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Pediatria4Jan

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  • Teoria Geral dos Sistemas
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Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL

Elementos estruturantes da enfermagem da criança e do jovem
Teoria Geral dos Sistemas Sistema – unidade organizada, em desenvolvimento, dinâmica (a qualquer momento se altera e se transforma), os componentes permanecem entre si e interagem; disfunção ou mudança causam perturbação. Subsistema – partes componentes do sistema, mais pequenas, internas, que interagem entre si e definem o sistema. Supra sistema – Ajudam a definir o ambiente externo em que o sistema está inserido. Estrutura – forma como todos os elementos se organizam (indivíduo só se separa da família com a independência e não com a idade) Fronteira – o que separa o ser humano do ambiente são os sentidos porque são estes que o permitem perceber o mesmo. Não é uma linha circular e impermeável. Contém alguns “poros”. Uma criança com défices sensoriais tem uma fronteira com os “poros” mais fechados. Função – todas as actividades que o ser humano realiza para satisfazer as suas necessidades. In Put – entram no sistema para o influenciar. Os cuidados de enfermagem são um in put. Podem ser sobre a forma de informação, matéria ou energia. Out Put – são o comportamento do sistema: Qual é a reacção do sistema (criança) aos in put (cuidados de enfermagem) Stress – Nem sempre é negativo

Referencial Teórico do Modelo de Sistemas de Neuman
Teorias que o influenciam:  Humanismo  Holismo  Teoria de Gestalt  Teoria de Stress de Seyle  Teoria Geral de Sistemas  Teoria de Crise de Caplan → Foge do modelo tradicional de doença. Grande flexibilidade: aplicável a indivíduo, família, grupos e comunidade. Humanismo  O Indivíduo como um ser único;  O propósito da vida humana;  A liberdade individual de escolha; → Todos os indivíduos têm as suas individualidades. Temos de negociar com o sistema/cliente de modo a que este se envolva no plano/processo terapêutico e faça as suas escolhas. Holismo  A reacção do indivíduo corresponde a um todo unificado;  O todo é diferente e mais do que a soma das partes;  As várias relações entre as partes e sub-partes do cliente devem ser adequadamente identificadas antes de o enfermeiro actuar. → Ver o indivíduo como um todo unificado.

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Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL
Teoria de Gestalt O processo homeostático permite que o organismo se mantenha em equilíbrio e por isso tenha saúde. → Sistema só tem saúde se es ver em equilíbrio: equilíbrio entre In put e Out put. Teoria de Stress de Seyle Conceitos  Stress – “a resposta não específica do corpo a qualquer solicitação que lhe é feita”  Resposta não específica – “a que afecta todas ou a maioria das partes de um sistema sem selectividade”  Stressores – “os agentes que colocam solicitações ao corpo que podem precipitar stress. Podem ser benéficos ou prejudiciais” → Stressores positivos (forças) e negativos. A síndroma de stress ou síndroma de adaptação geral aparece quando um organismo é sujeito a um stress contínuo e prolongado A síndroma de adaptação compõe-se de 3 estádios:  Reacção de alarme  Resistência  Exaustão Teoria Geral de Sistemas Os sistemas abertos mantêm-se em equilíbrio apesar dos processos contínuos de importação, exportação, construção e demolição em constante acção. O Homem, sistema em constante transformação, possui a capacidade de adaptação às diferentes mudanças que ocorrem no seu meio interno e externo. Os fenómenos homeostáticos e a capacidade de mudança que contribuem para um equilíbrio dinâmico dentro do próprio sistema. Num sistema aberto as trocas ambientais são recíprocas – o cliente e o meio ambiente podem afectar-se mutuamente, positiva ou negativamente. O input processado providencia outputs como feedbacks para futuros inputs, criando um padrão organizado dentro do sistema aberto. Teoria de Crise de Caplan A crise – período transitório que apresenta ao indivíduo tanto uma oportunidade de crescimento da personalidade quanto um perigo de crescente vulnerabilidade. Após a resolução da crise o indivíduo poderá ficar com maior ou menor capacidade para a resolução de futuros problemas em função da forma como se operou o realinhamento de forças quer a nível da sua personalidade quer do tipo de relações que passa a manter com os outros. Três níveis de prevenção: Prevenção primária (retenção do bem-estar) – acção sobre os factores prejudiciais antes que se produza a doença. Prevenção secundária – acção visando alterar os factores que levam à doença ou actuar mediante um diagnóstico precoce e tratamento eficaz. (Ex: Rastreios) Prevenção terciária - acção visando reduzir a incidência dos efeitos residuais dos problemas. → No Modelo de Neuman, as intervenções apresentam-se sempre aos três níveis.

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Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Paradigma Pessoa
Conceitos  Sistema Cliente  Pessoa  Ambiente  Saúde  Enfermagem Sistema/Cliente  O Sistema/cliente (Criança/Jovem + família como contexto) é visto como um todo englobando todas as variáveis do ser humano (fisiológicas, psicológicas, sociais, culturais, espirituais e desenvolvimento), incluindo as experiências actuais e passadas  O sistema/cliente é um sistema aberto, interagindo com o ambiente, ajustando os seus comportamentos e/ou ajustando o ambiente às suas necessidades  Embora as suas respostas adaptativas sejam comuns a outros sistemas/clientes, a sua singularidade está nas opções específicas que toma. Variáveis: Fisiológica: estrutura física e função Psicológica: processos mentais e relacionamentos Sociocultural: funções sociais e culturais Desenvolvimento: processo de etapas de desenvolvimento Espiritual: crenças religiosas, populares, projectos de vida → Ter sempre atenção às particularidades das respostas de cada sistema Pessoa Ser fisiológico, psicológico, sociocultural, e espiritual, capaz de se desenvolver. É um todo integral. É um sistema aberto em constante interacção com o ambiente. Ambiente O ambiente constitui o campo perceptual de cada sistema/cliente Factores do ambiente podem influenciar positiva ou negativamente o sistema/cliente, num dado momento. Inclui os factores de stress contidos no:

Saúde

Enfermagem

Ambiente

Ambiente criado – forma inconsciente como o indivíduo mobiliza o que é necessário e vai buscar subsídios a outras varáveis para conseguir o equilíbrio. Nádia Isabel Leonardo Perdigão, CLE 2008-2012, Nº 1851

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destinadas a fortalecer os mecanismos adaptativos ou a diminuir os factores stressores:  Prevenção da desadaptação.  Um reduzido estado de bem-estar é o resultado de necessidades sistémicas não atendidas. ʘ Entropia = morte do sistema = esgotamento do sistema Enfermagem Alvo Criança e Jovem em constante crescimento e Desenvolvimento (Cuidados Centrados na Família) Objectivo Ajudar o cliente a atingir o nível máximo de saúde através de propostas de intervenção aos três níveis de prevenção. quando todas as variáveis estão em equilíbrio.  O bem-estar é a condição na qual todas as partes e sub-partes do sistema/cliente estão em harmonia com o sistema como um todo.  Quando o sistema gera mais energia do que a que consome orienta-se para o crescimento ordenado do sistema (anentropia). isto é. por meio de um processo de interacção e ajustamentos.  A saúde equaciona-se com a estabilidade do sistema. Nº 1851 .  É um continuum de bem-estar de natureza dinâmica que está constantemente sujeito a mudança.  Quando o sistema gera e consome níveis idênticos de energia orienta-se para a estabilidade. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Saúde  Processo que se desenvolve ao longo do tempo.  A saúde está dependente de vários graus de harmonia ou oscilação entre envolventes internas e externas.  Quando o sistema consome mais energia do que a que gera orienta-se para a destruição do sistema (entropia). Estrutura do Modelo 4 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Manutenção da adaptação.  Restabelecimento da adaptação.

ʘ Nível de bem-estar do cliente.O core ou estrutura básica consiste em factores básicos de sobrevivência (aspectos fisiológicos. ʘ Define a estabilidade e integridade do sistema. Linha Normal de Defesa O Sistema cliente tem um nível de bem-estar ou equilíbrio habitual. ʘ Resulta do somatório das aprendizagens adquiridas em confrontos anteriores com os agentes stressores. Só recursos construídos estão nestas linhas. Nº 1851 . ʘ Representa a capacidade normal de resposta às agressões. São recursos do indivíduo que o ajudam a ultrapassar situações/combater stressores. ʘ Dinâmica (expande-se e contrai-se de forma a manter a estabilidade do sistema). condições estáveis que permitem a defesa contra stressores mantendo o equilíbrio (ex: características da personalidade. Contêm factores que apoiam as linhas de defesa (as mais exteriores). Um mecanismo protector que tenta estabilizar o sistema cliente e proporcionar um retorno ao bem-estar habitual. Esta linha de defesa normal é um padrão de normalidade e ajuda a determinar qualquer discrepância de bem-estar (ex: o padrão habitual de sono varia ao longo do ciclo vital. estratégias de coping). São activadas para proteger ou reconstituir o sistema.doenças crónicas. doença crónica) ʘ Estrutura do ego Linhas de Resistência Conjunto de círculos quebrados que envolvem a estrutura básica. estrutura de ego). Linha Flexível de Defesa Forma o limite exterior do sistema de cliente definido.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Representação Gráfica do Sistema/Cliente Estrutura Básica . força ou debilidade orgânica. sua habilidade para manter estabilidade e integridade → A forma como uma pessoa normalmente reage. ʘ São três conjuntos. 5 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. O NLD define a estabilidade e integridade do sistema de cliente. Padrão. Quando ainda se estão a construir encontram-se na linha flexível. ʘ Factores comuns a todos os organismos ʘ Sinais vitais ʘ Estrutura genética ʘ Forças ou fraquezas orgânicas (ex: conhecimentos. CLE 2008-2012. anatómicos. Esta linha representa o que o cliente se tornou ou evoluiu com o passar do tempo. recursos económicos. Como se responde a determinado fenómeno. religião. podendo ser: indivíduo/família/grupo /comunidade. estrutura genética . padrão de resposta. As Linhas de Resistência contêm factores de recursos internos e externos conhecidos e desconhecidos que apoiam a Estrutura Básica do cliente e a Linha Normal de Defesa (ex: mobiliza ou activa mecanismos de sistema imunitário que protegem contra as doenças) ʘ Factores. forças.

ʘ Quando a linha flexível de defesa não é capaz de proteger o sistema contra o agente de stress. A tensão provocada aumenta o potencial. Factores de stress Cada factor de stress: ʘ Pode constituir uma ameaça ou corresponder a uma reacção. ambiente externo próximo)  Conflitos familiares. CLE 2008-2012. ʘ Representa a fronteira exterior do sistema. Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ou causa: ʘ Desequilíbrio. ʘ Amortece e absorve as agressões como um acordeão → “Pára-Choques”. ʘ Está relacionada com os mecanismos flexíveis de resposta sendo particularmente sensível às circunstâncias. este quebra a linha normal de defesa.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Actua como um sistema mais externo e protector para a Linha Normal de Defesa do cliente ou estado de bem-estar do sistema. mudanças no sistema cultural ou político. privações. Previne a invasão do sistema cliente pelo stressor (ex: Mecanismos flexíveis de resposta). apoio dos colegas da escola mudanças de papéis e de funções.  Inter-sistema → os que ocorrem entre um ou mais sistemas (ocorrem entre a pessoa/sistema e outros sistemas.  Respostas condicionadas às ocorrências de vida: desgosto. trauma.  Extra-sistema → os que ocorrem fora do sistema (Ocorrem a nível supra sistémico. ʘ Crise ou maturação. situação de dependências de outrem. Tipos de stressores: positivos ou negativos Categorias:  Intra-sistema → os que ocorrem dentro do sistema (tem a ver com o ambiente interno)  Infecção. Nº 1851 6 . ambiente externo longínquo)  Situação de pobreza. ʘ Pode conter determinadas características que exijam vários níveis de intervenção de enfermagem. alterações do desenvolvimento). Variáveis Interactivas Stress Situação ou condição capaz de causar instabilidade no sistema pela penetração na LND.

Reconstituição O sistema cliente adquire novas e melhores capacidades para lidar e superar as agressões – as linhas de defesa expandem-se. resultando perda de energia – as linhas de defesa contraem-se.  O sistema cliente é um sistema aberto em constante interacção com o ambiente.  O nível da linha normal de defesa não é idêntico para todos os clientes.  E/ou com a “fragilidade” das suas linhas de defesa e resistência.  Mecanismos de defesa naturais e aprendidos. A reacção e/ou grau de reacção vai depender da individualidade do sistema:  Estrutura básica.  Cada sistema cliente é único.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Reacção do Sistema/Cliente A reacção aos stressores depende do estado das suas Linhas de defesa. Representa a alteração no tempo verificada com diversos confrontos com stressores. a voltar ao estado normal de bem-estar ou a um nível mais elevado de estabilidade após a reacção a um stressores ambiental. A linha normal de defesa pode ser usada como padrão para medir os desvios de saúde. Modo de Intervenção Prevenção Primária → Objectivo: Fortalecer a linha flexível de defesa (Impedir que o stressor entre dentro do sistema) 7 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Cada sistema cliente tem um conjunto de factores de resistência interna – linhas de resistência – que tentam estabilizar e ajudar o cliente a restabelecer o equilíbrio.  O sistema cliente está sujeito a agentes de stress que podem potencialmente causar um desequilíbrio do sistema. ou um estado normal de bemestar/estabilidade. mas também tem características comuns a todos.  Tempo de encontro com o stressor. CLE 2008-2012.  Cada sistema cliente desenvolveu ao longo do tempo um conjunto de respostas. Valores  Os enfermeiros têm o dever de procurar o potencial máximo de estabilidade do sistema cliente. referidas como linha normal de defesa. As Linhas de Resistência impedem que os agentes de stress atinjam o core – caso sejam ineficazes a vida do sistema poderá estar comprometida. Nº 1851 . Todos os sistemas procuram o equilíbrio. Componentes Essenciais do Modelo Postulados  Os factores de stress diferem pelo potencial para perturbar a linha normal de defesa e podem afectar o grau em que cada sistema cliente está apto para usar a sua linha flexível de defesa contra a possível reacção aos stressores. Elementos do Modelo Fonte de dificuldade As origens prováveis das dificuldades experimentadas pelo cliente relacionam-se:  Com os factores de stress. O sistema cliente foi danificado para além das capacidades das linhas de defesa.  Os enfermeiros não podem impor os seus julgamentos ao cliente.

CLE 2008-2012. Stressores Reacção aos stressores A avaliação do grau de reacção aos stressores facilita a intervenção/ tratamento Acções para reduzir o grau de reacção aos stressores Desorganização grave (intervenção ainda possível ou morte do sistema) Prevenção Terciária → Objectivo: Alcançar ou manter o nível máximo de bem-estar. Reconstituição como resultado da intervenção secundária Avaliação do grau de reconstituição como resultado das intervenções Intervenções de apoio aos recursos interno e externo com vista à reconstituição Níveis de bem estar óptimo (possível para cada sistema) 8 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL STRESSORS AMBIENTAIS A avaliação dos stressores para antecipar as possíveis consequências do risco de adoecer Acções para prevenir a invasão dos stressores Prevenção Secundária → Objectivo: Proteger a estrutura básica e facilitar a reconstituição do bem-estar (Reduzir a manifestação). Nº 1851 .

1993) → Basta existirmos para estar a transmitir qualquer coisa. Nádia Isabel Leonardo Perdigão. muitas vezes. Secundária Objectivo . Não falar muito alto nem muito baixo → Para baixar o ruído. Objectivo . CLE 2008-2012. ou se suspeita de algum Primária antes de ocorrer a reacção do sistema. Consequências da Intervenção  Aumento da resistência ao stress. Ser breve. desenvolvimento pessoal (Chalifour. Evitar a possibilidade de uma recorrência da reacção ocorrida anteriormente.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Níveis de Prevenção → Objectivo: Estabilidade do Sistema Níveis de Descrição das intervenções Prevenção Prevenção Ocorre quando um agente de stress é identificado. mas sim o terapêutico. 2003:4) → É a partir da comunicação com o nosso cliente alvo de cuidados que os mesmos se desenvolvem. Dirige-se para actividades de manutenção e de tipo educacional. Não falar nem muito depressa. Mostrar-se interessado. Terciária Finalidade . Prevenção Ocorre quando um agente de stress passou a linha de defesa e causou reacção.  Aumento do nível de bem-estar. habilidades emocionais.  Diminuição do grau de reacção. verbal e abstracta (Hockenberry. Fortalecer a Linha de Defesa. 1993) → O facto de serem diferentes não quer dizer que a social não seja utilizada em contexto terapêutico desde que seja com a intenção de chegar a outro patamar que não o social. a reconstruir-se. 1993)  Comunicação terapêutica ≠ conversa social (Riopelle & Phaneuf. Concentrar-se na mensagem e levar os outros a fazê-lo. nem muito devagar.  O exercício profissional de enfermagem centra-se na relação interpessoal (OE. ou seja.ajudar a pessoa a manter e a estabilizar o seu estado de saúde. 2007) Princípios        Pronunciar as palavras correcta e claramente. Algumas intervenções são muito semelhantes às do primeiro nível. diferem porque aparecem depois da ocorrência da reacção. Prevenir a desadaptação. Prevenção Inicia-se geralmente após o tratamento. desanuviar os pais que se encontram em tensão.ajudar o cliente a voltar ao estado de saúde habitual. Usar palavras simples. Nº 1851 9 . falar cada vez mais baixo. A intervenção é centrada em restabelecer a adaptação ou a estabilidade.  Comunicação: não-verbal.Reduzir a possibilidade de um encontro com o agente de stress.  Competências relacionais: técnicas de comunicação. ou também para. Comunicação com a Criança e o Jovem Enquadramento  É impossível não comunicar (Watzlawick.

 Evitar as gírias. bater o pé.  Criar intervalos para controlar a sua recepção. atitudes e a ansiedade.  Respondem com atenção a uma voz calma.  Guiam-se pelo modelo relacional pais/enfermeiro → Temos maior probabilidade de sucesso na interacção com a criança se antes já houve um esforço para ter uma relação de confiança com os pais. não pode ser contraditória) → A mensagem tem de ser verdadeira e sincera.  Oportuna (quando percebe sinais de que a criança está pronta para se relacionar) → Necessário que a criança esteja mesmo disponível para comunicar → implica esforço anterior para que esta se vá tornando disponível → começar a interacção com o adulto e dar tempo para a criança se ambientar. fugir do contacto visual.  Mostrar um olhar interessado.  Ser simpático → Ser simpático não quer dizer que se vá fazer as vontades todas ao outro. firme e uniforme → Voz calma transmite segurança e sensibilidade.  São muito competentes na compreensão da linguagem não-verbal. ʘ As crianças atribuem significado a cada gesto/movimento.  Acompanhar as palavras de gestos → Desde que os gestos sejam adequados. verbal e não verbal. ʘ É difícil disfarçar sentimentos.  Falar olhando para o interlocutor.  Manter uma boa postura. ʘ Na comunicação com as crianças de todas as idades. os componentes nãoverbais do processo de comunicação transmitem as mensagens mais importantes. Exemplo dos comportamentos de aceitação (concordar com a cabeça.  Não dar muita informação de seguida. estalar os dedos. CLE 2008-2012. expressão facial). repetir ou solicitar esclarecimentos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Sorrir. interromper o interlocutor). gestos. dada a sensibilidade das crianças às mensagens não-verbais.  Clara (adaptar os termos à linguagem que a criança entende/usa) → Temos de perceber que linguagem a criança utiliza para nos adaptarmos a ela.  Precisam de ter oportunidade de avaliar a pessoa desconhecida antes de permitirem a interacção. voz uniforme transmite segurança e é melodiosa.  Certificar-se de que os termos que utiliza são compreendidos pelo interlocutor → Utilizar poucos termos técnicos na comunicação com a população. dizer o que deve fazer. voz acelerada.  Percebem a ansiedade e o medo (↑ FC e FR. contacto visual directo. voz firme transmite autoridade.  Falar de forma positiva (evitar o “não”) → Em vez de dizer o “não deve”.  Reformular o que o interlocutor disse para se certificar de que compreendeu a mensagem. Especificidades  Ajustada às características de cada grupo etário. Nº 1851 . fazer comentários apropriados) e dos comportamentos de negação (virar as costas a quem está a falar.  Congruente (a mensagem veiculada por diferentes canais. ʘ Devemos ter em atenção o “efeito de espelho”. 10 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

Toddler e Pré-Escolar Como e o que comunicam  Centrados neles (egocêntricos) → Tem dificuldade em ver fora de si.  Emitir sons próximos daqueles que a criança verbaliza (estimulam e exercitam).  Ainda não adquiriram habilidades suficientes para expressar todos os seus sentimentos e desejos → Estão ainda numa fase de desenvolvimento de capacidades.  Se a criança tiver um boneco. morder. beliscar).  Verbalizam sons compreendidos pelos seus cuidadores (Os pais aprendem a descodificar a linguagem).  Choro manifesta insatisfação ou pedido (fome. movimentos súbitos) com expressões faciais e reacções corporais.  Assuma uma posição ao nível do campo visual da criança. 11 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012.  Incapazes de separar o real da fantasia (fase do concreto) Ex: “agulha grande” → Ter atenção com as palavras que usamos → podem dar sen dos às palavras que não os mesmos que nós damos. cortar. fralda suja.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Orientação  Converse primeiro com os pais e só depois com a criança: ʘ Fala-se com os pais primeiro só na criança pequena → quando a criança está num nível de desenvolvimento em que já desenvolveu pensamento abstracto. Como comunicar  É difícil obter imediatamente a sua confiança. sons altos.  Segurá-los com firmeza e na mesma posição que os seus pais o fazem. solidão ou “falta de colo”).  Reagem a estímulos externos (voz.  São capazes de comunicar com as mães e transmitir ideias sem palavras. fale primeiro com este (facilita a entrada na interacção).  Sorriem e palram.  Preferem a posição vertical.  Faça perguntas simples Ex: “O ursinho tem nome?”. música. é ela o nosso alvo de cuidados e o nosso alvo de preocupação. Como comunicar  Dirigir a comunicação para a criança. é com ela que se fala primeiro.  Utilizar expressões faciais e movimentos com a cabeça.  Evitar a comparação com as experiências de outras crianças → É egocêntrico → não tem capacidade de comparar.  Não inclua logo a criança em actividades (permitir que esta observe a uma distância segura).  Conferem qualidades humanas a objectos (saltar.  Progrida calmamente até questões mais complexas ou Recém-Nascido – Primeiros 28 profundas. dias Lactente – 29º dia a 1 ano Toddler – 1 a 3 anos Recém-Nascido e Lactente Pré-Escolar – 3 a 6 anos Como e o que comunicam Escolar – 6 a 12 anos Adolescente – 12 a 18 anos  Usam e compreendem a linguagem não-verbal. Nº 1851 .  Segurá-los de forma a manter os pais no seu campo de visão. dor.

 Recorrer a experiências do enfermeiro para falar sobre as experiências da criança → Contar histórias de modo a facilitar a compreensão da situação. Como comunicar  Conversar sobre os procedimentos (linguagem adequada) → Falar com elas sobre tudo o que está relacionado com o seu processo de doença. valorizando as suas ideias.  Hostilidade.  Utilizar linguagem adequada.  Dificuldade em discutir alguns assuntos com os membros da família → A comunicação deve ser feita num local em que não estejam os pais.  Evitar frases que possam ser interpretadas “à letra”. descubra por si → Deixar que este descubra os materiais.  Considerar as suas experiências passadas de saúde-doença. objectos. raiva.  Não dar conselhos quando não solicitados.  Dar atenção e mobilizar experiências do próprio enfermeiro. música e gostos. Escolar Como e o que comunicam  Já possuem domínio da linguagem verbal.  Não interromper (o jovem pode não voltar a falar sobre…).  Expressam de sentimentos súbita ou durante a realização de procedimentos. 12 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Gostam de sentir que o enfermeiro tem interesse por eles.  Procuram explicações e motivos para tudo → Porque é que as coisas se passam daquela maneira.  Interessam-se pelo aspecto funcional dos procedimentos. pois o adolescente pode não se sentir à vontade para falar com os pais sobre determinados assuntos. CLE 2008-2012.  Atmosfera aberta e não tendenciosa.  Pensamento abstracto.  Conhecer a sua linguagem. revolta e isolamento. Como comunicar  Cautela na interpretação (por vezes não adequam as palavras ao que sentem).  Mobilizar assuntos actuais e de interesse para a criança.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Permitir que a criança toque.  Confiam menos no que vêm e mais no que sabem.  Preocupam-se com a integridade física.  Permitir que participem nas conversas com os pais. actividades (aprendizagem activa). Adolescentes Como e o que comunicam  Comunicativos e participativos → Perante situações de doença podem-se tornar extremamente reservados e pouco participativos. Nº 1851 . sentimentos e interpretações.  Interpretar quando estão prontos para falar.  Não toleram que os respeitem tal como são.  Respostas monossilábicas ( ↓ confiança). veja por ela própria.  Na presença dos pais começar pelos adolescentes.  Evitar comentários ou expressões de reprovação ou surpresa.

CLE 2008-2012. discutir o significado da história. medos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Técnicas de Comunicação Verbais Não Verbais Técnicas de Comunicação Verbais Mensagem do “EU” Fazer chegar à criança aquilo que nós sentimos quando ela tem determinado comportamento. prós e contras… Técnicas de Comunicação Não Verbais Escrita ʘ “Cantinho das Mensagens” 13 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. porque não pode fazer o que os outros podem…” Resposta Facilitada Dar chaves à criança para que esta responda ʘ “Sentes-te infeliz por causa dos tratamentos e da separação dos teus amigos.” Técnica de Terceira Pessoa Falar com a criança inventando uma personagem. quando um menino fica muito doente pode sentir-se mal. explorar o significado do sonho. pedir à criança para repetir a história. mostrar à criança como ela nos faz sentir. envolver a família.” Narração de Histórias Pedir à criança que conte uma história sobre um menino que está no hospital. dificuldades. desenhar sobre a história. Nº 1851 . triste. depois a enfermeira conta uma história semelhante mas com diferenças que ajudam a criança nos seus problemas. Três desejos. para trabalhar aspectos que se estão a passar com a criança e que não são fáceis de abordar. Biblioterapia Ler a história para a criança (se ela não for capaz ou pedir). ʘ “Por vezes. fantasias). Jogos de pontuação. Sonhos Pedir à criança para contar um sonho ou pesadelo. Narração mútua de Histórias Pedir à criança que conte uma história. ʘ “Eu fiquei um bocadinho triste quando fizeste…” ʘ “Eu estou preocupada com os teus tratamentos porque gostava que ficasses melhor.

