CAOS

Terrorismo Po´tico e e Outros Crimes Exemplares
Hakim Bey

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Sum´rio a
1 Caos: Os Panfletos do Anarquismo Ontol´gico o 1.1 Caos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2 Terrorismo Po´tico (TP) . . . . . . . . . . . . . e 1.3 Amor Louco (AL) . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.4 Crian¸as Selvagens . . . . . . . . . . . . . . . . c 1.5 Paganismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.6 Arte-Sabotagem (AS) . . . . . . . . . . . . . . . 1.7 Os Assassinos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.8 Pirotecnia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.9 Mitos do Caos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.10 Pornografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.11 Crime . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.12 Feiti¸aria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . c 1.13 Publicidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 Comunicados da AAO 2.1 Comunicado #1 (Primavera de 1986) . . 2.2 Comunicado #2 . . . . . . . . . . . . . . 2.3 Comunicado #3 . . . . . . . . . . . . . . 2.4 Comunicado #4 . . . . . . . . . . . . . . 2.5 Comunicado #5 . . . . . . . . . . . . . . 2.6 Comunicado #6 . . . . . . . . . . . . . . 2.7 Comunicado #7 . . . . . . . . . . . . . . 2.8 Comunicado #8 . . . . . . . . . . . . . . 2.9 Comunicado #9 . . . . . . . . . . . . . . 2.10 Comunicado #10 . . . . . . . . . . . . . 2.11 Comunicado #11 . . . . . . . . . . . . . 2.12 Comunicado Especial do Dia das Bruxas 2.13 Comunicado Especial . . . . . . . . . . . 2.14 Anarquia do P´s-Anarquismo . . . . . . o 3 5 5 6 7 8 10 11 12 13 14 16 18 19 20 23 23 25 26 27 28 31 33 36 37 38 40 42 44 45

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. . . . . . . . . . . . . . . .com/bey/taz cont. . . . . . . . . . . . . . . . . . .18 2. . . . .17 2. . . .br Vers˜o digital baseada em uma c´pia do livro publicada pelo CMI: a o http://www.org/pt/blue/2004/12/296700. . . .shtml Esta vers˜o foi revisada de acordo com o original em inglˆs dispon´vel em: a e ı http://www. Instru¸˜es para Kali Yuga . . .4 2. . http://catarse. . . . . . .19 2. . . . . . .21 2. . . . . . . o Terra Oca . . . . . . . 47 52 54 57 58 60 62 64 Este livro foi lan¸ado pela Conrad Editora do Brasil – 2003. .16 2. . . . . . Resolu¸˜o para os anos 1990: Boicote ` Cultura Policial!!! ca a . . . . . . . . Nietzsche e os Dervixes . . . . . . . . . . . . . . .15 2.com. . c Tradu¸˜o de Patricia Decia & Renato Resende ca www. .co. . .midiaindependente. . . . . . . . . . . . . . co Contra a Reprodu¸˜o da Morte . .nr/hakimbey/ (Dedicado a Ustad Mahmud Ali Abd al-Khabir) . . . . . . . . .hermetic. . . . . . . . . . . . . . .20 2. . . . . . . . . .conradeditora. ca Sonora Den´ncia do Surrealismo . . . . . . . ´ SUMARIO . . . . . . . . u Por um Congresso de Religi˜es Estranhas . . . . . . . . . . . . . . . .22 Coroa Negra e Rosa Negra .html Setembro de 2007. . . . . . . . . . . .

Ver p´gina 12 (N. luta. o Imp´rio nunca come¸ou. gentis como c a c sangue. coletores paleoliticamente pregui¸osos. entediaram-no com a civiliza¸˜o e todas as suas emo¸˜es ca ca co mesquinhas. Bloco intacto e primordial. N˜o. equilibrados a O autor refere-se aos Hassasin ou Hassisin (“consumidores de haxixe”). da´ seu nome. imperturb´vel o a como as flˆmulas negras fren´tica e perpetuamente embriagada dos Assassinos1 . venderam-lhe id´ias de bem e mal. unico monstro digno de adora¸˜o. n˜o ´ nem um deus nem a e uma larva. mais ultravioleta do que qualquer mitologia (como as sombras ` a a Babilˆnia). revolu¸˜o. inventaram palavras de nojo para seu amor molecular. inclusive a consciˆncia. ca¸adores e n˜o policiais. elas a nunca existiram. Eles agiam supostamente sob a influˆncia a e de haxixe. urgente como o azul do c´u. membros de uma seita islˆmica a secreta que durante as Cruzadas emboscavam l´ ıderes crist˜os.1 Caos O Caos nunca morreu. que ficam nus para simbolizar algo ou se pintam como p´ssaros. As correntes da Lei n˜o foram apenas quebradas. caminho. o e Tudo na natureza. N˜o h´ transforma¸˜o.Cap´ ıtulo 1 Caos: Os Panfletos do Anarquismo Ontol´gico o 1. foi isso que aconteceu: eles mentiram. Vocˆ j´ ´ o monarca de sua pr´pria a a ca ca e ae o pele – sua liberdade inviol´vel espera ser completa apenas pelo amor de outros monarcas: a uma pol´ ıtica se sonho. todos ´teres e e flog´ ısticos sem sentido algum: suas m´scaras. e Para lograr abrir m˜o de todos os acentos e hesita¸˜es ilus´ria da hist´ria. a original e indiferenciada unidade-do-ser ainda resplandece. ´ preciso a co o o e evocar a economia de uma Idade da Pedra lend´ria – xamˆs e n˜o padres. a c e infundiram-lhe a desconfian¸a de seu pr´prio corpo e a vergonha pela sua condi¸˜o de c o ca profeta do caos. bardos e n˜o a a a a senhores.T) ı a 1 5 . hipnotizaramno com a falta de aten¸˜o. ´ ca inerte e espontˆneo. como nuvens. seu desejos primais englobam e definem todas coreografia poss´ ıvel. s˜o cristaliza¸˜es da sua a a co pr´pria ausˆncia de rosto. Ou¸a. a e O caos ´ anterior a todos os princ´ e ıpios de ordem e entropia. Demˆnios nunca vigiaram as estrales. ´ perfeitamente real: n˜o h´ absolutamente e e a a nada com o que se preocupar. Eros o e c nunca deixou a barba crescer.

t´dio sub-r´ptil de regimes totalit´rios.2 Terrorismo Po´tico (TP) e Dan¸ar de forma bizarra durante a noite inteira nos caixas eletrˆnicos dos banco. deixe objetos Po´tico-Terroristas. fazem coisas como empilhar pedras. merda para c´rebros.) c 2 . Arrombe apartamentos. escavamos em busca de mundos perdidos. pe¸as de argila que sugerem esco e a c tranhos artefatos alien´ ıgenas espalhados em parques estaduais. semelhantes a b´rbaros. a e Coloque placas de bronze comemorativas nos lugares (p´blicos ou privados) onde vocˆ u e teve uma revela¸˜o ou viveu uma experiˆncia sexual particularmente inesquec´ etc. em vez de roubar. desempregados. c o 2 Apresenta¸˜es pirot´cnicas n˜o autorizadas. um velho o a elefante de circo. 5 mil quilˆmetros quadrados na Ant´rtica. sexualmente perturbados. Seq¨estre algu´m e o fa¸a feliz. a Avatares do caos agem com espi˜es. todos os monolitos paran´icos. ca Aqui estamos.6 ´ CAP´ ITULO 1. essa pessoa perceber´ que por alguns momentos acreditou em algo extraora din´rio e talvez se sinta motivada a procurar um modo mais interessante de existˆncia. anestesia e e ılia di´ria. um invis´ cord˜o ´ ıvel e o ca ıvel a de ouro que nos conecta: dan¸a ilegal pelos corredores do tribunal. e A arte do grafite emprestou alguma gra¸a aos horr´ c ıveis vag˜es do metrˆ e s´brios o o o monumentos p´blicos – a arte-TP tamb´m pode ser criada para lugares p´blicos: poemas u e u rabiscados nos lavabos dos tribunais. e u e c Escolha algu´m ao acaso e o conven¸a de que ´ herdeiro de uma enorme. da Escola e da Empresa. cavar tumbas etc. Seu eu fosse beijar vocˆ c e aqui. Para isso. engatinhando pelas frestas entres as paredes da Igreja. Agentes do caos lan¸am olhares ardentes a qualquer coisa ou pessoa capaz de suportar c ser testemunha de sua condi¸˜o.E. piratas de todos os signos e sentidos. cartas anˆnimas enviadas a destinat´rios o a Corrente que pretende utilizar os espa¸os naturais de cria¸˜o art´ c ca ıstica. criminosos do amor louco. do Estado. um orfanato em Bombaim ou uma cole¸˜o de manuscritos de alquimia. Land-art . pequenos fetiches abandonados em parques e restaurantes. ca Mais tarde. tra¸ar imensas linhas de gesso em desertos. a A ultima proeza poss´ ´ aquela que define a pr´pria percep¸˜o. in´til e e c e u impressionante fortuna – digamos. Arrancados da tribo pela nostalgia o selvagem. acess´ ıveis como crian¸as. c a perseguidos por obsess˜es. sabotadores. arte-xerox sob o limpador de p´ra-brisas de carros estacionados. bombas imagin´rias. mas. anjos terr´ o ıveis. espelhos para a contempla¸˜o. (N. chamariam isso de um ato de terrorismo – ent˜o vamos levar nossos rev´lveres para a o a cama e acordar a cidade ` meia-noite como bandidos bˆbados celebrando a mensagem a e do sabor do caos com um tiroteio. Estou desperto apenas ca no que amo e at´ o limite do terror – todo o resto ´ apenas mob´ coberta. censura banal e dor a e e e a desnecess´ria. ca e ıvel Fique nu para simbolizar algo. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO sobre a onda da presen¸a expl´ c ıcita. nem geo nerosos nem generosos nem ego´ ıstas. Organize uma greve em sua escola ou trabalho em protesto por eles n˜o satisfazerem a a sua necessidade de indolˆncia e beleza espiritual. slogans escritos a com letras gigantes nas paredes de playgrunds. olhos que lembram flores. 1. sua febre por lux et voluptas. o agora-sempre atemporal.

1. e Vista-se de forma intencional. Arte como crime. vandalize apenas o que deve ser destru´ fa¸a algo de que as crian¸as se lembrar˜o ıdo. temor supersticioso. TP ´ um ato num Teatro da Crueldade sem palco. “Toda pessoas ´ um Fara´”) – O. o a Cimento fresco. Mesmo as t´ticas da guerrilha Situacionista do teatro de rua talvez j´ tenham se tornado a a conhecidas e previs´ ıveis demais. evite politicagem. defio nimos uma nova cultura com a nossa excomungada uni˜o de corpos.. tes˜o sexual. e o . A rea¸˜o do p´blico ou choque-est´tico produzido pelo TP tem de ser uma emo¸˜o ca u e ca menos t˜o forte quanto o terror – profunda repugnˆncia. ele caga para os professores e para a pol´ ıcia. a Naturalmente. o Caos n˜o se importa nem um pouco com o futuro da e a civiliza¸˜o. o TP deve afastar-se de forma categ´rica de o todas as estruturas tradicionais para o consumo de arte (galerias. crime como arte. assuma a a riscos. mas precisos demais para a o prosa. publica¸˜es. semelhante meu. Uma primorosa sedu¸˜o praticada n˜o apenas em busca da satisfa¸˜o m´tua. nem aquilo – seu Livro de Emblemas treme em suas m˜os. Seja brutal. se ´ “assinado” ou anˆnimo: se n˜o mudar a vida de algu´m (al´m a e o a e e da do artista).3 Amor Louco (AL) O amor louco n˜o ´ uma social-democracia. Evite categorias art´ a e e ısticas reconhec´ ıveis. Cada um de n´s possui metade do mapa – como dois potentados renascentistas. Torne-se uma lenda. AMOR LOUCO (AL) 7 previamente eleitos ou escolhidos ao acaso (fraude postal). c c a por toda a vida – mas n˜o seja espontˆneo a menos que a musa do TP tenha se apossado a a de vocˆ. transmiss˜es de r´dio piratas. meu Eu”. a O anarquismo antol´gico nunca retornou de sua ultima viagem de pecas. Um top´grafo o a e o embusteiro projetou seus corredores e e seus parques abandonados. fa¸a-o para aquelas pessoas que n˜o perceber˜o a c c a a (pelo menos n˜o imediatamente) que aquilo que vocˆ fez ´ arte. Mas tamb´m despreza e os liberais e os ide´logos – n˜o ´ um quarto limpo e bem iluminado.. Nem isso. sem e ingressos ou paredes. sem fileiras de poltronas. Deixe um nome falso. O melhor TP ´ contra a lei. Conquanto o ´ ningu´m nos denuncie para o FBI. ang´stia dad´ – n˜o importa se o TP ´ dirigido a apenas u co u ısta a e uma ou v´rias pessoas. n˜o ´ um parlamentarismo a dois. O amor louco procria apenas por acidente – seu objetivo principal ´ engolir a ca e Gal´xia. Uma conspira¸˜o de transmuta¸˜o. Pare que funcione. a e ca N˜o fa¸a TP Para outros artistas. a a a s´bitas revela¸˜es intuitivas.3. m´ co ıdia). Os Terroristas-Po´ticos comportam-se como um trapaceiro totalmente e confiante cujo objetivo n˜o ´ dinheiro. fus˜o de l´ a a ıquidos – as fronteiras imagin´rias da nossa cidade-Estado se borram com o nosso suor. a ca ca Seu unico interesse pela Fam´ est´ na possibilidade de incesto (“Amplie o seu ´ ılia a ´ mais sincero dos leitores. mas n˜o seja pego. e a 1. mas transforma¸˜o. n˜o argumente. As a e a e atas de suas reuni˜es secretas lidam com significados amplos. mas ca a ca u tamb´m como um ato consciente de uma vida deliberadamente bela – talvez isso seja o TP e em seu alto grau. n˜o seja sentimental. ele falhou. criou sua decora¸˜o ca de emboscada feita de tons pretos lustrosos e vermelhos man´ ıacos membranosos.

seu esp´ a ırito comunal murcha em contato com o ego´ ısmo da obsess˜o. e 1. fazendo das HISTORIA e do EMBLEMA Tipo de maconha feita a partir dos brotos e das flores da cannabis e que apresenta 7. a break dance. Elas pensam em imagens – para c elas a prosa ´ um c´digo ainda n˜o inteiramente digerido e sedimentado.8 ´ CAP´ ITULO 1.5% de THC. n˜o explica. para e o a n´s. Jorge Zahar Editor. mas sim sua apoteose – n˜o ´ o a e ca a e resultados da liberdade. oculta (como uma caixaa a ca c surpresa japonesa com flores de papel). nunca vota e nunca paga a a impostos. O AL n˜o quer a se alistar no ex´rcito de ningu´m. (N. ela nunca ser´ totalmente confi´vel. c O amor louco ´ saturado de sua pr´pria est´tica. que tenham perdido o cord˜o de prata. para que outros. a imagem do esfarelamento do Estado. (N. Nem pense em escrever para as Crian¸as Selvagens. a e e Os surrealistas se desgra¸aram ao vender o amor louco para a m´quina de sombras do c a Abstracionismo – a unica coisa que procuraram em sua inconsciˆncia foi o poder sobre os ´ e outros. o o cheiro de p´lvora e de esperma. enche-se at´ as bordas com a trajet´ria e o e e o de seus pr´prios gestos. O AL admira o tropicalismo. Ver o livro de Nizami Laila & Majnun – A Cl´ssica Hist´ria de a a a o Amor da Literatura Persa.E) 3 . CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO irm˜o/irm˜ – e na masturba¸˜o de uma crian¸a ele encontra. assim como. o a a Vocˆ pode escrever sobre elas. o O AL ´ sempre ilegal. O mundo anglo-sax˜o p´s-protestante a o canaliza toda sua sensualidade reprimida para a publicidade e divide-se entre multid˜es o conflitantes: caretas hist´ricos versus clones prom´ e ıscuos e ex-ex-solterios. n˜o ´ um destino adequado para o o a e comiss´rios ou lojistas. seu componente psicoativo. n˜o toma partido na Guerra dos Sexos. O AL gostaria de ver todo bastardo (“filho natural”) chagar ao fim de sua gest˜o e a nascer – o AL vive de aparelhos antientr´picos – o AL adora ser molestado por crian¸as o c 3 – o AL ´ melhor que sensimilla – o AL leva para onde for sua pr´prias palmeiras e sua e o pr´pria lua. e a ´ possam nos compreender. entedia-se e e a com os argumentos a favor de iguais oportunidades de trabalho (na verdade. a O amor louco pede uma sexualidade incomum. n˜o importa se disfar¸ado de casamento ou de um grupo de e a c escoteiros – sempre embriagados do vinho de suas pr´prias secre¸˜es ou do fumo de suas o co virtudes polimorfas. mas seu pr´-requisito. e nisso foram seguidores de Sade (que queria “liberdade” apenas para que homens brancos e adultos pudessem estripar mulheres e crian¸as).4 Crian¸as Selvagens c O insond´vel rastro de luz da lua cheia – meados de maio. t˜o bidimensional que mal se pode dizer que possui uma c a geografia – o luar ´ t˜o urgente e tang´ que ´ preciso fechar as cortinas para se poder e a ıvel e pensar em palavras. As palavras pertencem `queles que as usam apenas at´ algu´m as roube de volta. Ou escrever para elas. meia-noite em algum Estado a americano que come¸as com “I”. Layla e Majnun4 . recusa-se a trabalhar para ganhar a vida). a sabotagem. vive pelo rel´gio dos anjos. Seu ego evapora-se com a mutabilidade do desejo. n˜o reclama.E) 4 Lend´rios amantes do mundo ´rabe. Lux et voluptas. N˜o ´ a deteriora¸˜o dos sentidos.

anjos do caos – seus gestos e cheiros emanam para o seu entorno uma selva de presen¸a. a a a Jovens demais para helic´pteros de guerra – fracassados na escola. a o Para essa esp´cie do outro mundo. fantasmas. uma floresta de press´gios repleta de cobras. unidos e limitados a o por aquele cord˜o de prata que define as fronteiras entre a sensualidade. a maior parte da substˆncia da casualidade. nossa espionagem e o lun´tica – essa ´ a a¸˜o (reconhe¸amos) de um certo tipo de artista ou de uma crian¸a de a e ca c c 10 ou 13 anos. ou “terceiro sexo”. ejacula¸˜es. anarquisc a ´ tas. de o totens poderosos.4. a transgress˜o e a a a revela¸˜o. os habitantes dessas insignificantes prov´ ıncias inferiores acreditam que realmente controlam os destinos das Crian¸as Selvagens – e aqui embaixo. de fato. ca N´s temos os mesmos inimigos e nossos meios para o escapa triunfal tamb´m s˜o os o e a mesmos: um jogo delirante e obsessivo. ciclistas animistas deslizando no crep´sculo cor de estanho pelas ruas com flores acidentais nos bairros mais miser´veis – u a mergulhadores ciganos nus fora de temporada. ilus˜o e e a Imagina¸˜o ainda s˜o indissoci´veis. ca a No entanto. estes “avaros do amor” que mantˆm ref´ns para um futuro banal. pela brilhante feiti¸aria c o c de uma prazer belo. her´ticos. energizado pelo brilho espectral dos lobos e seus filhotes. pervertidos. denunciadas por seus pr´prios sentidos purificados. os unicos. dan¸arinos de o c break. les enfants sauvages. c Abra¸ar a desordem como fonte de estilo e como armaz´m de vol´pia. JOGO licencioso: de uma s´ vez e ao mesmo tempo ca a a o a fonte de nossa Arte e de todo o mais precioso erotismo da ra¸a. tartarugas. uma b´rbara tenta¸˜o a ca para a liberdade (o caos na compreens˜o do pr´prio CAOS). nossa liberta¸˜o depende da deles – n˜o porque imica ca a tamos a Fam´ ılia. troco pequeno e navalhas de pantera – est˜o em todos os lugares. nossa est´tica conspirat´ria. poetas p´beres de vilarejos ` beira da estrada – um milh˜o de centelhas caindo u a a em cascata dos roj˜es de Rimbaud e Mogli – fr´geis terroristas cujas bombas espalhao a fatosas s˜o amor polimorfo e preciosos fragmentos compactados de cultura popular – a franco-atiradores punks sonhando em furar as orelhas. CRIANCAS SELVAGENS ¸ 9 um processo de sedu¸˜o de suas pr´prias mem´rias paleol´ ca o o ıticas. como farsa fr´gil. armas c a ninja.1. As crian¸as. trocando olhares c secretos ` mesa de jantar enquanto os adultos tagarelam por detr´s de suas m´scaras. confus˜o incr´ a ıvel. espelham algo de fatal e obsceno na pr´pria natureza da realidade: o anarquistas ontol´gicos naturais. tais cren¸as c c viciadas moldam. artistas. urina. somos o espelho um do outro. ladr˜es sorridentes. ou e a capazes de se encontrar apenas como as crian¸as selvagens se encontram. xamanismo futur´ ıstico. ninhos e ovos de p´ssaros – agress˜o cheia de alegria contra os crescentes co a a gemidos daquelas Regi˜es Inferiores incapazes de englobar tanto epifanias destruidoras o quanto a cria¸˜o. de olhar enviesado. ou e e Estado. um bando ` parte (distantes um do outro e do mundo). luz do sol. um fundamento c e u de nossa civiliza¸˜o alien´ ca ıgena e oculta. os selvagens. . que nos ensina a afundar num horizonte de eventos de enfadonha “utilidade” – n˜o – mas porque n´s e eles. mas afiadas o bastante para contar o luar. n´s os a o vemos – publicamos esta oferta para trocar a corrup¸˜o do nosso pr´prio lux et gaudium ca o por sua perfeita e gentil imund´ ıcie. a Os unicos que realmente desejam compartilhar o destino travesso dos fugitivos selva´ gens ou crian¸as guerrilheiras (em vez de tentar control´-lo). Compreenda: nossa realiza¸˜o.

o deus dos In´ ıcios. com distribui¸˜o e troca de ca presentes. (N. dejetos. os esp´ c ıritos dos arbustos s˜o unos com a Imagina¸˜o. (N. Trismegisto.T) ca c c ca 8 Ou H. que significa ben¸˜o. `s vezes uma velha. um p´ssaro a a a que roubou a lua. coral de corvos com olhos prateados dan¸ando sobre uma pilha de lenha – como c c Semar. co “Se o mu¸ulmano entendesse o Isl˜. decadˆncia. (N. (N. Raven. ca Iemanj´. um dos quatro orix´s guerreiros da religi˜o iorub´. totens com cabe¸as da Fa´ c ısca e Fuma¸a. com p´s sujos de barro e musgo dos lagos em sua e coxas. a for¸a vital de toda cria¸˜o. garoto gordo com cabe¸a de elefante montando num rato. agulhas de pinho flutuando num lago. `s vezes um garoto. o porteiro horroroso com um gancho na cabe¸a e conchas nos lugar dos olhos. ou metaf´ ısica. (N. avan¸a pesadamente na terra s´lida at´ a cintura como se fosse o c o e mar. ou moral – apenas um xamanismo universal no qual ningu´m obt´m real humanidade sem uma revela¸˜o. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO 1. no Egito. Nenhum maneirismo de a padres. fantoche-sombra patrono da revolu¸˜o javanesa. O mais coe nhecido imperador mongol foi Akbar (1542-1605). Dion´ ısio. feiti¸aria funciona. meio e c a homem. e ca o de um jardim mongol9 ).10 ´ CAP´ ITULO 1. c Beleza. a o O paganismo ainda n˜o inventou leis – apenas virtudes. (N. c O ´rg˜o que compreende as atrofias numinosas com os sentidos. estrela azul deusa-do-mar e padroeira dos homossexuais – como Tara. ıdio e O cen´rio mitol´gico pessoal. nenhuma teologia. o garoto bˆbado numa pantera – ran¸oso suor adolescente – P˜. a permanˆncia m´gica dos esp´ e a ıritos nos ´ ıcones – mas aqueles que n˜o podem realizar esse ritual em si mesmo e em todo o a tecido palp´vel do ser material v˜o herdar apenas melancolia. fortemente influenciado pela est´tica persa.5 Paganismo Constela¸˜es por onde dirigir o barco da alma.T) a 7 Conceito sufista.” – Mahmud Shabestari.T) e 9 Imp´rio mu¸ulmano na ´ e c India (1526-1857). doutrina ligada ao gnosticismo. meio cabra. Elegu´5 . e eventual dissipa¸˜o dos bens do anfitri˜o. a c charutos negros de macumba e copo de rum – como Ganesh6 . com a pele suja de musgo e l´ ıquen – Eros se multiplica em uma d´zia de pastorais u rapazes nus de uma fazenda do Iowa. o corcunda albino e hermafrodita. a a e O corpo pag˜o torna-se como Corte de Anjos que experimenta este lugar – este arvoa redo – como o para´ (“Se existe um para´ com certeza ´ aqui !” – inscri¸˜o no p´rtico ıso ıso. Aqueles que n˜o o a a podem sentir o baraka7 n˜o conhecem as car´ a ıcias do mundo.T) ca a 5 6 . Hermes Poimandres8 ensinou a anima¸˜o de ´ ca ıdolos. gra¸a. aspecto a Nome que em Cuba se d´ a Exu. ele se tornaria um adorador de ´ c a ıdolos. invocado no in´ de qualquer atividade como ıcio aquele que retira obst´culos. no o s´culo I.T) a a a a Um dos deuses mais cultuados do pante˜o hindu´ a ısta. mitol´gico fundador do hermetismo. a morte ´ a ca e um vago desconforto – o enredo das Metamorfoses de Ov´ – um ´pico de mutabilidade. e e ca Comida dinheiro sexo sono sol areia e sensimilla – amor verdade paz liberdade e justi¸a.T) 10 Festival de inverno celebrado pelos ´ ındios da costa noroeste dos EUA. Mas o anarquismo ontol´gico ´ paleol´ o e ıtico demais para a escatologia – as coisas s˜o a reais. o trapaceiro do potlatch10 .

T) a O mais importante dos s´ ımbolos de Shiva. (N. o 1. do Outro. ARTE-SABOTAGEM (AS) 11 azul-acinzentado de Kali11 .1. Assim a a o como a destrui¸˜o da ilus˜o eleva a consciˆncia. O MUZAK15 e e foi feito para hipnotizar e controlar – seu mecanismo pode ser destru´ ıdo. A Arte-Sabotagem serve apenas ` percep¸˜o. ou. (N. sob outro ponto de vista. navega¸˜o por o ´ ca estrelas pante´ ıstas. a e e uma m˜o perdida dentro de suas cal¸as largas. e A AS vai al´m da paran´ia. e a as flˆmulas s˜o negras. mas ainda assim sutilmente transversal – a¸˜o-como-met´fora. ilha ap´s ilha.T) 15 Sistema de distribui¸˜o de m´sica ambiente. O menor ind´ de um egotismo mesquinho ou mesmo e ıcio de um gosto pessoal estraga sua pureza e vicia sua for¸a. dan¸ando no lingam12 enrijecido de Shiva13 . (N. deusado-mar verde-jade javanesa que confere o poder da invulnerabilidade aos sult˜os por meio a de intercurso tˆntrico em torres e cavernas m´gicas. (N.T) 13 Nome da Realidade Suprema para o shaivismo da Caxemira.6 Arte-Sabotagem (AS) A arte-sabotagem aspira ser perfeitamente exemplar. mas choque est´tico – aterradoramente a e direta. um dos trˆs deuses e principais (ao lado de Vishnu e Brahma). colar de crˆnios. aten¸˜o. (N. a c O casco de seus navios piratas ´ laqueado de preto. hierologia sobre hierologia. ao mesmo tempo. Obras de arte individuais (mesmo as piores) s˜o amplamente irrelevantes – a AS a procura causar danos `s institui¸˜es que usam a arte para diminuir a consciˆncia e lucrar a co e com a ilus˜o. mas n˜o pode servir a nenhum partido ou niilismo. ostentando o emblema de um ampulheta alada. ru´ ınas de templos de ouro constru´ ıdos para deuses desconhecidos e bestiais. al´m de desconstru¸˜o – a cr´ e o e ca ıtica definitiva – ataque f´ ısico a ` arte ofensiva – cruzada est´tica. ret´m e um elemento de opacidade – n˜o propaganda. e representa o aspecto impessoal de Deus. representando Deus em sua forma destruidora. no hindu´ ısmo. nem mesmo ` pr´pria arte. a ca ca consciˆncia.T) 14 Doce turco. o o ele pulula de barroquismos como os templos de foda de Katmandu ou um livro de s´ ımbolos 14 alqu´ ımicos – ele se derrama de seu div˜ comendo loukoum e divertidas id´ias her´ticas. a a Sob um ponto de vista. a brisa como uma seda amarela e umida sobre a pela nua. a a Um mar do sul da China dentro da mente. Este ou aquele poeta ou pintor pode ser condenado por falta de vis˜o – mas a a Id´ias malignas podem ser atacadas atrav´s dos artefatos que eles criam. pr´ximo a um litoral selvagem coberto por o palmeiras. despido de todas o e as qualidades e possess˜es. a forma da M˜e Divina em seu aspecto dissoluto e destruidor.T) ca u 11 12 . Queima p´blica de livros – porque caipiras reacion´rios e funcion´rios das alfˆndegas u a a a No hindu´ ısmo. a c lambendo nuvens de mon¸˜es com sua l´ co ıngua comprid´ ıssima – como Loro Kidul. as velas triangulares s˜o vermelhas. mas. a demoli¸˜o da praga est´tica ado¸a o ar ca a e ca e c no mundo do discurso. que tem a forma de um falo. luz sobre luz contra a escurid˜o reluzente a e ca´tica.6. ca a A Arte-Sabotagem ´ o lado negro do Terrorismo Po´tico – cria¸˜o-atrav´s-da-destrui¸˜o e e ca e ca –. podre como o pr´prio CAOS – mas. A AS n˜o pode nunca procurar c a o poder – apenas renunciar a ele. o anarquismo ontol´gico ´ extremamente nu.

