc
cnconira janais, nao io¡a nunca con a ¡ro¡ria
rcalidadc.
Isio c ccrio cn iodas as ordcns, ainda na
cicncia, nao olsianic scr a cicncia, dc scu, una
fuga da vida (a naior ¡aric dos Ioncns dc
cicncia dcdicaran-sc a cla ¡or icrror a dcfroniar
sua ¡ro¡ria vida. Nao sao ncnics claras; daí sua
noioria falia dc jciio anic qualqucr siiuaçao
concrcia}. Nossas idcias cicniíficas valcn na
ncdida cn quc nos icnIanos scniido ¡crdidos
anic una qucsiao, cn quc icnIanos visio lcn
scu caraicr ¡rollcnaiico c con¡rccndanos quc
nao ¡odcnos a¡oiar-nos cn idcias rccclidas, cn
rccciias, cn lcnas ncn vocalulos. Qucn
dcscolrc una nova vcrdadc cicniífica icvc anics
quc iriiurar quasc iudo quc Iavia a¡rcndido c
cIcga a cssa nova vcrdadc con as naos
sangrcnias ¡or Iavcr jugulado inuncravcis
lugarcs conuns.
A ¡olíiica c nuiio nais rcal quc a cicncia,
¡orquc sc con¡õc dc siiuaçõcs unicas cn quc o
Ioncn sc cnconira dc rc¡cnic sulncrso, qucira
ou nao qucira. Por isso c o icna quc nos ¡crniic
disiinguir nclIor quais as ncnics lucidas c quais
as ncnics roiinciras.
245
Ccsar c o c×cn¡lo na×ino quc conIcccnos
dc don ¡ara cnconirar o ¡crfil da rcalidadc
sulsianiiva cn un noncnio dc confusao
¡avorosa, cn una Iora das nais caoiicas quc Ia
vivido a Iunanidadc. E cono sc o dcsiino sc
Iouvcssc con¡razido cn sullinIar a
c×cn¡laridadc, ¡ós a sua dirciia una nagnífica
calcça dc iniclcciual, a dc Cíccro, dcdicada
duranic ioda a sua vida a confundir as coisas.
O c×ccsso dc loa foriuna Iavia dcslocado o
cor¡o ¡olíiico ronano. A cidadc iilcrina, dona da
Iialia, da Es¡anIa, da Ásia Mcnor, do Oricnic
classico c Iclcnísiico, csiava a ¡onio dc rclcniar.
Suas insiiiuiçõcs ¡ullicas iinIan una força
nunici¡al c cran insc¡aravcis da urlc, cono as
anadríadas csiao, sol ¡cna dc consunçao,
adscriias à arvorc quc iuiclan.
A saudc das dcnocracias, quaisqucr quc
scjan scu ii¡o c scu grau, dc¡cndc dc un níscro
dcialIc iccnico. o ¡roccdincnio clciioral. Tudo o
nais c sccundario. Sc o rcginc dc conícios c
accriado, sc sc ajusia à rcalidadc, iudo vai lcn;
sc nao, cnlora o rcsio narcIc oiinancnic, iudo
vai nal. Fona, ao concçar o scculo I anics dc
Crisio, c oni¡oicnic, rica, nao icn ininigos à sua
frcnic. Enircianio, csia a ¡onio dc fcncccr ¡orquc
sc olsiina cn conscrvar un rcginc clciioral
csiu¡ido. Un rcginc clciioral c csiu¡ido quando
c falso. Havia quc voiar na cidadc. Ja os cidadaos
246
do can¡o nao ¡odian assisiir aos conícios. Mas
nuiio ncnos os quc vivian rc¡ariidos ¡or iodo o
nundo ronano. Cono as clciçõcs cran
in¡ossívcis, foi ncccssario falsifica-las, c os
candidaios organizavan ¡ariidas dc caccic ÷
con vcicranos do c×crciio, con ailcias do circo ÷
quc sc cncarrcgavan dc ron¡cr as urnas.
Scn o a¡oio dc auicniico sufragio as
insiiiuiçõcs dcnocraiicas csiao no ar. No ar csiao
as ¡alavras. ºA Fc¡ullica nao cra nais quc una
¡alavra". A cסrcssao c dc Ccsar. NcnIuna
nagisiraiura gozava dc auioridadc. Os gcncrais
da csqucrda c da dirciia ÷ Mario c Sila ÷
c×ilian insolcncias cn vazias diiaduras quc nao
lcvavan a nada.
Ccsar nao cסlicou nunca sua ¡olíiica,
cnircicvc-sc cn fazc-la. Dava a casualidadc dc
quc cra ¡rccisancnic Ccsar c nao o nanual dc
ccsarisno quc soi vir dc¡ois. Nao icnos nais
rcncdio, sc qucrcnos cnicndcr aqucla ¡olíiica,
quc ionar scus aios c dar-lIcs scu nonc. O
scgrcdo csia cn sua façanIa ca¡iial. a conquisia
das Calias. Para cn¡rccndc-la icvc dc sc dcclarar
rclcldc anic o Podcr consiiiuído. Por quc?
Consiiiuían o Podcr os rc¡ullicanos, qucr
dizcr, os conscrvadorcs, os ficis ao Esiado-cidadc.
Sua ¡olíiica ¡odc rcsunir-sc cn duas clausulas.
Princira, os iransiornos da vida ¡ullica ronana
247
¡rovccn dc sua c×ccssiva cסansao. A cidadc nao
¡odc govcrnar ianias naçõcs. Toda nova
conquisia c un dcliio dc lcsa-rc¡ullica. Scgunda,
¡ara cviiar a dissoluçao das insiiiuiçõcs c ¡rcciso
un ¡rínci¡c.
Para nos a ¡alavra º¡rínci¡c" icn un scniido
quasc o¡osio ao quc iinIa ¡ara un ronano. Esic
cnicndia ¡or ial ¡rccisancnic un cidadao cono
os dcnais, nas quc cra invcsiido dc ¡odcrcs
su¡criorcs, a fin dc rcgular o funcionancnio das
insiiiuiçõcs rc¡ullicanas. Cíccro, cn scus livros
Solrc a Fc¡ullica, c Salusiio, cn scus ncnoriais
a Ccsar, rcsuncn o ¡cnsancnio dc iodos os
¡ullicisias ¡cdindo un ¡rinci¡s civiiaiis, un
rccior rcrun ¡ullicarun, un nodcraior.
A soluçao dc Ccsar c ioialncnic o¡osia à
conscrvadora. Con¡rccndc quc ¡ara curar as
conscqucncias das anicriorcs conquisias
ronanas nao Iavia nais rcncdio scnao
¡rosscgui-las acciiando aic o fin iao cncrgico
dcsiino. Solrciudo urgia conquisiar os ¡ovos
novos, nais ¡crigosos cn un fuiuro nao nuiio
rcnoio quc as naçõcs corru¡ias do Oricnic. Ccsar
susicniara a ncccssidadc dc ronanizar a fundo
os ¡ovos larlaros do Ocidcnic.
Dissc-sc (S¡cnglcr} quc os grcco-ronanos
cran inca¡azcs dc scniir o icn¡o, dc vcr sua vida
cono una dilaiaçao na icn¡oralidadc. E×isiian
248
cn un ¡rcscnic ¡oniual. Eu sus¡ciio quc cssc
diagnosiico c crrónco, ou, ¡clo ncnos, quc
confundc duas coisas. O grcco-ronano ¡adccc dc
una sur¡rccndcnic ccgucira ¡ara o fuiuro. Nao o
vc, cono o dalionisia nao vc a cor vcrnclIa. Mas,
cn con¡cnsaçao, vivc radicalncnic no ¡rcicriio.
Anics dc fazcr agora algo da un ¡asso airas,
cono Lagariijo ao ¡rojciar-sc ¡ara naiar; lusca
no ¡assado un nodclo ¡ara a siiuaçao ¡rcscnic,
c infornado ¡or aquclc ncrgulIa na aiualidadc,
¡roicgido c dcfornado ¡clo cscafandro ilusirc.
Daí quc iodo o scu vivcr c cn ccrio nodo rcvivcr.
Isio c scr arcaizanic c isio o foi quasc scn¡rc o
aniigo. Mas isso nao c scr inscnsívcl ao icn¡o.
Significa sin¡lcsncnic un cronisno incon¡lcio,
dcfciiuoso da asa fuiurisia c con Ii¡crirofia dc
anianIos. Os curo¡cus scn¡rc graviianos cn
dircçao ao fuiuro c scniinos quc c csia a
dincnsao nais sulsiancial do icn¡o, o qual,
¡ara nos, concça ¡clo ºdc¡ois" c nao ¡clo ºanics".
Con¡rccndc-sc, ¡ois, quc ao olIar a vida grcco-
ronana nos ¡arcça anacrónica.
Esia cono nania dc ionar iodo ¡rcscnic con
as ¡inças dc un c×cn¡lo ¡rcicriio, iransfcriu-sc
do Ioncn aniigo ao filosofo nodcrno. Tanlcn
clc rcirograda, indaga cn ioda aiualidadc un
¡rcccdcnic, ao qual dcnonina, con lindo
vocalulo dc cgloga, sua ºfonic". Digo isio ¡orquc
ja os aniigos liografos dc Ccsar sc fccIan à
con¡rccnsao dcsia cnornc figura su¡ondo quc
249
iraiava dc iniiar Alc×andrc. A cquaçao in¡unIa-
sc. sc Alc×andrc nao ¡odia dornir ¡cnsando nos
laurcis dc Milcíadcs, Ccsar dcvia forçosancnic
sofrcr dc insónia ¡clos dc Alc×andrc. E assin
succssivancnic. Scn¡rc o ¡asso airas c o ¡c dc
Iojc na ¡cgada dc onicn. O filologo
conicn¡oranco rc¡crcuic o liografo classico.
Crcr quc Ccsar as¡irava a fazcr algo assin
cono o quc fcz Alc×andrc ÷ c isio crcran quasc
iodos os Iisioriadorcs ÷ c rcnunciar
radicalncnic a cnicndc-lo. Ccsar c
a¡ro×inadancnic o conirario dc Alc×andrc. A
idcia dc un rcino univcrsal c o unico quc os
cn¡arclIa. Mas csia idcia nao c dc Alc×andrc,
nas vcn da Pcrsia. A inagcn dc Alc×andrc icria
cn¡urrado Ccsar ¡ara o Oricnic, ¡ara o
¡rcsiigioso ¡assado. Sua ¡rcfcrcncia radical ¡clo
Ocidcnic rcvcla nclIor a voniadc dc coniradizcr o
naccdónio. Mas, ainda nais, nao c un rcino
univcrsal, a¡cnas, o quc Ccsar sc ¡ro¡õc. Scu
¡ro¡osiio c nais ¡rofundo. Qucr un In¡crio
ronano quc nao viva dc Fona, nas da ¡crifcria,
das ¡rovíncias, c isso in¡lica a su¡craçao
alsoluia do Esiado-cidadc. Un Esiado ondc os
¡ovos nais divcrsos colalorcn, dc quc iodos sc
sinian solidarios. Nao un ccniro quc nanda c
una ¡crifcria quc olcdccc, nas un giganicsco
cor¡o social, ondc cada clcncnio scja ¡or sua vcz
¡assivo c aiivo do Esiado. Tal c o Esiado
nodcrno, c csia foi a falulosa anicci¡açao dc scu
250
gcnio fuiurisia. Mas isso su¡unIa un ¡odcr
c×iraronano, anii-arisiocraia, infiniiancnic
clcvado solrc a oligarquia rc¡ullicana, solrc scu
¡rínci¡c, quc cra so un ¡rinus inicr ¡arcs. Esic
¡odcr c×ccuior c rc¡rcscnianic da dcnocracia
univcrsal so ¡odia scr a Monarquia con sua scdc
fora dc Fona.
Fc¡ullica! Monarquia! Duas ¡alavras quc na
Iisioria irocan consianicncnic dc scniido
auicniico, c quc ¡or isso c ¡rcciso a iodo insianic
iriiurar ¡ara ccriificar-sc dc sua cvcniual força.
Scus Ioncns dc confiança, scus
insiruncnios nais incdiaios, nao cran arcaicas
ilusiraçõcs da urlc, nas gcnic nova, ¡rovinciais,
¡crsonagcns cncrgicos c cficicnics. Scu
vcrdadciro ninisiro foi Cornclio Dallo, un
Ioncn dc ncgocios gadiiano, un ailaniico, un
ºcolonial".
Mas a anicci¡açao do novo Esiado cra
c×ccssiva. as calcças lcnias do Lacio nao ¡odian
dar lrinco iao grandc. A inagcn da cidadc, con
scu iangívcl naicrialisno, in¡cdiu quc os
ronanos ºvisscn" aqucla organizaçao novíssina
do cor¡o ¡ullico. Cono ¡odian fornar un
Esiado Ioncns quc nao vivian nuna cidadc?
Quc gcncro dc unidadc cra cssa, iao suiil c iao
nísiica?
251
Fc¡iio una vcz nais. a rcalidadc quc
cIananos Esiado nao c a cs¡onianca
convivcncia dc Ioncns quc a consanguinidadc
uniu. O Esiado concça quando sc olriga a
convivcr a gru¡os naiivancnic sc¡arados. Esia
olrigaçao nao c dcsnuda violcncia, nas quc
su¡õc un ¡roccsso inciiaiivo, una iarcfa conun
quc sc ¡ro¡õc aos gru¡os dis¡crsos. Anics quc
nada c o Esiado ¡rojcio dc un fazcr c ¡rograna
dc colaloraçao. CIana-sc às ¡cssoas ¡ara quc
junias façan algo. O Esiado nao c
consanguinidadc, ncn unidadc linguísiica, ncn
unidadc icrriiorial, ncn coniiguidadc dc
Ialiiaçao. Nao c nada naicrial, incric, dado c
liniiado. É un ¡uro dinanisno ÷ a voniadc do
fazcr algo cn conun ÷, c ncrcc a isso a idcia
csiaial nao csia ¡or ncnIun icrno físico(78}.
Agudíssina a conIccida cn¡rcsa ¡olíiica dc
Saavcdra Fajardo. una flccIa, c dclai×o. ºOu
solc ou dcscc". Isso c o Esiado. Nao una coisa,
nas un novincnio. O Esiado c cn iodo insianic
algo quc vcn dc c vai ¡ara. Cono iodo
novincnio, icn un icrninus a quo c un
icrninus ad qucn. Coric-sc ¡or qualqucr Iora a
vida dc un Esiado quc o scja vcrdadcirancnic, c
sc acIara una unidadc dc convivcncia quc
¡arccc fundada cn ial ou qual airiluio naicrial.
sanguc, idiona, ºfroniciras naiurais". A
inicr¡rciaçao csiaiica nos lcvara a dizcr. isso c o
Esiado. Mas logo advcriinos quc cssa agru¡açao
252
Iunana csia fazcndo algo conunal.
conquisiando ouiros ¡ovos, fundando colónias,
fcdcrando-sc con ouiros Esiados; qucr dizcr, quc
cn ioda Iora csia su¡crando o quc ¡arccia
¡rincí¡io naicrial dc sua unidadc. E o icrninus
ad qucn, c o vcrdadciro Esiado, cuja unidadc
consisic ¡rccisancnic cn su¡crar ioda unidadc
dada. Quando cssc in¡ulso ¡ara o nais alcn
ccssa, o Esiado auionaiicancnic sucunlc, c a
unidadc quc ja c×isiia c ¡arccia fisicancnic
cincniada ÷ raça, idiona, fronicira naiural ÷
nao scrvc dc nada. o Esiado sc dcsagrcga, sc
dis¡crsa, sc aioniza.
So cssa du¡licidadc dc noncnios no Esiado
÷ a unidadc quc ja c c a nais an¡la quc ¡rojcia
÷ ¡crniic con¡rccndcr a csscncia do Esiado
nacional. Salido c quc ainda nao sc logrou dizcr
cn quc consisic una naçao, sc danos a csic
vocalulo una acc¡çao nodcrna. O Esiado-cidadc
cra una idcia nuiio clara, quc sc via con os
olIos da cara. Mas o novo ii¡o dc unidadc
¡ullica quc gcrninava cn galos c gcrnanos, a
ins¡iraçao ¡olíiica do Ocidcnic, c coisa nuiio
nais vaga c fugidia. O filologo, o Iisioriador
aiual, quc c dc scu arcaizanic, cnconira-sc anic
csic fornidavcl faio quasc iao ¡cr¡lc×o cono
Ccsar c Taciio quando con sua icrninologia
ronana qucrian dizcr o quc cran aquclcs
Esiados inci¡icnics, iransal¡inos c ulira-rcnanos,
ou lcn os cs¡anIois. CIanan-nos civiias, gcns,
253
naiio, ¡crcclcndo quc ncnIun dcsics noncs
coincidc con a coisa(79}. Nao sao civiias, ¡cla
sin¡lcs razao dc quc nao sao cidadcs(80}. Mas
ncn scqucr calc indcfinir o icrno c aludir con
clc un icrriiorio dcliniiado. Os ¡ovos novos
irocan con suna facilidadc dc iorrao, ou ¡clo
ncnos an¡lian c rcduzcn o quc ocu¡avan.
Tan¡ouco sao unidadcs cinicas ÷ gcnics,
naiioncs. ÷ Por nuiio longc quc rccorranos, os
novos Esiados a¡arcccn ja fornados ¡or gru¡os
dc nacionalidadcs indc¡cndcnics. Sao
conlinaçõcs dc sangucs difcrcnics. Quc c, ¡ois,
una naçao, ja quc nao c ncn conunidadc dc
sanguc, ncn adscriçao a un icrriiorio, ncn coisa
alguna dcsia ordcn?
Cono scn¡rc aconiccc, ianlcn ncsic caso
una ¡ulcra sulnissao aos faios nos da a cIavc.
Quc c quc salia aos olIos quando rc¡assanos a
cvoluçao dc qualqucr ºnaçao nodcrna" ÷ França,
Es¡anIa, AlcnanIa? Sin¡lcsncnic isio. o quc
cn ccria daia ¡arccia consiiiuir a nacionalidadc
a¡arccc ncgado nuna daia ¡osicrior. Princiro, a
naçao ¡arccc a irilo, c a nao-naçao a irilo dc ao
lado. Dc¡ois a naçao sc con¡õc dc duas irilos,
nais iardc c una conarca c ¡ouco dc¡ois c ja
iodo un condado ou ducado ou ºrcino". A naçao c
Lcao, nas nao Casicla; dc¡ois c Lcao c Casicla,
nas nao Aragao. É cvidcnic a ¡rcscnça dc dois
¡rincí¡ios. un, variavcl c scn¡rc su¡crado ÷
irilo, conarca, ducado, ºrcino", con scu idiona
254
ou dialcio ÷; ouiro, ¡crnancnic, quc salia
lilcrrino solrc iodos csscs liniics c ¡osiula
cono unidadc o quc aquclc considcrava
¡rccisancnic cono radical conira¡osiçao.
Os filologos ÷ cIano assin aos quc Iojc
¡rcicndcn dcnoninar-sc ºIisioriadorcs" ÷
¡raiican o nais dclicioso iruísno quando ¡aricn
do quc agora, ncsia daia fugaz, ncsics dois ou
ircs scculos, sao as naçõcs do Ocidcnic c su¡õcn
quc Vcrcingciori× ou quc Cid Can¡cador qucrian
ja una França dcsic Saini-Malo a Esiraslurgo ÷
¡rccisancnic ÷ ou una S¡ania dcsdc Finisicrrc
a Cilraliar. Esics filologos ÷ cono o ingcnuo
dranaiurgo ÷ fazcn quasc scn¡rc quc scus
Icrois ¡arian ¡ara a gucrra dos Trinia Anos.
Para nos cסlicar cono sc fornaran a França c a
Es¡anIa, su¡õcn quc a França c a Es¡anIa
¡rcc×isiian cono unidadcs no fundo das alnas
franccsas c cs¡anIolas. Cono sc c×isiisscn
franccscs c cs¡anIois originariancnic anics dc
quc a França c a Es¡anIa c×isiisscn! Cono sc o
franccs c o cs¡anIol nao fosscn sin¡lcsncnic
coisas quc foran fornadas cn dois nil anos dc
faina!
A vcrdadc ¡ura c quc as naçõcs aiuais sao
a¡cnas a nanifcsiaçao aiual daquclc ¡rincí¡io
variavcl, condcnado à ¡cr¡ciua su¡craçao. Essc
¡rincí¡io nao c agora o sanguc ncn o idiona,
¡osio quc a conunidadc dc sanguc c dc idiona
255
na França ou na Es¡anIa foi cfciio, c nao causa,
da unificaçao csiaial; cssc ¡rincí¡io c agora a
ºfronicira naiural".
Esia lcn quc un di¡lonaia cn¡rcguc cn
sua csgrina asiuia csic concciio dc froniciras
naiurais, cono uliina raiio dc suas
arguncniaçõcs. Mas un Iisioriador nao ¡odc
cnirincIcirar-sc airas dclc cono sc fossc un
rcduio dcfiniiivo. Ncn c dcfiniiivo, ncn scqucr
suficicnicncnic cs¡ccífico.
Nao sc csqucça qual c, rigorosancnic
¡ro¡osia, a qucsiao. Traia-sc dc avcriguar quc c o
Esiado nacional ÷ o quc Iojc cosiunanos
cIanar naçao ÷, a difcrcnça dc ouiros ii¡os dc
Esiado, cono o Esiado-cidadc ou, indo ao ouiro
c×ircno, cono o In¡crio quc Augusio fundou(81}.
Sc sc qucr fornular o icna dc nodo ainda nais
claro c ¡rcciso, diga-sc assin. Quc força rcal
¡roduziu cssa convivcncia dc nilIõcs dc Ioncns
sol una solcrania dc Podcr ¡ullico quc
cIananos França, ou Inglaicrra, ou Es¡anIa, ou
Iialia, ou AlcnanIa? Nao foi a ¡rcvia conunidadc
dc sanguc, ¡orquc cada un dcsscs cor¡os
colciivos csia rcgado ¡or iorrcnics crucnias
nuiio Icicrogcncas. Nao foi ian¡ouco a unidadc
linguísiica, ¡orquc os ¡ovos Iojc rcunidos cn un
Esiado falavan ou falan ainda idionas
difcrcnics. A rclaiiva Ionogcncidadc dc raça c
língua dc quc Iojc gozan ÷ su¡ondo quc isso
256
scja un gozo ÷ c rcsuliado da ¡rcvia unificaçao
¡olíiica. Porianio, ncn o sanguc ncn o idiona
fazcn o Esiado nacional; ¡clo conirario, c o
Esiado nacional qucn nivcla as difcrcnças
originarias dc glolulo vcrnclIo c son ariiculado.
E scn¡rc aconicccu assin. Poucas vczcs, ¡ara
nao dizcr nunca, icra o Esiado coincidido con
una idcniidadc ¡rcvia dc sanguc ou idiona. Ncn
a Es¡anIa c Iojc un Esiado nacional ¡orquc sc
falc cn ioda cla o cs¡anIol(82}, ncn foran
Esiados nacionais Aragao c CaialunIa ¡orquc cn
ccrio dia, arliirariancnic cscolIido, coincidisscn
os liniics icrriioriais dc sua solcrania con os da
fala aragoncsa ou caiala. Esiaríanos nais
¡ro×inos da vcrdadc sc, rcs¡ciiando a casuísiica
quc ioda rcalidadc ofcrccc, nos inclinasscnos a
csia ¡rcsunçao. ioda unidadc linguísiica quc
alarca un icrriiorio dc alguna c×icnsao c quasc
ccriancnic ¡rcci¡iiado dc alguna unificaçao
¡olíiica ¡rcccdcnic(83}. O Esiado icn sido scn¡rc
o grandc iurginao.
Ha nuiio icn¡o quc isio consia, c c nuiio
csiranIa a olsiinaçao con quc, cnircianio, sc
¡crsisic cn dar à nacionalidadc cono
fundancnios o sanguc c o idiona. Nisso cu vcjo
iania ingraiidao cono incongrucncia. Porquc o
franccs dcvc sua França aiual, c o cs¡anIol sua
aiual Es¡anIa, a un ¡rincí¡io X, cujo in¡ulso
consisiiu ¡rccisancnic cn su¡crar a csirciia
conunidadc dc sanguc c dc idiona. Dc soric quc
257
a França c a Es¡anIa consisiirian Iojc no
conirario do quc as iornou ¡ossívcis.
Igual icrgivcrsaçao concic-sc ao qucrcr
fundar a idcia dc naçao nuna grandc figura
icrriiorial, dcscolrindo o ¡rincí¡io dc unidadc,
quc sanguc c idiona nao ¡ro¡orcionan, no
nisiicisno gcografico das ºfroniciras naiurais".
Tro¡cçanos aqui con o ncsno crro dc oiica . O
acaso da daia aiual nosira-nos as cIanadas
naçõcs insialadas cn an¡los iorrõcs do
coniincnic ou nas ilIas adjaccnics. Dcsscs
liniics aiuais qucr fazcr-sc algo dcfiniiivo c
cs¡iriiual. Sao, dizcn, ºfroniciras naiurais", c
con sua ºnaiuralidadc" significa-sc una cono
nagica ¡rcdcicrninaçao da Iisioria ¡cla via
iclurica. Mas csic niio volaiiliza-sc
incdiaiancnic sulncicndo-o ao ncsno
raciocínio quc invalidou a conunidadc dc sanguc
c dc idiona cono fonics da naçao. Tanlcn aqui,
sc rciroccdcnos alguns scculos, sur¡rccndc-nos
a França c a Es¡anIa dissociadas cn naçõcs
ncnorcs, con suas incviiavcis ºfroniciras
naiurais". A nonianIa froniciriça scria ncnos
¡roccr quc o Pirincu ou os Al¡cs c larrcira
líquida ncnos caudalosa quc o Fcno, o ¡asso dc
Calais ou o csirciio dc Cilraliar. Mas isso a¡cnas
dcnonsira quc a ºnaiuralidadc" das froniciras c
ncrancnic rclaiiva. Dc¡cndc dos ncios
cconónicos c lclicos da c¡oca.
258
A rcalidadc Iisiorica da fanosa ºfronicira
naiural" consisic sin¡lcsncnic cn scr un
csiorvo à cסansao do ¡ovo A solrc o ¡ovo D.
Porquc c un csiorvo ÷ dc convivcncia ou dc
gucrra ÷ ¡ara A, c una dcfcsa ¡ara D. A idcia dc
ºfronicira naiural" in¡lica, ¡ois, ingcnuancnic,
cono nais naiural ainda quc a fronicira, a
¡ossililidadc da cסansao c fusao iliniiada cnirc
os ¡ovos. Pclo visio, so un olsiaculo naicrial
lIcs ¡õc un frcio. As froniciras dc onicn c dc
aniconicn nao nos ¡arcccn Iojc fundancnios da
naçao franccsa ou cs¡anIola, ¡clo conirario.
csiorvos quc a idcia nacional cnconirou cn scu
¡roccsso dc unificaçao. Nao olsianic o quc,
qucrcnos airiluir un caraicr dcfiniiivo c
fundancnial às froniciras dc Iojc, a¡csar dc quc
os novos ncios dc irafcgo c gucrra anularan sua
cficacia cono csiorvos.
Qual icn sido cniao o ¡a¡cl das froniciras na
fornaçao das nacionalidadcs, ja quc nao icn sido
o fundancnio ¡osiiivo dcsias? A coisa c clara c
dc suna in¡oriancia ¡ara cnicndcr a auicniica
ins¡iraçao do Esiado nacional dianic do Esiado-
cidadc. As froniciras scrviran ¡ara consolidar cn
cada noncnio a unificaçao ¡olíiica ja alcançada.
Nao foran, ¡ois, ¡rincí¡io da naçao, nas ao
conirario. a ¡rincí¡io foran csiorvo, c dc¡ois,
una vcz alIcada, foran ncio naicrial ¡ara
asscgurar a unidadc.
259
Pois lcn. c×aiancnic o ncsno ¡a¡cl
corrcs¡ondc à raça c à língua. Nao c a
conunidadc naiiva dc una ou ouira o quc
consiiiuiu a naçao, nas ao conirario. o Esiado
nacional cnconirou-sc scn¡rc, cn scu afa dc
unificaçao, frcnic às nuiias raças c às nuiias
línguas, cono con ouiros ianios csiorvos.
Doninados csics cncrgicancnic, ¡roduziu una
rclaiiva unificaçao dc sangucs c idionas quc
scrviu ¡ara consolidar a unidadc.
Nao Ia, ¡ois, ouiro rcncdio scnao dcsfazcr a
icrgivcrsaçao iradicional ¡adccidas ¡cla idcia dc
Esiado nacional c Ialiiuar-sc a considcrar cono
csiorvos ¡rinarios ¡ara a nacionalidadc
¡rccisancnic as ircs coisas cn quc sc acrcdiiava
consisiir. E claro quc ao dcsfazcr una
icrgivcrsaçao scrci cu qucn ¡arcça concic-la
agora.
É ¡rcciso rcsolvcr-sc a ¡rocurar o scgrcdo do
Esiado nacional cn sua ¡cculiar ins¡iraçao cono
ial Esiado, cn sua ¡olíiica ncsna, c nao cn
¡rincí¡ios forasiciros dc caraicr liologico ou
gcografico.
Por quc, afinal das conias, sc acrcdiiou
ncccssario rccorrcr a raça, língua c icrriiorio
naiivos ¡ara con¡rccndcr o faio naravilIoso das
nodcrnas naçõcs? Pura c sin¡lcsncnic, ¡orquc
ncsias acIanos una iniinidadc c solidaricdadc
260
radical dos indivíduos con o Podcr ¡ullico
dcsconIccidas no Esiado aniigo. En Aicnas c cn
Fona so uns quanios Ioncns cran o Esiado; os
dcnais ÷ cscravos, aliados, ¡rovincianos,
colonos ÷ cran a¡cnas sudiios. Na Inglaicrra, na
França, na Es¡anIa, ningucn foi nunca so
sudiio do Esiado, nas scn¡rc ¡ariici¡ou dclc,
uno con clc. A forna, solrciudo jurídica, dcsia
uniao con c no Esiado, icn sido nuiio difcrcnic
confornc os icn¡os. Tcn Iavido grandcs
difcrcnças dc condiçao social c csiaiuio ¡cssoal,
classcs rclaiivancnic ¡rivilcgiadas c classcs
rclaiivancnic ¡osicrgadas; nas, sc sc inicr¡rcia
a rcalidadc cfciiva da siiuaçao ¡olíiica cn cada
c¡oca c sc rcvivc scu cs¡íriio, a¡arccc cvidcnic
quc iodo indivíduo sc scniia sujciio aiivo do
Esiado, ¡ariici¡c c colalorador. Naçao ÷ no
scniido quc csic vocalulo cniic no Ocidcnic dc
Ia nais dc un scculo ÷ significa a ºuniao
Ii¡osiaiica" do Podcr ¡ullico c a colciividadc ¡or
clc rcgida.
O Esiado c scn¡rc, qualqucr quc scja sua
forna ÷ ¡riniiiva, aniiga, ncdicval ou nodcrna
÷, o conviic quc un gru¡o dc Ioncns faz a
ouiros gru¡os Iunanos ¡ara junios c×ccuiar
una cn¡rcsa. Esia cn¡rcsa, quaisqucr quc
scjan scus iraniics inicrncdiarios, consisic,
finalncnic, cn organizar ccrio ii¡o dc vida
conun. Esiado c ¡rojcio dc vida, ¡rograna dc
açao ou conduia Iunanos, sao icrnos
261
insc¡aravcis. As difcrcnics classcs dc Esiado
nasccn das nanciras scgundo as quais o gru¡o
cn¡rcsario csialclcça a colaloraçao con os
ouiros. Assin, o Esiado aniigo nao accria nunca
a fundir-sc con os ouiros. Fona nanda c cduca
os iialioias c as ¡rovíncias, nas nao os clcva a
uniao consigo. Na ncsna urlc nao conscguiu a
fusao ¡olíiica dos cidadaos. Nao sc csqucça quc,
duranic a Fc¡ullica, Fona foi, a rigor, duas
Fonas. o Scnado c o ¡ovo. A unificaçao csiaial
nao ¡assou nunca dc ncra ariiculaçao cnirc os
gru¡os quc ¡crnancccran c×icrnos c csiranIos
uns aos ouiros. Por isso o In¡crio ancaçado nao
¡odc coniar con o ¡airioiisno dos ouiros, c icvc
dc sc dcfcndcr c×clusivancnic con scus ncios
lurocraiicos dc adninisiraçao c dc gucrra.
Esia inca¡acidadc dc iodo gru¡o grcgo c
ronano ¡ara fundir-sc con ouiros ¡rovcn dc
causas ¡rofundas quc nao convcn ¡crscruiar
agora, c quc finalncnic sc rcsuncn cn una. o
Ioncn aniigo inicr¡rciou a colaloraçao cn quc,
qucira-sc ou nao, o Esiado consisic, dc una
nancira sin¡lcs, clcncnial c iosca; a salcr.
cono dualidadc dc doninanics c doninados(84}. A
Fona iocava nandar c nao olcdcccr; aos dcnais,
olcdcccr c nao nandar. Dcsia soric, o Esiado sc
naicrializa no ¡onocriun, no cor¡o urlano quc
uns nuros dcliniian fisicancnic.
262
Mas os ¡ovos novos irazcn una
inicr¡rciaçao do Esiado ncnos naicrial. Sc clc c
un ¡rojcio dc cn¡rcsa conun, sua rcalidadc c
¡urancnic dinanica. un fazcr, a conunidadc na
aiuaçao. Scgundo isio, forna ¡aric aiiva do
Esiado, c sujciio ¡olíiico, iodo aquclc quc ¡rcsic
adcsao à cn¡rcsa ÷ raça, sanguc, adscriçao
gcografica, classc social, fican cn scgundo ¡lano.
Nao c a conunidadc anicrior, ¡rcicriia,
iradicional c incnorial ÷ cn suna, faial c
irrcfornavcl ÷ a quc ¡ro¡orciona iíiulo ¡ara a
convivcncia ¡olíiica, nas a conunidadc fuiura no
cfciivo fazcr. Nao o quc fonos onicn, nas o quc
vanos fazcr ananIa junios, nos rcunc cn
Esiado. Daí a facilidadc con quc a unidadc
¡olíiica lrinca no Ocidcnic solrc iodos os liniics
quc a¡risionaran o Esiado aniigo. E c quc o
curo¡cu, rclaiivancnic ao Iono aniiquus, sc
con¡oria cono un Ioncn alcrio ao fuiuro, quc
vivc conscicnicncnic insialado nclc c dclc dccidc
sua conduia ¡rcscnic.
Tcndcncia ¡olíiica ial avançara
inc×oravclncnic ¡ara unificaçõcs cada vcz nais
an¡las, scn quc Iaja nada quc cn ¡rincí¡io a
dcicnIa. A ca¡acidadc dc fusao c iliniiada. Nao
so dc un ¡ovo con ouiro, nas o quc c nais
caracicrísiico ainda do Esiado nacional. a fusao
dc iodas as classcs sociais dcniro dc cada cor¡o
¡olíiico. Confornc crcscc a naçao, icrriiorial c
cinicancnic, vai-sc fazcndo nais una a
263
colaloraçao inicrior. O Esiado nacional c cn sua
raiz ncsna dcnocraiico, nun scniido nais
dccisivo quc iodas as difcrcnças nas fornas dc
govcrno.
E curioso noiar quc, ao dcfinir a naçao
fundando-a nuna conunidadc dc ¡rcicriio,
acala-sc scn¡rc ¡or acciiar cono a nclIor a
fornula dc Fcnan, sin¡lcsncnic ¡orquc ncla sc
ajunia ao sanguc, o idiona c as iradiçõcs conuns
un airiluio novo, c sc diz quc c un º¡lclisciio
coiidiano". Mas, cnicndc-sc lcn o quc csia
cסrcssao significa? Nao ¡odcnos dar-lIc agora
un conicudo dc signo o¡osio ao quc Fcnan lIc
insufla, c quc c, cnircianio, nuiio nais
vcrdadciro?