ʘ Projecções do seu interior  Desenho livre.  Treino de estratégias de confronto.  Viabiliza um ambiente seguro e contentor.  Desenho dirigido (Ex: menino que foi operado → “Faz-me um desenho sobre um menino que foi operado”). CLE 2008-2012.  Mediador da relação. Nº 1851 .  “Cantinho das Mensagens” Jogos e Brincadeiras  Linguagem Universal  “Trabalho/profissão” das crianças  Essencial ao seu desenvolvimento É imprescindível na vida da criança → desenvolvimento da criança Grupo etário RN e Lactentes Brinquedos / Jogos Bonecos macios e com som Caixas de música Brinquedos coloridos e de encaixe Puzzles Ferramentas e objectos do dia-a-dia Peluches Bonecas Livros Jogos electrónicos Pinturas Jogos de grupo Puzzles Jogos electrónicos Pinturas Jogos de tabuleiro Computador Jogos electrónicos Música TV Livros Jogos de tabuleiro Pré-escolares Escolares Adolescentes Funções do Brinquedo e Jogo  Essencial ao crescimento e desenvolvimento. 14 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Desenho e Pintura É intuitivo e natural na criança.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Manter um jornal ou diário → Abordar o tema que é difícil para a criança falar/Escrever pensamentos ou sentimentos difíceis de expressar.  Expressão de emoções. onde ela pode exprimir as suas preocupações e felicidade → projecta as suas preocupações e resolve algumas questões que podem estar a ser difíceis.

49(3). 110-116 Apreciação da Criança e do Jovem – Exame Físico Medidas de Crescimento Percentil  Indica a posição que uma criança ocupa. Diogo. filmes  Fotografias para recordar  Despedidas calorosas  Ambiente seguro  Fardas coloridas e com bonecos  Acompanhamento pelas pessoas significativas  Preservar a segurança  Ambiente físico ʘ Pinturas nas paredes ʘ Vídeos ʘ Brinquedos ʘ Música ʘ Sala de Brincadeiras ʘ Espaço Jovem → Valeriano. Ambiente Terapêutico e Comunicação  Cultura dos afectos  Acolher  Cumprimentar  Expressar afecto  Inclusão da família  Sintonia com o mundo infantil ʘ Brincadeira. em relação a uma dada medição numa série típica de 100 (perímetro cefálico.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Reforço positivo. J.  Directiva 93/68/CEE do Conselho de 22 de Julho de 1993 que altera a Directiva 88/378/CEE (segurança dos brinquedos). cantar. 1961). CLE 2008-2012. Servir. altura ou comprimento e índice de massa muscular). P. desenhos animados. peso. Normas Europeias de Segurança dos Brinquedos  Directiva 88/378/CEE do Conselho de 3 de Maio de 1988 relativa à aproximação das legislações dos Estados membros respeitantes à segurança dos brinquedos. p. Enquadramento Institucional do Brincar  Declaração dos direitos da criança (Nações Unidas.  Declaração sobre a criança e o direito de brincar (Associação Internacional para o direito da criança brincar. 15 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. (data). Nº 1851 .  A nova Directiva 2009/48/CE relativa à segurança dos brinquedos virá revogar a Directiva 88/378/CEE a partir de 20 de Julho de 2011. O Brincar: actividade de desenvolvimento e adaptação à vida.  Carta da Criança Hospitalizada (1988). 1959).

16 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. São mais importantes e significativas as mudanças bruscas das curvas de evolução. Perímetro Cefálico A medida da circunferência da cabeça que se obtém colocando a fita métrica bem esticada sobre a porção mais saliente do occipital.  O terceiro quartil corresponde ao percentil 75. acima do pavilhão auricular e ao centro frontal. As mudanças entre percentis 25 e 75 são menos significativas. As que têm percentil inferior a 25 ou superior a 75 podem requerer mais cuidados. Nº 1851 . 80% das observações. Pode dizer-se que entre o percentil 25 e o percentil 75 encontram-se 50% das observações da população que apresentam os valores médios observados. Se o número de observações é impar. Tabela de Percentis Gráfico onde está desenhada cada uma das curvas correspondente a cada percentil. É fundamental a avaliação da curva de evolução do peso.  O primeiro quartil. 50% dos hospitais terão suas taxas de infecção hospitalar situadas entre o percentil 25 e o percentil 75.  o segundo quartil corresponde ao percentil 50. Curvas de Crescimento Semelhante a tabela de percentis mas com o crescimento da criança. Os dados obtidos através dos percentis só são significativos associados à história de saúde da criança. As crianças que têm percentil entre 25 e 75 acompanham a maioria das crianças. CLE 2008-2012. Para estimá‐lo arranjam‐se os dados em ordem crescente e encontra‐se o valor que divide o conjunto de dados no tamanho adequado. Ex: percentil 95 do peso → em 100 crianças da mesma idade. requerem maior vigilância. Não existe um valor ideal. 95 estão abaixo dela e 5 estão acima. ou seja. a mediana é o valor do meio.  O percentil é dividido em quatro partes. altura. chamadas de quartil. A relação peso/altura pode ser significativa na avaliação do estado nutricional da criança. com as mesmas características. As alterações bruscas de percentis também devem ser observadas. A mediana também é denominada percentil 50 ou quartil mediano. Por exemplo. o que não significa que seja problemático. do que os valores absolutos. perímetro cefálico e índice de massa corporal. quando todas as observações são ordenadas. percentil 20 é o ponto abaixo do qual estão 20% das observações e acima dele. Tabelas de raparigas e de rapazes são diferentes (têm curvas diferentes).Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Um percentil é um ponto abaixo do qual a percentagem especificada de observações ocorre. As crianças de percentil abaixo de 5 ou superior a 95. é denominado percentil 25 e inclui 25% dos valores mais baixos. A criança pode ter diferentes percentis nas diferentes características.

Perde peso pela nova redistribuição da água nos diferentes compartimentos corporais. Se a criança es ver fora do padrão normal é necessária maior vigilância. O bebé perde apenas água e não massa corporal. ʘ A diminuição de peso não é explicada nem pela má alimentação nem por outros factores.  Aumento do Peso: 15 a 30 gr/dia. marcar nova visita para breve para verificar se entretanto está a recuperar como esperado.(o cérebro cresce menos que anteriormente) de 51 cm para 53-54 cm Aos 12 anos – o cérebro já atingiu praticamente o tamanho adulto Macrocefalia Se o percentil não for muito superior a 95 avaliar primeiramente se não será uma questão hereditária. daí a necessidade de maior vigilância no primeiro ano de modo a prevenir ou diagnosticar precocemente alterações.  Perda de peso fisiológico – 200 a 400 gr (10% do peso à nascença).  2º Ano de vida – aumenta cerca de 2cm (desaceleração do crescimento cerebral) No fim do 2º ano devida o cérebro atingiu aproximadamente 4/5 do seu tamanho de adulto.200 kg. O crescimento cerebral é muito intenso no primeiro ano de vida. Hidrocefalia → há dificuldade em absorver o Líquido Céfalo Raquidiano que é continuamente produzido.  O peso tem um aumento progressivo: ʘ 1º Semestre – aproximadamente 600grs/mês ʘ 6º Mês – duplica o peso à nascença ʘ 2º Semestre – aproximadamente 500grs/mês ʘ 12 Meses – triplica o peso à nascença ʘ 6 Anos – duplica o peso dos 12 meses 17 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Fazem-se três avaliações seguidas e utiliza-se o maior valor → o risco é de avaliar por defeito e não por excesso. CLE 2008-2012. O espaçamento entre cada uma delas vai aumentando com o tempo.5cm/mês No fim do primeiro ano de vida o cérebro atingiu aproximadamente 2/3 do seu tamanho de adulto. Se o bebé perder mais do que o peso esperado.  Recuperação do peso – entre o 10º e o 14º dia. 0-36 Meses → avaliado por ro na nas visitas de ro na. Nº 1851 .  Dos 6 aos 12 anos . RN – Média de 35 cm de Perímetro Cefálico 90% Dos RN apresentam valores de PC entre 33 e 37 cm  1º Trimestre – 2cm/mês  2º Trimestre – 1 cm/mês  3º Trimestre – 0. Peso  Peso médio do RN – 3. Avaliado no diâmetro maior.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Avaliações mais frequentes no início de vida. ʘ Está completa quando volta a ter o mesmo peso que tinha quando nasceu. Microcefalia Por causas genéticas e anomalias no desenvolvimento fetal.

Nº 1851 . por volta dos 10 anos na rapariga e dos 12 anos no rapaz. Depois dá-se uma desaceleração na velocidade do crescimento. Num RN de Termo é idêntico ao Perímetro Cefálico.  Do 3º ao 5º ano de vida – cresce cerca de 12 cm. Estatura Comprimento – até aos 2 anos com a criança deitada (Craveira) Altura – com a criança de pé (Estadiómetro) RN – comprimento médio 50 cm  1º Ano de vida – aumenta 25 a 30 cm: ʘ 1º Semestre – 2. Se o RN não estiver em sofrimento. Tabelas de percentil Peso: 0 – 24 Meses – peso/idade 2 – 20 Anos – peso/idade Comprimento: 0 – 24 Meses – comprimento/idade 2 – 20 Anos – estatura/idade Índice de Massa Corporal 2 – 20 Anos – Índice de massa corporal/idade Obesidade > percentil 95 Excesso de peso > percentil 85 e < percentil 95 18 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.5 anos. sendo a base para determinar as suas necessidades nutricionais e a dosagem de medicação.5 a 2 cm/mês.5 a 3 cm/mês. que se obtém colocando a fita métrica bem esticada em volta do tórax ao nível dos mamilos (criança deitada). visto que a respiração é essencialmente diafragmática e abdominal.5 anos – cresce em média 20 cm. Perímetro Torácico É a medida da circunferência torácica.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  O peso reflecte o estado de saúde. metade dos quais durante o ano de crescimento mais rápido. CLE 2008-2012.  2º Ano de vida – Cresce cerca de 12 cm (desaceleração na velocidade de crescimento).  Do 6º ao 10º ano de vida – corresponde a um período de crescimento constante que termina no surto de crescimento da pré-adolescência. crescendo cerca de 8 cm durante o ano de crescimento mais rápido. ʘ Na rapariga – o surto de crescimento começa cerca de 18 meses mais cedo e fica quase completo pelos 13. Não faz parte das medições de rotina.  Surto de Crescimento da Pré-Adolescência (2º período de crescimento rápido): ʘ No rapaz entre os 13 e os 15. ʘ 2º Semestre – 1. a nível da cicatriz umbilical (criança deitada). a inspiração e a expiração não interferem no Perímetro Torácico. Perímetro abdominal É a medida da circunferência abdominal que se obtém contornando o abdómen da criança com a fita.

Frequência Respiratória.  Acima dos 5 anos – axilar.  Toraco-abdominal (pré-escolar). prostração. Temperatura Locais de avaliação da temperatura na criança:  Até aos 2 anos – axilar. CLE 2008-2012. convulsões Frequência Respiratória Ter atenção se a criança está em repouso ou em actividade. Nº 1851 .5ºC.5ºC – 38ºC. Tipos de respiração: (avaliar características)  Abdominal ou diafragmática (característica do lactente). A cada 0. oral. Idade Recém-Nascido 1-11 Meses 1-2 Anos 3-5 Anos 6-10 Anos 11-14 Anos > 15 Anos Frequência 30-50 cpm 24-45 cpm 22-38 cpm 21-30 cpm 18-24 cpm 14-20 cpm 14-20 cpm Frequência Cardíaca Locais para avaliação da frequência cardíaca: (avaliar características)  Sobre o ápice cardíaco.  Artéria carótida.8ºC – 38ºC. timpânica.  Artéria femoral. O maior exercício que o bebé tem é mamar. 19 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Timpânica: 35.  Axilar: 34. Em cada grau de elevação de temperatura acima do normal a frequência respiratória aumenta 2 a 3 ciclos por minuto A febre pode originar: cefaleias. Pressão Arterial.5ºC – 37. exercício e alimentação da criança.  Dos 2 aos 5 anos – axilar.  Artéria braquial. Frequência Cardíaca. oral. Variações normais:  Rectal: 36. excitação psicomotora. timpânica.4ºC de aumento de temperatura corporal dá-se um aumento de 10 batimentos cardíacos por minuto. rectal.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL IMC → é um dado secundário (nunca se u liza o comprimento) Situações problemáticas → IMC em níveis elevados → Estar atento!!! Prevenir obesidade infantil. Ter atenção ao estilo de vida.3ºC  Oral: 35. Medidas Fisiológicas     Temperatura. timpânica.7ºC – 37.  Torácica (após os 7 anos). rectal.

Idade Em repouso (acordado) 100-180 100-220 80-150 70-110 55-90 Frequência Em repouso (sono) 80-160 80-200 70-120 60-90 50-90 Exercício/Febre >220 >220 >200 >200 >200 Recém-Nascido 1semana – 3meses 3meses – 2anos 2anos – 10anos 10anos . Nº 1851 . A observação geral é feita no primeiro contacto com a criança → é uma observação subjectiva. bom estado)  Comportamento/Temperamento (agitado. assimetria)  Estado de nutrição (emagrecimento. Necessário registar tudo o que existe e o que não existe. → Escolher a braçadeira mais adequada à criança e avaliar com a criança calma e relaxada. mas não quer dizer que o exame físico tenha de ser feito pela mesma. agressivo. Algumas delas são características necessárias à sobrevivência. Idade RN 1-11 meses 1-2 anos 3-5 anos 6-10 anos 11-14 anos >15 anos Pressão Arterial (60-90)/(40-60) mmHg (94-104)/(50-60) mmHg (98-109)/(56-63) mmHg (100-115)/(59-71) mmHg (105-123)/(67-80) mmHg (110-131)/(64-84) mmHg (113-130)/(50-84) mmHg Aparência Geral  Fácies (dismorfias. CLE 2008-2012. mucosas.  Antebraço – artéria radial. cabeça. mas fundamental para a observação da criança.  Perna – artéria tíbia posterior.  Coxa – artéria popliteia. expressão emoções/bem-estar)  Aspecto físico (pele. Locais onde avaliar a PA na criança:  Braço – artéria braquial. 20 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. A primeira observação do RN é feita com um detalhe muito grande. Tem por objectivo avaliar todas as características do individuo e se se encontram dentro do padrão. face. …)  Higiene (aspecto cuidado/pouco cuidado)  Postura (correcta.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Artéria pediosa dorsal. alegre)  Interacção com os pais e enfermeiro (comportamento)  Linguagem (discurso coerente/fluente/confuso) É um padrão esta ordem.adulto Pressão Arterial Também tem percentis.

 Hemangiomas . ainda anormal das glândulas  Eritemas.Resultado de traumatismo no parto. Pele  A cor e características da pela são determinadas geneticamente.  Lanugo . No Recém-Nascido observar:  Vérnix Caseoso . apenas utilizadas para datar a idade gestacional e caracterizar o bebé.  Mília . mau estado nutricional. Funcionamento sebáceas.  Nevos congénitos .Resultado de traumatismo no parto. alterações físicas.Sinais Vermelhos → alteração da microcirculação → mais vasos do que deveriam exis r.à partida não são situações malignas. CLE 2008-2012. Pode haver má-formação que necessite de correcção imediata por vi cirúrgica.Nariz → Assemelha-se a borbulhas pequenas. O RN PréTermo pode ter em abundância e o RN de Termo tem apenas vestígios. Mais abundante nos RN Pré-Termo. sobretudo nas pregas cutâneas (“Creme Nívea um bocadinho sujo” → Descrição da prof). Se tiver os 5 dedos “normais” registar para saber que esta avaliação já foi feita. abusos.  Ao toque é geralmente suave. Verificar o número de dedos: em excesso ou “colados”.  A coloração varia do branco leitoso ao castanho-escuro.Pelo muito fininho que há-de cair. quente e seca. 21 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Equimose .  Petéquias .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Ex: se o ânus está perfurado ou não.Substância que cobre a pela do feto e que pode ainda cobrir o RN. Nº 1851 . A observação da pele revela pistas significativas para problemas como má higiene corporal. Estas características não nos dizem nada de normal ou anormal.

22 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ser pulsáteis. mas não muito proeminente.  Estruturas desproporcionais (ex. Crânio  No Recém-Nascido e Lactente: ʘ Palpação das fontanelas e suturas. suturas e fracturas. ʘ Medição de Perímetro Cefálico (até aos 36 meses).  Controlo e postura da cabeça.  Fontanelas. ʘ A anterior não convém que encerre totalmente antes dos 18 meses. visto que esta é modelada pelo canal de parto → em partos complicados ou cesariana é vulgar ainda não ter o formato “normal” da cabeça. irritação. não devem estar hipertensas (balão) ou hipotensas (cavidade). e avaliar se à medida que o bebé cresce a fontanela encerra. choro.  Fontanelas (entre 3 e mais ossos) → dimensões. Por vezes os pais temem tocar as fontanelas. Por vezes ainda não tem a cabeça bem formada. paralisia facial unilateral. Nº 1851 . anterior (osso frontal e parietais – bregma) e posterior (ossos parietais e occipital – lambda). sendo conveniente informá‐los que estas são cobertas por camadas de tecido protector. O encerramento precoce inviabiliza o crescimento normal do crânio. devem existir e não estar encerradas.  Encerramento das fontanelas: ʘ A posterior encerra normalmente no primeiro mês. Durante os primeiros dias de vida é normal haver cavalgamento de ossos que deverá desaparecer.  Amplitude de movimentos. fronte).  Lesões. relação da simetria das estruturas faciais.O achatamento de uma parte da cabeça pode indicar que a criança passa muito tempo na mesma posição.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Observar:  Cor.  Simetria facial (movimentos e aparência geral). CLE 2008-2012. apesar do aspecto ser um pouco convexo.  Suturas (entre 2 ossos) → também é palpável → junção de dois ossos que há-de calcificar. Face Observar expressão facial e simetria:  Expressão de dor.  Textura.  Hidratação/Turgor. Uma assimetria marcada é geralmente anormal e pode indicar um fechamento prematuro das fontanelas (craniocinestose). Cabeça e Face Observar:  Forma e simetria . podendo ser tocadas e lavadas sem exercer pressão.

Erupção dos dentes O 1º dente aparece geralmente por volta dos 6 meses. lesões e cerúmen (quantidade e cor). integridade. 1ª Dentição – 20 dentes (dentes de leite ou caducos)  6-12 meses – 8 dentes incisivos  12-18 meses – 4 primeiros pré-molares  18-24 meses – 4 caninos  24-30 meses – 4 segundos pré-molares Regra para calcular o número de dentes em crianças até aos 2 anos: Idade (meses) – 6 = nº dentes 2ªDentição – 32 dentes (dentes definitivos)  6 anos – 4 primeiros molares  10-12 anos – 4 segundos molares  18-21 anos – 4 terceiros molares A erupção dos dentes definitivos é mais precoce na rapariga que no rapaz A higiene começa logo após o nascimento. Nariz Forma. Ouvido Higiene.  Respirador Nasal Obrigatório → O RN não consegue respirar pela boca (anatomicamente não é possível). secreções.  Globo ocular – posição. Olhos  Pálpebras. Nº 1851 . Avaliar a Visão O RN foca apenas entre os 20-30 cm que é a distância a que este se encontra da face da mãe quando está a mamar. movimentos e higiene. é azul até ao 6º mês de vida. ptose palpebral. Para observar o tímpano: Criança com idade inferior a três anos – puxar o pavilhão auricular para baixo e para trás. simetria do septo. fluxo nasal (odor e aspecto). 23 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Pupila – forma. textura. integridade da mucosa. infestantes). nível e simetria (exoftalmia. ausência de pestanas. exoftalmia.  Íris – habitualmente de cores variadas. pestanas (edema. fenda palpebral. Cavidade Oral Integridade e coloração. mas é muito variável. estrabismo. Implantações baixas estão associadas a anomalias renais ou atraso metal.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Alinhamento dos pavilhões auriculares Implantação das orelhas – o topo da orelha deve estar em alinhamento com uma linha imaginária que vai da orbita externa do olho até à protuberância mais proeminente do crânio.  Esclerótida – cor e integridade. Boca e língua Cor. humidade. papilas. tamanho. nistagmo). tamanho e reacção à luz. só o começa a fazer aos 1-2 meses Mucosa Nasal Cor. enoftalmia. CLE 2008-2012.

textura.  Apneia – interrupção da respiração por 15 segundos ou mais. a partir dos 12 meses com o aumento do diâmetro transversal adquire uma forma elíptica e aos 7 anos tem uma forma semelhante ao dos adultos. Défices de audição podem comprometer o desenvolvimento e podem ser muito difíceis de diagnosticar. automática. No recém-nascido de ambos os sexos há ingurgitamento mamário até ao 14º dia. quentes. CLE 2008-2012.  Respiração paradoxal – o tórax desce na inspiração e sobe na expiração.  Tiragem – depressão inspiratória nos espaços intercostais e das regiões supraesternais e supra-claviculares. indica dificuldade na expanção pulmonar. distribuição e higiene. difícil ou forçada. que normalmente indicam infecção ou inflamação tem uma localização proximal. Na região cervical e inguinal pode medir-se até 1 cm. ʘ Padrões respiratórios desviantes:  Taquipneia – frequência acima dos 60 cpm. Podem ser palpáveis ou não.  Hiperpneia – profundidade aumentada. Mamas e mamilos Localização. são normalmente frios e indolores. Nº 1851 . elasticidade. alopécia ou despigmentação.  Toraco-abdominal (pré-escolar). número de mamas. irregular. ʘ Ritmo – regular. Tórax Forma e simetria Ao nascer o tórax apresenta uma forma cilíndrica. 24 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Sistema linfático Pesquisar os gânglios linfáticos ao redor da cabeça. Pode ser unilateral ou bilateral. Função Respiratória ʘ Pulmões  Expansão torácica. desenvolvimento mamário. periódica. oleosos ou secos. Os nódulos aumentados.  Hiperventilação – frequência e profundidade aumentadas. ʘ Profundidade – profunda ou superficial. ʘ Tipo de respiração  Abdominal ou diafragmática (lactente). ʘ Qualidade – sem esforço.  Dispneia – respiração difícil com uma sucessão de movimentos respiratórios amplos e quase sempre desconfortáveis. na articulação do braço e inguinais.  Torácica (após os 7 anos). com presença de infestações.  Bradipneia – frequência respiratória abaixo do normal. Audição Existem testes específicos de acordo com a idade. Nota: cabelos quebradiços. simetria. Cabelo Cor.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Criança com idade superior a três anos – puxar o pavilhão auricular para cima e para baixo. Os gânglios linfáticos com diâmetro de 3mm são normais em qualquer região.

a tiragem é unilateral. Sibilantes – passagem de ar por passagens estreitas. A tiragem dever ser pesquisada em respiração espontânea e natural. para a manutenção da ventilação alveolar é necessário que ocorra uma queda maior da pressão intrapleural. uma vez que são irregulares. Sons reduzidos ou ausentes – poderá significar presença de secreções. e não se deve solicitar que o doente realize uma inspiração profunda. Ao mesmo tempo em que pode ser moderado. Sons adventícios: Crepitantes – passagem de ar através de fluidos ou humidade. Pode ocorrer por obstrução brônquica regional. Classificação dos Sons Respiratórios Normais Sons Vesiculares – ouvidos ao longo de toda a superfície dos pulmões. obstrução traqueal ou brônquica bilateral ou por condições associadas com a redução da complacência pulmonar. A fase inspiratória mostra-se curta e a expiratória longa. mais longa e com um tom mais agudo que a expiração. pode causar esse batimento das asas do nariz. ar ou massas sólidas no espaço pleural. próximos à fenda supra-esternal. Sons brônquiais . esse batimento pode também por a vida da pessoa em risco.  O adejo nasal é um sinal muito importante de dificuldade respiratória nos bebés.  Asma (situações de agudização).ouvidos apenas ao longo da traqueia.  Epiglotite aguda. Causas:  Obstrução das vias respiratórias. Respiração no recém-nascido Variações comuns/Alterações secundárias: Choro – aumenta a frequência respiratória. inflamação e fibrose pulmonar.  Doença da membrana hialina. bilateral. A inspiração é mais alta.  Movimento das narinas (abrir e fechar) que ocorre em situações de dificuldade respiratória na criança pequena. Sons broncovesiculares – ouvidos ao longo do manúbrio e nas áreas intra-escapulares superiores na zona da bifurcação da traqueia e brônquios. CLE 2008-2012. para que haja precisão. O ruído é brando e semelhante a um assobio. inflamação. Na obstrução brônquica regional. e nas outras condições mencionadas.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Em consequência dessa dificuldade. Sono – diminui a frequência respiratória. Adejo  Aumento do tamanho das narinas durante a respiração. Nº 1851 . Poderá indicar exsudação. como edema. o que explica a tiragem. espasmo ou temor. O batimento das asas do nariz indica que a pessoa precisa de um maior esforço para respirar. A inspiração mostra-se mais alta e de tom mais agudo que na respiração vesicular. Durante as primeiras 8 horas de vida a frequência respiratória pode atingir os 80 ciclos por minuto. Qualquer condição que provoque um maior esforço para obter ou ar suficiente de que a pessoa necessita. Respiração no lactente A frequência respiratória tem de ser avaliada durante um minuto. 25 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. excepto na região intra-escapular superior e na área abaixo do manúbrio.

simetria. para que haja precisão. Resulta numa diminuição da variação média da frequência respiratória.  Na artéria carótida. mesmo quando estão acordadas e activas. Função cardíaca A apreciação da função cardíaca é preferencialmente realizada com a criança sentada ou na posição de semi-fowler. Num ambiente com ruído ou num lactente com a respiração muito rápida e pouco profunda. A frequência respiratória tem de ser avaliada durante um minuto.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL As respirações são diafragmáticas → observar os movimentos abdominais. As avaliações feitas durante o sono são as mais significativas. ritmo e simetria das pulsações. o repouso faz com que os valores regressem à variação normal. maior capacidade vital. tensão.  Em média a queda dá-se entre o 7º e o 14º dia de vida. Abdómen A observação do abdómen deve ser realizada com a criança posicionada em decúbido dorsal e erecta.  Observar possíveis sinais de inflamação e infecção. A frequência respiratória tem de ser avaliada durante 1 minuto para que haja precisão. Nas crianças saudáveis. deverá colocar.  Cai espontaneamente.  Na artéria braquial. tensão. 26 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. presença de movimentos peristálticos. Observar o abdómen quanto à forma.  Na artéria radial.  Na artéria femoral. Respiração no toddler e pré-escolar As frequências continuam a ser mais rápidas que as dos adultos. No recém-nascido observar o coto umbilical:  O coto umbilical deteriora-se através de um processo de mumificação. contando os movimentos abdominais. Localizar o pulso apical.  Na linha média clavicular esquerda e no quinto espaço inter-costal → crianças menores de 7 anos de idade. O abdómen dos lactentes e das crianças mais novas apresenta uma forma cilíndrica acentuada.  Na artéria pediosa dorsal. a mão sobre o abdómen da criança. Em decúbito dorsal apresenta-se plano. Maior volume. para sentir a frequência respiratória.  Lateral à linha média clavicular esquerda e ao quarto espaço inter-costal → crianças maiores de 7 anos. Na posição erecta apresenta-se ligeiramente proeminente devido à lordose fisiológica da coluna. CLE 2008-2012. Na criança a o pulso pode ser avaliado:  Sobre o ápice cardíaco. aumento das inspirações. Nº 1851 . Observar e registar – frequência. o que aumenta o volume de ar em cada respiração. a avaliação da frequência respiratória deve ser feita quando a criança estiver em descanso. Respiração no escolar Sempre que possível. levemente. Respiração no adolescente Os pulmões aumentam em tamanho.