Para eles. num monarca da anula¸˜o e da apostasia. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO devem monopolizar essa arma? Livros sobre crian¸as possu´ c ıdas pelo demˆnio. ent˜o o que dizer a ca e a dos BANCOS? Galerias transformam beleza em mercadoria. o Velho da Montanha. no alto de um vale dissecado azul. a lista o de best sellers do The New York Times. a Como convidados de Hassan-i Sabbah. pilhas e a de livros abertos sob a luz da manh˜ – uma cimitarra descoberta. destiladores e retortas. alguns romances populares – uma atmosfera festiva. Village Voice e outros jornais de supermercado. sua face verdadeira revela-se diretamente. (N. N˜o proteste – desfigure. o exterior de todas as coisas ´ o interior delas. pilhas u do New York Post. retalie. garrafas de vinho e a baseados numa tarde clara de outono. livros escolares (especialmente de estudos Sociais. Esmague os s´ ımbolos do Imp´rio. tratados feministas contra a pornografia. eles se recostam em c almofadas e fumam longos narguil´s de haxixe perfumado com ´pio e ˆmbar. violeta pardo e terracota. ou ca´ ısse? Mas como? A Arte-Sabotagem provavelmente deve ficar longe da pol´ ıtica (´ t˜o chata!) – mas n˜o dos bancos. Mapas do c´u. que ´ mantido a distˆncia com lan¸as e a c e veneno. a ca c 1. astrol´bios. guardando um jardim escondido. o Dia da Ressurrei¸˜o veio e passou – e ca os do lado de dentro vivem fora do Tempo profano. u e jogue o sapato no mecanismo. Por tr´s de torres crenuladas e de longas janelas talhadas. mas bancos transmutam a Imagina¸˜o em vezes e d´ ca ıvida. receber uma tijolada pela Janela – n˜o a destrui¸˜o. Educa¸˜o Moral e C´ ca ıvica e Sa´de). O mundo n˜o ganharia um pouco mais de beleza com cada a banco que tremesse. estudiosos e fedains velam a em estreitas celas monol´ ıticas. ca ca entrecortado pela luz e adornado com uma tape¸aria de arabescos. e a a N˜o fa¸a piquetes – vandalize. mas sim uma sacudida na sua complacˆncia –.T) 16 . uma compila¸˜o de ca editoras crist˜s. os viajantes encontram um o´sis artificial.. transforme-se num luddita16 . Mas e Membro dos grupos de trabalhadores ingleses que.12 ´ CAP´ ITULO 1. e o a Para eles. nuas e ocre. a hierarquia do ser compactou-se num ponto adimensional do real – as correntes da Lei foram quebradas – eles terminam seu jejum com vinho.. a Cada um dos que entram no reino do Im˜-de-seu-pr´prio-ser transforma-se num sult˜o a o a de revela¸˜o inversa. mas n˜o o fa¸a e a c em nome de nada que n˜o seja a busca do cora¸˜o pela gra¸a. procurando destru´ a e ı-lo. Se certas galerias e museus merecem. revoltaram-se ca contra o desemprego causado pelo novo maquin´rio tˆxtil. um castelo fortificado em estilo sarraceno. Num aposento central.7 Os Assassinos Atravessando o brilho do deserto e ganhando as montanhas policromadas. design podre a c a u e desperd´ ıcios est´pidos estiverem sendo impostos a vocˆ. no in´ ıcio da revolu¸˜o industrial. Jogar dinheiro para o alto no meio da bolsa de valores seria um Terrorismo Po´tico e bastante razo´vel – mas destruir o dinheiro seria uma excelente Arte-Sabotagem. eles sobem os degraus cortados na pedra que levam at´ o castelo. Intera ferir numa transmiss˜o de TV e colocar no ar alguns minutos de arte incendi´ria ca´tica a a o seria uma grande feito de TP – mas simplesmente explodir a torre de transmiss˜o seria a uma ato de Arte-Sabotagem perfeitamente adequado. Aqui. de vez em quando. Quando fei´ra.

Ram˜s. O perfume de sua propaganda embebe-se nos sonhos criminosos do anarquismo ontol´gico. atravessa o todas as trancas e passa por todas as sentinelas que usam t´cnicas ninja/mu¸ulmanas j´ e c a esquecidas.1. um cont´ a ınuo espa¸o/luz c oculto consumido por liberdades ainda n˜o imaginadas. espelhos. o e como um fantasma. e e a O emblema de Alamut persiste em nossas mentes. por dentro das tendas dos reis e dos aposentos dos te´logos. jardineiras com alo´ e benjoim de Meca. o ´ o c saturar o ar com uma bruma de bravura e com o cheiro de perigo. uma mandala ou circulo m´gico pera dido na hist´ria. estiletes sobre os travesseiros. foguetes. belos rostos”. Hassan-i Sabbah. policiais fantasmas. a melancolia er´tica dos ciprestes. rumores de assassinos. O Velho passa rapidamente. “Uma Floresta na Primavera” – clima de revolu¸˜o – acenda seu cigarro com o ca a espoleta chamuscada de um roj˜o negro – imagine o ar repleto de lˆmures e ´ a e ıncubos. M-80’s. deixando pesadelos. molhados. a 1. girass´is.8.8 Pirotecnia Inventadas pelos chineses. borboletas. mas nunca desenvolvida para a guerra – um bom exemplo de Terrorismo Po´tico – uma arma usada para disparar choques est´ticos em vez de matar e e – os chineses odiavam a guerra e costumavam entrar em luto quando os ex´rcitos se e levantavam – a p´lvora era mais util para espantar demˆnios malignos. Roj˜es de terceira categoria da prov´ o ıncia de Kwantung. debru¸a-se c no parapeito sobre o jardim e contempla o c´u.. PIROTECNIA 13 os port˜es do jardim est˜o camuflados com terrorismo. o a trompe l’oeil. a um riacho repleto de agri˜es do brejo – uma fonte sob cristais geom´tricos – o escˆndalo o e a metaf´ ısico que s˜o as odaliscas banhando-se os criados negros brincando de escondea esconde. E verdade que nesse mito alguns disc´ ıpulos aspirantes podem receber o comando de arremessarem-se do alto das muralhas para a escurid˜o – a mas tamb´m ´ verdade que alguns deles v˜o aprender a voar como feiticeiros. v´rios tipos de amoras. de sopet˜o e anoniu a mamente (talvez lan¸ados da carroceria de uma picape em movimento). como um lobo civilizado de turbante. s´dio e calomelano. caquis. um corisco de magn´sio e um silvo e o o e estridente de picrato de potassa. subornos poderosos. a Ao cair da noite. deleitar crian¸as. a her´ldica de nossas obsess˜es exibe as lustrosas bandeiras negras dos Assaso a o sinos. esp´ ıritos opressores. os caules e e r´ ıgidos das tulipas otomanas. verdura. mas entalhado ou impresso na consciˆncia.. rosas de a a o Shiraz de delicadas p´talas cor-de-rosa. todos pretendentes ao trono de um Egito Imagin´rio. Chame um garoto com um bast˜o em brasa ou um f´sforo aceso – ap´stolo-xam˜ de a o o a enredos de ver˜o de p´lvora – estilhace a noite escura com pitadas e cascatas de estrelas a o infladas. c Construa estruturas entrela¸adas com vigas de metal nos tetos dos edif´ c ıcios de companhias de seguro ou escola – serpente cundalini ou drag˜o do Caos verde-b´rio enrolado a a . arsˆnico e antimˆnio. estudando pequenos asterismos de heresia e ´ no ar fresco e sem rumo do deserto. Mande brasa (negro-de-fumo e salitre) a ferro e fogo – ataque o banco ou a horr´ ıvel igreja de seu bairro com velas romanas e foguetes p´rpura-dourados. tapetes abertos como jardins artificiais sobre gramados verdadeiros – um pavilh˜o inteiro decorado com um mosaico de caligramas – um salgueiro. por entre a folhagem – “´gua. lendas.

E fogos de artif´ ıcio. ca ıcia e Evanescentes bombas-mentais incendi´rias. intranspon´ a ıvel Caos da escurid˜o absoluta a Intocado e intoc´vel a — canto Maori O Caos empoleira-se numa montanha de c´u: um p´ssaro gigantesco. 1. cego e surdo. nem terra. mandalas assustadoras inflamando-se em esa fuma¸adas noites suburbanas. c Ou o Caos ´ um c˜o negro de pˆlos compridos. penachos de enxofre dos elfos atiradores de a a chamas queimando suas bundas chamuscadas. nem N˜o-ser a Nem ar. estrˆncio. Caos. c psique de fogo.9 Mitos do Caos Caos invis´ (po-te-kitea) ıvel Indom´vel. alien´ c ıgenas nuvens verdades da peste emocional detonadas por raios vajra17 azuis de orgˆnio18 . o Cometas que explodem com odor de haxixe e carv˜o radioativo – demˆnios do pˆntano a o a e fogos-f´tuos assombrando os parques p´blicos – falso fogo-de-santelmo piscando sobre a u a arquitetura da burguesia – correntes de pequenos fogos de artif´ caindo no ch˜o da ıcio a 19 Assembl´ia Legislativa – salamandras-elementais atacando conhecidos reformados de e moral. c ´ Fontes = Arte da Agua. Por um instante. a energia a que ´ a fonte da vida. geralmente controlado pelo deus Indra (N. o e e (N. mant´m o poder por uma breve noite escaldante da estrela S´ e ırio. e a ´ ´ Desses trˆs surgiram dois pares – Erebo e Noite ancestral. nem espa¸o: c o que estava escondido? onde? sob a prote¸˜o de quem? ca No budismo e no hindu´ ısmo. seus pr´ a e e ıncipes e governadores fogem para sua podrid˜o satˆnica e nebulosa. Escultura de nuvens. Goma-laca flamejante. piche. enquanto eles recuam. Eter e Luz diurna.14 ´ CAP´ ITULO 1. um animal u ca que sobreviveria ileso no fogo. Obras de Terra. a salamandra tem sido reconhecida como a personifica¸˜o do fogo. sem as cinco v´ e a e ısceras. orgˆnio ´ a energia vital.E) 17 18 .E) Na teoria desenvolvida por William Reich. O Assassino-crian¸a. um raio ou arma m´ ıtica. ´ anterior a tudo. ´gua viscosa. a¸ucar do leite. depois vem a Terra/Gaia. fogo chinˆs – c´ o a e por alguns momentos o ar ´ puro ozˆnio – uma nuvem opala de pungente fuma¸a de e o c drag˜o/fˆnix se espalhando. feux d’artifice a laser. e Nem Ser. o Imp´rio cai. como uma asae a delta amarela ou uma bola de fogo vermelha. N˜o se apresente patrocinando pelos a Rockefeller e com a autoriza¸˜o da pol´ para uma audiˆncia de amantes da cultura. o Abismo. mas dan¸a e canta. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO contra um fundo de amarelo-s´dio – N˜o Pise em Mim – ou monstros copulando e arreo a messando bolas de fogo na casa de velhos batistas. e ent˜o o Desejo/Eros. (N. escultura de fuma¸a e bandeiras = Arte do Ar.E) 19 Desde a Antig¨idade. com seis p´s e quatro asas – ele n˜o tem e a rosto.

sua sombra e o sua m´gica) para que o fara´ possa governar com seguran¸a – um ritual de vit´ria recria o c o ado diariamente nos templos Imperiais para confundir os inimigos do Estado. Nada mais. ele trucida Tiamat e com o seu corpo encomenda o universo material. a a a ´gua n˜o-manifesta. Marduk ser´ o primeiro a reinar. Mas Marduk. os Horizontes.. a c c da androginia e da licenciosidade das bestas. da velhas formas de ca¸a e coleta. Inaugura o imp´rio da Babilˆnia – e ent˜o. o C´u e Sabedoria l´ e ıquida. o Grande Le˜o. nem imortalidade. princ´ ıpios da desordem.9. esses a a partid´rios do Caos. existiam poderes: energia embaixo. O que estava por cima e o que. Um dia. insond´vel? a a Nem morte. o Mar do Sul. impulso em cima. Amon-Ra (Ser) senta-se sozinho no Oceano do Caos primordial da MADRE masturbandose e criando todo os outros deuses – mas o Caos tamb´m se manifesta como o drag˜o e a Apophis a quem Ra deve destruir (juntamente com seu estado de gl´ria. dia ou noite. a Ogre Fˆmea. Escurid˜o envolvendo escurid˜o.1. o e a Cachorro Louco. a Tempestade Trovejante – drag˜es vestindo suas a o gl´rias como deuses – e a pr´pria Tiamat ´ uma serpente marinha gigante. e e o Mar do Norte. das longas andan¸as sem destino. o Caos ´ Hun Tun. da Ordem c´smica. levanta-se em rebeli˜o contra a Velha Bruxa o a e seus Monstros do Caos. cagar etc. ele cria a ra¸a humana para servir aos deuses para sempre e aos c altos sacerdotes e reis sacramentados. o o e Marduk a acusa de fazer os filhos se rebelarem contra os pais – ela ama Neblina e Nuvens. o Homem Escorpi˜o. que sempre a os recebeu bem. Mas quem pode ter certeza? — Rig Veda 15 Tiamar. mas o UNO soprado por si mesmo. totens infernais – o Verme. tornou-se ser ca na forma de Desejo. primeira semente da Mente. com os mi´dos e as tripas sangrentas do filho e o a u incestuoso de Tiamat.. Imperador Hu (shu hu – relˆmpago). ouvir. sentiu a gera¸˜o do calor. eles disseram: “Todos os seres tˆm e sete orif´ ıcios para ver. o deus da guerra babilˆnico.. Desejando retribuir sua gentileza. Imperador Shu. a O UNO. Esses rebentos crescem barulhentos e pretensiosos – ela pensa em destru´ ı-los. visitaram Hun Tun. comer. Zeus Pai e os deuses do Olimpo travam guerra contra M˜e Gaia e os Tit˜s. MITOS DO CAOS O que era a ´gua. sem vento.. – mas o pobre velho Hun Tun n˜o tem a . a inventar o governo. expele lentamente de seu ventre Lama e Saliva. o Oceano de Caos. a Durante a batalha. Imperador do Centro. escondido pelo vazio. por baixo? Existiam semeadores. profunda.

u a e a todos os seres vivos. flautas. a O Caos nunca morreu. Tudo ´ natural sem saber por a e que o ´. um peda¸o o c de carne do filho monstruoso de Tiamat. “Bravo!” com elegantes movimentos de m˜os. Dentro dele. um sorriso amarelo ou uma careta. Que ela siga as bandeiras da guerra do drag˜o negro anarquistas. pelo menos algum tipo de guerra santa clandestina deve ser iniciada. Imperador Amarelo. sangue e flu´ ca ıdos –> rios e mares. diz Chunag-ts´. a No norte de ´ India. senhores adequados para escravos. P’an-ku nasce e e e cresce por 18 mil anos – finalmente o ovo se abre. esperma –> p´rolas. Ou transforma-se em Lao-ts´.” (Kuo Hsiang). o pobre velho Hun Tun ´ o pr´prio Tao. divide-se entre c´u e terra. olhos –> sol e lua. em algum outro planeta. medula –> jade. padresıdo banqueiros. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO nenhuma! Vamos perfurar alguns nele!” E assim fizeram – um orif´ por dia – at´ que.16 ´ CAP´ ITULO 1. o Caos morreu. juntos. n˜o conseguimos encontr´-las. Tiamat. ca a todo bom verso ´ aplaudido. “nasceram no e e e mesmo momento em que eu nasci. o aos tem sido destitu´ por jovens deuses. mesmo a recita¸˜o n˜o-musical provoca barulho e movimento. suas pulgas –> seres e humanos etc. O ‘EU’ n˜o pode produzir coisas e as a coisas n˜o podem produzir o ‘EU’. As 10 mil coisas tem 1o mil estados diferentes. yin e yang.. vest´ o ıgios dos rituais s´ ımios – o resto do corpo longe. 1.10 Pornografia Na P´rsia eu vi que a poesia ´ feita para ser musicada e cantada – por uma raz˜o e e a simples – porque funciona. As coisas s˜o o que s˜o a a a espontaneamente.. profeta do Tao. o Tao. e Mas. ıcio e no s´timo dia. . ´ O Anarquismo Ontol´gico tende a discordar apenas da total quietude do tao´ o ısmo.). Em nosso mundo. Hun Tun. e eu e as 10 mil coisas formamos um ser unico”. impulsos de dan¸a – uma mensur´vel resposta f´ c a ısica ` arte. Ou. gaitas. e e o “A m´sica da natureza n˜o existe al´m das coisas. Para n´s. o Caos tamb´m ´ um enorme ovo de galinha. a liga¸˜o a o ca entre poesia e corpo morreu junto com a ´poca dos bardos – lemos sob influˆncia de um e e g´s anestesiante cartesiano. se procuramos por evidˆncias desse e e Senhor. explos˜es de e e o choro. e r´pias s˜o e a u a lan¸adas – enquanto n´s ouvimos poesia como um daqueles c´rebros de fic¸˜o cient´ c o e ca ıfica em um vidro – na melhor das hip´teses. e Ent˜o P’an-ku transforma-se na coluna que sustenta o universo – ou talvez se torna o a universo (respira¸˜o –> vento. formam a natureza. mas um dos seus servidores leais – uma das pulgas de P’an-ku. Na verdade. As v´rias aberturas. a a Cada consciˆncia iluminada ´ um “imperador”. cuja unica forma de reinado ´ n˜o e e ´ e a fazer nada para n˜o atrapalhar a espontaneidade da natureza. n˜o por causa de alguma outra coisa. O “s´bio” n˜o ´ o a a a e pr´prio Caos. cabelo e c´ ılios –> estrelas e planetas. Se a rebeli˜o provar-se imposs´ a ıvel. moralistas. todos em movimento como se e existisse um Senhor Verdadeiro para movˆ-las – mas. que existe por si mesmo. falocratas. ainda. “C´u ´ Terra”. transforma-se no homem/monstro. Uma combina¸˜o perfeita de imagem e melodia coloca o p´blico num hal (algo entre ca u um estado de esp´ ırito emocional/est´tico e um transe de supraconsciˆncia).

Como propaganda. `s vezes os poetas s˜o presos – uma esp´cie de elogio. sem eco... sem existˆncia palp´vel – reino de sombras do ca a e a mundo impresso. os poetas a ca podem publicar qualquer coisa que quiserem – o que em si mesmo ´ uma esp´cie de e e puni¸˜o. Apenas as imagens contam – os censores amam cenas de morte e mutila¸˜o. ou textos que possuam a ressonˆncia a do terrorismo.T) 20 21 . em estupro ou uma revolu¸˜o. mas contra Id´ias (e Id´ias-dentro-das-coisas) que sejam letais e asfixiantes. poeta chinˆs (701-762 a. a arte er´tica em si mesma cria um ve´ o ıculo elevado para o aprimoramento do ser/consciˆncia/gl´ria. beijando dobras macias de pele – piratas a andr´ginos. um dos mais queridos e lidos poetas m´ e ısticos da P´rsia (1320-1389) (N. como um comercial de fast-food. N˜o crimes contra o c a corpo.T) e 22 Poeta santo cultuado tanto por mu¸ulmanos quanto por hindu´ c ıstas. sua identifica¸˜o e a ca com o Imp´rio e seus gestos mais sutis. mas horrorizam-se diante de uma crian¸a se masturbando – para ca c eles. ent˜o algu´m precisa a e cometer os crimes que funcionem como poesia. isso ´ uma invas˜o de seu fundamento existencial. o sangue de pombos – vislumbres de membros cor de ˆmbar enrolados em len¸´is – rosa co tos.. aparentemente. u e Na Inglaterra.. alguns livros pornogr´ficos ainda est˜o banidos. mas crimes exemplares. ela `s vezes muda vidas a a por revelar desejos secretos. faces abandonadas de colombinas dormindo em altas flores brancas – piadas o sujas de se mijar de tanto rir. Um esp´cie de pornˆ tˆntrico ocidental e o e o a poderia ajudar a galvanizar os cad´veres. Nossa cultura gera a maior parte de sua pornografia motivada pelo ´dio ao corpo – o mas. e Sem d´vida.. sintetizadores. ca a e Se os legisladores se recusam a considerar poemas como crimes.C. PORNOGRAFIA 17 No Oriente. nem mesmo o pornˆ mais po´tico faria o cad´ver sem rosto reviver. penas e ossos. (N. u o e a dan¸ar e cantar (como o p´ssaro do Caos chinˆs) – mas. a auto-ressurei¸˜o n˜o ´ uma delas. crimes por amor. computa¸˜o gr´fica e v´ ca ca a ıdeo – editado de forma compacta.. N˜o e e a libertinagem est´pida.. Reconectar a poesia ao corpo a qualquer pre¸o.10.T) e Ou Li Pai. saxofones e baterias – boogies a el´tricos cantados por um et´reo coro de crian¸as – antol´gicas can¸˜es anarquistas. mas ins´lito e nu. um e e c o co misto de Hafiz20 & Pancho Villa. . ou do pensamento abstrato – um mundo sem risco ou eros.. imagine o roteiro de uma filme c a e de trˆs minutos ambientados numa ilha m´ e ıtica povoada por crian¸as fugitivas que moram c nas ru´ ınas de antigos castelos ou em cabanas-totens e ninhos constru´ ıdos com detritos – uma mistura de anima¸˜o. fazˆ-los brilhar com uma pitada de glamour do a e crime. lagartos de estima¸˜o lambendo leite derramado – pessoas ca nuas dan¸ando break – banheiras vitorianas com patos de borracha e pintos cor-de-rosa c – Alice viajando no p´. est´ticos. cachorros negros. punk reggae atonal para gamel˜o. A poesia est´ morta novamente – e mesmo que a m´mia do seu cad´ver possua ainda a u a algumas de suas propriedades medicinais. j´ que sugere que o a a e a autor fez algo t˜o real quanto um roubo. como em certas obras orientais. uma pris˜o em paredes.. o . efeitos especiais.) (N. Aqui. Os Estados Unidos oferecem liberdade de express˜o porque todas as palavras s˜o a a consideradas igualmente ins´ ıpidas. cobertos por m´scaras cheias de estrelas. A pornogr´fica produz a a a um efeito f´ ısico mensur´vel em seus leitores. viveu em Benares (1440-1518). Li Po21 e Bakunin. tendas abotoadas com cristais. Kabir22 e Tzara – chame-o de At´ hoje..1.

e o 1. c´dis e carrascos. n˜o crimes contra a natureza ou contra a humanidade. n˜o se aliste no ex´rcito da anorexia ou bulimia – aja como se j´ fosse livre. o rock. O amor ´ estrutura. O modelo social natural para o anarquismo ontol´gico ´ uma gangue de crian¸as o e c ou um bando de ladr˜es de banco. assim ca que vocˆ come¸a a agir de acordo com a natureza. Todo homem tem sua pr´pria vinha e sua figueira (Circle Seven a o 24 Koran. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO “CHAOS – The Rock Video!” N˜o. uma alma diferente do padr˜o de e e a “carne apropriada para consumo” aprovado pelo Sistema de Inspe¸˜o Federal – e. ee Paradoxo: adotar o Caos n˜o ´ escorregar para a entropia. A TV pirata ´ uma fana c e tasia f´til. e a e a calcule as probabilidades. pule fora. em Chicago.18 ´ CAP´ ITULO 1. a Lei o garroteia e o estrangula – e c portanto. mas emergir para uma a e energia semelhante ` das estrelas. n˜o fique parado a no meio do fogo cruzado. implica diferentes formas simultˆneas de se apreciar a a a algo.11 Crime A justi¸a n˜o pode ser obtida sob nenhuma Lei que seja – uma a¸˜o que est´ de com c a ca a a natureza espontˆnea. especialmente um obras de arte computacional ou uma instala¸˜o.. sistema. uma a¸˜o justa. n˜o dˆ uma de m´rtir aben¸oado e liberal da classe m´dia – aceite o fato de a e a c e que vocˆ ´ um criminoso e esteja preparado para agir como tal. N˜o apenas sobreviva. Muito caro para produzir e.T) 23 . Ou seja. a o o excˆntricos manuscritos clandestinos para libertar o Desejo dos seus grilh˜es. Noble Drew Ali ) – carregue seu passaporte mouro com orgulho. um ser exilado. lembre-se das regras de duelo – Fume Maconha/Coma Galinha/Tome Ch´. A Lei espera at´ que vocˆ tropece num modo de ser. quem o a e o e assistiria? N˜o as crian¸as a quem ele gostaria de seduzir. Mais cedo ou mais tarde. herege. (N. Os crimes a ca a defendidos nestes panfletos n˜o podem ser cometidos contra o “si mesmo” ou o “outro”. o unico c´digo n˜o contaminado pela escravid˜o a e ´ o a a e pelo sono drogado. a Depois do Caos. e a (N. n˜o pode ser definida por dogmas. proteja-se – mas arrisque-se. u c ent˜o. ao retornar. descobrisse que foi declarada traidora.. num secreto jardim de espionagem. mas contra a ordem a legal. fundador do Templo da Ciˆncia Islˆmica em 1913. a mas apenas contra a mordaz cristaliza¸˜o de Id´ias em estruturas de Tronos e Domina¸˜es ca e co venenosas. O dinheiro ´ uma mentira – esta aventura deve o e ser poss´ ıvel sem ele – o resultado das pilhagens e saques deve ser gasto antes que se Termo alem˜o contemporˆneo que. provavelmente ´ s´ um sonho. Inunde um playground com obscenos folhetos inflamat´rios – propaganda pornˆ. o descobrimento e a revela¸˜o de ser/natureza transforca mam uma pessoa num bandoleiro – como se ela visitasse outros mundos e. um esp´cime de gra¸a instantˆnea – uma organiza¸˜o a e c a ca orgˆnica espontˆnea completamente diferente das pirˆmides sociais putrefatas dos sult˜o. a a a a muftis. Precisamos nos tornar vigaristas e persuasivos para proteger sua beleza espiritual num bisel de clandestinidade. dance antes que fique calcificado. grosso modo.T) ca 24 L´ ıder religioso norte–americano. vem o Eros – o princ´ ıpio da ordem impl´ ıcito no vazio do Uno inqualific´vel. enquanto espera que a revolu¸˜o de algu´m ilumine as suas a ca e id´ias. al´m disso. outra mera mercadoria – esque¸a o gesamtkunstwerk23 malandro.

n˜o ´ a “Aurora Dourada” a a o a e nem um xamanismo de brincadeira. apenas a espontaneidade da natura naturans. mas o feiticeiro pode se embriagar simplesmente olhando para a ´gua.1.12. proje¸˜o astral ou uma Missa Satˆnica – se vocˆ quer ca a e mistifica¸˜o. o Tao. j´ que seus efeitos s˜o t˜o tang´ a a a ıveis. c c N˜o. n˜o se trata de entortar colheres ou fazer hor´scopos. FEITICARIA ¸ 19 torne p´ novamente. o assalto relˆmpago. pol´ ca ıtica. Hoje ´ o Dia da Ressurrei¸˜o – o dinheiro gasto com a beleza o e ca ser´ alquimicamente transformado num elixir. Quando o nosso conhecimento da beleza harmoniza-se a c com o ludus naturae. Um obtuso acha que at´ mesmo o vinho e n˜o tem gosto. cientistas e vendedores consideram a feiti¸aria uma inimiga porque ela representa uma amea¸a ao poder de suas c c charadas e ` resistˆncia de sua teia ilus´ria. O Ladr˜o de Estrada. O feiticeiro ´ um Autˆntico Realista: o mundo ´ real – mas a consciˆncia tamb´m o e e e e e deve ser. procure as coisas reais. e Feiti¸aria: o cultivo sistem´tico de uma consciˆncia aprimorada ou de uma percep¸˜o c a e ca incomum e sua aplica¸˜o no mundo das a¸˜es e objetos a fim de se conseguir os resultados ca co desejados. nossos fantasca mas cacofˆnicos – a “magia negra” da inveja e da vingan¸a volta-se contra o autor porque o c o Desejo n˜o pode ser for¸ado. exige um certo tipo de atividade – feiti¸aria. desperdi¸am sua u c oportunidade de divindade – aqueles que fabricam para si m´scaras cegas de Id´ias e a e vagam por a´ ` procura de uma prova para sua pr´pria solidez acabam vendo o mundo ıa o atrav´s dos olhos de um morto. o desfrute do tesouro. como as palavras. a e o Um poema pode agir como um feiti¸o e vice-versa – mas a feiti¸aria recusa-se a ser c c . A a a qualidade da percep¸˜o define o mundo do inebriamento – mas. ciˆncia social – n˜o esta baboseira e a barata da Madame Blavatsky. Aqueles que por ganˆncia espiritual se recusam a jogar a e escolhem a pura contempla¸˜o negligenciam sua humanidade – aqueles que evitam ca a brincadeira por causa de uma ang´stia tola. reais. a A ioga da clandestinidade. bancos. a 1. hierofantes. Nossos anjos ferozes exigem que invadamos a co propriedade alheia. A feiti¸aria funciona criando ao redor de si um espa¸o f´ c c ısico/ps´ ıquico ou aberturas para um espa¸o de express˜o sem barreiras – a metamorfose do lugar cotidiano numa c a esfera angelical. m´ ısticos. a Ioga da Imagem. a feiti¸aria come¸a. aqueles que hesitam. Como o meu tio Melvin dizia. ca a para incluir os outros. a O mundo j´ foi recriado segundo o desejo do cora¸˜o – mas a civiliza¸˜o ´ dona de a ca ca e todas as loca¸˜es e da maioria das armas. A feiti¸aria viola as leis c que procuram deter se fluxo – padres. c A feiti¸aria n˜o infringe nenhuma lei da natureza porque n˜o existe nenhuma Lei c a a Natural. Isso envolve a manipula¸˜o de s´ ca ımbolos (que tamb´m s˜o coisas) e de e a pessoas (que tamb´m s˜o simb´licas) – os arqu´tipos fornecem um vocabul´rio para esse e a o e a processo e portanto.12 Feiti¸aria c O universo quer brincar. sustent´-lo e expandi-lo. melancias a roubadas s˜o mais doces. s˜o tratados ao mesmo tempo como reais e irreais. porque se manifestam apenas em solo proibido. O aumento da amplitude da percep¸˜o gradualmente bane os falsos eus.