VIII

Tcr glorias conuns no ¡assado, una voniadc
conun no ¡rcscnic; Iavcr fciio junios grandcs
coisas, qucrcr fazcr ouiras nais; cis aqui as
condiçõcs csscnciais ¡ara scr un ¡ovo... No
¡assado, una Icrança dc glorias c rcnorsos; no
¡orvir, un ncsno ¡rograna ¡ara rcalizar... A
c×isicncia dc una naçao c un ¡lclisciio
coiidiano".
264
Tal c a conIccidíssina scnicnça dc Fcnan.
Cono sc cסlica sua c×cc¡cional foriuna? Scn
duvida, ¡cla graça da noia. Esia idcia dc quc a
naçao consisic nun ¡lclisciio coiidiano o¡cra
solrc nos cono una lilcraçao. Sanguc, língua c
¡assado conuns sao ¡rincí¡ios csiaiicos, faiais,
rígidos, incrics; sao ¡risõcs. Sc a naçao
consisiissc nisso c cn nais nada, a naçao scria
una coisa siiuada às nossas cosias, con o quc
nao icríanos nada quc fazcr. A naçao scria algo
quc sc c, nas nao algo quc sc faz. Ncn scqucr
icria scniido dcfcndc-la quando algucn a aiaca.
Qucira-sc ou nao, a vida Iunana c consianic
ocu¡açao con algo fuiuro. Dcsdc o insianic aiual
nos ocu¡anos do quc solrcvcn, Por isso vivcr c
scn¡rc, scn¡rc, scn ¡ausa ncn dcscanso, fazcr.
Por quc nao sc rc¡arou cn quc fazcr, iodo fazcr,
significa rcalizar un fuiuro? Inclusivc quando
nos cnircganos a rccordar. Fazcnos ncnoria
ncsic scgundo ¡ara lograr algo no incdiaio, ainda
quc nao scja nais quc o ¡razcr dc rcvivcr o
¡assado. Esic nodcsio ¡razcr soliiario sc nos
a¡rcscniou Ia ¡ouco cono un fuiuro dcscjavcl;
¡or isso o fazcnos. Consic, ¡ois. nada icn
scniido ¡ara o Ioncn, scnao cn funçao do
¡orvir(85}.
Sc a naçao consisiissc nao nais quc cn
¡assado c ¡rcscnic, ningucn sc ocu¡aria dc
dcfcndc-la conira un aiaquc. Os quc afirnan o
265
conirario sao Ii¡ocriias ou ncnicca¡ios. Mas
aconiccc quc o ¡assado nacional ¡rojcia
alicianics ÷ rcais ou inaginarios ÷ no fuiuro.
Parccc-nos dcscjavcl un ¡orvir no qual nossa
naçao coniinuc c×isiindo. Por isso nos
nolilizanos cn sua dcfcsa; nao ¡clo sanguc,
ncn ¡clo idiona, ncn ¡clo conun ¡assado. Ao
dcfcndcr a naçao dcfcndcnos nosso ananIa, nao
nosso onicn.
Isso c o quc rcvcrlcra na frasc dc Fcnan. a
naçao cono c×cclcnic ¡rograna ¡ara ananIa. O
¡lclisciio dccidc un fuiuro. Quc ncsic caso o
fuiuro consisia nuna ¡crduraçao do ¡assado nao
nodifica cn nada a qucsiao; unicancnic rcvcla
quc ianlcn a dcfiniçao dc Fcnan c arcaizanic.
Porianio, o Esiado nacional rc¡rcscniaria un
¡rincí¡io csiaial nais ¡ro×ino à ¡ura idcia dc
Esiado quc a aniiga ¡olis ou quc a ºirilo" dos
aralcs, circunscriia ¡clo sanguc. Dc faio, a idcia
nacional conscrva nao ¡ouco lasiro dc adscriçao
ao ¡assado, ao icrriiorio, à raça; nas ¡or isso
ncsno c sur¡rccndcnic noiar cono ncla iriunfa o
¡uro ¡rincí¡io dc unificaçao Iunana cn iorno a
un inciianic ¡rograna dc vida. Mais. cu diria quc
cssc lasiro dc ¡rcicriio c cssa rclaiiva liniiaçao
dcniro dc ¡rincí¡ios naicriais nao icn sido ncn
sao ¡or con¡lcio cs¡oniancos nas alnas do
Ocidcnic, nas quc ¡roccdcn da inicr¡rciaçao
crudiia dada ¡clo ronaniicisno à idcia dc naçao.
266
Dc Iavcr c×isiido na Idadc Mcdia cssc concciio
oiioccniisia dc nacionalidadc, a Inglaicrra, a
França, a Es¡anIa, a AlcnanIa, icrian ficado
inc×isicnics(86}. Porquc cssa inicr¡rciaçao
confundc o quc in¡ulsa c consiiiui una naçao
con o quc ncrancnic a consolida c conscrva.
Nao c o ¡airioiisno ÷ diga-sc dc una vcz ÷
qucn fcz as naçõcs. Crcr o conirario c o iruísno
a quc ja aludi c quc o ¡ro¡rio Fcnan adniic cn
sua fanosa dcfiniçao. Sc ¡ara quc c×isia una
naçao c ¡rcciso quc un gru¡o dc Ioncns conic
con un ¡assado conun, cu nc ¡crgunio cono
cIanarcnos a cssc ncsno gru¡o dc Ioncns
cnquanio vivia cn ¡rcscnic isso quc visio Iojc c
un ¡assado. Pclo visio cra forçoso quc cssa
c×isicncia conun fcncccssc, ¡assassc, ¡ara quc
¡udcsscn dizcr. sonos una naçao. Nao sc
advcric aqui o vício grcnial do filosofo, do
arquivisia, sua oiica ¡rofissional quc lIc in¡cdc
vcr a rcalidadc quando nao c ¡rcicriia? O filologo
c qucn ncccssiia ¡ara scr filologo quc, anics dc
iudo, c×isia un ¡assado; nas a naçao, anics dc
¡ossuir un ¡assado conun, icvc dc criar cssa
conunidadc, c anics dc cria-la icvc dc sonIa-la,
dc qucrc-la, dc ¡rojcia-la. E aic quc icnIa o
¡rojcio dc si ncsna ¡ara quc a naçao c×isia,
ainda quc nao sc alcancc, ainda quc fracassc a
c×ccuçao, cono aconicccu ianias vczcs.
Falaríanos cn ial caso dc una naçao nalograda
(¡or c×cn¡lo, DorgonIa}.
267
Con os ¡ovos do Ccniro c da Ancrica
Mcridional icn a Es¡anIa un ¡assado conun,
raça conun, linguagcn conun, c, cnircianio,
nao forna con clcs una naçao. Por quc? Falia so
una coisa, quc, ¡clo visio, c a csscncial. o fuiuro
conun. A Es¡anIa nao soulc invcniar un
¡rograna dc ¡orvir colciivo quc airaíssc csscs
gru¡os zoologicancnic afins, O ¡lclisciio
fuiurisia foi advcrso à Es¡anIa, c dc nada
valcran cniao os arquivos, as ncnorias, os
anic¡assados, a º¡airia". Quando Ia aquilo, iudo
isso scrvc dc forças dc consolidaçao; nas iao
soncnic(87}.
Vcjo, ¡ois, no Esiado nacional una csiruiura
Iisiorica dc caraicr ¡lclisciiario. Tudo quc alcn
disso ¡arcça scr, icn un valor iransiiorio c
canlianic, rc¡rcscnia o conicudo, ou a forna, ou
a consolidaçao quc cn cada noncnio rcqucr o
¡lclisciio. Fcnan cnconirou a ¡alavra nagica,
quc csioura dc luz. Ela nos ¡crniic vislunlrar
caiodicancnic o scgrcdo csscncial dc una naçao,
quc sc con¡õc dcsics dois ingrcdicnics. ¡rinciro,
un ¡rojcio dc convivcncia ioial nuna cn¡rcsa
conun; scgundo, a adcsao dos Ioncns a cssc
¡rojcio inciiaiivo. Esia adcsao dc iodos cngcndra
a inicrna solidcz quc disiinguc o Esiado nacional
dc iodos os aniigos, nos quais a uniao sc ¡roduz
c nanicn ¡or ¡rcssao c×icrna do Esiado solrc os
gru¡os dís¡arcs, cnquanio aqui nascc o vigor
csiaial da cocsao cs¡onianca c ¡rofunda cnirc os
268
ºsudiios". Na rcalidadc, os sudiios sao ja o Esiado
c nao o ¡odcn scniir ÷ isio c o novo, o
naravilIoso, da nacionalidadc ÷ cono algo
csiranIos a clcs.
Enircianio, Fcnan anula ou quasc scu
accrio, dando ao ¡lclisciio un conicudo
rciros¡cciivo, quc sc rcfcrc a una naçao ja fciia,
cuja ¡cr¡ciuaçao dccidc. Eu ¡rcfcriria irocar-lIc
o signo c fazc-lo valcr ¡ara a naçao in siaiu
nasccndi. Esia c a oiica dccisiva. Porquc, cn
vcrdadc, una naçao nao csia nunca fciia. Nisio
sc difcrcncia dc ouiros ii¡os dc Esiado. A naçao
csia scn¡rc ou fazcndo-sc ou dcsfazcndo-sc.
Tcriiun non daiur. Ou csia ganIando adcsõcs ou
csia ¡crdcndo-as, confornc scu Esiado
rc¡rcscnic ou nao no noncnio una cn¡rcsa
vivaz.
Por isso o nais insiruiivo scria rcconsiruir a
scric dc cn¡rcsas uniiivas quc succssivancnic
inflanaran os gru¡os Iunanos do Ocidcnic.
Eniao vcr-sc-ia cono dclas icn vivido os
curo¡cus, nao so no ¡ullico, nas aic cn sua
c×isicncia nais ¡rivada; cono ºircinaran" ou sc
dcsnoralizaran, na ncdida dc quc Iouvcssc ou
nao cn¡rcsa à visia.
Ouira coisa nosiraria clarancnic cssc
csiudo. As cn¡rcsas csiaiais dos aniigos, ¡or
isso quc nao in¡licavan a adcsao fundcnic dos
269
gru¡os Iunanos solrc os quais sc icniavan, ¡or
isso quc o Esiado ¡ro¡riancnic ial ficava scn¡rc
inscriio cn una liniiaçao faial ÷ irilo ou urlc
÷, cran ¡raiicancnic liniiadas. Un ¡ovo ÷ o
¡crsa, o naccdónio ou o ronano ÷ ¡odia
sulncicr à unidadc dc solcrania quaisqucr
¡orçõcs do ¡lancia. Cono a unidadc nao cra
auicniica, inicrna ncn dcfiniiiva, nao csiava
sujciia a ouiras condiçõcs scnao à cficacia lclica
c adninisiraiiva do conquisiador. Mas no
Ocidcnic a unificaçao nacional icvc dc scguir
una scric inc×oravcl dc cia¡as. Dcvcria csiranIar
nais o faio dc quc na Euro¡a nao icnIa sido
¡ossívcl ncnIun in¡crio do iananIo quc
alcançaran o ¡crsa, o dc Alc×andrc ou o dc
Augusio.
O ¡roccsso criador dc naçõcs icvc scn¡rc na
Euro¡a csic riino. Princiro noncnio. O ¡cculiar
insiinio ocidcnial, quc faz scniir o Esiado cono
fusao dc varios ¡ovos cn una unidadc dc
convivcncia ¡olíiica c noral, concça a aiuar
solrc os gru¡os nais ¡ro×inos gcografica, cinica
c linguisiicancnic. Nao ¡orquc csia ¡ro×inidadc
fundc a naçao, nas ¡orquc a divcrsidadc cnirc
¡ro×inos c nais facil dc doninar. Scgundo
noncnio. Pcríodo dc consolidaçao, cn quc sc
scnicn os ouiros ¡ovos alcn do novo Esiado
cono csiranIos c nais ou ncnos ininigos. É o
¡críodo cn quc o ¡roccsso nacional iona un
as¡ccio dc c×clusivisno, dc fccIar-sc cn si
270
ncsno dcniro do Esiado; cn suna, o quc Iojc
dcnoninanos nacionalisno. Mas o faio c quc
cnquanio sc scnic ¡oliiicancnic os ouiros cono
csiranIos c concorrcnics, convivc-sc cconónica,
iniclcciual c noralncnic con clcs. As gucrras
nacionalisias scrvcn ¡ara nivclar as difcrcnças
dc iccnica c dc cs¡íriio. Os ininigos Ialiiuais vao
sc fazcndo Iisioricancnic Ionogcncos(88}. Pouco
a ¡ouco vai sc dcsiacando no Iorizonic a
conscicncia dc quc csics ¡ovos ininigos
¡cricnccn ao ncsno círculo Iunano quc o nosso
Esiado. Nao olsianic, coniinuanos
considcrando-os cono csiranIos c Iosiis.
Tcrcciro noncnio. O Esiado goza dc ¡lcna
consolidaçao. Eniao surgc a nova cn¡rcsa. unir-
sc aos ¡ovos quc aic cniao cran scus ininigos.
Crcscc a convicçao dc quc sao afins con o nosso
cn noral c inicrcsscs, c quc junios fornanos un
círculo nacional anic ouiros gru¡os nais
disianics c ainda nais csirangciros. Eis aqui
nadura a nova idcia nacional.
Un c×cn¡lo csclarcccra o quc icnio dizcr. Soi
afirnar-sc quc cn icn¡o do Cid cra ja a Es¡anIa
÷ S¡ania ÷ una idcia nacional, c ¡ara
su¡crfciaçao da icsc acrcsccnia-sc quc scculos
anics ja S. Isidoro falava da ºnac Es¡anIa". A
ncu vcr, isso c un crro crasso dc ¡crs¡cciiva
Iisiorica. No icn¡o do Cid csiava sc concçando a
urdir o Esiado Lcao-Casicla, c csia unidadc lcon-
casicla cra a idcia nacional do icn¡o, a idcia
271
¡oliiicancnic cficaz. S¡ania, ao conirario, cra
una idcia ¡rinci¡alncnic crudiia; cn iodo caso,
una dc ianias idcias fccundas quc dci×ou
scncadas no Ocidcnic o In¡crio ronano. Os
ºcs¡anIois" Iavian sc acosiunado a scr
rcunidos ¡or Fona nuna unidadc
adninisiraiiva, nuna dioccsc do Dai×o In¡crio.
Mas csia noçao gcografico-adninisiraiiva cra
¡ura rccc¡çao, nao íniina ins¡iraçao, c cn nodo
algun as¡iraçao.
Por nuiia rcalidadc quc sc qucira dar a cssa
idcia no scculo XI, rcconIcccr-sc-a quc nao cIcga
scqucr ao vigor c ¡rccisao quc ja icn ¡ara os
grcgos do IV a idcia da Hcladc. E, nao olsianic, a
Hcladc nao foi nunca vcrdadcira idcia nacional. A
cfciiva corrcs¡ondcncia Iisiorica scria nclIor
csia. a Hcladc foi ¡ara os grcgos do scculo IV, c
S¡ania ¡ara os ºcs¡anIois" do XI c ainda do XIV,
o quc a Euro¡a foi ¡ara os ºcuro¡cus" no scculo
XIX.
Mosira isio cono as cn¡rcsas dc unidadc
nacional vao cIcgando à sua Iora do nodo cono
os sons cn una nclodia. A ncra afinidadc dc
onicn icra dc cs¡crar aic ananIa ¡ara cnirar cn
cru¡çao dc ins¡iraçõcs nacionais. Mas, ¡or scu
iurno, c quasc ccrio quc cIcgara sua Iora.
Agora cIcga ¡ara os curo¡cus a sazao cn
quc a Euro¡a ¡odc convcricr-sc cn idcia
272
nacional. E c nuiio ncnos uio¡ico crcr nisso Iojc
assin cono o Iouvcra sido vaiicinar no scculo XI
a unidadc da Es¡anIa c da França. O Esiado
nacional do Ocidcnic, quanio nais ficl ¡crnancça
a sua auicniica sulsiancia, ianio nais
dirciancnic caninIa ¡ara sc dc¡urar nun
giganicsco Esiado coniincnial.

IX

A¡cnas as naçõcs do Ocidcnic ¡rccncIcn
scu aiual ¡crfil surgc cn iorno dclas c sol clas,
cono un fundo, a Euro¡a. E csia a unidadc dc
¡aisagcn cn quc sc vai novcr dcsdc o
Fcnascincnio, c cssa ¡aisagcn curo¡cia sao clas
ncsnas, quc scn advcrii-lo concçan ja a
alsirair dc sua lclicosa ¡luralidadc. França,
Inglaicrra, Es¡anIa, Iialia, AlcnanIa, ¡clcjan
cnirc si, fornan ligas conira¡osias, dcsfazcn-
nas, rccon¡õcn-nas. Mas iudo isso, gucrra cono
¡az, c convivcr dc igual ¡ara igual, o quc ncn na
¡az ncn na gucrra ¡odc nunca fazcr Fona con o
ccliilcro, o galo, o lriianico c o gcrnano. A
Iisioria dcsiacou cn ¡rinciro icrno as qucrclas
c, cn gcral, a ¡olíiica, quc c o icrrcno nais iardio
¡ara a cs¡iga da unidadc; nas, cnquanio sc
laialIava nuna glcla, cn ccn sc concrciava
con o ininigo, ¡crnuiavan-sc idcias c fornas dc
273
aric c ariigos da fc. Dir-sc-ia quc aquclc fragor dc
laialIas foi so una icla airas da qual ianio nais
icnazncnic iralalIava a ¡acífica ¡oli¡cira da
¡az, cnircicccndo a vida das naçõcs Iosiis. En
cada nova gcraçao, a Ionogcncidadc das alnas
sc acrcsccniava. Sc sc qucr nais c×aiidao c nais
cauicla, diga-sc dcsic nodo. as alnas franccsas c
inglcsas c cs¡anIolas cran, sao c scrao iao
difcrcnics cono sc qucira; nas ¡ossucn un
ncsno ¡lano ou arquiiciura ¡sicologicos c,
solrciudo, vao adquirindo un conicudo conun.
Fcligiao, cicncia, dirciio, aric, valorcs sociais c
croiicos vao scndo conuns. Ora lcn. cssas sao
as coisas cs¡iriiuais dc quc sc vivc. A
Ionogcncidadc rcdunda, ¡ois, naior quc sc as
alnas fosscn dc idcniico calilrc.
Sc Iojc fizcsscnos lalanço dc nosso
conicudo ncnial ÷ o¡iniõcs, nornas, dcscjos,
¡rcsunçõcs ÷, noiaríanos quc a naior ¡aric dc
iudo isso nao vcn ¡ara o franccs dc sua França,
ncn ¡ara o cs¡anIol dc sua Es¡anIa, nas do
fundo conun curo¡cu. Hojc, con cfciio, ¡csa
nuiio nais cn cada un dc nos o quc icn dc
curo¡cu quc sua ¡orçao difcrcncial dc franccs,
cs¡anIol, cic. Sc sc fizcssc a cסcricncia
inaginaria dc sc rcduzir a vivcr ¡urancnic con o
quc sonos, cono ºnacionais", c cn olra dc ncra
faniasia sc c×iir¡assc do Ioncn ncdio franccs
iudo quc usa, ¡cnsa, scnic, cn viriudc dc
rccc¡çao dos ouiros ¡aíscs coniincniais, scniiria
274
icrror. Vcria quc nao lIc cra ¡ossívcl vivcr so
disso; quc as quairo quinias ¡arics dc scu Iavcr
íniino sao lcns jaccnics curo¡cus.
Nao sc vislunlra quc ouira coisa dc nonia
¡ossanos fazcr os quc c×isiinos ncsic lado do
¡lancia sc nao c rcalizar a ¡roncssa quc Ia
quairo scculos significa o vocalulo Euro¡a. So sc
o¡õc a isso o ¡rcjuízo das vclIas ºnaçõcs", a idcia
dc naçao cono ¡assado. Agora sc vai vcr sc os
curo¡cus sao ianlcn filIos da nulIcr dc Loi c
sc olsiinan cn fazcr Iisioria con a calcça
virada ¡ara iras. A alusao a Fona, c, cn gcral, ao
Ioncn aniigo, scrviu-nos dc adnocsiaçao; c
nuiio difícil quc ccrio ii¡o dc Ioncn alandonc a
idcia dc Esiado una vcz quc cla sc lIc
cncasquciou. Aforiunadancnic, a idcia do Esiado
nacional quc o curo¡cu, a¡crcclcndo-sc dcla ou
nao, irou×c ao nundo, nao c a idcia crudiia,
filologica, quc sc lIc ¡rcdicou.
Fcsuno agora a icsc dcsic cnsaio. Sofrc Iojc
o nundo una gravc dcsnoralizaçao, quc cnirc
ouiros sinionas sc nanifcsia ¡or una
dcsaiorada rclcliao das nassas, c icn sua
origcn na dcsnoralizaçao da Euro¡a. As causas
dcsia uliina sao nuiias. Una das ¡rinci¡ais, o
dcslocancnio do ¡odcr quc ouirora c×crcia solrc
o rcsio do nundo c solrc si ncsno nosso
coniincnic. A Euro¡a nao csia ccria dc nandar,
275
ncn o rcsio do nundo dc scr nandado. A
solcrania Iisiorica acIa-sc cn dis¡crsao.
Ja nao Ia º¡lcniiudc dos icn¡os", ¡orquc
isio su¡õc un ¡orvir claro, ¡rcfi×ado, incquívoco,
cono cra o do scculo XIX. Eniao acrcdiiava-sc
salcr o quc ia aconicccr ananIa. Mas agora
alrc-sc ouira vcz o Iorizonic ¡ara novas linIas
incogniias, ¡osio quc nao sc salc qucn vai
nandar, cono sc vai ariicular o ¡odcr solrc a
icrra. Qucn, isio c, quc ¡ovo ou gru¡o dc ¡ovos;
¡orianio, quc ii¡o cinico; ¡orianio, quc idcologia,
quc sisicna dc ¡rcfcrcncias, dc nornas, dc nolas
viiais...
Nao sc salc ¡ara quc ccniro dc graviiaçao
vao ¡ondcrar cn un fuiuro ¡ro×ino as coisas
Iunanas, c ¡or isso a vida do nundo cnircga-sc
a una cscandalosa inicrinidadc. Tudo, iudo quc
Iojc sc faz cn ¡ullico c na vida ¡rivada ÷ aic no
íniino ÷, scn nais c×ccçao quc algunas ¡arics
dc algunas cicncias, c ¡rovisional. Accriara qucn
nao sc fic dc quanio Iojc sc a¡rcgoa, sc osicnia,
sc cnsaia c sc cnconia. Tudo isso ira con nais
cclcridadc do quc vcio. Tudo, dcsdc a nania do
cs¡oric físico (a nania, nao o cs¡oric cn si} aic a
violcncia cn ¡olíiica; dcsdc a ºaric nova" aic os
lanIos dc sol nas ridículas ¡raias da noda. Nada
disso icn raízcs, ¡orquc iudo isso c ¡ura
invcnçao, no nau scniido da ¡alavra, quc a faz
cquivalcr a ca¡ricIo lcviano. Nao c criaçao do
276
fundo sulsiancial da vida; nao c afa ncn nisicr
auicniico. En suna. iudo isso c viialncnic falso.
Da-sc o caso coniradiiorio dc un csiilo dc vida
quc culiiva a sinccridadc c ao ncsno icn¡o c
una falsificaçao. So Ia vcrdadc na c×isicncia
quando scniinos scus aios cono
irrcvogavclncnic ncccssarios. Nao Ia Iojc
ncnIun ¡olíiico quc sinia a incviialilidadc dc
sua ¡olíiica, c quanio nais c×ircno c scu gcsio,
ianio nais frívolo, ncnos c×igido ¡clo dcsiino.
Nao Ia nais vida con raízcs ¡ro¡rias, nao Ia
nais vida auiocionc quc a quc sc con¡õc dc
ccnas iniludívcis. O rcsio, o quc csia cn nossa
nao ¡cgar ou largar ou sulsiiiuir, c
¡rccisancnic falsificaçao da vida.
A aiual c fruio dc inicrrcgno, dc un vazio
cnirc duas organizaçõcs do nundo Iisiorico. a
quc foi, a quc vai scr. Por isso c csscncialncnic
¡rovisoria. E ncn os Ioncns salcn lcn a quc
insiiiuiçõcs dc vcrdadc scrvir, ncn as nulIcrcs
quc ii¡o dc Ioncns ¡rcfcrcn rcalncnic.
Os curo¡cus nao salcn vivcr sc nao sc
lançan nuna grandc cn¡rcsa uniiiva. Quando
csia falia, cnvilcccn-sc, afrou×an, dcsconjunia-
sc-lIcs a alna. Un concço disio ofcrccc-sc Iojc a
nossos olIos. Os círculos quc aic agora sc
cIanaran naçõcs cIcgaran Ia un scculo ou
¡ouco ncnos à sua na×ina cסansao. Ja nao sc
¡odc fazcr nada con clcs a nao scr iransccndc-
277
los. Ja nao sao scnao ¡assado quc sc acunula
cn iorno c dclai×o do curo¡cu, a¡risionando-o,
lasirando-o. Con nais lilcrdadc viial quc nunca
scniinos iodos quc o ar c irrcs¡iravcl dcniro dc
cada ¡ovo, ¡orquc c un ar confinado. Cada naçao
quc anics cra a grandc ainosfcra alcria, arcjada,
iransfornou-sc cn ¡rovíncia c ºinicrior". Na
su¡crnaçao curo¡cia quc inaginanos, a
¡luralidadc aiual nao ¡odc ncn dcvc
dcsa¡arcccr. Enquanio o Esiado aniigo
aniquilava o difcrcncial dos ¡ovos ou o dci×ava
inaiivo fora ou cn suna o conscrvava
nunificado, a idcia nacional, nais ¡urancnic
dinanica, c×igc a ¡crnancncia aiiva dcssc ¡lural
quc scn¡rc foi a vida do Ocidcnic.
Todo o nundo ¡crcclc a urgcncia dc un
novo ¡rincí¡io dc vida. Mas ÷ cono scn¡rc
aconiccc cn criscs ¡arclIas ÷ alguns cnsaian
salvar o noncnio ¡or una inicnsificaçao
c×ircnada c ariificial, ¡rccisancnic do ¡rincí¡io
caduco. Esic c o scniido da cru¡çao
ºnacionalisia" nos anos quc corrcn. E scn¡rc ÷
rc¡iio ÷ aconicccu assin. A uliina cIana, a
nais c×icnsa. O dcrradciro sus¡iro, o nais
¡rofundo. A vcs¡cra dc dcsa¡arcccr, as froniciras
sc Ii¡crcsicsian ÷ as froniciras niliiarcs c as
cconónicas.
Mas iodos csics nacionalisnos sao lccos scn
saída. Tcnic-sc ¡rojcia-los ¡ara o fuiuro c scniir-
278
sc-a o cIoquc. Por aí nao sc sai ¡ara lado
ncnIun. O nacionalisno c scn¡rc un in¡ulso
dc dircçao o¡osia ao ¡rincí¡io nacionalizador. É
c×clusivisia, cnquanio csic c inclusivisia. En
c¡oca dc consolidaçao icn, ¡or sua vcz, un valor
¡osiiivo c c una alia norna. Mas na Euro¡a iudo
csia dc solra consolidado, c o nacionalisno nao c
nais quc una nania, o ¡rcic×io quc sc ofcrccc
¡ara iludir o dcvcr dc invcnçao c dc grandcs
cn¡rcsas. A sin¡licidadc dc ncios con quc o¡cra
c a caicgoria dos Ioncns quc c×alia rcvclan dc
solra quc c o conirario dc una criaçao Iisiorica.
So a dccisao dc consiruir una grandc naçao
con o gru¡o dos ¡ovos coniincniais iornaria a
dar ion à ¡ulsaçao da Euro¡a. Voliaria cla a crcr
cn si ncsna, c auionaiicancnic a c×igir nuiio
dc si, a disci¡linar-sc.
Mas a siiuaçao c nuiio nais ¡crigosa do quc
sc ¡odc a¡rcciar. Vao ¡assando os anos c corrc-
sc o risco dc quc o curo¡cu sc Ialiiuc a csic ion
ncnor dc c×isicncia quc lcva agora; acosiunc-sc
a nao nandar ncn sc nandar. En ial caso, ir-sc-
ian volaiilizando iodas as suas viriudcs c
ca¡acidadcs su¡criorcs.
Mas à unidadc da Euro¡a o¡õcn-sc, cono
scn¡rc aconicccu no ¡roccsso dc nacionalizaçao,
as classcs conscrvadoras. Isio ¡odc irazcr ¡ara
clas a caiasirofc, ¡ois ao ¡crigo gcncrico dc quc a
279
Euro¡a sc dcsnoralizc dcfiniiivancnic c ¡crca
ioda a sua cncrgia Iisiorica, ajunia-sc ouiro
nuiio concrcio c inincnic. Quando o conunisno
iriunfou na Fussia nuiios acrcdiiaran quc iodo
o Ocidcnic ficaria inundado ¡cla iorrcnic
vcrnclIa. Eu nao ¡ariici¡ci dc scnclIanic
¡rognosiico. Pclo conirario. ¡or aquclcs anos
cscrcvi quc o conunisno russo cra una
sulsiancia inassinilavcl ¡ara os curo¡cus, casia
quc ¡ós iodos os csforços c fcrvorcs dc sua
Iisioria na caria Individualidadc. O icn¡o
corrcu, c Iojc voliaran à iranquilidadc os
icncrosos dc ouirora. Voliaran à iranquilidadc
quando cIcga jusiancnic a c¡oca ¡ara quc a
¡crdcsscn. Porquc agora sin ¡odc dcrranar-sc
solrc a Euro¡a o conunisno dc roldao c
viiorioso.
MinIa ¡rcsunçao c a scguinic. agora, cono
anics, o conicudo do crcdo conunisia à russa
nao inicrcssa, nao airai, nao dcscnIa un ¡orvir
dcscjavcl aos curo¡cus. E nao ¡clas razõcs
iriviais quc scus a¡osiolos, ¡orfiados, surdos c
scn vcracidadc, cono iodos os a¡osiolos, socn
vcrlificar. Os lourgcois do Ocidcnic salcn nuiio
lcn quc, ncsno scn conunisno, o Ioncn quc
vivc c×clusivancnic dc suas rcndas c quc as
iransniic a scus filIos icn os dias coniados. Nao
c isso o quc inuniza a Euro¡a ¡ara a fc russa,
ncn c nuiio ncnos icnor. Hojc ¡arcccn-nos
lasianic ridículos os arliirarios su¡osios cn quc
280
Ia vinic anos fundava Sorcl sua iaiica da
violcncia. O lurgucs nao c covardc, cono clc cria,
c aiualncnic csia nais dis¡osio à violcncia quc
os o¡crarios. Ningucn ignora quc sc iriunfou na
Fussia o lolcIcvisno, foi ¡orquc na Fussia nao
Iavia lurgucscs(89}. O fascisno, quc c un
novincnio ¡ciii lourgcois, rcvclou-sc cono nais
violcnio quc iodo o olrcirisno junio. Nao c, ¡ois,
nada disso o quc in¡cdc ao curo¡cu cnlalar-sc
conunisiicancnic, nas una razao nuiio nais
sin¡lcs c ¡rcvia. Esia. quc o curo¡cu nao vc na
organizaçao conunisia un auncnio da fclicidadc
Iunana.
Enircianio ÷ rc¡iio ÷, ¡arccc-nc nuiiíssino
¡ossívcl quc nos anos ¡ro×inos a Euro¡a sc
cniusiasnc ¡clo lolcIcvisno. Nao ¡or clc ncsno,
nas a¡csar dclc.
Inaginc-sc quc o º¡lano quinqucnal" scguido
Icrculcancnic ¡clo Covcrno soviciico
conscguissc suas ¡rcvisõcs c a cnornc ccononia
russa ficassc nao so rcsiaurada, nas c×ulcranic.
Qualqucr quc scja o conicudo do lolcIcvisno,
rc¡rcscnia un cnsaio giganicsco dc cn¡rcsa
Iunana. Nclc os Ioncns alraçaran
rcsoluiancnic un dcsiino dc rcforna c vivcn
icnsos sol a alia disci¡lina quc cssa fc lIcs
injcia. Sc a naicria cosnica, indocil aos
cniusiasnos do Ioncn, nao faz fracassar
gravcncnic a icniaiiva, iao so quc lIc dci×c via
281
un ¡ouco franca, scu cs¡lcndido caraicr dc
nagnífica cn¡rcsa irradiara solrc o Iorizonic
coniincnial cono una ardcnic c nova
consiclaçao. Sc a Euro¡a, cnircianio, ¡crsisic no
ignolil rcginc vcgciaiivo dcsics anos, frou×os os
ncrvos ¡or falia dc disci¡lina, scn ¡rojcio dc vida
nova, cono ¡odcria cviiar o cfciio conianinador
daqucla cn¡rcsa iao ¡roccr? E nao conIcccr o
curo¡cu cs¡crar quc ¡ossa ouvir scn sc accndcr
cssa cIanada a novo fazcr quando clc nao icn
ouira landcira dc scnclIanic aliancria quc
dcsfraldar ovanic. Conianio quc sirva a algo quc
dc un scniido à vida c fugir do ¡ro¡rio vazio
c×isicncial, nao c difícil quc o curo¡cu cngula
suas oljcçõcs ao conunisno, c ja quc nao ¡or
sua sulsiancia, sc sinia arrasiado ¡or sua
aiiiudc noral.
Eu vcjo na consiruçao da Euro¡a, cono
grandc Esiado nacional, a unica cn¡rcsa quc
¡odcria conira¡or-sc à viioria do º¡lano
quinqucnal".
Os iccnicos da ccononia ¡olíiica garanicn
quc cssa viioria icn nui cscassas ¡rolalilidadcs
dc sua ¡aric. Mas scria dcnasiado vil quc o
aniiconunisno cs¡crassc iudo das dificuldadcs
naicriais cnconiradas ¡or scu advcrsario. O
fracasso dcsic cquivalcria à dcrroia univcrsal. dc
iodos c dc iudo, do Ioncn aiual. O conunisno c
una ºnoral" c×iravaganic ÷ algo assin cono
282
una noral ÷. Nao ¡arccc nais dcccnic c fccundo
o¡or a cssa noral cslava una nova noral do
Ocidcnic, a inciiaçao dc un novo ¡rograna dc
vida?
283

XV. DESEMBOCA-SE NA VERDADEIRA QUESTÃO

Esia c a qucsiao. a Euro¡a ficou scn noral.
Nao c quc o Ioncn-nassa ncnos¡rczc una
aniiquada cn lcncfício dc ouira cncrgcnic, nas
quc o ccniro dc scu rcginc viial consisic
¡rccisancnic na as¡iraçao a vivcr scn sujciiar-sc
a noral alguna. Nao acrcdiicis una ¡alavra
quando ouvirdcs os jovcns falar da ºnova noral".
Ncgo roiundancnic quc c×isia cn lugar algun do
coniincnic gru¡o algun infornado ¡or un novo
ciIos quc icnIa visos dc u'a noral. Quando sc
fala da ºnova" nao sc faz scnao concicr una
inoralidadc nais c luscar o ncio nais cónodo
¡ara ¡assar coniralando.
Por cssa razao scria una ingcnuidadc lançar
cn rosio ao Ioncn dc Iojc sua falia dc noral. A
in¡uiaçao nao lIc causaria a ncnor in¡rcssao,
ou nclIor, o lisonjcaria. O inoralisno cIcgou a
scr iao laraio quc qualqucr un alardcia c×crciia-
lo.
Sc dci×anos dc un lado ÷ cono sc fcz ncsic
cnsaio ÷ iodos os gru¡os quc significan
solrcvivcncias do ¡assado ÷ os crisiaos, os
ºidcalisias", os vclIos lilcrais, cic. ÷ nao sc
acIara cnirc iodos os quc rc¡rcscnian a c¡oca
aiual un so cuja aiiiudc anic a vida nao sc
284
rcduza a crcr quc icn iodos os dirciios c
ncnIuna olrigaçao. É indifcrcnic quc sc nascarc
dc rcacionario ou dc rcvolucionario. ¡or aiiva ou
¡or ¡assiva, ao calo dc unas ou ouiras volias,
scu csiado dc anino consisiira, dccisivancnic,
cn ignorar ioda olrigaçao c scniir-sc, scn quc
clc ncsno sus¡ciic ¡or quc sujciio dc iliniiados
dirciios.
Qualqucr sulsiancia quc caia solrc una
alna assin, dara un ncsno rcsuliado, c sc
convcricra cn ¡rcic×io ¡ara nao sc sujciiar a
nada concrcio. Sc sc a¡rcscnia cono rcacionario
ou aniililcral, scra ¡ara ¡odcr afirnar quc a
salvaçao da ¡airia, do Esiado, da dirciio a alIcar
iodas as ouiras nornas c a nassacrar o ¡ro×ino,
solrciudo sc o ¡ro×ino ¡ossui una
¡crsonalidadc valiosa. Mas a ncsna coisa
aconiccc sc da ¡ara scr rcvolucionario. scu
a¡arcnic cniusiasno ¡clo o¡crario nanual, o
niscravcl c a jusiiça social, lIc scrvc dc disfarcc
¡ara ¡odcr dcscnicndcr-sc dc ioda olrigaçao ÷
cono a coricsia, a vcracidadc, c, solrciudo, o
rcs¡ciio ou csiinaçao dos indivíduos su¡criorcs.
Eu sci dc nao ¡oucos quc ingrcssaran cn un ou
ouiro ¡ariido o¡crario a¡cnas ¡ara conquisiar
dcniro dc si ncsnos o dirciio a dcs¡rczar a
inicligcncia c ¡ou¡ar-sc aos salanalcqucs dianic
dcla. Quanio às ouiras Didaiuras, lcn vinos
cono afagan o Ioncn-nassa, ¡aicando quanio
¡arccia cnincncia.
285
Essa csquivança a ioda olrigaçao cסlica, cn
¡aric, o fcnóncno, cnirc ridículo c cscandaloso,
dc quc sc icnIa fciio cn nossos dias una
¡laiaforna da ºjuvcniudc" cono ial. Quiça nao
ofcrcça nosso icn¡o iraço nais groicsco. As
¡cssoas, conicancnic, sc dcclaran ºjovcns"
¡orquc ouviran quc o jovcn icn nais dirciios
quc olrigaçõcs, ja quc ¡odc dcnorar o
cun¡rincnio dcsias aic as calcndas grcgas da
nadurcza. Scn¡rc o jovcn, cono ial, considcrou-
sc iscnio dc fazcr ou Iavcr fciio façanIas. Scn¡rc
vivcu dc crcdiio. Isio sc acIa na naiurcza do
Iunano. Era cono un falso dirciio, cnirc irónico
c icrno, quc os nao jovcns conccdian aos noços.
Mas c csiu¡cfacicnic quc agora o ioncn csics
cono un dirciio cfciivo, ¡rccisancnic ¡ara
airiluir-sc iodos os dcnais quc ¡cricnccn so a
qucn icnIa fciio ja alguna coisa.
Enlora ¡arcça ncniira, cIcgou a fazcr-sc da
juvcniudc una cIaniagcn. En rcalidadc,
vivcnos un icn¡o dc cIaniagcn univcrsal quc
iona duas fornas dc csgar con¡lcncniario. Ia a
cIaniagcn da violcncia c a cIaniagcn do
Iunorisno. Con un ou con ouiro as¡ira-sc
scn¡rc ao ncsno. quc o infcrior, quc o Ioncn
vulgar ¡ossa scniir-sc livrc dc ioda sujciçao.
Por isso nao calc cnolrcccr a crisc ¡rcscnic
nosirando-a cono o confliio cnirc duas norais
ou civilizaçõcs, una caduca c a ouira cn alvor. O
286
Ioncn-nassa carccc sin¡lcsncnic dc noral,
quc c scn¡rc, ¡or csscncia, scniincnio dc
sulnissao a algo, conscicncia dc scrviço c
olrigaçao. Mas ialvcz c un crro dizcr
ºsin¡lcsncnic". Porquc nao sc iraia so dc quc
csic ii¡o dc criaiura sc dcscnicnda da noral.
Nao; nao lIc façanos iao facil a iarcfa. Da noral
nao c ¡ossívcl dcscnicndcr-sc sin¡lcsncnic. O
quc con un vocalulo falio aic dc granaiica sc
cIana anoralidadc, c una coisa quc nao c×isic.
Sc vocc nao qucr sulncicr-sc a ncnIuna norna,
icn, vclis nolis, dc sujciiar-sc à norna dc ncgar
ioda noral, c isio nao c anoral, nas inoral. E
una noral ncgaiiva quc conscrva da ouira a
forna cn oco.
Cono sc ¡odc acrcdiiar na anoralidadc da
vida? Scn duvida ¡orquc ioda a culiura c a
civilizacao nodcrna lcvan a cssc convcncincnio.
Agora rccolIc a Euro¡a as ¡cnosas
conscqucncias dc sua conduia cs¡iriiual.
Enlalou-sc scn rcscrvas ¡clo dcclivc dc una
culiura nagnífica, nas scn raízcs.
Ncsic cnsaio dcscjou-sc dcscnIar ccrio ii¡o
dc curo¡cu, analisando solrciudo scu
con¡oriancnio anic a civilizaçao ncsna cn quc
nasccu. In¡oriava fazcr assin ¡orquc cssc
¡crsonagcn nao rc¡rcscnia ouira civilizaçao quc
luic con a aniiga, nas una sin¡lcs ncgaçao,
ncgaçao quc oculia un cfciivo ¡arasiiisno. O
287
Ioncn-nassa csia ainda vivcndo ¡rccisancnic
do quc ncga c ouiros consiruíran ou
acunularan. Por isso nao convinIa ncsclar scu
¡sicograna con a grandc qucsiao. quc
insuficicncias radicais ¡adccc a culiura curo¡cia
nodcrna? Porquc c cvidcnic quc, cn uliina
insiancia, dclas ¡rovcn csia forna Iunana agora
doninanic.
Mas cssa grandc qucsiao icn dc ¡crnancccr
fora dcsias ¡aginas, ¡orquc c c×ccssiva. Olrigaria
a dcscnvolvcr con ¡lcniiudc a douirina solrc a
vida Iunana quc, cono un conira¡onio, fica
cnirclaçada, insinuada, nurnurada nclas. Talvcz
¡ossa cn lrcvc scr c×aliada.
288

