CLASSIFICADOS

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 26 DE FEVEREIRO DE 2012

Imóveis 1

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3

Reportagem de capa

Corretor está mais jovem e escolarizado
Perfil da categoria, realizado por conselho federal de fiscalização da atividade, mostra que área está cada vez mais profissionalizada
Gustavo Coltri

Eles estão mais preparados, mais jovens e menos desiguais. Enquanto a participação feminina e a escolaridade crescem entre os mais de 160 mil corretores espalhadosportodoo País,aidademédiadessesprofissionaisestádiminuindo.Osdestaquesaparecem na edição 2011 do Perfil dosCorretoresdeImóveiseImobiliárias do Brasil, iniciativa do Sistema Cofeci-Creci divulgado em primeira mão pelo Estado. Este é o terceiro levantamento realizado pela entidade federal responsável pela fiscalização profissional da corretagem de imóveis. As outras duas pesquisas do gênero foram feitas em 2005 e 1995 respectivamente. “A partir de 2004, tivemos uma mudança muito grande no mercado com a chegada dos financiamentos. Houve um salto qualitativo e quantitativo nos profissionais”, diz o presidente do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci), João Teodoro da Silva. Para o presidente da AssociaçãoBrasileira deDefesadosCorretoresdeImóveis(ABCI),Francisco Zagari, há 42 anos no mercado,amaiorpartedosnovostrabalhadores entrou no mercado por euforia. “São corretores que ficam nos plantões de vendas.” Quase 70% dos inscritos nos conselhos regionais, de acordo com a pesquisa, estão há menos de 10 anos na atividade, e apenas 16% têm vínculos há mais de dez anos e menos de 20.
Escolaridade. Os profissionais que se declararam com ao menos formação superior passaram de 51% em 2005 para 53,5% no levantamento do ano passado– caso do corretor paulistaJosé Antônio Macedo Rodrigues, o Everton. Depois de uma vida dedicada ao comércio exterior na aviação civil, ele enveredou pela corretagem – antes no mercado de seguros e, desde julho de 2011, no de imóveis. “Pretendoseguirnaárea o resto da minha vida. Na realidade, não é uma profissão que limita pela idade”, diz. Aos 55 anos, ele integra o grupo mais numeroso de profissionais na área: 53% de

todos os corretores ouvidos pela pesquisa tinham entre 40 e 60 O QUE DISSERAM anos no momento de inscrição nos conselhos regionais.
Mudanças. A idade média desG Levantamento do sistema Cofeci-Creci com 22.383 profissionais mostra o perfil dos corretores brasileiros em 2011

ses trabalhadores entre 2010 e 2011 ficou em 39 anos, dois a menosdoqueoresultadoobtidoentre2000e2009,segundooCofeci. A diminuição da faixa etária nacategoriatemsidotendência nos últimos anos. “Hoje, há pessoas que vêm receber autorização do Creci aos 18 anos de idade. Para elas, essa é a primeira profissão, uma opção de vida. E isso puxa a média para baixo”, diz o presidente do Conselho Regional de Corretores deImóveisdeSãoPaulo(CreciSP), José Augusto Viana Neto. Os homens ainda dominam a corretagem, mas a presença feminina cresceu desde 2005. Anteselasrepresentavam21%detodos dos profissionais. Hoje, chegam a quase 33%. Viana Neto acredita que a postura atenciosa das mulheres dá a elas vantagem nas vendas de imóveis. Em 8 de março, dia internacional da mulher, a entidadepaulistarealizaráumacerimônia para a entrega de inscrições a alunasdocurso técnicoemnegóciosimobiliários–necessáriopara a regulamentação trabalhista na atividade. Sete em cada dez profissionais em atividade do País atuam como autônomos, ou seja, não têm vínculo empregatício tradicional – essa é uma característica da categoria e, em geral, não causa descontentamentos. “Éfatoque, no mercadodehoje, muitos corretores acham que têm que ter carteira, mas tradicionalmente o corretor quer estar livre. Quando se coloca um salário, limita-se o ganho”, diz o presidente do Creci-SP. A maior parte dos profissionais mostra-se satisfeita com as perspectivas profissionais da área. A aprovação supera os 50% entre os corretores consultados na pesquisa. Mesmo com o otimismo,osrepresentantesdacorretagem ainda enxergam desafios:“Temosde consolidaraprofissão no âmbito da sociedade”, diz Viana Neto.