mas pode seq¨estrar seus filhos. a filosofia do tropicalismo. u Este livro ´ nervoso como o caf´ ou a mal´ria – ele cria. transformando-se em perfumes. logra acariciar o rosto de algu´m e. em que montanhas s˜o e o a montanhas e ´rvores s˜o ´rvores. no entanto. ervas como u sonhos secos – o garoto virgem com olhar fixo num pote de tinta – vinho e haxixe. seus cinzeiros derramam cinzas no tapete – a a a seus mon´logos parecem desconexos e levemente sinistros – por tr´s das janelas fechadas.. p´ssaros.. iantras e rituais de prazer. rum. e Numa estrada em algum lugar a leste de Baltimore. revistas de nudismo velhas e empoeiradas. O ventilador de teto gira como um dervixe indolente – suor pinga sobre a p´gina – o cafet˜ do poeta est´ encardido. quase satisfeito. e este livro. de repente. uma e e a rede de desertores e outsiders – mas ´ t˜o cara-de-pau eliteral que praticamente se codifica e a – fuma a si pr´prio em estupor. Como palavras ditas num sonho.. este estranho panfleto amarelado. t´nicas. certo. passe-o adiante por um segundo de eternidade. c Incenso e cristal. a As t´ticas do anarquismo ontol´gico est˜o enraizadas nesta Arte secreta – os objetivos a o a ao anarquismo ontol´gico aparecem no seu florescimento. cores. em favor de um paroxismo ou captura da presen¸a.. a u Este livro se mant´m a distˆncia por uma certa impassibilidade em sua superf´ e a ıcie. CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO uma met´fora para uma mera literatura – ela insiste que os s´ a ımbolos devem provocar incidentes assim como epifanias particulares. pseudon´ ımico e manchado de p´. mas um refazer. em que o corpo torna-se eternidade e o amado torna-se a a a vastid˜o. adaga e espada. velas. tratados sobre briga de galos. e enxerga uma grande placa plantada na grama: LEITURAS ESPIRITUAIS. a n˜o ser que vocˆ seja de extrema a a a e juventude e beleza (anexe uma foto recente). Ele n˜o abana o rabo e n˜o grunhe. entre si e seus leitores. o 1. carne.. panfletos sobre vodu e macumba. tudo que ´ apenas nostalgia turva e ca e futurismo estridente. charutos. num corpo. . com a imagem de uma rude m˜o negra sobre um fundo vermelho.13 Publicidade O que isso diz a vocˆ n˜o ´ prosa. m´sica esquecida. envolvido em luz. andando. e encontra-se na rua. N˜o pretende seduzi-lo. um mapa sem nome de lugar algum – hirto como a uma pintura eg´ ıpcia que. N˜o ´ uma cr´ a e ıtica. Hakim Bey mora num decadente hotel chinˆs onde os propriet´rios balan¸am a cabe¸a e a c c de um lado para o outro enquanto lˆem os jornais e escutam transmiss˜es estridentes da e o ´ Opera de Pequim. Ela rejeita toda escatologia e metaf´ ısica da remo¸˜o. mas morde e ıvel e a a estraga a mob´ ılia. uma automitologia. um pilha de Boy’s Life. o ingˆnuo oceano azul. evanescentes. mas ainda e a e est´ vivo e retorcendo-se. O Caos enfeiti¸a seus inimigos o c e recompensa seus devotos. portentosas. vocˆ encontra a a e livros sobre sonhos e numerologia. Caos. acordado..20 ´ CAP´ ITULO 1. vocˆ passa por um trailer Airse tream. o Uma m´scara. L´ dentro. revela tudo. o a o gueto desaparece entre palmeiras. o jardim de huris e sag¨is – o feiticeiro escala essas serpentes e u escadas at´ o momento totalmente saturado por sua pr´pria cor. Ele n˜o tem um n´mero ISBN e n˜o o quer como disc´ a u a ıpulo. Pode ser pendurado no quadro de avisos. quase que vis´ atrav´s de um vidro.

1.13. 1o de maio a 4 de julho de 1984 21 . PUBLICIDADE — Nova York.

CAOS: OS PANFLETOS DO ANARQUISMO ONTOLOGICO .22 ´ CAP´ ITULO 1.

1 Comunicado #1 (Primavera de 1986) I.E) 1 23 . Anon. Pir Hassan (ao seu e Espa¸o de convivˆncia libert´ria descrito na obra de mesmo nome publicada no Brasil nos anos 1990 c e a pela Editora Correcotia. Slogans e Motes para Pichar no Metrˆ e para Outros Prop´sitos o o COSMOPOLITISMO DESENRAIZADO ´ TERRORISMO POETICO (para rabiscar ou carimbar em outdoors publicit´rios:) a ´ ESTE E O SEU VERDADEIRO DESEJO MARXISMO-STIRNERISMO ˆ ENTRE EM GREVE PELA INDOLENCIA e BELEZA ESPIRITUAL ˆ ´ CRIANCINHAS TEM PES LINDOS AS CORRENTES DA LEI FORAM QUEBRADAS ˆ PORNOGRAFIA TANTRICA ARISTOCRATISMO RADICAL GUERRILHA URBANA PARA A LIBERTACAO DAS CRIANCAS ¸˜ ¸ ´ ´ XIITAS FANATICOS IMAGINARIOS BOLO’BOLO1 SIONISMO GAY (SODOMA PARA OS SODOMITAS) UTOPIAS PIRATAS O CAOS NUNCA MORREU Alguns desses slogans da Associa¸˜o para a Anarquia Ontol´gica (AAO) s˜o “sinceros” ca o a – outros tˆm como objetivo despertar temores e apreens˜o p´blica – mas n˜o sabemos e a u a bem qual ´ qual. Nossos agradecimentos a Stalin. Bob Black.Cap´ ıtulo 2 Comunicados da AAO 2. (N.

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CAP´ ITULO 2. COMUNICADOS DA AAO

nome ser mencionado, que reine em paz), F. Nietzsche, Hank Purcell Jr., “P.M.” e irm˜os a Abu Jehad al-Salah do Templo Islˆmico de Dagon. a

II. Algumas Id´ias Po´tico-Terroristas que ainda Continuam em e e Triste Languidez no Reino da “Arte Conceitual”
1. Entre na ´rea dos caixas eletrˆnicos do Citibank ou do Chembank numa hora de a o muito movimento, cague no ch˜o e v´ embora. a a 2. Chicago, Maio de 1886: organize uma prociss˜o “religiosa” para os “m´rtires” do a a 2 Haymarket – grandes faixas com retratos sentimentais coroados com flores e transbordando de fitas e lantejoulas, carregadas por penitentes vestidos em trajes com capuzes negros no estilo KKKat´lico – escandalosos e efeminados ac´litos de TV boro o rifam a multid˜o com ´gua benta e incenso – anarquistas com rostos emplastrados a a de cinzas flagelam-se com pequenos relhos e chicotes – um “Papa” de t´nica negra u aben¸oa min´sculos caix˜es simb´licos carregados reverentemente para o cemit´rio c u o o e por punks chorosos. Um espet´culo desse tipo deve ofender quase todo mundo. a 3. Cole em lugares p´blicos um cartaz xerocado com a foto de um lindo garoto de 12 u anos, nu e se masturbando, com o t´ ıtulo bem ` vista: A FACE DE DEUS. a 4. Envie elaboradas e requintadas “bˆn¸˜os” m´gicas pelo correio, anonimamente, para e ca a pessoas ou os grupos que vocˆ admira, por exemplo, por sua capacidade pol´ e ıtica ou espiritual, por sua beleza f´ ısica ou por seu sucesso no mundo do crime etc. Siga o mesmo procedimento descrito no item 5 a seguir, mas utilize uma est´tica de bons e votos, amor ou felicidade, o que for mais apropriado. 5. Rogue uma praga horr´ contra uma institui¸˜o maligna, tal como o New York ıvel ca Post ou a empresa MUZAK. Aqui, uma t´cnica adaptada dos feiticeiros da Mal´sia: e a envie para a empresa um pacote com uma garrafa tampada e selada com cera negra. E dentro dela: insetos mortos, escorpi˜es, lagartos e coisas do tipo; um saco com o terra de cemit´rio (“gris-gris” na terminologia vodu), junto com outras substˆncias e a nocivas; um ovo perfurado por pregos e alfinetes de ferro; um pergaminho onde est´ a desenhado um emblema (veja p´gina 78). a (Esse iantra ou veve invoca o Djim3 Negro, a sombra do Eu. Detalhes completos podem ser obtidos na AAO.) Um bilhete explica que a bruxaria ´ contra a institui¸˜o e e ca n˜o contra os indiv´ a ıduos – mas, a menos que a institui¸˜o deixe de ser maligna, a praga ca (como um espelho) come¸ar´ a infectar as dependˆncias com um destino terr´ c a e ıvel, um miasma de negatividade. Prepare um “comunicado” explicando a maldi¸˜o e atribuindo ca a sua autoridade ` Sociedade Po´tica Americana. Envie c´pias para todos os empregados a e o
Pra¸a em Chicago onde ocorreu o grande confronto descrito no livro A Bomba, de Frank Harris c (Conrad Livros, 2003), entre pol´ e oper´rios que faziam uma demonstra¸˜o pela jornada de trabalho ıcia a ca ´ de oito horas, em maio de 1886. E o evento que deu origem ao 1o de Maio como Dia dos Trabalhadores. (N.E) 3 Ser lend´rio mu¸ulmano que pode tomar qualquer forma humana ou animal e influir na vida das a c pessoas. (N.T)
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2.2. COMUNICADO #2

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da institui¸˜o e para a m´ ca ıdia. Na noite anterior ` chegada dessas cartas, cole nas paredes a da institui¸˜o c´pias do emblema do Djim Negro em locais que sejam vis´ ca o ıveis a todos os empregados quando eles chegarem ao trabalho pela manh˜. a (Nossos agradecimentos novamente a Abu Jehad e a Sri Anamananda – o Castel˜o a Mouro do Belvedere Weather Tower – e aos outros camaradas da zona autˆnoma do o Central Park e do Templo N´mero 1 do Brooklyn.) u

2.2

Comunicado #2

O Memorial Bolo Kallikak e O Caos Ashram4 : Uma Proposta
Alimentando uma obsess˜o por trailers Airstream – aqueles cl´ssicos dirig´ a a ıveis em miniatura sobre rodas – e tamb´m pela regi˜o de Pine Barrens em Nova Jersey, por suas e a infind´veis vastid˜es desertas de riachos arenosos e pinheiros negros, brejos de groselhas a o silvestres e cidades fantasmas, popula¸˜o em torno de catorze pessoas por milha quadrada, ca estradas n˜o pavimentadas onde samambaias crescem sem controle, cabanas de pinho e a casas sobre rodas, enferrujadas e isoladas, com carros engui¸ados no quintal da frente. c Terra dos m´ ıticos Kallikaks – fam´ ılias da regi˜o estudadas pelos eugenistas na d´cada a e de 1920 para justificar a campanha de esteriliza¸˜o dos pobres da ´rea rural. Alguns ca a Kallikaks fizeram bons casamentos, prosperaram e tornaram-se burgueses, gra¸as aos c bons genes – outros, no entanto, nunca tiveram emprego de verdade e viviam dos bosques – incestos, sodomia, deficiˆncias mentais abundantes – fotografias retocadas para fazˆ-los e e parecer absortos e morosos – descendentes de ´ ındios vagabundos, mercen´rios de Hesse5 , a ladr˜es p´s-de-chinelo, desertores – degenerados lovecraftianos. o e Pensando bem, os Kallikaks talvez tenham produzido alguns seguidores do Caos, percursores do sexo radical, profetas do Trabalho-Zero. Como outras paisagens mon´tonas o (desertos, mares, pˆntanos), a regi˜o de Pine Barrens parece estar imbu´ de um poder a a ıda er´tico – que n˜o ´ nem viril nem orgi´stica, mas que transmite uma desordem lˆnguida, o a e a a quase um desmazelo da Natureza, como se aquele solo e aquela ´gua fossem feitos de a carne sensual, membranas, tecidos esponjosos er´teis. Queremos acampar neste lugar, e talvez numa cabana de pesca e ca¸a abandonada com um velho fog˜o de lenha e banheiro c a externo – ou em decadentes cabanas de f´rias em alguma estrada secund´ria fora de uso – e a ou simplesmente num lugar onde podemos estacionar dois ou trˆs Airstreams escondidos e por detr´s dos pinheiros e Perto de um po¸o grande o suficiente para nadar. Ser´ que os a c a kallikaks estavam por dentro de algo bom? Vamos descobri. em algum lugar, garotos sonham que extraterrestres vir˜o resgat´-los de suas fam´ a a ılias, talvez desintegrando seus pais com um tipo de raio alien´ ıgena. Ent˜o, bem... Trama a de Seq¨estro do Pirata Espacial ´ Descoberta – “Alien´ u e ıgena” Desmascarado ´ Poeta Hoe mossexual Xiita Fan´tico – OVNIs avistados sobre Pine Barrens – “Garotos Perdidos a Deixar˜o a Terra”, afirma Hakim Bey, o Assim Chamado Profeta do Caos. a garotos fugitivos, bagun¸a e desordem, ˆxtase e Indolˆncia, nadar nus, infˆncia como c e e a
Uma comunidade ou institui¸˜o espiritual em que disciplinas espirituais s˜o praticadas: a residˆncia ca a e de um santo ou mestre espiritual (sˆnscrito). (N.T) a 5 Mercen´rios contratados pelo ex´rcito inglˆs durante a guerra de independˆncia americana. (N.T) a e e e
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CAP´ ITULO 2. COMUNICADOS DA AAO

insurrei¸˜o permanente – cole¸˜es de sapos, lesmas, folhas – mijar da lua – 11, 12, 13 – ca co crescidos o suficiente para tomar as r´deas da pr´pria hist´ria da m˜o dos pais, da escola, e o o a da previdˆncia social, da TV – Venham viver conosco no Pine Barrens – n´s cultivaremos e o um tipo local de beberagem para financiar nossa lux´ria e contempla¸˜o da alquimia do u ca ver˜o – e al´m disso n˜o produziremos nada a n˜o ser artefatos de Terrorismo-Po´tico e a e a a e recorda¸˜es de nossos prazeres. co dar voltas sem destino na velha picape, pescar e coletar alimentos, deitar na sombra lendo quadrinhos e comendo uvas – essa ´ a nossa Economia. A realidade das coisas e quando libertas da Lei, cada mol´cula uma orqu´ e ıdea, cada ´tomo uma p´rola para a a e consciˆncia alerta – esse ´ nosso culto. O Airstream tem tapetes persa em todas suas e e paredes, a grama est´ cheia de ervas satisfeitas. a a casa na ´rvore torna-se uma nave espacial na nudez de julho e ` meia-noite, semia a aberta `s estrelas, aquecidas por um suor epicuriano, apressada e depois tranq¨ilizada a u pela respira¸˜o dos pinheirais. ca (Caro Di´rio de Bordo Bolo: Vocˆ pediu uma utopia pr´tica e poss´ – aqui est´ ela, a e a ıvel a n˜o apenas uma fantasia p´s-holocausto, nada de castelos da lua de J´piter – um esquema a o u que poder´ ıamos adotar amanh˜ – a n˜o ser pelo fato de que todos os seus aspectos violam a a certas leias, revelam alguns dos tabus absolutos da sociedade norte-americana, amea¸am c a pr´pria trama social etc. etc. etc. Azar. Esse ´ nosso desejo verdadeiro e para realiz´-lo o e a precisamos contemplar n˜o apenas uma vida de arte pura, mas tamb´m o crime puro, a a e insurrei¸˜o pura. Am´m.) ca e (Nossos agradecimentos a Grim Reaper e a outros membros do Templo Si Fan da Divina Providˆncia em prol de YALU, GANO, SILA e suas id´ias.) e e

2.3

Comunicado #3

O Tema Haymarket
“Preciso apenas mencionar en passant que existe um curioso ressurgimento da tradi¸˜o ca de bagres na popular s´rie de filmes Godzilla, surgida ap´s o caos nuclear lan¸ado sobre e o c o Jap˜o. Na verdade, os detalhes simb´licos da evolu¸˜o Godzilla no cinema de cultura a o ca pop s˜o surpreendentemente paralelos aos mais tradicionais e folcl´ricos temas japoneses e a o chineses de combate a uma ambivalente criatura do caos (alguns dos filmes, como Mothra, lembram diretamente os antigos motivos do ovo/caba¸a/casulo c´smico) que ´ geralmente c o e domesticada, ap´s o fracasso da ordem civilizada, pela a¸˜o especial e indireta de uma o ca crian¸a.” Girardot , Myth e Meaning in Early Taoism: The Theme of Chaos (hun-tun). c Em algum antigo Templo da Ciˆncia Islˆmica (em Chicago ou Baltimore), um antigo e a amigo afirmou Ter visto um altar secreto no qual descansavam pares combinados de seis rev´lveres (em caixas de veludo) e um fez negro. Supostamente, a inicia¸˜o ao c´ o ca ırculo mais secreto requer do ne´fito mouro o assassino de pelo menos um policial. /// E quando o Louis Lingg6 ? Foi ele um precursor do Anarquismo Ontol´gico? “Eu o desprezo” – n˜o o a
Um dos homens acusados de lan¸ar a bomba que matou v´rios policiais a manifesta¸˜o em Haymarket c a ca Sq., 1886. Julgado e condenado, suicidou-se na pris˜o. (N.T) a
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. /// a e ´ Primeiro assassine a IDEIA – exploda o monumento dentro de n´s – e ent˜o.4 Comunicado #4 O Fim do Mundo A AAO declara-se oficialmente entediada com o Fim do Mundo. um momento de realiza¸˜o exaltada pode pesar mais do que uma vida a ca inteira de trabalho e t´dio microcef´lico. /// O Terrorismo Po´tico prop˜e tal sabotagem dos arqu´tipos como ´vidos pela e o e a derrubada (por qualquer meio) de toda pol´ ıcia.T) 7 . o Vimos o fantasma de Ren´ Gu´non7 . /// Mas esse momento deve tornar-se nosso – e a e nossa posse sobre ele ´ seriamente comprometida se precisamos cometer suic´ e ıdio para preservar sua integridade. desfalecemos ao pensar em levar tudo conosco para o fundo do Abismo. cadav´rico e usando um fez (como Boris Karloff e e e interpretando Ardis Bey em A M´mia). esses n˜o ´ exatamente o caminho que escolhemos. Ent˜o.. apenas aumenta o poder da besta at´ que ela nos engula. misturamos ironia ` nossa venera¸˜o – n˜o ´ o mart´ a a ca a e ırio que propomos.. aiatol´s. o autodesprezo gn´stico dos intelectual´ides “p´s-sexuais”. Como ditadores dementes. (N. Cortar fora as cabe¸as e c a c n˜o nos ajuda em nada. padres a etc. A vers˜o canˆnica a o tem sido usada desde 1945 para nos manter acovardados diante do medo da Inevit´vel a Destrui¸˜o M´tua e em chorosa servid˜o aos nossos pol´ ca u a ıticos super-her´is ( os unicos o ´ capazes de lidar com a fatal Criptonita Verde). banqueiros. c a realiza¸˜o de prazeres criminosos e ilegais. a autoconfian¸a de um monstro do Caos. o o a equil´ ıbrio do poder se inverter´. Quando o ultimo tira em nosso c´rebro for assassinado a ´ e pelo ultimo desejo n˜o satisfeito – talvez at´ mesmo a paisagem ao nosso redor comece a ´ a e mudar.2. carrascos. /// ca e Uns poucos dias liberto do Imp´rio das Mentiras pode muito bem valer um sacrif´ e ıcio consider´vel. mas a coragem do dinamitador. M´ ıstico francˆs (1886-1951) que abra¸ou as tradi¸˜es orientais e proclamou o decl´ e c co ınio do Ocidente em suas obras. aos intermin´veis confrontos a a finais com um demˆnio sedutor. Mas o homem se dinamitou aos 22 anos para enganar a for¸a. N´s imaginamos isso como uma forma de fuga da contempla¸˜o de o ca nossas pr´prias mortes individuais. berradas em todos os alto-falantes. Criamos um emblema para servir como imagemo espelho de uma imortalidade descartada. talvez.” ca 2.. COMUNICADO #4 27 podemos deixar de admitir tais sentimentos..4.... Qual a importˆncia de termos descoberto uma forma de destruir a vida na Terra? a Quase nenhuma.. c a e ´ /// A IDEIA de POL´ ICIA ´ como a hidra em que crescem cem novas cabe¸as para e c cada uma que ´ decepada – e todas essa cabe¸as s˜o policiais vivos. e o o o N˜o seriam essas baladas sombrias simplesmente imagens-espelhos de todas as mentia ras e superficialidades sobre o Progresso e o Futuro... liderando uma fun´rea banda de rock noise indusu e trial em altos zumbidos de moscas negras pela morte da Cultura e do Cosmos: o fetichismo elitista de niilistas pat´ticos. reservamo-nos a op¸˜o de venerar at´ mesmo os “fracassos” do excesso radical. A vers˜o n˜o oficial do Apocalipse envolve uma nostalgia lasciva pelo Fim e por um a a ´ Eden p´s-Holocausto onde os sobreviventes (ou os 144 mil eleitos das Revela¸˜es) podem o co se entregar indolentemente `s orgias de histeria dualista.

que substituiu a do Pai e do Filho. partimos de um ponto de vista monista ainda mais radical: o Tempo nunca come¸ou.5 Comunicado #5 “Sadomasoquismo Intelectual ´ o Fascismo dos Anos 1980 – A e Vanguarda Come Merda e Gosta” CAMARADAS! Grupo radical inglˆs de proeminˆncia entre os anos de 1649-54. O Caos nunca morreu. simplesmente obstruem a nossa consciˆncia da a e v´ ıvida presen¸a total. era o cumprimento que usavam. o ver˜o come¸a. Um garoto sorri para mim a na rua. o para´ na Terra. ıso Qualquer um que pode ler a hist´ria com os dois hemisf´rios do c´rebro sabe que um o e e mundo termina a todo instante – as ondas do tempo lavam tudo e deixam apenas as mem´rias de um passado fechado e petrificado – mem´ria imperfeita. no mundo do Consenso. para o seu pr´prio centro e divindade.. aconteceu em 1914 (isso mesmo. vivemos em tempos angelicais e a – s´ que a maioria de n´s n˜o sabe disso. N˜o somos e nunca fomos c e a escravos do passado ou ref´ns do futuro. “Tudo ´ nosso!” e Eu n˜o quero participar de qualquer outro Fim do Mundo. a imanˆncia do eschaton. Para as a Testemunhas de Jeov´. grasnando enquanto o a o orgˆnio se acumula e ´ liberado numa fra¸˜o de segundo sobre a cidade. Os ranters8 . ela mesma morio o bunda e autonal. E a todo instante tamb´m ´ gerado um mundo novo – apesar dos proe e testos dos fil´sofos e dos cientistas cujos corpos se paralisaram – uma atualidade na qual o todas as impossibilidades se renovam. ´ a a O passado “normativo” ou a futura morte do universo significam t˜o pouco para n´s a o quanto o PIB do ano passado ou a degenera¸˜o do Estado. COMUNICADOS DA AAO e emitidas. O Imp´rio nunca foi fundado. influenciados pela ordem herege da e e Fraternidade do Esp´ ırito Livre (s´c. Desde ent˜o. em 1650. como ondas cerebrais paran´icas de qualquer livro o escolar e da TV? A tanatologia dos sofisticados milenaristas brota como pus da falsa sa´de u do Para´ de Trabalhadores e Consumidores. Um corvo negro pousa numa ´rvore de magn´lias rosadas. a data exata n˜o a importa. sabiam que o Milˆnio se inicia agora em cada alma que e desperta para si mesma. O tempo profano ca e ıso terminou em algum ponto da Idade M´dia. Para certos ocultistas orientais.. o o a Ou.. Hassan II de Alamut proclamou a Grande Ressurrei¸˜o.. estamos vivendo o a Livro das Revela¸˜es agora). aconteceu durante a grande co Conjun¸˜o dos Planetas em 1962. psicomˆntrico e hologram´tico. que o mundo (ou “um” mundo) j´ chegou ao fim. a do ca Esp´ ırito Santo. mas cuspo em cima do seu Milˆnio. c Certas seitas acredita.XII). Joaquim de Fiore proclamou a Terceira Era. (N. senhores. “Regozije-se. ca todos os futuros que ainda n˜o passaram. e Sugerimos que o Fim do Mundo seja declarado um fait acompli .T) e 8 .28 CAP´ ITULO 2. em que arrependimentos e premoni¸˜es dissipam-se co em nada num unico gesto presencial. compao nheiro”. o e ca a c Eu posso ser seu amante. Todos os passados Ideais. e 2.XIV) e pela “Era do Esp´ e ırito” de Joaquim de Fiore (s´c.

a morte t´rmica e decadˆncia. quintessencializamos uma teoria est´tica. de bom grado assumiremos a responsabilidade individual e pessoal pela ca 9 No zen-budismo. Em nossa f´ e e ısica (Teoria do Caos). felizmente. que desprezamos polˆmicas) a enfim c o e participar de uma Sess˜o Plen´ria devotada para den´ncias ex cathedra. nossa propriedade – a cora¸˜o e cabe¸a..2. brilhante. importunou a AAO. como Pound e Celine. Artistas “pere a form´ticos” automutiladores s˜o para n´s banais e est´pidos – sua arte deixa todo mundo a a o u mais infeliz. tanatologia. esp´ ca c ırito e intelecto. nossas faces de ret´rica. “depois a e da revolu¸˜o”. o novo. as veias do pesco¸o o a c inchadas com o fervor do p´lpito. todos os nossos sentidos s˜o nossos. um vazio no sentido de potentia. mais al´m tanto do yin-como-entropia quanto do yang-como-energia. H´!”) a a c a e a Wilhelm Reich foi quase levado ` loucura total e assassinado por agentes da Praga a Emocional. (“N˜o h´ esperan¸a alguma e eu j´ sabia disso antes de vocˆ. Todas as faculdades. ıpio ca a a (Caos como “a soma de todas as ordens”. a Os distribuidores da melancolia sem sentido s˜o os Esquadr˜es da Morte da est´tica a o e contemporˆnea – e n´s os “desaparecidos”. e N˜o ´ precisos dizer que rejeitamos toda a censura da Igreja e do Estado – mas. assombro.. Talvez metade de sua trabalho deveria da mais absoluta paran´ia (conso pira¸˜es de OVNIs. a e ca mas de excesso. at´ mesmo sua teoria sobre o orgasmo). que a o pregamos uma alegria rebelde. Seu sal˜o de bailes de fantasia com ocula o a tos bricabraques do Terceiro Reich e assassinatos de crian¸as atrai os manipuladores do c Espet´culo – a morte fica melhor na TV do que na vida – e n´s. o alcance repentino desse estado.5. por fim. A Anarquia Ontol´gica e o n˜o coleciona filmes pedantes e entedia-se profundamente com elites que vomitam filosofia a francesa. A Anarquia Ontol´gica tem como objetivo construir detonadores de nuvens o est´ticas (armas-RO) para dispensar o miasma do sadomasoquismo cerebral que hoje e em dia ´ considerado moderno. (N. COMUNICADO #5 29 Recentemente uma certa confus˜o sobre “Caos”. o estado de ilumina¸˜o espiritual. preferimos a estupidez real. nefastas como o a a u inferno. sendo mais um e princ´ de cria¸˜o do que qualquer nihil. o Caos identifica-se com o Tao. A arte do Caos pode ser e aterrorizante. for¸ando-nos (a n´s. n˜o precisamos esvaziar o c´rebro para alcan¸ar nosso tipo raro a e c 9 de satori . a a ı Uma grande parte da arte de vanguarda est´ saturada com Raios de Orgˆnio Mora o tal (ROM). MAS em um co e ponto n´s concordamos completamente – sexpol : repress˜o sexual alimenta a obsess˜o o a a pela morte. homofobia. artistas do Caos. n˜o exaust˜o. Que tipo de bosta barata conivente. ca e a idiotice insossa e buc´lica do New Age – preferimos ser idiotas a ficar obcecados pela o morte. Mas. somos encurralados e mantidos no silˆncio. que artistas babacas com c´rebro de e minhoca prepararam esse cozido apocal´ ıptico? ´ E claro que a vanguarda parece “inteligente” – como Marinetti e os Futuristas. levantada por certos setores revana chistas. pode at´ atuar num grand guignol. A nossa n˜o ´ uma arte de mutila¸˜o. Devemos. o a e Lembrem-se de que s´ na f´ o ısica cl´ssica o Caos tem qualquer coisa a ver com entropia. o m´ximo.) Dessa alquimia. o que leva ` m´s pol´ticas. inteligente. schadenfreude (deleite com o sofrimento dos outros). u sussurrando sobre memorabilia nazista e assassinatos em s´rie. superabundˆncia. alma e corpo.T) ca . perdigotos voando de nossos l´bios. nos resumir com cartazes com u slogans raivosos (em caracteres de 1930) declarando o que a Anarquia Ontol´gica n˜o ´. seu merda. mas jamais pode deixar-se encharcar em e negatividade p´trida. Em compara¸˜o com esse tipo de inteligˆncia.

a cr´ ıtica torna-se uma a¸˜o direta. a AAO nutre vagu´ ıssimas esperan¸as de poder sabotar o mecanismo c sufocante do Estado e seu circuito fantasmag´rico – mas podemos chegar a ser capazes o de fazer algo para diminuir as manifesta¸˜es da praga dos ROM. Mander por seu livro Four Arguments for the Abolition Of Television. a Adam Exit e ao mouro cosmopolita de Williamsburg. tudo o que for sem forma e raro. estranhas heresias xiitas e fontes paradis´ ıacas borbulhantes.) . com todo seu cansativo discurso e suas abstra¸˜es revoo co lucion´rias modernas. “Esquerdistas” que gostam de se fantasiar e brincar de pol´ e ladr˜o. monstruosidade c terr´ ıvel. o No momento. oferecem-nos tanta energia libert´ria quanto o FBI. ervas hilariantes e e pirataria. Os ROM c a o a o fedem.) ca Em meu espa¸o n˜o cabe em Jesus e seus senhores das moscas nem Charles Manson e c a seus admiradores liter´rios. de uma crian¸a se c masturbando) s˜o banidas e punidas com uma ferocidade incr´ a ıvel. como os comedores co de cad´veres do Lower East Side e outros lixos art´ a ısticos. ritmos complexos. as desgra¸as dos outros – tais “artistas” n˜o s˜o nada al´m de policiais-sem-poder c a a e (uma defini¸˜o perfeita tamb´m para muitos “revolucion´rios”) N´s temos uma bomba ca e a o negra para esses fascistas est´ticos – ela explode em espuma e estalos. Vivemos numa sociedade que faz propaganda de suas mercadorias mais caras com imagens de morte e mutila¸˜o. Mesmo a Direita Radical. o FDA e os a a batistas recalcados. nenhum massacre com serra el´trica na TV. com todo seu horror da carne e dos sentidos. e o nariz do artista do Caos pode senti-lo da mesma forma que discerne o perfume da alegria espiritual/sexual. “Niica a ca lismo Social”.30 CAP´ ITULO 2. sim – mas n˜o o niilismo morto do autodesprezo gn´stico. pessoas que se ıcia a masturbam olhando para fotos de atrocidades. N˜o ´ preciso coragem a e para ser um S´dico da Arte. beleza e aventura. enviada diretamente para a parte sub-rept´ do c´rebro ca ıcia e das multid˜es atrav´s de aparelhos carcin´genos geradores de ondas alfa que distorcem a o e o realidade – enquanto algumas imagens da vida (como a nossa favorita. (No contexto anarquista. Apoiamos artistas que usam materiais aterradores para alguma “causa nobre” – que usam material sexual/afetivo de qualquer tipo. Mesmo se for a o violento e abrasivo. co Acorde! Respire! Sinta o h´lito do mundo em sua pele! Aproveite o dia! Respire! a Respire! (Nossos agradecimentos a J. Eu n˜o quero nenhuma pol´ mundana – nem assassinos a a ıcia c´smicos e seus machados. COMUNICADOS DA AAO queima de todo o embolorado lixo art´ ıstico dos Esquadr˜es da Morte e pela sua expuls˜o o a da cidade em caravana. nenhum sens´ o e ıvel romance p´s-estruturalista sobre necrofilia. ocasionalmente aparece com um momento de percep¸˜o e aprimoramento da consciˆncia – ca e mas os Esquadr˜es da Morte. qualquer um com um vest´ do terceiro olho consegue enxergar as ıgio diferen¸as entre a arte revolucion´ria pr´-vida e a arte reacion´ria pr´-morte. pessoas que gostam de pensar e intelectualizar sobre a arte “qualquer jeito”. n˜o importa se chocante ou ilegal – que usam sua raiva e asco e seus a desejos verdadeiros de caminhar em dire¸˜o ` auto-realiza¸˜o. mesmo quanto soterrado ou mascarado sob outros odores sombrios. pois a morte libidinosa est´ no centro est´tico do Paradigma a a e do Consenso. a pretensiosa falta total de esperan¸a. pulsa¸˜es da vida.

