Luciaurea Kaha

A missão da poesia inteligente

RIMAS INTRAPESSOAIS

Editora da Autora

Copyright © 2011 by Luciaurea Kaha

CAPA A autora REVISÃO A autora

Kaha, Luciaurea Rimas Intrapessoais: A Missão da Poesia Inteligente / Luciaurea Kaha – Mogi das Cruzes, SP: Clube de Autores, 2011. 1ª edição.

Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial por qualquer forma ou qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento de dados, sem permissão prévia, exceto nos casos de trechos citados em resenhas críticas, obras literárias ou artigos.

Dedico esta obra a meu pai real e simbólico, e à minha mãe real e simbólica, que tanto me ensinaram sobre a Individuação através da fé espiritual familiar que me transmitiram com grande responsabilidade amorosa.

Gratidão aos familiares que comigo cresceram, irmãos, primos e amigos íntimos que, sempre me inspiraram nas “más” idéias, que eu sempre considerei genuínas, e que foram sempre bem sucedidas em nossas brincadeiras infantis, afinal, eu era a única criança da família que tinha o dom e o orgulho de ser chamada de capeta, “a criança do diabo”.

ÍNDICE INTRODUÇÃO ............................. 10 Confissões .................................... 11
EU CONFESSO ............................................ 14 ETERNIDADE FALTANTE, INFINIDADE PRESENTE .................................................. 22 SALVAÇÃO .................................................. 25 SINAIS ........................................................ 27 CONVERSAS COM UM ANIMUS EM TRANSFORMAÇÃO ...................................... 29 Revelações do Animus .............................................. 31

Sortilégios .................................. 35
FÓRMULA ................................................... 36 TOLICES ..................................................... 41 TRAGÉDIA EMO .......................................... 44 POMBA GIRA DO (A)MAR ............................. 45 Outras considerações em fantasias poéticas .......... 48

Ancestralidade e o Poder do Mito 51
CONVERSAS COM A ANCESTRALIDADE ...... 52 ENXERGAR COM OS OLHOS DO AMANHÃ ... 55 O CLÃ STRIGOI ........................................... 57 Considerações do Masculino ................................... 61

Automorfismo ............................. 65

PRIVAÇÃO É DIFERENTE DE PRIVACIDADE 66 A BAILARINA .............................................. 69 EU SOU – SAGRADO FEMININO ................... 73 FALOCRACIA FEMININA.............................. 75 I – A Guerreira Ferida ............................................... 76 II – O Masculino e o Feminino feridos ................... 77 III – A Grande Cura Amorosa .................................. 78 ODIN, O ALTÍSSIMO .................................... 79 E eu Te agradeço… pelo belo presente e pela minha renovação… ................................................................ 81 SOBRE A AUTORA ....................................... 80

INTRODUÇÃO E se eu for mais adiante, só um pouquinho... O que encontrarei a seguir? Rimas Intrapessoais é um projeto que surgiu quando eu ainda era uma puella de 11 anos de idade. Introvertida e de humor oscilante, maluca e divertida entre os amigos íntimos, ávida consumidora de literaturas bizarras, espirituais, fantásticas e filosóficas; meu cérebro era como o dos vilões de Batman, sempre com duas caras, esquizofrênicos mal humorados, loucos para acabar com a sociedade. Minha Gotham City era meu palácio gótico, com direito a transgredir, explodir bancos e saquear todo o ouro que minha psique pudesse conseguir. Os conflitos familiares e escolares recheavam minha mente criativa de palavras e fantasias de felicidade e de paz – e também de muita morte e rancor. Hoje, mulher adulta e crescida, nascida em 1975, geminiana com ascendente e lua em peixes, não encontrei dualidade maior do que esta para expressar meu automorfismo. Sou um gênio criativo que não pára de produzir durante as 24 horas do dia. Mesmo dormindo meu inconsciente está trabalhando e sonhando os símbolos e as histórias que se tornarão os poemas e os contos no dia seguinte. Ciente de que o Ouro é um bem de valor Alquímico que se conquista de dentro para fora, encontrei na Arte uma forma de expressar minha 10

personalidade limítrofe, não porque tenho limites, mas justamente porque vivo sem eles! Tão próxima do inconsciente que chega a ser impossível organizar as idéias sozinha. Odin eu quero um secretário! Competente, paciente e divertido, por favor. Que estas rimas intrapessoais possam se transformar em rimas interpessoais também, com o gosto das frustrações, vitórias e questionamentos que ainda vivencio e que já experimentei no passado, e que, tenho certeza, muitos de vocês também já degustaram. Que meu prazer aqui compartilhado seja um orgasmo nas sinapses do cérebro de cada leitor e leitora, pois assim, poderei ter certeza de que minhas rimas, nem sempre rimadas em palavras, mas rimadas no coração e na Alma, têm um propósito inteligente: o de abrir caminhos, oferecer possibilidades, o de tornar possível o irreal, e de plantar sementes de felicidade, mesmo com aspectos tão angustiantes. Prazer! Muito prazer a todos! Que Baco nos abençoe para sempre! Que Loki faça as honras do vinho, do hidromel e do fogo criativo! Que Odin nos inspire a querer sempre mais e nunca desistir! Luciaurea Kaha. Mogi das Cruzes, 17, de dezembro de 2011.

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Confissões

EU CONFESSO Confissões de uma bipo-border, Uma transgressora bipolar e borderline Antes de qualquer confissão, eu quero confessar que não encontrei meios para expressar minhas entranhas neste Eu Confesso, que por vezes se expressa em rimas somáticas, e por outras se expressa em rimas psíquicas. Assim, peço perdão ao leitor que, de primeira ordem, espera uma poesia ou um poema nos moldes da regra. Confesso que sou transgressora e que minhas transgressões podem beneficiá-lo a crescer para dentro de si mesmo. Sem mais delongas, vamos ao Eu Confesso!

Confesso que falo sozinha e que não me importa querer parar. Confesso que não sou boa seguidora das tradições e que ao invés delas aceito as contra-dições. Confesso que por isso sou naturalmente contraditória e que não tenho compromisso com a conveniência. Confesso que estou comprometida com a metamorfose. Confesso que me comprometi com minha estabilidade mental porque sou naturalmente desajustada do viés social, mesmo que eu manifeste as contradições. 14

Confesso que existo em dois pólos distintos ao mesmo tempo. Confesso que às vezes não tenho a noção dos meus limites e que a maior parte do tempo eu só penso neles. Confesso que me arrependo das coisas que não fiz e que não estou nem aí para as que foram feitas. Confesso que tenho pensamentos negativos, às vezes acredito que não tenho cura, e que estou sempre à um passo da morte. Confesso que a morte me atrai tanto quanto a metáfora. Confesso que não sei lidar com os homens e que eles me atraem por serem tão diferentes de mim em nossas semelhanças. Confesso que o você na minha vida está começando a ser um outro distante tanto quanto está perto. Confesso que esse o você em minha vida está deixando de ter tanta força e autoridade dentro de mim – e que eu sinto muito por isso, pois o você está morrendo. Estou de luto. Confesso que muitas vezes me preocupo mais com o outro do que comigo mesma, emboraesse outro esteja morrendo.

