Ordem Econômica e Financeira

1. Princípios gerais da atividade econômica
A ordem econômica constitucional (CF, arts.170 a 181), fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, assegura a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos expressamente previstos em lei e tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios (princípios gerais da atividade econômica): 1. soberania nacional: repetição do princípio geral da soberania (CF, art. 1º, I e 4º), com ênfase na área econômica; 2. propriedade privada: corolário dos direitos individuais previstos no art. 5º, XXII, XXIV, XXV, XXVI da Carta Magna; 3. função social da propriedade: corolário da previsão do art. 5º, XXIII, e art. 186, da Constituição Federal; 4. livre concorrência: constitui livre manifestação da liberdade de iniciativa, devendo, inclusive, a lei reprimir o abuso de poder econômico que visar a dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros (CF, art. 173, §4º); 5. defesa do consumidor; 6. defesa do meio ambiente: a Constituição Federal trata de forma ampla a defesa do meio ambiente no Título VIII – Da ordem social; capítulo VI (art. 225); 7. redução das desigualdades regionais e sociais: constitui também um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (CF, art. 3º, III); 8. busca do pleno emprego; 9. tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras que tenham sua sede e administração no País;

2. A política urbana
2.1 Competência para estabelecimento de políticas de desenvolvimento urbano Trata-se de competência municipal a execução de políticas de desenvolvimento urbano, conforme diretrizes gerais fixadas em lei federal, tendo

desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. os preços compatíveis com os custos de produção e a . bem como dos setores de comercialização. especialmente. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. estará. As desapropriações que se fizerem necessárias ao cumprimento da política urbana. adquirir-lhe-á o domínio. os seguintes preceitos: os instrumentos creditícios e fiscais. o título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher. para promover o efetivo cumprimento da função social da propriedade. 183) Aquele que possuir como sua área urbana de até 250 metros quadrados. por cinco anos. instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. conseqüentemente. A urbanização obedecerá ao plano diretor. ou a ambos. A Constituição Federal. deverão ser prévia e justamente indenizadas em dinheiro. envolvendo produtores e trabalhadores rurais. a propriedade que estiver de acordo com o citado plano diretor. ininterruptamente e sem oposição. com a participação do setor de produção. de armazenamento e de transportes. autorizando o poder público municipal a exigir. A política agrícola e fundiária e a reforma agrária 3.1 Preceitos da política agrícola A política agrícola será planejada e executada na forma da lei. impostos sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo. Nessa hipótese. cumprindo com sua função social. e desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública. cita algumas sanções àqueles proprietários de solo urbano que não estiverem com suas propriedades de acordo com o plano diretor. levando em conta. de acordo com lei federal: parcelamento ou edificação compulsórios. adotada pelo município. independentemente do estado civil. A Constituição Federal veda a possibilidade de reconhecimento desse direito ao mesmo possuidor mais de uma vez. 3. Assim. para aquelas cidades com mais de vinte mil habitantes. 2.2 Usucapião constitucional de área urbana (art. utilizando-a para sua moradia ou de sua família.

observância das disposições que regulam as relações de trabalho. São bens públicos patrimoniais ainda não utilizados pelos respectivos proprietários. 186): aproveitamento racional e adequado. exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. a assistência técnica e extensão rural. São exigidos. simultaneamente. para fins de reforma agrária. domínio da União as terras devolutas dos Territórios Federais e as que forem por lei declaradas indispensáveis à segurança e ao desenvolvimento nacional. aos seguintes requisitos (CF. dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional.500 hectares a pessoa física ou jurídica. I. os seguintes requisitos permissivos para a reforma agrária: 1º) imóvel não estiver cumprindo sua função social: A função social é cumprida quando a propriedade rural atende. segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei. nos termos do art.garantia de comercialização. todavia. Terras devolutas são aquelas pertencentes ao domínio público de qualquer das entidades estatais e que não se acharem utilizadas. Constituem. 3. art. exceto se as alienações ou as concessões forem para fins de reforma agrária. o cooperativismo. havendo necessidade de vistoria e prévia notificação ao proprietário. Dessa forma. a eletrificação rural e irrigação. o seguro agrícola. bem como que a alienação ou a concessão. a utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente. ainda que por interposta pessoa. uma vez que haverá privação de bens particulares. a habitação para o trabalhador rural. Esse procedimento expropriatório para fins de reforma agrária deverá respeitar o devido processo legal. o legislador constituinte manteve na Constituição de 1988 a . 3.2 Destinação das terras públicas e devolutas Nesta linha política de continuidade das constituições anteriores. 4º. de terras públicas com área superior a 2. da Constituição da República. Reforma agrária deve ser entendida como o conjunto de notas e planejamentos estatais mediante intervenção do Estado na economia agrícola com a finalidade de promover a repartição da propriedade e renda fundiária.3 Reforma agrária A Constituição Federal concedeu à União a competência para desapropriar por interesse social. o incentivo à pesquisa e à tecnologia. nem destinadas a fins administrativos específicos. o legislador constituinte de 1988 determinou que a destinação de terras públicas e devolutas será compatibilizada com a política agrícola e com o plano nacional de reforma agrária. a qualquer título. o imóvel rural. entretanto.