Espontaneamente. ca a alegria e n˜o o medo. u e e Desde que possamos escapar dos museus que carregamos dentro de n´s mesmos. puxou sua a a espada e atacou-o. irado. ´ claro. Ele acabou virando um eremita. ´ E poss´ criar um TEATRO SECRETO onde o artista quanto a audiˆncia desapaıvel e . mas ca o voltada para um ato de generosidade gratuita no lugar da violˆncia – para o milˆnio e e em vez de para o apocalipse – ou.2. a Podemos agora contemplar a¸˜es est´ticas que possuam um pouco da ressonˆncia do co e a terrorismo (ou “crueldade”. ent˜o nos encontramos livres de dois pesos u a mortos. por que n˜o fazer alguma arte c a a servi¸o de. “Terrorismo Po´tico. ca um modo totalmente n˜o violento de luta – guerra sem assassinato – “a espada da vida”. Em potencial. a Um dia. desde o que conseguimos parar de nos vender ingressos para as galerias que existem dentro de nossos pr´prios crˆnios. a O soldado. O a ca eremita n˜o disse nada. O que mais devemos aspirar atingir sen˜o o “ima poss´ ıvel”? Devemos esperar que outras pessoas revelem nossos verdadeiros desejos? Se a arte morreu. a liberta¸˜o em vez do poder. usando todos os golpes a a mais sutis de seu repert´rio – mas a partir de sua mente vazia o eremita inventava. e c ca ca A arte conta maravilhosas mentiras que se tornam realidade. o homem que inventou o aikido era um samurai que se tornou pacifista e se recusou a lutar pelo imperialismo japonˆs. apontada para o presente momento de choque est´tico a servi¸o da realiza¸˜o e libera¸˜o. fome e ganˆncia).6. tornou-se seu primeiro disc´ e ıpulo. anˆnima como qualquer bombardeador maluco. como definiu Artaud) e cujo objetivo ´ destruir as abstra¸˜es e co em vez de destruir as pessoas. V´rias vezes o soldado tentou mat´-lo. todos n´s somos algum tipo de artista – e potencialmente todo o p´blico recuperou sua inocˆncia. um ex-colega samurai foi visit´-lo e acusou-o de trai¸˜o.. Por exemplo. e por tr´s dessas m´scaras existem energias que podemos direcionar para a luz a a a e o prazer. S˜o do Apocalipse: “Teatro Secreto” a Conquanto nenhum Stalin fungue em nossos pesco¸os. Podemos contemplar alguma forma de metadrama criado para capturar um pouco do sabor dessa atua¸˜o.. a guerra. etc. Mais tarde. um insurrei¸˜o? c ca N˜o importa se ´ “imposs´ a e ıvel”.6 Comunicado #6 I. o prazer em lugar do lucro.” a e As imagens que escolhemos tˆm a potˆncia da escurid˜o – mas todas as imagens s˜o e e a a m´scaras. covardia. ou o p´blico desapareceu. eles aprenderam a esquivarem-se de balas. a Uma conspira¸˜o de artistas. vivia e numa montanha sentado sob uma ´rvore.. novas maneiras de desram´-lo. todas o as vezes. as imagens que nos foram “dadas” pelos organizadores desse sal˜o – assassinato. que deu origem a uma arte totalmente nova. poderemos come¸ar a contemplar uma arte que recrie o objetivo o a c do feiticeiro: mudar a estrutura da realidade pela manipula¸˜o dos s´ ca ımbolos vivos (neste caso. COMUNICADO #6 31 2.. ainda. sua capacidade de tornar-se a arte que experiˆncia. a e n˜o a da morte. apenas continuou sentado – e ent˜o o soldado. o mestre desarmado tomou a espada do soldado e devolveu-a em seguida.

diga ca¸ada. que por vez tem origem no latim e ca e venari (ca¸ada). puro oferecimento das d´divas? a II.. que afirma ser a f´.E) c e c 10 . como a mesma nota tocada em duas oitavas diferentes. tudo ´ natural. que vem do latim venus (amor. que vive e tudo ´ vida. tem dois sentidos bem diferentes. Os gn´sticos perfecti (dualistas radicais) n˜o se alimentavam at´ morrer para o a e escapar do corpo e retornar ao pleroma da luz pura. antinomianos11 ). se procuramos por evidˆncias e e desse Senhor. Em vez de assassinato. Em vez de guerra. (“O Caos ´ a soma de todas as ordens. n˜o conseguiremos encontr´-las. Os dois conhecimentos n˜o s˜o meramente a a complementares: s˜o idˆnticos. diga ˆnsia. Mascarados. guerra. a pura economia paleol´ c ıtica de todas sociedades tribais arcaicas e n˜o autorit´rias – venery12 . Ent˜o: para fugir dos malef´ a ıcios da carne – assassinato. seita mu¸ulmana xiita surgida das disputas geradas no ano 765. no entanto (ismaelitas10 . consideram que corpo e esp´ ırito s˜o uma coisa s´. (N. ´ de satisfa¸˜o sexual. O primeiro. e desejo sexual). em vez de fome.. guerra. do francˆs venerie. o caminho monista tamb´m n˜o pode ser seguido sem algum tipo e a de “assassinato.”) e Dˆ cada um desses quatro termos uma m´scara de linguagem diferente (chamar as e a F´rias de “as Gentis” n˜o ´ um mero eufemismo. mas a do eterno rebelde. onde a vida e a arte se tornam a mesma coisa. a e Her´clito afirma que a realidade persiste num estado de “guerra”. mas uma maneira de revelar ainda mais u a e significados). Em vez de ganˆncia. amor louco. os termos assumem sua beleza tenebrosa. ganˆncia”: a transforma¸˜o da morte em vida (comida. E. o poder u a a e a o absoluto do desejo. desejo inconquist´vel. ou a e ren´ncia ` Mentira. a ca entropia negativa) – guerra contra o Imp´rio das Mentiras – “o jejum da alma”. guerra contra o a carne. do desejo. e e “As coisas s˜o o que s˜o espontaneamente. que o corpo simplesmente contamina o esp´ ırito puro e portanto deve ser rejeitado totalmente. fome ganˆncia – a paradoxalmente apenas existe um caminho: o assassinato do pr´prio corpo. que o mesmo esp´ a o ırito que impregna uma pedra negra tamb´m infunde a carne com sua luz. diga insurrei¸˜o.32 CAP´ ITULO 2. em inglˆs. a e a a unica condi¸˜o para a salva¸˜o. (N. n˜o a revolu¸˜o e ca a ca de classes e poderes. fome at´ a morte. Assassinato – Guerra – Fome – Ganˆncia a Os Maniqueus e os C´taros acreditavam que o corpo pode ser espiritualizado – ou a melhor. percebidos como arte. Apenas notas opostas a podem construir a harmonia. COMUNICADOS DA AAO recem completamente – apenas para reaparecer em outro plano. tudo est´ em movimento a a e a como se existisse um Verdadeiro Senhor para movˆ-las – mas. fome. a tudo que n˜o ´ vida – e ganˆncia pela pr´pria vida. Mais ainda: sem o conhecimento da escurid˜o (“conhecimento carnal”) n˜o pode a a existir o conhecimento da luz (“gnose”). o sombrio que revela a luz.. que ´ um a a a e Adepto do ismaelismo. ritualizados.T) ´ ca ca 12 Venery..C e que c teve sua maior influˆncia pol´ e ıtica no mundo islˆmico entre os s´culos X e XII. (N.” (Kuo Hsiang) a a Paradoxalmente.E) a e 11 Sect´rios da doutrina luterana de Johannes Schnitter (1492-1566). tanto a ca¸a e o consumo da carne quanto a a c o encanto de Vˆnus. e n˜o os atos. ganˆncia por salva¸˜o. d. ranters. e a ca Os monistas radicais. O outro. ´ de ca¸ada como esporte. sua “Luz Negra”.

e depois retorna. A selva. j´ for luz – e se ca a a at´ mesmo a pr´pria consciˆncia for um tipo de carne. reaparece novamente. inteireza. O artista. o e Contra tudo isso. a radicaliza¸˜o total da linguagem. A arquitetura da asfixia a e da paralisia ser´ destru´da apenas pela nossa celebra¸˜o total de tudo – incluindo a a ı ca escurid˜o. que o c e pode at´ mesmo se manifestar como raiva e ganˆncia. ent˜o n˜o precisamos de nenhum poder para interceder a nosso favor. e a ˆ A BABILONIA ensinou-nos que a nossa carne ´ imunda – escravizou-nos com esse e argumento e a promessa de salva¸˜o. pelo poder de deformar a o os corpos e as almas dos outros para sua pr´pria salva¸˜o – a ganˆncia tampouco surge o ca a da “natureza natural”. nossa o e e pr´pria for¸a de vida. fale de completitude. os reis-padres – n˜o foi Jos´ quem ensinou ao fara´ a especular sobre as a e o colheitas futuras? A ganˆncia – pela terra. e ıso A verdadeira posse do assassinato pertence ao Imp´rio. COMUNICADO #7 33 tipo de mutila¸˜o. A mais antiga mitologia faz de Eros o a primeiro rebento do Caos. Devemos ser salvos de todas as salva¸˜es ısta co que querem salvar-nos de n´s mesmos. n˜o fique com a impress˜o de o a a que queremos nos mandar de volta ` Idade da Pedra.7. A fome passa a existir apenas com a civiliza¸˜o dos ca salvadores. A guerra tamb´m ´ babilˆnica – nenhuma pessoa livre morrer´ pelo e e o a engrandecimento de uma outra. o c ca O que gostamos da vida no Paleol´ ıtico foi resumido pela escola de antropologia dos povos sem autoridade: a elegante pregui¸a da sociedade do ca¸ador/coletor. a a como diz Omar. trazendo uma das formas da beleza. o ca¸ador. ca Sem esse baile de m´scaras. a ca a inven¸˜o de um “Terrorismo Po´tico” que vai atacar n˜o seres humanos. nada seria criado. o trabalho de c c . 1986 ıcio a 2. ao Uno. do animal que ´ tamb´m nossa anima. e tamb´m nosso animus. nosso auto-apoderamento vitalizador. fetiches e m´ alimenta¸˜o. o selvagem que pode domar. pela riqueza simb´lica. a N˜o temos o menor interesse em “voltar ` natureza” se o pacote de viagem incluir a a a entediante vida de camponˆs chutador-de-bosta —nem queremos o “tribalismo” se ele e vier com tabus.7 Comunicado #7 Paleolitismo Ps´ ıquico e Alta Tecnologia: Um Ensaio de Posicionamento S´ porque a AAO fala de “paleolitismo” o tempo todo. o artista tem o baile de m´scaras. mas do represamento e da canaliza¸˜o de todas as energia para a ca gl´ria do Imp´rio. o guerreiro: aquele que ´ ao mesmo tempo apaixonado e c e equilibrado. superanbundˆncia. ´ o para´ agora mesmo. se a carne j´ estiver “salva”. um ´ter simultaneamente palp´vel e o e e a e vivo –. ´ a porta pela qual o artista e volta ao Caos. Mas. Eros. mas id´ias ca e a e malignas. pois apenas a liberdade ´ e e vida completa. N˜o temos nada contra o conceito de cultura a ca a – incluindo a tecnologia. generosidade do eu ca a sobe em espirais em dire¸˜o ao Outro. pesos mortos na tampa do caix˜o dos nossos desejos. o problema come¸a com a civiliza¸˜o. ganancioso e altru´ ao extremo. para n´s.2. a — Solst´ de Ver˜o.

a explora¸˜o espacial etc. Sou ao mesmo tempo o homem da caverna. continuam problem´ticas. ca O que n´s detestamos na civiliza¸˜o pode ser deduzido da seguinte progress˜o: a o ca a “revolu¸˜o agr´ ca ıcola”. o porque somos muito grandes para elas. mas trˆs vezes. o branquelo a e sentado ao seu lado disse: Chefe. p´s-industrial. dogmas. a obsess˜o pela arte. a a O que ´ “natural” ´ aquilo que imaginamos e criamos. n˜o importa o qu˜o admir´vel ca a a a a em termos de potencial (no futuro). os meios de comunica¸˜o). nunca desistimos de nada. “um pouco demais ´ perfeito para o Chefe!” e No entanto. Todos os nossos prazeres e autodisciplina nos pertencem por natureza – nunca nos negamos. imperialismo (“Roma”). ainda percebemos uma grande distˆncia o ca a entre o potencial e realiza¸˜o. o mutante das estrelas. baseado na Alta Tecnologia – p´s-agr´ ı o ıcola. a cultura. a Quanto ao presente: rejeitamos todo tipo de colabora¸˜o com a Civiliza¸˜o da Anoca ca rexia e da Bulimia. poesia e afetividade. he. Por exemplo. n˜o oferecem ca c o a nenhuma garantia “espec´ ıfica” para seu uso libert´rio. A banaliza¸˜o da TV. he. o chefe encheu seu prato ao m´ximo poss´ a ıvel. ´ usada para oprimir-me aqui e agora. a Mesmo se rejeitarmos o holocausto nuclear como apenas mais uma divers˜o espetacua lar orquestrada para distrair nossa aten¸˜o dos problemas reais. o “Trabalho-Zero”. mas algumas coisas desistiram de n´s e nos deixaram. ou dominar os meios de produ¸˜o (ou. e Desprezamos o anarquismo panaca e antitecnol´gico – pelo menos no que nos diz o respeito (h´ aqueles que dizem que gostam da vida do campo) – e rejeitamos tamb´m a e o conceito de uma Solu¸˜o Tecnol´gica. vocˆ n˜o acha que ´ um pouco demais?” e a e “Uh”. escravid˜o. ent˜o eu devo e a ou empunhar a arma da sabotagem. o seu conterrˆneo e o pr´ a ıncipe livre. Enfim. certas doutrinas da “futurologia”. todas as formas de determinismo s˜o ca o o a igualmente ins´ ıpidas – n˜o somos escravos nem de nossos genes nem de nossas m´quinas. com pessoas t˜o envergonhadas de nunca terem sofrido que inventam a m´scaras penitentes para si mesmas e para os outros – ou aqueles que se empanturram sem a d´ e depois despejam o vˆmito de sua culpa suprimida em grandes acessos masoquistas o o de exerc´ ıcios e dietas. A supress˜o da sexualidade o a a no “trabalho” sob a ´gide da “autoridade”. o cultivo da percep¸˜o – em suma. “A Natureza n˜o tem leis – apenas e e a h´bitos. he. A Anarquia Antol´gica mant´m sua o e afei¸˜o pelo luddismo como t´tica: se uma dada tecnologia. nˆmade (ou “Cosmopolita Desenraizado”) – uma Sociedade de Parao digma do Quantum – essa constitui uma vis˜o ideal do futuro segundo a Teoria do aos e a a “futurologia” (no sentido que Robert Anton Wilson e T.” a Para n´s. dan¸a. COMUNICADOS DA AAO duas horas por dia. a cidade e seu culto do controle hier´tico e a (“Babilˆnia”). N˜o h´ humanidade sem t´chne – mas n˜o h´ ca a a e a a t´chne mais valiosa do que minha humanidade.” e e Um paleolitismo ps´quico. Quando a comida foi servida. n˜o apenas uma. a emergˆncia das castas. a vida n˜o pertence nem ao passado – a terra dos famosos fantasmas amono a . a “burguesifica¸˜o” dos computaca ca ca dores e a militariza¸˜o dos espa¸o sugerem que essas tecnologias. Leary d˜o para o termo). “O Imp´rio nunca terminou. talvez mais ca importante. por si s´. Uma vez um chefe ind´ ıgena foi convidado para um banquete na Casa Branca.34 CAP´ ITULO 2. a rob´tica. Para n´s. devemos admitir que a ca “Inevit´vel Destrui¸˜o M´tua” e a “Guerra Pura” tendem a diminuir nosso entusiasmo a ca u por alguns aspectos da aventura da Alta Tecnologia.. a “democratiza¸˜o a c ca do xamanismo”. a mesmo que aceitemos o potencial libertador das novas tecnologias como a TV. os computadores. disse o chefe.

perdemo-nos em vis˜es assimiladas atrav´s dos olhos de cad´veres. nada mais do co a a que um conto instrutivo e interessante – eu jamais os verei como superiores. Exigimos decadˆncia sem doen¸a. Nessa batalha. a ind´stria. para mim. COMUNICADO #7 35 toando seus f´nebres e desbotados bens –. La d´cadence. que abranja o poder dos quarks. Estetas deo u cadentes n˜o travam guerras est´pidas nem submergem sua consciˆncia no ressentimento a u e e na ganˆncia microcef´licos. do quasares e dos universos paralelos. nem ao futuro. Todo momento cont´m uma eternidade a ser penetrada – no ene tanto. j´ existe) ser´ alcan¸ado em grande escala atrav´s de uma o a a c e maci¸a tecnologia de Imagina¸˜o. sua expropria¸˜o das sensibilidades e e ca aristocr´ticas. cultivo da u a virtu em vez da Lei. noutro. os o ca prazeres da nobreza fr´ ıvola e la vie boheme. todas as perfei¸˜es do futuro j´ s˜o nossas. um hardware que u fa¸a a interse¸˜o com o aparelho vivo da consciˆncia.2. e ca . a a a e a N´s dizemos: Deixamos que um milh˜o de plantas flores¸am – sem nenhum jardineiro para o a c arrancar ervas daninhas e proibir brincadeiras de acordo com algum esquema moralizante ou eugenista. e a ca o Num certo sentido. os belos detritos da pr´pria civiliza¸˜o. Apenas a insurrei¸˜o “resolver´” essa paradoxo co a a ca a – apenas o levante contra a falsa consciˆncia e a pobreza do Espet´culo. proje¸˜o psicol´gica. mesmo para desculpar minha pr´pria pequenez. Para n´s. dos genes desenhados artificialmente e do encolhimento a do Estado. mesmo os tesouros do Imp´rio: nosso para compartilharmos. em vez de busc´-la na desgra¸a alheia. a simultaneidade da eletricidade. a ca Como cosmopolitas desenraizados. mutantes. os filhos e filhas de Gaia nunca deixaram o Paleol´ ıtico. Cada ide´logo enfurecido do anarquismo e do indeterminismo prescreve alguma utopia o an´loga aos v´rios tipos de vis˜o que eles tˆm. para todas as especula¸˜es e co aspira¸˜es mais doidas e fora da realidade dos futurologistas. ignorˆncia de qualquer hierarquia. possuir um papel t˜o profundo na e a a Anarquia Ontol´gica quanto a sa´de – cada um toma o que quiser do outro. da comuna camponesa ` cidade espacial L-5. E. seu desd´m pela estupidez e normalidade. reivindicamos todas as belezas do passado. Nietzsche. a AAO oferece apoio incondicional para todos os povos ind´ ıgenas e tribais em sua luta por completa autonomia – e. A AAO admira e emula sua a a a c indolˆncia. cujos cidad˜os mutantes com u a c´rebro em forma de bulbo guardam com zelo os segredos da imortalidade. do vˆo mais e o r´pido que a velocidade da luz. Aut nunc aut nihil. O paleolitismo do futuro co (que. O unico conflito verdadeiro ´ entre a autoridade do tirano e a autoridade ´ e do ser realizado – todo o resto ´ ilus˜o. do Oriente. essas qualidades harmonizam-se paradoxalmente com aquelas a o da Idade da Pedra e sua abundante sa´de. ao mesmo tempo. verborragia. ao contr´rio e apesar dela. exigimos uma tecnologia que e transcenda a agricultura. que seja. das sociedades tribais – tudo isso deve e pode ser nosso. para n´s. ou na nostalgia o e a por uma perfei¸˜o ainda n˜o nascida. ao mesmo tempo. das c ca e part´ ıculas que viajam no tempo. Mandarei imprimir para mim mesmo uma licen¸a o c para roubar deles tudo o que eu quiser – paleolitismo ps´ ıquico ou alta tecnologia – ou.7. e de um paradigma cient´ c ca ıfico que v´ at´m da mecˆnica a e a quˆntica para o reino da Teoria do Caos e da fic¸˜o especulativa. e sa´de sem t´dio! e c u e Assim. e a uma m´scara pintada ou o chocalho de um xam˜ pode vir a ser vital para a captura de a a um sat´lite de comunica¸˜o ou de uma rede secreta de computador. ca a As realiza¸˜es dos meus ancestrais e descendentes n˜o s˜o. os segredos dos Mestres Ocultos. Eles buscam aventura na inova¸˜o art´ a a ca ıstica e na sexualidade n˜o ordin´ria.

at´ que as sombras comam a grama. os pais colocam se filhos no lugar certo. a a uma representa¸˜o p´lida. COMUNICADOS DA AAO Nosso unico crit´rio de julgar uma arma ou uma ferramenta ´ sua beleza. cada filho. meio convencido de que o essas centenas de vaga-lumes surgem da minha pr´pria consciˆncia – Onde andavam eles o e todos esses anos? Por que tantos. O parque sabe a quem eu sou. das li¸˜es de m´sica. mas a ainda assim os Pais insistem em estender o t´pido posl´dio de seu sacrif´ patriarcal at´ e u ıcio e a hora do jantar. algumas se perdem. e os for¸am a jogar bolas de beisebol para um lado e para o outro durante horas. com sinistros olhares enfeiti¸antes de camaradagem a a c leitosa.8 Comunicado #8 A Teoria do Caos e A Fam´ Nuclear ılia Domingo no Parque de Riverside. o s´bio de Howth e redondezas. ca . t˜o de repente? – cada um ascendendo num momento de a incandescˆncia. o Agora a fam´ est´ deixando o parque. Estamos livres no TEMPO – e estaremos livres o o no ESPACO tamb´m. O garoto ´ engolido pela textura da semana – desaparece como um e pirata seminu ou um ´ ındio que foi levado prisioneiro pelos mission´rios. os meios j´ s˜o os fins. as vozes elevam-se em exaust˜o mendigada. De certo ´ e e ´ modo. O pai ladra um mantra que c a dissipa meus poderes. em cumplicidade – “Mensagem Recebida” – e dan¸a atr´s de um vaga-lumes. Mas ılia a a ca aquele menino se volta e sorri para mim. o cheiro do TEMPO liberto de c todas as amarras da escola. ¸ e (Nossos agradecimentos a Hagbard Celine. c Os garotos quase parecem pequenos S˜o Sebasti˜o perfurados por flechas de t´dio. encorajado por meu desejo. A tristeza ainda o det´m. A insurrei¸˜o j´ ´ nossa aventura. descrevendo r´pidos arcos como gr´ficos abstratos da energia do esperma.36 CAP´ ITULO 2. dos domingos no parque com papai – tempo autˆntico. chapado de p´ de cogumelos. dos acampamentos de f´rias.) a 2. Passado a a ca a e e futuro existem dentro de n´s e para n´s. mexe-se sob mim como um jaguar gigante pronto para despertar para sua medita¸˜o noturna. e Entre os filhos da plebe h´ um cujo olhar por um momento cruza com o meu – a transmito telepaticamente a imagem da doce licen¸a. um pequeno batalh˜o de insatisfa¸˜o. duas ou trˆs vezes distanciadas da realidade: a crian¸a como ca a e c met´fora de uma-coisa-ou-outra. e a a “Fam´ ılias! Os avaros do amor! Como eu as odeio!” Bolas de beisebol voam sem rumo da luz vespertina. tempo e ca´tico. uma alegoria inconsciente da riqueza do pai. das noites co u e familiares ao redor da TV. “pregandoos” ` grama como se por m´gica. a a e Os pretensiosos rituais de divers˜o familiar transformam todos os umidos gramados a ´ do ver˜o em parques tem´ticos. O momento passa. mas ele continua indomado na sua essˆncia ca e e mais profunda: uma estranha desordem no cora¸˜o da noite da cidade. a E aqui eu chego ao cair da tarde. Torna-se E Ser.

