´

Algebra
Am´ılcar Pacheco
Universidade Federal do Rio de Janeiro (Universidade do Brasil),
Departamento de Matem´ atica Pura
E-mail address: amilcar@im.ufrj.br
Sum´ario
Cap´ıtulo 1. Preliminares 1
1.1. Rela¸c˜ao de equivalˆencia 2
1.2. Lema de Zorn e aplica¸c˜oes 3
Parte 1. N´ umeros Inteiros 5
Cap´ıtulo 2. Algoritmos Euclideanos 7
2.1. O algoritmo euclideano para n´ umeros inteiros 7
2.2. M´aximo divisor comum 8
2.3. An´eis e ideais 9
Cap´ıtulo 3. Fatora¸c˜ao de inteiros 11
3.1. Existˆencia 11
3.2. Unicidade 11
3.3. MDC e fatora¸c˜ao 12
3.4. Aplica¸c˜oes 13
3.5. Fun¸c˜oes aritm´eticas elementares 15
Cap´ıtulo 4. Indu¸c˜ao finita 19
4.1. Enunciados 19
4.2. Exemplos da indu¸c˜ao na sua primeira forma 19
4.3. Exemplos da indu¸c˜ao finita na sua segunda forma 20
Cap´ıtulo 5. N´ umeros primos 23
5.1. Infinidade de primos 23
5.2. Primos em progress˜oes aritm´eticas 24
5.3. Infinidade de compostos por fun¸c˜oes polinomiais 26
5.4. N´ umeros de Fermat e Mersenne 27
5.5. Contando n´ umeros primos 27
5.6. Fun¸c˜ao zeta 30
Cap´ıtulo 6. Aritm´etica modular 35
6.1. Aritm´etica modular 35
6.2. Crit´erios de divisibilidade 37
6.3. Contando elementos invers´ıveis 38
Cap´ıtulo 7. Sistemas de congruˆencia 39
7.1. Equa¸c˜oes diofantinas 39
7.2. Equa¸c˜oes lineares 39
7.3. Sistemas de equa¸c˜oes lineares 40
7.4. Teorema Chinˆes dos Restos 41
iii
iv SUM
´
ARIO
7.5. Aplica¸c˜ao 41
Cap´ıtulo 8. Aplica¸c˜oes da teoria de grupos `a teoria elementar dos n´ umeros 43
8.1. Primalidade de n´ umeros de Mersenne 43
8.2. Primalidade de n´ umeros de Fermat 43
8.3. N´ umeros de Carmichael 44
8.4. Teorema da raiz primitiva 45
Parte 2. Grupos 47
Cap´ıtulo 9. Teoria de Grupos I 49
9.1. Defini¸c˜ao e exemplos 49
9.2. Subgrupos 52
9.3. Classes Laterais e Teorema de Lagrange 54
9.4. Ordem de elemento e expoente de grupo abeliano 55
Cap´ıtulo 10. Teoria de grupos II 59
10.1. Subgrupos normais e grupos quocientes 59
10.2. Homomorfismo de grupos 61
10.3. Produtos de grupos 64
10.4. Grupos metac´ıclicos 68
10.5. Classifica¸c˜ao de grupos de ordem ≤ 11 70
Cap´ıtulo 11. Teoremas de Sylow 73
11.1. Represesenta¸c˜oes de grupos 73
11.2. Os teoremas de Sylow 75
11.3. Exemplos 77
Cap´ıtulo 12. Grupos sol´ uveis 79
12.1. Teorema de Jordan-H¨older 79
12.2. Grupos sol´ uveis 81
Cap´ıtulo 13. Grupos abelianos finitamente gerados 85
13.1. M´odulos sobre an´eis 85
13.2. Diagonaliza¸c˜ao de matrizes 86
13.3. Geradores e rela¸c˜oes para m´odulos 87
13.4. O teorema de estrutura 89
Parte 3. An´eis 91
Cap´ıtulo 14. An´eis de polinˆ omios 93
14.1. Algoritmo da divis˜ao 93
14.2. M´aximo divisor comum de polinˆomios 95
14.3. Fatora¸c˜ao ´ unica de polinˆomios 97
Cap´ıtulo 15. An´eis e dom´ınios 101
15.1. Dom´ınios euclideanos 101
15.2. Dom´ınios fatoriais 106
15.3. Fatores m´ ultiplos e resultante 108
15.4. An´eis quocientes e teorema chinˆes dos restos 110
15.5. Aplica¸c˜oes 115
SUM
´
ARIO v
Parte 4. Corpos 117
Cap´ıtulo 16. Extens˜oes finitas 119
Cap´ıtulo 17. Extens˜oes alg´ebricas 123
17.1. Elementos alg´ebricos e transcendentes 123
17.2. Extens˜oes alg´ebricas 124
17.3. Adjun¸c˜ao de ra´ızes 126
17.4. Fechos alg´ebricos 127
Cap´ıtulo 18. Extens˜oes separ´aveis 133
18.1. Corpos Finitos 137
Cap´ıtulo 19. Extens˜oes puramente insepar´aveis 139
Cap´ıtulo 20. Corpos de decomposi¸c˜ao e extens˜oes normais 143
20.1. Exemplos 146
Cap´ıtulo 21. Teoria de Galois 149
21.1. Correspondˆencia de Galois 149
21.2. Extens˜oes e subgrupos normais 152
21.3. Coeficientes e ra´ızes 153
Cap´ıtulo 22. Extens˜oes ciclotˆomicas 155
Cap´ıtulo 23. Extens˜oes c´ıclicas 159
Cap´ıtulo 24. Solubilidade por radicais 165
Parte 5. T´opicos adicionais 169
Cap´ıtulo 25. O problema inverso de Galois 171
25.1. Grupo S
n
171
25.2. Grupo A
n
175
25.3. M´etodo geral 175
Cap´ıtulo 26. Teoria de Galois infinita 177
26.1. Limite inverso 177
26.2. Completamento de um grupo 178
26.3. Teoria de Galois infinita 179
Cap´ıtulo 27. Teoria de transcendˆencia 181
27.1. Bases de trasncendˆencia 181
27.2. Transcendˆencia de e 181
27.3. Transcendˆencia de π 181
27.4. Elementos de teoria de transcencˆencia 181
Bibliografia - Livros 183
Bibliografia - Artigos 185
´
Indice Remissivo 187
CAP´ıTULO 1
Preliminares
Ao longo deste livro dentoraremos por N o conjunto dos n´ umeros naturais, Z o
conjunto dos n´ umeros inteiros, ¸ o conjunto dos n´ umeros racionais, 1 o conjunto
dos n´ umeros reais e C o conjunto dos n´ umeros complexos. Para todo x ∈ C
denotamos por [x[ seu valor absoluto usual, i.e., se x = a + bi com a, b ∈ 1,
ent˜ao [x[ :=

a
2
+b
2
. Para todo x ∈ 1 denotamos seu valor absoluto usual por
[x[ := x, se x ≥ 0, e [x[ := −x, se x < 0.
Sejam S e T conjuntos. Uma fun¸c˜ao f : S → T ´e dita injetiva toda vez que
x ,= y implicar f(x) ,= f(y). Isto tamb´em equivale a dizer que se f(x) = f(y),
ent˜ao x = y. A fun¸c˜ao f ´e dita sobrejetiva, se f(S) = T.
Lema 1.1. Sejam S

e R conjuntos. Ent˜ao existe um conjunto S

1
e bije¸c˜ao
ϕ
0
: S

→S

1
tal que S

1
∩ R = ∅.
Axioma 1.2 (axioma da boa ordena¸c˜ao). Todo subconjunto n˜ao vazio de N
possui um menor elemento.
Seja n ≥ 1 inteiro. Sejam x, y vari´aveis. Considere o produto not´avel
x
n
−y
n
= (x −y)(x
n−1
+x
n−2
y +. . . +xy
n−2
+y
n−1
.
Podemos obter dele a soma de n termos de uma progress˜ao geom´etrica de raz˜ao q.
Digamos que os termos sejam a, aq, , a
q
n−1
. Assim,
a +aq +. . . +aq
n−1
= a
q
n
−1
q −1
.
Basta na f´ormula anterior tomar x = q e y = 1.
Para inteiros 1 ≤ m ≤ n definimos o n´ umero binomial
_
n
m
_
:=
n!
m!(n −m)!
,
onde n! := n(n −1) . . . 1.
Lembre-se [Sp, p. 632] das seguintes expans˜oes em s´eries
1
1 −x
= 1 +x
2
+x
3
+. . . +x
n
+. . . ;
log(1 −x) = x +
x
2
2!
+
x
3
3!
+. . . +
x
n
n!
+. . . .
Dado um n´ umero real x denotamos por ¸x| a parte inteira de x, ou seja, o
maior n´ umero inteiro menor ou igual a x.
Para todo inteiro n ≥ 1 e n´ umero primo p, a ordem p-´adica ord
p
(n) de n ´e
definida por p
ordp(n)
´e a potˆencia exata de p que divide n.
1
2 1. PRELIMINARES
1.1. Rela¸c˜ao de equivalˆencia
Seja X um conjunto. Uma rela¸c˜ao bin´aria R ´e um subconjunto de X X.
Dado um par (a, b) ∈ R dizemos que a ´e relacionado a b e denotamos por aRb. Por
exemplo, podemos tomar como X o conjunto de retas do plano e como R a rela¸c˜ao
de ortogonalidade.
Uma rela¸c˜ao de equivalˆencia em um conjunto X ´e uma rela¸c˜ao bin´aria ∼ satis-
fazendo `as seguintes condi¸c˜oes:
(1) x ∼ x (reflexividade).
(2) Se x ∼ y, ent˜ao y ∼ x (simetria).
(3) Se x ∼ y e y ∼ z, ent˜ao x ∼ z (transitividade).
Exemplo 1.3. Seja X = Z e ∼ a rela¸c˜ao ≡ (mod n) definida por: dados
a, b ∈ Z, a ≡ b (mod n) se e somente se n [ (a − b), i.e., existe k ∈ Z tal que
a −b = kn. Isto define uma rela¸c˜ao de equivalˆencia. De fato,
(1) a −a = 0 = 0.n.
(2) Se a ≡ b (mod n), ent˜ao existe k ∈ Z tal que a−b = kn, logo b−a = (−k)n
e b ≡ a (mod n).
(3) Se a ≡ b (mod n) e b ≡ c (mod n), ent˜ao existem k, l ∈ Z tais que a−b =
kn e b −c = ln. Somando estas duas igualdades obtemos a−c = (k +l)n,
logo a ≡ c (mod n).
Exemplo 1.4. Seja X = Z Z − ¦0¦. Definimos dois pares (a, b), (c, d) ∈ X
como equivalentes, denotando (a, b) ∼ (c, d) se e somente se ad = bc. Isto define
uma rela¸c˜ao de equivalˆencia. De fato,
(1) ab = ba, logo (a, b) ∼ (a, b).
(2) Suponha que (a, b) ∼ (c, d), i.e., ad = bc. Logo cb = da, i.e., (c, d) ∼ (a, b).
(3) Suponha que (a, b) ∼ (c, d) e (c, d) ∼ (e, f), i.e., ad = bc e cf = de. Logo
af =
bc
d
f =
bcf
d
=
bde
d
= be, i.e., (a, b) ∼ (e, f).
Seja X um conjunto e ∼ uma rela¸c˜ao de equivalˆencia em X. Definimos a classe
[a] de um elemento a ∈ X por [a] = ¦b ∈ X[ b ∼ a¦. Note que [a] ´e um conjunto.
Lema 1.5. Seja X um conjunto e ∼ uma rela¸c˜ao de equivalˆencia em X. Dados
a, b ∈ X, temos que a ∼ b se e somente se [a] = [b].
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que [a] = [b]. Observe que a ∈ [a], pois a ∼ a.
Logo a ∈ [b], i.e., b ∼ a, portanto a ∼ b.
Reciprocamente, suponha a ∼ b e c ∈ [a], i.e., c ∼ a. Por transitividade, c ∼ b,
i.e., c ∈ [b]. Suponha d ∈ [b], i.e., d ∼ b. Por simetria, b ∼ a, por transitividade,
d ∼ a, i.e., d ∈ [a].
Corol´ ario 1.6. Seja X um conjunto e ∼ um rela¸c˜ao de equivalˆencia em X.
Ent˜ao a ~ b se e somente se [a] ∩ [b] = ∅.
Demonstrac¸˜ ao. Note que se a ∼ b, ent˜ao [a] ∩ [b] = [a] = [b] ,= ∅. Por outro
lado, se existisse c ∈ [a] ∩ [b], ent˜ao c ∼ a e c ∼ b. Por simetria, a ∼ c e por
transitividade a ∼ b, o que ´e uma contradi¸c˜ao.
Corol´ ario 1.7. Seja X um conjunto e e ∼ um rela¸c˜ao de equivalˆencia em X.
Ent˜ao X =
·

a
[a], onde
·

a
[a] denota a uni˜ao disjunta das classes de equivalˆencia
em X.
1.2. LEMA DE ZORN E APLICAC¸
˜
OES 3
Demonstrac¸˜ ao. Observe que o lado direito est´a claramente contido no lado
esquerdo. Reciprocamente, pelo corol´ario anterior dado x ∈ X existe uma ´ unica
classe de equivalˆencia [a] tal que x ∈ [a].
Seja X um conjunto e e ∼ um rela¸c˜ao de equivalˆencia em X. Definimos A :=
X/ ∼:= ¦[a] [ a ∈ X¦ como o conjunto das classes de equivalˆencia de ∼ em X. No
caso particular em que X = Z e ∼ ´e ≡ (mod n), denotamos a classe [a] de a ∈ Z
por a. Neste caso, A ´e denotado por Z/nZ.
1.2. Lema de Zorn e aplica¸c˜oes
Definic¸˜ ao 1.8. Um conjunto M ´e dito parcialmente ordenado, se existe uma
rela¸c˜ao ≤ em M satisfazendo `as seguintes condi¸c˜oes
(1) (reflexividade) a ≤ a, para todo a ∈ M.
(2) (Transitividade) Dados a, b, c ∈ M, se a ≤ b e b ≤ c, ent˜ao a ≤ c.
(3) (Anti-simetria) Dados a, b ∈ M, se a ≤ b e b ≤ a, ent˜ao a = b.
Esta ordem ser´a dita total, se para quaisquer a, b ∈ M temos a ≤ b ou b ≤ a. Neste
caso dizemos que M ´e um conjunto totalmente ordenado.
Definic¸˜ ao 1.9. Seja M um conjunto parcialmente ordenado. Um elemento
m ∈ M ´e dito um elemento maximal de M, se dado a ∈ M tal que a ≤ m, ent˜ao
a = m. Um elemento c ∈ M ´e dito um limite superior para M, se para todo
a ∈ M temos a ≤ c. O conjunto M ´e dito indutivo, se todo subconjunto totalmente
ordenado L ⊂ M possui limite superior. Neste caso, M ,= ∅.
Lema 1.10 (lema de Zorn). (ver [vWa, ¸69]) Todo conjunto parcialmente or-
denado indutivo possui elemento m´aximo.
Lema 1.11 (lema de Krull). Seja R um anel comutativo com unidade. Todo
ideal n˜ao nulo a de R est´a contido em algum ideal maximal m de R.
Demonstrac¸˜ ao. Considere o conjunto N de todos os ideais b _ R contendo
a.
´
E imediato que este conjunto ´e parcialmente ordenado com respeito `a rela¸c˜ao de
inclus˜ao de conjuntos. Seja L ⊂ N um subconjunto totalmente ordenado e
C :=
_
b∈L
b.
Segue de um exerc´ıcio do cap´ıulo de dom´ınios euclideanos que C ´e um ideal de R.
Al´em disto, este ideal ´e pr´oprio, do contr´ario, existiria b ∈ L tal que 1 ∈ b, o que
contradiria b _ R. Por constru¸c˜ao, o ideal C ´e um limite superior para L. Em
particular, pelo lema de Zorn, existe m elemento m´aximo de N. Novamente por
construa¸c˜ao m ´e maximal e cont´em a.
Parte 1
N´ umeros Inteiros
CAP´ıTULO 2
Algoritmos Euclideanos
O objetivo deste cap´ıtulo ´e descrever o algoritmo euclideano que permite di-
vidir um n´ umero inteiro por outro, definir a no¸c˜ao de m´aximo divisor comum de
n´ umeros inteiros e provar o algoritmo euclideano estendido que d´a uma rela¸c˜ao de
dependˆencia linear entre o m´aximo divisor comum e os n´ umeros inteiros atrav´es da
no¸c˜ao de ideais.
2.1. O algoritmo euclideano para n´ umeros inteiros
Definic¸˜ ao 2.1. Sejam a, b ∈ Z. Dizemos que a divide b ou que b ´e divis´ıvel
por a e denotamos a [ b se existe c ∈ Z tal que ac = b.
Proposic¸˜ ao 2.2. A divisibilidade satisfaz as seguintes propriedades:
(1) (Cancelamento). Se c ,= 0 e ac [ bc, ent˜ao a [ b.
(2) (Transitividade). Se a [ b e b [ c, ent˜ao a [ c.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Existe α ∈ Z tal que αac = bc, i.e., c(b −αa) = 0. Mas
o produto de dois inteiros ´e igual a zero implica em que um dos inteiros ´e nulo.
Observe que c ,= 0, assim b = ac, i.e., a [ b.
(2) Existem α, β ∈ Z tais que b = αa e c = βb, substituindo a primeira
igualdade na segunda, obtemos c = βαa, i.e., a [ c.
Teorema 2.3 (algoritmo de Euclides). Sejam a, b ∈ Z com b ,= 0. Ent˜ao
existem q, r ∈ Z tais que
a = bq +r, onde 0 ≤ [r[ < [b[.
Se a, b ≥ 0, ent˜ao q e r s˜ao unicamente determinados por a e b.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha inicialmente que a, b ≥ 0. Se a < b tome q = 0 e
r = a. Suponha que a ≥ b. Considere o conjunto S := ¦k ≥ 1 inteiro [ kb > a¦. Este
conjunto ´e um subconjunto n˜ao vazio de N. Assim, pelo axioma da boa ordena¸c˜ao
(axioma 1.2) existe q + 1 ∈ S tal que q + 1 ≤ x para todo x ∈ S. Logo q / ∈ S, i.e.,
a ≥ bq. Seja r := a −bq, portanto 0 ≤ r < (q + 1)b −b = b.
• Se a < 0 e b > 0, divida a

:= −a por b com quociente q

e resto r

e tome
q := −q

e r := −r

.
• Se a < 0 e b < 0, divida a

:= −a por b

:= −b com quociente q

e resto r

e tome q := q

e r := −r

.
• Se a > 0 e b < 0, divida a por b

:= −b com quociente q

e resto r

e tome
q := −q e r := r

.
Para provar a unicidade suponha que
a = bq
1
+r
1
= bq
2
+r
2
, onde 0 ≤ r
1
, r
2
< b.
7
8 2. ALGORITMOS EUCLIDEANOS
Basta provar que r
1
= r
2
, pois neste caso bq
1
= bq
2
e como b ,= 0, pela propriedade
do cancelamento, q
1
= q
2
. Suponha r
1
< r
2
. Neste caso,
r
2
−r
1
= b(q
1
−q
2
) ≥ b, mas r
2
−r
1
≤ r
2
< b.
Similarmente, n˜ao podemos ter r
1
> r
2
.
2.2. M´aximo divisor comum
Definic¸˜ ao 2.4. Sejam a, b ∈ Z. Dizemos que d ∈ Z ´e um m´aximo divisor
comum de a e b, denotado por mdc(a, b) se
(1) d [ a e d [ b; (por isto d ´e dito um divisor comum de a e b.)
(2) Para todo d

∈ Z tal que d

[ a e d

[ b, d

[ d.
Observac¸˜ ao 2.5. • A no¸c˜ao de mdc est´a bem definida a menos de
sinal. De fato se e for um outro mdc de a e b, ent˜ao por (2) e [ d e d [ e,
ou seja existem α, β ∈ Z tais que d = αe = αβd, portanto αβ = 1, i.e.,
α ∈ ¦±1¦. Assim quando dizemos o mdc de a e b referimo-nos `a escolha
de d positiva.
• mdc(a, b) = mdc(−a, −b) (exerc´ıcio).
• Se b [ a, ent˜ao mdc(a, b) = b (idem).
• Denote por T
a,b
o conjunto dos divisores comuns positivos de a e b. Note
que para qualquer x ∈ T
a,b
temos que x ≤ min¦a, b¦. Assim, este con-
junto ´e finito. Fica novamente como exerc´ıcio verificar que mdc(a, b) ´e
justamente o elemento m´aximo de T
a,b
.
Lema 2.6. Sejam a, b ≥ 1 inteiros e a = bq + r onde 0 ≤ r < b a divis˜ao de a
por b. Ent˜ao mdc(a, b) = mdc(b, r).
Demonstrac¸˜ ao. Basta mostrar que os conjuntos T
a,b
e T
b,r
s˜ao coincidem.
De fato, neste caso seus elementos m´aximos s˜ao iguais, o que prova o lema. Seja
e ∈ T
a,b
, digamos a = eα e b = eβ para α, β ∈ Z. Logo r = a − bq = e(α − βq),
i.e., e [ r, i.e., e ∈ T
b,r
, i.e., T
a,b
⊂ T
b,r
. Seja f ∈ T
b,r
, digamos b = fβ

e r = fγ
para β

, γ ∈ Z. Ent˜ao a = bq + r = f(β

q + γ), i.e., f [ a, i.e., f ∈ T
a,b
, i.e.,
T
b,r
⊂ T
a,b
.
Teorema 2.7. Sejam a, b ≥ 1 inteiros. Consideremos a seq¨ uˆencia de divis˜oes
sucessivas:
(2.1)
a = bq
1
+r
1
, 0 < r
1
< b
b = r
1
q
2
+r
2
, 0 < r
2
< r
1
.
.
.
.
.
.
r
n−2
= r
n−1
q
n
+r
n
, 0 < r
n
< r
n−1
r
n−1
= r
n
q
n+1
,
onde r
n
´e o ´ ultimo resto n˜ao nulo na seq¨ uˆencia de divis˜oes. Ent˜ao mdc(a, b) = r
n
.
Demonstrac¸˜ ao. Notemos inicialmente que em (2.1) ter´ıamos que ter um
primeiro resto nulo, r
n+1
, pois
b > r
1
> r
2
> ≥ 1
e n˜ao existe uma seq¨ uˆencia estritamente descendente infinita de n´ umeros inteiros
positivos.
2.3. AN
´
EIS E IDEAIS 9
Pelo lema anterior aplicado a cada linha de (2.1) obtemos
mdc(a, b) = mdc(b, r
1
) = = mdc(r
n−1
, r
n
).
Mas r
n
[ r
n−1
, logo r
n
= mdc(r
n
, r
n−1
). A fortiori, r
n
= mdc(a, b).
Teorema 2.8 (algoritmo euclideano estendido). Sejam a, b ≥ 1 inteiros e d =
mdc(a, b). Existem s, t ∈ Z tais que d = sa +tb.
Demonstrac¸˜ ao. Come¸camos com a pen´ ultima linha de (2.1),
r
n
= r
n−2
+ (−q
n
)r
n−1
,
tome A
1
:= −r
n−1
e B
1
:= 1. Da linha seguinte temos
r
n−1
= r
n−3
+ (−q
n−1
)r
n−2
,
assim
r
n
= B
1
r
n−2
+A
1
r
n−1
= B
1
r
n−2
+A
1
(r
n−3
+ (−q
n−1
)r
n−2
).
Tome A
2
:= B
1
−A
1
q
n−1
e B
2
:= A
1
. A linha seguinte nos d´a
r
n−2
= r
n−4
+ (−q
n−2
)r
n−3
.
Substituindo na f´ormula anterior,
r
n
= B
2
r
n−3
+A
2
r
n−2
= B
2
r
n−3
+A
2
(r
n−4
+ (−q
n−2
)r
n−3
)
Tome A
3
:= B
2
−A
2
q
n−2
e B
3
:= A
2
. Repetindo o mesmo argumento obtemos
r
n
= B
n−2
r
1
+A
n−2
r
2
.
Mas r
2
= b + (−q
2
)r
1
, donde
r
n
= B
n−2
r
1
+A
n−2
(b + (−q
2
)r
1
),
tome A
n−1
:= B
n−2
−A
n−2
q
2
e B
n−1
:= A
n−2
. Finalmente a primeira divis˜ao nos
d´a, r
1
= a + (−q
1
)b e sustituindo na f´ormula anterior obtemos
r
n
= B
n−1
b +A
n−1
(a + (−q
1
)b).
Basta tomar s := A
n−1
e t := B
n−1
−A
n−1
q
1
.
2.3. An´eis e ideais
Nesta se¸c˜ao daremos uma outra demonstra¸c˜ao (conceitual) do algoritmo eu-
clideano estendido. Para isto precisamos da no¸c˜ao de ideais no conjunto Z dos
n´ umeros inteiros.
O conjunto Z dos n´ umeros inteiros possui duas fun¸c˜oes. A soma + : ZZ →Z
de n´ umeros inteiros (a, b) → a + b que associa ao par (a, b) sua soma a + b. E o
produto de inteiros : Z Z → Z dada por (a, b) → ab que associa ao par (a, b) o
seu produto ab. Dados inteiros a, b, c as seguintes propriedades s˜ao satisfeitas:
(1) (Associatividade da soma) a + (b +c) = (a +b) +c.
(2) (Comutatividade da soma) a +b = b +a.
(3) (Elemento neutro da soma) a + 0 = 0.
(4) (Inverso da soma) Dado a ∈ Z existe b ∈ Z tal que a +b = 0 e denotamos
b = −a.
(5) (Associatividade do produto) a(bc) = (ab)c.
(6) (Comutatividade do produto) ab = ba.
(7) (Elemento neutro do produto) 1a = a.
10 2. ALGORITMOS EUCLIDEANOS
(8) (Distributividade do produto em rela¸c˜ao `a soma) a(b +c) = ab +ac. Por
satisfazer estas propriedades Z ´e dito um anel comutativo com unidade.
Al´em disto a seguinte propriedade ´e satisfeita:
(9) (Cancelamento) Se ab = 0, ent˜ao a = 0 ou b = 0. Por satisfazer esta
propriedade Z ´e dito um dom´ınio de integridade.
Observac¸˜ ao 2.9. Poder´ıamos perguntar sobre a existˆencia do inverso em Z
com rela¸c˜ao ao produto. Ou seja, suponhamos que a, b ∈ Z s˜ao tais que ab =
1. Suponha a ≥ 1. Neste caso b =
1
a
∈ Z tamb´em ´e um inteiro positivo, mas
a ´ unica possibilidade destra fra¸c˜ao ser um n´ umero inteiro ´e a = 1 e neste caso
necessariamente b = 1. Se a < 0, seja a

= −a e b

= −b, logo ab = a

b

= 1 e pelo
caso anterior a

= 1 e b

= 1, i.e., a = b = −1. Assim os ´ unicos n´ umeros inteiros
que admitem inverso s˜ao ±1.
Definic¸˜ ao 2.10. Um subconjunto I ⊂ Z de Z ´e dito um ideal de Z, se as
seguintes condi¸c˜oes s˜ao satisfeitas:
(1) 0 ∈ I.
(2) (I ´e fechado com rela¸c˜ao `a soma) Dados a, b ∈ I, a +b ∈ I.
(3) (I ´e est´avel com rela¸c˜ao `a multiplica¸c˜ao de elementos de Z) Dado a ∈ I e
r ∈ Z, ent˜ao ra ∈ I.
Fica como exerc´ıcio mostrar que os seguintes conjuntos s˜ao ideais de Z :
• I := 2Z = ¦2k [ k ∈ Z¦ (o conjunto dos n´ umeros pares).
• Seja n ≥ 1 inteiro e I := nZ = ¦nk [ k ∈ Z¦ o conjunto dos m´ ultiplos de
n.
• Sejam n
1
, , n
k
≥ 1 inteiros. Seja I := n
1
Z+. . . +n
k
Z = ¦n
1
a
1
+. . . +
n
k
a
k
[ a
1
, , a
k
∈ Z¦ o conjunto dos n´ umeros que s˜ao somas de m´ ultiplos
de n
1
com m´ ultiplos de n
2
, etc., com m´ ultiplos de n
k
.
Proposic¸˜ ao 2.11. Todo ideal I ,= (0) de Z ´e da forma dZ para algum d ≥ 1.
Por isto dizemos que I ´e um ideal principal e que Z ´e um dom´ınio principal.
Demonstrac¸˜ ao. Observemos que I ∩ N ,= ∅. Dado a ∈ I, se a ≥ 1 nada h´a
a fazer. Sen˜ao, ou seja, dado a < 0 em I, ent˜ao −a = (−1)a ∈ I pela propriedade
(3) de ideais, mas −a ≥ 1. Pelo axioma da boa ordena¸c˜ao existe d ∈ I ∩ N tal que
d ≤ k para todo k ∈ I ∩ N. Afirmamos que I = dZ.
De um lado, como d ∈ I, pela propriedade (3) de ideais, para todo k ∈ Z,
dk ∈ I, i.e., dZ ⊂ I. De outro lado, dado a ∈ I, digamos a ≥ 1, pelo algoritmo
euclideano, existem q, r ∈ Z tais que a = qn + r, onde 0 ≤ r < n. Se r > 0, ent˜ao
r = a + (−q)n ∈ I, pois a, (−q)n ∈ I, mas isto contradiz o fato de d ser o menor
inteiro positivo em I. Assim, r = 0 e n [ a, portanto a ∈ nZ. Se a < 0, a mesma
prova mostra que se a

= −a, d [ a

, logo d [ a, e assim I ⊂ nZ.
CAP´ıTULO 3
Fatora¸c˜ao de inteiros
Neste cap´ıtulo mostramos que todo n´ umero inteiro fatora-se de forma ´ unica
como produto de n´ umeros primos
3.1. Existˆencia
Definic¸˜ ao 3.1. Seja p ≥ 2 inteiro. Dizemos que p ´e um n´ umero primo, se
para todo inteiro b ≥ 1 tal que b [ p, ent˜ao b = 1 ou b = p, i.e., os ´ unicos divisores
positivos de p s˜ao 1 e p. Os n´ umeros inteiros que n˜ao primos s˜ao chamados de
n´ umeros compostos, i.e., n ≥ 1 ´e composto se e somente se existem 1 < a, b < n
tais que n = ab.
Teorema 3.2 (teorema fundamental da aritm´etica - primeira vers˜ao). Seja
n ≥ 1 inteiro, existem p
1
, , p
k
n´ umeros primos (n˜ao necessariamente distintos)
tais que
n = p
1
p
k
.
Demonstrac¸˜ ao. Se n ´e primo nada h´a a fazer. Suponhamos que n seja com-
posto. Todo divisor d de n satisfaz d ≤ n, assim o conjunto dos divisores positivos
de n ´e finito. Seja p
1
o menor divisor positivo de n. Afirmamos que p
1
´e primo.
Se p
1
n˜ao fosse primo, ter´ıamos que existem 1 < a, b < p
1
tais que p
1
= ab, em
particular a [ n, mas isto contradiz a minimalidade de p
1
.
Seja n
1
:=
n
p1
< n. Se n
1
´e igual a 1 ou primo, ent˜ao n = n
1
p
1
j´a ´e a fatora¸c˜ao
procurada. Sen˜ao, com o mesmo argumento anterior, o menor divisor positivo p
2
de n
1
´e primo. Seja n
2
:=
n1
p2
=
n
p1p2
< n
1
. Se n
2
´e igual a 1 ou primo, ent˜ao
n = n
2
p
2
p
1
´e a fatora¸c˜ao procurada. Sen˜ao prosseguimos. Note que temos uma
seq¨ uˆencia estritamente decrescente n > n
1
> n
2
> de inteiros positivos, assim
existe k ≥ 1 tal que n
k
= 1, i.e., n = p
1
p
k
.
3.2. Unicidade
Lema 3.3. Seja p ≥ 2 um n´ umero primo e a, b ∈ Z¸ ¦0¦. Se p [ ab, ent˜ao p [ a
ou p [ b.
Demonstrac¸˜ ao. Note que dado um n´ umero primo p, ent˜ao mdc(a, p) = 1
equivale a p [ a, pois os ´ unicos divisores positivos de p s˜ao 1 e p. Suponha que
p [ a, i.e., pelo algoritmo euclideano estendido, existem s, t ∈ Z tais que 1 = sa+tp.
Multiplicando ambos os lados por b obtemos b = sab + tpb. Mas ab = αp, pois
p [ ab, para algum α ∈ Z. Logo b = p(sα +tb), i.e., p [ b.
Observac¸˜ ao 3.4. O lema anterior pode ser estendido imediatamente para um
produto qualquer de inteiros, i.e., se p [ a
1
a
n
, ent˜ao existe 1 ≤ i ≤ n tal que
p [ a
i
.
11
12 3. FATORAC¸
˜
AO DE INTEIROS
Teorema 3.5 (teorema fundamental da aritm´etica - segunda vers˜ao). Seja
n ≥ 1 inteiro, ent˜ao existem ´ unicos n´ umeros primos
p
1
< < p
r
e inteiros e
1
, , e
r
≥ 1
tais que
n = p
e1
1
p
er
r
.
Demonstrac¸˜ ao. J´a provamos anteriormente a existˆencia da fatora¸c˜ao, agru-
pando os primos e colocando-os em ordem temos a express˜ao acima. Suponha que
existam outros primos
q
1
< < q
s
e inteiros f
1
, , f
s
≥ 1
tais que
n = p
e1
1
p
er
r
= q
f1
1
q
fs
s
.
Pela observa¸c˜ao anterior temos que existe algum 1 ≤ j ≤ s tal que p
1
[ q
j
. Mas
ambos s˜ao primos, logo p
1
= q
j
. O mesmo argumento acima mostra que existe
1 ≤ i ≤ r tal que q
1
= p
i
. Afirmamos que j = 1. Caso contr´ario, ou seja j > 1,
q
1
= p
i
≥ p
1
= q
j
, o que contradiz a ordena¸c˜ao dos n´ umeros primos q’s. Logo
j = 1. Afirmamos tamb´em que e
1
= f
1
. Suponha, por exemplo, que e
1
> f
1
. Neste
caso, cancelando p
f1
1
dos dois lados da equa¸c˜ao acima obtemos
p
e1−f1
1
p
e2
2
p
er
r
= q
f2
2
q
fs
s
.
Repetindo a argumenta¸c˜ao anterior obtemos que q
2
= p
i
para algum 1 < i ≤ r.
Mas dessa forma, o fator primo p
1
do lado esquerdo n˜ao cancelar´a com nenhum
fator primo do lado direito. Portanto, e
1
= f
1
.
Isto nos fornece a igualdade
p
e2
2
p
er
r
= q
f2
2
q
fs
s
.
Pelo mesmo argumento anterior, p
2
= q
2
e e
2
= f
2
. Assim sucessivamente con-
cluimos que o n´ umero de fatores primos em ambos os lados ´e igual, i.e., r = s e
para cada 1 ≤ i ≤ r, p
i
= q
i
e e
i
= f
i
.
3.3. MDC e fatora¸c˜ao
Proposic¸˜ ao 3.6. Sejam a, b ≥ 1 inteiros,
a = p
e1
1
p
e
k
k
e b = p
f1
1
p
f
k
k
suas fatora¸c˜oes, com e
i
, f
i
≥ 0 para 0 ≤ i ≤ k. Seja g
i
= min¦e
i
, f
i
¦ e
d = p
g1
1
p
g
k
k
.
Ent˜ao d = mdc(a, b).
Demonstrac¸˜ ao. Notemos que d ´e um divisor comum de a e b, pois
a = dp
e1−g1
1
p
e
k
−g
k
k
e b = dp
f1−g1
1
p
f
k
−g
k
k
,
uma vez que para cada i, f
i
−g
i
, e
i
−g
i
≥ 0. Seja d

≥ 1 um divisor comum de a e
b, i.e.,
d = p
h1
1
p
h
k
k
para 0 ≤ h
i
≤ e
i
, f
i
. Em particular, h
i
≤ g
i
. Assim,
d = d

p
g1−h1
1
p
g
k
−h
k
k
.

3.4. APLICAC¸
˜
OES 13
3.4. Aplica¸c˜oes
Proposic¸˜ ao 3.7. Seja p ≥ 2 um n´ umero primo. Ent˜ao

p / ∈ ¸.
Demonstrac¸˜ ao. Seja x ∈ ¸ ¸ ¦0¦. Ent˜ao x =
a
b
com a, b ∈ Z ¸ ¦0¦. Note
que a = da

e b = db

, onde d = mdc(a, b) e que mdc(a

, b

) = 1. Simplificando d
obtemos que x =
a

b

. Assim, dividindo pelo mdc, suporemos sempre que dado um
n´ umero x ∈ ¸¸ ¦0¦, x ´e da forma
a
b
com mdc(a, b) = 1.
Suponha que

p ∈ ¸, i.e., existem a, b ∈ Z tais que

p =
a
b
e mdc(a, b) = 1.
Logo a
2
= pb
2
e p [ a
2
. Pelo lema 3.3 concluimos que p [ a, digamos a = pα, para
algum α ∈ Z. Substituindo na igualdade anterior concluimos que p
2
α
2
= pb
2
, i.e.,

2
= b
2
. Mas isto implica em p [ b
2
. Novamente, pelo lema 3.3, obtemos que p [ b,
mas isto ´e imposs´ıvel pois mdc(a, b) = 1.
Definic¸˜ ao 3.8. Seja n ≥ 1 inteiro. Dizemos que n ´e livre de quadrados se sua
fatora¸c˜ao ´e da forma
n = p
1
p
k
.
Lema 3.9. Seja n ≥ 1 inteiro, ent˜ao existem Q, a ≥ 1 inteiros tais que n = a
2
Q,
onde Q ´e livre de quadrados.
Demonstrac¸˜ ao. Fatoramos n como
n = p
e1
1
p
e
k
k
.
Pelo algoritmo euclideano, para cada 1 ≤ i ≤ k, existem q
i
, r
i
∈ Z tais que e
i
=
2q
i
+r
i
, onde 0 ≤ r
i
< 2. Assim
n = p
2q1
1
p
r1
1
p
2q
k
k
p
r
k
k
e tomando Q := p
r1
1
p
r
k
k
, excluindo os primos com expoente zero, temos que Q ´e
livre de quadrados. O que sobra ´e a
2
com a := p
q1
1
p
q
k
k
, i.e., n = a
2
Q.
Proposic¸˜ ao 3.10. Seja n ≥ 1 inteiro livre de quadrados, ent˜ao

n / ∈ ¸.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que

n =
a
b
com a, b ∈ Z e mdc(a, b) = 1. Seja
n = p
1
p
k
a fatora¸c˜ao de n. Ent˜ao
a
2
= p
1
p
k
b
2
.
Logo para cada 1 ≤ i ≤ r temos que p
i
[ a
2
. Pelo lema 3.3 concluimos que p
i
[ a,
digamos a = p
i
α
i
para α
i
∈ Z. Substituindo na igualdade anterior obtemos
p
2
i
α
2
i
= p
1
p
k
b
2
.
Simplificando p
i
na igualdade acima, obtemos
p
i
α
2
i
= p
1
p
i−1
p
i+1
p
k
b
2
= cb
2
,
onde c := p
1
p
i−1
p
i+1
p
k
. Como p
i
[ c, pois p
i
n˜ao pode dividir nenhum dos
fatores de c uma vez que p
1
< < p
k
, ou seja s˜ao todos distintos, concluimos que
p
i
[ b
2
. Novamente pelo lema 3.3 temos que p
i
[ b, o que contradiz mdc(a, b) = 1.
Proposic¸˜ ao 3.11. Seja f ≥ 2 inteiro e p ≥ 2 primo. Ent˜ao
f

p / ∈ ¸.
14 3. FATORAC¸
˜
AO DE INTEIROS
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que
f

p =
a
b
com a, b ∈ Z e mdc(a, b) = 1. Ent˜ao
a
f
= pb
f
e p [ a
f
. Pela observa¸c˜ao 3.4 concluimos que p [ a, digamos a = pα. Substituindo
na igualdade anterior obtemos
p
f
α
f
= pb
f
,
simplificando a igualdade anterior por p, concluimos que
p
f−1
α
f
= b
f
.
Como f ≥ 2 temos que p aparece na fatora¸c˜ao do lado esquerdo, em particular,
p [ b
f
. Novamente, pela observa¸c˜ao 3.4 concluimos que p [ b, mas isto contradiz
mdc(a, b) = 1.
Definic¸˜ ao 3.12. Sejam n ≥ 1 e f ≥ 2 inteiros. Dizemos que n ´e livre de
f-potˆencias se a fatora¸c˜ao de n ´e da forma
n = p
e1
1
p
e
k
k
com 1 ≤ e
i
< f para todo 1 ≤ i ≤ k.
Lema 3.13. Seja n ≥ 1 inteiro, ent˜ao existem Q, a ≥ 1 inteiros tais que n =
a
f
Q com Q livre de f-potˆencias.
Demonstrac¸˜ ao. Seja
n = p
e1
1
p
e
k
k
a fatora¸c˜ao de n. Pelo algoritmo euclideano, para cada 1 ≤ i ≤ k, existem q
i
, r
i
∈ Z
tais que e
i
= fq
i
+r
i
, onde 1 ≤ e
i
< f. Assim escrevemos
n = p
fq1
1
p
r1
1
p
fq
k
k
p
r
k
k
.
Como anteriormente Q := p
r1
1
p
r
k
k
´e livre de f-potˆencias e tomando a :=
p
q1
1
p
f
k
k
concluimos que n = a
f
Q.
Proposic¸˜ ao 3.14. Sejam n ≥ 1 e f ≥ 2 inteiros. Suponhamos que n seja livre
de f-potˆencias. Ent˜ao
f

n / ∈ ¸.
Demonstrac¸˜ ao. Seja
n = p
e1
1
p
e
k
k
a fatora¸c˜ao de n, onde 1 ≤ e
i
< f para todo i ≤ i ≤ k. Suponhamos que
f

n =
a
b
com a, b ∈ Z e mdc(a, b) = 1. Ent˜ao
a
f
= p
e1
1
p
e
k
k
b
f
.
Logo para cada 1 ≤ i ≤ k p
i
[ a
f
. Pela observa¸c˜ao 3.4 concluimos que p
i
[ a,
digamos a = p
i
α
i
para α
i
∈ Z. Substituindo na igualdade anterior obtemos
p
f
i
α
f
i
= p
e1
1
p
e
k
k
b
f
.
Cancelando p
ei
i
em ambos os lados da igualdade acima e denotando
c := p
e1
1
p
ei−1
i−1
p
ei+1
i+1
p
e
k
k
,
obtemos
p
f−ei
i
α
f
i
= cb
f
.
Como anteriormente p
i
[ c uma vez que p
i
n˜ao divide nenhum fator de c. Logo
p
i
[ b
f
. Novamente pela observa¸c˜ao 3.4 concluimos que p
i
[ b, mas isto contradiz
mdc(a, b) = 1.
3.5. FUNC¸
˜
OES ARITM
´
ETICAS ELEMENTARES 15
3.5. Fun¸ c˜oes aritm´eticas elementares
Para todo n´ umero inteiro n ≥ 1 denotemos por ν(n) o n´ umero de divisores
inteiros positivos de n e por σ(n) a soma de todos estes divisores, i.e.,
ν(n) := #¦d ≥ 1 [ d [ n¦ e σ(n) :=

d≥1,d|n
d.
Utilizaremos a fatora¸c˜ao ´ unica para obter f´ormulas expl´ıcitas para estes dois n´ u-
meros.
Proposic¸˜ ao 3.15. Seja n = p
a1
1
p
ar
r
a fatora¸c˜ao de n em n´ umeros primos.
Ent˜ao
ν(n) = (a
1
+ 1) (a
r
+ 1) e σ(n) =
p
a1+1
1
−1
p
1
−1

p
ar+1
r
−1
p
r
−1
.
Demonstrac¸˜ ao. Note que d [ n se e somente se d fatora-se como
d = p
b1
1
p
br
r
com 0 ≤ b
i
≤ a
i
para todo 1 ≤ i ≤ r.
Assim, os divisores positivos de n correspondem bijetivamente as r-uplas (b
1
, , b
r
)
satisfazendo a 0 ≤ b
i
≤ a
i
para todo 1 ≤ i ≤ r. A quantidade destas r-uplas ´e
exatamente (a
1
+ 1) (a
r
+ 1).
Para a segunda igualdade observe que
σ(n) =

(b1,··· ,br)
p
b1
1
p
br
r
=
_

b1
p
b1
1
_

_

br
p
br
r
_
e que cada soma no segundo membro ´e a soma dos termos de uma progress˜ao
geom´etrica, disto segue a f´ormula para σ(n).
3.5.1. Fun¸c˜ao de Mœbius. Definimos a fun¸c˜ao de Mœbius µ : N¸ ¦0¦ →Z
por µ(1) := 1, µ(n) := 0, se n n˜ao ´e livre de quadrados, caso contr´ario, i.e.,
n = p
1
p
r
, onde os p
i
’s s˜ao primos distintos definimos µ(n) := (−1)
r
.
Proposic¸˜ ao 3.16. Se n > 1, ent˜ao

d≥1,d|n
µ(d) = 0.
Demonstrac¸˜ ao. Seja n = p
a1
1
p
ar
r
a fatora¸c˜ao de n. Pela defini¸c˜ao de µ
temos que

d≥1,d|n
µ(d) =

(1,··· ,r)
µ(p
1
1
. . . p
r
r
),
onde os
i
’s s˜ao 0 ou 1. Portanto,

d≥1,d|n
µ(d) = 1 −r +
_
r
2
_

_
r
3
_
+. . . + (−1)
r
= (1 −1)
r
= 0.

Para entender melhor a fun¸c˜ao de Mœbius precisamos introduzir a multi-
plica¸c˜ao de Dirichlet. Sejam f, g : N ¸ ¦0¦ →C, definimos
f ◦ g(n) :=

d1,d2≥1,d1d2=n
f(d
1
)g(d
2
).
16 3. FATORAC¸
˜
AO DE INTEIROS
Este produto ´e associativo. Isto segue do seguinte exerc´ıcio
f ◦ (g ◦ h)(n) = (f ◦ g) ◦ h(n) =

d1,d2,d3≥1,d1d2d3=n
f(d
1
)g(d
2
)h(d
3
).
Definimos a fun¸c˜ao 1 : N ¸ ¦0¦ →Z por 1(1) := 1 e 1(n) := 0, se n > 1. Segue
da defini¸c˜ao que para toda fun¸c˜ao f : N¸ ¦0¦ →C temos f ◦ 1 = 1◦f = f. Defina
tamb´em a fun¸c˜ao I : N ¸ ¦0¦ →Z por I(n) := 1 para todo n. Novamente, por esta
defini¸c˜ao obtemos f ◦ I(n) = I ◦ f(n) =

d≥1,d|n
f(d).
Lema 3.17. I ◦ µ = µ ◦ I = 1.
Demonstrac¸˜ ao.
´
E claro que µ ◦ I(1) = µ(1)I(1) = 1. Se n > 1, ent˜ao
µ ◦ I(n) =

d≥1,d|n
µ(d) = 0. A prova para I ◦ µ ´e idˆentica.
Teorema 3.18 (teorema de invers˜ao de Mœbius). Seja
F(n) :=

d≥1,d min d
f(d).
Ent˜ao
f(n) =

d≥1,d|n
µ(d)F(n/d).
Demonstrac¸˜ ao. Por defini¸c˜ao F = f◦I. Logo, F◦µ = (f◦I)◦µ = f◦(I◦µ) =
f ◦ 1 = f, i.e.,
f(n) = F ◦ µ(n) =

d≥1,d|n
µ(d)F(n/d).

O teorema de invers˜ao de Mœbius tem diversas aplica¸c˜oes, dentre elas a fun¸c˜ao
φ de Euler definida da seguinte forma. Seja n ≥ 1 inteiro, φ(n) denota o n´ umero
de inteiros positivos d ≤ n tais que mdc(d, n) = 1.
´
E claro que se p for um n´ umero
primo φ(p) = p −1.
Proposic¸˜ ao 3.19.

d≥1,d|n
φ(d) = n
Demonstrac¸˜ ao. Consideremos as n fra¸c˜oes 1/n, 2/n, , (n−1)/n, n/n. Po-
demos reduzir cada uma delas a forma m´ınima cancelando os fatores primos comuns
do numerador e denominador. Assim, cada uma delas ser´a igual a uma fra¸c˜ao a/b
com mdc(a, b) = 1. Os denominadores ser˜ao sempre divisores de n. O n´ umero de
fra¸c˜oes na forma m´ınima com denominador d, pela defini¸c˜ao da fun¸c˜ao φ, ´e igual a
φ(d). Disto segue a proposi¸c˜ao.
Proposic¸˜ ao 3.20. Se n = p
a1
1
. . . p
ar
r
, ent˜ao
φ(n) = n
_
1 −
1
p
1
_
. . .
_
1 −
1
p
r
−1
_
.
Demonstrac¸˜ ao. Como
n =

d≥1,d|n
φ(d),
3.5. FUNC¸
˜
OES ARITM
´
ETICAS ELEMENTARES 17
pelo teorema de invers˜ao de Mœbius temos
φ(n) =

d≥1,d|n
µ(d)n/d = n −

i
n
p
i
+

i<j
n
p
i
p
j
+. . .
= n
_
1 −
1
p
1
_
. . .
_
1 −
1
p
r
−1
_

CAP´ıTULO 4
Indu¸c˜ao finita
Neste cap´ıtulo apresentamos o m´etodo da indu¸c˜ao finita. Este m´etodo ´e uti-
lizado em diversas circunstˆancias em matem´aticas para provar afirmativas que de-
pendem “indutivamente” dos n´ umeros naturais.
4.1. Enunciados
Axioma 4.1 (princ´ıpio da indu¸c˜ao finita na sua primeira forma). Seja A(n)
uma afirmativa sobre n´ umeros naturais n ∈ N. Suponha que
(1) exista n
0
∈ N tal que A(n
0
) seja verdadeira.
(2) Dado k ≥ n
0
, toda vez que A(k) for verdade, ent˜ao A(k + 1) tamb´em o
ser´a.
Ent˜ao para todo n ≥ n
0
a afirmativa A(n) ´e verdadeira.
Axioma 4.2 (princ´ıpio da indu¸c˜ao finita na sua segunda forma). Seja A(n)
uma afirmativa sobre n´ umeros naturais n ∈ N. Suponha que
(1) exista n
0
∈ N tal que A(n
0
) seja verdadeira.
(2) Se A(k) ´e verdadeira para todo n
0
≤ k < n ent˜ao A(n) tamb´em ´e ver-
dadeira.
Logo para todo n ≥ n
0
a afirmativa A(n) ´e verdadeira.
4.2. Exemplos da indu¸c˜ao na sua primeira forma
Exemplo 4.3. Para todo inteiro n ≥ 1 temos
n

i=1
i =
n(n + 1)
2
.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Para n = 1 temos que 1 =
1.2
2
.
(2) Suponha que

n
i=1
i =
n(n+1)
2
. Ent˜ao
n+1

i=1
i =
n

i=1
i + (n + 1) =
n(n + 1)
2
+ (n + 1) =
(n + 1)(n + 2)
2
.

Lema 4.4. Seja p um n´ umero primo e 1 ≤ i < p inteiro, ent˜ao o binomial
_
p
i
_
´e divis´ıvel por p.
Demonstrac¸˜ ao. Por defini¸c˜ao
_
p
i
_
=
p(p −1) (p −i + 1)
i(i −1) 1
∈ Z.
19
20 4. INDUC¸
˜
AO FINITA
Note que p n˜ao divide nenhum dos fatores do denominador, pois i < p. Logo
podemos colocar p para fora da fra¸c˜ao e o que sobra
(p −1) (p −1 +i)
i(i −1) 1
tamb´em ´e inteiro.
Exemplo 4.5. Seja p um n´ umero primo. Para todo inteiro n ≥ 1 temos que p
divide n
p
−n.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Para n = 1 temos que p divide 1
p
−1 = 0.
(2) Suponha que p [ (n
p
−n). Ent˜ao
(n + 1)
p
−(n + 1) =
p−1

i=1
_
p
i
_
n
i
+ (n
p
−n).
Pelo Lema 4.4 e pela hip´otese de p [ (n
p
− n) concluimos que p [ ((n +
1)
p
−(n + 1)).

Teorema 4.6 (pequeno teorema de Fermat). Seja p um n´ umero primo e a ∈ Z.
Ent˜ao p [ (a
p
−a).
Demonstrac¸˜ ao. O exemplo mostra o teorema para inteiros positivos. Seja
m < 0 inteiro, digamos m = −n para n ≥ 1. Suponha p > 2. Neste caso,
m
p
−m = (−n)
p
−(−n) = −(n
p
−n) que ´e divis´ıvel por p. No caso de p = 2 temos
que se n
2
−n = 2α, ent˜ao m
2
−m = n
2
+n = n + 2α +n = 2(α + 1).
Observac¸˜ ao 4.7. O teorema anterior ´e na verdade equivalente para um inteiro
a n˜ao divis´ıvel por p a p [ (a
p−1
−1). De fato, suponha que a
p
−a = a(a
p−1
−1) = αp
para α ∈ Z. Se p [ a, ent˜ao pelo Lema 3.3 concluimos que p [ (a
p−1
−1).
4.3. Exemplos da indu¸c˜ao finita na sua segunda forma
Ordenamos os n´ umeros primos
p
1
= 2 < p
2
= 3 < p
3
= 5 < p
n
,
onde p
n
denota o n-´esimo n´ umero primo. Seja T o conjunto dos n´ umeros primos.
Teorema 4.8 (Euclides). O conjunto T ´e infinito.
Demonstrac¸˜ ao. Suponhamos que T seja finito, digamos com k elementos,
T = ¦p
1
< < p
k
¦.
Seja
M := p
1
p
k
+ 1.
Notemos que M > p
1
p
k
≥ 2p
k
> p
k
, logo M tem que ser um n´ umero composto.
Pelo teorema fundamental da aritm´etica M ´e produto de n´ umeros primos. Logo
os ´ unicos primos que podem aparecer na sua fatora¸c˜ao s˜ao p
1
, , p
k
, digamos que
p
i
[ M, i.e., existe α
i
≥ 1 inteiro tal que M = α
i
p
i
. Retornando `a defini¸c˜ao de M
obtemos
p
i

i
−p
1
p
i−1
p
i+1
p
k
) = 1.
Os fatores do lado esquerdo s˜ao ambos inteiros, o primeiro ´e positivo e o produto ´e
positivo. Logo a express˜ao entre parˆenteses ´e positiva. Por outro lado p
i
≥ 2, logo
4.3. EXEMPLOS DA INDUC¸
˜
AO FINITA NA SUA SEGUNDA FORMA 21
o lado esquerdo ´e pelo menos 2, enquanto o lado direito ´e 1, o que ´e imposs´ıvel. A
contradi¸c˜ao vem do fato de termos suposto T finito, portanto T ´e infinito.
No pr´oximo cap´ıtulo daremos outras demonstra¸c˜oes deste teorema bem como
discutiremos em maior profundidade os n´ umeros primos.
Exemplo 4.9. Para todo inteiro n ≥ 1 temos p
n
≤ 2
2
n
.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Observe que p
1
= 2 ≤ 2
2
= 4.
(2) Suponha que para todo 1 ≤ m < n tenhamos p
m
≤ 2
2
m
. A demonstra¸c˜ao
do teorema de Euclides mostra que M := p
1
p
n−1
+ 1 n˜ao pode ser di-
vis´ıvel por nenhum dos primos p
1
, , p
n−1
. Logo M s´o pode ser divis´ıvel
por primos maiores que p
n−1
, em particular, p
n
≤ M. Assim,
p
n
≤ p
1
p
n−1
+ 1 ≤ 2
2
2
+. . . 2
n−1
+ 1.
Mas 2
2
+ . . . + 2
n−1
= 2(1 + . . . + 2
n−2
) = 2
2
n−1
−1
2−1
= 2
n
− 2. Portanto,
p
n
≤ 2
2
n
−2
+1. Basta mostrar que 2
2
n
−2
+1 ≤ 2
2
n
, i.e., 4 ≤ 2
2
n
+2
−2
2
n
=
2
2
n
(4 −1), o que ´e verdade.

Exemplo 4.10 (algoritmo de Euclides). Seja b ≥ 1 inteiro. Para todo inteiro
n ≥ 1 existem q, r ∈ Z tais que n = bq +r para 0 ≤ r < n.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Se n < b tome q = 0 e r = n. Se n = b tome q = 1
e r = 0.
(2) Suponhamos que n > b. Ent˜ao 1 ≤ n − b < n. Por hip´otese de indu¸c˜ao,
para todo 1 ≤ m < n existem q
m
, r
m
∈ Z tais que m = bq
m
+ r
m
, onde
0 ≤ r
m
< n. Em particular, existem q

, r

∈ Z tais que n − b = q

b + r

onde 0 ≤ r

< b. Logo n = (q

+1)b +r

e basta tomar q = q

+1 e r = r

.

CAP´ıTULO 5
N´ umeros primos
No cap´ıtulo anterior provamos que o conjunto dos n´ umeros primos ´e infinito.
Daremos 3 outras demonstra¸c˜ oes para este fato. Cada qual tem seu m´erito pr´oprio.
A prova apresentada no cap´ıtulo sobre indu¸c˜ao finita ´e a original de Euclides.
Provaremos tamb´em que existe uma infinidade de n´ umeros primos em certas progre-
ss˜oes aritm´eticas e que fun¸c˜oes polinomiais n˜ao lineares produzem uma infinidade
de n´ umeros compostos.
5.1. Infinidade de primos
Seja T o conjunto dos n´ umeros primos.
Teorema 5.1 (Euclides). O conjunto T ´e infinito.
2a. Demonstrac¸˜ ao. Suponhamos que T seja finito, digamos T = ¦p
1
, ,
p
k
¦. Seja n ≥ 1 inteiro. Pelo Lema 3.9, n = mQ
2
, com m, Q ≥ 1 inteiros e m
livre de quadrados. Por um lado a quantidade de n´ umeros inteiros positivos at´e n ´e
exatamente n. Por outro, m = p
e1
1
p
e
k
k
, onde e
i
∈ ¦0, 1¦, para 1 ≤ i ≤ k. Assim,
escolher m ´e equivalente a escolher os expoentes e
i
, e como tenho duas escolhas
para cada i, o n´ umero de escolhas poss´ıveis para m ´e no m´aximo 2
k
. Observemos
tamb´em que Q ≤

n, logo o n´ umero de escolhas para Q´e no m´aximo

n, portanto,
o n´ umero de escolhas para n ´e no m´aximo 2
k

n, i.e., n ≤ 2
k

n, i.e.,

n ≤ 2
k
,
i.e., n ≤ 2
2k
. Mas k ´e fixo, ´e a cardinalidade do conjunto de n´ umeros primos, e n ´e
um inteiro qualquer, i.e., estamos mostrando que o conjunto dos inteiros positivos
´e limitado, o que ´e imposs´ıvel. Portanto, T ´e infinito.
3a. Demonstrac¸˜ ao. Seja F(n) := 2
2
n
+ 1 o n-´esimo n´ umero de Fermat.
Mostramos anteriormente (exerc´ıcio do cap´ıtulo sobre algoritmo de Euclides) que
se n > m ≥ 1, ent˜ao mdc(F(n), F(m)) = 1. Come¸camos escolhendo um fator primo
q
1
de F(1). Pelo resultado anterior, todo fator primo de F(2) ´e distinto de q
1
, escol-
hemos um destes fatores primos, digamos q
2
. Suponhamos que para todo 1 ≤ m < n
tenhamos escolhido para cada F(m) um fator primo distinto. Novamente pelo re-
sultado anterior todo fator primo de F(n) ´e distinto de q
1
, , q
n−1
, escolhemos um
destes fatores primos, digamos q
n
. Provamos assim (via a Indu¸c˜ao na sua segunda
forma) que para todo n ≥ 1 temos um n´ umero primo q
n
fator de F(n) distinto de
q
1
, , q
n−1
. Produzimos assim um subconjunto infinito ¦q
1
, , q
n
, ¦ ⊂ T de
T. Em particular, T ´e infinito.
Uma quarta demonstra¸c˜ao ´e conseq¨ uˆencia do seguinte teorema.
Teorema 5.2 (*). A s´erie

p∈P
1
p
23
24 5. N
´
UMEROS PRIMOS
diverge.
Para a no¸c˜ao de divergˆencia de s´erie veja [Li, Cap´ıtulo IV].
Demonstrac¸˜ ao. Sejam n ≥ 1 inteiro e p
1
, , p
l(n)
os n´ umeros primos me-
nores ou iguais a n. Seja
λ(n) :=
l(n)

i=1
1
1 −p
i
.
Segue das Preliminares que
1
1 −p
i
=

ai≥0
1
p
ai
i
,
logo
λ(n) =

(a1,··· ,a
l(n)
)
1
p
a1
1
. . . p
a
l(n)
l(n)
,
onde a l(n)-upla (a
1
, , a
l(n)
) ´e formada de inteiros n˜ao negativos. Em particular,
como
1 +
1
2
+. . . +
1
n
< λ(n),
concluimos que λ(n) → ∞ quando n → ∞ (ver [Li, Cap´ıtulo IV, Exemplos 23]).
Em particular, T ´e um conjunto infinito.
Calculando o logartimo de λ(n) (ver Preliminares) obtemos
log(λ(n)) = −
l(n)

i=1
log(1 −p
i
) =
l(n)

i=1

m≥1
1
mp
m
i
=
1
p
1
+. . . +
1
p
l(n)
+
l(n)

i=1

m≥2
1
mp
m
i
.
Note que

m≥2
1
mp
m
i
<

m≥2
1
p
m
i
=
1
p
2
i
1
1 −p
−1
i

2
p
2
i
.
Logo,
log(λ(n)) <
1
p
1
+. . . +
1
p
l(n)
+ 2
_
1
p
2
1
+. . . +
1
p
2
l(n)
_
.
Segue de [Li, Cap´ıtulo IV, Exemplo 29] que

n≥1
n
−2
converge, a fortiori o mesmo
vale para

i≥1
p
−2
i
. Dessa forma, se

p∈P
p
−1
convergisse, existiria uma constante
M tal que log(λ(n)) < M, i.e., λ(n) < e
M
, mas λ(n) →∞, quando n →∞. Assim,

p∈P
p
−1
n˜ao pode convergir.
5.2. Primos em progress˜oes aritm´eticas
Nos pr´oximos 3 par´agrafos procuramos estudar f´ormulas “simples” que “car-
acterizem” os n´ umeros primos. Na verdade procuramos fun¸c˜oes f : N → N cuja
imagem contenha “muitos” n´ umeros primos. Come¸caremos pela fun¸c˜ao linear, dig-
amos f(n) = an + b com a, b ≥ 1 inteiros. Note que f(N) ´e uma progress˜ao
aritm´etica com primeiro elemento a +b e raz˜ao b.
5.2. PRIMOS EM PROGRESS
˜
OES ARITM
´
ETICAS 25
Lema 5.3. Existem infinitos n´ umeros primos da forma 4n + 3 com n ≥ 1
inteiro.
Demonstrac¸˜ ao. Seja p > 2 um n´ umero primo. Comecemos analisando os
poss´ıveis restos da divis˜ao de p por 4. Pelo algoritmo da divis˜ao existem q, r ∈ Z
tais que p = 4q + r com 0 ≤ r < 4. Como p ´e primo as ´ unicas possibilidades para
r s˜ao 1 e 3.
Seja T
4,3
o conjunto dos n´ umeros primos maiores ou iguais a 7 da forma 4n+3.
Suponha que T
4,3
seja infinito, digamos T
4,3
= ¦p
1
< < p
k
¦. Seja
M := 4p
1
p
k
+ 3.
Observe que M deixa resto 3 na divis˜ao por 4. Observe tamb´em que M >
4p
1
p
k
> 4p
k
> p
k
, logo (como p
k
´e o maior n´ umero primo que deixa resto
3 na divis˜ao por 4) M ´e composto. Pelo teorema fundamental da aritm´etica M
fatora-se em um produto de primos.
Note que se a, b ≥ 1 s˜ao inteiros que deixam resto 1 na divis˜ao por 4, ent˜ao o
mesmo ocorre para ab. De fato, se a = 4x + 1, b = 4y + 1, ent˜ao
ab = 4(4xy +x +y) + 1.
Fica como exerc´ıcio verificar (utilizando a primeira forma da indu¸c˜ao finita) que o
mesmo vale para um produto finito a
1
a
n
de inteiros positivos cada qual deixando
resto 1 na divis˜ao por 4.
Assim, n˜ao ´e poss´ıvel que todo fator de M deixe resto 1 na divis˜ao por 4,
i.e., existe algum 1 ≤ i ≤ k tal que p
i
[ M, i.e., M = p
i
α
i
para α
i
≥ 1 inteiro.
Retornando `a defini¸c˜ao de M obtemos
p
i

i
−4p
1
p
i−1
p
i+1
p
k
) = 3.
No lado esquerdo temos um produto de um n´ umero inteiro positivo por outro cujo
produto tamb´em ´e um inteiro positivo, logo o n´ umero inteiro entre parentˆeses ´e um
inteiro positivo. Como p
1
≥ 7, o lado esquerdo ´e pelo menos 7, o que ´e imposs´ıvel.
Portanto T
4,3
´e infinito.
Lema 5.4. Existem infinitos n´ umeros primos da forma 6n + 5 com n ≥ 1
inteiro.
Demonstrac¸˜ ao. Seja p > 2 um n´ umero primo. Pelo algoritmo da divis˜ao
existem q, r ∈ Z tais que p = 6q +r com 0 ≤ r < 6. Como p ´e primo, r s´o pode ser
1 ou 5.
Seja T
6,5
o conjunto dos n´ umeros primos maiores ou iguais a 11 da forma 6n+5
para n ≥ 1 inteiro. Suponha que T
6,5
seja finito, digamos T
6,5
= ¦p
1
< < p
k
¦.
Seja
M := 6p
1
p
k
+ 5.
Note que M deixa resto 5 na divis˜ao por 6. Note tamb´em que M > 6p
1
p
k
>
6p
k
> p
k
. Como p
k
´e o maior n´ umero primo que deixa resto 5 na divis˜ao por 6
obtemos que M ´e composto.
Observe que se a, b ≥ 1 s˜ao inteiros que deixam resto 1 na divis˜ao por 6, ent˜ao
o mesmo ocorre com ab. De fato, se a = 6x + 1, b = 6y + 1, ent˜ao
ab = 6(6xy +x +y) + 1.
Fica como exerc´ıcio mostrar que o mesmo vale para um produto finito a
1
a
n
de
inteiros positivos cada qual deixando resto 1 na divis˜ao por 6.
26 5. N
´
UMEROS PRIMOS
Assim n˜ao ´e poss´ıvel que todo fator de M deixe resto 1 na divis˜ao por 6, i.e.,
existe 1 ≤ i ≤ k tal que p
i
[ M, M = p
i
α
i
para α
i
≥ 1 inteiro. Retornando `a
defini¸c˜ao de M obtemos
p
i

i
−6p
1
p
i−1
p
i+1
p
k
) = 5.
No lado esquerdo temos um produto de um n´ umero inteiro positivo por outro cujo
produto tamb´em ´e um inteiro positivo, logo o n´ umero inteiro entre parentˆeses ´e um
inteiro positivo. Como p
1
≥ 11, o lado esquerdo ´e pelo menos 11, o que ´e imposs´ıvel.
Portanto T
6,5
´e infinito.
No par´agrafo sobre fun¸c˜ao zeta a seguir enunciaremos um teorema devido a
Dirichlet que generaliza os dois lemas anteriores.
5.3. Infinidade de compostos por fun¸c˜oes polinomiais
Queremos agora analisar o que ocorre se a fun¸c˜ao considerada anteriormente
for polinomial. Veremos que em geral o fenˆomeno se contrap˜oe ao caso linear, ou
seja, ´e poss´ıvel apenas garantir uma infinidade de n´ umeros compostos na imagem
de f.
Teorema 5.5. Seja
f(n) := a
d
n
+
a
d−1
n
d−1
+. . . +a
1
n +a
0
,
onde a
d
, , a
0
∈ Z com a
d
> 0. Ent˜ao existem infinitos n´ umeros compostos da
forma f(n).
Demonstrac¸˜ ao. Se para todo n ≥ 1, f(n) for composto nada h´a a fazer.
Caso contr´ario, seja n
0
∈ N tal que f(n
0
) = p n´ umero primo. Seja h ≥ 1 inteiro e
f(n
0
+hp) = a
d
(n
0
+hp)
d
+a
d−1
(n
0
+hp)
d−1
+. . . +a
1
(n
0
+hp) +a
0
.
Note que a soma dos termos constantes (considerando a express˜ao acima como um
polinˆomio em h) ´e igual a
a
d
n
d
0
+a
d−1
n
d−1
0
+. . . +a
1
n
0
+a
0
= p.
Logo,
f(n
0
+hp) = p(1 +a
1
h +a
2
(2n
0
h +h
2
p) +. . .
+a
d−1
((d −1)n
d−2
0
h +. . . + (d −1)n
0
h
d−2
p
d−3
+h
d−1
p
d−2
)
+a
d
(dn
d−1
0
h +. . . +dn
0
h
d−1
p
d−2
+h
d
p
d−1
)).
Observe que o termo l´ıder da express˜ao acima como polinˆomio em h ´e igual a
a
d
p
d−1
p > 0. Assim para um inteiro h ≥ 1 suficiente grande a express˜ao entre
parˆenteses do lado direito menos 1 ´e sempre positiva, portanto f(n
0
+hp) = p(1+α)
com α ≥ 1 inteiro. Em particular, f(n
0
+hp) ´e sempre composto para todo h ≥ 1
suficientemente grande.
Para o caso d = 2 a cota para h ´e h > −(2an
0
+b)/(ap) (fa¸ca a conta neste
caso!).
5.5. CONTANDO N
´
UMEROS PRIMOS 27
5.4. N´ umeros de Fermat e Mersenne
Nesta se¸c˜ao apresentamos os n´ umeros de Fermat e Mersenne e come¸camos a
discuss˜ao de quando podem ser n´ umeros primos. No cap´ıtulo subseq¨ uente sobre
aplica¸c˜oes da teoria de grupos `a aritm´etica elementar descreveremos de forma mais
precisa crit´erios para decidir quando estes n´ umeros s˜ao primos.
Para todo n ≥ 1 inteiro seja F(n) := 2
2
n
+ 1 o n-´esimo n´ umero de Fermat.
Fermat afirmava que todo n´ umero desta forma era primo. Na verdade o que deve
ter ocorrido ´e que ele calculou os quatro primeiros que realmente s˜ao. Entretanto,
Euler mostrou que 641 [ F(5). Daremos uma demonstra¸c˜ao disto posteriormente.
Para todo n ≥ 1 inteiro seja M(n) := 2
n
−1 o n-´esimo n´ umero de Mersenne.
Lema 5.6. Se n ´e composto, ent˜ao M(n) tamb´em ´e composto.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que n = ab com 1 < a, b < n. Ent˜ao
2
n
−1 = (2
a
)
b
−1 = (2
a
−1)(2
a(b−1)
+ 2
a(b−2)
+. . . + 2
a
+ 1)
o que mostra que M(a) [ M(n).
Observac¸˜ ao 5.7. Se quisermos que um n´ umero de Mersenne seja primo, de-
vemos nos restringir `aqueles n´ umeros de Mersenne cujo ´ındice n seja um n´ umero
primo. Mersenne produziu uma lista incompleta e incorreta de M(p)’s para p primo
tais que M(p) ´e primo. Novamente, produziremos a posteriori uma lista ocrreta, a
menos da complexidade computacional, utilizando teoria de grupos.
5.5. Contando n´ umeros primos
Para todo n´ umero real x > 1 seja π(x) := #¦p [ n´ umero primo com p ≤ x¦.
O teorema de Euclides nos garante que lim
x→∞
π(x) = ∞ (para a no¸c˜ao de limite
veja [Li, cap´ıtulo IV]). Nosso objetivo ´e determinar uma estimativa elementar para
a fun¸c˜ao π(x) que conta a quantidade de n´ umeros primos menores ou iguais a um
dado n´ umero real maior que 1. Note que se 1 < x ≤ y, ent˜ao π(x) ≤ π(y). Seja p
n
o n-´esimo n´ umero primo. Ent˜ao π(p
n
) = n.
Proposic¸˜ ao 5.8. Seja log(x) o logaritmo na base e. Ent˜ao
π(x) ≥ log(log(x)).
Demonstrac¸˜ ao. J´a obtivemos anteriormente (via indu¸c˜ao finita) que p
n

2
2
n
. Para todo x > 1 real fixado o conjunto ¦m ≥ 1 [ inteiro, e
e
m
≤ x¦ ´e finito.
Seja n −1 seu maior elemento, i.e., e
e
n−1
≤ x < e
e
n
. Observe que
e
e
n−1
≥ 2
2
n
para n ≥ 4.
De fato, basta mostrar que
e
n−1
≥ 2
n
log(2), ou seja , n −1 ≥ nlog(2) + log(log(2)),
o que ´e verdade pois log(2) < 1. Logo
π(x) ≥ π(e
e
n−1
) ≥ π(2
2
n
) ≥ π(p
n
) = n ≥ log(log(x)).

Utilizaremos o m´etodo da segunda demonstra¸c˜ao do teorema de Euclides para
refinar `a proposi¸c˜ao anterior. Para todo inteiro n ≥ 1 seja γ(n) o conjunto dos
divisores primos de n.
28 5. N
´
UMEROS PRIMOS
Proposic¸˜ ao 5.9.
π(x) ≥
log(¸x|)
2 log(2)
,
onde ¸x| denota a parte inteira de x (para a defini¸c˜ao ver Preliminares).
Demonstrac¸˜ ao. Para qualquer conjunto de n´ umeros primos S denotamos
por f
S
(x) o n´ umero de inteiros positivos n ≤ x tais que γ(n) ⊂ S. Suponha que
S seja finito de cardinalidade t. Escrevemos n = m
2
s com s livre de quadrados.
Note que m ≤

x. Al´em disto temos no m´aximo 2
t
escolhas para s. Portanto,
f
S
(x) ≤ 2
t

x. Seja m := π(x), assim p
m+1
> x. Se S = ¦p
1
, , p
m
¦, ent˜ao
f
S
(x) = ¸x|. Em particular, ¸x| ≤ 2
π(x)

x e disto segue a proposi¸c˜ao.
O m´etodo acima nos d´a uma nova demonstra¸c˜ao do teorema 5.2. De fato, se

p∈P
1/p fosse convergente, ent˜ao existiria n ≥ 1 tal que

j>n
1
p
j
<
1
2
.
Seja S := ¦p
1
, , p
n
¦ e x ≥ 1 inteiro. Ent˜ao x−f
S
(x) ´e igual ao n´ umero de inteiros
positivos m ≤ x tais que γ(m) ,⊂ S. Em outras palavras, contamos o n´ umero de
inteiros 1 ≤ m ≤ x para os quais existe j > n tal que p
j
[ m. Para cada primo p
j
existem ¸x/p
j
| m´ ultiplos de p
j
menores ou iguais a x. Portanto,
x −f
S
(x) ≤

j>n
_
x
p
j
_

j>n
x
p
j
<
x
2
.
A fortiori, f
S
(x) ≥ x/2. Mas, f
S
(x) ≤ 2
n

x. Logo, 2
n


x/2, o que ´e imposs´ıvel
pois n ´e fixo e x ´e vari´avel.
Intimamente relacionada `a fun¸c˜ao π(x) temos a seguinte fun¸c˜ao
θ(x) :=

p∈P,p≤x
log(p).
Utilizaremos θ(x) para limitar π(x). Seja θ(1) := 0.
Proposic¸˜ ao 5.10.
θ(x) < (4 log(2))x.
Demonstrac¸˜ ao. Considere o binomial
_
2n
n
_
=
(n + 1) . . . 2n
1.2 . . . n
.
Este n´ umero ´e um inteiro divis´ıvel por todo n´ umero primo n < p < 2n. Al´em disto,
como
(1 + 1)
2n
=
2n

j=0
_
2n
j
_
, ent˜ao 2
2n
>
_
2n
n
_
.
Em conseq¨ uˆencia,
2
2n
>
_
2n
n
_
>

n<p<2n
p.
Calculando o logartimo,
2nlog(2) >

n<p<2n
log(p) = θ(2n) −θ(n).
5.5. CONTANDO N
´
UMEROS PRIMOS 29
Somando esta rela¸c˜ao para n = 1, 2, 4, , 2
m−1
obtemos
θ(2
m
) < log(2)(2
m+1
−2) < log(2)2
m+1
.
Como na demonstra¸c˜ao da proposi¸c˜ao 5.8 existe m ≥ 1 tal que 2
m−1
< x ≤ 2
m
,
donde
θ(x) ≤ θ(2
m
) < log(2)2
m+1
= (4 log(2))2
m−1
< (4 log(2))x.

Proposic¸˜ ao 5.11. Existe um real c
1
> 0 tal que
π
1
(x) < c
1
x
log(x)
, para x ≥ 2.
Demonstrac¸˜ ao. Observe que
θ(x) ≥


x<p≤x
log(p) ≥ log(

x)(π(x) −π(

x)) ≥ log(

x)π(x) −

xlog(

x).
Logo,
π(x) ≤
2θ(x)
log(x)
+

x ≤ (8 log(2))
x
log(x)
+

x,
onde a ´ ultima desigualdade segue da proposi¸c˜ao anterior. O resultado segue da
observa¸c˜ao que

x < 2x/ log(x) para x ≥ 2.
Corol´ ario 5.12.
lim
x→∞
π(x)
x
= 0.
Nosso objetivo agora ´e obter uma cota inferior para a fun¸c˜ao π(x). Para isto
comecemos observando que
_
2n
n
_
=
_
n + 1
1
__
n + 2
2
_
. . .
_
n +n
n
_
≥ 2
n
.
Por um exerc´ıcio deste cap´ıtulo temos
ord
p
__
2n
n
__
= ord
p
_
(2n)!
(n!)
2
_
=
tp

j=1
__
2n
p
j
_
−2
_
n
p
j
__
,
onde t
p
denota o maior inteiro tal que p
tp
≤ 2n. Logo, t
p
= ¸log(2n)/ log(p)|. Al´em
disto, ¸2x| −2¸x| ´e sempre 0 ou 1, assim
ord
p
__
2n
n
__

log(2n)
log(p)
.
Proposic¸˜ ao 5.13 (*). Existe real c
2
> 0 tal que
π(x) > c
2
x
log(x)
.
Demonstrac¸˜ ao. Pelo que foi feito anteriormente,
2
n

_
2n
n
_

p<2n
p
tp
.
Calculando o logaritmo obtemos,
nlog(2) ≤

p<2n
t
p
log(p) =

p<2n
_
log(2n)
log(p)
_
log(p).
30 5. N
´
UMEROS PRIMOS
Se log(p) > (1/2) log(2n), i.e., p >

2n, ent˜ao ¸log(2n)/ log(p)| = 1. Assim,
nlog(2) ≤

p≤

2n
_
log(2n)
log(p)
_
log(p) +


2n<p<2n
log(p) ≤

2nlog(2n) +θ(2n)
Portanto, θ(2n) ≥ nlog(2) −

2nlog(2n). Mas, lim
n→∞
(

2nlog(2n))/n = 0.
Assim, existe uma constante real T > 0 tal que para n suficientemente grande
θ(2n) > Tn. Toamndo x suficientemente grande e tal que 2n ≤ x < 2n+1 obtemos
θ(x) ≥ θ(2n) > Tn > T
x −1
2
> Cx,
para algum real C > 0 conveniente. Portanto, existe real c
2
> 0 tal que θ(x) > c
2
x
para todo x ≥ 2. Para completar a prova observamos que
θ(x) =

p≤x
log(p) ≤ π(x) log(x).
Portanto,
π(x) ≥
θ(x)
log(x)
> c
2
x
log(x)
.

5.5.1. Coment´arios. As duas proposi¸c˜oes anteriores s˜ao devidas a
˘
Cebychef
(1852). O seguinte teorema suplanta ambas (cf. [Ap, chapter 4], este resultado
depende de teoria anal´ıtica dos n´ umeros).
Teorema 5.14 (teorema dos n´ umeros primos).
lim
x→∞
π(x) =
x
log(x)
.
O teorema dos n´ umeros primos foi conjecturado por Gauss na idade de 15 ou 16
anos. A prova correta surgiu apenas em 1896 por Hadamard e de la Vall´e Poussin
utilizando a fun¸c˜ao zeta de Riemann, que introduziremos no par´agrafo seguinte.
Existem uma infinidade de problemas abertos sobre os n´ umeros primos. Para
mencionar apenas dois :
• Existem infinitos n´ umeros primos da forma n
2
+ 1?
• (Primos gˆemeos) Existem infinitos pares de n´ umeros primos da forma
(p, p + 2)?
Para mais problemas abertos veja [Si] e [Sh].
5.6. Fun¸c˜ao zeta
Nesta se¸c˜ao descreveremos sem prova diversos fatos a respeito da fun¸c˜ao zeta de
Riemann (para a prova destes fatos ver [IrRo, chapter 16]). Esta fun¸c˜ao ´e definida
por
ζ(s) :=

n≥1
n
−s
, onde s ∈ C, '(s) > 1.
Esta s´erie converge em '(s) > 1 e converge uniformemente para '(s) ≥ 1 + δ
para todo δ > 0 (para a no¸c˜ao de convergˆencia ver [Li, cap’ıtulo IV]). A primeira
propriedade ´e que ela admite uma expans˜ao em produto euleriano.
5.6. FUNC¸
˜
AO ZETA 31
Proposic¸˜ ao 5.15. Para '(s) > 1 temos
ζ(s) =

p∈P
1
1 −p
−s
.
Particularmente importante ´e o comportamento assint´otico desta fun¸c˜ao quan-
do s →1. Considerando que

n≥1
1/n diverge suspeitamos que ζ(s) →∞ quando
s →1. Lembre que ζ(s) ´e uma fun¸c˜ao de uma vari´avel complexa.
Proposic¸˜ ao 5.16. Suponha que '(s) > 1. Ent˜ao
lim
s→1
(s −1)ζ(s) = 1.
A proposi¸c˜ao na verdade diz que ζ(s) ´e uma fun¸c˜ao meromorfa com um p´olo
simples em s = 1 (para mais detalhes ver [Ap, chapter 12]).
Corol´ ario 5.17. Quando s →1 temos
log(s)
(log(s −1))
−1
→1.
Proposic¸˜ ao 5.18.
ζ(s) =

p∈P
1
p
s
+R(s),
onde R(s) fica limitada quando s →1.
Dado um subconjunto o do conjunto dos n´ umeros primos T, dizemos que o
tem densidade de Dirichlet se o limite
lim
s→1

p∈S
p
−s
(log(s −1))
−1
existe. Neste caso este limite ´e denotado por d(o) e ´e chamado a densidade de
Dirichlet de o. Esta densidade satisfaz as seguintes propriedades.
Proposic¸˜ ao 5.19. Seja o um subconjunto do conjunto T dos n´ umeros primos.
Ent˜ao
(1) Se o ´e finito, ent˜ao d(o) = 0.
(2) Se o cont´em todos os n´ umeros primos, exceto um n´ umero finito deles,
ent˜ao d(o) = 1.
(3) Se o = o
1
∪ o
2
com o
1
∩ o
2
= ∅, ent˜ao d(o
1
∪ o
2
) = d(o
1
) +d(o
2
).
Teorema 5.20 (teorema das progress˜oes aritm´eticas de Dirichlet). Sejam a ∈
Z e m ≥ 1 inteiro tais que mdc(a, m) = 1. Seja T(a; m) o subconjunto do conjunto
T dos n´ umeros primos que cont´em os primos p tais que p ≡ a (mod m). Ent˜ao
d(T(a; m)) = 1/φ(m). A fortiori, T(a; m) ´e infinito.
5.6.1. Coment´arios (*). Riemann propˆos a seguinte conjectura (que per-
manece em aberto at´e hoje).
Conjectura 5.21 (hip´otese de Riemann). Todos os zeros da fun¸c˜ao zeta de
Riemann ζ(s) est˜ao contidos na reta '(s) = 1/2.
Sabe-se que na reta '(s) = 1/2 existe uma infinidade de zeros da fun¸c˜ao zeta
e que estes s˜ao sim´etricos em rela¸c˜ao `a reta ·(s) = 0. A veracidade da hip´otese de
Riemann implica em maiores informa¸c˜oes sobre a distribui¸c˜ao dos n´ umeros primos
(para mais sobre isto ver [Ap, chapter13]).
32 5. N
´
UMEROS PRIMOS
O inteiro positivo n nada mais ´e que a cardinalidade do anel Z/nZ da arit-
m´etica modular (a ser introducido no pr´oximo cap´ıtulo). Esta analogia faz com
que Dedekind considere a seguinte extens˜ao da fun¸c˜ao zeta. Seja K uma extens˜ao
finita do corpo dos racionais ¸ (ver a parte referente `a teoria de corpos). Existe
um subconjunto O
K
de K que cumpre o mesmo papel de Z com rela¸c˜ao a ¸. Este
conjunto ´e chamado o anel de inteiros de K. Ele tem (entre outras propriedades
importantes) a caracter´ıstica que o anel quociente O
K
/I (onde I ´e um ideal de
O
K
, para mais sobre anel quocientes ver a parte de an´eis) ´e um conjunto finito cuja
cardinalidade ´e denotada por N(I). Assim, Dedekind define a fun¸c˜ao zeta de K
por
ζ
K
(s) :=

I
N(I)
−s
, onde '(s) > 1,
e I percorre todos os ideais de O
K
. Novamente conjectura-se que os zeros desta
fun¸c˜ao est˜ao na reta '(s) = 1/2, o que permanece em aberto. Note que ζ
Q
nada
mais ´e que a fun¸c˜ao zeta de Riemann.
Nos anos 20 e 30 do s´eculo XX, E. Artin, H. Hasse e A. Weil consideraram um
an´alogo “geom´etrico” desta situa¸c˜ao. Nele o papel de ¸ era ocupado pelo corpo de
fun¸c˜oes racionais em uma vari´avel F
q
(τ) sobre um corpo finito F
q
de q elementos
(ver parte de corpos). Neste contexto, L ´e uma extens˜ao finita de F
q
(τ). O corpo
L possui tamb´em um subanel com propriedades similares a O
K
(quando K ´e uma
extens˜ao finita de ¸). Isto permite a constru¸c˜ao de uma fun¸c˜ao zeta associada a
L. Similarmente, pode-se formular como acima uma “hip´otese de Riemann” para
L. Esta ´e chamada uma “hip´otese de Riemann para curvas” porque L nada mais
´e que o corpo de fun¸c˜oes racionais de uma curva sobre um corpo finito (para mais
sobre curvas sobre corpos finitos e a hip´otese de Riemann neste contexto ver [Lo]).
Ap´os casos particulares da hip´otese de Riemann para curvas terem sido tratados
por Artin e Hasse, Weil utilizando variedades abelianas e representa¸c˜oes -´adicas
obt´em em 1948 a prova da “hip´otese de Riemann para curvas” de forma geral.
No ano seguinte (1949) Weil prop˜oe uma vasta generaliza¸c˜ao deste resultado
substituindo F
q
(τ) por um corpo de fun¸c˜oes κ em n vari´aveis sobre F
q
. Neste caso
a extens˜ao finita L de κ nada mais ´e que o corpo de fun¸c˜oes de uma variedade
alg´ebrica sobre F
q
(para variedades alg´ebricas ver [Ha]). De maneira vision´aria
Weil percebe que uma prova da hip´otese de Riemann neste contexto mais geral
seria conseq¨ uˆencia de uma teoria de cohomologia suficientemente “rica” para re-
produzir as propriedades da cohomologia singular sobre os complexos. Segundo
muitos, as conjecturas de Weil foram sem sobra de d´ uvida o problema matem´atico
mais profundo ap´os a segunda guerra mundial. Na busca da cohomologia perdida,
os primeiros passos foram dados por J.-P. Serre introduzindo a cohomologia de feixes
de vetores de Witt. Mas foi A. Grothendieck que compreendeu que a fun¸c˜ao zeta
traz em si algo de novo que n˜ao havia sido percebido pelos gˆeometras alg´ebricos,
desde de os italianos do s´eculo XIX. Ela necessitava de uma base vari´avel, ou seja, a
variedade alg´ebrica era considerada simultaneamente sobre todos os corpos finitos
F
q
n. Para isto introduziu o conceito que revoluciona completamente a geometria
alg´ebrica no s´eculo XX, a teoria de esquemas. Com a contribui¸c˜ao de in´ umeros
matem´aticos al´em de Serre e Grothendieck, dentre eles M. Artin, J.-L. Verdier e
L. Illusie, as teoria de esquemas e de cohomologia evoluiram, permitindo que se
descobrisse que a “cohomologia apropriada”, a cohomologia ´etale (para mais so-
bre a cohomologia ´etale veja [Mi]), e que finalmente em 1973, um ex-aluno de
5.6. FUNC¸
˜
AO ZETA 33
Grothendieck, P. Deligne provasse finalmente as conjecturas de Weil (para os resul-
tados de Deligne veja [We1] e [We2]). Entretanto, o mestre n˜ao ficou satisfeito. Na
verdade Grothendieck havia formulado um programa muito mais amplo, “as conjec-
turas standard”, das quais as conjecturas de Weil eram um corol´ario. Infelizmente,
este programa nunca foi atingido.
CAP´ıTULO 6
Aritm´etica modular
6.1. Aritm´etica modular
Definimos uma fun¸c˜ao soma de classes ⊕ : Z/nZZ/nZ →Z/nZ por a ⊕b :=
a +b.
Lema 6.1. Esta fun¸c˜ao est´a bem definida, i.e., se a

≡ a (mod n) e b

≡ a
(mod n), ent˜ao a

+b

= a +b.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha a

≡ a (mod n) e b

≡ b (mod n), i.e., existem
k, l ∈ Z tais que a

− a = kn e b

− b = ln. Somando estas igualdades, (a

+ b

) −
(a +b) = (k +l)n, i.e., a

+b

≡ a +b (mod n), i.e., a

+b

= a +b.
Definimos tamb´em um fun¸c˜ao produto de classes ¸ : Z/nZ Z/nZ → Z/nZ
por a ¸b := ab.
Lema 6.2. Esta fun¸c˜ao tamb´em est´a bem definida, i.e., se a

≡ a (mod n) e
b

≡ b (mod n), ent˜ao a

b

= ab.
Demonstrac¸˜ ao. Sejam k, l ∈ Z tais que a

− a = kn e b

− b = ln. Logo
a

b

−ab = a

b

−a

b +a

b −ab = a

(b

−b) +b(a

−a) = (a

l +bk)n, i.e., a

b

≡ ab
(mod n), i.e., a

b

= ab.
Proposic¸˜ ao 6.3. O conjunto Z/nZ munido das opera¸c˜oes ⊕ e ¸ ´e um anel
comutativo com unidade.
Demonstrac¸˜ ao. Precisamos provar que as 8 propriedades de 2.3 s˜ao satis-
feitas. Elas s˜ao herdadas das mesmas propriedades para inteiros como segue abaixo.
(1) a⊕(b⊕c) = a⊕b +c = a + (b +c) = (a +b) +c = a +b⊕c = (a⊕b) ⊕c.
(2) a ⊕b = a +b = b +a = b ⊕a.
(3) Note que 0 = n = ¦kn[ k ∈ Z¦ = nZ ´e o conjunto dos inteiros que s˜ao
m´ ultiplos de n. Observe que a ⊕0 = a + 0 = a.
(4) a ⊕n −a = a +n −a = n = 0.
(5) a ¸(b ¸c) = a ¸bc = a(bc) = (ab)c = ab ¸c = (a ¸b) ¸c.
(6) a ¸b = ab = ba = b ¸a.
(7) a ¸1 = a.1 = a.
(8) a ¸(b ⊕c) = a ¸b +c = a(b +c) = ab +ac = ab ⊕ac = (a ¸b) ⊕(a ¸c).

A propriedade de cancelamento em um anel garante que este ´e um dom´ınio de
integridade. Nem sempre Z/nZ ´e um dom´ınio de integridade. Para simplificar a
nota¸c˜ao escreveremos + no lugar de ⊕ e ab no lugar de a ¸b.
Proposic¸˜ ao 6.4. Z/nZ ´e um dom´ınio de integridade se e somente se n = p ´e
um n´ umero primo.
35
36 6. ARITM
´
ETICA MODULAR
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que Z/nZ seja um dom´ınio de integridade. Supo-
nha que n = ab com 1 ≤ a, b ≤ n. Ent˜ao n = 0 = ab = ab. Pela propriedade do
cancelamento, a = 0 ou b = 0. No primeiro caso existe α ≥ 1 inteiro tal que a = nα,
logo n = nαb, i.e., 1 = αb, i.e., b = 1 e a = n. No segundo caso existe β ≥ 1 inteiro
tal que b = nβ, logo n = anβ, i.e., 1 = aβ, i.e., a = 1 e b = n. Portanto, n ´e primo.
Suponha que n = p seja primo. Suponha ab = 0, i.e., ab = 0, i.e., p [ ab.
Pelo Lema 3.3, p [ a ou p [ b, i.e., a = 0 ou b = 0, i.e., vale a propriedade de
cancelamento.
Um elemento a ∈ Z/nZ ´e dito invers´ıvel, se existe b ∈ Z/nZ tal que ab = 1. De-
notamos por (Z/nZ)

o subconjunto de Z/nZ formado pelos elementos invers´ıveis.
Um dom´ınio de integridade D ´e dito um corpo, se para todo a ∈ D¸¦0¦ existe b ∈ D
tal que ab = 1. Assim, Z/nZ ´e um corpo se e somente se (Z/nZ)

= Z/nZ ¸ ¦0¦.
Proposic¸˜ ao 6.5. Z/nZ ´e um corpo se e somente se n = p ´e um n´ umero primo.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que Z/nZ seja um corpo. Seja n = ab com 1 ≤
a, b ≤ n inteiros. Suponha que a < n. Neste caso, a ,= 0. Por hip´otese, existe
c ∈ Z/nZ tal que ac = 1. Note que n = 0 = ab = ab. Multiplicando esta igualdade
por c dos dois lados obtemos 0 = b, i.e., b = n. Neste caso a = 1. Se a = n, ent˜ao
necessariamente b = 1 e portanto n ´e primo.
Reciprocamente, suponha que n = p seja primo. Seja a ∈ Z/nZ¸¦0¦, i.e., p [ a.
Logo mdc(a, p) = 1. Pelo algoritmo euclideano estendido, existem r, s ∈ Z tais que
ra +sp = 1, i.e., ra ≡ 1 (mod p), i.e., ra = ra = 1, i.e., a ∈ (Z/nZ)

.
A princ´ıpio Z/nZ ´e o conjunto de todas as classes a para a ∈ Z. Definido desta
forma Z/nZ poderia ser infinito. Isto n˜ao ocorre.
Proposic¸˜ ao 6.6. Z/nZ = ¦0, , n −1¦ e #Z/nZ = n.
Demonstrac¸˜ ao. Por defini¸c˜ao o conjunto do lado direito est´a contido no con-
junto do lado esquerdo. O que temos que provar ´e a inclus˜ao oposta. Suponha que
a ∈ Z/nZ. Note que podemos sempre supor que a ≥ 0, basta tomar um m´ ultiplo
kn de n suficientemente grande tal que a

= a +kn ≥ 0, uma vez que a = a

. Pelo
algoritmo da divis˜ao, existem q, r ∈ Z tais que a = qn+r com 0 ≤ r < n, i.e., a ≡ r
(mod n), i.e., a = r ∈ ¦0, , n −1¦.
Mostraremos agora que quaisquer duas classes no conjunto da direita s˜ao dis-
tintas. Sejam 0 ≤ a < b < n inteiros. Logo 0 ≤ b −a < b < n, i.e., b ,≡ a (mod n),
i.e., b ,= a.
O conjunto (Z/nZ)

dos invers´ıveis em Z/nZ pode ser caracterizado tamb´em
da seguinte forma.
Proposic¸˜ ao 6.7. (Z/nZ)

= ¦a ∈ Z/nZ[ mdc(a, n) = 1¦.
Demonstrac¸˜ ao. Seja a ∈ (Z/nZ)

, i.e., existe b ∈ Z/nZ tal que ab = ab = 1,
i.e., existe k ∈ Z tal que ab −kn = 1. Seja d = mdc(a, n) ≥ 1. Logo d [ 1, mas isto
s´o ´e poss´ıvel se d = 1.
Seja a ∈ Z/nZ tal que mdc(a, n) = 1. Pelo algoritmo euclideano estendido,
existem r, s ∈ Z tais que ra + sn = 1, i.e., ra ≡ 1 (mod n), i.e., ra = r a = 1, i.e.,
a ∈ (Z/nZ)

.
6.2. CRIT
´
ERIOS DE DIVISIBILIDADE 37
6.2. Crit´erios de divisibilidade
Utilizaremos a aritm´etica modular para demonstrar crit´erios de divisibilidade.
6.2.1. Expans˜ao de um inteiro em uma dada base. Sejam a ≥ 0 e b ≥ 1
inteiros. Seja n ≥ 1 inteiro tal que b
n
seja a maior potˆencia positiva de b menor ou
igual a a, i.e.,
b
n
≤ a < b
n+1
.
Pelo algoritmo da divis˜ao existem q
n
, r
n
∈ Z tais que
a = q
n
b
n
+r
n
, onde 0 ≤ r
n
< b
n
.
Observemos que
0 ≤ q
n
< b.
A primeira desigualdade ´e clara, porque q
n
b
n
´e o maior m´ ultiplo positivo de b
n
que
´e menor ou igual a a. Suponha que q
n
≥ b. Logo
a ≥ b
n+1
+r
n
≥ b
n+1
,
o que n˜ao ´e poss´ıvel. Em seguida, dividimos r
n
por q
n−1
, i.e., existem q
n−1
, r
n−1

Z tais que
r
n
= q
n−1
b
n−1
+r
n−1
, onde 0 ≤ r
n−1
< b
n−1
.
Novamente,
0 ≤ q
n−1
< b.
N˜ao precisamos repetir o argumento da primeira desigualdade, pois ´e o mesmo.
Para a segunda, se q
n−1
≥ b, ter´ıamos
r
n
≥ b
n
+r
n−1
≥ b
n
,
o que n˜ao ´e poss´ıvel. Substituindo na primeira igualdade obtemos
a = q
n
b
n
+q
n−1
b
n−1
+r
n−1
.
Novamente, pelo algoritmo da divis˜ao existem q
n−2
, r
n−2
∈ Z tais que
r
n−1
= q
n−2
b
n−2
+r
n−2
, onde0 ≤ r
n−2
< b
n−2
.
Se q
n−2
≥ b, ent˜ao
r
n−1
≥ b
n−1
+r
n−2
≥ b
n−1
,
o que ´e imposs´ıvel. Portanto, 0 ≤ q
n−2
< b. Prosseguindo sucessivamente obtemos
(6.1) a = q
n
b
n
+q
n−1
b
n−1
+. . . +q
1
b +q
0
,
onde 0 ≤ q
i
< b para todo 0 ≤ i ≤ n. A express˜ao (6.1) ´e chamada a expans˜ao de
a na base b. Denotamos esta expans˜ao por a
b
:= (q
n
q
0
)
b
.
Seja a ≥ 0 inteiro e a = a
n
.10
n
+. . . +a
1
.10 +a
0
sua expans˜ao na base 10. Os
elementos a
n
, , a
0
s˜ao chamados os algarismos de a e a := (a
n
a
0
)
10
.
Exemplo 6.8. Um inteiro a ≥ 0 ´e divis´ıvel por 3 se e somente se

n
i=0
a
i
≡ 0
(mod 3). De fato, 10 ≡ 1 (mod 3), pois 10 − 1 = 9 = 3.3. Logo para todo n ≥ 0,
10
n
≡ 1
n
= 1 (mod 3). Portanto, a ≡

n
i=0
a
i
(mod 3). Logo a ≡ 0 (mod 3) se e
somente se

n
i=0
a
i
≡ 0 (mod 3).
Exemplo 6.9. Um inteiro a ≥ 0 ´e divis´ıvel por 11 se e somente se

n
i=0
(−1)a
i
≡ 0 (mod 11). De fato, 10 ≡ −1 (mod 11), pois 10 − (−1) = 11. Logo para todo
n ≥ 1, 10
n
≡ (−1)
n
(mod 11) e portanto, a ≡

n
i=0
(−1)a
i
(mod 11). Conse-
quentemente, a ≡ 0 (mod 11) se e somente se

n
i=0
(−1)a
i
≡ 0 (mod 11).
38 6. ARITM
´
ETICA MODULAR
Exemplo 6.10. O crit´erio de divisibilidade por 7 ´e um pouco mais intrincado.
A raz˜ao ´e a seguinte: 10 ≡ 3 (mod 7), pois 10 − 3 = 7. Logo 10
2
≡ 3
2
≡ 2
(mod 7), pois 9 − 2 = 7; 10
3
≡ 3.2 = 6 (mod 7); 10
4
≡ 6.3 ≡ 4 (mod 7), pois
18 −4 = 14 = 2.7; 10
5
≡ 4.3 ≡ 5 (mod 7), pois 12 −5 = 7; 10
6
≡ 5.3 ≡ 1 (mod 7),
pois 15 − 1 = 14 = 2.7. Suponha para simplificar que n = 5, i.e., a tem apenas 6
algarismos. Aplicando o mesmo racioc´ınio acima obtemos que a ≡ 0 (mod 7) se e
somente se 5a
5
+ 4a
4
+ 6a
3
+ 2a
2
+ 3a
1
+a
0
≡ 0 (mod 7).
6.3. Contando elementos invers´ıveis
No cap´ıtulo de fatora¸c˜ao de inteiros introduzimos a fun¸c˜ao φ de Euler. Pela
proposi¸c˜ao 6.7 a defini¸c˜ao dada anteriormente coincide com φ(n) := #(Z/nZ)

.
Nesta se¸c˜ao vamos calcular no caso em que n ´e primo ou potˆencia de primo. No
cap´ıtulo seguinte, usando o teorema chinˆes dos restos, faremos o c´alculo geral.
Lema 6.11. Seja p um n´ umero primo. Ent˜ao
φ(p) = p −1.
Demonstrac¸˜ ao. Provamos anteriormente que quando n = p ´e primo (Z/pZ)

= Z/pZ ¸ ¦0¦, logo φ(p) = #(Z/pZ) −1 = p −1.
Lema 6.12. Seja p um n´ umero primo e r ≥ 1 inteiro. Ent˜ao
φ(p
r
) = p
r−1
(p −1).
Demonstrac¸˜ ao. Pela proposi¸c˜ao 6.7, a ∈ (Z/p
r
Z)

se e somente se mdc(a, p
r
)
= 1, i.e., p [ a. Ao inv´es de contarmos estes elementos contaremos aqueles que s˜ao
divis´ıveis por p e subtairemos do total p
r
este n´ umero. Expandimos a na base p,
i.e.,
a = q
r−1
p
r−1
+. . . +q
1
p +q
0
, onde 0 ≤ q
i
< p
´e inteiro para todo 0 ≤ i ≤ r − 1. Assim, p [ a se e somente se q
0
= 0. Para cada
q
i
com 1 ≤ i ≤ r −1 temos exatamente p escolhas. Logo o total de escolhas para a
tal que p [ a ´e p
r−1
. Portanto, φ(p
r
) = p
r
−p
r−1
= p
r−1
(p −1).
CAP´ıTULO 7
Sistemas de congruˆencia
7.1. Equa¸c˜oes diofantinas
Uma equa¸c˜ao diofantina ´e uma equa¸c˜ao polinomial em um n´ umero finito de
vari´aveis cujos coeficientes s˜ao n´ umeros inteiros e/ou racionais e procuramos solu-
¸c˜oes inteiras e/ou racionais. Nesta se¸c˜ao daremos um exemplo de como utilizar a
aritm´etica modular para provar que uma dada equa¸c˜ao diofantina n˜ao tem solu¸c˜oes
inteiras.
Exemplo 7.1. Seja f(x, y) = x
3
− 711y
3
= 5. Perguntamos se existem pares
(a, b) ∈ Z Z tais que f(a, b) = 0. Mostraremos que n˜ao pode existir um tal par
(a, b). De fato, suponha que exista. Logo a
3
≡ 5 (mod 9). Calculemos os cubos
de todos os elementos de Z/9Z. 1
3
= 1; 2
3
= 8, 3
3
= 0, 4
3
= 4
2
4 = 74 = 1;
5
3
= −4
3
= −4
3
= 8; 6
3
= −3
3
= −3
3
= 0; 7
3
= −2
3
= −2
3
= 1; 8
3
= −1
3
= 8.
Portanto, n˜ao existe a ∈ Z tal que a
3
≡ 5 (mod 9), logo n˜ao pode existir (a, b) ∈
Z Z tal que f(a, b) = 0.
7.2. Equa¸c˜oes lineares
Teorema 7.2. Sejam a, b ∈ Z, a ,= 0 e n ≥ 1 inteiro. A equa¸c˜ao ax ≡ b
(mod n) tem solu¸c˜ao se e somente se d := mdc(a, n) [ b.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que x
0
∈ Z seja uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao. Como d
divide a e n, denotamos a = a

d e n = n

d, onde n

, a

∈ Z. Logo existe k ∈ Z tal
que ax
0
−b = kn, i.e., d(a

x
0
−kn

) = b, assim d [ b.
Reciprocamente, suponha que d [ b, digamos b = db

. Pelo algoritmo euclideano
estendido, existem t, s ∈ Z tais que ta +sn = d. Multiplicando ambos os lados por
b

obtemos a(tb

) + snb

= db

= b, i.e., a(tb

) ≡ b (mod n), i.e., tb

´e uma solu¸c˜ao
da equa¸c˜ao.
Observac¸˜ ao 7.3. Observe que se x
0
∈ Z ´e uma solu¸c˜ao de ax ≡ b (mod n),
ent˜ao para todo y
0
≡ x
0
(mod n), concluimos que y
0
tamb´em ´e solu¸c˜ao da equa¸c˜ao
(assim dizemos que a classe x
0
de x
0
´e uma solu¸c˜ao para ax = b). De fato, y
0
=
x
0
+kn para algum k ∈ Z e ax
0
= b+ln para algum l ∈ Z. Logo ay
0
= b+ln+akn =
b + (l +ak)n, i.e., ay
0
≡ b (mod n).
Teorema 7.4. Suponha que a equa¸c˜ao ax ≡ b (mod n) admita uma solu¸c˜ao
x
0
∈ Z. O n´ umero de solu¸c˜oes (m´odulo n) de ax ≡ b (mod n) ´e d e elas s˜ao dadas
pelas classes cujos representantes s˜ao x
0
, x
0
+n

, , x
0
+ (d −1)n

.
Demonstrac¸˜ ao. Provemos inicialmente que cada um desses elementos ´e solu-
¸ c˜ao. Escrevemos y
0
= x
0
+ kn

para algum 0 ≤ k ≤ d − 1 inteiro. Logo ay
0
=
ax
0
+akn

= b +ln +akn

= b +ln +a

dkn

= b +ln +a

kn = b +n(l +a

k), i.e.,
ay
0
≡ b (mod n). Em seguida observemos que se 0 ≤ k < r ≤ d − 1 s˜ao n´ umeros
39
40 7. SISTEMAS DE CONGRU
ˆ
ENCIA
inteiros, ent˜ao x
0
+kn

,≡ x
0
+rn

(mod n). De fato, 0 < (x
0
+rn

) −(x
0
+kn

) =
n

(r −k) < n

d = n, logo n [ ((x
0
+rn

) −(x
0
+kn

) = n

(r −k)).
7.3. Sistemas de equa¸c˜oes lineares
Teorema 7.5. Sejam m, n ≥ 1 inteiros tais que mdc(m, n) = 1 e a, b ∈ Z.
Existe x ∈ Z tal que o sistema
_
x ≡ a (mod m)
x ≡ b (mod n)
tenha solu¸c˜ao.
Demonstrac¸˜ ao. Pelo algoritmo euclideano estendido existem t, s ∈ Z tais
que tm+sn = 1. Logo
tm ≡ 1 (mod n) e sn ≡ 1 (mod m).
Seja x
0
:= asn +btm. Observe que
x
0
≡ asn (mod m) ≡ a (mod m) e x
0
≡ btm (mod n) ≡ b (mod n).

Teorema 7.6. Sejam m
1
, , m
r
≥ 1 inteiros tais que para todo 1 ≤ i ,= j ≤ r,
mdc(m
i
, m
j
) = 1. Sejam a
1
, , a
r
∈ Z. Existe x ∈ Z tal que o sistema
(7.1)
_
¸
_
¸
_
x ≡ a
1
(mod m
1
)

x ≡ a
r
(mod m
r
)
tenha solu¸c˜ao.
Demonstrac¸˜ ao. Seja
m := m
1
m
r
e para todo 1 ≤ i ≤ r, seja
n
i
:=
m
m
i
= m
1
m
i−1
m
i+1
m
r
.
Como para cada j ,= i, mdc(m
j
, m
i
) = 1, temos que mdc(n
i
, m
i
) = 1. Pelo
algoritmo euclideano estendido existem t
i
, s
i
∈ Z tais que t
i
n
i
+s
i
m
i
= 1, i.e.,
t
i
n
i
≡ 1 (mod m
i
)
e para todo j ,= i, como n
i
≡ 0 (mod m
j
), ent˜ao
t
i
n
i
≡ 0 (mod m
j
).
Tome
x
0
:= a
1
t
1
n
1
+. . . +a
r
t
r
n
r
.
De fato, para todo 1 ≤ i ≤ r, temos
x
0
≡ a
i
t
i
n
i
(mod m
i
) ≡ a
i
(mod m
i
),
uma vez que
a
j
t
j
n
j
≡ 0 (mod m
i
) para i ,= j.

7.5. APLICAC¸
˜
AO 41
7.4. Teorema Chinˆes dos Restos
Nota¸c˜ao. Dado n ≥ 1 inteiro e a ∈ Z denotaremos nesta se¸c˜ao a classe de a
m´odulo n por a + nZ. Isto ´e motivado pelo fato que um elemento ´e equivalente a
a m´odulo n se e somente se ele difere de a por um m´ ultiplo de n.
Teorema 7.7. Sejam m
1
, , m
r
≥ 1 inteiros tais que para todo 1 ≤ i ,= j ≤ r,
mdc(m
i
, m
j
) = 1. Seja m := m
1
m
r
. Existe uma bije¸c˜ao
ϕ :
Z
mZ

Z
m
1
Z
. . .
Z
m
r
Z
definida por
ϕ(a +mZ) = (a +m
1
Z, , a +m
r
Z).
Seja ψ a restri¸c˜ao de ϕ a (Z/mZ)

, ent˜ao
ψ :
_
Z
mZ
_


_
Z
m
1
Z
_

. . .
_
Z
m
r
Z
_

tamb´em ´e uma bije¸c˜ao.
Demonstrac¸˜ ao. Provemos inicialmente que ϕ est´a bem definida. De fato, se
b ≡ a (mod m), ent˜ao para todo 1 ≤ i ≤ r, m
i
[ m [ (b −a), logo b ≡ a (mod m
i
),
i.e., b +m
i
Z = a +m
i
Z.
Provemos agora que ϕ ´e injetiva. Suponha que ϕ(a + mZ) = ϕ(b + mZ), i.e.,
para todo 1 ≤ i ≤ r, a ≡ b (mod m
i
). Como para i ,= j, mdc(m
i
, m
j
) = 1,
concluimos que m [ (a −b), i.e., a +mZ = b +mZ.
Provar que ϕ ´e sobrejetiva equivale a dizer que para todo (a
1
+m
1
Z, , a
r
+
m
r
Z) ∈ Z/m
1
Z . . . Z/m
r
Z ´e da forma ϕ(x + mZ) para algum x ∈ Z, i.e., que
o sistema (7.1) tema solu¸c˜ao, o que j´a foi provado.
Provemos agora que um elemento invers´ıvel m´odulo m tem imagem cujas
componentes s˜ao invers´ıveis com respeito aos respectivos m´odulos. Suponha que
a + mZ ∈ (Z/mZ)

, i.e., mdc(a, m) = 1. Como m = m
1
m
r
, concluimos que
para cada 1 ≤ i ≤ r, mdc(a, m
i
) = 1, i.e., a + m
i
Z ∈ (Z/m
i
Z)

. Como ψ ´e obtida
restringindo ϕ a um subconjunto do dom´ınio, concluimos que ψ tamb´em ´e injetiva.
Quanto a sobrejetividade, seja (a
1
+m
1
Z, , a
r
+m
r
Z) ∈ (Z/m
1
Z)

. . .
(Z/m
r
Z)

. Pela parte anterior sabemos que existe x ∈ Z tal que ϕ(x+mZ) = (a
1
+
m
1
Z, , a
r
+m
r
Z). Observemos que na verdade x+mZ ∈ (Z/mZ)

. De fato, para
cada 1 ≤ i ≤ r, x + m
i
Z = a
i
+ m
i
Z, i.e., x ≡ a
i
(mod m
i
), mas mdc(a
i
, m
i
) = 1,
logo mdc(x, m
i
) = 1 para todo 1 ≤ i ≤ r. Como m = m
1
m
r
e mdc(m
i
, m
j
) = 1
para i ,= j obtemos que mdc(x, m) = 1, i.e., x +mZ ∈ (Z/mZ)

.
Corol´ ario 7.8. Para todo n ≥ 1 inteiro seja φ(n) = #(Z/nZ)

. Ent˜ao
φ(m) = φ(m
1
) φ(m
r
).
7.5. Aplica¸c˜ao
Seja n = p
e1
1
p
er
r
a fatora¸c˜ao do inteiro n ≥ 1. Pelo corol´ario 7.8 e pelo lema
6.12,
(7.2) φ(n) = φ(p
e1
1
) φ(p
er
r
) = p
e1−1
1
(p
1
−1) p
er−1
r
(p
r
−1)
= p
e1
1
_
1 −
1
p
1
_
p
er
r
_
1 −
1
p
r
_
= n

p|n
_
1 −
1
p
_
.
42 7. SISTEMAS DE CONGRU
ˆ
ENCIA
Vamos utilizar a f´ormula (7.2) para uma aplica¸c˜ao.
Proposic¸˜ ao 7.9. Suponha que φ(n) = p seja um n´ umero primo. Ent˜ao n = 3,
4 ou 6.
Demonstrac¸˜ ao. Se r > 2, ent˜ao e
i
= 1 para todo 1 ≤ i ≤ r. Logo φ(n) =

r
i=1
(p
i
− 1). Como r > 2 existem pelo menos dois primos ´ımpares na fatora¸c˜ao,
logo 4 [ φ(n), o que n˜ao ´e poss´ıvel. Logo r ≤ 2. Suponhamos inicialmente r = 2,
i.e., φ(n) = p
e1−1
1
(p
1
− 1)p
e2−1
2
(p
2
− 1). Se p
1
, p
2
> 2 ent˜ao (novamente) 4 [ φ(n).
Logo p
1
= 2 e φ(n) = 2
e1−1
p
e2−1
2
(p
2
− 1). Se e
1
> 1, como p
2
> 2, ent˜ao 4 [ φ(n).
Assim, e
1
= 1 e φ(n) = p
e2−1
2
(p
2
− 1). Se e
2
> 1, ent˜ao φ(n) tem 2 e p
2
como
fatores primos. Assim, e
2
= 1 e φ(n) = p
e2−1
2
. Novamente, como este n´ umero ´e
primo, e
2
= 1 e φ(n) = p
2
−1. Mas este n´ umero ´e par e primo, logo p
2
= 3 e n = 6.
Suponhamos que r = 1, i.e., φ(n) = p
e1−1
1
(p
1
− 1). Se p
1
= 2, ent˜ao φ(n) =
2
e1−1
. A ´ unica forma deste n´ umero ser primo ´e e
1
= 2, logo n = 4. Suponha
p
1
> 2. Se e
1
> 1, ent˜ao φ(n) tem 2 fatores primos p
1
e 2 (pois p
1
− 1 ´e par),
imposs´ıvel. Assim, e
1
= 1 e φ(n) = p
1
− 1. Isto j´a foi feito anteriormente, i.e.,
p
1
= 3 e n = 3.
CAP´ıTULO 8
Aplica¸c˜oes da teoria de grupos `a teoria elementar
dos n´ umeros
Neste cap´ıtulo desenvolveremos aplica¸c˜oes da teoria de grupos `a aritm´etica
elementar. Utilizaremos os resultados do cap´ıtulo 9.
8.1. Primalidade de n´ umeros de Mersenne
Para todo inteiro n ≥ 1, seja M
n
:= 2
n
− 1 o n-´esimo n´ umero de Mersenne.
Nosso objetivo ´e utilizar a teoria de grupos para determinar se M
n
´e primo ou obter
seu menor fator primo. J´a provamos anteriormente que se n ´e composto, ent˜ao M
n
tamb´em o ´e. Assim, consideraremos apenas M
p
para p primo.
Seja q um fator primo de M
p
, i.e., 2
p
≡ 1 (mod q). Portanto em (Z/qZ)

temos
2
p
= 1, i.e., o(2) [ p. Como p ´e primo temos que o(2) = 1 ou p. O primeiro caso
n˜ao pode ocorrer, pois 2 ,= 1. Logo o(2) = p. Pelo teorema de Lagrange,
o(2) = p [ #(Z/qZ)

= φ(q) = q −1,
i.e., existe k ≥ 1 inteiro tal que q = 1 +kp.
Proposic¸˜ ao 8.1. Todo fator primo de M
p
´e da forma 1+kp para algum inteiro
k ≥ 1.
Provamos anteriormente que o menor fator primo de um n´ umero inteiro n ≥ 1
´e no m´aximo

n. Logo
q ≤

2
p
−1 < 2
p/2
, i.e. , k <
2
p/2
−1
p
.
Dessa forma para determinar um fator primo de M
p
testamos para cada inteiro k
tal que
1 ≤ k <
2
p/2
−1
p
se 1 + kp ´e primo e se divide M
p
. Se para cada k pelo menos um desses fatos n˜ao
ocorrer ent˜ao M
p
´e um n´ umero primo.
8.2. Primalidade de n´ umeros de Fermat
Para todo inteiro n ≥ 1, seja F
n
:= 2
2
n
+ 1 o n-´esimo n´ umero de Fermat. Seja
q um fator primo de F
n
. Ent˜ao 2
2
n
≡ −1 (mod q), logo 2
2
n+1
≡ 1 (mod q), i.e.,
2
2
n+1
= 1 em (Z/qZ)

. Neste caso
o(2) [ (2
n+1
), i.e. , o(2) = 2
d
para 1 ≤ d ≤ n + 1.
Afirmamos que d = n + 1. De fato, se d < n + 1, ent˜ao
2
2
n
= (2
2
d
)
2
n−d
= 1,
43
44 8. APLICAC¸
˜
OES DA TEORIA DE GRUPOS
o que ´e um absurdo, portanto o(2) = 2
n+1
. Pelo teorema de Lagrange,
o(2) = 2
n+1
[ #(Z/qZ)

= φ(q) = q −1,
i.e., existe k ≥ 1 tal que q = 1 +k2
n+1
.
Proposic¸˜ ao 8.2. Todo fator primo de F
n
´e da forma 1 + k2
n+1
para algum
inteiro k ≥ 1.
Como no caso dos n´ umeros de Mersenne, temos que
q ≤
_
2
2
n
+ 1, i.e. , k ≤

2
2
n
+ 1 −1
2
n+1
.
Dessa forma para determinar um fator primo de F
n
testamos para cada inteiro k
tal que
1 ≤ k <

2
2
n
+ 1 −1
2
n+1
se 1 + k2
n+1
´e primo e se divide F
n
. Se para cada k pelo menos um desses fatos
n˜ao ocorrer ent˜ao F
n
´e um n´ umero primo.
8.3. N´ umeros de Carmichael
O pequeno teorema de Fermat afirma que se p ´e um n´ umero primo e a ∈ Z
tal que p [ a, ent˜ao a
p−1
≡ 1 (mod p). Assim, isto funciona para todo 1 ≤ a < p
inteiro. Isto motiva a seguinte defini¸c˜ao.
Definic¸˜ ao 8.3. Seja n ≥ 3 inteiro ´ımpar e 1 ≤ b < n inteiro. Dizemos que n
´e pseudoprimo na base b se b
n−1
≡ 1 (mod n).
Observac¸˜ ao 8.4. Segue do pequeno teorema de Fermat que um n´ umero primo
p ´e pseudoprimo em toda base 1 ≤ b < p. Observe que a princ´ıpio para um n´ umero
composto n n˜ao podemos esperar que ele seja pseudoprimo em toda base. De fato,
seja d = mdc(b, n). Suponha que d > 1 e que n seja pseudoprimo na base b, i.e.,
existe k ∈ Z tal que b
n−1
− 1 = kn. Logo d [ 1, o que n˜ao ´e poss´ıvel. Assim
verificaremos a congruˆencia apenas para as bases b tais que mdc(b, n) = 1, i.e.,
b ∈ (Z/nZ)

.
Definic¸˜ ao 8.5. Seja n ≥ 3 ´ımpar composto. Suponha que para todo inteiro
1 ≤ b < n tal que mdc(b, n) = 1 tenhamos b
n−1
≡ 1 (mod n). Dizemos que n ´e um
n´ umero de Carmichael.
Exemplo 8.6. 561 ´e o menor n´ umero de Carmichael.
´
E claro que provar isto
diretamente ´e trabalhoso, precisamos para cada inteiro
1 ≤ b < 561 tal que mdc(b, 561) = 1
verificar que
b
560
≡ 1 (mod 561).
Ao inv´es disto observemos que
561 = 3.11.17.
Dizer que
b
560
≡ 1 (mod 561)
8.4. TEOREMA DA RAIZ PRIMITIVA 45
equivale a dizer que 561 [ (b
560
− 1), i.e., que 3 [ (b
560
− 1), 11 [ (b
560
− 1) e
17 [ (b
560
− 1). Como mdc(b, 561) = 1, concluimos que mdc(b, 3) = mdc(b, 11) =
mdc(b, 17) = 1. Aplicando o pequeno teorema de Fermat concluimos que
b
2
≡ 1 (mod 3), logo b
560
= (b
2
)
280
≡ 1 (mod 3);
b
10
≡ 1 (mod 11), logo b
560
= (b
10
)
56
≡ 1 (mod 11);
b
16
≡ 1 (mod 17), logo b
560
= (b
16
)
35
≡ 1 (mod 17).
Generalizaremos agora o procedimento do exemplo, de forma a provar, a partir
da fatora¸c˜ao de n, que n ´e um n´ umero de Carmichael.
Teorema 8.7 (teorema de Korselt). Seja n ≥ 3 ´ımpar composto. n ´e um
n´ umero de Carmichael se e somente se
(1) n ´e livre de quadrados.
(2) Para todo fator primo p de n, (p −1) [ (n −1).
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que as 2 condi¸c˜oes acima sejam satisfeitas. Seja
1 ≤ b < n inteiro tal que mdc(b, n) = 1. Afirmamos que para todo fator primo p de
n, temos b
n−1
≡ 1 (mod p).
De fato, como mdc(b, n) = 1, ent˜ao mdc(b, p) = 1. Pelo pequeno teorema de
Fermat, b
p−1
≡ 1 (mod p). Por hip´otese, existe k ∈ Z tal que n − 1 = k(p − 1),
logo b
n−1
= (b
p−1
)
k
≡ 1 (mod p). Al´em disto temos que n fatora-se n = p
1
p
r
.
Como os p
i
’s s˜ao distintos e para todo 1 ≤ i ≤ r, p
i
[ (b
n−1
− 1), concluimos que
n [ (b
n−1
−1), i.e., b
n−1
≡ 1 (mod n).
Reciprocamente, seja p um fator primo de n e suponhamos que p
2
[ n. Observe
que
(p −1)
n−1
=
n−1

i=0
_
n −1
i
_
(−1)
n−1−i
p
i
≡ (n −1)(−1)
n−2
p + 1 ,≡ 1 (mod p
2
),
logo (p −1)
n−1
,≡ 1 (mod n), portanto n n˜ao pode ser um n´ umero de Carmichael.
Observe que efetivamente, mdc(p − 1, n) = 1, pois se este mdc fosse igual a d,
concluiriamos que d [ 1, assim d = 1.
Para provar a validade da segunda condi¸c˜ao precisamos do teorema da raiz
primitiva que provaremos na se¸c˜ao seguinte. Ele afirma que se p ´e um n´ umero
primo, ent˜ao o grupo (Z/pZ)

´e um grupo c´ıclico.
De fato, seja a um gerador de (Z/pZ)

. Ent˜ao mdc(a, n) = 1 e uma vez que n ´e
um n´ umero de Carmichael, temos a
n−1
≡ 1 (mod n). A fortiori, a
n−1
≡ 1 (mod p).
Ou seja, a
n−1
= 1 em (Z/pZ)

. Logo, pelo lema chave, p −1 = o(a) [ (n −1).
8.4. Teorema da raiz primitiva
Seja n ≥ 3 inteiro ´ımpar. Provamos anteriormente que φ(n) < n, i.e., φ(n) ≤
n − 1. Note que φ(n) conta exatamente a quantidade de classes a ∈ (Z/nZ)

tais
que mdc(a, n) = 1. Assim, φ(n) = n − 1 se e somente se n ´e primo. Se existir
uma classe a ∈ (Z/nZ)

tal que o(a) = n − 1, ent˜ao (pelo teorema de Lagrange)
(n − 1) [ φ(n), logo vale n − 1 = φ(n). Portanto, se (Z/nZ)

for c´ıclico, ent˜ao n ´e
primo. O objetivo deste cap´ıtulo ´e mostrar a rec´ıproca deste resultado.
Teorema 8.8 (teorema da raiz primitiva). Se p ´e primo, ent˜ao (Z/pZ)

´e
c´ıclico.
46 8. APLICAC¸
˜
OES DA TEORIA DE GRUPOS
Note que (Z/4Z)

´e c´ıclico de ordem 2. Utilizando o teorema chinˆes dos restos
temos (como conseq¨ uˆencia do teorema da raiz primitiva) que (Z/2pZ)

tamb´em ´e
c´ıclico para p primo.
Demonstrac¸˜ ao. Seja a
1
∈ (Z/pZ)

e d
1
:= o(a
1
). Se d
1
= p − 1, acabou.
Sen˜ao, seja H
1
o subgrupo c´ıclico de (Z/pZ)

gerado por a
1
. Temos que H
1
_
(Z/pZ)

. Note que H
1
coincide exatamente com as solu¸c˜oes de x
d1
−1 em (Z/pZ)

.
Seja b
1
∈ (Z/pZ)

¸ H
1
. Pelo mesmo argumento da prova da proposi¸c˜ao 9.36 temos
que existe a
2
∈ (Z/pZ)

tal que o(a
2
) = mmc(o(a
1
), o(b
1
)) > o(a
1
). Se o(a
2
) = p−1
acabou. Sen˜ao repetimos o argumento acima obtendo um elemento a
3
cuja ordem
´e estritamente maior que o(a
2
). Como todas essas ordens s˜ao no m´aximo p −1 n˜ao
podemos ter uma seq¨ uˆencia estritamente crescente infinita de n´ umeros menores que
p −1. Portanto existe i tal que o(b
i
) = p −1.
Parte 2
Grupos
CAP´ıTULO 9
Teoria de Grupos I
9.1. Defini¸c˜ao e exemplos
Definic¸˜ ao 9.1. Um grupo ´e um conjunto G munido de uma opera¸c˜ao ∗ :
GG →G dada por (x, y) →x ∗ y satisfazendo `as seguintes propriedades:
(1) (associatividade) para todo x, y, z ∈ G, x ∗ (y ∗ z) = (x ∗ y) ∗ z.
(2) (Elemento neutro) existe e ∈ G tal que e ∗ x = x ∗ e = x para todo x ∈ G.
(3) (Inverso) para todo x ∈ G existe y ∈ G tal que x ∗ y = y ∗ x = e.
O grupo G ´e dito abeliano ou comutativo se al´em disto x ∗ y = y ∗ x para todo
x, y ∈ G.
Em seguida daremos exemplos de grupos. Para fixar a nota¸c˜ao suponha que
a opera¸c˜ao seja de “multiplica¸c˜ao” e que o inverso de um elemento x ∈ G seja
denotado por x
−1
.
Observac¸˜ ao 9.2. Seja G um grupo e x, y ∈ G. Afirmamos que
(xy)
−1
= y
−1
x
−1
.
De fato,
xy(y
−1
x
−1
) = x(yy
−1
)x
−1
= xx
−1
= 1
y
−1
x
−1
(xy) = y
−1
(x
−1
x)y = y
−1
y = 1.
Definic¸˜ ao 9.3. Um grupo G ´e dito finito se possui um n´ umero finito de e-
lementos, caso contr´ario ´e dito infinito. Se G for um grupo finito, o n´ umero de
elementos de G ´e chamado a ordem de G e denotado por #G.
Exemplo 9.4 (grupos abelianos infinitos). Z, ¸, 1, C e ∗ = +.
Exemplo 9.5 (grupos abelianos infinitos). ¸¸ ¦0¦, 1 ¸ ¦0¦, C ¸ ¦0¦ e ∗ = . .
Exemplo 9.6. Seja
M
2
(1) :=
__
a b
c d
_
[ a, b, c, d ∈ 1
_
o conjunto das matrizes 2 2 com entradas reais. Este conjunto ´e um grupo com
a opera¸c˜ao sendo a soma de matrizes. Seja
GL
2
(1) :=
__
a b
c d
_
∈ M
2
(1) [ ad −bc ,= 0
_
.
Todas estas matrizes s˜ao invers´ıveis com respeito `a multiplica¸c˜ao de matrizes. As-
sim GL
2
(1) munido do produto de matrizes ´e um grupo chamado grupo linearem
49
50 9. TEORIA DE GRUPOS I
dimens˜ao 2 sobre os reais. Ambos os grupos s˜ao infinitos. O primeiro ´e abeliano.
Notemos que GL
2
(1) n˜ao ´e comutativo. De fato,
_
0 1
1 0
__
1 0
1 1
_
=
_
1 1
1 0
_
e
_
1 0
1 1
__
0 1
1 0
_
=
_
0 1
1 1
_
.
Exemplo 9.7. Seja G = Z/nZ e ∗ = ⊕. Este ´e um grupo abeliano de ordem
n. Seja G = (Z/nZ)

e ∗ = ¸. Este ´e um grupo de ordem φ(n).
Exemplo 9.8. Denotamos por S

o grupo das simetrias do triˆangulo equil´ate-
ro. A opera¸c˜ao ser´a ◦, a composi¸c˜ao de fun¸c˜oes. Fixemos os v´ertices do triˆangulo
no c´ırculo unit´ario
S
1
:= ¦z ∈ C[ [z[ = 1¦ por V
1
= e
2πi
, V
2
= e
2πi/3
e V
3
= e
4πi/3
.
Cada simetria ser´a uma fun¸c˜ao bijetiva f : ¦V
1
, V
2
, V
3
¦ → ¦V
1
, V
2
, V
3
¦ dada por
f(V
i
) = V
σ(i)
, onde denotamos f na forma matricial por
_
1 2 3
σ(1) σ(2) σ(3)
_
.
Denotamos α := R
2π/3
a rota¸ c˜ao de 2π/3 que ´e dada por
α =
_
1 2 3
2 3 1
_
.
A rota¸c˜ao de 4π/3, R
4π/3
= R
2π/3
◦ R
2π/3
que ser´a denotada por α
2
´e dada por
α
2
=
_
1 2 3
3 1 2
_
.
Finalmente a rota¸c˜ao de 2π = 6π/3 nada mais ´e que id e ´e denotada por α
3
, assim
α
3
= id. Al´em disto temos as simetrias em rela¸c˜ao `as retas que passam pelos
v´ertices e pelo centro do lado oposto, denotamos estas retas por l
i
para i = 1, 2, 3.
Seja β := S
l3
a simetria em rela¸c˜ao `a reta l
3
,
β =
_
1 2 3
2 1 3
_
.
Note que β
2
= id. Seja S
l1
a simetria em rela¸c˜ao `a reta l
1
,
S
l1
=
_
1 2 3
1 3 2
_
.
Novamente S
2
l3
= id. Finalmente,
S
l2
=
_
1 2 3
3 1 2
_
e S
2
l2
= id. Assim, S