EPÍLOGO PARA INGLESES

Daqui a ¡ouco faz un ano quc nuna
¡aisagcn Iolandcsa, ondc o dcsiino nc Iavia
ccnirifugado, cscrcvi o Prologo ¡ara franccscs à
¡rincira cdiçao ¡o¡ular dcsic livro. Naqucla daia
concçava ¡ara a Inglaicrra una das cia¡as nais
¡rollcnaiicas dc sua Iisioria c Iavia nuiio
¡oucas ¡cssoas na Euro¡a quc confiasscn nas
suas viriudcs laicnics. Duranic os uliinos
icn¡os falIaran ianias coisas quc, ¡or incrcia
ncnial, sc icndc a duvidar dc iudo, aic da
Inglaicrra. Dizia-sc quc cra un ¡ovo cn
dccadcncia. Nao olsianic ÷ c ainda arrosiando
ccrios riscos dc quc nao qucro falar agora ÷, cu
assinalava con fc rolusia a nissao curo¡cia do
¡ovo inglcs, a quc iivcra duranic dois scculos c
quc cn forna su¡crlaiiva csiava cIanado a
c×crccr Iojc. O quc cniao nao inaginava c quc
iao ra¡idancnic vicsscn os faios confirnar ncu
¡rognosiico c a incor¡orar ninIa cs¡crança.
Muiio ncnos quc sc con¡razcsscn con ial
¡rccisao cn ajusiar-sc ao ¡a¡cl dcicrninadíssino
quc, usando un sínil Iunorísiico, airiluía cu a
Inglaicrra anic o Coniincnic. A nanolra dc
sancancnio Iisiorico quc icnia a Inglaicrra,
dcsdc ja, cn scu inicrior, c ¡oricniosa. No ncio
289
da nais airoz iorncnia, o navio inglcs iroca iodas
as suas vclas, vira dois quadranics, cingc-sc ao
vcnio c a guinada dc scu lcnc nodifica o dcsiino
do nundo. Tudo isso scn una gcsiiculaçao c
nuiio alcn dc iodas as frascs, incluso das quc
acalo dc ¡rofcrir. É cvidcnic quc Ia nuiias
nanciras dc fazcr Iisioria, quasc ianias cono dc
dcsfazc-las.
Ha varias ccniurias aconiccc ¡criodicancnic
quc os coniincniais acordan una nanIa c,
coçando a calcça, c×clanan. ºEsia Inglaicrra!..."
É una cסrcssao quc significa sur¡rcsa,
solrcssalio c a conscicncia dc icr a sua frcnic
algo adniravcl, nas incon¡rccnsívcl. O ¡ovo
inglcs c, con cfciio, o faio nais csiranIo quc Ia
no ¡lancia. Nao nc rcfiro ao inglcs individual,
nas ao cor¡o social, à colciividadc dos inglcscs.
O csiranIo, o naravilIoso nao ¡cricncc, ¡ois, à
ordcn ¡sicologica, nas à ordcn sociologica. E
cono a sociologia c una das disci¡linas solrc as
quais as ¡cssoas icn cn iodas as ¡arics ncnos
idcias claras, nao scria ¡ossívcl, scn nuiias
¡rc¡araçõcs, dizcr ¡or quc c csiranIa c ¡or quc c
naravilIosa a Inglaicrra. Ainda ncnos icniar a
cסlicaçao dc cono cIcgou a scr cssa csiranIa
coisa quc c. Enquanio sc acrcdiic quc un ¡ovo
¡ossui un ºcaraicr" ¡rcvio c quc sua Iisioria c
una cnanaçao dcsic caraicr, nao Iavcra nancira
ncn scqucr dc iniciar a convcrsaçao. O ºcaraicr
nacional", cono iudo quc c Iunano, nao c un
290
don inaio, nas una falricaçao. O caraicr
nacional vai sc fazcndo c dcsfazcndo c rcfazcndo
na Iisioria. En quc ¡csc csia vcz à ciinologia, a
naçao nao nascc, sc faz. É una cn¡rcsa quc da
lcn ou nal, quc sc inicia a¡os un ¡críodo dc
cnsaios, quc sc dcscnvolvc, quc sc corrigc, quc
º¡crdc o fio" una ou varias vczcs, c icn dc voliar
a concçar, ou, ¡clo ncnos, rcaiar. O inicrcssanic
scria ¡rccisar quais sao os airiluios
sur¡rccndcnics, ¡or insoliios, da vida inglcsa nos
uliinos ccn anos. Dc¡ois viria a icniaiiva dc
nosirar cono adquiriu a Inglaicrra cssas
qualidadcs sociologicas. Insisio cn cn¡rcgar csia
¡alavra, a¡csar do ¡cdanic quc c, ¡orquc airas
dcla csia o vcrdadcirancnic csscncial c fcriil. E
¡rcciso c×iir¡ar da Iisioria o ¡sicologisno, quc ja
foi afugcniado dc ouiros aconiccincnios. O
c×cc¡cional da Inglaicrra nao jaz no ii¡o dc
indivíduo Iunano quc soulc criar. É
solrcnancira discuiívcl quc o inglcs individual
valIa nais quc ouiras fornas dc individualidadc
a¡arccidas no Oricnic c no Ocidcnic. Mas ncsno
aquclc quc csiinc o nodo dc scr dos Ioncns
inglcscs acina dc iodos os dcnais, rcduz o
assunio a una qucsiao dc nais ou dc ncnos. Eu
susicnio, ¡or ninIa vcz, quc o c×cc¡cional, quc a
originalidadc c×ircna do ¡ovo inglcs radica cn
sua nancira dc ionar o lado social ou colciivo da
vida Iunana, no nodo cono salc scr una
socicdadc. Nisio sin c quc sc conira¡õc a iodos
291
os dcnais ¡ovos c nao c qucsiao dc nais ou dc
ncnos. Talvcz, no icn¡o ¡ro×ino, sc nc ofcrcça
o¡oriunidadc ¡ara fazcr vcr iudo quc qucro dizcr
con isio.
Fcs¡ciio scnclIanic à Inglaicrra nao nos
c×inc da irriiaçao anic scus dcfciios. Nao Ia ¡ovo
quc, olIado dcsdc ouiro, nao scja insu¡oriavcl. E
¡or csic lado ialvcz sao os inglcscs, cn grau
cs¡ccial, c×as¡cranics. E c quc as viriudcs dc un
¡ovo, cono as dc un Ioncn, vao clcvadas, c cn
ccria nancira, consolidadas, solrc scus dcfciios c
liniiaçõcs. Quando cIcganos a cssc ¡ovo, o
¡rinciro quc vcnos sao as suas froniciras, quc,
no noral cono no físico, sao scus liniics. O
ncrvosisno dos uliinos ncscs fcz quc quasc
iodas as naçõcs iivcsscn vivido cncara¡iiadas cn
suas froniciras; qucr dizcr, dando un cs¡ciaculo
c×agcrado dc scus nais congcniios dcfciios. Sc sc
ajunia a isso quc un dos ¡rinci¡ais icnas dc
dis¡uia icn sido a Es¡anIa, con¡rccndcr-sc-a
aic quc ¡onio Ici sofrido dc quanio na Inglaicrra,
na França, na Ancrica do Noric rc¡rcscnia
aionia, cnior¡ccincnio, vício c falIa. O quc nais
nc sur¡rccndcu c a dccidida voniadc dc nao
ionar conIccincnio das coisas quc Ia na o¡iniao
¡ullica dcsscs ¡aíscs; c o quc nais falia icnIo
scniido, a rcs¡ciio da Es¡anIa, icn sido alguna
aiiiudc dc graça gcncrosa, quc c, a ncu juízo, o
nais csiinavcl quc Ia no nundo. No anglo-sa×ao
÷ nao cn scus govcrnos, nas sin nos ¡aíscs ÷
292
icn sc dci×ado circular a iniriga, a frivolidadc, a
durcza dc calcça, o ¡rcjuízo arcaico c a Ii¡ocrisia
nova scn lIcs ¡ór un liniic. Escuiaran-sc cn
scrio as naiorcs inlccilidadcs con ianio quc
fosscn indígcnas, c, cnircncnics, icn Iavido a
radical dccisao dc nao qucrcr ouvir ncnIuna voz
cs¡anIola ca¡az dc csclarcccr as coisas, ou dc
ouvi-la dc¡ois dc dcforna-la.
Isio nc lcvou, ainda convcncido dc quc
forçava un ¡ouco a conjuniura, a a¡rovciiar o
¡rinciro ¡rcic×io ¡ara falar solrc a Es¡anIa c ÷
ja a sus¡icacia do ¡ullico inglcs nao iolcrava
ouira coisa ÷ falar scn ¡arcccr quc dcla falava
nas ¡aginas iniiiuladas ºQuanio ao ¡acifisno...",
acrcsccniadas a scguir. Sc c lcncvolo, o lciior
nao csqucccra o dcsiinaiario. Dirigidas a inglcscs,
rc¡rcscnian un csforço dc aconodaçao a scus
usos. Fcnunciou-sc nclas a iodo ºlrilIo" c vao
cscriias cn csiilo lasianic ¡iclwicliano,
con¡osio dc cauiclas c cufcnisnos.
TcnIa-sc ¡rcscnic quc a Inglaicrra nao c un
¡ovo dc cscriiorcs nas dc concrcianics, dc
cngcnIciros c dc Ioncns ¡icdosos. Soulc ¡or
isso forjar una língua c una clocuçao cn quc sc
iraia ¡rinci¡alncnic dc nao dizcr o quc sc diz, dc
insinuar c ainda nais dc iludir. O inglcs nao vcio
ao nundo ¡ara dizcr, nas, ao conirario, ¡ara
silcnciar. Con faccs in¡assívcis, ¡osios airas dc
scus cacIinlos, vclan os inglcscs alcria solrc
293
scus ¡ro¡rios scgrcdos ¡ara quc nao csca¡c
ncnIun. Isio c una força nagnífica, c in¡oria
solrcnancira à cs¡ccic Iunana quc sc conscrvc
iniacio cssc icsouro c cssa cncrgia dc
iaciiurnidadc. Mas, ao ncsno icn¡o, dificulian
cnorncncnic a inicligcncia con ouiros ¡ovos,
solrciudo con os nossos. O Ioncn do Sul
¡ro¡cndc a scr garrulo. A Crccia, quc nos
cducou, soliou nossas línguas c nos fcz
indiscrcios a naiiviiaic. O aiicisno Iavia
iriunfado solrc o laconisno, c ¡ara o aicnicnsc
vivcr cra falar, dizcr, csganiçar-sc, dando ao vcnio
cn fornas claras c cufónicas a nais arcana
iniinidadc. Por isso divinizaran o dizcr, o logos,
ao qual airiluían nagica ¡oicncia, c a rciorica
acalou scndo ¡ara a civilizaçao aniiga o quc icn
sido a física ¡ara nos ncsics uliinos scculos. Sol
csia disci¡lina, os ¡ovos ronanicos forjaran
línguas con¡licadas, nas dcliciosas, dc una
sonoridadc, una ¡lasiicidadc c un garlo
incon¡aravcis; línguas fciias à força dc
¡alavrcados infindavcis ÷ cn agora c ¡raça, cn
¡alanquc, ialcrna c icriulia. Daí quc nos
sinianos sófrcgos quando, a¡ro×inando-nos
dcsics cs¡lcndidos inglcscs, os ouvinos cniiir a
scric dc lcvcs niados dis¡liccnics cn quc
consisic scu idiona.
O icna do cnsaio quc scguc c a
incon¡rccnsao nuiua cn quc caíran os ¡ovos do
Ocidcnic ÷ qucr dizcr, ¡ovos quc convivcn dcsdc
294
sua infancia. O faio c csiu¡cfacicnic. Porquc a
Euro¡a foi scn¡rc cono una casa da vizinIança,
ondc as fanílias nao vivcn nunca sc¡aradas,
nas sc nisiuran a ioda Iora sua doncsiica
c×isicncia. Esics ¡ovos quc agora sc ignoran iao
gravcncnic lrincaran junios quando cran
crianças nos corrcdorcs da grandc nansao
conun. Cono ¡udcran cIcgar a nao sc cnicndcr
iao radicalncnic? A gcncsc dc iao fcia siiuaçao c
longa c con¡lc×a. Para cnunciar so un dos nil
fios quc naquclc faio sc aian, adviria-sc quc o
uso dc sc convcricrcn uns ¡ovos cn juizcs dos
ouiros, dc sc dcs¡rczar c injuriar ¡orquc sao
difcrcnics, cnfin, dc sc ¡crniiircn crcr as naçõcs
Iojc ¡odcrosas quc o csiilo ou o ºcaraicr" dc un
¡ovo ncnor c alsurdo ¡orquc c lclica ou
ccononicancnic dclil, sao fcnóncnos quc, sc
nao crro, janais sc Iavian ¡roduzido aic os
uliinos cinqucnia anos. Ao cnciclo¡cdisia franccs
do scculo XVIII, nao olsianic sua ¡ciulancia c
sua cscassa duciilidadc iniclcciual, a¡csar dc
su¡or-sc dono da vcrdadc alsoluia, nao sc lIc
ocorria dcsdcnIar un ¡ovo ºinculio" c
dc¡au¡crado cono a Es¡anIa. Quando algucn o
fazia, o cscandalo quc ¡rovocava cra ¡rova dc quc
o Ioncn nornal dc cniao nao via, cono un
¡arvcnu, nas difcrcnças dc ¡odcrio difcrcnça dc
nívcl Iunano. Pclo conirario. c o scculo das
viagcns cIcias dc curiosidadc anavcl c
¡razcnicira ¡cla divcrgcncia do ¡ro×ino. Esic foi
295
o scniido do cosno¡oliiisno quc coagula no scu
uliino icrço. O cosno¡oliiisno dc Fcrgusson,
Hcrdcr, CociIc ÷ c o o¡osio do aiual
ºinicrnacionalisno". Nuirc-sc nao da c×clusao
das difcrcnças nacionais, nas, ¡clo conirario, dc
cniusiasno ¡or clas. Dusca a ¡luralidadc dc
fornas viiais con visias nao à sua anulaçao, nas
à sua inicgraçao. Lcna dclc foran csias ¡alavras
dc CociIc. ºSo iodos os Ioncns vivcn o
Iunano". O ronaniicisno quc lIc succdcu nao c
scnao sua c×aliaçao. O ronaniico cnanorava-sc
dos ouiros ¡ovos ¡rccisancnic ¡orquc cran
ouiros, c no uso nais c×oiico c incon¡rccnsívcl
sus¡ciiava nisicrios dc grandc salcdoria. E o
caso c quc ÷ cn ¡rincí¡io ÷ iinIa razao. É, ¡or
c×cn¡lo, induliiavcl quc o inglcs dc Iojc,
Icrnciizado ¡cla conscicncia dc scu ¡odcr
¡olíiico, nao c nuiio ca¡az dc vcr o quc Ia dc
culiura rcfinada, suiilíssina c dc alio alcancc
ncssa ocu¡açao ÷ quc a clc lIc ¡arccc a
c×cn¡lar dcsocu¡açao dc ºionar sol" a quc o
casiiço cs¡anIol soi dcdicar-sc conscicnicncnic.
Elc crc, ¡orvcniura, quc o unicancnic civilizado c
vcsiir unas lonlacIas c dar ¡ancadas nuna
lolinIa con una vara, o¡craçao quc
Ialiiualncnic sc dignifica dcnoninando-a dc
ºgolf".
O assunio c, ¡ois, dc nuiio ¡cso, c as
¡aginas quc scgucn nao fazcn ouira coisa scnao
iona-lo ¡clo lado nais urgcnic. Essc nuiuo
296
dcsconIccincnio iornou ¡ossívcl quc o ¡ovo
inglcs, iao ¡arco cn crros Iisioricos gravcs,
concicssc o giganicsco dc scu ¡acifisno. Dc
iodas as causas quc gcraran as ¡rcscnics
dcsgraças do nundo, a quc ialvcz ¡odc
concrciizar-sc nais c o dcsarnancnio da
Inglaicrra. Scu gcnio ¡olíiico ¡crniiiu-lIc ncsics
ncscs corrigir con un csforço incrívcl dc sclf-
conirol o nais c×ircno do nal. Porvcniura icnIa
coniriluído ¡ara quc adoic csia rcsoluçao a
conscicncia da rcs¡onsalilidadc coniraída.
Solrciudo isio sc raciocina iranquilancnic
nas ¡aginas incdiaias, scn c×ccssiva ¡rcsunçao,
nas con o cniranIavcl dcscjo dc colalorar na
rcconsiiiuiçao da Euro¡a. Dcvo advcriir ao lciior
quc iodas as noias foran acrcsccniadas agora c
suas alusõcs cronologicas Iao dc scr rcfcridas ao
corrcnic ncs.
Paris, alril, 1938.
297