Visto que é fisiológica. Geralmente edemaciados no RN. gradualmente se atrofiam até quase se tornarem invisíveis durante a adolescência. Exemplos de desvios:  Clítoris aumentado com o meato urinário na extremidade. A retracção forçada pode causar lesão. CLE 2008-2012. É expectável que até aos 2 anos esta tenha regredido. Movimentos abdominais – nos lactentes.  Hérnia femoral – ocorre mais frequentemente no sexo feminino.  Presença de massas nos lábios. em especial em crianças negras.  Pequenos lábios – geralmente proeminentes no RN.  Ausência da abertura vaginal. Característico e normal. Atenção ao desenvolvimento dos caracteres sexuais e desenvolvimento genital feminino – 5 estádios. 27 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Hérnias da parede abdominal:  Hérnia umbilical – comum nos lactentes. Observar o tamanho. Atenção ao desenvolvimento dos caracteres sexuais e do desenvolvimento genital masculino – 5 estádios. à partida não é grave. higiene e possíveis alterações.  Meato urinário – localização. frequentemente bilateral.  Clítoris – localização e tamanho. Pseudo-Menstruação → ao 2º ou 3º dia existe perda hemática Engurgitamento mamário → pode haver algum corrimento mamário (“Leite das Bruxas”) Ocorrem devido à passagem de hormonas da mãe para a bebé o que faz com que os órgãos funcionem. Masculinos Observação:  Meato urinário: apical.  Observar a presença de esmegma → corrimento vaginal esbranquiçado da RN.  Hérnia inguinal – comum em crianças do sexo masculino. os movimentos peristálticos poderão ser observados através da parede abdominal. Pode ser observada ou palpada na superfície anterior da coxa abaixo do ligamento inguinal no canal femoral. O umbigo – deve apresentar-se protuberante. Geralmente edemaciado no RN. Nº 1851 .  Escroto – pendular.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Pele do abdómen – deve estar uniformemente lisa. Genitais Femininos Observação:  Grandes lábios – cobrem os pequenos lábios.  Orifício vaginal – presença e tipo de hímen. Visível como uma massa na região escrotal. com pregas. sem prega ou rugas. ʘ Fimose Fisiológica → Incapacidade de fazer a retracção do prepúcio.  Prepúcio – recobre toda a glande e não é retráctil.  Testículos – palpáveis em cada lado da bolsa escrotal.  Lábios fundidos. geralmente grandes e edemaciadas no RN.

Causada por posições durante a gravidez e parto. ʘ Abertura anal permeável. Avaliar: ʘ Temperatura e cor. Coluna Vertebral Observar a mobilidade e a curvatura geral. Ombros. Podem dar informações sobre estado nutricional. ʘ Atresia anal – ânus imperfurado (no RN). ʘ Ausência do reflexo anal (no RN). ʘ Presença de massas no escroto. ʘ Número de dedos das mãos e dos pés. Unhas Observar a cor. a partir das curvas torácica e pélvica. elasticidade e higiene. CLE 2008-2012. em forma de C. Nas crianças que estão na puberdade. a forma. Exemplos de desvios: ʘ Fissuras ou fístulas anais.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Exemplos de desvios: ʘ Hipospádias – abertura do meato urinário na superfície ventral do pénis. ʘ Grau de flexão. Observação: ʘ Nádega e simetria das pregas glúteas. ʘ Esfíncter anal – recorrendo ao reflexo anal. RN apresenta apenas 2 curvaturas → curvaturas primárias. ʘ Tónus muscular. ʘ Curvatura ventral do pénis. ʘ ʘ ʘ ʘ Extremidades Observar: ʘ Amplitude e simetria no comprimento e no tamanho. Manobra de rotação e flexão da coxa. respiratório e cardíaco. ʘ Forma dos pés. Coluna direita com flexão fácil. ʘ Espispádias – abertura do meato urinário na superfície dorsal do pénis. distribuição. ʘ Pulsos femorais. omoplatas e cristas ilíacas alinhadas no mesmo plano. Manobra de Ortolani – no RN e primeiros meses para detectar a luxação congénita da anca. Ânus A criança tem de ser posicionada em decúbito ventral. Nº 1851 . é importante observar o aparecimento dos caracteres sexuais secundários tal como o crescimento de pelos 28 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. textura. Para que surjam as outras duas é necessário que o corpo seja sujeito ao seu próprio peso e à força da gravidade. qualidade. No RN – a coluna apresenta-se arredondada. ʘ Testículos não palpáveis na bolsa escrotal. ʘ Forma dos ossos dos membros.

Nos meses seguintes há um rápido crescimento dos neurónios e por último. A partir desta idade diminuem por falta de utilização. A observação do comportamento deve fazer-se em termos da resposta do bebé a estímulos externos nomeadamente. CLE 2008-2012. olfacto e paladar e é capaz de sobreviver respirando e mantendo o equilíbrio ácido-base por causa desta mielinização inicial. (dedos Supranumerários – podem ou não ter estrutura óssea (cotos)). assustar-se com barulhos fortes.O comportamento do bebé é um indicador importante do funcionamento do SNC sendo de suspeitar quer de um bebé excessivamente calmo e pouco reactivo quer de um bebé demasiado irritável. O peso do cérebro do recém-nascido é aproximadamente 300gr (10% do peso corporal) em contraste com o do adulto que é cerca de 2% do peso corporal. desenvolve-se primeiro nos transmissores dos impulsos sensoriais. Neurónios – O ser humano nasce com o seu repertório completo de neurónios. A mielinização dos neurónios inicia-se no 4º mês de gestação e continua até aos 4 anos. substância que aumenta a velocidade de transmissão dos impulsos nervosos. Linha Símia – linha transversalmente disposta à mão que atravessa de uma extremidade à outra → pode estar associada a algumas Síndromes. O crescimento post natal deve-se ao aumento em tamanho dos neurónios e ao aumento do número de células de sustentação (células da glia). Polidactilia – desenvolvimento do número de dedos da mão ou do pé superior ao normal. desenvolvimento de processos neurais. Por isso. Na 1ª metade do desenvolvimento intra-uterino desenvolvem-se no feto o número final de células nervosas. fechar os olhos na presença Nádia Isabel Leonardo Perdigão. atenção à voz humana. O peso do cérebro aumenta com a idade e alcança o peso adulto entre os 6 e os 14 anos de idade. Nº 1851 29 . sinapses e mielinização. razão pela qual as experiências precoces são vitais para a formação e retenção de sinapses.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Desvios: Sindactilia – união de dois ou mais dedos podendo incluir a fusão dos ossos ou da pele entre os dedos (formando um tecido membranoso único). Sinapses – As sinapses desenvolvem-se muito rapidamente durante os primeiros meses de vida atingindo a máxima densidade entre os 6 e os 12 meses. no fim da gestação e até aos 4 anos de vida aumentam o número de células da glia e de dendritos. Durante o seu desenvolvimento o cérebro forma e retém as sinapses frequentemente utilizadas. o recém-nascido tem um sentido apurado de audição. Pé plano Joelho Varo Joelho Valgo Sistema Nervoso Central O sistema nervoso do recém-nascido é imaturo. O desenvolvimento do sistema nervoso é progressivo durante a vida intra-uterina e continua após o nascimento. ʘ Comportamento . A mielina. O desenvolvimento neurológico acontece no sentido cefalocaudal e proximodistal.

Nº 1851 . No entanto. A pressão pré-natal sobre um membro ou um ombro pode provocar assimetria facial temporária ou resistência à extensão das extremidades.O tipo de choro também é um indicador do funcionamento do sistema nervoso central embora para avaliar os desvios da normalidade. Movimentos assimétricos podem indicar lesão de nervos (paralisia de Erb). Outra forma de testar o tónus é colocar o bebé com o abdómen e tórax sobre a mão do examinador: um bebé com boa tonicidade tenta levantar a cabeça e membros inferiores enquanto um bebé hipotónico fica pendurado. Necessário estar em pleno funcionamento quando o bebé nasce. Movimento .Durante o desenvolvimento fetal emerge um grupo de reflexos denominados reflexos primitivos. o choro estridente e um bebé que não se acalma com o consolo humano possam ser indicativos de alterações a nível do SNC. Choro . Este comportamento é mais intenso se o bebé tiver fome. punhos cerrados. ʘ Resposta – o bebé roda a cabeça em direcção ao estímulo.o movimento espontâneo é assíncrono (as pernas movimentam-se em bicicleta) mas com igual extensão de todas as extremidades. Estes reflexos devem estar presentes no nascimento e fornecem indicações sobre o funcionamento do SNC. Problema nos RN de Prétermo – o SNC ainda não está completamente desenvolvido e não tem este reflexo → falta de autonomia alimentar. chucha ou mamilo na boca do bebé. com rotação da cabeça para um e outro lado. de ossos (fractura da clavícula) ou anomalias neurológicas (Síndrome de Moebius). Sucção ʘ Estimulação – introduzir dedo. postura e movimentos voluntários. choro quando é despido e quando não é alimentado na altura certa. Postura e tónus muscular . 30 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Os terapeutas do desenvolvimento denominam esta situação de atraso no desenvolvimento. É um facto cientificamente aceite que se um grupo de reflexos primitivos se mantiver este é indicativo de disfunção do SNC. Reflexos . Estes reflexos devem ir-se inibindo de forma progressiva ao longo do 1º ano de vida. bochecha ou canto da boca do bebé. o profissional de saúde deva estar familiarizado com as tonalidades do choro dos bebés saudáveis. CLE 2008-2012. ʘ Resposta – inicia movimentos fortes de sucção. A hipotonia pode ser avaliada suportando o bebé pelas axilas: um bebé com um tónus normal fica facilmente suspenso enquanto que um com hipotonia escorrega através das mãos do examinador. Consultar os registos maternos relativamente à apresentação fetal.Braços e pernas em flexão moderada. Na altura do nascimento todos os reflexos se originam na stem cerebral com controlo cortical mínimo. Com o dedo conseguimos avaliar a força de sucção. posição e tipo de parto dado que o recém-nascido assume rapidamente a posição prénatal e assim pode apresentar membros inferiores direitos e rígidos quando a apresentação foi de pelve total.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL súbita de uma luz forte. ʘ ʘ ʘ ʘ Reflexos Pontos Cardinais ʘ Estimulação – tocar o lábio. Estimula-se o palato e não as bochechas ou a língua. À medida que os reflexos primitivos vão sendo inibidos emerge outro grupo de reflexos denominados reflexos posturais que ajudam a criança a lidar com as exigências do ambiente gravitacional formando as bases para o controlo automático do equilíbrio.

Sobressalto ʘ Estímulo: som forte. Tónico cervical ʘ Estimulação: com o bebé no estádio 5 ou 6. Moro Situações em que há desequilíbrio. deixar que a cabeça e o tronco descaiam para trás. junto à raiz dos dedos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Preensão palmar ʘ Estimulação: colocar um dedo na palma da mão do bebé. Só reage às primeiras vezes. ʘ Resposta: o membro superior e inferior do lado para o qual a cabeça é rodada ficam em extensão. ʘ Resposta: o bebé executa movimentos de reptação com as pernas e braços. curvando-se no sentido da pressão. esta tende a deitá-la fora. Capacidade de se abstrair. ʘ Resposta: membros superiores em abdução com flexão dos cotovelos. Os membros inferiores podem apresentar idêntico padrão de resposta. num ângulo de pelo menos 30º. ʘ Resposta: o bebé força a língua para fora. os membros superiores fazem uma posição de adução na posição de abraço e retornam à flexão e movimentos relaxados. ʘ Resposta: os dedos do bebé envolvem o dedo do examinador. ʘ Estimulação: segurar o bebé em posição semi-sentada. ʘ Resposta: o bebé pestaneja nos primeiros 4-5 toques. Desaparece cerca dos 3-4 meses. ʘ Resposta: os dedos flectem-se. permitindo que um pé toque a superfície da mesa. Só desaparece aos 4 meses → só nesta altura se pode alimentar à colher. Glabelar ( de Myerson) ʘ Estimulação: tocar a testa acima do septo nasal do bebé. o membro superior e inferior flectem-se no lado oposto (posição de esgrima). Nº 1851 . cujos olhos estão abertos. ʘ Resposta: o bebé simulará a marcha. Estimulada a ponta da língua. Reflexo de protecção – se qualquer coisa entrar na boca da criança. Reptação ʘ Estímulo: colocar o bebé em decúbito ventral. os dedos afastam-se formando um C com o polegar e o indicador. 31 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Marcha automática ʘ Estímulo: Segurar o bebé em posição vertical. as mãos mantêm-se cerradas. alternando flexão e extensão dos pés. rodar a cabeça rapidamente para um lado. CLE 2008-2012. tipo bater palmas. Preensão plantar: ʘ Estimulação: pressionar a planta do pé. ʘ Resposta: abdução e extensão simétrica dos membros superiores. Protusão ʘ Estimulação: tocar a ponta da língua do bebé. os RN de termo andam sobre as plantas dos pés e os prematuros sobre os dedos.

se estes não forem usados e explorados.  Inicia-se na concepção e prossegue até à idade adulta. CLE 2008-2012. 32 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. passa por todos os estádios.  À partida não se retrocede de um estádio para o anterior. Magnete ʘ Estimulação: com o bebé em decúbito ventral. flectir parcialmente os dois membros inferiores e exercer pressão sobre as plantas dos pés.  Aumento do número de células. depois a cabeça manter-se-á momentaneamente no mesmo plano com o tórax e os ombros. fazer deslizar um dedo a cerca de 4 a 5cm laterais à coluna. funcionamento e complexidade ao nível das: ʘ Células. depois do outro. Crescimento e Desenvolvimento Envolve uma mudança de estádio menos avançado para outro de maior complexidade mas também pode envolver perdas e mudanças de comportamentos. ʘ Processos bioquímicos. Crescimento e Desenvolvimento Infantil Crescimento  Processo contínuo e dinâmico que conduz ao aumento do tamanho do corpo.  Perdas: Ex: para ter controlo postural. ʘ Resposta: o tronco flecte-se e a pelve desloca-se para o lado estimulado. Nº 1851 . Tracção ʘ Estímulo: puxar o bebé pelos punhos.  Hipertrofia. ʘ Resposta: a cabeça descai até o bebé estar na vertical. Apenas em algumas situações de crise (ex: hospitalização) pode regredir um pouco e ter alguns comportamentos do estádio anterior. primeiro de um lado. ʘ Resposta: os membros inferiores devem opor-se à pressão do examinador num movimento de extensão. da posição de decúbito dorsal até sentado. antes de cair para a frente.  Hiperplasia. Envolve também a perda de neurónios (poda) após fase de crescimento dos mesmos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Babinsky ʘ Estímulo: pressionar com um dedo a planta do pé. começando no calcanhar e prosseguindo pela face lateral externa e raiz dos dedos. ʘ Processos metabólicos.  Substituição.  Não passa um estádio em vão.  Mudança na estrutura. ou seja. o bebé tentará endireitar a cabeça. Encurvamento do tronco (Galant) ʘ Estimulação: em decúbito ventral sobre uma superfície plana. ʘ Resposta: hiperextensão de todos os dedos com dorsi-flexão do halux. necessita perder alguns reflexos. com a cabeça na linha média.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Os Componentes interrelacionais do desenvolvimento humano Crescimento Maturação Desenvolvimento Humano Aspectos Psicomotores Aspectos cognitivos Aspectos emocionais Experiência Adaptação Desenvolvimento Modificações padronizadas. das Sensações. Aprendizagem Processo de adquirir conhecimento específico e adquirir hábitos Através: Experiência .quando se aprende a fazer uma coisa.  Aprendizagens. da organização. Nº 1851 . Educação e treino . da complexidade. da integração. 33 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. da função física e mental. CLE 2008-2012. temos de “desaprender” outra. a aprendizagem fica facilitada. Conduz:  Aumento da capacidade e da adaptabilidade.se nos apresentarem as experiências. Crescimento e Desenvolvimento Grupos Etários Grupo que responde a um conjunto de características que nos interessam → não olha a individualidade da criança. ordenadas.  Mudança na complexidade.  Mudança qualitativa. do Comportamento em consequência de:  Maturação das capacidades física e mental.  Experiências. Maturação Emerge do potencial genético para a mudança a nível: da forma.  O crescimento e o comportamento infantil são categorizados em grupos etários ou em estádios de desenvolvimento. Mudança de comportamento .precisamos fazer para aprender. da estrutura. ao longo da vida do Pensamento.

do geral para o específico Princípios da Descontinuidade do Desenvolvimento  Refere-se às modificações em velocidades diferentes do crescimento em períodos de tempo diferentes durante o decurso de vida.A transição para a adolescência dá-se com a puberdade (a idade é só para referência.  As estruturas e os órgãos do corpo crescem em velocidades diferentes. Não podem ser aplicados a todas as crianças com exactidão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL     Os limites de cada um dos grupos etários não são rígidos. ʘ ʘ Padrões de Desenvolvimento Direcção Céfalo-Caudal – da cabeça para as extremidades.  Uma tarefa de desenvolvimento implica uma série de habilidade e competências específicas a cada estádio que as crianças devem realizar ou dominar para lidarem com eficácia no seu meio ambiente. Nº 1851 . social e emocional faz-se a partir de operações simples para actividades e funções mais complexas. Esta categorização permite – descrever as características associadas à maioria das crianças nos períodos em que as alterações nítidas de desenvolvimento aparecem e que as tarefas específicas devem ser realizadas. Tendência Próximo-Distal – da linha média para a periferia. ʘ ʘ ʘ Pré-Natal – Da concepção ao nascimento. Primeira Infância – 1 aos 6 anos  Toddler – 1 aos 3 anos  Pré-Escolar – 3 aos 6 anos Segunda Infância ou Escolar – 6 aos 10/11 anos Infância Tardia – 11 aos 18 anos  Puberdade – 11 aos 13 anos  Adolescência – 13 aos 18 anos . O desenvolvimento não é linear: Momentos de elevado desenvolvimento. não é regra). mental. Momentos de baixo desenvolvimento. CLE 2008-2012. Lactente – 0 aos 12 meses.   Diferenciação – O desenvolvimento físico. Não tem em conta os aspectos individuais de cada criança.  Princípio da Assincronia 34 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

            Factores que influenciam o crescimento e desenvolvimento ʘ Hereditariedade. contínua.  O não uso das habilidades pode causar: perda do neurónio e redução ou perda da função.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Regressões momentâneas → devido à necessidade de canalização de energia para uma nova actividade. ʘ Circunstâncias gestacionais.  Velocidade de Desenvolvimento – Existe uma ordem invariável e precisa para o desenvolvimento.  Princípio da Bilateralidade – a capacidade de crescimento e desenvolvimento é simétrica. CLE 2008-2012.  A capacidade da criança para o desempenho de determinada tarefa física depende: ʘ Da maturação da estrutura neurológica do cérebro. ʘ Hormonas. ʘ Normalidade física e psicológica. Tendência Secular de Crescimento          O desenvolvimento é influenciável  O uso de habilidades estimula o desenvolvimento .  Tendências Sequenciais – Em todos os aspectos do crescimento e desenvolvimento.O treino de uma habilidade que já tem ajuda ao seu desenvolvimento e a aquisição de novas habilidades. 35 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Circunstâncias económicas. ʘ Estimulação intelectual. mas este não ocorre sempre à mesma velocidade e ritmo. ʘ Do desenvolvimento do sistema músculo-esquelético. Nº 1851 . existe uma sequência ordenada. definida e previsível. ʘ Família e sociedade. ʘ Nutrição. ʘ Influência ambiental e emocional.

8 anos. 4-9 anos . a criança deve ser enviada a um centro especializado de diagnóstico e acompanhamento. Mary Sheridan e Denver – Motor grosso.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Avaliação do Desenvolvimento Infantil É o rastreio e aplicação. 1 mês. indicando a presença certa ou provável de deficiência. Objectivos dos Exames de Saúde Avaliar o crescimento e desenvolvimento e registar. O.S. 4 meses. 2 meses. 18 meses.Se a criança não estiver à vontade não conseguimos avaliar porque a criança não vai fazer aquilo que era suposto. 18 anos. Sensorial. susceptíveis de indicar a presença ou ausência de determinadas deficiências. 9 meses. Se o resultado for positivo. Pessoal social. No caso do desenvolvimento. Nº 1851 . ʘ A sequência da aplicação do teste deve ser flexível e adequa às circunstâncias.4 anos. 6 meses. os dados antropométricos e outros do desenvolvimento físico. a todas as crianças que nascem. 1-3 anos – 12 meses. 15 anos. (1967) Princípios da avaliação do desenvolvimento infantil: ʘ A criança deve ser envolvida em actividades lúdicas. ʘ Começar por uma área de competências que possa ser avaliada sem interferências. bem como parâmetros do desenvolvimento psicomotor. 5-6 anos (exame global de saúde). nomeadamente no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil. 2 anos. nos suportes próprios. Motor fino-adaptativo. ʘ A criança deve estar confortável .M. CLE 2008-2012. Socialização/cognição. Periodicidade da avaliação Infantil Primeiro ano de vida – 1º mês. ʘ Explicar aos pais o objectivo do teste. Avaliação do Desenvolvimento Instrumentos de avaliação do desenvolvimento infantil O instrumento de avaliação deve ser utilizado por técnicos que possuam formação e competência para usá-lo. Schedule of Growing Skills – avalia competências: ʘ Controlo Postural Passivo ʘ Controlo Postural Activo ʘ Locomotoras ʘ Manipulativas ʘ Visuais ʘ Audição e Linguagem ʘ Fala e Linguagem ʘ Interacção ʘ Autonomia Pessoal 36 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. de certas técnicas que podem ser utilizadas de forma rápida por pessoal menos especializado. 15 meses. Linguagem. o enfermeiro pode identificar que a criança tem alguma área com maior dificuldade e depois envia a criança para um técnico especialista. escolaridade e desenvolvimento psicossocial. 10-18 anos – 11-13 anos (exame global de saúde). 3 anos.

Aptidão no controlo postural activo: Permite avaliar os movimentos.  Escadas. ʘ Olhar para a curvatura quando a criança está sentada. Começa a brincar com os pés aos 5 meses (último estádio do decúbito dorsal). ʘ Se consegue segurar o peso do corpo. Esta área de competência é avaliada do 0 – 12 meses. sem intervenções do examinador.  Postura sentada. impostas pelo examinador. ʘ Até 6 semanas – cabeça virada para um dos lados. A criança não faz qualquer esforço. …  Posição de pé. as actividades locomotoras que a criança realiza activamente sozinha. ʘ Com apoio. A criança já tem de exibir vontade própria nos movimentos. ʘ Levanta as ancas. Estes instrumentos são utilizados como rastreio nos programas de saúde infantil Escala de avaliação das competências no desenvolvimento infantil II Aptidão no controlo postural passivo: Permite avaliar os movimentos e o controlo passivo da criança. só depois um em cada degrau. ʘ Primeiro dois pés no mesmo degrau. muito ou pouco tempo. se consegue andar com apoio e sozinho. Esta área de competência é avaliada do 9 – 60 meses. Está dividida em grupos de competência ou subescalas que são:  Decúbito ventral. primeiro subir e depois descer. …  Posição de sentado. ʘ Recém-nascido – tem a cabeça descaída em relação ao tronco. em diferentes condições.  Tracção pelas mãos para se sentar. Faz uma avaliação mais profunda – utilizada pelos técnicos para onde referenciamos as crianças que suspeitamos terem alguma dificuldade. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Locomoção. 4/5 meses já ajuda a levantar a cabeça para se sentar. Esta área de competência é avaliada do 1 – 6 meses → Só se a criança tiver alguns desvios e não tiver adquirido algumas habilidades é que se continua a avaliar durante mais tempo. 37 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. se consegue levantar sozinho. Maior curvatura = Menor controlo. Competências de locomoção: Todas as tentativas que a criança faz para se deslocar. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Decúbito dorsal. ʘ 6 Semanas – posição de cabeça alinhada com o corpo – se este comportamento já existir é pontuado. ʘ Aos 2/3 meses já vem com a cabeça alinhada.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Escala de desenvolvimento de Griffiths – tem como objectivo fazer a avaliação da criança dos 0 aos 8 anos. sem apoio.  Suspensão ventral. Vai-se elevando à medida que vai crescendo. Nº 1851 . CLE 2008-2012.