= ¦id, α, α
2
, β, S
l1
, S
l2
¦. Para provar que S

´e um grupo
precisamos verificar as 3 propriedades da defini¸c˜ao. A associatividade segue do
fato de composi¸c˜ao de fun¸c˜oes ser associativa. O elemento neutro segue do fato
que a composi¸c˜ao da identidade com qualquer fun¸c˜ao ser a qualquer fun¸c˜ao. Basta
portanto verificar os inversos. De
α
3
= αα
2
= id
9.1. DEFINIC¸
˜
AO E EXEMPLOS 51
concluimos que
α
−1
= α
2
e que (α
2
)
−1
= α.
De
β
2
= ββ = id,
concluimos que
β
−1
= β.
Antes de verificarmos os dois restantes calculemos
αβ =
_
1 2 3
2 3 1
__
1 2 3
2 1 3
_
=
_
1 2 3
1 3 2
_
= S
l1
e
α
2
β =
_
1 2 3
3 1 2
__
1 2 3
2 1 3
_
=
_
1 2 3
3 2 1
_
= S
l2
.
Geometricamente j´a verificamos que (αβ)
2
= (α
2
β)
2
= id, logo (αβ)
−1
= αβ e

2
β)
−1
= α
2
β. Dessa forma S

´e um grupo de ordem 6. Vamos ver isto de forma
puramente alg´ebrica e aproveitar para mostrar que S

n˜ao ´e abeliano. Calculemos,
(9.1) βα =
_
1 2 3
2 1 3
__
1 2 3
2 3 1
_
=
_
1 2 3
3 2 1
_
= α
2
β.
Pela observa¸c˜ao 9.2 e por (9.1) temos que
(αβ)
−1
= β
−1
α
−1
= βα
2
= α
2
βα = α
4
β = αβ e

2
β)
−1
= β
−1

2
)
−1
= βα = α
2
β.
Exemplo 9.9. O grupo S

das simetrias do quadrado. Denotamos os v´ertices
por
V
1
= e
2πi
, V
2
= e
πi/2
, V
3
= e
πi
e V
4
= e
3πi/2
.
Seja α := R
π/2
a rota¸c˜ao por π/2 que ´e dada por
α =
_
1 2 3 4
2 3 4 1
_
,
a rota¸c˜ao de π ´e dada por
R
π
:= α
2
=
_
1 2 3 4
3 4 1 2
_
,
a rota¸c˜ao de 3π/2 ´e dada por
R
3π/2
:= α
3
=
_
1 2 3 4
4 1 2 3
_
e a rota¸c˜ao de 2π ´e dada por R

:= α
4
= id. Temos tamb´em a simetria em rela¸c˜ao
`as retas l
1
, respectivamente l
3
, passando por divindo ao meio os lados V
1
V
4
e V
2
V
3
,
respectivamente V
1
V
2
e V
3
V
4
. Assim,
β := S
l3
=
_
1 2 3 4
2 1 4 3
_
e
S
l1
=
_
1 2 3 4
4 3 2 1
_
.
52 9. TEORIA DE GRUPOS I
Notemos que geometricamente β
2
= S
2
l1
= id. Finalmente temos as simetrias em
rela¸c˜ao `as diagonais d
1
, respectivamente d
2
, dada por V
1
V
3
, respectivamente V
2
V
4
.
Assim,
S
d1
=
_
1 2 3 4
1 4 3 2
_
e
S
d2
=
_
1 2 3 4
3 2 1 4
_
.
Novamente, geometricamente S
2
d1
= S
2
d2
= id. O conjunto S

fica portanto dado
por S

= ¦id, α, α
2
, α
3
, β, S
l1
, S
d1
, S
d2
¦. Como no exemplo anterior, para provar
que ´e um grupo basta calcular os inversos. Inicialmente,
α
4
= αα
3
= α
2
α
2
= id,
logo
α
−1
= α
3
, (α
3
)
−1
= α e (α
2
)
−1
= α
2
.
Os demais j´a foram calculados geometricamente. Mostraremos que este grupo n˜ao
´e abeliano e refaremos os c´alculos algebricamente. Calculemos,
αβ =
_
1 2 3 4
2 3 4 1
__
1 2 3 4
2 1 4 3
_
=
_
1 2 3 4
1 4 3 2
_
= S
d1
,
α
2
β =
_
1 2 3 4
3 4 1 2
__
1 2 3 4
2 1 4 3
_
=
_
1 2 3 4
4 3 2 1
_
= S
l1
e
α
3
β =
_
1 2 3 4
4 1 2 3
__
1 2 3 4
2 1 4 3
_
=
_
1 2 3 4
3 2 1 4
_
= S
d2
.
A primeira observa¸c˜ao ´e que
βα =
_
1 2 3 4
2 1 4 3
__
1 2 3 4
2 3 4 1
_
=
_
1 2 3 4
3 2 1 4
_
= α
3
β.
Logo,
(αβ)
−1
= β
−1
α
−1
= βα
3
= α
3
βα
2
= α
6
βα = α
2
α
3
β = αβ,

2
β)
−1
= β
−1

2
)
−1
= βα
2
= α
3
βα = α
6
β = α
2
β e

3
β)
−1
= β
−1

3
)
−1
= βα = α
3
β.
9.2. Subgrupos
Definic¸˜ ao 9.10. Seja G um grupo, um subconjunto H de G ´e dito um sub-
grupo de G, se 1 ∈ H, dados x, y ∈ H, xy ∈ H e dado x ∈ H, x
−1
∈ H.
Exemplo 9.11. Seja G = Z e n ≥ 1. Note que nZ ´e um subgrupo de Z. De
fato, 0 = n.0 ∈ nZ, x = nk, y = nl, k, l ∈ Z, ent˜ao x + y = n(k + l) ∈ nZ
e −x = n(−k) ∈ nZ. Afirmamos mais, que todo subgrupo de Z ´e da forma nZ
para algum n ≥ 1. De fato, seja H ⊂ Z um subgrupo. Por defini¸c˜ao H ∩ N ,= ∅.
Seja n o menor elemento de H ∩ N.
´
E claro que nZ ⊂ H, pela defini¸c˜ao de H.
Reciprocamente, se x ∈ H ∩N. Pelo algoritmo da divis˜ao existem q, r ∈ Z tais que
x = nq + r com 0 ≤ r < n. Note que r = x − nq ∈ H. Assim r = 0 e x ∈ nZ. Se
x ∈ H e x < 0, seja y = −x ∈ H ∩ N. Pelo que foi feito anteriormente, y = kn, em
particular x = −y = (−k)n ∈ nZ.
9.2. SUBGRUPOS 53
Exemplo 9.12. Seja n ≥ 1 inteiro e
µ
n
:= ¦z ∈ C[ z
n
= 1¦.
Afirmamos que este ´e um subgrupo de C ¸ ¦0¦. De fato, 1
n
= 1, logo 1 ∈ µ
n
, se
x, y ∈ µ
n
, ent˜ao
(xy)
n
= x
n
y
n
= 1,
logo xy ∈ µ
n
e se x ∈ µ
n
, ent˜ ao x
−1
C ¸ ¦0¦, logo
(x
−1
)
n
= (x
n
)
−1
= 1
e x
−1
∈ µ
n
. Este ´e um grupo abeliano chamado o grupo das ra´ızes n-´esimas da
unidade. Seja ζ := e
2πi/n
, ζ ∈ µ
n
e o menor inteiro positivo m ≥ 1 tal que ζ
m
= 1
´e n. Afirmamos que
µ
n
= ¦1, ζ, , ζ
n−1
¦.
De fato, a inclus˜ao ⊃ ´e clara. Se z ∈ µ
n
, ent˜ao [z[ = 1 e z = e

, onde θ = k2π
para k ∈ Z. Se k ≥ 1, ent˜ao, pelo algoritmo da divis˜ao, existem q, r ∈ Z tais que
k = qn +r com 0 ≤ r < n. Logo
z = ζ
k
= (ζ
n
)
q
ζ
r
= ζ
r
e z ∈ ¦1, ζ, , ζ
n−1
¦. Se k < 0, digamos k = −l, ent˜ao ζ
l
∈ ¦1, ζ, , ζ
n−1
¦, e
z = ζ
k
= ζ
−l
= ζ
n−l
∈ ¦1, ζ, , ζ
n−1
¦. Finalmente, temos uma bije¸c˜ao
µ
n
→Z/nZ dada por ζ
k
→k.
De fato, a sobrejetividade segue da defini¸c˜ao de Z/nZ. E a injetividade uma vez
que se k = l, ent˜ao n [ (k −l), o que s´o ´e poss´ıvel se k = l.
Exemplo 9.13. Seja G := GL
2
(1) e
D
2
(1) :=
__
a 0
0 d
_
[ ad ,= 0
_
o conjunto das matrizes diagonais. Este ´e um subgrupo de GL
2
(1), pois
_
1 0
0 1
_
∈ D
2
(1),
se A, B ∈ D
2
(1), digamos
A =
_
a 0
0 d
_
e B =
_
a

0
0 d

_
,
ent˜ao
AB =
_
aa

0
0 dd

_
∈ D
2
(1),
A
−1
=
_
a
−1
0
0 d
−1
_
∈ D
2
(1).
Exemplo 9.14. Seja G := S

, ent˜ao ¦1, α, α
2
, α
3
¦ ´e um subgrupo de S

, como
tamb´em ¦1, β¦.
54 9. TEORIA DE GRUPOS I
9.3. Classes Laterais e Teorema de Lagrange
Definic¸˜ ao 9.15. Seja G um grupo e H um subgrupo de G. Dados x, y ∈ G
definimos x ∼
D
y se e somente se x = yα, para algum α ∈ H. Definimos tamb´em
x ∼
E
y se e somente se x = αy para algum α ∈ H.
Observac¸˜ ao 9.16. As rela¸c˜oes bin´arias ∼
E
e ∼
D
s˜ao rela¸c˜oes de equivalˆencia.
De fato, x = x.1, logo x ∼
D
x. Se x ∼
D
y, ent˜ao x = yα, para algum α ∈ H,
logo y = xα
−1
e como H ´e um subgrupo de G, α
−1
∈ H, portanto y ∼
D
x. Se
x ∼
D
y e y ∼
D
z, ent˜ao x = yα e y = zβ, para α, β ∈ H. Logo x = zβα e βα ∈ H,
pois H ´e um subgrupo de G, donde x ∼
D
z. Fica como exerc´ıcio fazer a mesma
demonstra¸c˜ao para ∼
E
.
Definic¸˜ ao 9.17. Dado x ∈ G denotamos por
xH := ¦xα[ α ∈ H¦
sua classe de equivalˆencia com rela¸c˜ao a ∼
D
, esta ´e chamada de classe lateral a
direita de x em H. Seja
CLD := ¦xH[ x ∈ G¦
o conjunto das classes laterais a direita de H em G. Similarmente, definimos a
classe lateral a esquerda de x em H por
Hx := ¦αx[ α ∈ H¦
e
CLE := ¦Hx[ x ∈ G¦
o conjunto das classes laterais a esquerda de H em G.
Lema 9.18. Existe uma bije¸c˜ao
ϕ : CLD →CLE dada por ϕ(xH) = Hx
−1
.
Demonstrac¸˜ ao. Dado y ∈ G, existe x ∈ G tal que y = x
−1
, logo Hy =
Hx
−1
= ϕ(xH) e ϕ ´e sobrejetiva. Se ϕ(xH) = ϕ(yH), ent˜ao Hx
−1
= Hy
−1
, i.e.,
existe α ∈ H tal que x
−1
= αy
−1
, i.e., x = yα, i.e., x ∼
D
y, i.e., xH = yH,
portanto ϕ ´e injetiva.
A partir de agora nesta se¸ c˜ao suponhamos que G seja um grupo finito. Observe
que
(9.2) G =
·
_
x∈G
xH =
·
_
x∈G
Hx.
Concluimos que o n´ umero de classes laterais (a direita ou a esquerda) de H em G
tamb´em ´e finito. Denotamos este n´ umero por (G : H) e chamamos o ´ındice de H
em G.
Lema 9.19. Para todo x ∈ G, existe uma bije¸c˜ao
ψ : H →xH dada por α →xα.
Demonstrac¸˜ ao. Pela defini¸c˜ao de xH concluimos que ψ ´e sobrejetiva. Se
ψ(α) = ψ(β), i.e., xα = xβ, multiplicando os dois lados por x
−1
a esquerda,
obtemos que α = β, portanto, ψ ´e injetiva.
9.4. ORDEM DE ELEMENTO E EXPOENTE DE GRUPO ABELIANO 55
Teorema 9.20 (teorema de Lagrange). Seja G um grupo finito e H um sub-
grupo de G. Ent˜ao
#G = (G : H)[H[.
Demonstrac¸˜ ao. Segue imediatamente de (9.2) e do lema 9.19.
Corol´ ario 9.21. Seja H um grupo finito e H um subgrupo de G. Ent˜ao [H[
divide [G[.
9.4. Ordem de elemento e expoente de grupo abeliano
Definic¸˜ ao 9.22. Seja G um grupo e x ∈ G. Definimos
o(x) := min¦n ≥ 1 [ x
n
= 1, n ∈ Z¦
ou o(x) = ∞ caso n˜ao exista n ≥ 1 inteiro satisfazendo x
n
= 1. O n´ umero o(x) ´e
chamado a ordem de x.
Exemplo 9.23. Seja G = Z e x = 1. Como para todo n ≥ 1, nx ,= 0,
concluimos que o(1) = ∞.
Lema 9.24 (lema chave). Seja x ∈ G de ordem n. Suponha que exista t ≥ 1
tal que x
t
= 1. Ent˜ao n [ t.
Demonstrac¸˜ ao. Pelo algoritmo de euclides existem q, r ∈ Z tais que t =
qn +r com 0 ≤ r < n. Logo
1 = x
t
= x
qn
x
r
= x
r
,
assim pela defini¸c˜ao da ordem de x concluimos que r = 0.
Exemplo 9.25. Seja G := µ
n
para n ≥ 1 inteiro e x := ζ = e
2πi/n
. Ent˜ao
o(ζ) = n. Afirmamos mais ainda que
o(ζ
i
) = n se e somente se mdc(i, n) = 1 para 0 ≤ i < n.
De fato, se mdc(i, n) = d > 1, ent˜ao i = di

e n = dn

com n

< n. Por outro lado

i
)
n

= ζ
in

= ζ
i

dn

= ζ
i

n
= (ζ
n
)
i

= 1,
mas isto contradiz o(ζ
i
) = n. Reciprocamente, suponha que 1 ≤ o(ζ
i
) = m < n.
Ent˜ao ζ
im
= 1, i.e., pelo lema chave im = kn para algum k ≥ 1 inteiro. Como
m < n, ent˜ao existe algum fator primo p de n tal que p [ i, logo mdc(i, n) > 1.
Al´em disto temos uma bije¸c˜ao entre
T
n
:= ¦ζ
i
[ mdc(i, n) = 1¦
e (Z/nZ)

dada por ζ
i
→ i. Por defini¸c˜ao de (Z/nZ)

esta aplica¸c˜ao ´e sobrejetiva
e a injetividade segue de i = j implicar em n [ (i −j) o que apenas ocorre se i = j.
O conjunto T
n
´e chamado o conjunto das ra´ızes primitivas n-´esimas da unidade.
Mostramos em particular que #T
n
= φ(n).
Exemplo 9.26. Seja G = GL
2
(1) e
x =
_
0 1
1 0
_
.
´
E imediato verificar que o(x) = 2.
Exemplo 9.27. Seja G := S

e x = α, ent˜ao o(α) = 4.
56 9. TEORIA DE GRUPOS I
Observac¸˜ ao 9.28. Seja G um grupo e suponha que para todo x ∈ G, o(x) = 2.
Ent˜ao G ´e abeliano. De fato, o(x) = 2 significa que x
2
= 1, i.e., x
−1
= x. Assim,
xy = x
−1
y
−1
= (yx)
−1
= yx.
Definic¸˜ ao 9.29. Seja G um conjunto e S um subonjunto de G contendo 1.
Seja
¸S) := ¦x
1
x
r
[ a
i
∈ S ou a
−1
i
∈ S¦.
Lema 9.30. ¸S) ´e um subgrupo de G.
Demonstrac¸˜ ao. De fato, 1 ∈ ¸S). Se x, y ∈ ¸S), ent˜ao x = x
1
x
r
com
x
i
∈ S ou x
−1
i
∈ S e y = y
1
y
s
tal que j
j
∈ S ou y
−1
j
∈ S. Logo xy ∈ ¸S).
Finalmente, se x ∈ S, ent˜ao
x
−1
= x
−1
r
x
−1
1
e x
−1
i
∈ S ou (x
−1
i
)
−1
= x
i
∈ S. Logo x
−1
∈ ¸S).
Definic¸˜ ao 9.31. O subgrupo ¸S) ´e chamado o subgrupo de G gerado por S.
Estamos particularmente interessados no caso em que S = ¦α¦. Neste caso dizemos
que o grupo ¸S) ´e um grupo c´ıclico. Distinguimos duas situa¸c˜oes. Na primeira
o(α) = n < ∞. Neste caso, ¸α) = ¦1, α, , α
n−1
¦ e este conjunto corresponde
bijetivamente a Z/nZ por α
i
→ i. O segundo caso ´e aquele no qual o(α) = ∞.
Neste caso ¸α) = ¦α
r
[ r ∈ Z¦ e corresponde bijetivamente a Z por α
r
→r.
Corol´ ario 9.32 (corol´ario 2 do teorema de Lagrange). Seja G um grupo finito
e x ∈ G. Ent˜ao o(x) [ #G.
Demonstrac¸˜ ao. Pelo exemplo anterior, o(x) < ∞ e o(x) = #¸x). Pelo teo-
rema de Lagrange #¸x) [ #G.
Definic¸˜ ao 9.33. Seja G um grupo abeliano. Definimos o expoente de G por
exp(G) := mmc¦o(z) [ z ∈ G¦ ou ∞, se existir z ∈ G tal que o(z) = ∞.
Observac¸˜ ao 9.34.
´
E claro que se G ´e finito, ent˜ao exp(G) < ∞. Mas a
rec´ıproca n˜ao ´e verdade. Por exemplo se G = Z/2Z . . . Z/2Z . . ., ent˜ao para
cada x ∈ G ¸ ¦1¦, onde 1 = (0, , 0, ), o(x) = 2, logo exp(G) = 2, mas G ´e
infinito.
Proposic¸˜ ao 9.35. Seja G um grupo abeliano e z
1
, , z
r
∈ G tais que o(z
i
) <
∞ para todo i. Ent˜ao
(i) o(z
1
z
r
) [ mmc¦o(z
1
), , o(z
r
)¦ [ o(z
1
) o(z
r
).
(ii) Se para todo i ,= j, mdc(o(z
i
), o(z
j
)) = 1, ent˜ao o(z
1
z
r
) = o(z
1
)
o(z
r
).
Demonstrac¸˜ ao. (i) Seja M := mmc¦o(z
1
), , o(z
r
)¦. Ent˜ao, (z
1
z
r
)
M
=
z
M
1
z
M
r
= 1, pelo lema chave concluimos que o(z
1
z
r
) [ M. A outra divisibili-
dade ´e imediata.
(ii) A segunda igualdade ´e uma propriedade dos inteiros positivos (basta lem-
brar que o mmc ´e obtido tomando o maior expoente na fatora¸c˜ao em n´ umeros
primos). Vamos provar a primeira igualdade por indu¸c˜ao em r. A primeira etapa
´e provar para r = 2.
9.4. ORDEM DE ELEMENTO E EXPOENTE DE GRUPO ABELIANO 57
Seja N := o(z
1
z
2
). Como G ´e abeliano, ent˜ao
1 = (z
1
z
2
)
N
= z
N
1
z
N
2
, i.e. , z
−N
1
= z
N
2
.
Mas isto significa que z
−N
1
= z
N
2
∈ ¸z
1
) ∩ ¸z
2
), mas esta interse¸c˜ao ´e igual a ¦1¦,
pois mdc(o(z
1
), o(z
2
)) = 1. Portanto, z
N
1
= z
N
2
= 1, mas isto implica que M [ N.
Suponhamos que tenhamos provado que o(z
1
z
r−1
) = o(z
1
) o(z
r−1
) com
mdc(o(z
i
), o(z
j
)) = 1 para i ,= j. Utilizando que G ´e abeliano, e estendo a defini¸c˜ao
de N para r fatores, temos que
1 = (z
1
. . . z
r−1
)
N
z
N
r
, i.e. , (z
1
. . . z
r−1
)
N
= z
−N
r
.
Mas isto significa que (z
1
. . . z
r−1
)
N
= z
−N
r
∈ ¸z
1
, , z
r−1
) ∩ ¸z
r
), mas este grupo
´e trivial pois a ordem do primeiro grupo ´e igual a o(z
1
) . . . o(z
r−1
) e a ordem do
segundo ´e igual a o(z
r
) e mdc(o(z
i
), o(z
j
)) = 1, se i ,= j. Assim, (z
1
. . . z
r−1
)
N
=
z
N
r
= 1, donde M [ N.
Observe que pelo teorema de Lagrange, se G for finito, ent˜ao exp(G) [ #G.
Proposic¸˜ ao 9.36. Seja G um grupo abeliano tal que exp(G) < ∞. Ent˜ao
(a) Existe y ∈ G tal que exp(G) = o(y).
(b) G ´e c´ıclico se e somente se exp(G) = #G.
Demonstrac¸˜ ao. (a) Seja exp(G) = p
e1
1
p
er
r
a fatora¸c˜ao de exp(G). Por
defini¸c˜ao para todo i = 1, , r existe y
i
∈ G tal que o(y
i
) = p
ei
i
q
i
tal que p
i
[ q
i
.
Note que se z
i
= y
qi
i
, ent˜ao o(z
i
) = p
ei
i
. Neste caso, pelo ´ıtem (ii) da proposi¸c˜ao
9.35 temos que se y = z
1
z
r
, ent˜ao o(y) = exp(G).
(b) Se G for c´ıclico, ent˜ao existe x ∈ G tal que ¸x) = G e o(x) = #G. Por outro
lado, pelo ´ıtem anterior, existe y ∈ G tal que o(y) = exp(G). Mas, exp(G) [ #G e
o(x) [ exp(G), logo exp(G) = #G. Reciprocamente, se vale a igualdade, pelo ´ıtem
anterior existe y ∈ G tal que o(y) = exp(G) = #G, logo G ´e c´ıclico.
CAP´ıTULO 10
Teoria de grupos II
10.1. Subgrupos normais e grupos quocientes
Seja G um grupo e H um subgrupo de G. Seja
G/H := ¦xH[ x ∈ G¦
o conjunto das classes laterais a direita de H em G. Analogamente ao caso em que
G = Z e H = nZ, para n ≥ 1 inteiro, queremos definir em G/H uma estrutura de
grupo. Para isto precisamos de uma propriedade adicional de H. Se copiarmos o
que foi feito anteriormente a id´eia ´e definir a fun¸c˜ao
ψ : G/H G/H →G/H
dada por
(xH, yH) →xyH.
O problema ´e verificar que ψ est´a bem definida. Sejam x

, y

∈ G tais que x

H = xH
e y

H = yH, i.e., x

= xα e y

= yβ para α, β ∈ H. Assim
x

y

= xαyβ.
Mas a princ´ıpio G n˜ao ´e comutativo e n˜ao podemos trocar y com α para concluir
que ψ est´a bem definida.
Definic¸˜ ao 10.1. Um subgrupo H de um grupo G ´e dito normal se e somente
se para todo x ∈ G temos xHx
−1
⊂ H. Denotamos H G.
Lema 10.2. Seja G um grupo e H um subgrupo de G. As seguintes condi¸c˜oes
s˜ao equivalentes:
(i) H G.
(ii) Para todo x ∈ G, xHx
−1
= H.
(iii) Para todo x ∈ G, xH = Hx.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que HG. A inclus˜ao ⊂ j´a est´a feita por defini¸c˜ao.
Uma vez que (x
−1
)
−1
= x, segue tamb´em da defini¸c˜ao que x
−1
Hx ⊂ H, i.e.,
H ⊂ xHx
−1
. Assim vale (ii).
Suponha que para todo x ∈ G, xHx
−1
= H. Seja α ∈ H. Por hip´otese
xαx
−1
= β ∈ H, logo xα = βx ∈ Hx. Reciprocamente, como x
−1
αx = γ ∈ H,
ent˜ao αx = xγ ∈ xH. Disto segue (iii).
Suponha que para todo x ∈ G, xH = Hx. Por hip´otese para todo α ∈ H existe
β ∈ H tal que xαx
−1
= βxx
−1
= β. Donde (i).
Suponhamos que H G, pelo lema 10.2, existe γ ∈ H tal que
x

y

= xαyβ = xyγβ ∈ xyH,
pois γβ ∈ H. Assim x

y

H = xyH e ψ est´a bem definida.
59
60 10. TEORIA DE GRUPOS II
Definic¸˜ ao 10.3. Seja G um grupo e H G um subgrupo de normal de G. O
conjunto G/H e a fun¸c˜ao ψ definem uma estrutura de grupo em G/H chamado o
grupo quociente.
Exemplo 10.4. Seja G um grupo finito e H um subgrupo de G. Suponha que
(G : H) = 2. Afirmamos que H G. De fato, como (G : H) = 2, isto significa que
temos apenas suas classes laterais a direita, a saber, H e xH para x / ∈ H. Tamb´em
sabemos que o n´ umero de elementos de CLD ´e igual ao de CLE, logo as ´ unicas
classes laterais a direita s˜ao H e Hx, como Hx ,= H e xH ,= H, concluimos que
xH = Hx, para todo x ∈ G − H. Esta igualdade tamb´em ´e imediata se x ∈ H.
Logo H G.
Exemplo 10.5. Seja G = S

e H = ¦1, α, α
2
, α
3
¦. Temos que H G, pois
(G : H) = [G[/[H[ = 2, pelo teorema de Lagrange e pelo exemplo anterior.
Exemplo 10.6. Seja G um grupo. Definimos por
Z(G) := ¦x ∈ G[ xy = yx para todo y ∈ G¦,
o centro de G. Afirmamos que Z(G) G.
Primeiro temos que verificar que Z(G) ´e realmente um subgrupo de G. De
fato, 1.y = y.1 = y para todo y ∈ G, logo 1 ∈ Z(G). Se x, z ∈ Z(G) e y ∈ G,
ent˜ao xzy = xyz = yxz, i.e., xz ∈ Z(G). Se x ∈ Z(G), ent˜ao para todo y ∈ G,
x
−1
y = (y
−1
x)
−1
= (xy
−1
)
−1
= yx
−1
, i.e., x
−1
∈ Z(G).
Finalmente, dado x ∈ G e y ∈ Z(G), temos que xyx
−1
= yxx
−1
= y ∈ Z(G),
i.e., Z(G) G. Podemos ainda dizer mais, se H ´e um subgrupo de Z(G) ent˜ao
H G. De fato, automaticamente H ´e um subgrupo de G, al´em disto como para
todo x ∈ G e y ∈ H temos que xyx
−1
= yxx
−1
= y ∈ H, pois H ⊂ Z(G).
Note que G ´e abeliano se e somente se Z(G) = G. Assim, o quanto maior for
o centro de G, mais G estar´a pr´oximo a ser abeliano.
Exemplo 10.7. Seja G um grupo. Denotamos por [G, G] o subgrupo de G
gerado pelo conjunto
¦xyx
−1
y
−1
[ x, y ∈ G¦.
Este grupo ´e chamado o subgrupo dos comutadores.
Note que G ´e abeliano se e somente se [G, G] = ¦1¦. Assim, o quanto menor
for o subgrupo dos comutadores, mais G estar´a pr´oximo a ser abeliano.
Afirmamos tamb´em que [G, G] G. Seja α ∈ [G, G], digamos
α = α
1
α
r
,
onde para todo i,
α
i
= x
i
y
i
x
−1
i
y
−1
i
ou α
−1
i
= x
i
y
i
x
−1
i
y
−1
i
,
para x
i
y
i
∈ G. A ´ ultima igualdade se reescreve como α
i
= y
i
x
i
y
−1
i
x
−1
i
. Seja z ∈ G,
ent˜ao
zyz
−1
= zα
1
z
−1

r
z
−1
e observe que para cada i temos

i
z
−1
= zx
i
y
i
x
−1
i
y
−1
i
z
−1
∈ ¦xyx
−1
y
−1
[ x, y ∈ G¦ ou

i
z
−1
= zy
i
x
i
y
−1
i
x
−1
i
z
−1
∈ ¦xyx
−1
y
−1
[ x, y ∈ G¦.
10.2. HOMOMORFISMO DE GRUPOS 61
Observac¸˜ ao 10.8. Observe tamb´em que G/[G, G] ´e um grupo abeliano. Al´em
disto, se H G for tal que G/H ´e abeliano, ent˜ao H cont´em [G, G]. De fato, se
dados x, y ∈ G temos xyH = xHyH = yHxH = yxH, ent˜ao existe α ∈ H tal que
x
−1
y
−1
xy ∈ H. Consequentemente, todo elemento de [G, G] est´a contido em H.
10.2. Homomorfismo de grupos
Sejam G e ( dois grupos. O objetivo ´e compar´a-los e verificar que suas estru-
turas s˜ao as mesmas.
Definic¸˜ ao 10.9. Um homomorfismo de grupos ´e uma fun¸c˜ao f : G → ( tal
que f(xy) = f(x)f(y).
Observac¸˜ ao 10.10. (a) Seja 1
G
o elemento neutro de G e 1
G
o elemento
neutro de (. Ent˜ao f(1
G
) = 1
G
. De fato, f(1
G
) = f(1
G
1
G
) = f(1
G
)
f(1
G
), logo f(1
G
) = 1
G
.
(b) Para todo x ∈ G temos que f(x
−1
) = f(x)
−1
. De fato, f(x)f(x
−1
) =
f(xx
−1
) = f(1
G
) = 1
G
e f(x
−1
)f(x) = f(x
−1
x) = f(1
G
) = 1
G
.
Exemplo 10.11. (1) Seja G = ( = Z, n ≥ 1 inteiro e f : Z →Z definida
por f(x) = nx. f ´e um homomorfismo. De fato, f(x + y) = n(x + y) =
nx +ny = f(x) +f(y).
(2) Seja G um grupo e H um subgrupo normal de G e f : G → G/H
definida por f(x) = xH ´e um homomorfismo. De fato, f(xy) = (xy)H =
(xH)(yH) = f(x)f(y), por defini¸c˜ao de produto de classes.
(3) Seja G um grupo e fixemos a ∈ G. Consideremos a fun¸c˜ao 1
a
: G → G
definida por 1
a
(x) = axa
−1
. Esta fun¸c˜ao ´e um homomorfismo. De fato,
1
a
(xy) = a(xy)a
−1
= (axa
−1
)(aya
−1
) = 1
a
(x)1
a
(y).
A partir de agora deixaremos ao cargo do leitor identificar quando a unidade
referida por 1 est´a em G ou em (.
Proposic¸˜ ao 10.12. Seja f : G →( um homomorfismo de grupos e
ker(f) := ¦x ∈ G[ f(x) = 1¦
o n´ ucleo de f.
(i) ker(f) G.
(ii) f ´e injetiva se e somente se ker(f) = ¦1¦.
(iii) f(G) ´e um subgrupo de H.
(iv) f
−1
(f(H)) = H ker(f).
(v) Seja H < ( tal que f
−1
(H) ⊃ ker(f). Ent˜ao f(f
−1
(H)) = H∩ f(G).
(vi) Se x ∈ G ´e tal que o(x) < ∞ ent˜ao o(f(x)) < ∞ e o(f(x)) [ o(x).
(vii) Se H G, ent˜ao f(H) f(G). Se Hf(G), ent˜ao f
−1
(H) G.
Demonstrac¸˜ ao. (i) Seja a ∈ G e x ∈ ker(f), ent˜ao f(axa
−1
) = f(a)f(x)
f(a
−1
) = f(a)f(a)
−1
= 1, i.e., axa
−1
∈ ker(f).
(ii) Suponha que f seja injetiva e x ∈ ker(f). Logo f(x) = 1 = f(1), i.e., x = 1.
Reciprocamente, se ker(f) = ¦1¦ e se f(x) = f(y), ent˜ao f(x)f(y)
−1
= f(xy
−1
) =
1, i.e., xy
−1
∈ ker(f), logo xy
−1
= 1, i.e., x = y.
(iii)
´
E claro que 1 = f(1) ∈ f(G). Sejam x, y ∈ f(G), i.e., existem a, b ∈ G
tais que x = f(a) e y = f(b). Logo xy = f(a)f(b) = f(ab) ∈ f(G). Se x ∈ f(G),
digamos x = f(a) para a ∈ G, ent˜ao x
−1
= f(a)
−1
= f(a
−1
) ∈ f(G).
62 10. TEORIA DE GRUPOS II
Para provar a propriedade (iv) precisamos do seguinte lema.
Lema 10.13. Sejam H e K subgrupos de um grupo G. Definimos
HK := ¦ab [ a ∈ H, b ∈ K¦.
Ent˜ao HK < G se e somente se HK = KH. Al´em disto, se H G ou K G,
ent˜ao HK < G.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que HK < G. Seja α ∈ HK. Ent˜ao α
−1
∈ HK,
digamos α
−1
= ab. Assim α = (α
−1
)
−1
= b
−1
a
−1
∈ KH, i.e., HK ⊂ KH. Seja
α ∈ KH, digamos α = ab. Logo α
−1
= b
−1
a
−1
∈ HK. Como HK < G, ent˜ao
α = (α
−1
)
−1
∈ HK, i.e., KH ⊂ HK.
Reciprocamente, suponha que HK = KH. Ent˜ao 1 = 1.1 ∈ HK. Se x, y ∈
HK, digamos x = ab e y = cd, ent˜ao xy = abcd = ac

b

d ∈ HK, onde bc = c

b


HK, uma vez que HK = KH. Se x = ab ∈ HK, ent˜ao x
−1
= b
−1
a
−1
= a

b


HK, pela mesma raz˜ao.
Suponha que H G (o outro caso ´e an´alogo). Seja x = ab ∈ HK. Ent˜ao
x = bb
−1
ab = b(b
−1
ab) = ba

∈ KH, logo HK ⊂ KH. Se x = ab ∈ KH, ent˜ao
x = abaa
−1
= (aba
−1
)a = b

a ∈ HK, i.e., KH ⊂ HK.
Continuac¸˜ ao da prova da proposic¸˜ ao. (iv) Notemos inicialmente que co-
mo ker(f) G, H ker(f) < G. Seja a ∈ f
−1
(f(H)), i.e., f(a) = f(b) ∈ f(H). Logo
f(a)f(b)
−1
= f(ab
−1
) = 1, i.e., ab
−1
= c ∈ ker(f), i.e., a = bc = c

b

∈ H ker(f).
Reciprocamente, se x = ab ∈ H ker(f), ent˜ao f(x) = f(ab) = f(a)f(b) = f(a) ∈
f(H), i.e., x ∈ f
−1
(f(H)).
(v) Seja x ∈ f(f
−1
(H)), i.e., x = f(a) para a ∈ f
−1
(H), i.e., f(a) = y ∈ H.
Portanto, x ∈ H ∩ f(G). Reciprocamente, suponha que x ∈ H ∩ f(G). Logo
x = f(a) ∈ H, i.e., a ∈ f
−1
(H), logo x ∈ f(f
−1
(H)).
(vi) Seja d = o(x), logo x
d
= 1 e f(x
d
) = f(x)
d
= f(1) = 1, pelo lema chave,
o(f(x)) [ o(x), em particular o(f(x)) < ∞.
(vii) Suponha que H G e sejam a ∈ G e x ∈ H. Logo axa
−1
∈ H. Por outro
lado, f(x) ∈ f(H) e f(a) ∈ f(G) ⊂ (. Assim, f(axa
−1
) = f(a)f(x)f(a)
−1
∈ f(H).
Suponha que H f(G). Sejam x ∈ f
−1
(H) e a ∈ G, i.e., f(x) = y ∈ H. Como
H f(G), ent˜ao f(a)yf(a)
−1
∈ H, mas f(a)yf(a)
−1
= f(axa
−1
), i.e., axa
−1

f
−1
(H).
Definic¸˜ ao 10.14. Seja f : G →( um homomorfismo de grupos. Se f ´e bijetivo
dizemos que f ´e um isomorfismo de grupos.
Teorema 10.15 (teorema do isomorfismo de grupos). Seja f : G → ( um
homomorfismo de grupo. Ent˜ao f induz um isomorfismo de grupos ϕ : G/ ker(f) →
f(G) definido por
ϕ(xker(f)) := f(x).
Al´em disto existe uma bije¸c˜ao entre os seguintes conjuntos
¦H < G[ H ⊃ ker(f)¦ e ¦H < f(G)¦.
Demonstrac¸˜ ao. Notemos inicialmente que ϕ est´a bem definido. De fato, se
x = ya para a ∈ ker(f), ent˜ao ϕ(xker(f)) = f(x) = f(ya) = f(y)f(a) = f(y) =
ϕ(y ker(f)). Al´em disto, pela sua pr´opria defini¸c˜ao ϕ ´e sobrejetivo. Quanto a
10.2. HOMOMORFISMO DE GRUPOS 63
injetividade, se ϕ(xker(f)) = ϕ(y ker(f)), ent˜ao f(x) = f(y), i.e., f(x)f(y)
−1
=
f(xy
−1
) = 1, i.e., xy
−1
∈ ker(f), logo xker(f) = y ker(f).
A bije¸c˜ao entre os dois conjuntos ´e dada pelas fun¸c˜oes ψ
1
: H → f(H) e
ψ
2
: H →f
−1
(H). De fato, ψ
2
◦ψ
1
(H) = ψ
2
(f(H)) = f
−1
(f(H)) = H ker(f) = H,
pois H ⊃ ker(f). Reciprocamente, ψ
1
◦ ψ
2
(H) = ψ
1
(f
−1
(H)) = f(f
−1
(H)) =
H∩ f(G) = H, pois H < f(G).
Corol´ ario 10.16. Seja f : G → ( um homomorfismo de grupos e H < G.
Ent˜ao existe um isomorfismo de grupos
ψ :
H
(H ∩ ker(f))
→f(H) dado por ψ(x(H ∩ ker(f))) := f(x).
Demonstrac¸˜ ao.
´
E imediato verificar que ker(f) ∩ H H. Logo o grupo
quociente faz sentido. A fun¸c˜ao ψ est´a bem definida, pois se x = ya para a ∈ H ∩
ker(f), ent˜ao ψ(x(ker(f) ∩ H)) = f(x) = f(ya) = f(y)f(a) = f(y) = ψ(y(ker(f) ∩
H)). Por defini¸c˜ao ψ ´e sobrejetiva. Se ψ(x(ker(f) ∩H)) = ψ(y(ker(f) ∩H)), ent˜ao
f(x) = f(y), i.e., f(xy
−1
) = f(x)f(y)
−1
= 1, i.e., xy
−1
∈ ker(f) ∩ H.
Proposic¸˜ ao 10.17. Seja H G e
f : G →
G
H
o homomorfismo quociente f(x) := xH.
Existe uma bije¸c˜ao entre os conjuntos
¦K G[ K ⊃ H¦ e ¦HG/H¦.
Demonstrac¸˜ ao. Definimos as fun¸c˜oes que d˜ao a bije¸c˜ao por ψ
1
: K → K/H
e ψ
2
: H →f
−1
(H). De fato, ψ
2
◦ψ
1
(K) = ψ
2
(K/H) = f
−1
(K/H) = f
−1
(f(K)) =
K ker(f) = KH = K, pois K ⊃ H e ψ
1
◦ ψ
2
(H) = ψ
1
(f
−1
(H)) = f(f
−1
(H)) =
H∩ f(G) = H∩ G/H = H.
Proposic¸˜ ao 10.18. Sejam G um grupo, H G e K < G. Ent˜ao existe um
isomorfismo de grupos
ϕ :
K
(K ∩ H)

KH
H
.
Demonstrac¸˜ ao. Seja f : K → KH/H o homomorfismo quociente f(x) :=
xH. Afirmamos que f ´e sobrejetivo. De fato, se abH ∈ KH/H, ent˜ao abH =
aH = f(a). Afirmamos tamb´em que ker(f) = H∩K. De fato, se a ∈ ker(f), ent˜ao
f(a) = aH ∈ H, i.e., a ∈ H ∩ K. Portanto, o resultado ´e uma conseq¨ uˆencia do
teorema do isomorfismo.
Proposic¸˜ ao 10.19. Sejam K < H < G grupos com H G e K G (em
particular K H). Ent˜ao existe um isomorfismo de grupos
ϕ :
G/K
H/K

G
H
.
Demonstrac¸˜ ao. Seja f : G/K →G/H definida por f(xK) := xH. Observe-
mos que f est´a bem definida. Seja x = ya para a ∈ K. Ent˜ao f(xK) = xH =
(ya)H = (yH)(aH) = yH, pois a ∈ K ⊂ H. ker(f) = ¦xK[ xH = H¦ = ¦xK[ x ∈
H¦ = H/K. f ´e sobrejetiva por defini¸c˜ao. Assim o resultado segue do teorema do
isomorfismo.
64 10. TEORIA DE GRUPOS II
Definic¸˜ ao 10.20. Seja G um grupo. Um homomorfismo de grupos f : G →G
´e chamado um endomorfismo de grupos e denotamos por End(G) o conjunto dos
endomorfismos de G que ´e um mon´oide com respeito `a composi¸c˜ao de fun¸c˜oes. Um
mon´oide tem todas as propriedades de grupo exceto a existˆencia do inverso. Se f
for bijetivo ent˜ao dizemos que f ´e um automorfismo de G e denotamos por Aut(G)
o conjunto dos automorfismos de G. Este ´e um grupo com respeito `a composi¸c˜ao
de fun¸c˜oes.
Observac¸˜ ao 10.21. Para todo a ∈ G, 1
a
: G →G definida por 1
a
(x) := axa
−1
´e um automorfismo de G chamado um automorfismo interno de G. O conjunto
( := ¦1
a
[ a ∈ G¦ dos automorfismos internos de G tamb´em ´e um grupo com
respeito `a composi¸c˜ao de fun¸c˜oes. Fica como exerc´ıcio mostrar que 1(G) Aut(G).
Definic¸˜ ao 10.22. Seja G um grupo e H < G. Dizemos que H ´e um subgrupo
caracter´ıstico de G se para todo σ ∈ Aut(G) temos σ(H) ⊂ H, i.e., para todo
x ∈ H, σ(x) ∈ H.
Observac¸˜ ao 10.23. Notemos que se H for subgrupo caracter´ıstico de G, ent˜ao
H G, pois a ´ ultima afirmativa equivale a dizer que 1
a
(H) ⊂ H para todo a ∈ H.
Proposic¸˜ ao 10.24. Se K for subgrupo caracter´ıstico de H e H G, ent˜ao
K G.
Demonstrac¸˜ ao. Queremos mostrar que para todo a ∈ G, 1
a
(K) ⊂ K. A
restri¸c˜ao de 1
a
a H nos d´a uma fun¸c˜ao ¸
a
: H → G definida por ¸
a
(x) := axa
−1
.
Por hip´otese H G, logo axa
−1
∈ H e ¸
a
∈ Aut(H) (n˜ao podemos garantir que
¸
a
∈ 1(H), pois n˜ao necessariamente a ∈ H). Por hip´otese, K ´e caracter´ıstico em
H, logo ¸
a
(K) = 1
a|H
(K) = K.
10.3. Produtos de grupos
10.3.1. Produto direto. Sejam G
1
, , G
n
grupos. Definimos no produto
cartesiano G
1
. . . G
n
uma estrutura de grupo da seguinte forma:
(x
1
, , x
n
).(y
1
, , y
n
) := (x
1
y
1
, , x
n
y
n
).
´
E f´acil verificar que esta opera¸c˜ao ´e associativa, o elemento neutro ´e (1, , 1) e o
inverso de (x
1
, , x
n
) ´e (x
−1
1
, , x
−1
n
). Assim o conjunto G
1
. . . G
n
passa a
ter uma estrutura de grupo e ´e chamado o produto direto dos grupos G
1
, , G
n
e
´e denotado por G
1
⊕. . . ⊕G
n
.
Teorema 10.25. Sejam G, G
1
, , G
n
grupos. Ent˜ao G

= G
1
⊕ . . . ⊕ G
n
se
e somente se existem subgrupos H
1
, , H
n
de G tais que para todo i, H
i

= G
i
, e
al´em disto
(1) G = H
1
. . . H
n
.
(2) H
i
G para todo i = 1, , n.
(3) H
i
∩ (H
1
. . . H
i1
H
i+1
. . . H
n
) = ¦1¦ para todo i = 1, , n.
Demonstrac¸˜ ao. Suponhamos que exista um isomorfismo ϕ : G →G
1
⊕. . . ⊕
G
n
. Seja
H
i
:= ϕ
−1
(¦1¦ . . . G
i
. . . ¦1¦).
Definimos a seguinte fun¸c˜ao
ϕ
i
: H
i
→G
i
dada por ϕ
i
(x
i
) := y
i
,
10.3. PRODUTOS DE GRUPOS 65
onde x
i
= ϕ((1, , y
i
, , 1)). Esta fun¸c˜ao ´e um isomorfismo de grupos. De fato,
se z
i
= ϕ
−1
((1, , w
i
, , 1)), ent˜ao
ϕ
i
(x
i
z
i
) = y
i
w
i
= ϕ
i
(x
i

i
(y
i
),
pois x
i
z
i
= ϕ
−1
((1, , z
i
w
i
, , 1)). Al´em disto ϕ
i
´e injetiva, pois se y
i
= 1, ent˜ao
x
i
= 1. Finalmente ´e sobrejetiva pois para todo y
i
∈ G
i
, x
i
= ϕ
−1
((1, , y
i
, ,
1)) e ϕ
i
(x
i
) = y
i
.
(1) Dado x ∈ G seja ϕ(x) := (x
1
, , x
n
). Ent˜ao ϕ(x) = (x
1
, , 1). . . . .(1,
, x
n
). Seja y
i
= ϕ
−1
((1, , x
i
, , 1)), ent˜ao x = y
1
. . . y
n
, onde y
i
∈ H
i
para todo
i = 1, , n.
(2) Seja x ∈ G e y
i
∈ H
i
temos que provar que xy
i
x
−1
∈ H
i
. Calculemos
ϕ(xy
i
x
−1
) = ϕ(x)ϕ(y
i
)ϕ(x)
−1
= (x
1
, , x
n
).(1, , z
i
, , 1).(x
−1
1
, , x
−1
n
)
= (x
1
x
−1
1
, , x
i
z
i
x
−1
i
, , x
n
x
−1
n
) = (1, , x
i
z
i
x
−1
i
, , 1).
Portanto, xy
i
x
−1
= ϕ
−1
((1, , x
i
z
i
x
−1
i
, , 1)) ∈ H
i
.
(3) Seja x
i
∈ H
i
∩ (H
1
. . . H
i−1
H
i+1
. . . H
n
). Assim, por um lado x
i
= ϕ
−1
((1,
, y
i
, , 1)) e por outro lado x
i
= ϕ
−1
((z
1
, , z
i−1
, 1, z
i+1
, , z
n
)). Como ϕ
´e um isomorfismo concluimos que z
j
= 1 para todo j e que y
i
= 1, portanto x
i
= 1.
Reciprocamente, suponhamos que as 3 condi¸c˜oes acima sejam satisfeitas. Para
provar a rec´ıproca utilizaremos o ´ıtem 2 do lema seguinte. Afirmamos que G

=
H
1
⊕. . . ⊕H
n
. De fato, consideremos a fun¸c˜ao
ψ : G →H
1
⊕. . . ⊕H
n
dada por ψ(x) = ψ(x
1
. . . x
n
) := (x
1
, , x
n
).
Esta fun¸c˜ao ´e um isomorfismo. Observe que pelo lema abaixo
ψ(xy) = ψ(x
1
. . . x
n
y
1
. . . y
n
) = ψ(x
1
y
1
x
2
. . . x
n
y
2
. . . y
n
) = = ψ(x
1
y
1
. . . x
n
y
n
)
= (x
1
y
1
, , x
n
y
n
) = (x
1
, , x
n
).(y
1
, , y
n
) = ψ(x)ψ(y).
Se ψ(x) = (1, , 1), ent˜ao x = 1 . . . 1 = 1, logo ψ ´e injetiva. Para todo (x
1
, , x
n
)
∈ H
1
⊕. . .⊕H
n
se x = x
1
x
n
temos que ψ(x) = (x
1
, , x
n
), logo ψ ´e sobrejetiva.

Lema 10.26. As 3 condi¸c˜oes acima s˜ao equivalentes `as seguintes duas condi-
¸ c˜oes:
(a) Para todo x ∈ G existem ´ unicos x
i
∈ H
i
para i = 1, , n tais que
x = x
1
. . . x
n
.
(b) Para todo i ,= j, x ∈ H
i
e y ∈ H
j
, xy = yx.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que as 3 condi¸c˜oes anteriores sejam satisfeitas. As-
sim para todo x ∈ G podemos escrever x = x
1
. . . x
n
. Suponhamos que x =
y
1
. . . y
n
, ent˜ao
y
−1
1
x
1
= y
2
. . . y
n
x
−1
n
. . . x
−1
2
.
Como H
i
G temos que para todo x ∈ G, xH
i
= H
i
x, i.e., dado α
i
∈ H
i
temos
que xα
i
= β
i
x para algum β
i
∈ H
i
. Logo
(y
n
x
−1
n
)x
−1
n−1
= z
n−1
(y
n
x
−1
n
)
para algum z
n−1
∈ H
n−1
. Repetindo o argumento concluimos que
y
−1
1
x
1
= y
2
. . . y
n
x
−1
n
. . . x
−1
2
= z
2
. . . z
n−1
(y
n
x
−1
n
) ∈ H
2
. . . H
n
∩ H
1
= ¦1¦,
portanto x
1
= y
1
. Pelo mesmo argumento x
i
= y
i
para todo i = 2, , n.
66 10. TEORIA DE GRUPOS II
Como H
i
, H
j
G temos que xyx
−1
∈ H
j
, logo xyx
−1
y
−1
∈ H
j
e yx
−1
y
−1

H
i
, logo xyx
−1
y
−1
∈ H
i
, portanto xy = yx, j´a que
H
i
∩ H
j
⊂ H
i
∩ (H
1
. . . H
i−1
H
i+1
. . . H
n
) = ¦1¦.
Reciprocamente, suponha as duas ´ ultimas condi¸c˜oes satisfeitas. A primeira
condi¸c˜ao do teorema segue automaticamente de (a). Seja x = x
1
. . . x
n
∈ G, y
i
∈ H
i
e z
i
= x
i
y
i
x
−1
i
. Ent˜ao, por (b),
xy
i
x
−1
= x
1
. . . x
n
y
i
x
−1
n
. . . x
−1
1
= x
1
. . . x
n−1
y
i
x
−1
n−1
. . . x
1
=
= x
1
. . . x
i
y
i
x
−1
i
. . . x
−1
1
= x
1
. . . x
i−2
z
i
x
−1
i−2
. . . x
−1
1
= = z
i
∈ H
i
.
Finalmente, se x
i
∈ H
i
∩ (H
1
. . . H
i−1
H
i+1
. . . H
n
, pela unicidade de (a) temos que
x
i
= 1.
10.3.2. Produtos semi-diretos de grupos. Na se¸c˜ao anterior dados dois
grupos H e K construimos o produto direto H ⊕ K com a opera¸c˜ao componente
a componente. Nesta se¸c˜ao modificaremos levemente o procedimento. Lembre
que Aut(K) (o conjunto dos automorfismos de K) ´e um grupo com respeito a
composi¸c˜ao de automorfismos. Suponhamos que seja dado um homomorfismo de
grupo σ : H →Aut(K). Definimos no produto cartesiano HK uma nova opera¸c˜ao
da seguinte forma:
(x, y) ¸
σ
(z, w) := (xz, yσ(x)(w)),
note que σ(x) : K →K ´e um automorfismo de K, logo σ(x)(w) ∈ K.
Afirmamos que H K com a opera¸c˜ao ¸
σ
´e um grupo, chamado o produto
semi-direto de H e K com respeito a σ e denotado por H
σ
K. De fato,
((x
1
, y
1
) ¸
σ
(x
2
, y
2
)) ¸
σ
(x
3
, y
3
) = (x
1
x
2
, y
1
σ(x
1
)(y
2
)) ¸
σ
(x
3
, y
3
)
= ((x
1
x
2
)x
3
, (y
1
σ(x
1
)(y
2
))σ(x
1
x
2
)(y
3
))
= (x
1
(x
2
x
3
), (y
1
σ(x
1
)(y
2
))(σ(x
1
)(σ(x
2
)(y
3
))))
= (x
1
(x
2
x
3
), y
1
σ(x
1
)(y
2
σ(x
2
)(y
3
)))
= (x
1
, y
1
) ¸
σ
(x
2
x
3
, y
2
σ(x
2
)(y
3
))
= (x
1
, y
1
) ¸
σ
((x
2
, y
2
) ¸
σ
(x
3
, y
3
)).
O elemento neutro ´e (1, 1). De fato,
(1, 1) ¸
σ
(x, y) = (x, σ(1)(y)) = (x, y) e
(x, y) ¸
σ
(1, 1) = (x, yσ(x)(1)) = (x, y).
O inverso de (x, y) ´e (x
−1
, σ(x
−1
)(y
−1
)). De fato,
(x, y) ¸(x
−1
, σ(x
−1
)(y
−1
)) = (1, yσ(x)(σ(x
−1
)(y
−1
))) = (1, yy
−1
) = (1, 1) e
(x
−1
, σ(x
−1
)(y
−1
)) ¸
σ
(x, y) = (1, σ(x
−1
)(y
−1
)σ(x
−1
)(y))
= (1, σ(x
−1
)(y
−1
y)) = (1, σ(x
−1
)(1)) = (1, 1).
Proposic¸˜ ao 10.27.
(a) (x, y)
n
= (x
n
,
n−1

i=0
σ(x
i
)(y)).
Conseq¨ uentemente, (x, 1)
n
= (x
n
, 1) e (1, y)
n
= (1, y
n
).
(b) (1, y) ¸
σ
(x, 1) = (x, y).
10.3. PRODUTOS DE GRUPOS 67
(c) ¦1¦
σ
K H
σ
K.
(d) H
σ
¦1¦ ⊂ H
σ
K ´e um subgrupo. Este subgrupo ´e normal, se σ = id.
Demonstrac¸˜ ao. (a) Vamos provar por indu¸c˜ao. Para n = 2,
(x, y) ¸
σ
(x, y) = (x
2
, yσ(x)(y)).
Suponha que o resultado vale para n. Ent˜ao
(x, y)
n+1
= (x, y)
n
¸
σ
(x, y) = (x
n
,
n−1

i=0
σ(x
i
)(y)) ¸
σ
(x, y))
= (x
n+1
,
n−1

i=0
σ(x
i
)(y)σ(x
n
)(y)) = (x
n+1
,
n

i=0
σ(x
i
)(y)).
(2) Segue da defini¸c˜ao.
(3) Primeiro verifiquemos que ¦1¦
σ
K ´e de fato um subgrupo de H
σ
K.
´
E
claro que (1, 1) ∈ ¦1¦
σ
K. Se (1, x), (1, y) ∈ ¦1¦
σ
K, ent˜ao
(1, x) ¸
σ
(1, y) = (1, xσ(1)(y)) = (1, xy) ∈ ¦1¦
σ
K.
Al´em disto
(1, x)
−1
= (1, σ(1)(x
−1
)) = (1, x
−1
) ∈ ¦1¦
σ
K.
Dado (x, y) ∈ H
σ
K e (1, z) ∈ ¦1¦
σ
K, ent˜ao
(x, y) ¸
σ
(1, z) ¸
σ
(x, y)
−1
= (x, yσ(x)(z)) ¸
σ
(x
−1
, σ(x
−1
)(y
−1
))
= (1, yσ(x)(z)σ(x)(σ(x
−1
(y
−1
))))
= (1, yσ(x)(zσ(x
−1
(y
−1
)))) ∈ ¦1¦
σ
K.
(4)
´
E claro que (1, 1) ∈ H
σ
¦1¦. Se (x, 1), (y, 1) ∈ H
σ
¦1¦, ent˜ao
(x, 1) ¸
σ
(y, 1) = (xy, σ(x)(1)) = (xy, 1) ∈ H
σ
¦1¦.
Al´em disto
(x, 1)
−1
= (x
−1
, σ(x
−1
)(1)) = (x
−1
, 1) ∈ H
σ
¦1¦.

Exemplo 10.28. Lembremos que S
3
= ¦1, α, α
2
, β, αβ, α
2
β¦ ´e caracterizado
por o(α) = 3, o(β) = 2 e βα = α
2
β, i.e., βαβ
−1
= α
2
. Neste caso K = ¸α) =
¦1, α, α
2
¦ e H = ¸β) = ¦1, β¦. Isto permite-nos definir o seguinte homomorfismo
σ : H →Aut K por σ(β)(α) := α
2
(verifique que isto ´e um homorfismo de grupo). Seja a = (1, α) e b = (β, 1).
Verifiquemos que estes satisfazem `a descri¸c˜ao de S
3
, portanto H
σ
K

= S
3
. De
fato,
a
3
= (1, α
3
) = (1, 1),
b
2
= (β
2
, 1) = (1, 1) e
ba = (β, 1) ¸(1, α) = (β, σ(β)(α)) = (β, α
2
) e
a
2
b = (1, α
2
) ¸
σ
(β, 1) = (β.α
2
σ(1)(1)) = (β, α
2
) = ba.
68 10. TEORIA DE GRUPOS II
Lema 10.29. Seja H = ¸α) um grupo c´ıclico de ordem n, K = ¸β) um grupo
c´ıclico de ordem m. Ent˜ao existem bije¸c˜oes
Hom(K, Aut(H)) →¦τ ∈ Aut(H) [ o(τ) [ m¦
σ →σ(β)
e
¦τ ∈ Aut(H) [ o(τ) [ m¦ →¦1 ≤ s ≤ n −1 [ s
m
≡ 1 (mod n)¦
τ →s, onde τ(α) = α
s
.
Demonstrac¸˜ ao. Note que a primeira fun¸c˜ao est´a de fato bem definida, pois
σ(β)
m
= σ(β
m
) = σ(1) = id.
´
E injetiva pois 2 automorfismos calculados no
gerador β de H s˜ao necessariamente iguais. Se τ ∈ Aut(H) satisfaz o(τ) [ m, ent˜ao
τ(α)
m
= τ(α
m
) = 1, logo α
m
= 1, pelo lema chave o(α) = n [ m, logo existe um
homomorfismo σ : K →Aut(H) tal que σ(β) = τ.
Para a segunda, basta observar que Aut(H) →(Z/nZ)

dada por τ →s, onde
τ(α) = α
s
´e um isomorfismo de grupos. Neste isomorfismo o(τ) [ m se e somente
se s
m
≡ 1 (mod n).
Como conseq¨ uˆencia deste lema temos que se existem inteiros m, n, s ≥ 0 tais que
s
m
≡ 1 (mod n), ent˜ao existe um grupo G com #G = nm, G = ¸α, β), o(α) = n,
o(β) = m e βαβ
−1
= α
s
. De fato, da condi¸c˜ao num´erica e do lema sabemos que o
automorfismo τ : ¸α) → ¸α) por τ(α) = α
s
tem ordem o(τ) [ m. Logo existe um
homomorfismo σ : ¸β) → Aut(¸α)). Basta tomar o produto semi-direto ¸β)
σ
¸α)
para obter um tal G.
Para mais tipos de produtos de grupos veja [Go, chapter 2].
10.4. Grupos metac´ıclicos
O objetivo desta se¸c˜ao ´e descrever grupos metac´ıclicos que generalizam o D
4
e
S
3
.
Teorema 10.30. Seja G um grupo finito, s ≥ 1 inteiro, a, b ∈ G tais que
ba = a
s
b (i.e., 1
b
(a) = a
s
). Seja ( um grupo e α, β ∈ G. Sejam m, n ≥ 1 inteiros
tais que a
n
= 1 e b
m
∈ ¸a).
(1) Para todo s, t ≥ 1 temos
b
t
a
r
= a
rs
t
b
t
.
Em particular,
¸a, b) = ¦a
i
b
j
[ 0 ≤ i ≤ n −1, 0 ≤ j ≤ m−1¦.
Al´em disto, se m e n forem escolhidos m´ınimos para esta propriedade,
temos que #¸a, b) = mn.
(2) Supondo m e n m´ınimos, seja u ≥ 0 tal que b
m
= a
u
. Ent˜ao existe um
homomorfismo f : ¸a, b) →( tal que f(a) = α e f(b) = β se e somente se
βα = α
s
β, α
n
= 1 e β
m
= α
u
.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Vamos provar por indu¸c˜ao. Vamos supor primeiro que
r = 0 e provar que 1
b
t (a
r
) = a
rs
t
. Se t = 1, ent˜ao j´a sabemos que 1
b
(a) = a
s
.
Suponhamos que isto valha para t −1. Ent˜ao
1
b
t (a
r
) = 1
b
◦ 1
b
t−1(a
r
) = 1
b
(a
rs
t−1
) = 1
b
(a)
rs
t−1
= (a
s
)
rs
t−1
= a
rs
t
.
10.4. GRUPOS METAC
´
ICLICOS 69
Por defini¸c˜ao, ¸a, b) ´e formado por produtos de elementos que s˜ao iguais a a (ou
a
−1
) e b (ou b
−1
). Utilizando o resultado acima, podemos sempre colocar a potˆencia
de a em primeiro lugar e escrever a
i
b
j
para i, j ∈ Z. Al´em disto, pelas hip´oteses
sobre m e n obtemos que basta tomar 0 ≤ i ≤ n −1 e 0 ≤ j ≤ m−1. Observemos
tamb´em que se m e n forem m´ınimos ent˜ao os elementos de
¸a, b) = ¦a
i
b
j
[ 0 ≤ i ≤ n −1, 0 ≤ j ≤ m−1¦
s˜ao todos distintos, portanto sua ordem ´e mn. De fato, se a
i
b
j
= a
k
b
l
, ent˜ao
a
i−k
= b
l−j
∈ ¸a), digamos que l ≥ j. Neste caso, l −j < m, logo l = j e a
i−k
= 1,
bem como a
k−i
. Tomando o expoente positivo dentre os 2 e notando que este
expoente ´e menor que n concluimos que i = k.
(2)
´
E claro que
α
n
= f(a)
n
= f(a
n
) = f(1) = 1,
β
m
= f(b)
m
= f(b
m
) = f(a
u
) = f(a)
u
= α
u
e que
βα = f(b)f(a) = f(ba) = f(a
s
b) = f(a)
s
f(b) = α
s
β.
Para verificar a rec´ıproca basta definir
f : ¸a, b) →( por f(a
i
b
j
) := α
i
β
j
e provar que isto realmente ´e um homomorfismo. De fato,
f(a
i
b
j
a
k
b
l
) = f(a
i
a
ks
j
b
j
b
l
) = f(a
i+ks
j
b
j+l
) = α
i+ks
j
β
j+l
= α
i

ks
j
β
j

l
= α
i
β
j
α
k
β
l
= f(a
i
b
j
)f(a
k
b
l
).

Teorema 10.31. Sejam m, n, s, u ≥ 0 inteiros. Existe um grupo G de ordem
nm e a, b ∈ G tais que G = ¸a, b), a
n
= 1, b
m
= a
u
e ba = a
s
b se e somente se
s
m
≡ 1 (mod n) e u(s −1) ≡ 0 (mod n).
Demonstrac¸˜ ao. Note que pelo teorema anterior, b
m
a = a
s
m
b
m
. Mas, b
m
=
a
u
, logo b
m
a = ab
m
= a
s
m
b
m
, em particular a
s
m
−1
= 1 e pelo lema chave, n [
(s
m
− 1). De novo pelo teorema anterior, ba
u
= a
us
b. Mas a
u
= b
m
, logo ba
u
=
a
u
b = a
us
b, i.e., a
u(s−1)
= 1, assim n [ (u(s −1)). A rec´ıproca segue da constru¸c˜ao
do final da se¸c˜ao anterior.
Proposic¸˜ ao 10.32. Sejam m, n, s, u ≥ 0 inteiros, G um grupo de ordem nm.
Suponha que existam a, b ∈ G tais que G = ¸a, b), ba = a
s
b, a
n
= 1 e b
m
= a
u
.
Ent˜ao a fun¸c˜ao
Aut(G) →¦(α, β) ∈ GG[ G = ¸α, β), βα = α
s
β, α
n
= 1, β
m
= α
u
¦
f →(f(a), f(b))
´e bijetiva.
Demonstrac¸˜ ao. Segue do primeiro teorema que f(a) e f(b) satisfazem as
condi¸c ˜oes do conjundo do lado direito. A fun¸c˜ao ´e injetiva, pois a e b geram G,
assim um homomorfismo fica unicamente determinado pelo seu valor nos geradores.
Novamente o primeiro teorema mostra que a fun¸c˜ao ´e sobrejetiva.
70 10. TEORIA DE GRUPOS II
10.5. Classifica¸c˜ao de grupos de ordem ≤ 11
Comecemos observando que todo grupo c´ıclico de ordem n ´e isomorfo a Z/nZ.
De fato, se G ´e c´ıclico de ordem n significa que G = ¦1, a, , a
n−1
¦ para algum
gerador a de G. Consideremos a fun¸c˜ao f : G → Z/nZ definida por f(a) = 1.
Exerc´ıcio: verifique que esta fun¸c˜ao ´e um isomorfismo de grupos.
10.5.1. Grupos de ordem : 2,3,5,7,11. Estes n´ umeros s˜ao primos, logo
(pelo teoream de Lagrange) todo a ∈ G − ¦1¦ tem ordem p, portanto G ´e c´ıclico,
i.e., G

= Z/nZ.
10.5.2. Grupos de ordem 4. Se existe a ∈ G tal que o(a) = 4, ent˜ao G ´e
c´ıclico. Logo G

= Z/4Z.
Suponhamos que para todo a ∈ G−¦1¦, o(a) = 2 (que ´e a ´ unica possibilidade
pelo teorema de Lagrange). Portanto G ´e um grupo abeliano. Seja a ∈ G− ¦1¦ e
b ∈ G − ¸a). Assim, G = ¦1, a, b, ab¦. Neste caso a fun¸c˜ao f : G → Z/2Z Z/2Z
definida por f(1) = (0, 0), f(a) = (1, 0), f(b) = (0, 1) e f(ab) = (1, 1) ´e um
isomorfismo de grupos.
10.5.3. Grupos de ordem 6. Se existe a ∈ G tal que o(a) = 6, ent˜ao G ´e
c´ıclico e G

= Z/6Z.
Suponhamos que n˜ao exista a ∈ G tal que o(a) = 6. Pelo teorema de Lagrange,
para todo a ,= 1 as possibilidades para a sua ordem s˜ao 2 e 3.
Lema 10.33. Existe a ∈ G tal que o(a) = 3.
Demonstrac¸˜ ao. De fato, suponhamos que para todo a ∈ G−¦1¦ tenhamos
o(a) = 2. Seja a ∈ G − ¦1¦ e b ∈ G − ¸a). Neste caso, ¸a, b) ´e um subgrupo de G
de ordem 4, o que contradiz o teorema de Lagrange.
Lema 10.34. Existe b ∈ G tal que o(b) = 2.
Demonstrac¸˜ ao. De fato, suponhamos que para todo b ∈ G− ¦1¦ tenhamos
o(b) = 3. Seja a ∈ G tal que o(a) = 3 e b ∈ G − ¸a). O subgrupo ¸a, b) de G tem
ordem 9, o que novamente contradiz o teorema de Lagrange.
Utilizando os valores das ordens de a e b vemos que G = ¦1, a, a
2
, b, ab, a
2
b¦ e
que ba ,= 1, a, a
2
, b. Assim, ba = ab ou a
2
b. No primeiro caso, G ´e abeliano e a
fun¸c˜ao f : G → Z/3Z Z/2Z definida por f(1) = (0, 1), f(a) = (1, 0), f(a
2
) =
(2, 0), f(b) = (0, 1), f(ab) = (1, 1), f(a
2
b) = (2, 1) ´e um isomorfismo de grupos.
Mas pelo teorema chinˆes dos restos, Z/3ZZ/2Z

= Z/6Z, assim descartamos este
caso. O caso em que ba = a
2
b ´e exatamente o caso em que G

= S
3
.
10.5.4. Grupos de ordem 8. Se existe a ∈ G tal que o(a) = 8 ent˜ao G ´e
c´ıclico e G

= Z/8Z.
Suponha que para todo a ∈ G− ¦1¦, o(a) = 2. Neste caso G ´e abeliano. Seja
a ∈ G tal que o(a) = 2, seja b ∈ G − ¸a) e c ∈ G − ¸a, b). Note que o subgrupo
¸a, b, c) = ¦1, a, b, c, ab, ac, bc, abc¦ tem ordem 8, logo G = ¸a, b, c). Observe tamb´em
que f : G → Z/2Z Z/2Z Z/2Z definida por f(1) = (0, 0, 0), f(a) = (1, 0, 0),
f(b) = (0, 1, 0), f(c) = (0, 0, 1), f(ab) = (1, 1, 0), f(ac) = (1, 0, 1), f(bc) = (0, 1, 1)
e f(abc) = (1, 1, 1) ´e um isomorfismo de grupos.
Assim, suponha que exista a ∈ G tal que o(a) = 4. Seja b ∈ G − ¸a). Note
que ¸a, b) = ¦1, a, a
2
, a
3
, b, ab, a
2
b, a
3
b¦ e que estes elementos s˜ao distintos, portanto
10.5. CLASSIFICAC¸
˜
AO DE GRUPOS DE ORDEM ≤ 11 71
G = ¸a, b). Observe tamb´em que como (G : ¸a) = 8/4 = 2, ent˜ao (b¸a))
2
= ¸a), i.e.,
b
2
¸a). Observe tamb´em que trivialmente b
2
,= b, ab, a
2
b, a
3
b e ba ,= 1, a, a
2
, a
3
, b.
Pelo segundo teorema as ´ unicas possibilidades para u e s tais que b
2
= a
u
e ba = a
s
b
s˜ao u = 0 ou 2 e s = 1 ou 3.
Se u = 0 e s = 1, temos que ba = ab e o(b) = 2. O grupo G´e abeliano. A fun¸c˜ao
f : G → Z/4Z Z/2Z definida por f(1) = (0, 0), f(a) = (1, 0), f(a
2
) = (2, 0),
f(a
3
) = (3, 0), f(b) = (0, 1), f(ab) = (1, 1), f(a
2
b) = (2, 1) e f(a
3
b) = (3, 1) ´e um
isomorfismo de grupos.
Se u = 0 e s = 3, temos que ba = a
3
b e o(b) = 2, neste caso G

= D
4
.
Se u = 2 e s = 0, temos que ba = ab e b
2
= a
2
. O grupo G ´e abeliano. A fun¸c˜ao
f : G → Z/4Z Z/2Z definida por f(1) = (0, 0), f(a) = (1, 0), f(a
2
) = (2, 0),
f(a
3
) = (3, 0), f(ab) = (0, 1), f(b) = (3, 1), f(a
2
b) = (1, 1) e f(a
3
b) = (2, 1) ´e um
isomorfismo de grupos.
Finalmente, se u = 2 e s = 3, temos que ba = a
3
b e b
2
= a
2
. Neste caso G ´e
isomorfo ao grupo Q dos quaternions descrito da seguinte forma. Q ´e um subgrupo
das matrizes 22 com entradas complexas e determinante n˜ao nulo. Ele ´e definido
por
_
±
_
1 0
0 1
_
, ±
_
i 0
0 −i
_
,
_
±
0 1
−1 0
_
, ±
_
0 i
i 0
__
.
Basta tomar
a =
_
i 0
0 −i
_
e b =
_
0 1
−1 0
_
.
10.5.5. Grupos de ordem 9. Se existe a ∈ G tal que o(a) = 9, ent˜ao G ´e
c´ıclico e G

= Z/9Z.
Caso isto n˜ao ocorra para todo a ∈ G−¦1¦, o(a) = 3. Seja b ∈ G−¸a). Note
que o subgrupo ¸a, b) = ¦1, a, a
2
, b, b
2
, ab, ab
2
, a
2
b, a
2
b
2
¦ de G tem ordem 9, portanto
sendo igual ao pr´oprio grupo G. Observe tamb´em que ba ,= 1, a, a
2
, b, b
2
. Assim, e
pelo segundo teorema, ba = ab, logo G ´e abeliano. Neste caso G

= Z/3Z Z/3Z
(exerc´ıcio: determine explicitamente o isomorfismo, como nos casos anteriores).
10.5.6. Grupos de ordem 10. Se existe a ∈ G tal que o(a) = 10, G ´e c´ıclico
e G

= Z/10Z.
Caso contr´ario, como nos casos anteriores existem a, b ∈ G tais que o(a) = 5 e
o(b) = 2 (verifique!). Pelo segundo teorema as ´ unicas possibilidades para ba = a
s
b
s˜ao s = 1 ou 4. No primeiro caso, G ´e abeliano e G

= Z/5Z Z/2Z, mas este ´e
isomorfo a Z/10Z, assim n˜ao consideramos este caso. No outro caso, G

= D
5
, o
grupo diedral de ordem 10.
10.5.7. Grupos diedrais. Estes grupos tˆem ordem 2n, um elemento a de
ordem n e outro elemento b de ordem 2 satisfazendo a ba = a
n−1
b.
CAP´ıTULO 11
Teoremas de Sylow
11.1. Represesenta¸c˜oes de grupos
Seja G um grupo finito e S um conjunto finito. Denotamos por Perm(S) o
conjunto das permuta¸c˜oes de S, i.e., das fun¸c˜oes f : S →S bijetivas. Este conjunto
forma um grupo com respeito `a composi¸c˜ao de fun¸c˜oes. Uma representa¸c˜ao de G
por permuta¸c˜ao ´e um homomorfismo de grupos ρ : G →Perm(S).
Exemplo 11.1. Tomemos como S o pr´oprio grupo G e consideremos para todo
x ∈ G o automorfismo interno 1
x
de G definido por 1
x
(a) := xax
−1
. Assim defini-
mos a fun¸c˜ao ρ : G → Aut(G) dada por ρ(x) := 1
x
. Verifiquemos que esta fun¸c˜ao
´e um homomorfismo de grupos. Esta representa¸c˜ao ´e chamada a representa¸c˜ao de
G por conjuga¸c˜ao. De fato, dado a ∈ G temos
ρ(xy)(a) = (xy)a(xy)
−1
= xyay
−1
x
−1
= x1
y
(a)x
−1
= 1
x
(1
y
(a)) = (1
x
◦ 1
y
)(a).
Outra representa¸c˜ao com S = G ´e a transla¸c˜ao ρ : G → Aut(G) dada por
ρ(x)(a) := xa para todo a ∈ G. De fato, ρ(x) ´e um automorfismo de G (exerc´ıcio)
e
ρ(xy)(a) = xya = xρ(y)(a) = ρ(x)(ρ(y)(a)) = (ρ(x) ◦ ρ(y))(a).
Esta representa¸c˜ao de G ´e chamada representa¸c˜ao por transla¸c˜ao.
Observe que neste ´ ultimo caso a fun¸c˜ao ρ ´e injetiva. De fato se ρ(x) = id,
ent˜ao xa = a para todo a ∈ G. Isto significa que x = 1. Como conseq¨ uˆencia deste
resultado temos o teorema de Cayley.
Teorema 11.2 (teorema de Cayley). Seja G um grupo de ordem n, ent˜ao G ´e
isomorfo a um subgrupo do grupo S
n
das permuta¸c˜oes de n elementos.
Demonstrac¸˜ ao. Tome a representa¸c˜ao ρ por transla¸c˜ao em G e conclua que
G

= ρ(G) com ρ(G) subgrupo de S
n
.
Exemplo 11.3. Seja S o conjunto de subgrupos de G e consideremos a fun¸c˜ao
ρ : G → Perm(S) dada por ρ(x)(H) := xHx
−1
. Observemos que ρ(x) ´e de fato
uma bije¸c˜ao em S (exerc´ıcio) e que
ρ(xy)(H) = xyHy
−1
x
−1
= xρ(y)(H)x
−1
= ρ(x)(ρ(y)(H)) = (ρ(x) ◦ ρ(y))(H).
Observe que como #H = #xHx
−1
, ent˜ao podemos restringir a representa¸c˜ao
anterior ao conjunto dos subgrupos H de G com ordem fixada n.
Exemplo 11.4. Seja H um subgrupo de G e S o conjunto das classes laterais
a direita de H em G, i.e., S := ¦aH ; a ∈ G¦. Consideremos a fun¸c˜ao ρ : G →
Perm(G) dada por ρ(x)(aH) := xaH. De novo fica como exerc´ıcio verificar que
ρ(x) ´e de fato uma permuta¸c˜ ao de S. Al´em disto
ρ(xy)(aH) = xy(aH) = xρ(y)(aH) = ρ(x)(ρ(y)(aH)) = (ρ(x) ◦ ρ(y))(aH).
73
74 11. TEOREMAS DE SYLOW
Dada uma representa¸c˜ao por permuta¸c˜ao ρ : G → Perm(S) definimos a ´orbita
O
a
de um elemento a ∈ S por
O
a
:= ¦ρ(x)(a) ; x ∈ G¦.
O estabilizador de a ´e definido por
E(a) := ¦x ∈ G; ρ(x)(a) = a¦.
Observemos que E(a) ´e um subgrupo de G. De fato, 1 ∈ E(a), pois ρ(1) = id e
portanto ρ(1)(a) = a, i.e., ρ(1) ∈ E(a). Se x, y ∈ E(a), ent˜ao
ρ(xy)(a) = ρ(x)(ρ(y)(a)) = ρ(x)(a) = a, i.e., xy ∈ E(a).
Finalmente, ρ(x
−1
) = ρ(x)
−1
, pois ρ ´e um homomorfismo. Portanto, ρ(x
−1
)(a) =
ρ(x)
−1
(a) = a, i.e., x
−1
∈ E(a). Pelo teorema de Lagrange temos que #E(a) divide
#G.
´
E menos imediato que o mesmo ocorre com #O
a
. Isto segue da proposi¸c˜ao
seguinte.
Proposic¸˜ ao 11.5. Existe uma bije¸c˜ao
ϕ : O
a
→¦C.L.D.¦ dada por ϕ(ρ(x)(a)) := xE(a),
o conjunto do lado direito ´e o conjunto das classes laterais a direita de E(a) em G.
Em particular (novamente pelo teorema de Lagrange), #O
a
divide #G.
Demonstrac¸˜ ao. Inicialmente, ϕ est´a bem definida pois se ρ(x)(a) = ρ(y)(a),
ent˜ao ρ(xy
−1
)(a) = a, i.e., xy
−1
∈ E(a), i.e., xE(a) = yE(a). A fun¸c˜ao ´e injetiva
uma vez que se ϕ(ρ(x)(a)) = ϕ(ρ(y)(a)), i.e., xE(a) = yE(a), ent˜ao xy
−1
∈ E(a),
logo ρ(xy
−1
)(a) = a, i.e., ρ(x)(a) = ρ(y)(a). Finalmente, pela pr´opria defini¸c˜ao do
conjunto do lado direito, ϕ ´e sobrejetiva.
Dada uma representa¸c˜ao ρ : G → Perm(S) definimos a seguinte rela¸c˜ao de
equivalˆencia (verifique!) :
a ∼ b se e somente se existe x ∈ G tal que ρ(x)(a) = b.
Em particular, a classe de equivalˆencia de a nada mais ´e que a sua ´orbita O
a
. Al´em
disto o conjunto S fica escrito como a uni˜ao disjunta das ´orbitas O
a
.
Comecemos considerando o caso do exemplo 11.1. Neste caso
O
a
= ¦xax
−1
; x ∈ G¦
´e o conjunto dos conjugados de G. Assim,
O
a
= ¦a¦ se e somente se a ∈ Z(G).
Desta forma obtemos a equa¸c˜ ao das classes de conjuga¸c˜ao
(11.1) #G = #Z(G) +

a/ ∈Z(G)
#O
a
.
Ainda neste exemplo, o estabilizador E(a) de a ´e chamado o centralizador de a
dado por
Z(a) = ¦x ∈ G; xa = ax¦.
No caso do exemplo 11.3, a ´orbita de H ´e dada por
O
H
= ¦xHx
−1
; x ∈ G¦
11.2. OS TEOREMAS DE SYLOW 75
´e chamado o conjunto dos conjugados de H e o estabilizador de H ´e chamado o
normalizador de H em G denotado por
N
G
(H) = ¦x ∈ G; xHx
−1
= H¦.
Observemos que H G se e somente se N
G
(H) = G. Al´em disto da pr´opria
defini¸c˜ao H N
G
(H). O grupo N
G
(H) tamb´em se caracteriza como sendo o
maior subgrupo de G no qual H ´e normal. De fato, se K ⊂ G for um subgrupo
e H K, ent˜ao para todo x ∈ K temos xHx
−1
= H, i.e., x ∈ N
G
(H), i.e.,
K ⊂ N
G
(H).
11.2. Os teoremas de Sylow
Seja G um grupo finito e p um n´ umero primo. Suponhamos que p [ #G,
digamos #G = p
n
b, onde p [ b.
Teorema 11.6 (primeiro teorema de Sylow). Para todo 0 ≤ m ≤ n existe um
subgrupo H de G de ordem p
m
.
Definic¸˜ ao 11.7. Um subgrupo de G de ordem p
n
´e chamado um p-subgrupo
de Sylow de G.
Lema 11.8 (lema de Cauchy). Seja G um grupo abeliano e suponha que p [ #G,
ent˜ao existe x ∈ G tal que o(x) = p.
Observe que o primeiro teorema de Sylow generaliza o lema de Cauchy para
grupos n˜ao necessariamente abelianos.
Demonstrac¸˜ ao. A prova ser´a por indu¸c˜ao na ordem de G. Se #G = 1,
por vacuidade nada h´a a fazer. Suponha que o resultado seja verdade para todo
subgrupo de ordem menor que a ordem de G. Se #G = p nada h´a a fazer, o grupo
´e c´ıclico e basta tomar um gerador. Suponhamos que [G[ ,= p.
Afirmamos que existe um subgrupo H de G tal que 1 < #H < #G. De fato,
seja x ∈ H −¦1¦. Se ¸x) , = G, tome H = ¸y). Caso ¸x) = G, tome H = ¸x
p
).
Se p [ #H, ent˜ao por hip´otese de indu¸c˜ao existe x ∈ H com o(x) = p, em
particular x ∈ G. Caso p [ #H, ent˜ao p [ #G/H e #G/H < #G.
Novamente por hip´otese de indu¸c˜ao existe x ∈ G/H tal que o(x) = p. Con-
sideremos o homomorfismo sobrejetivo ϕ : G G/H. Seja r = o(x). Ent˜ao
o(x) = p [ r, digamos r = kp. Desta forma o(x
k
) = p.
demonstrac¸˜ ao do primeiro teorema de Sylow. Novamente a prova se-
r´a por indu¸c˜ao na ordem de G. Se #G = 1, nada h´a a fazer. Suponhamos que
o resultado seja verdade para todo grupo de ordem menor que #G. Se existe um
subgrupo pr´oprio H de G tal que p
m
[ #H, ent˜ao por hip´otese de indu¸c˜ao temos
que existe um subgrupo de H de ordem p
m
, em particular existe um subgrupo de
G desta ordem.
Suponhamos que n˜ao exista subgrupo pr´oprio de G cuja ordem seja divis´ıvel
por p
m
. A equa¸c˜ao das classes de conjuga¸c˜ao afirma que
#G = #Z(G) +

a/ ∈Z(G)
(G : E(a)).
Para todo a / ∈ Z(a) temos que (G : E(a)) = #O
a
> 1, logo #E(a) < #G. Por
hip´otese p
m
[ [E(a)[, assim p [ (G : E(a)). Em particular, p [ #Z(G).
76 11. TEOREMAS DE SYLOW
Como Z(G) ´e abeliano, concluimos do lema de Cauchy que existe x ∈ Z(G) tal
que o(x) = p. Note que como x ∈ Z(G), ent˜ao ¸x) G, portanto o grupo G/¸x)
tem ordem p
n−1
b < #G. Por hip´otese de indu¸c˜ao existe K subgrupo de G/¸x) tal
que #K = p
m−1
. Consideremos o homomorfismo canˆonico ϕ : G G/¸x). Ent˜ao
H = ϕ
−1
(K) ´e um subgrupo de G de ordem p
m
.
Lembremos que dado um grupo qualquer (n˜ao necessariamente finito) G e um
n´ umero primo p, dizemos que G ´e um p-grupo se todo elemento de G tem ordem
potˆencia de p. Utilizaremos o primeiro teorema de Sylow para provar a seguinte
proposi¸c˜ao.
Proposic¸˜ ao 11.9. Um grupo finito G ´e um p-grupo se e somente se #G ´e
potˆencia de p.
Demonstrac¸˜ ao.
´
E claro que se #G ´e potˆencia de p, ent˜ao G ´e um p-grupo.
Reciprocamente, se existisse um primo ,= p tal que [ #G, ent˜ao pelo primeiro
teorema de Sylow, existe x ∈ G tal que o(x) = , em particular G n˜ao ´e um
p-grupo.
Seja o o conjunto dos p-subgrupos de Sylow de G. Consideremos a repre-
senta¸c˜ao por conjuga¸c˜ao ρ : G → Perm(o) definida por ρ(x)(S) = xSx
−1
. A parte
mais importante do segundo teorema de Sylow afirma que esta representa¸c˜ao ´e
transitiva, i.e.,
o = O
S
= ¦xSx
−1
; x ∈ G¦.
Seja n
p
:= #o.
Teorema 11.10 (segundo teorema de Sylow). (1) o = O
S
, para algum
S ∈ o.
(2) Se P ⊂ G ´e um p-subgrupo, ent˜ao existe S ∈ o tal que P ⊂ S.
(3) Se S ∈ o, ent˜ao n
p
= (G : N
G
(S)).
Para provar este teorema precisamos do seguinte lema.
Lema 11.11. Seja S ∈ o e P ⊂ G um p-subgrupo. Ent˜ao P ∩ N
G
(S) = P ∩ S.
Demonstrac¸˜ ao. Suponhamos que P∩N
G
(S) ¿ P∩S, seja x ∈ P∩N
G
(S)−S.
Como P ´e um p-grupo temos que o(x) = p
r
para algum r ≥ 1. Al´em disto S
N
G
(S), logo ¸x)S ´e um subgrupo de N
G
(S). Mais ainda, #¸x)S = o(x)#S/#¸x) ∩
S = p
r+n
/#¸x) ∩ S. Observe que o denominador ´e < p
r
, pois x / ∈ S, o que ´e uma
contradi¸c˜ao uma vez que a ordem de ¸x)S supera a ordem de S.
Demonstrac¸˜ ao do segundo teorema de Sylow. Seja C o conjunto dos
subgrupos de G e consideremos a representa¸c˜ao por conjuga¸c˜ao ρ : G → Perm(C)
definida por ρ(x)(H) = xHx
−1
. Por defini¸c˜ao a ´orbita O
S
(para S ∈ o) de S ´e o
conjunto dos conjugados de S e #O
S
= (G : N
G
(S)).
Provemos os 2 primeiros ´ıtens. Denotemos O
S
= T. A restri¸c˜ao ϑ : P →
Perm(T) desta representa¸c˜ao a um p-subgrupo P de G d´a uma representa¸c˜ao sobre
o conjunto T dada por ϑ(x) = xaSa
−1
x
−1
, para aSa
−1
∈ T. Sejam O
1
, , O
k
as
´orbitas desta representa¸c˜ao. Assim cada O
i
´e a ´orbita de S
i
= y
i
Sy
−1
i
com rela¸c˜ao
a ϑ. Lembre qie #O
i
= (P : N
G
(S
i
) ∩ P). Pelo lema anterior (P : N
G
(S
i
) ∩ P) =
(P : S
i
∩ P). Assim,
#T =
k

i=1
#O
i
=
k

i=1
(P : S
i
∩ P).
11.3. EXEMPLOS 77
Como #S = p
n
e S ⊂ N
G
(S), ent˜ao p [ #T = (G : N
G
(S)). Por outro lado, como
P ´e um p-grupo finito, para todo i = 1, , k, (P : S
i
∩ P) ´e potˆencia de p. Mas
isto ocorre se e somente se existe i tal que P = S
i
∩ P, i.e., P ⊂ S
i
, isto prova (2).
Para (1) note que T ⊂ o. Para a inclus˜ao inversa, aplicando (2) a qualquer S

∈ o
temos que existe i tal que S

⊂ S
i
, i.e., S

= S
i
= y
i
Sy
−1
i
, i.e., S

∈ T.
Finalmente, para provar (3), por (1) temos que n
p
= #T = (G : N
G
(S)) [ b.
Teorema 11.12 (terceiro teorema de Sylow). n
p
[ b e n
p
≡ 1 (mod p).
Demonstrac¸˜ ao. A primeira afirmativa j´a foi provada no teorema anterior.
Para a segunda, aplique a ´ ultima equa¸c˜ao para P = S obtendo
(G : N
G
(S)) =
k

i=1
(S : S ∩ S
i
).
Como S ´e um p-grupo o resultado ´e imediato.
11.3. Exemplos
Determinemos o n´ umero de p-subgrupos de Sylow para grupos de certas ordens.
Observe que n
p
= 1 se e somente se existe um ´ unico p-subgrupo de Sylow normal
em G.
Exemplo 11.13. Seja G um grupo de ordem 56 = 2
3
7. Pelo terceiro teorema
de Sylow, n
7
[ 8 e n
7
≡ 1 (mod 7). Ent˜ao n
7
= 1 ou 8. No primeiro caso temos um
´ unico 7-subgrupo de Sylow H
7
normal em G. No segundo caso, cada 7-subgrupo
de Sylow de G produz 6 elementos de ordem 7. Assim ter´ıamos 48 elementos de
ordem 7. Portanto, os demais 8 elementos constituem o ´ unico 2-subgrupo de Sylow
de G. Isto n˜ao poderia ser visto diretamente pelo terceiro teorema de Sylow, pois
n
2
[ 7 e n
2
≡ 1 (mod 2), logo a princ´ıpio n˜ao poder´ıamos excluir a possibilidade
n
2
= 7. Neste caso o 2-subgrupo de Sylow H
2
de G ´e normal em G.
Exemplo 11.14. Seja G um grupo de ordem 2
2
.7.13. Aplicando o terceiro
teorema de Sylow obtemos n
13
[ 2
2
.7 e n
13
≡ 1 (mod 13). Portanto temos duas
possibilidades n
13
= 1 e n
13
= 14. Vamos excluir a ´ ultima. Seja H
13
um 13-
subgrupo de Sylow de G. Aplicando o terceiro teorema de Sylow temos n
7
[ 2
2
.13
e n
7
≡ 1 (mod 7), logo n
7
= 1, ou seja h´a um ´ unico 7-subgrupo de Sylow H
7
de
G (portanto normal em G). A fortiori, H
13
H
7
´e um subgrupo de G. Aplicando
o terceiro teorema de Sylow a este grupo obtemos n
13
= (G : N
G
(H
13
)) ≤ (G :
H
13
H
7
) = 4. Assim, n
13
= 1.
CAP´ıTULO 12
Grupos sol´ uveis
12.1. Teorema de Jordan-H¨older
Definic¸˜ ao 12.1. Seja G um grupo. Uma s´erie subnormal de G´e uma seq¨ uˆencia
de grupos
G = G
0
G
1
G
2
G
n
= ¦1¦,
onde cada G
i
´e normal no subgrupo anterior G
i−1
. Denotamos por
Q :=
_
G
0
G
1
,
G
1
G
2
, ,
G
n−1
G
n
_
o conjunto dos quocientes de da s´erie cuja cardinalidade l ´e dita o comprimento da
s´erie.
Um refinamente de uma s´erie subnormal ´e uma outra s´erie subnormal obtida a
partir desta inserindo subgrupos normais, por exemplo,
G
i
H
i
G
i+1
.
Um refinamento ´e dito pr´oprio, se o comprimento da nova s´erie for superior ao
da original. Uma s´erie subnormal ´e dita uma s´erie de composi¸c˜ao, se n˜ao admite
refinamento pr´oprio. Duas s´eries subnormais s˜ao distas equivalentes se existe uma
bije¸c˜ao entre o conjunto dos quocientes das duas s´eries.
O objetivo desta se¸c˜ao ´e mostrar que todas as s´eries de composi¸c˜ao de um
grupo dado s˜ao equivalentes (Teorema de Jordan-H¨older).
Definic¸˜ ao 12.2. Um grupo G ´e dito simples, se seus ´ unicos subgrupos normais
s˜ao ¦1¦ e G. Por exemplo todo grupo de ordem prima ´e simples.
Observe que uma s´erie subnormal ´e uma s´erie de composi¸c˜ao se e somente se
cada quociente G
i
/G
i+1
´e um grupo simples. Nem todo grupo admite uma s´erie de
composi¸c˜ao. Por exemplo, se G = Z e os subgrupos G
i
= p
i
Z para i ≥ 1. A s´erie
Z pZ ¦0¦
pode ser infinitamente refinada inserindo sucessivamente os grupos p
i
Z para todo
i ≥ 2.
Lema 12.3. Seja G um grupo finito de ordem maior que 1, ent˜ao existe um
subgrupo normal pr´oprio H de G que ´e maximal para esta propriedade, i.e., para
todo subgrupo K normal pr´oprio de G temos que K ⊂ H.
Demonstrac¸˜ ao.
´
E claro que ¦1¦ ´e um subgrupo pr´oprio normal de G. Se ¦1¦
for maximal no sentido acima, nada h´a a fazer. Caso contr´ario, existe H
1
¿ ¦1¦
que ´e um subgrupo pr´oprio normal em G. Se H
1
for maximal, acabou, sen˜ao
prosseguimos. N˜ao podemos prosseguir indefinidamente pois G ´e finito.
79
80 12. GRUPOS SOL
´
UVEIS
Proposic¸˜ ao 12.4. Todo grupo finito admite uma s´erie de composi¸c˜ao.
Demonstrac¸˜ ao. Pelo lema anterior, existe um subgrupo maximal normal
pr´oprio G
1
de G. Similarmente, aplicando o lema sucessivamente a G
1
, G
2
, etc,
obtemos que cada G
i
possui um subgrupo maximal normal pr´oprio G
i+1
e uma
s´erie subnormal
G = G
0
G
1
G
2
,
que n˜ao pode ser infinita, pois G´e finito e as ordens dos grupos G
i
’s s˜ao estritamente
decrescentes. Logo existe n ≥ 1 tal que G
n
= ¦1¦. Al´em disto, pela maximalidade
dos grupos G
i+1
’s em G
i
, concluimos que todos os quocientes G
i
/G
i+1
s˜ao grupos
simples. Isto equivale a dizer que a s´erie ´e uma s´erie de composi¸c˜ao.
Exemplo 12.5. Consideremos a seguinte s´erie subnormal
G =
Z
30Z
¸5) ¸10) ¦0¦.
Esta s´erie ´e na verdade uma s´erie de composi¸c˜ao, pois o conjunto dos quocientes ´e
_
Z
5Z
,
Z
2Z
,
Z
3Z
_
,
ou seja, cada quociente ´e c´ıclico de ordem prima, portanto simples. Ela ´e refina-
mento das s´eries subnormais
G ¸5) ¦0¦, e
G ¸10) ¦0¦.
Al´em disto esta s´erie ´e equivalente `as seguintes s´eries de composi¸c˜ao
G =
Z
30Z
¸2) ¸6) ¦0¦ e
G =
Z
30Z
¸2) ¸10) ¦0¦.
Lema 12.6 (lema de Zassenhaus). Sejam H, H
1
, K, K
1
subgrupos de um grupo
G tais que H
1
H e K
1
K. Ent˜ao
(1) H
1
(H ∩ K
1
) H
1
(H ∩ K) e K
1
(H
1
∩ K) K
1
(H ∩ K).
(2)
H
1
(H ∩ K)
H
1
(H ∩ K
1
)

=
K
1
(H ∩ K)
K
1
(H
1
∩ K)
.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Mostremos o primeiro fato o segundo ´e an´alogo. Quere-
mos mostrar que dados x ∈ H
1
e y ∈ H ∩ K temos
xy(H
1
(H ∩ K
1
))y
−1
x
−1
= H
1
(H ∩ K
1
).
De fato,
xy(H
1
(H ∩ K
1
))y
−1
x
−1
= x(yH
1
y
−1
)(y(H ∩ K
1
)y
−1
)x
−1
= x(H
1
(H ∩ K
1
)x
−1
,
onde na primeira identidade usamos que y ∈ H e H
1
H e na segunda que
y ∈ H ∩ K e K
1
K. Mas x ∈ H
1
, portanto
x(H
1
(H ∩ K
1
)x
−1
= H
1
(H ∩ K
1
)x
−1
.
Como H
1
H, ent˜ao
H
1
(H ∩ K
1
) = (H ∩ K
1
)H
1
12.2. GRUPOS SOL
´
UVEIS 81
e este ´e um subgrupo de G. Assim,
x(H
1
(H ∩ K
1
)x
−1
= ((H ∩ K
1
)H
1
)x
−1
= (H ∩ K
1
)H
1
= H
1
(H ∩ K
1
),
onde novamente usamos que x
−1
∈ H
1
.
(2) Fica como exerc´ıcio provar o seguinte fato:
se A e B s˜ao grupos e A AB, ent˜ao (A/B)A = B/(A∩ B).
Tomemos A = H
1
(H ∩ K
1
) e B = H ∩ K. Neste caso
AB = H
1
(H ∩ K) e A∩ B = (H ∩ K
1
)(H
1
∩ K).
Assim, pelo fato,
H
1
(H ∩ K)
H
1
(H ∩ K
1
)

=
H ∩ K
(H ∩ K
1
)(H
1
∩ K)
.
Similarmente, o outro quociente procurado tamb´em ´e isomorfo a este ´ ultimo gru-
po.
Teorema 12.7 (teorema de Schreier). Duas s´eries subnormais de um grupo G
possuem refinamentos equivalentes.
Demonstrac¸˜ ao. Consideremos as seguintes s´eries subnormais
G = G
0
G
1
G
2
G
n
= ¦0¦ e
G = H
0
H
1
H
2
H
m
= ¦0¦.
Refinemos a primeira utilizando os grupos da segunda da seguinte forma
G
i
= G
i+1
(G
i
∩ H
0
) G
i+1
(G
i
∩ H
1
) G
i+1
(G
i
∩ H
m
) = G
i+1
,
o fato de cada passada ser normal segue do ´ıtem (1) do lema de Zassenhaus. Da
mesma forma refinamos a segunda utilizando os grupos da primeira
H
j
= H
j+1
(G
0
∩ H
j
) H
j+1
(G
1
∩ H
j
) H
j+1
(G
n
∩ H
j
) = H
j+1
.
A equivalˆencia entre estas s´eries segue o ´ıtem (2) do lema de Zassenhaus.
Corol´ ario 12.8 (teorema de Jordan-H¨older). Duas s´eries de composi¸c˜ao de
um grupo dado s˜ao equivalentes.
Demonstrac¸˜ ao. Segue imediatamente do teorema de Schreier.
12.2. Grupos sol´ uveis
Definic¸˜ ao 12.9. Seja G um grupo. Denotamos por G

= [G, G] o subgrupo
dos comutadores e definimos indutivamente G
(0)
= G, G
(i+1)
= (G
(i)
)

.
Teorema 12.10. Seja G um grupo. As seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes
(i) G possui uma s´erie subnormal com quocientes abelianos.
(ii) Existe n tal que G
(n)
= ¦1¦.
Se al´em disto G for finito, ent˜ao estas condi¸c˜oes equivalem a
(iii) O grupo G admite uma s´erie de composi¸c˜ao com quocientes abelianos (logo
c´ıclicos de ordem prima).
Definic¸˜ ao 12.11. Um grupo satisfazendo `as condi¸c˜oes equivalentes acima ´e
dito um grupo sol´ uvel.
82 12. GRUPOS SOL
´
UVEIS
Demonstrac¸˜ ao. Suponha (i). Pela observa¸c˜ao 10.8, se H G for tal que
G/H ´e abeliano, ent˜ao H ⊃ G

. Assim, como G
0
/G
1
´e abeliano, G
1
⊃ G

=
G
(1)
. Em seguida, como G
1
/G
2
´e abeliano, ent˜ao G
2
⊃ (G
1
)

= G
(2)
. Assim
sucessivamente, G
i
⊃ G
(i)
. Donde, G
(n)
= ¦1¦.
Suponha (ii). Basta notar que por defini¸c˜ao a s´erie subnormal
G = G
(0)
G
(1)
G
(2)
G
(n)
= ¦1¦
tem quocientes abelianos.
Suponha agora que G seja um grupo finito. No pr´oximo cap´ıtulo mostraremos
que todo grupo abeliano finito pode ser escrito como produto de grupos c´ıclicos da
forma Z/nZ para n ≥ 1 inteiro. Observemos que as duas formula¸c˜oes de (iii) de
fato equivalem-se. J´a observamos antes que todo grupo c´ıclico de ordem prima ´e
simples. Reciprocamente, se um grupo abeliano finito ´e simples, pelo que foi dito
anteriormente, ele s´o pode ser um grupo c´ıclico da forma Z/nZ para algum inteiro
n ≥ 1, j´a que se tivesse mais de um fator c´ıclico, por exemplo, Z/mZZ/nZ, ent˜ao
¦0¦ Z/nZ seria um subgrupo normal n˜ao trivial. Mas pelo teorema chinˆes dos
restos, todo grupo c´ıclico fatora-se como produto de grupos c´ıclicos Z/p
r
Z, onde p
´e primo e r ≥ 1 inteiro. Assim, ficamos reduzidos ao caso em que G = Z/p
r
Z. Mas
se r > 1, este grupo admite como subgrupo normal n˜ao trivial o grupo pZ/p
r
Z,
logo n˜ao poderia ser simples.
Se G for um grupo finito ´e claro que (iii) implica (i). Por outro lado qualquer
refinamento de uma s´erie subnormal com quocientes abelianos tamb´em tem quo-
cientes abelianos. Al´em disto, j´a foi visto anteriormente que toda s´erie subnormal
de um grupo finito admite uma s´erie de composi¸c˜ao.
Segue imediatamente do teorema que grupos abelianos s˜ao sol´ uveis. Para ver
que p-grupos finitos (onde p denota um n´ umero primo) s˜ao tamb´em sol´ uveis pre-
cisaremos da seguinte proposi¸ c˜ao.
Proposic¸˜ ao 12.12. Seja G um grupo de ordem p
m
e H um subgrupo de G de
ordem p
r
, onde r < m. Ent˜ao
(1) existe um subgrupo K de G de ordem p
r+1
contendo H.
(2) Todo subgrupo L de G de ordem p
r+1
contendo H satisfaz : H L. Em
particular, H _ N
G
(H).
Demonstrac¸˜ ao. Provemos o seguinte resultado mais forte que (1) por indu¸c˜ao
na ordem de G: existe um subgrupo H de G de ordem p
r+1
tal que H K.
Se #G = 1, nada h´a a fazer. Sen˜ao, suponhamos o resultado seja verdade para
todo grupo de ordem menor que #G. Como Z(G) ,= ¦1¦, utilizando o lema de
Cauchy (cf. cap´ıtulo sobre teoremas de Sylow) escolhemos um elemento x ∈ Z(G)
de ordem p. Note que ¸x) G e x ∈ N
G
(H).
Se x / ∈ H, ent˜ao, o subgrupo K = H¸x) satisfaz `as condi¸c˜oes desejadas, pois
¸x) ∩ H = ¦1¦. Caso x ∈ H, o grupo G/¸x) tem ordem estritamente menor que G,
logo por hip´otese de indu¸c˜ao existe um subgrupo K

de G/¸x) tal que #K

= p
r
.
Seja K a pr´e-imagem de K

pelo homomorfismo canˆonico ϕ : G → G/¸x). O
subgrupo K

de G satisfaz `as condi¸c˜oes da afirmativa mais forte.
Finalmente, o segundo ´ıtem segue do primeiro.
Corol´ ario 12.13. Seja G um grupo de ordem p
m
(onde p denota um n´ umero
primo). Ent˜ao existem subgrupos H
0
= ¦1¦, H
2
, , H
m
= G tais que H
i
H
i+1
e
tais que H
i+1
/H
i
´e c´ıclico de ordem p, para i = 0, , m−1.
12.2. GRUPOS SOL
´
UVEIS 83
Demonstrac¸˜ ao. Aplique a proposi¸c˜ao a H
0
= ¦1¦ obtendo H
1
e ordem p,
em seguida aplique-a novamente a H
1
e assim sucessivamente.
Observac¸˜ ao 12.14. Segue do teorema 12.10 e do corol´ario anterior que todo
p-grupo finito ´e sol´ uvel.
Proposic¸˜ ao 12.15. Seja G um grupo e H um subgrupo de G.
(1) Se G for sol´ uvel, ent˜ao H ´e sol´ uvel.
(2) Se H G ent˜ao G ´e sol´ uvel se e somente se H e G/H s˜ao sol´ uveis.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Suponha que Gseja sol´ uvel. Note que para todo i, G
(i)

H
(i)
. Portanto, H
(n)
= ¦1¦ e H ´e sol´ uvel.
(2) Seja ϕ : G → G/H o homomorfismo quociente. Observe que ϕ(G

) =
ϕ(G)

= (G/H)

. Suponha que G seja sol´ uvel. Por (1) H ´e sol´ uvel. Al´em disto,
indutivamente, para todo i, ϕ(G
(i)
) = (G/H)
(i)
, a fortiori, (G/H)
(n)
= ¦1¦, i.e.,
G/H ´e sol´ uvel. Reciprocamente, suponha que H e G/H sejam sol´ uveis. Isto
significa que existe n tal que H
(n)
= ¦1¦ e m tal que (G/H)
(m)
= ¦1¦. Da ´ ultima
igualdade segue que G
(m)
⊂ ker(ϕ) = H. Aplicando indutivamente esta derradeira
igualdade obtemos G
(m+j)
⊂ H
(j)
. Portanto G
(m+n)
⊂ H
(n)
= ¦1¦, i.e., G ´e
sol´ uvel.
CAP´ıTULO 13
Grupos abelianos finitamente gerados
13.1. M´odulos sobre an´eis
Seja R um anel comutativo com unidade. Um R-m´odulo M ´e um grupo aditivo
munido de uma fun¸c˜ao RM →M tal que a(x+y) = ax+ay e (a+b)x = ax+bx,
para a, b ∈ R e x, y ∈ M. Quando R ´e um corpo (como os reais) recuperamos a
no¸c˜ao de espa¸co vetorial.
Dizemos que um suconjunto S de M gera M se para todo x ∈ M existem
x
1
, , x
n
∈ S tal que x =

n
i=1
a
i
x
i
, onde a
i
∈ R para i = 1, , n. O conjunto
S ´e dito o conjunto de geradores de M. O m´odulo M ´e dito finitamente gerado, se
S for finito.
Dados x
1
, , s
n
∈ M dizemos que eles s˜ao R-linearmente independentes se
para qualquer combina¸c˜ao linear

n
i=1
a
i
x
i
= 0 com a
i
∈ R tivermos a
i
= 0 para
i = 1, , n. O m´odulo M ´e dito um R m´odulo livre se possui um conjunto
de geradores linearmente independentes. Novamente, quando R ´e um corpo, um
conjunto de geradores linearmente independentes nada mais ´e que a base de um
espa¸co vetorial. Quando o conjunto de geradores S ´e finito e estes s˜ao R-linearmente
independentes, da mesma forma que na ´algebra linear podemos mostrar que o
n´ umero de elementos do conjunto gerador n˜ao depende da particular escolha do
conjunto. Este n´ umero ´e chamado o posto do m´odulo (que corresponde `a no¸c˜ao de
dimens˜ao de espa¸co vetorial)..
Observemos que a no¸c˜ao de Z-m´odulo equivale a de grupo abeliano. De fato,
todo Z-m´odulo por defini¸c˜ao ´e um grupo abeliano. Reciprocamente, todo grupo
abeliano G admite uma estrutura de Z-m´odulo. De fato, denotando G aditivamente,
podemos considerar a soma de n > 0 vezes um elemento x de G que ´e o elemento
nx ∈ G. Para n = −m < 0, nx nada mais ´e que m vezes o elemento −x, portanto
tamb´em um elemento de G.
Ao contr´ario de espa¸cos vetoriais nem todo Z-m´odulo livre ´e finito. De fato,
para todo n ≥ 1, Z/nZ ´e um Z-m´odulo livre de posto 1 gerado por 1. Na verdade
isto corresponde a no¸c˜ao de grupo abeliano de tor¸c˜ao. Um grupo abeliano G ´e de
tor¸c˜ao se e somente todo elemento de G ´e de ordem finita. Veremos que o teorema
em quest˜ao diz inicialmente que todo grupo abeliano finitamente gerado se quebra
em um peda¸co de tor¸c˜ao que descreveremos completamente e uma parte livre que
´e isomorfa a r c´opias de Z, onde r ´e exatamente o posto do grupo como Z-m´odulo.
Similarmente ao caso de espa¸cos vetoriais temos no¸c˜oes de subm´odulos e de
m´odulos quocientes. Seja M um R-m´odulo. Um subconjunto N de M ´e dito um
R-subm´odulo de N se for um sugrupo e se para todo a ∈ R e x ∈ N, ax ∈ N.
Para todo x ∈ M definimos x := x + N := ¦x + v [ v ∈ N¦ chamada a classe de x
com respeito a N. Como conjunto o m´odulo quociente M/N ´e definido como sendo
¦x[ x ∈ M¦. Definimos uma estrutura de R-m´odulo em M/N da maneira usual. A
85
86 13. GRUPOS ABELIANOS FINITAMENTE GERADOS
soma ´e definida por x⊕y := x +y e a multiplica¸c˜ao por escalar por ax := ax, para
todo a ∈ R. Fica como exerc´ıcio verificar que estas opera¸c˜oes est˜ao efetivamente
bem definidas.
Dados V e W R-m´odulos uma fun¸c˜ao ϕ : V → W ´e dito um homomorfismo
de R-m´odulos se for um homomorfismo de grupos e se para todo a ∈ R e x ∈ V
temos ϕ(ax) = aϕ(x). Da mesma forma definimos o n´ ucleo de ϕ por N(ϕ) := ¦x ∈
V [ ϕ(x) = 0¦. J´a sabemos que N(ϕ) ´e um subgrupo de V . Al´em disto ele ´e um
R-subm´odulo, pois para todo a ∈ R e x ∈ N(ϕ) temos ϕ(ax) = aϕ(x) = 0, i.e.,
ax ∈ N(ϕ). A imagem ϕ(V ) de φ ´e um R-subm´odulo de W (exerc´ıcio).
Teorema 13.1 (teorema dos homomorfismos). Seja ϕ : V →W um homomor-
fismo de R-m´odulos. Ent˜ao ϕ induz um isomorfismo de R-m´odulos Φ : V/N(ϕ) →
ϕ(V ) dado por Φ(x) := ϕ(x).
Demonstrac¸˜ ao. J´a sabemos que Φ ´e isomorfismo de grupos. Basta verificar
que ´e um homomorfismo de R-m´odulos. De fato, dado a ∈ R temos que Φ(ax) =
Φ(ax) = ϕ(ax) = aϕ(x) = aΦ(x).
Para todo n ≥ 1 o produto cartesiano R
n
´e naturalmente um R-m´odulo so-
mando as coordenadas e multiplicando as coordenadas por um escalar em R. Um
homorfismo de R-m´odulos ϕ : R
m
→ R
n
´e determinado pela multiplica¸c˜ao de um
vetor por uma matriz n m com coordenadas em R. De fato, tomemos como
conjunto gerador linearmente independente em cada um dos R-m´odulos a base
canˆonica, ent˜ao da mesma forma que na ´algebra linear, se e
1
, , e
m
´e uma base de
R
m
e f
1
, , f
n
´e uma base de R
n
, ent˜ao ϕ fica determinado por ϕ(e
i
) =

j
a
ij
f
j
,
onde a
ij
∈ R.
Definimos o grupo GL
n
(R) como o subgrupo das matrizes quadradas de ordem
n com entradas em R. Observemos que este equivale ao grupo das matrizes cujo
determinante ´e um elemento invers´ıvel em R. De fato, seja A ∈ GL
n
(R). Ent˜ao
existe B ∈ M
n
(R) tal que AB = Id, em particular det(A) det(B) = 1, i.e., det(A) ∈
R

. Reciprocamente, se det(A) = δ ∈ R

e Adj(A) denota a adjunta de A (que
´e constru´ıda como na ´algebra linear, pois as opera¸c˜oes elemetares por linhas s˜ao
precisamente as mesmas tomando cuidado de escolher os escalares pertencendo a
um anel R ao inv´es de um corpo). Assim a regra de Cramer nos informa que
δ Id = A Adj(A). A fortiori, Id = A(δ
−1
Adj(A)), assim δ
−1
Ajd(A) ´e a inversa de
A (observe que podemos tomar δ
−1
, pois δ ´e invers´ıvel em R).
13.2. Diagonaliza¸c˜ao de matrizes
Teorema 13.2. Seja A ∈ M
n×m
(Z) ent˜ao existem matrizes Q ∈ GL
n
(Z) e
P ∈ GL
m
(Z) tais que A

= QAP
−1
´e diagonal da seguinte forma:
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
d
1
0 0
0 d
2
0
. . .
0 0 d
r
_
_
_
_
0
0 0
_
_
_
_
_
_
,
onde d
1
[ d
2
[ [ d
r
.
Demonstrac¸˜ ao. As matrizes Q e P provˆeem (como na ´algebra linear) da
multiplica¸c˜ao de matrizes elementares que correspondem as opera¸c˜oes elementares
por linhas e por colunas.
13.3. GERADORES E RELAC¸
˜
OES PARA M
´
ODULOS 87
Etapa 1. Trocando linhas e colunas (e eventualmente multiplicando uma linha
ou coluna por -1) podemos supor que a
11
≥ 0 ´e uma entrada de menor valor absoluto
(claro que pode haver outra entrada com o mesmo valor absoluto).
Etapa 2. Transformamos os demais elementos da primeira coluna em 0 da
seguinte forma. Para todo i > 1 dividimos a
i1
= a
11
q + r, onde 0 ≤ r < a
11
.
Substitu´ımos a i-´esima linha por menos ela mais q vezes a primeira, ou seja trocamos
a
i1
por r. Se r = 0 nada mais precisamos fazer. Sen˜ao permutamos levando r para
a primeira posi¸c˜ao (1,1) e retornamos `a etapa anterior. Em um n´ umero finito de
passos obteremos r = 0. Repetimos o argumento para as demais entradas da linha.
Similarmente, repetimos o argumento para colunas e zeramos o restante da primeira
linha.
Etapa 3. Seja B a matriz restante eliminando as primeiras linha e coluna. Se
existe uma entrada b de B que n˜ao seja divis´ıvel por a
11
, somamos a coluna corres-
pondente com a primeira coluna e retornamos `a etapa 2. Ap´os um n´ umero finito
de passos todos os elementos de B s˜ao divis´ıveis por a
11
e aplicamos as 3 etapas a
B.
Note que na demonstra¸c˜ao anterior al´em das opera¸c˜oes elementares por linhas
que valem para qualquer anel, utilizamos t˜ao somente o algoritmo da divis˜ao para
os inteiros. Isto permite-nos generalizar o resultado da seguinte forma.
Teorema 13.3. Seja R um dom´ınio euclideano e A ∈ M
n×m
(R). Ent˜ao ex-
istem matrizes Q ∈ GL
n
(R) e P ∈ GL
m
(R) tais que A

= QAP
−1
´e diagonal da
forma indicada no teorema anterior.
Notemos que este processo se aplica particularmente `a matriz de um homomor-
fismo de R-m´odulos ϕ : R
m
→R
n
.
13.3. Geradores e rela¸c˜oes para m´odulos
Seja ϕ : R
n
→ R
m
um homomorfismo de R-m´odulos cuja matriz na base
canˆonica ´e A ∈ M
m×n
(R). A base canˆonica de R
n
´e chamado o conjunto de
geradores e o n´ ucleo N(ϕ) de ϕ ´e dito o conjunto de rela¸c˜oes. A imagem de ϕ ´e
dada por multiplica¸c˜ao por A, assim denotamos ϕ(R
n
) := AR
n
. O con´ ucleo de ϕ
´e definido por R
m
/AR
n
. Neste caso dizemos que a matriz A presenta o con´ ucleo
de ϕ, ou em outras palavras, A ´e a matriz de presenta¸c˜ao do con´ ucleo de ϕ.
Mostraremos agora que todo R-m´odulo finitamente gerado V pode ser pre-
sentado por alguma matriz. Inicialmente observemos que se v
1
, , v
n
´e um con-
junto de geradores de V ent˜ao temos um homomorfismo sobrejetivo canˆonico de
R-m´odulos ϕ : R
n
→ V dado por ϕ(e
i
) = v
i
, onde e
1
, , e
n
´e a base canˆonica de
R
n
. De fato, para todo v ∈ V temos v =

n
i=1
a
i
v
i
com a
1
, , a
n
∈ R. Portanto,
V = AR
n
. Seja W = N(ϕ). Mostraremos em seguida que W ´e tamb´em um R-
m´odulo finitamente gerado. Neste caso, digamos que seja gerado por w
1
, , w
m
,
temos tamb´em um homomorfismo sobrejetivo ψ : R
m
→ W de R-m´odulos e o
W = BR
m
. Pelo teorema dos homomorfismos, V

= R
n
/W = R
n
/BR
m
, assim a
matriz B presenta V . A id´eia do teorema ser´a diagonalizar a matriz B como na
se¸c˜ao anterior e obter da´ı a decomposi¸c˜ao do m´odulo.
Lema 13.4. Seja ϕ : V →W um homomorfismo de R-m´odulos.
(1) Se ker(ϕ) e ϕ(V ) s˜ao finitamente gerados, ent˜ao V tamb´em ´e finitamente
gerado. Se V ´e finitamente gerado e ϕ ´e sobrejetivo, ent˜ao W ´e finita-
mente gerado.
88 13. GRUPOS ABELIANOS FINITAMENTE GERADOS
(2) Seja W um R-subm´ odulo de V . Se W e V/W s˜ao finitamente gerados,
ent˜ao V tamb´em ´e finitamente gerado. Se V ´e finitamente gerado, ent˜ao
V/W ´e finitamente gerado.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Seja u
1
, , u
k
um conjunto de geradores de ker(ϕ) e
w
1
, , w
m
um conjunto de geradores de W. Para todo i = 1, , m seja v
i
∈ V
tal que ϕ(v
i
) = w
i
. Afirmamos que (u
1
, , u
k
; v
1
, , v
m
) geram V . De fato, dado
v ∈ V temos ϕ(v) =

i
a
i
w
i
com a
i
∈ R para i = 1, , m. Seja v

=

i
a
i
v
i
∈ V .
Ent˜ao ϕ(v

) = ϕ(v), i.e., v

− v ∈ ker(ϕ), i.e., v

− v =

j
b
j
u
j
para b
j
∈ R para
todo j = 1, , k. Para a segunda parte, se v
1
, , v
n
geram V , como todo w ∈ W
´e da forma w = ϕ(v), para algum v ∈ V , ent˜ao w =

i
a
i
ϕ(v
i
), onde v =

i
a
i
v
i
,
e ϕ(v
1
), , ϕ(v
n
) forma um conjunto de geradores de W.
(2) Segue de (1) aplicado ao homomorfismo quociente canˆonico ϕ : V →V/W.