COMUNICADO #9 37 2. mas. que tamb´m pode significar “serm˜o”. sa´dam cada a ıso e u renascimento galvanizado da f´ putrefata com arrulhos de del´ e ırio: Vamos dan¸ar um c tango com todos os bispos marxistas da Am´rica Latina – cantar uma balada para os e pios estivadores poloneses – sussurrar can¸˜es espirituais para o mais recente e promissor co afro-metodista presidenci´vel do Cintur˜o da B´ 14 . dos Programas de audit´rio e das a o camas castas. n˜o importa sua ra¸a ou cor. televanc a gelistas outoflageladores. Solidarnosc? O pr´prio sindicato do Papa – apoiado pela Federa¸˜o Americana o o ca do Trabalho/Congresso de Organiza¸˜es Industriais (AFL-CIO). Aten¸˜o! ca ´ E o ataque dos Batistas Barra-Pesada da Serra El´trica! e ˆ e os Esquerdista. esses m´rmons a a o assassinos de crian¸as. vomitando ´dio.... (N. nunca mais a lamentar sobre nossos pecados.2. e 13 14 Jaws no original. e a a todas as leis n˜o s˜o naturais.E) a . Tudo pertence ` esfera da moralidade pessoal/imagin´ria a a a a – at´ mesmos o assassinato. A natureza humana n˜o tem leis (“apenas h´bitos”).9. leve-os todos para o c´u e deixe-nos viver nossa vida humana. estados norte-americanos sulistas e do meio oeste de maioria crist˜ conservadora.. e II.. Pr´-aborto e Antiaborto o Os Capiaus Retr´grados que jogam bombas em cl´ o ınicas de aborto pertencem ` mesma a categoria grotesca de estupidez depravada que os bispos que pregam a Paz e ainda assim condenam a sexualidade humana.. Uma vez mais imaginamos a derrota c o daquele obsceno espectro da morte pregando nas paredes de nossas salas de estar. uma vez mais. nost´lgicos pelo Ponto Omega de seu para´ dial´tico. “conversa ma¸ante”. esses tediosos fan´ticos autolobotomizados. c a Quanto aos que cultuam verdadeiramente a morte. se n´s alguma vez votarmos. freaks do ˆ Armagedom – a Direita Crist˜ – s´ podemos rezar para que o EXTASE ACONTECA a o ¸ e arranque-os de detr´s dos volantes de seus carros. pelo Banco do Vaticano. das adolescentes gr´vidas e das bichas).9 Comunicado #9 Duplas Den´ ncias u I. a a a c Quanto aos krist˜os reais.. a a ıblia A AAO denuncia a Teologia da Liberta¸˜o como uma conspira¸˜o das freiras stalica ca nistas – o acordo secreto escarlate da Puta da Babilˆnia com o fascismo vermelho dos o tr´picos. (N. ele ressuscita e volta. excomunh˜es e bile sobre a o o sexualidade das crian¸as. eis as MAND´ IBULAS13 de JESUS... Kristianismo Uma vez mais esperamos que aquele cad´ver moralista finalmente dˆ seu ultimo suspiro a e ´ ran¸oso e se transforme definitivamente em ab´bora. logo quando vocˆ ca e pensou que estava salvo no inconsciente.E) e a c Bible Belt. co pelo Gabinete de Propaganda da Ma¸onaria e pela M´fia. arrastando-se para nos ca¸ar como o vil˜o c a de um chat´ ıssimo filme pornˆ de quinta categoria – a mil´sima refilmagem de A Noite dos o e Mortos Vivos – trilhando seu rastro de lesma de humilha¸˜o lacrimosa. esses Guerreiros Estelares da Escravid˜o pela Moralidade. canibais ritual´ ısticos.. esquadr˜es de zumbis da Aben¸oada Virgem Maria (que paira o c numa nuvem cor-de-rosa sobre o Bronx. c a o jamais gastaremos esse gesto vazio com algum c˜o krist˜o. E.

mas NOSSO esoterismo continua indefin´ para esses med´ ıvel ıocres contadores de dinheiro e seus servos descerebrados. parte para o tao´ ısmo e para o vedanta (para n˜o falar no dada´ a ısmo) – e ainda assim.38 CAP´ ITULO 2.. 15 se lermos The Match ou Freedom . n´s n˜o somos obrigados a gostar e aprovar o o a assassinato – ou o aborto. e //// A maioria dos cientistas. COMUNICADOS DA AAO No entanto. para se chegar a um pensamento e percep¸˜o uniformes (ou nˆmandes. os Assassinos. O Caos gostaria de ver toda crian¸a bastarda gerada e nascida. os tao´ a a ıstas de turbante amarelo etc. a a ambos os lados s˜o invariavelmente cheios de merda. c o ´vulo e esperma. Alguns desses sistemas est˜o maculados ca a pelo misticismo religioso ou “psicol´gicos” – e alguns at´ mesmo se cristalizaram em o e movimentos revolucion´rios (os igualit´rios milenaristas. como os vegetarianos afirmam. mas combinados em DNA a co a tornar-se consciˆncia em potencial. A “quest˜o do aborto” n˜o ´ uma a a a e exce¸˜o. //// Os m´ ıticos her´ticos e antinomianos do Oriente e do Ocidente desenvolveram e sistemas fundamentados na liberta¸˜o interior. alegria. o que ´ o aborto? Os e e totemistas que dan¸avam para os animais que ca¸avam. a metaf´ ısica anor´xica da banalidade e New Age.. s˜o apenas secre¸˜es ador´veis.). e o Em toda “quest˜o” a ser considerada para debate no livro de regras do Espet´culo. e Se “comer carne ´ assassinato”.. com Alice nos Loucos Pa´ do Quantum e da Teoria do ıses Caos. o tipo de guru louvado //// E a recentemente pelo The New York Times por sua contribui¸˜o aos Grandes Neg´cios. pode-se pensar que os o anos 1960 nunca aconteceram e que ningu´m tomou LSD. ´ claro – e todos os ataques a todas o a e religi˜es organizadas. ca 2. formas de ir al´m do pensamento o e fragmentado. ou ca o 15 Publica¸ao anarquista. a entropia negativa. poderemos pensar que a ciˆncia foi embalsamada com e o pr´ ıncipe Kropotkin – e a “religi˜o”. separados. Mas. demonstravam valores muito mais e humanos do que a m´dia da classe das feministas liberais “pr´-aborto”. ao ouvir alguns anarquistas falarem. a ´ claro que desprezamos os nazistas da era de Aqu´rio.. (N.10 Comunicado #10 Sess˜o Plen´ria Levantas Novas Den´ ncias – Expurgos s˜o Espea a u a rados Para contrabalan¸ar qualquer carma viscoso que possamos ter adquirido com o nosso c irado serm˜ozinho de p´lpito contra os crist˜os e outros desagrad´veis adeptos do fim do a u a a mundo ver o ultimo comunicado) e apenas para deixar tudo muito claro: a AAO tamb´m ´ e denuncia todos os ateus renascidos imbecis e sua f´tida bagagem vitoriana de materialismo e cient´ ıfico vulgar. eles tˆm uma certa arma m´gica e a que o anarquismo dolorosamente n˜o possui: a (1) Um sentido de meta-racional (“metan´ia”). com o bispo Ussher.E) c˜ . //// N´s aplaudimos os sentimentos anticrist˜os. Quaisquer que sejam suas falhas. segundo a Teoria do Caos. que meditavam para se unir ao c c seu alimento vivo e compartilhavam de sua trag´dia. o ca o culto aos zumbis yuppies que outorgam franquias.

2. batistas a o a renascidos que escapuliram ou mesmo ex-xiitas fan´ticos. devo eu olh´-lo com desprezo. (2) uma defini¸˜o verdadeira da consciˆncia auto-realizada ou liberada. //// H´ duas d´cadas demos in´ ao projeto de nos tornar Cosmoa e ıcio politas Desenraizados. do Pensamento Livre. toda ela coberta pelas teias de aranha do Huo ´ manismo Etico. culturas e civiliza¸˜es (inclusive a nossa) atr´s de fragmentos vi´veis – e sintetizar. acho que estava profetizando a n´s – que fomos al´m da morte de Deus – e o e do renascimento da Deusa – a atingir um reino onde o esp´ ırito e a mat´ria s˜o uma coisa e a s´. Toda manifesta¸˜o desta hierogamia. a o (6) uma linguagem (incluindo gestos. COMUNICADO #10 39 “ca´ticos”). e as t´cnicas utilizadas para se chegar at´ ela. Quando Nietzsche escreveu sobre os “hiperboreanos”. por exemplo) que usa a fenomenologia hermenˆutica para descobrir padr˜es de o e o significado (algo como a “cr´ ıtica paran´ica” dos surrealistas). ca (5) uma atitude de celebra¸˜o. //// Se algum feiticeiro javanˆs ou xam˜ e e e a de uma tribo de ´ ındios americanos possuir algum fragmento precioso que eu necessite para minha pr´pria “maleta de m´dico”. zombar dele e citar a o e a frase de Bakunin sobre enforcar padres com as v´ ısceras dos banqueiros? Ou devo lembrarme de que a anarquia n˜o conhece dogma. (3) uma ca e e vis˜o arquet´ a ıpica coerente da epistemologia – ou seja. a O anarquismo oferece uma missa negra (e vermelha) para des-ritualizar todos os c´rebros assombrados por fantasmas – um exorcismo secular –. o nosso pr´prio sistema de vida – a ultima coisa que queremos (como ado o ´ vertiu Blake) ´ nos tornar escravos de algu´m. dessa bagun¸a co a a c p´s-ortodoxias. o paladino que e o ele mesmo escolheu) – e n˜o uma droga muito fascinante ou sensual. inten¸˜o) com a qual ativar e comunicar ca esses cinco aspectos da cogni¸˜o. . muito obrigado. O Caos ´ o mais velho de todos os deuses – e o Caos e nunca morreu. //// N˜o ´ surpresa alguma descobrir ca e a e quantos anarquistas s˜o ex-cat´licos. rituais.10. uma forma de conhecimento (sobre hist´ria. que pode ser chamada de “conceito de j´bilo”. o “anarquismo-m´ ıstico” ostenta uma linhagem bem mais antiga do que o racionalismo grego. a AAO preferia algo como os cogumelos. e (7) um silˆncio. mas tamb´m como meio para uma consciˆncia ca a e e ou “liberta¸˜o” aprimoradas. mas tamb´m algo simb´lico de sua pr´pria “essˆncia e o o e divina”. Se formos seguir o a conselho de Baudelaire e “estarmos constantemente embriagados”. uma o ca e descri¸˜o positiva de sua estrutura. do Ate´ ısmo Muscular e da rude L´gica Cartesiana o Fundamentalista. ex-coroinhas. padres e freiras ` paisana. (4) um ensinamento sobre o sexualidade (nos aspectos “tˆntricos” de v´rias doutrinas) que valoriza o prazer em vez da a a autonega¸˜o. mas ent˜o trai a si mesmo e a ao criar com remendos sua pr´pria Igreja. //// O ate´ ısmo nada mais ´ do que o ´pio do povo (ou melhor. tornam-se n˜o o ca a apenas “sagrados” em si mesmos. determinados a peneirar os detritos de todas as tribos. todo objeto material e toda vida. que o Caos n˜o pode ser mapeado – e servir-me a a de tudo sem me sentir acorrentado? /// Encontramos as primeiras defini¸˜es de anarquia co no Chuang Tzu e outros textos tao´ ıstas. n˜o apenas por puro deleite. o canceca u lamento de d´bitos ps´ e ıquicos por meios de uma generosidade inerente ` pr´pria realidade.

e o limpeza. ca perdemos o contato com a comida como nutri¸˜o. doces. e O conceito de LIGHT (no jarg˜o situacionista) desdobra um complexo de simbolismo a atrav´s do qual o Espet´culo espera controlar toda a repulsa contra o seu mercantilismo e a do desejo.. ca e Um nicho foi preparado para vocˆ. suavemente iluminado pelas ilus˜es de simplicidade. a modera¸˜o nos agrada. o que for..40 CAP´ ITULO 2.11 Comunicado #11 Especial e Bomb´stica Declara¸˜o de F´rias Sobre Alimentos: a ca e Abaixo o Light! A Associa¸˜o para a Anarquia Ontol´gica conclama um boicote de todos os produtos ca o comercializados sob a senha de LIGHT – cerveja. u Seja ela crua ou cozida. a comida n˜o pode escapar do simbolismo. seguidores da ultima moda em alimenta¸˜o. Os anorexos s˜o a o a rebeldes por um “estilo de vida”. um tipo de gˆiser de generosidade c´smica. tanto crˆnica quanto metaf´ e a o ısica. ´ e N˜o vamos azucrin´-los com mais uma prescri¸˜o New Age para a sa´de perfeita (s´ os a a ca u o mortos tˆm sa´de perfeita). tristes. em que a realidade ´ filtrada atrav´s da malha mort´ e e ıfera da percep¸˜o-consenso. comedores ´ ca de algas. Tem de custar mais – sen˜o. em que praticamente toda experiˆncia ´ o ca e e mediada. ca e A AAO `s vezes visualiza o CAOS como uma cornuc´pia de cria¸˜o cont´ a o ca ınua. o que ´ LIGHT n˜o foi feito para primitivos pobre e famintos que ainda consideram e a comida nutri¸˜o e n˜o d´cor. “saud´vel”. elegˆncia. Os que sofrem de bulimia s˜o os yuppies que se fartam com margaritas e videocassetes. Tudo ´ leve. “estilos e u de vida” pr´-fabricados. custa um pouco mais. O excesso nos cai perfeitamente. mas complementares: os ex´rcitos da Anorexia e os co e da Bulimia. m´sica. Portanto evitamos advocar qualquer dieta espec´ e o ıfica. desespiritualizados e abatidos – mas presun¸osos em seu zelo puritano e c em seus instrumentos de autoflagelo com design sofisticado. ignorar e e e isso ´ cortejar uma indigest˜o. e o denso e elaborado nos deleitam na sua hora apropriada. O produto “natural”. aquilo que ´. a ultima coisa que queremos ´ ofender a Sagrada Multiplicidade e a Divina Subjetividade. jogging e gin´stica (an)aer´bica. e aprendemos que a fome ca pode ser o mais fino dos temperos. cosm´ticos. COMUNICADOS DA AAO 2. come¸amos a construir para n´s mesmos ca c o personas baseadas naquilo que consumimos. carne. temos interesse pela vida. A grotesca junk food simplesmente representa o outro lado da vampiresca health food: – nada tem gosto de nada que n˜o seja isopor ou aditivos – tudo ´ ou entediante ou a e cancer´ ıgeno – ou ambos – e incrivelmente est´pido. vocˆ sabe o que quero dizer) divide-se natue a e ralmente em duas fac¸˜es opostas. Claro. e as flores mais exuberantes crescem ao e . a ca afinal. ca a e a e a A classe m´dia americana (n˜o sofisme. n˜o por “estilos de vida”. difusa e amplamente inconsciente. Toda comida ´ comida para a alma. uma pitada de ascetismo e autonega¸˜o. e simultaa e neamente tamb´m representa. Mas na ab´bada sem ar da nossa civiliza¸˜o. ´ designado para um setor do a a e mercado constitu´ por pessoas levemente insatisfeitas que apresentam um quadro mediıdo ano de horror do futuro e possuem uma aspira¸˜o mediana por uma autenticidade t´pida. Casos cl´ ınicos dessas doen¸as representam apenas a espuma psicossom´tica c a sobre a onda de uma patologia cultural profunda. vocˆ n˜o compraria. “orgˆnico”. e dea pois se purgam com alimentos LIGHT. tratando produtos como proje¸˜es da nossa co aspira¸˜o pelo autˆntico. e u a Adoramos leveza verdadeira. Ela ´.

lulas e arroz cozido na tinta.te amargo. beringelas cozidas com casca com alho preto em conserva. e at´ uma cerveja LIGHT talvez esconda e uma dose dionis´ ıaca. uvas negras. ch´ preto chinˆs. arroz silvestre com nozes negras e cogumelos negros. conhecido por seu tratado sobre a arte de o e comer. quando poder´ ıamos estar bebendo vinho do Para´ ıso agora mesmo. COMUNICADO #11 41 redor da privada. Boicote! Boicote! e c ABAIXO O LIGHT! Apˆndice: Card´pio para um Banquete Negro Anarquista (vegetariano e n˜o vegetae a a riano) Caviar e blinis18 . Milarepa. O esp´ a ca ırito humano (para n˜o mencionar a fome) pode conquistar e transcender todo esse fetichismo – a a alegria pode irromper mesmo num Burger King.11. e. trufas na manteiga enegrecida. um feiticeiro pode se a embriagar com um copo d’´gua. os dervixes celebravam com uma banquete. (N. geralmente servidas com caviar e uma esp´cie de coalhada. c grelhada no carv˜o. nos outros dias. paladar e caracter´ ısticas pudesse nos proteger da escurid˜o crescente. fajutos e caros. economista e gastrˆnomo francˆs (1755-1826). ovos com mais de cem anos. a Comeu um bolo de manteiga e alcan¸ou a ilumina¸˜o. carne de ca¸a marinada em vinho do porto. (N. A id´ias era apreciar os dois estados. caf´ a e e turco. sempre que algum patrono doava uma quantia generosa para a sua fraternidade de religiosos. sob nossas pr´prias parreiras e figueiras? o A comida pertence ao reino da vida di´ria. Sonhamos com mesas falansterianas e com caf´s de Bolo’Bolo onde todo e grupo festivo de convivas compartilhar´ a genialidade individual de um Brillat-Savarin16 a (aquele santo do bom gosto).. Guiness-e-champanhe. a a ca Mantenhamo-nos longe de todo dogmatismo. Que o ca¸ador de uma tribo ind´ c ıgena americana possa alimentar sua alegria com um esquilo frito. grita (como Goethe gritou o por luz ao morrer) “Mais LIGHT!” – como se esses efluentes poliinsaturados pudessem de algum modo aliviar nosso sofrimento. Mas por que dever´ ıamos continuar lutando contra esta mar´ suja e de produtos insossos. O xeque Abu Sa’id17 nunca economizou dinheiro ou mesmo guardou-o de um dia para o outro – portanto. cerejas etc. servida com fatias de p˜o preto e guarnecida com castanhas assadas. como se a sua insossa falta de peso. ca de toda revolta contra a M´quina Planet´ria do Trabalho e seus desejos de imita¸˜o. (N.. todos passavam fome. Apesar de nossas Pr´prias a ´ a o tendˆncias indolentes somos for¸ados a nos posicionar e protestar. de toda retomada do prazer. a N˜o! Esta ultima ilus˜o finalmente nos parece cruel demais. c ca Um bronco n˜o percebe eros nenhum num champanhe fino. assim como o o ca McDonald’s traveste o imagin´rio da completitude e da celebra¸˜o.T) e 16 . a Nossa cultura. com um punhado de damascos secos. ameixas.T) e 18 Panquecas pequenas e finas. sua boˆmia e seu senso de humor (967-1049). Musse de chocola. a a Cuba-libres. asfixiando-se em seus pr´prios poluentes. cheio e vazio. e o anarco-tao´ ısta. o tibetano. a arena principal de todo ato insurrecioa nal de tornar-se poderoso. Advogado. de toda auto-eleva¸˜o espiritual.2.T) 17 Mestre sufi famoso por seu misticismo expansivo. e O produto LIGHT faz uma par´dia do vazio espiritual da ilumina¸˜o. depois de dez anos de sopa de macarr˜o.

12 Comunicado Especial do Dia das Bruxas Magia Negra como A¸˜o Revolucion´ria ca a Prepare uma tintura de a¸afr˜o puro e genu´ misturado com ´gua de rosas. l´bios ou narinas. escreva o nome da pessoa ou institui¸˜o que ser´ amaldi¸oada. Num quarto silencioso. Esp´ ırito-sujo ´ O. COMUNICADOS DA AAO 2.42 CAP´ ITULO 2. Resplendor de Maom´ e rei de todos os esp´ ıritos dentro de mim ´ O. recrute a ajuda dos esp´ ıritos da terra do local: Bismillah ar-rahman ar-Rahim ´ O. um pouco de sangue de um galo negro. uma caneta com ponta de ferro. Negro Djim. destruam me inimigo – e se n˜o o fizerem a considerem-se traidores de Al´ – a pelo efeito do feiti¸o c La illaha ill’Allah — Mohammad ar-Rasul Allah Se a maldi¸˜o for direcionada para uma pessoa opressora. Embrulhe a boneca numa a mortalha branca e enterre-a no solo sobre o qual o inimigo com certeza passar´. O feiti¸o pode ser escrito num papel ou c pergaminho virgem. incenso e um pouco de benjoim. Branco Djim. uma boneca de cera pode ca ser preparada e o feiti¸o. numa opera¸˜o cont´ ca ınua. vampiro do solo Eu vos ordeno que marque e destrua . prendendo a respira¸˜o e apertando a l´ ca ıngua contra o c´u da boca. sete velas negras. Copie o diagrama de sete pontas (veja ilustra¸˜o) sem levantar a ca caneta do papel. nas axilas c esquerda e direita. instalado. Negro Djim que vive debaixo da terra escute. Isso ´ o Barisan Laksamana. ou o Reio dos Djins. Desenhe o diagrama `s 4 horas da tarde de uma quarta-feira. c Sete agulhas devem ser inseridas de cima para baixo no topo da cabe¸a. sombra de mim mesmo ˜ VAO. e Bismillah ar-Rahman ar-Rahim as-salaam alikum ´ O. Da´ desenhe a e e ı Estrela de Davi (que representa um djim de cinco pontas) e as outras partes do diagrama. adic a ıno a cionando. quadris esquerdo e direito. Enquanto a isso. de a frente para o Norte. se poss´ ıvel. Djim da Terra. Sobre a estrela de Davi. instale um altar com uma Vasilha cheia de tintura. ca a c Mantenha o papel sobre a fuma¸a do benjoim e evoque os djins branco e negro dentro de c vocˆ.

COMUNICADO ESPECIAL DO DIA DAS BRUXAS o corpo e a alma de Obede¸a minha ordens c pois eu sou o verdadeiro e original feiticeiro pelo efeito do feiti¸o c La illaha ill’Allah — Mohammad ar-Rasul Allah 43 Se. no entanto. velas e a a vermelhas e brancas. flores etc. um prego de ferro e trˆs alfinetes de ferro (enfie o prego e e os alfinetes no ovo). e/ou espalhadas de forma furtiva o a pelo pr´dio): e Maldi¸˜o do Djim Negro Maldito ca Estas instala¸˜es foram amaldi¸oadas por magia negra. rea¸˜es puritanas. ir˜o gradualmente sofrer os efeitos desta feiti¸aria. ou que n˜o come¸arem a sabotar o a a c local de trabalho. colete os ca ca seguintes itens: um ovo cozido. e envie um belo presente. e o local c a a est´ amaldi¸oado. um programa de televis˜o evang´lico. e c e e amarrada com uma la¸o vermelho. a ca a e empresa MUZAK. e c Para contrabalan¸ar o efeito que a evoca¸˜o do djim negro pessoal possa ter sobre vocˆ. uma escola ou universidade – com uma c´pia da seguinte declara¸˜o o ca (c´pias extras podem ser enviadas para os funcion´rios . Fa¸a isso anonimamente. um escorpi˜o. Aqueles que n˜o despertarem e partirem. degradado as arte a fim de estupidific´-las e promovido ca a a escravid˜o espiritual. mas o local foi infectado com m´ sorte e ı c a malignidade. feche com rolhas e sele com cera. a c c Sugerimos que o “cr´dito” desta a¸˜o seja dado a alguma outra institui¸˜o culturale ca ca mente ofensiva.2. A maldi¸˜o foi realizada de co c ca acordo com rituais corretos. inclua no presente prata. balas coloridas. Coloque tudo isso numa garrafa de boca larga. o Este manual da Maldi¸˜o do Djim Negro Malaio foi preparado pelo Comitˆ de Terca e 19 rorismo Cultural da Cˆmara dos Adeptos da HMOCA (“Terceiro Para´ a ıso”) de acordo 19 Sagrada Igreja Ortodoxa Mu¸ulmana na Am´rica. (N. retalhos de ferro magnetizado. lagarto e/ou besouros secos. mas vocˆ deve permitir que o imagin´rio brote da fonte da e a consciˆncia num estado meditativo intuitivo/espontˆneo. Ele foi visto neste local. mentiras e arruinamento est´tico. vinho. N˜o ´ necess´rio c a e a seguir nenhum ritual preciso. Estas institui¸˜o ´ amaldi¸oada porque tem oprimido a Imaca e c gina¸˜o e desonrado o Intelecto. goma f´tida e enxofre. como a Sociedade Po´tica Americana ou a Cruzada de Mulheres contra e a Pornografia (dˆ o endere¸o completo).12. Se poss´ ıvel. a maldi¸˜o for direcionada a uma institui¸˜o ou empresa. Costure o feiti¸o numa seda amarela e sele-o com cera c c vermelha. o New York Post. a propaganda para o Estado e o Capital. Nenhum indiv´duo foi amaldi¸oado. Use incenso arom´tico. lucros a co injustos. Os funcion´rios desta institui¸˜o agora core a ca rem perigo. Destruir ou remover a c o instrumento deste feiti¸o n˜o surtir´ nenhum efeito. c ca e tamb´m sugerimos que envie uma ben¸˜o m´gica para algu´m ou algum grupo que vocˆ e ca a e e ame e/ou admire. uma pequena bolsa de a camur¸a com terra de cemit´rio.E) c e . ouro ou j´ias. A garrafa pode agora ser cuidadosamente empacotada e enviada pelo correio para a institui¸˜o-alvo – por exemplo. Recupere sua humanidade e revolte-se em nome da Imagina¸˜o – ou a c ca ser´ considerado (sob o espelho deste feiti¸o) um inimigo da ra¸a humana.

Proclamamos a¸˜es contra institui¸˜es e id´ias – arte-sabotagem e propaco co e ganda clandestina (incluindo rituais m´gicos e “pornografia tˆntrica”) – e especialmente a a contra a venenosa m´ ıdia do Imp´rio das Mentiras. Primeiro. Certas defini¸˜es ou a co deforma¸˜es do Caos merecem ser denunciadas e nossa dedica¸˜o para com a desordem co ca divina n˜o pode nos deter em desbancar os traidores e artistas oportunistas e vampiros a ps´ ıquicos que agora zumbem ao redor do Caos sob a impress˜o de que esta ´ a tendˆncia da a e e moda. um exorcismo. s´timo e ultimo Pir de Alamut (e n˜o atrav´s da e ´ a e linhagem da Aga Khans). ou seja. Adotamos o monismo radical e o antinominalismo puro.” Qualquer tentativa de precipitar a forma¸˜o de um cristal ideol´gico iria gerar ca o uma rigidez desconjuntada. o uso de armaduras e uma aspereza a que preco fer´ ıamos ent˜o renunciar. 2. ca COMUNICADO ESPECIAL 2. n˜o recomendamos violˆncia ou feiti¸aria contra o e a e c indiv´ ıduos. negatividade e uma pseudolibertinagem sem alegria – aqueles e que pensam que “al´m do bem e do mal” significa fazer o mal – os intelectuais e sadomasoquistas. fossiliza¸˜es. Todos estes artistas. 1. A Maldi¸˜o do Djim Negro representa e ca apenas o primeiro passo na campanha do Terrorismo Po´tico.13 Comunicado Especial A AAO Anuncia Expurgos no Movimento do Caos A Teoria do Caos deve.44 CAP´ ITULO 2. N´s somos Esot´ricos Nazari-ismaelitas. ´ claro. fluir impuramente. essa flexibilidade n˜o significa que a Teoria do Caos deva aceitar todo a sanguessuga que procura se prender `s nossas membranas sagradas. com fixa¸˜o na morte e mutila¸˜o que associam o Caos exclusica ca vamente com mis´ria. por raz˜es estrat´gicas. 3. n´s n˜o faremos nenhuma obje¸˜o se vocˆ quiser nos dar todo o seu dinheiro. mas sim um duelo. uma ato de violˆncia ou de rep´dio emocional. Sim. a ca co uma disputa. xiie o e tas her´ticos e fan´ticos cuja linhagem espiritual prov´m de Hassan-i Sabbah atrav´s de e a e e Aladdin Mohammad III. como no caso do uso da matem´tica do Caos para estat´ a ısticas sociol´gicas o e controle das massas. Todos esses cientistas que vendem o Caos tanto como uma for¸a destruidora (por c exemplo. junto com toda a “pureza”. e u gostar´ ıamos de definir e mesmo nomear nossos inimigos. que – acreditamos – vai e gerar outras formas menos sutis de insurrei¸˜o. “o Louco”. Todos aqueles que se apropriam do Caos em nome de algum esquema New Age. N˜o propomos uma Inquisi¸˜o em nome de nossas defini¸˜es. Atualmente. o Caos regozija-se numa certa a falta de forma desleixada semelhante ` er´tica desordem daqueles que amamos por sua a o capacidade de destruir h´bitos e revelar mutabilidades. a No entanto. o a ca e . e nos opomos a todas as formas de lei e autoridade. gente que o odeia o mundo e niilistas atrozes. seresteiros do apocalipse – os novos gn´sticos dualistas. COMUNICADOS DA AAO com rituais autˆnticos e completos. armas com raios de part´ ıculas) quanto como um mecanismo para impor a Ordem. Claro. “O roceiro pregui¸oso ara sulcos e c tortos. em nome do Caos.