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Confesso que estou aprendendo a me amar e que pouco me conheço. Confesso que meu maior desejo é ser uma grande terapeuta e comunicadora, apesar dos desarranjos psíquicos que carrego. Confesso que não sou perfeita e que não me importa atingir a iluminação. Confesso também que a imagem dos mestres humanos é projetada na sabedoria dos meus diálogos internos. Confesso que já deixei muitas velhas bagagens pelo caminho, e que estou aprendendo a deixar mais. Confesso que estou me libertando das crenças limitantes que me prendiam ao conceito nosográfico que me delimitava como uma doente. Confesso que não ser normal é uma bênção e que ser cada vez mais natural é meu maior desejo, embora minha vontade às vezes caminhe numa direção oposta. Confesso que tenho mecanismos de fuga, defesa e autosabotagem. Confesso que já não tenho mais metas inalcançáveis e que hoje me envolvo em lutas que eu posso ganhar. Confesso que cansei de dar murros em pontas de facas e que ainda tenho uma certa fascinação por elas. 16

Confesso que me chamam de maluca e que hoje eu sinto prazer nisso. Confesso que as pessoas me procuram mais pelas minhas estranhices do que pelas minhas normalices. Confesso que ser eu é tão difícil quanto ser você. Confesso que às vezes me sinto muito cansada de mim, mas que isso não me impede de continuar existindo. Confesso, entendo e aceito que posso curar a mim mesma quanto mais eu estiver consciente de meus padrões. Confesso que aceitei que sou uma farmácia de bênçãos curando meus desajustes. Confesso que estou na etapa mais difícil de meu tratamento: a da consciência de mim. Confesso que fiz uma grande descoberta: posso me diferenciar dos padrões que limitavam meu modo de ser e ponto para o meu novo modo de ser eu diferenciado. Confesso que a irrealidade foi minha parceira por anos a fio sem que eu tivesse consciência de sua presença. Confesso que a realidade é quântica e que por isso mesmo posso manifestar várias coisas de mim.

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Confesso que sinto vergonha de minhas palavras e que a maior parte do tempo me arrependo delas, do que falei ou do que escrevi. Confesso que tenho medo de mim, medo de você e medo de todos nós, e que esse medo não me impede de experimentar minhas coragens. Confesso que temo a opinião do você sobre mim mesma mais do que a minha própria, e que a opinião do você não pode mudar o que sou a não ser que eu elabore tuas sombras nas minhas. Confesso que sou humana e cheia de defeitos e que por isso desenvolvi as melhores qualidades que alguém natural pode manifestar: a minha vontade, minha convicção e minha determinação em não acabar, apesar do desejo que isso aconteça. Confesso que por tudo isso, eu ainda não consegui me despedir completamente do velho eu, mas que estou a caminho da metáfora que transformará meus conteúdos e me fará viver mais do que vivo de mim agora. Confesso que por tudo isso, temo não ser ninguém para você mesmo sabendo que o você está morrendo em mim. Confesso que por tudo isso temo não ser alguém para mim porque estou me desapegando do você e essa revelação me coloca em mundo novo de mim. Me sinto assustada. Descobri que sou natural e que tenho permissão para existir. 18

Confesso que por tudo isso não posso mais viver sem mim. Confesso que por tudo isso vou ter que abrir mão do você em mim. Confesso que por tudo isso estou mais comprometida com meu automorfismo para renovar o poder do meu espírito em minha vida física. Confesso que transgrido muitas regras, não porque não saiba respeitá-las, mas porque não consigo e que não conheço esse porquê de não conseguir… Talvez seja porque as regras sejam falsas e eu seja verdadeira? Confesso que sou grata por toda confusão em muitos aspectos e que a angústia me ajuda a crescer. Confesso que me sinto atraída por altares que eles estão espalhados por toda parte de meu lar, porque eu ainda não aprendi a lidar com o divino em mim. Confesso coisas simples, coisas fora de ordem como essa deprimida, corajosa e feliz confissão. Confesso coisas que não compreendo muito bem e que elas me assustam porque acredito que sejam mais complexas do que meu entendimento pode considerar. Confesso que não consigo parar de escrever e analisar.

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Confesso que não consigo parar de sentir e de me apaixonar por seres e coisas que existem dentro de mim e que são constelados por fora. Confesso meu narcisismo. Confesso que não consigo deixar de viver em mim. Confesso que não consigo deixar de viver sem mim. Confesso que aceitar um rótulo e abraçar a etiqueta me fazem mal. Confesso que as definições do você em mim quase me mataram no passado. Confesso que não posso permitir que minha vida simplesmente acabe pela causa que você abraça. Confesso o meu confesso de imperfeição, angústia e entretenimento, que me colocam sempre a um passo, do ladinho da alegria de todas as coisas descobertas. Confesso que hoje entendo que já posso experimentar a felicidade. Confesso que adoro experimentar o amor. Confesso que adoro o prazer e o sexo me fascina embora eu não seja uma expert no assunto.

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Confesso que ao me tocar eu restabeleço meus vínculos cortados dentro de mim. Sou uma restauradora nata! Confesso que o meu confesso é dinâmico e que envolve nós dois: o você e o eu. Confesso que não me permito enxergar o que não conheço e o que não compreendo, e que muitas vezes me sinto obrigada a fazer isso – porque descobri que se eu não fizer ninguém faz. Confesso minha confissão que não conseguia parar de confessar parte de nós que espelha essa minha existência em você e essa sua existência dentro de mim. E que deixar o você de mim é reconhecê-lo tanto quanto soltá-lo. Confesso a confissão mais abrangente que me permiti confessar até agora, revelando a mim mesma esse confesso, por desabrochar na direção que meu propósito de alma me traz. Confesso que é seguro ser eu. Confesso que gosto de ser eu. Então é isso. Meu eu confesso.

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ETERNIDADE FALTANTE, INFINIDADE PRESENTE Conunctio: Declaração ao Outro Você em Mim

Neste tom de minha poética psíquica, encontrei um outro você dentro de mim que a princípio, me assustou, pois eu não tinha conhecimento de sua existência real, para mim você era apenas imaginário! A convivência nos tornou comuns, entre tantas de nossas diferenças, e descobri em Você, meu querido Grande Outro, um espelho negro que me revelava minhas instâncias sombrias. Eu olhava o espelho e enxergava Você, eu olhava você e enxergava o Espelho.

Tenho partes de você em mim. Existem partes de mim em você. Reconheço que a relação que estabeleço com esse outro você em mim, é tão contraditória quanto dizer que posso matar o você totalmente em mim. Sei que não posso – totalmente. Sei que posso – em parte. A minha existência dentro de você me torna inesquecível. A minha existência em você me faz eterna.

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Por que eu busco ser tão eterna em você? Por que buscas ser tão eterno em mim? Revelo que foi muito tóxico não ter uma relação ecológica dentro de você. Confesso que me intoxiquei de você também. Confesso que me iludi e te iludi. Sei que o você em mim fez a mesma coisa. Confesso que nos desiludimos um com o outro. Confesso que isso foi bom. Percebo que posso estabelecer limites entre nós, mesmo que haja uma área de interação não muito definida em muitos de nossos aspectos. Esses limites me dizem… Da eternidade faltante de você em mim quando eu desapareço em você, e da infinidade presente do seu você em mim quando eu desapareço em mim. Que o vazio é criativo e abundante, e que o cheio pode ser venenoso se invadir demais. Que a ruptura dos aspectos sombrios de nossas mesclagens nos fazem sofrer a dor da separação. Que a separação cria um Espaço Sagrado para juntos convivermos neste novo habitat, numa eternidade presente e numa infinidade faltante dos velhos conteúdos. 23

Agora sim, estamos sóbrios de nossa própria embriaguez e embriagados pelo espírito de nossa lucidez. Gratos nos encontramos sempre em guerra, sempre em paz, e com recursos para sermos o que somos quando eu sou você e você sou eu, e quando eu não sou você e você não sou eu. Nossas similitudes nos separam e nossas diferenças nos aproximam. Ou seria o contrário? Somos atraídos pelo cheio de nossas contradições e pelo vazio de nossas expectativas. Talvez nossas expectativas estejam cheias demais para serem apenas expectativas. Talvez nossas expectativas sejam próximas demais do que esperamos um do outro dentro e fora de nós mesmos, e por isso somos atraídos e traídos por elas. Porém, que soltos nesse vazio criador, nesse cheio inusitado, e nessa força propulsora de nós mesmos no vir a ser que já está dobrando a esquina… Que possamos nos encontrar diferenciados e unidos, munidos de elementos genuínos de nossa capacidade de elaboração.