Proposic¸˜ ao 13.5. Seja V um R-m´odulo. As seguintes condi¸c˜oes s˜ao equiva-
lentes:
(1) Todo R-subm´odulo W de V ´e finitamente gerado.
(2) N˜ao existe seq¨ uˆencia estritamente crescente de R-subm´odulos de V : W
1
_
W
2
_
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que a condi¸c˜ao (2) seja satisfeita e que W ,= 0. Seja
w
1
∈ W −¦0¦. Se w
1
gera W acabou. Sen˜ao seja w
2
∈ W −Rw
1
. Se Rw
1
+Rw
2
=
W, acabou, w
1
e w
2
geram W. Sen˜ao seja w
3
∈ W −(RW
1
+Rw
2
). Prosseguindo
desta forma o conjunto de R-m´odulos W
i
= Rw
1
+. . .+Rw
i
´e estritamente crescente.
Por hip´otese existe k tal que W
k
= W, em particular w
1
, , w
k
geram W.
Reciprocamente suponha (1). Seja W
1
⊂ W
2
⊂ uma seq¨ uˆencia de R-
subm´odulos de V . A uni˜ao U =

i
W
i
tamb´em ´e um R-subm´odulo de V (exerc´ıcio).
Por hip´otese U ´e finitamente gerado, digamos por u
1
, , u
n
. Seja j o maior ´ındice
tal que u
i
∈ W
j
para todo i. Logo W
j
⊂ U ⊂ W
j
, i.e., U = W
j
e a seq¨ uˆencia
estaciona.
Definic¸˜ ao 13.6. Um anel R tal que todo m´odulo satisfa¸ca as condi¸c˜oes ante-
riores ´e chamado um anel noetheriano.
Proposic¸˜ ao 13.7. Seja R um anel noetheriano e V um R-m´odulo finitamente
gerado. Ent˜ao todo subm´odulo W de V tamb´em ´e finitamente gerado.
Demonstrac¸˜ ao. Observemos inicialmente que basta provar a proposi¸c˜ao no
caso em que V = R
n
. De fato, como V ´e finitamente gerado, ent˜ao existe um
homomorfismo sobrejetivo ϕ : R
n
→ V . Seja W ⊂ V um subm´odulo. Ent˜ao
ϕ
−1
(W) = W

´e um subm´odulo de R
n
, por hip´otese ´e finitamente gerado. Pelo
lema anterior concluimos que W tamb´em ´e finitamente gerado.
Provemos por indu¸c˜ao em n. Para n = 1 isto segue da proposi¸c˜ao ante-
rior. Consideremos o homomorfismo de proje¸c˜ao ϕ : R
n
→ R
n−1
dado por
ϕ((a
1
, , a
n
)) = (a
1
, , a
n−1
). O seu n´ ucleo constitui-se dos vetores da forma
(0, , 0, a
n
). Seja W um subm´odulo de R
n
e seja ψ a restri¸c˜ao de ϕ a W, dig-
amos ψ : W → R
n−1
. Por hip´otese de indu¸c˜ao ψ(W) ´e finitamente gerado. Al´em
disto, ker(ψ) = ker(ϕ) ∩ W ´e um subm´odulo de ker(ϕ)

= R, portanto tamb´em ´e
finitamente gerado. Assim, o resultado segue da proposi¸c˜ao anterior.
13.4. O TEOREMA DE ESTRUTURA 89
13.4. O teorema de estrutura
J´a fizemos tudo que era necess´ario para obter nosso resultado principal neste
cap´ıtulo. Antes s´o mais um pouco de nota¸c˜ao. Sejam W
1
, , W
n
subm´odulos de
um R-m´odulo V . Definimos W
1
+. . .+W
n
:= ¦w
1
+. . .+w
n
[ w
i
∈ W
i
, i = 1, , n¦.
Fica como exerc´ıcio verificar que W
1
+. . . +W
n
´e um R-subm´odulo de V . Dizemos
que esta soma ´e direta de para qualquer rela¸c˜ao linear

i
a
i
w
i
= 0, com a
i
∈ R,
temos a
i
= 0 para todo i. Neste caso escrevemos W
1
⊕. . . ⊕W
n
.
Teorema 13.8. (teorema de estrutura de grupos abelianos finitamente gerados)
Seja G um grupo abeliano finitamente gerado. Ent˜ao
G

= (Z/d
1
Z) ⊕. . . ⊕(Z/d
k
Z) ⊕Z
r
, onde d
1
[ d
2
[ [ d
r
s˜ao inteiros positivos, r ´e o posto de G como Z-m´odulo e
G
tor
= (Z/d
1
Z) ⊕. . . ⊕(Z/d
k
Z)
´e o subgrupo de tor¸c˜ao de G, i.e., o conjunto dos elementos de ordem finita.
Demonstrac¸˜ ao. J´a vimos anteriormente que G ´e presentado por uma matriz
A ∈ M
n×m
(Z), i.e., G = R
n
/AR
m
e que tal matriz pode ser diagonalizada com a
propriedade acima para suas entradas d
1
, , d
k
. As rela¸c˜oes do grupo s s˜ao dadas
por d
i
v
i
= 0 para i = 1, , k para um conjunto de geradores v
1
, , v
n
, Seja L
o subm´odulo gerado por v
k+1
, , v
n
. Como n˜ao h´a rela¸c˜oes entre estes vetores
vemos que L ´e um Z-m´odulo livre de posto n −k, i.e., L

= Z
n−k
. Afirmamos que
G = C
1
⊕. . . ⊕C
k
⊕L, onde C
i
= ¸v
i
)

= Z/d
i
Z.
´
E claro, pela presenta¸c˜ao de G, que estes subm´odulos geram G. Ou seja, G ´e igual
`a soma destes. Queremos mostrar que a soma ´e direta. De fato, se houvesse uma
rela¸c˜ao
z
1
+. . . +z
k
+w = 0,
com z
i
∈ C
i
e w ∈ L, ent˜ao podemos reescrˆe-la da forma
k

i=i
r
i
v
i
+
n

i=k+1
r
i
v
i
= 0,
onde 0 ≤ r
i
< d
i
para i = 1, , k e r
i
∈ Z para i = k + 1, , n. Como
n˜ao h´a rela¸c˜ao envolvendo os ´ ultimos n − k vetores concluimos que r
i
= 0 para
i = k + 1, , n. Al´em disto pelas rela¸c˜oes acima a ´ unica possibilidade para que
para os demais d
i
[ r
i
´e r
i
= 0 para cada i. Portanto, n˜ao h´a rela¸c˜oes entre os
m´odulos acima.
Lembremos que no processo de diagonaliza¸c˜ao das matrizes tudo funcionava
bem para qualquer dom´ınio euclideano. Assim no teorema acima podemos sub-
stituir a no¸c˜ao de grupo abeliano finitamtente gerado pela no¸c˜ao de R-m´odulo
finitamente gerado sobre um dom´ınio euclideano R.
13.4.1. Um teorema de Mordell. Grupos abelianos finitamente gerados
surgem naturalmente na aritm´etica. Uma curva el´ıtica sobre os complexos pode
ser pensada como o conjunto de pontos em C
2
que s˜ao solu¸c˜oes de uma equa¸c˜ao da
forma
y
2
= x
3
+ax +b,
90 13. GRUPOS ABELIANOS FINITAMENTE GERADOS
onde x
3
+ ax + b n˜ao admite ra´ızes m´ ultiplas e a priori estamos supondo a, b ∈ C.
Ocorre que existe uma estrutura de grupo abeliano na curva el´ıtica que pode ser
definida geometricamente por meio de interse¸c˜oes com retas. Se considerarmos
o caso em que a, b ∈ ¸, ou seja uma curva el´ıtica definida sobre os racionais,
existe um c´elebre teorema devido a Mordell que afirma que o conjunto de solu¸c˜oes
(x
0
, y
0
) ∈ ¸
2
da equa¸c˜ao ´e um grupo abeliano finitamente gerado, digamos
E(¸)
tor
⊕Z
r
.
O inteiro (misterioso) r ´e chamado o posto da curva el´ıtica. N˜ao se sabe por
exemplo se ´e poss´ıvel existir curvas el´ıticas com posto arbitrariamente grande, o
recorde ´e 24.
A este objeto (a curva el´ıtica) est´a associado a uma fun¸ c˜ao de natureza anal´ıtica
chamada a L-s´erie de Hasse-Weil da curva el´ıtica. A famosa conjectura de Birch
e Swinnerton-Dyer afirma que a ordem de anulamento desta fun¸c˜ao em s = 1 ´e
exatamente o posto. Ela surgiu a partir de evidˆencias computacionais.
De outro lado podemos nos perguntar o que ´e conhecido sobre o grupo de
tor¸c˜ao. A resposta ´e tudo. Um belo e profundo resultado devido a Mazur mostra
que existem exatamente 16 grupos abelianos que podem ser grupos de tor¸c˜ao de
curvas el´ıticas sobre os racioanis e que cada um desses grupos efetivamente ocorre.
Para mais informa¸c˜oes sobre curva el´ıticas e o teorema de Mordell ver [Sil].
Para o teorema de Mazur ver [Ma].
Parte 3
An´eis
CAP´ıTULO 14
An´eis de polinˆomios
14.1. Algoritmo da divis˜ao
Seja K um corpo. Um polinˆomio definido sobre K ´e uma express˜ao da forma
f(x) = a
n
x
n
+. . . +a
1
x +a
0
,
onde a
0
, , a
n
∈ K. Identificamos f(x) a um vetor (a
0
, , a
n
, 0, , 0, ). Se
f ,= 0 e n ≥ 0 for o maior inteiro tal que a
n
,= 0, dizemos ent˜ao que n ´e o grau de
f. O conjunto de todos os polinˆomios definidos sobre K ´e denotado por K[x].
Seja g(x) = b
m
x
m
+. . . +b
1
x+b
0
. Suponhamos que n ≥ m. Definimos a soma
de f, g ∈ K[x] por
(f +g)(x) := (a
n
+b
n
)x
n
+. . . + (a
1
+b
1
)x +a
0
+b
0
,
onde b
j
= 0 para todo j > m. Se f +g ,= 0, ent˜ao
grau(f +g) ≤ max¦grau(f), grau(g)¦.
Note que se f = x
3
+x+1 e g = −x
3
+x
2
−2, ent˜ao grau(f +g) = 2 < 3. Definimos
o produto de f e g por
(fg)(x) := c
n+m
x
n+m
+. . . +c
1
x +c
0
, onde c
i
=

j+l=i
a
j
b
l
.
Assim, se f, g ,= 0, grau(fg) = grau(f) + grau(g).
Afirmamos que K[x] ´e um dom´ınio de integridade. Observemos inicialmente
que K[x] ´e um espa¸co vetorial com a opera¸c˜ao de multiplica¸c˜ao por escalar sendo a
multiplica¸c˜ao por um polinˆomio constante de grau zero. Verifique que de fato isto
faz de K[x] um espa¸co vetorial. Em particular, temos as propriedades aditivas de
K[x] como anel.
A associatividade do produto ´e provada da seguinte forma. Sejam f, g ∈ K[x].
Seja h(x) =

r
i=0
c
i
x
i
. Ent˜ao
fg =
n+m

i=0
d
i
x
i
, onde d
i
=

j+l=i
a
j
b
l
,
logo
(fg)h =
n+m+r

i=0
e
i
x
i
, onde e
i
=

j+l=i

α+β=j
a
α
b
β
c
l
=

α+β+l=i
a
α
b
β
c
l
.
93
94 14. AN
´
EIS DE POLIN
ˆ
OMIOS
Por outro lado,
gh =
m+r

i=0
= A
i
x
i
, onde A
i
=

j+l=i
b
j
c
l
,
logo
f(gh) =
n+m+r

i=0
B
i
x
i
, onde B
i
=

α+l=i

β+j=l
a
α
b
β
c
l
=

α+β+l=i
a
α
b
β
c
l
.
A comutatividade do produto segue da mesma propriedade para os elementos
de K. O elemento neutro do produto ´e o polinˆomio constante f = 1. Fica como
exerc´ıcio verificar que a soma distribui em rela¸c˜ao ao produto, i.e.,
f(g +h) = fh +gh.
Sejam f, g ∈ K[x] tais que fg = 0, mas f ,= 0 de grau n. Provaremos agora
que isto implica em g = 0. De fato, come¸cando pelo coeficiente de x
n+m
temos que
a
n
b
m
= 0, logo b
m
= 0.
Em seguida, para o coeficiente de x
n+m−1
temos
a
n
b
m−1
+a
n−1
b
m
= a
n
b
m−1
= 0, logo b
m−1
= 0.
Para o coeficiente de x
n+m−2
temos
a
n
b
m−2
+a
n−1
b
m−1
+a
n−2
b
m
= a
n
b
m−2
= 0, logo b
m−2
= 0.
Assim sucessivamente, todos os coeficientes de g s˜ao nulos. Portanto, g = 0.
Dizemos que f ∈ K[x] ´e invers´ıvel se existe g ∈ K[x] tal que fg = 1. Note que
neste caso, o lado esquerdo da equa¸c˜ao tem grau n + m e o lado direito tem grau
0, logo n = m = 0 e f, g ∈ K

= K ¸ ¦0¦, pois K ´e um corpo.
Teorema 14.1 (algoritmo da divis˜ao). Sejam f, g ∈ K[x], g ,= 0, ent˜ao existem
´ unicos q, r ∈ K[x] tais que f = qg +r, onde r = 0 ou grau(r) < grau(g).
Demonstrac¸˜ ao. Sejam f =

n
i=0
a
i
x
i
e g =

m
j=0
b
j
x
j
. Definimos
f
1
:= f −
a
n
b
m
x
n−m
g.
Se f
1
= 0, acabou, tome
r = 0 e q =
a
n
b
m
x
n−m
.
Se f
1
,= 0, ent˜ao n
1
= grau(f
1
) < n = grau(f). Se n
1
< m, acabou, tome
r = f
1
e q =
a
n
b
m
x
n−m
.
Suponha que n
1
≥ m. Seja
f
1
:=
n1

i=0
a
1,i
x
i
.
Defina
f
2
:= f
1

a
1,n1
b
m
x
n1−m
g.
14.2. M
´
AXIMO DIVISOR COMUM DE POLIN
ˆ
OMIOS 95
Se f
2
= 0, acabou, tome
r = 0 e q =
1
b
m
(a
n
x
n−m
+a
1,n1
x
n1−m
).
Se f
2
,= 0, ent˜ao n
2
= grau(f
2
) < n
1
. Se n
2
< m, acabou, tome
r = f
2
e q =
1
b
m
(a
n
x
n−m
+a
1,n1
x
n1−m
).
Prosseguindo obtemos uma seq¨ uˆencia de polinˆomios f
i
com graus estritamente de-
crescentes, assim pelo menos para algum t ≥ 1 temos f
t
,= 0 e grau(f
t
) < m, neste
ponto o algoritmo acaba, tome
r = f
t
e q =
1
b
m
(a
n
x
n−m
+a
1,n1
x
n1−m
+. . . +a
t−1,nt−1
x
nt−1−m
).
Suponha que tenhamos realizado duas divis˜oes
f = q
1
g +r
1
= q
2
g +r
2
,
onde para i = 1, 2, r
i
= 0 ou grau(r
i
) < m. Se r
1
= r
2
, ent˜ao q
1
g = q
2
g = 0, e como
g ,= 0, ent˜ao q
1
= q
2
. Suponhamos que r
1
,= r
2
. Neste caso, grau(r
1
− r
2
) < m.
Por outro lado
r
1
−r
2
= (q
2
−q
1
)g
e grau((q
2
−q
1
)g) ≥ grau(g), o que ´e imposs´ıvel.
14.2. M´aximo divisor comum de polinˆomios
Sejam f, g ∈ K[x] − ¦0¦. Dizemos que f divide g e denotamos por f [ g se
existe
h ∈ K[x] tal que fh = g.
Notemos que esta propriedade ´e transitiva, i.e.,
se f [ g e g [ h, ent˜ao f [ h.
De fato, se g = fα e h = gβ, onde α, β ∈ K[x], ent˜ao h = fαβ, i.e., f [ h.
Se h ,= 0 e fh [ gh, ent˜ao f [ h,
pois se gh = fhα para α ∈ K[x], ent˜ao h(g − fα) = 0 e como h ,= 0 e K[x] ´e
dom´ınio de integridade, ent˜ao g = fα. Al´em disto,
se f [ g e g [ f, ent˜ao f = ag,
para algum a ∈ K

, pois de f = gα e g = fβ obtemos que 1 = αβ, mas a ´ ultima
igualdade s´o ocorre se α, β ∈ K

.
Definic¸˜ ao 14.2. Sejam f, g ∈ K[x] −¦0¦, dizemos que d ∈ K[x] ´e um mdc de
f e g se
(1) d [ f e d [ g.
(2) Para todo d

∈ K[x] tal que d

[ f e d

[ g, temos d

[ d.
Dizemos que f =

n
i=0
a
i
x
i
∈ K[x] ´e um polinˆomio mˆonico, se a
n
= 1.
Observac¸˜ ao 14.3. Dado um outro mdc e de f e g, pela condi¸c˜ao (2) temos
que d [ e e e [ d, portanto d = ae, onde a ∈ K

. A maneira de tornar canˆonica
a escolha do mdc ´e exigir que ele seja um polinˆomio mˆonico e neste caso podemos
dizer que d = mdc(f, g) ´e o mdc de f e g.
96 14. AN
´
EIS DE POLIN
ˆ
OMIOS
Observe que se f [ g e f ent˜ao f ´e um mdc de f e g. A etapa seguinte ´e obter
o mdc de maneira algor´ıtimica. Para isto introduzimos um lema simples.
Lema 14.4. Sejam f, g ∈ K[x] −¦0¦ e q, r ∈ K[x] tais que
f = qg +r, onde r = 0 ou grau(r) < grau(g).
Ent˜ao
mdc(f, g) = mdc(g, r).
Demonstrac¸˜ ao. Seja T
f,g
(resp. T
g,r
) o conjunto dos divisores comuns de
f e g (resp. g e r). Seja d = mdc(f, g). Logo para todo d

∈ T
f,g
¸ ¦0¦ temos
grau(d

) ≤ grau(d). Assim d ´e o elemento em T
f,g
mˆonico de grau m´aximo poss´ıvel.
Similarmente, e = mdc(g, r) ´e o elemento mˆonico em T
g,r
de grau m´aximo poss´ıvel.
Mostraremos agora que T
f,g
= T
g,r
, conseq¨ uentemente d = e.
Seja A ∈ T
f,g
, logo f = Aα e g = Aβ, onde α, β ∈ K[x]. Segue da equa¸c˜ao do
enunciado que
r = A(α −qβ),
em particular A ∈ T
g,r
. A inclus˜ao oposta segue pelo mesmo argumento.
Teorema 14.5. Sejam f, g ∈ K[x] ¸ ¦0¦ e r
1
, , r
n
∈ K[x] os restos n˜ao
nulos na seq¨ uˆencia de divis˜oes
(14.1)
f = q
1
g +r
1
, onde grau(r
1
) < grau(b)
g = q
2
r
1
+r
2
, onde grau(r
2
) < grau(r
1
)

r
n2
= q
n
r
n−1
+r
n
, onde grau(r
n
) < grau(r
n−1
)
r
n−1
= q
n+1
r
n
.
Esta seq¨ uˆencia ´e finita pois os graus s˜ao estritamente decrescentes. Ent˜ao r
n
´e um
mdc de f e g.
Demonstrac¸˜ ao. A ´ ultima linha nos diz que r
n
´e um mdc de r
n
e r
n−1
.
Logo r
n
= mdc(r
n−1
, r
n
). Pelo lema 14.4 concluimos que r
n
= mdc(r
n−1
, r
n−2
)
e prosseguindo nas linhas anteriores temos que r
n
= mdc(r
2
, r
1
) = mdc(r
1
, g) =
mdc(f, g).
Teorema 14.6 (algoritmo euclideano estendido). Sejam f, g ∈ K[x] ¸ ¦0¦ e
d = mdc(a, b). Ent˜ao existem α, β ∈ K[x] tais que
d = fα +gβ.
Demonstrac¸˜ ao. Do teorema anterior temos que d = r
n
. A pen´ ultima equa-
¸c˜ao nos d´a
r
n
= r
n−2
−q
n
r
n−1
.
Tomando A
1
= −q
n
e B
1
= 1 reescrevemos
r
n
= B
1
r
n−2
+A
1
r
n−1
.
Utilizando a equa¸c˜ao antecedente a esta obtemos
r
n
= B
1
r
n−2
+A
1
(r
n−3
−q
n−1
r
n−2
) = B
2
r
n−3
+A
2
r
n−2
,
onde B
2
= A
1
e A
2
= B
1
− A
1
q
n−1
. Prosseguindo ao longo das demais divis˜oes
obtemos
r
n
= B
n−3
r
1
+A
n−3
r
2
= B
n−3
r
1
+A
n−3
(g −q
2
r
1
) = B
n−2
g +A
n−2
r
1
,
14.3. FATORAC¸
˜
AO
´
UNICA DE POLIN
ˆ
OMIOS 97
onde B
n−2
= A
n−3
e A
n−2
= B
n−3
−A
n−3
q
2
. Pela equa¸c˜ao antecedente temos que
r
n
= B
n−2
g +A
n−2
(f −gq
1
) = α

f +β

g,
onde α

= A
n−2
e β

= B
n−2
−A
n−2
q
1
.
Nosso objetivo agora ´e dar uma prova mais conceitual do algoritmo euclideano
estendido usando a no¸c˜ao de ideal.
Definic¸˜ ao 14.7. Um subconjunto I ⊂ K[x] ´e dito um ideal de K[x] se
(1) O ∈ I.
(2) Se f, g ∈ I, ent˜ao f +g ∈ I.
(3) Se f ∈ I e α ∈ K[x], ent˜ao fα ∈ I.
Fica como exerc´ıcio verificar que os seguintes conjuntos s˜ao ideais:
(i) Seja f ∈ K[x] e I := (f) := ¦fα[ α ∈ K[x]¦ o conjunto dos m´ ultiplos de
f.
(ii) Sejam f, g ∈ K[x] e I := (f) + (g) := ¦fα +gβ [ α, β ∈ K[x]¦.
(iii) Sejam f
1
, , f
n
∈ K[x] e I := (f
1
) +. . . +(f
n
) := ¦f
1
α
1
+. . . +f
n
α
n
[ α
1
,
, α
n
∈ K[x]¦.
Teorema 14.8. O dom´ınio K[x] ´e principal, i.e., todo ideal I de K[x] ´e da
forma (f) para algum f ∈ K[x].
Demonstrac¸˜ ao. Seja I um ideal de K[x]. Se I = (0) nada h´a a fazer. Supon-
hamos que I ,= (0). Pelo axioma da boa ordena¸c˜ao existe um ´ unico f ∈ I − ¦0¦
mˆonico de grau m´ınimo. Afirmamos que I = (f). De fato, como f ∈ I, para todo
fα ∈ (f), pelo ´ıtem (3) da defini¸c˜ao de ideal, fα ∈ I. Assim (f) ⊂ I. Para provar
a inclus˜ao oposta precisamos do algoritmo da divis˜ao. Seja g ∈ I ¸ ¦0¦. Ent˜ao
existem q, r ∈ K[x] tais que g = qf + r, onde r = 0 ou grau(r) < grau(f). Note
que r ∈ I, pois g, f ∈ I. Logo, se r ,= 0 violar´ıamos a minimalidade do grau de f.
Portanto, r = 0 e g ∈ (f).
Aplicando este teorema ao ´ıtem (ii) anterior, obtemos que existe um ´ unico
d ∈ K[x] mˆonico tal que (f) + (g) = (d). Afirmamos que d = mdc(f, g). De fato,
f = 1.f + 0.g ∈ (f) + (g) = (d), logo f = αd, para α ∈ K[x], i.e., d [ f. Da
mesma forma d [ g. Se d

[ f e d

[ g, para d

∈ K[x], ent˜ao d = αf + βg, para
α, β ∈ K[x], se reescreve como d = (αα

+ ββ

)d

, para α

, β

∈ K[x], i.e., d

[ d,
logo d = mdc(f, g). Observe tamb´em que de passagem provamos que d = αf +βg
que ´e a igualdade do algoritmo euclideano estendido.
14.3. Fatora¸c˜ao ´ unica de polinˆomios
Seja f ∈ K[x] ¸ ¦0¦. Dizemos que f ´e irredut´ıvel se dados g, h ∈ K[x] ¸ ¦0¦ tais
que f = gh ent˜ao f ∈ K

ou g ∈ K

. Por exemplo x
3
− 2 ´e irredut´ıvel em ¸[x],
pois sendo um polinˆomio de grau 3 s´o seria redut´ıvel se um dos fatores tivesse grau
1 e outro grau 2 ou se tivermos 3 fatores de grau 1. Mas como x
3
− 2 ´e mˆonico
isto equivale a este polinˆomio ter uma raiz racional. Mas suas ra´ızes s˜ao
3

2,
3


e
3


2
que n˜ao n˜ao n´ umeros racionais, onde α = exp(2πi/3). Por outro lado, em
C[x] temos a fatora¸c˜ao x
3
−2 = (x −
3

2)(x −
3

2α)(x −
3


2
), assim esta no¸c˜ao
´e relativa ao corpo considerado.
Seja I ⊂ K[x] um ideal n˜ ao nulo. I ´e dito um ideal maximal de K[x] se dado
um ideal J de K[x] tal que I ⊂ J ⊂ K[x], ent˜ao J = I ou J = K[x].
98 14. AN
´
EIS DE POLIN
ˆ
OMIOS
Proposic¸˜ ao 14.9. Seja f ∈ K[x] ¸ ¦0¦. Ent˜ao f ´e irredut´ıvel se e somente se
(f) ´e maximal.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que f seja irredut´ıvel. Seja J um ideal de K[x] tal
que (f) ⊂ J ⊂ K[x]. Pelo Teorema 14.8 temos que existe g ∈ K[x] tal que J = (g).
Logo f = gA, para A ∈ K[x]. Pela irredutibilidade de f temos que g ∈ K

ou
A ∈ K

. No primeiro caso, 1 = gg
−1
∈ (g), assim (g) = K[x]. No segundo caso,
g = A
−1
f ∈ (f), em particular (g) = (f).
Reciprocamente, suponhamos que (f) seja maximal e que f = gh para g, h ∈
K[x]¸¦0¦. Ent˜ao (f) ⊂ (g) ⊂ K[x]. Pela maximalidade de (f), temos que (g) = (f)
ou (g) = K[x]. No primeiro caso, g = af para algum a ∈ K

, logo 1 = ah e a
fortiori h ∈ K

. No segundo caso, 1 = gg
−1
∈ (g) e assim g ∈ K

.
Lema 14.10. Seja f ∈ K[x] irredut´ıvel tal que f [ gh para g, h ∈ K[x] ¸ ¦0¦.
Ent˜ao f [ g ou f [ h.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que f [ g, i.e., mdc(f, g) = 1. Pelo algoritmo
euclideano estendido existem A, B ∈ K[x] tais que 1 = Af + Bg. Logo, h =
Afh +Bgh, e como f [ gh, concluimos que f [ h.
Teorema 14.11. Seja f ∈ K[x]¸¦0¦. Ent˜ao existem ´ unicos u ∈ K

, p
1
, , p
r
∈ K[x] polinˆomios irredut´ıveis mˆonicos tais que grau(p
1
) < < grau(p
r
) e inteiros
e
1
, , e
r
tais que
f = up
e1
1
. . . p
er
r
.
Demonstrac¸˜ ao. Provavemos primeiro a existˆencia da fatora¸c˜ao. Se f ∈ K

ou f ´e irredut´ıvel nada h´a a fazer. Suponha que grau(f) ≥ 1 e f seja redut´ıvel.
Seja T
f
o conjunto dos dvisores de f em K[x]. Pelo axioma da boa ordena¸c˜ao
existe q
1
∈ T
f
tal que grau(q
1
) ≤ grau(A) para todo A ∈ T
f
. Afirmamos que q
1
´e
irredut´ıvel. Se isto n˜ao ocorresse, um fator B de q
1
teria grau menor que grau(q
1
)
e al´em disto pertenceria a T
f
, o que ´e imposs´ıvel. Seja
f
1
:=
f
q
1
.
Se f
1
∈ K

ou f
1
for irredut´ıvel acabou. Sen˜ao, seja q
2
∈ T
f1
tal que grau(q
2
) ≤
grau(A) para todo A ∈ T
f1
. Pelo mesmo argumento anterior q
2
´e irredut´ıvel. Seja
f
2
:=
f
1
q
2
=
f
q
1
q
2
.
Se f
2
∈ K

ou f
2
for irredut´ıvel acabou. Sen˜ao prosseguimos. Note que grau(f) >
grau(f
1
) > grau(f
2
) > ≥ 0. Assim, existe r ≥ 1 tal que f
r
∈ K

, digamos
f
r
= u. Portanto,
f = uq
1
q
r
´e a fatora¸ c˜ao desejada. Observe tamb´em que este processo ´e algor´ıtmico e que n˜ao
fizemos qualquer hip´otese sobre os q
i
’s serem distintos.
Agrupando os polinˆomios irredut´ıveis iguais temos uma fatora¸c˜ao como no
enunciado. Provemos agora sua unicidade. Suponha que tenhamos duas fatora¸c˜oes
como acima, digamos
f = up
e1
1
p
e
f
r
= vq
g1
1
q
gs
s
,
14.3. FATORAC¸
˜
AO
´
UNICA DE POLIN
ˆ
OMIOS 99
onde v ∈ K

, q
1
, , q
s
s˜ao irredut´ıveis com grau(q
1
) < < grau(q
s
) e g
1
, , g
s
≥ 1 s˜ao inteiros. Observe que
p
1
[ vq
g1
1
q
gs
s
,
logo pelo lema 14.10 existe j tal que p
1
[ q
j
. Como ambos s˜ao irredut´ıveis mˆonicos
isto ocorre se e somente se q
j
= p
1
.
Afirmamos que j = 1. Suponha que j > 1. Neste caso, pelo mesmo argumento
existe i tal que q
1
= b
i
p
i
para b
i
∈ K

. Se i = 1, ent˜ao
grau(q
1
) = grau(p
1
) = grau(q
j
),
o que ´e imposs´ıvel. Se i > 1, ent˜ao
grau(q
1
) = grau(p
i
) > grau(p
1
) = grau(q
j
),
o que tamb´em ´e imposs´ıvel. Portanto q
1
= a
1
p
1
e al´em disto e
1
= g
1
. Dividindo os
dois lados por p
e1
1
obtemos a igualdade
up
e2
2
p
er
r
= vq
g2
2
q
gs
s
.
O mesmo argumento acima mostra que q
2
= p
2
e que e
2
= g
2
. Novamente dividindo
os dois lados por p
e2
2
obtemos
up
e3
3
p
er
r
= vq
g3
3
q
gs
s
.
Assim aplicando sucessivamente o argumento temos que r = s, e
i
= g
i
para todo i,
q
i
= a
i
p
i
, onde a
i
∈ K

, e u = v.
Nosso objetivo agora ´e obter um crit´erio de irredutibilidade de polinˆomios em
¸[x] em termos dos seus coeficientes.
Lema 14.12 (lema de Gauss). Seja f ∈ Z[x] irredut´ıvel. Ent˜ao f ´e irredut´ıvel
em ¸[x].
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que f = gh com g, h ∈ ¸[x] e grau(g), grau(h) ≥
1. Multiplicando os dois lados pelo produto m dos denominadores de todos os
coeficientes de g e h obtemos
mf = g
1
h
1
,
onde g
1
, h
1
∈ Z[z] e grau(g
1
) = grau(g) e grau(h
1
) = grau(h). Seja p um fator
primo de m.
Afirmamos que p divide todos os coeficientes de g
1
ou todos os coeficientes de
h
1
. Escrevemos explicitamente
g
1
=
n

i=0
a
i
x
i
e h
1
=
m

j=0
b
j
x
j
.
Suponhamos que existam i e j tais que p [ a
i
e p [ b
j
. Al´em disto escolhamos estes
i e j minimais para esta propriedade. Consideremos o coeficiente de x
i+j
de mf
dado por
c
i+j
= a
0
b
i+j
+. . . +a
i−1
b
j+1
+a
i
b
j
+a
i+1
b
j−1
+. . . +a
i+j
b
0
.
Assim p divide todas as parcelas exceto a
i
b
j
, mas como p [ c
i+j
isto nos d´a uma
contradi¸c˜ao. Portanto, p [ a
i
para todo i ou p [ b
j
para todo j. Suponhamos o
primeiro caso, dividindo por p dos dois lados temos que
m
p
f = g
2
h
1
.
100 14. AN
´
EIS DE POLIN
ˆ
OMIOS
Repetindo o argumento, cancelamos todos os fatores primos de m obtendo
f = g

h

,
onde g

, h

∈ Z[x] e grau(g

) = grau(g) e grau(h

) = grau(h). Portanto f ´e
redut´ıvel em Z[x].
Proposic¸˜ ao 14.13 (crit´erio de Eisenstein). Seja
f =
n

i=0
a
i
x
i
∈ Z[x] ¸ ¦0¦.
Suponhamos que exista um n´ umero primo p tal que p [ a
i
para todo i ,= n e p
2
[ a
0
.
Ent˜ao f ´e irredut´ıvem em ¸[x].
Demonstrac¸˜ ao. Pelo lema de Gauss basta mostrar que f ´e irredut´ıvel em
Z[x]. Suponhamos que f = gh com g, h ∈ Z[x] e grau(g), grau(h) ≥ 1, digamos
g =
r

i=0
a
i
x
i
e h =
s

j=0
b
j
x
j
.
Como p [ a
n
= b
r
c
s
ent˜ao p [ b
r
e p [ c
s
. Por outro lado segue de p [ a
0
= b
0
c
0
e
p
2
[ a
0
que p [ b
0
ou p [ c
0
e apenas uma destas op¸c˜oes ocorre. Digamos que p [ b
0
e
p [ c
0
. Seja i ≤ r o menor inteiro tal que p [ b
i
. O coeficiente de x
i
em f ´e dado por
a
i
= b
0
c
i
+b
1
c
i−1
+. . . +b
i−1
c
1
+b
i
c
0
,
assim p divide todas as parcelas exceto a ´ ultima, portanto p [ a
i
. Mas isto s´o pode
ocorrer para i = n, mas i ≤ r < n.
Utilizando o crit´erio de Eisenstein vemos que todo polinˆomio x
n
−p para p um
n´ umero primo ´e irredut´ıvel em Z[x]. Um exemplo menos ´obvio ´e f(x) = x
p−1
+. . .+
x+1. N˜ao existe a priori um primo para o qual possamos aplicar o crit´erio. A id´eia
´e considerar o automorfismo de K[x] definido por x →x +1. Assim dado g ∈ K[x]
temos que g(x) ´e irredut´ıvel se e somente se g(x+1) ´e irredut´ıvel. Aplicando isto a
f, observamos (exerc´ıcio) que f(x+1) tem todos os coeficientes, exceto o l´ıder que
´e 1, divis´ıveis por p e o coeficiente constante ´e igual a p, portanto n˜ao ´e divis´ıvel
por p
2
.
CAP´ıTULO 15
An´eis e dom´ınios
15.1. Dom´ınios euclideanos
Seja D um dom´ınio de integridade e ϕ : D ¸ ¦0¦ →N uma fun¸c˜ao tal que
ϕ(ab) ≥ ϕ(a),
para todos a, b ∈ D ¸ ¦0¦. Dizemos que (D, ϕ) ´e um dom´ınio euclideano, se para
todo a, b ∈ D com b ,= 0 temos
a = bq +r, onde r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(b).
Como exemplos temos (Z, [ [) e (K[x], grau). Em um dom´ınio de integridade D
dizemos que b [ a (para a, b ∈ D) se existe c ∈ D tal que a = bc.
Exemplo 15.1. Um outro exemplo ´e o anel dos inteiros gaussianos,
Z[i] := ¦a +bi [ a, b ∈ Z¦, onde i
2
= −1.
Definimos tamb´em
ϕ(a +bi) := a
2
+b
2
.
Note que se a +bi, c +di ∈ Z[i] ¸ ¦0¦, ent˜ao
ϕ((a +bi)(c +di)) = ϕ((ac −bd) +i(ad +bc)i) = (ac −bd)
2
+ (ad +bc)
2
= a
2
c
2
+b
2
d
2
+a
2
d
2
+b
2
c
2
= a
2
(c
2
+d
2
) +b
2
(c
2
+d
2
)
= (a
2
+b
2
)(c
2
+d
2
) = ϕ(a +bi)ϕ(c +di).
Em particular a condi¸c˜ao
ϕ((a +bi)(c +di)) ≥ ϕ(a +bi)
´e satisfeita. Afirmamos que (Z[i], ϕ) ´e um dom´ınio euclideano. De fato, dados
a + bi, c + di ∈ Z[i] com c + di ,= 0 queremos mostrar que existem q = q
0
+ iq
1
e
r = r
0
+ir
1
em Z[i] tais que
a +bi = q(c +di) +r, onde r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(c +di).
Se c +di divide a +bi basta tomar
r = 0 e q =
a +bi
c +di
.
Suponhamos portanto que isto n˜ao ocorra, i.e., procuramos r ,= 0 satisfazendo a
ϕ(r) = ϕ(a +bi −q(c +di)) < ϕ(c +di),
i.e., (utilizando a multiplicatividade de ϕ)
ϕ
_
a +bi
c +di
−q
_
< ϕ(1) = 1.
101
102 15. AN
´
EIS E DOM
´
INIOS
Normalizando (a +bi)/(c +di) obtemos
(a +bi)(c −di)
c
2
+d
2
= α +iβ,
onde α, β ∈ ¸. Assim queremos mostrar que
ϕ(α +iβ −q) = (α −q
0
)
2
+ (β −q
1
)
2
< 1.
Note que como α ∈ ¸, ent˜ao existe q
0
∈ Z tal que [α −q
0
[ ≤
1
2
. Da mesma forma,
existe q
1
∈ Z tal que [β −q
1
[ ≤
1
2
. Portanto,
(α −q
0
)
2
+ (β −q
1
)
2

1
4
+
1
4
=
1
2
< 1.
Definimos portanto q como q
0
+iq
1
e r como a +bi −(c +di)q.
Exemplo 15.2. Outro exemplo ´e o anel
Z[

2] := ¦a +b

2 [ a, b ∈ Z¦.
Para este anel definimos
ϕ(a +b

2) := a
2
−2b
2
.
Observemos que
ϕ((a +b

2)(c +d

2)) = ϕ((ac +2bd) +(ad +bc)

2) = (ac +2bd)
2
−2(ad +bc)
2
= a
2
c
2
+ 4b
2
d
2
−2a
2
d
2
−2b
2
c
2
= a
2
(c
2
−2d
2
) −2b
2
(c
2
−2d
2
)
= (a
2
−2b
2
)(c
2
−2d
2
) = ϕ(a +b

2)ϕ(c +d

2).
Portanto,
ϕ((a +b

2)(c +d

2)) ≥ ϕ(a +b

2).
Dados a +b

2, c +d

2 ∈ Z[

2] com c +d

2 ,= 0 queremos obter q, r ∈ Z[

2] tais
que
a +b

2 = (c +d

2)q +r, onde r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(c +d

2).
Se (c +d

2) [ (a +b

2) tomamos
r = 0 e q =
a +b

2
c +d

2
.
Caso isto n˜ao ocorra procuramos r ,= 0 tal que
ϕ(r) = ϕ(a +b

2 −q(c +d

2)) < ϕ(c +d

2),
i.e.,
ϕ
_
a +b

2
c +d

2
−q
_
< ϕ(1) = 1.
Normalizando (a +b

2)/(c +d

2) obtemos
(a +b

2)(c −d

2)
c
2
−2d
2
= α +β

2,
onde α, β ∈ ¸. Assim queremos mostrar que
(α −q
0
)
2
−2(β −q
1
)
2
< 1
15.1. DOM
´
INIOS EUCLIDEANOS 103
para q
0
, q
1
∈ Z. Novamente podemos escolher q
0
, q
1
∈ Z tais que [α − q
0
[ ≤
1
2
e
[β −q
1
[ ≤
1
2
. Al´em disto
(α −q
0
)
2
−2(β −q
1
)
2
≤ (α −q
0
)
2

1
4
< 1.
Observac¸˜ ao 15.3. Estes exemplos s˜ao na verdade casos particulares da se-
guinte situa¸c˜ao mais geral. Seja K ⊃ ¸ um corpo contendo ¸ que como ¸-espa¸co
vetorial ´e de dimens˜ao finita. Um tal corpo ´e chamado um corpo de n´ umeros. Os
elementos α ∈ K que satisfazem uma equa¸c˜ao do tipo
α
n
+
n−1

i=0
a
i
α
i
= 0 tais que a
i
∈ Z
s˜ao chamados inteiros alg´ebricos de K e o conjunto de todos os inteiros alg´ebricos
forma uma anel (dos inteiros alg´ebricos de K) denotado por O
K
. A pergunta ´e
quando O
K
com uma fun¸c˜ao ϕ apropriada ´e um dom´ınio euclideano. A resposta
´e como no caso anterior geom´etrica. Tudo depende da representa¸c˜ao logar´ıtmica
de K em um 1 espa¸co vetorial 1
n
de dimens˜ao finita. Existem crit´erios nos quais
podemos mostrar que para certos corpos de n´ umeros K existem fun¸c˜oes ϕ
K
tais
que (O
K
, ϕ
K
) ´e um dom´ınio euclideano. Para mais sobre esta quest˜ao ver [Le1] e
[Le2].
Observac¸˜ ao 15.4. Mostraremos agora que como no caso dos inteiros e dos
polinˆomios dom´ınios euclideanos s˜ao principais e fatoriais. Um caso cl´assico de
corpo de n´ umeros ligado a teoria de n´ umeros ´e o corpo
¸[ζ
n
] :=
_
n−1

i=0
a
i
ζ
i
[ a
i
∈ ¸ para todo i
_
,
onde ζ = exp(2πi/n). Este corpo ´e chamado o n-´esimo corpo ciclotˆomico. Kummer,
no fim do s´eculo XIX, pensou erradamente ter “provado” o ´ ultimo teorema de
Fermat (i.e., que a equa¸c˜ao x
n
+ y
n
= z
n
n˜ao possui solu¸c˜oes inteiras n˜ao triviais
para n > 2), e seu erro foi exatamente ter “achado” que O
K
era principal, o que ´e
falso.
Teorema 15.5. Seja (D, ϕ) um dom´ınio euclideano. Ent˜ao D ´e principal, i.e.,
todo ideal I ⊂ D ´e da forma I = (a) = ¦aα[ α ∈ D¦.
Demonstrac¸˜ ao. Se I = (0) nada h´a a fazer. Suponhamos que I ,= (0) e seja
a ∈ I ¸ ¦0¦ tal que ϕ(a) ≤ ϕ(α) para todo α ∈ I ¸ ¦0¦. Afirmamos que I = (a).
A inclus˜ao (a) ⊂ I ´e imediata da defini¸c˜ao de ideal. Suponhamos que b ∈ I. Por
hip´otese existem q, r ∈ D tais que b = aq +r, onde r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(a). Se r ,= 0,
ent˜ao r = b −aq ∈ I, mas isto contradiz a escolha de a. Logo r = 0 e b ∈ (a).
Teorema 15.6. Seja (D, ϕ) um dom´ınio euclideano. Ent˜ao D ´e principal, i.e.,
todo ideal I ⊂ D ´e da forma I = (a) = ¦aα[ α ∈ D¦.
Demonstrac¸˜ ao. Se I = (0) nada h´a a fazer. Suponhamos que I ,= (0) e seja
a ∈ I ¸ ¦0¦ tal que ϕ(a) ≤ ϕ(α) para todo α ∈ I ¸ ¦0¦. Afirmamos que I = (a).
A inclus˜ao (a) ⊂ I ´e imediata da defini¸c˜ao de ideal. Suponhamos que b ∈ I. Por
hip´otese existem q, r ∈ D tais que b = aq +r, onde r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(a). Se r ,= 0,
ent˜ao r = b −aq ∈ I, mas isto contradiz a escolha de a. Logo r = 0 e b ∈ (a).
104 15. AN
´
EIS E DOM
´
INIOS
Seja D um dom´ınio de integridade. Denotamos por D

o conjunto dos elementos
invers´ıveis de D. i.e., o conjunto dos elementos a ∈ D tais que existe b ∈ D tal
que ab = 1. Por exemplo, Z

= ¦±1¦ e K[x]

= K

. Se D = Z[i], notemos que
se a + bi ∈ Z[i]

ent˜ao existe c + di ∈ Z[i] tal que (a + bi)(c + di) = 1. Logo
(a
2
+ b
2
)(c
2
+ d
2
) = 1, i.e., a
2
+ b
2
= 1. Mas no c´ırculo x
2
+ y
2
= 1 os ´ unicos
pontos com coordenadas inteiras s˜ao ±1 e ±i. Reciprocamente, estes elementos s˜ao
claramente invers´ıveis, portanto Z[i]

= ¦±1, ±i¦.
Um elemento a ∈ D ´e dito irredut´ıvel, se toda vez que a = bc com b, c ∈ D
ent˜ao b ∈ D

ou c ∈ D

.
Lema 15.7. Seja (D, ϕ) um dom´ınio euclideano. Ent˜ao a ∈ D

se e somente
se ϕ(a) = ϕ(1).
Demonstrac¸˜ ao. Observemos que ϕ(a) = ϕ(a.1) ≥ ϕ(1) para todo a ∈ D ¸
¦0¦. Por outro lado se a ∈ D

, ent˜ao existe b ∈ D ¸ ¦0¦ tal que ab = 1, logo
ϕ(1) = ϕ(ab) ≥ ϕ(a), o que mostra que ϕ(a) = ϕ(1). Suponha que ϕ(a) = ϕ(1)
para a ∈ D ¸ ¦0¦. Por hip´otese existem q, r ∈ D tais que 1 = qa + r com r = 0
ou ϕ(r) < ϕ(a). Assim, se r ,= 0, ent˜ao ϕ(r) < ϕ(1) o que ´e imposs´ıvel. Portanto,
r = 0 e 1 = aq, i.e., a ∈ D

.
Teorema 15.8. Seja (D, ϕ) um dom´ınio euclideano e a ∈ D ¸ ¦0¦. Ent˜ao
existem u ∈ D

e p
1
, , p
r
∈ D ¸ ¦0¦ irredut´ıveis tais que a = up
1
p
r
.
Demonstrac¸˜ ao. Se a ∈ D

ou a for irredut´ıvel nada h´a a fazer. Suponhamos
a / ∈ D

redut´ıvel. Seja T
a
o conjunto dos divisores d de a em D. Seja p
1
∈ T
a
¸¦0¦
tal que ϕ(p
1
) ≤ ϕ(b) para todo b ∈ T
a
. Afirmamos que p
1
´e irredut´ıvel. De fato,
caso contr´ario, p
1
= cd, c, d / ∈ D

e ϕ(p
1
) = ϕ(cd) ≥ ϕ(d). Se ϕ(cd) = ϕ(d), por
hip´otese existem q, r ∈ D tais que d = qcd + r com r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(cd) = ϕ(d).
Se r ,= 0, ent˜ao r = d(1 − qc) e ϕ(r) ≥ ϕ(d), o que ´e imposs´ıvel, assim r = 0, mas
neste caso qc = 1, logo c ∈ D

, o que tamb´em ´e imposs´ıvel. Assim ϕ(cd) > ϕ(d) e
d ∈ T
a
, mas isto contradiz a minimalidade de p
1
. Portanto, p
1
´e irredut´ıvel.
Seja
a
1
:=
a
p
1
.
Se a
1
∈ D

ou a
1
´e irredut´ıvel ent˜ao nada h´a a fazer. Caso contr´ario, repetindo o
argumento existe p
2
∈ T
a1
irredut´ıvel tal que ϕ(p
2
) ≤ ϕ(b) para todo b ∈ T
a1
¸¦0¦.
Seja
a
2
:=
a
1
p
2
=
a
p
1
p
2
.
Novamente, se a
2
∈ D

ou a
2
for irredut´ıvel acabou. Caso contr´ario prosseguimos.
Observe que ϕ(a) > ϕ(a
1
) > ϕ(a
2
) > ≥ ϕ(1), pois os elementos p
i
’s s˜ao
irredut´ıveis. Portanto, existe r tal que ϕ(a
r
) = ϕ(1), i.e., a
r
∈ D

e neste caso
a = up
1
p
r
com u = a
r
.

Definic¸˜ ao 15.9. Sejam a, b ∈ D ¸ ¦0¦. Definimos um mdc d de a e b por
(1) d [ a e d [ b.
(2) Para todo d

∈ D ¸ ¦0¦ tal que d

[ a e d

[ b, temos que d

[ d.
15.1. DOM
´
INIOS EUCLIDEANOS 105
Observac¸˜ ao 15.10. Observe que se d e e s˜ao mdc’s de a e b ent˜ao d [ e e
e [ d, i.e., d = Ae e e = Bd para A, B ∈ D, assim d = BAd e portanto A, B ∈ D

.
Logo a menos de multiplica¸c˜ao por um elemento invers´ıvel a no¸c˜ao de mdc est´a
bem definida.
Observac¸˜ ao 15.11. Seja
I := (a) + (b) := ¦aα +bβ [ α, β ∈ D¦
o ideal gerado por a e b. Como (D, ϕ) ´e principal, concluimos que existe d ∈ D¸¦0¦
tal que (d) = I. Afirmamos que d = mdc(a, b). De fato, a = 1.a + 0.b ∈ I, logo
a = dα, i.e., d [ a. Pelo mesmo argumento d [ b. Por outro lado existem s, t ∈ D
tais que d = as + bt (o algoritmo euclideano estendido). Se d

[ a e d

[ b, ent˜ao
a = Ad

e b = Bd

para A, B ∈ D, portanto d = d

(sA+tB), i.e., d

[ d.
Lema 15.12. Seja p ∈ D irredut´ıvel e suponha que p [ ab para a, b ∈ D. Ent˜ao
p [ a ou p [ b.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que p [ a, ent˜ao mdc(p, a) = 1 e existem s, t ∈ D
tais que 1 = sp + ta. Multiplicando por b e utilizando que ab = αp para α ∈ D,
obtemos b = spb +tαp, logo p [ b.
Teorema 15.13. Seja (D, ϕ) um dom´ınio euclideano e a ∈ D ¸ ¦0¦. Ent˜ao
existem ´ unicos (a menos de invers´ıveis) u ∈ D

, p
1
, , p
r
∈ D irredut´ıveis com
ϕ(p
1
) < < ϕ(p
r
) e inteiros e
1
, , e
r
≥ 1 tais que
a = up
e1
1
p
er
r
.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que possamos fatorar a de duas maneiras distintas
a = up
e1
1
p
er
r
= vq
f1
1
q
fs
s
,
para v ∈ D

, q
1
, , q
s
∈ D irredut´ıveis com ϕ(q
1
) < < ϕ(q
s
). Observe que
p
1
[ vq
f1
1
q
fs
s
.
Pelo lema anterior existe i tal que p
1
[ q
i
. Como ambos s˜ao irredut´ıveis isto significa
que existe a
i
∈ D

tal que q
i
= a
i
p
1
. Afirmamos que i = i.
De fato, suponha que i > 1. Pelo mesmo argumento existe j tal que p
1
= b
j
q
j
com b
j
∈ D

. Se j = 1, ent˜ao ϕ(p
1
) = ϕ(q
1
) < ϕ(q
i
) = ϕ(p
1
) o que ´e imposs´ıvel. Se
j > 1, ent˜ao ϕ(p
1
) = ϕ(q
i
) > ϕ(q
1
) = ϕ(p
i
) o que tamb´em ´e imposs´ıvel. Tamb´em
temos que ter e
1
= f
1
, pois se por exemplo f
1
> e
1
, ent˜ao ap´os cancelar p
1
ter´ıamos
que ter q
1
= ap
j
para j > 1 o que novamente ´e imposs´ıvel.
Dividindo ambos os lados por p
e1
1
obtemos
ua
e1
1
p
e2
2
p
er
r
= vq
f2
2
q
fs
s
.
Repetindo o argumento anterior, q
2
= a
2
p
2
para a
2
∈ D

e e
2
= f
2
, dividindo
ambos os lados por p
e2
2
obtemos
ua
e1
1
a
e2
2
p
e3
3
p
er
r
= vq
f3
3
q
fs
s
.
Repetindo o argumento obtemos que r = s e para todo i = 1, , r temos que
q
i
= a
i
p
i
para a
i
∈ D

e
u = va
e1
1
a
er
r
.

106 15. AN
´
EIS E DOM
´
INIOS
15.2. Dom´ınios fatoriais
Definic¸˜ ao 15.14. Seja D um dom´ınio de integridade. Definimos em T :=
D (D ¸ ¦0¦) a seguinte rela¸ c˜ao de equivalˆencia:
(a, b) ∼ (c, d) se e somente se ad = bc.
Seja / := T/ ∼o conjunto das classes de equivalˆencia de T. A classe de equivalˆencia
do par (a, b) ´e denotada pela fra¸c˜ao
a
b
. Definimos emT opera¸c˜oes de soma e produto
por
a
b
+
c
d
:=
ad +bc
cd
e
a
b
+
c
d
=
ac
bd
.
Com estas opera¸c˜oes / ´e um corpo. O inverso de a/b ,= 0 ´e b/a.
Definic¸˜ ao 15.15. Sejam A e B dois an´eis (sempre comutativos com elemento
neutro para o produto). Uma fun¸c˜ao f : A →B ´e dita um homomorfismo de an´eis
se f(x +y) = f(x) +f(y) e f(xy) = f(x)f(y) para todos x, y ∈ A. O n´ ucleo N(f)
de f ´e definido como o subconjunto dos elementos a ∈ A tais que f(a) = 0. Note
que 0 ∈ N(f). Observe tamb´em que N(f) ´e um ideal de A. De fato, se x, y ∈ N(f),
ent˜ao f(x + y) = f(x) + f(y) = 0, i.e., x + y ∈ N(f). Se x ∈ N(f) e a ∈ A, ent˜ao
f(x, y) = f(x)f(y) = 0, i.e., xa ∈ N(f).
Lema 15.16. f ´e injetivo se e somente se N(f) = (0).
Demonstrac¸˜ ao. Se f ´e injetivo e x ∈ N(f), ent˜ao f(x) = 0 = f(0), logo
x = 0. Se N(f) = (0) e f(x) = f(y), ent˜ao f(x − y) = 0, i.e., x − y ∈ N(f), i.e.,
x = y.
Observac¸˜ ao 15.17. Um homomorfismo f : A → B ´e dito um isomorfismo se
for um homomorfismo bijetivo. Consideremos o homomorfismo de an´eis ϕ : D →/
definido por ϕ(a) := a/1. Este ´e um homomorfismo injetivo, pois se a/1 = 0/1,
ent˜ao a = 0. Por isto D ´e isomorfo a sua imagem e / ´e dito o corpo de fra¸c˜oes de
D e denotado por fr(D).
Definic¸˜ ao 15.18. Um dom´ınio de integridade D ´e dito fatorial quando para
todo a ∈ D ¸ ¦0¦ podemos escrever a de maneira ´ unica
a = up
e1
1
p
er
r
,
onde u ∈ D

, p
1
, , p
r
∈ D s˜ao irredut´ıveis e e
1
, , e
r
≥ 1 s˜ao inteiros, onde a
unicidade ´e a menos de multiplica¸c˜ao por um elemento de D

ou de permuta¸c˜ao dos
irredut´ıveis. No caso de um dom´ınio euclideano, a fun¸c˜ao ϕ determina a ordem dos
elementos irredut´ıveis, assim n˜ao podemos permut´a-los e a a unicidade ´e a menos
de multiplica¸c˜ao por invers´ıveis. Dois elementos a, b ∈ D s˜ao ditos associados
(denotado por a ∼ b), se a = ub onde u ∈ D

.
Definic¸˜ ao 15.19. Seja D[x] o anel de polinˆomios com coeficientes em D, i.e.,
s˜ao os elementos da forma
f =
n

i=0
a
i
x
i
tais que a
i
∈ D para todo i.
Seja K := fr(D) seu corpo de fra¸c˜oes. O conte´ udo c(f) de f ∈ D[x] ´e definido por
c(f) := mdc(a
n
, , a
0
).
15.2. DOM
´
INIOS FATORIAIS 107
Sendo um mdc, o elemento c(f) ´e ´ unico a menos de multiplica¸c˜ao por elemento de
D

. Um polinˆomio f ∈ D[x] ´e dito primitivo, se c(f) = 1.
Lema 15.20 (lema de Gauss generalizado). Seja D um dom´ınio fatorial e K
seu corpo de fra¸c˜oes.
(1) Se f, g ∈ D[x], ent˜ao c(fg) = c(f)c(g).
(2) Se f, g ∈ D[x] s˜ao primitivos, ent˜ao f ´e associado a g em D[x] se e
somente se ele o for em K[x].
(3) Seja f ∈ D[x] primitivo. Ent˜ao f ´e irredut´ıvel em D[x] se e somente se
f ´e irredut´ıvel em K[x].
Demonstrac¸˜ ao. (1) Podemos sempre escrever f = c(f)f
1
para f
1
∈ D[x]
primitivo. Logo,
fg = c(f)c(g)f
1
g
1
e c(fg) = c(f)c(g)c(f
1
g
1
).
Afirmamos que c(f
1
g
1
) = 1. Escrevamos explicitamente
f
1
=
n

i=0
a
i
x
i
e g
1
=
m

i=0
b
i
x
i
.
Seja
f
1
g
1
=
n+m

i=0
c
j
x
j
.
Seja p ∈ D irredut´ıvel. Como c(f
1
) = c(g
1
) = 1 existe i tal que p [ a
i
e l tal que
p [ b
l
. Escolhamos i e l m´ınimos com esta propriedade. Ent˜ao
c
i+l
= a
i+l
b
0
+a
i+l−1
b
1
+. . . +a
i+1
b
l−1
+a
i
b
l
+a
i−1
b
l+1
+. . . +a
0
b
i+l
n˜ao pode ser divis´ıvel por p. Em particular, p [ c(f
1
g
1
) e c(f
1
g
1
) = 1.
(2)
´
E claro que que se f ´e associado a g em D[x] tamb´em o ´e em K[x]. Provemos
a rec´ıproca. Ou seja, suponhamos que f = ug para u ∈ K

e K = fr(D). Digamos
que u =
a
b
. Logo
bf = ag, c(bf) = bc(f) = b e c(ag) = ac(g) = a,
i.e., b = va para v ∈ D

, portanto f ´e associado a g em D[x].
(3)
´
E claro que se f ´e irredut´ıvel em K[x] ele tamb´em o ´e em D[x]. Suponha
que f seja redut´ıvel em K[x], digamos f = gh para g, h ∈ K[x] tais que grau(g),
grau(h) ≥ 1. Eliminando os denominadores de g e h obtemos a ∈ D ¸ ¦0¦ tal que
af = g
1
h
1
para g
1
, h
1
∈ D[x] e grau(g
1
) = grau(g) e grau(h
1
) = grau(h). Note que
c(af) = ac(f) = a e c(g
1
h
1
) = c(g
1
)c(h
1
),
logo existe u ∈ D

tal que a = c(g
1
)c(h
1
)u. Al´em disto, escrevendo g
1
= c(g
1
)g

1
e
h
1
= c(h
1
)h

1
com g

1
, h

1
∈ D[x] primitivos temos que
af = c(g
1
)c(h
1
)g

1
h

1
,
i.e., f = u
−1
g

1
h

1
o que contradiz o fato de f ser irredut´ıvel em D[x].
Teorema 15.21. Seja D um dom´ınio fatorial. Ent˜ao D[x] tamb´em ´e um
dom´ınio fatorial.
108 15. AN
´
EIS E DOM
´
INIOS
Demonstrac¸˜ ao. Seja f ∈ D[x] ¸ ¦0¦. Se f ∈ D

ou f for irredut´ıvel nada h´a
a fazer. Caso contr´ario fatoramos
f = up
e1
1
p
er
r
com u ∈ K

, p
1
, , p
r
∈ K[x] irredut´ıveis, grau(p
1
) < < grau(p
r
) e e
1
, , e
r
≥ 1 inteiros. Multiplicando pelo produto dos denominadores obtemos a ∈ D ¸ ¦0¦
tal que
af = vq
e1
1
q
er
r
,
onde v ∈ D ¸ ¦0¦ e q
1
, , q
r
∈ D[x] irredut´ıveis em K[x] e grau(q
i
) = grau(p
i
)
para todo i. Para todo i escreva q
i
= c(q
i
)q

i
com q

i
∈ D[x] primitivo e irredut´ıvel
em K[x]. Pelo lema de Gauss q

i
´e irredut´ıvel em D[x] para todo i. Assim,
af = vc(q
1
)
e1
c(q
r
)
er
(q

1
)
e1
(q

r
)
er
.
Mas c(af) = ac(f) e
c(vc(q
1
)
e1
c(q
r
)
er
(q

1
)
e1
(q

r
)
er
) = vc(q
1
)
e1
c(q
r
)
er
.
Logo existe w ∈ D

tal que
ac(f) = wvc(q
1
)
e1
c(q
r
)
er
.
Em particular,
f = w
−1
(q

1
)
e1
(q

r
)
er
o que mostra que D[x] ´e fatorial.
Teorema 15.22 (crit´erio de Eisenstein generalizado). Seja D um dom´ınio fa-
torial, K = fr(D) seu corpo de fra¸c˜oes,
f =
n

i=0
a
i
x
i
∈ D[x] −¦0¦
primitivo e p ∈ D irredut´ıvel. Se p [ a
i
para i = 0, , n−1, p [ a
n
e p
2
[ a
0
, ent˜ao
f ´e irredut´ıvel em K[x].
Demonstrac¸˜ ao. A prova ´e igual ao caso em que D = Z que foi feita anteri-
ormente, substituindo o lema de Gauss pela sua generaliza¸c˜ao.
15.3. Fatores m´ ultiplos e resultante
Proposic¸˜ ao 15.23. Sejam f, g ∈ K[x] ¸ K. Ent˜ao existe h ∈ K[x] ¸ K irre-
dut´ıvel tal que
h [ f e h [ g
se e somente se existem u, v ∈ K[x] ¸ ¦0¦ tais que
ug = vf, grau(u) < grau(f) e grau(v) < grau(g).
Demonstrac¸˜ ao. Suponhamos que exista h como acima, i.e., f = hf
1
e g =
hg
1
com f
1
, g
1
∈ K[x] e grau(f
1
) < grau(f) e grau(g
1
) < grau(g). Logo f
1
g = g
1
f
e tomamos u = f
1
e v = g
1
.
Reciprocamente, suponhamos a segunda condi¸c˜ao satisfeita. Como grau(u) <
grau(f) e pela unicidade da fatora¸c˜ao de polinˆomios temos que existe algum fator
irredut´ıvel h de f tal que h [ g.
15.3. FATORES M
´
ULTIPLOS E RESULTANTE 109
Definic¸˜ ao 15.24. Sejam
f =
n

i=0
a
i
x
i
e g =
m

j=0
b
j
x
j
.
A resultante Res(f, g) ´e definida como o determinante da seguinte matriz
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
a
n
a
n−1
a
1
a
0
a
n
a
n−1
a
1
a
0
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
a
n
a
n−1
a
1
a
0
b
m
b
m−1
b
1
b
0
b
m
b
m−1
b
1
b
0
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
b
m
b
m−1
b
1
b
0
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
,
onde as linhas com os coeficientes a
i
’s s˜ao repetidas m vezes e as linhas com os
coeficientes b
j
’s s˜ao repetidas n vezes, ou seja a matriz ´e (n + m) (n + m). As
demais entradas da matriz s˜ao todas nulas.
Observac¸˜ ao 15.25. Seja
u =
r

i=0
c
i
x
i
e v =
s

j=0
d
j
x
j
,
onde r ≤ n −1 e s ≤ m−1. Para facilitar a nota¸c˜ao tomaremos os coeficientes de
u (resp. v) at´e n − 1 (resp. m− 1) com a conven¸c˜ao que se i > r (resp. j > s)
ent˜ao c
i
= 0 (resp. d
j
= 0). A igualdade ug = vf resulta em um sistema linear
homogˆeneo
a
n
d
m−1
−b
m
c
n−1
= 0
a
n
d
m−2
+a
n−1
d
m−1
−b
m
c
n−2
−b
m−1
c
n−1
= 0

a
1
d
0
+a
0
d
1
−b
1
c
0
−b
0
c
1
= 0
a
0
d
0
−b
0
c
0
= 0
cuja matriz transposta ´e igual a
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
a
n
a
n−1
a
1
a
0
a
n
a
n−1
a
1
a
0
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
a
n
a
n−1
a
1
a
0
−b
m
−b
m−1
−b
1
−b
0
−b
m
−b
m−1
−b
1
−b
0
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
−b
m
−b
m−1
−b
1
−b
0
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
_
.
Portanto, o determinante da matriz do sistema ´e igual a (−1)
n
Res(f, g). Da ´algebra
linear o sistema tem solu¸c˜ao n˜ ao trivial se e somente se o determinante da matriz do
sistema ´e nulo, o que equivale a Res(f, g) = 0. A existˆencia de solu¸c˜ao n˜ao trivial
110 15. AN
´
EIS E DOM
´
INIOS
equivale justamente a existˆencia de u e v satisfazendo `a condi¸c˜ao acima. Dessa
forma temos o teorema seguinte.
Teorema 15.26. Sejam f, g ∈ K[x] ¸ K, ent˜ao existe h ∈ K[x] ¸ K irredut´ıvel
tal que h [ f e h [ g se e somente se Res(f, g) = 0.
Definic¸˜ ao 15.27. Definimos formalmente a deriva¸c˜ao de polinˆomios D : K[x]
→K[x] por
D
_
n

i=0
a
i
x
i
_
:=
n

i=1
ia
i
x
i
.
Esta fun¸c˜ao satisfaz as seguintes propriedades:
(1) D(f +g) = D(f) +D(g), para f, g ∈ K[x];
(2) D(af) = aD(f), para a ∈ K e f ∈ K[x];
(3) (regra de Leibniz) D(fg) = fD(g) +D(f)g, para f, g ∈ K[x].
Dizemos que um fator irredut´ıvel f de g ∈ K[x] −K ´e m´ ultiplo se f
2
[ g.
Proposic¸˜ ao 15.28. Seja g ∈ K[x]¸K e f ∈ K[x]¸K um polinˆomio irredut´ıvel.
Ent˜ao f ´e fator m´ ultiplo de g se e somente se f [ D(g).
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que f seja fator m´ ultiplo de g, ent˜ao f
2
[ g, i.e.,
g = Af
2
para algum A ∈ K[x]. Logo D(g) = D(A)f
2
+ 2AfD(f), portanto
f [ D(g).
Reciprocamente, suponha que f [ D(g), digamos g = fA e D(g) = fB para
A, B ∈ K[x]. Derivando a primeira igualdade, D(g) = fD(A) + D(f)A, sub-
stituindo temos que f(B − D(A)) = D(f)A. Se D(f) = 0 ent˜ao trivialmente
D(f) [ g. Suponhamos que D(f) ,= 0. Neste caso grau(D(f)) < grau(f) e como f ´e
irredut´ıvel, pela unicidade da fatora¸c˜ao de polinˆomios, concluimos que f ´e um fator
de A, digamos A = fC para C ∈ K[x]. Assim g = f
2
C e f ´e um fator m´ ultiplo de
g.
Definic¸˜ ao 15.29. Definimos o discriminante de f ∈ K[x] ¸ ¦0¦ por disc(f) :=
Res(f, D(f)). Assim concluimos a seguinte proposi¸c˜ao.
Proposic¸˜ ao 15.30. Seja f ∈ K[x] ¸ K, ent˜ao f possui fator m´ ultiplo se e
somente se disc(f) = 0.
15.4. An´eis quocientes e teorema chinˆes dos restos
Seja A um anel (sempre comutativo com unidade) e I, J ⊂ A ideais de A
definimos o ideal soma I +J por
I +J := ¦a +b [ a ∈ I e b ∈ J¦.
Fica como exerc´ıcio verificar que I + J ´e de fato um ideal de A. Dizemos que os
ideais I e J s˜ao coprimos se
I +J = A, i.e., se existem a ∈ I e b ∈ J tais que 1 = a +b.
Por exemplo, se A = Z, I = nZ e J = mZ com n, m ≥ 1 inteiros, temos que
I e J s˜ao coprimos se e somente se mdc(m, n) = 1. De fato, se os ideais forem
coprimos, ent˜ao existem s, t ∈ Z tais que 1 = sn + tm. Assim, qualquer divisor
primo comum de n e m dividiria tamb´em 1, o que ´e imposs´ıvel. Reciprocamente,
se mdc(n, m) = 1, ent˜ao pelo algoritmo euclideano estendido existem s, t ∈ Z tais
que 1 = sn +tm, a fortiori 1 ∈ I +J.
15.4. AN
´
EIS QUOCIENTES E TEOREMA CHIN
ˆ
ES DOS RESTOS 111
Definic¸˜ ao 15.31. Seja A um anel e I um ideal de A. Definimos em A a
seguinte rela¸c˜ao. Dados a, b ∈ A dizemos que
a ≡ b (mod I) se a −b = α ∈ I,
dizemos neste caso que a ´e equivalente a b m´odulo I. Fica como exerc´ıcio verificar
que isto define de fato uma rela¸c˜ao de equivalˆencia. A classe de equivalˆencia de
a ∈ A m´odulo I ser´a denotada por
a +I := ¦a +α[ α ∈ I¦.
O conjunto de classes de equivalˆencia ser´a denotado por A/I. Quando A = Z e
I = nZ a rela¸c˜ao acima ´e apenas a rela¸c˜ao de congruˆencia m´odulo n, uma vez que
Z ´e um dom´ınio principal.
Definic¸˜ ao 15.32. Definimos em A/I uma estrutura de anel da seguinte forma:
(a +I) ⊕(b +I) := (a +b) +I e (a +I) ¸(b +I) := (ab) +I.
Observac¸˜ ao 15.33. Verifiquemos que estas opera¸c˜oes est˜ao bem definidas.
Sejam a

, b

∈ A tais que a

≡ a (mod I) e b

≡ b (mod I), i.e., a

− a = α ∈ I e
b

−b = β ∈ I. Assim,
(a

+b

) −(a +b) = α +β ∈ I
e em particular a

+b

≡ a+b (mod I) (o que equivale a (a

+b

) +I = (a+b) +I).
Tamb´em temos que
a

b

−ab = a

b

−a

b +a

b −ab = a

(b

−b) +b(a

−a) = a

β +bα ∈ I,
portanto a

b

≡ ab (mod I) (ou equivalentemente, (a

b

) +I = (ab) +I). Deixamos
tamb´em como exerc´ıcio verificar (exatamente como no caso dos inteiros m´odulo n)
que o conjunto A/I com as opera¸c˜oes ⊕ e ¸ ´e um anel. Note que o elemento neutro
para a soma ´e a classe I e o elemento neutro para o produto ´e a classe 1 +I.
15.4.1. Ideais primos e maximais.
Definic¸˜ ao 15.34. Um ideal I de um anel A ´e dito maximal se para todo ideal
J de A tal que I ⊂ J ⊂ A temos J = I ou J = A.
Proposic¸˜ ao 15.35. Um ideal I de A ´e maximal se e somente se o anel quo-
ciente A/I ´e um corpo.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que I seja um ideal maximal de A. Seja a +I ,= I
uma classe em A/I. Isto equivale a a / ∈ I. O conjunto (a) = ¦xa [ x ∈ A¦ ´e um
ideal de A e pelo que foi feito anteriormente o conjunto J = I + (a) tamb´em ´e um
ideal de A. Al´em disto, I _ J. Pela maximalidade de I concluimos que J = A,
i.e., que existem t ∈ I e s ∈ A tais que 1 = t + sa, i.e., sa ≡ 1 (mod I), i.e.,
(sa) +I = (s +I) ¸(a +I) = 1 +I, i.e., a +I admite inverso multiplicativo.
Reciprocamente, suponha que A/I seja um corpo. Seja J um ideal de A tal
que I _ J. Seja a ∈ J − I. Ent˜ao a + I ,= I e por hip´otese existe b ∈ A tal que
(a +I) ¸(b +I) = 1 +I, i.e., (ab) +I = 1 +I, i.e., existe t ∈ I tal que ab −1 = t.
Em outras palavras 1 = t −ab ∈ J, logo A = J e I ´e maximal.
Definic¸˜ ao 15.36. Um ideal I de A ´e dito um ideal primo se dados a, b ∈ A
tais que ab ∈ I, ent˜ao a ∈ I ou b ∈ I. Note que quando A = Z e p ´e um n´ umero
primo o ideal pZ ´e um ideal primo de Z.
112 15. AN
´
EIS E DOM
´
INIOS
Proposic¸˜ ao 15.37. Um ideal I de A ´e primo se e somente se o anel quociente
A/I ´e um dom´ınio de integridade.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que I seja um ideal primo de A. Sejam a+I, b+I ∈
A
I
tais que (a + I) ¸ (b + I) = I, i.e., (ab + I) = I, i.e., ab ∈ I. Como I ´e primo,
temos que a ∈ I ou b ∈ I, i.e., a +I = I ou b +I = I.
Reciprocamente, suponha que A/I seja um dom´ınio de integridade. Sejam
a, b ∈ A tais que ab ∈ I, i.e., (ab)+I = (a+I)¸(b+I) = I. Por hip´otese, a+I = I
ou b +I = I, i.e., a ∈ I ou b ∈ I.
15.4.2. Homomorfismo de an´eis.
Definic¸˜ ao 15.38. Sejam A e B an´eis e f : A →B uma fun¸c˜ao. Esta fun¸c˜ao ´e
dito um homomorfismo de an´eis se
f(a +b) = f(a) +f(b) e f(ab) = f(a)f(b).
Observe que f(0) = f(0 + 0) = f(0) + f(0), portanto f(0) = 0. Se al´em disto
A for um dom´ınio de integridade e f n˜ao for a fun¸c˜ao nula, ent˜ao f(1) = 1. De
fato, f(1) = f(1.1) = f(1)f(1), i.e., f(1)(f(1) − 1) = 0. Se A ´e um dom´ınio de
integridade, ent˜ao f(1) = 0 ou f(1) = 1. No primeiro caso a fun¸c˜ao ´e identicamente
nula, pois f(a) = f(1.a) = f(1)f(a) = 0. Observe tamb´em que como 0 = f(0) =
f(a + (−a)) = f(a) +f(−a), ent˜ao f(−a) = −f(a).
Definic¸˜ ao 15.39. Um homomorfismo f : A →B ´e dito um isomorfismo se for
bijetivo. Um homomorfismo f : A → A ´e dito um endomorfismo de A. Se este
endomorfismo for bijetivo ele ´e dito um automorfismo de A. Seja f : A → B um
homomorfismo de an´eis. O n´ ucleo N(f) de f ´e definido por ¦a ∈ A[ f(a) = 0¦.
Fica como exerc´ıcio mostrar que N(f) ´e um ideal de A. A imagem f(A) de f ´e um
subanel de B (isto tamb´em ´e um exerc´ıcio).
Lema 15.40. Seja f : A → B um homomorfismo de an´eis. Ent˜ao f ´e injetivo
se e somente se N(f) = (0).
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que f seja injetivo e que a ∈ N(f). Logo f(a) =
0 = f(0), pela injetividade de f concluimos que a = 0. Reciprocamente, suponha
que N(f) = (0). Sejam a, b ∈ A tais que f(a) = f(b). Ent˜ao f(a − b) = 0, i.e.,
a −b ∈ N(f), em particular a = b.
Teorema 15.41 (teorema dos homomorfimos). Seja f : A →B um homomor-
fismo de an´eis. Ent˜ao f induz um isomorfismo ϕ : A/N(f) → f(A) (em outras
palavras A/N(f)

= f(A), i.e., estes dois an´eis s˜ao isomorfos).
Demonstrac¸˜ ao. A fun¸ c˜ao ϕ ´e definida por
ϕ(a +N(f)) := f(a).
Verifiquemos inicialmente que ϕ est´a bem definida. Seja a

∈ A tal que a

≡ a
(mod N(f)), i.e., a

− a = α ∈ N(f). Logo f(a

) = f(a), i.e., ϕ(a

+ N(f)) =
ϕ(a +N(f)).
Esta fun¸c˜ao ´e um homomorfismo, pois
ϕ((a +N(f)) ⊕(b +N(f))) = ϕ((a +b) +N(f)) = f(a +b) = f(a) +f(b)
= ϕ(a +N(f)) +ϕ(b +N(f)) e
ϕ((a +N(f)) ¸(b +N(f))) = ϕ((ab) +N(f)) = f(ab)
= f(a)f(b) = ϕ(a +N(f))ϕ(b +N(f)).
15.4. AN
´
EIS QUOCIENTES E TEOREMA CHIN
ˆ
ES DOS RESTOS 113
Esta fun¸c˜ao ´e sobrejetiva, pois para todo y ∈ f(A), temos que y = f(a) para a ∈ A,
portanto y = ϕ(a +N(f)). Esta fun¸c˜ao tamb´em ´e injetiva, pois se ϕ(a +N(f)) =
f(a) = 0, ent˜ao a ∈ N(f), i.e., a +N(f) = N(f).
15.4.3. Teorema chinˆes dos restos.
Proposic¸˜ ao 15.42. Sejam I, J ideais de A tais que I + J = A e a, b ∈ A.
Ent˜ao existe x ∈ A tal que
_
x ≡ a (mod I)
x ≡ b (mod J).
Demonstrac¸˜ ao. Por hip´otese existem α ∈ I e β ∈ J tais que 1 = α + β.
Ent˜ao β ≡ 1 (mod I) e α ≡ 1 (mod J). Em particular, aβ ≡ a (mod I) e bα ≡ b
(mod J). Basta tomar x = aβ +bα.
Vamos generalizar o resultado anterior para um n´ umero qualquer de ideais.
Para isto precisamos da no¸c˜ao de produto de ideais. Sejam I
1
, , I
r
ideais de A.
Seja
I
1
. . . I
r
:= ¦a
1,1
a
r,1
+. . . +a
1,n
. . . a
r,n
[ onde a
i,j
∈ I
i
, para todo i¦.
Fica como exerc´ıcio mostrar que I
1
. . . I
r
´e efetivamente um ideal de A.
Proposic¸˜ ao 15.43. Sejam I
1
, , I
r
ideais de A tais que para todo α ,= β
tenhamos I
α
+I
β
= A. Sejam a
1
, , a
r
∈ A. Ent˜ao existe x ∈ A tal que
_
¸
¸
_
¸
¸
_
x ≡ a
1
(mod I
1
)
.
.
.
.
.
.
x ≡ a
r
(mod I
r
).
Demonstrac¸˜ ao. Denotamos
J := I
1
. . . I
r
e para cada ν, J
ν
:= I
1
. . . I
ν−1
I
ν+1
. . . I
r
.
Afirmamos que
(15.1) I
ν
+J
ν
= A.
De fato, sabemos que para cada α ,= ν existem λ
α
∈ I
α
e λ
ν(α)
∈ I
ν
tais que
λ
α
+ λ
ν(α)
= 1. Note que utilizamos o ´ındice ν(α) para dizer que o elemento
λ
ν(α)
efetivamente depende da escolha de α, uma vez que os ideais s˜ao dois a dois
coprimos. Seja
γ
ν
:= λ
1
. . . λ
ν−1
λ
ν+1
. . . λ
r
∈ J
ν
.
Ent˜ao

α=ν

α

ν(α)
) = γ
ν

ν
,
onde δ
ν
∈ I
ν
. Da igualdade (15.1) obtemos que para cada ν vale γ
ν
≡ 1 (mod I
ν
)
e γ
ν
≡ 0 (mod I
α
) para α ,= ν. Finalmente, x := a
1
γ
1
+ . . . + a
r
γ
r
´e uma solu¸c˜ao
do sistema.
Lema 15.44. Sejam I
1
, , I
r
ideais de A tais que para todo α ,= β tenhamos
I
α
+I
β
= A. Ent˜ao
I
1
. . . I
r
= I
1
∩ . . . ∩ I
r
.
114 15. AN
´
EIS E DOM
´
INIOS
Demonstrac¸˜ ao. Provemos o resultado por indu¸c˜ao em r. Suponhamos ini-
cialmente r = 2. Assim, um elemento de I
1
I
2
´e da forma
a
1,1
a
2,1
+. . . +a
1,n
a
2,n
,
onde a
1,ν
∈ I
1
(resp. a
2,ν
∈ I
2
) para cada ν. Note que cada parcela a
1,ν
a
2,ν
pertence a I
1
∩ I
2
, pela defini¸c˜ao de ideal. Logo I
1
I
2
⊂ I
1
∩ I
2
. Basta provar a
inclus˜ao oposta. Por hip´otese existem γ
1
∈ I
1
e γ
2
∈ I
2
tais que 1 = γ
1
+ γ
2
. Seja
a ∈ I
1
∩ I
2
, logo a = γ
1
a +aγ
2
∈ I
1
I
2
.
Suponha agora o resultado provado para r − 1 fatores, vamos prov´a-lo para
r fatores. Novamente, pela pr´opria defini¸c˜ao de produto de ideais temos que
I
1
. . . I
r
⊂ I
1
∩ . . . ∩ I
r
. Basta provar a inclus˜ao oposta. Da demonstra¸c˜ao da
proposi¸c˜ao anterior concluimos que I
1
. . . I
r−1
e I
r
s˜ao coprimos. Logo existe
γ
r
∈ I
1
. . . I
r−1
e δ
r
∈ I
r
tal que γ
r
+ δ
r
= 1. Seja a ∈ I
1
∩ ∩ I
r
. Note
que para todo t ≥ 1 temos tamb´em que a
t
∈ I
1
∩ ∩ I
r
. Ent˜ao
a
r
= γ
r
a
r
+a . . . a(aδ
r
) ∈ I
1
+. . . +I
r
,
onde a repete-se r −1 vezes no produto acima.
Teorema 15.45 (teorema chinˆes dos restos). Sejam I
1
, I
r
ideais de A tais
que I
α
+I
β
= A, para α ,= β. Ent˜ao
(1) existe um isomorfismo de an´eis
A
I
1
. . . I
r

=
A
I
1
. . .
A
I
r
.
(2) Este isomorfismo restringe-se a um isomorfismo de grupos
_
A
I
1
. . . I
r
_


=
_
A
I
1
_

. . .
_
A
I
r
_

.
Demonstrac¸˜ ao. Definimos
ϕ :
A
I
1
I
r

A
I
1
. . .
A
I
r
por
ϕ(a +I
1
. . . I
r
) := (a +I
1
, , a +I
r
).
Verifiquemos que esta fun¸c˜ao est´a bem definida. De fato, se b −a = α ∈ I
1
. . . I
r
=
I
1
∩. . . I
r
(pelo lema anterior), ent˜ao b ≡ a (mod I
ν
) para todo ν, i.e., b+I
ν
= a+I
ν
para todo ν.
Afirmamos que ϕ ´e um homomorfismo. De fato,
ϕ((a +I
1
. . . I
r
) ⊕(b +I
1
. . . I
r
)) = ϕ((a +b) +I
1
. . . I
r
)
= ((a +b) +I
1
, , (a +b) +I
r
)
= ((a +I
1
) ⊕(b +I
1
), , (a +I
r
) ⊕(b +I
r
))
= (a +I
1
, , a +I
r
) ⊕(b +I
1
, , b +I
r
) e
ϕ((a +I
1
. . . I
r
) ¸(b +I
1
. . . I
r
)) = ϕ((ab) +I
1
. . . I
r
)
= ((ab) +I
1
, , (ab) +I
r
)
= ((a +I
1
) ¸(b +I
1
), , (a +I
r
) ¸(b +I
r
))
= (a +I
1
, , a +I
r
) ¸(b +I
1
, , b +I
r
).
15.5. APLICAC¸
˜
OES 115
Esta fun¸c˜ao ´e sobrejetiva. De fato, dado
(a
1
+I
1
, , a
r
+I
r
) ∈
A
I
1
. . .
A
I
r
,
pela proposi¸c˜ao anterior existe x ∈ A tal que x ≡ a
ν
(mod I
ν
) para todo ν, i.e.,
x+I
ν
= a
ν
+I
ν
para todo ν. Portanto, (a
1
+I
1
, , a
r
+I
r
) = (x+I
1
, , x+I
r
) =
ϕ(x +I
1
. . . I
r
).
Finalmente, ϕ ´e injetiva. De fato, se (a + I
1
, , a + I
r
) = (I
1
, , I
r
), ent˜ao
a ∈ I
1
∩ . . . ∩ I
r
= I
1
. . . I
r
.
Suponhamos que a + I
1
. . . I
r
∈ (A/I
1
. . . I
r
)

, i.e., que exista b + I
1
. . . I
r

(A/I
1
. . . I
r
) tal que
(a +I
1
. . . I
r
) ¸(b +I
1
. . . I
r
) = (ab) +I
1
. . . I
r
= 1 +I
1
. . . I
r
,
i.e., ab − 1 = c ∈ I
1
. . . I
r
= I
1
∩ . . . ∩ I
r
. Logo ab ≡ 1 (mod I
ν
) para todo ν,
i.e., (a + I
ν
) (b + I
ν
) = 1 + I
ν
para todo ν. Portanto (a + I
1
, , a + I
r
) ∈
(A/I
1
)

. . . (A/I
r
)

.
´
E claro que a restri¸c˜ao de ϕ (A/I
1
. . . I
r
)

´e um homomorfismo injetivo. Resta
provar a sua sobrejetividade. Seja (a
1
+I
1
, , a
r
+I
r
) ∈ (A/I
1
)

. . . (A/I
r
)

.
Pela parte anterior sabemos que existe x ∈ A tal que a
ν
+I
ν
= x +I
ν
para todo ν.
Basta provar que x +I
1
. . . I
r
∈ (A/I
1
. . . I
r
)

. Mas para todo ν existe α
ν
∈ A tais
que α
ν
x ≡ 1 (mod I
ν
), pois x ´e invers´ıvel simultaneamente m´odulo cada I
ν
. Ou
seja, α
ν
x −1 = δ
ν
∈ I
ν
para cada ν. Assim,

ν

ν
x −1) = xz + (−1)
r
1 =

ν
δ
ν
∈ I
1
. . . I
r
,
para algum z ∈ A, i.e., xz ≡ ±1 (mod I
1
. . . I
r
). Substituindo, se necess´ario, z por
−z, concluimos que x ∈ (A/I
1
. . . I
r
)

.
15.5. Aplica¸c˜oes
15.5.1. Soma de quadrados.
Teorema 15.46 (Fermat). Seja p um n´ umero primo. As seguintes condi¸c˜oes
s˜ao equivalentes:
(i) p = 2 ou p ≡ 1 (mod 4).
(ii) Existe a ∈ Z tal que a
2
≡ −1 (mod p).
(iii) p ´e redut´ıvel em Z[i].
(iv) p = a
2
+b
2
com a, b ∈ Z.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha (i). Se p = 2, tome a = 1 e lembre que 1 ≡ −1
(mod 2). Suponhamos que p = 4n+1. Pelo pequeno teorema de Fermat para todo
a ∈ Z tal que p [ a temos que a
p−1
≡ 1 (mod p). Em outras palavras, temos a
fatora¸c˜ao x
p−1
−1 = (x −1) (x −p −1). Por outro lado, x
p−1
−1 = x
4n
−1 =
(x
2n
−1)(x
2n
+1). Ou seja, existe b ∈ ¦1, , p −1¦ tal que b
2n
= −1, i.e., b
2n
≡ −1
(mod p). Tome a = b
n
.
Suponha (ii). Seja k ∈ Z tal que a
2
= −1 + kp. Logo (a − i)(a + i) = kp.
Suponhamos que p [ (a + i), i.e, que existam c, d ∈ Z tais qeu p(c + di) = a + i.
Em particular, pd = 1 e p [ 1 o que ´e imposs´ıvel. Portanto, p [ (a +i). Pelo mesmo
argumento p [ (a −i). Mas Z[i] ´e um dom´ınio euclideano, logo fatorial, assim p n˜ao
pode ser um irredut´ıvel am Z[i].
116 15. AN
´
EIS E DOM
´
INIOS
Suponha que p = (a + bi)(c + di) com a
2
+ b
2
,= 1 e c
2
+ d
2
,= 1. Pela
multiplicatividade da norma, p
2
= N(p) = N(a+bi)N(a+di) = (a
2
+b
2
)(c
2
+d
2
),
mas a ´ unica possibilidade para que isto ocorra ´e que a
2
+b
2
= c
2
+d
2
= p.
Suponhamos (iv) e que p > 2. Dado a ∈ Z temos que a
2
≡ 0 ou 1 (mod 4).
Assim, as possibilidades para a
2
+ b
2
(mod 4) s˜ao 0, 1 ou 2. Mas como p ´e primo
apenas a segunda possibilidade pode acontecer.
15.5.2. Lei de reciprocidade quadr´atica.
Definic¸˜ ao 15.47. Vamos reescrever o ´ıtem (ii) do teorema de outra forma.
Seja a ∈ Z, dizemos que a ´e resto quadr´atico m´odulo p se existe b ∈ Z tal que
b
2
≡ a (mod p). Assim em (ii) estamos dizendo que -1 ´e resto quadr´atico m´odulo
p. Dado a ∈ Z e um n´ umero primo p tal que p [ a, definimos o s´ımbolo de Legendre
de a em p por
_
a
p
_
= 1, se a ´e resto quadr´atico m´odulo p,
_
a
p
_
= −1, caso contr´ario.
Assim o teorema afirma que p ´e soma de quadrados se e somente se (−1/p) = 1.
Um importante teorema na teoria dos n´ umeros (que n˜ao demonstraremos aqui)
´e a lei de reciprocidade quadr´ atica (cf [IrRo, chapter 5]).
Teorema 15.48 (lei de reciprocidade quadr´atica). Sejam p, q > 2 primos dis-
tintos. En˜ao
_
p
q
__
q
p
_
= (−1)
p−1
2
q−1
2
.
Uma maneira de interpretar esta lei ´e uma f´ormula de inverter o s´ımbolo de
Legendre, ou seja,
_
q
p
_
= (−1)
p−1
2
q−1
2
_
p
q
_
.
Por exemplo, se p, q ≡ 1 (mod 4), ent˜ao
_
q
p
_
= 1 se e somente se
_
p
q
_
= 1.
Se p, q ≡ 3 (mod 4), ent˜ao
_
p
q
_
= 1 se e somente se
_
q
p
_
= −1.
Finalmente se p ≡ 1 (mod 4) e q ≡ 3 (mod 4) (ou vice-versa), ent˜ao
_
p
q
_
= 1 se e somente se
_
q
p
_
= 1.
Parte 4
Corpos
CAP´ıTULO 16
Extens˜oes finitas
Sejam K ⊂ L dois corpos. Dizemos que L ´e uma extens˜ao de K ou que L/K ´e
uma extens˜ao de corpos. Notemos neste caso que a multiplica¸c˜ao de elementos de
K por elementos de L induz em L uma estrutura de K-espa¸co vetorial. Quando L
´e um K-espa¸co vetorial de dimens˜ao finita, dizemos que L/K ´e uma extens˜ao finita
e denotamos dim
K
L = [L : K] chamado o grau da extens˜ao.
Proposic¸˜ ao 16.1. Sejam K ⊂ L ⊂ M corpos. Ent˜ao M/K ´e uma extens˜ao
finita se e somente se M/L e L/K s˜ao extens˜oes finitas e neste caso
[M : K] = [M : L][L : K].
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que M/K seja uma extens˜ao finita. Qualquer con-
junto de elementos de M que seja L-linearmente independente ´e em particular K-
linearmente independente. Portanto, o n´ umero m´aximo de vetores L-linearmente
independentes em M ´e [M : K], em particular M/L ´e finita. Como L ⊂ M e M
´e um K-espa¸co vetorial de dimens˜ao finita, concluimos que o mesmo vale para L,
i.e., L/K ´e finita.
Suponha que M/L e L/K sejam finitas. Sejam ¦α
1
, , α
n
¦ uma base de M/L
e ¦β
1
, , β
m
¦ uma base de L/K. Afirmamos que o conjunto
¦α
i
β
j
¦
1≤i≤n,1≤j≤m
´e uma base de M/K. Disto segue imediatamente a proposi¸c˜ao.
Seja x ∈ M, ent˜ao
x =
n

i=1
a
i
α
i
,
onde a
1
, , a
n
∈ L. Al´em disto para todo i = 1, , n, temos que
a
i
=
m

j=1
b
ij
β
j
,
onde β
j
∈ K. Logo,
x =
n

i=1
m

j=1
b
ij
α
i
β
j
,
em particular o conjunto acima gera M como K-espa¸co vetorial.
Suponha que tenhamos uma K-combina¸c˜ao linear trivial
n

i=1
m

j=1
c
ij
α
i
β
j
= 0,
119
120 16. EXTENS
˜
OES FINITAS
onde para todo i, j, c
ij
∈ K. Reescremos
n

i=1
_
_
m

j=1
c
ij
β
j
_
_
α
i
= 0.
Como para todo i temos
m

j=1
c
ij
β
j
∈ L e ¦α
1
, , α
n
¦
´e um conjunto L-linearmente independente, concluimos que para todo i temos
m

j=1
c
ij
β
j
= 0.
Por outro lado, segue do fato de ¦β
1
, , β
m
¦ ser K-linearmente independente que
c
ij
= 0 para todo i, j.
Corol´ ario 16.2. Seja L/K uma extens˜ao finita de grau primo. Ent˜ao para
todo corpo F tal que K ⊂ F ⊂ L temos que F = K ou F = L.
Definic¸˜ ao 16.3. Seja L/K uma extens˜ao finita com base ¦α
1
, , α
n
¦ e u ∈ L.
Definimos o polinˆomio caracter´ıstico de u em rela¸c˜ao a L/K da seguinte forma. Para
todo i = 1, , n temos

i
=
n

j=1
a
ij
α
j
.
O polinˆomio ´e definido por
F
u,L/K
(x) := det(Ix −(a
ij
)).
Denotamos A := (a
ij
).
Observac¸˜ ao 16.4. (1) F
u,L/K
tem coeficiente l´ıder 1 e grau n = [L : K].
(2) F
u,L/K
n˜ao depende da escolha da base. De fato, seja ¦β
1
, , β
n
¦ uma
outra base de L/K e B a matriz de mudan¸ca de base de ¦β
1
, , β
n
¦ para
¦α
1
, , α
n
¦. Seja C := B
−1
. Assim,

i
= u
n

j=1
b
ij
α
j
=
n

j=1
b
ij
n

l=1
a
jl
α
l
= (BA)
il
α
l
=
n

h=1
(BA)
il
c
lh
β
h
= (BAC)
ih
β
h
.
Assim,
det(Ix−(BAB
−1
)) = det(B(Ix−A)B
−1
) = det(B) det(Ix−A) det(B
−1
) = F
u,L/K
.
(3) Se u ∈ K, ent˜ao F
u,L/K
= (x −u)
n
.
Proposic¸˜ ao 16.5. Sejam K ⊂ L ⊂ M tais que M/L e L/K sejam extens˜oes
finitas. Seja u ∈ L. Ent˜ao
F
u,M/K
= F
[M:L]
u,L/K
.
16. EXTENS
˜
OES FINITAS 121
Demonstrac¸˜ ao. Sejam ¦α
1
, , α
n
¦ uma base de M/L e ¦β
1
, , β
m
¦ uma
base de L/K. Ent˜ao ¦α
i
β
j
¦
1≤i≤n,1≤j≤m
´e uma base de M/K. Note que

i
β
j
= α
i
m

l=1
a
jl
β
l
=
m

l=1
a
jl
α
i
β
l
.
Assim, em cada bloco ¦α
1
β
1
, , α
1
, β
m
¦, ... , ¦α
n
β
1
, , α
n
β
m
¦ a matriz do
operador linear definido pela multiplica¸c˜ao por u ´e igual a A. Portanto,
F
u,M/K
= det
_
_
_
_
_
Ix −A 0 0
0 Ix −A 0
.
.
.
.
.
.
.
.
.
0 0 Ix −A
_
_
_
_
_
= F
n
u,L/K
.

Definic¸˜ ao 16.6. Escrevendo explicitamente,
F
u,L/K
= x
n
+f
1
x
n−1
+. . . +f
n−1
x +f
n
.
O tra¸co T
L/K
(u) de u em rela¸c˜ao a L/K ´e definido por
T
L/K
(u) := −f
1
.
A norma N
L/K
(u) de u em rela¸c˜ao a L/K ´e definida por
N
L/K
(u) := (−1)
n
f
n
.
Observe que expandindo o determinante que define F
u,L/K
obtemos
f
1
=
n

i=1
a
ii
= Tr(A), o tra¸co da matriz A, e f
n
= det(A).
Definic¸˜ ao 16.7. Sejam L/K uma extens˜ao de corpos f ∈ K[x]¸¦K¦. Dizemos
que um elemento α ∈ L ´e raiz de f se f(α) = 0.
Suponhamos conhecidas u
1
, , u
n
as ra´ızes de F
u,L/K
. Note que uma destas
ra´ızes, digamos u
1
, ´e exatamente u. Observe tamb´em que usando o algoritmo da
divis˜ao, se α ´e raiz de f ent˜ao
f(x) = (x −α)g(x),
para algum g ∈ K[x]. Neste caso temos a fatora¸c˜ao
F
u,L/K
(x) =
n

i=1
(x −u
i
).
122 16. EXTENS
˜
OES FINITAS
Desenvolvendo este produto obtemos
f
1
= −
n

i=1
u
i
f
2
=

1≤i<j≤n
u
i
u
j
f
3
= −

1≤i<j<k≤n
u
i
u
j
u
k
.
.
.
.
.
.
f
n
= (−1)
n
n

i=1
u
i
.
Assim,
T
L/K
(u) =
n

i=1
u
i
N
L/K
(u) =
n

i=1
u
i
.
Definic¸˜ ao 16.8. Sejam x
1
, , x
n
vari´aveis independentes (ver defini¸c˜ao no
cap´ıtulo de extens˜oes trancendentes) sobre um corpo K. Para todo 1 ≤ i ≤ n
definimos a i-´esima fun¸c˜ao sim´etrica elementar nas vari´aveis x
1
, , x
n
por
s
i
(x
1
, , x
n
) :=

1≤j1<·<ji≤n
u
j1
. . . u
ji
.
Observe que para todo 1 ≤ i ≤ n temos
f
i
= (−1)
i
s
i
(u
1
, , u
n
).
Segue imediatamente da lineraridade de tra¸co de matriz e da multiplicatividade
de determinante de matriz o seguinte lema.
Lema 16.9. (1) Se u ∈ K, ent˜ao N
L/K
(u) = u
n
e T
L/K
(u) = nu.
(2) A fun¸c˜ao N
L/K
´e multiplicativa, i.e.,
N
L/K
(uv) = N
L/K
(u)N
L/K
(v).
(3) A fun¸c˜ao T
L/K
´e K-linear, i.e.,
T
L/K
(u +v) = T
L/K
(u) +T
L/K
(v) e T
L/K
(au) = aT
L/K
(u), para a ∈ K.
(4) Se K ⊂ L ⊂ M s˜ao extens˜oes finitas e u ∈ L, ent˜ao
N
M/K
(u) = u
[M:L]
e T
M/K
(u) = [M : L]T
L/K
(u).
CAP´ıTULO 17
Extens˜oes alg´ebricas
17.1. Elementos alg´ebricos e transcendentes
Seja L/K uma extens˜ao de corpos e α ∈ L. Dizemos que α ´e alg´ebrico sobre
L, se existe f ∈ K[x] −¦0¦ tal que f(α) = 0. Caso n˜ao exista tal f dizemos que α
´e transcendente sobre K. Por exemplo,

2 ∈ 1 ´e alg´ebrico sobre ¸, pois ´e raiz de
x
2
−2 e i ∈ C ´e alg´ebrico sobre ¸, pois ´e raiz de x
2
+1. Por outro lado, s˜ao teoremas
n˜ao triviais devidos a Lindeman e Hilbert (resp.) que e, π ∈ 1 s˜ao transcendentes
sobre ¸ (ver cap´ıtulo de extens˜oes transcendentes).
Na situa¸c˜ao acima definimos a fun¸c˜ao
ϕ
α
: K[x] →L por ϕ
α
(g) := g(α).
Fica como exerc´ıcio mostrar que ϕ
α
´e um homomorfismo de an´eis. Seja K[α] a
imagem de ϕ
α
. Este ´e um subanel de L. Seja N(ϕ
α
) o n´ ucleo de ϕ
α
, i.e., este ´e o
conjunto dos elementos g ∈ K[x] tais que g(α) = 0, ou seja, este ´e o conjunto dos
polinˆomios dos quais α ´e raiz. Este conjunto ´e um ideal de K[x].
Teorema 17.1. Seja L/K uma extens˜ao de corpos e α ∈ L.
(1) O elemento α ´e transcendente sobre K se e somente se ϕ
α
´e injetiva o
que equivale a N(ϕ
α
) = (0). Neste caso, K[α] ´e isomorfo ao anel de
polinˆomios K[x].
(2) O elemento α ´e alg´ebrico sobre K se e somente se K[α] ´e um corpo. Neste
caso, [K[α] : K] = grau(P
α|K
).
Demonstrac¸˜ ao. Note que (1) ´e imediato das defini¸c˜oes.
(2) Inicialmente, α ´e alg´ebrico se e somente se N(ϕ
α
) ,= (0). Suponha que isto
ocorra. Seja P
α|K
o gerador mˆonico do ideal N(ϕ
α
). Este polinˆomio ´e chamado o
polinˆomio m´ınimo de α sobre K. Por defini¸c˜ao este ´e o polinˆomio mˆonico de menor
grau do qual α ´e raiz, sendo em particular irredut´ıvel. Mas, isto equivale a dizer
que o ideal N(ϕ
α
) = (P
α|K
) ´e um ideal maximal de K[x]. Esta ´ ultima afirmativa
equivale a dizer o anel quociente K[x]/(P
α|K
) ´e um corpo. Note que pelo teorema
dos homomorfismos K[α] ´e isomorfo como anel a K[x]/(P
α|K
). Portanto K[α] ´e
um corpo.
Reciprocamente, se K[α] for um corpo, ent˜ao por (1), temos que α ´e alg´ebrico
sobre K, pois K[x] n˜ao ´e corpo, uma vez que 1/x / ∈ K[x].
Provemos a ´ ultima afirmativa. Seja n := grau(P
α|K
). Afirmamos que
¦1, α, , α
n−1
¦
´e uma base de K[α]/K. De fato, este conjunto ´e K-linearmente independente, do
contr´ario existiriam a
0
, , a
n−1
∈ K n˜ao todos nulos tais que
a
0
+. . . +a
n−1
α
n−1
= 0.
123
124 17. EXTENS
˜
OES ALG
´
EBRICAS
Ou seja α ´e raiz do polinˆomio
f(x) =
n−1

i=0
a
i
x
i
,= 0.
Mas isto contradiz a minimalidade do grau de P
α|K
. Para ver que este conjunto
gera K[α], seja g ∈ K[x] ¸ ¦0¦. Dividindo g por P
α|K
obtemos
g = P
α|K
q +r,
para q, r ∈ K[x] tais que r = 0 ou grau(r) < n. Substituindo x por α concluimos que
g(α) = r(α). A fortiori, g(α) ´e uma K-combina¸c˜ao linear de ¦1, α, , α
n−1
¦.
Lema 17.2. Sejam L/K uma extens˜ao de corpos e α ∈ L alg´ebrico sobre K.
Ent˜ao
(1) F
α,K[α]/K
= P
α|K
.
(2) Em particular, se L/K for finita, ent˜ao
F
α,L/K
= P
[L:K[α]]
α|K
.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Por defini¸c˜ao, F
α,L/K
´e um polinˆomio mˆonico de grau n
tendo α como raiz. Logo F
α,K[α]/K
∈ N(ϕ
α
), i.e.,
P
α|K
[ F
α,K[α]/K
.
Mas pela igualdade do grau e por ambos serem mˆonicos concluimos que P
α|K
=
F
α,K[α]/K
.
(2) Vimos no cap´ıtulo anterior que
F
α,L/K
= F
[L:K[α]]
α,K[α]/K
, i.e., F
α,L/K
= P
[L:K[α]]
α|K
.
Este ´e um caso particular do teorema de Cayley-Hamilton da ´algebra linear.
17.2. Extens˜oes alg´ebricas
Definic¸˜ ao 17.3. Uma extens˜ao L/K ´e dita alg´ebrica se todo α ∈ L ´e alg´ebrico
sobre K. Caso exista algum α ∈ L transcendente sobre K dizemos que L/K ´e
transcendente.
Proposic¸˜ ao 17.4. Toda extens˜ao finita ´e alg´ebrica.
Demonstrac¸˜ ao. Sejam L/K uma extens˜ao finita e α ∈ L. Ent˜ao existe n ≥ 1
inteiro m´ınimo tal que ¦1, α, , α
n−1
¦ ´e um conjunto K-linearmente independente.
Ou seja, existem a
0
, , a
n
∈ K n˜ao todos nulos tais que
n

i=0
a
i
α
i
= 0.
A fortiori, α ´e raiz do polinˆomio n˜ao nulo
f :=
n

i=0
a
i
x
i
.

17.2. EXTENS
˜
OES ALG
´
EBRICAS 125
Definic¸˜ ao 17.5. Seja L/K uma extens˜ao alg´ebrica. Suponhamos que existam
α
1
, , α
r
∈ L tais que
K ⊂ K
1
= K[α
1
] ⊂ K
2
= K
1

2
] ⊂ ⊂ K
r
= K
r−1

r
] = K[α
1
, , α
r
] = L.
Dizemos que L/K ´e uma extens˜ao finitamente gerada e que L ´e gerada sobre K
por α
1
, , α
r
.
Proposic¸˜ ao 17.6. Seja L/K uma extens˜ao alg´ebrica. Ent˜ao L/K ´e finita se
e somente se L/K ´e finitamente gerada.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que L/K seja finita. Se L = K acabou. Sen˜ao
existe α
1
∈ L¸K. Seja K
1
:= K[α
1
]. Se L = K
1
acabou. Sen˜ao existe α
2
∈ L¸K
1
.
Seja K
2
:= K
1

2
]. Prosseguindo o argumento temos uma seq¨ uˆencia de corpos
estrita, i.e.,
K _ K
1
_ K
2
_ .
Como L/K ´e finita esta seq¨ uˆencia n˜ao pode ser infinita. Logo existe r tal que
L = K
r
e L/K ´e finitamente gerada.
Reciprocamente, se L/K ´e finitamente gerada ent˜ao cada extens˜ao K
i
/K
i−1
´e finita e pela transitividade de extens˜oes finitas, concluimos que L/K tamb´em ´e
finita.
Teorema 17.7. Sejam M/L e L/K extens˜oes de corpos. Ent˜ao M/K ´e
alg´ebrica se e somente se M/L e L/K tamb´em s˜ao alg´ebricas.
Demonstrac¸˜ ao. Segue da defini¸c˜ao que se M/K ´e alg´ebrica ent˜ao M/L e
L/K tamb´em s˜ao alg´ebricas.
Suponhamos que estas duas extens˜oes sejam alg´ebricas. Seja α ∈ M e
P
α|L
:=
n−1

i=0
a
i
x
i
+x
n
.
Seja L a extens˜ao de K gerada por a
0
, , a
n−1
. Ent˜ao L ⊂ L e P
α|L
∈ L[x]. Pela
proposi¸c˜ao anterior L/K ´e finita. Al´em disto, como α ´e alg´ebrico sobre L, ent˜ao
L[α]/L ´e finita. Pela transitividade de extens˜oes finitas concluimos que L[α]/K ´e
finita. Por outro lado, K ⊂ K[α] ⊂ L[α], logo K[α]/K ´e finita. Em particular, α ´e
alg´ebrico sobre K.
Exemplo 17.8. Seja L/K extens˜ao com [L : K] = p n´ umero primo. Ent˜ao
para todo K ⊂ K

⊂ L temos que K

= K ou K

= L. Em particular, dado
α ∈ L ¸ K, ent˜ao L = K[α].
Exemplo 17.9. Seja L/¸ tal que [L : ¸] = 2. Mostraremos que L = ¸[

d]
para d ∈ ¸ que n˜ao ´e um quadrado. Pelo exemplo anterior, dado α ∈ L ¸ ¸ temos
que L = ¸[α]. Seja
P
α|Q
:= x
2
+ax +b =
_
x +
a
2
_
+
_
b −
a
2
4
_
.
A mudan¸ca de vari´avel x →x+a/2 transforma P
α|Q
em X
2
−β, onde β = (a
2
/4)−b.
Al´em disto esta mudan¸ca de vari´avel ´e um automorfismo de K[x], portanto x
2
−β
´e irredut´ıvel, assim tomamos d = β.
126 17. EXTENS
˜
OES ALG
´
EBRICAS
17.3. Adjun¸c˜ao de ra´ızes
Lema 17.10 (lema da duplica¸c˜ao). Sejam κ : K → K

um isomorfismo de
corpos e L

⊃ K

um corpo contendo K

. Ent˜ao existe uma extens˜ao L/K e um
isomorfismo de corpos λ : L →L

estendendo κ, i.e., λ
|K
= κ.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que L

∩ K = ∅. Definimos L da seguinte forma :
L := K H (L

¸ K

), onde H denota uni˜ao disjuta. Definimos λ por λ : L → L

, se
x ∈ K, ent˜ao λ(x) := κ(x); se x ∈ L

¸ K

, ent˜ao λ(x) := x. Dessa forma λ ´e uma
bije¸c˜ao. Utilizamos esta bije¸c˜ao para colocar uma estrutura de corpo em L por :
dados x, y ∈ L definimos
x +y := λ
−1
(λ(x +y)) e xy := λ
−1
(λ(x)λ(y)).
Com esta estrutura, λ ´e o isomorfismo de corpos procurado.
Se L

∩ K ,= ∅, basta aplicar o lema 1.1 para obter um conjunto L

e uma
bije¸c˜ao λ

: L

→ L

tal que L

∩ K = ∅. Novamente, definimos uma estrutura de
corpo em L

por x

+y

:= λ

−1

(x)+λ

(y)) et x

y

:= λ

−1
(λ(x)λ(y)). Aplicamos
agora a parte anterior substituindo K

por K

:= λ

(K

) e κ por κ

:= λ

◦ κ.
Definic¸˜ ao 17.11. Seja κ : K → K

um homomorfismo n˜ao nulo de corpos
(logo necessariamente injetivo). Este homomorfismo induz um homomorfismo de
an´eis de polinˆomios da seguinte forma
κ

: K[x] →K

[x]
n

i=0
a
i
x
i

n

i=0
κ(a
i
)x
i
.
Teorema 17.12. Dado f ∈ K[x] ¸ K irredut´ıvel existe uma extens˜ao finita
L/K e α ∈ L tal que f(α) = 0.
Demonstrac¸˜ ao. Como f ´e irredut´ıvel o ideal (f) ´e maximal, logo o anel
quociente L := K[x]/(f) ´e um corpo. Consideremos o homomorfimso sobrejetivo
ϕ : K[x] →
K[x]
(f)
definido por g →g (mod (f)).
Este homomorfismo n˜ao ´e o homomorfismo nulo, logo ´e injetivo quando restrito
a K, i.e., ϕ
|K
: K → / := ϕ(K) ´e um isomorfismo de corpos. Este induz um
isomorfismo de an´eis de polinˆ omios ϕ

|K
: K[x] → /[x] como na defini¸c˜ao anterior.
Em particular, se x := ϕ(x), ent˜ao
ϕ

|K
(f)(x) =
n

i=0
ϕ(a
i
)x
i
= ϕ(f(x)) ≡ 0 (mod (f)).
Assim x ∈ L ´e uma raiz de ϕ

|K
(f).
Pelo lema da duplica¸c˜ao, existe uma extens˜ao L/K e um isomorfismo λ : L →L
tal que λ
|K
= ϕ
|K
. A fortiori, definindo α := λ
−1
(x), este elemento ´e uma raiz de
f em L.
Corol´ ario 17.13. Seja f ∈ K[x] ¸ K, ent˜ao existe uma extens˜ao finita L/K
e α ∈ L tal que f(α) = 0.
17.4. FECHOS ALG
´
EBRICOS 127
Demonstrac¸˜ ao. Basta fatorar f em fatores irredut´ıveis e usar o teorema para
determinar uma extens˜ao finita de K no qual um dos fatores tenha raiz. Esta raiz
ser´a tamb´em raiz de f.
Corol´ ario 17.14. Seja f ∈ K[x] ¸K. Existe uma extens˜ao finita L/K tal que
f fatora-se linearmente em L[x].
Demonstrac¸˜ ao. Aplicando o teorema sucessivamente a cada fator irredut´ıvel
de f obtemos em cada etapa uma extens˜ao finita do corpo anterior e mais uma raiz
do fator. Como o n´ umero de fatores ´e finito e o n´ umero de ra´ızes em cada fator
tamb´em o ´e, pela transitividade de extens˜oes finitas, concluimos que existe L/K
finita como no corol´ario.
17.4. Fechos alg´ebricos
Definic¸˜ ao 17.15. Seja L/K uma extens˜ao de corpos. Definimos A
L
(K) como
o conjunto dos elementos α ∈ L que s˜ao alg´ebricos sobre K. Este conjunto ´e
chamado o fecho alg´ebrico de K em L.
Observac¸˜ ao 17.16. O conjunto A
L
(K) ´e um corpo. De fato, basta mostrar
que dados α, β ∈ A
L
(K) ¸ ¦0¦, ent˜ao α+β, αβ, α
−1
∈ A
L
(K). Provemos o caso de
α + β, os demais s˜ao similares. Por hip´otese K[α] e K[β] s˜ao corpos e K[α]/K e
K[β]/K s˜ao finitas. Seja K[α, β] a extens˜ao gerada sobre K por α e β. Considere
o seguinte diagrama de corpos.
K[α, β]
/ [ ¸
K[α] K[α +β] K[β]
¸ [ /
K
A extens˜ao K[α, β] ´e gerada por β sobre K[α]. Como β ´e alg´ebrico sobre K e
K ⊂ K[α], concluimos que β ´e alg´ebrico sobre K[α]. Logo a extens˜ao K[α, β]/K[α]
´e finita. Pela transitividade de extens˜oes finitas, concluimos que K[α, β]/K ´e finita.
Mas, K ⊂ K[α+β] ⊂ K[α, β]. Logo K[α+β]/K ´e finita, portanto α+β ∈ A
L
(K).
Exemplo 17.17. Seja K um corpo, L/K extens˜ao e τ ∈ L transcendente sobre
K. Afirmamos que K ´e algebricamente fechado em K(τ) = ¦f(τ)/g(τ) [ f, g ∈
K[x], g ,= 0¦. De fato, se existisse α ∈ K(τ) ¸ K alg´ebrico sobre K, digamos α =
f(τ)/g(τ), ent˜ao K[α]/K seria finita. Observe que h := f(x) −αg(x) ∈ (K[α])[x] e
h(τ) = 0, ou seja, τ ´e alg´ebrico sobre K[α]. Portanto, K(τ) = (K[α])[τ] ´e alg´ebrico
sobre K, mas isto ´e imposs´ıvel, pois τ ´e transcendente sobre K.
Definic¸˜ ao 17.18. Dizemos que um corpo K ´e algebricamente fechado, se todo
f ∈ K[x] ¸ K possui uma raiz α ∈ K.
A seguinte proposi¸c˜ao ´e uma conseq¨ uˆencia direta desta defini¸c˜ao, da fatora¸c˜ao
de polinˆomios e da defini¸c˜ao sobre elementos alg´ebricos.
Proposic¸˜ ao 17.19. As seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes.
(1) K ´e algebricamente fechado.
128 17. EXTENS
˜
OES ALG
´
EBRICAS
(2) Todo f ∈ K[x] ¸ K fatora-se como produto de polinˆomios lineares.
(3) Todo f ∈ K[x] irredut´ıvel tem grau 1.
(4) N˜ao existe extens˜ao L _ K alg´ebrica.
O primeiro exemplo de corpo algebricamente fechado ´e C.
Teorema 17.20 (teorema fundamental da
´
Algebra). [Lins, p.199, corol´ario 4]
O corpo C ´e algebricamente fechado.
Exemplo 17.21. Seja f ∈ 1[x]. Mostremos que grau(f) = 1 ou 2. Seja β ∈ C
uma raiz de f. Ent˜ao f = P
β|R
e como 1 ⊂ 1[β] ⊂ C, e [C : 1] = 2, ent˜ao
grau(f) = 1 ou 2.
Definic¸˜ ao 17.22. Sejam K ⊂ Ω corpos com Ω algebricamente fechado. Dize-
mos que A

(K) ´e um fecho alg´ebrico de K.
Definic¸˜ ao 17.23. Sejam K um corpo e I um conjunto qualquer de ´ındices.
O anel de polinˆomios K[x
I
] em vari´aveis x
i
parametrizadas por elementos i ∈ I
´e definido como sendo o conjunto de polinˆomios f com coeficientes em K em um
n´ umero finito de vari´aveis x
i1
, , x
in
, para i
1
, , i
n
∈ I.
Teorema 17.24. Para todo corpo K existe um corpo Ω ⊃ K algebricamente
fechado.
Demonstrac¸˜ ao. Seja T o conjunto dos polinˆomios irredut´ıveis mˆonicos em
K[x]. Seja R o anel R := K[x
P
]. Considere o ideal p de R gerado pelo conjunto
¦P(x
P
) [ P ∈ T¦. Este ideal ´e pr´oprio, caso contr´ario existiriam P
1
, , P
r
∈ T e
G
1
, , G
r
∈ K[x
P1
, , x
Pr
] ⊂ R tais que
r

i=1
P(x
Pi
)G
i
(x
P1
, , x(P
r
)) = 1.
Mas pelo corol´ario 17.14 existe uma extens˜ao finita L/K tal que P
1
. . . P
r
fatora-se
linearmente em L. Para cada 1 ≤ i ≤ r seja α
i
∈ L uma raiz de P
i
. Logo
1 =
r

i=1
P(α
i
)G
i

1
, , α
r
) = 0,
o que ´e uma contradi¸c˜ao.
Pelo lema de Krull, existe m _ R ideal maximal contendo p. Considere o homo-
morfismo quociente ϑ : R →R/m. A restri¸c˜ao κ de ϑ a K induz um isomorfimso de
corpos κ : K → / := ϑ(K). Pelo lema da duplica¸c˜ao existe uma extens˜ao L
1
/K e
um isomorfismo de corpos λ : L
1
→R/m estendendo κ. Como na demonstra¸c˜ao do
teorema 17.12 α
P
:= ϑ(x
P
) ´e uma raiz de ϑ

(P), e a fortiori λ
−1

P
) ∈ L
1
´e uma
raiz de P. Dessa forma construimos uma extens˜ao L
1
/K na qual todo elemento de
T possui uma raiz.
Prosseguindo indutivamente, contruimos uma seq¨ uˆencia de corpos
L
0
:= K ⊂ L
1
⊂ L
2
⊂ ⊂ L
n

tais que todo polinˆomio irredut´ıvel mˆonico em L
j
[x] possui uma raiz em L
j+1
.
Seja Ω :=

j≥1
L
j
. Este conjunto ´e um corpo contendo K e afirmamos que ´e
algebricamente fechado. De fato, dado f ∈ Ω[x] ¸ Ω, este fatora-se linearmente em
algum L
j
[x] para j suficientemente grande. Portanto, por constru¸c˜ao, f possui raiz
em L
j+1
⊂ Ω.
17.4. FECHOS ALG
´
EBRICOS 129
Corol´ ario 17.25 (existˆencia de fecho alg´ebrico). Todo corpo K possui um
fecho alg´ebrico.
Demonstrac¸˜ ao. Pelo teorema anterior existe extens˜ao Ω/K tal que Ω ´e al-
gebricamente fechado, portanto A

(K) ´e um fecho alg´ebrico de K.
Teorema 17.26. Sejam K, K

corpos, κ : K →K

um isomorfismo de corpos,
L/K, L

/K

extens˜oes de corpos, α ∈ L (resp. α

∈ L

) alg´ebrico sobre K (resp.
alg´ebrico sobre K

). As seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes.
(1) O isomorfismo κ estende-se a um isormorfismo de corpos κ
α
: K[α] →
K

] tal que κ
α
(α) = α

.
(2) κ

(P
α|K
) = P
α

|K
.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha (1). Ent˜ao κ

(P
α|K
)(α

) = κ
α
(P
α|K
(α)) = 0, em
particular κ

(P
α|K
) [ P
α

|K
. Mas estes dois polinˆomios s˜ao irredut´ıveis mˆonicos.
Portanto vale a igualdade.
Suponha (2). Sabemos que K[α]

= K[x]/(P
α|K
) e K

]

= K

[x]/(P
α

|K
).
Assim, compondo os isomorfismos abaixo encontramos κ
α
:
K[α]

=
−→
K[x]
(P
α|K
)
κ
−→
K

[x]
(P
α

|K
)

=
−→K

].

Definic¸˜ ao 17.27. Sejam L e L

extens˜oes de K e λ : L → L

um isomorfismo
de corpos. Dizemos que λ ´e um K-isomorfismo, se λ
|K
for a identidade.
Em particular, tomando K = K

, κ a identidade e L = L

obtemos o corol´ario.
Corol´ ario 17.28. Sejam L/K uma extens˜ao de corpos e α, α

∈ L alg´ebricos
sobre K. As seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes.
(1) Existe um K-isomorfismo K[α] →K[α

] tal que α →α

.
(2) P
α|K
= P
α

|K
.
Definic¸˜ ao 17.29. Sejam L/K uma extens˜ao e α, β ∈ L alg´ebricos sobre K.
Dizemos que α ´e K-conjugado a β (denotamos por α ∼
K
β), se P
α|K
= P
β|K
. Esta
no¸c˜ao independe da escolha da extens˜ao L/K. O conjunto (
α
dos K-conjugados
de α ´e finito, pois #(
α
≤ grau(P
α|K
).
Proposic¸˜ ao 17.30. Seja L/K uma extens˜ao alg´ebrica. Todo K-endomorfismo
de L ´e tamb´em um K-isomorfismo de L.
Demonstrac¸˜ ao. Seja σ um K-endomorfismo de L. Observe que para todo
α ∈ L temos σ((
α
) ⊂ (
α
, pois P
α|K
(σ(β)) = β(P
α|K
(β)) = 0. Mas (
α
´e finito e
σ ´e injetivo (pois ´e n˜ao nulo). Logo σ

´e uma bije¸c˜ao de um conjunto finito nele
mesmo. A fortiori, σ ´e sobrejetiva e σ ´e um K-automorfismo de L.
Teorema 17.31 (extens˜ao de homomorfismos). Sejam L/K uma extens˜ao
alg´ebrica e κ : K →Ω um homomorfismo de corpos com Ω algebricamente fechado.
Ent˜ao existe λ : L →Ω um homomorfismo de corpos estendendo κ.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha inicialmente que L = k[α] para algum α ∈ L. Seja
α

∈ Ω uma raiz de κ

(P
α|K
). Assim, κ

(P
α|K
) = P
α

|K
, onde K

:= κ(K). Pelo
teorema 17.26, existe um homomorfismo de corpos λ : L →Ω estendendo κ tal que
λ(α) = α

.
130 17. EXTENS
˜
OES ALG
´
EBRICAS
No caso geral, consideramos o conjunto M de pares ordenados (L

, λ

) forma-
dos por extens˜oes L

/K contidas em L e homomorfismos de corpos λ

: L

→ Ω
estendendo κ. Definimos uma ordem parcial em M por
(L

, λ

) ≤ (L

, λ

) se e somente se L

⊂ L

e λ

= λ

|L
.
O conjunto M ´e indutivo. De fato, se L := ¦(L
j
, λ
j
) [ j ∈ J¦ ⊂ M for um subcon-
junto totalmente ordenado, ent˜ao o corpo
L
J
:=
_
j∈J
L
j
´e um subcorpo de L e definindo λ
J
em cada L
j
por λ
J
:= λ
j
obtemos (por
constru¸c˜ao) um homomorfismo de corpos λ
J
: L
J
→ Ω. Al´em disto, temos que
(L
j
, λ
j
) ≤ (L
J
, λ
J
) para todo j ∈ J. Assim, (L
J
, λ
J
) ´e um limite superior para M.
Pelo lema de Zorn, o conjunto M admite elemento maximal (
˜
L,
˜
λ).
Afirmamos que
˜
L = L. De fato, caso contr´ario, se α ∈
˜
L ¸ L, utlizando a
primeira parte da prova, poder´ıamos estender
˜
λ a um homomorfismo de corpos
˜
L(α) →Ω, o que ´e uma contradi¸c˜ao.
Teorema 17.32 (unicidade a menos de isomorfismo). Seja K um corpo. Supo-
nha que Ω e Ω
1
sejam corpos algebricamente fechados contendo K. Ent˜ao A

(K)
e A
Ω1
(K) s˜ao K-isomorfos.
Demonstrac¸˜ ao. Pelo teorema anterior, existe um K-homomorfismo λ :
A

(K) → Ω
1
.
´
E claro que a imagem de λ est´a contida em A
Ω1
(K). Por outro
lado para todo α
1
∈ A
Ω1
(K) e toda raiz α ∈ Ω de P
α1|K
temos que P
α|K
= P
α1|K
.
Logo, pelo teorema 17.26, concluimos que existe um K-isomorfismo K[α] →K[α
1
]
tal que α →α
1
. Em particular, λ(A

(K)) = A
Ω1
(K).
Exemplo 17.33. A motiva¸c˜ao para o teorema anterior vem da seguinte situa-
¸ c˜ao. Uma maneira de construir 1 a partir de ¸ ´e adicionar a ¸ os limites de
seq¨ uˆencias de Cauchy de elementos de ¸ (ver [Li]). Por isto dizemos que 1 ´e o
completamento de ¸.
Note-se entretanto que est´a impl´ıcito na discuss˜ao anterior que estamos uti-
lizando para a no¸c˜ao de limite o valor absoluto usual dos n´ umeros racionais. Tal
valor absoluto ´e arquimediano, ou seja satisfaz a desigualdade triangular [x +y[ ≤
[x[ + [y[. Por isto vamos dizer que 1 ´e o completamento arquimediano de ¸. Na
linguagem da geometria aritm´etica moderna, o valor absoluto arquimediano nada
mais ´e que o primo no infinito que compatifica o conjunto (esquema) Spec(Z) dos
ideais primos de Z.
Porque dizemos isto? Para cada n´ umero primo p, pela unicidade da fatora¸c˜ao de
n´ umeros inteiros em produto de n´ umeros primos, para todo x ∈ ¸ existe um ´ unico
ord
p
(x) ∈ Z tal que x = p
ordp(x)
x

, onde nem o numerador nem o denominador de
x

∈ ¸ s˜ao divis´ıveis por p. Isto permite definir o seguinte valor absoluto (chamado
de p-´adico)
[x[
p
:= p
−ordp(x)
.
Este valor absoluto ´e n˜ao arquimediano, ou seja, vale uma propriedade mais forte
que a propriedade triangular, [x +y[
p
≤ max([x[
p
, [y[
p
).
Repetimos o procedimento de constru¸c˜ao de 1 a partir de ¸ e acrescentamos a
¸ os limites de seq¨ uˆencias de Cauchy (com respeito ao valor absoluto p-´adico). O
17.4. FECHOS ALG
´
EBRICOS 131
conjunto obtido ´e o corpo ¸
p
dos n´ umeros p-´adicos. Uma outra forma de representar
um elemento de ¸
p
´e atrav´es de uma “s´erie de Laurent”
x =

i≥n
a
i
p
i
,
onde n ∈ Z e 0 ≤ a
i
< p ´e inteiro para todo i. Assim, ¸
p
´e o completamento de ¸
com respeito ao valor absoluto p-´adico.
Pelo teorema 17.24 existe um corpo algebricamente fechado contendo 1, por
exemplo C, e um corpo algebricamente fechado (at´e completo, mas isto n˜ao segue
do teorema, ver [Kob]) C
p
contendo ¸
p
. Assim, ter´ıamos por um lado o fecho
alg´ebrico A
C
(¸) de ¸ en C (chamado o corpo de todos os n´ umeros alg´ebricos e
denotado por ¸) e o fecho alg´ebrico A
Cp
(¸) de ¸ em C
p
. O que o teorema nos
diz ´e que apesar destes dois fechos alg´ebricos serem subcorpos de corpos distintos
(os valores absolutos s˜ao diferentes), eles s˜ao ¸-isomorfos. Isto nos permite usar a
nota¸c˜ao ¸ sem ambuiguidade.
Nos t´opicos adicionais comentaremos sobre um grupo ligado a ¸ e um dos
objetos mais importantes da aritm´etica (bastante misterioso, ainda) o grupo de
Galois absoluto de ¸.
CAP´ıTULO 18
Extens˜oes separ´aveis
Definic¸˜ ao 18.1. Seja f ∈ K[x], L/K uma extens˜ao de corpos e α ∈ L uma raiz
de f. A multiplicidade m = m(f, α) de α como raiz de f ´e definido como o maior
inteiro m ≥ 1 tal que existe g ∈ L[x] com g(α) ,= 0 satisfazendo a f = (x − α)
m
g.
Se m = 1 dizemos que α ´e uma raiz simples, caso contr´ario que ´e uma raiz m´ ultipla.
No cap´ıtulo 15, se¸c˜ao 15.3 mostramos que dados f, g ∈ K[x]¸K eles possuem um
fator comum n˜ao constante (logo uma raiz comum, utilizando o cap´ıtulo anterior)
se e somente sua resultante Res(f, g) for nula. Al´em disto, mostramos tamb´em
que f possui fator m´ ultiplo (logo raiz m´ ultipla) se e somente se seu discriminante
disc(f) for nulo. Lembre que disc(f) = Res(f, D(f)), onde D(f) denota a derivada
de f.
Definic¸˜ ao 18.2. Seja D um dom´ınio de integridade. Consideremos o ho-
momorfismo ϑ : Z → D tal que ϑ(1) = 1
D
, onde 1
D
denota o elemento neutro
multiplicativo de D. Seja I = N(ϑ) o n´ ucleo de ϑ. Se N(ϑ) = (0) (i.e., ϑ for
injetivo) dizemos que a caracter´ıstica car(D) como 0. Caso isto n˜ao ocorra I ´e um
ideal n˜ao nulo de Z, logo I = nZ para algum n ≥ 1. Al´em disto pelo teorema dos
isomorfismos Z/nZ ´e isomorfo a um subdom´ınio de D. Mas Z/nZ ´e um dom´ınio se
e somente se n = p ´e um n´ umero primo. Neste caso dizemos que car(D) = p. Note
que neste caso p.1
D
= 0 e para todo a ∈ D temos tamb´em que pa = 0. Observe
tamb´em que
(a +b)
p
=
p

i=0
_
p
i
_
a
i
b
p−i
= a
p
+b
p
,
pois para todo i = 1, , p −1 temos
_
p
i
_
≡ 0 (mod p).
Teorema 18.3. Seja L/K uma extens˜ao de corpos e α ∈ L alg´ebrico sobre K.
Ent˜ao P
α|K
n˜ao possui ra´ızes m´ ultiplas ou existe h ∈ K[x] tal que P
α|K
(x) = h(x
p
)
e neste caso p = car(K).
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que D(P
α|K
) ,= 0. Neste caso, como grau(D(P
α|K
)) < grau(P
α|K
), ent˜ao mdc(P
α|K
, D(P
α|K
)) = 1, i.e., P
α|K
n˜ao admite ra´ızes
m´ ultiplas.
Seja
P
α|K
= x
n
+
n−1

i=0
a
i
x
i
.
133
134 18. EXTENS
˜
OES SEPAR
´
AVEIS
Ent˜ao D(P
α|K
) = 0 se e somente se para todo i tal que a
i
,= 0 temos que i = 0 em
K (i.e., i ≡ 0 (mod p) em Z). Assim,
P
α|K
= x
n

p
+a
(n

−1)p
x
(n

−1)p
+. . . +a
p
x
p
+a
0
e basta tomar
h = x
n

+a
(n

−1)p
x
n

−1
+. . . +a
p
x +a
0
.