Competências na autonomia pessoal: Avalia a capacidade para realizar tarefas relacionadas com o grau de autonomia individual. Competências visuais: Analisa a resposta funcional a estímulos visuais. A compreensão visual vai evoluindo até a criança ser capaz de compreender visualmente os objectos. apesar de ainda não ser nítida – distância óptima de focagem: 25-30cm.  Desenho da figura humana. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Aptidão manual. CLE 2008-2012.  Compreensão visual. Esta área de competência é avaliada do 6 – 60 meses.  Brincar. Esta área de competência é avaliada do 1 – 60 meses.  Cubos. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Alimentação.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Competências manipulativas: Esta competência inicia-se com a observação das mãos.  Linguagem expressiva.  Higiene e vestir. Esta área de competência é avaliada do 1 – 60 meses.  Compreensão da linguagem. Competência na fala e linguagem: Esta área de competência é avaliada dos 1 – 60 meses. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Vocalização. Competências na interacção social: Relaciona-se com as respostas sociais a estímulos provenientes do meio ambiente. Desde recém-nascido que tem capacidade visual. distância a que fica da face materna na hora da mama. A criança e a dor As agressões físicas ou emocionais e a dor devem ser reduzidas ao máximo. Nº 1851 . Esta área de competência é avaliada do 1 – 60 meses. 38 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Função visual.  Desenho. Competências na audição e linguagem: Esta área de competência é avaliada do 0 – 60 meses. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Função auditiva. Está dividida em grupos de competências ou subescalas que são:  Comportamento social.

(Pereira – 2000.” Portal da Saúde → A pessoa pode ir adquirindo estratégias para gerir a dor. causador de sofrimento e não modeladora de carácter”.  Em dores com alguma intensidade a terapêutica não-farmacológica sozinha não é eficaz → deve ser u lizada em conjunto com a terapêutica farmacológica. CLE 2008-2012. que causa sofrimento. ou pode levar à exaustão e exacerbação da mesma. geralmente desagradável. As crianças não reagem nem manifestam a dor da mesma forma. Conceito “…uma experiência sensorial e emocional. e a mesma manifestação pode não corresponder sempre à dor – Ex: choro. 1979) → Tende-se a valorizar cada vez mais aquilo que o outro diz que é. ou descrita nestes termos” IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor. página 86) 39 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL (5º Princípio da Carta da Criança Hospitalizada) → Ter atenção: há crianças que não têm forma de se expressar e dizer que têm dor. podendo manifestar-se com várias características e gerar diversos estádios patológicos. normalmente com difícil identificação temporal e/ou causal. Teoria do Controlo da Portão – Melzack e Wall (1965/87)  O estímulo doloroso ocorre por diferentes vias e é multifactorial. “Dor crónica: dor prolongada no tempo. associada a uma lesão tecidular real ou potencial. Nº 1851 . Mitos Apenas em 1987 se começa a enfatizar a dor como “algo negativo.

apenas 13 % eram opióides fracos administrados IV.  As manifestações corporais reflectem a intensidade da dor.  As crianças dizem sempre a verdade a respeito da dor . por vezes com receio do tratamento.  Schechter (1986) – a prescrição em SOS é interpretada por médicos e enfermeiros como “o menos possível”. sendo comum negligenciar-se os cuidados de saúde de alívio da dor. página 600) Evidência Científica  Eland (1975) – apenas metade de 25 crianças operadas receberam algum tipo de analgesia. como possuem memória da dor. 5 em SOS. sendo desta maneira a melhor pessoa para gerir. dos adultos todos tinham prescrição. A. enfermeiras e a investigadora avaliaram a intensidade da dor das crianças significativamente mais baixas em relação à auto-avaliação das crianças → a heteroavaliação da dor tende a ter valores mais baixos do que a autoavaliação.  Lactentes não sentem dor – por não se conseguir descodificar as reacções à dor acreditava-se nisso e achava-se que o choro fosse reacção a outra coisa. as crianças recebem metade dos analgésicos dos adultos. As crianças que foram submetidas a procedimentos dolorosos não controlados. as mães. Só recentemente a criança atingiu o estatuto de pessoa. Está provado o inverso.  As crianças toleram melhor a dor que os adultos. A. Nº 1851 .  As crianças acostumam-se à dor ou a procedimentos dolorosos – compeltamente falso. todos no intra-operatório. (2002) – a avaliação da dor pós-operatória de 30 crianças: as médias da intensidade da dor pós-operatória foram globalmente elevadas.  Monteiro. funcionando inicialmente como centro reflexo e em seguida como centro de reacção. (Wong – 2006.  A criança metaboliza fármacos mais lentamente que um adulto – pode levar a pensar que necessitam de administração de fármacos com menor frequência que os adultos porque estes se encontram mais tempo em circulação → Falso. Só os toddlers começam a apontar. CLE 2008-2012. Das crianças apenas 9 tinham prescrição – paracetamol rectal. tendem a mostrar comportamentos mais exacerbados. (Biscaia. s/d)  Receio de sobre-medicar potenciando o risco de depressão respiratória e perigo de adição. Cuidados de Enfermagem “Os cuidados de enfermagem estão na base de uma gestão eficaz da dor” McCaffery (1994) e Sullivan (1994) Estão na base porque são os técnicos que mais tempo passam com a criança.  Mather (1981) – a prescrição em SOS era interpretada pelas enfermeiras como “o mínimo possível” → era preciso que já houvesse dor e de intensidade considerável para que se administrasse prescrição de SOS ao invés do que se passa hoje → administrar antes que doa. 40 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. de pelo menos 2 analgésicos IV – 1 opióide fraco (tramal) e um não opióide. com um deles em horário regular.  As crianças não conseguem localizar a dor – a criança pequena não localiza a dor e reage como se fosse global.muitas vezes a criança pode esconder a sua dor.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Ainda em 1952 o cérebro do recém-nascido era descrito como imaturo. (1990) – 14 adultos e 14 crianças: as crianças receberam menos de metade dos analgésicos dos adultos (42%). com situação patológica idêntica  Monteiro.

 Consequências da dor.  Não demonstra associação entre aproximação do estímulo e dor associada.  Agitação ou agressividade – pontapés. Percepção da Dor Pode-se considerar a dor infantil como complexa devido a:  Mediadores de percepção e do comportamento da dor: predisposição biológica (sexo.  Choro alto – não chora com lágrimas.  Choro alto – choro de assustado. características individuais da criança. …) – dor aparentemente de menor intensidade. personalidade). temperamento.  Utilizar estratégias de alívio da dor. Lactente  Resposta corporal localizada com afastamento da área estimulada. bater. Toddler  Lábios apertados.  Foge da dor por considerar uma “coisa”.  Tem capacidade de apontar para a zona dolorosa. boca aberta.  Verbaliza a dor mas não sabe identificar o tipo ou intensidade. sem experiências anteriores ou controladas (preparação. morder.  Balança com o corpo. Reacções/ Manifestações de Dor Recém-Nascido  Resposta corporal generalizada envolvendo rigidez ou agitação e afastamento da área estimulada. Pré-Escolar  Verbaliza que “magoa”.  Antecedentes de dor → experiências anteriores não controladas – dor aparentemente de maior intensidade. características genéticas. anestesia.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL As competências de Enfermagem inerentes à gestão eficaz da dor são:  Avaliar a dor do doente. tem mais medo da dor que a criança escolar – fase da fantasia.  Avaliar a necessidade de alteração nas estratégias. não precisam de grande preparação porque não percebem.  Expressão facial de dor – sobrancelhas descidas. São quem tem a responsabilidade de administrar a terapêutica prescrita → Avaliação sistemática dos resultados obtidos face às estratégias utilizadas → permite fazer as adaptações prescritas necessárias. atirar com objectos por raiva – começas a ter tentativas de contenção/controlo da dor. 41 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Estratégias de conforto. Nº 1851 .  Resistência física empurrando o estímulo para longe depois de aplicado. CLE 2008-2012.  Concomitantes de dor.  Comunicar ao médico as conclusões das avaliações da dor. não compreende o conceito de que “esta picada magoa mas vai fazer com que fiques melhor” – só percebe coisas muito objectivas → a dor para ficar bom não faz sentido para a criança. ambiente familiar (as crianças aprendem a manifestar a dor dentro da sua família e da sua cultura) e percepção de apoio social.  Expressão facial de dor ou raiva – como o RN mas de olhos abertos. distracção.

relacionando os acontecimentos.  Não são os pais que avaliam pela criança.  Maior tensão e controlo corporal.  Verbaliza a dor. nas que se recusam a cooperar ou nas que não estão em condições de auto-avaliarem a sua dor devem usarse escalas de hetero-avaliação.  Atitude passiva perante a dor – sentem-se culpados → acham que a dor é cas go por algo que não fizeram bem.  Responde positivamente a preparações antecipatórias (ao contrário dos toddlers). Escalas de Auto-Avaliação Escala de faces Wong e Baker – 1988 usada a partir dos 3 anos   42 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Escolar  Mesmos comportamentos referidos anteriormente.  As escalas utilizadas não são as mesmas que são nos adultos. mas mais expressões verbais (ex: isso dói). A partir dos 3 anos as crianças são capazes de indicar os vários níveis de dor se lhes forem proporcionados os meios e a oportunidade. nem podem induzir a resposta  É preferível auto-avaliar. ai…) e as experiências anteriores de dor (identificar e quantificar) → ques onar desde que a criança tenha idade para ser questionada. CLE 2008-2012. se não for possível é preferível hetero-avaliar do que não ter qualquer avaliação. punhos cerrados.  Regressão a alguns traços característicos de idades anteriores (ex: afstar-se dos outros)  Menos comportamentos de protesto verbal ou actividade motora. consequências e tratamento.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Tenta persuadir o enfermeiro a não realizar o procedimento . Adolescentes  Consciência abstracta dos aspectos psicológicos e emocionais da dor – capacidade para compreender causas e consequências.  Capacidade de compreender as causas. Princípios de Avaliação e Controlo da Dor na Criança  Questionar a criança: história da dor – definição de dor para a criança (dói dói.  Rigidez muscular. testa franzida. reacções fisiológicas. sente-se talvez responsável por ela.  Usar escalas de avaliação da dor (escalas testadas – avaliam comportamentos. Nas crianças entre os 3 e os 8 anos devem usar-se escalas de auto-avaliação modificadas. Nº 1851 . …) – nas crianças com menos de 3 anos.adiar a dor → tem de se aprender a gerir este pedido da criança. dentes cerrados. menos no período antecipatório – beneficiam de preparação.  Localiza a dor. olhos fechados – expressão de tentativa de controlo de dor.  Pais: os pais conhecem melhor que ninguém a criança → percebem alterações muito subtis que passam ao lado aos enfermeiros.

Quase só usada em investigação e a par de outras escalas. aos 20 dias tem 20 dias de idade real e tem 29 semanas de gestação de idade corrigida. Cry and Consolation) Utiliza-se com crianças entre os 2 meses e 7 anos de idade. e é ela que escolhe o que cada cor significa e pinta o quadrado correspondente. Deve-se explicar a escala com base nas experiencias que a criança já teve.  Deve-se mostrar a escala à criança para esta apontar. Escala de Cores  Usada a partir dos 5 anos. 43 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Legs. enquadramento familiar e religioso. o local onde lhe dói. de acordo com a intensidade. Nº 1851 . absorveriam para si próprios as dores dos filhos” (Salgueiro – 1998).Escala Objectiva da Dor Utiliza-se em crianças dos 0 aos 18 anos. nível de conhecimento cognitivo. Depois pinta no boneco. sendo a partir de 3 considerada dor significativa. CLE 2008-2012. FLACC (Face. OPS . Escala Analógica Visual  Usada a partir dos 8 anos.  Dão-se quatro marcadores à criança. A idade corrigida do pré-termo é utilizada até aos 2 anos.  Avaliar o comportamento e alterações fisiológicas: idade. Escala numérica  Usada a partir dos 8 anos (De 0 a 10). Activity.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Fazer a história da dor com a criança para compreender as experiências de dor da criança.Escala de Avaliação da Dor para RN  Pontuação total de 0 a 7.  Assegurar a participação dos pais: ʘ Que palavras usa a criança para se referir à dor? ʘ Descreva experiências anteriores de dor da criança ʘ O seu filho diz-lhe quando tem dor? ʘ Como é que o seu filho reage normalmente à dor? ʘ Sabe quando o seu filho tem dor? ʘ O que costuma fazer quando o seu filho tem dor? ʘ O que é mais eficaz no controlo da dor do seu filho? ʘ “Todos pais. Se o bebé nasceu de 26 semanas de gestação. Escalas de Hetero-Avaliação NIPS .  Necessário corrigir a idade nos bebés de pré-termo → u lizadas as 40 semanas como referência.  A avaliação é feita em milímetros. respostas fisiológicas que indiquem presença de dor. se pudessem.

Codeína. biopsia). injecções intramusculares e subcutâneas. ʘ Punções profundas (ex.5ml 1/3 bisnaga Tempo de Oclusão: ʘ Punções superficiais: tempo mínimo de 1 hora. CLE 2008-2012. laserterapia. inserção percutânea de cateteres centrais. ʘ Agonistas Opiáceos: Morfina.5g/1. Apresentação: EMLA penso a 5% (1g) ou EMLA Creme a 5% (5g) Indicações: prevenção da dor aguda na criança e no adulto em procedimentos como: punções venosas. EMLA Mistura entre dois anestésicos – lidocaína + prilocaína – com acção a nível dos receptores das terminações nervosas A (mielínicas) e C (amielínicas). excisão de lesões cutâneas. Nº 1851 . injecções IM e SC.5g / 10 cm2 de pele seca e limpa.5g e 30 min de oclusão). lombares. Tramadol. ʘ Penso 1g / 10 cm2 de pele seca e limpa. capilares. arteriais.  Actuar e avaliar os resultados: medidas farmacológicas e não farmacológicas e avaliar sistematicamente os resultados. devendo-se cobrir com um penso oclusivo transparente e anotar a hora de aplicação. 44 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Naltrexona. Pode também ser usado no tratamento da dor crónica em lesões pós-herpéticas. AINE’s. Peso Dose Creme 5Kg 0.Indicações: ʘ Hipersensibilidade aos anestésicos locais tipo amida. cicatrizes dolorosas póscirúrgicas. ʘ Dermites atópicas – aplicar durante 15 minutos. inserção percutânea de cateteres centrais e pequenos actos cirúrgicos): tempo mínimo 2 horas.e.5ml 1/10 bisnaga 10Kg 1g/1ml 1/5 bisnaga 15Kg 1. toracocenteses. ʘ Outros anestésicos: EMLA e Sucrose. ʘ A duração e profundidade da anestesia é proporcional ao tempo e local de administração. ʘ Agonistas Parciais Opiáceos: Buprenorfina. Metadona. Efeitos adversos: ʘ Palidez. Contra . ʘ Feridas e mucosas. seguido de eritema e edema transitório induzido pelos anestésicos locais. Precauções: ʘ Dos 3 aos 12 meses de idade não utilizar mais do que 1g para uma área não superior a 10cm². entre outras. Dose: ʘ Creme 1 a 2. ʘ Respeitar as doses máximas de lidocaína e prilocaína por Kg de peso – 5mg / kg.5g/0. Punção lombar. Medidas Farmacológicas Analgésicos: ʘ Não opióides: Salicilatos. penetrando em todas as camadas da pele. devendo-se utilizar uma menor dose (RN – 0. ʘ Antagonistas Opiáceos: Naloxona. Pentazocina. ʘ Tratamentos com Sulfamidas. ʘ Gravidez e aleitamento.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Considerar a causa da dor: inexistência de padrão entre a causa e nível de dor e ter em conta que o nível de dor pode influenciar a evolução da patologia. Paracetamol. pequenos gestos cirúrgicos sob anestesia local (p.

CLE 2008-2012. comer gelados… Deve descrever pormenorizadamente. aconchegando-se ao seu corpo. deve-se mergulhar na solução e oferecer ao bebé. Proximidade aos olhos. pedir à mãe ou pai para que lhe contem uma história ou pedir à própria criança que a conte. histórias engraçadas ou brincadeiras de criança. no intestino. Caso se administre com a chucha. O sabor doce induz analgesia. 45 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Doses: Dose única – 2ml a 24% por seringa ou chucha. Nº 1851 . atendendo aos detalhes sensitivos. Reduz as respostas fisiológicas. deve-se utilizar antes do episódio doloroso ou antes de se atingir uma intensidade dolorosa mais elevada. lentamente. Quantos mais sentidos a estratégia requeira. modulando a resposta à dor. mas sim acalmar a criança. Mucosas. entre 2 a 5 minutos antes do procedimento. Não se pretende um relaxamento profundo e voluntário. inibem/regulam a transmissão de estímulos dolorosos e aumento o controlo descendente dos mesmos (Wong e Wilson. sendo hidrolisada em glicose e frutose. Sucrose Oral/Sucção Não Nutritiva: Dissacárido composto por glicose e frutose.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ Alergia à penicilina. O enfermeiro deve fazer perguntas à criança acerca da situação para que a criança pense mais intensamente nela. utilizando-se a chucha ou uma seringa para gotas. Idade inferior a 3 meses e peso inferior a 5kg devido ao elevado risco de toxicidade. pois é o local onde se concentram as papilas gustativas para o gosto doce. maior é a distracção. Administração: Na parte anterior (extremidade) da língua. 1995). Distracção: Durante o procedimento dizer à criança que se concentre em gritar mais alto ou mais baixo consoante a intensidade da dor. bioquímicas e comportamentos da criança à dor (estimula a produção de endorfinas). Especificações: 24% de sucrose e 76% de água Precauções: não reutilizar ou esterilizar Instruções para o uso: utilizar 5 minutos antes do procedimento. como estar com os amigos. deixar a criança brincar com o brinquedo que queira. Nos bebés e crianças mais pequenas o relaxamento é feito através do contacto próximo com o adulto significativo. pais. Medidas Não Farmacológicas Este tipo de medidas influenciam factores cognitivos e emocionais (Melzak e Wall.  Qual a eficácia e benefícios da Sucrose: diminui a percepção sensitiva da dor durante os procedimentos dolorosos. Relaxamento: Ajuda a criança a controlar a ansiedade antes do início do procedimento. usar o humor através de desenhos animados na televisão ou livros. Feridas abertas. Imaginação Guiada: Pede-se à criança para que pense num local em que goste muito ou em qualquer outra coisa que lhe dê prazer. repetindo-o se necessário. 1982). Metahemoglobinémia congénita ou idiopática. caso seja através da seringa deve-se introduzi-la na ponta da língua e deixar que o bebé determine o ritmo de administração para que não haja o perigo de se engasgar.

adopção ou por viverem juntos. ʘ Novas famílias – famílias monoparentais. ʘ Mães solteiras. casamento.8 2009 – 2. famílias homossexuais… Tipos de família Famílias Nucleares ʘ Nuclear – ambos com carreira ʘ Casais com filhos ʘ Casais sem filhos Famílias alargadas Família binuclear Coabitação heterossexual Novas famílias ʘ Monoparentais ʘ Adoptivas ʘ Casais homossexuais Estrutura e Tipos de Família em Portugal – censos Número de médio de pessoas por família clássica 1983 ‐ 3. ʘ Coabitação.1 % do total de casais.5% do total de núcleos familiares.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Família. Nº 1851 .7 Número de filhos por mulher (2009) 2009 ‐ 1. Famílias unipessoais – 17. ʘ Geração sanduíche.pt em 2010‐10‐16 46 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. O que é uma família? Família ‐ conjunto de pessoas que se consideram como tal por se relacionarem através da consanguinidade. ʘ Grupo no qual a criança nasce. Casais s/ filhos – 22.32 Estrutura da família (2009) Casais com filhos – 40.3 1990 – 2.9 2001 – 2. ʘ Outras culturas – Poligamia ou Poliandria. Um grupo de pessoas relacionadas pela consanguinidade. (Family Centered Care InsKtute ) Família ou Famílias? O Tipo de família e a cultura ʘ Ocidente e outras áreas do globo – Diversidade.pordata. casamento ou sensação de proximidade. Tendências Actuais das famílias ʘ Casamento e o primeiro filho – mais tarde. Famílias monoparentais – 8. Parentalidade e Cuidados Centrados na Família Parentalidade – exercício de ser pai ou ser mãe e acontece no seio da família. ʘ Avós a exercer a função parental.5 % do total de famílias. CLE 2008-2012.5% Dados obtidos de www.

a natureza da dinâmica familiar. 47 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Reprodução. ʘ Família com adolescentes – aumentar a flexibilidade das fronteiras familiares para incluir a independência dos filhos e as fragilidades dos avós.  A Teoria é uma abordagem que explica a mudança de padrão. ʘ Cuidar dos doentes e idosos.  Duvall focaliza a educação dos filhos como o elemento organizador da vida Familiar. ʘ Família com filhos de idade escolares – o filho mais velho tem idade entre os 6 e os 13 anos. ʘ Recreação. ʘ Autoridade.  Nos pontos de transição do ciclo de vida criam‐se rompimentos neste ciclo e produzem‐se sintomas e disfunção. CLE 2008-2012. a natureza das mudanças. As famílias estabelecem padrões ʘ Escolha do cônjuge. ʘ Socialização da criança. ʘ Lançando os filhos e seguindo em frente – aceitar as entradas e saídas na vida familiar. Todos os filhos saem de casa. Teoria do Ciclo de Vida Familiar Duvall (1977)  O ciclo de vida individual acontece dentro do ciclo de vida familiar. ʘ Controlo Sexual. ʘ Família em expansão/Família com filhos pequenos – aceitar novos membros no sistema (o filho mais velho é uma criança com idade inferior a 30 meses) ʘ Família em consolidação/Família com Pré-Escolares – o filho mais velho é uma criança com idade entre os 2 anos e meio e os 6 anos. → Teoria organizada segundo o número de filhos – o filho mais velho vai servindo de referência. que é o contexto primário do desenvolvimento humano. ʘ Descendentes. ʘ 3 Outros estádios – Famílias no estágio tardio da vida. Nº 1851 . e como ocorre a mudança na família. ʘ Herança.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Qual a Função da Família? Funções universais da família ʘ Produção económica. ʘ O novo casal – comprometimento com um novo sistema.

Manutenção da cultura e valores familiares. tempo em família.Do ponto de vista social e afectivo:  Pais substitutos? Afectivos? (avós. Devemos estar atentos a estas situações. mas também autonomia económica. → Avaliar as forças da família – olhar a família sob o ponto de vista de que ela é capaz: olhando as suas mais-valias. Parentalidade biológica e parentalidade social… Parentalidade Biológica – inerente à espécie. Independência Económica. amigos e sociedade quanto aos comportamentos do papel” ICN – CIPE Versão 2 Cada vez mais os pais necessitam de apoio para desempenhar o seu papel de formar correcta → é uma das funções do enfermeiro. 1998.  A falta de experiencia prévia com o stressor aumenta a percepção de ameaça. ʘ Divorcio ʘ Monoparentalidade 48 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Motivações. tensões e transições. Nº 1851 . De acordo com a lei:  Pais progenitores  Pais adoptivos Parentalidade Social . resistência da família. Parentalidade Acção de tomar conta. Força da família: Coesão. interiorização das expectativas dos indivíduos. assumindo “as responsabilidades de ser mãe e/ou pai. CLE 2008-2012. adaptabilidade. comportamentos para optimizar o crescimento e desenvolvimento das crianças.  Os acontecimentos que ocorrem na família tal como a doença dum filho são mais stressantes do que os que ocorrem fora do sistema (guerra). comportamento destinado a facilitar a incorporação de um recém‐nascido na unidade familiar.  Os copings disponíveis para uso pela família e as estratégias de resolução de problemas conduzem à adaptação. Até as crianças atingirem a sua independência e autonomia → não só em termos de desenvolvimento e capacidade de satisfazer necessidades.  Os acontecimentos inesperados e não planeados são percepcionados como stressantes. Friedman. tios…)  Instituições? Situações de Parentalidade especial Situações de maior risco: Maior risco não quer dizer que sejam problemáticos. 55. 1998 As forças da família Resiliência – Recursos – Capacidades .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL O Stress e a Família  As famílias estão expostas a stressores. trabalhar no sentido das forças. Allen. rotinas. 88. p.  Stressores ambíguos causam maior stress. 1993. Objectivos Parentais Sobrevivência. McCubbin. famílias. para que os pais consigam que a criança cresça saudavelmente dentro da família. p.

CLE 2008-2012. Nº 1851 . Os Estados Partes diligenciam de forma a assegurar o reconhecimento do princípio segundo o qual ambos os pais têm uma responsabilidade comum na educação e no desenvolvimento da criança. Artigo 18º:  1. A influência dos pais na saúde e desenvolvimento da criança Os pais possuem potencial para promover a saúde e bem-estar da criança ou impedir o desenvolvimento físico e emocional. 49 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Baumerind (1967) O que é a parentalidade positiva? Comportamento parental baseado no superior interesse da criança – amar/cuidar.  Cognições. aos representantes legais. sendo caso disso. Comportamentos Educativos parentais  Modelo de Estilos parentais:  Democrata ou autoritativo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ ʘ Adopção Famílias mistas (diferentes culturas) Quando ambos os pais possuem carreira Abuso de substâncias Sem abrigo Pais encarcerados Pais adolescentes Direitos e Responsabilidades Parentais ʘ Convenção dos Direitos da Criança: Direito a ter pais responsáveis. O interesse superior da criança deve constituir a sua preocupação fundamental.  Autocrata ou autoritário. empower e não-violência – que faculta reconhecimento e orienta. a salvaguardar os Direitos das crianças protegendo‐as de todas as formas de abuso. A responsabilidade de educar a criança e de assegurar o seu desenvolvimento cabe primacialmente aos pais e. Componentes da Parentalidade  Comportamentos.  Afectos.º 61/2008: Imposição do exercício em comum das responsabilidades parentais. ʘ Lei n. o que implica estabelecer fronteiras para possibilitar o desenvolvimento completo da criança. ʘ Decreto‐Lei n. Conselho da Europa (2006) Protecção de crianças e Jovens Das Leis do Estado Convenção dos Direitos da Criança . alínea b).  Permissivo: ʘ Indulgente e negligente (pode por o desenvolvimento e a vida da criança em risco).º 91/2009: Protecção da Parentalidade. Lei 147/99 A Responsabilidade dos enfermeiros Artigo 81º do Código Deontológico.Lei de Protecção de Crianças e Jovens em perigo.

Touch points (Brazelton) Factores que influenciam a Parentalidade: Características individuais da criança e dos pais: Existe uma interacção bi‐direccional ‐ “através da interacção. Nº 1851 . ʘ Factores proximais:  Características pais e criança ʘ Factores distais:  Contexto cultural  Nível socioeconómico  Constelação familiar Processos Afectivos Parentais ʘ O sistema afectivo parental é por natureza empático. pelo que os pais estão em constante adaptação. ʘ Nível de envolvimento. Funções dos pais: ʘ Satisfação das necessidades básicas. 2005) Desenvolvimento da criança e adaptação parental O desenvolvimento da criança não se faz de forma linear. ʘ Objectivos centrados no bem-estar e desenvolvimento da criança. (Belsky. ʘ Necessidades de compreensão cognitiva das realidades extra familiares. ʘ Necessidades de interacção social da criança.“stressores” na transição Saúde da criança. 50 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Fontes contextuais de stress e suporte. ʘ Disponibilizar à criança um mundo físico organizado e previsível. (Cruz. ʘ Parentalidade eficaz. Atitudes Parentais ʘ Sentido de zelo e responsabilidade. 1984) Focos da Prática de Enfermagem Parentalidade  Adaptação à parentalidade  Vinculação  Educação da criança  Desenvolvimento da criança ICN ‐Cipe Versão 2 Diagnósticos de Enfermagem Potencial para o desenvolvimento da capacidade parental . CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Processos Cognitivos Parentais As ideias parentais estão relacionadas com o comportamento parental mas não o reflectem necessariamente. os prestadores de cuidados e as crianças modificam os comportamentos uns dos outros”. ʘ Disponibilidade psicológica e física (idade dos pais). ʘ Importância atribuída ao papel. ʘ Satisfazer as necessidades de afecto. confiança e segurança. oportunidade para educação parental. por isso é importante conhecer a origem das cognições parentais.

 Violência doméstica.  Pobreza. para que as família adquiram ou mantenham o controlo das suas vidas e reconheçam mudanças positivas que resultem da comportamentos de ajuda que promovam as suas forças. ʘ Promovendo o suporte e a orientação para capacitação dos pais.  Hospitalização. Empowerment “Processo de interacção entre profissionais e famílias. intervenções Evolução da doença e Tratamento Stressores dos pais/reacções e estratégias 51 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. depressão). ICN ‐Cipe Versão 2 Intervenções De Enfermagem ʘ Centradas no interesse da criança e dos pais. choro e comportamento.  Divorcio. (Risco) Parentalidade comprometida . O enfermeiro tem o dever de avaliar se os pais querem participar nos cuidados e se têm capacidade para realizar os mesmos. abuso de substâncias).  Desemprego.  Doença mental dos pais (Ex. Suporte social. escolaridade. Conjugalidade. CLE 2008-2012.  Abuso de substâncias. capacidades e acções”. Cuidados centrados na família ‐ Parceria O que trocamos enfermeiros e os pais/pessoas significativas? Pais Conhecimento: Do cuidar do filho Da resposta do filho à doença? Das suas estratégias de lidar com a doença Enfermeiro/a Conhecimento: De cuidar de crianças doentes: stressores / comportamentos. 1995). Condições socioeconómicas (desemprego. Nº 1851 . (Wong 2006) → Os pais têm o direito de manter a sua parentalidade o mais possível. condições de pobreza. Parceria de cuidados Parceria de cuidados “Pais e Enfermeiros trabalham conjuntamente para providenciar cuidados à criança doente” (Casey. → Os cuidados resultam da negociação contínua entre pais e enfermeiros.“stressores” no desempenho  Prematuridade e deficiência da criança. ʘ Promovendo as suas escolhas.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Resposta às necessidades básicas da criança. As crianças têm o direito de receber cuidados pelos pais.

a que muitas vezes está 52 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ As famílias e doentes recebem informação a tempo. principalmente os de carácter sóciocultural – maus tratos. a doença crónica ou a deficiência continuam a afectar os adolescentes. a asma. associado à baixa idade gestacional. comportamentos violentos. violência sobre a mulher e a criança –. social. e precisa de forma a participarem ao nível que desejarem Colaboração Doentes. consumos de álcool. ʘ Integram os conhecimentos. profissionais de saúde e lideres no sistema de saúde. psico-emocional. ʘ No desenvolvimento de programas.  Outros problemas de saúde têm emergido. e com problemas cardiocirculatórios e respiratórios. CLE 2008-2012. Nº 1851 . Promoção da Saúde da Criança e do Jovem ao longo do Desenvolvimento Promoção da Saúde Estratégias destinadas a aumentar a saúde e o bem-estar físico.  Continua a assistir-se a: ʘ Alta percentagem de gravidezes em adolescentes (entre os 14 e os 16 anos) que não frequentam a escola.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Conceitos Centrais aos Cuidados Centrados na Família Dignidade e Respeito ʘ Os profissionais escutam e honram as perspectivas e escolhas das famílias. espiritual e de desenvolvimento do indivíduo. crenças e background cultural no planeamento e prestação de cuidados. colaboram: ʘ Na elaboração de politicas. maternidade e paternidade precoces. de forma a que esta seja útil para as famílias e doentes. desequilíbrios alimentares. Adaptado de Stanhope & Lancaster (2008) Evolução da Saúde Infantil e Juvenil  Os recém-nascidos de baixo peso. família. os principais problemas relacionam-se com o comportamento: sedentarismo. a diabetes mellitus. família e comunidade. muitas vezes relacionados com hábitos tabágicos e alcoólicos ou infecções por DTS nas mães. continuam a fazer aumentar os indicadores da morbilidade e mortalidade deste grupo.  Nos adolescentes. ʘ Gravidezes não vigiadas ou insuficientemente vigiadas em franjas da sociedade com más condições de vida. acidentes. ʘ Na estrutura dos espaços na educação de profissionais e ʘ Em decisões da prestação de cuidados de saúde Participação Os doentes e famílias são encorajadas a cuidar e tomar decisões ao nível que desejarem. valores. tabaco e drogas. completa.  O cancro. Informação ʘ Os profissionais de saúde partilham e informação completa e sem distorções.  Portugal continua a ser o país da EU com a mais alta taxa de incidência de sífilis neonatal. ʘ Na sua implementação e avaliação.

do sedentarismo. incentivo à adopção de estilos de vida e comportamentos saudáveis. para acções de prevenção.  Nascer com saúde: entre outros: facilitação do acesso à saúde reprodutiva.     Plano Nacional de Saúde 2004-2010 Problemas:  Acidentes (viação e domésticos). Asma e Diabetes Mellitus. ʘ 61% da mortalidade infantil ocorre no período neonatal e por anomalias congénitas (as cardiovasculares ocupam o 1º lugar).  Uma juventude à descoberta de um futuro saudável: melhoria na qualidade do acesso e atendimento. no grupo das criança e dos adolescente. das perturbações comportamentais alimentares. ʘ A mortalidade por acidentes e causas externas continua a ser elevada.  Stresse.  Gravidez indesejada.  RN de baixo peso e com problemas cardio-respiratórios. ʘ Não se sabe. A mortalidade infantil tem vindo a decrescer: 3. Sífilis Congénita. para rastreios de doenças e outras intervenções pelos técnicos de saúde. à saúde mental e às DSTs.  Cancro. assim como aos hábitos tabágicos e alcoólicos. qual a morbilidade associada à obesidade. no entanto. na adolescência e insuficientemente vigiada.  Problemas de saúde mental e de comportamento.1%o em 2004). redução da morbilidade e mortalidade por acidentes. CLE 2008-2012. Nº 1851 . reforço das actividades de educação nas áreas da sexualidade e reprodução e da actividade preventiva do risco. Infecção Meningocócica. à bulimia.  Alimentares: obesidade. erradicação da sífilis congénita.  Comportamentos sexuais de risco.  Sedentarismo. consumo de açúcar e sal. Os indicadores de morbilidade e de mortalidade relacionados com doenças infecciosas diminuíram.  Doenças infecciosas: SIDA e/ou Tuberculose. 53 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. visita domiciliária.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL associada a infecção pelo VIH e pelo bacilo de Kock. Saúde Infantil e Juvenil: Estratégias  Abordagem centrada na família e no ciclo de vida: promoção da educação para a saúde.  Crescer com segurança: melhoria da articulação e parceria entre serviços. ao diagnóstico e tratamento das ISTs e à saúde mental das grávidas. A mortalidade neonatal tem vindo a decrescer: 2.3%o em 2008). graças à cobertura pelo PNV e à acessibilidade aos cuidados de saúde.  Hábitos de sono. aumento da taxa de cobertura das puérperas.  Exclusão social. Os adolescentes constituem o grupo etário mais saudável. promoção do aleitamento materno. maior atenção às adolescentes e às minorias étnicas. intervenção precoce e acompanhamento das crianças portadoras de deficiência. à anorexia. estabelecimento de parcerias entre as instituições de educação e de saúde.

54 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. identificar e saber como abordar as doenças comuns.  Estimular a opção por comportamentos saudáveis.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Programa tipo de actuação em saúde infantil e juvenil Prioridades  Apoio às crianças com necessidades especiais.  Apoio à responsabilização progressiva e auto-determinação em questões de saúde das crianças e jovens.  Valorização dos cuidados antecipatórios como factor de promoção da saúde e de prevenção da doença.  A redução das desigualdades no acesso aos serviços de saúde. Objectivos  Avaliar o crescimento e desenvolvimento.  Detectar precocemente e encaminhar situações que possam afectar negativamente a vida da criança. a prevenção de acidentes e intoxicações. a saúde oral.  Identificar.  Apoiar e estimular a função parental  Promover o cumprimento do Programa Nacional de Vacinação (PNV).  Promover a auto-estima do adolescente e a sua progressiva responsabilização pelas escolhas relativas à saúde.  Detecção precoce e encaminhamento de situações passíveis de correcção e que possam afectar negativamente a saúde da criança. CLE 2008-2012. dos riscos decorrentes da exposição solar e das perturbações da esfera psico-afectiva. a suplementação vitamínica e mineral.  Prevenir. apoiar e orientar as crianças e famílias vítimas de violência ou negligência – situações de negligencia e violência nem sempre são muito evidentes. Nº 1851 .  O reconhecimento dos pais como principais prestadores de cuidados.  Sinalizar e proporcionar apoio continuado às crianças com doença crónica/deficiência e às suas famílias e promover a articulação entre os intervenientes nos cuidados. Estar atento a sinais muito subtis. socialização. correspondentes a (…) etapas do desenvolvimento psico-motor.  Harmonização das consultas com o esquema cronológico de vacinação. alimentação e escolaridade. em situação de risco ou especialmente vulneráveis. Linhas Mestras  Calendarização das consultas para ‘idades chave’.

se indicado. estas crianças devem ter um apoio mais frequente e com outras estratégias. que os expõem a um risco potencial de contrair ou desenvolver um processo mórbido. acidente ou morte) a um indivíduo ou grupo de indivíduos → se determinarmos o risco e for superior ao normal.  Factor de risco: características e condições de vida de uma pessoa. p. Os cuidados de enfermagem. funcionam como in puts.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Assegurar o aconselhamento genético. Programa-tipo de Actuação. Consulta de Enfermagem em Saúde Infantil e Juvenil Conteúdo  Detecção da doença. Nº 1851 . nas áreas de intervenção. Intervenção em função do risco Permite definir o tipo de vigilância de saúde. 2005. Actividades  Consulta de enfermagem  Visita domiciliária Cabe à equipa de saúde identificar as necessidades especiais de cada criança e definir um programa individual de vigilância e promoção de saúde que facilite o desenvolvimento das capacidades e potencialidades (Saúde Infantil e Juvenil. 55 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. rentabilizando os recursos materiais e humanos  Risco: é “a probabilidade de ocorrer um acontecimento indesejável (doença. ou as tornam mais susceptíveis de sofrer os seus efeitos nocivos.20). de acordo com as necessidades da criança e as prioridades. ou de um grupo. que se pretende que produzam resultados positivos.  Prevenção da doença. CLE 2008-2012.

56 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Modelo GAPS.  Registo: ʘ Marcação de próxima. Estrutura  Modelo SOAP.Elster. ʘ Contexto – criar contexto propício à interacção com o profissional. CLE 2008-2012. M. A.. tudo o resto tem pouco impacto.  Execução. ʘ Prioridades da Consulta – escutar os pais ou a criança/adolescente – questionar sobre dúvidas que têm.  Orientação antecipada – preparar os pais para não ficarem suspreendidos com o que vai acontecer → prepará-los para suprir as necessidades da criança. ʘ Registo do observado. dos problemas identificados e das questões pendentes. Abordagem baseada no fortalecimento. Fleming. Modelos de Consulta SOAP .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Promoção da saúde.Polisky et al (2005)  Subjective history  Objective findings  Assessment  Plan GAPS . ʘ Vigilância de Saúde  História  Interacção Pais – Criança  Vigilância do Desenvolvimento  Exame Físico  Rastreios – adequados à idade  Vacinas  Outras Intervenções ʘ Orientação Antecipada Fases  Preparação: ʘ Leitura do processo: identificação/revisão dos problemas e elaboração do plano de consulta. ʘ Preparação dos materiais identificados como necessários. et al (1994)  Gather information  Assess further  Problem identification  Solutions Modelo de consulta Bright Future Este modelo foca-se nos aspectos positivos e em fortalecê-los e “esquecer” os negativos. ʘ Avaliação do plano de cuidados e reformulação. Nº 1851 . da entrevista. Enquanto os pais não virem as suas dúvidas esclarecidas.  Modelo Bright Futures.

Registo Registar (tipo de habitação. Realização ʘ Apresentação e explicitação do motivo da visita. período de introdução de novos alimentos. Pressupostos  Estabelecer prioridades e definir a população alvo  Identificar pessoas ou grupos em risco. se necessário. ʘ Marcar nova V. cheiro. ʘ Objectivos. 57 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. de outros serviços de saúde ou de líderes locais. ʘ Crises ou problemas familiares (como toxicodependência. e da relação entre os elementos da família). CLE 2008-2012. mas com flexibilidade – ouvir. embora seja adaptada a cada situação.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Visita Domiciliária Objectivos ʘ Investigar uma situação aparentemente problemática. espaço. arrumação.  Articular com CSD e com outras instituições ou técnicos no terreno. . ʘ Avaliar os cuidados prestados. ʘ Crianças com problemas de desenvolvimento ou insucesso escolar.  Trabalhar em equipa (saber o que já foi feito). ʘ Ausências às consultas ou à vacinação. apoiar e ajudar o utente a tomar decisões utilizando os seus próprios recursos (individuais e familiares). Avaliação ʘ Confrontar o planeado com o realizado. . como. materiais.conteúdo e estratégias. ʘ Problemas identificados. ʘ Fazer educação para a saúde. ʘ Actualizar o plano de cuidados.D. solteira primípara ou com muitos filhos. ʘ Situação de doença ou deficiência da mãe ou da criança. habitualmente é de 30 minutos. . ʘ Assistir o utente em caso de necessidade. ʘ Validar os conhecimentos. ʘ Mãe adolescente. delinquência…).  Promover reuniões de equipa de enfermagem e interdisciplinares.  Fazer plano da VD: ʘ Onde e quando. luz. orientar e realçar os aspectos considerados pertinentes. roupa. Nota: A duração.  Organizar material.  Articular recursos. ou lembrar próxima consulta. ʘ Prestar os cuidados de acordo com o planeado.  Recolha de dados no processo individual e familiar. alcoolismo. ʘ Acções a desenvolver . Fases Preparação  Identificação do problema/situação. por exemplo: ʘ Período perinatal. junto dos técnicos. Nº 1851 .

 4-9 Anos: 4. 5-6 (exame global de saúde). ʘ Desenvolvimento de capacidades – psicomotoras (mão.  10-18 Anos: 11-13 anos (exame global de saúde). (há bebés que aparentemente não ficam satisfeitos com o leite materno e fazem complemento com este leite). ʘ Aprendizagem de regras – aprendizagem de regra enquanto tal.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Conclusão A V. CLE 2008-2012. faca). 1. favorece: ʘ A expressão de sentimentos e de dificuldades. Nº 1851 . garfo. soja). que pode ser dado à criança quando a mãe não pode ou não quer amamentar. porque a pessoa está no seu meio ambiente.º.  Vigilância segundo a singularidade da criança / do grau de risco. ex: contra-indicação por patologia da mãe. é favorável que a criança comece a partilhar a mesa com a família → refeição como momento de socialização. 3 anos. 58 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  1-3 Anos: 12. 15. Periodicidade dos exames de saúde  1.  Exame de saúde oportunista. 2.º.º.D. 18 anos.  Sequência dos alimentos. 4. ʘ Introdução dos novos alimentos aos 4 a 5 meses se alimentada por leite artificial. 18 meses. colher. mas podem ser aumentadas em situações de risco. 8 anos.  Educação e adaptação social. O Lactente deve fazer aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses e como complemento até aos 2 anos (OMS) Preferencialmente a criança deve ser amamentada e como forma exclusiva de alimentação nos primeiros 6 meses → pode não ser possível por diversos motivos. 9.  Princípios a atender.D.º mês. 1º Ano de Vida ʘ Exclusivamente láctea nos primeiros 4 meses de vida – Aleitamento materno/artificial/misto:  Preparação do biberão. 6. 15. é uma actividade nobre da enfermeira.º Ano de vida: 1. Tipos de Leite Comercial Lactente 1 (0 a 4/6M) – desenvolvidos a partir de leite de vaca e de outras fontes (por exemplo.º. Há um aumento da percentagem de mães que abandona precocemente a amamentação. 2.ª semana de vida. A partir dos 6 meses o leite materno já não tem todos os componentes que o bebé necessita para suprir as necessidades. Alimentação Vertentes de Alimentação  Nutricional. a V. ʘ Comunicação efectiva – a partir do momento em que a criança começa a fazer a mesma alimentação que a família. ʘ A observação da dinâmica familiar in loco. ʘ O estabelecimento de uma relação personalizada. Existindo maior privacidade e eventualmente maior disponibilidade da sua parte e da parte do enfermeiro. → As datas são standard. 6 meses se amamentada.

 Sem lactose ou Anti-diarreicos  Anti-regurgitação – utilizado em prematuros que ainda não tem o cardia muito desenvolvido  Prematuros ou recém-nascidos de baixo peso Leite de vaca em natureza está contra-indicado no 1º ano de vida e a sua introdução deve ser adiada até aos 24-36 Meses. o que dá à criança é sempre leite com mais alguns componentes. O tracto Gastrointestinal ainda está em desenvolvimento. Introdução de novos alimentos  4 Meses . CLE 2008-2012. ʘ As intolerâncias ao glúten são características desta idade.surgiram da necessidade de combater a tendência para a introdução precoce do leite de vaca. Especiais – leite utilizado com um fim específico  Anti-obstipantes  Anti-cólicas  Hipoalergénicos  Saciedade – crianças que aparentemente têm sempre fome e nas quais não é favorável aumentar a dose de leite – prevenir obesidade. A papa passa a ser dada ao lanche.  5 Meses . Se for papa não-láctea acrescenta-se leite. elevada percentagem de lactose. e vitaminas do que os leites para lactentes. Preparação do biberão  Deve ser preparado na altura de ser dado à criança.  2º Pôr o “pó”: 1 medida rasa por cada 30 mL de água. minerais . Nº 1851 . No final.Iniciar papa sem glúten (láctea ou não láctea) ao almoço.  1º Pôr água fervida → água sempre primeiro: corre-se um menor risco de fornecer o leite à criança com a concentração errada. 59 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Introduzir puré de cenoura e batata (com um fio de azeite no final da cozedura e sem sal) ao almoço.  Desconforto Digestivo Leites e Fórmulas para fins medicinais específicos  Fórmulas à base de soja – utilizado em crianças com intolerância à lactose.  Biberão limpo e esterilizado.apresentam ainda um reduzido teor proteico.principalmente ferro. Os biberões devem ser bem lavados e depois fervidos juntamente com as tetinas durante 10 minutos. Manter a criança satisfeita sem aumentar o aporte calórico. Transição 3 (8M a 36M) . teor mais elevado de calorias. que pode causar sobrecarga renal e apresenta um défice de vitaminas. ʘ Se for papa láctea acrescenta-se água. Necessidades Calóricas e Hídricas Idade Necessidades Calóricas 1-3 M 120 cal/Kg/dia 3-6 M 110 cal/Kg/dia 6-9 M 100 cal/Kg/dia 1-2 A 90 cal/Kg/dia Necessidades Hídricas 150 ml/Kg/dia 120 ml/Kg/dia 110 ml/Kg/dia 100 ml/Kg/dia As crianças nos 2 primeiros anos de vida não conseguem eliminar os excessos hídricos → o rim ainda não está completamente desenvolvido para conseguir compensar excessos. hidratos de carbono.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Transição 2 (4M a 12M) .

 Gema de ovo (clara aos 15 meses – tem um potencial alergénico maior). morangos. ʘ A água deve ser oferecida – oferecer água num biberão. kiwi.Introduzir:  Leite de vaca em natureza. 5.  Citrinos.Pode-se protelar o início do peixe e dos iogurtes para os 12 meses. ʘ Para introduzir um novo alimento. grão…). pão. fazer um intervalo de 1 semana. fruta e hidratos de carbono.5l/dia) e derivados (20-30 grs/dia)  Carne ou peixe (40-60 grs/dia).Iniciar peixe branco esmagado numa das refeições. 1 Semana depois . ʘ Dar os novos alimentos à colher que terá de ser bem introduzida na boca para contrariar o reflexo de extrusão e facilitar a deglutição – não vale a pena tentar alimentar á colher se o reflexo ainda for muito evidente. batatas (150 grs/dia)  Fruta fresca (200-300 grs/dia) Adolescência ʘ É o 2. peixe e ovos. manteiga (20-30 grs/dia)  Farinha. ʘ A alimentação tem de ser variada (cumprir roda dos alimentos). substituir a refeição de leite por esse alimento. a par de leite e derivados.Iniciar fruta (maçã. 1 Semana depois . peru. produtos hortícolas.Pode iniciar papa com glúten. essencialmente à base de cereais. Só após o 1º Ano . Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Cada 3-7 dias Introduzir legume novo na sopa. cenoura. frango.  Se Antecedentes de Alergia na Família .  Carne de porco. Introduzir outras frutas. ovo 1  Azeite. ʘ A ordem pela qual os alimentos se introduzem não é rígida.  6 Meses . Nota: Os alimentos de boião poderão ser utilizados como recurso ocasional 1-5 Anos de Vida  Leite (0. dar apenas 2-3 colheres de chá do mesmo e completar a refeição com leite.5/7 Meses . ʘ Quando o novo alimento for bem aceite. arroz ou massa (100 a 200grs/dia)  Folhas verdes. leguminosas.º período da vida de maiores necessidades calóricas. É nesta fase que se observam casos de bulimia e de anorexia. se o bebé quiser bebe.  9 Meses . ʘ Se o bebé resistir ao novo alimento. pêssego.A sopa com carne passa a ser dada ao almoço e ao jantar.Adicionar 30g/dia de carne triturada ao puré (borrego. banana ou pêra) como sobremesa. nomeadamente os produtos de alto valor calórico e pobre valor nutritivo.  6.5/6 Meses .  Leguminosas secas (feijão.Fazer puré de legumes no caldo de cozedura da carne. Iniciar iogurte natural (depois pode-se juntar bolacha ou fruta). carneiro). de carne. ʘ Não esquecer que o adolescente segue os usos do grupo (para o adolescente o que é importante é ser aceite pelos pares) e que este pode ter hábitos errados de nutrição.     60 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. Princípios a atender na introdução de novos alimentos ʘ Início quando o bebé estiver saudável – pode mascarar reacções alérgicas se o bebé estiver doente. tomate.

23-24. como peão. que provoca dano corporal. condutor ou passageiro  Acidentes em que a criança é condutor – motorizada. Nº 1851 . a casa de banho e a porta de casa são os locais de maior número de acidentes Acidentes rodoviários  Principal causa de morte nas crianças dos 4 aos 18 anos. o peso e a montagem.5 metro – ver “Programa Tipo de Actuação em Saúde Infantil e Juvenil”. CLE 2008-2012. skate. dano esse directamente imputável ao acontecimento que o provocou. Portanto.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Roda dos alimentos Cereais e derivados. ʘ A tríade epidemiológica do acidente – Ambiente. peixe e ovos – 5% Leguminosas – 4% Gorduras e óleos – 2% Segurança Conceitos ʘ Definição de acidente – É todo o acontecimento não programado. ʘ A supervisão no sentido da protecção pelos pais é inversa ao desenvolvimento de autonomia da criança → vai adquirindo capacidade de se proteger dos perigos e é importante educá-la para se proteger dos perigos Na prevenção de acidentes a atitude é:  Proteger do risco  Educar para o risco  Dar autonomia face ao risco Acidentes  Principal causa de morte no 1º ano de vida Acidentes domésticos  Principal causa de morte nas crianças entre os 1 e os 4 anos. o acidente não é acidental – apesar de tudo é possível prevenir os acidentes. criança. bicicleta. agente → é preciso pensar e intervir nestes 3 níveis para prevenir os acidentes ʘ O tipo de acidentes está directamente relacionado com o desenvolvimento infantil – a criança por ter ou não ter certo tipo de capacidades está mais susceptível a acidentes. patins  Acidentes em que a criança é passageiro . Desconhece-se a morbilidade  A cozinha. tubérculos – 28% Hortícolas – 23% Fruta – 20% Lacticínios – 18% Carne. Transporte automóvel A prevenção rodoviária deve começar antes da criança nascer → é necessário já exis r uma cadeirinha no carro para levar a criança para casa. 61 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.regras para o transporte de crianças desde a alta da maternidade até aos 12 anos ou <1. p. Ter em conta a idade.

CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL 62 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 .

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Intervenções e estratégias Devem ser dirigidas:  Desenvolvimento e idade da criança  Ambiente  Circunstâncias envolventes A informação relativa às medidas de 1ºs socorros e emergência médica devem estar disponíveis Pontos-chave  A segurança deve ser prioritária para os pais acompanhando o desenvolvimento da infância à adolescência  A segurança implica a mudança ambiental para prevenir: sufocação. CLE 2008-2012. que necessitam de prevenção  Geralmente os pais subestimam as capacidades motoras da criança  A educação dos pais deve incluir a discussão acerca dos perigos e desenvolvimento motor e comportamental da criança 63 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 . queimaduras ou outros perigos  A rápida evolução na independência e mobilidade da criança representam novos perigos. lesões causadas por veículos motorizados. quedas.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Família e Cultura  Para algumas famílias os conselhos podem conflituar com as suas crenças individuais e culturais (Ex.  Colocar os números nacionais de controlo anti-venenos e emergência médica em local visível junto ao telefone 1º Ano de Vida  A criança desenvolve-se rapidamente e a promoção da segurança e a prevenção de lesões é uma tarefa a tempo inteiro. uso de medicamentos ou medicinas alternativas)  Em algumas comunidades os pais não são os primeiros decisores ou cuidadores em relação à criança – ex: nas comunidade cigana o poder de decisão está nos avós do sexo masculino  O aconselhamento aos elementos de maior influência na família ou comunidade pode ser uma estratégia útil  Os profissionais têm um duplo papel no aconselhamento e na ajuda às famílias para implementação das medidas de segurança de acordo com as suas referências culturais  O aconselhamento do risco será mais eficaz se for feito de modo repetitivo e de diferentes formas: reforço. estes diminuem efectivamente Os pais respeitam os conselhos dos profissionais de saúde A orientação obteve resultados positivos:  Aumento dos conhecimentos  Aumento dos comportamentos de segurança  Diminuição nos acidentes incluindo veículos motorizados e não motorizados. incluindo a negligência e o abuso físico e sexual  O planeamento implica a compreensão e antecipação das limitações da criança e das suas necessidades Aconselhamento A orientação para a prevenção de lesões é efectiva e tem resultados positivos American Academy of Pediatrics (2007) Se for feita educação no sentido de prevenção dos acidentes. co-sleeping – a criança deve dormir no seu berço. repetição e insistência → importantes e necessários Criança com necessidades especiais  Podem ter necessidades únicas do ponto de vista da segurança  A supervisão parental deve assentar no nível de desenvolvimento e nas capacidades físicas da criança  Pode implicar o recurso a materiais específicos .os profissionais de saúde podem ajudar os pais na mobilização de recursos para os adquirir e na adaptação do ambiente  São mais vulneráveis ao risco de bullying ou de maus tratos. Bass et al (1993) Período Pré-Natal  Preparação do nascimento  Cadeira de segurança  Cama  Conhecimentos sobre RCP e primeiros socorros. CLE 2008-2012. uso da cadeira de segurança. nunca na mesma cama que um adulto → risco de asfixia e esmagamento. Nº 1851 .  O aconselhamento aos pais é fundamental para que possam compreender os timings de desenvolvimento e focar as suas intervenções de forma adequada. 64 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

ʘ Malnutrição. ʘ Queimadura. lagos. alarmes. mas não na sua cama ʘ Utilização da chucha a partir do mês de idade – agiliza a respiração American Academy of Pediatrics (2005) 1 aos 4 anos  São especialmente vulneráveis porque as suas capacidades físicas sobrepõem-se às suas capacidades para entender as consequências das suas acções  Não possuem capacidade para entender que os seus comportamentos agressivos podem magoar a si própria e aos outros Recomendações para a educação parental: ʘ Necessitam de supervisão constante ʘ Os pais devem estabelecer e reforçar constantemente regras de segurança ʘ Os pais devem ensinar a criança desde muito cedo Acidentes mais frequentes: ʘ Acidentes com veículos motorizados ʘ Afogamento ʘ Queimaduras ʘ Electrocussão ʘ Envenenamentos ʘ Quedas ʘ Sufocação ʘ Lesões corporais Prevenção afogamento: ʘ Supervisionar a criança em qualquer fonte de água (piscinas. ʘ Falta de supervisão ou negligência. mas sim os pais criam essa situação. 65 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Electrocussões. ʘ Exposição ao fumo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Muitas vezes a criança não se põe sozinha nas situações de risco. sanitários) – criança não sabe nadar. Factores de Risco ʘ Abuso materno de substâncias.Prevenção: ʘ Dormir em posição de decúbito dorsal ʘ Dormir no quarto dos pais. ʘ Afogamentos. baldes. Acidentes mais frequentes: ʘ Sufocação e acidentes de viação ʘ Quedas. Síndrome de Morte Súbita . CLE 2008-2012. bacias. Os acidentes são preveníveis e os pais devem ser ajudados com conhecimentos e estratégias para os evitar. não tem noção do perigo e a água é cativante para a criança ʘ Uso de dispositivos de protecção gradeamentos e portões. ʘ Envenenamentos. Nº 1851 .

garfos. ʘ Camas com protecções ʘ Triciclos e “aranhas” ʘ Carrinhos de compras. caroços. sem partes soltas ou pontiagudas – a criança pode aspirar pequenas peças de brinquedos ʘ Sacos Plástico ʘ Espaços pequenos onde a criança se possa esconder Os pais devem ser ensinados sobre os procedimentos de emergência (desobstrução das vias aéreas) Prevenção de lesões traumáticas: ʘ Transporte de objectos afiados ou pontiagudos (facas. colheres. ʘ Guardar fósforos e isqueiros em áreas inacessíveis. tesouras) ʘ Equipamentos de jardinagem e armas de fogo devem ser trancados ʘ Uso de vidros de segurança (evitam quebras) Prevenção de quedas: ʘ Protecção das janelas e varandas – tem de ter as medidas correctas – a grade tem de ser acima da cabeça e não pode dar para que esta entale a cabeça na mesma. frutos secos) ʘ Brinquedos grandes e volumosos. ʘ Não deixar pontas de toalhas ao alcance. e outros elementos de aquecimento.armazenamento impróprio ʘ As crianças nesta faixa etária são capazes de escalar para conseguir o acesso a locais muito altos Número do Centro de Informação Anti-venenos 808 250 153 Prevenção sufocação: ʘ Alimentos inteiros ou endurecidos (ossos. Prevenção envenenamentos/intoxicações: Os medicamentos também se encaixam neste grupo ʘ Incidência mais elevada aos 2 anos ʘ Principal causa . CLE 2008-2012. Prevenção queimaduras: A criança agarra o que vê: ʘ Virar as asas dos tachos e panelas para a parte posterior do fogão. alimentos e cigarros fora do alcance. 66 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Proteger fios eléctricos e tomadas. cadeiras altas ʘ Sapatos e roupas deslizantes 5 aos 10 anos  A criança torna-se mais independente a par de um grande desenvolvimento físico e intelectual  O controlo dos pais muda significativamente  Necessita de desenvolver a capacidade para tomar boas decisões acerca de situações potencialmente perigosas  São aspectos centrais na educação da criança – segurança e prevenção de acidentes. ʘ Colocar barreiras de protecção em aquecedores lareiras. canetas. Nº 1851 .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Ensinar a nadar e medidas de segurança na água. ʘ Colocar velas acesas. ʘ Verificar a água do banho (colocar sempre primeiro agua fria).

ʘ A criança deve ser ensinada a lidar com a pressão dos pares ʘ As regras sobre o uso de material de protecção na bicicleta. skates e patins. não devem ser negociáveis ʘ Os pais devem ser aconselhados a manter uma boa via de comunicação com a criança 11 aos 18 anos A prevenção deixa de ser da responsabilidade dos pais para passar para o adolescente que se torna gradualmente independente As causas de morte são variáveis em função da raça e idade Três causas consistentes de morte:  Acidentes com veículos motorizados  Homicídio  Suicídio A violência entre pares é uma causa comum entre os rapazes. O absentismo escolar e o uso de drogas aumentam os risco de lesões graves e morte Três áreas de risco para a violência:  Desporto  Violência  Gangs Exemplos de programas  Polícia Municipal. maxilares e dentes  Prevenção de traumatismos da boca e dentes 67 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Acções de formação. mas nesta faixa etária aumenta também entre as raparigas. à porta de casa e na rua. Nº 1851 . filmes e panfletos para alertar a população para os riscos dos acidentes e respectiva prevenção  Programa de Prevenção Rodoviária: Série de instruções e de medidas para evitar o atropelamento.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Áreas de prevenção dirigidas à criança ʘ Segurança na escola e comunidade ʘ Bullying ʘ Brincadeiras desporto e actividade física Áreas de prevenção dirigidas aos pais ʘ Os pais devem continuar a vigiar e promover a segurança das crianças mas sem gerar medos desnecessários e superprotecção ʘ Quando a criança fica em casa sozinha é preciso assegurar uma supervisão adequada e um ambiente seguro ʘ A criança deve ser ensinada a memorizar informações acerca da sua morada e telefones dos pais e de casa ʘ Deve existir uma pessoa sempre contactável para apoio à criança. o despiste e a colisão Saúde oral Objectivos  Prevenção da cárie dentária e periodontides  Desenvolvimento e alinhamento correctos dos ossos da face.  Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI). assim como para o que fazer nas catástrofes naturais. “Crescer na segurança” – a criança é alertada para os perigos domésticos. CLE 2008-2012. Publicação de livros.

uma obrigatoriamente antes de deitar 3 – 6 Anos ʘ 2 x dia: uma obrigatoriamente antes de deitar 68 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 .g. em particular entre as refeições Utilização de fluoretos Uso regular de dentífrico fluoretado Não utilização regular de qualquer dentífrico fluoretado Controlo da placa bacteriana Escovagem dos dentes duas ou mais vezes Não escova os dentes ou faz uma por dia escovagem pouco eficaz Nível socioeconómico da família Alto Baixo História clínica da criança Sem problemas de saúde Portador de deficiência física ou mental Ausência de medicação crónica Ingestão prolongada de medicamentos cariogénicos Doenças crónicas Xerostomia Medidas protectoras em crianças de alto risco ʘ Aplicação de selantes de fissura ʘ Suplemento de fluoretos: um (1) comprimido diário de 0.. transmissível e prevenível provocada por bactérias (e. à noite antes de deitar ʘ Verniz de flúor ou de clorohexidina Frequência da escovagem dos dentes 0 – 3 Anos ʘ 2 x dia: a partir da erupção do 1º dente.  Doença crónica mais comum nas crianças  40% das crianças têm cárie dentária à entrada para o jardim de infância  Responsável por algum absentismo escolar Medidas preventivas ʘ Higiene oral ʘ Dieta e práticas alimentares ʘ Flúor ʘ Visitas ao dentista (cheque dentista) Instrumento de avaliação de Risco de Cárie dentária Baixo risco Alto Risco Evidência clínica de doença Sem lesões de cárie Lesões activas de cárie Nenhum dente perdido devido a cárie Extracções devido a cárie Poucas ou nenhumas obturações Duas ou mais obturações Aparelho fixo de ortodontia Análise dos hábitos alimentares Ingestão pouco frequente de alimentos Ingestão frequente de alimentos açucarados açucarados. streptococcus mutans ou streptococcus sobrinus) que formam a placa dentária na superfície dos dentes.25mg. CLE 2008-2012. lentamente dissolvido na boca.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Problemas Cárie dentária Doença infecciosa.

Nº 1851 . a escovagem tem que ter a intervenção activa dos pais Dentífrico Flouretado 0 – 3 Anos ʘ 1000-1500 ppm: quantidade idêntica ao tamanho da unha do 5º dedo da criança 3 – 6 Anos ʘ 1000-1500 ppm: quantidade idêntica ao tamanho da unha do 5º dedo da criança Mais de 6 Anos ʘ 1000-1500 ppm: quantidade aproximada de 1 cm Suplementos sistémicos de fluoretos 0 – 3 Anos ʘ Não recomendado 3 – 6 Anos ʘ Não recomendado: Excepcionalmente as crianças de alto risco podem fazer um (1) comprimido diário de fluoreto de sódio a 0. CLE 2008-2012.25mg 69 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.25mg Mais de 6 Anos ʘ Não recomendado: Excepcionalmente as crianças de alto risco podem fazer um (1) comprimido diário de fluoreto de sódio a 0.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Mais de 6 Anos ʘ 2 x dia: uma obrigatoriamente antes de deitar Material utilizado na escovagem dos dentes 0 – 3 Anos ʘ Gaze ʘ Dedeira ʘ Escova macia de tamanho pequeno 3 – 6 Anos ʘ Escova macia de tamanho adequado à boca da criança Mais de 6 Anos ʘ Escova macia ou em alternativa média de tamanho adequado à boca da criança ou do jovem Execução da escovagem dos dentes 0 – 3 Anos ʘ Pais 3 – 6 Anos ʘ Pais e/ou criança: a partir do momento em que a criança adquire destreza manual. faz a escovagem sob supervisão Mais de 6 Anos ʘ Criança e/ou pais: se a criança não tiver adquirido destreza manual.

está a promover a saúde do seu filho Do nascimento aos 3 anos de idade ʘ A higiene oral deve iniciar-se logo após a erupção do primeiro dente. Nº 1851 . antes de deitar 70 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Apreciação do risco de cárie dentária Outras apreciações do risco: ʘ Apreciação do Risco de Doença Periodentária ʘ Apreciação do Risco de Maloclusão Dentária ʘ Apreciação do Risco de Lesão Dentária Recomendações do PNPSO Gravidez ʘ A grávida. obrigatoriamente. CLE 2008-2012. utilizando uma pequena quantidade de dentífrico fluoretado de 1000-1500 ppm Dos 3 aos 6 anos de idade ʘ A escovagem dos dentes com um dentífrico fluoretado de 1000-1500 ppm deve ser efectuada duas vezes por dia. sendo uma delas. ao cuidar da sua saúde oral.

Nº 1851 . preferencialmente antes de deitar Bochecho fluoretado  A partir dos 6 Anos  Quinzenal  Fluoreto de sódio a 0. obrigatoriamente antes de deitar Mais de 6 anos.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Dos 3 aos 6 anos. sendo uma delas. no Jardim-de-infância ʘ Integrar a educação para saúde e a higiene no Projecto Educativo e efectuar uma escovagem dos dentes no Jardim-de-infância Mais de 6 anos de idade ʘ Escovar os dentes com um dentífrico fluoretado com 1000 e 1500 ppm duas vezes por dia.2%  Na escola Revelador da placa bacteriana Avaliação da higiene oral  A partir dos 6 anos  Compreender a necessidade da higiene oral 71 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. na escola ʘ As mensagens de promoção da saúde devem ser coincidentes com as práticas da escola Fio dentário  A partir dos 8 Anos  Utilização diária. CLE 2008-2012.

mas sem capacidade de causar doença. → Capacidade de produzir imunoglobulinas na sua presença. CLE 2008-2012. a que se retirou a capacidade de provocar doença. 72 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Índice de placa Quantifica a placa bacteriana em todas as superfícies dentárias e reflecte os hábitos de higiene orais Índice de Placa Simplificado: Atribuição de um valor ao tamanho da placa bacteriana existente nos seguintes 6 dentes e superfícies predeterminados:  Índice de Placa Individual = Somatório da classificação atribuída a cada dente/6  Índice de Placa de Grupo = Somatório da classificação atribuída a cada dente/Nº de indivíduos observados x 6 Vacinação Imunizações Programa Nacional de Vacinação (PNV) O que é uma vacina Produto antigénico. provoca uma reacção imunológica comparável à que acontece quando um indivíduo tem contacto com o agente patogénico a que se refere. Nº 1851 . que. introduzido no organismo.

→ Tem a ver com algumas patologias: se uma determinada % da população estiver imunizada. plasma ou imunoglobulina 73 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. do tétano e do sarampo.  No caso da tuberculose. sendo necessário vacinar 100% da população.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Mecanismo desencadeado pela vacinação Vacinação Introdução de Antigénios Indivíduo Resposta Imunológica Imunidade celular e/ou humoral Protecção contra a doença A grande parte das vacinas são administradas no recém-nascido porque é nesta fase da vida que é necessária a imunização → muitas vezes esta será permanente. CLE 2008-2012. relativamente a essa doença.  Depende de dados epidemiológicos e de factores socioeconómicos. A resposta imunológica depende de: ʘ Condições do hospedeiro  Idade – Sistema imunitário  É preciso ter um Sistema imunitário de alguma forma saudável para conseguir dar resposta imunológica adequada. este conceito não se aplica.  Nas doenças em que a imunidade de grupo funciona. antibióticos…)  Reacção grave ou de hipersensibilidade a uma dose anterior da mesma vacinas  Condições do hospedeiro que contra-indicam as vacinas vivas  Grávidas até aos 4 meses  Doenças oncológicas ou imunodeficiências  Terapêutica imunossupressora  Administração há menos de 3 meses de sangue. toda a população em si está imunizada. ela consegue-se com uma percentagem de 70-80% de vacinados. Ag → ac vidade imunidade celular e humoral. da difteria. Imunidade de grupo  Taxa de cobertura da vacinação para uma determinada doença.  Situação de saúde  Condições do hospedeiro que contra-indicam todas as vacinas  Doença febril aguda até à sua cura  Descompensação de doença neurológica se a vacina puder provocar febre  Alergia aos compostos da vacina (ovo. a partir da qual se consegue a sua erradicação. Int. Nº 1851 .

vascular ou dos tecidos. nervosa.  O método de conservação tem de ser rigoroso e preciso → se não for cumprido. mas a resposta imunológica vai ser idêntica)  Polissacáridos bacterianos – Ex. anti-rubéola ou anti-sarampo. Vacina antitetância  Micro-organismos vivos atenuados – Ex. do BCG. dupla. anti-rubéola e anti-hepatite B. Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Local  Onde seja menor o risco de lesão local. Vacina anti tosse convulsa  Micro-organismos similares – Ex. papeira e rubéola  Micro-organismos mortos – Ex. Se não for intra-dérmica não vai provocar a resposta imunológica esperada)  Intramuscular . Vacina anti hepatite B  Imunoglobulinas específicas  Conservação  Respeitar pelos prazos de validade  Não expor os preparados à luz directa ou a fontes de calor  Não guardar nas portas dos frigoríficos  Seguir as instruções relativamente às instruções de conservação  Manter a uma temperatura entre 2 e 8ºC e não congelar  As vacinas anti-sarampo. anti-parotidite.  A injecção intra-dérmica.anti-hepatite B. Vacina do BCG (não é o microrganismo em questão que é administrado. tetra e pentavalente. podemos não estar a imunizar a pessoa como pensamos.  As injecções subcutâneas são administradas na coxa dos lactentes ou na face superior externa do braço. tríplice.  Intramuscular ou Subcutânea . papeira e rubéola (VASPR)  Doses  O número depende da imunidade conferida pela vacina.  As injecções intramusculares são administradas no vasto lateral da coxa nos lactentes ou no deltóide nas crianças maiores.anti-sarampo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Condições das vacinas  Composição  Composição / Antigénios utilizados na produção de vacinas  Toxóide – Ex. é administrada na face superior externa do braço esquerdo. Vacina anti hemophillus influenzae do tipo B  Antigénio de superfície purificado Ex.  Administração  As vacinas do PNV são administradas por injecção  Intradérmica – BCG (só é feita por profissionais treinados. CLE 2008-2012.  As vacinas referidas no Plano Nacional de Vacinação não necessitam de prescrição. Nº 1851 74 . antipoliomielite  Subcutânea . anti-tétano. na união do terço superior com o terço médio. quando diluídas devem ser utilizadas no prazo de 1 hora e dentro de 8 dias se forem mantidas entre 2 e 8ºC. Vacina antisarampo. Necessário fazer o controlo da temperatura do frigorífico.anti-meningococo do tipo C e anti-papiloma vírus. nas crianças maiores.

Podem ser administradas na mesma altura o número necessário de vacinas. ou na fase de convalescença de doenças ʘ Dermatoses. VIP.16.anti-hemophillus influenzae do tipo B  MenC .18) 75 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. tétano. por exemplo. Organiza a administração de doze vacinas de acordo com a imunidade conferida em uma (ex.  Vacinas vivas (4 semanas de intervalo)  3 semanas no caso das vacinas anti-cólera e anti-febre amarela. VASPR). tétano e tosse convulsa (pertussis de célula completa)  VIP .anti-meningococo do tipo C  VASPR – anti: sarampo. Organização do esquema vacinal/PNV ʘ Falsas Contra-indicações ʘ Alergia. Vacinas do PNV  BCG . assim como nas idades em que ela é conseguida (ex. parotidite ou rubéola ʘ Casos de morte súbita na família ʘ História de alergia à penicilina ʘ Prematuridade ou baixo peso ao nascer ʘ Malnutrição Plano Nacional de Vacinação Objectivos – controlar doenças como. ). sarampo. tosse convulsa (acelular) ou DTPw anti difteria. desde que não seja no mesmo local. renais ou hepáticas ʘ Aleitamento materno ʘ Gravidez da mãe ou de pessoas de contacto próximo ʘ História anterior de tosse convulsa. asma ou outras manifestações atópicas ʘ Antecedentes familiares de convulsões ʘ Tratamento com antibióticos. papeira e rubéola  HPV – anti pailoma vírus (para os genótipos 6.anti-poliomielite de vírus inactivado  Td – anti: tétano e difteria (pequena partícula de difteria)  Hib . MenC.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Intervalos entre a administração das vacinas  Vacinas mortas (sem restrições) .11. pulmonares.anti-hepatite B  DTPa – anti: difteria. a tosse convulsa e a tuberculose e erradicar o tétano neo-natal. HIB.anti-tuberculose  VHB . Td. BCG) ou mais doses (ex. eczemas ou infecções cutâneas localizadas ʘ Doenças crónicas cardíacas. DTPa. Nº 1851 . CLE 2008-2012.

entre os 10 e os 15 anos. A partir dos 18 anos. por via i. palpando-se e medindo-se em milímetros. a zona de induração. Contra-indicações  As relacionadas com as vacinas vivas. Nº 1851 . pensa-se que deixe de ser eficaz para proteger da tuberculose.1ml de um soluto de 2 unidades de tuberculina.d. Efeitos secundários do BCG  Incluem reacções imediatas – lesão supurativa que vem a formar crosta – e mediatas – adenite satélite axilar. que é administrada por enfermeiros especialmente preparados. ʘ Confere imunidade a 80% dos vacinados. não é preciso revacinar.1ml. Dos 3 meses aos 18 anos é efectuada após reacção intra-dérmica de Mantoux negativa. CLE 2008-2012. fornece imunidade a 59% dos vacinados. e. na dose de 0. com régua transparente. ʘ O controlo vacinal é feito às 10 semanas pela verificação da cicatriz vacinal. defendendo dos casos graves da doença. mais tarde de 0. Mais tarde.  A reacção é positiva se for ≥10mm.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Calendário BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) – Vacina antituberculose ʘ É uma vacina de microrganismos vivos.. de Mantoux  Administração de 0.d. O aspecto de casca de laranja indica uma boa técnica.  Faz-se a leitura às 48-96h após a inoculação. na face anterior ou anterolateral do 1/3 médio do antebraço esquerdo.05 ml. 76 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. se for entre 5 e 9 mm. quando administrada a menores de 5 anos. apesar de duvidosa. Prova i. na face posterior do braço esquerdo dos recém-nascidos com mais de 2kg.

com um adjuvante. ʘ É uma vacina produzida por DNA recombinante do HPV. condições de armazenamento e local de disponibilidade das vacinas. ʘ Assegurar o respeito pelos prazos de validade. o laboratório. a dose na ficha central de vacinação da criança.11.m. através do programa SINUS. ʘ Preparar a vacina de acordo com as regras de administração de terapêutica. o lote. assim como na ficha central de vacinação da criança. não congelada. por via i. ʘ Aconselhar a criança a permanecer 20 minutos no Centro de Saúde. Conservação da vacina HPV  2 a 8ºC. profunda. como. com ou sem febre  Em indivíduos com alterações da coagulação / risco de hemorragia.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  As dermatoses generalizadas. ʘ Previne lesões genitais pré-cancerosas. ʘ A imunogeneicidade da vacina está demonstrada entre os 9 e os 26 anos de idade. pelo que deve ser administrada 0.5ml. elogiando-a no fim. em função da idade e do Boletim Individual de Saúde (BIS). Precauções da vacinação contra o HPV  Doença aguda grave.ª e a 2. 77 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Preparar a criança e/ou informar os pais para o procedimento – o que vai fazer. objectivo –.ª não deve ser inferior a 2 meses e entre a 2. A criança hospitalizada O facto de ser internado é um factor stressante por si só. ʘ Registar a vacina administrada.ª será de 3 meses.16.ª e a 3. ʘ O intervalo entre a 1. em 3 doses. cancro do colo do útero e verrugas genitais externas relacionados com os genótipos que a compõem.  A síndrome de imunodeficiência humana sintomática Vacina HPV – anti papiloma vírus (para os genótipos 6. ʘ Escrever a lápis no BIS a(s) data(s) da(s) próxima(s) vacina(s). não para as outras formas de infecção por papiloma vírus. fazer segundo prescrição médica  Gravidez Reacções adversas da vacinação contra o HPV  Febre e sinais inflamatórios no local da injecção (muito frequentes)  Equimose ou prurido no local da injecção (frequentes)  Broncospasmo (muito raras) Outras vacinas não integradas no PNV  Prevenar  Antigripe A – 6 meses aos 2 anos Cuidados gerais a observar na prática da vacinação ʘ Certificar-se da vacina a administrar.18) ʘ Foi a última vacina a ser integrada no PNV – em Janeiro de 2009. entre os 11 e os 13 anos. ʘ Informar sobre os efeitos secundários possíveis. Nº 1851 . protegida da luz. CLE 2008-2012.

uma vez que esta está inserida numa família → os familiares con nuam a desempenhar o mesmo papel que desempenhavam antes da doença → as relações devem-se manter (família e família alargada). Os cuidados hospitalares eram:  Centrados na doença. educadoras de infância começam a integrar o pessoal dos serviços O ambiente hospitalar pediátrico tornou-se:  Estimulador do desenvolvimento  Agradável  Seguro Hoje em dia os serviços são coloridos. ambiente “frio” O enfermeiro tinha um papel. dirigido pelos técnicos  Com actividades de aprendizagem e lúdicas Equipamento  Adequado à criança Redução do Internamento das crianças em serviços de adultos (especialidades) Serviços com sala de actividades lúdicas e de aprendizagem. Cuidados  Em função da criança  Com abertura à presença dos pais  Com pais participantes. CLE 2008-2012. As crianças muitas vezes eram cuidadas pelos doentes adultos que partilhavam a enfermaria com elas. Cuidados Centrados na Criança Contrariar o que era feito. têm material adequado às crianças → para a criança não parar o seu desenvolvimento e as suas actividades. Não ter as crianças internadas por especialidades para por pares de desenvolvimento. e crianças Desprovidos  De equipamentos adequados à criança  De actividades relacionadas com a aprendizagem ou de âmbito lúdico  De serviços de internamento pediátrico As enfermarias eram demasiado grandes.  Reconhecimento dos pais/ pessoas significativas como constantes na vida da criança 78 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL A Evolução dos Cuidados à Criança As crianças têm adquirido um estatuto de atenção Cuidados Centrados no Corpo O que importava era curar e não a criança em si → nem sempre eram internados em serviços pediátricos. Cuidados Centrados na Família A investigação veio comprovar que era necessário olhar para além da criança. sem qualquer individualidade. Nº 1851 . Já existem em alguns serviços espaços diferentes para diferentes grupos etários. essencialmente de ajuda ao médico → visão apenas técnica sem atenção especial à criança. Podia levar a depressão da criança e podia mesmo comprometer o seu desenvolvimento. Maior número de educadoras de infância e expansão do tempo de permanência das mesmas.  Nos procedimentos técnicos  Centrados na organização institucional Limitativos  Da presença dos pais (1hr)  Da presença de outros familiares.