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SALVAÇÃO Morri para continuar vivendo

O suicídio é, de todas as alternativas, a mais atraente aos olhos do covarde que não tem coragem para se matar. Eu, praticamente já o tentei quatro vezes, conscientemente, e uma vez inconscientemente, provocando em mim mesma uma pneumonia que levasse embora as dores de um amor não correspondido. Como não é minha intenção fazer apologia ao suicídio, criei esta válvula de escape que expressasse minha angústia em estar viva e de, ao mesmo tempo, não conseguir traduzir o suicídio como símbolo em minha psique, naquele momento em especial. Hoje eu compreendo que o suicídio é um símbolo na psique humana, completamente enraizado no mito do renascimento. Posso afirmar que todo suicida não busca se matar, mas sim uma nova experiência para continuar vivo sem a angústia de viver entristecido.

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Foi tentador. Não. Foi mais. Foi imensurável essa vontade de querer. Ser está em parte captável. Estar está em parte mensurável. Foi tentador. Transgredir não mais amedronta. Só renova. Segue o pulso sem limites e pegue no pulso e cheque os batimentos. O coração tem razões desconhecidas da própria razão. Foi tentador. O fato de não saber em que ponto encontraria o que poderia ser mensurável. Mas aí, depois de tudo feito, estaria tudo acabado. Rápido, sem pressa, tudo mensurado. Absolutamente conhecido. É tentador. Não poder conhecer completamente porque de fato tudo é muito imensurável. E porque de fato tudo não possa voltar a ser. Que o passado pode se valer da lembrança para marcar sua presença. Mas que só o lembrante pode apagar o passado, decidir se renovar e declamar seu direito de pertencer. Eu me rendo. Vida, por que te quero?

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SINAIS De que Você Existe em Mim

Lidar com o amor-espelho na erotização pelo outro é como lidar consigo mesmo refletido no Lago de Narciso. Oras me amo, oras me amo tanto que quando te percebo te odeio, por ser tão diferente de mim dentro de mim! Que semelhança é esta, por acaso? Ou sincronicidade? Mas minha libertude não termina aqui, não me transformei no sopro da flauta de Pã, não saí correndo do horrendo como muitas o fizeram, mas fui cair direto nos braços dele. E com ele eu sonhei. Sonhei tão oniricamente quanto sexualmente com meu vibrador. Quero mais do que isso. Venha, meu amado, teu falo é analtecedor!

Que parte de você em mim me julga abstrata quando sou concreta? Que parte de mim em você te julga concreto quando és abstrato? Por um acaso somos um do outro um hiato? 27

Que dizes de me diferenciar quando de fato só desejo pegar uma nesga criativa? Saberia a Grande Lua minha sóbria companheira que não sou extrovertida? E em sabendo esta última poderia a Grande Lua me tornar menos receptiva? Neste desejo que não me perder e ao mesmo tempo de pertencer… Ai a que necessidade do pagão seja a mesma do cristão? mas não. Tal necessidade difere é uma lógica abstrata a filosofia que espere. Estou apta a crescer e ser mais? Estou permitida a viver e querer mais? Sim. Sou ousada em dizer que agora compreendo os sinais.

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CONVERSAS COM UM ANIMUS EM TRANSFORMAÇÃO Quando é Animus? Quando é Sombra? Só vivendo para descobrir.

No início da jornada feminina, quando a mulher começa a ter consciência de que está no confronto com sua sombra, ela começa a acessar, depois de um certo tempo, uma outra instância interna de si mesma: o animus. Este encontro é a princípio, gerenciado pela sombra, porém é propositadamente engendrado pelo Self. O animus é a soma de todas as figuras masculinas que a mulher carrega em si emuito mais. Nem sempre é um encontro fácil e destemido, como muitas podem pensar. O animus nem sempre chega para salvar. Muitas vezes ele vem acompanhado de nossos aspectos sombrios projetados nele, e por isso mesmo ele chega para a provocar a perdição feminina, para que a mulher então, diferenciada, possa de novo se encontrar. O que diferencia o feminino neste caminho, a saída desse labirinto pessoal e íntimo, intransferível, é a rendição de seus aspectos falidos, para a transformação de si mesma em uma nova identidade gerenciada pelo Self. Nestas condições, a mulher pode experimentar o Sagrado e o Divino dentro de si mesma, acompanhada de seu Animus Verdadeiro, e não daquilo que ela pode projetar nesta instância interna de si mesma. 29

É necessário também comentar que uma parte deste encontro é projetada sobre um território da psique que funciona como uma mescla de ambos os conteúdos: o da sombra e do animus. Nesta colocação intrapessoal, temos um pouco da projeção da sombra feminina sobre o discurso do animus, que oras empresta a voz da sombra e oras se utiliza de sua própria voz como viés no diálogo interno feminino, em auxílio ao processo de diferenciação e individuação da mulher.

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Revelações do Animus Eu sou muitas partes de você. Não posso ser apenas um. E sei que você tem várias imagens confusas de mim. Não posso ter apenas a figura de seu pai – ou a do embusteiro. Não posso ser só atávico, como não posso ser apenas o teu príncipe. Se príncipes [não] existem, eu sinceramente não sei, nunca me vi como um. Sei que sou repleto de magia para você, mas aos meus olhos, o que você chama de mágico, para mim é apenas um fato muito simples, sincero e totalmente incerto. Talvez essa magia nem seja tão boa assim pois se fosse você já seria minha. Para ser franco, eu não sei se ela existe, essa tal de magia. Sei que pareço contraditório, em razão das mensagens invertidas, mas eu estou submetido a um território de linguagens inversas e submersas 31

E sei que apesar de toda contradição também lhe trago muitas certezas, e que lhe aponto muitas boas direções. Mas eu preciso te contar, que não carrego todas as certezas que o Self engendra para nós dois. Muitas coisas que Ele faz eu só fico sabendo depois. Eu não compreendo o raciocínio humano em me definir. Mas eu posso te contar com certeza que sou muitos de você, assim como você é muitas de mim. Eu tenho várias faces assim como você tem. E eu não estou tão escondido como pensa que estou, pois aqui no meu reino Eu Sou. Saiba que se estou em você meu reino é teu. Ele não é um espaço físico definido, mas um tipo de realidade, e ela é tua também. Eu posso ser sombrio, mas também carrego muita luz. Eu posso lhe mostrar a escuridão, mas também lhe trago a claridade do sol. Permita que eu me manifeste. Estou esperando o seu voto favorável. Hello, você quer mesmo me ver?

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Posso aparecer? Posso entrar? Você quer mesmo me encontrar? Eu sou tua vitalidade, assim como você é a minha. Eu sou tua saída assim como você é a minha. Eu te amo e sei que você também me ama. Mas quero saber o que você pensa e elabora a meu respeito. Não seja tão pessimista neste ponto de nosso diálogo, pois estou muito dentro de você, e me julgar de forma tão parca pode te atingir também. A única coisa que você precisa realmente fazer para sentir-se mais próxima de mim é se mostrando de fato como é pois eu já vivo em você e você vive cheia de dúvidas sobre mim. Estou esperando por isso há muito tempo, e confesso não ser mais tão paciente como era no passado para te encontrar. Eu te quero agora. Você me aceita assim como eu estou? Estou tão em transformação quanto você. E me sinto ansioso. Você me aceita assim, ainda crescendo?