QUANTO AO PACIFISMO

Ha vinic anos(90} a Inglaicrra ÷ scu Covcrno c
sua o¡iniao ¡ullica ÷ cnlarcaran no ¡acifisno.
Concicnos o crro dc dcsignar con csic unico
nonc aiiiudcs nui difcrcnics, iao difcrcnics quc
na ¡raiica vccn a scr con frcqucncia
aniagónicas. Ha, con cfciio, nuiias fornas dc
¡acifisno. A unica quc cnirc clas c×isic dc
conun c una coisa nuiio vaga. a crcnça cn quc
a gucrra c un nal c a as¡iraçao a clinina-la
cono ncio dc iraio cnirc os Ioncns. Mas os
¡acifisias concçan a discrc¡ar quando dao o
¡asso incdiaio c inicrrogan-sc aic quc ¡onio c
cn alsoluio ¡ossívcl o dcsa¡arccincnio das
gucrras. Enfin. a divcrgcncia iorna-sc su¡crlaiiva
quando sc ¡õcn a ¡cnsar nos ncios quc c×igc
una insiauraçao dc ¡az solrc csic ¡ugnacíssino
glolo icrraquco. Talvcz fossc nuiio nais uiil do
quc sc inagina un csiudo con¡lcio solrc as
divcrsas fornas do ¡acifisno. Dclc cncrgiria nao
cscassa claridadc. Mas c cvidcnic quc nao nc
corrcs¡ondc agora ncn aqui fazcr un csiudo no
qual ficaria dcfinido con ccria ¡rccisao o ¡cculiar
¡acifisno cn quc a Inglaicrra ÷ scu Covcrno c
sua o¡iniao ¡ullica ÷ cnlarcou Ia vinic anos.
298
Por ouira ¡aric, cnircianio, a rcalidadc aiual
faciliia dcsgraçadancnic o assunio. É un faio
dcnasiado noiorio quc cssc ¡acifisno inglcs
fracassou. Isso qucr dizcr quc cssc ¡acifisno foi
un crro. O fracasso foi iao grandc, iao roiundo,
quc algucn icria dirciio a rcvisar ra¡idancnic a
qucsiao c a sc ¡crguniar sc nao c un crro iodo
¡acifisno. Mas cu ¡rcfiro agora ada¡iar-nc
quanio ¡ossa ao ¡onio dc visia inglcs, c vou
su¡or quc sua as¡iraçao à ¡az do nundo cra
una c×cclcnic as¡iraçao. Mas isso sullinIa ianio
nais quanio Iouvc dc crro no rcsio, a salcr, na
a¡rcciaçao das ¡ossililidadcs dc ¡az quc o
nundo aiual ofcrccia c na dcicrninaçao da
conduia quc Ia dc scguir qucn ¡rcicnda scr, dc
vcrdadc, ¡acifisia.
Ao dizcr isio nao sugiro nada quc ¡ossa lcvar
ao dcsanino. Pclo conirario. Por quc dcsaninar?
Talvcz as duas unicas coisas a quc o Ioncn nao
icn dirciio sao a ¡ciulancia c scu o¡osio, o
dcsanino. Nao Ia nunca razao suficicnic ncn
¡ara un ncn ¡ara o ouiro. Dasic advcriir o
csiranIo nisicrio da condiçao Iunana
consisicnic cn quc una siiuaçao iao ncgaiiva c
dc dcrroia, cono c Iavcr conciido un crro, sc
convcric nagicancnic cn una nova viioria ¡ara
o Ioncn, a¡cnas rcconIcccndo-o. O
rcconIccincnio dc un crro c ¡or si ncsno una
nova vcrdadc c cono una luz quc dcniro dcsic sc
accndc.
299
Conira o quc acrcdiicn os jcrcnias, iodo crro
c una ¡ro¡ricdadc quc acrcscc nosso Iavcr. En
vcz dc cIorar solrc clc convcn a¡rcssar-sc a
cסlora-lo. Para isso c ¡rcciso quc nos rcsolvanos
a csiuda-lo a fundo, a dcscolrir scn ¡icdadc
suas raízcs c a consiruir cncrgicancnic a nova
concc¡çao das coisas quc isio nos ¡ro¡orciona.
Eu su¡onIo quc os inglcscs sc dis¡õcn ja,
scrcnancnic, nas dccididancnic, a rciificar o
cnornc crro quc duranic vinic anos icn sido scu
¡cculiar ¡acifisno c a sulsiiiuí-lo ¡or ouiro
¡acifisno nais ¡crs¡icaz.
Cono quasc scn¡rc aconiccc, o dcfciio naior
do ¡acifisno inglcs ÷ c, cn gcral, dos quc sc
a¡rcscnian cono iiiularcs do ¡acifisno ÷ icn
sido sulcsiinar o ininigo. Esia sulcsiina lIcs
ins¡irou un diagnosiico falso. O ¡acifisia vc na
gucrra un dano, un crinc ou un vício. Mas
csquccc quc, anics disso c acina disso, a gucrra
c un cnornc csforço quc os Ioncns fazcn ¡ara
rcsolvcr ccrios confliios. A gucrra nao c un
insiinio, nas un invcnio. Os aninais a
dcsconIcccn c c dc ¡ura insiiiuiçao Iunana,
cono a cicncia c a adninisiraçao. Ela lcvou a un
dos naiorcs dcscolrincnios, lasc dc ioda
civilizaçao. ao dcscolrincnio da disci¡lina. Todas
as dcnais fornas dc disci¡lina ¡roccdcn da
¡rinigcnia, quc foi a disci¡lina niliiar. O
¡acifisno csia ¡crdido c convcric-sc cn nula
300
lcaicria sc nao icn ¡rcscnic quc a gucrra c una
gcnial c fornidavcl iccnica dc vida c ¡ara a vida.
Cono ioda forna Iisiorica, icn a gucrra dois
as¡ccios. o da Iora dc sua invcnçao c o da Iora
dc sua su¡craçao. Na Iora dc sua invcnçao
significou un ¡rogrcsso incalculavcl. Hojc,
quando as¡iranos a su¡cra-la, vcnos dcla
a¡cnas a suja cs¡adua, scu Iorror, sua
rusiicidadc, sua insuficicncia. Do ncsno nodo,
cosiunanos, scn nais rcflc×ao, naldizcr da
cscravidao, nao advcriindo o naravilIoso
¡rogrcsso quc rc¡rcscniou quando foi invcniada.
Porquc anics o quc sc fazia cra naiar os
vcncidos. Foi un gcnio lcnfciior da Iunanidadc
o ¡rinciro quc idcou, cn vcz dc naiar os
¡risionciros, conscrvar-lIcs a vida c a¡rovciiar
scu lalor. Augusio Conic, quc iinIa un grandc
scniido Iunano, qucr dizcr, Iisiorico, viu ja
dcsic nodo a insiiiuiçao da cscravidao ÷
lilcriando-sc das ioliccs quc Fousscau dissc
solrc cla ÷ c a nos nos corrcs¡ondc gcncralizar
sua advcricncia, a¡rcndcndo a olIar iodas as
coisas Iunanas sol cssa du¡la ¡crs¡cciiva, a
salcr. o as¡ccio quc icn ao cIcgar c o as¡ccio
quc icn ao ir. Os ronanos, nui financnic,
cncarrcgaran duas divindadcs dc consagrar
csscs dois insianics ÷ Adcona c Alcona, o dcus
do cIcgar c o dcus dc ir.
301
Por dcsconIcccr iudo isso, quc c clcncniar, o
¡acifisno iornou sua iarcfa dcnasiado facil.
Pcnsou quc ¡ara clininar a gucrra lasiava nao
fazc-la ou, cn suna, iralalIar cn quc nao sc
fizcssc. Cono via ncla a¡cnas una c×crcsccncia
su¡crflua c norlida a¡arccida no iraio Iunano,
crcu quc lasiava c×iir¡a-la c quc nao cra
ncccssario sulsiiiuí-la. Mas o cnornc csforço quc
c a gucrra, so ¡odc scr cviiado sc sc cnicndc ¡or
¡az un csforço ainda naior, un sisicna dc
csforços con¡licadíssinos, c quc, cn ¡aric,
rcqucrcn a vcniurosa inicrvcnçao do gcnio. O
ouiro c ¡uro crro. O ouiro c inicr¡rciar a ¡az
cono o sin¡lcs vazio quc a gucrra dci×aria sc
dcsa¡arcccssc; ¡orianio, ignorar quc sc a gucrra
c una coisa quc sc faz, ianlcn a ¡az c una
coisa quc in¡oria fazcr, quc Ia quc falricar,
¡ondo na faina iodas as ¡oicncias Iunanas. A
¡az nao ºcsia aí", sin¡lcsncnic, ¡ronia ¡ara quc
o Ioncn a gozc. A ¡az nao c fruio cs¡onianco dc
ncnIuna arvorc. Nada in¡orianic c a¡rcscniado
ao Ioncn; ¡clo conirario, icn clc dc fazc-lo, dc
consiruí-lo. Por isso, o iíiulo nais claro dc nossa
cs¡ccic c scr Iono falcr.
Sc sc aicndc a iudo isso, nao ¡arcccra
sur¡rccndcnic a crcnça cn quc csicvc a
Inglaicrra dc quc o nais quc ¡odia fazcr a favor
da ¡az cra dcsarnar, un fazcr quc sc asscnclIa
ianio a un ¡uro oniiir? Essa crcnça c
incon¡rccnsívcl sc nao sc advcric o crro dc
302
diagnosiico quc lIc scrvc dc lasc, a salcr. a idcia
dc quc a gucrra ¡roccdc sin¡lcsncnic das
¡ai×õcs dos Ioncns, c quc sc sc rc¡rinc o
a¡ai×onancnio, o lclicisno ficara asfi×iado. Para
vcr con clarcza a qucsiao façanos o quc fazia
lord Kclvin ¡ara rcsolvcr scus ¡rollcnas dc
física. consiruanos un nodclo inaginario.
Inagincnos, cniao, quc cn ccrio noncnio iodos
os Ioncns rcnunciasscn à gucrra, cono a
Inglaicrra, ¡or sua ¡aric, icniou fazcr. Acrcdiia-
sc quc lasia isso, nais ainda, quc con isso sc
Iavia dado o nais lrcvc ¡asso cficicnic no
scniido da ¡az? Crandc crro! A gucrra, rc¡iianos,
cra un ncio quc Iavian invcniado os Ioncns
¡ara solucionar ccrios confliios. A rcnuncia à
gucrra nao su¡rinc csics confliios. Pclo
conirario, dci×a-os nais iniacios c ncnos
rcsolvidos quc nunca. A auscncia dc ¡ai×õcs, a
voniadc ¡acífica dc iodos os Ioncns scrian
con¡lciancnic incficazcs, ¡orquc os confliios
rcclanarian soluçao, c, cnquanio nao sc
invcniassc ouiro ncio, a gucrra rca¡arcccria
inc×oravclncnic ncssc inaginario ¡lancia
Ialiiado so ¡or ¡acifisias.
Nao c, ¡ois, a voniadc dc ¡az o quc in¡oria
uliinancnic no ¡acifisno. É ¡rcciso quc csic
vocalulo dci×c dc significar una loa inicnçao c
rc¡rcscnic un sisicna dc novos ncios dc iraio
cnirc os Ioncns. Nao sc cs¡crc ncsia ordcn
nada fcriil cnquanio o ¡acifisno, dc scr un
303
graiuiio c cónodo dcscjo, nao ¡assc a scr un
difícil conjunio dc novas iccnicas.
O cnornc dano quc aquclc ¡acifisno irou×c à
causa da ¡az consisiiu cn nao dci×ar-nos vcr a
carcncia das iccnicas nais clcncniais, cujo
c×crcício concrcio c ¡rcciso consiiiui isso quc,
con un vago nonc, cIananos dc ¡az.
A ¡az, ¡or c×cn¡lo, c o dirciio cono forna dc
iraio cnirc os ¡ovos. Pois lcn. o ¡acifisno usual
dava cono su¡osio quc cssc dirciio c×isiia, quc
csiava aí à dis¡osiçao dos Ioncns c quc so as
¡ai×õcs dcsics c scus insiinios dc violcncia
induzian a ignora-lo. Ora lcn. isio c gravcncnic
o¡osio à vcrdadc.
Para quc o dirciio ou un rano dclc c×isia c
¡rcciso. 1o., quc alguns Ioncns, cs¡ccialncnic
ins¡irados, dcsculran ccrias idcias ou ¡rincí¡ios
dc dirciio. 2o., a ¡ro¡aganda c cסansao dcssas
idcias dc dirciio solrc a colciividadc cn qucsiao
(cn nosso caso, ¡clo ncnos, a colciividadc quc
fornan os ¡ovos curo¡cus c ancricanos,
incluindo os donínios inglcscs da Occania}. 3o.,
quc cssa cסansao cIcguc dc ial nodo a scr
¡rcdoninanic, quc aquclas idcias dc dirciio sc
consolidcn cn forna dc ºo¡iniao ¡ullica". Eniao,
c so cniao, ¡odcnos falar, na ¡lcniiudc do icrno,
dc dirciio, qucr dizcr, dc norna vigcnic. Nao
in¡oria quc nao Iaja lcgislador, nao in¡oria quc
304
nao Iaja juizcs. Sc aquclas idcias scnIorcian dc
vcrdadc as alnas, aiuarao incviiavclncnic cono
insiancias ¡ara a conduia às quais sc ¡odc
rccorrcr. E csia c a vcrdadcira sulsiancia do
dirciio.
Pois lcn. un dirciio rcfcrcnic às naicrias
quc originan incviiavclncnic as gucrras nao
c×isic. E nao so nao c×isic no scniido dc quc nao
Iaja alcançado ainda ºvigcncia", isio c, quc nao
sc icnIa consolidado cono norna firnc na
ºo¡iniao ¡ullica", cono nao c×isic ncn scqucr
cono idcia, cono ¡uro icorcna inculado na
ncnic dc algun ¡cnsador. E nao Iavcndo nada
disso, nao Iavcndo ncn cn icoria un dirciio dos
¡ovos, ¡rcicndc-sc quc dcsa¡arcçan as gucrras
cnirc clcs? Pcrniia-sc-nc quc qualifiquc dc
frívola, dc inoral, scnclIanic ¡rcicnsao. Porquc c
inoral ¡rcicndcr quc una coisa dcscjada sc
rcalizc nagicancnic, sin¡lcsncnic ¡orquc a
dcscjanos. So c noral o dcscjo quc c
acon¡anIado da scvcra voniadc dc a¡roniar os
ncios dc sua c×ccuçao.
Nao salcnos quais sao os ºdirciios
suljciivos" das naçõcs c nao icnos ncn indícios
dc cono scria o ºdirciio oljciivo" quc ¡ossa
rcgular scus novincnios. A ¡rolifcraçao dc
irilunais inicrnacionais, dc orgaos dc arliiragcn
cnirc Esiados, quc os uliinos cinqucnia anos
¡rcscnciaran, conirilui a oculiar-nos a
305
indigcncia dc vcrdadciro dirciio inicrnacional quc
¡adcccnos. Nao dcscsiino, dc nancira
ncnIuna, a in¡oriancia dcssas nagisiraiuras.
Scn¡rc c in¡orianic ¡ara o ¡rogrcsso dc una
funçao noral quc a¡arcça naicrializada cn un
orgao cs¡ccial clarancnic visívcl. Mas a
in¡oriancia dcsscs irilunais inicrnacionais icn
sc rcduzido a isso aic Iojc. O dirciio quc
adninisiran c, no csscncial, o ncsno quc ja
c×isiia anics dc scu csialclccincnio. Con cfciio.
sc sc ¡assa rcvisia às naicrias julgadas ¡or csscs
irilunais, advcric-sc quc sao as ncsnas
rcsolvidas dc Ia nuiio ¡cla di¡lonacia. Nao
significan ¡rogrcsso algun in¡orianic no quc c
csscncial. na criaçao dc un dirciio ¡ara a
¡cculiar rcalidadc quc sao as naçõcs.
Ncn cra líciio cs¡crar naior fcriilidadc ncsia
ordcn, dc una cia¡a quc sc iniciou con o
Traiado dc VcrsalIcs c con a insiiiuiçao da
Socicdadc das Naçõcs, ¡ara so nos rcfcrirnos aos
dois naiorcs c nais rcccnics cadavcrcs.
Fc¡ugna-nc airair a aicnçao do lciior solrc
coisas falidas, naliraiadas ou cn ruínas. Mas c
indis¡cnsavcl ¡ara coniriluir un ¡ouco a
dcs¡criar o inicrcssc ¡ara novas grandcs
cn¡rcsas, ¡ara novas iarcfas consiruiivas c
saluiífcras. É ¡rcciso quc nao sc volic a concicr
un crro cono foi a criaçao da Socicdadc das
Naçõcs; cnicndc-sc, o quc concrciancnic foi c
significou csia insiiiuiçao na Iora dc scu
306
nascincnio. Nao foi un crro qualqucr, cono os
Ialiiuais na difícil faina quc c a ¡olíiica. Foi un
crro quc rcclana o airiluio dc ¡rofundo. Foi un
crro Iisiorico. O ºcs¡íriio" quc ¡ro¡cliu ¡ara
aqucla criaçao, o sisicna dc idcias filosoficas,
Iisioricas, sociologicas c jurídicas dc quc
cnanaran scu ¡rojcio c sua figura csiava ja
Iisioricancnic norio naqucla daia, ¡cricncia ao
¡assado, c longc dc anicci¡ar o fuiuro cra ja
arcaico. E nao sc diga quc c coisa facil ¡roclanar
isio agora. Houvc Ioncns na Euro¡a quc ja cniao
dcnunciaran scu incviiavcl fracasso. Una vcz
nais aconicccu o quc c quasc nornal na Iisioria,
a salcr. quc foi ¡rcdiia. Mas, una vcz nais,
ianlcn os ¡olíiicos nao fizcran caso dcsscs
Ioncns. Eviio ¡rccisar a quc grcnio ¡cricncian
os ¡rofcias. Dasic dizcr quc na fauna Iunana
rc¡rcscnian a cs¡ccic nais o¡osia ao ¡olíiico.
Scn¡rc scra csic qucn dcva govcrnar, c nao o
¡rofcia; nas in¡oria nuiio aos dcsiinos
Iunanos quc o ¡olíiico ouça scn¡rc o quc o
¡rofcia griia ou insinua. Todas as grandcs c¡ocas
da Iisioria nasccran da suiil colaloraçao cnirc
csscs dois ii¡os dc Ioncn. É ialvcz una das
causas ¡rofundas do aiual dcsconccrio scja quc
Ia duas gcraçõcs os ¡olíiicos sc dcclararan
indc¡cndcnics c cancclaran cssa colaloraçao.
Mcrcc disso ¡roduziu-sc o vcrgonIoso fcnóncno
dc quc, a csia aliura da Iisioria c da civilizaçao,
navcguc o nundo nais à dcriva quc nunca,
307
cnircguc a una ccga nccanica. Cada vcz c ncnos
¡ossívcl una sa ¡olíiica scn larga anicci¡açao
Iisiorica, scn ¡rofccia. Talvcz as caiasirofcs
¡rcscnics alran dc novo os olIos dos ¡olíiicos
¡ara o faio cvidcnic dc quc Ia Ioncns, os quais,
¡clos icnas dc quc Ialiiualncnic sc ocu¡an, ou
¡or ¡ossuir alnas scnsívcis cono finos
rcgisiradorcs sísnicos, rccclcn anics quc os
dcnais a visiia do ¡orvir(91}.
A Socicdadc das Naçõcs foi un giganicsco
a¡arclIo jurídico criado ¡ara un dirciio
inc×isicnic. Sua vacuidadc dc jusiiça cncIcu-sc
fraudulcniancnic con a scn¡iicrna di¡lonacia,
quc ao disfarçar-sc dc dirciio coniriluiu à
univcrsal dcsnoralizaçao.
Fornulc-sc o lciior qualqucr dos grandcs
confliios quc Ia aiualncnic csialclccidos cnirc
as naçõcs, c diga-sc a si ncsno sc cnconira cn
sua ncnic una ¡ossívcl norna jurídica quc
¡crniia, scqucr icoricancnic, rcsolvc-lo. Quais
sao, ¡or c×cn¡lo, os dirciios dc un ¡ovo quc
onicn iinIa vinic nilIõcs dc Ioncns c Iojc icn
quarcnia ou oiicnia? Qucn icn dirciio ao cs¡aço
nao Ialiiado do nundo? Esics c×cn¡los, os nais
ioscos c clcncniais quc ¡odcn scr a¡oniados,
¡õcn lcn à visia o caraicr ilusorio dc iodo
¡acifisno quc nao conccc ¡or scr una nova
iccnica jurídica. Scn duvida, o dirciio quc aqui sc
¡osiula c una invcnçao nuiio difícil. Sc fossc
308
facil c×isiiria Ia nuiio icn¡o. É difícil,
c×aiancnic iao difícil cono a ¡az, con a qual
coincidc. Mas una c¡oca quc assisiiu ao invcnio
das gconcirias nao-cuclidianas, dc una física dc
quairo dincnsõcs c dc una nccanica do
dcsconiínuo, ¡odc, scn cs¡anio, cnfrcniar aqucla
cn¡rcsa c rcsolvcr-sc a aconcic-la. En ccrio
nodo, o ¡rollcna do novo dirciio inicrnacional
¡cricncc ao ncsno csiilo quc csscs rcccnics
¡rogrcssos douirinais. Tanlcn aqui sc iraiaria
dc lilcriar una aiividadc Iunana ÷ o dirciio ÷
dc ccria radical liniiaçao quc scn¡rc ¡adcccu. O
dirciio, con cfciio, c csiaiico, c nao dclaldc scu
orgao ¡rinci¡al sc cIana Esiado. O Ioncn nao
conscguiu ainda clalorar una forna dc jusiiça
quc nao csicja circunscriia na clausula rclus sic
sianiilus. Mas c o caso quc as coisas Iunanas
nao sao rcs sianics, nas ¡clo conirario, coisas
Iisioricas, qucr dizcr, ¡uro novincnio, nuiaçao
¡cr¡ciua. O dirciio iradicional c so rcgulancnio
¡ara una rcalidadc ¡aralíiica. E cono a rcalidadc
Iisiorica nuda ¡criodicancnic dc nodo radical,
cIoca, scn rcncdio, con a csialilidadc do
dirciio, quc sc convcric cn una canisa dc força.
Mas una canisa dc força ¡osia nun Ioncn sao
icn a viriudc dc iorna-lo louco furioso. Daí ÷
dizia cu, rcccnicncnic ÷, cssc csiranIo as¡ccio
¡aiologico quc icn a Iisioria c quc a faz ¡arcccr
cono una luia scn¡iicrna cnirc os ¡aralíiicos c
os c¡ilc¡iicos. Dcniro do ¡ovo ¡roduzcn-sc as
309
rcvoluçõcs, c cnirc os ¡ovos csialan as gucrras.
O lcn quc ¡rcicndc scr o dirciio sc convcric cn
un nal, cono ja nos cnsina a Díllia. ºPor quc
ionasics o dirciio cn fcl c o fruio da jusiiça cn
alsinio?" (Oscas, 6, 12}.
No dirciio inicrnacional, csia incongrucncia
cnirc a csialilidadc da jusiiça c a nolilidadc da
rcalidadc, quc o ¡acifisia qucr sulncicr àqucla,
cIcga a sua na×ina ¡oicncia. Considcrada no
quc ao dirciio in¡oria, a Iisioria c, anics dc
iudo, a nudança na divisao do ¡odcr solrc a
icrra. E cnquanio nao c×isian ¡rincí¡ios dc
jusiiça quc, ao ncnos cn icoria, rcgulcn
saiisfaioriancnic cssas nudanças do ¡odcrio,
iodo ¡acifisno c ¡cna dc anor ¡crdida. Porquc sc
a rcalidadc Iisiorica c isso anic iudo, ¡arcccra
cvidcnic quc a injuria na×ina scja o siaiu quo.
Nao csiranIc, ¡ois, o fracasso da Socicdadc das
Naçõcs, giganicsco a¡arclIo consiruído ¡ara
adninisirar o siaiu quo.
O Ioncn ncccssiia un dirciio dinanico, un
dirciio ¡lasiico c cn novincnio, ca¡az dc
acon¡anIar a Iisioria cn sua ncianorfosc. A
dcnanda nao c c×orliianic, ncn uio¡ica, ncn
scqucr nova. Ha nais dc scicnia anos, o dirciio,
ianio civil cono ¡olíiico, cvolui ncsic scniido. Por
c×cn¡lo. quasc iodas as consiiiuiçõcs
conicn¡orancas ¡rocuran scr ºalcrias". Enlora
o cסcdicnic scja un ¡ouco ingcnuo, convcn
310
rccorda-lo, ¡orquc nclc sc dcclara a as¡iraçao a
un dirciio scnovcnic. Mas, a ncu juízo, o nais
fcriil scria analisar a fundo c icniar dcfinir con
¡rccisao ÷, isio c, c×irair a icoria quc nclc jaz
nuda ÷ o fcnóncno jurídico nais avançado quc
sc ¡roduziu aic Iojc no ¡lancia. a DriiisI
ConnonwcaliI of Naiions. Dir-nc-ao quc isio c
in¡ossívcl, ¡orquc ¡rccisancnic cssc csiranIo
fcnóncno jurídico foi forjado ncdianic csics dois
¡rincí¡ios. un, o fornulado ¡or Dalfour cn 1926
con suas fanosas ¡alavras. Nas qucsiõcs do
In¡crio c ¡rcciso cviiar o rcfining, discussing or
dcfining. O ouiro, o ¡rincí¡io ºda nargcn c da
clasiicidadc", cnunciado ¡or sir Ausiin
CIanlcrlain cn scu Iisiorico discurso dc 12 dc
scicnlro dc 1925. ºVcjan-sc as rclaçõcs cnirc as
difcrcnics scçõcs do In¡crio lriianico; a unidadc
do In¡crio lriianica nao csia fciia solrc una
consiiiuiçao logica. Nao csia scqucr lascada
nuna Consiiiuiçao. Porquc qucrcnos conscrvar a
ioda coisa una nargcn c una clasiicidadc."
Scria un crro nao vcr ncsias duas fornulas
scnao cnanaçõcs do o¡oriunisno ¡olíiico. Longc
disso, cסrcssan nui adcquadancnic a
fornidavcl rcalidadc quc c a DriiisI
ConnonwcaliI of Naiions c a dcsignan
¡rccisancnic sol scu as¡ccio jurídico. O quc nao
fazcn c dcfini-la, ¡orquc un ¡olíiico nao vcio ao
nundo ¡ara isso, c sc o ¡olíiico c inglcs scnic quc
dcfinir algo c quasc concicr una iraiçao. Mas c
311
cvidcnic quc Ia ouiros Ioncns cuja nissao c
fazcr o quc ao ¡olíiico, c cs¡ccialncnic ao inglcs,
csia ¡roilido. dcfinir as coisas, cnlora csias sc
a¡rcscnicn con a ¡rcicnsao dc scr
csscncialncnic vagas. En ¡rincí¡io, nao c nais
ncn ncnos difícil dcfinir o iriangulo quc a ncvoa.
In¡oriaria nuiio rcduzir a concciios claros cssa
siiuaçao cfciiva dc dirciio quc consisic cn ¡uras
ºnargcns" c sin¡lcs ºclasiicidadcs". Porquc a
clasiicidadc c a condiçao quc ¡crniic a un
dirciio scr ¡lasiico, c sc sc lIc airilui una
nargcn, c quc sc ¡rcvc scu novincnio. Sc cn
vcz dc cnicndcr csics dois caracicrcs cono ncras
ilusõcs c cono insuficicncias dc un dirciio, as
ionanos cono rcalidadcs ¡osiiivas, c ¡ossívcl
quc sc alran dianic dc nos as nais fcricis
¡crs¡cciivas. Provavclncnic, a consiiiuiçao do
In¡crio lriianico ¡arccc-sc nuiio ao ºnolusco dc
rcfcrcncia" dc quc falou Einsicin, una idcia dc
quc a ¡rincí¡io sc julgou inicligívcl c quc c Iojc
lasc da nova nccanica.
A ca¡acidadc ¡ara dcscolrir a nova iccnica
dc jusiiça quc aqui sc ¡osiula csia ¡rc-fornada
cn ioda a iradiçao jurídica da Inglaicrra nais
inicnsancnic quc na dc ncnIun ouiro ¡aís. E
isso nao ccriancnic ¡or casualidadc. A nancira
inglcsa dc vcr o dirciio nao c scnao un caso
¡ariicular do csiilo gcral quc caracicriza o
¡cnsancnio lriianico, no qual adquirc sua
cסrcssao nais c×ircna c dc¡urada o quc ialvcz c
312
o dcsiino iniclcciual do Ocidcnic, a salcr.
inicr¡rciar iudo quc c incric c naicrial cono
¡uro dinanisno, sulsiiiuir o quc nao ¡arccc scr
scnao ºcoisa" jaccnic, quicia c fi×a ¡or forças,
novincnios c funçõcs. A Inglaicrra icn sido, cn
iodas as ordcns da vida, ncwioniana. Mas nao
crcio quc scja ncccssario dcicr-nc ncsic ¡onio.
Su¡onIo quc ccn vczcs sc icra fciio consiar c
icra sido dcnonsirado con suficicnic ¡orncnor.
Pcrniia-sc-nc a¡cnas quc, cono cn¡cdcrnido
lciior, nanifcsic ncu dcsidcraiun dc lcr un livro
cujo icna scja csic. o ncwionisno inglcs, fora da
física; ¡orianio, cn iodas as dcnais ordcns da
vida.
Sc rcsuno agora ncu raciocínio, ¡arcccra,
crcio cu, consiiiuído ¡or una linIa sin¡lcs c
clara.
Esia lcn quc o Ioncn ¡acífico sc ocu¡c
dirciancnic cn cviiar csia ou aqucla gucrra; nas
o ¡acifisno nao consisic nisso, nas cn consiruir
a ouira forna dc convivcncia Iunana quc c a
¡az. Isio significa a invcnçao c c×crcício dc ioda
una scric dc novas iccnicas. A ¡rincira dclas c
una nova iccnica jurídica quc conccc ¡or
dcscolrir ¡rincí¡ios dc cquidadc rcfcrcnics às
nudanças da divisao do ¡odcr solrc a icrra.
Mas a idcia dc un novo dirciio nao c ainda
un dirciio. Nao csqucçanos quc o dirciio sc
313
con¡õc dc nuiias coisas nais quc una idcia. ¡or
c×cn¡lo, fornan ¡aric dclc os lícc¡s dos
gcndarncs ou scus succdancos. À iccnica do
¡uro ¡cnsancnio jurídico dcvcn acon¡anIar
nuiias ouiras iccnicas ainda nais con¡licadas.
Dcsgraçadancnic, o ¡ro¡rio nonc dc dirciio
inicrnacional csiorva una clara visao do quc
scria cn sua ¡lcna rcalidadc un dirciio das
naçõcs. Porquc o dirciio nos ¡arcccria scr un
fcnóncno quc aconiccc dcniro das socicdadcs, c
o cIanado ºinicrnacional" nos convida, ¡clo
conirario, a inaginar un dirciio quc aconiccc
cnirc clas; qucr dizcr, nun vazio social. Ncssc
vazio social as naçõcs sc rcunirian, c ncdianic
un ¡acio criarian una socicdadc nova, quc
scria, ¡or nagica viriudc dos vocalulos, a
Socicdadc das Naçõcs. Mas isso iudo icn o ar dc
un calcnlour(92}, Una socicdadc consiiiuída
ncdianic un ¡acio so c socicdadc no scniido quc
csic vocalulo icn ¡ara o dirciio civil, isio c, una
associaçao. Mas una associaçao nao ¡odc c×isiir
cono rcalidadc jurídica sc nao surgc solrc una
arca ondc ¡rcviancnic icn vigcncia ccrio dirciio
civil. Ouira coisa sao ¡uras faniasnagorias. Essa
arca ondc a socicdadc ajusiada surgc c ouira
socicdadc ¡rcc×isicnic, quc nao c olra dc
ncnIun ¡acio, nas c o rcsuliado dc una
convivcncia invcicrada. Esia auicniica socicdadc
c nao associaçao so sc ¡arccc à ouira no nonc.
Daí o calcnlour.
314
Scn quc cu ¡rcicnda rcsolvcr agora con
aiiiudc dognaiica, dc ¡assagcn c avoadancnic,
as qucsiõcs nais inirincadas da filosofia do
dirciio c da sociologia, aircvo-nc a insinuar quc
caninIa scguro qucn c×ija, quando algucn lIc
falc dc un faio jurídico, quc lIc indiquc a
socicdadc ¡oriadora dcssc dirciio c ¡rcvia a clc.
No vazio social nao Ia ncn nascc dirciio. Esic
rcqucr cono sulsiraio una unidadc dc
convivcncia Iunana, ial cono o uso c o cosiunc,
dos quais o dirciio c irnao ncnor, nas nais
cncrgico. A ial ¡onio c assin, quc nao c×isic
siniona nais scguro ¡ara dcscolrir a c×isicncia
dc una auicniica socicdadc quc a c×isicncia dc
un faio jurídico. Turva a cvidcncia disio a
confusao Ialiiual quc ¡adcccnos ao crcr quc
ioda auicniica socicdadc icn forçosancnic dc
¡ossuir un Esiado auicniico. Mas c lcn claro
quc o a¡arclIo csiaial nao sc ¡roduz dcniro dc
una socicdadc, nas nun csiadio nuiio avançado
dc sua cvoluçao. Talvcz o Esiado ¡ro¡orciona ao
dirciio ccrias ¡crfciçõcs, nas c ncccssario
cnunciar anic lciiorcs inglcscs quc o dirciio c×isic
scn o Esiado c sua aiividadc csiaiuiaria.
Quando falanos das naçõcs icndcnos a
rc¡rcscnia-las cono socicdadcs sc¡aradas c
fccIadas cn si ncsnas. Mas isio c una
alsiraçao quc dci×a dc fora o nais in¡orianic da
rcalidadc. Scn duvida, a convivcncia ou iraio dos
inglcscs cnirc si c nuiio nais inicnsa quc, ¡or
315
c×cn¡lo, a convivcncia cnirc os Ioncns da
Inglaicrra c os Ioncns da AlcnanIa ou da
França. Mas c cvidcnic quc c×isic una
convivcncia gcral dos curo¡cus cnirc si, c,
¡orianio, quc a Euro¡a c una socicdadc, vclIa dc
nuiios scculos c quc icn una Iisioria ¡ro¡ria
cono ¡ossa ic-la cada naçao ¡ariicular. Esia
socicdadc gcral ¡ossui un grau ou índicc dc
socializaçao ncnos clcvado quc o alcançado
dcsdc o scculo XVI ¡clas socicdadcs ¡ariicularcs
cIanadas naçõcs curo¡cias. Diga-sc, ¡ois, quc a
Euro¡a c una socicdadc nais icnuc quc a
Inglaicrra ou quc a França, nas nao sc ignorc
scu cfciivo caraicr dc socicdadc. A coisa in¡oria
su¡crlaiivancnic, ¡orquc as unicas
¡ossililidadcs dc ¡az quc c×isicn dc¡cndcn dc
quc c×isia ou nao cfciivancnic una socicdadc
curo¡cia. Sc a Euro¡a c so una ¡luralidadc dc
naçõcs, ¡odcn os ¡acíficos dcs¡cdir-sc
ra¡idancnic dc suas cs¡cranças(93}. Enirc
socicdadcs indc¡cndcnics nao ¡odc c×isiir
vcrdadcira ¡az. O quc cosiunanos cIanar assin
nao c nais do quc un csiado dc gucrra nínina
ou laicnic.
Cono os fcnóncnos cor¡orais sao o idiona c
o Iicroglifo, ncrcc ao qual ¡cnsanos as
rcalidadcs norais, nao c ¡rcciso dizcr o dano quc
cngcndra una crrónca inagcn visual convcriida
cn Ialiio dc nossa ncnic. Por csia razao
ccnsuro cssa figura da Euro¡a cn quc csia
316
a¡arccc consiiiuída ¡or una nuliidao dc csfcras
÷ as naçõcs ÷ quc so nanicn alguns coniaios
c×icrnos. Esia nciafora dc jogador dc lilIar
dcvcria dcscs¡crar ao lon ¡acifisia, ¡orquc,
cono o lilIar, nao nos ¡roncic nais
cvcniualidadc quc a ºcaranlola". Corrijano-la,
¡ois. En vcz dc nos afigurarnos as naçõcs
curo¡cias cono una scric dc socicdadcs livrcs,
inagincnos una socicdadc unica ÷ a Euro¡a ÷,
dcniro da qual sc ¡roduziran grunos ou nuclcos
dc condcnsaçao nais inicnsa. Esia figura
corrcs¡ondc nuiio nais a¡ro×inadancnic quc a
ouira ao quc, con cfciio, foi a convivcncia
ocidcnial. Nao sc iraia con isso dc dcscnIar un
idcal, nas dc dar cסrcssao grafica ao quc
rcalncnic foi dcsdc a sua iniciaçao, a¡os a noric
do ¡críodo ronano, cssa convivcncia(94}.
A convivcncia, iao soncnic, nao significa
socicdadc, vivcr cn socicdadc ou fornar ¡aric dc
una socicdadc. Convivcncia in¡lica so rclaçõcs
cnirc indivíduos. Mas nao ¡odc Iavcr convivcncia
duradoura c csiavcl scn quc sc ¡roduza
auionaiicancnic o fcnóncno social ¡or
c×cclcncia, quc sao os usos ÷ usos iniclcciuais
ou ºo¡iniao ¡ullica", usos dc iccnica viial ou
ºcosiuncs", usos quc dirigcn a conduia ou
ºnoral", usos quc a in¡cran ou ºdirciio" ÷. O
caraicr gcral do uso consisic cn scr una norna
do con¡oriancnio ÷ iniclcciual, scniincnial ou
físico quc sc in¡õc aos indivíduos, quciran ou
317
nao quciran. O indivíduo ¡odcra, ¡or sua conia c
risco, rcsisiir ao uso; nas ¡rccisancnic csic
csforço dc rcsisicncia dcnonsira nclIor quc
nada a rcalidadc coaciiva do uso, o quc
cIanarcnos sua ºvigcncia". Pois lcn. una
socicdadc c un conjunio dc indivíduos quc
nuiuancnic sc salcn sulnciidos à vigcncia dc
ccrias o¡iniõcs c avaliaçõcs. Scgundo isio, nao Ia
socicdadc scn a vigcncia cfciiva dc ccria
concc¡çao do nundo, a qual aiua cono una
uliina insiancia a quc sc ¡odc rccorrcr cn casos
dc confliio.
A Euro¡a icn sido scn¡rc un anliio social
uniiario, scn froniciras alsoluias ncn
dcsconiinuidadcs, ¡orquc janais faliou cssc
fundo ou icsouro dc ºvigcncias colciivas" ÷
convicçõcs conuns c ialuas dc valorcs ÷
doiadas dcssa força coaciiva iao csiranIa cn quc
consisic ºo social". Nao scria nada c×agcrado
dizcr quc a socicdadc curo¡cia c×isic anics quc
as naçõcs curo¡cias, c quc csias nasccran c sc
dcscnvolvcran no rcgaço naicrnal daqucla. Os
inglcscs ¡odcn vcr isio con alguna clarcza no
livro do Dawson. TIc Maling of Euro¡c.
Iniroduciion io iIc Hisiory of Euro¡can Sociciy.
Enircianio, o livro dc Dawson c insuficicnic.
Esia cscriio ¡or una ncnic alcria c agil, nas quc
nao sc lilcrou dc nodo con¡lcio do arscnal dc
concciios iradicionais na Iisioriografia, concciios
318
nais ou ncnos nclodranaiicos c níiicos quc
oculian, cn vcz dc rcvclar, as rcalidadcs
Iisioricas. Poucas coisas coniriluirian a
a¡aziguar o Iorizonic cono una Iisioria da
socicdadc curo¡cia, cnicndida cono acalo dc
a¡oniar; una Iisioria rcalisia, scn ºidcalizaçõcs".
Mas csic assunio nunca foi visio, ¡orquc as
fornas iradicionais da oiica Iisiorica ia¡avan
csia rcalidadc uniiaria quc cIanci, scnsu siricio,
ºsocicdadc curo¡cia" c a su¡laniavan ¡or un
¡lural ÷ as naçõcs ÷, cono, ¡or c×cn¡lo,
a¡arccc no iíiulo dc Fanlc. Hisioria dos ¡ovos
gcrnanicos c ronanicos. A vcrdadc c quc csscs
¡ovos cn ¡lural fluiuan cono ludiõcs dcniro do
unico cs¡aço social quc c a Euro¡a. ºnclc sc
novcn, vivcn c sao". A Iisioria quc cu ¡osiulo
nos coniaria as vicissiiudcs dcssc cs¡aço
Iunano c nos faria vcr cono scu índicc dc
socializaçao variou; cono, cn ocasiõcs, dcsccu
gravcncnic fazcndo icncr a cisao radical da
Euro¡a c, solrciudo, cono a dosc dc ¡az cn cada
c¡oca csicvc na razao dircia dcssc índicc. Esic
uliino as¡ccio c o quc nais nos in¡oria ¡ara as
afliçõcs aiuais.
A rcalidadc Iisiorica ou, nais vulgarncnic
diio, o quc succdc no nundo Iunano, nao c un
anonioado dc faios solios, nas quc ¡ossui una
csiriia anaionia c una clara csiruiura. Mais.
ialvcz c o unico no Univcrso quc icn ¡or si
ncsno csiruiura, organizaçao. Tudo o nais ¡or
319
c×cn¡lo, os fcnóncnos físicos ÷ carccc dcla. Sao
faios solios aos quais o físico icn quc invcniar
una csiruiura inaginaria. Mas cssa anaionia da
rcalidadc Iisiorica ncccssiia scr csiudada. Os
cdiioriais dos jornais c os discursos dc ninisiros
c dcnagogos nao nos dao noiícia dcla. Quando a
csiudanos lcn, c ¡ossívcl diagnosiicar con ccria
¡rccisao o lugar ou csiraio do cor¡o Iisiorico
ondc a cnfcrnidadc radica. Havia no nundo una
an¡líssina c ¡oicnic socicdadc ÷ a socicdadc
curo¡cia ÷. A foro dc socicdadc, csiava
consiiiuída ¡or una ordcn lasica dcvido à
cficicncia dc ccrias insiancias uliinas ÷ o crcdo
iniclcciual c noral da Euro¡a ÷. Esia ordcn quc,
¡or lai×o dc iodas as suas su¡crficiais
dcsordcns, aiuava nas canadas ¡rofundas do
Ocidcnic, irradiaran duranic gcraçõcs solrc o
rcsio do ¡lancia, c ¡ós nclc, cn naior ou ncnor
cscala, ioda a ordcn dc quc cssc rcsio cra ca¡az.
Pois lcn. nada Iojc dcvcria in¡oriar ianio
ao ¡acifisia cono avcriguar quc c o quc aconiccc
ncssas canadas ¡rofundas do cor¡o ocidcnial,
qual c scu índicc aiual dc socializaçao, ¡or quc sc
volaiilizou o sisicna iradicional dc ºvigcncias
colciivas", c sc, a dcs¡ciio das a¡arcncias,
conscrva alguna dcsias laicnic vivacidadc.
Porquc o dirciio c o¡craçao cs¡onianca da
socicdadc, nas a socicdadc c convivcncia sol
insiancias. Podcria aconicccr quc Iojc cn dia
faliasscn cssas insiancias cn una ¡ro¡orçao
320
scn c×cn¡lo, ao longo dc ioda a Iisioria
curo¡cia. Ncsic caso a cnfcrnidadc scria a nais
gravc quc sofrcu o Ocidcnic dcsdc Dioclcciano ou
os Scvcros. Isso nao qucr dizcr quc scja
incuravcl; qucr so dizcr quc fora ncccssario
cIanar ncdicos oiinos c nao qualqucr
iranscunic. Qucr dizcr, solrciudo, quc nao sc
¡odc cs¡crar rcncdio algun da Socicdadc das
Naçõcs, confornc foi c coniinua scndo, insiiiuio
anii-Iisiorico quc un naldizcnic ¡odcria su¡or
invcniado cn un clulc cujos ncnlros ¡rinci¡ais
fosscn M. Piclwicl, M. Honais c congcncrcs.
O anicrior diagnosiico, indc¡cndcnic dc quc
scja accriado ou crrónco, ¡arcccra alsiruso. E o
c, con cfciio. Eu o lancnio, nas nao csia cn
nin cviia-lo. Tanlcn os diagnosiicos nais
rigorosos da ncdicina aiual sao alsirusos. Quc
¡rofano, ao lcr un fino c×anc dc sanguc, vc ali
dcfinida una icrrívcl cnfcrnidadc? Esforcci-nc
scn¡rc cn conlaicr o csoicrisno, quc c ¡or si
un dos nalcs do nosso icn¡o. Mas nao forjcnos
ilusõcs. Ha un scculo, ¡or causas ¡rofundas, c,
cn ¡aric, rcs¡ciiavcis, as cicncias dcrivan
irrcsisiivclncnic cn dircçao csoicrica. É una das
nuiias coisas cuja gravc in¡oriancia os ¡olíiicos
nao soulcran vcr, cnlora acIacados do vício
o¡osio, quc c un c×ccssivo c×oicrisno. Por
cnquanio nao Ia scnao acciiar a siiuaçao c
rcconIcccr quc o conIccincnio disianciou-sc
radicalncnic das convcrsaçõcs dc lccr-iallc.
321
A Euro¡a csia Iojc dissocializada, ou, o quc c
o ncsno, falian ¡rincí¡ios dc convivcncia quc
scjan vigcnics c a quc caila rccorrcr. Una ¡aric
da Euro¡a csforça-sc cn fazcr iriunfar uns
¡rincí¡ios quc considcra ºnovos", a ouira csforça-
sc cn dcfcndcr os iradicionais. Ora lcn, csia c a
nclIor ¡rova dc quc ncn uns ncn os ouiros sao
vigcnics c ¡crdcran ou nao alcançaran a viriudc
dc insiancias. Quando una o¡iniao ou norna
cIcgou a scr dc vcrdadc ºvigcncia colciiva", nao
rccclc scu vigor do csforço scnao in¡ó-la ou
susicnia-la cn¡rcgan gru¡os dcicrninados
dcniro da socicdadc. Pclo conirario. iodo gru¡o
dcicrninado ¡rocura sua na×ina forialcza
rcclanando ¡ara si cssas vigcncias. No noncnio
cn quc c ¡rcciso luiar cn ¡rol dc un ¡rincí¡io,
qucr dizcr quc csic nao c ainda ou dci×ou dc scr
vigcnic. Vicc-vcrsa, quando c con ¡lcniiudc
vigcnic, Ia soncnic quc usa-lo, rcfcrir-sc a clc,
an¡arar-sc nclc, cono sc faz con a lci dc
gravidadc. As vigcncias o¡cran scu nagico
influ×o scn ¡olcnica ncn agiiaçao, quicias c
jaccnics no fundo das alnas, às vczcs scn quc
csias sc a¡crcclan dc quc csiao doninadas ¡or
clas, c às vczcs crcndo inclusivc quc conlaicn
conira clas. O fcnóncno c sur¡rccndcnic, nas c
inqucsiionavcl c consiiiui o faio fundancnial da
socicdadc. As vigcncias sao o auicniico ¡odcr
social, anónino, in¡cssoal, indc¡cndcnic dc iodo
gru¡o ou indivíduo dcicrninado.
322
Mas, invcrsancnic, quando una idcia ¡crdcu
cssc caraicr dc insiancia colciiva, ¡roduz una
in¡rcssao cnirc cónica c inquicianic vcr quc
algucn considcra suficicnic aludir a cla ¡ara sc
scniir jusiificado ou forialccido. Ora lcn. isio
aconiccc ainda Iojc, con c×ccssiva frcqucncia, na
Inglaicrra c na Ancrica do Noric(95}. Ao advcrii-lo,
ficanos ¡cr¡lc×os. Esia conduia significa crro, ou
una ficçao dclilcrada? É inoccncia ou c iaiica?
Nao salcnos a quc nos aicr, ¡orquc no Ioncn
anglo-sa×ao a funçao dc sc cסrcssar, dc ºdizcr",
ialvcz rc¡rcscnic un ¡a¡cl difcrcnic quc nos
dcnais ¡ovos curo¡cus. Mas, scja un ou ouiro o
scniido dcssc con¡oriancnio, icno quc scja
funcsio ¡ara o ¡acifisno. Mais ainda, icria dc vcr
sc nao foi un dos faiorcs quc coniriluíran ao
dcs¡rcsiígio das vigcncias curo¡cias o ¡cculiar
uso quc dclas icn fciio a Inglaicrra. A qucsiao
dcvcra algun dia scr csiudada a fundo, nas nao
agora ncn ¡or nin(96}.
Isso c quc o ¡acifisia ¡rccisa con¡rccndcr, dc
quc sc cnconira cn un nundo ondc falia ou csia
nuiio dcliliiado o rcquisiio ¡rinci¡al ¡ara a
organizaçao da ¡az. No iraio dc uns ¡ovos con
ouiros nao calc rccorrcr a insiancias su¡criorcs,
¡orquc nao as Ia. A ainosfcra dc socialilidadc
cn quc fluiuavan c quc, inicr¡osia, cono un
cicr lcncfico cnirc clcs, lIcs ¡crniia conunicar
suavcncnic, aniquilou-sc. Fican, ¡ois, sc¡arados
c frcnic a frcnic. Enquanio, Ia irinia anos, as
323
froniciras cran ¡ara o viajor ¡ouco nais quc
coluros inaginarios, iodos vinos cono ian
ra¡idancnic cndurcccndo-sc, convcricndo-sc cn
naicria cornca, quc anulava a ¡orosidadc das
naçõcs c as iornava Icrnciicas. A ¡ura vcrdadc c
quc, Ia anos, a Euro¡a sc cnconira cn csiado dc
gucrra, cn un csiado dc gucrra
sulsiancialncnic nais radical quc cn iodo o scu
¡assado. E a origcn quc airilui a csia siiuaçao
¡arccc-nc confirnado ¡clo faio dc quc nao
soncnic c×isic una gucrra viriual cnirc os ¡ovos,
nas dcniro dc cada ¡ovo Ia, dcclarada ou
¡rc¡arando-sc, una gravc discordia. É frívolo
inicr¡rciar os rcgincs auioriiarios do dia cono
cngcndrados ¡clo ca¡ricIo ou ¡cla iniriga. Dcn
claro csia quc sao nanifcsiaçõcs iniludívcis do
csiado dc gucrra civil cn quc quasc iodos os
¡aíscs sc cnconiran Iojc. Agora sc vc cono a
cocsao inicrna dc cada naçao sc nuiria cn loa
¡aric das vigcncias colciivas curo¡cias.
Esia dcliliiaçao suliianca da conunidadc
cnirc os ¡ovos do Ocidcnic cquivalc a un cnornc
disianciancnio noral. O iraio cnirc clcs c
dificílino. Os ¡rincí¡ios conuns consiiiuían una
cs¡ccic dc linguagcn quc lIcs ¡crniiia cnicndcr-
sc. Nao cra, ¡ois, iao ncccssario quc cada ¡ovo
conIcccssc lcn a singulaiin a cada un dos
dcnais. Mas con isio frisanos a linIa dc nossas
considcraçõcs iniciais.
324
Porquc cssc disianciancnio noral sc
con¡lica ¡crigosancnic con ouiro fcnóncno
o¡osio, quc c o quc ins¡irou dc nodo concrcio
iodo csic ariigo. Fcfiro-nc a un giganicsco faio,
cujas caracicrísiicas convcn ¡rccisar un ¡ouco.
Ha quasc ncio scculo fala-sc dc quc os novos
ncios dc conunicaçao ÷ dcslocancnio dc
¡cssoas, iransfcrcncia dc ¡roduios c iransnissao
dc noiícias ÷ a¡ro×inaran os ¡ovos c unificaran
a vida no ¡lancia. Mas cono scn¡rc aconiccc,
cssa o¡iniao cra un c×agcro. Quasc scn¡rc as
coisas Iunanas concçan ¡or scr lcndas, c so
nais iardc sc convcricn cn rcalidadcs. Ncsic
caso, csia visio clarancnic Iojc quc sc iraiava so
dc una cniusiasia anicci¡açao. Alguns dos ncios
quc Iavian dc iornar cfciiva cssa a¡ro×inaçao
c×isiian ja cn ¡rincí¡io ÷ va¡orcs, fcrrocarris,
iclcgrafo, iclcfonc ÷. Mas ncn sc Iavia ainda
a¡crfciçoado sua invcnçao ncn sc Iavian ¡osio
an¡lancnic cn scrviço, ncn scqucr sc Iavian
invcniado os nais dccisivos, cono sao o noior a
cסlosao c a radio-conunicaçao. O scculo XIX,
cnocionado anic as ¡rinciras grandcs conquisias
da iccnica cicniífica, a¡rcssou-sc a cniiir
iorrcnics dc rciorica solrc os ºavanços", o
º¡rogrcsso naicrial", cic. Dc ial soric quc, afinal,
as alnas concçaran a sc cansar dcsscs lugarcs
conuns, cnlora os acciiasscn cono vcrídicos,
isio c, ainda quc Iavian cIcgado a ¡crsuadir-sc
dc quc o scculo XIX Iavia, con cfciio, rcalizado ja
325
o quc aqucla frascologia ¡roclanava. Isio
ocasionou un curioso crro dc oiica Iisiorica quc
in¡cdc a con¡rccnsao dc nuiios confliios aiuais.
Convcncido o Ioncn ncdio dc quc a ccniuria
anicrior cra a quc Iavia dado cunc aos grandcs
cn¡rccndincnios, nao sc a¡crcclcu dc quc a
c¡oca scn ¡ar dos invcnios iccnicos c dc sua
rcalizaçao foran os uliinos quarcnia anos. O
nuncro c in¡oriancia dos dcscolrincnios, c o
riino dc scu cfciivo cn¡rcgo ncssa lrcvíssina
cia¡a, su¡cra cn nuiio iodo o ¡rcicriio Iunano
ionado cn conjunio. Qucr dizcr, quc a cfciiva
iransfornaçao iccnica do nundo c un faio
rcccniíssino, c quc cssa nudança csia
¡roduzindo agora ÷ agora c nao dc Ia un scculo
÷ suas conscqucncias radicais(97}. E isso cn
iodas as ordcns. Nao ¡oucos dos ¡rofundos
dcsajusics na ccononia aiual advcn da suliia
nudança quc causaran na ¡roduçao csics
invcnios, nudança à qual nao icvc icn¡o dc sc
ada¡iar o organisno cconónico. Quc una so
falrica scja ca¡az dc ¡roduzir iodas as lan¡adas
clciricas ou iodos os sa¡aios dc quc ncccssiia
ncio coniincnic c un faio dcnasiado aforiunado
¡ara nao scr, cnircianio, nonsiruoso. Isso
ncsno aconicccu con as conunicaçõcs. Scn
iardança c dc vcrdadc, ncsics uliinos anos
rccclc cada ¡ovo, a icn¡o c Iora, ial quaniidadc
dc noiícias c iao rcccnics solrc o quc sc ¡assa
nos ouiros, quc ¡rovocou nclc a ilusao dc quc,
326
con cfciio, csia cn os ouiros ¡ovos ou cn sua
alsoluia incdiaçao. Diio dc ouiro nodo. ¡ara os
cfciios da vida ¡ullica univcrsal, o iananIo do
nundo suliiancnic sc coniraiu, rcduziu-sc. Os
¡ovos sc cnconiran dc in¡roviso dinanicancnic
nais ¡ro×inos. E isio aconiccc ¡rccisancnic na
Iora cn quc os ¡ovos curo¡cus nais sc
disianciaran noralncnic.
Nao advcric o lciior, dc so¡ciao, o ¡crigoso dc
scnclIanic conjuniura? Salido c quc o scr
Iunano nao ¡odc, scn nais ncn ncnos,
a¡ro×inar-sc a ouiro scr Iunano. Cono vinos
dc una das c¡ocas Iisioricas cn quc a
a¡ro×inaçao cra a¡arcnicncnic nais facil,
icndcnos a csqucccr quc scn¡rc foran nisicr
grandcs ¡rccauçõcs ¡ara a¡ro×inar-sc dcssa fcra
con vclcidadcs dc arcanjo quc cosiuna scr o
Ioncn. Por isso corrc ao longo dc ioda a Iisioria
a cvoluçao da iccnica da a¡ro×inaçao, cuja ¡aric
nais noioria c visívcl c a saudaçao. Talvcz, con
ccrias rcscrvas, ¡udcssc dizcr-sc quc as fornas
da saudaçao sao funçao da dcnsidadc dc
¡ovoaçao, ¡orianio, da disiancia nornal a quc
csiao uns Ioncns dos ouiros. No Saara cada
iuarcguc ¡ossui un raio cs¡acial quc alcança
lasianics nilIas. A saudaçao do iuarcguc
concça a ccn jardas c dura ircs quarios dc Iora.
Na CIina c no Ja¡ao, ¡ovos ¡ululanics, ondc os
Ioncns vivcn, ¡or assin dizcr, cn¡ilIados, nariz
conira nariz, cn con¡acio forniguciro, a
327
saudaçao c o iraio con¡licaran-sc na nais suiil
c con¡lc×a iccnica dc coricsia; iao rcfinada, quc
ao c×ircno oricnial lIc ¡roduz o curo¡cu a
in¡rcssao dc scr un grossciro c insolcnic, con
qucn, a rigor, so o conlaic c ¡ossívcl. Ncssa
¡ro×inidadc su¡crlaiiva iudo c fcridor c ¡crigoso.
aic os ¡rononcs ¡cssoais sc convcricn cn
in¡criincncias. Por isso o ja¡oncs cIcgou a
c×clui-los dc scu idiona, c cn vcz dc ºiu" dira
algo assin cono ºa naravilIa ¡rcscnic", c cn
lugar dc ºcu" fara un salanalcquc c dira ºa
niscria quc Ia aqui".
Sc una sin¡lcs nudança da disiancia cnirc
dois Ioncns con¡oria scnclIanics riscos,
inagincn-sc os ¡crigos quc cngcndra sua suliia
a¡ro×inaçao cnirc os ¡ovos, solrcvinda nos
uliinos quinzc ou vinic anos. Eu crcio quc nao sc
rc¡arou dcvidancnic ncsic novo faior c quc urgc
¡rcsiar-lIc aicnçao.
Tcn sc falado nuiio csics ncscs da
inicrvcnçao ou nao-inicrvcnçao dc uns Esiados
na vida dc ouiros ¡aíscs. Mas nao sc falou, ao
ncnos con suficicnic cnfasc, da inicrvcnçao quc
c×crcc Iojc dc faio a o¡iniao dc unas naçõcs na
vida dc ouiras, às vczcs nui rcnoias. E csia c
Iojc, a ncu juízo, nuiio nais gravc quc aqucla.
Porquc o Esiado c, afinal das conias, un orgao
rclaiivancnic ºracionalizado" dcniro dc cada
socicdadc. Suas aiuaçõcs sao dclilcradas c
328
dosificadas ¡cla voniadc dos indivíduos
dcicrninados ÷ os Ioncns ¡olíiicos ÷, aos quais
nao ¡odc faliar un nínino dc rcflc×ao c scniido
dc rcs¡onsalilidadc. Mas a o¡iniao dc iodo un
¡ovo ou dc grandcs gru¡os sociais c un ¡odcr
clcncniar, irrcflc×ivo c irrcs¡onsavcl, quc
adcnais ofcrccc, indcfcso, sua incrcia ao influ×o
dc iodas as inirigas. Isso nao olsianic, a o¡iniao
¡ullica scnsu siricio dc un ¡aís, quando o¡ina
solrc a vida dc scu ¡ro¡rio ¡aís icn scn¡rc
ºrazao" no scniido dc quc nunca c incongrucnic
con as rcalidadcs quc ajuíza. A causa disso c
olvia. As rcalidadcs quc ajuíza sao o quc
cfciivancnic ¡assou o ncsno sujciio quc as
ajuíza. O ¡ovo inglcs, ao o¡inar solrc as grandcs
qucsiõcs quc afcian sua naçao, o¡ina solrc faios
quc lIc aconicccran, quc cסcrincniou cn sua
¡ro¡ria carnc c cn sua ¡ro¡ria alna, quc vivcu c,
cn suna, sao clc ncsno. Cono vai, no csscncial,
cquivocar-sc? A inicr¡rciaçao douirinal dcsscs
faios ¡odcra dar o¡oriunidadc às naiorcs
divcrgcncias icoricas, c csias susciiar o¡iniõcs
¡ariidisias susicniadas ¡or gru¡os ¡ariicularcs;
nas, ¡or lai×o dcssas discrc¡ancias ºicoricas", os
faios insofisiicavcis, gozados ou sofridos ¡cla
naçao, ¡rcci¡iian ncsia una ºvcrdadc" viial, quc
c a rcalidadc Iisiorica ncsna c icn un valor c
una força su¡criorcs a iodas as douirinas. Esia
ºrazao" ou ºvcrdadc" vivcnics, quc, cono airiluio,
icnos dc rcconIcccr a ioda auicniica ºo¡iniao
329
¡ullica" consisic, cono sc vc, cn sua
congrucncia. Diio con ouiras ¡alavras olicnos
csia ¡ro¡osiçao. c na×inancnic in¡rovavcl quc
cn assunios gravcs dc scu ¡aís a ºo¡iniao
¡ullica" carcça da infornaçao nínina ncccssaria
¡ara quc scu juízo nao corrcs¡onda
organicancnic à rcalidadc julgada. Padcccra
crros sccundarios c dc dcialIc, nas ionada con
aiiiudc nicrosco¡ica nao c vcrossínil quc scja
una rcaçao incongrucnic con a rcalidadc
inorganica a rcs¡ciio dcla c, ¡or conscguinic,
io×ica.
Esiriiancnic o conirario aconiccc quando sc
iraia da o¡iniao dc un ¡aís solrc o quc aconiccc
cn ouiro. É na×inancnic ¡rovavcl quc cssa
o¡iniao suria cn alio grau incongrucnic. O ¡ovo
A ¡cnsa c o¡ina, la do fundo dc suas ¡ro¡rias
cסcricncias viiais, quc sao difcrcnics das do
¡ovo D. Podc lcvar isio a ouira coisa quc nao o
jogo dos dcs¡ro¡osiios? Eis aqui, ¡ois, a ¡rincira
causa dc una incviiavcl incongrucncia, quc so
¡odcria conirariar ncdianic una coisa nuiio
difícil, a salcr. una infornaçao suficicnic. Cono
aqui falia a ºvcrdadc" do vivido, Iavcria quc
sulsiiiui-la ¡or una vcrdadc dc conIccincnio.
Ha un scculo nao in¡oriava quc o ¡ovo dos
Esiados Unidos sc ¡crniiissc icr una o¡iniao
solrc o quc aconiccia na Crccia, c quc cssa
o¡iniao csiivcssc nal infornada. Enquanio o
330
Covcrno ancricano nao aiuassc, cssa o¡iniao cra
ino¡cranic solrc os dcsiinos da Crccia. O nundo
cra cniao ºnaior", ncnos con¡acio c clasiico. A
disiancia dinanica cnirc ¡ovo c ¡ovo c iao
grandc, quc, ao airavcssa-la, a o¡iniao
incongrucnic ¡crdia io×idcz(98}. Mas, ncsics
uliinos anos, os ¡ovos cniraran nuna c×ircna
¡ro×inidadc dinanica, c a o¡iniao, ¡or c×cn¡lo,
dc grandcs gru¡os sociais noric-ancricanos csia
inicrvindo, dc faio ÷ dirciancnic cono ial
o¡iniao, c nao scu Covcrno ÷ na gucrra civil
cs¡anIola. O ncsno digo da o¡iniao inglcsa.
Nada nais longc dc ninIa ¡rcicnsao quc
ioda inicnçao dc ¡odar o arlíirio a inglcscs c
ancricanos, discuiindo scu ºdirciio" a o¡inar
quanio csiincn solrc quanio lIcs a¡raza. Nao c
qucsiao dc ºdirciio" ou da dcs¡rczívcl frascologia
quc soi an¡arar-sc ncssc iíiulo. c una qucsiao,
sin¡lcsncnic, dc lon scniido. Susicnia quc a
ingcrcncia da o¡iniao ¡ullica dc uns ¡aíscs na
vida dos ouiros c Iojc un faior in¡criincnic,
vcncnoso c gcrador dc ¡ai×õcs lclicas, ¡orquc
cssa o¡iniao nao csia ainda rcgida ¡or una
iccnica adcquada à iroca dc disiancia cnirc os
¡ovos. Tcra o inglcs ou o ancricano iodo o dirciio
quc cnicnda ¡ara o¡inar solrc o quc ¡assou c
dcvc aconicccr na Es¡anIa, nas cssc dirciio c
una injuria c nao sc acciia una olrigaçao
corrcs¡ondcnic. a dc csiar lcn infornado solrc
a rcalidadc da gucrra civil cs¡anIola, cujo
331
¡rinciro c nais sulsiancial ca¡íiulo c sua
origcn, as causas quc a ¡roduziran.
Mas aqui c ondc os ncios aiuais dc
conunicaçao ¡roduzcn scus cfciios; dcsdc logo,
daninIos. Porquc a quaniidadc dc noiícias quc
consianicncnic rccclc un ¡ovo solrc o quc
succdc cn ouiro c cnornc. Cono scra facil
¡crsuadir ao Ioncn inglcs dc quc nao csia
infornado solrc o fcnóncno Iisiorico quc c a
gucrra civil cs¡anIola ou ouira cncrgcncia
analoga? Salc quc os jornais inglcscs gasian
sonas foriíssinas cn susicniar corrcs¡ondcnics
dcniro dc iodos os ¡aíscs. Salc quc, ainda quc
cnirc csscs corrcs¡ondcnics nao ¡oucos c×crccn
scu ofício dc nancira a¡ai×onada c ¡ariidisia, Ia
nuiios ouiros cuja in¡arcialidadc c
inqucsiionavcl c cuja c×aiidao cn iransniiir
dados c×aios nao c facil dc su¡crar. Tudo isio c
vcrdadc, c ¡orquc o c, c ¡crigoso(99}. Pois c o caso
quc sc o Ioncn inglcs rcncnora nun lancc
d'olIos cnconirara quc aconicccran no nundo
coisas dc gravc in¡oriancia ¡ara a Inglaicrra, c
quc a sur¡rccndcran. Cono na Iisioria nada dc
algun rclcvo aconiccc dc rc¡cnic, nao scria
c×ccssiva sus¡icacia no Ioncn inglcs adniiir a
Ii¡oicsc dc quc csia nuiio ncnos infornado do
quc su¡õc crcr, ou quc cssa infornaçao iao
co¡iosa sc con¡õc dc dados c×icrnos, scn fina
¡crs¡cciiva, cnirc os quais csca¡olc o nais
auicniicancnic rcal da rcalidadc. O c×cn¡lo nais
332
claro disio, ¡or suas fornidavcis dincnsõcs, c o
faio giganicsco quc scrviu a csic ariigo dc ¡onio
dc ¡ariida. o fracasso do ¡acifisno inglcs, dc
vinic anos dc ¡olíiica inicrnacional inglcsa. Diio
fracasso dcclara csirondosancnic quc o ¡ovo
inglcs ÷ a¡csar dc scus inuncros
corrcs¡ondcnics ÷ salia ¡ouco do quc rcalncnic
csiava aconicccndo nos dcnais ¡ovos.
Fc¡rcscnicno-nos csqucnaiicancnic, a fin
dc cnicndc-la lcn, a con¡licaçao do ¡roccsso
quc icn lugar. As noiícias quc o ¡ovo A rccclc do
¡ovo D susciian nclc un csiado dc o¡iniao ÷
scja dc an¡los gru¡os ou dc iodo o ¡aís ÷. Mas
cono cssas noiícias cIcgan Iojc con su¡crlaiiva
ra¡idcz, alundancia c frcqucncia, cssa o¡iniao
nao sc nanicn nun ¡lano nais ou ncnos
ºconicn¡laiivo", cono Ia un scculo, nas,
irrcncdiavclncnic, solrccarrcga-sc dc inicnçõcs
aiivas c adoia incdiaiancnic un caraicr dc
inicrvcnçao. Scn¡rc Ia, alcn disso, iniriganics
quc, ¡or noiivos ¡ariicularcs, sc ocu¡an
dclilcradancnic cn fusiiga-la. Vicc-vcrsa, o ¡ovo
D rccclc ianlcn con alundancia, ra¡idcz c
frcqucncia noiícias dcssa o¡iniao rcnoia, dc scu
ncrvosisno, dc scus novincnios c icn a
in¡rcssao dc quc o csiranIo, con iniolcravcl
in¡criincncia, invadiu scu ¡aís, quc csia ali,
quasc ¡rcscnic, aiuando. Mas csia rcaçao dc
alorrccincnio nulii¡lica-sc aic à c×as¡craçao
¡orquc o ¡ovo D advcric ao ncsno icn¡o a
333
incongrucncia cnirc a o¡iniao A c o quc cn D,
cfciivancnic, aconicccu. Ja c irriianic quc o
¡ro×ino ¡rcicnda inicrvir cn nossa vida, nas sc
alcn disso rcvcla ignorar con¡lciancnic nossa
vida, sua audacia ¡rovoca cn nos frcncsi.
Enquanio cn Madri os conunisias c scus
afins olrigavan, sol as nais gravcs ancaças,
cscriiorcs c ¡rofcssorcs a assinar nanifcsios, a
falar nas radios, cic., conodancnic scniados cn
scus cscriiorios ou cn scus clulcs, iscnios dc
ioda ¡rcssao, alguns dos ¡rinci¡ais cscriiorcs
inglcscs assinavan ouiro nanifcsio ondc sc
garaniia quc csscs conunisias c scus afins cran
os dcfcnsorcs da lilcrdadc. Eviicnos os
cs¡avcnios c as frascs, nas ¡crniia-sc-nc
convidar o lciior inglcs a quc inaginc qual ¡odc
scr ncu ¡rinciro novincnio anic scnclIanic
faio, quc oscila cnirc o groicsco c o iragico.
Porquc nao c facil cnconirar naior incongrucncia.
Fclizncnic, cuidci duranic ioda ninIa vida dc
noniar cn ncu a¡arclIo ¡sico-físico un sisicna
nuiio foric dc iniliçõcs c dc frcios ÷ ialvcz a
civilizaçao nao scja ouira quc cssa noniagcn ÷
c, alcn disso, cono dizia Danic.
cIc saciia ¡rcvisa vicn ¡iu lcnia,
nao coniriluiu a dcliliiar ninIa sur¡rcsa.
Ha nuiios anos quc nc ocu¡o cn fazcr noiar a
frivolidadc c a irrcs¡onsalilidadc frcqucnics no
334
iniclcciual curo¡cu, quc dcnuncici cono un faior
dc ¡rincira grandcza cnirc as causas da ¡rcscnic
dcsordcn. Mas csia nodcraçao quc ¡or soric
¡osso osicniar, nao c ºnaiural". O naiural scria
quc cu csiivcssc agora cn gucrra a¡ai×onada
conira csscs cscriiorcs inglcscs. Por isso c un
c×cn¡lo concrcio do nccanisno lclicoso quc
criou o nuiuo dcsconIccincnio cnirc os ¡ovos.
Ha uns dias, Allcrio Einsicin acrcdiiou icr
ºdirciio" a o¡inar solrc a gucrra civil cs¡anIola c
ionar ¡osscssao anic cla. Ora lcn, Allcrio
Einsicin usufrui una ignorancia radical solrc o
quc aconiccc na Es¡anIa agora, Ia scculos c
scn¡rc. O cs¡íriio quc o lcva a csia insolcnic
inicrvcnçao c o ncsno quc Ia nuiio icn¡o vcn
causando o dcs¡rcsiígio univcrsal do Ioncn
iniclcciual, quc, ¡or sua vcz, faz con quc o
nundo va à dcriva, falio dc ¡ouvoir s¡iriiucl.
Noic-sc quc falo da gucrra civil cs¡anIola
cono un c×cn¡lo cnirc nuiios, o c×cn¡lo quc
nais c×aiancnic nc consia, c nc rcduzo a
¡rocurar quc o lciior inglcs adniia ¡or un
noncnio a ¡ossililidadc dc quc nao csia lcn
infornado, a dcs¡ciio dc suas co¡iosas
ºinfornaçõcs". Talvcz isio o nova a corrigir scu
insuficicnic conIccincnio das dcnais naçõcs,
su¡osio o nais dccisivo ¡ara quc no nundo volic
a rcinar una ordcn.
335
Mas cis aqui ouiro c×cn¡lo nais gcral. Ha
¡ouco, o Congrcsso do Pariido Lalorisia
rccIaçou, ¡or 2.100.000 voios conira 300.000, a
uniao con os conunisias, qucr dizcr, a fornaçao
na Inglaicrra dc una ºFrcnic Po¡ular". Mas cssc
ncsno ¡ariido c a nassa dc o¡iniao quc
¡asiorcia ocu¡an-sc cn favorcccr c foncniar, do
nodo nais concrcio c cficaz, a ºFrcnic Po¡ular"
quc sc fornou cn ouiros ¡aíscs. Dci×o iniacia a
qucsiao dc sc una ºFrcnic Po¡ular" c una coisa
lcncfica ou caiasirofica, c nc rcduzo a confroniar
dois con¡oriancnios dc un ncsno gru¡o dc
o¡iniao, c a sullinIar sua nociva incongrucncia.
A difcrcnça nuncrica na voiaçao c daquclas
difcrcnças quaniiiaiivas quc, scgundo Hcgcl, sc
convcricn auionaiicancnic cn difcrcnças
qualiiaiivas. Essas cifras nosiran quc, ¡ara o
lloco do Pariido Lalorisia, a uniao con o
conunisno, a ºFrcnic Po¡ular", nao c una
qucsiao dc nais ou dc ncnos, nas quc a
considcrarian cono una docnça icrrívcl ¡ara a
naçao inglcsa. Mas c o caso quc, ao ncsno
icn¡o, cssc ncsno gru¡o dc o¡iniao sc ocu¡a cn
culiivar cssc ncsno nicrolio cn ouiros ¡aíscs, c
isio c una inicrvcnçao, nais ainda, ¡odcria dizcr-
sc quc c una inicrvcnçao gucrrcira, ¡osio quc
icn nao ¡oucos caracicrcs da gucrra quínica.
Enquanio sc ¡roduzan fcnóncnos cono csic,
iodas as cs¡cranças dc quc a ¡az rcinc no nundo
sao, rc¡iio, ¡cnas dc anor ¡crdidas. Porquc cssa
336
incongrucnic conduia, cssa du¡licidadc da
o¡iniao lalorisia so irriiaçao ¡odc ins¡irar fora
da Inglaicrra.
E nc ¡arcccria vao oljciar quc cssas
inicrvcnçõcs irriian una ¡aric do ¡ovo quc as
sofrc, nas con¡razcn à ouira. Esia c una
olscrvaçao dcnasiado olvia ¡ara quc scja
vcrídica. A ¡aric do ¡aís favorccida
noncniancancnic ¡cla o¡iniao csirangcira
¡rocurara, claro csia, lcncficiar-sc dcssa
inicrvcnçao. Ouira coisa scria ¡ura iolicc. Mas
¡or lai×o dcssa a¡arcnic c iransiioria graiidao
corrc o ¡roccsso rcal do vivido ¡clo ¡aís iniciro. A
naçao acala ¡or csialilizar-sc cn ºsua vcrdadc",
no quc cfciivancnic aconicccu, c anlos os
¡ariidos Iosiis coincidcn ncla, dcclarando-o ou
nao. Daí quc acalan ¡or sc unir conira a
incongrucncia da o¡iniao csirangcira. Esia so
¡odc cs¡crar agradccincnio ¡crduravcl na
ncdida cn quc, ¡or soric, accric ou scja ncnos
incongrucnic con cssa vivcnic ºvcrdadc". Toda
rcalidadc dcsconIccida ¡rc¡ara sua vingança.
Nao ouira c a origcn das caiasirofcs na Iisioria
Iunana. Por isso scra funcsia ioda icniaiiva dc
dcsconIcccr quc un ¡ovo c, cono una ¡cssoa,
cnlora dc ouiro nodo c ¡or ouiras razõcs, una
iniinidadc ÷ ¡orianio, un sisicna dc scgrcdos
quc nao ¡odc scr dcscolcrio, à-ioa, dc fora ÷.
Nao ¡cnsc o lciior cn nada vago ncn nísiico.
Tonc qualqucr funçao colciiva, ¡or c×cn¡lo, a
337
língua. Dcn noiorio c quc suric ¡raiicancnic
in¡ossívcl conIcccr iniinancnic un idiona
csirangciro ¡or nuiio quc o csiudcnos. E nao
scra una inscnsaicz crcr coisa facil o
conIccincnio da rcalidadc ¡olíiica dc un ¡aís
csiranIo?
Susicnio, ¡ois, quc a nova csiruiura do
nundo convcric os novincnios da o¡iniao dc un
¡aís solrc o quc aconiccc cn ouiro ÷
novincnios quc anics cran quasc inocuos ÷ cn
auicniicas incursõcs. Isio lasiaria ¡ara cסlicar
¡or quc, quando as naçõcs curo¡cias ¡arccian
nais ¡ro×inas a una su¡crior unificaçao,
concçaran rc¡cniinancnic a fccIar-sc dcniro dc
si ncsnas, a Icrnciizar suas c×isicncias, unas
frcnic às ouiras, c a convcricr-sc as froniciras cn
cscafandros isoladorcs.
Eu crcio quc Ia aqui un novo ¡rollcna dc
¡rincira ordcn ¡ara a disci¡lina inicrnacional,
quc corrc ¡aralclo ao do dirciio, vcrsado nais
acina. Cono anics ¡osiulavanos una nova
iccnica jurídica, aqui rcclananos una nova
iccnica dc iraio cnirc os ¡ovos. Na Inglaicrra o
indivíduo a¡rcndcu a guardar ccrias cauiclas
quando sc ¡crniic o¡inar solrc ouiro indivíduo.
Ha a lci do lilclo c Ia a fornidavcl diiadura das
ºloas nanciras". Nao Ia razao ¡ara quc nao sofra
analoga rcgulancniaçao a o¡iniao dc un ¡ovo
solrc ouiro.
338
Claro quc isio su¡õc csiar dc acordo solrc
un ¡rincí¡io lasico. Solrc csic. quc os ¡ovos,
quc as naçõcs c×isicn. Ora lcn. o vclIo c laraio
ºinicrnacionalisno", quc cngcndrou as ¡rcscnics
angusiias, ¡cnsava, no fundo, o o¡osio.
NcnIuna dc suas douirinas ou aiuaçõcs c
con¡rccnsívcl sc nao sc dcscolrc cn sua raiz o
dcsconIccincnio do quc c una naçao c dc quc
isso quc sao as naçõcs consiiiui una fornidavcl
rcalidadc siiuada no nundo c con a qual Ia quc
coniar. Era un curioso inicrnacionalisno aquclc
quc cn suas conias csquccia scn¡rc o dcialIc dc
quc Ia naçõcs(100}.
Talvcz o lciior rcclanc agora una douirina
¡osiiiva. Nao icnIo inconvcnicnic cn dcclarar
qual c a ninIa, cnlora nc cסonIa a iodos os
riscos dc una cnunciaçao csqucnaiica.
No livro TIc Fcvoli of iIc Masscs(101}, quc foi
lasianic lido cn língua inglcsa, ¡ro¡ugno c
anuncio o advcnio dc una forna nais avançada
dc convivcncia curo¡cia, un ¡asso à frcnic na
organizaçao jurídica c ¡olíiica dc sua unidadc.
Esia idcia curo¡cia c dc signo invcrso àquclc
alsiruso inicrnacionalisno. A Euro¡a nao c, nao
scra, a inicr-naçao, ¡orquc isso significa, cn
claras noçõcs dc Iisioria, un oco, un vazio c
nada. A Euro¡a scra a ulira-naçao. A ncsna
ins¡iraçao quc fornou as naçõcs do Ocidcnic
coniinua aiuando no sulsolo con a lcnia c
339
silcnic ¡rolifcraçao dos corais. O c×iravio
nciodico quc rc¡rcscnia o inicrnacionalisno
in¡cdiu vcr quc so airavcs dc una cia¡a dc
nacionalisno c×accrlados sc ¡odc cIcgar à
unidadc concrcia c cIcia da Euro¡a. Una nova
forna dc vida nao conscguc insialar-sc no
¡lancia aic quc a anicrior c iradicional nao sc
icnIa cnsaiado cn scu nodo c×ircno. As naçõcs
curo¡cias cIcgan agora a scus ¡onios cruciais c
a calcçada scra a nova inicgraçao da Euro¡a.
Porquc c disso quc sc iraia. Nao dc laninar as
naçõcs, nas dc inicgra-las, dci×ando ao Ocidcnic
iodo scu rico rclcvo. Ncsia daia, cono acalo dc
insinuar, a socicdadc curo¡cia ¡arccc
volaiilizada. Mas scria un crro crcr quc isio
significa scu dcsa¡arccincnio ou dcfiniiiva
dis¡crsao. O csiado aiual dc anarquia c
su¡crlaiiva dissociaçao na socicdadc curo¡cia c
una ¡rova nais da rcalidadc quc csia ¡ossui.
Porquc sc isso aconiccc na Euro¡a c ¡orquc sofrc
una crisc dc sua fc conun, da fc curo¡cia, das
vigcncias cn quc sua socializaçao consisic. A
cnfcrnidadc ¡or quc airavcssa c, ¡ois, conun.
Nao sc iraia dc quc a Euro¡a csia cnfcrna, nas
quc gozcn dc ¡lcna saudc csias ou as ouiras
naçõcs, c quc, ¡orianio, scja ¡rovavcl o
dcsa¡arccincnio da Euro¡a c sua sulsiiiuiçao
¡or ouira forna dc rcalidadc Iisiorica ÷ ¡or
c×cn¡lo. as naçõcs solias ou una Euro¡a
oricnial dissociada aic à raiz dc una Euro¡a
340
ocidcnial. Nada disio sc ofcrccc no Iorizonic ÷,
nas cono c conun c curo¡cia a cnfcrnidadc, sc-
lo-a ianlcn o rcsialclccincnio. Dcsdc ja, vira
una ariiculaçao da Euro¡a cn duas fornas
difcrcnics dc vida ¡ullica. a forna dc un novo
lilcralisno c a forna quc, con un nonc
in¡ro¡rio, sc cosiuna cIanar dc ºioialiiaria". Os
¡ovos ncnorcs adoiarao figuras dc iransiçao c
inicrncdiarias. Isio salvara a Euro¡a. Mais una
vcz ficara ¡aicnic quc ioda forna dc vida ¡rccisa
dc sua aniagonisia. O ºioialiiarisno" salvara o
ºlilcralisno", dcsiilando solrc clc, dc¡urando-o,
c graças a isso vcrcnos dcniro cn lrcvc un novo
lilcralisno icn¡crar os rcgincs auioriiarios. Esic
cquilílrio nccanico c ¡rovisorio ¡crniiira una
nova cia¡a dc nínino rc¡ouso, in¡rcscindívcl
¡ara quc volic a lroiar, no fundo dc losquc quc
as alnas ¡ossucn, o nanancial dc una nova fc.
Esia c o auicniico ¡odcr dc criaçao Iisiorica, nas
nao nana no ncio da alicraçao, c sin no rccaio
do cnsinancnio.