Definic¸˜ ao 18.4. Dado f ∈ K[x] ¸ K, dizemos que f ´e separ´avel, se f n˜ao
admite ra´ızes m´ ultiplas. Seja L/K uma extens˜ao de corpos e α ∈ L alg´ebrico sobre
K, ent˜ao α ´e dito separ´avel sobre K, se P
α|K
for separ´avel. Uma extens˜ao alg´ebrica
L/K ´e dita separ´avel, se todo α ∈ L for separ´avel sobre K. Um corpo K ´e dito
perfeito, se car(K) = 0 ou car(K) = p e K = K
p
= ¦a
p
[ a ∈ K¦ (i.e., todo elemento
de K ´e p-potˆencia). Note que a inclus˜ao K
p
⊂ K ´e sempre satisfeita. A quest˜ao ´e
a inclus˜ao oposta.
Proposic¸˜ ao 18.5. Um corpo K ´e perfeito se e somente se para todo f ∈ K[x]
irredut´ıvel for separ´avel.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que K seja perfeito e seja f ∈ K[x] irredut´ıvel.
Seja L/K finita e α ∈ L tal que f(α) = 0. Logo f = aP
α|K
para a ∈ K

. Se
car(K) = 0 ou D(P
α|K
) ,= 0, ent˜ao P
α|K
´e separ´avel (logo o mesmo vale para f).
Caso isto n˜ao ocorra, ent˜ao P
α|K
(x) = h(x
p
) para algum h ∈ K[x] e p = car(K).
Como K ´e perfeito K = K
p
. Escrevendo
P
α|K
=
n

i=0
a
ip
x
ip
temos que para todo i existe b
i
∈ K tal que a
ip
= b
p
ip
. Logo
P
α|K
= (
n

i=0
b
ip
x
i
)
p
´e redut´ıvel, o que ´e uma contradi¸c˜ao.
Reciprocamente, suponha que todo f ∈ K[x] irredut´ıvel seja separ´avel. Se
car(K) = 0 nada h´a a fazer. Suponhamos que car(K) = p. Seja a ∈ K e f = x
p
−a.
Existe uma extens˜ao finita L/K e α ∈ L tal que f(α) = 0, em particular
P
α|K
[ f = (x −α)
p
, i.e., P
α|K
= (x −α)

,
para algum 1 ≤ ≤ p. Mas pela separabilidade de P
α|K
, temos que = 1 e
α ∈ K.
Proposic¸˜ ao 18.6. Um corpo K ´e perfeito se e somente se toda extens˜ao
alg´ebrica L/K for separ´avel.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que K seja perfeito e seja L/K uma extens˜ao
alg´ebrica. Pela proposi¸c˜ao anterior para todo α ∈ L temos que P
α|K
´e separ´avel.
Reciprocamente, suponhamos que toda extens˜ao alg´ebrica L/K seja separ´avel.
Novamente, se car(K) = 0 nada h´a a fazer. Suponhamos que car(K) = p. Seja
a ∈ K e f = x
p
− a. Seja L/K finita e α ∈ L tal que f(α) = 0. Logo P
α|K
[ f e
pelo mesmo argumento anterior α ∈ K.
18. EXTENS
˜
OES SEPAR
´
AVEIS 135
Definic¸˜ ao 18.7. Seja L/K uma extens˜ao alg´ebrica. Dizemos que α ∈ L ´e
insepar´avel sobre K, se n˜ao for separ´avel, i.e., se P
α|K
admitir ra´ızes m´ ultiplas.
Para provar uma proposi¸ c˜ao sobre transitividade de extens˜oes separ´aveis, pre-
cisamos antes do seguinte resultado sobre extens˜oes de homomorfismos.
Proposic¸˜ ao 18.8. Seja L/K uma extens˜ao finita, digamos L = K[α
1
, , α
r
].
Seja Ω um corpo algebricamente fechado e κ : K →Ω um homomorfismo n˜ao trivial
(logo necessariamente injetivo) de corpos, onde Ω ´e algebricamente fechado. Seja
m o n´ umero de extens˜oes λ : L → Ω de κ a L (ver cap´ıtulo anterior). Ent˜ao
1 ≤ m ≤ [L : K].
Al´em disto as seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) m = [L : K].
(ii) α
1
, , α
r
s˜ao separ´aveis sobre K.
(iii) L/K ´e separ´avel.
Demonstrac¸˜ ao. Provaremos inicialmente a proposi¸c˜ao para r = 1. Sejam
¦α
1
= β
1
, , β
n
¦ as ra´ızes de P
α1|K
. Se λ ´e uma extens˜ao de κ a L, ent˜ao λ(α
1
)
´e necessariamente uma raiz de P
α1|K
, uma vez que este polinˆomio ´e invariante por
κ. Assim, o n´ umero de extens˜oes λ ´e igual ao n´ umero de ra´ızes distintas de P
α1|K
.
Este n´ umero ´e no m´aximo igual a grau(P
α1|K
) = [L : K]. Al´em disto, m ≥ 1,
pois provamos no cap´ıtulo anterior a existˆencia de extens˜oes λ de κ, se L/K for
alg´ebrica.
Observe que m = [L : K] se e somente se o n´ umero de ra´ızes distintas de P
α1|K
for igual a [L : K] = grau(P
α1|K
). Isto equivale a P
α1|K
ser separ´avel. Assim, as
condi¸c˜oes (i) e (ii) s˜ao equivalentes.
´
E claro que (iii) implica (ii). Suponha que L/K
seja insepar´avel, digamos que γ ∈ L seja insepar´avel sobre K. Pela equivalˆencia
entre (i) e (ii) concluimos que o n´ umero de extens˜oes κ
γ
de κ a K[γ] ´e estritamente
inferior a [K[γ] : K]. Por outro lado, pela primeira parte, cada κ
γ
possui no m´aximo
[L : K[γ]] extens˜oes a L. Dessa forma, o n´ umero de extens˜oes de κ a L ´e menor
que [L : K], ou seja, (i) implica (iii).
Para provar o caso geral, para qualquer r, lembremos que existe uma seq¨ uˆencia
finita de extens˜oes
K = K
0
⊂ K
1
= K
0

1
] ⊂ K
2
= K
1

2
] ⊂
⊂ K
r
= K
r−1

r
] = K[α
1
, , α
r
] = L.
Pela primeira parte, o n´ umero de extens˜oes κ
1
de κ a K
1
´e no m´aximo [K
1
: K], o
n´ umero de extens˜oes de κ
1
a K
2
´e no m´aximo [K
2
: K
1
], etc. Portanto, o n´ umero
de extens˜oes de κ a L ´e no m´ aximo igual a
[K
1
: K][K
2
: K
1
] . . . [K
r
: K
r−1
] = [L : K].
Como anteriormente (iii) implica (ii). Suponha (ii). Ent˜ao cada α
i
´e separ´avel
tamb´em sobre K
i−1
. A fortiori, pela primeira parte, o n´ umero de extens˜oes de κ
i−1
a K
i
´e igual a [K
i
: K
i−1
]. Aplicando a multiplicativade dos graus concluimos que
m = [L : K]. Finalmente, a prova que (i) implica (iii) ´e idˆentica `a da primeira
parte.
Corol´ ario 18.9. Sejam L/K uma extens˜ao alg´ebrica e M um subconjunto de
L. Se todo α ∈ M for separ´avel sobre K, ent˜ao K[M]/K ´e separ´avel.
136 18. EXTENS
˜
OES SEPAR
´
AVEIS
Demonstrac¸˜ ao. Basta observar que
K[M] =
_
F∈C
K[F],
onde F percorre o conjunto C de subconjuntos finitos de M, e aplicar a proposi¸c˜ao
anterior.
Teorema 18.10. Sejam L/K e M/L extens˜oes alg´ebricas. Ent˜ao M/K ´e
separ´avel se e somente se M/L e L/K o forem.
Demonstrac¸˜ ao.
´
E claro que se M/K for separ´avel, ent˜ao M/L e L/K tam-
b´em o s˜ao. Provemos a rec´ıproca. Seja α ∈ M e
P
α|L
= x
n
+a
n−1
x
n−1
+. . . +a
0
.
Seja L := K[a
0
, , a
n−1
]. Ent˜ao P
α|L
∈ L[x] e α ´e separ´avel sobre L. Como cada
a
i
∈ L e L/K e separ´avel, pela proposi¸c˜ao 18.8 L/K tamb´em ´e separ´avel. Al´em
disto, pelo observado acima e pela proposi¸c˜ao 18.8 obtemos que L[α]/L tamb´em ´e
separ´avel.
Seja κ : K → Ω um homorfismo n˜ao trivial de corpos, com Ω algebricamente
fechado. O n´ umero de extens˜oes κ
L
de κ a L ´e igual a [L : K]. Al´em disto, para
cada κ
L
o n´ umero de extens˜oes deste homomorfismo a L[α] ´e igual a [L[α] : L].
Portanto, o n´ umero de extens˜oes de κ a L[α] ´e igual a
[L : K][L[α] : L] = [L[α] : K].
Novamente, aplicando a proposi¸c˜ao 18.8 concluimos que L[α]/K ´e separ´avel, assim
α ´e separ´avel sobre K.
Definic¸˜ ao 18.11. Seja L/K uma extens˜ao alg´ebrica e Ω um corpo algebri-
camente fechado. Denotamos por Hom
K
(L, Ω) o conjunto dos homomorfismos de
corpos λ : L →Ω tais que λ
|K
= id. S˜ao chamados K-homomorfismos de L em Ω.
O seguinte resultado ´e uma conseq¨ uˆencia imediata da proposi¸c˜ao 18.8.
Teorema 18.12. Seja L/K uma extens˜ao finita. Ent˜ao
#Hom
K
(L, Ω) ≤ [L : K].
Al´em disto, vale a igualdade se e somente se L/K for separ´avel.
Definic¸˜ ao 18.13. Seja L/K uma extens˜ao alg´ebrica. Definimos o fecho sepa-
r´avel S
L
(K) de K em L por
S
L
(K) := ¦α ∈ L[ α ´e separ´avel sobre K.
´
E claro que K ⊂ S
L
(K). Fica como exerc´ıcio provar que S
L
(K) ´e um subcorpo de
K (utilize a transitividade de extens˜oes separ´aveis provada acima).
Definic¸˜ ao 18.14. Seja L/K uma extens˜ao de corpos. Dizemos que α ´e um
elemento primitivo de L/K se L = K[α]. Neste caso, dizemos que L/K ´e uma
extens˜ao simples.
Teorema 18.15 (teorema do elemento primitivo). Suponha que K seja um
corpo infinito. Seja L/K uma extens˜ao finita e separ´avel. Ent˜ao L/K ´e simples,
i.e., existe α ∈ L elemento primitivo de L/K.
18.1. CORPOS FINITOS 137
Demonstrac¸˜ ao. Observemos inicialmente que basta supor que L seja gerado
por 2 elementos α, β, digamos L = K[α, β]. De fato, sendo L/K finita, sabemos
que L ´e da forma L = K[α
1
, , α
r
]. Suponha o resultado provado para extens˜oes
geradas por 2 elementos. Assim, existe β
1
∈ K
2
= K
1

1
] = K[α
1
, α
2
] tal que K
2
=
K[β
1
]. Pelo mesmo argumento, existe β
2
∈ K
3
tal que K
3
= K[β
1
, α
3
] = K[β
2
].
Repetindo sucessivamente o argumento, concluimos que L = K
r
= K[β
r−1
].
Sejam
f := P
α|K
= (x −α) . . . (x −α
n
) e g := P
β|K
= (x −β) . . . (x −β
m
).
Seja c ∈ K e γ := α + cβ. Consideremos os corpos K ⊂ F = K[γ] ⊂ L =
K[α, β]. Provaremos que L = F para uma escolha gen´erica de c ∈ K. Seja
h(x) := f(γ −cx) ∈ F[x]. Observe que h(β) = 0. Portanto, x−β divide h em L[x].
Seja M/L uma extens˜ao finita contendo todas as ra´ızes de f e g. Mostraremos que
mdc
M[x]
(h, g) = x −β.
Observemos inicialmente que algum β
j
´e raiz de f (com j > 1) se e somente se
γ −cβ
j
= α +c(β −β
j
) = α
i
,
para algum i. Ou equivalentemente, se e somente se
(18.1) c =
α
i
−α
β −β
j
.
Note que o conjunto destas fra¸c˜oes com j percorrendo 2, , m e i percorrendo
1, , n ´e finito. Como o corpo K ´e infinito, podemos sempre escolher c ∈ K
diferente de todas estas fra¸c˜oes. Em outras palavras a ´ unica raiz comum de h e g
´e β, da´ı segue o resultado sobre o mdc.
Mas o mdc n˜ao depende do corpo no qual estamos considerando, pela unicidade
do resto no algoritmo de divis˜ao de polinˆomios. Dessa forma, como g, h ∈ F[x]
concluimos que β ∈ F. Portanto, por constru¸c˜ao α ∈ F e L = F.
Observac¸˜ ao 18.16. No pr´oximo cap´ıtulo daremos uma prova intr´ınseca do
teorema do elemento primitivo para corpos finitos. Observe tamb´em que na prova
do teorema do elemento primitivo, se nos restringirmos a corpos L da forma K[α, β],
n˜ao precisamos supor que L/K seja separ´avel. Basta que β seja separ´avel sobre K,
uma vez que isto garante que os denominadores de (18.1) sejam todos n˜ao nulos.
18.1. Corpos Finitos
Dado um inteiro n ≥ 1 sabemos que o anel quociente Z/nZ ´e um corpo se e
somente se n = p for um n´ umero primo. Este ´e o primeiro exemplo de um corpo
finito que ser´a denotado por F
p
. Uma maneira natural de definir corpos finitos
´e tomar f ∈ F
p
[x] irredut´ıvel e lembrar que o anel quociente F
p
[x]/(f) ´e neste
caso um corpo. Este corpo tamb´em pode ser escrito como F
p
[α] para raiz α de f
em alguma extens˜ao finita l de F
p
. Al´em disto, [F
p
[α] : F
p
] = grau(f) digamos
n. Assim, como F
p
espa¸co vetorial F
p
[α] ´e isomorfo a F
n
p
portanto ´e um corpo de
q = p
n
elementos. Estes corpos s˜ao caracterizados pelo seguinte teorema.
Teorema 18.17. (a) Para todo n ≥ 1 inteiro existe um corpo finito F
q
de
q = p
n
elementos dado pelo conjunto das ra´ızes ¹
x
q
−x
de x
q
−x em algum
corpo algebricamente fechado Ω contendo F
p
. Al´em disto este polinˆomio
´e separ´avel.
(b) O corpo F
q
´e ´ unico a menos de isomorfismo.
138 18. EXTENS
˜
OES SEPAR
´
AVEIS
(c) O grupo multiplicativo F

q
= F
q
¸ ¦0¦ ´e um grupo c´ıclico.
(d) Os fatores irredut´ıveis mˆonicos de x
q
− x s˜ao exatamente os polinˆomios
irredut´ıveis mˆonicos f ∈ F
p
[x] tais que grau(f) [ n.
(e) Se q

= p
m
, ent˜ao F
q
⊂ F
q
se e somente se q

[ q.
Demonstrac¸˜ ao. (a) Sabemos que existe uma extens˜ao finita L de F
p
tal que
f fatora-se linearmente em L[x]. Seja F
q
:= ¹
x
q
−x
⊂ L. Afirmamos que F
q
´e
um subcorpo de L. De fato, se a, b ∈ F
q
, ent˜ao (a + b)
q
= a
q
+ b
q
= a + b,
logo a + b ∈ F
q
. Al´em disto (ab)
q
= a
q
b
q
= ab, logo ab ∈ F
q
. E se a ∈ F

q
,
ent˜ao (a
−1
)
q
= (a
q
)
−1
= a
−1
, logo a
−1
∈ F
q
. Al´em disto, como D(x
q
− x) = −1,
concluimos que x
q
−x ´e separ´avel. O´ıtem (b) segue da unicidade de fecho alg´ebrico
a menos de isomorfismo.
O item (c) segue imediatamente do seguinte lema.
Lema 18.18. Seja K um corpo e G ⊂ K

um subgrupo finito. Ent˜ao G ´e
c´ıclico.
Demonstrac¸˜ ao. Como G ´e finito, ent˜ao seu expoente exp(G) tamb´em o ´e
(veja defini¸c˜ao 9.33). Digamos que n = exp(G). Isto significa que para todo a ∈ G,
temos a
n
= 1, ou seja, G ⊂ W
n
(K) := ¦α ∈ K[ α
n
= 1¦. Mas este ´e o conjunto das
ra´ızes de x
n
− 1 que tem cardinalidade no m´aximo n. Portanto, #G ≤ n, como a
desigualdade contr´aria vale em geral, temos que [G[ = exp(G) = n. Pela proposi¸c˜ao
9.36, concluimos que G ´e c´ıclico.
Para provar os ´ıtens (d) e (e) precisamos de um lema adicional.
Lema 18.19. Seja q

:= p
m
tal que n = mk. Ent˜ao x
q

−x divide x
q
−x.
Demonstrac¸˜ ao. Recordemos a fatora¸c˜ao
y
d
−1 = (y −1)(y
d−1
+. . . +y + 1).
Tomemos y = q

e d = k, assim q

−1 divide (q

)
k
−1 = q −1. Tomando y = x
q

−1
e
d = (q −1)/(q

−1) obtemos que x
q

−1
−1 divide (x
q

−1
)
(q−1)/(q

−1)
−1 = x
q−1
−1,
multiplicando por x concluimos que x
q

−x divide x
q
−x.
Suite da prova do teorema. (d) Seja f um fator irredut´ıvel mˆonico de x
q

x. Ent˜ao existe α ∈ F
q
tal que f = P
α|Fp
. Neste caso, F
q
⊃ F
p
[α] ⊃ F
p
e como
[F
p
[α] : F
p
] = grau(P
α|Fp
) concluimos que grau(f) [ n.
Reciprocamente, se f ∈ F
p
[x] ´e irredut´ıvel mˆonico de grau m [ n, ent˜ao existe
uma extens˜ao finita L de F
p
e α ∈ L tal que f = P
α|Fp
. Neste caso, F
p
[α] = F
q
,
onde q

= p
m
. Como m [ n, (x
q

− x) [ (x
q
− x), em particular ¹
x
q


x
= F
q

¹
x
q
−x
= F
q
. Logo α ´e raiz de x
q
−x, assim f = P
α|Fp
[ (x
q
−x).
(e) Suponhamos que m [ n. Pelo lema anterior, (x
q

− x) [ (x
q
− x), logo
¹
x
q


x
= F
q
⊂ ¹
x
q
−x
= F
q
. Reciprocamente, se F
q
⊂ F
q
, ent˜ao [F
q
: F
p
] = n =
[F
q
: F
q
][F
q
: F
p
] = [F
q
: F
q
]m, assim m [ n.
CAP´ıTULO 19
Extens˜oes puramente insepar´aveis
Ao longo de todo este cap´ıtulo K ser´a um corpo de caracter´ıstica prima p.
Sabemos que se L/K for uma extens˜ao e α ∈ A
L
(K), ent˜ao P
α|K
´e separ´avel ou
existe h
1
∈ K[x] tal que P
α|K
(x) = h
1
(x
p
). Note que h
1
(x) ´e mˆonico e irredut´ıvel,
na verdade coincide com P
α
p
|K
. Assim, podemos repetir o argumento para h
1
.
Pela finitude do grau de P
α|K
, concluimos que existe um e ≥ 0 inteiro m´aximo e
˜
P
α|K
∈ K[x] tal que
P
α|K
(x) =
˜
P
α|K
(x
p
e
).
Este inteiro e ´e dito o expoente de P
α|K
.
O anel K[x] ´e fatorial, logo similarmente, podemos definir para todo f ∈ K[x] ¸
K o maior inteiro e ≥ 0 tal que
f(x) =
˜
f(x
p
e
),
para um ´ unico
˜
f ∈ K[x]. Novamente e ´e dito o expoente de f. Observamos que f
´e separ´avel se e somente se e = 0.
Definic¸˜ ao 19.1. Um polinˆomio f ∈ K[x] ¸ K ´e dito puramente insepar´avel se
f(x) = x
p
e
−a para algum e ≥ 0 e a ∈ K. Note que neste caso
˜
f = x −a. Observe
tamb´em que se α for uma raiz de f em uma extens˜ao finita L/K ent˜ao
f(x) = (x −α)
p
e
.
Ou seja, um polinˆomio puramente insepar´avel possui uma ´ unica raiz em um fecho
alg´ebrico de K. Neste sentido um polinˆomio puramente insepar´avel ´e o extremo
oposto de um polinˆomio separ´avel.
Definic¸˜ ao 19.2. Seja L/K uma extens˜ao de corpos e α ∈ L alg´ebrico sobre
K. Dizemos que α ´e puramente insepar´avel sobre K se for raiz de algum f ∈ K[x] ¸
K puramente insepar´avel. Observe que todo elemento de K ´e simultaneamente
separ´avel e puramente insepar´avel sobre K. Dizemos que uma extens˜ao alg´ebrica
L/K ´e puramente insepar´avel se todo α ∈ L for puramente insepar´avel sobre K.
Lema 19.3. Seja L/K extens˜ao e α ∈ A
L
(K). Ent˜ao α ´e puramente in-
separ´avel sobre K se e somente se P
α|K
for puramente insepar´avel.
Demonstrac¸˜ ao. Se P
α|K
for puramente insepar´avel nada h´a a fazer. Supon-
hamos que α seja puramente insepar´avel sobre K. Ou seja, existe e ≥ 0 tal que
α ´e raiz de x
p
e
− a para algum a ∈ K. Suponha e m´ınimo para esta propriedade.
Neste caso, x
p
e
−a ´e irredut´ıvel, coincidindo portanto com P
α|K
.
Teorema 19.4. Seja L/K alg´ebrica, digamos L = K[M]. Sejam Ω um corpo
algebricamente fechado e κ : K → Ω um homomorfismo n˜ao trivial de corpos. As
seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes:
139
140 19. EXTENS
˜
OES PURAMENTE INSEPAR
´
AVEIS
(i) Existe uma ´ unica extens˜ao λ : L →Ω de κ a L.
(ii) Todo elemento de M ´e puramente insepar´avel sobre K.
(iii) L/K ´e puramente insepar´avel.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha (ii). Sabemos que existe um homomorfismo λ :
L →Ω estendendo κ. Al´em disto para todo α ∈ M temos que β := λ(α) ´e uma raiz
de κ

(P
α|K
). Como P
α|K
´e puramente insepar´avel, o mesmo vale para κ

(P
α|K
).
Logo β fica univocamente detereminado, portanto λ ´e ´ unico.
Suponha que L/K n˜ao seja puramente insepar´avel, i.e., existe α ∈ L tal
que P
α|K
´e puramente insepar´avel. Logo κ

(P
α|K
) tamb´em n˜ao ´e puramente in-
separ´avel. Portanto possui pelo menos duas ra´ızes distintas digamos α
1
,= β
1
.
Assim, existem pelo menos duas op¸c˜oes para λ, ou λ(alpha) = α
1
ou λ(α) = β
1
.
Isto mostra que (i) implica (iii).
´
E imediato que (iii) implica (ii).
Proposic¸˜ ao 19.5. Sejam L/K e M/L extens˜oes alg´ebricas. Ent˜ao M/K ´e
puramente insepar´avel se e somente se M/L e L/K forem puramente insepar´aveis.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que M/K seja puramente insepar´avel. Ent˜ao au-
tomaticamente L/K ´e puramente insepar´avel. Al´em disto, como K ⊂ L, se
α
p
e
∈ K ⊂ L, ent˜ao M/L ´e puramente insepar´avel.
Reciprocamente, suponha que M/L e L/K sejam puramente insepar´aveis. Da-
do α ∈ M temos que existe e ≥ 0 tal que α
p
e
∈ L. Por outro lado, existe f ≥ 0 tal
que (α
p
e
)
p
f
∈ K, i.e., α
p
e+f
∈ K e α ´e puramente insepar´avel sobre K.
Definic¸˜ ao 19.6. Seja L/K uma extens˜ao alg´ebrica. Definimos o fecho pura-
mente insepar´avel de K em L por
P
L
(K) := ¦α ∈ L[ α ´e puramente insepar´avel sobre K¦.
Deixamos a cargo do leitor verificar que isto ´e um subcorpo de L contendo K.
Observac¸˜ ao 19.7. Lembre que o fecho separ´avel S
L
(K) de K em L ´e definido
similarmente como o conjunto dos elementos de L separ´aveis sobre K. Assim,
P
L
(K) ∩ S
L
(K) = K.
Proposic¸˜ ao 19.8. Seja L/K uma extens˜ao alg´ebrica. Ent˜ao L/S
L
(K) ´e pu-
ramente insepar´avel.
Demonstrac¸˜ ao. Seja α ∈ L. Seja e o expoente de P
α|K
. Assim P
α|K
(x) =
h
1
(x
p
e
) com h
1
∈ K[x] separ´ avel. Em particular, α
p
e
como raiz de h
1
pertence a
S
L
(K).
Observac¸˜ ao 19.9. Note que a proposi¸c˜ao diz que qualquer extens˜ao alg´ebrica
L/K pode ser decomposta em dois peda¸cos, L/S
L
(K), puramente insepar´avel, e
S
L
(K)/K separ´avel.
Definic¸˜ ao 19.10. Seja L/K uma extens˜ao alg´ebrica. Se S
L
(K) = K dizemos
que K ´e separavelmente fechado em L.
Definic¸˜ ao 19.11. Seja L/K uma extens˜ao finita. O grau de separabilidade
[L : K]
s
de L/K ´e definido por [S
L
(K) : K], e o grau de inseparabilidade [L : K]
i
de L/k ´e definido por [L : S
L
(K)].
19. EXTENS
˜
OES PURAMENTE INSEPAR
´
AVEIS 141
Proposic¸˜ ao 19.12. Seja L/K finita puramente insepar´avel, ent˜ao [L : K] ´e
potˆencia de p.
Demonstrac¸˜ ao. Sejam α
1
, , α
r
geradores de L sobre K e para todo i seja
K
i
:= K
i−1

i
]. Como cada α
i
´e puramente insepar´avel sobre K, ele tamb´em o ´e
sobre K
i−1
. Assim, [K
i
: K
i−1
] ´e potˆencia de p, pois ´e igual ao grau de P
αi|Ki−1
que ´e puramente insepar´avel. A fortiori, [L : K] ´e potˆencia de p.
CAP´ıTULO 20
Corpos de decomposi¸c˜ao e extens˜oes normais
Definic¸˜ ao 20.1. Seja K um corpo e f ∈ K[x] ¸ K. Seja Ω um corpo algebri-
camente fechado com Ω ⊃ K. Seja ¹
f
:= ¦α ∈ Ω[ f(α) = 0¦ = ¦α
1
, , α
n
¦. O
corpo de decomposi¸c˜ao K[¹
f
] de f com rela¸c˜ao a K ´e a extens˜ao finita K[α
1
, ,
α
n
] gerada sobre K por ¦α
1
, , α
n
¦. Observemos que este ´e o menor subcorpo
de Ω contendo K e ¹
f
. De fato, qualquer outro subcorpo contendo K e ¹
f
nec-
essariamente cont´em K(¹
f
), pois os elemento deste s˜ao polinˆomios nos α
i
’s com
coeficientes em K. Uma extens˜ao alg´ebrica L/K ´e dita normal, se para todo α ∈ L,
¹
P
α|K
⊂ L.
Observac¸˜ ao 20.2. Note que a no¸c˜ao de corpo de decomposi¸c˜ao a priori depen-
deria do corpo Ω. Novamente, com o mesmo argumento que utilizado para provar
a unicidade de fecho alg´ebrico a menos de isomorfismo, observamos que se ¹

f
for o
conjunto de ra´ızes de f em um outro corpo algebricamente fechado Ω

⊃ K, ent˜ao
K[¹

f
] e K[¹
f
] s˜ao K-isomorfos.
Observac¸˜ ao 20.3. Se F ⊂ K[x] ¸ K for uma fam´ılia de polinˆomios, definimos
da mesma forma o conjunto
¹
F
:=
_
f∈F
¹
f
e denotamos por K[¹
F
] o corpo de decomposi¸c˜ao da fam´ılia em Ω. Este nada mais
´e que o compositum dos corpos K[¹
f
] para f ∈ F.
Proposic¸˜ ao 20.4. Uma extens˜ao alg´ebrica L/K ´e normal se e somente se para
todo f ∈ K[x] irredut´ıvel temos ¹
f
⊂ L ou ¹
f
∩ L = ∅.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que L/K seja normal. Seja f ∈ K[x] irredut´ıvel
tal que ¹
f
∩L ,= ∅. Seja α ∈ L∩¹
f
. Ent˜ao existe a ∈ K

tal que f = aP
α|K
. Por
hip´otese, ¹
P
α|K
⊂ L, mas ¹
f
= ¹
P
α|K
.
Reciprocamente, suponha que para todo f ∈ K[x] irredut´ıvel ¹
f
⊂ L ou
¹
f
∩ L = ∅. Seja α ∈ L. Ent˜ ao ¹
P
α|K
∩ L ,= ∅, portanto ¹
P
α|K
⊂ L.
Exemplo 20.5. Considere f = x
3
−2 ∈ ¸[x]. Seja z = e
2πi/3
. Ent˜ao ¹
x
3
−2
=
¦
3

2,
3

2z,
3

2z
2
¦ ⊂ C. Desta forma, ¸(¹
x
3
−2
) ⊂ ¸[
3

2, z]. Mas z = (
3

2z)/
3

2 ∈
¸(¹
x
3
−2
). Logo ¸(¹
x
3
−2
) = ¸[
3

2, z]. Pelo mesmo argumento, ¸(¹
x
4
−5
) =
¸[
4

5, i].
Proposic¸˜ ao 20.6. Seja L/K uma extens˜ao tal que [L : K] = 2. Ent˜ao L/K ´e
normal.
Demonstrac¸˜ ao. Seja α ∈ L. Se α ∈ K, ent˜ao P
α|K
= x − α e ¹
P
α|K
=
¦α¦ ⊂ K ⊂ L. Caso contr´ario, em L[x] temos P
α|K
= (x − α)g(x) para g ∈ L[x]
mˆonico de grau 1, assim g(x) = x −β, logo ¹
P
α|K
= ¦α, β¦ ⊂ L.
143
144 20. CORPOS DE DECOMPOSIC¸
˜
AO E EXTENS
˜
OES NORMAIS
Observac¸˜ ao 20.7. Note que em uma extens˜ao normal L/K para todo α ∈ L,
P
α|K
fatora-se linearmente em L[x].
Definic¸˜ ao 20.8. Seja L/K uma extens˜ao de corpos, Ω um corpo algebri-
camente fechado contendo K e Hom
K
(L, Ω) o conjunto dos K-homomorfismos
ϕ : L →Ω. Denotamos por Aut(L/K) ao conjunto dos K-automorfismos de L, i.e.,
o conjunto dos automorfismos σ : L →L de L tais que σ
|K
= id
K
.
Observac¸˜ ao 20.9. Ao contr´ario das extens˜oes finitas, alg´ebricas e separ´aveis,
n˜ao vale transitividade para extens˜oes normais. De fato, se L = ¸[
3

2, z] =
¸(¹
x
3
−2
), ent˜ao L/¸ ´e normal (pelo teorema). A extens˜ao L/¸[
3

2] ´e normal,
pois seu grau ´e 2. Mas a extens˜ao ¸[
3

2]/¸ n˜ao ´e normal, pois x
3
−2 tem tamb´em
como ra´ızes
3

2z e
3

2z
2
e este n´ umeros s˜ao n´ umeros complexos conjugados, en-
quanto ¸[
3

2] ⊂ 1.
Consideremos agora a extens˜ao ¸[
4

5]/¸. Ela tem grau 4, pois x
4
− 5 ´e
irredut´ıvel sobre ¸ (crit´erio de Eisenstein para p = 5). Assim, as extens˜oes
¸[
4

5]/¸[

5] e ¸[

5]/¸ tˆem grau 2, portanto s˜ao normais. Mas a extens˜ao
¸[
4

5]/¸ n˜ao o ´e, pois x
4
−5 tem tamb´em como ra´ızes ±
4

5i e estes s˜ao n´ umeros
complexos conjugados, enquanto ¸[
4

5] ⊂ 1.
O lema a seguir permite-nos definir o fecho normal de uma extens˜ao L/K.
Lema 20.10. Sejam K ⊂ Ω corpos com Ω algebricamente fechado. Seja N o
conjunto dos subcorpos de Ω normais sobre K. Ent˜ao a extens˜ao
_

N∈N
N
_
/K
´e normal.
Demonstrac¸˜ ao. Seja α ∈

N∈N
N. Como α ∈ N e N/K ´e normal, con-
cluimos que ¹
P
α|K
⊂ N, para todo N ∈ N.
Definic¸˜ ao 20.11. Sejam K ⊂ L ⊂ Ω corpos com Ω algebricamente fechado.
Seja N
L
o conjunto de subcorpos N de Ω contendo L tais que N/K seja normal.
O corpo
N

(L/K) :=

N∈N
L
N
´e chamado o fecho normal da extens˜ao L/K em Ω. Segue da defini¸c˜ao que N

(L/K)
´e o menor subcorpo de Ω contendo L que ´e normal sobre K.
Caracterizaremos agora extens˜oes normais como sendo corpos de decomposi¸c˜ao
de uma fam´ılia de polinˆomios. Disto seguir´a que no caso particular de extens˜oes
normais finitas, estas podem ser caracterizadas como corpos de decomposi¸c˜ao de
apenas um polinˆomio.
Teorema 20.12. Sejam K ⊂ Ω corpos com Ω algebricamente fechado. Seja
L/K uma extens˜ao alg´ebrica contida em Ω. As seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(i) L/K ´e normal.
(ii) Existe uma fam´ılia F ⊂ K[x] ¸ K tal que L = K[¹
F
].
(iii) Hom
K
(L, Ω) = Aut(L/K).
A fam´ılia F ´e descrita como ¦P
α|K
[ α ∈ M¦, onde M ⊂ L ´e tal que L = K[M].
20. CORPOS DE DECOMPOSIC¸
˜
AO E EXTENS
˜
OES NORMAIS 145
Demonstrac¸˜ ao. Suponha (i) e seja F como acima. Para todo α ∈ M, uma
vez que L/K ´e normal, ¹
P
α|K
⊂ L. A fortiori, K[¹
F
] ⊂ L. Por outro lado,
L = K[M] ⊂ K[¹
F
] ⊂ L, logo vale (ii).
Suponha (ii). Observe que temos sempre a inclus˜ao Aut(L/K) ⊂ Hom
K
(L, Ω).
Seja σ ∈ Hom
K
(L, Ω). Para todo f ∈ F temos que σ(¹
f
) ⊂ ¹
f
, em particular
σ(L) ⊂ L. A igualdade segue da proposi¸c˜ao 17.30.
Suponha (iii). Sejam α ∈ L e β ∈ ¹
P
α|K
. Logo P
β|K
= P
α|K
. Pelo corol´ario
17.28 existe um K-isomorfismo θ : K[α] → K[β] ⊂ Ω tal que θ(α) = β. Como
β ∈ L e L/K ´e alg´ebrica, existe um K-homomorfismo λ : L →Ω tal que λ
K[α]
= θ.
Por (iii) temos ent˜ao β = λ(α) ∈ L. Assim, ¹
P
α|K
⊂ L e L/K ´e normal.
Corol´ ario 20.13. Sejam L/K uma extens˜ao alg´ebrica, M e F como no teo-
rema. Ent˜ao K[¹
F
] ´e o fecho normal de L/K em Ω.
Demonstrac¸˜ ao.
´
E claro que K ⊂ L ⊂ K[¹
F
], e pelo teorema K[¹
F
]/K ´e
normal. Por outro lado para todo subcorpo N de Ω contendo L e normal sobre K
e para todo α ∈ M temos ¹
P
α|K
⊂ N, portanto K[¹
F
] ⊂ N.
Corol´ ario 20.14. Seja L/K uma extens˜ao finita, digamos L = K[α
1
, , α
r
].
Seja
P := P
α1|K
. . . P
αr|K
.
Ent˜ao K[¹
P
] ´e o fecho normal de L/K em Ω.
Corol´ ario 20.15. Seja L/K uma extens˜ao finita. As seguintes condi¸c˜oes s˜ao
equivalentes.
(1) L/K ´e normal.
(2) Existe f ∈ K[x] ¸ K tal que L = K[¹
f
].
(3) Hom
K
(L, Ω) = Aut(L/K).
Reunindo as informa¸c˜oes deste cap´ıtulo e do anterior obtemos o seguinte teo-
rema.
Teorema 20.16. Seja L/K uma extens˜ao finita e Ω um corpo algebricamente
fechado contendo K.
(1) #Hom
K
(L, Ω) ≤ [L : K] e vale a igualdade se e somente se L/K ´e
separ´avel.
(2) #Aut(L/K) ≤ #Hom
K
(L, Ω) e vale a igualdade se e somente se L/K ´e
normal.
(3) #Aut(L/K) ≤ [L : K] e vale a igualdade se e somente se L/K ´e separ´avel
e normal.
No pr´oximo cap´ıtulo definiremos extens˜oes finitas separ´aveis e normais como
extens˜oes galoisianas.
146 20. CORPOS DE DECOMPOSIC¸
˜
AO E EXTENS
˜
OES NORMAIS
20.1. Exemplos
Exemplo 20.17. Seja f = x
3
−2 ∈ ¸[x]. Considere o diagrama de corpos
¸[
3

2, z] = ¸[¹
f
]
/ ¸
¸[
3

2] ¸[z]
¸ /
¸
A extens˜ao ¸[
3

2]/¸ tem grau 2 pois x
3
−2 ´e irredut´ıvel em ¸[x] pelo crit´erio
de Eisenstein com p = 2. A extens˜ao ¸[z]/¸ tem grau 2, pois o polinˆomio m´ınimo
de z sobre ¸ ´e x
2
+ x + 1. As ra´ızes deste polinˆomio s˜ao z e z
2
que s˜ao n´ umeros
complexos, um conjugado do outro. Como ¸[
3

2] ⊂ 1, x
2
+ x + 1 ´e irredut´ıvel
sobre ¸[
3

2], portanto
[¸[
3

2, z] : ¸[
3

2]] = 2 e [¸(¹
x
3
−2
) : ¸] = 6.
Assim #Gal(¸(¹
x
3
−2
)/¸) = 6. Um grupo de ordem 6 gerado por dois elementos
σ e τ com σ de ordem 3 e τ de ordem 2 satisfazendo a
τσ = σ
2
τ
´e isomorfo ao grupo S
3
das permuta¸c˜oes de 3 elementos que ´e dado explicitamente
por
¦id, σ, σ
2
, τ, στ, σ
2
τ¦.
Vamos mostrar que este ´e o grupo de Galois G = Gal(¸(¹
x
3
−2
)/¸).
Como 1,
3

2,
3

2
2
, z, z
3

2, z
3

2 ´e uma base de ¸(¹
x
3
−2
) como ¸-espa¸co vetorial,
para obter um elemento de G basta calcul´a-lo em
3

2 e z. Observemos que dado
ϕ ∈ G, ent˜ao
ϕ(
3

2)
3
= ϕ(
3

2
3
) = ϕ(2) = 2,
logo ϕ(
3

2) ∈ ¦
3

2z
i
[ para i = 0, 1, 2¦. Da mesma forma ϕ(z) ∈ ¦z, z
2
¦.
Definimos σ por
σ(
3

2) :=
3

2z e σ(z) := z e
τ por τ(
3

2) :=
3

2 e τ(z) := z.
Observemos que σ e τ satisfazem `a condi¸c˜ao acima. De fato, σ
2
(
3

2) = σ(
3

2z) =
3

2z
2
e σ
2
(z) = z; σ
3
(
3

2) = σ(
3

2z
2
) =
3

2 e σ
3
(z) = z; τ
2
(
3

2) =
3

2 e
τ(z) = z
4
= z; τσ(
3

2) = τ(
3

2z) =
3

2z
2
e τσ(z) = τ(z) = z
2
; σ
2
τ(
3

2) =
σ
2
(
3

2) =
3

2z
2
e σ 2τ(z) = σ
2
(z
2
) = z
2
.
Finalmente, note que o subgrupo de Aut(¸[¹
f
]/¸) gerado por σ e τ tem ordem
6, logo deve ser todo o grupo.
20.1. EXEMPLOS 147
Exemplo 20.18. Seja f = x
4
− 5 ∈ ¸[x] e K = ¸(¹
x
4
−5
) = ¸[
4

5, i]. Con-
sidere o diagrama de corpos
¸[
4

5, i] = ¸[¹
f
]
/ ¸
¸[
4

5] ¸[i]
¸ /
¸
Note que [¸[
4

5] : ¸] = 4, pois x
4
− 5 ´e irredut´ıvem em ¸[x] pelo crit´erio de
Eisenstein para p = 5, [¸[i] : ¸] = 2, pois x
2
+ 1 ´e irredut´ıvel em ¸[x], suas ra´ızes
s˜ao ±i, assim, uma vez que ¸[
4

5] ⊂ 1, temos que x
2
+ 1 ´e tamb´em irredut´ıvel
sobre ¸[
4

5][x], portanto [K : ¸] = 8 = #Gal(K/¸). Um grupo de ordem 8 gerado
por 2 elementos σ de ordem 4 e τ de ordem 2 tal que
τσ = σ
3
τ
´e isomorfo ao grupo diedral de ordem 4, D
4
que ´e dado explicitamente por
¦id, σ, σ
2
, σ
3
, τ, στ, σ
2
τ, σ
3
τ¦.
Vamos mostrar que este ´e o grupo de Galois G = Gal(K/¸).
Como 1,
4

5,
4

5
2
,
4

5
3
, i,
4

5i,
4

5
2
i,
4

5
3
i formam uma base de K como ¸-
espa¸co vetorial, para obter um elemento de G basta c´alcul´a-lo em
4

5 e i. Ob-
servemos que dado ϕ ∈ G, ϕ(
4

5) ∈ ¦±
4

5, ±
4

5i¦ e ϕ(i) ∈ ¦±i¦.
Definimos σ por
σ(
4

5) :=
4

5i e σ(i) := i e
τ por τ(
4

5) :=
4

5 e τ(i) := −i.
Observemos que σ e τ satisfazem `a condi¸c˜ao acima. De fato, σ
2
(
4

5) = σ(
4

5i) =

4

5 e σ
2
(i) = i; σ
3
(
4

5) = σ(−
4

5) = −
4

5i e σ
3
(i) = i; σ
4
(
4

5) = σ(−
4

5i) =
4

5
e σ
4
(i) = i; τ
2
(
4

5) =
4

5 e τ
2
(i) = τ(−i) = i; τσ(
4

5) = τ(
4

5i) = −
4

5i e
τσ(i) = τ(i) = −i; σ
3
τ(
4

5) = σ
3
(
4

5) = −
4

5i e σ
3
τ(i) = σ
3
(−i) = −i.
Finalmente, o subgrupo de Aut(¸[¹
f
]/¸) gerado por σ e τ tem ordem 8, logo
´e todo o grupo.
CAP´ıTULO 21
Teoria de Galois
21.1. Correspondˆencia de Galois
Definic¸˜ ao 21.1. Seja N/K uma extens˜ao finita, G = Aut(N/K), / o conjunto
dos subcorpos L de N contendo K e ( o conjunto dos subgrupos H de G. Definimos
duas fun¸c˜oes:
γ : / →( dada por γ(L) := Aut(N/L) e
κ : ( →/ dada por κ(H) := N
H
:= ¦α ∈ N [ τ(α) = α para todo τ ∈ H¦.
Verifiquemos que N
H
´e de fato um subcorpo de N, ´e claro que K ⊂ N
H
. De fato,
como τ ´e um homomorfismo temos que τ(α+β) = τ(α) +τ(β) = α+β. O mesmo
vale para o produto. Al´em disto, τ(α
−1
) = τ(α)
−1
= α
−1
. O par de fun¸c˜oes ¦γ, κ¦
´e chamado uma conex˜ao de Galois.
Este par satisfaz `as seguintes propriedades.
Proposic¸˜ ao 21.2. (1) Se L
1
⊂ L
2
, ent˜ao γ(L
1
) ⊃ γ(L
2
).
(2) Se H
1
⊂ H
2
, ent˜ao κ(H
1
) ⊃ κ(H
2
).
(3) L ⊂ κ ◦ γ(L).
(4) H ⊂ γ ◦ κ(H).
Al´em disto, denotando por /

a imagem de κ e (

a imagem de γ
temos tamb´em as seguintes propriedades.
(5) L ∈ /

se e somente se L = κ ◦ γ(L).
(6) H ∈ (

se e somente se H = γ ◦κ(H). Como conseq¨ uˆencia destes ´ ultimos
2 itens temos imediatamente que
(7) γ ◦ κ ◦ γ = γ.
(8) κ◦γ◦κ = κ. Em particular, ¦γ, κ¦ induzem uma bije¸c˜ao entre os conjuntos
/

e γ

.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Seja τ ∈ γ(L
2
), ent˜ao para todo α ∈ L
2
, τα = α,
em particular o mesmo vale para todo α ∈ L
1
, logo τ ∈ γ(L
1
).
(2) Seja α ∈ κ(H
2
), logo para todo τ ∈ H
2
, τα = α, em particular o mesmo
vale para todo τ ∈ H
1
, logo α ∈ κ(H
1
).
(3)
´
E claro que para todo α ∈ L e para todo τ ∈ Aut(N/L) temos τα = α,
assim α ∈ κ ◦ γ(L).
(4)
´
E claro que para todo τ ∈ H e α ∈ κ(H) temos que τα = α, portanto,
τ ∈ γ ◦ κ(H).
(5)
´
E claro que se L = κ ◦ γ(L), ent˜ao L ∈ /

. Por outro lado, se L ∈ /

,
digamos L = κ(H), ent˜ao, como H ⊂ γ ◦ κ(H), temos que L = κ(H) ⊃
κ ◦ γ ◦ κ(H) = κ ◦ γ(L).
149
150 21. TEORIA DE GALOIS
(6)
´
E claro que se H = γ ◦ κ(H), ent˜ao H ∈ (

. Por outro lado, se H ∈ (

,
digamos H = γ(L), ent˜ao, como L ⊂ κ ◦ γ(L), temos que H = γ(L) ⊃
γ ◦ κ ◦ γ(L) = γ ◦ κ(H).

Definic¸˜ ao 21.3. Dizemos que a restri¸c˜ao de uma conex˜ao de Galois ¦γ, κ¦ aos
conjuntos /

e (

´e uma correspondˆencia de Galois. Uma extens˜ao finita L/K ´e
dita galoisiana se for separ´avel e normal.
Teorema 21.4 (teorema de Artin). Dado H ∈ ( temos que N/N
H
´e ga-
loisiana, [N : N
H
] = #H e H = Aut(N/N
H
) = γ ◦ κ(H).
Demonstrac¸˜ ao. Seja α ∈ N e (
α
= ¦τα[ τ ∈ H¦ o conjunto dos elementos
H-conjugados a α. Note que #(
α
≤ [H[. Seja
f
α
:=

β∈Cα
(x −β).
Observemos que para todo τ ∈ H, τ
|Cα
´e uma permuta¸c˜ao de (
α
(uma vez que τ
´e injetivo, (
α
´e finito e τ((
α
) ⊂ (
α
). Portanto, f
α
∈ N
H
[x]. Por constru¸c˜ao f
α
´e
separ´avel, portanto α ´e separ´ avel sobre N
H
.
Assim, para provar que N/N
H
´e normal, basta mostrar que
#Aut(N/N
H
) = [N : N
H
].
Inicialmente, como H ⊂ Aut(N/N
H
) temos que
#H ≤ [ Aut(N/N
H
)[ ≤ [N : N
H
].
Para provar a desigualdade oposta, observe que como N/N
H
´e finita e separ´avel,
pelo teorema do elemento primitivo, existe α ∈ N tal que N = N
H
(α). Mas neste
caso,
[N : N
H
] = grau(P
α|N
H) ≤ grau(f
α
) ≤ [H[.
Portanto,
[N : N
H
] = [H[ = [ Aut(N/N
H
)[ e H = γ ◦ κ(H),
pois o primeiro ´e subgrupo do segundo e ambos tˆem a mesma ordem.
Proposic¸˜ ao 21.5. Seja L ∈ /. Ent˜ao L ∈ /

se e somente se N/L for
galoisiana.
Demonstrac¸˜ ao. Se L ∈ /

, o teorema de Artin garante que N/L´e galoisiana.
Reciprocamente, suponha que N/L seja galoisisana. Logo [ Aut(N/L)[ = [N : L].
Por outro lado, L ⊂ κ ◦ γ(L) ⊂ N e pelo teorema de Artin,
[N : κ ◦ γ(L)] = [N : N
Aut(N/L)
] = [ Aut(N/L)[ = [N : L],
portanto L = κ ◦ γ(L) ∈ /

.
Teorema 21.6 (teorema fundamental da teoria de Galois). Seja N/K uma
extens˜ao galoisiana finita. Ent˜ao ¦γ, κ¦ define uma correspondˆencia de Galois entre
/ e (.
21.1. CORRESPOND
ˆ
ENCIA DE GALOIS 151
Demonstrac¸˜ ao. J´a provamos anteriormente que se N/K for galoisiana ent˜ao
N/L tamb´em o ser´a para todo L ∈ / (ver cap´ıtulos de extens˜oes separ´aveis e
normais). Assim, pela proposi¸c˜ao anterior, κ ◦ γ(L) = L. Por outro lado, pelo
teorema de Artin, γ ◦ κ(H) = H.
Calculemos alguns exemplos concretos da correspondˆencia de Galois.
Exemplo 21.7. Seja K = ¸, N = ¸[¹
x
3
−2
]. J´a provamos anteriormente
que N = ¸[
3

2, ζ], onde ζ = e
2πi/3
, [N : ¸] = 6 e G = Aut(N/¸) = S
3
=
¦id, σ, σ
2
, τ, στ, σ
2
τ¦ com o(σ) = 3, o(τ) = 2 e τσ = σ
2
τ. Al´em disto, σ(
3

2) =
3

2ζ, σ(ζ) = ζ, τ(
3

2) =
3

2 e τ(ζ) = ζ
2
.
Note que N ⊂ N
{id}
⊂ N, logo N
{id}
= N. Tamb´em ¸ ⊂ N
G
⊂ N e pela
teoria de Galois [N : N
G
] = #G = 6, logo ¸ = N
G
.
Seja H
1
= ¸α) = ¦id, σ, σ
2
¦. Observe que ¸[ζ] ⊂ N
H1
⊂ N e que [N : N
H1
] =
#H
1
= 3. Como [¸[ζ] : ¸] = 2, concluimos que ¸[ζ] = N
H1
.
Seja H
2
= ¸τ) = ¦id, τ¦. Ent˜ao ¸[
3

2] ⊂ N
H2
⊂ N, [N : N
H2
] = #H
2
= 2.
Como [¸[
3

2] : ¸] = 3, segue que ¸[
3

2] = N
H2
.
Seja H
3
= ¸στ). Observe que στ(
3

2) =
3

2ζ, στ(ζ) = ζ
2
, logo στ(
3

2ζ) =
3

2ζζ
2
=
3

2. Portanto, στ(
3

2(1 +ζ)) =
3

2(1 +ζ) = −
3


2
. Assim, ¸[
3


2
] ⊂
N
H3
⊂ N. Como
3


2
´e raiz de x
3
− 2 e este ´e irredut´ıvel sobre ¸, segue que
[¸[
3


2
] : ¸] = 3. Como [N : N
H3
] = #H
3
= 2, concluimos que ¸[
3


2
] = N
H3
.
Seja H
4
= ¸σ
2
τ). Observe que σ
2
τ(
3

2) =
3


2
e σ
2
τ(ζ) = ζ
2
, logo σ
2
τ(
3


2
)
=
3


2
ζ =
3

2, portanto σ
2
τ(
3

2(1+ζ
2
)) =
3

2(1+ζ
2
) = −
3

2ζ. Assim, ¸[
3

2ζ] ⊂
N
H4
⊂ N, [N : N
H4
] = #H
4
= 2 e [¸[
3

2ζ] : ¸] = 3, portanto ¸[
3

2ζ] = N
H4
.
Exemplo 21.8. Seja K = ¸, N = ¸[¹
x
4
−3
]. J´a provamos anteriormente que
N = ¸(
4

3, i), [N : ¸] = 8 e G = Aut(N/¸) = D
4
= ¦id, σ, σ
2
, σ
3
, τ, στ, σ
2
τ, σ
3
τ¦
com o(σ) = 4, o(τ) = 2 e τσ = σ
3
τ. Al´em disto, σ(
4

3) =
4

3i, σ(i) = i,
τ(
4

3) =
4

3 e τ(i) = −i.
N ⊂ N
{id}
⊂ N, N = N
{id}
.
¸ ⊂ N
G
⊂ N, [N : N
G
] = #G = 8, ¸ = N
G
.
H
1
= ¸σ), ¸[i] ⊂ N
H1
⊂ N, [N : N
H1
] = #H
1
= 4, [¸[i] : ¸] = 2, ¸[i] = N
H1
.
H
2
= ¸σ
2
), σ
2
(
4

3) = −
4

3, σ
2
(i) = i, σ
2
(

3i) = σ
2
(
4

3)
2
i =

3i, ¸[

3i] ⊂
N
H2
⊂ N, [N : N
H2
] = #H
2
= 2, [¸[

3i] : ¸] = 4 j´a que

3i ´e raiz de x
4
+ 3
irredut´ıvel sobre ¸, ¸[

3i] = N
H2
.
H
3
= ¸τ), ¸[
4

3] ⊂ N
H3
⊂ N, [N : N
H3
] = #H
3
= 4, [¸[
4

3] : ¸] = 4,
¸[
4

3] = N
H3
.
H
4
= ¸στ), στ(
4

3) =
4

3i, στ(i) = −i, στ(
4

3i) =
4

3, στ(
4

3(1 + i)) =
4

3(1 +i),
4

3(1 +i) ´e raiz de x
4
+ 12, pelo crit´erio de Eisenstein para p = 3, este
polinˆomio ´e irredut´ıvel sobre ¸, logo [¸[
4

3(1+i)] : ¸] = 4, ¸[
4

3(1+i)] ⊂ N
H4

N, [N : N
H4
] = #H
4
= 2, ¸(
4

3(1 +i)) = N
N4
.
H
5
= ¸σ
2
τ), σ
2
τ(
4

3) = −
4

3, σ
2
τ(i) = −i, σ
2
τ(
4

3i) =
4

3i, ¸[
4

3i] ⊂
N
H5
⊂ N, [N : N
H5
] = #H
5
= 2, [¸[
4

3i] : ¸] = 4, j´a que ´e raiz de x
4
− 3,
¸[
4

3i] = N
H5
.
H
6
= ¸σ
3
τ), σ
3
τ(
4

3) = −
4

3i, σ
3
τ(i) = −i, σ
3
τ(
4

3i) = −
4

3, σ
3
τ(
4

3(1 −
i))
4

3(1 − i),
4

3(1 − i) ´e raiz de x
4
+ 12, [¸[
4

3(1 − i)] : ¸] = 4, ¸[
4

3(1 − i)] ⊂
N
H6
⊂ N, [N : N
H6
] = #H
6
= 2.
152 21. TEORIA DE GALOIS
Finalmente, fica como exerc´ıcio calcular os corpos fixos dos seguintes subgrupos
de G : ¸σ
2
, τ) e ¸σ
2
, στ. Ambos tˆem ordem 4, e esgotam a correspondˆencia de
Galois.
21.2. Extens˜oes e subgrupos normais
Proposic¸˜ ao 21.9. Seja N/K galoisiana finita, L ∈ / e H ∈ (. Ent˜ao
σ Aut(N/L)σ
−1
= Aut(N/σ(L)) e N
σHσ
−1
= σ(N
H
).
Demonstrac¸˜ ao. Como N/K ´e galoisiana L = N
Aut(N/L)
. Seja τ ∈ Aut(N/L)
e α ∈ N, ent˜ao στσ
−1
(σα) = στα = σα, i.e., στσ
−1
∈ Aut(N/σ(L)). Recipro-
camente, se τ ∈ Aut(N/σ(L)) e α ∈ N, ent˜ao τσα = σα, i.e., σ
−1
τσα = α, i.e.,
σ
−1
τσ ∈ Aut(N/L), i.e., τ ∈ σ Aut(N/L)σ
−1
.
Seja α ∈ N
σHσ
−1
e τ ∈ H, ent˜ao στσ
−1
α = α, i.e., τσ
−1
α = σ
−1
α, i.e.,
σ
−1
α ∈ N
H
, i.e., α ∈ σ(N
H
). Reciprocamente, se α ∈ N
H
e τ ∈ H, ent˜ao
στσ
−1
(σα) = στα = σα, i.e., σα ∈ N
σHσ
−1
.
Teorema 21.10. Seja N/K galoisiana finita e L ∈ /. Ent˜ao L/K ´e normal
(logo galoisiana) se e somente se Aut(N/L) Aut(N/K). Neste caso
Aut(N/K)/ Aut(N/L)

= Aut(L/K).
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que L/K seja normal. Dado σ ∈ Aut(N/L) e
Ω ⊃ N algebricamente fechado, ent˜ao σ
|L
: L →N ⊂ Ω ´e um K-homomorfismo (j´a
que L ⊃ K), portanto σ(L) = L e σ
|L
∈ Aut(L/K). Neste caso, pela proposi¸c˜ao
anterior,
σ Aut(N/L)σ
−1
= Aut(N/σ(L)) = Aut(N/L), i.e., Aut(N/L) Aut(N/K).
Reciprocamente, se Aut(N/L) Aut(N/K), ent˜ao
Aut(N/σ(L)) = σ Aut(N/L)σ
−1
= Aut(N/L).
Pela correspondˆencia de Galois L = σ(L). Seja λ : L → Ω um K-homomorfismo.
Como N/L ´e finita (logo alg´ebrica), existe ν : N → Ω um K-homomorfismo tal
que ν
|L
= λ. Como N/K ´e normal, ν ∈ Aut(N/K), pelo que foi feito acima,
ν(L) = λ(L) = L, i.e., λ ∈ Aut(L/K).
Suponhamos que L/K seja normal. A fun¸c˜ao ϕ : Aut(N/K) → Aut(L/K)
definida por σ → σ
|L
´e um homomorfismo de grupos. Este homomorfismo ´e so-
brejetivo, pois dado τ ∈ Aut(L/K), o processo acima produz σ ∈ Aut(N/K) tal
que σ
|L
= τ. Al´em disto, σ ∈ N(ϕ) se e somente se σ
|L
= id, i.e., σ ∈ Aut(N/L).
Finalmente a ´ ultima afirmativa segue do teorema dos homomorfismos.
Definic¸˜ ao 21.11. Sejam K, L subcorpos de Ω. Definimos o compositum KL
de k e L em Ω como sendo o menor subcorpo de Ω contendo K e L.
Lema 21.12. Sejam K, L subcorpos de Ω e
K[L] :=
_
f(α
1
, , α
m
)
g(β
1
, , β
n
)
[ f e g
tˆem coeficientes em K e α
1
, , α
m
, β
1
, , β
n
∈ L¦ .
Ent˜ao KL = K[L].
21.3. COEFICIENTES E RA
´
IZES 153
Demonstrac¸˜ ao. Observemos inicialmente que por constru¸c˜ao K[l] ´e um sub-
corpo de Ω. Al´em disto contem K (tome denominador igual a 1 e numerador
igual a uma fun¸c˜ao constante) e L (tome denominador igual a 1 e numerador
igual a vari´avel α
1
). Seja N ⊂ Ω um subcorpo contendo K e L. Ent˜ao necessaria-
mente conter´a qualquer fra¸c˜ao f(α
1
, , α
m
)/g(β
1
, , β
n
) como acima. Portanto,
KL = K[L].
Proposic¸˜ ao 21.13. Seja N/K galoisiana finita, K

/K finita e Ω ⊃ N, K

um
corpo algebricamente fechado. Ent˜ao K

N/K

´e galoisiana finita e
ϕ : Aut(K

N/K

) →Aut(N/K

∩ N)
dada por σ → σ
|N
´e um isomorfismo de grupos. Em particular, [K

N : K

] = [N :
K

∩ N].
Demonstrac¸˜ ao. Como N/K ´e finita, ent˜ao existem α
1
, , α
r
∈ N tais que
N = K[α
1
, , α
r
]. Logo K

N = K


1
, , α
r
] e como cada α
i
´e alg´ebrico sobre
K (logo sobre K

) concluimos que K

N/K

´e finita. Al´em disto cada α
i
´e separ´avel
sobre K, assim P
αi|K
´e separ´avel. Mas P
αi|K
[ P
αi|K
, logo P
αi|K
tamb´em ´e
separ´avel, em particular α
i
´e separ´avel sobre K

e K

N/K

´e separ´avel.
Seja σ : K

N → Ω um K

-homomorfismo, onde Ω ⊃ K

´e algebricamente
fechado. Logo σ
|N
: N →Ω ´e um K-homorfismo. Como N/K ´e normal, ent˜ao σ ∈
Aut(N/K) e σ(α
i
) ∈ N para todo i. Como σ
|K
= id, concluimos que σ(K

N) ⊂
K

N. Por outro lado, para todo z ∈ K

N, z = f(α
1
, , α
r
) com coeficientes em
K

, e como α
i
= σβ
i
para algum β
i
∈ N, concluimos que z = σ(f(β
1
, , β
r
)),
portanto σ(K

N) = K

N, σ ∈ Aut(K

N/K

) e K

N/K

´e normal.
Observe que ϕ est´a bem definita e ´e injetiva. Seja σ ∈ Aut(N/K

∩ N). Como
K ⊂ K

∩ N, ent˜ao σ ∈ Aut(N/K). Seja H a imagem de ϕ. Basta mostrar que
κ(H) ⊂ K

∩ N. De fato, neste caso, H = γ ◦ κ(H) ⊃ γ(K

∩ N) = Aut(N/K


N) ⊃ H. Seja α ∈ κ(H) = N
H
e τ ∈ H. Basta mostrar que α ∈ K

, pois
automaticamente α ∈ N. Existe σ ∈ Aut(K

N/K

) tal que σ
|N
= τ. Assim, para
todo σ ∈ Aut(K

N/K

), σα = α, i.e., α ∈ N
Aut(K

N/K

)
= K

, pois K

N/K

´e
galoisiana.
Corol´ ario 21.14. Seja N/K uma extens˜ao galoisiana finita com K ⊂ 1,
N ⊂ C e N ,⊂ 1. Ent˜ao [N : N ∩ 1] = 2 e [N : K] ´e par.
Demonstrac¸˜ ao. Observe que 1N = C e [N : (N∩1)] = [C : 1] = 2 e aplique
a proposi¸c˜ao.
Corol´ ario 21.15. Seja N/K uma extens˜ao galoisiana finita. Seja N(x
1
, ,
x
n
) o corpo de fra¸c˜oes do anel de polinˆomio N[x
1
, , x
n
] em n vari´aveis com
coeficientes em N. Ent˜ao N(x
1
, , x
n
)/K(x
1
, , x
n
) ´e galoisiana com grupo de
Galois isomorfo a Aut(N/K).
Demonstrac¸˜ ao. Basta observar que NK(x
1
, , x
n
) = N(x
1
, , x
n
) e apli-
car a proposi¸c˜ao anterior.
21.3. Coeficientes e ra´ızes
Para todo n ≥ 1 inteiro seja S
n
o grupo das permuta¸c˜oes de n elementos. Para
todo conjunto finito S denotamos por Perm(S) o grupo das permuta¸c˜oes de S.
154 21. TEORIA DE GALOIS
Proposic¸˜ ao 21.16. Seja f ∈ K[x] irredut´ıvel, mˆonico, separ´avel de grau n e
N = K(¹
f
). Ent˜ao
(a) para todo σ ∈ Aut(N/K), σ
|R
f
∈ Perm(¹
f
) = S
n
.
(b) A fun¸c˜ao ϕ : Aut(N/K) → S
n
dada por σ → σ
R
f
´e um homomorfismo
injetivo de grupos.
Demonstrac¸˜ ao. Observemos que #¹
f
= n e que σ
|R
f
´e injetiva. Assim (1)
segue.
´
E claro que ϕ ´e um homomorfismo de grupos. Observemos que se ϕ
|R
f
= id,
ent˜ao ϕ = id, pois N = K(¹
f
).
O ´ıtem (b) ´e um caso particular do seguinte teorema de Cayley (ver cap´ıtulo
sobre teoremas de Sylow).
Definic¸˜ ao 21.17. A imagem de ϕ ´e chamado o grupo de Galois de f com
respeito a K e denotado por Gal(f, K).
Observac¸˜ ao 21.18. Quando K = ¸, o problema de Galois era caracterizar
em termos de propriedades de Gal(f, ¸) quando as ra´ızes de f seriam expressas da
forma radical. Isto equivale a Gal(f, ¸) ser um grupo sol´ uvel. Retornaremos a este
ponto no cap´ıtulo de solubilidade por radicais.
Existe uma situa¸c˜ao em que o grupo de Galois Gal(f, K) ´e todo o grupo S
n
.
Para isto utilizaremos o seguinte lema (ver [GaLe, p. 106]).
Lema 21.19. Seja p > 2 um n´ umero primo e H um subgrupo do grupo S
p
de
permuta¸c˜oes de p elementos. Suponha que H contenha uma transposi¸c˜ao (elemento
de ordem 2) e um elemento de ordem p. Ent˜ao H = S
p
.
Teorema 21.20. Seja f ∈ ¸[x] irredut´ıvel mˆonico de grau primo p > 2.
Suponha que f possua exatamente p −2 ra´ızes reais. Ent˜ao Gal(f, ¸) = S
p
.
Demonstrac¸˜ ao. A conjuga¸c˜ao complexa τ restrita a N = ¸[¹
f
] nos d´a um
¸-homomorfismo η : N → C. Mas como N/¸ ´e normal, ent˜ao η ∈ Aut(N/¸).
Por hip´otese η fixa as p − 2 ra´ızes reais e necessariamente permuta as duas ra´ızes
complexas conjugadas restantes. Portanto η tem ordem 2. A fortiori, sua imagem,
tamb´em denotada por η em Gal(f, ¸) tamb´em tem ordem 2.
Seja α ∈ ¹
f
. Logo [¸[α] : ¸] = grau(f) [ [N : ¸] = #Gal(N/¸), uma vez
que N/¸ ´e galoisiana. Pelo primeiro teorema de Sylow, existe θ ∈ Gal(N/¸) de
ordem p. A fortiori, sua imagem, tamb´em denotada por θ em Gal(f, ¸) tamb´em
tem ordem p. Assim, o teorema segue do lema.
CAP´ıTULO 22
Extens˜oes ciclotˆomicas
Seja K um subcorpo de um corpo algebricamente fechado Ω. Para todo n ≥ 1,
consideremos o subgrupo
W
n
:= W
n
(Ω) := ¦z ∈ Ω[ z
n
= 1¦
de Ω

, dito grupo das ra´ızes n-´esimas da unidade. Observemos que este grupo ´e
finito de ordem no m´aximo n. Pelo lema 18.18 temos que W
n
´e um grupo c´ıclico
cuja ordem coincide com o seu expoente. Al´em disto, #W
n
= n se somente se
p = car(Ω) [ n. De fato, #W
n
= n se e somente se polinˆomio x
n
− 1 ∈ Ω[x] ´e
separ´avel, o que ocorre se e somente se car(Ω) = 0 ou p com p [ n. Note por
exemplo que W
p
= ¦1¦, se car(Ω) = p.
A partir de agora suporemos sempre que car(Ω) = 0 ou p com p [ n. Seja
W
n
(K) := W
n
∩ K.
Este conjunto ´e um subgrupo c´ıclico de W
n
e de K

. Este subgrupo depende
diretamente de K e n. Por exemplo, se K = ¸, Ω = C e n = 6, temos que
W
6
= ¦1, ζ, , ζ
5
¦, onde ζ = e
2πi/6
, mas W
6
(¸) = ¦±1¦. Se n = 5, ent˜ao
W
n
= ¦1, η, , η
4
¦, onde η = e
2πi/5
, mas W
5
(¸) = ¦1¦. Assim, W
n
(K) depende
de n e de K. Por outro lado, se n ´e par (resp. ´ımpar), ent˜ao W
n
(¸) = ¦±1¦ (resp.
W
n
(¸) = ¦1¦).
Seja ζ um gerador de W
n
. Existe um isomorfismo canˆonico
W
n

= Z/nZ dado por ζ
i
→i.
Lembremos que os geradores de Z/nZ s˜ao exatamente as classes
a tais que mdc(a, n) = 1,
i.e., s˜ao os elementos de (Z/nZ)

. A pr´e-imagem destes geradores pelo isomorfismo
anterior ´e o conjunto T
n
de geradores de W
n
. Tal conjunto ´e chamado o conjunto
das ra´ızes primitivas n-´esimas da unidade. Observe tamb´em que pelo teorema de
Lagrange para todo ϑ ∈ W
n
temos o(ϑ) = d [ n. Assim, podemos escrever
(22.1) W
n
=
_
d|n
T
d
.
Como anteriormente definimos
T
n
(K) := T
n
∩ K.
Assim, W
n
(K) ´e c´ıclico de ordem n se e somente se T
n
(K) ,= ∅.
Definic¸˜ ao 22.1. Dizemos que L
n
:= K[¹
x
n
−1
] ´e a n-´esima extens˜ao ci-
clotˆomica de K contida em Ω. Quando K = ¸, L
n
´e dito o n-´esimo corpo ci-
clotˆomico.
155
156 22. EXTENS
˜
OES CICLOT
ˆ
OMICAS
Teorema 22.2. A extens˜ao L
n
/K ´e galoisiana finita, Aut(L
n
/K) ´e um grupo
abeliano isomorfo a um subgrupo de (Z/nZ)

. Em particular, [L
n
: K] [ φ(n). Al´em
disto, L
n
= K(ζ) para algum gerador ζ de W
n
(L
n
).
Demonstrac¸˜ ao. Esta extens˜ao ´e finita, pois ´e finitamente gerada por ele-
mentos alg´ebricos sobre K, as ra´ızes de x
n
− 1.
´
E claro que L
n
/K ´e normal, pois
L
n
´e o corpo de decomposi¸c˜ ao de x
n
− 1 sobre K. Tamb´em ´e claro que L
n
/K ´e
separ´avel, pois x
n
−1 ´e separ´avel (lembre que p [ n, se p > 0). Seja ζ um gerador de
W
n
(L
n
) = W
n
. Ent˜ao σ ∈ Aut(L
n
/K) se e somente se σ(ζ) for tamb´em um gerador
de W
n
, o que ocorre se e somente se σ(ζ) = ζ

para algum a
σ
∈ ¦0, , n−1¦ tal
que mdc(a
σ
, n) = 1. Isto induz a seguinte fun¸c˜ao
ϕ : Aut(L
n
/K) →(Z/nZ)

definida por σ →a
σ
. Esta fun¸c˜ao ´e um homomorfismo injetivo de grupos. De fato,
por um lado ϕ(στ) = a
στ
. Por outro lado, στ(ζ) = σ(ζ

) = σ(ζ)

= ζ
aσaτ
,
portanto a
στ
= a
σ
a
τ
, a fortiori, ϕ(στ) = ϕ(σ)ϕ(τ) e ϕ ´e um homomorfismo de
grupos. Al´em disto, σ ∈ N(ϕ) se e somente se a
σ
= 1, o que ocorre se e somente
se σ = id.
Corol´ ario 22.3. [L
n
: K] = φ(n) se e somente se Aut(L
n
/K)

= (Z/nZ)

.
Verificaremos que a condi¸c˜ao do corol´ario ´e satisfeita se K = ¸. Para isto
precisamos do seguinte lema elementar cuja demonstra¸c˜ao deixamos a cargo do
leitor.
Lema 22.4. Sejam f, g ∈ ¸[x] tais que fg ∈ Z[x], ent˜ao f, g ∈ Z[x].
Teorema 22.5. Seja ζ um gerador de W
n
⊂ C

. Ent˜ao [¸(ζ) : ¸] = φ(n).
Demonstrac¸˜ ao. Seja p um n´ umero primo tal que p [ n. Afirmamos que
P
ζ|Q
= P
ζ
p
|Q
. Suponha que P
ζ|Q
,= P
ζ
p
|Q
. Seja
κ
p
: Z →F
p
, a →a
o homomorfismo quociente. Este induz um homomorfismo sobrejetivo κ

p
: Z[x] →
F
p
[x] dado por

i
a
i
x
i

a
i
x
i
.
Observe que ζ
p
∈ ¹
x
n
−1
, logo P
ζ|Q
e P
ζ
p
|Q
dividem x
n
−1. Ou seja, existe h ∈ ¸[x]
tal que
x
n
−1 = hP
ζ|Q
P
ζ
p
|Q
.
Pelo lema anterior concluimos que h, P
ζ|Q
, P
ζ
p
|Q
∈ Z[x]. Em particular,
x
n
−1 = κ

p
(h)κ

p
(P
ζ|Q


p
(P
ζ
p
|Q
).
Observe que ζ ´e raiz de P
ζ
p
|Q
(x
p
), logo
P
ζ
p
|Q
(x
p
) = h
1
(x)P
ζ|Q
(x),
para algum h
1
∈ Z[x], onde novamente utilizamos pelo lema anterior. Portanto,
κ

p
(P
ζ
p
|Q
(x
p
)) = κ

p
(P
ζ
p
|Q
)(x)
p
= κ

p
(h
1
)(x)κ

p
(P
ζ|Q
)(x).
Mas κ

p
(P
ζ|Q
) e κ

p
(P
ζ
p
|Q
) s˜ao irredut´ıveis mˆonicos. Logo κ

p
(P
ζ|Q
) = κ

p
(P
ζ
p
|Q
). Em
particular, x
n
−1 possui fator m´ ultiplo. Mas este polinˆomio ´e separ´avel, pois p [ n.
Concluimos assim que
(22.2) P
ζ|Q
= P
ζp|Q
.
22. EXTENS
˜
OES CICLOT
ˆ
OMICAS 157
Seja η ∈ T
n
, ent˜ao η = ζ
a
, onde a = p
1
p
r
, onde p
i
´e primo e p
i
[ n.
Aplicando sucessivamente (22.2) concluimos que
P
η|Q
= P
ζ|Q
.
Logo

P
ζ|Q
≥ #T
n
= φ(n).
Por outro lado,

P
ζ|Q
= grau(P
ζ|Q
) = [¸(ζ) : ¸] ≤ φ(n),
onde a ´ ultima desigualdade segue do teorema anterior.
Definic¸˜ ao 22.6. Denotamos por
Φ
n
:= P
ζ|Q
o n-´esimo polinˆomio ciclotˆomico.
Segue de (22.1) e da prova do teorema anterior que
x
n
−1 =

d|n
Φ
d
.
Esta ´ ultima igualdade permite recuperar indutivamente os polinˆomios ciclotˆomicos,
por exemplo, a partir de Φ
p
para p um n´ umero primo.
O grupo de Galois de extens˜oes ciclotˆomicas, mesmo sobre os racionais, ´e sem-
pre abeliano, mas raramente ´e c´ıclico. Lembre por exemplo que (Z/nZ)

´e c´ıclico
se n for 2, 4, p n´ umero primo ou 2p. Entretanto, quando substituimos ¸ pelo corpo
finito F
p
de p elementos, para um n´ umero primo p, o que obtemos ´e sempre um
grupo c´ıclico como explicaremos a seguir.
Observac¸˜ ao 22.7. Note tamb´em que todo corpo finito F
q
de q = p
n
elementos
d´a origem a uma extens˜ao ciclotˆomica F
q
/F
p
de corpos finitos ´e necessariamente
uma extens˜ao ciclotˆomica, pois F
p
n ¸ ¦0¦ ´e exatamente W
p
n
−1
.
Extens˜oes finitas de ¸ s˜ao ditas corpos de n´ umeros. Podemos naturalmente
constuir uma torre de extens˜oes ciclotˆomicas
¸ ⊂ ¸[ζ
p
] ⊂ ¸[ζ
p
2] ⊂ ⊂ ¸
p

chamada uma torre p-´adica. O estudo deste tipo de torre foi feito por K. Iwasawa
e este associa a cada torre uma s´erie p-´adica intimamente ligada `a fun¸c˜ao anal´ıtica
p-´adica de Kubota e Leopoldt a qual interpola L-fun¸c˜oes de Dirichlet nos inteiros
negativos.
Por outro lado ´e poss´ıvel construir torres semelhantes quando substituimos ¸
pelo corpo de fun¸c˜oes racionais F
p
(x). Neste caso entretanto dois tipos de ciclo-
tomia aparecem, emergindo um fenˆomeno distinto do caso de corpos de n´ umeros.
De um lado as extens˜oes do tipo F
q
(x)/F
p
(x) por constantes, que como observa-
mos anteriormente e utilizando a teoria de Galois s˜ao extens˜oes ciclotˆomicas. Por
outro lado, o papel das ra´ızes da unidade tamb´em tem como contrapartida o que
chamamos de pontos de tor¸c˜ ao de um determinado m´odulo devido a Carlitz. Para
mais sobre isto ver [Goss].
Finalmente, a teoria de extens˜oes ciclotˆomicas tanto em um caso quanto em
outro s˜ao incarna¸c˜oes unidimensionais de um fenˆomeno mais amplo (multiplica¸c˜ao
complexa) que ocorre por exemplo no contexto de variedades abelianas e m´odulos
de Drinfeld.
158 22. EXTENS
˜
OES CICLOT
ˆ
OMICAS
Definic¸˜ ao 22.8. Seja Ω
p
um corpo algebricamente fechado contendo F
p
. Defin-
imos em Ω
p
o automorfismo de Frobenius Frob
p
(a) = a
p
.
Teorema 22.9. A extens˜ao F
q
/F
p
´e galoisiana finita e seu grupo de Galois
Aut(F
q
/F
p
) ´e c´ıclico de ordem n gerado pela restri¸c˜ao (Frob
p
)
|Fq
do automorfismo
de Frobenius Frob
p
a F
q
.
Demonstrac¸˜ ao. A primeira parte do teorema j´a est´a feita. Note que
(Frob
p
)
n
Fq
= id. Seja ζ um gerador de F

q
. Ent˜ao o(ζ) = p
n
−1. Se existisse j < n
tal que (Frob
p
)
j
|Fq
= id, ent˜ao ζ = Frob
p
(ζ)
j
= ζ
p
j
, i.e., (p
n
−1) [ (p
j
−1), o que ´e
imposs´ıvel. Assim, o((Frob
p
)
|Fq
) = n. Mas #Aut(F
q
/F
p
) = [F
q
: F
p
] = n.
Teorema 22.10. Seja η um gerador de W
n
(Ω
p
). Ent˜ao [F
p
(η) : F
p
] = o(p) em
(Z/nZ)

.
Demonstrac¸˜ ao. Seja m := [F
p
(η) : F
p
] e f := o(p) em (Z/nZ)

. Neste caso
F
p
(η)

= F
q
, onde q = p
m
. Al´em disto, o(η) = n [ [F

q
[ = q−1, i.e., p
m
≡ 1 (mod n),
em particular p
m
= 1. Pelo lema chave, o(p) = f [ m, a fortiori f ≤ m.
Reciprocamente, como p
f
≡ 1 (mod n), ent˜ao η
p
f
−1
= 1, i.e., η
p
f
= η. Por
outro lado, para todo α ∈ F
p
(η) temos que
α =
m−1

i=0
a
i
η
i
,
onde a
i
∈ F
p
para todo i. Pelo pequeno teorema de Fermat, a
p
i
= a
i
para todo i,
portanto,
α
p
f
=
m−1

i=0
a
p
f
i
η
p
f
=
m−1

i=0
a
i
η
i
= α.
Em particular, tomando α um gerador de F
p
(η)

concluimos que α
p
f
−1
= 1, logo
pelo lema chave, o(α) = (p
m
−1) [ (p
f
−1), em particular m ≤ f.
Definic¸˜ ao 22.11. Analogamente, definimos Ψ
n
:= P
η|Fp
.
Observac¸˜ ao 22.12. A decomposi¸c˜ao de
W
n
(Ω
p
) =
_
d|n
T
d
(Ω
p
)
e o teorema anterior implicam que
x
n
−1 =

d|n
Ψ
d
.
Al´em disto ´e f´acil ver que Ψ
d
= κ

p

d
).
CAP´ıTULO 23
Extens˜oes c´ıclicas
Seja K um subcorpo de um corpo algebricamente fechado Ω. Uma extens˜ao
galoisiana finita L/K ´e c´ıclica (resp. abeliana) se Aut(L/K) for c´ıclico (resp.
abeliano).
Teorema 23.1 (teorema de Abel). Seja K um corpo, car(K) = p primo e
a ∈ K

. As seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes:
(1) x
p
−a ´e irredut´ıvel em K[x].
(2) x
p
−a n˜ao possui raiz em K.
(3) a / ∈ K
p
:= ¦b
p
[ b ∈ K¦.
Demonstrac¸˜ ao.
´
E claro que (1) implica (2) que implica (3). Suponha que
x
p
−a seja redut´ıvel em K[x] e seja α ∈ Ω tal que α
p
= a. Ent˜ao P
α|K
[ (x
p
−a).
Como x
p
− a = (x − α)
p
em Ω[x] concluimos que P
α|K
(x) = (x − α)
l
, onde 1 ≤
l ≤ p − 1. Mas se l > 1, entˆao P
α|K
n˜ao ´e separ´avel, consequentemente existe
h ∈ K[x] tal que P
α|K
(x) = h(x
p
). Mas devido ao grau de P
α|K
isto n˜ao ´e poss´ıvel.
Portanto, P
α|K
(x) = x −α ´e separ´avel e α ∈ K, em particular a ∈ K
p
.
Trataremos agora o caso em que car(K) = 0 ou car(K) = p e p [ n. Neste caso
T
n
,= ∅, digamos ζ ∈ T
n
e
¹
x
n
−a
= ¦ζ
i
α[ 0 ≤ i ≤ n −1, α ∈ Ω, α
n
= a¦.
Analisaremos primeiro o caso em que T
n
(K) ,= ∅.
Teorema 23.2. Suponhamos que T
n
(K) ,= ∅ e seja L = K[¹
x
n
−a
]. Ent˜ao
L/K ´e galoisiana e Aut(L/K) ´e isomorfo a um subgrupo de Z/nZ, sendo portanto
c´ıclico. Em particular, [L : K] [ n e L = K[α] para qualquer α ∈ ¹
x
n
−a
.
Demonstrac¸˜ ao. Como L ´e um corpo de decomposi¸c˜ao, ent˜ao L/K ´e normal.
Al´em disto como p [ n e D(x
n
− a) = nx
n−1
concluimos que x
n
− a ´e separ´avel,
portanto L/K ´e separ´avel. Al´em disto para todo σ ∈ Aut(L/K), σ(α) ∈ ¹
x
n
−a
,
portanto existe 0 ≤ i
σ
< n tal que σ(α) = ζ

. Consideremos a fun¸c˜ao
ϕ : Aut(L/K) →Z/nZ dada por ϕ(σ) = i
σ
.
Esta fun¸c˜ao ´e um homomorfismo injetivo de grupos (neste caso, como Z/nZ´e c´ıclico,
concluimos que Aut(L/K) como subgrupo tamb´em o ´e). De fato, dados σ, τ ∈
Aut(L/K), ent˜ao τσ(α) = τ(ζ

α) = ζ
iτ iσ
, portanto ϕ(τσ) = i
τ
i
σ
= ϕ(τ)ϕ(σ).
Al´em disto σ ∈ N(ϕ) se e somente se i
σ
= 0, i.e., i
σ
= 0, mas neste caso σ = id.
Definic¸˜ ao 23.3. A extens˜ao c´ıclica L = K[¹
x
n
−a
] ´e dita uma extens˜ao de
Kummer.
159
160 23. EXTENS
˜
OES C
´
ICLICAS
Observac¸˜ ao 23.4.
´
E poss´ıvel desenvolver uma teoria de extens˜oes de Kummer
mesmo que T
n
(K) = ∅. Para isto ´e necess´ario cohomologia galoisiana. Para mais
detalhes ver [La, chapter VI].
Nesta ´ ultima situa¸c˜ao construimos a seguinte seq¨ uˆencia de extens˜oes
K[¹
x
n
−a
] = K[ζ, α] ⊃ K[ζ] ⊂ K.
A primeira extens˜ao ´e c´ıclica de grau dividindo n enquanto a segunda ´e abeliana de
grau diviindo φ(n). Mais tarde veremos que isto pode ser traduzido em termos do
grupo Aut(L/K). Ele tem a propriedade de ser um grupo sol´ uvel. Em particular
obteremos que o polinˆomio x
n
− a = 0 ´e sol´ uvel por radicais (o que ´e exatamente
a pergunta original de Galois para este polinˆomio particular.
Para provar a rec´ıproca do teorema anterior precisamos do teorema 90 de
Hilbert. Seja G um grupo e Hom(G, K) denota o conjunto dos homomorfismos
multiplicativos, i.e., dado σ ∈ hom(G, K), σ(xy) = σ(x)σ(y). Por abuso de nota¸c˜ao
denotaremos ainda por Hom(G, K) o K-espa¸co vetorial gerado por este conjunto.
Teorema 23.5 (teorema de Artin). Dados ϕ
1
, , ϕ
n
∈ Hom(G, K) distintos
ent˜ao estes elementos s˜ao K-linearmente independentes.
Demonstrac¸˜ ao. Suponhamos que existam a
1
, , a
n
∈ K n˜ao todos nulos
tais que
a
1
ϕ
1
+. . . +a
n
ϕ
n
= 0,
i.e., para todo y ∈ G temos que
(23.1) a
1
ϕ
1
(y) +. . . +a
n
ϕ
n
(y) = 0.
Ap´os reenumera¸c˜ao suponhmaos que a
1
, , a
k
sejam n˜ao nulos que a n-upla
(a
1
, , a
k
, 0, , 0) tenha o maior n´ umero de entradas nulas poss´ıveis. Seja x ∈ G
tal que ϕ
1
(x) ,= ϕ
k
(x). Ent˜ao para todo y ∈ G temos que
(23.2) a
1
ϕ
1
(xy) +. . . +a
k
ϕ
k
(xy) = a
1
ϕ
1
(x)ϕ
1
(y) +. . . +a
k
ϕ
k
(x)ϕ
k
(y) = 0.
Multiplicando a (23.1) por ϕ
k
(x) e subtraindo de (23.2) obtemos
b
1
ϕ
1
(y) +. . . +b
k−1
ϕ
k−1
(y) = 0,
onde b
i
= a
i

i
(y) −ϕ
i
(x)) e b
1
,= 0. Em particular
b
1
ϕ
1
+. . . +b
k−1
ϕ
k−1
= 0
e esta combina¸c˜ao ´e n˜ao trivial possuindo um n´ umero de zeros maior que a com-
bina¸c˜ao que possui o maior n´ umero de zeros. Isto ´e uma contradi¸c˜ao.
Corol´ ario 23.6 (teorema de Dedekind). Sejam σ
1
, , σ
n
∈ Aut(K), ent˜ao
este conjunto ´e K-linearmente independente.
Teorema 23.7 (teorema 90 de Hilbert). Seja L/K uma extens˜ao c´ıclica de
grau n e σ um gerador de Aut(L/K). Dado β ∈ L temos que
(1) N
L/K
(β) = 1 se e somente se existe α ∈ L tal que β =
α
σ(α)
.
(2) T
L/K
(α) = 0 se e somente se existe α ∈ L tal que β = α −σ(α).
23. EXTENS
˜
OES C
´
ICLICAS 161
Demonstrac¸˜ ao. Lembremos que como Aut(L/K) = ¸σ), ent˜ao
N
L/K
(β) =
n−1

i=0
σ
i
(β) e T
L/K
(β) =
n−1

i=0
σ
i
(β).
Em particular, N
L/K
(σ(β)) = N
L/K
(β) e T
L/K
(σ(β)) = T
L/K
(β). Se existe α ∈ L
tal que β =
α
σ(α)
(resp. β = α −σ(α)) ent˜ao N
L/K
(β) = 1 (resp. T
L/K
(β) = 0).
Provemos as rec´ıprocas separadamente. Suponhamos primeiro que N
L/K
(β) =
1. Pelo teorema de Dedekind, id, σ, , σ
n−1
s˜ao K-lienarmente independentes.
Consideremos a K-combina¸c˜ao linear n˜ao trivial
id +βσ + (βσ(β))σ
2
+. . . + (βσ(β) . . . σ
n−2
(β))σ
n−1
,= 0,
pois o primeiro coeficiente ´e n˜ao nulo. Logo existe γ ∈ L tal que
α := γ +βσ(γ) + (βσ(β))σ
2
(γ) +. . . + (βσ(β) . . . σ
n−2
(β))σ
n−1
(γ) ,= 0.
Aplicando σ dos dois lados desta igualdade de notando que

n−1
i=1
σ
i
(β) = β
−1
e
que σ
n
(γ) = γ concluimos que
σ(α) = σ(γ) +σ(β)σ
2
(γ) + (σ(β)σ
2
(β))σ
3
(γ) +. . . +β
−1
γ
= β
−1
(γ +βσ(γ) + (βσ(β))σ
2
(γ) +. . . + (βσ(β) . . . σ
n−2
(β))σ
n−1
(β))
= β
−1
α.
Suponhamos agora que T
L/K
(β) = 0. Como L/K ´e separ´avel existe γ ∈ L tal
que T
L/K
(γ) ,= 0 (ver exerc´ıcio no capt´ıtulo de extens˜oes separ´aveis). Seja
α :=
1
T
L/K
(γ)
(βσ(γ) +(β +σ(β))σ
2
(γ) +. . . +(β +σ(β) +. . . +σ
n−2
(β))σ
n−1
(γ).
Observe que
σ(α) =
1
T
L/K
(γ)
(σ(β)σ
2
(γ)) + (σ(β) +σ
2
(β))σ
3
(γ) +. . .
+ (σ(β) +. . . +σ
n−1
(β))σ
n
(γ)).
Como σ
n
(γ) = γ e

n−1
i=1
σ
i
(β) = −β concluimos que
α −σ(α) =
1
T
L/K
(γ)
(βγ +βσ(γ) +. . . +βσ
n−1
(γ))
=
1
T
L/K
(γ)
βT
L/K
(γ) = β.

Teorema 23.8. Suponhamos que T
n
(K) ,= ∅. Seja L/K uma extens˜ao c´ıclica
de grau n. Ent˜ao existe a ∈ K

tal que L = K[¹
x
n
−a
] e L = K[α] para qualquer
α ∈ ¹
x
n
−a
.
Demonstrac¸˜ ao. Seja ζ ∈ T
n
(K), ent˜ao N
L/K
(ζ) = ζ
n
= 1. Pelo teorema 90
de Hilbert existe α ∈ L tal que ζ =
α
σ(α)
, onde ¸σ) = Aut(L/K). Em particular,
σ(α) = ζ
−1
α e σ(α
n
) = σ(α)
n
= (ζ
−1
)
n
α
n
= α, i.e., a = α
n
∈ K.
´
E claro que
¹
x
n
−a
= ¦ζ
i
α[ 0 ≤ i ≤ n − 1¦ ⊂ L, logo K[¹
x
n
−a
] ⊂ L. Al´em disto ¹
x
n
−a

¹
P
α|K
, portanto x
n
−a = P
α|K
, assim K[α] = K[¹
x
n
−a
] e [K[α] : K] = n, portanto
L = K[α].
162 23. EXTENS
˜
OES C
´
ICLICAS
Proposic¸˜ ao 23.9. Seja K um corpo de caracter´ıstica p e a ∈ K. Ent˜ao
x
p
−x −a ´e irredut´ıvel em K se e somente se n˜ao existe b ∈ K tal que b
p
−b = a.
Demonstrac¸˜ ao. Se existe b ∈ K tal que b
p
−b = a, ent˜ao x
p
−x−a possui uma
raiz em K sendo portanto redut´ıvel. Reciprocamente, suponha que f = x
p
−x −a
seja redut´ıvel em K[x]. Seja α ∈ Ω uma raiz de f, ent˜ao P
α|K
[ (x
p
−x −a). Note
que
¹
x
p
−x−a
= ¦α +i [ 0 ≤ i < p¦ e P
α|K
=

i∈I
(x −α −i)
para algum subconjunto I ⊂ ¦0, 1, , p −1¦. Portanto o coeficiente de grau d −1,
onde 1 ≤ d = #I, ´e igual a dα +c com c ∈ ¦0, 1, , p −1¦. Em particular, como
dα + c ∈ K, concluimos que dα ∈ K e como d ´e invers´ıvel, pois p [ d, concluimos
que α ∈ K, i.e., α
p
−α = a.
Teorema 23.10. Seja a ∈ K

tal que n˜ao existe α ∈ K com α
p
−α = a. Ent˜ao
a extens˜ao K(¹
x
p
−x−a
)/K ´e c´ıclica de grau p. Al´em disto K[¹
x
p
−x−a
] = K[α]
para todo α ∈ ¹
x
p
−x−a
.
Demonstrac¸˜ ao. Como L = K[¹
x
p
−x−a
] ´e um corpo de decomposi¸c˜ao, a
extens˜ao L/K ´e nornmal. Al´em disto D(x
p
−x −a) = −1, logo L/K ´e separ´avel.
As ra´ızes de x
p
−x−a s˜ao da forma α+i para i = 0, , p−1. Portanto, L = K[α].
Pela proposi¸c˜ao anterior x
p
− x − a = P
α|K
para algum α ∈ ¹
x
p
−x−a
, portanto
[L : K] = p.
Definic¸˜ ao 23.11. Uma extens˜ao c´ıclica da forma da forma K[¹
x
p
−x−a
]/K em
caracter´ıstica p ´e dita uma extens˜ao de Artin-Schreier.
Observac¸˜ ao 23.12.
´
E poss´ıvel de forma semelhante ao que foi feito acima car-
acterizar extens˜oes c´ıclicas em caracter´ıstica p de grau p
n
. Neste caso ´e necess´ario
substituir α por um vetor, chamado um vetor de Witt, por isto estas extens˜oes s˜ao
ditas de Artin-Schreier-Witt. Vetores de Witt formam um anel que como espa¸co
vetorial ´e isomorfo a K
n
, mas com outra soma e produto de tal forma que seja
um anel em caracter´ıstica 0. Tomando seu limite projetivo (veja cap´ıtulo de teoria
de Galois infinita) obtemos o anel J(K) de vetores de Witt.
´
E um anel com um
´ unico ideal maximal pJ(K) cujo quociete ´e isomorfo a K. Assim pensamos que ele
levanta K. Isto ´e similar ao fato dos anel inteiros p-´adicos Z
p
levantar F
p
o corpo
de p elementos.
Vetores de Witt aparecem em v´arias partes na matem´atica. Para citar apenas
duas. Serre introduziu a cohomologia com coeficientes nos feixes de vetores de
Witt que pode ser vista como uma precursora da cohomologia ´etale. De outro lado,
curvas sobre um corpo K de caracter´ıstica p podem ser “deformadas” em curvas
sobre o anel J(K).
Teorema 23.13. Seja K um corpo de caracter´ıstica p e L/K uma extens˜ao
c´ıclica de grau p. Ent˜ao existe a ∈ K tal que a ,= b
p
− b para todo b ∈ K e
L = K[¹
x
p
−x−a
].
Demonstrac¸˜ ao. Note que T
L/K
(1) = p = 0. Seja σ um gerador de Aut(L/K
). Pelo teorema 90 de Hilbert existe α ∈ L tal que 1 = α−σ(α), i.e., σ(α) = α−1.
Logo para todo 0 ≤ j < p, σ
j
(α) = α−j, em particular para todo i = 0, , p −1,
α+i ´e raiz de P
α|K
e al´em disto σ(α
p
−α) = α
p
+j −(α+j) = α
p
−α (pelo pequeno
23. EXTENS
˜
OES C
´
ICLICAS 163
teorema de Fermat). Al´em disto, ¹
x
p
−x−a
⊂ ¹
P
α|K
, logo P
α|K
[ x
p
− x − a, para
a = α
p
−α ∈ K e P
α|K
= x
p
−x −a. Em particular, L = K(¹
x
p
−x−a
).
CAP´ıTULO 24
Solubilidade por radicais
Este cap´ıtulo responde `a quest˜ao original de Galois : quando uma equa¸c˜ao
polinomial com coeficientes racionais tem solu¸c˜ao na forma radical. Observe que
precisamos n˜ao s´o da gestalt da teoria de Galois mas tamb´em de extens˜oes ci-
clotˆomicas e c´ıclicas bem como da no¸c˜ao de grupos sol´ uveis.
Definic¸˜ ao 24.1. Uma extens˜ao galoisiana finita E/k ´e dita sol´ uvel se e somente
se Aut(E/k) ´e um grupo sol´ uvel. Isto equivale a dizer que existe uma seq¨ uˆencia de
corpos
E = E
0
⊃ E
1
⊃ E
2
⊃ E
n
= k
tal que cada extens˜ao E
i
/E
i+1
´e abeliana, ou equivalentemente c´ıclica de grau
primo.
Extens˜oes sol´ uveis satisfazem `as seguintes propriedades.
Proposic¸˜ ao 24.2. (1) Sejam k ⊂ F ⊂ E corpos tais que E/k e F/k
sejam extens˜oes galoisianas finitas. Ent˜ao E/k ´e sol´ uvel se e somente se
E/F e F/k s˜ao sol´ uveis.
(2) Suponha que E/k seja sol´ uvel e que K/k seja uma extens˜ao finita qualquer
com E, K ⊂ Ω e Ω corpo, ent˜ao EK/K ´e sol´ uvel.
(3) Se E/k e K/k s˜ao sol´ uveis, ent˜ao EK/k ´e sol´ uvel.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Basta utilizar a proposi¸c˜ao 12.15 e notar que basta mos-
trar o resultado para os respectivos grupos de automorfismos, i.e., Aut(E/k) ´e
sol´ uvel se e somente se Aut(E/F) e Aut(F/k)

= Aut(E/k)/ Aut(E/F) s˜ao sol´ uveis
(lembre que F/k ´e galoisiana se e somente se Aut(E/F) Aut(E/k).
(2) Segue da proposi¸c˜ao 21.13 que EK/K ´e galoisiana finita. Al´em disto
Aut(EK/K)

= Aut(E/E ∩ K) ⊂ Aut(E/k). Como Aut(E/k) ´e sol´ uvel, pela
proposi¸c˜ao 12.15 concluimos que Aut(EK/K) tamb´em ´e sol´ uvel.
(3) Novamente, pela proposi¸c˜ao 21.13, EK/k ´e galoisiana finita. Al´em disto,
pela proposi¸c˜ao 12.15, utilizando que Aut(EK/K) e Aut(K/k)

= Aut(EK/k)/
Aut(EK/K) s˜ao sol´ uveis, concluimos que Aut(EK/k) tamb´em o ´e. Portanto,
EK/k ´e sol´ uvel.
Definic¸˜ ao 24.3. Uma extens˜ao finita separ´avel F/k ´e dita sol´ uvel por radicais
se existe E/k finita tal que F ⊂ E e existe uma seq¨ uˆencia de corpos
E = E
0
⊃ E
1
⊃ ⊃ E
n
= k
tal que cada extens˜ao E
i
/E
i+1
´e de um dos 3 tipos seguintes:
(1) E
i
= E
i−1
[ζ], onde ζ ∈ ¹
x
n
−1
, para algum n ≥ 1.
(2) E
i
= E
i−1
[α], onde α ∈ ¹
x
n
−a
, para algum n ≥ 1, se p [ n, onde p =
car(k) (esta condi¸c˜ao ´e vazia se car(k) = 0) e a ∈ E
i−1
.
165
166 24. SOLUBILIDADE POR RADICAIS
(3) E
i
= E
i−1
[α], onde α ∈ ¹
x
p
−x−a
, se car(K) = p > 0 e para algum
a ∈ E
i−1
.
Extens˜oes sol´ uveis por radicais satisfazem as seguintes propriedades. Em todas
as propriedades abaixo suporemos que os corpos estejam todos contidos em um
corpo Ω suficientemente grande, de tal forma a podermos tomar composita de
corpos.
Proposic¸˜ ao 24.4. (1) Sejam k ⊂ F ⊂ E corpos com E/k separ´avel
finita. Ent˜ao E/k ´e sol´ uvel por radicais se e somente se E/F e F/k
o s˜ao.
(2) Suponha que E/k seja sol´ uvel por radicais e seja K/k uma extens˜ao finita.
Ent˜ao EK/K ´e sol´ uvel por radicais.
(3) Suponha que E/k e K/k sejam sol´ uveis por radicais. Ent˜ao EK/k ´e
sol´ uvel por radicais.
Demonstrac¸˜ ao. (1) Suponha que F/k e E/F sejam sol´ uveis por radicais.
Logo existem F

/k finita tal que F

⊃ F e seq¨ uˆencia de corpos
F

= F
0
⊃ F
1
⊃ ⊃ k,
na qual cada extens˜ao F
i
/F
i−1
´e de um dos 3 tipos anterioes. Similarmente, existem
E

/F finita tal que E

⊃ E e seq¨ uˆencia de corpos
E

= E
0
⊃ E
1
⊃ ⊃ F,
onde cada extens˜ao E
i
/E
i−1
´e de um dos 3 tipos acima. Tomando o compositum da
segunda seq¨ uˆencia com F

e continuando pela segunda at´e obtemos uma seq¨ uˆencia
de corpos
E

F

= E
0
F

⊃ E
1
F

⊃ ⊃ F

⊃ F
1
⊃ ⊃ k.
Finalmente, observe que E
i
F

= E
i−1
F

[ζ] ou E
i−1
F

[α], em qualquer caso recu-
peramos um dos 3 tipos anteriores.
Suponha agora que E/k seja sol´ uvel por radicais, ou seja existe E

/k finita com
E

⊃ E e
E

= E
0
⊃ E
1
⊃ ⊃ k,
com E
i
= E
i−1
[α] ou E
i−1
[ζ]. Primeiro, como F ⊂ E ⊂ E

, segue imediatamente
que F/k ´e sol´ uvel por radicais. De outro lado, como acima, tomando o compositum
da seq¨ uˆencia anterior com F concluimos tamb´em que E ⊂ E

⊂ E

F e E/F ´e
sol´ uvel por radicais.
(2) Mesmo argumento do ´ ultimo par´agrafo, tomando agora o compositum da
seq¨ uˆencia com K.
(3) Segue dos 2 anteriores.
Teorema 24.5. Seja E/k uma extens˜ao galoisiana finita. Ent˜ao E/k ´e sol´ uvel
por radicais se e somente se E/k ´e sol´ uvel.
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que E/k seja sol´ uvel. Neste caso existe uma se-
q¨ uˆencia de corpos
E = E
0
⊃ E
1
⊃ E
2
⊃ ⊃ E
n
= k
tal que cada extens˜ao E
i
/E
i+1
´e c´ıclica de grau primo
i
. Seja m =

i

i
onde
fazemos o produto apenas nos n´ umeros primos
i
tais que
i
,= p = car(k). Seja
24. SOLUBILIDADE POR RADICAIS 167
Ω um corpo algebricamente fechado contendo k e ζ ∈ T
m
(Ω). Seja K := k[ζ].
Consideremos o compositum da seq¨ uˆencia de corpos acima com K,
EK = L
0
⊃ E
1
K = L
1
⊃ E
2
K = L
2
⊃ ⊃ E
n
K = K.
Cada extens˜ao L
i
/L
i+1
´e galoisiana e temos que
Aut(L
i
/L
i+1
) = Aut(E
i
K/E
i+1
K)
´e isomorfo a um subgrupo de ordem > 1 de Aut(E
i
/E
i+1
). Portanto este subgrupo
´e igual ao pr´oprio Aut(E
i
/E
i+1
), o qual ´e c´ıclico de ordem
i
. Mas neste caso, por
constru¸c˜ao existe ζ
m/i
∈ E
i−1
raiz
i
-´esima da unidade, para
i
,= p. Portanto, a
extens˜ao L
i
/L
i+1
´e uma extens˜ao de Kummer, se
i
,= p. Caso
i
= p a extens˜ao
´e automaticamente de Artin-Schreier. Portanto, cada extens˜ao L
i
/L
i+1
´e de um
dos 3 tipos acima, i.e., EK/K ´e sol´ uvel por radicais. Trivialmente, K/k ´e sol´ uvel
por radicais. Do item (1) das propriedades anteriores concluimos que EK/k ´e
sol´ uvel por radicais, a fortiori E/k ´e sol´ uvel por radicais (novamente o item (1) das
propriedades acima, uma vez que E ⊂ EK).
Reciprocamente, suponha que E/k seja sol´ uvel por radicais. Ent˜ao existe E

/k
finita contendo E e uma seq¨ uˆencia de corpos
E

= E
0
⊃ E
1
⊃ E
2
⊃ ⊃ E
n
= k
tal que cada E
i
/E
i+1
´e de um dos trˆes tipos acima. Note que a priori a extens˜ao
E
i
/E
i−1
n˜ao ´e galoisiana, isto falha no caso (2) acima. Seja m o produto de todos
os n´ umeros primos dividindo [E

: k] distintos de p = car(k) (caso p > 0). Seja
ζ ∈ W
m
(Ω) uma raiz primitiva m-´esima da unidade em um corpo algebricamente
fechado Ω (como sempre supomos Ω suficientemente grande para conter todos os
corpos considerados). Seja F := k[ζ] a m-´esima extens˜ao ciclotˆomica de k. Con-
sidere agora o compositum da seq¨ uˆencia anterior com F dado por
E

F ⊃ E
1
F ⊃ ⊃ F.
Para cada i, seja L
i
:= E
i
F. Note que agora cada L
i
/L
i−1
´e galoisiano, pois
corrigimos o caso Kummer acrescentando um elemento ζ
mi
, uma raiz m
i
-´esima
primitiva da unidade a E
i−1
, onde m
i
= [E
i
: E
i−1
], caso p [ m
i
. Caso contr´ario
nada h´a a fazer. Al´em disto neste caso L
i
= L
i−1

i
] = L
i−1

x
m
i −ai
], onde
α
mi
i
= a
i
. Finalmente, observe que E

F ´e o corpo de decomposi¸c˜ao sobre k do
polinˆomio
f :=

i,pmi
(x
mi
−a
i
)

i,mi=p
(x
p
−x −a
i
).
Portanto, E

F/k ´e galoisiana (j´a que E

F/F ´e separ´avel, pois cada L
i
/L
i−1
o ´e, e
F/k tamb´em ´e separ´avel). A fortiori, E

F/F ´e sol´ uvel. Trivialmente F/k ´e sol´ uvel.
Assim, pelas propriedades de extens˜oes sol´ uveis, E

F/k ´e sol´ uvel. A fortiori, pela
mesma raz˜ao, E/k ´e sol´ uvel.
Definic¸˜ ao 24.6. Dado f ∈ ¸[x] irredut´ıvel. Este polinˆomio ´e dito sol´ uvel por
radicais se ¸[¹
f
]/¸ ´e sol´ uvel por radicais.
Corol´ ario 24.7 (teorema de Galois, post-mortem). Seja f ∈ ¸[x] irredut´ıvel.
Ent˜ao f ´e sol´ uvel por radicais se e somente se Gal(f, K) for sol´ uvel.
Observac¸˜ ao 24.8. Num cap´ıtulo posterior abordaremos o problema inverso
de Galois, que permaence em aberto desde o s´eculo XIX. Este diz o seguinte. Dado
um grupo finito G ser´a que existe uma extens˜ao galoisiana finita K/¸ tal que
168 24. SOLUBILIDADE POR RADICAIS
Gal(K/¸) seja G? Veremos que a geometria, via o teorema de irredutibilidade
de Hilbert poder´a nos dar informa¸c˜oes relevantes para este problema. Um caso
particular ´e aquele no qual o grupo G ´e um grupo sol´ uvel. Nesta situa¸c˜ao sabe-se
que existe K. Isto ´e devido a
˘
Safarevi˘c e Iwasawa. Para mais sobre isto veja [Ser]
Observac¸˜ ao 24.9. N˜ao ´e dif´ıcil provar que S
4
e S
3
s˜ao grupos sol´ uveis. Al´em
disto, para todo polinˆomio irredut´ıvel f ∈ ¸[x] de grau n temos que Aut(k(¹
f
)/k)
´e isomorfo a um subgrupo de S
n
. Portanto, polinˆomios de graus 3 e 4 s˜ao sempre
sol´ uveis. Isto mostra que os algebristas ´arabes e italianos s´o podiam mesmo achar
explicitamente as ra´ızes na forma radical, o que n˜ao quer dizer que encontrar as
f´ormulas por eles obtidas fosse miss˜ao f´acil.
Contrariamente, equa¸c˜oes de grau 5 n˜ao s˜ao necessariamente sol´ uveis por radi-
cais, uma vez que S
5
n˜ao o ´e (veja [GaLe]. O teorema 21.20 nos diz que polinˆomios
de grau primo p > 2 com exatamente 2 ra´ızes reais tˆem grupo de Galois S
p
. Assim,
basta considerar um polinˆomio de grau 5 com 3 ra´ızes reais.
Parte 5
T´opicos adicionais
CAP´ıTULO 25
O problema inverso de Galois
Problema 25.1. Seja G um grupo finito. Ser´a que existe uma extens˜ao ga-
loisiana finita K/¸ tal que Gal(K/¸) = G?
Este problema permanece em aberto desde o s´eculo XIX. Entretanto refor-
mula¸c˜oes geom´etricas n˜ao s´o geraram an´alogos desta quest˜ao em outras circunstˆan-
cias, bem como trouxeram de volta resultados para o problema original. Nossa
primeira se¸c˜ao ser´a justamente dedicada a mostrar que o grupo S
n
de permuta¸c˜oes
de n elementos sempre ´e grupo de Galois de uma extens˜ao do corpo de fun¸c˜oes
racionais K(x
1
, , x
n
) para um corpo K qualquer. Em particular, tomando
K = ¸ e utilizando o teorema de irredutibilidade de Hilbert, obteremos que S
n
´e
grupo de Galois sobre ¸, i.e., existe K/¸ galoisiana finita tal que S
n
= Gal(K/¸).
Em seguida discutiremos desenvolvimentos na dire¸c˜ao do problema inverso para
outros grupos.
25.1. Grupo S
n
Sejam S
n
o grupo das permuta¸c˜oes de n elementos, R um anel comutativo com
unidade e A = R[x
1
, , x
n
] o anel de polinˆomios em n vari´aveis com coeficientes
em R. Para todo σ ∈ S
n
e f(x
1
, , x
n
) ∈ A definimos
σ

(f(x
1
, , x
n
)) = f(x
σ(1)
, , x
σ(n)
).
Esta fun¸c˜ao ´e na verdade um automorfismo de A (verifique!). Dizemos que f ´e
sim´etrico se e somente se σ

(f) = f para todo σ ∈ S
n
. Por exemplo, as fun¸c˜oes
sim´etricas elementares s
1
, , s
n
nas vari´aveis x
1
, , x
n
s˜ao polinˆomios sim´etricos
(veja cap´ıtulo de extens˜oes finitas).
´
E claro que nem todo polinˆomio sim´etrico ´e
uma fun¸c˜ao sim´etrica elementar, por exemplo,
(25.1) x
2
1
+. . . +x
2
n
.
Entretanto, mostraremos que todo polinˆomio sim´etrico se escreve de forma ´ unica
como polinˆomio nas fun¸c˜oes sim´etricas elementares. Al´em disto n˜ao existem rela¸c˜oes
entre estas, ou seja, s˜ao algebricamente independentes (veja cap´ıtulo de teoria de
transcendˆencia).
Teorema 25.2. Seja f ∈ A sim´etrico. Ent˜ao existe um ´ unico g ∈ R[s
1
, , s
n
]
tal que f(x
1
, , x
n
) = g(s
1
, , s
n
).
Do teorema segue imediatamente o seguinte corol´ario.
Corol´ ario 25.3. N˜ao existe g ∈ R[s
1
, , s
n
] ¸ ¦0¦ tal que g(s
1
, , s
n
) = 0.
Exemplo 25.4. Observe que o polinˆomio em (25.1) pode ser reescrito como
x
2
1
+. . . +x
2
n
= s
2
1
−2s
2
.
171
172 25. O PROBLEMA INVERSO DE GALOIS
Considere o polinˆomio
f(t) = (t −x
1
) . . . (t −x
n
) = x
n
−s
1
x
n−1
+. . . + (−1)
n
s
n
∈ A[t].
Definimos o discriminante de f(t) por
D :=

1≤i<j≤n
(x
i
−x
j
)
2
= (−1)
n(n−1)/2

1≤i=j≤n
(x
i
−x
j
).
´
E imediato da defini¸c˜ao que o D ´e um polinˆomio sim´etrico com coeficientes inteiros.
´
E um dos mais importantes invariantes de um polinˆomio. Assim, segue do teorema,
que podemos escrevˆe-lo de forma ´ unica como D(x
1
, , x
n
) = ∆(s
1
, , s
n
) ∈
Z[s
1
, , s
n
]. Na pr´atica ´e bastante laborioso de obter a express˜ao. Entretanto, se
n = 2 temos
(x
1
−x
2
)
2
= s
2
1
−4s
2
;
e para n = 3 temos
(x
1
−x
2
)
2
(x
1
−x
3
)
2
(x
2
−x
3
)
2
=
s
2
1
s
2
2
−4s
3
2
−4s
3
1
s
3
−27s
2
3
+ 18s
1
s
2
s
3
.
´
E importante notar que estas igualdades s˜ao identidades no anel Z[x
1
, , x
n
].
Assim, permanecem verdadeiras se substituimos as vari´aveis x
1
, , x
n
por con-
stantes. Por exemplo, se R for um corpo K e α
1
, , α
n
forem elementos alg´ebricos
sobre K contidos em alguma extens˜ao L de K, ent˜ao
(x −α
1
) . . . (x −α
n
) = x
n
−a
1
x
n−1
+. . . +a
n
,
onde a
i
= s
i

1
, , α
n
). Neste caso o discriminante do polinˆomio ´e dado por
∆(a
1
, , a
n
) =

1≤i<j≤n

i
−α
j
)
2
.
Em particular, f ´e separ´avel se e somente se ∆(a
1
, , a
n
) ,= 0. Fica como ex-
erc´ıcio verificar que esta defini¸ c˜ao de discriminante coincide com a defini¸c˜ao anterior
(cap´ıtulo de an´eis e dom´ınios). No caso do polinˆomio c´ ubico x
3
− ax + b obtemos
como discriminante −(4a
3
+ 27b
2
).
Para a prova do teorema precisamos da no¸c˜ao de grau de um polinˆomio em
v´arias vari´aveis. Se f ∈ A, ent˜ao ele pode ser escrito como
f(x
1
, , x
n
) =

i1,··· ,in
a
i1···in
x
i1
1
. . . x
in
n
,
onde cada a
i1···in
pertence a R. O monˆomio x
i1
1
. . . x
in
n
tem grau i
1
+ . . . + i
n
. O
grau de f ´e definido como sendo o maior grau dos monˆomios com coeficiente n˜ao
nulo. Por exemplo, o discriminante em 3 vari´aveis ´e um polinˆomio de grau 6.
Demonstrac¸˜ ao do teorema. Demonstraremos o teorema por indu¸c˜ao no
n´ umero de vari´aveis n e no grau d de f. Comecemos com a existˆencia. Se n = 1,
nada h´a a fazer, pois x
1
= s
1
. Suponha que o teorema seja verdade para polinˆomios
em n −1 vari´aveis. Definimos a seguinte fun¸c˜ao
ϕ : A = R[x
1
, , x
n
] →R[x
1
, , x
n−1
]
h →h(x
1
, , x
n−1
, 0).
25.1. GRUPO Sn 173
Observe que como f ´e sim´etrico com respeito a S
n
, ent˜ao ϕ(f) ´e sim´etrico em
rela¸c˜ao a S
n−1
. Por hip´otese de indu¸c˜ao existe g

∈ R[s

1
, , s

n−1
] tal que
ϕ(f(x
1
, , x
n
)) = g

(s

1
, , s

n−1
),
onde para 1 ≤ i ≤ n − 1, a fun¸c˜ao s

i
denota a i-´esima fun¸c˜ao sim´etrica elementar
nas vari´aveis x
1
, , x
n−1
. Observe que para todo 1 ≤ i ≤ n −1 temos
ϕ(s
i
(x
1
, , x
n
)) = s

i
(x
1
, , x
n−1
).
Seja
p(x
1
, , x
n
) := f(x
1
, , x
n
) −g

(s

1
, , s

n−1
).
Como p ´e diferen¸ca de polinˆomios sim´etricos (um polinˆomio sim´etrico em n − 1
vari´aveis ´e sim´etrico em n vari´aveis), concluimos que p tamb´em ´e sim´etrico. Al´em
disto, p(x
1
, , x
n−1
, 0) = 0. Mas isto significa que p(x
1
, , x
n
) ´e divis´ıvel por
x
n
. Similarmente, definindo a fun¸c˜ao ϕ anulando qualquer outra das vari´aveis,
concluimos que para todo 1 ≤ i ≤ n o polinˆomio p(x
1
, , x
n
) ´e divis´ıvel por cada
x
i
, a fortiori por x
1
. . . x
n
= s
n
(x
1
, , x
n
), digamos
f(x
1
, , x
n
) = g

(s

1
, , s

n−1
) +s
n
h(x
1
, , x
n
),
onde h ∈ A. Por constru¸c˜ao o grau de h ´e inferior ao grau de f. Al´em disto, como
p(x
1
, , x
n
) e s
n
s˜ao sim´etricos, concluimos que h tamb´em o ´e. Por indu¸c˜ao no
grau, temos que existe q ∈ R[s
1
, , s
n
] tal que
h(x
1
, , x
n
) = q(s
1
, , s
n
),
assim
f(x
1
, , x
n
) = g

(s

1
, , s

n−1
) +s
n
q(s
1
, , s
n
)
´e uma express˜ao de f em termos de fun¸c˜oes sim´etricas elementares.
A unicidade tamb´em ´e provada com indu¸c˜ao em n e no grau. Considere a
fun¸c˜ao
ψ : A = R[x
1
, , x
n
] →R[s
1
, , s
n
]
f(x
1
, , x
n
) →f(s
1
, , s
n
).
Esta fun¸c˜ao ´e um homomorfismo de an´eis (verifique!). A unicidade ent˜ao ´e equiva-
lente a injetividade de ψ. Suponha que f(x
1
, , x
n
) ∈ ker(ψ), i.e., f(s
1
, , s
n
) =
0. Aplicando ϕ a f(s
1
, , s
n
) concluimos que f(s

1
, , s

n−1
) = 0. Por indu¸c˜ao
no n´ umero de vari´aveis, concluimos que ϕ(f(x
1
, , x
n
) = f(x
1
, , x
n−1
, 0) = 0.
Logo x
n
divide f(x
1
, , x
n
). Similarmente, redefinindo ϕ de forma a anular
qualquer outra das vari´aveis, temos que cada x
i
divide f(x
1
, , x
n
), a fortiori
x
1
. . . x
n
= s
n
(x
1
, , x
n
) divide f(x
1
, , x
n
), digamos
f(x
1
, , x
n
) = s
n
(x
1
, , x
n
)h(x
1
, , x
n
),
para algum h ∈ A. Neste caso, por constru¸c˜ao, o grau de h ´e menor que o grau de
f. Al´em disto,
0 = f(s
1
, , s
n
) = s
1
. . . s
n
h(s
1
, , s
n
)
em R[s
1
, , s
n
]. Concluimos portanto que h(s
1
, , s
n
) = 0. Logo, por indu¸c˜ao
no grau, h(x
1
, , x
n
) = 0, em particular, f(x
1
, , x
n
) = 0.
174 25. O PROBLEMA INVERSO DE GALOIS
Suponhamos agora que R seja um corpo F. Seja F(x
1
, , x
n
) o corpo de
fra¸c˜oes do anel de polinˆomios F[x
1
, , x
n
]. Este ´e dito o corpo de fun¸c˜oes racionais
em n vari´aveis com coeficientes em F. Analogamente, para todo σ ∈ S
n
definimos
σ

(f(x
1
, , x
n
)) := f(x
σ(1)
, , x
σ(n)
) e dizemos que f ´e sim´etrica se e somente
se σ

(f) = f para todo σ ∈ S
n
.
Teorema 25.5. Toda fun¸c˜ao sim´etrica f ∈ F(x
1
, , x
n
) pode ser escrita de
forma ´ unica como f(x
1
, , x
n
) = g(s
1
, , s
n
) ∈ F(s
1
, , s
n
).
Demonstrac¸˜ ao. Suponha que
f(x
1
, , x
n
) =
f
1
(x
1
, , x
n
)
f
2
(x
1
, , x
n
)
,
onde f
1
, f
2
∈ A, seja sim´etrica. Seja
G(x
1
, , x
n
) :=

σ∈Sn
σ

(f
2
).
Observe que G e Gf s˜ao polinˆomios sim´etricos em A. Ou seja existem ´ unicos
h
1
, h
2
∈ R[s
1
, , s
n
] tais que G = h
1
e Gf = h
2
. Logo f = h
2
/h
1
∈ F(s
1
, , s
n
)
e esta express˜ao ´e ´ unica pela unicidade de h
1
e h
2
.
Teorema 25.6. A extens˜ao de corpos F(x
1
, , x
n
)/F(s
1
, , s
n
) ´e galoisiana
com grupo de Galois isomorfo a S
n
.
Demonstrac¸˜ ao. Seja L := F(s
1
, , s
n
) e
f(t) := (t −x
1
) . . . (t −x
n
) = t
n
−s
1
t
n−1
+. . . + (−1)
n
s
n
∈ L[t].
Ent˜ao F(x
1
, , x
n
) = L[¹
f(t)
] ´e o corpo de decomposi¸c˜ao de f(t) sobre L. Assim,
a extens˜ao acima ´e normal.
´
E tamb´em separ´avel, pois as vari´aveis x
1
, , x
n
s˜ao
distintas, logo f(t) ´e separ´avel. Portanto, a extens˜ao ´e galoisiana. Como f(t) tem
grau n, sabemos que Gal(F(x
1
, , x
n
)/L) ´e isomorfo a um subgrupo de S
n
(ver
cap´ıtulo de teoria de Galois). Por outro lado,
F(x
1
, , x
n
)
Sn
⊃ L.
Isto significa que S
n
⊂ Gal(F(x
1
, , x
n
)/L). Logo Gal(F(x
1
, , x
n
)/L)

= S
n
.

Para passarmos do teorema acima para um resultado sobre ¸ precisamos do
teorema de irredutibilidade de Hilbert (veja [LaDio, chapter 9].
Teorema 25.7 (teorema de irredutiblidade de Hilbert). Seja L := ¸(x
1
,
, x
n
) ⊃ R := ¸[x
1
, , x
n
] e f(t) ∈ L[t] irredut´ıvel. Ent˜ao existem infinitos homo-
morfismos λ : R →¸ tais que λ

(f)(t) seja irredut´ıvel em ¸[t].
Teorema 25.8. Existe uma extens˜ao galoisiana finita K de ¸ tal que Gal(K/
¸)

= S
n
.
Demonstrac¸˜ ao. Pelo teorema 25.6 a extens˜ao ¸(x
1
, , x
n
)/¸(s
1
, , s
n
)
´e galoisiana com grupo de Galois isomorfo a S
n
. Seja α um elemento primitivo
desta extens˜ao e P
α|M
o seu polinˆomio m´ınimo sobre M := ¸(s
1
, , s
n
). Pelo
teorema de irredutibilidade de Hilbert existem infinitos homomorfismos λ : R →¸
tais que λ

(P
α|M
) =: f seja irredut´ıvel sobre ¸[t]. Note que a extens˜ao ¸[¹
f
]/¸ ´e
galoisiana de grau n!.
´
E poss´ıvel mostrar com argumentos geom´etricos que podemos
25.3. M
´
ETODO GERAL 175
escolher λ de tal forma que Gal(¸[¹
f
]/¸) seja ainda S
n
(ver [SerMW, proposition
2, se¸c˜ao 9.2]).
25.2. Grupo A
n
Para obter o grupo A
n
como grupo de Galois sobre ¸ come¸camos novamente
com a situa¸c˜ao gen´erica. Seja D =

1≤i<j≤n
(x
i
−x
j
)
2
o discriminante do polinˆomio
f(t) = (t −x
1
) . . . (t −x
n
) = x
n
−s
1
x
n−1
+. . . +(−1)
n
s
n
. Seja δ :=

1≤i<j≤n
(x
i

x
j
). Observe que para todo σ ∈ S
n
temos σ

(δ) = ±δ. Se o sinal for positivo,
dizemos que a permuta¸c˜ao ´e par, sen˜ao dizemos que ´e ´ımpar.
´
E claro que δ
2
= D
e δ / ∈ M := F(s
1
, , s
n
). Assim, [M[δ] : M] = 2. Al´em disto, denotando por A
n
o subgrupo normal de ´ındice 2 de S
n
formado pelas permuta¸c˜oes pares, temos que
F(x
1
, , x
n
)
An
⊃ M[δ]. Obtemos dessa forma o seguinte resultado.
Teorema 25.9. A extens˜ao F(x
1
, , x
n
)/M[δ] ´e galoisiana com grupo de
Galois A
n
.
Teorema 25.10. Existe extens˜ao galoisiana K/¸ tal que Gal(K/¸)

= A
n
.
Demonstrac¸˜ ao. A prova ´e como no caso S
n
utilizando o fato adicional que
podemos escolher λ de tal forma que λ(δ) / ∈ ¸ (ver [SerMW, se¸c˜ao 10.3]).
25.3. M´etodo geral
O que est´a ocorrendo em ambos os casos est´a longe de ser uma situa¸c˜ao partic-
ular. Em primeiro lugar, o corpo de fun¸c˜oes racionais F(x
1
, , x
n
) ´e o corpo de
fun¸c˜oes racionais do espa¸co afim A
n
(F) = F
n
como variedade alg´ebrica. O objetivo
´e primeiramente realizar um grupo finito G como grupo de Galois sobre este corpo.
Isto nem sempre pode ser obtido, ´e quase t˜ao dif´ıcil quanto o problema original.
Entretanto, temos o seguinte resultado.
Teorema 25.11. [SerMW, se¸c˜ao 10.1] Seja G um grupo finito. Suponha que
exista uma extens˜ao galoisiana finita L/¸(x
1
, , x
n
) com grupo de Galois G.
Ent˜ao existe uma extens˜ao galoisiana K/¸ com grupo de Galois G. Al´em disto,
se L ´e ¸-regular, i.e., ¸ ´e algebricamente fechado em L, ent˜ao existem uma in-
finidade de extens˜oes linearmente disjuntas (para defini¸c˜ao ver cap´ıtulo de teoria
de transcendˆencia).
Observac¸˜ ao 25.12. Utilizando a teoria de curvas el´ıticas ´e poss´ıvel provar
que existe uma extens˜ao ¸-regular de ¸(x) com grupo de Galois PSL
2
(F
p
) =
SL
2
(F
p
)/F

p
. Isto ´e devido a Shih (ver [SerMW, se¸c˜ao 10.4]). Na verdade es-
tas extens˜oes representam do ponto de vista geom´etrico recobrimentos galoisianos
finitos de curvas definidas sobre ¸ com um n´ umero finito de pontos de ramifica¸c˜ao.
Isto remete a seguinte pergunta: quando um grupo finito pode ser grupo de Galois
de um tal recobrimento com um conjunto prescrito de pontos de ramifica¸c˜ao? Nesta
generalidade a pergunta permanece em aberto, mas se considerarmos a pergunta
sobre C, ela ´e respondida em termos topol´ogicos atrav´es do chamado grupo funda-
mental alg´ebrico, que neste caso ´e o completamento profinito do grupo topol´ogico
(para mais sobre grupos profinitos ver cap´ıtulo de teoria de Galois infinita). A
reformula¸c˜ao desta pergunta para corpos algebricamente fechados de caracter´ıstica
positiva, s´o foi respondida na d´ecada de 90 por Raynaud e depois Harbater corre-
spondendo a uma conjectura de Abhyankar. A resposta ´e que para que um grupo
176 25. O PROBLEMA INVERSO DE GALOIS
G ocorra como grupo de Galois seu maior quociente primo com p deve se realizar
sobre uma curva sobre C com mesmo n´ umero de pontos de ramifica¸c˜ao (suposto
pelo menos 1). Seu maior quociente primo com p nada mais ´e que o quociente de
G pelo seu quase-p-subgrupo, i.e., o subgrupo gerado pelos seus p-subgrupos de
Sylow.
Observac¸˜ ao 25.13. Um objeto extremamente importante em aritm´etica e
relacionado com o problema inverso de Galois ´e o grupo de Galois absoluto G
Q
:=
Gal(¸/¸), onde ¸ = A
C
(¸). O fato de um grupo finito G ser grupo de Galois
sobre ¸ equivale ao fato de G ser um quociente de G
Q
. Este tema est´a intima-
mente relacionado a resolver problemas de mergulhos para o grupo profinito G
Q
(para mais ver [Ser]).
CAP´ıTULO 26
Teoria de Galois infinita
26.1. Limite inverso
Consideremos uma seq¨ uˆencia de grupos ¦G
n
¦
n∈N
e suponhamos que para cada
n tenhamos um homomorfismo sobrejetivo de grupos f
n
: G
n
G
n1
. Consideremos
em

n∈N
G
n
(onde a opera¸c˜ao ´e componente a componente) o subconjunto de uplas
da forma x = (x
0
, x
1
, x
2
, ) tais que f
n
(x
n
) = x
n−1
para todo n ∈ N. Como
cada f
n
´e um homomorfismo sobrejetivo, partindo de x
1
∈ G
1
, tomando uma pr´e
imagem sua x
2
em G
2
e assim sucessivamente, formamos pelo menos uma upla
neste subconjunto que denotaremos por lim
←−n
(G
n
, f
n
). Este conjunto ´e chamado o
limite inverso ou limite projetivo da fam´ılia ¦G
n
, f
n
¦ que ´e chamada de um sistema
projetivo.
Exemplo 26.1. Seja A um grupo abeliano, p um n´ umero primo e p
A
: A →A a
multiplica¸c˜ao por p em A. Dizemos que A ´e p-divis´ıvel , se p
A
for sobrejetivo. Neste
caso tomaremos o limite projetivo considerando a seq¨ uˆencia constante A
n
= A para
todo n e f
n
= p
A
para todo n. O limite projetivo de (A, p
A
) ser´a denotado por
V
p
(A). Consideremos o subconjunto T
p
(A) de V
p
(A) formado pelas uplas tais que
x
1
= 0. Seja A[p
n
] := ker(p
n
A
). Ent˜ao T
p
(A) = lim
←−n
A[p
n
]. Este ´e chamado
o subgrupo de Tate associado ao grupo p-divis´ıvel A. O exemplo mais comum
deste tipo de grupo ´e no contexto de variedades abelianas sobre corpos globais.
Entretanto, o exemplo mais simples, ´e tomar µ
p
n o grupo das ra´ızes p
n
-´esimas da
unidade em um corpo algebricamente fechado Ω de caracter´ıstica distinta de p,
tomar A como µ
p
∞ :=

n
µ
p
n e considerar T
p
(µ) := lim
←−n
µ
p
n.
Exemplo 26.2. Dado um grupo G considere uma seq¨ uˆencia de subgrupos H
n
de G tais que H
n
⊃ H
n−1
. Considere o homomorfismo sobrejetivo f
n
: G/H
n

G/H
n−1
(proje¸c˜ao). Isto nos permite tomar o limite projetivo lim
←−n
(G/H
n
, f
n
)
e observar que os homomorfismos anteriores implicam um homomorfismo natural
g : G →lim
←−n
G
n
dado por x →( , x
n
, ), onde x
n
:= x +H
n
.
Exemplo 26.3. Para todo n ≥ 0 considere G
n
:= Z/p
n
Z e o homomorfismo
sobrejetivo de proje¸c˜ao f
n
: Z/p
n+1
Z → Z/p
n
Z. O limite projetivo lim
←−n
Z/p
n
Z ´e
chamado o anel Z
p
dos inteiros p-´adicos (para mais detalhes ver [Ne, chapter II].
Definiremos agora a no¸c˜ao de produto inverso de forma um pouco mais geral.
Seja I um conjunto de ´ındices dotado de uma ordem parcial i ≤ j. Diremos
que I ´e direcionado se para quaisquer i, j ∈ I, existe k ∈ I tal que i ≤ k e
j ≤ k. Suponhamos que I seja direcionado. Uma fam´ılia inversa direcionada de
grupos ´e uma fam´ılia de grupos ¦G
i
¦
i∈I
e para cada par i ≤ j um homomorfismo
f
ji
: G
j
→G
i
tal que se k ≤ i ≤ j, ent˜ao f
jk
= f
ji
◦ f
ik
e f
ii
= id. Seja G :=

i
G
i
com a opera¸c˜ao compenente a componente. Seja Γ o subconjunto de G formado
177
178 26. TEORIA DE GALOIS INFINITA
pelos elementos (x
i
) tais que x
i
∈ G
i
satisfazendo a para todo j ≥ i, f
ji
(x
j
) = x
i
.
Ent˜ao Γ cont´em o elemento neutro e ´e um subgrupo de G dito o limite inverso da
fam´ılia e denotado por Γ = lim
←−i
G
i
.
Exemplo 26.4. Seja G um grupo e T o conjunto de subgrupos normais em
G de ´ındice finito. Se H, K ∈ T, ent˜ao H ∩ K ∈ T, assim T ´e uma fam´ılia
direcionada (com respeito `a inclus˜ao). Consideramos o limite inverso lim
←−H∈F
G/H.
Este subgrupo de G ´e o que se chama um grupo profinito (no sentido de ser limite
de grupos finitos). Uma variante desta constru¸c˜ao consiste em nos restringirmos `a
fam´ılia T
p
de subgrupos normais H de G cujo ´ındice ´e uma potˆencia de p. Podemos
similarmente tomar o limite inverso lim
←−H∈Fp
G/H, este grupo ´e chamado um grupo
pro-p profinito.
Exemplo 26.5. Logo em seguida consideraremos o contexto natural onde gru-
pos profinitos aparecem, na teoria de Galois infinita. Seja k um corpo e A uma
extens˜ao infinita de k. Por exemplo, k = ¸ e A = ¸. Seja G := Aut(A/k) o grupo
de k-automorfismos de A. O limite inverso lim
←−H∈F
G/H coincide na verdade com
G (vamos mostrar isto em se¸c˜ao posterior). Al´em disto os grupos quocientes G/H
s˜ao na verdade grupos de automorfismos de extens˜oes finitas K/k contidas em A.
Analogamente, se X for uma superf´ıcie compacta de Riemann de gˆenero g ≥ 2
e p : X

→ X for a aplica¸c˜ao de recobrimento universal, F := C(X), F

:= C(X

)
seus corpos de fun¸c˜oes. Exites uma inje¸c˜ao natural π
1
(X)
top
→ Aut(F

/F) do
grupo fundamental topol´ogico de X (que ´e um grupo em 2g geradores com uma
rela¸c˜ao) e Gal(F

/F) ´e o grupo profinito definido como limite projetivo com rela¸c˜ao
a subgrupos de ´ındice finito de Aut
X
(X

). Chamamos a Aut(F

/F) de grupo fun-
damental alg´ebrico de X, que coincide com o completamento profinito de π
top
1
(X)
(ver se¸c˜ao seguinte). Grothendieck definiu isto de maneira geral para curvas sobre
um corpo qualquer. Isto permitiu transpor a no¸c˜ao tradicional de grupo funda-
mental na topologia alg´ebrica para a geometria alg´ebrica. Permanece um grande
mist´erio a estrutura dos grupos fundamentais alg´ebricos de curvas, embora por ex-
emplo conhe¸ca-se bem todos os quocientes finitos deste grupo, no caso de curvas
afins (isto nada mais ´e que uma conjectura de Abhyankar, provada por M. Ray-
naud e D. Harbater nos anos 90, que diz que para que um grupo seja quociente ´e
necess´ario e suficiente que seu maior quociente primo com p o seja).
26.2. Completamento de um grupo
Seja G um grupo e suponhamos que ¦H
r
¦ seja uma fam´ılia de subgrupos nor-
mais de ´ındice finito tais que H
r
⊂ H
r+1
para todo n. Uma seq¨ uˆencia de elementos
¦x
n
¦ em G ´e dita uma seq¨ uˆencia de Cauchy, se dado H
r
existe N ≥ 1 tal que
para quaiquer n, m ≥ N tenhamos x
n
x
−1
m
∈ H
r
. Dizemos que a seq¨ uˆencia ¦x
n
¦
´e a seq¨ uˆencia nula se para todo H
r
existir um N ≥ 1 tal que para todo n ≥ N
tenhamos x
n
∈ H
r
. Fica como exerc´ıcio provar que o conjunto C de seq¨ uˆencias
de Cauchy com opera¸c˜ao termo a termo ´e um grupo e que as seq¨ uˆencias nulas N
formam um sugrupo normal. O grupo quociente C/N ´e chamado o completamento
de G com respeito `as seq¨ uˆencias nulas e denotado por
ˆ
G.
Observe que existe um homomorfismo natural G →
ˆ
Gdado por x →(x, x, x, )
mod N. O n´ ucleo deste homomorfismo ´e igual a

r
H
r
. Quando este n´ ucleo ´e tri-
vial temos uma inje¸c˜ao.
26.3. TEORIA DE GALOIS INFINITA 179
Teorema 26.6. Existe um isomorfismo de grupos
ˆ
G

= lim
←−r
G/H
r
.
Demonstrac¸˜ ao. Seja x = ¦x
n
¦ uma seq¨ uˆencia de Cauchy em G. Para todo
n suficientemente grande a classe de x
n
mod H
r
independe de n, denotamos esta
classe por x(r). Assim, (x(1), x(2), ) ∈ lim
←−r
G/H
r
.
Reciprocamente, todo elemento (x
1
, x
2
, ) ∈ lim
←−n
G/H
n
, com x
n
∈ G/H
n
e
x
n
um representante de x
n
em G. A seq¨ uˆencia ¦x
n
¦ ´e uma seq¨ uˆencia de Cauchy,
que fica como exerc´ıcio provar que est´a bem definida, a menos de seq¨ uˆencias nulas.
Tamb´em fica como exerc´ıcio mostrar que a correspondˆencia acima nos d´a a bije¸c˜ao
requerida (que por constru¸c˜ao ´e um homomorfismo).
Podemos fazer a constru¸ c˜ao acima mais geralmente da seguinte forma. Seja
T uma fam´ılia, uma seq¨ uˆencia de Cauchy ´e uma fam´ılia ¦x
j
¦
j∈J
indexada por
um conjunto arbitr´ario J tal que para cada H ∈ T existe j ∈ J tal que para
k, k

≥ j temos x
k
x
−1
k

∈ H. Na pr´atica trabalhamos realmente com seq¨ uˆencias,
pois os grupos profinitos considerados na maior parte dos casos que trataremos tˆem
uma base enumer´avel de abertos. Por exemplo, isto ocorre quando G ´e finitamente
gerado.
Mais geralmente, uma fam´ılia ¦H
i
¦ de subgrupos normais contida em T ´e dita
cofinal em T se dado H ∈ T existir i tal que H
i
⊂ H. Suponhamos que exista uma
fam´ılia ¦H
i
¦ cujos ´ındices percorram um conjunto enumer´avel. Fica como exerc´ıcio
mostrar que lim
←−i
G/H
i

= lim
←−H∈F
G/H.
26.3. Teoria de Galois infinita
Estenderemos agora a teoria de Galois para extens˜oes infinitas. Uma extens˜ao
alg´ebrica infinita K/k ´e dita galoisiana, se for normal e separ´avel (lembre que para
definir normalidade e separabilidade precisamos apenas que a extens˜ao K/k seja
alg´ebrica). Para toda subextens˜ao finita F/k de K/k tal que F/k seja galoisiana,
temos que #Gal(F/k) = [F : k]. Pela teoria geral K/F ´e galosiana (a separa-
bilidade ´e clara, a normalidade, segue do fato que para qualquer α ∈ K temos
P
α|K
[ P
α|k
). Seja H := Gal(K/F) := Aut(K/F). Ent˜ao H tem ´ındice finito em
G := Gal(K/k). De fato, consideremos o homomorfismo sobrejetivo (pela normal-
idade) de restri¸c˜ao G → Gal(F/k) dado por σ → σ
|F
. O n´ ucleo deste homomor-
fismo ´e exatamente H, logo, pelo teorema dos homomorfismos, G/H

= Gal(F/k),
a fortiori, H tem ´ındice finito em G. Pelas propriedades anteriores de limite pro-
jetivo, isto permite definir um homomorfismo de grupos G → lim
←−H∈F
G/H, onde
T := ¦Gal(F/k) [ F ´e uma extens˜ao galoisiana finita de k¦.
Teorema 26.7. O homomorfismo G → lim
←−H∈F
G/H ´e um isomorfismo de
grupos.
Demonstrac¸˜ ao. Observemos inicialmente que o n´ ucleo ´e trivial. De fato se
σ pertence ao n´ ucleo, ent˜ao para toda extens˜ao galoisina finita F/k contida em K
temos que σ
|F
= 1. Mas como todo α ∈ K pertence a alguma extens˜ao galoisiana
finita F/k concluimos que σ = 1.
Para ver a sobrejetividade, observe que um elemento (σ
H
) de lim
←−H
G/H satisfaz
a compatibilidade σ
H
→ σ
H
para H

⊃ H. Isto nos permite definir σ ∈ G
globalmente da seguinte forma. Seja α ∈ K, como observado, existe F/k galoisiana
finita contida em K tal que α ∈ F. Seja H := Gal(K/F) e σ(α) := σ
H
(α).
Observe que a condi¸c˜ao de compatibilidade acima afirma justamente que σ(α) n˜ao
180 26. TEORIA DE GALOIS INFINITA
depende da escolha de F. Portanto, isto define um elemento σ ∈ G. Al´em disto,
por constru¸c˜ao σ →(σ
H
).
Exemplo 26.8. Seja p um n´ umero primo e para todo inteiro n ≥ 1 considere-
mos K
n
:= ¸(µ
p
n) o p
n
-´esimo corpo ciclotˆomico. Seja K := ¸(µ
p
∞). A extens˜ao
K/¸ ´e abeliana infinita. Como para todo n ≥ 1 temos que Gal(K
n
/¸)

= (Z/p
n
Z)

concluimos que temos um isomorfismo de grupos Z

p
→Gal(K/¸). Este tipo de ex-
tens˜ao cicltˆomica foi estudada por K. Iwasawa e est´a associada a fun¸c˜oes L anal´ıticas
na topologia p-´adica.
Exemplo 26.9. Similarmente, dada uma curva el´ıtica E sobre ¸ consideramos
a extens˜ao ciclotˆomica ¸(E[p
n
]) gerada pelas coordenadas dos pontos de p
n
-tor¸c˜ao
de E, lembre que E[p
n
]

= (Z/p
n
Z)
2
. Observe tamb´em que o grupo de Galois ab-
soluto G
Q
:= Gal(¸/¸) de ¸ age em E[p
n
], para todo n, assim temos uma repre-
senta¸c˜ao de G
Q
dada por ρ
n
: G
Q
→GL(E[p
n
])

= GL
2
(Z/p
n
Z) e pelas constru¸c˜oes
anteoriores podemos tomar o limite projetivo destas representa¸c˜oes, obtendo assim
a representa¸c˜ao p-´adica G
Q
→GL
2
(Z
p
). Na verdade o estudo destas representa¸c˜oes
remonta a trabalhos de Serre, Shimura e Lang-Trotter e um teorema profundo de
Serre afirma que a representa¸c˜ao galoisiana ρ : G
Q


p
GL
2
(Z
p
) tem imagem
aberta, se E n˜ao tem multiplica¸c˜ao complexa, i.e., a imagem de G
Q
´e um subgrupo
de ´ındice finito em GL
2
(Z
p
) para todo p sendo igual a GL
2
(Z
p
) para quase todo p.
O mesmo tipo de problem´atica pode ser encontrado no caso de variedades abelianas,
mas a extens˜ao do teorema de Serre depende de um conjectura sobre o grupo de
Mumford-Tate da variedade abeliana.
Pode-se considerar tamb´em extens˜oes ciclotˆomicas de extens˜oes ciclotˆomicas.
Isto ´e o conte´ udo da seguinte conjectura devida a
˘
Safarevi˘c.
Conjectura 26.10. Seja k
0
:= ¸(µ

) o compositum de todas as extens˜oes
ciclotˆomicas de ¸ em ¸. Seja k/k
0
uma extens˜ao finita e G
k
:= Gal(¸/k). Ent˜ao
G
k
´e isomorfo ao completamento de um grupo profinito livro em um n´ umero enu-
mer´avel de geradores.
´
E poss´ıvel formular um an´alogo desta conjectura para curvas el´ıticas substi-
tuindo ¸(µ) por ¸(E(¸)
tor
).
CAP´ıTULO 27
Teoria de transcendˆencia
27.1. Bases de trasncendˆencia
27.2. Transcendˆencia de e
27.3. Transcendˆencia de π
27.4. Elementos de teoria de transcencˆencia
181
Bibliografia - Livros
[Ap] T. M. Apostol, Introduction to Analytic Number Theroy.
[Ar] M. Artin, Algebra.
[Co] S. Collier Coutinho, N´ umeros Inteiros e Criptografia, SBM.
[En] O. Endler, Teoria de Corpos, IMPA.
[GaLe] A. Garcia, Y. Lequain, Elementos de
´
Algebra, Projeto Euclides, IMPA.
[Go] D. Gorenstein, Finite Groups
[Goss] D. Goss, The Basic Structures of the Arithmetic of Functions Fields
[Ha] J. Harris, Algebraic Geometry, Springer-Verlag.
[IrRo] K. Ireland, M. Rosen, A Modern Introduction to Classical Number Theory, Springer-
Verlag.
[Kob] N. Koblitz, p-adic analysis.
[La] S. Lang, Algebra, Springer-Verlag.
[LaDio] S. Lang, Fundamentals of Diophantine Geometry
[Li] E. L. Lima, Curso de An´alise, vol. 1, Projeto Euclides, IMPA.
[Lins] A. Lins Neto, Fun¸c˜oes de uma vari´avel complexa, projeto Euclides.
[Lo] D. Lorenzini, An Invitation to Arithmetic Geometry, Graduate Studies in Mathematics,
AMS, vol 9, 1996.
[Mi] J. S. Milne,
´
Etale Cohomology
[Ne] J. Neukirch, Algebraic Number Theory
[Ser] J.-P. Serre, Topics in Galois Theory
[SerMW] J.-P. Serre, Lectures on the Mordell-Weil theorem
[Sh] D. Shanks, Solved and Unsolved Problems in the Theory of Numbers
[Si] W. Sierpinski, A Selection of Problems in the Theory of Numbers
[Sil] J. Silverman, The Arithmetic of Elliptic Curves, GTM, Springer.
[Sp] M. Spivak, Calculus.
[vWa] van der Waerden, Algebra.
183
Bibliografia - Artigos
[Le1] H. Lenstra
[Le2] H. Lenstra
[Ma] B. Mazur, Modular curves and the Eisenstein ideal, Pub. IHES, 1969.
[We1] P. Deligne, Conjectures de Weil I, Pub. Math. IHES 43 (1974), 273-307.
[We2] P. Deligne, Conjectures de Weil II, Pub. Math. IHES 52 (1981), 313-428.
185
´
Indice Remissivo
K-automorfismos, 144
K-conjugados, 129
K-homomorfismos, 136
K-isomorfismo, 129
Z/nZ, 3
π(x), 27
ordp(n), 1
ϕα, 123
n-´esima
extens˜ao ciclotˆomica, 155
n-´esimo
corpo ciclotˆomico, 155
polinˆomio ciclotˆomico, 157
p-divis´ıvel, 177
p-grupo, 76
p-subgrupo
de Sylow, 75
algarismos, 37
algoritmo
de Euclides, 7
anel, 9
comutativo com unidade, 10
de inteiros, 32
noetheriano, 88
quociente, 32
automorfismo
de an´eis, 112
de grupo, 64
interno, 64
axioma
da boa ordena¸c˜ao, 1
cancelamento, 7
caracter´ıstica
p, 133
0, 133
centro
de um grupo, 60
classe
de equivalˆencia, 2
lateral a direita, 54
lateral a esquerda, 54
compositum
de corpos, 152
comprimento
de s´erie, 79
con´ ucleo
de homomorfismo, 87
conex˜ao
de Galois, 149
congruˆencia
linear, 39
m´odulo ideais, 111
conjunto
de rela¸c˜oes, 87
de geradores, 87
dos p-subgrupos de Sylow, 76
dos conjugados, 74
indutivo, 3
conte´ udo
de polinˆomio, 107
corpo
algebricamente fechado, 127
de decomposi¸c˜ao, 143
de fra¸c˜oes de um dom´ınio, 106
de n´ umeros, 157
finito, 137
perfeito, 134
correspondˆencia
de Galois, 150
crit´erio
de Eisenstein, 100
crit´erios
de divisibilidade, 37
curva
el´ıtica, 90
discriminante
de polinˆomio, 172
divis´ıvel, 7
dom´ınio
de integridade, 10
euclideano, 101
fatorial, 106
principal, 10
elemento
187
188
´
INDICE REMISSIVO
alg´ebrico, 123
insepar´avel, 135
invers´ıvel, 36
maximal, 3
neutro, 49
primitivo, 136
puramente insepar´avel, 139
separ´avel, 134
transcendente, 123
elementos
invers´ıveis, 104
endomorfismo
de an´eis, 112
de grupo, 64
equa¸c˜ao
das classes de conjuga¸c˜ao, 74
diofantina, 39
expoente
de grupo abeliano, 56
de polinˆomio, 139
extens˜ao
abeliana, 159
alg´ebrica, 124
c´ıclica, 159
de Artin-Schreier, 162
de corpos, 119
de Kummer, 159
finita, 119
finitamente gerada, 125
galoisiana, 145, 150
normal, 143
separ´avel, 134
simples, 136
sol´ uvel, 165
sol´ uvel por radicais, 166
transcendente, 124
fecho
alg´ebrico de K em Ω, 128
alg´ebrico de K em L, 127
normal, 144
puramente insepar´avel, 140
separ´avel, 136
fun¸c˜oes
aritm´eticas elementares, 15
fun¸c˜ao
φ de Euler, 16
sobrejetiva, 1
de Mœbius, 15
injetiva, 1
zeta de Riemann, 30
fun¸c˜oes
sim´etricas elementares, 122
grau
da extens˜ao, 119
de inseparabilidade, 140
de monˆomio, 172
de polinˆomio, 93
de separabilidade, 140
grupo, 49
abeliano, 49
abeliano de tor¸c˜ao, 85
c´ıclico, 56
das ra´ızes n-´esimas da unidade, 53
das ra´ızes n-´esimas da unidade, 155
de Galois, 154
finito, 49
infinito, 49
linear, 49
metac´ıclico, 68
profinito, 178
quociente, 60
simples, 79
sol´ uvel, 81
hip´otese
de Riemann, 31
homomorfimso
de grupos, 61
homomorfismo
de an´eis, 106, 112
de m´odulos, 86
ideais
coprimos, 110
ideal, 9
maximal, 97, 111
primo, 112
principal, 10
soma, 110
imagem
de homomorfismo, 112
ind´ıce
de um subgrupo, 54
indu¸c˜ao finita, 19
inteiro
em uma dada base, 37
livre de f-potˆencia, 14
livre de quadrados, 13
inteiros
gaussianos, 101
inverso, 49
isomorfismo
de an´eis, 112
de grupos, 62
lema
chave, 55
da duplica¸c˜ao, 126
de Gauss, 99
de Krull, 3
de Zorn, 3
limite
inverso, 177
superior, 3
m´aximo
´
INDICE REMISSIVO 189
divisor comum, 8
m´aximo divisor comum
de polinˆomios, 95
m´odulo
finitamente gerado, 85
livre, 85
quociente, 85
sobre anel, 85
matriz
de presenta¸c˜ao, 87
matrizes, 49
mon´oide, 64
monˆomio, 172
multiplica¸c˜ao
de Dirichlet, 15
multiplicidade
de raiz, 133
n´ ucleo
de homomorfismo, 61, 112
n´ umero
binomial, 1
composto, 11
de Fermat, 27
de Carmichael, 44
de divisores, 15
de Fermat, 23
de Mersenne, 27
primo, 11
n´ umeros
p-´adicos, 130
norma
de elemento, 121
normalizador
de um subgrupo, 75
ordem
p-´adica, 1
de elemento, 55
de grupo, 49
parcial, 3
total, 3
parte
inteira, 1
pequeno
teorema de Fermat, 20
permuta¸c˜ao
de conjunto, 73
polinˆomio, 93
caracter´ıstico, 120
invers´ıvel, 94
irredut´ıvel, 97
m´ınimo, 123
mˆonico, 95
primitivo, 107
puramente insepar´avel, 139
separ´avel, 134
sim´etrico, 171
posto
da curva el´ıtica, 90
de um m´odulo, 85
primos
em progress˜oes aritm´eticas, 24
princ´ıpio
da indu¸c˜ao finita, 19
produto
de ideais, 113
direto de grupos, 64
not´avel, 1
semi-direto de grupos, 66
pseudoprimo
em uma dada base, 44
ra´ızes
n-´esimas da unidade, 53
primitivas n-´esimas da unidade, 55
ra´ızes
primitivas n-´esimas da unidade, 155
raiz
de polinˆomio, 121
m´ ultipla, 133
simples, 133
refinamento
de s´erie subnormal, 79
pr´oprio, 79
rela¸c˜ao
bin´aria, 2
de equivalˆencia, 2
representa¸c˜ao
de grupo, 73
por conjuga¸c˜ao, 73
por transla¸c˜ao, 73
resto
quadr´atico, 116
resultante
de polinˆomios, 109
s´erie
de composi¸c˜ao, 79
subnormal, 79
s´eries
equivalentes, 79
s´ımbolo
de Legendre, 116
separavelmente
fechado, 140
sistema
de congruˆencias, 40
soma
de divisores, 15
progress˜ao geom´etrica, 1
subgrupo, 52
caracter´ıstico, 64
dos comutadores, 60
gerado por subconjunto, 56
normal, 59
subm´odulo, 85
190
´
INDICE REMISSIVO
teorema
90 de Hilbert, 160
chinˆes dos restos, 41, 114
de invers˜ao de Mœbius, 16
de Abel, 159
de Artin, 150
de Artin para homomorfismos, 160
de Cayley, 73
de Dedekind, 160
de Euclides, 20
de Korselt, 45
de Lagrange, 55
de Mazur, 90
de Mordell, 90
do isomorfismo de grupos, 62
fundamental da
´
Algebra, 128
fundamental da teoria de Galois, 150
teoremas
de Sylow, 75
tra¸co
de elemento, 121
transitividade, 7
valor
absoluto, 1

Sum´rio a
Cap´ ıtulo 1. Preliminares 1.1. Rela¸˜o de equivalˆncia ca e 1.2. Lema de Zorn e aplica¸˜es co Parte 1. N´ meros Inteiros u 1 2 3 5 7 7 8 9 11 11 11 12 13 15 19 19 19 20 23 23 24 26 27 27 30 35 35 37 38 39 39 39 40 41
iii

Cap´ ıtulo 2. Algoritmos Euclideanos 2.1. O algoritmo euclideano para n´meros inteiros u 2.2. M´ximo divisor comum a 2.3. An´is e ideais e Cap´ ıtulo 3. Fatora¸˜o de inteiros ca 3.1. Existˆncia e 3.2. Unicidade 3.3. MDC e fatora¸˜o ca 3.4. Aplica¸˜es co 3.5. Fun¸˜es aritm´ticas elementares co e Cap´ ıtulo 4. Indu¸˜o finita ca 4.1. Enunciados 4.2. Exemplos da indu¸˜o na sua primeira forma ca 4.3. Exemplos da indu¸˜o finita na sua segunda forma ca Cap´ ıtulo 5. N´meros primos u 5.1. Infinidade de primos 5.2. Primos em progress˜es aritm´ticas o e 5.3. Infinidade de compostos por fun¸˜es polinomiais co 5.4. N´meros de Fermat e Mersenne u 5.5. Contando n´meros primos u 5.6. Fun¸˜o zeta ca Cap´ ıtulo 6. Aritm´tica modular e 6.1. Aritm´tica modular e 6.2. Crit´rios de divisibilidade e 6.3. Contando elementos invers´ ıveis Cap´ ıtulo 7. Sistemas de congruˆncia e 7.1. Equa¸˜es diofantinas co 7.2. Equa¸˜es lineares co 7.3. Sistemas de equa¸˜es lineares co 7.4. Teorema Chinˆs dos Restos e

2. 13.3. Teoria de Grupos I 9.1.2. Parte 3. 10.3.3. Cap´ ıtulo 15. Primalidade de n´meros de Fermat u 8. Grupos abelianos finitamente gerados M´dulos sobre an´is o e Diagonaliza¸˜o de matrizes ca Geradores e rela¸˜es para m´dulos co o O teorema de estrutura An´is e 14. 10.3. 14.4. Cap´ ıtulo 14. Aplica¸˜o ca Cap´ ıtulo 8. An´is e dom´ e ınios Dom´ ınios euclideanos Dom´ ınios fatoriais Fatores m´ltiplos e resultante u An´is quocientes e teorema chinˆs dos restos e e Aplica¸˜es co .4.2. Subgrupos 9.2. Teorema de Jordan-H¨lder o 12.5.1. 15. Primalidade de n´meros de Mersenne u 8. Grupos 41 43 43 43 44 45 47 49 49 52 54 55 59 59 61 64 68 70 73 73 75 77 79 79 81 85 85 86 87 89 91 93 93 95 97 101 101 106 108 110 115 Cap´ ıtulo 9. Classes Laterais e Teorema de Lagrange 9. 15. 15. 15.5. Cap´ ıtulo 11.2. 13.2. 10.1. Ordem de elemento e expoente de grupo abeliano Cap´ ıtulo 10.iv ´ SUMARIO 7.3. 13. 13.2. 10.3.1. Teoria de grupos II Subgrupos normais e grupos quocientes Homomorfismo de grupos Produtos de grupos Grupos metac´ ıclicos Classifica¸˜o de grupos de ordem ≤ 11 ca 11. 10. Defini¸˜o e exemplos ca 9.3.4. 11.4.1.1. Grupos sol´veis u 12. An´is de polinˆmios e o Algoritmo da divis˜o a M´ximo divisor comum de polinˆmios a o Fatora¸˜o unica de polinˆmios ca ´ o 15.1.2. Teoremas de Sylow Represesenta¸˜es de grupos co Os teoremas de Sylow Exemplos Cap´ ıtulo 12. Teorema da raiz primitiva Parte 2. 14. 11. N´meros de Carmichael u 8.1.4.5. Aplica¸˜es da teoria de grupos ` teoria elementar dos n´meros co a u 8. Grupos sol´veis u Cap´ ıtulo 13.