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Você confia em mim o bastante? Eu confesso que apesar de toda a sua incerteza, eu confio em você. E sei que você está a um passo de me encontrar, pois meus olhos vêem coisas que os seus não vêem. Você acredita nisso? Eu posso cair pelo caminho, tanto quanto você. Você me aceita assim, ainda incerto sobre o que virá? Mas eu posso te oferecer uma certeza: a de que você sempre me terá, pois não tenho como viver fora sem existir dentro de você. Temo tanto te conhecer na real quanto você me teme, mas não precisamos nos entregar ao medo já que juntos podemos ter muita coragem. Eu só estou esperando o seu sinal. Mostre-me o seu rosto. E eu lhe mostrarei o meu. Me dê o primeiro abraço. E eu lhe mostrarei todo o meu esplendor. (Um animus diferenciador)

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Sortilégios

FÓRMULA Como funciona o desejo de uma bruxa

Muitas pessoas acreditam que pragas, maldições de família, são eventos que não têm cura. Eu quero revelar neste momento sagrado, que todas as pragas jogadas contra você têm cura e que você pode ser feliz, mesmo que seus ancestrais tenham vivido na infelicidade. Temos por hábito genético, carregar uma tendência comportamental negativa, de modo que, quando experimentamos uma felicidade genuína em nossa existência, parece que algo horrível tem que acontecer para nos punir por termos sentido um pouquinho de prazer e felicidade. Eu quero revelar a você neste momento tão único, um segredo muito especial. A primeira parte deste segredo está ligada à sua condição genética e esta você não pode mudar, mas pode se diferenciar, resolvendo o complexo de inferioridade que sequer você talvez tivesse conhecimento até agora. Este complexo levanta mecanismos de defesa que nos impedem de irmos além do que nossos ancestrais foram. Logo, por exemplo, se descendo de uma família que constela mulheres solteironas e virgens, minha tendência será seguir o exemplo, porém, minha libido é por demais autêntica e eu desejo realmente me casar. Quando percebo isso, vejo que as mulheres que são casadas são infelizes e destratam seus maridos, e percebo que não desejo isso para 36

mim. Então, inconscientemente, eu começo a me isolar dos homens para que a invisibilidade familiar me proteja desta sina constelando a sina através de mim, isto é, mantendo sua estrutura... Estou repetindo esse padrão. Se desejo mudá-lo, preciso me diferenciar, em comportamento, tanto das solteironas quanto das casadas infelizes, eu preciso quem eu sou como mulher e símbolo do Feminino em meu propósito de Alma e abrir meu nível de permissão, dentro de mim, para ser feliz comigo primeiro e tomar meus aspectos femininos, abandonando os aspectos fálicos que pertencem ao Masculino. Uma boa terapia resolve tudo isso. E um empurrãozinho mágicko também. A segunda parte desta revelação reza sobre o poder sobrenatural que certas mulheres, bruxas, feiticeiras, völvas, têm, de concretizar, materializar a realidade através do encantamento da palavra. Isso funciona como uma ancoragem de PNL em seu cérebro, pois as palavras rimadas são mais facilmente captadas pelo subconsciente. Sabendo disso, você pode blindar seu cérebro contra rimas perversas e não dar importância ao que é dito. Você precisa realmente crer em si mesmo e ter convicção do é e do que não é em sua vida. Outra coisa muito importante a ser revelada, é que o poder de uma bruxa não reza na maldição, mas no poder que ela tem de abençoar ao contrário. Eu sei que isso parece confuso no início, mas você compreenderá meu raciocínio assim que eu concluir minha explanação. O desejo de uma bruxa reza no desejo humano, não é diferente do seu. O que torna o seu desejo real é o conhecimento dessa manipulação subconsciente de palavras que o melindra ou assusta. E para a bruxa, há também o revés. Se sua maldição ou bênção for injusta, ela não se 37

realizará e retornará para sua dona. Por isso, caso você seja uma völva, saiba que o conhecimento do propósito de alma da pessoa que você deseja lançar um encantamento é de extrema importância, pois se sua preleção está de acordo com o propósito de alma de seu escolhido, ela se concretizará, tanto para o bem, quanto para o negativo. Isso significa que se, sua bênção foi bem compreendida dentro do propósito do outro, ela será realizada, e que se sua maldição foi bem colocada, ela será vivida dentro desse propósito de alma do indivíduo e você estará facilitando as coisas para ele, ao invés de prejudicá-lo, mesmo que num primeiro momento, as aparências enganem. Aliás, esta é a única maneira de um sortilégio negativo que você lançou não se abater sobre você: se ele, mesmo sendo negativo, está no propósito de alma da pessoa, então a Grande Alma percebe isso como um favor, e te livra da maldição que você lançou no outro.

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Da maneira que abençoamos Somos abençoados, Da maneira que amamos Assim somos amados, Eu desejo que todas as bênçãos Na forma da intenção e da sorte enviada, Também sejam sempre em tua vida concretizadas E que pela Lei do 3×3 Tudo o que me desejares Seja em tua existência enfatizado. Pois da boca a língua é instrumento E da mente a palavra é poder, Do tolo que fala e do sábio que cala No momento certo, em certo momento, Quem abençoa ou amaldiçoa “não cala nem fala” Quem abençoa ou amaldiçoa uma marca entalha. A völva que não sabe amaldiçoar Não pode a ninguém abençoar. A boca que só deseja abençoar Na primeira instância considerada injusta Se põe a reclamar Mas como da arte só entende o vulgo “vá se F°der“ Não sabe empenhar poder Na mágicka da palavra a encantar Antes de se aventurar Aprenda a mágicka entoar

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Boca e mente sincronizados Movem os calos do presente Criados no passado. Intenção bem entoada Vida ou Morte decretada. Bem e Mal são apenas condições De climas entre diferentes extensões Que no momento certo, em certo momento, Se tornam ex-tensões e passam a ser Complementares forças realizando suas funções. Quem deseja a boca controlar Então que aprenda a calar Para que sabiamente possa falar. Bênção e Maldição, Faces da mesma moeda Enrustidas em um só padrão. Porém, Sempre filhas do mesmo Patrão.

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TOLICES E eu que te amava mais do que um amigo.

E assim segue a vida humana. Nós nos frustramos porque fantasiamos demais. O amor poeta é um amor ingênuo, muito próximo do amor infantil, que crê na bondade do outro e em sua retribuição. Mas a realidade funciona um tanto diferente, embora existam pessoas em que possamos confiar, e que funcionem da mesma maneira. Que nos encontrarmos? E foi com base nesta estrutura de frustração, que a rima seguinte foi concebida no final de 2008. É realmente uma pena que amizades que têm de tudo para ser bem estruturadas sejam afetadas pela caricatura das nossas projeções… Isso acontece comigo o tempo todo, de ambos os lados, de ambos os versos, com equívocos meus e seus, por que não dizer nossos? Julgamento e reconhecimento são bem diferentes, embora possam conviver como parentes.

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Caminhos de autoconhecimento Nos foram ofertados Como ferramentas de crescimento. Os Mistérios são infinitos E por eles podemos contemplar Nossos recantos mais bonitos. Ser não significa estar. Medo e alegria são apenas estados Em que nossa mente pode se experimentar. Acreditar Que algo ou alguém De fora ou mais além Tenha alguma espécie de poder Que na forma de ver Ou sentir que estamos “equivocados”, Fugindo da oportunidade Que nos põe em contato Com nosso “ego encantado”, Temendo ao mesmo tempo sermos julgados, É tanto tolice quanto letargia Inteligência emocional sem autonomia

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Abandono do espírito em função da covardia, Por não querer enfrentar situações Conseqüências das próprias ações Reafirmando a necessidade do ego burro Em se alimentar do cansado ciclo das ilusões.

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TRAGÉDIA EMO Porque todo mundo tem um dia assim A tempestade em copo d’água é culturalmente incentivada com grande aprovação familiar. Quanto maior a capacidade de representar a tragédia, menor é a capacidade dos emos ultrapassarem os gregos na capacidade de expressar sua solidão. Aprendamos com esta rica civilização!