Paris, dczcnlro, 1937.
341

DINÂMICA DO TEMPO
AS VITRINAS MANDAM

Dizcn quc o dinIciro c o unico ¡odcr quc
aiua solrc a vida social. Sc olIanos a rcalidadc
con una oiica dc rciícula fina, a ¡ro¡osiçao c
nais falsa quc vcrídica. Mas icn ianlcn scus
dirciios a visao dc rciícula grossa, c cniao nao Ia
inconvcnicnic cn acciiar cssa icrrívcl scnicnça.
Enircianio, icríanos dc lIc iirar c lIc ¡ór
alguns ingrcdicnics ¡ara quc a idcia fossc
luninosa. Pois aconiccc quc cn nuiias c¡ocas
Iisioricas sc falou o quc agora sc fala, c isio
convida a sus¡ciiar ou quc nunca foi vcrdadc ou
quc o icn sido cn scniidos nui divcrsos. Porquc
c csiranIo quc icn¡os solrcnodo difcrcnics
coincidan cn ¡onio iao ¡rinci¡al. En gcral, nao
sc dcvc fazcr nuiio caso do quc as c¡ocas
¡assadas disscran dc si ncsnas, ¡orquc ÷ c
forçoso dcclara-lo ÷ cran nui ¡ouco inicligcnics
a rcs¡ciio dc si. Esia ¡crs¡icacia solrc o ¡ro¡rio
nodo dc scr, csia clarividcncia ¡ara o ¡ro¡rio
dcsiino c coisa rclaiivancnic nova na Iisioria.
No scculo VII anics dc Crisio corria ja ¡or
iodo o Oricnic do Mcdiicrranco o a¡oicgna
342
fanoso. CIrcnaia, cIrcnaia ancr! ºScu dinIciro,
scu dinIciro c o Ioncn!" No icn¡o dc Ccsar
dizia-sc o ncsno, no scculo XIV o ¡õc cn
circulaçao nosso iurlulcnio ionsurado dc Hiia, c
no XVII, Cóngora faz disso lciras. Quc
conscqucncia iiranos dcsia nonoiona
insisicncia? Quc o dinIciro, dcsdc quc sc
invcniou, c una grandc força social? Isso nao cra
ncccssario sullinIar. scria una calinada. En
iodas csias lancniaçõcs insinua-sc algo nais.
Qucn as usa cסrcssa con clas, ¡clo ncnos, sua
sur¡rcsa dc quc o dinIciro icnIa nais força da
quc dcvia icr. E dc ondc nos vcn cssa convicçao,
scgundo a qual o dinIciro dcvia icr ncnos
influcncia da quc cfciivancnic ¡ossui? Cono nao
nos Ialiiuanos ao faio consianic dc¡ois dc
ianios c ianios scculos, c quc scn¡rc nos colIc
dc sur¡rcsa?
É, ialvcz, o unico ¡odcr social quc ao scr
rcconIccido nos rc¡ugna. A ¡ro¡ria força lruia
quc Ialiiualncnic nos indigna acIa cn nos un
cco uliino dc sin¡aiia c csiina. Inciia-nos a
rccIaça-la criando una força ¡aralcla, nas nao
nos ins¡ira asco. Dir-sc-ia quc nos sullcvan
csics ou os ouiros cfciios da violcncia; ¡orcn cla
ncsna nos ¡arccc un siniona dc saudc, un
nagnífico airiluio do scr vivcnic, c
con¡rccndcnos quc o grcgo a divinizassc cn
Hcrculcs.
343
Eu crcio quc csia sur¡rcsa, scn¡rc rcnovada,
anic o ¡odcr do dinIciro cnccrra una ¡orçao dc
¡rollcnas curiosos ainda nao aclarados. As
c¡ocas cn quc nais auicniicancnic c con nais
dolcnics griios sc lancniou cssc ¡odcrio, sao,
cnirc si, nuiio difcrcnics. Enircianio, ¡odc
dcscolrir-sc nclas una noia conun. sao scn¡rc
c¡ocas dc crisc noral, icn¡os nuiio iransiiorios
cnirc duas cia¡as. Os ¡rincí¡ios sociais quc
rcgcran una idadc ¡crdcran scu vigor c ainda
nao anadurcccran os quc vao in¡crar na
scguinic. Cono? Scra quc o dinIciro nao ¡ossui,
a rigor, o ¡odcr quc, dc¡lorando-o, sc lIc airilui
c quc scu influ×o so c dccisivo quando os dcnais
¡odcrcs organizadorcs da socicdadc sc rciiraran?
Sc assin fossc cnicndcríanos un ¡ouco nclIor
cssa csiranIa ncscla dc sulnissao c dc asco quc
anic clc scnic a Iunanidadc, cssa sur¡rcsa c
cssa insinuaçao ¡crcnc dc quc o ¡odcr c×crcido
nao lIc corrcs¡ondc. Pclo visio, nao o dcvc icr
¡orquc nao c scu, nas usur¡ado às ouiras forças
auscnics.
A qucsiao c solrciudo con¡licada c nao ¡odc
scr rcsolvida cn dois icn¡os. So cono una
¡ossililidadc dc inicr¡rciaçao vai iudo isio quc
digo. O in¡orianic c cviiar a concc¡çao
cconónica da Iisioria, quc alIcia ioda a graça do
¡rollcna, fazcndo da Iisioria inicira una
nonoiona conscqucncia do dinIciro. Porquc c
dcnasiado cvidcnic quc cn nuiias c¡ocas
344
Iunanas o ¡odcr social do dinIciro foi nuiio
rcduzido c ouiras cncrgias alIcias ao cconónico
infornaran a convivcncia Iunana. Sc Iojc os
judcus ¡ossucn o dinIciro c sao os donos do
nundo, ianlcn o ¡ossuían na Idadc Mcdia c
cran o c×crcncnio da Euro¡a. Nao sc diga quc o
dinIciro nao cra a forna ¡rinci¡al da riqucza, da
rcalidadc cconónica nos icn¡os fcudais. Porquc,
ainda scndo isio vcrdadc c calilrando na dcvida
cifra o ¡cso ¡urancnic cconónico do dinIciro na
dinanica da ccononia ncdicval, nao Ia
corrcs¡ondcncia cnirc a riqucza daquclcs judcus
c sua ¡osiçao social. Os nar×isias, ¡ara adular
as coisas scgundo a ¡auia dc sua icsc,
ncnos¡rczaran c×ccssivancnic a in¡oriancia da
nocda na cia¡a ¡rc-ca¡iialisia da cvoluçao
cconónica, c foi ncccssario dc¡ois rcfazcr a
Iisioria cconónica daqucla idadc ¡ara nosirar a
in¡oriancia cfciiva quc nos Esiados ncdicvais
iinIa o dinIciro Iclrcu.
Ningucn, ncn o nais idcalisia, ¡odc duvidar
da in¡oriancia quc o dinIciro icn na Iisioria,
nas ialvcz ¡ossa duvidar-sc dc quc scja un
¡odcr ¡rinario c sulsianiivo. Talvcz o ¡odcr
social nao dc¡cndc nornalncnic do dinIciro,
nas, vicc-vcrsa, sc rc¡aric scgundo sc acIa
rc¡ariido o ¡odcr social, c vai ¡ara o gucrrciro na
socicdadc lclicosa, nas vai ¡ara o saccrdoic na
icocraiica. O siniona dc un ¡odcr social
auicniico c quc cria jcrarquias, quc scja clc qucn
345
dcsiaca o indivíduo no cor¡o ¡ullico. Pois lcn.
no scculo XVI, ¡or nuiio dinIciro quc iivcssc un
judcu, coniinuava scndo un infra-Ioncn, c no
icn¡o dc Ccsar os ºcavalciros", quc cran os nais
ricos cono classc, nao asccndian ao cunc da
socicdadc.
Parccc o nais vcrossínil quc scja o dinIciro
un faior social sccundario, inca¡az ¡or si ncsno
dc ins¡irar a grandc arquiiciura da socicdadc. É
una das forças ¡rinci¡ais quc aiuan no
cquilílrio dc iodo ofício colciivo, nas nao c a
nusa dc scu csiilo icciónico. Pclo conirario, sc
ccdcn os vcrdadciros c nornais ¡odcrcs
Iisioricos ÷ raça, rcligiao, ¡olíiica, idcias ÷, ioda
a cncrgia social vacanic c alsorvida ¡or clc.
Diríanos, ¡ois, quc quando sc volaiilizan os
dcnais ¡rcsiígios rcsia scn¡rc o dinIciro, quc,
¡or scr clcncnio naicrial, nao ¡odc volaiilizar-sc.
Ou, dc ouiro nodo. o dinIciro nao nanda nais
scnao quando nao Ia ouiro ¡rincí¡io quc nandc.
Assin sc cסlica cssa noia conun a iodas as
c¡ocas sulnciidas ao in¡crio crcnaiísiico quc
consisic cn scr icn¡os dc iransiçao. Moria una
consiiiuiçao ¡olíiica c noral, fica a socicdadc scn
noiivo quc jcrarquizc os Ioncns. Ora lcn. isio c
in¡ossívcl. Conira a ingcnuidadc igualiiaria c
¡rcciso fazcr noiar quc a jcrarquizaçao c o
in¡ulso csscncial da socializaçao. Ondc Ia cinco
Ioncns cn csiado nornal ¡roduz-sc
346
auionaiicancnic una csiruiura jcrarquizada.
Qual scja o ¡rincí¡io dcsia c ouira qucsiao. Mas
algun icra dc c×isiir scn¡rc. Sc os nornais
falian, un ¡scudo ¡rincí¡io sc cncarrcga dc
nodclar a jcrarquia c dcfinir as classcs. Duranic
un noncnio ÷ o scculo XVII ÷ na Holanda, o
Ioncn nais invcjado cra aquclc quc ¡ossuía
ccria iuli¡a rara. A faniasia Iunana, fusiigada
¡or cssc insiinio irrc¡rinívcl dc jcrarquia, invcnia
scn¡rc algun novo icna dc dcsigualdadc.
Mas, ainda liniiando dc ial soric a frasc
inicial quc da ocasiao a csia noia, cu nc
¡crgunio sc Ia alguna razao ¡ara afirnar quc
cn nosso icn¡o goza o dinIciro dc un ¡odcr
social naior quc cn icn¡o algun do ¡assado.
Tanlcn csia curiosidadc c cסosia c difícil dc
saiisfazcr. Sc nos cnvaidcccnos, iudo quc
aconiccc cn nossa Iora ¡arcccr-nos-a unico c
c×cc¡cional na scric dos icn¡os. Ha, cnircianio,
a ncu juízo, una razao quc da ¡rolalilidadc
clara à sus¡ciia dc scr nosso icn¡o o nais
crcnaiísiico dc quanios foran. É ianlcn idadc
dc crisc. os ¡rcsiígios Ia anos ainda vigcnics
¡crdcran sua cficicncia. Ncn a rcligiao ncn a
noral doninan a vida social ncn o coraçao da
nuliidao. A culiura iniclcciual c ariísiica c
avaliada ncnos quc Ia vinic anos. Fcsia so o
dinIciro. Mas, cono indiquci, isio aconicccu
varias vczcs na Iisioria. O novo, o c×clusivo do
¡rcscnic c csia ouira conjuniura. O dinIciro icvc,
347
¡ara scu ¡odcr, un liniic auionaiico cn sua
¡ro¡ria csscncia. O dinIciro c a¡cnas un ncio
¡ara con¡rar coisas. Sc Ia ¡oucas coisas ¡ara
con¡rar, ¡or nuiio dinIciro quc Iaja c ¡or nuiio
livrc quc sc cnconirc sua açao dc confliios con
ouiras ¡oicncias, scu influ×o scra cscasso. Isio
nos ¡crniic fornar una cscala con as c¡ocas dc
crcnaiisno c dizcr. o ¡odcr social do dinIciro ÷
ccicris ¡arilus ÷ scra ianio naior quanias nais
coisas Iaja ¡ara con¡rar, nao quanio naior scja
a quaniidadc do dinIciro ncsno. Ora lcn. nao
Ia duvida quc o indusirialisno nodcrno, cn sua
conlinaçao con os falulosos ¡rogrcssos da
iccnica, ¡roduziu ncsics anos un cunulo ial dc
oljcios ncrcavcis, dc ianias classcs c qualidadcs,
quc o dinIciro ¡odc dcscnvolvcr faniasiicancnic
sua csscncia. o con¡rar.
No scculo XVIII c×isiian ianlcn grandcs
foriunas, nas Iavia ¡ouco ¡ara con¡rar. O rico,
sc qucria algo nais quc o lrcvc rc¡criorio dc
ncrcadorias c×isicnic, iinIa dc invcniar un
a¡ciiic c o oljcio quc o saiisfaria, iinIa dc luscar
o ariíficc quc o rcalizassc c dar icn¡o a sua
falricaçao. En iodo csic inirincancnio
inicrcalado cnirc o dinIciro c oljcio con¡licava-
sc aquclc con ouiras forças cs¡iriiuais ÷
faniasia criadora dc dcscjos no rico, sclcçao do
ariíficc, iralalIo iccnico dcsic, cic. ÷ dc quc sc
fazia, scn qucrcr, dc¡cndcnic.
348
Agora un Ioncn cIcga a una cidadc c aos
quairo dias ¡odc scr o nais fanoso c invcjado
Ialiianic dcla scn nais iralalIo quc ¡asscar
anic as viirinas, cscolIcr os oljcios nclIorcs ÷ o
nclIor auionovcl, o nclIor cIa¡cu, o nclIor
isquciro, cic. ÷ c con¡ra-los. Calcria inaginar
un auiónaio ¡rovido dc un lolso cn quc
ncicssc nccanicancnic a nao c cIcgassc a scr o
¡crsonagcn nais ilusirc da urlc.
El Sol, 15 dc naio dc 1927.
349