.. em teoria.. de Joel Birnoco. que os tolos consideram mais valiosa do que o ouro. (pois uma de suas m´scaras ´ o rosto de um feiticeiro). Vocˆ n˜o consegue vender ´gua na beira do rio. o anarquismo parece carecer de ˜ um presente – como se tivesse medo de se perguntar. o anarquismo cambaleia por a´ com ı o cad´ver de um m´rtir magicamente preso aos seus ombros – perseguido pelo legado do a a fracasso e pelo masoquismo revolucion´rio – a estagnada ´gua negra da hist´ria perdida. se refugia em platitudes e e c ideol´gicas? Vocˆ possui tanto imagina¸˜o quanto for¸a de vontade. o Caos ´ a mat´ria sobre a qual os e a a e e alquimistas falaram.. aqui e agora. um boletim o informativo associado ao trabalho de Ralph Abraham. Caos n˜o ´ entropia.. O Caos nunca morreu. Caos n˜o ´ morte. ´ ındio ou crian¸a. empresa criada pelo guru da administra¸˜o Werner Erhard. ANARQUIA DO POS-ANARQUISMO 45 mas vamos deixar bem claro: vamos gast´-lo comprando maconha ou viajando para a o Marrocos. esses grupos realmente opric midos seriam os que mais ganhariam com qualquer revolta antiautorit´ria. a a o Entre um passado tr´gico e um futuro imposs´ a ıvel. Caos n˜o ´ uma mercadoria.14. imagine-se diante de um feiticeiro que perniciosamente lhe encare e Pergunte: “Qual ´ o seu Verdadeiro Desejo?” Vocˆ disfar¸a. QUAIS SAO MEUS VERDADEIROS DESEJOS? – e o que POSSO fazer antes que seja tarde demais?. Isso mesmo. turbantes negros e t´nicas reluzenu u tes. a Academia de Artes e Ca´ticas de Tundra Wind. Chaos Inc. a revista KAOS. Os Postos o est˜o tomados. ou traidores? o Na verdade. listaremos alguns dos nossos amigos.14 Anarquia do P´s-Anarquismo o Os membros da AAO re´nem-se em conclave. muito embora. a Igreja Ortodoxa Islˆmica. a e O “movimento” anarquista de hoje virtualmente n˜o possui nenhum negro.´ 2. Caos a a e a e a e ´ a cria¸˜o cont´ e ca ınua. a Sagrada Cruzada de Nossa Senhora dos Caos Perp´tuo.. Ser´ que o a a anarquISMO n˜o oferece um programa concreto atrav´s do qual os que s˜o realmente a e a Sigla de Erhard Seminars Training Inc.E) 20 .. hispanoa americano.. o Zen da Disc´rdia.. um proeminente cientista do Caos. o Segundo. (N. certas fac¸˜es da Igreja o a co dos Subgˆnios. nutrimos uma profunda simpatia pelos desertores e seus v´rias cr´ a ıticas ao anarquISMO.. gagueja.. esparramados sobre tapetes persas bebericando caf´ turco e fumando narguil´. que agora est´ engarrafado “Caos” e tentando vender franquias para a yupp´ides. A e e ˜ QUESTAO: Qual nossa posi¸˜o diante de todas essas retiradas e deser¸˜es do anarca co quismo (especialmente na Calif´rnia): condenamos ou toleramos? Expurgamos a todos o ou os saudamos como vanguarda? Elite gn´stica. embora possa ser encontrada em qualquer pilha de lixo. os escritores e e associados com o “anarquismo tipo-3” e peri´dicos como o Popular Reality. a zona autˆnoma imagin´ria o o a descoberta por Feral Faun (tamb´m conhecido por Feral Ranter). etc.. a Igreja de Eris. ca popular nos anos 1970 a 1980. para dar uma id´ia das tendˆncias e e d´ ıspares que desfrutamos dentro da Teoria do caos: Ca´tica. Como Simbad e e o Velho Medonho. e fundador do EST 20 . 2. pode Sonhar e Ousar o e ca c ao mesmo tempo –ou vocˆ ´ um cr´dulo incauto de uma fantasia impotente? ee e Olhe-se no espelho e tente. O maior inimigo nesta categoria ´ Werner Erhardt.

. Abandone toda pureza ideol´gica. ent˜o este fracasso explicaria n˜o apenas a falta de apelo que o a a anarquismo exerce sobre os pobres e marginais. totalmente insana mas que afirme a vida. (N. e precisamente porque n˜o ´ nem pol´ a e ıtico nem um sistema) ´ o que mais se aproxima de nossa compreens˜o de realidade. Por isso. livre-se do Velho Medonho. Abrace o anarquismo “Tipo-3” (para usar o o slogan de Bob Black): nem coletivista nem individualista. ritmicamente sutil mas u poderosa. uma conspira¸˜o ousada e vital para a autoliberta¸˜o. O movimento antitrabalho ou “Trabalho-Zero” ´ extremamente importante. o anarquismo (apesar de suas falhas. Procure compreender que um racismo ps´quico substitui o preconceito escancarado ı como um dos mais repugnantes aspectos da nossa sociedade. Manifesta¸˜es. A qualquer momento. a preferimos nos concentrar em transformar o anarquismo por dentro..T) c˜ a e . Limpe o tempo dos ´ ıdolos da vaidade. o A Bandeira Negra poderia prover um foco para o ultraje e canaliz´-lo para uma ina surrei¸˜o da Imagina¸˜o. este ´ e nosso programa: 1. Camaradas. poder´ ıamos compreender muitos de nosso verdadeiros desejos. Quanto aos desertores. destruindo e saqueando. grunhidos e ˆnsias de vˆmito. nesse processo. hist´rico e a c ca a e artificialmente aromatizado. a hegemonia da batida 2/4 e 4/4 deve ser destru´ u ıda. mas notamos que eles parecem n˜o oferecer nenhuma alternativa poderosa. Pornografia e entretenimento popular como ve´ ca ıculos de uma reeduca¸˜o radical. c Se a AAO ret´m sua afilia¸˜o com o “movimento”. mesmo que se por apenas uma temporada. e O potencial existe. Na m´sica. u 21 Publica¸oes clandestinas na antiga Uni˜o Sovi´tica... um grande n´mero de americanos ir´ notar u a que est´ sendo for¸ado a engolir uma por¸˜o de lixo reacion´rio. mas tamb´m a insatisfa¸˜o e deser¸˜es e ca co dentro de seus pr´prios quadros. a o a Poder´ ıamos Ter revolta nos nossos tempos – e. ontologia. Se quisermos e a ca ca que o movimento cres¸a ao inv´s de definhar. etc. a o multid˜es enfurecidas invadindo os shopping centers. ca 5. especialmente aquelas com as quais convivemos. COMUNICADOS DA AAO destitu´ ıdos poderiam satisfazer (ou pelo menos de forma realista lutar para satisfazer) suas necessidades e desejos reais? Se isso for verdade. concordamos com suas cr´ ıticas. uma pervertida zona-livre dentro de velho cont´ ınuo do espa¸o-tempo. Dentre todos os “sistemas ca a o pol´ ıticos”. Participa¸˜o imaginaca tiva em outras culturas. muito peso morto deve ser lan¸ado fora e c e c algumas id´ias arriscadas precisam ser aceitas. a ca c 4.. Um amplo coro de gemidos. e lev´-lo ao pr´ximo est´gio. entediante. por enquanto. piquetes e reedi¸˜es dos cl´ssicos do o co co a s´culo XIX n˜o gera. o 3. isso ocorre n˜o por uma romˆntica e ca a a predile¸˜o por causas perdidas – pelo menos n˜o s´ por isso. ine cluindo um ataque radical e talvez violento ` Educa¸˜o e ao servilismo das crian¸as. 2. uma breve Utopia Pirata. etc.. e a natureza do ser. substitua as t´ticas ultrapassadas de a publica¸˜o/propaganda. e precisamos dessa m´sica AGORA. Desenvolva uma rede samizdat21 americana. da rel´ ıquias e dos martirol´gicos.46 CAP´ ITULO 2. Precisamos de uma m´sica nova. Poder´ ca ca ıamos resgatar o esfor¸o que foi abandonado pelo Sic tuacionismo de 1968 e pelo Autonomismo nos anos 1970.

Trame e conspire. a reclama¸˜o chorosa. A desespacializa¸˜o da sociedade p´s-industrial traz alguns benef´ ca o ıcios (por exemplo. Sem “estados mais elevados de consciˆncia”. ´vido por todas as novas tecnologias de consciˆncia e a e e metan´ia – uma democratiza¸˜o do xamanismo. e o Caos nunca morreu. Precisamos de e ca um tipo pr´tico de “anarquismo m´ a ıstico”. mas c fracassaram. E chegado o momento para um ca ıdia passo adiante na conscientiza¸˜o de uma pol´ ca ıtica sexual. massifica¸˜o. Quem pode inventar para n´s uma co o cartografia da autonomia. Coa loque ˆnfase nos benef´ e ıcios pr´ticos. A raiz primordial da consciˆncia n˜o compreende nenhuma pol´ e a ıtica e nunca joga limpo.. livre de toda merda New Age e inexoravelmente her´tico e anticlerical. COROA NEGRA E ROSA NEGRA 47 6. Caos ´ princ´ ´ a e e ıpio da cria¸˜o cont´ ca ınua. arquitetura despersonalizada. merece uma dose de a “Terrorismo Po´tico”. c a o as Na¸˜es/Estados.. de forma mais sutil do movimento de pseudovanguarda da “p´s-sexualidade”. o ca 7. uma doutrina do deleite. materiais e pessoais de um networking radical. Como podemos separar a o conceito de espa¸o dos mecanismos de controle? Os gˆngsteres do territ´rio. mas a e a um pouco de sabotagem e rupturas imaginativas nunca ´ demais. embriagada e serena. as a culturas tribais possuem t´cnicas que podem ser “apropriadas” de uma forma verdae deiramente anarquista. O Mundo da Arte. . mas pode tamb´m se manifestar como uma forma ca e de opress˜o (abandono.). O Oriente. e de forma ainda mais sutil da o ´ Recupera¸˜o Espetacular na m´ e na propaganda.15. obviamente da Direita. e n˜o pragueje nem gema. uma reafirma¸˜o explosiva ca de eros polimorfo – (at´ mesmo e especialmente diante do flagelo e da depress˜o) –. o anarquismo e acaba e se resseca num certo tipo de mis´ria. Abandone todo ´dio ca o ao mundo e toda vergonha. o oculto. A quest˜o do terreno recusa-se a desaparecer. e a uma glorifica¸˜o literal dos sentidos. quem pode desenhar um mapa que inclua nossos desejos? AnarquISMO em ultima an´lise implica anarquia – e anarquia ´ caos. tomaram o mapa inteiro. 8.15 Coroa Negra e Rosa Negra Anarco-Monarquismo e Anarco-Misticismo Quando dormimos. sonhamos com apenas dois tipos de governo – anarquia e monarquia. Experimente novas t´ticas para substituir a obsoleta bagagem das Esquerdas. “Estados mais elevados de consciˆncia” n˜o e e a s˜o meros FANTASMAS inventados por padres malignos. mar¸o de 1987 c 2. a comunica¸˜o via computador). — Sess˜o Plen´ria da AAO a a Nova York. e 9. em particular.2. As comunas dos anos 1960 tentaram ludibriar essas for¸as. O anarquismo necessita afastar-se do materialismo evang´lico e do banal cientifie cismo bidimensional do s´culo XIX. A sexualidade sofre um forte ataque. destrui¸˜o da a ca ca natureza etc. Um sonho democr´tico? Um sonho socialista? Imposs´ a ıvel. a O momento talvez possa n˜o parecer apropriado para violˆncia ou militˆncia.

algum excesso. e c decadente. a como eles absorveram todas as rosas e brisas. V´rias vezes esse estratagema logrou conflagrar revoltas. disfuncional e rid´ ıculo de algum pax´ ou emir. os professores mastigam-na e os fil´sofos cospem-na. a congregarem-se sob a bandeira jacobina com suas e intrigas eruditas e conspira¸˜es sangrentas. que rouba c o a sua magia da l´gica dos sonhos. COMUNICADOS DA AAO N˜o importa se meus REMs revelem vertiginosas vis˜es quase prof´ticas ou meras a o e satisfa¸˜es de desejos vienenses. todas as tulipas e ala´des! u Sim. que acreditava no despertar das massas pela e propaganda pol´ ıtica. Do russo narodnik. no s´culo XVII. A arte ´ um tipo de barbaridade bizantina feita apenas para nobres o e e b´rbaros. o Um mito semelhante deve ter inspirado os ranters. os antinomianos e os homens da Quinta monarquia. odeie sua crueldade e seus caprichos – mas pelo menos eles eram humanos. que besuntam as paredes da mente com sujeira inodora – t˜o a gentis. Os m´ co ısticos radicais foram tra´ ıdos primeiro Membro do movimento socialista russo do s´culo XIX. de fato. Eles mal existem para al´m das id´ias sem vida a que o e e servem. o o Um dia nublado (quando nada brilha com luz pr´pria) induz e insinua e sugere que nos o comprometamos com uma realidade triste e sem lustro. e.48 CAP´ ITULO 2. no qual o autocrata reclamava que lordes gananciosos e oficiais sem cora¸˜o ca o haviam trancado em seu pal´cio e o separado do seu amado povo. por outro lado. os anarquistas narodnik22 `s vezes forjavam um ukase. ou manifesto em u a nome do czar. “populista”.T) 22 . a Se vocˆ tivesse conhecido a do¸ura da vida como poeta no reino venal. suas pr´prias percep¸˜es. corrupto. e a e a Como o sonhador. Os burocratas e o departamento comercial envenenam-na. apenas reis e povos selvagens povoam meus sonhos. alguns acessos de “contendas” heraclitinianas? N´s n˜o governamos o a – mas n˜o podemos ser e n˜o seremos governados. vocˆ saberia que ´ exatamente isso o que todo anarquista e e e deve querer. Por quˆ? Porque um soa e berano unico e absoluto funciona metaforicamente como um espelho para o singular e ´ profundo absolutismo do ser. que sabe apenas trabalhar. algum x´. possuem. os a artistas tamb´m n˜o tˆm nenhuma alternativa a n˜o ser a anarquia ou a monarquia. que s˜o habilidades de seguidores do caos e sult˜os. co Mˆnadas e nˆmades. o anarquista – n˜o compartilham um quˆ de capricho a e cruel com o mais abomin´vel dos mong´is? Pode a vida genu´ ocorrer sem alguma loua o ına cura. a c a a No meio de um povo que n˜o pode criar nem brincar. Os burocratas. eles necessitam possuir. Ele proclamava o a fim de servilismo e conclamava os camponeses e trabalhadores a se rebelarem contra o governo em Seu Nome. a a Na R´ssia. Ela precisa deleitar-se na selvageria e dos homens das cavernas ou ent˜o ter a boca cheia de ouro pela m˜o de algum pr´ a a ıncipe. (N. de algum rei Farouk. Como aqueles voluptuosos insensatos j´ mortos amavam poemas e pinturas. Ademais: o sonhador. t˜o gemutlich – que poluem a atmosfera interior com entorpecimento – n˜o s˜o a a a dignos nem de merecer o ´dio. Mas em sonho nada nos governa a n˜o ser o amor ou a feiti¸aria. o co e para isso precisam sacrificar o que ´ meramente social a favor de uma “musa tirana”. e A arte morre quando ´ tratada “sensatamente”. a a de alguma rainha da P´rsia. o artista. Cada camponˆs ou camponesa olhou profundamente para e esta lenda esfuma¸ada e encontrou nela sua pr´pria liberdade – uma ilus˜o.

. No momento presente.2. c’est moi. No entanto. nossa royaume. Se nos limitarmos por qualquer ´tica ou moral. COROA NEGRA E ROSA NEGRA 49 por Cromwell e depois pela Restaura¸˜o – portanto. E essa doutrina levou-os a se revoltarem contra o Isl˜. (N. Nenhuma revolu¸˜o ca ca 23 Em francˆs no original: “para chocar. o ide´logo racional: eles n˜o podem escutar a m´sica o a u e n˜o tˆm ritmo nenhum. curiosidades de um passado ocioso e mais a o a sofisticado. a o e reconciliando com o Uno. ca O anarquismo cl´ssico do s´culo XIX definiu-se em meio ` batalha contra a coroa a e a e a igreja. fabulosamente mais exaltada e libert´ria que o “´cido a a moral” dos puritanos e humanistas.” ah! os monstros mais desejados e desejosos! o a O Anarquismo Ontol´gico declara de forma direta. um Juno. As palavras monarquismo e misticismo est˜o sendo empregadas aqui em parte simplesa mente pour ´pater 23 aqueles anarquistas igualit´rios e ate´ e a ıstas que reagem com pio horror a qualquer men¸˜o de pompa ou comportamentos supersticiosos. os dois est˜o e a relegados ` lata de lixo da hist´ria – “j´-eras”. e o o “sacerdote”. portanto. Agora. essa ret´rica obscurece o que de fato ocorre: o “rei” torna-se o “anarquista!”. alguns metros quadrados c de realidade sobre o qual impomos nossa vontade. sobrevivemos como meros Pretendentes – mas mesmo assim alcan¸amos alguns instantes. Fazemos as leis para os nossos pr´prios dom´ o ınios – e as correntes da lei foram quebradas. “Sois como os deuses” – “Sois Isto”. n˜o h´ lugar para o a a pol´ ıtico. cada ´ um de n´s ´ o mandante de sua pr´pria carne.15. uma unidade o e ex´tica? “O sonho da Raz˜o. o os dois agora se tornaram um. os ismaelitas tomaram a id´ia do Im˜ da Fam´ do Profeta e a metamorfoa e a ılia searam em Im˜-de-seu-pr´prio-ser. abrupta e quase sem pensar: sim. num n´ ıvel consciente. Nesse estranho dueto de mutabilidade. Entre aqueles a que n˜o podem conceber a existˆncia humana sem uma religi˜o. os outros s˜o meros a e a e a funcion´rios. O terrorista e o monarca s˜o arqu´tipos. que se senta silencioso em seu trono mirando uma dire¸˜o prop´ e n˜o fazendo a ca ıcia a absolutamente nada. a sofrea rem terror e homic´ ıdio em nome de uma realiza¸˜o do ser puramente esot´rica e da total ca e liberta¸˜o. O anarquista/rei renasceu como uma unica entidade. e.E) e . para c e colocar um messias oculto no trono de Albion? Entre aqueles que n˜o conseguem conceber uma sociedade humana sem um monarca. desejos radicais talvez a e a falem o idioma da heresia. ´ necess´rio que seja uma que n´s e e a o mesmos tenhamos imaginados. de suas pr´prias cria¸˜es – e de tudo o o e o o co mais que pudermos agarrar e segurar. a Houve um tempo em que o anarquista e o rei estrangulavam a garganta um do outro e valsavam um totentanz – uma batalha esplˆndida. O tao´ ısmo rejeitou toda a burocracia confuciana. Eles giram t˜o r´pido que parece que se fundem.. No Isl˜. Nossas a¸˜es s˜o justificadas por decreto e nossos relacionamentos se moldam por co a acordos com outros autocratas. no entanto. somo gˆmeos siameses. o ser perfeito estabelecido al´m de toda Lei e regra.. poderiam eles de alguma a a modo terem se tornado uma coisa s´. L’etat. mas manteve a imagem do ImperadorS´bio. a os desejos radicais talvez possam ser expressos em termos mon´rquicos. por que n˜o se aliarem a cavaleiros ca a irreverentes e condes afetados. talvez. o democrata. considerava-se igualit´rio e ate´ a ısta.. um “herege”. o socialista. aos homens da rosa-cruz e ma¸ons do rito escocˆs. embasbacar”.

a autodestrui¸˜o. um senso de valor intenso e indescrit´ e ıvel: ela “diviniza” o ser. A o ca e palavra anglo-latina ego est´ carregada e saturada com uma carga freudiana e protestante. Besteira. oculto. Stirner corretamente desprezou a o que ele compreendeu por “misticismo”. c A tradu¸˜o do t´ ca ıtulo (e palavra-chave) do opus magnum de Max Stirner por O Ego e Seu Pr´prio acarretou num sutil erro de interpreta¸˜o do que ´ o “individualismo”. Ela carrega em si. e e mas muito antes da descoberta do Oriente e da secreta tradi¸˜o iluminista da alquimia ca ocidental. Esse conceito n˜o invoca a nenhum princ´ ıpio transcendente exclusivo para o qual o Einzige deve sacrificar a sua individualidade pr´pria.50 CAP´ ITULO 2. outorga um certo ´ valor absoluto ao Unico. de certo modo. Stirner n˜o se compromete com nenhuma metaf´ a ısica. Desde ent˜o. c por exemplo. abra¸a as multid˜es e deleita-se em contradi¸˜es. A percep¸˜o da imanente unidade do ser inspira certas heresias antinomianas ca (os ranters. uma mera sentimentalidade piedosa baseada em auto-abnega¸˜o e ´dio do mundo. a ilus˜o. E o misticismo tamb´m e n˜o destr´i o ser “carnal” ou “animal” – o que tamb´m acarretaria suic´ a o e ıdio. Certos monistas radicais levaram essa doutrima para al´m do mero pante´ e ısmo ou misticismo religiosos. O que o misticismo realmente tenta superar ´ falsa consciˆncia. A compreens˜o do ser unico (ou ubermensch) deve revere a a a ´ berar e expandir-se como ondas ou espirais ou m´sica para abranger a experiˆncia direta u e ou a percep¸˜o intuitiva da singularidade da pr´pria realidade. Boehme. Nietzsche cerrou as portas para “Deus” alguns ca o anos mais tarde. um ser com poder. ou em oposi¸˜o ` “alma” ou “esp´ ca a ırito”. O Unico (der Einzege) talvez seja mais bem compreendido simplesmente como o ser individual. Essa compreens˜o engolfa ca o a e dissolve toda dualidade. quem ousaria sugerir que o individualismo e o misticismo a poderiam se reconciliados e sintetizados? O elemento que falta em Stirner (Nietzsche chegou mais perto) ´ o uso de um conceito e de consciˆncia n˜o ordin´ria. a ´ Uma leitura cuidadosa de Stirner sugere que O Unico e Sua Propriedade talvez refletisse melhor as suas inten¸˜es. a realidade consensual e e e a todos os fracassos do ser que acompanham essas enfermidades. Ramana Maharshi) ´. o O pr´prio Stirner parece surdo `s poss´ o a ıveis ressonˆncias espirituais do individualismo a – e nisso ele pertence ao s´culo XIX: nascido muito depois da decadˆncia do cristianismo. A meta mais alta da metaf´ ısica (alcan¸ada. e ca a identifica¸˜o UNA do metaf´ ca ısico e do fis´ ıco. Ele simplesmente constata que uma intensa consciˆncia da pr´pria o e o existˆncia acarreta “ˆxtase” – ou. uma vez que ele nunca define o ego em oposi¸˜o ` libido ou ao co ca a ` Id. emo¸˜o e est´tica a todos os dogmas e ideologias petrifie ca e cadas. numa linguagem menos carregada. COMUNICADOS DA AAO com champanhe para eles! Por outro lado. “consciˆncia valorae e e . do transcendente e do imanente. Ibn Arabi. Muitos acreditam que misticismo “dissolve o ego”. Ser/consciˆncia/ˆxtase (satchitananda) n˜o pode ser descartado meramente como mais e e a uma “excentricidade” ou um castelo nas nuvens” de Stirner. Apenas a morte faz isso (ou pelo menos de acordo com nossos pressupostos saduceus). prefere estados de consciˆncia. da heresia revolucion´ria e do ativismo. os Assassinos) a quem n´s consideramos nossos ancestrais. como uma corrente e el´trica. no entanto. De que forma est˜o este Einzige difere do Ser do advaita vedanta? a Tat tvam asi : Sois (o ser individual) Isto (o Ser Absoluto). O verdadeiro misticismo cria um “ser em paz”. nosso ramo de antiautoritarismo prospera de em paradoxos barrocos. dicotomia e dial´tica. O Anarquismo Ontol´gico ´ um c o co o e bicho de sete cabe¸as para GRADES mentes.

e No entanto.T) e a 24 . o “Anarquismo M´ e ıstico” de G. o erotismo incestuoso de Sanine. se unificar – para n˜o fracassarem em atingir e possuir tudo aquilo de que s˜o capazes. a a O Outro espelha o Ser – o Outro ´ nossa testemunha. Isso se deu. Seus adeptos apresentava-se nus e e para imitar o estado original de inocˆncia de Ad˜o. porque eles simplesmente desprezavam o e que algu´m (Mencken?) chamou de “Homo Estupidus”. de ca alguma forma. Ivanov e outros simbolistas russos do fim do s´culo. Sir Kamanaransan Biswas. ao mesmo tempo. e n˜o pode e n˜o ser´ um ser realizado em isolamento. no entanto. todas as rela¸˜es s˜o er´ticas. se fundir. Entretanto. COROA NEGRA E ROSA NEGRA 51 ´ tiva”. Todas as seitas antinoca e a a mianas contiveram alguns aspectos “tˆntricos”. O Outro completa o Ser e – o Outro nos d´ a chave de percep¸˜o da unidade-do-ser. o objetivo do Unico ´ possuir tudo. (N. Afei¸˜es. Quando falamos de ser e a ca consciˆncia. ´ Apesar das misteriosas alus˜es de Stirner ` “uni˜o dos Unicos” e apesar dos eternos o a a “vivas” e da exalta¸˜o da vida feita por Nietzsche. e. de forma clara. Como uma t´cnica esot´rica dise e tanciada do hinduismo ortodoxo. em parte. ca ca Novamente. teve a honra de pertercer). simplesmente sugerimos ao o Anarquismo Individual e o Monismo Radical sejam. indicam que um infante humano desprovido da companhia humana por muito tempo jamais atingir´ um n´ de a ıvel humanidade consciente – nunca adquirir´ uma linguagem. o monista radical obt´m isso e e atrav´s da identifica¸˜o entre ser e percep¸˜o. a estranha combina¸˜o e ca de niilismo e adora¸˜o ` deusa Kali que inspirou o Partido Terrorista de Bengala (ao qual ca a meu guru tˆntrico. o projeto iniciado pelo individualismo pode ser desenvolvido e revigorado com um enxerto de misticismo – especialmente o tantra. moldado por uma certa frieza em rela¸˜o ao outro. A rela¸˜o do Einzige com o Outro n˜o pode ser definida ou limitada por nenhuma ca a ´ institui¸˜o ou id´ia. daqui por diante. apontamos para o Ser. referimo-nos ao Outro. considerados um unico ´ Membro de seita que surgiu no s´culo II e reapareceu no s´culo XV.15.. de Hes´ ıodo. ou enfants sauvages. e e A aquisi¸˜o da linguagem coloca-se sob o signo de Eros – toda comunica¸˜o ´ essencica ca e almente er´tica. A Crian¸a Selvagem talvez a c ´ proporcione uma met´fora po´tica para o Unico – e ainda assim.. conv´ – todas as mais preciosas posses do Unico co e co ıvio surgem da conjun¸˜o entre o Ser e o Outro na constela¸˜o do Desejo. como o pintor chinˆs de bico de pena que e ca ca e “se transforma no bambu” para que “ele mesmo pinte”. desde as fam´ a ılias de Amor e Fraternidade Lives e adamitas24 da Europa aos sufis pederastas da P´rsia e ao tao´ e ıstas alquimistas da China. de Arzibashaev. proclamam o Amor como o primeiro deus a nascer depois do Caos. ca porque eles cultivavam uma tonificante e purificadora distˆncia da estufa de sentimentaa lidade e altru´ ısmo do s´culo XIX. a a a O exemplo dos “meninos-lobos”. descobrimos tra¸os de a c uma doutrina ardente – que Gaston Bachelard poderia ter chamado de “uma Po´tica do e Outro”. afinidades. em parte. quando mencionamos ˆxtase. Afinal de contas. lendo por tr´s e por baixo da camada de gelo. o tantra provˆ um contexto simb´lico (“Rede de J´ias”) e o o para a identifica¸˜o do prazer sexual e consciˆncia n˜o ordin´ria. marca a e ´ o ponto preciso onde o Unico e o Outro devem se encontrar. o Unico depende ca e do Outro para ser completo. cria¸˜es de beleza.2. ainda que paradoxal. a N´s. De fato. At´ mesmo o anarquismo cl´ssico usufruir seus momentos tˆntricos: os fae a a lanst´rios de Fourier. propomos um sincretismo muito mais profundo entre anarquia e o tantra do que qualquer um desses exemplos. co ´ percep¸˜es est´ticas. o individualismo deles parece estar. Avicena e Dante declararam que ´ o amor o co a o e que move as estrelas e os planetas – tanto o Rig Veda quanto a Teogonia.

em 1969. com as pesadas malas de viagem burguesas. sua raiva. sua c intransigˆncia. um orgulho. mas uma m´ not´ para brˆmanes. reservat´rios de potˆncia ps´ ca e o e ıquica. Neste fluxo incessante. e jogaremos o peso a do autoritarismo e da tortura na lata do lixo da hist´ria. de cria¸˜o cont´ ca ınua. portanto. um termo que queima toda a metaf´ ısica no fogo da unidade entre esp´ ırito e mat´ria. Cheguei um pouco antes das mon¸˜es. o a o j´ias. um narguil´ cheio ap´s o e e o . consciˆncia exaltada. sede de ver˜o para o governo de Bengala – ruas com a forma ca a a de escadas de madeira curvas. Eu sabia que Darjeeling guardava alguma coisa para mim assim que ouvi o seu nome – dorje ling – cidade o trov˜o. e. ainda ` frente de a bancos antiquados e lojas de ch´. porque sugere que o ato de ser permanece num estado de “Caos o divino”. drogas e outros itens uteis – ficar com o que gostarmos e lan¸ar m˜o do resto. o ´ c a Por que n˜o? Somos l´ sacerdotes de algum culto. al´m c e de ingleses decadentes que perderam o caminho para casa em 1947. Este h´ ıbrido tem sido chamado de “materialismo espiritual”. Antiga a co esta¸˜o montanhosa britˆnica. Apropriaremos-nos disso em nome do nosso levante – e deixaremos que os infort´nios da u moralidade e da religi˜o apodre¸am e se decomponham. deuses a ıcia a da burocracia e seus lacaios. nepaleses e budistas butaneses. Ficaremos com isso. uma superabundˆncia. vida longa para a anarquia! J´ n˜o precisamos da bagagem a a a do masoquismo revolucion´rio e do auto-sacrif´ idealista – nem da frigidez do indivia ıcio dualismo com o seu desd´m pelo conv´ e ıvio. COMUNICADOS DA AAO e mesmo movimento. a c Como os ranters diziam quando cumprimentavam qualquer “criatura companheira” – de um rei a um trombadinha –. Todo esse peso morto! Ao lixo e com as maletas maltratadas dos prolet´rios. queremos apenas sua vitalidade. do mercado avistava-se Sikkim e o Monte Katchenhunga – templos e refugiados tibetanos – belas pessoas de porcelana amarela chamadas Lepchas (os verdadeiros abor´ ıgenes) – hindus. sua shakti. rev´lveres. sua for¸a-vital.16 Instru¸oes para Kali Yuga c˜ A KALI YUGA ainda tem mais ou menos 200 mil anos para brincar – uma boa not´ ıcia para advogados e avatares do Caos. O misticismo tem algo que o queremos – “auto-supera¸˜o”. “Regozije-se! Tudo ´ nosso!” e 2. Tamb´m gostamos de e e “Anarquia Ontol´gica”.52 CAP´ ITULO 2. apenas o desejo oferece qualquer princ´ ıpio de ordem. Antes de jogar fora e e a tralha e mochilas velhas. a Conheci Ganesh Baba. uma certa e c leveza de ser. sua ousadia. pelo viver junto – ou das supersti¸˜es vulgares co do ate´ ısmo. para rezar por sobre restos mortais e a a resmungar nossos martirol´gio? o O monarquismo tamb´m possui algo que queremos – uma certa gra¸a. a unica sociedade poss´ (como bem compreendeu Fourier) ´ aquela formada por ´ ıvel e amantes. sua imprudˆncia – seu poder. um saddhur gordo e de barbas brancas com um hiperimpec´vel a sotaque de Oxford – nunca vi ningu´m fumar tanta maconha. o Desses sistemas. cientificismo e progressismo do s´culo XIX. jeovista. de total potencialidade. O anarquismo est´ morto. vamos vascular o dep´sito ` procura de dinheiro. a com os entediantes sobretudos filos´ficos. mu¸ulmanos.