Cap´ ıtulo 17. 17. Cap´ ıtulo 26.3. 26.2. 21.Livros Bibliografia . 17. 25. 27.1.1. Corpos Finitos Cap´ ıtulo 19. Teoria de Galois Correspondˆncia de Galois e Extens˜es e subgrupos normais o Coeficientes e ra´ ızes Extens˜es ciclotˆmicas o o Extens˜es c´ o ıclicas Solubilidade por radicais Cap´ ıtulo 22. Cap´ ıtulo 24.´ SUMARIO v Parte 4. Cap´ ıtulo 23.1. Extens˜es separ´veis o a 18. 21. 27.3. Parte 5.2. Corpos de decomposi¸˜o e extens˜es normais ca o 20.3. Exemplos Cap´ ıtulo 21. 27. Teoria de transcendˆncia e Bases de trasncendˆncia e Transcendˆncia de e e Transcendˆncia de π e Elementos de teoria de transcencˆncia e Bibliografia .2.4. 17. Teoria de Galois infinita Limite inverso Completamento de um grupo Teoria de Galois infinita 27. 17. Cap´ ıtulo 27. 26.2.1. 25. Extens˜es puramente insepar´veis o a Cap´ ıtulo 20.1. T´picos adicionais o 25. Cap´ ıtulo 25. Extens˜es alg´bricas o e Elementos alg´bricos e transcendentes e Extens˜es alg´bricas o e Adjun¸˜o de ra´ ca ızes Fechos alg´bricos e Cap´ ıtulo 18. 21. O problema inverso de Galois Grupo Sn Grupo An M´todo geral e 26. Corpos Extens˜es finitas o 117 119 123 123 124 126 127 133 137 139 143 146 149 149 152 153 155 159 165 169 171 171 175 175 177 177 178 179 181 181 181 181 181 183 185 187 Cap´ ıtulo 16.4.1.1.Artigos ´ Indice Remissivo .3.2.3.

.

Isto tamb´m equivale a dizer que se f (x) = f (y). Q o conjunto dos n´meros racionais. q−1 Basta na f´rmula anterior tomar x = q e y = 1. Sejam x.. e e 1 . y vari´veis. a ordem p-´dica ordp (n) de n ´ u a e definida por pordp (n) ´ a potˆncia exata de p que divide n. Axioma 1. ou seja. aq . a + aq + . Seja n ≥ 1 inteiro. . Ent˜o existe um conjunto S1 e bije¸˜o a ca ϕ0 : S → S1 tal que S1 ∩ R = ∅. e |x| := −x. Z o u conjunto dos n´meros inteiros.e. se x ≥ 0. 1−x x2 x3 xn log(1 − x) = x + + + . o u maior n´mero inteiro menor ou igual a x. m!(n − m)! onde n! := n(n − 1) .. Lembre-se [Sp. . + aq n−1 = a qn − 1 . p. b ∈ R. o Para inteiros 1 ≤ m ≤ n definimos o n´mero binomial u n m := n! . se f (S) = T .. Uma fun¸˜o f : S → T ´ dita injetiva toda vez que ca e x = y implicar f (x) = f (y). · · · . . Para todo x ∈ R denotamos seu valor absoluto usual por a |x| := x. i. se x < 0. Para todo x ∈ C u u denotamos por |x| seu valor absoluto usual. aq. Podemos obter dele a soma de n termos de uma progress˜o geom´trica de raz˜o q. e ent˜o x = y. a ca e Lema 1. . . + xy n−2 + y n−1 . . a e a n−1 Digamos que os termos sejam a. .. u Para todo inteiro n ≥ 1 e n´mero primo p. . . . A fun¸˜o f ´ dita sobrejetiva. . R o conjunto u u dos n´meros reais e C o conjunto dos n´meros complexos.2 (axioma da boa ordena¸˜o). + xn + . + + .. . 632] das seguintes expans˜es em s´ries o e 1 = 1 + x2 + x3 + . 2! 3! n! Dado um n´mero real x denotamos por x a parte inteira de x. 1. Sejam S e T conjuntos. se x = a + bi com a. Assim.1.CAP´ ıTULO 1 Preliminares Ao longo deste livro dentoraremos por N o conjunto dos n´meros naturais. √ ent˜o |x| := a2 + b2 . Todo subconjunto n˜o vazio de N ca a possui um menor elemento. Considere o produto not´vel a a xn − y n = (x − y)(xn−1 + xn−2 y + . Sejam S e R conjuntos.

i. Isto define uma rela¸˜o de equivalˆncia.6. denotando (a. b) ∼ (a. d) ∈ X como equivalentes. i. Logo cb = da. podemos tomar como X o conjunto de retas do plano e como R a rela¸˜o ca de ortogonalidade.e. b) ∼ (c. i. (c.. ca e Ent˜o a b se e somente se [a] ∩ [b] = ∅. Logo af = bc f = bcf = bde = be.3. Por simetria. De fato... ca e · · Ent˜o X = a em X. a [a]. f ). ent˜o y ∼ x (simetria). b) ∼ (e.. Suponha d ∈ [b]. por transitividade. Observe que a ∈ [a]. b). logo (a. Seja X = Z e ∼ a rela¸˜o ≡ (mod n) definida por: dados ca a. (c. i. a ∼ c e por a transitividade a ∼ b. temos que a ∼ b se e somente se [a] = [b]. ad = bc. Por transitividade.e. Exemplo 1. se existisse c ∈ [a] ∩ [b]. d). Por simetria.2 1. l ∈ Z tais que a − b = a kn e b − c = ln. d) ∼ (a.5. ca e (1) ab = ba. (a. Dados ca e a. PRELIMINARES 1. De fato. b ∈ X. b ∼ a. Uma rela¸˜o de equivalˆncia em um conjunto X ´ uma rela¸˜o bin´ria ∼ satisca e e ca a fazendo `s seguintes condi¸˜es: a co (1) x ∼ x (reflexividade). a (3) Se x ∼ y e y ∼ z. d) se e somente se ad = bc.1. pois a ∼ a. b) ∼ (c. ent˜o existe k ∈ Z tal que a−b = kn. ca e (1) a − a = 0 = 0. a Exemplo 1. Uma rela¸˜o bin´ria R ´ um subconjunto de X × X.e.. onde a [a] denota a uni˜o disjunta das classes de equivalˆncia a e . ent˜o [a] ∩ [b] = [a] = [b] = ∅.. c ∈ [b]. a Demonstracao. Seja X = Z × Z − {0}. ent˜o x ∼ z (transitividade). portanto a ∼ b. b ∼ a. Somando estas duas igualdades obtemos a − c = (k + l)n. d) ∼ (e. (3) Se a ≡ b (mod n) e b ≡ c (mod n). d ∼ a. Note que [a] ´ um conjunto. c ∼ b.. d ∈ [a]. Isto define uma rela¸˜o de equivalˆncia.n. a ≡ b (mod n) se e somente se n | (a − b).e. b) ∼ (c. ca a e Dado um par (a. suponha a ∼ b e c ∈ [a]. Rela¸˜o de equivalˆncia ca e Seja X um conjunto. Seja X um conjunto e ∼ um rela¸˜o de equivalˆncia em X. f ).e. d) e (c. i. Note que se a ∼ b.e. c ∼ a. Seja X um conjunto e e ∼ um rela¸˜o de equivalˆncia em X. existe k ∈ Z tal que a − b = kn.e. i. ent˜o existem k. (2) Suponha que (a.4. o que ´ uma contradi¸˜o..e. Definimos a classe ca e [a] de um elemento a ∈ X por [a] = {b ∈ X | b ∼ a}. i. b ∈ Z. b) ∈ R dizemos que a ´ relacionado a b e denotamos por aRb. Por outro ¸˜ a lado. ad = bc e cf = de. Reciprocamente. d d d Seja X um conjunto e ∼ uma rela¸˜o de equivalˆncia em X. Por e exemplo. ¸˜ Logo a ∈ [b].7. b). i. i. (2) Se x ∼ y. Suponha que [a] = [b]. Demonstracao.. (2) Se a ≡ b (mod n). (3) Suponha que (a.e. Definimos dois pares (a. d ∼ b. ´ Corolario 1. Seja X um conjunto e ∼ uma rela¸˜o de equivalˆncia em X. b). logo b−a = (−k)n a e b ≡ a (mod n). logo a ≡ c (mod n). i. e ca ´ Corolario 1. ent˜o c ∼ a e c ∼ b.. e Lema 1.e.

Observe que o lado direito est´ claramente contido no lado ¸˜ a esquerdo. a Esta ordem ser´ dita total. Seja M um conjunto parcialmente ordenado. se a ≤ b e b ≤ c. Neste caso. ent˜o a ≤ c.10 (lema de Zorn).2. Definimos X := ca e X/ ∼:= {[a] | a ∈ X} como o conjunto das classes de equivalˆncia de ∼ em X. (2) (Transitividade) Dados a. b ∈ M. se a ≤ b e b ≤ a. existiria b ∈ L tal que 1 ∈ b. pelo corol´rio anterior dado x ∈ X existe uma unica a ´ classe de equivalˆncia [a] tal que x ∈ [a].8. o que e e o a contradiria b R. se dado a ∈ M tal que a ≤ m. Seja R um anel comutativo com unidade. denotamos a classe [a] de a ∈ Z e e por a. 1.2. Um elemento c ∈ M ´ dito um limite superior para M.9. b ∈ M temos a ≤ b ou b ≤ a. se existe uma ¸˜ e rela¸˜o ≤ em M satisfazendo `s seguintes condi¸˜es ca a co (1) (reflexividade) a ≤ a. Considere o conjunto N de todos os ideais b R contendo ¸˜ ´ a. Segue de um exerc´ do cap´ ıcio ıulo de dom´ ınios euclideanos que C ´ um ideal de R. ent˜o e a a = m. No e caso particular em que X = Z e ∼ ´ ≡ (mod n). existe m elemento m´ximo de N. Por constru¸˜o. a a Demonstracao. Novamente por a construa¸˜o m ´ maximal e cont´m a. §69]) Todo conjunto parcialmente ordenado indutivo possui elemento m´ximo. LEMA DE ZORN E APLICACOES ¸˜ 3 Demonstracao. Um conjunto M ´ dito parcialmente ordenado. pelo lema de Zorn. Reciprocamente. este ideal ´ pr´prio. e Al´m disto. E imediato que este conjunto ´ parcialmente ordenado com respeito ` rela¸˜o de e a ca inclus˜o de conjuntos. b. M = ∅. Neste caso. Lema 1. e Definicao 1. ent˜o a = b. se para quaisquer a. Lema de Zorn e aplica¸˜es co Definicao 1. a Lema 1. para todo a ∈ M.11 (lema de Krull). Em ca e particular. e Seja X um conjunto e e ∼ um rela¸˜o de equivalˆncia em X. X ´ denotado por Z/nZ. Neste a caso dizemos que M ´ um conjunto totalmente ordenado. a (3) (Anti-simetria) Dados a. (ver [vWa. o ideal C ´ um limite superior para L. se para todo e a ∈ M temos a ≤ c. do contr´rio. Seja L ⊂ N um subconjunto totalmente ordenado e a C := b∈L b.1. se todo subconjunto totalmente e ordenado L ⊂ M possui limite superior. Um elemento ¸˜ m ∈ M ´ dito um elemento maximal de M. ca e e . c ∈ M. Todo ideal n˜o nulo a de R est´ contido em algum ideal maximal m de R. O conjunto M ´ dito indutivo.

.

Parte 1 N´ meros Inteiros u .

.

1.e. definir a no¸˜o de m´ximo divisor comum de u ca a n´meros inteiros e provar o algoritmo euclideano estendido que d´ uma rela¸˜o de u a ca dependˆncia linear entre o m´ximo divisor comum e os n´meros inteiros atrav´s da e a u e no¸˜o de ideais.2) existe q + 1 ∈ S tal que q + 1 ≤ x para todo x ∈ S.. pelo axioma da boa ordena¸˜o e a ca (axioma 1. a a Demonstracao. Suponha que a ≥ b. i. b ≥ 0. a | c. i. ent˜o a | b. b ∈ Z. (2) Existem α. Teorema 2. Sejam a.CAP´ ıTULO 2 Algoritmos Euclideanos O objetivo deste cap´ ıtulo ´ descrever o algoritmo euclideano que permite die vidir um n´mero inteiro por outro. b ∈ Z com b = 0. / a ≥ bq. Se a. A divisibilidade satisfaz as seguintes propriedades: ¸˜ (1) (Cancelamento). Para provar a unicidade suponha que a = bq1 + r1 = bq2 + r2 . Seja r := a − bq. obtemos c = βαa. Se a < b tome q = 0 e ¸˜ r = a. r ∈ Z tais que a = bq + r. Se a | b e b | c. Mas ¸˜ o produto de dois inteiros ´ igual a zero implica em que um dos inteiros ´ nulo. • Se a < 0 e b > 0. a | b. assim b = ac. Ent˜o a existem q. Proposicao 2. (1) Existe α ∈ Z tal que αac = bc. c(b − αa) = 0. e e Observe que c = 0. r2 < b. Se c = 0 e ac | bc. Logo q ∈ S. ca 2.3 (algoritmo de Euclides).e.1. a Demonstracao. i. Assim. b ≥ 0. a (2) (Transitividade).2. Este conjunto ´ um subconjunto n˜o vazio de N.. 7 onde 0 ≤ r1 . • Se a < 0 e b < 0. O algoritmo euclideano para n´ meros inteiros u Definicao 2. β ∈ Z tais que b = αa e c = βb. i. .. ent˜o q e r s˜o unicamente determinados por a e b. ent˜o a | c. Considere o conjunto S := {k ≥ 1 inteiro | kb > a}. • Se a > 0 e b < 0. divida a := −a por b := −b com quociente q e resto r e tome q := q e r := −r . substituindo a primeira igualdade na segunda.. divida a := −a por b com quociente q e resto r e tome q := −q e r := −r . Sejam a. Suponha inicialmente que a. onde 0 ≤ |r| < |b|. divida a por b := −b com quociente q e resto r e tome q := −q e r := r . portanto 0 ≤ r < (q + 1)b − b = b.e. Dizemos que a divide b ou que b ´ divis´ ¸˜ e ıvel por a e denotamos a | b se existe c ∈ Z tal que ac = b.e.

.e. Ent˜o mdc(a. r). rn−2 = rn−1 qn + rn . Ent˜o a = bq + r = f (β q + γ). γ ∈ Z.6. .7. i. α ∈ {±1}. digamos b = f β e r = f γ para β . i. e ´ a ue o a Demonstracao.b . Observacao 2. pois b > r1 > r2 > · · · ≥ 1 e n˜o existe uma seq¨ˆncia estritamente descendente infinita de n´meros inteiros a ue u positivos. portanto αβ = 1. b) ´ e justamente o elemento m´ximo de Da. ¸˜ • A no¸˜o de mdc est´ bem definida a menos de ca a sinal. M´ximo divisor comum a Definicao 2.8 2. Seja f ∈ Db. Neste caso. este conjunto ´ finito. ¸˜ a De fato..) e (2) Para todo d ∈ Z tal que d | a e d | b. • mdc(a.e. (por isto d ´ dito um divisor comum de a e b. Suponha r1 < r2 .1) ..5. Sejam a.r s˜o coincidem. i. b ≥ 1 inteiros. ent˜o mdc(a.4. Basta mostrar que os conjuntos Da. Da. pela propriedade do cancelamento. i. b) = mdc(−a.. b) = rn . b}. a Demonstracao. ent˜o por (2) e | d e d | e. neste caso seus elementos m´ximos s˜o iguais.b ⊂ Db. a Db. • Se b | a. mas r2 − r1 ≤ r2 < b. Similarmente. a Lema 2. pois neste caso bq1 = bq2 e como b = 0.b . Sejam a.2. b) = b (idem). 0 < r2 < r1 (2.. Logo r = a − bq = e(α − βq).r . . b) = mdc(b. d | d.e. rn+1 . . b) se (1) d | a e d | b. a ou seja existem α. Consideremos a seq¨ˆncia de divis˜es ue o sucessivas: a = bq1 + r1 . .. i.1) ter´ ¸˜ ıamos que ter um primeiro resto nulo.b . . q1 = q2 . Note que para qualquer x ∈ Da.r ⊂ Da. f ∈ Da.r .e.b . Teorema 2. De fato se e for um outro mdc de a e b. i. b ≥ 1 inteiros e a = bq + r onde 0 ≤ r < b a divis˜o de a a por b. Dizemos que d ∈ Z ´ um m´ximo divisor ¸˜ e a comum de a e b. −b) (exerc´ ıcio). n˜o podemos ter r1 > r2 . a • Denote por Da. ALGORITMOS EUCLIDEANOS Basta provar que r1 = r2 . e | r. 0 < r1 < b b = r1 q2 + r2 . b ∈ Z. r2 − r1 = b(q1 − q2 ) ≥ b. i. 0 < rn < rn−1 rn−1 = rn qn+1 .e. e ∈ Db.b o conjunto dos divisores comuns positivos de a e b. . Assim quando dizemos o mdc de a e b referimo-nos ` escolha a de d positiva. o que prova o lema.r . onde rn ´ o ultimo resto n˜o nulo na seq¨ˆncia de divis˜es.e. denotado por mdc(a. digamos a = eα e b = eβ para α.e.. β ∈ Z. Sejam a. Notemos inicialmente que em (2. Assim. f | a.b e Db. Ent˜o mdc(a. Seja a a e ∈ Da. β ∈ Z tais que d = αe = αβd.b temos que x ≤ min{a. a 2. Fica novamente como exerc´ e ıcio verificar que mdc(a.

u O conjunto Z dos n´meros inteiros possui duas fun¸˜es. o rn = B2 rn−3 + A2 rn−2 = B2 rn−3 + A2 (rn−4 + (−qn−2 )rn−3 ) Tome A3 := B2 − A2 qn−2 e B3 := A2 . Demonstracao. ANEIS E IDEAIS 9 Pelo lema anterior aplicado a cada linha de (2. rn ). An´is e ideais e Nesta se¸˜o daremos uma outra demonstra¸˜o (conceitual) do algoritmo euca ca clideano estendido. Finalmente a primeira divis˜o nos a d´. Da linha seguinte temos rn−1 = rn−3 + (−qn−1 )rn−2 . Dados inteiros a. b) sua soma a + b. b). E o u produto de inteiros · : Z × Z → Z dada por (a. b). logo rn = mdc(rn .1). donde rn = Bn−2 r1 + An−2 (b + (−q2 )r1 ). t ∈ Z tais que d = sa + tb. Para isto precisamos da no¸˜o de ideais no conjunto Z dos ca n´meros inteiros. 2. b) → a + b que associa ao par (a. (3) (Elemento neutro da soma) a + 0 = 0. Basta tomar s := An−1 e t := Bn−1 − An−1 q1 . c as seguintes propriedades s˜o satisfeitas: a (1) (Associatividade da soma) a + (b + c) = (a + b) + c. Come¸amos com a pen´ltima linha de (2. (7) (Elemento neutro do produto) 1a = a.1) obtemos mdc(a. Substituindo na f´rmula anterior. r1 = a + (−q1 )b e sustituindo na f´rmula anterior obtemos a o rn = Bn−1 b + An−1 (a + (−q1 )b). (5) (Associatividade do produto) a(bc) = (ab)c. A fortiori. r1 ) = · · · = mdc(rn−1 . . (2) (Comutatividade da soma) a + b = b + a. tome A1 := −rn−1 e B1 := 1. Mas rn | rn−1 . b) o seu produto ab. rn = mdc(a. b) → ab que associa ao par (a. ¸˜ c u rn = rn−2 + (−qn )rn−1 . (6) (Comutatividade do produto) ab = ba. A soma + : Z × Z → Z u co de n´meros inteiros (a. Existem s. A linha seguinte nos d´ a rn−2 = rn−4 + (−qn−2 )rn−3 . (4) (Inverso da soma) Dado a ∈ Z existe b ∈ Z tal que a + b = 0 e denotamos b = −a.3. b) = mdc(b. Repetindo o mesmo argumento obtemos rn = Bn−2 r1 + An−2 r2 . b.8 (algoritmo euclideano estendido). Sejam a. rn−1 ).´ 2. b ≥ 1 inteiros e d = mdc(a.3. Mas r2 = b + (−q2 )r1 . Teorema 2. assim rn = B1 rn−2 + A1 rn−1 = B1 rn−2 + A1 (rn−3 + (−qn−1 )rn−2 ). Tome A2 := B1 − A1 qn−1 e B2 := A1 . tome An−1 := Bn−2 − An−2 q2 e Bn−1 := An−2 .

.11. . ou seja. Assim os unicos n´meros inteiros ´ u que admitem inverso s˜o ±1. (2) (I ´ fechado com rela¸˜o ` soma) Dados a. mas a unica possibilidade destra fra¸˜o ser um n´mero inteiro ´ a = 1 e neste caso ´ ca u e necessariamente b = 1. ak ∈ Z} o conjunto dos n´meros que s˜o somas de m´ltiplos u a u de n1 com m´ltiplos de n2 . Dado a ∈ I. dZ ⊂ I.. ¸˜ e Por isto dizemos que I ´ um ideal principal e que Z ´ um dom´ e e ınio principal. Por ca a satisfazer estas propriedades Z ´ dito um anel comutativo com unidade. etc. Afirmamos que I = dZ. ALGORITMOS EUCLIDEANOS (8) (Distributividade do produto em rela¸˜o ` soma) a(b + c) = ab + ac. e assim I ⊂ nZ. seja a = −a e b = −b. r = 0 e n | a. e ca a (3) (I ´ est´vel com rela¸˜o ` multiplica¸˜o de elementos de Z) Dado a ∈ I e e a ca a ca r ∈ Z. portanto a ∈ nZ. a = b = −1. b ∈ I. existem q. pela propriedade (3) de ideais. + nk ak | a1 . ent˜o ra ∈ I. se as ¸˜ e seguintes condi¸˜es s˜o satisfeitas: co a (1) 0 ∈ I. u • Seja n ≥ 1 inteiro e I := nZ = {nk | k ∈ Z} o conjunto dos m´ltiplos de u n. + nk Z = {n1 a1 + . Observemos que I ∩ N = ∅. Assim. Demonstracao. Se a < 0. . pois a. dado a ∈ I. como d ∈ I. · · · .. mas isto contradiz o fato de d ser o menor inteiro positivo em I. Todo ideal I = (0) de Z ´ da forma dZ para algum d ≥ 1. Observacao 2.e. (−q)n ∈ I.e. dado a < 0 em I. mas −a ≥ 1. a mesma prova mostra que se a = −a. a Fica como exerc´ mostrar que os seguintes conjuntos s˜o ideais de Z : ıcio a • I := 2Z = {2k | k ∈ Z} (o conjunto dos n´meros pares). Poder´ ¸˜ ıamos perguntar sobre a existˆncia do inverso em Z e com rela¸˜o ao produto.10 2. ent˜o a = 0 ou b = 0. Se r > 0.10. Ou seja. ent˜o −a = (−1)a ∈ I pela propriedade a a (3) de ideais. De outro lado. Se a < 0. a Definicao 2. · · · . para todo k ∈ Z. logo d | a. ent˜o a r = a + (−q)n ∈ I. Seja I := n1 Z + . b ∈ Z s˜o tais que ab = ca a 1 e e 1. suponhamos que a.. u u Proposicao 2. Pelo axioma da boa ordena¸˜o existe d ∈ I ∩ N tal que ca d ≤ k para todo k ∈ I ∩ N. com m´ltiplos de nk . . i. digamos a ≥ 1. • Sejam n1 . logo ab = a b = 1 e pelo caso anterior a = 1 e b = 1. . se a ≥ 1 nada h´ ¸˜ a a fazer. onde 0 ≤ r < n. Um subconjunto I ⊂ Z de Z ´ dito um ideal de Z. a + b ∈ I. i. De um lado. Por satisfazer esta a propriedade Z ´ dito um dom´ e ınio de integridade.9. d | a . nk ≥ 1 inteiros. Suponha a ≥ 1. r ∈ Z tais que a = qn + r. dk ∈ I. Sen˜o. Neste caso b = a ∈ Z tamb´m ´ um inteiro positivo. pelo algoritmo euclideano. e Al´m disto a seguinte propriedade ´ satisfeita: e e (9) (Cancelamento) Se ab = 0.

Observacao 3.e.1.. Seja e a n ≥ 1 inteiro. os unicos divisores a ´ positivos de p s˜o 1 e p. ter´ a ıamos que existem 1 < a. i. se ¸˜ e u para todo inteiro b ≥ 1 tal que b | p.e. Seja p ≥ 2 um n´mero primo e a. Seja p1 o menor divisor positivo de n. o menor divisor positivo p2 a 1 de n1 ´ primo.e. pois os unicos divisores positivos de p s˜o 1 e p. Seja n2 := n2 = p1n 2 < n1 . Se p | ab. Existˆncia e Definicao 3. 11 . Demonstracao. n e a ae ca Seja n1 := p1 < n. ent˜o b = 1 ou b = p. existem s. pois p | ab.. Teorema 3. Afirmamos que p1 ´ primo. ent˜o n = n1 p1 j´ ´ a fatora¸˜o procurada. Sen˜o. e e Se p1 n˜o fosse primo.primeira vers˜o). Seja p ≥ 2 inteiro. b ∈ Z \ {0}. mas isto contradiz a minimalidade de p1 .1.e. se p | a1 · · · an . ent˜o existe 1 ≤ i ≤ n tal que a p | ai . b < p1 tais que p1 = ab. i.4.e. Suponhamos que n seja com¸˜ e a posto. Se n2 ´ igual a 1 ou primo. ent˜o e e a p p n = n2 p2 p1 ´ a fatora¸˜o procurada. Demonstracao. Note que dado um n´mero primo p. Se n1 ´ igual a 1 ou primo.. Sen˜o prosseguimos. existem p1 . t ∈ Z tais que 1 = sa + tp. assim o conjunto dos divisores positivos de n ´ finito.2.CAP´ ıTULO 3 Fatora¸˜o de inteiros ca Neste cap´ ıtulo mostramos que todo n´mero inteiro fatora-se de forma unica u ´ como produto de n´meros primos u 3. Mas ab = αp.3. i. i. em particular a | n. pelo algoritmo euclideano estendido. Multiplicando ambos os lados por b obtemos b = sab + tpb. para algum α ∈ Z. n ≥ 1 ´ composto se e somente se existem 1 < a. Suponha que ´ a p a.2 (teorema fundamental da aritm´tica . Logo b = p(sα + tb). b < n u e tais que n = ab. 3. O lema anterior pode ser estendido imediatamente para um ¸˜ produto qualquer de inteiros. · · · . p) = 1 ¸˜ u a equivale a p a. com o mesmo argumento anterior. Dizemos que p ´ um n´mero primo. i.. Unicidade Lema 3. ent˜o mdc(a. ent˜o p | a u a ou p | b. p | b. n = p1 · · · pk . pk n´meros primos (n˜o necessariamente distintos) u a tais que n = p1 · · · pk . i. assim ue existe k ≥ 1 tal que nk = 1. Todo divisor d de n satisfaz d ≤ n. Note que temos uma e ca a seq¨ˆncia estritamente decrescente n > n1 > n2 > · · · de inteiros positivos. Se n ´ primo nada h´ a fazer.. Os n´meros inteiros que n˜o primos s˜o chamados de a u a a n´meros compostos.e..

· · · . Notemos que d ´ um divisor comum de a e b. Sejam a. fs ≥ 1 tais que f f n = p e1 · · · p er = q 1 1 · · · q s s . p2 = q2 e e2 = f2 . por exemplo. Seja e a n ≥ 1 inteiro. Portanto. J´ provamos anteriormente a existˆncia da fatora¸˜o. ou seja j > 1. b). fi ≥ 0 para 0 ≤ i ≤ k. cancelando p1 dos dois lados da equa¸˜o acima obtemos f f pe1 −f1 pe2 · · · per = q22 · · · qs s . ei − gi ≥ 0.5 (teorema fundamental da aritm´tica .. d = ph1 · · · phk 1 k para 0 ≤ hi ≤ ei . o fator primo p1 do lado esquerdo n˜o cancelar´ com nenhum a a fator primo do lado direito. er ≥ 1 tais que n = p e1 · · · p er . ent˜o existem unicos n´meros primos a ´ u p1 < · · · < pr e inteiros e1 . MDC e fatora¸˜o ca Proposicao 3. ca Mas dessa forma.3. Assim. g d = d p11 −h1 · · · pgk −hk . Afirmamos tamb´m que e1 = f1 . · · · . k . 1 1 k uma vez que para cada i. e1 = f1 . Em particular. hi ≤ gi . fi − gi . logo p1 = qj . pois ¸˜ e e a = dpe1 −g1 · · · pkk −gk e b = dpf1 −g1 · · · pfk −gk . Seja d ≥ 1 um divisor comum de a e b. o que contradiz a ordena¸˜o dos n´meros primos q’s. O mesmo argumento acima mostra que existe a 1 ≤ i ≤ r tal que q1 = pi . r 1 2 Repetindo a argumenta¸˜o anterior obtemos que q2 = pi para algum 1 < i ≤ r. i. Assim sucessivamente concluimos que o n´mero de fatores primos em ambos os lados ´ igual.12 3. Logo ca u j = 1. FATORACAO DE INTEIROS ¸˜ Teorema 3. Suponha. fi } e co d = pg 1 · · · p g k .segunda vers˜o). Afirmamos que j = 1.e. Isto nos fornece a igualdade f f p e2 · · · p er = q 2 2 · · · q s s .e. r = s e u e para cada 1 ≤ i ≤ r. Seja gi = min{ei . fi .. Mas ca ambos s˜o primos. b ≥ 1 inteiros. r 1 Pela observa¸˜o anterior temos que existe algum 1 ≤ j ≤ s tal que p1 | qj . Neste e f1 ca caso. a Demonstracao. 1 k Ent˜o d = mdc(a. Caso contr´rio. a q1 = pi ≥ p1 = qj . r 2 Pelo mesmo argumento anterior. i. pi = qi e ei = fi . Suponha que a existam outros primos q1 < · · · < qs e inteiros f1 . agru¸˜ a e ca pando os primos e colocando-os em ordem temos a express˜o acima. que e1 > f1 . com ei .6. r 1 Demonstracao. 3. ¸˜ a = pe1 · · · pek e b = pf1 · · · pfk 1 1 k k suas fatora¸˜es.

b) = 1. o que contradiz mdc(a. e 1 k √ / Proposicao 3. Como pi c.. ¸˜ a . Note ¸˜ a b que a = da e b = db . √ / Proposicao 3. Fatoramos n como ¸˜ n = p e1 · · · p ek . existem qi . Ent˜o ca a a2 = p1 · · · pk b2 .4. onde c := p1 · · · pi−1 pi+1 · · · pk .4. Mas isto implica em p | b2 . Ent˜o f p ∈ Q. Substituindo na igualdade anterior concluimos que p2 α2 = pb2 . Simplificando d obtemos que x = a . digamos a = pα.3 concluimos que p | a. e Demonstracao. b) = 1. obtemos que p | b.e. Suponha que n = a com a. Ent˜o x = a com a. e ıvel e Definicao 3. i. Ent˜o ¸˜ u a √ p ∈ Q.11. Novamente pelo lema 3. Aplica¸˜es co Proposicao 3. pα2 = b2 .. 1 k Pelo algoritmo euclideano. existem a. i Simplificando pi na igualdade acima. Pelo lema 3.3. concluimos que a pi | b2 .7. Assim. Seja f ≥ 2 inteiro e p ≥ 2 primo.3. Assim n = p2q1 pr1 · · · p2qk prk 1 1 k k e tomando Q := pr1 · · · prk . suporemos sempre que dado um b n´mero x ∈ Q \ {0}. ou seja s˜o todos distintos. excluindo os primos com expoente zero. b Logo a2 = pb2 e p | a2 . Seja p ≥ 2 um n´mero primo. Logo para cada 1 ≤ i ≤ r temos que pi | a2 . ent˜o n ∈ Q. para cada 1 ≤ i ≤ k. Seja n ≥ 1 inteiro livre de quadrados. ent˜o existem Q. b) e que mdc(a . ¸˜ a √ Demonstracao.3 concluimos que pi | a. temos que Q ´ e 1 k livre de quadrados. pois pi n˜o pode dividir nenhum dos a fatores de c uma vez que p1 < · · · < pk . b ∈ Z tais que p = a e mdc(a. i. Seja n ≥ 1 inteiro.e.10. Substituindo na igualdade anterior obtemos 2 p2 αi = p1 · · · pk b2 . Novamente. dividindo pelo mdc. a ≥ 1 inteiros tais que n = a2 Q.9. x ´ da forma a com mdc(a. i. b ) = 1. b ∈ Z e mdc(a. pelo lema 3. a onde Q ´ livre de quadrados. Dizemos que n ´ livre de quadrados se sua ¸˜ fatora¸˜o ´ da forma ca e n = p1 · · · pk . O que sobra ´ a2 com a := pq1 · · · pqk . onde d = mdc(a.8. Seja x ∈ Q \ {0}. Pelo lema 3. digamos a = pi αi para αi ∈ Z. Seja n ≥ 1 inteiro. u e b √ √ Suponha que p ∈ Q. b) = 1. onde 0 ≤ ri < 2. / Demonstracao. n = a2 Q.3 temos que pi | b. b) = 1. obtemos 2 pi αi = p1 · · · pi−1 pi+1 · · · pk b2 = cb2 . b) = 1. Seja ¸˜ b n = p1 · · · p k a fatora¸˜o de n. b ∈ Z \ {0}. APLICACOES ¸˜ 13 3. mas isto ´ imposs´ pois mdc(a. para algum α ∈ Z.e. Lema 3. ri ∈ Z tais que ei = 2qi + ri ..

b) = 1. Seja ¸˜ Demonstracao. 1 k e e obtemos f f pi −ei αi = cbf .4 concluimos que pi | b. Definicao 3. Ent˜o f n ∈ Q. ca p | bf . Como f ≥ 2 temos que p aparece na fatora¸˜o do lado esquerdo. b ∈ Z e mdc(a. e n = p e1 · · · p ek 1 k a fatora¸˜o de n. Novamente pela observa¸˜o 3. Proposicao 3. Dizemos que n ´ livre de ¸˜ e f -potˆncias se a fatora¸˜o de n ´ da forma e ca e n = p e1 · · · p ek 1 k com 1 ≤ ei < f para todo 1 ≤ i ≤ k. Pela observa¸˜o 3. em particular. pela observa¸˜o 3. mas isto contradiz ca mdc(a. ca digamos a = pi αi para αi ∈ Z. Ent˜o a e p | af . existem qi . onde 1 ≤ ei < f . Assim escrevemos n = pf q1 pr1 · · · pf qk prk . e a n = pe1 · · · pek 1 k √ a fatora¸˜o de n. 1 i k Demonstracao.14. onde 1 ≤ ei < f para todo i ≤ i ≤ k.13.4 concluimos que p | a. Sejam n ≥ 1 e f ≥ 2 inteiros.12. mas isto contradiz ca mdc(a. b) = 1. Suponhamos que n seja livre / de f -potˆncias.14 3. concluimos que pf −1 αf = bf . Lema 3. Substituindo na igualdade anterior obtemos f pf αi = pe1 · · · pek bf . . Logo a pi | bf . b ∈ Z e mdc(a. Novamente. simplificando a igualdade anterior por p. Pelo algoritmo euclideano. Como anteriormente pi c uma vez que pi n˜o divide nenhum fator de c. ent˜o existem Q. Seja n ≥ 1 inteiro. Seja ¸˜ a b Cancelando pei em ambos os lados da igualdade acima e denotando i i−1 i+1 c := pe1 · · · pi−1 pi+1 · · · pek . b) = 1. digamos a = pα. Pela observa¸˜o 3. Suponha que ¸˜ √ f f p= a = pb a b com f a. 1 1 k k Como anteriormente Q := pr1 · · · prk ´ livre de f -potˆncias e tomando a := e 1 k e fk q1 f p1 · · · pk concluimos que n = a Q. Ent˜o a af = pe1 · · · pek bf .4 concluimos que p | b. 1 k Logo para cada 1 ≤ i ≤ k pi | af . Substituindo ca na igualdade anterior obtemos pf αf = pbf .4 concluimos que pi | a. a ≥ 1 inteiros tais que n = a af Q com Q livre de f -potˆncias. FATORACAO DE INTEIROS ¸˜ Demonstracao. ri ∈ Z ca tais que ei = f qi + ri . Suponhamos que f n = ca com a. para cada 1 ≤ i ≤ k. √ ¸˜ Sejam n ≥ 1 e f ≥ 2 inteiros. b) = 1.

Fun¸˜o de Mœbius. Portanto. ¸˜ ca u r 1 Ent˜o a pa1 +1 − 1 par +1 − 1 ν(n) = (a1 + 1) · · · (ar + 1) e σ(n) = 1 ··· r .d|n Demonstracao. . e o 3. . + (−1)r = (1 − 1)r = 0.. d≥1. Utilizaremos a fatora¸˜o unica para obter f´rmulas expl´ ca ´ o ıcitas para estes dois n´u meros. prr ). g : N \ {0} → C. r ) onde os a i ’s s˜o 0 ou 1. onde os pi ’s s˜o primos distintos definimos µ(n) := (−1)r . . A quantidade destas r-uplas ´ e exatamente (a1 + 1) · · · (ar + 1). r 1 Assim. Pela defini¸˜o de µ ¸˜ ca ca r 1 temos que µ(d) = µ(p11 .d|n r r − + .5. FUNCOES ARITMETICAS ELEMENTARES ¸˜ 15 3.e.. ent˜o ¸˜ a µ(d) = 0.··· .1.5. os divisores positivos de n correspondem bijetivamente as r-uplas (b1 .d2 ≥1.16. i.5. Definimos a fun¸˜o de Mœbius µ : N \ {0} → Z ca ca por µ(1) := 1. a e a n = p1 · · · pr . disto segue a f´rmula para σ(n). Seja n = pa1 · · · par a fatora¸˜o de n em n´meros primos.d|n d.br ) pb1 · · · pbr = r 1 b1 pb1 1 ··· br pbr r e que cada soma no segundo membro ´ a soma dos termos de uma progress˜o e a geom´trica. caso contr´rio. a Proposicao 3. p1 − 1 pr − 1 Demonstracao. Fun¸˜es aritm´ticas elementares co e Para todo n´mero inteiro n ≥ 1 denotemos por ν(n) o n´mero de divisores u u inteiros positivos de n e por σ(n) a soma de todos estes divisores. . Seja n = pa1 · · · par a fatora¸˜o de n. ν(n) := #{d ≥ 1 | d | n} e σ(n) := d≥1. se n n˜o ´ livre de quadrados.d|n ( 1 .d1 d2 =n f (d1 )g(d2 ).e. 2 3 Para entender melhor a fun¸˜o de Mœbius precisamos introduzir a multica plica¸˜o de Dirichlet. . µ(d) = 1 − r + d≥1.15. definimos ca f ◦ g(n) := d1 . Note que d | n se e somente se d fatora-se como ¸˜ d = pb1 · · · pbr com 0 ≤ bi ≤ ai para todo 1 ≤ i ≤ r. Sejam f. Proposicao 3. Se n > 1. Para a segunda igualdade observe que σ(n) = (b1 . d≥1. µ(n) := 0. br ) satisfazendo a 0 ≤ bi ≤ ai para todo 1 ≤ i ≤ r. · · · .´ 3. i.··· .

e e Teorema 3. Por defini¸˜o F = f ◦I. Assim. d≥1. b) = 1. F ◦µ = (f ◦I)◦µ = f ◦(I ◦µ) = ¸˜ ca f ◦ 1 = f . Se n > 1.d2 . i. dentre elas a fun¸˜o a co ca φ de Euler definida da seguinte forma. n) = 1. .16 3. FATORACAO DE INTEIROS ¸˜ Este produto ´ associativo. Segue ca da defini¸˜o que para toda fun¸˜o f : N \ {0} → C temos f ◦ 1 = 1 ◦f = f . cada uma delas ser´ igual a uma fra¸˜o a/b a ca com mdc(a. Seja a F (n) := d≥1. 2/n. .d|n 1 p1 . · · · . A prova para I ◦ µ ´ idˆntica.d min d f (d). ´ Demonstracao. . Definimos a fun¸˜o 1 : N \ {0} → Z por 1(1) := 1 e 1(n) := 0. ca Proposicao 3. E claro que µ ◦ I(1) = µ(1)I(1) = 1. Proposicao 3. (n−1)/n. ent˜o ¸˜ a r 1 φ(n) = n 1 − Demonstracao. E claro que se p for um n´mero u primo φ(p) = p − 1.19. por esta e ca defini¸˜o obtemos f ◦ I(n) = I ◦ f (n) = d≥1.d|n µ(d) = 0.e. Consideremos as n fra¸˜es 1/n. ´ igual a ca ca e φ(d).. Como ¸˜ n= d≥1. pela defini¸˜o da fun¸˜o φ. Ent˜o a f (n) = d≥1. Novamente. Se n = pa1 .d|n Demonstracao. ent˜o ¸˜ a µ ◦ I(n) = d≥1. Logo.17. 1 − 1 pr − 1 . ¸˜ φ(d) = n d≥1.d|n µ(d)F (n/d). n/n. Isto segue do seguinte exerc´ e ıcio f ◦ (g ◦ h)(n) = (f ◦ g) ◦ h(n) = d1 . ca Lema 3. I ◦ µ = µ ◦ I = 1. par . φ(d). φ(n) denota o n´mero u ´ de inteiros positivos d ≤ n tais que mdc(d. Os denominadores ser˜o sempre divisores de n.18 (teorema de invers˜o de Mœbius).. Seja n ≥ 1 inteiro.d3 ≥1. Defina ca ca tamb´m a fun¸˜o I : N \ {0} → Z por I(n) := 1 para todo n. Disto segue a proposi¸˜o.d1 d2 d3 =n f (d1 )g(d2 )h(d3 )..d|n O teorema de invers˜o de Mœbius tem diversas aplica¸˜es. Po¸˜ co demos reduzir cada uma delas a forma m´ ınima cancelando os fatores primos comuns do numerador e denominador.20.d|n f (d). f (n) = F ◦ µ(n) = µ(d)F (n/d). Demonstracao. O n´mero de a u fra¸˜es na forma m´ co ınima com denominador d. se n > 1.

d|n µ(d)n/d = n − i n + pi 1 p1 i<j n + ..... FUNCOES ARITMETICAS ELEMENTARES ¸˜ 17 pelo teorema de invers˜o de Mœbius temos a φ(n) = d≥1. 1 − .5.´ 3. pi pj 1 pr − 1 =n 1− .

.

Este m´todo ´ utie ca e e lizado em diversas circunstˆncias em matem´ticas para provar afirmativas que dea a pendem “indutivamente” dos n´meros naturais. Enunciados Axioma 4.2 2 . Suponha que u (1) exista n0 ∈ N tal que A(n0 ) seja verdadeira. Para todo inteiro n ≥ 1 temos n i= i=1 n(n + 1) . Demonstracao. (2) Se A(k) ´ verdadeira para todo n0 ≤ k < n ent˜o A(n) tamb´m ´ vere a e e dadeira. a e Axioma 4. 2 2 Lema 4. (2) Dado k ≥ n0 . e ıvel Demonstracao.1. Suponha que u (1) exista n0 ∈ N tal que A(n0 ) seja verdadeira. i(i − 1) · · · 1 19 p i . ent˜o o binomial u a ´ divis´ por p. Seja A(n) ca uma afirmativa sobre n´meros naturais n ∈ N.2 (princ´ ıpio da indu¸˜o finita na sua segunda forma). Por defini¸˜o ¸˜ ca p i = p(p − 1) · · · (p − i + 1) ∈ Z.4. e 4. ¸˜ (2) Suponha que n+1 n (1) Para n = 1 temos que 1 = n n(n+1) .2. Exemplos da indu¸˜o na sua primeira forma ca Exemplo 4.CAP´ ıTULO 4 Indu¸˜o finita ca Neste cap´ ıtulo apresentamos o m´todo da indu¸˜o finita. a Ent˜o para todo n ≥ n0 a afirmativa A(n) ´ verdadeira. ent˜o A(k + 1) tamb´m o a e ser´. 2 1. Ent˜o a i=1 i = 2 i= i=1 i=1 i + (n + 1) = n(n + 1) (n + 1)(n + 2) + (n + 1) = . toda vez que A(k) for verdade.3. u 4. Logo para todo n ≥ n0 a afirmativa A(n) ´ verdadeira.1 (princ´ ıpio da indu¸˜o finita na sua primeira forma). Seja A(n) ca uma afirmativa sobre n´meros naturais n ∈ N. Seja p um n´mero primo e 1 ≤ i < p inteiro.

ent˜o pelo Lema 3. o primeiro ´ positivo e o produto ´ a e e positivo.4 e pela hip´tese de p | (np − n) concluimos que p | ((n + o 1)p − (n + 1)). ¸˜ (1) Para n = 1 temos que p divide 1p − 1 = 0. e e Exemplo 4. Neste caso. mp − m = (−n)p − (−n) = −(np − n) que ´ divis´ por p.5. logo a e e .8 (Euclides). Seja p um n´mero primo e a ∈ Z.e. Exemplos da indu¸˜o finita na sua segunda forma ca Ordenamos os n´meros primos u p1 = 2 < p2 = 3 < p3 = 5 · · · < pn · · · . Seja M := p1 · · · pk + 1. · · · . digamos que ´ ca a pi | M . Para todo inteiro n ≥ 1 temos que p u divide np − n. O conjunto P ´ infinito. Suponha p > 2.3. Seja p um n´mero primo. Demonstracao.20 4. e Demonstracao.7. Logo a express˜o entre parˆnteses ´ positiva. i Pelo Lema 4. a Observacao 4. Logo a podemos colocar p para fora da fra¸˜o e o que sobra ca (p − 1) · · · (p − 1 + i) i(i − 1) · · · 1 tamb´m ´ inteiro. a Demonstracao.. pk . Ent˜o a p−1 (n + 1) − (n + 1) = i=1 p p i n + (np − n). u Pelo teorema fundamental da aritm´tica M ´ produto de n´meros primos. Se p a. p (2) Suponha que p | (n − n). Seja P o conjunto dos n´meros primos. O teorema anterior ´ na verdade equivalente para um inteiro ¸˜ e a n˜o divis´ por p a p | (ap−1 −1). digamos com k elementos. logo M tem que ser um n´mero composto. digamos m = −n para n ≥ 1. existe αi ≥ 1 inteiro tal que M = αi pi . Retornando ` defini¸˜o de M a ca obtemos pi (αi − p1 · · · pi−1 pi+1 · · · pk ) = 1. O exemplo mostra o teorema para inteiros positivos. Suponhamos que P seja finito. INDUCAO FINITA ¸˜ Note que p n˜o divide nenhum dos fatores do denominador. Seja ¸˜ m < 0 inteiro. Notemos que M > p1 · · · pk ≥ 2pk > pk .3 concluimos que p | (ap−1 − 1). onde pn denota o n-´simo n´mero primo. u Ent˜o p | (ap − a). ¸˜ P = {p1 < · · · < pk }.6 (pequeno teorema de Fermat). De fato. suponha que ap −a = a(ap−1 −1) = αp a ıvel para α ∈ Z. pois i < p. a 4. Os fatores do lado esquerdo s˜o ambos inteiros. Por outro lado pi ≥ 2. Teorema 4. e u u Teorema 4. Logo e e u os unicos primos que podem aparecer na sua fatora¸˜o s˜o p1 . No caso de p = 2 temos e ıvel que se n2 − n = 2α. ent˜o m2 − m = n2 + n = n + 2α + n = 2(α + 1). i.

existem q . . Portanto. Por hip´tese de indu¸˜o. ¸˜ (1) Observe que p1 = 2 ≤ 22 = 4.. ca e No pr´ximo cap´ o ıtulo daremos outras demonstra¸˜es deste teorema bem como co discutiremos em maior profundidade os n´meros primos. −1 Mas 22 + . Ent˜o 1 ≤ n − b < n.3. Em particular. A demonstra¸˜o ca do teorema de Euclides mostra que M := p1 · · · pn−1 + 1 n˜o pode ser dia vis´ por nenhum dos primos p1 . o que ´ imposs´ e e e ıvel. . + 2n−1 = 2(1 + . Basta mostrar que 22 −2 +1 ≤ 22 . pn−1 . A contradi¸˜o vem do fato de termos suposto P finito.9. 2n−1 + 1. onde 0 ≤ rm < n. . o que ´ verdade. Demonstracao. EXEMPLOS DA INDUCAO FINITA NA SUA SEGUNDA FORMA ¸˜ 21 o lado esquerdo ´ pelo menos 2. n n n n n pn ≤ 22 −2 +1. + 2n−2 ) = 2 2 2−1 = 2n − 2.10 (algoritmo de Euclides). . Logo n = (q + 1)b + r e basta tomar q = q + 1 e r = r . ¸˜ (1) Se n < b tome q = 0 e r = n. pn ≤ M .e. u Exemplo 4. rm ∈ Z tais que m = bqm + rm .4. . m (2) Suponha que para todo 1 ≤ m < n tenhamos pm ≤ 22 . i. 4 ≤ 22 +2 −22 = n 22 (4 − 1). pn ≤ p1 · · · pn−1 + 1 ≤ 22 + . Assim. · · · . e n−1 2 n Exemplo 4. Se n = b tome q = 1 e r = 0. . (2) Suponhamos que n > b. portanto P ´ infinito. . a o ca para todo 1 ≤ m < n existem qm . r ∈ Z tais que n − b = q b + r onde 0 ≤ r < b. enquanto o lado direito ´ 1. Seja b ≥ 1 inteiro. Para todo inteiro n ≥ 1 temos pn ≤ 22 . Logo M s´ pode ser divis´ ıvel o ıvel por primos maiores que pn−1 . Demonstracao. r ∈ Z tais que n = bq + r para 0 ≤ r < n. Para todo inteiro n ≥ 1 existem q. em particular.

.

1 (Euclides). e n ´ e e u e um inteiro qualquer. Produzimos assim um subconjunto infinito {q1 .. Por um lado a quantidade de n´meros inteiros positivos at´ n ´ u e e exatamente n. n ≤ 2k . ¸˜ e u Mostramos anteriormente (exerc´ do cap´ ıcio ıtulo sobre algoritmo de Euclides) que se n > m ≥ 1. Demonstracao. P ´ infinito. ´ a cardinalidade do conjunto de n´meros primos.e. u e a i.e.e. todo fator primo de F (2) ´ distinto de q1 . u e a√ portanto. u Teorema 5. Pelo resultado anterior. Novamente pelo resultado anterior todo fator primo de F (n) ´ distinto de q1 . Suponhamos que P seja finito. qn . P ´ infinito. u e Daremos 3 outras demonstra¸oes para este fato. ent˜o mdc(F (n). e 2a. Suponhamos que para todo 1 ≤ m < n tenhamos escolhido para cada F (m) um fator primo distinto. com m. Come¸amos escolhendo um fator primo a c q1 de F (1). digamos q2 . √ e √ o n´mero de escolhas para n ´ no m´ximo 2k n. Mas k ´ fixo.1. n = mQ2 .. qn−1 . Pelo Lema 3. o n´mero de escolhas poss´ u√ ıveis para m ´ no m´ximo 2k √Observemos e a . logo o n´mero de escolhas para Q ´ no m´ximo n.CAP´ ıTULO 5 N´ meros primos u No cap´ ıtulo anterior provamos que o conjunto dos n´meros primos ´ infinito.e. O conjunto P ´ infinito. Provamos assim (via a Indu¸˜o na sua segunda ca forma) que para todo n ≥ 1 temos um n´mero primo qn fator de F (n) distinto de u q1 . Portanto. A s´rie e p∈P 23 n 1 p . Cada qual tem seu m´rito pr´prio.2 (*). estamos mostrando que o conjunto dos inteiros positivos ´ limitado. · · · . 1 k escolher m ´ equivalente a escolher os expoentes ei . c˜ e o A prova apresentada no cap´ ıtulo sobre indu¸˜o finita ´ a original de Euclides. Assim. i. digamos qn .. · · · . e como tenho duas escolhas e para cada i. e Uma quarta demonstra¸˜o ´ conseq¨ˆncia do seguinte teorema. ca e ue Teorema 5. para 1 ≤ i ≤ k. F (m)) = 1.9. ca e Provaremos tamb´m que existe uma infinidade de n´meros primos em certas progree u ss˜es aritm´ticas e que fun¸˜es polinomiais n˜o lineares produzem uma infinidade o e co a de n´meros compostos. · · · . qn−1 . i. m = pe1 · · · pek . Seja n ≥ 1 inteiro. Demonstracao. tamb´m que Q ≤ n. Em particular. escolhemos um e destes fatores primos. u 5. Seja F (n) := 22 + 1 o n-´simo n´mero de Fermat. o que ´ imposs´ e e ıvel. Q ≥ 1 inteiros e m livre de quadrados. n ≤ 2k n. ¸˜ pk }. onde ei ∈ {0.. e 3a. i. · · · . escole hemos um destes fatores primos. Por outro. · · · } ⊂ P de P. Infinidade de primos Seja P o conjunto dos n´meros primos. n ≤ 22k . digamos P = {p1 . 1}.

P ´ um conjunto infinito. Cap´ ıtulo IV.24 ´ 5. · · · . log(λ(n)) < 1 1 + . Exemplo 29] que n≥1 n−2 converge. a p∈P p 5. .. = 2 pm pi 1 − p−1 pi i i 1 1 2 + . + +2 p1 pl(n) . + p1 pl(n) i=1 m≥2 1 . digu c ca amos f (n) = an + b com a. pl(n) Segue das Preliminares que 1 = 1 − pi logo λ(n) = pa1 (a1 . . Come¸aremos pela fun¸˜o linear. mpm i 1 < mpm i m≥2 1 1 2 1 ≤ 2. e Calculando o logartimo de λ(n) (ver Preliminares) obtemos l(n) l(n) log(λ(n)) = − i=1 log(1 − pi ) = i=1 m≥1 l(n) 1 mpm i = Note que m≥2 1 1 + + . b ≥ 1 inteiros. Exemplos 23]). al(n) ) ´ formada de inteiros n˜o negativos. 1 − pi 1 . Segue de [Li. + < λ(n). Assim. pai i 1 al(n) . pl(n) os n´meros primos me¸˜ u nores ou iguais a n. Note que f (N) ´ uma progress˜o e a aritm´tica com primeiro elemento a + b e raz˜o b. Sejam n ≥ 1 inteiro e p1 . · · · . i. . se p∈P p−1 convergisse. Para a no¸˜o de divergˆncia de s´rie veja [Li. −1 n˜o pode convergir.. Em particular. Cap´ ca e e ıtulo IV].al(n) ) 1 ai ≥0 onde a l(n)-upla (a1 . . Primos em progress˜es aritm´ticas o e Nos pr´ximos 3 par´grafos procuramos estudar f´rmulas “simples” que “caro a o acterizem” os n´meros primos. λ(n) < eM . a fortiori o mesmo −2 vale para i≥1 pi . existiria uma constante M tal que log(λ(n)) < M .··· . 2 n concluimos que λ(n) → ∞ quando n → ∞ (ver [Li. Na verdade procuramos fun¸˜es f : N → N cuja u co imagem contenha “muitos” n´meros primos.e. Dessa forma. Cap´ ıtulo IV. . Em particular. . + p2 p1 l(n) Logo. e a . Seja l(n) λ(n) := i=1 1 . Demonstracao. mas λ(n) → ∞. NUMEROS PRIMOS diverge. . quando n → ∞....2. e a como 1 1 1 + + .

No lado esquerdo temos um produto de um n´mero inteiro positivo por outro cujo u produto tamb´m ´ um inteiro positivo. Demonstracao.4. Observe tamb´m que M > a e 4p1 · · · pk > 4pk > pk .. Observe que M deixa resto 3 na divis˜o por 4. u Suponha que P4. a i. ent˜o o a a a mesmo ocorre para ab. a Seja P4. digamos P4. Como p1 ≥ 7.˜ ´ 5. ent˜o a ab = 4(4xy + x + y) + 1. Note que M deixa resto 5 na divis˜o por 6. Como p ´ primo as unicas possibilidades para e ´ r s˜o 1 e 3. o lado esquerdo ´ pelo menos 7. Seja p > 2 um n´mero primo. Demonstracao. se a = 6x + 1. b ≥ 1 s˜o inteiros que deixam resto 1 na divis˜o por 6. e Lema 5. digamos P6.3 seja infinito. Seja M := 4p1 · · · pk + 3. a . b = 4y + 1.5 o conjunto dos n´meros primos maiores ou iguais a 11 da forma 6n+5 u para n ≥ 1 inteiro. ent˜o a a a o mesmo ocorre com ab.e.3 o conjunto dos n´meros primos maiores ou iguais a 7 da forma 4n + 3. Como pk ´ o maior n´mero primo que deixa resto 5 na divis˜o por 6 e u a obtemos que M ´ composto. Note que se a. b = 6y + 1. Existem infinitos n´meros primos da forma 6n + 5 com n ≥ 1 u inteiro. i. Existem infinitos n´meros primos da forma 4n + 3 com n ≥ 1 u inteiro. Note tamb´m que M > 6p1 · · · pk > a e 6pk > pk . Fica como exerc´ verificar (utilizando a primeira forma da indu¸˜o finita) que o ıcio ca mesmo vale para um produto finito a1 · · · an de inteiros positivos cada qual deixando resto 1 na divis˜o por 4. e Observe que se a. r ∈ Z tais que p = 6q + r com 0 ≤ r < 6. existe algum 1 ≤ i ≤ k tal que pi | M . Seja p > 2 um n´mero primo. ent˜o a ab = 6(6xy + x + y) + 1. Suponha que P6. Seja P6. Pelo algoritmo da divis˜o ¸˜ u a existem q. n˜o ´ poss´ a e ıvel que todo fator de M deixe resto 1 na divis˜o por 4.5 = {p1 < · · · < pk }. Seja M := 6p1 · · · pk + 5. Portanto P4. a Assim. Pelo teorema fundamental da aritm´tica M a e e fatora-se em um produto de primos. se a = 4x + 1. logo (como pk ´ o maior n´mero primo que deixa resto e u 3 na divis˜o por 4) M ´ composto. r s´ pode ser e o 1 ou 5.e. M = pi αi para αi ≥ 1 inteiro. logo o n´mero inteiro entre parentˆses ´ um e e u e e inteiro positivo.3. b ≥ 1 s˜o inteiros que deixam resto 1 na divis˜o por 4. Pelo algoritmo da divis˜o existem q. De fato. Como p ´ primo. Comecemos analisando os ¸˜ u poss´ ıveis restos da divis˜o de p por 4.5 seja finito.3 ´ infinito.3 = {p1 < · · · < pk }. De fato. r ∈ Z a a tais que p = 4q + r com 0 ≤ r < 4. PRIMOS EM PROGRESSOES ARITMETICAS 25 Lema 5.2. o que ´ imposs´ e e ıvel. Retornando ` defini¸˜o de M obtemos a ca pi (αi − 4p1 · · · pi−1 pi+1 · · · pk ) = 3. Fica como exerc´ mostrar que o mesmo vale para um produto finito a1 · · · an de ıcio inteiros positivos cada qual deixando resto 1 na divis˜o por 6..

26

´ 5. NUMEROS PRIMOS

Assim n˜o ´ poss´ que todo fator de M deixe resto 1 na divis˜o por 6, i.e., a e ıvel a existe 1 ≤ i ≤ k tal que pi | M , M = pi αi para αi ≥ 1 inteiro. Retornando ` a defini¸˜o de M obtemos ca pi (αi − 6p1 · · · pi−1 pi+1 · · · pk ) = 5. No lado esquerdo temos um produto de um n´mero inteiro positivo por outro cujo u produto tamb´m ´ um inteiro positivo, logo o n´mero inteiro entre parentˆses ´ um e e u e e inteiro positivo. Como p1 ≥ 11, o lado esquerdo ´ pelo menos 11, o que ´ imposs´ e e ıvel. Portanto P6,5 ´ infinito. e No par´grafo sobre fun¸˜o zeta a seguir enunciaremos um teorema devido a a ca Dirichlet que generaliza os dois lemas anteriores. 5.3. Infinidade de compostos por fun¸˜es polinomiais co Queremos agora analisar o que ocorre se a fun¸˜o considerada anteriormente ca for polinomial. Veremos que em geral o fenˆmeno se contrap˜e ao caso linear, ou o o seja, ´ poss´ apenas garantir uma infinidade de n´meros compostos na imagem e ıvel u de f . Teorema 5.5. Seja f (n) := ad n+ ad−1 nd−1 + . . . + a1 n + a0 , onde ad , · · · , a0 ∈ Z com ad > 0. Ent˜o existem infinitos n´meros compostos da a u forma f (n). Demonstracao. Se para todo n ≥ 1, f (n) for composto nada h´ a fazer. ¸˜ a Caso contr´rio, seja n0 ∈ N tal que f (n0 ) = p n´mero primo. Seja h ≥ 1 inteiro e a u f (n0 + hp) = ad (n0 + hp)d + ad−1 (n0 + hp)d−1 + . . . + a1 (n0 + hp) + a0 . Note que a soma dos termos constantes (considerando a express˜o acima como um a polinˆmio em h) ´ igual a o e
d−1 ad nd + ad−1 n0 + . . . + a1 n0 + a0 = p. 0

Logo, f (n0 + hp) = p(1 + a1 h + a2 (2n0 h + h2 p) + . . .
d−2 + ad−1 ((d − 1)n0 h + . . . + (d − 1)n0 hd−2 pd−3 + hd−1 pd−2 )

+ ad (dnd−1 h + . . . + dn0 hd−1 pd−2 + hd pd−1 )). 0 Observe que o termo l´ ıder da express˜o acima como polinˆmio em h ´ igual a a o e ad pd−1 p > 0. Assim para um inteiro h ≥ 1 suficiente grande a express˜o entre a parˆnteses do lado direito menos 1 ´ sempre positiva, portanto f (n0 +hp) = p(1+α) e e com α ≥ 1 inteiro. Em particular, f (n0 + hp) ´ sempre composto para todo h ≥ 1 e suficientemente grande. Para o caso d = 2 a cota para h ´ h > −(2an0 + b)/(ap) (fa¸a a conta neste e c caso!).

´ 5.5. CONTANDO NUMEROS PRIMOS

27

5.4. N´ meros de Fermat e Mersenne u Nesta se¸˜o apresentamos os n´meros de Fermat e Mersenne e come¸amos a ca u c discuss˜o de quando podem ser n´meros primos. No cap´ a u ıtulo subseq¨ente sobre u aplica¸˜es da teoria de grupos ` aritm´tica elementar descreveremos de forma mais co a e precisa crit´rios para decidir quando estes n´meros s˜o primos. e u a n Para todo n ≥ 1 inteiro seja F (n) := 22 + 1 o n-´simo n´mero de Fermat. e u Fermat afirmava que todo n´mero desta forma era primo. Na verdade o que deve u ter ocorrido ´ que ele calculou os quatro primeiros que realmente s˜o. Entretanto, e a Euler mostrou que 641 | F (5). Daremos uma demonstra¸˜o disto posteriormente. ca Para todo n ≥ 1 inteiro seja M (n) := 2n − 1 o n-´simo n´mero de Mersenne. e u Lema 5.6. Se n ´ composto, ent˜o M (n) tamb´m ´ composto. e a e e Demonstracao. Suponha que n = ab com 1 < a, b < n. Ent˜o ¸˜ a 2n − 1 = (2a )b − 1 = (2a − 1)(2a(b−1) + 2a(b−2) + . . . + 2a + 1) o que mostra que M (a) | M (n). Observacao 5.7. Se quisermos que um n´mero de Mersenne seja primo, de¸˜ u vemos nos restringir `queles n´meros de Mersenne cujo ´ a u ındice n seja um n´mero u primo. Mersenne produziu uma lista incompleta e incorreta de M (p)’s para p primo tais que M (p) ´ primo. Novamente, produziremos a posteriori uma lista ocrreta, a e menos da complexidade computacional, utilizando teoria de grupos. 5.5. Contando n´ meros primos u Para todo n´mero real x > 1 seja π(x) := #{p | n´mero primo com p ≤ x}. u u O teorema de Euclides nos garante que limx→∞ π(x) = ∞ (para a no¸˜o de limite ca veja [Li, cap´ ıtulo IV]). Nosso objetivo ´ determinar uma estimativa elementar para e a fun¸˜o π(x) que conta a quantidade de n´meros primos menores ou iguais a um ca u dado n´mero real maior que 1. Note que se 1 < x ≤ y, ent˜o π(x) ≤ π(y). Seja pn u a o n-´simo n´mero primo. Ent˜o π(pn ) = n. e u a Proposicao 5.8. Seja log(x) o logaritmo na base e. Ent˜o ¸˜ a π(x) ≥ log(log(x)). Demonstracao. J´ obtivemos anteriormente (via indu¸˜o finita) que pn ≤ ¸˜ a ca n m 22 . Para todo x > 1 real fixado o conjunto {m ≥ 1 | inteiro, ee ≤ x} ´ finito. e n−1 n e e Seja n − 1 seu maior elemento, i.e., e ≤ x < e . Observe que ee De fato, basta mostrar que en−1 ≥ 2n log(2), ou seja , n − 1 ≥ n log(2) + log(log(2)), o que ´ verdade pois log(2) < 1. Logo e π(x) ≥ π(ee
n−1 n−1

≥ 22 para n ≥ 4.

n

) ≥ π(22 ) ≥ π(pn ) = n ≥ log(log(x)).

n

Utilizaremos o m´todo da segunda demonstra¸˜o do teorema de Euclides para e ca refinar ` proposi¸˜o anterior. Para todo inteiro n ≥ 1 seja γ(n) o conjunto dos a ca divisores primos de n.

28

´ 5. NUMEROS PRIMOS

Proposicao 5.9. ¸˜ log( x ) , 2 log(2) onde x denota a parte inteira de x (para a defini¸˜o ver Preliminares). ca π(x) ≥ Demonstracao. Para qualquer conjunto de n´meros primos S denotamos ¸˜ u por fS (x) o n´mero de inteiros positivos n ≤ x tais que γ(n) ⊂ S. Suponha que u S seja finito de √ cardinalidade t. Escrevemos n = m2 s com s livre de quadrados. e a Note que m ≤ x. Al´m disto temos no m´ximo 2t escolhas para s. Portanto, √ fS (x) ≤ 2t x. Seja m := π(x), assim pm+1 > x. Se S = {p1 , · · · , pm }, ent˜o a √ ca fS (x) = x . Em particular, x ≤ 2π(x) x e disto segue a proposi¸˜o. O m´todo acima nos d´ uma nova demonstra¸˜o do teorema 5.2. De fato, se e a ca 1/p fosse convergente, ent˜o existiria n ≥ 1 tal que a 1 1 < . pj 2 j>n Seja S := {p1 , · · · , pn } e x ≥ 1 inteiro. Ent˜o x−fS (x) ´ igual ao n´mero de inteiros a e u positivos m ≤ x tais que γ(m) ⊂ S. Em outras palavras, contamos o n´mero de u inteiros 1 ≤ m ≤ x para os quais existe j > n tal que pj | m. Para cada primo pj existem x/pj m´ltiplos de pj menores ou iguais a x. Portanto, u x x x < . ≤ pj p 2 j>n j>n j √ √ A fortiori, fS (x) ≥ x/2. Mas, fS (x) ≤ 2n x. Logo, 2n ≥ x/2, o que ´ imposs´ e ıvel pois n ´ fixo e x ´ vari´vel. e e a Intimamente relacionada ` fun¸˜o π(x) temos a seguinte fun¸˜o a ca ca x − fS (x) ≤ θ(x) :=
p∈P,p≤x

p∈P

log(p).

Utilizaremos θ(x) para limitar π(x). Seja θ(1) := 0. Proposicao 5.10. ¸˜ θ(x) < (4 log(2))x. Demonstracao. Considere o binomial ¸˜ 2n n = (n + 1) . . . 2n . 1.2 . . . n

Este n´mero ´ um inteiro divis´ por todo n´mero primo n < p < 2n. Al´m disto, u e ıvel u e como 2n 2n 2n (1 + 1)2n = , ent˜o 22n > a . j n j=0 Em conseq¨ˆncia, ue 22n > Calculando o logartimo, 2n log(2) >
n<p<2n

2n n

>
n<p<2n

p.

log(p) = θ(2n) − θ(n).

ca ca donde θ(x) ≤ θ(2m ) < log(2)2m+1 = (4 log(2))2m−1 < (4 log(2))x.12. Al´m e disto. tp log(p) = p<2n log(2n) log(p). tp = log(2n)/ log(p) . onde tp denota o maior inteiro tal que ptp ≤ 2n. Proposicao 5.. √ 2θ(x) √ x + x ≤ (8 log(2)) + x. √ x<p≤x Logo. 2m−1 obtemos ca θ(2m ) < log(2)(2m+1 − 2) < log(2)2m+1 . n log(2) ≤ p<2n 2n n ≤ p<2n ptp . Por um exerc´ deste cap´ ıcio ıtulo temos ordp 2n n = ordp (2n)! (n!)2 = j=1 2n n −2 j j p p . Logo.´ 5. log(x) Demonstracao.13 (*). O resultado segue da ´ ca √ observa¸˜o que x < 2x/ log(x) para x ≥ 2.5. ¸˜ 2n ≤ Calculando o logaritmo obtemos. log(x) Demonstracao. CONTANDO NUMEROS PRIMOS 29 Somando esta rela¸˜o para n = 1. para x ≥ 2. log(p) . 2. Existe real c2 > 0 tal que ¸˜ x π(x) > c2 . assim e ordp 2n n ≤ log(2n) . lim 2n n = n+1 1 n+2 n+n . 4.. · · · . Para isto e ca comecemos observando que x→∞ ´ Corolario 5.8 existe m ≥ 1 tal que 2m−1 < x ≤ 2m . log(x) log(x) onde a ultima desigualdade segue da proposi¸˜o anterior. Como na demonstra¸˜o da proposi¸˜o 5. Pelo que foi feito anteriormente.11. ca π(x) ≤ π(x) = 0. Existe um real c1 > 0 tal que ¸˜ x π1 (x) < c1 . 2x − 2 x ´ sempre 0 ou 1. x Nosso objetivo agora ´ obter uma cota inferior para a fun¸˜o π(x). Observe que ¸˜ √ √ √ √ √ θ(x) ≥ log(p) ≥ log( x)(π(x) − π( x)) ≥ log( x)π(x) − x log( x). 2 n tp ≥ 2n . log(p) Proposicao 5.

a log(p) ≤ 2n<p<2n log(2n) log(p) + log(p) √ √ 2n log(2n) + θ(2n) √ √ Portanto.6. p + 2)? Para mais problemas abertos veja [Si] e [Sh]. π(x) ≥ θ(x) x > c2 . Fun¸˜o zeta ca Nesta se¸˜o descreveremos sem prova diversos fatos a respeito da fun¸˜o zeta de ca ca Riemann (para a prova destes fatos ver [IrRo. chapter 16]). Toamndo x suficientemente grande e tal que 2n ≤ x < 2n + 1 obtemos x−1 > Cx.. existe real c2 > 0 tal que θ(x) > c2 x para todo x ≥ 2. u x lim π(x) = . 5. θ(2n) ≥ n log(2) − 2n log(2n). NUMEROS PRIMOS Se log(p) > (1/2) log(2n). Esta s´rie converge em (s) > 1 e converge uniformemente para (s) ≥ 1 + δ e para todo δ > 0 (para a no¸˜o de convergˆncia ver [Li. Portanto. i. este resultado depende de teoria anal´ ıtica dos n´meros). 2 para algum real C > 0 conveniente. que introduziremos no par´grafo seguinte.5. chapter 4]. Para completar a prova observamos que θ(x) ≥ θ(2n) > T n > T θ(x) = p≤x log(p) ≤ π(x) log(x). x→∞ log(x) O teorema dos n´meros primos foi conjecturado por Gauss na idade de 15 ou 16 u anos. Esta fun¸˜o ´ definida ca e por ζ(s) := n≥1 n−s . u Teorema 5. existe uma constante real T > 0 tal que para n suficientemente grande θ(2n) > T n. log(x) log(x) ˘ 5. (s) > 1. O seguinte teorema suplanta ambas (cf. A prova correta surgiu apenas em 1896 por Hadamard e de la Vall´ Poussin e utilizando a fun¸˜o zeta de Riemann. e a .14 (teorema dos n´meros primos). Para u mencionar apenas dois : • Existem infinitos n´meros primos da forma n2 + 1? u • (Primos gˆmeos) Existem infinitos pares de n´meros primos da forma e u (p. p > n log(2) ≤ √ p≤ 2n √ 2n. A primeira ca e propriedade ´ que ela admite uma expans˜o em produto euleriano. ca a Existem uma infinidade de problemas abertos sobre os n´meros primos.e. As duas proposi¸˜es anteriores s˜o devidas a Cebychef a co a (1852). cap’ıtulo IV]). Mas. Portanto. Assim. ent˜o log(2n)/ log(p) = 1. Assim.30 ´ 5. Coment´rios. limn→∞ ( 2n log(2n))/n = 0. onde s ∈ C. [Ap.1.

´ Corolario 5. Todos os zeros da fun¸˜o zeta de o ca Riemann ζ(s) est˜o contidos na reta (s) = 1/2.19. chapter 12]).5. A fortiori. e Conjectura 5. Esta densidade satisfaz as seguintes propriedades. ¸˜ ζ(s) = p∈P 1 + R(s). e 5. A veracidade da hip´tese de a e ca a o Riemann implica em maiores informa¸˜es sobre a distribui¸˜o dos n´meros primos co ca u (para mais sobre isto ver [Ap.1. . e a (2) Se S cont´m todos os n´meros primos. Ent˜o u e a d(P(a. ent˜o d(S1 ∪ S2 ) = d(S1 ) + d(S2 ).6.17. m) o subconjunto do conjunto P dos n´meros primos que cont´m os primos p tais que p ≡ a (mod m). exceto um n´mero finito deles. Riemann propˆs a seguinte conjectura (que pera o manece em aberto at´ hoje).21 (hip´tese de Riemann). Considerando que n≥1 1/n diverge suspeitamos que ζ(s) → ∞ quando s → 1. a (3) Se S = S1 ∪ S2 com S1 ∩ S2 = ∅. Suponha que ¸˜ s→1 (s) > 1. Seja P(a.20 (teorema das progress˜es aritm´ticas de Dirichlet). ps onde R(s) fica limitada quando s → 1. m) = 1. e ca a Proposicao 5.6. a Sabe-se que na reta (s) = 1/2 existe uma infinidade de zeros da fun¸˜o zeta ca e que estes s˜o sim´tricos em rela¸˜o ` reta (s) = 0. Para ¸˜ (s) > 1 temos ζ(s) = p∈P 1 . chapter13]). Quando s → 1 temos log(s) → 1. m)) = 1/φ(m). Neste caso este limite ´ denotado por d(S) e ´ chamado a densidade de e e Dirichlet de S. m) ´ infinito. (log(s − 1))−1 Proposicao 5. Ent˜o a lim (s − 1)ζ(s) = 1.15. FUNCAO ZETA ¸˜ 31 Proposicao 5. ent˜o d(S) = 0.16. Proposicao 5. Lembre que ζ(s) ´ uma fun¸˜o de uma vari´vel complexa. Coment´rios (*). P(a. e u u ent˜o d(S) = 1. 1 − p−s Particularmente importante ´ o comportamento assint´tico desta fun¸˜o quane o ca do s → 1. ¸˜ u Ent˜o a (1) Se S ´ finito. A proposi¸˜o na verdade diz que ζ(s) ´ uma fun¸˜o meromorfa com um p´lo ca e ca o simples em s = 1 (para mais detalhes ver [Ap. Dado um subconjunto S do conjunto dos n´meros primos P. Seja S um subconjunto do conjunto P dos n´meros primos. a Teorema 5. dizemos que S u tem densidade de Dirichlet se o limite −s p∈S p lim s→1 (log(s − 1))−1 existe. Sejam a ∈ o e Z e m ≥ 1 inteiro tais que mdc(a.18.

as teoria de esquemas e de cohomologia evoluiram. H. para mais sobre anel quocientes ver a parte de an´is) ´ um conjunto finito cuja e e cardinalidade ´ denotada por N (I). Note que ζQ nada ca a mais ´ que a fun¸˜o zeta de Riemann. Com a contribui¸˜o de in´meros e e ca u matem´ticos al´m de Serre e Grothendieck. as conjecturas de Weil foram sem sobra de d´vida o problema matem´tico u a mais profundo ap´s a segunda guerra mundial. a e a variedade alg´brica era considerada simultaneamente sobre todos os corpos finitos e Fqn . O corpo e a L possui tamb´m um subanel com propriedades similares a OK (quando K ´ uma e e extens˜o finita de Q). Verdier e a e L. um ex-aluno de e . Nele o papel de Q era ocupado pelo corpo de a e ca fun¸˜es racionais em uma vari´vel Fq (τ ) sobre um corpo finito Fq de q elementos co a (ver parte de corpos). Similarmente. Weil utilizando variedades abelianas e representa¸˜es -´dicas co a obt´m em 1948 a prova da “hip´tese de Riemann para curvas” de forma geral. Novamente conjectura-se que os zeros desta fun¸˜o est˜o na reta (s) = 1/2. Esta ´ chamada uma “hip´tese de Riemann para curvas” porque L nada mais e o ´ que o corpo de fun¸˜es racionais de uma curva sobre um corpo finito (para mais e co sobre curvas sobre corpos finitos e a hip´tese de Riemann neste contexto ver [Lo]). e ca Nos anos 20 e 30 do s´culo XX. Esta analogia faz com que Dedekind considere a seguinte extens˜o da fun¸˜o zeta. a teoria de esquemas. Weil consideraram um e an´logo “geom´trico” desta situa¸˜o. Ela necessitava de uma base vari´vel. Illusie. J. ou seja. Artin. Para isto introduziu o conceito que revoluciona completamente a geometria alg´brica no s´culo XX. e que finalmente em 1973. o Ap´s casos particulares da hip´tese de Riemann para curvas terem sido tratados o o por Artin e Hasse. Mas foi A. Seja K uma extens˜o a ca a finita do corpo dos racionais Q (ver a parte referente ` teoria de corpos). Assim. Neste caso co a a extens˜o finita L de κ nada mais ´ que o corpo de fun¸˜es de uma variedade a e co alg´brica sobre Fq (para variedades alg´bricas ver [Ha]). E.32 ´ 5. Este ca conjunto ´ chamado o anel de inteiros de K. Ele tem (entre outras propriedades e importantes) a caracter´ ıstica que o anel quociente OK /I (onde I ´ um ideal de e OK . Segundo muitos. dentre eles M. Dedekind define a fun¸˜o zeta de K e ca por ζK (s) := I N (I)−s . Artin. e o No ano seguinte (1949) Weil prop˜e uma vasta generaliza¸˜o deste resultado o ca substituindo Fq (τ ) por um corpo de fun¸˜es κ em n vari´veis sobre Fq . o que permanece em aberto. a e e desde de os italianos do s´culo XIX. Neste contexto. L ´ uma extens˜o finita de Fq (τ ). Grothendieck que compreendeu que a fun¸˜o zeta ca traz em si algo de novo que n˜o havia sido percebido pelos gˆometras alg´bricos. Existe a um subconjunto OK de K que cumpre o mesmo papel de Z com rela¸˜o a Q. a cohomologia ´tale (para mais soe bre a cohomologia ´tale veja [Mi]). o os primeiros passos foram dados por J. De maneira vision´ria e e a Weil percebe que uma prova da hip´tese de Riemann neste contexto mais geral o seria conseq¨ˆncia de uma teoria de cohomologia suficientemente “rica” para reue produzir as propriedades da cohomologia singular sobre os complexos.-P. Isto permite a constru¸˜o de uma fun¸˜o zeta associada a a ca ca L. Serre introduzindo a cohomologia de feixes de vetores de Witt. Hasse e A. e I percorre todos os ideais de OK . onde (s) > 1. permitindo que se descobrisse que a “cohomologia apropriada”.-L. NUMEROS PRIMOS O inteiro positivo n nada mais ´ que a cardinalidade do anel Z/nZ da arite m´tica modular (a ser introducido no pr´ximo cap´ e o ıtulo). Na busca da cohomologia perdida. pode-se formular como acima uma “hip´tese de Riemann” para o L.

Na a verdade Grothendieck havia formulado um programa muito mais amplo.6. Entretanto. P.5. o mestre n˜o ficou satisfeito. FUNCAO ZETA ¸˜ 33 Grothendieck. a este programa nunca foi atingido. “as conjecturas standard”. Infelizmente. das quais as conjecturas de Weil eram um corol´rio. Deligne provasse finalmente as conjecturas de Weil (para os resultados de Deligne veja [We1] e [We2]). .

.

i. Precisamos provar que as 8 propriedades de 2. (5) a (b c) = a bc = a(bc) = (ab)c = ab c = (a b) c. existem ¸˜ k. se a ≡ a (mod n) e b ≡ a ca a (mod n). Suponha a ≡ a (mod n) e b ≡ b (mod n). i.. a Demonstracao. i. i. Definimos tamb´m um fun¸˜o produto de classes e ca por a b := ab. Logo ¸˜ a b − ab = a b − a b + a b − ab = a (b − b) + b(a − a) = (a l + bk)n.3.e. a + b ≡ a + b (mod n). a b = ab.e.e.. Lema 6.4. Z/nZ ´ um dom´ ¸˜ e ınio de integridade se e somente se n = p ´ e um n´mero primo. Sejam k.. Somando estas igualdades. i.. a (1) a ⊕ (b ⊕ c) = a ⊕ b + c = a + (b + c) = (a + b) + c = a + b ⊕ c = (a ⊕ b) ⊕ c. ent˜o a b = ab. u 35 .e. Proposicao 6. Esta fun¸˜o tamb´m est´ bem definida.2. A propriedade de cancelamento em um anel garante que este ´ um dom´ e ınio de integridade. ent˜o a + b = a + b. Nem sempre Z/nZ ´ um dom´ e ınio de integridade. (a + b ) − (a + b) = (k + l)n.. (2) a ⊕ b = a + b = b + a = b ⊕ a.1. (7) a 1 = a. u (4) a ⊕ n − a = a + n − a = n = 0.3 s˜o satis¸˜ a feitas. Observe que a ⊕ 0 = a + 0 = a.1.e. (6) a b = ab = ba = b a. a + b = a + b. (8) a (b ⊕ c) = a b + c = a(b + c) = ab + ac = ab ⊕ ac = (a b) ⊕ (a c). ´ um anel e Demonstracao. Esta fun¸˜o est´ bem definida. a Demonstracao.1 = a.e. (3) Note que 0 = n = {kn | k ∈ Z} = nZ ´ o conjunto dos inteiros que s˜o e a m´ltiplos de n. Aritm´tica modular e Definimos uma fun¸˜o soma de classes ⊕ : Z/nZ × Z/nZ → Z/nZ por a ⊕ b := ca a + b.e. l ∈ Z tais que a − a = kn e b − b = ln.. ca Proposicao 6. i. : Z/nZ × Z/nZ → Z/nZ Lema 6. Elas s˜o herdadas das mesmas propriedades para inteiros como segue abaixo. O conjunto Z/nZ munido das opera¸˜es ⊕ e ¸˜ co comutativo com unidade. a b ≡ ab (mod n). se a ≡ a (mod n) e ca e a b ≡ b (mod n). Para simplificar a nota¸˜o escreveremos + no lugar de ⊕ e ab no lugar de a b.CAP´ ıTULO 6 Aritm´tica modular e 6. i.. l ∈ Z tais que a − a = kn e b − b = ln.

b = n. e Suponha que n = p seja primo.. Seja d = mdc(a.e.e. i.e.. b ≤ n. Pelo algoritmo euclideano estendido. i. Seja a ∈ Z/nZ \ {0}. Mostraremos agora que quaisquer duas classes no conjunto da direita s˜o disa tintas. Suponha que n = ab com 1 ≤ a. n − 1} e #Z/nZ = n..5. 1 = aβ. ra ≡ 1 (mod n). i. No primeiro caso existe α ≥ 1 inteiro tal que a = nα. b = 1 e a = n. ¸˜ e e u Demonstracao. Definido desta e forma Z/nZ poderia ser infinito.3. ¸˜ Demonstracao. existe b ∈ Z/nZ tal que ab = ab = 1. a = r ∈ {0. a Proposicao 6.. Portanto. Neste caso a = 1.36 ´ 6. s ∈ Z tais que ra + sp = 1. existem r. Suponha ab = 0. se existe b ∈ Z/nZ tal que ab = 1. Z/nZ ´ um corpo se e somente se (Z/nZ)∗ = Z/nZ \ {0}. i.e..e. Sejam 0 ≤ a < b < n inteiros.. p a. Seja a ∈ (Z/nZ)∗ . ra = ra = 1. (Z/nZ)∗ = {a ∈ Z/nZ | mdc(a. i. i. i. a = 0 ou b = 0. p) = 1. n ´ primo. Suponha que a < n.. Por hip´tese. i. e Proposicao 6. a ∈ (Z/nZ)∗ . se para todo a ∈ D\{0} existe b ∈ D ınio e tal que ab = 1... n) = 1}. i.e. Pelo algoritmo da divis˜o. e ıvel. 1 = αb. Ent˜o n = 0 = ab = ab. Pela propriedade do a cancelamento.. ARITMETICA MODULAR Demonstracao. Assim. No segundo caso existe β ≥ 1 inteiro tal que b = nβ.e. Pelo algoritmo euclideano estendido. ent˜o a necessariamente b = 1 e portanto n ´ primo.e. logo n = anβ. existe c ∈ Z/nZ tal que ac = 1. Multiplicando esta igualdade por c dos dois lados obtemos 0 = b.. a ∈ (Z/nZ)∗ . i.7. uma vez que a = a . existem q.. i.e. Pelo Lema 3. Se a = n.e.e.e.e. Isto n˜o ocorre. Logo 0 ≤ b − a < b < n. Note que n = 0 = ab = ab. Z/nZ = {0. vale a propriedade de cancelamento. Suponha que Z/nZ seja um dom´ ¸˜ ınio de integridade.. r ∈ Z tais que a = qn + r com 0 ≤ r < n. Por defini¸˜o o conjunto do lado direito est´ contido no con¸˜ ca a junto do lado esquerdo. a = 0 ou b = 0. e Reciprocamente. i. existe k ∈ Z tal que ab − kn = 1.e. mas isto s´ ´ poss´ se d = 1.. i. ¸˜ Demonstracao. p | ab.e. Logo mdc(a. DeUm elemento a ∈ Z/nZ ´ dito invers´ notamos por (Z/nZ)∗ o subconjunto de Z/nZ formado pelos elementos invers´ ıveis.e. b = a. Logo d | 1. · · · . i. Neste caso. n) = 1. i. suponha que n = p seja primo. Um dom´ de integridade D ´ dito um corpo. Proposicao 6.e. a = 0. basta tomar um m´ltiplo u kn de n suficientemente grande tal que a = a + kn ≥ 0.. Z/nZ ´ um corpo se e somente se n = p ´ um n´mero primo. i. A princ´ ıpio Z/nZ ´ o conjunto de todas as classes a para a ∈ Z.e. oe ıvel Seja a ∈ Z/nZ tal que mdc(a. i. ab = 0. existem r. n − 1}. ... i. a = 1 e b = n. s ∈ Z tais que ra + sn = 1.e. a ≡ r a (mod n). b ≤ n inteiros. O conjunto (Z/nZ)∗ dos invers´ ıveis em Z/nZ pode ser caracterizado tamb´m e da seguinte forma.. Seja n = ab com 1 ≤ ¸˜ o a.. i.e.6. O que temos que provar ´ a inclus˜o oposta. · · · .. ¸˜ i.. Suponha que e a a ∈ Z/nZ. Suponha que Z/nZ seja um corpo. i.e. b ≡ a (mod n). Note que podemos sempre supor que a ≥ 0. i. ra = r a = 1. ra ≡ 1 (mod p).. p | a ou p | b. logo n = nαb.e. n) ≥ 1.

´ 6.2. CRITERIOS DE DIVISIBILIDADE

37

6.2. Crit´rios de divisibilidade e Utilizaremos a aritm´tica modular para demonstrar crit´rios de divisibilidade. e e 6.2.1. Expans˜o de um inteiro em uma dada base. Sejam a ≥ 0 e b ≥ 1 a inteiros. Seja n ≥ 1 inteiro tal que bn seja a maior potˆncia positiva de b menor ou e igual a a, i.e., bn ≤ a < bn+1 . Pelo algoritmo da divis˜o existem qn , rn ∈ Z tais que a a = qn bn + rn , onde 0 ≤ rn < bn . Observemos que 0 ≤ qn < b. A primeira desigualdade ´ clara, porque qn bn ´ o maior m´ltiplo positivo de bn que e e u ´ menor ou igual a a. Suponha que qn ≥ b. Logo e a ≥ bn+1 + rn ≥ bn+1 , o que n˜o ´ poss´ a e ıvel. Em seguida, dividimos rn por q n−1 , i.e., existem qn−1 , rn−1 ∈ Z tais que rn = qn−1 bn−1 + rn−1 , onde 0 ≤ rn−1 < bn−1 . Novamente, 0 ≤ qn−1 < b. N˜o precisamos repetir o argumento da primeira desigualdade, pois ´ o mesmo. a e Para a segunda, se qn−1 ≥ b, ter´ ıamos rn ≥ bn + rn−1 ≥ bn , o que n˜o ´ poss´ a e ıvel. Substituindo na primeira igualdade obtemos a = qn bn + qn−1 bn−1 + rn−1 . Novamente, pelo algoritmo da divis˜o existem qn−2 , rn−2 ∈ Z tais que a rn−1 = qn−2 bn−2 + rn−2 , onde0 ≤ rn−2 < bn−2 . Se qn−2 ≥ b, ent˜o a rn−1 ≥ bn−1 + rn−2 ≥ bn−1 , o que ´ imposs´ e ıvel. Portanto, 0 ≤ qn−2 < b. Prosseguindo sucessivamente obtemos (6.1) a = qn bn + qn−1 bn−1 + . . . + q1 b + q0 , onde 0 ≤ qi < b para todo 0 ≤ i ≤ n. A express˜o (6.1) ´ chamada a expans˜o de a e a a na base b. Denotamos esta expans˜o por ab := (qn · · · q0 )b . a Seja a ≥ 0 inteiro e a = an .10n + . . . + a1 .10 + a0 sua expans˜o na base 10. Os a elementos an , · · · , a0 s˜o chamados os algarismos de a e a := (an · · · a0 )10 . a Exemplo 6.8. Um inteiro a ≥ 0 ´ divis´ por 3 se e somente se i=0 ai ≡ 0 e ıvel (mod 3). De fato, 10 ≡ 1 (mod 3), pois 10 − 1 = 9 = 3.3. Logo para todo n ≥ 0, n 10n ≡ 1n = 1 (mod 3). Portanto, a ≡ i=0 ai (mod 3). Logo a ≡ 0 (mod 3) se e n somente se i=0 ai ≡ 0 (mod 3). Exemplo 6.9. Um inteiro a ≥ 0 ´ divis´ por 11 se e somente se i=0 (−1)ai e ıvel ≡ 0 (mod 11). De fato, 10 ≡ −1 (mod 11), pois 10 − (−1) = 11. Logo para todo n n ≥ 1, 10n ≡ (−1)n (mod 11) e portanto, a ≡ i=0 (−1)ai (mod 11). Consen quentemente, a ≡ 0 (mod 11) se e somente se i=0 (−1)ai ≡ 0 (mod 11).
n n

38

´ 6. ARITMETICA MODULAR

Exemplo 6.10. O crit´rio de divisibilidade por 7 ´ um pouco mais intrincado. e e A raz˜o ´ a seguinte: 10 ≡ 3 (mod 7), pois 10 − 3 = 7. Logo 102 ≡ 32 ≡ 2 a e (mod 7), pois 9 − 2 = 7; 103 ≡ 3.2 = 6 (mod 7); 104 ≡ 6.3 ≡ 4 (mod 7), pois 18 − 4 = 14 = 2.7; 105 ≡ 4.3 ≡ 5 (mod 7), pois 12 − 5 = 7; 106 ≡ 5.3 ≡ 1 (mod 7), pois 15 − 1 = 14 = 2.7. Suponha para simplificar que n = 5, i.e., a tem apenas 6 algarismos. Aplicando o mesmo racioc´ ınio acima obtemos que a ≡ 0 (mod 7) se e somente se 5a5 + 4a4 + 6a3 + 2a2 + 3a1 + a0 ≡ 0 (mod 7). 6.3. Contando elementos invers´ ıveis No cap´ ıtulo de fatora¸˜o de inteiros introduzimos a fun¸˜o φ de Euler. Pela ca ca proposi¸˜o 6.7 a defini¸˜o dada anteriormente coincide com φ(n) := #(Z/nZ)∗ . ca ca Nesta se¸˜o vamos calcular no caso em que n ´ primo ou potˆncia de primo. No ca e e cap´ ıtulo seguinte, usando o teorema chinˆs dos restos, faremos o c´lculo geral. e a Lema 6.11. Seja p um n´mero primo. Ent˜o u a φ(p) = p − 1. Demonstracao. Provamos anteriormente que quando n = p ´ primo (Z/pZ)∗ ¸˜ e = Z/pZ \ {0}, logo φ(p) = #(Z/pZ) − 1 = p − 1. Lema 6.12. Seja p um n´mero primo e r ≥ 1 inteiro. Ent˜o u a φ(pr ) = pr−1 (p − 1). Demonstracao. Pela proposi¸˜o 6.7, a ∈ (Z/pr Z)∗ se e somente se mdc(a, pr ) ¸˜ ca = 1, i.e., p a. Ao inv´s de contarmos estes elementos contaremos aqueles que s˜o e a divis´ ıveis por p e subtairemos do total pr este n´mero. Expandimos a na base p, u i.e., a = qr−1 pr−1 + . . . + q1 p + q0 , onde 0 ≤ qi < p ´ inteiro para todo 0 ≤ i ≤ r − 1. Assim, p | a se e somente se q0 = 0. Para cada e qi com 1 ≤ i ≤ r − 1 temos exatamente p escolhas. Logo o total de escolhas para a tal que p | a ´ pr−1 . Portanto, φ(pr ) = pr − pr−1 = pr−1 (p − 1). e

CAP´ ıTULO 7

Sistemas de congruˆncia e
7.1. Equa¸˜es diofantinas co Uma equa¸˜o diofantina ´ uma equa¸˜o polinomial em um n´mero finito de ca e ca u vari´veis cujos coeficientes s˜o n´meros inteiros e/ou racionais e procuramos solua a u co ¸˜es inteiras e/ou racionais. Nesta se¸˜o daremos um exemplo de como utilizar a ca aritm´tica modular para provar que uma dada equa¸˜o diofantina n˜o tem solu¸˜es e ca a co inteiras. Exemplo 7.1. Seja f (x, y) = x3 − 711y 3 = 5. Perguntamos se existem pares (a, b) ∈ Z × Z tais que f (a, b) = 0. Mostraremos que n˜o pode existir um tal par a (a, b). De fato, suponha que exista. Logo a3 ≡ 5 (mod 9). Calculemos os cubos 3 3 3 3 2 de todos os elementos de Z/9Z. 1 = 1; 2 = 8, 3 = 0, 4 = 4 4 = 74 = 1; 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 5 = −4 = −4 = 8; 6 = −3 = −3 = 0; 7 = −2 = −2 = 1; 8 = −1 = 8. 3 Portanto, n˜o existe a ∈ Z tal que a ≡ 5 (mod 9), logo n˜o pode existir (a, b) ∈ a a Z × Z tal que f (a, b) = 0. 7.2. Equa¸˜es lineares co Teorema 7.2. Sejam a, b ∈ Z, a = 0 e n ≥ 1 inteiro. A equa¸˜o ax ≡ b ca (mod n) tem solu¸˜o se e somente se d := mdc(a, n) | b. ca Demonstracao. Suponha que x0 ∈ Z seja uma solu¸˜o da equa¸˜o. Como d ¸˜ ca ca divide a e n, denotamos a = a d e n = n d, onde n , a ∈ Z. Logo existe k ∈ Z tal que ax0 − b = kn, i.e., d(a x0 − kn ) = b, assim d | b. Reciprocamente, suponha que d | b, digamos b = db . Pelo algoritmo euclideano estendido, existem t, s ∈ Z tais que ta + sn = d. Multiplicando ambos os lados por b obtemos a(tb ) + snb = db = b, i.e., a(tb ) ≡ b (mod n), i.e., tb ´ uma solu¸˜o e ca da equa¸˜o. ca Observacao 7.3. Observe que se x0 ∈ Z ´ uma solu¸˜o de ax ≡ b (mod n), ¸˜ e ca ent˜o para todo y0 ≡ x0 (mod n), concluimos que y0 tamb´m ´ solu¸˜o da equa¸˜o a e e ca ca (assim dizemos que a classe x0 de x0 ´ uma solu¸˜o para ax = b). De fato, y0 = e ca x0 +kn para algum k ∈ Z e ax0 = b+ln para algum l ∈ Z. Logo ay0 = b+ln+akn = b + (l + ak)n, i.e., ay0 ≡ b (mod n). Teorema 7.4. Suponha que a equa¸˜o ax ≡ b (mod n) admita uma solu¸˜o ca ca x0 ∈ Z. O n´mero de solu¸˜es (m´dulo n) de ax ≡ b (mod n) ´ d e elas s˜o dadas u co o e a pelas classes cujos representantes s˜o x0 , x0 + n , · · · , x0 + (d − 1)n . a Demonstracao. Provemos inicialmente que cada um desses elementos ´ solu¸˜ e c˜o. Escrevemos y0 = x0 + kn para algum 0 ≤ k ≤ d − 1 inteiro. Logo ay0 = ¸a ax0 + akn = b + ln + akn = b + ln + a dkn = b + ln + a kn = b + n(l + a k), i.e., ay0 ≡ b (mod n). Em seguida observemos que se 0 ≤ k < r ≤ d − 1 s˜o n´meros a u
39

n ≥ 1 inteiros tais que mdc(m. (mod mi ) (mod mj ). mdc(mi . Sejam m1 . ti n i ≡ 1 ti ni ≡ 0 Tome x0 := a1 t1 n1 + .3.5. · · · . seja ni := m = m1 · · · mi−1 mi+1 · · · mr . De fato. ent˜o a . ent˜o x0 + kn ≡ x0 + rn (mod n). mr ≥ 1 inteiros tais que para todo 1 ≤ i = j ≤ r. i. Logo tm ≡ 1 (mod n) e sn ≡ 1 (mod m). 0 < (x0 + rn ) − (x0 + kn ) = a n (r − k) < n d = n. mi ) = 1. mdc(mj . ca Demonstracao. Pelo algoritmo euclideano estendido existem t. Sejam m.e.1)   x ≡ a (mod m ) r r tenha solu¸˜o. Sistemas de equa¸˜es lineares co Teorema 7. · · · . Observe que x0 ≡ asn (mod m) ≡ a (mod m) e x0 ≡ btm (mod n) ≡ b (mod n). como ni ≡ 0 (mod mj ). . logo n ((x0 + rn ) − (x0 + kn ) = n (r − k)). Sejam a1 . + ar tr nr . Teorema 7. 7. mi ) = 1. (mod mi ) ≡ ai (mod mi ). s ∈ Z tais ¸˜ que tm + sn = 1.40 ˆ 7. (mod n) Seja x0 := asn + btm. mj ) = 1. De fato. Seja ¸˜ m := m1 · · · mr e para todo 1 ≤ i ≤ r. Pelo algoritmo euclideano estendido existem ti . SISTEMAS DE CONGRUENCIA inteiros. . para todo 1 ≤ i ≤ r. temos x0 ≡ ai ti ni uma vez que aj tj nj ≡ 0 (mod mi ) para i = j. n) = 1 e a.. mi Como para cada j = i. Existe x ∈ Z tal que o sistema   x ≡ a1 (mod m1 )  ··· (7. e para todo j = i. ar ∈ Z. temos que mdc(ni . si ∈ Z tais que ti ni + si mi = 1. ca Demonstracao. Existe x ∈ Z tal que o sistema x ≡ a (mod m) x≡b tenha solu¸˜o. b ∈ Z.6.

m) = 1. seja (a1 + m1 Z. i. Como para i = j. Pelo corol´rio 7.e.7. × Z/mr Z ´ da forma ϕ(x + mZ) para algum x ∈ Z. a ≡ b (mod mi ). mj ) = 1. e e (7. 7.e. concluimos que m | (a − b). Aplica¸˜o ca Seja n = pe1 · · · per a fatora¸˜o do inteiro n ≥ 1. mi ) = 1. i. x + mi Z = ai + mi Z. ar + mr Z) ∈ (Z/m1 Z)∗ × . Ent˜o a φ(m) = φ(m1 ) · · · φ(mr ). × Z mr Z ∗ = p e1 1 1− 1 p1 · · · p er r 1− 1 pr =n p|n 1− 1 p . i. Seja ψ a restri¸˜o de ϕ a (Z/mZ)∗ ..5.e. o que j´ foi provado.4. para cada 1 ≤ i ≤ r. × mZ m1 Z mr Z Z mZ ∗ → Z m1 Z ∗ × . x ≡ ai (mod mi ). Provemos agora que ϕ ´ injetiva. · · · . Como m = m1 · · · mr . concluimos que ψ tamb´m ´ injetiva. Como ψ ´ obtida e restringindo ϕ a um subconjunto do dom´ ınio. Como m = m1 · · · mr e mdc(mi . mj ) = 1. que e o sistema (7..1) tema solu¸˜o.. m) = 1. o u Teorema 7.. · · · . Observemos que na verdade x+mZ ∈ (Z/mZ)∗ . Suponha que o a + mZ ∈ (Z/mZ)∗ . Provemos inicialmente que ϕ est´ bem definida. Seja m := m1 · · · mr . Existe uma bije¸˜o ca ϕ: definida por ϕ(a + mZ) = (a + m1 Z. x + mZ ∈ (Z/mZ)∗ .. Isto ´ motivado pelo fato que um elemento ´ equivalente a o e e a m´dulo n se e somente se ele difere de a por um m´ltiplo de n.8.. Dado n ≥ 1 inteiro e a ∈ Z denotaremos nesta se¸˜o a classe de a ca ca m´dulo n por a + nZ. . Provar que ϕ ´ sobrejetiva equivale a dizer que para todo (a1 + m1 Z. i. ent˜o ca a ψ: tamb´m ´ uma bije¸˜o. i.. e e ca Demonstracao. concluimos que para cada 1 ≤ i ≤ r.e. ent˜o para todo 1 ≤ i ≤ r. b + mi Z = a + mi Z. a i.8 e pelo lema ca a r 1 6.. se ¸˜ a b ≡ a (mod m). Suponha que ϕ(a + mZ) = ϕ(b + mZ). mi ) = 1. APLICACAO ¸˜ 41 7.e. Teorema Chinˆs dos Restos e Nota¸˜o. a + mi Z ∈ (Z/mi Z)∗ . mj ) = 1 para i = j obtemos que mdc(x. Pela parte anterior sabemos que existe x ∈ Z tal que ϕ(x+mZ) = (a1 + m1 Z.e. · · · . ca a Provemos agora que um elemento invers´ ıvel m´dulo m tem imagem cujas o componentes s˜o invers´ a ıveis com respeito aos respectivos m´dulos. Para todo n ≥ 1 inteiro seja φ(n) = #(Z/nZ)∗ . mi ) = 1 para todo 1 ≤ i ≤ r. Sejam m1 .e.e. e e Quanto a sobrejetividade.. logo mdc(x. mdc(mi . ´ Corolario 7.2) φ(n) = φ(pe1 ) · · · φ(per ) = p11 −1 (p1 − 1) · · · prr −1 (pr − 1) r 1 Z Z Z → × . a + mr Z). . .. × (Z/mr Z)∗ .. mdc(mi . mas mdc(ai . logo b ≡ a (mod mi ).12. ar +mr Z).5.7. . mdc(a. ar + e mr Z) ∈ Z/m1 Z × . a + mZ = b + mZ. i. e para todo 1 ≤ i ≤ r. De fato. mdc(a. De fato. mi | m | (b − a). mr ≥ 1 inteiros tais que para todo 1 ≤ i = j ≤ r.. · · · . · · · . i. .

φ(n) = pe1 −1 (p1 − 1)pe2 −1 (p2 − 1). Se e2 > 1. e2 = 1 e φ(n) = pe2 −1 . Ent˜o n = 3. a i. Suponha ´ u e p1 > 2.9. ¸˜ u a 4 ou 6. r i=1 (pi . Se p1 = 2. Logo φ(n) = ¸˜ a − 1).e. Mas este n´mero ´ par e primo. Se r > 2.. a e imposs´ ıvel. como este n´mero ´ 2 primo. ent˜o φ(n) tem 2 e p2 como u e fatores primos. Se e1 > 1. A unica forma deste n´mero ser primo ´ e1 = 2. ent˜o ei = 1 para todo 1 ≤ i ≤ r.2) para uma aplica¸˜o. e a Assim. Como r > 2 existem pelo menos dois primos ´ ımpares na fatora¸˜o. e1 = 1 e φ(n) = p1 − 1. como p2 > 2. p2 > 2 ent˜o (novamente) 4 | φ(n).. e2 = 1 e φ(n) = p2 − 1.e.e. SISTEMAS DE CONGRUENCIA Vamos utilizar a f´rmula (7. a p1 = 3 e n = 3. logo n = 4. logo p2 = 3 e n = 6. i. Assim. Se e1 > 1.. u e Suponhamos que r = 1. ca logo 4 | φ(n). Demonstracao. φ(n) = pe1 −1 (p1 − 1). Suponha que φ(n) = p seja um n´mero primo. Novamente. ent˜o 4 | φ(n). Isto j´ foi feito anteriormente. e1 = 1 e φ(n) = p22 −1 (p2 − 1). ent˜o φ(n) tem 2 fatores primos p1 e 2 (pois p1 − 1 ´ par). Se p1 . o que n˜o ´ poss´ a e ıvel. 2 1 e a Logo p1 = 2 e φ(n) = 2e1 −1 p22 −1 (p2 − 1). Suponhamos inicialmente r = 2. o ca Proposicao 7. Assim. ent˜o φ(n) = a 1 2e1 −1 .42 ˆ 7. i. Logo r ≤ 2.

seja Mn := 2n − 1 o n-´simo n´mero de Mersenne. Utilizaremos os resultados do cap´ ıtulo 9. i. Se para cada k pelo menos um desses fatos n˜o e a ocorrer ent˜o Mp ´ um n´mero primo.e. consideraremos apenas Mp para p primo. Seja e u n n+1 q um fator primo de Fn . ent˜o a 2 2n = (2 )2 43 2d n−d = 1. Assim. existe k ≥ 1 inteiro tal que q = 1 + kp.e. Primalidade de n´ meros de Fermat u Para todo inteiro n ≥ 1. Todo fator primo de Mp ´ da forma 1+kp para algum inteiro ¸˜ e k ≥ 1. 8.e. Logo o(2) = p. i. Logo e a √ 2p/2 − 1 . Ent˜o 22 ≡ −1 (mod q). i. Proposicao 8.. pois 2 = 1. 2p ≡ 1 (mod q). k < p Dessa forma para determinar um fator primo de Mp testamos para cada inteiro k tal que 2p/2 − 1 1≤k< p se 1 + kp ´ primo e se divide Mp . o(2) = 2d para 1 ≤ d ≤ n + 1. Pelo teorema de Lagrange.1.2. i. J´ provamos anteriormente que se n ´ composto. e u Nosso objetivo ´ utilizar a teoria de grupos para determinar se Mn ´ primo ou obter e e seu menor fator primo.e. Provamos√ anteriormente que o menor fator primo de um n´mero inteiro n ≥ 1 u ´ no m´ximo n. seja Fn := 22 + 1 o n-´simo n´mero de Fermat. 2 2n+1 n = 1 em (Z/qZ)∗ . . Primalidade de n´ meros de Mersenne u Para todo inteiro n ≥ 1. a o(2) = p | #(Z/qZ)∗ = φ(q) = q − 1. ent˜o Mn a e a tamb´m o ´. . De fato.CAP´ ıTULO 8 Aplica¸˜es da teoria de grupos ` teoria elementar co a dos n´ meros u Neste cap´ ıtulo desenvolveremos aplica¸˜es da teoria de grupos ` aritm´tica co a e elementar. i. q ≤ 2p − 1 < 2p/2 . logo 22 a ≡ 1 (mod q).. Afirmamos que d = n + 1. o(2) | p.. O primeiro caso e n˜o pode ocorrer. . i. se d < n + 1. Neste caso o(2) | (2n+1 ). e e Seja q um fator primo de Mp . Como p ´ primo temos que o(2) = 1 ou p. Portanto em (Z/qZ)∗ temos p 2 = 1. a e u 8.1.e..e.

e o(2) = 2n+1 | #(Z/qZ)∗ = φ(q) = q − 1. E claro que provar isto e u diretamente ´ trabalhoso.2. Dizemos que n ´ pseudoprimo na base b se bn−1 ≡ 1 (mod n). n).44 8. portanto o(2) = 2n+1 . Se para cada k pelo menos um desses fatos e n˜o ocorrer ent˜o Fn ´ um n´mero primo. i. Definicao 8.e. Suponha que d > 1 e que n seja pseudoprimo na base b. Dizemos que n ´ um e n´mero de Carmichael. Isto motiva a seguinte defini¸˜o. e Observacao 8. Seja n ≥ 3 inteiro ´ ¸˜ ımpar e 1 ≤ b < n inteiro. e b ∈ (Z/nZ)∗ .17.. Observe que a princ´ e ıpio para um n´mero u composto n n˜o podemos esperar que ele seja pseudoprimo em toda base.3. N´ meros de Carmichael u O pequeno teorema de Fermat afirma que se p ´ um n´mero primo e a ∈ Z e u tal que p a. Pelo teorema de Lagrange. Assim verificaremos a congruˆncia apenas para as bases b tais que mdc(b. i. n) = 1.4.e. n) = 1 tenhamos bn−1 ≡ 1 (mod n).6. Como no caso dos n´meros de Mersenne. o que n˜o ´ poss´ a e ıvel.3. Assim.. APLICACOES DA TEORIA DE GRUPOS ¸˜ o que ´ um absurdo. Dizer que b560 ≡ 1 (mod 561) (mod 561). . i. Todo fator primo de Fn ´ da forma 1 + k2n+1 para algum ¸˜ e inteiro k ≥ 1. precisamos para cada inteiro e 1 ≤ b < 561 tal que mdc(b. temos que u √ n 22 + 1 − 1 2n + 1. u ´ Exemplo 8. a a e u 8. . Segue do pequeno teorema de Fermat que um n´mero primo ¸˜ u p ´ pseudoprimo em toda base 1 ≤ b < p. Proposicao 8. 561) = 1 verificar que b560 ≡ 1 Ao inv´s disto observemos que e 561 = 3.e. De fato. isto funciona para todo 1 ≤ a < p a inteiro. ent˜o ap−1 ≡ 1 (mod p). a seja d = mdc(b. k ≤ q≤ 2 . Suponha que para todo inteiro 1 ≤ b < n tal que mdc(b. Seja n ≥ 3 ´ ¸˜ ımpar composto. existe k ≥ 1 tal que q = 1 + k2n+1 .11..5. 2n+1 Dessa forma para determinar um fator primo de Fn testamos para cada inteiro k tal que √ n 22 + 1 − 1 1≤k< 2n+1 n+1 se 1 + k2 ´ primo e se divide Fn . ca Definicao 8.e. 561 ´ o menor n´mero de Carmichael. Logo d | 1. i. existe k ∈ Z tal que bn−1 − 1 = kn.

Ent˜o mdc(a. ent˜o o grupo (Z/pZ)∗ ´ um grupo c´ a e ıclico. bn−1 ≡ 1 (mod n). logo b560 = (b10 )56 ≡ 1 (mod 17). a partir da fatora¸˜o de n.e. Observe que n−1 (p − 1)n−1 = i=0 n−1 n−1 (−1)n−1−i pi ≡ (n − 1)(−1)n−2 p + 1 ≡ 1 i (mod p2 ). u Ou seja.. 3) = mdc(b. i. como mdc(b. Suponha que as 2 condi¸˜es acima sejam satisfeitas.e. logo b560 = (b16 )35 ≡ 1 (mod 3). De fato. Afirmamos que para todo fator primo p de n. Se existir e uma classe a ∈ (Z/nZ)∗ tal que o(a) = n − 1. p) = 1. Portanto. pois se este mdc fosse igual a d. . Como mdc(b. p − 1 = o(a) | (n − 1). i. φ(n) ≤ n − 1. pelo lema chave. existe k ∈ Z tal que n − 1 = k(p − 1). Por hip´tese. e Como os pi ’s s˜o distintos e para todo 1 ≤ i ≤ r. (p − 1) | (n − 1). De fato. ca e u Teorema 8. portanto n n˜o pode ser um n´mero de Carmichael. Demonstracao. Teorema 8. 17) = 1. logo (p − 1) ≡ 1 (mod n). 561) = 1. Para provar a validade da segunda condi¸˜o precisamos do teorema da raiz ca primitiva que provaremos na se¸˜o seguinte. e (2) Para todo fator primo p de n. n) = 1. an−1 ≡ 1 (mod p). Pelo pequeno teorema de a Fermat. ≡1 Generalizaremos agora o procedimento do exemplo. assim d = 1. temos an−1 ≡ 1 (mod n). que 3 | (b560 − 1).8 (teorema da raiz primitiva). Provamos anteriormente que φ(n) < n. Note que φ(n) conta exatamente a quantidade de classes a ∈ (Z/nZ)∗ tais que mdc(a. Seja ¸˜ co 1 ≤ b < n inteiro tal que mdc(b. ent˜o n ´ a e primo. i. Reciprocamente. bp−1 ≡ 1 (mod p). n) = 1. Teorema da raiz primitiva Seja n ≥ 3 inteiro ´ ımpar. φ(n) = n − 1 se e somente se n ´ primo. logo vale n − 1 = φ(n). (mod 17). 8. seja a um gerador de (Z/pZ)∗ . 11 | (b560 − 1) e 17 | (b560 − 1). n) = 1. Ele afirma que se p ´ um n´mero ca e u primo. Logo. Al´m disto temos que n fatora-se n = p1 · · · pr . de forma a provar. concluiriamos que d | 1. Se p ´ primo. mdc(p − 1. pi | (bn−1 − 1). n ´ um e n´mero de Carmichael se e somente se u (1) n ´ livre de quadrados. o logo bn−1 = (bp−1 )k ≡ 1 (mod p). A fortiori. que n ´ um n´mero de Carmichael. concluimos que mdc(b. ent˜o (pelo teorema de Lagrange) a (n − 1) | φ(n). seja p um fator primo de n e suponhamos que p2 | n.7 (teorema de Korselt).. 11) = mdc(b. ent˜o (Z/pZ)∗ ´ e a e c´ ıclico. a u Observe que efetivamente.4. an−1 = 1 em (Z/pZ)∗ . (mod 11). TEOREMA DA RAIZ PRIMITIVA 45 equivale a dizer que 561 | (b560 − 1). Aplicando o pequeno teorema de Fermat concluimos que b2 ≡ 1 b10 ≡ 1 b 16 (mod 3).8.. n) = 1.4. concluimos que a n | (bn−1 − 1).e. logo b560 = (b2 )280 ≡ 1 (mod 11). Seja n ≥ 3 ´ ımpar composto. Assim. n) = 1 e uma vez que n ´ a e um n´mero de Carmichael. O objetivo deste cap´ ıtulo ´ mostrar a rec´ e ıproca deste resultado. ent˜o mdc(b. se (Z/nZ)∗ for c´ ıclico. temos bn−1 ≡ 1 (mod p).