JUVENTUDE
I

As variaçõcs Iisioricas nao ¡roccdcn nunca
dc causas c×icrnas ao organisno Iunano, ¡clo
ncnos dcniro dc un ncsno ¡críodo Iisiorico
zoologico. Sc Iouvc caiasirofcs icluricas ÷
diluvios, sulncrsao dc coniincnics, suliias
nudanças c×ircnas dc clina ÷, cono nos niios
nais arcaicos ¡odc sc rccordar confusancnic, o
cfciio ¡or clas ¡roduzido iransccndcu os liniics
do Iisiorico c iransiornou a cs¡ccic cono ial. O
nais ¡rovavcl c quc o Ioncn nao assisiiu nunca
a scnclIanics caiasirofcs. A c×isicncia icn sido,
¡clo visio, scn¡rc nuiio coiidiana. As nudanças
nais violcnias quc nossa cs¡ccic conIcccu, os
¡críodos glaciais, nao iivcran caraicr dc grandc
cs¡ciaculo. Dasia quc duranic algun icn¡o a
icn¡craiura ncdia do ano dcsça cinco ou scis
graus ¡ara quc a glacializaçao sc ¡roduza. En
dcfiniiivo, quc os vcrõcs scjan un ¡ouco nais
frcscos. A lcniidao c suavidadc dcsic ¡roccsso da
icn¡o a quc o organisno rcaja, c csia rcaçao dc
dcniro do organisno à nudança física do
coniorno, c a vcrdadcira variaçao Iisiorica.
Convcn alandonar a idcia dc quc o ncio,
nccanicancnic, nodclc a vida; ¡orianio, quc a
350
vida scja un ¡roccsso dc fora ¡ara dcniro. As
nodificaçõcs c×icrnas aiuan so cono c×ciianics
dc nodificaçõcs iniraorganicas; sao, a lcn dizcr,
¡crgunias quc o scr vivo rcs¡ondc con una
an¡la nargcn dc originalidadc in¡rcvisívcl.
Cada cs¡ccic, c ncsno cada varicdadc, c ncsno
cada indivíduo, a¡roniara una rcs¡osia nais ou
ncnos difcrcnic, nunca idcniica. Vivcr, cn suna,
c una o¡craçao quc sc faz dc dcniro ¡ara fora, c
¡or isso as causas ou ¡rincí¡ios dc suas
variaçõcs dcvcn scr luscados no inicrior do
organisno.
Pcnsando assin, Iavia dc ¡arcccr-nc
solrcnodo vcrossínil quc nos nais ¡rofundos c
an¡los fcnóncnos Iisioricos a¡arcça, nais ou
ncnos claro, o dccisivo influ×o das difcrcnças
liologicas nais clcncniais. A vida c nasculina ou
fcninina, c jovcn ou c vclIa. Cono sc ¡odc
¡cnsar quc csics nodulos clcncniaríssinos c
divcrgcnics da viialidadc nao scjan giganicscos
¡odcrcs ¡lasiicos da Iisioria? Foi, a ncu juízo,
un dos dcscolrincnios sociologicos nais
in¡orianics o quc sc fcz, vai ¡ara irinia anos,
quando sc advcriiu quc a organizaçao social nais
¡riniiiva nao c scnao a narca na nassa colciiva
dcssas grandcs caicgorias viiais. sc×os c idadcs.
A csiruiura nais ¡riniiiva da socicdadc sc rcduz
a dividir os indivíduos quc a inicgran cn Ioncns
c nulIcrcs, c cada una dcsias classcs
sc×uais(102} cn ncninos, jovcns c vclIos, cn
351
classcs dc idadc. As fornas liologicas ncsnas
foran, ¡or assin dizcr, as ¡rinciras insiiiuiçõcs.
Masculinidadc c fcninilidadc, juvcniudc c
scncciudc, sao duas ¡arclIas dc ¡oicncias
aniagónicas. Cada una dcsias ¡oicncias significa
a nolilizaçao da vida ioda cn un scniido
divcrgcnic do quc ¡ossui sua coniraria. Vccn a
scr cono csiilos divcrsos do vivcr. E cono iodos
coc×isicn cn qualqucr insianic da Iisioria,
¡roduz-sc cnirc clcs una colisao, un forccjar cn
quc cada qual icnia arrasiar, cn scu scniido,
ínicgra, a c×isicncia Iunana. Para con¡rccndcr
lcn una c¡oca c ¡rcciso dcicrninar a cquaçao
dinanica quc ncla dao cssas quairo ¡oicncias, c
¡crguniar. Qucn ¡odc nais? Os jovcns ou os
vclIos, qucr dizcr, os Ioncns naduros? O varonil
ou o fcninino? É solrcnancira inicrcssanic
¡crscguir nos scculos as dcslocaçõcs do ¡odcr
¡ara una ou a ouira dcssas ¡oicncias. Eniao
advcric-sc o quc dc anicnao dcvia ¡rcsunir-sc.
quc, scndo ríinica ioda vida, o c ianlcn a
Iisioria, c quc os riinos fundancniais sao
¡rccisancnic os liologicos; qucr dizcr, quc Ia
c¡ocas cn quc ¡rcdonina o nasculino c ouiras
scnIorcadas ¡clos insiinios da fcninilidadc, quc
Ia icn¡os dc jovcns c icn¡os dc vclIos.
No scr Iunano a vida sc du¡lica ¡orquc ao
inicrvir a conscicncia a vida ¡rinaria sc rcflcic
ncla. c inicr¡rciada ¡or cla cn forna dc idcia,
352
inagcn, scniincnio. E cono a Iisioria c, anics
dc iudo, Iisioria da ncnic, da alna, o
inicrcssanic scra dcscrcvcr a ¡rojcçao na
conscicncia dcsscs ¡rcdonínios ríinicos. A luia
nisicriosa quc nanicn nas sccrcias oficinas do
organisno a juvcniudc c a scncciudc, a
nasculinidadc c a fcninilidadc, rcflcic-sc na
conscicncia sol a cs¡ccic dc ¡rcfcrcncias c
dcsdcns. CIcga una c¡oca cn quc ¡rcfcrc, quc
csiina nais as qualidadcs da vida jovcn, c
¡os¡õc, dcscsiina as da vida nadura, ou lcn
acIa a graça na×ina nos nodos fcnininos dianic
dos nasculinos. Por quc aconicccn csias
variaçõcs da ¡rcfcrcncia, às vczcs suliias? Eis
aqui una qucsiao solrc a qual nao ¡odcnos
ainda dizcr una so ¡alavra clara(103}.
O quc rcalncnic nc ¡arccc cvidcnic c quc
nosso icn¡o sc caracicriza ¡clo c×ircno
¡rcdonínio dos jovcns. É sur¡rccndcnic quc cn
¡ovos iao vclIos cono os nossos, c dc¡ois dc
una gucrra nais irisic quc Icroica, iona a vida
dc rc¡cnic un as¡ccio dc iriunfanic juvcniudc.
Na rcalidadc, cono ianias ouiras coisas, csic
in¡crio dos jovcns vinIa sc ¡rc¡arando dcsdc
1890, dcsdc o fin dc sicclc. Hojc dc un lugar,
ananIa dc ouiro, foran dcsalojadas a nadurcza
c a ancianidadc. cn scu o¡osio sc insialava o
Ioncn jovcn con scus ¡cculiarcs airiluios.
353
Eu nao sci sc csic iriunfo da juvcniudc scra
un fcnóncno ¡assagciro ou una aiiiudc
¡rofunda quc a vida Iunana ionou c quc
cIcgara a qualificar ioda una c¡oca. E ¡rcciso
quc ¡assc algun icn¡o ¡ara ¡odcr avcniurar
csic ¡rognosiico. O fcnóncno c dcnasiado
rcccnic c ainda nao sc ¡odc vcr sc csia nova vida
in nodo juvcniuiis scra ca¡az do quc dc¡ois
dirci, scn o quc nao c ¡ossívcl a ¡crduraçao dc
scu iriunfo. Mas sc fosscnos aicndcr so ao
as¡ccio do noncnio aiual, scrcnos forçados a
dizcr. icn Iavido na Iisioria ouiras c¡ocas cn
quc ¡rcdoninaran os jovcns, nas nunca, cnirc
as lcn conIccidas,(104} o ¡rcdonínio icn sido iao
c×ircnado c c×clusivo. Nos scculos classicos da
Crccia, a vida ioda organiza-sc cn iorno do cfclo,
nas junio a clc, c cono ¡oicncia con¡cnsaioria,
csia o Ioncn naduro quc o cduca c dirigc. A
¡arclIa Socraics-Alcilíadcs sinloliza nuiio lcn
a cquaçao dinanica dc juvcniudc c nadurcza
dcsdc o scculo V no icn¡o dc Alc×andrc. O jovcn
Alcilíadcs iriunfa solrc a socicdadc, nas sol
condiçao dc scrvir ao cs¡íriio quc Socraics
rc¡rcscnia. Dcsic nodo, a graça c o vigor juvcnis
sao ¡osios a scrviço dc algo acina dclcs, quc lIcs
scrvc dc norna, dc inciiaçao c dc frcio. Fona,
¡clo conirario, ¡rcfcrc o vclIo ao jovcn c
sulncic-sc à figura do scnador, do ¡ai dc fanília.
O ºfilIo", cnircianio, o jovcn aiua scn¡rc dianic
do scnador cn forna dc o¡osiçao. Os dois noncs
354
quc cnuncian os ¡ariidos da luia nuliissccular
aludcn a csia dualidadc dc ¡oicncias. ¡airícios c
¡rolciarios. Anlos significan ºfilIos", uns sao
filIos dc ¡ai cidadao, casado scgundo lci do
Esiado c ¡or isso Icrdciros dc lcns, ao ¡asso quc
o ¡rolciario c filIo no scniido da carnc, nao c
filIo dc ºalgucn" rcconIccido, c ncro
dcsccndcnic c nao Icrdciro, ¡rolc. (Cono sc vc a
iradiçao c×aia dc ¡airício scria fidalgo}.
Para acIar ouira c¡oca dc juvcniudc cono a
nossa, scria ¡rcciso dcsccr aic o Fcnascincnio.
Fc¡assc o lciior ra¡idancnic a scric dc c¡ocas
curo¡cias. O ronaniicisno, quc con una ou
ouira inicnsidadc in¡rcgna iodo o scculo XIX,
¡odc ¡arcccr cn sua iniciaçao un icn¡o dc
jovcns. Ha nclc, cfciivancnic, una sulvcrsao
conira o ¡assado c c un cnsaio dc sc afirnar a si
ncsna a juvcniudc. A Fcvoluçao fizcra ialua
rasa da gcraçao ¡rcccdcnic c ¡crniiiu duranic
quinzc anos quc ocu¡asscn iodas as cnincncias
sociais Ioncns nuiio noços. O jacolino c o
gcncral dc Dona¡aric sao ra¡azcs. Enircianio,
ofcrccc csic icn¡o o c×cn¡lo dc un falso iriunfo
juvcnil, c o ronaniicisno ¡ora dc nanifcsio sua
carcncia dc auicniicidadc. O jovcn rcvolucionario
c so o c×ccuior das vclIas idcias confcccionadas
nos dois scculos anicriorcs. O quc o jovcn afirna
cniao nao c a sua juvcniudc, nas ¡rincí¡ios
rccclidos. nada iao rc¡rcscniaiivo cono
Folcs¡icrrc, o vclIo dc nascincnio. Quando no
355
ronaniicisno sc rcagc conira o scculo XVIII c
¡ara voliar a un ¡assado nais aniigo, c os jovcns
ao olIar dcniro dc si so acIan ina¡cicncia viial.
E a c¡oca dos llascs, dos suicídios, o ar
¡rcnaiurancnic caduco no andar c no scniir. O
jovcn iniia cn si o vclIo, ¡rcfcrc suas aiiiudcs
faiigadas c a¡rcssa-sc a alandonar sua
nocidadc. Todas as gcraçõcs do scculo XIX
as¡iraran a scr naduras o nais dc¡rcssa
¡ossívcl c scniian una csiranIa vcrgonIa dc sua
¡ro¡ria juvcniudc. Con¡arc-sc con os jovcns
aiuais ÷ varõcs c fcncas ÷ quc icndcn a
¡rolongar iliniiadancnic sua nocidadc c sc
insialan ncla cono dcfiniiivancnic.
Sc danos un ¡asso airas caínos no scculo
vicilloi ¡or c×cclcncia, o XVIII, quc alonina dc
ioda qualidadc juvcnil, dcicsia o scniincnio c a
¡ai×ao, o cor¡o clasiico c nu. É o scculo do
cniusiasno ¡clos dccrc¡iios, quc csircnccc ao
¡asso dc Voliairc, cadavcr vivcnic quc ¡assa
sorrindo dc si ncsno no sorriso inuncravcl dc
suas rugas. Para c×ircnar ial csiilo dc vida fingc-
sc na calcça a ncvc da idadc, c a ¡cruca
cn¡oada colrc ioda icsia ¡rinavcril ÷ Ioncn
ou nulIcr ÷ con una su¡osiçao dc scsscnia
anos.
Ao cIcgar ao scculo XVIII ncsic viriual
¡roccsso icnos dc nos inicrrogar, ingcnuancnic
sur¡rcsos. Para ondc foran os jovcns? Quanio
356
valc ncsia idadc ¡arccc icr quarcnia anos. o irajc,
o uso, os nodos, sao so adcquados à gcnic dcssa
idadc. Dc Ninon csiina-sc a nadurcza, nao a
confusa juvcniudc. Donina a ccniuria Dcscarics,
vcsiido à cs¡anIola, dc ncgro. Dusca-sc ¡or ioda
a ¡aric a raison c inicrcssa nais quc nada a
icologia. jcsuíias conira Janscnio. Pascal, o
garoio gcnial, c gcnial ¡orquc anicci¡a a
ancianidadc dos gcónciras.
El Sol, 9 dc junIo dc 1927.

II

Todo gcsio viial, ou c un gcsio dc donínio ou
un gcsio dc scrvidao. Tcriiun non daiur. O gcsio
dc conlaic quc ¡arccc inicr¡olar-sc cnirc anlos
¡cricncc, a rigor, a un ou ouiro csiilo. A gucrra
ofcnsiva vai ins¡irada ¡cla scgurança na viioria c
anicci¡a o donínio. A gucrra dcfcnsiva soi
cn¡rcgar iaiicas vis, ¡orquc no fundo dc sua
alna o aiacado csiina nais quc a si ncsno o
ofcnsor. Esia c a causa quc dccidc un ou ouiro
csiilo dc aiiiudc.
O gcsio scrvil o c ¡orquc o scr nao graviia
solrc si ncsno, nao csia scguro dc scu ¡ro¡rio
valor c cn iodo insianic vivc con¡arando-sc con
ouiros. Ncccssiia dclcs cn una ou ouira forna;
357
ncccssiia dc sua a¡rovaçao ¡ara sc iranquilizar,
quando nao dc sua lcncvolcncia c dc scu ¡crdao.
Por isso o gcsio lcva scn¡rc una rcfcrcncia ao
¡ro×ino. Scrvir c cncIcr nossa vida dc aios quc
icn valor so ¡orquc ouiro scr os a¡rova ou
a¡rovciia. Tcn scniido olIados da vida dcsic
ouiro scr, nao da nossa vida. E csia c, cn
¡rincí¡io, a scrvidao. vivcr dcsdc ouiro, nao dcsdc
si ncsno.
O csiilo dc donínio, ¡or scu iurno, nao
in¡lica a viioria. Por isso a¡arccc con nais
¡urcza quc nunca cn ccrios casos dc gucrra
dcfcnsiva quc concluíran con a con¡lcia dcrroia
do dcfcnsor. O caso dc Nunancia c c×cn¡lar. Os
nunaniinos ¡ossucn una fc inquclraniavcl cn
si ncsnos. Sua longa can¡anIa conira Fona
concçou ¡or scr dc ofcnsiva. Dcs¡rczavan o
ininigo c, con cfciio, o dcrroiavan una vcz c
ouira(105}. Quando nais iardc, rccolIcndo c
organizando nclIor suas forças su¡criorcs, Fona
a¡cria Nunancia, csia, dir-sc-a, iona a
dcfcnsiva, nas ¡ro¡riancnic nao sc dcfcndc,
cfciivancnic aniquila-sc, su¡rinc-sc. O faio
naicrial da su¡crioridadc dc forças no ininigo
convida ao ¡ovo dc alna doninanic a ¡rcfcrir sua
¡ro¡ria anulaçao. Porquc so salc vivcr dcsdc si
ncsno, c a nova forna dc c×isicncia quc o
dcsiino lIc ¡ro¡õc ÷ scrvidao ÷ lIc c
inconcclívcl, lIc salc a ncgaçao do vivcr ncsno;
¡orianio, c a noric.
358
Nas gcraçõcs anicriorcs a juvcniudc vivia
¡rcocu¡ada con a nadurcza. Adnirava os
naiorcs, rccclia dclcs as nornas ÷ cn aric,
cicncia, ¡olíiica, usos c rcginc dc vida ÷,
cs¡crava sua a¡rovaçao c icnia scu cnfado. So sc
cnircgava a si ncsna, ao quc c ¡cculiar a ial
idadc, sulrc¡iiciancnic c cono à nargcn. Os
jovcns scniian sua ¡ro¡ria juvcniudc cono una
iransgrcssao do quc c dcvido. Oljciivancnic sc
nanifcsiava isio no faio dc quc a vida social nao
csiava organizada cn visia dclcs. Os cosiuncs,
os ¡razcrcs ¡ullicos Iavian sido ajusiados ao
ii¡o dc vida ¡ro¡rio ¡ara as ¡cssoas naduras, c
clcs iinIan dc sc conicniar con as zurra¡as quc
csias lIcs dci×avan ou lançar-sc às csiroiniccs.
Aic no vcsiir vian-sc forçados a iniiar os vclIos.
as nodas csiavan ins¡iradas na convcnicncia da
gcnic naior. As noças sonIavan con o noncnio
cn quc sc vcsiirian ºà voniadc", qucr dizcr, cn
quc adoiarian o irajc dc suas nacs. En suna, a
juvcniudc vivia a scrviço da nadurcza.
A nudança o¡crada ncsic ¡onio c faniasiica.
Hojc a juvcniudc ¡arccc dona indiscuiívcl da
siiuaçao, c iodos os scus novincnios vao
saiurados dc donínio. En sua aiiiudc
irans¡arccc lcn clarancnic quc nao sc ¡rcocu¡a
o nínino con a ouira idadc. O jovcn aiual
Ialiia Iojc sua juvcniudc con ial rcsoluçao c
dcnodo, con ial alandono c scgurança, quc
¡arccc c×isiir so ncla. O quc a nadurcza ¡cnsc
359
dcla nao lIc in¡oria un caracol; nais ainda. a
nadurcza ¡ossui a scus olIos un valor ¡ro×ino
ao cónico.
Mudaran-sc as iornas. Hojc o Ioncn c a
nulIcr naduros vivcn quasc solrcssaliados,
con a vaga in¡rcssao dc quc quasc nao icn
dirciio a c×isiir. Advcricn a invasao do nundo
¡cla nocidadc cono ial c concçan a fazcr gcsios
scrvis. Dcsdc logo, iniian-na no irajar. (TcnIo
susicniado nuiias vczcs quc as nodas nao cran
un faio frívolo, nas un fcnóncno dc grandc
iransccndcncia Iisiorica, olcdicnic a causas
¡rofundas. O c×cn¡lo ¡rcscnic csclarccc con
c×ausiiva cvidcncia cssa afirnaçao}.
As nodas aiuais csiao ¡cnsadas ¡ara cor¡os
juvcnis, c c iragicónica a siiuaçao dc ¡ais c nacs
quc sc vccn olrigados a iniiar scus filIos c
filIas na induncniaria. Os quc ja andanos na
curva dcsccndcnic da vida vcno-nos na inaudiia
ncccssidadc dc icr dc dcsandar un ¡ouco o
caninIo ¡crcorrido, cono sc o Iouvcsscnos
crrado, c fazcr-nos ÷ dc grado ou nao ÷ nais
jovcns do quc sonos. Nao sc iraia dc fingir una
nocidadc quc sc auscnia dc nossa ¡cssoa, nas
quc o nodulo adoiado ¡cla vida oljciiva c o
juvcnil c nos força a sua adoçao. Cono con o
vcsiir, aconiccc con iudo o rcsio. Os usos,
¡razcrcs, cosiuncs, nodos, csiao ialIados à
ncdida dos cfclos.
360
É curioso, fornidavcl, o fcnóncno, c convida
a cssa Iunildadc c dcvoçao anic o ¡odcr, ao
ncsno icn¡o criador c irracional, da vida quc cu
fcrvorosancnic rcconcndci duranic ioda a
ninIa. Noic-sc quc cn ioda a Euro¡a a
c×isicncia social csia Iojc organizada ¡ara quc
¡ossan vivcr a gosio so os jovcns das classcs
ncdias. Os naiorcs c as arisiocracias ficaran
fora da circulaçao viial, siniona cn quc sc
cnlaçan dois faiorcs disiinios ÷ juvcniudc c
nassa ÷ doninanics na dinanica dcsic icn¡o.
O rcginc dc vida ncdia a¡crfciçoou-sc ÷ ¡or
c×cn¡lo, os ¡razcrcs ÷, c, cn iroca, as
arisiocracias nao soulcran criar ¡ara si novos
rcfinancnios quc as disiancicn da nassa. So lIc
rcsia a con¡ra dc oljcios nais caros, nas do
ncsno ii¡o gcral quc os usados ¡clo Ioncn
ncdio. As arisiocracias, dcsdc 1800 no ¡olíiico, c
dcsdc 1900 no social, icn sido lcvadas dc roldao,
c c lci da Iisioria quc as arisiocracias nao ¡odcn
scr lcvadas dc roldao scnao quando ¡rcviancnic
caíran cn irrcncdiavcl dcgcncraçao.
Mas Ia un faio quc sullinIa nais quc ouiro
algun csic iriunfo da juvcniudc c rcvcla aic quc
¡onio c ¡rofundo o iransiorno dc valorcs na
Euro¡a. Fcfiro-nc ao cniusiasno ¡clo cor¡o.
Quando sc ¡cnsa na juvcniudc, ¡cnsa-sc anics
dc iudo no cor¡o. Por varias razõcs. cn ¡rinciro
lugar, a alna icn una frcscura nais ¡rolongada,
quc às vczcs cIcga a ornar a vclIicc da ¡cssoa;
361
cn scgundo lugar, a alna c nais ¡crfciia cn
ccrio noncnio da nadurcza quc na juvcniudc.
Solrciudo, o cs¡íriio ÷ inicligcncia c voniadc ÷
c, scn duvida, nais vigoroso na ¡lcniiudc da vida
quc cn sua cia¡a asccnsional. Por scu iurno, o
cor¡o icn sua flor ÷ scu alnc, dizian os grcgos
÷ na csiriia juvcniudc, c, vicc-vcrsa, dccai
infalivclncnic quando csia sc irans¡õc. Por isso,
dcsdc un ¡onio dc visia su¡crior às oscilaçõcs
Iisioricas, ¡or assin dizcr, sul s¡ccic
acicrniiaiis, c indiscuiívcl quc a juvcniudc rcndc
a naior dclícia ao scr olIada, a nadurcza, ao scr
ouvida. O adniravcl do noço c o scu c×icrior; o
adniravcl do Ioncn fciio c sua iniinidadc.
Pois lcn. Iojc ¡rcfcrc-sc o cor¡o ao cs¡íriio.
Nao crcio quc Iaja siniona nais in¡orianic na
c×isicncia curo¡cia aiual. Talvcz as gcraçõcs
anicriorcs rcndcsscn dcnasiado culio ao cs¡íriio
c ÷ salvo a Inglaicrra ÷ dcsdcnIaran
c×ccssivancnic a carnc. Era convcnicnic quc o
scr Iunano fossc adnocsiado c sc lIc rccordassc
quc nao c so alna, nas uniao nagica dc cs¡íriio
c cor¡o.
O cor¡o c ¡or si ¡ucrilidadc. O cniusiasno
quc Iojc dcs¡cria inundou dc infaniilisno a vida
coniincnial, afrou×ou a icnsao do iniclccio c
voniadc cn quc sc rciorccu o scculo XIX, arco
dcnasiado rcicsado ¡ara ncias dcnasiado
¡rollcnaiicas. Vanos dar un dcscanso ao cor¡o.
362
A Euro¡a ÷ quando icn dianic dc si os
¡rollcnas nais ¡avorosos ÷ cnircga-sc a unas
fcrias. Drinda clasiico o nusculo do cor¡o
dcsnudo airas dc una lola dc fuiclol quc dcclara
francancnic scu dcsdcn a ioda iransccndcncia
voando ¡clo ar con ar cn scu inicrior.
As associaçõcs dc csiudanics alcnacs
soliciiaran cncrgicancnic quc sc rcduza o ¡lano
dc csiudos univcrsiiarios. A razao quc davan nao
cra Ii¡ocriia. urgia dininuir as Ioras dc csiudo
¡orquc clcs ¡rccisavan do icn¡o ¡ara scus jogos
c divcrsõcs, ¡ara ºvivcr a vida".
Esia aiiiudc doninanic quc Iojc icn a
juvcniudc ¡arccc-nc significaiivo. So nc ocorrc
una rcscrva ncnial. Enircga iao con¡lcia a scu
¡ro¡rio noncnio c jusia cnquanio afirna o
dirciio da nocidadc cono ial, anic a sua aniiga
scrvidao. Mas, nao c c×orliianic? A juvcniudc,
csiadio da vida, icn dirciio a si ncsna; nas ¡or
scr un csiadio vai afciada inc×oravclncnic dc un
caraicr iransiiorio. FccIando-sc cn si ncsna,
coriando as ¡onics c qucinando as navcs quc
conduzcn aos csiadios sulscqucnics, ¡arccc
dcclarar-sc cn rclcldia c sc¡araiisno do rcsio da
vida. Sc c falso quc o jovcn nao dcvc fazcr ouira
coisa scnao ¡rc¡arar-sc ¡ara scr vclIo, ianlcn c
crro ¡arvo iludir ¡or con¡lcio csia cauicla. Pois c
o caso quc a vida, oljciivancnic, ncccssiia da
nadurcza; ¡orianio, quc a juvcniudc ianlcn a
363
ncccssiia. É ¡rcciso organizar a c×isicncia.
cicncia, iccnica, riqucza, salcr viial, criaçõcs dc
ioda ordcn, sao rcqucridas ¡ara quc a juvcniudc
¡ossa alojar-sc c divcriir-sc. A juvcniudc dc
agora, iao gloriosa, corrc o risco dc arrilar a una
nadurcza inc¡ia. Hojc goza o ocio florcsccnic quc
lIc criaran gcraçõcs scn juvcniudc(106}.
Mcu cniusiasno ¡clo as¡ccio juvcnil quc a
vida adoiou nao sc dcicn scnao anic cssc icnor.
Quc vao fazcr aos quarcnia os curo¡cus
fuiclolisias? Porquc o nundo c ccriancnic una
lola, nas icndo dcniro dc si nais do quc sin¡lcs
ar.
El Sol, 19 dc junIo dc 1927.
364

MASCULINO OU FEMININO?

Nao Ia duvida quc nosso icn¡o c icn¡o dc
jovcns. O ¡cndulo da Iisioria, scn¡rc inquicio,
asccndc agora ¡clo quadranic ºnocidadc". O novo
csiilo dc vida concçou nao Ia nuiio, c ocorrc quc
a gcraçao ¡ro×ina ja aos quarcnia anos icn sido
una das nais inforiunadas quc c×isiiran. Porquc
quando cra jovcn rcinavan ainda na Euro¡a os
vclIos, c agora quc cnirou na nadurcza dc¡ara
quc o in¡crio sc iransfcriu ¡ara a nocidadc.
Faliou-lIc, ¡ois, a Iora dc iriunfo c dc donínio, a
o¡oriunidadc dc graia coincidcncia con a ordcn
rcinanic na vida. En suna. quc vivcu scn¡rc ao
rcvcs con o nundo, c, cono o csiurjao, icvc dc
nadar scn dcscanso conira a corrcnicza do
icn¡o. Os nais vclIos c os nais jovcns
dcsconIcccn csic duro dcsiino dc nao Iavcr
fluiuado nunca; qucro dizcr, dc nunca Iavcr
scniido a ¡cssoa cono lcvada ¡or un clcncnio
favoravcl, c quc ¡clo conirario dia a¡os dia c
lusiro a¡os lusiro icvc dc vivcr cn sus¡cnso,
susicniando-sc a ¡ulso solrc o nívcl da
c×isicncia. Mas ialvcz csia ncsna
in¡ossililidadc dc sc alandonar un so insianic
a disci¡linou c ¡urificou solrcnancira. É a
365
gcraçao quc nais conlaicu, quc ganIou a rigor
nais laialIas c ncnos iriunfos icn gozado(107}.
Mas dci×cnos ¡or cnquanio iniacio o icna
dcssa gcraçao inicrncdiaria c rcicnIanos a
aicnçao solrc o noncnio aiual. Nao lasia dizcr
quc vivcnos cn icn¡o dc juvcniudc. Con isso
nao fizcnos nais do quc dcfini-lo dcniro do riino
das idadcs. Mas ao lado dcsic aiua solrc a
sulsiancia Iisiorica o riino dos sc×os. Tcn¡o dc
juvcniudc! Pcrfciiancnic. Mas, nasculino ou
fcninino? O ¡rollcna c nais suiil, nais dclicado
÷ quasc indiscrcio. Traia-sc dc filiar o sc×o dc
una c¡oca.
Para accriar ncsia, cono cn iodas as
cn¡rcsas da ¡sicologia Iisiorica, c ¡rcciso ionar
un ¡onio dc visia clcvado c lilcriar-sc dc idcias
csirciias solrc o quc c nasculino c o quc c
fcninino. Anics dc iudo c urgcnic dcsasir do
irivial crro quc cnicndc a nasculinidadc
¡rinci¡alncnic cn sua rclaçao con a nulIcr.
Para qucn ¡cnsa assin, c nuiio nasculino o
fanfarrao quc sc ocu¡a acina dc iudo dc coricjar
as danas c falar das loas fcncas. Esic cra o ii¡o
dc varao doninanic cn 1890. irajc larroco,
solrccasaca cujas alas ca¡cavan o vcnio,
¡lasirao, larla dc nosquciciro, calclo cn
voluias, un duclo ¡or ncs. (O lon fisiononisia
das nodas dcscolrc logo a idcia quc ins¡irava
csia. a oculiaçao do cor¡o viril sol una ¡rofusa
366
vcgciaçao dc icla c ¡clanc. Ficavan so à visia
naos, nariz c olIos. O rcsio cra falsificaçao,
liicraiura ic×iil, larlcaria. É una c¡oca dc
¡rofunda insinccridadc. discursos ¡arlancniarios
c ¡rosa dc ºariigo dc fundo"}(108}.
O faio dc quc ao ¡cnsar no Ioncn sc
dcsiaquc ¡rincirancnic scu afa ¡cla nulIcr
rcvcla, ¡or si so, quc ncssa c¡oca ¡rcdoninavan
os valorcs dc fcninilidadc. So quando a nulIcr c
o quc nais sc csiina c cncania icn scniido
a¡rcciar o varao ¡clo scrviço c culio quc a csia
rcnda. Nao Ia siniona nais cvidcnic dc quc o
nasculino, cono ial, c ¡rcicrido c dcscsiinado.
Porquc assin cono a nulIcr nao ¡odc cn
ncnIun caso scr dcfinida scn rcfcri-la ao varao,
icn csic o ¡rivilcgio dc quc a naior c a nclIor
¡orçao dc si ncsno c indc¡cndcnic ¡or con¡lcio
dc quc a nulIcr c×isia ou nao. Cicncia, iccnica,
gucrra, ¡olíiica, cs¡oric, cic., sao coisas cn quc o
Ioncn sc ocu¡a con o ccniro viial dc sua
¡cssoa, scn quc a nulIcr icnIa inicrvcnçao
sulsianiiva. Esic ¡rivilcgio do nasculino, quc lIc
¡crniic cn an¡la ncdida lasiar-sc a si ncsno,
ialvcz ¡arcça irriianic. É ¡ossívcl quc o scja. Eu
nao o a¡laudo ncn o viiu¡cro, nas ian¡ouco o
invcnio. É una rcalidadc dc ¡rincira grandcza
con quc a Naiurcza, inc×oravcl cn suas
voniadcs, nos olriga a coniar.
367
A vcracidadc, ¡ois, nc força a dizcr quc iodas
as c¡ocas nasculinas da Iisioria sc caracicrizan
¡cla falia dc inicrcssc ¡cla nulIcr. Esia fica
rclcgada ao fundo da vida, aic o ¡onio dc quc o
Iisioriador, forçado a una oiica dc lonjura,
a¡cnas a vc. No froniis¡ício Iisiorico a¡arcccn so
Ioncns, c, con cfciio, os Ioncns vivcn na c¡oca
so con Ioncns. Scu iraio nornal con a nulIcr
fica c×cluído na zona diurna c luninosa cn quc
aconiccc o nais valioso da vida, c sc rccolIc na
ircva, no sulicrranco das Ioras infcriorcs,
cnircgucs aos ¡uros insiinios ÷ scnsualidadc,
¡aicrnidadc, faniliaridadc ÷. Egrcgia ocasiao dc
nasculinidadc foi o scculo dc Pcriclcs, Scculo so
¡ara Ioncns. Vivc-sc cn ¡ullico. agora, ginasio,
acan¡ancnio, irirrcnc. O Ioncn naduro
assisic aos jogos dos cfclos nus c Ialiiua-sc a
disccrnir as nais finas qualidadcs da lclcza
varonil, quc o csculior vai concniar no narnorc.
Por sua ¡aric, o adolcsccnic lclc no ar aiico a
flucncia dc ¡alavras agudas quc lroia dos vclIos
dialciicos, scniados nos ¡oriicos con o cajado na
a×ila. A nulIcr?... Sin, à uliina Iora, no
lanqucic varonil, a¡arccc sol a cs¡ccic dc
flauiisias c dançarinas quc c×ccuian suas
Iunildcs dcsirczas ao fundo, nuiio ao fundo da
ccna, cono a¡oio c ¡ausa à convcrsaçao quc
languidccc. Alguna vcz, a nulIcr sc adiania un
¡ouco. As¡asia. Por quc? Porquc a¡rcndcu o
salcr dos Ioncns, ¡orquc sc nasculinizou.
368
Enlora o grcgo icnIa salido cscul¡ir
fanosos cor¡os dc nulIcr, sua inicr¡rciaçao da
lclcza fcninina nao conscguiu dcs¡rcndcr-sc da
¡rcfcrcncia quc scniia ¡cla lclcza do varao. A
Vcnus dc Milo c una figura nasculo-fcninil, una
cs¡ccic dc ailcia con scios. E c un c×cn¡lo dc
cónica insinccridadc quc icnIa sido ¡ro¡osia ial
inagcn ao cniusiasno dos curo¡cus duranic o
scculo XIX, quando nais clrios vivian dc
ronaniicisno c dc fcrvor ¡cla ¡ura, c×ircna
fcninilidadc. O canonc da aric grcga ficou
inscriio nas fornas do noço dcs¡oriisia, c
quando isio nao lIc lasiou ¡rcfcriu sonIar con o
Icrnafrodiia. (É curioso advcriir quc a
scnsualidadc noviça da criança a faz
nornalncnic sonIar con o Icrnafrodiia; quando
nais iardc sc¡ara a forna nasculina sofrc ÷ ¡or
un insianic ÷ anarga dcsilusao. A forna
fcninina lIc ¡arccc cono una nuiilaçao da
nasculina; ¡orianio, cono algo incon¡lcio c
vulncrado}(109}.
Scria un crro airiluir csic nasculinisno,
quc culnina no scculo dc Pcriclcs, a una naiiva
ccgucira do Ioncn grcgo ¡ara os valorcs da
fcninilidadc, c o¡or-lIc o su¡osio rcndincnio do
gcrnano anic a nulIcr. A vcrdadc c quc cn
ouiras c¡ocas da Crccia anicriorcs à classica
iriunfou o fcninino, cono cn ccrias cia¡as do
gcrnanisno donina o varonil. Prccisancnic
csclarccc nclIor quc ouiro c×cn¡lo a difcrcnça
369
cnirc c¡ocas dc un c ouiro sc×o o aconiccido na
Idadc Mcdia, quc ¡or si ncsna sc dividc cn duas
¡orçõcs. a ¡rincira, nasculina; a scgunda, dcsdc
o scculo XII, fcninina.
Na ¡rincira Idadc Mcdia a vida icn o nais
rudc as¡ccio. E ¡rcciso gucrrcar coiidianancnic
c à noiic con¡cnsar o csforço con o alandono c
o frcncsi da orgia. O Ioncn vivc quasc scn¡rc
cn acan¡ancnios, so con ouiros Ioncns, cn
¡cr¡ciua cnulaçao con clcs solrc icnas viris.
csgrina, cavalaria, caça, lclida. O Ioncn, cono
diz un ic×io da c¡oca, nao ºdcvc sc¡arar-sc, aic a
noric, da crina dc scu cavalo c ¡assara sua vida
à sonlra da lança". Todavia cn icn¡os dc Danic
alguns nolrcs ÷ os Lanlcrii, os Soldanicri ÷
conscrvavan, con cfciio, o ¡rivilcgio dc scr
cnicrrados a cavalo(110}.
En ial ¡aisagcn noral, a nulIcr carccc dc
¡a¡cl c nao inicrvcn no quc ¡odcnos cIanar
vida dc ¡rincira classc. Enicndano-nos. cn
iodas as c¡ocas dcscjou-sc a nulIcr, nas nao cn
iodas foi csiinada. Assin ncsia lronca idadc. A
nulIcr c ¡rcsa dc gucrra. Quando o gcrnano
dcsics scculos sc ocu¡a cn idcalizar a nulIcr,
inagina a valquíria, a fcnca lcligcranic, virago
nusculosa quc ¡ossui aiiiudcs c dcsirczas dc
varao.
370
Esia c×isicncia dc as¡cro rcginc cria as
lascs ¡rinciras, o sulsolo do ¡orvir curo¡cu.
Mcrcc a cla conscguiu-sc ja no scculo XII
acunular alguna riqucza, coniar con un ¡ouco
dc ordcn, dc ¡az, dc lcn-csiar. E cis aqui quc
ra¡idancnic, cono cn ccrias jornadas dc
¡rinavcra, nuda a facc da Iisioria. Os Ioncns
concçan a ¡olir-sc na ¡alavra c nos nodos. Ja
nao sc a¡rccia o gcsio lronco, nas o gcsio
ncsurado, gracil. À coniínua ¡cndcncia sulsiiiui
o solaiz c dc¡ori quc qucr dizcr convcrsaçao c
jogo. A nuiaçao sc dcvc ao ingrcsso da nulIcr no
ccnario da vida ¡ullica. A Coric dos Carolíngios
cra c×clusivancnic fcninina. Mas no scculo XII
as alias danas dc Provcnça c DorgonIa icn a
audacia sur¡rccndcnic dc afirnar, anic o Esiado
dos gucrrciros c anic a Igrcja dos clcrigos, o valor
cs¡ccífico da ¡ura fcninilidadc. Esia nova forna
dc vida ¡ullica, ondc a nulIcr c o ccniro, conicn
o gcrnc do quc, anic o Esiado c a Igrcja, vai sc
cIanar scculos nais iardc ºsocicdadc". CIanou-
sc cniao ºcoric" ÷ nas nao cono a aniiga coric
dc gucrra c dc jusiiça, nas ºcoric dc anor".
Traia-sc, nada nais nada ncnos, dc iodo un
novo csiilo dc culiura c dc vida...
El Sol, 26 dc junIo dc 1927.