Sou o veneno que liberta tua dor A cicuta que entorpece teu amor Verdadeiro deleite de lembranças Trazendo-lhe velhas esperanças Liberdade óh Liberdade Me pudera em Teus braços me envolver Mas como veneno nasci para a verdade De matar sem poder morrer

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POMBA GIRA DO (A)MAR Um Símbolo de Transformação do Feminino Bem, seguindo o conselho angustiante da profª Cristina, fui pesquisar a Pomba Gira como símbolo, no meu cartão presenteado por uma amiga, neste amigo secreto do Curso de Psicanálise de 2011, e também essa minha erotização dolorosa pelo arquétipo do atávico Thor. Resolvi chamar este aspecto ainda não totalmente elucidado de “Pássaro Sif”, numa alusão aos arquétipos da Pomba Gira e de Sif, esposa de Thor, relacionando outros conteúdos mitológicos em sua estrutura cultural,somente porque me foram apresentados como símbolos. Portanto, este discurso não é religioso. Fiquei curiosa sobre a esposa de Thor. Sua esposa, Sif, a de cabelos dourados como o trigo (e eu era bem loira antes de decidir ficar ruiva este ano de 2011), era considerada uma deusa das colheitas, e acreditavam os antigos escandinavos que quando Thor e Sif faziam amor, raios caiam sobre os campos para acelerarem o amadurecimento dos grãos. O mais curioso, é que a Pomba Gira faz a mesma coisa, “acelera o amadurecimento dos grãos” e é uma Senhora de Grandes Colheitas e Semeaduras para o Sagrado Feminino, uma iniciadora de donzelas e também uma Grande Iniciadora para o Masculino, ensinando o homem a ser homem e a considerar o feminino. Essa dualidade Sif (introvertida, elementos terra e fogo) & Pomba Gira (extrovertida, girando a roda dos 4 elementos com suas saias), que chamo de “Pássaro Sif”, representam 45

então, forças antagônicas complementares que me foram reveladas como símbolo: a riqueza, o poder feminino, a colheita de tudo aquilo que é plantado, o bem-estar familiar, a roda de minha dança pessoal, minha dança de vida, e a paz entre as tribos, entre as pessoas, pois em seu aspecto Pomba Gira, ela impõe limites aos inimigos, para que estes não incomodem a paz já existente. Vejam bem, este não é um discurso religioso e sim psicológico, científico e psicanalítico, pois estou observando símbolos, e não misturando estações com a religião pagã nórdica, pela qual nutro profundo respeito. Falo de símbolos do feminino que conectados, me foram revelados pela Psique, tanto por sonhos, quanto por desenho, e sinais externos à minha vontade. Nos aspectos da lealdade e da coragem, ela foi acusada de adultério por Loki e teve seus cabelos cortados, pena imposta às mulheres adúlteras daquele tempo. Mas Thor ficou ao lado dela, revelando-se um masculino considerador e a apoiou em seu dilema e sofrimento, de ter os cabelos cortados, isto é, seu poder feminino interditado. Thor então ameaça Loki ¹ caso ele não devolvesse os cabelos de Sif; então Loki empreendeu uma viagem até os anões, que confeccionaram cabelos de ouro para Sif, e esta aceitou. Observem que se Loki não tivesse cortado os cabelos de Sif enquanto ela dormia, ela não teria cabelos de ouro! E a Pomba Gira adora um ouro! O ouro como símbolo é um representante de valor, reconhecimento, permissão, sedução, erotização e poder na psique humana. Em seu aspecto Pomba Gira, como um aspecto do feminino que me foi revelado, e que não sei se pode não servir ou não para outras mulheres, a intriga e a calúnia é um aspecto sombrio dessa dualidade Sif / Pomba Gira. Uma preserva a 46

harmonia, enquanto a outra pode escolher entre ter a harmonia ou a luta, se seus interesses forem satisfeitos. Sif era considerada muito bela, e tinha aspectos introvertidos. Apreciava os guerreiros fortes, porém educados, como seu marido Thor. A Pomba é um símbolo do Sagrado Feminino, e ressignificando sua pureza, como também sua vulgaridade, temos como resultado a Sensualidade Divina, conferida a toda deusa que dança com suas saias de vento, girando como as pombas que buscam por nutrição. Considerei estas elaborações como textos não concluídos de meus pensamentos, porém já oferecem algumas referências para elucidações dos símbolos de transformação, e não de comparações vulgares entre arquétipos tão diferentes.

__________________________________________________ [1] Loki como aqui é apresentado, ele é um aspecto de Exu como símbolo do embusteiro, do pilantra;e a Pomba Gira, é um aspecto feminino desse mesmo embusteiro, e se enraivece quando enganada. 47

Outras considerações em fantasias poéticas Um dos aspectos de Lillith, grande arquétipo universal, é a Pomba Gira, um mitogema local abrasileirado. Bendita é esta Senhora, formosa com seu rosal! Ela nos acalenta, contrariando a missão de muitos, que a criticam por suas rebentas, para nos ensinar a amar. Muitas vezes é necessário transgredir antigas regras, para que o novo possa se mostrar. Neste texto eu vos apresento, uma Senhora em particular, dela não sou devota, mas de mim ela costuma gostar. Logicamente no mundo dos arquétipos, eu, em contato com sua energia, deixo pra lá todo o meu estudo, para apreciar sua nobre companhia. Ela não é vulgar, como muitos podem pensar, mas pode um vulgo se tornar, apenas para se divertir e a muitos chocar. Essa Senhora é tão genuína, que mal tenho palavras para descrevê-la, mas ela me apareceu tão pequenina, como uma das pombas que posa, todos os dias em minha janela. Eu não pude deixar de ignorar, seu símbolo de transformação, trazendo-me não só o mar, conchas para me enfeitar e cristais de sal para me purificar, como também sua doce, perfumada e enérgica prontidão. Oh apreciadora de pedidos, e também a executora dos casamentos e encomendas oficiais, protejam a nós teus espinhos, dos inimigos desleais.

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Que tuas rosas vermelhas vistam-nos de pétalas, para que noivas, vestidas de ti, possamos assumir nossas flores e enxergar nossas cores, transmutando todas as nossas dores. Traga-nos alegrias e muitas graças, pois nossa oferenda à vossa Graça, é o nosso sagrado e feminino despertar. Acho que isso deves muito apreciar… E neste momento eu Gratidão, Gratidão, Gratidão! só tenho a pronunciar:

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Ancestralidade e o Poder do Mito

CONVERSAS COM A ANCESTRALIDADE Porque nossos ancestrais merecem toda a nossa Reverência O DNA é apenas a versão moderna, entenda-se científica, para designar o que desde tempos imemoriais o ser humano conhece por Força dos Ancestrais. Ritos de Fertilidade, Sacrifício e Gratidão estão registrados em menires em rodas de solos sagrados, para nos deixar a advertência daquilo que jamais pode ser ignorada ou esquecida: a nossa Ancestralidade. Em diversas culturas, ela se manifesta com nomes diferentes, porém o DNA humano, não nega sua força nem sua estrutura. Para que possamos então atingir nosso ponto de mutação e diferenciação, a melhora de nossa qualidade de vida, devemos honrar os ancestrais para que eles nos abençoem sempre, sem nos envergonharmos de quem eles possam ter sido, de como possam ter acertado ou errado, ou se eles foram cristãos, budistas, ateus ou pagãos. Nossa memória celular traz consigo o registro de seus pensamentos, desejos, raivas, tristezas, experiências positivas, crenças empreendedoras, nos unindo na Roda da Experiência Ancestral. Mais do que poética, é essa soma de ciência e religiosidade sem religião, que nos prende à Boa Sorte ou à Maldição. Este Conselho Poético que leremos nas próximas páginas, nos ensina, como reverenciar com gratidão, e perdoar 52

com Responsabilidade Amorosa, os erros dos que já foram e que nos deixaram suas missões. Nossa tarefa é cumprir com nosso Propósito de Alma, e não viver a vida não vivida dos que já se foram. Embora este automorfismo nos renda grandes angústias, ele também nos liberta daquilo que deveríamos ser para os outros, fazendo-nos experimentar o Si Mesmo em nós mesmos. Jamais poderemos negar nossas origens, nossas tendências e nossas raízes, mas podemos nos libertar das amarras negativas de família que nos foram impostas pela ignorância amorosa dos que nos educaram. Não precisamos de revolta. Mas de consciência e amorosidade.