Se o(a2 ) = p−1 acabou. Como todas essas ordens s˜o no m´ximo p − 1 n˜o e podemos ter uma seq¨ˆncia estritamente crescente infinita de n´meros menores que ue u p − 1. Demonstracao. Portanto existe i tal que o(bi ) = p − 1.46 8. .36 temos que existe a2 ∈ (Z/pZ)∗ tal que o(a2 ) = mmc(o(a1 ). Seja a1 ∈ (Z/pZ)∗ e d1 := o(a1 ). ¸˜ Sen˜o. Pelo mesmo argumento da prova da proposi¸˜o 9. acabou. seja H1 o subgrupo c´ a ıclico de (Z/pZ)∗ gerado por a1 . Utilizando o teorema chinˆs dos restos e temos (como conseq¨ˆncia do teorema da raiz primitiva) que (Z/2pZ)∗ tamb´m ´ ue e e c´ ıclico para p primo. Temos que H1 ∗ (Z/pZ) . Sen˜o repetimos o argumento acima obtendo um elemento a3 cuja ordem a a a a ´ estritamente maior que o(a2 ). Se d1 = p − 1. co ca Seja b1 ∈ (Z/pZ)∗ \ H1 . o(b1 )) > o(a1 ). APLICACOES DA TEORIA DE GRUPOS ¸˜ Note que (Z/4Z)∗ ´ c´ e ıclico de ordem 2. Note que H1 coincide exatamente com as solu¸˜es de xd1 − 1 em (Z/pZ)∗ .

Parte 2 Grupos .

.

y) → x ∗ y satisfazendo `s seguintes propriedades: a (1) (associatividade) para todo x. Afirmamos que ¸˜ (xy)−1 = y −1 x−1 . y. Observacao 9. z ∈ G. Todas estas matrizes s˜o invers´ a ıveis com respeito ` multiplica¸˜o de matrizes. (3) (Inverso) para todo x ∈ G existe y ∈ G tal que x ∗ y = y ∗ x = e. C e ∗ = +. . y ∈ G. Z. Para fixar a nota¸˜o suponha que ca a opera¸˜o seja de “multiplica¸˜o” e que o inverso de um elemento x ∈ G seja ca ca denotado por x−1 . De fato. R. Q. c. Seja G um grupo e x. (2) (Elemento neutro) existe e ∈ G tal que e ∗ x = x ∗ e = x para todo x ∈ G. Defini¸˜o e exemplos ca Definicao 9.2. Seja ca GL2 (R) := a b c d ∈ M2 (R) | ad − bc = 0 .4 (grupos abelianos infinitos). xy(y −1 x−1 ) = x(yy −1 )x−1 = xx−1 = 1 y −1 x−1 (xy) = y −1 (x−1 x)y = y −1 y = 1. caso contr´rio ´ dito infinito. e Exemplo 9. R \ {0}. Este conjunto ´ um grupo com e a opera¸˜o sendo a soma de matrizes.3. Definicao 9. Q \ {0}. o n´mero de a e u elementos de G ´ chamado a ordem de G e denotado por #G. y ∈ G.1.5 (grupos abelianos infinitos). Asa ca sim GL2 (R) munido do produto de matrizes ´ um grupo chamado grupo linearem e 49 . Em seguida daremos exemplos de grupos.6. d ∈ R o conjunto das matrizes 2 × 2 com entradas reais.CAP´ ıTULO 9 Teoria de Grupos I 9. b. Exemplo 9. C \ {0} e ∗ = . Um grupo G ´ dito finito se possui um n´mero finito de e¸˜ e u lementos. x ∗ (y ∗ z) = (x ∗ y) ∗ z. Seja M2 (R) := a b c d | a. Exemplo 9. O grupo G ´ dito abeliano ou comutativo se al´m disto x ∗ y = y ∗ x para todo e e x. Se G for um grupo finito. Um grupo ´ um conjunto G munido de uma opera¸˜o ∗ : ¸˜ e ca G × G → G dada por (x.1.

7. V2 . V3 } dada por a ca f (Vi ) = Vσ(i) . A associatividade segue do ca fato de composi¸˜o de fun¸˜es ser associativa. Assim. O primeiro ´ abeliano. onde denotamos f na forma matricial por 1 2 3 .8. Seja G = Z/nZ e ∗ = ⊕. Basta ca ca ca portanto verificar os inversos. 1 A rota¸˜o de 4π/3. R4π/3 = R2π/3 ◦ R2π/3 que ser´ denotada por α2 ´ dada por ca a e α2 = 1 3 2 1 3 . a e 0 1 1 1 1 0 0 1 1 1 0 1 0 1 1 0 = = 1 1 0 1 1 0 1 . S∆ = {id. e Exemplo 9. Seja G = (Z/nZ)∗ e ∗ = . Para provar que S∆ ´ um grupo e 2 precisamos verificar as 3 propriedades da defini¸˜o. Este ´ um grupo abeliano de ordem e n. ca a Sl1 = Novamente Sl2 = id. 2 Finalmente a rota¸˜o de 2π = 6π/3 nada mais ´ que id e ´ denotada por α3 . 3 Note que β 2 = id. Ambos os grupos s˜o infinitos. Este ´ um grupo de ordem φ(n). TEORIA DE GRUPOS I dimens˜o 2 sobre os reais. β. a composi¸˜o de fun¸˜es. α2 . Cada simetria ser´ uma fun¸˜o bijetiva f : {V1 . 2. Fixemos os v´rtices do triˆngulo ca a ca co e a no c´ ırculo unit´rio a S1 := {z ∈ C | |z| = 1} por V1 = e2πi . 3. Seja Sl1 a simetria em rela¸˜o ` reta l1 . De fato. O elemento neutro segue do fato ca co que a composi¸˜o da identidade com qualquer fun¸˜o ser a qualquer fun¸˜o. denotamos estas retas por li para i = 1. 2 e Sl2 = id. ca a β= 1 2 2 1 3 . A opera¸˜o ser´ ◦. Sl1 . V3 } → {V1 . assim ca e e α3 = id. α. a a e Notemos que GL2 (R) n˜o ´ comutativo. Sl2 }.50 9. V2 . 1 e Exemplo 9. Al´m disto temos as simetrias em rela¸˜o `s retas que passam pelos e ca a v´rtices e pelo centro do lado oposto. σ(1) σ(2) σ(3) Denotamos α := R2π/3 a rota¸˜o de 2π/3 que ´ dada por ca e α= 1 2 2 3 3 . Denotamos por S∆ o grupo das simetrias do triˆngulo equil´tea a ro. V2 = e2πi/3 e V3 = e4πi/3 . Finalmente. De α3 = αα2 = id . 3 Sl2 = 1 3 2 1 3 2 1 1 2 3 3 . e Seja β := Sl3 a simetria em rela¸˜o ` reta l3 .

DEFINICAO E EXEMPLOS ¸˜ 51 concluimos que α−1 = α2 e que (α2 )−1 = α. logo (αβ)−1 = αβ e a (α2 β)−1 = α2 β.9. e a e (9. Antes de verificarmos os dois restantes calculemos αβ = α2 β = 1 2 1 3 2 3 2 1 3 1 3 2 1 2 1 2 2 1 2 1 3 3 3 3 = = 1 1 1 3 2 3 2 2 3 2 3 1 = Sl 1 e = Sl 2 . Geometricamente j´ verificamos que (αβ)2 = (α2 β)2 = id. Assim. V3 = eπi e V4 = e3πi/2 . V2 = eπi/2 . respectivamente l3 . passando por divindo ao meio os lados V1 V4 e V2 V3 . β := Sl3 = e Sl1 = 1 4 2 3 3 2 4 . Dessa forma S∆ ´ um grupo de ordem 6. O grupo S das simetrias do quadrado. Exemplo 9. Pela observa¸˜o 9. Seja α := Rπ/2 a rota¸˜o por π/2 que ´ dada por ca e α= a rota¸˜o de π ´ dada por ca e Rπ := α2 = a rota¸˜o de 3π/2 ´ dada por ca e R3π/2 := α3 = 1 4 2 1 3 2 4 3 1 3 2 4 3 1 4 . Denotamos os v´rtices e por V1 = e2πi . Calculemos. Temos tamb´m a simetria em rela¸˜o ca e e ca `s retas l1 . a respectivamente V1 V2 e V3 V4 .1) βα = 1 2 2 1 3 3 1 2 2 3 3 1 = 1 3 2 2 3 1 = α2 β.9. 2 1 2 2 3 3 4 4 . 1 1 2 2 1 3 4 4 3 . concluimos que β −1 = β.1. 1 e e a rota¸˜o de 2π ´ dada por R2π := α4 = id.2 e por (9. Vamos ver isto de forma e puramente alg´brica e aproveitar para mostrar que S∆ n˜o ´ abeliano. De β 2 = ββ = id.1) temos que ca (αβ)−1 = β −1 α−1 = βα2 = α2 βα = α4 β = αβ (α2 β)−1 = β −1 (α2 )−1 = βα = α2 β.

Se x ∈ H e x < 0. e a αβ = α2 β = α3 β = 1 2 1 3 1 4 1 2 2 3 2 4 2 1 2 1 3 4 3 1 3 2 3 4 4 1 4 2 4 3 4 3 1 2 1 2 1 2 1 2 2 1 2 1 2 1 2 3 3 4 3 4 3 4 3 4 4 3 4 3 4 3 4 1 = = = 1 1 1 4 1 3 1 3 2 4 2 3 2 2 2 2 3 3 3 2 3 1 3 1 4 2 4 1 4 4 4 4 = Sd1 . Os demais j´ foram calculados geometricamente. Assim r = 0 e x ∈ nZ. Pelo que foi feito anteriormente. Note que nZ ´ um subgrupo de Z. logo α−1 = α3 .2.0 ∈ nZ. Seja G um grupo. Afirmamos mais.10. Sd2 }. que todo subgrupo de Z ´ da forma nZ e para algum n ≥ 1. dados x. Sd1 . geometricamente Sd1 = Sd2 = id. respectivamente d2 . = Sl1 = Sd2 . seja H ⊂ Z um subgrupo. (αβ)−1 = β −1 α−1 = βα3 = α3 βα2 = α6 βα = α2 α3 β = αβ. dada por V1 V3 . e A primeira observa¸˜o ´ que ca e βα = Logo. se 1 ∈ H. β. ca ´ Seja n o menor elemento de H ∩ N. Pelo algoritmo da divis˜o existem q. (α2 β)−1 = β −1 (α2 )−1 = βα2 = α3 βα = α6 β = α2 β (α β) 3 −1 = = α3 β. (α3 )−1 = α e (α2 )−1 = α2 . Finalmente temos as simetrias em 1 rela¸˜o `s diagonais d1 . Exemplo 9. ca Reciprocamente. y = kn. r ∈ Z tais que a x = nq + r com 0 ≤ r < n. k. 3 9. Seja G = Z e n ≥ 1. respectivamente V2 V4 . se x ∈ H ∩ N. O conjunto S fica portanto dado por S = {id. TEORIA DE GRUPOS I Notemos que geometricamente β 2 = Sl2 = id. para provar que ´ um grupo basta calcular os inversos. y = nl. De fato. Sl1 . um subconjunto H de G ´ dito um sub¸˜ e grupo de G. 3 2 1 4 2 2 Novamente. . Mostraremos que este grupo n˜o a a ´ abeliano e refaremos os c´lculos algebricamente. e α4 = αα3 = α2 α2 = id. Como no exemplo anterior. l ∈ Z. ca a Assim. α3 . e =β −1 (α ) 3 −1 = βα = α β. E claro que nZ ⊂ H. Note que r = x − nq ∈ H. y ∈ H. seja y = −x ∈ H ∩ N. em particular x = −y = (−k)n ∈ nZ. Calculemos. xy ∈ H e dado x ∈ H. Inicialmente. ent˜o x + y = n(k + l) ∈ nZ a e −x = n(−k) ∈ nZ.11. x = nk. Subgrupos Definicao 9. α2 . x−1 ∈ H.52 9. pela defini¸˜o de H. α. De e fato. 0 = n. Por defini¸˜o H ∩ N = ∅. 1 2 3 4 Sd1 = 1 4 3 2 e 1 2 3 4 Sd2 = .

ent˜o a (xy)n = xn y n = 1. Se k < 0. y ∈ µn . logo xy ∈ µn e se x ∈ µn . como a e tamb´m {1. temos uma bije¸˜o ca µn → Z/nZ dada por ζ k → k. De fato. E a injetividade uma vez ca a oe ıvel que se k = l. ζ ∈ µn e o menor inteiro positivo m ≥ 1 tal que ζ m = 1 ´ n. ent˜o ζ l ∈ {1. se e x. digamos A= ent˜o a AB = A−1 = aa 0 a−1 0 0 dd 0 d−1 ∈ D2 (R). β}.2. · · · .12. Afirmamos que e µn = {1. ent˜o {1. Finalmente. α3 } ´ um subgrupo de S . e a z = ζ k = ζ −l = ζ n−l ∈ {1. SUBGRUPOS 53 Exemplo 9. Seja G := S . 1n = 1. ζ n−1 }. B ∈ D2 (R). ζ n−1 }. Logo z = ζ k = (ζ n )q ζ r = ζ r e z ∈ {1. ent˜o x−1 C \ {0}. Exemplo 9. Seja n ≥ 1 inteiro e µn := {z ∈ C | z n = 1}. pelo algoritmo da divis˜o. a 0 0 d eB= a 0 0 d . De fato. pois e 1 0 se A. Este ´ um subgrupo de GL2 (R). ζ n−1 }. Se k ≥ 1. α2 . ζ. ζ.13. a sobrejetividade segue da defini¸˜o de Z/nZ. onde θ = k2π a e a para k ∈ Z. Exemplo 9. Este ´ um grupo abeliano chamado o grupo das ra´ e ızes n-´simas da e unidade. Seja G := GL2 (R) e D2 (R) := a 0 0 d | ad = 0 o conjunto das matrizes diagonais.14. o que s´ ´ poss´ se k = l.9. ζ. · · · . ∈ D2 (R). Seja ζ := e2πi/n . existem q. logo a (x−1 )n = (xn )−1 = 1 e x−1 ∈ µn . ζ. a inclus˜o ⊃ ´ clara. r ∈ Z tais que a a k = qn + r com 0 ≤ r < n. · · · . · · · . e . ent˜o n | (k − l). ent˜o. ζ n−1 }. logo 1 ∈ µn . digamos k = −l. De fato. Se z ∈ µn . Afirmamos que este ´ um subgrupo de C \ {0}. 0 1 ∈ D2 (R). α. ent˜o |z| = 1 e z = eiθ .

ψ ´ injetiva. Se e x ∼D y e y ∼D z. Observacao 9.. logo x ∼D x. Se ϕ(xH) = ϕ(yH). TEORIA DE GRUPOS I 9. Dado x ∈ G denotamos por ¸˜ xH := {xα | α ∈ H} sua classe de equivalˆncia com rela¸˜o a ∼D . Denotamos este n´mero por (G : H) e chamamos o ´ e e u ındice de H em G. Seja G um grupo e H um subgrupo de G.15.16. e a existe α ∈ H tal que x−1 = αy −1 . i. Logo x = zβα e βα ∈ H. Fica como exerc´ e ıcio fazer a mesma demonstra¸˜o para ∼E . ent˜o x = yα e y = zβ. existe uma bije¸˜o ca ψ : H → xH dada por α → xα. y ∈ G ¸˜ definimos x ∼D y se e somente se x = yα. Demonstracao. i.18. portanto. x ∼D y. obtemos que α = β.19. Dado y ∈ G. existe x ∈ G tal que y = x−1 . portanto y ∼D x. Classes Laterais e Teorema de Lagrange Definicao 9. α−1 ∈ H. Observe ca que · · (9. e −1 A partir de agora nesta se¸˜o suponhamos que G seja um grupo finito.2) G= x∈G xH = x∈G Hx. Lema 9. portanto ϕ ´ injetiva. x = yα.. logo Hy = ¸˜ Hx = ϕ(xH) e ϕ ´ sobrejetiva. Similarmente.e. Demonstracao.e. multiplicando os dois lados por x−1 a esquerda. para algum α ∈ H. Existe uma bije¸˜o ca ϕ : CLD → CLE dada por ϕ(xH) = Hx−1 . Para todo x ∈ G.e. Definimos tamb´m e x ∼E y se e somente se x = αy para algum α ∈ H. i. para algum α ∈ H. Seja CLD := {xH | x ∈ G} o conjunto das classes laterais a direita de H em G. i. ent˜o x = yα. ca Definicao 9.... Dados x. esta ´ chamada de classe lateral a e ca e direita de x em H. i. a logo y = xα−1 e como H ´ um subgrupo de G.e. Se ¸˜ ca e ψ(α) = ψ(β). a pois H ´ um subgrupo de G. x = x. ¸˜ co a a co e De fato. β ∈ H. xα = xβ. As rela¸˜es bin´rias ∼E e ∼D s˜o rela¸˜es de equivalˆncia.17.e. Pela defini¸˜o de xH concluimos que ψ ´ sobrejetiva. Concluimos que o n´mero de classes laterais (a direita ou a esquerda) de H em G u tamb´m ´ finito.1. para α. ent˜o Hx−1 = Hy −1 . donde x ∼D z.3. xH = yH. Lema 9. definimos a classe lateral a esquerda de x em H por Hx := {αx | α ∈ H} e CLE := {Hx | x ∈ G} o conjunto das classes laterais a esquerda de H em G. Se x ∼D y. e .54 9.

Exemplo 9. Exemplo 9. ent˜o existe algum fator primo p de n tal que p | i.22. ent˜o i = di e n = dn com n < n. ent˜o o(α) = 4. 0 . Pelo algoritmo de euclides existem q. n) = 1} e (Z/nZ)∗ dada por ζ i → i. Suponha que exista t ≥ 1 tal que xt = 1. assim pela defini¸˜o da ordem de x concluimos que r = 0. n) > 1. concluimos que o(1) = ∞.23. a 0 1 1 . Demonstracao. Seja x ∈ G de ordem n. Seja G = Z e x = 1. Definimos ¸˜ o(x) := min{n ≥ 1 | xn = 1.25. Seja G = GL2 (R) e x= ´ E imediato verificar que o(x) = 2. Ent˜o a #G = (G : H)|H|.4. Ent˜o n | t. mas isto contradiz o(ζ i ) = n.2) e do lema 9.20 (teorema de Lagrange). Segue imediatamente de (9. Seja H um grupo finito e H um subgrupo de G.9. Ent˜o ζ im = 1. Por defini¸˜o de (Z/nZ)∗ esta aplica¸˜o ´ sobrejetiva ca ca e e a injetividade segue de i = j implicar em n | (i − j) o que apenas ocorre se i = j.. Reciprocamente. Como a m < n. Seja G := S e x = α. Ent˜o a o(ζ) = n. Ent˜o |H| a divide |G|. ORDEM DE ELEMENTO E EXPOENTE DE GRUPO ABELIANO 55 Teorema 9. nx = 0. n ∈ Z} ou o(x) = ∞ caso n˜o exista n ≥ 1 inteiro satisfazendo xn = 1. Por outro lado a (ζ i )n = ζ in = ζ i dn = ζ i n = (ζ n )i = 1.27. pelo lema chave im = kn para algum k ≥ 1 inteiro.4.26.e. De fato. e Mostramos em particular que #Pn = φ(n). 9.19. Seja G um grupo finito e H um subgrupo de G. Lema 9. ca Exemplo 9. Seja G um grupo e x ∈ G. n) = d > 1. i.24 (lema chave). Afirmamos mais ainda que o(ζ i ) = n se e somente se mdc(i. suponha que 1 ≤ o(ζ i ) = m < n. O conjunto Pn ´ chamado o conjunto das ra´ e ızes primitivas n-´simas da unidade. Ordem de elemento e expoente de grupo abeliano Definicao 9. O n´mero o(x) ´ a u e chamado a ordem de x. a Al´m disto temos uma bije¸˜o entre e ca Pn := {ζ i | mdc(i. ¸˜ ´ Corolario 9. se mdc(i. Seja G := µn para n ≥ 1 inteiro e x := ζ = e2πi/n . a Demonstracao. logo mdc(i. n) = 1 para 0 ≤ i < n. Como para todo n ≥ 1. r ∈ Z tais que t = ¸˜ qn + r com 0 ≤ r < n. Logo 1 = xt = xqn xr = xr . Exemplo 9.21.

· · · . A primeira etapa ca ´ provar para r = 2. Neste caso.30. Neste caso α = {αr | r ∈ Z} e corresponde bijetivamente a Z por αr → r. Demonstracao. ¸˜ Ent˜o G ´ abeliano. Assim. i i Definicao 9.e. logo exp(G) = 2. ¸˜ e Estamos particularmente interessados no caso em que S = {α}. o(zr )} | o(z1 ) · · · o(zr ). Logo xy ∈ S . e Demonstracao. ´ Observacao 9. Na primeira co o(α) = n < ∞.28. Neste caso dizemos que o grupo S ´ um grupo c´ e ıclico. o(zr )}. . ´ Corolario 9. a Demonstracao. E claro que se G ´ finito. · · · . ent˜o para a e a cada x ∈ G \ {1}. ent˜o a x−1 = x−1 · · · x−1 r 1 e x−1 ∈ S ou (x−1 )−1 = xi ∈ S.. mdc(o(zi ). o(x) = 2. Definicao 9. e (ii) A segunda igualdade ´ uma propriedade dos inteiros positivos (basta leme brar que o mmc ´ obtido tomando o maior expoente na fatora¸˜o em n´meros e ca u primos). Por exemplo se G = Z/2Z × . 0. x−1 = x.34. Proposicao 9. Mas a ¸˜ e a rec´ ıproca n˜o ´ verdade.35. Ent˜o a (i) o(z1 · · · zr ) | mmc{o(z1 ). TEORIA DE GRUPOS I Observacao 9. e M z1 . · · · . mas G ´ e infinito.. Seja G um grupo finito a e x ∈ G. · · · ). ent˜o exp(G) < ∞. i Finalmente. α = {1. ¸˜ Seja S := {x1 · · · xr | ai ∈ S ou a−1 ∈ S}. Distinguimos duas situa¸˜es. · · · . . onde 1 = (0. · · · . Pelo teo¸˜ rema de Lagrange # x | #G. ent˜o x = x1 · · · xr com ¸˜ a −1 xi ∈ S ou x−1 ∈ S e y = y1 · · · ys tal que jj ∈ S ou yj ∈ S. O segundo caso ´ aquele no qual o(α) = ∞. Ent˜o o(x) | #G.32 (corol´rio 2 do teorema de Lagrange). o(x) = 2 significa que x2 = 1. . Definimos o expoente de G por ¸˜ exp(G) := mmc{o(z) | z ∈ G} ou ∞. Definicao 9. se x ∈ S. Seja G um grupo e suponha que para todo x ∈ G. Logo x−1 ∈ S . o(x) < ∞ e o(x) = # x . Se x. Seja G um conjunto e S um subonjunto de G contendo 1. zr ∈ G tais que o(zi ) < ¸˜ ∞ para todo i.31. O subgrupo S ´ chamado o subgrupo de G gerado por S. De fato. a e xy = x−1 y −1 = (yx)−1 = yx. α. i Lema 9. Seja G um grupo abeliano e z1 .33. (ii) Se para todo i = j. αn−1 } e este conjunto corresponde e bijetivamente a Z/nZ por αi → i. Pelo exemplo anterior. Seja G um grupo abeliano. y ∈ S . 1 ∈ S . S ´ um subgrupo de G. Z/2Z × . Vamos provar a primeira igualdade por indu¸˜o em r. pelo lema chave concluimos que o(z1 · · · zr ) | M . i. (z1 · · · zr )M = ¸˜ a M · · · zr = 1. o(x) = 2. (i) Seja M := mmc{o(z1 ). De fato. . A outra divisibilidade ´ imediata. o(zj )) = 1.29. ent˜o o(z1 · · · zr ) = o(z1 ) · · · a o(zr ).56 9. Ent˜o. se existir z ∈ G tal que o(z) = ∞.

pelo ´ ıtem anterior. se i = j. ORDEM DE ELEMENTO E EXPOENTE DE GRUPO ABELIANO 57 Seja N := o(z1 z2 ). o(zr−1 ) e a ordem do e e segundo ´ igual a o(zr ) e mdc(o(zi ). o(zj )) = 1. ent˜o o(zi ) = pei . Por ¸˜ ca r 1 defini¸˜o para todo i = 1. Reciprocamente. Mas. donde M | N . pelo ´ a ıtem (ii) da proposi¸˜o ca i 9. zr−1 ∩ zr . ent˜o o(y) = exp(G). se vale a igualdade. ca i q Note que se zi = yi i . . (a) Seja exp(G) = pe1 · · · per a fatora¸˜o de exp(G). . e estendo a defini¸˜o e ca de N para r fatores. r existe yi ∈ G tal que o(yi ) = pei qi tal que pi qi . . Neste caso.9. mas isto implica que M | N . . temos que N −N 1 = (z1 . · · · . zr−1 )N = zr . Observe que pelo teorema de Lagrange. z1 = z2 = 1. o(zj )) = 1 para i = j. Suponhamos que tenhamos provado que o(z1 · · · zr−1 ) = o(z1 ) · · · o(zr−1 ) com mdc(o(zi ). existe y ∈ G tal que o(y) = exp(G). . . ent˜o e a −N N N N 1 = (z1 z2 )N = z1 z2 .e. logo exp(G) = #G. Utilizando que G ´ abeliano. . i. Ent˜o ¸˜ a (a) Existe y ∈ G tal que exp(G) = o(y). zr−1 )N zr . Por outro a lado. z1 = z2 . . . a Proposicao 9. −N Mas isto significa que (z1 . mas esta interse¸˜o ´ igual a {1}. ent˜o existe x ∈ G tal que x = G e o(x) = #G. (z1 . Como G ´ abeliano.36. Seja G um grupo abeliano tal que exp(G) < ∞. logo G ´ c´ e ıclico. . Assim.4. (b) G ´ c´ e ıclico se e somente se exp(G) = #G. i. ca e N N pois mdc(o(z1 ).e. Portanto. (z1 . −N N Mas isto significa que z1 = z2 ∈ z1 ∩ z2 . · · · . exp(G) | #G e o(x) | exp(G). . mas este grupo ´ trivial pois a ordem do primeiro grupo ´ igual a o(z1 ) . zr−1 )N = e N zr = 1. se G for finito. ent˜o exp(G) | #G. . Demonstracao.35 temos que se y = z1 · · · zr . zr−1 )N = zr ∈ z1 . pelo ´ ıtem anterior existe y ∈ G tal que o(y) = exp(G) = #G. o(z2 )) = 1. . a (b) Se G for c´ ıclico.

.

Demonstracao. (iii) Para todo x ∈ G. Sejam x . i.. Suponhamos que H G. Denotamos H G. pois γβ ∈ H. segue tamb´m da defini¸˜o que x−1 Hx ⊂ H. Seja α ∈ H. ent˜o αx = xγ ∈ xH. Para isto precisamos de uma propriedade adicional de H.e.2. A inclus˜o ⊂ j´ est´ feita por defini¸˜o. a 59 . a Suponha que para todo x ∈ G.. i. Se copiarmos o que foi feito anteriormente a id´ia ´ definir a fun¸˜o e e ca ψ : G/H × G/H → G/H dada por (xH. Donde (i). Seja G/H := {xH | x ∈ G} o conjunto das classes laterais a direita de H em G. logo xα = βx ∈ Hx. queremos definir em G/H uma estrutura de grupo. Lema 10. O problema ´ verificar que ψ est´ bem definida. como x−1 αx = γ ∈ H. xH = Hx. Assim x y = xαyβ. Seja G um grupo e H um subgrupo de G. β ∈ H.1. existe γ ∈ H tal que x y = xαyβ = xyγβ ∈ xyH. Assim x y H = xyH e ψ est´ bem definida. Analogamente ao caso em que G = Z e H = nZ. xHx−1 = H. e ca H ⊂ xHx−1 . xHx−1 = H. Mas a princ´ ıpio G n˜o ´ comutativo e n˜o podemos trocar y com α para concluir a e a que ψ est´ bem definida. Suponha que para todo x ∈ G. pelo lema 10.CAP´ ıTULO 10 Teoria de grupos II 10. yH) → xyH. Por hip´tese para todo α ∈ H existe o β ∈ H tal que xαx−1 = βxx−1 = β. para n ≥ 1 inteiro. As seguintes condi¸˜es co s˜o equivalentes: a (i) H G. ¸˜ a a a ca Uma vez que (x−1 )−1 = x.e. x = xα e y = yβ para α. Reciprocamente. Suponha que H G. xH = Hx. Um subgrupo H de um grupo G ´ dito normal se e somente ¸˜ e se para todo x ∈ G temos xHx−1 ⊂ H. Disto segue (iii).2. Assim vale (ii). (ii) Para todo x ∈ G. Por hip´tese o −1 xαx = β ∈ H. y ∈ G tais que x H = xH e a e y H = yH. a Definicao 10. Subgrupos normais e grupos quocientes Seja G um grupo e H um subgrupo de G.1.

dado x ∈ G e y ∈ Z(G). Finalmente. i . z ∈ Z(G) e y ∈ G. i. A ultima igualdade se reescreve como αi = yi xi yi x−1 . digamos e α = α1 · · · αr . a o Afirmamos tamb´m que [G. De fato. α2 .1 = y para todo y ∈ G. Este grupo ´ chamado o subgrupo dos comutadores.e. Seja z ∈ G.e. onde para todo i. como (G : H) = 2.60 10. Seja G um grupo. pois H ⊂ Z(G). Se x. e Note que G ´ abeliano se e somente se [G. i i −1 para xi yi ∈ G. α3 }. Esta igualdade tamb´m ´ imediata se x ∈ H.e. Temos que H G. isto significa que temos apenas suas classes laterais a direita. H e xH para x ∈ H. Seja G um grupo e H G um subgrupo de normal de G. Z(G) G. i.y = y. 1. mais G estar´ pr´ximo a ser abeliano. G] o subgrupo de G gerado pelo conjunto {xyx−1 y −1 | x. Suponha que (G : H) = 2. como Hx = H e xH = H. concluimos que a xH = Hx. o quanto maior for e o centro de G. logo 1 ∈ Z(G). para todo x ∈ G − H. Exemplo 10. Exemplo 10. Tamb´m / e sabemos que o n´mero de elementos de CLD ´ igual ao de CLE. Definimos por Z(G) := {x ∈ G | xy = yx para todo y ∈ G}. Assim. G] = {1}. i. Denotamos por [G. o quanto menor e for o subgrupo dos comutadores. xz ∈ Z(G). Exemplo 10. Seja G um grupo. G] G. Seja α ∈ [G. pois (G : H) = |G|/|H| = 2. x−1 ∈ Z(G). ent˜o para todo y ∈ G. Seja G um grupo finito e H um subgrupo de G. De fato. temos que xyx−1 = yxx−1 = y ∈ Z(G). Podemos ainda dizer mais. Seja G = S e H = {1. Afirmamos que Z(G) G. mais G estar´ pr´ximo a ser abeliano. e e Logo H G. y ∈ G} ou i −1 zαi z −1 = zyi xi yi x−1 z −1 ∈ {xyx−1 y −1 | x. ent˜o xzy = xyz = yxz. o centro de G. y ∈ G}.7. a o Exemplo 10. al´m disto como para e e todo x ∈ G e y ∈ H temos que xyx−1 = yxx−1 = y ∈ H. Se x ∈ Z(G). se H ´ um subgrupo de Z(G) ent˜o e a H G.3.. ´ i ent˜o a zyz −1 = zα1 z −1 · · · zαr z −1 e observe que para cada i temos −1 zαi z −1 = zxi yi x−1 yi z −1 ∈ {xyx−1 y −1 | x. a a x−1 y = (y −1 x)−1 = (xy −1 )−1 = yx−1 . automaticamente H ´ um subgrupo de G. a saber. G]. TEORIA DE GRUPOS II Definicao 10. −1 −1 −1 αi = xi yi x−1 yi ou αi = xi yi x−1 yi . De e fato. Afirmamos que H G. pelo teorema de Lagrange e pelo exemplo anterior.5. logo as unicas u e ´ classes laterais a direita s˜o H e Hx. Primeiro temos que verificar que Z(G) ´ realmente um subgrupo de G.4. Assim.. Note que G ´ abeliano se e somente se Z(G) = G.6. O ¸˜ conjunto G/H e a fun¸˜o ψ definem uma estrutura de grupo em G/H chamado o ca grupo quociente. α. y ∈ G}..

logo f (1G ) = 1G . Se H f (G). i. G] est´ contido em H. De fato. se ker(f ) = {1} e se f (x) = f (y). (i) Seja a ∈ G e x ∈ ker(f ). (b) Para todo x ∈ G temos que f (x−1 ) = f (x)−1 . G] ´ um grupo abeliano.. f (x + y) = n(x + y) = e nx + ny = f (x) + f (y). Observacao 10. De fato. x = y.e. f ´ um homomorfismo. por defini¸˜o de produto de classes. logo xy −1 = 1. digamos x = f (a) para a ∈ G. a Proposicao 10. ent˜o H cont´m [G. ent˜o f (H) f (G).10. G]. x = 1.. Consequentemente.2. Consideremos a fun¸˜o Ia : G → G ca definida por Ia (x) = axa−1 . i. e f −1 (f (H)) = H ker(f ). Logo f (x) = 1 = f (1).11. Logo xy = f (a)f (b) = f (ab) ∈ f (G). ker(f ) G. De fato. (2) Seja G um grupo e H um subgrupo normal de G e f : G → G/H definida por f (x) = xH ´ um homomorfismo.. Ent˜o f (f −1 (H)) = H ∩ f (G). ¸˜ (a) Seja 1G o elemento neutro de G e 1G o elemento neutro de G. a 10. i. ´ (iii) E claro que 1 = f (1) ∈ f (G). A partir de agora deixaremos ao cargo do leitor identificar quando a unidade referida por 1 est´ em G ou em G. se e a e dados x. axa−1 ∈ ker(f ).2. Reciprocamente. y ∈ f (G). Al´m ¸˜ e e e disto. HOMOMORFISMO DE GRUPOS 61 Observacao 10. ent˜o f (axa−1 ) = f (a)f (x) ¸˜ a f (a ) = f (a)f (a)−1 = 1.10. todo elemento de [G. ent˜o f −1 (H) G. e a Se H G. Sejam x. Ent˜o f (1G ) = 1G . Esta fun¸˜o ´ um homomorfismo. De fato. a Definicao 10. O objetivo ´ compar´-los e verificar que suas estrue a turas s˜o as mesmas. (1) Seja G = G = Z.. f (1G ) = f (1G 1G ) = f (1G ) a f (1G ). ca e Ia (xy) = a(xy)a−1 = (axa−1 )(aya−1 ) = Ia (x)Ia (y). Um homomorfismo de grupos ´ uma fun¸˜o f : G → G tal ¸˜ e ca que f (xy) = f (x)f (y). a a Demonstracao. a .e. e f (G) ´ um subgrupo de H.8..9. ent˜o x−1 = f (a)−1 = f (a−1 ) ∈ f (G). f (xy) = (xy)H = e (xH)(yH) = f (x)f (y). i. se H G for tal que G/H ´ abeliano.12. ca (3) Seja G um grupo e fixemos a ∈ G. y ∈ G temos xyH = xHyH = yHxH = yxH. Observe tamb´m que G/[G. (ii) Suponha que f seja injetiva e x ∈ ker(f ).e. b ∈ G tais que x = f (a) e y = f (b). De fato. Homomorfismo de grupos Sejam G e G dois grupos.e. f ´ injetiva se e somente se ker(f ) = {1}. ent˜o existe α ∈ H tal que a x−1 y −1 xy ∈ H. Exemplo 10. n ≥ 1 inteiro e f : Z → Z definida por f (x) = nx. Seja H < G tal que f −1 (H) ⊃ ker(f ). Seja f : G → G um homomorfismo de grupos e ¸˜ ker(f ) := {x ∈ G | f (x) = 1} o n´cleo u (i) (ii) (iii) (iv) (v) (vi) (vii) −1 de f . Se x ∈ f (G). existem a. De fato. f (x)f (x−1 ) = f (xx−1 ) = f (1G ) = 1G e f (x−1 )f (x) = f (x−1 x) = f (1G ) = 1G . a Se x ∈ G ´ tal que o(x) < ∞ ent˜o o(f (x)) < ∞ e o(f (x)) | o(x). i. xy −1 ∈ ker(f ).e. ent˜o f (x)f (y)−1 = f (xy −1 ) = a 1.

se x = ab ∈ H ker(f ).. H ker(f ) < G. ab−1 = c ∈ ker(f ). x ∈ f −1 (f (H)).62 10. Assim. Lema 10. i. digamos x = ab e y = cd. pela sua pr´pria defini¸˜o ϕ ´ sobrejetivo. Definicao 10. ent˜o f (a)yf (a)−1 ∈ H. uma vez que HK = KH. Sejam x ∈ f −1 (H) e a ∈ G. f (a) = y ∈ H.. onde bc = c b ∈ a HK. a ∈ f −1 (H).14.13. a Suponha que H G (o outro caso ´ an´logo). i. De fato. x ∈ H ∩ f (G). b ∈ K}. e Teorema 10. Ent˜o f induz um isomorfismo de grupos ϕ : G/ ker(f ) → a f (G) definido por ϕ(x ker(f )) := f (x). Continuacao da prova da proposicao. x = f (a) para a ∈ f −1 (H). f (x) = y ∈ H. Como H f (G). y ∈ a HK. Logo f (a)f (b)−1 = f (ab−1 ) = 1.e. Quanto a e o ca e . em particular o(f (x)) < ∞.e. suponha que HK = KH. f (axa−1 ) = f (a)f (x)f (a)−1 ∈ f (H). Al´m disto. pelo lema chave.1 ∈ HK. suponha que x ∈ H ∩ f (G).. (iv) Notemos inicialmente que co¸˜ ¸˜ mo ker(f ) G...e. a = bc = c b ∈ H ker(f ). ¸˜ a digamos α−1 = ab.e. (vi) Seja d = o(x). Assim α = (α−1 )−1 = b−1 a−1 ∈ KH.e. Reciprocamente. Seja α ∈ KH. KH ⊂ HK. i. Logo α−1 = b−1 a−1 ∈ HK. Logo x = f (a) ∈ H. Se f ´ bijetivo ¸˜ e dizemos que f ´ um isomorfismo de grupos. i. Suponha que H f (G). Como HK < G. i. ent˜o f (x) = f (ab) = f (a)f (b) = f (a) ∈ a f (H).. Al´m disto existe uma bije¸˜o entre os seguintes conjuntos e ca {H < G | H ⊃ ker(f )} e {H < f (G)}. se ¸˜ a x = ya para a ∈ ker(f ). i. KH ⊂ HK. Seja f : G → G um homomorfismo de grupo. digamos α = ab. ent˜o ϕ(x ker(f )) = f (x) = f (ya) = f (y)f (a) = f (y) = a ϕ(y ker(f )). ent˜o xy = abcd = ac b d ∈ HK. HK ⊂ KH. Se x.e. o(f (x)) | o(x). ent˜o a α = (α−1 )−1 ∈ HK. Logo axa−1 ∈ H. Ent˜o HK < G se e somente se HK = KH.e.15 (teorema do isomorfismo de grupos). Demonstracao. a G ou K G.e. mas f (a)yf (a)−1 = f (axa−1 ).. f (a) = f (b) ∈ f (H).e. i. Ent˜o 1 = 1. Definimos HK := {ab | a ∈ H.. Al´m disto. Suponha que HK < G. Notemos inicialmente que ϕ est´ bem definido. i. Seja x = ab ∈ HK.. (vii) Suponha que H G e sejam a ∈ G e x ∈ H. Sejam H e K subgrupos de um grupo G. Ent˜o α−1 ∈ HK. Se x = ab ∈ KH. se H a e ent˜o HK < G. Portanto. Reciprocamente. i.e.. Seja α ∈ HK. Seja f : G → G um homomorfismo de grupos. pela mesma raz˜o. Por outro lado. (v) Seja x ∈ f (f −1 (H)).e.. logo x ∈ f (f −1 (H)). Ent˜o e a a x = bb−1 ab = b(b−1 ab) = ba ∈ KH.. i.e. ent˜o x−1 = b−1 a−1 = a b ∈ a HK. Seja a ∈ f −1 (f (H)). axa−1 ∈ a f −1 (H). Se x = ab ∈ HK. Demonstracao. TEORIA DE GRUPOS II Para provar a propriedade (iv) precisamos do seguinte lema. i. f (x) ∈ f (H) e f (a) ∈ f (G) ⊂ G. i. Reciprocamente. logo HK ⊂ KH. logo xd = 1 e f (xd ) = f (x)d = f (1) = 1. ent˜o a x = abaa−1 = (aba−1 )a = b a ∈ HK.

se a ∈ ker(f ). Afirmamos que f ´ sobrejetivo. a ∈ H ∩ K.e. i. pois a ∈ K ⊂ H. H G e K < G. xy −1 ∈ ker(f ) ∩ H. HOMOMORFISMO DE GRUPOS 63 injetividade.e. pois se x = ya para a ∈ H ∩ ca a ker(f ). Seja f : G → G um homomorfismo de grupos e H < G.10. Logo o grupo ¸˜ quociente faz sentido. Sejam K < H < G grupos com H ¸˜ particular K H). De fato. Ent˜o existe um isomorfismo de grupos a ψ: H → f (H) dado por ψ(x(H ∩ ker(f ))) := f (x). f (x)f (y)−1 = a f (xy −1 ) = 1. Sejam G um grupo. H Existe uma bije¸˜o entre os conjuntos ca {K G | K ⊃ H} e {H G/H}. De fato. ent˜o e a f (a) = aH ∈ H. Portanto. A fun¸˜o ψ est´ bem definida. ent˜o ψ(x(ker(f ) ∩ H)) = f (x) = f (ya) = f (y)f (a) = f (y) = ψ(y(ker(f ) ∩ a H)). xy −1 ∈ ker(f ). Observe¸˜ mos que f est´ bem definida. ψ1 ◦ ψ2 (H) = ψ1 (f −1 (H)) = f (f −1 (H)) = H ∩ f (G) = H. logo x ker(f ) = y ker(f ).. Definimos as fun¸˜es que d˜o a bije¸˜o por ψ1 : K → K/H ¸˜ co a ca −1 e ψ2 : H → f (H).19. ´ Corolario 10.2. pois K ⊃ H e ψ1 ◦ ψ2 (H) = ψ1 (f −1 (H)) = f (f −1 (H)) = H ∩ f (G) = H ∩ G/H = H. se abH ∈ KH/H. Reciprocamente. Assim o resultado segue do teorema do e ca isomorfismo. Se ψ(x(ker(f ) ∩ H)) = ψ(y(ker(f ) ∩ H)). De fato. ker(f ) = {xK | xH = H} = {xK | x ∈ H} = H/K. ent˜o ca e a f (x) = f (y). Ent˜o existe um isomorfismo de grupos a ϕ: G/K G → . ent˜o abH = e a aH = f (a). H/K H G e K G (em Demonstracao. (K ∩ H) H Demonstracao.e. Seja H ¸˜ f :G→ Ge G o homomorfismo quociente f (x) := xH.. Demonstracao.. Por defini¸˜o ψ ´ sobrejetiva. pois H ⊃ ker(f ). (H ∩ ker(f )) ´ Demonstracao. Seja x = ya para a ∈ K. A bije¸˜o entre os dois conjuntos ´ dada pelas fun¸˜es ψ1 : H → f (H) e ca e co ψ2 : H → f −1 (H). Ent˜o existe um ¸˜ a isomorfismo de grupos K KH ϕ: → . Seja f : G/K → G/H definida por f (xK) := xH. De fato. i. ψ2 ◦ψ1 (K) = ψ2 (K/H) = f −1 (K/H) = f −1 (f (K)) = K ker(f ) = KH = K.. Ent˜o f (xK) = xH = a a (ya)H = (yH)(aH) = yH.16. Proposicao 10. i. pois H < f (G). Seja f : K → KH/H o homomorfismo quociente f (x) := ¸˜ xH. f ´ sobrejetiva por defini¸˜o.e. ent˜o f (x) = f (y). E imediato verificar que ker(f ) ∩ H H. i. Proposicao 10. o resultado ´ uma conseq¨ˆncia do e ue teorema do isomorfismo.17. Afirmamos tamb´m que ker(f ) = H ∩ K. f (xy −1 ) = f (x)f (y)−1 = 1. Proposicao 10..18. i.e. se ϕ(x ker(f )) = ϕ(y ker(f )). ψ2 ◦ ψ1 (H) = ψ2 (f (H)) = f −1 (f (H)) = H ker(f ) = H. .

. · · · . xn ) ´ (x−1 . ent˜o a G. Hn ) = {1} para todo i = 1. Hi ∼ Gi . .1. · · · . Observacao 10. . Sejam G1 . . Hi1 Hi+1 . co Observacao 10. . Sejam G. . ca a ca Por hip´tese H G. e ∼ Teorema 10. Gn e e ´ denotado por G1 ⊕ . logo axa−1 ∈ H e Ja ∈ Aut(H) (n˜o podemos garantir que o a Ja ∈ I(H). . Para todo a ∈ G. Dizemos que H ´ um subgrupo ¸˜ e caracter´ ıstico de G se para todo σ ∈ Aut(G) temos σ(H) ⊂ H. · · · . 1) e o E a ca e e inverso de (x1 . Este ´ um grupo com respeito ` composi¸˜o e a ca de fun¸˜es. · · · . .64 10. Queremos mostrar que para todo a ∈ G. e = al´m disto e (1) G = H1 . . K ´ caracter´ a o e ıstico em H. logo Ja (K) = Ia|H (K) = K. Produto direto. · · · . TEORIA DE GRUPOS II Definicao 10. (3) Hi ∩ (H1 . Ent˜o G = G1 ⊕ . Por hip´tese. Demonstracao. Gn grupos. a ca co ıcio Definicao 10. Se K for subgrupo caracter´ ¸˜ ıstico de H e H G. ⊕ Gn se a e somente se existem subgrupos H1 . . σ(x) ∈ H. para todo x ∈ H. . . . Seja Hi := ϕ−1 ({1} × .3. Um homomorfismo de grupos f : G → G ¸˜ ´ chamado um endomorfismo de grupos e denotamos por End(G) o conjunto dos e endomorfismos de G que ´ um mon´ide com respeito ` composi¸˜o de fun¸˜es. · · · . G.25.3. ´ Proposicao 10. · · · . (2) Hi G para todo i = 1. . . . O conjunto e G := {Ia | a ∈ G} dos automorfismos internos de G tamb´m ´ um grupo com e e respeito ` composi¸˜o de fun¸˜es. A ¸˜ restri¸˜o de Ia a H nos d´ uma fun¸˜o Ja : H → G definida por Ja (x) := axa−1 . Ia (K) ⊂ K. . · · · .20. Definimos a seguinte fun¸˜o ca ϕi : Hi → Gi dada por ϕi (xi ) := yi . xn yn ). · · · . x−1 ). . ⊕ Gn . Um e o a ca co mon´ide tem todas as propriedades de grupo exceto a existˆncia do inverso. Fica como exerc´ mostrar que I(G) Aut(G). × Gn passa a e 1 n ter uma estrutura de grupo e ´ chamado o produto direto dos grupos G1 . xn ). Assim o conjunto G1 × . yn ) := (x1 y1 . i.e. . o elemento neutro ´ (1.22. pois a ultima afirmativa equivale a dizer que Ia (H) ⊂ H para todo a ∈ H. .21. Seja G um grupo. Ia : G → G definida por Ia (x) := axa−1 ¸˜ ´ um automorfismo de G chamado um automorfismo interno de G. ⊕ ¸˜ Gn .24. Produtos de grupos 10. Gn grupos.. · · · . Suponhamos que exista um isomorfismo ϕ : G → G1 ⊕ . · · · . pois n˜o necessariamente a ∈ H). n. Notemos que se H for subgrupo caracter´ ¸˜ ıstico de G. × Gi × . Se f o e for bijetivo ent˜o dizemos que f ´ um automorfismo de G e denotamos por Aut(G) a e o conjunto dos automorfismos de G. .(y1 . × Gn uma estrutura de grupo da seguinte forma: (x1 . ent˜o a H K Demonstracao. Definimos no produto cartesiano G1 × . ´ f´cil verificar que esta opera¸˜o ´ associativa.23. {1}). 10. Hn de G tais que para todo i. G1 . · · · . Hn . Seja G um grupo e H < G. n.

i. . dado αi ∈ Hi temos que xαi = βi x para algum βi ∈ Hi . . Para co provar a rec´ ıproca utilizaremos o ´ ıtem 2 do lema seguinte. 1). xn . De fato. (1) Dado x ∈ G seja ϕ(x) := (x1 . n n 2 portanto x1 = y1 . yi . · · · . . · · · . As 3 condi¸˜es acima s˜o equivalentes `s seguintes duas condico a a c˜es: ¸o (a) Para todo x ∈ G existem unicos xi ∈ Hi para i = 1.(1. 1)) ∈ Hi . · · · . . . · · · . zi . xi = ϕ−1 ((1. Como ϕ ´ um isomorfismo concluimos que zj = 1 para todo j e que yi = 1. . . . zi wi . · · · . · · · .(y1 . Repetindo o argumento concluimos que −1 y1 x1 = y2 . wi . xy = yx. . 1). xHi = Hi x. (2) Seja x ∈ G e yi ∈ Hi temos que provar que xyi x−1 ∈ Hi . · · · . portanto xi = 1. yn . · · · . yn x−1 . xn ). · · · . Suponhamos que x = y1 . · · · . · · · . . . Finalmente ´ sobrejetiva pois para todo yi ∈ Gi . . xn yn ) = (x1 . · · · . Assim. pois se yi = 1. xn x−1 ) = (1. · · · . · · · . xn ). . Afirmamos que G ∼ = H1 ⊕ . · · · . zi−1 . consideremos a fun¸˜o ca ψ : G → H1 ⊕ . ent˜o x = 1 . · · · . . · · · . Hn ∩ H1 = {1}. Se ψ(x) = (1. xi . 1). . x−1 ) n 1 = (x1 x−1 . . Suponha que as 3 condi¸˜es anteriores sejam satisfeitas. yi . ⊕ Hn dada por ψ(x) = ψ(x1 . xn y1 . 1 = 1. . 1). n tais que ´ x = x1 . .10. . . . n 2 Como Hi G temos que para todo x ∈ G. . xn ). · · · . De fato. . (b) Para todo i = j. PRODUTOS DE GRUPOS 65 onde xi = ϕ((1. . Al´m disto ϕi ´ injetiva. zn−1 (yn x−1 ) ∈ H2 . . · · · . . xn ). . · · · . yi .⊕Hn se x = x1 · · · xn temos que ψ(x) = (x1 . 1)). Calculemos ϕ(xyi x−1 ) = ϕ(x)ϕ(yi )ϕ(x)−1 = (x1 . ent˜o a −1 y1 x1 = y2 . n. . . e 1)) e ϕi (xi ) = yi . 1. · · · . suponhamos que as 3 condi¸˜es acima sejam satisfeitas. . ent˜o a ϕi (xi zi ) = yi wi = ϕi (xi )ϕi (yi ). · · · .e. Para todo (x1 . xi zi x−1 . xi zi x−1 . x−1 = z2 . .26. · · · a . Logo (yn x−1 )x−1 = zn−1 (yn x−1 ) n n n−1 para algum zn−1 ∈ Hn−1 . 1)). As¸˜ co sim para todo x ∈ G podemos escrever x = x1 . · · · . Demonstracao. Hn ). . Observe que pelo lema abaixo ca e ψ(xy) = ψ(x1 . ⊕ Hn . n 1 i i Portanto. · · · . xyi x−1 = ϕ−1 ((1. xi zi x−1 . Esta fun¸˜o ´ um isomorfismo de grupos. xn ). yn x−1 . xn ). · · · . Seja yi = ϕ−1 ((1. · · · . onde yi ∈ Hi para todo a i = 1. e Lema 10. . xn yn ) = (x1 y1 . · · · . por um lado xi = ϕ−1 ((1. yn ) = · · · = ψ(x1 y1 . xn ) a e ∈ H1 ⊕. e Reciprocamente. . Hi−1 Hi+1 . xn ) := (x1 . Esta fun¸˜o ´ um isomorfismo. · · · . Pelo mesmo argumento xi = yi para todo i = 2. logo ψ ´ sobrejetiva. . . · · · . . . Ent˜o ϕ(x) = (x1 . ent˜o e e a xi = 1. . . ca e se zi = ϕ−1 ((1. · · · . 1)). . · · · . · · · . ent˜o x = y1 . 1)). · · · . · · · . n. zn )). . yn . i (3) Seja xi ∈ Hi ∩ (H1 . . . 1)) e por outro lado xi = ϕ−1 ((z1 . . x ∈ Hi e y ∈ Hj . zi+1 . . xn y2 .. .3. .(1. logo ψ ´ injetiva. x−1 .(x−1 . xn . yn ) = ψ(x)ψ(y). . pois xi zi = ϕ−1 ((1. · · · . · · · . yn ) = ψ(x1 y1 x2 .

yσ(x)(σ(x−1 )(y −1 ))) = (1. y1 ) O elemento neutro ´ (1. . . 1) = (x. e Afirmamos que H × K com a opera¸˜o σ ´ um grupo. note que σ(x) : K → K ´ um automorfismo de K. logo xyx−1 y −1 ∈ Hj e yx−1 y −1 ∈ −1 −1 Hi . y) ´ (x e (x. . Na se¸˜o anterior dados dois ca grupos H e K construimos o produto direto H ⊕ K com a opera¸˜o componente ca a componente. . (y1 σ(x1 )(y2 ))(σ(x1 )(σ(x2 )(y3 )))) = (x1 (x2 x3 ). x1 = · · · n 1 n−1 = x1 . y1 ) σ (x2 . y1 σ(x1 )(y2 σ(x2 )(y3 ))) = (x1 . . Hn . yi ∈ Hi ca e zi = xi yi x−1 . y) e (1. 1) e (1. De fato. Suponhamos que seja dado um homomorfismo de ca grupo σ : H → Aut(K). y)n = (xn . y) O inverso de (x. x−1 = x1 . yy −1 ) = (1. i=0 σ(xi )(y)). Definimos no produto cartesiano H×K uma nova opera¸˜o ca da seguinte forma: (x. σ(x−1 )(y −1 )). Proposicao 10. por (b). . y1 ) = (x1 . . y) σ (x. . suponha as duas ultimas condi¸˜es satisfeitas. Seja x = x1 . pela unicidade de (a) temos que xi = 1. 1). σ(1)(y)) = (x. (x. se xi ∈ Hi ∩ (H1 . w) := (xz. (y1 σ(x1 )(y2 ))σ(x1 x2 )(y3 )) = (x1 (x2 x3 ). xn−1 yi x−1 . . σ(x−1 )(y −1 )) σ σ −1 σ σ (x2 x3 . ((x1 . . chamado o produto ca e semi-direto de H e K com respeito a σ e denotado por H σ K. y) σ (z. . logo xyx y ∈ Hi . . Nesta se¸˜o modificaremos levemente o procedimento. x−1 = · · · = zi ∈ Hi . Hn ) = {1}.2. 10. y2 )) σ (x3 . σ(x−1 )(y −1 )) = (1. Hj G temos que xyx−1 ∈ Hj . . 1)n = (xn . σ(x−1 )(y −1 y)) = (1. Produtos semi-diretos de grupos. 1). 1 1 i i−2 Finalmente. y2 ) σ (x3 . j´ que a Hi ∩ Hj ⊂ Hi ∩ (H1 . xi yi x−1 . . . TEORIA DE GRUPOS II Como Hi . σ(x−1 )(y −1 )σ(x−1 )(y)) = (1. . . . . . y1 σ(x1 )(y2 )) σ (x3 . Hi−1 Hi+1 . x−1 = x1 . 1) (x. . . y). σ(x−1 )(1)) = (1. logo σ(x)(w) ∈ K. a i xyi x−1 = x1 . . y3 ) = ((x1 x2 )x3 . y n ). . xn yi x−1 . e (1. Conseq¨entemente.66 10. Reciprocamente. y) = (1. ¸˜ n−1 (a) (x. (x−1 . u (b) (1. 1) e σ (x. xn ∈ G. . y).27. De fato. 1) = (x. y) = (x. yσ(x)(1)) = (x. xi−2 zi x−1 . y)n = (1. De fato. yσ(x)(w)). . . Lembre ca que Aut(K) (o conjunto dos automorfismos de K) ´ um grupo com respeito a e composi¸˜o de automorfismos. portanto xy = yx. y3 ) = (x1 x2 .3. Ent˜o. . (x. A primeira ´ co condi¸˜o do teorema segue automaticamente de (a). y) (x−1 . y2 σ(x2 )(y3 )) ((x2 . Hi−1 Hi+1 . y3 )).

1)−1 = (x−1 . b2 = (β 2 . ca (3) Primeiro verifiquemos que {1} σ K ´ de fato um subgrupo de H e claro que (1. α2 ) e σ (β. α2 } e H = β = {1. βαβ −1 = α2 . yσ(x)(zσ(x−1 (y −1 )))) ∈ {1} ´ (4) E claro que (1. ent˜o a {1}. x)−1 = (1. ent˜o a (1. xσ(1)(y)) = (1. o(β) = 2 e βα = α2 β. 1) a2 b = (1. K e (1. y)) σ(xi )(y)). yσ(x)(z)σ(x)(σ(x−1 (y −1 )))) = (1. i=0 i=0 (2) Segue da defini¸˜o. y)−1 = (x. y)n = (xn+1 . σ(x−1 )(1)) = (x−1 . y) ∈ H (x.α2 σ(1)(1)) = (β. yσ(x)(y)). Ent˜o a n−1 (x. (1. ent˜o a σ (1.28. σ n−1 (x. y) = (xn . e Verifiquemos que estes satisfazem ` descri¸˜o de S3 .3. Para n = 2. x−1 ) ∈ {1} Dado (x. z) ∈ {1} σ σ K. e e Demonstracao. σ(xi )(y)σ(xn )(y)) = (xn+1 . Seja a = (1. α2 β} ´ caracterizado e por o(α) = 3. y)n+1 = (x. x). β}. (a) Vamos provar por indu¸˜o.10. α. 1) ∈ H σ {1}.. 1) e ba = (β. 1). y) = (1. K. 1) Al´m disto e (x. y) σ σ σ σ σ ´ K. σ(x)(1)) = (xy. Exemplo 10. De a ca = fato. 1) ∈ {1} σ K. 1) ∈ H σ {1}. 1) = (xy. ¸˜ ca (x. Se (1. Isto permite-nos definir o seguinte homomorfismo σ : H → Aut K por σ(β)(α) := α2 (verifique que isto ´ um homorfismo de grupo). E (1. α2 ) (1. 1). Neste caso K = α = {1. σ(x−1 )(y −1 )) K. α. α2 ) = ba. = (1. Este subgrupo ´ normal. α) = (β.e. x) Al´m disto e (1. . i. portanto H σ K ∼ S3 . α2 . 1). i=0 σ(xi )(y)) σ n (x. y) ∈ {1} σ K. (y. yσ(x)(z)) (x−1 . σ(1)(x−1 )) = (1. 1) = (1. xy) ∈ {1} σ K. y) σ (x. y) = (x2 . σ(β)(α)) = (β. α) e b = (β. se σ = id. Suponha que o resultado vale para n. β. 1) ∈ H (x. Se (x. (y. a3 = (1. Lembremos que S3 = {1. αβ. α3 ) = (1. 1) = (β. 1) ∈ H σ σ σ σ {1}. z) (x. K ´ um subgrupo. PRODUTOS DE GRUPOS 67 (c) {1} (d) H σ σ K H {1} ⊂ H σ σ K.

TEORIA DE GRUPOS II Lema 10. Ent˜o existem bije¸˜es a co Hom(K. b → G tal que f (a) = α e f (b) = β se e somente se βα = αs β. Al´m disto. (1) Para todo s. logo existe um homomorfismo σ : K → Aut(H) tal que σ(β) = τ . ent˜o a a τ (α)m = τ (αm ) = 1. 10. Para a segunda. t ≥ 1 temos bt ar = ars bt . Vamos supor primeiro que ¸˜ ca t r = 0 e provar que Ibt (ar ) = ars . Para mais tipos de produtos de grupos veja [Go. αn = 1 e β m = αu . Seja H = α um grupo c´ ıclico de ordem n. a.4. Aut(H)) → {τ ∈ Aut(H) | o(τ ) | m} σ → σ(β) e {τ ∈ Aut(H) | o(τ ) | m} → {1 ≤ s ≤ n − 1 | sm ≡ 1 τ → s. Ent˜o existe um a homomorfismo f : a. seja u ≥ 0 tal que bm = au . Demonstracao. ent˜o existe um grupo G com #G = nm. Teorema 10. da condi¸˜o num´rica e do lema sabemos que o ca e automorfismo τ : α → α por τ (α) = αs tem ordem o(τ ) | m. Logo existe um homomorfismo σ : β → Aut( α ).30. 0 ≤ j ≤ m − 1}. onde τ (α) = α . a o(β) = m e βαβ −1 = αs . n ≥ 1 inteiros tais que an = 1 e bm ∈ a . Sejam m. Seja G um grupo finito. Ent˜o a Ibt (ar ) = Ib ◦ Ibt−1 (ar ) = Ib (ars t−1 t (mod n)} s ) = Ib (a)rs t−1 = (as )rs t−1 = ars . b = mn. temos que # a. basta observar que Aut(H) → (Z/nZ)∗ dada por τ → s. o(α) = n. Em particular.. logo αm = 1. b ∈ G tais que ba = as b (i. K = β um grupo c´ ıclico de ordem m. Demonstracao. b = {ai bj | 0 ≤ i ≤ n − 1. (2) Supondo m e n m´ ınimos. Note que a primeira fun¸˜o est´ de fato bem definida. G = α. β ∈ G. Basta tomar o produto semi-direto β σ α para obter um tal G. t . E injetiva pois 2 automorfismos calculados no gerador β de H s˜o necessariamente iguais. n. s ≥ 0 tais que ue sm ≡ 1 (mod n).e. β . chapter 2]. Grupos metac´ ıclicos O objetivo desta se¸˜o ´ descrever grupos metac´ ca e ıclicos que generalizam o D4 e S3 . onde τ (α) = αs ´ um isomorfismo de grupos. Seja G um grupo e α. (1) Vamos provar por indu¸˜o. Como conseq¨ˆncia deste lema temos que se existem inteiros m. ent˜o j´ sabemos que Ib (a) = as .68 10. De fato. Neste isomorfismo o(τ ) | m se e somente e se sm ≡ 1 (mod n). a a Suponhamos que isto valha para t − 1. s ≥ 1 inteiro. pois ¸˜ ca a ´ σ(β)m = σ(β m ) = σ(1) = id. pelo lema chave o(α) = n | m. se m e n forem escolhidos m´ e ınimos para esta propriedade. Se τ ∈ Aut(H) satisfaz o(τ ) | m. Ib (a) = as ). a.29. Se t = 1.

ent˜o a e a ai−k = bl−j ∈ a . s. portanto sua ordem ´ mn. ca Proposicao 10. digamos que l ≥ j. e f (ai bj ak bl ) = f (ai aks bj bl ) = f (ai+ks bj+l ) = αi+ks β j+l = αi (αks β j )β l = αi β j αk β l = f (ai bj )f (ak bl ). pelas hip´teses e o sobre m e n obtemos que basta tomar 0 ≤ i ≤ n − 1 e 0 ≤ j ≤ m − 1. logo b a = abm = as bm . Para verificar a rec´ ıproca basta definir f : a. Note que pelo teorema anterior. Sejam m. e Demonstracao. 0 ≤ j ≤ m − 1} s˜o todos distintos. b ∈ G tais que G = a.4. β m = αu } f → (f (a). b ´ formado por produtos de elementos que s˜o iguais a a (ou ca e a a−1 ) e b (ou b−1 ).10.. Segue do primeiro teorema que f (a) e f (b) satisfazem as ¸˜ condi¸ ˜es do conjundo do lado direito. logo bau = au b = aus b.32. Mas au = bm . i. podemos sempre colocar a potˆncia e de a em primeiro lugar e escrever ai bj para i. co ca e assim um homomorfismo fica unicamente determinado pelo seu valor nos geradores. b → G por f (ai bj ) := αi β j e provar que isto realmente ´ um homomorfismo. β m = f (b)m = f (bm ) = f (au ) = f (a)u = αu e que βα = f (b)f (a) = f (ba) = f (as b) = f (a)s f (b) = αs β.31. s. u ≥ 0 inteiros. Ent˜o a fun¸˜o a ca Aut(G) → {(α. b = {ai bj | 0 ≤ i ≤ n − 1. Tomando o expoente positivo dentre os 2 e notando que este expoente ´ menor que n concluimos que i = k. pois a e b geram G. Existe um grupo G de ordem nm e a. De fato. Mas. De novo pelo teorema anterior. se ai bj = ak bl . Observemos tamb´m que se m e n forem m´ e ınimos ent˜o os elementos de a a. logo l = j e ai−k = 1. n. assim n | (u(s − 1)). De fato. n. Al´m disto. au(s−1) = 1. Utilizando o resultado acima. Sejam m. e ´ claro que (2) E αn = f (a)n = f (an ) = f (1) = 1. j ∈ Z. ¸˜ Suponha que existam a. bem como ak−i . em particular as −1 = 1 e pelo lema chave. bm = ¸˜ m m u m a . Demonstracao. Novamente o primeiro teorema mostra que a fun¸˜o ´ sobrejetiva. bau = aus b. βα = αs β. G um grupo de ordem nm. b . A rec´ ıproca segue da constru¸˜o ca do final da se¸˜o anterior. GRUPOS METAC´ ICLICOS 69 Por defini¸˜o. a. f (b)) ´ bijetiva. β) ∈ G × G | G = α. u ≥ 0 inteiros. αn = 1. l − j < m. A fun¸˜o ´ injetiva. b ∈ G tais que G = a. bm = au e ba = as b se e somente se sm ≡ 1 (mod n) e u(s − 1) ≡ 0 (mod n). n | (sm − 1). ba = as b. bm a = as bm . β . j j j j Teorema 10. ca e m . an = 1 e bm = au .e. Neste caso. b . an = 1.

70

10. TEORIA DE GRUPOS II

10.5. Classifica¸˜o de grupos de ordem ≤ 11 ca Comecemos observando que todo grupo c´ ıclico de ordem n ´ isomorfo a Z/nZ. e De fato, se G ´ c´ e ıclico de ordem n significa que G = {1, a, · · · , an−1 } para algum gerador a de G. Consideremos a fun¸˜o f : G → Z/nZ definida por f (a) = 1. ca Exerc´ ıcio: verifique que esta fun¸˜o ´ um isomorfismo de grupos. ca e 10.5.1. Grupos de ordem : 2,3,5,7,11. Estes n´meros s˜o primos, logo u a (pelo teoream de Lagrange) todo a ∈ G − {1} tem ordem p, portanto G ´ c´ e ıclico, i.e., G ∼ Z/nZ. = 10.5.2. Grupos de ordem 4. Se existe a ∈ G tal que o(a) = 4, ent˜o G ´ a e c´ ıclico. Logo G ∼ Z/4Z. = Suponhamos que para todo a ∈ G − {1}, o(a) = 2 (que ´ a unica possibilidade e ´ pelo teorema de Lagrange). Portanto G ´ um grupo abeliano. Seja a ∈ G − {1} e e b ∈ G − a . Assim, G = {1, a, b, ab}. Neste caso a fun¸˜o f : G → Z/2Z × Z/2Z ca e definida por f (1) = (0, 0), f (a) = (1, 0), f (b) = (0, 1) e f (ab) = (1, 1) ´ um isomorfismo de grupos. 10.5.3. Grupos de ordem 6. Se existe a ∈ G tal que o(a) = 6, ent˜o G ´ a e c´ ıclico e G ∼ Z/6Z. = Suponhamos que n˜o exista a ∈ G tal que o(a) = 6. Pelo teorema de Lagrange, a para todo a = 1 as possibilidades para a sua ordem s˜o 2 e 3. a Lema 10.33. Existe a ∈ G tal que o(a) = 3. Demonstracao. De fato, suponhamos que para todo a ∈ G − {1} tenhamos ¸˜ o(a) = 2. Seja a ∈ G − {1} e b ∈ G − a . Neste caso, a, b ´ um subgrupo de G e de ordem 4, o que contradiz o teorema de Lagrange. Lema 10.34. Existe b ∈ G tal que o(b) = 2. Demonstracao. De fato, suponhamos que para todo b ∈ G − {1} tenhamos ¸˜ o(b) = 3. Seja a ∈ G tal que o(a) = 3 e b ∈ G − a . O subgrupo a, b de G tem ordem 9, o que novamente contradiz o teorema de Lagrange. Utilizando os valores das ordens de a e b vemos que G = {1, a, a2 , b, ab, a2 b} e que ba = 1, a, a2 , b. Assim, ba = ab ou a2 b. No primeiro caso, G ´ abeliano e a e fun¸˜o f : G → Z/3Z × Z/2Z definida por f (1) = (0, 1), f (a) = (1, 0), f (a2 ) = ca (2, 0), f (b) = (0, 1), f (ab) = (1, 1), f (a2 b) = (2, 1) ´ um isomorfismo de grupos. e Mas pelo teorema chinˆs dos restos, Z/3Z × Z/2Z ∼ Z/6Z, assim descartamos este e = caso. O caso em que ba = a2 b ´ exatamente o caso em que G ∼ S3 . e = 10.5.4. Grupos de ordem 8. Se existe a ∈ G tal que o(a) = 8 ent˜o G ´ a e c´ ıclico e G ∼ Z/8Z. = Suponha que para todo a ∈ G − {1}, o(a) = 2. Neste caso G ´ abeliano. Seja e a ∈ G tal que o(a) = 2, seja b ∈ G − a e c ∈ G − a, b . Note que o subgrupo a, b, c = {1, a, b, c, ab, ac, bc, abc} tem ordem 8, logo G = a, b, c . Observe tamb´m e que f : G → Z/2Z × Z/2Z × Z/2Z definida por f (1) = (0, 0, 0), f (a) = (1, 0, 0), f (b) = (0, 1, 0), f (c) = (0, 0, 1), f (ab) = (1, 1, 0), f (ac) = (1, 0, 1), f (bc) = (0, 1, 1) e f (abc) = (1, 1, 1) ´ um isomorfismo de grupos. e Assim, suponha que exista a ∈ G tal que o(a) = 4. Seja b ∈ G − a . Note que a, b = {1, a, a2 , a3 , b, ab, a2 b, a3 b} e que estes elementos s˜o distintos, portanto a

10.5. CLASSIFICACAO DE GRUPOS DE ORDEM ≤ 11 ¸˜

71

G = a, b . Observe tamb´m que como (G : a = 8/4 = 2, ent˜o (b a )2 = a , i.e., e a b2 a . Observe tamb´m que trivialmente b2 = b, ab, a2 b, a3 b e ba = 1, a, a2 , a3 , b. e Pelo segundo teorema as unicas possibilidades para u e s tais que b2 = au e ba = as b ´ s˜o u = 0 ou 2 e s = 1 ou 3. a Se u = 0 e s = 1, temos que ba = ab e o(b) = 2. O grupo G ´ abeliano. A fun¸˜o e ca f : G → Z/4Z × Z/2Z definida por f (1) = (0, 0), f (a) = (1, 0), f (a2 ) = (2, 0), f (a3 ) = (3, 0), f (b) = (0, 1), f (ab) = (1, 1), f (a2 b) = (2, 1) e f (a3 b) = (3, 1) ´ um e isomorfismo de grupos. Se u = 0 e s = 3, temos que ba = a3 b e o(b) = 2, neste caso G ∼ D4 . = Se u = 2 e s = 0, temos que ba = ab e b2 = a2 . O grupo G ´ abeliano. A fun¸˜o e ca f : G → Z/4Z × Z/2Z definida por f (1) = (0, 0), f (a) = (1, 0), f (a2 ) = (2, 0), e f (a3 ) = (3, 0), f (ab) = (0, 1), f (b) = (3, 1), f (a2 b) = (1, 1) e f (a3 b) = (2, 1) ´ um isomorfismo de grupos. Finalmente, se u = 2 e s = 3, temos que ba = a3 b e b2 = a2 . Neste caso G ´ e isomorfo ao grupo Q dos quaternions descrito da seguinte forma. Q ´ um subgrupo e das matrizes 2 × 2 com entradas complexas e determinante n˜o nulo. Ele ´ definido a e por 1 0 i 0 0 1 0 i ,± . ± ,± , ± 0 1 0 −i −1 0 i 0 Basta tomar i 0 0 1 a= eb= . 0 −i −1 0 10.5.5. Grupos de ordem 9. Se existe a ∈ G tal que o(a) = 9, ent˜o G ´ a e c´ ıclico e G ∼ Z/9Z. = Caso isto n˜o ocorra para todo a ∈ G − {1}, o(a) = 3. Seja b ∈ G − a . Note a que o subgrupo a, b = {1, a, a2 , b, b2 , ab, ab2 , a2 b, a2 b2 } de G tem ordem 9, portanto sendo igual ao pr´prio grupo G. Observe tamb´m que ba = 1, a, a2 , b, b2 . Assim, e o e pelo segundo teorema, ba = ab, logo G ´ abeliano. Neste caso G ∼ Z/3Z × Z/3Z e = (exerc´ ıcio: determine explicitamente o isomorfismo, como nos casos anteriores). 10.5.6. Grupos de ordem 10. Se existe a ∈ G tal que o(a) = 10, G ´ c´ e ıclico e G ∼ Z/10Z. = Caso contr´rio, como nos casos anteriores existem a, b ∈ G tais que o(a) = 5 e a o(b) = 2 (verifique!). Pelo segundo teorema as unicas possibilidades para ba = as b ´ s˜o s = 1 ou 4. No primeiro caso, G ´ abeliano e G ∼ Z/5Z × Z/2Z, mas este ´ a e e = isomorfo a Z/10Z, assim n˜o consideramos este caso. No outro caso, G ∼ D5 , o a = grupo diedral de ordem 10. 10.5.7. Grupos diedrais. Estes grupos tˆm ordem 2n, um elemento a de e ordem n e outro elemento b de ordem 2 satisfazendo a ba = an−1 b.

Outra representa¸˜o com S = G ´ a transla¸˜o ρ : G → Aut(G) dada por ca e ca ρ(x)(a) := xa para todo a ∈ G. Consideremos a fun¸˜o ρ : G → ca Perm(G) dada por ρ(x)(aH) := xaH. ca e Exemplo 11. Teorema 11. das fun¸˜es f : S → S bijetivas. ´ ca e ent˜o xa = a para todo a ∈ G. De novo fica como exerc´ ıcio verificar que ρ(x) ´ de fato uma permuta¸ao de S. Seja H um subgrupo de G e S o conjunto das classes laterais a direita de H em G. ca e ca ca Observe que neste ultimo caso a fun¸˜o ρ ´ injetiva.CAP´ ıTULO 11 Teoremas de Sylow 11. 73 .2 (teorema de Cayley). Assim definimos a fun¸˜o ρ : G → Aut(G) dada por ρ(x) := Ix . co Demonstracao. Denotamos por Perm(S) o conjunto das permuta¸˜es de S.1.3.e. G= Exemplo 11. Represesenta¸˜es de grupos co Seja G um grupo finito e S um conjunto finito. De fato. Como conseq¨ˆncia deste a ue resultado temos o teorema de Cayley. Esta representa¸˜o de G ´ chamada representa¸˜o por transla¸˜o. i. ρ(x) ´ um automorfismo de G (exerc´ e ıcio) e ρ(xy)(a) = xya = xρ(y)(a) = ρ(x)(ρ(y)(a)) = (ρ(x) ◦ ρ(y))(a).. De fato se ρ(x) = id. i. ent˜o G ´ a e isomorfo a um subgrupo do grupo Sn das permuta¸˜es de n elementos. dado a ∈ G temos ca ρ(xy)(a) = (xy)a(xy)−1 = xyay −1 x−1 = xIy (a)x−1 = Ix (Iy (a)) = (Ix ◦ Iy )(a). Seja G um grupo de ordem n. Esta representa¸˜o ´ chamada a representa¸˜o de e ca e ca G por conjuga¸˜o.4.e.. De fato. Observemos que ρ(x) ´ de fato e uma bije¸˜o em S (exerc´ ca ıcio) e que ρ(xy)(H) = xyHy −1 x−1 = xρ(y)(H)x−1 = ρ(x)(ρ(y)(H)) = (ρ(x) ◦ ρ(y))(H). Exemplo 11. Tome a representa¸˜o ρ por transla¸˜o em G e conclua que ¸˜ ca ca ∼ ρ(G) com ρ(G) subgrupo de Sn . Observe que como #H = #xHx−1 . Este conjunto co co forma um grupo com respeito ` composi¸˜o de fun¸˜es. Al´m disto e c˜ e ρ(xy)(aH) = xy(aH) = xρ(y)(aH) = ρ(x)(ρ(y)(aH)) = (ρ(x) ◦ ρ(y))(aH). Uma representa¸˜o de G a ca co ca por permuta¸˜o ´ um homomorfismo de grupos ρ : G → Perm(S). Seja S o conjunto de subgrupos de G e consideremos a fun¸˜o ca ρ : G → Perm(S) dada por ρ(x)(H) := xHx−1 . S := {aH . a ∈ G}. Isto significa que x = 1.1. ent˜o podemos restringir a representa¸˜o a ca anterior ao conjunto dos subgrupos H de G com ordem fixada n. Verifiquemos que esta fun¸˜o ca ca ´ um homomorfismo de grupos. Tomemos como S o pr´prio grupo G e consideremos para todo o x ∈ G o automorfismo interno Ix de G definido por Ix (a) := xax−1 .

e. xy ∈ E(a). Finalmente. O estabilizador de a ´ definido por e E(a) := {x ∈ G .3. o conjunto do lado direito ´ o conjunto das classes laterais a direita de E(a) em G. Al´m e e o e disto o conjunto S fica escrito como a uni˜o disjunta das ´rbitas Oa . ρ(x−1 )(a) = e ρ(x)−1 (a) = a. i..} dada por ϕ(ρ(x)(a)) := xE(a).e. x−1 ∈ E(a).. Assim. ϕ est´ bem definida pois se ρ(x)(a) = ρ(y)(a). ρ(1) ∈ E(a).e.e. pela pr´pria defini¸˜o do o ca conjunto do lado direito. 1 ∈ E(a). Neste caso Oa = {xax−1 . xa = ax}. o estabilizador E(a) de a ´ chamado o centralizador de a e dado por Z(a) = {x ∈ G .. ϕ ´ sobrejetiva. xE(a) = yE(a).5. e Dada uma representa¸˜o ρ : G → Perm(S) definimos a seguinte rela¸˜o de ca ca equivalˆncia (verifique!) : e a ∼ b se e somente se existe x ∈ G tal que ρ(x)(a) = b. e Em particular (novamente pelo teorema de Lagrange). Pelo teorema de Lagrange temos que #E(a) divide ´ ca #G. y ∈ E(a). x ∈ G} ´ o conjunto dos conjugados de G. a o Comecemos considerando o caso do exemplo 11. Proposicao 11...1. #Oa divide #G. Ainda neste exemplo. a classe de equivalˆncia de a nada mais ´ que a sua ´rbita Oa . i. i. Se x. Finalmente. ent˜o a ρ(xy)(a) = ρ(x)(ρ(y)(a)) = ρ(x)(a) = a.74 11.e. Demonstracao. xE(a) = yE(a). Desta forma obtemos a equa¸ao das classes de conjuga¸˜o c˜ ca (11. xy −1 ∈ E(a). TEOREMAS DE SYLOW Dada uma representa¸˜o por permuta¸˜o ρ : G → Perm(S) definimos a ´rbita ca ca o Oa de um elemento a ∈ S por Oa := {ρ(x)(a) . A fun¸˜o ´ injetiva a ca e uma vez que se ϕ(ρ(x)(a)) = ϕ(ρ(y)(a)). pois ρ(1) = id e e portanto ρ(1)(a) = a.. x ∈ G}.D. Existe uma bije¸˜o ¸˜ ca ϕ : Oa → {C. i. ρ(x)(a) = a}. i. i.1) #G = #Z(G) + a∈Z(G) / #Oa . a ´rbita de H ´ dada por o e OH = {xHx−1 . E menos imediato que o mesmo ocorre com #Oa . i. Inicialmente. a logo ρ(xy −1 )(a) = a. Em particular. De fato. pois ρ ´ um homomorfismo. Isto segue da proposi¸˜o seguinte. ent˜o xy −1 ∈ E(a). Observemos que E(a) ´ um subgrupo de G. x ∈ G} . ¸˜ a ent˜o ρ(xy −1 )(a) = a. Portanto..e.e. ρ(x)(a) = ρ(y)(a). ρ(x−1 ) = ρ(x)−1 . No caso do exemplo 11. e Oa = {a} se e somente se a ∈ Z(G).L.

ent˜o por hip´tese de indu¸˜o temos o a o ca que existe um subgrupo de H de ordem pm . Ent˜o a o(x) = p | r. Por / hip´tese pm |E(a)|. a K ⊂ NG (H). Suponhamos que n˜o exista subgrupo pr´prio de G cuja ordem seja divis´ a o ıvel por pm . Cono ca sideremos o homomorfismo sobrejetivo ϕ : G G/H. i. Os teoremas de Sylow Seja G um grupo finito e p um n´mero primo. Definicao 11.e. Observemos que H G se e somente se NG (H) = G. i. digamos r = kp. u digamos #G = pn b. a Demonstracao.2. onde p b. Caso p #H.8 (lema de Cauchy). Para todo 0 ≤ m ≤ n existe um subgrupo H de G de ordem pm . Seja r = o(x). se K ⊂ G for um subgrupo e e H K. Desta forma o(xk ) = p. Se existe um subgrupo pr´prio H de G tal que pm | #H. Novamente a prova se¸˜ r´ por indu¸˜o na ordem de G. A prova ser´ por indu¸˜o na ordem de G. Um subgrupo de G de ordem pn ´ chamado um p-subgrupo ¸˜ e de Sylow de G. ent˜o para todo x ∈ K temos xHx−1 = H. De fato. Caso x = G. a Observe que o primeiro teorema de Sylow generaliza o lema de Cauchy para grupos n˜o necessariamente abelianos. em a o ca particular x ∈ G.6 (primeiro teorema de Sylow). p | #Z(G). xHx−1 = H}.7. Seja G um grupo abeliano e suponha que p | #G. Para todo a ∈ Z(a) temos que (G : E(a)) = #Oa > 1. a Novamente por hip´tese de indu¸˜o existe x ∈ G/H tal que o(x) = p. ¸˜ a ca por vacuidade nada h´ a fazer.. A equa¸˜o das classes de conjuga¸˜o afirma que ca ca #G = #Z(G) + a∈Z(G) / (G : E(a)). assim p | (G : E(a)). demonstracao do primeiro teorema de Sylow. ent˜o existe x ∈ G tal que o(x) = p. Se x = G. Suponhamos que |G| = p. x ∈ NG (H). Se #G = 1. Afirmamos que existe um subgrupo H de G tal que 1 < #H < #G.2. 11. O grupo NG (H) tamb´m se caracteriza como sendo o e maior subgrupo de G no qual H ´ normal. o .11.. nada h´ a fazer. tome H = y . ent˜o por hip´tese de indu¸˜o existe x ∈ H com o(x) = p. o grupo a ´ c´ e ıclico e basta tomar um gerador. Em particular. logo #E(a) < #G. Se #G = 1. em particular existe um subgrupo de G desta ordem. Se p | #H. tome H = xp . De fato. OS TEOREMAS DE SYLOW 75 ´ chamado o conjunto dos conjugados de H e o estabilizador de H ´ chamado o e e normalizador de H em G denotado por NG (H) = {x ∈ G .e. Suponhamos que p | #G. Al´m disto da pr´pria e o defini¸˜o H ca NG (H). ent˜o p | #G/H e #G/H < #G. Suponhamos que a ca a o resultado seja verdade para todo grupo de ordem menor que #G. Se #G = p nada h´ a fazer. Suponha que o resultado seja verdade para todo a subgrupo de ordem menor que a ordem de G. seja x ∈ H − {1}. Teorema 11. Lema 11.

portanto o grupo G/ x tem ordem pn−1 b < #G. ¸˜ e e a e Reciprocamente.76 11. Pelo lema anterior (P : NG (Si ) ∩ P ) = (P : Si ∩ P ). · · · . Lema 11. # x S = o(x)#S/# x ∩ e S = pr+n /# x ∩ S. E claro que se #G ´ potˆncia de p. . A restri¸˜o ϑ : P → ca Perm(T ) desta representa¸˜o a um p-subgrupo P de G d´ uma representa¸˜o sobre ca a ca o conjunto T dada por ϑ(x) = xaSa−1 x−1 . e ´ Demonstracao. Por defini¸˜o a ´rbita OS (para S ∈ S) de S ´ o ca o e conjunto dos conjugados de S e #OS = (G : NG (S)). Por hip´tese de indu¸˜o existe K subgrupo de G/ x tal o ca que #K = pm−1 . se existisse um primo = p tal que | #G. Provemos os 2 primeiros ´ ıtens. Utilizaremos o primeiro teorema de Sylow para provar a seguinte e proposi¸˜o. e Lembremos que dado um grupo qualquer (n˜o necessariamente finito) G e um a n´mero primo p. para algum S ∈ S. Consideremos o homomorfismo canˆnico ϕ : G o G/ x . Ok as −1 ´rbitas desta representa¸˜o. Lembre qie #Oi = (P : NG (Si ) ∩ P ). ent˜o existe S ∈ S tal que P ⊂ S.10 (segundo teorema de Sylow). S = OS = {xSx−1 . Seja np := #S. o que ´ uma e / e contradi¸˜o uma vez que a ordem de x S supera a ordem de S. Teorema 11.e. a Para provar este teorema precisamos do seguinte lema. (2) Se P ⊂ G ´ um p-subgrupo. pois x ∈ S. Al´m disto S e e NG (S). ent˜o np = (G : NG (S)). Assim. ent˜o G ´ um p-grupo. k k #T = i=1 #Oi = i=1 (P : Si ∩ P ). logo x S ´ um subgrupo de NG (S). ca Demonstracao do segundo teorema de Sylow. x ∈ G}.9. Denotemos OS = T . ent˜o pelo primeiro a teorema de Sylow. seja x ∈ P ∩NG (S)−S. Mais ainda.. ent˜o x a G. Seja C o conjunto dos ¸˜ subgrupos de G e consideremos a representa¸˜o por conjuga¸˜o ρ : G → Perm(C) ca ca definida por ρ(x)(H) = xHx−1 . i. Seja S ∈ S e P ⊂ G um p-subgrupo. para aSa−1 ∈ T . Suponhamos que P ∩NG (S) P ∩S. concluimos do lema de Cauchy que existe x ∈ Z(G) tal e que o(x) = p. Ent˜o P ∩ NG (S) = P ∩ S. Observe que o denominador ´ < pr . Sejam O1 . Assim cada Oi ´ a ´rbita de Si = yi Syi com rela¸˜o o ca e o ca a ϑ. Note que como x ∈ Z(G). TEOREMAS DE SYLOW Como Z(G) ´ abeliano. Ent˜o a H = ϕ−1 (K) ´ um subgrupo de G de ordem pm . Seja S o conjunto dos p-subgrupos de Sylow de G. A parte ca ca mais importante do segundo teorema de Sylow afirma que esta representa¸˜o ´ ca e transitiva. existe x ∈ G tal que o(x) = . em particular G n˜o ´ um a e p-grupo. e a (3) Se S ∈ S.11. (1) S = OS . Consideremos a representa¸˜o por conjuga¸˜o ρ : G → Perm(S) definida por ρ(x)(S) = xSx−1 . ¸˜ Como P ´ um p-grupo temos que o(x) = pr para algum r ≥ 1. ca Proposicao 11. a Demonstracao. dizemos que G ´ um p-grupo se todo elemento de G tem ordem u e potˆncia de p. Um grupo finito G ´ um p-grupo se e somente se #G ´ ¸˜ e e potˆncia de p.

pois a n2 | 7 e n2 ≡ 1 (mod 2). por (1) temos que np = #T = (G : NG (S)) | b. u Observe que np = 1 se e somente se existe um unico p-subgrupo de Sylow normal ´ em G. . aplique a ultima equa¸˜o para P = S obtendo ´ ca k (G : NG (S)) = i=1 (S : S ∩ Si ). k. para todo i = 1. Teorema 11. Assim ter´ ıamos 48 elementos de ordem 7.. i. No segundo caso. Para (1) note que T ⊂ S. Seja G um grupo de ordem 56 = 23 7.7 e n13 ≡ 1 (mod 13). Aplicando o terceiro teorema de Sylow obtemos n13 | 22 . (P : Si ∩ P ) ´ potˆncia de p. Exemplos Determinemos o n´mero de p-subgrupos de Sylow para grupos de certas ordens. Demonstracao. isto prova (2).13. i.14. os demais 8 elementos constituem o unico 2-subgrupo de Sylow ´ de G. Neste caso o 2-subgrupo de Sylow H2 de G ´ normal em G. Portanto temos duas possibilidades n13 = 1 e n13 = 14. H13 H7 ´ um subgrupo de G. como a P ´ um p-grupo finito.7. · · · . Aplicando o terceiro teorema de Sylow temos n7 | 22 . e e 11.e. n13 = 1. A fortiori. e Exemplo 11. A primeira afirmativa j´ foi provada no teorema anterior. Aplicando e o terceiro teorema de Sylow a este grupo obtemos n13 = (G : NG (H13 )) ≤ (G : H13 H7 ) = 4.11. Finalmente.13. P ⊂ Si . ¸˜ a Para a segunda.3.e. ent˜o p #T = (G : NG (S)). Como S ´ um p-grupo o resultado ´ imediato. EXEMPLOS 77 Como #S = pn e S ⊂ NG (S).. Portanto. Vamos excluir a ultima. aplicando (2) a qualquer S ∈ S a −1 temos que existe i tal que S ⊂ Si . ou seja h´ um unico 7-subgrupo de Sylow H7 de a ´ G (portanto normal em G). logo n7 = 1. S = Si = yi Syi . Seja H13 um 13´ subgrupo de Sylow de G. Ent˜o n7 = 1 ou 8. Seja G um grupo de ordem 22 . cada 7-subgrupo ´ de Sylow de G produz 6 elementos de ordem 7.3. Por outro lado. Pelo terceiro teorema de Sylow. Assim. para provar (3). S ∈ T .. No primeiro caso temos um a unico 7-subgrupo de Sylow H7 normal em G. np | b e np ≡ 1 (mod p).e.13 e n7 ≡ 1 (mod 7).12 (terceiro teorema de Sylow). n7 | 8 e n7 ≡ 1 (mod 7). logo a princ´ ıpio n˜o poder´ a ıamos excluir a possibilidade n2 = 7. i. Para a inclus˜o inversa. Isto n˜o poderia ser visto diretamente pelo terceiro teorema de Sylow. Mas e e e isto ocorre se e somente se existe i tal que P = Si ∩ P . Exemplo 11.

.

1. nada h´ a fazer. Se H1 for maximal.CAP´ ıTULO 12 Grupos sol´ veis u 12. Um grupo G ´ dito simples. Um refinamento ´ dito pr´prio. sen˜o e o a prosseguimos.3. a e 79 . a o Definicao 12. Se {1} ¸˜ e o for maximal no sentido acima.1. Por exemplo todo grupo de ordem prima ´ simples. Nem todo grupo admite uma s´rie de e e composi¸˜o. .··· .e. por exemplo. para o e todo subgrupo K normal pr´prio de G temos que K ⊂ H. acabou. o ´ Demonstracao. N˜o podemos prosseguir indefinidamente pois G ´ finito. Por exemplo. se seus unicos subgrupos normais ¸˜ e ´ s˜o {1} e G. e Um refinamente de uma s´rie subnormal ´ uma outra s´rie subnormal obtida a e e e partir desta inserindo subgrupos normais. a e Observe que uma s´rie subnormal ´ uma s´rie de composi¸˜o se e somente se e e e ca cada quociente Gi /Gi+1 ´ um grupo simples. Denotamos por e Q := Gn−1 G 0 G1 . Uma s´rie subnormal de G ´ uma seq¨ˆncia ¸˜ e e ue de grupos G = G0 G1 G2 · · · Gn = {1}. ent˜o existe um a subgrupo normal pr´prio H de G que ´ maximal para esta propriedade. Caso contr´rio. se o comprimento da nova s´rie for superior ao e o e da original. G1 G2 Gn o conjunto dos quocientes de da s´rie cuja cardinalidade l ´ dita o comprimento da e e s´rie. se G = Z e os subgrupos Gi = pi Z para i ≥ 1. A s´rie ca e Z pZ {0} pode ser infinitamente refinada inserindo sucessivamente os grupos pi Z para todo i ≥ 2. Uma s´rie subnormal ´ dita uma s´rie de composi¸˜o. se n˜o admite e e e ca a refinamento pr´prio. Seja G um grupo finito de ordem maior que 1.. Duas s´ries subnormais s˜o distas equivalentes se existe uma o e a bije¸˜o entre o conjunto dos quocientes das duas s´ries. existe H1 a a {1} que ´ um subgrupo pr´prio normal em G. Seja G um grupo. E claro que {1} ´ um subgrupo pr´prio normal de G. onde cada Gi ´ normal no subgrupo anterior Gi−1 . Teorema de Jordan-H¨lder o Definicao 12. i.2. ca e O objetivo desta se¸˜o ´ mostrar que todas as s´ries de composi¸˜o de um ca e e ca grupo dado s˜o equivalentes (Teorema de Jordan-H¨lder). Lema 12. Gi Hi Gi+1 .

Sejam H. que n˜o pode ser infinita. H1 . pela maximalidade e dos grupos Gi+1 ’s em Gi . K. Como H1 H. (1) Mostremos o primeiro fato o segundo ´ an´logo. Pelo lema anterior. existe um subgrupo maximal normal ¸˜ pr´prio G1 de G. aplicando o lema sucessivamente a G1 .6 (lema de Zassenhaus). Logo existe n ≥ 1 tal que Gn = {1}. pois o conjunto dos quocientes ´ e e e ca e Z Z Z . G2 .5. Al´m disto. De fato. ou seja. . o obtemos que cada Gi possui um subgrupo maximal normal pr´prio Gi+1 e uma o s´rie subnormal e G = G0 G1 G2 · · · . Ela ´ refinae mento das s´ries subnormais e G 5 {0}. e e e ca Exemplo 12. ent˜o a H1 (H ∩ K1 ) = (H ∩ K1 )H1 H e na segunda que . cada quociente ´ c´ e ıclico de ordem prima. G= 30Z Lema 12. etc. Ent˜o a (1) H1 (H ∩ K1 ) H1 (H ∩ K) e K1 (H1 ∩ K) K1 (H ∩ K). Mas x ∈ H1 .4. Al´m disto esta s´rie ´ equivalente `s seguintes s´ries de composi¸˜o e e e a e ca Z G= 2 6 {0} e 30Z Z 2 10 {0}.80 ´ 12. portanto x(H1 (H ∩ K1 )x−1 = H1 (H ∩ K1 )x−1 . pois G ´ finito e as ordens dos grupos Gi ’s s˜o estritamente a e a decrescentes. 5Z 2Z 3Z . Similarmente. concluimos que todos os quocientes Gi /Gi+1 s˜o grupos a simples. Consideremos a seguinte s´rie subnormal e Z 5 10 {0}. (2) H1 (H ∩ K) ∼ K1 (H ∩ K) . e G 10 {0}. Quere¸˜ e a mos mostrar que dados x ∈ H1 e y ∈ H ∩ K temos xy(H1 (H ∩ K1 ))y −1 x−1 = H1 (H ∩ K1 ). GRUPOS SOLUVEIS Proposicao 12. portanto simples. K1 subgrupos de um grupo G tais que H1 H e K1 K. xy(H1 (H ∩ K1 ))y −1 x−1 = x(yH1 y −1 )(y(H ∩ K1 )y −1 )x−1 = x(H1 (H ∩ K1 )x−1 . ¸˜ e ca Demonstracao. G= 30Z Esta s´rie ´ na verdade uma s´rie de composi¸˜o. Todo grupo finito admite uma s´rie de composi¸˜o. onde na primeira identidade usamos que y ∈ H e H1 y ∈ H ∩ K e K1 K. = H1 (H ∩ K1 ) K1 (H1 ∩ K) Demonstracao. Isto equivale a dizer que a s´rie ´ uma s´rie de composi¸˜o.

9. Duas s´ries subnormais de um grupo G e possuem refinamentos equivalentes. Assim. ent˜o estas condi¸˜es equivalem a e a co (iii) O grupo G admite uma s´rie de composi¸˜o com quocientes abelianos (logo e ca c´ ıclicos de ordem prima). Definicao 12. o fato de cada passada ser normal segue do ´ ıtem (1) do lema de Zassenhaus. Refinemos a primeira utilizando os grupos da segunda da seguinte forma Gi = Gi+1 (Gi ∩ H0 ) Gi+1 (Gi ∩ H1 ) · · · Gi+1 (Gi ∩ Hm ) = Gi+1 . G(i+1) = (G(i) ) . Seja G um grupo. Neste caso AB = H1 (H ∩ K) e A ∩ B = (H ∩ K1 )(H1 ∩ K). Consideremos as seguintes s´ries subnormais ¸˜ e G = G0 G1 G2 ··· Gn = {0} e G = H0 H1 H2 · · · Hm = {0}. A equivalˆncia entre estas s´ries segue o ´ e e ıtem (2) do lema de Zassenhaus. Segue imediatamente do teorema de Schreier.11. ent˜o (A/B)A = B/(A ∩ B). H1 (H ∩ K) ∼ H ∩K . Seja G um grupo. e (ii) Existe n tal que G(n) = {1}. Assim. (2) Fica como exerc´ provar o seguinte fato: ıcio se A e B s˜o grupos e A a AB. Se al´m disto G for finito. As seguintes condi¸˜es s˜o equivalentes co a (i) G possui uma s´rie subnormal com quocientes abelianos. Da mesma forma refinamos a segunda utilizando os grupos da primeira Hj = Hj+1 (G0 ∩ Hj ) Hj+1 (G1 ∩ Hj ) ··· Hj+1 (Gn ∩ Hj ) = Hj+1 . = H1 (H ∩ K1 ) (H ∩ K1 )(H1 ∩ K) Similarmente. Duas s´ries de composi¸˜o de o e ca um grupo dado s˜o equivalentes. G] o subgrupo ¸˜ dos comutadores e definimos indutivamente G(0) = G. a Demonstracao.7 (teorema de Schreier). GRUPOS SOLUVEIS 81 e este ´ um subgrupo de G. Teorema 12. pelo fato.2. a Tomemos A = H1 (H ∩ K1 ) e B = H ∩ K. ´ Corolario 12.10. Grupos sol´ veis u Definicao 12. Demonstracao. ¸˜ 12. u .8 (teorema de Jordan-H¨lder). Denotamos por G = [G.2. e x(H1 (H ∩ K1 )x−1 = ((H ∩ K1 )H1 )x−1 = (H ∩ K1 )H1 = H1 (H ∩ K1 ). o outro quociente procurado tamb´m ´ isomorfo a este ultimo grue e ´ po. Um grupo satisfazendo `s condi¸˜es equivalentes acima ´ ¸˜ a co e dito um grupo sol´vel. Teorema 12.´ 12. onde novamente usamos que x−1 ∈ H1 .

ca Proposicao 12. e ca Segue imediatamente do teorema que grupos abelianos s˜o sol´veis.12. para i = 0. se um grupo abeliano finito ´ simples. Assim. como G0 /G1 ´ abeliano. suponhamos o resultado seja verdade para a a todo grupo de ordem menor que #G. O e o subgrupo K de G satisfaz `s condi¸˜es da afirmativa mais forte. a Se G for um grupo finito ´ claro que (iii) implica (i). Al´m disto. . Para ver a u que p-grupos finitos (onde p denota um n´mero primo) s˜o tamb´m sol´veis preu a e u cisaremos da seguinte proposi¸˜o. Pela observa¸˜o 10. Se x ∈ H. Note que x G e x ∈ NG (H). logo por hip´tese de indu¸˜o existe um subgrupo K de G/ x tal que #K = pr . · · · . Assim. Seja G um grupo de ordem pm (onde p denota um n´mero u primo). Mas e se r > 1. G1 ⊃ G = e a e G(1) . o ca Seja K a pr´-imagem de K pelo homomorfismo canˆnico ϕ : G → G/ x . Ent˜o a (1) existe um subgrupo K de G de ordem pr+1 contendo H. por exemplo. ent˜o a a e {0} × Z/nZ seria um subgrupo normal n˜o trivial. a co Finalmente. ficamos reduzidos ao caso em que G = Z/pr Z. H NG (H). Ent˜o existem subgrupos H0 = {1}. · · · . Assim e a sucessivamente. m − 1. Como Z(G) = {1}. j´ que se tivesse mais de um fator c´ a ıclico. ent˜o G2 ⊃ (G1 ) = G(2) . J´ observamos antes que todo grupo c´ a ıclico de ordem prima ´ e simples. (2) Todo subgrupo L de G de ordem pr+1 contendo H satisfaz : H L. Basta notar que por defini¸˜o a s´rie subnormal ca e G = G(0) G(1) G(2) ··· G(n) = {1} tem quocientes abelianos. Por outro lado qualquer e refinamento de uma s´rie subnormal com quocientes abelianos tamb´m tem quoe e cientes abelianos. o segundo ´ ıtem segue do primeiro. G(n) = {1}. H2 .13. Em particular. a logo n˜o poderia ser simples. Demonstracao. Se #G = 1. o subgrupo K = H x satisfaz `s condi¸˜es desejadas. Reciprocamente. nada h´ a fazer. se H ¸˜ ca G for tal que G/H ´ abeliano. pois / a a co x ∩ H = {1}. onde r < m. Mas pelo teorema chinˆs dos restos. Donde. Hm = G tais que Hi Hi+1 e a tais que Hi+1 /Hi ´ c´ e ıclico de ordem p. Seja G um grupo de ordem pm e H um subgrupo de G de ¸˜ ordem pr . ´ Corolario 12. Provemos o seguinte resultado mais forte que (1) por indu¸˜o ¸˜ ca na ordem de G: existe um subgrupo H de G de ordem pr+1 tal que H K. como G1 /G2 ´ abeliano. este grupo admite como subgrupo normal n˜o trivial o grupo pZ/pr Z. Gi ⊃ G(i) . Suponha (ii). Z/mZ × Z/nZ. Suponha (i).82 ´ 12. ent˜o. j´ foi visto anteriormente que toda s´rie subnormal e a e de um grupo finito admite uma s´rie de composi¸˜o.8. Caso x ∈ H. ele s´ pode ser um grupo c´ o ıclico da forma Z/nZ para algum inteiro n ≥ 1. GRUPOS SOLUVEIS Demonstracao. Em seguida. o grupo G/ x tem ordem estritamente menor que G. Observemos que as duas formula¸˜es de (iii) de co fato equivalem-se. Suponha agora que G seja um grupo finito. Sen˜o. todo grupo c´ ıclico fatora-se como produto de grupos c´ ıclicos Z/pr Z. pelo que foi dito e anteriormente. onde p ´ primo e r ≥ 1 inteiro. No pr´ximo cap´ o ıtulo mostraremos que todo grupo abeliano finito pode ser escrito como produto de grupos c´ ıclicos da forma Z/nZ para n ≥ 1 inteiro. utilizando o lema de Cauchy (cf. cap´ ıtulo sobre teoremas de Sylow) escolhemos um elemento x ∈ Z(G) de ordem p. ent˜o H ⊃ G .

¸˜ (1) Se G for sol´vel. a e u a u Demonstracao. ent˜o H ´ sol´vel. G ´ e sol´vel. Por (1) H ´ sol´vel.´ 12. Segue do teorema 12. Observacao 12. Isto e u u significa que existe n tal que H (n) = {1} e m tal que (G/H)(m) = {1}. para todo i. Da ultima ´ igualdade segue que G(m) ⊂ ker(ϕ) = H. Reciprocamente. Seja G um grupo e H um subgrupo de G.. e u (2) Seja ϕ : G → G/H o homomorfismo quociente. H (n) = {1} e H ´ sol´vel.2. ¸˜ ca em seguida aplique-a novamente a H1 e assim sucessivamente. u a e u (2) Se H G ent˜o G ´ sol´vel se e somente se H e G/H s˜o sol´veis. suponha que H e G/H sejam sol´veis. G/H ´ sol´vel. u e u e indutivamente. e u Proposicao 12.15. a fortiori. Al´m disto. Suponha que G seja sol´vel.10 e do corol´rio anterior que todo ¸˜ a p-grupo finito ´ sol´vel.e. G(i) ⊃ ¸˜ u H . ϕ(G(i) ) = (G/H)(i) . Note que para todo i. (G/H)(n) = {1}. u (i) . i. Aplique a proposi¸˜o a H0 = {1} obtendo H1 e ordem p. i.. Aplicando indutivamente esta derradeira igualdade obtemos G(m+j) ⊂ H (j) . Portanto G(m+n) ⊂ H (n) = {1}.e. GRUPOS SOLUVEIS 83 Demonstracao. Observe que ϕ(G ) = ϕ(G) = (G/H) . (1) Suponha que G seja sol´vel. Portanto.14.

.

· · · . um e conjunto de geradores linearmente independentes nada mais ´ que a base de um e espa¸o vetorial. a c Observemos que a no¸˜o de Z-m´dulo equivale a de grupo abeliano. portanto e tamb´m um elemento de G. De fato. O m´dulo M ´ dito finitamente gerado. De fato. Quando o conjunto de geradores S ´ finito e estes s˜o R-linearmente c e a independentes. denotando G aditivamente. onde r ´ exatamente o posto do grupo como Z-m´dulo. Para n = −m < 0. b ∈ R e x.1. n. e o e o Similarmente ao caso de espa¸os vetoriais temos no¸˜es de subm´dulos e de c co o m´dulos quocientes. Seja M um R-m´dulo. Quando R ´ um corpo (como os reais) recuperamos a e no¸˜o de espa¸o vetorial. Um R-m´dulo M ´ um grupo aditivo o e munido de uma fun¸˜o R × M → M tal que a(x + y) = ax + ay e (a + b)x = ax + bx. quando R ´ um corpo. sn ∈ M dizemos que eles s˜o R-linearmente independentes se a n para qualquer combina¸˜o linear i=1 ai xi = 0 com ai ∈ R tivermos ai = 0 para ca i = 1. e Ao contr´rio de espa¸os vetoriais nem todo Z-m´dulo livre ´ finito. n. Como conjunto o m´dulo quociente M/N ´ definido como sendo o e {x | x ∈ M }.CAP´ ıTULO 13 Grupos abelianos finitamente gerados 13. y ∈ M . Novamente. a c o e para todo n ≥ 1. da mesma forma que na ´lgebra linear podemos mostrar que o a n´mero de elementos do conjunto gerador n˜o depende da particular escolha do u a conjunto. o podemos considerar a soma de n > 0 vezes um elemento x de G que ´ o elemento e nx ∈ G. · · · . A o 85 . ax ∈ N . Um grupo abeliano G ´ de ca ca e tor¸˜o se e somente todo elemento de G ´ de ordem finita. onde ai ∈ R para i = 1. Dados x1 . O m´dulo M ´ dito um R m´dulo livre se possui um conjunto o e o de geradores linearmente independentes. Um subconjunto N de M ´ dito um o o e R-subm´dulo de N se for um sugrupo e se para todo a ∈ R e x ∈ N . De fato. Z/nZ ´ um Z-m´dulo livre de posto 1 gerado por 1. se e o e S for finito. O conjunto S ´ dito o conjunto de geradores de M . Veremos que o teorema ca e em quest˜o diz inicialmente que todo grupo abeliano finitamente gerado se quebra a em um peda¸o de tor¸˜o que descreveremos completamente e uma parte livre que c ca ´ isomorfa a r c´pias de Z. Este n´mero ´ chamado o posto do m´dulo (que corresponde ` no¸˜o de u e o a ca dimens˜o de espa¸o vetorial). · · · . M´dulos sobre an´is o e Seja R um anel comutativo com unidade. ca o todo Z-m´dulo por defini¸˜o ´ um grupo abeliano. Na verdade e o isto corresponde a no¸˜o de grupo abeliano de tor¸˜o. ca para a. Definimos uma estrutura de R-m´dulo em M/N da maneira usual. ca c Dizemos que um suconjunto S de M gera M se para todo x ∈ M existem n x1 . xn ∈ S tal que x = i=1 ai xi . nx nada mais ´ que m vezes o elemento −x.. Reciprocamente. o Para todo x ∈ M definimos x := x + N := {x + v | v ∈ N } chamada a classe de x com respeito a N . todo grupo o ca e abeliano G admite uma estrutura de Z-m´dulo. · · · .

86 13. A fortiori. A imagem ϕ(V ) de φ ´ um R-subm´dulo de W (exerc´ e o ıcio). . pois para todo a ∈ R e x ∈ N (ϕ) temos ϕ(ax) = aϕ(x) = 0. Um homorfismo de R-m´dulos ϕ : Rm → Rn ´ determinado pela multiplica¸˜o de um o e ca vetor por uma matriz n × m com coordenadas em R. ent˜o ϕ fica determinado por ϕ(ei ) = j aij fj . dado a ∈ R temos que Φ(ax) = e o Φ(ax) = ϕ(ax) = aϕ(x) = aΦ(x). Seja ϕ : V → W um homomorfismo de R-m´dulos.    0  0 · · · dr 0 0 onde d1 | d2 | · · · | dr .2. · · · . em particular det(A) det(B) = 1. De fato.e. e ıvel 13.1 (teorema dos homomorfismos). .e. pois as opera¸˜es elemetares por linhas s˜o e ıda a co a precisamente as mesmas tomando cuidado de escolher os escalares pertencendo a um anel R ao inv´s de um corpo). fn ´ uma base de Rn . Para todo n ≥ 1 o produto cartesiano Rn ´ naturalmente um R-m´dulo soe o mando as coordenadas e multiplicando as coordenadas por um escalar em R. J´ sabemos que Φ ´ isomorfismo de grupos. Da mesma forma definimos o n´cleo de ϕ por N (ϕ) := {x ∈ u V | ϕ(x) = 0}. tomemos como conjunto gerador linearmente independente em cada um dos R-m´dulos a base o canˆnica. · · · . Definimos o grupo GLn (R) como o subgrupo das matrizes quadradas de ordem n com entradas em R.. Seja A ∈ Mn×m (Z) ent˜o existem matrizes Q ∈ GLn (Z) e a P ∈ GLm (Z) tais que A = QAP −1 ´ diagonal da seguinte forma: e    d1 0 · · · 0  0 d 2 · · · 0     0 . Ent˜o a existe B ∈ Mn (R) tal que AB = Id. Assim a regra de Cramer nos informa que e δ Id = A Adj(A). ent˜o da mesma forma que na ´lgebra linear. . o ax ∈ N (ϕ). i. i. Reciprocamente. Demonstracao. J´ sabemos que N (ϕ) ´ um subgrupo de V . seja A ∈ GLn (R).  . se e1 . Basta verificar ¸˜ a e que ´ um homomorfismo de R-m´dulos. Al´m disto ele ´ um a e e e R-subm´dulo. GRUPOS ABELIANOS FINITAMENTE GERADOS soma ´ definida por x ⊕ y := x + y e a multiplica¸˜o por escalar por ax := ax. se det(A) = δ ∈ R∗ e Adj(A) denota a adjunta de A (que ´ constru´ como na ´lgebra linear. Demonstracao. De fato. Teorema 13. assim δ −1 Ajd(A) ´ a inversa de e A (observe que podemos tomar δ −1 . pois δ ´ invers´ em R). Fica como exerc´ verificar que estas opera¸˜es est˜o efetivamente ıcio co a bem definidas. det(A) ∈ R∗ . As matrizes Q e P provˆem (como na ´lgebra linear) da ¸˜ e a multiplica¸˜o de matrizes elementares que correspondem as opera¸˜es elementares ca co por linhas e por colunas. De fato. Diagonaliza¸˜o de matrizes ca Teorema 13. Dados V e W R-m´dulos uma fun¸˜o ϕ : V → W ´ dito um homomorfismo o ca e de R-m´dulos se for um homomorfismo de grupos e se para todo a ∈ R e x ∈ V o temos ϕ(ax) = aϕ(x). Ent˜o ϕ induz um isomorfismo de R-m´dulos Φ : V /N (ϕ) → o a o ϕ(V ) dado por Φ(x) := ϕ(x).. e a onde aij ∈ R.2. Observemos que este equivale ao grupo das matrizes cujo determinante ´ um elemento invers´ e ıvel em R. Id = A(δ −1 Adj(A)). em ´ uma base de o a a e Rm e f1 . para e ca todo a ∈ R.

somamos a coluna corresa ıvel pondente com a primeira coluna e retornamos ` etapa 2. Seja R um dom´ ınio euclideano e A ∈ Mn×m (R). Se r = 0 nada mais precisamos fazer. assim denotamos ϕ(Rn ) := ARn . V = ARn . Pelo teorema dos homomorfismos. ent˜o W ´ finitae e a e mente gerado. Se existe uma entrada b de B que n˜o seja divis´ por a11 .3. Repetimos o argumento para as demais entradas da linha. o 13. Seja B a matriz restante eliminando as primeiras linha e coluna. Em um n´mero finito de ca a u passos obteremos r = 0.´ 13.4. Substitu´ ımos a i-´sima linha por menos ela mais q vezes a primeira. V ∼ Rn /W = Rn /BRm . Etapa 3. ent˜o V tamb´m ´ finitamente a a e e gerado.3. Ent˜o exa istem matrizes Q ∈ GLn (R) e P ∈ GLm (R) tais que A = QAP −1 ´ diagonal da e forma indicada no teorema anterior. onde 0 ≤ r < a11 . o (1) Se ker(ϕ) e ϕ(V ) s˜o finitamente gerados. ou seja trocamos e ai1 por r.3. Portanto. utilizamos t˜o somente o algoritmo da divis˜o para a a os inteiros. A base canˆnica de Rn ´ chamado o conjunto de o e o e geradores e o n´cleo N (ϕ) de ϕ ´ dito o conjunto de rela¸˜es. Se V ´ finitamente gerado e ϕ ´ sobrejetivo. Geradores e rela¸˜es para m´dulos co o Seja ϕ : Rn → Rm um homomorfismo de R-m´dulos cuja matriz na base o canˆnica ´ A ∈ Mm×n (R). A ´ a matriz de presenta¸˜o do con´cleo de ϕ. GERADORES E RELACOES PARA MODULOS ¸˜ 87 Etapa 1. · · · . en ´ a base canˆnica de o e o n Rn . Similarmente. · · · . · · · . ou em outras palavras. A imagem de ϕ ´ u e co e dada por multiplica¸˜o por A. . e ca u Mostraremos agora que todo R-m´dulo finitamente gerado V pode ser preo sentado por alguma matriz. Para todo i > 1 dividimos ai1 = a11 q + r. O con´cleo de ϕ ca u ´ definido por Rm /ARn . ca ı ca o Lema 13. Mostraremos em seguida que W ´ tamb´m um Re e m´dulo finitamente gerado. Ap´s um n´mero finito a o u de passos todos os elementos de B s˜o divis´ a ıveis por a11 e aplicamos as 3 etapas a B. Neste caso dizemos que a matriz A presenta o con´cleo e u de ϕ. Seja W = N (ϕ). Inicialmente observemos que se v1 . digamos que seja gerado por w1 . A id´ia do teorema ser´ diagonalizar a matriz B como na e a se¸˜o anterior e obter da´ a decomposi¸˜o do m´dulo. an ∈ R.1) e retornamos ` etapa anterior. Transformamos os demais elementos da primeira coluna em 0 da seguinte forma. Notemos que este processo se aplica particularmente ` matriz de um homomora fismo de R-m´dulos ϕ : Rm → Rn . Trocando linhas e colunas (e eventualmente multiplicando uma linha ou coluna por -1) podemos supor que a11 ≥ 0 ´ uma entrada de menor valor absoluto e (claro que pode haver outra entrada com o mesmo valor absoluto). Neste caso. Isto permite-nos generalizar o resultado da seguinte forma. o temos tamb´m um homomorfismo sobrejetivo ψ : Rm → W de R-m´dulos e o e o W = BRm . · · · . Seja ϕ : V → W um homomorfismo de R-m´dulos. assim a = matriz B presenta V . onde e1 . Note que na demonstra¸˜o anterior al´m das opera¸˜es elementares por linhas ca e co que valem para qualquer anel. Teorema 13. wm . Sen˜o permutamos levando r para a a primeira posi¸˜o (1. De fato. vn ´ um cone junto de geradores de V ent˜o temos um homomorfismo sobrejetivo canˆnico de a o R-m´dulos ϕ : Rn → V dado por ϕ(ei ) = vi . repetimos o argumento para colunas e zeramos o restante da primeira linha. Etapa 2. para todo v ∈ V temos v = i=1 ai vi com a1 .

Seja j o maior ´ o e ındice tal que ui ∈ Wj para todo i. Por hip´tese U ´ finitamente gerado. Seja W um subm´dulo de Rn e seja ψ a restri¸˜o de ϕ a W . (2) Segue de (1) aplicado ao homomorfismo quociente canˆnico ϕ : V → V /W . · · · . un . Ent˜o todo subm´dulo W de V tamb´m ´ finitamente gerado. Seja W1 ⊂ W2 ⊂ · · · uma seq¨ˆncia de Rue subm´dulos de V . Se V ´ finitamente gerado. Se W e V /W s˜o finitamente gerados. o resultado segue da proposi¸˜o anterior. Consideremos o homomorfismo de proje¸˜o ϕ : Rn → Rn−1 dado por ca ϕ((a1 . Ent˜o ϕ(v ) = ϕ(v). O seu n´cleo constitui-se dos vetores da forma u (0. digamos por u1 . digo ca amos ψ : W → Rn−1 . Al´m o ca e e disto. e a e ϕ(v1 ). U = Wj e a seq¨ˆncia ue estaciona. · · · . k. o e (2) N˜o existe seq¨ˆncia estritamente crescente de R-subm´dulos de V : W1 a ue o W2 · · · Demonstracao. v − v ∈ ker(ϕ). e Proposicao 13. · · · . Se w1 gera W acabou. ca . · · · .. Seja R um anel noetheriano e V um R-m´dulo finitamente ¸˜ o gerado. ent˜o w = i ai ϕ(vi ). an−1 ). · · · . e e Provemos por indu¸˜o em n. w1 e w2 geram W ... Seja V um R-m´dulo. · · · . (1) Seja u1 . o a ent˜o V tamb´m ´ finitamente gerado. vm ) geram V .7. ϕ(vn ) forma um conjunto de geradores de W . por hip´tese ´ finitamente gerado. se v1 . ker(ψ) = ker(ϕ) ∩ W ´ um subm´dulo de ker(ϕ) ∼ R. portanto tamb´m ´ e o e e = finitamente gerado. i. ent˜o a e e e a V /W ´ finitamente gerado. · · · . uk um conjunto de geradores de ker(ϕ) e ¸˜ w1 .5. Seja W ⊂ V um subm´dulo. A uni˜o U = i Wi tamb´m ´ um R-subm´dulo de V (exerc´ o a e e o ıcio).e. Definicao 13. ent˜o existe um e a homomorfismo sobrejetivo ϕ : Rn → V . De fato. Ent˜o o a ϕ−1 (W ) = W ´ um subm´dulo de Rn .6. · · · . GRUPOS ABELIANOS FINITAMENTE GERADOS (2) Seja W um R-subm´dulo de V .e. Pelo e o o e lema anterior concluimos que W tamb´m ´ finitamente gerado. · · · . i. i. onde v = i ai vi . Afirmamos que (u1 . · · · . como todo w ∈ W ´ da forma w = ϕ(v). m. para algum v ∈ V . a o e e Demonstracao. Para todo i = 1.+Rwi ´ estritamente crescente. como V ´ finitamente gerado. an ). Um anel R tal que todo m´dulo satisfa¸a as condi¸˜es ante¸˜ o c co riores ´ chamado um anel noetheriano. Para a segunda parte. . o Proposicao 13. Para n = 1 isto segue da proposi¸˜o anteca ca rior. Suponha que a condi¸˜o (2) seja satisfeita e que W = 0. em particular w1 . Sen˜o seja w3 ∈ W − (RW1 + Rw2 ). Assim. Seja ¸˜ ca w1 ∈ W − {0}. · · · .e. v − v = j bj uj para bj ∈ R para a todo j = 1. m seja vi ∈ V tal que ϕ(vi ) = wi . wk geram W . o Reciprocamente suponha (1). acabou. Se Rw1 + Rw2 = a W . · · · . e Demonstracao. Prosseguindo a desta forma o conjunto de R-m´dulos Wi = Rw1 +. Sen˜o seja w2 ∈ W − Rw1 . Por hip´tese de indu¸˜o ψ(W ) ´ finitamente gerado. De fato. uk . Observemos inicialmente que basta provar a proposi¸˜o no ¸˜ ca caso em que V = Rn . . · · · . an )) = (a1 . Logo Wj ⊂ U ⊂ Wj . o e Por hip´tese existe k tal que Wk = W . As seguintes condi¸˜es s˜o equiva¸˜ o co a lentes: (1) Todo R-subm´dulo W de V ´ finitamente gerado. Seja v = i ai vi ∈ V . v1 . dado v ∈ V temos ϕ(v) = i ai wi com ai ∈ R para i = 1.88 13. · · · . 0. wm um conjunto de geradores de W . vn geram V .

G ´ igual ca o e ` soma destes. . ⊕ Wn . Neste caso escrevemos W1 ⊕ .. se houvesse uma a e rela¸˜o ca z1 + . · · · . Wn subm´dulos de o ca o um R-m´dulo V . Antes s´ mais um pouco de nota¸˜o. J´ vimos anteriormente que G ´ presentado por uma matriz ¸˜ a e A ∈ Mn×m (Z). Assim no teorema acima podemos substituir a no¸˜o de grupo abeliano finitamtente gerado pela no¸˜o de R-m´dulo ca ca o finitamente gerado sobre um dom´ ınio euclideano R. i. que estes subm´dulos geram G.e. Sejam W1 . com zi ∈ Ci e w ∈ L. As rela¸˜es do grupo s s˜o dadas co a por di vi = 0 para i = 1. (teorema de estrutura de grupos abelianos finitamente gerados) Seja G um grupo abeliano finitamente gerado. G = Rn /ARm e que tal matriz pode ser diagonalizada com a propriedade acima para suas entradas d1 . onde Ci = vi ∼ Z/di Z. · · · . Uma curva el´ e ıtica sobre os complexos pode ser pensada como o conjunto de pontos em C2 que s˜o solu¸˜es de uma equa¸˜o da a co ca forma y 2 = x3 + ax + b. Dizemos ıcio e o que esta soma ´ direta de para qualquer rela¸˜o linear i ai wi = 0. L ∼ Zn−k . Grupos abelianos finitamente gerados surgem naturalmente na aritm´tica. · · · . De fato. pela presenta¸˜o de G.+Wn := {w1 +. . O TEOREMA DE ESTRUTURA 89 13. ent˜o podemos reescrˆ-la da forma a e k n ri vi + i=i i=k+1 ri vi = 0. = ´ E claro. . . dk . . Afirmamos que e o = G = C1 ⊕ . . Portanto.4. e ca temos ai = 0 para todo i. . ⊕ Ck ⊕ L.4. . Ou seja. + Wn ´ um R-subm´dulo de V .1. Ent˜o a r G ∼ (Z/d1 Z) ⊕ . O teorema de estrutura J´ fizemos tudo que era necess´rio para obter nosso resultado principal neste a a cap´ ıtulo. o Lembremos que no processo de diagonaliza¸˜o das matrizes tudo funcionava ca bem para qualquer dom´ ınio euclideano.. Seja L o subm´dulo gerado por vk+1 . · · · . n}.e. . Como n˜o h´ rela¸˜es entre estes vetores o a a co vemos que L ´ um Z-m´dulo livre de posto n − k. n. i. Teorema 13. Um teorema de Mordell. . o Fica como exerc´ verificar que W1 + . . Definimos W1 +. vn . · · · .8. r ´ o posto de G como Z-m´dulo e a e o Gtor = (Z/d1 Z) ⊕ .+wn | wi ∈ Wi . com ai ∈ R.13. . + zk + w = 0. i. ⊕ (Z/dk Z) ⊕ Z . e ca Demonstracao.4. Queremos mostrar que a soma ´ direta. . k para um conjunto de geradores v1 . n˜o h´ rela¸˜es entre os e a a co m´dulos acima. Como n˜o h´ rela¸˜o envolvendo os ultimos n − k vetores concluimos que ri = 0 para a a ca ´ i = k + 1. ⊕ (Z/dk Z) ´ o subgrupo de tor¸˜o de G. 13. . . onde d1 | d2 | · · · | dr = s˜o inteiros positivos. vn . o conjunto dos elementos de ordem finita. . n. · · · . · · · .. k e ri ∈ Z para i = k + 1.e. Al´m disto pelas rela¸˜es acima a unica possibilidade para que e co ´ para os demais di | ri ´ ri = 0 para cada i. i = 1. · · · . . onde 0 ≤ ri < di para i = 1. · · · .

e De outro lado podemos nos perguntar o que ´ conhecido sobre o grupo de e tor¸˜o. b ∈ C. o recorde ´ 24. digamos ca e E(Q)tor ⊕ Zr . Para o teorema de Mazur ver [Ma]. . GRUPOS ABELIANOS FINITAMENTE GERADOS onde x3 + ax + b n˜o admite ra´ a ızes m´ltiplas e a priori estamos supondo a.90 13. Se considerarmos co o caso em que a. A resposta ´ tudo. existe um c´lebre teorema devido a Mordell que afirma que o conjunto de solu¸˜es e co (x0 . O inteiro (misterioso) r ´ chamado o posto da curva el´ e ıtica. u Ocorre que existe uma estrutura de grupo abeliano na curva el´ ıtica que pode ser definida geometricamente por meio de interse¸˜es com retas. N˜o se sabe por a exemplo se ´ poss´ e ıvel existir curvas el´ ıticas com posto arbitrariamente grande. Um belo e profundo resultado devido a Mazur mostra ca e que existem exatamente 16 grupos abelianos que podem ser grupos de tor¸˜o de ca curvas el´ ıticas sobre os racioanis e que cada um desses grupos efetivamente ocorre. Ela surgiu a partir de evidˆncias computacionais. b ∈ Q. ou seja uma curva el´ ıtica definida sobre os racionais. y0 ) ∈ Q2 da equa¸˜o ´ um grupo abeliano finitamente gerado. e A este objeto (a curva el´ ıtica) est´ associado a uma fun¸˜o de natureza anal´ a ca ıtica chamada a L-s´rie de Hasse-Weil da curva el´ e ıtica. A famosa conjectura de Birch e Swinnerton-Dyer afirma que a ordem de anulamento desta fun¸˜o em s = 1 ´ ca e exatamente o posto. Para mais informa¸˜es sobre curva el´ co ıticas e o teorema de Mordell ver [Sil].

Parte 3 An´is e .

.