Mulheres 32,7%

Homens 67,3%

Idade, no momento da inscrição no Sistema Cofeci-Creci
EM %

9 Entre 18 e 29

19 Entre 30 e 39

26 Entre 40 e 49

27 Entre 50 e 59

19 60 anos ou mais

Escolaridade
EM %

Fundamental completo
NILTON FUKUDA/AE

1,6 34,6 48,6
MULHERES MULHERES HOMENS

Ensino médio completo Superior completo Pós-graduação Não informaram

52,4 46,7 11,1 16,5

14,9
HOMENS

0,3

Média de filhos por região

NORTE

2
NORDESTE

1,6
CENTROOESTE

2,1

SUDESTE

SUL

1,5

1,5

56,8%

são casados

77,5%
têm até dois filhos

57,3%

não têm filhos em idade escolar

O que acham?
EM %

Estão satisfeitos com a profissão

51,1 21,3 5,1 12,1 1,6 8,8

Estudo contou com a participação de 13% da categoria
● O mais recente Perfil dos Cor-

retores de Imóveis e Imobiliárias do Brasil, realizado no ano passado, utilizou como base de pesquisa o cadastro de trabalhadores de agosto de 2010 no Cofeci, que na época contava com 163.472 inscritos. A amostra do levantamento correspondeu a 13,7% do total de profissionais. Todos os 22.383 corretores consultados pela pesquisa tinham ao menos dois números de telefone – um fixo e um

móvel – para garantir a coleta dos dados, realizada exclusivamente por meio telefônico. As entrevistas foram feitas em dois turnos, 12 horas por dia até o esgotamento do cadastro. A distribuição da amostra respeitou, segundo os organizadores do levantamento, a representação dos inscritos nas regiões brasileiras. A pesquisa tem intervalo de confiança de 95%, com 5,5 pontos porcentuais de margem de erro. “A maior dificuldade revelouse na obtenção de dados sobre a situação financeira dos entrevistados. Nos demais casos, a receptividade ao trabalho foi excelente”, diz o Cofeci.

Estão muito satisfeitos São indiferentes Estão insatisfeitos Estão muito insatisfeitos Não informaram

Onde investem?
47,7% na poupança

68%

estão inscritos há menos de 10 anos no sistema

38,3% compram imóveis

77%

atuam como autônomos

Everton. Está entre os 53% que têm idade entre 40 e 60 anos

FONTE: SISTEMA COFECI-CRECI

INFOGRÁFICO/AE

DANIEL TEIXEIRA/AE

Qualificação superior no Estado chega aos 82%, estima Creci
São Paulo também vê acelerado processo de rejuvenescimento na média etária dos inscritos no ofício
As transformações pelas quais passam a categoria profissional dos corretores são ainda mais acentuadas em São Paulo, maior mercado de imóveis do País. O Estado tem cerca de 115 mil inscritos no Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) – cerca de 85 mil deles atualmente ativos. Enquanto no Brasil quase 64% se declararam com ensino superior ou pós-graduação, em São Paulo o número chega a 82%, segundo o conselho estadual. “O mercado tem chamado muito a atenção, e o pessoal de outras profissões tenta aproveitar”, diz o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto. O rejuvenescimento da categoria, tendência no mercado, de acordo com representantes da atividade, ocorre de forma acentuada nas fronteiras paulistas. “Aqui em São Paulo, a média da faixa etária é de 43 anos. Há dez anos,a faixa etária era de 53 anos. E o número de jovens é muito grande no mercado”, diz. Oporcentualdemulherespaulistas na massa profissional do Estado, segundo Viana Neto, mantém-se estável em a aproximadamente 30% há alguns anos – muito próximo ao resultado alcançado no último levantamento federal, em 32,7%. Além disso, a renda média por aqui, de acordo com a entidade estadual é de dez salários mínimos, o dobro do que ganha mais da metade dos profissionais brasileiros (veja o gráfico).
Desconectados. Mesmo na

maior metrópole do Brasil, os corretores locais acompanham a tendência do País. No Estudo do sistema Cofeci-Creci, 40,6% diziam participar de redes sociais. “A atividade da corretagem requer um comportamento desigilo absoluto sobre os dados no negócio”, explica Viana Neto.

Maioria. Mercado paulista concentra mais da metade dos profissionais regulamentados