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Honrar O sêmem do pai O óvulo da mãe Curar as feridas que trazemos Dos nossos antepassados Reconhecer o ventre Da mãe, da avó, da bisavó E a maneira como foram Tratadas por nossos Pais, avôs, bisavôs Fazer as pazes com nossos instintos Contemplar o nosso melhor lado Porque sempre temos um Perdoar o nosso tempo na visão da nossa ansiedade Cuidar da nossa falta de disciplina e do solo doente das ilusões onde estabelecemos as raízes das nossas imperfeições Porque reconhecer nosso valor consiste apenas em nos olhar com mais Amor

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ENXERGAR COM OS OLHOS DO AMANHÃ Que Odin possa nos inspirar!

O maior desejo do ser humano é poder saber o seu futuro, porque se houver algo ruim lá, ele poderá alterá-lo. Felizmente as coisas não acontecem de maneira tão simples, mesmo quando intuímos o nosso futuro ou sonhamos com ele. É necessária muita força psíquica na elaboração dos elementos que irão compor nosso mosaico no futuro. Isso significa que, para viver feliz no futuro, é necessário que se viva feliz no agora, no Agora Eterno, que é um presente para todos nós. Com vocês, “Se eu pudesse enxergar com os olhos do amanhã”

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Se eu pudesse enxergar com os olhos do amanhã Eu evitaria todas as atitudes que viessem ferir Se eu pudesse enxergar com os olhos do amanhã Eu colocaria em prática as coisas que costumo protelar Se eu pudesse enxergar com o olhos do amanhã Eu saberia inovar antes dos inventores mais adestrados Se eu pudesse enxergar com os olhos do amanhã… Mas só posso enxergar com meus próprios olhos E conhecendo a disputa entre as mentes e as coisas Sei que a idéia do amanhã é uma invenção humana Então estes olhos são os únicos que realmente Vão além do amanhã! Eles não são condenados às duas cavidades do rosto Nem às humanas considerações dos “achólogos” existenciais Porque os olhos não impedem visões reais Sempre existiram livres dentro do Corpo do Universo…

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O CLÃ STRIGOI Porque todo mundo tem um lado StrigI Este poema foi concebido durante uma viagem de trem, quando eu retornava para casa, em junho de 2009, com a idéia inicial de reverenciar o meu “Daemon” pessoal, sugerida na reunião do Círculo StrigoI. O que saiu foi uma revelação espontânea e alquímica repleta de metáforas, em que “se fôssemos vampiros“, em nossos aspectos dionisíacos, as tomaríamos para anunciar nossos corações ao mundo. Eu sequer controlei o conteúdo das idéias que afloraram em minha mente. Este poema reflete também o diálogo da Sombra concebida por Jung, a instância interior que nele, se revela uma mestra versada em rimas, verdades e símbolos de transformação [1] não-vividos em sua plenitude, e que amorosamente emprestou a figura do vampiro para expressar seu ponto de vista. O discurso do poema ainda revela a instância do Animus em seu aspecto atávico e como princípio organizador. [1] Alguns dos Símbolos de Transformação não vividos em sua plenitude que apareceram implícitos no poema e explícitos nas imagens do vídeo, nos discursos da Sombra e do Animus, são: O Strigoi como símbolo do vampiro como símbolo; A criança sagrada; O despertar da consciência da existência de uma instância sombria e metaforicamente “satânica”, na forma do “encapuzado”: ora como o revelador, ora como o tirano (tive vários sonhos com esta instância e várias mulheres também sonham com “o encapuzado”, 57

aquele que não se revela mas revela a mulher a si mesma); A figura paterna e o complexo de Édipo/Electra; O simbolismo da adaga e da espada (o falo); O simbolismo da arena (o feminino receptivo); O Ankh egípcio e vampírico (imortalidade); A própria Imortalidade como símbolo; A Alma Coletiva; A Morte como elemento transformador como “mão escura da Mãe Natureza”; O fogo draconiano como elemento transformador; O mito do renascimento implícito na simbologia da semente sob a terra, que é uma alusão à gestação e renascimento de uma nova criatura, o vampiro; O mito da Bela e a Fera na psicanálise dos contos de fadas; O sangue como símbolo dos afetamentos líquidos da psique (emoções atávicas); A alquimia como metáfora implícita em todo o discurso: a coniunctio (o casamento alquímico); a impregnatio (a emergência do novo homem); a lapis (o ovo, a semente e a pedra filosofal); a nigredo (o confronto com a sombra e a integração de seus conteúdos); o mercúrio (o mal revelado como processo de iniciação); a putrifactio (o vapor dos elementos em decadência que prenunciam a transformação); o citrinitas (na transmutação da lua em prata) o rubedo (só o sangue traz vida, também relacionado à pedra filosofal); o pentagrama (em alusão aos cinco elementos); O olhar do Self;

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O discurso da sombra em “somos um povo esquecido”, naquilo que reprimimos e não vivemos em nossa psique; Animais totêmicos: o dragão, a aranha, o lobo, o corvo e a coruja; A inversão de valores provocativos na sanidade e na loucura; O sadismo implícito no simbolismo do chicote; Os silfos e Zéfiro, o vento mitológico do oeste que serve ao seu propósito de alma: fecundar, soprar mensagens, movimentar o ar na forma da brisa e conduzir ao destino certo; A escolha das músicas, tanto a original (The Reign, Score Mix) quanto a “substituta” (A New Religion); Entre muitos outros: as pétalas da rosa vermelha jogadas no mar pela criança, a areia, estalagmites e estalactites, a voz, a sereia, a teia da aranha como símbolo da mente coletiva, a semente, a terra, a paz como força na fera representada pela Carta do Tarot “A Força”, o espinho sangrando, o sangue na forma do mar enrubescido, “o que escuta sem ouvidos”, os trilhos do trem, a mão do Self, a lua cheia e a lua negra, o mar, a aurora boreal, a função psíquica da sensação que dá o requinte à sedução do vampiro, a prática xamânica do “dream walking”, entre outros.

Em seguida, fiquei dois meses trabalhando num vídeo sobre o tema, escolhendo as imagens que expressassem as palavras do texto. O vídeo foi originalmente concebido com a música “The Reign” 59

remixada em sua versão instrumental, da grandiosa Tarja Turunen, porém, em função dos direitos autorais o youtube tornou o vídeo indisponível e me ofereceu como escolha o “audioswap”, uma ferramenta que oferece aos youtubers a possibilidade de “escolher” uma outra música, livre em seus direitos autorais, para ser utilizada, mascarando o vídeo original. O novo audio escolhido foi a música “A New Religion”, da Aalborg Soundtracks, cujas batidas são ótimas para pista de dança, mas infelizmente não atendem a concepção criada na vídeojornada. Quem é “O Clã Strigoi”?… O que ele faz?… Quais são suas experiências?… O que ele deseja?… Quero salientar que quando eu criei o poema e esta vídeo-jornada, eu não estava consciente dos aspectos que se apresentaram a mim na época (2009), sendo possível, hoje, analisar os sintomas do passado, a necessidade de viver os aspectos lúdicos noturnos, a necessidade de vivenciar os conteúdos diurnos, os complexos atuantes, o discurso transformador da psique e as respectivas simbologias do poema. É possível analisar uma vida psíquica inteira através dele. O vídeo está disponível no endereço: http://www.youtube.com/watch?v=9Ab24n0J4PA Que Zéfiro no sopre seus encantos e nos leve às paragens mais ocultas de nossas almas!