as paredes do hospital ainda a estavam empastadas de lodo. ao mesmo tempo planeta e deus da guerra). a e e Em sua selvagem juventude. colar de crˆnios de cabe¸as c c a c cortadas. dan¸ando sobre um Shiva morto. Houve uma epidemia de c´lera. um homem de meia-idade. escondida por tr´s de c a a sua aparˆncia externa d´cil e acomodada. com a quatro bra¸os armados. metido num terno surrado. que inclu´ tanto adoradores de Kali e m´ ıa ısticos mu¸ulmanos her´ticos quanto c e anarquista e extremistas de esquerda.16. o senhor Biswas havia sido membro do Partido Terrorista de Bengala. Todo dia. onde ele jogava bola com crian¸as barulhentas ou ara c rumava brigas nos bares. pele de um profundo azul-cinzento (a cor precisa das nuvens das mon¸˜es). sou iniciado no Tara-Tantra. Ele me apresentou a Sri Kamanaransan Biswas. primordial e no entanto insanamente complexa. o e o a No dia seguinte. como se fosse um sinal da for¸a tˆntrica oculta do senhor Biswas. a a Naquela noite assistimos a uma cerimˆnia no templo local para Kali.2. ando `s cegas at´ finalmente entrar e a a e na cidade e encontro um hotel cheio de insetos. a a Um vez. Bebemos. perambul´vamos pelas ruas. febril e distante. em Gauhati. A a chuva e com lama at´ os joelhos em total escurid˜o. um vez que. Meio an˜. e o N´s discutimos minhas leituras de Sir John Woodruffe (Arthur Avalon) todas as tardes. quase africana. a cidade o inteira parecia um naufr´gio. O lado negro da deusa. uma enchente havia submergido Siliguri e matado dezenas de milhares de pessoas. a Siliguri. em Gauhati. INSTRUCOES PARA KALI YUGA ¸˜ 53 outro. visitamos um templo para o Marte hindu (como o nosso. enevoado e salpicado de pinheiros. a S´ no cemit´rio. Ele me d´ uma litografia colorida de Tara que miraculosamente flutuou sobre a ´gua e foi salva. um pequeno. em tempo para o festival anual. pr´ximo a um cad´ver meio-queimado. a a . para o grande templo do yoni de Shakti. vˆmito. Mais conhaque e maconha. o Eu caminhava at´ l´ atrav´s da neblina fria do ver˜o. Assam ´ territ´rio proibido e eu e o ` meia-neite. para Kali. dou adeus e sigo Assam. onde o Ganges estendeu-se num encharcado delta verdejante. mais chuva – deslizamentos de terra bloqueando as co estradas. muito semelhante em atributos. Visitamos sua esposa no hospital. de armadilhas de esp´ e a e a ıritos tibetanas adejando na brisa umida que surgia da bruma e dos cedros. fumamos. Estou doente como um c˜o. o humilde e meio arruinado santu´rio ` beira da estrada – a luz proveniente de tochas era a a a unica ilumina¸˜o – cˆnticos e tambores com uma s´ ´ ca a ıncope estranha. caio fora do trem. Ganesh Baba parecia provar esse passado secreto. totalmente anticl´ssica. pequeno e delicado. No ano anterior. os l´ o ıquidos da morte. onde ele comprou um anel de dedo feito de prego de ferradura de cavalo e me deu. N˜o durmo. Ela senta-se silenciosa na sua cama olhando sem piscar para destinos horrendos. e estud´vamos o diagrama Tara-iantra para fins m´gicos. nua. l´ ıngua gotejando sangue. Meu visto de permanˆncia em ´rea fronteiri¸a expira. onde eu o visitava diariamente com doses de conhaque barato para puja e bebericagens – ele me encorajava a fumar enquanto convers´vamos. localizada nas plan´ ıcies de Bengala. O senhor Biswas vivia num min´sculo bangalˆ empoeirado num u o morro ´ ıngreme. perseguindo funcion´rio do com´rcio assustados com seu guardaa e chuva. Pratic´vamos o Tara-mantra e ´ a o Tara-mudra (ou Yoni-mudra). Tara: uma das formas de Kali. Era funcion´rio do governo de Bengala e se ofereceu a para me ensinar tantra. O senhor Biswas e eu e a c descemos as deslizantes montanhas do Himalaia de jipe e de trem rumo ` sua cidade natal. e morrendo de rir. sangue. volto pelos trilhos sob n˜o tenho um visto. tamb´m a maconha ´ sagrada. manchada de algas e arruinada.

Nessas alturas. abra¸´-lo (mesmo sexualmente) e a ca absorver algo de sua shakti. manchado por co ca o s´culos de ghee e ocre. edif´ a ıcios anexos – centenas de milhares de peregrinos – saddhus esquisitos vindos de suas cavernas de gelo atarracados em peles de tigres e cantando. desde o ˆxtase e o vinho at´ o lixo e os cad´veres. Para aqueles que seguem o caminho. Quando Shiva cortou Shakti em 53 peda¸os e os espalhou sobre toda a bacia do Ganges. Alguns sacerdotes amig´veis falam inglˆs e me ajudaram a encontrar a a e a caverna onde o yoni est´ exposto. iantra. em dire¸˜o a um meteorito. incenso e flores) e retornei ` serenidade de Darjeeling e de suas vis˜es ben´ficas. A sexualidade e a violˆncia servem como met´foras num poema que age diretamente e a sobre a consciˆncia atrav´s da Imagem-ina¸˜o – ou talvez nas circunstˆncias corretas elas e e ca a possam ser abertamente distribu´ ıdas e gozadas. o c eu conhe¸o Kali. Sim. tonto e nauseado. c 2. que fica numa montanha pr´xima. Um pequeno pre¸o a pagar para todo aquele conhecimento – e c o f´ ıgado de algum coronel aposentado de uma hist´ria de Kipling! – mas eu conhe¸o ela. mas. conhecendo a alquimia de sua presen¸a. Estou falando de pessoas que conhe¸o muito bem c . percebendo at´ que ponto s˜o a mesma e a e a coisa. e e a Aqueles que a ignoram ou a vˆem fora de si mesmo est˜o arriscados de destrui¸˜o. ela promete ilumina¸˜o e at´ mesmo ca e riqueza. uma parcela de seu poder temporal. Torres a o o enormes. sei que estou seriamente doente. meditei sobre Tara por muitos dias (com mantra. divindades populares. degustam de sua Era do Ferro como se fosse ouro.. Niilismo c e criativo. asfixiantes e trogloditas at´ entrarmos numa caverna-ventre claustrof´bica onde sou levando. Mais tarde. ela se torna a m˜e generosa. dei entrada no Hospital Mission´rio Germˆnico a a (por um mˆs) com hepatite. absolutamente o arqu´tipo de todo aquele horror. pois a maioria de n´s n˜o pode compreendˆ-la ou alcan¸ar o a e c a guirlanda de jasmins al´m do colar de crˆnios. e o com alucina¸˜es. meio disforme. em Katmandu. numa caverna na selva al´m a e de Rishikish. viagem de ˆnibus para o templo. a o e Sua era deve conter horrores. mudra. meio cˆnico. c sua vagina caiu l´. cavalg´-lo com um tigre. Uma semana mais tarde. COMUNICADOS DA AAO De manh˜. para aquec e les que a conhecem. Atravessar o caos. embebidas com o sentido do sagrado de cada coisa. e a ca Aqueles que a adoram como ishta-devata. uma verdadeira hecaa tombe – (nenhum outro sahib branco em vista) – as sarjetas escoam uma polegada de sangue – espadas-Kali de lˆmina curva cortam cortam cortam.17 Contra a Reprodu¸˜o da Morte ca Um Dos Sinais da Aproxima¸˜o do Fim – que tantos parecem esperar – consiste em ca um fasc´ ınio por todos os detritos mais negativos e odiosos da ´poca. p´tios. a mas determinado a terminar o ritual. cabe¸as mortas rolam nas a c pedra escorregadias da rua. A multid˜o abre-se para mim e me permite atirar um guirlanda e a de jasmins sobre o yoni. ou ser divino.54 CAP´ ITULO 2. Uma multid˜o de peregrinos (todos ao menos uma a cabe¸a mais baixos do que eu) literalmente me engolfam como a correnteza do mar e c me carregam suspenso enquanto descemos umas escadas curvas. Ovelhas e pombos est˜o sendo abatidos aos milhares. um fasc´ e ınio sentido pelos pr´prios pensadores que se consideravam os mais perspicazes sobre o assim chamado o apocalipse sobre o qual nos alertam. sua for¸a-vital – esses ´ o caminho da Kali Yuga.

` primeira vista.E) a 25 26 .) Vejo apenas uma a imagem mental e suas ramifica¸˜es emocionais. que ficou conhecido por seus ataques a cl´ ınicas que promovem essa pr´tica. Ele n˜o tem nenhuma e ca a existˆncia no mundo real. Pressup˜em apenas dois lados para qualquer quest˜o – o lado da moda e o lado o a que n˜o est´ na moda. Qualquer ataque a eles parece est´pido. No entanto. o ca serei dispensado como um mero ser desagrad´vel (e. Cessar´ de ser uma abstra¸˜o apenas quando ocorrer – se e a ca ocorrer. mentiras espetaculares. Se eu os condeno como parte do mesmo problema que eles clamam estar discutindo objetivamente. (N˜o pretendo conhecer “o pensamento de Deus” sobre o assunto – nem possuo a qualquer conhecimento cient´ ıfico sobre um futuro ainda n˜o existente. uma estranha doen¸a de mim mesmo. devo seguir seus ditames e e como uma ovelha e n˜o ousar nada por mim mesmo. ideologia fascista. de tal forma que o identifico como um tipo co de v´ fantasmag´rico. Se admito meu ´dio pelos artefatos de sua percep¸˜o (livros. analis´-la. ca Para ambos esses grupos. atrav´s do comunismo etc). Uma marxista que fizesse obje¸˜es a todo este culto da morte a a co como algo atiprogressista seria considerado t˜o tolo quanto um fundamentalista crist˜o a a que o considerasse imoral. a ca o Fot´grafo nova-iorquino especializado em fotos er´ticas “chocantes”. que deve ser eliminada em ırus o c vez de ser hipocondriacamente cozida em banho-maria e tolerada. psicologicamente reprimido) a e ou. (N. Quest˜es bilaterais (criacionismo versus darwinismo. um puritano. serei considerado um capiau. obras de arte. por eu algumas vezes me expressar como um anarquista o amante de rapazes. na melhor das hip´teses. os neutros ensa´ e o o ıstas da morte. sadismo e ´dio? a a o Essencialmente. eles ganham inteligˆncia. apenas a e eles ousam o suficiente para manifest´-la em desafio aos rudes censores jecas e liberais a covardes. mais complexo. choice contra pro-life26 o etc. CONTRA A REPRODUCAO DA MORTE ¸˜ 55 – aquelas da “direita espiritual” (como os neoguenonianos. e u j´ que apenas eles tˆm os olhos abertos o suficiente para reconhecer a verdade. como uma raz˜o para n˜o se fazer nada. o e Muitas pessoas sup˜em que. sem exce¸˜o. atrav´s da democracia. Sustento que (como de costume) muitos lados existem para essa quest˜o.) s˜o todas. De que poder eles gozam neste a ros´rio de medo e escurid˜o.17. o caso dos intelectuais a “iluminados” parece ser. (N.E) o o Choice: movimento em defesa do direito de escolha das mulheres em rela¸˜o ao aborto. ilus˜es. ´ claro. e e o como assassinato de crian¸as em s´rie. a a o mas tamb´m a do mundo todo). ou as fotografias de Joel P. c e Witkin25 . Para os tradicioca nalistas. a a Compreendo por que a religi˜o e os “poderes” pol´ a ıticos querem manter-me tremendo de medo. um Pollyanna. nada importa a n˜o ser preparar a alma para a morte (n˜o apenas a sua pr´pria. nada importa a n˜o ser o jogo a de encontrar uma raz˜o a mais para o desespero. mais do que a apenas dois.2. adicion´-la ao cat´logo. Desprezo o “Fim do Mundo” como um ´ ıcone ideol´gico apontado para minha cabe¸a pela religi˜o. como algu´m sem seriedade. profundos conhecedores das artes da mutila¸˜o. devo tamb´m ter “interesse” por outras id´ias ultrap´s-modernas. ligado a setores da direita. toda a¸˜o poss´ no mundo ´ depreciada como mais uma ca ıvel e manifesta¸˜o da coisa de sempre – tudo se torna igualmente sem sentido. Para o “cr´ e ıtico cultural”. pelo Estado o c a e pelo meio cultural. a a a a O Fim do Mundo ´ uma abstra¸˜o porque nunca aconteceu. Pro-life: ca movimento contra o aborto. com sua obsess˜o por sinas a de decadˆncia) – e aquelas da esquerda p´s-filos´fica. J´ que apenas eles oferecem a unica chance de se evitar o ragnarok (atrav´s a ´ e de prece. performances).

posso tom´-la somente como uma ca a declara¸˜o de autonomia para minha imagina¸˜o e minha vontade – e para o mais belo ca ca ato que elas possam conceber. tenho (raramente) atingido um estado que (em compara¸˜o com tudo que conhe¸o) parece ser um estado de ca c sa´de. Enquanto eu viver. A arte nunca pode significar tanto quanto uma ca caso de amor. As imagens de morte e mutila¸˜o que fascinam nossos artistas e intelectuais me u ca parecem – ` luz da lembran¸a dessas experiˆncias – tragicamente inapropriadas para o a c e potencial real da existˆncia e do discurso sobre a existˆncia... e Por que eu deveria emblemar esta liberdade com um ato como o assassinato (como fizeram os existencialistas) ou como algum dos gostos demon´ ıacos dos anos 1980? A morte pode apenas me matar uma vez – at´ l´. e Recentemente assisti a uma performance de poesia/dan¸a gay de uma firme sofisc tica¸˜o: o unico dan¸arino negro da trupe fingia foder uma ovelha morta. de toda expectac tiva de exalta¸˜o. funciona. Eu volto as costas e e para certo tipo de arte como um c˜o ase distanciaria uivando do cad´ver de seu coma a panheiro. ou para negar que no mundo a existam coisas verdadeiramente aterrorizantes. “prazer com a mis´ria alheia”. Gostaria de poder renunciar ` sofistica¸˜o que me permite dar uma cheirada a ca em tal cad´ver – com indiferente curiosidade – como mais uma exemplo da decomposi¸˜o a ca p´s-industrial. tenho conseca a guido me comportar como se fosse est´pido o suficiente para tentar mudar minha vida. o N˜o escrevo isso para absolver o mundo de sua fealdade. e u . ca ´ c Confesso que parte da minha estupidez auto-induzida ´ acreditar (e mesmo sentir) que e ´ por isso que escrevo pornografia e a arte pode me transformar e transformar os outros. a Nada os toca. e meramente inculca um medo m´rbido no lugar e o do medo saud´vel que todas as criaturas sens´ a ıveis ao farejar sua pr´pria mortalidade. ou uma insurrei¸˜o. E propaganda – para causar transforma¸˜o. desonesta e cheia de si. e o A replica¸˜o obsessiva do imagin´rio da morte (e sua reprodu¸˜o ou mesmo mercanca a ca tilismo) obstrui esse projeto t˜o veementemente quanto a censura ou a lavagem cerebral a feita pela m´ ıdia. o caos. u Algumas vezes usei perigosos entorpecentes. Mas. e e A pr´pria existˆncia pode ser considerada um abismo sem sentido algum. Mas algumas dessas coisas podem ser vencidas – desde que n´s possamos construir uma est´tica de conquista. a maconha. Eu mesmo a possuo em abundˆncia. Ela estabelece circuitos negativos de feedback – ´ um tabu maligno. Em algumas poucas ocasi˜es alcancei algum grau de sucesso – e digo isso o n˜o para me gabar. assim conferir significado para a existˆncia. com a raiva em vez do t´dio.. como a religi˜o. no entanto. a fome e o desleixo. ainda me recusaria a tolerar uma arte que meramente exarceba minha ca mis´ria. Atrav´s da destrui¸˜o dos ´ a e ca ıcones interiorizados do Fim do Mundo en da Futilidade de toda atividade mundana. De vez em quando. ca e Entretanto. no entanto. verdadeiramente interessantes.. ficarei do lado da vida sofredora. estou livre para expressar e experimentar (ao e a m´ximo que puder ) uma vida e uma arte de viver baseada em “experiˆncias de pico” a e autovalorativas e no “conv´ ıvio” (que tamb´m possui sua pr´pria recompensa). o amor a pelo rapazes. mesmo se eu tivesse desistido de toda esperan¸a na arte..56 CAP´ ITULO 2. o Apenas os mortos s˜o verdadeiramente inteligentes. em vez de uma o e est´tica de medo. N˜o e a ajuda ningu´m a vencer o medo da morte.. com a doce lux´ria. COMUNICADOS DA AAO Minha posi¸˜o ´ esta: tenho perfeita consciˆncia das “inteligˆncia” que direciona a ca e e e a¸˜o. Eu n˜o vejo o e a isso como uma afirma¸˜o pessimista. ou se apraz no schadenfreude. talvez. Se for verdade. at´ certo ponto. mas para dar testemunho.

inocente como uma fˆnix rec´m-nascida. usando a coloniza¸˜o do inconsciente feita pelo surrealismo para criar ca desejo. a o a a ca de todas as correntes da lei.E) Escritor romeno radicado nos EUA. podem levar apenas ao mercantilismo do desejo. ıdia Bem. fornece um modelo melhor para se lidar com implos˜o do social do a que o surrealismo jamais seria capaz de fornecer – um modelo anarquista.) O paleol´ o c a o ıtico equivale ao pr´-Trabalho (“sociedade de lazer original”). O neol´ ıtico come¸a com o desejo por bens (excedente da agricultura). Por sua vez. mas um movimento espiral em torno de um novo n´ ıvel da ´rbita. uma destrui¸˜o de toda ideologia. co 57 2. ´ ca A propaganda. apenas dos seus feitos est´ticos. SONORA DENUNCIA DO SURREALISMO contra a vanguarda gelada e suas chiques premoni¸˜es do sepulcro. como todas as formas de controle desaparecem na dissolu¸˜o do sentido. na verdade. (Afinal.18 Sonora Den´ncia do Surrealismo u ( Para Harry Smith) Na Mostra de Cinema Surrealista. apesar se suas falhas. O dada´ e e ısmo inicial de Berlim (que rejeitou o retorno da arte-objeto). vamos acreditar que n˜o havia nada no e a surrealismo que permitisse que esse roubo acontecesse? O retorno do reprimido significa o retorno do paleol´ ıtico – n˜o um retorno ` Idade a a da Pedra. a ca a ılia educa¸˜o. A ca u a liberta¸˜o surrealista do desejo. para ser substitu´ por algum retorno ` ca¸a e coleta em termos ps´ ıdo a c ıquicos – uma re-nomadiza¸˜o. (N. N˜o ´ simplesmente uma “vergonha danada e a a a e uma desgra¸a”. partindo-se do princ´ ıpio que. O lazer o a moderno. c a e ca para o mercantilismo. at´ mesmo o pr´prio inconsciente (como disse Andre Codrescu28 ). O P´s-Trabalho (Trabalho-Zero) equivale a e o “Paleol´ ıtico Ps´ ıquico”. leva ` implos˜o final do surrealismo. Assim como a estrutura do Trabalho/Lazer sucumbe no vazio.9999% da experiˆncia humana s˜o de ca¸a e coleta.´ 2. n˜o ´ uma simples apropria¸˜o. o 99. caminha para a c produ¸˜o do desejo (ind´stria) e termina com a implos˜o do desejo (propaganda). algu´m perguntou a Stan Brakhage27 sobre o uso e que a m´ faz do surrealismo (MTV etc. um modelo n˜o autorit´rio. com todos os seus templos e celeiros e e pol´ ıcias.18. o neol´ ca ıtico tamb´m parece estar destinado a desaparecer. quando o surrealismo fechou sua f´brica. ´ simplesmente uma subdivis˜o do trabalho (da´ seu mercantilismo) e a ı – ent˜o n˜o ´ por acaso que. no entanto. N˜o vamos ca e o a 27 28 Cineasta.). Tudo est´ implodindo e desaparecendo – a fam´ edipiana. os executivos de a a e a publicidade foram os unicos clientes da liquida¸˜o. professor e ensa´ ısta norte-americano. o desejo ainda se levanta. a apropria¸˜o que a m´ ca ıdia faz do surrealismo ´ de fato uma vergonha danada. que permanecem ca emaranhados na matriz do Trabalho. e ca E. ou talvez (em jarg˜o antropol´gico). em algum n´ ıvel. sendo a agricultura e a ind´stria e a c u uma mera mancha de ´leo no profundo po¸o da n˜o-hist´ria. dos abismos do significado. ele respondeu que era uma “vergonha danada”. O surrealismo ´. Todos os projetos para a “liberta¸˜o dos desejos” (surrealismo). O surrealismo foi feito para a propaganda. uma trai¸˜o ao desejo.E) . (N. talvez seja e talvez n˜o seja (a kultura popular ipso fato carece de toda inspira¸˜o a ca ?) – mas. n˜o vai al´m de ser um ca e a e subconjunto da produ¸˜o – da´ a rendi¸˜o em bloco do surrealismo ao partido comunista ca ı ca e sua ideologia pr´-trabalho (para n˜o mencionar sua misoginia e homofobia).

algo an´logo ao processo atrav´s do qual o caos espontanea e a e amente se decomp˜e em ordens fractais n˜o-lineares.E) co 29 . preferimos o termo “insurrei¸˜o”. em suas edi¸˜es norte-americana e inglesa. que mis´ria. ou como contingente de qualquer c´digo moral. No Brasil. e no lugar de fetichizar o esquerdismo de o 1968. um verdadeiro governo de timoneio ros. ou “levante”. a por sua vez. proponho que n´s as destruamos em partes. todas as palavras) vˆm a e carregados de acr´scimos – cada um deles est´ sobrecarregado por sua carga ps´ e a ıquicocultural. enquanto co a os situacionistas podem ser criticados por ignorar certa “espiritualidade” inerente a autoRevolution of Everyday Life no original. ou o modo como a energia criativa o a “selvagem” transforma-se em jogo e poesis. que escapa ` ca a artificialidade de uma mera mudan¸a de autoridade. usando por Stirner. enquanto simultaneamente enfatizo – no caso do slogan situacionista – que uma das ra´ de sua dial´tica ızes e pode ser rastreada ao dada´ ısmo e ` no¸˜o surrealista do “maravilhoso”. COMUNICADOS DA AAO erroneamente tomar isso como o Armagedom (vamos resistir ` sedu¸˜o do apocalipse. Defino meus termos fazendo-os mais vagos. 9 de julho de 1988 2. pelas mis´rias e da abstra¸˜o e da aliena¸˜o. Ningu´m sabe o que a e est´ por vir. ali´s. o “Revolu¸˜o” significa apenas outra reviravolta dos timoneiros – enquanto a ortodoxia ca religiosa de qualquer tipo origina. Abaixo o Surrealista. N˜o podemos usar a frase “parece-se a e ca a com” porque ambos os conceitos (como todos os conceitos e. — Naropa. Os zen-budistas podem ser acusados de falta de conhecimento sobre as implica¸˜es “revolucion´rias” do satori. irrompendo de a ca (ou dentro de) uma vida que apenas parece estar sufocada pelo banal. O surrealismo deve ser lan¸ado ao lixo junto com todos os outros belos restos das c prim´rias artimanhas clericais e os enfadonhos sistemas de controle. N˜o vamos idolatrar o satori imaginando-o como monop´lio de monges m´ a o ısticos. ` a ca a conclus˜o escatol´gica) – n˜o ´ o mundo chegando ao fim – s˜o apenas as palhas vazias a o a e a do social pegando fogo e desaparecendo. pela Conrad Livros. de Rauol Vaneigem. (N. precisamente ca ca para evitar as ortodoxias tanto do bidismo quanto do Situacionismo.. esse livro e e co foi publicado com o nome de A Arte de Viver para as Novas Gera¸˜es. c Esta constela¸˜o de conceitos envolve “quebrar as regras” de percep¸˜o ordenada para ca ca chegar ` experiˆncia direta. que ´ o t´ e ıtulo do livro Trait´ de Savoir-vivre ` L’usage des e a Jeunes G´n´rations. evoca o tao´ ısmo anarquista do Chuang Tzu. um ato de bricolagem cultural.. da palavra ´. como convidados que suspeitosamente chegam com enorme excesso de malas para quem vem apenas passar o fim de semana. Portanto. para escapar de suas armadilhas ideol´gico-semˆnticas – estas m´quinas de linguagem disfuncionais! Em o a a vez disso. de forma l´gica. que alegria – mas a ultima coisa ´ de que n´s precisamos em nossa viagem ´ outro grupo de comiss´rios – papas de nossos o e a sonhos – pais. – melhor dizendo: note o e a formid´vel semelhan¸a entre o conceito SATORI e o conceito REVOLUCAO DIA-Aa c ¸˜ 29 DIA – em ambos os casos h´ uma percep¸˜o do “cotidiano” com conseq¨ˆncias extraa ca ue ordin´rias para a tomada de consciˆncia e a a¸˜o. que esp´ a e ırito de selvageria.58 CAP´ ITULO 2. Uma “ordem espontˆnea” a partir do “caos”. permitam-me o antiquado uso beat-zen budista do satori.19 Por um Congresso de Religi˜es Estranhas o N´s temos aprendido a desconfiar do verbo ser.

do er´tico. a viagem como a ant´ ıtese do turismo. os m´ ısticos da cerveja.˜ 2. inspira¸˜o. as a a e fadas. Marco Polo.19. o que quer que o ca seja – da intensidade de percep¸˜es e experiˆncias n˜o meditadas. perambular de bar em bar com a c Melville. a Igreja dos Subgˆnios. ou simplesmente os caprichos. etc. esperamos. talvez nem sempre o a em sua forma benigna. ` guisa de apˆndice. do itiner´rio como significado. um novamente do Situacionismo e o outro. Ao identificarmos o satori com a revolu¸˜o ca do dia-a-dia. praticamente tudo que eu a e escrevo gira em torno deste tema. Peo. sempre geradora de insights – seja atrav´s da e arquitetura. sem a ca c d´vida. um exerc´ espiritual que combina as energias urbanas e nˆmades do ıcio o Isl˜ numa unica trajet´ria. a Igreja Ortodoxa Islˆmica. Contr´rio `s expectativas dos radicais do s´culo XIX. cavaleiros do rei a Arthur procurando barulho. Ou. espa¸o em vez de tempo. a ıdo e O que estou tentando fazer aqui (como sempre) ´ prover uma base irracional s´lida. Em vez disso. Os dera ´ o a vixes fazem votos de viajar num determinado ritmo. os crist˜os anarquistas e a a a “sem igreja”. melhor dizendo. o pessoal da maconha etc. Projeto pol´ o ıtico: a constru¸˜o de “zonas ca autˆnomas” mut´veis dentro de uma invis´ rede nˆmade (como encontros sob o arcoo a ıvel o ´ ıris). O ato de d´rive ou “andar a esmo” foi concebido como um exerc´ para deliberae ıcio damente revolucionar o dia-a-dia – uma esp´cie de vagar sem rumo atrav´s das ruas da e e cidade. nunca passando mais do que sete ou quarenta noites numa mesma cidade. algumas vezes chamada de “Caravana do Ver˜o”. neopaganismo n˜o hier´rquico. Miscigena¸˜o. veados ` ca¸a de meninos. e movendo-se de um ponto de poder para outro. A mistura de ra¸as defendidas por Nietzsche. Projeto espiritual: a cria¸˜o ou descoberta de peregrina¸˜es nas quais o conceito ca co “santu´rio” tenha sido substitu´ (ou “esoterizado”) pelo conceito “experiˆncia de pico”. que. por sua pr´pria dura¸˜o. teria de repetir quase tudo para elucidar este simples ponto. perigo. o caos e o caos m´gico. as heresias e a a antinomianas. o vodu revolucion´rio. um nomandismo vision´rio urbano que envolve uma abertura para a “cultura a como natureza” (se compreendi a id´ia corretamente) – que. ou simplesmente “jornada”. a Aqui outra constela¸˜o: Ibn Khaldun. para o que chamo de Religi˜es Livres. da aventura. os levem. os tao´ ıstas radicais. Projeto art´ c ıstico: a constru¸˜o de um ca “mapa” em escala 1:1 do territ´rio explorado. estmaos promovendo algo como um casamento for¸ado t˜o marcante quanto c a a famosa composi¸˜o surrealista com um guarda-chuva e uma m´quina de costura. bebidas e drogas. dirigindo-se c para onde quer que os sinais e as coincidˆncias. a u wanderjahr. crescido em . da topologia como simbologia. u ıdo Sinto-me impelido a tantar descrever o modo como o satori “assemelha-se” ` revolu¸˜o a ca do dia-a-dia – mas n˜o posso fazˆ-lo. co e a O termo paralelo no sufismo seria “jornada para os horizontes distantes”. desta vez.. ofere¸o mais uma curiosa coincidˆncia ou a e c e interpenetra¸˜o de dois termos. ou ca a seja l´ o que fosse. Baudelaire – ou fazer canoagem com Thoreau em Maine. a forma do romance picaresco em geral. e o ca inculcaria nos nˆmades uma propens˜o a experimentar o maravilhoso. o juda´ ısmo m´gico. a religi˜o n˜o acabou – talvez a a e a a tivesse sido melhor se ela tivesse acabado de fato – e tem. foi atra´ pela sensualidade das “castas inferiores”. aceitando o que quer que aconte¸a. ino cluindo as correntes psicod´lica e discordante. o bar˜o de M¨nchhausen. do ca sufismo. em vez disso. P´ na Estrada (tanto de Jack Kerouac quanto ca e o de Jack London). POR UM CONGRESSO DE RELIGIOES ESTRANHAS 59 realiza¸˜o e no conv´ ca ıvio que sua causa exige. conscientes da “geografia sagrada”. e o uma filosofia estranha (se assim preferirem).. mas. meninos numa floresta de ver˜o suburbana.