Identificamos f (x) a um vetor (a0 . . Ent˜o a n+m fg = i=0 di xi . Suponhamos que n ≥ m. + b1 x + b0 . onde ei = j+l=i α+β=j aα bβ cl aα bβ cl . · · · . . · · · ). . Um polinˆmio definido sobre K ´ uma express˜o da forma o e a f (x) = an xn + . Note que se f = x3 +x+1 e g = −x3 +x2 −2. Algoritmo da divis˜o a Seja K um corpo. an . Definimos a soma de f. · · · . Assim. grau(f g) = grau(f ) + grau(g). . . onde bj = 0 para todo j > m. + c1 x + c0 . se f. e r Seja h(x) = i=0 ci xi .1. Verifique que de fato isto ca o faz de K[x] um espa¸o vetorial. g ∈ K[x]. + a1 x + a0 . Observemos inicialmente que K[x] ´ um espa¸o vetorial com a opera¸˜o de multiplica¸˜o por escalar sendo a e c ca ca multiplica¸˜o por um polinˆmio constante de grau zero. α+β+l=i = 93 . g ∈ K[x] por (f + g)(x) := (an + bn )xn + .CAP´ ıTULO 14 An´is de polinˆmios e o 14. onde di = j+l=i aj bl . A associatividade do produto ´ provada da seguinte forma. Se f + g = 0. an ∈ K. 0. dizemos ent˜o que n ´ o grau de a e f . Definimos a o produto de f e g por (f g)(x) := cn+m xn+m + . onde ci = j+l=i aj bl . logo n+m+r (f g)h = i=0 ei xi . ent˜o grau(f +g) = 2 < 3. . g = 0. 0. Afirmamos que K[x] ´ um dom´ e ınio de integridade. Se f = 0 e n ≥ 0 for o maior inteiro tal que an = 0. . onde a0 . O conjunto de todos os polinˆmios definidos sobre K ´ denotado por K[x]. · · · . grau(g)}. ent˜o a grau(f + g) ≤ max{grau(f ). Em particular. Sejam f. . temos as propriedades aditivas de c K[x] como anel. o e Seja g(x) = bm xm + . + (a1 + b1 )x + a0 + b0 .

ent˜o existem a a unicos q. g ∈ K[x]. α+β+l=i = A comutatividade do produto segue da mesma propriedade para os elementos de K. onde Ai = j+l=i bj cl . g ∈ K[x] tais que f g = 0. onde Bi = α+l=i β+j=l aα bβ cl aα bβ cl . De fato. come¸ando pelo coeficiente de xn+m temos que c an bm = 0. todos os coeficientes de g s˜o nulos. r ∈ K[x] tais que f = qg + r. acabou. g ∈ K ∗ = K \ {0}. bm m j j=0 bj x . Sejam f. Sejam f. Seja r=0eq= n1 f1 := i=0 a1. onde r = 0 ou grau(r) < grau(g). Se n1 < m. g = 0. ıcio ca f (g + h) = f h + gh. Fica como e o exerc´ verificar que a soma distribui em rela¸˜o ao produto. o lado esquerdo da equa¸˜o tem grau n + m e o lado direito tem grau ca 0. tome an n−m x .94 ´ ˆ 14. logo n = m = 0 e f.. a1. bm Defina f2 := f1 − . mas f = 0 de grau n. i. logo n+m+r f (gh) = i=0 Bi xi .e. ANEIS DE POLINOMIOS Por outro lado. m+r gh = i=0 = Ai xi . bm Se f1 = 0. logo bm = 0. para o coeficiente de xn+m−1 temos an bm−1 + an−1 bm = an bm−1 = 0. logo bm−2 = 0. a Dizemos que f ∈ K[x] ´ invers´ se existe g ∈ K[x] tal que f g = 1. O elemento neutro do produto ´ o polinˆmio constante f = 1. tome a an n−m r = f1 e q = x . Sejam f = ¸˜ n i=0 ai xi e g = an n−m x g. Note que e ıvel neste caso. ent˜o n1 = grau(f1 ) < n = grau(f ).n1 n1 −m x g. bm Suponha que n1 ≥ m.1 (algoritmo da divis˜o). Para o coeficiente de xn+m−2 temos an bm−2 + an−1 bm−1 + an−2 bm = an bm−2 = 0. acabou. g = 0. logo bm−1 = 0. Definimos f1 := f − Se f1 = 0. Assim sucessivamente. Provaremos agora que isto implica em g = 0.i xi . ´ Demonstracao. Em seguida. e Teorema 14. Portanto. pois K ´ um corpo.

assim pelo menos para algum t ≥ 1 temos ft = 0 e grau(ft ) < m. dizemos que d ∈ K[x] ´ um mdc de ¸˜ e f e g se (1) d | f e d | g. MAXIMO DIVISOR COMUM DE POLINOMIOS 95 Se f2 = 0. + at−1. Dado um outro mdc e de f e g. onde a ∈ K ∗ .n1 xn1 −m + . grau(r1 − r2 ) < m. e o o Observacao 14. ri = 0 ou grau(ri ) < m. ent˜o n2 = grau(f2 ) < n1 .. o Definicao 14. se g = f α e h = gβ. i. a pois se gh = f hα para α ∈ K[x]. Se r1 = r2 . se an = 1. g) ´ o mdc de f e g. Dizemos que f = n i=0 ai xi ∈ K[x] ´ um polinˆmio mˆnico. 14. e se f | g e g | h. portanto d = ae. tome a 1 r = f2 e q = (an xn−m + a1. a e se f | g e g | f. M´ximo divisor comum de polinˆmios a o Sejam f. temos d | d. mas a ultima ´ igualdade s´ ocorre se α. o que ´ imposs´ e ıvel. Se n2 < m. g ∈ K[x] − {0}. Al´m disto.2. Neste caso. ent˜o f | h. tome 1 (an xn−m + a1. a Se h = 0 e f h | gh.nt−1 xnt−1 −m ). ent˜o f = ag. ent˜o q1 g = q2 g = 0. i. pela condi¸˜o (2) temos ¸˜ ca que d | e e e | d. ent˜o h = f αβ.e. 2. pois de f = gα e g = f β obtemos que 1 = αβ. β ∈ K ∗ . Notemos que esta propriedade ´ transitiva. acabou. ent˜o f | h.´ ˆ 14. a Por outro lado r1 − r2 = (q2 − q1 )g e grau((q2 − q1 )g) ≥ grau(g).e. bm Prosseguindo obtemos uma seq¨ˆncia de polinˆmios fi com graus estritamente deue o crescentes. acabou. onde α. a De fato. g ∈ K[x] − {0}. r = ft e q = bm Suponha que tenhamos realizado duas divis˜es o r=0eq= f = q 1 g + r1 = q 2 g + r2 .n1 xn1 −m ). neste ponto o algoritmo acaba.n1 xn1 −m ). Suponhamos que r1 = r2 . Sejam f.. . onde para i = 1. e . β ∈ K[x]. ent˜o q1 = q2 . (2) Para todo d ∈ K[x] tal que d | f e d | g. Dizemos que f divide g e denotamos por f | g se existe h ∈ K[x] tal que f h = g.3. ent˜o g = f α. bm Se f2 = 0. tome 1 (an xn−m + a1. ent˜o h(g − f α) = 0 e como h = 0 e K[x] ´ a e dom´ ınio de integridade.2. . a para algum a ∈ K ∗ . f | h. A maneira de tornar canˆnica o a escolha do mdc ´ exigir que ele seja um polinˆmio mˆnico e neste caso podemos e o o dizer que d = mdc(f. e como a g = 0.2.

r ) o conjunto dos divisores comuns de ¸˜ f e g (resp.g mˆnico de grau m´ximo poss´ e o a ıvel. g) = mdc(f. onde grau(r2 ) < grau(r1 ) ··· rn2 = qn rn−1 + rn . Ent˜o rn ´ um ue e a a e mdc de f e g. Esta seq¨ˆncia ´ finita pois os graus s˜o estritamente decrescentes. Demonstracao. u Seja A ∈ Df. Demonstracao. onde grau(r1 ) < grau(b) (14. r) ´ o elemento mˆnico em Dg. logo f = Aα e g = Aβ. g e r). g) = mdc(g. Tomando A1 = −qn e B1 = 1 reescrevemos rn = B1 rn−2 + A1 rn−1 . b).g = Dg. Prosseguindo ao longo das demais divis˜es o obtemos rn = Bn−3 r1 + An−3 r2 = Bn−3 r1 + An−3 (g − q2 r1 ) = Bn−2 g + An−2 r1 . Pelo lema 14. β ∈ K[x].g . onde grau(rn ) < grau(rn−1 ) rn−1 = qn+1 rn . · · · . onde r = 0 ou grau(r) < grau(g). Ent˜o a mdc(f.r . Similarmente. e = mdc(g.g (resp. rn ∈ K[x] os restos n˜o a nulos na seq¨ˆncia de divis˜es ue o f = q1 g + r1 . r ∈ K[x] tais que f = qg + r.4 concluimos que rn = mdc(rn−1 .96 ´ ˆ 14. r). A inclus˜o oposta segue pelo mesmo argumento. A pen´ltima equa¸˜ u ca ¸˜o nos d´ a rn = rn−2 − qn rn−1 . Mostraremos agora que Df. ANEIS DE POLINOMIOS Observe que se f | g e f ent˜o f ´ um mdc de f e g. g). Do teorema anterior temos que d = rn . conseq¨entemente d = e.r de grau m´ximo poss´ e o a ıvel. Para isto introduzimos um lema simples. Sejam f. Sejam f. Segue da equa¸˜o do ca enunciado que r = A(α − qβ). onde B2 = A1 e A2 = B1 − A1 qn−1 . rn ). g ∈ K[x] \ {0} e r1 .r . Demonstracao. β ∈ K[x] tais que a d = f α + gβ. Seja d = mdc(f. g ∈ K[x] \ {0} e d = mdc(a. Assim d ´ o elemento em Df.5. g ∈ K[x] − {0} e q. rn−2 ) e prosseguindo nas linhas anteriores temos que rn = mdc(r2 . onde α.g \ {0} temos grau(d ) ≤ grau(d). ¸˜ ´ e Logo rn = mdc(rn−1 . Logo para todo d ∈ Df.4. . em particular A ∈ Dg. Teorema 14. a Teorema 14. g).1) g = q2 r1 + r2 . r1 ) = mdc(r1 . A etapa seguinte ´ obter a e e o mdc de maneira algor´ ıtimica. A ultima linha nos diz que rn ´ um mdc de rn e rn−1 . Lema 14.6 (algoritmo euclideano estendido). Dg. Ent˜o existem α. Utilizando a equa¸˜o antecedente a esta obtemos ca rn = B1 rn−2 + A1 (rn−3 − qn−1 rn−2 ) = B2 rn−3 + A2 rn−2 . Seja Df. Sejam f.

Seja g ∈ I \ {0}. para d ∈ K[x]. Se I = (0) nada h´ a fazer. Por outro lado.. β ∈ K[x]}. Nosso objetivo agora ´ dar uma prova mais conceitual do algoritmo euclideano e estendido usando a no¸˜o de ideal. i. 3 2α a √ e 3 2α2 que n˜o n˜o n´meros racionais. ent˜o J = I ou J = K[x]. se r = 0 violar´ ıamos a minimalidade do grau de f . O dom´ ınio K[x] ´ principal. logo f = αd. pelo ´ ıtem (3) da defini¸˜o de ideal. a . ca Definicao 14..´ ˆ 14. f ∈ I. g). ent˜o d = αf + βg. Pela equa¸˜o antecedente temos que ca rn = Bn−2 g + An−2 (f − gq1 ) = α f + β g. e 14. Aplicando este teorema ao ´ ıtem (ii) anterior.e. . + fn αn | α1 . De fato. todo ideal I de K[x] ´ da e e forma (f ) para algum f ∈ K[x]. Dizemos que f ´ irredut´ se dados g.f + 0. I ´ dito um ideal maximal de K[x] se dado a e um ideal J de K[x] tal que I ⊂ J ⊂ K[x]. e Seja I ⊂ K[x] um ideal n˜o nulo. · · · . β ∈ K[x]. (ii) Sejam f. como f ∈ I. β ∈ K[x]. fn ∈ K[x] e I := (f1 ) + . Logo. Pelo axioma da boa ordena¸˜o existe um unico f ∈ I − {0} ca ´ mˆnico de grau m´ o ınimo.e.g ∈ (f ) + (g) = (d). obtemos que existe um unico ´ d ∈ K[x] mˆnico tal que (f ) + (g) = (d). em a a u = √ √ C[x] temos a fatora¸˜o x3 − 2 = (x − 3 2)(x − 3 2α)(x − 3 2α2 ). αn ∈ K[x]}. i. · · · . se reescreve como d = (αα + ββ )d . para α ∈ K[x]. Um subconjunto I ⊂ K[x] ´ dito um ideal de K[x] se ¸˜ e (1) O ∈ I. f α ∈ I. Seja I um ideal de K[x]. Assim (f ) ⊂ I. Demonstracao.3. para todo f α ∈ (f ). . Por exemplo x3 − 2 ´ irredut´ em Q[x]. r ∈ K[x] tais que g = qf + r. g ∈ I. d | f . Supon¸˜ a hamos que I = (0). onde α√ exp(2πi/3).e. . para a α. Portanto. Da mesma forma d | g. Mas suas ra´ o ızes s˜o 3 2. assim esta no¸˜o ca ca ´ relativa ao corpo considerado. para α .3. onde r = 0 ou grau(r) < grau(f ). Para provar ca a inclus˜o oposta precisamos do algoritmo da divis˜o. r = 0 e g ∈ (f ). o f = 1. Note que r ∈ I. + (fn ) := {f1 α1 + . Observe tamb´m que de passagem provamos que d = αf + βg e que ´ a igualdade do algoritmo euclideano estendido. Afirmamos que d = mdc(f. pois g.. ent˜o f + g ∈ I. a (3) Se f ∈ I e α ∈ K[x]. (iii) Sejam f1 . g ∈ K[x] e I := (f ) + (g) := {f α + gβ | α. d | d. h ∈ K[x] \ {0} tais e ıvel que f = gh ent˜o f ∈ K ∗ ou g ∈ K ∗ . De fato.7. Ent˜o a a a existem q. a e ıvel pois sendo um polinˆmio de grau 3 s´ seria redut´ se um dos fatores tivesse grau o o ıvel 1 e outro grau 2 ou se tivermos 3 fatores de grau 1.8. a Fica como exerc´ verificar que os seguintes conjuntos s˜o ideais: ıcio a (i) Seja f ∈ K[x] e I := (f ) := {f α | α ∈ K[x]} o conjunto dos m´ltiplos de u f. (2) Se f. . Se d | f e d | g. FATORACAO UNICA DE POLINOMIOS ¸˜ 97 onde Bn−2 = An−3 e An−2 = Bn−3 − An−3 q2 . ent˜o f α ∈ I. onde α = An−2 e β = Bn−2 − An−2 q1 . logo d = mdc(f. Mas como x3 − 2 √ mˆ√ ´ onico e isto equivale a este polinˆmio ter uma raiz racional. Afirmamos que I = (f ). Teorema 14. Fatora¸˜o unica de polinˆmios ca ´ o Seja f ∈ K[x] \ {0}. i. g).

a Demonstracao. Suponha que f g.10. Sen˜o prosseguimos. g = A−1 f ∈ (f ).11. per . assim (g) = K[x]. Pelo algoritmo ¸˜ euclideano estendido existem A. existe r ≥ 1 tal que fr ∈ K ∗ . q1 Se f1 ∈ K ∗ ou f1 for irredut´ acabou.e. No primeiro caso. e como f | gh. e Demonstracao. Sen˜o. ıvel Ent˜o f | g ou f | h. Provavemos primeiro a existˆncia da fatora¸˜o. No segundo caso. Seja J um ideal de K[x] tal que (f ) ⊂ J ⊂ K[x]. Pelo axioma da boa ordena¸˜o ca existe q1 ∈ Df tal que grau(q1 ) ≤ grau(A) para todo A ∈ Df . g) = 1. pr a ´ ∈ K[x] polinˆmios irredut´ o ıveis mˆnicos tais que grau(p1 ) < · · · < grau(pr ) e inteiros o e1 . digamos e g g f = upe1 · · · prf = vq11 · · · qs s . 1 = gg −1 ∈ (g) e assim g ∈ K ∗ . para A ∈ K[x]. Assim. Seja f ∈ K[x] irredut´ tal que f | gh para g. digamos fr = u. um fator B de q1 teria grau menor que grau(q1 ) a e al´m disto pertenceria a Df . . Suponha que grau(f ) ≥ 1 e f seja redut´ a ıvel. · · · . Seja Df o conjunto dos dvisores de f em K[x]. Se f ∈ K ∗ ¸˜ e ca ou f ´ irredut´ e ıvel nada h´ a fazer. h = Af h + Bgh.8 temos que existe g ∈ K[x] tal que J = (g). temos que (g) = (f ) a ou (g) = K[x]. er tais que f = upe1 . Portanto.. q2 q1 q2 Se f2 ∈ K ∗ ou f2 for irredut´ acabou. Seja f1 := f . Suponha que f seja irredut´ ¸˜ ıvel. 1 = gg −1 ∈ (g). o que ´ imposs´ e e ıvel. No segundo caso. · · · . Ent˜o (f ) ⊂ (g) ⊂ K[x]. 1 . f = uq1 · · · qr ´ a fatora¸˜o desejada. Pelo mesmo argumento anterior q2 ´ irredut´ e ıvel. Seja f ∈ K[x] \ {0}. p1 . seja q2 ∈ Df1 tal que grau(q2 ) ≤ ıvel a grau(A) para todo A ∈ Df1 . Lema 14. em particular (g) = (f ).98 ´ ˆ 14. mdc(f. ANEIS DE POLINOMIOS Proposicao 14. g = af para algum a ∈ K ∗ . Seja f ∈ K[x]\{0}. o Agrupando os polinˆmios irredut´ o ıveis iguais temos uma fatora¸˜o como no ca enunciado. suponhamos que (f ) seja maximal e que f = gh para g. i.9. Pelo Teorema 14. logo 1 = ah e a fortiori h ∈ K ∗ . Note que grau(f ) > ıvel a grau(f1 ) > grau(f2 ) > · · · ≥ 0. . concluimos que f | h. Pela irredutibilidade de f temos que g ∈ K ∗ ou A ∈ K ∗ . Seja f2 := f f1 = . Observe tamb´m que este processo ´ algor´ e ca e e ıtmico e que n˜o a fizemos qualquer hip´tese sobre os qi ’s serem distintos. Pela maximalidade de (f ). Ent˜o existem unicos u ∈ K ∗ . Se isto n˜o ocorresse. h ∈ K[x] \ {0}. Provemos agora sua unicidade. Ent˜o f ´ irredut´ se e somente se ¸˜ a e ıvel (f ) ´ maximal. B ∈ K[x] tais que 1 = Af + Bg. Logo f = gA. r 1 Demonstracao. Afirmamos que q1 ´ e irredut´ ıvel. Reciprocamente. h ∈ K[x]\{0}. Logo. Teorema 14. No primeiro caso. Suponha que tenhamos duas fatora¸˜es co como acima.

FATORACAO UNICA DE POLINOMIOS ¸˜ 99 onde v ∈ K ∗ . Portanto q1 = a1 p1 e al´m disto e1 = g1 . gs ≥ 1 s˜o inteiros. Suponhamos que existam i e j tais que p ai e p bj . Afirmamos que j = 1. ei = gi para todo i. Demonstracao. mas como p | ci+j isto nos d´ uma a contradi¸˜o. pelo mesmo argumento existe i tal que q1 = bi pi para bi ∈ K ∗ . + ai−1 bj+1 + ai bj + ai+1 bj−1 + .12 (lema de Gauss). Nosso objetivo agora ´ obter um crit´rio de irredutibilidade de polinˆmios em e e o Q[x] em termos dos seus coeficientes. . Assim p divide todas as parcelas exceto ai bj . . o que ´ imposs´ e ıvel. Novamente dividindo os dois lados por pe2 obtemos 2 g g upe3 · · · per = vq33 · · · qs s .´ ˆ 14.3. o que tamb´m ´ imposs´ e e ıvel. qs s˜o irredut´ a ıveis com grau(q1 ) < · · · < grau(qs ) e g1 . · · · . · · · . Portanto. Seja p um fator primo de m. onde g1 . Suponha que f = gh com g. Observe que a g g p1 | vq11 · · · qs s . e u = v.10 existe j tal que p1 | qj . h ∈ Q[x] e grau(g). Suponha que j > 1. qi = ai pi . Ent˜o f ´ irredut´ a e ıvel em Q[x]. Suponhamos o ca primeiro caso. logo pelo lema 14. Al´m disto escolhamos estes e i e j minimais para esta propriedade. onde ai ∈ K ∗ . r 3 Assim aplicando sucessivamente o argumento temos que r = s. Se i = 1. p . p | ai para todo i ou p | bj para todo j. ent˜o a grau(q1 ) = grau(pi ) > grau(p1 ) = grau(qj ). q1 . Neste caso. Multiplicando os dois lados pelo produto m dos denominadores de todos os coeficientes de g e h obtemos mf = g1 h1 . + ai+j b0 . . r 2 O mesmo argumento acima mostra que q2 = p2 e que e2 = g2 . . Consideremos o coeficiente de xi+j de mf dado por ci+j = a0 bi+j + . ent˜o a grau(q1 ) = grau(p1 ) = grau(qj ). h1 ∈ Z[z] e grau(g1 ) = grau(g) e grau(h1 ) = grau(h). grau(h) ≥ ¸˜ 1. Se i > 1. Dividindo os e dois lados por pe1 obtemos a igualdade 1 g g upe2 · · · per = vq22 · · · qs s . dividindo por p dos dois lados temos que m f = g2 h1 . Afirmamos que p divide todos os coeficientes de g1 ou todos os coeficientes de h1 . Como ambos s˜o irredut´ a ıveis mˆnicos o isto ocorre se e somente se qj = p1 . Escrevemos explicitamente n m g1 = i=0 ai xi e h1 = j=0 bj xj . Lema 14. Seja f ∈ Z[x] irredut´ ıvel.

portanto n˜o ´ divis´ e a e ıvel por p2 . h ∈ Z[x] e grau(g). Utilizando o crit´rio de Eisenstein vemos que todo polinˆmio xn − p para p um e o n´mero primo ´ irredut´ em Z[x].+ u e ıvel o e x + 1. divis´ e ıveis por p e o coeficiente constante ´ igual a p. assim p divide todas as parcelas exceto a ultima. A id´ia a e e ´ considerar o automorfismo de K[x] definido por x → x + 1. Portanto f ´ e redut´ em Z[x]. + bi−1 c1 + bi c0 . . . Assim dado g ∈ K[x] e temos que g(x) ´ irredut´ se e somente se g(x + 1) ´ irredut´ e ıvel e ıvel. exceto o l´ ıder que ´ 1. h∗ ∈ Z[x] e grau(g ∗ ) = grau(g) e grau(h∗ ) = grau(h). Um exemplo menos ´bvio ´ f (x) = xp−1 +. Digamos que p | b0 e co p c0 . N˜o existe a priori um primo para o qual possamos aplicar o crit´rio. digamos r s g= i=0 ai xi e h = j=0 bj xj . Demonstracao. O coeficiente de xi em f ´ dado por e ai = b0 ci + b1 ci−1 + . Aplicando isto a f . Suponhamos que f = gh com g. Por outro lado segue de p | a0 = b0 c0 e a p2 a0 que p | b0 ou p | c0 e apenas uma destas op¸˜es ocorre. grau(h) ≥ 1. portanto p ai . Suponhamos que exista um n´mero primo p tal que p | ai para todo i = n e p2 a0 . Como p an = br cs ent˜o p br e p cs . mas i ≤ r < n.100 ´ ˆ 14. Seja ¸˜ e n f= i=0 ai xi ∈ Z[x] \ {0}. observamos (exerc´ ıcio) que f (x + 1) tem todos os coeficientes. u Ent˜o f ´ irredut´ a e ıvem em Q[x]. Pelo lema de Gauss basta mostrar que f ´ irredut´ ¸˜ e ıvel em Z[x]. Mas isto s´ pode ´ o ocorrer para i = n. . onde g ∗ . ıvel Proposicao 14. . Seja i ≤ r o menor inteiro tal que p bi . .13 (crit´rio de Eisenstein). cancelamos todos os fatores primos de m obtendo f = g ∗ h∗ . ANEIS DE POLINOMIOS Repetindo o argumento.

.CAP´ ıTULO 15 An´is e dom´ e ınios 15. Afirmamos que (Z[i]. dados a + bi. onde i2 = −1. Se c + di divide a + bi basta tomar a + bi . ent˜o a ϕ((a + bi)(c + di)) = ϕ((ac − bd) + i(ad + bc)i) = (ac − bd)2 + (ad + bc)2 = a2 c2 + b2 d2 + a2 d2 + b2 c2 = a2 (c2 + d2 ) + b2 (c2 + d2 ) = (a2 + b2 )(c2 + d2 ) = ϕ(a + bi)ϕ(c + di).e. . Note que se a + bi.1.. Em um dom´ ınio de integridade D dizemos que b | a (para a. Exemplo 15. se para todo a. De fato. onde r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(c + di). Em particular a condi¸˜o ca ϕ((a + bi)(c + di)) ≥ ϕ(a + bi) ´ satisfeita. ϕ) ´ um dom´ e e ınio euclideano. i. b ∈ D) se existe c ∈ D tal que a = bc. grau). | |) e (K[x]. c + di ∈ Z[i] \ {0}. Como exemplos temos (Z. para todos a. i. onde r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(b). b ∈ Z}. Dizemos que (D. Definimos tamb´m e ϕ(a + bi) := a2 + b2 .1. e Z[i] := {a + bi | a. ϕ) ´ um dom´ e ınio euclideano. Dom´ ınios euclideanos Seja D um dom´ ınio de integridade e ϕ : D \ {0} → N uma fun¸˜o tal que ca ϕ(ab) ≥ ϕ(a). c + di ∈ Z[i] com c + di = 0 queremos mostrar que existem q = q0 + iq1 e r = r0 + ir1 em Z[i] tais que a + bi = q(c + di) + r. procuramos r = 0 satisfazendo a a r=0eq= ϕ(r) = ϕ(a + bi − q(c + di)) < ϕ(c + di). b ∈ D com b = 0 temos a = bq + r. c + di Suponhamos portanto que isto n˜o ocorra.e. Um outro exemplo ´ o anel dos inteiros gaussianos. b ∈ D \ {0}. (utilizando a multiplicatividade de ϕ) ϕ a + bi −q c + di 101 < ϕ(1) = 1.

ANEIS E DOM´ INIOS Normalizando (a + bi)/(c + di) obtemos (a + bi)(c − di) = α + iβ. Assim queremos mostrar que (α − q0 )2 − 2(β − q1 )2 < 1 i.102 ´ 15. Para este anel definimos √ ϕ(a + b 2) := a2 − 2b2 . c + d 2 ∈ Z[ 2] com c + d 2 = 0 queremos obter q. Portanto. β ∈ Q. 4 4 2 Definimos portanto q como q0 + iq1 e r como a + bi − (c + di)q. Observemos que √ √ √ ϕ((a + b 2)(c + d 2)) = ϕ((ac + 2bd) + (ad + bc) 2) = (ac + 2bd)2 − 2(ad + bc)2 = a2 c2 + 4b2 d2 − 2a2 d2 − 2b2 c2 = a2 (c2 − 2d2 ) − 2b2 (c2 − 2d2 ) √ √ = (a2 − 2b2 )(c2 − 2d2 ) = ϕ(a + b 2)ϕ(c + d 2). ent˜o existe q0 ∈ Z tal que |α − q0 | ≤ 1 . (α − q0 )2 + (β − q1 )2 ≤ Exemplo 15. onde r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(c + d 2). Note que como α ∈ Q. √ √ Se (c + d 2) | (a + b 2) tomamos √ a+b 2 √ .. c2 + d2 onde α. Outro exemplo ´ o anel e √ √ Z[ 2] := {a + b 2 | a.2. √ √ √ √ √ Dados a + b 2. r ∈ Z[ 2] tais que √ √ √ a + b 2 = (c + d 2)q + r. √ √ √ ϕ((a + b 2)(c + d 2)) ≥ ϕ(a + b 2). ϕ c+d 2 √ √ Normalizando (a + b 2)/(c + d 2) obtemos √ √ √ (a + b 2)(c − d 2) = α + β 2. r=0eq= c+d 2 Caso isto n˜o ocorra procuramos r = 0 tal que a √ √ √ ϕ(r) = ϕ(a + b 2 − q(c + d 2)) < ϕ(c + d 2). √ a+b 2 √ − q < ϕ(1) = 1. 2 − 2d2 c onde α. Portanto. b ∈ Z}. Da mesma forma. a 2 existe q1 ∈ Z tal que |β − q1 | ≤ 1 .e. . 2 1 1 1 + = < 1. β ∈ Q. Assim queremos mostrar que ϕ(α + iβ − q) = (α − q0 )2 + (β − q1 )2 < 1.

6. o ent˜o r = b − aq ∈ I.. Al´m disto (α − q0 )2 − 2(β − q1 )2 ≤ (α − q0 )2 ≤ 1 < 1. e Demonstracao. Logo r = 0 e b ∈ (a). Suponhamos que I = (0) e seja ¸˜ a a ∈ I \ {0} tal que ϕ(a) ≤ ϕ(α) para todo α ∈ I \ {0}. o ent˜o r = b − aq ∈ I. r ∈ D tais que b = aq + r. Suponhamos que b ∈ I. e e o no fim do s´culo XIX. e Demonstracao. Novamente podemos escolher q0 . Afirmamos que I = (a). Seja (D. Os e a e u elementos α ∈ K que satisfazem uma equa¸˜o do tipo ca n−1 αn + i=0 ai αi = 0 tais que ai ∈ Z s˜o chamados inteiros alg´bricos de K e o conjunto de todos os inteiros alg´bricos a e e forma uma anel (dos inteiros alg´bricos de K) denotado por OK . Mostraremos agora que como no caso dos inteiros e dos ¸˜ polinˆmios dom´ o ınios euclideanos s˜o principais e fatoriais. Logo r = 0 e b ∈ (a). Teorema 15.e. Suponhamos que I = (0) e seja ¸˜ a a ∈ I \ {0} tal que ϕ(a) ≤ ϕ(α) para todo α ∈ I \ {0}.5. q1 ∈ Z.1. A pergunta ´ e e quando OK com uma fun¸˜o ϕ apropriada ´ um dom´ ca e ınio euclideano. Kummer. Se I = (0) nada h´ a fazer. Por a e ca hip´tese existem q. A resposta ´ como no caso anterior geom´trica. Existem crit´rios nos quais c a e podemos mostrar que para certos corpos de n´meros K existem fun¸˜es ϕK tais u co que (OK . Se r = 0. DOM´ INIOS EUCLIDEANOS 103 1 2 para q0 . ϕ) um dom´ ınio euclideano.e.. ϕ) um dom´ ınio euclideano. a e todo ideal I ⊂ D ´ da forma I = (a) = {aα | α ∈ D}. Seja (D.. Seja K ⊃ Q um corpo contendo Q que como Q-espa¸o ca c vetorial ´ de dimens˜o finita.e. a e todo ideal I ⊂ D ´ da forma I = (a) = {aα | α ∈ D}. Se r = 0. ϕK ) ´ um dom´ e ınio euclideano. 4 e Observacao 15. i. mas isto contradiz a escolha de a. Um tal corpo ´ chamado um corpo de n´meros. a . Por a e ca hip´tese existem q. Estes exemplos s˜o na verdade casos particulares da se¸˜ a guinte situa¸˜o mais geral. onde ζ = exp(2πi/n). e seu erro foi exatamente ter “achado” que OK era principal. onde r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(a). Um caso cl´ssico de a a corpo de n´meros ligado a teoria de n´meros ´ o corpo u u e n−1 Q[ζn ] := i=0 ai ζ i | ai ∈ Q para todo i . Este corpo ´ chamado o n-´simo corpo ciclotˆmico. Se I = (0) nada h´ a fazer.3.4. que a equa¸˜o xn + y n = z n n˜o possui solu¸˜es inteiras n˜o triviais ca a co a para n > 2).15. Ent˜o D ´ principal. A inclus˜o (a) ⊂ I ´ imediata da defini¸˜o de ideal. r ∈ D tais que b = aq + r. i. Afirmamos que I = (a). Tudo depende da representa¸˜o logar´ e e ca ıtmica de K em um R espa¸o vetorial Rn de dimens˜o finita. Observacao 15. A inclus˜o (a) ⊂ I ´ imediata da defini¸˜o de ideal. a Teorema 15. Ent˜o D ´ principal. mas isto contradiz a escolha de a. q1 ∈ Z tais que |α − q0 | ≤ 1 e |β − q1 | ≤ 2 . o que ´ e falso. Para mais sobre esta quest˜o ver [Le1] e a [Le2]. onde r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(a). Suponhamos que b ∈ I. pensou erradamente ter “provado” o ultimo teorema de e ´ Fermat (i.

Ent˜o a existem u ∈ D∗ e p1 . Portanto. ANEIS E DOM´ INIOS Seja D um dom´ de integridade. Definicao 15.8. Assim. o que mostra que ϕ(a) = ϕ(1). repetindo o e ıvel a a a argumento existe p2 ∈ Da1 irredut´ tal que ϕ(p2 ) ≤ ϕ(b) para todo b ∈ Da1 \ {0}. Z∗ = {±1} e K[x]∗ = K ∗ . portanto Z[i]∗ = {±1. (2) Para todo d ∈ D \ {0} tal que d | a e d | b. caso contr´rio. mas neste caso qc = 1. existe r tal que ϕ(ar ) = ϕ(1). Um elemento a ∈ D ´ dito irredut´ e ıvel. i. pois os elementos pi ’s s˜o a irredut´ ıveis. Seja Da o conjunto dos divisores d de a em D. Seja p1 ∈ Da \ {0} tal que ϕ(p1 ) ≤ ϕ(b) para todo b ∈ Da . o que tamb´m ´ imposs´ e e ıvel. · · · .. ıvel a Observe que ϕ(a) > ϕ(a1 ) > ϕ(a2 ) > · · · ≥ ϕ(1). Portanto. c ∈ D ent˜o b ∈ D∗ ou c ∈ D∗ . estes elementos s˜o a a claramente invers´ ıveis. a Lema 15.e. Se ϕ(cd) = ϕ(d). o que ´ imposs´ a e ıvel. r = 0 e 1 = aq. o conjunto dos elementos a ∈ D tais que existe b ∈ D tal que ab = 1. ±i}. ent˜o ϕ(r) < ϕ(1) o que ´ imposs´ a e ıvel. ϕ) um dom´ ınio euclideano e a ∈ D \ {0}. a2 + b2 = 1. De fato. p1 = cd.7.. se toda vez que a = bc com b. Teorema 15. Se D = Z[i]. Sejam a. Demonstracao. c. i. Seja a a1 := . . por a / hip´tese existem q. ent˜o existe b ∈ D \ {0} tal que ab = 1. notemos que se a + bi ∈ Z[i]∗ ent˜o existe c + di ∈ Z[i] tal que (a + bi)(c + di) = 1.e. se a2 ∈ D∗ ou a2 for irredut´ acabou. Seja (D. o Se r = 0. Se a ∈ D∗ ou a for irredut´ nada h´ a fazer. logo c ∈ D∗ . Caso contr´rio prosseguimos. Mas no c´ ırculo x2 + y 2 = 1 os unicos ´ pontos com coordenadas inteiras s˜o ±1 e ±i. a ∈ D∗ . Ent˜o a ∈ D∗ se e somente a se ϕ(a) = ϕ(1). a2 := p2 p1 p 2 Novamente. Suponha que ϕ(a) = ϕ(1) para a ∈ D \ {0}. r ∈ D tais que d = qcd + r com r = 0 ou ϕ(r) < ϕ(cd) = ϕ(d). Observemos que ϕ(a) = ϕ(a. Assim ϕ(cd) > ϕ(d) e d ∈ Da . ϕ) um dom´ ınio euclideano. ent˜o r = d(1 − qc) e ϕ(r) ≥ ϕ(d).e. r ∈ D tais que 1 = qa + r com r = 0 o ou ϕ(r) < ϕ(a). Demonstracao. Portanto.9.. b ∈ D \ {0}. Definimos um mdc d de a e b por ¸˜ (1) d | a e d | b. p1 Se a1 ∈ D∗ ou a1 ´ irredut´ ent˜o nada h´ a fazer. pr ∈ D \ {0} irredut´ ıveis tais que a = up1 · · · pr . Logo a (a2 + b2 )(c2 + d2 ) = 1. Por outro lado se a ∈ D∗ . ar ∈ D∗ e neste caso a = up1 · · · pr com u = ar . Reciprocamente. d ∈ D∗ e ϕ(p1 ) = ϕ(cd) ≥ ϕ(d).104 ´ 15. temos que d | d. mas isto contradiz a minimalidade de p1 . assim r = 0.e. i. Caso contr´rio. Por exemplo. i. Afirmamos que p1 ´ irredut´ e ıvel.1) ≥ ϕ(1) para todo a ∈ D \ ¸˜ {0}. p1 ´ irredut´ e ıvel. Seja (D.. ıvel Seja a a1 = . se r = 0. logo a ϕ(1) = ϕ(ab) ≥ ϕ(a). Suponhamos ¸˜ ıvel a a ∈ D∗ redut´ / ıvel. Denotamos por D∗ o conjunto dos elementos ınio invers´ ıveis de D. Por hip´tese existem q.

. Suponha que possamos fatorar a de duas maneiras distintas ¸˜ f f a = upe1 · · · per = vq11 · · · qs s . ent˜o ap´s cancelar p1 ter´ a o ıamos que ter q1 = apj para j > 1 o que novamente ´ imposs´ e ıvel. Como ambos s˜o irredut´ a ıveis isto significa que existe ai ∈ D∗ tal que qi = ai p1 . Pelo mesmo argumento d | b. Afirmamos que d = mdc(a. Pelo lema anterior existe i tal que p1 | qi .. a = 1.e. Observe que f f p1 | vq11 · · · qs s . Por outro lado existem s. ent˜o ϕ(p1 ) = ϕ(qi ) > ϕ(q1 ) = ϕ(pi ) o que tamb´m ´ imposs´ a e e ıvel. Tamb´m e temos que ter e1 = f1 . i. Ent˜o a existem unicos (a menos de invers´ ´ ıveis) u ∈ D∗ . pois se por exemplo f1 > e1 . β ∈ D} o ideal gerado por a e b. suponha que i > 1. B ∈ D∗ . b ∈ D.13. Multiplicando por b e utilizando que ab = αp para α ∈ D. DOM´ INIOS EUCLIDEANOS 105 Observacao 15. Logo a menos de multiplica¸˜o por um elemento invers´ ca ıvel a no¸˜o de mdc est´ ca a bem definida. Se j > 1.1.12. Lema 15. r 1 2 3 Repetindo o argumento obtemos que r = s e para todo i = 1. er ≥ 1 tais que a = upe1 · · · per . Dividindo ambos os lados por pe1 obtemos 1 f f uae1 pe2 · · · per = vq22 · · · qs s . b). Demonstracao. assim d = BAd e portanto A. i.15. r 1 Demonstracao. q2 = a2 p2 para a2 ∈ D∗ e e2 = f2 . · · · . Seja (D. Teorema 15. r temos que qi = ai pi para ai ∈ D∗ e u = vae1 · · · aer . B ∈ D. logo a = dα.e. t ∈ D ¸˜ a tais que 1 = sp + ta.. portanto d = d (sA + tB). dividindo ambos os lados por pe2 obtemos 2 f f uae1 ae2 pe3 · · · per = vq33 · · · qs s .10. Como (D. ent˜o ϕ(p1 ) = ϕ(q1 ) < ϕ(qi ) = ϕ(p1 ) o que ´ imposs´ a e ıvel. r 1 para v ∈ D∗ . Suponha que p a. Observacao 15.a + 0. p1 . De fato. r 1 2 Repetindo o argumento anterior. q1 . Ent˜o ıvel a p | a ou p | b. ϕ) ´ principal. r 1 . Afirmamos que i = i.11. concluimos que existe d ∈ D \{0} e tal que (d) = I. d = Ae e e = Bd para A. ent˜o mdc(p. Se d | a e d | b. Seja ¸˜ I := (a) + (b) := {aα + bβ | α. Observe que se d e e s˜o mdc’s de a e b ent˜o d | e e ¸˜ a a e | d. Se j = 1. · · · . obtemos b = spb + tαp. logo p | b. pr ∈ D irredut´ ıveis com ϕ(p1 ) < · · · < ϕ(pr ) e inteiros e1 .b ∈ I. · · · . · · · . d | a. i. Seja p ∈ D irredut´ e suponha que p | ab para a. ϕ) um dom´ ınio euclideano e a ∈ D \ {0}. ent˜o a a = Ad e b = Bd para A. De fato. qs ∈ D irredut´ ıveis com ϕ(q1 ) < · · · < ϕ(qs ).e. Pelo mesmo argumento existe j tal que p1 = bj qj com bj ∈ D∗ . t ∈ D tais que d = as + bt (o algoritmo euclideano estendido). B ∈ D. a) = 1 e existem s. d | d.

15.2.. · · · . y) = f (x)f (y) = 0. Seja D[x] o anel de polinˆmios com coeficientes em D. No caso de um dom´ ınio euclideano. Se N (f ) = (0) e f (x) = f (y). Observe tamb´m que N (f ) ´ um ideal de A.14.e. p1 . · · · . logo ¸˜ e a x = 0. y ∈ A. pois se a/1 = 0/1. x + y ∈ N (f ). De fato.. Dois elementos a. Se x ∈ N (f ) e a ∈ A. Consideremos o homomorfismo de an´is ϕ : D → K e definido por ϕ(a) := a/1. Seja K := fr(D) seu corpo de fra¸˜es. · · · . Um homomorfismo f : A → B ´ dito um isomorfismo se ¸˜ e for um homomorfismo bijetivo. er ≥ 1 s˜o inteiros.. O conte´do c(f ) de f ∈ D[x] ´ definido por co u e c(f ) := mdc(an . ent˜o f (x − y) = 0.18.17.19. onde a a unicidade ´ a menos de multiplica¸˜o por um elemento de D∗ ou de permuta¸˜o dos e ca ca irredut´ ıveis. se x. Uma fun¸˜o f : A → B ´ dita um homomorfismo de an´is ca e e se f (x + y) = f (x) + f (y) e f (xy) = f (x)f (y) para todos x. O n´cleo N (f ) u de f ´ definido como o subconjunto dos elementos a ∈ A tais que f (a) = 0. . i. i. co e e Definicao 15.16.e. i. a0 ). e Demonstracao. a fun¸˜o ϕ determina a ordem dos ca elementos irredut´ ıveis. Um dom´ ¸˜ ınio de integridade D ´ dito fatorial quando para e todo a ∈ D \ {0} podemos escrever a de maneira unica ´ a = upe1 · · · per . Lema 15. xa ∈ N (f ). Definicao 15. Dom´ ınios fatoriais Definicao 15. ent˜o f (x) = 0 = f (0). d) se e somente se ad = bc. Se f ´ injetivo e x ∈ N (f ). i. pr ∈ D s˜o irredut´ a ıveis e e1 . b d cd b d bd Com estas opera¸˜es K ´ um corpo. O inverso de a/b = 0 ´ b/a. r 1 onde u ∈ D∗ . ¸˜ o s˜o os elementos da forma a n f= i=0 ai xi tais que ai ∈ D para todo i. Sejam A e B dois an´is (sempre comutativos com elemento ¸˜ e neutro para o produto). Observacao 15. Definimos em D := D × (D \ {0}) a seguinte rela¸˜o de equivalˆncia: ca e (a.e. ent˜o a a f (x. y ∈ N (f ). Definicao 15. Seja D um dom´ ¸˜ ınio de integridade. A classe de equivalˆncia e e do par (a. b ∈ D s˜o ditos associados a (denotado por a ∼ b). se a = ub onde u ∈ D∗ . ANEIS E DOM´ INIOS 15. e ent˜o a = 0. Seja K := D/ ∼ o conjunto das classes de equivalˆncia de D.106 ´ 15. Note e que 0 ∈ N (f ). x − y ∈ N (f ). a x = y. Este ´ um homomorfismo injetivo. e e ent˜o f (x + y) = f (x) + f (y) = 0. Definimos em D opera¸˜es de soma e produto e ca b co por c ad + bc a c ac a + := e + = . i.. assim n˜o podemos permut´-los e a a unicidade ´ a menos a a e de multiplica¸˜o por invers´ ca ıveis.e.. b) ∼ (c. f ´ injetivo se e somente se N (f ) = (0). b) ´ denotada pela fra¸˜o a .e. Por isto D ´ isomorfo a sua imagem e K ´ dito o corpo de fra¸˜es de a e e co D e denotado por fr(D).

f g = c(f )c(g)f1 g1 e c(f g) = c(f )c(g)c(f1 g1 ). Eliminando os denominadores de g e h obtemos a ∈ D \ {0} tal que af = g1 h1 para g1 . Digamos que u = a .. co (1) Se f. ıvel grau(h) ≥ 1.. ∗ logo existe u ∈ D tal que a = c(g1 )c(h1 )u.21. Escrevamos explicitamente n m f1 = i=0 ai xi e g1 = i=0 bi xi . (1) Podemos sempre escrever f = c(f )f1 para f1 ∈ D[x] ¸˜ primitivo. . e ıvel Demonstracao.e. Seja n+m f1 g1 = i=0 cj xj . Ou seja. i. Escolhamos i e l m´ ınimos com esta propriedade. Um polinˆmio f ∈ D[x] ´ dito primitivo. portanto f ´ associado a g em D[x].20 (lema de Gauss generalizado). 1 ∗ Teorema 15. Seja D um dom´ ınio fatorial e K seu corpo de fra¸˜es. Seja D um dom´ ınio fatorial. Afirmamos que c(f1 g1 ) = 1. c(bf ) = bc(f ) = b e c(ag) = ac(g) = a. . suponhamos que f = ug para u ∈ K ∗ e K = fr(D).15. 1 ∗ ıvel i. e ´ (3) E claro que se f ´ irredut´ em K[x] ele tamb´m o ´ em D[x].2. f = u−1 g1 h∗ o que contradiz o fato de f ser irredut´ em D[x]. Ent˜o f ´ irredut´ em D[x] se e somente se a e ıvel f ´ irredut´ em K[x]. Como c(f1 ) = c(g1 ) = 1 existe i tal que p ai e l tal que p bl . . b = va para v ∈ D∗ . se c(f ) = 1. escrevendo g1 = c(g1 )g1 e e ∗ ∗ ∗ h1 = c(h1 )h1 com g1 . digamos f = gh para g. a (2) Se f. Logo b bf = ag. DOM´ INIOS FATORIAIS 107 Sendo um mdc. o e Lema 15. h ∈ K[x] tais que grau(g). Em particular. + a0 bi+l n˜o pode ser divis´ por p. g ∈ D[x] s˜o primitivos. ent˜o c(f g) = c(f )c(g). h1 ∈ D[x] e grau(g1 ) = grau(g) e grau(h1 ) = grau(h). . Logo. g ∈ D[x]. o elemento c(f ) ´ unico a menos de multiplica¸˜o por elemento de e´ ca D∗ . p c(f1 g1 ) e c(f1 g1 ) = 1. Al´m disto. (3) Seja f ∈ D[x] primitivo. Ent˜o a ci+l = ai+l b0 + ai+l−1 b1 + . h1 ∈ D[x] primitivos temos que ∗ af = c(g1 )c(h1 )g1 h∗ . Note que c(af ) = ac(f ) = a e c(g1 h1 ) = c(g1 )c(h1 ).e. Ent˜o D[x] tamb´m ´ um a e e dom´ ınio fatorial. + ai+1 bl−1 + ai bl + ai−1 bl+1 + . . Provemos e e e a rec´ ıproca. ent˜o f ´ associado a g em D[x] se e a a e somente se ele o for em K[x]. a ıvel ´ (2) E claro que que se f ´ associado a g em D[x] tamb´m o ´ em K[x]. Seja p ∈ D irredut´ ıvel. Suponha e ıvel e e que f seja redut´ em K[x].

e Teorema 15. Fatores m´ ltiplos e resultante u Proposicao 15. Demonstracao. Logo existe w ∈ D∗ tal que ac(f ) = wvc(q1 )e1 · · · c(qr )er . n − 1. i. g ∈ K[x] \ K. qr ∈ D[x] irredut´ ıveis em K[x] e grau(qi ) = grau(pi ) ∗ ∗ para todo i. g1 ∈ K[x] e grau(f1 ) < grau(f ) e grau(g1 ) < grau(g). ca 15. Mas c(af ) = ac(f ) e ∗ ∗ c(vc(q1 )e1 · · · c(qr )er (q1 )e1 · · · (qr )er ) = vc(q1 )e1 · · · c(qr )er . f = hf1 e g = ¸˜ hg1 com f1 .23. Logo f1 g = g1 f e tomamos u = f1 e v = g1 . co n f= i=0 ai xi ∈ D[x] − {0} primitivo e p ∈ D irredut´ ıvel.22 (crit´rio de Eisenstein generalizado). p1 . onde v ∈ D \ {0} e q1 . Sejam f. pr ∈ K[x] irredut´ ıveis. ANEIS E DOM´ INIOS Demonstracao. Suponhamos que exista h como acima. e ıvel ∗ ∗ af = vc(q1 )e1 · · · c(qr )er (q1 )e1 · · · (qr )er . Em particular.. Assim. Pelo lema de Gauss qi ´ irredut´ em D[x] para todo i. Caso contr´rio fatoramos a f = upe1 · · · per r 1 com u ∈ K ∗ . · · · . ent˜o a f ´ irredut´ em K[x]. Seja f ∈ D[x] \ {0}.e. ıvel . K = fr(D) seu corpo de fra¸˜es. ∗ ∗ f = w−1 (q1 )e1 · · · (qr )er o que mostra que D[x] ´ fatorial. grau(u) < grau(f ) e grau(v) < grau(g). · · · . grau(p1 ) < · · · < grau(pr ) e e1 . Para todo i escreva qi = c(qi )qi com qi ∈ D[x] primitivo e irredut´ ıvel ∗ em K[x]. Reciprocamente. v ∈ K[x] \ {0} tais que ug = vf.3. · · · . e ıvel Demonstracao. Se f ∈ D∗ ou f for irredut´ nada h´ ¸˜ ıvel a a fazer. suponhamos a segunda condi¸˜o satisfeita. er ≥ 1 inteiros.108 ´ 15. substituindo o lema de Gauss pela sua generaliza¸˜o. · · · . A prova ´ igual ao caso em que D = Z que foi feita anteri¸˜ e ormente. p an e p2 a0 . Como grau(u) < ca grau(f ) e pela unicidade da fatora¸˜o de polinˆmios temos que existe algum fator ca o irredut´ h de f tal que h | g. Ent˜o existe h ∈ K[x] \ K irre¸˜ a dut´ tal que ıvel h|f eh|g se e somente se existem u. Multiplicando pelo produto dos denominadores obtemos a ∈ D \ {0} tal que e e af = vq11 · · · qr r . Seja D um dom´ e ınio fatorial. Se p | ai para i = 0.

··· −b0 . bm bm−1 · · · . FATORES MULTIPLOS E RESULTANTE 109 Definicao 15. . A existˆncia de solu¸˜o n˜o trivial e e ca a . g). j > s) e ca ent˜o ci = 0 (resp. −bm−1  a0 . g) = 0.  . ..25. m − 1) com a conven¸˜o que se i > r (resp. .. da seguinte matriz  . v) at´ n − 1 (resp. .       −b0 .. .´ 15.. . an−1 −b0 −b1 .. a Observacao 15.   an an−1 · · ·  bm bm−1 · · · b1 b0   bm bm−1 · · · b1 b0   .3.  .  .. Seja ¸˜ r s u= i=0 ci x e v = j=0 i dj xj . g) ´ definida como o determinante e  an an−1 ··· a1 a0  an an−1 · · · a1 a0   . ..    −bm −bm−1 ···   −bm −bm−1   . Da ´lgebra e a linear o sistema tem solu¸˜o n˜o trivial se e somente se o determinante da matriz do ca a sistema ´ nulo.. . . . Sejam ¸˜ n m f= i=0 ai xi e g = j=0 bj xj . . . a1 ··· . −bm a0 a1 . −b1 .... ··· . . Portanto. an −b1 ··· .. .  .. . . b1 onde as linhas com os coeficientes ai ’s s˜o repetidas m vezes e as linhas com os a coeficientes bj ’s s˜o repetidas n vezes.. a1      a0  . ou seja a matriz ´ (n + m) × (n + m).24. o determinante da matriz do sistema ´ igual a (−1)n Res(f.. . Para facilitar a nota¸˜o tomaremos os coeficientes de ca u (resp. . A igualdade ug = vf resulta em um sistema linear a homogˆneo e an dm−1 − bm cn−1 = 0 an dm−2 + an−1 dm−1 − bm cn−2 − bm−1 cn−1 = 0 ······ a1 d0 + a0 d1 − b1 c0 − b0 c1 = 0 a0 d0 − b0 c0 = 0 cuja matriz transposta ´ igual a e  an an−1 ···  an an−1   . a1      a0  . dj = 0). As a e demais entradas da matriz s˜o todas nulas.. onde r ≤ n − 1 e s ≤ m − 1.       b0 A resultante Res(f.. . o que equivale a Res(f. ... ..

An´is quocientes e teorema chinˆs dos restos e e Seja A um anel (sempre comutativo com unidade) e I. Definimos formalmente a deriva¸˜o de polinˆmios D : K[x] ¸˜ ca o → K[x] por n n D i=0 ai xi := i=1 iai xi .e. Dessa e a ca forma temos o teorema seguinte. ANEIS E DOM´ INIOS equivale justamente a existˆncia de u e v satisfazendo ` condi¸˜o acima. Reciprocamente. a fortiori 1 ∈ I + J.29. suponha que f | D(g). portanto f | D(g). Assim concluimos a seguinte proposi¸˜o.e. J ⊂ A ideais de A definimos o ideal soma I + J por I + J := {a + b | a ∈ I e b ∈ J}. i. ca Proposicao 15. m ≥ 1 inteiros. B ∈ K[x]. . Fica como exerc´ verificar que I + J ´ de fato um ideal de A. Por exemplo.26. Derivando a primeira igualdade. para f. D(f )). se A = Z. se existem a ∈ I e b ∈ J tais que 1 = a + b.. a e u Demonstracao. i. digamos A = f C para C ∈ K[x]. digamos g = f A e D(g) = f B para A. g) = 0.30. para f. t ∈ Z tais que 1 = sn + tm. ent˜o pelo algoritmo euclideano estendido existem s. Dizemos que os ıcio e ideais I e J s˜o coprimos se a I + J = A.4. ıvel e u Proposicao 15. D(g) = f D(A) + D(f )A. Assim. ent˜o existem s. g ∈ K[x]. Suponhamos que D(f ) = 0. I = nZ e J = mZ com n. pela unicidade da fatora¸˜o de polinˆmios.27. Neste caso grau(D(f )) < grau(f ) e como f ´ e irredut´ ıvel. Suponha que f seja fator m´ltiplo de g. 15. Definicao 15. Sejam f. Logo D(g) = D(A)f 2 + 2Af D(f ). m) = 1. substituindo temos que f (B − D(A)) = D(f )A.110 ´ 15. para a ∈ K e f ∈ K[x]. g ∈ K[x]. (2) D(af ) = aD(f ). o que ´ imposs´ e e ıvel. Teorema 15. n) = 1. ent˜o f 2 | g. qualquer divisor a primo comum de n e m dividiria tamb´m 1. temos que I e J s˜o coprimos se e somente se mdc(m. g ∈ K[x] \ K. concluimos que f ´ um fator ca o e de A. Reciprocamente. De fato. ent˜o f possui fator m´ltiplo se e ¸˜ a u somente se disc(f ) = 0. se mdc(n. t ∈ Z tais a que 1 = sn + tm. Se D(f ) = 0 ent˜o trivialmente a D(f ) | g. (3) (regra de Leibniz) D(f g) = f D(g) + D(f )g. Dizemos que um fator irredut´ f de g ∈ K[x] − K ´ m´ltiplo se f 2 | g. Esta fun¸˜o satisfaz as seguintes propriedades: ca (1) D(f + g) = D(f ) + D(g). ent˜o existe h ∈ K[x] \ K irredut´ a ıvel tal que h | f e h | g se e somente se Res(f. ¸˜ u a g = Af 2 para algum A ∈ K[x].. Ent˜o f ´ fator m´ltiplo de g se e somente se f | D(g). Definimos o discriminante de f ∈ K[x] \ {0} por disc(f ) := ¸˜ Res(f. Seja f ∈ K[x] \ K.28. se os ideais forem a coprimos. Assim g = f 2 C e f ´ um fator m´ltiplo de e u g. Definicao 15. Seja g ∈ K[x]\K e f ∈ K[x]\K um polinˆmio irredut´ ¸˜ o ıvel.

´ ˆ 15.e. e Demonstracao. Quando A = Z e e a I = nZ a rela¸˜o acima ´ apenas a rela¸˜o de congruˆncia m´dulo n. i.. Definimos em A a ¸˜ seguinte rela¸˜o. a − a = α ∈ I e b − b = β ∈ I.. Ent˜o a + I = I e por hip´tese existe b ∈ A tal que a o (a + I) (b + I) = 1 + I. Deixamos tamb´m como exerc´ verificar (exatamente como no caso dos inteiros m´dulo n) e ıcio o que o conjunto A/I com as opera¸˜es ⊕ e ´ um anel. Proposicao 15.4.. Um ideal I de um anel A ´ dito maximal se para todo ideal ¸˜ e J de A tal que I ⊂ J ⊂ A temos J = I ou J = A. Um ideal I de A ´ dito um ideal primo se dados a. Reciprocamente. Definicao 15.e. ¸˜ co a Sejam a . b ∈ A ¸˜ e tais que ab ∈ I. e Definicao 15.33. e . logo A = J e I ´ maximal. i. i.. Isto equivale a a ∈ I. que existem t ∈ I e s ∈ A tais que 1 = t + sa.e.1.35. existe t ∈ I tal que ab − 1 = t. e e 15. i. suponha que A/I seja um corpo. i.4. Note que o elemento neutro co e para a soma ´ a classe I e o elemento neutro para o produto ´ a classe 1 + I.e. i. O conjunto de classes de equivalˆncia ser´ denotado por A/I. (a + b ) − (a + b) = α + β ∈ I e em particular a + b ≡ a + b (mod I) (o que equivale a (a + b ) + I = (a + b) + I). ANEIS QUOCIENTES E TEOREMA CHINES DOS RESTOS 111 Definicao 15. Seja a + I = I ¸˜ uma classe em A/I.e. b ∈ A tais que a ≡ a (mod I) e b ≡ b (mod I). uma vez que ca e ca e o Z ´ um dom´ e ınio principal. A classe de equivalˆncia de ca e e a ∈ A m´dulo I ser´ denotada por o a a + I := {a + α | α ∈ I}. Definicao 15. Tamb´m temos que e a b − ab = a b − a b + a b − ab = a (b − b) + b(a − a) = a β + bα ∈ I. (ab) + I = 1 + I. Dados a. Assim. ent˜o a ∈ I ou b ∈ I. Ideais primos e maximais. Em outras palavras 1 = t − ab ∈ J. I e J.. Observacao 15. portanto a b ≡ ab (mod I) (ou equivalentemente.. Fica como exerc´ verificar e o ıcio que isto define de fato uma rela¸˜o de equivalˆncia.. Verifiquemos que estas opera¸˜es est˜o bem definidas. Al´m disto. dizemos neste caso que a ´ equivalente a b m´dulo I. sa ≡ 1 (mod I).e. O conjunto (a) = {xa | x ∈ A} ´ um / e ideal de A e pelo que foi feito anteriormente o conjunto J = I + (a) tamb´m ´ um e e ideal de A. a + I admite inverso multiplicativo.36. (sa) + I = (s + I) (a + I) = 1 + I.32. Pela maximalidade de I concluimos que J = A.31. b ∈ A dizemos que ca a≡b (mod I) se a − b = α ∈ I. Suponha que I seja um ideal maximal de A. Seja J um ideal de A tal que I J. Definimos em A/I uma estrutura de anel da seguinte forma: ¸˜ (a + I) ⊕ (b + I) := (a + b) + I e (a + I) (b + I) := (ab) + I. Seja a ∈ J − I.e. i. (a b ) + I = (ab) + I). Seja A um anel e I um ideal de A. Note que quando A = Z e p ´ um n´mero a e u primo o ideal pZ ´ um ideal primo de Z.34. Um ideal I de A ´ maximal se e somente se o anel quo¸˜ e ciente A/I ´ um corpo.

O n´cleo N (f ) de f ´ definido por {a ∈ A | f (a) = 0}..38. ϕ(a + N (f )) = ϕ(a + N (f )). Logo f (a) = ¸˜ 0 = f (0).e.1) = f (1)f (1). (ab + I) = I. i.e. Um ideal I de A ´ primo se e somente se o anel quociente ¸˜ e A/I ´ um dom´ e ınio de integridade. a ∈ I ou b ∈ I. Seja f : A → B um e homomorfismo de an´is.e.e. e Definicao 15. e a = Demonstracao. .37. A fun¸˜o ϕ ´ definida por ¸˜ ca e ϕ(a + N (f )) := f (a).e. Um homomorfismo f : A → B ´ dito um isomorfismo se for ¸˜ e bijetivo. Homomorfismo de an´is. a + I = I o ou b + I = I. i. 15. ent˜o f (1) = 0 ou f (1) = 1. b ∈ A tais que f (a) = f (b). Sejam a. Logo f (a ) = f (a). Se este e endomorfismo for bijetivo ele ´ dito um automorfismo de A.. Observe tamb´m que como 0 = f (0) = e f (a + (−a)) = f (a) + f (−a). Suponha que I seja um ideal primo de A. Ent˜o f ´ injetivo e a e se e somente se N (f ) = (0). b ∈ A tais que ab ∈ I. Ent˜o f (a − b) = 0. Suponha que f seja injetivo e que a ∈ N (f ).e. a Definicao 15.a) = f (1)f (a) = 0. Sejam A e B an´is e f : A → B uma fun¸˜o. Teorema 15. e u e Fica como exerc´ mostrar que N (f ) ´ um ideal de A. Esta fun¸˜o ´ ¸˜ e ca ca e dito um homomorfismo de an´is se e f (a + b) = f (a) + f (b) e f (ab) = f (a)f (b).112 ´ 15. Demonstracao. Esta fun¸˜o ´ um homomorfismo. ab ∈ I. portanto f (0) = 0. Como I ´ primo. estes dois an´is s˜o isomorfos).. suponha que N (f ) = (0). a + I = I ou b + I = I. pois ca e ϕ((a + N (f )) ⊕ (b + N (f ))) = ϕ((a + b) + N (f )) = f (a + b) = f (a) + f (b) = ϕ(a + N (f )) + ϕ(b + N (f )) e ϕ((a + N (f )) (b + N (f ))) = ϕ((ab) + N (f )) = f (ab) = f (a)f (b) = ϕ(a + N (f ))ϕ(b + N (f )). Se A ´ um dom´ e ınio de integridade. Lema 15. i.40.e. ent˜o f (1) = 1.e. f (1) = f (1.. Observe que f (0) = f (0 + 0) = f (0) + f (0). pois f (a) = f (1. Reciprocamente. De a ca a fato. Um homomorfismo f : A → A ´ dito um endomorfismo de A. Demonstracao. Seja a ∈ A tal que a ≡ a a (mod N (f )). i. Reciprocamente. ANEIS E DOM´ INIOS Proposicao 15. No primeiro caso a fun¸˜o ´ identicamente a ca e nula. Se al´m disto e A for um dom´ ınio de integridade e f n˜o for a fun¸˜o nula. Seja f : A → B um homomorfismo de an´is. Ent˜o f induz um isomorfismo ϕ : A/N (f ) → f (A) (em outras e a palavras A/N (f ) ∼ f (A). b+I ∈ ¸˜ A tais que (a + I) (b + I) = I. Seja f : A → B um homomorfismo de an´is. i. Verifiquemos inicialmente que ϕ est´ bem definida. em particular a = b. Sejam a+I.2. i..39. Por hip´tese.. pela injetividade de f concluimos que a = 0. i. i.. A imagem f (A) de f ´ um ıcio e e subanel de B (isto tamb´m ´ um exerc´ e e ıcio).. a a − b ∈ N (f ). i. i.e.. ent˜o f (−a) = −f (a).41 (teorema dos homomorfimos). suponha que A/I seja um dom´ ınio de integridade.4.e. f (1)(f (1) − 1) = 0. e I temos que a ∈ I ou b ∈ I. a − a = α ∈ N (f ). Sejam a.. (ab) + I = (a + I) (b + I) = I.

pois se ϕ(a + N (f )) = ca e e f (a) = 0. . . .j ∈ Ii . Em particular. Ir . Seja γν := λ1 . ∩ Ir . . ar. Ir ideais de A. . pois para todo y ∈ f (A). Ir ideais de A tais que para todo α = β tenhamos Iα + Iβ = A. . Sejam I1 . Ir = I1 ∩ .3. · · · . · · · . Teorema chinˆs dos restos. . Esta fun¸˜o tamb´m ´ injetiva. ca e portanto y = ϕ(a + N (f )). Ir ideais de A tais que para todo α = β ¸˜ tenhamos Iα + Iβ = A.1 · · · ar. + ar γr ´ uma solu¸˜o e ca do sistema. ¸˜ o Ent˜o β ≡ 1 (mod I) e α ≡ 1 (mod J). .4. α=ν onde δν ∈ Iν . .42. . x := a1 γ1 + . λr ∈ Jν .1) Iν + Jν = A. . Ent˜o a I1 . .n . Lema 15. i. Demonstracao.44. λν−1 λν+1 . Sejam a1 . a + N (f ) = N (f ). . ıcio e Proposicao 15. b ∈ A. J ideais de A tais que I + J = A e a. · · · . Finalmente. Fica como exerc´ mostrar que I1 . Sejam I. Ir := {a1.  .e. Da igualdade (15. Note que utilizamos o ´ ındice ν(α) para dizer que o elemento λν(α) efetivamente depende da escolha de α. Ir e para cada ν. Ent˜o a (λα + λν(α) ) = γν + δν . Sejam I1 . Vamos generalizar o resultado anterior para um n´mero qualquer de ideais. . aβ ≡ a (mod I) e bα ≡ b a (mod J). Ent˜o existe x ∈ A tal que a   x ≡ a1 (mod I1 )   . . Ir ´ efetivamente um ideal de A. ca Seja I1 . . Sejam I1 . .   x ≡ ar (mod Ir ). . . ¸˜ Ent˜o existe x ∈ A tal que a x ≡ a (mod I) x≡b (mod J). Jν := I1 . .. ar ∈ A. uma vez que os ideais s˜o dois a dois a coprimos. . . Iν−1 Iν+1 . . . a 15. .´ ˆ 15. Demonstracao. Por hip´tese existem α ∈ I e β ∈ J tais que 1 = α + β. De fato.1 + . . . . ent˜o a ∈ N (f ). e Proposicao 15. Afirmamos que (15. + a1.n | onde ai. ANEIS QUOCIENTES E TEOREMA CHINES DOS RESTOS 113 Esta fun¸˜o ´ sobrejetiva. Basta tomar x = aβ + bα. u Para isto precisamos da no¸˜o de produto de ideais. .1) obtemos que para cada ν vale γν ≡ 1 (mod Iν ) e γν ≡ 0 (mod Iα ) para α = ν. · · · . Denotamos ¸˜ J := I1 .4. temos que y = f (a) para a ∈ A. sabemos que para cada α = ν existem λα ∈ Iα e λν(α) ∈ Iν tais que λα + λν(α) = 1.43. para todo i}.

. De fato. Definimos ¸˜ ϕ: A A A → × .. Ir ) := (a + I1 . · · · . · · · . · · · .1 a2. Ent˜o e a ar = γr ar + a . Basta provar a ca inclus˜o oposta. Logo existe ca a γr ∈ I1 . para α = β. Da demonstra¸˜o da a ca proposi¸˜o anterior concluimos que I1 . Ir )) = ϕ((ab) + I1 . · · · Ir ideais de A tais e que Iα + Iβ = A. Logo I1 I2 ⊂ I1 ∩ I2 .. . · · · .1 + .114 ´ 15. (a + Ir ) ⊕ (b + Ir )) = (a + I1 . . Seja a ∈ I1 ∩ · · · ∩ Ir .ν ∈ I2 ) para cada ν. Novamente. Suponha agora o resultado provado para r − 1 fatores. Note que cada parcela a1. ANEIS E DOM´ INIOS Demonstracao. . Basta provar a inclus˜o oposta. Verifiquemos que esta fun¸˜o est´ bem definida. Provemos o resultado por indu¸˜o em r. · · · . Ir (pelo lema anterior). Ir ) (b + I1 . ..n a2. . Assim. + a1.ν pertence a I1 ∩ I2 . a + Ir ) ⊕ (b + I1 . = I1 . . a2. e ϕ((a + I1 .. (a + Ir ) (b + Ir )) = (a + I1 . Ir−1 e Ir s˜o coprimos. ∩ Ir . × A Ir ∗ . (a + b) + Ir ) = ((a + I1 ) ⊕ (b + I1 ). Ir Demonstracao. De fato. × A.. .n . logo a = γ1 a + aγ2 ∈ I1 I2 . . vamos prov´-lo para a r fatores. .ν a2.ν ∈ I1 (resp. a + Ir ). Teorema 15. Seja a o a ∈ I1 ∩ I2 . . . · · · . b + Ir ) e ϕ((a + I1 . . . Ir ) ⊕ (b + I1 . onde a1. b + Ir ). × por I1 · · · Ir I1 Ir ϕ(a + I1 . Note que para todo t ≥ 1 temos tamb´m que at ∈ I1 ∩ · · · ∩ Ir . pela defini¸˜o de ideal. Por hip´tese existem γ1 ∈ I1 e γ2 ∈ I2 tais que 1 = γ1 + γ2 . · · · . . . Ir ) = ((ab) + I1 . . Ent˜o a (1) existe um isomorfismo de an´is e A ∼ A × . . Ir ) = ((a + b) + I1 . (ab) + Ir ) = ((a + I1 ) (b + I1 ). .. .. . onde a repete-se r − 1 vezes no produto acima. . . Ir−1 e δr ∈ Ir tal que γr + δr = 1. . Ir ⊂ I1 ∩ . . a + Ir ) (b + I1 . . Sejam I1 . + Ir . . · · · . . . Ir I1 Ir (2) Este isomorfismo restringe-se a um isomorfismo de grupos A I1 . Afirmamos que ϕ ´ um homomorfismo. pela pr´pria defini¸˜o de produto de ideais temos que o ca I1 .e. . se b − a = α ∈ I1 . Suponhamos ini¸˜ ca cialmente r = 2. . . . . Ir = ca a I1 ∩. Ir )) = ϕ((a + b) + I1 . ∗ ∼ = A I1 ∗ × . . .45 (teorema chinˆs dos restos). ent˜o b ≡ a (mod Iν ) para todo ν. um elemento de I1 I2 ´ da forma e a1. b+Iν = a+Iν a para todo ν. a(aδr ) ∈ I1 + . · · · . i. .

i. Aplica¸˜es co 15. ∩ Ir . . Mas Z[i] ´ um dom´ e ınio euclideano. Assim. Se p = 2.e. Ir ). Tome a = bn . temos a fatora¸˜o xp−1 − 1 = (x − 1) · · · (x − p − 1).e. i. Ir ∈ (A/I1 . . i. De fato. a + Ir ) ∈ (A/I1 )∗ × . Por outro lado. b2n ≡ −1 (mod p). p (a + i). · · · . . p − 1} tal que b = −1. Ir ∈ (A/I1 .. αν x − 1 = δν ∈ Iν para cada ν. Ir ). ar +Ir ) = (x+I1 . Logo (a − i)(a + i) = kp.. . . . Ir ) = (ab) + I1 . . I1 Ir pela proposi¸˜o anterior existe x ∈ A tal que x ≡ aν (mod Iν ) para todo ν.e. · · · . (iii) p ´ redut´ em Z[i]. Basta provar que x + I1 . .. (a1 +I1 . . i. Logo ab ≡ 1 (mod Iν ) para todo ν. assim p n˜o a pode ser um irredut´ am Z[i]. ´ E claro que a restri¸˜o de ϕ (A/I1 . . . . xp−1 − 1 = x4n − 1 = ca 2n 2n (x −1)(x2n +1).. Ir ) (b + I1 . se necess´rio. · · · . Portanto (a + I1 . . · · · . que exista b + I1 . Demonstracao. concluimos que x ∈ (A/I1 . Ir .e. × . As seguintes condi¸˜es u co s˜o equivalentes: a (i) p = 2 ou p ≡ 1 (mod 4). Ir )∗ . Soma de quadrados. Finalmente. a + Ir ) = (I1 . . Ir = I1 ∩ . . Seja (a1 + I1 . · · · . × (A/Ir )∗ . Suponha (i). × (A/Ir )∗ . .5. .e. .1. Resta ca e provar a sua sobrejetividade. ar + Ir ) ∈ A A × . Em outras palavras. ca x+Iν = aν +Iν para todo ν. . ar + Ir ) ∈ (A/I1 )∗ × . Em particular. . APLICACOES ¸˜ 115 Esta fun¸˜o ´ sobrejetiva. 15. d ∈ Z tais qeu p(c + di) = a + i. se (a + I1 .. . Ir . . . Ir = 1 + I1 . . x+Ir ) = ϕ(x + I1 . Suponha (ii). Ou o seja. Ou seja. i. xz ≡ ±1 (mod I1 . . · · · . .5.46 (Fermat). · · · . . . .5. Pelo pequeno teorema de Fermat para todo a ∈ Z tal que p a temos que ap−1 ≡ 1 (mod p). Portanto. . De fato. Ir )∗ . pois x ´ invers´ e ıvel simultaneamente m´dulo cada Iν . (αν x − 1) = xz + (−1)r 1 = ν ν δν ∈ I1 . i. Teorema 15.. Seja p um n´mero primo. b ∈ Z. . ϕ ´ injetiva. . Ir )∗ . Seja k ∈ Z tal que a2 = −1 + kp. Portanto. e ıvel (iv) p = a2 + b2 com a. . tome a = 1 e lembre que 1 ≡ −1 ¸˜ (mod 2). pd = 1 e p | 1 o que ´ imposs´ e ıvel. dado ca e (a1 + I1 .15. que existam c. ∩ Ir = I1 . . (a + Iν ) · (b + Iν ) = 1 + Iν para todo ν. .. Suponhamos que a + I1 . · · · . . existe b ∈ {1. Substituindo. z por a −z. ent˜o e a a ∈ I1 ∩ . Pelo mesmo argumento p (a − i). Suponhamos que p = 4n + 1. . ab − 1 = c ∈ I1 . Pela parte anterior sabemos que existe x ∈ A tal que aν + Iν = x + Iν para todo ν. i. . Suponhamos que p | (a + i). . .. Mas para todo ν existe αν ∈ A tais que αν x ≡ 1 (mod Iν ). Ir ∈ (A/I1 . Ir )∗ ´ um homomorfismo injetivo. Ir ) tal que (a + I1 . logo fatorial. (ii) Existe a ∈ Z tal que a2 ≡ −1 (mod p). . para algum z ∈ A.e.e. . Ir ). Ir . ıvel .

mas a unica possibilidade para que isto ocorra ´ que a2 + b2 = c2 + d2 = p. p2 = N (p) = N (a + bi)N (a + di) = (a2 + b2 )(c2 + d2 ). Assim. ´ e Suponhamos (iv) e que p > 2.5. as possibilidades para a2 + b2 (mod 4) s˜o 0. . se a ´ resto quadr´tico m´dulo p. Sejam p. Seja a ∈ Z. chapter 5]). a Definicao 15. Lei de reciprocidade quadr´tica. Assim em (ii) estamos dizendo que -1 ´ resto quadr´tico m´dulo e a o p. Pela multiplicatividade da norma. e Um importante teorema na teoria dos n´meros (que n˜o demonstraremos aqui) u a ´ a lei de reciprocidade quadr´tica (cf [IrRo. p−1 q−1 q p = (−1) 2 2 . = 1 se e somente se p q = 1. ent˜o a p q p q = 1 se e somente se q p q p = −1. se p. q ≡ 1 (mod 4).116 ´ 15. q > 2 primos disa tintos. Dado a ∈ Z e um n´mero primo p tal que p a. q p Uma maneira de interpretar esta lei ´ uma f´rmula de inverter o s´ e o ımbolo de Legendre.2. e a o p a = −1. 1 ou 2. q ≡ 3 (mod 4). dizemos que a ´ resto quadr´tico m´dulo p se existe b ∈ Z tal que e a o b2 ≡ a (mod p). Finalmente se p ≡ 1 (mod 4) e q ≡ 3 (mod 4) (ou vice-versa). Vamos reescrever o ´ ¸˜ ıtem (ii) do teorema de outra forma. ou seja. En˜o a p−1 q−1 p q = (−1) 2 2 . ANEIS E DOM´ INIOS Suponha que p = (a + bi)(c + di) com a2 + b2 = 1 e c2 + d2 = 1. ent˜o a q p Se p. a p Assim o teorema afirma que p ´ soma de quadrados se e somente se (−1/p) = 1. Mas como p ´ primo a e apenas a segunda possibilidade pode acontecer. caso contr´rio. Dado a ∈ Z temos que a2 ≡ 0 ou 1 (mod 4). definimos o s´ u ımbolo de Legendre de a em p por a = 1. ent˜o a = 1 se e somente se = 1. e a Teorema 15.47. 15. p q Por exemplo.48 (lei de reciprocidade quadr´tica).

Parte 4 Corpos .

.

e ca Seja x ∈ M .CAP´ ıTULO 16 Extens˜es finitas o Sejam K ⊂ L dois corpos. Notemos neste caso que a multiplica¸˜o de elementos de a ca K por elementos de L induz em L uma estrutura de K-espa¸o vetorial. Sejam K ⊂ L ⊂ M corpos. em particular M/L ´ finita.e. Al´m disto para todo i = 1. dizemos que L/K ´ uma extens˜o finita e c a e a e denotamos dimK L = [L : K] chamado o grau da extens˜o. Qualquer con¸˜ a junto de elementos de M que seja L-linearmente independente ´ em particular Ke linearmente independente.1. em particular o conjunto acima gera M como K-espa¸o vetorial. · · · . c Suponha que tenhamos uma K-combina¸˜o linear trivial ca n m cij αi βj = 0. onde βj ∈ K. · · · . n. Quando L c ´ um K-espa¸o vetorial de dimens˜o finita. Sejam {α1 . onde a1 . ent˜o a n x= i=1 ai αi . temos que e m ai = j=1 bij βj . Disto segue imediatamente a proposi¸˜o. o n´mero m´ximo de vetores L-linearmente u a independentes em M ´ [M : K]. a Proposicao 16. e Suponha que M/L e L/K sejam finitas. Afirmamos que o conjunto {αi βj }1≤i≤n. i=1 j=1 119 . Dizemos que L ´ uma extens˜o de K ou que L/K ´ e a e uma extens˜o de corpos. Logo. Ent˜o M/K ´ uma extens˜o ¸˜ a e a finita se e somente se M/L e L/K s˜o extens˜es finitas e neste caso a o [M : K] = [M : L][L : K]. n m x= i=1 j=1 bij αi βj . e c a i. Como L ⊂ M e M e e ´ um K-espa¸o vetorial de dimens˜o finita. Portanto. Suponha que M/K seja uma extens˜o finita.1≤j≤m ´ uma base de M/K. concluimos que o mesmo vale para L. L/K ´ finita. αn } uma base de M/L e {β1 . βm } uma base de L/K. an ∈ L. Demonstracao. · · · . · · · ..

· · · . βm } ser K-linearmente independente que cij = 0 para todo i. EXTENSOES FINITAS onde para todo i. j. Reescremos  n m   i=1 j=1 cij βj  αi = 0.4.2. ¸˜ (1) Fu. (3) Se u ∈ K.L/K tem coeficiente l´ ıder 1 e grau n = [L : K].L/K . Seja L/K uma extens˜o finita com base {α1 . a Proposicao 16.L/K . De fato.L/K (x) := det(Ix − (aij )). Assim. αn } e u ∈ L. αn }.5. · · · . αn } j=1 ´ um conjunto L-linearmente independente. n n n uβi = u j=1 n bij αj = j=1 bij l=1 ajl αl = (BA)il αl = h=1 (BA)il clh βh = (BAC)ih βh . j=1 Por outro lado. n temos n uαi = j=1 aij αj . concluimos que para todo i temos e m cij βj = 0.L/K = (x − u)n . ´ Corolario 16. Sejam K ⊂ L ⊂ M tais que M/L e L/K sejam extens˜es ¸˜ o finitas. · · · . Denotamos A := (aij ). (2) Fu. Seja L/K uma extens˜o finita de grau primo. · · · . ¸˜ a Definimos o polinˆmio caracter´ o ıstico de u em rela¸˜o a L/K da seguinte forma.L/K n˜o depende da escolha da base. βn } para c {α1 . seja {β1 . Assim.3. Para ca todo i = 1. βn } uma a outra base de L/K e B a matriz de mudan¸a de base de {β1 . · · · . Como para todo i temos m cij βj ∈ L e {α1 . · · · . segue do fato de {β1 . j. det(Ix−(BAB −1 )) = det(B(Ix−A)B −1 ) = det(B) det(Ix−A) det(B −1 ) = Fu. cij ∈ K.120 ˜ 16. Ent˜o para a a todo corpo F tal que K ⊂ F ⊂ L temos que F = K ou F = L. O polinˆmio ´ definido por o e Fu. · · · . Seja C := B −1 . Definicao 16. ent˜o Fu. Observacao 16. Seja u ∈ L. [M :L] . Ent˜o a Fu.M/K = Fu.

Escrevendo explicitamente. Assim. α1 . Observe que expandindo o determinante que define Fu. ¸˜ Fu. . . . . βm } uma ¸˜ base de L/K. e fn = det(A). Sejam {α1 . · · · . EXTENSOES FINITAS 121 Demonstracao..1≤j≤m ´ uma base de M/K. βm }. .. + fn−1 x + fn . digamos u1 . o tra¸o da matriz A. · · · .L/K obtemos n f1 = i=1 aii = Tr(A). · · · . 0 0 ··· ··· ··· ··· 0 0 . se α ´ raiz de f ent˜o a e a f (x) = (x − α)g(x). Portanto.M/K   n  = Fu. O tra¸o TL/K (u) de u em rela¸˜o a L/K ´ definido por c ca e TL/K (u) := −f1 .L/K (x) = i=1 (x − ui ). Ent˜o {αi βj }1≤i≤n. αn βm } a matriz do operador linear definido pela multiplica¸˜o por u ´ igual a A.  Fu. Sejam L/K uma extens˜o de corpos f ∈ K[x]\{K}.L/K = xn + f1 xn−1 + . e Suponhamos conhecidas u1 . Note que a e m m uαi βj = αi l=1 ajl βl = l=1 ajl αi βl . ca e  Ix − A 0  0 Ix − A  = det  . A norma NL/K (u) de u em rela¸˜o a L/K ´ definida por ca e NL/K (u) := (−1)n fn . . . .L/K . ´ exatamente u. Note que uma destas ra´ ızes. un as ra´ ızes de Fu. Dizemos ¸˜ a que um elemento α ∈ L ´ raiz de f se f (α) = 0. . · · · . . αn } uma base de M/L e {β1 .L/K .  . {αn β1 . · · · . Observe tamb´m que usando o algoritmo da e e divis˜o.6. Neste caso temos a fatora¸˜o ca n Fu.˜ 16. para algum g ∈ K[x].7. c Definicao 16. .  Ix − A Definicao 16. em cada bloco {α1 β1 .

· · · . i. .122 ˜ 16. para a ∈ K.e. xn ) := 1≤j1 <·<ji ≤n uj1 .8.9. un ). n fn = (−1)n i=1 ui . · · · . (1) Se u ∈ K. .e. . EXTENSOES FINITAS Desenvolvendo este produto obtemos n f1 = − i=1 ui ui uj f2 = 1≤i<j≤n f3 = − 1≤i<j<k≤n ui uj uk . . xn vari´veis independentes (ver defini¸˜o no ¸˜ a ca cap´ ıtulo de extens˜es trancendentes) sobre um corpo K. i=1 NL/K (u) = Definicao 16. i. a (2) A fun¸˜o NL/K ´ multiplicativa. .. Para todo 1 ≤ i ≤ n o definimos a i-´sima fun¸˜o sim´trica elementar nas vari´veis x1 . xn por e ca e a si (x1 . ca e NL/K (uv) = NL/K (u)NL/K (v). ent˜o NL/K (u) = un e TL/K (u) = nu. ca e TL/K (u + v) = TL/K (u) + TL/K (v) e TL/K (au) = aTL/K (u). Observe que para todo 1 ≤ i ≤ n temos fi = (−1)i si (u1 .. uji . (3) A fun¸˜o TL/K ´ K-linear. Sejam x1 . Segue imediatamente da lineraridade de tra¸o de matriz e da multiplicatividade c de determinante de matriz o seguinte lema. . (4) Se K ⊂ L ⊂ M s˜o extens˜es finitas e u ∈ L. . Assim. n TL/K (u) = i=1 n ui ui . Lema 16. · · · . . ent˜o a o a NM/K (u) = u[M :L] e TM/K (u) = [M : L]TL/K (u). · · · .

Este ´ um subanel de L. Por defini¸˜o este ´ o polinˆmio mˆnico de menor ca e o o grau do qual α ´ raiz. este ´ o e u e conjunto dos elementos g ∈ K[x] tais que g(α) = 0. . i. Mas. Caso n˜o exista tal f dizemos que α = a e e e ´ transcendente sobre K. [K[α] : K] = grau(Pα|K ). ou seja.. Suponha que isto e e ocorra. Note que pelo teorema e dos homomorfismos K[α] ´ isomorfo como anel a K[x]/(Pα|K ). a e / Provemos a ultima afirmativa. uma vez que 1/x ∈ K[x]. Note que (1) ´ imediato das defini¸˜es. do e e contr´rio existiriam a0 .1. se existe f ∈ K[x] − {0} tal que f (α)√ 0. · · · .CAP´ ıTULO 17 Extens˜es alg´bricas o e 17. pois ´ raiz de e x2 −2 e i ∈ C ´ alg´brico sobre Q. este conjunto ´ K-linearmente independente. π ∈ R s˜o transcendentes a a sobre Q (ver cap´ ıtulo de extens˜es transcendentes). Dizemos que α ´ alg´brico sobre a e e L. Neste caso. Seja Pα|K o gerador mˆnico do ideal N (ϕα ). α. Seja K[α] a e e imagem de ϕα . Fica como exerc´ ıcio mostrar que ϕα ´ um homomorfismo de an´is. Por outro lado. s˜o teoremas e e e a n˜o triviais devidos a Lindeman e Hilbert (resp. pois K[x] n˜o ´ corpo. Este conjunto ´ um ideal de K[x]. Portanto K[α] ´ e e um corpo. Por exemplo. ent˜o por (1). se K[α] for um corpo.) que e. pois ´ raiz de x2 +1. Seja n := grau(Pα|K ). 2 ∈ R ´ alg´brico sobre Q. Seja L/K uma extens˜o de corpos e α ∈ L. o (2) O elemento α ´ alg´brico sobre K se e somente se K[α] ´ um corpo. Demonstracao.1. o Na situa¸˜o acima definimos a fun¸˜o ca ca ϕα : K[x] → L por ϕα (g) := g(α). temos que α ´ alg´brico a e e sobre K. Neste e e e caso. Seja N (ϕα ) o n´cleo de ϕα . Este polinˆmio ´ chamado o o o e polinˆmio m´ o ınimo de α sobre K. 123 . αn−1 } ´ uma base de K[α]/K. este ´ o conjunto dos e polinˆmios dos quais α ´ raiz. α ´ alg´brico se e somente se N (ϕα ) = (0). · · · . Esta ultima afirmativa e ´ equivale a dizer o anel quociente K[x]/(Pα|K ) ´ um corpo. K[α] ´ isomorfo ao anel de e polinˆmios K[x]. Reciprocamente. . o e e Teorema 17. ¸˜ e co (2) Inicialmente. sendo em particular irredut´ e ıvel. an−1 ∈ K n˜o todos nulos tais que a a a0 + . + an−1 αn−1 = 0. a (1) O elemento α ´ transcendente sobre K se e somente se ϕα ´ injetiva o e e que equivale a N (ϕα ) = (0). isto equivale a dizer que o ideal N (ϕα ) = (Pα|K ) ´ um ideal maximal de K[x]. Elementos alg´bricos e transcendentes e Seja L/K uma extens˜o de corpos e α ∈ L. Afirmamos que ´ {1. De fato.e.

Uma extens˜o L/K ´ dita alg´brica se todo α ∈ L ´ alg´brico ¸˜ a e e e e sobre K.2.K[α]/K .. Sejam L/K uma extens˜o de corpos e α ∈ L alg´brico sobre K.4. i. Substituindo x por α concluimos que g(α) = r(α). Este ´ um caso particular do teorema de Cayley-Hamilton da ´lgebra linear. α. (2) Vimos no cap´ ıtulo anterior que Fα. ¸˜ a e e Demonstracao. (1) Por defini¸˜o.. a e Ent˜o a (1) Fα. seja g ∈ K[x] \ {0}. Extens˜es alg´bricas o e Definicao 17. Caso exista algum α ∈ L transcendente sobre K dizemos que L/K ´ e transcendente. · · · . i. · · · .L/K = Pα|K [L:K[α]] [L:K[α]] . e Ou seja. se L/K for finita. Sejam L/K uma extens˜o finita e α ∈ L. αn−1 }.e.K[α]/K . Logo Fα.K[α]/K = Pα|K . r ∈ K[x] tais que r = 0 ou grau(r) < n.K[α]/K ∈ N (ϕα ).2. Demonstracao. αn−1 } ´ um conjunto K-linearmente independente. Mas isto contradiz a minimalidade do grau de Pα|K . ent˜o a Fα.e. Dividindo g por Pα|K obtemos g = Pα|K q + r. (2) Em particular. EXTENSOES ALGEBRICAS Ou seja α ´ raiz do polinˆmio e o n−1 f (x) = i=0 ai xi = 0. Mas pela igualdade do grau e por ambos serem mˆnicos concluimos que Pα|K = o Fα. α. e ca Lema 17. an ∈ K n˜o todos nulos tais que a n ai αi = 0. existem a0 . Para ver que este conjunto gera K[α]. α ´ raiz do polinˆmio n˜o nulo e o a n f := i=0 ai xi . Toda extens˜o finita ´ alg´brica.L/K = Pα|K [L:K[α]] . Pα|K | Fα. para q.3.K[α]/K . · · · .L/K ´ um polinˆmio mˆnico de grau n ¸˜ ca e o o tendo α como raiz. Fα.124 ˜ ´ 17. g(α) ´ uma K-combina¸˜o linear de {1. i=0 A fortiori. Ent˜o existe n ≥ 1 ¸˜ a a inteiro m´ ınimo tal que {1. A fortiori. . e a 17. Fα.L/K = Fα. Proposicao 17.

˜ ´ 17.2. EXTENSOES ALGEBRICAS

125

Definicao 17.5. Seja L/K uma extens˜o alg´brica. Suponhamos que existam ¸˜ a e α1 , · · · , αr ∈ L tais que K ⊂ K1 = K[α1 ] ⊂ K2 = K1 [α2 ] ⊂ · · · ⊂ Kr = Kr−1 [αr ] = K[α1 , · · · , αr ] = L. Dizemos que L/K ´ uma extens˜o finitamente gerada e que L ´ gerada sobre K e a e por α1 , · · · , αr . Proposicao 17.6. Seja L/K uma extens˜o alg´brica. Ent˜o L/K ´ finita se ¸˜ a e a e e somente se L/K ´ finitamente gerada. e Demonstracao. Suponha que L/K seja finita. Se L = K acabou. Sen˜o ¸˜ a existe α1 ∈ L \ K. Seja K1 := K[α1 ]. Se L = K1 acabou. Sen˜o existe α2 ∈ L \ K1 . a Seja K2 := K1 [α2 ]. Prosseguindo o argumento temos uma seq¨ˆncia de corpos ue estrita, i.e., K K1 K2 · · · . Como L/K ´ finita esta seq¨ˆncia n˜o pode ser infinita. Logo existe r tal que e ue a L = Kr e L/K ´ finitamente gerada. e Reciprocamente, se L/K ´ finitamente gerada ent˜o cada extens˜o Ki /Ki−1 e a a ´ finita e pela transitividade de extens˜es finitas, concluimos que L/K tamb´m ´ e o e e finita. Teorema 17.7. Sejam M/L e L/K extens˜es de corpos. o alg´brica se e somente se M/L e L/K tamb´m s˜o alg´bricas. e e a e Ent˜o M/K ´ a e

Demonstracao. Segue da defini¸˜o que se M/K ´ alg´brica ent˜o M/L e ¸˜ ca e e a L/K tamb´m s˜o alg´bricas. e a e Suponhamos que estas duas extens˜es sejam alg´bricas. Seja α ∈ M e o e
n−1

Pα|L :=
i=0

ai xi + xn .

Seja L a extens˜o de K gerada por a0 , · · · , an−1 . Ent˜o L ⊂ L e Pα|L ∈ L[x]. Pela a a proposi¸˜o anterior L/K ´ finita. Al´m disto, como α ´ alg´brico sobre L, ent˜o ca e e e e a L[α]/L ´ finita. Pela transitividade de extens˜es finitas concluimos que L[α]/K ´ e o e finita. Por outro lado, K ⊂ K[α] ⊂ L[α], logo K[α]/K ´ finita. Em particular, α ´ e e alg´brico sobre K. e Exemplo 17.8. Seja L/K extens˜o com [L : K] = p n´mero primo. Ent˜o a u a para todo K ⊂ K ⊂ L temos que K = K ou K = L. Em particular, dado α ∈ L \ K, ent˜o L = K[α]. a √ Exemplo 17.9. Seja L/Q tal que [L : Q] = 2. Mostraremos que L = Q[ d] para d ∈ Q que n˜o ´ um quadrado. Pelo exemplo anterior, dado α ∈ L \ Q temos a e que L = Q[α]. Seja Pα|Q := x2 + ax + b = x + a a2 + b− 2 4 .

A mudan¸a de vari´vel x → x+a/2 transforma Pα|Q em X 2 −β, onde β = (a2 /4)−b. c a Al´m disto esta mudan¸a de vari´vel ´ um automorfismo de K[x], portanto x2 − β e c a e ´ irredut´ e ıvel, assim tomamos d = β.

126

˜ ´ 17. EXTENSOES ALGEBRICAS

17.3. Adjun¸˜o de ra´ ca ızes Lema 17.10 (lema da duplica¸˜o). Sejam κ : K → K um isomorfismo de ca corpos e L ⊃ K um corpo contendo K . Ent˜o existe uma extens˜o L/K e um a a isomorfismo de corpos λ : L → L estendendo κ, i.e., λ|K = κ. Demonstracao. Suponha que L ∩ K = ∅. Definimos L da seguinte forma : ¸˜ L := K (L \ K ), onde denota uni˜o disjuta. Definimos λ por λ : L → L , se a x ∈ K, ent˜o λ(x) := κ(x); se x ∈ L \ K , ent˜o λ(x) := x. Dessa forma λ ´ uma a a e bije¸˜o. Utilizamos esta bije¸˜o para colocar uma estrutura de corpo em L por : ca ca dados x, y ∈ L definimos x + y := λ−1 (λ(x + y)) e xy := λ−1 (λ(x)λ(y)). Com esta estrutura, λ ´ o isomorfismo de corpos procurado. e Se L ∩ K = ∅, basta aplicar o lema 1.1 para obter um conjunto L e uma bije¸˜o λ : L → L tal que L ∩ K = ∅. Novamente, definimos uma estrutura de ca corpo em L por x +y := λ −1 (λ (x)+λ (y)) et x y := λ −1 (λ(x)λ(y)). Aplicamos agora a parte anterior substituindo K por K := λ (K ) e κ por κ := λ ◦ κ. Definicao 17.11. Seja κ : K → K um homomorfismo n˜o nulo de corpos ¸˜ a (logo necessariamente injetivo). Este homomorfismo induz um homomorfismo de an´is de polinˆmios da seguinte forma e o κ∗ : K[x] → K [x]
n n

ai xi →
i=0 i=0

κ(ai )xi .

Teorema 17.12. Dado f ∈ K[x] \ K irredut´ ıvel existe uma extens˜o finita a L/K e α ∈ L tal que f (α) = 0. Demonstracao. Como f ´ irredut´ ¸˜ e ıvel o ideal (f ) ´ maximal, logo o anel e quociente L := K[x]/(f ) ´ um corpo. Consideremos o homomorfimso sobrejetivo e ϕ : K[x] → K[x] definido por g → g (f ) (mod (f )).

Este homomorfismo n˜o ´ o homomorfismo nulo, logo ´ injetivo quando restrito a e e a K, i.e., ϕ|K : K → K := ϕ(K) ´ um isomorfismo de corpos. Este induz um e isomorfismo de an´is de polinˆmios ϕ∗ : K[x] → K[x] como na defini¸˜o anterior. e o ca |K a Em particular, se x := ϕ(x), ent˜o
n

ϕ∗ (f )(x) = |K
i=0

ϕ(ai )xi = ϕ(f (x)) ≡ 0

(mod (f )).

Assim x ∈ L ´ uma raiz de ϕ∗ (f ). e |K Pelo lema da duplica¸˜o, existe uma extens˜o L/K e um isomorfismo λ : L → L ca a e tal que λ|K = ϕ|K . A fortiori, definindo α := λ−1 (x), este elemento ´ uma raiz de f em L. ´ Corolario 17.13. Seja f ∈ K[x] \ K, ent˜o existe uma extens˜o finita L/K a a e α ∈ L tal que f (α) = 0.

´ 17.4. FECHOS ALGEBRICOS

127

Demonstracao. Basta fatorar f em fatores irredut´ ¸˜ ıveis e usar o teorema para determinar uma extens˜o finita de K no qual um dos fatores tenha raiz. Esta raiz a ser´ tamb´m raiz de f . a e ´ Corolario 17.14. Seja f ∈ K[x] \ K. Existe uma extens˜o finita L/K tal que a f fatora-se linearmente em L[x]. Demonstracao. Aplicando o teorema sucessivamente a cada fator irredut´ ¸˜ ıvel de f obtemos em cada etapa uma extens˜o finita do corpo anterior e mais uma raiz a do fator. Como o n´mero de fatores ´ finito e o n´mero de ra´ u e u ızes em cada fator tamb´m o ´, pela transitividade de extens˜es finitas, concluimos que existe L/K e e o finita como no corol´rio. a 17.4. Fechos alg´bricos e Definicao 17.15. Seja L/K uma extens˜o de corpos. Definimos AL (K) como ¸˜ a o conjunto dos elementos α ∈ L que s˜o alg´bricos sobre K. Este conjunto ´ a e e chamado o fecho alg´brico de K em L. e Observacao 17.16. O conjunto AL (K) ´ um corpo. De fato, basta mostrar ¸˜ e que dados α, β ∈ AL (K) \ {0}, ent˜o α + β, αβ, α−1 ∈ AL (K). Provemos o caso de a α + β, os demais s˜o similares. Por hip´tese K[α] e K[β] s˜o corpos e K[α]/K e a o a K[β]/K s˜o finitas. Seja K[α, β] a extens˜o gerada sobre K por α e β. Considere a a o seguinte diagrama de corpos. K[α, β] / | \

K[α] K[α + β] K[β] \ | /

K A extens˜o K[α, β] ´ gerada por β sobre K[α]. Como β ´ alg´brico sobre K e a e e e K ⊂ K[α], concluimos que β ´ alg´brico sobre K[α]. Logo a extens˜o K[α, β]/K[α] e e a ´ finita. Pela transitividade de extens˜es finitas, concluimos que K[α, β]/K ´ finita. e o e Mas, K ⊂ K[α + β] ⊂ K[α, β]. Logo K[α + β]/K ´ finita, portanto α + β ∈ AL (K). e Exemplo 17.17. Seja K um corpo, L/K extens˜o e τ ∈ L transcendente sobre a K. Afirmamos que K ´ algebricamente fechado em K(τ ) = {f (τ )/g(τ ) | f, g ∈ e K[x], g = 0}. De fato, se existisse α ∈ K(τ ) \ K alg´brico sobre K, digamos α = e f (τ )/g(τ ), ent˜o K[α]/K seria finita. Observe que h := f (x) − αg(x) ∈ (K[α])[x] e a h(τ ) = 0, ou seja, τ ´ alg´brico sobre K[α]. Portanto, K(τ ) = (K[α])[τ ] ´ alg´brico e e e e sobre K, mas isto ´ imposs´ e ıvel, pois τ ´ transcendente sobre K. e Definicao 17.18. Dizemos que um corpo K ´ algebricamente fechado, se todo ¸˜ e f ∈ K[x] \ K possui uma raiz α ∈ K. A seguinte proposi¸˜o ´ uma conseq¨ˆncia direta desta defini¸˜o, da fatora¸˜o ca e ue ca ca de polinˆmios e da defini¸˜o sobre elementos alg´bricos. o ca e Proposicao 17.19. As seguintes condi¸˜es s˜o equivalentes. ¸˜ co a (1) K ´ algebricamente fechado. e

ent˜o a a grau(f ) = 1 ou 2. Para todo corpo K existe um corpo Ω ⊃ K algebricamente fechado.24. Seja β ∈ C uma raiz de f . corol´rio 4] a O corpo C ´ algebricamente fechado. contruimos uma seq¨ˆncia de corpos ue L0 := K ⊂ L1 ⊂ L2 ⊂ · · · ⊂ Ln ⊂ · · · tais que todo polinˆmio irredut´ o ıvel mˆnico em Lj [x] possui uma raiz em Lj+1 . Pr ∈ P e e o a G1 . Logo r 1= i=1 P (αi )Gi (α1 . Ent˜o f = Pβ|R e como R ⊂ R[β] ⊂ C. Seja R o anel R := K[xP ]. i=1 Mas pelo corol´rio 17. A restri¸˜o κ de ϑ a K induz um isomorfimso de ca corpos κ : K → K := ϑ(K). Pelo lema da duplica¸˜o existe uma extens˜o L1 /K e ca a um isomorfismo de corpos λ : L1 → R/m estendendo κ.14 existe uma extens˜o finita L/K tal que P1 .199. EXTENSOES ALGEBRICAS (2) Todo f ∈ K[x] \ K fatora-se como produto de polinˆmios lineares. existe m R ideal maximal contendo p. Este ideal ´ pr´prio. caso contr´rio existiriam P1 . este fatora-se linearmente em algum Lj [x] para j suficientemente grande. dado f ∈ Ω[x] \ Ω. O anel de polinˆmios K[xI ] em vari´veis xi parametrizadas por elementos i ∈ I o a ´ definido como sendo o conjunto de polinˆmios f com coeficientes em K em um e o n´mero finito de vari´veis xi1 . . xin . e a fortiori λ−1 (αP ) ∈ L1 ´ uma e e raiz de P . . Como na demonstra¸˜o do ca teorema 17. Sejam K ⊂ Ω corpos com Ω algebricamente fechado. . Definicao 17. Demonstracao. a a e O primeiro exemplo de corpo algebricamente fechado ´ C. · · · .20 (teorema fundamental da Algebra). p. Considere o ideal p de R gerado pelo conjunto {P (xP ) | P ∈ P}. Dessa forma construimos uma extens˜o L1 /K na qual todo elemento de a P possui uma raiz.21. e ca Pelo lema de Krull. Pr fatora-se a a linearmente em L. · · · . Para cada 1 ≤ i ≤ r seja αi ∈ L uma raiz de Pi . Gr ∈ K[xP1 . x(Pr )) = 1. Portanto.128 ˜ ´ 17. ıvel (4) N˜o existe extens˜o L K alg´brica. De fato. f possui raiz ca em Lj+1 ⊂ Ω. Prosseguindo indutivamente. e Exemplo 17. e [C : R] = 2. Seja f ∈ R[x]. para i1 . Considere o homomorfismo quociente ϑ : R → R/m.23. Dize¸˜ mos que AΩ (K) ´ um fecho alg´brico de K.12 αP := ϑ(xP ) ´ uma raiz de ϑ∗ (P ). u a Teorema 17. αr ) = 0. [Lins. Este conjunto ´ um corpo contendo K e afirmamos que ´ e e algebricamente fechado. Seja P o conjunto dos polinˆmios irredut´ ¸˜ o ıveis mˆnicos em o K[x]. o que ´ uma contradi¸˜o. · · · . e e Definicao 17.22. Mostremos que grau(f ) = 1 ou 2. · · · . por constru¸˜o. o (3) Todo f ∈ K[x] irredut´ tem grau 1. · · · . o Seja Ω := j≥1 Lj . xPr ] ⊂ R tais que r P (xPi )Gi (xP1 . Sejam K um corpo e I um conjunto qualquer de ´ ¸˜ ındices. in ∈ I. · · · . · · · . e ´ Teorema 17.

e Em particular. A fortiori. Definicao 17. ¸˜ a e Dizemos que α ´ K-conjugado a β (denotamos por α ∼K β). e e Teorema 17.28. . Sabemos que K[α] ∼ K[x]/(Pα|K ) e K [α ] ∼ K [x]/(Pα |K ). Assim. Observe que para todo ¸˜ α ∈ L temos σ(Cα ) ⊂ Cα . Seja L/K uma extens˜o alg´brica. Suponha (1). (2) Pα|K = Pα |K . β ∈ L alg´bricos sobre K. κ : K → K um isomorfismo de corpos. O conjunto Cα dos K-conjugados ca a de α ´ finito. As seguintes condi¸˜es s˜o equivalentes. Esta e no¸˜o independe da escolha da extens˜o L/K. Sejam L e L extens˜es de K e λ : L → L um isomorfismo ¸˜ o de corpos. co a (1) Existe um K-isomorfismo K[α] → K[α ] tal que α → α . existe um homomorfismo de corpos λ : L → Ω estendendo κ tal que λ(α) = α . Logo σCα ´ uma bije¸˜o de um conjunto finito nele e e a e ca mesmo. compondo os isomorfismos abaixo encontramos κα : ∼ K[x] κ K [x] ∼ = = K[α] −→ −→ −→ K [α ]. Seja σ um K-endomorfismo de L. onde K := κ(K). Pelo teorema 17. pois Pα|K (σ(β)) = β(Pα|K (β)) = 0. se Pα|K = Pβ|K . Demonstracao. (2) κ∗ (Pα|K ) = Pα |K .30. α ∈ L ) alg´brico sobre K (resp. FECHOS ALGEBRICOS 129 ´ Corolario 17. em ¸˜ a particular κ∗ (Pα|K ) | Pα |K . As seguintes condi¸˜es s˜o equivalentes. o Portanto vale a igualdade.25 (existˆncia de fecho alg´brico).26. se λ|K for a identidade. (Pα|K ) (Pα |K ) Definicao 17. Todo corpo K possui um e e fecho alg´brico. Sejam L/K uma extens˜o de corpos e α.4. Ent˜o κ∗ (Pα|K )(α ) = κα (Pα|K (α)) = 0. L/K. L /K extens˜es de corpos. e e Teorema 17. e Demonstracao. Dizemos que λ ´ um K-isomorfismo. α ∈ L (resp. K corpos.´ 17. a ´ Corolario 17. a Demonstracao. Sejam L/K uma extens˜o a a alg´brica e κ : K → Ω um homomorfismo de corpos com Ω algebricamente fechado. Pelo teorema anterior existe extens˜o Ω/K tal que Ω ´ al¸˜ a e gebricamente fechado. Sejam K.26. Sejam L/K uma extens˜o e α. Suponha inicialmente que L = k[α] para algum α ∈ L. e Proposicao 17. o e alg´brico sobre K ). κ∗ (Pα|K ) = Pα |K . portanto AΩ (K) ´ um fecho alg´brico de K. e e Demonstracao.27. Mas Cα ´ finito e e σ ´ injetivo (pois ´ n˜o nulo). Suponha (2). tomando K = K . e Ent˜o existe λ : L → Ω um homomorfismo de corpos estendendo κ. Seja ¸˜ α ∈ Ω uma raiz de κ∗ (Pα|K ). pois #Cα ≤ grau(Pα|K ).31 (extens˜o de homomorfismos). Todo K-endomorfismo ¸˜ a e de L ´ tamb´m um K-isomorfismo de L. α ∈ L alg´bricos a e sobre K. = = Assim. κ a identidade e L = L obtemos o corol´rio. Mas estes dois polinˆmios s˜o irredut´ o a ıveis mˆnicos.29. e co a (1) O isomorfismo κ estende-se a um isormorfismo de corpos κα : K[α] → K [α ] tal que κα (α) = α . σ ´ sobrejetiva e σ ´ um K-automorfismo de L.

consideramos o conjunto M de pares ordenados (L . Uma maneira de construir R a partir de Q ´ adicionar a Q os limites de ¸a e seq¨ˆncias de Cauchy de elementos de Q (ver [Li]). De fato. Na e linguagem da geometria aritm´tica moderna. Por isto vamos dizer que R ´ o completamento arquimediano de Q. λ ) se e somente se L ⊂ L e λ = λ|L . λj ) ≤ (LJ . EXTENSOES ALGEBRICAS No caso geral. λ ) ≤ (L . λ). para todo x ∈ Q existe um unico u u ´ ordp (x) ∈ Z tal que x = pordp (x) x . Seja K um corpo. caso contr´rio. |y|p ). e ca Teorema 17.33. Tal ca u valor absoluto ´ arquimediano. pela unicidade da fatora¸˜o de u ca n´meros inteiros em produto de n´meros primos. Isto permite definir o seguinte valor absoluto (chamado de p-´dico) a |x|p := p−ordp (x) . se L := {(Lj . o valor absoluto arquimediano nada e mais ´ que o primo no infinito que compatifica o conjunto (esquema) Spec(Z) dos e ideais primos de Z. O conjunto M ´ indutivo. onde nem o numerador nem o denominador de x ∈ Q s˜o divis´ a ıveis por p. pelo teorema 17.26. O ue a . Porque dizemos isto? Para cada n´mero primo p. Assim. Pelo teorema anterior. Exemplo 17. Por outro AΩ (K) → Ω1 . De fato. Este valor absoluto ´ n˜o arquimediano.32 (unicidade a menos de isomorfismo). vale uma propriedade mais forte e a que a propriedade triangular. ou seja. (LJ . poder´ ıamos estender λ ˜ L(α) → Ω. utlizando a a ˜ a um homomorfismo de corpos primeira parte da prova. E a 1 lado para todo α1 ∈ AΩ1 (K) e toda raiz α ∈ Ω de Pα1 |K temos que Pα|K = Pα1 |K . λJ ) ´ um limite superior para M. Suponha que Ω e Ω1 sejam corpos algebricamente fechados contendo K. |x + y|p ≤ max(|x|p . a Demonstracao. λj ) | j ∈ J} ⊂ M for um subcone junto totalmente ordenado. ent˜o o corpo a LJ := j∈J Lj ´ um subcorpo de L e definindo λJ em cada Lj por λJ := λj obtemos (por e constru¸˜o) um homomorfismo de corpos λJ : LJ → Ω. Em particular. Repetimos o procedimento de constru¸˜o de R a partir de Q e acrescentamos a ca Q os limites de seq¨ˆncias de Cauchy (com respeito ao valor absoluto p-´dico). temos que ca e (Lj . Logo. A motiva¸˜o para o teorema anterior vem da seguinte situaca c˜o. o que ´ uma contradi¸˜o. Al´m disto. Note-se entretanto que est´ impl´ a ıcito na discuss˜o anterior que estamos utia lizando para a no¸˜o de limite o valor absoluto usual dos n´meros racionais. ou seja satisfaz a desigualdade triangular |x + y| ≤ e |x| + |y|. existe um K-homomorfismo λ : ¸˜ ´ claro que a imagem de λ est´ contida em AΩ (K). λ ) formados por extens˜es L /K contidas em L e homomorfismos de corpos λ : L → Ω o estendendo κ. concluimos que existe um K-isomorfismo K[α] → K[α1 ] tal que α → α1 . se α ∈ L \ L. λ(AΩ (K)) = AΩ1 (K). o conjunto M admite elemento maximal (L. e ˜ ˜ Pelo lema de Zorn. λJ ) para todo j ∈ J. ˜ ˜ Afirmamos que L = L. Ent˜o AΩ (K) a e AΩ1 (K) s˜o K-isomorfos. Definimos uma ordem parcial em M por (L . Por isto dizemos que R ´ o ue e completamento de Q.130 ˜ ´ 17.

mas isto n˜o segue e a do teorema. e um corpo algebricamente fechado (at´ completo. ca Nos t´picos adicionais comentaremos sobre um grupo ligado a Q e um dos o objetos mais importantes da aritm´tica (bastante misterioso. . ver [Kob]) Cp contendo Qp .´ 17. por exemplo C. eles s˜o Q-isomorfos.24 existe um corpo algebricamente fechado contendo R. Uma outra forma de representar e u a um elemento de Qp ´ atrav´s de uma “s´rie de Laurent” e e e x= i≥n ai pi . Isto nos permite usar a a a nota¸˜o Q sem ambuiguidade. Assim. onde n ∈ Z e 0 ≤ ai < p ´ inteiro para todo i. O que o teorema nos e diz ´ que apesar destes dois fechos alg´bricos serem subcorpos de corpos distintos e e (os valores absolutos s˜o diferentes). a Pelo teorema 17. Qp ´ o completamento de Q e e com respeito ao valor absoluto p-´dico.4. ter´ ıamos por um lado o fecho alg´brico AC (Q) de Q en C (chamado o corpo de todos os n´meros alg´bricos e e u e denotado por Q) e o fecho alg´brico ACp (Q) de Q em Cp . ainda) o grupo de e Galois absoluto de Q. Assim. FECHOS ALGEBRICOS 131 conjunto obtido ´ o corpo Qp dos n´meros p-´dicos.

.

onde 1D denota o elemento neutro multiplicativo de D. onde D(f ) denota a derivada de f .3. utilizando o cap´ a ıtulo anterior) se e somente sua resultante Res(f. Neste caso. Teorema 18. como grau(D(Pα|K ¸˜ )) < grau(Pα|K ). i. D(f )). Demonstracao. Suponha que D(Pα|K ) = 0.1. Seja I = N (ϑ) o n´cleo de ϑ. Definicao 18. Consideremos o homomorfismo ϑ : Z → D tal que ϑ(1) = 1D . p − 1 temos p i ≡0 (mod p).. mostramos tamb´m e e que f possui fator m´ltiplo (logo raiz m´ltipla) se e somente se seu discriminante u u disc(f ) for nulo. Lembre que disc(f ) = Res(f.. Se N (ϑ) = (0) (i. Note e u que neste caso p. α) de α como raiz de f ´ definido como o maior e inteiro m ≥ 1 tal que existe g ∈ L[x] com g(α) = 0 satisfazendo a f = (x − α)m g. logo I = nZ para algum n ≥ 1. u Seja n−1 Pα|K = xn + i=0 133 ai xi . e a e u No cap´ ıtulo 15. g) for nula. a e Ent˜o Pα|K n˜o possui ra´ m´ltiplas ou existe h ∈ K[x] tal que Pα|K (x) = h(xp ) a a ızes u e neste caso p = car(K). D(Pα|K )) = 1. Al´m disto. se¸˜o 15. g ∈ K[x]\K eles possuem um ca fator comum n˜o constante (logo uma raiz comum.2. i pois para todo i = 1. Observe e tamb´m que e p (a + b)p = i=0 p i p−i ab = ap + bp .e. Caso isto n˜o ocorra I ´ um a e ideal n˜o nulo de Z. Mas Z/nZ ´ um dom´ e ınio se e somente se n = p ´ um n´mero primo.CAP´ ıTULO 18 Extens˜es separ´veis o a Definicao 18. A multiplicidade m = m(f. Se m = 1 dizemos que α ´ uma raiz simples. ϑ for u injetivo) dizemos que a caracter´ ıstica car(D) como 0.1D = 0 e para todo a ∈ D temos tamb´m que pa = 0. Seja f ∈ K[x]. Al´m disto pelo teorema dos a e isomorfismos Z/nZ ´ isomorfo a um subdom´ e ınio de D. Pα|K n˜o admite ra´ a a ızes m´ltiplas. caso contr´rio que ´ uma raiz m´ltipla. Seja L/K uma extens˜o de corpos e α ∈ L alg´brico sobre K.3 mostramos que dados f.e. . Neste caso dizemos que car(D) = p. · · · . Seja D um dom´ ¸˜ ınio de integridade. L/K uma extens˜o de corpos e α ∈ L uma raiz ¸˜ a de f . ent˜o mdc(Pα|K .

Note que a inclus˜o K p ⊂ K ´ sempre satisfeita. a Existe uma extens˜o finita L/K e α ∈ L tal que f (α) = 0. Logo ip n Pα|K = ( i=0 bip xi )p ´ redut´ e ıvel. e ca e a Reciprocamente. i. .e. Seja a a ∈ K e f = xp − a. ent˜o Pα|K ´ separ´vel (logo o mesmo vale para f ). e ca Reciprocamente. Logo Pα|K | f e pelo mesmo argumento anterior α ∈ K. Uma extens˜o alg´brica a e a a a e L/K ´ dita separ´vel. Escrevendo e n Pα|K = i=0 aip xip temos que para todo i existe bi ∈ K tal que aip = bp . Um corpo K ´ dito e a a e perfeito. Suponha que K seja perfeito e seja L/K uma extens˜o ¸˜ a alg´brica. a Proposicao 18. + ap x + a0 . ent˜o Pα|K (x) = h(xp ) para algum h ∈ K[x] e p = car(K). Dado f ∈ K[x] \ K. Definicao 18. ıvel a Demonstracao. se todo α ∈ L for separ´vel sobre K. dizemos que f ´ separ´vel. Suponha que K seja perfeito e seja f ∈ K[x] irredut´ ¸˜ ıvel. ≤ p. Seja L/K uma extens˜o de corpos e α ∈ L alg´brico sobre ızes u a e K. + ap xp + a0 e basta tomar h = xn + a(n −1)p xn −1 + . Pela proposi¸˜o anterior para todo α ∈ L temos que Pα|K ´ separ´vel. . Logo f = aPα|K para a ∈ K ∗ . a a Como K ´ perfeito K = K p . Um corpo K ´ perfeito se e somente se para todo f ∈ K[x] ¸˜ e irredut´ for separ´vel.. se car(K) = 0 nada h´ a fazer. e a Demonstracao. todo elemento de K ´ p-potˆncia). Pα|K = xn p + a(n −1)p x(n −1)p + . Pα|K = (x − α) . em particular a Pα|K | f = (x − α)p . . Se a car(K) = 0 nada h´ a fazer. Se car(K) = 0 ou D(Pα|K ) = 0.4. o que ´ uma contradi¸˜o. a e a Novamente. se car(K) = 0 ou car(K) = p e K = K p = {ap | a ∈ K} (i.. Seja a ∈ K e f = xp −a. A quest˜o ´ e e a e a e a inclus˜o oposta. se f n˜o ¸˜ e a a admite ra´ m´ltiplas. . para algum 1 ≤ α ∈ K.134 ˜ ´ 18.e. Suponhamos que car(K) = p. Assim. Seja L/K finita e α ∈ L tal que f (α) = 0.e. Seja L/K finita e α ∈ L tal que f (α) = 0.5. a e a Caso isto n˜o ocorra. ent˜o α ´ dito separ´vel sobre K.6. Suponhamos que car(K) = p. se Pα|K for separ´vel. suponha que todo f ∈ K[x] irredut´ ıvel seja separ´vel. temos que = 1 e Proposicao 18. . Um corpo K ´ perfeito se e somente se toda extens˜o ¸˜ e a alg´brica L/K for separ´vel. Mas pela separabilidade de Pα|K . EXTENSOES SEPARAVEIS Ent˜o D(Pα|K ) = 0 se e somente se para todo i tal que ai = 0 temos que i = 0 em a K (i. suponhamos que toda extens˜o alg´brica L/K seja separ´vel. i ≡ 0 (mod p) em Z)..

u e a e pois provamos no cap´ ıtulo anterior a existˆncia de extens˜es λ de κ. Dizemos que α ∈ L ´ ¸˜ a e e insepar´vel sobre K. · · · . a a e a . a prova que (i) implica (iii) ´ idˆntica ` da primeira e e a parte. cada κγ possui no m´ximo a [L : K[γ]] extens˜es a L. Pela primeira parte. Aplicando a multiplicativade dos graus concluimos que e m = [L : K].. lembremos que existe uma seq¨ˆncia ue finita de extens˜es o K = K0 ⊂ K1 = K0 [α1 ] ⊂ K2 = K1 [α2 ] ⊂ · · · ⊂ Kr = Kr−1 [αr ] = K[α1 . uma vez que este polinˆmio ´ invariante por e o e κ. o Proposicao 18. onde Ω ´ algebricamente fechado. · · · . etc. se n˜o for separ´vel. se Pα|K admitir ra´ a a a ızes m´ltiplas. u Para provar uma proposi¸˜o sobre transitividade de extens˜es separ´veis. u o e u ızes Este n´mero ´ no m´ximo igual a grau(Pα1 |K ) = [L : K]. A fortiori. (ii) α1 . o u o e a n´mero de extens˜es de κ1 a K2 ´ no m´ximo [K2 : K1 ]. Por outro lado. o n´mero de extens˜es de κ a L ´ menor o u o e que [L : K]. m ≥ 1. Seja L/K uma extens˜o alg´brica. . Assim. Se todo α ∈ M for separ´vel sobre K. EXTENSOES SEPARAVEIS 135 Definicao 18. pela primeira parte. ent˜o K[M]/K ´ separ´vel. ¸˜ a Seja Ω um corpo algebricamente fechado e κ : K → Ω um homomorfismo n˜o trivial a (logo necessariamente injetivo) de corpos. Provaremos inicialmente a proposi¸˜o para r = 1. . preca o a cisamos antes do seguinte resultado sobre extens˜es de homomorfismos. as a ´ condi¸˜es (i) e (ii) s˜o equivalentes. · · · . digamos que γ ∈ L seja insepar´vel sobre K. ou seja. Ent˜o cada αi ´ separ´vel a e a tamb´m sobre Ki−1 . se L/K for e o alg´brica. e a Demonstracao. Suponha (ii). Pela equivalˆncia a a e entre (i) e (ii) concluimos que o n´mero de extens˜es κγ de κ a K[γ] ´ estritamente u o e inferior a [K[γ] : K]. para qualquer r. ´ Corolario 18. o n´mero de extens˜es κ1 de κ a K1 ´ no m´ximo [K1 : K]. Para provar o caso geral. Al´m disto as seguintes condi¸˜es s˜o equivalentes: e co a (i) m = [L : K]. o n´mero de extens˜es de κi−1 e u o a Ki ´ igual a [Ki : Ki−1 ]. Ent˜o a 1 ≤ m ≤ [L : K]. Suponha que L/K co a seja insepar´vel.e.7. Portanto. e Observe que m = [L : K] se e somente se o n´mero de ra´ distintas de Pα1 |K u ızes for igual a [L : K] = grau(Pα1 |K ). digamos L = K[α1 . Dessa forma. Se λ ´ uma extens˜o de κ a L. (i) implica (iii). pela primeira parte. a a (iii) L/K ´ separ´vel. βn } as ra´ ızes de Pα1 |K . αr s˜o separ´veis sobre K. o n´mero u o e a u de extens˜es de κ a L ´ no m´ximo igual a o e a [K1 : K][K2 : K1 ] . [Kr : Kr−1 ] = [L : K]. Isto equivale a Pα1 |K ser separ´vel. o n´mero de extens˜es λ ´ igual ao n´mero de ra´ distintas de Pα1 |K . Sejam ¸˜ ca {α1 = β1 . i. ent˜o λ(α1 ) e a a ´ necessariamente uma raiz de Pα1 |K . Seja e m o n´mero de extens˜es λ : L → Ω de κ a L (ver cap´ u o ıtulo anterior). · · · .˜ ´ 18. Seja L/K uma extens˜o finita. αr ]. αr ] = L. Assim. E claro que (iii) implica (ii). Finalmente.8. Como anteriormente (iii) implica (ii).9. Sejam L/K uma extens˜o alg´brica e M um subconjunto de a e L. Al´m disto.

12.8 obtemos que L[α]/L tamb´m ´ ca e e separ´vel.8 concluimos que L[α]/K ´ separ´vel. Al´m disto. Seja L/K uma extens˜o finita e separ´vel. Al´m disto.8 L/K tamb´m ´ separ´vel. Seja α ∈ M e Pα|L = xn + an−1 xn−1 + . Dizemos que α ´ um ¸˜ a e elemento primitivo de L/K se L = K[α]. Basta observar que ¸˜ K[M] = F∈C K[F]. E claro que se M/K for separ´vel. Novamente. para u o e e cada κL o n´mero de extens˜es deste homomorfismo a L[α] ´ igual a [L[α] : L]. Ω) ≤ [L : K]. Como cada a e a ai ∈ L e L/K e separ´vel. Sejam L/K e M/L extens˜es alg´bricas. a O seguinte resultado ´ uma conseq¨ˆncia imediata da proposi¸˜o 18. existe α ∈ L elemento primitivo de L/K. S˜o chamados K-homomorfismos de L em Ω. dizemos que L/K ´ uma e extens˜o simples. a Teorema 18. · · · . a ´ Demonstracao. o a Definicao 18. vale a igualdade se e somente se L/K for separ´vel. e a Definicao 18. + a0 . o n´mero de extens˜es de κ a L[α] ´ igual a u o e [L : K][L[α] : L] = [L[α] : K]. e a ´ E claro que K ⊂ SL (K). . Fica como exerc´ provar que SL (K) ´ um subcorpo de ıcio e K (utilize a transitividade de extens˜es separ´veis provada acima). u o e Portanto. an−1 ]. . Provemos a rec´ e a ıproca.. e aplicar a proposi¸˜o ca anterior.136 ˜ ´ 18. e a Definicao 18. Neste caso. a a a e i. Ent˜o M/K ´ o e a e separ´vel se e somente se M/L e L/K o forem. pela proposi¸˜o 18.13. aplicando a proposi¸˜o 18.8. Al´m a ca e e a e disto. a Seja κ : K → Ω um homorfismo n˜o trivial de corpos. Ent˜o a a # HomK (L. Seja L/K uma extens˜o de corpos. Teorema 18. Denotamos por HomK (L. O n´mero de extens˜es κL de κ a L ´ igual a [L : K]. Seja L/K uma extens˜o alg´brica e Ω um corpo algebri¸˜ a e camente fechado. pelo observado acima e pela proposi¸˜o 18. com Ω algebricamente a fechado. assim ca e a α ´ separ´vel sobre K.14. Ent˜o L/K ´ simples. ent˜o M/L e L/K tam¸˜ a a b´m o s˜o. Seja L/K uma extens˜o alg´brica. . Ent˜o Pα|L ∈ L[x] e α ´ separ´vel sobre L. EXTENSOES SEPARAVEIS Demonstracao. Ω) o conjunto dos homomorfismos de corpos λ : L → Ω tais que λ|K = id. e ue ca Teorema 18.15 (teorema do elemento primitivo). onde F percorre o conjunto C de subconjuntos finitos de M.e.10. Seja L := K[a0 . Suponha que K seja um corpo infinito.11. Seja L/K uma extens˜o finita. Definimos o fecho sepa¸˜ a e r´vel SL (K) de K em L por a SL (K) := {α ∈ L | α ´ separ´vel sobre K.

. como g. Observemos inicialmente que basta supor que L seja gerado ¸˜ por 2 elementos α. Repetindo sucessivamente o argumento. Ou equivalentemente.1) c= β − βj Note que o conjunto destas fra¸˜es com j percorrendo 2. a a a uma vez que isto garante que os denominadores de (18. e a (b) O corpo Fq ´ unico a menos de isomorfismo. Assim.1) sejam todos n˜o nulos. Em outras palavras a unica raiz comum de h e g co ´ ´ β. Dessa forma. Pelo mesmo argumento.16. sendo L/K finita. No pr´ximo cap´ ¸˜ o ıtulo daremos uma prova intr´ ınseca do teorema do elemento primitivo para corpos finitos. . De fato. Estes corpos s˜o caracterizados pelo seguinte teorema. para algum i. g) = x − β. Observe tamb´m que na prova e do teorema do elemento primitivo. β]. existe β2 ∈ K3 tal que K3 = K[β1 . β]. Uma maneira natural de definir corpos finitos a ´ tomar f ∈ Fp [x] irredut´ e ıvel e lembrar que o anel quociente Fp [x]/(f ) ´ neste e caso um corpo. β. e´ . Al´m disto este polinˆmio e o ´ separ´vel. se e somente se αi − α . . h ∈ F [x] a o concluimos que β ∈ F . n˜o precisamos supor que L/K seja separ´vel. existe β1 ∈ K2 = K1 [α1 ] = K[α1 . Seja e h(x) := f (γ − cx) ∈ F [x].1. ca Observacao 18. pela unicidade a do resto no algoritmo de divis˜o de polinˆmios. (a) Para todo n ≥ 1 inteiro existe um corpo finito Fq de q = pn elementos dado pelo conjunto das ra´ Rxq −x de xq −x em algum ızes corpo algebricamente fechado Ω contendo Fp . como Fp espa¸o vetorial Fp [α] ´ isomorfo a Fn portanto ´ um corpo de c e e p q = pn elementos. β]. . Consideremos os corpos K ⊂ F = K[γ] ⊂ L = K[α. Sejam f := Pα|K = (x − α) . Corpos Finitos Dado um inteiro n ≥ 1 sabemos que o anel quociente Z/nZ ´ um corpo se e e somente se n = p for um n´mero primo. αr ]. Portanto.18. Este ´ o primeiro exemplo de um corpo u e finito que ser´ denotado por Fp . α2 ] tal que K2 = K[β1 ]. e ı Mas o mdc n˜o depende do corpo no qual estamos considerando. Observemos inicialmente que algum βj ´ raiz de f (com j > 1) se e somente se e γ − cβj = α + c(β − βj ) = αi . Mostraremos que a ızes mdcM [x] (h. da´ segue o resultado sobre o mdc. sabemos que L ´ da forma L = K[α1 . CORPOS FINITOS 137 Demonstracao. Suponha o resultado provado para extens˜es e o geradas por 2 elementos. (x − αn ) e g := Pβ|K = (x − β) . x − β divide h em L[x]. · · · . Provaremos que L = F para uma escolha gen´rica de c ∈ K. Assim. (18. Seja c ∈ K e γ := α + cβ. a 18. Portanto. · · · . por constru¸˜o α ∈ F e L = F . Basta que β seja separ´vel sobre K.17. Seja M/L uma extens˜o finita contendo todas as ra´ de f e g. concluimos que L = Kr = K[βr−1 ]. m e i percorrendo co 1. n ´ finito. [Fp [α] : Fp ] = grau(f ) digamos a e n. Observe que h(β) = 0. Al´m disto. digamos L = K[α. a Teorema 18. Este corpo tamb´m pode ser escrito como Fp [α] para raiz α de f e em alguma extens˜o finita l de Fp . · · · . podemos sempre escolher c ∈ K e e diferente de todas estas fra¸˜es. Como o corpo K ´ infinito. (x − βm ).1. α3 ] = K[β2 ]. se nos restringirmos a corpos L da forma K[α.

Al´m disto. (xq − x) | (xq − x). a Demonstracao. Mas este ´ o conjunto das e ra´ ızes de xn − 1 que tem cardinalidade no m´ximo n. Pelo lema anterior. Recordemos a fatora¸˜o ¸˜ ca y d − 1 = (y − 1)(y d−1 + . E se a ∈ F∗ . ent˜o existe e ıvel o a uma extens˜o finita L de Fp e α ∈ L tal que f = Pα|Fp . a logo a + b ∈ Fq . Logo α ´ raiz de xq − x. e q ent˜o (a−1 )q = (aq )−1 = a−1 .33). Tomemos y = q e d = k. (xq − x) | (xq − x). De fato. Fq ⊃ Fp [α] ⊃ Fp e como a [Fp [α] : Fp ] = grau(Pα|Fp ) concluimos que grau(f ) | n.36. se a. Isto significa que para todo a ∈ G. logo ab ∈ Fq . Lema 18. Ent˜o xq − x divide xq − x. assim q − 1 divide (q )k − 1 = q − 1. ent˜o seu expoente exp(G) tamb´m o ´ ¸˜ e a e e (veja defini¸˜o 9. Afirmamos que Fq ´ e um subcorpo de L. temos que |G| = exp(G) = n. e (e) Suponhamos que m | n. . (a) Sabemos que existe uma extens˜o finita L de Fp tal que ¸˜ a f fatora-se linearmente em L[x]. se f ∈ Fp [x] ´ irredut´ mˆnico de grau m | n. logo a−1 ∈ Fq . EXTENSOES SEPARAVEIS (c) O grupo multiplicativo F∗ = Fq \ {0} ´ um grupo c´ e ıclico. Al´m disto (ab)q = aq bq = ab.19. ca temos an = 1. Portanto. assim f = Pα|Fp | (xq − x). Seja K um corpo e G ⊂ K ∗ um subgrupo finito. Suite da prova do teorema. Ent˜o existe α ∈ Fq tal que f = Pα|Fp . Neste caso. logo Rxq − x = Fq ⊂ Rxq −x = Fq . a onde q = pm . Fp [α] = Fq . concluimos que G ´ c´ e ıclico. . b ∈ Fq . Digamos que n = exp(G). ou seja. Demonstracao. a e concluimos que xq −x ´ separ´vel. + y + 1).18. O item (c) segue imediatamente do seguinte lema. a Demonstracao. como D(xq − x) = −1. Ent˜o G ´ a e c´ ıclico. ent˜o (a + b)q = aq + bq = a + b. multiplicando por x concluimos que xq − x divide xq − x. G ⊂ Wn (K) := {α ∈ K | αn = 1}. Como m | n.138 ˜ ´ 18. Pela proposi¸˜o a ca 9. . O ´ e a ıtem (b) segue da unicidade de fecho alg´brico e a menos de isomorfismo. q (d) Os fatores irredut´ ıveis mˆnicos de xq − x s˜o exatamente os polinˆmios o a o irredut´ ıveis mˆnicos f ∈ Fp [x] tais que grau(f ) | n. o (e) Se q = pm . em particular Rxq − x = Fq ⊂ Rxq −x = Fq . se Fq ⊂ Fq . Tomando y = xq −1 e d = (q − 1)/(q − 1) obtemos que xq −1 − 1 divide (xq −1 )(q−1)/(q −1) − 1 = xq−1 − 1. Seja q := pm tal que n = mk. ent˜o Fq ⊂ Fq se e somente se q | q. Lema 18. Seja Fq := Rxq −x ⊂ L. Para provar os ´ ıtens (d) e (e) precisamos de um lema adicional. Reciprocamente. Como G ´ finito. ent˜o [Fq : Fp ] = n = a [Fq : Fq ][Fq : Fp ] = [Fq : Fq ]m. como a a desigualdade contr´ria vale em geral. (d) Seja f um fator irredut´ mˆnico de xq − ıvel o x. Reciprocamente. Neste caso. assim m | n. #G ≤ n.