II
371

Traia-sc, nada nais nada ncnos, dc iodo un
novo csiilo dc culiura c dc vida. Porquc aic o
scculo XII nao sc Iavia cnconirado a nancira dc
afirnar a dclícia da c×isicncia, do nundanal anic
o cncrgico ºialu" quc solrc iodo o icrrcno fizcra
cair a Igrcja. Agora a¡arccc a ºcoricsia"
iriunfadora da ºclcrczia". E a ºcoricsia" c, anics
dc iudo, o rcginc dc vida quc vai ins¡irado ¡clo
cniusiasno ¡cla nulIcr. Vc-sc ncla a norna c o
ccniro da criaçao. Scn a violcncia do conlaic ou
do anaicna, suavissinancnic, a fcninilidadc
clcva-sc a na×ino ¡odcr Iisiorico. Cono acciian
csic jugo o gucrrciro c o saccrdoic, cn cujas
naos sc acIavan iodos os ncios da luia? Nao
calc nais claro c×cn¡lo da força indonavcl quc o
ºscniir do icn¡o" ¡ossui. A rigor, c iao ¡odcroso
quc nao ncccssiia conlaicr. Quando cIcga,
noniado solrc os ncrvos dc una nova gcraçao,
sin¡lcsncnic sc insiala no nundo cono una
¡ro¡ricdadc indiscuiida.
A vida do varao ¡crdc o nodulo da cia¡a
nasculina c sc conforna ao novo csiilo. Suas
arnas ¡rcfcrcn ao conlaic a jusiiça c o iorncio,
quc csiao ordcnados ¡ara scr visios ¡clas danas.
Os irajcs dos Ioncns concçan a iniiar as linIas
do irajc fcninino, ajusian-sc à ciniura c sc
dccoian aic o colo. O ¡ocia dci×a un ¡ouco a
372
gcsia cn quc sc cania o Icroi varonil c iorncia a
irova quc foi invcniada
sol ¡cr donnas lauzar(111}.
O cavalIciro dcsvia suas idcias fcudais ¡ara
a nulIcr c dccidc ºscrvir" a una dana, cuja cifra
¡õc no cscudo. Dcsia c¡oca ¡rovcn o culio à
Virgcn Maria, quc ¡rojcia nas rcgiõcs
iransccndcnics a cnironizaçao do fcninino,
aconiccida na ordcn sullunar. A nulIcr iorna-
sc idcal do Ioncn, c cIcga a scr a forna dc iodo
idcal. Por isso, no icn¡o do Danic, a figura
fcninina alsorvc o ofício alcgorico dc iudo quc c
sullinc, dc iudo quc c as¡iraçao. No final das
conias, consia ¡clo Ccncsc quc a nulIcr nao
csia fciia dc larro cono o varao, nas fciia dc
sonIo do varao.
E×crciiada a ¡u¡ila ncsics csqucnas do
¡rcicriio, quc facilncnic ¡odcríanos nulii¡licar,
volia-sc ao ¡anorana aiual c conIccc no ncsno
insianic quc nosso icn¡o nao c so icn¡o dc
juvcniudc, nas dc juvcniudc nasculina. O dono
do nundo c Iojc o ra¡az. E o c, nao ¡orquc o
icnIa conquisiado, nas a força dc dcsdcn. A
nocidadc nasculina afirna-sc a si ncsna,
cnircga-sc a scus gosios c a¡ciiics, a scus
c×crcícios c ¡rcfcrcncias, scn sc ¡rcocu¡ar con o
rcsio, scn acaiar ou rcndcr culio a nada quc nao
scja sua ¡ro¡ria juvcniudc. É sur¡rccndcnic a
373
rcsoluçao c a unaninidadc con quc os jovcns
dccidiran nao ºscrvir" a nada ncn a ningucn,
salvo à idcia ncsna da nocidadc. Nada ¡arcccria
nais olsolcio quc o gcsio rcndido c curvo con
quc o cavalIciro fanfarrao dc 1890 sc a¡ro×inava
da nulIcr ¡ara lIc dizcr una frasc galanic,
rciorcida cono un caracol. As noças ¡crdcran o
Ialiio dc scr galanicadas, c cssc gcsio cn quc Ia
irinia anos rcssunavan iodas as rcsinas da
virilidadc, cIciraria Iojc a cfcninancnio.
Porquc a ¡alavra ºcfcninado" icn dois
scniidos nuiio divcrsos. Por un dclcs significa o
Ioncn anornal quc fisiologicancnic c un ¡ouco
nulIcr. Esics indivíduos nonsiruosos c×isicn
cn iodos icn¡os, cono dcsviaçao fisiologica da
cs¡ccic, c scu caraicr ¡aiologico os in¡cdc dc
rc¡rcscniar a nornalidadc dc ncnIuna c¡oca.
Mas, cn scu ouiro scniido, ºcfcninado" significa
sin¡lcsncnic Ionnc à fcnncs, o Ioncn nuiio
¡rcocu¡ado con a nulIcr, quc gira cn iorno dcla
c dis¡õc suas aiiiudcs c ¡cssoa cn visia dc un
¡ullico fcninino. En icn¡os dcsic sc×o, csscs
Ioncns ¡arcccn nuiio Ioncns; nas quando
solrcvcn cia¡as dc nasculinisno dcscolrc-sc o
quc nclcs Ia dc cfciivo cfcninancnio, a¡csar dc
scu as¡ccio dc naia-nouros.
Hojc, cono scn¡rc quc os valorcs nasculinos
¡rcdoninaran, o Ioncn csiina sua figura nais
quc a do sc×o conirario c, conscqucnicncnic,
374
cuida dc scu cor¡o c icndc a osicnia-lo. O vclIo
ºcfcninado" dcnonina csic novo cniusiasno dos
jovcns ¡clo cor¡o viril c cssc csncro con quc o
iraian, cfcninancnio, quando c o conirario. Os
ra¡azcs convivcn junios nos csiadios c arcas dc
cs¡orics. Nao lIcs inicrcssa nais quc scu jogo c a
naior ou ncnor ¡crfciçao na ¡osiura ou na
dcsircza. Convivcn, ¡ois, cn ¡cr¡ciuo concurso c
cnulaçao, quc vcrsan solrc qualidadcs viris. À
força dc conicn¡lar-sc nos c×crcícios ondc o
cor¡o a¡arccc iscnio dc falsificaçõcs ic×icis,
adquircn una fina ¡crcc¡çao da física varonil,
quc colra a scus olIos un valor cnornc. Noic-sc
quc so sc csiina a c×cclcncia nas coisas dc quc
sc cnicndc. So csias c×cclcncias, clarancnic
¡crcclidas, arrasian o anino c o
solrccolIcn(112}.
Daí quc as nodas nasculinas icnIan
icndido csics anos a sullinIar a arquiiciura
nasculina do Ioncn jovcn, sin¡lificando un
ii¡o dc irajc iao ¡ouco ¡ro¡ício ¡ara isso cono o
Icrdado do scculo XIX. Era nisicr quc sol os
iulos ou cilindros dc icla cn quc csic Iorrívcl
irajc c×isic, sc afirnassc o cor¡o do fuiclolisia.
Talvcz dcsdc os icn¡os grcgos nao sc icnIa
csiinado ianio a lclcza nasculina cono agora. E
o lon olscrvador noia quc nunca as nulIcrcs
falaran ianio c con ianio dcscaro cono agora
dos Ioncns sin¡aiicos. Anics, salian calar scu
375
cniusiasno ¡cla lclcza dc un varao, sc c quc a
scniian. Convcn, ainda, a¡oniar quc a scniian
nuiio ncnos quc na aiualidadc. Un vclIo
¡sicologo Ialiiuado a ncdiiar solrc csics
assunios salc quc o cniusiasno da nulIcr ¡cla
lclcza cor¡oral do Ioncn, solrciudo ¡cla lclcza
fundada na corrcçao ailciica, nao c quasc nunca
cs¡onianco. Ao ouvir Iojc con iania frcqucncia o
cínico clogio do Ioncn sin¡aiico lroiando dos
lalios fcnininos, cn vcz dc colcgir ingcnua c
sin¡lcsncnic. ºA nulIcr dc 1927 gosia
su¡crlaiivancnic dos Ioncns sin¡aiicos", faz
un dcscolrincnio nais ¡rofundo. a nulIcr dc
1927 dci×ou dc cunIar os valorcs ¡or si ncsna c
acciia o ¡onio dc visia dos Ioncns quc ncsia
daia scnicn, con cfciio, cniusiasno ¡cla
cs¡lcndida figura do ailcia. Vc, ¡ois, nisso, un
siniona dc ¡rincira caicgoria, quc rcvcla o
¡rcdonínio do ¡onio dc visia varonil.
Nao scria oljcçao conira isio quc alguna
lciiora, ¡crscruiando sinccrancnic cn scu
inicrior, rcconIcccssc quc nao sc a¡crcclia dc
scr influída cn sua csiina da lclcza nasculina
¡clo a¡rcço quc dcla fazcn os jovcns. Dc iudo
aquilo quc c un in¡ulso colciivo c ¡ro¡clc a vida
Iisiorica inicira cn una ou ouira dircçao, nao
nos a¡crcclcnos nunca, cono nao nos
a¡crcclcnos do novincnio csiclar dc nosso
¡lancia, ncn a faina quínica cn quc sc ocu¡an
nossas cclulas. Cada qual crc vivcr ¡or sua conia,
376
cn viriudc dc razõcs quc su¡õc ¡crsonalíssinas.
Mas o faio c quc sol cssa su¡crfícic dc nossa
conscicncia aiuan as grandcs forças anóninas,
os ¡odcrosos alísios da Iisioria, so¡ros
giganicscos quc nos nolilizan a scu ca¡ricIo.
Tanlcn salc lcn a nulIcr dc Iojc ¡orquc
funa, ¡orquc sc vcsic cono sc vcsic, ¡orquc sc
csfalfa cn cs¡orics físicos. Cada una ¡odcra dar
sua razao difcrcnic, quc icnIa alguna vcrdadc,
nas nao a lasianic. É nuiia casualidadc quc
aiualncnic o rcginc da assisicncia fcninina nas
ordcns nais divcrsas coincida scn¡rc nisio. a
assinilaçao ao Ioncn. Sc no scculo XII o varao
sc vcsiia cono a nulIcr c fazia sol sua
ins¡iraçao vcrsinIos dulcífluos, Iojc a nulIcr
iniia o Ioncn no vcsiir c adoia scus as¡cros
jogos. A nulIcr ¡rocura acIar cn sua con¡lciçao
as linIas do ouiro sc×o. Por isso o nais
caracicrísiico das nodas aiuais nao c a
c×iguidadc do cncolrincnio, nas o o¡osio. Dasia
con¡arar o irajc dc Iojc con o usado na c¡oca
dc ouiro Dirciorio naior ÷ 1800 ÷ ¡ara
dcscolrir a csscncia varianic, ianio nais
cסrcssiva quanio naior c a scnclIança. O irajc
Dirciorio cra ianlcn una sin¡lcs iunica,
lasianic curia, quasc cono a dc agora.
Enircianio, aquclc nu cra un ¡crvcrso nu dc
nulIcr. Agora a nulIcr vai nua cono un ra¡az.
A dana Dirciorio accniuava, cingia c osicniava o
airiluio fcninino ¡or c×cclcncia. aqucla iunica
377
cra o nais solrio ialIc ¡ara susicniar a flor do
scio. O irajc aiual, a¡arcnicncnic iao gcncroso
na nudificaçao, oculia, ¡or scu iurno, anula,
cscanoicia, o scio fcninino.
É una cquivocaçao ¡sicologica cסlicar as
nodas vigcnics ¡or un su¡osio afa dc c×ciiar os
scniidos do varao, quc sc iornaran un ¡ouco
indolcnics. Esia indolcncia c un faio, c cu nao
ncgo quc no dcialIc da induncniaria c das
aiiiudcs influa cssc ¡ro¡osiio inciiaiivo. nas as
linIas gcrais da aiual figura fcninina csiao
ins¡iradas ¡or una inicnçao o¡osia. a dc sc
¡arcccr un ¡ouco con o Ioncn jovcn. O
dcscaro c in¡udor da nulIcr conicn¡oranca
sao, nais quc fcnininos, o dcscaro c in¡udor dc
un ra¡az quc cnircga à inicn¡cric sua carnc
clasiica. Tudo conirario, ¡ois, a una c×iliçao
lulrica c viciosa. Provavclncnic, as rclaçõcs cnirc
os sc×os nunca foran iao sadias, ¡aradisíacas c
nodcradas cono agora. O ¡crigo csia
vcrdadcirancnic na dircçao invcrsa. Porquc
aconicccu scn¡rc quc as c¡ocas nasculinas da
Iisioria, dcsinicrcssadas da nulIcr, rcndcran
csiranIo culio ao anor dorico. Assin foi no
icn¡o dc Pcriclcs, no dc Ccsar, no Fcnascincnio.
É, ¡ois, una lolagcn ¡crscguir cn nonc da
noral a lrcvidadc das saias cn uso. Ha nos
saccrdoics una nania nilcnar conira os
nodisnos. A ¡rincí¡ios do scculo XIII, noia
378
LucIairc, ºos scrnonarios nao ccssan dc
fulninar conira a longiiudc c×agcrada das saias,
quc sao, dizcn, una invcnçao dialolica"(113}. En
quc ficanos? Qual a saia dialolica? A curia ou a
longa?
Qucn ¡assou sua juvcniudc nuna c¡oca
fcninina consicrna-sc dc vcr a Iunildadc con
quc Iojc a nulIcr, dcsironada, ¡rocura insinuar-
sc c scr iolcrada na socicdadc dos Ioncns. A csic
fin acciia na convcrsaçao os icnas dc ¡rcfcrcncia
dos noços c fala dc cs¡orics c dc auionovcis, c
quando ¡assa a ronda dos coqucicis lclc cono
gcnic grandc. Esia dininuiçao do ¡odcr fcninino
solrc a socicdadc c causa dc quc a convivcncia
scja cn nossos dias iao as¡cra. Invcniora a
nulIcr da ºcoricsia", sua rciirada do ¡rinciro
¡lano social irou×c o in¡crio da dcscoricsia. Hojc
nao sc con¡rccndcria un faio cono o aconiccido
no scculo XVII ¡or noiivo da lcaiificaçao dc
varios sanios cs¡anIois ÷ cnirc clcs, Sanio
Inacio, S. Francisco Xavicr c Sania Tcrcsa dc
Jcsus ÷. O faio foi quc a lcaiificaçao sofrcu una
longa dcnora ¡cla dis¡uia surgida cnirc os
cardcais solrc qucn dcvia cnirar ¡rinciro na
oficial lcaiiiudc. a dana Cc¡cda ou os varõcs
jcsuíias.
El Sol, 3 dc julIo dc 1927.
379