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Considerações do Masculino Então, na época, um animus considerador se levanta na figura de meu amigo Lord A. que diz:“… Fala ao Coração. Aliás, se ficasse como “Coração Strigoi” ficaria perfeito…. Este vídeo tem o apoio de Officina Vampyrica / Círculo Strigoi”. De fato, tanto o poema quanto o vídeo falam ao coração. Em outra ocasião, já em 2010, meu professor de psicanálise Carlos Aníbal diz mais ou menos assim, não exatamente com estas palavras, mas abordando esta ideia: “Se eu fosse você eu mudaria o nome desse poema, porque ele diz mais do que aparenta. É um discurso da Sombra.” Eu sinto muita gratidão pelas considerações feitas, tanto por esses animus consideradores, quanto pelos meus colegas psicanalistas, que me auxiliaram a elucidar os dilemas do poema que refletiam e ainda refletem, em alguns aspectos, minha vida psíquica. Porém eu, carinhosamente, velo pelo título original concebido “O Clã Strigoi”, como uma forma de gratidão pelas experiências vividas do contexto, nas lembranças daquele vagão de trem, em que estava praticamente só, sentada à vontade com as pernas alongadas sobre o banco… Eu, minha boina e meu negro bloco de anotações, pensando em meu daemon… Gratidão! 61

O Clã Strigoi Somos os filhos do vento adormecido Que acorda e sopra aos teus ouvidos Adagas soltas nas arenas Almas unidas de um emblema Somos a dádiva oculta sob areia A voz no canto da sereia A aranha Sendo o mundo sua teia Somos a espada usada em cada guerra A semente oculta sob a terra A Paz E a Força em cada fera Somos o sangue de um povo esquecido Na forma Do mar enrubescido De um ser que escuta sem ouvidos Somos o trem que anda sobre os trilhos E o pai oculto em cada filho A face À mostra com seu brilho

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Somos os olhos da Lua de Prata Que é vista em toda mata E o tapa-vista Do pirata Somos aqueles que andam pela noite Do chicote Somos o açoite A cura que ao vírus traz a morte Somos os guardiões da Lua Negra O céu no rosto das estrelas A mão escura da Mãe Natureza Somos O sopro no mar dos escolhidos A gota no ar dos envolvidos A sanidade nos enlouquecidos Somos também a aurora firme e bela Boreando em tua janela Do cubo Somos esfera

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Somos os vôos de nossas ações Nos aquários vivos das canções No silêncio Somos sensações Somos a saudade de todos os lembrados A dor De todos os amados E o sonhar dos acordados Somos o pentagrama refletido No hemisfério invertido Partes vivas do éter Eternas notas do Zeph’R!

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Automorfismo

PRIVAÇÃO É DIFERENTE DE PRIVACIDADE Porque privar-se não pode garantir nenhuma privacidade

Metabolizando os fatos: Repetitivamente escolhemos nos comportar ou desenvolver pensamentos depreciativos em relação a nós mesmos. Repetitivamente precisamos nos comportar de maneira que consigamos desenvolver pensamentos nutritivos de felicidade e amor. Repetitivamente, necessitamos de inteligências transcendentes como esta.

A privação envolve o não querer relacionar-se (nem consigo próprio) por motivos de carência; sintomas de frustração consigo, com as pessoas e com o mundo; afeto não correspondido, estado de solidão por opção. Geralmente ela mantém uma revolta enrustida. A privacidade geralmente envolve o desejo sincero de relacionar-se bem consigo e com o próprio corpo. A opção pela solitude na medida certa para si. O Amar-Se. A privação envolve uma declaração de guerra contra si mesmo. A privacidade envolve um pacto de paz em ser/estar bem resolvido. 66

A privação: o julgar-se. A privacidade: o aprovar-se. A privação é o guardar de mágoas para se proteger, defender, mantendo sempre o foco no que foi para se assegurar que o passado nos mantém seguros. A privacidade é o fazer das mágoas uma ponte para o próprio bem-estar, mantendo sempre o foco no que é para não se segurar em nada além de seu próprio eixo. A privação é enclausurar-se nas decepções. A privacidade é aprender com elas. A privação engloba pontos de vista baseados no bem e no mal. A privacidade engloba estruturas mentais desprovidas de fórmulas aprendidas sobre o que é bom ou ruim. A privação escolhe andar pelo caminho da dor. A privacidade escolhe dar os passos da inteligência. A privação é uma consciência medrosa. A privacidade envolve uma consciência amorosa. O Amor não teme. A privação prevê espinhos. A privacidade vê os espinhos e os encara como partes da rosa.

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A privação é comparativa do “eu não tenho enquanto você tem”. A privacidade é contemplativa em todos os aspectos entre o cheio e o vazio. A privação culpa o outro pelo que não deu certo. A privacidade faz de você cúmplice de seus afetos. A privação se alimenta de passado e futuro. A privacidade se nutre do Agora Eterno.

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A BAILARINA Em homenagem ao automorfismo herdado de minha mãe E nesta necessidade de dançar, que nasceu aos meus 6 anos de idade, quando aprendi que gostava de ballet, satisfazendo a um desejo de minha mãe, me descobri com pés de vento e asas de fada. O vídeo deste poema pode ser assistido no youtube, disponível no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=EjxpF2xvAwc

Dança, para que nossos lábios se abram Em sorrisos feitos de melodia À luz da lua ou à luz do dia Dança, para que nossas verdades Sejam lidas em teu corpo Inteiras e não pela metade Dança, para que nossas crenças Não interfiram Em nossas diferenças

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Dança, para que nossas preces Sejam ouvidas da maneira mais bela Com as emoções de nossos alicerces No botão de flor que se abre Na beleza da noite que surge Na leoa-mãe-da-vida que ruge Dança bailarina As composições do teu mundo E mostra aos seres da vida O alto e o fundo Dança Para que nosso medo não diminua A percepção de nossa estrutura Somos sementes sedentas de imaginação Coisas que somente tu és capaz de tecer Com os fios imaginativos do teu querer

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Dança nossas riquezas e semelhanças Nossas cumplicidades Instintos e esperanças Dança a força e a leveza De nossos devaneios E de nossas fraquezas Que as flores que lhes trazemos Exalem perfumes sonoros aos teus pés Dançando todos os sonhos que temos Dança, para que teu leque de possibilidades Nos permita ir ao encontro De outras realidades E que nenhuma dor possa nos dar Razões para nos esconder Enclausurando nossos pontos de vista Sobre aquilo que deveríamos ser

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E que possamos Quando a morte chegar Celebrar… A vida que pudemos ter… Dança… Dança… Dança… Ajude-nos a compor as canções de todas as manhãs Para que possamos te acompanhar Com os nossos instrumentos de tocar… E que todo ato criativo Componha as recordações de nossa história Rodando nas rodas da vida Nossas derrotas e vitórias Dança o Teu PODER Com tuas mãos compões o céu Com teus pés compões a terra Com teu corpo Sinfonias a paz e a guerra E que em nossas memórias possas ficar Como os louvores da aurora Como nos tempos de outrora Dançando em nossas canções de ninar... 72

EU SOU – SAGRADO FEMININO Uma homenagem a todo ser humano chamado Mulher Neste poema vemos os arquétipos ligados ao Sagrado Feminino, como a Menina, a Adolescente, A Mulher e a Anciã. Criatividade, um dom gerador de energia. Fases de uma mulher de faces. Vir a Ser, o vir a ser mulher em suas transformações psicológicas. Revelando os ritos de passagem da infância à vida adulta, o vídeo fala sobre a mulher em si e este é um filosofar posterior ao ato criativo de transformar em vídeo a jornada do mundo feminino. Uma abordagem do amadurecimento emocional e psicológico da mulher de maneira poética e significante. Uma homenagem a todo ser humano chamado Mulher. O vídeo deste poema pode ser assistido no youtube, disponível no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=6twJqvO978E

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Eu sou uma dessas crianças que uivam pra Lua E dessas adolescente que adoram criar Sou uma dessas mulheres de várias faces E dessas senhoras que adoram meditar Eu Sou Sagrado Feminino Inspirada, eu vôo Para a Árvore dos Encontros E me amo Organizo meus fragmentos Para me reconstruir mais uma vez Banho o meu ser Com água sagrada Nos tesouros De minha sexualidade Toco meus ritmos pessoais Em baladas Para dançar Minhas transformações Aceitando minhas expressões

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FALOCRACIA FEMININA Entreguei o Falo ao Animus Sagrado que habita em mim No mito da mulher moderna, a mulher vive um papel cruel que não lhe dá muitas perspectivas de realização das suas necessidades femininas. Ela não pode se aceitar como é, porque vive para atender às exigências externas. Apenas uma atitude pode salvá-la da cova que construiu para si mesma em sua conquista por maior espaço no mundo masculino: o voltar-se para dentro, o aceitar-se como é – mulher, com vagina, corpo e mente de mulher. Mulher sem falo. Mulher que acessa o feminino. Somente essa atitude de aceitação, poderá curá-la de suas feridas. As mulheres têm suas próprias lutas, e são lutas que ela pode vencer, são as lutas femininas de poder, que irão abençoála para abraçar sua Vagina Sagrada e aceitar ser penetrada pelo Falo Sagrado.