área de terra. 5º) isenção de impostos federais. vedando-se sua desapropriação e prevendo a necessidade de edição de lei que fixe requisitos relativos ao cumprimento de sua função social. desde que seu proprietário não possua outra. Note-se que a Constituição veda a desapropriação da propriedade produtiva que cumpra sua função social.expropriação-sanção como modalidade especial e excepcional de intervenção do poder Público na esfera da propriedade privada. Os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária. são insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária (CF. em favor daquele que. 185): a pequena e média propriedade rural. tornando-a produtiva por seu trabalho . assim definida em lei. declare o imóvel como de interesse social. Observe-se que o orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária. com cláusula de preservação do valor real. autorize a União a propor a ação de desapropriação. inegociáveis pelo prazo de 10 anos (CF. possua como seu. homens ou mulheres. por 5 anos ininterruptos. art. 3. independentemente do estado civil. 3º) indenização em dinheiro das benfeitorias úteis e necessárias. b. e cuja utilização será definida em lei. receberão títulos de domínio ou de concessão de uso. A análise dos requisitos constitucionais leva à conclusão de que a finalidade do legislador constituinte foi garantir um tratamento constitucional especial à propriedade produtiva.4 Usucapião constitucional de área rural A Constituição Federal criou o chamado usucapião constitucional ou pro labore. 4º)edição de decreto que: a. estaduais e municipais para as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. para fins de reforma agrária. 189). não superior a 50 hectares. Assim. não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano. em zona rural. 2º) prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária. a propriedade produtiva. sem oposição. a partir do segundo ano de sua emissão. quando essa não estiver cumprindo sua função social. art. resgatáveis no prazo de até 20 anos. assim como o montante de recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício.

d) as condições para a participação do capital estrangeiro nas instituições a que se referem os itens anteriores. h) os critérios restritivos da transferência de poupança de regiões com renda inferior à média nacional para outras de maior desenvolvimento. bem como seus impedimentos após o exercício do cargo. tendo em vista. c) a autorização referida nos dois itens anteriores será inegociável e intransferível. inclusive. aplicações e depósitos até determinado valor. b) autorização e funcionamento dos estabelecimentos de seguro. permitida a transmissão do controle da pessoa jurídica titular e concedida sem ônus. sobre: a) a autorização para o funcionamento das instituições financeiras. com o objetivo de proteger a economia popular. na forma da lei do sistema financeiro nacional. a pessoa jurídica cujos diretores tenham capacidade técnica e reputação ilibada e que comprove capacidade econômica compatível com o empreendimento. f) os requisitos para a designação de membros da diretoria do Banco Central e demais instituições financeiras. g) a criação de fundo ou seguro.ou de sua família e tendo nela sua moradia. vedou qualquer possibilidade de usucapião em imóveis públicos. estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade. vedada a participação de recursos da União. O sistema financeiro nacional O sistema financeiro nacional. Em contrapartida. assegurando às instituições bancárias oficiais e privadas acesso a todos os instrumentos do mercado financeiro bancário. 4. será regulado em lei complementar. previdência e capitalização. o funcionamento e as atribuições do Banco Central e demais instituições financeiras públicas e privadas. bem como do órgão oficial fiscalizador e do órgão oficial ressegurador. i) o funcionamento das cooperativas de crédito e os requisitos para que possam ter condições de operacionalidade e estruturação próprias das instituições financeiras. b. adquirir-lhe-á a propriedade. os interesses nacionais. e) a organização. porém. sendo vedada a essas instituições a participação em atividades não previstas na autorização de que trata este inciso. garantindo créditos. especialmente: a. . que disporá. os acordos internacionais.

192. nelas incluídas comissões e quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente referidas à concessão de crédito. k) as taxas de juros reais. j) . de responsabilidade da União. serão depositados em suas instituições regionais de crédito e por elas aplicados.os recursos financeiros relativos a programas e projetos de caráter regional. necessitando da edição da lei complementar referida no caput do artigo. não poderão ser superiores a 12% ao ano. nos termos que a lei determinar (CF. §3º). art. 192 da Constituição Federal não é autoaplicável. a cobrança acima deste limite será conceituada como crime de usura. A jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de que o §3º do art. punido. em todas as suas modalidades.

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