NOTAS
(1} ÷ Vcja-sc o cnsaio do auior iniiiulado "Hisiory
as a Sysicn", no volunc PIiloso¡Iy and Hisiory.
Honagcs io Ernsi Cassircr, London, 1939 (V.
cdiçao cs¡anIola Hisioria cono sisicna. Madrid,
1942}. Vcja-sc o iono VI das Olras Con¡lcias do
auior.
(2} ÷ É jusio dizcr quc foi na França, so na
França, ondc sc iniciou un csclarccincnio c nisc
au ¡oini dc iodos csics concciios. En ouiro lugar
acIara o lciior alguna indicaçao solrc isio c,
ainda nais, solrc a causa dc quc cssa iniciaçao
sc nalograssc. Dc ninIa ¡aric ¡rocurci colalorar
ncsic csforço dc csclarccincnio ¡ariindo da
rcccnic iradiçao franccsa, su¡crior ncsia ordcn
dc icnas às dcnais. O rcsuliado dc ninIas
rcflc×õcs acIa-sc no livro, dc ¡ro×ina ¡ullicaçao,
El Ionlrc y la gcnic. Ncsic cnconirara o lciior o
dcscnvolvincnio c jusiificaçao dc iudo quc acalo
dc dizcr.
(3} ÷ MonarcIic univcrscllc. dcu× o¡usculcs,
1891, ¡ag. 36.
(4} ÷ Ocuvrcs con¡lcics (Calnan-Lcvy}. Vol.
XXII, ¡ag. 248.
380
(5} ÷ Na Inglaicrra as lisias dc rcsidcncias
indicavan junio a cada nonc o ofício c classc da
¡cssoa. Por isso, junio ao nonc dos sin¡lcs
lurgucscs a¡arccia a alrcviaiura s. nol., qucr
dizcr, scn nolrcza. Esia c a origcn da ¡alavra
snol.
(6} ÷ "La coc×isicncc ci lc conlai dc ¡rinci¡cs
divcrs". Cuizoi, Hisioirc dc La Civilisaiion cn
Euro¡c, ¡ag. 35. En un Ioncn iao difcrcnic dc
Cuizoi cono Fanlc cnconiranos a ncsna idcia.
ºLogo quc na Euro¡a un ¡rincí¡io, scja qual for,
icnia o donínio alsoluio, cnconira scn¡rc una
rcsisicncia quc sc lIc o¡õc dcsdc os nais
¡rofundos scios viiais." Ocuvrcs con¡lcics, 38,
¡ag., 110. En ouiro lugar (ionos 8 c 10, ¡. 3}. º0
nundo curo¡cu sc con¡õc dc clcncnios dc
origcn divcrsa, cn cuja ulicrior conira¡osiçao c
luia vccn ¡rccisancnic dcscnvolvcr-sc as
nudanças das c¡ocas Iisioricas". Nao Ia ncsias
¡alavras dc Fanlc una clara influcncia dc
Cuizoi? Un faior quc in¡cdc vcr ccrios csiraios
¡rofundos da Iisioria do scculo XIX c quc nao
csicja lcn csiudado o inicrcanlio dc idcias cnirc
a França c a AlcnanIa, diganos dc 1790 a 1830.
Talvcz o rcsuliado dcssc csiudo rcvclassc quc a
AlcnanIa rccclcu ncssa c¡oca nuiio nais da
França quc invcrsancnic.
(7} ÷ Con ccria saiisfaçao rcfcrc-sc Mnc. dc
Cas¡arin quc falando o Pa¡a Crcgorio XVI con o
381
cnlai×ador franccs, dizia aludindo a clc. ºE un
gran ninisiro. Dicono quc non ridc nai".
Corrcs¡ondancc avcc Mnc. dc Cas¡arin, ¡. 283.
(8} ÷ Sc o lciior dcscja infornar-sc, cnconirar-sc-
a, una c ouira vcz, con a fornula ilusoria dc quc
os douirinarios nao ¡ossuían una douirina
idcniica, nas quc variava dc un ¡ara ouiro.
Cono sc isio nao aconicccssc cn ioda cscola
iniclcciual c nao consiiiuíssc a difcrcnça nais
in¡orianic cnirc un gru¡o dc Ioncns c un
gru¡o dc granofoncs
(9} ÷ Ncsics uliinos anos, M. CIarlcs H. PouiIas
ionou solrc si a faiiganic iarcfa dc dcs¡ojar os
arquivos dc Cuizoi c ofcrcccr-nos nuna scric dc
voluncs un naicrial scn o qual scria in¡ossívcl
cn¡rccndcr a ulicrior faina dc rcconsiruçao.
Solrc Foycr-Collard nao Ia ncn isso. No fin dc
iudo c ¡rcciso rccorrcr aos csiudos dc Faguci
solrc o idcariun dc un c ouiro. Nao Ia nada
nclIor, c cnlora scjan sunancnic vivazcs, sao
alsoluiancnic insuficicnics.
(10} ÷ Por c×cn¡lo, ningucn ¡odc ficar con a
conscicncia iranquila ÷ cnicndc-sc quc icnIa
ºconscicncia" iniclcciual ÷ quando inicr¡rciou a
¡olíiica dc ºrcsisicncia" cono ¡ura c
sin¡lcsncnic conscrvadora. É dcnasiado
cvidcnic quc os Ioncns Foycr-Collard, Cuizoi,
Droglic, nao cran conscrvadorcs à-ioa. A ¡alavra
382
ºrcsisicncia", quc ao a¡arcccr na ciiaçao dc
Fanlc docuncnia o influ×o dc Cuizoi solrc csic
grandc Iisioriador, iona, ¡or sua vcz, una
suliia nudança dc scniido c, ¡or assin dizcr,
c×ilc-nos suas arcanas vísccras quando cn un
discurso dc Foycr-Collard lcnos. ºLcs lilcrics
¡ulliqucs nc soni ¡as auirc cIosc quc dcs
rcsisicnccs". (Vcja-sc dc Daranic. La vic ci lcs
discours dc Foycr-Collard, II, 130}. Eis aqui una
vcz nais a nclIor ins¡iraçao curo¡cia rcduzindo
a dinanisno iudo quc c csiaiico. O csiado dc
lilcrdadc suric dc una ¡luralidadc dc forças quc
nuiuancnic sc rcsisicn. Mas os discursos dc
Foycr-Collard sao Iojc iao ¡ouco lidos quc
¡arcccra in¡criincncia sc digo quc sao
naravilIosos, quc sua lciiura c una ¡ura dclícia
dc iniclccçao, quc c divcriida c aic alcgrc, c quc
consiiiucn a uliina nanifcsiaçao do nclIor
csiilo caricsiano.
(11} ÷ Vcja-sc o ciiado cnsaio do auior. Hisioria
cono sisicna.
(12} ÷ Prcicndcn os alcnacs quc foran clcs os
dcscolridorcs do social cono rcalidadc difcrcnic
dos indivíduos c ºanicrior" a csics. O Vollsgcisi
¡arccc-lIcs una dc suas idcias nais auiocioncs.
Esic c un dos casos quc nais rcconcndan o
csiudo ninucioso do inicrcanlio iniclcciual
franco-gcrnanico dc 1790 a 1830 a quc cn noia
anicrior nc rcfiro. Mas o icrno Vollsgcisi nosira
383
dcnasiado clarancnic quc c a iraduçao do
voliairiano cs¡rii dcs naiions. A origcn franccsa
do colciivisno nao c una casualidadc c olcdccc
às ncsnas causas quc fizcran da França o lcrço
da sociologia c dc scu rcnovo cn 1890
(DurlIcin}.
(13} ÷ Vcja-sc Docirinc dc Saini-Sinon, con
iniroduçao c noias dc C. Douglc c E. Halcvy (¡.
204, noia}. Alcn dc quc csia cסosiçao do saini-
sinonisno, fciia cn 1829, c una das olras nais
gcniais do scculo, o iralalIo acunulado nas
noias ¡or MM. Douglc c Halcvy consiiiui una das
coniriluiçõcs nais in¡orianics quc cu conIcço
ao cfciivo csclarccincnio da alna curo¡cia cnirc
1800 c 1830.
(14} ÷ Olra facil c uiil quc algucn dcvcria
cn¡rccndcr, scria rcunir os ¡rognosiicos quc cn
cada c¡oca sc fazcn solrc o fuiuro ¡ro×ino. Eu
colccionci os suficicnics ¡ara ficar csiu¡cfaio
anic o faio dc quc icnIa Iavido scn¡rc alguns
Ioncns quc ¡rcvccn o fuiuro.
(15} ÷ Siuari Mill. La lilcric, irad. Du¡oni-WIiic
(¡aginas 131-132}.
(16} ÷ Ccsannclic ScIrificn, I, 106.
(17} ÷ Hisioirc dc Jacqucs II, I, 843.
384
(18} ÷ ºJc irouvc ncnc quc dcs o¡inions
a¡¡rocIanics s'insinuani ¡cu à ¡cu dans l'cs¡rii
dcs Ionncs du grand nondc, qui rcglcni lcs
auircs ci doni dc¡cndcni lcs affaircs, ci sc
glissani dans lcs livrcs à la nodc dis¡oscni iouics
cIoscs à la rcvoluiion gcncralc doni d'Euro¡c csi
ncnaccc". Nouvcau× Essais sur l'cnicndcncni
Iunain, IV, CIa¡. 16. O quc dcnonsira duas
coisas. Princira. quc un Ioncn, cn 1700, daia
a¡ro×inada cn quc Lcilniz cscrcvia isio, cra
ca¡az dc ¡rcvcr o quc aconicccu un scculo
dc¡ois; scgunda. quc os nalcs ¡rcscnics da
Euro¡a sao oriundos dc rcgiõcs nais ¡rofundas
cronologica c viriualncnic do quc soi ¡rcsunir-sc
(19} ÷ º... noirc sicclc qui sc croii dcsiinc à
cIangcr lcs lois cn ioui gcnrc..." D'Alcnlcri.
Discours ¡rclininairc à l'Enciclo¡cdic. Ocuvrcs.
1,56 (1821}.
(20} ÷ ºCciic Ionncic, irrc¡rocIallc, nais
in¡rcvoyanic ci su¡crficicllc rcvoluiion dc 1848
cui ¡our conscqucncc, au loui dc noins d'un an,
dc donncr lc ¡ouvoir à l'clcncni lc ¡lus ¡csani, lc
noins clairvoyani, lc ¡lus olsiincncni
conscrvaicur dc noirc ¡ays". Fcnan. Qucsiions
conicn¡oraincs, XVI. Fcnan, quc cn 1848 cra
jovcn c sin¡aiizou con aquclc novincnio, vc-sc
olrigado na sua nadurcza a fazcr algunas
rcscrvas lcncvolas a scu favor, su¡ondo quc foi
ºIonrado c irrc¡rocIavcl".
385
(21} ÷ J. D. Carrc. La PIiloso¡Iic dc Fonicncllc,
¡ag. 143.
(22} ÷ Vcja-sc Hisioria cono sisicna.
(23} ÷ En scu ¡rologo a sua iraduçao dc La
Lilcric, dc Siuari Mill, ¡ag. 44.
(24} ÷ Nao c una sin¡lcs nancira dc falar, nas
sin vcrdadc ao ¡c da lcira, ¡osio quc valIa na
ordcn ondc a ¡alavra ºvigcncia" icn Iojc scu
scniido nais incdiaio, a salcr, no dirciio. Na
Inglaicrra, ºaucunc larricrc cnirc lc ¡rcscni ci lc
¡assc. Sans disconiinuiic lc droii ¡osiiif rcnonic
dans l'Iisioirc jusqu'au× icn¡s inncnoriau×. Lc
droii anglais csi un droii Iisioriquc.
Juridiqucncni ¡arlani, il n'y a ¡as ºd'ancicn droii
anglais". Don, cn Anglaicrrc ioui lc droii csi
aciucl, qucl qu'cn soii l'agc". Lcvy-Ullnann. Lc
sysicnc juridiquc dc l'Anglaicrrc, I, ¡ags. 38/39.
(25} ÷ Vcja-sc o cnsaio Hcgcl y Ancrica, 1928, c
os ariigos solrc Los Esiados Unidos, ¡ullicados
¡ouco dc¡ois. (Vcjan-sc, rcs¡cciivancnic, os
ionos II c IV dc Olras Con¡lcias}.
(26} ÷ En ncu livro Es¡ana Invcriclrada,
¡ullicado cn 1921, nun ariigo dc El Sol,
iniiiulado ºMasas" (1926} c cn duas confcrcncias
dadas na Associaçao Anigos dcl Aric, cn Ducnos
Aircs (1928}, ocu¡ci-nc do icna quc o ¡rcscnic
cnsaio dcscnvolvc. Mcu ¡ro¡osiio agora c rccolIcr
386
c con¡lciar o quc cu dissc cniao, dc nodo quc
suria una douirina organica solrc o faio nais
in¡orianic dc nosso icn¡o.
(27} ÷ O iragico daquclc ¡roccsso c quc,
cnquanio sc fornavan csias agloncraçõcs,
concçava o dcs¡ovoancnio das can¡inas, quc
Iavia dc irazcr a dininuiçao alsoluia no nuncro
dos Ialiianics do In¡crio.
(28} ÷ Vcja-sc Es¡ana invcriclrada, 1921, daia
dc sua ¡rincira ¡ullicaçao cono scric dc ariigos
no jornal diario El Sol. (Vcja-sc ¡ag. 35 do iono
III das Olras Con¡lcias}.
A¡rovciio csia o¡oriunidadc ¡ara fazcr noiar
aos csirangciros quc gcncrosancnic cscrcvcn
solrc ncus livros, c cnconiran, às vczcs,
dificuldadcs ¡ara ¡rccisar a daia dc scu ¡rinciro
a¡arccincnio, o faio dc quc quasc ioda a ninIa
olra saiu ao nundo usando a nascara dc ariigos
jornalísiicos; nuiia ¡aric dcla lcvou nuiios anos
cn aircvcr-sc a scr livro (1946}.
(29} ÷ Nos cunIos das nocdas dc Adriano lccn-
sc coisas cono csias. Iialia Fcli×, Sacculun
aurcun, Tcllus sialiliia, Tcn¡orun fcliciias. À
¡aric o grandc rc¡criorio nunisnaiico dc CoIcn,
vcjan-sc algunas nocdas rc¡roduzidas cn
Fosiovizcff. TIc social and ccononic Iisiory of
iIc Fonan En¡irc, 1926, lanina LII c 588, noia
6.
387
(30} ÷ Nao sc dci×cn dc lcr as naravilIosas
¡aginas dc Hcgcl solrc os icn¡os saiisfciios cn
sua Filosofia dc la Iisioria, iraduçao dc Josc
Caos. Fcvisia dc Occidcnic, 1a. cdiçao, iono I,
¡ags. 41 c scguinics.
(31} ÷ O scniido original dc ºnodcrno",
ºnodcrnidadc" con quc os uliinos icn¡os sc
laiizaran a si ncsnos, cסrcssa nui
agudancnic cssa scnsaçao dc ºaliura dos
icn¡os", quc agora analiso. Modcrno c o quc csia
¡osio scgundo o nodo. cnicndc-sc o nodo novo,
nodificaçao ou noda quc cn ial ¡rcscnic icnIa
surgido anic os nodos vclIos, iradicionais, quc
sc usaran no ¡assado. A ¡alavra ºnodcrno"
cסrcssa, ¡ois, a conscicncia dc una nova vida,
su¡crior à aniiga, c ao ncsno icn¡o o in¡craiivo
dc csiar à aliura dos icn¡os. Para o ºnodcrno",
nao sc-lo cquivalc a cair lai×o o nívcl Iisiorico.
(32} ÷ La dcsIunanizacion dcl aric. (Vcja-sc ¡ag.
353 do iono III dc Olras Con¡lcias}.
(33} ÷ Prccisancnic ¡orquc o icn¡o viial do
Ioncn c liniiado, ¡rccisancnic ¡orquc c norial,
ncccssiia iriunfar da disiancia c da iardança.
Para un Dcus cuja c×isicncia c inorial, carcccria
dc scniido o auionovcl.
(34} ÷ No ¡ior caso, c quando o nundo ¡arcccra
rcduzido a una unica saída, scn¡rc Iavcria
duas. cssa c sair do nundo. Mas a saída do
388
nundo forna ¡aric dcsic, cono dc una
Ialiiaçao a ¡oria.
(35} ÷ Assin, ja no ¡rologo dc ncu ¡rinciro livro.
Mcdiiacioncs dcl Quijoic, 1916. Nas Ailaniidas
a¡arccc sol o nonc dc Iorizonic. Vcja-sc o cnsaio
El origcn dc¡oriivo dcl Esiado, 1926, rccolIido no
iono VII dcl El Es¡cciador. (Vcja-sc a ¡ag. 607 do
iono II dc Olras Con¡lcias}.
(36} ÷ O nundo dc Ncwion cra infiniio; nas cssa
infiniiudc nao cra un iananIo, nas una vazia
gcncralizaçao, una uio¡ia alsiraia c inanc. O
nundo dc Einsicin c finiio, nas cIcio c concrcio
cn iodas as ¡arics; ¡orianio, un nundo nais
rico dc coisas c, cfciivancnic, dc naior iananIo.
(37} ÷ A lilcrdadc dc cs¡íriio, qucr dizcr, a
¡oicncia do iniclccio, ncdc-sc ¡or sua
ca¡acidadc dc dissociar idcias iradicionalncnic
insc¡aravcis. Dissociar idcias cusia nuiio nais
quc associa-las, cono dcnonsirou KöIlcr cn
suas invcsiigaçõcs solrc a inicligcncia dos
cIin¡anzcs. Janais o cnicndincnio Iunano icvc
cono agora naior ca¡acidadc dc dissociaçao.
(38} ÷ Esia c a origcn radical dos diagnosiicos
dc dccadcncia. Nao quc scjanos dccadcnics, nas
quc, dis¡osios a adniiir ioda ¡ossililidadc, nao
c×cluínos a da dccadcncia.
389
(39} ÷ Vcrcnos, cnircianio, cono calc rccclcr
do ¡assado, ja quc nao una oricniaçao ¡osiiiva,
ccrios consclIos ncgaiivos. Nao nos dira o
¡rcicriio o quc dcvcnos fazcr, nas o quc dcvcnos
cviiar.
(40} ÷ Hcrnann Wcyl, un dos naiorcs físicos
aiuais, con¡anIciro c coniinuador dc Einsicin,
cosiuna dizcr cn convcrsaçao ¡rivada quc sc
norrcsscn suliiancnic dcz ou dozc
dcicrninadas ¡cssoas, c quasc ccrio quc a
naravilIa da física aiual sc ¡crdcria ¡ara scn¡rc
na Iunanidadc. Foi ncccssaria una ¡rc¡araçao
dc nuiios scculos ¡ara aconodar o orgao ncnial
à alsiraia con¡licaçao da icoria física. Qualqucr
cvcnio ¡odcria aniquilar iao ¡rodigiosa
¡ossililidadc Iunana, quc c, alcn do nais, lasc
da iccnica fuiura.
(41} ÷ Por nuiio rico quc un indivíduo fossc cn
rclaçao con os dcnais, cono a ioialidadc do
nundo cra ¡olrc, a csfcra dc facilidadcs c
conodidadcs quc sua riqucza ¡odia ¡ro¡orcionar-
lIc cra nuiio rcduzida. A vida do Ioncn ncdio c
Iojc nais facil, cónoda c scgura quc a do nais
¡odcroso cn ouiro icn¡o. Quc lIc in¡oria nao
scr nais rico quc ouiros, sc o nundo o c c lIc
¡ro¡orciona nagnificas csiradas dc rodagcn, dc
fcrro, iclcgrafo, Ioicis, scgurança física c
as¡irina?
390
(42} ÷ Alandonada à sua ¡ro¡ria inclinaçao, a
nassa, scja qual scja, ¡lclcia ou ºarisiocraiica",
icndc scn¡rc, ¡or afa dc vivcr, a dcsiruir as
causas dc sua vida. Scn¡rc nc ¡arcccu una
caricaiura cngraçada dcssa icndcncia a ¡ro¡icr
viian, vivcndi ¡crdcrc causas, o quc aconicccu
cn Nijar, ¡ovoado ¡ro×ino a Alncría, quando, cn
13 dc scicnlro dc 1759, sc ¡roclanou rci a
Carlos III. Fcz-sc a ¡roclanaçao na ¡raça da vila.
ºDc¡ois nandaran irazcr dc lclcr a iodo aquclc
grandc concurso, o qual consuniu scicnia c scic
arrolas dc vinIos c quairo odrcs dc aguardcnic,
cujo cs¡íriio os acalorou dc ial nodo, quc con
rc¡ciidos ºvivas!" sc cncaninIaran ao dc¡osiio
nunici¡al dc irigo c dc suas janclas arrojaran o
ccrcal quc nclc Iavia c 900 rcais dc suas cai×as.
Dali ¡assaran ao Esianco do Talaco c
nandaran jogar fora o dinIciro da Mcsada, c o
ialaco. Nas lojas fizcran o ncsno, nandando
dcrranar, ¡ara nais auiorizar a funçao, quanios
gcncros líquidos c concsiívcis Iavia nclas. O
Esiado cclcsiasiico concorrcu con igual cficacia,
¡ois cn alias vozcs induziran as nulIcrcs a
sacudir fora o quc Iavia nas suas casas, o quc
c×ccuiaran con o naior dcsinicrcssc, ¡ois nao
rcsiou nclas ¡ao, irigo, farinIa,ccvada, ¡raios,
caçarolas, alnofarizcs, noriciros, ncn cadciras,
ficando a vila dcsiruída. Scgundo un ¡a¡cl do
icn¡o cn ¡odcr do scnIor SancIcz dc Toca,
ciiado cn Fcinado dc Carlos III, ¡clo scnIor
391
Manucl Danvila, iono II, ¡ag. 10, noia 2, Esic
¡ovoado, ¡ara vivcr sua alcgria nonarquica,
aniquila-sc a si ncsno. Adniravcl Nijar! Tcu c o
¡orvir!
(43} ÷ É iniclcciualncnic nassa aquclc quc anic
un ¡rollcna qualqucr sc conicnia con ¡cnsar o
quc loancnic cnconira cn sua calcça. É, ¡clo
conirario, cgrcgio aquclc quc dcscsiina o quc
acIa scn ¡rcvio csforço cn sua ncnic, c so
acciia cono digno dclc aquilo quc csia acina dclc
c c×igc un novo csiirao ¡ara alcança-lo.
(44} ÷ Vcja-sc Es¡ana invcriclrada (1922}, ¡ag.
156. (Vcja-sc ¡ag. 35 do iono III dc O. C.}.
(45} ÷ Cono no anicrior iraia-sc so dc rciroirazcr
o vocalulo ºnolrcza" a scu scniido ¡rinordial,
quc c×clui a Icrança, nao Ia o¡oriunidadc ¡ara
csiudar o faio dc quc ianias vczcs a¡arcça na
Iisioria una ºnolrcza dc sanguc". Fica, ¡ois,
iniacia csia qucsiao.
(46} ÷ Vcja-sc El origcn dc¡oriivo dcl Esiado, cn
El Es¡cciador, iono VII. (Vcja-sc ¡agina 607 do
iono II dc O. C.}
(47} ÷ Solrc a indocilidadc das nassas,
cs¡ccialncnic das cs¡anIolas, ja falci cn Es¡ana
invcriclrada (1922}, c ao diio ali rcncio-nc.
(Vcja-sc ¡ag. 35 do iono III dc O. C.}
392
(48} ÷ Muiias vczcs lcvanici dc nin ¡ara nin a
scguinic qucsiao. c induliiavcl quc scn¡rc icvc
dc scr ¡ara nuiios Ioncns un dos iorncnios
nais angusiiosos dc sua vida o coniacio, o
cIoquc con a inlccilidadc alIcia. Cono c
¡ossívcl, cnircianio, quc nao sc icnIa icniado
nunca ÷ ¡arccc-nc ÷ un csiudo solrc cla, un
cnsaio solrc a inlccilidadc?
(49} ÷ Nao sc ¡rcicnda cscanoicar a qucsiao.
iodo o¡inar c icorizar.
(50} ÷ Sc algucn cn sua discussao conosco sc
dcsinicrcssassc dc sc ajusiar à vcrdadc, sc nao
icn voniadc dc scr vcrídico, c iniclcciualncnic
un larlaro. Dc faio, cssa c a ¡osiçao do Ioncn-
nassa quando fala, da confcrcncias ou cscrcvc.
(51} ÷ Nao c ¡rcciso dizcr quc quasc ningucn
lcvara a scrio csias cסrcssõcs, c os nclIorcs
inicncionados as cnicndcrao cono sin¡lcs
nciaforas, ialvcz conovcnics. So algun lciior
lasianic ingcnuo ¡ara nao crcr quc salc ja
dcfiniiivancnic o quc c a vida, ou, ¡clo ncnos, o
quc nao c, sc dci×ara ganIar ¡clo scniido
¡rinario dcsias frascs c scra ¡rccisancnic qucn
÷ vcrdadciras ou falsas ÷ as cnicnda. Enirc os
dcnais rcinara a nais cfusiva unaninidadc, con
csia unica difcrcnça. uns ¡cnsarao quc, falando a
scrio, vida c o ¡roccsso c×isicncial dc una alna,
c os ouiros, quc c una succssao dc rcaçõcs
393
quínicas. Nao crcio quc nclIorc ninIa siiuaçao
anic lciiorcs iao Icrnciicos rcsunir ioda una
nancira dc ¡cnsar dizcndo quc o scniido
¡rinario c radical da ¡alavra vida a¡arccc
quando a cn¡rcganos no scniido dc liografia c
nao no dc liologia. Pcla foriíssina razao dc quc
ioda liologia c cn dcfiniiivo so un ca¡íiulo dc
ccrias liografias, c o quc cn sua vida
(liografavcl} fazcn os liologos. Ouira coisa c
alsiraçao, faniasia c niio.
(52} ÷ Esia folga dc novincnios anic o ¡assado
nao c, ¡ois, una ¡ciulanic rclcldia, nas, ¡clo
conirario, una claríssina olrigaçao dc ioda
ºc¡oca críiica". Sc cu dcfcndo o lilcralisno do
scculo XIX conira as nassas quc incivilncnic o
aiacan, nao qucro dizcr quc rcnuncic a una
¡lcna lilcrdadc dianic dcssc ¡ro¡rio lilcralisno.
Vicc-vcrsa. o ¡riniiivisno quc ncsic cnsaio
a¡arccc sol scu ¡ior as¡ccio c, ¡or ouira ¡aric, c
cn ccrio scniido, condiçao dc iodo grandc avanço
Iisiorico. Vcja-sc o quc, nao Ia ¡oucos anos,
dizia cu solrc isio no cnsaio ºDiologia c
Pcdagogia", El Es¡cciador, iono III. ºO ¡arado×o
do sclvagisno". (Pagina 281 do iono II dc O. C.}
(53} ÷ Daí quc, a ncu juízo, nao diz nada qucn
su¡õc Iavcr diio algo dcfinindo a Ancrica do
Noric ¡or sua ºiccnica". Una das coisas quc
¡criurlan nais gravcncnic a conscicncia
curo¡cia c o conjunio dc juízos ¡ucris solrc a
394
Ancrica do Noric quc sc ouvcn cסcndidos aic
¡clas ¡cssoas nais culias. É un caso ¡ariicular
da dcs¡ro¡orçao quc nais adianic a¡onio cnirc a
con¡lc×idadc dos ¡rollcnas aiuais c a
ca¡acidadc das ncnics.
(54} ÷ A rigor, a dcnocracia lilcral c a iccnica sc
in¡lican c inicr-su¡õcn ¡or sua vcz iao
csirciiancnic quc nao c concclívcl una scn a
ouira, c, ¡orianio, fora dcscjavcl un icrcciro
nonc, nais gcncrico, quc incluíssc anlas. Essc
scria o vcrdadciro nonc, o sulsianiivo da uliina
ccniuria.
(55} ÷ Nao falcnos dc qucsiõcs nais inicrnas. A
naior ¡aric dos invcsiigadorcs ncsnos nao icn
Iojc a nais lcvc sus¡ciia da gravíssina,
¡crigosíssina crisc íniina quc Iojc airavcssa sua
cicncia.
(56} ÷ Arisioiclcs. Mciafísica, 893 a 10.
(57} ÷ Ccniu¡lica a nonsiruosidadc do faio quc
÷ cono indiquci ÷ iodos os dcnais ¡rincí¡ios
viiais ÷ ¡olíiica, dirciio, aric, noral, rcligiao ÷ sc
acIan cfciivancnic c ¡or si ncsnos cn crisc,
cn, ¡clo ncnos, iransiioria falIa. So a cicncia
nao falIa, ¡clo conirario, dia a dia cun¡rc con
falulosos acrcscinos quanio ¡roncic c nais do
quc ¡roncic. Nao icn, ¡ois, concorrcncia, nao
calc dcscul¡ar o dcsa¡cgo ¡or cla su¡ondo o
395
Ioncn ncdio disiraído ¡or algun ouiro
cniusiasno dc culiura.
(58} ÷ Ja aqui cnircvcnos a difcrcnça cnirc o
csiado das cicncias dc una c¡oca c o csiado dc
sua culiura, quc daqui a ¡ouco ocu¡ara a nossa
aicnçao.
(59} ÷ Una gcraçao aiua cn ncdia duranic
irinia anos. Mas cssa aiuaçao dividc-sc cn duas
cia¡as c iona duas fornas. duranic a ¡rincira
nciadc ÷ a¡ro×inadancnic ÷ dcssc ¡críodo, a
nova gcraçao faz a ¡ro¡aganda dc suas idcias,
¡rcfcrcncias c gosios, os quais, finalncnic,
adquircn vigcncia c sao o doninanic na scgunda
nciadc dc sua carrcira. Mas a gcraçao cducada
sol scu in¡crio iraz consigo ouiras idcias,
¡rcfcrcncias c gosios, quc concça a injciar no ar
¡ullico. Quando as idcias, ¡rcfcrcncias c gosios
da gcraçao in¡cranic sao c×ircnisias, c ¡or isso
rcvolucionarios, a nova gcraçao c anii-c×ircnisia
c anii-rcvolucionaria, qucr dizcr, dc alna
sulsiancialncnic rcsiauradora. Claro quc nao sc
dcvc cnicndcr rcsiauraçao cono sin¡lcs ºvolia ao
aniigo", o quc janais foran as rcsiauraçõcs.
(60} ÷ Nao sc confunda o auncnio, c ainda a
alundancia dc ncios, con a solra. No scculo XIX
auncniavan as facilidadcs dc vida, c isso ¡roduz
o ¡rodigioso crcscincnio ÷ quaniiiaiivo c
qualiiaiivo ÷ da ¡ro¡ria vida cono a¡onici
396
acina. Mas cIcgou un noncnio cn quc o
nundo civilizado, ¡osio cn rclaçao con a
ca¡acidadc do Ioncn ncdio, adquiria un
as¡ccio dcnasiado, c×ccssivancnic rico,
su¡crfluo. A¡cnas un c×cn¡lo disio. a scgurança
quc ¡arccia ofcrcccr o ¡rogrcsso (auncnio
scn¡rc crcsccnic dc vaniagcns viiais}
dcsnoralizou o Ioncn ncdio, ins¡irando-lIc
una confiança quc c ja falsa, airofica, viciosa.
(61} ÷ Nisio, cono cn ouiras coisas, a
arisiocracia inglcsa ¡arccc una c×ccçao do diio.
Mas, o scr scu caso adniralilíssino, lasiaria
dcscnIar as linIas gcrais da Iisioria lriianica
¡ara ¡aicnicar quc csia c×ccçao, cnlora o scja,
confirna a rcgra. Conira o quc soi dizcr-sc, a
nolrcza inglcsa icn sido a ncnos ºsolrada" da
Euro¡a c icn vivido cn nais consianic ¡crigo
quc ncnIuna ouira. E ¡orquc icn vivido scn¡rc
cn ¡crigo soulc c conscguiu scn¡rc fazcr-sc
rcs¡ciiar ÷ o quc su¡õc Iavcr ¡crnanccido scn
dcscanso na lrccIa ÷. Esquccc-sc o dado
fundancnial dc quc a Inglaicrra icn sido, aic
nui avançado o scculo XVIII, o ¡aís nais ¡olrc
do Ocidcnic. A nolrcza salvou-sc ¡or isso ncsno.
Cono nao cra alundanic dc ncios, icvc dc
acciiar, c cvidcnic, a ocu¡açao concrcial c
indusirial ÷ ignolil no coniincnic ÷, isio c,
dccidiu-sc nuiio ccdo a vivcr ccononicancnic cn
forna criadora, c a nao aicr-sc aos ¡rivilcgios.
397
(62} ÷ Vcja-sc OllricIi. Klina und Eniwicllung,
1923.
(63} ÷ O quc c a casa anic a socicdadc, c-o cn
cscala naior a naçao anic o conjunio das naçõcs.
Una das nanifcsiaçõcs, ao ncsno icn¡o, nais
claras c volunosas do ºscnIoriiisno" vigcnic c,
cono vcrcnos, a dccisao quc algunas naçõcs
ionaran dc ºfazcr o quc csia na sua voniadc" na
convivcncia inicrnacional. A isso cIanan
ingcnuancnic ºnacionalisno". E cu, quc sinio
asco ¡cla sujciçao lcaia à inicrnacionalidadc,
acIo, ¡or ouira ¡aric, groicsco cssc iransiiorio
ºscnIoriiisno" das naçõcs ncnos gradas.
(64} ÷ Qucn crc co¡crnicancnic quc o sol nao
cai no Iorizonic, coniinua vcndo-o cair, c cono o
vcr in¡lica una convicçao ¡rinaria, coniinua
crcndo. O quc aconiccc c quc sua crcnça
cicniífica dcicn, consianicncnic, os cfciios dc
sua crcnça ¡rinaria ou cs¡onianca. Assin, csic
caiolico ncga con sua crcnça dognaiica, sua
¡ro¡ria, auicniica crcnça lilcral. Esia alusao ao
caso dcssc caiolico vai aqui so cono c×cn¡lo
¡ara csclarcccr a idcia quc agora cסonIo; nas
nao sc rcfcrc a clc a ccnsura radical quc dirijo ao
Ioncn-nassa dc nosso icn¡o, ao ºnocinIo
saiisfciio". Coincidc con csic so nun ¡onio. O
quc lanço cn rosio ao ºnocinIo saiisfciio" c a
falia dc auicniicidadc cn quasc iodo o scu scr.
Mas ainda csia coincidcncia ¡arcial c so
398
a¡arcnic. O caiolico nao c auicniico cn una
¡aric dc scu scr ÷ iudo quc icn, qucira ou nao,
dc Ioncn nodcrno ÷ ¡orquc qucr scr ficl a
ouira ¡aric cfciiva dc scu scr quc c sua fc
rcligiosa. Isio significa quc o dcsiino dcssc
caiolico c cn si ncsno iragico. E ao acciiar cssa
¡orçao dc inauicniicidadc cun¡rc con scu dcvcr.
O ºnocinIo saiisfciio", ¡clo conirario, dcscria dc
si ncsno ¡or ncra frivolidadc c dc iudo ÷
¡rccisancnic ¡ara csca¡ulir a ioda iragcdia.
(65} ÷ Envilccincnio, acanalIancnio, nao c
ouira coisa scnao o nodo dc vida quc rcsia a
qucn sc ncgou a scr o quc icn quc scr. Esic scu
auicniico scr nao norrc ¡or isso, nas convcric-sc
cn sonlra acusadora, cn faniasna, quc lIc faz
scniir consianicncnic a infcrioridadc da
c×isicncia quc lcva a rcs¡ciio da quc iinIa quc
lcvar. O cnvilccido c o suicida solrcvivcnic.
(66} ÷ Para quc a filosofia in¡crc, nao c nisicr
quc os filosofos in¡crcn ÷ cono Plaiao quis
¡rinciro ÷, ncn scqucr quc os in¡cradorcs
filosofcn ÷ cono quis, nais nodcsiancnic,
dc¡ois ÷. Anlas as coisas sao, a rigor,
funcsiíssinas. Para quc a filosofia in¡crc, lasia
quc Iaja filosofia, qucr dizcr. lasia quc os
filosofos scjan filosofos. Ha quasc una ccniuria
os filosofos sao iudo, ncnos isso ÷ sao ¡olíiicos,
sao ¡cdagogos, sao liicraios ou sao Ioncns dc
cicncia.
399
(67} ÷ Vcja-sc Es¡ana invcriclrada, 1a. cdiçao,
1921. (Vcja-sc ¡ag. 35 do iono III das Olras
Con¡lcias}.
(68} ÷ Esia inagcn sin¡lcs da grandc nudança
Iisiorica cn quc sc sulsiiiui a su¡rcnacia dos
nolrcs ¡clo ¡rcdonínio dos lurgucscs dcvc-sc a
Fanlc; nas claro c quc sua vcrdadc sinlolica c
csqucnaiica rcqucr nao ¡oucos adiiancnios ¡ara
scr con¡lciancnic vcrdadcira. A ¡olvora c
conIccida dc icn¡o incnorial. A invcnçao da
carga nun iulo dcvcu-sc a algucn da
Lonlardia. Ainda assin, nao foi cficaz aic quc sc
invcniou a lala fundida. Os ºnolrcs" usaran cn
¡cqucnas doscs a arna dc fogo nas cra
dcnasiado cara. So os c×crciios lurgucscs,
nclIor organizados ccononicancnic, ¡udcran
cn¡rcga-la cn grandc cscala. Fica, nao olsianic,
cono liicralncnic ccrio quc os nolrcs foran
dcrroiados dc nancira dcfiniiiva ¡clo novo
c×crciio, nao rc¡rcscniados ¡clo c×crciio dc ii¡o
ncdicval dos lorguinIaos, ¡rofissional, nas dc
lurgucscs, quc fornaran os suíços. Sua força
¡rinaria consisiiu na nova disci¡lina c na nova
racionalizaçao da iaiica.
(69} ÷ Mcrcccria a ¡cna insisiir solrc csic ¡onio
c fazcr noiar quc a c¡oca das Monarquias
alsoluias curo¡cias o¡crou con Esiados nuiio
dclcis. Cono sc cסlica isio? Ja a socicdadc cn
iorno concçava a crcsccr. Por quc, sc o Esiado
400
iudo ¡odia ÷ cra ºalsoluio" ÷, nao sc fazia nais
foric? Una das causas c a a¡oniada.
inca¡acidadc iccnica, racionalizadora,
lurocraiica, das arisiocracias dc sanguc. Mas
nao lasia isso. Alcn disso aconicccu no Esiado
alsoluio quc aquclas arisiocracias nao quiscran
an¡liar o Esiado à cusia da socicdadc. Conira o
quc sc crc, o Esiado alsoluio rcs¡ciia
insiiniivancnic a socicdadc nuiio nais quc o
nosso Esiado dcnocraiico, nais inicligcnic, nas
con ncnos scniido da rcs¡onsalilidadc Iisiorica.
(70} ÷ Fccordcn-sc as uliinas ¡alavras dc
Sc¡iinio Scvcro a scus filIos. Pcrnanccci unidos,
¡agai ao soldado c dcs¡rczai o rcsio.
(71} ÷ Vcja-sc Elic Halcvy. Hisioirc du ¡cu¡lc
anglais au XIXc. sicclc (iono I, ¡ag. 40, 1912}.
(72} ÷ Vcja-sc o cnsaio ºHcgcl y Ancrica" cn El
Es¡cciador. Tono VII, 1930. (Vcja-sc ¡ag. 563 do
iono II dc O. C.}
(73} ÷ Vcja-sc o cnsaio Solrc la nucric dc Fona,
cn El Es¡cciador. Tono VI, 1927. (Vcja-sc ¡ag.
537 do iono II dc O. C.}
(74} ÷ Isio c o quc faz a razao física c liologica, a
ºrazao naiuralisia", dcnonsirando con isso quc c
ncnos razoavcl quc a ºrazao Iisiorica". Porquc
csia, quando iraia a fundo das coisas c nao dc
soslaio cono ncsias ¡aginas, ncga-sc a
401
rcconIcccr cono alsoluio ncnIun faio. Para cla,
raciocinar consisic cn fluidificar iodo faio
dcscolrindo sua gcncsc. Vcja-sc, do auior, o
cnsaio Hisioria cono sisicna (F. dc O., 2a.
cdiçao}. (Vcja-sc o iono VI dc O. C.}
(75} ÷ Scria inicrcssanic nosirar cono na
CaialunIa colaloran duas ins¡iraçõcs
aniagónicas. o nacionalisno curo¡cu c o
cidadanisno dc Darcclona, cn quc ¡crvivc
scn¡rc a icndcncia do vclIo Ioncn
ncdiicrranco. Eu ja dissc ouira vcz quc o
lcvaniino c o rcsio do Iono aniiquus quc Ia na
Pcnínsula.
(76} ÷ Honogcncidadc jurídica quc nao in¡lica
forçosancnic ccniralisno.
(77} ÷ O scniido dcsia alru¡ia asscvcraçao
su¡õc quc una idcia clara solrc o quc c a
¡olíiica, ioda ¡olíiica ÷ a ºloa" cono a na ÷ sc
acIara no iraiado sociologico do auior iniiiulado
El Honlrc y la Ccnic.
(78} ÷ Vcja-sc do auior ºEl origcn dc¡oriivo dcl
Esiado". cn El Es¡cciador, iono VII, 1930. (Vcja-
sc ¡agina 607 do iono II dc O. C.}
(79} ÷ Vcja-sc Do¡scI. Fundancnios ccononicos
y socialcs dc la civilizacion curo¡ca. Scgunda
cdiçao 1924, iono II ¡aginas 3 c 4.
402
(80} ÷ Os ronanos nao sc rcsolvcran a cIanar
cidadcs às ¡ovoaçõcs dos larlaros, ¡or nui
dcnso quc fossc o casario. CIanavan-nas ºfauic
dc nicu×", scdcs araiorun.
(81} ÷ Salido c quc o In¡crio dc Augusio c o
conirario do quc scu ¡ai adoiivo, Ccsar, as¡irou a
insiaurar. Augusio o¡cra no scniido dc Pon¡cu,
dos ininigos dc Ccsar. Aic Iojc, o nclIor livro
solrc o assunio c o dc Eduardo Mcycr. La
Monarquia dc Ccsar y cl Princi¡ado dc Pon¡cyo,
1918.
(82} ÷ Ncn scqucr cono ¡uro faio c vcrdadc quc
iodos os cs¡anIois falcn cs¡anIol, ncn iodos os
inglcscs inglcs, ncn iodos os alcnacs alio-
alcnao.
(83} ÷ Fican fora, csia claro, os casos dc Koinon
c língua franca, quc nao sao linguagcns
nacionais, nas cs¡ccificancnic inicrnacionais.
(84} ÷ Confirna isio o quc a ¡rincira visia
¡arccc conirovcric-lo. a conccssao da cidadania a
iodos os Ialiianics do In¡crio. Pois a
conscqucncia c quc csia conccssao foi fciia
¡rccisancnic à ncdida quc ia ¡crdcndo scu
caraicr dc csiaiuio ¡olíiico, ¡ara sc convcricr ou
cn sin¡lcs carga c scrviço do Esiado ou cn ncro
iíiulo dc dirciio civil. Dc una civilizaçao cn quc a
cscravidao iinIa valor dc ¡rincí¡io nao sc ¡odia
cs¡crar ouira coisa. Para nossas ºnaçõcs", ¡clo
403
conirario, foi a cscravidao un sin¡lcs faio
rcsidual.
(85} ÷ Scgundo isso, o scr Iunano icn
irrcncdiavclncnic una consiiiuiçao fuiurisia;
qucr dizcr, vivc anics dc iudo no fuiuro c do
fuiuro. Nao olsianic, cu conira¡us o Ioncn
aniigo ao curo¡cu, dizcndo quc aquclc c
rclaiivancnic fccIado ao fuiuro, c csic,
rclaiivancnic alcrio. Ha, ¡ois, a¡arcnic
coniradiçao cnirc una c ouira icsc. Surgc cssa
a¡arcncia quando sc csquccc quc o Ioncn c un
cnic dc dois andarcs. ¡or un lado c o quc c; ¡or
ouiro icn idcias solrc si ncsno quc coincidcn
nais ou ncnos con sua auicniica rcalidadc.
Evidcnicncnic, nossas idcias, ¡rcfcrcncias,
dcscjos, nao ¡odcn anular nosso vcrdadciro scr,
nas sin con¡lica-lo ou nodula-lo. O aniigo c o
curo¡cu csiao igualncnic ¡rcocu¡ados con o
¡orvir; nas aquclc sulncic o fuiuro ao rcginc do
¡assado, cnquanio nos dci×anos naior
auiononia ao fuiuro, ao novo cono ial csic
aniagonisno, nao no scr, nas no ¡rcfcrir,
jusiifica quc qualifiqucnos o curo¡cu dc fuiurisia
c o aniigo dc arcaizanic. É rcvclador quc a¡cnas o
curo¡cu dcs¡cria c iona ¡ossc dc si, concça a
cIanar a sua vida ºc¡oca nodcrna". Cono c
salido, ºnodcrno" qucr dizcr o novo, o quc ncga o
uso aniigo. Ja nos fins do scculo XW concça-sc a
sullinIar a nodcrnidadc, ¡rccisancnic nas
qucsiõcs quc nais agudancnic inicrcssavan ao
404
icn¡o, c fala-sc, ¡or c×cn¡lo, dc dcvoiio
nodcrna, una cs¡ccic dc vanguardisno na
ºnísiica icologia".
(86} ÷ O ¡rincí¡io das nacionalidadcs c,
cronologicancnic, un dos ¡rinciros sinionas do
ronaniicisno ÷ fins do scculo XVIII.
(87} ÷ Agora vanos assisiir a un c×cn¡lo
giganicsco c claro, cono dc laloraiorio; vanos
vcr sc a Inglaicrra accria a nanicr cn unidadc
solcrana dc convivcncia as difcrcnics ¡orçõcs dc
scu In¡crio, ¡ro¡ondo-lIc un ¡rograna airaiivo.
(88} ÷ Sc lcn cssa Ionogcncidadc rcs¡ciia c
nao anula a ¡luralidadc dc condiçõcs originarias.
(89} ÷ Dasiaria isso ¡ara sc convcnccr dc una
vcz ¡ara scn¡rc quc o socialisno dc Mar× c o
lolcIcvisno sao dois fcnóncnos Iisioricos quc
a¡cnas icn alguna dincnsao conun.
(90} ÷ Esias ¡aginas foran ¡ullicadas no
nuncro dc junIo dc 1937 na rcvisia TIc
NinciccniI Ccniury.
(91} ÷ Ccria dosc dc anacronisno c conaiural à
¡olíiica. É csia un fcnóncno colciivo, c iodo o
colciivo ou social c arcaico rclaiivancnic à vida
¡cssoal das ninorias invcnioras. Na ncdida cn
quc as nassas sc disiancian dcsias auncnia o
arcaísno da socicdadc, c dc una nagniiudc
405
nornal, consiiiuiiva, ¡assa a scr un caraicr
¡aiologico. Sc sc rc¡assa a lisia das ¡cssoas quc
inicrvicran na criaçao da Socicdadc das Naçõcs,
conclui-sc quc c nuiio difícil cnconirar alguna
quc ncrcccssc cniao, c nuiio ncnos ncrcça
agora, csiinaçao iniclcciual. Nao nc rcfiro, c
claro, aos ºcסcris" c aos iccnicos, olrigados a
dcscnvolvcr c c×ccuiar os dcsaiinos daquclcs
¡olíiicos.
(92} ÷ Os inglcscs, con lon acordo, ¡rcfcriran
cIana-la dc ºliga". Isso cviia o cquívoco, nas, ao
ncsno icn¡o, siiua a agru¡açao dc Esiados fora
do dirciio, consignando-a francancnic à ¡olíiica.
(93} ÷ Solrc a unidadc c a ¡luralidadc da
Euro¡a, conicn¡ladas dc ouira ¡crs¡cciiva, vcja-
sc o Prologo ¡ara franccscs, ncsia olra.
(94} ÷ A socicdadc curo¡cia nao c, ¡ois, una
socicdadc cujos ncnlros scjan as naçõcs. Cono
cn ioda auicniica socicdadc, scus ncnlros sao
Ioncns, indivíduos Iunanos, a salcr, os
curo¡cus, quc alcn dc scr curo¡cus sao inglcscs,
alcnacs, cs¡anIois.
(95} ÷ Por c×cn¡lo. as a¡claçõcs a un su¡osio
ºnundo civilizado" ou a una ºconscicncia noral
do nundo", quc iao frcqucnicncnic fazcn sua
cónica a¡ariçao nas carias ao dircior dc TIc
Tincs.
406
(96} ÷ Ha ccnio c cinqucnia anos a Inglaicrra
fcriiliza sua ¡olíiica inicrnacional nolilizando
scn¡rc quc lIc convcn ÷ c so quando lIc
convcn ÷ o ¡rincí¡io nclodranaiico dc ºwoncn
and cIildrcn", ºnulIcrcs c crianças"; cis ai un
c×cn¡lo.
(97} ÷ Fican fora da considcraçao os quc
¡odcnos cIanar dc ºinvcnios clcncniais" ÷ o
nacIado, o fogo, a roda, o canasiro, a vasilIa,
cic. ÷. Prccisancnic ¡or scr o su¡osio dc iodos
os dcnais c Iavcr sido conscguidos cn ¡críodos
nilcnarcs, c nuiio difícil sua con¡araçao con a
nassa dos invcnios dcrivados ou Iisioricos.
(98} ÷ Acrcsccnic-sc quc ncssas o¡iniõcs
jogavan scn¡rc grandc ¡a¡cl as vigcncias
conuns a iodo Ocidcnic,
(99} ÷ Ncsic ncs dc alril, o corrcs¡ondcnic dc
TIc Tincs cn Darcclona cnvia a scu jornal una
infornaçao ondc ¡rocura os dados nais
ninuciosos c as cifras nais c×aias ¡ara dcscrcvcr
a siiuaçao. Mas iodo o raciocínio do ariigo quc
noliliza c da un scniido a csscs dados
ninuciosos c a cssas cifras c×aias, ¡aric dc
su¡or, cono dc coisa salida c quc iudo cסlica, o
Iavcr sido nossos anic¡assados os nouros. Dasia
isso ¡ara dcnonsirar quc cssc corrcs¡ondcnic,
qualqucr quc scja sua o¡crosidadc c sua
in¡arcialidadc, c alsoluiancnic inca¡az dc
407
infornar solrc a rcalidadc da vida cs¡anIola. É
cvidcnic quc una nova iccnica dc nuiuo
conIccincnio cnirc os ¡ovos rcclana una
rcforna ¡rofunda da fauna jornalísiica.
(100} ÷ Os ¡crigos naiorcs quc cono nuvcns
ncgras ainda sc anonioan no Iorizonic, nao
¡rovccn dirciancnic do quadranic ¡olíiico, nas
do cconónico. Aic quc ¡onio c incviiavcl una
¡avorosa caiasirofc cconónica cn iodo o nundo?
Os ccononisias dcvian dar-nos ocasiao ¡ara quc
colrasscnos confiança cn scu diagnosiico. Mas
nao nosiran ncnIuna ¡rcssa.
(101} ÷ Traduçao inglcsa do ¡rcscnic livro.
Ccorgc Allcn & Unwin, Londrcs.
(102} ÷ Aic o ¡onio dc c×isiir cn ccrios ¡ovos
¡riniiivos dois idionas, un quc so falan os
Ioncns c o ouiro so ¡ara as nulIcrcs.
(103} ÷ Ha, scn duvida, un faior quc colalora
ncsias nudanças cono cn iodos os do
organisno vivo, nas rcsisio a considcra-lo
dccisivo. É o conirasic. A vida icn a condiçao
inc×oravcl dc sc cansar, dc sc cnloiar ¡ara un
csiínulo, c ao ncsno icn¡o, rcaliliiar-sc ¡ara o
csiínulo o¡osio. Sc no csiilo ¡iciorico as figuras
a¡arcccn cn ¡osiçao vcriical, c sunancnic
¡rovavcl quc ¡ouco icn¡o dc¡ois surgira ouiro
csiilo con as figuras cn ¡osiçao diagonal
(nudança da ¡iniura iialiana dc 1.500 a 1.600}.
408
(104} ÷ Nao sc cסlica, a ncu juízo, a origcn dc
ccrias coisas Iunanas, cnirc clas o Esiado, sc
nao sc su¡õc cn c¡ocas nuiio ¡riniiivas una
cia¡a dc cnornc ¡rcdonínio dos jovcns quc
dci×ou, con cfciio, nuiios vcsiígios ¡osiiivos nos
¡ovos sclvagcns do ¡rcscnic.
(105} ÷ Qucn quiscssc coniar-nos con algun
dcialIc a gucrra dc Nunancia, as conscqucncias
quc irou×c ¡ara a vida ronana, nudanças
¡olíiicas, rcforna das insiiiuiçõcs, cic., faria una
loa olra. Porquc o ¡aralclisno con o noncnio
¡rcscnic da Es¡anIa c sur¡rccndcnic c
luninoso.
(106} ÷ Do ¡onio dc visia nais gcral, quc,
¡orianio, nao coniradiz o diio agora, icn scniido
dizcr quc a vida nao c scnao juvcniudc, ou quc
na juvcniudc culnina a vida, ou quc vivcr c scr
jovcn, c o rcsio c dcsvivcr. Mas isio valc ¡ara un
concciio nais ninucioso dc juvcniudc quc o
Ialiiualncnic usado c ao qual csic cnsaio sc
acolIc.
(107} ÷ Un c×cn¡lo dcsics conlaics cn quc a
viioria cfciiva nao dcu, scn cnlargo, o iriunfo ao
conlaicnic, ¡odc scr visio na ordcn ¡ullica. Os
quc conlaicran c cn rcalidadc vcnccran a vclIa
¡olíiica ¡scudo-¡arlancniaria, foran os
ºiniclcciuais" dcssa gcraçao. E, cnircianio, ¡or
razõcs dc curioso cs¡clIisno Iisiorico, o iriunfo
409
foi gozado ¡clos quc nao conlaicran nunca cssc
rcginc cnquanio foi ¡odcroso.
(108} ÷ O dia quc sc faça cn scrio a Iisioria do
uliino scculo, vcr-sc-a quc cssa gcraçao c a
cfciivancnic cul¡ada do dcsajusic aiual da
Euro¡a.
(109} ÷ TcnIo idcia dc quc Frcud sc ocu¡a
ninuciosancnic dcsic faio. Cono fazcn
dczcsscis anos quc li cssc auior, nao rccordo lcn
cn quc olra iraia o assunio; nas con alguna
¡rolalilidadc dirijo o lciior à quc cniao sc
iniiiulava Trcs cnsaios solrc icoria sc×ual.
(110} ÷ Vcja-sc a Cronaca, dc Fra Salinlcnc
(Parna; 1957, ¡aginas 94/102}.
(111} ÷ ºSo ¡ara louvar as danas", diz o irovador
Ciraud dc DornclI.
(112} ÷ Por isio a csiinaçao do cscriior na
Es¡anIa c scn¡rc falsa c a rigor nais olra da
loa voniadc quc dc sinccro cniusiasno. Pclo
conirario, na França icn o cscriior un fornidavcl
¡odcr social. Sin¡lcsncnic ¡orquc os franccscs
cnicndcn dc liicraiura.
(113} ÷ AcIillc LucIairc, La socicic françaisc au
icn¡s dc PIili¡¡c Augusic, ¡ag. 376.
410

Co¡yrigIi.
Josc Oricga y Cassci
Co¡yrigIi da iraduçao.
Hcrrcra FilIo
Co¡yrigIi da cdiçao clcirónica.
Ed. Fidcndo Casiigai Morcs
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Agosio 2001
Vcrsao ¡ara ¡df Fcvcrciro 2005
Proilido iodo c qualqucr uso concrcial.
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3 / ' ' / ' ' A' "E $ L 'M I 1' A / L 'I A 1' ' I L / ' 1' / ' / ' H I % : 14 .P 'A 5 A % 1' $ ' ' L/ / I M I % / / : " ' F A I L ' A ' ' ( 1' : F A ' / 1' A LI ' % 1' EG G 1' E /% ' / ' I H / 1' % B A / A L 1' D 1' I L ' 1' P / ' E ' H "L / ' /' 1' B ' A 1' HI F A' 0 I ' I H 2$ H A AM 1'M I 'A P 1' I ' 1' / %' / .

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V 3 / 1' ' ' / ' 1' A I / I / ' F I L ' ' % G/ / G *' I 0' 1' 1' ' / % / / AL ' I M ' ' I' 16 . WU . ' U 3 V *' ( V %/ I V 3 (. ' WU V 3 *' ( V %/ % V 3 % ' A '(. WU V %/ V 3 ' '(. WU ' *' / I K I / ' ! I : Q ( U H % I : ' B ' / I V 3 I L D ' / % / L ( . I 0% .B / H' / ' % I : % I L E .

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' 1' / A A ' ' ' / HI 1' M ' O ' A I 1' I ' / 1' " / 1' %H ' M ' ' 1' / : : G ' AG M $ A 1' A I A M I / ' ( ' ' I ' 1' ' ' ' A 1' / E I / %H : I $ Q : / I T. 0 D G ' ' 1' E " M / 1' ' ' 1' ' ' T 3 / 1' O I I 'M ' 1' F ' D ' ' I B I+ / ' ' ' / 1' % D I / A G % P A ' A L / E L ': / I 18 I .

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