1. Ou seja. Assim. Observamos que f ´ e ´ separ´vel se e somente se e = 0. digamos L = K[M]. ent˜o Pα|K ´ separ´vel ou a a e a existe h1 ∈ K[x] tal que Pα|K (x) = h1 (xp ). Novamente e ´ dito o expoente de f . existe e ≥ 0 tal que a e α ´ raiz de xp − a para algum a ∈ K. Note que h1 (x) ´ mˆnico e irredut´ e o ıvel. e Neste caso. Pela finitude do grau de Pα|K . Observe tamb´m que se α for uma raiz de f em uma extens˜o finita L/K ent˜o e a a f (x) = (x − α)p . na verdade coincide com Pαp |K . Neste sentido um polinˆmio puramente insepar´vel ´ o extremo e o a e oposto de um polinˆmio separ´vel. Dizemos que uma extens˜o alg´brica a a a e L/K ´ puramente insepar´vel se todo α ∈ L for puramente insepar´vel sobre K.3. e O anel K[x] ´ fatorial. logo similarmente. concluimos que existe um e ≥ 0 inteiro m´ximo e a ˜α|K ∈ K[x] tal que P e ˜ Pα|K (x) = Pα|K (xp ). As a seguintes condi¸˜es s˜o equivalentes: co a 139 e . Ou seja. e a Definicao 19. Dizemos que α ´ puramente insepar´vel sobre K se for raiz de algum f ∈ K[x] \ e a K puramente insepar´vel. xp − a ´ irredut´ e ıvel. podemos definir para todo f ∈ K[x] \ e K o maior inteiro e ≥ 0 tal que ˜ e f (x) = f (xp ).CAP´ ıTULO 19 Extens˜es puramente insepar´veis o a Ao longo de todo este cap´ ıtulo K ser´ um corpo de caracter´ a ıstica prima p. a a Demonstracao. Seja L/K uma extens˜o de corpos e α ∈ L alg´brico sobre ¸˜ a e K. Sejam Ω um corpo e algebricamente fechado e κ : K → Ω um homomorfismo n˜o trivial de corpos. e a a Lema 19. Seja L/K extens˜o e α ∈ AL (K).4. coincidindo portanto com Pα|K . Supon¸˜ a a hamos que α seja puramente insepar´vel sobre K. Observe que todo elemento de K ´ simultaneamente a e separ´vel e puramente insepar´vel sobre K. podemos repetir o argumento para h1 . Seja L/K alg´brica. Suponha e m´ e ınimo para esta propriedade. Teorema 19. Sabemos que se L/K for uma extens˜o e α ∈ AL (K). Um polinˆmio f ∈ K[x] \ K ´ dito puramente insepar´vel se ¸˜ o e a e ˜ f (x) = xp − a para algum e ≥ 0 e a ∈ K. Note que neste caso f = x − a. Se Pα|K for puramente insepar´vel nada h´ a fazer. ˜ para um unico f ∈ K[x].2. Este inteiro e ´ dito o expoente de Pα|K . Ent˜o α ´ puramente ina a e separ´vel sobre K se e somente se Pα|K for puramente insepar´vel. um polinˆmio puramente insepar´vel possui uma unica raiz em um fecho o a ´ alg´brico de K. o a Definicao 19.

6.8. ´ a (ii) Todo elemento de M ´ puramente insepar´vel sobre K. Ent˜o au¸˜ a a tomaticamente L/K ´ puramente insepar´vel. a Definicao 19. e Definicao 19. Seja e o expoente de Pα|K . L/SL (K). co ´ Isto mostra que (i) implica (iii).. i. existem pelo menos duas op¸˜es para λ.5. Al´m disto para todo α ∈ M temos que β := λ(α) ´ uma raiz e e de κ∗ (Pα|K ). puramente insepar´vel. Lembre que o fecho separ´vel SL (K) de K em L ´ definido ¸˜ a e similarmente como o conjunto dos elementos de L separ´veis sobre K. Seja L/K uma extens˜o finita. Sabemos que existe um homomorfismo λ : ¸˜ L → Ω estendendo κ.7. e a Logo β fica univocamente detereminado. Se SL (K) = K dizemos ¸˜ a e que K ´ separavelmente fechado em L. Suponha que M/K seja puramente insepar´vel. Por outro lado. Em particular. Assim. Proposicao 19. e a (iii) L/K ´ puramente insepar´vel. Al´m disto. Proposicao 19. a PL (K) ∩ SL (K) = K. Logo κ∗ (Pα|K ) tamb´m n˜o ´ puramente ine a e a e separ´vel. existe α ∈ L tal a a que Pα|K ´ puramente insepar´vel. o mesmo vale para κ∗ (Pα|K ). Ent˜o M/K ´ ¸˜ o e a e puramente insepar´vel se e somente se M/L e L/K forem puramente insepar´veis. Como Pα|K ´ puramente insepar´vel. a e a Reciprocamente. suponha que M/L e L/K sejam puramente insepar´veis. e´ Suponha que L/K n˜o seja puramente insepar´vel. ou λ(alpha) = α1 ou λ(α) = β1 . Note que a proposi¸˜o diz que qualquer extens˜o alg´brica ¸˜ ca a e L/K pode ser decomposta em dois peda¸os.140 ˜ ´ 19..e.9. e a Definicao 19. se e a e e αp ∈ K ⊂ L.10. Suponha (ii). e c a SL (K)/K separ´vel. portanto λ ´ unico. Seja L/K uma extens˜o alg´brica. Daa e do α ∈ M temos que existe e ≥ 0 tal que αp ∈ L. como K ⊂ L. Seja L/K uma extens˜o alg´brica. Assim Pα|K (x) = ¸˜ e pe h1 (x ) com h1 ∈ K[x] separ´vel. Seja L/K uma extens˜o alg´brica. Definimos o fecho pura¸˜ a e mente insepar´vel de K em L por a PL (K) := {α ∈ L | α ´ puramente insepar´vel sobre K}. e Observacao 19. Portanto possui pelo menos duas ra´ a ızes distintas digamos α1 = β1 . O grau de separabilidade ¸˜ a [L : K]s de L/K ´ definido por [SL (K) : K]. Seja α ∈ L. αp ∈ K e α ´ puramente insepar´vel sobre K. i.e.11. e a Demonstracao. Ent˜o L/SL (K) ´ pu¸˜ a e a e ramente insepar´vel. e o grau de inseparabilidade [L : K]i e de L/k ´ definido por [L : SL (K)]. Observacao 19. Sejam L/K e M/L extens˜es alg´bricas. e . a Demonstracao. E imediato que (iii) implica (ii). αp como raiz de h1 pertence a a SL (K). e a Deixamos a cargo do leitor verificar que isto ´ um subcorpo de L contendo K. ent˜o M/L ´ puramente insepar´vel. existe f ≥ 0 tal e f e+f que (αp )p ∈ K. EXTENSOES PURAMENTE INSEPARAVEIS (i) Existe uma unica extens˜o λ : L → Ω de κ a L. Assim. a a Demonstracao.

EXTENSOES PURAMENTE INSEPARAVEIS 141 Proposicao 19. Seja L/K finita puramente insepar´vel. A fortiori. Sejam α1 . pois ´ igual ao grau de Pαi |Ki−1 e e e que ´ puramente insepar´vel. e Demonstracao. ele tamb´m o ´ e a e e sobre Ki−1 . e a e e . · · · . ent˜o [L : K] ´ ¸˜ a a e potˆncia de p. Como cada αi ´ puramente insepar´vel sobre K.˜ ´ 19. [L : K] ´ potˆncia de p. αr geradores de L sobre K e para todo i seja ¸˜ Ki := Ki−1 [αi ]. Assim.12. [Ki : Ki−1 ] ´ potˆncia de p.

.

De fato. Ent˜o RPα|K ∩ L = ∅. Pelo mesmo argumento. Ent˜o existe a ∈ K ∗ tal que f = aPα|K . Logo Q(Rx3 −2 ) = Q[ 3 2. 2z } ⊂ C. αn }. Ent˜o L/K ´ ¸˜ a a e normal. Este nada mais ca ılia ´ que o compositum dos corpos K[Rf ] para f ∈ F. αn }. qualquer outro subcorpo contendo K e Rf necessariamente cont´m K(Rf ). i]. · · · . mas Rf = RPα|K . Seja α ∈ L. Seja L/K uma extens˜o tal que [L : K] = 2. 2z. o Reciprocamente. Desta forma. Se F ⊂ K[x] \ K for uma fam´ de polinˆmios. ca ca e a αn ] gerada sobre K por {α1 . Mas z = ( 3 2z)/ 3 2 ∈ √ Q(Rx3 −2 ). Uma extens˜o alg´brica L/K ´ normal se e somente se para ¸˜ a e e todo f ∈ K[x] irredut´ temos Rf ⊂ L ou Rf ∩ L = ∅. Ent˜o Rx3√ = a −2 √ √ 2 √ √ √ Exemplo 20. com o mesmo argumento que utilizado para provar a unicidade de fecho alg´brico a menos de isomorfismo. O corpo de decomposi¸˜o K[Rf ] de f com rela¸˜o a K ´ a extens˜o finita K[α1 . RPα|K ⊂ L.1. se para todo α ∈ L. o 143 . a 3 2πi/3 . ıvel Demonstracao. ent˜o a K[Rf ] e K[Rf ] s˜o K-isomorfos.2. definimos ¸˜ ılia o da mesma forma o conjunto RF := Rf f ∈F e denotamos por K[RF ] o corpo de decomposi¸˜o da fam´ em Ω.CAP´ ıTULO 20 Corpos de decomposi¸˜o e extens˜es normais ca o Definicao 20. Seja K um corpo e f ∈ K[x] \ K. Novamente. portanto RPα|K ⊂ L. · · · .3. Seja α ∈ L.4. Note que a no¸˜o de corpo de decomposi¸˜o a priori depen¸˜ ca ca deria do corpo Ω. Proposicao 20. ent˜o Pα|K = x − α e RPα|K = ¸˜ a {α} ⊂ K ⊂ L. e Proposicao 20. logo RPα|K = {α. Observemos que este ´ o menor subcorpo e de Ω contendo K e Rf . Seja z = e 3 3 3 3 { 2. · · · . Q(Rx4 −5 ) = √ Q[ 4 5. β} ⊂ L. Seja f ∈ K[x] irredut´ ¸˜ ıvel tal que Rf ∩ L = ∅. observamos que se Rf for o e conjunto de ra´ ızes de f em um outro corpo algebricamente fechado Ω ⊃ K. z]. assim g(x) = x − β. Observacao 20. pois os elemento deste s˜o polinˆmios nos αi ’s com e a o coeficientes em K. Seja Ω um corpo algebri¸˜ camente fechado com Ω ⊃ K. Seja Rf := {α ∈ Ω | f (α) = 0} = {α1 . Se α ∈ K. z]. Demonstracao. Por a hip´tese. Caso contr´rio. a Observacao 20. Considere f = x − 2 ∈ Q[x]. Q(Rx3 −2 ) ⊂ Q[ 2. suponha que para todo f ∈ K[x] irredut´ ıvel Rf ⊂ L ou Rf ∩ L = ∅. a e e RPα|K ⊂ L.5.6. em L[x] temos Pα|K = (x − α)g(x) para g ∈ L[x] a mˆnico de grau 1. Suponha que L/K seja normal. Seja α ∈ L ∩ Rf . Uma extens˜o alg´brica L/K ´ dita normal.

alg´bricas e separ´veis. Sejam K ⊂ L ⊂ Ω corpos com Ω algebricamente fechado. Mas a extens˜o Q[ 2]/Q n˜o ´ normal. ¸˜ Seja NL o conjunto de subcorpos N de Ω contendo L tais que N/K seja normal. Denotamos por Aut(L/K) ao conjunto dos K-automorfismos de L.12. ¸˜ a Pα|K fatora-se linearmente em L[x]. √ e Consideremos agora a extens˜o Q[ 4 5]/Q. Ω) o conjunto dos K-homomorfismos ϕ : L → Ω.. as extens˜es ıvel e o √ 4 Q[ √5]/Q[ 5] e Q[ 5]/Q tˆm grau 2. Sejam K ⊂ Ω corpos com Ω algebricamente fechado. Mas a extens˜o e a a √ 4 Q[ 5]/Q n˜o o ´. portanto s˜o normais. Definicao 20.8. Seja L/K uma extens˜o alg´brica contida em Ω. pois x − 2 tem tamb´m ´ e a a e e √ como ra´ √ 3 2z e 3 2z 2 e este n´meros s˜o n´meros complexos conjugados. i. Definicao 20. Seja α ∈ N ∈N N . Seja L/K uma extens˜o de corpos. A extens˜o L/Q[ 3 2] ´ normal. A fam´ F ´ descrita como {Pα|K | α ∈ M}.11.10. ılia e e . Observacao 20. a e a e √ 3 3 pois seu grau√ 2. O corpo NΩ (L/K) := N N ∈NL ´ chamado o fecho normal da extens˜o L/K em Ω. o Teorema 20.e. e e Caracterizaremos agora extens˜es normais como sendo corpos de decomposi¸˜o o ca de uma fam´ de polinˆmios. se L = Q[ 3 2. para todo N ∈ N.144 ˜ 20. enızes u a u quanto Q[ 3 2] ⊂ R. o conjunto dos automorfismos σ : L → L de L tais que σ|K = idK . CORPOS DE DECOMPOSICAO E EXTENSOES NORMAIS ¸˜ Observacao 20. Seja N o conjunto dos subcorpos de Ω normais sobre K. con¸˜ e cluimos que RPα|K ⊂ N .7. Assim. Ao contr´rio das extens˜es finitas. e Demonstracao. Segue da defini¸˜o que NΩ (L/K) e a ca ´ o menor subcorpo de Ω contendo L que ´ normal sobre K. Como α ∈ N e N/K ´ normal. ılia (iii) HomK (L. ¸˜ a o e √ a n˜o vale transitividade para extens˜es normais. estas podem ser caracterizadas como corpos de decomposi¸˜o de ca apenas um polinˆmio. Sejam K ⊂ Ω corpos com Ω algebricamente fechado. De fato. z] = a o √ Q(Rx3 −2 ). Ω) = Aut(L/K).9. enquanto Q[ 4 5] ⊂ R. Ela tem grau 4. Note que em uma extens˜o normal L/K para todo α ∈ L. Disto seguir´ que no caso particular de extens˜es ılia o a o normais finitas. onde M ⊂ L ´ tal que L = K[M]. As seguintes condi¸˜es s˜o equivalentes: a e co a (i) L/K ´ normal. Ent˜o a extens˜o a a N N ∈N /K ´ normal. pois x4 − 5 ´ a irredut´ √sobre Q√(crit´rio de Eisenstein para p = 5). a Lema 20. e (ii) Existe uma fam´ F ⊂ K[x] \ K tal que L = K[RF ]. Ω um corpo algebri¸˜ a camente fechado contendo K e HomK (L. ent˜o L/Q ´ normal (pelo teorema). pois x4 − 5 tem tamb´m como ra´ a e e ızes ± 4 5i e estes s˜o n´meros a u √ complexos conjugados. O lema a seguir permite-nos definir o fecho normal de uma extens˜o L/K.

portanto K[RF ] ⊂ N . E claro que K ⊂ L ⊂ K[RF ]. Seja L/K uma extens˜o finita. CORPOS DE DECOMPOSICAO E EXTENSOES NORMAIS ¸˜ 145 Demonstracao. . Seja L/K uma extens˜o finita e Ω um corpo algebricamente a fechado contendo K.30. e (2) Existe f ∈ K[x] \ K tal que L = K[Rf ]. ca Suponha (iii). Pαr |K . Seja L/K uma extens˜o finita.˜ 20. αr ]. K[RF ] ⊂ L. logo vale (ii). e L = K[M] ⊂ K[RF ] ⊂ L. e e Por (iii) temos ent˜o β = λ(α) ∈ L.14. a e ´ Demonstracao. Suponha (i) e seja F como acima. .16. As seguintes condi¸˜es s˜o a co a equivalentes. (1) L/K ´ normal. Observe que temos sempre a inclus˜o Aut(L/K) ⊂ HomK (L. a (2) # Aut(L/K) ≤ # HomK (L. Ω). e pelo teorema K[RF ]/K ´ ¸˜ e normal.15. (3) HomK (L. · · · . em particular σ(L) ⊂ L. Por outro lado. Pelo corol´rio a 17. Ω) e vale a igualdade se e somente se L/K ´ e normal. Suponha (ii). Ent˜o K[RF ] ´ o fecho normal de L/K em Ω. RPα|K ⊂ L. Ent˜o K[RP ] ´ o fecho normal de L/K em Ω. Ω) = Aut(L/K).13. Como β ∈ L e L/K ´ alg´brica. Sejam L/K uma extens˜o alg´brica. Ω). Logo Pβ|K = Pα|K . No pr´ximo cap´ o ıtulo definiremos extens˜es finitas separ´veis e normais como o a extens˜es galoisianas. Ω) ≤ [L : K] e vale a igualdade se e somente se L/K ´ e separ´vel. A igualdade segue da proposi¸˜o 17. (1) # HomK (L. M e F como no teoa e rema. Sejam α ∈ L e β ∈ RPα|K . a Seja P := Pα1 |K . digamos L = K[α1 . Reunindo as informa¸˜es deste cap´ co ıtulo e do anterior obtemos o seguinte teorema. o . uma ¸˜ vez que L/K ´ normal. Para todo f ∈ F temos que σ(Rf ) ⊂ Rf . ´ Corolario 20. (3) # Aut(L/K) ≤ [L : K] e vale a igualdade se e somente se L/K ´ separ´vel e a e normal. Para todo α ∈ M.28 existe um K-isomorfismo θ : K[α] → K[β] ⊂ Ω tal que θ(α) = β. A fortiori. a e ´ Corolario 20. a e ´ Corolario 20. Assim. Por outro lado para todo subcorpo N de Ω contendo L e normal sobre K e para todo α ∈ M temos RPα|K ⊂ N . existe um K-homomorfismo λ : L → Ω tal que λK[α] = θ. a Seja σ ∈ HomK (L. RPα|K ⊂ L e L/K ´ normal. Teorema 20.

Da mesma forma ϕ(z) ∈ {z. σ 2 τ }. z] : Q[ 2]] = 2 e [Q(Rx3 −2 ) : Q] = 6. 2}. σ 2 ( 3 2) = σ( 3 2z) = ca √ √ 2 √ √ √ 3 2z e σ 2 (z) = z.17. z] = Q[Rf ] / Q[ 2] \ Q √ A extens˜o Q[ 3 2]/Q tem grau 2 pois x3 − 2 ´ irredut´ em Q[x] pelo crit´rio a e ıvel e de Eisenstein com p = 2. um conjugado do outro. As ra´ e ızes deste polinˆmio s˜o z e z 2 que s˜o n´meros a a u √o complexos. τ. τ 2 ( 3 2) =√ 3 2 e σ ) √ τ (z) = z 4 √ z. logo deve ser todo o grupo.146 ˜ 20. z 2 }. 2 . Exemplos Exemplo 20. note que o subgrupo de Aut(Q[Rf ]/Q) gerado por σ e τ tem ordem 6. Definimos σ por √ √ 3 3 σ( 2) := 2z e σ(z) := z e √ √ 3 3 τ por τ ( 2) := 2 e τ (z) := z. Vamos mostrar que este ´ o grupo de Galois G = Gal(Q(Rx3 −2 )/Q). e c √ para obter um elemento de G basta calcul´-lo em 3 2 e z. σ 2 .1. pois o polinˆmio m´ a o ınimo de z sobre Q ´ x2 + x + 1. Como Q[ 3 2] ⊂ R. √ √ Observemos que σ e τ satisfazem ` √ a condi¸˜o acima. portanto √ √ 3 3 [Q[ 2. Finalmente. e √ √ 2 √ √ 3 3 Como 1. √ √ logo ϕ( 3 2) ∈ { 3 2z i | para i = 0. De fato. στ. σ. 2. 1. CORPOS DE DECOMPOSICAO E EXTENSOES NORMAIS ¸˜ 20. z 3 2 ´ uma base de Q(Rx3 −2 ) como Q-espa¸o vetorial. z. σ 2 τ ( 3 2) = = √ 3 2 3 σ ( 2) = 2z 2 e σ 2τ (z) = σ 2 (z 2 ) = z 2 . Observemos que dado a ϕ ∈ G. ent˜o a √ √ 3 3 3 ϕ( 2)3 = ϕ( 2 ) = ϕ(2) = 2. Considere o diagrama de corpos √ Q[ 3 2. Um grupo de ordem 6 gerado por dois elementos σ e τ com σ de ordem 3 e τ de ordem 2 satisfazendo a τ σ = σ2 τ ´ isomorfo ao grupo S3 das permuta¸˜es de 3 elementos que ´ dado explicitamente e co e por {id. x2 + x + 1 ´ irredut´ e ıvel √ sobre Q[ 3 2]. Assim # Gal(Q(Rx3 −2 )/Q) = 6. A extens˜o Q[z]/Q tem grau 2. τ σ( 3 2) = τ ( 3 2z) = 3 2z 2 e τ σ(z) = τ (z) = z 2 . √3 ( 3 2) = σ( 3 2z 2√ = 3 2 e σ 3 (z) = z. Seja f = x3 − 2 ∈ Q[x]. z 3 2. √ 3 \ Q[z] / .

4 5 i. uma vez que Q[ 4 5] ⊂ R. De fato. Seja f = x4 − 5 ∈ Q[x] e K = Q(Rx4 −5 ) = Q[ 4 5. Um grupo de ordem 8 gerado por 2 elementos σ de ordem 4 e τ de ordem 2 tal que τ σ = σ3 τ ´ isomorfo ao grupo diedral de ordem 4. Obc G a a √ √ servemos que dado ϕ ∈ G.18.√ 4 ( 4 5) = σ(− 4 5i) √ 4 5 σ = σ = √ e σ 4 (i) = i. σ 3 τ ( 4 5) = σ 3 ( 4 5) = − 4 5i e σ 3 τ (i) = σ 3 (−i) = −i. σ 3 . EXEMPLOS 147 √ Exemplo 20. √ √ Observemos que σ e √ satisfazem ` condi¸˜o acima.1. 5 . Considere o diagrama de corpos √ Q[ 4 5. assim. σ 2 . logo ´ todo o grupo. o subgrupo de Aut(Q[Rf ]/Q) gerado por σ e τ tem ordem 8. σ. portanto [K : Q] = 8 = # Gal(K/Q). suas ra´ = e ıvel ızes s˜o ±i. e . Vamos mostrar que este ´ o grupo de Galois G = Gal(K/Q). 5 . τ 2 ( 4 5) = √4 5 e τ 2 (i) = τ (−i) = i. 4 5i. 5. D4 que ´ dado explicitamente por e e {id. i] = Q[Rf ] / Q[ 5] \ √ 4 Q 4 \ Q[i] / √ 4 e ıvem em Q[x] pelo crit´rio de e Note que [Q[ 5] : Q] = 4. i. σ 3 τ }. [Q[i] : Q]√ 2. pois x − 5 ´ irredut´ Eisenstein para p = 5. ± 4 5i} e ϕ(i) ∈ {±i}. i]. 4 5 i formam uma base de √ como QK espa¸o vetorial. Definimos σ por √ √ 4 4 σ( 5) := 5i e σ(i) := i e √ √ 4 4 τ por τ ( 5) := 5 e τ (i) := −i. Finalmente. σ 2 τ. τ σ( 4 5) = τ ( 4 5i) = − 4 5i e √ √ τ σ(i) = τ (i) = −i. √3 ( 4 5) √ σ(− 4 5) = − 4 5i e σ 3 (i) = i. σ 2 ( 4 5) = σ( 4 5i) = τ c √ √a √a √ √ √ − 4 5 e σ 2 (i) = i. pois x2 + 1 ´ irredut´ em Q[x].20. para obter um elemento de √ basta c´lcul´-lo em 4 5 e i. στ. τ. ϕ( 4 5) ∈ {± 4 5. e √ √ 2 √ 3 √ √ 2 √ 3 4 4 4 Como 1. temos que x2 + 1 ´ tamb´m irredut´ a e e ıvel √ sobre Q[ 4 5][x].

.

logo τ ∈ γ(L1 ). τ α = α. O mesmo e vale para o produto. Como conseq¨ˆncia destes ultimos ue ´ 2 itens temos imediatamente que (7) γ ◦ κ ◦ γ = γ. em particular o mesmo vale para todo τ ∈ H1 .1. K o conjunto ¸˜ a dos subcorpos L de N contendo K e G o conjunto dos subgrupos H de G. temos que L = κ(H) ⊃ a κ ◦ γ ◦ κ(H) = κ ◦ γ(L). τ ∈ γ ◦ κ(H). (6) H ∈ G ∗ se e somente se H = γ ◦ κ(H). Seja N/K uma extens˜o finita. ent˜o γ(L1 ) ⊃ γ(L2 ). ent˜o κ(H1 ) ⊃ κ(H2 ). (8) κ◦γ◦κ = κ.2. como H ⊂ γ ◦ κ(H). ent˜o para todo α ∈ L2 . e a Este par satisfaz `s seguintes propriedades. De fato. denotando por K∗ a imagem de κ e G ∗ a imagem de γ e temos tamb´m as seguintes propriedades. logo para todo τ ∈ H2 . Verifiquemos que N H ´ de fato um subcorpo de N . κ} induzem uma bije¸˜o entre os conjuntos ca K∗ e γ ∗ . ´ claro que K ⊂ N H . ¸˜ (1) Se L1 ⊂ L2 . ent˜o. ´ (5) E claro que se L = κ ◦ γ(L). κ} e co ´ chamado uma conex˜o de Galois. τ α = α. Por outro lado. ´ (3) E claro que para todo α ∈ L e para todo τ ∈ Aut(N/L) temos τ α = α. assim α ∈ κ ◦ γ(L). se L ∈ K∗ . a Proposicao 21. Definimos duas fun¸˜es: co γ : K → G dada por γ(L) := Aut(N/L) e κ : G → K dada por κ(H) := N H := {α ∈ N | τ (α) = α para todo τ ∈ H}. a em particular o mesmo vale para todo α ∈ L1 . a digamos L = κ(H). ´ (4) E claro que para todo τ ∈ H e α ∈ κ(H) temos que τ α = α. (4) H ⊂ γ ◦ κ(H). Em particular. a (2) Se H1 ⊂ H2 . (2) Seja α ∈ κ(H2 ). a (3) L ⊂ κ ◦ γ(L). portanto.1. logo α ∈ κ(H1 ). O par de fun¸˜es {γ. ¸˜ (1) Seja τ ∈ γ(L2 ). e e como τ ´ um homomorfismo temos que τ (α + β) = τ (α) + τ (β) = α + β. Al´m disto. Correspondˆncia de Galois e Definicao 21. Demonstracao. G = Aut(N/K). {γ. Al´m disto. τ (α−1 ) = τ (α)−1 = α−1 . ent˜o L ∈ K∗ . 149 . e (5) L ∈ K∗ se e somente se L = κ ◦ γ(L).CAP´ ıTULO 21 Teoria de Galois 21.

pois o primeiro ´ subgrupo do segundo e ambos tˆm a mesma ordem. Para provar a desigualdade oposta. e a pelo teorema do elemento primitivo. Se L ∈ K∗ . Seja α ∈ N e Cα = {τ α | τ ∈ H} o conjunto dos elementos ¸˜ H-conjugados a α. ¸˜ e Reciprocamente. Seja N/K uma extens˜o galoisiana finita. Ent˜o L ∈ K∗ se e somente se N/L for ¸˜ a galoisiana. portanto α ´ separ´vel sobre N H .6 (teorema fundamental da teoria de Galois). τ|Cα ´ uma permuta¸˜o de Cα (uma vez que τ e ca H ´ injetivo. basta mostrar que e # Aut(N/N H ) = [N : N H ]. Note que #Cα ≤ |H|. κ} define uma correspondˆncia de Galois entre a a e K e G. L ⊂ κ ◦ γ(L) ⊂ N e pelo teorema de Artin. suponha que N/L seja galoisisana.3. Por outro lado. fα ∈ N [x]. Definicao 21. Teorema 21. temos que H = γ(L) ⊃ a γ ◦ κ ◦ γ(L) = γ ◦ κ(H). . e e Proposicao 21. se H ∈ G ∗ . Cα ´ finito e τ (Cα ) ⊂ Cα ). Logo | Aut(N/L)| = [N : L]. Uma extens˜o finita L/K ´ e e a e dita galoisiana se for separ´vel e normal. κ} aos ¸˜ ca a conjuntos K∗ e G ∗ ´ uma correspondˆncia de Galois. Ent˜o {γ. o teorema de Artin garante que N/L ´ galoisiana. Mas neste caso. Demonstracao. observe que como N/N H ´ finita e separ´vel. ent˜o H ∈ G ∗ . a e a Assim. para provar que N/N H ´ normal. ent˜o. Portanto. Dado H ∈ G temos que N/N H ´ gae loisiana. Por outro lado.150 21. como L ⊂ κ ◦ γ(L). Por constru¸˜o fα ´ e e ca e separ´vel. a Teorema 21. como H ⊂ Aut(N/N H ) temos que #H ≤ | Aut(N/N H )| ≤ [N : N H ].5. [N : N H ] = grau(Pα|N H ) ≤ grau(fα ) ≤ |H|.4 (teorema de Artin). existe α ∈ N tal que N = N H (α). Demonstracao. portanto L = κ ◦ γ(L) ∈ K∗ . TEORIA DE GALOIS ´ (6) E claro que se H = γ ◦ κ(H). [N : κ ◦ γ(L)] = [N : N Aut(N/L) ] = | Aut(N/L)| = [N : L]. [N : N H ] = #H e H = Aut(N/N H ) = γ ◦ κ(H). Portanto. Dizemos que a restri¸˜o de uma conex˜o de Galois {γ. a digamos H = γ(L). Inicialmente. Seja L ∈ K. Observemos que para todo τ ∈ H. [N : N H ] = |H| = | Aut(N/N H )| e H = γ ◦ κ(H). Seja fα := β∈Cα (x − β).

στ ( 3) = 3i. σ 3 . [N : Q] = 6 e G = Aut(N/Q) =√ 3 = S {id. [N : Q] = 8 e G = Aut(N/Q) = D4 = {id. concluimos que Q[ζ] = N H1 . o(τ ) = 2 e τ σ = σ 2 τ . στ (i) = −i. σ 2 (i) = i. Q[ 3 2ζ] ⊂ √ √ N H4 ⊂ N . σ 2 . o(τ ) = 2 e τ σ = σ 3 τ . τ ( 3 2) = 3 2 e τ (ζ) = ζ 2 . σ(i) = i. Observe que Q[ζ] ⊂ N H1 ⊂ N e que [N : N H1 ] = #H1 = 3. logo N {id} = N . √ στ. σ(ζ) = ζ. N ⊂ N {id} ⊂ N . a Q[ √ Como [Q[ 3 2] : Q] = 3. segue que √ 2. σ 2 ( 4 3) = − 4 3. Q[ 3i] ⊂ √ √ N H2 ⊂ N . τ. [N : N H6 ] = #H6 = 2. [Q[ 3 2ζ 2 ] : Q] = 3. Al´m disto. Al´m disto. pela proposi¸˜o anterior.7. H1 = σ . [N : N H1 ] = #H1 = 4. [Q[ 4 3(1 − i)] : Q] = 4. Q[ 2ζ 2 ] ⊂ √ 3 N H√ ⊂ N . J´ provamos anteriormente a √ 3 2πi/3 que N = Q[ 2. √ √ √ √ √ 4 4 4 4 4 στ √ H4 = √ . N = Q[Rx3 −2 ]. √ Seja H2 = τ = {id. σ 2 τ ( 4 3i) = 4 3i. √ √ √ √ H2 = σ 2 . σ( 3 2) = e √ √ 3 2ζ. σ 2 }. CORRESPONDENCIA DE GALOIS 151 Demonstracao. σ( 4 3) = 4 3i. στ ( 3(1 + i)) = 4 4 4 3(1 + i). pelo crit´rio de Eisenstein para p = 3. [N : N H4 ] = #H4 = 2 e [Q[ 3 2ζ] : Q] = 3.1. [N : N G ] = #G = 8. = e √ τ ( 4 3) = 4 3 e τ (i) = −i. στ (ζ) = ζ 2 . Seja K = Q. σ τ ( 3) = − 3i. στ ( 3i) = 3. Q[ 4 3(1 + i)] ⊂ N H4 ⊂ o e ıvel √ N . κ ◦ γ(L) = L. Q[i] ⊂ N H1 ⊂ √ . [N : N H3 ] = #H3 = 4. Q[ 4 3i] ⊂ N H5 ⊂ N . 3 4 σ3 4 √ 6 = σ τ4 . Seja H1 = α = {id. [N : N H4 ] = #H4 =√ Q( 4 3(1 + i)) = N N4 . este e e √ √ polinˆmio ´ irredut´ sobre Q. Q = N G . onde ζ = e . Como 3 2ζ 2 ´ raiz de x3 − 2 e este ´ irredut´ e e ıvel sobre Q. στ. ζ]. i). a e √ Q[ 4 3i] = N H5 . σ. Q[ 3i] = N . Q ⊂ N G ⊂ N . Exemplo 21. [N : N H2 ] √ #H2 = 2. [N : N H2 ] = #H2 = 2. √ √ √ √ (i) H5 = σ 2 τ . Ent˜o√ 3 2] ⊂ N H2 ⊂ N . Assim. Como [N : N H3 ] = #H3 = √ concluimos que Q[ 3 2ζ 2 ] = √ H3 . 2. √ √ √ √ √ 4 4 4 3 3 3 H −i. Seja K = Q. N √ Seja H4 √ σ 2 τ . τ }. σ. logo σ 2 τ √3 2ζ 2 ) = que ( √ √ √ = 3 2ζ 2 ζ = 3 2. . N = Q[Rx4 −3 ]. [Q[ 4 3] : Q] = 4. σ 2 τ ( 4 3) = − 4 3. Assim. N = N {id} . j´ que ´ raiz de x4 − 3. [Q[i] : Q] = √ Q[i] = N H1 .ˆ 21. ıvel √ √ H3 = τ . Como [Q[ζ] : Q] = 2. γ ◦ κ(H) = H. 3(1 − i) ´ raiz de x4 + 12. segue que Q[ 3 2] = N H2√ . Portanto. portanto Q[ 3 2ζ] = N H4 . Observe √ σ 2 τ ( 3 2) = 3 2ζ 2 e σ 2 τ (ζ) = ζ 2 . Por outro lado. σ 2 τ } com√ o(σ) = 3. Tamb´m Q ⊂ N G ⊂ N e pela e teoria de Galois [N : N G ] = #G = 6. √ τ ( 3(1 − √ i)) 4 3(1 − i). σ 2 τ.8. Observe que στ ( 3 2) = 3 2ζ. Note que N ⊂ N {id} ⊂ N . Calculemos alguns exemplos concretos da correspondˆncia de Galois. [N : N H5 ] = #H5 = 2. Assim. logo Q = N G . σ 3 τ } τ. [Q[ 3i] : Q] = 4 j´ que 3i ´ raiz de x4 + 3 = a e H2 irredut´ sobre Q. √ Q[ 4 3] = N H3 . Q[ 4 3] ⊂ N H3 ⊂ N . [Q[ 4 3i] : Q] = 4. σ 2 ( 3i) = σ 2 ( 4 3)2 i = 3i. J´ provamos anteriormente que se N/K for galoisiana ent˜o ¸˜ a a N/L tamb´m o ser´ para todo L ∈ K (ver cap´ e a ıtulos de extens˜es separ´veis e o a normais). logo στ (√ 2ζ) = √ √ √ √ 2 √ 3 3 3 3 3 3 2 2ζζ = 2. logo [Q[ 4 3(1 + i)] : Q] = 4. στ ( 2(1 + ζ)) = 2(1 + ζ) = − 2ζ . σ τ (i) = √ σ τ ( 3i) = − 3. e Exemplo 21. J´ provamos anteriormente que a √ N = Q( 4 3. N 2. σ 2 τ√ = −i. σ 2 . 3(1 + i) ´ raiz de x + 12. Q[ 4 3(1 − i)] ⊂ e N H6 ⊂ N . σ. √ √ 3 Seja H3 = στ . pelo ca teorema de Artin. portanto σ 2 τ ( 3 2(1+ζ 2 )) = 3 2(1+ζ 2 ) = − 3 2ζ. √ com o(σ)√ 4.

a −1 H σ α ∈ N .9. Como N/K ´ normal. Extens˜es e subgrupos normais o Proposicao 21.. λ ∈ Aut(L/K).e. pelo que foi feito acima. i. a . TEORIA DE GALOIS Finalmente. Dado σ ∈ Aut(N/L) e ¸˜ Ω ⊃ N algebricamente fechado. σ ∈ N (ϕ) se e somente se σ|L = id. ent˜o τ σα = σα. · · · . e ν(L) = λ(L) = L. existe ν : N → Ω um K-homomorfismo tal e e que ν|L = λ. τ ∈ σ Aut(N/L)σ −1 . portanto σ(L) = L e σ|L ∈ Aut(L/K). fica como exerc´ calcular os corpos fixos dos seguintes subgrupos ıcio de G : σ 2 . Aut(N/L) Reciprocamente.11. Suponha que L/K seja normal.. Seja N/K galoisiana finita.e. e esgotam a correspondˆncia de e e Galois. τ σ −1 α = σ −1 α. −1 Seja α ∈ N σHσ e τ ∈ H.e.e. σ −1 τ σα = α. ν ∈ Aut(N/K). i. e Aut(N/K). Demonstracao. Neste caso Aut(N/K)/ Aut(N/L) ∼ Aut(L/K). Seja λ : L → Ω um K-homomorfismo. i.152 21. Definimos o compositum KL ¸˜ de k e L em Ω como sendo o menor subcorpo de Ω contendo K e L.e. se τ ∈ Aut(N/σ(L)) e α ∈ N .. Este homomorfismo ´ soe e brejetivo. α ∈ σ(N H ). Seja τ ∈ Aut(N/L) ¸˜ e e α ∈ N .10. βn ) tˆm coeficientes em K e α1 . στ σ −1 ∈ Aut(N/σ(L)). i. Ambos tˆm ordem 4. · · · . Reciproa camente.e. i. e Finalmente a ultima afirmativa segue do teorema dos homomorfismos. e Como N/L ´ finita (logo alg´brica).e. · · · .e. o processo acima produz σ ∈ Aut(N/K) tal que σ|L = τ . ent˜o σ|L : L → N ⊂ Ω ´ um K-homomorfismo (j´ a e a que L ⊃ K). i. 21. Neste caso. αm ) | f eg g(β1 . ent˜o a −1 σHσ −1 στ σ (σα) = στ α = σα. Pela correspondˆncia de Galois L = σ(L). αm . ´ Definicao 21. τ e σ 2 . στ . i.e.. i. σα ∈ N .12. pois dado τ ∈ Aut(L/K). β1 . A fun¸˜o ϕ : Aut(N/K) → Aut(L/K) ca definida por σ → σ|L ´ um homomorfismo de grupos.. L subcorpos de Ω. Reciprocamente. Teorema 21. i. pela proposi¸˜o ca anterior. a σ −1 τ σ ∈ Aut(N/L). Suponhamos que L/K seja normal. Como N/K ´ galoisiana L = N Aut(N/L) . Ent˜o L/K ´ normal a e (logo galoisiana) se e somente se Aut(N/L) Aut(N/K). ent˜o a Aut(N/σ(L)) = σ Aut(N/L)σ −1 = Aut(N/L).. βn ∈ L} . Ent˜o KL = K[L]..2. Lema 21. L subcorpos de Ω e K[L] := f (α1 . Al´m disto. Sejam K. σ ∈ Aut(N/L). se Aut(N/L) Aut(N/K). se α ∈ N H e τ ∈ H. ent˜o στ σ −1 (σα) = στ α = σα. = Demonstracao. Ent˜o ¸˜ a σ Aut(N/L)σ −1 = Aut(N/σ(L)) e N σHσ −1 = σ(N H ). σ Aut(N/L)σ −1 = Aut(N/σ(L)) = Aut(N/L).e.. i.. · · · . Seja N/K galoisiana finita e L ∈ K.e. i... ent˜o στ σ −1 α = α. L ∈ K e H ∈ G. Sejam K.

α ∈ N Aut(K N/K ) = K . e Observe que ϕ est´ bem definita e ´ injetiva. xn ) ´ galoisiana com grupo de a e Galois isomorfo a Aut(N/K). e como αi = σβi para algum βi ∈ N . Proposicao 21. a e a e a Seja σ : K N → Ω um K -homomorfismo. Al´m disto cada αi ´ separ´vel e e e a sobre K. ca 21. Demonstracao. Logo K N = K [α1 . a ca KL = K[L]. Ent˜o K N/K ´ galoisiana finita e a e ϕ : Aut(K N/K ) → Aut(N/K ∩ N ) dada por σ → σ|N ´ um isomorfismo de grupos. Como N/K ´ normal. concluimos que z = σ(f (β1 . αr ]. Em particular. Assim. · · · . neste caso. onde Ω ⊃ K ´ algebricamente e fechado.. co . αr ] e como cada αi ´ alg´brico sobre e e K (logo sobre K ) concluimos que K N/K ´ finita. a xn ) o corpo de fra¸˜es do anel de polinˆmio N [x1 . Observemos inicialmente que por constru¸˜o K[l] ´ um sub¸˜ ca e corpo de Ω. βr )). βn ) como acima. ent˜o σ ∈ Aut(N/K). αm )/g(β1 . · · · . a e Demonstracao. De fato. ca ´ Corolario 21. Seja σ ∈ Aut(N/K ∩ N ). concluimos que σ(K N ) ⊂ K N . Para co todo conjunto finito S denotamos por Perm(S) o grupo das permuta¸˜es de S.3. · · · . αr ) com coeficientes em K . K um ¸˜ corpo algebricamente fechado. Como N/K ´ finita. assim Pαi |K ´ separ´vel. · · · . Ent˜o N (x1 . Al´m disto contem K (tome denominador igual a 1 e numerador e igual a uma fun¸˜o constante) e L (tome denominador igual a 1 e numerador ca igual a vari´vel α1 ). Seja N ⊂ Ω um subcorpo contendo K e L. · · · . Ent˜o necessariaa a mente conter´ qualquer fra¸˜o f (α1 . · · · . Seja H a imagem de ϕ. pois automaticamente α ∈ N . Demonstracao. Basta mostrar que α ∈ K . · · · . para todo σ ∈ Aut(K N/K ). σα = α. · · · .3. · · · . · · · . [K N : K ] = [N : e K ∩ N ]. a N ⊂ C e N ⊂ R. xn ) e apli¸˜ car a proposi¸˜o anterior.13. Ent˜o [N : N ∩ R] = 2 e [N : K] ´ par. i. Seja N/K uma extens˜o galoisiana finita com K ⊂ R. · · · . ent˜o existem α1 . Basta observar que N K(x1 . Como σ|K = id. pois K N/K ´ e galoisiana. σ ∈ Aut(K N/K ) e K N/K ´ normal. Como a e K ⊂ K ∩ N .e. z = f (α1 .14. Seja α ∈ κ(H) = N H e τ ∈ H. · · · . xn ] em n vari´veis com co o a coeficientes em N . Observe que RN = C e [N : (N ∩R)] = [C : R] = 2 e aplique ¸˜ a proposi¸˜o.21. xn ) = N (x1 . COEFICIENTES E RA´ IZES 153 Demonstracao. K /K finita e Ω ⊃ N. Por outro lado. · · · . Seja N (x1 . ´ Corolario 21. para todo z ∈ K N . Seja N/K galoisiana finita.15. Basta mostrar que a κ(H) ⊂ K ∩ N . ent˜o σ ∈ e e a Aut(N/K) e σ(αi ) ∈ N para todo i. Existe σ ∈ Aut(K N/K ) tal que σ|N = τ . portanto σ(K N ) = K N . Seja N/K uma extens˜o galoisiana finita. Logo σ|N : N → Ω ´ um K-homorfismo. xn )/K(x1 . em particular αi ´ separ´vel sobre K e K N/K ´ separ´vel. Portanto. logo Pαi |K tamb´m ´ e a e e separ´vel. Mas Pαi |K | Pαi |K . αr ∈ N tais que ¸˜ e a N = K[α1 . H = γ ◦ κ(H) ⊃ γ(K ∩ N ) = Aut(N/K ∩ N ) ⊃ H. Coeficientes e ra´ ızes Para todo n ≥ 1 inteiro seja Sn o grupo das permuta¸˜es de n elementos.

K) ´ todo o grupo Sn . Observemos que se ϕ|R = id. Observacao 21. o Suponha que f possua exatamente p − 2 ra´ ızes reais. Seja f ∈ K[x] irredut´ ¸˜ ıvel. Demonstracao. sua imagem. Assim (1) ¸˜ e ´ claro que ϕ ´ um homomorfismo de grupos. o problema de Galois era caracterizar ¸˜ em termos de propriedades de Gal(f. e e Seja α ∈ Rf . a O´ ıtem (b) ´ um caso particular do seguinte teorema de Cayley (ver cap´ e ıtulo sobre teoremas de Sylow). existe θ ∈ Gal(N/Q) de e ordem p. Ent˜o H = Sp . Observemos que #Rf = n e que σ|Rf ´ injetiva. separ´vel de grau n e o a N = K(Rf ). A fortiori. A fortiori. tamb´m denotada por η em Gal(f. Ent˜o Gal(f. a Teorema 21. K).19.18. Seja f ∈ Q[x] irredut´ ıvel mˆnico de grau primo p > 2. Definicao 21. Suponha que H contenha uma transposi¸˜o (elemento co ca de ordem 2) e um elemento de ordem p.16. ent˜o η ∈ Aut(N/Q). Portanto η tem ordem 2. Q) ser um grupo sol´vel. Quando K = Q. p. Existe uma situa¸˜o em que o grupo de Galois Gal(f. Q) = Sp . A imagem de ϕ ´ chamado o grupo de Galois de f com ¸˜ e respeito a K e denotado por Gal(f.20. tamb´m denotada por θ em Gal(f. Lema 21. segue. ca e Para isto utilizaremos o seguinte lema (ver [GaLe. TEORIA DE GALOIS Proposicao 21. mˆnico. uma vez que N/Q ´ galoisiana. Isto equivale a Gal(f.154 21. Mas como N/Q ´ normal. σ|Rf ∈ Perm(Rf ) = Sn . A conjuga¸˜o complexa τ restrita a N = Q[Rf ] nos d´ um ¸˜ ca a Q-homomorfismo η : N → C. Pelo primeiro teorema de Sylow. Ent˜o a (a) para todo σ ∈ Aut(N/K). Retornaremos a este u ponto no cap´ ıtulo de solubilidade por radicais. e a Por hip´tese η fixa as p − 2 ra´ o ızes reais e necessariamente permuta as duas ra´ ızes complexas conjugadas restantes. a Demonstracao.17. Q) quando as ra´ de f seriam expressas da ızes forma radical. . E e f ent˜o ϕ = id. Logo [Q[α] : Q] = grau(f ) | [N : Q] = # Gal(N/Q). 106]). Q) tamb´m tem ordem 2. pois N = K(Rf ). o teorema segue do lema. Assim. Q) tamb´m e e tem ordem p. sua imagem. Seja p > 2 um n´mero primo e H um subgrupo do grupo Sp de u permuta¸˜es de p elementos. (b) A fun¸˜o ϕ : Aut(N/K) → Sn dada por σ → σRf ´ um homomorfismo ca e injetivo de grupos.

ζ 5 }. se n ´ par (resp. Definicao 22. mas W5 (Q) = {1}. n) = 1. #Wn = n se e somente se polinˆmio xn − 1 ∈ Ω[x] ´ o e separ´vel. temos que W6 = {1. Dizemos que Ln := K[Rxn −1 ] ´ a n-´sima extens˜o ci¸˜ e e a clotˆmica de K contida em Ω. Existe um isomorfismo canˆnico o Wn ∼ Z/nZ dado por ζ i → i. Por exemplo. = Lembremos que os geradores de Z/nZ s˜o exatamente as classes a a tais que mdc(a. Observemos que este grupo ´ e e finito de ordem no m´ximo n. Wn (K) depende de n e de K. a Wn (Q) = {1}). ent˜o a Wn = {1.1. η. Wn (K) ´ c´ e ıclico de ordem n se e somente se Pn (K) = ∅. Ω = C e n = 6. mas W6 (Q) = {±1}. Se n = 5. · · · . Observe tamb´m que pelo teorema de e e Lagrange para todo ϑ ∈ Wn temos o(ϑ) = d | n. se car(Ω) = p. ζ. onde ζ = e2πi/6 . Assim. Ln ´ dito o n-´simo corpo cio e e clotˆmico. A pr´-imagem destes geradores pelo isomorfismo a e anterior ´ o conjunto Pn de geradores de Wn . ´ e ımpar).e. · · · . Assim. Por outro lado. Quando K = Q. onde η = e2πi/5 . Tal conjunto ´ chamado o conjunto e e das ra´ ızes primitivas n-´simas da unidade. Seja Wn (K) := Wn ∩ K. Assim.. se K = Q. Este conjunto ´ um subgrupo c´ e ıclico de Wn e de K ∗ . s˜o os elementos de (Z/nZ)∗ . consideremos o subgrupo Wn := Wn (Ω) := {z ∈ Ω | z n = 1} de Ω∗ . i. η 4 }.CAP´ ıTULO 22 Extens˜es ciclotˆmicas o o Seja K um subcorpo de um corpo algebricamente fechado Ω. Seja ζ um gerador de Wn . Este subgrupo depende diretamente de K e n.18 temos que Wn ´ um grupo c´ a e ıclico cuja ordem coincide com o seu expoente. A partir de agora suporemos sempre que car(Ω) = 0 ou p com p n. Note por a exemplo que Wp = {1}. ent˜o Wn (Q) = {±1} (resp. o 155 Wn = d|n Pd . De fato. #Wn = n se somente se e p = car(Ω) n. . o que ocorre se e somente se car(Ω) = 0 ou p com p n. Para todo n ≥ 1. Al´m disto.1) Como anteriormente definimos Pn (K) := Pn ∩ K. dito grupo das ra´ ızes n-´simas da unidade. podemos escrever (22. Pelo lema 18.

Pelo lema anterior concluimos que h. Em particular. Em o p p p p n particular. EXTENSOES CICLOTOMICAS Teorema 22. Suponha que Pζ|Q = Pζ p |Q . pois ´ finitamente gerada por ele¸˜ a e e ´ mentos alg´bricos sobre K. Tamb´m ´ claro que Ln /K ´ e c˜ e e e separ´vel. κ∗ (Pζ p |Q (xp )) = κ∗ (Pζ p |Q )(x)p = κ∗ (h1 )(x)κ∗ (Pζ|Q )(x). Ln = K(ζ) para algum gerador ζ de Wn (Ln ). existe h ∈ Q[x] tal que xn − 1 = hPζ|Q Pζ p |Q . Esta fun¸˜o ´ um homomorfismo injetivo de grupos. pois e Ln ´ o corpo de decomposi¸ao de xn − 1 sobre K. Seja κ p : Z → Fp . n) = 1. Portanto. Por outro lado. Lema 22. Pζ p |Q ∈ Z[x]. στ (ζ) = σ(ζ aτ ) = σ(ζ)aτ = ζ aσ aτ . ϕ(στ ) = ϕ(σ)ϕ(τ ) e ϕ ´ um homomorfismo de e grupos.156 ˜ ˆ 22. Em particular. g ∈ Q[x] tais que f g ∈ Z[x]. Pζ|Q . pois p n. Seja ζ um gerador de a e a Wn (Ln ) = Wn . Aut(Ln /K) ´ um grupo a e e abeliano isomorfo a um subgrupo de (Z/nZ)∗ . n − 1} tal que mdc(aσ . = Verificaremos que a condi¸˜o do corol´rio ´ satisfeita se K = Q. Ou seja. se p > 0). Este induz um homomorfismo sobrejetivo κ∗ : Z[x] → p Fp [x] dado por ai xi → ai xi . Al´m e disto. o que ocorre se e somente e se σ = id. Isto induz a seguinte fun¸˜o ca ϕ : Aut(Ln /K) → (Z/nZ)∗ ca e definida por σ → aσ . Ent˜o σ ∈ Aut(Ln /K) se e somente se σ(ζ) for tamb´m um gerador a e de Wn . a Demonstracao. Sejam f. De fato. p p p p Mas κ∗ (Pζ|Q ) e κ∗ (Pζ p |Q ) s˜o irredut´ a ıveis mˆnicos. . Afirmamos que o homomorfismo quociente. Ent˜o [Q(ζ) : Q] = φ(n). xn − 1 = κ∗ (h)κ∗ (Pζ|Q )κ∗ (Pζ p |Q ). logo e Pζ p |Q (xp ) = h1 (x)Pζ|Q (x). as ra´ e ızes de xn − 1. a→a n. Logo κ∗ (Pζ|Q ) = κ∗ (Pζ p |Q ).2. o que ocorre se e somente se σ(ζ) = ζ aσ para algum aσ ∈ {0. E claro que Ln /K ´ normal. ´ Corolario 22. i Observe que ζ p ∈ Rxn −1 . · · · . A extens˜o Ln /K ´ galoisiana finita. x − 1 possui fator m´ltiplo. [Ln : K] | φ(n). Demonstracao. por um lado ϕ(στ ) = aστ . a Teorema 22. [Ln : K] = φ(n) se e somente se Aut(Ln /K) ∼ (Z/nZ)∗ . p p p Observe que ζ ´ raiz de Pζ p |Q (xp ). Seja ζ um gerador de Wn ⊂ C∗ . pois xn − 1 ´ separ´vel (lembre que p n. para algum h1 ∈ Z[x]. σ ∈ N (ϕ) se e somente se aσ = 1. Seja p um n´mero primo tal que p ¸˜ u Pζ|Q = Pζ p |Q .5. g ∈ Z[x]. ent˜o f.2) Pζ|Q = Pζp |Q .3. Al´m disto. portanto aστ = aσ aτ . Para isto ca a e precisamos do seguinte lema elementar cuja demonstra¸˜o deixamos a cargo do ca leitor.4. Esta extens˜o ´ finita. logo Pζ|Q e Pζ p |Q dividem xn −1. u o e a Concluimos assim que (22. onde novamente utilizamos pelo lema anterior. Mas este polinˆmio ´ separ´vel. a fortiori.

o que obtemos ´ sempre um u e grupo c´ ıclico como explicaremos a seguir. Lembre por exemplo que (Z/nZ)∗ ´ c´ e ıclico se n for 2.6. onde a = p1 · · · pr . mas raramente ´ c´ e ıclico. a partir de Φp para p um n´mero primo. o u De um lado as extens˜es do tipo Fq (x)/Fp (x) por constantes. EXTENSOES CICLOTOMICAS 157 Seja η ∈ Pn . 4. Denotamos por ¸˜ Φn := Pζ|Q o n-´simo polinˆmio ciclotˆmico. p n´mero primo ou 2p. onde a ultima desigualdade segue do teorema anterior. Por outro lado ´ poss´ construir torres semelhantes quando substituimos Q e ıvel pelo corpo de fun¸˜es racionais Fp (x). Iwasawa a e este associa a cada torre uma s´rie p-´dica intimamente ligada ` fun¸˜o anal´ e a a ca ıtica p-´dica de Kubota e Leopoldt a qual interpola L-fun¸˜es de Dirichlet nos inteiros a co negativos.˜ ˆ 22. u O grupo de Galois de extens˜es ciclotˆmicas. Φd .7. . O estudo deste tipo de torre foi feito por K. Finalmente. pois Fpn \ {0} ´ exatamente Wpn −1 . a o e Extens˜es finitas de Q s˜o ditas corpos de n´meros.2) concluimos que Pη|Q = Pζ|Q . Entretanto. a teoria de extens˜es ciclotˆmicas tanto em um caso quanto em o o outro s˜o incarna¸˜es unidimensionais de um fenˆmeno mais amplo (multiplica¸˜o a co o ca complexa) que ocorre por exemplo no contexto de variedades abelianas e m´dulos o de Drinfeld. Esta ultima igualdade permite recuperar indutivamente os polinˆmios ciclotˆmicos. quando substituimos Q pelo corpo u finito Fp de p elementos. emergindo um fenˆmeno distinto do caso de corpos de n´meros. e o o Segue de (22. #RPζ|Q = grau(Pζ|Q ) = [Q(ζ) : Q] ≤ φ(n). o papel das ra´ ızes da unidade tamb´m tem como contrapartida o que e chamamos de pontos de tor¸ao de um determinado m´dulo devido a Carlitz. Para c˜ o mais sobre isto ver [Goss].1) e da prova do teorema anterior que xn − 1 = d|n n. Observacao 22. ´ Definicao 22. mesmo sobre os racionais. ´ o o por exemplo. ´ semo o e pre abeliano. Por a o o outro lado. para um n´mero primo p. Podemos naturalmente o a u constuir uma torre de extens˜es ciclotˆmicas o o Q ⊂ Q[ζp ] ⊂ Q[ζp2 ] ⊂ · · · ⊂ Qp∞ chamada uma torre p-´dica. ent˜o η = ζ a . onde pi ´ primo e pi a e Aplicando sucessivamente (22. que como observao mos anteriormente e utilizando a teoria de Galois s˜o extens˜es ciclotˆmicas. Neste caso entretanto dois tipos de cicloco tomia aparecem. Por outro lado. Logo #RPζ|Q ≥ #Pn = φ(n). Note tamb´m que todo corpo finito Fq de q = pn elementos ¸˜ e d´ origem a uma extens˜o ciclotˆmica Fq /Fp de corpos finitos ´ necessariamente a a o e uma extens˜o ciclotˆmica.

i. Definicao 22. Note que ¸˜ a a (Frobp )nq = id. Seja ζ um gerador de F∗ . Seja Ωp um corpo algebricamente fechado contendo Fp . definimos Ψn := Pη|Fp . EXTENSOES CICLOTOMICAS Definicao 22. Teorema 22. em particular m ≤ f . para todo α ∈ Fp (η) temos que m−1 j α= i=0 ai η i .9. Pelo pequeno teorema de Fermat. onde ai ∈ Fp para todo i. Ent˜o [Fp (η) : Fp ] = o(p) em a (Z/nZ)∗ .. η p = η. e e a p .e.e. ent˜o ζ = Frobp (ζ)j = ζ p . como pf ≡ 1 (mod n). Teorema 22. a fortiori f ≤ m. ap = ai para todo i.e.11. f Em particular. o(p) = f | m. o(η) = n | |F∗ | = q −1. (pn − 1) | (pj − 1). Ent˜o o(ζ) = pn − 1. m−1 αp = i=0 f ap η p = i i=0 f m−1 f ai η i = α. A primeira parte do teorema j´ est´ feita. Neste caso ¸˜ Fp (η) ∼ Fq . ent˜o η p −1 = 1.. o(α) = (pm − 1) | (pf − 1). logo Pd (Ωp ) e o teorema anterior implicam que xn − 1 = d|n Ψd . onde q = pm .158 ˜ ˆ 22. Demonstracao.. Al´m disto ´ f´cil ver que Ψd = κ∗ (Φd ). f f Reciprocamente.12. Seja m := [Fp (η) : Fp ] e f := o(p) em (Z/nZ)∗ . i. Seja η um gerador de Wn (Ωp ). Assim. A extens˜o Fq /Fp ´ galoisiana finita e seu grupo de Galois a e Aut(Fq /Fp ) ´ c´ e ıclico de ordem n gerado pela restri¸˜o (Frobp )|Fq do automorfismo ca de Frobenius Frobp a Fq . Pelo lema chave. Analogamente. i portanto.8. pm ≡ 1 (mod n). tomando α um gerador de Fp (η)∗ concluimos que αp pelo lema chave. Por a outro lado. e = q m em particular p = 1. A decomposi¸˜o de ¸˜ ca Wn (Ωp ) = d|n −1 = 1. o((Frobp )|Fq ) = n. Se existisse j < n a q F a e tal que (Frobp )j q = id. Al´m disto. Defin¸˜ imos em Ωp o automorfismo de Frobenius Frobp (a) = ap .10. o que ´ |F imposs´ ıvel. Demonstracao. ¸˜ Observacao 22. i. Mas # Aut(Fq /Fp ) = [Fq : Fp ] = n.

e e a portanto L/K ´ separ´vel. Ent˜o a L/K ´ galoisiana e Aut(L/K) ´ isomorfo a um subgrupo de Z/nZ. concluimos que Aut(L/K) como subgrupo tamb´m o ´). Suponhamos que Pn (K) = ∅ e seja L = K[Rxn −a ]. abeliana) se Aut(L/K) for c´ ıclico (resp. Em particular. α ∈ Ω. mas neste caso σ = id. e Definicao 23.3. dados σ. portanto ϕ(τ σ) = iτ iσ = ϕ(τ )ϕ(σ). Como L ´ um corpo de decomposi¸˜o. Ent˜o Pα|K | (xp − a). Consideremos a fun¸˜o ca ϕ : Aut(L/K) → Z/nZ dada por ϕ(σ) = iσ . Teorema 23. Uma extens˜o a galoisiana finita L/K ´ c´ e ıclica (resp. em particular a ∈ K p . Analisaremos primeiro o caso em que Pn (K) = ∅. Suponha que ¸˜ x − a seja redut´ em K[x] e seja α ∈ Ω tal que αp = a. [L : K] | n e L = K[α] para qualquer α ∈ Rxn −a . σ(α) ∈ Rxn −a . Esta fun¸˜o ´ um homomorfismo injetivo de grupos (neste caso. sendo portanto e e c´ ıclico. De fato. E claro que (1) implica (2) que implica (3).. ent˜o τ σ(α) = τ (ζ iσ α) = ζ iτ iσ . 159 . onde 1 ≤ l ≤ p − 1. entˆo Pα|K n˜o ´ separ´vel. / ´ Demonstracao. i. ent˜o L/K ´ normal. Portanto. como Z/nZ ´ c´ ca e e ıclico. Demonstracao. e ıvel (2) xp − a n˜o possui raiz em K. consequentemente existe a a e a h ∈ K[x] tal que Pα|K (x) = h(xp ). a (3) a ∈ K p := {bp | b ∈ K}. iσ = 0. Mas devido ao grau de Pα|K isto n˜o ´ poss´ a e ıvel. Al´m disto para todo σ ∈ Aut(L/K). As seguintes condi¸˜es s˜o equivalentes: co a p (1) x − a ´ irredut´ em K[x]. Pα|K (x) = x − α ´ separ´vel e α ∈ K. αn = a}. car(K) = p primo e a ∈ K ∗ .e. digamos ζ ∈ Pn e Rxn −a = {ζ i α | 0 ≤ i ≤ n − 1. A extens˜o c´ ¸˜ a ıclica L = K[Rxn −a ] ´ dita uma extens˜o de e a Kummer. Teorema 23. a Al´m disto σ ∈ N (ϕ) se e somente se iσ = 0.1 (teorema de Abel). Neste caso Pn = ∅. e a e portanto existe 0 ≤ iσ < n tal que σ(α) = ζ iσ .CAP´ ıTULO 23 Extens˜es c´ o ıclicas Seja K um subcorpo de um corpo algebricamente fechado Ω. e a p Trataremos agora o caso em que car(K) = 0 ou car(K) = p e p n. τ ∈ e e Aut(L/K). ¸˜ e ca a e Al´m disto como p n e D(xn − a) = nxn−1 concluimos que xn − a ´ separ´vel. Mas se l > 1. abeliano). Seja K um corpo.2. ıvel a Como xp − a = (x − α)p em Ω[x] concluimos que Pα|K (x) = (x − α)l .

A primeira extens˜o ´ c´ a e ıclica de grau dividindo n enquanto a segunda ´ abeliana de e grau diviindo φ(n). onde bi = ai (ϕi (y) − ϕi (x)) e b1 = 0. dado σ ∈ hom(G.. + bk−1 ϕk−1 = 0 e esta combina¸˜o ´ n˜o trivial possuindo um n´mero de zeros maior que a comca e a u bina¸˜o que possui o maior n´mero de zeros. ϕn ∈ Hom(G. Multiplicando a (23. E poss´ desenvolver uma teoria de extens˜es de Kummer ¸˜ ıvel o mesmo que Pn (K) = ∅. Por abuso de nota¸˜o ca denotaremos ainda por Hom(G. · · · . Seja x ∈ G tal que ϕ1 (x) = ϕk (x).1) por ϕk (x) e subtraindo de (23. Em particular b1 ϕ1 + . Para mais e a detalhes ver [La. an ∈ K n˜o todos nulos ¸˜ a tais que a1 ϕ1 + . K) distintos ent˜o estes elementos s˜o K-linearmente independentes. Sejam σ1 . chapter VI]. Seja L/K uma extens˜o c´ a ıclica de grau n e σ um gerador de Aut(L/K). · · · .4.2) a1 ϕ1 (xy) + . + an ϕn = 0. + ak ϕk (xy) = a1 ϕ1 (x)ϕ1 (y) + . Ele tem a propriedade de ser um grupo sol´vel. i. + ak ϕk (x)ϕk (y) = 0. Nesta ultima situa¸˜o construimos a seguinte seq¨ˆncia de extens˜es ´ ca ue o K[Rxn −a ] = K[ζ. K) o K-espa¸o vetorial gerado por este conjunto. . Ent˜o para todo y ∈ G temos que a (23. .1) a1 ϕ1 (y) + . Dados ϕ1 . 0.160 ˜ 23. EXTENSOES C´ ICLICAS ´ Observacao 23. . Ap´s reenumera¸˜o suponhmaos que a1 . K) denota o conjunto dos homomorfismos multiplicativos. i.2) obtemos b1 ϕ1 (y) + . . Para isto ´ necess´rio cohomologia galoisiana. ak sejam n˜o nulos que a n-upla o ca a (a1 . α] ⊃ K[ζ] ⊂ K. . · · · . Seja G um grupo e Hom(G. Suponhamos que existam a1 .7 (teorema 90 de Hilbert). o Para provar a rec´ ıproca do teorema anterior precisamos do teorema 90 de Hilbert. · · · . ent˜o a este conjunto ´ K-linearmente independente. ca u e ca ´ Corolario 23. · · · . Isto ´ uma contradi¸˜o. 0) tenha o maior n´mero de entradas nulas poss´ u ıveis. K). σn ∈ Aut(K). . + an ϕn (y) = 0. . Em particular u obteremos que o polinˆmio xn − a = 0 ´ sol´vel por radicais (o que ´ exatamente o e u e a pergunta original de Galois para este polinˆmio particular. e Teorema 23. . . ak . σ(xy) = σ(x)σ(y).5 (teorema de Artin). .. c Teorema 23. a a Demonstracao. · · · . .e. Mais tarde veremos que isto pode ser traduzido em termos do grupo Aut(L/K).e. para todo y ∈ G temos que (23. . . + bk−1 ϕk−1 (y) = 0. (2) TL/K (α) = 0 se e somente se existe α ∈ L tal que β = α − σ(α). Dado β ∈ L temos que α (1) NL/K (β) = 1 se e somente se existe α ∈ L tal que β = σ(α) .6 (teorema de Dedekind).

e. . NL/K (σ(β)) = NL/K (β) e TL/K (σ(β)) = TL/K (β). Suponhamos agora que TL/K (β) = 0. . Suponhamos primeiro que NL/K (β) = 1. Aplicando σ dos dois lados desta igualdade de notando que que σ n (γ) = γ concluimos que σ(α) = σ(γ) + σ(β)σ 2 (γ) + (σ(β)σ 2 (β))σ 3 (γ) + . σ n−2 (β))σ n−1 (γ) = 0. . σ n−1 s˜o K-lienarmente independentes. Al´m disto Rxn −a ⊂ e RPα|K . σ. + (βσ(β) . + β −1 γ = β −1 (γ + βσ(γ) + (βσ(β))σ 2 (γ) + . Como L/K ´ separ´vel existe γ ∈ L tal e a que TL/K (γ) = 0 (ver exerc´ no capt´ ıcio ıtulo de extens˜es separ´veis). . TL/K (β) = 0). Ent˜o existe a ∈ K ∗ tal que L = K[Rxn −a ] e L = K[α] para qualquer a α ∈ Rxn −a . portanto xn −a = Pα|K . ´ σ(α) = ζ −1 α e σ(αn ) = σ(α)n = (ζ −1 )n αn = α. Pelo teorema 90 ¸˜ a α de Hilbert existe α ∈ L tal que ζ = σ(α) . Suponhamos que Pn (K) = ∅. .. . assim K[α] = K[Rxn −a ] e [K[α] : K] = n. E claro que Rxn −a = {ζ i α | 0 ≤ i ≤ n − 1} ⊂ L. Seja L/K uma extens˜o c´ a ıclica de grau n. . TL/K (γ) + (σ(β) + . σ n−2 (β))σ n−1 (β)) = β −1 α. . · · · . TL/K (γ) 1 (σ(β)σ 2 (γ)) + (σ(β) + σ 2 (β))σ 3 (γ) + . . pois o primeiro coeficiente ´ n˜o nulo. a = αn ∈ K. . logo K[Rxn −a ] ⊂ L. Pelo teorema de Dedekind. ent˜o NL/K (ζ) = ζ n = 1. . Seja ζ ∈ Pn (K). . . ent˜o ¸˜ a n−1 n−1 NL/K (β) = i=0 σ (β) e TL/K (β) = i=0 i σ i (β). Se existe α ∈ L α a tal que β = σ(α) (resp. EXTENSOES C´ ICLICAS 161 Demonstracao. . σ n−2 (β))σ n−1 = 0. i. . . a Consideremos a K-combina¸˜o linear n˜o trivial ca a id + βσ + (βσ(β))σ 2 + . . Como σ n (γ) = γ e n−1 i=1 n−1 i=1 σ i (β) = β −1 e Observe que σ(α) = σ i (β) = −β concluimos que α − σ(α) = 1 (βγ + βσ(γ) + . . + (β + σ(β) + . . . . id. . Provemos as rec´ ıprocas separadamente. Seja o a α := 1 (βσ(γ) + (β + σ(β))σ 2 (γ) + . . + (βσ(β) . onde σ = Aut(L/K). Em particular. + σ n−1 (β))σ n (γ)). β = α − σ(α)) ent˜o NL/K (β) = 1 (resp. Em particular. TL/K (γ) Teorema 23.8. + (βσ(β) . . Demonstracao. + βσ n−1 (γ)) TL/K (γ) 1 = βTL/K (γ) = β. . Lembremos que como Aut(L/K) = σ . + σ n−2 (β))σ n−1 (γ). Logo existe γ ∈ L tal que e a α := γ + βσ(γ) + (βσ(β))σ 2 (γ) + . portanto L = K[α].˜ 23.

portanto ca [L : K] = p. a e e e a As ra´ de xp −x−a s˜o da forma α+i para i = 0. logo L/K ´ separ´vel. Ent˜o a a a extens˜o K(Rxp −x−a )/K ´ c´ a e ıclica de grau p. concluimos que dα ∈ K e como d ´ invers´ e ıvel. α+i ´ raiz de Pα|K e al´m disto σ(αp −α) = αp +j −(α+j) = αp −α (pelo pequeno e e . Ent˜o existe a ∈ K tal que a = bp − b para todo b ∈ K e a L = K[Rxp −x−a ]. · · · . Al´m disto K[Rxp −x−a ] = K[α] e para todo α ∈ Rxp −x−a . mas com outra soma e produto de tal forma que seja e um anel em caracter´ ıstica 0. Ent˜o a xp − x − a ´ irredut´ em K se e somente se n˜o existe b ∈ K tal que bp − b = a. Teorema 23. Note ıvel a que Rxp −x−a = {α + i | 0 ≤ i < p} e Pα|K = (x − α − i) i∈I para algum subconjunto I ⊂ {0. p − 1}. i. Demonstracao. Note que TL/K (1) = p = 0. ent˜o xp −x−a possui uma ¸˜ a raiz em K sendo portanto redut´ ıvel.11. Seja K um corpo de caracter´ ıstica p e L/K uma extens˜o a c´ ıclica de grau p. Demonstracao.162 ˜ 23.e. Pelo teorema 90 de Hilbert existe α ∈ L tal que 1 = α − σ(α). Reciprocamente. Portanto. Portanto o coeficiente de grau d − 1. Seja K um corpo de caracter´ ¸˜ ıstica p e a ∈ K. p−1.12. concluimos que α ∈ K. Al´m disto D(xp − x − a) = −1.. suponha que f = xp − x − a seja redut´ em K[x]. Tomando seu limite projetivo (veja cap´ ıtulo de teoria ´ de Galois infinita) obtemos o anel W(K) de vetores de Witt. Assim pensamos que ele ´ e levanta K. por isto estas extens˜es s˜o o a ditas de Artin-Schreier-Witt. Como L = K[Rxp −x−a ] ´ um corpo de decomposi¸˜o. · · · . como e dα + c ∈ K. onde 1 ≤ d = #I.. Uma extens˜o c´ ¸˜ a ıclica da forma da forma K[Rxp −x−a ]/K em caracter´ ıstica p ´ dita uma extens˜o de Artin-Schreier. · · · .9. 1. em particular para todo i = 0. L = K[α]. e a ´ Observacao 23. Isto ´ similar ao fato dos anel inteiros p-´dicos Zp levantar Fp o corpo e a de p elementos. De outro lado.10. Vetores de Witt formam um anel que como espa¸o c vetorial ´ isomorfo a K n . · · · . Teorema 23.13. EXTENSOES C´ ICLICAS Proposicao 23. Seja α ∈ Ω uma raiz de f . ızes a Pela proposi¸˜o anterior xp − x − a = Pα|K para algum α ∈ Rxp −x−a . αp − α = a. i. ent˜o Pα|K | (xp − x − a). e ıvel a Demonstracao. Se existe b ∈ K tal que bp −b = a. σ j (α) = α − j. p − 1}. E um anel com um unico ideal maximal pW(K) cujo quociete ´ isomorfo a K. Em particular. Seja σ um gerador de Aut(L/K ¸˜ ). ´ igual a dα + c com c ∈ {0. Logo para todo 0 ≤ j < p. Seja a ∈ K ∗ tal que n˜o existe α ∈ K com αp −α = a. pois p d. chamado um vetor de Witt. Vetores de Witt aparecem em v´rias partes na matem´tica. Para citar apenas a a duas. Serre introduziu a cohomologia com coeficientes nos feixes de vetores de Witt que pode ser vista como uma precursora da cohomologia ´tale. E poss´ de forma semelhante ao que foi feito acima car¸˜ ıvel acterizar extens˜es c´ o ıclicas em caracter´ ıstica p de grau pn . Definicao 23. e curvas sobre um corpo K de caracter´ ıstica p podem ser “deformadas” em curvas sobre o anel W(K). 1. p − 1. Neste caso ´ necess´rio e a substituir α por um vetor. σ(α) = α − 1. a ¸˜ e ca extens˜o L/K ´ nornmal.e.

˜ 23. . Rxp −x−a ⊂ RPα|K . para e a = αp − α ∈ K e Pα|K = xp − x − a. logo Pα|K | xp − x − a. Em particular. L = K(Rxp −x−a ). Al´m disto. EXTENSOES C´ ICLICAS 163 teorema de Fermat).

.

utilizando que Aut(EK/K) e Aut(K/k) ∼ Aut(EK/k)/ ca = Aut(EK/K) s˜o sol´veis.1.15 e notar que basta mos¸˜ ca trar o resultado para os respectivos grupos de automorfismos.13. (1) Basta utilizar a proposi¸˜o 12. a u a e u Demonstracao. o u a Proposicao 24. ent˜o EK/K ´ sol´vel. Al´m disto. ca e e pela proposi¸˜o 12. ca e 165 n.15 concluimos que Aut(EK/K) tamb´m ´ sol´vel. ca u Definicao 24.13 que EK/K ´ galoisiana finita. onde α ∈ Rxn −a . Portanto. Como Aut(E/k) ´ sol´vel. ca e e u (3) Novamente. ent˜o EK/k ´ sol´vel. Extens˜es sol´veis satisfazem `s seguintes propriedades. Observe que ca precisamos n˜o s´ da gestalt da teoria de Galois mas tamb´m de extens˜es cia o e o clotˆmicas e c´ o ıclicas bem como da no¸˜o de grupos sol´veis. EK/k ´ galoisiana finita. K ⊂ Ω e Ω corpo. pela proposi¸˜o 21. Aut(E/k) ´ e sol´vel se e somente se Aut(E/F ) e Aut(F/k) ∼ Aut(E/k)/ Aut(E/F ) s˜o sol´veis u a u = (lembre que F/k ´ galoisiana se e somente se Aut(E/F ) Aut(E/k).CAP´ ıTULO 24 Solubilidade por radicais Este cap´ ıtulo responde ` quest˜o original de Galois : quando uma equa¸˜o a a ca polinomial com coeficientes racionais tem solu¸˜o na forma radical. Al´m disto ca e e Aut(EK/K) ∼ Aut(E/E ∩ K) ⊂ Aut(E/k).15. para algum n ≥ 1. para algum n ≥ 1. pela e u = proposi¸˜o 12.2. (2) Ei = Ei−1 [α]. onde p = .3. ou equivalentemente c´ a e ıclica de grau primo. a u (2) Suponha que E/k seja sol´vel e que K/k seja uma extens˜o finita qualquer u a com E. onde ζ ∈ Rxn −1 . Isto equivale a dizer que existe uma seq¨ˆncia de e u ue corpos E = E0 ⊃ E1 ⊃ E 2 ⊃ · · · En = k tal que cada extens˜o Ei /Ei+1 ´ abeliana. a e u (3) Se E/k e K/k s˜o sol´veis. i. Ent˜o E/k ´ sol´vel se e somente se o a e u E/F e F/k s˜o sol´veis. ¸˜ (1) Sejam k ⊂ F ⊂ E corpos tais que E/k e F/k sejam extens˜es galoisianas finitas. Uma extens˜o galoisiana finita E/k ´ dita sol´vel se e somente ¸˜ a e u se Aut(E/k) ´ um grupo sol´vel. e (2) Segue da proposi¸˜o 21. e u Definicao 24. se p car(k) (esta condi¸˜o ´ vazia se car(k) = 0) e a ∈ Ei−1 .. Uma extens˜o finita separ´vel F/k ´ dita sol´vel por radicais ¸˜ a a e u se existe E/k finita tal que F ⊂ E e existe uma seq¨ˆncia de corpos ue E = E0 ⊃ E 1 ⊃ · · · ⊃ En = k tal que cada extens˜o Ei /Ei+1 ´ de um dos 3 tipos seguintes: a e (1) Ei = Ei−1 [ζ]. concluimos que Aut(EK/k) tamb´m o ´. a u e e EK/k ´ sol´vel.e.

na qual cada extens˜o Fi /Fi−1 ´ de um dos 3 tipos anterioes. Proposicao 24. onde cada extens˜o Ei /Ei−1 ´ de um dos 3 tipos acima. De outro lado. com Ei = Ei−1 [α] ou Ei−1 [ζ]. ¸˜ u Logo existem F /k finita tal que F ⊃ F e seq¨ˆncia de corpos ue F = F0 ⊃ F1 ⊃ · · · ⊃ k. onde α ∈ Rxp −x−a . se car(K) = p > 0 e para algum a ∈ Ei−1 . segue imediatamente que F/k ´ sol´vel por radicais. Seja E/k uma extens˜o galoisiana finita. ou seja existe E /k finita com u E ⊃E e E = E0 ⊃ E1 ⊃ · · · ⊃ k. Em todas o u as propriedades abaixo suporemos que os corpos estejam todos contidos em um corpo Ω suficientemente grande. como acima.166 24. Finalmente. u (2) Mesmo argumento do ultimo par´grafo. Seja m = i i onde fazemos o produto apenas nos n´meros primos i tais que i = p = car(k). Suponha que E/k seja sol´vel.5. Tomando o compositum da a e segunda seq¨ˆncia com F e continuando pela segunda at´ obtemos uma seq¨ˆncia ue e ue de corpos E F = E0 F ⊃ E1 F ⊃ · · · ⊃ F ⊃ F1 ⊃ · · · ⊃ k. existem a e E /F finita tal que E ⊃ E e seq¨ˆncia de corpos ue E = E0 ⊃ E1 ⊃ · · · ⊃ F. Similarmente. Neste caso existe uma se¸˜ u q¨ˆncia de corpos ue E = E 0 ⊃ E1 ⊃ E2 ⊃ · · · ⊃ E n = k tal que cada extens˜o Ei /Ei+1 ´ c´ a e ıclica de grau primo i . e u Demonstracao. Ent˜o EK/k ´ u a e sol´vel por radicais. Ent˜o E/k ´ sol´vel por radicais se e somente se E/F e F/k a e u o s˜o. Ent˜o E/k ´ sol´vel a a e u por radicais se e somente se E/k ´ sol´vel. a (2) Suponha que E/k seja sol´vel por radicais e seja K/k uma extens˜o finita. u a Ent˜o EK/K ´ sol´vel por radicais. ¸˜ (1) Sejam k ⊂ F ⊂ E corpos com E/k separ´vel a finita. Primeiro. em qualquer caso recuperamos um dos 3 tipos anteriores. Suponha agora que E/k seja sol´vel por radicais. de tal forma a podermos tomar composita de corpos. (1) Suponha que F/k e E/F sejam sol´veis por radicais. Teorema 24.4. Extens˜es sol´veis por radicais satisfazem as seguintes propriedades. Seja u . a e u (3) Suponha que E/k e K/k sejam sol´veis por radicais. u Demonstracao. tomando agora o compositum da ´ a seq¨ˆncia com K. observe que Ei F = Ei−1 F [ζ] ou Ei−1 F [α]. SOLUBILIDADE POR RADICAIS (3) Ei = Ei−1 [α]. como F ⊂ E ⊂ E . tomando o compositum e u da seq¨ˆncia anterior com F concluimos tamb´m que E ⊂ E ⊂ E F e E/F ´ ue e e sol´vel por radicais. ue (3) Segue dos 2 anteriores.

E F/F ´ sol´vel. para i = p. Seja f ∈ Q[x] irredut´ ıvel. pelas propriedades de extens˜es sol´veis. A fortiori. Reciprocamente. E F/k ´ sol´vel. K/k ´ sol´vel e u e u por radicais. cada extens˜o Li /Li+1 ´ de um e a e dos 3 tipos acima. Este diz o seguinte. e e a e u e u Assim. onde a e m αi i = ai . Note que a priori a extens˜o e e a Ei /Ei−1 n˜o ´ galoisiana. Portanto. Cone a o sidere agora o compositum da seq¨ˆncia anterior com F dado por ue E F ⊃ E1 F ⊃ · · · ⊃ F. Consideremos o compositum da seq¨ˆncia de corpos acima com K. pois cada Li /Li−1 o ´. Ent˜o existe E /k u a finita contendo E e uma seq¨ˆncia de corpos ue E = E 0 ⊃ E 1 ⊃ E 2 ⊃ · · · ⊃ En = k tal que cada Ei /Ei+1 ´ de um dos trˆs tipos acima. Portanto. i. Trivialmente F/k ´ sol´vel.6. post-mortem). ue EK = L0 ⊃ E1 K = L1 ⊃ E2 K = L2 ⊃ · · · ⊃ En K = K. pela o u e u mesma raz˜o. a ca e extens˜o Li /Li+1 ´ uma extens˜o de Kummer. o qual ´ c´ e o e ıclico de ordem i .mi =p Portanto. Seja K := k[ζ]. e e a e a e F/k tamb´m ´ separ´vel). caso p mi . Trivialmente. Dado f ∈ Q[x] irredut´ ¸˜ ıvel. que permaence em aberto desde o s´culo XIX. Finalmente. isto falha no caso (2) acima. Do item (1) das propriedades anteriores concluimos que EK/k ´ e sol´vel por radicais. onde mi = [Ei : Ei−1 ]. E/k ´ sol´vel. uma raiz mi -´sima e primitiva da unidade a Ei−1 . Note que agora cada Li /Li−1 ´ galoisiano. Este polinˆmio ´ dito sol´vel por o e u radicais se Q[Rf ]/Q ´ sol´vel por radicais.. K) for sol´vel. Num cap´ ¸˜ ıtulo posterior abordaremos o problema inverso de Galois. pois e corrigimos o caso Kummer acrescentando um elemento ζmi . Al´m disto neste caso Li = Li−1 [αi ] = Li−1 [Rxmi −ai ]. A fortiori. Dado e um grupo finito G ser´ que existe uma extens˜o galoisiana finita K/Q tal que a a . Mas neste caso.8. seja Li := Ei F . Portanto este subgrupo e ´ igual ao pr´prio Aut(Ei /Ei+1 ).p mi i. i. Ent˜o f ´ sol´vel por radicais se e somente se Gal(f.7 (teorema de Galois. Para cada i. a e u Definicao 24. SOLUBILIDADE POR RADICAIS 167 Ω um corpo algebricamente fechado contendo k e ζ ∈ Pm (Ω). Seja u ζ ∈ Wm (Ω) uma raiz primitiva m-´sima da unidade em um corpo algebricamente e fechado Ω (como sempre supomos Ω suficientemente grande para conter todos os corpos considerados). se i = p. E F/k ´ galoisiana (j´ que E F/F ´ separ´vel. a e u u Observacao 24. EK/K ´ sol´vel por radicais. suponha que E/k seja sol´vel por radicais. uma vez que E ⊂ EK). a fortiori E/k ´ sol´vel por radicais (novamente o item (1) das u e u propriedades acima.24. por constru¸˜o existe ζ m/ i ∈ Ei−1 raiz i -´sima da unidade. Cada extens˜o Li /Li+1 ´ galoisiana e temos que a e Aut(Li /Li+1 ) = Aut(Ei K/Ei+1 K) ´ isomorfo a um subgrupo de ordem > 1 de Aut(Ei /Ei+1 ). observe que E F ´ o corpo de decomposi¸˜o sobre k do e ca polinˆmio o f := (xmi − ai ) × (xp − x − ai ). Caso contr´rio a nada h´ a fazer. Seja m o produto de todos a e os n´meros primos dividindo [E : k] distintos de p = car(k) (caso p > 0). Seja F := k[ζ] a m-´sima extens˜o ciclotˆmica de k. Caso i = p a extens˜o a e a a ´ automaticamente de Artin-Schreier. e u ´ Corolario 24.e.

o que n˜o quer dizer que encontrar as a f´rmulas por eles obtidas fosse miss˜o f´cil. Al´m ¸˜ a e ıcil a u e disto. O teorema 21.20 nos diz que polinˆmios a e o de grau primo p > 2 com exatamente 2 ra´ reais tˆm grupo de Galois Sp . Isto ´ devido a Safarevi˘ e Iwasawa. .9. ızes e basta considerar um polinˆmio de grau 5 com 3 ra´ o ızes reais. SOLUBILIDADE POR RADICAIS Gal(K/Q) seja G? Veremos que a geometria. Isto mostra que os algebristas ´rabes e italianos s´ podiam mesmo achar u a o explicitamente as ra´ ızes na forma radical. equa¸˜es de grau 5 n˜o s˜o necessariamente sol´veis por radico a a u cais.168 24. o a a Contrariamente. Nesta situa¸˜o sabe-se e e u ca ˘ que existe K. Um caso a co particular ´ aquele no qual o grupo G ´ um grupo sol´vel. Portanto. para todo polinˆmio irredut´ f ∈ Q[x] de grau n temos que Aut(k(Rf )/k) o ıvel ´ isomorfo a um subgrupo de Sn . via o teorema de irredutibilidade de Hilbert poder´ nos dar informa¸˜es relevantes para este problema. Assim. Para mais sobre isto veja [Ser] e c Observacao 24. uma vez que S5 n˜o o ´ (veja [GaLe]. polinˆmios de graus 3 e 4 s˜o sempre e o a sol´veis. N˜o ´ dif´ provar que S4 e S3 s˜o grupos sol´veis.

Parte 5 T´picos adicionais o .

.

· · · . Em seguida discutiremos desenvolvimentos na dire¸˜o do problema inverso para ca outros grupos.CAP´ ıTULO 25 O problema inverso de Galois Problema 25. + x2 . Ent˜o existe um unico g ∈ R[s1 . i. xn ) para um corpo K qualquer. Nossa primeira se¸˜o ser´ justamente dedicada a mostrar que o grupo Sn de permuta¸˜es ca a co de n elementos sempre ´ grupo de Galois de uma extens˜o do corpo de fun¸˜es e a co racionais K(x1 . ou seja. xn )) = f (xσ(1) . 1 n Entretanto. xn ) = g(s1 . . ca e (25. s˜o algebricamente independentes (veja cap´ a ıtulo de teoria de transcendˆncia). a Exemplo 25.3. existe K/Q galoisiana finita tal que Sn = Gal(K/Q). · · · . por exemplo. 25. Para todo σ ∈ Sn e f (x1 . Esta fun¸˜o ´ na verdade um automorfismo de A (verifique!).1) x2 + . Em particular. Seja f ∈ A sim´trico. Al´m disto n˜o existem rela¸˜es o co e e a co entre estas. sn ] \ {0} tal que g(s1 . . N˜o existe g ∈ R[s1 . tomando K = Q e utilizando o teorema de irredutibilidade de Hilbert. · · · . · · · .1) pode ser reescrito como o x2 + . E claro que nem todo polinˆmio sim´trico ´ o o e e uma fun¸˜o sim´trica elementar. · · · . . Observe que o polinˆmio em (25. Grupo Sn Sejam Sn o grupo das permuta¸˜es de n elementos.. xn ) ∈ A definimos σ ∗ (f (x1 . + x2 = s2 − 2s2 .1. Por exemplo. xn s˜o polinˆmios sim´tricos e a a o e ´ (veja cap´ ıtulo de extens˜es finitas). · · · . 1 n 1 171 . Do teorema segue imediatamente o seguinte corol´rio. sn ) = 0. xn ] o anel de polinˆmios em n vari´veis com coeficientes o a em R. · · · . a ´ Corolario 25. · · · . Dizemos que f ´ ca e e sim´trico se e somente se σ ∗ (f ) = f para todo σ ∈ Sn . mostraremos que todo polinˆmio sim´trico se escreve de forma unica o e ´ como polinˆmio nas fun¸˜es sim´tricas elementares.1. R um anel comutativo com co unidade e A = R[x1 . Seja G um grupo finito. · · · . Entretanto refore mula¸˜es geom´tricas n˜o s´ geraram an´logos desta quest˜o em outras circunstˆnco e a o a a a cias. e Teorema 25. sn ] e a ´ tal que f (x1 . sn nas vari´veis x1 .4. . sn ). as fun¸˜es e co sim´tricas elementares s1 . · · · . · · · .2. Ser´ que existe uma extens˜o gaa a loisiana finita K/Q tal que Gal(K/Q) = G? Este problema permanece em aberto desde o s´culo XIX. xσ(n) ).e. · · · . bem como trouxeram de volta resultados para o problema original. obteremos que Sn ´ e grupo de Galois sobre Q.

sn ) ∈ e ´ Z[s1 . Suponha que o teorema seja verdade para polinˆmios a o em n − 1 vari´veis. u a e nada h´ a fazer. Assim. Comecemos com a existˆncia. . Se f ∈ A. (t − xn ) = xn − s1 xn−1 + . · · · . Na pr´tica ´ bastante laborioso de obter a express˜o. O o n 1 grau de f ´ definido como sendo o maior grau dos monˆmios com coeficiente n˜o e o a nulo. permanecem verdadeiras se substituimos as vari´veis x1 .··· . xn ) = i1 . xn ] → R[x1 .in ai1 ···in xi1 . . . xn−1 ] h → h(x1 . xin . se a e a n = 2 temos (x1 − x2 )2 = s2 − 4s2 . Fica como exe a erc´ verificar que esta defini¸˜o de discriminante coincide com a defini¸˜o anterior ıcio ca ca (cap´ ıtulo de an´is e dom´ e ınios). n 1 onde cada ai1 ···in pertence a R. Entretanto. xin tem grau i1 + . ca e o e ´ E um dos mais importantes invariantes de um polinˆmio.172 25. Definimos a seguinte fun¸˜o a ca ϕ : A = R[x1 . . . Se n = 1. onde ai = si (α1 . Definimos o discriminante de f (t) por D := 1≤i<j≤n (xi − xj )2 = (−1)n(n−1)/2 1≤i=j≤n (xi − xj ). . . xn ) = ∆(s1 . . xn−1 . Neste caso o discriminante do polinˆmio ´ dado por o e ∆(a1 . sn ]. 0). + an . · · · . (x − αn ) = xn − a1 xn−1 + . Por exemplo. . · · · . a e o Demonstracao do teorema. pois x1 = s1 . ent˜o ele pode ser escrito como a a a f (x1 . · · · . ´ E imediato da defini¸˜o que o D ´ um polinˆmio sim´trico com coeficientes inteiros. o discriminante em 3 vari´veis ´ um polinˆmio de grau 6. αn ). f ´ separ´vel se e somente se ∆(a1 . xn por cona stantes. + (−1)n sn ∈ A[t]. Demonstraremos o teorema por indu¸˜o no ¸˜ ca n´mero de vari´veis n e no grau d de f . . No caso do polinˆmio c´bico x3 − ax + b obtemos o u como discriminante −(4a3 + 27b2 ). αn forem elementos alg´bricos e sobre K contidos em alguma extens˜o L de K. 1 e para n = 3 temos (x1 − x2 )2 (x1 − x3 )2 (x2 − x3 )2 = s2 s2 − 4s3 − 4s3 s3 − 27s2 + 18s1 s2 s3 . an ) = 0. Em particular. · · · . + in . . · · · . · · · . an ) = 1≤i<j≤n (αi − αj )2 . Por exemplo. · · · . o que podemos escrevˆ-lo de forma unica como D(x1 . O PROBLEMA INVERSO DE GALOIS Considere o polinˆmio o f (t) = (t − x1 ) . O monˆmio xi1 . xn ]. . a Assim. · · · . se R for um corpo K e α1 . . . . · · · . · · · . Para a prova do teorema precisamos da no¸˜o de grau de um polinˆmio em ca o v´rias vari´veis. segue do teorema. · · · . 1 2 2 1 3 ´ E importante notar que estas igualdades s˜o identidades no anel Z[x1 . · · · . ent˜o a a (x − α1 ) .

Similarmente. p(x1 . f (x1 . xn ) divide f (x1 . Concluimos portanto que h(s1 . · · · . digamos f (x1 . . · · · . · · · . · · · .e. Aplicando ϕ a f (s1 . a fortiori a x1 . · · · . sn ]. . · · · . xn )) = si (x1 . · · · . Al´m a e e a e e e e disto. xn−1 ). · · · . xn ) ∈ ker(ψ). xn ) = 0. sn ] f (x1 . sn ) ´ uma express˜o de f em termos de fun¸˜es sim´tricas elementares. Neste caso. sn−1 ). e 0 = f (s1 . concluimos que ϕ(f (x1 . e ca e onde para 1 ≤ i ≤ n − 1. concluimos que h tamb´m o ´. o grau de h ´ menor que o grau de ca e f . sn−1 ) + sn q(s1 . sn ) = 0. como ca e e p(x1 . xn−1 . 0) = 0. . f (s1 . Observe que para todo 1 ≤ i ≤ n − 1 temos a ϕ(si (x1 . sn−1 ] tal que ca o ca ϕ(f (x1 . xn ) ´ divis´ e ıvel por xn . · · · . por constru¸˜o. Por indu¸˜o no a e e e ca grau. onde h ∈ A. xn ). · · · . · · · . xn ). · · · . · · · . xn = sn (x1 . sn ). xn ). Suponha que f (x1 . u a Logo xn divide f (x1 . · · · . i. a fortiori por x1 . xn−1 . sn ) = s1 . · · · . em particular. · · · . · · · . Similarmente. sn−1 ) = 0. Mas isto significa que p(x1 . · · · . · · · . concluimos que p tamb´m ´ sim´trico. xn ). xn ) = f (x1 . Logo.. · · · . · · · . . · · · . temos que existe q ∈ R[s1 . sn ).25. Esta fun¸˜o ´ um homomorfismo de an´is (verifique!). xn ). · · · . xn ). sn−1 ). sn ) = ca 0. . assim f (x1 . ent˜o ϕ(f ) ´ sim´trico em e e a e e rela¸˜o a Sn−1 . redefinindo ϕ de forma a anular qualquer outra das vari´veis. · · · . · · · . · · · . xn ) = 0. · · · . · · · . · · · . Como p ´ diferen¸a de polinˆmios sim´tricos (um polinˆmio sim´trico em n − 1 e c o e o e vari´veis ´ sim´trico em n vari´veis). A unicidade ent˜o ´ equivaca e e a e lente a injetividade de ψ. · · · . xn )h(x1 . digamos f (x1 . · · · . · · · . · · · . · · · . 0) = 0. Al´m disto. · · · . h(x1 . xn ) := f (x1 . definindo a fun¸˜o ϕ anulando qualquer outra das vari´veis. xn ) = g (s1 . sn ) em R[s1 . Por constru¸˜o o grau de h ´ inferior ao grau de f . xn ) → f (s1 . e a co e A unicidade tamb´m ´ provada com indu¸˜o em n e no grau. xn ) = g (s1 . · · · . xn )) = g (s1 . sn−1 ) + sn h(x1 . sn ] tal que h(x1 . · · · . . xn ) − g (s1 . · · · . · · · . por indu¸˜o ca no grau. Por indu¸˜o no n´mero de vari´veis. · · · . sn h(s1 . xn ) ´ divis´ por cada o e ıvel xi . sn ) concluimos que f (s1 . xn = sn (x1 . · · · . a fun¸˜o si denota a i-´sima fun¸˜o sim´trica elementar ca nas vari´veis x1 . GRUPO Sn 173 Observe que como f ´ sim´trico com respeito a Sn . · · · . · · · . Seja p(x1 . · · · .1. xn ) = q(s1 . xn ) = sn (x1 . . xn ) e sn s˜o sim´tricos. xn−1 . ca a concluimos que para todo 1 ≤ i ≤ n o polinˆmio p(x1 . Por hip´tese de indu¸˜o existe g ∈ R[s1 . · · · . xn ] → R[s1 . temos que cada xi divide f (x1 . · · · . Al´m disto. para algum h ∈ A. Considere a e e ca fun¸˜o ca ψ : A = R[x1 .

sn ) ´ galoisiana a e com grupo de Galois isomorfo a Sn . a e ca ´ tamb´m separ´vel. · · · . · · · . sn ). ´ Demonstracao. Ou seja existem unicos a o e ´ h1 . xn ) ⊃ R := Q[x1 . f2 (x1 . Por outro lado. Seja F (x1 . xn s˜o a extens˜o acima ´ normal.8. Demonstracao. · · · . xn ) = g(s1 . ıvel Teorema 25. · · · . · · · . F (x1 . xn ) . · · · . · · · . Seja α um elemento primitivo e desta extens˜o e Pα|M o seu polinˆmio m´ a o ınimo sobre M := Q(s1 . xn ) := σ∈Sn f1 (x1 . + (−1)n sn ∈ L[t]. Pelo teorema 25. Note que a extens˜o Q[Rf ]/Q ´ ıvel a e ´ poss´ mostrar com argumentos geom´tricos que podemos galoisiana de grau n!. Seja L := F (s1 . xn )Sn ⊃ L. xn )/L) ∼ Sn . seja sim´trica. = Para passarmos do teorema acima para um resultado sobre Q precisamos do teorema de irredutibilidade de Hilbert (veja [LaDio. · · · . Logo Gal(F (x1 . xn ]. para todo σ ∈ Sn definimos a σ ∗ (f (x1 . · · · . Este ´ dito o corpo de fun¸˜es racionais co o e co em n vari´veis com coeficientes em F . Ent˜o existem infinitos homoa morfismos λ : R → Q tais que λ∗ (f )(t) seja irredut´ em Q[t]. Teorema 25. chapter 9]. Logo f = h2 /h1 ∈ F (s1 . Seja L := Q(x1 . a e´ Teorema 25. · · · . · · · . A extens˜o de corpos F (x1 . · · · . xn )/L) ´ isomorfo a um subgrupo de Sn (ver e cap´ ıtulo de teoria de Galois). E a e e a a a distintas. xn ) = L[Rf (t) ] ´ o corpo de decomposi¸˜o de f (t) sobre L. · · · . Existe uma extens˜o galoisiana finita K de Q tal que Gal(K/ a Q) ∼ Sn . Observe que G e Gf s˜o polinˆmios sim´tricos em A. · · · . O PROBLEMA INVERSO DE GALOIS Suponhamos agora que R seja um corpo F . · · · . xn ) σ ∗ (f2 ). xn ] e f (t) ∈ L[t] irredut´ ıvel. Isto significa que Sn ⊂ Gal(F (x1 . sn ) ¸˜ a ´ galoisiana com grupo de Galois isomorfo a Sn . · · · . xn ) pode ser escrita de ca e forma unica como f (x1 . sn ) e ¸˜ f (t) := (t − x1 ) . Toda fun¸˜o sim´trica f ∈ F (x1 . Assim. · · · . xσ(n) ) e dizemos que f ´ sim´trica se e somente e e se σ ∗ (f ) = f para todo σ ∈ Sn . Analogamente. · · · . = Demonstracao. xn )/L).6 a extens˜o Q(x1 . xn )) := f (xσ(1) . · · · . xn ) o corpo de fra¸˜es do anel de polinˆmios F [x1 . · · · . Teorema 25. · · · . . · · · . · · · . · · · . f2 ∈ A. pois as vari´veis x1 . (t − xn ) = tn − s1 tn−1 + . Portanto. sn ] tais que G = h1 e Gf = h2 .7 (teorema de irredutiblidade de Hilbert). · · · .6. . Pelo teorema de irredutibilidade de Hilbert existem infinitos homomorfismos λ : R → Q tais que λ∗ (Pα|M ) =: f seja irredut´ sobre Q[t]. .174 25. . sn ) ∈ F (s1 . xn ) = onde f1 . xn )/F (s1 . h2 ∈ R[s1 .5. sn ). a extens˜o ´ galoisiana. · · · . · · · . E ıvel e . logo f (t) ´ separ´vel. xn )/Q(s1 . sn ) e esta express˜o ´ unica pela unicidade de h1 e h2 . Seja e G(x1 . · · · . sabemos que Gal(F (x1 . Ent˜o F (x1 . Suponha que ¸˜ f (x1 . Como f (t) tem e a a e grau n.

se¸˜o 10.. sn ). o corpo de fun¸˜es racionais F (x1 . a a e se L ´ Q-regular. sen˜o dizemos que ´ ´ ca e a e ımpar. Grupo An Para obter o grupo An como grupo de Galois sobre Q come¸amos novamente c com a situa¸˜o gen´rica. Na verdade ese ca p tas extens˜es representam do ponto de vista geom´trico recobrimentos galoisianos o e finitos de curvas definidas sobre Q com um n´mero finito de pontos de ramifica¸˜o. Observe que para todo σ ∈ Sn temos σ ∗ (δ) = ±δ. xn ) com grupo de Galois G. i.2]). · · · . A resposta ´ que para que um grupo e .3. xn )/M [δ] ´ galoisiana com grupo de a e Galois An . Obtemos dessa forma o seguinte resultado.11. se¸˜o 10. e a ıcil Entretanto.9. Al´m disto. + (−1) sn . A prova ´ como no caso Sn utilizando o fato adicional que ¸˜ e podemos escolher λ de tal forma que λ(δ) ∈ Q (ver [SerMW. ca 25. que neste caso ´ o completamento profinito do grupo topol´gico e e o (para mais sobre grupos profinitos ver cap´ ıtulo de teoria de Galois infinita). · · · .12. Se o sinal for positivo. · · · . Isto ´ devido a Shih (ver [SerMW. / ca 25. se¸˜o 9. Teorema 25. se¸˜o 10. Al´m disto. Utilizando a teoria de curvas el´ ¸˜ ıticas ´ poss´ e ıvel provar que existe uma extens˜o Q-regular de Q(x) com grupo de Galois PSL2 (Fp ) = a SL2 (Fp )/F∗ . xn ) ´ o corpo de co e fun¸˜es racionais do espa¸o afim An (F ) = F n como variedade alg´brica. METODO GERAL 175 escolher λ de tal forma que Gal(Q[Rf ]/Q) seja ainda Sn (ver [SerMW. mas se considerarmos a pergunta sobre C.4]). A extens˜o F (x1 . [SerMW. E claro que δ 2 = D e δ ∈ M := F (s1 . (t − xn ) = x − s1 x + . Q ´ algebricamente fechado em L. Em primeiro lugar. temos que co F (x1 . Suponha que ca exista uma extens˜o galoisiana finita L/Q(x1 . [M [δ] : M ] = 2. ´ dizemos que a permuta¸˜o ´ par. s´ foi respondida na d´cada de 90 por Raynaud e depois Harbater correo e spondendo a uma conjectura de Abhyankar.3]). O objetivo co c e ´ primeiramente realizar um grupo finito G como grupo de Galois sobre este corpo. xn )An ⊃ M [δ]. A reformula¸˜o desta pergunta para corpos algebricamente fechados de caracter´ ca ıstica positiva. . Teorema 25. ela ´ respondida em termos topol´gicos atrav´s do chamado grupo fundae o e mental alg´brico. . ent˜o existem uma ine e a finidade de extens˜es linearmente disjuntas (para defini¸˜o ver cap´ o ca ıtulo de teoria de transcendˆncia).´ 25.10. a = Demonstracao. Seja D = 1≤i<j≤n (xi −xj )2 o discriminante do polinˆmio ca e o n n−1 n f (t) = (t − x1 ) .1] Seja G um grupo finito. Seja δ := 1≤i<j≤n (xi − xj ). · · · .2. e Observacao 25. M´todo geral e O que est´ ocorrendo em ambos os casos est´ longe de ser uma situa¸˜o partica a ca ular. · · · . temos o seguinte resultado. denotando por An / e o subgrupo normal de ´ ındice 2 de Sn formado pelas permuta¸˜es pares.e. Teorema 25. ´ quase t˜o dif´ quanto o problema original. Existe extens˜o galoisiana K/Q tal que Gal(K/Q) ∼ An . . Assim. e Isto nem sempre pode ser obtido. a Ent˜o existe uma extens˜o galoisiana K/Q com grupo de Galois G. proposition 2. .3. u ca Isto remete a seguinte pergunta: quando um grupo finito pode ser grupo de Galois de um tal recobrimento com um conjunto prescrito de pontos de ramifica¸˜o? Nesta ca generalidade a pergunta permanece em aberto.

Seu maior quociente primo com p nada mais ´ que o quociente de e G pelo seu quase-p-subgrupo..e. onde Q = AC (Q).176 25. Observacao 25. i. O fato de um grupo finito G ser grupo de Galois sobre Q equivale ao fato de G ser um quociente de GQ . Este tema est´ intimaa mente relacionado a resolver problemas de mergulhos para o grupo profinito GQ (para mais ver [Ser]). .13. Um objeto extremamente importante em aritm´tica e ¸˜ e relacionado com o problema inverso de Galois ´ o grupo de Galois absoluto GQ := e Gal(Q/Q). o subgrupo gerado pelos seus p-subgrupos de Sylow. O PROBLEMA INVERSO DE GALOIS G ocorra como grupo de Galois seu maior quociente primo com p deve se realizar sobre uma curva sobre C com mesmo n´mero de pontos de ramifica¸˜o (suposto u ca pelo menos 1).

x2 .1. fn ) ca ← − e observar que os homomorfismos anteriores implicam um homomorfismo natural g : G → limn Gn dado por x → (· · · . Seja A[pn ] := ker(pn ). tomar A como µp∞ := n µpn e considerar Tp (µ) := limn µpn . Exemplo 26. a Definiremos agora a no¸˜o de produto inverso de forma um pouco mais geral. xn . ´ tomar µpn o grupo das ra´ e ızes pn -´simas da e unidade em um corpo algebricamente fechado Ω de caracter´ ıstica distinta de p. Ent˜o Tp (A) = limn A[pn ]. Dado um grupo G considere uma seq¨ˆncia de subgrupos Hn ue de G tais que Hn ⊃ Hn−1 . fn ). Seja G := i Gi a com a opera¸˜o compenente a componente. pA ) ser´ denotado por a Vp (A). formamos pelo menos uma upla neste subconjunto que denotaremos por limn (Gn . o exemplo mais simples. Seja A um grupo abeliano.1. fn } que ´ chamada de um sistema ılia e projetivo. · · · ) tais que fn (xn ) = xn−1 para todo n ∈ N. O limite projetivo de (A.3. p um n´mero primo e pA : A → A a u multiplica¸˜o por p em A. se pA for sobrejetivo. Seja Γ o subconjunto de G formado ca 177 . O limite projetivo limn Z/pn Z ´ ca e ← − chamado o anel Zp dos inteiros p-´dicos (para mais detalhes ver [Ne. Este ´ chamado A ← − o subgrupo de Tate associado ao grupo p-divis´ ıvel A. chapter II]. ca Seja I um conjunto de ´ ındices dotado de uma ordem parcial i ≤ j. Consideremos em n∈N Gn (onde a opera¸˜o ´ componente a componente) o subconjunto de uplas ca e da forma x = (x0 .2. Suponhamos que I seja direcionado. Para todo n ≥ 0 considere Gn := Z/pn Z e o homomorfismo sobrejetivo de proje¸˜o fn : Z/pn+1 Z → Z/pn Z. Uma fam´ inversa direcionada de ılia grupos ´ uma fam´ de grupos {Gi }i∈I e para cada par i ≤ j um homomorfismo e ılia fji : Gj → Gi tal que se k ≤ i ≤ j. partindo de x1 ∈ G1 . Neste ca e ıvel caso tomaremos o limite projetivo considerando a seq¨ˆncia constante An = A para ue todo n e fn = pA para todo n. ← − Exemplo 26. j ∈ I. x1 . existe k ∈ I tal que i ≤ k e e j ≤ k. Diremos que I ´ direcionado se para quaisquer i. O exemplo mais comum deste tipo de grupo ´ no contexto de variedades abelianas sobre corpos globais. · · · ). Este conjunto ´ chamado o e ← − limite inverso ou limite projetivo da fam´ {Gn . Como cada fn ´ um homomorfismo sobrejetivo.CAP´ ıTULO 26 Teoria de Galois infinita 26. Dizemos que A ´ p-divis´ . e Entretanto. ← − Exemplo 26. ent˜o fjk = fji ◦ fik e fii = id. Considere o homomorfismo sobrejetivo fn : G/Hn G/Hn−1 (proje¸˜o). Isto nos permite tomar o limite projetivo limn (G/Hn . onde xn := x + Hn . tomando uma pr´ e e imagem sua x2 em G2 e assim sucessivamente. Limite inverso Consideremos uma seq¨ˆncia de grupos {Gn }n∈N e suponhamos que para cada ue n tenhamos um homomorfismo sobrejetivo de grupos fn : Gn Gn1 . Consideremos o subconjunto Tp (A) de Vp (A) formado pelas uplas tais que e a x1 = 0.

Quando este n´cleo ´ triu e u e vial temos uma inje¸˜o. Logo em seguida consideraremos o contexto natural onde grupos profinitos aparecem. x. O limite inverso limH∈F G/H coincide na verdade com ← − G (vamos mostrar isto em se¸˜o posterior). x. a a ← − Este subgrupo de G ´ o que se chama um grupo profinito (no sentido de ser limite e de grupos finitos). no caso de curvas c afins (isto nada mais ´ que uma conjectura de Abhyankar. Isto permitiu transpor a no¸˜o tradicional de grupo fundaca mental na topologia alg´brica para a geometria alg´brica. assim F ´ uma fam´ a e ılia direcionada (com respeito ` inclus˜o). O grupo quociente C/N ´ chamado o completamento e ˆ de G com respeito `s seq¨ˆncias nulas e denotado por G. se X for uma superf´ compacta de Riemann de gˆnero g ≥ 2 ıcie e e p : X → X for a aplica¸˜o de recobrimento universal. Seja k um corpo e A uma extens˜o infinita de k. ılia ← − Exemplo 26. Permanece um grande e e mist´rio a estrutura dos grupos fundamentais alg´bricos de curvas. k = Q e A = Q. · · · ) mod N . Por exemplo. Seja G := Aut(A/k) o grupo a de k-automorfismos de A. a 26. que diz que para que um grupo seja quociente ´ e necess´rio e suficiente que seu maior quociente primo com p o seja). Al´m disto os grupos quocientes G/H ca e s˜o na verdade grupos de automorfismos de extens˜es finitas K/k contidas em A. Ent˜o Γ cont´m o elemento neutro e ´ um subgrupo de G dito o limite inverso da a e e fam´ e denotado por Γ = limi Gi . K ∈ F. Seja G um grupo e F o conjunto de subgrupos normais em G de ´ ındice finito. Raye naud e D. Uma variante desta constru¸˜o consiste em nos restringirmos ` ca a fam´ Fp de subgrupos normais H de G cujo ´ ılia ındice ´ uma potˆncia de p. provada por M. ent˜o H ∩ K ∈ F. Dizemos que a seq¨ˆncia {xn } ue m ´ a seq¨ˆncia nula se para todo Hr existir um N ≥ 1 tal que para todo n ≥ N e ue tenhamos xn ∈ Hr . embora por exe e emplo conhe¸a-se bem todos os quocientes finitos deste grupo. Grothendieck definiu isto de maneira geral para curvas sobre ca um corpo qualquer. Harbater nos anos 90. se dado Hr existe N ≥ 1 tal que e ue para quaiquer n. Exemplo 26. a ue ˆ Observe que existe um homomorfismo natural G → G dado por x → (x. Uma seq¨ˆncia de elementos ue {xn } em G ´ dita uma seq¨ˆncia de Cauchy. Exites uma inje¸˜o natural π1 (X)top → Aut(F /F ) do co ca grupo fundamental topol´gico de X (que ´ um grupo em 2g geradores com uma o e rela¸˜o) e Gal(F /F ) ´ o grupo profinito definido como limite projetivo com rela¸˜o ca e ca a subgrupos de ´ ındice finito de AutX (X ).5. Podemos e e e similarmente tomar o limite inverso limH∈F G/H. O n´cleo deste homomorfismo ´ igual a r Hr . ca . TEORIA DE GALOIS INFINITA pelos elementos (xi ) tais que xi ∈ Gi satisfazendo a para todo j ≥ i. Completamento de um grupo Seja G um grupo e suponhamos que {Hr } seja uma fam´ de subgrupos norılia mais de ´ ındice finito tais que Hr ⊂ Hr+1 para todo n. F := C(X ) ca seus corpos de fun¸˜es. que coincide com o completamento profinito de π1 (X) e (ver se¸˜o seguinte). Consideramos o limite inverso limH∈F G/H. Se H. este grupo ´ chamado um grupo ← − p pro-p profinito.4. Chamamos a Aut(F /F ) de grupo funtop damental alg´brico de X.2. F := C(X).178 26. na teoria de Galois infinita. fji (xj ) = xi . a o Analogamente. m ≥ N tenhamos xn x−1 ∈ Hr . Fica como exerc´ ıcio provar que o conjunto C de seq¨ˆncias ue de Cauchy com opera¸˜o termo a termo ´ um grupo e que as seq¨ˆncias nulas N ca e ue formam um sugrupo normal.

26. Seja ca F uma fam´ ılia. Suponhamos que exista uma fam´ {Hi } cujos ´ ılia ındices percorram um conjunto enumer´vel. uma seq¨ˆncia de Cauchy ´ uma fam´ {xj }j∈J indexada por ue e ılia um conjunto arbitr´rio J tal que para cada H ∈ F existe j ∈ J tal que para a k. Pelas propriedades anteriores de limite projetivo. H tem ´ ındice finito em G. Pela teoria geral K/F ´ galosiana (a separae bilidade ´ clara. Para ver a sobrejetividade. ← − Reciprocamente. Seja H := Gal(K/F ) e σ(α) := σH (α). isto ocorre quando G ´ finitamente a e gerado.3. De fato. a normalidade. isto permite definir um homomorfismo de grupos G → limH∈F G/H. TEORIA DE GALOIS INFINITA 179 ˆ= Teorema 26. segue do fato que para qualquer α ∈ K temos e Pα|K | Pα|k ). · · · ) ∈ limr G/Hr . O n´cleo deste homomorca u fismo ´ exatamente H. uma fam´ {Hi } de subgrupos normais contida em F ´ dita ılia e cofinal em F se dado H ∈ F existir i tal que Hi ⊂ H. logo. com xn ∈ G/Hn e ← − xn um representante de xn em G. Observemos inicialmente que o n´cleo ´ trivial. se for normal e separ´vel (lembre que para e e a definir normalidade e separabilidade precisamos apenas que a extens˜o K/k seja a alg´brica). k ≥ j temos xk x−1 ∈ H. Para todo ¸˜ ue n suficientemente grande a classe de xn mod Hr independe de n. Mais geralmente. O homomorfismo G → limH∈F G/H ´ um isomorfismo de e ← − grupos. ent˜o para toda extens˜o galoisina finita F/k contida em K u a a temos que σ|F = 1. existe F/k galoisiana finita contida em K tal que α ∈ F . Na pr´tica trabalhamos realmente com seq¨ˆncias. e a Teorema 26. x2 . =← − ← − 26. Seja α ∈ K. Demonstracao. Existe um isomorfismo de grupos G ∼ limr G/Hr . Mas como todo α ∈ K pertence a alguma extens˜o galoisiana a finita F/k concluimos que σ = 1. a ue k pois os grupos profinitos considerados na maior parte dos casos que trataremos tˆm e uma base enumer´vel de abertos. Para toda subextens˜o finita F/k de K/k tal que F/k seja galoisiana. x(2). ← − Demonstracao.7. consideremos o homomorfismo sobrejetivo (pela normalidade) de restri¸˜o G → Gal(F/k) dado por σ → σ|F . · · · ) ∈ limn G/Hn . todo elemento (x1 . Uma extens˜o o a alg´brica infinita K/k ´ dita galoisiana. Seja x = {xn } uma seq¨ˆncia de Cauchy em G. ca e Podemos fazer a constru¸˜o acima mais geralmente da seguinte forma. ıcio a ue Tamb´m fica como exerc´ mostrar que a correspondˆncia acima nos d´ a bije¸˜o e ıcio e a ca requerida (que por constru¸˜o ´ um homomorfismo). Observe que a condi¸˜o de compatibilidade acima afirma justamente que σ(α) n˜o ca a . observe que um elemento (σH ) de limH G/H satisfaz ← − a compatibilidade σH → σH para H ⊃ H. Por exemplo. Isto nos permite definir σ ∈ G globalmente da seguinte forma. Teoria de Galois infinita Estenderemos agora a teoria de Galois para extens˜es infinitas.3. como observado. pelo teorema dos homomorfismos.6. De fato se ¸˜ u e σ pertence ao n´cleo. ue e ue que fica como exerc´ provar que est´ bem definida. Seja H := Gal(K/F ) := Aut(K/F ). G/H ∼ Gal(F/k). Fica como exerc´ a ıcio mostrar que limi G/Hi ∼ limH∈F G/H. e a temos que # Gal(F/k) = [F : k]. Assim. e = a fortiori. A seq¨ˆncia {xn } ´ uma seq¨ˆncia de Cauchy. a menos de seq¨ˆncias nulas. (x(1). Ent˜o H tem ´ a ındice finito em G := Gal(K/k). denotamos esta classe por x(r). onde ← − F := {Gal(F/k) | F ´ uma extens˜o galoisiana finita de k}.

Observe tamb´m que o grupo de Galois abe = soluto GQ := Gal(Q/Q) de Q age em E[pn ]. obtendo assim co a representa¸˜o p-´dica GQ → GL2 (Zp ). Similarmente. . Al´m disto. lembre que E[pn ] ∼ (Z/pn Z)2 . a mas a extens˜o do teorema de Serre depende de um conjectura sobre o grupo de a Mumford-Tate da variedade abeliana. e o o o o ˘ Isto ´ o conte´do da seguinte conjectura devida a Safarevi˘. O mesmo tipo de problem´tica pode ser encontrado no caso de variedades abelianas. assim temos uma representa¸˜o de GQ dada por ρn : GQ → GL(E[pn ]) ∼ GL2 (Z/pn Z) e pelas constru¸˜es ca co = anteoriores podemos tomar o limite projetivo destas representa¸˜es. a imagem de GQ ´ um subgrupo a ca e de ´ ındice finito em GL2 (Zp ) para todo p sendo igual a GL2 (Zp ) para quase todo p. e por constru¸˜o σ → (σH ). dada uma curva el´ ıtica E sobre Q consideramos a extens˜o ciclotˆmica Q(E[pn ]) gerada pelas coordenadas dos pontos de pn -tor¸˜o a o ca de E. Como para todo n ≥ 1 temos que Gal(Kn /Q) ∼ (Z/pn Z)∗ e = concluimos que temos um isomorfismo de grupos Z∗ → Gal(K/Q). Este tipo de exp tens˜o cicltˆmica foi estudada por K. i. a ´ E poss´ ıvel formular um an´logo desta conjectura para curvas el´ a ıticas substituindo Q(µ) por Q(E(Q)tor ). e u c Conjectura 26. a Exemplo 26. A extens˜o e o a K/Q ´ abeliana infinita. ca Exemplo 26.. Seja k0 := Q(µ∞ ) o compositum de todas as extens˜es o ciclotˆmicas de Q em Q. Pode-se considerar tamb´m extens˜es ciclotˆmicas de extens˜es ciclotˆmicas.10. Shimura e Lang-Trotter e um teorema profundo de Serre afirma que a representa¸˜o galoisiana ρ : GQ → p GL2 (Zp ) tem imagem ca aberta. isto define um elemento σ ∈ G. Iwasawa e est´ associada a fun¸˜es L anal´ a o a co ıticas na topologia p-´dica.8. Portanto. Seja K := Q(µp∞ ).e. Ent˜o o a a Gk ´ isomorfo ao completamento de um grupo profinito livro em um n´mero enue u mer´vel de geradores. para todo n. Seja k/k0 uma extens˜o finita e Gk := Gal(Q/k). se E n˜o tem multiplica¸˜o complexa. Seja p um n´mero primo e para todo inteiro n ≥ 1 considereu mos Kn := Q(µpn ) o pn -´simo corpo ciclotˆmico.9. TEORIA DE GALOIS INFINITA depende da escolha de F .180 26. Na verdade o estudo destas representa¸˜es ca a co remonta a trabalhos de Serre.

2. Elementos de teoria de transcencˆncia e 181 .4.3.CAP´ ıTULO 27 Teoria de transcendˆncia e 27.1. Transcendˆncia de π e 27. Transcendˆncia de e e 27. Bases de trasncendˆncia e 27.

.

Algebra. K. SBM. [La] S. 183 . Elementos de Algebra. SpringerVerlag. Harris. Goss. p-adic analysis. D. S. Graduate Studies in Mathematics. N´meros Inteiros e Criptografia. Teoria de Corpos. Spivak. 1. Fundamentals of Diophantine Geometry [Li] E. Milne. Collier Coutinho. IMPA. M. Sierpinski. Solved and Unsolved Problems in the Theory of Numbers [Si] W. Springer-Verlag. [LaDio] S. Koblitz.Bibliografia . A Selection of Problems in the Theory of Numbers [Sil] J. Lang. Projeto Euclides. [Kob] N. The Basic Structures of the Arithmetic of Functions Fields J. u O. Y. Topics in Galois Theory [SerMW] J. Gorenstein. ´ A. Curso de An´lise. 1996. vol. Garcia. The Arithmetic of Elliptic Curves. vol 9. Etale Cohomology [Ne] J. [Sp] M. Serre.-P. Endler. Neukirch. Lectures on the Mordell-Weil theorem [Sh] D. IMPA. Algebra. An Invitation to Arithmetic Geometry. IMPA.Livros [Ap] [Ar] [Co] [En] [GaLe] [Go] [Goss] [Ha] [IrRo] T. [vWa] van der Waerden. Fun¸˜es de uma vari´vel complexa. Lorenzini. co a [Lo] D. Apostol. Algebraic Number Theory [Ser] J. projeto Euclides. GTM. Rosen. Silverman. Serre. Finite Groups D. A Modern Introduction to Classical Number Theory. Lins Neto. Lequain.-P. AMS. Algebra. Lima. Ireland. Algebraic Geometry. L. S. M. Calculus. Springer-Verlag. Springer. a [Lins] A. Shanks. Lang. Projeto Euclides. Artin. Introduction to Analytic Number Theroy. M. ´ [Mi] J.

.

IHES 43 (1974). 185 . Deligne. Lenstra H. Math. Math. Pub. IHES. Conjectures de Weil II. 313-428. Pub. IHES 52 (1981). Mazur.Bibliografia . 1969.Artigos [Le1] [Le2] [Ma] [We1] [We2] H. P. 273-307. Deligne. Lenstra B. Modular curves and the Eisenstein ideal. Pub. Conjectures de Weil I. P.

.

157 o o p-divis´ ıvel. 111 o conjunto de rela¸˜es. 149 congruˆncia e linear. 127 de decomposi¸˜o. 74 indutivo. 76 p-subgrupo de Sylow. 37 algoritmo de Euclides. 133 centro de um grupo. 76 dos conjugados. 2 e lateral a direita. 107 o corpo algebricamente fechado. 1 ca cancelamento. 10 euclideano. 144 K-conjugados. 134 correspondˆncia e de Galois. 7 caracter´ ıstica p. 1 ϕα . 75 algarismos. 54 compositum 187 de corpos. 3 π(x). 79 e con´ cleo u de homomorfismo. 10 elemento . 7 anel. 54 lateral a esquerda. 87 co de geradores. 37 curva el´ ıtica. 27 ordp (n). 129 K-homomorfismos. 137 perfeito. 106 principal. 90 discriminante de polinˆmio. 3 conte´do u de polinˆmio. 157 u finito. 7 dom´ ınio de integridade. 155 a o n-´simo e corpo ciclotˆmico. 64 interno. 172 o divis´ ıvel. 87 conex˜o a de Galois. 177 p-grupo. 123 n-´sima e extens˜o ciclotˆmica. 64 axioma da boa ordena¸˜o. 100 crit´rios e de divisibilidade. 129 Z/nZ. 39 m´dulo ideais. 10 de inteiros. 32 automorfismo de an´is. 136 K-isomorfismo. 101 fatorial. 106 de n´meros. 9 comutativo com unidade. 87 dos p-subgrupos de Sylow. 60 classe de equivalˆncia. 150 crit´rio e de Eisenstein. 88 quociente. 152 comprimento de s´rie. 32 noetheriano. 155 o polinˆmio ciclotˆmico. 133 0. 112 e de grupo.´ Indice Remissivo K-automorfismos. 143 ca de fra¸˜es de um dom´ co ınio.

56 de polinˆmio. 143 separ´vel. 79 sol´vel. 140 de monˆmio. 165 u sol´ vel por radicais. 14 e livre de quadrados. 136 puramente insepar´vel. 134 a transcendente. 144 puramente insepar´vel. 10 soma.188 ´ INDICE REMISSIVO alg´brico. 139 a separ´vel. 39 expoente de grupo abeliano. 3 de Zorn. 162 de corpos. 135 a invers´ ıvel. 172 o de polinˆmio. 125 galoisiana. 124 fecho alg´brico de K em Ω. 60 simples. 106. 128 e alg´brico de K em L. 123 e insepar´vel. 85 ca c´ ıclico. 37 livre de f -potˆncia. 154 finito. 19 ca inteiro em uma dada base. 86 o ideais coprimos. 177 superior. 112 ind´ ıce de um subgrupo. 74 ca diofantina. 124 e c´ ıclica. 93 o de separabilidade. 110 ideal. 166 u transcendente. 30 fun¸˜es co sim´tricas elementares. 97. 123 elementos invers´ ıveis. 127 e normal. 136 a fun¸˜es co aritm´ticas elementares. 49 metac´ ıclico. 159 alg´brica. 49 infinito. 3 m´ximo a . 99 de Krull. 140 a separ´vel. 159 de Artin-Schreier. 9 maximal. 112 e de grupos. 55 da duplica¸˜o. 122 e grau da extens˜o. 13 inteiros gaussianos. 126 ca de Gauss. 136 sol´ vel. 53 e das ra´ ızes n-´simas da unidade. 36 maximal. 15 e fun¸˜o ca φ de Euler. 119 finitamente gerada. 111 primo. 134 a simples. 15 injetiva. 81 u hip´tese o de Riemann. 49 primitivo. 112 e de grupo. 155 e de Galois. 3 limite inverso. 112 e de m´dulos. 140 grupo. 101 inverso. 112 principal. 16 sobrejetiva. 31 homomorfimso de grupos. 64 equa¸˜o ca das classes de conjuga¸˜o. 49 abeliano de tor¸˜o. 145. 1 zeta de Riemann. 62 lema chave. 110 imagem de homomorfismo. 1 de Mœbius. 119 a de inseparabilidade. 54 indu¸˜o finita. 49 isomorfismo de an´is. 150 normal. 3 neutro. 49 abeliano. 104 endomorfismo de an´is. 159 finita. 61 homomorfismo de an´is. 49 linear. 56 das ra´ ızes n-´simas da unidade. 178 quociente. 119 de Kummer. 68 profinito. 139 o extens˜o a abeliana.

15 progress˜o geom´trica. 123 mˆnico. 85 o . 64 not´vel. 11 n´ meros u p-´dicos. 134 a sim´trico. 11 de Fermat. 130 a norma de elemento. 53 e primitivas n-´simas da unidade. 59 subm´dulo. 27 de Carmichael. 116 a resultante de polinˆmios.´ INDICE REMISSIVO 189 divisor comum. 155 e raiz de polinˆmio. 79 s´ries e equivalentes. 44 de divisores. 85 quociente. 121 o m´ ltipla. 56 normal. 90 de um m´dulo. 1 a de elemento. 55 e ra´ ızes primitivas n-´simas da unidade. 109 o s´rie e de composi¸˜o. 79 s´ ımbolo de Legendre. 1 pequeno teorema de Fermat. 52 caracter´ ıstico. 20 permuta¸˜o ca de conjunto. 2 a de equivalˆncia. 79 ca subnormal. 15 multiplicidade de raiz. 66 pseudoprimo em uma dada base. 55 de grupo. 116 separavelmente fechado. 139 a separ´vel. 79 o rela¸˜o ca bin´ria. 19 ca produto de ideais. 73 polinˆmio. 3 total. 49 mon´ide. 44 ra´ ızes n-´simas da unidade. 113 direto de grupos. 79 e pr´prio. 15 de Fermat. 73 ca resto quadr´tico. 95 o primitivo. 73 por conjuga¸˜o. 133 n´ cleo u de homomorfismo. 1 composto. 75 ordem p-´dica. 85 livre. 61. 64 o monˆmio. 60 gerado por subconjunto. 8 m´ximo divisor comum a de polinˆmios. 112 n´ mero u binomial. 172 o multiplica¸˜o ca de Dirichlet. 120 invers´ ıvel. 87 ca matrizes. 93 o caracter´ ıstico. 133 u simples. 64 dos comutadores. 23 de Mersenne. 97 m´ ınimo. 3 parte inteira. 73 ca por transla¸˜o. 49 parcial. 85 matriz de presenta¸˜o. 133 refinamento de s´rie subnormal. 121 normalizador de um subgrupo. 27 primo. 1 a e subgrupo. 85 sobre anel. 40 e soma de divisores. 24 o e princ´ ıpio da indu¸˜o finita. 107 puramente insepar´vel. 140 sistema de congruˆncias. 2 e representa¸˜o ca de grupo. 1 a semi-direto de grupos. 94 irredut´ ıvel. 95 o m´dulo o finitamente gerado. 171 e posto da curva el´ ıtica. 85 o primos em progress˜es aritm´ticas.

150 teoremas de Sylow. 114 e de invers˜o de Mœbius. 160 chinˆs dos restos. 20 de Korselt. 75 tra¸o c de elemento. 90 do isomorfismo de grupos.190 ´ INDICE REMISSIVO teorema 90 de Hilbert. 73 de Dedekind. 41. 1 . 160 de Cayley. 121 transitividade. 62 ´ fundamental da Algebra. 128 fundamental da teoria de Galois. 16 a de Abel. 90 de Mordell. 159 de Artin. 160 de Euclides. 45 de Lagrange. 55 de Mazur. 150 de Artin para homomorfismos. 7 valor absoluto.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful