Automatismo

“Bem modesto é agora o seu quinhão: sabe as mulheres que possuiu, as ridículas aventuras em que se meteu; sua riqueza ou sua pobreza para ele não valem nada, quanto a isso, continua recém-nascido, e quanto à aprovação de sua consciência moral, admito que lhe é indiferente. SE conservar alguma lucidez, não poderá senão recordarse de sua infância, que lhe parecerá repleta de encantos, por mais massacrada que tenha sido com o desvelo dos ensinantes.” André Breton

Que la vida te sonria nos anos vindouros e agoradouros também que é la que tudo acontece na aurora do tempo que falece e desce junto com a correia da bicicleta alheia que deixei na porta da casa da praia no ano de outro que passou quando fomos à praia da baleia que tinha sido assassinada e depois cozida em banho maria august a luciana de almeida da silva e pinto galinha peru cucu lima e gelatina de mercado de valores aquecedores em pleno frio a casa da lagoa cenoura do coelho cabelo caolho cornolho perolho olho de galinha que aparece de novo no texto todo que se faz quando eu paro de parar andar correr ficar partir caminhar correr de novo ovo gostoso frito mole ou duro ouro de tolo socorro das pontas de faca do morro que oro por socorro quem ajuda é o dia de fuga da praia do corno caolho que corre de novo ele faz e não faz e tudo dá no mesmo ou não quem sabe não sou eu eu eu eu eue eue eumismo eufemismo do diletantismo da euidade caridade da estupidez alheia que olha a centelha da telha caída no chão quebrada ao acaso das letras rompidas no vendaval da língua solta que nem barragem rasgada da alma caída e de penas quebradas coalhada de verme vivo e seco no mosto fermentado do café a meu gosto tem que ter açúcar e afeto discreto ou escandaloso que oso mais gostoso quando há gozo e sem gozo sufoco sem gosto Ariosto mastro de bandeira Brasília gigante banheira perdida no meio do nada da praça Álvares Cabral de Cabrália mortalha de tempos idos e vindos e virados e retorcidos e dispostos em fatias na mesa do bar da esquina com petiscos e uma cerveja que tomba no colo da fille que me olha nos olhos atenta a meus gestos desloucados ardentes tresloucados trementes entrementes muita mente acaba mentindo inteiramente ou parcialmente grosseiramente certo é a pica de nego pois a de japonês dizem que é pequena mas nenhuma delas é a minha branco azedo emigrante de mim mesmo de pica não tenho pico só me pico se obrigado gosto de sangue mas coalhado como o iogurte feito em casa na pia da cozinha deixado ao acaso como um grande vaso de esperma branco grudento e viscoso que espera a mordida a colherada gulosa gordurosa da viagem a santos que virou um inferno sem santo nem santa nem puta que puta merda de viagem mal colhida na primavera da vida entre espinhos e toalhas de banho na praia cheia de merda boiando na água suja a ilha ao longe atenta à espreita dos nadadores ela escapa muda anda vaga e sempre pàra no mesmo lugar impudica preguiçosa um dia eu a pego na esquina de casa quando sair para a aula no frio do inverno lágrima nos olhos secos de sono e frio no coração que bate rápido de medo de chegar na escola e ver que a cola ficou mal feita e a menina que me olha nos olhos pedinte e eu esnobe de jeito nobre pitié do pobre vagabundo metido à besta que não serve a merenda à menina amada deitada de bruços na cama nua sem roupa pelada descalça sem meia pedindo alheia querendo buscando e a tv ligada pinkfloydement ausente sem nervos de aço ou de cera de abelha que zumbe na testa e pica mas não gosto de pico e a picada da abelha é da ordem do inevitável como a chuva e como a lágrima da cebola cortada estilhaçada diante dos meus olhos de criança que teima em não compreender por que a vida pode ser tão cruel com as cebolas ola ola ola o dente de alho é mais vigoroso e resiste na sua acidez medonha até depois de o termos digerido e a cebola ola ola ola digo ola por que nao tenho mais nada a dizer ou finjo não ter mais nada a dizer pelo simples prazer de dizer ola que não tem sentido algum mas faz uma coceguinha no palato e a boca se

enche de alegria e as papilas gustativas fazem a festa como se se masturbassem com a palavra que sai da boca já molhada ola ola ola nada mais a acrescentar agora o sono pode chegar por que o corpo fez sua peregrinação no gozo sublime morte rápida e passageira súbita alegria fugaz fagueira bobeira bobagem besteira na esteira da vida que segue sem pontos nem vírgulas nem exclamações numa reticência tão permanente e insistente que mais parece uma reta se não fosse curva e mais parece uma linha se não fosse um gesto repetitivo sem pé nem cabeça ou braços ou cílios ou olho ou orelha ou pentelho ou ola de novo a ola ola ola ola que volta num espasmo de gozo pouco nada tudo mais ou menos cabimento descabido do cabide caído das camisas amassadas prefiro andar de cueca dentro de casa ou pelado se ela está do meu lado.. olá ..

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