2002)  O cuidado atraumático é a prestação de um cuidado terapêutico. a ira. especialmente dos enfermeiros  O estudo de Spitz (1940) ʘ Crianças que antes tiveram uma relação normal com a mãe. Coordenados e Continuados – Enfermagem por método de Enfermeiro Responsável ou Gestão de Caso As únicas situações em que a criança se encontra em isolamento é se estão imunodeprimidas ou se têm patologia contagiosa. a desilusão. através de uma intervenção que reduz ou elimina o distress psicológico.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Inclusão da família e da criança na decisão e na participação  Participação dos pais antes e durante a hospitalização e no regresso a casa  Satisfação das necessidades de cada membro da família Pais devem também participar na preparação da hospitalização e nos cuidados após a alta. ficam em depressão grave com compromisso do desenvolvimento. ʘ Fontes de stress na criança Fonte interna  Fome  Dor  Sensibilidade à dor  Mudanças de temperatura  Densidade social  Fadiga  Sub ou sobre estimulação ambiental Fonte externa  Separação da família 79 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. o distress físico. ʘ Cuidados Centrados na Família ʘ Cuidados Personalizados. após retiradas à mãe. o ruído elevado. a vergonha e a culpa. tal como o medo.  A evolução social (direitos…)  O desenvolvimento da Psicologia e das Ciências Sociais ʘ Introdução das mesmas no currículo da enfermagem  A investigação em Enfermagem Depressão da criança institucionalizada Posição – muito semelhante à posição fetal Ausência de comportamentos de contestação Diminuição do interesse pela interacção – as interacções com os outros não são consistentes ou não são mantidas A filosofia da Enfermagem Pediátrica Cuidados Atraumáticos – Cuidados prestados de forma a eliminar ou minimizar o stress físico e psicológico da criança e família (Wong. num meio clínico. a escuridão e a luminosidade elevada. por profissionais de saúde. tal como a dor. Factores que influenciaram o desenvolvimento dos Cuidados Pediátricos  Redução das doenças infecciosas  Formação dos profissionais de saúde. Nº 1851 . a ansiedade. CLE 2008-2012. durante pelo menos 3 meses. a temperatura extrema.

ʘ Na prestação de cuidados deve ser utilizado o método individual e gestor de caso. CLE 2008-2012. mastigar. Nº 1851 . chuchar morder as unhas ou a pele ʘ Acidentes de perda de urina ʘ Distúrbios do sono Os peritos sugerem ainda ʘ Depressão e evitamento ʘ Vergonha excessiva ʘ Hipervigilância ʘ Demasiada preocupação ʘ Ficar estático em situações sociais ʘ Obsessão por rotinas. Não interromper o colega quando está a prestar cuidados. ʘ Surge aos 6 meses quando a criança desenvolve a noção de permanência do objecto – tem a noção de que pode perder e reaver o objecto.  Desorganização dos eventos do dia-a-dia → O que causa stress á criança tem de estar muito bem iden ficado para intervir e prevenir Indicadores de Stress na criança ʘ Chorar ʘ Mãos suadas ʘ Fugir ʘ Explosão de raiva ʘ Embalar-se ʘ Comportamentos de auto conforto ʘ Cefaleias ʘ Dores de estômago ʘ Comportamentos correspondentes ao sistema sensório-motor fino: Puxar e enrolar o cabelo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Alterações na composição familiar  Exposição a conflitos interpessoais  Exposição à violência  Experiência de agressão (bullying)  Perda de propriedade (boneco. alimentos e por saber o que acontece a seguir ʘ Prender-se excessivo (clining) Medos e ansiedades Recém-nascido até ao 1 ano (inato) ʘ Abordagens súbitas dirigidas ao RN ʘ Movimentos bruscos ʘ Ruído. Não tem a noção de quando irão voltar os pais no caso de estar internado. luminosidade repentina e intensa ʘ Alteração de temperatura súbita ou adversa de forma contínua A partir dos 6 meses (objecto permanente) ʘ Ansiedade a estranhos – reage cm ansiedade aos adultos que não têm com ela uma relação tão próxima como tem com a mãe → chora e deixa de ir ao colo de estranhos. A partir do 1º ano ʘ Medo da separação dos pais(até à idade escolar ou 8 anos) 2 Anos 80 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Dar tempo ao lactente de perceber se somos “amigos” ou uma “ameaça”. …)  Exposição a excessivas expectativas em relação a si  Ser apressada pelos adultos.

(aspirador. intensas e de frequência elevada Princípios gerais A experiência de stress na criança varia em função:  Do desenvolvimento da criança  Das experiências anteriores de vida ( inventário de capacidades de coping). ladrar de um cão). Os medos aumentam a partir dos 18 meses Há fontes de medo relevantes em contexto de saúde:  Generalizam as experiências (um cão mordeu …todos os cães mordem)  Dão um sentido diferente às conversas dos adultos quando não entendem parte do conteúdo (parecia que queria bater-lhe) → há medos que surgem das conversas com o adulto – a criança ainda não consegue compreender tudo o que o adulto diz –pega nos “pedacinhos” que percebe e junta. As crianças com menos de 6 anos têm maior vulnerabilidade ao stress porque têm menor capacidade de:  Pensar sobre um evento e a sua globalidade  Seleccionar de um menu de comportamentos possíveis quando ocorre um evento novo. treino de esfíncteres. das trovoadas. carro.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Trovoada. Nº 1851 . Ter atenção quando explicamos algo aos pais e a criança está a ouvir. formando a “história” à sua maneira. animais. relâmpago. 2002) Stressors Relacionados com a Hospitalização da Criança  Separação  Ambiente ʘ Ruído ʘ Luminosidade 81 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ruídos desconhecidos. médicos e enfermeiros (batas brancas). ʘ Fobia da escola  5 aos 7 anos: separação de casa  11 aos 13 anos: aspectos particulares da escola ʘ Medo de elementos reais do ambiente Adolescência ʘ Os medos da adolescência podem corresponder a medos presentes na infância ʘ Medos relacionados com vivências concretas ʘ A ansiedade na adolescência manifesta-se por:  Alterações bruscas de humor (mood swings). do escuro e dos cães. interagem entre si passando a ter um efeito cumulativo (…) (Stansdbuddy & Harris. de cair. escuro. 2003) Regra de Ouro (…) os diferentes stressors que ocorrem simultaneamente. As causas de medo diferem de criança para criança O stress na criança é definido em função da sua fonte: interna e externa (Marison. 2003). 2ª Infância ʘ Medo do escuro. que não duram muito tempo. CLE 2008-2012. interessante ou indutor de ansiedade (Allen & Marotz. estranhos 3 Anos ʘ Os anteriores e o medo de animais e pessoas com aparência estranha 4 Anos ʘ Os anteriores e medo de se perder dos pais e de descontrolo emocional 5 Anos ʘ A criança tem receios mais objectivos: medo de magoar-se.

principalmente nos Membros Inferiores) Intervenções de Enfermagem ʘ Deixar a criança descansar durante períodos ʘ Gerir as intervenções em blocos mas evitar consumos de O2 excessivo ʘ Suportar bem as crianças quando são manipuladas ʘ Observar e respeitar o temperamento do RN e lactente ʘ Ter os pais presentes ʘ Colocar música e/ou gravação de voz (gravidez – mãe) ʘ Proporcionar a experiência da sucção Medo de estranhos (Lactente > 6 meses) Intervenções  Reduzir o nº de pessoas  Método de distribuição de trabalho  Respeitar os princípios de comunicação  Pais como mediadores e prestadores de cuidados parentais  Consolar o lactente quando os pais não estão presentes com gentileza Toddler e Pré-escolar Stressores Objectos de tratamento fantasiados como objectos cortantes. fita métrica. 82 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. monstro ou animais. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Manipulação ʘ Temperatura Perda de controlo ʘ Restrição física ʘ Alterações da rotina e rituais ʘ Medo do desconhecido ʘ Perda do papel produtivo Medo da lesão corporal ʘ Intrusão ʘ Mutilação Medo da morte Dor     Recém-Nascido e lactente Stressores ʘ Privação sensorial ʘ Ruídos – sobrecarga sensorial → o Recém-Nascido precisa ser estimulado mas não em exagero ʘ Alteração súbita da luminosidade ou prolongada de níveis inadequados ʘ Alteração súbita e/ou inadequada temperatura ʘ Manipulações sucessivas – privação do sono ʘ Manipulação rápida e pouco suportada (pouca sustentação. estetoscópio → fantasiados como objecto maus: a criança tem capacidade de fantasiar e animismo (dar características de animais aos objectos). Nº 1851 . Termómetro. seringa.

Separação Estádios da Ansiedade da Separação Lactente/Toddler Protesto Grita Vira-se para os pais Nega Relacionamento com adultos Desespero Tristeza Depressão Comportamentos de afastamento Chora quando os pais aparecem1 Desapego Falta de protesto quando os pais chegam Parecem felizes com estranhos2 Possível atraso de desenvolvimento Com a idade aumenta o protesto físico (uso das mãos e pés) e verbal → É crime não permitir que os pais estejam no serviço. papel) que ocupam no grupo 83 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Intervenções ʘ Favorecer o exercício da parentalidade – pais não são visitas.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Intervenções  Colocar todo o equipamento fora do alcance visual da criança – se a criança não necessita de ver o objecto este deve estar fora do seu alcance visual → diminuição do stress e evitar destruição de material. CLE 2008-2012.  Explicar antecipadamente o material que necessita de ser exposto – se a criança necessita de ver o material. dar espaço à criança para que veja e manipule o objecto para que deixe de fantasiar. disciplinam. ʘ Facilitar /apoiar a presença dos pais/pessoa significativa ʘ Explicar as reacções da criança à separação e a forma de apoiá-la – necessário ajudar os pais ao explicar a reacção da criança à hospitalização Idade Escolar e Adolescência ʘ Medo da separação os pais/pessoa significativa e amigos ʘ Medo de perda do grupo ʘ Medo de perda do lugar (estatuto e competência.  Preparar e colocar todo o material de tratamento fora do campo visual da criança. Nº 1851 . dão prazer à criança. Uma boa colheita de dados permite-nos saber as experiências anteriores e como reagiu e o que sabe. Por vezes ainda ocorre este processo na totalidade. especialmente em PALOP que não vêm acompanhados ou em crianças abandonadas 1 Mostrar aos pais que está triste com eles por não estarem consigo 2 Brincam mas sem satisfação.. Relação muito superficial.. pais são pais! Os pais exercem a sua parentalidade: mimam.

Intervenções  Planeamento em conjunto com a criança e pais para favorecer autonomia e/ou iniciativa – dar oportunidade à criança de realizar a sua rotina → pode gerar gritos e ansiedade se não a respeitarmos. Dar palavras aos sentimentos da criança para ela perceber que compreendemos o que ela está a sentir. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Tolera melhor a separação dos pais Intervenções ʘ Promover a gestão da presença dos pais em momentos críticos ʘ Promover contactos e visita de amigos e colegas – facilitar a comunicação com o seu grupo ʘ Promover actividades conjuntas com os pares hospitalizados – socializar com outras crianças da mesma idade Perda de Controlo Do Lactente ao Pré-escolar (Restrição Física) Intervenções  Preferir a contenção  Controlar a linguagem não verbal – não sorrir: a criança pode achar que gostamos de lhe fazer mal.Nestas alturas não se devem fazer novas aprendizagens porque exigem muito gasto de energia. Nº 1851 . E por fim reacções de:  Regressão  Passividade 84 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.  Manter o mínimo de adultos junto da criança (excepto pessoas significativas) Do Toddler ao Adolescente (Medo do Desconhecido) Compreensão distorcida da hospitalização e dos procedimentos de diagnóstico e terapêuticos – se a criança não tiver qualquer experiencia anterior. Intervenções Explicação antecipada  Da hospitalização  Dos procedimentos Toddler e Pré-escolar (Autonomia e Iniciativa) Se bloquearmos a autonomia da criança esta pode entrar em ansiedade. A restrição por si só já é um momento bastante stressante. toda a hospitalização é algo desconhecido.  Elogiar a autonomia e iniciativa da criança  Oferecer escolhas. Reacções A perda de controlo desencadeia:  Negativismo  Alterações bruscas de humor → birras – sentimento de perda/bloqueio de autonomia e iniciativa. mas só quando possível (negativismo)  Não introduzir novas aprendizagens de autonomia em doença aguda/crise de agudização .

CLE 2008-2012. Explicar tudo de modo a ter expectativas realistas e não ter receio de tratamentos e hospitalização (Pré-escolar. Nº 1851 .  Cuidados Centrados na Família  Cuidados Personalizados. tirar a dor…  Explicar das consequências da doença e do tratamento no aspecto e funcionalidade do corpo (Escolar e Adolescente)  Ajudar o adolescente a exprimir os medos e as perdas  Evitar cirurgias na área genital (fase genital) Perda de controlo: princípios relativos ao Toddler e pré-escolar  O medo da lesão corporal e da dor é frequente na criança e prevalece para além da infância reduzindo nestes adultos a procura de cuidados de saúde (Pate et al. Medo da morte RN Lactente Toddler e préEscolar Adolescente escolar Não tem Sensível aos Sensível aos Morte irreversível Morte irreversível sentimentos vividos sentimentos vividos com significados com significados no ambiente no ambiente atribuídos pela atribuídos pela humano humano cultura e/ou cultura e/ou Reversibilidade da religião dos pais religião dos pais morte Aos 5 anos os pais têm medo da morte dos filhos.  O toddler receia a colocação de instrumentos nos seus orifícios corporais como resultado da percepção que tem do corpo.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Medo de intrusão.  Os conceitos de saúde e contágio e a percepção do corpo e seus limites são a base da compreensão da existência e dimensão da lesão. mas até esta idade a criança só tem medo dos procedimentos. … só tem consciência da morte após os 6 anos de idade. 1996). Escolar e Adolescente)  Medo da incapacidade (Escolar e Adolescente) Intervenções  Seleccionar medicação de forma a evitar via rectal  Tapar “orifícios” – colocar um penso para evitar que “o sangue saia todo”  Adequar a linguagem ao desenvolvimento – tratar o que está mal. da dor. A Criança Hospitalizada – II A filosofia da Enfermagem Pediátrica  Cuidados Atraumáticos – Cuidados prestados de forma a eliminar ou minimizar o stresse físico e psicológico da criança e família (Wong 2002).e Pré-escolar)  Medo da castração (Pré-escolar)  Medo da lesão corporal – só é atingido depois dos 6 anos → noção do corpo e permanência. Coordenados e Continuados – Enfermagem por método de Enfermeiro Responsável 85 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. castração e lesão corporal (Do Toddler ao Adolescente)  Medo da intrusão nos orifícios corporais (Toodler – não tem completa noção do seu corpo .

não desejado. Minimizar o impacto da necessidade de internamento. ʘ Os efeitos colaterais desagradáveis de determinados tratamentos. Hospital e experiencia anterior são factores de vulnerabilidade. Representação básica do Sistema/Cliente 86 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. o carácter potencial stressante do adoecimento é frequentemente aumentado. a experiência de adoecimento envolve inúmeras perdas transitórias e/ou permanentes e quando é necessário o internamento hospitalar. ʘ O estigma social vinculado à doença ʘ E as restrições ambientais impostas pelo tratamento” Do ponto de vista psicológico. implica a exposição do indivíduo a vulnerabilidades de natureza física.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL A hospitalização da criança: conceitos “Adoecer é um evento não esperado e. tais como: ʘ A gravidade da patologia. Nº 1851 . condicionadas por uma ampla variedade de factores. CLE 2008-2012. 1999) → Mesmo após o fim do internamento a criança pode ainda ter algumas regressões. (Barros. social e psicológica. na maior parte das vezes. A primeira experiência deve ser sempre boa – facilita ao diminuir a tensão da criança.

 As circunstâncias.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Consequências da Intervenção Hospitalização na Criança: Efeitos Qual o factor mais determinante no ajustamento à hospitalização? O conceito de doença da criança Quando é que as crianças reagem ao stress da hospitalização? Antes. Nº 1851 . durante e após a hospitalização (Clatworthy. Stansburry & Harris. no desenvolvimento cognitivo ʘ Vários stressors simultâneos ou contínuos Comportamentos de adaptação A criança adopta comportamentos de distanciamento e de redução do stress: Na criança mais pequena ‐ Choro e sentimentos de abandono No toddler e pré‐escolar ‐ Age não demonstrando o que sente ou mesmo escondendo os seus sentimentos: (exibe‐se. ansiedade dos pais.  As expectativas. 2000) Mecanismos de Defesa Disponíveis RecémLactente Toddler e Prénascido escolar Não Não Regressão Identificado Identificado Negação Repressão Escolar Regressão Negação Repressão Adolescente Regressão Negação Repressão 87 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. como a resolução de problemas:  Questionam sobre a situação. 1999) Factores Quais os factores que contribuem para a vulnerabilidade da criança ao stress... . e Tiedmen. 2002. Simon. (Kochenderfer‐Ladd & Skinner. na hospitalização? ʘ Temperamentos difíceis ou crianças passivas ʘ Dificuldade de relacionamento pais-filhos (poucas visitas. é agressivo)  As crianças maiores usam estratégias cognitivas.) ʘ Idade (6 meses a 5 anos) ʘ Ser do sexo masculino ʘ Abaixo da média. CLE 2008-2012.

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Projecção Projecção Sublimação Sublimação Estudante perde Formação reactiva alguém e começa a Racionalização estudar para ter Intelectualização 20 Utilização do Formação reactiva conhecimento para Nega o desejo e manter ou ganhar reprime‐o e tenta controlo sobre a destruir o desejo de vivência emocional. outros Uma criança que deixa de fazer tudo e não reage não é saudável – a criança desiste de viver. Toddler – repressão: atenção à segurança do serviço quando há ataques de fúria. Adolescente – ser humilde e dar a oportunidade ao adolescente de colaborar. Adoram saber tudo: desde a fisiologia da patologia à terapêutica – estão sempre a questionar a intervenção. Negação Finalidade: uso de energia mínima para poder responder ao stress e obter gratificação e protecção. Características observadas:  Não referem o que têm,  Não mostram preocupação,  Não incluem nos planos imediatos ou a longo prazo o episódio de doença. Regressão Finalidade: uso de energia mínima para poder responder ao stress e obter gratificação e protecção. Características observadas:  Adoptam comportamento próprio da etapa anterior Comportamentos após o regresso a casa ʘ Alguma agressividade dirigida aos pais ʘ Queixoso ʘ Procura da atenção dos pais ʘ Opõe-se à separação ʘ Novos medos (terrores) ʘ Recusa-se a ir para a cama ʘ Isolamento e vergonha ʘ Birras ʘ Muito selectivo em relação aos alimentos ʘ Uso de objectos de transição ʘ Regressão ʘ Distanciamento emocional ʘ Exigências em relação aos pais ʘ Zangados com os pais ʘ Invejosos em relação aos outros → É importante informar os pais de que a harmonia em casa não regressa logo após a alta, e de que não devem ceder a todos os pedidos da criança. Ganhos Recuperação da saúde Reforço da relação criança/família: Ataques de fúria e atitudes muito exacerbadas Projecção A criança está zangada mas diz que quem está zangado é o irmão

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 Sensação de protecção e de ser amado  Obter ajuda para outros problemas de saúde  Protecção e segurança Aprendizagem da gestão do stress Novas experiências de socialização:  Aprender sobre a doença  Aprender sobre equipamentos  Aprender sobre profissões  Envolvimento com outras crianças: ajuda/identificação

Os Projectos que Trazem o Mundo da Criança para o Hospital
O brincar Animais no Hospital Os hospitais podem utilizar animais na terapia com as crianças. Os animais são treinados para providenciarem conforto e distracção durante os cuidados de saúde. → Ainda não são permitidos A música Os instrumentos clínicos dão lugar aos musicais 2x/ semana no Hospital Garcia de Orta, onde crianças internadas, pais e profissionais de saúde fazem parte de uma «orquestra» que toca melodias para fazer esquecer a dor. (Lusa, 2003) Operação Nariz Vermelho

Preparação antecipada para os momentos críticos:
Evidência O medo do desconhecido é maior do que o medo do conhecido As crianças e pais podem aprender respostas adaptativas ao stress causado pela hospitalização. A criança com idade superior a 4 anos tem menor stress quando preparada. Crianças com idade inferior a 4 anos também têm menor stress quando os pais são preparados! As crianças preparadas para a hospitalização apresentam:  Menos ansiedade,  Uma recuperação mais rápida,  Um menor número de comportamentos de desajustamento pósinternamento. (Jonhson, Jepson, Redburn, 1992) Momentos Críticos Internamento Cirurgia Procedimentos Modelos de Preparação  Fornecimento de informações (orais e/ou escritas),  Distracção (jogos, brincadeiras e actividades concorrentes com o procedimento médico a ser realizado),  Simulação da situação real (jogos, audiovisuais e desempenho de papéis).

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(World Health Organization, 1993) Orientações para um Programa de Preparação A preparação psicológica para procedimentos deve incluir:  A informação sobre os detalhes da experiência a ser vivida  O ensino de estratégias efectivas de confronto. (Salmon (2006) Os programas de preparação mais eficazes, combinam:  Modelos de coping,  Informação sensorial,  Informação sobre o procedimento. Menor ansiedade e Maior conhecimento sobre o evento Benefícios As crianças devem ser preparadas antecipadamente para a admissão e os procedimentos que ocorrem habitualmente num internamento. (American Association of Pediatrics) Resultados positivos da preparação da criança:  Aumento de adesão ao tratamento,  Redução de ansiedade antecipatória,  Desenvolvimento de estratégias de confronto mais eficientes. (Burke, Harrison, Kauffmann & Wong, 2001; Martins, Ribeiro, Borba & Silva, 2001)

O processo de preparação da criança:
A informação Objectivos da informação:  Promover a possibilidade de gerir os eventos,  Antecipar e compreender os objectivos, significados e propósitos dos eventos,  Corrigir ideias prévias e clarificar o que não ficou claro. A informação é o elemento principal de um processo de preparação psicológica:  Alto potencial redutor de ansiedade,  Eliminação de dúvidas simples acerca do procedimento e seus efeitos  Baixo custo operacional. As modalidades de informação Informação ʘ Oral ʘ Escrita ʘ Vídeos/áudios ʘ Internet ʘ Visitas ao hospital ou serviço ʘ Classes pré-operatórias ʘ Brincadeira (aos hospitais) Conteúdo da informação Explicação:  Da doença e do tratamento,  Das intervenções adoptadas para minimizarem os stressores,  Do procedimento por ordem dos acontecimentos,  Das sensações durante e após o procedimento,  Os comportamentos que reduzem a dificuldade do procedimento.

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 Controlo respiratório. A informação e os procedimentos de distracção podem ser associados e permite: ʘ A expressão de sentimentos e pensamentos da criança. CLE 2008-2012.Ver como bonecos se comportam Vantagens: ʘ Permite a experiência sensorial ʘ Permite a exploração de Copings Maior eficácia se incluir: ʘ Roll play ʘ Brincadeira .enfermeiros e médicos 91 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. explicar:  As reacções da criança em situação de stress  Como os pais podem ajudar a criança ʘ No desenvolvimento de estratégias de coping ʘ Na expressão dos sentimentos ʘ No consolo ʘ Na gestão da dor (se adequado) A distracção Procedimentos de distracção (jogos e brincadeiras) têm o objectivo de desviar a atenção da criança do procedimento invasivo para uma actividade que dê prazer à criança Critérios para a selecção de actividades e brinquedos: ʘ Apropriados à idade. Nº 1851 .Ver como outras crianças se comportam ʘ Fantoches .  Técnicas de reestruturação cognitiva (auto-instruções e autoverbalizações).  Obtenção reforço positivo para comportamentos considerados adequados. (Roberts. ʘ Suficientes e interessantes para distrair durante todo o procedimento.  Técnicas de promoção de condutas colaborativas. O desenvolvimento de skills de coping Procedimentos que desenvolvem estratégias de coping na criança para a diminuição da actividade vegetativa excessiva:  Relaxamento. Vantagens:  O aumento da sensação de controlo.Ver como o fantoche se comporta ʘ Bonecos .Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Conteúdo da informação aos pais: Convide os pais a estarem na preparação da criança.  Imaginação activa. 2003) A modelagem Modelagem e “fazer de conta”: ʘ Vídeo . ʘ Ao profissional de saúde identificar na criança os aspectos mais stressantes e trabalhálos. ʘ Suficientemente interessante para estimular o envolvimento.  Diminuição das interpretações aterrorizantes sobre a situação. Sem a presença da criança.