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I – A Guerreira Ferida Poderosa e independente Autoconfiante e bem sucedida Cansada da luta intermitente Reflexo de uma alma interrompida Responsabilidade e obrigação Ressentida em seu papel Aprovação, equívoco e presunção De uma auto-imagem cruel A falta de paciência Com assuntos do feminino A levou pelo caminho da ciência Ignorando seu coração peregrino De guerreira para guerreira Respeito e profissão Empenha a voz e força grosseira Nos temperos da expressão A incorporação do divino Em seu corpo leonino É a cura para a raiva e a dor Mulher, confia, a Alma guiará com Amor

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II – O Masculino e o Feminino feridos Os fantoches estão caindo Mas seus criadores continuam agindo De quem é o corpo que fala como mulher? De uma mulher identificada com o masculino A esquizofrenia chega como manifestação Do espírito fálico desse menino Do feminismo à dança da castração Pela morte do útero divino A rejeição à maternidade Incentivada em vias normais Corrompe na mais tenra idade Luta contra suas iguais De quem é o conhecimento Disfarçado de sabedoria Que com água e muito cimento Asfalta a terra, sua melhor companhia? Como um cuspe, real e grosseiro, Perdida como um boi n’um rodeio A criança interior vira bode expiatório Gritando por acolhida em novo território

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III – A Grande Cura Amorosa O Feminino pode deixar de se afetar Pelo esperma da morte e da destruição A mulher pode isto superar Com gentileza e determinação Sua Mátria Interior já lhe fornece nova luz Cantando seu novo hino Uma graça que sabiamente conduz Pondo mais sabedoria em seu destino Fazer uma dieta de culpa Pular fora do círculo das aberrações Nem mais ou menos culta Superar antigas crenças e padrões Se a mulher se cura Na seqüência, o homem também Nasce entre ambos uma relação de cura Sem sorver mais a ninguém Portanto mulher estenda a mão, entregue o Falo da Espada Ao Masculino, a quem o Falo pertence por divino direito Pois nenhuma mulher é criada Para lutar no lugar do Guerreiro 78

ODIN, O ALTÍSSIMO Prece de Gratidão de uma filha que O ama muito, e que agora começa a entender o porquê.

Valknut, o Nó dos Enforcados, o Nó dos Entrelaçados em Odin, Aliança daqueles que confiam No Verbo, Casamento entre aqueles que sabem que fazem A Coisa Certa.

Esta noite eu sonhei contigo meu Pai. Tu não apareceste como Tu, mas sob a forma de um outro que sempre odiei. Só então eu pude perceber, que como Masculino, Tu estás em todos os que amaldiçoei. Eu Te peço pelo meu perdão, meu Pai. Me perdoe pelas minhas ignorâncias. Tu sabes que eu não tive infância. Que não pude como outros normalmente crescer. E agora consciente, de que posso mudar minha mente, Tua Sabedoria nela suavemente se instala, me inspirando a jogar fora, o ódio escondido na velha mala. 79

Esta prece é para nós Odin, Pai Sábio, Diplomata e Xamã, não apenas meu, pois nascida mulher, sei que não posso seguir o Caminho do Guerreiro. Mas agora compreendo, que abençoas também, todos aqueles projetados em Ti que escolhi como companheiros. Eu os liberto, eu os perdôo. De todas as minhas ingratidões, de todas as minhas fantasias, de todas as minhas indecisões, de todas as minhas confusões, de todas as minhas transgressões. Que Tuas Nobres Virtudes possam abrandar meus dragões…

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E eu Te agradeço… pelo belo presente e pela minha renovação… Pai e Conhecedor de todas as coisas Meu guia, meu Norte, minha força Em meus sonhos te apresentas Modificando minhas humanas crenças Nem sempre eu sei o que pensar E muitas vezes na tolice Eu me pus a acreditar Em sentenças que invalidavam meus talentos
Odin... sábio, xamã e guerreiro.

Mas para que eu sempre tenha A Boa Sorte Tu cancelas minhas maldições de família do Sul ao Norte Meu Animus Ancestral, Figura Paterna e conselheira Me abraça eternamente com Teu Sagrado Alento A aba de teu chapéu esconde o Teu Rosto Mas para mim é como se já conhecesse Tuas Cores Nada para Ti é esquecido Nem mesmo a solidão das minhas dores

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E nas preocupações com minhas alegrias Tu me observas e envias Tuas Boas Energias Presenteias-me com o dom de Tuas Divinas Poesias E com o dom de encantar as grandes maiorias Lembro-me de quando minhas pernas ainda cresciam Sob teu pedido, as Nornes ternamente as teciam Para que eu pudesse dançar as danças De minha vida, protegida por Tua Poderosa Lança Eu não sei de muitas coisas Mas sei que Tu sabes sempre mais Até mesmo daqueles que muito estudam como eu Teu Olho está na frente de quem muito já sofreu Sei que não podes de mim tirar As angústias que devo experimentar Compreendo que não podes me enviar Virtudes que ainda não consigo sustentar Mas também sei reconhecer Tua insistência em me fazer viver e me desenvolver Me dando coragem em me favorecer Nas lutas que sou capaz de vencer

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Nesta noite Te apresentastes Com teu Mágico Tambor Tocando do meu coração as tempestades Em canções ritmadas repletas do Teu Calor Agora eu compreendo o Teu Amor Meu Pai tem muito Poder Para me fazer compreender Que Corporificar a Experiência é Ter Valor Eu tomo para mim Aceitando Tuas Divinas Heranças Perdoando os erros dos meus ancestrais Nos descendentes de Tua Confiança Eu e O Sagrado, projetado no homem humano, temos uma aliança E ela nos une na Graça, na Abundância, na Felicidade e no Poder De que tudo em Amor e Prosperidade podemos querer e ter Sem trair as femininas, nas masculinas semelhanças

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O homem humano é constelado De dentro para fora de mim E por Ti é abençoada Nossa união eterna e sem fim Gratidão, lhe rendo meus votos Fortalecendo esse novo contrato Casada com o ignoto Animus, por Ti escolhido para mim, em exato Ká! Odin Blessud!

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SOBRE A AUTORA Luciaurea Kaha é terapeuta e artista pluriapta, comunicadora estudiosa de mitos e espiritualidade. Sua jornada teve início com terapias corporais através da dança, sendo precursora da Geometria Corporal Expressiva e atuando como bailarina, professora e coreógrafa em diversas produções culturais. Suas pistas internas a levaram a trilhar o caminho das terapias da alma, utilizando a arte como viés para o autodesenvolvimento, sempre se interessando por tudo o que pudesse lhe oferecer significado, cura e profundidade. O tempo lhe favoreceu transformando-a numa facilitadora do desenvolvimento humano que compartilha suas experiências como terapeuta, escritora e educadora somática. Conduz oficinas, palestras vivenciais e workshops lúdicos com temas de auto-estima, movimento livre criativo e danças terapêuticas. É tradicionalmente formada em Ballet Clássico, Magistério, Arquitetura, Cura de Ambientes, Terapias Vibracionais e Psicanálise. Para saber mais sobre os trabalhos e publicações da autora entre em contato. CONTATO: http://www.luciaureakaha.wordpress.com/ simone.luciaurea@gmail.com

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