que trabalha contra toda percep¸˜o do maravilhoso ca ca na vida cotidiana – chame-o de Babilˆnia ou de Espet´culo. po¸os estagc nados distantes dos centros da civiliza¸˜o como Little America. gra¸a e estilo.20 Terra Oca Regi˜es Subterrˆneas do continente escavadas em cavernas cicl´picas.. Isso vai acontecer de um jeito ou de ısta e outro – ´ melhor fazer a abordagem com consciˆncia. Tanto o fundamentalismo quanto o New Age extraem alguma for¸a da profunda e c difundida insatisfa¸˜o com o Sistema. e a a ent˜o. l´ embaixo. AGORA. de Capital ou de Imp´rio. estreitas cao choeiras sobre rochas alisadas pela ´gua. c a o 5. nos recessos escuros e po¸as das cavernas da Ant´rtida. 6. deixe-me consultar meu rel´gio). Quem escavou esta terra oca debaixo do gelo previsto por a a Poe. 2..60 CAP´ ITULO 2. conselhos ecumˆnicos. soci´veis o bastante e a a para que discordemos uns dos outros e ainda assim fazermos grandes festas – ou conclaves. Mas essas duas ca e for¸as religiosas canalizam seu pr´prio desejo pelo autˆntico para novas abstra¸˜es superc o e co poderosas e opressivas (moralidade no caso do fundamentalismo. 4. Congressos Mundiais – o que esperaremos em j´bilo. e u As Religi˜es Livres podem oferecer algumas das unicas alternativas espirituais poss´ o ´ ıveis para televangelistas nazistas e pat´ticos canalizadores da energia dos cristais (para n˜o e a mencionar as religi˜es estabelecidas). e e c Tendo uma vez vivido perto da sede do Conselho Mundial das Igrejas. COMUNICADOS DA AAO poder. e por uf´logos malucos? Teria a Terra a o o sido colonizada na ´poca de Gonduana ou da Lem´ria por alguma ra¸a antiga? Seus e u c esqueletos de r´pteis ainda estariam se desfazendo nos labirintos mais secretos e distantes e ´ deste sistema de cavernas? Aguas paradas e dormentes. eu gosto da possibilidade de uma vers˜o parodiada de uma Igreja Livre – sendo a par´dia uma de nosa o sas principais estrat´gias (ou chame isso de d´tournement ou desconstru¸˜o ou destrui¸˜o e e ca ca criativa) – uma esp´cie de network solta (eu n˜o gosto dessa palavra. at´ mesmo aos aiatol´s e ao papado. aparentemente em propor¸˜o ao crescimento global em tecnologia e controle racica onal. muito propriamente. fungos e a c a . redes fractais o a o espa¸os que parecem catedrais. cortando florestas petrificadas de estalactites e a estalagmites na complexidade dos desconcertantes peixes cegos exploradores de caverna e na vastid˜o insond´vel. que poderiam originar um rumo. mercantilismo no caso do New Age) e por essa raz˜o. lagos est´ ıgios im´veis puros e levemente luminescentes. Transport City. pr´stimos uns aos outros. tocante e tumultuosa de todas as demandas pol´ a ıticas – um futuro que come¸ar´ (espere um instante. indo al´m da mera repeti¸˜o afetada dos lugaresca a e ca comuns sobre o materialismo ate´ do s´culo XIX. e assim se tornar˜o cada vez mais importantes.. t´neis labir´ c u ınticos em forma de gargantas. podem. de o a e Sociedade de Simula¸˜o ou de mecanismo desalmado – o que vocˆ quiser. canais sem sa´ ıda. 3. ou tendˆncia. 2. rios subterrˆneos a vagarosos e negros. ou “corrente” e e (em termos m´gicos) forte o suficiente para causar algum dano ps´ a ıquico aos fundamentalistas e ao pessoal New Age. existe a necessidade de os radicais ılia co penetrarem na institui¸˜o da religi˜o. ou Nan ca Chi Han. a a Assim como radicais culturais desempenhar˜o fun¸˜es similares nas esferas do traa co balho. vamos cham´-la.. 7. por certos ocultistas alem˜es paran´icos. da fam´ e de outras organiza¸˜es sociais. ser chamadas de “reacion´rias”.. 1.. cada o a vez mais vitais num futuro em que a demanda pela erup¸˜o do maravilhoso dentro do ca cotidiano se tornar´ a mais sonora. de webwork) de cultos estranhos e indiv´ a ıduos conversando entre si e oferecendo.

. tao´ o o a ısmo. mantidos numa caverna t˜o vasta que `s vezes cria seu pr´prio clima. Esta escravid˜o aos desejos vulcˆnicos de gangues secrea a tas de rapazes das cavernas como flores sorridentes jorrando em ere¸˜es-d´ co ınamo. a “deusa Jade”. da costa de Walgreen e da terra a u de Edsel-Ford – os trogloditas tˆm mantido viva por mais de duzentos anos a mem´ria e o folcl´rica da Zona Autˆnoma. pulsando pura vida. em sua maioria. O com´rcio consiste em ocasionais pedras preciosas e no cule e tivo de papoulas brancas. pregui¸a rural e degenerados ritos supersc ticiosos de abandono sensual... eremitas. culto da Caverna M˜e (ou M˜es). musgo do lago. c c Little America. mas. procurando renovar prazeres da carne o e de substˆncias perdidos h´ muito. artistas. criminosos fugitivos.. talvez alguns poucos banhistas vacilantes ao largo da praia negra. do outro lado do lago de Erebo.. onde todos vivem a a co e conectados ao reino descartado de antigos softwares e holografias. ao longo do lago. j´ um nexo de a a a a autonomia. com 5 milhas de diˆmetro. feiticeiros.. vagabundos e e pervertidos moram em hot´is de basalto e gesso caindo aos peda¸os. polvilhado de ilhotas pinheiros a a negros. viciados em drogas.. . rapazes praticando seus mudras em c o sonolentas tardes eletrˆnicas azul-escuras ao som de gongos sint´ticos e metalofones. esperma e lama.. fugitivos do c puritanismo gen´rico. cerca de uma d´zia de diferentes esp´cies de cogumelos u e ´ “m´gicos”. botecos chineses que ofereo cem sopa de macarr˜o com pequenos camar˜es. talvez os fantasmas de alien´ ıgenas antigos agora vagando como demˆnios. num quarto alugado em cima da loja de iscas. piscando com ˆnfase. o a c este “espiritualismo material”. fungos. cabelo molhado de crian¸a.. com os dedos das m˜os e a dos p´s entrela¸ados como anf´ e c ıbios. um v´ ırus do caos que se espalha em sua mais exuberante forma clandestina.20. anarquistas for¸ados a se esconder depois das guerras de entropia.. A ral´. o hall enfeitado vistosamente de cristal a o para lentos dan¸arinos de folk ao som dos gamel˜es. jasmins e figueiras-do-inferno. lixo brando p´lido e sem vida dos proa let´rios das majestosas ind´strias de Tongue Thwait. tudo de repente parece amea¸adoramente brilhante. e o e sob o cais.. incrustados at´ a e c e metade por p´lidas trepadeiras verdes. por outros como um divindade menor da Seita da Estrela Polar do Sul. contrabandistas. manuscritos (escritos em Bahasa Ingliss. newtoa nianos. flores brancas a que desabrocham durante a noite. uma avenida de esqu´lidos caf´s.. os habitantes s˜o troglos a vivendo de seguro-desemprego – e a caverna profunda do pa´ tribal estende-se no outro ıs lado do lago. rea negados lovecraftianos. o mist´rio larval e doentio dos troglos mutantes cten´ides e e o oprimidos.. O raso lago Erebo. perplexos. identificada e a a por alguns estudiosos como a deusa javanesa do mar/lua Loro Kidul.. t˜o euclidianos. Estava eu vivendo numa vila de pescadores troglos. Suspeitamos que sejam seres mutantes.. curvados e tesos como arcos. eugˆnica e ordeira. h´bitos degenerados – kallikaks da Terra Oca. t˜o crist˜ e livre de muta¸˜es. genu´ ınos turistas de baixa renda no santu´rio atr´s do bazar onde troglos p´lidos e velhos a a a entram em transe com fungos. o dialeto pidgin das cavernas profundas) contˆm cita¸˜es mutiladas de e co Nietzsche e e Chuang-ts´.2. babam e reviram os olhos. mas os rumores de promiscuidade ritual s˜o verdadeic a ´ ros.. Ou talvez a Zona tenha j´ renascido.. piratas das cavernas da costa da India. urina. filosofia libertina. dissidentes das sociedades secretas chinesas e fan´ticos do turbante e a ´ amarelo. respiram os fumos do incenso pesado.. bruxaria da Indon´sia. a a e emp´rios de pedras preciosas defendidos por ninjas armados. uns c e poucos casos de dedos entrela¸ados. contrabandistas incestuosos e sorrateiros... A vila a a o oficialmente pertence a Little America. limpos e patri´ticos – Los Angeles nunca entender´ esta inocente feiti¸aria suja. TERRA OCA 61 samambaias albinas. possu´ c ıdos por esp´ ıritos das cavernas. e o cheiro de ´gua. pregui¸osos e sem vi¸o. o mito de que algum dia ela aparecer´ de novo.

sempre fracassado. Esta “esperteza” explica muito dos sigilos das a Ordens. de um equivalente individual da guerra para atingir a transforma¸˜o do esp´ ca ırito livre – necessita de uma estupidez inerente contra a qual possa medir o seu pr´prio movimento o e inteligˆncia. “Os Espertos”. e at´ mesmo alguns que eram comunistas e socialistas. e Anarquistas `s vezes postulam uma sociedade ideal sem lei. Catalunha) fracassaram em e sobreviver `s condi¸˜es da guerra que originaram sua existˆncia – dessa forma. e os anarquistas individualistas ou existencialistas tˆm logrado ˆxito visto que tˆm obtido e e e (embora brevemente) a realiza¸˜o de sua vontade durante a guerra. e trabalh´-lo alquimicamente. Na esfera do “caminho”. porque encontraram.. com efeito.21 Nietzsche e os Dervixes Rendan. COMUNICADOS DA AAO cogumelos brancos venenosos brotando dos pontos onde garotos troglos se masturbaram sozinhos no escuro. no entanto – como nosso falecido amigo. n˜o temos a co e a meios de saber empiricamente se tais experimentos poderiam ter sobrevivido no in´ da ıcio paz. A pessoa precisa. Nietzsche diz em algum lugar que um esp´ ırito livre n˜o se move para que as regras ou a mesmo para que sejam reformuladas. no momento da insurrei¸˜o em si. at´ agora. uma vez que ´ apenas quebrando as regras que ele se e conscientiza de sua vontade de querer. de fazer sua pr´pria e o lei e ainda assim n˜o cair presa do rancor e do ressentimento pr´prios das almas inferiores a o que definem a lei e os costumes em QUALQUER sociedade.. Enquanto a utopia tem. ofendem a tradi¸˜o (sunnah) e insultam os costumes de sua a ca sociedade – o que lhes d´ raz˜o para um segredo real. um estilo de amoralidade genial e pobre. n˜o o sufismo em si. embora continue sendo verdade que muitos dervixes realmente quebraram as regras do Isl˜ (shariah).62 CAP´ ITULO 2. mas o dervixismo. portanto. o co ca tipo de liberdade que buscavam. o rend esconde seu estado espiritual (hal ) para contˆ-lo. mas elegante – a defini¸˜o acima ainda pode ser considerada tanto num sentido ca literal quanto metaf´rico. Os sufis usam um termo t´cnico. a “Marca” stirneriana italiana –. Isto ´: alguns sufis violam a Lei ao mesmo tempo permitem que o e ela exista e continue a existir. e eles o fazem por motivos espirituais. 2. que na P´rsia ´ quase um sinˆnimo de a e e o maneiras transigentes e. se n˜o a algu´m mais) sua capacidade de romper com as regras do rebanho. participaram de toda e sorte de levantes e revolu¸˜es. Alguns anarquistas. ca As restri¸˜es de Nietzsche aos “anarquistas” s˜o sempre endere¸adas ao tipo m´rtir co a c a comunista-igualit´rio narodnik. Os poucos experimentos a anarquistas que lograram um breve ˆxito (os makhnovistas. para designar algu´m “esperto o suficiente para beber vinho em segredo sem ser e pego”: a vers˜o dervixe da “dissimula¸˜o permiss´ a ca ıvel” (tagiyya. de relaxamento social. Uma pessoa precisa provar (para si mesma. cujo idealismo ele via como mais um sobrevivente do moa . plural e rendan). rend (adjetivo rendi. a a Ignorando-se o caso de “criminosos” que usam o sufismo como uma m´scara – ou a melhor. como um exerc´ ıcio da vontade (himmah). que permite aos xiitas mentir sobre sua verdadeira afilia¸˜o para evitar persegui¸˜es e favorecer o prop´sito de ca co o sua propaganda). expandi-lo.

at´ certo grau. que perturba at´ mesmo e os comentarias mais inteligentes. mas acredito que a teria classificado o rebelde individualista como um dos mais altos tipos de “criminosos”. Oscar Wilde poderia ter dito que ca n˜o se pode ser um cavalheiro sem ser um pouco anarquista – uma paradoxo necess´rio. que (uma ultima cita¸˜o) se deve ter dentro de si. teria de compartilhar. pela natureza dissimulada do proto-super-homem. Os artista por mais que Nietzsche os ame. Apesar do o desperd´ ıcio de energia pela sua Pr´pria falta de forma o anarquismo. aproxima-se daquele unico tipo de forma que pode nos interessar hoje. para aceitar as a a regras a fim de viol´-las e assim atingir a eleva¸˜o espiritual ou o transe energ´tico do a ca e perigo e da aventura. a a como a “aristocracia radical” de Nietzsche. como Kaufman. mas tamb´m de compromisso a e a e existencial com uma espontaneidade subjacente. Ele nunca menciona Stirner. com um “Tao” filos´fico. esse esp´ e ırito livre teria desdenhado perder tempo com agita¸˜es para reformas. s˜o criticados por contar segredos. uma “sociedade sem lei” poderia Ter valor apenas enquanto pudesse medir sua pr´pria liberdade contra a sujei¸˜o de outros. para beber vinho em segredo e n˜o ser pego.2. simplesmente o o porque sua lei nunca poderia concordar com a lei das massas. embora algo liberais.21. entre todos os o ISMOS. a forma do caos. dessa e “criminalidade”. As o ca u o breves “utopias piratas” sem lei de Madagascar e do Caribe. a epifania privada da supera¸˜o de toda pol´ interior ao mesmo ca ıcia tempo em que se engana toda autoridade externa – tal poderia ser uma meta v´lida para a esse esp´ ırito e essa poderia ser sua defini¸˜o de crime. do Estado e da sociedade. contra seus ci´mes e ´dios. que representavam para ele (assim como para Dostoievski) seres humanos muito superiores ` multid˜o. Na ausˆncia de tais oportunidade. NIETZSCHE E OS DERVIXES 63 ralismo p´s-crist˜o – embora ele algumas vezes os elogie por ao menos terem a coragem de o a se revoltar contra a autoridade majorit´ria. com protestos. mesmo se superasse todas as suas obsess˜es e compuls˜es. mesmo se tragicamente tra´ a a ıdos por suas pr´prias obsess˜es e poss´ o o ıveis motivos de vingan¸a ocultos. aquele ´ estranho atrator. Mas n˜o nutrimos grandes expectativas. gostar´ ıamos n´s de pisar o num solo onde as leis s˜o abolidas e o ultimo padre ´ enforcado com as tripas do ultimo a ´ e ´ burocrata? Sim. nem que seja apenas em fun¸˜o da mera insipidez de todos os nosso inimigos. se existisse. Para ser rendi. porque prometia o a e tumulto do porvir e at´ mesmo a possibilidade do “fracasso” em vez da buc´lica sonolˆncia e o e de uma “perfeita” (e portanto morta) sociedade anarquista. no ´ ca . a Rep´blica de Fiume de u D’Annunzio. Isso n˜o ´ apenas uma quest˜o de dandismo espiritual. H´ certas causas (para a a citar Nietzsche de novo) que nunca abandonamos completamente. tenha ela assumido a forma de insurrei¸˜o ou apenas uma boemia ca orgulhosa. ca (Incidentalmente. e tamb´m que – parafraseando Yeats – at´ mesmo o mais verdadeiro dos e e segredos torna-se uma outra m´scara. claro.) a Sobre o movimento anarquista de hoje: pelo menos uma vez. acho que esta leitura talvez explique a insistˆncia de Nietzsche pela e ´ MASCARA. Talvez ele tenha falhado a ao considerar que – parafraseando Allen Ginsberg – este ´ nosso modo de nos tornarmos e “grandes”. com sonhos vision´rios. com todo tipo de co a “mart´ revolucion´rio” – em suma. Para ele. c O super-homem nietzschiano. com a maior parte da atividade anarquista contemırio a porˆnea. Sua necessidade de “guerra” (seja literal ou metaf´rica) poderia at´ mesmo persuadi-lo a o e participar da revolta. a Ucrˆnia ou Barcelona – essas experiˆncias o atrairiam.

a sociedade humana de agora (como percebida pelas e outras m´ ıdias) algumas vezes parece ser constitu´ pelos mesmos trˆs clichˆs/arqu´tipos. ıda e e e Primeiro. como tˆnias solit´rias dec a e a 30 senhadas por Giger . os criminosos: em sua maioria. Car 54. Estranhamente.E) e 32 No tao´ ısmo. quem n˜o pertence a alguma “minoria” hoje? Porra. E pior do e c a que na vida real. ´ esse personagem ´ o policial. mas mesmo assim. (N. vemos policiais corrompidos que o amea¸am implodir nossa Realidade Konfort´vel e Konsensual. fomos marginalizados e substitu´ o o o ıdos pelo Outro.T) 30 31 . as v´ ıtimas. no drama ideal dos nossos dias.R. a v´ ıtima com o repentino poder do cora¸˜o puro –. muitos pobres (ou ent˜o obscenamente ricos. por deus. meigos por dentro: Hill Street Blues – o mais mal´fico e programa de TV de todos os tempos. desenhista su´co. J´ n˜o representamos o papel principal. Tiras negros sabich˜es fazendo observa¸˜es espirituo co osas e racistas contra tiras brancos e jecas. “n´s” estamos reduzidos ao status de o v´ ıtimas sem poder. Giger. am´lgama ideal de pr´teses e pieguice. vocˆ sabe. lidando bem com a perversidade humana. Robocop. Where Are You? 31 . atrav´s do wu-wei 32 . as minorias chorosas reclamando por seus “direitos” – e. Antes. trouxas feitos na medida para serem arrasados e ridicularizados por Fatty Arbuckle ou Buster Keaton. Mas. o show policial possui apenas trˆs personagens – a v´ e ıtima. at´ mesmo os meganhas reclamaram a e que seus “direitos” estavam sendo infringidos. n˜o tem mais um lugar ca a no centro da narrativa. Os meganhas desgra¸ados est˜o em todo lugar. n˜o brancos (apesar da obrigat´ria e delirante “integra¸˜o” mostrada pela m´ a o ca ıdia). aquele her´i ca´tico o e o o quase surrealista que.22 Resolu¸˜o para os anos 1990: Boicote ` Cultura ca a Policial!!! Se podemos dizer que um personagem ficcional tem dominado a cultura popular atual.64 caso de dar ` luz a uma estrela dan¸arina. dur˜es e o e arrogantes. (N. “n´s” ´ramos aquele vagabundo. a c — Equin´cio de Primavera. Dessa forma. Depois. o policial. Policiais poderosos – protegendo os manos e humildes – ` custa de mais ou menos a ´ meia d´zia de artigos da declara¸˜o doas Direitos Civis – “Dirty Harry”. o criminoso e o policial –. Mas. e portanto ainda mais distantes) e pervertidos (isto a H. agora. mas os dois primeiros n˜o logram ser completamente humanos – apenas a o meganha ´ real. o “pequeno homem”. ou criminosos. COMUNICADOS DA AAO 2. traidor da classe. Numa dessa hist´rias masoquistas. Que chatea¸˜o incr´ ca ıvel. a a¸˜o que realiza seu prop´sito fluindo de acordo com a natureza das coisas e eventos ca o (N. mas todos se amando no final – Eddi Murphy. agridoces. mas que naturalmente s˜o detonados na hora H pelo ultimo policial a ´ honesto.E) ı¸ Seriado policial norte-americano da d´cada de 1960. a o Somos obsediados por policiais desde o in´ – mas os guardas de outrora atuavam ıcio como tolos empavonados. j´ n˜o somos a a a a os her´is de nossas pr´prias hist´rias. 1989 o CAP´ ITULO 2. Otimos poliu ca ciais. que uma vez detonou centenas de varejeiras azuis com aquela bomba anarquista inocentemente usada para acender um cigarro – o Vagabundo. humanos. sai-se vitorioso sobre rid´ e ıculos meganhas de uma Ordem irrelevante e desprez´ ıvel. criador do design do filme Alien – O Oitavo Passageiro (1940-).

junto com (ou no lugar de) os verdadeiros criminosos cujas fotos de identifica¸˜o s˜o exibidas depois de cada pequeno document´ide. Que ca a o curioso.` 2. perguntamos a n´s mesmo quem NAO ´ a o v´ ıtima ou criminoso em nosso estado-de-consciˆncia-policial.22. pombos a e eletrˆnicos. muito al´m do mero Espet´culo. n˜o representados. a trai¸˜o vic´ria. n˜o mediados. n˜o? Ningu´m experimenta nada de verdade – todos est˜o reduzidos ao status a e a de fantasmas – imagens da m´ se descolam e se deslocam de qualquer contato com a vida ıdia real de cada dia – telessexo – sexo virtual. De fato. ela tem o America’s Most Wanted. Uma na¸˜o a ca de bobalh˜es ginasianos lambendo o rabo de uma elite de brutamontes ginasianos. A Am´rica n˜o pode ter o c ca a ca e a que ela mais procura. dedos-duros por um dia. e Os policiais da m´ ıdia. puro ˆxtase c e a e . c a a literalmente roubados e apropriados? A Am´rica mais procura. o c o e e que ´ mais abomin´vel do que incesto ou assassinato. Naturalmente. os atores s˜o continuamente a importunados e mesmo presos. os espelhos proibidos de “nossos” desejos). o inferno! Quais prazeres u ˜ n˜o mediados NAO s˜o ilegais? At´ mesmo churrascos ao ar livre violam regulamentos a a e sobre emiss˜o de fuma¸a. As divers˜es mais simples acabam por infringir a c o alguma lei. a vinda final ou o Extase do estado policial – as “guerras” ao sexo e a `s drogas – controle total e totalmente esvaziado de qualquer conte´do. os traficantes ficaram a c livres. Vigias de verdade amea¸am o monop´lio do cumprimento da lei. como os mu¸ulmanos que tentaram eliminar o c a c tr´fico de crack no Brooklyn: os tiras afugentaram os mu¸ulmanos. alguns telespectadores s˜o t˜o est´pidos que acreditam que est˜o a a u a assistindo a uma filmagem real de crimes reais. Ouvi dizer que uma em cada quatro casas e nos Estados Unidos ´ assaltada todo ano e que todo ano cerca de meio milh˜o de pessoas e a s˜o presas s´ por fumar maconha. arrombamentos. Diante de tais estat´ a o ısticas (mesmo pressupondo que ˜ e elas n˜o passam de “mentiras deslavadas”). e a Mas os vigilantes da m´ ıdia (mediados) funcionam perfeitamente bem dentro do estados Policial. c e ningu´m ´ mais odiado pelo policial da vida real do que aqueles que resolvem cuidar e e da pr´pria comunidade – veja o que acontece `s iniciativas de autoprote¸˜o comunit´ria o a ca a de vizinhan¸as pobres e/ou n˜o brancas. o prazer torna-se estressante. por fim. drogar-se (porque somente as drogas fazem vocˆ se e sentir t˜o bem quanto as pessoas que aparecem nos comerciais de TV parecem se sentir). o ´ E claro que o programa ainda sofre de algumas poucas e estranhas distor¸˜es da co realidade: por exemplo.. at´ ent˜o uma mera fantasia da m´ o e a ıdia produzida pelos sentimentos de ressentimento e vingan¸a da classe m´dia. em vez disso. A transcendˆncia final do corpo: cibergnose. ent˜o. os segmentos dramatizados s˜o interpretados no estilo cinemaa verdade por atores. Por isso. sim. embora profanos.. hoje em dia. seria mais acurado consider´-los informantes n˜o pagos (eles nem a a mesmo possuem um conjunto de malas que combinam!): emiss´rios telem´tricos. Os detetives policias devem e fazer a media¸˜o por todos n´s. dar um “foda-se” para e o trabalho. assim como os seus precursores televang´licos. sodomia. a emo¸˜o doentia do mexerico. por mais que a interface seja obscura – eles s˜o apenas ca o a sacerdotes-guerreiros. apenas a TV permanece – e o prazer da vingan¸a. preparam-nos e ˆ para o advento. a fazer sexo com ninfetas n´beis. abandonar o casamento. em nenhum espa¸o conhecido. RESOLUCAO PARA OS ANOS 1990: BOICOTE A CULTURA POLICIAL!!! 65 ¸˜ ´. um mapa sem u coordenadas. O America’s Most Wanted – o programa de TV mais bem-sucedido dos anos 1980 – possibilitou para todos n´s o papel de tira amador. o O que ´ que a “Am´rica mais procura”? Essas frase refere-se aos criminosos – ou e e a crimes. l`se majest´. a objetos de desejo em sua presen¸a real.

. Nossa perversidade. para o campeonato de pesos pesados de uma paisagem abandonada. clamamos por um boicote ` imagem do Policial e por uma morat´ria da sua a o produ¸˜o na arte. desolada. vazia. ao menos em teoria). ca MORT AUX VACHES! . qualquer e a amea¸a ao Controle resulta em espasmos de violˆncia. queimada. a energia libidinosa ´ represada e desviada para a auto-repress˜o. a o u Propomos uma exegese hermenˆutica e esot´rica do slogan surrealista “Mort aux vae e ches! ” N˜o o usamos ao nos referir ` morte de policiais individuais (“vacas” na g´ da a a ıria ´poca) – o que seria uma mera fantasia de vingan¸a esquerdista – sadismo mesquinho e c a `s avessas –. Assim. N˜o importa se o consideramos e a “bons” ou “maus”. como larvas de fantasmas famintos – eles enchem u a tela. a Assim. COMUNICADOS DA AAO (“permanˆcia-fora-do-corpo”). o o Super-Ego contra Id Kid.. “consciˆncia” com a voz interiorizada da autoridade o e consensual. permitindo que novas ordens espontˆneas surjam. como Burroughs o chama. simulacro obsceno. nossa impotˆncia. a ca A “auto-supera¸˜o” nietzschiana provˆ o princ´ ca e ıpio da organiza¸˜o para o esp´ ca ırito livre (e tamb´m para a sociedade anarquista. guerra entre as metades esquiz´ides de uma personalidade dividida. e ıcio sempre envolve a contempla¸˜o do controle. violentos espasmos sem significado elee vados ao ultimo princ´ ´ ıpio de governo. Na personalidade do ese tado policial. medo do pr´prio desejo. abarrotando o primeiro plano. A imagem de um pa´ consumido por imagens ıs de ´dio a si mesmo. nossa invoca¸˜o obsessiva dos espectros policiais revela a extens˜o da ca a nossa aceita¸˜o da perspectiva manique´ ca ısta que eles simbolizam. O assass´ ınio dessas “for¸as de seguran¸a” de fato libertaria uma enchente de c c energia libidinosa. mas gentil – o seu caos encontra o seu estranho atrator. mas ` morte da imagem do policial. A imagem do inspetor ou detetive mede a ca imagem de “nossa” falta de substˆncia autˆnoma. Assim como o romance policial ´ sempre um exerc´ de sadismo. a energia flui desimpedida e portanto turbulenta.66 CAP´ ITULO 2. Autocensura. nossa transparˆncia ante o olhar fixo a o e da autoridade. mas n˜o a violenta irrup¸˜o prevista pela teoria da Lei e da Ordem. irreal. como no famoso filme de Keaton. polu´ ıda. Na personalidade do esp´ c e ırito livre. o seriado policial. Milh˜es de meganhas o min´sculos formigam em toda parte. o Controle interior e suas mir´ a ıades de reflexos no Lugar Nenhum da m´ ıdia – o “quarto cinza”. uma Ant´rtica a onde nada se move a n˜o ser multid˜es de sinistros ping¨ins azuis.

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