CLE 2008-2012. Planeamento Quem: ʘ Inicia: o profissional que decide e informa os pais e a criança ʘ O Enfermeiro. Conhecer sistema de saúde ʘ Recursos. ʘ Forma como se desenvolve o procedimento. ʘ Temperamento e estilo de coping. ʘ Estratégias de coping. ʘ Apoio disponível. Conhecer os Pais: ʘ Composição familiar e papéis. Nº 1851 . ʘ Outros stressores na família. ʘ Experiência prévia de internamento ou/e do procedimento. Como? ʘ Individual ʘ Grupo Quando? ʘ Crianças de 4 a 6 anos – um a dois dias antes ʘ Crianças com idade superior a 6 anos – uma semana antes A quem? ʘ Pais – se o doente tem menos de 4 anos ʘ Aos Pais e à criança – para os restantes Métodos de Intervenção Brincadeira terapêutica 92 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. ʘ Conhecimento sobre a hospitalização.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Processo de preparação da criança para momentos críticos Apreciação Criança Pais Procedimento Plano Quem? Onde? Como? O quê? Situações especiais? Implementação Métodos Conteúdos Avaliação Ansiedade – comportamento da criança – ajuste a curto e longo prazo Recuperação ‐ sensação de controlo Conteúdos ‐ Confiança Apreciação Conhecer a criança: ʘ Estádio de desenvolvimento. sobre o procedimento e a forma de ajudar a criança.

ipoporto. Não há interferência no procedimento.min‐te/DireitosDeveres/?sm=3_0  Filosofia do serviço  Espaços e profissionais  Regras de segurança e funcionamento do serviço Desenvolver a entrevista inicial de enfermagem  Esclarecer dúvidas  Explicar as reacções habituais das crianças e como pode ser apoiada  Fornecer guia de acolhimento Preparação da criança para a cirurgia Momento: em função da idade. CLE 2008-2012. sempre prévio.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Modelagem aconselhamento pelos pares Treino de Skills de Coping O momento do acolhimento Objectivos:  Acolher a criança e a família  Conhecer a criança e a família  Empower da criança e da família Intervenção: Dar a conhecer:  Direitos da criança e dos pais www. Informar sobre:  A causa  As sensações  A presença dos pais  A anestesia  Recuperação Usar modalidades e estratégias de ensino em função do desenvolvimento da criança e situação clínica Preparação da criança para os Procedimentos dolorosos: Critérios Todo o procedimento invasivo Todo o procedimento que a criança teme (penso) Todo o procedimento que é doloroso para adultos Presença dos pais Investigação relativa à presença dos pais Medo por parte dos profissionais  Atraso do procedimento  Interferência no procedimento  Maior ansiedade Investigação sobre a presença dos pais em procedimentos  Punção lombar  Punção endovenosa  Reparação laceração  Reanimação Não há maior ansiedade da criança (pelo contrário) e dos pais. Nº 1851 . 93 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

 Pedir‐lhe para decidir sobre o acompanhamento durante o procedimento. Apoio dos pais à criança. Consolo após procedimento. maior a antecedência da explicação. Como. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Preparação dos pais Explicar com antecedência o procedimento: ʘ Porquê. Sensações da criança. Obter consentimento Toddler e Pré‐escolar Momento  Imediatamente antes – toddler  Pouco tempo antes ‐ pré‐escolar Conteúdo da explicação prévia  A razão do procedimento  O que sente  Os comportamentos a adoptar  Treinar uma estratégia de distracção ou skill de coping  Enfatizar a presença de pais ou substitutos Manipulação do material  Preparar antes e fora da visibilidade da criança  Manter todo o material fora do campo de visão Pós procedimento  Tapar orifícios  Confortar a criança  Reforçar positivamente o seu comportamento Escolar e adolescente Momento  Quanto mais idade. Conteúdo da explicação prévia  A razão do procedimento  O que sente  Os comportamentos a adoptar  Treinar uma estratégia de distracção ou skill de coping  Enfatizar a presença de pais ou substitutos Manipulação do material  Explicar o material  Deixar manipular Pós procedimento  Confortar o adolescente  Reforçar positivamente o seu comportamento Recursos Materiais utilizados: ʘ Vídeo ʘ Fantoches ʘ Bonecos próprios – modelos ʘ Livros ʘ Jogos ʘ Boneco de papel – pode ser desenhado pelo profissional ou pela criança 94 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 .

..urina. Nº 1851 . Promover 95 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.. Indicadores de medo e ansiedade nos pais e avós – indicadores de stress no adulto em função de características do próprio Intervenções preventivas Criança Pais Todas as Informar antecipadamente e intervenções atempadamente sobre os Preparação da cuidados de enfermagem criança para Promover ou apoiar o cuidar Irmãos Promover contacto com pais-irmão Explicar e Avós Promover a visita Orientar os pais para explicarem aos avós.. Incisão → Abertura especial Edema → Inchaço. alto Maca → Cama com rodas Fezes → Termo habitual A família Hospitalizada na perspectiva do modelo de Neuman Criança Pais Alterações do papel parental Alteração dos comportamentos e das emoções do filho doente Desconhecimento do ambiente Desconhecimento da doença e tratamento do filho (situações urgentes e criticas) Dor na criança Alterações financeiras Reacções dos outros membros da família Irmãos Avós Separação dos pais Perda do papel no grupo Perda de controlo Medo da lesão Medo da morte Mudança de casa Redução do tempo com os pais Alteração da disponibilidade emocional dos pais Alteração das rotinas Indicadores de medo e ansiedade Verbalização: não se sentem avós e que não conseguem proteger os filhos/netos do sofrimento Indicadores Stressores Indicadores de medo e ansiedade na criança – criança doente e irmãos em função do desenvolvimento e das características do próprio. Ferida → Dói-dói Anestesia → Sono especial Cortar ou Arar → Consertar/arranjar Medir a temperatura → Ver se tens febre Cateter → Tubo Monitor → Ecrã de TV Eléctrodos → Auto‐colantes Picar.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Dicionário pediátrico Palavra a Evitar → Sugestão Dor → Palavra habitual. CLE 2008-2012. injectar → Colocar medicamento por baixo da tua pele Órgão → Uma parte do corpo ou um lugar no corpo Teste ou análise → Vamos ver como está o teu sangue sangue...

cirurgia e procedimentos Mudanças no ambiente Manter rotinas do filho e/ou Estar com o filho Apoiar os sentimentos Ajudar a satisfazer as necessidades Facilitar/promover r/c familiares. independentemente da idade gestacional ou do peso à nascença. hospitalização e profissões Irmãos Idade inferior a 6 anos Avós Pais Manutenção do papel parental Aprendizagem de cuidar da criança doente. comunidade sistema de apoio ensinar a causa do internamento equipamento/mater ial para contacto Factores de Vulnerabilidade Criança Pais Ser do sexo masculino Atraso do Ter idade inferior a 6 anos desenvolvimento Benefícios Criança Recuperação de saúde Reforço das relações criança e família Aprendizagem da gestão de stress Novas experiências de socialização: sobre a doença. tratamento. Fortalecimento da Relação pais/criança Sentimento de confiança resultante do apoio Irmãos Sentir que não perderam o lugar na família Novas aprendizagens: Conhecimento e Coping Avós Manutenção do papel de avós Recém-Nascido de Risco Conceito de Recém-Nascido de Risco Recém-nascido. Nº 1851 . que tem uma maior probabilidade de morbilidade ou mortalidade decorrentes de condições ou circunstâncias associadas ao nascimento e ajustamento à vida extra-uterina  Distress respiratório  Hipoglicemia  Instabilidade termodinâmica  Dificuldade alimentar  Icterícia 96 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL hospitalização.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Determinantes do Risco no Recém-Nascido Matern os Obstétricos Socioeco nómicos Fisiopat ológicos Factores Obstétricos ʘ História de parto prematuro (anterior) – prematuro por si só é um factor de risco ʘ Gravidez não vigiada ʘ Gravidez múltipla – pode levar a prematuridade ʘ Gravidez na adolescência ou tardia ʘ Descolamento da placenta e placenta prévia ʘ Quantidade anormal de líquido amniótico ʘ Ruptura prematura de membranas Factores Maternos Doença materna: ʘ Renal ʘ Pulmonar ʘ Cardíaca ʘ Infecção ʘ Diabetes ʘ Pré-eclâmpsia Uso de aditivos ʘ Tabaco ʘ Drogas – sobretudo as que causam dependência ʘ Álcool ʘ Estupefacientes ʘ Outros Factores Socioeconómicos ʘ Pobreza ʘ Maus-Tratos ʘ Desemprego ʘ Instabilidade nos processos Familiares Factores Fisiopatológicos do RN Até podem ser causados por algum dos outros factores (causaram alterações do RN) e são inerentes ao RN ʘ Prematuridade ʘ Anomalias Congénitas ʘ Asfixia Neonatal – dificuldade do RN em se adaptar à vida extra-uterina 97 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 . CLE 2008-2012.

CLE 2008-2012. foramen ovale e canal arterial → mecanismos que facilitam a chegada rápida do sangue oxigenado ao coração esquerdo e ao resto do corpo. Nº 1851 . pode ser auscultado (sopro cardíaco fisiológico) 98 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Circulação Neonatal: para estes mecanismos encerrarem é necessário haver respiração – os tecidos são sensíveis ao O2 → quanto maior a concentração. maior a contracção dos vasos até fibrosar. As estruturas não encerram automaticamente → pode haver algum refluxo nos primeiros meses de vida.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Problemas mais Frequentes         Padrão Respiratório Ineficaz Termorregulação Ineficaz Autonomia Alimentar Comprometida Hiperbilirrubinemia Hipoglicemia Imaturidade Neurocomportamental Síndrome de Abstinência Neonatal Processos Familiares Alterados Padrão Respiratório Ineficaz Circulação Fetal Circulação Neonatal Circulação fetal: canal venoso. em especial em casos de esforço.

o pulmão poderá ser suficientemente maturo para conservar a vida extra uterina no entanto.Crescimento do pulmão primitivo com alterações morfológicas e diferenciação das estruturas pulmonares.  É um importante factor na diminuição da tensão alveolar e previne o colapso total do pulmão no final da expiração.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Adaptação Cardio-Respiratória Desenvolvimento Pulmonar 5ª Semana . uma vez que o pulmão fetal não tem qualquer actividade de oxigenação sanguínea até ao nascimento 12ª-20ª Semanas . Previne o colapso alveolar e estimula a primeira respiração. do ponto de vista bioquímico.Maturação funcional e estrutural Surfactante  É uma lipoproteína complexa. Nº 1851 .Existência de movimentos respiratórios. Surfactante ainda não tem todo o tipo de proteínas. Administração de Surfactante Superfície Alveolar coberta por Surfactante Esquema do Metabolismo do Surfactante 99 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Em situações de bebés prematuros (Doença da Membrana Hialina) pode ser administrado por via endotraqueal para reposição directa nas superfícies alveolares. muito vulnerável à hipoxia e à acidose – bebés que conseguem sobreviver num equilíbrio muito instável. Este fluído contribui para diminuir a tensão alveolar e permitir a expansão pulmonar.Aumento do número de células Tipo II e início da síntese de surfactante pela 2ª via enzimática (menos susceptível à hipoxia e acidose) 33ª-36ª Semanas .Início do desenvolvimento da traqueia e brônquios 11ª Semana . Às 28 semanas. composta por 6 fosfolípidos e 4 aproproteínas. Os movimentos respiratórios fetais parecem só ter interesse do ponto de vista de “ensaio” e para o desenvolvimento da musculatura respiratória. vasculares e linfáticas 21ª-24ª Semanas .Aparecimento de conductos alveolares 25ª-28ª Semanas . CLE 2008-2012.Formação de alvéolos com diferenciação das células epiteliais: TIPO I – intercâmbio de gases TIPO II – síntese e armazenamento de surfactante pela 1ª via enzimática – ainda com alguma imaturidade. 29ª-32ª Semana . Começa a ser produzido entre as 25 e as 30 semanas de gestação mas é insuficiente para garantir a estabilidade alveolar e permitir uma respiração adequada antes das 33/36 semanas. facilitando as trocas gasosas entre os alvéolos e os capilares. é ainda muito frágil.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Padrão Respiratório Ineficaz Padrão de respiração ineficaz relacionado com imaturidade pulmonar e neuromuscular. Ambiente vigiado: chamar a atenção dos pais de que esta não é uma posição segura em casa. Nº 1851 . diminuição da energia e fadiga. manifestado por sinais de dificuldade respiratória Orientações para a prática Posicionamento do RN de forma a optimizar as trocas gasosas ʘ Decúbito ventral – permite a expansão das bases do pulmão. CLE 2008-2012. ʘ Evitar a hiperextensão do pescoço – causa obstrução da via aérea Vigilância das alterações do esforço respiratório de forma a detectar precocemente os sinais de agravamento da doença ʘ Coloração da pele e mucosas ʘ Frequência respiratória ʘ Tiragem ʘ Gemido expiratório Manutenção da temperatura – associação muito importante entre temperatura-acidosehipóxia Manutenção da permeabilidade das vias áreas superiores Autonomia Alimentar Comprometida Incapacidade para se alimentar oralmente de forma autónoma e digerir os nutrientes:  Imaturidade  Anomalias congénitas  Septicemia  Asfixia e hipoxia  Compromisso do SNC Bebés que não conseguem mamar → não se conseguem alimentar por si mesmos Até podem ter reflexo de sucção mas é fraco e não têm outras competências Intolerância ≠ Autonomia Padrão Digestivo e de Absorção no Recém-Nascido: Competências ʘ Coordenação da sucção e deglutição ʘ Esvaziamento gástrico eficiente ʘ Motilidade intestinal ʘ Regulação das enzimas digestivas ʘ Excreção Avaliação da Tolerância Alimentar Sinais de intolerância 100 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

fadiga) ʘ A compreensão das capacidades para a alimentação de um prematuro. CLE 2008-2012. 101 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL          Distensão abdominal Resíduo Gástrico (> a 30% da alimentação administrada) Resíduo Bilioso (esverdeado) Ansas Intestinais palpáveis e visíveis Vómito Irritabilidade Letargia Fezes líquidas e/ou com mau odor Presença de sangue nas fezes.Sucção ʘ 30-34 Semanas de Gestação – Surtos/Grupos de sucções ʘ 34 Semanas de Gestação – Sucção/Deglutição (coordenação dos reflexos e respiração) ʘ 36 – 40 Semanas de Gestação – Padrão maturo Características das Estruturas Envolvidas na Sucção Nutritiva no Recém-Nascido PréTermo  Cavidade oral pequena  Mandíbula retraída  Sucking pads pouco desenvolvidas (almofadas que dão estabilidade às bochechas e ajudam na sucção)  Respiração nasal  Laringe elevada  Trompa de eustáquio recta Avaliação do Padrão de Sucção Nutritiva Early Feeding Skills (EFS) ʘ Escala desenvolvida para avaliar as competências de alimentação do bebé pré-termo. vai permitir um planeamento individual. minimizando as sequelas do stress alimentar (↓PO2. e desenvolver intervenções de suporte. oculto e/ou visível Desenvolvimento da Sucção e Deglutição ʘ 13-15 Semana de Gestação . Nº 1851 . consumo excessivo de energia.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Avaliação da Competência para uma sucção nutritiva  Competência para manter a concentração e a energia para se alimentar  Competência na coordenação sucção/deglutição  Competência para proteger as vias aéreas e ter uma alimentação segura  Competência para se manter estável psicologicamente Hipoglicemia Hipoglicemia Neonatal ʘ Duas avaliações com níveis < 35mg/dl nas primeiras 3 horas ʘ < 40mg/dl entre as 4 e as 24 horas ʘ < 45mg/dl entre 24h e as 7 dias ʘ No prematuro dois valores de glicemia <25mg/dl nas primeiras 72 horas Ao valores de glicemia nos bebés variam de acordo com o seu peso e idade. Causas  Prematuridade  Má nutrição intra-uterina  Diabetes Materna  Septicemia  Anoxia perinatal Mais característico nos pré-termo e nos filhos de mãe diabética → mas pode acontecer a qualquer um porque o fígado ainda não tem reservas para manter a glicemia estável. CLE 2008-2012. Manifestações Clínicas da Hipoglicemia Nas situações menos graves: ʘ Muitas vezes é assintomática 102 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. Nº 1851 .

sudação. vasomotor A gordura castanha permite produzir calor sem consumos de O2.O.S. tónus muscular Perda de Calor : convecção.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL ʘ Ligeira hipotonia Nas situações mais graves: ʘ Choro fraco/intenso ʘ Tremores ʘ Recusa alimentar ʘ Hipotonia generalizada ʘ Alterações da frequência respiratória (períodos de apneia) ʘ Hipotermia ʘ Convulsão ʘ Coma Orientações para a Prática  Observação do Recém-Nascido (manifestações clínicas)  BM Teste 2/2h e em S. radiação.O. evaporação. CLE 2008-2012. → risco de hiperglicémia  Alimentação precoce Implicações da Hipoglicémia A hipoglicemia grave não corrigida pode provocar lesão cerebral por destruição dos neurónios (na ausência de glicose) com repercussões que dependem do grau de destruição Implicações da hiperglicémia  Valores > 150mg/dl  ↑ Glicose no plasma  ↑ osmolaridade intravascular  Hipertensão  ↑ hemorragias cerebrais como consequência de uma grande fragilidade vascular do Recém-Nascido Termorregulação Ineficaz Manifesta–se pela incapacidade de manter a temperatura corporal estável Regulação da Temperatura Conservação do equilíbrio térmico por dissipação do calor para o ambiente a uma magnitude igual à produção do mesmo A camada de gordura subcutânea é muito fina no RN → perda de calor Superfície corporal em função do peso – superfície corporal muito grande em comparação com o metabolismo → perda de calor Para produzir mais calor → mais O2 – se existir dificuldade respiratória → aumenta perda de calor Gordura Castanha – arrepios. Produção de Calor: metabolismo basal. Só é produzida no 3º trimestre da gravidez o que o bebé prematuro tenha uma menor quantidade. Nº 1851 . (quando há presença de sinais e sintomas de hipoglicemia)  Administração de glicose hipertónica P. condução 103 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.S. em S.O.

Prevenção da Perda de Calor Mecanismo de Perda de Calor Evaporação (perdas cutâneas e respiratórias) Covecção (perdas para as correntes de ar) Prevenção Secar rapidamente o bebé Ambiente aquecido Proteger das correntes de ar Condução (perdas para objectos por contacto Roupa aquecida directo) Toalhas aquecidas Radiação (perda para superfícies sólidas Bancada aquecida próximas) Tecto aquecido Factores que Favorecem a Instabilidade Térmica no Recém-Nascido  Anomalias congénitas  Septicemia  Asfixia e hipoxia  Comprometimento do sistema nervoso Central  Aporte nutricional e calórico inadequado  Diminuição dos movimentos voluntários  Imaturidade do sistema de controlo térmico 104 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Ambiente térmico neutro Ambiente térmico neutro → temperatura ambiente óptima para que se mantenha a temperatura corporal óptima apenas com o calor produzido pelo metabolismo basal. Nº 1851 . CLE 2008-2012.

no feto há sempre mais eritrócitos em destruição → maior concentração de bilirrubina Quando o bebé nasce e produz novos eritrócitos a sua destruição já não é tão frequente Bilirrubina indirecta – liga-se a proteínas plasmáticas e vai para o fígado onde se liga à enzina glucoronil → transfere para directa No RN pode haver deficit de proteínas plasmáticas e glucoronil Pode ser afectado pela dificuldade respiratória ou temperatura → pode causar acidose e dificulta ligação a proteínas plasmáticas Icterícia Fisiológica 1 – Maiores cargas de bilirrubina para o fígado 2 – Captação deficiente de bilirrubina do plasma 3 – Conjugação deficiente de bilirrubina 4 – Deficiente excreção de bilirrubina 5 – Circulação hepática insuficiente 105 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. Conjugação da Bilirrubina Aumento da destruição de eritrócitos (normal no RN) – no feto têm maior tempo de vida. ou seja. quando os glóbulos vermelhos terminam o seu período de vida.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL  Quantidade de tecido adiposo subcutâneo deficiente Orientações para a Prática  Manter um ambiente térmico neutro  Monitorização da temperatura ʘ Hipotermia  Extremidades e tórax frios  Intolerância alimentar  Letargia  Coloração da pele (marmoreada ou pálida)  Irritabilidade  Apneia ou bradicardia  Aumento dos sinais de Síndrome de Dificuldade Respiratória ʘ Hipertermia  Rubor  Vermelhidão  Taquicardia  Polipneia  Irritabilidade Hiperbilirrubinémia A Bilirrubina é o produto final resultante da decomposição da hemoglobina. Nº 1851 .

CLE 2008-2012. ou RN com algum tipo de problema) – não é sinal de doença. embora nem todos os bebés a tenham Icterícia patológica – doenças hemolíticas Decomposição da Hemoglobina Hiperbilirrubinémia Neonatal  Fisiológica  Patológica (doença hemolítica) Classificação de Kramer Localização Anatómica da Icterícia Cabeça e pescoço Até cicatriz umbilical Nível sérico de Bilirrubina Não Conjugada/Indirecta De 4.8 mg/dl De 5.3 a 7.1 mg/dl 106 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.4 a 11.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Icterícia fisiológica (mais comum nos pré-termo. Nº 1851 .

CLE 2008-2012. promovendo a mobilização  Prevenir deformidades ósseas e promover o controlo da cabeça 107 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.5 a 18.5 kg 8 mg/dl 12–17 mg/dl 1. alimentação precoce.2 mg/dl De 16.1 a 12.5 kg 10 mg/dl 15–20 mg/dl Controlo Neurocomportamental Ineficaz Posicionar o Recém-Nascido  Promover o desenvolvimento neurocomportamental do Recém-Nascido  Promover a estabilidade fisiológica e facilitar a flexão das extremidades e tronco. Kernicterus – situação em que há invasão do SNC pela bilirrubina → Toxicidade irreversível Orientações para a Prática ʘ Detectar precocemente a Hiperbilirrubinémia do Recém-Nascido ʘ Intervir de modo a prevenir complicações. Nº 1851 . vigilância da coloração da pele e escleróticas.5 kg – 2.8 mg/dl > 15mg/dl Os valores não devem ultrapassar os 12mg/dl → se for superior pode indicar icterícia patológica. estimula a excreção das fezes ↓ a reabsorção intestinal do urobilinogéneo) → a primeira dejecção de mecónio nas primeiras horas ajuda a diminuir o risco de icterícia ʘ Indução das dejecções com bebégel® ʘ Hidratação ʘ Fototerapia intermitente ou contínua Indicações para Fototerapia/Exsanguíneotransfusão Características Fototerapia Exsanguíneotransfusão RN termo sem hemólise 13-15mg/dl 23–25 mg/dl RN termo com hemólise 10–12mg/dl 17–20 mg/dl RN Pré-termo <1 kg Profiláctica 9–12 mg/dl 1 kg – 1.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Até joelhos e cotovelos Até tornozelos e punhos Plantas dos pés e palmas das mãos De 8. esvaziamento intestinal e hidratação ʘ Bilisheck (valores ligeiramente mais baixos) ʘ Vigilância na evolução dos valores da bilirrubina para prevenir Kernicterus Tratamento ʘ Monitorização da Bilirrubina sérica (bilisheck) ʘ Alimentação Precoce (↑ reflexo gastrocólico.

 Utilização de rolos para que o RN encontre fronteiras.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Posicionar o Recém-Nascido Algumas Especificidades …. que lhe permitam realizar movimentos de flexão e extensão  Utilização de ninhos e colchões de gel para promover o conforto e evitar zonas de pressão Decúbito ventral Colocar um rolo sob a articulação coxofemural para que a cabeça fique num plano inferior em relação às nádegas 108 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. CLE 2008-2012. Nº 1851 .

os barbitúricos e o álcool. isoladamente ou em associação. favorecendo a rotação interna da cintura escapular Síndrome de Abstinência Neonatal O síndrome de abstinência neonatal (SAN) está essencialmente associado à exposição in útero aos opiáceos. após atravessarem a placenta. tendem a acumular-se no feto.de 1 a 2 dias até 2 a 3 semanas de vida As manifestações tornam-se mais marcadas entre as 48-72 horas de vida Escala de Finnegan  Sistema Nervoso Central  Metabólicas. resulta no desenvolvimento do Síndrome de Abstinência Neonatal (SAN). que podem originar este síndrome (benzodiazepinas. A interrupção da passagem transplacentária destas substâncias após o parto. Diagnóstico ʘ História clínica ʘ Exames laboratoriais  Mecónio (mais sensível que urina)  Urina  Sangue ʘ Escala de Finnegan Manifestações O início dos sintomas de abstinência está associado ao tipo de droga  Ex: heroina – 12 a 24 horas de vida  Mãe em tratamento com metadona . CLE 2008-2012. Vasomotoras e Respiratórias  Gastrointestinais Escala de Finnegan 109 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. promover a flexão e colocar o rolo atrás das costas de modo a que os 4 membros não fiquem em abdução Decúbito dorsal Colocar a cabeça assente na região occipital e colocar rolos de ambos os lados. Nº 1851 . promover a flexão dos membros inferiores com rolos e ninhos. as benzodiazepinas.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Decúbito lateral Colocar um rolo entre os membros superiores e inferiores. ʘ ʘ Os opiáceos. barbitúricos e álcool). mas existem outras substâncias consumidas pela grávida.

Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL Orientações para a prática  Redução de estímulos que possam desencadear a hiperactividade e irritabilidade (ruído.I. Nº 1851 .  Diminuição do Q. CLE 2008-2012. luminosidade)  Proporcionar conforto físico e medidas de contenção  Promover a nutrição e hidratação adequada – refeições pequenas e frequentes (se possível respeitar o apetite do recém-nascido)  Promover a relação entra a mãe e o recém-nascido  Facilitar comportamentos de auto-regulação e de auto-consolo  Estimular a amamentação em mães que estejam em regime de metadona Prognóstico  Compromisso neurológico. 110 Nádia Isabel Leonardo Perdigão.

agitação.  Chamar o Recém-Nascido pelo nome  Participar activamente nos cuidados ao Recém-Nascido  Trazer roupas para vestir ao bebé assim que possível ʘ Dar reforços positivos ʘ Ajudar os pais a interpretarem os sinais do Recém-Nascido ʘ Ensinar os pais demonstrando as técnicas de cuidados ao Recém-Nascido e oferecer apoio ʘ Ajudar os pais a identificarem os seus recursos e forças Evolução dos Cuidados Neonatais       Generalização UCINN Administração Surfactante Pulmonar Sistema Transporte Neonatal Corticoterapia Antenatal Melhor Assistência Grávida Avanço Tecnológico 111 Nádia Isabel Leonardo Perdigão. agressão e baixa sociabilidade  Convulsões Processos Familiares Alterados Relacionados com a crise desencadeada pelo nascimento prematuro ou doença do RN. pelo deficit de conhecimentos e interrupção do relacionamento com os pais. CLE 2008-2012. stress. Nº 1851 . dificuldade em se relacionar com o RN (. conforme a sua situação clínica. manifestada por reacções de afastamento dos pais.Enfermagem da Criança e do Jovem ESEL     Alterações do discurso. percepção e cognitivas Problemas comportamentais Dificuldade de aprendizagem e adaptação a novas situações Sensibilidade elevada ao ambiente → Irritabilidade. acariciar e pegar ao colo...) Orientações para a Prática ʘ Facilitar a expressão dos seus sentimentos e preocupações ʘ Assegurar a informação adequada ʘ Ajudar a compreender os aspectos mais importantes dos cuidados ʘ Incentivar as perguntas acerca da situação de saúde do RN ʘ Incentivar a presença junto do RN. assim como o contacto telefónico sempre que sintam necessidade ʘ Incentivar  A tocar. ansiedade.

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